Última atualização: 10/07/2019
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Prólogo

Chris sentia como se estivesse imerso em algum sonho estranho, daqueles que fazem com que a pessoa acorde assustada, porque era exatamente assim que ele se sentia: assustado, confuso, com o coração disparando. Tentou erguer o corpo rápido demais, mas então sua cabeça doeu, e sua visão embaçou. Era como se ele estivesse girando sem sair do lugar. Ele, então, se deitou novamente, e apertou os olhos com as mãos.
Estava muito claro, o que o levou a pensar que esquecera de fechar as cortinas do quarto.
Os sons, vindos da rua, também estavam altos demais, o levando à conclusão de que também se esquecera de fechar as janelas antes de dormir.
Foi quando ele sentiu alguns respingos na pele, respingos de água. Estava chovendo?
Chris, então, abriu os olhos lentamente, com a mão acima da cabeça, tentando afastar a luz do sol. Quando olhou envolta, a primeira coisa que pensou foi “onde eu estou?”. E então, alguns segundos depois, Chris entendeu porque sua cabeça doía tanto e suas costas latejavam como se tivesse sido atropelado por um caminhão: ele não havia dormido no seu quarto.
Se ele acordara na casa de sua namorada? Bem, Chris até queria poder dizer que sim, mas a verdade é que ele se encontrava deitado no gramado da casa vizinha à sua, tendo sido acordado pela água jogada pelos carros que passavam em alta velocidade na rua.
— Mas que diabos aconteceu? — ele tentou se perguntar, mas a voz estava rouca demais.
Sentou-se, e passou a tentar se lembrar na noite passada.
Lembrava-se claramente de ir para a casa de , sua namorada, com o carro de sua mãe, enquanto Scott, seu irmão, usava o carro emprestado de seu pai. Chris havia buscado , com quem iria ao baile de formatura do ensino médio. Scott, por outro lado, passaria na casa de Ana, sua melhor amiga, e que estudava na classe de Chris, uma vez que ele não poderia ir ao baile se não estivesse acompanhado de alguma das formandas, já que Scott era mais novo e ainda não havia concluído o ensino médio.
Evans, por outro lado, tinha uma namoradinha, com quem também estudava desde o primeiro ano do colegial. Apesar de nunca terem sido muito próximos nos anos anteriores, Chris e haviam se divertido muito nos últimos meses, quando resolveram assumir um compromisso - ou algo próximo a isso.
Chris então a buscou em casa. Lembrava-se muito bem dessa cena, já que tinha as mãos suando de nervoso por estar indo a um baile com ela, assumindo, para todo o colégio, que ele finalmente tinha uma namorada de verdade.
Ele então se lembrou do baile, do momento constrangedor que foi a dança lenta, das risadas que trocaram por pisar nos seus pés a todo momento, já que Chris, incrivelmente, sabia dançar muito bem, obrigado.
Lembrou-se de como não ficou nada surpreso ao ver a garota mais popular do colégio ser coroada como rainha do baile, ao lado do capitão do time de futebol.
— E surpreende um total de zero pessoas. — comentou ao seu lado, enquanto batiam palmas.
— Mais clichê que isso impossível. — ele disse.
Sim, o baile todo, em si, foi clichê demais, mas, pelo menos, o beijo entre ele e no final da noite compensou tudo.
A rainha do baile, Melany, havia informado mais cedo de que iria dar um after party na sua casa, com direito a bebidas alcoólicas, já que seus pais pareciam ser bem liberais com relação a esse tema - ou, pelo menos, era o que ela queria que todo mundo pensasse.
Ainda, sentado no gramado, com a cabeça latejando bem mais do que antes, Chris se lembrou novamente do beijo que ele e tiveram no carro de sua mãe, e de como as coisas evoluíram a tal ponto que cogitaram não ir para a festa, mas para um local mais isolado, onde não seriam incomodados.
— Seus pais estão em casa? — ele perguntou a ela meio ofegante, morrendo de calor por ter os vidros do carro fechados, enquanto ainda vestia o terno alugado.
— É claro que estão. — ela disse com a mesma respiração falha. — E sua mãe?
— Ela está trabalhando, mas minhas irmãs estão em casa.
A ideia de irem para a casa dele era realmente boa, já que, coincidentemente, Melany era sua vizinha de frente. Logo, eles só precisariam atravessar a rua, e então estariam na casa de Chris, no seu quarto, sem nenhum tipo de privacidade, já que tinha certeza de que suas irmãs iriam garantir que ele não se trancasse entre quatro paredes com a namorada.
Foi quando eles desistiram da ideia de procurar um lugar mais silencioso, já que ainda eram menores de idade, e foram para a festa da rainha do baile.
No momento em que saíram do carro, Chris teve certeza de ficara realmente decepcionada por não passar a noite com ele, o que fez com que seu ego, relativamente inflado, ficasse ainda maior. Isso porque o humor dela mudou drasticamente do que estava sendo desde o início da noite. Eles já não riam mais como antes, e as danças já não eram mais tão divertidas. até mesmo parou de pisar no seu pé, já que se mantinha distante dele.
Aquilo o fez se questionar se ela estava tão ansiosa para ter a primeira vez com ele, como ele próprio estava ansioso em perder a virgindade com ela. Aparentemente sua pergunta não seria respondida tão cedo.
— Vou buscar mais uma bebida para a gente. — ela disse.
Ele agradeceu o gesto, e decidiu esperar por ela ali mesmo, no gramado. Como não estava acostumado a beber nada alcoólico, já podia sentir a cabeça ficando mais pesada, o que o fez se sentar no gramado de sua vizinha, mesmo que isso arruinasse o terno alugado. Sua mãe ficaria uma fera com ele, mas era aquilo ou ele corria o risco de cair.
— Cara, eu não deveria ter bebido tanto…
A última coisa que Chris se lembrava era de ter esperado, esperado, e continuado a esperar a namorada, mas ela nunca mais voltou. Ele então caiu no sono e, ao acordar, se deu conta de que havia sido abandonado por sua namorada no dia do baile de sua formatura.


Capítulo 1

20 ANOS DEPOIS


A primeira reação de Evans, ao receber aquele e-mail, foi ignorá-lo. Pelo menos de início.
Ele estava em uma reunião com os produtores de uma nova mini série televisiva, Defending Jacob, na qual iria estrelar no papel principal. O contrato já havia sido assinado, mas muitos detalhes ainda precisam ser decididos. Evans preferia que o máximo de pontos fossem resolvidos ainda naquele dia, uma vez que ficaria muito ocupado nas próximas semanas por conta da promoção de Vingadores: Ultimato, e sabia que só poderia voltar a se dedicar a esse novo projeto após a estreia do filme.
Mas então, depois de sair da reunião e dirigir até o hotel em que estava hospedado, Evans pensou melhor.
— Por que não? — perguntou-se.
Quer dizer, ele sabia que reencontros de turmas antigas eram comuns. Seu irmão havia participado de uma, anos atrás, quando sua turma do ensino médio havia completado dez anos de formatura.
E lá estava ele, Chris Evans, com um convite para uma reunião de vinte anos de formatura, enviado por um e-mail desconhecido, mas que com certeza deveria ser de algum de seus ex-colegas.
Jogando-se na cama, ele releu o e-mail recebido, convidando-o para participar de uma confraternização de vinte anos de graduação organizada por seus ex-colegas, e não pôde evitar ler todos os nomes que haviam sido convidados. Ele apenas queria ter certeza de todos haviam recebido o mesmo convite que ele.
Hey, você recebeu isso?”, ele escreveu em uma mensagem direcionada a Stuart, um de seus melhore amigos da adolescência, e o único com quem ele ainda mantinha contato. Junto com a mensagem mandou também uma imagem do e-mail que ele recebera mais cedo.
A resposta não demorou a chegar.
E aí, cara, tudo bem? Pois é, eu recebi.
Esqueci de te falar, passei seu e-mail pessoal para a Beta, ela é quem está organizando o encontro. Mas só passei porque ela me prometeu que não iria espalhar para mais ninguém.”, mandou logo em seguida.
Evans riu das mensagens. Conseguia ler aquelas palavras com a voz do amigo, como se ele estivesse ali, do seu lado.
Sem problemas, cara.
E então, você vai?”, ele perguntou, mesmo que já soubesse a resposta.
Mas é claro! E eu sou cara de perder uma festa?
Evans riu novamente, pois tinha certeza de que Stuart responderia exatamente aquilo.
Chris e Stuart eram amigos desde o ensino fundamental, e quando chegaram ao ensino médio tiveram a sorte de ficarem na mesma turma. Enquanto Evans era um garoto que posava de popular, mesmo não o sendo, Stuart era o verdadeiro espírito festeiro da turma.
Evans era mais do tipo que tinha aulas de teatro, e participava de todas as peças produzidas pela escola, sempre lutando pelo papel principal, enquanto Stuart chegava a mentir para os professores de teatro, sempre inventando uma nova doença contagiosa que o impedia de ir para a aula naquela semana.
Chris nunca havia tido dúvidas sobre a carreira profissional que queria seguir. Queria ser ator e, por isso, começou a realizar seus primeiros trabalhos publicitários ainda jovem. Stuart foi quem lhe apoiou desde sempre, mesmo Evans sendo motivo de chacota com relação a alguns alunos do colégio, os quais não achavam nada atraente um cara posar de roupa de banho para uma revista. Outras pessoas, por outro lado, se aproximaram dele rapidamente, loucas para perguntarem quais contatos ele havia feito para conseguir aqueles trabalhos.
Chris e Stuart eram completamente diferentes. Enquanto o primeiro queria seguir a carreira artística, o segundo sonhava em trabalhar no mundo dos negócios, vendendo e comprando ações, auxiliando empresas, encorajando investimentos… E quando Evans passou a trabalhar para o cinema, logo após ter se mudado para Nova Iorque, o rapaz fez questão de não perder contato com seu amigo, o que se manteve até os dias atuais - ainda que o contato entre eles tenha ficado bem mais escasso do que na época do colégio.
E foi pensando em rever seu amigo, e reviver um pouco da normalidade que sua vida era nos tempos da escola, que Chris Evans resolveu dar uma pequena pausa na sua vida de artista, internacionalmente conhecido, e compareceu ao encontro com sua turma do ensino médio, vinte anos após de formados.
— Chris. — foi o que ele informou à pessoa que recebia os alunos.
Nada de “Chris Evans”, mas apenas “Chris”. E foi exatamente isso que a pessoa escreveu do adesivo em branco, para ser colado na roupa dele, a fim de ser identificado pelo restante dos convidados.
— Hey, olha só quem veio!
Ainda que Evans tivesse a intenção de ser discreto e de não chamar atenção para si - mesmo sabendo que se tratava de uma missão quase impossível - ele tinha certeza de que Stuart trataria de anunciar para todo mundo a sua chegada.
Ainda tentando se manter discreto, ele foi até onde o amigo o esperava, em meio a uma rodinha com outras seis pessoas, todas curiosas demais para tentar esconder a excitação de estarem diante de Chris Evans.
— Vem aqui. — Stuart foi o primeiro a se aproximar de Chris. Deu um abraço no amigo, falando baixo, em um tom que somente Evans escutaria: — Não se atreva a ir embora hoje sem tirar uma foto comigo.
Chris riu do comentário do amigo, sabendo que Stuart não havia perdido o costume de fazer piada com qualquer situação.
Evans, então, cumprimentou a todos com um pequeno abraço sem jeito, mostrando surpresa ao ligar os nomes de seus antigos colegas com as pessoas que se encontravam à sua frente.
— O tempo não fez tão bem para alguns de nós. — um de seus colegas comentou. — Meu cabelo que o diga. — disse rindo.
— Com licença, meu filho está me ligando. — Melany, a rainha do baile, disse antes de se afastar. Imediatamente Chris se perguntou se ela teria se casado com o rei do baile de formatura, o capitão do time de futebol, apenas para tornar real o clichê mais famoso das comédias românticas do cinema.
— Cara, meu irmão vai surtar quando eu provar a ele que realmente estudei com o Capitão América. — Paul, outro colega de classe, disse.
Chris riu do comentário, respondendo em seguida:
— O Capitão América se formou na escola pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Tenho certeza de que você não é tão velho a ponto de ter se formado nessa época…
E isso foi o bastante para fazer com que todos na rodinha rissem do comentário engraçado, e fizesse com que Stuart começasse a contar de sua vida nos últimos vinte anos.
— Você pode ser o cara famoso aqui, mas garanto que nem Hollywood pode te pagar o eu ganho investindo na bolsa de valores. — ele disse, chamando a atenção de todos ali presentes.
Pelos próximos minutos, a estrela da noite passou a ser Stuart e sua carreira de investidor, o que deixou Chris extremamente aliviado por poder conversar sobre qualquer coisa que não fosse ele e os papéis que interpretou no cinema.
Eventualmente mais pessoas foram chegando, algumas que ele realmente não se lembrava de terem estudado junto com ele, o que o fez pensar que provavelmente eram pessoas da outra sala.
Não pôde fugir das fotos, obviamente. Mas ele não se importou realmente com aquilo. Posar ao lado de fãs tinha se tornado um hábito, e não seria diferente de posar ao lado de seus ex-colegas.
— Quanta gente falsa. — Stuart disse em determinado ponto da noite, quando ele e Chris haviam se afastado para ir até à mesa de salgadinhos. — A maioria dessas pessoas são as mesmas que fizeram piada quando você fez aquelas fotos de maiô.
— Não era um maiô. — Chris disse revirando os olhos, sabendo que Stuart estava apenas o provocando. — Eu estava com uma roupa de surf…
— Claro, claro… Chame como quiser. — ele disse ainda rindo.
Mas mesmo tendo conversado com a maioria dos presentes, sempre muito atento aos nomes das pessoas, Chris continuava a procurar por alguém ali no meio. Alguém que ele ainda não tinha visto. Quer dizer, ele poderia até tê-la encontrado, sem a ter reconhecido...Ele não saberia dizer. Ele mudou muito desde que tinha dezessete anos, e tinha certeza de que ela também deveria ter mudado.
— Hey. — Stuart chamou sua atenção. — Acredita que Melany se casou com Mark? — ele perguntou rindo.
— É sério? — então Melany, a rainha do baile, havia mesmo se casado com o rei do baile... Chris não pôde conter a sua própria risada.
Evans procurou pelo casal, apenas para confirmar o que o amigo havia lhe dito. O encontrou conversando com uma mulher, perto da mesa das bebidas, e foi então que ele a reconheceu.
A mulher estava de costas, e Chris percebeu que ela havia sido a única, de todas as pessoas ali presentes, a não se aproximar dele. Só podia ser ela. Foi apenas quando ela virou o corpo, ainda conversando, distraidamente, com Mark e Melany, que Chris pôde confirmar suas suspeitas.
ainda mantinha os mesmos cachos castanhos, e a mesma risada alta, risada esta que podia ser ouvida mesmo a vários metros de distância - aquilo não havia mudado. Ele não precisou nem mesmo conferir o nome escrito em seu adesivo para ter certeza de que estava diante da sua primeira namorada, a mesma garota que lhe deu um fora no baile de formatura, vinte anos atrás.
Pensou se deveria ir falar com ela, ou simplesmente tentar chamar a sua atenção e esperar que viesse até ele. Mas então concluiu que se a mulher quisesse falar com ele, ela teria o feito mais cedo.
— Você deveria ir falar com ela, sabe.
— O quê…?
Evans tinha os olhos e a atenção focada em , mas tentou prestar atenção no que Stuart falava.
— O máximo que pode acontecer é ela te abandonar outra vez. — ele disse fazendo piada. — Mas hey, pelo menos você não vai dormir no gramado da frente dessa vez.
— Muito engraçado. — Chris disse com ironia.
Chris não podia negar que, na época, não lidou muito bem com o fato de ter sido abandonado em seu baile de formatura. Mas isso tinha acontecido vinte anos atrás e ele, com certeza, já havia superado o ocorrido. Não tinha mágoas, nem ressentimentos, tampouco tinha motivos para brigar com . Percebeu que, apesar de não ter pensado nela nas últimas duas décadas, tudo o que Evans queria, naquele momento, era saber como ela estava, o que estava fazendo, com o que trabalhava, se ela estava bem.
Olhou para a mulher novamente e, para sua surpresa, ela o olhava de volta. Foi até bonitinho ver como corou no momento em que foi pega de surpresa, tentando desviar o olhar para a mesa à sua frente. Ela já não conversava com ninguém, estava sozinha, afastada do restante das pessoas… Se Evans fosse conversar com ela, teria que ir agora.
Deu alguns passos tímidos até se aproximar de . Fingiu estar concentrado nos salgadinhos à sua frente, mas ele não tinha fome, pois, no momento em que parou do lado dela, seu estômago deu uma reviravolta. Ele não soube o que falar.
Não teve tempo de pensar nisso, contudo. Ao abrir a boca para tentar dizer alguma coisa, qualquer coisa, foi surpreendido pela voz dela:
— Oi! — ela disse. — Você é o Chris, certo?
Chris sorriu para .
— Oi… . — ele disse ao confirmar, com absoluta certeza, de que se tratava de . — E sim, sou eu.
também tinha um sorriso nos lábios, o tipo de sorriso que as pessoas usam quando estão realmente felizes com alguma coisa. A mulher, então, tomando a iniciativa, abriu os braços e se aproximou dele, colocando-os sobre os ombros de Evans. Chris, acompanhando os movimentos dela, abraçou-a pela cintura, contendo a vontade de apertar os braços em um abraço forte.
Naquele momento, a única coisa que Evans conseguia pensar era “seria possível que ainda usasse o mesmo shampoo?”
— Que bom que você veio. — ela disse ao se afastar dele. — Imagino que a sua vida deva ser bem corrida.
Se fosse sincero consigo mesmo, Chris não esperava por aquilo, por aquela recepção, tampouco por aquela normalidade na fala. Em verdade, parando para pensar naquele momento, ele não tinha ideia do que poderia esperar dela, realmente.
— Ah, sim, muitos compromissos... — ele confirmou. — Mas eu não poderia perder isso. Quer dizer… É uma oportunidade única na vida, não é?
— Vinte anos que nos formamos no ensino médio… Sim, é uma oportunidade única.
E foi naquele momento que as coisas ficaram estranhas. Chris a olhava, sem saber como continuar a conversa, e parecia não saber para onde olhar. Quer dizer, é claro que o desconforto se faria presente, mais cedo ou mais tarde.
Apesar de e Chris terem tido um relacionamento curto, quando adolescentes, eles passaram ótimos momentos juntos. O casal não costumava ter momentos de desconforto entre eles, mas apenas de diversão. sempre tinha sido uma das pessoas favoritas de Chris… Bem, até o dia do baile.
Ainda sem ter ideia do que falar, Chris cogitou a possibilidade de, simplesmente, virar as costas e ir embora. Obviamente que ele iria se despedir dela, diria que foi um prazer reencontrá-la, e lhe desejaria sorte na vida. E então ele poderia voltar para o conforto da presente de Stuart, o qual faria alguma piada que ajudaria Chris a se esquecer daquele momento constrangedor ao lado de .
Novamente, contudo, o surpreendeu ao falar antes dele.
— Para ser bem sincera, eu estava torcendo para que você aparecesse hoje. — ela disse com a voz baixa, demonstrando que aquela conversa dizia respeito somente a eles dois. — Mas confesso que não achei realmente que Chris Evans iria comparecer na reunião da sua turma de ensino médio. — ela deu uma risadinha no final.
Chris acompanhou a sua risada.
— Bem, aqui estou eu. — ele brincou, abrindo os braços.
— Sim, aqui está você…
, então, se deu conta, somente naquele momento, que Chris Evans estava na sua frente. Ela havia acabado de perceber que seu primeiro namoradinho, o mesmo que ela abandonou, sem razão aparente, estava bem ali, na frente dela. E, apesar dela ter esperado que este momento acontecesse, ela nunca acreditaria que realmente o encontraria. Quer dizer, quais eram as probabilidades?
— Hm… Como você es…
— Eu quero te contar uma coisa. — ela disse depressa, interrompendo a fala dele.
sabia que tinha a testa franzida e, por sentir as bochechas corarem, precisou desviar o olhar dele.
— É sobre o dia do baile…
— Não precisamos falar sobre isso, se você não quiser... — ele a interrompeu.
— Mas eu quero. Eu preciso, na verdade.
tinha a voz firme, e, mesmo que se sentisse tímida em falar o que tinha em mente, manteve o olhar preso nos olhos de Evans. Sim, ela precisava falar aquilo.
— Não sei se você sabe, mas você foi o primeiro cara eu amei.
Evans não pôde controlar a surpresa que sentiu. De tudo o que poderia ter para lhe dizer, aquilo era o que ele menos esperava ouvir.
— Eu sei, eu sei… Éramos dois adolescentes que estavam saindo há poucos meses, e eu sei o quão estúpido isso pode soar, mas eu realmente gostava de você.
Chris, ainda surpreso, tentou responder, de alguma forma, o que acabara de ouvir, mas não deixou que ele falasse.
— Espera, eu ainda não terminei! — ela estendeu a mão na frente dele. — E, exatamente porque eu gostava tanto de você, eu não podia imaginar nós dois nos despedindo, terminando o nosso namoro, ou seja lá o que tínhamos.
— Eu não estou entendendo…
— Meu pai foi transferido no serviço, e nós tivemos que nos mudar para outro estado. E isso significava que eu e você não iríamos mais nos ver. — ela disse com uma careta, mexendo demais os dedos das mãos, em um claro sinal de nervosismo. — Tudo o que eu não queria era chorar na sua frente e, muito menos, terminar o que tínhamos. Então… Na época, pareceu ser uma boa ideia simplesmente ir embora, assim nós nunca teríamos que chegar ao fim.
Chris mantinha os olhos fixos nos de . Tão fixos, que eventualmente começaram a arder. Ele também desconfiava de que sua boca estivesse parcialmente aberta, sem poder controlar a surpresa que sentia por ouvir aquelas palavras.
— Bem, é isso o que eu tinha para dizer. Agora é a sua vez. — ela disse apontando para ele.
— Eu… — era a vez de Evans dizer alguma coisa, mas ele não fazia ideia do que falar. Quer dizer… O que tinha acabado de acontecer ali? — Bem…
— Não, espera! Acabei de lembrar de tem mais uma coisa! — ela disse rápido. — Não pense que eu queria te deixar no dia do nosso baile de formatura, porque eu não queria. Mas é como eu disse, pareceu ser a melhor opção, já que eu só queria deixar aquilo menos doloroso para mim mesma, já que eu sabia que você não gostava tanto de mim, na época.
— Espera, como é?
A mulher sorriu de lado, um pouco mais relaxada, agora que tinha colocado para fora o que guardara por vinte anos.
— Ah, Chris, nós dois sabemos que você não era o tipo de cara que ficava preso a uma só garota. E tudo bem, nós éramos jovens, e eu sempre soube que você não me amava da mesma forma que...
— Eu fiquei muito mal do dia seguinte ao baile. — ele a interrompeu. — Por alguns dias convenci a mim mesmo de que aquele sentimento não passava de ego ferido, afinal, eu tinha sido abandonado pela minha namorada. — Evans pensativo, tomando o cuidado de escolher as palavras certas, já que há duas décadas não pensava sobre o assunto. — Mas então eu percebi que, na verdade, eu estava muito, muito triste, porque tinha sido abandonado por uma das minhas pessoas favoritas.
Foi a vez de ficar sem palavras. E boquiaberta, ela tinha certeza.
— Então eu percebi que havia sido abandonado pelo meu primeiro amor, o que acabou sendo bem irônico, já que eu só percebi que estava apaixonado quando já não tinha mais namorada. — ele disse com uma risadinha irônica no final.
então passou a analisar o que acabara de ouvir. Sim, ela estava pronta para confessar a Chris o motivo de tê-lo deixado na noite do baile de formatura, e estava mais do que preparada para lhe pedir desculpas pelo ocorrido. O que pareceu ser uma boa ideia na época, mostrou-se ser uma terrível decisão. Foi egoísta da sua parte, e ela percebeu isso ao longo do tempo.
Mas, de todos os cenários imaginados por ela, nunca esperaria ouvir de Chris o que ele acabara de lhe dizer. Na sua mente, o relacionamento que tiveram, quando adolescentes, representou o primeiro amor de sua vida, na mesma proporção que não passou de alguns meses de diversão para Evans.
E foi por esse motivo, pelo espanto daquela descoberta, e pelo peso que aquelas palavras representava, foi que ela começou a rir.
O riso veio de lugar nenhum, e foi incontrolável. Começou baixinho, no fundo da garganta, e então se tornou alto, quase escandaloso. Era um riso de surpresa, com um toque de vergonha e recheado de ironia do destino.
— Des… Desculpe. — ela disse entre risos, os quais já estava sendo acompanhado por Evans.
— Desculpe por rir da minha declaração, ou por ter me abandonado no meio da noite, no dia do nosso baile? — Chris perguntou em tom de brincadeira, sem tirar o sorriso dos lábios.
— Ai, meu deus! — ela colocou as mãos nas bochechas, completamente corada, ainda rindo da conversa mais constrangedora da sua vida.
— Ei, relaxa, eu estou brincando.
— Pelos dois, eu acho. — respondeu. — Mas principalmente por ter te deixado sozinho. Eu nunca deveria ter feito isso. — ela confessou.
— Você poderia, sei lá, ter dito que iria se mudar, sabe? Nós poderíamos ter conversado…
— Eu sei, eu sei! — ela disse com a testa franzida, ainda mantendo as mãos nas bochechas. — Hoje isso é muito óbvio, mas tudo o que eu não queria, naquela época, era falar sobre isso e terminar o nosso namoro. Acho que eu não iria aguentar…
Chris suspirou. Com um sorriso leve nos lábios, ele percebeu que se sentia muito mais confortável estando na presença de agora, que as coisas entre eles estavam finalmente resolvidas. Ele não sabia, mas em algum lugar em seu subconsciente Evans sempre quis saber o que aconteceu naquela noite. Da mesma forma que sempre desejou poder se declarar para ela, dizer a o quanto gostava dela na época da escola, o quão idiota tinha sido por só entender seus sentimentos depois que já a havia perdido.
— Pelo menos você vai sempre poder se gabar por ser a garota que deu um fora no Capitão América. — ele comentou em tom de brincadeira.
soltou uma risada alta, e jogou a cabeça para trás.
— Acho que isso significa que não poderei contar com a ajuda de um certo super herói, caso me meta em problemas no futuro. — ela disse, se divertindo pela forma como o clima entre eles havia se tornado tão mais leve.
— Não se preocupe, eu não carrego mágoas. — Chris falou com a mão no peito, e as sobrancelhas erguidas.
Eles foram interrompidos por algumas pessoas que se aproximaram da mesa de bebidas.
— Com licença. — uma delas disse.
— Acho que estamos atrapalhando os nossos colegas de classe na missão de ficarem bêbados. — falou baixinho, como se contasse uma fofoca a Chris.
— Vamos para outro lugar, então. — ele concordou também em tom baixo.
liderou o caminho até um canto mais afastado da sala, longe da mesa de bebidas e de salgadinhos, onde ela sabia que não seriam interrompidos.
E eles realmente não foram. Chris não saberia dizer como a conversa recomeçou, e não se lembrava em que momento passaram a falar mal de seus ex-colegas, mas quando se deram conta, os dois estavam rindo das histórias do passado.
— Eu não acredito que você ficou com o capitão do time de futebol! — Chris disse surpreso, sendo repreendido por uma que colocou o dedo nos lábios, pedindo silêncio.
— Fica quieto, homem! Isso é um segredo! — ela disse rindo. — Obviamente que foi antes dele começar a sair com Melany, mas ainda assim, eu prefiro que ela não fique sabendo que eu fui o primeiro beijo do marido dela.
Chris abriu a boca em surpresa.
— Como você sabe que foi o primeiro beijo dele?
— Porque foi o pior, e o mais babado, beijo da minha vida, então eu prefiro acreditar que ele não sabia o que estava fazendo na época.
Chris jogou a cabeça para trás, sentindo lágrimas nos olhos.
— Pensei que eu tinha sido o seu primeiro namorado.
— Você foi o meu primeiro namorado, mas não foi o meu primeiro beijo, infelizmente. Tive várias experiências ruins antes de sair com você. — ela confessou. — Mas ei, você não pode falar nada, já que você foi responsável por vários corações quebrados no ensino médio. — ela o acusou.
— Confesso que saí com algumas garotas, mas não acredito que tenha quebrado o coração de alguma delas. Não sei se você se lembra, mas eu não fazia o tipo popular no colégio.
não contestou. Nenhum deles costumava ser a primeira opção a ser convidada para as festinhas que as pessoas davam depois da aula.
Chris então percebeu o quanto estava se divertindo naquela noite. “E pensar que eu cogitei a possibilidade de não aparecer…”, ele pensou. Diferentemente das conversas que ele tivera mais cedo, com seus outros ex-colegas, não lhe fez uma só pergunta sobre seu trabalho como Capitão América, ou qualquer outra relacionada ao seu trabalho no cinema. Ela se mostrou surpresa quando ele disse que havia participado de um musical no ano anterior, no qual ele precisou manter, por vários meses, um bigode horrível - do qual riu realmente alto quando Chris lhe mostrou as fotos -, mas não prolongou a conversa sobre a carreira dele.
E, para ser sincero consigo mesmo, Chris estava extremamente agradecido por isso.
Sim, ele amava a sua profissão, e não via problemas em falar sobre o que ele fazia para viver. Mas isso não significava que sua atividade preferida era falar sobre si mesmo, especialmente em um momento como aquele, no qual ele buscava reviver o período “normal” de sua vida, longe de jornalistas e holofotes. Evans não sabia se havia percebido que ele queria falar sobre qualquer coisa, menos si mesmo, mas a mulher fez questão de não lhe deixar desconfortável fazendo perguntas sobre sua vida em Hollywood.
— Você acredita em como Kurt está diferente? — ela perguntou, mudando o rumo da conversa, quando Kurt passou por eles, ao lado de Harry, Robb e Mark. — Quem diria que ele foi um dos melhores jogadores de futebol na época da escola?
Ao terminar de falar, Kurt fez um movimento com a mão que o levou a derrubar bebida nas pessoas que estavam ao seu lado. Ele nem mesmo se preocupou em pedir desculpas.
— Aparentemente ele não está tão diferente assim. — Chris disse ao observar a cena. Ele olhou em volta, observando as outras pessoas, e voltou a falar. — Mary, por outro lado, está exatamente a mesma pessoa de vinte anos atrás.
não poderia concordar mais. Mary sempre fora uma pessoa que aparentava comprar suas roupas na sessão infantil da loja: sempre muito coloridas, cheias de estampas e brilhantes.
— Será que John continua o mesmo fanático por fantasia? — perguntou segurando o riso.
— O que quer dizer? — Chris a acompanhou, mesmo não entendendo o motivo da piada.
— John tinha dezessete anos e ainda acreditava que sua carta de Hogwarts poderia estar perdida em algum lugar. — ela disse rindo. — Além disso, ele vivia falando da guerra dos mutantes contra os não mutantes, e de como os Vingadores teriam que escolher um lado na hora da luta.
Chris riu verdadeiramente dessa vez.
— Caramba, eu não lembrava de como John era viciado em HQs e livros de fantasia…
— Ele deve ter surtado quando viu você hoje.
— Ele até que se controlou bem, devo admitir. — Chris disse ainda rindo, lembrando-se de que John havia sido a primeira pessoa a pedir por um foto com ele. — E aquele engomadinho ali na entrada, hein? Quem será que é?
acompanhou o olhar de Chris até encontrar quem Chris apontava.
— Caramba, isso é uma reunião de ex-colegas ou é uma reunião de negócios? — Evans disse com ironia.
Ah, aquele é o meu noivo.
Foi como se um balde de água gelada tivesse caído na cabeça de Chris.
Em um momento ele estava caçoando das pessoas ali presentes, como se tivesse dezessete anos de novo, e no momento seguinte ele precisava engolir o riso, já que o clima de descontração foi substituído por um de desconforto.
Noivo, ela dissera.
estava noiva, e a prova disso era o rapaz engomadinho, que parecia ter saído de uma reunião de negócios, que vinha na direção deles.
— Desculpe o atraso, estava em uma reunião de negócios. — ele disse no momento que alcançou .
O homem deu um beijo na sua noiva, e imediatamente pegou o celular do bolso, parecendo muito concentrado em alguma coisa que acabara de receber.
— Podrick… — o chamou. Não obtendo resposta, ela o chamou de novo. — Podrick, amor, este é Chris.
Chris endireitou a postura, sustentou um sorriso educado nos lábios e imediatamente estendeu a mão para o rapaz à sua frente. Podrick, contudo, se limitou a chacoalhar a mão estendida de Chris.
— Prazer. — ele disse, sem demonstrar qualquer reconhecimento à pessoa de Chris Evans. — , acho que já está na hora de irmos, o que acha?
olhou para o relógio que tinha no punho, e Chris repetiu o seu movimento. De fato, eles estavam conversando há mais tempo do que Evans imaginara, mas ele tinha certeza de que ainda estava cedo para ir embora. Quer dizer, ele tinha ouvido falar que uma de suas ex-colegas se tornara uma confeiteira, e que havia levado um bolo enorme para comerem naquela noite. E, bem, o bolo ainda não havia sido cortado, o que significava que ainda não era hora de ir embora. Além disso, ainda tinha muita gente para Chris e comentarem, e Evans tinha certeza de que não havia ouvido metade das histórias que tinha para contar da época do ensino médio.
Chris não queria que fosse embora. Não tão cedo. Não depois de só ter tido a oportunidade de conversar com ela por poucas horas quando não se viam há mais de vinte anos.
Chris queria que ficasse.
— Acho que sim… — ela respondeu, depois de conferir as horas no relógio.
tinha a testa franzida, o que levou Chris a acreditar que não, não acreditava que já estava na hora de ir embora.
— Tchau, Chris, foi ótimo pode te ver de novo. — ela disse.
E para a surpresa de Chris, ela o abraçou novamente, dessa vez bem mais forte que no início da noite, quando havia tanta coisa não dita entre eles. Chris, por outro lado, se viu respirando o perfume do seu shampoo uma última vez antes de se separar dele e seguir para a saída, sendo guiada pelo seu noivo.

Capítulo 2

O movimento do ventilador era quase hipnotizante. Pelo menos era assim que Chris se sentia olhando para o teto: hipnotizado, preso em pensamentos.
Naquele dia o clima estava ameno, e Chris decidiu deixar as cortinas abertas a fim de permitir que a luz solar iluminasse as paredes de seu quarto que, outrora, encontravam-se cheias de pôsteres colocados em sua adolescência.
Chris podia ouvir sua mãe conversando com suas irmãs no andar de baixo, e isso o fez suspirar. Voltar para Sudbury lhe proporcionava paz interior. Ali ele não era Chris Evans, o Capitão América, mas apenas Chris, filho de Lisa Marie, e irmão de Scott, Carly e Shanna Evans. De volta à sua casa, Chris não passava de mais um garoto que morava no subúrbio de Sudbury, onde os vizinhos se conheciam desde sempre, e mostravam-se amigáveis de uma forma que o fazia se sentia desconfortável.
Ouviu o celular vibrar ao seu lado, indicando que havia recebido uma mensagem de texto.
“E aí, já falou com ela?”, Stuart lhe perguntou.
Chris suspirou novamente, deixando o celular de lado. Não queria responder a mensagem de Stuart, porque sabia o que o amigo lhe diria.
Quer dizer, aparentemente Evans deixara muito claro, na sua expressão, que não queria voltar para a companhia de Stuart e do restante de seus ex-colegas, na noite passada. Segundo seu amigo, Chris claramente havia mudado o humor depois que fora embora.
Obviamente Evans contestara aquela acusação.
— Estou apenas feliz de poder rever todos vocês. — ele disse ao amigo, na noite passada.
— Claro, claro. Aposto que está mais feliz de ver alguns do que outros, não é? — Stuart perguntou com uma risadinha, batendo seu cotovelo no braço de Evans.
— Não vou dizer que está errado. — ele admitiu.
A verdade é que Chris se divertiu muito na reunião de seus ex-colegas. Ele realmente estava precisando daquele momento de normalidade, especialmente depois das últimas semanas, quando as promoções de Vingadores: Ultimato haviam começado. Mas também não iria negar que a melhor parte da noite foi se reencontrar com .
Evans teve a chance de vivenciar novamente o sentimento de tranquilidade e liberdade que somente conseguia causar nele. Ao lado dela, Chris não tinha dúvidas sobre si mesmo, ou sobre suas escolhas, e não se preocupava com o amanhã, pois ele sabia que ela estaria presente no dia seguinte, e isso era tudo o que ele precisava saber. Pelo menos era assim que ele se lembrava de se sentir quando tinha dezessete anos. E duas décadas depois, Chris vivenciou tudo isso novamente, especialmente a parte em que se sentia livre para fazer as piadas mais inconvenientes possíveis, ou falar de qualquer assunto banal, pois ele sabia que ela iria acompanhá-lo com suas risadas escandalosas.
Então sim, Evans não iria negar que realmente gostou de tê-la encontrado noite passada.
E foi por esse motivo que Stuart, de forma completamente espontânea, passou para Chris o contato de .
— Caso você queira continuar a conversa que estavam tendo… — ele disse, justificando-se.
Chris, então, olhou novamente a mensagem recebida de Stuart.
E aí, já falou com ela?
Não”, Evans respondeu. “Não encontrei nada que pudesse ser interessante para falar”.
No momento em que Chris mandou respondeu ao amigo, sentiu-se um adolescente inseguro, e tinha certeza de que Stuart iria tirar sarro da sua cara. Mas aquela era a mais pura verdade. Chris havia digitado várias mensagens, mas acabou apagando todas elas, simplesmente por não fazer ideia do que escrever, ou como começar um assunto com .
— Posso saber com quem você está conversando?
Chris se assustou ao ouvir a voz de sua irmã. Shanna se encontrava escorada no batente da porta de Chris, com os braços cruzados, e cheia de curiosidade nos olhos.
— Você parece concentrado demais olhando para esse celular. — ela comentou. — É alguma coisa referente ao trabalho?
— Quem me dera. — Chris respondeu com um suspiro no final. — Estou apenas falando com uma amiga.
“Ou, pelo menos, tentando”, ele pensou.
— Uh… Uma amiga, é? — Shanna entrou no quarto, interessada. — Posso saber quem é?
Chris sorriu para a irmã e ergueu as sobrancelhas, como se dissesse “até parece que eu vou te falar alguma coisa”. Shanna, então, revirou os olhos, e deu as costas a Chris, dirigindo-se à porta, sendo seguida por ele.
O cheiro vindo da cozinha podia ser sentido ainda nas escadas, o que fez com que o estômago de Chris roncasse.
— O cheiro está bom. — ele comentou ao entrar na cozinha.
— Espero que o gosto esteja ainda melhor. — sua mãe respondeu.
Scott ajudava a mãe a arrumar a mesa, enquanto Carly e Shanna foram chamar os filhos para o almoço.
A mãe de Chris, Lisa, fazia questão de reunir a família sempre que Chris os visitava, especialmente quando essa visita tinha o prazo de duração tão curto, afinal, por conta da vida de Evans em Los Angeles, ele não tinha muito tempo livre para visitar a família com a frequência que desejava.
E a melhor parte de reunir toda a família, na opinião de Chris, era que a conversava nunca parava, nem mesmo na hora do almoço.
— Mãe, quando vamos para a Disney de novo? — Milles, um dos sobrinhos de Chris, perguntou.
— Pensamos em voltar no final do ano, o que você acha? — Carly respondeu ao filho.
— Tio Chris vai junto com a gente? — Ethan, irmão de Milles, perguntou dessa vez.
— Claro, se o tio Chris estiver de férias do trabalho. — ela respondeu.
— Talvez Chris leve a nova namorada. — Shanna disse em tom de provocação.
— Nova namorada? — Carly estava surpresa.
— Não acredito que você escondeu isso de mim! — Scott falou em um tom ofendido.
— Ela também tem cachorro? — Milles perguntou interessado.
— Eu não tenho… — Evans tentou responder, mas foi interrompido.
— Você pretendia não nos contar? — sua mãe perguntou ofendida.
— Eu não… — ele começou a falar, mas novamente foi interrompido. — Esperem, esperem, isso é ridículo. Eu não tenho uma nova namorada!
— É alguém que você já namorou, então? — sua mãe perguntou. — Espero que não seja a…
— Mãe, não é ninguém com quem eu já tenha saído. — e antes que Lisa pudesse lhe fazer uma nova pergunta, ele continuou. — E não é nenhuma namorada nova também.
E diante dos olhares confusos, com exceção de Shanna, que estava achando aquela confusão muito divertida, Chris explicou.
— Eu não tenho uma nova namorada, ou antiga. — completou antes de ser interrompido novamente. — Eu não estou namorando.
Seu tom de voz demonstrava que o assunto não comportava questionamentos.
Sua mãe, contudo, parecia não acreditar muito na palavra de Chris, e Scott ainda se mostrava ofendido por não ter sido comunicado, em primeira mão, do seu relacionamento amoroso inexistente. Carly estava curvada ao lado de Shanna, provavelmente pedindo por mais detalhes sobre a fofoca que Shanna iniciara.
— Shanna está apenas pegando no meu pé. — ele se defendeu.
— Você disse que estava conversando com uma amiga mais cedo, mas não quis me dizer quem era. — ela deu de ombros. — Pensei que estivesse namorando escondido.
Chris revirou os olhos, sabendo que Shanna não acreditava realmente naquilo. Ela apenas queria provocá-lo e, talvez, ainda conseguir a informação de quem era a mulher com quem Chris conversava mais cedo - a qual, ironicamente, não existia, já que Chris havia mentido, uma vez que a única pessoa com quem ele conversara naquele dia havia sido Jacob.
— Você deveria arrumar uma namorada para Dodger. — Milles comentou, o que acabou por arrancar risadas de todos da mesa.
— Não sei se Dodger está procurando uma namorada no momento. — Chris comentou ainda rindo.
E quando voltaram a comer, preferiram o fazer em silêncio. Mas o silêncio nunca durava muito na casa dos Evans, e um novo assunto logo foi iniciado por Ethan, que parecia muito entusiasmado em contar que faria parte da peça de teatro da escola, e que fazia questão de ter todos presentes no dia da sua apresentação.
No final do almoço, Chris, Carly, Shanna e Scott dividiram as tarefas da arrumação, como faziam quando eram mais novos e moravam todos juntos. Shanna ficou responsável por retirar os pratos da mesa, enquanto Scott ajudava Chris a lavar a louça que Carly ficou encarregada de guardá-la nos armários.
A janela da cozinha da casa dos Evans dava para a rua, o que permitia que Chris tivesse uma ampla visão da casa da frente, onde Melany Foster, sua ex-colega do ensino médio, outrora morou.
O gramado da casa dos Fosters continuava tão verde quanto Chris se lembrava. E, bem, Chris se lembrava muito bem de como era o gramado na casa da frente, já que passaram a noite lá, vinte anos atrás.
— Pode subir se quiser, eu termino aqui. — Scott disse.
— Obrigado, cara.
Chris enxugou as mãos em um pano que estava ao seu lado e subiu para o quarto, onde encontrou Dodger dormindo na sua cama.
— Ei, amigão, quer dividir o travesseiro comigo?
Dodger, contudo, não pareceu querer sair de onde estava, o que acabou fazendo com que Evans se deitasse ao lado de seu amigo, usando o braço como apoio para a cabeça.
Pegou o celular em cima do criado mudo, encontrando uma mensagem de Stuart.
“Não. Não encontrei nada que pudesse ser interessante para falar”, tinha sido a resposta enviada por Chris, à pergunta de Stuart.
“Não sei como as pessoas se comunicam em Hollywood, mas aqui nós ainda somos adeptos ao bom e velho ‘oi, tudo bem?’”, foi o que o amigo lhe respondeu, seguido por vários emojis de risada no final.
Chris também não pôde conter a sua risada. De fato, aquela parecia ser uma boa ideia. Com exceção, é claro, do fato de que ele teria que continuar a conversa, e Chris não fazia ideia de como iria o fazer.
“Em Hollywood costumamos ser mais criativos nas conversas”, ele mandou de volta para o amigo. “Sabe como é, temos roteiristas que se encarregam de escrever o que devemos falar”.
Chris então virou-se para Dodger que, mesmo estando acordado, ainda ocupava o centro da cama, em cima de um travesseiro macio.
— O que você acha, companheiro? Devo mandar uma mensagem para ou não?
Dodger piscou seus olhos algumas vezes.
— Eu não sei. — Chris respondeu a alguma coisa Dodger perguntara, mas que somente ele entendeu. — Eu apenas quero falar com ela de novo. Você acha isso estranho?
Dodger levantou a cabeça e a inclinou para o lado, como se realmente prestasse atenção no que o dono falava.
— Ah, você sabe… Estranho porque não nos falamos há vinte anos, e depois de uma noite, por algum motivo, eu não quero que percamos o contato novamente.
Dodger, então, balançou a cabeça novamente, e soltou um ruído, que muito se parecia com um resmungo.
— Excelente ideia, amigão. Obrigado.
Chris Evans pareceu entender perfeitamente o que seu cachorro lhe dissera, já que imediatamente pegou o celular novamente, procurou o contato de , e lhe mandou uma mensagem, primeiro se identificando, e depois, para não perder o costume, fazendo uma piada que, em sua mente, parecia muito mais engraçada do que de fato era.
Acho que você não perdeu o hábito de fugir dos nosso encontros”.
Ele se arrependeu no momento em que enviou a mensagem. Quer dizer, que piada horrível! Chris, então, entrou em um dilema: apagar a mensagem, e deixá-la saber que ele havia mandado algo, mas que se arrependeu depois, ou deixá-la ler a sua terrível tentativa de puxar assunto? Seu dilema, contudo, não durou nem mesmo um minuto.
Ai, meu Deus, me desculpe por sair correndo ontem!”, ela respondeu. “Prometo que não foi pessoal”.
E logo em seguida mandou:
Como você pôde perceber, as minhas fugas sempre têm uma justificativa”.
Chris riu das mensagens dela. Pensou no que poderia lhe responder, mas foi mais rápida.
Já voltou à vida de artista?
Não”, ele mandou. “Ainda estou aproveitando a vida no subúrbio”.
Chris esperou alguns segundos, e como não obteve resposta de , continuou a escrever.
Hey, você se lembra da cafeteria do Sr. Jonas? Pensei em passar por lá e pedir um pedaço daquele bolo de chocolate que costumávamos comer…
Releu a mensagem algumas vezes antes de decidir apagá-la. Quer dizer, o que ele estava fazendo, chamando-a para sair? Por deus, ela estava noiva! E ele voltaria para Los Angeles no dia seguinte, e provavelmente nunca mais veria novamente. Isso significava que eles não tinham porque se encontrar, mesmo que Chris o quisesse.
E então, para desistir da ideia de chamar sua ex-namorada que, atualmente, estava noiva de um engomadinho, para sair, Chris resolveu que sairia de casa, e iria à cafeteria do Sr. Jonas comer bolo de chocolate. E decidiu que iria sem chamar para ir consigo.
— Vou dar uma volta, companheiro. — Chris disse se despedindo de Dodger, o qual não pareceu se importar muito com o fato de o dono deixá-lo em casa novamente. Dodger estava muito bem confortável naquela cama grande e espaçosa.
Chris foi até o quarto de Scott, logo ao lado do seu. Bateu na porta duas vezes, tendo ouvido o irmão pedir para que ele entrasse.
— Ei, está ocupado?
Em resposta, Scott apontou para o celular que segurava.
— Meu namorado está carente porque resolvi passar o final de semana em Sudbury. — ele falou com ironia.

Chris riu do comentário do irmão. Scott namorava há poucas semanas, mas parecia que namorava há meses, já que o novo namorado do irmão - o qual Chris ainda não conhecia - havia sugerido que eles passassem a morar juntos. Lisa não gostara muito da ideia, especialmente porque ainda não conhecia o rapaz, mas Scott parecia radiante com o fato de que seu novo namorado se mostrava carente pela sua ausência.
— Certo, vou deixá-lo conversar com ele. — e antes de fechar a porta, completou — Estou ansioso para conhecê-lo.
— Você vai adorar o Paul, Chris. Eu tenho certeza.
E diante do brilho nos olhos do irmão, Chris sabia que ele estava certo. Se fazia Scott feliz, não tinha como Chris não gostar do rapaz.
Evas seguiu pelo corredor parando em frente ao quarto de Shanna. Como fizera anteriormente, bateu na porta, esperando a irmã indicar que ele poderia entrar.
Como Shanna fizera no quarto dele, Chris se apoiou no batente da porta, com os braços cruzados.
— O que você está fazendo?
Shanna organizava as coisas dentro de uma grande mala de viagem, o que realmente causou estranheza em Chris, uma vez que ela morava a poucas quadras dali, diferentemente dele, que morava em outro estado, e levou consigo somente uma mochila com duas trocas de roupa para passar o final de semana.
— Separando algumas roupas para doar. A escola de Carly está recebendo doações para uma instituição de caridade.
Chris balançou a cabeça. Lembrava-se de sua mãe falar algo sobre isso mais cedo.
— E você, já cansou de falar com a sua namorada secreta?
Chris revirou os olhos. Shanna riu da reação dele.
— Estou apenas brincando, não precisa ficar bravo. — ela disse rindo.
— Você deixou nossa mãe preocupada hoje.
Dessa vez sua irmã riu alto, fazendo com que Chris a acompanhasse.
— Ela se preocupa com você… Apenas quer que você encontre uma mulher e se apaixone por ela.
Chris fez uma careta antes de responder.
— Eu já me apaixonei por algumas mulheres e, se bem me lembro, nossa mãe não gostava de algumas delas.
— Não é fácil conquistar o coração da dona Lisa. — Shanna concordou. — E isso deve ser de família, já que parece ser difícil conquistar o seu também.
Chris suspirou pela declaração. Não tinha como contestar aquilo, ele realmente tinha dificuldades para se apaixonar.
Balançou a cabeça novamente, dessa vez para focar sua atenção no assunto que tinha o levado ali.
— Quer sair? Ou está ocupada?
Shanna olhou para a cama à sua frente, onde ainda tinha várias peças de roupa espalhadas pela superfície, muitas das quais não caberiam na mala ainda aberta.
— Ah… Acho que prefiro acabar essa arrumação. Carly quer levar essas coisas amanhã para a escola, e vai me matar se eu pedir para ela me ajudar a arrumar a mala.
— Vai mesmo. — Chris comentou rindo, lembrando-se de como Carly sempre odiara guarda roupas em malas de viagem. — Boa sorte na sua arrumação.
Chris bateu a porta atrás de si, e seguiu para o quarto da frente, onde Carly estava com Milles e Ethan. Imaginou que, caso Carly se recusasse a sair com ele, Evans facilmente convenceria seus sobrinhos a sair para comerem doces.
O quarto de Carly estava com a porta aberta, motivo pelo qual ele adentrou o cômodo sem bater. Ethan dormia na cama da mãe, e Milles brincava no celular. Carly não estava à vista.
— Ei. — chamou Milles. — O que acha de darmos uma volta agora?
Milles pareceu se animar com a ideia, mas logo mudou a expressão para chateada.
— Mamãe disse que já estamos indo embora. — ele disse.
— Mas por quê? — Chris perguntou ao sobrinho, com a testa franzida.
— Porque eles precisam ir para a escola amanhã de manhã, e ainda não terminaram a lição de casa. — Carly respondeu, entrando no quarto. — Além disso, preciso preparar minha aula.
Carly dava aulas de teatro e inglês no ensino médio, e Chris sabia que a irmã tinha muitas turmas para dar conta. Não raro, Carly preferia encerrar mais cedo os encontros familiares, apenas para poder se dedicar à preparação de suas aulas. Evans não criticava a atitude, ele mesmo já cancelara vários compromissos seus, apenas para se dedicar à sua própria profissão.
— Não podemos ir mais tarde, mãe? — Milles perguntou.
— Eu quero sair com o tio Chris. — Ethan disse com a voz sonolenta, indicando que acabara de acordar.
— Outro dia, prometo. — Carly disse. — Além disso, você logo volta para casa, não vem? — perguntou, dirigindo-se ao irmão.
— Espero que sim. — ele confessou, com um suspiro no final.
Ele sabia que as próximas semanas seriam inteiramente dedicadas à promoção de Vingadores: Ultimato, e que teria poucos dias de folga antes de começar a trabalhar em seu novo projeto, na série televisiva, Defending Jacob. De qualquer forma, ele esperava ter a chance de passar mais alguns dias com a família antes de começar as gravações.
Chris então se aproximou dos sobrinhos e os abraçou, sabendo que não os encontraria ali quando voltasse para casa naquela noite.
— A gente se vê em algumas semanas, em Los Angeles, beleza? — ele perguntou aos sobrinhos. — Quero ver todos vocês na estreia de Vingadores.
— Tio, você vai dar um soco no Thanos? — Ethan perguntou animado.
— O Homem Formiga vai entrar no cérebro dele? — Milles também perguntou excitado.
Chris riu antes de responder.
— Eu não sei o que vai acontecer, mas posso garantir uma coisa: vocês vão adorar o filme. — ele prometeu.
Voltou rapidamente para o próprio quarto, apenas para pegar o boné e os óculos escuros. Dodger dormia tão profundamente, que nem acordou quando Chris apareceu.
Evans saiu de casa, certo de que a ideia de dar uma volta sozinho espantaria de sua mente pensamentos estranhos, tais como convidar para sair. Quer dizer, não é como se ele fosse chamá-la para um encontro, para jantar em um restaurante reservado. Ele apenas havia tido a ideia de convidá-la para ir a um café, o que poderia ser mais inocente do que isso? E respondendo a própria pergunta, Chris chegou à conclusão de que não existia nada de inocente na sua ideia, uma vez que eles dois costumavam ir muito no café do Sr. Jonas quando namoravam. Na verdade, aquele era o único lugar que os pais de deixavam a garota ir com ele, com exceção do cinema - com a condição, é claro, de que fossem em grupo. Nunca os dois sozinhos.
Chris suspirou com as lembranças. Os tempos eram muito diferentes, especialmente quando se tratava do estilo de vida no subúrbio. Chris e viveram um namoro à moda antiga, do tipo que Chris e ela não tinham permissão para ficarem fora de casa até tarde da noite, tampouco irem a encontros depois que escurecesse. Além disso, quando começaram a sair, Chris precisou ir até à casa de para pedir a permissão de seus pais, os quais não se mostraram muito satisfeitos com o fato de sua única filha estar saindo com um garoto que usava brinco em uma só orelha.
Foi impossível evitar um suspiro pelas lembranças, especialmente quando o cheiro de café da cafeteria do Sr. Jonas chegou às suas narinas. Chris podia contar nos dedos das mãos o número de vezes que voltou àquela cafeteria depois que deixou a cidade de Sudbury aos dezoito anos. E, apesar de já ter votado lá algumas vezes nos últimos anos, naquele dia o sentimento de nostalgia tinha um toque diferente.
Chris escolheu uma mesinha do lado de fora para se acomodar. Escorregou o corpo pela cadeira e arrumou o boné na cabeça e os óculos escuros, mesmo que o sol não estivesse forte a ponto de incomodar seus olhos. Ele apenas queria poder passar despercebido.
Abriu o cardápio e estava pronto para escolher o que pedir para beber quando ouviu uma risada. Uma risada tão alta, e tão característica, que ele a teria reconhecido em qualquer lugar.
— Não pode ser… — ele falou baixinho, para si mesmo.
— Obrigada, Rachel! Mande lembranças para o Sr. Jonas, e diga a ele que voltarei outro dia para conversarmos. — disse se despedindo de uma das funcionárias da cafeteria do Sr. Jonas.
A primeira reação de Chris se esconder atrás do cardápio, afinal, sua intenção era não ser reconhecido e passar uma tarde tranquila em um dos seus lugares preferidos da adolescência.
Mas então ele pensou que aquilo era coincidência demais. Quer dizer, quais eram as chances de encontrar ali, quando ele havia tido a ideia de convidá-la para um café mas desistiu na última hora?
“Aposto que Mackie diria que isso é coisa do destino”, ele pensou com humor. Anthony Mackie, um dos melhores amigos que Chris fez ao longo de sua jornada na Marvel Studios, iria adorar ouvir de Chris sobre o seu reencontro com a ex-namorada do colegial, e como o destino fez com que ele encontrasse a mulher uma vez mais antes de voltar para sua casa em Los Angeles.
Evans então pensou em abanar a mão para ela e chamar o seu nome, mas estava mexendo no celular e não o viu.
“Você precisa se esforçar mais, destino”, ele pensou brincando.
E foi nesse momento que o viu.
— Chris?
Chris ainda usava o boné e os óculos escuros, e não havia saído de trás do cardápio de bebidas. E se levasse em conta o fato do ator ter escolhido a mesinha mais afastada da calçada, isso explicaria o motivo dele ter ficado surpreso em ter sido reconhecido.
— Chris Evans? — ela perguntou mais baixo agora, aproximando-se dele.
— Hey, !
Ele fingiu uma surpresa que não existia. Levantou-se para cumprimentar a mulher com um abraço e um beijo no rosto, apontando para a cadeira em frente à sua, indicando para que ela se sentasse com ele.
— Caramba, que coincidência!
Ele não poderia concordar mais.
— Duas vezes em um só final de semana… Vou começar a achar que você é minha fã. — ele disse em tom de brincadeira, odiando a piada no instante em que ela saiu.
, por outro lado, não pareceu achar a brincadeira de gosto duvidoso.
— Puxa vida, você me descobriu! — ela disse colocando as mãos na cintura de forma teatral. — E eu que pensei que estava disfarçando bem a minha perseguição.
Chris riu da mulher, sendo acompanhado por ela. E foi nesse momento que ele sentiu aquilo de novo: a leveza de estar ao lado de , de poder rir com ela e sentir que poderiam falar sobre qualquer coisa. Chris percebeu, naquele momento, que sentiria falta dela quando voltasse para Los Angeles.
pegou o celular na bolsa e digitou alguma coisa rapidamente. Seu semblante foi de relaxado para sério em um só instante, e Chris se perguntou se seria alguma coisa relacionada ao seu trabalho.
— Alguma coisa importante? — ele perguntou.
— Mais ou menos. — ela comentou guardando o celular na bolsa. — Às vezes me pergunto se escolhi o ramo certo do Direito… Quer dizer, de que adianta prestar assessoria jurídica no ramo de direito ambiental se os seus clientes não seguem as suas orientações? — ela perguntou suspirando. — Acho que vou precisar ir...
Chris franziu a testa. É bem verdade que ele não esperava encontrar ali, mas agora que a encontrara, ele não queria se despedir tão cedo dela.
— Ah, claro… Eu entendo.
É claro que ele entendia, ele apenas não queria aceitar. E também não conseguia pensar em nenhuma boa desculpa para convencê-la a ficar um pouco mais.
— O que você acha de nos encontrarmos amanhã na hora do almoço? — ela perguntou enquanto arrumava a alça da bolsa no ombro, pronta para se levantar.
— Eu adoraria, mas vou embora amanhã cedo. — Chris respondeu ao mesmo tempo em que se questionava o motivo de ter escolhido um voo tão cedo. Qual o problema de em comprar as passagens para um voo no meio da tarde, ou à noite? — Primeiro voo do dia. — ele concluiu.
— Então esse é o nosso último encontro? — perguntou surpresa. — Digo… A última vez que nos vemos?
Chris pôde jurar que viu as bochechas da mulher ficarem coradas.
— Acho que sim.
pareceu pensar por alguns instantes. Sobre o que ela pensava, Chris nunca saberia, mas no instante seguinte, a mulher tirou a bolsa do ombro, colocando-a no encosto da cadeira, e chamou a atendente mais uma vez.
— Hey, Rachel, você poderia trazer o cardápio de bolos para nós, por favor? — ela pediu educadamente.
— Claro.
Rachel então retirou o cardápio do bolso no avental que usava e entregou a .
— Resolveu ficar mais um pouco? — ela perguntou, sem mostrar sinais de que reconhecera Chris Evans ali, ao seu lado.
— Pois é… — ela respondeu à Rachel. — Acho que o Sr. Alfred pode esperar mais um pouco, afinal, ele sabia que não deveria construir em uma área que de preservação florestal, não é?
Rachel deu uma risadinha, concordando com o que lhe dissera.
— Quando estiverem prontos para pedir é só me chamar. — ela disse antes de se afastar.
passou a analisar o cardápio à sua frente. Chris, por outro lado, apenas continuou a analisar . O que tinha acabado de acontecer?
— Já decidiu o que vai pedir? — ela perguntou. — Acho que vou pedir aquele bolo de chocolate que comíamos quando éramos mais novos, lembra? Era o bolo mais famoso do Sr. Jonas.
Chris não conteve uma olhadela em volta dele. “Boa jogada, destino”, ele pensou.
— Vou pedir o mesmo que você. — ele respondeu. E segundos depois, continuou. — Então… Você não vai se meter em problemas por deixar o Sr. Alfred esperando?
revirou os olhos.
— Ele se meteu em problemas sozinho. Não é como se ele pudesse reclamar pela advogada dele ter preferido tomar um café com o amigo de escola dela, em vez de resolver o problema, totalmente evitável, dele.
— Então… A doutora prefere tomar um café com o amigo de escola dela, em vez de salvar o cliente dela, das mãos da fiscalização ambiental? — Chris perguntou com certo humor na voz. — Lembre-me de nunca contratar essa advogada, ela não parece levar o trabalho dela muito a sério.
Em resposta à brincadeira, jogou um um guardanapo amassado em Chris.
Ainda rindo da brincadeira dele, ela disse:
— E que papo é esse de ficar me chamando de ? Até parece que a gente não se conhece há, sei lá, uns vinte anos. — ela disse rindo. — Me chame de .
Chris sorriu diante daquilo e concordou balançando a cabeça.
— Então me diga, … O que uma advogada ambientalista faz, exatamente? — ele perguntou interessado.
— Nem pensar, nós falamos sobre mim ontem, e hoje iremos falar sobre você. — ela disse. — Então me diga, você ainda faz campanhas publicitárias de maiô?
Chris jogou a cabeça para trás ao rir.
— Não era uma maiô, era uma roupa de surf! — ele disse ainda rindo.
— Claro, se você prefere chamar assim… — ela respondeu também rindo. — Apenas saiba que eu também trabalho com contratos publicitários. Então se você precisar de uma advogada para, sei lá, defender os seus direitos sobre um contrato para propaganda de maiôs, ou algo do tipo, estarei à sua disposição.
— Mas apenas se essa advogada não estiver em uma reunião com os amigos de escola.
— Bem lembrado. — ela disse rindo.
E o que começou com um encontro completamente imprevisível, acabou se tornando uma conversa que durara várias horas. Horas suficientes para se preocupar com a quantidade de ligações não atendidas em seu celular, e precisar se despedir de Evans com um abraço apertado, o qual acabou sendo demasiado rápido - pelo menos esse era o pensamento de Chris no dia seguinte, ao embarcar no primeiro voo com destino a Los Angeles.



Continua...



Nota da autora: Destino ou simples coincidência? haha De qualquer forma, espero que vocês tenham gostado desse segundo capítulo, e espero, ainda mais, que gostem da forma com que as coisas vão se desenrolar daqui para frente. Então deixem um comentário cheio de amor e recomendem a fanfic para as amigas que são apaixonadas por Chris Evans ❤️
Beijos de luz
Angel




Outras Fanfics:
Longfic:

Ainda Lembro de Você


Shortfics:

21 MonthsBabá TemporáriaBeautifuly DeliciousBecause of the WarCafé com ChocolateElementalO Conto da SereiaO Garoto do MetrôRumorShe Was PrettySorry SorryWelcome to a new wordWhen We Met

Ficstapes:

05. Paradise 06. Every Road 07. Face 10. What If I 12. Epilogue: Young Forever 15. Does Your Mother Know

MVs:

MV: Change MV: Run & Run MV: Hola Hola



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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