Última atualização:10/11/2020

Prólogo

“- Sem ofensas, mas eu não trabalho bem em equipe. - Diz Tony.
- Fica grandão na armadura, né? E sem ela, o que você é? - Steve pergunta, se aproximando do moreno.
- Gênio, bilionário, playboy, filantropo? – Stark responde ironicamente.”


Repeti a fala de Tony Stark junto ao personagem e gargalhei novamente vendo aquela cena. Poderia passar anos e eu ainda continuaria achando graça daquela parte do filme. O barulho do micro-ondas me fez sair da cama correndo para pegar a pipoca, na esperança de voltar logo para o quarto e continuar minha maratona de filmes da Marvel.

- Se você estiver assistindo Vingadores de novo, eu juro que desisto de ser seu amigo! – ouço a voz de Jeremy vindo da sala, enquanto ainda despejava a pipoca em uma tigela.
- Me lembra de novo, por qual razão eu te dei uma copia da minha chave? – perguntei saindo da cozinha já com a pipoca em mãos.
- Ok, já que você não quer ir jantar com a gente. – o moreno dizia enquanto se aproximava de mim e roubava algumas pipocas. - Digo aos outros que você preferiu ficar assistindo esse filme pela milionésima vez na vida.

Arregalei os olhos com as palavras vindas da boca de Renner. Quem seria louco de dispensar um jantar com o elenco de Vingadores? Com toda certeza essa pessoa não era eu! Entreguei a tigela com pipoca para Jeremy e sai correndo em direção ao quarto, no intuito de entrar rapidamente no banho e trocar de roupa. Na televisão, as cenas da luta entre os Vingadores e o exercito de chitauri se desenrolavam, ao ponto de fazer com que minha vontade de parar e assistir ficasse aguçada. Balancei a cabeça por um minuto e entrei no banheiro, já me despindo de minhas roupas e entrando de cabeça embaixo dos jatos gelados que saiam do chuveiro. Acredito que não haviam se passado dois minutos desde que havia entrado no banho quando todas as luzes se apagaram, me fazendo pular assustada e quase cair devido ao chão molhado.

- JEREMY? – gritei enquanto tateava o escuro, em busca da toalha que se encontrava em uma das bancadas do banheiro.

Eu odiava o escuro, com todas as minhas forças, e se aquilo fosse alguma brincadeira de Jeremy, eu iria acabar com aquele rostinho premiado de Hollywood. Com um esforço tamanho, para não tropeçar e cair, consegui alcançar a toalha e me enrolar na mesma, já partindo para onde sabia que ficava a porta. Aquela situação já estava me deixando nervosa quando uma luz começou a se mostrar, vinda da sala. Andei com pressa até a sala, guiada pela luminosidade vinda do cômodo. Claro que só poderia ser Jeremy com a lanterna do seu celular, buscando uma explicação para aquela falta repentina de energia.

-Jeremy, se isso for alguma brincadeira sua, eu vou te bater! – digo ao entrar na sala e não encontrando o homem ali. – Jeremy?

A pequena luz que brilhava começou a tomar forma, algo parecido com aqueles portais que você em filmes e tem certeza que não deveria chegar perto. Uma voz ao longe falava algo que meus ouvidos não conseguiam captar, parecia um nome, como se chamasse uma pessoa que estava muito distante. Ok, aquilo não parecia ser uma brincadeira! Estava assustada e com vontade de sair correndo dali, porem a voz vinda da luz começou a ficar mais clara e audível, sendo possível reconhecer meu nome. Estava apenas alguns passos distante daquele portal bizarro quando o mesmo aumentou seu tamanho, e tudo que pude fazer foi correr para o quarto, tropeçar no tapete e cair, batendo a cabeça no chão.

- ! – a voz, que agora me parecia extremamente familiar, ganhou uma forma masculina turva na minha frente.

Nada fazia mais sentido, minha cabeça pesava e meus olhos já se fechavam quando senti braços fortes me levantando do chão e me carregando para um lugar que eu desconhecia.


Capítulo 1

Luz. Tudo que eu me lembro era de ver uma luz forte antes de desmaiar. E nesse momento tudo que eu conseguia ver era uma forte luz branca acima de mim, no teto, queimando minhas retinas e me fazendo resmungar em reclamação. Mover meu corpo parecia impossível, minha cabeça parecia imobilizada por alguma coisa e minha perna estava elevada e encoberta por gesso. Por Deus, onde eu estava? Em um hospital? E se estava no hospital, onde estava o médico? Ou algum dos meus amigos!

- Olá? – forcei minha voz a sair, logo após sentir que um nó estava formado em minha garganta.

Ouvi uma movimentação naquele quarto onde me encontrava e em seguida meus olhos encontraram a figura morena de Jeremy me encarando preocupado. Seu rosto continha olheiras horríveis, como se não dormisse há dias. Porem o que mais me chamou atenção nele foram suas roupas, muito iguais as que seu personagem, Clint Barton, usava nos filmes quando estava à paisana.

- Finalmente! – Jeremy disse fazendo um carinho em meu rosto. – Dessa vez pensei que realmente iria te perder.
- Jeremy... O que aconteceu? – perguntei e logo pude ver seu rosto se transformar em uma expressão de desagrado. – O que houve?

Não obtive resposta para minhas perguntas, já que o homem ao meu lado parecia em choque. O que de tão grave havia acontecido para que eu estivesse em um hospital? E Jeremy, aquelas roupas, será que eu o havia tirado das gravações para ficar comigo? Fui tirada de meus pensamentos quando a porta do quarto foi aberta por um médico com aparência tão ou mais cansada que meu acompanhante.

- Senhora Barton, fico feliz que esteja acordada. – diz o médico ao me ver de olhos abertos. - Perdão, mas acho que o senhor está me confundindo. Sou , e não Barton. – corrijo o médico, intercalando meu olhar entre os dois homens ali presentes. – Alguém pode me dizer o que está acontecendo aqui?

E mais uma vez acabei sendo ignorada. Por qual motivo todos estavam tão estranhos? E por que estavam me chamado de senhora Barton? Parecia ser até pegadinha, me chamar pelo sobrenome do personagem do homem que se encontrava calado como uma estátua. O olhar que Jeremy me lançava era confuso, parecia que eu era um alienígena de outro mundo que havia substituído a pessoa que ele conhecia. De repente a porta havia sido aberta de novo e um rosto familiar se mostrava a vista. O próprio Anthony Mackie mostrava seu melhor sorriso, enquanto me observava deitada naquela cama. Havia algo diferente nele, em seu rosto era fácil ver alguns curativos e o claro sinal de cansaço. O que raios havia acontecido com todos? Anthony machucado, Jeremy agindo como se eu fosse uma completa estranha.

- Tudo bem por aqui, Clint? – Mackie perguntou ao reparar no amigo. – Soube que a famosa senhora Barton havia acordado e quis conferir pessoalmente.
- Ok, que brincadeira idiota é essa? – começo a me alterar e lançar olhares furiosos para os três homens ali presentes. – Alguém vai falar alguma coisa ou vou ter que descobrir sozinha?

Senti algo espetando em meu braço, como uma agulha sendo inserida na minha pele e meus olhos começaram a pesar. O quarto, as pessoas, tudo estava turvo novamente, como na noite passada. Podia ouvir as vozes, mas não conseguia entender o que diziam, somente captei uma última coisa antes de apagar de novo.

- Vamos leva-la para a torre! – Jeremy falou e tudo escureceu.

1 SEMANA DEPOIS


Estava sentada na enorme cama, encarando quem, até então, eu achava ser Jeremy Renner. A fisionomia era a mesa, o formato do rosto, os olhos, o nariz, a boca. Tudo remetia a ele, mas aquela pessoa na minha frente não era, nem de longe, o homem o qual eu considerava meu melhor amigo.

- Precisa de um tempo? – o moreno perguntou me encarando. – Posso te deixar sozinha, se quiser.
- Por favor. Só alguns minutos. – pedi com a voz baixa.

O homem assentiu com a cabeça e se levantou, levando junto a bandeja com os restos do que fora meu almoço naquele dia. Sete dias haviam se passados desde que eu acordara no hospital, fora sedada e trazida para a “Torre”. Só o que sabia do lugar onde estava era que muita gente ali sabia quem eu era, mas todos, principalmente os médicos, foram recomendados a não falarem nada. Eu passava as manhãs no quarto, recebia ajuda de uma enfermeira para tomar banho, já que o gesso em minha perna parecia longe de poder ser removido. Ao meio dia, alguém trazia meu almoço, quase sempre o falso Renner. Não era permitido a mim o uso de um celular ou notebook, por motivos que não foram revelados. Durante a tarde eu podia sair do quarto, desde que na companhia de uma enfermeira, e só poderia ir até a sacada do prédio. O me deixava mais pensativa durante aqueles dias, era o fato de que tudo ali me parecia familiar. Como se já estivesse estado ali de alguma forma. Os nomes das pessoas vinham a cabeça em eventuais passeios pela torre. E havia ele, aquele homem com quem eu parecia ter algo maior do que amizade. Era inevitável olhar para ele e não me sentir nervosa, ou até mesmo tranquila com sua presença. Como uma pessoa que eu conhecia tão bem parecia ser diferente aos meus olhos, mas para ele mesmo aquilo tudo era normal?

- Sei que disse que queria ficar sozinha. – a voz dele me fez voltar a atenção para a porta. – Mas eu trouxe algo que talvez ajude com a sua memória.

Era disso que as pessoas achavam que eu estava sofrendo. Uma perda de memória causada por um acidente, uma pancada muito forte na cabeça, causada por algo que não haviam dito ainda. Peguei o grosso álbum preto das mãos do falso Jeremy e o abri na primeira página. Havia uma dedicatória ali, escrita à mão, com uma letra desenhada que muito se assemelhava a minha. Virei a pagina encontrando ali um convite de casamento, parecia recente e extremamente verdadeiro. Meus olhos pareciam travados naquele pedaço de papel, estudando cada palavra ali escrita, assim como os nomes dos noivos.

“Clinton Francis Barton e se sentiriam honrados com vossa presença em seu casamento.”


- Puta merda! – falei ao terminar de ler o convite.


Capítulo 02

Se pudesse correr, com certeza eu o teria feito naquele momento, porém tudo que fiz foi ficar sentada, encarando o convite de casamento a minha frente. Parecia que, quanto mais encarasse aquele pedaço assustador de papel, ele iria de alguma forma se tornar menos real em algum momento. Clint Barton. Puta merda, o que era aquilo tudo! Automaticamente minhas mãos começaram a passar as páginas daquele álbum. Fotos minha, fotos dele, fotos nossas juntos... Fotos do nosso casamento. Minha cabeça rodava com a quantidade de informações sendo processadas ao mesmo tempo.

- ? – Clint chamou fazendo com que eu o encarasse. – Você se lembra agora?

Sim, por mais estranho e difícil que pudesse ser, eu me lembrava daquilo. Eu havia vivido aquilo, havia estado lá... Mas como? Se ele era Clint Barton, então... Por Deus! Eu não estava mesmo naquele mundo, ou estava? De algum modo existia naquela realidade uma pessoa, física e psicologicamente, idêntica a mim! Exatamente a parte que estava sendo bastante difícil de processar. Quantas vezes alguém, que você só via em filmes, fala para você que de alguma maneira seu corpo foi para outra dimensão onde já existe uma de você? É meio impossível de acreditar, ou muito impossível.

- Eu não sei como, e muito menos por qual razão, vim parar aqui. – falei encarando o homem ao meu lado. – Podemos ter nascidos em mundos diferentes. Mas eu conheço você!

Aquelas palavras pareceram ter sido o suficiente para que Clint se aproximasse mais e me abraçasse. Um choque percorreu meu corpo, fazendo todos os pelos do meu corpo se arrepiarem. Cara, eu estava abraçando Clint Barton! Meu personagem favorito, dentre todos os outros que eu admirava. De repente aquele momento parecia tão certo, tão natural, como se já tivéssemos feito várias e várias vezes.

- Sei que devem ter coisas que ainda não fazem sentido para você. – o moreno disse ao se afastar de mim- Mas você pode tentar se descobrir, de novo.

Me descobrir, de novo. Ok, por onde começar? Meu nome era ... Ou seria Barton? Morava na cidade de Nova York, ou a minha versão de outra realidade morava. Havia sido levada para uma realidade alternativa da que eu conhecia. Heróis existem nessa realidade. E não menos importante... Clint Barton, o Gavião Arqueiro, era meu marido.

- Está pensando, não é? – sou retirada dos meus devaneios ouvindo Clint falar.
- E como sabe que estou pensando? – pergunto curiosa.
- No dia em que nos conhecemos, você tinha essa mesma expressão no rosto – engulo em seco ao ouvir sua voz rouca e seu rosto se aproximando do meu.

Meu coração batia forte, insanamente rápido e com toda certeza meu pulso estava acelerado. As sensações que aquele homem me fazia ter eram novas e ao mesmo tempo tão conhecidas. Era como ficar em abstinência de uma droga, esquecíamos as sensações causadas por ela, mas ao menor contato já sabemos o que vem em seguida.

- Clint. – minha voz era baixa e falhada. Quase como uma suplica.

Aquele momento parecia tão certo e tão errado ao mesmo tempo. Não era a mim que ele via, era a com quem ele havia casado. A mulher com quem ele tinha uma história, uma vida junto. Não é que eu não quisesse beija-lo, mas não parecia a coisa certa a se fazer.

- Desculpa... Eu não consigo. – me afastei dele e suspirei. – Pode me deixar sozinha?
- Claro. Sem problemas. – Clint levantou e antes de sair do quarto deu uma última olhada em mim.

1 MÊS DEPOIS


Nunca iria me acostumar com aquela roupa, nem mesmo sabendo que provavelmente já a usara mais vezes do que o habitual. Era incrível como em um intervalo de um mês tanto poderia mudar. Haviam retirado o gesso da minha perna, refeito inúmeros exames e testes físicos para saber se eu estava “apta para retorno”. Admito que a parte mais assustadora foi descobrir o que significava meu retorno. Treinos. Não treinos normais, que se faz numa academia, mas sim treinos que um agente especial faz. Tinha ganho músculos, força e agilidade em pouco tempo. Conforme cada momento acontecia, algo destravava em minha cabeça. Como se tudo aquilo estivesse esperando a hora certa para se ativar em meu corpo e memória. Já me acostumara a acordar as seis da manhã, tomar café e em seguida cumprir meu dia de treinamento. Ainda não me permitiam usar armas, mesmo que em local apropriado e com supervisão. Talvez fosse uma medida de prevenção, afinal de contas, eu havia esquecido quem eu mesma era.

- Não pare, continue investindo! – Barton dizia enquanto eu tentava acertar ao menos um golpe que fosse nele. – Você está hesitando!
- Clint, eu juro que te dou um soco! – já estava irritada com aquilo tudo.

Barton então parou de esquivar dos meus golpes e segurou meu punho que ia em sua direção. Num piscar de olhos eu me vi imobilizada por ele, os braços encaixados em um perfeito mata leão. Podia sentir meu peito subindo e descendo, tentando controlar a respiração já descompassada ao sentir o corpo de Clint tão próximo ao meu. Aqueles momentos ficavam mais frequentes a cada treino, e a vergonha nunca me abandonara uma única vez desde então.

- Você é uma agente especial, treinada pela S.H.I.E.L.D. – o moreno sussurrava próximo ao meu ouvido. – Consegue me derrubar, eu sei que consegue.

Claro que eu sabia lutar, estava me habituando com aquela realidade onde eu era uma máquina de combate. Mas a ideia de conseguir derrubar Clint me apavorava, não tinha noção da minha força até então. Claro que haveria uma infinidade de coisas que eu deveria saber fazer, golpes que saberia executar, até mesmo os pontos certos onde acertar alguém. Com esse pensamento firme em minha cabeça, utilizei meu corpo ao meu favor. Juntei toda força que podia e fiz com que Clint voasse por cima de mim, desfazendo o mata leão e caindo no chão num estrondo. Meus movimentos pareciam ligados no automático, a cada passo que eu dava, um golpe era executado com perfeição. Já havia perdido a noção do tempo quando uma última vez levei Clint ao chão e o prendi com um joelho em seu peito.

- Essa é a minha garota! – Barton disse antes de fazer sinal de rendição.

-X-


Fazia meia hora que estávamos no quarto, cada um em uma ponta da cama. Clint com uma bolsa de gelo na cabeça e um roxo no lado esquerdo do rosto. Estava com a maior sensação de culpa em cima de mim, havia conseguido acertar Barton, porém com mais força do que queria e provavelmente deveria. Levantei, após retirar as botas e fui em direção ao banheiro. Precisava urgente de um banho, mas a menor possibilidade de tirar a roupa com Clint no mesmo espaço era motivo para meu rosto ruborizar.

- ? – a voz de Clint preencheu o silêncio no quarto.
- Sim? – pergunto segurando o zíper, parando totalmente o processo de me despir.
- Desculpa... Não notei que ia entrar no banho – ele diz ao me observar. – Eu vou... Sair.

Não! Eu não queria que ele saísse. Não queria mais ficar tão distante de uma pessoa que deveria ser a mais próxima de mim. Agarrei a mão dele, antes que o mesmo pudesse colocar um pé para fora do banheiro e o puxei para perto. Que droga de homem! Era inevitável não sentir meu corpo responder ao dele, mesmo com o mínimo de toque.

- Não vai. – minha voz não passava de um sussurro – Me acompanha no banho?

Pude ver de perto os olhos do homem a minha frente brilharem e suas pupilas dilatarem.
Respirei fundo antes de sentir minhas costas baterem na porta do banheiro, recém fechada, e o corpo de Clint pressionar o meu, segundos antes dos seus lábios iniciarem um beijo cheio de saudade. Saudade essa que eu sequer sabia que estava sentindo, parecia que aquele beijo estava esperando para acontecer há tanto tempo que nem mesmo a falta de oxigênio iria fazer aquilo parar tão cedo. O banheiro ao redor parecia ficar cada vez menor, mais abafado. Um minuto foi o suficiente para que o zíper da minha roupa fosse completamente descido e finalmente minha pele recebesse o toque tão esperado, vindo das mãos daquele homem. Meu homem. Se em algum momento dos últimos meses eu havia pensado que era impossível amar alguém em tão pouco tempo, esse pensamento acabara de ser mudado.


Capítulo 03

Esperar o sinal e começar a atirar nos inimigos nunca me pareceu algo tão difícil de fazer. Aquilo não se tratava de um treinamento com Natasha ou Clint, era a vida real. O frio já fazia meus lábios ficarem rachados, minhas mãos tremiam mesmo com a jaqueta e as luvas me protegendo do ar gelado. Pelos meus cálculos e pela linha do tempo, estávamos no início do que seria o segundo filme dos Vingadores. Tony recuperaria o cetro de Loki, criaria Ultron e tudo começaria a ficar divertido. Não que seja divertido ter uma inteligência artificial, um tanto quanto psicopata, querendo destruir a raça humana, mas acho que deu pra entender o que eu quis dizer.

- ... Algum movimento? – sorri, ouvindo a voz de Barton no meu comunicador e aperto o botão, pronta para responder.
- Não desde a última vez que você perguntou, querido. – respondo, mudando o peso do corpo para a outra perna.
- Droga! – diz Tony irritado.
- Olha a língua, Stark. – repreendo o moreno e percebo que aquela não era para ser minha fala e sim de Steve.

Eu havia simplesmente dito aquilo por impulso, como se fosse algo que eu dissesse todos os dias. Com certeza aquela frase pequena acarretaria em alguma mudança na história, mesmo que mínima. Era difícil as vezes lembrar que eu não podia e nem deveria desviar as coisas do curso natural da história.
- JARVIS, como é a vista de cima? – Capitão se pronuncia e viro para trás tendo a visão do computador com a imagem de satélite da base onde Strucker estava escondido.
- A construção central parece estar protegida por um campo de energia. – o sistema responde, mostrando imagens na minha tela.
- A tecnologia dele é mais avançada que de outras bases da Hidra. – novamente, falo na hora errada e me xingo mentalmente. – O cetro do Loki deve estar aqui.

Tiro o comunicador do ouvido temendo estragar mais algum momento daquele dia. Duas vezes. Duas vezes eu havia mudado um mínimo pedaço da história, haveria consequências. Clint estava logo ali, lutando contra as forças dos soldados de Strucker. Mas o que diabos eu estava fazendo ali sentada na nave? Escondendo-me como uma covarde é claro. Levantei rápido da cadeira do piloto e peguei minhas armas. Danem-se as consequências, não vou ficar sentada esperando as coisas acontecerem.

- Precisa de ajuda, Gavião? – pergunto inocentemente ao colocar o comunicador de volta e começar a correr em direção a batalha.
- Eu disse pra você ficar naquela maldita nave. – Clint rosna e logo posso vê-lo disparando flechas contra um bunker.
- Só que eu prefiro não dar ouvidos a você nesse momento. – dou meu melhor sorriso simpático e atiro em dois homens nas árvores. –Afinal, não é à toa que me chamam de Harpia.
- Você ainda vai me fazer perder o juízo, mulher. – o loiro me puxou pelo braço, fazendo meu corpo desviar de um raio azul das armas dos soldados. – Não morra, vamos ter uma conversa séria sobre sua desobediência depois.
- Alguém já disse que você fica sexy quando está irritado? – pergunto, depositando um leve beijo em seus lábios e volto para a ação.

Então como num estalo pude ver o vulto azul passando por nós e derrubando nossas armas. Como eu pude ser burra ao ponto de esquecer dos Maximoff? Empurrei Clint bem a tempo de receber todo impacto de Pietro me derrubando. Naquele momento eu realmente entendia a raiva que Clint sentiria mais para frente da história daquele garoto. O miserável além de rápido também era forte e causaria mais problemas se eu não o impedisse. Steve teve o timing perfeito para avisar o resto da equipe sobre a dupla de aprimorados, deixando todos em alerta para um possível ataque.

- Vamos, temos que ir. – Clint me puxa e apoia meu corpo no seu. – Aquele desgraçado é rápido.
- Aposto que se acertasse uma flecha nele ninguém ia sentir a falta depois. – sorrio sentindo dor.

A nave estava há poucos metros de nós, Natasha e Bruce já estavam lá quando uma espécie de sexto sentido me fez largar Clint e empurra-lo pela segunda vez naquele dia. A dor que senti naquele momento não era para mim, nunca foi. Segundos se passaram e tudo que pude sentir foi meu corpo desabando na neve, caindo de cara no chão e ficando imóvel ali. Respirar era difícil, ficar de olhos abertos já se tornava insuportável e minha audição estava longe ao ponto de conseguir ouvir apenas ecos longínquos. Não sabia exatamente quanto tempo havia passado até sentir braços fortes me carregando e tudo se apagar novamente. Para uma heroína, eu passava mais tempo hospitalizada do que em ação.

-X-


Sabe aqueles sonhos que ficam repassando na nossa mente até acordarmos? Como um looping infinito, as imagens se repetindo e nos fazendo ficar em agonia por não poder sair dali. Era assim que eu me sentia, em agonia. Cada célula do meu corpo doía, queimava, e eu apenas queria poder abrir os olhos e ver que nada daquilo realmente havia acontecido. Infelizmente nem sempre temos o que queremos. Ao abrir os olhos pude notar as luzes conhecidas do laboratório de Bruce, já havia estado ali vezes suficientes para reconhecer o local. O barulho conhecido de máquina trabalhando fez com que meu corpo hesitasse por um tempo e uma mão logo foi de encontro a minha cabeça, me fazendo deitar novamente.

- Bist du verrückt, Frau?! (Você está louca, mulher?!) – pude ouvir Clint falar em alemão para mim. - Ich habe dir gesagt, du sollst nicht sterben, und du wirfst dich vor einen Schuss! (Eu te disse para não morrer e você se joga na frente de um tiro!)
- Besser ich als du, Liebe. (Antes eu do que você, amor.)
– respondi com um alemão que eu sequer sabia que falava e mostrei um sorriso fraco para o loiro ao meu lado.

Minha consciência voltava aos poucos, enquanto ouvia a Drª. Hellen Cho me dizer que logo estaria nova em folha, como se nada tivesse acontecido. Admito que foi bem engraçado ouvir a icônica fala de Tony sobre a hora da morte, no caso a minha. E mais engraçado foi ver a cara que Clint fez para o Stark depois disso. Fiquei uns bons dez minutos naquela maca, esperando a maquina milagrosa da Drª. Cho terminar seu serviço em mim. Claro que eu achava estranho a necessidade daquela máquina, já que após vários machucados durante os treinos havia descoberto que eu me regenerava facilmente. E aquilo me lembrava vagamente a história original da Harpia nos quadrinhos. Ela era geneticamente modificada, ou eu no caso. Mas ainda assim foi necessária a presença da geneticista ali presente.

- Muito bem senhora Barton, está pronta. – Hellen me liberou da máquina e pude finalmente me sentar. – Como se sente?
- Pronta para outra! – falei pulando para o chão e me desequilibrando, precisando buscar apoio em Clint. – Ou pronta para um merecido descanso.


Capítulo 04

Risos, pessoas falando para todos os lados, musica alta e lá estava eu no meio de mais um momento importante naquela historia toda. A festa que Tony insistira em fazer para comemorar o sucesso da missão estava acontecendo. Depois de um merecido descanso, um banho quente e algumas horas me arrumando, podia dizer que estava até me divertindo. Não fosse o fato de saber exatamente o que aconteceria dali algum tempo, quando apenas a equipe ficasse reunida na sala de visitas.

- Você está quieta. – Clint disse ao me entregar uma taça com champanhe e se sentar ao meu lado. – O que aconteceu?
- Estou pensando. Com tudo isso que aconteceu, você não sente vontade de parar? – pergunto curiosa com a resposta. – Não sente vontade de voltar pra fazenda e começar de novo?

Pude notar Clint mudar suas feições com meu questionamento. É claro que ele já havia pensado naquilo, ele iria parar e voltar à vida normal. Mas não era agora, não quando o mundo claramente precisava dos Vingadores reunidos.

- , eu... – Barton começou a falar e eu levantei rapidamente a mão, pedindo para que ele não continuasse.
- Desculpa, não deveria ter tocado nesse assunto. – dei o ultimo gole no meu champanhe e me levantei, estendendo a mão para ele. – Me concede essa dança, senhor Barton?
- Com prazer, senhora Barton. – o loiro a minha frente sorriu ao aceitar meu convite.

[...]

Meu sapato já estava fora de meus pés fazia um bom tempo, a taça de champanhe deu lugar para uma lata de cerveja, os inúmeros convidados agora eram apena os Vingadores, Maria Hill, Dra. Cho e eu. A conversa rolava solta, até Stark tocar no famigerado assunto sobre o martelo de Thor, Mjölnir. Não vou mentir, também tinha minha parcela de curiosidade sobre como o asgardiano levantava aquele martelo, mesmo sabendo exatamente como acontecia na teoria.

- É claro que é um truque! – Clint dizia sentado no chão, enquanto brincava com duas baquetas.
- Por favor, fique a vontade. – Thor fez um sinal para que meu marido fosse até o martelo.
- Oh Clint, sua semana foi difícil, ninguém vai te zoar se não conseguir levantar. – Tony disse e fio inevitável não rir daquilo tudo.
- Fale por você Stark. – falei depois de esvaziar a garrafa de cerveja em minha mão. – Eu vou zoar ele pelo resto da vida.

Barton foi até o martelo e segurou firme no cabo, fazendo força para levantar o objeto e desistindo quando o mesmo sequer se moveu. E aquele foi o pontapé inicial para a brincadeira de quem conseguiria levantar o Mjölnir. Natasha e eu preferimos ficar de fora, era claramente uma competição dos homens, ou apenas deixamos eles acharem isso. Stark começou uma explicação ridiculamente engraçada de que o martelo lia apenas as digitais do deus asgardiano e as risadas não cessavam.

- É uma teoria interessante. – Thor disse se levantando e indo até o martelo. – Mas tenho uma mais simples...
-Vocês não são dignos! – falei junto do loiro com a arma na mão e arregalei os olhos assustada.

Todos os olhares se voltaram para mim naquele momento, apenas por alguns segundos já que um horrível barulho ecoou pelo sistema de som da torre. Coloquei-me de pé no mesmo segundo, sabia o que estava por vir, sabia o que fazer, só precisava que nada mais desse errado.

- Como seriam dignos? Vocês são assassinos. – o robô deteriorado a nossa frente falava.

Como em uma espécie de alerta, todo meu corpo se arrepiou, não era a primeira vez que sentia aquilo. Parecia que a cada momento vivido naquele mundo, minha consciência ia se perdendo e se soltando da outra realidade. Estava me tornando cada vez mais a desse mundo, me tornando cada vez mais Harpia.

- Eu estou em uma missão. – Ultron falava enquanto meus sentidos voltavam aos poucos.
- Que missão? – perguntei no lugar de Natasha e me arrependi amargamente no segundo que se passou.
- Paz para o nosso tempo. – a voz mecânica disse e em instantes voaram vários robôs para cima de todos.

Senti um par de mãos puxarem meu corpo e só tive tempo de rolar para baixo de uma mesa enquanto estilhaços de vidro voavam para todos os lados. Clint tentava me proteger com seu corpo em cima do meu, me dando tempo e visão de uma pistola grudada embaixo da mesa que estávamos. Peguei a arma rapidamente e tentei mirar em Ultron, falhando miseravelmente por causa de toda confusão que se seguia no local. As mãos de Clint encontraram as minhas, me fazendo baixar a arma e me arrastar para fora do nosso abrigo. Corremos para a escada que levava até a sala de equipamentos, nos desviando de tiros e escorregando para não sermos acertados.

- O escudo! – indiquei onde o objeto estava e Clint correu até ele.

Tudo acontecia rápido, parecia que eu estava assistindo novamente a cena do filme ao vivo, com a diferença de que dessa vez tudo ali poderia me matar.

- Só existe um caminho para a paz... A extinção dos Vingadores! – pude ouvir a última frase de Ultron antes de Thor jogar o martelo nele, fazendo o corpo robótico se despedaçar.


Continua...



Nota da autora: Acharam mesmo que eu não ia voltar e causar pequenos ataques do coração, não é? Bom meus amores, como podem ver, decidi reescrever esse amorzinho de historia que é Inter Mundos. “Mas Beck, depois de 3 anos?” Sim amadas, eu perdi o arquivo da fic, fiquei sem notebook para escrever. Mas o que importa é que voltamos com tudo para viver a história do nosso casal de passarinhos. E pra finalizar quero deixar meu muito obrigada especial para a Ana, essa linda que aceitou se jogar na tarefa de ser minha scripter! Beijos amadas, comentem seus infartos logo abaixo!

Eu não escrevo nenhuma dessas fanfics, apenas scripto elas, qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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