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Finalizada em: 27/07/2020

Prólogo


NOVEMBRO - 2018


Eu ainda vou me casar com você. — , o americano que tinha conhecido em poucas horas, disse ao levantar-se do seu lado estufando o peito antes de beber o último gole de sua cerveja e jogar a garrafa andares abaixo de seus pés, assistindo o vidro quebrar ao chocar-se ao chão.
apenas riu, levantando-se ao segurar na mão de , ficando frente à frente com aquele homem que tinha pequenas covinhas no final do seu sorriso.
— Você me conheceu não faz nem vinte e quatro horas — constatou negando com a cabeça, aquele com certeza era o cara mais louco do planeta.
Quem se casaria com uma pessoa que acabou de conhecer?
estava de passagem por Nova Iorque quando resolveu aventurar-se sem sua irmã mais velha pela noite na cidade que nunca para. era barman de um pub e, ao fim do seu expediente, deu de cara com perdida, sentada na sarjeta choramingando e tentando chamar um uber para que a levasse ao hotel.
Hotel da rua que ela não fazia ideia nem do nome.
Foi assim que os dois passaram o dia todo perambulando pelas ruas de Nova Iorque, não era o melhor guia turístico, mas acabou apresentando todos os pontos turísticos para a mulher, que era do interior e acabou se encantando por cada pequeno detalhe da grande metrópole que chamava de lar.
— Em menos de vinte e quatro horas, foi o suficiente para eu te levar conhecer boa parte da cidade — apontou para os prédios em sua frente fazendo a mulher admirá-los novamente, imensamente feliz. — E me apaixonar por você, deixa eu ir embora na sua mala, ?
— Está falando isso só porque quer me levar para cama — disse parecendo óbvio e o americano colocou a mão no peito olhando-a como se estivesse ofendido com as suas palavras.
Ela não precisava de uma jura de amor naquela altura do campeonato, ela só precisava que ele tomasse a iniciativa em beijá-la.
— Como pode achar isso de mim? — perguntou ainda falsamente ofendido.
revirou os olhos com todo aquele drama.
— Não precisa de um pedido de casamento para isso acontecer, só um beijo já é um ótimo começo, sabia? — piscou voltando a se sentar, dando a deixa perfeita para o que vinha a seguir.
riu, voltando a se sentar do lado da mulher, segurando seu rosto entre suas mãos selando os lábios com o da mulher rapidamente em um selinho, afastou-se subindo os olhos dos lábios até fixar-se com os de como quem pedia permissão para que tudo acontecesse e antes mesmo que ela pudesse provocá-lo levou o polegar aos seus lábios.
— Guarde o que eu estou te falando, — tomou a liberdade para lhe apelidar, passando a mão livre por seus cabelos. — Esse beijo é apenas o começo da nossa longa história — piscou confiante antes de beijá-la com urgência.


Capítulo Único


JUNHO - 2019

estava de bobeira jogando despreocupadamente o seu jogo da Kim Kardashian no celular quando resolveu que estava na hora de parar de procrastinar na cama. Levantou-se desajeitadamente por conta do seu tamanho, andando até a cômoda, puxando uma das toalhas guardadas e seguindo para o banheiro ainda terminando um job importante da sua personagem no jogo.
Quando apareceu um anúncio no jogo, já dentro do banheiro aproveitou para deixar o celular de lado para começar a encher a banheira.
TURNER — gritou aos quatro ventos ao tomar um susto daqueles, bem de longe conseguiu ouvir o rapaz responder algo que ela não fazia ideia do que era. — TRATA DE TIRAR ESSE BICHO DAQUUUUUUUUUUUUUI! — gritou novamente ao puxar a cortina do box do banheiro mais para o lado na intenção de impedir que Petrix, o lagarto de estimação de , subisse pela mesma dentro da banheira.
Não demorou nem dois minutos para entrar no banheiro correndo com a cara de quem tinha acabado de ver um fantasma de tão assustado.
Olhou para a banheira percebendo que a gritaria se tratava e voltando o seu olhar para mulher com cara de poucos amigos.
— Se você quer me matar do coração, , VOCÊ AVISA — ralhou com a mulher. — Eu achei que você estivesse entrando em trabalho de parto, maluca.
— Você andou cheirando as latas de tinta de novo? Tá’ maluco? — disse se referindo ao trabalho de parto, era muito cedo para o seu bebê vir ao mundo. — Eu só quero que você tire esse bicho daqui e o guarde na gaiola.
— Calma, meu amor — suavizou o tom de voz, sabendo que aquilo irritaria mais ainda sua mulher. — Não precisa ficar tão estressada — o sangue e os hormônios à flor da pele de borbulharam em menos de segundos.
— Eu ODEIO você — gritou ao sair do banheiro afastando-se de , que havia pego o lagarto em suas mãos o levando para fora do cômodo.
— Você acha mesmo que eu aceitaria vir morar nesse fim de mundo contigo sem ao menos pegar um bicho doido desse para criar? — perguntou enquanto passava por , deixando o lagarto em frente à ponta da escada e o esperou começar a descer antes de voltar para o quarto ao encontro da mulher.
— Se tivesse pego um cavalo para criar eu daria o maior apoio — comentou ao voltar para o banheiro pegando o celular e desligando o jogo.
— Minha mãe nunca me deixou ter nem ao menos um gato de estimação, nosso prédio não permitia animais. — ignorou seu irônico comentário sobre cavalos, contando sobre a sua infância.
— Como sua mãe conseguiu a licença para que você morasse no prédio? — perguntou surpresa fazendo revirar os olhos, ela não perdia nenhuma oportunidade para atacá-lo.
— Há-há. Você é muito engraçadinha, não é mesmo? — fingiu rir.
apenas o olhou negando com a cabeça, pensando onde estava sua sanidade mental no momento de embriaguez que resolveu beijá-lo no topo daquele prédio em Nova Iorque.
Tentou fechar a porta, porém a impediu com a mão.
, se você vai usar o banheiro, usa o lavabo lá em baixo, eu vou tomar banho agora se você não percebeu ainda... — explicou apontando para o seu estado e para a banheira atrás de si.
— Eu sei. Eu vou tomar banho junto com você, amor.
— Quem disse que eu quero? — perguntou grossa largando a porta para que fosse aberta cruzando os braços.
— Você não tem que querer, quem tem que querer é o carinha aqui dentro — apontou para o barrigão de abaixando-se para ficar da altura da barriga, encostando a cabeça para poder ouvir qualquer tipo de movimentação do bebê. — Cobain, você quer que o papai tome banho com você e a mamãe?
revirou os olhos suspirando fundo.
— Para de chamar o meu filho de Cobain, seu mala — deu um peteleco na orelha de .
— Ninguém mandou escolher o nome Kurt para ele — mostrou a língua antes de voltar a encostar a cabeça na barriga da mulher segurando a risada.
— Eu escolhi porque era o nome do meu avó, peste — explicou pela milésima vez a escolha do nome.
Parecia infantil, mas depois de uma desgastante briga pela escolha do nome, a melhor opção para enfim chegar em um consenso era uma famosa disputa de melhor de três no par ou ímpar para escolher quem decidiria o nome do filho.
E o bebê tinha tirado a primeira sorte grande da sua vida no momento em que sua mãe acabou ganhando a brincadeira.
Kurt, vamos tomar banho com o papai? — perguntou novamente frisando o nome do bebê.
mesmo brava abriu um sorriso enorme ao sentir sua barriga chutar.
a olhou com aquele olhar típico de “Dois contra um” então aproximou-se da banheira, a colocando para encher em seguida e preparando o banho para os dois.
olhou-se no espelho, livrando-se da única peça de roupa que usava, uma camisa branca de , a arremessando no cesto de roupas sujas, prendeu os cabelos em um coque no topo da cabeça olhando para sua mão. Ainda ficava boba ao ver seu lindo anel de noivado, sentindo uma sensação gostosa ao lembrar-se da história de amor mais louca de toda sua vida.

“— Eu não acredito que estamos realmente fazendo isso. — disse ao ser puxada pela mão pela irmã mais velha pelo aeroporto de Arizona à procura do portão de embarque.
— Achou que eu estava brincando quando aceitei de imediato a sua proposta de uma viagem de última hora? — riu a puxando para uma fila.
— Achei. Porque é exatamente o que uma pessoa em sã consciência faria.
— Acho que consciência é algo que sempre esteve em falta na nossa família — disse antes de ser atendida pela moça atrás do balcão. — Além do mais, são as milhas do papai, ele nem vai sentir falta — deu de ombros.
viajou com a sua irmã mais velha, , para Nova York para ter uma semana de paz e sossego longe da vida conturbada de Phoenix por conta do hipódromo Turf Paradise.
O pai de e , o Sr. Gary Cranfield, era um dos cinco proprietários em mais de 50 anos da terceira maior atração esportiva do estado que mantinha a corte em um das mais longas temporadas de corridas de puro-sangue do país. O comprimento da pista é um campo de grama de sete campos com uma rampa de uma milha.
Além da Turf ter desenvolvido um sistema OTB no estado com mais de 60 sites. As corridas eram televisionadas para mais de 2000 locais em 40 países diferentes.
Mas não pensem que só de corrida vive o local, muito pelo contrário, oferecem um lugar para todos os seus visitantes. Do jantar requintado VIP, ao Pavilhão da Banca, parques, jardins paisagísticos e cercado por belas cadeias de montanhas, há sempre algo novo para ser explorado.
Todos sonhavam em ser o dono daquele lugar, mas era aquela famosa história, ninguém via o pesadelo dos bastidores.
As irmãs Crandfield não aguentavam mais as brigas de seus pais. Sua mãe, Veronica, conseguia transformar qualquer momento harmonioso na pior dor de cabeça possível, qualquer olhada a mais para o pai de , Veronica virava uma fera indomável. Elas sabiam muito bem o motivo de tudo isso, do amor que Gary sentia por Veronica já não restava mais nada, ele queria focar em seu trabalho e manter o bem estar das filhas a todo custo.
***

Faltavam apenas dois dias para acabar as mini férias em Nova York e as irmãs Crandfield voltarem para o Arizona.
Foi quando o destino colocou no caminho de , o homem que tentou lhe ajudar a voltar para o seu hotel, mas após uma frustrada tentativa acabou a levando para conhecer uma boa parte dos pontos turísticos, era incrível o seu cuidado e atenção com a moça que nem ao menos conhecia. Quando terminaram a tour pela cidade bebendo em um terraço observando os prédios, declarou-se estar apaixonado pela mulher do interior.
Após entregar-se aos galanteios baratos do americano da cidade grande, acabou o turismo enrolada nos lençóis de sua cama, onde só se livrou no dia seguinte quando sua irmã estava prestes a dar queixa na polícia pelo desaparecimento da sua irmã mais nova.
A volta para Phoenix foi tranquila pelo sábado de manhã, acompanhou-a até o aeroporto para despedir-se de , o apelidou carinhosamente de “amor de férias”.
Eles só não sabiam que as férias durariam por tanto tempo.”


observou toda boba apaixonada olhando para a aliança em seu dedo.
— Está pedindo o divórcio sem ao menos nos casarmos, Srta. Crandfield? — disse ele para a noiva retirando a aliança para poder tomar banho, ela a guardou no armário junto com os produtos de higiene.
— Onde está a sua aliança, Turner? — perguntou segurando a mão do rapaz.
— Esqueci no criado mudo — sorriu de graça. — Desculpe.
— Acho que quem está pedindo o divórcio de mim é você. — rebateu fazendo um bico e derretendo .
— Eu te amo demais para isso — murmurou perto do ouvido da mulher a ajudando entrar na banheira.
sentou-se para que pudesse se sentar entre suas pernas e foi o que a mulher fez, relaxando em poucos minutos todo o seu corpo tenso, massageando sua barriga.

“Após voltar à rotina, ajudando os pais a cuidarem do hipódromo, entre as brigas do casal que ficavam mais frequentes.
resolveu sair do escritório de contabilidade em um day off e acompanhar sua irmã veterinária em um dia de trabalhando, cuidando dos cavalos no estábulo com alguns alunos da faculdade local a pedido de um professor muito gato chamado Peter.
Podia-se dizer que Peter e tinham uma tensão sexual muito forte rolando no ar, mas eram profissionais demais para admitir qualquer coisa do tipo, o que fazia se divertir, os deixando extremamente sem graça com suas alfinetadas.
Na intenção de zombar da irmã mais nova após tanta implicância, pediu para que fosse a cobaia perfeita para o professor gatão explicar aos alunos como deviam fazer um ultrassom em uma das éguas que estava grávida, mas o que não esperavam era que estivesse grávida.
— Está ouvindo isso? — Peter arregalou os olhos para .
— Estou. Não me diga que isso é... — entrou em estado de choque no meio da frase.
— Isso é? — perguntou. — Com certeza é a minha barriga roncando de fome.
— Não, , não é nada disso... — Peter negou e, antes que ele pudesse dizer algo, o interrompeu.
, você está grávida. — olhou para a irmã mais nova com os olhos cheios de lágrimas.
apenas começou a rir, fazendo a turma toda estranhar o motivo pelo qual a mulher estaria rindo tão euforicamente em um momento como aquele.
— OK, OK. Eu sei que passei o dia todo brincando com vocês, mas gravidez é coisa séria gente. Vocês pegaram pesado. — negou limpando o gel do seu abdômen antes de levantar-se da maca.
— Nós não estamos brincando — Peter disse sério pegando as fotos do ultrassom em mãos. — Olhe você mesma, aqui — apontou para um pequeno ponto. — Isso é um feto, você está grávida, aquela barulheira era o coraçãozinho dele batendo, .
Ao ver o pequeno pontinho na foto em suas mãos o coração de quase saiu pela boca. começou a chorar abraçando a irmã, comovendo todos da aula, que começaram a aplaudir ao parabenizá-la.
percebeu que voltaria para Nova York mais rápido do que podia imaginar.”


O pequeno Kurt estava em festa com aquele banho em família.
— Minha mãe quer passar uma semana aqui, quando Kurt nascer — comentou fazendo arregalar os olhos com a ideia maluca como aquela.
— O que ela quer vir fazer aqui? — perguntou curiosa torcendo a boca.
— Bom, diz ela, que não confia muuuuito na sua mãe para ajudá-la nos primeiros dias após o nascimento do nosso pimpolho.
— Mas nem eu confio na minha mãe — disse rindo. — Se não fosse por , eu me tornaria uma criança traumatizada até hoje.
— Você é um pouco — não perdeu a chance de alfinetar.
— Está me chamando de louca? — deu uma leve cotovelada no noivo, que gemeu de dor em seu ouvido.
Aquele gemido acabou a arrepiando inteira como da primeira vez.
— Talvez eu seja — murmurou virando a cabeça. — Por você...

“Após marcar uma consulta sendo acompanhada por toda a sua família, realizando um novo ultrassom para realmente constatar sua gravidez, ouvir os batimentos cardíacos do mais novo integrante da família fez quase os batimentos do Sr. Gary pararem.
Vivera uma loucura depois confirmar sua gravidez, a notícia percorreu a cidade toda, todos queriam saber quem era o sortudo a conseguir tal façanha, engravidar a filha rebelde do dono do Turf Paradise, com certeza era homem louco de muita coragem.
voltou a Nova York, com seus pais e sua irmã, os levando para o apartamento onde concebeu seu presentinho de Deus na barriga, um apartamento localizado em um dos bairros, digamos assim, nobres, da cidade, onde o Sr. Gary quase enfartou novamente.
— Não sabia que você voltaria tão rápido — sorriu ao abrir a porta para a mulher, mas seu sorriso logo se desmanchou ao olhar atrás dela toda a sua família. — O-o q-que houve? — perguntou engolindo a seco.
— Hum... — entregou a uma pasta branca com seus exames de sangue e ultrassons. — Estamos grávidos — anunciou a novidade nervosa mordendo os lábios.
Enquanto lia os exames, sua mãe, Patrice, apareceu atrás do rapaz olhando por cima dos seus ombros a foto do ultrassom e o empurrou, vindo abraçar .
— Oh, minha querida, meus parabéns — Patrice disse fazendo Veronica revirar os olhos antes que ela pudesse perceber. — Nós vamos ter um bebê. — constatou e comemorou a abraçando em seguida.
— I-s-sso é sério? Quero dizer, wow, você está grávida... Você vai ser mãe. — constatou piscando várias vezes mais rápido para saber se aquilo era um sonho ou era tudo verdade.
— E você vai ser pai. — disse sorrindo com lágrimas nos olhos.
a puxou pela mão a trazendo para perto do seu corpo, colocando a pasta embaixo do braço para ter a mão livre colocando a sob a barriga de . Seus olhos estavam marejados e ele sorriu antes que ela o beijasse na frente dos seus familiares.
— Parece que realmente vou ter que te levar na minha mala — murmurou contra os lábios de antes de soltá-lo.
Foi uma longa conversa, de um lado a família conservadora e louca de e do outro a família estranha porém feliz de . Eles entraram em um acordo e despediu-se da sua mãe e irmãs, indo morar no Arizona com .”


puxou pela nuca o beijando rapidamente. Sentia seus hormônios borbulharem ao toque leve de em sua pele, esquentava muito a temperatura daquele banho.
— Você está me tratando como um pedaço de carne novamente, sua leoa — riu ao cessar o beijo selando devagar os lábios da mulher, que fez bico querendo mais.
— Me respeita, Turner. — revirou os olhos tentando manter a sua pose de durona, mas ambos sabiam que tudo aquilo era só fachada.
— Chega de mudar de assunto. — disse pegando um pouco de sabão, massageando as costas da mulher.
— Que assunto? — fingiu de desentendida aproveitando a massagem.
— Minha mãe vai poder vir para cá ou não? — perguntou mordendo o lábio inferior. Sabia que a sua mãe não se dava bem com a mãe de , a Veronica que ele carinhosamente apelidou de Veronica Furação.
— Você realmente quer ver o circo pegando fogo, não é? — riu passando as mãos pelas pernas do rapaz.
— Mais uma aventura pra contar pro Kurt daqui a alguns anos. — sussurrou no ouvido da noiva, que arrepiou-se por completo.

“A vinda do americano da cidade grande para a cidade do interior foi um verdadeiro choque para os moradores da cidade, ninguém poderia imaginar que o jovem seria tão bem acolhido na família e a fortaleceria novamente.
Gary e Veronica, pelo bem da gravidez da filha, cessaram as brigas e parecia estar mais fácil a convivência entre eles.
, negando-se a ficar parada, permanecia no escritório de contabilidade do hipódromo; continuava o seu serviço como veterinária chefe, cuidando de todos os cavalos puro sangue.
Por incrível que possa parecer, a fama de sogro durão de Gary foi pelos ares ao perceber que era um bom rapaz. Acabou lhe dando uma chance na administração na parte das corridas enquanto o tinha ao lado para aprender sobre tudo da TP.
Mas e o pedido de casamento?
Finalmente chegou junto ao sexto mês de gestação de , em um dos jantares anuais do TP, antes um jantar qualquer e entediante, tornou-se o mais especial de sua vida em frente a todos os associados, até mesmo alguns ex’s namorados.
Mesmo incerta sobre se deveria casar conhecendo o seu noivo em tão pouco tempo, aceitou o seu pedido.
Agora, enfrentando dilemas familiares juntos de ambas as partes, resolvendo seus problemas de incompatibilidades em uma relação tão recente, o casal se conhecia um pouco de cada vez, todos os dias, enquanto organizavam o próprio casamento à espera do nascimento do primeiro filho, agora de oito meses em uma pura adrenalina e ansiedade.”

***


Após a conversa na banheira, contou à sua mãe que poderia passar um tempo no Arizona após o nascimento do seu filho, mas esqueceu de avisar que os planos de sua mãe eram outros.
— Cesária, está falando sério? — Patrice, a mãe de , perguntou desacreditada.
A abençoada mãe de não aguentou-se de ansiedade em viajar somente quando o neto nascesse, antecipando sua viagem para que ficassem todos juntos acompanhando também o último mês de gestação.
Como se não bastasse para aguentar a sua mãe louca querendo ajudar na organização do seu casamento, que seria ainda esse mês antes do nascimento de Kurt, agora teria que aguentar sua sogra cuidado dos seus passos a todo instante.
A sogra Patrice havia chego na cidade pela manhã.
pediu para que o noivo inventasse que ela havia tido uma péssima noite de sono, por isso só se encontrariam durante à tarde.
Depois de resolver alguns assuntos pendentes sobre o convite e o vestido de casamento com sua irmã.
— Eu falei para ela, tem que ser parto normal, só se rasga toda quando não aguenta mais, aí os médicos mandam para a cesária — Veronica opinava tomando sua xícara de café.
Logo ela, a mãe desnaturada que nem amamentar as próprias filhas conseguiu, falando isso, era muita piada.
As irmãs Crandfield olharam-se cúmplices uma para a outra.
— Eu acho muito melhor o parto humanizado — foi a vez de opinar olhando para a irmãzinha.
— Por você, eu teria Kurt dentro do estábulo junto com as éguas, revirou os olhos fazendo as demais mulheres rirem.
Aquela conversa toda de mulheres era entediante demais, olhava para Josie, irmã mais nova de lendo seu livro de romance tranquilamente e ouvindo música sem ao menos se importar com a conversa. Como queria voltar no tempo para ser adolescente novamente.
— Me conhece tão bem, irmãzinha — riu tomando sua xícara de café.
— E os preparativos para o casamento, como andam? — Patrice perguntou fazendo engasgar-se com o pedaço de bolo de chocolate.
fofoqueiro com certeza contou que ela estava planejando tudo sozinha.
— Ainda estamos decidindo o local... Estamos indecisos entre casarmos...
— Por mim a cerimônia e a festa seria toda aqui — Veronica interrompeu a filha mais nova, indicando que o casamento deveria ser no salão de festas do TP.
sentiu o seu estômago embrulhar, passou a maior parte da sua vida dentro daquele lugar, não queria ter que ser obrigada a se casar ali também
Patrice respirou fundo com a intromissão da mulher, mantendo a calma e a elegância e olhando para a nora com um sorriso no rosto.
— Estamos pensando em uma cerimônia pequena, acho que até mesmo em casa — voltou a dizer ignorando a vontade de sua mãe.
Diferente dos pais, que optaram por morar em um luxuoso condomínio, optou por morar em uma casa no campo. A casa de madeira tinha dois andares e uma enorme varanda, uma piscina aos fundos e um campo de perder-se de vista.
— Eu acho uma ideia maravilhosa. Não importa o tamanho da cerimônia, sei que vai ser um dia incrível para vocês. — sabia que Patrice falava as coisas de uma maneira carinhosa, mas Veronica achava que toda palavra que saia da boca dela era para atacá-la.
— Você tem alguma noção de quantas pessoas o pretende convidar? — perguntou curiosa em conhecer os parentes do noivo.
— Oh, querida, da nossa família não espere muita gente, no máximo os primos que é mais próximo e possivelmente o imbecil do pai dele, sem a nova família, é claro.
Os pais de haviam se separado após uma traição vinda da parte do pai, que já tinha uma outra família constituída. Quando tudo veio à tona, ele achou que seria mais feliz vivendo com a sua nova família.
— Já eu quero convidar todos os nossos associados que te viram crescer, todos aqueles que participaram da sua vida, vendo sua transição de criança para essa linda mulher. — Veronica disse na intenção de atacar a mulher.
riu, ainda bem que sua mãe não sabia quem estava confeccionando os convites, se não provavelmente ela pediria cópias a mais para entregar por toda a cidade.
— Jamais. — negou com a cabeça — É uma cerimônia intimista, mãe.
— O que é intimista para você?
— Cinquenta pessoas no máximo, não quinhentas.
— Está louca? — Veronica arregalou os olhos.
— Qual o problema? — Patrice perguntou.
— Vão achar que estamos falindo...
— Eu não me importo com o que os outros vão pensar de mim. — interrompeu o show de drama que sua mãe iria começar.
— Se você pensa em algo intimista, pensa em algo simples e à moda antiga, certo? — Patrice perguntou. — Vai ter padre ou apenas um mestre de cerimônia?
— Sim, já conversamos com o padre da cidade. Ele gostou tanto do , disse que está feliz por eu ter encontrado o meu parceiro e diz que a gente combinou. — contou animada para sogra, lembrando-se do dia que apresentou ao padre que a conhecia desde criança. — Eu quero bem à moda antiga.
— Da onde eu tirei uma filha tão careta? , eu vou organizar o seu casamento inteiro — Veronica apontou o garfo para filha. — E isso não é uma pergunta, isto é uma afirmação.
— Obrigada, irmãzinha, agora a Veronica Furação de casamento sobrou pra mim — ralhou com a irmã mais nova, fazendo as demais rirem.
entrou no salão avistando a mesa de mulheres ao lado esquerdo e sorriu ao perceber que elas pareciam estar se divertindo bastante. Suspirou aliviado ao perceber que sua mãe poderia estar-se dando bem com Veronica, ou não...
— Oi, oi, gente — disse gentilmente ao aproximar-se, cumprimentou primeiramente sua sogra com um beijo no rosto.
— Olá, meu garoto — Veronica disse boba com o genro.
— Olá, amor de férias — chamou o cunhado pelo apelido do aeroporto assim que ele veio lhe cumprimentar com um beijo sobre a testa.
— Como vai, meu filho? Trabalhando muito? — Patrice preocupou-se com o filho apertando suas bochechas antes de beijar quando ele foi cumprimentá-la.
— Estou bem. Não, está tudo tranquilo por aqui hoje — comentou indo em direção a , que já lhe esperava com um sorriso tímido nos lábios. — Oi, meu amor, como vai você e o Cobain? — perguntou ao beijar os lábios de levando um beliscão no braço.
— Ele vai muito bem. Alex Turner havia achado um trocadilho para toda vez que o noivo chamasse seu filho de Nirvana.
— Esse cara não, revirou os olhos ao sentar-se do seu lado entrelaçando seus dedos da mão aos da noiva. — Tantos artistas por aí...
— Você chama nosso filho pelo sobrenome de um artista suicida — retrucou.
— Ele não é um suicida, Courtney o assassinou — começaram a discussão de sempre.
Dessa vez, com ambas família sendo a plateia, achando graça em toda aquela discussão amorosa.
— Alex Turner está vivo e é um excelente cantor. — defendeu o artista.
— Aquele cara está parado nos anos sessenta. — fez careta.
— Vocês dois não param não, é? — riu das ofensas.
— É amor — disseram uníssono com um sorriso nos lábios.
— Está ótima a nossa conversa, mas eu preciso dar uma volta para ver como estão meus pacientes — disse ao levantar-se. — , me manda mensagem quando receber aquela resposta?
— Vai ser a primeira a saber, , não vou nem contar pro , primeiro vai ser você. — a irmã mais nova jurou estendendo o dedinho para a mais velha e entrelaçando os dedos.
— Posso saber o que ela vai ser a primeira a receber, Crandfield? — Veronica perguntou curiosa ao levantar-se com as mãos na cintura.
— Surpresa — disse e, antes que a sogra pudesse protestar algo, emendou — Para as duas.
Veronica semicerrou os olhos fingindo-se de brava, mas abriu um sorriso de orelha a orelha indo em direção à filha, segurando seu rosto entre as mãos e beijando sua testa carinhosamente antes de passar a mão sobre a barriga despedindo-se do neto.
— Vovó vai ir embora porque vai se encontrar com o mala do vovó, está bem, meu amor? Amanhã a gente se vê. — Veronica dizia a Kurt fazendo uma voz fina.
— Tudo bem — respondeu segurando a vontade de rir, era novidade para ela todos aqueles mimos.
— Meu bem, o que acha de irmos para casa? — perguntou a , que concordou de imediato, extremamente cansada e sentindo seu corpo gritar por um cochilo.
— Ótimo, estou morrendo de cansaço, você nos preparou o quarto de hóspedes, não é mesmo, filho? — a sogra perguntou ao se levantar já pendurando a bolsa ao ombro e chamando a atenção de Josie, que tirou pela primeira vez o fone dos ouvidos.
— Nosso antigo quarto de hóspedes virou o quarto do Cobain, quer dizer, do Kurt disse fazendo rir ao levantar-se.
— Até você, ? — não pode perder a chance de zombar a noiva.
— Cala a boca. — ralhou voltando a atenção a sogra. — Como eu ia dizendo, estamos sem quarto de hóspedes. Então falei para o reservar uma suíte no hotel de um dos nossos associados.
— Qual? — Veronica perguntou. — Lockhart Park? Ou o Medellín Star?
Veronica mencionou o nome do segundo hotel trazendo um ar sarcástico ao ambiente que foi muito bem notado por e .
O Medellín Star era da família de Oliver Mendel, um dos ex’s namorados de na época do colegial.
— Reservei o Lockhart, Veronica — respondeu sem entender a tensão das mulheres da família Crandfield.
— Ótimo. Patrice você estará em ótimas mãos durante a sua estadia na nossa cidade. — Veronica disse a Patrice antes de se abraçarem.
e se entreolharam com um sorriso preocupante nos lábios, suas mães não estavam se dando tão bem assim.
tinha sido a primeira a dizer que precisava ir, porém ainda continuava em pé mexendo no celular e só pela sua cara sabia muito bem que havia uma tempestade a caminho.
— O que foi, ? — perguntou chamando a atenção da irmã.
— Hãn? Não é nada não — respirou fundo guardando o celular no bolso da calça — Eu vou indo... A gente vai se falando. — deu um tchau geral a todos saindo e andando em passos rápidos.
— Isso me cheira àquele infeliz do Ritchie comentou olhando para saindo às pressas.
— Sinto o mesmo — Veronica concordou com o genro. — Não me convide ele para o casamento, , não quero me estressar com nada neste dia tão importante.
— Como eu não convido o namorado da minha irmã? — perguntou arqueando a sobrancelha — Podemos odiá-lo, mas o ama.
Sylas Ritchie era o mais novo advogado formado da família Ritchie, que começava a exercer sua profissão há pouco tempo. Ainda era muito ligado à farra, aos amigos e à vida boa, e o namoro com vivia entre idas e vindas.
sentia que ele lhe amava, mas não conseguia suportar a sua irresponsabilidade, as brigas constantes por ciúmes por trabalhar rodeada de outros homens pioravam todo o relacionamento.
— Logo ela vai abrir os olhos — Veronica disse convicta. — Estou indo embora, vamos, Patrice, aproveito que vou passar pela cidade e te levo ao hotel, tudo bem para você, ?
— Eu agradeço muito, Veronica, assim aproveito mais o tempo para mimar essa grávida preguiçosa que deve estar doida por uma massagem nos pés.
— E por isso que eu vou me casar com este homem.
disse fazendo as mulheres rirem e a irmã mais nova de revirar os olhos com tanta melação para cima do seu irmão.

***


— TURNER — gritou assustando o noivo, que preparava o jantar e deu um pulo balançando o dedo cortado com a faca que usava para cortar carne. — Oh, meu Deus. — a mulher correu pegando o rolo de papel toalha e envolvendo o dedo do rapaz.
Porra, , pra quê gritar comigo? — choramingou olhando para mulher, que sentiu-se culpada em machucá-lo.
— D-desculpa — pediu o puxando pela mão até o armário onde tinha um kit de primeiros socorros e fazendo um rápido curativo em seu dedo.
— Você vai ser uma ótima mãe — murmurou prestando atenção nos detalhes em como a noiva fazia tudo de forma tão cuidadosa.
— Não tenho tanta certeza — confessou no mesmo tom dando um meio sorriso.
— Pois deveria, confio cegamente no seu potencial e sei que quando o nosso pequeno vir ao muito você vai se transformar em uma mulher mais admirável do que já é agora.
— Não sabe o quão sortuda eu me sinto todos os dias por ter alguém como você ao meu lado — confessou dando um beijo no dedo do rapaz.
— Acha que é só você que se sente sortuda? Eu agradeço todos os dias por ter encontrado você — foi a vez de dizer — Mas, pelo amor de Deus, não vamos gritar mais um com o outro, por favor.
— Combinado. — disse ao concordar com ele. — Agora, poderia me dizer aonde está a lista de convidados que eu pedi para você na semana passada?
deu um meio sorriso passando a mão que não estava machucada entre seus cabelos.
, eu não tenho uma lista de convidados. — disse sendo franco.
— Como assim? — a mulher arqueou a sobrancelha sem entender.
— Não vejo muito razão em convidar parentes que não são nem próximos de mim apenas para gerar mais gastos para nós mesmos. Minha mãe já está aqui, talvez eu chame o meu pai e o meu melhor amigo Chad que já te falei dele. Tendo essas pessoas, pra mim já basta.
concordou com a cabeça sem saber o que responder, deu um meio sorriso selando seus lábios em um beijo sem língua antes de voltar a cortar pedaços de carne.
— Já pensou qual música podemos dançar? — perguntou voltando a falar sobre o casamento.
— Quer realmente fazer isso? — perguntou mordendo os lábios.
Em uma das conversas sobre infância e adolescência, acabou lhe contando que, durante o seu aniversário de dezesseis anos, quando achou que faria sua apresentação magnífica na festa, foi interrompida por um longo e tedioso discurso do seu pai.
— Eu te pergunto. Por que não fazermos isso? — rebateu a pergunta.
— Olha só o meu tamanho — apontou para a barriga enorme de oito meses de gravidez. — Capaz de Kurt escorrer pelas minhas pernas no meio da dança de tanto que vai balançar aqui dentro.
— Só se você escolher para dançar Smells Like Teen Spirit, aí ele vem ao mundo em um bate cabeça muito louco — disse sério reprimindo a risada e, quando entendeu o que ele queria dizer, teve que se segurar para não cortar mais um dedo rapaz.
Continuou sentada. Enquanto conversavam, lembrava em sua mente o momento marcante em que foi pedida em casamento.

estava nervoso e assustado com a ferocidade em que atacava o prato de comida como se fosse uma leoa devorando um pedaço de carne, encantava-se em como continuava linda sem perder a classe por um segundo sequer.
Olhou para o lado, parecia perder o apetite com as piadas infames de Sylas, que volta e meia vinha ao seu encontro beijar-te o pé do ouvido com declarações sujas demais para um jantar em família.
O Sr. Gary aproveitava-se da comida sabendo que só comeria bem no clube, pois quando chegasse tarde em casa só teria os congelados de sempre para comer, já que Veronica não se dava mais ao luxo de cozinhar como sempre fazia.
Veronica dividia sua atenção em olhar as mesas do salão e o seu prato em que ela nem havia ao menos começado a mexer na comida.
engoliu a seco ao respirar fundo, chamando a atenção dos demais em sua mesa ao bater o garfo na taça à sua frente.
— Posso tomar o tempo de vocês para dizer algumas palavras? — perguntou se tremendo por inteiro.
— Vai tomar nosso tempo com gelo e whisky? — Sylas fez um péssimo trocadilho rindo e em seguida pendurando-se em .
— Prossiga, Turner — Gary disse parando de comer ao limpar sua boca com o guardanapo de pano em seu colo.
— Primeiro quero começar agradecendo, por terem me aceitado de uma forma tão boa dentro da família de vocês, sei que não foi fácil de primeiro momento entender tudo que aconteceu tão rápido, a viagem, a gravidez, a minha vinda para cá... Mas eu percebo que tanto o meu esforço em ser aceito e o de vocês em me aceitarem está gerando resultados. — concluiu fazendo os pais de concordarem com a cabeça, a mesma ainda devorava o seu prato enquanto olhava o namorado, que não era um namorado oficial por nunca ter rolado ao menos um pedido, enquanto mastigava. — , sei que nosso relacionamento começou muito rápido e que vem evoluindo cada dia um pouco mais e eu não me vejo em nenhum outro lugar do mundo do que ao seu lado.
Ao entender o que estava acontecendo, largou o garfo no prato ajeitando sua postura na cadeira engolindo toda a comida em sua boca rapidamente quase engasgando, ele estava lhe pedindo em namoro.
— Então eu gostaria de saber se você quer casar comigo? — pediu ao abrir a caixinha das alianças em direção a mesma.
— C-a-Casar comigo? — repetiu balançando a cabeça. — Casar com você?
— É, , foi o que eu perguntei — riu sem graça com medo do não. — Você aceita? Aceita se casar comigo? — reforçou o pedido de imediato.
Raciocinando rapidamente o que acontecia olhando para as alianças em sua frente, terminou de engolir a comida tomando o suco de sua taça de maneira rápida.
, como ousa me pedir em casamento assim sem antes de avisar? — foi o que disse o fazendo arregalar os olhos. — Olha só para a minha mão — apontou para a mão que usaria a aliança. — Não passei um esmalte para ficar bonita. Poderia ter me avisado, pedido pra eu pintar a unha, sei lá... Meu Deus, , você não estava brincando quando disse em cima daquele prédio que um dia se casaria comigo — levou a mão sobre a boca totalmente surpresa. — Eu nem sei o que dizer, eu... Eu tô’ em choque, olha isso — apontou para a mão, que tremia.
— Diz logo que aceita antes que o pai do seu filho enfarte, disse olhando para , que estava prestes a desmaiar.
— Oh, riu lhe estendendo a mão. — Eu aceito me casar com você.
— Graças a Deus — Gary disse suspirando fundo — Agora posso voltar a comer. — disse fazendo todos da mesa rirem enchendo a boca de comida.
aproximou-se beijando os lábios de em um beijo sem língua.
— Eu te amo — murmurou encostando suas testas. — Amo você também, carinha — passou a mão sobre a barriga da noiva, que sorriu lhe beijando de volta.”


***


estava em seu consultório quando recebeu uma visita surpresa de Peter, um dos professores da faculdade de veterinária da cidade.
Ela sorriu ao ver o moreno entrar mostrando uma sacola em mãos e, antes que pudesse perguntar algo, Peter prontificou-se.
— Surpresa — disse colocando a sacola em cima da mesa.
— Hoje é algum dia especial? — perguntou sem entender, observando o professor retirar da sacola dois pedaços de bolo de amêndoas, o seu preferido.
— E eu preciso de alguma data comemorativa para vir visitar uma velha amiga? — Peter perguntou arqueando a sobrancelha, sentindo-se ofendido pela pergunta.
— Desculpe. Não quis ser grossa — respirou fundo tirando os óculos de grau que usava apenas para leitura, o colocando sobre a mesa.
— Pelo visto não cheguei em uma boa hora... — Peter disse ao sentir a energia da amiga. — Algum problema?
— Nada — mentiu engolindo a seco — Acho que estou muito pensativa com tudo que vem acontecendo, sabe?
— O que tanto vem acontecendo, ? — Peter perguntou lhe entregando o pedaço de bolo com um garfo plástico.
Antes de sentar-se serviu o suco de uva para ambos, ele acertava perfeitamente todos os gostos de .
Algo que Sylas nem ao menos se esforçava para fazer.
— Sinto que estou ficando para trás... — começou seu desabafo — Parece que foi ontem mesmo que a minha irmã mais nova me contou que beijou pela primeira vez e agora ela está grávida e prestes a se casar, tem noção disso?
negou com a cabeça ao pegar um generoso pedaço do bolo de amêndoas, o saboreando e sendo observada por Peter com um sorriso nos lábios, encantado com a mulher em sua frente.
— Isso te incomoda? Digo, se sente que está ficando pra trás, então tem planos de se casar um dia e ter filhos? Não? — Peter abocanhou um pedaço do bolo, não era seu sabor preferido, mas na frente de ele fingia ser o melhor sabor do mundo, tudo para impressioná-la.
— Meus planos são encontrar alguém que seja meu companheiro, que queira fazer parte dos meus planos, pretendo me casar e conhecer vários lugares do mundo para depois, quando estiver mais velha e tiver meus filhos, possa voltar ao mesmo lugares para mostrar a eles. — Peter podia ver os olhos da mulher à sua frente brilharem ao dizer-lhe seus planos com tanta paixão.
Mas uma dúvida surgia em sua cabeça, com o fato dela dizer que precisava encontrar um companheiro para seus planos...
Mas e seu namorado?
— Ótimos planos — Peter elogiou após engolir outro pedaço de bolo, ainda pensativo. — Sylas parece ser o companheiro perfeito para viagens, mostra ser bem animado.
— Não, ele não é perfeito. — riu.
— Perdão? — Peter não esperava uma resposta daquelas, as palavras da veterinária fizeram o seu coração disparar.
— Acho que estou perdendo tempo no meu relacionamento com Sylas. No começo foi bom, mas ele não é a pessoa que eu imaginava que fosse, não quero envolvê-lo nos meus planos, isso seria criar decepções, não expectativas. — confessou sentindo-se aliviada por poder compartilhar o que sentia com alguém, com um grande amigo como Peter.
, eu não entendo — exclamou o professor.
— O quê, Peter? — arqueou a sobrancelha.
— Se não está feliz com o seu relacionamento, por que ainda continua com Sylas?
se surpreendeu com as palavras de Peter, que lhe acertaram o estômago como um soco.
— Convenhamos, aquele cara é um babaca, nunca fez sentido algum vocês dois juntos. — completou.
— Tenho medo de deixá-lo e ele fazer alguma besteira — murmurou de cabeça baixa. — Sylas é uma pessoa muito instável emocionalmente.
— E isso te afeta — Peter disse — Até quando vai ficar com ele por medo do que pode acontecer quando partir?
— Não sei — negou com a cabeça — Não sei o que posso fazer, tem muita coisa acontecendo, se eu terminar com ele agora, tudo vai se complicar, com quem vou no casamento da ?
Peter apenas ficou em silêncio olhando para , até que ela entendesse o ponto no qual ele queria chegar.
Mas apenas ficou em silêncio terminando o seu pedaço de bolo, enquanto em sua mente vagavam as palavras de Peter.
— O que está acontecendo aqui?
Ao ouvir o barulho da porta do consultório se abrir bruscamente, deu um pulo na cadeira de susto e Peter levantou-se olhando para Sylas, que os olhava sem entender nada. Em suas mãos, um buquê de rosas com uma caixa de chocolates.
Peter revirou os olhos ao ver a caixa de chocolate meio amargo, aquele era o pior chocolate que existia e concordava. E rosas? Não eram suas preferidas.
— Peter veio me fazer uma visita, nós somos amigos — explicou já visivelmente nervosa. — O que você faz aqui, Sylas?
— Vim fazer uma surpresa para a minha namorada, mas vejo que ela já ganhou surpresa demais por hoje.
— Somos apenas amigos, Sylas — Peter interferiu antes que pudesse virar uma briga.
— Eu falei com você? — Sylas olhou para Peter de cima a baixo. — Não é de hoje que você vem rondando a minha mulher, acha que eu não percebo?
— Sylas, não é nada disso...
— É sim, — Sylas aumentou o tom de voz jogando as rosas no cesto do lixo ao lado da porta. — Só que você é muito otaria para perceber...
— Você não fala assim com ela senão eu — Peter disse com ferocidade.
— Senão você o quê, Doutorzinho de merda, hein? — Sylas aproximou-se de Peter ficando frente a frente com as mãos para trás após jogar o chocolate no chão. — Vai me processar, huh? — riu ironicamente — Espero que tenha um ótimo advogado.
— Sylas! — o repreendeu o empurrando para trás, ficando entre o amigo e o namorado. — Larga mão de ser um idiota e suma daqui AGORA. — aumentou o tom de voz mantendo a firmeza em suas palavras. — Estou farta da sua infantilidade, garoto, vê se cresce.
— Garoto? — Sylas perguntou indignado. — Você me deve respeito, sou seu namorado.
— Não, não devo e não somos mais namorados — tomou a decisão que estava pesando em sua mente, retirando a fina aliança de prata que usava e pegando a mão de Sylas, o entregando. — Já disse que estou cansada de você e da dor de cabeça que me traz...
— Eu lhe trago dor de cabeça? Olha só pra você, .... Quem iria te querer se você não estivesse comigo? Iria estar sozinha e abandonada de tão chata que é. Nenhum dos teus outros relacionamentos foram pra frente, ninguém te aguenta. Até sua irmã mais nova tá’ grávida e vai casar e você vai sobrando porque tem que ser muito corajoso pra aguentar...
— Alguém tão extraordinária igual a ? — Peter entrou no meio da briga. — Alguém tão incrível e muito mais inteligente que você? Alguém tão independente que não tem tempo pra ficar cuidando de um infantil igual a você? Realmente tem que ser muito corajoso para aguentar uma mulher tão maravilhosa quanto ela... Algo que você não é.
— Olha só, , já que terminou comigo pode finalmente aceitar as declarações ridículas desse aí — Sylas disse sendo sarcástico, jogando a aliança no chão com raiva antes de virar-se para sair da sala às pressas chutando tudo o que via pela frente no corredor em um típico ato de adolescente rebelde contrariado.
Mas, ao invés de ir atrás para simplesmente acalmá-lo, ela ficou parada olhando para seu amigo Peter, boquiaberta com tudo o que ele havia dito, e, sem pensar duas vezes, sorriu ao aproximar-se selando seus lábios ao do homem que estava ao seu lado a todo tempo e ela nem imaginava.
— Seu beijo tem gosto de amêndoas — Peter mencionou ao desvencilhar-se por alguns segundos de .
— É o meu preferido — murmurou antes de beijá-lo novamente sentindo a felicidade preencher seu peito.

***


fazia a última prova do seu vestido de noiva acompanhada da sua mãe, Veronica, da sua sogra, Patrice, e a irmã mais nova de . O vestido tinha uma cauda não muito longa, tinha meias mangas rendadas que subiam por todo o seu colo, onde um decote dividia seus peitos.
— Acho que precisa de mais cauda — Veronica opinou fazendo Patrice revirar os olhos. — Para deslumbrar durante a sua entrada, filha.
— Pra que tanto pano? — Patrice retrucou. — O foco mais importante do vestido está aqui — aproximou-se apontando para a barriga bem destacada e pôde sentir o neto chutando. — Tem alguém animado aqui.
— Acredite, esse garotinho está elétrico hoje — comentou passando a mão pela barriga para senti-lo. — Creio que ele está feliz.
— Eu tenho certeza — Patrice comentou chamando a mais nova para sentir o pequeninho. olhou para Veronica, que olhava brava para a mulher, era visível que sua mãe não tinha ido muito com a cara da sua sogra.
— Mãe, tem notícias da ? — perguntou atraindo atenção da sua mãe.
— Eu gostaria muito de notícias dela, mas ela simplesmente sumiu e não retorna minhas ligações — puxou o celular de dentro da bolsa prestes a fazer a ligação para a filha mais velha, foi quando a mesma entrou no cômodo às pressas seguida por Peter. — Quem é vivo sempre aparece. — disse antes de arquear a sobrancelha prestando atenção em sua companhia. — Podemos ajudá-lo, Sr. Peter?
segurou o riso olhando para Peter, que a segurava pela cintura, pousando sua mão delicadamente por cima da mão do rapaz.
— Eu queria anunciar que não estou namorando mais o Sylas otário Ritchie... E que eu e Peter....
— Oh, meu Deus — levou as duas mãos à boca descendo com a ajuda da sogra do pequeno palco ao centro do provador e indo em direção à irmã mais velha. — Não me diga que vocês estão juntos...
— Nós estamos juntos, puxou a irmã para um abraço e as duas gritaram juntas comemorando pelo relacionamento.
— Peter, eu sempre te considerei da nossa família, eu estou tão feliz em saber que você nunca desistiu da minha irmã cabeça dura — a mais nova comemorou recebendo um abraço do novo namorado.
— Como assim terminou com o Sylas, está querendo acabar com o casamento da sua irmã? Quem será o seu par no altar? — Veronica perguntou de braços cruzados achando aquilo o maior absurdo. — Não pode trocar de namorado como se troca de roupa...
— Peter, você aceita ser o padrinho do meu casamento? — interrompeu as provocações da sua mãe perguntando a Peter e o segurando pela mão.
Peter olhou por alguns segundos para , que tinha um sorriso tão lindo em seus lábios que o lhe convencia de um “sim” sem nem ao menos pensar duas vezes, era um sonho a reviravolta que a sua vida tinha dado.
— Será um enorme prazer, — o mesmo respondeu com um sorriso de orelha à orelha.
— Patrice — chamou a sogra, que acompanhava toda a cena — Poderia ajudar o Peter a achar um smoking perfeito para o casamento?
— Mas é claro que eu posso ajudar, meu amor — Patrice disse de maneira serena aproximando-se do casal.

***


suava frio enquanto Gary, o pai de , o analisava com o smoking que havia escolhido para o casamento. Seu olhar calculista analisava cada parte da roupa como se estivesse procurando uma pequena imperfeição que fosse, mas, ao invés de soltar o pior dos comentários do mundo, ele olhou por cima dos ombros de sorrindo ao mandar entrar alguém apenas com um gesto com a cabeça.
— Meu amigo, eu não via você tão arrumado assim desde o baile de inverno da nosso colégio quando tínhamos dezesseis anos — Chad comentou ao ficar frente a frente com , que arregalou os olhos o abraçando sem pensar duas vezes.
— Era muito difícil para mim dar o veredito final sobre a sua roupa então chamei ajuda — Gary disse acendendo um charuto ao sentar-se em uma poltrona.
Chad e eram melhores amigos desde o início do jardim da infância, estudaram juntos por toda a vida e conheciam um ao outro melhor do que qualquer outra pessoa no mundo. Há alguns dias, quando pediu para que ele fizesse sua lista de convidados, ele só fazia questão de mais duas pessoas, seu pai e o melhor amigo, Chad, que o enganou falando que não conseguia férias no trabalho para poder viajar e tentaria vir apenas no dia da cerimônia.
— Foi tão fácil de enganar — Chad zombou. — Foi o seu sogro que armou tudo.
— Ele não parava de me pedir as coisas um minuto sequer — lembrou-se da semana exaustiva que teve no trabalho.
— Enquanto isso, eu conversava com Chad e mandava suas passagens.
não se aguentou ao andar até o sogro o abraçando com cuidado para não ser queimado pelo charuto que ele fumava.
— Obrigado pela surpresa — agradeceu ao separar-se.
— Por nada... Mas já vou logo avisando para nem pensarem em despedida de solteiro. — Gary negou com a cabeça. — Ainda sou muito novo para morrer.
— Como que ele casa sem uma despedida? — Chad perguntou arqueando a sobrancelha.
— Como ele casa sem a vida? — o sogro rebateu. — Ele não conheceu a ainda?
— Não ainda — riu — Se ela souber que penso em uma despedida de solteiro, ela provavelmente passa por cima de mim com um trator, Chad.
— Isso seria péssimo, seu filho ia conhecer o pai mais feio do que ele já é — Chad zombou negando com a cabeça. — Cancela a despedida...
— Pelo bem de todos os envolvidos — Gary agradeceu.
— Esse é o smoking que você escolheu? — Chad perguntou cruzando os braços e olhando para o amigo com um olhar crítico. deu uma pequena volta para que Chad pudesse vê-lo, era na cor azul marinho.
— Aprovado, bro? — perguntou indeciso, não podia errar na escolha da roupa do seu casamento, ainda mais faltando poucos dias para a cerimônia.
— Mas é claro! — Chad respondeu fazendo um toque com as mãos.

***


estava se arrumando e suava frio olhando o seu reflexo pelo espelho enquanto uma cabeleireira enrolava seus cabelos os deixando perfeitos para ficarem soltos com alguns enfeites em prata. A maquiadora dava os últimos retoques em sua maquiagem focando em deixar a mais natural possível, como a noiva tinha pedido.
Patrice estava sentada ao seu lado para auxiliar no que fosse preciso, já que foi a primeira a ficar pronta usando um vestido comprido da cor roxa e os cabelos presos em um coque alto no topo da sua cabeça com os fios soltos dando o charme que precisava. Sua maquiagem era um pouco carregada nos olhos, mas a deixava maravilhosa mesmo assim.
Não demorou muito para Veronica entrar de mãos dadas com a filha mais velha com uma pequena caixa de madeira em suas mãos.
— Chegou o momento mais esperado por nós — Veronica anunciou sentando-se ao lado da filha e abrindo a pequena caixa de madeira em sua frente.
pode ver um pequeno pingente para colocar foto em formato de coração e ao lado, em uma caixinha de veludo, a fina corrente de .
— Para manter a tradição, você precisa de alguma coisa velha — Veronica puxou o pingente da caixa. — Esse pingente foi um dos primeiros presentes que o seu pai me deu, costumava ter uma foto nossa aqui dentro, mas acabou ficando tão velha que acabou se desfazendo ao longo dos anos, tomei a liberdade de colocar uma foto sua e do — abriu o pequeno coração mostrando uma foto dos dois com os rostos colados. — Vai ser um belo enfeite para o seu buquê.
— A tradição também diz que você precisa usar algo que foi emprestado de alguém que sempre torceu pela sua felicidade, então estou lhe emprestando a correntinha que uso desde que completei meus dezesseis anos. — pegou a corrente a colocando delicadamente no pescoço da irmã.
— Mas para completar a tradição só estaria faltando algo azul — Veronica sorriu sarcasticamente para Patrice, como não tinham combinado nada uma com a outra não sabia se a mulher tinha levado algo para .
— Só um minuto — Patrice pediu olhando para a Juniper a chamando com a mão, a garota estava sentada sobre a cama e levantou-se trazendo uma pequena caixa de veludo preta. — Como não sabia se sua mãe cumpria a tradição ou não, acabei lhe trazendo esses lindos brincos de safira — abriu a caixa surpreendendo e com a cabeça. — Minha mãe os deu no dia do casamento com o Frederico, pai do , e prometi passar para a esposa do meu filho.
— É maravilhoso — os pegou na mão os olhando, sentindo as lágrimas arderem seus olhos. Ela inclinou a cabeça para cima para não deixar que as lágrimas tomassem conta do seu rosto estragando sua maquiagem.
— Não chora, não chora — pediu abanando a mais nova.
— Meus hormônios estão a flor da pele, , não sei como vou aguentar até o fim da cerimônia com essa maquiagem intacta para as fotos — confessou a noiva fazendo bico. — Eu estou muito feliz com os presentes, são especiais como cada uma de vocês — disse olhando para as mulheres à sua volta.
O Sr. Gary observou toda a cena das mulheres passando a tradição para a sua filha mais nova e aquilo encheu seu coração de uma forma que nem ele esperava, quase transbordando pelos olhos, e, antes mesmo que pudesse chorar, deu duas batidinhas na porta anunciando a sua vinda.
— Está na hora — Gary disse sorrindo para as mulheres.
— Oh meu Deus, filha, ainda falta você se trocar — Veronica levantou-se estendendo a mão para . — Vocês a ajudam? — apontou para a cabeleireira e a maquiadora, que concordaram prontamente.
— Eu ajudo — Patrice disse prontificando-se em ajudar a noiva a levantar-se, o que fez Veronica bufar antes de passar por Gary, que segurou para não rir da cara da mulher. — Ela é sempre assim? — perguntou em baixo tom para .
— Ela é pior. Acredite, ela está se segurando — Gary respondeu deixando a mulher vermelha de vergonha.

***


Com toda ajuda e cuidado de Patrice, vestiu o seu vestido que parecia um pouco justo naquele dia, mas ela sabia que aquilo poderia acontecer, desceu as escadas sendo auxiliada pela sogra e seu pai, que tomavam conta para que nenhum acidente acontecesse. Os padrinhos já estavam em fila em frente à porta e, assim que chegou ao final da escada, começaram a sair gradativamente ao som de uma suave música de fundo, até chegar o momento em que restou apenas e o seu pai.
— Está pronta? — Gary entregou o buquê de flores nas mãos da filha.
— Só não me deixa cair, pai — pediu entrelaçando o seu braço no do mais velho, segurando o buquê com a mão livre e encostando levemente em sua barriga.
— Nunca — Gary respondeu respirando fundo, com um aceno na cabeça os seguranças que ali trabalhavam auxiliando a cerimônia abriram as portas.
Aquele momento era tomado totalmente por todas as emoções que poderia sentir, viu o caminho feito com um tapete branco que começava da porta até o altar, os seus convidados virando para olhá-la e respirou fundo dando o primeiro passo.
O primeiro passo de uma nova fase em sua vida.
Apertou o braço do seu pai ao sentir Kurt em festa em sua barriga assim que começou a andar sendo atentamente observada por todos os convidados, sentia-se segura por serem pessoas que fizeram parte da sua vida e de momentos importantes, casais de amigos que sempre foram leais no colegial que permaneceram com um forte laço de amizade depois de formados, alguns colegas de trabalho do TF, familiares que a viram crescer, todos a olhavam emocionados em vê-la casando, e ela também estava emocionada em estar casando.
Ao chegar no ponto principal, onde começava a pequena caminhada até o altar, seus olhos seguiram o tapete até eles se encontrarem com os pés de seu noivo. Subiu seu olhar calmamente por todo o corpo do rapaz observando o quão magnífico ele estava até seus olhos chocarem com os dele.
Era a troca de olhares mais confiante de toda a sua vida, respirou fundo abrindo um sorriso involuntário ao vê-lo sorrindo com os olhos cheios de lágrimas do altar e, com um pequeno passo do seu pai, começaram a caminhar lentamente.
olhava para andando em sua direção e sentia que a qualquer momento seu coração poderia parar de bater de tanta emoção que sentia passar em seu corpo em forma de arrepios. Suas mãos suavam frio e suas pernas pareciam que iam vacilar a qualquer momento o fazendo pagar o maior mico possível.
— o Sr. Crandfield disse em tom sério olhando para o integrante que estava prestes a entrar em sua família assim que aproximou-se para entregar sua filha.
— Sr. Cranfield — o respondeu com um sorriso sereno nos lábios ainda admirando a beleza de parada em sua frente ao lado do senhor.
— Quero lhe contar uma história — o mais velho começou a dizer, apenas concordou com a cabeça, pegando a todos desprevenidos. — E como qualquer história boa começa assim: Era uma vez um pai... E, caso não consiga entender, este pai sou eu. — todos presente riram com o começo da história, era uma boa maneira de quebrar aquele clima que a qualquer momento alguém debulharia em lágrimas. — Esse pai tinha uma filha maravilhosa em sua vida e estava muito feliz lhe ensinando a dar os primeiros passos e medindo sua altura na parede da cozinha — olhou para no altar, que sorria abertamente para o pai. — E um certo dia descobriu que sua mulher estava grávida, então ele rezou “Senhor, se for da sua vontade, me traga mais uma garota”. E assim Ele fez. — sentia seus olhos encherem de lágrimas apertando levemente a mão de seu pai, que continuava a contar sua história com os olhos também brilhando. — Fui o primeiro a segurá-la no colo. Olhei para ela e disse “Senhor, faça-a como a mãe”. E Ele fez. Claro que me arrependi um pouco, pois a Veronica não é uma das pessoas mais fáceis de se lidar... — Veronica riu negando com a cabeça. — Mas o que ninguém sabe é que ela é amorosa, generosa e também muito boa. Mas então percebi que fui deixado de lado, pois as três mulheres da minha vida se juntaram e pareciam não precisar mais de mim. Então eu disse “Senhor a faça como eu”. E Ele fez. Ela pode dirigir um caminhão e um trator, andar a cavalo, pode carregar feno e mascar tabasco... Tem ideia da encrenca que se meteu? — todos a volta novamente riram fazendo revirar os olhos antes de rir junto. — Mas ao mesmo tempo, teimosa, emotiva e muito, mas muito cabeça dura. Então eu disse “Senhor, assim já é demais”, ela cresceu, saiu as festas para se divertir, me deixou preocupado por beber demais, trouxe-me cabelos brancos com seus admiradores que não saiam da porta da nossa casa, mas ela sempre foi muito decidida e dedicada, formou-se, começou a trabalhar nos negócios da família ao meu lado, conheceu lugares incríveis pelo mundo ao lado da sua melhor amiga e irmã mais velha, , mas ainda assim eu sentia ao olhá-la que faltava alguma coisa então eu disse “Senhor a faça feliz”. Então, em uma dessas viagens repentinas, ela conheceu você. Está vendo essa expressão no rosto dela? — direcionou seus olhos cheios de lágrimas à sua futura esposa e deu um breve aceno — Eu nunca tinha visto isto até que ela conheceu você. Você pode não acreditar muito pela minha fama de durão, mas sou muito grato a isso, grato por fazê-la feliz e também por trazer à nossa família não só um novo membro, mas dois, pode ter certeza que você e o nosso pequeno Kurt serão muito amados — confessou. — E por isso que, hoje, eu dou a melhor coisa que posso lhe dar, então, , enquanto eu lha entrego, acho que não se importa se eu lhe der mais um conselho... — concordou com a cabeça. — Não estrague tudo.
O Sr. Crandfield abraçou e passou a mão em sua barriga antes de entregá-la a , que deu um singelo beijo em sua testa antes de virar-se para o padre.
— Senhoras e Senhores, estamos aqui reunidos no dia de hoje para testemunhar a união de Turner e Crandfield — os convidados se acomodavam, o padre olhou para em seguida.
Turner, é de livre e espontânea vontade que você aceita a Crandfield como sua legítima esposa?
— Aceito. — disse fazendo sorrir.
Crandfield, é de livre e espontânea vontade que você aceita Turner como seu legítimo marido?
— Aceito. — afirmou sua decisão olhando para agora o seu marido.
A cerimônia continuou com os dizeres do padre, as alianças entraram sendo entregues por uma prima de sete anos de que era a coisa mais fofa do mundo toda envergonhada andando em passos rápidos até os noivos.
— Eu, Turner, te recebo, Crandfield, como minha esposa, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, para amar e respeitar, enquanto nós vivermos. — deslizou a aliança pelo dedo da mulher.
— Eu, Crandfield, te recebo, Turner, como meu marido, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, para amar e respeitar, enquanto nós vivermos. — foi a vez de colocar a aliança.
Turner, Crandfield, assim, tendo testemunhado sua troca de votos diante de todos que estão aqui hoje, é com grande alegria que nós declaramos que vocês estão casados.
sorriu para , mas olhou para o padre esperando o momento mais aguardado da cerimônia.
— Pode beijar a noiva.
Então ele aproximou-se dos lábios da sua mulher, levando uma de suas mãos à nuca da mesma e a puxando sutilmente para o encontro de seus lábios. O beijo era lento e, mesmo sendo assistido por tantas pessoas, conseguia ser especial e único, a sincronia trazia o ar do beijo do primeiro dia em Nova Iorque, com o gostinho especial de quero mais.
— Eu te amo — foi a primeira a dizer assim que se desvencilharam, surpreendendo por ter sido a primeira a dizer as três palavras.
— Eu também te amo, Srta. Turner Crandfield. — murmurou juntando seus lábios novamente, sendo aplaudidos pelos convidados.

***


Durante a festa de casamento, e trocavam suas costumeiras farpas um com o outro, a grávida estava estressada sentindo-se estranha e com sua famosa fome de leoa enquanto queria tirar milhões de fotos por todo lugar.
Após a mãe de , Patrice, dar a largada dos depoimentos para o casal, um convidado inusitado apareceu entre as mesas seguindo cambaleante para cima do palco, deixando a todos tensos.
— Vocês pensaram mesmo que eu não iria vir? — Sylas disse no microfone tirando o convite do casamento todo amassado de dentro do bolso da calça. — Aqui diz que Sylas Ritchie é o convidado de HONRA para o casamento de Turner e Crandfield... E, ah, eu também era padrinho, mas um impostor roubou o meu lugar. — o advogado olhou fixamente para Peter, que estava sentado com em uma mesa ao lado dos noivos, todos os convidados direcionaram seus olhares ao casal sem exceção. — É muita cara de pau a sua estar acompanhando no meu lugar tentando viver a minha vida, não acha, Peter? Acha mesmo que ela me esqueceu tão rápido em tão poucos dias para estar vivendo esse conto de fadas ridículo ao seu lado? — Sylas riu.
— Sylas, chega, desce... — levantou-se ficando em pé ao lado da mesa, mas o ex-namorado parecia não se importar ainda olhando para Peter.
— Você é muito iludido mesmo. Ela está com você simplesmente para manter as aparências para a família dela. — foi aumentando o tom de voz. — Para dizer que não é uma largada que ficou para trás já que a irmã nova se deu bem na vida casando e esperando o primeiro filho... — silêncio reinava, todos estavam perplexos com suas palavras. — O primeiro neto do Sr. Cranfield, quem não queria ser o sortudo a engravidar uma das duas? — olhou para todos os convidados rindo de forma sarcástica. — Acreditem, eu tentei, tentei muitas vezes — Sylas concordava com a cabeça, olhava para todos os convidados em sua volta, que não sabiam o que fazer. — Aí vem um pé rapado que a mais nova conheceu em um dia viajando para Nova Iorque e consegue arrematar sem nem ao menos ter ideia de toda essa vida boa aqui. — abriu os braços apontando para a imensidão da casa onde eles moravam.
, faz alguma coisa — pediu segurando a mão do marido por baixo da mesa sussurrando baixo em seu ouvido, todo aquele clima lhe trazia uma péssima sensação, concordou com a cabeça ficando pé.
— Eu proponho um brinde a Turner, desejo ter a sorte dele algum dia na minha vida — Sylas levantou um cantil para oferecer um brinde, mas ninguém moveu-se para brindar com ele. — Vamos, pessoal, não sejam hipócritas, estão aqui justamente para puxar o saco dessa família então façam direito! — gritou batendo o pé.
, com os olhos marejados de lágrimas, avançou em direção a Sylas tirando o microfone preso no pedestal para perto do rapaz o segurando pelos braços na intenção de tirá-lo dali. aproximou-se seguido por seu amigo, Chad, que não hesitou em ajudá-lo. Peter respirou fundo tirando o smoking e andando em direção a todos que seguravam Sylas, lhe acertando sem piedade um soco em seu rosto, pegando a todos de surpresa, que não esperavam uma reação como aquela.
— Peter, NÃO! — gritou ao ver Sylas caído no chão com sua boca sangrando, e Chad o tentaram levantar, mas o mesmo esquivou-se rebelde em aceitar ajuda, mas não parecia ligar para isso quando abaixou-se segurando o rosto do rapaz entre suas mãos com força para ver o sangramento.
— Me solta, sua vadia nojenta! — Sylas disse entre dentes cuspindo o sangue em sua boca no vestido branco da mulher, livrando-se de suas mãos a levantar ainda cambaleando e tentar ir para cima de Peter, mas foi contido por Chad, que conseguiu o imobilizar com apenas um golpe.
Os seguranças da fazenda tinham sido acionados por Sr. Gary, que estava de pé ao lado de sua mesa observando atentamente toda aquela cena, com certeza o que aconteceria com Sylas não seria nada bom.
observou a cena sentindo uma forte dor tomar conta do seu corpo, talvez todo aquele clima não estava lhe fazendo nada bem, levantou-se às pressas sendo seguida por sua sogra, Patrice.
, o que houve? — a mulher perguntou lhe alcançando.
— Nada — negou com a cabeça respirando fundo. — Eu acho que vou...
Antes que pudesse continuar a dizer, passou correndo entre as duas mulheres aos prantos para dentro da casa, não pensou duas vezes em segui-la.
, espere, — gritou a mais nova com dificuldades de correr a vendo atravessar a casa em uma rapidez sem lhe dar ouvidos. — , vamos conversar... — ! — gritou correndo atrás da esposa. — O que aconteceu? — perguntou ao vê-la entrando às pressas para dentro de casa indo em direção a porta.
, volte aqui — gritou novamente ignorando o marido, abrindo a porta e percebendo que a irmã tinha pego o seu carro na garagem e manobrava agilmente o acelerando com tudo para sair. colocou a mão sob os ombros olhando para a mulher. — , eu preciso ir atrás dela.
— Está ficando louca? Acha mesmo que vou deixar você entrar dentro de um carro e correr em alta velocidade atrás da sua irmã?
— Mas eu preciso ir, ela precisa de mim...
você está grávida! — a cortou lembrando que não podia aventurar-se dessa maneira tão perigosa.
— E se eu te disser que sei para onde é que ela vai? — dizia eufórica olhando nos olhos de . — Precisa me deixar ir, é da que estamos falando, .
— Não — negou com a cabeça. — Não vou te deixar ir sozinha, , eu sinto muito porque...
, por favor... — pediu com os olhos marejados de lágrimas.
— Eu vou com você — esticou o braço para o porta chaves preso na parede atrás de puxando a chave do outro carro, a mulher sorriu beijando os lábios do marido antes de correrem para o carro.
Ao colocar o cinto de segurança, sentiu o pequeno Kurt contrair-se.

***


tentava manter uma velocidade média ao correr pela estrada, não queriam sofrer nenhum acidente em seu primeiro dia de casados nem ao menos machucar o pequeno bebê que ainda não havia vindo ao mundo.
Um trovão forte e alto apareceu no horizonte para sinalizar que uma bela tempestade estaria a caminho.
— Eu falei que iria chover — não podia deixar passar o fato de que avisou que a meteorologia para o dia do casamento dava indícios de chuva.
— No horário da nossa cerimônia estava Sol, Ok? — cruzou os braços revirando os olhos.
— E no horário da festa está prestes a cair um pé d'água — rebateu querendo ouvi-la admitir que ele estava certo.
— Foda-se, — aumentou o tom de voz. — Estamos casados, isso que importa.
— Não. O que importa é que eu tinha razão — estufou o peito sentindo-se vitorioso.
— Então casa com a sua razão, filho da mãe — irritou-se distribuindo tapas no ombro do rapaz.
— AI AI, não dá pra eu me casar com a razão, já estou casado com você agora — defendeu-se mostrando a aliança na intenção de amolecer o coração da amada.
— Vai se foder, eu te odeio — lhe deu mais um tapa antes de voltar-se a sentar normalmente no banco sentindo o seu corpo todo mais quente que o normal. — Pelo amor de Deus, liga esse ar condicionado, está muito quente aqui. — afastou os cabelos os enrolando para um lado só e pode-se ouvir mais um trovão estrondoso.
— Também fica toda agitada me batendo, é claro que vai arder em calor — disse ligando o ar. — Posso saber onde estamos indo? Até agora não vi nem sinal do nosso outro carro.
— Para o hipódromo — disse parecendo óbvio suspirando fundo e sentindo o ar refrescar sua pele. — Não existe mais nada nessa vida que acalme a como os seus cavalos a acalmam.
concordou com a cabeça fazendo o caminho mais rápido que ele conhecia para o hipódromo, os trovões continuavam incessantemente, mas ele resolveu não atormentar mais a sua esposa, que parecia estar muito nervosa com a situação.

***


Quando chegou ao hipódromo sem ao menos se importar em avançar com o carro pela terra que começava a molhar-se com os pingos de chuva, largou o carro em frente ao estábulo correndo para dentro do mesmo antes que os pingos engrossassem. Acendeu as luzes de todo o lugar andando ao centro do corredor entre as baias tomando a liberdade para deixar as lágrimas escorrerem pelos seus olhos, observando cada um dos cavalos que cuidava com tanto amor e carinho. Eram animais que nunca lhe decepcionava.
“Ela está com você simplesmente para manter as aparências para a família dela.”
As palavras de Sylas ecoavam em sua mente e a sensação era que tinha alguém invisível em sua frente socando com força o seu estômago, pois lhe faltava o ar apenas em lembrar.
“É uma largada que ficou para trás, já que a irmã nova se deu bem na vida casando e esperando o primeiro filho.”
Levando a mão ao estômago, olhou para o vestido o vendo manchado de sangue e correu em direção à pia no final do estábulo para lavá-lo em meio aos prantos. Não conseguia acreditar que Sylas, o homem que amou fielmente, tinha lhe machucado daquela forma, em frente a tantas pessoas, dizendo coisas cruéis ao seu respeito. Tinha estragado um dia tão importante da vida da sua irmã...
? — gritou seu nome da porta do estábulo alisando sua barriga sentindo uma cólica que presumiu ser por ter corrido do carro até o estábulo para não tomar toda aquela chuva. — , eu sei que você está aqui.
— Tem certeza que ela está aqui? — pôde ouvir a voz de , afastou-se da pia a fechando, olhando para o casal na entrada do estábulo, que sorriam aliviados ao encontrar a mais velha.
Sem ao menos pensar duas vezes e ignorando a dor que estava sentindo, correu em direção à mais nova e a viu olhar o chão do estábulo e arqueou a sobrancelha estranhando ao olhar para os seus pés percebendo que não estava molhando tanto assim. Observou as duas irmãs se abraçarem enquanto uma pedia desculpa para a outra, um trovão mais forte anunciou o início de uma forte chuva e o coração de palpitava mais forte ao chegar mais perto de sua esposa e perceber que a barra do seu vestido estava avermelhada tanto de terra, quanto de sangue.
... — tocou ombro da mulher, que segurava sua própria barriga com uma das mãos enquanto abraçava a irmã com a outra.
, por favor, deixa eu ter um momento a sós com a minha irmã, nós precisamos conversar. — pediu educadamente olhando para o rapaz, que encarava o chão. Ela olhou para baixo percebendo que estava todo molhado e seu vestido manchado de sangue. — , o que é isso?
— Eu que te pergunto, , a-a s-ua bolsa estourou? — ao fazer aquela pergunta, sentiu uma pontada muito forte em sua barriga e a cólica começou a se intensificar a fazendo abaixar-se.
arregalou os olhos a segurando de imediato junto com .
— Oh, meu Deus, a minha bolsa estourou, , a minha bolsa estourou — constatou olhando para o rapaz com os olhos arregalados.
— Ah, não diga? — ironizou a segurando com força, pois ela estava soltando todo o seu peso em direção ao chão.
— Agora não é hora pra gracinha — repreendeu .
, nós precisamos ir para o hospital agora... — um barulho forte de trovão tomou conta de todo o estábulo apagando suas luzes em seguida. — A NÃO! Tá de brincadeira? — olhou para cima para certificar-se se a luz não iria mesmo voltar. — Puta que pariu, , o que vamos fazer?
— Vamos levar ela para a última baia — disse — É a única vazia e limpa.
não questionou, apenas pegou no colo, a levando para a baia que indicou enquanto a mesma andava até os armários pegando uma pilha de toalhas brancas, um kit médico e um balde, o enchendo de água. Levou tudo para a baia, onde afofava o feno ao lado de , que permanecia sentada tendo fortes contrações.
molhou uma das toalhas, passando pelo rosto da irmã mais nova, pedindo para que ela respirasse da mesma maneira que aprendeu nos livros de gestante que tanto leu durante os últimos meses. dobrava as mangas da sua camisa social estendendo as toalhas para poder acomodar da melhor forma sua esposa, sentando-se ao seu lado e segurando a sua mão.
— N-ó-s precisa...mos ir para o hospital — disse com dificuldade sentindo o seu corpo inteiro retrair-se de dor.
— A chuva está muito forte, os carros vão atolar na lama, não vamos conseguir nem chegar até à entrada no hipódromo antes que o Kurt nasça dentro do carro... — dizia trêmula olhando para , que não sabia o que poderia fazer. — — ela o chamou. — Agora é com você.
, não — negou com a cabeça. — E-eu não consigo...
— Pois vai ter que conseguir — o interrompeu aumentando o seu tom de voz autoritariamente. — O seu filho precisa de você para nascer, .
... — o chamou passando a mão em seu rosto. — E-eu confio em você. — disse para o marido antes de morder os lábios sentindo outra contração fortíssima.
apenas concordou dando um beijo carinhoso em sua testa, saindo do seu lado e posicionando-se entre suas pernas. Juntou a barra do longo vestido o rasgando com facilidade para livrar-se de todo aquele pano, o deixando logo atrás do seu corpo. deitou-se da melhor forma e tomou o lugar do cunhado segurando a mão da irmã pedindo para que ela respirasse no mesmo compasso. Foram longos minutos, até mesmo uma hora e meia ou mesmo, a chuva começava a dar uma trégua e pediu para que seus pais chamassem uma ambulância para buscar no hipódromo, mas Kurt não parecia muito afim de esperar os paramédicos, quando começou a dar indícios para o seu pai que estava vindo ao mundo.
arregalou os olhos respirando fundo ao começar a ver a cabeça do bebê apontando para sair, pedia pra fazer toda a força que conseguia, pois o seu trabalho era perfeito, o filho deles estava vindo ao mundo, encorajava a irmã mais nova olhando em seus olhos.
No momento em que Kurt estava prestes a sair, o Gary e Veronica estacionavam o carro em frente ao estábulo, onde saíram correndo sem se importarem com a chuva e seguindo para dentro do estábulo, ouvindo os gritos de na última baia, trataram de se apressar, chegando no momento exato para ver o nascimento do seu primeiro neto.
forçou, sentindo que estava usando toda a força que existia em seu corpo dando ao bebê, que foi empurrado para fora no momento seguinte, chorando para anunciar a sua chegada ao mundo.
o pegou em seus braços rapidamente o enrolando em uma toalha branca, aproximou-se mexendo no kit médico para pegar uma tesoura cortando precisamente o cordão umbilical. As lágrimas corriam livremente pelo rosto de , que nunca havia imaginado em sua vida viver uma experiência como aquela, ajudar no parto do seu próprio filho.
Ele aproximou-se de ajoelhando-se ao seu lado, lhe entregando cuidadosamente o bebê em seus braços, que chorava sem parar ainda acostumando-se com o mundo exterior.
... — o chamou entre soluços, passou a mão por seus cabelos dando um beijo em sua testa ainda chorando. — Ele é perfeito, , o nosso filho é muito lindo.
— Você fez um trabalho maravilhoso, a elogiou olhando para o bebê, que abriu os olhos ao ouvir o som da sua voz. — Ele é tão... Nosso. — o rapaz não sabia como se expressar.
— Eu não teria conseguido sem você — beijou a bochecha do pequeno Kurt antes de inclinar sua cabeça para olhar e selar seus lábios. — Eu te amo, , obrigado pelo melhor presente da minha vida.
— Eu te amo, , obrigado por me deixar viver essa experiência ao seu lado — murmurou contra os lábios dela não contendo suas lágrimas.
Gary e Veronica permaneciam parados assistindo toda a cena, emocionados demais para poder dizer alguma coisa naquele momento. percebeu a presença dos pais e levantou-se do feno juntando-se em um abraço com eles, observando o casal curtir o filho que chegara ao mundo.


FIM.



Nota da autora: ALÔ GALERA DE COWBOY, ALÔ GALERA DE PEÃO! SEGURA PEÃOOOOOOOOOOOOOOOOO!
O quanto eu AMO esse casal, não tá escrito minha gente, eles são simplesmente perfeitos af.
Penso seriamente em uma continuação dessa história para vermos como esses dois e essa família desequilibrada vai lidar de cuidar do pequeno baby recém-nascido... E esse Sylas será que já comprou a passagem de volta para Chernobyl?

Outras Fanfics:
Anobrain
Desventuras em Série

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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