Última atualização: 25/10/2019
Contador:

Prólogo

Chris sentia como se estivesse imerso em algum sonho estranho, daqueles que fazem com que a pessoa acorde assustada, porque era exatamente assim que ele se sentia: assustado, confuso, com o coração disparando. Tentou erguer o corpo rápido demais, mas então sua cabeça doeu, e sua visão embaçou. Era como se ele estivesse girando sem sair do lugar. Ele, então, se deitou novamente, e apertou os olhos com as mãos.
Estava muito claro, o que o levou a pensar que esquecera de fechar as cortinas do quarto.
Os sons, vindos da rua, também estavam altos demais, o levando à conclusão de que também se esquecera de fechar as janelas antes de dormir.
Foi quando ele sentiu alguns respingos na pele, respingos de água. Estava chovendo?
Chris, então, abriu os olhos lentamente, com a mão acima da cabeça, tentando afastar a luz do sol. Quando olhou envolta, a primeira coisa que pensou foi “onde eu estou?”. E então, alguns segundos depois, Chris entendeu porque sua cabeça doía tanto e suas costas latejavam como se tivesse sido atropelado por um caminhão: ele não havia dormido no seu quarto.
Se ele acordara na casa de sua namorada? Bem, Chris até queria poder dizer que sim, mas a verdade é que ele se encontrava deitado no gramado da casa vizinha à sua, tendo sido acordado pela água jogada pelos carros que passavam em alta velocidade na rua.
— Mas que diabos aconteceu? — ele tentou se perguntar, mas a voz estava rouca demais.
Sentou-se, e passou a tentar se lembrar na noite passada.
Lembrava-se claramente de ir para a casa de , sua namorada, com o carro de sua mãe, enquanto Scott, seu irmão, usava o carro emprestado de seu pai. Chris havia buscado , com quem iria ao baile de formatura do ensino médio. Scott, por outro lado, passaria na casa de Ana, sua melhor amiga, e que estudava na classe de Chris, uma vez que ele não poderia ir ao baile se não estivesse acompanhado de alguma das formandas, já que Scott era mais novo e ainda não havia concluído o ensino médio.
Evans, por outro lado, tinha uma namoradinha, com quem também estudava desde o primeiro ano do colegial. Apesar de nunca terem sido muito próximos nos anos anteriores, Chris e haviam se divertido muito nos últimos meses, quando resolveram assumir um compromisso - ou algo próximo a isso.
Chris então a buscou em casa. Lembrava-se muito bem dessa cena, já que tinha as mãos suando de nervoso por estar indo a um baile com ela, assumindo, para todo o colégio, que ele finalmente tinha uma namorada de verdade.
Ele então se lembrou do baile, do momento constrangedor que foi a dança lenta, das risadas que trocaram por pisar nos seus pés a todo momento, já que Chris, incrivelmente, sabia dançar muito bem, obrigado.
Lembrou-se de como não ficou nada surpreso ao ver a garota mais popular do colégio ser coroada como rainha do baile, ao lado do capitão do time de futebol.
— E surpreende um total de zero pessoas. — comentou ao seu lado, enquanto batiam palmas.
— Mais clichê que isso impossível. — ele disse.
Sim, o baile todo, em si, foi clichê demais, mas, pelo menos, o beijo entre ele e no final da noite compensou tudo.
A rainha do baile, Melany, havia informado mais cedo de que iria dar um after party na sua casa, com direito a bebidas alcoólicas, já que seus pais pareciam ser bem liberais com relação a esse tema - ou, pelo menos, era o que ela queria que todo mundo pensasse.
Ainda, sentado no gramado, com a cabeça latejando bem mais do que antes, Chris se lembrou novamente do beijo que ele e tiveram no carro de sua mãe, e de como as coisas evoluíram a tal ponto que cogitaram não ir para a festa, mas para um local mais isolado, onde não seriam incomodados.
— Seus pais estão em casa? — ele perguntou a ela meio ofegante, morrendo de calor por ter os vidros do carro fechados, enquanto ainda vestia o terno alugado.
— É claro que estão. — ela disse com a mesma respiração falha. — E sua mãe?
— Ela está trabalhando, mas minhas irmãs estão em casa.
A ideia de irem para a casa dele era realmente boa, já que, coincidentemente, Melany era sua vizinha de frente. Logo, eles só precisariam atravessar a rua, e então estariam na casa de Chris, no seu quarto, sem nenhum tipo de privacidade, já que tinha certeza de que suas irmãs iriam garantir que ele não se trancasse entre quatro paredes com a namorada.
Foi quando eles desistiram da ideia de procurar um lugar mais silencioso, já que ainda eram menores de idade, e foram para a festa da rainha do baile.
No momento em que saíram do carro, Chris teve certeza de ficara realmente decepcionada por não passar a noite com ele, o que fez com que seu ego, relativamente inflado, ficasse ainda maior. Isso porque o humor dela mudou drasticamente do que estava sendo desde o início da noite. Eles já não riam mais como antes, e as danças já não eram mais tão divertidas. até mesmo parou de pisar no seu pé, já que se mantinha distante dele.
Aquilo o fez se questionar se ela estava tão ansiosa para ter a primeira vez com ele, como ele próprio estava ansioso em perder a virgindade com ela. Aparentemente sua pergunta não seria respondida tão cedo.
— Vou buscar mais uma bebida para a gente. — ela disse.
Ele agradeceu o gesto, e decidiu esperar por ela ali mesmo, no gramado. Como não estava acostumado a beber nada alcoólico, já podia sentir a cabeça ficando mais pesada, o que o fez se sentar no gramado de sua vizinha, mesmo que isso arruinasse o terno alugado. Sua mãe ficaria uma fera com ele, mas era aquilo ou ele corria o risco de cair.
— Cara, eu não deveria ter bebido tanto…
A última coisa que Chris se lembrava era de ter esperado, esperado, e continuado a esperar a namorada, mas ela nunca mais voltou. Ele então caiu no sono e, ao acordar, se deu conta de que havia sido abandonado por sua namorada no dia do baile de sua formatura.


Capítulo 1

20 ANOS DEPOIS


A primeira reação de Evans, ao receber aquele e-mail, foi ignorá-lo. Pelo menos de início.
Ele estava em uma reunião com os produtores de uma nova mini série televisiva, Defending Jacob, na qual iria estrelar no papel principal. O contrato já havia sido assinado, mas muitos detalhes ainda precisam ser decididos. Evans preferia que o máximo de pontos fossem resolvidos ainda naquele dia, uma vez que ficaria muito ocupado nas próximas semanas por conta da promoção de Vingadores: Ultimato, e sabia que só poderia voltar a se dedicar a esse novo projeto após a estreia do filme.
Mas então, depois de sair da reunião e dirigir até o hotel em que estava hospedado, Evans pensou melhor.
— Por que não? — perguntou-se.
Quer dizer, ele sabia que reencontros de turmas antigas eram comuns. Seu irmão havia participado de uma, anos atrás, quando sua turma do ensino médio havia completado dez anos de formatura.
E lá estava ele, Chris Evans, com um convite para uma reunião de vinte anos de formatura, enviado por um e-mail desconhecido, mas que com certeza deveria ser de algum de seus ex-colegas.
Jogando-se na cama, ele releu o e-mail recebido, convidando-o para participar de uma confraternização de vinte anos de graduação organizada por seus ex-colegas, e não pôde evitar ler todos os nomes que haviam sido convidados. Ele apenas queria ter certeza de todos haviam recebido o mesmo convite que ele.
Hey, você recebeu isso?”, ele escreveu em uma mensagem direcionada a Stuart, um de seus melhore amigos da adolescência, e o único com quem ele ainda mantinha contato. Junto com a mensagem mandou também uma imagem do e-mail que ele recebera mais cedo.
A resposta não demorou a chegar.
E aí, cara, tudo bem? Pois é, eu recebi.
Esqueci de te falar, passei seu e-mail pessoal para a Beta, ela é quem está organizando o encontro. Mas só passei porque ela me prometeu que não iria espalhar para mais ninguém.”, mandou logo em seguida.
Evans riu das mensagens. Conseguia ler aquelas palavras com a voz do amigo, como se ele estivesse ali, do seu lado.
Sem problemas, cara.
E então, você vai?”, ele perguntou, mesmo que já soubesse a resposta.
Mas é claro! E eu sou cara de perder uma festa?
Evans riu novamente, pois tinha certeza de que Stuart responderia exatamente aquilo.
Chris e Stuart eram amigos desde o ensino fundamental, e quando chegaram ao ensino médio tiveram a sorte de ficarem na mesma turma. Enquanto Evans era um garoto que posava de popular, mesmo não o sendo, Stuart era o verdadeiro espírito festeiro da turma.
Evans era mais do tipo que tinha aulas de teatro, e participava de todas as peças produzidas pela escola, sempre lutando pelo papel principal, enquanto Stuart chegava a mentir para os professores de teatro, sempre inventando uma nova doença contagiosa que o impedia de ir para a aula naquela semana.
Chris nunca havia tido dúvidas sobre a carreira profissional que queria seguir. Queria ser ator e, por isso, começou a realizar seus primeiros trabalhos publicitários ainda jovem. Stuart foi quem lhe apoiou desde sempre, mesmo Evans sendo motivo de chacota com relação a alguns alunos do colégio, os quais não achavam nada atraente um cara posar de roupa de banho para uma revista. Outras pessoas, por outro lado, se aproximaram dele rapidamente, loucas para perguntarem quais contatos ele havia feito para conseguir aqueles trabalhos.
Chris e Stuart eram completamente diferentes. Enquanto o primeiro queria seguir a carreira artística, o segundo sonhava em trabalhar no mundo dos negócios, vendendo e comprando ações, auxiliando empresas, encorajando investimentos… E quando Evans passou a trabalhar para o cinema, logo após ter se mudado para Nova Iorque, o rapaz fez questão de não perder contato com seu amigo, o que se manteve até os dias atuais - ainda que o contato entre eles tenha ficado bem mais escasso do que na época do colégio.
E foi pensando em rever seu amigo, e reviver um pouco da normalidade que sua vida era nos tempos da escola, que Chris Evans resolveu dar uma pequena pausa na sua vida de artista, internacionalmente conhecido, e compareceu ao encontro com sua turma do ensino médio, vinte anos após de formados.
— Chris. — foi o que ele informou à pessoa que recebia os alunos.
Nada de “Chris Evans”, mas apenas “Chris”. E foi exatamente isso que a pessoa escreveu do adesivo em branco, para ser colado na roupa dele, a fim de ser identificado pelo restante dos convidados.
— Hey, olha só quem veio!
Ainda que Evans tivesse a intenção de ser discreto e de não chamar atenção para si - mesmo sabendo que se tratava de uma missão quase impossível - ele tinha certeza de que Stuart trataria de anunciar para todo mundo a sua chegada.
Ainda tentando se manter discreto, ele foi até onde o amigo o esperava, em meio a uma rodinha com outras seis pessoas, todas curiosas demais para tentar esconder a excitação de estarem diante de Chris Evans.
— Vem aqui. — Stuart foi o primeiro a se aproximar de Chris. Deu um abraço no amigo, falando baixo, em um tom que somente Evans escutaria: — Não se atreva a ir embora hoje sem tirar uma foto comigo.
Chris riu do comentário do amigo, sabendo que Stuart não havia perdido o costume de fazer piada com qualquer situação.
Evans, então, cumprimentou a todos com um pequeno abraço sem jeito, mostrando surpresa ao ligar os nomes de seus antigos colegas com as pessoas que se encontravam à sua frente.
— O tempo não fez tão bem para alguns de nós. — um de seus colegas comentou. — Meu cabelo que o diga. — disse rindo.
— Com licença, meu filho está me ligando. — Melany, a rainha do baile, disse antes de se afastar. Imediatamente Chris se perguntou se ela teria se casado com o rei do baile de formatura, o capitão do time de futebol, apenas para tornar real o clichê mais famoso das comédias românticas do cinema.
— Cara, meu irmão vai surtar quando eu provar a ele que realmente estudei com o Capitão América. — Paul, outro colega de classe, disse.
Chris riu do comentário, respondendo em seguida:
— O Capitão América se formou na escola pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Tenho certeza de que você não é tão velho a ponto de ter se formado nessa época…
E isso foi o bastante para fazer com que todos na rodinha rissem do comentário engraçado, e fizesse com que Stuart começasse a contar de sua vida nos últimos vinte anos.
— Você pode ser o cara famoso aqui, mas garanto que nem Hollywood pode te pagar o eu ganho investindo na bolsa de valores. — ele disse, chamando a atenção de todos ali presentes.
Pelos próximos minutos, a estrela da noite passou a ser Stuart e sua carreira de investidor, o que deixou Chris extremamente aliviado por poder conversar sobre qualquer coisa que não fosse ele e os papéis que interpretou no cinema.
Eventualmente mais pessoas foram chegando, algumas que ele realmente não se lembrava de terem estudado junto com ele, o que o fez pensar que provavelmente eram pessoas da outra sala.
Não pôde fugir das fotos, obviamente. Mas ele não se importou realmente com aquilo. Posar ao lado de fãs tinha se tornado um hábito, e não seria diferente de posar ao lado de seus ex-colegas.
— Quanta gente falsa. — Stuart disse em determinado ponto da noite, quando ele e Chris haviam se afastado para ir até à mesa de salgadinhos. — A maioria dessas pessoas são as mesmas que fizeram piada quando você fez aquelas fotos de maiô.
— Não era um maiô. — Chris disse revirando os olhos, sabendo que Stuart estava apenas o provocando. — Eu estava com uma roupa de surf…
— Claro, claro… Chame como quiser. — ele disse ainda rindo.
Mas mesmo tendo conversado com a maioria dos presentes, sempre muito atento aos nomes das pessoas, Chris continuava a procurar por alguém ali no meio. Alguém que ele ainda não tinha visto. Quer dizer, ele poderia até tê-la encontrado, sem a ter reconhecido...Ele não saberia dizer. Ele mudou muito desde que tinha dezessete anos, e tinha certeza de que ela também deveria ter mudado.
— Hey. — Stuart chamou sua atenção. — Acredita que Melany se casou com Mark? — ele perguntou rindo.
— É sério? — então Melany, a rainha do baile, havia mesmo se casado com o rei do baile... Chris não pôde conter a sua própria risada.
Evans procurou pelo casal, apenas para confirmar o que o amigo havia lhe dito. O encontrou conversando com uma mulher, perto da mesa das bebidas, e foi então que ele a reconheceu.
A mulher estava de costas, e Chris percebeu que ela havia sido a única, de todas as pessoas ali presentes, a não se aproximar dele. Só podia ser ela. Foi apenas quando ela virou o corpo, ainda conversando, distraidamente, com Mark e Melany, que Chris pôde confirmar suas suspeitas.
ainda mantinha os mesmos cachos castanhos, e a mesma risada alta, risada esta que podia ser ouvida mesmo a vários metros de distância - aquilo não havia mudado. Ele não precisou nem mesmo conferir o nome escrito em seu adesivo para ter certeza de que estava diante da sua primeira namorada, a mesma garota que lhe deu um fora no baile de formatura, vinte anos atrás.
Pensou se deveria ir falar com ela, ou simplesmente tentar chamar a sua atenção e esperar que viesse até ele. Mas então concluiu que se a mulher quisesse falar com ele, ela teria o feito mais cedo.
— Você deveria ir falar com ela, sabe.
— O quê…?
Evans tinha os olhos e a atenção focada em , mas tentou prestar atenção no que Stuart falava.
— O máximo que pode acontecer é ela te abandonar outra vez. — ele disse fazendo piada. — Mas hey, pelo menos você não vai dormir no gramado da frente dessa vez.
— Muito engraçado. — Chris disse com ironia.
Chris não podia negar que, na época, não lidou muito bem com o fato de ter sido abandonado em seu baile de formatura. Mas isso tinha acontecido vinte anos atrás e ele, com certeza, já havia superado o ocorrido. Não tinha mágoas, nem ressentimentos, tampouco tinha motivos para brigar com . Percebeu que, apesar de não ter pensado nela nas últimas duas décadas, tudo o que Evans queria, naquele momento, era saber como ela estava, o que estava fazendo, com o que trabalhava, se ela estava bem.
Olhou para a mulher novamente e, para sua surpresa, ela o olhava de volta. Foi até bonitinho ver como corou no momento em que foi pega de surpresa, tentando desviar o olhar para a mesa à sua frente. Ela já não conversava com ninguém, estava sozinha, afastada do restante das pessoas… Se Evans fosse conversar com ela, teria que ir agora.
Deu alguns passos tímidos até se aproximar de . Fingiu estar concentrado nos salgadinhos à sua frente, mas ele não tinha fome, pois, no momento em que parou do lado dela, seu estômago deu uma reviravolta. Ele não soube o que falar.
Não teve tempo de pensar nisso, contudo. Ao abrir a boca para tentar dizer alguma coisa, qualquer coisa, foi surpreendido pela voz dela:
— Oi! — ela disse. — Você é o Chris, certo?
Chris sorriu para .
— Oi… . — ele disse ao confirmar, com absoluta certeza, de que se tratava de . — E sim, sou eu.
também tinha um sorriso nos lábios, o tipo de sorriso que as pessoas usam quando estão realmente felizes com alguma coisa. A mulher, então, tomando a iniciativa, abriu os braços e se aproximou dele, colocando-os sobre os ombros de Evans. Chris, acompanhando os movimentos dela, abraçou-a pela cintura, contendo a vontade de apertar os braços em um abraço forte.
Naquele momento, a única coisa que Evans conseguia pensar era “seria possível que ainda usasse o mesmo shampoo?”
— Que bom que você veio. — ela disse ao se afastar dele. — Imagino que a sua vida deva ser bem corrida.
Se fosse sincero consigo mesmo, Chris não esperava por aquilo, por aquela recepção, tampouco por aquela normalidade na fala. Em verdade, parando para pensar naquele momento, ele não tinha ideia do que poderia esperar dela, realmente.
— Ah, sim, muitos compromissos... — ele confirmou. — Mas eu não poderia perder isso. Quer dizer… É uma oportunidade única na vida, não é?
— Vinte anos que nos formamos no ensino médio… Sim, é uma oportunidade única.
E foi naquele momento que as coisas ficaram estranhas. Chris a olhava, sem saber como continuar a conversa, e parecia não saber para onde olhar. Quer dizer, é claro que o desconforto se faria presente, mais cedo ou mais tarde.
Apesar de e Chris terem tido um relacionamento curto, quando adolescentes, eles passaram ótimos momentos juntos. O casal não costumava ter momentos de desconforto entre eles, mas apenas de diversão. sempre tinha sido uma das pessoas favoritas de Chris… Bem, até o dia do baile.
Ainda sem ter ideia do que falar, Chris cogitou a possibilidade de, simplesmente, virar as costas e ir embora. Obviamente que ele iria se despedir dela, diria que foi um prazer reencontrá-la, e lhe desejaria sorte na vida. E então ele poderia voltar para o conforto da presente de Stuart, o qual faria alguma piada que ajudaria Chris a se esquecer daquele momento constrangedor ao lado de .
Novamente, contudo, o surpreendeu ao falar antes dele.
— Para ser bem sincera, eu estava torcendo para que você aparecesse hoje. — ela disse com a voz baixa, demonstrando que aquela conversa dizia respeito somente a eles dois. — Mas confesso que não achei realmente que Chris Evans iria comparecer na reunião da sua turma de ensino médio. — ela deu uma risadinha no final.
Chris acompanhou a sua risada.
— Bem, aqui estou eu. — ele brincou, abrindo os braços.
— Sim, aqui está você…
, então, se deu conta, somente naquele momento, que Chris Evans estava na sua frente. Ela havia acabado de perceber que seu primeiro namoradinho, o mesmo que ela abandonou, sem razão aparente, estava bem ali, na frente dela. E, apesar dela ter esperado que este momento acontecesse, ela nunca acreditaria que realmente o encontraria. Quer dizer, quais eram as probabilidades?
— Hm… Como você es…
— Eu quero te contar uma coisa. — ela disse depressa, interrompendo a fala dele.
sabia que tinha a testa franzida e, por sentir as bochechas corarem, precisou desviar o olhar dele.
— É sobre o dia do baile…
— Não precisamos falar sobre isso, se você não quiser... — ele a interrompeu.
— Mas eu quero. Eu preciso, na verdade.
tinha a voz firme, e, mesmo que se sentisse tímida em falar o que tinha em mente, manteve o olhar preso nos olhos de Evans. Sim, ela precisava falar aquilo.
— Não sei se você sabe, mas você foi o primeiro cara eu amei.
Evans não pôde controlar a surpresa que sentiu. De tudo o que poderia ter para lhe dizer, aquilo era o que ele menos esperava ouvir.
— Eu sei, eu sei… Éramos dois adolescentes que estavam saindo há poucos meses, e eu sei o quão estúpido isso pode soar, mas eu realmente gostava de você.
Chris, ainda surpreso, tentou responder, de alguma forma, o que acabara de ouvir, mas não deixou que ele falasse.
— Espera, eu ainda não terminei! — ela estendeu a mão na frente dele. — E, exatamente porque eu gostava tanto de você, eu não podia imaginar nós dois nos despedindo, terminando o nosso namoro, ou seja lá o que tínhamos.
— Eu não estou entendendo…
— Meu pai foi transferido no serviço, e nós tivemos que nos mudar para outro estado. E isso significava que eu e você não iríamos mais nos ver. — ela disse com uma careta, mexendo demais os dedos das mãos, em um claro sinal de nervosismo. — Tudo o que eu não queria era chorar na sua frente e, muito menos, terminar o que tínhamos. Então… Na época, pareceu ser uma boa ideia simplesmente ir embora, assim nós nunca teríamos que chegar ao fim.
Chris mantinha os olhos fixos nos de . Tão fixos, que eventualmente começaram a arder. Ele também desconfiava de que sua boca estivesse parcialmente aberta, sem poder controlar a surpresa que sentia por ouvir aquelas palavras.
— Bem, é isso o que eu tinha para dizer. Agora é a sua vez. — ela disse apontando para ele.
— Eu… — era a vez de Evans dizer alguma coisa, mas ele não fazia ideia do que falar. Quer dizer… O que tinha acabado de acontecer ali? — Bem…
— Não, espera! Acabei de lembrar de tem mais uma coisa! — ela disse rápido. — Não pense que eu queria te deixar no dia do nosso baile de formatura, porque eu não queria. Mas é como eu disse, pareceu ser a melhor opção, já que eu só queria deixar aquilo menos doloroso para mim mesma, já que eu sabia que você não gostava tanto de mim, na época.
— Espera, como é?
A mulher sorriu de lado, um pouco mais relaxada, agora que tinha colocado para fora o que guardara por vinte anos.
— Ah, Chris, nós dois sabemos que você não era o tipo de cara que ficava preso a uma só garota. E tudo bem, nós éramos jovens, e eu sempre soube que você não me amava da mesma forma que...
— Eu fiquei muito mal do dia seguinte ao baile. — ele a interrompeu. — Por alguns dias convenci a mim mesmo de que aquele sentimento não passava de ego ferido, afinal, eu tinha sido abandonado pela minha namorada. — Evans pensativo, tomando o cuidado de escolher as palavras certas, já que há duas décadas não pensava sobre o assunto. — Mas então eu percebi que, na verdade, eu estava muito, muito triste, porque tinha sido abandonado por uma das minhas pessoas favoritas.
Foi a vez de ficar sem palavras. E boquiaberta, ela tinha certeza.
— Então eu percebi que havia sido abandonado pelo meu primeiro amor, o que acabou sendo bem irônico, já que eu só percebi que estava apaixonado quando já não tinha mais namorada. — ele disse com uma risadinha irônica no final.
então passou a analisar o que acabara de ouvir. Sim, ela estava pronta para confessar a Chris o motivo de tê-lo deixado na noite do baile de formatura, e estava mais do que preparada para lhe pedir desculpas pelo ocorrido. O que pareceu ser uma boa ideia na época, mostrou-se ser uma terrível decisão. Foi egoísta da sua parte, e ela percebeu isso ao longo do tempo.
Mas, de todos os cenários imaginados por ela, nunca esperaria ouvir de Chris o que ele acabara de lhe dizer. Na sua mente, o relacionamento que tiveram, quando adolescentes, representou o primeiro amor de sua vida, na mesma proporção que não passou de alguns meses de diversão para Evans.
E foi por esse motivo, pelo espanto daquela descoberta, e pelo peso que aquelas palavras representava, foi que ela começou a rir.
O riso veio de lugar nenhum, e foi incontrolável. Começou baixinho, no fundo da garganta, e então se tornou alto, quase escandaloso. Era um riso de surpresa, com um toque de vergonha e recheado de ironia do destino.
— Des… Desculpe. — ela disse entre risos, os quais já estava sendo acompanhado por Evans.
— Desculpe por rir da minha declaração, ou por ter me abandonado no meio da noite, no dia do nosso baile? — Chris perguntou em tom de brincadeira, sem tirar o sorriso dos lábios.
— Ai, meu deus! — ela colocou as mãos nas bochechas, completamente corada, ainda rindo da conversa mais constrangedora da sua vida.
— Ei, relaxa, eu estou brincando.
— Pelos dois, eu acho. — respondeu. — Mas principalmente por ter te deixado sozinho. Eu nunca deveria ter feito isso. — ela confessou.
— Você poderia, sei lá, ter dito que iria se mudar, sabe? Nós poderíamos ter conversado…
— Eu sei, eu sei! — ela disse com a testa franzida, ainda mantendo as mãos nas bochechas. — Hoje isso é muito óbvio, mas tudo o que eu não queria, naquela época, era falar sobre isso e terminar o nosso namoro. Acho que eu não iria aguentar…
Chris suspirou. Com um sorriso leve nos lábios, ele percebeu que se sentia muito mais confortável estando na presença de agora, que as coisas entre eles estavam finalmente resolvidas. Ele não sabia, mas em algum lugar em seu subconsciente Evans sempre quis saber o que aconteceu naquela noite. Da mesma forma que sempre desejou poder se declarar para ela, dizer a o quanto gostava dela na época da escola, o quão idiota tinha sido por só entender seus sentimentos depois que já a havia perdido.
— Pelo menos você vai sempre poder se gabar por ser a garota que deu um fora no Capitão América. — ele comentou em tom de brincadeira.
soltou uma risada alta, e jogou a cabeça para trás.
— Acho que isso significa que não poderei contar com a ajuda de um certo super herói, caso me meta em problemas no futuro. — ela disse, se divertindo pela forma como o clima entre eles havia se tornado tão mais leve.
— Não se preocupe, eu não carrego mágoas. — Chris falou com a mão no peito, e as sobrancelhas erguidas.
Eles foram interrompidos por algumas pessoas que se aproximaram da mesa de bebidas.
— Com licença. — uma delas disse.
— Acho que estamos atrapalhando os nossos colegas de classe na missão de ficarem bêbados. — falou baixinho, como se contasse uma fofoca a Chris.
— Vamos para outro lugar, então. — ele concordou também em tom baixo.
liderou o caminho até um canto mais afastado da sala, longe da mesa de bebidas e de salgadinhos, onde ela sabia que não seriam interrompidos.
E eles realmente não foram. Chris não saberia dizer como a conversa recomeçou, e não se lembrava em que momento passaram a falar mal de seus ex-colegas, mas quando se deram conta, os dois estavam rindo das histórias do passado.
— Eu não acredito que você ficou com o capitão do time de futebol! — Chris disse surpreso, sendo repreendido por uma que colocou o dedo nos lábios, pedindo silêncio.
— Fica quieto, homem! Isso é um segredo! — ela disse rindo. — Obviamente que foi antes dele começar a sair com Melany, mas ainda assim, eu prefiro que ela não fique sabendo que eu fui o primeiro beijo do marido dela.
Chris abriu a boca em surpresa.
— Como você sabe que foi o primeiro beijo dele?
— Porque foi o pior, e o mais babado, beijo da minha vida, então eu prefiro acreditar que ele não sabia o que estava fazendo na época.
Chris jogou a cabeça para trás, sentindo lágrimas nos olhos.
— Pensei que eu tinha sido o seu primeiro namorado.
— Você foi o meu primeiro namorado, mas não foi o meu primeiro beijo, infelizmente. Tive várias experiências ruins antes de sair com você. — ela confessou. — Mas ei, você não pode falar nada, já que você foi responsável por vários corações quebrados no ensino médio. — ela o acusou.
— Confesso que saí com algumas garotas, mas não acredito que tenha quebrado o coração de alguma delas. Não sei se você se lembra, mas eu não fazia o tipo popular no colégio.
não contestou. Nenhum deles costumava ser a primeira opção a ser convidada para as festinhas que as pessoas davam depois da aula.
Chris então percebeu o quanto estava se divertindo naquela noite. “E pensar que eu cogitei a possibilidade de não aparecer…”, ele pensou. Diferentemente das conversas que ele tivera mais cedo, com seus outros ex-colegas, não lhe fez uma só pergunta sobre seu trabalho como Capitão América, ou qualquer outra relacionada ao seu trabalho no cinema. Ela se mostrou surpresa quando ele disse que havia participado de um musical no ano anterior, no qual ele precisou manter, por vários meses, um bigode horrível - do qual riu realmente alto quando Chris lhe mostrou as fotos -, mas não prolongou a conversa sobre a carreira dele.
E, para ser sincero consigo mesmo, Chris estava extremamente agradecido por isso.
Sim, ele amava a sua profissão, e não via problemas em falar sobre o que ele fazia para viver. Mas isso não significava que sua atividade preferida era falar sobre si mesmo, especialmente em um momento como aquele, no qual ele buscava reviver o período “normal” de sua vida, longe de jornalistas e holofotes. Evans não sabia se havia percebido que ele queria falar sobre qualquer coisa, menos si mesmo, mas a mulher fez questão de não lhe deixar desconfortável fazendo perguntas sobre sua vida em Hollywood.
— Você acredita em como Kurt está diferente? — ela perguntou, mudando o rumo da conversa, quando Kurt passou por eles, ao lado de Harry, Robb e Mark. — Quem diria que ele foi um dos melhores jogadores de futebol na época da escola?
Ao terminar de falar, Kurt fez um movimento com a mão que o levou a derrubar bebida nas pessoas que estavam ao seu lado. Ele nem mesmo se preocupou em pedir desculpas.
— Aparentemente ele não está tão diferente assim. — Chris disse ao observar a cena. Ele olhou em volta, observando as outras pessoas, e voltou a falar. — Mary, por outro lado, está exatamente a mesma pessoa de vinte anos atrás.
não poderia concordar mais. Mary sempre fora uma pessoa que aparentava comprar suas roupas na sessão infantil da loja: sempre muito coloridas, cheias de estampas e brilhantes.
— Será que John continua o mesmo fanático por fantasia? — perguntou segurando o riso.
— O que quer dizer? — Chris a acompanhou, mesmo não entendendo o motivo da piada.
— John tinha dezessete anos e ainda acreditava que sua carta de Hogwarts poderia estar perdida em algum lugar. — ela disse rindo. — Além disso, ele vivia falando da guerra dos mutantes contra os não mutantes, e de como os Vingadores teriam que escolher um lado na hora da luta.
Chris riu verdadeiramente dessa vez.
— Caramba, eu não lembrava de como John era viciado em HQs e livros de fantasia…
— Ele deve ter surtado quando viu você hoje.
— Ele até que se controlou bem, devo admitir. — Chris disse ainda rindo, lembrando-se de que John havia sido a primeira pessoa a pedir por um foto com ele. — E aquele engomadinho ali na entrada, hein? Quem será que é?
acompanhou o olhar de Chris até encontrar quem Chris apontava.
— Caramba, isso é uma reunião de ex-colegas ou é uma reunião de negócios? — Evans disse com ironia.
Ah, aquele é o meu noivo.
Foi como se um balde de água gelada tivesse caído na cabeça de Chris.
Em um momento ele estava caçoando das pessoas ali presentes, como se tivesse dezessete anos de novo, e no momento seguinte ele precisava engolir o riso, já que o clima de descontração foi substituído por um de desconforto.
Noivo, ela dissera.
estava noiva, e a prova disso era o rapaz engomadinho, que parecia ter saído de uma reunião de negócios, que vinha na direção deles.
— Desculpe o atraso, estava em uma reunião de negócios. — ele disse no momento que alcançou .
O homem deu um beijo na sua noiva, e imediatamente pegou o celular do bolso, parecendo muito concentrado em alguma coisa que acabara de receber.
— Podrick… — o chamou. Não obtendo resposta, ela o chamou de novo. — Podrick, amor, este é Chris.
Chris endireitou a postura, sustentou um sorriso educado nos lábios e imediatamente estendeu a mão para o rapaz à sua frente. Podrick, contudo, se limitou a chacoalhar a mão estendida de Chris.
— Prazer. — ele disse, sem demonstrar qualquer reconhecimento à pessoa de Chris Evans. — , acho que já está na hora de irmos, o que acha?
olhou para o relógio que tinha no punho, e Chris repetiu o seu movimento. De fato, eles estavam conversando há mais tempo do que Evans imaginara, mas ele tinha certeza de que ainda estava cedo para ir embora. Quer dizer, ele tinha ouvido falar que uma de suas ex-colegas se tornara uma confeiteira, e que havia levado um bolo enorme para comerem naquela noite. E, bem, o bolo ainda não havia sido cortado, o que significava que ainda não era hora de ir embora. Além disso, ainda tinha muita gente para Chris e comentarem, e Evans tinha certeza de que não havia ouvido metade das histórias que tinha para contar da época do ensino médio.
Chris não queria que fosse embora. Não tão cedo. Não depois de só ter tido a oportunidade de conversar com ela por poucas horas quando não se viam há mais de vinte anos.
Chris queria que ficasse.
— Acho que sim… — ela respondeu, depois de conferir as horas no relógio.
tinha a testa franzida, o que levou Chris a acreditar que não, não acreditava que já estava na hora de ir embora.
— Tchau, Chris, foi ótimo pode te ver de novo. — ela disse.
E para a surpresa de Chris, ela o abraçou novamente, dessa vez bem mais forte que no início da noite, quando havia tanta coisa não dita entre eles. Chris, por outro lado, se viu respirando o perfume do seu shampoo uma última vez antes de se separar dele e seguir para a saída, sendo guiada pelo seu noivo.

Capítulo 2

O movimento do ventilador era quase hipnotizante. Pelo menos era assim que Chris se sentia olhando para o teto: hipnotizado, preso em pensamentos.
Naquele dia o clima estava ameno, e Chris decidiu deixar as cortinas abertas a fim de permitir que a luz solar iluminasse as paredes de seu quarto que, outrora, encontravam-se cheias de pôsteres colocados em sua adolescência.
Chris podia ouvir sua mãe conversando com suas irmãs no andar de baixo, e isso o fez suspirar. Voltar para Sudbury lhe proporcionava paz interior. Ali ele não era Chris Evans, o Capitão América, mas apenas Chris, filho de Lisa Marie, e irmão de Scott, Carly e Shanna Evans. De volta à sua casa, Chris não passava de mais um garoto que morava no subúrbio de Sudbury, onde os vizinhos se conheciam desde sempre, e mostravam-se amigáveis de uma forma que o fazia se sentia desconfortável.
Ouviu o celular vibrar ao seu lado, indicando que havia recebido uma mensagem de texto.
“E aí, já falou com ela?”, Stuart lhe perguntou.
Chris suspirou novamente, deixando o celular de lado. Não queria responder a mensagem de Stuart, porque sabia o que o amigo lhe diria.
Quer dizer, aparentemente Evans deixara muito claro, na sua expressão, que não queria voltar para a companhia de Stuart e do restante de seus ex-colegas, na noite passada. Segundo seu amigo, Chris claramente havia mudado o humor depois que fora embora.
Obviamente Evans contestara aquela acusação.
— Estou apenas feliz de poder rever todos vocês. — ele disse ao amigo, na noite passada.
— Claro, claro. Aposto que está mais feliz de ver alguns do que outros, não é? — Stuart perguntou com uma risadinha, batendo seu cotovelo no braço de Evans.
— Não vou dizer que está errado. — ele admitiu.
A verdade é que Chris se divertiu muito na reunião de seus ex-colegas. Ele realmente estava precisando daquele momento de normalidade, especialmente depois das últimas semanas, quando as promoções de Vingadores: Ultimato haviam começado. Mas também não iria negar que a melhor parte da noite foi se reencontrar com .
Evans teve a chance de vivenciar novamente o sentimento de tranquilidade e liberdade que somente conseguia causar nele. Ao lado dela, Chris não tinha dúvidas sobre si mesmo, ou sobre suas escolhas, e não se preocupava com o amanhã, pois ele sabia que ela estaria presente no dia seguinte, e isso era tudo o que ele precisava saber. Pelo menos era assim que ele se lembrava de se sentir quando tinha dezessete anos. E duas décadas depois, Chris vivenciou tudo isso novamente, especialmente a parte em que se sentia livre para fazer as piadas mais inconvenientes possíveis, ou falar de qualquer assunto banal, pois ele sabia que ela iria acompanhá-lo com suas risadas escandalosas.
Então sim, Evans não iria negar que realmente gostou de tê-la encontrado noite passada.
E foi por esse motivo que Stuart, de forma completamente espontânea, passou para Chris o contato de .
— Caso você queira continuar a conversa que estavam tendo… — ele disse, justificando-se.
Chris, então, olhou novamente a mensagem recebida de Stuart.
E aí, já falou com ela?
Não”, Evans respondeu. “Não encontrei nada que pudesse ser interessante para falar”.
No momento em que Chris mandou respondeu ao amigo, sentiu-se um adolescente inseguro, e tinha certeza de que Stuart iria tirar sarro da sua cara. Mas aquela era a mais pura verdade. Chris havia digitado várias mensagens, mas acabou apagando todas elas, simplesmente por não fazer ideia do que escrever, ou como começar um assunto com .
— Posso saber com quem você está conversando?
Chris se assustou ao ouvir a voz de sua irmã. Shanna se encontrava escorada no batente da porta de Chris, com os braços cruzados, e cheia de curiosidade nos olhos.
— Você parece concentrado demais olhando para esse celular. — ela comentou. — É alguma coisa referente ao trabalho?
— Quem me dera. — Chris respondeu com um suspiro no final. — Estou apenas falando com uma amiga.
“Ou, pelo menos, tentando”, ele pensou.
— Uh… Uma amiga, é? — Shanna entrou no quarto, interessada. — Posso saber quem é?
Chris sorriu para a irmã e ergueu as sobrancelhas, como se dissesse “até parece que eu vou te falar alguma coisa”. Shanna, então, revirou os olhos, e deu as costas a Chris, dirigindo-se à porta, sendo seguida por ele.
O cheiro vindo da cozinha podia ser sentido ainda nas escadas, o que fez com que o estômago de Chris roncasse.
— O cheiro está bom. — ele comentou ao entrar na cozinha.
— Espero que o gosto esteja ainda melhor. — sua mãe respondeu.
Scott ajudava a mãe a arrumar a mesa, enquanto Carly e Shanna foram chamar os filhos para o almoço.
A mãe de Chris, Lisa, fazia questão de reunir a família sempre que Chris os visitava, especialmente quando essa visita tinha o prazo de duração tão curto, afinal, por conta da vida de Evans em Los Angeles, ele não tinha muito tempo livre para visitar a família com a frequência que desejava.
E a melhor parte de reunir toda a família, na opinião de Chris, era que a conversava nunca parava, nem mesmo na hora do almoço.
— Mãe, quando vamos para a Disney de novo? — Milles, um dos sobrinhos de Chris, perguntou.
— Pensamos em voltar no final do ano, o que você acha? — Carly respondeu ao filho.
— Tio Chris vai junto com a gente? — Ethan, irmão de Milles, perguntou dessa vez.
— Claro, se o tio Chris estiver de férias do trabalho. — ela respondeu.
— Talvez Chris leve a nova namorada. — Shanna disse em tom de provocação.
— Nova namorada? — Carly estava surpresa.
— Não acredito que você escondeu isso de mim! — Scott falou em um tom ofendido.
— Ela também tem cachorro? — Milles perguntou interessado.
— Eu não tenho… — Evans tentou responder, mas foi interrompido.
— Você pretendia não nos contar? — sua mãe perguntou ofendida.
— Eu não… — ele começou a falar, mas novamente foi interrompido. — Esperem, esperem, isso é ridículo. Eu não tenho uma nova namorada!
— É alguém que você já namorou, então? — sua mãe perguntou. — Espero que não seja a…
— Mãe, não é ninguém com quem eu já tenha saído. — e antes que Lisa pudesse lhe fazer uma nova pergunta, ele continuou. — E não é nenhuma namorada nova também.
E diante dos olhares confusos, com exceção de Shanna, que estava achando aquela confusão muito divertida, Chris explicou.
— Eu não tenho uma nova namorada, ou antiga. — completou antes de ser interrompido novamente. — Eu não estou namorando.
Seu tom de voz demonstrava que o assunto não comportava questionamentos.
Sua mãe, contudo, parecia não acreditar muito na palavra de Chris, e Scott ainda se mostrava ofendido por não ter sido comunicado, em primeira mão, do seu relacionamento amoroso inexistente. Carly estava curvada ao lado de Shanna, provavelmente pedindo por mais detalhes sobre a fofoca que Shanna iniciara.
— Shanna está apenas pegando no meu pé. — ele se defendeu.
— Você disse que estava conversando com uma amiga mais cedo, mas não quis me dizer quem era. — ela deu de ombros. — Pensei que estivesse namorando escondido.
Chris revirou os olhos, sabendo que Shanna não acreditava realmente naquilo. Ela apenas queria provocá-lo e, talvez, ainda conseguir a informação de quem era a mulher com quem Chris conversava mais cedo - a qual, ironicamente, não existia, já que Chris havia mentido, uma vez que a única pessoa com quem ele conversara naquele dia havia sido Jacob.
— Você deveria arrumar uma namorada para Dodger. — Milles comentou, o que acabou por arrancar risadas de todos da mesa.
— Não sei se Dodger está procurando uma namorada no momento. — Chris comentou ainda rindo.
E quando voltaram a comer, preferiram o fazer em silêncio. Mas o silêncio nunca durava muito na casa dos Evans, e um novo assunto logo foi iniciado por Ethan, que parecia muito entusiasmado em contar que faria parte da peça de teatro da escola, e que fazia questão de ter todos presentes no dia da sua apresentação.
No final do almoço, Chris, Carly, Shanna e Scott dividiram as tarefas da arrumação, como faziam quando eram mais novos e moravam todos juntos. Shanna ficou responsável por retirar os pratos da mesa, enquanto Scott ajudava Chris a lavar a louça que Carly ficou encarregada de guardá-la nos armários.
A janela da cozinha da casa dos Evans dava para a rua, o que permitia que Chris tivesse uma ampla visão da casa da frente, onde Melany Foster, sua ex-colega do ensino médio, outrora morou.
O gramado da casa dos Fosters continuava tão verde quanto Chris se lembrava. E, bem, Chris se lembrava muito bem de como era o gramado na casa da frente, já que passaram a noite lá, vinte anos atrás.
— Pode subir se quiser, eu termino aqui. — Scott disse.
— Obrigado, cara.
Chris enxugou as mãos em um pano que estava ao seu lado e subiu para o quarto, onde encontrou Dodger dormindo na sua cama.
— Ei, amigão, quer dividir o travesseiro comigo?
Dodger, contudo, não pareceu querer sair de onde estava, o que acabou fazendo com que Evans se deitasse ao lado de seu amigo, usando o braço como apoio para a cabeça.
Pegou o celular em cima do criado mudo, encontrando uma mensagem de Stuart.
“Não. Não encontrei nada que pudesse ser interessante para falar”, tinha sido a resposta enviada por Chris, à pergunta de Stuart.
“Não sei como as pessoas se comunicam em Hollywood, mas aqui nós ainda somos adeptos ao bom e velho ‘oi, tudo bem?’”, foi o que o amigo lhe respondeu, seguido por vários emojis de risada no final.
Chris também não pôde conter a sua risada. De fato, aquela parecia ser uma boa ideia. Com exceção, é claro, do fato de que ele teria que continuar a conversa, e Chris não fazia ideia de como iria o fazer.
“Em Hollywood costumamos ser mais criativos nas conversas”, ele mandou de volta para o amigo. “Sabe como é, temos roteiristas que se encarregam de escrever o que devemos falar”.
Chris então virou-se para Dodger que, mesmo estando acordado, ainda ocupava o centro da cama, em cima de um travesseiro macio.
— O que você acha, companheiro? Devo mandar uma mensagem para ou não?
Dodger piscou seus olhos algumas vezes.
— Eu não sei. — Chris respondeu a alguma coisa Dodger perguntara, mas que somente ele entendeu. — Eu apenas quero falar com ela de novo. Você acha isso estranho?
Dodger levantou a cabeça e a inclinou para o lado, como se realmente prestasse atenção no que o dono falava.
— Ah, você sabe… Estranho porque não nos falamos há vinte anos, e depois de uma noite, por algum motivo, eu não quero que percamos o contato novamente.
Dodger, então, balançou a cabeça novamente, e soltou um ruído, que muito se parecia com um resmungo.
— Excelente ideia, amigão. Obrigado.
Chris Evans pareceu entender perfeitamente o que seu cachorro lhe dissera, já que imediatamente pegou o celular novamente, procurou o contato de , e lhe mandou uma mensagem, primeiro se identificando, e depois, para não perder o costume, fazendo uma piada que, em sua mente, parecia muito mais engraçada do que de fato era.
Acho que você não perdeu o hábito de fugir dos nosso encontros”.
Ele se arrependeu no momento em que enviou a mensagem. Quer dizer, que piada horrível! Chris, então, entrou em um dilema: apagar a mensagem, e deixá-la saber que ele havia mandado algo, mas que se arrependeu depois, ou deixá-la ler a sua terrível tentativa de puxar assunto? Seu dilema, contudo, não durou nem mesmo um minuto.
Ai, meu Deus, me desculpe por sair correndo ontem!”, ela respondeu. “Prometo que não foi pessoal”.
E logo em seguida mandou:
Como você pôde perceber, as minhas fugas sempre têm uma justificativa”.
Chris riu das mensagens dela. Pensou no que poderia lhe responder, mas foi mais rápida.
Já voltou à vida de artista?
Não”, ele mandou. “Ainda estou aproveitando a vida no subúrbio”.
Chris esperou alguns segundos, e como não obteve resposta de , continuou a escrever.
Hey, você se lembra da cafeteria do Sr. Jonas? Pensei em passar por lá e pedir um pedaço daquele bolo de chocolate que costumávamos comer…
Releu a mensagem algumas vezes antes de decidir apagá-la. Quer dizer, o que ele estava fazendo, chamando-a para sair? Por deus, ela estava noiva! E ele voltaria para Los Angeles no dia seguinte, e provavelmente nunca mais veria novamente. Isso significava que eles não tinham porque se encontrar, mesmo que Chris o quisesse.
E então, para desistir da ideia de chamar sua ex-namorada que, atualmente, estava noiva de um engomadinho, para sair, Chris resolveu que sairia de casa, e iria à cafeteria do Sr. Jonas comer bolo de chocolate. E decidiu que iria sem chamar para ir consigo.
— Vou dar uma volta, companheiro. — Chris disse se despedindo de Dodger, o qual não pareceu se importar muito com o fato de o dono deixá-lo em casa novamente. Dodger estava muito bem confortável naquela cama grande e espaçosa.
Chris foi até o quarto de Scott, logo ao lado do seu. Bateu na porta duas vezes, tendo ouvido o irmão pedir para que ele entrasse.
— Ei, está ocupado?
Em resposta, Scott apontou para o celular que segurava.
— Meu namorado está carente porque resolvi passar o final de semana em Sudbury. — ele falou com ironia.

Chris riu do comentário do irmão. Scott namorava há poucas semanas, mas parecia que namorava há meses, já que o novo namorado do irmão - o qual Chris ainda não conhecia - havia sugerido que eles passassem a morar juntos. Lisa não gostara muito da ideia, especialmente porque ainda não conhecia o rapaz, mas Scott parecia radiante com o fato de que seu novo namorado se mostrava carente pela sua ausência.
— Certo, vou deixá-lo conversar com ele. — e antes de fechar a porta, completou — Estou ansioso para conhecê-lo.
— Você vai adorar o Paul, Chris. Eu tenho certeza.
E diante do brilho nos olhos do irmão, Chris sabia que ele estava certo. Se fazia Scott feliz, não tinha como Chris não gostar do rapaz.
Evas seguiu pelo corredor parando em frente ao quarto de Shanna. Como fizera anteriormente, bateu na porta, esperando a irmã indicar que ele poderia entrar.
Como Shanna fizera no quarto dele, Chris se apoiou no batente da porta, com os braços cruzados.
— O que você está fazendo?
Shanna organizava as coisas dentro de uma grande mala de viagem, o que realmente causou estranheza em Chris, uma vez que ela morava a poucas quadras dali, diferentemente dele, que morava em outro estado, e levou consigo somente uma mochila com duas trocas de roupa para passar o final de semana.
— Separando algumas roupas para doar. A escola de Carly está recebendo doações para uma instituição de caridade.
Chris balançou a cabeça. Lembrava-se de sua mãe falar algo sobre isso mais cedo.
— E você, já cansou de falar com a sua namorada secreta?
Chris revirou os olhos. Shanna riu da reação dele.
— Estou apenas brincando, não precisa ficar bravo. — ela disse rindo.
— Você deixou nossa mãe preocupada hoje.
Dessa vez sua irmã riu alto, fazendo com que Chris a acompanhasse.
— Ela se preocupa com você… Apenas quer que você encontre uma mulher e se apaixone por ela.
Chris fez uma careta antes de responder.
— Eu já me apaixonei por algumas mulheres e, se bem me lembro, nossa mãe não gostava de algumas delas.
— Não é fácil conquistar o coração da dona Lisa. — Shanna concordou. — E isso deve ser de família, já que parece ser difícil conquistar o seu também.
Chris suspirou pela declaração. Não tinha como contestar aquilo, ele realmente tinha dificuldades para se apaixonar.
Balançou a cabeça novamente, dessa vez para focar sua atenção no assunto que tinha o levado ali.
— Quer sair? Ou está ocupada?
Shanna olhou para a cama à sua frente, onde ainda tinha várias peças de roupa espalhadas pela superfície, muitas das quais não caberiam na mala ainda aberta.
— Ah… Acho que prefiro acabar essa arrumação. Carly quer levar essas coisas amanhã para a escola, e vai me matar se eu pedir para ela me ajudar a arrumar a mala.
— Vai mesmo. — Chris comentou rindo, lembrando-se de como Carly sempre odiara guarda roupas em malas de viagem. — Boa sorte na sua arrumação.
Chris bateu a porta atrás de si, e seguiu para o quarto da frente, onde Carly estava com Milles e Ethan. Imaginou que, caso Carly se recusasse a sair com ele, Evans facilmente convenceria seus sobrinhos a sair para comerem doces.
O quarto de Carly estava com a porta aberta, motivo pelo qual ele adentrou o cômodo sem bater. Ethan dormia na cama da mãe, e Milles brincava no celular. Carly não estava à vista.
— Ei. — chamou Milles. — O que acha de darmos uma volta agora?
Milles pareceu se animar com a ideia, mas logo mudou a expressão para chateada.
— Mamãe disse que já estamos indo embora. — ele disse.
— Mas por quê? — Chris perguntou ao sobrinho, com a testa franzida.
— Porque eles precisam ir para a escola amanhã de manhã, e ainda não terminaram a lição de casa. — Carly respondeu, entrando no quarto. — Além disso, preciso preparar minha aula.
Carly dava aulas de teatro e inglês no ensino médio, e Chris sabia que a irmã tinha muitas turmas para dar conta. Não raro, Carly preferia encerrar mais cedo os encontros familiares, apenas para poder se dedicar à preparação de suas aulas. Evans não criticava a atitude, ele mesmo já cancelara vários compromissos seus, apenas para se dedicar à sua própria profissão.
— Não podemos ir mais tarde, mãe? — Milles perguntou.
— Eu quero sair com o tio Chris. — Ethan disse com a voz sonolenta, indicando que acabara de acordar.
— Outro dia, prometo. — Carly disse. — Além disso, você logo volta para casa, não vem? — perguntou, dirigindo-se ao irmão.
— Espero que sim. — ele confessou, com um suspiro no final.
Ele sabia que as próximas semanas seriam inteiramente dedicadas à promoção de Vingadores: Ultimato, e que teria poucos dias de folga antes de começar a trabalhar em seu novo projeto, na série televisiva, Defending Jacob. De qualquer forma, ele esperava ter a chance de passar mais alguns dias com a família antes de começar as gravações.
Chris então se aproximou dos sobrinhos e os abraçou, sabendo que não os encontraria ali quando voltasse para casa naquela noite.
— A gente se vê em algumas semanas, em Los Angeles, beleza? — ele perguntou aos sobrinhos. — Quero ver todos vocês na estreia de Vingadores.
— Tio, você vai dar um soco no Thanos? — Ethan perguntou animado.
— O Homem Formiga vai entrar no cérebro dele? — Milles também perguntou excitado.
Chris riu antes de responder.
— Eu não sei o que vai acontecer, mas posso garantir uma coisa: vocês vão adorar o filme. — ele prometeu.
Voltou rapidamente para o próprio quarto, apenas para pegar o boné e os óculos escuros. Dodger dormia tão profundamente, que nem acordou quando Chris apareceu.
Evans saiu de casa, certo de que a ideia de dar uma volta sozinho espantaria de sua mente pensamentos estranhos, tais como convidar para sair. Quer dizer, não é como se ele fosse chamá-la para um encontro, para jantar em um restaurante reservado. Ele apenas havia tido a ideia de convidá-la para ir a um café, o que poderia ser mais inocente do que isso? E respondendo a própria pergunta, Chris chegou à conclusão de que não existia nada de inocente na sua ideia, uma vez que eles dois costumavam ir muito no café do Sr. Jonas quando namoravam. Na verdade, aquele era o único lugar que os pais de deixavam a garota ir com ele, com exceção do cinema - com a condição, é claro, de que fossem em grupo. Nunca os dois sozinhos.
Chris suspirou com as lembranças. Os tempos eram muito diferentes, especialmente quando se tratava do estilo de vida no subúrbio. Chris e viveram um namoro à moda antiga, do tipo que Chris e ela não tinham permissão para ficarem fora de casa até tarde da noite, tampouco irem a encontros depois que escurecesse. Além disso, quando começaram a sair, Chris precisou ir até à casa de para pedir a permissão de seus pais, os quais não se mostraram muito satisfeitos com o fato de sua única filha estar saindo com um garoto que usava brinco em uma só orelha.
Foi impossível evitar um suspiro pelas lembranças, especialmente quando o cheiro de café da cafeteria do Sr. Jonas chegou às suas narinas. Chris podia contar nos dedos das mãos o número de vezes que voltou àquela cafeteria depois que deixou a cidade de Sudbury aos dezoito anos. E, apesar de já ter votado lá algumas vezes nos últimos anos, naquele dia o sentimento de nostalgia tinha um toque diferente.
Chris escolheu uma mesinha do lado de fora para se acomodar. Escorregou o corpo pela cadeira e arrumou o boné na cabeça e os óculos escuros, mesmo que o sol não estivesse forte a ponto de incomodar seus olhos. Ele apenas queria poder passar despercebido.
Abriu o cardápio e estava pronto para escolher o que pedir para beber quando ouviu uma risada. Uma risada tão alta, e tão característica, que ele a teria reconhecido em qualquer lugar.
— Não pode ser… — ele falou baixinho, para si mesmo.
— Obrigada, Rachel! Mande lembranças para o Sr. Jonas, e diga a ele que voltarei outro dia para conversarmos. — disse se despedindo de uma das funcionárias da cafeteria do Sr. Jonas.
A primeira reação de Chris se esconder atrás do cardápio, afinal, sua intenção era não ser reconhecido e passar uma tarde tranquila em um dos seus lugares preferidos da adolescência.
Mas então ele pensou que aquilo era coincidência demais. Quer dizer, quais eram as chances de encontrar ali, quando ele havia tido a ideia de convidá-la para um café mas desistiu na última hora?
“Aposto que Mackie diria que isso é coisa do destino”, ele pensou com humor. Anthony Mackie, um dos melhores amigos que Chris fez ao longo de sua jornada na Marvel Studios, iria adorar ouvir de Chris sobre o seu reencontro com a ex-namorada do colegial, e como o destino fez com que ele encontrasse a mulher uma vez mais antes de voltar para sua casa em Los Angeles.
Evans então pensou em abanar a mão para ela e chamar o seu nome, mas estava mexendo no celular e não o viu.
“Você precisa se esforçar mais, destino”, ele pensou brincando.
E foi nesse momento que o viu.
— Chris?
Chris ainda usava o boné e os óculos escuros, e não havia saído de trás do cardápio de bebidas. E se levasse em conta o fato do ator ter escolhido a mesinha mais afastada da calçada, isso explicaria o motivo dele ter ficado surpreso em ter sido reconhecido.
— Chris Evans? — ela perguntou mais baixo agora, aproximando-se dele.
— Hey, !
Ele fingiu uma surpresa que não existia. Levantou-se para cumprimentar a mulher com um abraço e um beijo no rosto, apontando para a cadeira em frente à sua, indicando para que ela se sentasse com ele.
— Caramba, que coincidência!
Ele não poderia concordar mais.
— Duas vezes em um só final de semana… Vou começar a achar que você é minha fã. — ele disse em tom de brincadeira, odiando a piada no instante em que ela saiu.
, por outro lado, não pareceu achar a brincadeira de gosto duvidoso.
— Puxa vida, você me descobriu! — ela disse colocando as mãos na cintura de forma teatral. — E eu que pensei que estava disfarçando bem a minha perseguição.
Chris riu da mulher, sendo acompanhado por ela. E foi nesse momento que ele sentiu aquilo de novo: a leveza de estar ao lado de , de poder rir com ela e sentir que poderiam falar sobre qualquer coisa. Chris percebeu, naquele momento, que sentiria falta dela quando voltasse para Los Angeles.
pegou o celular na bolsa e digitou alguma coisa rapidamente. Seu semblante foi de relaxado para sério em um só instante, e Chris se perguntou se seria alguma coisa relacionada ao seu trabalho.
— Alguma coisa importante? — ele perguntou.
— Mais ou menos. — ela comentou guardando o celular na bolsa. — Às vezes me pergunto se escolhi o ramo certo do Direito… Quer dizer, de que adianta prestar assessoria jurídica no ramo de direito ambiental se os seus clientes não seguem as suas orientações? — ela perguntou suspirando. — Acho que vou precisar ir...
Chris franziu a testa. É bem verdade que ele não esperava encontrar ali, mas agora que a encontrara, ele não queria se despedir tão cedo dela.
— Ah, claro… Eu entendo.
É claro que ele entendia, ele apenas não queria aceitar. E também não conseguia pensar em nenhuma boa desculpa para convencê-la a ficar um pouco mais.
— O que você acha de nos encontrarmos amanhã na hora do almoço? — ela perguntou enquanto arrumava a alça da bolsa no ombro, pronta para se levantar.
— Eu adoraria, mas vou embora amanhã cedo. — Chris respondeu ao mesmo tempo em que se questionava o motivo de ter escolhido um voo tão cedo. Qual o problema de em comprar as passagens para um voo no meio da tarde, ou à noite? — Primeiro voo do dia. — ele concluiu.
— Então esse é o nosso último encontro? — perguntou surpresa. — Digo… A última vez que nos vemos?
Chris pôde jurar que viu as bochechas da mulher ficarem coradas.
— Acho que sim.
pareceu pensar por alguns instantes. Sobre o que ela pensava, Chris nunca saberia, mas no instante seguinte, a mulher tirou a bolsa do ombro, colocando-a no encosto da cadeira, e chamou a atendente mais uma vez.
— Hey, Rachel, você poderia trazer o cardápio de bolos para nós, por favor? — ela pediu educadamente.
— Claro.
Rachel então retirou o cardápio do bolso no avental que usava e entregou a .
— Resolveu ficar mais um pouco? — ela perguntou, sem mostrar sinais de que reconhecera Chris Evans ali, ao seu lado.
— Pois é… — ela respondeu à Rachel. — Acho que o Sr. Alfred pode esperar mais um pouco, afinal, ele sabia que não deveria construir em uma área que de preservação florestal, não é?
Rachel deu uma risadinha, concordando com o que lhe dissera.
— Quando estiverem prontos para pedir é só me chamar. — ela disse antes de se afastar.
passou a analisar o cardápio à sua frente. Chris, por outro lado, apenas continuou a analisar . O que tinha acabado de acontecer?
— Já decidiu o que vai pedir? — ela perguntou. — Acho que vou pedir aquele bolo de chocolate que comíamos quando éramos mais novos, lembra? Era o bolo mais famoso do Sr. Jonas.
Chris não conteve uma olhadela em volta dele. “Boa jogada, destino”, ele pensou.
— Vou pedir o mesmo que você. — ele respondeu. E segundos depois, continuou. — Então… Você não vai se meter em problemas por deixar o Sr. Alfred esperando?
revirou os olhos.
— Ele se meteu em problemas sozinho. Não é como se ele pudesse reclamar pela advogada dele ter preferido tomar um café com o amigo de escola dela, em vez de resolver o problema, totalmente evitável, dele.
— Então… A doutora prefere tomar um café com o amigo de escola dela, em vez de salvar o cliente dela, das mãos da fiscalização ambiental? — Chris perguntou com certo humor na voz. — Lembre-me de nunca contratar essa advogada, ela não parece levar o trabalho dela muito a sério.
Em resposta à brincadeira, jogou um um guardanapo amassado em Chris.
Ainda rindo da brincadeira dele, ela disse:
— E que papo é esse de ficar me chamando de ? Até parece que a gente não se conhece há, sei lá, uns vinte anos. — ela disse rindo. — Me chame de .
Chris sorriu diante daquilo e concordou balançando a cabeça.
— Então me diga, … O que uma advogada ambientalista faz, exatamente? — ele perguntou interessado.
— Nem pensar, nós falamos sobre mim ontem, e hoje iremos falar sobre você. — ela disse. — Então me diga, você ainda faz campanhas publicitárias de maiô?
Chris jogou a cabeça para trás ao rir.
— Não era uma maiô, era uma roupa de surf! — ele disse ainda rindo.
— Claro, se você prefere chamar assim… — ela respondeu também rindo. — Apenas saiba que eu também trabalho com contratos publicitários. Então se você precisar de uma advogada para, sei lá, defender os seus direitos sobre um contrato para propaganda de maiôs, ou algo do tipo, estarei à sua disposição.
— Mas apenas se essa advogada não estiver em uma reunião com os amigos de escola.
— Bem lembrado. — ela disse rindo.
E o que começou com um encontro completamente imprevisível, acabou se tornando uma conversa que durara várias horas. Horas suficientes para se preocupar com a quantidade de ligações não atendidas em seu celular, e precisar se despedir de Evans com um abraço apertado, o qual acabou sendo demasiado rápido - pelo menos esse era o pensamento de Chris no dia seguinte, ao embarcar no primeiro voo com destino a Los Angeles.

Capítulo 3

As duas últimas semanas haviam sido inteiramente dedicadas à promoção de Vingadores: Ultimato. Os dias começavam cedo, com as sessões de fotos, e só terminavam tarde da noite, depois da última entrevista daquele dia. Por conta disso, tomar café havia se tornado ao longo do dia um hábito mais do que necessário para Chris, afinal, não era fácil aguentar aquela rotina.
— Obrigado. — Evans agradeceu ao staff que lhe entregara o segundo copo de café daquela manhã.
Ele esperou que a maquiadora terminasse de passar pó na sua testa, ficando imóvel para não atrapalhar a mulher, para só depois colocar o novo copo de café no chão, ao lado da cadeira.
— Você sabe que quando os médicos falam sobre beber muito líquido ao longo do dia, eles estão falando de água, não é? — Hemsworth perguntou. — Acho que algum suco ou chá não faria mal, mas duvido que o seu cardiologista aprove isso. — ele disse apontando para onde o copo de Evans estava.
Evans riu do amigo, já acostumado com as piadinhas que ouvia do pessoal do elenco pela quantidade de cafeína que ele ingeria ao longo do dia. Evans não podia evitar, contudo. Seu corpo precisava de café diariamente, e quando tinha sua rotina alterada, como ocorreu nas últimas semanas, por exemplo, uma única dose diária não era suficiente.
— Se quer que eu mantenha meus olhos abertos até o final do dia, acredite, não há outra alternativa.
A sorte de Evans foi ter sido colocado ao lado de Hemsworth para dar as entrevistas, o que lhe garantiria boas risadas e zero sono. Mas, ao final do dia, e depois das muitas entrevistas arruinadas pelas piadas, brincadeiras e risadas que a dupla dera, Evans tinha quase certeza de que nunca mais poderia dar entrevistas junto do seu xará.
Ao chegar em seu quarto no hotel, a primeira coisa que fez foi procurar pelo carregador do celular, dentro da mala de viagens, se arrependendo por não ter carregado o aparelho de manhã, antes de sair.
— Vamos logo… — ele disse para o aparelho desligado em suas mãos. Mas ele bem sabia que a bateria precisaria ser minimamente recarregada antes do celular ligar. Sabendo disso, ele foi até o banheiro tomar um banho rápido. E enquanto se enxugava, perguntou-se o que iria pedir para o jantar. A fome, contudo, foi logo esquecida quando ele voltou para o quarto encontrou o celular ainda desligado.
— Fala sério! — ele reclamou.
Testou o carregador em outra tomada, depois em outra, e então em uma quarta tomada no quarto. Era fato: seu carregador não funcionava.
Trocou-se rapidamente e foi até o corredor, tentando se lembrar qual era o quarto em que Scarlett estava hospedada.
“Se ela já estiver dormindo, e eu a acordar, ela vai me matar”, pensou. Mudou, então, de direção, e foi até o quarto de Mark Ruffalo. Bateu na porta várias vezes, mas o amigo não atendeu, o que o levou a pensar ele poderia estar tomando banho, ou ter descido para jantar, ou simplesmente ter se jogado na cama e ali ficado.
Chris deu mais alguns passos até chegar no quarto em que Chris Hemsworth estava hospedado, mas a porta abriu antes que ele tivesse a chance de bater nela.
— Hey, meu amigo! — Hemsworth o cumprimentou. — O que posso fazer por você?
Chris sorriu sem graça antes de responder.
— Hey, cara, meu celular está morto, e meu carregador seguiu o mesmo caminho… Será que você pode me emprestar o seu?
Hemsworth sorriu.
— Estou carregando o meu antes que a patroa ligue e escute uma mensagem informando para ela ligar mais tarde. — ele brincou. — Mas posso deixar no seu quarto mais tarde, se quiser.
Chris não sabia se conseguiria ficar acordado por tanto tempo, mas agradeceu pela oferta do amigo, voltando para o próprio quarto, decidido que iria usar suas poucas horas livres para descansar, e que iria se preocupar com o próprio celular apenas no dia seguinte.

— Hey, passei no seu quarto ontem à noite, mas você não respondeu.
Hemsworth e Evans dividiam o banco traseiro de um dos carros alugados para transportar o elenco até o estúdio onde as fotos daquela manhã ocorreriam.
— Cara, acho que não me lembro nem de deitar na cama. Eu estava realmente muito cansado. — ele respondeu com um bocejo.
— Bem, se ainda precisar, estou com o carregador no bolso.
— Obrigado, cara. — Chris agradeceu com um tapinha no peito do amigo.
Ao chegarem no estúdio, Chris agradeceu o fato de que as fotos seriam tiradas individualmente, no início, para só então juntarem todos os atores para uma foto de todo o elenco que deu origem ao primeiro Vingadores no cinema. Isso significava que ele poderia ficar algum tempo livre, aproveitando o tempo para fazer absolutamente nada.
— Evans, sua vez de ficar bonito. — Scarlett diz em tom de brincadeira, enquanto deixava a cadeira da maquiadora. — Não que você precise se esforçar muito.
— Muito engraçada. — ele respondeu sorrindo para a amiga. Aproximou-se da única cadeira vazia ali, cumprimentou a equipe de maquiagem e cabelo, e sentou-se.
Jeremy Renner estava do seu lado, e não tardou em entrar na brincadeira.
— Pode desistir, Evans, você não vai conseguir ficar lindo como eu. — ele disse rindo. — Hey, você viu o que Pratt compartilhou no twitter? Ele não gostou muito de não ter sido convidado para a sessão de fotos dessa manhã.
Chris Hemsworth, que ouvira a conversa, aproximou-se.
— Bem, quando ele tiver três filmes do personagem dele, e integrar a equipe original dos Vingadores, ele poderá vir para essa sessão de fotos.
Renner e Evans riram, e até mesmo as maquiadoras não aguentaram a brincadeira.
— Faça um vídeo aí, Renner. — Evans pediu. E quando já tinha o celular de Jeremy apontado para ele e Hemsworth, disse para a câmera: — Hey, Chris Pratt, sinto muito que você não seja um Chris original.
Evans e Hemsworth deram de ombros, e Jeremy jogou a cabeça para trás, enquanto ria, dizendo que responderia o tweet de Chris Pratt com aquele vídeo.
Jeremy voltou a mexer no celular, tendo Hemsworth logo atrás de si comentando sobre as coisas que as pessoas escreviam em suas redes sociais.
Evans, então, voltou-se para o próprio aparelho, o qual se encontrava conectado à tomada que antes era usada pelo secador de cabelo. Quando o aparelho já estava minimamente carregado e a tela começou a dar sinais de vida, Evans bateu os dedos na própria perna, ansioso para que o celular ligasse logo.
A verdade é que Chris Evans não era um grande fã de aparelhos celulares. Ele não tinha uma conta no Facebook, nem no Instagram, e não fazia ideia de qual era a função do Snapchat. Mas Evans tinha uma conta no Twitter e, mesmo que não gostasse de admitir, perdia parte do seu tempo livre ali, afinal, era uma forma de manter contato com seus fãs, além de poder despejar comentários ácidos sobre política - o que ele realmente gostava de fazer.
— Olha o que Robert comentou! — Jeremy disse rindo, apontando para a tela do celular. Hemsworth ainda estava do lado dele, com o próprio celular nas mãos, enquanto Robert se encontrava na sala ao lado, provavelmente aguardando ser chamado para tirar suas fotos individuais. Evans, por outro lado, não prestou muita atenção no que os amigos comentavam.
Evans abriu suas mensagens, vendo algumas conversas que não havia respondido no dia anterior. Naquele momento, contudo, só havia uma pessoa com quem ele queria conversar.
“Ainda não acredito no frio que está fazendo. Quer dizer, estamos na primavera, não é?”, era a última mensagem que Chris havia recebido dela. A última mensagem que recebera, e não teve tempo de responder, antes de seu celular apagar.
Desde que Chris foi embora do encontro inusitado que tivera com na cafeteria do Sr. Jonas, eles não haviam parado de conversar. Isso porque à noite, quando Chris chegou em casa — depois de passar várias horas sentado na mesinha, do lado de fora da cafeteria, ao lado de — descobriu que tinha uma mensagem no celular, esta enviada por , minutos depois que eles se despediram.
Desde então os dois não deixaram de se falar por nenhum dia, chegando até mesmo ao ponto de conversar sobre o tempo, apenas para não deixarem o assunto entre eles acabar.
“Isso se chama aquecimento global”, Chris respondeu. E logo em seguida mandou outra mensagem.
“Ei, desculpe. Meu celular resolveu que estava na hora de acabar a bateria, e meu carregador resolveu que não queria funcionar mais”.
respondeu quase instantaneamente.
“Pensei que a fama tinha subido à sua cabeça, e você decidiu não conversar mais com pessoas que não andam pelo tapete vermelho”.
A risada que Evans soltou foi involuntária.
— Certo? — Jeremy perguntou, também rindo. — Robert é muito engraçado.
Chris sorriu para o amigo, e forçou outra risada, percebendo que Renner pensara que Evans estava rindo da conversa que estava tendo com Hemsworth. Bem, ele não poderia estar mais errado. Por um momento, Chris até mesmo se esqueceu de que os amigos estavam bem ali do lado.
— Evans, sua vez. — uma das staffs disse ao lado de Chris. — Está pronto?
— Ah, sim, eu estou pronto. Não sou essa senhora do meu lado. — disse apontando para Hemsworth, em brincadeira às piadas que faziam pelo fato dele ser o ator que mais levava tempo para se arrumar no set, principalmente por conta da peruca e na barba que precisara usar nos primeiros filmes.
— Ei, você acha que é fácil ser o deus do trovão? — ele perguntou indignado.
Chris Evans deixou o celular conectado na tomada, e foi se juntar a Scarlett, Mark e Robert, que já haviam tirado suas fotos sozinhos. Posicionou-se em frente ao cenário montado, e fez algumas poucas poses para os dois fotógrafos à sua frente. Vez ou outra soltava algumas risadas pelas brincadeiras de Jeremy e Hemsworth, momentos em que os flashes das câmeras pareciam triplicar.
— Algumas fotos só dos rapazes agora. — um dos fotógrafos falou.
Chris pôde ver Scarlett revirar os olhos.
— Vou descansar a minha beleza aqui no sofá, enquanto a testosterona se reúne em frente à câmera. — ela disse em tom alto.
— Não se acomode muito, logo mais vamos precisar de você para deixar as nossas fotos mais bonitas. — Downey disse em tom de brincadeira, o que apenas fez com que Scarlett revirasse os olhos de novo. Infelizmente, estava mais do que acostumada a brincadeiras sexistas.
— Não precisam ter pressa. — ela gritou.
Os cinco rapazes se reuniram em frente às câmeras e fizeram caretas, deram sorrisos, e ficaram com a expressão séria em momentos combinados, o que acabou rendendo em vários cliques. Scarlett foi logo chamada para integrar o grupo, sendo posicionada em meio aos rapazes — outra prática que lhe era comum.
E após as fotografias, as quais duraram praticamente toda a manhã, o grupo seguiu para um restaurante próximo do salão em que as entrevistas daquela tarde ocorreriam.
Durante o almoço, Evans sentou-se próximo de Scarlett e Jeremy, que mantinham uma conversa muito interessante sobre estilo de vida saudável, enquanto tinha Hemsworth, Mark e Downey conversando sobre o jogo de futebol do final de semana — jogo este que Evans perdera o primeiro tempo, e desejou ter perdido o segundo também, tamanha vergonha que os jogadores passaram em campo.
Ele não se preocupou em fazer parte da conversa, contudo. Estava muito entretido na conversa sobre as mensagens ocultas existentes em Black Mirror, que estava tendo com .
“Não que eu esteja em dia com os episódios.”, ele mandou. E logo em seguida, completou: “Estou trabalhando tanto esses dias, que acho que já nem me lembro da senha da minha conta da Netflix”.
“Isso significa que você ainda não assistiu a última temporada?”, ela perguntou. E sem esperar pela resposta de Evans, respondeu em seguida: “Anthony Mackie está incrível na quinta temporada de Black Mirror. Um dos meus episódios preferidos!”
“Vou me lembrar de assistir a esse episódio assim que tiver alguns dias de folga”, ele respondeu.
A troca de mensagens entre eles se estendeu até a parte da tarde, quando Chris e o restante do elenco de Vingadores: Ultimato, se reuniu para dar entrevistas. Os grupos de atores já estavam sendo formados, e Evans foi deixado longe de Hemsworth, em decorrência à bagunça que os dois fizeram no dia anterior.
Entre uma entrevista e outra, Chris sacava o celular do bolso a respondia a uma ou outra mensagem de , movimento este que não passou despercebido por Scarlett. E quando estavam no intervalo, ela se voltou para ele:
— Posso saber com quem você está conversando?
Chris ria de uma foto recebida de , na qual a mulher estava em frente a um notebook, com uma xícara de café do lado, fazendo uma careta, com as mãos nos cabelos. Junto com a foto, ela escrevera: “Como eu fico quando meus clientes fazem tudo ao contrário do que eu mandei”. A foto enviada por ela foi em resposta à foto que Chris tirara em frente ao pôster promocional do filme, com um largo sorriso e a mão levantada em sinal de joinha.
— Hm… — ele disse, voltando a atenção para a amiga, ao seu lado. — O que disse?
— Você está muito aéreo hoje. — Scarlett respondeu. — Quem é ela?
Chris terminou de digitar uma resposta à e guardou o celular no bolso da calça.
— Ah… É uma amiga da época do colégio.
Scarlett estreitou os olhos.
— Amiga… Sei…
Evans estalou a língua, tomando o cuidado de logo esclarecer o fato de que estava noiva de um cara, e que a relação deles não passava de uma simples amizade recém conquistada.
— Você deveria se envergonhar de estar dando em cima de uma mulher que está noiva de outro cara. — ela o acusou.
— Eu não estou dando em cima dela! — Chris s defendeu.
— Você costuma mandar fotos suas para todos os seus amigos? — ela perguntou direta.
Chris pensou por alguns segundos. Odiava tirar fotos dele mesmo, e não entendia o conceito de selfie. Mas isso não significava que ele não tivesse o mal costume de tirar fotos suas, nas mais inusitadas situações, e nos momentos mais inconvenientes, para mandar para seus amigos mais próximos, em uma clara tentativa de fazer piada.
— Bem… Sim.
— Tudo bem, isso pode ser verdade. Ainda tenho salva a foto em que você estava com metade do cabelo castanho, e metade do cabelo loiro. — a mulher disse. — Mas você não tem o hábito de trocar mensagens com seus amigos durante o trabalho.
Isso era bem verdade. Chris costumava deixar o celular bem guardado ao longo do dia, quando estava trabalhando. Com exceção, talvez, das vezes em que ele foi flagrado filmando alguma coisa no set de gravações do último filme da franquia Marvel.
— Estamos no intervalo. — ele respondeu esperto. Dentre uma entrevista e outra os atores tinham um pequeno intervalo de cinco minutos, apenas para beberem água — ou café, no seu caso — e esticar as pernas.
Scarlett revirou os olhos. E antes de se voltarem para o novo entrevistador, ela disse baixinho, para que apenas Chris escutasse:
— Você é impossível.
E com uma risada contida de Chris, a última entrevista do dia começou. Scarlett se viu respondendo perguntas sobre a mudança da cor de seu cabelo e sobre o novo uniforme da Viúva Negra, enquanto Chris foi perguntado sobre o desenvolvimento emocional do seu personagem ao longo dos anos.
— Você tem certeza de que isso é tudo o que você quer saber sobre uma personagem tão forte como a Viúva Negra? — Scarlett perguntou irônica ao final da entrevista. — Última chance de tornar a sua entrevista interessante para os fãs de Vingadores.
— Hm… O que podemos esperar sobre o final da sua personagem? — o entrevistador perguntou, claramente constrangido.
— Vocês podem esperar um final digno de uma mulher poderosa, que é quem ela é. — foi o que ela respondeu, olhando diretamente para a câmera, e não para a pessoa à sua frente.
— Hm… Obrigado…
No final da entrevista, Chris e Scarlett se colocaram ao lado do entrevistador para uma foto, e se despediram dele. A assessora de Scarlett começou a chamar sua atenção, mas foi interrompida pela atriz.
— Eu sei, eu sei… Devo ignorar as perguntas machistas para manter a classe. — ela disse com voz de deboche.
Dirigiu-se para fora da sala em que estava, com Chris do seu lado.
— Eu achei que tive muita classe. Quer dizer, eu poderia ter dado algumas boas respostas atravessadas para ele, mas eu fui educada… Certo? Hey!
A mulher bateu no braço de Chris, que acabara de pegar o celular nas mãos.
— Eu estou prestando atenção em você! — ele se defendeu. — E sim, você foi incrível. Me sinto meio idiota por não saber como me posicionar diante de situações como a que ocorreu agora.
— Você apenas tem que se posicionar. Não precisa ser um gênio para mostrar àquele cara que ele estava sendo um idiota. — ela respondeu meio nervosa. A mulher, então, suspirou, voltando ao estado de espírito que se encontrava antes. — E então, sobre o que você e sua amiga estão conversando agora?
Evans revirou os olhos, mas não teve a chance de responder.
— Amiga, é? Posso saber quem é?
Sebastian Stan havia acabado de sair da saleta onde passara as últimas duas horas dando algumas poucas entrevistas ao lado de Anthony Mackie.
— Deve ser a mulher que ele tem respondido no twitter nos últimos dias. — Mackie respondeu com um sorriso de lado. — Estava para te perguntar sobre ela.
— Deixa eu ver uma foto dela. — Sebastian pediu. E ante a negativa de Chris, “não, isso é ridículo!”, ele se dirigiu ao amigo do lado. — Mackie, me mostra uma foto dela.
Evans revirou os olhos quando Scarlett se reuniu a eles, enquanto Mackie entrava em sua conta no twitter para procurar pela conta de .
— Ela é advogada… — Mackie comentou. — Não entendo metade das coisas que ela escreve, mas ela parece ser inteligente.... Hey, ela assiste Black Mirror! Boa escolha, Evans!
— É… Gostei dela também. Está parcialmente aprovada, Evans. Precisamos conhecê-la agora. — Sebastian disse, fazendo sinal de joinha com as duas mãos.
— Podem tirar o cavalinho da chuva, rapazes, porque a amiga do Evans está noiva. — Scarlett disse cruzando os braços. — Pelo menos foi o que ele disse.
Mackie deu um assovio de lamento, e Sebastian suspirou.
— Tem certeza de que ela está noiva? — Seb perguntou. — Cara, que azar o seu…
A única reação que Chris teve foi a de revirar os olhos. Por sorte, os outros atores do elenco logo se reuniram ao pequeno grupo, e o assunto de Chris e sua nova amiga advogada logo foi esquecido. Scarlett começou a comentar sobre as perguntas que precisou responder, e sobre como a tonalidade do seu cabelo parecia ser mais importante sobre o desfecho de sua personagem. Brie Larson logo entrou na conversa, e Danai Guiria e Elizabeth Olsen foram se reunir a elas.
Chris Evans foi puxado por Chris Pratt, que parecia ter uma boa resposta para dar frente ao vídeo feito mais cedo, e Chris Hemsworth sugeriu que os três deveriam tirar uma foto juntos como forma de fazerem as pazes.
Quando os diretores, Anthony e Joe Russo, se reuniram ao elenco, decidiram voltar para o hotel para jantarem, já que o dia seguinte ainda reservava algumas entrevistas.
— Cara, essa rotina de entrevistas cansa, não é? — Pratt comentou quando já estavam no estacionamento.
— Ah, não se preocupe, Chris. — Joe Russo respondeu ao ator. — Amanhã será um dia reservado apenas com o elenco original.
Chris Pratt parou de andar.
— Tudo bem, estou cansado de ser deixado de lado, enquanto os outros Chrises fazem mais coisas do que eu. — ele disse em tom de falsa insatisfação.
E ao som de risadas, todos seguiram para os carros que já os esperavam do lado de fora, enquanto mantinham várias conversas paralelas com apenas um tópico em comum: o que iriam jantar naquela noite.

Ao voltar para o hotel naquele dia, Chris tinha uma sacola em mãos contendo o novo carregador que comprara na lojinha perto de onde estava hospedado. Apesar de sentir o corpo extremamente cansado pela rotina de entrevistas, Evans também tinha a mente leve pelas risadas que havia dado mais cedo.
Apesar de ter relutado, oito anos atrás, para aceitar o papel de Capitão América, ele nunca se arrependeu da decisão de tomar o escudo do Capitão para si, tampouco de fazer parte da família de atores que a Marvel Studios criou. Prova disso eram os amigos que ele havia feito, amigos estes que ele sabia que teria para o resto da vida. Além disso, quando todo o elenco se reunia, seja para gravar alguma cena, para dar uma entrevista, compartilhar uma refeição, ou até mesmo jogar conversa fora, as horas passavam despercebidas, a ponto do sol se pôr e eles nem mesmo se darem conta de que estava na hora de irem embora — como havia acontecido naquele dia. E agora, tarde da noite, Evans quase se arrependia de ter voltado tarde para o seu quarto, pois sabia que teria poucas horas de sono até que seu despertador tocasse.
Ao se jogar na cama, abriu a pasta de e-mails enquanto esperava que respondesse à sua última mensagem.
“Não vou dormir tão cedo hoje… Tenho muitos prazos para cumprir até o final de semana”, ela lhe mandaram mais cedo.
“Gostaria de te fazer companhia enquanto fica acordada, mas estou morto de cansaço”, ele respondeu. E mesmo não tendo feito nenhuma pergunta a ela, Chris sabia que iria continuar a conversa que estavam tendo.
Chris, então, deletou alguns e-mails relativos a propagandas e promoções. Um, contudo, chamou sua atenção.
“Hey, você disse para o Anthony Mackie que ainda não assistiu o episódio dele de Black Mirror?”, e em seguida ela mandou outra “Eu ficaria muito brava se minha amiga não assistisse ao meu episódio”.
Chris riu ao ler aquilo. De fato, Mackie não ficara feliz ao saber que Chris ainda não havia assistido o seu episódio na série, e Sebastian fazia questão de lembrá-los sempre que ele próprio havia assistido toda a temporada no dia em que foi lançada.
“Ele está bem ciente disso, e gosta de jogar na minha cara sempre que pede um favor que eu não quero fazer”, ele respondeu aos risos. “Mas hey, você recebeu um convite para o aniversário da Melany?”
Chris ainda estava um tanto quanto confuso com o e-mail que acabara de ler. Quer dizer, ele não via seus ex-colegas de turma há vinte anos, com exceção de Stuart, e após um reencontro ele recebia um convite para a festa de aniversário da rainha do baile? Aquilo era, no mínimo, estranho.
“Recebi sim”, respondeu. “Achou que a eterna rainha do baile havia convidado só você porque é famoso?”.
Ele riu da resposta e tinha certeza de que também tia do outro lado.
“Acho que ela convidou todo mundo para disfarçar, sabe…”, ele digitou. “Ficaria muito na cara se ela chamasse apenas eu para a festa”, ele falou irônico.
“Metido!”
Chris riu da resposta, pois sabia que apenas brincava com ele, da mesma forma que ele estava fazendo piada com ela.
“E então, vou ver você lá?”, perguntou.
Chris suspirou. Se ele queria ir à festa de aniversário de Melany, sua ex-vizinha? Não. Se ele queria ter a chance de reencontrar ? Sim, com certeza.
“Acho que não vou conseguir ir”, ele respondeu, mesmo sabendo que ele, definitivamente, não poderia comparecer. Sua agenda estava absolutamente cheia de compromissos, e Chris sabia que tirar um dia de folga estava fora de cogitação, especialmente porque a festa seria no mesmo final de semana que ele estaria indo para a China promover o último filme dos Vingadores.
“É realmente uma pena… Tenho certeza de que muita gente vai ficar decepcionada em não poder ver o Capitão América mais uma vez”.
Evans revirou os olhos para a mensagem.
“Você vai?”
“Eu pretendo. Infelizmente não tenho nada mais importante para fazer no final de semana”.
A conversa entre eles se estendeu por mais alguns minutos, os quais viraram horas. O cansaço parecia ter ido embora, e o sono não se fez presente até que Chris se obrigasse a se despedir de , apagasse as luzes, e se arrumasse para dormir.
Antes de pegar no sono, contudo, Evans reviveu o dia que tiveram, as conversas com os amigos, as piadas internas, e os comentários que Sebastian e Mackie haviam feito sobre .
“— Ela é advogada… Não entendo metade das coisas que ela escreve, mas ela parece ser inteligente.... Hey, ela assiste Black Mirror! Boa escolha, Evans!”, Mackie dissera.
“— Tem certeza de que ela está noiva? Cara, que azar o seu… “, Sebastian comentou.
E, naquele momento, quando já não tinha certeza se estava acordado ou dormindo, Chris começou a pensar que Sebastian poderia estar certo.

Capítulo 4

Desde que o momento que decidira seguir a carreira de ator, Chris Evans passou a se dedicar integralmente a isso. Sua prioridade passou a ser as aulas de teatro, os ensaios para as peças da escola e os estudos dos roteiros. Chris decidiu escolher investir em sua carreira, mesmo que isso significasse deixar sua via pessoal de lado algumas vezes. E ele nunca havia se arrependido de suas escolhas, afinal, todo o esforço e dedicação dos últimos vinte anos havia lhe rendido a posição de um dos atores mais rentáveis de Hollywood, além de, é claro, a satisfação de ser tão bem reconhecido pelo trabalho que ela amava fazer.
E era exatamente por isso que Chris surpreendeu a si mesmo ao pedir um dia de folga, simplesmente porque tinha o desejo de voltar para Sudbury em meio a uma agenda cheia de compromissos fruto do filme mais esperado dos últimos dez anos da história do cinema.
Não foi exatamente uma surpresa quando seus amigos acharam, no mínimo, suspeito o seu pedido por um dia livre.
— Não sei porque estão fazendo tantas perguntas. — ele dizia enquanto colocava uma camiseta dentro da mochila. — Estarei de volta em vinte e quatro horas.
— Eu apenas fico me perguntando o motivo dessa viagem repentina. — Mackie comentou.
Sebastian Stan e Anthony Mackie estavam no quarto de Chris, no hotel em que estavam hospedados em Nova Iorque. Mackie não perdia uma oportunidade de provocar Evans, enquanto Chris tentava se defender com argumentos péssimos. Sebastian assistia a tudo com os olhos cerrados, se divertindo muito com a conversa dos amigos.
— Eu já falei, é aniversário…
— De uma ex-colega do seu colégio, eu entendi isso. — Mackie completou a frase. — Mas sabe… Isso não é um motivo suficientemente forte para o Capitão América pedir um dia de folga das entrevistas. Quer dizer, não é como se fosse o aniversário da sua mãe.
— Ou dos seus amigos mais próximos. — Sebastian comentou. — Aliás, você ainda me deve um presente por não ter ido ao meu aniversário ano passado.
Chris revirou os olhos.
— Eu estava trabalhando, você sabe. — ele se defendeu.
— Pensei que estivéssemos trabalhando aqui também. — Mackie disse. — Mas, ainda assim, você escolheu pegar um avião e ir para outro estado, apenas para encontrar uma mulher.
Evans fechou o zíper da mochila e suspirou alto.
— Eu não estou indo a Sudbury apenas para encontrar . — disse firme.
Dando um sorriso de lado, Anthony soltou o que seria o fim daquela discussão sem sentido:
— Eu nunca disse que você estaria indo para a sua cidade apenas para encontrar .
A frase saiu lenta, e tinha um tom de triunfo. Não havia como Chris se defender daquilo. Afinal, a quem ele queria enganar? Estava mais do que ansioso em reencontrar e conversar novamente com ela, cara a cara. Ele sabia que as lembranças de suas risadas não faziam jus à realidade, tampouco o perfume dos seus cabelos, o qual Chris se pegou comparando com o perfume exalado pelos fios de suas colegas de elenco.
Patético, Chris. Patético, ele dissera a si mesmo.
O fato de Chris Evans ter pedido um dia para si mesmo pode ter gerado algumas suspeitas entre seus colegas de trabalho, mas quase acabou se tornando um arrependimento quando suas irmãs não pouparam chacotas pelo fato de Chris ter atravessado o estado só para se encontrar com a mesma garota que o largara no dia do baile de formatura, vinte anos atrás.
— Ei, ela teve um motivo para ter feito isso. — ele a defendeu durante o almoço, na casa de sua mãe. Sabia que se fosse para Sudbury, por menor que fosse a viagem, sem passar para cumprimentar sua mãe, ela ficaria furiosa. — Além disso, nós já nos acertamos, e não há qualquer tipo de ressentimento entre nós.
— Olha que bonitinho, Shanna. — Carly disse para a irmã, com a risada presa na garganta. — Chris está realmente defendendo a ex-namoradinha.
— Parece que Chris realmente tem uma nova namorada, afinal de contas. — Shanna disse com o maior tom de provocação que pôde usar.
Chris revirou os olhos, e estava pronto para se defender novamente, quando Scott veio em sua defesa.
— Ei, parem de encher o saco de Chris. — ele disse com o semblante sério. E então, no instante seguinte, completou. — Chris está ficando velho e não tem problema nenhum em ele querer reviver os amores da adolescência.
Dessa vez toda a mesa riu, até mesmo Chris, que não pôde conter uma risada constrangida.
— Você acha que tem dezessete anos de novo, Chris? — o irmão perguntou realmente rindo dessa vez.
Chris riu novamente, sabendo que a zoação não passava disso: brincadeiras que logo cessariam, já que ele sairia em poucos minutos.
— Não me lembro muito bem de . — sua mãe comentou pensativa. — Lembro que gostava dela, mas nunca a perdoei realmente por tê-lo abandonado no gramado da casa dos Fosters. Mas fico feliz em saber que vocês se acertaram.
Chris ainda tentou explicar à sua mãe que ele e não passavam de bons amigos, especialmente porque a mulher estava noiva de um cara engomadinho, e ele, Chris, morava em outro estado, além de ter uma agenda cheia demais para lhe dar algum tempo para se preocupar com namoros.
Obviamente que suas tentativas não deram muito certo, já que, ao se despedir da família — uma vez que após o aniversário de Melany ele iria diretamente para o aeroporto — sua mãe o fez prometer que convidaria para almoçar na sua casa quando Chris tirasse férias no final do ano.
Evans tinha a mochila nas costas quando chegou na nova casa de Melany, muito diferente da casa que costumava morar quando ainda tinha apenas o Foster no sobrenome. Chris não pôde deixar de notar o grande gramado que havia envolta da área de churrasco, no fundo da casa de Melany e Mark. Havia várias crianças correndo pelo gramado e em volta da piscina, o que fez Evans se perguntar qual daqueles meninos seria o filho da aniversariante.
Stuart estava perto do bar, junto de outros de seus ex-colegas, e algumas pessoas que ele não conhecia. Stuart fez um sinal para que o amigo se aproximasse, mas Evans foi impedido por uma Melany muito radiante.
— Eu não acredito que você realmente veio! — se Chris não estivesse usando seus óculos escuros, provavelmente seria ofuscado pelo sorriso exageradamente grande da aniversariante.
— Estava na casa da minha família esse final de semana e resolvi dar uma passadinha para a cumprimentar. — ele mentiu.
— Bem, sinto-me honrada. — ela disse. — Quer deixar suas coisas lá dentro?
Chris não queria deixar sua mochila, que tinha todos os seus documentos e roupas dentro de uma casa que ele não conhecia, especialmente com tantas crianças correndo de um lado para o outro, mas também pensou que seria deselegante ficar toda a tarde com a mochila nas costas, além de desconfortável.
— Hm… Claro, obrigado.
A verdade é que Chris odiava viagens curtas, daquelas que ele mal tem tempo de pisar em solo e já precisa voltar para o aeroporto. Além de ficar cansado durante todo o dia, tinha o costume de checar as horas no relógio a todo momento, preocupado em se perder no tempo e chegar atrasado no aeroporto.
Mas, bem… Aquela viagem de última hora valeria a pena. Quer dizer, nos últimos dias, Chris só conseguia pensar nisso: voltar para Sudburry, mesmo que por apenas algumas horas, reencontrar … Evans já não controlava seus pensamentos, os quais rodeavam a mulher a todo momento. Mesmo não sendo amante de celulares, Chris não conseguia largar o seu, sempre ansiando por alguns minutos livres apenas para responder às mensagens que trocava com , curioso por saber como foi o seu dia, preocupado com os seus novos casos jurídicos, interessado em saber o que ela andava assistindo, o que andava lendo… Evans tinha o interesse em saber de cada nova conquista de , cada derrota, cada detalhe de sua vida, e se sentia bem quando ela se mostrava entusiasmada a cada história que ele contava sobre o seu dia.
— Posso levar sua mochila, se quiser. Vou deixá-la guardada dentro do armário para que ninguém mexa nas suas coisas. — Melany garantiu. — O pessoal da nossa turma está perto do bar. — ela disse com uma risadinha.
Chris acompanhou a risada de Melany.
— Um lugar estratégico, eu diria. — ele brincou.
Foi até onde Stuart ainda estava, muito entretido em alguma conversa sobre bolsa de valores, para prestar atenção em Evans atrás de si.
— Não me diga que peguei um avião só para ouvir você falar sobre compras de ações. — Chris disse sério.
— Hey, grande Chris Evans! — Stuart disse rindo, cumprimentando o amigo com um abraço. — Dois encontros em menos de um mês… Estou começando a ficar preocupado com a segurança da população de Sudburry, não é normal receber tantas visitas do Capitão América.
Todos do grupo deram risada, inclusive Chris, que não ficou surpreso com o fato de Stuart usar seu trabalho mais importante como piada.
— Vocês estão seguros, não se preocupem. — ele garantiu.
As pessoas, então, voltaram à conversa que estavam tendo anteriormente, muito menos impressionadas por se encontrar com Chris Evans de novo. O choque inicial fora na reunião de sua antiga turma. Agora as pessoas já agiam normalmente ao lado dele, e Chris não podia agradecer mais por isso.
Olhou em volta, admirando novamente o ambiente familiar. Melany e Mark estavam abraçados, conversando com algumas pessoas mais velhas, provavelmente familiares seus, enquanto seu filho mostrava alguma coisa que tinha nas mãos. As outras crianças continuavam a correr, e algumas eram chamadas a atenção pelos pais preocupados de que os filhos pudessem cair na piscina. Chris gostava desse clima familiar, e às vezes se perguntava quando ele próprio teria aniversários como aquele, se preocupando com o bem estar de sua família, esposa e filhos.
Suspirando pelo rumo dos pensamentos, Chris passou a analisar as pessoas, surpreendendo a si mesmo quando sentiu um sobressalto ao ouvir a campainha tocar. Alguém mais estava chegando, e ele tinha suas suspeitas de quem poderia ser.
Ao ver Melany cumprimentar uma mulher muito parecida com ela, Chris não pôde esconder a decepção ao constatar que ainda não chegara. Ele pensou que ele próprio chegaria cedo demais na festa, mas acabou percebendo que havia sido um dos últimos convidados a comparecer, já que precisou passar algumas horas com a mãe e os irmãos mais cedo.
— Hey, sabe se avisou se chegaria tarde? — ele perguntou a Stuart.
— Não sei, cara, não mantenho contato com . — ele respondeu. E então, com um sorrisinho de lado, continuou. — Mas você, por outro lado…
Chris revirou os olhos e estava pronto para dar uma resposta ao amigo quando foi interrompido.
ligou ontem à noite informando que não poderia comparecer hoje. — Melany respondeu atrás dele. Evans virou-se para prestar atenção no que a mulher falava. — Ela não deu muitos detalhes, mas pelo que entendi, ela precisou fazer uma viagem de última hora com o noivo.
Naquele momento, Evans precisou segurar o impulso de dar risada.
Ele não soube de onde aquela vontade incontrolável veio, mas foi mais forte do que ele.
O quão irônico aquilo podia ser? Chris se sentia a pessoa mais patética de todas. Quer dizer, ele se desdobrou, desmarcou compromissos, comprometeu seu trabalho, atravessou o estado, e o tudo isso para o quê? Para se encontrar com uma mulher que nunca apareceria.
A situação toda não poderia ser mais dramática para Chris, as palavras lhe fugiram, e ele pensou que o destino deveria estar tendo uma boa crise de riso, se divertindo com a cara de pateta que Evans provavelmente estava fazendo naquele momento.

— Ah… Sim… — ele disse, obrigando-se a falar qualquer coisa que o tirasse daquele estado de estupor.
Chris pensou ter ouvido Stuart soltar uma risadinha atrás de si, mas não teve tempo de confirmar sua suspeita.
— Escuta, não quero incomodar, mas será que eu poderia te pedir um favor? — Melany continuou, como se o que ela tivesse dito, segundos antes, não tivesse caído em cima de Chris como um bloco de concreto. — Meu filho é realmente muito fã de super heróis, e gostaria de te conhecer… Você se importaria?
Chris queria dizer que não, que ele não se importaria em tirar foto com o seu filho, afinal, conhecer os fãs era parte do seu trabalho. O mesmo trabalho que ele deveria estar exercendo naquele exato momento, a milhares de quilômetros dali, junto com seus colegas de elenco. O mesmo trabalho que ele deixou de lado, contrariando todo o profissionalismo que ele sempre pregou, apenas para se encontrar com uma pessoa que, valeu mesmo, destino!, não estava ali.
— Claro. — ele disse. — Quero dizer, não me importo… Será um prazer conhecê-lo.
As palavras ainda pareciam difíceis demais, embaralhadas, travadas. Sendo sincero consigo mesmo, a ficha ainda não tinha caído.
— Archie, quero te apresentar a uma pessoa. — Melany disse a um garotinho que deveria ter a mesma idade que Milles, sobrinho de Chris.
Ele não pôde conter o sorriso ao ver a cara de surpresa do garotinho.
— Uau! — o menininho disse.
Chris riu da reação do garoto, e logo se abaixou para tirar uma foto com ele. Em poucos segundos, Chris estava rodeado de, pelo menos, mais quatro crianças, as quais foram a desculpa perfeita para que os pais dos menores também conseguissem tirar uma foto com o Capitão América.
E enquanto sorria para os celulares apontados para si, ele pôde sentir o próprio aparelho vibrar no bolso da sua calça. Era a primeira vez, naquele dia, que ele recebia uma mensagem.
Evans não precisou olhar a tela do aparelho para saber quem estava lhe mandando uma mensagem, e não havia nada que Chris quisesse fazer mais naquele momento, que responder às mensagens de .

imaginou que sair do quarto do hotel e conhecer um restaurante novo, faria com que seu dia se tornasse um pouco menos chato. Grande engano.
A viagem à Califórnia surgira de última hora, pelo menos para ela. Podrick havia comentado outro dia sobre a reunião importantíssima que ele teria naquele final de semana, e como o resultado daquele encontro poderia lhe render avantajados lucros para a sua empresa. nunca imaginara que a tal reunião super importante seria em outro estado, tampouco imaginou que ela seria convidada a ir junto dele.
— Preciso que você esteja presente, . As esposas de todos os futuros sócios estarão lá. — Podrick lhe explicara, deixando claro que a presença de era essencial para que os seus negócios dessem certo. — Além disso, você está sempre reclamando que faz tempo que não tiramos férias.
Aquilo era bem verdade. Com a empresa de Podrick em ascensão, e seu envolvimento, ainda que tímido, na política, Podrick raramente tinha tempo para programas românticos. , por outro lado, começara a trabalhar sozinha há pouco tempo, rompendo a sociedade que tinha com um antigo colega de faculdade — o qual se mostrou bastante irresponsável em alguns casos que atuaram juntos — e também não podia se dar ao luxo de tirar vários dias de folga, deixando seus clientes desamparados de um auxílio jurídico, caso viessem a precisar de um.
Ela, então, não reclamou pelo fato de ter menos de doze horas para arrumar as malas, e logo foi procurar na internet a previsão de tempo na Califórnia naquele final de semana, desejando que o dia fosse bastante ensolarado para que ela pudesse tomar um solzinho no começo do dia.
Naquele sábado, quando chegaram no hotel, e foram informados de que já estavam liberados para usarem todas as áreas de lazer do hotel, pensou em aproveitar o sol que estava lá fora para tomar um pouco de vitamina D. Mas Podrick tinha outros planos para si, uma vez que a primeira reunião do seu final de semana seria dali a poucos minutos.
— Não tem problema, eu posso ir sozinha… — ela comentou.
— Hm… Na verdade eu iria pedir para você me ajudar com algumas coisas da empresa.
rolou os olhos, sabendo que o “algumas coisas da empresa” significavam documentos de licitação que precisavam ser analisados a fundo, a fim de encontrarem alguma brecha, qualquer brecha, que ajudasse Podrick a expandir sua empresa sem infringir diretamente uma lei ambiental, ao mesmo tempo que referida expansão custasse o mínimo possível para os fundos de reserva dos sócios da empresa. Em outras palavras, Podrick queria que lhe ajudasse a encontrar brechas na lei. E odiava quando o noivo lhe pedia para fazer isso.
— Pensei que não falaríamos de trabalho nessa viagem… — ela reclamou.
, eu estou em uma viagem de negócios. — ele foi categórico.
— Mas eu estou apenas te acompanhando. Não estou aqui a trabalho. — ela tentou insistir.
Podrick suspirou e esfregou os dedos nas têmporas. Seu celular estava tocando, e ele tinha mil coisas para resolver naquele dia, e discutir com não estava entre elas.
— Vamos fazer assim, você me ajuda hoje, e eu vou conversar com o hotel para estender a nossa estadia aqui por mais dois dias. Vamos embora só na terça-feira, e então nós teremos tempo para aproveitar o hotel e até mesmo para ir à praia, o que me diz?
pareceu pensar por um instante na proposta que ela sabia que o noivo jamais poderia cumprir. Mesmo que ele tivesse intenção de tirar dos dias de folga da empresa, e passá-los integralmente com , na praia, a mulher sabia que ele não conseguiria fazer isso, a menos que Podrick deixasse o celular desligado o dia inteiro, e o noivo nunca desligava o celular.
Foi a vez dela suspirar.
— Tudo bem, eu te ajudo. — ela respondeu.
Como agradecimento, o noivo lhe deu um belo sorriso, um abraço carinhoso e um longo beijo nos lábios.
E enquanto se preparava para passar o dia todo no hotel, acompanhada do calor do sol e do barulho das ondas quebrando, já que estavam em um hotel muito próximo à orla litorânea, Podrick logo vestiu um dos seus melhores ternos e partiu para a primeira das suas reuniões naquele dia, mas não sem antes lembrar de ficar pronta às sete da noite, horário marcado para jantarem em um refinado restaurante da cidade com seus futuros novos sócios e suas esposas.
— Pode deixar…
— Você vai ser divertido, eu prometo.
sabia que aquela era outra promessa que Podrick não poderia cumprir. Ele não o fazia por mal. Podrick realmente gostava muito de compromissos diplomáticos, do tipo que precisava fazer parcerias, elogiar as pessoas, ainda que não exista nada para ser elogiado, gosta de puxar o saco de potenciais investidores, pois sabia que quanto mais pessoas interessadas em comprar as ações de sua empresa, mais lucros ele teria. Mas não .
odiava tudo o que envolvesse atitudes políticas e sorrisos forçados, simplesmente porque ela não sabia fazer isso e não se sentia bem elogiando um vestido que, internamente, ela havia achado a coisa mais cafona do mundo. sabia que o noivo iria tentar animá-la a todo momento, mas ele não iria conseguir.
“Pelo menos você vai poder sair do hotel. Pense pelo lado bom”.
passara pouco mais de oito horas estudando os documentos relativos à empresa de Podrick, e tinha certeza de que seu trabalho teria lhe rendido muito mais se não passasse, ao menos, metade do tempo trocando mensagens com Chris.
“Não acredito que vou falar isso, mas preferiria estar no aniversário de Melany a estar presa em um hotel na Califórnia”, ela respondeu.
“Além disso, não sei onde você consegue enxergar um lado bom no fato de que me encontrar com várias pessoas que eu não conheço, que vão conversar sobre coisas que eu não entendo, enquanto finjo que acho tudo muito interessante”, ela completou com outra mensagem, mandando alguns emojis de risada ao final.
“Bom argumento”, Chris lhe respondeu.
tentou voltar à sua leitura, mas em poucos minutos ouviu o som a informando de uma nova notificação. Deixou os papéis de lado, sabendo que continuar a conversa com Chris seria infinitamente mais interessante do que o que ela estava fazendo.
“Se serve de consolo, a festa de Melany não está lá essas coisas”.
franziu a testa.
“E como é que você sabe disso?”
A resposta de Chris demorou para chegar. viu o “digitando…”, no início da tela e esperou alguns segundos, que logo passaram a ser minutos, o que fez com que acreditasse que Chris estaria lhe escrevendo algo realmente muito longo.
“Estava de passagem pela cidade e acabei passando aqui aqui para cumprimentá-la”, foi a sua resposta. E logo em seguida mandou outra:
“Aproveitei para me encontrar com Stuart. Precisava conversar com ele”.
E então mais uma:
“Estava visitando a minha família”.
leu cada uma das mensagens, se arrependendo imediatamente por ter aceitado viajar com Podrick. Que coincidência Chris estar em Sudburry logo naquele final de semana, e comparecer a uma festa que ela mesma havia confirmado presença! Eles teriam tido a chance de se encontrarem novamente para…
Para o que, ?, a mulher se perguntou.
Para que pudéssemos conversar pessoalmente novamente, oras.
Ela não podia negar que reencontrar Chris Evans havia sido a melhor das coincidências do destino. Há anos ela se conformou de que nunca teria a chance de se explicar a ele o que acontecera vinte anos atrás, no dia do seu baile de formatura. Mas então ela recebeu um e-mail a convidando para um encontro de sua classe no ensino médio da Lincon-Sudbury Regional Hight School, e por um segundo, apenas por um segundo, a mulher pensou que a sua chance de se desculpar finalmente havia chego.
Ela perdeu a esperança logo em seguida, tendo certeza de que Chris Evans, tão ocupado como era, e tão famoso como se tornada, jamais iria comparecer a um encontro daqueles. Bem, ela estava enganada.
O que realmente não esperava, era que teria a chance de se reaproximar do rapaz, pelo menos não da forma como eles fizeram. Trocar mensagens com Chris era uma das melhores partes do seu dia, e rir das suas piadas inapropriadas se tornou um prazer inexplicável. Era como se eles voltassem a ter dezessete anos, podendo agir como dois adolescentes despreocupados com a vida, quando podiam conversar sobre qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, simplesmente porque não havia outras preocupações que eles precisassem ter.
Era isso que Chris provocava nela: a sensação de ser a mesma garota jovem de outrora, que acreditava que poderia dominar o mundo e salvar o país das injustiças do sistema, enquanto ele era apenas mais um garoto que sonhava em aparecer na televisão, e depois nos cinemas, e que preferia decorar roteiros a fazer qualquer coisa outra coisa de adolescentes.
Chris Evans sempre foi o tipo de garoto que não era muito bom em demonstrar afetos românticos, mas ele nunca duvidou do potencial de . Mais do que isso, ele sempre se mostrava tão empolgado quanto ela, quando aparecia na escola com uma nova ideia mirabolante para mudar as leis do país. E voltar a conversar com Chris, depois de tanto tempo, lhe dava a sensação de que ela ainda podia ser a mesma pessoa de vinte anos atrás, a pessoa que poderia seguir o caminho que quisesse, tomar as decisões que lhe fossem mais convenientes, sem se preocupar com as consequências, simplesmente porque sabia que ela, como uma mulher determinada e confiante que sempre fora, poderia lidar com qualquer coisa que lhe aparecesse na frente.
gostava de se sentir assim novamente.
“Se serve de consolo, a festa de Melany não está lá essas coisas”.
“Bem, não serve de consolo”, ela mandou como resposta ao comentário de Chris.
A conversa dos dois rapidamente mudou de rumo, sendo que Chris parou de lhe responder em certo ponto. pensou que ele deveria estar ocupado com as pessoas da festa e, não querendo o incomodar com suas reclamações, a mulher preferiu colocar o aparelho no silencioso e deixá-lo com a tela virada para baixo, decidida a voltar a estudar os documentos à sua frente.
Quando a noite finalmente chegou, já não pensava que se encontrar com pessoas que não conhecia, as quais conversariam sobre assuntos que ela não entendia, enquanto ela deveria fingir interesse, fosse uma má ideia. Apenas o fato de poder finalmente sair daquele quarto já lhe parecia bom.
Depois de passar oito horas lendo documentos relativos à empresa do noivo, finalmente foi tomar banho para ficar pronta enquanto o esperava. Podrick chegou quase em cima da hora, precisando correr para tomar banho e vestir outro de seus ternos caríssimos. terminava de se maquiar enquanto ouvia o noivo falar em tom satisfeito o quão boa havia sido suas reuniões de mais cedo, e como a empresa poderia crescer no próximo ano com os novos investidores que ele havia conseguido naquela tarde.
— Amanhã terei outra reunião, esta com algumas pessoas realmente influentes, . Você não faz ideia da quantidade de dinheiro e prestígio que iremos conseguir se eu fechar uma sociedade com essas pessoas amanhã. — ele disse enquanto a noiva lhe ajudava a dar um nó na gravata.
— Você parece empolgado. — ela comentou.
— Ah, e eu estou mesmo! — Podrick se olhou no espelho mais uma vez antes de abrir a porta do quarto para sair primeiro. — Se as ações subirem, como acredito que irá acontecer com essa nova sociedade, teremos dinheiro de sobra para expandirmos a empresa e abrirmos, pelo menos, mais duas filiais no estado. Tem ideia de como isso é brilhante, ?!
tinha uma boa ideia do quão genial aquilo seria para Podrick e seus sócios, mas ela não tinha ideia do quanto aquilo significava em valores e, sendo sincera consigo mesma, ela preferia não saber.
— E como foi o seu dia? Tem alguma coisa para mim? — ele perguntou sugestivo.
soltou uma risadinha.
— Talvez, mas ainda preciso estudar algumas coisas.
Podrick se mostrou empolgado, e pisou fundo no acelerador, temendo chegar atrasado no jantar daquela noite.
imaginou que sair do quarto do hotel e conhecer um restaurante novo, faria com que seu dia se tornasse um pouco menos chato. Grande engano.
Infelizmente, suas previsões se confirmaram, e ela precisou se esforçar toda a noite, nunca poupando sorrisos exageradamente simpáticos e elogios que ela não acreditava realmente.
“Para onde você está indo agora?”, ela digitou por baixo da mesa, enquanto todos estavam concentradíssimos em escolher o vinho mais caro da cartela apresentada pelo garçom. nem mesmo gostava de vinhos.
“Vou voltar para Nova Iorque, e de lá vamos para a China.”, Chris respondeu.
Caramba, para a China! nunca pensou em conhecer a China, mas parando para pensar agora, ela queria o fazer.
“Acho que escolhi a profissão errada”, ela brincou. “Queria que o meu trabalho também me proporcionasse viagens ao redor do mundo”.
Chris respondeu com alguns emojis dando risada, e por um momento quase pôde ouvir o som da risada do ator.
“Realmente, não posso reclamar do meu emprego”.
— … sócios? ?
levantou a cabeça depressa demais, sentindo seu pescoço estalar.
— Desculpe, o que o senhor perguntou? — ela se esforçou para dar o melhor dos seus sorrisos.
Uma mulher que aparentava não ser muito mais velha do que ela lhe respondeu com um sorriso, refazendo a pergunta anterior:
— Você e Podrick são sócios dos negócios da empresa?
— Ah, não, não. — deu uma risadinha no final. — Não acredito que eu tenha perfil para gerenciar uma empresa multinacional.
— E qual é o seu perfil? — a mulher tornou a perguntar.
— Sou advogada. Meu perfil é trabalhar com a cara enfiada em livros. — ela disse em tom de brincadeira, não sendo acompanhada nas suas risadas. — Hm… Gosto de estudar, criar teses e defender algo que acredito.
é uma excelente advogada na área do direito ambiental, e também na área de direito administrativo. Ela é realmente muito boa em encontrar formas de se esquivar das barreiras ambientais e de toda a burocracia administrativa. — Podrick disse dando risada.
Dessa vez toda a mesa acompanhou o seu riso, e se esforçou para fazer o mesmo.
Na verdade não era exatamente aquilo que ela fazia. gostava de dar assessoria jurídica, é verdade, e se preocupava em montar planos para a construção de novas casas, empreendimentos e empresas, sem que isso infringisse a lei ambiental, tampouco a lei administrativa. Podrick sabia disso, mas gostava de brincar com o fato de a noiva era algum tipo de expert em burlar a lei.
Ao final da noite, enquanto Podrick dirigia de volta para o hotel, muito satisfeito com o resultado daquele jantar, aproveitou para encostar a cabeça no banco e descansar os olhos que ardiam por ter lido o dia todo.
— Foi essencial a sua presença hoje à noite. — Podrick comentou enquanto parava em um semáforo. abriu os olhos e virou a cabeça para olhá-lo. — Sei que não gosta de jantares que envolvem discussões de negócios, mas você se saiu muito bem hoje. Obrigado.
sorriu para o noivo e entrelaçou os dedos na sua mão. Ficava feliz por tê-lo ajudado de alguma forma. Não respondeu nada, pois estava demasiada cansada, quase caindo no sono.
— Mas a Sra. Milles estava certa, sabe. Nós deveríamos trabalhar juntos, como sócios.
E aquilo foi o bastante para que perdesse o sono.
— Nós já conversamos sobre isso. — ela disse, ainda sem virar o rosto para o noivo, apenas desejando que chegassem logo ao hotel para que não precisassem falar sobre aquele assunto novamente.
— Pense em todo o dinheiro que poderíamos fazer juntos se uníssemos o meu talento para negócios e o seu conhecimento de lei ambiental e administrativa. — Podrick continuou falando como se não tivesse ouvido . — Eu poderia dispensar boa parte da nossa assessoria jurídica. Aqueles advogados dão um gasto muito grande para a empresa.
A mulher percebeu, então, que suas chances, de tentar cochilar durante o caminho, seriam nulas.
— Você quer que eu trabalhe para você de graça? — ela perguntou com um tom de ironia na voz.
— Claro que não seria de graça. Nós seríamos sócios, . Iríamos dividir parte dos lucros da empresa.
bocejou antes de responder.
— Não vejo muita vantagem nisso, para ser sincera. — ela disse rindo.
Podrick rolou os olhos.
— Você diz isso porque não faz ideia da quantidade de dinheiro que poderia ganhar trabalhando comigo. Pode ter certeza: seria muito mais do que você recebe trabalhando agora. Além disso, você é boa demais para continuar trabalhando nesses casinhos que pega às vezes.
sentiu o estômago repuxar. Frisar os lábios foi um ato involuntário, principalmente porque ela não sabia se se sentia feliz pelo elogio recebido — de fato, ela era realmente muito boa no que fazia — ou se ficava ofendida pela forma com que Podrick via o seu trabalho.
— Gosto de trabalhar nos meus casinhos. Descobri que me dou muito bem trabalhando de forma autônoma, sem precisar prestar contas a um chefe, ou mesmo a um sócio.
Podrick revirou os olhos novamente, não dando muita importância para o que a mulher falava, certo de que ela apenas precisava pensar melhor no assunto e nas vantagens que receberia, antes de lhe dar uma resposta definitiva.
O homem virou o carro para entrarem no estacionamento do hotel, e antes de desligar o motor do veículo, ele disse de forma segura:
— Essa conversa ainda não acabou. — sua voz era firme. — Você vai abandonar essa ideia quando perceber todas as vantagens que terá quando passar a trabalhar para mim. Digo, comigo. — ele corrigiu depressa, com um sorriso confiante nos lábios.
não respondeu àquilo. Sabia que seria tempo perdido tentar argumentar com Podrick, afinal, aquela não era a primeira vez que eles tinham aquele tipo de conversa, e elas sempre terminavam do mesmo jeito: Podrick com a última palavra, prometendo que ainda mudaria de ideia e passaria a trabalhar para ele.
E como largar seu escritório particular não estava nos planos de , ela preferiu apenas seguir para o elevador sem trocar qualquer outra palavra com o noivo, o qual se encontrava demasiado concentrado em trocar mensagens pelo celular.
— Amanhã você vai precisar almoçar sozinha de novo, . — ele comentou, ainda sem tirar os olhos do aparelho. — Vou dedicar todo o meu dia a fechar contratos com os meus mais novos sócios e investidores.
— Sem problemas. — afinal, não seria a primeira vez, ela completou em pensamento.
E quando já estava pronta para dormir, deitada do seu lado da cama, voltou sua atenção para a conversa que estava tendo mais cedo, a qual ficara pendente.
“Apenas estou com medo de dormir aqui, sentado, e não ouvir chamarem o meu voo”, havia sido a última mensagem enviada por Chris, duas horas atrás. não conseguiu lhe responder mais depois daquilo, pois precisou participar de alguma conversa banal, da qual são se lembrava, durante o jantar.
“Espero que não tenha dormido no aeroporto. Isso daria uma bela manchete de revista”, mandou para Chris, sem esperar que ele lhe respondesse, realmente.
Para a sua surpresa, a resposta veio em poucos segundos.
“Infelizmente os paparazzis terão que procurar outra fofoca para as revistas de amanhã”, Chris escreveu.
“Mal cheguei em Nova Iorque e já precisei embarcar para Xangai”, ele completou.
se remexeu no colchão, vendo seu cansaço ser logo dissipado. Conversar com Chris sempre lhe deixava alerta.
“Que vida difícil a sua, hm?”, ela brincou.
A resposta veio no mesmo instante: uma foto de Chris segurando uma taça de champanhe.
“Exibido!”, ela respondeu, não contendo as risadas.
Chris mandou outra foto em seguida, essa com Chris Hemsworth ao seu lado, segurando uma garrafa de champagne em uma das mãos, e um saco de salgadinhos industrializados em outra. Junto com a foto, Chris escreveu:
“O melhor tratamento que a Marvel Studios pode proporcionar”.
Novamente precisou rir, e ela agradeceu o fato de Podrick estar bastante ocupado mexendo em seu notebook, na sala anexa ao quarto deles do hotel. Ela não conseguiria segurar as risadas relativamente altas, as quais certamente acordariam o noivo se ele estivesse ditado do seu lado.
“Você está em um jatinho particular???”, ela mandou, já sabendo a resposta que receberia.
“Ei, eu já falei que a Marvel realmente sabe como tratar bem os seus empregados?”
A mulher rolou na cama, já sem conseguir tirar o sorriso do rosto.
“Se a Marvel estiver precisando contratar alguém para o setor jurídico, não hesite em mandar o meu currículo para eles!”.
Chris respondeu com vários emojis de risada e sabia que o rapaz estaria rindo verdadeiramente do outro lado.
“Pode deixar!”, ele mandou.
“Hey, meu cachorro quer saber se você vai assistir ao meu próximo filme”, Chris escreveu logo abaixo.
soltou uma gargalhada alta dessa vez.
“Não sei… Ainda não me decidi”, ela mandou.
“Vou esperar os atores terminarem a divulgação do filme para ter certeza se vai valer a pena gastar o meu dinheiro suado com o ingresso do cinema”.
Chris demorou alguns segundos para responder, e quando o fez, enviou uma foto sua com a boca aberta em surpresa, e a palma da mão apoiada no rosto.
Em resposta, procurou o interruptor do lado da cama e acendeu a luz do quarto, mirou a câmera do celular para o próprio rosto, e tirou uma foto de si mesma fazendo uma careta, com os lábios repuxados para o lado e a testa franzida, uma das mãos viradas para cima, como em uma exagerada careta de dúvida.
E ainda rindo da foto enviada, ela mandou logo em seguida:
“Sabe, pensando melhor, talvez eu assista. Preciso saber se o Homem Aranha volta à vida”.
“Hey, como assim você está mais preocupada com o Homem Aranha do que com o Capitão América?”, ele enviou, seguido de vários emojis com a expressão espantada.
“O Capitão América já é bem crescidinho. Tenho certeza de que ele vai se sair bem”, ela respondeu.
A conversa entre eles, infelizmente, não pôde durar muito mais. Afinal, por mais que estivesse gostando do bate papo com Chris, seus olhos ardiam e pediam por descanso. Por outro lado, a mulher sabia que ele também precisava dormir durante o voo, pois teria um dia cheio do dia seguinte.
E quando fechou os olhos, e caiu no sono, sentiu os ombros leves, sem o peso colocado mais cedo com a pseudo discussão que tivera com Podrick. Também não estava mais mal humorada, afinal, as risadas que deu com Chris foram o bastante para tirar todo desgaste que tivera durante o jantar horas atrás.


Continua...



Nota da autora: Autora pode ter capítulo preferido da própria fanfic? Porque se puder, eu escolho esse! (pelo menos por enquanto, haha). Quem nunca ficou até altas horas trocando mensagens com o crush que atire a primeira pedra! haha Se você gostou, por favor, deixe um comentário cheio de amor e indique a fanfic para as amigas ❤️ Quer saber quando terá atualização da fanfic? É só clicar no símbolo do facebook aqui embaixo! ❤️
Beijos de luz
Angel




Outras Fanfics:
Longfic:

Ainda Lembro de Você


Shortfics:

21 MonthsBabá TemporáriaBeautifuly DeliciousBecause of the WarCafé com ChocolateElementalO Conto da SereiaO Garoto do MetrôRumorShe Was PrettySorry SorryWelcome to a new wordWhen We Met

Ficstapes:

05. Paradise 06. Every Road 07. Face 10. What If I 12. Epilogue: Young Forever 15. Does Your Mother Know

MVs:

MV: Change MV: Run & Run MV: Hola Hola



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus