Última atualização: 07/03/2019

Capítulo 01

A mulher tentava conter um sorriso, comprimindo um lábio contra o outro. Não gostava do clima da grande São Paulo, e não tinha vergonha de admitir. Mas amava a diversidade que era explorada naquele espaço urbano. Enfiada no cubículo do metro, em plena quinta-feira à tarde, observava as mais diversas figuras que circulavam com pressa. Pessoas com caixa de som no volume alto, pessoas com fone de ouvido, pessoas utilizando seus celulares, pessoas dormindo, pessoas dos mais variados estilos.
Ela sabia da má fama que seu “r” retroflexo – ou o famoso “r” caipira – tinha junto de uma imagem pré concebida de quem o utilizasse. Por isso não ia dar o gostinho de encarar tudo encantada. Até porque o tudo não era tão encantador assim. O metro era um bom lugar para apresentar a miséria da cidade, e aquilo era uma das coisas que mais a abalava na cidade. Mas, se encantar pelas pessoas, para ela isso era muito fácil. Principalmente quando prestava atenção nas conversas e captava um sotaque. Ai era questão de dois sorrisos sinceros para se apaixonar.
A voz mecânica soou indicando a próxima estação e ela confirmou no pequeno mapa com pontinhos de luz só pra ter certeza de que não desceria no lugar errado. No momento certo, foi empurrada por uma enchente de pessoas com pressa e bufou baixinho. Era outra coisa que odiava. Estava acostumada com pessoas que davam opiniões – sem seres pedidas – no mercado, sobre algum produtor que estivesse em suas mãos, que sorriam e diziam bom dia por dizer, que pediam desculpas por trombar em você. Ali era diferente, tinha uma indiferença muito grande que a incomodava. Era nesses momentos que tinha certeza que iria morar para o resto da vida no interior.
Bom, pelo menos ela tentava se enganar. A constância com que estava ali em São Paulo nos últimos meses provava a ela o contrário. Era uma questão de tempo para se mudar para uma vida metropolitana como aquela, se tudo desse certo. Porém, em outro país. Não que ela tivesse algum tipo de “complexo de vira-lata” e odiasse seu país. Muito pelo contrário. Gostava da cultura, era apaixonada pela língua... Podia fazer um pouco menos de calor? Podia. Podia ser um país menos violento e que valorizasse mais a educação? Podia. Mas ainda assim era sua casa. E mesmo com defeitos, nossa casa sempre é nossa casa.
Sendo sincera, as oportunidades para professores estavam incrivelmente difíceis. Não entrando nos méritos políticos e econômicos do pais, a cultura dificultava um pouco o seu cotidiano de trabalho. Era cada vez mais crescente o número de desinteresse e a reprovação de sua figura como docente. Por que, então, desperdiçar uma oportunidade de ensinar um pouco sobre a sua cultura no exterior? Pra ela, era uma oportunidade de ouro (mesmo que alguém a chamasse de hipócrita. Tudo bem, ela sobreviveria).
Finalmente saiu da estação, dando de cara com a Avenida Paulista. Respirou fundo, tentando se livrar dos pensamentos sobre a entrevista que teria que fazer em duas semanas para conquistar a vaga do tal emprego em Los Angeles. poderia ser definida como uma pessoa extremamente ansiosa, tudo tinha que estar pronto para ontem. E, naquele caso, não era algo que ela poderia adiantar. Teria que esperar o momento certo. Por isso, evitar os pensamentos faziam o tempo passar mais rápido, seu coração bater no ritmo certo, e seu estomago não esfriar e deixar aquela sensação esquisita como se caísse de dez mil metros.
Quando saiu do apartamento de sua amiga, Ana, que a hospedava na cidade, tinha em mente passar o dia por aquela avenida, gastando quase todo o seu tempo no SESC para, depois, arrumar um lugar para jantar, já que a melhor amiga ia para a casa da família do namorado e ela ficaria sozinha o resto do final de semana (ou até ir embora no sábado de manhã, para ser mais precisa). Caminhando calmamente em direção a seu destino, se permitiu pensar no amanhã: o festival de música em que finalmente iria assistir ao show de uma da suas bandas favoritas: Kings of Leon, headline da sexta-feira. Quem sabe a vida não era boa o suficiente para fazê-la trombar com os membros da banda? Ela nem precisava ganhar um beijinho dos meninos (apesar de querer muito!), só uma foto e um autógrafo na sua camisa (estrategicamente colocada na bolsa) já a faria desmaiar de felicidade.
Minutos depois de uma caminhada relativamente calma, ela adentrou o espaço do prédio cultural. Seguindo o conselho de Ana, apertou o botão do elevador que a levaria até o quinto andar onde se encontrava a exposição “Visões do Tempo“ de Bill Viola. Antes que a ansiedade tomasse conta de , as portas do elevador se abriram e ela calmamente andou em direção a amostra.
Era composta de um corredor largo que dava para três grandes salas. Todo o espaço era escuro, e as únicas luzes provenientes eram as que vinham das salas. parou em frente a placa que contava um pouco sobre a instalação, para ter uma visão geral do que estava exposto antes de percorrer pelo espaço.
Acabou se decidindo iniciar sua observação pela última sala do lado esquerdo. Era difícil ver alguém, mas as silhuetas escuras podiam ser distinguidas e em sua maioria se encontravam sentadas ocupando dois bancos. Ela pediu licença, passando em frente as pessoas e se sentando no chão, em um lugar que havia entre o banco e outra pessoa. Dobrou as pernas, em posição “borboletinha” do balé feito a muitos anos, e colocou sua bolsa e blusa na frente do corpo, finalmente voltando sua atenção completamente para o que acontecia diante de seus olhos.
A primeira coisa que notou, antes mesmo das imagens, foi o silêncio absoluto que reinava naquela sala em particular. Era quase possível ouvir a respiração das pessoas a sua volta. A segunda coisa foi a imagem que era reproduzida ao fundo da sala. Um casal computadorizado, uma mulher e um homem nus, de idades avançadas, se movimentavam em círculos, passando em frente ao seus corpos um espelho, em uma análise minuciosa e um pouco incomoda, depois de um tempo. A terceira coisa que notou, com um suspiro surpreso, foram dois corpos humanos em frente a tela. Um homem e uma mulher, nus, em carne e osso que faziam os mesmos movimentos giratórios em seu próprio eixo com uma pequena luz negra em mãos. A cada vez que a passavam pelo corpo, o iluminando, palavras pulavam aos olhos.
Em um primeiro momento, a mulher ficou realmente surpresa por não tê-los vistos. Depois tentou justificar que era pela pouca luminosidade. Mas a partir do momento que os percebeu ali, foi impossível olhar para outra coisa.
Uma pessoa se aproximou, com fones de ouvidos e carregando um gravador em mãos. Provavelmente fazia parte do experimento. Com uma caneta na outra mão, caminhou até a mulher e a rodeou por alguns instantes, antes de começar a escrever algo em seu corpo. Quando terminou, caminhou em direção ao banco e entregou para uma próxima pessoa o que carregava em mãos. Parecia ser a dinâmica da sala, ouvir aquilo, participar e depois passar a fita adiante.
- Hm... – Ela saiu do transe que se encontrava com o olhar fixo no que ocorria na sua frente para a pessoa a seu lado que começou a se remexer e parecia falar com alguém a sua direita. – O que será que está escrito? – Automaticamente sua atenção se voltou inteiramente para aquela figura que ela não conseguia ver o rosto. A pergunta havia sido feita em inglês. E sua curiosidade não a deixou quieta.
- Com licença... – cutucou levemente o que acreditava ser o ombro da pessoa a seu lado, tentando estabelecer uma comunicação em sua possível língua materna. Seu instinto de professora era maior e não conseguia ficar quieta quando alguém externava uma dúvida. Enxerida, para dizer o mínimo. – Desculpa me intrometer na conversa, mas tem várias palavras escritas, como você pode ver... – Ela revirou os olhos para si mesma. Isso era meio óbvio, certo? Mas, por outro lado, sentiu a atenção das duas figuras totalmente em si e nos seus sussurros. – Por exemplo, ali no braço da mulher, está escrito liberdade. – Apontou e observou a silhueta primeiro encarar o local que ela apontava e depois se aproximar mais dela e perguntar, curioso:
- O que mais? Pode traduzir pra mim, por favor? – A mulher abriu um sorriso grande e assentiu, passando a descrever todas as palavras em seus devidos lugares, sob o interesse constante dos estrangeiros. Quando, por fim, acabou o trabalho com as palavras, viu ambos assentirem, como se finalmente conseguissem compreender o que acontecia, fazendo-a sorrir.
- Vocês não ouviram? – Indicou outra pessoa que caminhava na direção dos corpos, com os fones de ouvidos e a caneta em mãos. Observou os dois balançarem cabeça negativamente de modo categórico.
- Deve estar em português, então não íamos entender nada mesmo. – A primeira figura pontuou, fazendo concordar.
- Vou visitar as outras salas... – A mulher comentou, ainda tentando sussurrar o mais baixo possível e não atrapalhar ninguém. – Vocês já foram? – Perguntou, ainda curiosa a respeito daqueles dois gringos perdidos.
- Só em uma, e vimos os vídeos dos corredores... – Observou a mão da primeira silhueta se erguer e apontar para a saída e assentiu, concordando. – Você... – Ele se voltou para a pessoa ao seu lado e depois retornou a atenção para . – Você se importaria se te acompanhássemos?
- Claro que não, vou adorar a companhia. – A mulher abriu um sorriso grande e estendeu sua mão para o desconhecido: - Meu nome é , mas vocês podem me chamar de .
- Harry. – Sentiu o aperto forte de uma mão maior que a sua, composta por dedos longos e provavelmente vários anéis, pelo material gelado que pode sentir contra sua pele. – Essa é a . – Ele apontou para a figura atrás de si e ela teve que se inclinar um pouco sobre seu corpo para conseguir apertar a mão delicada da outra mulher.
Com um gesto, indicou a saída e rapidamente eles se levantaram, tentando liberar a visão e a entrada para outras pessoas curiosas. Adentraram as outras salas que, ao contrário da primeira, apresentavam vídeos com maiores interações e os mais diversos sons, o que permitiu um maior contato entre o trio. Por vários minutos, se dedicaram a longas conversas a respeito de arte e comentando sobre as suas impressões do que foi visto. Para qualquer outro espectador, aquele era um grupo de velhos amigos, não recém conhecidos.
- Vem... – Harry pegou sutilmente a mão de , puxando-a em direção a última sala. –Nós vimos essa sala antes e foi... Interessante. Não é ? – Ele se voltou para a amiga que tinha ficado completamente atrás, em busca de ajuda.
- É.. Vai ser interessante uma outra opinião! – A mulher comentou, com um riso na voz, o que deixou um pouco confusa. Mas antes que ela pudesse questionar, já estavam dentro da sala, procurando um lugar para sentarem.
No fundo da sala, um vídeo era projetado, assim como na primeira. Por outro lado, o barulho dessa era quase ensurdecedor. Um homem estava parado, com a cabeça abaixada e as mãos cruzadas na frente do corpo enquanto uma torrente de água despencava sobre sua cabeça. Porém, o vídeo estava de trás para a frente. E a única diferença no decorrer dos minutos era a coloração da água que mudava e trazia sensações diferentes a quem assistia. A cada mudança, o grupo se dedicava a alguns minutos para comentar suas impressões.
- O vermelho pode representar o sangue... – Harry comentou, fazendo assentir. – Mas é estranho, não?
- Muito... – A mulher começou, mas não sabia como se expressar. – É uma sensação... – Nenhuma palavra em inglês parecia ser suficiente para explicar o que ela sentia. E, com surpresa, percebeu que nem em sua língua materna.
- Forte. – O sussurro de foi ouvido a esquerda, fazendo os outros dois balançarem a cabeça afirmativamente, ainda encarando a tela.
- A cor preta é a pior... – Harry comentou quando o homem passou a ser coberto por essa cor.
- Angustia. Definitivamente angustia. – A brasileira comentou, trazendo seus joelhos para perto do corpo e os abraçando. – Eu não sei se posso afirmar isso, mas pensei em depressão... É tão sufocante e assustador a forma como a água está oprimindo ele...
- Sim... Eu tinha pensado em todas as impurezas que o homem tem, sabe? – O homem comentou, todos com os olhos presos na imagem. – Tudo o que ele faz para a Terra, tudo o que ele faz uns com os outros... Mas agora que você comentou, parecem pensamentos tóxicos inundando alguém...
- Concordo com os dois, acho... – deu de ombros, fazendo os outros sorrirem.
E quando a água se tornou branca e depois transparente, o lugar pareceu se encher com a mais pura sensação de paz. Naquele momento, nenhuma pessoa na sala disse nada até a figura central do vídeo estar devidamente seca. Ele levantou a cabeça e encarou a câmera por longos segundos. Para , a sensação era, novamente, incomoda. Até o momento em que ele retornava a abaixar a cabeça e a água começava a cair, dando início ao ciclo novamente.
Ainda em completo silêncio, os três se levantaram e caminharam em direção a saída da exposição. Já diante dos elevadores, completamente iluminados pela luz do Sol e das luzes ali dispostas, a mulher precisou piscar algumas vezes até se acostumar com a claridade.
- Hm, acho que vou para o café. Vocês querem me acompanhar? - , após acionar o elevador, finalmente se voltou para suas companhias e travou.
Durante todo o tempo em que estavam no escuro, ela se perguntou como seriam seus companheiros de visita. Montou diversos cenários em que o casal fosse extremamente bonito e a chamassem para um beijo triplo – afinal, ainda estava muito focada em ter um pouquinho de sorte (e de um enredo de fanfic) na sua vida durante os próximos dias. Porém nunca, nunca, ela associaria aquela voz grossa ou o sotaque britânico, que passou metade da tarde discutindo arte com ela, com Harry Styles.
A porra do menino da One Direction.
O que diabos estava acontecendo?
Seus lábios se moviam, mas ela simplesmente não sabia o que dizer. O que se fazia em situações como essas? Harry a encarava com uma sobrancelha levantada e as mãos no bolso. Seus cabelos estavam escondidos por um boné preto, mas olhando assim de perto, era claro que era ele ali em uma calça jeans de lavagem clara e camiseta, com pelo menos três botões foras de suas casas, azul escura decorada com desenhos amarelos aos quais não deu muita atenção. Ao seu lado, , uma garota ruiva e extremamente pequena, a encarava com uma expressão que misturava preocupação com impaciência, os braços cruzados embaixo dos seios em uma pose rígida.
Antes que ela pudesse processar qualquer coisa, ouviu o barulho do elevador atrás de si e a empurrou para dentro dele. Assim que a porta se fechou, eles pararam de costas para a mesma e se voltaram para a mulher que agora se recuperava do choque, mexendo em seus cabelos cacheados.
- Então, quando você disse que seu nome era Harry... – tentou começar, ainda com a mãos enfiada nos cabelos e o encarando de forma confusa.
- É Harry. – Ele disse simplesmente, dando de ombros. Isso fez a mulher o encarar de maneira... Puta.
- O que vocês estão fazendo aqui? – Exclamou, finalmente externando um pouco da confusão que se passava em sua cabeça. Ele era a porra de um cantor internacional, o que estava fazendo ali no meio da tarde de uma quinta feira sem intérprete? Por Deus! Antes que pudesse jogar outra pergunta, ou começar a se bater de maneira histérica, suspirou alto.
- Ainda bem que não é uma fã! – Ela exclamou, fazendo Harry encará-la incomodado.
- Você ainda não sabe... – Ele resmungou, fazendo a ruiva rir e revirar os olhos. ainda observava os dois perdida, em busca de qualquer explicação.
- Alguém pode, por favor, me falar o que tá acontecendo? – Perguntou, impaciente, sentindo seu pé começar a bater no chão de forma impaciente e sua mão direita subir novamente para jogar pra trás uma mecha do cabelo.
- Claro, , só... – A ruiva começou, mas foi interrompida pelo som da porta do elevador se abrindo. Eles passaram por ela, segurando a porta para evitar que ela se fechasse antes que a última passasse. – Vamos tomar um café e conversar.

Optaram por uma mesa do lado de fora do café, diante da vista estonteante da cidade de São Paulo proporcionada do décimo sétimo andar do prédio. Também, por necessidades óbvias, os três se sentaram em um dos lugares mais distante do acesso para o piso e para a escada que levava ao mirante.
Todo o ambiente fez esquecer, por alguns instantes, a situação cômica na qual se encontrava. O céu extremamente azul daquele dia, sem nenhuma nuvem, contrastando com os prédios altos era uma das era uma imagem que a mulher nunca se cansava. Não importava quantas vezes já tinha ido até ali, tirado mil fotos e passado o dia em uma das mesas, ela sempre perdia o ar.
- Hm... Você pode... – Harry chamou a atenção da mulher a sua frente, com um sorriso de canto no rosto. Ela piscou algumas vezes, percebendo que os dois estavam segurando o cardápio.
- Ah, desculpa... Eu amo a vista, é um dos meus lugares favoritos aqui em São Paulo. – deu de ombros, pegando o cardápio e passando os olhos rapidamente. Os outros dois olharam ao redor, concordando. – Hm, já sei. Vou pegar brigadeiro pra todo mundo, porque o daqui é muito bom!
- Brigadeiro? perguntou, abrindo um sorriso incrivelmente animado e se inclinando na mesa. – Sério?
- Você nunca comeu? – sorriu, diante da felicidade da ruiva que acenou negativamente de modo categórico. – Bom, pra acompanhar vou pedir uma água com gás. Vocês querem alguma outra bebida?
Após informar o que havia disponível e anotar mentalmente o que cada um queria (café e água), caminhou até o caixa. Antes que pudesse informar os pedidos, foi interceptada pela voz grossa do cantor alegando que ela não tinha que pagar tudo sozinha. Ignorando a figura alta atrás de si, e se aproveitando que ele não iria conseguir se comunicar com a atendente, de qualquer maneira, fez o pedido e pagou. Retornou para a mesa com um Harry emburrado e os lábios formando um leve bico.
- Ela não me deixou pagar. – Ele resmungou na direção da sua companheira que riu.
- Era claro que ela não ia. Só você não percebeu que a é das minhas! – A mulher se levantou para um high five, fazendo a outra bater a mão na sua, acompanhando-a no comprimento e ambas caírem em um riso leve.
- Agora vocês podem, por favor, me explicar? – Pediu a brasileira, incomodada com a forma que nenhum dos dois pareciam preocupados em justificar o que estavam fazendo ali. Não que eles precisassem, se a garota parasse para pensar. Mas a curiosidade dela era muito maior do que qualquer polidez que poderia ou deveria ter.
- Bom.. – começou, lançando um olhar ao homem ao se lado que tirava o boné e passava as mãos pelos cabelos, tentando ajeitá-los.
- Eu imagino o calor que você não está sentindo... – comentou, antes que pudesse se policiar. Ela mesma já havia se arrependido de não ter prendido os cabelos antes de sair de casa e sentia os fios que cobriam a região da nuca grudados a sua pele devido ao suor. Em tese, o clima deveria estar mais ameno em pleno inferno, mas a onda de mormaço ao redor provava que não importava a estação do ano, o calor sempre prevalecia.
- Você não faz ideia. – Ele exclamou exagerado, fazendo as duas rirem levemente. – Como vocês aguentam esse calor? – A brasileira deu de ombros e se voltou para a ruiva, esperando-a continuar, sussurrando um pequeno pedido de desculpas.
- Tudo bem... Eu sou apaixonada pelo Brasil, de verdade. – Ela começou, colocando uma mão no coração enquanto falava, fazendo a outra abrir um sorriso grande. – Eu amo a cultura, a comida... E eu nunca tive a oportunidade de vir até aqui. Então aceitamos fazer o show no festival. – Ela comentou e a garota finalmente se lembrou do show. Era por isso que ele estava ali! Se perguntou como fora lesada ao ponto de se esquecer o restante da programação.
- Que dia você toca? – Perguntou, antes que se pudesse conter. Mas, em sua defesa, um garçom estava colocando os pedido sobre a mesa, fazendo a conversa ser interrompida, de qualquer forma.
- No sábado. – Ele acenou em agradecimento ao homem que o serviu e se voltou pra mim. – Então você não vai assistir meu show...
- Hm, não... – A mulher fez uma careta, como que se desculpando e observou o homem fazer uma careta, fingindo tristeza. Ela riu, abrindo a garrafinha de água com gás.
- Eu falei que não era sua fã! – comemorou, apontando a colher que tinha em mãos na direção do homem e rindo.
- Não é que eu não goste da sua música ou algo do tipo. Seu álbum novo é muito bom e tenho certeza que você já ouviu isso de muitas pessoas... – Comentou, dando de ombros e enfiando uma colher com o brigadeiro na boca, aproveitando como o doce se espalhava pelo seu paladar. – Mas eu só iria conseguir assistir apenas um dia, e optei por sexta.
- Você gosta... – Harry começou a pergunta, porém foi interrompido pelo gemido incrivelmente alto da mulher a seu alto. Os outros dois se voltaram para ela, tentando compreender o que estava acontecendo, mas a ruiva se virou totalmente para a brasileira.
- Eu amo seu país! – Quase gritou, extremamente animada. – Isso é bom demais! A gente pode levar uns 3kg embora? – Ela se voltou para o homem, o fazendo gargalhar. observou, com um sorriso nos lábios, a forma como ele ria, as covinhas aparecendo na bochecha, os dentes brancos e enfileirados, com os dois da frente apontando mais que os outros, e a forma como os olhos ficavam pequenos. Harry Styles era realmente tudo o que falavam dele. – , você tem a receita?
- Não... – As duas mulheres fizeram um leve bico, fazendo Harry rir mais. – O brigadeiro tradicional é um pouco diferente, o deles é quase único. Mas eu posso te ensinar a fazer o tradicional e te mostrar quais produtos você pode levar e estocar pra sempre fazer. – Ela deu de ombros e se voltou para o doce, perdendo a reação totalmente empolgada da outra.
- Você está brincando comigo! – Ela exclamou, fazendo a morena apenas balançar a cabeça negativamente, ainda com a colher na boca. – Eu posso te colocar em um potinho e levar embora comigo?
- Eu iria amar. – disse, rindo. – Mas, desculpa, eu te interrompi de novo...
- Oh! – Ela deu um leve tapa na testa, e continuou sua fala, entre uma colherada e outra. – Como eu estava dizendo, eu dei um jeito na nossa agenda para que tivéssemos um dia de folga aqui no Brasil, pra que eu pudesse dar uma volta e conhecer um pouquinho de São Paulo. Mas com as entrevistas que o Harry precisa fazer, não sobrou nada. – Ela novamente fez um bico, fazendo o homem a seu lado revirar os olhos. – Então, nós chegamos de madrugada para evitar tumulto. Ainda assim encontramos alguns fãs, mas enfim... Descansamos, almoçamos e eu decidi fugir rapidinho agora a tarde para visitar alguns lugares. E o insuportável do Harry decidiu vir junto e acabar com meus plano com essa cara famosa dele!
- Ei! – Ele exclamou indignado, franzindo a sobrancelha, fazendo rir.
- Vocês são namorados? – Ela perguntou, verdadeiramente curiosa. Os dois tinham uma sintonia incrível, era gostoso de ver. Porém, ao contrário do que esperava, os dois estrangeiros começaram a gargalhar com vontade por longos minutos. Ela apenas os encarou meio confusa, meio impaciente, esperando que o ataque passasse.
- Por Deus, não! – exclamou. – Eu sou a assistente pessoal desse babaca! – A brasileira fez apenas um pequeno “ah”, finalmente compreendendo porque eles pareciam ser movidos pela mesma energia. Mas, desde o começo, pode perceber pelo sotaque que eles não eram da mesma região. tinha um sotaque americano, enquanto Harry estava a testando com o sotaque britânico.
- Então... – Harry chamou a atenção, fazendo as outras duas o encararem. – Por que escolheu sexta-feira? – A garota franziu a testa em confusão, perdendo a linha de raciocínio que o homem estava. – O festival...
- Ah, claro! É que eu não moro aqui. Estou aqui desde o começo da semana pra resolver uns problemas, mas eu preciso voltar logo pra minha cidade... Então era melhor aproveitar a sexta feira. Mas, principalmente, por causa do Kings of Leon... – A garota suspirou levemente, mordendo o lábio inferior para conter o sorriso que queria dar. – Sou apaixonada por eles desde adolescente.
- O que não faz muito tempo, né? – comentou, fazendo-a rir ao insinuar que ela ainda era muito jovem.
- Ah, faz um pouco sim... – Ela deu de ombros e sentiu o olhar de Harry sobre si. Levantou os olhos para ele, encarando-o no fundo de suas íris, como ele fazia com ela. Ele tinha se inclinado um pouco na mesa e ela podia ver cada um dos tons claros com precisão. Ele abriu novamente aquele sorriso de lado que o deixava muito bonito e ela abriu um sorriso grande, revirando levemente os olhos. Agora conseguia compreender o poder daquela carinha... – Posso te fazer uma pergunta?
- A vontade... – Ele respondeu, maneando uma das mãos para que ela continuasse e ela precisou novamente morder o lábio inferior para não começar a rir. Se inclinou na mesa, para ficar ainda mais perto dele e sussurrou:
- Você tem mesmo quatro mamilos? – A ruiva explodiu em uma risada alta, gargalhando com vontade e batendo os pés no chão. Ela também riu, divertida com a reação da ruiva e com a cara fingida de choque que o homem lançou em sua direção. Mas até ele estava rindo em seguida, levemente envergonhado e balançando o dedo indicador em sua direção, como uma reprovação.
- Eu vou tomar muito cuidado com você. – apenas piscou na direção dele, voltando-se para seu doce.
- O que você faz da vida, ? – A ruiva perguntou, interessada.
- Sou professora de português e inglês. – Deu de ombros, mas assustou-se no segundo seguinte com a reação dos dois. Harry e se inclinaram em sua direção, com os rostos em uma mistura de choque com uma excessiva animação. – O que foi?
- Você precisa dar aulas pra gente! – exclamou animada novamente, assim como quando provou o doce. A brasileira riu, mas ao sentir os olhos ainda sobre si, fez uma careta, questionando a sanidade dos dois.
- É sério! Quanto você cobra por aula? – Harry, dessa vez, disse firme.
- Espera... – Ela levantou as mãos, como se estivesse os afastando um pouco de si para pensar. – Isso é sério? Vocês me conhecerem a algumas horas e querem ter aula de português comigo? Não faz o menor sentido!
- Você foi delicada, atenciosa e muito simpática com a gente... – enumerou nos dedos e se voltou para Harry, buscando apoio. O garoto assentiu, concordando.
- E você tem um sorriso lindo! – Ele acrescentou, piscando na direção da garota com um sorriso cheio de segundas intenções nos lábios. Ela riu e revirou os olhos.
- Ah, Styles, cala a porra da boca! Eu quero essas aulas! – ralhou com ele, que a encarou fingindo estar assustado com a reação da ruiva. – É sério, . Nós pagamos o valor que você quiser e você combina comigo os melhores horários de acordo com a minha agenda e do Harry. Você escolhe se prefere dar aula pra nós dois juntos ou se prefere que seja separado... Só fala sim, por favor!
- Isso é um absurdo! – exclamou, se jogando contra o encosto da cadeira e cruzando os braços. Mordeu o lábio inferior, encarando a carinha de “gato de botas” dos dois, implorando com os olhos e se voltou para a vista da cidade para pensar. Céus, ela nem sabia quanto se cobrava de aula para celebridades! – Eu... Não sei, de verdade... Vocês nem tiveram uma aula experimental e já estão querendo...
- ISSO! – gritou, fazendo a outra se sobressaltar na cadeira. – Você nos dá uma aula experimental amanhã e nós decidimos!
- , você não sabe se ela tem algo preparado, também não é assim. – Harry interviu e a morena quase o beijou naquele momento. Pensou mais um pouco, encarando os prédios a sua frente e suspirou.
- Ok... – Ela descruzou os braços e se aproximou mais da mesa. – Eu tenho alguns materiais e aulas prontas no meu notebook, nós podemos tentar... – deu um grito animado, fazendo a outra rir. – Tentar, , tentar. – Frisou.
- Obrigada, . – Harry disse, sério, enquanto a brasileira tomava um gole de sua bebida. – De verdade... – Ele pegou a mão que ela deixou despreocupadamente sobre a mesa. Ela sentia o calor no contato entre suas peles contrastando com o frio do metal dos anéis dele. Era uma sensação incrivelmente gostosa, na opinião da mulher. – Você ajudou muito a gente hoje e nem precisava... Agora está se dispondo a nos dar uma aula assim, em cima da hora... – riu, tentando disfarçar a vergonha que a assolou.
- Tudo bem... Não foi nada ajudar vocês. – A garota deu de ombros.
- Mas não precisava. – sorriu. – Eu nem te conheço e já te adoro! – e Harry gargalharam com a afirmação da outra, o homem finalmente soltando a mão dela, fazendo-a respirar levemente aliviada.
- Mas venham, a melhor parte está ali em cima... – A brasileira se levantou, pegando sua bolsa e blusa. Olhou para a mesa e deu um riso. – Bom, não sei se é melhor que o brigadeiro, mas...
- Não existe coisa melhor que isso, , é impossível! – disse, enganchando seu braço no da outra mulher, fazendo-a gargalhar.
- Você conhece muito pouco do mundo, . – Harry disse, com o sorriso malicioso no rosto, fazendo com que as duas mulheres a sua frente revirassem os olhos.
Os três caminharam em meio a risos e conversas para o mirante, deixando os três sem fala ao observar o pôr do sol daquele lugar tão especial. fez questão de pegar o celular do bolso e tirar muitas fotos, simplesmente maravilhada. Obrigou os outros dois a acompanharem-na em suas selfies e fotos panorâmicas. Até pediram para alguém que também aproveitava a vista para tirar uma foto dos três, como uma recordação da tarde tão prazerosa que haviam compartilhado juntos.
- Paul ligando pela quinta vez, não dá mais pra ignorar, Harry. – comentou, se afastando para atender o telefone.
- Ei, por que você não vem jantar com a gente? – Harry perguntou, parando ao lado da garota que ainda tirava algumas fotos da paisagem.
- Não vai incomodar? – perguntou, mordendo o lábio inferior. – Vocês provavelmente tem mil coisas para fazer...
- Nós precisamos jantar, certo? – Ele questionou, sorrindo brincalhão e ela revirou os olhos, sorrindo. – Prometo que vai ser legal...
- Com a companhia de um garoto de boy band? Não tenho certeza. – Fingiu uma careta, observando a postura indignada do garoto e gargalhando em seguida.
- Ah, mas eu sou mais que um garoto de boy band... – Ele se apoiou no parapeito, muito próximo da mulher, com aquele sorriso malicioso nos lábios. Ela espelhou o sorriso dele.
- Acho que vou ter que pagar pra ver nesse jantar, certo? – Piscou na direção dele que riu levemente.
- Ai, ... – Ele se afastou, ficando de pé com as mãos nos bolsos na calça jeans. – Você com certeza não vai conseguir se livrar de nós tão cedo... – A brasileira o encarou curiosa, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, um grupo de garotas se aproximou, pedindo atenção do cantor pop.
retornou rápido, informando que alguém havia divulgado a localização de Harry Styles e que eles precisavam sair do prédio antes que uma multidão fechasse a entrada. A brasileira achou um pouco de exagero da parte da assistente, mas ao se deparar com uma quantidade considerável de garotas os impedindo de chegar até o carro que o segurança havia estacionado próximo dali, finalmente percebeu a magnitude do que estava acontecendo com ela.

¹ O festival não recebe um nome no decorrer da fanfic porque foi inventado e se passa nos dias 21 e 22 de julho de 2017, uma semana antes da estreia de Dunkirk. Dessa forma, Harry estaria fazendo o show em São Paulo para divulgar o álbum e o filme. Também é necessário deixar claro que no decorrer da história, o padrasto de Harry, Robin Twist, faleceu antes do lançamento do álbum.
² A exposição em questão esteve no SESC da Avenida Paulista no ano de 2018, porém como foi uma atividade que a autora pode participar e, a propósito, gostou muito, ela foi inserida na fanfic. Para mais informações só clicar aqui.


Capítulo 02

- Isso, leite condensado... repetiu, sentindo os olhos verdes da ruiva presos em seu rosto com avidez. Com calma, ela repetiu as sílabas da palavra, fazendo a brasileira abrir um sorriso gigantesco. – Sim! Você já tá pegando o jeito...
- Viu, Harry? – jogou seu corpo pequeno, em êxtase, sobre Harry que estava concentrado em seu celular, apesar do sorriso de lado que deixava nos lábios. – Harry, da atenção pra miiim...
- Porra, Yuri não dá atenção... sussurrou se voltando para a paisagem que passava meio lentamente por eles, presos em um engarrafamento no tráfico. Se voltou para os outros dois espremidos ao seu lado quando sentiu alguém cutucar seu ombro. Ambos a encaravam extremamente curiosos, como se ela fosse uma espécie a ser estudada. – O que?
- O que significa? – A ruiva perguntou extremamente animada.
- , eu já te amo, mas você precisa parar de me tratar que nem um filhote para adoção. – A mulher comentou, mordendo o lábio inferior para conter o sorriso que queria dar. O homem, do outro lado, começou a gargalhar alto, jogando a cabeça para trás e batendo as mãos. A ruiva abriu os lábios algumas vezes, tentando formular algo, mas acabou fazendo um bico, cruzando os braços.
- Tudo bem.
- Obrigado. Eu não estava aguentando mais! – Harry ergueu as mãos para o alto, ainda com um sorriso no rosto, fazendo a outra revirar os olhos.
- Ok, vou ser uma babaca que nem você que não fica feliz com nada. – A ruiva murmurou e o homem tentou passar um dos braços por seus ombros, causando um pequeno transtorno. teve que se espremer mais contra a porta, e precisou se encolher ainda mais contra os outros dois. – Porra, Styles, fica quieto... – Reclamou, mas ele já a apertava contra seu peito.
- Lembra mais cedo, quando você disse... – Ele coçou a garganta, preparando-se. – “Cala a boca, Harry, eu quero essas aulas” – Ele disse com uma voz extremamente fina, aproximando-se do tom da outra. Nesse momento, já ria muito e estava com um bico ainda maior nos lábios. – Então... Se controla, gatinha, eu quero essas aulas.
- Você quer a professora, isso sim. – o empurrou, causando um novo transtorno para que o homem parasse de envolve-la com seu braço. apenas revirou os olhos, voltando seu olhar pra os carros que tentavam chegar a algum lugar, assim como eles.
- Eu gosto da sua energia. – A mulher resolveu comentar, dando de ombros, para não deixar nenhum clima estranho entre ela e a ruiva. – Mas é estranho essa cara que você faz pra mim, como se eu fosse exótica demais... – Ela apoiou a cabeça no encosto, voltando-se para a garota que estava ficando vermelha. Sorriu, sem que pudesse evitar. – E o que eu disse é... Quase um meme... Um cantor colocou isso numa música e sempre que alguém não está prestando atenção, nós meio que repetimos... – Deu novamente de ombros, fazendo os dois a encararem curiosos.
- Se incomoda de repetir? – Harry foi o primeiro a perguntar e ela riu, repetindo a frase algumas vezes até que os dois pudessem entender e tentassem pronunciar eles mesmos.
- Ah, eu vou usar muito isso com você... – exclamou, novamente animada, fazendo rir. Entendeu que não importava o que falasse, quando o assunto fosse seu país, a ruiva sempre se tornaria a pessoa mais agitada do recinto. Sentiu alguém puxar um dos cachos de seu cabelo por trás e exclamou alto pela dor, voltando-se para encontrar os dedos longos de Harry. O encarou indignada.
- Para de ensinar coisas que ela pode usar contra mim. – A mulher apenas lhe deu a língua e voltou-se para a ruiva, engatando em uma conversa com ela sobre como Harry conseguia, com uma incrível constância, ser uma pessoa insuportável. O homem apenas revirou os olhos e voltou sua atenção para o celular.

Um grande tempo depois, os três ainda se encontravam no carro dividindo a atenção entre o trânsito, conversas e apreciação das músicas que tocavam no rádio. Algumas vezes, permaneceram em silêncio, mas ao contrário do que esperava, não era desconfortável. Eram momentos que ela utilizava para organizar seus pensamentos, refletindo sobre tudo o que acontecia, e, pelos rostos concentrados a seu lado, seus dois companheiros faziam a mesma coisa.
O engarrafamento parecia ter finalmente dado uma trégua em seu caminho, já que o carro se movimentava em uma maior velocidade e a paisagem se tornava cada vez mais um borrão. Alguns momentos mais tarde, Paul, o segurança pessoal de Harry e um homem extremamente grande e intimidador, disse que estavam sendo seguidos por alguns paparazzi. A brasileira até se voltou para trás, encarando o vidro em busca de algum tipo de emoção cinematográfica, mas encontrou apenas carros comuns demais. Deu de ombros. Se aquele brutamontes estava falando que estavam sendo seguidos, ela iria acreditar. Não tinha nada de muito emocionante no cotidiano dela para que ela pudesse contribuir muito para a opinião dele (além de um ou dois filmes de ação que assistiu).
Os dois estrangeiros entraram em uma discussão com o segurança sobre a possibilidade de jantar e ela preferiu checar suas mensagens. Fazia muito tempo que não pegava no telefone, e quase se sentiu muito culpada ao encontrar dezessete mensagens da mãe desesperada. Quase. Sua mãe, para sua felicidade e infelicidade, era muito apegada ao seus filhos. Mesmo a mulher não morando mais com os pais há cinco anos, sua mãe sempre fazia questão de ligar todos os dias. Quando ela viaja, então, era ainda pior.
A matriarca pedia atualizações constantes da filha: quando acordava, quando almoçava, quando saia, quando voltava, quando dormia e quem a acompanhava. Mesmo a mulher alegando que podia sempre mentir pra mãe, a mais velha sabia que não conseguia fazer isso com os pais. Pelo simples fato de ser uma pessoa extremamente falante, ela se entregava com constância em seus longos monólogos. Tentava, então, argumentar que estava muito ocupada, vivendo, mas não adiantava. Tinha que lhe responder na hora e ponto.
Mandou algumas mensagens pelo aplicativo explicando que estava no SESC e não pode mandar mensagens por estar visitando algumas amostras de arte e que agora estava indo jantar em algum lugar. Se adiantou e avisou que não estava em companhia de Ana porque essa já estava na casa da família do namorado, mas decidiu omitir, por enquanto, quem estava lhe fazendo companhia no lugar da melhor amiga. Aproveitou, também, para responder a amiga em questão. A mulher estava curiosa sobre a opinião de a respeito da exposição e lhe informou que deixou a chave do apartamento na portaria do prédio. - Oi, miga. – Acionou a gravação do áudio e disse rápido e baixo, para não atrapalhar os demais que ainda conversavam. – Eu amei, sério. Foi surreal. E esquisito. Ainda bem que você sabe que eu amo essas coisas! – Riu levemente, porque era normal que a amiga comentasse sobre seu gosto questionável para tudo. – Na verdade, eu nem sei o que te dizer. Ainda to digerindo. E aproveitei pra comer o brigadeiro de lá, ai que saudades que eu tava. Tirei várias fotos pra esfregar na sua cara! – Comentou rindo, pois sabia que a amiga era tão apaixonada pelo SESC quanto ela. E lembrou-se do namorado da amiga. – Você já está com o Leo? Manda um beijo pro bocó e fala que não estou com saudades nenhuma dele, apesar de ele não me visitar mais! – Olhou levemente pro lado, ao notar o silêncio que imperava no carro. Mesmo que tentasse disfarçar, estava com o canto dos olhos vidrados nas ações de , fazendo-a rir. – Ai, preciso ir. Arrumei companhia pra jantar e você nunca vai adivinhar quem é. Te amo, usa camisinha!
A mulher deu um pequeno sorriso, como se estivesse pedindo desculpas, ao terminar o áudio e voltou a responder alguns grupos no aplicativo, principalmente os de seus alunos perguntando quando voltavam as aulas, pois alguns queriam mais férias e outros estavam com saudades. Aquela parcela aqueceu seu coração. O retorno das aulas, após as férias do meio de ano, estava marcado para segunda-feira e, mesmo que não tivesse muita coragem de admitir em voz alta, devido a quantidade de trabalho que enfrentaria no mais novo semestre, estava morrendo de saudades de seu cotidiano agitado e de (alguns) de seus alunos. Deu algumas curtas respostas, mas logo se voltou para os outros presentes no recinto ao ouvir seu nome em meio a uma discussão.
- O que foi? – Cochichou para , visto que Harry era quem tinha a mencionado na conversa, que ela não havia entendido muita coisa por estar dispersa, com o segurança e o motorista.
- O Paul acha melhor evitar lugares públicos porque você está junto, pode gerar algumas manchetes, sabe... – Ela comentou dando de ombros. – E nós estamos falando que isso não importa, passamos o dia com você, de qualquer forma... A não ser que você se importe de seu o novo affair de Harry Styles. – A ruiva engasgou com uma risada contida, mas a outra ficou momentaneamente séria.
É, desde que saíram do prédio ela estava pensando sobre onde estava se enfiando. Ok, a tarde havia sido muito divertida, e ela tinha certeza que se estivesse sozinha não teria aproveitado metade do seu dia como havia feito. Mas fotos em revista de fofoca e perseguição com paparazzi? Ela era apenas uma professora do interior. Nem poderia ser considerado uma fã do cantor pop que estava seguindo. Conhecia as músicas da banda do homem, mas na época, uma adolescente meio boba que só considerava rock como cultura, nunca tinha tido muito contato com o trabalho deles. E agora, o álbum da carreia solo havia chamado sua atenção e ela sempre ouvia algumas músicas, porém não era exatamente obcecada por ele. Sua amiga, Ana, era e foi por insistência dela que havia dado uma chance para o clipe de “Sign of the times”.
Agora corria o risco de ser o novo caso amoroso do cantor. O que era aquilo e o que ela pensava daquilo?
sempre se considerou uma garota de opinião. Sempre fez o que quis e quando quis sem se importar com o que os outros pensavam. Não era uma garota de passar vontades em prol da opinião pública. Iria começar a fazer isso agora? Precisou de alguns minutos encarando a paisagem para descobrir. Afinal, aquilo impactaria de algum modo seu cotidiano ao retornar para sua cidade, ou estava apenas querendo que sua vida tomasse um rumo diferente?
- ? – Harry a chamou, e ela percebeu que não havia confirmado ou negado a brincadeira da ruiva a seu lado.
- Estava pensando... Sobre tudo. – Deu um sorriso envergonhado e encarou os olhos verdes da sua possível amiga que a encarava em expectativa. – Ah, eu nunca liguei pra minha reputação mesmo... Não vou me estressar agora.
Ali estava. Não tinha muita certeza do que fazia, mas como sempre dizia ao estourar o limite do seu cartão comendo um rodizio de comida japonesa no seu restaurante favorito: a gente só vive uma vez, certo? Observou o sorriso animado dos dois e antes que pudessem retomar uma conversa entre eles ou com os outros dois homens que estavam dividindo o espaço com eles, soltou um grito estridente e incrivelmente alto. O motorista freou bruscamente, fazendo bater seu rosto com força contra o encosto do banco a sua frente. Resmungou, passando os dedos levemente pelo nariz, para ter certeza de que estava no lugar certo, sentindo uma dor forte. Encarou a garota, observando-a com as feições vermelhas e um sorriso culpado, apesar dos olhos completamente animados.
- Qual a porra do problema com você? – Harry exclamou, a lateral do rosto extremamente vermelha, provavelmente o lugar em que havia batido no banco da frente. precisou morder o lábio inferior para não rir, apesar da dor e da situação incomoda.
- Aconteceu alguma coisa? – Paul perguntou, focando seu olhar para fora do carro, já que por pouco não haviam sofrido um acidente: o veículo que seguia atrás quase não havia conseguido frear – sem contar as inúmeras buzinas que começaram a soar pela parada brusca.
- Não, eu quero ir ali! – Ela exclamou animada, se colocando entre os dois bancos da frente e apontando, entusiasmada, um bar meio country, meio sertanejo universitário a nossa frente. Todos os presentes reviraram os olhos e o motorista voltou a movimentar o carro, em busca de uma vaga.

olhou em volta. Pelo horário, o barzinho ainda estava com pouco movimento. Era um desses lugares temáticos, explorando muito o conceito de madeira, já que tudo no espaço parecia ter sido feito com ela, para dar um ar mais rústico (pelo menos era o que ela acreditava). Além disso, discos de sertanejo, violões e chapéus pelas paredes compunham a decoração. Era engraçado, em sua opinião, para dizer o mínimo. Estava procurando por uma mesa para se sentarem, enquanto Paul ainda estava muito empenhado em um discurso de “qualquer tumulto, vamos embora” para os dois estrangeiros. Quando finalmente foram liberados, escolheu a mesa mais estrategicamente afastada, que permitisse uma visão de todo o lugar, mas que ainda bloqueasse o “rosto famoso de Harry”.
Ele acabou sendo obrigado a sentar no canto, na parede, “em isolamento”, como ele fez questão de exclamar algumas vezes, emburrado. Rindo, se sentou à sua frente já que “por ser maior, iria esconde-lo melhor” segundo a opinião da ruiva. Observou que mesmo com o seu tamanho pequeno, a mulher sabia ser muito mandona. E ninguém a questionava. Muito menos Harry. Sorriu, pois realmente já adorava a mulher.
- O que vamos beber? – foi a primeira a questionar, abrindo o cardápio como se estivesse entendendo tudo o que estava lendo ao passar os olhos por ele, fazendo rir.
- Eu quero uma caipirinha... – Sob os olhares curiosos que já havia acostumado depois de um dia inteiro os recebendo, ela explicou um pouco sobre a bebida. Escolheram algumas porções, tomando o cuidado com opções vegetarianas, pois e não comiam carne. A brasileira pode fazer os pedidos para um garçom que encarava curioso o homem na mesa tirando o boné e passando as mãos pelos cabelos, como havia feito aquela tarde no café.
Para a surpresa de , ninguém pareceu notar a celebridade durante o decorrer da noite. Ela realmente não acreditava em como as horas haviam passado e em quantas caipirinhas os três haviam ingerido. Ela já estava animada além da conta, assim como despreocupada em um nível incrivelmente alto.
O lugar encontrava-se cheio e algum sertanejo antigo tocava alto fazendo várias pessoas dançarem pelos mais variados lugares do bar. Ou melhor, em todos os espaços livres que haviam entre as mesas. Observou como um garçom encontrava dificuldade para passar entre dois casais, com uma bandeja com quatro canecas de chopp e riu alto.
- ! – A ruiva gritou animada, chamando a atenção da brasileira. – Você sabe dançar aquilo? – Ela apontava animadamente as várias pessoas arriscando alguns passos de forró e riu de novo, levantando-se com cautela e puxando a garota pela mão para um espaço ali próximo. Segurou em sua cintura e puxou uma mão dela pra cima.
- É dois passos pra lá e dois passos pra cá... – Ela disse, começando a puxar a garota que encarava encantada seus pés. Após alguns longos minutos em que ela a ruiva ainda se encontrava “dura” diante dos passos, elas finalmente estabeleceram um ritmo. Agora gargalhava com vontade, as bochechas vermelhas e os olhos brilhando de felicidade, fazendo rir também.
- , eu te amooo. – Ela exclamou, mostrando como claramente a pinga já havia a afetado. A brasileira riu, separando-se da outra para girá-la e depois trazê-la para perto novamente. A mulher riu ainda mais e elas observaram um homem se aproximar, sorrindo muito para a ruiva. se afastou um pouco, ao ver o interesse da mulher, optando por dar privacidade a ela.
Voltou a mesa, encontrando Harry rindo e digitando algo no celular. Curiosa, e sem nenhum pingo de vergonha na cara, a mulher se sentou ao seu lado, esticando-se para observar na tela um vídeo dela girando no salão. Ele terminou de digitar algo que ela não pode ver e o vídeo foi carregado na story do Instagram do cantor.
- Ei! – Ela exclamou alto, chamando a atenção dele para si, que ainda tinha aquele sorriso divertido no rosto.
- O mundo precisava ver isso. – Ele deu de ombros, e ela revirou os olhos.
- O mundo precisa ver você fazer isso. Vem. – Ela pegou seu braço e se levantou o puxando. Observou o olhar incrédulo dele sobre si.
- Eu não sei dançar. – Ele exclamou, ainda encarando a mulher como se ela tivesse algum tipo de falta de sanidade, o que a fez revirar os olhos de novo.
- Eu sou professora de dança, meu amor! – Exclamou, finalmente o arrastando para longe da mesa.
- Você é? – Ele perguntou curioso, colocando sua mão na cintura da mulher e a fazendo rir alto, balançando a cabeça para os lados em negação.
- Não, é só um meme... Vai, dois pra lá e dois pra cá... – Ele fez uma careta, tentando acompanhar os passos da mulher. Antes que ela pudesse reclamar do modo como ele pisou forte em seu pé ou ele pudesse fazer algum comentário, pedindo desculpas, uma música diferente começou a tocar, fazendo-a soltar um grito animado, assim como metade do bar. – Eu amo essa música!
- Escrevi seu nome na areia... cantou, fechando levemente os olhos apenas sentindo aquele xote que ela adorava na batida gostosa do Falamansa.O sangue que corre em mim sai da tua veia... – Sabia que não era nada afinada e riu novamente, sem saber se era por conta da bebida ou se era só a música em seu sistema por si só.
Abriu os olhos, encontrando as íris claras do cantor sobre si, ávidas. Nos lábios, ele também tinha aquele sorriso grande, claramente divertido com as reações da mulher diante da música. Antes que ela pudesse falar algo, ele a estava girando pelo espaço, trazendo-a pra perto de si novamente gargalhando. Ela sorriu, sentindo os músculos da bochecha reclamarem, mas pouco se importou. Naquele curto espaço de tempo aprendeu a apreciar, e muito, aquele som que desprendia dos lábios do cantor. Era um momento em que ele quase se assemelhava a uma criança, sendo verdadeiramente espontâneo, e ela adorava.
- Como chama? – Ele perguntou, enquanto eles se balançavam no ritmo da música sem realmente fazer o famoso “dois pra lá e dois pra cá”, mas ela não iria implicar com ele naquele momento. Ela franziu a sobrancelha, sem entender ao que ele se referia. – A música. - Xote dos milagres. – Ela lhe respondeu. – Posso te mandar depois, a banda Falamansa tem várias músicas assim e são muito bons! – Ela exclamou, despreocupada, e só então percebeu que não tinha como mandar pra ele. Estava se deixando levar pelo momento, esquecendo-se que não estava interagindo com qualquer pessoa. – Eu... – Antes que pudesse voltar atrás, ele a interrompeu.
- Claro, eu iria adorar! – Ao observar a pequena confusão da mulher, ele deu de ombros. – Não é como se não fossemos te passar nosso contato, . A não vai desistir das aulas agora por nada no mundo. – Ela deu de ombros, desistindo de tentar ter algum pensamento sério. Era confuso, nada fazia muito sentido no seu cérebro meio aéreo e ela se dedicou a continuar cantando a música.
- Escuta o meu coração que bate no compasso da zabumba de paixão... De longo, ela pode observar a ruiva supracitada gargalhando e trocando alguns beijos com o homem que dançava, o mesmo que havia interrompido as duas momentos antes. Ela sorriu, indicando para Harry, com um movimento da cabeça, sua assistente e ele gargalhou.
- Ela é muito mais rápida que eu. – Ele disse, levantando uma sobrancelha em sua direção e o começo do sorriso malicioso começando a formar em seus lábios. Piscou os olhos rapidamente, era impressão sua ou ele estava perto demais?
- Desculpe, mas sou uma professora muito ética. – disse, divertida, tentando desviar sua atenção do homem charmoso a sua frente. Quando ela começou a achar ele charmoso? Desde que ele lançou o clipe da música “Sign of the Times”. Mas apenas revirou os olhos para si mesma. Aquele era um caminho nada seguro para uma bêbada seguir.
- Ah... – Ele exclamou triste, fazendo um pequeno bico com os lábios. – Não me faz me arrepender...
- Não to fazendo nada, Harry. – Ela se afastou dele, começando a dançar sozinha, girando em seu próprio centro, fazendo o tecido de sua saia longa girar em torno de si e ela gargalhar. Ouviu o riso dele atrás de si quando ela ficou de costas, ainda entretida em sua própria dança. Antes que se voltasse para o cantor, sentiu o corpo pequeno da ruiva se jogar contra si. Pega totalmente de surpresa, ela deu passos incertos para trás, sabendo que cairia. Porém, sentiu duas grandes mãos segurando-a pela cintura, a mantendo em pé. Sorriu para Harry e se voltou para a mulher ainda a agarrando com força.
- , obrigada pelo melhor dia da minha vidaaa! – Ela exclamou, muito animada, fazendo a outra gargalhar.
- Eu que agradeço a companhia, bebê! – Ela disse, também muito feliz. Sentiu os longos braços de Harry envolver as duas, assim como todo o corpo do cantor grudado as suas costas e a cabeça dele apoiada em seu ombro. A respiração dele bateu diretamente em seu pescoço, fazendo-a se arrepiar automaticamente e seu corpo se retesar.
- Obrigado. – Ele sussurrou contra sua orelha, os lábios a tocando levemente e ela tinha certeza que suas pernas tinham se tornado gelatina. Foco, bêbada, foco!
Antes que alguém fizesse algum movimento, e a brasileira alguma besteira que se arrependeria depois, ouviu alguns gritos e flashes de câmera. Os três se separaram rápido e foram puxados rapidamente pra longe daquela bolha de felicidade bêbada em que estavam pelo brutamontes Paul. Haviam descoberto a localização de Harry Styles, de novo.

acordou assustada, sentando na cama em um pulo e rapidamente dando um jeito de segurar sua cabeça pela pontada que a atravessou. Respirou fundo, piscando com dificuldade e observando o quarto escuro a sua volta. Onde estava mesmo? Sobre a escrivaninha, o celular tocava indicando uma vídeo chamada de Ana. Ah, lembrou-se, estava no apartamento de Ana. Antes que a chamasse fosse encerrada, a atendeu.
- Oi. – Disse e coçou a garganta, ouvindo sua voz rouca ecoar no quarto enquanto caminhava com muita dificuldade em direção ao interruptor.
- Ora, ora, senhora ... Você ta de porre? – A amiga gritou, finalmente vendo a careta da outra, talvez pelo grito ou pela luz que invadiu o quarto de repente. Muito provavelmente pelos dois.
- Por favor, essa conversa só vai acontecer se você ficar quietinha... – resmungou, novamente se jogando na cama e segurando o celular para que Ana visse seu estado deplorável.
- O que você fez ontem? – A amiga perguntou, rindo. – Ouvi muitas vozes no seu áudio, achei super esquisito, até lembrar a facilidade que você arruma umas amizades por aí...
- Ah... – A mulher não sabia nem por onde começar a explicar. – Fui num barzinho sertanejo. – Deu de ombros e observou a outra soltar uma gargalhada alta por vários minutos, o que causou um revirar de olhos de sua parte. – Isso tudo é saudade? A gente converso ontem de manhã!
- Eu estou ligando porque vi uma notícia de uma suposta garota que Harry Styles estava andando ontem por São Paulo... E ela tava usando uma roupa muito parecida com a sua! – Ana comentou. – Eu até te mandei o print. Eu ri muito na hora, comentei até com o Leo que você saiu querendo encontra aquela banda lá que você gosta... – revirou os olhos ao observar o gesto sem importância que a outra fez. – E passou o dia com o Harry. Já penso? – E ela começou a rir, sem saber que não era brincadeira, era ela mesmo.
- Então, Ana... – tentou comentar, observando a outra ficar extremamente séria.
- Espera... Não era você, né? Você é sortuda, mas não pode ser tanto... – A mulher a encarou com os cantos de olhos, incrédula. deu apenas de ombros. – Você estava ensinando Harry a dançar forró? – Ana finalmente gritou, fazendo fechar os olhos com força. – É VOCÊ NOS STORIES DO INSTAGRAM DELE?
- Ana... – Mas não adiantava. A amiga, obcecada pela cantor, já estava correndo pelo quarto do namorado gritando com todas as forças do seu corpo. Logo, Leo estava em sua visão e ele tomou o celular da mão da namorada. – Faz sua namorada calar a boca... – Ela choramingou, fazendo o homem rir e se afastar, caminhando em direção a outro cômodo da casa.
- Eu falei pra ela que era você, só ela tava se enganando. – Ele revirou os olhos. – Como a minha princesa, ta?
- De ressaca. – fez um pequeno bico com os lábios. Leo era um amigo muito antigo de . Eles eram da mesma cidade e acabaram passando para a mesma universidade estadual. Mesmo que ambos não tivessem muito contato antes desse período de suas vidas, a graduação os uniu de uma forma única. E mesmo pertencendo a cursos distintos, estavam sempre juntos nas festas, nos corredores e nas viagens para casa. Ana foi a primeira amiga que fez no seu segundo ano da faculdade, já que no primeiro não faziam parte do mesmo círculo de amizade. Foi questão de pouquíssimo tempo até seus dois melhores amigos decidirem que seria uma boa ideia enfiarem a língua um na boca do outro, apesar dos apelos de para que não. Para sua felicidade, porém, eles eram um casal extremamente fofo que não a obrigavam a compartilhar seus momentos de ternura. E eles continuaram a ser amigos até ali, quando o casal se mudou para São Paulo em busca de emprego, após terminarem a graduação, e ela permanecendo na mesma cidade, iniciando seu mestrado na faculdade.
- Você nunca bebe... – Ele comentou, estranhando o comportamento da amiga.
- Eu fui apresentar caipirinha pros gringos e me fudi. – Resmungou, fazendo o amigo cair na risada. – Para de rir de miiim... – Ela resmungou, de novo, e ele riu ainda mais.
- Tinha que ser você, . – Ele estalou a língua na boca, inconformado, e a mulher apenas deu de ombros. – Você está atrasada, sabia? Foi por isso que a Ana te ligou, antes de você fazer ela surtar... – Ele comentou, encarando as unhas como quem não quer nada. – Você não respondia as mensagens e ela presumiu que você estava dormindo...
- Atrasada? – Ela finalmente encarou o relógio do celular. Porra, já eram onze horas e meia. E ela ainda estava com a roupa do dia anterior. E com fome. E de ressaca. Xingou baixinho, mandando um beijo pro amigo e já desligando o celular.
Tentou correr em direção ao banheiro para tomar um remédio antes de começar a se arrumar, mas foi interrompida no meio do caminho pelo celular em sua mão tocando. Sem olhar a tela, e já prevendo que era Ana querendo surtar mais um pouco com ela, atendeu.
- Fala! – Exclamou, bufando ao deixar um comprimido cair na pia. Ao ouvir o silencio do outro lado, chamou a atenção de novo de Ana. – Ei, Ana, fala que eu to com pressa... – Engoliu o comprimido e ao ainda não ouvir uma resposta, bufou e encarou a tela do celular para confirmar que a ligação ainda estava acontecendo. E travou. O nome “ ” brilhava junto de uma foto da ruiva mostrando a língua. – ? É você?
- Ah, ! – Ouviu um suspiro aliviado do outro lado. – Achei que tinha ligado pro número errado. Não consigo lembrar muito bem de ontem, mas vi o seu contato no celular...
- Eu também não lembro como voltei pra casa. – A mulher se apoiou de costas na pia, passando os dedos por sua testa, tentando amenizar a dor. Ok, se lembrava de saírem com alguma dificuldade do bar, de estarem no carro... – Acho que a gente trocou nossos números no carro. – Comentou.
- Deve ter sido isso. – A outra disse como se aquilo realmente não importasse. – Ei, to ligando porque estamos indo almoçar e, segundo Harry, estamos perto do apartamento da sua amiga...
- Ele lembra? – questionou, intrigada.
- Provavelmente não, ele deve só ta querendo te ver mesmo. – A brasileira riu, balançando a cabeça negativamente. – Ok, talvez seja eu que queria te ver, mas vamos, por favor! ponderou por alguns minutos. Estava atrasada. Muito, se levasse em conta que os portões do festival já deveriam estar abertos. E ela precisava dar um jeito na ressaca, se hidratar muito e preparar as comidas que levaria pro evento, além da que comeria antes de sair. Tantas coisas que sentiu mais uma pontada de dor na cabeça, fazendo-a praguejar.
- , meu amor, eu sei que prometi as aulas pra hoje, mas não vai dar. Eu to muito atrasada e preciso me arrumar pro festival... Desculpa. – Correu até sua mala, pegando a roupa já estrategicamente separada para o evento e retornando ao banheiro para fazer sua higiene no segundo seguinte. – Mas podemos nos organizar durante a semana, por Skype ou FaceTime como combinamos, tudo bem?
- Ah, ... – Ouviu o desanimo na voz da mulher, e mordeu o lábio inferior. Tinha causado uma impressão tão boa assim na americana? – Eu não aguento mais o Harry, precisa da sua companhia! – A brasileira riu com vontade. Pelo jeito não, era só desespero por aguentar muito o cantor.
- Desculpa, bebê, eu ia amar passar o dia com você, mas preciso ir! – A mulher deixou o celular sobre a pia, colocando no modo vivo a voz para conseguir tirar suas roupas. – Vai que eu esbarro em alguém da banda?
- Você já esbarrou com o Harry, pra mim é o suficiente. – reclamou com claro ciúme na voz, fazendo a mulher sorrir ainda mais.
- Se você continuar resmungando, vai me ouvir no chuveiro. Eu estou muito atrasada! – Ela exclamou alto, se afastando para abrir o chuveiro.
- Melhor que ouvir a voz do Harry. – Ela bufou e podia visualizar a mulher revirando os olhos. Pegou o celular, trazendo para mais perto do box.
- Então fala, o que aconteceu? – Perguntou, iniciando seu banho.
- Ele está de ressaca e não para de ser um babaca! – Ela novamente respirou alto e o barulho ecoou pelo banheiro. – Aquela criança mimada, ele sabia de todos os compromissos que tinha pra hoje, as entrevistas, as fotos, as propagandas... Eu não obriguei ele a beber caipirinha nenhuma!
- Você pronunciou certinho! – A mulher não pode evitar o comentário e ouviu a risada da outra, mudando completamente de humor.
- Foi? Eu treinei tanto! Vou ser sua melhor aluna! – revirou os olhos, ainda com o sorriso nos lábios. – Espera um pouco... – Por alguns segundos, o único som no banheiro foi o da água caindo no chão do box. – Oi. – A voz da ruiva retornou, ofegante. – Agora a alteza decidiu que vai comer algo no carro no intervalo das fotos. – Novamente a imagem da mulher revirando os olhos apareceu na cabeça da brasileira.
- Então não seria possível nosso almoço, de qualquer jeito. – Ela comentou, terminando seu banho e enrolando seu corpo em uma toalha.
- Eu estou muito disposta a abandona-lo, obrigada. Onde te encontro? – riu.
- Não vai dá, gatinha. – Para provoca-la, utilizou o apelido que Harry usava para se referir a ruiva e a ouviu bufar de novo. – E o Harry não precisa da assistente pessoal dele o tempo todo?
- Ele precisa crescer, , crescer! – Ela disse alto, provavelmente deveria estar próxima ao cantor. – Mas tudo bem. Não vou mais te atrapalhar. Nos vemos amanhã?
- Preciso ver o horário que vou embora. – A garota comentou, começando a vestir as roupas e ouviu um sonoro “não” do outro lado da linha. Ela riu. – Você já estava ciente disso, preciso voltar pra minha vida.
- Você precisa fazer parte da minha vida! Quer saber? Não compre nenhuma passagem, vou dar um jeito nisso! – parou, com a regata preta que vestia cobrindo sua cabeça.
- ... – Disse o nome da mulher, em desconfiança.
- , até amanhã! – E a ligação foi desligada. Deu de ombros, não tinha muito tempo para refletir sobre isso agora. Ficaria para mais tarde. Agora, precisava estar muito bem alimentada, hidratada e cheirosa para o show que esperava a tanto tempo.


Capítulo 03

riu alto, voltando seu olhar para o palco em que a banda Francisco el hombre se apresentava e perdendo um pouco a atenção do riso da mineira muito simpática a seu lado, com quem dividia a canga esticada no chão. O show já estava na metade e as duas mais conversavam, riam e dançavam do que ficavam sentadas assistindo da onde estavam. sentia as bochechas doendo de tamanha felicidade, esquecendo- se completamente dos resquícios da ressaca depois de tantas garrafas de água ingeridas e totalmente envolvida pela atmosfera do festival. Resolveu fazer alguns vídeos quando a música “Calor da rua” começou a tocar, porém observou inúmeras chamadas perdidas de um número desconhecido na tela do aparelho. Deu de ombros, disposta a ignorar e retomar a filmagem quando a imagem de mostrando a língua para ela apareceu na tela.
- Oi? – A mulher perguntou meio incerta, tampando a orelha esquerda para tentar ouvir a voz da outra.
- ! – Se arrependeu no segundo em que o berro da ruiva acertava- a em cheio. Afastou um pouco o telefone, percebendo que a mulher estava em um lugar tão agitado quanto ela e que iria se comunicar através de gritos. – CADÊ VOCÊ?
- Como assim onde eu to? To no festival... – Ela deu de ombros, tendo o olhar curioso da mineira sobre si.
- MAS ONDE, GAROTA? ME AJUDA! – estava estranhando o comportamento, mas se virou na direção do palco, informando a garota qual era. – EU NÃO VOU CONSEGUIR TE ACH... HARRY, PARA QUIETO, GAROTO! ME MANDA SUA LOCALIZAÇÃO AGORA! – Antes que pudesse reclamar, a ruiva já havia desligado o telefone. Ela ficou encarando o aparelho meio confusa por um tempo, mas deu de ombros e fez o que foi pedido.


Não sai daí de jeito nenhum! 16:44


estranhou o comportamento, mas já estava ficando acostumada a estranhar o comportamento daquela assistente pessoal e de seu “chefe”. Curtiu o resto do show com a companhia extremamente agradável que havia encontrado por acaso. Ao final, a garota se despediu, trocando o user do Instagram com , e se direcionou para outro palco. A mulher ficou um tempinho ali, sentada, com as mãos no chão em busca de apoio, e as pernas esticadas. Deixou a cabeça cair pra trás, sentindo seu chapéu vermelho vinho se desprender de sua cabeça e os cachos de seus cabelos caírem livres. Sentia o Sol aquecendo sua pele, e se deixou aproveitar aquele momento de calmaria. Suas pernas provavelmente ficariam com as marcas do short, e o bronzeado em seus braços e colo seria esquisito, já que sobre a regata preta, usava um kimono colorido que cobria metade de seus braços, mas não se importava. A sensação era incrivelmente boa para se pensar nas consequências. - Aí está você! – Abriu os olhos assustada, se sentando ereta e encarando a pessoa que falava com ela, em inglês e com uma voz extremamente parecida de , contra o Sol. Precisou piscar algumas vezes para focar a mulher de longos cabelos negros e um óculos ridiculamente grande que cobria seu rosto. – Não achei que seria tão difícil te achar! – Ela se sentou ao lado de , extremamente confortável, e recebeu um olhar em confusão como resposta a seus gestos. – Sou eu, amor! A ! – Ela ergueu os óculos, rindo, mostrando o rosto pequeno e, principalmente, as íris verdes da garota americana. – Eu te disse que era uma boa ideia, a não me reconheceu!
se virou na direção da pessoa com quem conversava e um riso mal contido por seus lábios saiu em forma de um som rouco. Um homem extremamente alto se encontrava parado ao lado das duas, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça jeans escura que parecia extremamente larga para seu corpo. Usava uma camisa azul clara com os quatro primeiro botões abertos e as mangas dobradas na altura do cotovelo – suas tatuagens, que deveriam estar expostas, deveriam estar cobertas com algum tipo de maquiagem, já que a brasileira não via o traço de nenhuma delas. No rosto, um óculos tão ridiculamente grande quanto o de e seus cabelos eram loiros, em uma tigela ao redor da sua cabeça, tão compridos que os óculos os cobriam parcialmente na sua testa. Para completar, um chapéu pequeno e marrom claro.
- Você está ótimo, Harry. – A brasileira disse sarcástica, sem conseguir evitar, já que se encontrava muito concentrada em não rir na cara dele.
- Eu falei que isso era ridículo! – Ele exclamou, chutando levemente a grama e com um bico nos lábios.
- Só pra te lembrar: eu não te chamei, você implorou para me acompanhar! – A ruiva disse, fazendo- o revirar. Ou era isso que acreditava, já que os óculos não permitiam que ela visse alguma coisa.
Após uma breve análise, e considerando a distância que precisavam percorrer, preferiram caminhar para um dos palco que ficava um pouco mais longe para assistir ao show da próxima hora, fazendo, antes, uma pequena parada para que os estrangeiros comprassem algo para beber e comer. Depois, informou ao grupo que já queria se direcionar ao palco principal para conseguir um lugar mais a frente para o grande show da noite. Feito um acordo mútuo, começaram a caminhar calmamente na direção desejada. Bom, e Harry andavam calmamente. caminhava a frente, pulando e dançando, extremamente animada.
- Harry, para, eu não estou conseguindo te levar a sério! – parou, rindo. Ficou na frente do homem e tirou o chapéu, entregando- o. Ele estava com o rosto voltado para ela e ela mordeu o lábio inferior, tentando evitar o sorriso que queria escapar. – Eu não sei o que é pior, esse cabelo ou esse óculos!
- Definitivamente o conjunto. – Ele disse, fazendo- a rir. Ele abriu um grande sorriso, enquanto a mulher tirava a tal peruca e enfiava o chapéu novamente em sua cabeça. Pegou seu próprio óculos de sol e trocou por aquele que ele usava, podendo vislumbrar as íris dele por alguns segundos.
- Bem melhor! – Ela sorriu, balançando a cabeça afirmativamente. Ainda não podia ver os olhos dele, e ele ainda cobria quase metade de seu rosto, mas pelo menos tinha combinado melhor com o rosto dele. Harry sorriu para ela e se aproximou. Por meio segundo ela não soube o que fazer, travando no lugar.
Mas antes que encontrasse uma desculpa para se afastar, ele encostou seus lábios em sua bochecha, em um beijo tão ligeiramente longo demais quanto ligeiramente molhado demais. E ele apenas se afastou, segundos mais tarde, sem nenhuma gracinha e ela se permitiu sorrir.
- Já amo o casal, mas vaaamos! – surgiu ao lado dos dois, puxando ambos pelos braços e voltando a caminhar por entre as pessoas.
- Você não estava de mau humor e ressaca hoje de manhã? – perguntou, visivelmente confusa, mas a mulher apenas riu.
- Se acostuma. – Harry afirmou e deu de ombros.

Um dos melhores shows da vida insignificante de .
Era tudo o que ela poderia dizer no momento. A banda tinha acabado de deixar o palco e ela sentia algumas lágrimas ainda nos olhos – sem contar as várias que derramou em diversos momentos do show e manchavam a bochecha dela. Estava sentindo a garganta arder pelo número de gritos e uma sensação quente no peito, tão aconchegante e que apenas fazia o sorriso em seu rosto aumentar a cada segundo. Se voltou para os seus outros dois acompanhantes, encontrando uma nos braços de um cara que ela desconhecia e um Harry meio desconfortável diante da cena. Ao notar o olhar da brasileira sobre si, ele abriu um sorriso largo e agora, finalmente, ela podia ver os olhos dele brilhando em sua direção, já que ele havia desistido de passar despercebido. Não que alguém fosse reconhece- lo àquela hora da noite...
Ele se aproximou, segurando o rosto dela entre suas mãos grande e limpando as lágrimas teimosas de sua bochecha com os dedões. Ela até tentaria agradecer, mas estava em um êxtase tão grande e com tanta dificuldade de mover os lábios sem soluçar que desistiu. Harry apenas riu e a envolveu em um abraço. Seus longos braços a rodearam e ele a puxou para si, grudando seus corpos de maneira apertada. Seu rosto se encaixou no pescoço dele, afinal, não era uma mulher pequena. se sentiu extremamente confortável ali, contra o corpo quentinho dele e sentindo seu perfume. Claro, ele estava suado, assim como ela, e podia sentir suas roupas úmidas uma contra a outra, assim como a pele molhada dele contra a sua. Mas, bom, aquilo não era realmente importante no momento. O abraço era.
- Feliz? – Ele questionou, abaixando um pouco a cabeça para ficar mais próximo da orelha dela.
- Eu não sei se consigo falar muita coisa sem chorar, então... – Ela disse, baixinho, e fungou, tentando evitar a vontade enorme de chorar de felicidade que se apossava dela. Ele riu e beijou o topo de sua cabeça.
- Você é tão fofa, posso te leva embora? – Ele perguntou, balançando- a de um lado pro outro, como se fosse um bichinho de pelúcia novo e ela riu.
- Eu iria adorar. – Ela deu de ombros e observou finalmente se desgrudar do cara que estava agarrada e vir na direção deles saltitando. – Pior pessoa. – Resmungou em português, rindo.
- Oi, pessoas mais lindas desse mundo! Vamos embora? – Os dois riram, ainda abraçados.
- Vamos esperar um pouco, deve estar impossível sair agora. – Harry deu de ombros e o encarou com malicia.
- Ah, difícil de sair, é? Tudo bem. Pode ficar agarrado na mais um pouco então, porque realmente... Impossível sair... – gargalhou com vontade, se afastando do homem, porém ele a puxou de volta, fazendo- a o encarar confusa.
- Você sempre está monopolizando a , eu quero um tempinho com ela também! – Ele resmungou e a ruiva levantou uma sobrancelha, com as duas mãos na cintura e em posição firme. riu, já prevendo o pior.
- Já passou por essa sua cabeça que ela prefere passar um tempo comigo?
- Já passou por essa sua cabeça que você não dá espaço pra ela?
- Eu que não dou espaço? Você a está sufocando!
- Sim, você, ligando toda hora, aparecendo toda hora quando não é chamada...
- Ah, mas você é um...
- Ei. – exclamou alto, fazendo os dois finalmente olharem em sua direção. – Eu to aqui ainda... – Ela levantou minimamente a mão, já que os braços de Harry a sua volta não a permitiam movimentar os braços, tentando se fazer ser notada e o homem a soltou. – Obrigada, agora, vamos!
Simplesmente como se o momento anterior nunca tivesse existido, pulou nas costas de Harry, gritando alguma coisa incompreensível. Ele passou a andar do lado da brasileira, carregando a assistente como se a mesma não pesasse nada. E pelo seu tamanho, tinha certeza que o peso dela não iria incomodá- lo, de qualquer forma. Foram conversando sobre banalidades durante todo o caminho, até soltar um de seus gritos extremamente estridentes.
- Esquecemos de te contar! – A ruiva exclamou, em animação. – Você não vai embora amanhã!
- Eu vou sim... – afirmou, encarando- a com o canto dos olhos, desconfiada. – Lembra? Tenho uma vida para organizar, aulas pra preparar... – apenas balançou a mão, como se tudo aquilo não significasse nada.
- Você não vai porque a conseguiu um ingresso pra você de um dos patrocinadores. – Harry disse, dando de ombros. – Na verdade, ela conseguiu acesso aos bastidores pra você!
primeiro encarou o homem, para depois voltar seu olhar para a ruiva, em choque, sem saber o que dizer aos dois e parando de andar sem perceber. – E ai? Pronta para assistir um show de Harry Styles?


Harry está em outra entrevista. Vem logo, estou com saudades! <3 10:36
Paul está indo te buscar, você tem 15 minutos 10:38


olhou as mensagens e balançou a cabeça desacreditava. Havia combinado de almoçar com e Harry e passar o resto do dia os acompanhando – com seu ingresso e o acesso aos bastidores que estava ansiosa para colocar ao redor do pescoço. Porém, sabia que o intervalo para almoço do cantor estava programado para apenas depois do meio dia. Deveria estar acostumada a fazer a vontade das duas crianças mimadas, mas ainda não conseguia conceber aquela nova realidade.
Antes que se atrasasse e deixasse o brutamontes de mal humor – coisa que ela evitaria, a todo custo – tratou de pular da cama e se trocar. Em dez minutos estava com um short jeans de lavagem escura e cós alto junto de uma camisa um número maior que o seu, rosa clara, com os dizeres “Fiesta Mood”. Nos pés, tratou de calçar um tênis. Optou pelas roupas mais confortáveis, pois sabia que seria um dia longo e de muita caminhada. Além disso, deu um jeito de prender seus cabelos cacheados em um rabo de cavalo, para não ter trabalho com o possível calor que sentiria. Colocou os óculos de sol sobre a cabeça, e pegou uma mochila com outra peça de roupa, já que não sabia quais eram os planejamentos de seus companheiros. Depois de conferir toda a documentação e tudo o que seria necessário para os próximos eventos, saiu rapidamente do apartamento.

Por um total de cinco minutos, sentiu os olhares de quase todos os presentes sobre ela. Harry já estava posicionado e pronto para iniciar uma entrevista sobre alguma coisa que ela não prestou muito atenção. A entrevistadora estava também em seu devido lugar, tendo a maquiagem retocada por uma mulher de aparência incrivelmente jovem. Os câmeras, fotógrafos e todos os outros que compunham aquele cenário estavam posicionados e apenas aguardavam instruções para começaram as filmagens. Porém, sentia os olhares ou fixos ou de canto, ligeiramente mais contidos, em busca da sua figura ao lado da ruiva que se dedicava exclusivamente a resolver algum problema no celular.
Há cinco minutos, havia sido apresentada como intérprete do cantor Harry Styles. Mas há dois dias uma mulher incrivelmente parecida com ela havia sido apresentada como uma possível affair brasileira do músico. Bom, se fosse ela, ela talvez encarrasse a si mesma com curiosidade. Mas talvez não tanta. Sabia que não estava muito bem vestida para uma intérprete, mesmo que a própria assistente pessoal do músico não usasse roupas muito diferentes das suas. Se soubesse que essa era a ideia de para justificar sua presença, teria pensado em como ajudar a sustenta- la. Mas havia sido pega de surpresa. Revirou os olhos, evitando olhar ao redor e se concentrando no cenário que havia sido montado, enquanto se inclinava ligeiramente pra frente, apoiando o cotovelo na coxa e o queixo em sua mão.
Sem querer, seu olhar caiu sobre Harry que, inesperadamente, a encarava curioso. Ela maneou a cabeça, como se perguntasse o que ele estava fazendo e ele apenas abriu um sorriso, mandando um beijo em sua direção. Como se ajudasse muito sua situação incrivelmente desconfortável. Porém, ao observar o pequeno bico que se formou nos lábios do homem, apenas deu de ombros, decidindo fazer o que sabia fazer de melhor: não se importar. Com tédio, e utilizando a mão que não estava em seu rosto, “segurando” sua cabeça, ela pegou no ar o beijo que ele havia carinhosamente enviado e enfiou no bolso. O homem gargalhou, agora contente com a reação da mulher, e finalmente se voltou para a entrevistadora, que havia lhe perguntado algo.
- Vocês são tão fofos... – Ouviu a voz da ruiva e se voltou para a mesma, sentada ao seu lado, ainda com os olhos fixos no celular. Revirou os olhos e alguém gritou alguma coisa, dando início a gravação e fim aos olhares sobre . – Droga, , o Harry me fudeu dessa vez.
- O que foi? – Perguntou, tentando manter os sussurros para não atrapalhar o que acontecia a sua frente.
- Eu disse para ele ontem ficar na última entrevista e me deixar ir sozinha te encontrar. Mas ele me fez remarcar. O problema é que eu não consigo encontrar a porra de um horário para isso hoje! – A ruiva bufou alto, fazendo alguém da produção a encarar severo. – Desculpa! – Ela sussurrou e precisou morder o lábio inferior para não rir.
- Vocês não deveriam ter ido! – Apesar de terem sido ótimas companhias, a morena acrescentou, mentalmente, mas não iria externar seus pensamentos para aumentar o ego da pequena mulher a seu lado. Observou a estrangeira dar de ombros.
- Não é como se pudéssemos voltar no tempo...
- If I could turn back time… (Se eu pudesse voltar no tempo) - cantarolou baixinho, apenas para irritar a mulher a seu lado. Porém ela apenas abriu um sorriso grande, se voltando pro celular.
- Me ajuda, ao invés de cantar! – Ela ralhou, mas ainda tinha a sombra de sorriso no rosto.
- Como eu poderia te ajudar?
- Não sei... – respirou fundo, encarando a filmagem a sua frente. Ela começou a murmurar coisas incompreensíveis para a brasileira a seu lado que desistiu de tentar acompanhar a linha de raciocínio. Também passou seu olhar sobre o que acontecia diante de si e sorriu.
Harry estava gargalhando de alguma coisa que havia sido dita pela entrevistadora e parecia incrivelmente confortável naquela situação. Não era pra menos, há quanto tempo que ele fazia aquele tipo de coisa? Ela não tinha ideia, mas sabia que era um tempo mais do que considerável. Quando o homem finalmente parou de rir e retornou a falar, percebeu que eles comentavam sobre as habilidades de dança do cantor.
- Ah, mas ficamos sabendo que você encontrou uma professora de dança aqui no Brasil. – A tal entrevistadora disse, fazendo se sentar ereta.
Por dois segundos, a mulher não conseguia visualizar muita coisa além da mudança na postura do cantor. Harry se sentou, finalmente, de maneira ereta na cadeira. Depois, ele passou a língua devagar pelo lábio inferior, provavelmente tentando ganhar tempo. Antes, porém, que pudesse dizer algo ou fazer mais alguma movimentação, já estava em sua frente, o bloqueando do alcance da câmera.
- Qual foi o combinado? – A ruiva exclamou, alto, em uma posição firme de quem não seria contrariada. – Qual foi o combinado, porra? – Dessa vez ela gritou, encarando a entrevistadora e alguém da produção que não conseguiu identificar. Ela podia ver o colo da mulher se colorindo de vermelho, assim como uma veia em sua testa saltar.
- Desculpe, mas não é como se eu pudesse deixar esse tipo de informação... – A entrevistadora tentou se desculpar, porém rapidamente a cortou.
- Não trabalhamos assim, querida, você foi muito bem previamente informada sobre as questões que poderia ou não fazer ao meu cliente. E eu fui expressamente clara que as notícias dos últimos dias não poderiam ser mencionadas! – Ela bateu o pé. se esticou um pouco para o lado, tentando observar Harry, mas ele encontrava- se disperso, encarando o nada e não o ataque de sua assistente. Talvez aquilo fosse recorrente, a brasileira não sabia dizer. – Ou você apaga essa merda e faz uma pergunta realmente interessante sobre o álbum, ou a gente vai embora agora!
Não foi fácil, e muito menos rápido, resolver a tal situação. Agora, os olhares de canto não existiam. Todos estavam muito bem fixos em , obrigado. A mulher tentava ignorar, focando- se apenas nos amigos, mas ela sentia. Assim como ouvia. Era brasileira afinal de tudo, não? Sabia muito bem o significado das palavras que estavam passando de boca em boca. Respirou fundo, observando seu telefone começar a vibrar incansavelmente sobre sua perna. Pensou que alguém a ligava, mas eram notificações do Instagram. Muitas.
Estranhando, passou o dedo rápido pela tela, tentando acompanhar todas as solicitações de seguidores para a sua conta privada que pipocavam no aplicativo. Ao passar os olhos, identificou com recorrência as palavras “Harry” e “Styles” nos users e só teve uma certeza: alguém havia descoberto quem ela era e divulgado a informação.

- Como você está? – A voz de Harry se fez ser ouvida e despertou do pequeno transe em que estava, balançando a cabeça levemente. Sorriu meio forçadamente na direção do homem e voltou seu olhar para o cardápio. – ?
- Só tentando me acostumar... – A mulher deu de ombros. – Nunca fui alvo de muita atenção, sabe...
- Claro... Não deve estar sendo muito fácil... – Ele também tentou evitar encará- la, pegando o cardápio e prendendo sua atenção ali. Porém, logo ele o deixou sobre a mesa, voltando- se totalmente para a mulher. – Mas se você quiser, nós podemos ir pro hotel, ou eu te deixo no apartamento da Ana... – Ela riu, balançando a cabeça levemente inconformada com o quão atencioso o cantor poderia ser.
- Harry, está tudo bem. É realmente uma questão de me acostumar. Eu não vou deixar de fazer o que eu quero por causa de outras pessoas. – Deu de ombros sob o olhar atento do outro. – E também, depois que vocês forem embora, ninguém vai se lembrar de mim. Ela observou o homem passar a língua pelos lábios e tentar dizer algo, movimentando- os. Mas desistiu, pegando novamente o cardápio e fazendo os pedidos ao garçom que passava (com certa frequência) por sua mesa.
- Mas... – Ele tentou novamente expressar o que lhe afligia e ela assentiu, o incentivando. – Não vamos perder o contato depois desse final de semana, vamos? – Ela abriu um sorriso grande.
- Não foi você que me disse mais de uma vez que vocês não me deixariam ir? – Ele sorriu, sem mostrar os lábios e balançou a cabeça, com vergonha. – Não, eu ainda preciso dar minha aula para vocês terem certeza se querem começar os estudos de português... E mesmo que isso não dê certo, seria impossível simplesmente apagar você e a da minha memória.
quase não teve a oportunidade de observar com calma o grande sorriso que o homem lhe ofereceu, já que foram interrompidos por um garçom deixando as bebidas sobre a mesa. Quando voltou seu olhar para Harry, após agradecer pelo serviço, ele já encarava o celular com as sobrancelhas franzidas.
Após o fiasco que havia sido a entrevista mais cedo, decidiu se reunir com os produtores dos meios midiáticos que ainda queriam se encontrar com o cantor para reestabelecer horários e limites. Porém, aquilo teria que ser feito durante o tempo que a assistente tinha de almoço, do contrário seria impossível que as entrevistas e fotos acontecessem antes do show. Por isso, e Harry tiveram que abandoná- la em uma sala de reunião e fazer um almoço mais íntimo. Ela suspirou, tirando o seu aparelho da bolsa para ter noticiais de . E realmente haviam mensagens da ruiva.


Não acredito que vou ficar sem almoço 11:57
Me traz um hambúrguer, por favor 11:59
Tenha pena da sua amiga que está prestes a matar três pessoas 12:11
Se eu não conseguir esconder os corpos e for pra prisão, saiba que eu te amo 12:15
É, eu vou presa 12:21

Não pode evitar o riso que se desprendeu de seus lábios. Sentia pena da amiga, mas a mulher parecia não perder o humor, independentemente da situação ou da postura mais séria que era obrigada a adotar, como havia acontecido mais cedo naquele dia. Seu ato acabou por chamar a atenção do cantor a sua frente. Apenas fez um sinal com a mão, informando- lhe que não era nada e sussurrou um “” para que ele compreendesse. Teve como resposta um revirar de olhos.
- Nem quando ela não está presente eu consigo ter sua atenção. Qual é? – apenas riu, dando de ombros diante da postura incrédula do cantor.
- Acho que eu amo mais ela mesmo. – Fez uma careta, apenas para irritá- lo e conseguiu, já que ele a encarava em completa incredulidade. Ela gargalhou alto.
- Não, sério, me dá seu telefone. A menção da ruiva está proibida nessa conversa! – Harry tomou o celular de suas mãos, fazendo- a encará- lo em choque com a sua audácia.
- Bom, isso não me impede de amar mais a , mas tudo bem. – Deu de ombros, ainda empenhada em desafia- lo, e gargalhou novamente diante da forma como ele cruzou os braços.
- Você é muito malvada! – Ele revirou os olhos e ela apenas sorriu esperta, piscando um dos olhos em sua direção. – Ei, eu estava pensando...
- E eu tenho medo disso... – Talvez, mas só talvez, havia acordado naquele dia disposta a tirar um pouco da paz do homem a sua frente. Ou talvez, nas últimas 48 horas, havia desenvolvido uma espécie de prazer em provocar o cantor. De qualquer forma, independente da opção que era mais verdadeira, ela tinha certeza que não pararia tão cedo. Harry apenas revirou os olhos e continuou, como se não tivesse sido interrompido.
- Eu sei que você vai dar uma aula pra gente amanhã, mas você poderia me ensinar algumas frases pra eu falar durante o show? – Ele a encarou tão animado, que ela apenas riu, assentindo.

gargalhava de uma história que Harry havia acabado de contar sobre um encontro da irmã que ele sabotara. Já tinham terminado suas refeições, mas nenhum dos dois parecia muito disposto a se levantar, por isso continuaram apenas aproveitando a companhia um do outro por mais um tempo. E a brasileira, infelizmente, tinha que concordar com o cantor: queria poder passar mais tempo com ele. Admitia agora que sempre acabava mais próxima dela, talvez pelo seu jeito tão desinibido, ou por ser uma mulher com a personalidade tão parecida com a sua, ou pelo próprio homem, que em muitos momentos se fechava em si. Independente dos eventos passados, ela passou a admirar a figura dele, em como ele sabia ser engraçado na medida certa, e as vezes na medida muito errada, ou como sabia ser um bom ouvinte, e um ótimo companheiro para jogar conversa fora, já que ainda ria.
- É sério, eu acho que estou apaixonado no seu sorriso. Para! – Ele exclamou, causando o extremo oposto: a mulher riu ainda mais, balançando a cabeça negativamente. – Por que toda vez que eu elogio seu sorriso você faz essa cara?
- Ah, Harry, por favor... But when you smile at the ground it ain't hard to tell you don't know, oh oh, you don't know you're beautiful – A mulher cantarolou rápido e revirou os olhos, rindo, enquanto Harry ainda mantinha o sorriso no rosto. – Já elogiaram meu sorriso vezes o suficiente pra eu descobrir o truque.
- Que truque? – Ele perguntou confuso, mas ela viu o canto de seus lábios se repuxando levemente, querendo abrir um sorriso.
- O truque que vocês usam para conseguirem sair com uma mulher! O clássico... – Ela levantou as mãos, fazendo aspas no ar. – “Eu estou elogiando algo em você que não é muito óbvio e que pode te convencer de que eu sou um cara legal, mas na verdade só sou um babaca que não tira os olhos da sua bunda” – Ele riu, concordando e ela apenas sorriu vitoriosa.
- Tudo bem, prometo parar, mas você sabe que seu sorriso é bonito, certo? – Ela apenas assentiu, mordendo o lábio inferior para evitar mais um sorriso.
- É minha melhor arma. – Deu de ombros e observou o olhar dele cair pro celular mais uma vez. – Como você... – Repensou a pergunta que queria fazer, acabando por desistir. Porém, sob o olhar atento dele, incentivando- a, ela continuou. – Como você lida com tudo isso? Quero dizer... Minha amiga, Ana, sua fã... – Ela começou, fazendo- o sorrir. – Ela sempre fala como você é bem humorado e sempre dá muita atenção para as fãs, mas... Como é lidar com a perseguição, com a mídia? – Primeiro, ele deu de ombros, instantaneamente sério. Depois se mostrou verdadeiramente interessado em mexer no canudo de seu copo e passou a língua pelo lábio inferior, antes de formular uma resposta.
- É complicado... Ao mesmo tempo que é o que eu sempre quis fazer da minha vida, a realização do meu sonho e eu amo cada momento... Não é fácil... – Ele novamente deu de ombros, finalmente a encarando. – Você querer fazer qualquer coisa e saber que vão estampar no dia seguinte... Principalmente quando perseguem as pessoas com quem você está... Mas eu tento sempre levar como uma grande brincadeira, na medida em que é possível. E as fãs... Bom, elas me deram tudo, não tem como simplesmente bancar o babaca, eu... Não consigo. – Ele fez uma careta e ela sorriu. – Em partes eu aprendi abrir mão da minha liberdade, mas eu também aprendi como se faz para escapar... Como ontem, no festival. – Ela riu, lembrando- se do disfarce ridículo que ele havia usado, mas que realmente tinha funcionado. – Mas acredito que não deve ser fácil ser professora também...
- Não se compara, claro. – Ela deu de ombros, rindo como se tivesse falado uma obviedade. E muito provavelmente tinha, mas ele apenas sorriu, incentivando- a a continuar. – Eu sempre fui apaixonada por línguas e literatura, entrei pra faculdade por esse motivo. Só lá, em contato com tanta teoria, eu desenvolvi um amor por ensinar, sabe? – não encarava Harry enquanto falava, olhava para além dele, perdida no seu monólogo. – Quando você para pra pensar na magnitude do que é uma língua... É a identidade máxima de uma pessoa. Olha como isso pode impactar uma sociedade, como isso simboliza tanto e para pessoas tão diferente... Os detalhes da cultura em uma única palavra... É um caminho sem volta. – Um grande sorriso se espalhava por seu rosto antes que ela percebesse. – Mesmo sendo tão difícil manter a atenção das crianças, explicar que escrever não é um desafio tão impossível, que a gramática não é o monstro como elas pensam, e tantos outros problemas... Eu ainda sinto aquele calor no peito ao falar sobre a minha língua, sabe? – Deu de ombros, mexendo no canudo do seu copo e finalmente voltando a si. – Ai minha nossa. Eu não posso entrar nesse assunto, eu não calo a boca! – O homem a sua frente apenas riu, encarando- a com muito interesse.
- É bonito como seus olhos brilham quando você fala sobre isso... Não me importo de ouvir. – Ela apenas deu de ombros, ainda sorrindo. Antes que pudessem dar continuidade no assunto, o celular dele começou a tocar, indicando uma vídeo chamada e ele a encarou, com uma sobrancelha levantada. – Você se importa? É minha mãe...
- Claro que não! – Ela disse rápido e ele apenas aceitou a chamada, segurando o celular diante de seu rosto e começando uma conversa com a mãe. Ela riu, afinal, seria melhor se ele tivesse saído em busca de privacidade. Mas ele continuou ali.
- Quem está aí? Não parece a ... – ouviu a pergunta de uma voz feminina com um sotaque carregado e cobriu a boca com as mãos, querendo se esconder embaixo da mesa por ser tão escandalosa.
- É a , mãe. Minha professora de português, lembra? – Harry comentou, sorrindo malicioso e encarando a brasileira.
- A brasileira do sorriso bonito? Eu quero falar com ela! – A mulher gargalhou, incrédula que ele tinha falado dela e, principalmente, daquela forma para a mãe.
- Mãe! – Ele exclamou alto, claramente envergonhado, fazendo abrir um sorriso ainda mais largo. – Não é bonito? – Ele perguntou e ela o encarou confusa, já que ele ainda continuava com o celular apontado para si. Até que caiu a ficha de que ele provavelmente havia trocado a câmera no meio da chamada.
- Ei! – Ela exclamou, colocando a mão diante do rosto. – Invasão de privacidade, Styles!
- Não seja rude, Harry! – Ele revirou os olhos e virou o celular para , fazendo- a finalmente observar o rosto da mãe do cantor. Lembrava- se vagamente de alguns vídeos que Ana a havia obrigado assistir em que a mais velha aprecia. E ela sempre comentava como era quase uma invasão de privacidade observar os momentos de carinho entre a mãe o filho. Observá- la ali, diante de si, com um olhar de expectativa e um sorriso grande, era ainda mais estranho. – Olá, , meu nome é Anne, sou mãe desse menino lindo! – A brasileira abriu um sorriso grande.
- É um prazer te conhecer! Harry fala muito de você, e com muito carinho! – Disse, educada, mas extremamente verdadeira. Em vários momentos da conversa sua família havia sido citada. – Tenho que admitir que estou morrendo de vontade de passar uma noite assistindo comédia romântica com vocês!
- Está mais do que convidada! - A mulher mais velha exclamou com animação e se lembrou da mesma expressão precipitada no rosto de outro Style na quinta- feira quando soube que ela era professora de português. – Eu vou adorar conhecer a nova professora do meu filho.
- Realmente, precisamos marcar uma reunião de pais! Harry já tem sido um aluno rebelde demais. – Ela fez uma expressão de derrota e gargalhou, assim como a mãe dele, diante da exclamação de ultraje do cantor. – é uma aluna muito mais dedicada, sem dúvidas! - Eu imagino. Conheço muito bem o filho que tenho... – Ela suspirou, fingindo cansaço, fazendo sorrir de novo. – Harry, não dê trabalho para , ou vou te deixar de castigo! – O homem apenas revirou os olhos, apesar do sorriso de canto que exibia. – Mas me conta, , você mora na cidade em que o Harry vai fazer o show?
- Não, eu sou do interior. Estou só visitando. – Deu de ombros.
- Você pode me trazer o doce que a tanto fala quando vier nos visitar, querida? – sorriu ainda mais, encantada com a mulher.
- Vou fazer questão! Brigadeiro é uma das melhores coisas que temos no Brasil! E como vai sua filha, a Gemma? – Sabia que não tinha intimidade nenhuma com a família, mas não queria terminar a conversa.
- Vai bem, muito curiosa sobre você, pra ser sincera. Ela vai morrer de inveja quando descobrir que falei com você! – Antes que pudessem dar continuidade no assunto, o celular de começou a tocar e a imagem de mostrando a língua iluminou a tela.
- Hm, acho que teremos que conversar mais outra hora, Anne. Foi um prazer! – A brasileira sorriu, uma última vez, e mandou um beijo, observando o aceno que a mais velha lhe lançou e atendeu o celular rapidamente. – Oi, amor.
- Cadê vocês? – A ruiva disse lenta e pausadamente, fazendo fechar os olhos e imaginar o pior.
- Estamos atrasados? – Perguntou também baixinho, com medo da reação da mulher. A sua frente, Harry tentava encerrar o mais rápido possível a ligação com a mãe, e parecia não ter muito sucesso.
- Muito. – Ela respirou fundo do outro lado da ligação. – Venham logo, por favor, consegui reduzir as entrevistas para duas, mas o Harry precisa estar aqui logo.
- Claro, já estamos indo! – respondeu, já se levantando, e sendo seguida por um Harry confuso.

respirou fundo, encarando a ruiva a sua frente em uma postura muito tensa. As duas entrevistas já haviam acabo, Harry tinha um intervalo relativamente longo antes de subir ao palco, sobrando tempo para ensaiar um pouco, se arrumar e ainda implicar com as pessoas a sua volta. Porém, a assistente pessoal encontrava- se quieta e muito focada em encarar seu chefe com todas as forças de seu corpo pequeno. Pensou no que poderia fazer a amiga feliz e a ideia pulou em sua mente, extremamente óbvia.

Vou buscar algo pra melhorar o humor da , volto bem rápido 17:03


Observou Harry, do outro lado do quarto do hotel, ler sua mensagem e sorrir, maneando a cabeça afirmativamente de modo discreto para ela. A brasileira buscou a bolsa e saiu com rapidez do hotel. Lembrava- se que na esquina havia uma padaria e só ansiava com todas as forças que houvesse um misero brigadeiro ali. Para sua extrema sorte, havia, e ela fez questão de comprar muitos. Precisava levar para todo mundo naquele quarto: o pessoal da banda, o pessoal da produção de Harry, fotógrafa, maquiadora, cabelereira e todos os outros que compunham a equipe e ela não havia decorado as funções. Afinal, eles estavam fazendo tanto por ela naqueles últimos dias. Gastar um pouco em brigadeiro não era nada. Enquanto deixava o lugar, após o pagamento, roubou um brigadeiro da sacola e sentiu seu humor melhorar automaticamente ao ter a doçura do chocolate derretendo em sua boca. Por isso, tratou de voltar o mais rápido possível para todo aquele pessoal com sotaque britânico. Ao invadir novamente o espaço, pode escutar uns barulhos que classificou como esquisitos, mas deveria ser algum tipo de aquecimento vocal. Deu de ombros e se colocou ao lado de , que continuava na mesma posição da que quando saiu.
- Hm, pessoal? – Arriscou e sentiu muitos olhares sobre si. Alguns bem feios, acusando- a silenciosamente pela interrupção, mas ela apenas deu um sorriso, se desculpando. – Eu trouxe algo para agradecer e tentar melhorar os ânimos... – Se voltou para , que a encarava confusa. – Brigadeiro! – Entregou a sacola na mão da ruiva e ouviu muitos gritos animados. Riu ao sentir os braços da ruiva ao seu redor e seus pulinhos mal contidos.
- Eu te amo! – Ela logo estava com três doces na boca e organizava uma fila para distribuir o conteúdo da sacola para todos os presentes, finalmente voltando ao estado de pura animação que havia se acostumado.
- Obrigado. – ouviu um sussurro incrivelmente próximo de sua orelha e quase teve uma parada cardíaca. Colocou a mão no coração, respirando com dificuldade e encarou Harry com raiva. – Desculpa. – Ele riu e passou um de seus braços longos pelos ombros da mulher. – Mas obrigado. O Brasil teria bem menos graça sem você aqui com a gente. – Ela apenas sorriu, sem saber muito bem o que responder. Por isso, apenas se inclinou e depositou um beijo em sua bochecha. Depois, apoiou a cabeça em seu ombro e aproveitou apenas para sentir o perfume gostoso do homem que emanava forte de suas roupas.

- Uma música do One Direction! – Harry gritou, apontando na direção de que apenas o encarou confusa. A banda estava se preparando para invadir o palco principal e eles se encontravam extremamente elétricos. Harry, principalmente, já que deslizava, caminhava e pulava de uma ponta a outra do espaço. , confortavelmente sentada em um canto no chão conversando com Sarah Jones, a baterista da banda, a sua esquerda, e , a sua direita, não fazia ideia do que o homem queria inventar agora. – Vamos, darling, uma música!
- Hm, Perfect? – Ela buscou com o olhar as outras duas, que gargalharam e o homem revirou os olhos.
- Taylor Swift não! Não aguento mais ninguém perguntando sobre essa música! – Ele exclamou muito alto, fazendo a garota ficar ainda mais confusa.
- O que você quer de mim, Styles? – Ela perguntou séria e sentiu um cutucão no lado direito de sua cintura. Se voltou para , mas antes de questionar o que ela queria, a voz de Harry voltou a preencher o lugar.
- Baby, say yeah, yeah, yeah, yeah yeah, and let me kiss you! – Ele lhe lançou aquele sorriso malicioso em sua direção enquanto cantarolava e depois gargalhou, observando o vinco entre as sobrancelhas da brasileira aumentar e as mulheres ao seu lado rirem ainda mais. – Vai, , uma música pra eu cantar, bonitinha!
- CANTA COLDPLAY! – A mulher exclamou extremamente animada. Não poderia nunca negar a obsessão que tinha pela banda britânica desde a adolescência. E não era algo que iria superar facilmente. Até hoje a banda ocupava um lugar como uma das favoritas de e ela imaginava que seria uma experiência incrível poder ver e ouvir ao vivo Harry Styles cantando alguma música de sucesso deles. Harry finalmente caminhou até onde ela estava e parou a sua frente com as mãos na cintura, encarando- a com uma sobrancelha levantada. – Eu sei de fontes muito confiáveis que você a sua boyband já cantaram músicas deles! – apontou o dedo na direção dele que levantou as mãos como que se defendendo do ataque.
- Desculpa, darling, mas não ensaiamos Coldplay. No próximo show que você estiver presente prometo que canto. – A mulher apenas revirou os olhos, cruzando os braços e formando um bico com os lábios. Se ele não ia cantar Coldplay, ela já havia perdido o interesse. – Vamos, por favor, ou eu vou fazer você subir no palco pra cantar comigo!
- Você não faria isso... – o encarou desconfiada, mas ao observar o sorriso infantil no rosto dele sabia que ele faria sim aquilo com ela. Ela levantou as mãos, se rendendo. – Ta. What makes you beautiful. – A morena apenas deu de ombros, observando e Sarah começarem a cantar (I’v Had) The Time of My Life, por algum motivo que ela não compreendeu. Antes que ela pudesse prever, Harry já a havia puxado pela mão para ficar de pé e a fazia girar pelo lugar.
- Just remember, you're the one thing I can't get enough of... – Ele cantou, gargalhando das reclamações de sobre estar ficando tonta. - So I'll tell you something, this could be love because…
- NÃO PENSE EM TENTAR ME LEVANTAR! – gritou antes que ele tivesse a ridícula ideia de a tirar do chão como em Dirty Dancing. Ele gargalhou, pois já estava com as mãos posicionadas na cintura da mulher para fazer justamente o que ela não queria. Fez um pequeno bico com o lábio inferior e a brasileira revirou os olhos, finalmente rindo e cantando a música junto com os demais, acompanhando Harry naquela dança excêntrica que ele fazia.

- Oi, meninas, turopom? – Harry disse animado ao microfone fazendo todos os presente no show irem a loucura. gargalhou com vontade, registrando o momento em seu celular e observando a feição incrédula de a seu lado. –
Eu não sei falar português... Muito bem...
– O homem fez uma pausa, passando a língua pelos lábios e se voltou ligeiramente na direção em que a brasileira se encontrava. Ela balançou as mãos, pedindo que ele continuasse e ele sorriu. – Mas estou aprendendo. – Novamente uma onda de gritos histéricos se fez ouvida. O cantor gargalhou com vontade, simplesmente adorando o efeito que suas frases estavam causando na plateia. – Foi bom? O que vocês acharam? – Ele andou pelo palco, encarando seu público e rapidamente parou, tentando ouvir o que alguém tentava lhe dizer.
- Como ele sabe tudo isso? – perguntou, com um bico nos lábios e riu.
- Eu ensinei durante o almoço, ele queria impressionar as fãs. – deu de ombros, voltando sua atenção para o cantor que ainda tentava compreender o que um grupo de fãs lhe gritavam.
- O que? Poc? – Ele se voltou novamente para onde as duas mulheres estavam nos bastidores. – É isso mesmo? – Ele buscou confirmação da brasileira, mesmo com as fãs indo a loucura. levantou os polegares, confirmando a pronuncia dele. – POC! – Ele então gritou na direção do público, fazendo a mulher rir. – Vocês precisam me dizer se está bom, estou tentando impressionar minha professora, pessoal. Vamos lá: vocês gostaram? – Ele apenas aguardou a onda de gritos histéricos. – Eu mereço um dez na prova? – De novo ele apenas esperou e teve uma resposta muito satisfatória. – Então, vamos lá, gritem comigo: POC!
agora gargalhava com vontade. A animação com que o cantor gritava a palavra, como se ela explicasse o sentimento que ele sentia ou algo do tipo era realmente contagiante. Ele nem imaginava o significado, mas se encontrava êxtase por estar pronunciando e sendo tão bem recepcionado. Mal sabia que qualquer coisa que ele dissesse, principalmente os memes em português, fariam todos se acabarem em gritos.
- Metido. – resmungou, com os braços cruzados, e em uma clara posição emburrada. balançou a cabeça negativamente, ainda sorrindo. Os dois iriam ser extremamente competitivos durante o processo de aprendizagem da nova língua e ela não sabia como iria administrar aquilo.
- Porra... É sério, Brasil, eu te amo! – Novamente, ele foi acompanhado pela animação das fãs que pareciam prestes a ter um colapso diante do cantor declarando seu amor aos brasileiros. – Ok, ok... Antes de passarmos para a próxima música, eu queria perguntar pra vocês... Vocês acharam que eu não ia rebola a minha bunda hoje?
E de repente a icônica introdução de “Movimento da sanfoninha” começou a tocar e Harry estava se dedicando a fazer algo próximo de um rebolado no palco. nunca viu uma multidão gritar tanto quanto os presentes no festival fizeram naquele momento. Era surreal até de descrever. Todos gritavam e incentivavam o cantor naquela bizarra forma de homenagear o país com sua dança. E a brasileira ria, porque não sabia que o cantor iria aprontar aquilo. Claro, havia ensinado a frase e o contexto, mas não achou que ele iria tentar reproduzir. Principalmente quando era um péssimo dançarino. Estava quase com pena da vergonha que ele pagava (no crédito e no débito), mas sob aqueles gritos, parecia irrelevante. E Harry ria como nunca, claramente feliz de causar aquela reação em suas fãs. Após mais alguns segundos de vergonha, a música foi cortada e os acordes iniciais de Kiwi se fizeram presente. E novamente ele se encontrava em meio aos pulos no palco com o microfone em mãos. Ela só torcia para que ele não caísse. Ou talvez, internamente, esperava que sim. Iria amar os memes.


Capítulo 04

- Bom dia! exclamou animada, observando sair do carro meio emburrada e Harry a acompanhar com os olhos escondidos por trás dos óculos escuros e os cabelos cobertos pelo mesmo boné do primeiro encontro dos três. Foi recebida por um “oi” em português extremamente animado do cantor, que caminhou em sua direção para depositar um beijo em sua bochecha, e um mais rabugento que vinha da ruiva. – O que aconteceu? – perguntou, adentrando ao prédio, acenando para o porteiro simpático e indicando o caminho até o apartamento de Ana para os dois estrangeiros.
- Você disse para não tomarmos café da manhã e fica assim quando está com fome. – Harry explicou, dando de ombros enquanto aguardavam o elevador. sorriu, apertando a bochecha da outra sem que pudesse se conter.
- Sem cara feia, preparei um café da manhã brasileiro pra vocês!
- Vai ter brigadeiro? perguntou, desconfiada, fazendo os outros dois caírem na risada ao adentrarem o elevador. Durante o trajeto até a residência da amiga, a conversa foi, resumidamente, comentários trocados por e Harry sobre o show da noite anterior. A ruiva se manteve fielmente com a feição fechada e não deu um misero sorriso para os outros dois, que tentavam provoca- la um pouco.
- Olha, é tudo bem simples, ok? – se adiantou, quando pararam diante da porta 303. – Tanto o apartamento, quanto a comida. Não somos... Ricos. – Ela deu de ombros, finalmente abrindo a porta.
- Não se preocupa, . Você estar recebendo a gente já é mais do que o suficiente! – Harry se adiantou a dizer, mas aquilo não diminuiu a apreensão da brasileira. Tinha uma ideia com o que eles estavam acostumados, principalmente por ter passado o dia anterior com os dois no hotel, e sua realidade não era nada comparado aquilo.
- Bom, saiba que você vai ter que pelo menos gravar um vídeo depois para Ana, ou ela vai me matar! – disse, divertida, e os encaminhando em direção a cozinha. – Bom, como eu disse, simples... – Ela fez uma pequena careta ao mostrar a mesa com as comidas dispostas. Havia comprado pão, queijo muçarela e apresuntado, além da manteiga, para o mais recorrente café da manhã brasileiro regado a café e leite. Também tinha lembrado do pão de queijo proveniente da padaria próxima ao prédio (e que tinha o selo de aprovação de e dos amigos) e algumas frutas para completar.
- , é mais do que suficiente! – Dessa vez foi que exclamou, parecendo mais feliz agora que estava ao alcance da comida.
- Espero impressionar o suficiente. – deu de ombros, enquanto cada um assumia uma cadeira e se sentava confortavelmente.
- Espera, a aula já vai começar? – Harry perguntou, animado, e a brasileira apenas assentiu, sorrindo. – Você vai conquistar a gente pela barriga? – Ele perguntou, agora dividido entre o riso e a incredulidade e ela penas assentiu novamente, rindo.
- Como se precisasse... Mas saiba que eu te amo mais agora do que antes! – comentou animada, após morder o pão de queijo e gemer do mesmo jeito que havia feito no SESC ao experimentar o brigadeiro, não espantando mais ninguém com aquele comportamento. Durante os vários minutos que se seguiram, se dedicou a falar um pouco sobre o Brasil e sua história. Também fez comentários a respeito da cultura, para situar melhor os dois estrangeiros, principalmente em relação ao comportamento em geral do país: a questão dos abraços e beijos, do toque recorrente durante uma conversa, de falarem alto e parecerem mal- educados por “interromper” conversas para pedir informações. Com paciência, tentou desmitificar todos os estereótipos construídos com relação a proximidade dos brasileiros e seu jeito simpático.
Após a descrição, passou a explicar como seria uma apresentação, explorando o uso do verbo “ser”. Buscou o básico, já que ambos eram iniciantes no aprendizado da língua, apesar de estarem devidamente familiarizados com alguns memes brasileiros por culpa dela mesma. Os fez repetir e encenar um encontro, o que foi extremamente divertido, já que Harry decidiu que queria interpretar e comprou facilmente sua ideia. Gastaram muitos minutos criando diversos personagens e suas possíveis apresentações até que a competitividade dos dois ficasse aflorada demais para continuarem. , então, para tentar acalmar o clima, decidiu apresentar aos dois a surpresa que havia preparado.
- Eu te prometi quinta- feira que iria te ensinar a fazer brigadeiro... – caminhou em direção a pia da cozinha e sentiu a presença da ruiva ao seu lado instantaneamente.
- Você tá brincando?! – Ela exclamou, animada, fazendo a brasileira rir.
- Não, mas vou falar em português para vocês se acostumarem com o idioma, tudo bem? – Se voltou para os dois, ajeitando os ingredientes na bancada. Observou os dois assentirem, animados. – Qualquer dúvida, vocês podem perguntar em inglês ou falar em português: Eu não entendi. – Eles repetiram a frase baixinha algumas vezes, se acostumando com a pronuncia e ela esperou pacientemente.
- Pode começar! – Eles gritaram, animados e juntos, fazendo gargalhar.
- Primeiro... – Ela levantou o dedo indicador, tomando o cuidado para falar devagar.
Precisamos do leite condensado. – Ela apontou a lata em sua mão e repetiu o nome do doce, pois a brasileira a havia ensinado quando se conheceram. concordou e a elogiou, e enquanto se virava para abrir a lata, não viu as caretas que os estrangeiros faziam um para o outro, em pirraça. – Colocamos na panela. – Ela disse a última palavra ao mesmo tempo em que apontava para o recipiente, despejando o leite condensado ali. – Depois, pegamos uma... – E novamente fez o número enquanto enchia uma colher. – Colher de manteiga. – Cada momento que passava, ela queria sorrir ainda mais pela atenção que eles dedicavam a ela, empenhados em entender. Em alguns momentos, eles sussurravam as palavras, para apreender melhor o som. – E achocolatado. – Ela mostrou a lata que continha o ingrediente. – Três colheres. – Normalmente ela não tinha uma medida exata, mas achou melhor não confundir os outros dois. – Depois é só colocar no fogo...
- Eu não entendi! – Harry levantou a mão, pronunciando muito bem a frase e a fazendo rir um pouco e assentir, para que ele falasse qual era o problema. – Você não mexe antes de colocar no fogo?
- Não, você mexe enquanto está no fogo. Algumas pessoas preferem cozinhar no fogo baixo para não queimar, eu, como sou desesperada, sempre faço no fogo alto pra terminar mais rápido. – Ela disse, na língua materna dos dois, e deu de ombros. Os dois riram dela, mas ela não se importou. – Mexe bem. – Ela disse lentamente, novamente em português. – Para não queimar!
- Eu não entendi. – exclamou, confusa. – O que significa mexe e queima? explicou o significado das duas palavras, enquanto se dedicava a mexer a receita. Esperou até que a ruiva lhe assentisse, confirmando que havia entendido, e só depois ela prosseguiu.
- Olha. – Indicou com a cabeça e eles se aproximaram. O brigadeiro estava quase no ponto. – Quando desgruda da panela, significa que está pronto! – Ela levantou a panela, movendo para frente e fazendo o conteúdo se desprender do fundo. soltou um grito, assustada, e riu. Ela explicou em inglês o que havia dito, para evitar dúvidas, e eles concordaram. – Depois, colocamos em um prato. – Ela indicou o objeto que estava próximo de e a ruiva o pegou, trazendo para a brasileira que agradeceu. – E depois... Raspar a panela! – Ela fez o gesto e eles a encararam animados. Entregou colheres a todos e eles a imitaram. Harry, porém, já estava colocando o doce na boca e ela soltou um gritinho. – Assopra! – E fez o movimento em sua colher. gargalhou e Harry sorriu, envergonhado.
- Porra, Styles, isso estava no fogo e você ia colocar na boca sem assoprar? – perguntou, inconformada, e ainda rindo.
- Te desafio a falar isso em português, babaca. – Ele apenas resmungou. O que não foi uma boa ideia, já que ficou repetindo “assoprar” pelos próximos minutos no ouvido do rapaz.
apenas riu da cena, colocando o prato na geladeira e trazendo a panela para a mesa, para que eles pudessem comer mais um pouco. Aproveitou aquele momento para explicar mais sobre o que dizer em situações corriqueiras, como esbarrões, encontrar algo de outra pessoa, pedir ajuda, perder algo... Quando a panela estava devidamente limpa e os três sujos pela brilhante ideia de Harry de esfregar o brigadeiro, agora frio, nas duas mulheres, ela retirou o prato da geladeira e se sentou, finalmente olhando o horário.
- Porra, já foram quase duas horas e meia! – Exclamou assustada e os outros dois também expressaram choque abrindo levemente os lábios e verificando a hora no celular. – Eu ainda preciso levar vocês no mercado e ir almoçar antes de ir pra rodoviária.
- Mas já, ? – perguntou, com tristeza, e a mulher assentiu, mordendo o lábio inferior.
- Não posso demorar mais, tenho mil coisas pra fazer e dar aula amanhã cedo... – Suspirou, dando uma colherada do doce e apoiando o cotovelo na mesa, descansando a cabeça na mão, agora desanimada.
- Vamos falar de coisa boa enquanto podemos, ok? – Harry a empurrou levemente e ela tentou sorrir. – Você definitivamente me conquistou pela barriga. Quero que você seja minha professora.
- Eu nem preciso falar, né? – revirou os olhos, fazendo rir.
- E como faremos funcionar? – perguntou, se sentando ereta na cadeira, e começando a pensar. – Ah, quase me esqueci. Eu escrevi tudo o que conversamos em um documento de Word para enviar pra vocês, ok? Não se preocupem! – Ela exclamou, nervosa, por meio segundo, que eles pensassem que suas aulas seriam informal daquele jeito. Ela não trabalhava assim, mesmo proporcionando diversos momentos de interação para os alunos. Tudo tinha um objetivo a ser alcançado através de um plano previamente estruturado.
- Não tem problema, . – deu de ombros, antes que Harry falasse algo. – Eu acho que podemos combinar as aulas por vídeo chamada, ou por Skype, certo? – Ela perguntou, se voltando para o cantor.
- Sim, acho que para marcar um horário com a vai ser mais fácil, ela pode estudar com você durante os shows, por exemplo. Talvez comigo seja mais complicado... – Ele explicou e ela assentiu.
- Mas você pode cobrar mais caro quando for um horário difícil pra você, por exemplo, de madrugada. – complementou, fazendo Harry assentir categoricamente. Ela ponderou por alguns segundos e concordou.
- Tudo bem, por mim. Quantas horas por semana vocês pensaram? – Ela perguntou, já fazendo anotações mentais sobre como seria difícil e em como transformar aquilo em números para seu futuro pagamento.
- Duas? Passou muito rápido! – Harry exclamou e ela riu.
- Claro. Quando vocês não puderem fazer as duas horas de uma vez, podemos dividir. Nós vamos nos adequando. – deu de ombros e começaram a conversar a respeito de valores. Os dois estavam dispostos a pagar uma quantia muito maior do que ela esperava, e quando tentou contestar, foi simplesmente ignorada. e a brasileira discutiram sobre como a transferência do dinheiro seria feita. Isso a morena estava atualizada, já que havia pesquisado sobre, visando o trabalho em Los Angeles. – Ah, preciso contar uma coisa... – Ela exclamou animada, fazendo Harry tirar a atenção do celular para encara- la.
- O que foi? – perguntou, desconfiada e ela riu.
- Olha, eu não quero nenhuma reação exagerada, ok? É só uma possibilidade... – A brasileira tratou de avisar, com a voz calma e lenta, para que eles compreendessem. – Não coloquem muita expectativa ou surtem, tudo bem?
- , pede logo um beijo do Harry! – disse, revirando os olhos e voltando sua atenção para o doce. Os outros dois a encararam confuso.
- O que? Não! – tratou de exclamar rápido. – Eu... Bom, eu estou aqui em São Paulo essa semana porque precisava acertar as papeladas de uma viagem. – Agora, ela tinha a atenção exclusiva da ruiva sobre si. – Eu não tinha certeza se ia dar certo, mas ontem à noite eu recebi a confirmação...
- , não enrola! – a apressou, fazendo a morena revirar os olhos.
- Surgiu uma vaga para professor de português na faculdade de Los Angeles. E minha orientadora me indicou para a vaga. Fui chamada pra fazer a entrevista. Estarei em solo americano em duas semanas. – Ela deu de ombros e teve a exata reação que não queria. Os dois começaram a gritar extremamente animados, abraçando- a e dizendo parabéns. – Não, não! É uma entrevista. Eu não sei se vou conseguir o emprego! Por isso não era pra vocês reagirem assim... – Ela choramingou, mas os outros dois só reviraram os olhos.
- , já é uma grande coisa você participar dessa entrevista... Se te falarem não, você não vai desistir. Vai tentar uma vaga em outro lugar. E, independente do lugar, vamos estar muito felizes por você! – Harry pegou em suas mãos, parando a sua frente e encarando no fundo do seus olhos ao dizer as palavras seguintes: - Você é uma pessoa maravilhosa... E olha que eu te conheço a menos de uma semana. – Ela riu, concordando com a última parte da fala dele. Observou o modo como ele passou a língua pelo lábio inferior antes de continuar, de maneira pausada. – Eu tenho certeza que eles vão ver isso em você... E se não virem... Estarão perdendo uma mulher muito especial e uma professora realmente incrível... Você consegue cativar todo mundo ao seu redor e tem um futuro magnifico pela frente... Eu só espero continuar fazendo parte da sua vida... Para te ver realizando grandes feitos.
A mulher mordeu o lábio inferior, realmente emocionada pelo que o cantor havia dito. Tentando evitar passar vergonha ao começar a chorar, ela soltou suas mãos, ainda unidas, e passou os braços pela cintura dele, o abraçando com força. Ela não se considerava uma mulher com auto estima baixa. Sabia de seu potencial, havia colecionado elogios por sua performance na graduação e um ou outro prêmio por sua pesquisa acadêmica. Apesar disso, sempre tinha alguns momentos em que fraquejava um pouco perante aos desafios. Esse, em particular, estava tirando seu sono há dias. Agora, diante das palavras do homem, ela definitivamente se sentia mais calma. Tinha sido – novamente – reconhecida pelo seu trabalho. Era mais um ponto para mostrar como era boa. E iria se apegar a isso e evitar alguma crise futura de nervosismo.
Sentiu o homem passar os braços por seu corpo e a abraçar apertado contra o corpo dele. Ela estava começando a se acostumar com aqueles abraços apertados do cantor, que eram realmente muito bons e ela não sentia vontade nenhuma de se soltar. Acabou deixando um suspiro escapar de seus lábios e, sem querer, acertar em cheio a pele do pescoço do homem e observou como ele se arrepiou. Sorriu sozinha, sentindo o perfume dele. Talvez se ele não fosse famoso, iria se apaixonar por um cara assim? A resposta mais provável era sim. Mas eles haviam desenvolvido uma amizade tão grande nos últimos dias, que não conseguia mais se imaginar enfiando a língua na garganta dele. Ok, se fizesse um pouco de esforço conseguiria, sim. Porém, preferia a relação profissional/amizade do homem para não quebrar seu coração já machucado o suficiente.
Sentiu braços finos e pequenos ao redor de seu quadril e o corpo pequeno da ruiva contra o seu. Se afastou um pouco de Harry e observou como chorava baixinho, realmente emocionada. Abriu um sorriso grande, e a puxou para um abraço.
- ... Nunca achei que fosse te ver chorar... – Ouviu a risada abafada da mulher contra seu corpo. – Ainda mais por algo que o Styles disse.
- Ah, , eu concordo com tudo. Com tudo. Eu não poderia dizer melhor! – apenas a apertou mais contra seu corpo, definitivamente sem querer dizer adeus para sua mais nova e querida amiga.
- Ela está me dando razão, , ela está me dando razão! – Harry sussurrou animado para a brasileira, fazendo- a rir.
- Talvez conseguiria falar mais rápido... – A ruiva não deixou de implicar, fazendo a brasileira gargalhar alto.
- , você precisa parar de chorar, ou eu vou começar a chorar, e eu não queria passar as nossas últimas horas juntos até sei lá quando assim... – resmungou, balançando a mulher para os lados levemente, mesmo que ainda agarrada a ela.
- Como assim “sei lá quando”? – Rapidamente a ruiva estava a sua frente, passando as mãos de modo grosseiro pelo rosto e a encarando em fúria. – Você não vai estar nos Estados Unidos em duas semanas?
- Como ela muda de humor assim? – A brasileira sussurrou para Harry que apenas riu, dando de ombros.
- Mistério... – Ele sussurrou com uma voz mais grossa e lenta e revirou os olhos.
- Anda, ! – bateu o pé no chão, demandando uma resposta.
- Eu presumi que vocês estariam ocupados. Você tem uma agenda cheia porque é aquele cantor de boyband, certo? – Ela sorriu grande ao observar a feição de tédio que o cantor lhe lançou. É, definitivamente o seu novo hobby era provocá-lo com aquela informação.
- Nós vamos nos organizar! – Ela exclamou, decidida, e apenas balançou a cabeça e seu dedo indicador em negação.
- Não. Vocês já tiveram problemas o suficiente aqui no Brasil para passarem uma tarde comigo. Eu não aceito. – Ela cruzou os braços, decidida, e continuou a balançar a cabeça negativamente. – Eu vou ficar só cinco dias. É só me acostumar um pouco com o fuso horário, fazer a entrevista, esperar o resultado e vir embora!
- Não, pelo menos uma tequila você tem que beber com a gente! – jogou as mãos para o alto, incrédula, e riu.
- , seja razoável. Podemos pensar em passar a tarde com a , mas é realmente pouco tempo. Ela tem que focar no que é importante... – Harry finalmente entrou na discussão, passando um braço pelos ombros da brasileira, que o apontou, como se lhe desse razão. – Se ela conseguir o emprego, nós vamos estar bem mais perto dela e podemos sempre tomar tequila! Foca no objetivo maior.
- Ei! – exclamou alto, não gostando como a forma que o discurso do homem terminou. Para sua infelicidade, assentia, lhe dando razão. – Ah, não. – Murmurou, em português, e se sentou novamente na mesa, decidida a se afogar um pouco mais no brigadeiro.
- Nessa semana que você comentou, acho que vamos estar em Los Angeles para algumas entrevistas do Harry de divulgação do filme! É perfeito! E podemos fazer um passeio turístico, . – Ela exclamou animada e a brasileira tentou conter sua ansiedade para isso, mas não conseguiu segurar o sorriso. – O passeio foi aprovado! – A ruiva e Harry fizeram um high-five e se juntaram a na mesa. – Você já comprou passagem?
- Já. Aproveitei uma promoção e comprei a passagem de ida e volta. – deu de ombros, ainda entretida com o doce.
- Onde você vai ficar? – Harry foi quem questionou dessa vez.
- Eu reservei um hotel que não tenho muito certeza da procedência, mas era um em conta e perto da universidade, então... – Novamente, ela apenas deu de ombros.
- Mas você fez o pagamento? – questionou, curiosa. apenas negou com um movimento de cabeça, muito ocupada em lamber a colher que estava em sua boca. – Cancela a reserva e fica no meu apartamento, então! Assim você não gasta seu dinheiro.
- Não quero atrapalha, ... – A mulher disse, realmente se sentindo um pouco culpada por tanta atenção e preocupação daquelas pessoas que mal conhecia (mas já considerava pakas).
- , se eu estou te convidando, não vai atrapalha! E minha irmã também mora na cidade, ela, inclusive, está procurando por alguém pra dividir o apartamento. Se tudo der certo, podemos conversar com ela! – A ruiva exclamou animada e por um momento quase afogou com a própria saliva.
- ... – Harry colocou sua mão no ombro da mulher a seu lado. – Calma!
- Eu estou tentando evitar pensar no assunto para não criar expectativa que podem não vir a se realizar. Por favor, não me faça criar expectativa... – Implorou, fazendo os outros dois rirem.
- Tudo bem. Mas você fica comigo! – decretou, enchendo a boca de brigadeiro. Antes que pudesse fazer qualquer outro comentário, seu celular começou a tocar incessantemente sobre o balcão. Caminhou com preguiça na direção do som e abriu um sorriso enorme ao visualizar quem estava tentando entrar em contato com ela. Ela não aceitou a chamada de Ana, mas abriu o aplicativo e iniciou uma chamada de vídeo com a amiga.
- Achei que não queria falar comigo, amiga desnaturada. – A mulher do outro lado disse, emburrada. riu.
- Você vai pagar a língua, bobona. Mas acho melhor você ir arrumar esse cabelo. – A mulher se segurou para não rir do coque mal feito que a amiga usava e a deixava com uma crista, quase igual a um pássaro.
- Desde quando eu me arrumo pra falar com você? – Ana perguntou, desdenhando.
- Desde quando eu estou com Harry Syles a cinco passos de distância! – Gargalhou ao ver o celular se jogado de qualquer jeito na cama em que a amiga estava a instante atrás. A tela de seu celular ficou brilhando com a imagem do teto, enquanto ouvia os gritos histéricos e distantes de Ana. – Ei, Harry, você se importa de falar com a Ana? – perguntou, mordendo o lábio inferior.
- Claro que não! Estamos usando a casa dela, é o mínimo que eu posso fazer. – Ele rapidamente se levantou, ficando ao lado da mulher. – Mas cadê ela? – Ele a encarou em dúvida.
- Ela foi se arrumar pra te ver. – Ambos riram. Ao fundo da ligação, distinguiu a voz de Leo dizendo algo como “Por que você está passando perfume?” fazendo- a gargalhar.
- ELE NÃO VAI SENTIR SEU CHEIRO, BOBONA! gritou, ainda gargalhando e recebeu um olhar assustado do homem a seu lado. Viu uma mão pegar o celular e Leo estava diante dela, com uma carinha de sono. – Oi, bobão.
- Fala, bobona. – Ele resmungou e franziu a sobrancelha, observando Harry ao lado da amiga. – É por isso que minha namorada ta se arrumando toda? assentiu, rindo, e observou o amigo revirar os olhos. – Ei, cara, tudo bem? Meu nome é Leo, sou namorado da Ana e melhor amigo da . – Ele disse, em inglês, com a cara meio fechada.
- Ei, cara! falou muito de você! – Harry exclamou, animado, e Leo finalmente sorriu, não conseguindo manter a carranca que não lhe era característica.
- Ela adora falar de mim. Tenho certeza que foram só coisas ruins. – Ele encarou a mulher com um sorriso malicioso e ela deu de ombros.
- Só a verdade, mozão. – Mandou um beijo para o amigo. Antes que pudessem entrar em algum assunto mais interessante, Ana surgiu ao lado do namorado, pulando em cima dele para tentar tomar o celular de suas mãos, fazendo e Harry rirem.
- Ai, porra! – Ana gritou animada, fazendo rir e Harry sorrir curioso diante das palavras em português da sua fã. – Harry! Eu acho que vou desmaiar!
- Não, por favor, eu quero conversar com você! – Ele exclamou, rindo, e a mulher começou a se abanar.
- Porra de sotaque britânico do caralho. gargalhou com vontade, sabia que ia ser divertido mandar um vídeo para amiga tendo como estrela o cantor favorito dela, mas definitivamente aquela vídeo chamada estava se saindo muito melhor. Muito mais engraçada. – Eu não sei nem o que começar a te falar, eu te amoooo. – Ela exclamou e pela movimentação da câmera, ela estava dando pulos de felicidade.
- Obrigado. Eu que te amo por nos deixar usar sua cozinha! – Ele abriu aquele sorriso grande e infantil e Ana dividiu o olhar entre ele e a amiga.
- Você... Você ta na minha casa? – Ela abriu a boca, em surpresa, e e Harry assentiram. abriu um sorriso como que se desculpando, mas, ao contrário do que pensava, ela riu. – , não lava os talheres que ele usar, eu quero lamber quando chega em casa! – Ela exclamou, animada, em português, fazendo a amiga gritar e rir com vontade.
- Você é nojenta!
- Por favor, não me excluam da conversa... – Harry fez um bico e Ana suspirou. – Você também dá aula? – Ele perguntou, interessado. se voltou em busca de , encontrando a ruiva mexendo calmamente em seu celular e terminando de comer o brigadeiro.
- Se importa de conversar com a Ana sozinho? Preciso terminar de arrumar minhas coisas e dar atenção pra ruiva! – apontou com a cabeça a assistente pessoal do cantor e ele assentiu, sorrindo.
- Problema nenhum. Vamos nos divertir muito, não é, Ana? – Ele perguntou animado para a amiga de e ela assentiu animadamente.
- Sai, , Sai! – A mulher riu, puxando para o quarto de hóspedes que usava e deixando Harry se divertir com as reações de Ana sozinho.

- Essa é a melhor marca de leite condensado! informou, indicando as latas, e observou e Harry se empurrarem para conseguirem pegar várias latas e encher o carrinho. A brasileira gargalhou. – Vocês acham que vão conseguir contrabandear tudo isso?
- Vale a pena tentar. – Harry deu de ombros e eles seguiram pelo corredor. ainda precisava comprar alguma coisa para comer durante a viagem de quatro horas que enfrentaria. – Você não vai levar? – O cantor perguntou curioso e ela riu.
- Não, consigo fácil na minha cidade. – Ela deu de ombros e riu novamente ao encarar o carrinho. – Eu preciso de uma foto disso! – Ela tirou o celular do bolso e direcionou a câmera para o carrinho, cheio de várias latas de leite condensado. Harry começou a fazer movimentos, claramente tentando entrar na foto e ela riu. – Tudo bem, garotão. Dá seu melhor sorriso!
O homem se dedicou, então, a fazer as mais variadas poses ridículas diante do carrinho e fazendo gargalhar a cada foto. Não conseguia definir qual tinha sido o melhor registro dar um jeito de entrar no carrinho, sobre os gritos de para não fazer, e se cobrir com as latas. Ele não olhava para a câmera, e ela tirou uma foto espontânea do momento. Definitivamente, era a melhor foto. Enquanto se divertiam tirando muitas outras, inclusive uma selfie, finalmente reapareceu, após sumir pelo corredor.
- Até que enfim... O que vocês estão fazendo? – perguntou, visivelmente confusa.
- Harry está empenhado em fazer a gente ser expulso do mercado. – disse, ainda rindo e a ruiva apenas revirou os olhos, puxando- o pelo braço para que ele saísse do carrinho. Assim que ele fez, emburrado, ela jogou sacos do achocolatado usado por mais cedo na receita.
- Podemos ir! – Ela abriu um sorriso gigantesco e se encaminhou para o caixa, fazendo balançar a cabeça negativamente.
Por algum motivo, diferentemente dos outros dias, hoje eles estavam cruzando as ruas da grande São Paulo em uma van. Quando pararam no drivethru do Burguer King e tiveram que dividir o almoço ali, ela agradeceu. Definitivamente seria uma missão impossível equilibrar toda a comida que haviam comprado, além das bebidas, no espaço pequeno do banco de trás de um carro.
se dedicava a comer seu hambúrguer vegetariano em silêncio, observando os companheiros de estrada se provocarem por algum motivo bobo, como ela pode perceber que era comum. Um sorriso cobria o canto de seus lábios até receber uma batata frita em cheio em sua testa. Analisou o sorriso travesso de Harry e revirou os olhos.
- Quantos anos você tem mesmo? Esqueci. – Ela perguntou, para provoca- lo, e ele lhe deu a língua.
- Quem mostra a língua quer beijo, hein. – utilizou um tom extremamente malicioso e o empurrou pelo ombro. Harry abandonou o lanche ao seu lado, segurou os dois lados da cabeça da ruiva e deu um jeito de grudar seus lábios. gritou incentivos em meio as gargalhadas, mas, tão repentino como começou, ele a soltou, deixando claro a expressão de indignada da assistente. – Porra, Styles, que nojo!
- Não seja ingrata... – Ele a acusou, balançando uma batata frita em sua direção e riu da cara de puro nojo que ela lhe lançou. Uma batida leve na porta interrompeu a pequena bolha na qual encontravam- se.
- Desculpe atrapalhar, mas precisamos ir se quisermos chegar a tempo no aeroporto. – O brutamontes do segurança de Harry informou e rapidamente fechou a porta. tentou se levantar, mas sob os olhares atentos dos outros dois ela estancou no lugar.
- O que você acha que está fazendo? – Harry perguntou com um leve riso na voz.
- Vou chamar um Uber. Não vou pro aeroporto, vou pra rodoviária! – Antes que ela pudesse dizer algo pro motorista, que já ligava a van e colocava o veículo em movimento, fazendo- a sentar novamente. Harry colocou a mão sobre seu joelho direito.
- Nós sabemos e vamos te levar. Depois vamos para o aeroporto. – Ele deu de ombros, colocando mais uma batata frita na boca. – Relaxa. – Ele disse, com a boca cheia, fazendo as outras duas mulheres revirarem os olhos.
Para passar o tempo, Harry sugeriu uma disputa sobre quem colocava mais batata frita na boca. Por algum motivo, as outras duas aceitaram. Para , era uma forma de aproveitar o momento com aquelas duas criaturas de personalidades tão distintas, topando suas ideias para ter o que se agarrar quando a saudade batesse. Mesmo que fosse encontra- los em duas semanas. Mesmo que fosse dar aula para eles uma vez (ou até duas) na semana. Aquele contato definitivamente seria diminuído a quase zero, e ela queria apenas aproveitar a oportunidade que o destino lhe dera.
Para sua infelicidade, chegaram a rodoviária rápido demais. Para sua surpresa, havia sido a vencedora. Não sabia como uma quantidade tão grande de batata coube em um corpo tão pequeno, mas preferia não discutir – ou questionar os métodos da outra. Riu da comemoração tosca da amiga, mas logo sentiu o sorriso diminuir. Paul informou que já havia tirado suas malas do porta malas e que estavam prontos para continuar. engoliu em seco, encarando os dois a sua frente.
- Bom, até logo, certo? – Ela deu um pequeno sorriso de canto, observando os dois assentirem. Levantou com calma, fazendo questão de pegar o pequeno lixo que havia se acumulado ali pelo seu “almoço” e saiu da van. Respirou fundo, pegando sua mala do chão e lançando um pequeno aceno em direção ao segurança, que lhe devolveu um sorriso. Agora ela não pode deixar de sorrir. Tinha arrancado uma expressão diferente da carranca que ele exibia. Todo dia uma vitória.
Jogou os papéis no lixo e estava prestes a entrar no prédio, quando sentiu um pequeno corpo se chocar contra o seu e braços a agarrarem. Riu levemente, sentindo os olhos encherem- se de lágrimas rapidamente. Droga, não queria chorar. Muito menos queria uma cena na frente do prédio cinza.
- , não... – Ela murmurou, sentindo a ruiva fungar. Droga, iria chorar mesmo.
- Eu não vou aceitar só um aceno de despedida. Droga, , eu realmente já te considero uma amiga! – Ela resmungou, fazendo a brasileira passar o braço, que não estava ocupado segurando a mala, pelo corpo pequeno da outra.
- São só duas semanas, e vamos conversar durante esse tempo, certo? – Ela tentou, para não cair no choro. – Não vamos transformar isso em um drama desnecessário...
- Ta bom. – A ruiva se afastou, limpando o rosto. – Tchau, . – Sussurrou, colocando as mãos no bolso da calça.
- Tchau, . – Também sussurrou e colocou a mão livre no bolso de trás da calça, ligeiramente desconfortável. Observou a ruiva caminhar para a van e levantou seu olhar, procurando Harry. Ele estava sentado nos degraus do veículo, a encarando fixamente.
Droga, ela não queria aquela despedida impessoal tanto quanto não queria provocar um drama desnecessário. Seriam duas semanas? Seriam. Mas sentiria falta da presença dos dois, que tinham sido tão frequente nos últimos três dias. E qual era o lema da vida de ? A gente só vive uma vez. Se ela tinha coragem de se endividar por comida, iria se privar de alguma demonstração de carinho só porque estava com medo de se apegar ou de parecer ridícula? Ela já estava mais do que apegada e já era ridícula naturalmente.
Caminhou em passos rápidos em direção a van e observou o homem se levantar e dar os passos que faltavam até estarem um de frente para o outro. Ela abriu os lábios, movimentando- os sem saber ao certo o que dizer. Ele passou a língua pelos lábios, parecendo em um conflito para escolher as palavras certas.
- Treine Coldplay. – Ela disse, finalmente, séria. Mas ao observar o riso dele, ela abriu um sorriso grande.
- Continue com esse sorriso lindo. – Ele piscou e ela revirou os olhos, mas ainda mantendo o sorriso no rosto. - Só duas semanas, certo? – Ele se balançou levemente para frente e para trás, claramente desconfortável e ela assentiu.
- Só duas semanas e vou estar novamente na companhia de um garoto de boyband. – Ela fez uma careta e ele riu, finalmente passando os braços pelo corpo dela. Ela largou a mala no chão, passando os seus pelo pescoço dele e o puxando para ainda mais perto dela. Perdeu a noção do tempo ali, naquele pequeno espaço apertado de aconchego, sentindo o perfume dele.
Infelizmente, o tempo não iria parar para que os dois pudessem aproveitar a presença um do outro. Ela foi quem se afastou primeiro, dando um passo para trás. O encarou por ainda mais alguns longos segundos, tentando decorar aquele rosto amigo, desmitificando e apagando o rosto famoso que ela havia formado para ele. Ele sorriu de lado e ela deu de ombros, pegando a bolsa no chão.
- Não vai esquecer esse rosto lindo, hein. – Ele brincou e ela revirou os olhos. Antes que pudesse finalmente se virar para comprar sua passagem, ele depositou um beijo em sua testa. – Até logo, .


Capítulo 05

- Professora? – , pega de surpresa por ainda estar acompanhada na sala de aula deu um pequeno pulo, virando- se para as três alunas que a chamaram. Depositou sobre a mesa o celular que usava a poucos segundos atrás, pronta para dar atenção as garotas.
- O que foi, meninas? – A mulher perguntou, com um sorriso no rosto, enquanto apoiava seu quadril na mesa. Tinha diante de si três sorrisos eufóricos e três pares de olhares muito animados. Talvez até demais. podia ser uma professora muito divertida e que os alunos adorassem conversar, mas nada era tão interessante ao ponto de fazer seus olhos brilharem daquela maneira.
- Bom, professora... – A garota do meio, Maria, deu um passo à frente, sob o olhar atento das outras. – Você participou do festival, semana passada, não foi? – cruzou os braços, levantando levemente sua sobrancelha, não muito segura sobre o assunto que as meninas queriam tratar com ela.
- Sim... Por que? – Perguntou cautelosamente.
- Bom, é que nós vimos fotos e notícias... – Luiza, a menor das três, se precipitou, fazendo as outras duas a encararem com raiva. A garota encolheu os ombros diante da reação das amigas. teve aqueles exatos quatro segundos e meio para um pequeno surto interno. Ok, suas alunas queriam saber se ela era a tal “professora de dança” do Styles. O que diria? Nada fora negado, mas aquilo também não deveria intervir em seu trabalho. Tentou disfarçar o nervosismo e controlou sua perna que começava a querer tremer levemente.
- Sobre o que se trata? – A professora optou por se fazer de desentendida. Era uma boa saída, certo? Ninguém tinha como provar nada. Diante dos lábios entreabertos e olhos arregalados, ela se viu perdida. O que dissera para causar uma reação tão extrema nas garotas? Por acaso o filtro entre seu cérebro e sua boca estava com defeito?
- Ai. Meu. Deus. – A terceira, Isa, apontou para sua mesa. se voltou para ela e deu de cara com seu celular, aceso por algumas notificações que chegavam. Ao segurá-lo em mãos finalmente percebeu do que se tratava: Você tem 9 mensagens de Harry Styles. Puta que o pariu.
Ela apenas segurou firme o celular em mãos, encarando a tela em busca de alguma intervenção divina para o enorme problema que estava prestes a enfrentar. Antes, porém, que suas preces fossem atendidas, um grito estridente tomou conta da sala. pulou no lugar e se voltou para as alunas, encontrando as três falando muito rápido e ao mesmo tempo diante de si, extremamente elétricas e animadas com a novidade escandalosa que a professora escondia. Mas, porra, como elas conseguiram ver o nome na tela daquela distância? Curiosidade potencializava as capacidades humanas? E por que tinha sido tão burra ao ponto de gravar o nome dele completo? Podia ter colocado qualquer coisa, mas não. Tinha que dar ao mundo, de mãos beijadas, o que ele queria.
- Meninas, por favor... – começou, passando levemente a mão sobre a têmpora, tentando ganhar só mais alguns segundos. – Sem gritar... Vocês não deveriam estar no intervalo? – Sem que a mulher tivesse muito controle, sua voz saiu ligeiramente chorosa.
- Nós estávamos indo, mas queríamos saber se era verdade, e, porra, professora! Você conhece mesmo o Harry Styles! – Maria despejou, extremamente rápido, com as mãos entrelaçadas as das amigas e incrivelmente próximas do rosto, em uma clássica cena clichê de fã.
- Não conheço, não. – tentou, mais uma vez, fingir um desentendimento do assunto para se esquivar da situação. Porém, só para consagrar seu castigo divino, o celular em mãos novamente acendeu a tela sob uma nova notificação. E a tela estava voltada para as alunas, dessa vez muito mais próximos de seus olhos curiosos. Se ela tinha alguma dúvida de quem era o responsável pelo alerta, a sanou diante dos pulos e gritos das três meninas. Suspirou, finalmente jogando o celular de qualquer jeito na bolsa.
- Eu não vejo a hora de postar no twitter! – Isa exclamou, em êxtase, e se voltou para as três, ficando incrivelmente próximas das garotas.
- Vocês não podem falar nada. – A mulher disse, rápido. Respirou fundo, ainda com os olhares curiosos sobre si. – Por favor, meninas, eu não quero que isso atrapalhe nosso cotidiano, tudo bem? As pessoas já vão esquecer o que aconteceu em São Paulo, e eu já me menti em uma confusão por isso... Só vamos esquecer, ok?
Ela percebeu que seu pequeno discurso não tinha sido de nada. As garotas provavelmente falariam algo, mesmo que os ombros tivessem caído um pouco, em menos animação do que antes. A professora respirou fundo mais uma vez, passando os dedos por seus cabelos e jogando uma mecha considerável para trás. Precisava de um suborno, claro. Um suborno muito bom para fazer as três ficarem de boca fechada. Realmente, ela não queria lidar com o tipo de situação incomoda de ser apontada como uma affair de um cantor famoso quando precisava se preocupar em se preparar para a maior entrevista de emprego da sua vida. Com um estalo, a resposta estava diante de si. Como estivera desde o início da conversa.
- Professora...? – Maria chamou sua atenção, já que durante toda a discussão interna, a mulher permanecera segurando o cabelo fortemente e com o olhar perdido.
- Eu posso fazer uma coisa, se vocês não contarem para ninguém sobre o que vocês viram no meu celular. – Ela se abaixou ligeiramente, tentando ficar com os olhos no mesmo nível que o das outras três. Observou como as garotas se inclinaram ligeiramente para frente, prontas para escutar a proposta. – Eu consigo uma conversa de três minutos com o Harry mais ele seguir vocês no twitter se ninguém ficar sabendo de nada. Ninguém.
Antes mesmo que ela pudesse terminar de falar, as garotas já davam pulinhos e concordavam com a cabeça. Ao final, alguns gritinhos mal contidos pelos lábios comprimidos escapavam e eram recebidos como agulhadas na testa da professora, que começava a apresentar uma enxaqueca. Após confirmarem o acordo pelo menos três vezes e estar totalmente convencida da tal “pinky promise” das garotas, elas saíram do recinto aos pulos e alegrias, enquanto a professora se jogava na cadeira e apoiava a testa na madeira da mesa. Respirou fundo algumas vezes até finalmente resgatar o celular do fundo da bolsa.

Você acabou de fuder meu dia e me dar uma dor de cabeça daquelas 10h15
Vai ter que me ajudar a sair de uma fura 10h15


Antes que pudesse explicar mais alguma coisa para Harry, o sinal, indicando o fim do intervalo, soava alto pelos corredores. A mulher apenas teve tempo de resgatar tudo sobre a mesa, com pressa, e sair da sala de aula para correr em direção a sua próxima turma.

- Eu ainda não acredito que você foi subornada por garotas de quatorze anos! – A imagem de gargalhando com toda a força na tela do celular fez revirar os olhos e querer desligar a chamada.
- Podemos, por favor, mudar de assunto? – Ela resmungou, fazendo a ruiva rir por mais alguns segundos até finalmente voltar sua atenção para a brasileira. – De qualquer maneira, cadê o Harry? – Perguntou, observando a hora pela tela do notebook a sua frente. Definitivamente, ele estava atrasado. – Os britânicos não tinham uma fixação com horário?
- E tem, acredite em mim. – A ruiva suspirou em uma tristeza fingida, fazendo a mulher rir. – Mas ele parou para atender algumas fãs e elas... – A mulher se interrompeu e ela ouviu mais vozes dentro do quarto. – Vai mesmo, ela vai conseguir sentir seu cheiro ruim pela ligação de tão deplorável que você está! – franziu as sobrancelhas, tentando entender alguma coisa e riu, ao se voltar para ela, finalmente. – Ele acabou de chegar. Foi tomar banho. Já já sua alteza estará a sua disposição.
- Espero que de bom humor. – fez uma careta e riu.
- Pra fala com você? Sempre. – deu de ombros e a brasileira apenas revirou os olhos, sorrindo. – E eu não estou dizendo isso porque quero que esse casal aconteça e transe muito, é porque eu vejo aquele sorriso de trouxa dele toda vez que você responde uma mensagem, mesmo quando vai pedir pra ele falar com três adolescentes chantagistas! – Novamente, havia trazido à tona o episódio de mais cedo e estava se divertindo. se limitou apenas a ler um email que havia acabado de receber, decidida a ignorar a outra.
- Oi, darling! – Ouviu uma voz mais grave invadir o ambiente e finalmente voltou sua atenção para o celular. Harry aparecia na tela, iluminando- a com o sorriso infantil e os cabelos molhados incrivelmente bagunçados. A brasileira apenas deu um sorriso, sem mostrar os dentes. – Não sabia que você usava óculos.
- São para leitura. – Ela deu de ombros. – Pronto para começar? – Ela perguntou, arrumando os papéis que havia utilizado para a aula de , e pegando os que seriam do cantor.
- Mas já? Achei que iriamos conversar... – Ele fez um pequeno bico com os lábios, causando um leve riso na mulher.
- Eu não sou paga para conversar, querido. – Ela afirmou, ainda entretida em arrumar sua mesa.
- Mas você estava conversando com a ! – Ele insistiu e ela pode ouvir a voz de do outro lado, dizendo alguma coisa relacionada ao amor da brasileira por ela.
- Eu já tinha acabado minha aula e você estava atrasado, caso não se lembre. – Ela fez questão de levantar uma sobrancelha, para dar ênfase a segunda frase e finalmente encarou Harry e sua expressão nada contente.
- Eu pago quantas horas você quiser para gente ficar só conversando. – Ele resmungou e ela revirou os olhos.
- Ainda professora, não prostituta. Vamos lá. – Ela tentou chamar a atenção dele. – Oi, Harry, tudo bem?
- Ninguém paga prostituta pra conversar. – Ele resmungou, levantando- se da cama e caminhando em direção a mesa. Pelo menos era isso que gostaria que ele estivesse fazendo.
- Em português, por favor.

- Isso é impossível! – observou o bico que Harry fazia com os lábios.
- Não é. Vamos, você consegue, só faltam duas palavras... – A brasileira o incentivou, desviando o olhar para a tela do notebook. Já havia passado do horário estipulado, já que o homem constantemente a interrompia ou não completava suas tarefas por a mais pura e simples manha. Observou com o canto dos olhos ele resmungar alguma coisa e se voltar para o papel.
- Pronto! Consegui! – Ele ergueu o papel, mostrando que havia completado a cruzadinha e ela abriu um sorriso grande diante da careta ligeiramente emburrada que ele fazia, contrastando com seus olhos ávidos pela atenção dela.
- Eu disse que você conseguiria, não disse? – Ela questionou, fazendo- o sorrir e deixar o papel sobre a mesa.
- É muito difícil... – Ele ainda ousou reclamar e ela revirou os olhos, sem conseguir evitar, enquanto organizava sua mesa.
- É o começo, vai parecer o fim do mundo, mas você se acostuma logo, você vai ver. – Ela deu de ombros e pode ouvir a forma como ele soltou a respiração. Aquilo chamou sua atenção, fazendo observá- lo. Ele passou a mão pelos cabelos, agora secos, bagunçando- os, enquanto se jogava sobre uma cama coberta de lençóis brancos. – Como foi o jantar? – Ele deu de ombros, fazendo um pequeno barulho com a boca enquanto pensava sobre o que responder.
- Foi o de sempre. – Novamente, Harry deu de ombros. – Querem uma entrevista, principalmente agora com o lançamento do filme... E querem saber de você.
- Ah, é? – perguntou, com riso na voz. Sabia que o silencio do cantor a respeito de quem era sua professora de português ou quem era a mulher que ele havia sido flagrado dançando no bar estava deixando todos loucos. Ana sempre lhe mandava alguns tweets do fandom enlouquecido. Mas nada havia realmente afetado sua vida, além dos seus números de seguidores no Instagram (felizmente, sua conta era privada a um longo tempo antes do incidente) e a pequena chantagem das garotas. Não era como se alguém fosse viajar para tirar uma foto sua saindo de uma escola ou coisas do tipo.
- Sim. – Ele suspirou. – Mas já disse que não vou falar sobre nada a respeito.
- Você foi muito bom sendo neutro sobre a relação de Perfect com a Taylor Swift. – A brasileira não pode deixar de debochar, rindo, observando o cantor revirar os olhos e rir também.
- As pessoas parecem gostar de me ver em situações incomodas. E como você sabe disso? – Ele a questionou com desconfiança. – Ouvi vezes o suficiente que você não era minha fã.
- Eu preciso mesmo dizer? Ana. – Ele balançou a cabeça, em compreensão. Sem que pudesse controlar, um bocejo se desprendeu dos lábios da brasileira, fazendo- a cobrir a boca, com os dedos, tentando disfarçar.
- Que horas são ai? – Ele perguntou, voltando seu rosto para o lado. – Aqui é meia noite.
- São duas horas de diferença para Nova York, Styles. – Ela comentou, com tédio. Em todos as vezes que eles conversaram, durante a semana, ele fazia a mesma pergunta e ela era obrigada a lhe informar a diferença no fuso. Não era tão difícil assim memorizar – ou colocar um pequeno alerta no celular para buscar a informação.
- Espera... – Ele fez algumas caretas em silencio e ela riu, levantando- se. – Duas da manhã?
- Estou impressionada... – A mulher debochou.
- Ninguém me disse que eu teria que fazer contas para sermos amigos. Retiro minha amizade. – Ele resmungou.
- Tudo bem. – deu de ombros e se espreguiçou.
- Você não vai dormir? Já está tarde. – Ele perguntou, curioso, fazendo- a rir.
- Não estou com muito sono e só vou dar aula a tarde amanhã... Você já vai dormir? – Ela perguntou, enquanto fechava o notebook e observou o cantor balançar a cabeça negativamente. – Se importa de ficar conversando comigo? Ultimamente preciso disso pra conseguir dormir e não ficar pensando na entrevista. – Ela fez uma careta e ele riu. – Geralmente a ou a Ana não se importam...
- Claro que eu não me importo de conversar com você, ! Faz dias que a gente não conversa direito. – Ele riu, se ajeitando na cama e ela revirou os olhos.
- Faz quatro dias desde que nos vimos da última vez, exagero. – Ela ia se encaminhar para o guarda- roupa, deixando o celular na escrivaninha, no apoio improvisado que tinha ali para as vídeos chamadas, porém retornou. – Preciso trocar de roupa e escovar os dentes. Já volto, tá? – Ele assentiu e ela correu pegar as coisas que precisava para finalmente se jogar em sua cama macia.
De dentro do banheiro, pode ouvir a voz de Harry ecoar pelo quarto em uma melodia conhecida. Franziu um pouco a testa e entreabriu a porta, curiosa. Agora, com o som se propagando de maneira mais adequada para o lugar em que estava, ela distinguiu a letra de Charlie Brown do Coldplay e sorriu. Tratou de terminar sua higiene noturna, e antes que se desse conta, também acompanhava o garoto em um murmúrio baixinho.
Assim que estava no campo de visão do homem, ao pegar o celular de seu apoio, ele parou imediatamente de cantar, fazendo a brasileira expressar seu descontentamento em uma careta. - Oi! – Ele exclamou animado e ela riu, deitando- se na cama.
- Oi, Harry. Essa é uma das músicas que eu mais gosto do Coldplay. – Ela comentou, fazendo aquele sorriso grande e infantil aparecer no rosto dele e ela acabar sorrindo simplesmente porque era natural corresponde- lo.
- Eu nunca iria adivinhar! – Ele comentou, divertido.
- Bom, uma de várias. Eu tenho uma grande dificuldade de eleger uma coisa só de qualquer coisa, principalmente se for pra escolher qual é minha favorita. – Ela deu de ombros e ele ainda sorria.
- A minha preferida é Paradise! – Ele exclamou e ela assentiu a cabeça, em animação.
- É mais uma das minhas preferidas! Magic sempre mexe com meu coraçãozinho... – brincou e ele concordou.
- Viva La Vida também é muito boa! – Ela assentiu e Harry parou um pouco, pensando. – Yellow! – Ele exclamou animado e ela concordou rapidamente. – Every tear is a waterfall...
- Nossa, essa me traz tantas lembranças... – comentou, ligeiramente aérea e com um sorriso no rosto. A fazia lembrar de sua adolescência, quando tudo era mais simples e ela fazia questão de complicar com alguns dramas desnecessários e que podiam ser resolvidos de formas tão simples como com uma conversa. Nada gerava o “fim do mundo” que ela acreditava, ninguém carregava uma tristeza tão grande como pensava e um romance não correspondido não significava grande coisa.
- Boas ou ruins? – A voz de Harry a trouxe para a realidade e ela percebeu que ficou alguns incontáveis segundos encarando o nada em silencio. Sorriu, se desculpando.
- Na verdade, são memórias engraçadas. Da adolescência. – Ela riu levemente. – Sabe, tudo era tão intenso, qualquer coisa era motivo de choro, de briga...
- E depois não parece nada. – Ele completou e suspirou. – Eu tenho algumas péssimas memórias.
- Por que? – Ela perguntou, interessada.
- Bom, eu comecei minha carreira muito novo... – Ele começou e não pode evitar o “ah...” que se desprendeu de seus lábios. Era claro que a fama de alguma forma deveria ter marcado sua vida, para além do óbvio. Ela se considerou a pessoa mais burra do planeta por não fazer aquela associação lógica. – Não foi fácil a explosão de hormônios junto da explosão que foi a banda. – Ele deu de ombros, rindo um pouco da associação.
- Eu imagino... – Ela comentou, encarando o teto. – De repente ter cada ato seu medido e julgado... – , com um estalo, lembrou- se de um dos vários monólogos de Ana sobre o cantor. – Era você que tinha a fama de mulherengo? – Ele assentiu, revirando os olhos.
- Eu não sei quando aconteceu, não é como se todos nós não nos utilizássemos da fama para conseguir uns amassos... Era muito fácil e de repente tínhamos tantas meninas realmente interessadas na gente... Mas então algum tipo de comentário começou sobre nós usarmos as fãs, e principalmente que eu saia com as fãs... Bom, sim, eu sai com algumas... – Ele falava daquela forma pausada, cheia de “hã” e expressões engraçadas de concentração. A brasileira precisou morder o lábio inferior e se concentrar para não abrir um sorriso ou se perder no ritmo da voz dele ou, o que ela considerou o pior, não se deixar distrair pelo movimento que a língua dele fazia ao percorrer seu lábio inferior. – Mas, não sei... Eu realmente nunca entendi o porquê desses boatos. Minha mãe sempre me educou para respeitar as mulheres e minha irmã me ensinou o suficiente para não ser um babaca. – Ele apenas deu de ombros.
- No final, você só era um muleque. – Ela disse e apesar da careta que ele fez, sabia que ele concordava com ela. – Um adolescente bobo que teve tudo muito fácil de repente, convenhamos.
- Ta, , eu fiquei mimado. Eu sei. – Ela gargalhou diante do modo como ele colocou exatamente o que ela estava tentando encontrar um jeito educado de dizer. Riu por algum tempo até que novamente seu olhar estava longe e seus pensamentos começavam a lhe deixar sufocada.
- Eu to muito nervosa. – Ela finalmente externou, em um sussurro, e se voltou para o celular. encontrou os olhos curiosos de Harry sobre si e deu um sorriso de lado. – Sobre a entrevista.
- Que entrevista? – Ele franziu as sobrancelhas e ela o encarou confusa. Ele não havia esquecido, certo? Aquilo era possível? Ao ver o sorriso nos lábios dele ela soube que ele estava apenas implicando com ela. não pode evitar de revirar os olhos. – Você disse que não queria fazer disso, ...
- Eu sei... – Ela comentou, baixinho, e se remexeu na cama, desconfortável. – Mas não consigo esquecer... – Resmungou ligeiramente chorosa e ele riu.
- Você conhece o programa do James Corden? – Harry perguntou, subitamente animado, o que fez a brasileira se remexer na cama, também subitamente interessada no assunto.
- Se eu conheço? Eu amo o Late Late Show! Não deixo de assistir um Carpool Karaoke! – Ela exclamou, fazendo o outro rir.
- Nós fechamos um especial de uma semana com ele! – O cantor exclamou, feliz, com aquele sorriso grande, fazendo entreabrir os lábios, em choque. – Vou passar a semana inteira com o James. Hoje gravei uma das chamadas pro programa.
- Sério? Que sensacional, Harry! – Ela exclamou, verdadeiramente feliz pelo outro. – Pode ter certeza que vou fazer questão de assistir todos os episódios online! – O homem franziu as sobrancelhas, a deixando levemente confusa sobre o ato.
- Mas você não vai precisar! – Ele abriu um sorriso malicioso. – Vou gravar o programa na semana que você estiver aqui. O que você acha de assistir da plateia?
- O que? – A brasileira deu um grito alto, antes que pudesse se conter. Colocou a mão sobre a boca, lembrando- se das paredes finas de seu apartamento e que com certeza alguém reclamaria para a proprietária dos seus barulhos na madrugada. – É sério? De verdade?
- Claro! Eu vou ficar muito feliz se você for. – Ele abriu outro sorriso grande e ela piscou os olhos algumas vezes, incrédula com o momento de fofura dele para com ela, e depois sorriu.
- Agora tem mais um motivo pra eu morrer de ansiedade! Eu vou ver o James de pertinho! – Ela fez uma dança ridícula, em comemoração e Harry gargalhou.
- É muito bom saber que você é mais fã do James do que minha. – A brasileira apenas deu de ombros, como se dissesse que não tinha nada que ela pudesse fazer para mudar aquele fato. Ele balançou a cabeça, incrédulo, e logo sua expressão foi tomada por uma surpresa, como se ele estivesse lembrando de algo. – Ah, e sobre a nossa noite de comédia romântica com a minha mãe... – o encarou, confusa.
- O que?
- Você esqueceu? – Harry a encarou, com uma feição desconfiada. – Quando vocês conversaram, no sábado...
- Eu sei, só não achei que fosse sério! – Ela exclamou, incrédula, porém com um sorriso nos lábios.
- Bom, pra minha mãe é bem sério, ela não fala de outra coisa! – O homem revirou os olhos, a fazendo rir. – Ela está querendo, inclusive, vir até L.A. pra fazermos essa tal noite. Você a iludiu, . – A brasileira riu com ainda mais força do modo como ele disse, afetado, a última frase. – Mas, então, estou em busca de sugestões. Eu, claro, sugiro The Notebook.
- Ah, não. – fez uma careta. – Sem Nicholas Sparks, eu odeio. – Por três segundos, Harry a encarou sem expressão. Depois, ele abriu a boca em completa indignação. Por fim, ele atirou o celular para longe, fazendo- a encarar nada além do escuro. A mulher riu com vontade e pouco depois ele novamente estava iluminando a tela do seu telefone.
- Sério, , essa relação não tem futuro com essa sua atitude. – Ele disse, balançando a cabeça negativamente. – Primeiro, você não me deixa fazer a coreografia de Dirty Dancing, agora...
- Sabia que eu nunca assisti esse filme? – o interrompeu e ele a encarou com a maior cara de choque.
- Qual é o seu problema? – Ele exclamou, incrédulo e ela riu com ainda mais vontade. – Assim que você pousar aqui eu vou te sequestrar e te obrigar a assistir. Não é possível, ! Você não tinha televisão quando era criança?
- Eu só não me interessei ao ponto de assistir o filme, ok? – Ela ainda ria diante da inconformidade do outro. Antes que pudesse evitar, seus lábios se entreabriram em um outro bocejo. – Acho que vou dormir...
- Vai, já está tarde, apesar de eu não saber que horas são e não vou fazer conta! – Ele já adiantou, antes que ela tentasse fazer uma brincadeira. – Boa noite, .
- Boa noite, Harry.

- E onde você vai ficar mesmo? – tentou conter um sorriso, comprimindo um lábio contra o outro, mas foi inevitável quando a risada de , seu irmão mais velho, invadiu o quarto. – O que foi? – Sua mãe tornou a perguntar, fingindo ingenuidade enquanto dobrava uma camisa da filha mais nova.
- Mãe, ela já te explicou cinco vezes! Para de ser tão chata! – reclamou, deitado na cama e atrapalhando as duas outras mulheres que enchiam a mala com os pertences de . A mais velha parou, com a camisa dobrada no colo e uma expressão de ultraje.
- ! – Ela exclamou alto, o repreendendo, mas o homem continuou com o olhar atento no celular que segurava a sua frente. – Eu sou mãe e o meu bebê está indo para fora do país!
- Por cinco dias. Deixa de drama! – Ele finalmente abandonou o aparelho e se voltou para a mais velha. – E eu ainda estarei aqui para te dar muito trabalho! – Ele se jogou contra a mãe, sentada na ponta da cama, e a puxou em um abraço esquisito para o meio da cama, fazendo- a cair numa pilha de roupas que se encontravam impecavelmente arrumadas.
- ! – Novamente a mais velha ralhou, fazendo os irmãos gargalharem alto. – Eu acabei de arrumar essas roupas! Some daqui, vai!
- Com a elas não iam ficar arrumadas por muito tempo, de qualquer jeito. – Ele deu de ombros, finalmente soltando a mãe e fazendo revirar os olhos.
- Você não pode reclamar da minha bagunça quando faz o dobro! – apenas resmungou, terminando de fazer o cheklist de todos os itens que seriam necessários para a viagem. – Acho que não precisa de tanta blusa, mãe. Se fizer muito frio, o que eu duvido, eu compro por lá. – Ela deu de ombros. – É mais fácil.
- Não vai dar excesso de bagagem? – A mais velha perguntou, preocupada.
- Não. Eu tenho direito a bagagem de mão ainda. Se eu precisar dividir o peso da mala, eu arrumo uma. Mas duvido. São muitos quilos e eu não preciso de tanta roupa, são só cinco dias. – tornou a dar de ombros, mas, para sua infelicidade, não havia convencido a mais velha.
- Mas e se fizer muito calor? Ou muito frio? E se chover? Você precisar estar preparada, filha! – A mulher exclamou, preocupada, e novamente se fez presente na conversa, soltando uma nova gargalhada alta.
- Mãe, são só cinco dias e se faltar alguma coisa ela compra lá! Ela tem dinheiro e as coisas lá são baratas! Sem contar o namorado dela... – Ele lançou um sorriso malicioso para que revirou os olhos.
- Ele não é... – Antes que pudesse pronunciar a palavra “namorado”, seu celular começou a tocar em sua mão. Sim, era Harry. Ela bufou e desligou a chamada. Porém, para sua infelicidade, os outros dois familiares presentes no recinto haviam observado com atenção a tela do seu celular. – Ele me liga quando está querendo conversar, mas já tinha avisado que estava ocupada. Ele é muito carente. – deu de ombros, se embolando nas desculpas que não soavam nada convincentes nem para seus ouvidos. Por isso, deu as costas aos dois, mexendo em alguns livros na prateleira, como se procurasse algo em especifico.
- Ah, ta. Ainda bem que você falou. Agora eu me convenci que ele não é seu namorado. – debochou, destilando sarcasmo. ouviu um barulho alto e um resmungo de dor do outro. Ao se voltar novamente para os dois na cama, observou sua mãe com a mão levantada para um novo tapa em seu irmão de vinte cinco anos, fazendo a mais nova rir.
- Para de encher o saco da sua irmã por cinco minutos. – A mais velha terminou sua pequena bronca e se voltou para a filha, com um sorriso malicioso nos lábios. – Eu sempre te disse que ele era o mais bonito da banda...
- Mãe! – reclamou, mas sabia que não adiantava.
Sua mãe tinha uma vontade grande de aumentar a família e, constantemente, arrumava pretendentes para seus filhos. Não que adiantasse. estava ocupado demais se divertindo, sendo solteiro, e tinha muitos trabalhos da faculdade para fazer, muitas provas para corrigir, aulas para montar... Em outras palavras, muito preocupada com sua vida acadêmica e profissional. Constantemente os irmãos eram levados ao limite pela mãe nada sutil nas investidas em suas vidas amorosas, o que causava alguns conflitos significativos no núcleo familiar. Mas não adiantava o quanto reclamassem, o quanto dissessem que iam, sim, arrumar netos para a mais velha no futuro, ela sempre achava um jeito de coloca- los em uma saia justa.
- Mas é verdade! Ele era tão fofo naqueles clipes que passavam na televisão... Mas agora está um homem muito bonito. Você já o beijou? – gargalhou, muito contente em ver a irmã naquela situação.
- Mãe, ele é meu amigo. Para! – A mais nova tentou mais uma vez.
- Mas amigos se beijam, não é verdade, ? Ele mesmo vive beijando os amigos! – A mãe cutucou o mais velho no pé, não perdendo a oportunidade de trazer para a conversa a bissexualidade do filho, o que fez rir da feição do outro.
- Mãe, estamos falando da vida amorosa da , não da minha! – Ele tentou se esquivar, mas foi mais rápida.
- Verdade, mãe, agora que você comentou... O não beijou a Lara e o Miguel ao mesmo tempo? – Ela mordeu a língua diante do olhar mortal do irmão, mas se divertiu pela forma como a mais velha se voltou rapidamente para o homem.
- Ao mesmo tempo? – Ela entreabriu os lábios, fingindo choque. Talvez ela realmente estivesse em choque, porque aquela informação não havia chegado a seus ouvidos, mas também conhecia muito bem a promiscuidade do seu filho para se chocar com tão pouca coisa. – Você está se saindo pior que o cachorro do seu pai!
- Sempre muito amado. – O homem mais velho da casa entrou no quarto, fingindo uma cara de ultraje ao encarar os presentes. – Não posso ficar cinco minutos fora e vocês já dão um jeito de falar mal de mim!
- Nunca, querido. – A mulher mais velha se levantou e deu um beijo na bochecha de seu esposo. - É, pai, a gente espera você chegar pra falar mal de você na sua cara! – o provocou, recebendo um xingamento em resposta, o que fez ela e o irmão mais velho rirem.
- É por isso que eu me arrependo de trazer tortinha de limão pra você. – Ele reclamou, fazendo a mais nova o abraçar, tentando se desculpar, e os outros dois presentes revirarem os olhos. sempre fora a menininha do papai e ele sempre dava um jeito de mimá- la, mesmo que a garotinha em questão tivesse quase vinte e três anos completos.
- Vem, , vamos comer enquanto esses dois nos excluem! – A mãe chamou pelo filho e os dois saíram do quarto sob piadas dos outros dois que permaneceram.
- Já terminou de arrumar a mala? – O pai perguntou a sua filha, quando ela se soltou dele e caminhou em direção a cama, colocando as últimas peças que sua mãe havia dobrado dentro da mala.
- Já! Conferi tudo duas vezes, e vou conferir de novo depois, mas você sabe que eu vou esquecer alguma coisa. – A mulher revirou os olhos para si mesma e o mais velho riu.
- Você sempre esquece... – Ele balançou a cabeça negativamente. – E o dinheiro? Tudo certo? Não vai mesmo precisar de mais nada?
- Não, pai, eu tenho aquela poupança e com o dinheiro das aulas da e do Harry, tenho certeza que vai dar pra esses cinco dias. – A mulher deu de ombros, fechando a mala sob o olhar atento do pai.
- Mas se não der, compre no crédito e eu te ajudo a resolver quando você voltar, ok? – Ele afirmou, sério, e podia ver a preocupação nos olhos do pai, o que a fez sorrir, extremamente grata por fazer parte daquela família. Caminhou até onde ele estava e o abraçou forte.
- Pai, pode deixar, eu dou um jeito! – Ela tentou o tranquilizar.
- Você sempre da. – Ele beijou o topo de sua cabeça. Seu pai fazia o tipo de homem que não falava “eu te amo” com frequência, mas ele sabia demonstrar carinho muito bem. E, naquele momento, aquela preocupação, aquele abraço e aquele beijo eram o jeito dele de dizer que a amava. Por isso ela sentiu as bochechas doerem devido ao sorriso grande em seu rosto.

- Nem uma bitoquinha? – tentou mais uma vez, empurrando o braço da irmã e quase a fazendo derrubar o pedaço de pizza que tentava levar a boca. Ela o encarou, com ódio, e ele apenas riu. – Vai, !
- , para de ser tão chato. – Ela resmungou após levar um tempo relativamente longo para mastigar o pedaço da comida que estava em sua boca.
- Mas você está me deixando no escuro e eu to odiando! – Ele também resmungou, choroso, e ela sorriu vitoriosa em sua direção.
- É boa a sensação? – Ela o cutucou. Afinal, o irmão escondeu por meses a sua primeira relação com um homem, o que causou um grande afastamento dos dois. Por anos, eles nunca mais foram os mesmos, até pedir perdão a irmã e eles voltarem a serem o suporte um do outro. - Sem jogar isso na minha cara, por favor. – Ele revirou os olhos. – E você sabe que não vai evitar o assunto pra sempre. – Ela o encarou com a sobrancelha levantada, enquanto colocava outro pedaço na boca, disposta a levar um grande tempo para engoli- lo. – Não é como se ele não fosse o seu tipo de homem, !
- O meu tipo de homem só machuco o meu coraçãozinho, lembre- se disso. – Ela desconversou e ele suspirou.
- Você não pode se privar de transar com um gostoso por causa do que aconteceu com o Gustavo! - Ele exclamou, na defensiva, e a mulher apenas deu de ombros.
- Talvez eu possa... – Ela comentou, apenas para provoca- lo. Funcionou, já que ela gargalhou diante da expressão do irmão que se dividia entre o choque e a incredulidade. – Eu só... Não sei se quero pensar nisso agora, sabe? Tem muita coisa mais importante acontecendo e...
- , eu te amo e você sabe. – Ele segurou a mão da sua irmão, fazendo- a encará- lo interessada pelo súbito tom sério que ele utilizou. – Mas essa desculpa não pode continuar! Sempre você tem alguma outra coisa, ou está muito ocupada, ou qualquer outra coisa! Você se arrisca tanto em alguns aspectos da sua vida, mas quando estamos falando disso, você trava.
- Você ta parecendo a mamãe. – Ela resmungou, tentando se voltar para a comida, mas falhando ao sentir o olhar do seu irmão ainda em si. – O que você quer de mim?
- Você poderia muito bem ter evitado essa conversa se tivesse respondido se queria dar uns amassos no Styles ou não! A culpa é toda sua! – Ele se livrou da culpa, fazendo- a expressar seu desconforto em uma careta. – Eu nem tinha falado em relacionamento, você trouxe o seu ex pra conversa!
- Ta, , ta bom. – Ela exclamou alto, chamando a atenção de algumas pessoas ao redor. – Sim, eu já imaginei como seria enfiar a língua na porra da boca do Styles ou em como ele deve ter uma pegada sensacional. Mas eu realmente to curtindo ser amiga dele, você não sabe como ele é fofo e toda a atenção que ele me da... – Ela desviou o olhar da feição curiosa do irmão e encarou a pizza a sua frente. – E eu tenho certeza que eu vou me apaixonar se decidir fazer alguma coisa pra resolver uma possível tensão sexual. Não vale uma noite de sexo por uma amizade que está sendo tão boa...
- Mesmo se você estiver com vontade? – Ele questionou, com uma sobrancelha levantada.
- Você sabe que quando eu estou com vontade eu faço todo o tipo de burrada! – Ela mesma riu, no meio da frase, pois era de conhecimento geral o tipo de coisa que a mulher fazia quando estava determinada a atingir um objetivo que queria.
- E ele pode gostar de você também... – fez uma careta para o irmão, realmente duvidando muito daquele contexto. – Você mesma me disse que ele vive falando do seu sorriso!
- E o que você quer quando elogia o sorriso das meninas? – Ela perguntou, com os lábios repuxados no canto por um sorriso malicioso.
- Às vezes eu realmente gosto... – Ele tentou, dando de ombros, mas ela também via o sorriso dele no canto dos lábios. – Ok, no geral, sexo.
- Então você já tem todas as respostas que precisa: deus me livre, mas se você quiser, eu quero. – riu alto, observando a irmã dar de ombros.
- Você é a pior!


Capítulo 06

respirou fundo, remexendo-se na cadeira desconfortável que escolheu para se sentar. Bom, fora uma opção sua economizar na passagem e decidir fazer uma parada no aeroporto do Panamá por quase duas horas. Um voo direto custava o dobro, mas pelo menos ela teria tido a comodidade de permanecer por “apenas” treze horas sem precisar de locomover por outro aeroporto. Aumentara em três horas sua viagem e agora que já haviam se passado longos minutos desde que utilizara o tempo para se alimentar, ir ao banheiro e caminhar um pouco, encontrava-se entediada. O aeroporto disponibilizava wifi de graça por trinta minutos, apenas, e a mulher tinha se mantido firme até ali para não o desperdiçar e cair em um tédio maior do que precisaria. Porém, não aguentava mais.
A movimentação das pessoas de línguas tão variadas e sotaques tão exóticos não conseguiam mais prender sua atenção. E o livro que carregava em seu colo também não despertava seu interesse. Estava cansada da viagem que se iniciara na madrugada e que até o momento ela não conseguira realmente dormir, ou ao menos cochilar. Sua ansiedade, e as expectativas pra tudo o que a aguardava assim que pousasse no aeroporto certo impediam-na de fechar os olhos por míseros segundos.
Suspirou, finalmente conectando seu celular a internet e dando um longo gole do café que tinha em mãos, enquanto esperava todas as mensagens caírem. Em sua maioria, era sua mãe extremamente preocupada e pedindo atualizações de hora em hora. Ela sabia que a filha estava dentro de um avião, sem acesso a muita coisa, e ainda assim insistia. Achou melhor atualizar a mulher, antes que ela desse um jeito de embarcar em um avião apenas para dar um sermão na filha e começou uma conversa, já que fora respondida no mesmo segundo. Riu do desespero da mãe e se distraiu pelos próximos minutos.
Logo, porém, decidiu dar atenção as outras mensagens. Ana e Leo haviam desejado boa viagem a alguns minutos atrás, pois esqueceram-se de fazer isso na noite anterior. riu, sozinha, e informou onde estava aos amigos, que deveriam estar trabalhando naquele momento. Por fim, a chegada de algumas mensagens constantes em um determinado grupo chamou sua atenção.


All it takes is one flight 11:15 (Basta um voo)
Harry Styles
We'd be in the same timezone 11:15 (E nós estaríamos no mesmo fuso horário)

Looking through your timeline 11:16 (Olhando a sua timeline)
Harry Styles
Seeing all the rainbows 11:16 (Vendo todos os arco-íris)

I got an idea 11:16 (Eu tive uma ideia)
Harry Styles
And I know that it sounds crazy 11:17 (E eu sei que isso parece loucura)

I just wanna see ya 11:17 (Eu só quero te ver)
Harry Styles
Oh, I gotta ask 11:17 (Oh, tenho que perguntar)

Do you got plans tonight? 11:17 (Você tem planos para hoje à noite?)
Harry Styles
I'm a couple hundred miles from Japan, and I 11:18 (Estou a algumas centenas de milhas do Japão, e eu)

I was thinking I could fly to your hotel tonight 11:18 (Estava pensando que poderia voar para o seu hotel hoje à noite)
Harry Styles
'Cause I can't get you off my mind 11:19 (Porque não consigo tirar você da minha mente)


não conseguiu conter uma gargalhada alta ao observar as mensagens que não paravam de chegar, dando continuidade a letra de Lost in Japan do Shawn Mendes¹. A própria a havia apresentado ao clipe e a brasileira tinha ficado fascinada com a música, sem conseguir parar de toca-la incessantemente em seu celular. Além, é claro, do ritmo sempre aparecer nos momentos mais inoportunos e reverberar pela mente da brasileira. Aproveitando que os dois, obviamente, estavam online e, muito provavelmente, sem ter o que fazer, já que a estavam atormentando, ela acionou a gravação de um áudio.
-Eu odeio vocês. –Começou a gravação, ainda rindo. –Sério, eu ri tão alto no meio desse aeroporto, todo mundo ta me encarando como se eu fosse louca! Seus ridículos... Eu estava tão entediada aqui, se eu soubesse que vocês iam me fazer rir desse jeito, tinha entrado na internet antes. To tão cansada, acho que vou chegar e ir direto pro seu sofá, .
Assim que finalizou e o áudio foi devidamente carregado na conversa, interrompendo a letra da música que eles ainda insistiam em enviar, ela observou que eles já estavam visualizando a gravação. Sorriu, deixando a tela do celular acessa enquanto tomava mais um gole do seu café. Logo um aviso de que eles gravavam um áudio surgiu na tela e ela esperou mais um pouco.
-A gente se declara e ainda tem que ouvir que somos RIDICULOS! – teve que afastar o celular de sua orelha pelo grito de . Revirou os olhos, sorrindo. –Eu não acredito nisso. Vou te deixar na rua, ! NA RUA!
-Poxa, ... –A voz de Harry se fez presente na gravação, mais rouca do que ela estava acostumada. A brasileira supôs, então, que ele deveria ter acordado a pouco tempo, ou que estava doente. –Eu tiro uns minutos do meu dia pra tentar te faze feliz e você diz que me odeia? Não precisa machucar assim meu coração... –A mulher novamente revirou os olhos, mais uma vez, pelo drama dos dois amigos.
-Vou enviar alguém pra te buscar no aeroporto, ta? Não se preocupa com isso! – gritou, com a voz mais distante.
-Que horas você chega? –Antes que afastasse o aparelho, pronta para digitar uma resposta, ouviu um resmungo. –O que foi? Para de implicar comigo!
-, eu já falei pra ele... –Ouviu alguns barulhos abafados e franziu a sobrancelha, tentando acompanhar o que aqueles dois faziam enquanto deveriam estar falando com ela. –Ai, palhaço! Vai aquecer essa voz, vai! –Uma porta bateu ao fundo e um suspiro se fez presente na gravação. –Ai, , esse babaca do Harry! Eu já falei pra ele que na conversa você mandou pra gente todos os horários e eu coloquei um alarme no celular dele, mas ele insiste em te perguntar. – visualizou imagem da ruiva revirando os olhos naquele momento e riu. –Nem responde esse babaca. Estamos morrendo de ansiedade pra sua chegada, o dia nem ta passando!
-Chega logo, ! –Ouviu a voz distante do cantor e finalmente o áudio teve um fim.
Rindo, ela decidiu tirar uma foto para enviar aos amigos. Colocou o copo com o café na frente dos lábios e focou em seu rosto, com os olhos bem abertos e as olheiras já profundas aparecendo. O seu cabelo quase não apareceu, já que estava preso em um coque alto e bagunçado. Por um segundos, antes de bater a foto, riu do clichê que estava naquele momento. Se tivesse em Londres, estaria aguardando ansiosamente o amor da sua vida passar por ela a qualquer momento. Mas, como estava no Panamá, apenas tirou a foto e enviou com a legenda: “Não sei se estou morrendo de cansaço ou de saudades de vocês <3”.
Perdeu mais algum tempo conversando com os amigos e atualizando a família até completar o tempo limite de uso do wifi grátis. Optou por caminhar em direção ao embarque, preparando-se para todos os procedimentos burocráticos que teria que passar antes de, finalmente, entrar no avião. A ansiedade novamente fez seu coração apertar, pensando na chance da sua vida que enfrentaria no dia seguinte, mas tentou se manter calma ao jogar o copo vazio no lixo e caminhar por entre as pessoas no aeroporto. Pensar nos amigos, e nos dias que compartilhariam, era mais seguro.

¹ A música foi lançada em 2018, mas é uma pequena homenagem da autora pro nenê Mendes.

Se tinha uma coisa que realmente odiava era esperar sua mala aparecer na esteira do aeroporto. Como era perceptível, a mulher era extremamente ansiosa. E aguardar, não tão pacientemente, a esteira rodar com as mais diversas malas, sem que a sua vermelha tomate surgisse em seu campo de visão era agonizante. Em sua mente, ela imaginava os mais diversos cenários em que suas coisas teriam se perdido durante a viagem e quais seriam suas reações diante da notícia.
Já havia roído três unhas e colocava uma quarta na boca, tentando extravasar um pouco da inquietação que a assolava. Trocou o peso de seu corpo para a perna direita e poucos segundos depois se apoiava na esquerda novamente. Respirou fundo, tentando se controlar e finalmente, finalmente, avistou sua mala se arrastando lentamente em sua direção.
Rapidamente caminhou para a borda da esteira, esquivando-se de uma ou outra pessoa que ainda continuavam ali, bloqueando o caminho em busca de seus pertences. Com um pouco mais de força, e tentando não se desequilibrar, tirou a mala do suporte e a colocou no chão, puxando depressa a alça e a arrastando em direção a saída com pressa.
Depois de dezesseis horas em uma viagem que se intercalou em quatorze horas sentadas em uma posição desconfortável e duas em um aeroporto que não era seu destino, ela só conseguia pensar em comida e cama. Uma comida que realmente enchesse seu estômago, deixando-a pronta para dormir por horas em uma cama quente e confortável. Só o pensamento fazia abrir um sorriso grande. Esperava, do fundo de seu coração, que e Harry não tivessem grandes planos para a noite e apenas a confortassem.
A brasileira prestou mais atenção ao seu redor, ao finalmente cruzar o espaço do aeroporto e dar de cara com várias pessoas segurando placas e cartazes. Sorriu, se deslocando mais devagar e observando com calma cada um daqueles rostos felizes, emocionados e chorosos, distribuindo abraços de reencontro e entregando presentes, buquês e beijos nas pessoas que ansiavam por ter junto de si novamente. Estava interessada, até demais para o estritamente educado, em uma família grande com balões e uma grande festa, procurando ansiosamente entre cada um dos passageiros que apareciam um rosto familiar, quando ouviu seu nome.
Franziu a testa, confusa. Esperava encontrar alguém, como a havia informado que faria, porém não acreditava que fosse alguém que a conhecesse. No máximo, eles enviariam Paul, certo? Porém, a mulher não deixou de olhar para os lados, afastando-se mais um pouco da multidão com seus passos pequenos. Estava quase desistindo quando novamente seu nome se fez ouvido no meio da multidão. Esticou-se na ponta dos pés, mesmo sendo alta o suficiente para observar sob as diversas cabeças que se estendiam no espaço aberto e quando um homem, a alguns metros a sua frente, caminhou para o lado, ela finalmente viu a silhueta pequena de uma ruiva que erguia em animação um cartaz realmente grande com os dizeres em português: “Bem vinda, professora!”.
gargalhou, tentando se apressar ao se esquivar de mais uma família emocionada para, enfim, alcançar a amiga, porém ela foi mais rápida. Assim que estava devidamente longe de outros corpos, sentiu o corpo pequeno da amiga se jogar contra o seu. Riu ainda mais, sentindo as pernas de em sua cintura e seus braços agarrando seu pescoço com força em um abraço apertado.
-Você disse que ia mandar alguém! – exclamou, ainda em choque, abandonando sua mala por alguns segundos para passar os seus braços pelo corpo da outra. A ruiva riu, com vontade, próximo a sua orelha.
-Eu me mandei! –Ela apertou ainda mais seus braços no pescoço da morena, quase a fazendo sufocar. Mas a brasileira não podia se importar menos, continuando o abraço por mais alguns longos segundos antes da menor finalmente pular para longe de si. –Oi! Você ta horrível.
-Obrigada pela sinceridade. – a encarou descrente, fazendo a outra rir e a puxar pela mão. Antes de a acompanhar, a brasileira levou a mão onde sua mala deveria estar e, com uma falha em seus batimentos cardíacos, percebeu que não estava. –Ai meu Deus, ! Minha mala! –Ela olhou para trás, caçando por todos os lados o vermelho vivo e ouviu a gargalhada de sua amiga, fazendo-a se voltar incrédula para frente. Apenas para dar de cara com Paul ao lado da mulher, segurando suas malas.
-Desculpe, senhorita! –Ela podia ver espelhado no rosto dele o pavor que sentia. Acabou rindo também, nervosa, e ainda sentindo a respiração desregular.
-Que susto, Paul! –Colocou a mão sobre o coração, tentando se recuperar, mas não teve a devida chance. logo enganchou seus braços e a arrastou as presas para fora do aeroporto.

-Fica à vontade! – adentrou o quarto, arrastando, muito a contragosto de , a mala vermelha, e deixando-a próximo a parede.
deu alguns passos tímidos para dentro do cômodo, o quarto de hospedes que utilizaria pelos próximos dias, e não conseguiu deixar a expressão surpresa abandonar seu rosto. já havia implicado com a mulher, mas não havia nada que a brasileira pudesse fazer. A americana vivia em um apartamento extremamente luxuoso, com uma sala grande, espaçosa, mobilhada em planejados tons de preto, branco e cinza. Além disso, o ambiente era extremamente claro devido a parede feita de vidro que cobria o lado contrário a entrada. A vista era estonteante e havia uma sacada com as mais variadas plantas espalhadas no espaço. As duas haviam perdido um tempo longo ali para que pudesse observar o pôr do sol de tirar o fôlego.
Agora, o quarto se estendia novamente em um espaço relativamente grande, composto pela casal de casal gigantesca que saltou aos olhos da mulher como extremamente aconchegante nos lençóis de tom cinza escuro e branco, decorada com milhares de travesseiros empilhados até metade do móvel. Além disso, uma escrivaninha ficava ao lado direito sob uma janela que permitia uma vista não menos estonteante da cidade. Do lado esquerdo e próximo a porta, um guarda-roupa incrivelmente grande. Também havia uma porta branca que levava a um banheiro que prontamente indicou para que ela usasse quando quisesse.
-Uau, . –A brasileira finalmente conseguiu falar, diante da expectativa nos olhos da ruiva. –Seu apartamento é maravilhoso!
- Obrigada! –Ela mal conseguiu conter a animação diante do elogio da amiga. –Eu amo aqui, infelizmente não consigo passar tanto tempo quanto gostaria... Ainda mais quando a turnê começa... –Antes, porém, que pudesse tirar mais alguma informação, tratou de se adiantar. –Vou pediu pizza, tudo bem?
-Claro! Eu to morrendo de fome! – tratou de exclamar, fazendo a outra rir.
-Pode deixar que vou pedir várias pizzas, então. Você pode tomar banho enquanto isso. –Ela apontou, novamente, para a porta atrás de sim, indicando o banheiro. –O Harry deve estar pra chegar, então já vou ligar na melhor pizzaria do bairro! –Ela abriu o mesmo sorriso animado que viu nos lábios da morena e saiu do quarto, para lhe dar mais privacidade.
Com o grande espaço que tinha, tratou de abrir logo sua mala no chão, vasculhando em busca de uma roupa que poderia utilizar para jantar com os amigos. Depois de escolher um short jeans confortável e uma camiseta de banda folgada – que quase cobria o short por inteiro – ela se direcionou para o banheiro. Apenas para quase cair para trás. Assim como o resto da casa que ela pode observar, o cômodo era grande, em tons pasteis, com um espelho grandioso sob a pia também muito espaçosa. Porém, o que chamou sua atenção imediatamente foi a ducha que ali havia e a banheira disponível.
Precisou de toda a força que havia dentro de si para não encher a banheira e se jogar dentro de um banho quente e regado a bolhas de espuma. Tinha certeza que com o cansaço que estava, poderia facilmente dormir no meio de seu momento spa. Por isso, se dirigiu a ducha, mesmo com o olhar triste e preso na outra opção. Bom, teria mais alguns dias ali. Definitivamente não iria embora sem usar a banheira.
Mesmo com a preocupação de ser rápida para fazer companhia a amiga, demorou um tempo considerável embaixo da água quente, sentindo seu corpo relaxar a cada minuto que ficava apenas sentindo sua pele ser aconchegada pelo jato e vapor da água. Depois, foi a preocupação em pentear os cabelos, tendo o cuidado para desatar os nós que se formaram durante a viagem, e os secar para que os cachos ficassem bonitos do jeito que ela queria. Quando, enfim, saiu do cômodo e se dirigiu a sala, já do corredor podia ouvir duas vozes altas.
Se aproximou com passos lentos, observando a situação que se desenrolava na sala: arrastava uma mesa de madeira, larga e comprida, mas incrivelmente baixa para mais próximo do sofá. Ela reclamava alguma coisa e logo entendeu sobre o que se tratava. Do outro lado, sentado sobre o balcão que dividia o espaço da sala da cozinha, encontrava-se Harry Styles comendo um pedaço de pizza despreocupadamente e apontando o dedo para o lugar em que a ruiva estava.
-Ficou torto desse lado. –Ele criticou, rindo antes mesmo que a sua assistente lhe dirigisse algum xingamento ou lhe lançasse um olhar assassino.
A brasileira precisou morder o lábio inferior para evitar que sua risada chegasse ao ouvido dos amigos e aproveitou para observar um pouco mais do cantor antes que ele engrandecesse seu ego por ter o olhar dela sobre si. Seus pés balançavam, para frente e para trás, descalços, e suas pernas estavam cobertas por uma calça preta extremamente justa preta em seu corpo. Para completar, ele utilizava uma camisa estampada em fundo preto sobreposto com as flores das mais variadas cores – com predominância do tom alaranjado – que praticamente mostrava seu tronco devido aos vários botões abertos. Seus cabelos estavam incrivelmente arrumados e ela se lembrou que o cantor estava em algum compromisso. Talvez uma entrevista ou algumas fotos, quem sabe?
-Você é mesmo um ridículo, Harry. –Ela exclamou, cruzando os braços e finalmente adentrando o cômodo. Com o sorriso que ele lhe lançou, foi impossível para a mulher manter a expressão brava que fazia. Era aquele sorriso que ela tanto gostava, grande, mostrando todos os dentes, incluindo os dois maiores da frente, assim como as covinhas, e ele parecia quase uma criança. Aquele sorriso verdadeiro, beirando ao infantil.
Em poucos segundos ele já havia abandonado o pedaço de pizza de qualquer jeito sobre o balcão – diante de reclamações de sobre a sujeira em seu mármore – e a envolvia em seus braços, anulando a distância de seus corpos com alguns passos longos e rápidos. Ela riu sentindo-se presa no abraço apertado que tanto sentia falta, apoiando seu rosto na curva do pescoço dele e respirando com força, sem o mínimo de vergonha. Afinal, Harry era extremamente cheiroso e ela sentia muita falta do perfume dele. Deixou-se intoxicar pela fragrância pelos longos segundos em que o contato durou. Ou melhor dizendo, até ele puxar seu perfume da mesma forma que ela tinha feito, deixando a pele de extremamente arrepiada e a fazendo se afastar um pouco, em reflexo.
-Que saudades que eu estava desse cheiro brasileiro! –Ele riu, finalmente soltando-a e dando o espaço que ela precisava para se afastar por completo do corpo dele. –Você que é uma ridícula! –Ele exclamou, segurando firme sua mão e girando-a no lugar, sob seu olhar analítico. –Você está péssima.
-Qual o problema de vocês com a minha cara hoje? – resmungou, chorosa, e ouviu a risada de , que retornava da cozinha com as caixas de pizza e as colocava sobre a mesa. –Eu viajei por dezesseis horas, vocês deveriam estar me mimando, isso sim.
-Manhosa. –Harry reclamou, com uma careta, mas a puxou contra seu corpo, envolvendo-a com apenas um de seus braços e a arrastando em direção ao sofá. –Como foi a viagem?
-Ah, cansativa. Eu não consegui dormir nada, estava muito ansiosa. –A mulher deu de ombros e riu quando caiu no sofá de maneira incrivelmente torta e sobre o corpo esguio do cantor, que a puxou assim que se jogou contra o móvel. –Você quer ajuda, ? – tratou de se sentar rápido, virando-se na direção da cozinha.
-Não precisa. Só faltava os copos. –A ruiva indicou o que trazia nas mãos e se sentou entre os dois amigos. –Vocês querem assistir alguma coisa? –Ela perguntou, com o controle remoto em mãos, enquanto se esticava para pegar um pedaço de pizza. Antes que respondesse, Harry tomou o objeto da mão de sua assistente e começou uma busca no catálogo da Netflix.
–Não aceito The Notebook de novo não, Styles.
-Eu também não. – pronunciou, com a boca cheia de pizza. Ambas as mulheres apenas receberam um olhar de desprezo do homem, o que apenas as fez gargalhar.

piscou os olhos, tentando se situar onde estava. A sua frente, três caixas de pizza vazias encontravam se empilhadas sobre a mesa. Ao seu lado direito, em um sofá que parecia ter sido feito sob medida, dormia embolada com dois travesseiros e uma coberta sobre seu corpo pequeno. Apenas quando observou a amiga é que percebeu que seus braços estavam arrepiados e gelados. Olhou para seu lado esquerdo, encontrando Harry deitado espaçosamente, coberto até os lábios e com os olhos ávidos na televisão que ainda passava o filme The Proposal – a escolha que havia agradado a todos mais cedo.
-Por que eu sou a única passando frio? –Ela questionou, baixinho, na direção do homem a seu lado. Harry deu um pulo, realmente se assustando com a voz rouca da mulher, o que a fez rir.
-Porra, . –Ele reclamou bravo, apenas a fazendo rir ainda mais. –Eu te cobri, mas você empurrou a coberta. –Ele deu de ombros e esticou a ponta do tecido para ela. Rapidamente ela se aproximou do corpo do cantor para que eles pudessem dividir um pouquinho do calor.
-Eu não lembro direito de ter terminado de comer... –Ela sussurrou, fazendo ele rir e se voltar para ela.
-Percebemos. Você estava piscando com um pedaço de pizza na boca. –Ele riu, parecendo recordar da imagem da morena extremamente cansada no canto do sofá. –Então transformamos o sofá em sofá cama e a resolveu ligar o ar condicionado, pra ficar mais gostoso. –Ele deu de ombros novamente e ela assentiu, encarando a televisão. –Pode voltar a dormir. Ou se você preferir ir por quarto...
-Acho que agora eu despertei. – deu de ombros, sentindo seu corpo pesar só de pensar em levantar e caminhar. Mas não era mentira o fato de que mesmo cansada, havia perdido momentaneamente o sono. –E você? Por que não estava dormindo?
-Eu gosto do filme. –Ele maneou com a cabeça na direção da cena que se desenrolava, sem nenhum dos dois prestando muita atenção. –E eu acordei mais tarde hoje. A levantou muito cedo porque tinha algumas coisas pra resolver. –Ele deu de ombros novamente e ela sorriu pela forma despreocupada que ele estava agindo. –Senti saudades do seu sorriso. –Ele disse, sério, fazendo-a gargalhar.
-De novo?
-O que? –Harry se fez de desentendido, mesmo que não conseguisse conter o sorriso que queria se desprender de seus lábios, formando um sorriso de canto.
-Esse seu papo furado sobre o meu sorriso. A gente combino que você ia parar. –Ela o cutucou na barriga, por baixo da coberta, e o viu se contorcer.
-É incontrolável. –Ele deu de ombros e se movimentou, aproximando-se da mulher. o encarou confusa e observou quando ele deitou a cabeça em seu tronco, pouco abaixo de seus seios e passou os braços por seu corpo, a abraçando desajeitadamente. –Posso ficar te abraçando até a hora de você ir embora, só por precaução?
Ela riu e movimentou os dedos em direção aos cabelo dele. tinha uma certa dificuldade para entender a dinâmica da amizade deles. Ela gostava muito do homem e já o considerava uma parte significante de sua vida. Porém, ainda não sabia em que pé estavam com a famosa “intimidade”. Tinham liberdade para falar sobre praticamente tudo, já que foi o que fizeram durante as duas últimas semanas. Porém, quando se tratava dos toques, nunca sabia muito bem o que esperar. Naquele momento, considerando que ele estava com o corpo extremamente próximo do seu e devidamente colado, em alguns lugares, ela não via problema se dedicar a um cafuné nas mechas bagunçadas dele.
-Como seu cabelo é tão macio? –Ela exclamou, realmente surpresa. Admirava o cabelo de Harry em segredo a algum tempo, imaginando se eram realmente tão sedosos quanto pareciam. E agora, com ele entre seus dedos, ela podia afirmar com todas as letras: eles eram.
-Hm, eu lavei ele hoje... –Harry sussurrou, em um som que saiu muito próximo a um ronronado. riu diante da reação dele ao seu carinho. –Não para. –Ele gemeu baixinho, como se estivesse transando e soltou uma gargalhada alta antes que pudesse evitar. Olhou preocupada para a amiga no outro sofá e colocou a mão que não estava nos cabelos do homem sobre os lábios, evitando que os sons de sua risada ecoassem pela sala. –Você é muito escandalosa, .
-Eu, né? –Ela deu um tapa em sua cabeça, fazendo-o rir. –Você é o pior.
-E você tem os melhores dedos do mundo, como eu não sabia disso antes? –Ele se remexeu, buscando ficar mais confortável no espaço que dividiam. –Posso te contrata pra ficar 24 horas por dia me fazendo carinho? –Ela revirou os olhos, decidia a não responder as gracinhas dele. –Eu prometo te pagar bem...
-Nossa, Harry, segunda vez em menos de duas semanas que você quer me contratar como prostituta! –Ela exclamou, fingindo incredulidade e ele levantou a cabeça, apoiando o queixo em sua barriga e a encarando nos olhos.
-Você precisa rever seu conceito de prostituta. –Ela apenas revirou os olhos, novamente, diante das palavras dele.
-Sabia que no Brasil, nós temos uma palavra pra esse tipo de carinho? –Ela comentou, apenas enrolando as pontas das mechas do seu cabelo entre os dedos.
-Sério? –Ele perguntou, animado. Harry passou a se mexer novamente no sofá, dessa vez deitando-se com as costas apoiadas no móvel e lateralmente a ele, colocando a cabeça na barriga de . A brasileira apenas encarou todos os movimentos que ele fazia de forma rápida e empolgada com uma sobrancelha levantada. –Como é?
-Cafuné. –Ela disse com um sorriso grande nos lábios. Observou o modo como ele passou a língua pelo lábio inferior e passou a repetir as sílabas que ela pronunciava devagar, a sobrancelhas franzidas em concentração.
-Cafuné. –Ele finalmente sussurrou, sem dificuldades, e ela bateu uma mão contra a outra, em palmas leves e contidas, fazendo-o rir infantil. –É uma palavra bonita.
-Nós temos várias palavras bonitas... –Ela disse, voltando a se entreter com o cabelo de Harry e ele estudou seu rosto com calma. –É por isso que eu amo ensinar essa língua...
-Você está nervosa? –Ele perguntou, dessa vez com a voz não passando de um sussurro, os olhos presos na expressão da mulher iluminada pela televisão.
-Admito que no avião eu estava surtando. Mas agora, eu to tão cansada que não consigo pensar muito sobre... –Ela comentou, voltando a enfiar seus dedos pelas mechas do cabelo dele, de maneira automática, e fixando seu olhar ali. –Mas pelo menos eu tive muito tempo no avião para ensaiar... – mordeu o lábio inferior, pensando sobre o assunto e sentindo uma pontinha de calor muito conhecida em seu peito.
-Quer falar sobre ou prefere mudar de assunto? –Ela deu de ombros, voltando seu olhar para o rosto dele quando ele novamente se moveu, ficando de costas para a televisão e voltando-se para ela por completo, ainda posicionado lateralmente no sofá. –Desculpa, não queria te deixar nervosa...
-Tudo bem. –Ela deu de ombros. –Mas eu prefiro falar de outra coisa. O que você fez hoje à tarde que não foi me buscar no aeroporto? – levantou levemente o queixo e deu um pequeno peteleco na ponta do nariz de Harry, fazendo-o rir.
-Além do óbvio motivo de que se eu entrasse no aeroporto nós não sairíamos de lá tão cedo... –Ele ergueu as sobrancelhas, fazendo-a sorrir. –Estava gravando com o James. –O cantor observou como rapidamente o rosto dela se ascendeu, os olhos brilhando e o sorriso aumentando e riu diante da cena. –Oh, calma. Você vai surtar se eu te contar o que nós filmamos... –Ele fez um momento de silêncio, comprimindo os lábios e se deliciando com a expressão curiosa de . –Carpool. Karaoke. –Harry sussurrou, pausadamente.
-Isso é sério? –Os lábios dela se entreabriram, em choque, e ela se remexeu, sentando-se no sofá. Ele resmungou e logo colocou a cabeça sobre suas pernas, sem nenhuma pretensão de se afastar. –Eu não acredito!
-Foi muito divertido, o James é um babaca. –Ele riu levemente, balançando a cabeça em negação. –Eu consegui um lugar para você na plateia na quinta, tudo bem? –Ela assentiu, em êxtase. –E amanhã podemos almoçar! Eu vou precisar gravar mais algumas cenas pro James, mas depois podemos fazer nosso passeio turístico.
-Não precisa mudar sua agenda por minha causa. –Ela tentou, com uma voz suave, e voltou a fazer o cafuné. Harry automaticamente fechou os olhos, aproveitando o carinho.
-Eu não vou. Isso já estava combinado. Eu só vou aproveitar meu tempo livre pra passear com a minha amiga. Nada demais. –Ele abriu os olhos repentinamente e a encarou com um sorriso de canto nos lábios. –Não precisa se preocupar. Só com as fotos que vão aparecer por aí... –Ele deu de ombros.
-Bom, quem deveria se preocupar é você. Sabe quantas ligações em troca de suborno eu vou ter que fazer quando chegar no Brasil? –Ela perguntou e ele riu. –É, sério! Você vai ter que tirar uns três dias para falar com adolescentes pra eu conseguir dar aulas sem ser interrompida por... – coçou a garganta, preparando-se para deixar sua voz mais aguda para a imitação que ia fazer: -Professora, o Harry é cheiroso? Ele é muito alto? Ele tava com o Louis? Ele falou se ainda ama o Louis? Você viu os quatro mamilos dele? –Agora o homem gargalhava com vontade, batendo as palmas da mãos e se encolhendo no sofá. Ela riu diante da cena. –É sério! Sabe quantas vezes eu fui parado no corredor pra responder essas coisas?
-Você falou que eu sou cheiroso, né? –Ele provocou.
-Eu fingi que não era comigo, claro. –Ela disse, em tom de voz óbvio e riu diante do bico que Harry fez com os lábios. –Fora isso, não teve nada demais. Alguns seguidores no Instagram, mas só. Eu nem ia me importar, mas algumas alunas começaram a fazer perguntas durante a aula. Ai a coordenação precisou intervir pra desmentir os boatos. E eu fui repreendida, claro. –Ela revirou os olhos, novamente se perdendo no meio de seu monologo. –Mesmo que eu não consiga o emprego, vou sair da escola. É muita repressão pra cima de mim.
-Como assim? –Harry perguntou, interessado, e ela deu de ombros, muito entretida em enrolar uma mecha do cabelo dele entre seus dedos.
-Eu não posso tocar em certos assuntos. Se eu falar de algo com conotação de discussão social, eles me recriminam. Mas eu preciso disso para falar de literatura, certo? –Ela deu de ombros. –Ou se eu uso algo que os alunos gostam para tentar fazer eles lerem algum livro clássico, sou muito criticada. Eu realmente gosto dos meus alunos, e eu sei que eles gostam de mim, eles sempre falam isso. Mas a coordenação e os pais... Me desmotivam cada vez mais.
-Sinto muito por isso. –Ele disse, baixinho, e ela apenas deu de ombros.
-Talvez eu consiga o emprego aqui. E se não conseguir, eu dou um jeito quando voltar. –Ele levantou os dedos e os enrolou em um dos cachos do cabelo de que caia na frente do rosto da mulher.
-Como você deixa seu cabelo tão bonito assim? –Ele questionou e ela riu.
-Eu lavei ele hoje. –Ela levantou uma sobrancelha e ele revirou os olhos, rindo.
-Sério, dava muito trabalho cuidar do meu quando estava maior. Apesar de sentir falta... –Ele comentou, ainda muito entretido com a mecha do cabelo dela. –Como faz cafuné sem desmanchar? –Ela riu.
-Ao invés de puxar, assim... –Ela envolveu, com os dedos, algumas mechas do cabelo dele e arrastou o toque pelo comprimento, até as pontas. –Você se concentra no couro cabeludo. Assim... –Ela, então, passou a massagear a região e ele fechou os olhos de novo, murmurando em aprovação, o que a fez rir. –Assim você não mexe na estrutura do cacho.
-Hm... –Ele apenas resmungou e ela riu, tirando os dedos dele que ainda seguravam seu cabelo, mas não se moviam mais. –Você precisa se mudar pra cá o mais rápido possível!
-Se tudo der certo amanhã, quem sabe. –Ela deu de ombros.
-E a gente sempre volta no assunto. –Ele comentou, novamente abrindo os olhos. –Sabe o que eu me lembrei? Que você é um péssimo ser humano que ainda não assistiu Dirty Dancing...
-Ah, não, Harry! – riu sob o olhar de reprovação dele. –Hoje eu realmente preciso descansar. Que tal se a gente assistir amanhã ou quarta?
-Você sabe que não vai voltar pro Brasil sem assistir, não sabe? –Ele perguntou sério, causando outro riso na mulher que apenas assentiu com a cabeça.
-Sério, qual o problema de vocês? –Com um pulo, os dois se voltaram para a voz brava de . –Por que vocês não param de dar risada? Que horas são? –A mulher estava sentada no sofá com uma cara extremamente rabugenta, fazendo morder o lábio inferior tentando conter o riso, ao mesmo tempo em que se sentia verdadeiramente culpada por tirar a ruiva de seu sono.
-Bom dia, gatinha. –Harry a provocou e recebeu um tapa leve na testa de . –Ei.
-Sem provocação. –Ela sussurrou e se voltou para a amiga ao ouvir os resmungos que a mesma produzia, tentando encontrar o celular no meio das cobertas. –Acho que não é tão tarde, ainda ta passando o filme. – apontou para a televisão onde a cena final se desenvolvia e apenas bufou.
-Por que então vocês não ficaram quietinhos? Eu quero dormir! –Ela exclamou, raivosa, e finalmente deu o sorriso que tanto estava segurando.
-Desculpa. Você sabe que o Harry não consegue se conter na minha presença... –A brasileira se justificou, sob o olhar incrédulo do outo. –Por que você não vem pra cá também? Eu tenho pouco tempo aqui e a gente tem bastante saudades pra matar...
-Prefiro quando você não tem o Harry pendurado no pescoço. –Ela fez uma pequena cara de nojo. –Tem sorvete, vocês querem? – caminhou na direção da cozinha e os outros dois amigos apenas gritaram, positivamente.


Capítulo 07

Harry Styles
Por que eu não acordei de conchinha com você? 9:30


não pode conter a risada que se desprendeu de seus lábios ao abrir a última mensagem que havia recebido. Apenas respondeu lembrando Harry de sua entrevista e voltou a observar o redor. O espaço da faculdade, em si, não se diferenciava muito das outras faculdades que havia tido a oportunidade de conhecer no decorrer dos últimos cinco anos. Era bastante arborizada, composta por vários prédios com salas de aulas, assim como alguns bancos espalhados para a comodidade dos estudantes. Ela podia observar várias bicicletas, assim como alunos dos mais variados perfis correndo de um lado para outro.
não pode deixar de sorrir, sentindo falta de toda a correria e o cansaço que a graduação lhe proporcionava. Fazia apenas um ano que terminara seu curso, mas era verdade o que as pessoas tanto lhe diziam: a faculdade era o melhor período da sua vida. Não podia negar a pressão, as noites em claro, e os problemas de saúde que desenvolveu tentando lidar com todas as responsabilidades que lhe foram impostas, mas havia sido um período de experiências muito boas. Um período mais que necessário para que ela crescesse – mesmo quando sempre se considerou uma adulta presa no corpo de uma adolescente. Expandiu sua visão sobre o mundo, proporcionou debates fundamentais para sua construção como profissional da área da educação e uma ou outra amizade para a vida toda.
E agora, ela estava ali. A trinta minutos de uma chance de emprego incrível e com a qual sempre sonhara.
Seu celular vibrou novamente sobre seu colo e ela o pegou, tentando se manter mais presente na realidade, mesmo com a sensação cada vez mais crescente do calor da inquietação em seu peito. O nervosismo começa a dar sinais, também, em suas mãos que tremiam ao digitar a senha do seu aparelho.

Harry Styles
Você vai arrasar, tenho certeza 9:34


sorriu, deixando o celular novamente sobre seu colo, sem pretensões de responder Harry. Se encontraria com ele logo mais cheia de novidades, ele não precisava ouvir novamente o quanto estava nervosa ou tentar inutilmente acalmar seu desespero.
Havia acordado uma hora antes de seu despertador. E já esperava por isso. Era uma dessas pessoas que preferia chegar adiantada e esperar, do que atrasar. E também era incrivelmente intolerante quando a faziam esperar além do horário estipulado – era uma das poucas coisas que conseguiam acabar com seu humor. Com o tempo a mais que inconscientemente conseguiu, se dedicou a fazer sua higiene, escolher as roupas com cuidados, treinar algumas vezes no quarto de hospedes de , coletar tudo o que seria necessário para a apresentação e enfiar na bolsa, chamar um Uber e ainda se perder dentro do espaço gigantesco que era a faculdade.
Para sua sorte, muito próximo ao prédio em que faria sua apresentação, havia uma pequena cafeteria, na qual ela degustou seu café da manhã nos minutos limites que tinha disponível para gastar antes de procurar os responsáveis por sua avaliação. Por isso, com vinte e cinco minutos de folga, caminhou tranquilamente na direção do prédio acadêmico e respirou fundo antes de empurrar a porta de madeira a sua frente.
-Eu tenho certeza que você foi muito bem, cala a boca. – reclamou, fazendo revirar os olhos para a tela de seu celular.
-Você não estava lá, eu estava, e posso te falar com certeza: Uma. Bosta. –A mulher respirou fundo, tentando conter uma lágrima que já queria se desprender de seus olhos.
-Não, não, não. – apontou o dedo na direção da mulher, mesmo que a milhares de quilômetros de distância naquela vídeo chamada. –Não. Você não recebeu o resultado, você está achando que foi mal. Você não vai chorar e ficar depressiva. – riu, apoiando o cotovelo sobre a mesa e sua cabeça na mão, encarando o irmão divertida.
-Como você me conhece tão bem? –Ela resmungou, chorosa, fazendo o mais velho rir.
-Eu, infelizmente, convivi o suficiente com você pra saber dos seus dramas. . –Ele adotou uma expressão séria, chamando a atenção da mais nova para si. –Você deu seu melhor? –Ela balançou a cabeça, afirmativamente, enquanto mordia o lábio inferior.
-Eu até mostrei as atividades que apliquei pros meus alunos da mesma aula que apresentei pra eles! –Ela exclamou. –Não precisava, mas eu fiz pra eles verem que eu tinha experiência.
-Então, sua tonta. Não tem o que se preocupar. Você deu o seu melhor e se eles não te quiserem... –Ele deu de ombros. –Tem quem queira.
-O Harry quer! – ouviu a voz da mãe a distância e revirou os olhos enquanto observava a gargalhada alta do irmão.
-Quer nada, mãe, fica quieta. –A mais nova resmungou, tentando se esquivar do assunto.
-Mãe, por isso que eu te amo, bate aqui! – esticou sua mão e logo a silhueta de sua mãe apareceu correspondendo ao high-five do filho. –Falando nisso, cadê ele?
-E eu sei lá. – bufou. –Era pra eles terem aparecido faz quarenta minutos!
-Oh-oh. Nada de sexo pro Harryzinho hoje. – encarou o irmão com a expressão de maior incredulidade que pode reunir em seu rosto. Agora era só o que lhe faltava, além de ser duramente criticada pelos professores que a avaliaram, seu irmão ia jogar na sua cara uma relação sexual que ela nem tinha. E o que era pior, com a sua mãe presente na conversa.
-Sério, você me dá nojo. Nem sei porque fui ligar pra você.
-Porque além da mamãe, eu sou o único que te dá atenção. –Ele lhe mandou um beijo e a mulher apenas revirou os olhos, incrédula com a audácia que seu irmão assumia para falar com sua irmã mais nova. –Já conseguiu turistar?
-Não, vou começar meus passeios hoje à tarde! –Ela abriu um sorriso grande, finalmente contente com o rumo da conversa. –To tão animada!
-O Harry vai? –Sua mãe se colocou atrás do filho mais velho, aparecendo minimamente na tela do celular e a mais nova rapidamente murchou diante da pergunta. Eles realmente não lhe dariam um pouco de paz daquele assunto ridículo que envolvia o seu mais novo amigo.
-Acho que não e para de ficar perguntando dele, pergunta de mim. –A mulher fez manha, tentando desviar minimamente a atenção deles, nem que para isso precisasse parecer uma criança birrenta de oito anos.
-Oi, . –Ouviu alguém exclamar atrás de si e se assustou diante da presença de e Harry que finalmente haviam chegado no restaurante. –Desculpa o atraso! – se inclinou para dar um beijo rápido em sua bochecha, mas teve sua atenção totalmente desviada para a tela do celular da brasileira. –Oi, tudo bem? –Ela perguntou, animada, em português.
-Oi, querida, tudo bem? –A mulher mais velha se apressou em responder, animada, e revirou os olhos diante do sorriso sem vergonha que seu irmão sustentava no rosto.
-Tudo bem. Meu nome é . –A ruiva continuou, ainda extremamente animada, o que fez rir.
-Ah, você é a tão famosa ? Que bom finalmente te conhecer! Sou a mãe da e esse é o irmão mais velho dela, o . –A mais velha se empolgou, fazendo os dois filhos rirem diante da cara de confusão da americana.
-Calma, mãe, ela não sabe tanto assim de português. avisou, divertida, o que causou um pequeno acanhamento em sua mãe. A brasileira tratou de explicar para a amiga o que a mulher havia pronunciado em português e abriu um sorriso gigantesco.
-Fala que é um prazer conhecer os dois e que espero conseguir falar com eles muito em breve! –A morena rapidamente explicou aos familiares, ou melhor, explicou a mãe que não falava inglês, a mensagem da amiga. Estava prestes a encerrar a ligação, enquanto puxava a cadeira a sua frente para se sentar, quando Harry enfiou-se entre a mulher e seu celular e colocou seu rosto diante da câmera.
-OI! –Ele exclamou, extremamente animado e o empurrou.
-Nossa, Harry, calma, eu deixo você ver todo mundo, mas eu também quero ver minha família. –Ela resmungou, fazendo ele e seu irmão rirem. Harry puxou a cadeira a seu lado, sentando-se extremamente próximo dela para conseguir participar da ligação.
-Ele é ainda mais bonito pessoalmente, . –A mãe exclamou, fazendo a mulher revirar os olhos.
-Você não ta vendo ele pessoalmente, mãe, para. a repreendeu, rindo. –Oi, Harry, sou o irmão mais velho da e essa é nossa mãe. –Ele cutucou a bochecha da mais velha com seu dedo, fazendo-a bater em sua mão e o encarar com raiva, antes de se voltar sorrindo para a câmera. Harry riu diante da cena e apenas sorriu, acostumado com as provocações do irmão.
-Sua mãe é linda, , agora eu sei de onde você puxou tanta beleza. –Ele abriu um sorriso grande para a mulher mais velha, galanteador, e apenas revirou os olhos.
-Menos, Styles, menos. –Ela resmungou, observando que seu irmão já informava a mãe que ela era o assunto da conversa. Rapidamente a mais velha abriu um sorriso ainda mais largo, em uma postura de quem claramente se deixava levar pelos encantos do homem ao seu lado. –Vou desligar antes que o Harry continue cantando a mamãe.
-Acho bom. Você eu até aceito entregar de bandeja pra ele, mas a mamãe não. resmungou, fazendo a brasileira rir.
-Você é o pior. Ligo pra vocês mais tarde.
-Ei, espera. se adiantou, aproximando a câmera do seu rosto. –Harry? –Ele chamou, como se o homem ao lado da irmã tivesse em algum momento desgrudado os olhos da conversa que eles tinham. Harry apenas assentiu, mostrando que estava atento, e o mais velho continuou: -Da logo uns beijos na minha irmã, ela está precisan-
Antes que ele terminasse, desligou a ligação, sentindo-se extremamente envergonhada. Tentou ignorar as risadas altas de Harry a seu lado e as de a sua frente, empenhando-se em guardar o celular na bolsa, mas não foi bem sucedida em sua missão.
-Quer dizer que seu irmão torce pra gente? –Harry perguntou, malicioso, a seu lado e ela deu de ombros, mais recomposta.
-Meu irmão torce pra mim e qualquer espécie humana que aparecer. Não precisa se sentir especial. –Ela riu diante da expressão chocada que ele exibia no rosto e a mão em seu peito, extremamente afetado pelas palavras da mulher.
-Como foi a entrevista? – perguntou, interessada, e suspirou alto, automaticamente perdendo o sorriso e a pontinha de animação que havia conquistado ao conversar com seu irmão e sua mãe.
-Acho que não consegui.
-Por que? –Os dois perguntaram ao mesmo tempo e ela deu de ombros, passando os dedos pelo talher posicionado sobre a mesa ao seu lado direito.
-Eu não fui muito bem, sabe? Eu me enrolei em algumas partes, engasguei. Acho que não consegui passar o que eu queria. E eles me criticaram muito... –Ela novamente deu de ombros.
-Mas já te deram uma resposta? –A ruiva a sua frente tornou a perguntar e ela balançou a cabeça negativamente, ainda com o olhar baixo. –Então, calma, . Às vezes foi só uma impressão sua.
-Não, acho que não. Eu realmente duvido muito que consiga algo com uma apresentação tão ruim... Vou só aproveitar minha estadia com muito turismo e torcer para aparecer uma nova oportunidade. –Ela, novamente, deu de ombros, desanimada.
Sentiu um toque quente em sua mão, posicionada sobre sua coxa, e baixou seus olhos para aquela direção. Observou, com interesse, os dedos de Harry sorrateiramente moverem os seus, direcionando os para a palma de sua mão. passou a analisar o contraste de seus dedos entrelaçados, sentindo o metal dos anéis dele contra sua pele até ele levar o polegar da outra mão em um carinho nas costas da sua.
-... –Ela levantou os olhos, encarando a expressão séria dele. –Eu ouvi um não e ainda assim to aqui. Com um sorriso desses, é impossível alguém te dizer não. –Ela revirou os olhos, mas não pode deixar de sorrir diante do comentário dele que, em partes, não fazia o menor sentido na conversa como um todo. Mas era extremamente preciso para fazê-la sorrir e esquecer um pouco o desânimo que a consumia.
-Sério, está ficando um nojo dividir o ambiente com vocês. – resmungou alto, fazendo os outros dois finalmente desgrudarem os olhares um do outro. riu e até tentou soltar sua mão, mas Harry apenas a apertou mais forte, mantendo-as unidas sobre sua perna.
-Isso tudo é ciúmes porque finalmente eu estou recebendo mais amor da que você. –A brasileira apenas revirou os olhos, prevendo a briga que se iniciaria e não teria um fim tão rápido quanto ela gostaria. Para melhor usar seu tempo e agradar seu estômago roncando em fome, se concentrou em ler o menu do restaurante.

-Quais são seus planos para hoje? – perguntou, um de seus braços contornando a cintura de enquanto a mais alta tinha seu braço apoiado nos ombros da ruiva.
-Vou pro seu apartamento trocar de roupa e depois vou dar uma volta em Hollywood. Turismo é a única coisa que pode me animar nesse momento. –A americana fez uma pequena careta diante do comentário da amiga.
-Eu tenho certeza que consigo te animar com a garrafa de tequila lá de casa. –Ela cutucou a mulher na cintura, fazendo se remexer, rindo. –E que passeio mais clichê esse que você quer fazer, hein?
-Me deixa, eu sou turista. –A brasileira reclamou, observando Harry não muito distante ocupando-se em dar atenção a algumas fãs. –Eu queria muito ir pra Santa Monica, mas já está tarde, eu não iria aproveitar nada, de qualquer forma.
-Nós podemos ir pra lá amanhã! – exclamou, animada. –Eu e o Harry pensamos em parques de diversões, mas se eu organizar, podemos fazer os dois passeios! –A mulher se afastou, dando pequenos pulos e gritos mal contidos.
-Em Santa Monica também tem parques, mas se seu passeio incluir a Disney, amanhã eu sou toda sua! – mal conseguia conter o sorriso grande que se espalhava por seu rosto, apenas imaginando o dia maravilhoso que poderia se estender daquela viagem. Nem mesmo o fiasco que havia sido sua apresentação poderia afetar seu humor.
- voltou pra jogada? – sentiu um braço sobre os ombros e a voz extremamente próxima de Harry. –Estava muito chato brigar pelo amor da sem uma disputa descente. –A brasileira apenas o encarou, incrédula, enquanto assumia a sua postura séria e indignada.
Estavam presos naquela bolha em que costumavam se perder quando na companhia um do outro, esquecendo-se do mundo ao redor. O momento teve um fim assim que Harry voltou sua cabeça, com rapidez, para o outro lado da rua, encarando fixamente alguma coisa. estranhou a feição séria que ele assumiu, mas ao avistar uma câmera na direção deles, entendeu o que chamou a atenção do cantor. Tentando ser o mais discreta que podia, afastou o corpo do cantor de si, colocando uma distância saudável e que não causaria nenhum tipo de questionamento na mídia.
-, a gente não pode levar ele. Ele vai estragar tudo! – resmungou, chorosa, sem se dar conta de que eram seguidos.
-Hm, , vamos pro carro, depois nós terminamos a conversa. –Harry segurou com firmeza no braço da assistente, puxando-a para dentro do veículo. Ela ainda se voltou para , confusa, mas a brasileira apenas fez um sinal para que ela não se preocupasse.
-Prometo tentar voltar pro jantar, ok? –Disse alto e recebeu um balançar de cabeça positivo da ruiva, confirmando que a informação tinha chegado aos seus ouvidos antes da porta do carro ter sido fechada com força.

estava se divertindo como nunca. Definitivamente tinha sido uma boa escolha pagar os vinte dólares para adentrar o museu Madame Tussauds. A galeria do celular estava completamente tomada com as mais variadas fotos e poses da brasileira com as estátuas de cera dos famosos. A maioria delas muito criativas, enquanto algumas outras eram poses extremamente clichês, mas se daria ao luxo, afinal, não era todo dia que tinha aquela oportunidade.
Ela não tinha a mínima noção do tempo que gastou naquela empreitada pelos salões do prédio, mas seu humor era definitivamente o melhor possível. Qualquer preocupação que lhe tirara o sorriso do rosto mais cedo não passava por sua mente agora. E, para completar, sem querer, acabara diante da cópia da boyband que a perseguia a quase três semanas: One Direction. A mulher precisou conter a gargalhada que subiu por sua garganta, animada.
Aguardou, não muito pacientemente, até que algumas garotas tivessem seus momentos com as figuras de cera e assim que o espaço estava livre, ela caminhou na direção do Harry Styles com aquela cara de bebê de cera. Tirou inúmeras selfies, extremamente satisfeita, e uma mulher simpática se voluntariou ainda para tirar uma dela com a banda toda. Ela deu de ombros, aceitando, apenas para ter material suficiente para fazer piadas com seus amigos. Contente, se afastou minimamente, abrindo margem para outros aproveitarem o momento com os meninos e, com o celular ainda em mãos, abriu o aplicativo de mensagens para anexar as fotos ao grupo que participava com Harry e .


Gente, achei esse menino mimado aqui, parece que é de uma
boyband. Confere? 18:45


Run, Forest, run! Antes que ele grude em você 18:46
Harry
Ha ha 18:47
Eu aqui morrendo de fome e você tirando foto com a minha estátua de cera? Por favor, 18:47

Comida mexicana? 18:48
Harry
Sempre! 18:48

Quando você chega, ? 18:48


A brasileira riu e avisou os amigos que chamaria um Uber para finalmente retornar ao apartamento. Passara a tarde toda caminhando pelos arredores de Hollywood, tirando fotos turísticas da Calçada da Fama, o Teatro Grauman’s Chinese e o Teatro Dolby, além das inúmeras figuras icônicas que cruzaram seu percurso, pessoas performatizando ao ar livre utilizando fantasias ou apenas vendendo sua arte. Tinha muitas lembranças e inúmeras fotos para eternizar os pequenos momentos que pode desfrutar naquela tarde e dando-se por satisfeita, caminhou na direção da saída do local.

-Toma um banho rápido porque a comida já está chegando! –Enquanto caminhava pelo corredor, ouviu o grito de que continuava na cozinha, preparando uma panela de brigadeiro para sobremesa do jantar. A brasileira apenas deu um grito confirmando que a havia escutado e abriu a porta do quarto de hóspedes.
Para dar de cara com uma cena um tanto quanto inusitada.
Em sua cama provisória, Harry encontrava-se dormindo tranquilamente. Aquilo, em si, não deveria ser um problema. A não ser o fato de que o homem trajava apenas uma cueca boxer preta. perdeu alguns segundos, com a mão ainda segurando a maçaneta, observando o corpo esguio e cheio de tatuagens do cantor agarrado a um travesseiro, em posição fetal. Sua feição tranquila, principalmente os canto de seus lábios repuxados em um leve sorriso, contrastava com todo o teor sexual que emanava de seu corpo (semi)nu. Além de confusa, não sabia definir se aquela cena era incrivelmente sexy ou incrivelmente fofa.
-Hm, ? –A brasileira chamou alto pela amiga que lhe respondeu apenas com um “que foi” disperso. –Por que o Harry tá dormindo só de cueca na minha cama? –Ela novamente tornou a gritar, recebendo um novo “que foi” da amiga como resposta. Revirou os olhos. –Vem aqui! –Alguns resmungos e passos apressados depois, estava ao seu lado na porta do quarto. –O que é isso? – indicou a cama para ela, rindo, e a ruiva franziu as sobrancelhas, confusa.
-Ele tinha me falado que ia pro apartamento dele tomar banho! –Ela exclamou, surpresa. –Eu não faço ideia do porque ele tá aí. –As duas riram e decidiram que iria ficar com a missão de acordá-lo enquanto tomaria seu banho rápido.
Em oposição ao dia anterior, dessa vez realmente se apressou em seu banho, mesmo com o olhar recorrente para a enorme banheira ainda não desfrutada. Ela tinha mais alguns dias e não deixaria a oportunidade passar. Por hora, a fome que a consumia falava mais alto, por isso logo estava vestindo seu pijama e passando seu perfume, pronta para o jantar improvisado. Abriu a porta do banheiro, cantarolando uma música que ouviu no caminho para casa, mas parou novamente encarando a cama em confusão.
Ao invés de um Harry semi nu adormecido, havia um Harry semi nu segurando um violão, sentado na cama. se dignou alguns momento apenas para apreciar a visão: a forma como ele calmamente dedilhava as cordas com as pontas dos dedos, chamando a atenção devido a quantidade de anéis que cobriam sua mão relativamente grande; os braços flexionados para segurar o instrumento e as tatuagens que pareciam saltar da pele clara dele; a forma como as pernas se estendiam despreocupadas na cama; a boca comprimida que constantemente recebia um pouco de saliva pela língua se deslocando com calma no lábio inferior; as sobrancelhas franzidas sob os olhos claros demonstrando concentração; os cabelos caindo para todos os lados daquele jeito charmoso que ela não sabia como ele fazia para conseguir o efeito desejado. Agora podia admitir com certeza: era um conjunto e tanto bem sexy.
-Admirando a vista, ? –A mulher ainda levou alguns instantes para absorver o fato de que ele havia, sim, a notado no aposento e estava se referindo a ela. A consciência daquele fato cresceu, principalmente, quando um sorriso convencido começou a se formar no canto de seus lábios. revirou os olhos.
-O que diabos você ainda ta fazendo aqui pelado? –Ela questionou, cruzando os braços sobre os seios.
-Eu não to pelado. –Ele retirou o violão de seu colo, abandonando-o na cama ao seu lado e esticando os braços para trás, fazendo questão de mexer os dedos do pé apenas para provoca-la, exibindo suas longas pernas.
-O que você quer? –Ela levantou uma sobrancelha, movimentando o peso de seu corpo para a perna esquerda, ainda em desconfiança.
-Eu estava gostando mais quando você estava me olhando com a baba escorrendo no queixo. Continua. O narcisista em mim adora. –Ele provocou, levantando uma sobrancelha e ela revirou os olhos, decidida a ignorar a presença do cantor, já que ele não lhe daria muitas respostas a respeito do porquê invadia seu espaço. Pegou o celular que havia deixado sobre a pia do banheiro e procurou o contato da mãe, para informa-la sobre seu paradeiro.
-A comida cheg... Que merda tá acontecendo aqui? – adentrou o quarto, animada, mas parou, confusa, diante da cena que lhe era apresentada: um Harry seminu na cama, extremamente feliz, e uma concentrada em seu celular na porta do banheiro.
-Se você entender a mente do seu chefe, por favor, me diz o que tá acontecendo. – resmungou, caminhando na direção do corredor.
-Você não tem vergonha na cara não? –Ouviu a pergunta da ruiva, mas a brasileira sabia a resposta sem precisar que Harry se pronunciasse: não.

-Mas eu quero ir pra Santa Monica também! –Harry resmungou, mais uma vez, fazendo as mulheres revirarem os olhos, cansadas de tentarem argumentar com o homem sobre o assunto.
-Você vai chamar a atenção, seu babaca! – disse, já sem o mínimo de paciência necessária para continuar a conversa, e suspirou. <
-Eu posso usar um disfarce, igual no Brasil. –Ele tentou um novo argumento, disposto a tudo para não ficar de fora do passeio.
-A gente não está mais no Brasil. Aqui, com certeza, vão te descobrir. – pontuou, nem um pouco convencida e enfiando uma colher de brigadeiro na boca.
-Você não pode me deixar de fora. –Ele jogou os braços para o alto, deixando-os cair teatralmente sobre as coxas, ainda nuas. , atenta ao movimento, capitou uma tatuagem em particular que ele tinha na coxa.
-Levanta o braço. –Ela cutucou o braço esquerdo do cantor, esperando que ele acatasse seu pedido, mas ele apenas abriu um sorriso malicioso, os lábios prontos para soltar algum comentário repleto de segundas intenção. Mas, antes que ele fizesse, a brasileira revirou os olhos e levantou ela mesma o braço em questão.
E tinha diante de si uma tatuagem pequena, em letras maiúsculas arredondadas, que significavam apenas uma coisa, o nome do país de origem de , acrescido de um ponto de exclamação. Brasil! Simples como qualquer outra tatuagem que cobria o seu corpo, passando despercebida pelo local discreto em que fora tatuada e que deixou a brasileira com os lábios separados em surpresa.
-Você não sabia? – perguntou, incrivelmente divertida diante da reação da amiga.
-Claro que não! –Ela exclamou, rápido e alto. Tão envolvida em seu pequeno momento de surpresa e admiração, ela não percebeu exatamente quando, mas estava com os dedos traçando a pele marcada dele com calma. Ela sentia, tão levemente que quase não sentia, o relevo que a tinta proporcionara na pele clara e ligeiramente quente dele.
-Hm, ? –Ela levantou seu olhar, finalmente, para o rosto dele, encontrando um sorriso divertido e os olhos brilhando por alguma coisa que ela não compreendeu. –Você pode, hm, parar? Eu não quero ter nenhuma reação muito evidente, mas se você continuar...
E com um baque, ela finalmente compreendeu como encontrava-se com o rosto incrivelmente próximo do corpo do rapaz e os dedos em uma região definitivamente problemática. Ainda em choque, seus olhos se direcionaram mais pra cima, na tal “reação evidente” e ela percebeu, ainda mais surpresa, que estava avidamente encarando o volume que o membro de Harry formava na cueca. Ai meu Deus. O que estava acontecendo com ela essa noite?
Em um pulo, se afastou do rapaz, sentando-se na outra ponta do sofá, encolhendo suas pernas para próximo do seu corpo e tentando manter algum tipo de sanidade diante da distância que se formou entre os dois. Colocou um cacho teimoso atrás da orelha, evitando olhar para os amigos que soltavam risadas descontroladas e preenchiam o ambiente de modo opressor, na opinião da mulher.
-Quando... –Ela precisou coçar a garganta, antes de continuar. –Quando você fez?
-2014. –Ele respondeu, dando de ombros, sem se abalar com o episódio. Ela acreditava, na verdade, que ele estava muito contente com o tal episódio. Sem contar o ego elevado. Bufou baixinho, incrédula com o próprio descontrole. Talvez fosse a influência dos comentários de sua mãe e de seu irmão... –Quando fizemos o show no Rio.
-É por isso que queríamos as aulas. – completou, chamando a atenção da brasileira. –Harry já é apaixonado a muito tempo pelo Brasil, e eu me tornei com o convívio. –Ela deu de ombros e assentiu, concordando com os dois.
Para sua extrema felicidade, o telefone de Harry começou a tocar sobre a mesa e ele se afastou, caminhando na direção do corredor, para atender. acreditou que, enfim, o assunto teria fim, mas a observar o sorriso malicioso de em sua direção, enquanto degustava uma nova colher de brigadeiro, soube que a implicância estava apenas começando. Revirou os olhos apenas diante da possibilidade das piadas.
-O que vamos fazer, sobre Santa Monica? – perguntou, evitando abrir brechas para as provocações da ruiva.
-Eu realmente não sei. –Ela bufou, enterrando os dedos nos cabelos ruivos e os bagunçando. –Nos parques eu acho que não vamos ter muitos problemas, afinal é quarta-feira. Claro, vai estar cheios de turistas, mas poderíamos arrumar segurança. Agora nas ruas... Não sei... Vou ligar pro Paul e pedir a opinião dele. –A brasileira apenas assentiu, observando a ruiva buscar seu celular entre as almofadas e caminhar na direção da cozinha.
, enfim, se viu sozinha, em um silêncio com muita paz e respirou fundo. Seus pais já deveriam estar dormindo, assim como . E, mesmo que não estivesse, não estava com disposição para as possíveis implicâncias do irmão mais velho. Não após aquele momento ridículo que acabara de acontecer.
E, afinal, o que havia acontecido?
tinha bastante noção que fazia algum tempo que negligenciava sua vida sexual. Estava extremamente focada na oportunidade de emprego que havia se aberto diante de si e colocara aquela necessidade como a menor de suas prioridades. Agora, com o corpo semi nu de Harry andando de um lado para o outro, ela percebeu que talvez tenha sido um erro. Ela precisava realmente transar antes que acabasse atacando seu novo amigo. E ela havia prometido a si mesma que não iria ataca-lo tão cedo. Isso, pois, ela tinha uma noção do charme da pessoa em questão e sabia que não iria ser forte o suficiente para negá-lo por muito tempo. Mas poxa, não precisava estragar tudo em menos de três semanas, certo? Era só achar outra boca e aquilo tudo se dissiparia, certo?
Encarava o teto, fixamente, em uma batalha interna quando Harry novamente adentrou o cômodo, rindo de algo com o celular esticado diante de si. não o notou, realmente empenhada em se convencer de suas prioridades naquele momento tão confuso de sua vida, que deu um pequeno pulo no sofá quando o homem se jogou contra o móvel e deitou sobre ela.
-Olha quem está aqui! –Ele exclamou, animado, apoiando suas costas contra o tronco de . A mulher abriu um sorriso grande para Anne e Gemma, apoiando seu queixo no topo da cabeça do homem.
-Oi, gente! –Ela acenou, também animada, na direção das duas mulheres e recebeu dois sorrisos entusiasmados em resposta.
-, senti sua falta, querida! –A mãe de Harry exclamou, fazendo-a rir, afinal, não haviam conversado o suficiente da primeira e última vez para ter causado tão boa impressão, certo?
-Oi, espero que meu irmão tenha falado coisas boas sobre mim, sou a Gemma. –A loira comentou, empolgada, atraindo a atenção da brasileira.
-É um prazer finalmente te conhecer, Gemma! E acho que a opinião do seu irmão não conta pra muita coisa, né? – fez uma careta, apertando a bochecha do homem a sua frente. A irmã mais velha riu alto da careta do mais novo.
-Quando vamos nos encontrar? Já te amo! –Ela exclamou, extremamente entusiasmada.
-Meu filho está te dando muito trabalho com as aulas, ? –A mais velha quis saber, adotando uma expressão séria.
-Ele é um bom aluno, quando não está reclamando... –Harry encarou em ultraje e a mulher apenas levantou uma sobrancelha. –Ah, eu estou mentindo? Conta pra sua mãe o drama que você faz pra fazer os exercícios.
-É difícil... –Ele resmungou, fazendo a mãe rir.
-Você que é um preguiçoso mimado! –Gemma se adiantou, fazendo levantar seu dedão, confirmando seu comentário, e balançar a cabeça positivamente, em apoio.
-Eu to vendo você aqui na tela, . –Harry resmungou, fazendo as outras rirem.
-Harry, pare de dar trabalho pra ! Ela já está fazendo muito por você. –Anne deu seu pequeno sermão, apesar de ter um pequeno sorriso no canto dos lábios.
-Você sabe que eu pago ela, né? –Harry resmungou, fazendo todas as presentes na ligação revirarem os olhos.
-E por isso vai ficar explorando ela? Deixa de ser babaca, Styles. –Gemma reclamou, fazendo abrir um sorriso ainda maior.
-Quando você vem nos visitar, querida? –Anne perguntou, novamente animada.
-Ou quando seremos convidadas para L.A.? –A loira ergueu as duas sobrancelhas, numa indireta clara ao irmão.
-Sobre L.A., ainda não sabemos... –Harry levantou a cabeça, buscando o olhar da brasileira que apenas balançou a cabeça em negação. –Mas podemos marcar a viagem da pra Manchester!
-Hm, não tão logo, preciso me organizar... Minhas férias são só em dezembro. –A mulher deu de ombros, fazendo as outras duas murcharem diante da informação.
-É uma pena, estamos muito animadas pra te conhecer pessoalmente. –Anne disse, ainda com um sorriso no rosto e apoiou a lateral de seu rosto sobre o topo da cabeça de Harry, sentindo seus olhos brilharem de felicidade.
-Vocês são tão gentis comigo, acho que não mereço. –Ela fez um pequeno bico com os lábios.
-Você dá aula por Harry, o mínimo que merece é um pouquinho de amor. –Gemma lhe respondeu, fazendo rir, principalmente diante do pequeno sermão que a mãe lhe dirigiu, sob o olhar satisfeito de Harry.
-Isso tudo só pode ser porque você sente minha falta. –Harry exclamou, atraindo o olhar da irmã com uma sobrancelha levantada.
-Não se considere tão especial... –Ela debochou e eles passaram a mostrar a língua um para o outro.
-Nós precisamos ir. –Anne finalmente decretou, encerrando a pequena disputa que acontecia entre os filhos. –Mas, , por favor, nos mantenha atualizadas sobre sua vinda, tudo bem? – assentiu, sorrindo, e antes que pudesse fazer algum comentário, Anne se adiantou:
-Harry, passa meu número pra ela! –O homem apenas revirou os olhos.
-Acho que não estou tão louco ainda. –Ele a encarou, fingindo tédio, o que fez a mulher do outro lado da ligação revirar os olhos.
-Ou você passa ou a me faz o favor, babaca. Tchau, ! –Ela enviou um beijo animado na direção da brasileira, que correspondeu divertida. Harry encerrou a ligação após uma despedida incrivelmente fofa e voltou a apoiar a cabeça no encosto do sofá.
Harry permaneceu na mesma posição, a pele dele em contato indireto com a dela devido as camadas de roupa do pijama. E, por incrível que pareça, estava extremamente confortável com a posição e a pequena troca de calor com o corpo ainda semi nu dele. Riu baixinho, direcionando os dedos de sua mão direta para as mechas do cabelo dele, começando um pequeno carinho.
-Você vai me deixar mal acostumado... –Ele sussurrou, fazendo-a morder o lábio inferior para evitar um sorriso. –Eu vou te prender dentro do meu closet e você não vai voltar pro Brasil!
-Tentador, Harry. E nada psicopata. –Ela riu, irônica, e ele resmungou algo incompreensível, se remexendo para ficar mais confortável. Aproveitando os movimentos, também buscou mais conforto e acabaram com a brasileira apoiando suas costas no braço do sofá e as pernas esticadas. Harry encontrava-se entre as pernas dela, ainda apoiando suas costas da parte superior do corpo de e com uma mão despretensiosa sobre o joelho dela.
Conversaram mais um pouco, em sussurros baixos e alguns carinhos trocados, e nenhum dos dois soube direito quando caíram no sono. Foi que os descobriu dormindo naquela posição extremamente desconfortável, mas que parecia trazer paz para ambos. Riu, aproveitando para tirar algumas fotos do que agora era, definitivamente, seu casal favorito e resolveu deixá-los mais um pouco compartilhando a companhia um do outro, mesmo que inconscientemente. Depois que terminasse um episódio de Grey’s Anatomy em atraso os acordaria para que dormissem mais confortavelmente em suas camas. Os detalhes dos passeios do dia seguinte ficariam para o dia seguinte, de qualquer forma.

Continua...



Nota da autora: Mais uma att dupla pra deixar todo mundo feliz enquanto não vem o álbum novo do senhor Styles ou a aparição dele no Met Gala. Não sei se vocês viram a brasileira que conseguiu um autógrafo dele em Londres essa semana (03/03), os comentários que ela fez sobre o encontro me deixaram esperançosa que ele está escondendo uma namorada brasileira rs Pra quem não viu, ele pergunta se ela está com saudades do Brasil, já que estamos em Carnaval. Um fofo (a fic é baseada em uma história real e ninguém sabe RS).
Bom, agora temos um passeio em Santa Monica e uma ruiva extremamente empenhada em fazer o casal acontecer. Pra saber algumas informações antes do próximo capítulo entrar no site, é só seguir o instagram da pp. Espero que vocês estejam gostando e, se possível, deixem um comentário com qual elemento da cultura brasileira vocês gostariam de ver aqui na história. Já tem muito da história encaminhado, mas quem sabe vocês não acertam em algum palpite ou eu acrescente algo inspirada por vocês?



Qualquer erro no layout dessa fanfic, notifique-me somente por e-mail.


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