Última atualização: 26/09/2017

Capítulo 1

Nova York foi ficando cada vez mais para trás à medida que o avião pegava certa altura para manter a estabilidade. O barulho da aeronave cortando o céu era a única coisa que dava para se escutar nitidamente. Dentro do avião não havia nada que pudesse indicar que ali estaria viajando o BTS. Grupo ao qual depois de um longo show e uma realização pessoal fosse capaz de não conter toda a alegria e felicidade por mais um sucesso. Mas hoje tudo parecia sem vida. Nenhuma conversa, nenhuma televisão ligada. Nenhum sorriso e nem uma ponta de felicidade nos olhos de cada integrante. Tudo parecia esquecido e frio, como se estivessem em um luto profundo.
Nova York não seria um palco de boas lembranças para essa turnê. Todos os projetos, conquistas e aquela felicidade que cada um transmitia apenas com um olhar foi ficando para trás junto com ela.
Jimin estava sentado na última poltrona do jatinho, isolado de todos os outros amigos. De óculos escuros e em silêncio, ele se manteve naquela mesma posição e não fez menção alguma de estar querendo sair daquele lugar, que seria parte do seu esconderijo dessa longa viagem de volta para casa. Foi o primeiro acordar naquela manhã e o primeiro a deixar o hotel. O desespero de deixar tudo para trás e a esperança que tudo aquilo não se passava apenas de um pesadelo eram as únicas coisas que ele tentava se agarrar naquele momento. Ninguém ao menos teve coragem de dizer alguma coisa. Palavras para aquele momento seriam inúteis, tão inúteis quando se dava para perceber em seus olhos o sofrimento que ele estava enfrentando. A força que ele concentrava para se manter em pé era incontestável e por mais que estivesse em pedaços lutava para se ver livre daquele pesadelo e do circo que estava se armando a sua volta. Não daria mais do que poucas horas para sua vida e seu sofrimento estarem estampados em todos os jornais e revistas do mundo. Todos rindo e achando que aquilo o levaria novamente para o fundo do poço. Nesse exato momento o que mais atormentava não era o estrago que isso causaria na sua vida pública, mas sim a ferida que estava se abrindo a cada instante, angústia e a necessidade de saber o que o esperava pela frente. Aprender a esquecer alguém que o fez mudar completamente, aprender a lutar contra o que o mais machucava, aprender a viver novamente todos os seus dias como viveu até o exato momento em que a conheceu. Lembranças voltaram à tona, o atormentando e torturando cada parte do seu corpo. Meses, dias, semanas horas e minutos, tudo lembrava ela. Seu sorriso, seu cabelo. A pequena maneira em que ela mexia com a boca quando estava confusa, o olhar profundo e intenso que ela o olhava. A forma apaixonante dela dizer em poucas palavras o que estava sentindo. A facilidade de encantamento e marcas que ela deixava registradas. Esquecer era um dos pontos principais para seguir em frente, mas um ponto impossível dele conseguir nesse momento. Como conseguir voltar a viver da mesma maneira sem ela por perto, se ele não era a mesma pessoa depois que a conheceu? Qual sentido teria em acordar pela manhã sem sentir o seu perfume ou o contato de sua pele diretamente com a dele? Por que existir um amor assim, avassalador, e minutos depois estar ali sozinho, esperando que por um milagre acontecesse e todos os seus pedidos fossem realizados? Rezar pela primeira vez na vida e não pedir mais nada a não ser que ela voltasse e ficasse para sempre ao seu lado. Jimin pressionou os dedos em volta dos olhos disfarçando pequenas lágrimas que começaram a cair insistentemente. Aprender a esquecer a pessoa que havia o transformado em alguém melhor. Esquecer a única pessoa que fez seu coração bater acelerado, suas mãos suarem frio e o fez ter aquela pequena sensação de borboletas no estômago quando ela se aproximava, esquecer sua única razão de felicidade, seu porto seguro, sua salvação daquele mundo. Seria possível alguém amar desse jeito outra pessoa? Amar dessa mesma intensidade e obsessão? Entregar não apenas seu coração mas também sua alma. Ele afundou-se ainda mais na poltrona com todos aqueles sentimentos e lembranças desejando com todas as suas forças acordar daquele pesadelo que estava atormentando e despedaçando sua vida em várias partes.
– Será que eu devo ir falar com ele? – V quebrou o silêncio perguntando para J-Hope o que fazer. Estava preocupado com o amigo e com o estado que ele aparentava estar. O conhecia tão bem quanto imaginava, Jimin estaria se torturando com lembranças e culpando-se novamente por ter sido um fraco e feito alguém que amava sofrer. Ele nunca soube ao certo lidar com o sentimento de perda ou esquecimento, mas estava ciente que as coisas naquele instante estavam complicadas e a possibilidade dela voltar era nula em vista do ocorrido. Como também a possibilidade de um dia novamente voltar a vê-la, ele e nem ninguém imaginava o que estaria se passando pela cabeça dela. Qual o sentimento e o grau de sofrimento que estava enfrentando. Ambos estavam sofrendo e a cada minuto que passava ele se sentia mais perdido sem saber o que fazer pelo amigo. Vê-lo ali naquela poltrona largado, sofrendo, o incomodava muito. Queria não se sentir tão inútil e falar algo que fosse reconfortante para ele, mas o que falar nesse momento? O que falar sobre isso se ele próprio foi um fraco em sua história com ? Hoje em dia não tinha a coragem de olhar para a pessoa que por um pequeno período em que esteve ao seu lado foi seu grande amor. Hoje, mesmo depois de algum tempo, ele não soube superar e esquecer isso. Como cobrar de Jimin uma reação e como ajudar o amigo se ele nem ao menos sabia lidar com isso?
Rap Monster disfarçou e olhou por cima do ombro de Suga para Jimin e viu que ele estava olhando perdido para o lado de fora do avião. Sentiu sua cabeça pesada não fazendo nada pelo companheiro, ele estava sentado como todos os outros olhando para ele como se estivesse apreciando seu sofrimento com tudo aquilo.
– Não sei. – J-Hope respondeu para V com sinceridade, se sentindo perdido no meio de tudo aquilo. – Ele precisa ficar um pouco sozinho. Todos nós conhecemos o Jimin e nesse momento ele sempre gostou de não falar muito. Não vamos tentar forçar a barra com ele por enquanto, antes de chegar em casa a gente vê o que faz. Temos duas semanas de folga antes do próximo show.
– É a melhor coisa que fazemos no momento. Ele não quer conversar com ninguém. – Kook disse, intrometendo-se na conversa dos dois.
Claramente o único que enxergava que a melhor solução para Jimin era o isolamento completo do mundo. Sem conversas, sem abraços, sem piadas ou qualquer contato com outro ser humano.
–Eu preciso saber aonde a Brendha foi, porque ela simplesmente sumiu sem deixar nada que desse a entender aonde iria. – Suga estalou os dedos, ficando aflito sem notícias da namorada. – Por que ela não atende o celular? Ou então por que não deixou um bilhete falando onde estava indo? Será que é tão difícil assim avisar? Ela sabe que eu fico preocupado, ainda mais com esse assédio da imprensa.
– Suga! – Jin segurou no ombro dele forte. – Mantenha a calma nesse momento. Brendha não é nenhuma criança e sabe o que está fazendo. Mesma coisa eu digo pela que com certeza está com ela. Então vamos relaxar que elas vão ligar assim que estivermos em terra firme.
– Os nossos celulares estão desligados, talvez tenham tentado ligar e não conseguiram. – Rap Monster comentou, balançando o celular no alto tentando acalmá-lo. – Vamos esperar e depois nos preocupar se realmente aconteceu algo de grave.
– Como será que a está? – J-Hope deixou as mãos caírem em seu colo e soltou um pequeno suspiro preocupado. – Por mais que eu esteja preocupado com o Jimin não deixa um minuto de pensar em como a pequena está se sentindo.
– Não imagino como. – Rap Monster balançou a cabeça sem forças para olhar para frente. – Ela sempre me pareceu perdida nesse mundo em que vivíamos. Sempre tentou lidar com todos esses acontecimentos e antes de se envolver com Jimin relutou um pouco. Todos nós percebemos isso, talvez esteja sendo mais difícil para ela.
– É fácil pra gente que vive todos os dias nessa loucura conseguir separar essas situações, agora eu fico imaginando pra ela que é tudo novo. – Kook completou preocupado. Ele sabia que esse mundo musical não era fácil. Na maioria das vezes a carreira era arrastada para o fundo do poço com uma nota errada ou uma foto tirada em um momento errado.
– Agora a vida dela se tornou pública. – Suga lembrou das matérias de revistas e jornais. – Ninguém mais vai deixá-la em paz, pelo menos não enquanto acontecer algo de novo na vida do Jimin e eles se esquecerem de mais um relacionamento frustrado dele.
– Não podemos esquecer que não é a primeira vez que isso acontece com o Jimin, então imagina como ele vai reagir ao ver a exposição toda que ela vai sofrer? – Jin relembrou algo importante. Era apenas questão de algumas horas para que a notícia estivesse em todos os lugares do mundo. E novamente o tumulto iria se formar em volta do grupo e de Jimin, perguntas sobre a vida pessoal. Sobre os acontecimentos. Fotos e mentiras em cima de mentiras.
– E como deve estar a ? – V relutou com algumas lágrimas que tentaram cair de seus olhos. Não poderia deixar transparecer que estava tão mal assim, logo ele que sempre era considerado como a rocha da equipe. A pessoa que nunca se abalou por nada e que sempre esteve presente em todos os momentos mais importantes. Não poderia vacilar com isso. Estaria ali novamente para eles em qualquer que fosse a dificuldade, estaria sempre para os amigos, para eles que agora haviam se tornado sua segunda família.
– Eu fiquei pensando nela durante o show todo, como ela estaria animada em mais um show nosso. A forma que ela iria entrar pelo camarim saltitante feliz com o nosso sucesso. A forma destrambelhada que ela partiria para cima do Jimin. Ou então os comentários mais sem sentido do mundo para o Suga. – Rap Monster falou baixinho, sentindo um nó na garganta. Seu estômago deu uma reviravolta enorme e não somente J-Hope lutava contra as lágrimas, mas Rap Monster também tentava disfarçá-las.
– Como deixamos essas meninas entrarem dessa maneira na nossa vida? -– Kook respirou fundo, frustrado com toda aquela situação. Por mais que estivesse em fase de negação também estava sentindo muito com todo aquele clima triste. Há algumas horas atrás o clima era de felicidade.
– Vamos esquecer isso, não quero ficar mais preocupado. – Jin ajeitou os óculos e em seguida fechou os olhos. – Vamos nos concentrar em uma coisa de cada vez.
– Por que essa turnê não está dando certo como a gente esperou? – Suga levantou a cabeça, jogando o cabelo para trás da orelha tentando procurar algum motivo que levasse à toda aquela confusão. – Por que terminamos assim? Estava indo tudo muito bem e feliz. Em todos os shows batemos um recorde de público, soubemos tocar músicas novas. Aprendemos a conviver com pessoas diferentes, manias e formas de encarar a vida artística. Por que no final aconteceu tudo isso?
– Não vejo respostas coerentes para essas perguntas. – Kook respondeu desanimado. Ele era o único que se manteve neutro diante de comunicado final. O único que não demonstrou decepção ou irritação, segurou até o momento todas suas revoltas contra aquilo. Uma bola imediatamente subiu pela sua garganta, fazendo sua respiração oscilar um pouco. – Nunca me senti tão péssimo em todos esses anos de carreira. Aqui estou eu, sentado em um avião voltando para casa depois de deixar um show com milhares de fãs gritando e um público recorde. Mais uma conquista em minha vida e não sinto ao menos um pouco de felicidade para comemorar isso. – Ele passou as mãos pelo cabelo, parando em seu rosto depois de muito tempo. Desabafando, sentiu-se mais leve. – Não sei o porquê de dar errado e não sei se um dia nós vamos chegar a descobrir realmente o motivo do erro. Mas nós ainda somos amigos, temos um grupo pela frente e precisamos nos recuperar logo para voltar ao palco e fazer o que sempre sonhamos e lutamos dia após dia.
– Todos esperam sempre alguma coisa da gente e não sei se nós estamos fazendo o nosso melhor nesse momento. – V sorriu insatisfeito com o próprio desempenho naqueles dias. – Nossos fãs estão esperando ver o grupo por quem eles se apaixonaram e acompanham durante anos. O grupo ao qual gastaram e choraram durante dias de felicidade ao se aproximar por alguns instantes apenas.
– Mas nós mudamos bastante. – Suga entrou na conversa, se defendendo. – Nós não somos o mesmo Bangtan de dois anos atrás. Não digo que mudamos nessa turnê, mas parte do que éramos no passado não se tem aqui no presente. E eu realmente estou ficando tão cansado de ver que as pessoas não entendem que nós temos direito de mudar nossos estilos. – Jin soltou, ficando cansado de pressões em cima do grupo por esses motivos.
– Nós temos as nossas vidas e estamos mudando a cada dia e crescendo. Ninguém fica de um jeito para sempre e nem todos enxergam isso. Eu queria apenas ser alguém em especial para cada fã, especial da maneira de cada uma e não da maneira em que a mídia me rotula. – Suga agora encostou a cabeça em seu assento, encerrando aquela conversa. Já era hora de descansar e se desligar um pouco do mundo. Não iria se obrigar a compreender nada nesse momento. Tudo o que mais queria era respirar e tirar se possível algumas horas de descanso antes do inferno de verdade começar.
– Se você sente incomodado com isso, imagina como o Jimin sente com relação ao que a mídia fala a respeito dele. – J-Hope comentou, se lembrando de algumas matérias a respeito da briga que a mídia inventou entre ele e um dos integrantes do grupo Exo.
– Jimin só pode ter algum problema, porque isso tudo sempre acaba caindo em cima dele. A grande verdade é que ele está cansado e finalmente pensou que estaria encontrando algum pouco de paz em sua vida sentimental e profissional. Mas ele se enganou e novamente algo aconteceu, o puxando para baixo novamente. Jimin vai precisar de um tempo para colocar a cabeça em ordem e nós precisamos estar ao lado dele sempre que ele precisar e realmente espero que ele saiba que pode contar com os seus amigos.
– Mas por que será que é tão difícil sermos nós mesmos? – Rap Monster tentava entender de alguma forma e achar respostas para todas aquelas perguntas. – Qual a felicidade que as pessoas sentem quando a outra está nitidamente sofrendo? Será que ninguém percebe isso?
– Todo mundo está cansado disso, Rap Monster! – Jin o observou argumentar e achou que essa era a hora que ele exatamente precisaria colocar algumas coisas também para fora. – Quem não fica cansado de sempre estar sorrindo quando na verdade se quer chorar? Nós seguramos muitas coisas ao longo desses anos e esquecemos de viver parte das nossas vidas para se dedicar ao público e toda essa loucura que era estar ao sol, junto aos nomes das melhores estrelas do mundo. Esquecemos de sentir e mostrar nossos sentimentos, fizemos isso através de nossas músicas. Mas não através de nós mesmos. Erramos por isso e agora estamos caindo na realidade que nunca precisamos chegar aos extremos para estarmos sempre em cima. Teria bastado apenas um sorriso sincero ou uma careta divertida para chegar aonde chegamos.
– Optamos por um caminho diferente. – Kook cortou o amigo. – A meu ver, não o caminho certo, mas estamos ainda nele e não podemos desviar. Não agora.
– Nós não erramos. – V apontou para o próprio peito. – Somos todos seres humanos vivendo e aprendendo a cada dia com o que o mundo tem a oferecer. Não tem nada de errado nisso, apesar de achar que está sendo castigo demais.
– Sinto falta de uma boa gargalhada. – Rap Monster encostou-se na poltrona olhando pela janela. Seu comentário foi mais forte do que ele imaginava, todos ficaram em silêncio sentindo-se péssimos e derrotados. Na esperança de novamente ter a chance de rever aqueles mesmos sorrisos em breve. Mas a cada milha que o avião se movia eles tinham a certeza que isso nunca mais poderia acontecer novamente.


Capítulo 2


Faltando não mais do que alguns minutos para uma da manhã o avião aterrissou em Incheon e sentiu sua casa mais próxima do que nunca. Definitivamente estava pensando em voltar para casa, talvez depois de mais alguns longos meses, mas sua volta estava muito mais adiantada do que o esperado. Tentou, durante toda a viagem de volta, não pensar em nada do que a fizesse lembrar dele, nenhuma lembrança, nenhum momento. Nenhum olhar ou palavra, seu sorriso, o jeito em que jogava o cabelo, a forma em que seus lábios descreviam alguma coisa. Ou a intensidade de seu olhar quando a encontrava, demonstrando que nada mais o teria feito feliz a não ser sua presença. A maneira boba em que ele mexia os pés quando estava nervoso e até mesmo o jeito em que ele falava com ela era torturante demais. Seu toque e o formato em que seus lábios se encaixavam aos dela, tudo desabou nesse exato momento e como súplica, ela deixou cair o rosto, perdendo o controle do choro.
Estremeceu um pouco ao se dar conta de que estava pensando nele e sentiu toda a dor voltar novamente dentro do seu peito. Engoliu o choro abafado, encostando-se na janela do avião para não chamar atenção e não acordar as amigas. O controle que ela tentava manter àquela altura já estava longe, seus olhos estavam encharcados de lágrimas. Suas mãos começaram a suar frio e ela evitou entrar em outra crise, imaginando o que estaria acontecendo com ele para agir daquela maneira. O seu braço ainda estava dolorido com o corte e ela pressionou levemente o curativo.
– Jimin… – Ela suspirou, tentando encontrar forças para se levantar daquele avião. Sua cabeça caiu um pouco, sentindo seu coração acelerar conforme o avião ia parando na pista de pouso. Mantendo a concentração, tentou-se livrar mais uma vez da imagem de Jimin no aeroporto, isso era tortura. Isso teria que parar em algum momento, ela não buscaria por mais respostas, não queria saber o porquê dele simplesmente acabar com tudo dessa maneira. Por que todas essas perguntas sem respostas? Por que ele não voltou? Por que não atendeu o celular? Sua última lembrança era ele olhando pelo vidro do avião sem expressar qualquer reação. Ele estava tão sério. Triste. Jimin simplesmente a encarou tão frio. Tão estranho. Ela nem ao menos teve forças para fazer qualquer movimento depois daquele olhar.
balançou a cabeça inconformada e limpou as lágrimas com as costas das mãos, se sentindo uma tola por estar naquele estado por alguém que passou somente alguns meses ao lado. Mas ela sabia que bem no fundo não queria assumir que aqueles meses foram os mais importantes de sua vida até esse exato momento. Nunca sentiu e amou tão intensamente alguém como amou Jimin.
Passado, exatamente no tempo certo.
Jimin ficaria no seu passado como um grande amor, uma grande parte que ela pôde aprender e acreditar que grandes amores existiam. Desejou fortemente que seu amor ficasse bem, mesmo não estando ao seu lado nunca mais.
– Finalmente em casa. – Ela sussurrou baixinho para si mesma, nada entusiasmada.
– Chegamos? – se virou, espreguiçando-se logo em seguida que o avião parou e anunciaram que haviam chegado a Incheon. balançou a cabeça confirmando e abriu um sorriso, demonstrando confiança.
– Não vejo a hora de chegar em Seul e tomar um bom banho como mereço. – comemorou, abrindo os braços e levantando-se.
– Preciso saber do Suga. – deu um pulo imediato da sua poltrona, pegando sua bolsa. – Odeio quando ele não manda nenhuma mensagem, até parece que eu não tenho namorado.
– Pelo menos uma de nós ainda tem. – entortou um pouco a boca, tentando não demonstrar qualquer reação sobre aquele comentário.
abaixou a cabeça, sentindo-se péssima pelo infeliz comentário que tinha feito.
– Eu estou bem, . Não precisa se preocupar, você não disse nada demais. – Ela percebeu o incômodo da amiga. O clima foi ficando mais leve com o tempo quando elas chegaram ao apartamento delas em um dos pontos mais calmos e nobres da cidade. ficou surpresa ao andar de carro pela madrugada de Seul, tudo estava calmo e tranquilo. O que não era o esperado para sábado a noite. Apesar de achar que teria certos problemas nos próximos dias com tudo o que estava acontecendo, respirou fundo agradecendo por estar novamente em casa. O celular em sua mão indicava que logo mais a preocupação iria começar, no visor várias chamadas perdidas de V e J-Hope, ambos com certeza estavam preocupados. Mas, no momento o seu único pensamento era como lidar com e não pôde deixar de se preocupar com Jimin, que estava tão longe. Em algum lugar sofrendo. Mesmo sem saber o que realmente tinha acontecido, ela o conhecia bem o suficiente para saber que esse momento ele estava sozinho, não querendo ninguém por perto e isso era a sua maior preocupação.
– Park Jimin, fique bem! - ela disse, pressionando o celular contra suas mãos esperando que a madruga fosse calma e que fosse capaz e ter uma noite tranquila. Ou que pelo menos tentasse dormir um pouco para descansar. Por mais que tentasse disfarçar, ela também estava sofrendo com tudo aquilo. Ela sentia a tristeza dos amigos, sentia o sofrimento e principalmente por mais que estivessem na mesma cidade sentia muita falta de todos juntos.

Quando o carro estacionou no enorme gramado de frente para a entrada principal da casa, Jimin abriu a porta sem ao menos esperar que alguém tivesse a coragem e a vontade de descer. O caminho do aeroporto nunca foi tão longo como aquele dia, todos estavam em silêncio a maior parte do trajeto. A única palavra mencionada durante todo o tempo foi quando J-Hope disse um simples obrigado para o carregador de malas que havia fechado a porta do carro para ele.
A porta da casa se abriu, revelando a governanta parada ao lado dela com um enorme sorriso receptivo. Jimin passou por ela, abrindo um sorriso pequeno e sem esperar subiu imediatamente as escadas em direção ao seu quarto. Abriu a porta com toda força e a primeira coisa que fez foi tirar logo os sapatos e desabotoar parte de sua camiseta.
Tudo estava misteriosamente em seu lugar e limpo. Pela primeira vez pôde enxergar sua cama arrumada sem pilhas enormes de roupas jogadas em cima dela.
No escuro, sentou-se na beirada da cama e pressionou o rosto com as duas palmas de suas mãos, seus pés descalços tocavam o chão frio e seu peito estava exposto ao frio que estava entrando pela janela entreaberta. Sem vontade alguma de trocar de roupa, ele num impulso se jogou mais para o centro da cama e se virou de bruços, cobrindo a cabeça com um travesseiro.
O choro que estava parado em sua garganta e toda a dor que ele estava tentando esconder esse tempo, imediatamente explodiu entre aquelas quatro paredes. Jimin pôde sentir seu rosto molhado contra o lençol de sua cama e sua respiração ficava pesada a cada minuto que se estendia. Seu choro começou a se tornar um choro de desespero. Sem se preocupar se teria alguém olhando ou então preocupado em que ele fizesse alguma besteira. Como sempre, todos a sua volta esperando sempre pelo pior de sua parte, não acreditando e não confiando em seus atos. Ele ficou ali parado, imóvel, desabafando em forma de lágrimas tudo o que estava sendo guardado dentro de seu peito. Nenhuma palavra estava sendo dita, apenas lágrimas e mais lágrimas.
Seu mundo estava desabando em torno de sua cabeça e ele nem ao menos pensou em lutar para que isso não acontecesse, estava se sentindo exausto e sem forças para levantar daquela cama. Cedo ou tarde ele sabia que teria que enfrentar tudo o que estava esperando, mas, nesse exato momento, o que mais queria era apenas estar sozinho e refletir sobre a volta e a mudança completa de sua vida nesses meses.
Muitos pontos para serem analisados, mas aquele enorme buraco que estava dentro do seu peito parecia nunca ter fim. Qualquer lugar que procurasse em suas lembranças era inevitável não a encontrar. Ela estava ali presente como se tudo dentro dele precisasse dela para continuar seguindo em frente. Isso nunca teria um limite, e nada que ele pudesse fazer agora conseguiria parar esse turbilhão de coisas que começaram a surgir de todos os lados. Pensou em esboçar alguma reação corporal, precisava gritar, chorar, berrar com todas as suas forças até novamente cair na cama e tentar dormir, esquecendo nem que seja por alguns pequenos minutos que sua cama estaria vazia ao acordar pela manhã. Que não a teria ao seu lado e que não seria mais o seu cheiro em sua pele. Tudo estaria vazio, o mesmo vazio que estava antes de conhecê-la.
O celular em seu bolso começou a tocar, o fazendo assustar-se um pouco. Não se lembrava daquele pequeno aparelho irritante ali.
Com uma das mãos o pegou e quando o levantou para atirar em algum lugar olhou para o visor e reconheceu aquele nome que estava brilhando.
– Qual deles pediu para você ligar e ver se ainda não tentei me atirar pela janela? – Ele perguntou, aproximando o telefone de seu ouvido e não dando espaço para outras palavras que normalmente seriam ditas quando se atendesse um telefonema.
– Dessa vez ninguém me pediu para ver se você ainda estava vivo, a não ser que minha ligação seja também para verificar se você não cometeu nenhum ato extremo. – manteve o nível da voz uniforme ao escutar que ele estava chorando antes de atender o celular. – Mas vejo que você pelo menos está inteiro. Não tentou arrancar nenhuma outra parte do corpo?
– Sou tão previsível assim? – Ele girou o corpo, ficando de barriga para cima. – Infelizmente não tentei arrancar nada, ainda. Gosto muito do meu corpo e existem partes nele que eu uso bastante.
– Não quero saber qual é essa parte, ok? – sentiu seu coração bater forte ao escutar a respiração dele bem lenta do outro lado. – Eu queria apenas ouvir a sua voz e conversar um pouco com você.
– Você também esteve chorando. – Isso foi mais uma afirmação do que uma pergunta. Jimin às vezes aparentava ser desligado do mundo e de todos os outros detalhes em sua volta. Mas sabia como ninguém reconhecer quando seus amigos estavam com problemas. – Talvez eu devesse perguntar o que você tem.
– Eu estou bem. – mentiu, disfarçando. – Não quero falar sobre o que está acontecendo aqui, eu só quero saber como você está.
– Não sei direito. – Ele respondeu, passando umas das mãos pelo rosto. – Em choque ainda seria a palavra mais exata. Ou então nem em choque eu esteja. Na realidade, eu não sei ainda de nada.
– Eu não vou perguntar o que aconteceu, mas eu estou preocupada com você.
– Eu sei, desculpa eu ter ido embora daquele jeito. - ele disse sincero, soltando um pequeno suspiro.
– Sinto muito por tudo o que está acontecendo, queria estar ao seu lado para dar um enorme abraço e dizer que sempre vou estar aqui. Seja qual for o motivo eu sou sua amiga e te amo muito. – tentava achar meios para começar a conversar com ele, mas estava se sentindo tão perdida quanto. Sua cabeça ainda estava girando muito. estava no outro quarto e ela sabia que a amiga não estava dormindo. Tudo estava bastante complicado e ela não sabia o que fazer para ajudar.
– Não é culpa sua, .
– Não me sinto culpada, mas preocupada com… - ela interrompeu, achando não ser o melhor momento para falar o nome da amiga. Jimin, do outro lado, ficou em silêncio, sabendo exatamente a quem ela estava se referindo. – Min, não sei nem o que falar.
– E ela? – Jimin soluçou, deixando novamente algumas lágrimas percorrerem seus olhos. Nesse momento ele sabia que não iria entender o que estava acontecendo e ele sabia que não iria adiantar muito ficar falando a respeito do assunto. Mas, de alguma maneira ele precisava saber como estava. Se a viagem de volta tinha ocorrido tudo bem, se a garota estava dormindo. Tudo o que fosse possível. Tudo o que fosse necessário para fazer com que ele ficasse um pouco mais tranquilo. Não melhor, mas algo para ter coragem e forças para levantar amanhã e encarar a coletiva de imprensa que estava marcada.
– Quer mesmo saber? – perguntou, incerteza se era realmente certo falar sobre . – Talvez fosse melhor a gente conversar sobre isso um outro momento, agora você tem que dormir já é bem tarde.
– É como se tudo fosse um terrível pesadelo e eu estou aqui deitado agora, esperando que alguém me acorde e me puxe para cima. Esperando a qualquer momento essa porta abrir e eu a ver entrando, tropeçando e reclamando de alguma coisa. Olhar dentro dos olhos dela e dizer para respirar fundo que tudo vai ficar bem, que não é nada demais. Passar a mão pelo rosto dela em seguida e sentir sua pele novamente. Não quero mais viver dentro desse pesadelo todo. Quero acordar, quero novamente essa turnê com as mesmas pessoas que começaram. Quero todos de volta rindo e curtindo a cada minuto essa aventura. – Ele não parou um segundo e as palavras começaram a sair livremente. – Não sei se estou pedindo demais tudo isso, mas nunca quis tanto algo na vida como eu quero que o tempo volte e quando eu entrar em um quarto de hotel eu veja todos sentados conversando e prontos para um próximo show.
– Jimin. – o chamou, tampando a boca contendo um enorme soluço de desespero. Cada palavra a fez sentir como estaria nesse exato momento. – Min, por favor.
– Por que tudo isso aconteceu? Por que eu fui um idiota e não prestei atenção nessas pequenas coisas, eu sempre a via incomodada e lutando dia após dias para mudar o que ela era. Ela mudava e tentava se encaixar em meu mundo, mas eu nunca ao menos tentei ficar próximo ao mundo dela. E chegou no ponto dela se machucar por minha causa? – Ele desabafou, culpando-se muito. – Nem ao menos eu perguntava sobre sua vida ou se ela sentia muita falta de seus amigos e familiares durante esses meses. Sempre fui um egoísta querendo e pensando somente na minha necessidade de tê-la ao meu lado. – Jimin respirou fundo, tentando recuperar o fôlego. – Você não entende a dor que eu estou sentindo agora por não saber se novamente vou vê-la. Meu egoísmo está me cegando mais uma vez, eu a trouxe para esse mundo, trouxe para o meu mundo. Que tipo de pessoa é capaz de amar tanto uma pessoa e não enxergar que simplesmente a está sufocando a cada segundo com coisas novas e adaptações a lugares estranhos? Que tipo de pessoa eu sou que nem ao menos consigo protegê-la? – Ele estava inconformado, lutando nesse instante contra sua realidade. – Em todas as vezes as conversas não eram sobre o que ela estava sentindo ou passando. Não era sobre o que ela ganhou de natal ou qual o primeiro carro que ela teve. Foi sobre a minha carreira, foi sobre o Park Jimin. Foi sobre um show qualquer, sobre nossos amigos. Eu nunca perguntei que comida, cor, perfume, filme, desenho ela gosta. Como alguém consegue ficar ao lado de outra pessoa se nem ao menos se interessa em descobrir mais sobre ela? Quanto mais ela tinha que ficar lidando com esse meu mundo?
– Mas ela te ama independente de todo esse mundo maluco que você vive. Para de falar essas coisas e me explica o que aconteceu pra você ficar dessa maneira? Qual o problema, Jimin? Por que você a abandonou desse jeito?
usou poucas palavras, mas foram as únicas que conseguiu falar naquele momento. Sua voz estava ficando distante e fraca. Jimin estava precisando conversar e desabafar tudo o que estava sentindo, mas não sabia ao certo se ela era a pessoa certa para ajudar o amigo. E como ele sabia do que tinha acontecido com ?
– O que você queria que eu fizesse? – Ele perguntou, perdendo um pouco a noção do rumo daquela conversa. Tudo estava confuso e ele sentia que se não colocasse para fora iria enlouquecer.
– Ninguém sabe o que você fez e pelo jeito nem você mesmo sabe.
, eu sei o que aconteceu com ela quando vocês estavam indo para o show. – Ele disse por fim, deixando a amiga totalmente em silêncio do outro lado da linha. – O que você quer que eu faça diante de tudo isso? Você quer que eu fique esperando ela ser atacada novamente por um grupo de repórteres ou fãs descontrolados?
– Min, eu entendo o que você quer dizer e entendo perfeitamente isso. Mas, não fique se martirizando por causa disso. Você sabe o quanto tudo isso foi importante pra ela, o quanto você é importante pra ela. – Ela lutou achando mais palavras de consolo. – Por favor, você sabe que ela te ama muito e que um amor assim nunca acaba do dia para a noite. Imprevistos acontecem a todo o momento e não foi a sua culpa. Ela está bem, só não entende nada do que você fez e não entende o que fez de errado pra você abandona-la desse jeito. Não jogue tudo isso pela janela quando aparece apenas mais uma barreira. Como você mesmo disse, vocês viveram tão pouco tempo um com o outro e precisam voltar a se encontrar e conhecer um ao outro realmente. Mas eu aconselho que você só faça isso quando não estiver em uma turnê ou sendo o Park Jimin, cantor. Mostre para ela quem na realidade é o Jimin.
– Como eu posso lutar e ter esperanças depois de tudo isso? – Ele se sentiu um derrotado diante de tudo o que ela havia falado. – Como posso ter direito de uma esperança se eu não consigo ao menos me suportar com essa culpa? Por mais que tente pensar em maneiras para lidar com a minha vida pessoal e minha carreira eu chego ao ponto principal. Que não posso ter as duas coisas ao mesmo tempo.
– Claro que pode! Você não é diferente do resto do mundo. – Ela tentou soar convicta, mas aquela confissão a deixou um pouco com raiva dele.
– Posso? Dessa maneira?
– Talvez tenha começado do jeito errado. Veja o caso de com o Suga, eles estão muito bem juntos. – Ela o lembrou do relacionamento da amiga com o companheiro de grupo dele. – Você mais do que ninguém sabe o que aconteceu entre eles e viu o tempo que ficaram naquela guerra de sentimentos e no final isso só ajudou a fortalecer o amor que existia entre eles.
– Eles vivem se escondendo em todos os lugares. O relacionamento deles é nas sombras sempre com medo de alguém descobrir.
– Pode ser, mas estão juntos tentando alguma coisa!
– Não sei o que fazer, não sei o que posso fazer para melhor tudo isso. – Ele choramingou, suplicando por ajuda. – Me sinto perdido. A única coisa que eu sei fazer é me trancar dentro desse quarto como um idiota e ficar chorando. Sentindo culpa por tudo.
– Seja homem. – pela primeira vez o atacou de forma inesperada. – Você tem experiência e idade o suficiente para saber o que fazer. Quanto tempo mais você vai ficar se lamentando assim e não lutando por aquilo que você diz amar tanto? Quanto tempo mais vai ser preciso para você acordar e mudar tudo o que você quer? O que você está esperando? Por mais que você tenha todos os seus amigos ao lado agora vai chegar um momento em que você vai estar sozinho. E estando sozinho você vai se perder porque sempre vai estar esperando uma ajuda de alguém e nesse momento você não vai ter ninguém ao lado. – parou assustando-se com o que acabara de falar. Jimin ficou em silêncio do outro lado parecendo assustado também com o turbilhão de palavras e verdades que ecoaram pelo celular. – Não faça isso, Jimin. – Ela continuou agora pedindo. – Todos estão esperando algo de você a todo momento, surpreenda e mostre que você sabe o que faz. Todo mundo fica preocupado com você, com esses ataques e com tudo o que a imprensa inventa ao seu respeito.
– Eu não consigo pensar em nada agora. Eu preciso de um tempo.
– Você vai ter o seu tempo, mas não demora muito. – pediu. – Ela não vai ficar esperando você pelo resto da vida. Ainda mais esperar por alguém que não teve coragem de nem ao menos se despedir e explicar o que estava acontecendo.
– Eu amo ela. – Ele confessou, fechando os olhos. – Amo, mas não consigo ser igual o Suga e ignorar o que acontece com o resto do mundo. Se for pra eu amar eu quero fazer da maneira certa, quero ter tudo o que isso me permitir e quero viver tudo o que for possível.
– Você às vezes precisa se arriscar e esse comportamento que você está tendo é mais egoísta do que amar de verdade. – Ela disse por fim mesmo sabendo que aquele era o momento errado para esse tipo de conversa. – Você foi tão egoísta que não deu nem a chance dela explicar o que estava sentindo quando aconteceu o ataque. Jimin, você tem que deixar ela decidir o que é bom e o que é ruim pra vida dela.
– Eu sou bom pra vida? – Ele perguntou confuso.
– Você não deu nenhuma chance de resposta quando foi embora daquele jeito. E só ela vai conseguir te responder isso e você simplesmente foi embora deixando ela jogada naquela pista.
– Eu sinto muito.
– Não é pra mim que você deve falar isso!
O silêncio tomou conta do outro lado da linha e o que ela pôde ouvir somente foram soluços abafados de choro e dor.


Capítulo 3

Quase por volta das três horas da manhã, ninguém havia dormido ainda. estava no quarto de hóspedes ao lado dos outros dois quartos: de e . Na enorme sala de estar, as luzes estavam acesas sem ninguém estar presente no ambiente. Em cima da pedra de mármore da cozinha, duas enormes caixas de pizzas e vários copos esperando por elas. Todas as três entraram rapidamente para um banho antes de voltar para a sala e começarem a comer e a conversar.
O quarto estava do jeito em que deixou antes de sair para o aeroporto, sua mesa de trabalho em um canto toda bagunçada e do outro lado sua enorme cama com vários bichos de pelúcia em cima. ficou parada por alguns longos minutos na porta, olhando tudo muito curiosa para saber se não estava faltando nada que fosse dela.
— Isso realmente me fez falta. — Ela sorriu, jogando-se na cama. — Como consegui ficar longe desse clima por tanto tempo? Talvez eu esteja ficando maluca por estar falando sozinha nesse momento. — Olhou para os seus pequenos bichos e segurou um com toda força em volta de seu peito. — Tenho tanto pra contar para vocês dessa minha enorme aventura. Desse sonho que se tornou realidade e infelizmente chegou ao fim ontem. Vocês com certeza vão ficar cansados de me ouvir falar.
Tudo ficou mortalmente em silêncio e ela escutou ao longe o barulho do chuveiro do quarto ao lado ser ligado. Olhou sem vontade alguma para o closet e contou várias vezes tentando pegar impulso em uma única vez para se levantar daquela cama e tomar logo um banho para relaxar. Meia hora depois daquele enorme período debaixo do chuveiro ela o desligou e vestiu um pijama simples que estava guardado, indo para a sala. e estavam sentadas conversando animadamente sobre alguma coisa que nesse momento, ela não pôde distinguir o assunto. como sempre tinha um certo dom para falar demais e acabar envolvendo um assunto no outro e no final se perder e não saber nem o que está falando. não ficava para trás nesse sentido também. Mas era um pouco mais reservada para conversar sobre alguns assuntos. Principalmente quando o assunto era Taehyung e sua friendzone.
— Finalmente. — interrompeu a conversa quando viu andando em passos de tartaruga para o sofá. — Por que você não usou aquele outro pijama que eu fiz especial para você? Ele tem todos os sapinhos que você pediu.
— Pijama de sapinho, hein. — levantou uma sobrancelha, zombando dela. — Você está com uma cara horrível e seu cabelo então, nem se fala.
— Todo ressecado e cheio de pontas duplas. — acrescentou na descrição, balançando a cabeça. — Você realmente não se cuidou quando estava fora. Precisa de uma hidratação e um banho de loja.
— Posso ficar em paz? Obrigada. — se atirou no sofá, cruzando as pernas mal humorada. Não tinha sono. Não tinha paciência, sua cabeça estava latejando e aquele corte em seu braço cada vez mais dolorido. Não era o momento de perder tempo com o que estava falando, tudo estava um caos na sua cabeça.
— Eu aqui tentando amenizar o clima e você nesse mau humor todo. Como é difícil lidar com você. — fechou o rosto, fazendo drama enquanto comia um pedaço enorme de pizza. — Tudo bem, sabe? Eu cansei de ser jogada aos trapos pelas pessoas que eu mais amo nessa vida.
, sem dramas. — pegou uma almofada e prensou contra a barriga. — Eu só estou cansada da viagem e se você perceber em meus olhos eu não dormi nenhum segundo. Minha cabeça está me matando sem contar as enormes dores.
— E o braço, como está? — perguntou preocupada, vendo a amiga segurar de vez em quando o curativo como se estivesse sentindo dor.
— Bem. — Ela disse, passando levemente a mão pela extensão do braço até o ombro. — Dolorido, mas vou sobreviver.
— Nossa, eu realmente achei que aquela garota fosse te matar. — disse assustada, relembrando brevemente o que havia acontecido. — Ela é maluca. Como deixam uma garota desequilibrada daquelas andar solta assim?
— Ela não é desequilibrada...
— Não, ? O que ela é então? — virou-se bruscamente para a amiga. — O que é uma pessoa desequilibrada? Ela com aquele canivete não é nenhum pouco estável pra você?
— Não vamos falar disso. — jogou a almofada na direção das duas, impedindo que aquele assunto se iniciasse. Estava cansada demais para começar esse assunto novamente.
— Falei com o Suga, eles chegaram mais cedo que nós. Está tudo bem com eles. — levantou-se cautelosa, sentando ao lado de no sofá. Ela não sabia exatamente como iniciar aquela conversa, mas antes de voltar do banho elas estavam conversando e conseguiu contar para toda a sua conversa com Jimin no telefone. Em detalhes, ficou surpresa com tudo o que estava acontecendo e não conseguia acreditar que Jimin estava nessa situação e nessa crise toda por causa do ataque.
— RapMoon também ligou e disse que mais tarde vai passar aqui. — comentou rapidamente sobre a breve conversa que teve com o garoto antes de entrar no banho. — Mandou beijos e disse que ama vocês duas.
— É... — sorriu sem muito esforço, se sentindo incomodada em escutar novamente todos aqueles nomes. Por mais que fosse obrigada a aceitar, ela estava aliviada ao saber que a viagem de volta de todos tinha ocorrido da melhor maneira possível.
— Eu tive que ligar para o Suga antes que ele mandasse a NASA aqui em casa. Você bem sabe o quanto ele é exagerado. — levantou o rosto, olhando para que prendeu o olhar ao dela, esperando por mais alguma informação. — Eu sei o que você quer saber, mas nesse momento a gente não vai se preocupar com isso. Estamos aqui para ficar com você.
— Eu não sei se quero falar sobre isso. — relutou um pouco com algumas lágrimas, mas as mãos dela se envolveram com as suas, passando confiança e força. Ela estaria ali ao seu lado caso precisasse. — Disse tantas vezes durante essas horas o que estava acontecendo, chorei, pensei e sofri. Não sei mais se tenho lágrimas ou palavras para descrever o que se passa na minha cabeça. Foram dias maravilhosos e por mais que tudo esteja assim no momento eu queria me lembrar de cada detalhe feliz que eu passei ao lado de todos. Não quero me lembrar de nenhum desentendimento. Quero apenas lembrar de todos aqueles rostos lindos sorrindo e demonstrando felicidade e alegria com os olhos brilhando.
— Amiga, não fique desse jeito. Tudo vai se resolver.
— Eu não quero saber mais disso. Cansei de tanto tentar entender o que aconteceu, isso é uma coisa que eu quero apagar da minha cabeça. — , sem forças, manteve o olhar diretamente voltado para a amiga, e nem muito se deu ao trabalho de parecer convincente porque sabia que não iria acreditar em nenhuma palavra do que ela havia acabado de falar. O que era simplesmente tudo verdade. Como iria apagar da sua cabeça se ela sabia o quanto iria ser difícil e complicado lidar com todos aqueles sentimentos? Principalmente sabendo que em algum momento ela iria cruzar com ele. Talvez não hoje, mas em algum momento ao longo desses próximos dias.
— Quantas vezes eu tenho que te falar que esse seu jeito moleca conquista todo mundo? — bateu levemente no ombro dela, sorrindo na sequência. — E, quantas mil vezes eu preciso dizer também que as melhores coisas da sua vida acontecem sempre quando você está sorrindo?
— Ele me deixou… — A garota tentou falar com a voz já fraca de choro. Ela sabia que não iria conseguir falar sobre o assunto sem chorar.
— Ele não te deixou, ele está confuso! — , disse levantando-se imediatamente e indo para um dos ombros do sofá ao lado da amiga. Ela estava com medo de falar alguma coisa de errado naquele momento. Principalmente, falar sobre a conversa que teve com Jimin algumas horas atrás. Era complicado se intrometer nesse assunto e ela não tinha nenhuma noção do que fazer com toda aquela informação.
— Eu fui infantil o tempo todo. — deixou escorrer algumas lágrimas de tristeza. — Me comportei como uma adolescente que estava tendo seu primeiro caso amoroso. Entrei em várias crises de ciúmes a todo o tempo, senti medo dele olhar para o lado e se interessar por outra pessoa. Fui dramática ao extremo.
— Mesmo sendo tudo isso o Jimin não deixou de te amar um minuto. cortou o que ela falou imediatamente, iniciando o assunto que ela estava esperando a madrugada toda. — Será que você não percebeu o quanto ele mudou? Ou só eu enxerguei isso no Jimin? Você viu os olhos dele de uma cor diferente? Notou o quanto ele está parecendo completo com você na vida dele?
— Não acredito que você simplesmente está se questionando da forma que agiu. Ótimo que você sente que poderia ter evitado algumas coisas, mas não fique se cobrando por certas atitudes que teve em certos momentos. Lembre-se sempre que você deve demonstrar nesses momentos aquilo que você realmente é e você sabe melhor do que ninguém que seu sorriso contagia todos ao seu redor.
— E você não sabe realmente se ele te abandonou. — completou.
— Então não fique se culpando por isso, você sabe muito bem que todo ser humano erra, mas não existe em nenhum lugar, ainda que errando, que você seja incapaz de voltar e fazer novamente, só que dessa vez sem erros.
— Vocês duas não existem. — tentou falar entre uma lágrima ou outra. Suas mãos estavam envolvidas agora entre as das amigas e ela teve a certeza, naquele instante, que não precisaria procurar por mais forças, o lugar certo para se recuperar era perto delas. Mas algo estava faltando, ela ao longe se deu conta que parte do seu vazio não era apenas saudades de Jimin e sim de todos os outros do grupo.
Uma enorme lembrança naquela noite surgiu e não somente , mas também e , voltaram ao passado, mergulhando naquela lembrança triste que foi a despedida naquele aeroporto. A forma em que todos estavam parados assistindo o desespero de atravessando a porta de vidro para impedir que Jimin embarcasse. Todos ficaram parados em suas poltronas assistindo sem poder fazer nada e a dor nos olhos do amigo por estar partindo quando queria ficar. O receio e a incerteza de que Jimin num futuro próximo não teria qualquer tipo de arrependimento por ter tomado aquela decisão. Por, tê-la deixado daquela maneira. O assunto continuou por mais de duas horas, fatos e lembranças de anos de amizade. Lembranças que essa noite machucavam. e tentaram de todos os jeitos segurar as lágrimas, mas foi quase impossível não se emocionar com a maneira sofrida que relatava os últimos minutos com Jimin. Ela sofria por não saber o que fazer. Tudo o que ela mais queria era estar ao lado dele, compartilhando todos os sorrisos e sonhos.

Na sala de eventos da BigHits, Rap Monster andava impaciente de um lado para o outro. Fotógrafos, jornalistas e qualquer meio de comunicação estavam naquele prédio, esperando o momento certo para atacar o grupo com várias perguntas a respeito do comunicado oficial do cancelamento da turnê pela américa latina. Do lado de fora uma gritaria absurda de fãs descontroladas. Muitas pareciam estar chorando e outras histéricas e eufóricas para encontrar os seus ídolos. Jin cobriu o rosto com as duas mãos. Parecia preocupado e abatido com alguma coisa. Passou as mãos pelos olhos e respirou fundo.
J-Hope, um pouco mais a frente, estava encostado na parede com a cabeça baixa, pensativo demais. Naquela manhã até aquele exato momento ele não havia falado com ninguém, nem com seus colegas de grupo. O clima parecia piorar a cada segundo naquele ambiente e todos estavam nervosos demais esperando que Taehyung entrasse pela porta acompanhado por Jimin. A maioria estava duvidando que o amigo fosse conseguir participar daquela coletiva de imprensa. Não depois do que aconteceu na noite passada. O que a imprensa não poderia nem sonhar qual era o verdadeiro motivo desse cancelamento repentino.
O celular de Suga começou a tocar em cima da mesa. J-Hope se distraiu um pouco e olhou para Suga, que estava sentado totalmente largado e aparentava não estar preocupado em atender. Kook olhou torto para Suga, que ignorou tanto os amigos como o celular que ainda insistia em tocar.
— Suga, por favor, será que dá para atender isso logo? — J-Hope abriu a boca pela primeira vez para falar algo e sua voz parecia fria e sem paciência. — Que caramba, você não escutou essa porcaria tocando da primeira vez? Parece um retardado. — ele se irritou, caminhou até o banheiro e entrou, batendo a porta com tudo.
— Suga. — Rap Monster chamou o amigo e em seguida sentou em uma cadeira ao seu lado. — Você percebeu que nós estamos em uma crise nesses últimos dias?
— Não apenas crise, mas um turbilhão de desastres. — Suga rolou os olhos nervoso e puxou seu celular para dentro do casaco. Rap Monster afirmou com a cabeça e fitou um ponto brilhoso na mesa. — Vamos torcer para tudo se resolver logo, odeio esse clima que estamos agora.
— É difícil demais dizer que tudo vai passar, porque nós nunca passamos por tudo isso, entende? — Jin voltou sua atenção para Suga e respirou fundo. — Aquelas garotas querendo ou não nenhum de nós assumir, mudaram todo o rumo da nossa carreira. Nós não somos os mesmos há muito tempo.
— Essa turnê também foi diferente do que estamos acostumados. Antes era tudo profissional e num instante se tornou tudo diferente. Erramos muito nisso, colocamos a nossa diversão e nossos corações na frente do trabalho. — Kook disse, abaixando a cabeça lamentando tudo o que estava acontecendo. Há muito tempo ele não conseguia ter a diversão que ele teve nos últimos meses, trabalhar e ao mesmo tempo viver aquela turnê tão intensamente daquela maneira. Aquele sentimento único de estar completo. Viver com os amigos o seu sonho e estar feliz por pequenos acontecimentos normais no seu dia a dia. — Não me sinto culpado por ter errado dessa maneira. Mas, eu entendo que isso agora vai refletir em nossas carreiras.
— Mas como nós íamos separar tudo isso? Foi impossível evitar. — Jin perguntou.
— Mas devíamos ter evitado, se tivéssemos não estaria acontecendo tudo o que está acontecendo agora. — Kook disse firme, mordendo o lábio superior. — Eu, você, Jimin, Taehyung, Suga, Rap Monster e J-Hope não podíamos ter permitido que três garotas mudassem o rumo da nossa história desse jeito. Jimin e Taehyung sofrendo por terem se envolvido demais com duas delas, eu sofrendo também com aquela história toda. E o Suga namorando escondido.
— Não coloca a na história! — Suga pediu sem humor nenhum. Não era possível que seria obrigado a essa altura começar outra briga por causa do seu namoro com a garota. — Não quero ouvir você falando que a minha namorada é um problema na minha vida. Eu escolhi tê-la dessa maneira e eu estou muito bem e feliz ao seu lado. Independente se vocês acham que é certo ou errado. Quem melhor pode saber da minha vida a não ser eu mesmo?
— Você ao menos parou pra pensar que namorar escondido chega a ser complicado pra ela? Como se você não quisesse que o mundo soubesse que está com ela? — Rap Monster tentou não fazer esse tipo de pergunta, mas sempre que o assunto surgia ele não tinha a oportunidade necessária para fazer com que Suga entendesse a preocupação de todos. — Você lida muito bem com os seus sentimentos e com a sua vida amorosa. Mas, é muito egoísta você não pensar que o que acontece com a sua carreira acaba refletindo na nossa e em nosso grupo. E isso é uma coisa que a gente precisa se preocupar.
— Não entendo porque vocês vivem trazendo esse assunto sempre que tem oportunidade. — Suga levantou-se irritado, chutando a cadeira que estava sentado. — Eu sei o que eu quero pra minha vida e pra minha carreira. Não sou egoísta de não pensar em vocês. Mas, pra pensar na minha carreira eu tenho que me privar de ter qualquer sentimento?
— Quem disse que era pra você se privar de qualquer sentimento? — Kook olhou de relance para o amigo que agora andava de um lado para o outro da sala. Definitivamente o clima estava pior a cada segundo. — Não vamos entrar nesse assunto porque todo mundo aqui sabe das atitudes que teve e não vejo ninguém querendo mudar o passado por conta disso. Todo mundo curtiu e se divertiu o máximo que foi possível.
Ele terminou o assunto, desejando que tudo aquilo tivesse logo um fim para que pudessem ir embora daquele ambiente, antes que rolasse mais uma briga entre eles.
— Se eu tivesse a chance de voltar no passado e refazer minhas atitudes novamente, eu não mudaria nada. — J-Hope falou surgindo um pouco mais a frente. — Eu teria feito tudo o que eu fiz meses atrás e junto com elas. Mesmo eu sabendo que foi um erro e que estava longe da nossa realidade se envolver dessa maneira com outras pessoas.
Suga, Kook, Jin e Rap Monster ficaram sem palavras e um longo silêncio invadiu a sala por minutos. Todos os quatros abaixaram a cabeça, pensando em tudo o que tinha acontecido e as possibilidades do que estava para acontecer.
— Eu também não faria nada diferente. — Rap Monster confirmou e olhou para Jin, que balançou a cabeça concordando. — Talvez eu evitasse algumas coisas.
— Eu não gosto de falar a respeito disso, já estamos com vários problemas no momento e ficar relembrando isso só piora a situação! — Suga fez careta e se espreguiçou um pouco. — O que podemos fazer agora é esperar que o Jimin apareça para essa coletiva.
— Será que o Jimin vai aparecer? — J-Hope perguntou, levantando uma sobrancelha e encarou os amigos. Nesse momento Taehyung abriu a porta e todos o olharam esperançosos.
— Relaxem, ele vai sim. — Ele disse, abrindo um sorriso.
— ÓTIMO! — Kook deu um pulo da cadeira, animado.
— E como ele está? — J-Hope perguntou curioso.
— Nada bem.
— E ela? — Dessa vez Rap Monster que perguntou.
— Nada bem ao cubo. — Taehyung fechou a cara e se afastou um pouco dos amigos. — Não sei como Jimin vai sair dessa, mas eu acho que a situação não tem volta.
— Não consigo imaginar como vai ser nossa amizade com as meninas depois disso. — J-Hope comentou preocupado. Não queria que aquilo fosse um fim também para a amizade deles com as garotas. Em tão pouco tempo tinha desenvolvido um sentimento muito grande de amizade por todas as três. Seria difícil no momento esse contato, mas queria muito que isso fosse apenas passageiro e que Jimin voltasse a colocar a cabeça no lugar e não ser tão radical sobre o assunto.
— Não fala isso, cara. — Kook se levantou também, um pouco alterado. — O Jimin não estava pensando direito e tenho certeza que eles vão se entender. Não é possível!
— Essa coletiva vai ser uma bomba! — Jin suspirou alto, esperando que alguma coisa mais fosse acontecer de errado.
— Confesso que estou com medo de alguém ter filmado alguma coisa.
Todos por frações de segundos ficaram paralisados tomando o choque com o que Rap Monster havia dito. Era possível em todas as situações do aeroporto alguém ter filmado ou tirado fotos. Principalmente quando foi carregada por seguranças pra longe da pista de decolagem.
— Jimin foi um idiota! — Suga quebrou o silêncio pela primeira vez, comentando a respeito da atitude do amigo. — Como ele pode surtar daquela maneira e ferrar com as nossas vidas assim? Ele podia ao menos ter se controlado um pouco.
— Suga, não é um bom momento pra você dizer umas coisas dessas. Não acha? — Taehyung alterou um pouco a voz e se aproximou dele. — Se fosse com você, aposto que não teria feito diferente.
— Nós não vamos discutir a respeito disso, porque é a vida do Jimin e não nossa. — Kook disse, colocando um fim naquilo e separando os dois.
— Precisamos ir logo para a coletiva, aonde está o Jimin? — Rap Monster perguntou curioso.
— Conversando com nosso assessor. — Taehyung respondeu.
O clima estava ficando mais tenso cada vez que se passavam os minutos. Exatamente às 14:00 horas Jimin surgiu acompanhado pelo assessor e seu rosto estava tão pálido que era um chute certo falar que tinha passado a noite em claro. Em baixo dos olhos enormes marcas roxas que nem com a maquiagem foi possível esconder. Em uma das suas mãos ele segurava um óculos de sol e logo era possível saber que ele o usaria para evitar que perguntas fossem redirecionadas para a sua aparência tão abatida. Quando todos o encararam tiveram a certeza que ele estava sofrendo bastante e que tinha juntado todas as suas forças para estar ali ao lado deles. Como isso tudo podia estar acontecendo e justo dessa forma? Por que tudo tão de repente? E se algo desse errado, o que iria acontecer com eles? Nenhum deles conseguia achar respostas para todas essas perguntas. O momento agora era somente focar em suas carreiras e esquecer por completo suas vidas pessoais. Agora era o momento do BTS aparecer e impressionar em mais uma coletiva de imprensa.


Capítulo 4


Faltando pouco menos de dez minutos para a coletiva de imprensa, Suga caminhava nervoso de um lado para o outro, não contendo a ansiedade de acabar logo com todo o alvoroço que estava na sala de imprensa. Ele sabia o quanto era importante que tudo ocorresse bem. Não bem, mas que fosse algo perfeito para que a imprensa não tivesse nenhuma suspeita do que estava acontecendo nos bastidores. Lançando um olhar para o celular ele notou que havia uma mensagem de lhe dando forças para suportar todas as perguntas e questionamentos sobre a turnê. Ele sabia que era necessário essa distância entre eles nesse momento delicado, entendia o quanto era complicado manter esse relacionamento escondido de todo o mundo. Queria que ela estivesse lhe dando todo o amor e apoio que precisava, mas o fardo de esconder esse relacionamento entre as sombras era algo que ele precisava manter por mais um tempo. Não sabia exatamente quanto, mas em algum momento ele pretendia expor para todos o que estava sentindo. O amor intenso e o brilho em seus olhos toda vez que estava perto dela, o desejo de abraçá-la em público e dizer para que todos pudessem ouvir que o motivo do seu sorriso era simplesmente por tê-la em sua vida. Hoje ele sentia saudades e esperança que num futuro não tão distante ele pudesse fazer essa revelação que finalmente havia encontrado a mulher de seus sonhos e que seu nome era . Gritar que ela tinha o melhor sorriso do mundo, o perfume que lhe tirava o chão e o beijo mais quente e doce que um dia sentiu. conseguia fazer com que ele sentisse todas essas sensações e emoções ao mesmo tempo, não era apenas pensamentos de uma pessoa que estava apaixonada e sim de alguém que estava amando com todas as suas forças e seus limites. Ele a amava. De todo o coração, de todas as maneiras e queria que o mundo aceitasse esse amor.
J-Hope que sempre foi o mais alegre e confiante nesse momento estava do outro lado com a mãos no bolso olhando pela janela parecendo tão aleatório, Kook, Taehyung e Jin estavam sentados olhando para o celular e um pouco mais a frente Rap Monster discutia os últimos detalhes da coletiva com o assessor.
— Chegou a hora, — ele disse, rolando os olhos para cada um deles. — façam o que combinamos, não mudem o roteiro e não tentem falar mais do que o necessário.
Ele levantou o braço, apontando para a porta. Como se estivessem indo para uma guerra todos soltaram um pequeno suspiro, sentindo a tensão no ar naquele momento que começaram a caminhar. A única preocupação no momento era saber se Jimin realmente estava preparado para enfrentar o público naquele momento. Ele surgiu um pouco mais atrás de cabeça baixa usando óculos escuros, calça jeans e uma blusa de frio branca. Dessa maneira era quase possível dizer que ele estava bem. Não disse nenhuma palavra com ninguém e muito menos tentou demonstrar que estava seguro do que estava para acontecer. Jimin simplesmente parecia não estar naquele lugar. O corpo estava, mas sua mente definitivamente estava em outro.
— Tudo bem, Jimin? — Taehyung perguntou, segurando levemente no ombro do amigo. Tae estava muito preocupado, ele sabia o quanto era difícil demonstrar que está tudo bem quando na realidade o mundo em sua cabeça está desabando. Ele compreendia o sentimento que Jimin sentia mais do que qualquer outra pessoa, ele também lutava contra o amor que sentia por todos esses anos. Privou-se de qualquer sentimento, contato ou atração com a garota por medo que algo acontecesse à ela. O medo o afastou todos esses anos de viver um grande romance com a mulher de seus sonhos, esse medo de machucá-la em algum momento. Medo de um dia as coisas fugirem do controle, e ela ser usada como uma ferramenta para jornais, revistas e sites de fofocas.
— Não, — ele respondeu, agora parando de frente para a porta fechada. — vamos responder o que combinamos e acabar com isso de uma vez. J-Hope, Rap Monster, Suga, Jin e Kook se entreolharam sem saber o que responder. A porta foi aberta e longe só foi possível escutar gritos, choros e vários flash sendo disparados na direção deles. A multidão de fãs se juntaram em um coro, gritando pelo nome de cada integrante enquanto caminhavam lentamente para o palco principal. Jimin abaixou a cabeça, escondendo-se atrás dos amigos para que não fosse notado pelo público eufórico que agora gritava histericamente o nome de JungKook. Rap Monster, líder do grupo, cumprimentou os jornalistas cordialmente e virou-se para as fãs, começando o discurso de desculpas pelo cancelamento de última hora de todos os shows que estavam marcados para os próximos três meses.
— Eu sinto muito por esse cancelamento repentino, entendo o quanto todos estão decepcionados com isso. — Ele disse, apoiando uma das mãos no ombro de J-Hope que estava sentando ao seu lado, balançando a cabeça concordando com cada palavra que estava sendo dita por Rap.
— ARMYS, VOCÊS SÃO NOSSAS VIDAS. — Jin interrompeu, fazendo um coração com as mãos e nesse momento o fandom explodiu em gritos de desespero por aquele momento tão inesperado. Taehyung acompanhou a empolgação do amigo também, fazendo o mesmo gesto e outro surto coletivo começou a ecoar por todos os lados do salão.
— Prometo que estamos marcando novas datas para que ninguém fique triste. Tudo o que desejamos é fazer com que vocês se sintam felizes com a nossa música. — Rap Monster terminou o discurso com um coração.
O grupo foi aplaudido durante um certo tempo e foi preciso que pedissem silêncio para que se iniciasse todas as perguntas dos jornalistas que pareciam ansiosos e sem paciência. Jimin estava na ponta da mesa, apenas observando tudo em silêncio sem expressar qualquer reação, seja ela de tristeza ou felicidade. Não estava concentrado o suficiente para sorrir de maneira falsa, muito menos demonstrar o seu amor pelo público. O que ele queria apenas era respirar um pouco longe de toda aquela loucura. Hoje ele não queria ser um dos vocalistas do grupo, queria apenas ser Park Jimin, pessoa. Simples. Como qualquer outra naquele lugar. Queria ter tempo para pensar em seus problemas e digerir todas as informações que aconteceram nesse curto período de tempo. Ele por fim ajeitou o óculos, ficando incomodado com tantos flash sendo disparados em sua direção. Mentalmente desejou sair correndo daquele lugar para não dá chances de perguntas que não quisesse responder. O medo começou a percorrer seu corpo e sentiu um frio na espinha imaginando se alguém havia conseguido alguma informação sobre o incidente em Nova York. Impossível não era. O que será que iria acontecer se surgisse uma pergunta sobre ? O que ele iria responder? Como iria reagir?
Uma hora depois a coletiva já se encontrava no fim, perguntas sobre o cancelamento da turnê. Problemas de saúde, desentendimentos com outros grupos. Nada foi deixado de lado, carreira, vida pessoal, fãs, produtora. Todos tentavam procurar por um furo de reportagem para estampar a capa de suas revistas no dia seguinte, qualquer furo era o suficiente para um escândalo mundial. Todo o escândalo necessário para colocar em perigo a carreira de anos do grupo. Todos seguiam o roteiro sem falhar em nenhuma resposta como havia sido instruídos pelo assessor, todas as respostas foram dadas de maneira que não fosse interpretadas erradas ou que levassem a acreditar que havia algo a mais para ser explicado. O grupo estava em perfeita sintonia, J-Hope ao longo dos minutos se soltou um pouco mais para tirar a atenção que iniciava toda vez que uma pergunta era direcionada para Jimin. Ele sabia que tinha que ajudar o amigo de qualquer maneira.
— Noto que o Jimin está diferente hoje, — um repórter interrompeu o colega de profissão ao lado enquanto o outro perguntava para Suga qual era a próxima parceria do grupo. Nesse instante todos ficaram em silêncio, virando-se imediatamente para o repórter que mantinha a mão levantada. — Aconteceu alguma coisa com você? Está se sentindo bem? Não deixei de notar que você está de óculos e muito incomodado.
Jin, que estava sentado ao lado de Jimin, ficou tenso ao perceber que a respiração do amigo ficou mais pesada naquele instante.
— Impressão, apenas. — J-Hope cortou, respondendo na sequência quando notou que Jimin apenas sorriu e levantou os ombros, não sabendo o que responder.
— Toda a turnê foi cansativa pra todos nós. — Foi a vez de Taehyung completar, mas notou que o repórter ainda estava incomodado com Jimin pois não tirou por um segundo os olhos do companheiro de grupo.
— Jimin, você pode responder algumas perguntas? — Iniciando o desespero dos outros integrantes, todos os outros repórteres se viraram para encarar o vocalista no momento que ele moveu-se lentamente, ajeitando o microfone a altura da sua boca.
— Claro. — Ele concordou, balançando a cabeça.
— O que nós vamos fazer? — Kook perguntou entre resmungos para J-Hope e Taehyung. Rap Monster e Suga se entreolharam sem saber o que fazer naquela altura. Não tinha muito o que ser feito, Jimin estava mantendo o olhar por trás dos óculos para o repórter, esperando que iniciasse o rodeio de perguntas que gostaria tanto de fazer.
— Jimin… — Jin, ao seu lado, começou a ficar preocupado.
— É verdade que você está namorando? —
A pergunta foi direta, sem rodeios e sem qualquer enrolação.
O medo percorreu entre todos os outros integrantes e fez com que Rap Monster olhasse diretamente para eles, reprovando qualquer súbita reação desesperada.
— Não! — Jimin respondeu direto, frio.
— Alguns tabloides americanos apontaram que você tava com um “affair” em Nova York, inclusive relataram que vocês jantaram no Carmine's Italian Restaurant.
Jimin precisou respirar fundo para controlar um pouco sua voz, sabendo que agora era o momento dele mostrar ao grupo que ele era capaz de controlar a situação da melhor maneira possível. Ele sorriu antes de bagunçar o cabelo e olhou diretamente para todas as câmeras que filmavam aquela coletiva. O silêncio percorreu por todo o salão e algumas fãs começaram a gritar nervosas que não aceitavam que aquilo fosse verdade. Gritaram o nome de Jimin várias vezes, tornando-se impossível que ele não notasse a desaprovação do público diante daquela pergunta.
— Jimin, você está em um relacionamento escondido? — Novamente outra pergunta. Todos os olhares agora curiosos esperavam que ele pudesse começar a responder de uma vez por todas. O assunto incomodou um pouco Suga ao lembrar de , sentiu o clima tenso no ar notando que Jimin não mudou sua expressão em nenhum segundo. Ele parecia estar em um conflito, mas por incrível que pareça ele não demonstrou o desespero tendo algum espasmo ou reação inesperada.
— O seu silêncio é uma confirmação? — Provocou, achando engraçado a maneira que ele estava em silêncio sem se mover um milímetro do lugar.
— Não… — Jimin começou a falar, mas foi interrompido por um grito de uma fã que estava totalmente descontrolada. Ele olhou para a garota que estava chorando muito e entre gritos ela suplicava que fosse mentira tudo aquilo. Mesmo sentindo o desespero dela por entre os gritos, Jimin manteve o seu olhar preso ao rosto da garota que agora estava ficando vermelha a cada minuto, ele ficou sem reação, esperando encontrar a melhor resposta enquanto ela se atirava ao chão. Não queria que ela ficasse decepcionada, não queria ver os amigos preocupados e tensos daquela maneira. Queria que fosse possível esconder todo aquele sentimento que existia por . Sentimento que estava sufocando a cada minuto ao pensar no formato do seu rosto e o gosto dos seus lábios. Ele sentia saudades do calor do seu corpo, do perfume e do sorriso que acalmava seu coração sempre quando estava passando por algum problema. Perdido em meio a todo aquele sentimento, Jimin buscou um ponto fixo para olhar preparando-se para responder a todos que agora começaram a ficar impacientes com a demora.
— O único relacionamento que eu tenho são com as Armys. — Ele respondeu, passando a língua pelos lábios. Sorrindo. Esse comentário foi o ápice necessário para que todo o fandom voltasse a gritar palavras de amor e a jogar corações para ele que observava a reação do grupo que se encontrava agora mais calmo. A garota que estava chorando abriu um enorme sorriso, balançando pra ele uma enorme faixa escrito “eu te amo” e aquilo o atingiu de uma maneira que foi preciso de muito esforço para saber que estava no caminho certo. Jimin tinha consciência que era necessário acalmar as fãs para que ele pudesse conseguir responder de maneira calma e tranquila. A reação que elas tiveram era exatamente o que em sua cabeça estava imaginando, todo o grito, súplica, dor, xingamentos. Elas não estavam dispostas a aceitar que ele ou qualquer pessoa do grupo tivesse uma vida amorosa. Era nítido o amor descontrolado e enlouquecedor que sentiam por eles, e ele não podia fazer que com esse amor se quebrasse dessa maneira. Rap Monster respirou aliviado, sabendo que ele estava no controle da situação e que iria se sair bem para driblar todas as perguntas. Por outro lado Suga não tirou a atenção de Jimin, notando o quanto ele estava nervoso sendo obrigado a mentir daquela maneira. Não somente ele, mas como todos os outros integrantes sabiam que era verdade sobre esse jantar, e também verdade que estava em um relacionamento. — Não tenho o direito de amar ou ter mais alguém na minha vida a não ser a minha carreira. — Jimin soltou um enorme suspiro triste. — Não é verdade que eu estava com uma “affair” em Nova York, nem ao menos consigo amar alguém nesse momento. Meu coração é todo voltado para a música. Relacionamentos são complicados e eu dúvido que um dia vou encontrar alguém para amar dessa maneira.
O grupo de repórteres que antes estavam calmos começaram a ficar agitados ouvindo atentamente todas as respostas, Jimin não soube se estava fazendo o certo, mas sentiu a necessidade também de protegê-la daquele mundo. Ele não se sentia no direito de tornar a vida de exposta da maneira que era a sua, não tinha o direito de amar dessa maneira. Rap Monster sentiu-se surpreso com aquela atitude e lentamente abaixou a cabeça demonstrando alívio e preocupação na repercussão que aquilo tornaria daqui algumas horas.
— Você então está falando que nunca vai namorar ou amar ninguém? — Outra pergunta foi feita agora por repórteres da Dispatch News.
— Não quero que ninguém se envolva comigo dessa maneira. Não tenho tempo para estar com alguém, não tenho tempo nem ao menos pra sentir qualquer coisa. É complicado você ter sentimentos sabendo que a sua vida é tão exposta dessa maneira. — Jimin respondeu não dando espaço para qualquer outra pergunta. O coração parecia acelerar a cada minuto quando ele lembrava dos olhos de na pista do aeroporto. A lembrança queimou em sua garganta e ele sentiu vontade de gritar para o mundo que a deixassem em paz, que não a machucasse novamente.
— Amar? O dia que eu pensar em amar alguém eu quero ter a certeza que além desse sentimento eu vou ter condições de me dedicar a esse amor, que eu vou conseguir proteger esse sentimento de tudo e de todos.
Jimin lutou por frações de segundos contra algumas lágrimas que começaram a percorrer por debaixo dos óculos, seu emocional estava ficando fraco com o passar dos minutos e ele sabia que era o momento de encerrar antes que pudesse cometer qualquer erro. Não era o momento para chorar ou fraquejar, agora era o momento exato para proteger o seu amor. E ele faria qualquer coisa que estivesse ao seu alcance para que ela ficasse segura.
— O dia que deixarmos nossas carreiras vai ser o momento exato de amar outra pessoa. — Taehyung quebrou o silêncio, respondendo na esperança de colocar um ponto final na coletiva. Nada mais era preciso ser dito, Jimin sabia que em algum lugar da cidade estaria nesse momento sofrendo com todas aquelas mentiras que ele havia acabado de falar. Mas, era essa mentira que usaria para que ela se afastasse dele de uma vez por todas. Apenas desejou que fosse feliz e que tivesse um amor que a protegesse e a amasse da maneira certa.


Continua...



Nota da autora: É, sofri. I Need U tem uma pegada mais depressiva, a história é diferente de Love Is Not Over. Consigo deixar esses personagens um pouco mais “sentimentais” e demonstrar um pouco mais o que acho como deve ser a vida sentimental deles.

Gosto muito de I Need U, muito mesmo. Tenho um carinho especial por todos esses personagens e sou aquela pessoa que está torcendo DEMAIS pelo Jimin, quero MUITO que ele entenda que não precisa deixar de sentir e que ele pode muito bem ter essas duas coisas na vida. Carreira e amor.

Espero que vocês gostem dessa atualização.
Grande beijo e não esqueçam de comentar!
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Outras Fanfics:
Let Me Know [KPOP – Restritas – Em Andamento]
Love Is Not Over [KPOP – Restritas – Em Andamento]
Hug Me [Doramas – Shortfics]



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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