CAPÍTULOS: [Prólogo] [01] [02] [03]




Última atualização: 01/10/2017

Prólogo


“- Sem ofensas, mas eu não trabalho bem em equipe. - Diz Tony.
- Fica grandão na armadura, né? E sem ela, o que você é? - Steve pergunta, se aproximando do moreno.
- Gênio, bilionário, playboy, filantropo? – Stark responde ironicamente.”


- Você não cansa de assistir isso? – Chris pergunta, me fazendo cair do sofá com o susto.
- Ok, o que nós conversamos sobre não me assustar desse jeito? – pergunto, me levantando e limpando minha roupa – Eu estava bastante concentrada no filme.
- Concentrada? Quer dizer que enquanto estamos fora gravando, você fica aqui assistindo o mesmo filme pela, sei lá, milésima vez? – ele pergunta, apontando para a televisão que agora mostrava as cenas de batalha do primeiro filme dos Vingadores.
- Olha só, eu não tenho culpa se tenho amigos que são extremamente talentosos, e que posso alugar a sala de um deles para assistir essa maravilha do Universo Marvel. – respondo, ajeitando minha franja e encaro o loiro a minha frente – E como você acaba de falar, não deveriam estar gravando?
- Na verdade, me mandaram aqui pra levar você pro restaurante, terminamos a gravação e decidimos jantar todos juntos. – Chris respondeu, me fazendo erguer uma sobrancelha em confusão. – Você tem dez minutos pra tomar um banho e se livrar desse pijama.
Talvez ele tivesse um pouco de razão, eu havia virado uma viciada pelo Universo Marvel desde o incidente na Comic Con. Fora hilário abrir minha bolsa para pegar meu celular e perceber que o aparelho não era o mesmo, mais hilário ainda foi a reação que tive ao devolver o celular para seu dono e constatar que eu com toda certeza havia nascido muito sortuda. Jeremy Renner não só tinha o mesmo modelo de celular que eu, como também havia ficado louco ao descobrir que seu celular havia sido trocado com o de outra pessoa. Era uma história engraçada, ríamos sempre que nos recordávamos dela e ainda brincávamos que tinha sido o destino a fazer aquilo para que nos conhecêssemos. Meus pensamentos foram interrompidos quando o barulho de algo explodindo me fez gritar e de repente a água do chuveiro parara de cair. Com todo cuidado para não tropeçar ou bater em algo, começo a tatear a parede até sentir algo fofo, minha toalha, e me enrolo.
- Chris? – chamo no meio daquele breu quando vejo algo brilhando e sigo em direção a tal luz. – Chris, se isso for alguma brincadeira, já pode parar!
Encontro a fonte de luz que piscava insanamente me fazendo ficar tonta e pego o pequeno aparelho nas mãos. Era algo pequeno, cabia na palma da minha mão com a maior facilidade e emitia uma luz roxa intensa, talvez algum brinquedo ou algo para me assustar, a última opção estava funcionando muito bem. Aquele pequeno aparelho começava a piscar mais ainda até que uma luz cegante tomou conta da sala e em questão de segundos já me encontrava no chão desnorteada. Foram questão de minutos até que nada mais fizesse sentido e tudo que pude sentir foi alguém me carregando para algum lugar antes de desmaiar completamente.

Capítulo 1


Bom dia, Srtª. Barton, os Vingadores lhe aguardam na cozinha para tomar café.
Cozinha. Vingadores. O que estava acontecendo? Por que o sol entrava no meu quarto se as persianas sempre estavam fechadas? Abro os olhos com certa dificuldade e me deparo com um quarto estranho, não tão estranho aparentemente. Levanto devagar, observando cada detalhe daquele quarto, algumas fotos espalhadas pelo cômodo que fizeram meu coração disparar insanamente sem minha permissão. Minhas pernas pareciam ter vida própria, assim como meus braços e minhas mãos, que agora seguravam o porta-retrato com a foto de um casal se beijando.
- Senhorita? Está tudo bem? – uma voz vinda do nada faz eu me assustar e derrubar a foto no chão, ouvindo logo em seguida o barulho do vidro caindo.
- Quem disse isso? – pergunto, me afastando dos cacos de vidro. – Jeremy, se isso for alguma brincadeira sua e do Chris, pode parar, já estou assustada.
- Perdão, Srtª., Vou informar ao senhor Barton que a senhorita acordou. – a voz diz e me sinto ainda mais confusa.
Barton. Era o sobrenome do personagem de Jeremy no filme, mas por que aquela voz insistia em falar daquele jeito? A foto, a voz, só podia ser coisa do pessoal do elenco. Isso! Era apenas uma brincadeira e com certeza eles entrariam pela porta rindo de mim a qualquer momento.
- ? – a porta se abre e vejo Jeremy entrar com seu figurino de Gavião Arqueiro, agora tudo parecia ainda mais confuso.
- Jeremy! – me jogo em seus braços tomando cuidado com os equipamentos que ele carregava – Eu sabia que era só uma brincadeira sua.
- Jeremy?! , a pancada de ontem afetou seu cérebro? – o loiro me encarava confuso. – Quem é Jeremy?
- Ok, a brincadeira acabou, Renner! – digo, me afastando dele. – Já pode dizer pro pessoal aparecer.
- Você não está bem, sabia que não deveria te deixar treinar com a Natasha. – Jeremy dizia enquanto me analisava, aquele teatrinho já estava de dando nos nervos.
- Mas que droga, a brincadeira acabou, ok? – bati o pé no chão com raiva. – Já pode parar de fingimento.
O olhar que Jeremy me lançava era confuso, parecia que eu era um alienígena de outro mundo que havia substituído a que ele conhecia. De repente a porta havia sido aberta de novo e um batalhão de pessoas entrava no quarto. Tive vontade de rir, todo o elenco estava ali, mas estavam diferente, todos com seus figurinos de herói, com exceção de Robert que parecia estar usando apenas o pequeno dispositivo que se passava pelo reator de Tony Stark.
- Tudo bem por aqui, Clint? – Evans perguntou ao me olhar e ver os cacos de vidro no chão.
- Chris... Que brincadeira é essa? – pergunto, vendo todos me encarando.
- Mas quem é Chris? – Chris, ou a pessoa que parecia fisicamente com ele, perguntou confuso.
Aquilo já tinha passado dos limites há muito tempo e ninguém parecia perceber isso. Com raiva e frustração começo a correr pra fora do quarto e pelos corredores que agora me pareciam ainda mais conhecidos. Estávamos no estúdio, aquele era o set da Torre, mas por que tudo parecia tão real e não feito de madeira e paisagens pintadas? Minhas pernas já reclamavam de cansaço quando algo me derruba no chão e começo a ver estrelas.
- Não deveria correr por ai no estado que está. – ouço uma voz e tento focar no rosto da pessoa.
- Por favor, diga que pararam com a brincadeira. – pergunto, me levantando e me deparando com Mark, ou pelo menos esperava que fosse ele.
- Realmente você levou uma pancada forte demais da Romanoff ontem, como se sente? – Mark falava enquanto eu praticamente arrancava alguns fios de cabelo de tanta raiva.
- Por que vocês não param? Já perdeu a graça. – digo, entrando em crise. – Por que ninguém me diz o que está acontecendo?
Então algo fez minha ficha cair. Um pequeno aparelho brilhante dentro do que parecia ser o laboratório da Torre, algo que emitia sua luz roxa e chamava minha atenção. Era possível algo assim acontecer? Ou era alguma alucinação devido a alguma pancada séria na cabeça? Como as pessoas que eu conhecia tão bem pareciam ser diferentes aos meus olhos, mas para eles mesmos aquilo tudo era normal?

Capítulo 2


- Não vai se jogar daí, não é? – respiro fundo antes de me virar para encarar o loiro encostado no batente da porta. – Não seria uma queda muito divertida.
- Eu não sei como te chamar, de onde eu venho você tem outro nome. – abaixo a cabeça envergonhada.
- Que tal começarmos devagar? Oi, meu nome é Clint. – começo a rir e aperto a mão que ele me estendia.
- , mas acho que você já sabe disso. – digo, sentindo um choque percorrer minha mão em contato com a sua. – Você acredita mesmo no que eles disseram?
- Não duvido de mais nada ultimamente, já vi alienígenas entrando na Terra por um portal criado por um deus nórdico. – Clint me encara enquanto fala como se quisesse me analisar.
Há algumas horas todos haviam se reunido na sala para debater como eu havia chegado ali, aparentemente uma façanha bastante elaborada já que em pouco tempo o culpado daquilo já havia sido encontrado. Por causa de uma experiência com um objeto criado pelo Dr. Banner junto de Tony, um buraco de minhoca havia sido aberto e de algum modo tudo isso acontecera no meu apartamento. De algum modo existia naquela realidade uma pessoa física e psicologicamente idêntica a mim, exatamente a parte que estava sendo bastante difícil de engolir. Quer dizer, quantas vezes um super-herói que você só via em filmes fala para você que de alguma maneira seu corpo foi para outra dimensão onde já existe uma de você? É meio impossível de acreditar, ou talvez muito impossível.
- Só não sei em que acreditar agora, apesar de tudo parecer tão normal, ao mesmo tempo parece estranho. – digo, suspirando e me afastando da sacada.
- Você pode tentar se descobrir, não é uma guerra, ainda. – Clint dizia enquanto me observava. – Que tal começarmos com algo fácil?
- Tenho certo medo de descobrir o que a palavra fácil significa no seu vocabulário. – sorrio nervosa.
- Pra começar, um treino com a Romanoff. – arregalo os olhos, espantada, enquanto o loiro começa a rir. – Ou talvez só um pouco de tiro ao alvo.
- Vai me deixar pegar em uma arma? – pergunto desconfiada.
- Se não for atirar em mim. – diz com um tom divertido enquanto me empurra para fora a sacada.

Definitivamente a palavra fácil não tinha o mesmo significado para Clint Barton. Eu fora obrigada a trocar de roupa, depois de alguns minutos de discussão e um momento constrangedor de Clint no mesmo quarto que eu, finalmente havia trocado minha roupa comum por um macacão realmente colado no corpo. Sentia-me Natasha Romanoff naquela roupa, apertada, colada, com a exceção que, ao que parecia, minha roupa possuía mais decote que a de Nat. As horas seguintes foram de total frustração, nenhum tiro disparado por mim chegava perto do alvo, já havia xingado tantas vezes que se Steve estivesse presente iria me repreender como só ele faz. De repente um pensamento passou pela minha cabeça, minha eu dessa realidade já teria acertado o alvo com toda certeza. Ela devia ser treinada, devia saber lutar, atirar, tudo que uma verdadeira agente faz com o bônus de ter Clint Barton como parceiro/marido. Enquanto isso eu sequer conseguia acertar um maldito tiro em um boneco.
- Você está fazendo a cara que sempre faz quando está pensando. – saio dos meus devaneios ouvindo Clint falando comigo.
- E como sabe que estou pensando? – pergunto com um tom desafiador na voz.
- Por que no dia em que te vi pela primeira vez, você estava exatamente desse jeito enquanto segurava uma arma. – engulo seco quando sua mão instintivamente coloca meu cabelo atrás da orelha. – Foi a cena mais sexy que já vi na minha vida.
- Sou uma mulher casada, senhor Barton. – falo baixo, encarando seus olhos tão pertos dos meus.
- Seu marido é muito sortudo por ter uma mulher assim. – sua voz ficava cada vez mais baixa e rouca. Tão tentadora.
De repente aquele momento parecia tão certo, tão natural, como se já tivéssemos feito várias e várias vezes. Apenas em sonhos eu imaginaria Clint Barton tão perto de mim, me encarando profundamente, prestes a me beijar. Nem mesmo com Jeremy eu tinha chance de ficar assim, não que já tenhamos tentado fazer isso. E exatamente como em um sonho, alguém precisava me acordar daquele momento perfeito, não que eu fosse matar o pobre Tony por estragar o que possivelmente seria o melhor beijo do mundo, mas o timing dele poderia ser um pouco pior.
- Estou atrapalhando? Espero que não, deixem para namorar no ninho de vocês. – Stark dizia com seu tom de piada de sempre. – Então, loirinha, já descobriu o que pode fazer sem a ajuda dessa ave sem penas?
- Stark, eu ainda posso acertar uma flecha em você durante a noite. – Clint diz, me fazendo cair na risada. – E você, foco naquele alvo, quero pelo menos dez acertos até a hora do jantar.
- Sim, senhor mandão. – falo sorrindo e volto a olhar pro alvo.
Se com apenas uma pessoa me olhando era difícil me concentrar, com duas, era ainda pior. Errar com Clint assistindo era uma coisa, ele apenas iria me corrigir e ensinar como fazer, com Stark assistindo era totalmente diferente. O cara era um dos meus heróis favoritos, não que eu fosse deixar Barton saber disso, era primordial que eu acertasse alguma vez. E como se meu corpo tivesse vida própria, me vi erguendo a pistola e ao respirar fundo um total de cinco disparos foi feito. Todos acertando o meio do boneco de treino, perfurando o tecido e fazendo areia escorrer pela pobre vítima do meu momento de atiradora enquanto os homens presentes no recinto aplaudiam minha proeza.

****


Em um primeiro momento aquela cozinha parecia que havia sido vítima de um furacão, até a hora em que vi o real motivo da bagunça. Todos andavam de um lado para o outro atrás de diversas coisas para o jantar, uma simples pizza, já que ninguém se sentia capaz de cozinhar. Clint trazia três caixas de pizza, Natasha pegava guardanapos, Bruce pegava os copos. Tony, Steve e eu apenas observávamos sentados, toda aquela preparação praticamente desnecessária.
- Vocês sabem que não precisa fazer essa destruição toda? – pergunto enquanto abro uma das caixas de pizza e pego uma fatia.
- Tem duas mulheres nessa Torre que não querem cozinhar. – Steve dizia enquanto pegava sua fatia de pizza.
- Ok, não está mais aqui quem falou. – sorrio e começo a comer. – Afinal de contas, vocês encheram minha cabeça de informação, mas não disseram exatamente o que eu queria saber.
- E o que exatamente você quer saber? – Bruce pergunta.
- Eu contei que na minha realidade existem filmes sobre vocês, cada filme segue uma ordem e eu preciso saber em que parte da história estamos. – despejo tudo de uma vez e faço todos rirem.
- Há mais ou menos algumas semanas nós impedimos que o projeto Insight destruísse milhões de pessoas. – Natasha, a única que não estava de boca cheia, respondeu.
- Então já sei o que vem depois. – respiro fundo e repasso em mente tudo que aconteceria dali pra frente. – Eu preciso dormir, com licença.
Saio da cozinha o mais rápido possível sem deixar a mostra meu nervosismo. Naquele momento me sentia a pessoa mais azarada do mundo, saber tudo o que vai acontecer e, por ter visto vários filmes com aquela situação, não poder compartilhar com ninguém. Era um peso muito grande que somente eu deveria carregar. Enquanto entrava no quarto fazia em minha mente um bom plano para que pudesse mudar as coisas sem que algo desse errado.
- . – a voz de Clint preenchia o silêncio do quarto. – Quer falar sobre isso?
- Não, Clint, eu não quero. – digo um pouco fria enquanto começo a descer o zíper da minha roupa.
- Eu sei o que você está pensando. – ele diz, me virando de frente para poder olhar em meus olhos. – Não precisa carregar esse peso sozinha.
- Você não sabe o que vai acontecer, mas eu sei. – fixo meu olhar no dele enquanto, sem minha permissão, minha respiração começa a descompassar.
- Então me fala. – Barton se aproxima e suas mãos entram em ação. Uma em minha cintura me puxando para mais perto, a outra no zíper do macacão, fazendo meu coração saltar no peito.
- Clint... – fecho os olhos pare tentar recuperar meu autocontrole.
- Sente o momento. – ele diz e meu coração fica a ponto de explodir.
Sinto o zíper descer até a metade e um beijo ser plantado em meu pescoço, parecia tão certo e tão errado ao mesmo tempo. Não era a mim que ele via enquanto me beijava, era a com quem ele havia casado e com quem tinha afinidade para muitas coisas. Entre um beijo próximo a minha boca e um aperto mais firme em minha cintura, alguém se sentiu no dever de bater na porta e acabar com mais um momento perfeito. Casal Barton 0 X 2 Vingadores.

Capítulo 3


(Pra acompanhar esse capitulo, sugiro ouvir a musica Untitled do Simple Plan.)

Esperar o sinal e começar a atirar nos inimigos nunca me pareceu algo tão difícil de fazer, ainda mais quando aquilo não se tratava de um treinamento com Natasha ou Clint, era a vida real. O frio já fazia meus lábios ficarem rachados, minhas mãos tremiam mesmo com a jaqueta e as luvas me protegendo do ar gelado. Pelos meus cálculos e pela linha do tempo, estávamos no início do que seria o segundo filme dos Vingadores. Tony recuperaria o cetro de Loki, sem intenção alguma criaria Ultron e tudo começaria a ficar divertido, não que seja divertido ter uma inteligência artificial psicopata querendo destruir a raça humana, mas acho que deu pra entender o que eu quis dizer. O único problema naquilo tudo era ficar na nave esperando qualquer aproximação, era agonizante ao mesmo tempo saber que em pouco tempo Clint estaria em perigo e eu não poderia e nem deveria ajudar.
- ... Algum movimento? – sorri, ouvindo a voz de Barton no meu comunicador e aperto o botão, pronta para responder.
- Não desde a última vez que você perguntou, querido. – respondo, mudando o peso do corpo para a outra perna.
- Droga! – diz Tony irritado.
- Olha a língua, Stark. – repreendo o moreno e percebo que aquela não era para ser minha fala e sim de Steve. Eu havia simplesmente dito aquilo por impulso, como se fosse algo que eu dissesse todos os dias.
- JARVIS, como é a vista de cima? – Capitão se pronuncia e viro para trás tendo a visão do computador com a imagem de satélite da base onde Strucker estava escondido.
- A construção central parece estar protegida por um campo de energia. – o sistema responde, mostrando imagens na minha tela.
- A tecnologia dele é mais avançada que de outras bases da Hidra. – novamente, falo na hora errada e me xingo mentalmente. – O cetro do Loki deve estar aqui.
Tiro o comunicador do ouvido temendo estragar mais algum momento daquele dia. Duas vezes. Duas vezes eu havia mudado um mínimo pedaço da história, haveria consequências. Clint estava logo ali com Nat, lutando contra as forças dos soldados de Strucker. Mas o que diabos eu estava fazendo ali sentada na nave? Escondendo-me como uma covarde é claro. Levanto rápido da cadeira do piloto e pego minhas armas. Danem-se as consequências, não vou ficar sentada esperando as coisas acontecerem.
- Precisando de ajuda, Gavião? – pergunto inocentemente ao colocar o comunicador de volta e começar a correr em direção a batalha.

- Eu disse pra você ficar naquela maldita nave. – Clint rosna e logo posso vê-lo disparando flechas contra um bunker.
- E eu não quero obedecer você agora. – dou meu melhor sorriso simpático e atiro em dois homens nas árvores. – Afinal de contas, se você está aqui, então eu também posso.
- Você ainda vai me fazer perder o juízo, mulher. – o loiro me puxa pelo braço, fazendo meu corpo desviar de um raio azul das armas dos soldados e me encara por um minuto. – Não morra, vamos ter uma conversa séria sobre sua desobediência depois.
- Alguém já disse que você fica sexy quando está irritado? – pergunto, depositando um leve beijo em seus lábios e volto para a ação.
- Os pombinhos podem namorar depois? – ouço Stark falar depois de algum tempo de silêncio do mesmo. – Eu achei o cetro, voltem para a nave.
- Romanoff... Hora da canção de ninar. – Steve diz e finalmente vejo o vulto percorrendo a floresta.
Como eu pude ser burra ao ponto de esquecer os Maximoff? Naquela altura eu já podia ver tudo acontecendo, Steve avisando os outros, Clint me puxando de volta para a nave... Não, ia acontecer! Na minha frente, ia acontecer mesmo com minha interferência. Sinto meu pé ficando preso em alguma pedra escondida por toda aquela neve e caio no chão bem a tempo de ver o raio azul passar por cima de mim e atingir Clint. Meu coração para por um minuto ao vê-lo caindo bem na minha frente. Tum Tum. Faço força para levantar e me arrasto até Clint. Tum Tum. Vejo o sangue tingindo a neve branquinha com um vermelho escarlate. Tum Tum. Tony pousa a armadura perto da nave ao mesmo tempo em que Natasha e Bruce chegam. Tum Tum. Alguém diz algo para mim, mas não sei de quem é a voz ou o que está dizendo, meus sentidos parecem ter adormecido. Tum Tum. Steve me puxa para longe de Clint e eu começo a me debater em seus braços, meus gritos tomando conta do silêncio que todos faziam. Tum Tum. Thor pega Clint e entra na nave enquanto alguém, provavelmente Natasha, injeta algo em meu braço. Tum Tum. Eu apago.

***


- Ela está acordando. – ouço a voz de Bruce longe e tento abrir os olhos, me arrependendo no mesmo instante.
- Apaguem as luzes. – resmungo cobrindo meus olhos e puxando o ar fortemente. – O que aconteceu?
- , o Clint foi atingido. – Bruce diz, me fazendo abrir os olhos rapidamente e me sentar na maca.
- Onde ele está? – tento sair da maca, mas sou segurada por um enfermeiro. – Bruce, onde ele está?
- Não se altere, ainda preciso fazer alguns exames.
- CADÊ ELE, BRUCE? – perco o controle e empurro o enfermeiro que tentar injetar outro sedativo em mim. – SE AFASTA!
Abro a porta do quarto e corro pelo complexo, notando em determinado momento que estávamos na ala hospitalar. Passo por todas as salas e olho pelo vidro de observação procurando Clint com os olhos, quando meu corpo parece travar no lugar e meus olhos se enchem de lágrimas. Uma equipe de médicos e enfermeiros tentava a todo custo impedir o sangramento de Clint enquanto o mesmo faz uma expressão de dor. Aproximo-me do vidro e uso as mãos para me apoiar e deixo as lágrimas escorrerem por meu rosto, era tudo culpa minha. Eu podia ter corrido na frente dele e o tirado do caminho daquele maldito tiro.
- . – sinto uma mão tocar em meu ombro e reconheço a voz de Tony. – A drª. Cho chegou, vão consertar ele rapidinho, ela está no laboratório do Banner.
- Foi culpa minha. – digo com a voz embargada. – Eu podia evitar, eu sabia como ia acontecer e...
- E você não pode mudar a ordem das coisas. – o moreno diz, me fazendo virar e encará-lo. – Agora vamos parar com esse momento sentimental e subir para ver seu namorado ser reconstruído.
- Ele é meu marido, Stark. – digo automaticamente e sinto minhas bochechas esquentarem.
Tony me encara com um olhar perverso e o sigo até o elevador. Em instantes estamos no laboratório e lá estava Hellen Cho com sua máquina e reconstrução celular, uma expressão preocupada dominava seu rosto quando o elevador mais uma vez se abriu e uma dupla de enfermeiros entrou trazendo um Barton meio consciente e meio sedado. Seria engraçado se não fosse trágico, mas nada me impedia de zoar ele em um momento futuro não é? Tudo ocorreu exatamente como eu me lembrava, Clint deitado e a máquina reconstruindo o tecido que havia sido perdido, Tony fazendo seu famoso suco de clorofila e brincando sobre a hora da morte de Clint.
- Vai ficar novo em folha, nem sua namorada vai notar a diferença. – Hellen disse, me fazendo ter vontade de rir.
- Eu não tenho namorada. – Clint estica o pescoço o máximo que consegue e me encara.
- Isso eu não posso resolver. – um risinho escapa da doutora e me permito rir.
- Eu tenho esposa. – um sorriso perfeito toma conta do rosto do loiro e faz a mulher me olhar surpresa.
Alguém notaria se eu me escondesse de vergonha? Ou testasse a teoria se o Gavião Arqueiro sabe voar e o jogasse pela sacada do prédio? Depois daquele momento de constrangimento gratuito, causado por Clint, todos arranjaram algo para fazer. Tony e Bruce iriam checar o cetro, algo que me deu medo a princípio, mas logo em seguida precisei parecer confiante para não demonstrar que tudo daria errado. Ainda faltavam algumas horas para a festa de comemoração e eu realmente precisava de um banho, já estava sentindo o uniforme pregar em meu corpo por causa do sangue de Clint e suor misturado. Volto para o quarto e retiro minhas roupas para entrar de cabeça embaixo do chuveiro e deixar a água quente me livrar do cansaço e estresse daquele dia.
- ? – a voz de Clint preenche o silêncio no quarto.
- Banheiro. – informo, pegando a toalha e enrolando em meu corpo segundos antes da porta do banheiro ser aberta por um Barton totalmente sem camisa. – Olá, músculos.
- Olá, pernas. – começo a rir com aquela saudação totalmente idiota e me aproximo dele devagar. – Você me deu um susto.
- Eu te dei um susto? Você que foi atingido por uma arma feita da tecnologia daquele cetro e quase morreu. – dou um tapa no peito dele, que segura minha mão e me puxa até estarmos cara a cara.
- Ficou preocupada? – Clint pergunta, fazendo seu hálito bater em meu rosto e meu corpo todo se arrepiar.
- Se você morresse não sei se aceitariam ter mais uma vingadora usando o nome Viúva. – falo baixinho com uma pontada de tristeza.
- Não vai se livrar assim de mim. – ele diz antes de agarrar minha cintura com firmeza. – E garanti que dessa vez ninguém vai atrapalhar.
Engoli em seco aquelas palavras antes de sentir minhas costas baterem na parede do banheiro e o corpo de Clint pressionar o meu segundos antes dos seus lábios tomarem os meus em um beijo cheio de saudade. Uma saudade que eu nem sabia que estava sentindo, parecia que aquele beijo estava esperando para acontecer a tanto tempo que nem mesmo a falta de oxigênio iria fazer aquilo parar tão cedo.

Continua...



Nota da autora: AAAAAAAAAAH COMO FAZ PARA NÃO CHORAR? Juro para vocês que eu ia escrever essa cena antes, mas vários problemas ocorreram e só agora eu pude voltar a escrever. Mas vamos lá, mais alguém teve um ataque cardiaco junto com a ?E essa música que indiquei para ouvirem junto? Acho que essa cena foi o ponta pé inicial que a fic precisava para pegar impulso e começar a se encaixar na historia dos filmes. Esse capitulo totalmente causador de feels eu super dedico pra Bru que deve tá querendo me matar. E pra Fernanda, minha melhor amiga, que leu a cena antes de todo mundo e quase me mata. Beijos a tia Beck, não esqueçam de comentar.




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