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Última atualização: 04/12/2016

Prólogo



– É muito tarde! – Cibelle gritou tentando o impedir assim que cruzou a porta.
– Não posso ficar sentado apenas esperando! – estava decidido lutar.
– Você vai morrer, ! – Max tentou ao longe.
Já era tarde... Abriu a porta do carro colocando a chave na ignição. Ninguém o impediria de seguir até o destino, pois sabia que era o único que poderia impedir aquela morte. Aquela mulher era tudo que tinha, na verdade, ela é tudo o que ele tem, e precisava salvar a única razão para permanecer vivo!
Passaram por momentos ruins, ela o batia após cada erro que cometiam juntos, porém, agora sabia definir o que seus sentimentos diziam... Ele amava aquela mulher, e já havia revelado a verdade, mas ela não acreditou, acabando onde estavam... Separados!
Deveria ter tentado mais, se arriscado, entretanto foi um idiota propondo a expulsão de ! Ele merecia mais! Merecia estar atrás das grades, mas sendo seu irmão, não quis acreditar sem ter provas o suficiente para acabar com a sua ceninha de bom moço.
Estevan e Leyla não seriam a favor, mas agora a família virou contra a família!

Capítulo 1



"Dedicado para o Sr. ."
Passou os olhos, ajeitando-se na cadeira. Suspirou forte antes de fazer o movimento espontâneo de abrir o documento do caso. Sua mente estava vaga, o silêncio na sala ajudava na situação de encontro - ler os dados para depois juntá-los não era uma tarefa fácil - o labirinto estava apenas no início, e seu trabalho era manter as buscas firmes para localizarem o assassino o mais rápido possível.
O homem estava cansado. Enquanto sua equipe descansava da trabalhosa tarefa de buscar pistas na cena do crime, ali estava ele, dedicando mais uma de suas madrugadas para engolir vírgulas. Já era a segunda aparição naquela semana, e a população de Halifax estava desesperada. Queriam receber os resultados, exigiam que o FBI trabalhasse ligeiramente para encerrar as buscas e acabar de vez com os boatos.
Encontrar um corpo feminino exposto ao ar livre era longe de ser uma obra de Serial Killer, mas o segundo corpo mostrou uma verdadeira arte psicopata. O corpo foi encontrado dentro da banheira com alguns cortes profundos e com a caixinha de música entre as mãos próximas na altura do peito, por onde uma música doce e angelical fluía.
A caixinha de música despertava interesse aos agentes, seja lá qual fosse a mensagem transmitida através daquele ato estranho, seria descoberto cedo ou tarde, assim como seria descoberto os desaparecimentos das alianças.
– Não acha melhor descansar? – uma voz feminina encontrou seus tímpanos. – Não está se aguentando, . – usou seu primeiro nome, pois era a única que possuía o direito.
– Não posso dormir... – respondeu esfregando os olhos. – Preciso pegar o assassino antes que ele faça mais uma de suas obras de arte. – foi teimoso, puxando a pasta para perto, sendo impedido pela mulher.
– Vá se deitar. – disse doce – Amanhã continuamos com as buscas. Já são quase duas da madrugada, e você está sem dormir a dois dias. – ele deu-se por vencido com um bocejo.
– Por que faz isso comigo? – questionou, retirando seu colete.
– Porque sua mãe faria o mesmo. – respondeu organizando a mesa bagunçada do rapaz que deu de ombro, saindo pela porta.

O sino da igreja bateu às quatro da manhã. As ruas estavam desertas e quem apenas habitava a escuridão, além de ratos e gatos, eram os bêbados e maníacos do bairro. As boates lucravam com os desocupados e as dançarinas, em troca, satisfaziam seus desejos. O cheiro de nicotina invadia as narinas de qualquer um que frequentasse o lugar. Ali, a pessoa entraria sã e sairia completamente desnorteada.
O objetivo dele era distrair a mente perturbada e maníaca. Quer dizer, não necessariamente se distrair com alguma garota, mas sim com o corpo dela. Seu carro estava estacionado em uma área que chamava bastante atenção das prostitutas, mas ele não buscava uma garota de programa, buscava um alvo certeiro e quase ausente dos olhos.
Com as mãos no volante, observava por meio dos olhos negros cada movimento feminino. Aquela boate estava lotada de alvos fáceis, entretanto, ele buscava algo mais difícil, algo parecido com um desafio. Assim, obrigou os pneus a seguirem o rastro, localizou sua presa e agora só bastava capturar!
A moça com aparência de vinte e poucos anos andava pela rua do beco com o casaco quase lhe sufocando. A temperatura baixa naquele ponto da cidade parecia anunciar um acontecimento futuro ruim, e a garota que havia acabado de sair de uma área aquecida, não podia vagar daquela maneira pelas ruas.
– Ei! – chamou acionando a buzina.
A garota congelou, encarando o carro de luxo.
– Quer carona até sua casa? – ofereceu.
– N-não... – gaguejou nervosa, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha voltando a caminhar nervosamente pela presença do desconhecido.
– Não seja medrosa. – pronunciou abrindo a porta do carro. – Eu não vou machucar você. – sua intenção era convencê-la – Sou o filho do reverendo, que mal posso fazer? – e assim, a convenceu...

bocejou, jogando um pedaço do edredom para o alto, expondo seu rosto amassado pelo travesseiro para a luz solar. Suas pálpebras reclamaram com a claridade, assim como seu corpo implorava para voltar a relaxar.
Ficar duas noites lendo documentos não era a típica rotina. Ele se esforçava, mas no final sempre faltava uma peça do quebra-cabeça, e aquele desafio parecia mais difícil que pensava, pois nada se enquadrava em algum motivo do suposto assassino deixar uma caixinha de música junto ao corpo da vítima.
– Bom dia, bela adormecida! – sorriu pelo canto dos lábios.
– Esqueci que você agora dorme aqui. – virou o rosto para o lado encontrando com Dylan sentado na cama com um livro grosso em mãos – Desde quando está acordado? – encarou a janela com um olho fechado apoiado apenas no cotovelo.
– Desde cinco da manhã. – sua atenção estava voltada para o livro de mistério.
– Cinco da manhã? – alargou um sorriso, voltando se deitar na cama – Quem acorda cinco da manhã no sábado? E pra quê? – encarava o teto branco.
– Esqueceu que somos do FBI? Temos o dever de acordar cedo e investigar todos esses crimes que acontecem ao nosso redor, e você sendo o chefe, deveria estar no prédio às cinco horas em ponto, mas cheguei a conclusão de que...
– Ah, Dylan, cala a boca! – se irritou com os argumentos, partindo em direção do banheiro.
Abriu o chuveiro, deixando a água gelada levar para o ralo todas as sensações ruins, desde incertezas até pensamentos. A dor precisava ir embora. Não podia viver com ela dividindo o mesmo espaço. Aquele caso iria conseguir acabar com ele e precisava resolvê-lo antes disso.
Fechou os olhos sentindo as gotas frias percorrerem todos os músculos desenhando seu corpo até alcançar o chão por onde pegava caminho para o ralo, levando impurezas trágicas. Precisava ser forte pra manter a imagem dele viva, mas como? Como sendo que não conseguia sequer conter a dor?
O barulho da porta quase sendo arrombada despertou seu pequeno momento de silêncio e solidão. Não queria acreditar que aquilo era verdade, porém a realidade era totalmente diferente e, ficar parado olhando o mundo girar não adiantava. Precisava lidar com ela sozinho de uma maneira fácil e rápida.
, estão nos convocando para o prédio. – abriu os olhos encarando o vidro embasado do box. – Max quer conversar sobre uma pequena ocorrência da noite anterior. – anunciou girando a maçaneta.
– Dylan... – começou sem jeito abrindo o box. – Do lado de fora, por favor. – pediu sendo educado, com a toalha enrolada na cintura.

– O corpo simplesmente foi largado? – com os braços cruzados mantinha uma expressão nada agradável aos olhos – Não pode ter sido simples assim! – não caía na real.
Passaram as informações na portaria de que um novo corpo, feminino, fora encontrado completamente nu, em um bairro afastado do centro, onde se uniam turmas de traficantes para o comércio ilegal de armas. Max julgou como sendo um abuso sexual, onde o agressor seduziu, usou e machucou a vítima, decidindo matá-la para não dar queixa na delegacia.
escutava as hipóteses com atenção, corrigindo erros e questionando sobre o caso. Mal tinha conseguido explorar o anterior e o assassino já havia feito outra vítima.
– Alguém tocou no corpo? – quis saber com atenção presa no notebook.
– Não. O chefe de polícia, John Morgan, decidiu deixar tudo intacto para que você possa analisar e conseguir qualquer pista que seja. – Max explicou.
– Por que eu? – gritou cruzando os braços, encostando as costas no encosto da cadeira. – Por que sempre tem que ser eu? Se eles mesmo podem analisar o corpo e depois trazê-lo até mim? – questionou rude.
– Você é do FBI e é considerado o melhor entre todos os agentes. – revirou os olhos, estava cansado de ouvir sempre as mesmas respostas. – E caso tenha esquecido, você é filho de Est...
– Max! – Cibelle interrompeu, sabia o quanto sentia dor por ouvir o nome do pai.
– É isso então... – deu-se por vencido fechando o notebook – Vou tomar um ar. – o tom de voz derrotado demonstrava que havia atingido um ponto sensível, o que foi confirmado quando saiu pela porta.
Cibelle sentia tudo o que ele sentia. Quando perdeu o irmão em um acidente de carro, aceitar que nunca mais iria vê-lo foi à etapa mais difícil. Engolir o nunca tinha sido doloroso, mas teve de aceitar a verdade mesmo doendo. Tinha que seguir em frente e simplesmente guardar momentos bons ao lado de Nathy Jack. A presença do irmão em sua vida fazia falta, entretanto estava aprendendo a viver sem ele.
, um tempo depois, perdeu algo pior; o seu herói e treinador, ou como ele chamava, pai. A mulher sabia o quanto isso afetou a personalidade do rapaz e vê-lo tão pra baixo como nos últimos dias, causava uma sensação de pena. Queria ajudá-lo a superar, porém mexer naquilo era algo que somente ele podia fazer era difícil por ser extremamente pessoal.
– Você tocou na ferida, Max. – encarou a porta.
– Cibelle... – compreendia a dor de , mas não queria perdê-lo para o sofrimento. – Ele tem que virar a página.
– Acabou de completar exatamente um mês hoje. – lembrou. – Dê uma trégua por isso.
– Tanto faz, ele precisa esquecer e seguir em frente! Halifax está um caos e não podemos prosseguir se ele ficar pelos cantos, remoendo e criando situações que poderia tê-lo feito salvar o pai! – falou o que pensava, pouco se importando para a equipe de trabalhando ao redor.
– Coloque-se no lugar dele, Max! – olhou em seus olhos. – Estevan, antes de morrer, nos deixou na responsabilidade de cuidar do . Somos como pai e mãe e é nosso dever deixá-lo ter um momento para tentar superar a morte do pai, mas ficar toda hora jogando que ele é o melhor e que precisamos dele não vai ajudar em nada; pior, vai alimentar o lado perturbado. – respirou fundo, segurando nas mãos de Max – Não diga essas coisas a ele, pois o deixa completamente arrependido por não ter feito nada. Faz ele se julgar e propor algum motivo por não ter intervindo no incêndio...
– Você tem razão. – concordou puxando-a para um abraço. – Ele está sob nossa responsabilidade agora.

Girou a maçaneta devagar tentando não fazer barulho, queria alguns minutos no silêncio do quarto mais confortável do prédio, o dele. O cheiro de Estevan ainda estava nos lençóis, alguns cabelos no travesseiro, os arquivos que fazia pesquisa e o mais importante... A foto deles estava na parede!
Passou os dedos levemente pela madeira da cadeira da mesa onde ele costumava trabalhar, fechou os olhos absorvendo a sensação reconfortante. Aquele pedacinho de cômodo era capaz de fazê-lo se sentir mais aliviado, aliviando aquele bolo em sua garganta e diminuindo a sensação de culpa.
Sentou na cama, continuando a analisar cada pedaço do quarto. Tudo estava como Estevan deixara. A mesa, as cadeiras, os lençóis, os travesseiros... O homem deixou seu corpo cair para trás, fazendo a cabeça pousar no travesseiro. Conforme se ajeitou, o cheiro do pai invadiu suas narinas fazendo a tamanha saudade dominar o peito, e os olhos cansados liberarem uma pequena e teimosa lágrima.
Puxou o travesseiro escondendo seu rosto na lateral, deixando tudo o que estava preso se libertar através das lágrimas. Poderia tê-lo salvo, mas teve medo e o deixou para morrer. A culpa era totalmente e somente sua, porque acreditava fielmente que se não fosse pela covardia, Estevan ainda estaria ali, vivo, ajudando naquele caso, em que até o momento não estava conseguindo solucionar.
Fungou como fazia com oito anos. Há tempos não chorava. Havia se tornado um homem forte, o homem que seu pai havia treinado para ser; o melhor. Entretanto, agora ele não se considerava o melhor e sim o pior.

(...) Um mês atrás...


Sabiam seu desespero. Trancá-lo dentro do quarto não foi uma das melhores ideias de Max. O homem estava com medo de perder o bem mais próximo que tinha de sua história. Quem era de verdade? Só Estevan podia responder.
Não era justo deixá-lo ali enquanto a equipe seguia para o cativeiro, pois era o único responsável por descobrir o endereço, tendo o direito de seguir até o local e não permanecer sentado esperando o melhor acontecer.
Era a milionésima vez que jogava o corpo contra a porta. Não conter a copia da chave foi seu pior erro, e agora não tinha como sair. Com a cabeça encostada na madeira, anunciou derrota. Havia desistido de arrombar, já que não iria conseguir mesmo se ficasse a noite inteira tentando.
Ninguém estava no prédio, então não adiantava gritar por ajuda. Max havia convocado os melhores agentes para ajudarem, mas tinha cometido um grande erro ao deixar o melhor deles e mais importante de fora.
foi enganado. Cibelle apoiou na ideia de deixá-lo para trás, o que foi o suficiente para Max distraí-lo e guiá-lo até o quarto através de uma conversa que na manhã seguinte sairiam cedo para ir atrás de Estevan, e o rapaz como um gatinho caiu.
E foi através daquela lembrança de conversa, que a luz no final do túnel ganhou luminosidade.
Os olhos encararam a janela, ela estava trancada, mas nada que ele não pudesse resolver. Vasculhou os bolsos em busca de algo, e para sua surpresa ali estava ela. A chave da janela havia ficado consigo desde o momento que adentrara a sala de Estevan. Sabia que ela serviria para alguma coisa importante!
Roubar o pai foi um ato vergonhoso, mas quem disse que era hora de se importar com os atos alheios?
O cadeado abriu sem enrolação, e um alívio instantâneo tomou conta de si. Empurrou pelo vidro, pretendendo pular. Encarou o chão, a altura era razoável, nada que ele não pudesse aguentar. Pegou fôlego, impulsando o corpo para frente. A adrenalina correu em suas veias. Caso saísse machucado, não se importava; era a vida de seu pai que estava em jogo!
Caiu entre um arbusto, recebendo tapas de alguns galhos em seu rosto, mas nada que ele precisava se preocupar. A rua estava deserta e a garagem aberta. Cibelle sabia que ele não permaneceria ali, o conhecia bem o suficiente para deixar o portão da garagem aberto.
Foi rápido. Adentrou a garagem encontrando com algo que lhe fez sorrir... A caminhonete!
Sorriu, balançando a cabeça como se negasse. O carro de seu pai agora estava disponível para ele dirigir, foram tantas broncas que o impediam de tocar o volante e agora salvaria Estevan por meio aquele veículo.
Tocou a maçaneta, mas antes de abrir a porta algo chamou sua atenção, o bilhete grudado ao vidro. Puxou-o, lendo o endereço do cativeiro.

Rua: Londres Woody, 796.

Entre pelos fundos, tem uma arma debaixo do banco, pegue e se dirija para o cativeiro

– Cibelle.

Sorriu, abrindo a porta do carro. A chave já estava na ignição, deixando tudo mais fácil. Girou-a, fazendo o motor roncar alto. Seus olhos brilharam, guiando o veículo para fora da garagem.
Deu os comandos, pisando fundo no acelerador. Como a rua estava deserta, tudo ficou mais fácil. Podia correr na pista que quisesse e na velocidade que quisesse. Sua meta para chegar ao cativeiro era de no máximo trinta minutos, mas se surpreendeu ao encarar o relógio do carro e concluir ter chegado em quinze.
Estacionou próximo da guia, descendo com o revólver em mãos. Os carros do FBI estavam estacionados próximos dos fundos da grande casa abandonada, e antes que ele pudesse adentrar, uma mão o puxou para trás.
– O que faz aqui? – Max questionou.
– Não podia permanecer dentro do prédio enquanto sabia que meu pai estava em perigo. – retirou a mão do homem de seu ombro. – É meu dever estar perto dele!
, como seu padrinho – suspirou – ordeno que volte para o prédio e espere lá.
– Você pode ter sido o escolhido para ser meu padrinho, mas já tenho idade o suficiente para decidir o que é o melhor pra mim! – pronunciou observando Cibelle se aproximar.
– Você só tem vinte e cinco anos, garoto! – Max gritou.
– Max! – Cibelle repreendeu segurando no ombro do marido.
– Acha que discutir questões de idade irá fazer meu pai sair do cativeiro? – ignorou a presença da madrinha – É a vida do meu pai que está em jogo! – seu olhar implorou para que pudesse ficar.
– A equipe toda comigo pela porta da frente, e ... – segurou no ombro do mais novo. – faça o que achar necessário, atire se preciso! – sorriu de lado antes de seguir com os agentes em direção do prédio.
Destravou a arma, seguindo para os fundos como Cibelle havia mandado no bilhete. Empurrou a porta velha, adentrando naquele local sujo e completamente nojento. Os passos foram silenciosos, mas rápidos, e sua concentração estava focada em apenas encontrar com Estevan ainda vivo.
Pisou em uma madeira solta, fazendo-a ranger e junto vozes surgiram. Focado em manter o silêncio, seguiu com mais alguns passos, encontrando com uma escada. Determinado, desceu, destravando a arma, qualquer coisa atiraria sem piedade.
Desceu degrau por degrau, até encontrar com uma sala iluminada e completamente assustadora. Só podia ser ali onde mantinham seu pai.
– Diga Estevan, isso está de bom tamanho para você? – ouviu uma voz grossa ao fundo, resolvendo se esconder atrás da escadaria onde era pouco iluminado.
– Deixe-o em paz! – sentiu vontade de intervir, mas preferiu apenas escutar. – O é muito novo para entender.
– Não importa se ele é o caçula da família ou o primogênito. – identificou o som da arma sendo destravada. – Ele merecia saber quem é você, esconder um segredo tão grave faz de você um covarde!
– Eu estava protegendo ele de você! – Estevan gemeu sendo fortemente golpeado, e o estrondo, parecido com um corpo caído no chão, chegou aos ouvidos de , fazendo o homem quase correr para socorrer o pai, porém ficou mais aliviado ao escutar seu herói tossindo.
observava tudo entre os degraus. Não conseguia ver o rosto do indivíduo, mas sabia que conhecia aquela voz. Algo dentro de sua mente o fazia lembrar-se de uma figura familiar, só não conseguia identificar.
– Protegendo ele de mim? – questionou derramando um líquido no chão e no corpo de Estevan. – Ele não tem que ser protegido, só precisa saber quem ele é de quem tem o sangue!
– Ele tem o meu sangue! – Estevan gritou.
– Não, é aí que você se engana... – emitiu de boca cheia. – Não se preocupe Estevan, vou cuidar do seu pequeno ! – assim atirou, e ficou ali. Não fez nada!
Arregalou os olhos, saindo do esconderijo para tentar salvar o pai, e enquanto corria até Estevan, o desconhecido com um sorriso no rosto, acendeu as chamas do local.
Com ajuda de um canivete cortou as cordas que prendiam as mãos e pés do homem. Retirou sua jaqueta colocando-a contra o ferimento na tentativa de impedir o sangue, o desespero tomava conta de tudo no momento, queria poder tentar o possível e o impossível para salvar o herói e protagonista de toda sua história.
... – Estevan gaguejou. – você tem que sair daqui. – pediu. – Saia e me deixe para trás! – foi o pedido mais doloroso que já ouviu.
– Não posso deixá-lo. – seus olhos liberavam algumas lágrimas.
– Você tem que sair! Tem uma vida pela frente e não pode abrir mão dela por minha causa. – tocou o braço do filho. – Faz o que eu estou mandado, pelo menos dessa vez... – o rapaz sorriu pequeno se lembrando de que quase nunca seguira as ordens do pai.
– Quem era ele? – precisava saber, iria atrás dele.
– E-ele... Ele é o... – arregalou os olhos, quando o corpo do filho caiu ao seu lado desacordado.
– Acabou Estevan! – atirou mais uma vez, acertando o coração. – Agora sim, a família está completa! – riu demoníaco jogando a arma entre os corpos, saindo antes que as chamas tomassem conta do lugar.

Tirou o travesseiro do rosto, virando o corpo na cama podendo encarar o teto cinza. Engoliu sua saliva relembrando que depois daquele desastre acordou no hospital com várias agulhas presas ao seu corpo. Os piores dias da sua vida foram naquele hospital, entretanto o pior não era ficar na cama e sim saber que Estevan estava junto de sua mãe.
O velório aconteceu sem a presença dele, mas esperaram para enterrar o corpo, porque tinha o direito de se despedir E a coisa mais difícil é dizer adeus a quem amamos.
– Ah, sabia que estava aqui! – a porta se abriu sem muita sutileza.
– Não quero conversar com ninguém. – foi sincero.
– Mas vai conversar. – Taylor puxou uma cadeira para perto da cama.
– Como sabia que eu estava aqui? – quis saber, encarando o amigo.
– Seu pai está nesse quarto, e pela maneira que você saiu da sala de dados, deduzi que veio diretamente pra cá. – explicou visualizando seu chefe se sentar na beirada da cama.
– Veio para me dizer que temos que resolver aquele caso das mulheres? – perguntou sem ânimo.
– Eu não tô nem aí para aquele caso, dane-se as mulheres mortas! – pronunciou com um sorriso nos lábios recebendo um olhar torto de . – Ah, qual é? As mulheres estão mortas e não tenho que ficar correndo atrás de gente morta!
– Mas eu tenho! – repreendeu. – Esse é o meu dever. Tenho que investigar e encontrar o nosso Serial Killer. – Taylor deu de ombros.
– A gente estava pensando em ir para aquela boate que você tanto costumava frequentar. – revelou, mas mostrou desinteresse. – Achei que iria querer ir conosco, afinal você precisa esfriar a cabeça, esquecer um pouco o seu pai.
– Não posso esquecê-lo...
– Foda-se! O que me diz? Vai ou não? – interrompeu, pois só queria uma resposta de seu chefe; sim ou não.
pensou por um momento. Queria tirar os pensamentos de Estevan da cabeça, e se distrair bebendo ou transando com alguma garota gostosa. Talvez seja o melhor caminho, afinal há quanto tempo não fazia sexo?
– Tudo bem. – concordou.

Capítulo 2



– Bebe, bebe, bebe... – os homens gritavam enquanto ele virava o copo de bebida de uma só vez.
Bateu o objeto na mesa, mostrando-se satisfeito com o que fizera. Beber espantava os pensamentos e as lembranças do passado, e isso era tudo que mais queria.
Esquecer-se do pai seria a melhor opção para conseguir manter o caso firme. Recordar o passado fazia dele um inútil, se não conseguia pensar, muito menos iria conseguir juntar as peças.
Aceitar o convite de beber até ver o mundo girar foi sua melhor escolha. A boate estava lotada e as garotas da night estavam radiantes. Todas tentavam atrair a atenção do homem, dançavam sensualmente e esfregavam o próprio corpo com a mão.
O poste de pole dance era disputado pelas dançarinas, todas queriam ele. Sabiam que estava dolorido por completar um mês da morte de Estevan e era disso que elas queriam tirar proveito. Quanto mais o cliente para baixo estava, mais fácil era atraí-lo e desfrutar de seu dinheiro.
Engoliu mais uma quantidade de álcool, podendo sentir a garganta queimar. O cheiro de nicotina chegou até a mesa, invadindo suas narinas, despertando uma necessidade imensa do cigarro.
– Preciso fumar. – disparou largando o copo já vazio na mesa.
– Não prometeu a seu pai que pararia com o vício? – Alan questionou bebendo sua cerveja.
– Ele não está aqui para me impedir!
Virou a garrafa de vodca, deixando o conteúdo preencher o copo. Seus companheiros riam de algum assunto aleatório de que não conseguiu identificar. Piscou as pálpebras começando visualizar alguns pontos embaçados.
O copo que antes era um, duplicou. E as vozes invadiam seus ouvidos, causando uma imensa dor de cabeça. Encarou a bebida e prendeu os olhos em um reflexo surreal...
"...", sussurraram enquanto continuava com a atenção presa no copo.
"... Olhe pra mim!"
Ergueu o olhar encontrando com uma imagem humana completamente embaçada.
Estava ciente da imagem. A silhueta não enganava ninguém, era ela, só podia ser ela. Mas... Por quê?
"Pare com o que está fazendo..."
Não era um aviso, era uma ordem.
"... ... ..."
Aquela voz repetia seu nome.
Confuso com a voz invadindo seu cérebro pronunciando seu nome diversas vezes, acabou por sinal fazendo o primeiro desastre depois que seu pai se fora.
Levantou-se do assento, batendo o ombro em uma bandeja cheia de drinks que um garçom carregava. Milhares de pares de olhos lhe encararam, assim como os de seus amigos e das dançarinas presentes na mesa. Todos questionando o motivo do acidente e o fato dele estar com o olhar transparecendo confusão e desespero.
...? Tudo bem? – Taylor quis saber.
Após o pronunciamento, novamente aquela voz repetiu seu nome de forma perturbadora.
– E-eu... – gaguejou vasculhando os bolsos em busca da chave do carro. – Eu preciso ir. – pisou entre os vidros quebrados em busca da saída da boate.
– O que deu nele? – uma das garotas que tinha grande interesse em questionou.
– E eu que sei? – Taylor respondeu voltando distribuir atenção para sua prostituta.
Entre empurrões conseguiu encontrar com a saída. Sua mente estava totalmente bagunçada e a voz de sua mãe continuava lhe chamar. Ela parecia com intuito de protegê-lo do caminho que estava disposto tomar.
Afastou-se da entrada começando caminhar em passos largos pelo espaçoso calçadão. Sua mão puxava os próprios fios de cabelos tentando tirar aquela voz dos pensamentos, mas não conseguia, pois a cada vitrine que passava parecia que o reflexo de sua mãe aparecia.
Parou em frente de uma loja, apertando os braços contra o corpo, deixando o ar sair pela boca em forma de fumaça. Encarou os carros circulando pelo asfalto, visualizando tudo girar. Como desejava estar em sua casa!
Encostou-se a parede da loja, continuando com os braços cruzados. Sua cabeça transbordava em uma imensa dor, o efeito do álcool se pronunciava.
? – ergueu sua concentração para o homem que saía do carro estacionado na guia. – O que você faz por aqui? E a essa hora da noite?! – se aproximou o suficiente para ser reconhecido.
– Gael, eu... – não saberia explicar, afinal o que ele fazia ali mesmo?
Não sabia responder o amigo de infância. Gael foi um dos poucos amigos que permaneceu ao lado de . Desde que Leyla deixou o filho aos doze anos, ele foi o responsável por fazê-lo reviver. Foi Gael Malik o responsável por tirar da solidão.
E foi quase a mesma situação um mês atrás. Assim que Gael soube da notícia da morte de Estevan através dos jornais, em sua primeira oportunidade se encontrou com . Mas o resultado não foi nem um pouco agradável...
estava alterado. Completamente dolorido por dentro e isso atingiu seu sistema nervoso, gerando outro homem. Jogava a culpa em si, e sua casa estava uma zona, objetos quebrados, móveis remexidos, fotos rasgadas...
Gael naquela noite tentou tranquilizá-lo, mas não queria aceitar que Estevan estava morto, o que deixou tudo mais difícil. Eles bateram boca por longos minutos. chegou até ameaçar ir pra cima de Malik, o que acabou resultando um afastamento da parte de ambos.
– Eu estava... – tentou percebendo que sua mente ainda girava.
– Você está bêbado! – concluiu pela dificuldade em formular a frase.
– Não. Acha mesmo que eu beberia no dia que completa um mês da morte de Estevan? – sua voz alterada não enganava. Quem era mesmo Estevan? De onde tirou esse nome?
, quem é Estevan pra você? – caso ele não soubesse responder, com certeza estava bêbado.
permaneceu em silêncio com a cabeça baixa, o que antes foi esquecido, agora fora lembrado. Gael suspirou.
– Toquei na ferida. – pronunciou baixo.
– Já faz um mês. – deu de ombros, saindo caminhando.
– Isso não é motivo para você sair durante as noites e beber até cair! – gritou.
– E o que mais eu poderia fazer? Meu pai está morto! – voltou sua atenção para Gael que estranhou ele estar respondendo sem dificuldade.
– Poderia visitar o túmulo deles. – sugeriu. – E que tipo de bebida você ingeriu? – precisava fazer as pesquisas.
– Nunca. Já faz um mês, e a única coisa que quero é distância deles, de todos eles! – pronunciou encarando seu reflexo em uma poça de água. Deles. Era uma referência tão tosca. O que Leyla e Estevan eram? Apenas pó!
– Você não quer distância deles, só queria estar com eles. – soltou um riso.
– Não quero estar com ninguém. – virou-se de volta para Gael. – Você não sabe o que estou sentido. – uma imensa dor de cabeça atingiu-o assim que forçou a voz.
– E acha que seguir o caminho errado vai fazer essa dor passar? – quis saber.
– É melhor seguir esse caminho, a passar noites sentado no telhado de alguma casa absorvendo o que já está morto! – encarou os olhos dele.
– Você não era assim. Nunca subiu em telhados para...
– Você não me conhece! – rosnou, aquilo era puro efeito do álcool.
– A gente era criança, lembra-se? – cresceram juntos.
– Meu tempo de criança foi roubado. – iria dar as costas, mas Gael impediu empurrando-o pelo ombro.
repreendeu lançando um olhar negro para Gael que mantinha uma expressão preocupada. Os dois não estavam mais se conhecendo. Poderiam ter crescido juntos, um ajudando ao outro, mas agora pareciam dois estranhos.
engoliu sua saliva, voltando sua concentração para o caminho que tomaria, mas Gael novamente o interrompeu.
– Não pode fugir para sempre! – parou seus movimentos fechando os olhos com força já furioso.
– Acha que pode ditar o que é melhor para mim? – ficou frente a frente com Gael.
– Não é meu dever ditar! – empurrou-o pelo peito querendo distância. – Cresça !
– Já cresci! – confrontou.
– A única coisa que evoluiu foi o corpo, pois a mente continua a de um garoto! – falou o que achava. – Cadê aquele que queria seguir os passos do pai? Onde você o escondeu? – recuou. Sério mesmo que estava bêbado? Ou a bebida era bem vagabunda ou ele ingeriu pouca quantidade.
– Morreu junto com Estevan! – respondeu baixo.
– Estevan? – pronunciou. – Quem é Estevan para você ? – gritou novamente a pergunta, queria fazê-lo lembrar de quem se tratava daquele nome. – Quem é Estevan para você? – bradou.
– Ele... – doía mexer na ferida.
– QUEM É ELE? ESQUECEU-SE TÃO FÁCIL? QUEM É ELE? – insistiria até receber a resposta que procurava. Mesmo ele estando sob efeito do álcool, receberia aquela resposta!
– E-ele... – gaguejou sentindo o quanto era difícil mexer naquilo que se enterrou. – Ele é...
– O QUE ELE É SEU? – interrompeu. – DIGA! – exigiu.
– Meu pai... Ele é meu pai... – seu peito apertou.
– E qual é o dever do filho perante a morte do pai? – se ninguém conseguia colocar aquela mente no lugar, Gael seria o responsável por fazê-lo. – Diga! O que Estevan deixou para você? – diminuiu seu tom de voz.
– Ensinamentos. Um caminho. Uma responsabilidade. Um segredo... – relembrou o dia do incêndio e sua cabeça latejou.
– E vai desperdiçar esses ensinamentos? Vai jogá-los pela janela? – quis saber.
– E o que eu posso fazer? Ele não está mais aqui, não sei nem por onde começar! – mostrou-se desesperado.
– Você não depende de seu pai para viver. Ainda tem chances de recomeçar. – acalmou abrindo a porta de seu carro. – E a primeiro coisa que vai fazer é; entrar dentro desse carro. – rolou os olhos obedecendo como um cachorrinho.

Virou a página do grosso livro, concentrado em terminar sua leitura da noite. Enquanto não voltasse da sua “diversão”, ele ficaria ali com a luz acessa lendo tranquilamente seu romance policial.
O celular vibrou em cima da cômoda. O som anunciou uma nova mensagem, mas seu interesse estava tão voltado para o livro que nem sequer ouviu o aparelho vibrar.
– Precisa descansar ! – a voz de Gael adentrou o cômodo.
– Eu não vou descansar! – repreendeu como era teimoso!
Dylan fechou o livro, determinado puxar o edredom e dormir, havia chegado e o seu sossego tinha acabado!
Deixou o livro de lado, alcançando o celular...
"Venha para o prédio imediatamente."

– Mallory

Levantou uma sobrancelha em dúvida, encarando o relógio em cima da cômoda. Eram exatamente uma e doze da manhã, o que Mallory queria de tão importante para convocá-los naquele horário? Precisava avisar , mas foi impedido assim que o celular começou tocar em sua mão.
– O que realmente aconteceu? – disparou sem enrolar.
– Algo grave. – a voz dela parecia perturbada.
– O que houve? – encarou a porta do quarto.
– Não posso dizer por telefone. A chamada está sendo monitorada pela polícia de Halifax. – explicou.
– Vou avisar o .
– NÃO! – gritou. – Não o avise! Venha apenas você!
– Mas ele é nosso chefe...
– O assunto é sobre algo que vai machucá-lo, e ele não vai engolir! – aquilo despertou interesse em Dylan, o que era tão secreto que seu chefe não poderia saber?
– Estarei aí dentro de alguns minutos, vou apenas esperar ele ir dormir. – a porta do quarto se abriu. – Tenho que desligar. – anunciou encerrando a ligação, fingindo estar com a concentração presa na cama.
adentrou o quarto com uma toalha branca ao redor do pescoço. Havia acabado de sair do banho, sua pele ainda estava um pouco molhada.
Dylan disfarçou a curiosidade pela conversa com Mallory, tratando de ajeitar sua cama de forma normal e sem chamar muita atenção. O celular vibrou no colchão anunciando uma nova mensagem da loira, que ele logo checou.
"Precisamos conversar sério, por favor, venha logo."

– Finalmente! Nunca achei que fosse estar vivo para presenciar Dylan Walker marcando um encontro! – brincou jogando-se na cama, batendo palmas. – Quem é a garota?
Dylan rolou os olhos. Encontro? Oh, claro!
– Não é nenhum encontro. – respondeu vestindo sua jaqueta.
– É... E eu sou o burro da história, louco, débil mental! – jogou um de seus travesseiros em Dylan.
– Talvez você seja um débil mental. – disse com um sorriso. – Afinal, débil mental é aquele que nunca pensa antes de agir, o idiota da turma.
– Eu sempre penso antes de agir. – rebateu.
– Oh, claro! – debochou. – Deve ser por isso que Mallory quase sofreu um ataque cardíaco em nossa última perseguição. – fez questão de citar.
– Eu não estava acima da velocidade.
– Não, só acima de 80 km/h. – respondeu sarcástico.
– Isso não é velocidade. Para mim, velocidade é a partir dos 120 km/h! – encarou o teto do quarto.
– Não é a toa que a caminhonete saiu da oficina ontem. – Dylan sentou-se na cama calçando suas botas pretas.
– Ela saiu da oficina porque mandei arrumar a suspensão, isso não tem nada a ver com meus momentos de adrenalina. – apoiou-se no cotovelo.
... – pronunciou pegando seu celular. – Vai dormir! – mandou antes de sair em direção da porta de entrada.

Capítulo 3



(...) Desceu as escadarias, e então gritou:
– Pai!!! – o mais velho, com dificuldade ergueu o olhar para o filho. – Pai?! – seus olhos percorreram a face inchada. – Quem fez isso com você? – começou cortar as cordas com seu canivete.
Puxou a fita silvertec que cobria aos lábios de Estevan, podendo fazê-lo soltar palavras em um tom de desespero, enquanto que cortava as cordas que envolviam os calcanhares.
– Ele está próximo de você, muito mais próximo que você imagina! – manteve sua concentração no que fazia, apenas escutando. – Não devia ter vindo! É perigoso e ele pode te matar! – deu de ombros como sempre.
– Não importa o perigo. Sempre vou estar aqui para salvá-lo. – ergueu-se, encarando o teto de madeira que rangia. – Precisamos sair daqui! – Estevan assentiu, sentindo passar um de seus braços por seus ombros.
Guiou o corpo de seu pai até as escadas. Assim que chegaram ao corredor, aumentaram seus passos a caminho da saída. Tudo estava calculado, havia planejado cada passo antes de invadir o cativeiro.
Continuaram sua rota. Estava um silêncio muito intenso, que anunciava uma sensação nada agradável...
– Espere! – Estevan repreendeu, obrigando seu filho parar.
– Problemas? – questionou de frente para o mais velho.
– Não, prossiga. – moveu os lábios lentamente passando uma expressão estranha e sombria.
– Não? Por... – um estrondo invadiu o corredor junto do som de algo se encontrando com o chão.
Abaixou os olhos e encontrou o líquido pintando as madeiras. Engoliu a seco, continuando encarar o sangue escorrendo por sua perna, a dor era imensa, mas tinha que se manter firme.
Enquanto tentava de todo custo se levantar, notou algo diferente em seu pai... Ele deveria estar desesperado, deveria estar preocupado, fazendo perguntas e exigindo respostas, mas ele estava quieto. Quieto até de mais!
Com a mão conseguiu apoio na janela para se mantiver de pé. Uma de suas pernas estava bamba, quase o fazendo perder o equilíbrio. A bala se alojou próxima do interior de sua coxa, causando uma sensação de perda dos movimentos.
– Eu não mandei você vir... – ouviu com os dentes cravados nos lábios para não gritar de dor.
Encarou com um pingo de suor, a face de Estevan, notando algo estranho... Estava com olhos negros carregados de ódio, nada fazia sentido... Aquele não era o seu verdadeiro pai!
Suou frio, obrigando suas pernas darem dois passos para trás. Foi quando quase cedeu novamente, não sendo capaz de sentir sua perna esquerda. Tratou de ser rápido agarrando um ponto fixo da janela, mas Estevan foi mais rápido...
– Afunde no inferno junto com a sua culpa! – cuspiu com rancor, empurrando pelo peito.
Ouviu o barulho alto assim como sentiu o vidro da janela se quebrando em pedaços contra suas costas. A força bruta aplicada por seu pai para empurrá-lo foi a responsável pelo tamanho estrago.
Mais dor nasceu. Suas costas carregavam pedaços de vidro e sua camiseta manchas de sangue para recordações... Por seus olhos, surgiram algumas lágrimas, mas não de ódio, e sim, de dor! Dor por tudo. Pelos ferimentos e pela atitude de seu próprio pai!
Enquanto seu corpo caia. Sentia que nunca encontraria o chão, tudo estava ficando embaçado e ao seu redor uma camada de tinta preta cobria o horizonte. Apenas ficando visível a imagem de Estevan com um sorriso cínico e satisfatório...
– Assassino! – gritou alto e claro.
Ofegante. Estava sentado na cama com seu edredom cobrindo apenas algumas partes do corpo. Outro pesadelo!
Balançou a cabeça. Levando suas mãos para os cabelos, puxando os fios com força. De olhos fechados, sentiu o suor escorrer de sua testa e pingar no colchão. Suava frio e ao mesmo tempo quente. Seu coração parecia querer perfurar o peito. Os batimentos estavam acelerados e uma sensação imensa de liberar lágrimas ressurgiu pela quarta vez naquele dia.
Perturbado. Sua mente estava ficando a cada dia mais doente. Não conseguia ter interesse no serial killer que assombrava Halifax, e as buscas ficaram para trás. Ele estava sofrendo remorso desde que presenciou o corpo frio de Estevan dentro do caixão.
Deixou o corpo cair novamente contra a cama e assim que abriu os olhos encarou o teto branco com os olhos já cheios d'água.
Levou uma das mãos para os cabelos, envolvendo-os com os dedos, puxando forte cada fio. Encontraria talvez paz na dor... Mas de que adiantava sentir dor? Nada adiantava. Pois aquele remorso continuava acumulado em seu peito, se recusando em ir embora.
Fechou os olhos novamente impedindo as lágrimas de rolarem. Soltou um suspiro profundo carregado de culpa... E foi a partir daí que tomou a sua decisão!
Mudar. Deixaria aquele para trás. Toda aquela culpa morreria assim como seu pai morreu!
Não podia levar aquele remorso para seu futuro. Estevan estava morto, havia completado, sim, um mês de sua morte. O filho tem o dever de seguir os passos deixados pelo pai, mas não estava disposto segui-los.
Escreveria sua história sem Estevan e Leyla – sua mãe. Pensaria apenas em si. O título em Halifax já era seu e não o dividiria com ninguém, com exceção da equipe.
E começaria àquela noite!
Impulsou seu corpo para fora da cama, alcançando seu celular em cima da cômoda. Acessou sua agenda de contatos, procurando rapidamente pelo número tão conhecido... Seus olhos pairaram na foto dela, e um sorriso malicioso tomou conta de seus lábios.
Alô? – a voz ainda continuava irritante. – Alô? apenas escutou a respiração do outro lado da linha mantendo seu sorriso.
– Venha até minha casa. Preciso urgente de você! – desligou sem esperá-la responder, sabia que ela viria.

Dylan levantou as sobrancelhas ficando surpreso com a breve notícia. Seus olhos refletiam um tom duplo. De um lado gostou de receber aquela decisão, mas de outro não havia gostado!
Mallory riu maroto quando Jackson fez uma pergunta tola para Dylan, que não soube ao certo encontrar uma resposta. A situação estava ficando interessante para todos, mas sabiam que a união deles não seria nada saudável.
– O que você acha Jesy? – Jackson passou a pergunta.
– Aposto que vai dar caso hospitalar. – respondeu com um sorriso divertido nos lábios.
– Não sejam exagerados, pessoal! – Dylan tomou a frente. – Eles sabem que não podem machucar um ao outro. – disse como se não soubesse da verdade próxima.
– Dylan Walker. – Mallory utilizou o nome completo do rapaz para chamar atenção da equipe para sua fala. – Eles são rivais. Podem ter tido a oportunidade de crescerem juntos, mas não suportam trocar olhares! Eles vão fazer desse lugar o inferno! Vão lutar pelo território! – ela estava certa, não tinha nada que pudessem fazer.
teria de aceitar calado como um bom menino. Tudo já estava em ação e cancelar o voo de San Diego até Halifax, não seria a melhor escolha, ainda mais depois de Max investir nela para colocar seu precioso no devido lugar!
– Um brinde ao futuro desastre! – Mallory ergueu sua taça de champanhe com um sorriso risonho.
– Um brinde para as brigas. – Jackson juntou sua taça.
– Ao serial killer, – Dylan se afastou da mesa em que estava encostado. – o responsável por todo esse desastre! – rolou os olhos, juntando-se ao brinde.

A campainha tocou anunciando a chegada de alguém. não estava no momento para receber visitas, seja lá, quem fosse, mandaria embora com a desculpa que não estava com disposição.
Quem seria o infeliz que tocaria sua campainha às 4h20min da manhã? Tudo bem que ele estava acordado, ficara impossível voltar ao sono depois do sonho/pesadelo perturbador. Mas isso não era motivo para umindecente bater em sua porta.
Sua expressão estava destruída, os olhos tristonhos e o sorriso apagado. E conforme abriu a porta, junto do ar gelado que atingiu seu tronco exposto, a imagem dela surgiu e fez tudo nele se iluminar!
– Você me mandou vir. E eu vim. – a boca dela se movimentou.
Paris Hill estava novamente em sua frente. Continuava com a mesma postura, o mesmo sorriso, o mesmo corpo e a mesma voz irritante!
Eles não eram amigos. Só conhecidos.
Ambos se conheceram assim que se completou uma semana da morte de Estevan. estava destruído e tinha que caçar o serial killer que toda população temia, mas não tinha forças para fazer seu trabalho.
Com a companhia de Gael, bebeu até não se lembrar do próprio nome. Foi uma noite trágica, ele usufruiu do álcool para romper sua dor. Estevan durante sua vida tentava alertar ao filho que aquele era um caminho sem volta, mas a teimosia estava em primeiro plano sempre!
Ele não fazia ideia de como conheceu Paris. Só lembrava-se de ter acordado do lado dela em sua cama com uma ressaca insuportável. Tudo não passou de sexo, e nunca passaria. Enquanto ela estivesse disposta satisfazê-lo, ele aproveitaria!
Sorriu largo. Puxando-a para dentro da casa, e sem esperar mais, empurrou o corpo da garota contra a parede. Atacando seus lábios em um beijo feroz e urgente.
Ela ficou imóvel por um tempo. estava desesperado, louco, doente!
Seu coração palpitava aos extremos. Já estava se transformando, nunca foi aquele homem em sua vida, aquele seria mesmo o verdadeiro que todos teriam de conviver dali pra frente? Um homem sem o controle de si mesmo?
Invadiu a boca minúscula com sua língua sem se preocupar em pedir permissão. Iniciou uma batalha entre o desejo e o remorso. estava sendo monitorado por dois lados, um fazia a imagem de Estevan renascer tentando impedi-lo, enquanto o outro era a atração por aquela mulher, que era o mais forte!
Enquanto brincava com as línguas, sua mão resolveu agir. Firmemente posicionada na cintura da mulher, puxou-a para mais perto de si, podendo grudar seus corpos. Sua mão ágil levantou o fino tecido de algodão, deixando seus dedos passear pela pele quente que ia sendo exposta.
Os arrepios surgiram, ela sentia os dedos gelados em sua barriga, seguindo caminho para os seios. Arfou quando rompeu aquele beijo urgente, começando beijar as laterais de sua pequena boca, traçando um caminho até o queixo e partindo para o pescoço.
Grunhiu, agarrando os ombros largos e nus, onde se divertiu penetrando suas unhas. A língua quente do rapaz passeou por seu busto, causando calafrios.
decidido se afastou um pouco de Paris. Analisando seu corpo, sua face e seus olhos tranquilos.
Sorriu sem os dentes, sendo acompanhado por ela. voltou se aproximar, levantando a blusa branca da garota, e expondo um sutiã preto. Paris com um sorriso segurou pelo maxilar, obrigando-o olhar dentro de seus olhos.
– Me conseguiu de volta, garoto! – pronunciou, estapeando um lado do rosto dele. – E não vai se livrar de mim tão fácil como da última vez! – provocou, envolvendo o cós da maldita bermuda preta que ele insistia em manter no corpo.
– Eu caprichei da última vez, e dessa vez não vai ser diferente. Você é propriedade minha, e faz o queeumandar! – escorregou sua mão até o pescoço da garota, empurrando-a em direção da parede novamente.
– E o que você quer hoje? Sr. ? – quis saber, soltando um gemido agudo, enquanto o mesmo mordiscava seu delicado pescoço.
– Não me faça mudar de ideia... – Paris estremeceu quando sentiu o hálito quente bater contra sua orelha.
mordiscou um pequeno pedaço de pele do pescoço de Paris, e sorriu malicioso quando puxou levemente, podendo obter em resultado um gemido satisfatório...
Escorregou suas mãos pelas curvas da mulher, apertando a região das nádegas, uma de suas preferidas. Paris envolveu o pescoço do rapaz, distribuindo mordidas no lóbulo esquerdo, enquanto ele se responsabilizava de guiá-los em direção do quarto...
(...) Os ponteiros do relógio marcaram as horas, assim como os pensamentos de ficaram marcados pelos gemidos altos de Paris. A garota se encontrava enrolada aos lençóis com os olhos fechados, remoendo tudo o que acabaram de fazer vinte minutos atrás.
já se encontrava diferente, trajando apenas uma bermuda, mexia em sua papelada. Os documentos sobre o último assassinato estavam sendo seu foco, e seria seu foco por um longo período.
– Ah, ... – Paris chamou fazendo-o revirar os olhos. – Vem pra cama querido. Está frio e quero alguém pra me esquentar... – se fez de coitada.
– Conhece ar condicionado? – deu de ombros, arremessando o controle do aparelho na direção dela.
– Que gracinha. O filho de Estevan também não vive sem um arzinho quente! – provocou ligando o ar.
– Paris! Espero que eu seja claro... – quebrou a ponta do lápis que usava para circular, áreas do mapa. – Nunca mais, fale o nome de meu pai sem a minha permissão! – rosnou, procurando seu estilete na bagunça que estava sua mesa.
– Desculpa sofredor. – curvou os lábios brincando com os botões do controle do ar condicionado.
suspirou enquanto apontava seu lápis e ouvia aqueles "cliques" infernais que Paris estava fazendo. Ele sabia que a garota fazia aquilo para irritá-lo, Hill era ótima em sempre querer chamar atenção!
... – ela chamou novamente com uma voz melosa.
– Paris! – gritou irritado. – Eu preciso trabalhar, tenho um serial killer para pegar! – Max lhe mataria caso soubesse que não estava focado naquele caso.
quando recobrou a paciência, retornou ler os dados que continham em sua pasta. Em uma folha ao lado de tudo, anotava pontos que precisavam ser investigados, por exemplo, a cena do crime.
Dylan ficou responsável pelo lugar de quando o mesmo não estava disposto seguir, devido o luto. E isso acabou bagunçando tudo. Agora se encontrava perdido, suas pastas estavam organizadas, mas faltavam dados.
Com pensamentos ocupados por uma foto da possível terceira vítima, mal ouviu seu celular vibrando próximos das folhas.
– Diga. – atendeu rápido quando o número de Dylan Walker surgiu na tela.
– Venha imediatamente para o prédio. Uma nova vítima para você. – a voz de Dylan parecia arrastada.
– Quem foi? – quis saber se levantando da cadeira.
– Um menino. Ele foi sequestrado...
– Está vivo? – se dirigiu para o banheiro, buscando seu uniforme.
– Parece que sim. A família está aqui agora mesmo na minha frente. A mãe dele está apavorada. – explicou encarando a figura dos pais chorando. – Quer que eu...
– Dylan! Mande-os ficarem calmos. – fechou a porta do banheiro, tirando sua bermuda. – Eu já estou indo. – garantiu encerrando a ligação.
Rapidamente tomou um banho para tirar o cheiro horrível de Paris da pele. Não queria se lembrar dela pelo resto do dia, tudo que menos precisava era de alguma coisa lhe sufocando igual fazia seu remorso. Sentia nojo do cheiro dela.
Aplicou força contra a esponja, deixando-a arranhar todos os locais que conseguia alcançar. Em destaque o tronco, onde ela havia tido mais contado físico, nada, não queria absolutamente nada de Paris. Ela era apenas uma qualquer com quem ele se divertia.
Estevan deveria estar lhe julgando. O próprio filho estava usando uma alma inocente como Paris para satisfazer seus fetiches. não seguiu as regras que seu pai ensinou, ele definitivamente escolheu ser livre e nunca sentir o sentimento mais bonito da raça humana.
Ele subjugava o amor como um sentimento inexistente. Nunca sentiu algo parecido como descreviam nos filmes patéticos de romance. Sua mãe tentou ensiná-lo, mas morreu antes que ele aprendesse, e Estevan não conseguiu tempo para a tarefa.
Por isso era assim. Cresceu sem a presença da mãe, enquanto que o pai era apenas sua figura heroína. Ele nem sabe identificar os sentimentos que o amor trás para o nosso corpo.
Sabe aquelas famosas borboletas no estômago? Nunca sentiu. Mãos tremendo? Só quando viu seu pai caído morto no chão. Recordar o sorriso de alguém? Serve o de sua mãe? Coração palpitando em um ritmo acelerado? Talvez quando estivesse em uma luta com um oponente a sua altura – o que era extremamente difícil.
Olhar para flores, sentir perfumes, sonhar, contar estrelas, sorrir bobamente... nunca fizera nada disso. Estava ocupado demais sendo o melhor agente que o FBI já viu para ter seu coração preenchido por qualquer sentimento que não fosse o ódio, rancor, magoa e, é claro, tristeza.
Fechou o chuveiro, puxando sua toalha azul marinho. Secou os cabelos em frente ao espelho, e enquanto se vestia, pegava-se tentado em encarar seu reflexo. Quando o fez, passeou os dedos pela lateral do rosto, reparando uma rala camada de barba. Nada chamativo. Alargou um sorriso enquanto utilizava o espelho para abotoar o colete.
Encarou a lâmina de barbear dentro do pequeno armário ao lado do espelho, e um grande ponto de interrogação surgiu. Fazer ou não fazer? Escolheu por não fazer. Seu rosto ainda estava com aparência dos vinte e três anos. E já estava atrasado. Uma família desesperada estava lhe aguardando no departamento onde o FBI estava presente.
Bagunçou os cabelos, pronto para abrir a porta e apanhar a chave de sua preciosa S
0. Mas para sua surpresa a figura desprezível de Paris apenas de peças íntimas estava logo a sua frente impedindo sua saída.
– Tomou banho pra ficar cheiroso pra mim, garoto? – ele odiava quando ela lhe chamava de garoto. – Seu cheiro é maravilhoso... – abraçou-o.
– Paris, você vai amassar meu uniforme! – exigiu distância.
– Isso não é problema. – disse melosa, começando desabotoar o colete de .
– Por que ainda está aqui? – bateu contra as mãos dela conseguindo se dirigir para a sala. – Deixe a chave debaixo do tapete quando sair. E cuidado com Dexter, – avisou pegando as chaves do carro. – ele odeia que invadam a privacidade dele. – deixou o sinal de alerta sobre seu husky que dormia no tapete da sala. – E quando eu voltar não quero mais vê-la por aqui! – deixou claro saindo de sua casa.

Continua...



Nota da autora: E aí amores? Estão gostando? Logo o capítulo 04 vai estar disponível no site, deixem um comentário que pode relatar falhas, elogios, críticas... Ter o retorno das leitoras importa muito para mim de verdade! *-*
OBS:Caso quiser acompanhar essa história e outras, saber spoilers, saber sobre os próximos capítulos, dentre outras alternativas –> Grupo da fic






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