CAPÍTULOS: [Prólogo] [01] [02]





Inter Mundos


Última atualização: 31/07/2017

Prólogo


“- Sem ofensas, mas eu não trabalho bem em equipe. - Diz Tony.
- Fica grandão na armadura, né? E sem ela, o que você é? - Steve pergunta, se aproximando do moreno.
- Gênio, bilionário, playboy, filantropo? – Stark responde ironicamente.”


- Você não cansa de assistir isso? – Chris pergunta, me fazendo cair do sofá com o susto.
- Ok, o que nós conversamos sobre não me assustar desse jeito? – pergunto, me levantando e limpando minha roupa – Eu estava bastante concentrada no filme.
- Concentrada? Quer dizer que enquanto estamos fora gravando, você fica aqui assistindo o mesmo filme pela, sei lá, milésima vez? – ele pergunta, apontando para a televisão que agora mostrava as cenas de batalha do primeiro filme dos Vingadores.
- Olha só, eu não tenho culpa se tenho amigos que são extremamente talentosos, e que posso alugar a sala de um deles para assistir essa maravilha do Universo Marvel. – respondo, ajeitando minha franja e encaro o loiro a minha frente – E como você acaba de falar, não deveriam estar gravando?
- Na verdade, me mandaram aqui pra levar você pro restaurante, terminamos a gravação e decidimos jantar todos juntos. – Chris respondeu, me fazendo erguer uma sobrancelha em confusão. – Você tem dez minutos pra tomar um banho e se livrar desse pijama.
Talvez ele tivesse um pouco de razão, eu havia virado uma viciada pelo Universo Marvel desde o incidente na Comic Con. Fora hilário abrir minha bolsa para pegar meu celular e perceber que o aparelho não era o mesmo, mais hilário ainda foi a reação que tive ao devolver o celular para seu dono e constatar que eu com toda certeza havia nascido muito sortuda. Jeremy Renner não só tinha o mesmo modelo de celular que eu, como também havia ficado louco ao descobrir que seu celular havia sido trocado com o de outra pessoa. Era uma história engraçada, ríamos sempre que nos recordávamos dela e ainda brincávamos que tinha sido o destino a fazer aquilo para que nos conhecêssemos. Meus pensamentos foram interrompidos quando o barulho de algo explodindo me fez gritar e de repente a água do chuveiro parara de cair. Com todo cuidado para não tropeçar ou bater em algo, começo a tatear a parede até sentir algo fofo, minha toalha, e me enrolo.
- Chris? – chamo no meio daquele breu quando vejo algo brilhando e sigo em direção a tal luz. – Chris, se isso for alguma brincadeira, já pode parar!
Encontro a fonte de luz que piscava insanamente me fazendo ficar tonta e pego o pequeno aparelho nas mãos. Era algo pequeno, cabia na palma da minha mão com a maior facilidade e emitia uma luz roxa intensa, talvez algum brinquedo ou algo para me assustar, a última opção estava funcionando muito bem. Aquele pequeno aparelho começava a piscar mais ainda até que uma luz cegante tomou conta da sala e em questão de segundos já me encontrava no chão desnorteada. Foram questão de minutos até que nada mais fizesse sentido e tudo que pude sentir foi alguém me carregando para algum lugar antes de desmaiar completamente.

Capítulo 1


Bom dia, Srtª. Barton, os Vingadores lhe aguardam na cozinha para tomar café.
Cozinha. Vingadores. O que estava acontecendo? Por que o sol entrava no meu quarto se as persianas sempre estavam fechadas? Abro os olhos com certa dificuldade e me deparo com um quarto estranho, não tão estranho aparentemente. Levanto devagar, observando cada detalhe daquele quarto, algumas fotos espalhadas pelo cômodo que fizeram meu coração disparar insanamente sem minha permissão. Minhas pernas pareciam ter vida própria, assim como meus braços e minhas mãos, que agora seguravam o porta-retrato com a foto de um casal se beijando.
- Senhorita? Está tudo bem? – uma voz vinda do nada faz eu me assustar e derrubar a foto no chão, ouvindo logo em seguida o barulho do vidro caindo.
- Quem disse isso? – pergunto, me afastando dos cacos de vidro. – Jeremy, se isso for alguma brincadeira sua e do Chris, pode parar, já estou assustada.
- Perdão, Srtª., Vou informar ao senhor Barton que a senhorita acordou. – a voz diz e me sinto ainda mais confusa.
Barton. Era o sobrenome do personagem de Jeremy no filme, mas por que aquela voz insistia em falar daquele jeito? A foto, a voz, só podia ser coisa do pessoal do elenco. Isso! Era apenas uma brincadeira e com certeza eles entrariam pela porta rindo de mim a qualquer momento.
- ? – a porta se abre e vejo Jeremy entrar com seu figurino de Gavião Arqueiro, agora tudo parecia ainda mais confuso.
- Jeremy! – me jogo em seus braços tomando cuidado com os equipamentos que ele carregava – Eu sabia que era só uma brincadeira sua.
- Jeremy?! , a pancada de ontem afetou seu cérebro? – o loiro me encarava confuso. – Quem é Jeremy?
- Ok, a brincadeira acabou, Renner! – digo, me afastando dele. – Já pode dizer pro pessoal aparecer.
- Você não está bem, sabia que não deveria te deixar treinar com a Natasha. – Jeremy dizia enquanto me analisava, aquele teatrinho já estava de dando nos nervos.
- Mas que droga, a brincadeira acabou, ok? – bati o pé no chão com raiva. – Já pode parar de fingimento.
O olhar que Jeremy me lançava era confuso, parecia que eu era um alienígena de outro mundo que havia substituído a que ele conhecia. De repente a porta havia sido aberta de novo e um batalhão de pessoas entrava no quarto. Tive vontade de rir, todo o elenco estava ali, mas estavam diferente, todos com seus figurinos de herói, com exceção de Robert que parecia estar usando apenas o pequeno dispositivo que se passava pelo reator de Tony Stark.
- Tudo bem por aqui, Clint? – Evans perguntou ao me olhar e ver os cacos de vidro no chão.
- Chris... Que brincadeira é essa? – pergunto, vendo todos me encarando.
- Mas quem é Chris? – Chris, ou a pessoa que parecia fisicamente com ele, perguntou confuso.
Aquilo já tinha passado dos limites há muito tempo e ninguém parecia perceber isso. Com raiva e frustração começo a correr pra fora do quarto e pelos corredores que agora me pareciam ainda mais conhecidos. Estávamos no estúdio, aquele era o set da Torre, mas por que tudo parecia tão real e não feito de madeira e paisagens pintadas? Minhas pernas já reclamavam de cansaço quando algo me derruba no chão e começo a ver estrelas.
- Não deveria correr por ai no estado que está. – ouço uma voz e tento focar no rosto da pessoa.
- Por favor, diga que pararam com a brincadeira. – pergunto, me levantando e me deparando com Mark, ou pelo menos esperava que fosse ele.
- Realmente você levou uma pancada forte demais da Romanoff ontem, como se sente? – Mark falava enquanto eu praticamente arrancava alguns fios de cabelo de tanta raiva.
- Por que vocês não param? Já perdeu a graça. – digo, entrando em crise. – Por que ninguém me diz o que está acontecendo?
Então algo fez minha ficha cair. Um pequeno aparelho brilhante dentro do que parecia ser o laboratório da Torre, algo que emitia sua luz roxa e chamava minha atenção. Era possível algo assim acontecer? Ou era alguma alucinação devido a alguma pancada séria na cabeça? Como as pessoas que eu conhecia tão bem pareciam ser diferentes aos meus olhos, mas para eles mesmos aquilo tudo era normal?

Capítulo 2


- Não vai se jogar daí, não é? – respiro fundo antes de me virar para encarar o loiro encostado no batente da porta. – Não seria uma queda muito divertida.
- Eu não sei como te chamar, de onde eu venho você tem outro nome. – abaixo a cabeça envergonhada.
- Que tal começarmos devagar? Oi, meu nome é Clint. – começo a rir e aperto a mão que ele me estendia.
- , mas acho que você já sabe disso. – digo, sentindo um choque percorrer minha mão em contato com a sua. – Você acredita mesmo no que eles disseram?
- Não duvido de mais nada ultimamente, já vi alienígenas entrando na Terra por um portal criado por um deus nórdico. – Clint me encara enquanto fala como se quisesse me analisar.
Há algumas horas todos haviam se reunido na sala para debater como eu havia chegado ali, aparentemente uma façanha bastante elaborada já que em pouco tempo o culpado daquilo já havia sido encontrado. Por causa de uma experiência com um objeto criado pelo Dr. Banner junto de Tony, um buraco de minhoca havia sido aberto e de algum modo tudo isso acontecera no meu apartamento. De algum modo existia naquela realidade uma pessoa física e psicologicamente idêntica a mim, exatamente a parte que estava sendo bastante difícil de engolir. Quer dizer, quantas vezes um super-herói que você só via em filmes fala para você que de alguma maneira seu corpo foi para outra dimensão onde já existe uma de você? É meio impossível de acreditar, ou talvez muito impossível.
- Só não sei em que acreditar agora, apesar de tudo parecer tão normal, ao mesmo tempo parece estranho. – digo, suspirando e me afastando da sacada.
- Você pode tentar se descobrir, não é uma guerra, ainda. – Clint dizia enquanto me observava. – Que tal começarmos com algo fácil?
- Tenho certo medo de descobrir o que a palavra fácil significa no seu vocabulário. – sorrio nervosa.
- Pra começar, um treino com a Romanoff. – arregalo os olhos, espantada, enquanto o loiro começa a rir. – Ou talvez só um pouco de tiro ao alvo.
- Vai me deixar pegar em uma arma? – pergunto desconfiada.
- Se não for atirar em mim. – diz com um tom divertido enquanto me empurra para fora a sacada.

Definitivamente a palavra fácil não tinha o mesmo significado para Clint Barton. Eu fora obrigada a trocar de roupa, depois de alguns minutos de discussão e um momento constrangedor de Clint no mesmo quarto que eu, finalmente havia trocado minha roupa comum por um macacão realmente colado no corpo. Sentia-me Natasha Romanoff naquela roupa, apertada, colada, com a exceção que, ao que parecia, minha roupa possuía mais decote que a de Nat. As horas seguintes foram de total frustração, nenhum tiro disparado por mim chegava perto do alvo, já havia xingado tantas vezes que se Steve estivesse presente iria me repreender como só ele faz. De repente um pensamento passou pela minha cabeça, minha eu dessa realidade já teria acertado o alvo com toda certeza. Ela devia ser treinada, devia saber lutar, atirar, tudo que uma verdadeira agente faz com o bônus de ter Clint Barton como parceiro/marido. Enquanto isso eu sequer conseguia acertar um maldito tiro em um boneco.
- Você está fazendo a cara que sempre faz quando está pensando. – saio dos meus devaneios ouvindo Clint falando comigo.
- E como sabe que estou pensando? – pergunto com um tom desafiador na voz.
- Por que no dia em que te vi pela primeira vez, você estava exatamente desse jeito enquanto segurava uma arma. – engulo seco quando sua mão instintivamente coloca meu cabelo atrás da orelha. – Foi a cena mais sexy que já vi na minha vida.
- Sou uma mulher casada, senhor Barton. – falo baixo, encarando seus olhos tão pertos dos meus.
- Seu marido é muito sortudo por ter uma mulher assim. – sua voz ficava cada vez mais baixa e rouca. Tão tentadora.
De repente aquele momento parecia tão certo, tão natural, como se já tivéssemos feito várias e várias vezes. Apenas em sonhos eu imaginaria Clint Barton tão perto de mim, me encarando profundamente, prestes a me beijar. Nem mesmo com Jeremy eu tinha chance de ficar assim, não que já tenhamos tentado fazer isso. E exatamente como em um sonho, alguém precisava me acordar daquele momento perfeito, não que eu fosse matar o pobre Tony por estragar o que possivelmente seria o melhor beijo do mundo, mas o timing dele poderia ser um pouco pior.
- Estou atrapalhando? Espero que não, deixem para namorar no ninho de vocês. – Stark dizia com seu tom de piada de sempre. – Então, loirinha, já descobriu o que pode fazer sem a ajuda dessa ave sem penas?
- Stark, eu ainda posso acertar uma flecha em você durante a noite. – Clint diz, me fazendo cair na risada. – E você, foco naquele alvo, quero pelo menos dez acertos até a hora do jantar.
- Sim, senhor mandão. – falo sorrindo e volto a olhar pro alvo.
Se com apenas uma pessoa me olhando era difícil me concentrar, com duas, era ainda pior. Errar com Clint assistindo era uma coisa, ele apenas iria me corrigir e ensinar como fazer, com Stark assistindo era totalmente diferente. O cara era um dos meus heróis favoritos, não que eu fosse deixar Barton saber disso, era primordial que eu acertasse alguma vez. E como se meu corpo tivesse vida própria, me vi erguendo a pistola e ao respirar fundo um total de cinco disparos foi feito. Todos acertando o meio do boneco de treino, perfurando o tecido e fazendo areia escorrer pela pobre vítima do meu momento de atiradora enquanto os homens presentes no recinto aplaudiam minha proeza.

****


Em um primeiro momento aquela cozinha parecia que havia sido vítima de um furacão, até a hora em que vi o real motivo da bagunça. Todos andavam de um lado para o outro atrás de diversas coisas para o jantar, uma simples pizza, já que ninguém se sentia capaz de cozinhar. Clint trazia três caixas de pizza, Natasha pegava guardanapos, Bruce pegava os copos. Tony, Steve e eu apenas observávamos sentados, toda aquela preparação praticamente desnecessária.
- Vocês sabem que não precisa fazer essa destruição toda? – pergunto enquanto abro uma das caixas de pizza e pego uma fatia.
- Tem duas mulheres nessa Torre que não querem cozinhar. – Steve dizia enquanto pegava sua fatia de pizza.
- Ok, não está mais aqui quem falou. – sorrio e começo a comer. – Afinal de contas, vocês encheram minha cabeça de informação, mas não disseram exatamente o que eu queria saber.
- E o que exatamente você quer saber? – Bruce pergunta.
- Eu contei que na minha realidade existem filmes sobre vocês, cada filme segue uma ordem e eu preciso saber em que parte da história estamos. – despejo tudo de uma vez e faço todos rirem.
- Há mais ou menos algumas semanas nós impedimos que o projeto Insight destruísse milhões de pessoas. – Natasha, a única que não estava de boca cheia, respondeu.
- Então já sei o que vem depois. – respiro fundo e repasso em mente tudo que aconteceria dali pra frente. – Eu preciso dormir, com licença.
Saio da cozinha o mais rápido possível sem deixar a mostra meu nervosismo. Naquele momento me sentia a pessoa mais azarada do mundo, saber tudo o que vai acontecer e, por ter visto vários filmes com aquela situação, não poder compartilhar com ninguém. Era um peso muito grande que somente eu deveria carregar. Enquanto entrava no quarto fazia em minha mente um bom plano para que pudesse mudar as coisas sem que algo desse errado.
- . – a voz de Clint preenchia o silêncio do quarto. – Quer falar sobre isso?
- Não, Clint, eu não quero. – digo um pouco fria enquanto começo a descer o zíper da minha roupa.
- Eu sei o que você está pensando. – ele diz, me virando de frente para poder olhar em meus olhos. – Não precisa carregar esse peso sozinha.
- Você não sabe o que vai acontecer, mas eu sei. – fixo meu olhar no dele enquanto, sem minha permissão, minha respiração começa a descompassar.
- Então me fala. – Barton se aproxima e suas mãos entram em ação. Uma em minha cintura me puxando para mais perto, a outra no zíper do macacão, fazendo meu coração saltar no peito.
- Clint... – fecho os olhos pare tentar recuperar meu autocontrole.
- Sente o momento. – ele diz e meu coração fica a ponto de explodir.
Sinto o zíper descer até a metade e um beijo ser plantado em meu pescoço, parecia tão certo e tão errado ao mesmo tempo. Não era a mim que ele via enquanto me beijava, era a com quem ele havia casado e com quem tinha afinidade para muitas coisas. Entre um beijo próximo a minha boca e um aperto mais firme em minha cintura, alguém se sentiu no dever de bater na porta e acabar com mais um momento perfeito. Casal Barton 0 X 2 Vingadores.

Continua...



Nota da autora: Aqui fala a forma de vida inteligente da senhorita Cardoso, no momento a autora se mudou para o Alaska, com medo de ser caçada pelas cenas de quase beijo. Deixe seu comentário após surtar. Haha

Nota da beta: NÃO ADIANTA FUGIR, NÃO, EU TE ACHO EM QUALQUER CANTO! VEM AQUI. Com beijos no Renner/Clint NÃO SE BRINCA!




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