Última atualização: 04/12/2017

Capítulo 1

Nova York foi ficando cada vez mais para trás à medida que o avião pegava certa altura para manter a estabilidade. O barulho da aeronave cortando o céu era a única coisa que dava para se escutar nitidamente. Dentro do avião não havia nada que pudesse indicar que ali estaria viajando o BTS. Grupo ao qual depois de um longo show e uma realização pessoal fosse capaz de não conter toda a alegria e felicidade por mais um sucesso. Mas hoje tudo parecia sem vida. Nenhuma conversa, nenhuma televisão ligada. Nenhum sorriso e nem uma ponta de felicidade nos olhos de cada integrante. Tudo parecia esquecido e frio, como se estivessem em um luto profundo.
Nova York não seria um palco de boas lembranças para essa turnê. Todos os projetos, conquistas e aquela felicidade que cada um transmitia apenas com um olhar foi ficando para trás junto com ela.
Jimin estava sentado na última poltrona do jatinho, isolado de todos os outros amigos. De óculos escuros e em silêncio, ele se manteve naquela mesma posição e não fez menção alguma de estar querendo sair daquele lugar, que seria parte do seu esconderijo dessa longa viagem de volta para casa. Foi o primeiro acordar naquela manhã e o primeiro a deixar o hotel. O desespero de deixar tudo para trás e a esperança que tudo aquilo não se passava apenas de um pesadelo eram as únicas coisas que ele tentava se agarrar naquele momento. Ninguém ao menos teve coragem de dizer alguma coisa. Palavras para aquele momento seriam inúteis, tão inúteis quando se dava para perceber em seus olhos o sofrimento que ele estava enfrentando. A força que ele concentrava para se manter em pé era incontestável e por mais que estivesse em pedaços lutava para se ver livre daquele pesadelo e do circo que estava se armando a sua volta. Não daria mais do que poucas horas para sua vida e seu sofrimento estarem estampados em todos os jornais e revistas do mundo. Todos rindo e achando que aquilo o levaria novamente para o fundo do poço. Nesse exato momento o que mais atormentava não era o estrago que isso causaria na sua vida pública, mas sim a ferida que estava se abrindo a cada instante, angústia e a necessidade de saber o que o esperava pela frente. Aprender a esquecer alguém que o fez mudar completamente, aprender a lutar contra o que o mais machucava, aprender a viver novamente todos os seus dias como viveu até o exato momento em que a conheceu. Lembranças voltaram à tona, o atormentando e torturando cada parte do seu corpo. Meses, dias, semanas horas e minutos, tudo lembrava ela. Seu sorriso, seu cabelo. A pequena maneira em que ela mexia com a boca quando estava confusa, o olhar profundo e intenso que ela o olhava. A forma apaixonante dela dizer em poucas palavras o que estava sentindo. A facilidade de encantamento e marcas que ela deixava registradas. Esquecer era um dos pontos principais para seguir em frente, mas um ponto impossível dele conseguir nesse momento. Como conseguir voltar a viver da mesma maneira sem ela por perto, se ele não era a mesma pessoa depois que a conheceu? Qual sentido teria em acordar pela manhã sem sentir o seu perfume ou o contato de sua pele diretamente com a dele? Por que existir um amor assim, avassalador, e minutos depois estar ali sozinho, esperando que por um milagre acontecesse e todos os seus pedidos fossem realizados? Rezar pela primeira vez na vida e não pedir mais nada a não ser que ela voltasse e ficasse para sempre ao seu lado. Jimin pressionou os dedos em volta dos olhos disfarçando pequenas lágrimas que começaram a cair insistentemente. Aprender a esquecer a pessoa que havia o transformado em alguém melhor. Esquecer a única pessoa que fez seu coração bater acelerado, suas mãos suarem frio e o fez ter aquela pequena sensação de borboletas no estômago quando ela se aproximava, esquecer sua única razão de felicidade, seu porto seguro, sua salvação daquele mundo. Seria possível alguém amar desse jeito outra pessoa? Amar dessa mesma intensidade e obsessão? Entregar não apenas seu coração mas também sua alma. Ele afundou-se ainda mais na poltrona com todos aqueles sentimentos e lembranças desejando com todas as suas forças acordar daquele pesadelo que estava atormentando e despedaçando sua vida em várias partes.
– Será que eu devo ir falar com ele? – V quebrou o silêncio perguntando para J-Hope o que fazer. Estava preocupado com o amigo e com o estado que ele aparentava estar. O conhecia tão bem quanto imaginava, Jimin estaria se torturando com lembranças e culpando-se novamente por ter sido um fraco e feito alguém que amava sofrer. Ele nunca soube ao certo lidar com o sentimento de perda ou esquecimento, mas estava ciente que as coisas naquele instante estavam complicadas e a possibilidade dela voltar era nula em vista do ocorrido. Como também a possibilidade de um dia novamente voltar a vê-la, ele e nem ninguém imaginava o que estaria se passando pela cabeça dela. Qual o sentimento e o grau de sofrimento que estava enfrentando. Ambos estavam sofrendo e a cada minuto que passava ele se sentia mais perdido sem saber o que fazer pelo amigo. Vê-lo ali naquela poltrona largado, sofrendo, o incomodava muito. Queria não se sentir tão inútil e falar algo que fosse reconfortante para ele, mas o que falar nesse momento? O que falar sobre isso se ele próprio foi um fraco em sua história com ? Hoje em dia não tinha a coragem de olhar para a pessoa que por um pequeno período em que esteve ao seu lado foi seu grande amor. Hoje, mesmo depois de algum tempo, ele não soube superar e esquecer isso. Como cobrar de Jimin uma reação e como ajudar o amigo se ele nem ao menos sabia lidar com isso?
Rap Monster disfarçou e olhou por cima do ombro de Suga para Jimin e viu que ele estava olhando perdido para o lado de fora do avião. Sentiu sua cabeça pesada não fazendo nada pelo companheiro, ele estava sentado como todos os outros olhando para ele como se estivesse apreciando seu sofrimento com tudo aquilo.
– Não sei. – J-Hope respondeu para V com sinceridade, se sentindo perdido no meio de tudo aquilo. – Ele precisa ficar um pouco sozinho. Todos nós conhecemos o Jimin e nesse momento ele sempre gostou de não falar muito. Não vamos tentar forçar a barra com ele por enquanto, antes de chegar em casa a gente vê o que faz. Temos duas semanas de folga antes do próximo show.
– É a melhor coisa que fazemos no momento. Ele não quer conversar com ninguém. – Kook disse, intrometendo-se na conversa dos dois.
Claramente o único que enxergava que a melhor solução para Jimin era o isolamento completo do mundo. Sem conversas, sem abraços, sem piadas ou qualquer contato com outro ser humano.
–Eu preciso saber aonde a foi, porque ela simplesmente sumiu sem deixar nada que desse a entender aonde iria. – Suga estalou os dedos, ficando aflito sem notícias da namorada. – Por que ela não atende o celular? Ou então por que não deixou um bilhete falando onde estava indo? Será que é tão difícil assim avisar? Ela sabe que eu fico preocupado, ainda mais com esse assédio da imprensa.
– Suga! – Jin segurou no ombro dele forte. – Mantenha a calma nesse momento. não é nenhuma criança e sabe o que está fazendo. Mesma coisa eu digo pela que com certeza está com ela. Então vamos relaxar que elas vão ligar assim que estivermos em terra firme.
– Os nossos celulares estão desligados, talvez tenham tentado ligar e não conseguiram. – Rap Monster comentou, balançando o celular no alto tentando acalmá-lo. – Vamos esperar e depois nos preocupar se realmente aconteceu algo de grave.
– Como será que a está? – J-Hope deixou as mãos caírem em seu colo e soltou um pequeno suspiro preocupado. – Por mais que eu esteja preocupado com o Jimin não deixa um minuto de pensar em como a pequena está se sentindo.
– Não imagino como. – Rap Monster balançou a cabeça sem forças para olhar para frente. – Ela sempre me pareceu perdida nesse mundo em que vivíamos. Sempre tentou lidar com todos esses acontecimentos e antes de se envolver com Jimin relutou um pouco. Todos nós percebemos isso, talvez esteja sendo mais difícil para ela.
– É fácil pra gente que vive todos os dias nessa loucura conseguir separar essas situações, agora eu fico imaginando pra ela que é tudo novo. – Kook completou preocupado. Ele sabia que esse mundo musical não era fácil. Na maioria das vezes a carreira era arrastada para o fundo do poço com uma nota errada ou uma foto tirada em um momento errado.
– Agora a vida dela se tornou pública. – Suga lembrou das matérias de revistas e jornais. – Ninguém mais vai deixá-la em paz, pelo menos não enquanto acontecer algo de novo na vida do Jimin e eles se esquecerem de mais um relacionamento frustrado dele.
– Não podemos esquecer que não é a primeira vez que isso acontece com o Jimin, então imagina como ele vai reagir ao ver a exposição toda que ela vai sofrer? – Jin relembrou algo importante. Era apenas questão de algumas horas para que a notícia estivesse em todos os lugares do mundo. E novamente o tumulto iria se formar em volta do grupo e de Jimin, perguntas sobre a vida pessoal. Sobre os acontecimentos. Fotos e mentiras em cima de mentiras.
– E como deve estar a ? – V relutou com algumas lágrimas que tentaram cair de seus olhos. Não poderia deixar transparecer que estava tão mal assim, logo ele que sempre era considerado como a rocha da equipe. A pessoa que nunca se abalou por nada e que sempre esteve presente em todos os momentos mais importantes. Não poderia vacilar com isso. Estaria ali novamente para eles em qualquer que fosse a dificuldade, estaria sempre para os amigos, para eles que agora haviam se tornado sua segunda família.
– Eu fiquei pensando nela durante o show todo, como ela estaria animada em mais um show nosso. A forma que ela iria entrar pelo camarim saltitante feliz com o nosso sucesso. A forma destrambelhada que ela partiria para cima do Jimin. Ou então os comentários mais sem sentido do mundo para o Suga. – Rap Monster falou baixinho, sentindo um nó na garganta. Seu estômago deu uma reviravolta enorme e não somente J-Hope lutava contra as lágrimas, mas Rap Monster também tentava disfarçá-las.
– Como deixamos essas meninas entrarem dessa maneira na nossa vida? -– Kook respirou fundo, frustrado com toda aquela situação. Por mais que estivesse em fase de negação também estava sentindo muito com todo aquele clima triste. Há algumas horas atrás o clima era de felicidade.
– Vamos esquecer isso, não quero ficar mais preocupado. – Jin ajeitou os óculos e em seguida fechou os olhos. – Vamos nos concentrar em uma coisa de cada vez.
– Por que essa turnê não está dando certo como a gente esperou? – Suga levantou a cabeça, jogando o cabelo para trás da orelha tentando procurar algum motivo que levasse à toda aquela confusão. – Por que terminamos assim? Estava indo tudo muito bem e feliz. Em todos os shows batemos um recorde de público, soubemos tocar músicas novas. Aprendemos a conviver com pessoas diferentes, manias e formas de encarar a vida artística. Por que no final aconteceu tudo isso?
– Não vejo respostas coerentes para essas perguntas. – Kook respondeu desanimado. Ele era o único que se manteve neutro diante de comunicado final. O único que não demonstrou decepção ou irritação, segurou até o momento todas suas revoltas contra aquilo. Uma bola imediatamente subiu pela sua garganta, fazendo sua respiração oscilar um pouco. – Nunca me senti tão péssimo em todos esses anos de carreira. Aqui estou eu, sentado em um avião voltando para casa depois de deixar um show com milhares de fãs gritando e um público recorde. Mais uma conquista em minha vida e não sinto ao menos um pouco de felicidade para comemorar isso. – Ele passou as mãos pelo cabelo, parando em seu rosto depois de muito tempo. Desabafando, sentiu-se mais leve. – Não sei o porquê de dar errado e não sei se um dia nós vamos chegar a descobrir realmente o motivo do erro. Mas nós ainda somos amigos, temos um grupo pela frente e precisamos nos recuperar logo para voltar ao palco e fazer o que sempre sonhamos e lutamos dia após dia.
– Todos esperam sempre alguma coisa da gente e não sei se nós estamos fazendo o nosso melhor nesse momento. – V sorriu insatisfeito com o próprio desempenho naqueles dias. – Nossos fãs estão esperando ver o grupo por quem eles se apaixonaram e acompanham durante anos. O grupo ao qual gastaram e choraram durante dias de felicidade ao se aproximar por alguns instantes apenas.
– Mas nós mudamos bastante. – Suga entrou na conversa, se defendendo. – Nós não somos o mesmo Bangtan de dois anos atrás. Não digo que mudamos nessa turnê, mas parte do que éramos no passado não se tem aqui no presente. E eu realmente estou ficando tão cansado de ver que as pessoas não entendem que nós temos direito de mudar nossos estilos. – Jin soltou, ficando cansado de pressões em cima do grupo por esses motivos.
– Nós temos as nossas vidas e estamos mudando a cada dia e crescendo. Ninguém fica de um jeito para sempre e nem todos enxergam isso. Eu queria apenas ser alguém em especial para cada fã, especial da maneira de cada uma e não da maneira em que a mídia me rotula. – Suga agora encostou a cabeça em seu assento, encerrando aquela conversa. Já era hora de descansar e se desligar um pouco do mundo. Não iria se obrigar a compreender nada nesse momento. Tudo o que mais queria era respirar e tirar se possível algumas horas de descanso antes do inferno de verdade começar.
– Se você sente incomodado com isso, imagina como o Jimin sente com relação ao que a mídia fala a respeito dele. – J-Hope comentou, se lembrando de algumas matérias a respeito da briga que a mídia inventou entre ele e um dos integrantes do grupo Exo.
– Jimin só pode ter algum problema, porque isso tudo sempre acaba caindo em cima dele. A grande verdade é que ele está cansado e finalmente pensou que estaria encontrando algum pouco de paz em sua vida sentimental e profissional. Mas ele se enganou e novamente algo aconteceu, o puxando para baixo novamente. Jimin vai precisar de um tempo para colocar a cabeça em ordem e nós precisamos estar ao lado dele sempre que ele precisar e realmente espero que ele saiba que pode contar com os seus amigos.
– Mas por que será que é tão difícil sermos nós mesmos? – Rap Monster tentava entender de alguma forma e achar respostas para todas aquelas perguntas. – Qual a felicidade que as pessoas sentem quando a outra está nitidamente sofrendo? Será que ninguém percebe isso?
– Todo mundo está cansado disso, Rap Monster! – Jin o observou argumentar e achou que essa era a hora que ele exatamente precisaria colocar algumas coisas também para fora. – Quem não fica cansado de sempre estar sorrindo quando na verdade se quer chorar? Nós seguramos muitas coisas ao longo desses anos e esquecemos de viver parte das nossas vidas para se dedicar ao público e toda essa loucura que era estar ao sol, junto aos nomes das melhores estrelas do mundo. Esquecemos de sentir e mostrar nossos sentimentos, fizemos isso através de nossas músicas. Mas não através de nós mesmos. Erramos por isso e agora estamos caindo na realidade que nunca precisamos chegar aos extremos para estarmos sempre em cima. Teria bastado apenas um sorriso sincero ou uma careta divertida para chegar aonde chegamos.
– Optamos por um caminho diferente. – Kook cortou o amigo. – A meu ver, não o caminho certo, mas estamos ainda nele e não podemos desviar. Não agora.
– Nós não erramos. – V apontou para o próprio peito. – Somos todos seres humanos vivendo e aprendendo a cada dia com o que o mundo tem a oferecer. Não tem nada de errado nisso, apesar de achar que está sendo castigo demais.
– Sinto falta de uma boa gargalhada. – Rap Monster encostou-se na poltrona olhando pela janela. Seu comentário foi mais forte do que ele imaginava, todos ficaram em silêncio sentindo-se péssimos e derrotados. Na esperança de novamente ter a chance de rever aqueles mesmos sorrisos em breve. Mas a cada milha que o avião se movia eles tinham a certeza que isso nunca mais poderia acontecer novamente.


Capítulo 2


Faltando não mais do que alguns minutos para uma da manhã o avião aterrissou em Incheon e sentiu sua casa mais próxima do que nunca. Definitivamente estava pensando em voltar para casa, talvez depois de mais alguns longos meses, mas sua volta estava muito mais adiantada do que o esperado. Tentou, durante toda a viagem de volta, não pensar em nada do que a fizesse lembrar dele, nenhuma lembrança, nenhum momento. Nenhum olhar ou palavra, seu sorriso, o jeito em que jogava o cabelo, a forma em que seus lábios descreviam alguma coisa. Ou a intensidade de seu olhar quando a encontrava, demonstrando que nada mais o teria feito feliz a não ser sua presença. A maneira boba em que ele mexia os pés quando estava nervoso e até mesmo o jeito em que ele falava com ela era torturante demais. Seu toque e o formato em que seus lábios se encaixavam aos dela, tudo desabou nesse exato momento e como súplica, ela deixou cair o rosto, perdendo o controle do choro.
Estremeceu um pouco ao se dar conta de que estava pensando nele e sentiu toda a dor voltar novamente dentro do seu peito. Engoliu o choro abafado, encostando-se na janela do avião para não chamar atenção e não acordar as amigas. O controle que ela tentava manter àquela altura já estava longe, seus olhos estavam encharcados de lágrimas. Suas mãos começaram a suar frio e ela evitou entrar em outra crise, imaginando o que estaria acontecendo com ele para agir daquela maneira. O seu braço ainda estava dolorido com o corte e ela pressionou levemente o curativo.
– Jimin… – Ela suspirou, tentando encontrar forças para se levantar daquele avião. Sua cabeça caiu um pouco, sentindo seu coração acelerar conforme o avião ia parando na pista de pouso. Mantendo a concentração, tentou-se livrar mais uma vez da imagem de Jimin no aeroporto, isso era tortura. Isso teria que parar em algum momento, ela não buscaria por mais respostas, não queria saber o porquê dele simplesmente acabar com tudo dessa maneira. Por que todas essas perguntas sem respostas? Por que ele não voltou? Por que não atendeu o celular? Sua última lembrança era ele olhando pelo vidro do avião sem expressar qualquer reação. Ele estava tão sério. Triste. Jimin simplesmente a encarou tão frio. Tão estranho. Ela nem ao menos teve forças para fazer qualquer movimento depois daquele olhar.
balançou a cabeça inconformada e limpou as lágrimas com as costas das mãos, se sentindo uma tola por estar naquele estado por alguém que passou somente alguns meses ao lado. Mas ela sabia que bem no fundo não queria assumir que aqueles meses foram os mais importantes de sua vida até esse exato momento. Nunca sentiu e amou tão intensamente alguém como amou Jimin.
Passado, exatamente no tempo certo.
Jimin ficaria no seu passado como um grande amor, uma grande parte que ela pôde aprender e acreditar que grandes amores existiam. Desejou fortemente que seu amor ficasse bem, mesmo não estando ao seu lado nunca mais.
– Finalmente em casa. – Ela sussurrou baixinho para si mesma, nada entusiasmada.
– Chegamos? – se virou, espreguiçando-se logo em seguida que o avião parou e anunciaram que haviam chegado a Incheon. balançou a cabeça confirmando e abriu um sorriso, demonstrando confiança.
– Não vejo a hora de chegar em Seul e tomar um bom banho como mereço. – comemorou, abrindo os braços e levantando-se.
– Preciso saber do Suga. – deu um pulo imediato da sua poltrona, pegando sua bolsa. – Odeio quando ele não manda nenhuma mensagem, até parece que eu não tenho namorado.
– Pelo menos uma de nós ainda tem. – entortou um pouco a boca, tentando não demonstrar qualquer reação sobre aquele comentário.
abaixou a cabeça, sentindo-se péssima pelo infeliz comentário que tinha feito.
– Eu estou bem, . Não precisa se preocupar, você não disse nada demais. – Ela percebeu o incômodo da amiga. O clima foi ficando mais leve com o tempo quando elas chegaram ao apartamento delas em um dos pontos mais calmos e nobres da cidade. ficou surpresa ao andar de carro pela madrugada de Seul, tudo estava calmo e tranquilo. O que não era o esperado para sábado a noite. Apesar de achar que teria certos problemas nos próximos dias com tudo o que estava acontecendo, respirou fundo agradecendo por estar novamente em casa. O celular em sua mão indicava que logo mais a preocupação iria começar, no visor várias chamadas perdidas de V e J-Hope, ambos com certeza estavam preocupados. Mas, no momento o seu único pensamento era como lidar com e não pôde deixar de se preocupar com Jimin, que estava tão longe. Em algum lugar sofrendo. Mesmo sem saber o que realmente tinha acontecido, ela o conhecia bem o suficiente para saber que esse momento ele estava sozinho, não querendo ninguém por perto e isso era a sua maior preocupação.
– Park Jimin, fique bem! - ela disse, pressionando o celular contra suas mãos esperando que a madruga fosse calma e que fosse capaz e ter uma noite tranquila. Ou que pelo menos tentasse dormir um pouco para descansar. Por mais que tentasse disfarçar, ela também estava sofrendo com tudo aquilo. Ela sentia a tristeza dos amigos, sentia o sofrimento e principalmente por mais que estivessem na mesma cidade sentia muita falta de todos juntos.

Quando o carro estacionou no enorme gramado de frente para a entrada principal da casa, Jimin abriu a porta sem ao menos esperar que alguém tivesse a coragem e a vontade de descer. O caminho do aeroporto nunca foi tão longo como aquele dia, todos estavam em silêncio a maior parte do trajeto. A única palavra mencionada durante todo o tempo foi quando J-Hope disse um simples obrigado para o carregador de malas que havia fechado a porta do carro para ele.
A porta da casa se abriu, revelando a governanta parada ao lado dela com um enorme sorriso receptivo. Jimin passou por ela, abrindo um sorriso pequeno e sem esperar subiu imediatamente as escadas em direção ao seu quarto. Abriu a porta com toda força e a primeira coisa que fez foi tirar logo os sapatos e desabotoar parte de sua camiseta.
Tudo estava misteriosamente em seu lugar e limpo. Pela primeira vez pôde enxergar sua cama arrumada sem pilhas enormes de roupas jogadas em cima dela.
No escuro, sentou-se na beirada da cama e pressionou o rosto com as duas palmas de suas mãos, seus pés descalços tocavam o chão frio e seu peito estava exposto ao frio que estava entrando pela janela entreaberta. Sem vontade alguma de trocar de roupa, ele num impulso se jogou mais para o centro da cama e se virou de bruços, cobrindo a cabeça com um travesseiro.
O choro que estava parado em sua garganta e toda a dor que ele estava tentando esconder esse tempo, imediatamente explodiu entre aquelas quatro paredes. Jimin pôde sentir seu rosto molhado contra o lençol de sua cama e sua respiração ficava pesada a cada minuto que se estendia. Seu choro começou a se tornar um choro de desespero. Sem se preocupar se teria alguém olhando ou então preocupado em que ele fizesse alguma besteira. Como sempre, todos a sua volta esperando sempre pelo pior de sua parte, não acreditando e não confiando em seus atos. Ele ficou ali parado, imóvel, desabafando em forma de lágrimas tudo o que estava sendo guardado dentro de seu peito. Nenhuma palavra estava sendo dita, apenas lágrimas e mais lágrimas.
Seu mundo estava desabando em torno de sua cabeça e ele nem ao menos pensou em lutar para que isso não acontecesse, estava se sentindo exausto e sem forças para levantar daquela cama. Cedo ou tarde ele sabia que teria que enfrentar tudo o que estava esperando, mas, nesse exato momento, o que mais queria era apenas estar sozinho e refletir sobre a volta e a mudança completa de sua vida nesses meses.
Muitos pontos para serem analisados, mas aquele enorme buraco que estava dentro do seu peito parecia nunca ter fim. Qualquer lugar que procurasse em suas lembranças era inevitável não a encontrar. Ela estava ali presente como se tudo dentro dele precisasse dela para continuar seguindo em frente. Isso nunca teria um limite, e nada que ele pudesse fazer agora conseguiria parar esse turbilhão de coisas que começaram a surgir de todos os lados. Pensou em esboçar alguma reação corporal, precisava gritar, chorar, berrar com todas as suas forças até novamente cair na cama e tentar dormir, esquecendo nem que seja por alguns pequenos minutos que sua cama estaria vazia ao acordar pela manhã. Que não a teria ao seu lado e que não seria mais o seu cheiro em sua pele. Tudo estaria vazio, o mesmo vazio que estava antes de conhecê-la.
O celular em seu bolso começou a tocar, o fazendo assustar-se um pouco. Não se lembrava daquele pequeno aparelho irritante ali.
Com uma das mãos o pegou e quando o levantou para atirar em algum lugar olhou para o visor e reconheceu aquele nome que estava brilhando.
– Qual deles pediu para você ligar e ver se ainda não tentei me atirar pela janela? – Ele perguntou, aproximando o telefone de seu ouvido e não dando espaço para outras palavras que normalmente seriam ditas quando se atendesse um telefonema.
– Dessa vez ninguém me pediu para ver se você ainda estava vivo, a não ser que minha ligação seja também para verificar se você não cometeu nenhum ato extremo. – manteve o nível da voz uniforme ao escutar que ele estava chorando antes de atender o celular. – Mas vejo que você pelo menos está inteiro. Não tentou arrancar nenhuma outra parte do corpo?
– Sou tão previsível assim? – Ele girou o corpo, ficando de barriga para cima. – Infelizmente não tentei arrancar nada, ainda. Gosto muito do meu corpo e existem partes nele que eu uso bastante.
– Não quero saber qual é essa parte, ok? – sentiu seu coração bater forte ao escutar a respiração dele bem lenta do outro lado. – Eu queria apenas ouvir a sua voz e conversar um pouco com você.
– Você também esteve chorando. – Isso foi mais uma afirmação do que uma pergunta. Jimin às vezes aparentava ser desligado do mundo e de todos os outros detalhes em sua volta. Mas sabia como ninguém reconhecer quando seus amigos estavam com problemas. – Talvez eu devesse perguntar o que você tem.
– Eu estou bem. – mentiu, disfarçando. – Não quero falar sobre o que está acontecendo aqui, eu só quero saber como você está.
– Não sei direito. – Ele respondeu, passando umas das mãos pelo rosto. – Em choque ainda seria a palavra mais exata. Ou então nem em choque eu esteja. Na realidade, eu não sei ainda de nada.
– Eu não vou perguntar o que aconteceu, mas eu estou preocupada com você.
– Eu sei, desculpa eu ter ido embora daquele jeito. - ele disse sincero, soltando um pequeno suspiro.
– Sinto muito por tudo o que está acontecendo, queria estar ao seu lado para dar um enorme abraço e dizer que sempre vou estar aqui. Seja qual for o motivo eu sou sua amiga e te amo muito. – tentava achar meios para começar a conversar com ele, mas estava se sentindo tão perdida quanto. Sua cabeça ainda estava girando muito. estava no outro quarto e ela sabia que a amiga não estava dormindo. Tudo estava bastante complicado e ela não sabia o que fazer para ajudar.
– Não é culpa sua, .
– Não me sinto culpada, mas preocupada com… - ela interrompeu, achando não ser o melhor momento para falar o nome da amiga. Jimin, do outro lado, ficou em silêncio, sabendo exatamente a quem ela estava se referindo. – Min, não sei nem o que falar.
– E ela? – Jimin soluçou, deixando novamente algumas lágrimas percorrerem seus olhos. Nesse momento ele sabia que não iria entender o que estava acontecendo e ele sabia que não iria adiantar muito ficar falando a respeito do assunto. Mas, de alguma maneira ele precisava saber como estava. Se a viagem de volta tinha ocorrido tudo bem, se a garota estava dormindo. Tudo o que fosse possível. Tudo o que fosse necessário para fazer com que ele ficasse um pouco mais tranquilo. Não melhor, mas algo para ter coragem e forças para levantar amanhã e encarar a coletiva de imprensa que estava marcada.
– Quer mesmo saber? – perguntou, incerteza se era realmente certo falar sobre . – Talvez fosse melhor a gente conversar sobre isso um outro momento, agora você tem que dormir já é bem tarde.
– É como se tudo fosse um terrível pesadelo e eu estou aqui deitado agora, esperando que alguém me acorde e me puxe para cima. Esperando a qualquer momento essa porta abrir e eu a ver entrando, tropeçando e reclamando de alguma coisa. Olhar dentro dos olhos dela e dizer para respirar fundo que tudo vai ficar bem, que não é nada demais. Passar a mão pelo rosto dela em seguida e sentir sua pele novamente. Não quero mais viver dentro desse pesadelo todo. Quero acordar, quero novamente essa turnê com as mesmas pessoas que começaram. Quero todos de volta rindo e curtindo a cada minuto essa aventura. – Ele não parou um segundo e as palavras começaram a sair livremente. – Não sei se estou pedindo demais tudo isso, mas nunca quis tanto algo na vida como eu quero que o tempo volte e quando eu entrar em um quarto de hotel eu veja todos sentados conversando e prontos para um próximo show.
– Jimin. – o chamou, tampando a boca contendo um enorme soluço de desespero. Cada palavra a fez sentir como estaria nesse exato momento. – Min, por favor.
– Por que tudo isso aconteceu? Por que eu fui um idiota e não prestei atenção nessas pequenas coisas, eu sempre a via incomodada e lutando dia após dias para mudar o que ela era. Ela mudava e tentava se encaixar em meu mundo, mas eu nunca ao menos tentei ficar próximo ao mundo dela. E chegou no ponto dela se machucar por minha causa? – Ele desabafou, culpando-se muito. – Nem ao menos eu perguntava sobre sua vida ou se ela sentia muita falta de seus amigos e familiares durante esses meses. Sempre fui um egoísta querendo e pensando somente na minha necessidade de tê-la ao meu lado. – Jimin respirou fundo, tentando recuperar o fôlego. – Você não entende a dor que eu estou sentindo agora por não saber se novamente vou vê-la. Meu egoísmo está me cegando mais uma vez, eu a trouxe para esse mundo, trouxe para o meu mundo. Que tipo de pessoa é capaz de amar tanto uma pessoa e não enxergar que simplesmente a está sufocando a cada segundo com coisas novas e adaptações a lugares estranhos? Que tipo de pessoa eu sou que nem ao menos consigo protegê-la? – Ele estava inconformado, lutando nesse instante contra sua realidade. – Em todas as vezes as conversas não eram sobre o que ela estava sentindo ou passando. Não era sobre o que ela ganhou de natal ou qual o primeiro carro que ela teve. Foi sobre a minha carreira, foi sobre o Park Jimin. Foi sobre um show qualquer, sobre nossos amigos. Eu nunca perguntei que comida, cor, perfume, filme, desenho ela gosta. Como alguém consegue ficar ao lado de outra pessoa se nem ao menos se interessa em descobrir mais sobre ela? Quanto mais ela tinha que ficar lidando com esse meu mundo?
– Mas ela te ama independente de todo esse mundo maluco que você vive. Para de falar essas coisas e me explica o que aconteceu pra você ficar dessa maneira? Qual o problema, Jimin? Por que você a abandonou desse jeito?
usou poucas palavras, mas foram as únicas que conseguiu falar naquele momento. Sua voz estava ficando distante e fraca. Jimin estava precisando conversar e desabafar tudo o que estava sentindo, mas não sabia ao certo se ela era a pessoa certa para ajudar o amigo. E como ele sabia do que tinha acontecido com ?
– O que você queria que eu fizesse? – Ele perguntou, perdendo um pouco a noção do rumo daquela conversa. Tudo estava confuso e ele sentia que se não colocasse para fora iria enlouquecer.
– Ninguém sabe o que você fez e pelo jeito nem você mesmo sabe.
, eu sei o que aconteceu com ela quando vocês estavam indo para o show. – Ele disse por fim, deixando a amiga totalmente em silêncio do outro lado da linha. – O que você quer que eu faça diante de tudo isso? Você quer que eu fique esperando ela ser atacada novamente por um grupo de repórteres ou fãs descontrolados?
– Min, eu entendo o que você quer dizer e entendo perfeitamente isso. Mas, não fique se martirizando por causa disso. Você sabe o quanto tudo isso foi importante pra ela, o quanto você é importante pra ela. – Ela lutou achando mais palavras de consolo. – Por favor, você sabe que ela te ama muito e que um amor assim nunca acaba do dia para a noite. Imprevistos acontecem a todo o momento e não foi a sua culpa. Ela está bem, só não entende nada do que você fez e não entende o que fez de errado pra você abandona-la desse jeito. Não jogue tudo isso pela janela quando aparece apenas mais uma barreira. Como você mesmo disse, vocês viveram tão pouco tempo um com o outro e precisam voltar a se encontrar e conhecer um ao outro realmente. Mas eu aconselho que você só faça isso quando não estiver em uma turnê ou sendo o Park Jimin, cantor. Mostre para ela quem na realidade é o Jimin.
– Como eu posso lutar e ter esperanças depois de tudo isso? – Ele se sentiu um derrotado diante de tudo o que ela havia falado. – Como posso ter direito de uma esperança se eu não consigo ao menos me suportar com essa culpa? Por mais que tente pensar em maneiras para lidar com a minha vida pessoal e minha carreira eu chego ao ponto principal. Que não posso ter as duas coisas ao mesmo tempo.
– Claro que pode! Você não é diferente do resto do mundo. – Ela tentou soar convicta, mas aquela confissão a deixou um pouco com raiva dele.
– Posso? Dessa maneira?
– Talvez tenha começado do jeito errado. Veja o caso de com o Suga, eles estão muito bem juntos. – Ela o lembrou do relacionamento da amiga com o companheiro de grupo dele. – Você mais do que ninguém sabe o que aconteceu entre eles e viu o tempo que ficaram naquela guerra de sentimentos e no final isso só ajudou a fortalecer o amor que existia entre eles.
– Eles vivem se escondendo em todos os lugares. O relacionamento deles é nas sombras sempre com medo de alguém descobrir.
– Pode ser, mas estão juntos tentando alguma coisa!
– Não sei o que fazer, não sei o que posso fazer para melhor tudo isso. – Ele choramingou, suplicando por ajuda. – Me sinto perdido. A única coisa que eu sei fazer é me trancar dentro desse quarto como um idiota e ficar chorando. Sentindo culpa por tudo.
– Seja homem. – pela primeira vez o atacou de forma inesperada. – Você tem experiência e idade o suficiente para saber o que fazer. Quanto tempo mais você vai ficar se lamentando assim e não lutando por aquilo que você diz amar tanto? Quanto tempo mais vai ser preciso para você acordar e mudar tudo o que você quer? O que você está esperando? Por mais que você tenha todos os seus amigos ao lado agora vai chegar um momento em que você vai estar sozinho. E estando sozinho você vai se perder porque sempre vai estar esperando uma ajuda de alguém e nesse momento você não vai ter ninguém ao lado. – parou assustando-se com o que acabara de falar. Jimin ficou em silêncio do outro lado parecendo assustado também com o turbilhão de palavras e verdades que ecoaram pelo celular. – Não faça isso, Jimin. – Ela continuou agora pedindo. – Todos estão esperando algo de você a todo momento, surpreenda e mostre que você sabe o que faz. Todo mundo fica preocupado com você, com esses ataques e com tudo o que a imprensa inventa ao seu respeito.
– Eu não consigo pensar em nada agora. Eu preciso de um tempo.
– Você vai ter o seu tempo, mas não demora muito. – pediu. – Ela não vai ficar esperando você pelo resto da vida. Ainda mais esperar por alguém que não teve coragem de nem ao menos se despedir e explicar o que estava acontecendo.
– Eu amo ela. – Ele confessou, fechando os olhos. – Amo, mas não consigo ser igual o Suga e ignorar o que acontece com o resto do mundo. Se for pra eu amar eu quero fazer da maneira certa, quero ter tudo o que isso me permitir e quero viver tudo o que for possível.
– Você às vezes precisa se arriscar e esse comportamento que você está tendo é mais egoísta do que amar de verdade. – Ela disse por fim mesmo sabendo que aquele era o momento errado para esse tipo de conversa. – Você foi tão egoísta que não deu nem a chance dela explicar o que estava sentindo quando aconteceu o ataque. Jimin, você tem que deixar ela decidir o que é bom e o que é ruim pra vida dela.
– Eu sou bom pra vida? – Ele perguntou confuso.
– Você não deu nenhuma chance de resposta quando foi embora daquele jeito. E só ela vai conseguir te responder isso e você simplesmente foi embora deixando ela jogada naquela pista.
– Eu sinto muito.
– Não é pra mim que você deve falar isso!
O silêncio tomou conta do outro lado da linha e o que ela pôde ouvir somente foram soluços abafados de choro e dor.


Capítulo 3

Quase por volta das três horas da manhã, ninguém havia dormido ainda. estava no quarto de hóspedes ao lado dos outros dois quartos: de e . Na enorme sala de estar, as luzes estavam acesas sem ninguém estar presente no ambiente. Em cima da pedra de mármore da cozinha, duas enormes caixas de pizzas e vários copos esperando por elas. Todas as três entraram rapidamente para um banho antes de voltar para a sala e começarem a comer e a conversar.
O quarto estava do jeito em que deixou antes de sair para o aeroporto, sua mesa de trabalho em um canto toda bagunçada e do outro lado sua enorme cama com vários bichos de pelúcia em cima. ficou parada por alguns longos minutos na porta, olhando tudo muito curiosa para saber se não estava faltando nada que fosse dela.
— Isso realmente me fez falta. — Ela sorriu, jogando-se na cama. — Como consegui ficar longe desse clima por tanto tempo? Talvez eu esteja ficando maluca por estar falando sozinha nesse momento. — Olhou para os seus pequenos bichos e segurou um com toda força em volta de seu peito. — Tenho tanto pra contar para vocês dessa minha enorme aventura. Desse sonho que se tornou realidade e infelizmente chegou ao fim ontem. Vocês com certeza vão ficar cansados de me ouvir falar.
Tudo ficou mortalmente em silêncio e ela escutou ao longe o barulho do chuveiro do quarto ao lado ser ligado. Olhou sem vontade alguma para o closet e contou várias vezes tentando pegar impulso em uma única vez para se levantar daquela cama e tomar logo um banho para relaxar. Meia hora depois daquele enorme período debaixo do chuveiro ela o desligou e vestiu um pijama simples que estava guardado, indo para a sala. e estavam sentadas conversando animadamente sobre alguma coisa que nesse momento, ela não pôde distinguir o assunto. como sempre tinha um certo dom para falar demais e acabar envolvendo um assunto no outro e no final se perder e não saber nem o que está falando. não ficava para trás nesse sentido também. Mas era um pouco mais reservada para conversar sobre alguns assuntos. Principalmente quando o assunto era Taehyung e sua friendzone.
— Finalmente. — interrompeu a conversa quando viu andando em passos de tartaruga para o sofá. — Por que você não usou aquele outro pijama que eu fiz especial para você? Ele tem todos os sapinhos que você pediu.
— Pijama de sapinho, hein. — levantou uma sobrancelha, zombando dela. — Você está com uma cara horrível e seu cabelo então, nem se fala.
— Todo ressecado e cheio de pontas duplas. — acrescentou na descrição, balançando a cabeça. — Você realmente não se cuidou quando estava fora. Precisa de uma hidratação e um banho de loja.
— Posso ficar em paz? Obrigada. — se atirou no sofá, cruzando as pernas mal humorada. Não tinha sono. Não tinha paciência, sua cabeça estava latejando e aquele corte em seu braço cada vez mais dolorido. Não era o momento de perder tempo com o que estava falando, tudo estava um caos na sua cabeça.
— Eu aqui tentando amenizar o clima e você nesse mau humor todo. Como é difícil lidar com você. — fechou o rosto, fazendo drama enquanto comia um pedaço enorme de pizza. — Tudo bem, sabe? Eu cansei de ser jogada aos trapos pelas pessoas que eu mais amo nessa vida.
, sem dramas. — pegou uma almofada e prensou contra a barriga. — Eu só estou cansada da viagem e se você perceber em meus olhos eu não dormi nenhum segundo. Minha cabeça está me matando sem contar as enormes dores.
— E o braço, como está? — perguntou preocupada, vendo a amiga segurar de vez em quando o curativo como se estivesse sentindo dor.
— Bem. — Ela disse, passando levemente a mão pela extensão do braço até o ombro. — Dolorido, mas vou sobreviver.
— Nossa, eu realmente achei que aquela garota fosse te matar. — disse assustada, relembrando brevemente o que havia acontecido. — Ela é maluca. Como deixam uma garota desequilibrada daquelas andar solta assim?
— Ela não é desequilibrada...
— Não, ? O que ela é então? — virou-se bruscamente para a amiga. — O que é uma pessoa desequilibrada? Ela com aquele canivete não é nenhum pouco estável pra você?
— Não vamos falar disso. — jogou a almofada na direção das duas, impedindo que aquele assunto se iniciasse. Estava cansada demais para começar esse assunto novamente.
— Falei com o Suga, eles chegaram mais cedo que nós. Está tudo bem com eles. — levantou-se cautelosa, sentando ao lado de no sofá. Ela não sabia exatamente como iniciar aquela conversa, mas antes de voltar do banho elas estavam conversando e conseguiu contar para toda a sua conversa com Jimin no telefone. Em detalhes, ficou surpresa com tudo o que estava acontecendo e não conseguia acreditar que Jimin estava nessa situação e nessa crise toda por causa do ataque.
— RapMoon também ligou e disse que mais tarde vai passar aqui. — comentou rapidamente sobre a breve conversa que teve com o garoto antes de entrar no banho. — Mandou beijos e disse que ama vocês duas.
— É... — sorriu sem muito esforço, se sentindo incomodada em escutar novamente todos aqueles nomes. Por mais que fosse obrigada a aceitar, ela estava aliviada ao saber que a viagem de volta de todos tinha ocorrido da melhor maneira possível.
— Eu tive que ligar para o Suga antes que ele mandasse a NASA aqui em casa. Você bem sabe o quanto ele é exagerado. — levantou o rosto, olhando para que prendeu o olhar ao dela, esperando por mais alguma informação. — Eu sei o que você quer saber, mas nesse momento a gente não vai se preocupar com isso. Estamos aqui para ficar com você.
— Eu não sei se quero falar sobre isso. — relutou um pouco com algumas lágrimas, mas as mãos dela se envolveram com as suas, passando confiança e força. Ela estaria ali ao seu lado caso precisasse. — Disse tantas vezes durante essas horas o que estava acontecendo, chorei, pensei e sofri. Não sei mais se tenho lágrimas ou palavras para descrever o que se passa na minha cabeça. Foram dias maravilhosos e por mais que tudo esteja assim no momento eu queria me lembrar de cada detalhe feliz que eu passei ao lado de todos. Não quero me lembrar de nenhum desentendimento. Quero apenas lembrar de todos aqueles rostos lindos sorrindo e demonstrando felicidade e alegria com os olhos brilhando.
— Amiga, não fique desse jeito. Tudo vai se resolver.
— Eu não quero saber mais disso. Cansei de tanto tentar entender o que aconteceu, isso é uma coisa que eu quero apagar da minha cabeça. — , sem forças, manteve o olhar diretamente voltado para a amiga, e nem muito se deu ao trabalho de parecer convincente porque sabia que não iria acreditar em nenhuma palavra do que ela havia acabado de falar. O que era simplesmente tudo verdade. Como iria apagar da sua cabeça se ela sabia o quanto iria ser difícil e complicado lidar com todos aqueles sentimentos? Principalmente sabendo que em algum momento ela iria cruzar com ele. Talvez não hoje, mas em algum momento ao longo desses próximos dias.
— Quantas vezes eu tenho que te falar que esse seu jeito moleca conquista todo mundo? — bateu levemente no ombro dela, sorrindo na sequência. — E, quantas mil vezes eu preciso dizer também que as melhores coisas da sua vida acontecem sempre quando você está sorrindo?
— Ele me deixou… — A garota tentou falar com a voz já fraca de choro. Ela sabia que não iria conseguir falar sobre o assunto sem chorar.
— Ele não te deixou, ele está confuso! — , disse levantando-se imediatamente e indo para um dos ombros do sofá ao lado da amiga. Ela estava com medo de falar alguma coisa de errado naquele momento. Principalmente, falar sobre a conversa que teve com Jimin algumas horas atrás. Era complicado se intrometer nesse assunto e ela não tinha nenhuma noção do que fazer com toda aquela informação.
— Eu fui infantil o tempo todo. — deixou escorrer algumas lágrimas de tristeza. — Me comportei como uma adolescente que estava tendo seu primeiro caso amoroso. Entrei em várias crises de ciúmes a todo o tempo, senti medo dele olhar para o lado e se interessar por outra pessoa. Fui dramática ao extremo.
— Mesmo sendo tudo isso o Jimin não deixou de te amar um minuto. cortou o que ela falou imediatamente, iniciando o assunto que ela estava esperando a madrugada toda. — Será que você não percebeu o quanto ele mudou? Ou só eu enxerguei isso no Jimin? Você viu os olhos dele de uma cor diferente? Notou o quanto ele está parecendo completo com você na vida dele?
— Não acredito que você simplesmente está se questionando da forma que agiu. Ótimo que você sente que poderia ter evitado algumas coisas, mas não fique se cobrando por certas atitudes que teve em certos momentos. Lembre-se sempre que você deve demonstrar nesses momentos aquilo que você realmente é e você sabe melhor do que ninguém que seu sorriso contagia todos ao seu redor.
— E você não sabe realmente se ele te abandonou. — completou.
— Então não fique se culpando por isso, você sabe muito bem que todo ser humano erra, mas não existe em nenhum lugar, ainda que errando, que você seja incapaz de voltar e fazer novamente, só que dessa vez sem erros.
— Vocês duas não existem. — tentou falar entre uma lágrima ou outra. Suas mãos estavam envolvidas agora entre as das amigas e ela teve a certeza, naquele instante, que não precisaria procurar por mais forças, o lugar certo para se recuperar era perto delas. Mas algo estava faltando, ela ao longe se deu conta que parte do seu vazio não era apenas saudades de Jimin e sim de todos os outros do grupo.
Uma enorme lembrança naquela noite surgiu e não somente , mas também e , voltaram ao passado, mergulhando naquela lembrança triste que foi a despedida naquele aeroporto. A forma em que todos estavam parados assistindo o desespero de atravessando a porta de vidro para impedir que Jimin embarcasse. Todos ficaram parados em suas poltronas assistindo sem poder fazer nada e a dor nos olhos do amigo por estar partindo quando queria ficar. O receio e a incerteza de que Jimin num futuro próximo não teria qualquer tipo de arrependimento por ter tomado aquela decisão. Por, tê-la deixado daquela maneira. O assunto continuou por mais de duas horas, fatos e lembranças de anos de amizade. Lembranças que essa noite machucavam. e tentaram de todos os jeitos segurar as lágrimas, mas foi quase impossível não se emocionar com a maneira sofrida que relatava os últimos minutos com Jimin. Ela sofria por não saber o que fazer. Tudo o que ela mais queria era estar ao lado dele, compartilhando todos os sorrisos e sonhos.

Na sala de eventos da BigHits, Rap Monster andava impaciente de um lado para o outro. Fotógrafos, jornalistas e qualquer meio de comunicação estavam naquele prédio, esperando o momento certo para atacar o grupo com várias perguntas a respeito do comunicado oficial do cancelamento da turnê pela américa latina. Do lado de fora uma gritaria absurda de fãs descontroladas. Muitas pareciam estar chorando e outras histéricas e eufóricas para encontrar os seus ídolos. Jin cobriu o rosto com as duas mãos. Parecia preocupado e abatido com alguma coisa. Passou as mãos pelos olhos e respirou fundo.
J-Hope, um pouco mais a frente, estava encostado na parede com a cabeça baixa, pensativo demais. Naquela manhã até aquele exato momento ele não havia falado com ninguém, nem com seus colegas de grupo. O clima parecia piorar a cada segundo naquele ambiente e todos estavam nervosos demais esperando que Taehyung entrasse pela porta acompanhado por Jimin. A maioria estava duvidando que o amigo fosse conseguir participar daquela coletiva de imprensa. Não depois do que aconteceu na noite passada. O que a imprensa não poderia nem sonhar qual era o verdadeiro motivo desse cancelamento repentino.
O celular de Suga começou a tocar em cima da mesa. J-Hope se distraiu um pouco e olhou para Suga, que estava sentado totalmente largado e aparentava não estar preocupado em atender. Kook olhou torto para Suga, que ignorou tanto os amigos como o celular que ainda insistia em tocar.
— Suga, por favor, será que dá para atender isso logo? — J-Hope abriu a boca pela primeira vez para falar algo e sua voz parecia fria e sem paciência. — Que caramba, você não escutou essa porcaria tocando da primeira vez? Parece um retardado. — ele se irritou, caminhou até o banheiro e entrou, batendo a porta com tudo.
— Suga. — Rap Monster chamou o amigo e em seguida sentou em uma cadeira ao seu lado. — Você percebeu que nós estamos em uma crise nesses últimos dias?
— Não apenas crise, mas um turbilhão de desastres. — Suga rolou os olhos nervoso e puxou seu celular para dentro do casaco. Rap Monster afirmou com a cabeça e fitou um ponto brilhoso na mesa. — Vamos torcer para tudo se resolver logo, odeio esse clima que estamos agora.
— É difícil demais dizer que tudo vai passar, porque nós nunca passamos por tudo isso, entende? — Jin voltou sua atenção para Suga e respirou fundo. — Aquelas garotas querendo ou não nenhum de nós assumir, mudaram todo o rumo da nossa carreira. Nós não somos os mesmos há muito tempo.
— Essa turnê também foi diferente do que estamos acostumados. Antes era tudo profissional e num instante se tornou tudo diferente. Erramos muito nisso, colocamos a nossa diversão e nossos corações na frente do trabalho. — Kook disse, abaixando a cabeça lamentando tudo o que estava acontecendo. Há muito tempo ele não conseguia ter a diversão que ele teve nos últimos meses, trabalhar e ao mesmo tempo viver aquela turnê tão intensamente daquela maneira. Aquele sentimento único de estar completo. Viver com os amigos o seu sonho e estar feliz por pequenos acontecimentos normais no seu dia a dia. — Não me sinto culpado por ter errado dessa maneira. Mas, eu entendo que isso agora vai refletir em nossas carreiras.
— Mas como nós íamos separar tudo isso? Foi impossível evitar. — Jin perguntou.
— Mas devíamos ter evitado, se tivéssemos não estaria acontecendo tudo o que está acontecendo agora. — Kook disse firme, mordendo o lábio superior. — Eu, você, Jimin, Taehyung, Suga, Rap Monster e J-Hope não podíamos ter permitido que três garotas mudassem o rumo da nossa história desse jeito. Jimin e Taehyung sofrendo por terem se envolvido demais com duas delas, eu sofrendo também com aquela história toda. E o Suga namorando escondido.
— Não coloca a na história! — Suga pediu sem humor nenhum. Não era possível que seria obrigado a essa altura começar outra briga por causa do seu namoro com a garota. — Não quero ouvir você falando que a minha namorada é um problema na minha vida. Eu escolhi tê-la dessa maneira e eu estou muito bem e feliz ao seu lado. Independente se vocês acham que é certo ou errado. Quem melhor pode saber da minha vida a não ser eu mesmo?
— Você ao menos parou pra pensar que namorar escondido chega a ser complicado pra ela? Como se você não quisesse que o mundo soubesse que está com ela? — Rap Monster tentou não fazer esse tipo de pergunta, mas sempre que o assunto surgia ele não tinha a oportunidade necessária para fazer com que Suga entendesse a preocupação de todos. — Você lida muito bem com os seus sentimentos e com a sua vida amorosa. Mas, é muito egoísta você não pensar que o que acontece com a sua carreira acaba refletindo na nossa e em nosso grupo. E isso é uma coisa que a gente precisa se preocupar.
— Não entendo porque vocês vivem trazendo esse assunto sempre que tem oportunidade. — Suga levantou-se irritado, chutando a cadeira que estava sentado. — Eu sei o que eu quero pra minha vida e pra minha carreira. Não sou egoísta de não pensar em vocês. Mas, pra pensar na minha carreira eu tenho que me privar de ter qualquer sentimento?
— Quem disse que era pra você se privar de qualquer sentimento? — Kook olhou de relance para o amigo que agora andava de um lado para o outro da sala. Definitivamente o clima estava pior a cada segundo. — Não vamos entrar nesse assunto porque todo mundo aqui sabe das atitudes que teve e não vejo ninguém querendo mudar o passado por conta disso. Todo mundo curtiu e se divertiu o máximo que foi possível.
Ele terminou o assunto, desejando que tudo aquilo tivesse logo um fim para que pudessem ir embora daquele ambiente, antes que rolasse mais uma briga entre eles.
— Se eu tivesse a chance de voltar no passado e refazer minhas atitudes novamente, eu não mudaria nada. — J-Hope falou surgindo um pouco mais a frente. — Eu teria feito tudo o que eu fiz meses atrás e junto com elas. Mesmo eu sabendo que foi um erro e que estava longe da nossa realidade se envolver dessa maneira com outras pessoas.
Suga, Kook, Jin e Rap Monster ficaram sem palavras e um longo silêncio invadiu a sala por minutos. Todos os quatros abaixaram a cabeça, pensando em tudo o que tinha acontecido e as possibilidades do que estava para acontecer.
— Eu também não faria nada diferente. — Rap Monster confirmou e olhou para Jin, que balançou a cabeça concordando. — Talvez eu evitasse algumas coisas.
— Eu não gosto de falar a respeito disso, já estamos com vários problemas no momento e ficar relembrando isso só piora a situação! — Suga fez careta e se espreguiçou um pouco. — O que podemos fazer agora é esperar que o Jimin apareça para essa coletiva.
— Será que o Jimin vai aparecer? — J-Hope perguntou, levantando uma sobrancelha e encarou os amigos. Nesse momento Taehyung abriu a porta e todos o olharam esperançosos.
— Relaxem, ele vai sim. — Ele disse, abrindo um sorriso.
— ÓTIMO! — Kook deu um pulo da cadeira, animado.
— E como ele está? — J-Hope perguntou curioso.
— Nada bem.
— E ela? — Dessa vez Rap Monster que perguntou.
— Nada bem ao cubo. — Taehyung fechou a cara e se afastou um pouco dos amigos. — Não sei como Jimin vai sair dessa, mas eu acho que a situação não tem volta.
— Não consigo imaginar como vai ser nossa amizade com as meninas depois disso. — J-Hope comentou preocupado. Não queria que aquilo fosse um fim também para a amizade deles com as garotas. Em tão pouco tempo tinha desenvolvido um sentimento muito grande de amizade por todas as três. Seria difícil no momento esse contato, mas queria muito que isso fosse apenas passageiro e que Jimin voltasse a colocar a cabeça no lugar e não ser tão radical sobre o assunto.
— Não fala isso, cara. — Kook se levantou também, um pouco alterado. — O Jimin não estava pensando direito e tenho certeza que eles vão se entender. Não é possível!
— Essa coletiva vai ser uma bomba! — Jin suspirou alto, esperando que alguma coisa mais fosse acontecer de errado.
— Confesso que estou com medo de alguém ter filmado alguma coisa.
Todos por frações de segundos ficaram paralisados tomando o choque com o que Rap Monster havia dito. Era possível em todas as situações do aeroporto alguém ter filmado ou tirado fotos. Principalmente quando foi carregada por seguranças pra longe da pista de decolagem.
— Jimin foi um idiota! — Suga quebrou o silêncio pela primeira vez, comentando a respeito da atitude do amigo. — Como ele pode surtar daquela maneira e ferrar com as nossas vidas assim? Ele podia ao menos ter se controlado um pouco.
— Suga, não é um bom momento pra você dizer umas coisas dessas. Não acha? — Taehyung alterou um pouco a voz e se aproximou dele. — Se fosse com você, aposto que não teria feito diferente.
— Nós não vamos discutir a respeito disso, porque é a vida do Jimin e não nossa. — Kook disse, colocando um fim naquilo e separando os dois.
— Precisamos ir logo para a coletiva, aonde está o Jimin? — Rap Monster perguntou curioso.
— Conversando com nosso assessor. — Taehyung respondeu.
O clima estava ficando mais tenso cada vez que se passavam os minutos. Exatamente às 14:00 horas Jimin surgiu acompanhado pelo assessor e seu rosto estava tão pálido que era um chute certo falar que tinha passado a noite em claro. Em baixo dos olhos enormes marcas roxas que nem com a maquiagem foi possível esconder. Em uma das suas mãos ele segurava um óculos de sol e logo era possível saber que ele o usaria para evitar que perguntas fossem redirecionadas para a sua aparência tão abatida. Quando todos o encararam tiveram a certeza que ele estava sofrendo bastante e que tinha juntado todas as suas forças para estar ali ao lado deles. Como isso tudo podia estar acontecendo e justo dessa forma? Por que tudo tão de repente? E se algo desse errado, o que iria acontecer com eles? Nenhum deles conseguia achar respostas para todas essas perguntas. O momento agora era somente focar em suas carreiras e esquecer por completo suas vidas pessoais. Agora era o momento do BTS aparecer e impressionar em mais uma coletiva de imprensa.


Capítulo 4


Faltando pouco menos de dez minutos para a coletiva de imprensa, Suga caminhava nervoso de um lado para o outro, não contendo a ansiedade de acabar logo com todo o alvoroço que estava na sala de imprensa. Ele sabia o quanto era importante que tudo ocorresse bem. Não bem, mas que fosse algo perfeito para que a imprensa não tivesse nenhuma suspeita do que estava acontecendo nos bastidores. Lançando um olhar para o celular ele notou que havia uma mensagem de lhe dando forças para suportar todas as perguntas e questionamentos sobre a turnê. Ele sabia que era necessário essa distância entre eles nesse momento delicado, entendia o quanto era complicado manter esse relacionamento escondido de todo o mundo. Queria que ela estivesse lhe dando todo o amor e apoio que precisava, mas o fardo de esconder esse relacionamento entre as sombras era algo que ele precisava manter por mais um tempo. Não sabia exatamente quanto, mas em algum momento ele pretendia expor para todos o que estava sentindo. O amor intenso e o brilho em seus olhos toda vez que estava perto dela, o desejo de abraçá-la em público e dizer para que todos pudessem ouvir que o motivo do seu sorriso era simplesmente por tê-la em sua vida. Hoje ele sentia saudades e esperança que num futuro não tão distante ele pudesse fazer essa revelação que finalmente havia encontrado a mulher de seus sonhos e que seu nome era . Gritar que ela tinha o melhor sorriso do mundo, o perfume que lhe tirava o chão e o beijo mais quente e doce que um dia sentiu. conseguia fazer com que ele sentisse todas essas sensações e emoções ao mesmo tempo, não era apenas pensamentos de uma pessoa que estava apaixonada e sim de alguém que estava amando com todas as suas forças e seus limites. Ele a amava. De todo o coração, de todas as maneiras e queria que o mundo aceitasse esse amor.
J-Hope que sempre foi o mais alegre e confiante nesse momento estava do outro lado com a mãos no bolso olhando pela janela parecendo tão aleatório, Kook, Taehyung e Jin estavam sentados olhando para o celular e um pouco mais a frente Rap Monster discutia os últimos detalhes da coletiva com o assessor.
— Chegou a hora, — ele disse, rolando os olhos para cada um deles. — façam o que combinamos, não mudem o roteiro e não tentem falar mais do que o necessário.
Ele levantou o braço, apontando para a porta. Como se estivessem indo para uma guerra todos soltaram um pequeno suspiro, sentindo a tensão no ar naquele momento que começaram a caminhar. A única preocupação no momento era saber se Jimin realmente estava preparado para enfrentar o público naquele momento. Ele surgiu um pouco mais atrás de cabeça baixa usando óculos escuros, calça jeans e uma blusa de frio branca. Dessa maneira era quase possível dizer que ele estava bem. Não disse nenhuma palavra com ninguém e muito menos tentou demonstrar que estava seguro do que estava para acontecer. Jimin simplesmente parecia não estar naquele lugar. O corpo estava, mas sua mente definitivamente estava em outro.
— Tudo bem, Jimin? — Taehyung perguntou, segurando levemente no ombro do amigo. Tae estava muito preocupado, ele sabia o quanto era difícil demonstrar que está tudo bem quando na realidade o mundo em sua cabeça está desabando. Ele compreendia o sentimento que Jimin sentia mais do que qualquer outra pessoa, ele também lutava contra o amor que sentia por todos esses anos. Privou-se de qualquer sentimento, contato ou atração com a garota por medo que algo acontecesse à ela. O medo o afastou todos esses anos de viver um grande romance com a mulher de seus sonhos, esse medo de machucá-la em algum momento. Medo de um dia as coisas fugirem do controle, e ela ser usada como uma ferramenta para jornais, revistas e sites de fofocas.
— Não, — ele respondeu, agora parando de frente para a porta fechada. — vamos responder o que combinamos e acabar com isso de uma vez. J-Hope, Rap Monster, Suga, Jin e Kook se entreolharam sem saber o que responder. A porta foi aberta e longe só foi possível escutar gritos, choros e vários flash sendo disparados na direção deles. A multidão de fãs se juntaram em um coro, gritando pelo nome de cada integrante enquanto caminhavam lentamente para o palco principal. Jimin abaixou a cabeça, escondendo-se atrás dos amigos para que não fosse notado pelo público eufórico que agora gritava histericamente o nome de JungKook. Rap Monster, líder do grupo, cumprimentou os jornalistas cordialmente e virou-se para as fãs, começando o discurso de desculpas pelo cancelamento de última hora de todos os shows que estavam marcados para os próximos três meses.
— Eu sinto muito por esse cancelamento repentino, entendo o quanto todos estão decepcionados com isso. — Ele disse, apoiando uma das mãos no ombro de J-Hope que estava sentando ao seu lado, balançando a cabeça concordando com cada palavra que estava sendo dita por Rap.
— ARMYS, VOCÊS SÃO NOSSAS VIDAS. — Jin interrompeu, fazendo um coração com as mãos e nesse momento o fandom explodiu em gritos de desespero por aquele momento tão inesperado. Taehyung acompanhou a empolgação do amigo também, fazendo o mesmo gesto e outro surto coletivo começou a ecoar por todos os lados do salão.
— Prometo que estamos marcando novas datas para que ninguém fique triste. Tudo o que desejamos é fazer com que vocês se sintam felizes com a nossa música. — Rap Monster terminou o discurso com um coração.
O grupo foi aplaudido durante um certo tempo e foi preciso que pedissem silêncio para que se iniciasse todas as perguntas dos jornalistas que pareciam ansiosos e sem paciência. Jimin estava na ponta da mesa, apenas observando tudo em silêncio sem expressar qualquer reação, seja ela de tristeza ou felicidade. Não estava concentrado o suficiente para sorrir de maneira falsa, muito menos demonstrar o seu amor pelo público. O que ele queria apenas era respirar um pouco longe de toda aquela loucura. Hoje ele não queria ser um dos vocalistas do grupo, queria apenas ser Park Jimin, pessoa. Simples. Como qualquer outra naquele lugar. Queria ter tempo para pensar em seus problemas e digerir todas as informações que aconteceram nesse curto período de tempo. Ele por fim ajeitou o óculos, ficando incomodado com tantos flash sendo disparados em sua direção. Mentalmente desejou sair correndo daquele lugar para não dá chances de perguntas que não quisesse responder. O medo começou a percorrer seu corpo e sentiu um frio na espinha imaginando se alguém havia conseguido alguma informação sobre o incidente em Nova York. Impossível não era. O que será que iria acontecer se surgisse uma pergunta sobre ? O que ele iria responder? Como iria reagir?
Uma hora depois a coletiva já se encontrava no fim, perguntas sobre o cancelamento da turnê. Problemas de saúde, desentendimentos com outros grupos. Nada foi deixado de lado, carreira, vida pessoal, fãs, produtora. Todos tentavam procurar por um furo de reportagem para estampar a capa de suas revistas no dia seguinte, qualquer furo era o suficiente para um escândalo mundial. Todo o escândalo necessário para colocar em perigo a carreira de anos do grupo. Todos seguiam o roteiro sem falhar em nenhuma resposta como havia sido instruídos pelo assessor, todas as respostas foram dadas de maneira que não fosse interpretadas erradas ou que levassem a acreditar que havia algo a mais para ser explicado. O grupo estava em perfeita sintonia, J-Hope ao longo dos minutos se soltou um pouco mais para tirar a atenção que iniciava toda vez que uma pergunta era direcionada para Jimin. Ele sabia que tinha que ajudar o amigo de qualquer maneira.
— Noto que o Jimin está diferente hoje, — um repórter interrompeu o colega de profissão ao lado enquanto o outro perguntava para Suga qual era a próxima parceria do grupo. Nesse instante todos ficaram em silêncio, virando-se imediatamente para o repórter que mantinha a mão levantada. — Aconteceu alguma coisa com você? Está se sentindo bem? Não deixei de notar que você está de óculos e muito incomodado.
Jin, que estava sentado ao lado de Jimin, ficou tenso ao perceber que a respiração do amigo ficou mais pesada naquele instante.
— Impressão, apenas. — J-Hope cortou, respondendo na sequência quando notou que Jimin apenas sorriu e levantou os ombros, não sabendo o que responder.
— Toda a turnê foi cansativa pra todos nós. — Foi a vez de Taehyung completar, mas notou que o repórter ainda estava incomodado com Jimin pois não tirou por um segundo os olhos do companheiro de grupo.
— Jimin, você pode responder algumas perguntas? — Iniciando o desespero dos outros integrantes, todos os outros repórteres se viraram para encarar o vocalista no momento que ele moveu-se lentamente, ajeitando o microfone a altura da sua boca.
— Claro. — Ele concordou, balançando a cabeça.
— O que nós vamos fazer? — Kook perguntou entre resmungos para J-Hope e Taehyung. Rap Monster e Suga se entreolharam sem saber o que fazer naquela altura. Não tinha muito o que ser feito, Jimin estava mantendo o olhar por trás dos óculos para o repórter, esperando que iniciasse o rodeio de perguntas que gostaria tanto de fazer.
— Jimin… — Jin, ao seu lado, começou a ficar preocupado.
— É verdade que você está namorando? —
A pergunta foi direta, sem rodeios e sem qualquer enrolação.
O medo percorreu entre todos os outros integrantes e fez com que Rap Monster olhasse diretamente para eles, reprovando qualquer súbita reação desesperada.
— Não! — Jimin respondeu direto, frio.
— Alguns tabloides americanos apontaram que você tava com um “affair” em Nova York, inclusive relataram que vocês jantaram no Carmine's Italian Restaurant.
Jimin precisou respirar fundo para controlar um pouco sua voz, sabendo que agora era o momento dele mostrar ao grupo que ele era capaz de controlar a situação da melhor maneira possível. Ele sorriu antes de bagunçar o cabelo e olhou diretamente para todas as câmeras que filmavam aquela coletiva. O silêncio percorreu por todo o salão e algumas fãs começaram a gritar nervosas que não aceitavam que aquilo fosse verdade. Gritaram o nome de Jimin várias vezes, tornando-se impossível que ele não notasse a desaprovação do público diante daquela pergunta.
— Jimin, você está em um relacionamento escondido? — Novamente outra pergunta. Todos os olhares agora curiosos esperavam que ele pudesse começar a responder de uma vez por todas. O assunto incomodou um pouco Suga ao lembrar de , sentiu o clima tenso no ar notando que Jimin não mudou sua expressão em nenhum segundo. Ele parecia estar em um conflito, mas por incrível que pareça ele não demonstrou o desespero tendo algum espasmo ou reação inesperada.
— O seu silêncio é uma confirmação? — Provocou, achando engraçado a maneira que ele estava em silêncio sem se mover um milímetro do lugar.
— Não… — Jimin começou a falar, mas foi interrompido por um grito de uma fã que estava totalmente descontrolada. Ele olhou para a garota que estava chorando muito e entre gritos ela suplicava que fosse mentira tudo aquilo. Mesmo sentindo o desespero dela por entre os gritos, Jimin manteve o seu olhar preso ao rosto da garota que agora estava ficando vermelha a cada minuto, ele ficou sem reação, esperando encontrar a melhor resposta enquanto ela se atirava ao chão. Não queria que ela ficasse decepcionada, não queria ver os amigos preocupados e tensos daquela maneira. Queria que fosse possível esconder todo aquele sentimento que existia por . Sentimento que estava sufocando a cada minuto ao pensar no formato do seu rosto e o gosto dos seus lábios. Ele sentia saudades do calor do seu corpo, do perfume e do sorriso que acalmava seu coração sempre quando estava passando por algum problema. Perdido em meio a todo aquele sentimento, Jimin buscou um ponto fixo para olhar preparando-se para responder a todos que agora começaram a ficar impacientes com a demora.
— O único relacionamento que eu tenho são com as Armys. — Ele respondeu, passando a língua pelos lábios. Sorrindo. Esse comentário foi o ápice necessário para que todo o fandom voltasse a gritar palavras de amor e a jogar corações para ele que observava a reação do grupo que se encontrava agora mais calmo. A garota que estava chorando abriu um enorme sorriso, balançando pra ele uma enorme faixa escrito “eu te amo” e aquilo o atingiu de uma maneira que foi preciso de muito esforço para saber que estava no caminho certo. Jimin tinha consciência que era necessário acalmar as fãs para que ele pudesse conseguir responder de maneira calma e tranquila. A reação que elas tiveram era exatamente o que em sua cabeça estava imaginando, todo o grito, súplica, dor, xingamentos. Elas não estavam dispostas a aceitar que ele ou qualquer pessoa do grupo tivesse uma vida amorosa. Era nítido o amor descontrolado e enlouquecedor que sentiam por eles, e ele não podia fazer que com esse amor se quebrasse dessa maneira. Rap Monster respirou aliviado, sabendo que ele estava no controle da situação e que iria se sair bem para driblar todas as perguntas. Por outro lado Suga não tirou a atenção de Jimin, notando o quanto ele estava nervoso sendo obrigado a mentir daquela maneira. Não somente ele, mas como todos os outros integrantes sabiam que era verdade sobre esse jantar, e também verdade que estava em um relacionamento. — Não tenho o direito de amar ou ter mais alguém na minha vida a não ser a minha carreira. — Jimin soltou um enorme suspiro triste. — Não é verdade que eu estava com uma “affair” em Nova York, nem ao menos consigo amar alguém nesse momento. Meu coração é todo voltado para a música. Relacionamentos são complicados e eu dúvido que um dia vou encontrar alguém para amar dessa maneira.
O grupo de repórteres que antes estavam calmos começaram a ficar agitados ouvindo atentamente todas as respostas, Jimin não soube se estava fazendo o certo, mas sentiu a necessidade também de protegê-la daquele mundo. Ele não se sentia no direito de tornar a vida de exposta da maneira que era a sua, não tinha o direito de amar dessa maneira. Rap Monster sentiu-se surpreso com aquela atitude e lentamente abaixou a cabeça demonstrando alívio e preocupação na repercussão que aquilo tornaria daqui algumas horas.
— Você então está falando que nunca vai namorar ou amar ninguém? — Outra pergunta foi feita agora por repórteres da Dispatch News.
— Não quero que ninguém se envolva comigo dessa maneira. Não tenho tempo para estar com alguém, não tenho tempo nem ao menos pra sentir qualquer coisa. É complicado você ter sentimentos sabendo que a sua vida é tão exposta dessa maneira. — Jimin respondeu não dando espaço para qualquer outra pergunta. O coração parecia acelerar a cada minuto quando ele lembrava dos olhos de na pista do aeroporto. A lembrança queimou em sua garganta e ele sentiu vontade de gritar para o mundo que a deixassem em paz, que não a machucasse novamente.
— Amar? O dia que eu pensar em amar alguém eu quero ter a certeza que além desse sentimento eu vou ter condições de me dedicar a esse amor, que eu vou conseguir proteger esse sentimento de tudo e de todos.
Jimin lutou por frações de segundos contra algumas lágrimas que começaram a percorrer por debaixo dos óculos, seu emocional estava ficando fraco com o passar dos minutos e ele sabia que era o momento de encerrar antes que pudesse cometer qualquer erro. Não era o momento para chorar ou fraquejar, agora era o momento exato para proteger o seu amor. E ele faria qualquer coisa que estivesse ao seu alcance para que ela ficasse segura.
— O dia que deixarmos nossas carreiras vai ser o momento exato de amar outra pessoa. — Taehyung quebrou o silêncio, respondendo na esperança de colocar um ponto final na coletiva. Nada mais era preciso ser dito, Jimin sabia que em algum lugar da cidade estaria nesse momento sofrendo com todas aquelas mentiras que ele havia acabado de falar. Mas, era essa mentira que usaria para que ela se afastasse dele de uma vez por todas. Apenas desejou que fosse feliz e que tivesse um amor que a protegesse e a amasse da maneira certa.


Capítulo 5


Sem ao menos perceber que havia caído no sono, Jimin se moveu um pouco na cama e tentou abrir os olhos, lutando contra a claridade que estava entrando pela janela. Não havia sol e muito menos calor, o tempo estava fechado e acinzentado, cada parte do seu corpo parecia ter passado por um tratamento de choque, seus músculos estavam se contraindo e parte do seu braço esquerdo estava totalmente dormente. Não sabendo como adormeceu daquele jeito, olhou para o seu corpo, notando que estava também com as mesmas roupas de três dias atrás.
Uma última lembrança da noite passada era que estava deitado conversando com J- Hope, depois de ter apagado não se lembrava de mais nada do que havia acontecido. Como se parte de sua mente tivesse se desligado da realidade e finalmente, depois de dias, teve uma boa noite de sono. Seus olhos estavam ardendo bastante e um vento forte soprou no quarto, deixando o ambiente mais gelado e aconchegante. Ele levou suas mãos para o rosto e empurrou os cabelos que o estavam incomodando levemente para trás. Fechou as palmas de suas mãos em seu rosto, soltando uma longa e abafada respiração. Nesta manhã, aparentava estar mais vívido e tranquilo. Talvez pelo fato de parte de sua consciência estar tranquila por falar com J-Hope e receber todo o apoio que estava necessitando naquele momento crítico em que se encontrava.
Seria ele exatamente crítico ou a forma em que ele estava encarando o problema o levava a não ter ânimo e força para conseguir se levantar daquela cama? O que era difícil de reconhecer naquelas alturas é que sempre encarou qualquer problema e dificuldade com muito drama.
Não era a toa que parte de sua família e seus amigos o consideravam dramático ao extremo. Mas aquilo não era exatamente o que ele poderia chamar de drama, uma dor estava crescendo a cada dia dentro do seu peito e ele não sabia ao certo o que fazer. Não que aquilo tivesse sido sua primeira dificuldade na vida amorosa. Mas aquele caso era especial, diferente de tudo o que enfrentou até o exato momento. Palavras, pensamentos e ações, nada do que ele fizesse faria o tempo voltar para alguns dias atrás. Estar deitado naquela cama pensando em tudo isso também não o levaria a lugar nenhum. Mas o que fazer exatamente? Ficar esperando por um certo milagre ou simplesmente sofrer tudo o que estava guardado dentro do peito? Transformar toda a dor em lágrimas e deixar transbordar toda a amargura e sofrimento? E mais uma vez esperar, esperar que dia após dia isso acabe passando e toda a dor, que um dia esteve guardada, caia no esquecimento. E que todo amor que um dia teve seja guardado mais profundo como uma lembrança de algo que durou o tempo necessário para se tornar inesquecível e único. Hoje deitado naquela cama sentindo a falta dela, ele conseguiu se deparar com a sua realidade. Nada seria como antes e agora só restava seguir em frente, mesmo que isso significasse mais algumas lágrimas. Um dia isso iria passar definitivamente. De certa forma, não era o melhor para lidar com situações desse nível, mas com doses de realidades e apoio dos amigos ele achava que iria superar mais uma vez um dilema em sua vida.
Jimin, em um único impulso silencioso e cuidadoso, se virou, ficando de costas para a cama e deixou vagamente seus olhos vacilarem, olhando para o lado na esperança minúscula de encontrar alguém ao seu lado.
E mais uma vez a enorme dor que estava guardando surgiu em forma de lágrimas. Em um choro baixo, ele se lamentou mais uma vez por estar sozinho e tê-la perdido. A pessoa que pouco conhecia, mas que se tornara parte do seu mundo. Mundo ao qual estava incompleto. Ondas de choques e flashes começaram a surgir de todos os lados do quarto e em qualquer ponto que desviasse a atenção ele conseguia enxergar o rosto dela. Por toda a parte do seu corpo ele sentia o seu toque, suas carícias, seus beijos e ao longe ainda decifrava o perfume dela, que estava em suas roupas. A loucura e a insanidade o dominavam naquele instante. De olhos fechados, ele se lembrou novamente dela.

Flashback…
Jimin passava os canais sem ao menos se importar com o que estava passando. Nada o estava deixando interessado ou com vontade de continuar sentando ali, naquele sofá. Perdeu a conta de quantos hotéis, fãs e aeroportos enfrentou para finalizar a agenda do mês de outubro. Ainda faltava pelo menos mais três meses pela frente, de shows e apresentações em programas de TV.
— Pois é...
Ele soltou um suspiro frustrado, pensando no que fazer de diferente para quebrar aquela rotina que estava acabando com o romance entre ele e . Não se sentia nada romântico obrigando a garota a ficar trancada daquela maneira, com medo de alguém vê-la em alguma parte do hotel. Por mais que tivesse a certeza sobre esse relacionamento, não sentia nenhuma vontade de expor esse amor para a mídia. Ele sabia de todas as complicações que isso teria e tentava ao máximo evitar que isso fosse um problema naquele momento. Jimin rolou os olhos pelo quarto do hotel, sentindo a falta da garota e sua atenção voltou-se para o banheiro em seguida, quando escutou um barulho vindo de lá. Imediatamente o sorriso surgiu em seu rosto ao vê-la saindo, enrolando o cabelo em uma toalha.
— Como você consegue ser maravilhosa até com essa toalha na cabeça? — Ele sorriu, saltando rapidamente do sofá e caminhando lentamente em direção à ela. parecia ter dificuldades com a toalha e Jimin aproveitou o momento, puxando a garota pela cintura e colando seu corpo ao dela.
— Você já disse isso para quantas garotas? — Ela riu, divertida.
— Perdi as contas… — Ele disse em um tom de deboche. Claramente ele não deixou de rir da expressão da garota ao escutar.
— Bem cachorro. — Ela o empurrou, caminhando em direção a cama. Jimin acompanhou a garota, sentando-se ao seu lado enquanto ela terminava de procurar alguma coisa em sua mala.
— O que tenho que fazer para você acreditar?
— Nada. Eu sei que sou maravilhosa. — já foi logo cortando e se levantando.
— E muito. — Jimin segurou em seu braço, puxando a garota novamente para trás. — Posso ficar todo o tempo do mundo dizendo o quanto você é maravilhosa, que não existe outra pessoa no mundo pra mim.
— É mesmo? — Ela riu, surpresa, sem saber o que falar. Jimin parecia estar falando sério e seu olhar estava diferente. Ela tentou relutar um pouco, mas ele logo deu um jeito de segurá-la de tal maneira que não pudesse fazer e falar nada.
— Só assim pra você me escutar. — Ele passou os lábios pelo pescoço dela. — Agora vamos ter a nossa conversa sobre você ser a única garota maravilhosa da minha vida. — se debateu um pouco, mas viu que era impossível. De onde Jimin tirou tanta força assim? Às vezes ela se esquecia que ele era homem, e que sendo um tinha um força maior do que ela. — Não consigo pensar em mais nada a não ser nesse sorriso que acaba com todos os meus pensamentos. - Ele desatou a falar e ficou mais surpresa ainda. Por que tudo isso? Ela não soube nem como reagir àquela declaração.
— Jimin, isso é uma declaração? — Ela perguntou quando ele finalmente tirou as mãos de sua boca.
— Eu falo e você escuta! — Jimin resolveu ignorar e voltou a tapar a boca da garota. — Mas, eu ainda não consegui descobrir o que você tem que me deixa nesse estado. Sua pele, seu toque, seu cheiro, — Ele falava de olhos fechados, respirando fundo para sentir o perfume dela. — sua boca.
engoliu um seco e sentiu suas pernas tremerem, sabia que no fundo seu relacionamento estava a cada dia ficando mais sério. Ela mesma não aguentava mais esconder esse sentimento, mas havia coisas que não podiam ser ditas. Por mais que eles fossem diferentes, os sentimentos eram os mesmos.
— Você é a garota que eu sempre quis, a garota que eu sempre desejei e que sempre pedi de presente aos céus. — Ele confessou.
— Jimin. — se livrou das mãos dele, tentando-se levantar. Jimin foi mais rápido que a garota e a puxou para o seu colo.
— Fique onde você está, quero sentir o seu corpo e quero que sua atenção seja toda minha. Quero que você escute como meu coração se comporta toda vez que fico ao seu lado. — Ele disse lentamente, acariciando os cabelo dela e aproximando ainda mais seu corpo. — Não quero falar nada, quero apenas que você escute meu coração bobo quando estou com você. O quanto eu me sinto completo e feliz por saber que posso tê-la dessa maneira em meus braços.
— Amor… — gaguejou, não sabendo controlar suas emoções. Ela sabia sobre esse amor, pois era o mesmo que sentia. A mesma paixão, o mesmo sentimento, a mesma confusão. Lentamente ela encostou uma das mãos em seu peito, sentindo o coração dele bater mais rápido a cada minuto. Jimin passou os lábios lentamente pelo pescoço dela e parou quando sentiu que ela se arrepiou com aquilo.
— Ainda bem que sei os seus pontos fracos.
— Você sabe tudo, desde pontos fracos a como me deixar apaixonada a cada segundo. — suspirou e se apoiou nele. — Me desculpe por sempre estar implicando com você, não dando a liberdade que você precisa, não sendo a mulher que você realmente merece. Tudo é tão novo pra mim que eu não consigo entender direito. Eu não consigo ser a pessoa que te completa, ou então eu realmente não sou aquela pessoa que te completa.
— Pare de falar essas coisas, . — Ele se alterou, pressionando ainda mais os braços contra ela. — Você é tudo o que eu sempre quis, você é a pessoa com quem eu quero passar o resto da minha vida.
— Como você sabe disso, Jimin? Isso pode ser apenas uma paixão, que amanhã você vai acordar e esquecer.
— Eu já falei para você parar com essa coisas! — Ele estava aparentemente irritado.
— Você disse que queria conversar, eu estou apenas conversando.
— Mas está falando muita besteira.
— Ou talvez a realidade! — sorriu fraco, sentindo uma tristeza invadir seu corpo.
— Não!
— Eu não queria pensar desse jeito, mas quando vejo sua vida e a comparo com a minha, isso se torna incompatível. Jimin, nós não temos nada a ver um com o outro. E mesmo assim eu não consigo deixar de amar você. — parou por um segundo, tentando imaginar no que ele estaria pensando. Jimin nada fez, apenas ficou em silêncio. — Quando eu vejo você como o Park Jimin e vejo que lá fora existem inúmeras mulheres que sonham em um dia ficar ao seu lado. Mulheres lindas e maravilhosas, que te amam...
— Não como você. — Ele a interrompeu.
— Até mais do que eu.
, eu não quero mais escutar isso. — Jimin falou, firme, tentando colocar um ponto final nessa história. — Nunca na vida compare o amor de uma fã com um amor verdadeiro. Por mais que milhares de mulheres me desejem, me queiram, me amem, a única pessoa que eu desejo, quero e amo é você. — engoliu um seco e sentiu suas pernas vacilarem novamente, fechou os olhos e tentou se concentrar apenas na voz de Jimin. Um sentimento estranho começou a invadir seu corpo e ela por segundos começou a tremer. Jimin tomou fôlego e encostou o rosto nos cabelos dela. — Acredita em mim, por favor, eu não sei mais o que eu posso fazer pra provar isso. Eu já sofri demais em relacionamentos antigos por causa disso, hoje eu tento evitar que a minha carreira atrapalhe em todos eles. Eu não sei como te pedir isso, mas eu preciso da sua ajuda, eu preciso de você ao meu lado.
— Jimin. — suspirou, tentando se levantar. Jimin soltou-a aos poucos e ela se ajeitou ao seu lado, segurando seu rosto por entre as mãos. — Eu nunca vou sair do seu lado, me sinto muito boba por pensar em todas essas coisas. Mas eu prometo que nunca mais vou agir dessa forma, vamos ser aquele casal que completa um ao outro.
— Tudo que eu sempre pedi. — Jimin abriu um sorriso e aos poucos foi se aproximando dela. — Será que devemos pôr isso em um contrato? Porque amanhã, quem sabe…
— Bobo! — deu um tapinha nele e iniciou um beijo leve e romântico.
— Acho então que temos um trato. — Jimin ergueu a sobrancelha, puxando o rosto de . — Eu sempre vou te amar e você sempre vai me amar.
— Será que eu te amo?
— Eu tenho certeza.
— Às vezes eu acho o J-Hope bem interessante. — falou num tom de deboche.
— Não acredito nisso! — Jimin gargalhou alto.
— Você nunca reparou nas coxas daquele homem? Maravilhosas. — Ela riu.
— EI!
— Eu te deixo louco, né? — Ela riu no momento que ele fechou o rosto ao escutar sobre as possíveis coxas maravilhosas do amigo.
— Perdidamente apaixonado. — Jimin respondeu, dando uma mordida leve nos lábios dela.
— Desde quando você é romântico assim? — Ela passou a mão pelo pescoço dele e o puxou mais para si. — Temos um trato e não vamos de maneira alguma quebrá-lo.
Jimin sorriu e fez um sinal de sim com a cabeça.
Novamente eles se aproximaram, começando outro beijo apaixonado.
— E respondendo à sua pergunta. — Jimin falou, se afastando um pouco dela. — Eu sempre fui um cara romântico, só mostro esse lado quando eu realmente amo uma pessoa. No seu caso, eu não te amo, eu simplesmente não vivo mais sem você.
— Como você pode afirmar isso se a gente não se conhece há muito tempo? — questionou.
— Quem disse que não? Acho que é aquele tal sentimento em que você parece conhecer a pessoa há muito tempo. — Jimin começou a explicar. — Na primeira vez que eu te vi, senti uma pontada no estômago, como se eu estivesse conhecendo uma parte de mim.
— Então foi a mesma sensação que eu tive quando eu te vi todo sujo.
— Eu não estava bem apresentável, mas mesmo assim você se apaixonou por mim.
— E quem não se apaixona por você? — entortou a boca e deu um selinho nele. — É até fácil demais. Compreendo porque essas fãs morrem de amor quando você aparece.
— Ninguém consegue se apaixonar por mim dessa maneira. — Jimin tentou sorrir, mas percebeu que ele naquele momento ficou chateado ao pensar em sua carreira.
— Se tivessem nós não estaríamos desse jeito hoje. — tentou consolá-lo.
— Eu sei, mas você sabe o quanto nosso relacionamento é complicado? — Ele respirou fundo, desviando o olhar do dela. — Eu sempre tive medo de amar alguém exatamente por saber sobre essa complicação. Mas, eu não consigo deixar de sentir alguma coisa por você.
— Não vamos falar sobre isso, tudo tem o seu tempo para acontecer, eu não vou desistir de você.
— E, eu nunca vou desistir desse amor. — Ele voltou o olhar para ela, tirou uma mecha do seu cabelo e o jogou para trás. — Nunca vou deixar de te amar e nada e nem ninguém vai me privar desse sentimento.
Um brilho diferente estava em cada olhar que eles trocavam. Eram tão intensos e profundos que naquele determinado momento nada mais parecia ter importância a não ser a presença de um ao outro. sentiu os braços dele envolverem sua cintura, aproximando ainda mais o seu corpo do dele. Aquilo era reconfortante, sentir que estava protegida em seus braços. Sentir que nada mais importava a não ser a presença da pessoa que ela estava apaixonada. Os braços dele cruzaram com as suas costas, apertando-a ainda mais a cada instante e dando a sensação que ele formara um escudo de proteção para que ninguém fosse capaz de tocá-la a não ser ele.
...the end.

Taehyung subiu as escadas e sentou no corredor que ligava os quartos a uma outra sala lá em cima. Terminou de comer o pedaço de bolo e bebeu todo o suco. A única frustração que iria enfrentar era a balança por esse ser o quarto pedaço nos últimos 15 minutos.
— Eu vou ter que malhar depois que nem um doido! — Ele resmungou, sentando-se no chão. Encostou a cabeça na parede, olhando para a janela enorme que dava para a parte de fora da casa.
Não estava com ânimo para sair de casa e muito menos interagir com qualquer outro ser humano que vivia naquela casa, estava cansado. Triste. A imagem de não saía de seus pensamentos e tudo o que tentava fazer para distrair acabava dando errado. Novamente se via pensando em e sentindo aquela saudade queimar no seu corpo, não passava um dia sequer sem sentir a vontade descontrolada de ouvir sua voz. E hoje estava fazendo exatamente três semanas que não a via, falava ou tinha qualquer notícias.
— Que droga, Taehyung! — Ele passou a mão no rosto, bagunçando também o cabelo. Estava se sentindo um completo idiota, sempre esteve em sua cara que era apaixonado pela garota. Mas, nunca teve a coragem necessária para dizer isso diretamente para ela. O pior nessa história é que tinha certeza que ela também sentia a mesma coisa, mas sempre esperando que ele fosse homem o suficiente para dar o primeiro passo. sempre foi muito centrada em suas decisões e sobre sua vida, nada existia fora de um plano pré-estabelecido nela. Carreira, finanças, amigas, o restaurante e qualquer outra coisa que acontecesse no decorrer dos anos. Ele, por outro, lado vivia nessa bagunça que era sua vida pessoal. Lidar com a carreira, grupo, fãs, shows, turnê e ainda pensar que existia uma parte dele que esperava encontrar alguém para se relacionar amorosamente. Depois de toda essa complicação a parte mais difícil era ter encontrado e não ter coragem de confessar esse amor, abrir seu coração de uma vez e falar que ela era a garota por quem seu coração batia mais rápido, a garota que estava em seus sonhos e a garota que pensa um dia dividir todo o resto da sua vida.
Nunca teve mais interesse por mulheres que passavam por sua frente, nunca mais chegará perto de mulher alguma depois de tê-la conhecido. Pois a única em que ele pensava durante todos os dias seguidos de sua vida era em . Mas tudo o que ele fizera para conter esse amor tinha sido em vão, nenhum plano, nenhuma reação ou demonstração de carinho era o suficiente para quebrar aquele sentimento.
Ele queria não sentir, queria não amar, queria por fim acabar com toda aquela complexidade de uma vez por todas. Queria que seu coração entendesse e aceitasse ela apenas como amiga e não nutrir esse desejo que aumentava a cada segundo, Taehyung sabia que estava perdendo o controle dessa situação e sentia muito medo.
— Seu idiota, burro… — Taehyung falou consigo mesmo e deu de leve pequenas cabeçadas na parede. — Como você pode servir de exemplo para alguém? Olha como você é covarde e não assume quando está perdidamente apaixonado por uma garota. — Lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto, Taehyung foi se sentindo perdido com as imagens que vinham em sua cabeça. Momentos felizes entre os dois, se lembrou de como ele havia se apaixonado por ela.
— Não! — Ele balançou a cabeça atordoado, desfazendo a imagem que criou em sua cabeça da garota sendo exposta para o mundo como sua namorada. De amor, o sentimento se tornou pesado, de medo, angústia.
— Não posso fazer isso com a vida dela. Seria um inferno. — Ele limpou as lágrimas e fechou a mão. — Como faço então para deixar de amar essa garota? — Fez um movimento como se quisesse tirar algo dentro do peito, mas logo se entregou à tristeza e se deitou no chão, deprimido.
— Hey, Taehyung… — JungKook o chamou quando o viu deitado no chão daquele jeito. — O que aconteceu?
— Nada não… — Taehyung se levantou, enxugando as lágrimas.
— Claro que aconteceu alguma coisa. — Kook insistiu. — Me conta, por que você tá assim?
— O que você acha? — Taehyung rolou os olhos, abrindo um meio sorriso.
— Ah sim, entendi… — Kook se sentou ao lado dele e passou a mão pelo ombro do rapaz. — Não fica assim, eu nem sou a melhor pessoa para falar sobre o assunto. Talvez o Suga ou o Jimin.
— Verdade. — Ele tentou sorrir.
— Cara, eu sou uma péssima pessoa para dar conselhos, mas eu empresto o famoso ombro amigo. — Kook sorriu, passando confiança em suas palavras. Taehyung respirou fundo, controlando a vontade de chorar novamente. Kook tentava de todos os jeitos e de todas as formas o deixar melhor, mas parecia que cada vez que abria a boca pra falar alguma coisa piorava.
— Sabe… — Taehyung levantou a cabeça e fitou suas próprias mãos — Eu aprendi uma coisa nisso tudo, eu tenho duas opções a seguir. Isso baseando em dois amigos, Suga e Jimin. — Kook engoliu em seco e seus pensamentos frisaram no relacionamento deles.
— É, cara, tenho que concordar com você! — Kook pareceu não muito animado. Taehyung levantou uma sobrancelha para olhá-lo e percebeu isso. Sabia que Kook também estava pra baixo com a situação toda que desenrolava com Jimin, não só ele como todos não sabiam lidar com o amigo durante essas semanas.
— Eu sigo o conselho e exemplo do Suga? Ou eu sigo o exemplo do Jimin? — Ele começou a falar, mergulhando em pensamentos. — Suga enfrenta todo dia uma barreira que é esconder a de todo mundo. As vezes eu nem sei como ele consegue fazer isso e imagino o quanto é cansativo para ambos viver dessa maneira. Com esse medo de alguém descobrir. — Taehyung pensou por um momento, soltando um ar frustrado. — Por outro lado temos o Jimin, que não quer viver um romance dessa maneira e terminou com a por medo o que sua vida profissional fosse causar com ela. Ele escolheu não envolver ela nesse mundo que vivemos.
Kook balançou a cabeça, concordando. Não tinha o que acrescentar, apenas concordar que Suga e Jimin eram exemplos claros de relacionamentos diferentes. Agradeceu por no momento não ter ninguém em sua vida, não saberia o que fazer em relação a toda essa confusão. Muito menos o que fazer quando está lidando com a vida de outra pessoa.
— Taeh, você não pode viver nesse impasse. Tem que sair de cima do muro e decidir de uma vez o que fazer com esse sentimento. — Ele aconselhou, ignorando possivelmente o que ele havia dito antes. — Olha como você fica e acha que isso também não ocorre com ela? Saber que você sente o mesmo e viver nesse impasse?
— Eu sei, estou me dando conta disso só agora. — Taehyung voltou a baixar a cabeça, imaginando como era para lidar com todo esse sentimento. — Quero esquecer esse sentimento por ela, mas não consigo.
— Acha que esquecer é melhor do que tentar viver dele?
— Acho!
— Não esperava por isso…
— Eu vou tentar esquecê-la, mas acho impossível parar de amá-la. — Taehyung respirou fundo e encostou a cabeça na parede de novo.
— Duvido, amigo! — Kook abriu um meio sorriso.
— Eu queria ela nos meus braços só por uma vez...— Taehyung não entendia mais o que estava acontecendo, a única coisa que ele queria era esquecê-la. Mas depois seus pensamentos se contradiziam e o que ele mantinha em mente de esquecê-la se apagava. Estava confuso demais para tomar qualquer decisão, estava sofrendo demais para pensar em algo de bom pra ele no momento. Ele se dedicou todo esses anos justamente para manter-se longe dela, e não podia nesse momento fraquejar. Quebrar esse muro que tinha levantando entre eles, essa amizade que quebrava qualquer interpretação ou malícia.
Tudo estava confuso, queria ficar com ela, mas no mesmo momento sentia medo que algo de ruim pudesse acontecer. era diferente e ele sabia que essa diferença era o que mais deixava apaixonado. Não a queria apenas por uma noite e sim por várias outras, queria ficar com ela o tempo todo. Cada segundo, cada minuto, cada momento e qualquer outra situação que pudesse ocorrer. Não conseguia imaginar-se escondendo do mundo, pois o mundo merecia conhecer a garota que fazia seu coração acelerar toda vez que sorria. Como desistir de uma garota assim? Como lutar contra esse sentimento?
— Kook… — Ele despertou, encarando o amigo.
— Oi?
— O que aconteceria se eu fosse conversar com ela? — Perguntou, confuso.
— Conversar o quê? — Kook assustou-se com aquela repentina pergunta. Conversar? Ele e ?
— Conversar…
O domínio que tinha sobre ele era demais, algo mais forte do que ele imaginava. Respirou fundo e tomou a difícil decisão, que seja ela qual for. Ele iria tentar, não iria desistir assim tão fácil dela e sabia por onde começar.
— Então vamos parar de ficar pensando e agir? — Kook deu um tapinha no ombro de Taehyung, o fazendo acordar dos seus pensamentos. — Sem contar que temos que sair de casa de todo o jeito. Suga vai trazer a e fomos expulsos esse fim de semana.
— E pra onde vamos?
— Não tenho ideia. Pensei exatamente em ficar no apartamento da , ela me adora.
— Não vai, não! — Taehyung cortou o amigo, levantando-se imediatamente. — Não começa a estragar meus planos!
— Calma, eu estava brincando! — Kook abriu um sorriso e abraçou o amigo.
— Acho bom! — Taehyung mandou um ok pra ele.
— Kim Taehyung. Vai que é sua, amigo!
Taehyung foi para seu quarto e Kook continuou em pé, parado observando o que daria essa conversa dos dois. Tirou o telefone do bolso e procurou na sua agenda o número de , ele não ia deixar que Taehyung perdesse essa oportunidade.
Depois do quinto toque, ela atendeu, aparentando estar surpresa com a ligação dele. Kook conversou com calma, e explicou pra ela a história toda e deu todos os detalhes do que Taehyung estava planejando.
— Boa sorte. Toma conta dele, por favor. Não deixa ele amarelar! — Ele mesmo de longe mandou um beijo e fez um coração no ar batendo em seguida no próprio peito desejando boa sorte para a garota.


Capítulo 6


Um forte vento invadiu novamente o quarto e dessa vez despertou Jimin do seu transe de emoções. Seu corpo estremeceu um pouco e com muita dificuldade se moveu para a beirada da cama, lentamente descendo os pés e tocando o chão. Quando olhou para o corpo sentiu a necessidade de tomar um banho e tirar aquelas roupas imundas que ainda estava usando. Seu cabelo estava jogado no rosto, todo bagunçado e sujo e mais do que nunca quis se livrar daquele cheiro que o estava deixando entorpecido. Pôde sentir que desabaria novamente se não tivesse uma reação brusca naquele momento.
Com toda a força que restava em seu corpo, ele caminhou para o banheiro na esperança que depois que saísse daquele banho sua vontade e esperança aparecessem novamente junto com tudo aquilo que ele mais ansiava.
Uma hora havia se passado e logo ele estava novamente aos pés de sua cama, enrolado em uma toalha olhando em volta do quarto como se algo estivesse estranho. Sua cama estava arrumada e em cima da enorme mesa que ficava ao lado oposto de sua cama uma enorme bandeja com alguns pedaços de bolos, tortas e mais algumas frutas. Seu estômago embrulhou ao pensar naquela comida toda e lembrou-se que fazia bastante tempo que não comia nada. Olhou novamente para a bandeja que estava totalmente atraente naquele formato circular e girou o corpo, ignorando por completo sua fome e voltando-se a se deitar em sua cama.
— JIMIN, JIMIN! — Ele escutou alguém gritando em algum ponto do lado de fora do seu quarto. — JIMIN, ANDA LOGO! — a voz ainda estava insistindo e de repente a porta do seu quarto abriu com tudo e ele nem ao menos teve algum tempo para se assustar. Rap Monster, Jin, Kook e J-Hope entraram bruscamente e logo ficaram de frente com ele, cruzando os braços.
— Tenho que comentar que você sempre me deixa sem fôlego? Ainda mais depois de sair de um banho usando apenas essa minúscula toalha. — J-Hope mordeu o lábio superior, entortando levemente a mão direita. — Claro que seria muito melhor sem, mas não me provoque mais, Jimin.
— Jimin, vamos sair para beber? — Jin perguntou, jogando-se na cama do amigo.
— Não estou afim. Queria ficar sozinho. — Jimin se moveu para longe de Jin e foi para o closet a procura de alguma roupa. Ele começou a revirar todas as gavetas e finalmente encontrou uma camisa preta que ele adorava e uma bermuda larga confortável. O cabelo nem ao menos se importou, balançou um pouco a cabeça e com as mãos o bagunçou, logo em seguida voltando para a cama. Os quatros ainda estavam parados ali, olhando fixamente para ele. — Eu já disse que não quero. Por isso, me deixem!
— Jimin, não me tire do sério e saia logo dessa cama. — Rap Monster disse bruscamente, atropelando as palavras e não dando nenhuma chance de Jimin responder alguma coisa. — Temos que sair de casa porque o Suga vai trazer a para passar o fim de semana.
— Taehyung vai tentar tirar o atraso. Então só sobrou nós para sair dessa casa. — Kook comentou, caminhando para a mesa onde estava a comida. — Esse pessoal que exala sensualidade com suas mulheres...
— A minha surpresa é o Taehyung exalar alguma coisa pra cima da . — Jin ergueu uma sobrancelha, puxando um travesseiro para debaixo de sua cabeça. — Não, obrigado. Não estou afim dessa visão do inferno.
— Fala sério! — Rap Monster, ultrajado, levantou as mãos para o alto de sua cabeça, olhando para Jimin. — Vocês não tem um pingo de sensibilidade? — Ele parecia não estar acreditando no assunto deles sabendo que Jimin estava presente.
— Ops. Acho que fomos longe demais nos comentários. — J-Hope alertou, balançando a cabeça para os amigos. — Vamos sair para beber de uma vez, Jimin.
— Na realidade ele não tem opção, ou ele sai dessa casa ou vai ficar servindo de vela para o casal. — Kook virou de costas e andou pelo quarto. — Imagina a situação, escutar todo o lance do Suga...
— Por que o Suga tem que trazer a pra cá? — Jimin levantou-se, nervoso com aquilo. Era sempre a mesma história. — Eles não podem simplesmente ir para algum motel?
— Motel? Você sabe o que é um namoro escondido? — Jin levantou a cabeça, não entendendo onde o amigo queria chegar com aquele comentário. — Aliás, você sabe muito bem o que é um namoro escondido.
— Eu queria ter tido um namoro escondido. — J-Hope soltou um longo suspiro desesperançado. — Mulheres não se interessam por um ruivo maravilhoso assim. Preferem os loiros e os esquisitos de cabelo azul.
— Ruivo maravilhoso? — Kook engasgou, começando a rir.
— Maravilhoso? Eu quis dizer gostoso. — J-Hope corrigiu.
— Acho que elas preferem alguém bem mais sexy e com carinha de bebê. — Kook abriu um sorriso, passando uma das mãos pelo corpo. — Não sabem o que estão perdendo. O que esse bebê é capaz de fazer.
— Chorar e cagar nas calças. — Rap Monster completou, soltando uma enorme gargalhada.
— Pelo amor de Deus! — Jimin cobriu os ouvidos, querendo ignorar a existência deles no quarto. — Vocês são insuportáveis as vezes.
— Anda logo, Jimin. Vai tirar esses trapos e colocar uma roupa decente. — Jin beliscou o amigo, perdendo a paciência naquela enrolação. — Já falamos que não podemos ficar na casa. Quer mais explicações? e Suga devem estar chegando a qualquer momento.
— Que droga esses dois. — Ele xingou.
— Não reclama, você também já passou por isso.
— Eu sei, mas eu fico irritado de ter que sair da minha casa para dar privacidade, sendo que ele podia ao menos ir para o apartamento da . — Jimin disparou sem humor. Quando estava com não existia isso deles precisarem sair de casa, ao contrário, os amigos faziam questão de atrapalhar todos os momentos íntimos deles.
— Jimin, você é o pior amigo do mundo. — Rap Monster começou a rir. — O dia que eu tiver uma namorada não espero que você me dê apoio, porque se eu depender disso vou morrer seco e casto.
— Vão embora! — Jimin apontou para a porta.
— Fiquei sabendo que o Mugyodong vai reabrir hoje… — J-Hope tossiu um pouco, sabendo que aquele comentário o atingiria em cheio.
— Na realidade eu acho que estou com muita fome. — Jin passou a mão na barriga, piscando para J-Hope e Rap Monster. — Podemos comer antes de beber?
— Na realidade eu estou com muita fome também. — Kook jogou o bolo que estava em suas mãos na bandeja e logo se virou para os amigos. — Fico pronto em quinze minutos, espero vocês lá em baixo.
— Fiquei sabendo que a Chefe do Mugyodong tem umas pernas maravilhosas e que sabe fazer coisas gostosas com as mãos. — J-Hope provocou, esperando que Jimin logo cedesse à todas as provocações. Ele sabia que Jimin não iria resistir muito tempo com todos aqueles comentários sendo direcionados exatamente para . — Fico imaginando outras coisas que ela é capaz de fazer.
— Ficou né? — Jimin sorriu irônico, caminhando até o closet novamente. — Vamos sair para beber, não vamos comer nada em restaurante nenhum. Apenas beber e ir até um karaokê.
— Do nada agora você quer ir? — Rap Monster perguntou, sentando-se na beirada da cama. Manteve o tom na voz, não demonstrando a risada que estava segurando.
— Claro. Preciso tomar um ar. — Ele soltou um suspiro, pegando qualquer roupa mais próxima de suas mãos. — E também eu não quero ficar empatando foda de ninguém, não sou que nem vocês.
— Tudo isso foi porque falamos da chefe do Mugyo... — Jin ia falando quando parou na metade da frase ao ver Jimin com um olhar mortal se virar para ele. — Eu nem estava com fome, sabe? Passou!
— Eu estou com muita fome e quero conhecer essa pessoa. — J-Hope não se deu por vencido, esperando outra reação de Jimin. Ele queria vê-lo reagir de acordo com o que estava esperando.
— Já que todo mundo está falando sobre essa chefe… — Ele começou, vestindo uma calça combinando com a regata. — Fiquei sabendo que além de fazer coisas maravilhosas com as mãos, ela tem uma boca maravilhosa… — Jimin jogou o cabelo, entrando na provocação. — Só de imaginar aquele corpo todo tomando banho do seu lado. O lábios dela contra o pescoço... — Ele novamente interrompeu, vestindo uma bota que estava no pé da cama. — Ah! Como eu esqueci do importante? A voz dela sussurrando bem ao pé do ouvido. Gemendo chamando o nome. — Jimin agora mordeu o lábio, sussurrando cada parte pausadamente. — Quando você passa os lábios por todo o corpo dela não quer ter outra sensação no mundo a não ser continuar acariciando com a língua cada centímetro...
— Que cara ridículo! — J-Hope passou por ele, empurrando Jimin contra a cama. — Não sabe nem brincar. Acho que eu preciso de um banho depois de toda essa informação.
— Confesso que eu preciso de um banho também. — Rap Monster levantou a mão, acompanhando J-Hope para fora do quarto. Kook e Jin resolveram não comentar mais nada, qualquer palavra não seria o suficiente para expressar a indignação que sentiram com todas aquelas informações. Principalmente por saber que se tratava de , e era errado demais ter pensamentos estranhos com a garota.
Logo, todos os cinco estavam dentro do carro e Jimin não tentou mais nenhum assunto que levasse a pensar nela. Cruzou os braços e fechou o rosto nervoso enquanto sua casa ficava para trás.

A notícia parecia nunca estar se apagando e de todos os lados notas diferentes e histórias totalmente inventadas de tablóides sobre o cancelamento da turnê do grupo. Suga jogou uma revista em cima da mesa sentindo-se frustrado e com saudades de estar e vivendo novamente toda aquela tensão de estar em shows, aeroportos e programas de TV. Aquele enorme frio que sentia na barriga ao pisar no palco antes de começar o show. E até mesmo aquela confusão que os companheiros causavam no palco. Seus pensamentos mudaram de repente quando escutou um barulho vindo do andar de cima. parecia estar arrastando alguma coisa ou então quebrando parte do quarto. Ele arregalou os olhos assustado e correu para saber o que estava acontecendo com aquele barulho todo.
Sabia que não tinha sido uma das melhores ideias convidar a namorada para passar o fim de semana com ele.
— Meu amor? — Ele chamou, batendo de leve na porta fechada. — Está tudo bem?
— TUDO SIM! — Ela gritou de dentro, seguido de um enorme estouro.
— O que você está fazendo? — Suga tentou girar a maçaneta da porta e logo percebeu que estava trancada. — , o que você está aprontando?
— Suga me dê alguns minutos, por favor. — pediu baixinho, aproximando o rosto da porta. — Eu quero que você faça um favor, me traga duas taças que estão no segundo armário da direita na cozinha.
— TAÇAS? — Ele engasgou com aquele pedido. — Você vai beber?
— Suga, não faça perguntas. — Ela colocou parte da cabeça para fora e o encarou. — Estou fazendo alguns testes no quarto e preciso muito de duas taças.
— Sabia que às vezes eu tenho medo de você? — Ele franziu a sobrancelha e se virou, indo em direção da cozinha. Minutos depois ele estava subindo escada com as duas taças que ela havia pedido.
— Obrigada, meu amor. — Ela deu uma piscadinha para ele, pegando-as. — Agora quero que você desça e continue fazendo qualquer coisa que goste.
— Não enquanto eu não descobrir o que você está fazendo. — Ele negou, balançando a cabeça. — Primeiro é todo esse barulho, depois duas taças. E estou sentindo cheiro de algo queimando.
— Suga, eu não vou colocar fogo na casa. — riu ao ver sua preocupação. — Preciso ficar alguns minutos sozinha e depois te mostro o que estou preparando para você.
— Você vai me matar com duas taças e depois vai me cremar? — Ele arregalou os olhos. — O que eu fiz de mal para você? Precisamos discutir a relação. — simplesmente ignorou qualquer comentário dele e voltou novamente a trancar a porta. Suga resmungou por mais longos minutos e logo se cansou de ficar esperando, indo se deitar no sofá para esperar o tempo passar.
Ao longe ele ainda escutava alguns barulhos pelo andar de cima e, em um determinado momento, pôde jurar que falava com alguém. Aquilo estava ficando extremamente estranho e assustador. De repente as luzes se apagaram por completo, ficando totalmente escuro na sala e nos demais cômodos. Ele ficou estático, começando a procurar pelo bolso o celular para iluminar parte do caminho.
, acabou a energia. Fique onde você está que vou te pegar. — Ele começou a andar cuidadosamente para as escadas e foi subindo com muito cuidado para não tropeçar. — Mas que bela hora para isso acontecer. — Enquanto ele subia reclamando, percebeu que tudo estava calmo. Os barulhos haviam sumido e através de algumas frestas da porta uma luz estava saindo.
— Tem alguma coisa estranha acontecendo. — Ele cochichou, olhando aquela luz. — Muito estranha mesmo.
— Suga! — o chamou do lado de dentro. — Feche os olhos.
— Por quê? — Ele estranhou ainda mais. — Você vai sair e acertar um bastão na minha cabeça? Essa não cola mais.
— Cala a boca e fecha os olhos. — não estava mais pedindo, pelo tom de sua voz, estava mandando. — AGORA!
— Ai, meu deus! — Suga não protestou mais, fechando os olhos imediatamente e escutou o click da porta se abrindo.
— Segure minhas mãos. — Ela pediu, encostando levemente suas mãos na dele. — Fique de olho fechados.
— O que você vai fazer comigo? — Suga estava trêmulo demais, caminhando para dentro do quarto. Ao entrar conseguiu escutar uma música familiar e o aroma do lugar era delicioso. — Não acredito que você... — ele disse abrindo os olhos e o choque foi enorme ao se deparar com o seu quarto totalmente modificado.
O choque do momento o fez reparar em todos os detalhes do quarto. Suas pernas estavam trêmulas demais para conseguir mover sequer um músculo do lugar. Fechou os olhos lentamente, pensando em estar adormecido e quando voltou a abrir viu algumas velas espalhadas pelo local, a cama estava do outro lado do quarto e bem ao centro no chão estava coberto por pétalas de rosas e enormes lençóis de seda cobrindo uma fina cama de espuma. Ao lado, havia rosas vermelhas e duas taças.
Seu coração começou a acelerar a cada instante que ele estava parado, analisando tudo atentamente. A melodia da música era doce e suave, combinando com o momento. Uma garrafa de vinho estava em cima da cômoda, esperando para ser aberta.
Ainda boquiaberto com aquilo tudo, se virou lentamente para e se deparou com a namorada usando uma camisola de seda preta, totalmente provocante. Teve que respirar fundo algumas vezes, se controlando para não perder a cabeça definitivamente. não falou nada, apenas se aproximou dele lentamente, encostando seu rosto ao dele. A música tomou conta do lugar e ambos se abraçaram, movendo-se no ritmo. Ainda de rostos colados, tocava gentilmente as costas de suas mãos carinhosamente no rosto dele. Suga girou o corpo um pouco, parando de frente para ela, olhando dentro dos seus olhos.
Seu cabelo estava um pouco de lado, do jeito que ela mais amava. Todo aquele clima estava bom demais para ele. Pela primeira vez sentiu a necessidade e o desejo de passar o resto de sua vida ao lado daquela garota bem a sua frente.
O calor do corpo dela contra o seu o fazia perder todos os sentidos. Estando ao seu lado, ele não poderia desejar qualquer outra coisa na vida a não ser apenas mais alguns instantes ao seu lado. também parou, olhando dentro dos seus olhos. O choque e todas as emoções começaram a aflorar por todas as partes do seu corpo e ela precisou respirar algumas vezes para conter a enorme emoção que estava sentindo. Ficaram longos minutos trocando olhares de carinho e paixão. Suga sentiu um frio na barriga subindo, não sabia ao certo o porquê de estar nervoso daquele jeito. Logo as mãos suaves de estavam tocando seu rosto e ela ainda não havia dito uma palavra sequer. Totalmente em silêncio, ela passou os dedos pelos lábios dele, acariciando-os delicadamente. Delineou com as pontas dos dedos todo o contorno do seu rosto.
O contato da sua pele o estava deixando atordoado a cada minuto, seu corpo não respondia mais aos seus atos, seus pensamentos não eram outros, a não ser todos voltados para . O perfume que saía de sua pele era como um convite para ele. Naquela noite, ele pôde perceber e sentir coisas que jamais ousou pensar que sentiria por outra pessoa.
— Eu te amo. — Ele disse, passando os lábios pelo dela. — Amo mais do que tudo.
— Eu também te amo mais do que tudo. — Ela falou, selando novamente aquele beijo.
As mãos de Suga começaram a percorrer debaixo da camisola, deixando um pouco mais ofegante. Os beijos dele começaram a ficar mais intensos e violentos conforme o deslizar de suas mãos por toda sua pele. , com um pouco dificuldade, conseguiu se livrar das calças que ele estava usando, pressionando mais e mais o seu corpo contra o dele. Suas mãos começaram a percorrer ferozmente por suas costas, fazendo Suga se arrepiar e soltar pequenos gemidos pelo canto da boca.
Ele, gentilmente, a segurou no colo e caminhou para a cama que estava no chão. Para que ela não se machucasse, posicionou seu corpo em cima do dela com todo o cuidado.
— Meu deus! Assim você me mata! — suspendeu um pouco o rosto, procurando por seus lábios enquanto uma das mãos deslizava pelo seu peito, acariciando-o. Queria sentir cada parte do seu corpo!
— Não tem mais volta, bebê! — Ele disse, levantando lentamente a camisola dela. Ele deslizou a língua pela barriga da garota, brincando um pouco com movimentos circulares em volta do seu umbigo. Em seguida, direcionou gentilmente suas carícias para suas pernas e fechou os olhos, segurando firme os braços dele enquanto ele trilhava suas coxas com beijos e pequenas mordidas.
Por fim, Suga puxou sua calcinha para o lado quando voltou a subir, colocando a língua na pele sensível de seu seio ao se enterrar dentro dela, fazendo-a levantar seus ombros da cama com as mãos em punho em seus cabelos enquanto ele a lambia, usando sua boca e língua. Suas mãos agarraram seus quadris, mantendo-a imóvel enquanto ele repetia o movimento mais e mais até ela fechar os olhos, gritando seu nome.
A tensão que ele sentia foi transferida para ela, e ela podia sentir cada centímetro do desejo que ele sentia também. A maciez de sua pele aumentando ainda mais a sensação enquanto moviam-se um sobre o outro. ofegou, enrolando as pernas em torno de seus quadris e ele pôde sentir sua respiração ficar mais rápida a cada instante. Ele queria que durasse para sempre, mas quando a sentiu tremer em torno dele novamente, ele perdeu seu próprio controle e a seguiu. Suga gemeu baixinho quando apoiou a cabeça ao lado de seu ombro, pensando que seu coração fosse sair pela boca enquanto seu corpo tentava se recuperar.
— Eu te amo. — Ele disse, ficando ali ouvindo seus corações batendo juntos. A cada batida era como se fosse algo além do que pudesse explicar. Além do que pudesse imaginar. Além do que pudesse sentir.
— Eu também te amo. — Ela tocou suavemente seu cabelo, e os olhos de Suga fecharam-se curtindo o prazer que lhe dava.

terminou de vestir uma calça que estava pendurada em seu closet e caminhou até o enorme espelho que estava no quarto analisando o que estava vestindo. Por mais que tentasse se arrumar nada a estava agradando naquele dia. Sentou-se na cama na esperança de que conseguisse ao menos descobrir o que estava acontecendo de errado, mas a única coisa que a pôde fazer se sentir melhor foi a presença de no quarto, ela estava parada na porta olhando para ela fixamente. Seus olhos estavam atentos, ela não fez menção em dizer nada. Continuou parada a olhando diretamente até não conseguir conter o choro e várias lágrimas rolaram de seus olhos. se aproximou dela, sentando-se ao seu lado e envolvendo carinhosamente seus braços em volta do pescoço, oferecendo o ombro para que chorasse. Sabia exatamente o porquê dela estar chorando, há dias estava contendo o choro depois da coletiva de imprensa, mostrando-se forte e sorridente. Mas no fundo ela sabia que ela estava sofrendo com tudo aquilo, por mais que tentasse disfarçar, ela sabia que por dentro estava destruída com todas as palavras de Jimin.
— Não quero que você sofra. — Ela passou as pontas dos dedos carinhosamente por entre os cabelos da amiga. não sabia nem por onde começar essa conversa, ela apenas tentou segurar as lágrimas para não desmoronar junto com ela. Tudo o que estava acontecendo nas últimas semanas era o bastante para acabar com o emocional de qualquer pessoa. — Eu não sei o que falar pra você, amiga. Sinto muito por tudo isso, mas você sabe que eu estou aqui do seu lado e nunca vou sair.
— Não consigo mais pensar nele, . Não consigo mais viver com esse peso no peito, por que ele fez tudo isso? — tentou falar, mas sua voz saiu fraca devido às lágrimas.
— Eu sei, eu sei...
— Todas as revistas e jornais estão com essa matéria. — rolou os olhos para a pilha de revistas que estava no canto do quarto.
— Nossa. — Ela arregalou os olhos, passando uma das mãos pelo cabelo nervosa com a situação. — Não acredito que você comprou tudo isso. Já não basta o que vem saindo na TV, você precisa se martirizar comprando essas revistas de fofocas? — Ela parou, imaginando como estaria sendo as coisas com Jimin. — Ainda por cima sabendo que tudo era fofoca e que ele realmente não disse tudo isso.
, não tente...
eu espero que mesmo que esteja mal com tudo isso tenha a cabeça no lugar e não vá cometer nenhuma besteira. — preocupada alertou para que ela colocasse a cabeça no lugar antes de tomar qualquer decisão. — Todo mundo sabe que você está sofrendo. Mas, você conhece ele tão bem. Você sabe porque ele fez isso, por favor.
— Se eu soubesse eu estaria assim? — Ela perguntou, tentando não soar grosseira.

— O que você sabe? — encarou , desconfiando do seu comportamento. Não era somente hoje, mas todos os dias ela sentia que a amiga parecia saber de alguma coisa. Por mais que negasse o contato com eles estava na cara que ela ainda ligava para Taehyung quando todo mundo estava dormindo.
— Por mais que tudo tenha acontecido daquela maneira, agora depois de algumas semanas eu finalmente coloquei a cabeça no lugar e sei que a culpa não foi dele. Foi uma coisa que aconteceu e que não tiveram culpados. Na hora eu fiquei com muita raiva dele, mas ele não foi culpado por isso.
… — soluçou, a abraçando novamente.
— Amiga, você acha que ele realmente queria dizer tudo aquilo? — Ela a acalmou. — O que eu estou tentando dizer é que eu sei o quanto vocês dois se amam e nesse momento devem estar sofrendo com tudo isso. Jimin ainda tem uma carreira pela frente e sabe que não pode cancelar o contrato com a Big Hit. Tem a imprensa que agora vai ficar em cima dele todo momento. Ele nem ao menos vai conseguir viver direito. E ainda tem o fato que ele precisa ficar longe de você por medo de te machucar.
— Não sei o que fazer. — mordeu o lábio, balançando a cabeça. — Em todas as possibilidades que eu penso eu me sinto mais perdida ainda. É como se tudo estivesse acontecendo nesse mesmo momento. Tudo um dia estava bem e no outro ocorrem todas essas coisas em todos os lugares. Queria saber o que fazer. O que pensar, como reagir, como me sentir.
Aos poucos ela sentiu a dor invadí-la junto com a culpa por ser tão idiota e não ter dado um momento para pensar o quanto devia estar sendo difícil para ele lidar com todo aquele assédio. Não se importou com nada que aconteceu durante aquelas semanas, se preocupou somente com o que estava sentindo e pensando. Julgou, culpou e deixou a situação toda ainda pior. O que estaria passando pela cabeça dele? E os outros amigos e companheiros de grupo? Tentou pensar somente em Jimin, mas se esqueceu de pensar em seus amigos. Como eles estariam nesse momento, o que eles estavam pensando e sentindo. Culpou-se amargamente por tudo aquilo.
—Hey! — colocou as duas mãos em volta das bochechas dela, abaixando um pouco seu rosto para ficar no mesmo nível que o dela. — Eu já disse e vou repetir: ele te ama. Jimin nunca iria se afastar de você se não tivesse algum motivo muito forte para isso.
— Me perdoe por às vezes ser tão fraca. — voltou a chorar e a abraçou forte novamente. — Nunca sei o que fazer nessas situações, só sei chorar.
— Você o ama e isso é natural demais. — alisou o cabelo dela gentilmente. Não conseguia imaginar a dor que a amiga estava sentindo ao pensar que Jimin não sentia mais nada por ela. — Acredita no que eu falo, por favor. Dê um tempo para que ele passe por todo esse turbilhão da carreira.
— Quanto tempo eu vou ter que esperar por ele? Esperar por respostas? Eu não aguento mais isso. — Ela contou, não aguentando mais segurar aquilo. — Tenho minha vida, não posso esperar o Jimin para sempre.
— Ele não vai demorar. — afirmou.
— Como você sabe?
— Vocês se amam e por mais que aconteçam brigas e separações vocês sempre vão continuar amando um ao outro.
— E se ele nunca amou? — Ela disse incerta, com medo.
— Claro que ele te ama. Jimin é louco por você, .
— Você sabe de alguma coisa…
— Eu? Nunca! — tentou sorrir um pouco.
— Sabe sim.
— Às vezes…
— Você não vale nada!
— Não mesmo e preciso de um favor. — Ela fez bico, tentando ganhar o coração de . — Preciso que você cuide sozinha do restaurante hoje, por favor.
— Como assim? — perguntou, arqueando a sobrancelha.
foi passar o fim de semana na casa do Suga, e eu tenho um encontro importante com uma pessoa. — sorriu sem graça, olhando para os próprios pés. — Não é bem um encontro.
— AI MEU DEUS! — deu um pulo da cama colocando as mãos no rosto. — TAEHYUNG RESOLVEU DESABROCHAR?
— Amiga…
— AI! — pulava de um lado para o outro do quarto, deixando cada vez mais constrangida. — MEU DEUS!
— Credo, parece que eu ganhei alguma coisa pra você ficar assim.
— TÔ INDO EMBORA, AGORA! — Ela agarrou algumas roupas com as mãos, pegou a bolsa pendurada no cabide e rapidamente já estava correndo para a porta de saída.
— Que exagero, vamos apenas conversar. — correu atrás dela, ajeitando o uniforme e pegando as chaves do carro que estava em cima do aparador. — Eu na realidade, espero que ele apareça.
, usa pelo menos alguma lingerie diferente.
— PELO AMOR! — Ela sentiu o rosto queimar em vergonha.
sempre fala que tem um kit sexo guardado em algum lugar do quarto dela, caso precise você sabe onde encontrar.
— Eu já disse que não vamos fazer sexo…
— Duvido, eu faria sexo com o Taehyung.

— Você faria também que eu sei!
— Claro que eu faria. — assumiu, encostando-se na parede imaginando se realmente era verdade o que Kook havia falado. — Então você cuida do restaurante, fecha mais cedo se preferir e eu te mando uma mensagem se ele aparecer por aqui.
— Amiga, não se preocupe comigo.
— Claro que eu me preocupo com você. — abriu os braços, indo em direção à ela. — Mas, agora eu preciso que você ganhe dinheiro pra gente.
— Vou ganhar dinheiro enquanto minhas duas amigas estão fazendo sexo. — Ela suspirou frustrada. — Saudades do Jimin e daquele abdômen, pelo menos eu tinha alguém pra lamber e morder.
— Realmente o Jimin… — hesitou, notando que apenas olhou não compreendendo o comentário. — O Jimin é um idiota.
— Um idiota que eu amo.
— Um idiota que te ama. — Ela completou.
— Taehyung também é idiota.
— Um idiota que eu amo. — sorriu.
— Um idiota que te ama. — disse agora rindo com ela. arrumou mais alguns detalhes na bolsa da amiga, desejou uma boa noite e que tudo ocorresse bem no restaurante. era uma das melhores chefe de cozinha de Seul, não era preciso qualquer tipo de preocupação que ela ficasse sozinha essa noite. Principalmente sabendo que Chung-Ho estaria trabalhando também para ajudá-la.


Capítulo 7


começou a andar de um lado para o outro da sala, impaciente demais com aquela demora. Já havia se passado mais de uma hora que Taehyung enviou uma mensagem avisando que estava chegando.
— E se aconteceu alguma coisa com ele? — olhou chorosa para o celular, que estava em cima do sofá. Claro, se algo mais sério tivesse acontecido ele teria entrado em contato. Mas, e se de repente ele foi atropelado, assediado e sequestrado por um grupo de sasaeng? Ela respirou fundo algumas vezes controlando o desespero e andou de um lado para o outro da sala. — E se alguma fã maluca agarrou ele e amordaçou em algum lugar? — Ela caminhou mais alguns passos em direção ao celular e de repente a campainha tocou. Ela deu um pulo assustada e correu para a porta imediatamente. — Até que enfim, pelo amor. Acha que eu sou obrigada a ficar nessa aflição?
— O que aconteceu, ? — Ele perguntou, jogando o cabelo de lado e entrando no apartamento. Taehyung segurava uma sacola em uma das mãos e na outra um bouquet de rosas vermelhas. nem ao menos quis saber sobre aquele bouquet de rosas, correu os olhos pelo corpo dele tentando encontrar alguma coisa errada ou faltando.
— Como você consegue mandar uma mensagem e aparecer uma hora depois? — Ela devolveu a pergunta ainda tremendo muito. De fato sabia que não tinha habilidade para lidar com a carreira e com o medo que tinha de acontecer algo com ele andando sozinho por Seul.
— Amo… — Taehyung iniciou a palavra, mas logo parou no meio do caminho ao ver os olhos dela diretamente para o seu rosto. Ela parecia bastante aflita e preocupada. — , tudo bem. Não aconteceu nada.
— Não consigo deixar de ficar preocupada com você sozinho saindo de casa. — Ela desabafou, agora jogando-se no sofá e soltando um longo suspiro. Controlou suas pernas que começaram a tremer e sem que ele percebesse que ela estava em pânico com aquele atraso. — Fiquei pensando mil coisas de alguma fã maluca. Ainda mais sabendo que você é tão desligado quando dirige.
— Você ficou com medo de alguma sasaeng me sequestrar?
— Sequestrar?
— O que mais ela faria?
— Sequestrar, arrancar a sua roupa e deixar você só de gravata! — disse séria e Taehyung disparou a rir. — Não entendi a da risada! É muito fácil imaginar você pelado só usando uma gravata.
— Então…
— Então o quê? — Ela perguntou, agora começando a reparar que ele realmente estava segurando um bouquet de flores. O coração acelerou um pouco e aquilo fez com que ela ficasse totalmente sem graça. Flores? Taehyung em seu apartamento com flores? Taehyung só de gravata em seu apartamento segurando algumas flores?
— Trouxe um presente. — Ele comentou, estendendo o braço e entregando as rosas para ela. sentiu os pés começarem a formigar e o rosto a ficar corado e Taehyung notou a surpresa em seu rosto. Ele esperava que ela fosse sorrir, mas a surpresa também foi uma boa reação. — Faz tempo que eu não te surpreendo com nada, resolvi começar a fazer isso com mais frequência. E hoje é só o primeiro dia.
— O quê? — Ela levantou rapidamente, segurando o bouquet contra o corpo. O que ele quis dizer com o primeiro dia? Do quê? — São lindas, Tae.
— Nosso primeiro dia. — Ele abriu um sorriso maroto e a abraçou. — Posso ter meu primeiro dia com você? Eu trouxe comida, bouquet de rosas e quero muito ficar com você hoje a noite toda.
— Tae…
— O quê? Não quer ficar comigo? — Ele não entendeu a reação da garota. Ele estava há semanas sem vê-la e o mínimo que esperava era que ela sentisse também saudades, da mesma maneira que ele estava dela. — Justo quando eu to com saudades? O que aconteceu com você? E o nosso amor?
— Taehyung, para de ficar me iludindo desse jeito! — se irritou muito e se afastou dele. Não era possível que ele queria falar sobre amor e saudades. — Ainda mais com flores, esse cabelo bagunçado, essa carinha de cachorro que caiu da mudança e ainda a imagem de você só de gravata?
— Ah, só de gravata? É muito fácil eu conseguir mostrar isso. — Taehyung falou despreocupado, sentando-se no sofá. — Tirar a roupa é fácil, o duro vai ser encontrar uma gravata. — Ele cruzou os braços atrás da cabeça e riu ao vê-la suspirar alto. — Realmente você prefere que eu fique só de gravata? Eu posso fazer qualquer coisa que você quiser, . Com gravata, sem nada ou qualquer outra roupa que você preferir.
— HUM? — não terminou a frase e em seguida surtou completamente. Ela se atirou contra as costas do outro sofá e ficou envergonhada como se estivesse recebido informações demais. Suas bochechas começaram a ficar em um tom vermelho sangue e seus olhos estavam completamente fechados quando ela colocou uma as mãos contra o rosto. Taehyung se contorceu um pouco, rindo, não sabendo se era o momento certo para isso. — Taehyung, você não pode brincar com os sentimentos de uma garota dessa maneira!
— Meu amor? — Taehyung disse num tom de voz suave e manhoso. — Você sabe que não foi a minha intenção isso. — Ele tentava ao menos explicar para amenizar a situação. — Na realidade eu tenho outras intenções no momento, mas não sei se vou ter coragem para tudo isso. — Taehyung sentou-se ao lado dela e acariciou de leve o rosto da garota, colocando a mão dela de lado. — Não sei nem por onde começar, principalmente quando eu estou tão próximo assim de você e olhando diretamente dessa maneira para o seu rosto. — Ele continuou falando e não se mexeu. — Ao menos eu sinto que essa é a melhor sensação que eu tenho na vida. Quando eu estou exatamente dessa maneira com você, .
— Taehyung… — voltou um pouco a si e olhou dentro de seus olhos. O choque invadiu de repente e ela não soube nem o que falar.
— O quê?
— Não começa nada que não tem intenção de terminar. — Ela foi determinada nas palavras, agora deixando o bouquet de lado. Não estava preparada para escutar tudo aquilo finalmente e Taehyung desistir a qualquer momento e deixar novamente essa relação de amizade atrapalhar todos esses sentimentos. — Tae, não podemos fazer isso de outra maneira e não podemos começar dando esse passo sem ao menos ter a intenção de ir até o final.
, hoje não tenho a intenção nenhuma de recuar. — Taehyung segurou em uma das mãos dela. Ele estava completamente determinado. — Chega de ficar brincando com esses sentimentos, não aguento mais viver dessa maneira e não aguento mais ver você como uma amiga. — Ele foi direto agora, acertando o assunto em cheio. tremeu um pouco e ele forçou ainda mais a mão contra a dela. — Não quero você na minha vida como uma simples amiga. Quero mais que isso, quero você de outra maneira. Com outro sentimento, carinho e outro tipo de amor.
— O mesmo amor que eu sinto por você?
— O mesmo amor que sentimos um pelo outro.
— Esse amor que escondemos um do outro todos esses anos? — Ela perguntou.
— Esse amor que não podemos mais esconder. — Taehyung beijou de leve as costas da mão dela e entrelaçou com a sua. — Quero amar você do jeito certo, amar e ser o homem mais feliz do mundo em saber que posso amar e ser amado.
— Isso é possível? — Ela lançou um olhar curioso para ele que achou aquilo a coisa mais sexy do mundo. — Tae, às vezes eu nem acredito que podemos ter esse tipo de sentimento um pelo outro.
— Como assim? — Ele arregalou os olhos, não entendendo. — Medo? Minha carreira? BTS? É algum problema pessoal?
— Tae, sabemos sobre o BTS e temos amigos que estão em relacionamentos conturbados. — sorriu desconfortável ao falar daquilo. — Quais nossas chances de realmente viver esse amor? Quais as chances que eu tenho de amar você de verdade? — Ela confessou, o que deixou Taehyung abobalhado. — Não quero amar o Taehyung integrante do BTS, quero amar esse Taehyung que está sentado no sofá da minha casa com o melhor e maior sorriso de todo o mundo.
— Amor, você sempre teve o Taehyung homem. Dono do amor mais lindo e sincero por você. — Ele sorriu.
— Sempre mesmo?
— Quer que eu prove? — Ele desafiou.
— Quero tudo o que eu tenho direito!
, você me ama ou só quer me usar? — Taehyung perguntou, tomando uma certa distância da garota ao notar os olhos dela passeando por todo o seu corpo.
— Por que essa pergunta? — franziu a testa, percebendo que ele estava curioso. — Eu quero te usar, usar muito e ainda mais depois de toda a informação de você pelado apenas usando uma gravata. Confesso que isso não sai da minha cabeça e no momento estou pensando bastante nisso…
— Quer? — Ele perguntou, levantando-se imediatamente e tirando a blusa preta que estava usando. — Parte da roupa já está no chão!
— TAEHYUNG! — Ela gritou assustada, colocando as mãos no rosto. — Não faz isso comigo. E se eu tivesse problemas cardíacos?
— Eu…
— Você?
— Eu… — Ele mordeu o lábio, tirando parte do cabelo do rosto e indo em direção à ela no sofá. sentiu novamente o formigamento nos pés e agora o calor começou a aumentar no corpo quando finalmente suas mãos encontraram o peito dele, agora totalmente sem blusa.
— Você… — Ela gaguejou com a proximidade dele. Taehyung agora empurrou o corpo da garota para trás no sofá, parando o rosto há poucos centímetros de distância do dela. Dessa distância conseguia sentir o seu perfume, seu toque e tudo o que ela mais queria era sentir os lábios dele pela primeira vez.
— Sempre quis você assim! — Ele sussurrou tão lentamente que fechou os olhos, respirando fundo e tentando não acordar daquele sonho. — Sempre esperei por esse momento e não quero acordar se for um sonho. — Taehyung tocou levemente os lábios nos dela e com todo carinho mordiscou brevemente o canto da boca, deixando sentir um arrepio surgindo na nuca. — Quero sentir o calor do seu corpo contra o meu e com meus lábios beijar e explorar cada parte dele.
— Como consegue me deixar desse jeito? — Ela ficou perplexa com a ação e reação com a qual seu corpo respondia toda vez que ele a tocava. — Passei anos desejando isso e agora eu nem sei por onde começar.
— Podemos começar pela gravata.
— Quem liga para a gravata?!
— Eu ligo para outra coisa… — Taehyung disse, deslizando uma das mãos para a blusa dela. — Ligo em tirar tudo isso e acabar com essa vontade de anos.
— Hum…
— Posso? — Ele deu uma mordida de leve na orelha e sussurrou algo que fez a garota apenas rir.
— Quero tudo, Tae! — Ela respondeu, passando uma das mãos pela nuca dele e segurando com força o seu cabelo.
— Eu também! — Ele concordou, encostando os lábios no pescoço dela onde levemente deu um beijo, fazendo-a arrepiar toda. Taehyung sorriu com aquela reação inesperada e voltou o rosto para perto do dela. Sem ao menos dizer nada, olhou dentro de olhos de , como se fosse capaz que mesmo em silêncio ela entendesse o que aquele olhar significava. Era um olhar simples, único e devastador. Nele era possível encontrar o amor, carinho, desejo e paixão. Tudo isso que estava guardado e escondido durante tanto tempo. Hoje ele estava sentindo cada parte do seu corpo pulsar, sentir e desejar aquela garota como nunca havia desejado qualquer outra pessoa. — Eu te amo tanto!
— Sempre te amei. — Ela confessou, tocando o rosto dele com a ponta dos dedos. — Sempre foi você e sempre vai ser, Taehyung.
Antes que percebesse, ele puxou-a pelo braço, fazendo-a ficar em pé para aproveitar melhor o desempenho e explorar com as mãos cada parte que fosse possível. sentiu o impacto do corpo contra o dele e usando as mãos, Taehyung segurou delicadamente a cintura dela.
Começaram a se beijar e esqueceram qualquer outro tipo de problema futuro que teriam com aquele sentimento. deslizou a mão pelas costas dele e parou bem no cós de sua calça. Taehyung cada vez mais aumentava o ritmo do beijo, deixando a garota sem fôlego. Sua língua brincava com a dela, mostrando certa intimidade com aquele contato. Depois de longos minutos de carícias e beijos, ele afastou um pouco o rosto do dela e começou a beijar seu pescoço. parecia estar fora de si, pois não estava tendo reação contraditória alguma. Pelo contrário, respondia a cada desejo dele. E tudo isso estava começando a ficar interessante, principalmente quando ele suspendeu seu corpo para o alto e caminhou com ela em seu colo em direção ao quarto.

Depois de mais de duas horas de música, risos e bebidas, muita besteira e zoação para cima de J-Hope, o mesmo se perdia a cada letra, e alguém era obrigado a assoprar alguma coisa para a brincadeira continuar. Todos já estavam desnorteados, rindo de qualquer coisa que fosse falado. Era nítido o nível de álcool que estava entre eles.
Rap Monster, Jin e J-Hope estavam deitados em dois sofás coloridos e enormes que ficavam bem ao lado esquerdo da sala do Karaokê. Jin não conseguia levantar a cabeça de tanta dor que estava sentindo, não soube porque dessa dor repentina, não tinha bebido quase nada e Rap Monster, por outro lado, estava preocupado e mantendo-se sóbrio por razões óbvias. Alguém tinha que levar o grupo para casa em segurança e olhando para a situação de J-Hope ele tinha certeza que ele não iria conseguir nem levantar do sofá, muito menos levar alguém em segurança para casa.
— Ainda bem que no palco vocês dois cantam bem. — Rap Monster falou, com um ar de reprovação enquanto escutava Jimin e Kook cantando alguma música que não estava reconhecendo no momento. — Bêbados e desafinados dessa maneira o BTS nunca teria sucesso nenhum.
— Sai pra lá, deixa eu cantar sozinho. — Jimin empurrou Kook, que saiu cambaleando pela sala. Jimin estava todo elétrico, bebendo e rindo que nem um idiota de tudo o que se movia em sua frente. Principalmente cantando em vários tons e em várias línguas as músicas que apareciam no telão. — Quero dançar Beyoncé.
— Vamos dançar Single Ladies. — J-Hope falou, tentando se levantar e não cair. — Vem, Jimin você vai ser meu par.
— HUMMM! — todos gritaram, desatando a rir em seguida, quando J-Hope estendeu a mão para Jimin. Ele, por sua vez, ficou parado, olhando com uma cara de não ter entendido bem aquele pedido.
— Por que justo o Jimin? Ele vai dançar comigo! — Kook perguntou, empurrando a mão de J-Hope um pouco. No grupo todo mundo sabia que os dois eram inseparáveis e que às vezes rolava ciúme por parte de Kook sempre que alguém tentava dançar, cantar ou simplesmente interagir com ele.
— Será que vamos ter briga por aqui? — Rap Monster cochichou para Jin, que estava em silêncio observando a cena.
— Para de ser ciumento, nós vamos apenas dançar. — J-Hope se defendeu, ficando em pé. O mundo girou nesse momento e ele abriu os braços tentando manter o equilíbrio. — Ual! Parece que tudo começou a girar.
— Vamos dançar todo mundo junto. — Jin se levantou e tentou falar alguma coisa, mas Rap Monster o puxou para trás, fazendo-o cair novamente no sofá. — O quê? Vamos sensualizar?
— Apenas observamos e gravamos. — Rap Monster piscou para Jin e ambos rapidamente tiraram os celulares dos bolsos.
— Eu acho… — Kook levantou o dedo e tentou falar, antes que J-Hope atrapalhasse. — Podemos dançar os três juntos? Eu também quero o Jimin.
— Todo mundo quer o Jimin. — Jin comentou, rindo e apontando o celular em direção aos três. — Não sei que tipo de suruba vai virar isso, mas deve render muitos views.
— Eu quero o Kook. — Jimin levantou o dedo e apontou para ele. — Kook, eu quero você.
— Como assim, vai me trocar pelo Kook? — J-Hope cruzou os braços, e Kook correu para o lado de Jimin, abraçando-o. O lugar começou a rodar novamente e J-Hope precisou forçar os olhos para enxergar direito onde Jimin estava. — Isso me magoa profundamente, Park Jimin.
— Vem, Hope eu também te quero. — Jimin muito bêbado balançou a mão, o chamando para o abraço em grupo. — Quero todo mundo.
— Se as ARMYS soubessem o que rola quando esses três ficam bêbados! — Rap Monster balançou a cabeça, sabendo que a fanbase de BTS tinha uma imagem totalmente diferente do que é na realidade. — E pior que ainda nem começaram a dançar, essa vai ser a melhor parte da noite.
— Eu amo vocês, cara! — Kook sorriu, abraçando o pescoço de Jimin que tentava se soltar dele e a procurar J-Hope. — Vocês são meus amigos e nunca quero ficar longe de vocês.
— Começou…
— Eu falei que eles ficam estranhos quando estão bêbados. — Jin olhou para Rap Monster que agora estava quase no chão rindo dos três. — Namjoon, quando a situação começar a ficar esquisita a gente pode ir embora? Não quero ver cenas para maiores de 18 anos.
— Por quê? É a parte mais engraçada essa troca de carinho. — Rap Monster exclamou.
— Eu também amo vocês. — J-Hope olhou para os amigos, passando a mão por todo o rosto de Jimin. — Eu te amo, cara. Você sabe disso.
— Fico tão completo quando eu to com vocês. — Jimin cambaleou um pouco de lado e as mãos de Hope o seguraram com força. — Nossa, Hope. Que mãos enormes são essas? — Ele riu divertido.
— Começou as cenas para maiores de 18 anos. — Jin apontou para o grupo, abaixando o celular. — Certeza que vamos ser obrigados a escutar essas coisas? São nossos amigos e depois tenho que conviver com eles no palco.
— Realmente estamos bêbados, olha as coisas que estamos falando. — Kook riu, se ajeitando ainda mais nos braços de Jimin. — Você está tão quentinho hoje, Jimin.
— QUENTINHO! — Rap Monster gritou, começando a gargalhar alto. — TUDO O QUE EU PRECISO PARA UMA NOITE ENGRAÇADA É ESSES TRÊS BÊBADOS!
— Nossa, cada minuto isso piora. — Jin arregalou os olhos e olhou para Rap Monster que estava ficando sem ar de tanto rir. — Levanta do chão, Namjoon. Não vou ver essa cena sozinho, meu estômago até embrulha.
— Ficou calor de repente. — J-Hope soltou Jimin um pouco e tirou a blusa de frio. — Nossa, acho que tem alguma coisa me esquentando.
— Eu tenho esse efeito sobre as pessoas. — Jimin comentou, rolando os olhos, e todo mundo desatou a rir nessa hora. — Na realidade eu queria esquentar outra pessoa. — Ele parou nesse exato momento ao lembrar-se de . — Queria muito esquentar, beijar, lamber e chu…
— EPA! — Kook o soltou de repente, dando alguns passos para o lado. — Não vai me confundir com a e querer começar com essas coisas estranhas. Não curto homens e por mais que esse homem seja você, não gosto dessa troca de fluídos.
— Ai meu Deus, eu vou morrer. — Rap Monster colocou a mão na barriga, não aguentando mais rir. — Socorro! Não consigo respirar.
— Jimin, e eu? — J-Hope forçou o olhar para o rosto do amigo que agora tinha começado a chorar lembrando da ex-namorada. — E eu sou o que pra você? Esse tempo todo?
— Você? Eu também te amo.
— Ama mais do que ela? — Ele perguntou, fazendo biquinho.
— Claro que não. — Kook riu, empurrando J-Hope um pouco. — Existem coisas que ele só vai fazer com a e não com você.
— Existem coisas que eu queria fazer com a também. — Hope gargalhou e Jimin tentou fechar a mão e acertar o rosto dele, mas o soco passou direto, o fazendo quase cair no chão. — Pra que essa violência? Não posso ser sincero?
— Não quando o assunto é minha namorada. — Jimin irritado andou até Hope e o segurou pela blusa. — Só eu posso pensar nela desse jeito, não você. — Ele balançou a cabeça, tentando tirar o cabelo do rosto para enxergar melhor. — Sem vergonha. Fica pensando em fazer coisas com a minha namorada? Pensei que seu lance era só fazer essas coisas comigo!
— O assunto começou a ficar sério. — Jin lançou um olhar para Rap Monster que estava em pé aproximando ainda mais o celular dos três. — Como você não vale nada, Rap Monster?
— Eu sinto falta dela. — Jimin abaixou a cabeça, sentindo o peso do álcool correndo por todo o seu corpo. As mãos soltaram da blusa de Hope e ele apenas tapou o rosto com as mãos. — Eu amo ela mais que tudo nesse mundo. E a saudade é algo que me sufoca todos os dias. — Ele sussurrou alguma coisa que ninguém conseguiu ouvir e lentamente deu alguns passos para trás. — , eu preciso de você. Meu amor, minha vida e minha paixão!
— Agora eles vão começar a chorar. — Rap Monster vibrou ao notar lágrimas escorrendo do rosto de Jimin. — Lágrimas sempre dão boas views também, principalmente se for lágrimas de tristeza.
— Jimin, você tem eu, cara. — Kook entrou na conversa, o abraçando por trás. Encostou o rosto nas costas de Jimin e começou a deslizar a mão pelo corpo do amigo. — Não precisa sentir saudades, nunca vou te abandonar e sempre vou te amar.
— Começou…
— Agora é o momento Jikook. — Rap Monster comemorou, segurando o celular totalmente no abraço estranho de Kook e Jimin. — Vocês se amam? É verdade o que todo mundo fala? Jikook é real?
— Jikook. — Kook sorriu, mordendo o lábio e olhando para o celular. Mesmo com o teor alcoólico elevado no corpo ele sabia que “Jikook” era o nome do shipp que os fãs tinha por ele e Jimin. — Eu amo esse garoto. Ele é tudo na minha vida, e Jikook é real, oficial.
— Nossa, as ARMYS vão enlouquecer com esse vídeo. — Rap Monster vibrou, enquadrando melhor as mãos de Kook que ainda exploravam o corpo de Jimin. — Faz uma ensaiada de um beijo técnico.
— QUE ISSO? Nós somos um triângulo amoroso. — J-Hope virou-se para o celular e apontou para Kook e Jimin. — Triângulo amoroso do amor. Um completa o outro e se rolar beijo eu também quero.
— Como eu sinto vergonha de fazer parte desse grupo. — Jin soltou um suspiro frustrado ao ver os três amigos novamente se abraçando. — Por favor, vamos embora? Estou com fome e preciso comer alguma coisa de verdade. Não quero presenciar esse beijo triplo. É demais para qualquer relacionamento, até mesmo para a nossa amizade.
— Eu também. — J-Hope passou a mão na barriga, sentindo fome. — Rap, sinto fome.
— Eu também. — Jimin concordou, balançando a cabeça.
— Vamos embora, vou alimentar vocês. — Rap Monster balançou a mão no ar, chamando os amigos. Ele sabia que era melhor levar esse grupo para comer do que esperar o novo escândalo nas revistas quando Jimin começasse a chorar alto e a gritar. — Eu vou na frente e vejo se não tem ninguém suspeito, vistam as blusas e coloquem as máscaras.
Jin deu um tapinha no ombro de J-Hope e com o outro braço puxou Kook e Jimin, empurrando ambos em direção à porta. Rap Monster surgiu novamente e apoiou Jimin e Kook o caminho todo até o carro. Logo atrás, Jin veio com J-Hope que ainda estava muito tonto encontrando dificuldade para andar. Rap Monster olhou para o relógio do carro e sabia que a essa hora somente um lugar estaria aberto e esse lugar era provavelmente também o mais discreto da cidade.

Do outro lado da cidade, acompanhava o ritmo acelerado dos pedidos na cozinha do Mugyodong enquanto Chung-Ho andava pelo salão cumprimentando os clientes e mostrando o seu melhor sorriso para todos os lados. Ele com certeza era peça fundamental para o andamento do restaurante e mesmo sem a presença de e o lugar estava lotado a essa hora e todos os pedidos dentro do prazo normal. Todos os outros funcionários corriam de um lado para o outro apressando o andamento da cozinha e apenas parou por alguns segundos, respirando fundo. Por mais que sentisse feliz por estar de volta trabalhando no Mugyodong, ela não podia negar que precisava de um pouco de ar puro para descansar o corpo e diminuir a temperatura dos braços em volta daquele fogão enorme. Rapidamente pediu ajuda para sua assistente e tirou o avental caminhando em direção aos fundos do restaurante que dava para uma pequena rua deserta a essa hora da noite.
— Que dia agitado…
Ela balançou a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos e a tristeza que começava a invadir novamente seu corpo. Parou por alguns segundos, analisando as coisas em sua volta e notando que estava sozinha. Seu maior medo era somente esse, quando estava sozinha era quase impossível que seus pensamentos não voassem para longe daquela realidade. E mesmo sabendo que era errado pensar nele, agora longe de tudo e de todos ela se permitiu novamente sentir saudades de Jimin. — Como é possível eu ainda sentir tudo isso por você, Park Jimin? — Ela soltou um suspiro, tentando negar que não se sentia frustrada com o fracasso do relacionamento. — Como ainda consigo sentir esse amor? Mesmo você falando tudo aquilo? Eu só posso ser uma idiota por continuar te amando do mesmo jeito, mesmo você destruindo qualquer sentimento entre nós dois. — Seu coração queria esquecer que um dia foi apaixonada perdidamente por ele, não sentir suas pernas bambas e seu corpo reagir por instinto quando escutasse sua voz. Queria correr o mais longe possível de todos aqueles sentimentos, sensações e decepções que estava passando nas últimas semanas. Esquecer Park Jimin era o seu maior objetivo e tudo estava dando errado toda vez que era obrigada a olhar uma reportagem de uma revista que o BTS era destaque. O mundo e todos a sua volta sabiam da existência do grupo, sabiam da existência de Jimin e por mais que quisesse fugir dele era impossível apenas fingir que ele não existia nesse mundo. — Que droga! Que droga, droga e droga! - Ela xingou nervosa, limpando com as mãos algumas lágrimas que começaram a escorrer por seus olhos. Não queria novamente chorar por ele. Durante todo o dia tentou sorrir para cada pessoa que passava por ela na cozinha, se sentia obrigada a sorrir, mesmo sabendo que não era o sorriso mais sincero do mundo. O mínimo que queria passar para a sua equipe de funcionários era o clima aconchegante e feliz por estarem trabalhando naquele ritmo desesperado ao longo do dia. E mesmo sabendo o quanto era errado ela sorria demonstrando a felicidade que não existia em seu coração. — E eu fico iludida na esperança que você entre em contato. Fico esperando uma ligação, um contato, um bilhete ou qualquer outra coisa. Como posso continuar dessa maneira? Iludida e esperançosa? — Ela parou no exato momento quando escutou ao longe, dentro do bolso, o celular tocando.
— O que foi, ? — Ela perguntou, não dando tempo de ouvir o cumprimeto da amiga do outro lado. — Não sei o que você quer comigo, o sexo com o Suga foi tão rápido assim?
— Ridícula! — xingou.
— Digo apenas verdades.
— Suga não é o Jimin que é só…
— Cala a boca!
— Digo apenas verdades. — riu, sabendo que tinha atingido o ponto exato. — Não quero falar sobre o sexo maravilhoso que eu tive com o Suga agora pouco. E sendo bem sincera? Agora eu sei que eu escolhi o BTS certo.
— Sério? Eu imagino muitas coisas com o Suga…
— Ainda bem que eu não preciso imaginar.
— Isso tudo é porque você estava há muito tempo sem sexo, logo vai cair na rotina e tenho certeza que vai começar a reclamar. — completou, notando a ousadia do comentário. — O que você quer? Além de se vangloriar que teve uma noite de sexo?
— Na realidade…
— Na realidade você não quer nada. — disparou.
— Não mesmo eu só liguei porque estava esperando o Suga para o segundo round. — disse delicadamente, sabendo qual era o próximo comentário da amiga. — Brincadeira. Não precisa se sentir com inveja de eu ter um namorado maravilhoso que tem um fogo desse tamanho.
— Quer que eu chame o bombeiro? — perguntou séria, rolando os olhos pela rua. Sério que ligou para falar sobre o sexo com o namorado? — Fala logo o que você quer, antes que eu comece a fazer perguntas em centímetros.
— Podemos falar sobre…
— Não! — ignorou, caminhando de um lado para o outro. — Não lembro de começar a falar sobre minha vida sexual com o Jimin.
— E existia? — gargalhou do outro lado e tentou conter a risada, mas logo começou a rir junto com ela. — Desculpa, amiga. Eu sei que Park Jimin tem fogo também, confesso que tenho curiosidade de saber quantos baldes de água é preciso para apagar aquele fogo.
— Podemos dizer que são vários caminhões para tentar ao menos controlar as chamas. — direta respondeu, esperando que ela não ficasse totalmente em silêncio. Ainda mais conhecendo e sabendo que tudo era motivo de comentários desnecessários nos melhores momentos. — Mas, apagar? Jamais! Aquele fogo dura a noite toda e se bobear o fim de semana inteiro.
— Que isso! — assustada soltou um longo suspiro. — Como você me faz ter esses pensamentos assim com o amigo do meu namorado? Eu quero…
— Enfim!
— Como você está? Tudo bem no restaurante?
— Tudo na medida do possível, amiga. — respondeu, sentindo um frio no estômago ao olhar para o final da rua e notar que a sombra de alguém desapareceu quando os seus olhos se voltaram para aquela direção. Ela ficou em silêncio por alguns segundos e abaixou o celular, olhando atentamente para a mesma direção.
? Alou? — ficou preocupada com o silêncio.

— O que foi?
— Acho que tive a sensação de ver alguém na rua de trás do Mugyodong. — Ela comentou, ainda olhando na mesma direção que tinha visto a sombra. — Deve ser impressão minha.
— Toma cuidado, . — alertou, sabendo que não era uma pessoa muito confiável sozinha a essa hora da noite. Por ser desligada demais, às vezes corria bastante perigo. Longe de tudo em um lugar calmo que somente estivesse ela, seria perigoso do mesmo jeito. Mas, quando se trata da amiga e da má sorte dela, uma bomba poderia estar do lado dela. E ela nem ao menos se preocuparia, até achar que fosse um brinquedo. Aquilo a estremeceu e sua voz falhou no momento. — Volta para o restaurante e fica com o pessoal. Não quero você sozinha por Seul, ainda mais sabendo da notícia que anda circulando.
— Ninguém sabe que eu existo. — riu nervosa ao notar a sombra novamente surgir.
— Quem? Você só teve um relacionamento com Park Jimin.
— Ninguém sabe quem sou eu, ! — falou num tom tentando convencer a amiga e a si mesma que ninguém sabia da existência dela e desse relacionamento. — Deve ser algum vizinho.
!
— Oi? O que você queria? Me ligou? — Ela disse por fim, tentando colocar um ponto final naquela preocupação. — E o Suga? Tudo bem com vocês?
— Nada.
— Fala.
— Eu vou para o Mugyodong com o Suga, me espera!
… — revirou os olhos e encarou de repente uma figura surgindo por entre a escuridão, alto e loiro. Ela tremeu um pouco, não esperando ninguém a essa hora e girou o corpo e o rosto para o outro lado. — Preciso desligar, Chung-Ho deve estar louco me procurando. — Escutou ao longe os passos dele caminhando em sua direção. — Hunrum, ok. Depois conversamos… — resmungou sem prestar muita atenção no que ela estava falando. Talvez tivesse razão em ser alguém que estava sabendo sobre o relacionamento dela com o Jimin, ou então qualquer outra pessoa perdida pelas ruas complicadas de Seul.
— Eu e Suga estamos indo. — insistiu, desligando o celular sem ao menos deixar que ela falasse alguma coisa.
Ao abaixar o aparelho notou a presença do homem bem atrás e sua respiração começou a ficar pesada com aquela proximidade toda. Nessa altura não conseguiu saber qual era a melhor reação, virar-se ou então caminhar sem olhar para trás em direção ao restaurante.
— Por favor… — Ele disse suave, agora tocando levemente no ombro dela. sentiu as pernas ficarem bambas e quase precisou ser amparada para que não caísse no chão. — Preciso de uma ajuda, estou bem perdido.
— Oi… — Ela se virou lentamente, tentando controlar o desespero. Não era ninguém, não era nenhum fã maluco e sim apenas um homem perdido. Era só isso, nada além disso.
— Tudo bem? — Ele perguntou, totalmente desconfiado ao ver os olhos da garota olharem para a porta dos fundos do restaurante.
— Sim. — Ela gaguejou, olhando em volta e notando que estava sozinha com ele. — Em que eu posso ajudar? Perdido?
— Sim, eu procuro por um restaurante que me indicaram. — Ele levantou o dedo apontando em direção oposta. Dessa distância, conseguiu notar os traços finos do seu rosto e analisou ainda mais o corpo dele quando moveu o corpo um pouco mostrando a direção. — O nome começa com Mug…
— Mugyodong. — Ela completou, sentindo-se um pouco aliviada. De fato era uma pessoa perdida procurando um bom lugar para comer. — É este restaurante. — apontou para a porta. — Mas, por essa rua não tem entrada. É pela avenida, logo ali.
— Ah, sim, como sou desatento. — Ele firmou, os olhos sustentando o olhar no rosto da garota. — Desculpe assustá-la dessa maneira, não era minha intenção. E nem atrapalhar a sua conversa no celular com sua amiga.
— Sem problemas. — Ela sorriu, querendo correr para longe dele. Não estava com uma sensação boa e seu instinto começou a gritar para que ela fosse embora imediatamente. — Espero que tenha uma ótima noite. — despediu e ele cruzou a sua frente, impedindo a passagem dela para o outro lado. — Sim? Algum problema?
— Prazer, Min-Ki. — Ele estendeu uma das mãos e abriu um pequeno sorriso. se afastou mais um pouco e ele começou a rir dela. — Tudo bem, eu não vou te fazer mal algum. Me desculpa por ter ficado escondido dessa maneira. Mas, eu tenho alguns motivos.
— Quais motivos? — entortou um pouco a cabeça e depois de alguns minutos o cumprimentou. — Prazer, . — Ela deu alguns passos para trás, afastando-se dele. — O que foi, Min-Ki? Motivos?
— Eu sei qual é o seu nome, aliás você é muito bonita também. — Min-Ki deu uma piscadinha para ela e franziu a testa como se fosse perguntar como ele sabia. — Eu sou fotógrafo, e claro que eu sei quem é você. E exatamente por isso que eu estava te observando dessa maneira.
— Eu sou a chefe do restaurante…
— Não é por esse motivo que eu te conheço. — Ele cortou, notando o incômodo dela. — Conheço você apenas por fotos de NY, por isso eu disse que você pessoalmente é muito mais bonita.
— Fotos? De NY? Nunca estive em NY. — perguntou, tentando não demonstrar o espanto. Não era possível! Fotos da viagem dela com Jimin. Como ele tinha essas fotos? Que fotos eram essas?
. — Ele riu, passando a mão no cabelo.
— Você deve me conhecer por causa do restaurante.
— Na realidade você é o meu novo trabalho, por isso eu tive que saber tudo sobre a sua vida. Por isso eu sei o seu nome, endereço, telefone e também de alguns detalhes sobre a sua vida pessoal e profissional. — Min-Ki foi direto, recebendo a reação que queria de espanto no rosto da garota. apenas ficou em choque e ainda caminhou outros passos para longe dele. — Fique tranquila. Eu sou muito profissional e vim apenas a trabalho.
— Eu sou o seu trabalho? — Ela o encarou espantada. Como era possível ele conseguir todas essas informações? O que estava acontecendo? O pânico começou a percorrer todo o seu corpo e ela sentiu necessidade de gritar por ajuda. Estava assustada, com medo e muito aflita com a maneira que ele falava e a encarava.
— Podemos conversar um pouco? — Ele sugeriu e tentou relutar inventando alguma desculpa. Ela não tinha condições de ter nenhum tipo de conversa com ele, não sabendo sobre quem era. — , vamos ser sinceros um com o outro. Você não vai conseguir se livrar de mim tão cedo, então é melhor conversarmos.
— Min-Ki, eu não tenho nada para conversar com você! — , desesperada, andou em direção ao restaurante e ele a segurou pelo braço. — Me solta, por favor.
— Preciso ser direto? — Ele perguntou calmo com os dedos em volta do braço dela. sentiu o chão sumir diante dos seus pés e seu coração acelerou de uma maneira descompensada com aquele toque frio. — Min-Ki…
— Park Jimin. — Min-Ki soube nesse exato momento que aquele nome era quase uma válvula de escape dela, sentiu o braço da garota tremer contra os seus dedos e ele sorriu imaginando que agora ela não teria nenhuma outra desculpa. — Eu sei sobre o seu envolvimento com ele e tenho muitas fotos que provam isso, por isso me ajuda nessa entrevista que eu prometo não acabar com a carreira dele da pior maneira possível. — Ele completou, agora ameaçando a garota. — Minha carreira depende dessa entrevista e eu sou uma pessoa muito rancorosa, infelizmente é o meu trabalho e eu tenho que lidar com o meu chefe que quer uma entrevista exclusiva com o caso amoroso de um dos integrantes do BTS.
— Isso tudo foi uma ameaça? — perguntou, sentindo os olhos perderem o foco da porta do restaurante. Ela sabia que era uma ameaça e sabia também pelo tom da voz dele que não estava brincando, muito menos ameaçando em vão quando disse que iria acabar com a carreira do Jimin. Abaixou a cabeça lentamente escondendo ainda mais o desespero e respirou fundo, buscando um foco para não perder o controle. Era necessário mostrar que estava calma, mesmo ele sabendo que tudo era mentira e que ela se sentia desesperada e com vontade de sair correndo e gritando por ajuda.
— Depende.
— Depende do quê? Min-Ki, você foi bem direto quando disse que sua carreira dependia disso. — Ela riu nervosa, agora virando-se para olhar dentro de seus olhos. — Que tipo de pessoa é você? Que prazer você tem de acabar com a carreira de outras pessoas? — As palavras foram surgindo da sua boca e ela nem ao menos hesitou um segundo em falar tudo o que estava sentindo. — Não gosto de ser ameaçada e não gosto que me obriguem a nada, então você vai perder o seu tempo esperando por essa conversa que não vai acontecer!
— Acho que eu não fui totalmente claro.
— Não quero que você seja e nem ao menos quero que você fale qualquer outra coisa. — Ela o interrompeu, sentindo o coração agora em sua garganta. — Você não tem o direito de brincar dessa maneira com a vida das pessoas e nem com os sentimentos delas.
— Jimin tem a vida exposta e ele sabe disso, por isso não estou fazendo nada para expor o que naturalmente ele sozinho já faz. — Min-Ki colocou uma das mãos no bolso e com a outra segurou um pequeno gravador. — Você é maravilhosa e ainda falando desse jeito eu consigo saber exatamente o que o Jimin encontrou em você para se apaixonar. — Ele foi indiscreto e sentiu o sangue pulsar em suas veias. — Não posso dizer que esse relacionamento foi algo maravilhoso, pelo o que eu soube da última coletiva de imprensa ele foi capaz de negar. Só não entendo como ele conseguiu negar uma garota como você.
— Ah, cala a boca!
— Sinto muito por isso, mas eu não consigo pensar em como ele foi idiota em dizer tudo aquilo. — Agora ele caminhava em direção à ela lentamente. — Olha, se eu estivesse no lugar dele não iria negar você para o mundo. Pelo contrário, diria e gritaria com toda força que tinha encontrado a garota dos meus sonhos.
— Você é louco! — balançou a cabeça começando, a se sentir assustada novamente com ele. — Nunca tive nada com o Jimin, nem o menos conheço ele pessoalmente. Min-Ki, você me confundiu com outra pessoa e acho melhor você começar a fazer um tratamento. — Ela desconversou na esperança que alguém chegasse naquele momento.
— Quem começou esse relacionamento?
— O quê?
— Ele ou você?
— Nunca existiu relacionamento nenhum. — Ela respondeu.
— Ele nunca foi homem pra te assumir? — Min-Ki forçou agora, parando a poucos metros dela ainda segurando o gravador em uma das mãos. — O que aconteceu para ele falar tudo aquilo na coletiva? É um relacionamento escondido? Vocês ainda se encontram?
— Min-Ki. — Ela cortou, agora virando-se rapidamente e indo para a porta do restaurante. foi interrompida quando as mãos dele voltaram a segurar o seu braço com força. — Me solta, eu vou gritar!
— Ninguém vai te socorrer.
— Me solta! — Ela lutou um pouco, tentando desvencilhar da mão dele. — ME SOLTA!
— Você ama ele? Ele te ama? — Min-Ki ainda perguntava, agora aproximando o gravador do rosto da garota. — Ele te abandonou? Vocês terminaram? O que aconteceu?
— SOCORRO.
— Eu disse, não adianta pedir por socorro. Estamos sozinhos e eu vou conseguir tudo o que eu quero com você.
— Filha da puta, me solta. — Ela fechou uma das mãos, tentando acertar o rosto dele e Min-Ki começou a rir descontrolado com aquela reação inesperada da garota. — Você é um idiota, maldito desgraçado!
— Cala a boca e me responde. — Ele foi estúpido, agora empurrando ela contra a parede. — Como o Jimin é babaca. Eu nunca teria deixado uma garota linda desse jeito, não sem ao menos explorar cada parte desse corpo maravilhoso. — Min-Ki agora percorreu os olhos para o rosto dela e a todo custo tentava se livrar da mão dele que prensava o seu pescoço contra a parede. — Olha como você tem a boca perfeita. Por Deus, !
— Por favor, me solta. — Ela implorou, começando a chorar. O ar começou a faltar nesse momento e ela só sabia suplicar para que ele a largasse. — Por favor, eu falo tudo o que você quer.
— Agora você vai me falar de todo jeito!
— SOLTA ELA! — Uma voz surgiu ao longe e Min-Ki não soube ao certo o que lhe atingiu. Sentiu o impacto de um soco em seu rosto e ele caiu no chão de repente. — DESGRAÇADO! MALDITO! — Novamente outro soco em seu rosto e a pouca claridade da rua mostrou uma pessoa com um capuz e uma máscara no rosto. Min-Ki tentou levantar, mas outro golpe o atingiu e na sequência vários outros começaram por toda a extensão do seu rosto.
— PARA COM ISSO, VOCÊ VAI MATAR ELE! — Uma segunda voz surgiu, tentando socorrer Min-Ki que estava caído no chão quase desmaiando com tantos socos que estava levando.
— Por favor, me ajude! — Min-Ki disse com dificuldade na esperança que essa pessoa fosse capaz de ajudá-lo nesse instante. — Por favor… — COMO VOCÊ FOI CAPAZ DE TOCAR NELA! — Outro golpe atingiu a sua boca e Min-Ki imediatamente começou a sentir o gosto de sangue pelos lábios. — EU VOU TE MATAR!
Ele tentava gritar por ajuda, mas sabia que era inútil e que aquela pessoa estava bastante nervosa e totalmente descontrolada. O seu rosto começou a arder e ele sentia o sangue quente escorrendo e o olho começando a fechar lentamente. Perdeu a conta de quantas vezes foi agredido e por incrível que pareça o seu corpo não reagiu em nenhum momento. Com a pouca percepção que ainda tinha escutou os gritos assustados da garota pedindo socorro e rapidamente a pessoa de capuz segurou a sua camisa e antes que ele perdesse o sentido escutou uma voz masculina o chamando por Jimin.


Capítulo 8


Rapidamente, Rap Monster abraçou Jimin pela cintura e saiu arrastando-o para longe do homem que estava deitado no chão, aparentemente desmaiado. Com a pouca claridade ele só teve tempo de ver que parte do rosto dele estava muito machucado e que havia sangue para todo o lado. Jimin ainda gritava descontrolado e Rap Monster teve dificuldade para levá-lo para dentro do Mugyodong. A única saída que viu foi carregar o amigo nas costas antes que todos da vizinhança começassem a aparecer para saber o que estava acontecendo. Ao passar com ele pela porta, notou Jin surgindo um pouco mais atrás, correndo para o lado de e pegando a garota no colo. Ela chorava bastante e parecia estar em choque com toda a cena que desenvolveu com Jimin agredindo o homem.
Os minutos se arrastaram e ninguém era capaz de saber que atitude tomar ou o que fazer em relação ao homem que ainda estava jogado na rua de trás do restaurante. Depois do choque inicial, caminhou arrastando Jimin para o escritório e a todo custo fazendo com que ele entrasse no banheiro para refrescar um pouco a cabeça e também para ver se a bebida saia um pouco do seu corpo. Era difícil imaginar onde ele estava com a cabeça para beber daquele jeito, mesmo sabendo que era fraco para bebida e que era questão de poucas doses para ele ficar trocando as pernas e falando asneiras para todos os lados.
e Suga chegaram nesse exato momento e nem ao menos olharam para lado nenhum. Acompanharam Jin pela porta dos fundos e soltou um grito abafado pelas mãos de Suga ao ver o homem ainda desmaiado. Jin comentou que Dak-ho estava chegando e que do carro havia ligado para a ambulância. ficou mais tranquila e Suga achou melhor levá-la para dentro.
— Ele só pode ter ficado louco. — Suga passava a mão pelo cabelo, andando de um lado para o outro do quarto de descanso que tinha no fundo do restaurante. Ele estava visivelmente nervoso, sentia medo por todos os acontecimentos e pelo que isso acarretaria para a vida pessoal e profissional deles. Principalmente para Jimin se o tal fotógrafo desconfiasse que foi justamente ele o agressor. — Como ele me agride o cara daquele jeito? Por que ninguém fez nada? Ele é fotógrafo do Dispatch News, alguém tem noção disso? Vocês não viram o carro dele parado do outro lado da rua?
— Cara, três bêbados torrando o saco dentro do carro e você acha que a gente ia conseguir reparar em alguma coisa? — Rap Monster encarou Suga, tentando encontrar a lógica daquela pergunta. — Quando eu escutei o primeiro grito de socorro o Jimin correu na minha frente desesperado e a única reação que eu tive foi parar o carro direito. E o Jin ainda teve que ficar segurando o J-Hope e o Kook para não descerem do carro também.
— POR QUE VOCÊS ESTÃO BÊBADOS? — alterou a voz, dando um soco na cabeça de J-Hope e depois na de Kook. — SEUS IDIOTAS! OS DOIS. — Ela empurrou um e depois o outro.
— Foi um belo soco. — J-Hope riu, tentando não tropeçar no próprio pé. — Que droga, eu preciso tomar um café forte. Acho que ainda estou bêbado o suficiente para tropeçar no meu próprio pé.
— Um belo soco vai ser quando eu acertar a sua cara. — ameaçou, fechando uma das mãos. — Por que vocês dois estão bêbados assim? Teve festa? E desde quando o Jimin fica bêbado?
— Jimin? Maior alcoólatra. — Kook riu fraco, apoiado na parede. Ele tinha certeza que se tentasse se mover daquela posição iria cair no chão. — Não sinto meu rosto, acho que eu to ficando afetado e tomei alguma coisa que não devia. — Ele, com uma das mãos, tentava mexer as bochechas de um lado para o outro. — Droga, eu não sinto meu nariz também.
— Eu vou dá na cara dele. — caminhou com uma mãos das fechadas para cima de Kook e Suga a segurou pela cintura. — Alguém tira esses dois bêbados de perto de mim.
, vai fechar o restaurante. — Suga pediu, lembrando que era só questão de minutos para a polícia estar batendo na porta do Mugyodong. — Não sabemos ainda o que vamos falar ou o que vamos fazer, Dak-ho deve estar chegando e precisamos de no mínimo descrição com esse assunto.
— Tudo bem, querido. Eu entendo. — Ela concordou, beijando levemente os lábios dele. — Vou falar para o Chung-ho finalizar por hoje e vamos aguardar. — No momento que ela disse isso a sirene da ambulância começou a tocar tão próximo que ela sentiu o coração bater rápido com medo do que podia acontecer com o grupo e principalmente com Jimin e . Correu rapidamente para a parte da frente do restaurante na esperança de que não tivesse quase ninguém mais no local. O que era quase impossível, não sabia exatamente o horário, mas tinha a certeza que algum grupo de empresários estaria reunido bebendo e comendo com outras quinze pessoas. Era isso o que acontecia todo fim de semana. E isso era o que mais dava dinheiro e movimento para o Mugyodong.
— Eu vou ser preso? O que eu fiz? — J-Hope perguntou desesperado, tentando abrir a porta. — Cara, eu não posso ir preso bêbado desse jeito. A gente sempre escuta histórias de abuso nessas cadeias e eu sou muito bonito e todo mundo vai querer tirar proveito desse corpo todo.
— Ai, cala a boca. — Rap Monster, irritado, o puxou com força e o jogou na cama. — A situação é complicada e eu ainda tenho que ficar aturando vocês dois? Pelo amor de Deus!
— Eu ainda não sinto o meu nariz. — Kook quebrou o silêncio, mexendo o nariz de um lado para o outro.
— Eu não acredito nisso, eu não acredito. — Jin com o celular indignado ligava para o assessor. — Dak-ho? Que droga, por que você demorou atender esse celular? O que está acontecendo? Eu escuto as sirenes daqui de dentro. — Ele disparou sem ao menos dar a chance para que o assessor respondesse. — Ele tá vivo? Ta bem? Vai sobreviver?
— Merece morrer, isso sim. — J-Hope voltou a falar e agora não recebeu nenhuma ameaça de Rap Monster. — Como ele tenta assediar a daquele jeito?
— Desgraçado. Mereceu apanhar mesmo. — Kook resmungou, agora com um copo de café que Suga lhe entregou.
— Isso eu concordo. — Suga completou, agora sentando-se do lado de J-Hope na cama e entregando para ele um copo de água. — Se fosse com a o soco ia ser pouco.
— Do jeito que você é frouxo, tenho certeza que ia sentar e ficar chorando. — J-Hope riu e recebeu um tapa na cabeça. — Ei. To bebado e um tapa desses pode ser mortal.
— POLÍCIA? — Jin cortou o assunto no quarto, distanciando-se deles para escutar melhor o que Dak-ho falava. Os outros ficaram em silêncio e ao longe conseguiram escutar vozes e pedidos desesperados de socorro. — Jimin e estão trancados dentro do escritório, ela está tentando fazê-lo ficar um pouco mais sóbrio e J-Hope e Kook estão aqui trancados. O Suga chegou e a foi tentar fechar o restaurante. O que vamos fazer?
— Não gosto de polícia envolvida. — Kook largou o copo de café e com dificuldade olhou para Rap Monster. Apesar do quarto ainda girar e parte do seu rosto não ter voltado ainda, ele tomava o café alternando com um copo de água para se livrar daquela sensação ruim de tudo girar ao seu redor. — O que eu tenho que fazer? Mentir? Ou contar a verdade?
— Tudo bem, vamos ficar aguardando você aqui dentro. — Jin apreensivo desligou o celular e encarou os amigos. Sua expressão era carregada e séria. — A polícia também foi chamada e estão suspeitando de assalto, mas a polícia disse que os enfermeiros encontraram a carteira dele dentro do bolso. E agora eles estão procurando por câmeras de segurança.
— Não vão encontrar. — Suga disse com convicção.
— Como você sabe disso? — Rap Monster questionou.
— Quando busco a eu sempre estaciono nessa rua de trás do restaurante, exatamente por ser deserta e não ter nenhum tipo de câmera para filmar o meu carro. — Ele respondeu, olhando para Jin que parecia mais aliviado. — Nessa região é difícil encontrar uma câmera, principalmente nessa rua. A única que vão encontrar é do outro lado do restaurante e a do próprio restaurante.
— Isso é bom. Mas, por um lado eles provavelmente vão querer saber se a , ou escutaram alguma coisa ou viram algum movimento diferente. — Rap Monster lembrou, agora franzindo a testa. — E eu duvido que a esteja em condições de mentir nesse momento, principalmente por estar ainda em choque e ainda por cima trancada no escritório com ninguém menos que Park Jimin.
— Vai rolar sexo. — J-Hope disse, soltando uma gargalhada e batendo palmas em seguida.
— Cala a boca. — Suga o empurrou com o ombro.
— Se rolar sexo pelo menos eles vão ter um álibi. — Kook foi sincero, tentando não fazer nenhuma piada nessa situação. Era plausível o álibi do sexo para o polícia. Sem contar que ele seria obrigado a acreditar e também justificaria o porquê de sete homens trancados dentro de um quarto minúsculo. — Eu falo sério, joga o lance do sexo. E nós estamos trancados aqui para nenhum fã reconhecer e esse sexo dele é segredo. Por isso podemos pedir para o policial o máximo sigilo.
— Oi, eu não vi nada porque estava fazendo sexo com o meu ex-namorado? — Jin rolou os olhos, não acreditando no que estava escutando. — Eu sei que tenho um álibi para a gente e provavelmente a tem o álibi de estar na cozinha quando tudo aconteceu. Temos filmagens do Karaokê.
— Gente, o cara não morreu. — Rap Monster retrucou, impaciente. — Vai ser no mínimo estranho ela aparecer com um álibi quando foi atacada. Acham que ele nem vai desconfiar? Que não vai dizer a polícia? — perguntou, provando que a situação era ainda mais complicada do que parecia.
— Ah, foram só alguns socos. — J-Hope voltou a resmungar com a boca cheia de café. — Ninguém nunca morreu com isso, ainda mais o Jimin bêbado e fraco daquele jeito. Nem deve ter machucado muito.
— E o sangue? — Suga quis saber, mas perguntava para Rap Monster devido a afirmação feita há pouco. — Jimin, mesmo bêbado, teve tempo de bater nele e bater com muita força.
— Teve sangue? — J-Hope interrompeu novamente, colocando as mãos na boca assustado. — Ele aprendeu a bater que nem homem? Ai que orgulho!
— Eu vou perder a cabeça com ele. — Rap Monster fechou uma das mãos, olhando para J-Hope. — Fica na sua que eu estou perdendo a cabeça com essa história toda. — Ele ordenou, apontando o dedo para ele. — Não precisamos que ninguém fique sabendo que estamos aqui. — Ele bufou irritado. — foi tentar fechar o restaurante, Dak-ho provavelmente vai começar a falar sem parar, Jimin vai ser responsabilizado se acontecer alguma coisa com a imagem dele e do grupo. Não sabemos o que aconteceu com esse homem e o que me preocupa é se ele reconheceu o Jimin, mesmo ele estando de blusa de frio e capuz.
— Dak-ho?— Jin atendeu o celular no primeiro toque. — Sim, ok. Tudo bem. Encontro com você no carro. — Ele combinou, balançando a cabeça e desligando o celular. — Dak-ho está esperando no carro, mas ele quer que eu vá sozinho porque ainda tem alguns policias na parte dos fundos do restaurante. Por isso, fiquem aqui dentro. — Ele comentou, passando todas essas informações para Rap Monster que concordou. — Olhe o J-Hope e o Kook, não esquece do Jimin e não chama o Taehyung. Muita gente vai acabar atrapalhando e chamar mais atenção. Eu ligo ou chamo vocês quando for o momento de ir embora.
Todos acenaram com a cabeça concordando. Ao sair Jin, lançou um último olhar para os amigos e J-Hope gritou “fighting” desejando que ele tivesse coragem e força para enfrentar tudo isso.


ficou sentada no sofá, analisando a maneira que Jimin colocava suas roupas. Ao vê-lo sair do banheiro enrolado na toalha notou o tremor em suas pernas, sabendo que hoje não tinha como evitar aquele reencontro. Era real. Era verdade e ele estava diante dela de olhos fechados, tentando buscar um pouco mais de sobriedade. Ele ainda se sentia um pouco tonto e a dificuldade de ficar em pé fez com que ele sentasse imediatamente em uma cadeira ao lado da porta do banheiro.
E mesmo não sabendo como seu coração estava batendo, ela tentou decifrar se estava emocionada assustada ou desesperada por estar assim tão próxima de Jimin. Ao pensar nele e em Min-Ki o coração voltou a doer e lágrimas involuntárias rolaram por seus olhos, demonstrando novamente o desespero por não saber o que aconteceu com Min-Ki e pelo medo que sentiu ao ser pressionada daquela maneira contra a parede. Sua cabeça começou a girar e suas mãos voltaram a tremer sem que ela tivesse nenhum controle sob seu corpo.
— Eu estou aqui, ninguém mais vai chegar perto de você. — Ele quebrou o silêncio, ainda mantendo a cabeça abaixada. Jimin sabia o quanto foi difícil criar coragem para sair do banheiro e lutar contra o impulso que queimava em seu corpo de quebrar tudo o que estava em sua frente e correr atrás de Min-Ki e terminar de machucá-lo para que nunca mais fosse capaz de ameaçar daquela maneira. — Ele é um louco que eu ainda vou ter a chance de matar por ter feito o que fez com você, prometo que não vou deixar ele nunca mais fazer nada, . — Lentamente ele levantou a cabeça, olhando para dentro dos olhos da garota que ao escutar a voz dele desligou a mente por alguns segundos e sua atenção estava totalmente presa naquele olhar. A única certeza que teve nesse momento foi que ela o ainda amava com todas as forças. — Não sei e não quero pensar no que ele tinha na cabeça por pressionar você contra a parede daquele jeito, eu não quero nem ser capaz de imaginar o que ele teria feito. — Agora a voz dele começou a ficar alterada e cada parte do corpo dela começou a doer lembrando da cena de Min-Ki ameaçando Jimin, ela, o grupo e as amigas. — Caramba, que droga! Maldito desgraçado.
— Jimin…
Ela tentou falar, mas sua voz falhou e palavras faltaram no momento, não sabendo o que falar para ele. Não sabendo como reagir, o que fazer ou como se comportar diante de tudo o que ele havia acabado de falar. Por mais que tentasse lutar contra todos os sentimentos, o que mais queria era levantar daquele lugar e correr para os braços dele, correr o máximo que suas pernas permitissem e falar o tanto que precisava daquele abraço, do contato, e do calor do corpo dele contra o seu. Quebrar todo aquela saudade e distância que foi obrigada a manter durante os meses, ela só precisava disso, voltar a se sentir segura, amada e protegida. E ninguém, ninguém era capaz de fazer isso a não ser ele, Park Jimin.
— Isso é minha culpa.
— Não é sua culpa. — Ela conseguiu falar, agora clareando a voz para que saísse firme. Levantou e tentou alguns passos em direção à ele, mas suas pernas estavam tão trêmulas que ela preferiu apenas ficar parada naquela posição. — Jimin, não é e nunca foi a sua culpa nada disso que aconteceu. — Não era culpa dele por Min-Ki ser um psicopata daquela maneira e que estivesse disposto a fazer qualquer coisa para conseguir a sua entrevista exclusiva. Ele tinha deixado bem claro que era essa a intenção e que sua carreira estava dependendo disso. — Jimin, ele é um maluco. E tudo o que ele queria era uma entrevista exclusiva.
— Ele é um desgraçado que chegou até você porque descobriu sobre a gente. — O peso e a raiva invadiu toda a extensão do seu corpo e num impulso ele se colocou em pé. Era isso, essa culpa que ele estava sentindo. Ele não queria que ninguém chegasse até ela e que descobrisse sobre esse envolvimento, Jimin sabia o quanto iria ser complicado e o que a imprensa era capaz de fazer para conseguir um furo de reportagem. E tudo o que ele estava evitando durante todas essas semanas tinha sido em vão. — , você não entende. Não entende o que vai acontecer agora com você. Eles sabem do nosso relacionamento. — Min-Ki era a prova que eles estavam sabendo sobre ela o tempo todo e que só esperaram o tempo exato para que pudessem aborda-la daquela maneira. — Como sempre essa droga de carreira acabando com as pessoas que eu amo. Acabando com qualquer sentimento e qualquer pessoa que eu me envolvo. — Um soco acertou a porta do banheiro e ela pulou assustada.
— Jimin, não.
— Amor, eu sinto muito por isso. Me desculpa por ter feito você passar por tudo isso, é minha culpa e eu tentei me afastar por causa disso. — Pela primeira vez ele estava falando abertamente para ela o único motivo que o fez tomar a decisão de deixá-la no aeroporto daquela maneira. O choque daquelas palavras fizeram com que ela ficasse estática recebendo o golpe bem direto. Era por causa disso? Jimin estava com medo do assédio da imprensa?
— Jimin, você…
Um turbilhão de sentimentos e pensamentos começaram a surgir e ela não era capaz de falar nada, apenas fechou os lábios e olhou para ele pedindo que Jimin entendesse que ela não conseguia falar nada no momento, implorando que ele entendesse todos esses sentimentos que estava sentindo por ele.
— Sofri, chorei e lutei todos os dias contra a vontade descontrolada que eu sentia de correr para o seu apartamento e me ajoelhar pedindo desculpas por ter ido embora daquele jeito. — Jimin lentamente caminhou até a garota, não sabendo como ela reagiria com aquela aproximação. Tudo o que ele precisava era exatamente pedir perdão por ter sido o responsável por essa separação, o único responsável por tê-la feito chorar daquela maneira. — Me perdoa, amor. Por eu ter partido daquele jeito e ter deixado você. Foi a coisa mais difícil que eu tive que fazer na minha vida e eu sinto tanto e nada do que eu falar vai corrigir esse erro.
— Não consigo acreditar que você foi capaz de fazer isso, Jimin. — Ela desviou o olhar, limpando algumas lágrimas com as costas das mãos.
— Amor, amor… — Jimin deixou de lado o fato de estar apenas de toalha e segurou levemente o queixo da garota com uma das mãos. — Olha pra mim. — Ele pediu e não conseguiu desviar a atenção dele. O toque dele contra seu rosto fez uma explosão de reações percorrer por todo o corpo dela. — Olhe dentro dos meus olhos e tente entender que tudo o que aconteceu foi pensando em não deixar você exposta dessa maneira. — Ele respirou fundo, controlando o mal estar surgindo por causa da bebida.
— Jimin… — soltou um suspiro, mantendo os olhos ainda no rosto dele. Tudo o que ele havia dito tinha sentido, mas não era possível que todo esse tempo o motivo era esse e ele nem ao menos teve um momento para contar a verdade. — Olha, não sei o que falar…
— Bebe, meu amor e minha vida. — Ele puxou a garota contra o seu peito. Um choque involuntário percorreu por todo o seu corpo e Jimin apenas sorriu sabendo que era essa a sensação que sentia toda vez que tinha a garota em seus braços. Esse choque, esse contato e essa vontade descontrolada de abraçá-la a cada minuto. — Te amo tanto, tanto e eu fui um medroso.
— Por que você não confiou em mim? — Ela questionou, envolvendo os braços contra o corpo dele.
— Sempre confiei em você, mas nunca tivesse a confiança necessária em mim para cuidar e proteger você de toda essa loucura. — Ele estremeceu, buscando coragem para dizer tudo o que estava sentindo.
— Amor, você não precisa me proteger do mundo. Estamos juntos para proteger e cuidar um do outro. — Ela fechou os olhos, sentindo o calor do corpo dele contra o dela. Essa era a sensação que ela estava pedindo durante todas essas semanas, novamente sentir-se nos braços do homem que tanto ama. — Não vamos deixar a nossa história ter um final triste desse. Deixa eu cuidar e proteger você também de tudo isso.
— Nossa história?
— Sim, nossa história. — Ela confirmou, agora sorrindo.
— Ainda tenho chance?
— Você sempre teve qualquer chance, Park Jimin. — Lentamente ela subiu as mãos e Jimin sentiu um frio percorrendo por toda a extensão das suas costas. — Principalmente quando você está apenas de toalha.
— Não tente abusar de mim. — Ele sorriu, agora empurrando um pouco tomando uma distância do corpo dela. — Toalha ou sem toalha, eu só quero saber de você do meu lado.
— E eu só quero isso. — Ela confessou, encostando os lábios no dele.
— Como é possível eu te amar dessa maneira? Será que é uma doença? Você me deixa completamente apaixonado a cada minuto. — Ele disse, sorrindo abertamente com uma das mãos agora acariciando a pele do rosto dela. — Fica comigo?
— Todos os dias? — Ela perguntou, sentindo parte do seu corpo estremecer ao toque dele. A maneira que seu coração estava batendo a estava deixando nervosa. fechou os olhos, deixando que o clima daquela noite trouxesse a tona todas suas emoções e sentimentos.
— Eu só quero você. — Jimin confessou, agora lentamente envolvendo os braços no corpo dela. — Nada, nada além de você.
— Como isso tudo é real? — Ela ainda não conseguia acreditar que tudo aquilo estava acontecendo.
— Eu sou real.
— É? — Ela apertou fortemente o braço dele.
— Quantas vezes vai ser necessário eu me declarar? — Jimin forçou os braços ainda mais ao redor da cintura dela. — Posso ficar dessa maneira a noite toda, mas eu tenho outros planos em mente.
— Eu quero você a noite toda.
— A noite toda? — Ele soltou um suspiro longo.
— Eu amo você, Park Jimin. Sempre amei e vou continuar amando. — vacilou por alguns segundos ao falar daquela maneira e suas pernas começaram a tremer. O ritmo do coração dele acelerou e ela pôde escutar aquilo ao notar a sua expressão mudar. — Não existe outra pessoa nos meus pensamentos, no meu coração e em toda a parte que existe do meu corpo.
— Outch… — Jimin não foi capaz de nenhuma palavra a não ser emitir um som qualquer. Ele sorriu, perdendo-se em pensamento ao escutar toda aquela declaração.
— E minha resposta é sim. Eu quero ficar com você. — Foi a vez da garota sorrir. O sorriso que Jimin estava precisando naquela noite. — Especialmente nessa noite. Não me lembro da última vez que eu vi você tão lindo desse jeito. — Ela elogiou, notando a maneira que seu cabelo estava, seu perfume, a cor de seus lábios. — Sempre tive algumas fantasias por um homem assim só de toalha.
— Fantasias? — Ele abriu a boca, surpreso. — Posso realizar todas.
— Eu sei que você pode. — Ela beijou a ponta do nariz dele carinhosamente. — Sei também que você é capaz de muita coisa na cama.
— Hum. — Ele puxou o corpo dela para perto, deixando o espaço menor. A toalha estava começando escorregar e ele nem ao menos ligou para esse pequeno detalhe. Jimin sabia que ali não era o local exato, mas estavam sozinhos e ninguém iria entrar naquele escritório. — Diz que me ama. — Ele pediu.
— Amo você. — Ela disse com o rosto muito perto do dele. — Amo toda e qualquer parte que existe em você.
— Toda parte? — Ele sorriu malicioso.
— Toda. — Ela murmurou, aproximando do ouvido dele. — Cada centímetro que eu tenho direito.
— Você me deixa… — ele então segurou o rosto dela com uma das mãos e foi aproximando-se lentamente. O coração da garota começou a bater descompensado, esperando por aquele momento. Jimin acariciou a bochecha dela com o polegar e uma fração de segundo os lábios se encontraram em um beijo doce, suave e cheio de saudade. Sentir aqueles lábios macios dela, a respiração quente e úmida e a textura da sua pele novamente fez com que ele se desligasse totalmente de tudo a sua volta. O que ele mais queria estava bem ali. Tudo o que sempre desejou estava finalmente em seus braços.
— Louco? Apaixonado? — A mão dela subiu para o rosto dele, envolvendo seu pescoço e nuca e ele pressionou os lábios mais fortemente contra os dela. Ele não entendia, mas ela conseguia deixá-lo louco com um simples beijo. Delicadamente ela se afastou alguns centímetros, e o encarou. De início ele não entendeu, mas quando olhou mais atentamente para o fundo daqueles olhos, pôde ver que ela ardia de desejo, exatamente como ele e então deixaram que aquele sentimento os dominasse. Ela então jogou os braços ao redor do pescoço dele e emaranhou a mão em seu cabelo puxando o rosto dele contra o dela.
Aquele beijo foi quase como o primeiro: seguro, decidido e ardente. Jimin deslizou as mãos para as costas dela, passeando os dedos sobre a blusa e sentindo como o corpo dela reagia ao seu toque. Apesar de estarem em um lugar que a qualquer momento alguém pudesse atrapalhar, nada estava sendo reprimido ou impedido. As mãos dele exploravam cada parte dela e nesse meio tempo ela havia começado a explorar seu corpo, desenhando os músculos das costas dele e depois descendo e voltando a subir, dessa vez pela frente do corpo, delineando o seu abdômen e peitoral.
— Que se dane! — Jimin disse, puxando a toalha para baixo. Ele já não tinha muito mais controle sobre suas mãos, e quando viu já estava suspendendo a garota pelo quadril e caminhando com ela em seu colo para a mesa do lado oposto do escritório.

Já havia passado mais de duas horas do incidente e Kook e J-Hope agora estavam dormindo profundamente enquanto Jin e Rap Monster ainda estavam trancados no quarto, conversando sobre algo muito urgente com Dak-ho. Ele não estava muito feliz e nem bravo com o que Jimin tinha feito, mas por questão de nível superior ele compreendeu que a situação era bastante delicada e que ele não teria feito nada de diferente se estivesse no lugar do garoto. E em breve conversa com todo o grupo ele passou algumas informações necessárias e pediu gentilmente que todos fossem à delegacia, principalmente e por serem donas do Mugyodong. Ele também pediu para que contasse para o policial sobre o assédio que havia sofrido naquela noite e que apenas omitisse a agressão para que Jimin não fosse acusado e nem exposto ao público.
Dak-ho comentou também que passou detalhes do ocorrido para o policial e que Min-ki ao acordar ia ser levado para depor na delegacia para explicar o que estava fazendo aquela hora da noite em uma rua deserta com a garota. Talvez ele não fosse preso, mas Dak-ho aconselhou que para a proteção da garota ela pedisse uma ordem judicial para que ele ficasse longe o máximo possível. Não iria fazer com que ele deixasse de persegui-la, mas era uma arma para ser usada se algo mais grave acontecesse futuramente.
— O que vamos fazer? — perguntou preocupada ao ver o namorado, andando de um lado para o outro da cozinha. Suga estava impaciente, mau humorado e completamente transtornado com todos os acontecimentos. Ele não conseguia acreditar que uma pessoa era capaz de chegar ao extremo por conta de dinheiro e fama.
— Bebê, eu estou muito preocupado com o que aconteceu hoje. — Ele disse, caminhando até ela e segurando em seu rosto. — Esse cara atacou a porque queria uma entrevista exclusiva, ele sabia e tinha todas as informações a respeito dela. Onde vive, onde trabalha e qualquer outra informação que ele conseguiu juntar durante essas semanas. — Ele disparou a falar e foi notando a sua expressão ficar mais pesada. — Não adianta eu fingir que isso não aconteceu. Eu fico imaginando o que teria acontecido se o Jimin não tivesse chegado na hora. Ou simplesmente o que eu faria se fosse com você? Como você quer que eu fique? Quer eu fique tranquilo?
— Bebê, não aconteceu nada de ruim. — Ela tentou tranquiliza-lo, mas sabia que era inútil porque também estava do mesmo jeito. Aflita e com medo. Aflita por não saber o que iria acontecer na delegacia e com medo que ele voltasse no restaurante e fizesse algo com ela, ou . — Tudo ocorreu bem, está bem. Eu estou bem os meninos estão bem e nada mais vai acontecer essa noite.
o problema não é esse. — Ele abaixou o rosto, soltando um longo suspiro. — O problema é que ele não vai desistir dela e nem do grupo. Você não entende do que essas pessoas são capazes de fazer para conseguir uma matéria assim. Essa é a vida deles e tudo depende de um furo de reportagem certeiro para eles decolarem em cargos enormes e de maior abrangência em um site de fofoca. — Suga estava frustrado e ao mesmo tempo irritado por se sentir culpado naquela situação. Tudo era culpa dele, Jimin, Taehyung e de todo o grupo. A culpa pela carreira, pela fama e por trazer todos esses olhares curiosos de paparazzi para pessoas do seu convívio. — Ele quer expor a vida do Jimin, ele quer ver esse amor em pedaços. Porque uma história de amor vende mais do que qualquer outra coisa. E saber que Park Jimin está em um relacionamento escondido depois de assumir em uma coletiva de imprensa nacional que não estava envolvido com alguém é exatamente o furo perfeito para acabar com o grupo e vender revistas durante um mês inteiro.
— Suga, não podemos deixar isso abalar nosso relacionamento.
— Eu estou abalado, . Entenda isso. — Suga colocou uma das mãos na cabeça e a outra na cintura. Tudo o que mais queria era ser capaz de protegê-la e também proteger todas as outras duas garotas. O medo era enorme e agora ele não pensava em deixar sozinha sequer um minuto. Nada mais seria do mesmo jeito e o relacionamento que existia entre eles estava prestes a tomar um rumo totalmente diferente e inesperado. Ele não podia mais fingir que não estava acontecendo nada e que tudo ficaria bem do dia para a noite. Não era assim e agora compreendia o que todos estavam alertando. Agora mais do que nunca conseguia enxergar o perigo e o desespero naquele relacionamento. A vantagem e a desvantagem de ser mundialmente conhecido e ter a sua vida sendo vigiada a cada minuto. E o perigo que era para as pessoas em sua volta conviver com isso. — Era disso que o Jimin sentia medo, esse tempo todo ele correu e terminou esse relacionamento porque não queria que acontecesse de nenhum fotógrafo ou site de fofoca encontrar e descobrir sobre esse envolvimento. Eles destroem a pessoa, vida, carreira e qualquer outra coisa que existir.
— Suga…
— Não, . — Agora ele tapou a boca dela com uma das mãos e com a outra segurou a garota pela cintura. — Olhe dentro dos meus olhos e veja o quanto eu estou preocupado, o pânico que percorre todo o meu corpo. Ele foi sem pensar, ele foi querendo algo e tentando cumprir um objetivo. Vocês estão cada dia mais expostas por estarem envolvidas com alguém famoso.
— Suga, não começa…
— Não estou começando nada. Eu apenas estou sendo realista e enfrentando isso da maneira que Taehyung sempre enfrentou, ele sempre teve receio de assumir o que sente pela . — Ele começou o desabafo, não achando necessidade dar espaço para que ela tivesse alguma reação. Claro que a essa altura Taehyung e Jimin não se importavam mais de esconder isso de ninguém. Principalmente Jimin que estava há horas trancado com dentro do escritório. — Jimin terminou o relacionamento depois que a foi atacada e agora ela foi atacada novamente, como você quer que eu me sinta? E sabendo que tudo isso pode acontecer com pessoas que eu amo? Acontecer com você que é minha vida, meu amor e minha paixão?
— Amor. — Ela tentou chamar a atenção dele. Suga começou a chorar e não soube o que fazer para que ele não ficasse daquela maneira. — Suga, eu te amo e nada vai acontecer comigo.
— O que adianta eu te amar? O que adianta esse amor? — Ele questionou, agora a puxando para perto do seu corpo. — Esse amor não vai ser necessário e nem usado como arma se você estiver em uma situação que corre perigo de vida. Pelo contrário. — Ele sentiu lágrimas escorrendo por seus olhos. — Esse amor é o único motivo que pode fazer você se machucar de verdade.
— Olha pra mim. — Ela pediu, agora afastando um pouco o corpo do dele. — Eu te amo e isso pra mim basta, isso é necessário para ser usado como arma contra tudo e todos. — segurou o rosto dele entre as mãos sem desprender o olhar do rosto dele. Apesar de saber que Suga não estava errado e por mais que quisesse sentir a segurança daquelas palavras, ela nem ao menos acreditava nelas. E sabia também que era questão de horas para que soubesse de tudo isso e começasse a surtar por causa do ocorrido. — Eu tenho você para me proteger e o Jimin tem a
— Ah? — Suga não entendeu.
— Quer dizer, a tem o Jimin para protegê-la. — Ela corrigiu, lembrando que às vezes confundia e duvidava da virilidade dele. — tem o Taehyung e todas nós temos também o Rap Monster, J-Hope, Jin e Kook. — Ela completou, lembrando-se de todos. — Não preciso me preocupar e nem preocupar com as meninas porque temos os homens mais fortes do mundo do nosso lado. — Ela tentou não rir.

— Eu sei que não podemos confiar no J-Hope, mas eu tenho que pelo menos não esquecer do bichinho.
— J-Hope é o primeiro a sair correndo. — Suga disse, baseando no último fato que lembrava de J-Hope fugir de uma confusão em uma boate. Aos poucos ele foi deixando que aquela angústia ficasse para trás. — Ele é o primeiro que grita e o primeiro a correr também.
— Que homem frouxo!
— Posso pedir uma coisa? — Ela fez carinha triste, esperando que isso fosse necessário para quebrantar o coração da garota. apenas levantou uma das sobrancelhas esperando que ele continuasse com o pedido. — Hoje eu quero todo mundo dormindo lá em casa, não me importa se é o nosso fim de semana sem ninguém por perto. Eu preciso saber que todo mundo está seguro.
— Eu concordo com isso.
— Vamos chamar os outros e ir embora? — Ele perguntou, sentindo um cansaço enorme pelo corpo.
— Chama que eu vou ligar para a e ver se está tudo bem. — Ela comentou, buscando o celular no bolso. — Alguém sabe o que está acontecendo com a e o Jimin?
— A última vez que eu soube deles foi quando o J-Hope estava com o ouvido na porta do escritório tentando escutar alguma coisa. — Suga gargalhou. — Como o J-Hope existe?
— Sexo? — abriu a boca perplexa.

— Ai meu deus! — Ela balançou a cabeça, tentando tirar todos aqueles pensamentos da cabeça. Principalmente a imagem da amiga explorando e usando cada parte daquele escritório. — Que nojo. Eu nunca mais vou sentar naquele sofá.
— Sofá? Pensei que você fosse falar que nunca mais iria usar aquela mesa. — Suga tentou não rir alto, mas foi impossível ao escutar o som de espanto que surgiu da boca dela. Antes de ir atrás do grupo, ele puxou a garota pela cintura e lentamente iniciou um beijo selando todo o carinho, respeito e amor que sentia por ela. — Eu vou te proteger a qualquer custo. — Ele prometeu sabendo que hoje era apenas o começo da enorme confusão que iria se iniciar quando o dia finalmente clareasse.


Capítulo 9

passou os olhos por todo o rosto de Jimin, analisando atentamente cada detalhe enquanto era levada em seu colo para a mesa principal do escritório. Jimin estava com os cabelos levemente molhados e bagunçados, os olhos atentos a cada movimento dela e finalmente sua atenção foi direcionada para a boca dele, que estava aberta num sorriso atraente e provocante. Aquele maldito sorriso que tinha um domínio fora do normal sobre ela. Com aquele sorriso ele conseguia conquistar não somente ela como o mundo todo. E ele sabia disso, por isso estava sorrindo e mordendo o lábio daquela maneira.
— Vai ficar com esse sorriso maravilhoso? — Ela conseguiu perguntar depois de um momento.
— É por sua causa. — Ele respondeu pretensioso.
— Isso também é por minha causa? — Ela perguntou, olhando em direção ao abdômen dele. sabia que apelaria para coisas sexuais, na tentativa de mostrar para Jimin que não ficaria impressionada com aquele ABS e muito menos com a animação que estava. Sem contar no sorriso, nas mordidas ou em qualquer outra parte daquele corpo que ela não conseguia desviar a atenção.
, eu fico excitado só de falar o seu nome. — Jimin respondeu sincero e se surpreendeu, denunciando exatamente o que estava tentando esconder. — Qualquer parte do meu corpo fica esperando um contato com o seu, minha boca, minha língua e principalmente “ele” roçando contra as suas coxas.
— Quando você fala desse jeito... — Ela o encarou, umedecendo os lábios, sentindo o coração pular com aquela declaração e a excitação percorrer por todo o seu corpo.
— Amor, eu só quero você. — Ele sussurrou por diversas vezes e ela não conseguiu resistir muito tempo a toda aquela provocação, atacou-o novamente com desejo, com urgência, com sede; e ele retribuiu na mesma intensidade. Apoiou com uma das mãos o corpo dela para que sentasse na beirada da mesa e a outra levou para a nuca, puxando-a para mais junto ainda do seu corpo. Ambas as línguas se encontraram e os lábios voltaram a se completar, ela sentiu um tremor por todo o corpo com aquele contato e finalizou o beijo com uma mordida leve em seu lábio inferior.
— Só eu? — Ela quis saber com dificuldade e Jimin sem responder, apenas puxou levemente o cabelo da nuca dela. — O quanto você me quer? Muito? Do mesmo jeito que eu te quero? — Ela voltou a provocar, deixando Jimin respirar fundo e notar aquela provocação.
— O que acontece comigo quando fico assim com você? — Jimin perguntou olhando diretamente nos olhos da garota, como se estivesse lendo os pensamentos dela ele mesmo voltou a responder. — Eu quero você em qualquer momento e em qualquer lugar possível.
— O que você está esperando, Park Jimin? — Ela o encarou fixamente, umedecendo os lábios outra vez.
— Esperando você calar a boca e me deixar morder, lamber e chupar você inteira. — Finalmente ele respondeu, agora juntando a outra mão no cabelo dela e puxando o rosto da garota para mais perto. — Cala a boca, me deixa fazer o que eu quero.
— Qualquer uma dessas opções com você é maravilhoso. — Ela confessou, subindo as unhas para as costas dele. — Sua boca é algo que me deixa sem estruturas. — aproveitou o momento para arranhar e Jimin apenas contorceu o corpo um pouco, soltando um suspiro alto.
— Só a boca? E a língua? — Ele a encarava chegando mais perto.
— É outra coisa que me deixa atordoada. — Ela disse, não dando tempo para mais nada. Ele puxou o rosto dela de encontro ao seu e sua boca procurou pela dela urgentemente. O beijo foi quase feroz, com uma necessidade tamanha e cheia de saudades, como se um não pudesse viver sem o outro. Jimin percorria o pescoço, colo, voltando para a boca dela num desejo incontrolável. Ele forçava o seu corpo contra o dela e pôde sentir o quanto ele a desejava. Rapidamente deslizou a boca para o seu pescoço e deu uma leve mordidinha no lóbulo da sua orelha. Jimin soltou um gemido de prazer e jogou o corpo sobre o dela, fazendo-a se ajeitar no pequeno espaço da mesa e prendendo-a ali com o peso do seu corpo. Ela envolveu suas pernas em volta do quadril dele, forçando ainda mais seu corpo de encontro ao dele e arranhou suas costas com as unhas. Ele deslizou a mão por baixo da blusa dela, sentindo sua pele macia e quente se arrepiar, começou ferozmente a subir a mão, fazendo menção de tirar a peça de roupa e foi bem nessa hora que alguém abriu a porta interrompendo a carícia.
— J-HOPE, SAI DAQUI! — Jimin gritou entrecortado, enquanto ela berrou ofegante um “agora não” e J-Hope nem ao menos se mexeu.
— Foi mal, pessoas, mas temos que ir embora. — J-Hope disse girando um pouco a cabeça para tentar enxergar melhor o que estava acontecendo em cima da mesa. — Você pelado desse jeito pode pegar um resfriado, Jimin.
— PARA DE FICAR OLHANDO, J-HOPE! — Foi a vez de gritar ao ver que Hope ainda estava com os olhos voltados para as costas de Jimin.
— Nem liga, não tem nada novo que eu já não tenha visto. — Ele respondeu, balançando a mão no ar. — Vamos embora, vocês podem terminar isso lá em casa. É um lugar quente, temos cama e é mais confortável.
Jimin tentou não rir da situação, olhou para e viu em seus olhos a mesma frustração que havia nos seus. Com muita má vontade, assim que J-Hope fechou a porta, levantaram e antes que pudesse se distanciar Jimin segurou em seu braço com força.
— Não pensa que terminamos. — Ele alertou puxando ela para o seu corpo, num último beijo cheio de terceiras, quartas e quintas intenções.
— Pra isso temos que amarrar o J-Hope em algum canto. — Ela riu, agora divertindo-se com a situação.
— Isso é o mínimo que eu vou fazer. — Jimin também riu.
Por alguns instantes Jimin pensou que a sua única chance era exatamente essa, encontrar J-Hope e amarrá-lo em algum canto para que não fosse capaz de atrapalhar mais ninguém.

O relógio da sala começou a tocar quando deu conta que já estava ficando bem tarde. Taehyung desesperado sumiu pela porta, não dizendo para onde estava indo e muito menos levou o celular para que ela pudesse ligar a cada segundo preocupada para saber onde ele estava.
— Como esse homem é complicado. — Ela resmungou, agora caminhando com as mãos na cintura. — O que custava levar essa droga de celular? Parece um louco. — Ela perdeu a paciência por completo, não imaginando o que levaria Taehyung a sair essa hora. — Droga! — Ela xingou e nem ao menos terminou de soltar outro suspiro frustrado ele apareceu, abrindo a porta com uma caixa preta em mãos.
— O que foi? — Ele perguntou, não entendo o olhar mortal que recebeu.
— O que você foi comprar? Ficou maluco? Quer que eu infarte?
— Fui comprar um item muito importante para a nossa noite. — Ele jogou a caixa para longe retirando o conteúdo e balançando no alto. — Agora podemos começar a nossa noite.
— Não acredito, Taehyung. — tentou não rir ao vê-lo colocar em seu pescoço uma gravata. Não era possível que a saída dele na rua era para comprar justo esse item que estava maravilhoso em seu pescoço. — Realmente, não poderia ter ficado mais maravilhoso do que isso.
— Não podemos começar essa noite se o Kit não estiver completo. — Ele ajeitou no pescoço e em seguida jogou o cabelo para o lado. Taehyung sabia sobre a diferença de estar com aquela gravata e estar sem ela ou qualquer outra peça de roupa. — O que mais você quer que eu faça?
— Você nem imagina, Taehyung. — deu pequenos passos em direção à ele. — Não consigo nem dizer o que eu quero de você e nem o que eu vou fazer com essa gravata.
— Será que eu acredito? — Ele olhou provocando e colocando uma das mãos no queixo. rolou os olhos para o lado, buscando por palavras exatas e Taehyung apenas riu encurtando a distância entre eles. — Eu quero que você faça comigo, com a gravata, em qualquer lugar e em qualquer posição.
— Você vai ter que merecer tudo isso, Taehyung. — Ela deu uma risada debochada, agora segurando a gravata com uma das mãos.
— Sério? — Ele franziu a testa num misto de risada e incredulidade.
— Claro. — Ela apenas assentiu. Taehyung apertou o olhar ao dela, e em mente tentou pensar em uma resposta rápida para a provocação. — Então você apenas vai observar e eu só vou tocar e fazer alguma coisa quando escutar você implorar por isso.
— Nossa… — impressionada apenas riu divertida, sem desviar a atenção da boca dele. Um frenesi percorreu por todo seu corpo e ela não lembrava mais sobre o assunto, apenas fechou as mãos ainda mais contra a gravata puxando ele para perto do seu corpo. — Então faça eu implorar, Taehyung.
— Tudo bem, só se for agora! — Ele sem que ela esperasse puxou a garota, envolvendo sua cintura com os braços e pressionando o corpo dele contra o dela. — E deveria ser crime você ainda estar vestida dessa maneira. — Taehyung sussurrou em seu ouvido, colando o seu rosto ao dela. Um choque percorreu o corpo de e um arrepio desceu por sua coluna ao escutar aquela voz grossa e desejada tão próxima assim.
— E deveria ser crime falar dessa maneira sedutora no ouvido de alguém distraído. — Ela respondeu também com a boca perto do ouvido dele. — Você corre o risco de sair dessa brincadeira com muitas marcas.
— Não me importo com as marcas. Só me importo se você for fazer com a boca, porque é com ela que eu quero. — Ele deu aquele sorriso torto e maravilhoso que deixou ainda mais descompensada. — Em qualquer lugar que você quiser me marcar. — Ele acrescentou, notando a respiração dela ficar mais acelerada.
Ela passou os braços em torno do seu pescoço e ele estreitou os braços em volta da cintura dela, colando ainda mais os corpos um ao outro. Taehyung voltou a deslizar a boca até a orelha dela, dando uma leve mordidinha no lóbulo e isso fez com que ela soltasse um pequeno gemido baixinho, depois veio roçando os lábios e o queixo, pela mandíbula até que encontrou os lábios de . O beijo era necessário, intenso e delicioso ao mesmo tempo. A língua de Taehyung se encontrou com a dela e intensificaram o beijo, reconhecendo e moldando um a boca do outro.
afastou um pouco dele, voltando a subir uma das mãos para a gravata e sem que Taehyung esperasse por aquele comportamento, ela deu alguns passos para trás, tomando distância ainda mais e puxou a gravata em seu pescoço.
... — Ele ofegou, sabendo que o caminho que ela estava fazendo era para o quarto.
— Shi! Cala a boca. — Ela pediu colocando um dos dedos nos lábios e ordenando que ele ficasse em silêncio. Ao entrar no quarto notou que a pouca iluminação do ambiente vinha apenas de um abajur e ela caminhou ainda o segurando pela gravata, parando exatamente aos pés da cama. — O que eu posso fazer com você?
— A pergunta é… — Ele agarrou ambos os pulsos dela, levantando na altura do rosto e depois baixando. — O que eu vou fazer com você, agora. — Taehyung empurrou o corpo dela com força e caiu de costas na cama. — Cala a boca e deixa eu te mostrar como eu vou fazer te implorar.
Ele cuidadosamente foi para cima da cama e passou uma das pernas de cada lado do corpo de , fazendo que ela tivesse exatamente a visão que ele queria. Com a ajuda e apoio do joelho tomou cuidado para não pressioná-la com o seu peso e lentamente começou a desabotoar alguns botões da sua camisa.
— Taehyung… — Ela tentou falar, mas foi interrompida quando ele tapou os lábios dela com um dos dedos. Com um movimento rápido em uma única mão, ele tirou aquela peça, deixando o seu peito a mostra e a gravata ainda permanecia no mesmo lugar. Taehyung mordeu o lábio num meio sorriso e o vislumbre daquele tórax fez com que sentisse um arrepio surgir por toda parte. Ele avançou para o seu pescoço, lambendo e beijando cada centímetro de pele ali, provocando sensações e reações involuntárias e ela soltou um gemido baixo, cravando as unhas em suas costas.
— Você quer me ouvir gemendo seu nome? — Ela perguntou com certa dificuldade ao sentir os lábios dele explorando seu pescoço, e indo rapidamente para a orelha. — Taehyung, eu posso gemer…
— Ainda não é a hora. — Ele sussurrou, mordiscando o local, sua língua quente e úmida fez com que ela engolisse seco e seu único pensamento foi que não iria demorar muito para que ela implorasse por ele.
Ambas as respirações começaram a ficar ofegantes e então ele deslizou uma das mãos para a blusa dela e surpreso com aquela reação, foi mais rápida e puxou a blusa com toda velocidade para cima mostrando, o sutiã roxo rendado. Taehyung soltou um longo suspiro ao observar aquele sutiã e voltou com a boca para a dela em outro beijo urgente, quente e prazeroso. Ele afastou a boca da dela e mordiscou seus lábios, puxando com todo cuidado com os dentes para que não machucasse a garota, suas mãos estavam apoiadas ao lado do corpo dela e pôde notar como ali existia alguns músculos que não tinha percebido antes. Ela abriu os lábios em um sorriso de prazer com aquilo e jogou os braços novamente em suas costas, passando a ponta dos dedos explorando cada centímetro que fosse possível alcançar. Vez ou outra passando as unhas, de leve, só para sentir a pele dele se arrepiar e um leve gemido sair por sua boca com aquele toque. Então para retribuir aquela provocação ele decidiu explorar meu ombro, colo e foi descendo, com trilhando com os lábios e a língua até chegar na região abaixo do meu umbigo.
— Kim Taehyung…
— Temos tempo de sobra, não precisamos ter pressa. — Ele disse com os lábios contra o umbigo dela. — Deixe-me apenas saborear você. Ele liberou as mãos ao passar os dedos sobre seus quadris, então ele
puxou levemente, baixando a calça jeans até que sua calcinha branca ficou exposta. — Maravilhosa. — Ele disse novamente. — Sua pele é tão suave aqui. — Ele correu um dedo levemente em seus quadris. — E aqui.
Ele atravessou seu estômago lentamente, tomando o tempo para
mergulhar o dedo um pouco abaixo do umbigo. — Eu quero tocar em você, cada centímetro.
Ela olhou em seus olhos e viu o calor lá que combinava com seu próprio.
— Sim, por favor.
Ela pegou suas mãos, só para ele agarrar seus pulsos novamente. Então,
ele sorriu para ela e balançou a cabeça.
— Você está implorando, ? — Taehyung provocou, sabendo a resposta. Ela queria ser capaz de protestar, mas então sem ao menos esperar ele ajoelhou-se no chão, puxando o corpo dela para a beirada da cama. Outro sorriso em seus lábios e ela apenas não foi capaz de dizer nada, um frio começou a percorrer por todo o corpo, e Taehyung abaixou a cabeça novamente, passando a boca onde seus dedos acabaram de estar. — Agora você pode gemer. — Ele pediu, sorrindo enquanto descia a minúscula calcinha com uma das mãos.
, sentindo uma onda de prazer, agarrou com força o lençol quando a boca dele mergulhou mais baixo. Ela pensou que ficaria louca de desejo. Taehyung, sem dizer outra palavra, colocou a cabeça por entre as pernas dela e chupou cada parte da sua intimidade. Quando escutou um gemido abafado, deslizou dois dedos dentro dela, e começou a brincar explorando cada parte daquela região. Fez com a língua para cima e para baixo e em outra fazendo movimentos circulares com o dedo. Brincando com o prazer dela, Taehyung insistiu em lamber e chupar o local para que ela sentisse ainda mais o calor toda vez que sua língua encontrasse com seu clitoris. contorceu-se sob seu toque dominante, e pediu para que ele fosse mais rápido. Quando ele chupou e segurou a sua intimidade entre os lábios, seu quadril levantou-se imediatamente da cama e ela conteve o grito que estava prestes a sair por sua boca.
— Ainda não, . — Taehyung, sem ao menos esperar que ela soltasse outro gemido, puxou a garota pela cintura e com todo cuidado a colocou de costas no colchão. Desabotoando rapidamente o zíper da calça, jogou-a junto com sua cueca para longe do campo de visão.
— Agora você me faz gemer de verdade, Kim Taehyung. — Ela ordenou, enrolando a gravata com os dedos e puxando o rosto dele de encontro ao seu.
— Eu preciso de você. — Ele disse finalmente, sussurrando muito baixo e apertando seu corpo contra o dela.
Os movimentos foram lentos no começo, mas logo ficaram mais intensos e fortes. conseguiu sentí-lo pulsando de prazer enquanto ela já não controlava mais os gemidos e ele também não se preocupou em não demonstrar o quanto estava excitado gostando daquilo. O corpo dela começou a tremer, de desejo, necessidade e ela cravou as unhas em suas costas e ele jogou a cabeça para trás quando sentiu que não aguentava mais segurar o prazer, sensações, emoções e todos os sentimentos que começou a sentir ao tê-la daquela maneira que tanto desejou.
— Kim Taehyung… — Ela gemeu alto e claro quando a última sensação e o frenesi começou a tomar conta do seu corpo. Quando não conseguiu controlar mais, ela arqueou as costas e deixou o prazer consumi-la totalmente. Taehyung soltou um longo e prazeroso gemido e ao vê-la tremer contra o seu corpo começou a sorrir e ainda na mesma posição, voltou a beijá-la mais uma vez e então colocou sua boca em seu ouvido sussurrando.
— Eu te amo. — Ele afastou-se por alguns minutos e olhou dentro dos olhos dela demonstrando o amor, desejo que queimava dentro do seu coração. Demonstrou naquela simples declaração o quanto ele esperava por aquele momento e ansiava por dizer aquelas palavras de uma vez por todas. — Eu te amo, sempre te amei.
— Eu amo você. — Ela repetiu, com toda verdade e felicidade que sentia naquela hora. Seu coração batia desenfreado e então sentiu novamente os lábios dele contra os dela.
— Minha felicidade ficou completa. — Ele declarou agora descansando o rosto contra o peito da garota. não sentiu necessidade de falar nada, apenas acariciou o cabelo dele desejando que aquele momento nunca terminasse.

J-Hope entrou apressadamente no salão do restaurante com uma das mãos no peito e a outra passou na testa, tentando livrar-se do suor que estava escorrendo por todo o lado. Ele não sabia se estava nervoso, constrangido ou então muito assustado por ter visto aquela cena no escritório. Mentalmente desejou que não tivesse visto o que viu, e sinceramente que visão foi ver daquela maneira, e um pouco antes de entrar daquele jeito repentino jurou escutar a garota gemer bem baixinho o que o deixou totalmente perplexo nesse momento ao recordar daquele som que saiu pela boca dela. No momento quando viu a cena tentou não se importar, mas o seu coração deu um salto de repente e ele apenas fez o seu melhor teatro para não mostrar que estava curioso para saber o que mais a ex-namorada do amigo era capaz de fazer.
— Por que você tá suado desse jeito? — Kook perguntou curioso ao ver J-Hope surgir totalmente perdido e sem rumo.
— Olha, ver a bunda branca do Jimin é algo que eu nem sei explicar. — Ele respondeu um pouco desnorteado e tonto. — Não sei se foi a bebida, o calor ou se a cena que eu acabei de ver me deixou desse jeito.
— Que cena? — Jin curioso analisou a situação ofegante de J-Hope.
— Prefiro não entrar em detalhes. — J-Hope desconversou, agora pegando uma garrafa de água no freezer. — São muitos detalhes, mãos, bundas, gemidos e eu não tenho condições de listar o que mais me impressionou.
— Ele ainda ta bêbado? — perguntou, envolvendo Suga em um abraço apertado.
— Prefiro não descobrir. — Suga respondeu, segurando-a pela cintura e beijando levemente seus lábios. — Jimin e estão vindo, Hope? Precisamos ir embora.
— Ah, eu acho que eles vão demorar um pouco. — J-Hope agora pegou a garrafa gelada e desceu pelo pescoço numa tentativa frustrada de diminuir o calor que estava sentindo. — Eu vou para o inferno se possivelmente vi alguma parte que não deveria ver da namorada de um amigo? — Ele quis saber, perguntando baixinho para Kook que estava sentado em uma das cadeiras da mesa principal do restaurante.
— Namorada de quem você viu? A ? — Kook assustado, levou a mão na boca. Ele não soube se ainda estava bêbado ou então era J-Hope que não sabia o que falava. — Meu Deus, o que você fez, Hope?
— Eu? Nada. — Ele defendeu-se, agora passando a garrafa por dentro da blusa. — Fogo, calor e esse álcool ainda fazendo efeito.
— O que você está fazendo essa garrafa? — Jin questionou ainda curioso, não tirando os olhos do amigo. Principalmente quando notou que ele estava com uma garrafa passeando por todo o corpo.
— Cara, eu preciso dizer que vou para o inferno. — Ele confessou, agora largando a garrafa em cima da mesa. — Eu preciso desabafar, mas como eu começo contando o que eu vi? É muito pra mim.
— Você não tá normal. — Suga apontou para ele, vendo J-Hope não conseguir ficar sentado. — Por que você iria para o inferno? Por ter bebido?
— Bebido e visto o que eu não devia. — J-Hope acrescentou.
— O que você não deveria ter visto? — Todos perguntaram ao mesmo tempo. Hope levantou incomodado e colocou uma das mãos na cintura.
— Ele viu a minha bunda. — Jimin comentou, surgindo mais a frente enrolado na toalha. — E provavelmente deve ter visto as coxas da e eu espero que ele não se lembre muito dessa parte. — Ele riu ao ver J-Hope ficar sem graça. — Tudo bem, eu te perdoo pela empatada.
— Empatada? — levantou os ombros tentando entender o comentário, mas ao abrir a boca novamente olhou para que estava com o cabelo todo bagunçado. — AH! EU NÃO ACREDITO. — Ela andou até a amiga e apontou o dedo para o rosto dela. — Você vai limpar aquele escritório e me comprar uma mesa nova, não quero nem saber.
— Não aconteceu nada. — garantiu, passando as mãos pelo cabelo. — J-Hope entrou bem na hora e a única coisa que aconteceu foi e sentir o corpo do Jimin por cima e quando eu finalmente ia…
— UOU! DETALHES DEMAIS! — Kook colocou-se de pé agora, levantando as mãos para o alto. — Eu to bêbado e não surdo.
— Mas… — Jin olhou de Jimin para J-Hope tentando compreender o que estava acontecendo. — Você entrou no escritório sem bater na porta e flagrou uma cena de reconciliação? E ainda reparou na bunda do Jimin e nas coxas da ?
— Você repetindo essas informações em voz alta eu fico constrangido. — J-Hope tampou o rosto com as mãos, voltando a sentar-se. Ele estava ficando vermelho a cada instante ao escutar a risada de e Jimin um pouco mais a frente. — Não queria ter atrapalhado esse momento íntimo do casal. E nem ter visto…
— Tudo bem, Hope. — disse por fim, entrelaçando uma das mãos no braço de Jimin. — Vamos ter mais oportunidades dessa reconciliação, não vou deixar de usar todo esse corpo que eu tenho direito. — Ela delineou o peito dele com a ponta do dedo e ficou parada vendo ela descer o dedo lentamente para o abdômen dele.
— Que isso… — Ela piscou os olhos várias vezes com aquela imagem e só sentiu Suga puxá-la com força. — O que? Ahn? O que aconteceu? — Ela desnorteada não entendeu nada.
— Ajudei você a parar de ficar olhando para o abdômen do Jimin, e fecha a boca porque você está babando. — Suga foi direto, apertando a mão dela. riu do comentário e olhou para Jimin de relance mandando uma piscadinha para ele. — , eu não estou bêbado e muito menos sou cego.
— O quê? Não posso nem tirar um cisco do olho. — Ela ainda divertindo sobre o assunto começou a rir mais alto. Suga irritado e com ciúmes era uma das coisas maravilhosas desse relacionamento. Mas, não conseguiu esconder o espanto e o desejo quando viu que Jimin não tinha mudado nada durante todos esses meses. Principalmente o ABS que tanto era discutido em jornais, revistas e as fãs malucas e alucinadas quando ele levantava a camisa em diversos shows.
— Nós vamos ficar olhando para o Jimin pelado? — Kook rolou os olhos insatisfeito com aquela cena. Não era novidade nenhuma o que estava vendo, ainda mais sabendo que Jimin adora andar sem camisa pela casa o tempo todo.
— Não vejo problema nisso. — Jimin respondeu, pressionando a mão de ainda mais por toda a extensão do seu peito. Ele olhou para ela sorrindo maliciosamente e ela apenas retribuiu, o sorrindo mordendo o lábio inferior. — Não faz isso, amor.
— AI, POR FAVOR! — J-Hope gritou ao ver a cena e se agarrou a garrafa de água novamente.
— O que você tanto faz com essa garrafa? — Jin voltou a questionar ao ver o apego emocional que J-Hope estava desenvolvendo por ela.
— Eu li em algum lugar sobre esfriar o corpo com uma garrafa d'água. — Ele explicou não sabendo da onde pegou a referência. — Tem também o lance de você deixar no chão gelado da cozinha, mas não cheguei a esse ponto ainda.
— Eu lembro que eu li isso em algum lugar. Será que foi em alguma daquelas histórias de fãs? Como chama? — Jin apontou para J-Hope estalando os dedos. — Cara, eu lembro dessa referência e lembro também do triângulo amoroso.
— Que triângulo? — Foi a vez de Suga ficar curioso com aquele assunto. Vagamente em sua cabeça uma lembrança surgiu do assunto em uma noite que todos os sete estavam trancados no hotel esperando a pizza chegar. — Espera, você não tá falando daquela fanfic que o Jimin e o Kook disputam a mesma garota?
— ESSA! — J-Hope bateu palmas olhando para Suga.
— Eu e o Jimin ficamos quase uma semana sem olhar um na cara do outro depois de ler essa história. — Kook disse baixo, tentando não olhar para o amigo. — Não sei como essas garotas conseguem acabar com uma amizade linda e maravilhosa desse jeito. — Ele cruzou os braços, agora fazendo bico. — E olha, ainda mais achando que eu teria coragem de fazer tudo aquilo com o Jimin.
— Tá falando em pegar a garota dele ou ser um mal caráter de esconder a verdade? — Jin por dentro do assunto olhou para Kook voltando a trazer aquela discussão à tona. — Não lembro se terminamos de ler essa história, mas até onde eu li você foi bem desnecessário e sem vergonha.
— Do que vocês estão falando? Triângulo amoroso? Fanfic? Kook? Jimin? — encarou Jimin que agora estava rindo junto com J-Hope. Ela não entendeu nada sobre o que estava acontecendo e muito menos essa história que eles pareciam muito por dentro dos acontecimentos.
— Amor, é uma história que uma noite depois de tanto tédio a gente começou a ler. — Jimin segurou na mão dela, virando-se para a garota e começando a explicar. — Não lembro no momento o nome, mas eu lembro que a história é comigo, Kook e uma garota. — Ele falava pausadamente reparando na curiosidade nos olhos dela. — Eu sei que o Kook nessa história era um filha da puta comigo e escondeu o tempo todo que estava afim da minha garota. E depois eu peguei uma cena dele quase beijando ela no hospital, não lembro direito da história.
— Olha, eu não fui filha da puta. — Kook tentou não rir defendendo seu personagem fictício. — Eu tava afim da garota também. Mas, eu concordo que aquele Kook não devia ter mentido pra você daquela maneira. — Ele enrolou a língua se perdendo na explicação. — Não pra você Jimin, e sim pra você Jimin da história.
— E essa garota tava sendo disputada por vocês dois? — perguntou, apontando de Jimin para Kook. Na sequência colocou a mão na boca tentando conter o espanto. Suga lançou um olhar em direção a garota e ela simplesmente levantou as mãos andando para o outro lado do restaurante.
, eu sei o que você ia falar. — começou a rir e Jimin puxou ela pelo braço. — O que foi? Olha, eu te amo, mas essa garota ser obrigada a escolher entre você e o Kook, que situação complicada.
— O papo é muito bem vindo, mas podemos ir embora? — Suga cortou o assunto, olhando para fora ao ver as luzes do carro de Dak-ho. — Amanhã temos que ir na delegacia e não sabemos o que vai acontecer com essa história toda. Ainda nem avisamos o Taehyung sobre isso e tem a que provavelmente vai ficar surtada.
— Eu tentei ligar pra ele. — J-Hope coçou a cabeça com uma das mãos e a outra ainda ocupada segurando a garrafa. — Eu não entendi nada do que ele disse.
— Mas, o que foi que ele disse? — Jin andou até ele segurando com todo cuidado em seu ombro. Ele como sempre estava preocupado com todos os amigos e não podia deixar de se preocupar com J-Hope que ainda parecia não estar totalmente sóbrio.
— Alguma coisa “tocomabocaocupadateligodepois” tudo junto. — Ele respondeu imitando exatamente a voz de Taehyung ao telefone. — Pensei que ele tava no banheiro ou então comendo…
— Comendo. — balançou a cabeça com as mãos na cintura. — Literalmente comendo.
— Hoje essa noite vai ficar na história. — Jimin suspirou, envolvendo a cintura da com uma das mãos. — Vamos embora, ainda precisamos resolver uma história. — Ele sussurrou próximo do ouvido dela. — Preciso praticar algumas coisas com a língua.
— Eu disse que eu estou alcoolizado e não surdo. — Kook soltou um suspiro caminhando em direção a porta. Rap Monster entrou no lugar no exato momento e olhou para Jimin só de toalha e balançou a cabeça não querendo entender o que estava acontecendo naquele momento.


Continua...



Nota da autora: J-HOPE PELO AMOR DE DEUS PARA DE SER EMPATA FODA! Alguém arruma uma namorada pra ele?
Um dos meus capítulos preferidos porque simplesmente AMO. TAEHYUNG DE GRAVATA, CENA RESTRITA COM ISSO E REFERÊNCIAS DE LOVE IS NOT OVER NESSA ATUALIZAÇÃO!

Soltei um spoiler de LINO também e adorei cruzar as histórias dessa maneira hahaha.
Enfim, espero que vocês gostem dessa atualização e DO FUNDO DO CORAÇÃO, OBRIGADA POR TODOS OS COMENTÁRIOS, MUITO AMOR POR TUDO MUNDO DE VERDADE.

Kalinny, miga! Toma a sua cena HAHAHAHA #JIMINTEQUERO #HOPEPARADEEMPATARAFODA #JIMINDETOALHA #TAEDEGRAVATA



SHORTFICS:
01. Call Me Baby [Ficstape #062: EXO – Exodus]
03. Best Of Me [Ficstape #070: BTS – Love Yourself: Her]
03. This Is How I Disappear [Ficstape #068: My Chemical Romance – The Black Parade]
04. Permanent Vacation [Ficstape #067: 5SOS -Sounds Good Feels Good]
07. Let’s Dance [FICSTAPE #065: Super Junior – Mamacita]
Hug Me [Doramas – Shortfics]

EM ANDAMENTO:
Love Is Not Over [KPOP – Restritas – Em Andamento]
Let Me Know [KPOP – Restritas – Em Andamento]
I NEED U [KPOP – Restritas – Em Andamento]


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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