CAPÍTULOS: [P][1][2][3][4][5][6][7]









Última atualização: 06/10/2017

PS: Esta historia foi iniciada por uma parceria, mas agora é de grande importância lembrar que é retomada apenas por mim, Rayssa Palloma

Prólogo


Ajeitei o vestido preto colado em meu corpo e dei mais uma olhada no espelho, bagunçando um pouco os meus cabelos logo em seguida. Tenho que admitir, eu estava linda. Peguei algumas notas em minha bolsa, assim como meu celular e os guardei em meu sutiã -é o melhor lugar quando não se quer levar bolsa para a balada. Poucos minutos depois a campainha tocou.
- Caraca , você está maravilhosa! - Sophia disse animada assim que eu abri a porta de meu apartamento.
- Obrigada Soph, você também está linda. - Sorri para minha amiga.
- Já podemos ir? - Ela perguntou e eu concordei, seguindo com ela até o elevador.
Era sexta-feira e eu tinha acabado de saber em qual hospital eu faria residência. Por sorte, ou não, eu tinha caído em um dos melhores hospitais do Reino Unido e faria residência de Cardiologia. Eu estava amando toda essa história e claro que tínhamos que sair para comemorar.
- Estou ansiosa para segunda. - Sophia comentou enquanto o táxi estacionava em frente à balada.
- Eu também estou, mas não vamos pensar nisso agora. Vamos aproveitar a noite gata. - Sorri para minha amiga, que concordou. Após entregar o dinheiro ao motorista, nós seguimos para dentro da balada, que graças à Deus não tinha uma fila muito grande.
Fomos direto para o bar, onde pedimos dois shots de tequila para começar a noite.

Eu já estava cansada de tanto dançar e decidi voltar para o bar. Sophia já tinha conseguido sua companhia da noite e agora eu estava sozinha. O barman veio me atender com um sorriso galanteador e eu retribui.
- O que vai querer senhorita? - Perguntou educado.
- Um Dry Martini, por favor. - Sorri vendo o rapaz concordar, se virando para preparar minha bebida.
Senti olhares em mim e quando olhei para o lado dois homens me encaravam. Sorri fraco para eles, voltando a prestar atenção nas bebidas em minha frente, enquanto esperava meu pedido chegar.
Em questão de segundos eu senti a presença de um deles ao meu lado e sorri sozinha.
- Moça, tem algo errado com meu celular. - Ele disse tentando segurar o sorriso e eu sorri de lado, achando graça da sua expressão.
- Por que? - Perguntei entrando no jogo.
- Porque eu não tenho seu número. - Ele disse deixando a risada escapar e eu não pude evitar a minha própria gargalhada.
- Isso foi péssimo, você sabe né? - Perguntei divertida, enquanto via o barman colocando meu drink em minha frente.
- A intenção foi boa. - Ele deu de ombros.
- E qual foi a intenção? - Perguntei me virando de frente para ele, enquanto bebia um gole do meu drink.
- Bater um papo com essa linda moça. - Ele sorriu divertido e eu retribui. - Meu nome é . - Ele estendeu sua mão para mim.
- . - Apertei sua mão.

Ficamos naquele balcão por horas, tomando variados tipos de bebidas e conversando sobre assuntos aleatórios que nem nós mesmo entendíamos, devido ao nível de álcool em nosso sangue. Até que em algum momento da noite, no qual não me lembro bem, ele simplesmente me beijou e quando eu percebi, já estávamos suados e ofegantes, jogados na cama do meu apartamento.



Capítulo 1


"Milhares de crianças nascem querendo ser bailarinas, sereias, ou princesas de conto de fadas. Bom, um dia esse já foi meu sonho, mas houve um certo momento na vida que eu decidi que entre viver na ilusão de achar que as coisas mágicas simplesmente acontecem, ou fazer o meu máximo pra salvar a vida de alguém, eu acabei optando pela segunda opção.
Não consigo pensar em um motivo sequer do porquê eu deveria ser uma cirurgiã, mas eu tenho milhares dele para pensar em desistir. Parece que eles dificultam tudo de propósito. Há vidas em nossas mãos. Há pessoas dependendo de mim. Mas eles nunca facilitam e nos deixam com o coração nas mãos. E eu estou dizendo no sentindo literal da coisa."

- Sejam bem vindos ao Kigston Hospital, hoje é o primeiro dia de residência. Serão 36 horas sem pausa, sem descanso e sem conversas. Meu nome é Madson e eu irei auxiliá-los nesse período.Agora vou direcioná-los para o medico chefe de cada área designada. - Dito isso, a mulher de cabelos curtos e loiros começou a orientar os outros residentes que estavam ali, até seus devidos setores. - você vai para o Doutor na Cardiologia.
Os residentes caminharam cada um para sua área e logo já estava no setor de Cardiologia. Parou em frente a porta que tinha uma plaquinha sinalizando a sala do Dr. e se preparou para dar três toques na madeira com os nós dos dedos, porém acabou levando um susto quando a porta se abriu rapidamente mostrando um homem alto, forte, com ombros lagos e um sorriso misterioso a encarando.
- Você é a… ? – O doutor perguntou com sua voz rouca e grossa.
- , a nova residente de Cardiologia. A doutora Madson me encaminhou pra cá. - Ela respondeu um pouco nervosa, tanto por ser seu primeiro dia, quanto por estar na presença de um homem tão imponente como .
nunca foi assim, nunca abaixou a cabeça pra ninguém e nunca gostou que lhe dessem ordens. E não seria diferente com o doutro só porque ele tinha um par de olhos bonitos e estranhamente conhecidos.
- Ah! Pode entrar e sente-se por favor. – Ele pediu dando espaço para ela entrar e assim ela fez. caminhou até a cadeira que tinha em frente a mesa de vidro que estava ali e aguardou o rapaz fechar a porta e vestir o jaleco que estava em suas mãos, para finalmente começar a falar. – Meu nome é e eu sou o chefe da área de Cardiologia… – O resto da frase que o homem dizia virou apenas palavras desconexas na cabeça de a partir do momento que ela ouviu o nome ser proferido. Ele era o cara do bar? Não podia ser! Ela pensou encarando o rosto do homem tentando reconhecer seus traços e não teve muita dificuldade em confirmar que era mesmo ele. O médico terminou as próprias apresentações e nem se preocupou em perguntar algo sobre a moça, não se importando se seria mal educado. Estava sem paciência demais para aguentar residentes. – … E sua jornada começa agora interna, você vai visitar alguns pacientes que foram operados recentemente, enquanto eu checo o quadro das próximas cirurgias. - Ele finalizou entregando a ela alguns papéis com as fichas dos pacientes que estavam internados ali.
- Tudo bem, . - Ela concordou pegando os papéis da mão dele para dar um olhada.
- Me chame de Doutor , interna. - Ele pediu com o tom frio e ela revirou os olhos discretamente. Já havia passado da fase de interna, mas não perderia tempo corrigindo o médico só para ser chamada de residente.
- Me chame de , Doutor . – Ela disse frisando a palavra "doutor", e lançou um olhar em desafio para ele, recebendo um sorriso sacana em resposta. O cara se achava e isso estava nítido.
- Essas internas já chegam se achando grande coisa. – disse para si mesmo enquanto virava as costas e ouviu, revirando os olhos mais uma vez. já tinha visto a garota, mas não se lembrava exatamente quando ou onde, porém isso não fazia diferença. O que lhe importava naquele momento, era colocar a residente em seu devido lugar e mostrá-la como se deve tratar o seu futuro chefe. Menina abusada.

"Maravilha! Alem de 36 horas sem ao menos fechar os olhos, eu preciso aguentar um medico completamente insuportável e gostoso querendo me dar ordens." Era o que pensava. Ela sabia o motivo do rapaz se achar tanto, afinal, ele era cirurgião em um dos maiores hospitais do Reino Unido e era extremamente gato, sem contar que ele com certeza sabia que era maravilhoso em todas as coisas que fazia. E isso ela não poderia negar.
parou na porta do quarto onde tinha uma ficha indicando a paciente Lucy Green e adentrou o mesmo, encontrando uma garotinha que aparentava ter uns 9 anos e estava visivelmente muito cansada.
- Olá Lucy, sou a doutora e vim ver como está o seu pós-operatório. - disse sorridente parando ao lado da cama da menina.
- Olá . – A garotinha disse com uma voz fraca, mas tentava sorrir.
- Olha, nós vamos medir a sua pressão e vou fazer algumas perguntas básicas só pra saber se está tudo bem, certo? – Perguntou à mãe da menina que estava sentada em uma poltrona do outro lado da cama e a mulher apenas concordou. Preparou os aparelhos e fez os exames. Estava pronta para fazer as perguntas, quando Lucy a interrompeu.
- Doutora, eu vou ficar bem? - Ainda com a voz fraca a garotinha perguntou à doutora, que sentiu seu coração se apertar naquele momento.
- Você vai sim, a doutora promete de dedinho, tudo bem? – perguntou estendendo o dedo mindinho para a menina que sorriu e imitou o gesto da mais velha, logo entrelaçando seus dedos e sorrindo uma para a outra.
- Olá pequena Lucy, vejo que já conheceu a nova ajudante do Tio . – disse entrando na sala carregando um sorriso carinhoso e um tom de voz doce completamente oposto ao que ele usou mais cedo com a residente.
- Sim, agora ela é a Tia . – Lucy respondeu e no momento seguinte sorriu pra . Era isso, eu já estava apegada à minha primeira paciente e faria de tudo para ela ficar bem. pensou, olhando carinhosa para a criança. sorriu pequeno para a mulher, que mesmo estranhando retribuiu o gesto.
- Sim Lucy e quer saber uma notícia boa? Seu novo coraçãozinho está ótimo. Tio fez um ótimo trabalho. – A garotinha sorriu agradecida e estendeu a mão para que a segurou rapidamente.
- Olha Lucy, a tia e o Tio tem que ver os outros pacientes, então fique aqui coma mamãe. Eu volto mais tarde, pode ser? – disse dando um beijo na testa da garotinha que apenas sorriu em concordância. piscou para a menina e seguiu o homem para fora da sala, enquanto ele ia até o elevador sem dizer nenhuma palavra.
- Lucy é muito importante pra mim. Ela estava na fila de transplante há 2 anos e só agora conseguiu sua cirurgia. Ainda há riscos de parada cardíaca, então cuide bem dela, interna. - Ele quebrou o silêncio dentro do elevador.
- Claro Doutor. Pelo pouco tempo que fiquei com Lucy, percebi que ela é uma ótima garota e tem muita vontade de viver, então eu farei o possível para ajudá-la. - sorria, mas não encarava o doutor.
- Sim, , eu sei que vai.

Depois de visitar outros pacientes recém operados, direcionou até a sala que havia sido disponibilizada para ela e disse que a chamaria caso houvesse uma emergência. Porém, com toda a correria que era aquele hospital, resolveu usar seu tempo de descanso na cafeteria que havia no terceiro andar.
- Um expresso forte, por favor! – Pediu assim que foi atendida.
- Dois expressos, o meu sem açúcar. – Ouviu a voz grossa do doutor soar atrás de si a corrigindo. – Já precisando do café, ?
- Vicio. - Respondeu simples.
- Em coisas fortes? - Perguntou em tom malicioso.
- Pode se dizer que sim. - Ela continuava sem encará-lo.
- Bom saber disso. – Ele sorriu de canto chamando a atenção da menina para si. – Venha, sente-se comigo. - Chamou enquanto pegava os pedidos e a menina o seguiu.
- Se não for nenhum incomodo.
- Nunca será, não costumo me incomodar com internas. – Mais um sorriso malicioso que dessa vez foi notado pela garota. Tinha alguma coisa ficando estranha ali. Ela pensou, optando apenas por sorrir e se sentar de frente para o rapaz.
- Me fale um pouco sobre você, . – Ele pediu, mas não teve tempo de responder, pois logo um alarme soou e de cara já sabia o que era.
- É a Lucy. – Ela disse um tanto assustada e viu o homem se levantar depressa. Os dois desceram as escadas com a maior pressa possível (pois não tinham tempo para esperar o elevador) e logo adentraram no quarto, vendo a mãe da menina completamente assustada, alguns enfermeiros ao redor da cama e um barulho constante que indicava parada cardíada.
- Desfibrilador. – gritou um pouco desesperadas e em segundos o aparelho já estava ao seu lado. – Afastar! – Pressionou as placas no tórax da menina e nada. Começaram uma massagem cardíaca enquanto preparavam para a próxima aplicação. - Afastar. - Mais um choque e nada. já havia deixado uma lágrima cair, enquanto segurava o choro, aflito do outro lado do quarto. – Afastar! Três picos, quatro, cinco, 62 batimentos por minuto. - Sorriram aliviados e esfregou o rosto, sentindo a sensação de dever cumprido aliviando seu peito. Conseguiram recuperar Lucy. suspirou aliviado e observou o momento em que a mãe da menina, completamente chorosa, abraçou e elas puderam dividir as lágrimas um pouco mais aliviadas.
- Bom trabalho, Doutora , recuperou nossa garotinha. – Ele sorriu para a mulher que o encarou agradecida e logo já havia saído da sala, deixando com um único pensamento: "Era apenas disso que eu precisava. Salvar vidas."



Capítulo 2


É tudo uma questão de linhas. A linha de chegada no fim da residência, a fila de espera por uma chance na mesa de operações e então, a linha considerada a mais importante para a equipe: aquela que separa você das pessoas com quem trabalha. O fato de ser uma médica conhecida, não ajuda a fazer amizades. Você precisa cruzar fronteiras entre você e o resto do mundo. As outras pessoas são muito confusas, complexas. E mais uma vez eu digo: É tudo uma questão de linhas.
Desenhar linhas na areia e rezar muito para que ninguém as cruze, traçar um rota em seu mapa e torcer para que ninguém as apague.
O único problema é quando as pessoas com quem você convive dentro do hospital, não são tão desconhecidas assim. Ou melhor dizendo, são muito bem conhecidas por você.”

Faltavam apenas quatro horas para o primeiro plantão de acabar e mais um alarme indicando uma emergência soou. Mais especificamente, o décimo chamado de emergência em menos de 38 horas. Saiu rumo às portas do hospital com o Doutor em seu encalço, encontrando os enfermeiros empurrando uma maca, onde uma garota estava inconsciente.
- Qual o caso? – Ele tomou a frente do caso, perguntando aos socorristas da ambulância.
- Kate Penny, 17 anos, convulsões. Fazia ginastica artística e levou um tombo, logo após começou a ter convulsões. Perdeu o pulso enquanto chegávamos aqui.
- Ok, coloque ela de lado, , aplique dez miligramas de Diazepan IM. – A mulher aplicou o que foi solicitado e viu mais um médico entrando na sala que eles agora estavam. – Doutor Young. – o cumprimentou.
- Peixe molhado em terra seca? – Doutor Young questionou observando a garota desmaiada.
- Exatamente. – respondeu e logo em seguida o Doutor Young saiu da sala novamente. pode perceber a cara de dúvida de , ao ouvir o que havia acabado de ser dito. – Você não sabe o que é isso?
- Não estou por dentro das gírias do hospital ainda, Doutor .
- Vamos metralhar, Doutora , isso significa fazer todos os exames do livro: CT, CBC, químico-7, toxicológico. Vou chamar o Doutor Young para o laboratório e vou fazer o diagnostico. Você leve-a para a tomografia. Ela agora é sua responsabilidade. – E a única coisa que a garota tinha certeza no momento, era que esse plantão estava longe de acabar.

[...]

se direcionou rumo ao local dos exames, mas nada dava positivo, nada explicava as convulsões recorrentes de Kate, nenhum exame explicava. Após duas horas de longos exames e espera de resultados, se sentou na cadeira ao lado da cama da paciente para pelo menos descansar a mente. Isso se a paciente não tivesse acordado, naquele segundo.
- Onde eu estou? E porque eu não estou com minha coroa de princesa do baile?
- Você está no Hospital Kingston, e sofreu uma queda e convulsões em meio a apresentação no baile, sinto muito.
- Eu não ganhei minha coroa? – Ela havia sofrido convulsões, uma queda, estava em um hospital. Ninguém fazia ideia do que ela tinha e a garota só pensava na merda da coroa? Que merda era essa? Tudo que pensava, era no quanto certas pessoas não tinham noção do valor da vida. Quando se cursa medicina, não é que você tenha mais noção do que o resto do mundo, mas você está ali para salvar vidas, para dar diagnósticos talvez nunca dados, para descobrir doenças quase impossíveis de descobrir e ajudas pessoas a voltar a viver.
Quando decidiu se tornar medica, o pai não a apoiava, dizia que ela não seria capaz de peitar tal profissão, ser cardiologista nos olhos dele, era mais do que a pobre garota imaginava, não era apenas pelo fato dela ter concluído as 8 temporadas no total de 177 episódios de Dr. House e as 12 temporadas com 269 episódios de Grey’s Anatomy, que a garota devia se sentir uma medica. E talvez na cabeça dela, as vezes seria sim complicado, mas não impossível. se ergueu da cadeira, olhou em direção a adolescente e negou com a cabeça, não acreditando no que acabara de ouvir.
- Vem cá? Você vai me ignorar? Eu preciso de saber da minha coroa! - A menina voltou a falar com histeria, o que incomodou ainda mais a Dra. .
- Eu preciso descobrir o seu diagnostico. - ignorou-a mais uma vez.
- Eu estava prestes a ganhar um concurso e uma maldita queda me trouxe para esse maldito hospital, com uma maldita enfermeira? - Aumentou o tom de voz, conseguindo fazer o sangue de borbulhar de irritação. Mas mais uma vez a garotinha mimada foi ignorada.
- Kate, eu preciso ir para a sala de exames, só me chame em caso de emergência. - pediu, já se dirigindo à porta da sala.
- Minha coroa é uma emergência.
- Sua vida é uma emergência, Senhorita Penny.
caminhou pra fora da sala com o ultimo resquício de paciência que havia em sua mente. Era demais pra um primeiro dia. Esbarrou em alguém no corredor pedindo perdão, mas logo notou de quem se tratava.
- Algum diagnostico, Doutora ?
- Nada até agora, os exames não mostraram nenhum problema.
- O caso dessa garota é quase sem noção, nada demonstra algum resquício de doença, não consigo descobrir de onde vem essas convulsões, ela é uma bomba relógio, eu não sei mais o que fazer pra descobrir. Já deu os medicamentos?
- Sim, ela não responde a eles. A única coisa que ela sabe fazer, é gritar pela sua coroa.
- Sozinho eu não consigo, preciso de mais cérebro, mais olhos. Não dá pra descobrir sozinho e eu preciso contar com você, Doutora .
- Pode contar comigo, Doutor .
- O seu plantão acaba que horas?
- Daqui à duas horas.
- Eu suponho que duas horas não serão o suficiente, mas precisamos estudar esse caso. – E dito isso o medico saiu andando, dando à apenas a opção de segui-lo e assim ela o fez, precisava descobrir aquele caso. Foram até a sala de aviso e se sentaram nos colchonetes escuros que ficavam por ali, para quando precisassem dormir. Ou de algum descanso. Ele sentou com a prancheta da garota nas mãos e começou a analisá-la.
- Ela não tem anorexia, falha renal ou acidoses. Não é tumor? - O homem perguntou.
- A tomografia está limpa.
- Infecção?
- Não. E se for uma aneurisma?
- Não tem sangue na tomografia, nem dor de cabeça. – O medico respondeu com seu semblante já cansado.
- Não há uso de drogas, ela não está gravida, nenhum trauma. Só existe a possibilidade de ser aneurisma. E se ninguém descobrir nada?
- Você está se referindo à possibilidade de perdermos a garota? – Ele a olhou erguendo a sobrancelha. não deixaria isso acontecer.
- Sim.
- Ela não vai. – Ele se levantou, saindo da sala de aviso rapidamente, deixando sentava e confusa por alguns segundos, antes de segui-lo. – Não temos mais nenhuma possibilidade. – Ele continuou caminhando até ao elevador enquanto falava, mas a ficha da garota caiu após lembrar de um acontecimento que seria pouco provável, quase impossível como o Doutor havia dito. Mas existiam chances. Ele adentrou o cubiculo e apertou o ultimo andar.
- Doutor , Kate participa de concursos de beleza.
- Eu sei, . Mas ainda precisamos salvar a vida dela.
- Sim, ela não apresenta dor de cabeça ou no corpo e a CT está limpa, não há prova medica de uma aneurisma, mas e se for mesmo assim?
- Não há indícios de aneurisma.
- Sim, Doutor , o fato é que mesmo que a queda tenha sido leve, ela se levantou colocou um gelo e prosseguiu, mas depois começaram as convulsões.
- Agradeço a tentativa, mas não ajudou.
- O fato é que ela caiu! – O homem a olhou de lado, como se fosse burrice. - Sabe as chances de uma quedinha desenvolver uma aneurisma? Uma em um milhão. – E dito isso saiu do elevador deixando-a com cara de taxo. A garota abaixou a cabeça derrotada mas viu a porta do local se abrir novamente. – Vamos ver se ela é uma em um milhão, Doutora . – O homem se apressou a seguir para a sala de tomografia. Ele tinha suas desconfianças, mas não era algo impossível de se ter acontecido.
- É que meu plantão acabou, Doutor . - sussurrou.
- Tudo bem, . Eu te chamo pela emergência, caso precise. Tenha um bom dia. - Lançou uma piscadela e saiu rumo a sala de tomografia.
bufou frustrada. Não conseguiria fazer mais nada que não fosse pensar em descobrir o que a garota tinha. Mas ela não podia ficar ali, seu plantão havia acabado e logo entraria outro interno em seu lugar. Sem contar que o plantão do próprio já havia chegado ao fim, mas todos naquele hospital sabiam que o homem não descansava, enquanto uma vida ainda estivesse em perigo. Por mais que sua especialidade fosse cardiologia, ele ainda era um cirurgião e operaria a menina se a suspeita de aneurisma fosse confirmada.

Durante o caminho de volta para o seu apartamento, o telefone de tocou. Pensou que pudesse ser o Dr. , mas na verdade era sua amiga, Sophie. Optou por não atender. Estava exausta e não queria fazer nada além de refrescar a mente e finalmente colocar as horas de sono em dia. E foi isso que fez assim que chegou em casa, naquela terça-feira à noite.
Tomou uma ducha quente e rápida, e caiu na cama logo em seguida. Teria o dia seguinte de folga, então poderia marcar alguma coisa com a amiga e quem sabe até ir à algum barzinho.

[...]

- Me conte , como foi seu primeiro plantão? - Sophie perguntava animada. Após algumas boas horas de sono, finalmente tomou coragem para atender seu telefone, que não parava de tocar por nenhum minuto, e aceitou o convite da amiga para irem até um barzinho mais calmo, para colocarem o papo em dia.
- Lembra na sexta, que fomos para uma boate e eu fiquei com um cara que você achou super gato? - perguntou enquanto mexia o canudinho de sua bebida dentro do copo, despreocupada. Viu a amiga concordando com a cabeça e decidiu continuar. - Então, ele é o meu residente no hospital. - Disse em um tom um pouco mais baixo, pois conhecia os escândalos da amiga e não estava afim de chamar atenção.
- Mentira! - Exclamou surpresa. - Me conta tudo ! Vocês se pegaram de novo? - Sophie estava animada e falando um pouco alto demais, fazendo com que tivesse que tapar sua boca com as mãos, para que ninguém ouvisse a conversa.
- É claro que não Soph, o cara é muito arrogante e metido, fingiu que nem me reconheceu. Mas eu também não me importo, não gosto de repetir figurinha. - jogou os cabelos para trás brincalhona e Sophie riu.
- Não acredito que não rolou um remember. - Sophie balançou a cabeça de um lado para o outro, fingindo estar indignada.
- A correria no hospital é tão grande, que a última coisa que eu poderia pensar, era em pegar meu residente. - mentiu. Tudo bem que ela queria sim, repetir a dose, mas não teve tempo para pensar em mais nada, enquanto tentava salvar dezenas de vidas que entravam por aquelas porta, à um passo da morte.
não ficou muito tempo no bar com a amiga, pois no dia seguinte pegaria mais um plantão à noite e queria estar bem descansada, para não ter que passar as 36 horas à base de cafeina.

[...]

Acordou naquela quinta-feira, bem mais descansada do que no dia anterior e começava ter a sensação de que, por mais que fosse exaustivo e trabalhoso, a vida entre os corredores do hospital, era sim, tudo que ela sempre havia planejado para si.
Estava preparando seu almoço, quando seu telefone tocou, indicando o nome de sua avó, brilhando na tela. nasceu na Inglaterra e viveu ali por 2 anos, antes de se mudar para a Irlanda com seus pais. Sua avó materna sempre ia visitá-los no outro país, então nunca perdeu o contato com a família. A não ser o seu tio, irmão de sua mãe, que nunca teve a oportunidade de visitá-la, mas que agora com sua volta à terra da rainha, finalmente poderia conhecê-lo.
- Olá, vovó. Bom dia. - Atendeu com um pequeno sorriso.
- Bom dia, minha querida. Como você está? - A mais velha perguntou, com seu habitual tom doce, que sempre acalmava .
- Estou bem, e a senhora?
- Estou muito bem e com muitas saudades. Eu estava querendo dar um almoço de boas vindas para você, no sábado. O que você acha? - Judy perguntou.
- Então vovó, no sábado eu vou ter acabado de voltar do meu plantão e queria poder dormir algumas horas, mas se a senhora quiser, podemos marcar no domingo. - avisou. Estava doida para rever a velhinha, pois só havia a visto, quando chegou à cidade, 1 mês atrás.
- Claro querida, será ótimo. É bom que você ainda poderá conhecer seu tio. Irei ligar para ele agora mesma. - A mulher disse animada.
- Tudo bem vovó, agora tenho que desligar, pois estou terminando meu almoço e logo tenho que preparar as coisas para mais 36 horas de plantão. - Sorriu, mesmo sabendo que Judy não veria.
- Certo, tenha uma boa tarde . Te vejo no domingo.
- Boa tarde para a senhora também, vovó. Amo você. - desligou o telefone assim que Judy terminou de se despedir.
Almoçou rapidamente e começou a fazer algumas pesquisas sobre o caso de Kate. Não havia tido nenhuma notícia de , então não fazia ideia de como estava o andamento do caso no hospital, teria que descobrir assim que chegasse.

entrou no hospital se preparando psicologicamente para mais um plantão. Era maravilhoso salvar vidas, de fato, mas era difícil. Foi em direção ao vestuário do hospital, onde estava o seu armário e tirou a roupa vestindo o uniforme e o jaleco logo em seguida. Ouviu um resmungo atrás de si e se virou um pouco assustada, vendo escorado na porta.
- Não vi você aí. - Ela disse um pouco mais calma.
- Cheguei agora, Doutora . Só vim até aqui lhe parabenizar, o Doutor Young disse que suas suspeitas estavam corretas em relação à Kate. - Dr. lançou um sorriso pequeno para a mulher. De fato, ele não era um cara muito expressivo, mas fazia o que podia.
- Era uma aneurisma? - se animou um pouco. Cada pequena descoberta sua, nesse mundo gigante da medicina, era uma conquista enorme para a recém formada médica.
- Sim, era.
- Ah, a cirurgia já foi feita?
- Sim, e foi um sucesso. Bom, você está livre agora? - O rapaz perguntou. Por dentro estava um pouco sem jeito, mas conseguiu disfarçar muito bem, como sempre.
- Meu plantão começa daqui a quarenta minutos. Alguma coisa que eu possa fazer por você, Doutor ? – A garota disse sem olhá-lo, enquanto terminava de ajeitar as coisas em seu armário.
- Várias coisas, . – O tom do homem era sensual e pegou a mulher de surpresa. sentiu um pequeno calafrio em sua nuca e se virou para o homem, o vendo com um sorriso debochado, lhe lançando uma piscadela que poderia ter mil significados na mente de . – Mas agora só queria te convidar pra tomarmos um café. – E como um balde de água fria, voltou a realidade. Sabia que não teria mal algum, aceitar o café com o homem e foi o que ela fez. Seguiu pelos corredores, até que entraram no elevador, que os levou até o andar da cafeteria.
Ela e o doutor se sentaram em uma mesa próxima à janela do prédio e começaram um papo sobre pacientes e doenças, até que chegaram ao assunto Kate.
- Era impossível lidar com a Kate. - comentou, deixando um pouco da frustração, sentida horas atrás, invadir seu rosto.
- Eu imagino. Fiquei com ela por poucos minutos, mas deu para perceber que a Srta. Penny estressa qualquer um, em qualquer ambiente. - Ele tomou um gole de seu café, mantendo seu olhar intenso direcionado aos olhos da médica, que se sentia vulnerável sob os glóbulos brilhantes do doutor, mas tentava disfarçar.
- A garota só dizia sobre uma maldita coroa. Será que ela sequer sabe o valor da própria vida? Não consigo entender essas adolescentes, que só se importam em ser líderes de torcida ou ganhar a coroa de rainha do baile. - bufou frustada, optando por beber seu café, enquanto desviava o olhar do rosto de .
- Nunca quis ser nada disso, ? - Questionou, um pouco curioso.
- Nunca liguei para essas coisas. Eu só me importava em seguir com os estudos e minha família. Desde sempre. - Ela respondeu.
- Eu sou bem apegado à minha família também. - Um sorriso apareceu nos cantos dos lábios de e isso chamou a atenção da menina.
- Não tem cara de ser alguém apegado. - Ela deu de ombros.
- Não costumo demonstrar muito as coisas, mas não tem nada que importe mais em minha vida, do que minha mãe. – concordou com a cabeça a respeito e olhou o relógio do seu pulso. Era hora de começar ao trabalho.
- Bom Doutor , meu plantão começa agora, tenha uma boa noite. - Ela sorriu para o homem e os dois se levantaram.
- Boa noite. Foi um prazer desfrutar desses minutos com sua presença, Doutora. - Sorriu um pouco galanteador demais e apertou a mão da mulher com gentileza. foi em direção ao elevador e decidiu passar no consultório de Christian Young, antes de também começar a trabalhar.

“Uma hora você tem que tomar uma decisão. As fronteiras não mantêm as pessoas para fora; elas te prendem dentro de si. A vida é confusa mesmo, é assim que fomos feitos. Então você pode desperdiçar sua vida desenhando linhas ou você pode viver cruzando-as. Mas há algumas que são perigosas demais para serem cruzadas. E aí vai o que eu sei: se você estiver disposto a jogar a precaução pela janela e se arriscar, a vista do outro lado é espetacular.

Algumas partes dos textos iniciais e finais são retiradas de Grey’s Anatomy.


Capítulo 3


“No geral, as pessoas podem ser catalogadas em dois grupos: as que amam surpresas e as que detestam. Eu detesto. Nunca conheci um cirurgião que gostasse de surpresas, porque como cirurgiões, gostamos de estar no “conhecido”. E temos que estar no conhecido porque quando não estamos, pessoas morrem e talvez processos aconteçam… Eu estou divagando? Eu acho que sim.
Ok, então, o que eu quero dizer não tem nada a ver com surpresas, mortes, processos ou mesmo com cirurgiões. O que eu quero dizer é: quem quer que tenha dito “o que você não sabe, não pode te machucar”, era um tremendo imbecil. Porque para a maioria das pessoas que eu conheço, não saber é o pior sentimento do mundo….. Vai, tá bom… talvez o segundo pior.”

Mais um plantão, mais 36 horas dentro do hospital e mais dezenas de casos para os residentes. cruzou as portas do hospital, terminando de vestir o jaleco. Era gratificante vestir aquela pequena peça branca, não por status, ou pelo título de “eu sou medica”, mas pelo amor. Amor à medicina.
Entrou na sala do Doutor e o encontrou sem o jaleco e com os olhos fechados, com a cabeça jogada para trás em sua cadeira.
- Doutor ? – chamou, dando dois socos de leve na porta.
- ?
- Incomodo? É que o meu plantão já começou e queria saber para onde vou agora. - Perguntou com um pequeno sorriso amarelo.
- Espere um segundo, já me recomponho. – O homem se ergueu da cadeira, passou os olhos por , que tinha os cabelos soltos em ondas por cima do jaleco branco e um sorriso estonteante. A mulher era maravilhosa. – Temos um desafio para hoje. Mais um, aliás.
- Qual o problema, Doutor ?
- Um garoto. Para ser mais especifico, um garoto que não quer aceitar um coração novo. Sendo que, o seu não aguentaria nem mais uma surpresinha de aniversario. E esse é o problema, hoje é o aniversario dele.
- Ele não quer o transplante?
- De forma nenhuma e a mãe ainda disse que eram os desejos de aniversario dele se cumprindo, mas ele não acredita em desejos.
- Então deixe bem claro que é a medicina.
- Não podemos dizer assim, . É só um garoto de 13 anos que não sabe o que faz.
- Um garoto que vai precisar aprender, Doutor .
- Mas antes disso, precisamos de um coração, . Ligue para ONUS* e diga que precisa de um coração, o mais rápido possível. A ficha do garoto está na mesa e depois vá atender a emergência. Mas só me procure quando encontrar um coração pra esse garoto. Esse desejo de aniversario vai ser comprido.
- Desejo?
- Sim, desejo, pedido. Essas coisas.
- Então você acredita nisso?
- , vá em busca do coração. – E dito isso, o homem cruzou a porta de sua própria sala, completamente irritado com o caso. Ele amava ser cardiologista, amava a profissão, mas sabia o quanto aquilo dava trabalho. Principalmente com um garoto que não tinha fé nenhuma na vida.

[...]

conseguiu falar com a ONUS depois de várias tentativas e pediu para quê se conseguissem o coração com os requisitos solicitados, ligassem para o Doutor . Eles concordaram com prontidão e a garota saiu rumo as emergências.
Quando chegou as emergências, encontrou a sala cheia, mas um caso em especial chamou sua atenção.
Uma mulher.
Ela estava sendo atendida por um dos internos novatos, que era bem bonito por sinal, mas tinha cara de ser um imbecíl. Se aproximou e viu o mesmo discutindo com uma enfermeira.
- A do 5B está com pneumonia pós operatória. Inicie os antibióticos.
- Mas, Doutor. Tem certeza de que é esse o diagnostico?
- Não sei, faça quatro anos de Medicina e depois me diga "será que é o diagnostico certo?" Faça- me o favor.
O homem cruzou o olhar por e sorriu, provavelmente pensando que aquela residência ali, seria mais interessante do que ele imaginava.
- Odeio enfermeiras. – O homem disse quando parou ao lado de , que o olhou de lado e ergueu a sobrancelha. – Meu nome é Edward, pode me chamar de Ed.
- Talvez ela não tenho pneumonia, pode ser embolia pulmonar.
- Eu odeio definitivamente enfermeiras. - O homem disse saindo da sala e esquecendo a ficha pra trás, deixando uma completamente curiosa, que logo pegou a ficha com prontidão e sentou-se na poltrona que havia ali pra estudá-la.

[...]

Foram exatos 37 minutos estudando o caso e quando achou que poderia tomar uma providencia, ouviu o bip do aparelho de emergência a alertando. Era o Doutor .
Subiu as escadas com pressa e parou na porta da sala do Doutor .
- Eu agradeço. – Ele disse e finalizou a ligação. – O desejo se cumpriu, . Nós conseguimos um coração e ele já está a caminho. Agora, você precisa ir conversar com o garoto. - Avisou com um sorriso contido nos lábios. Era nítido que ele estava muito feliz por ter conseguido realizar esse desejo.
- Eu?
- Sim, você. Alias, eu e você. - Parou ao lado dela, dessa vez com um sorriso malicioso. - Vamos.
A mulher ergueu as sobrancelhas, meio em dúvida. Não sabia lidar com fé, desejos, e etc.. Então ela deu ombros e seguiu sua obrigação, indo atrás do Doutor que a entregou a ficha do garoto e saiu andando em sua frente.

[...]

- Sra Benson. Temos ótimas noticias. – entrou na sala, interrompendo a mãe que conversava com o filho.
- Não me diga que conseguiram? – A mulher disse com um sorriso feliz estampando seu rosto, completamente alegre por poder ter seu filho por inteiro novamente. – Você ouviu Jerry? Os desejos foram atendidos.
- Mandem os desejos darem o coração pra outra pessoa. Eu não quero. - O garoto disse mau humorado, fazendo o sorriso de sua mãe murchar.
- Jerry, você precisa desse coração, nós já conversamos sobre isso. - Ela segurou a mão do filho, o olhando com um claro pedido nos olhos.
- Eu não quero esse coração e pronto, Doutor. – O menino fechou os olhos e virou pro lado contrário. não sabia o porquê, mas precisava falar algo com o garoto naquele momento. Olhou pra , pedindo permissão para se pronunciar e viu o doutor assentindo, completamente cansado.
- Sabe, Jerry, às vezes a gente precisa saber escutar. Sua mãe, eu e o Doutor , sabemos que você precisa desse coração. - Ela se aproximou com cautela, vendo o menino se virar de frente para ela aos poucos.
- Mas minha mãe é uma mentirosa, não era meu desejo de aniversario ganhar um coração novo.
- Às vezes, as coisas que desejamos, não são as coisas que realmente precisamos. Quando eu era pequena, queria ser bailarina. Você acha que se meus desejos de aniversario de ser bailarina tivessem se cumprido, eu estaria aqui, cuidando de você e de muitas outras pessoas? Eu não sei o que você desejou, nem sei se já se cumpriu. Mas às vezes é preciso que nosso desejo seja outro. Nem sempre o que a gente deseja é o que a gente precisa. Então feche os olhos agora e faça um desejo comigo. – O garoto a encarou estranho, mas soltou um sorriso pequeno e logo fechou os olhos. – Diga comigo, Jerry: Eu desejo que essa cirurgia dê certo e eu tenha um coração novinho, pra depois cumprir meus outros desejos.
- Eu desejo que essa cirurgia dê certo e eu tenha um coração novinho, pra depois cumprir meus outros desejos. – Quando o garoto repetiu a mulher sorriu, fazendo com que a mãe do garoto e o próprio Dr. sorrissem juntos.
- Preparado para ir para a cirurgia? - Perguntou animada.
- Sim, Doutora. Mas, posso te contar algo antes? - Sussurrou.
- Sim, meu anjo.
- Meu desejo era uma nova amiga, meus velhos amigos não me dão bola. - Ele disse com o tom um pouco mais triste e o coração da mulher pesou em seu peito.
- Seu desejo acabou de se cumprir, toca aqui. – A mulher ergueu a mão e o menino sorriu gostosamente, enquanto fazia um high five com a doutora.
- Agora sim, eu vou mamãe.
- Doutora , prepare a sala de cirurgia e depois pode descer para a emergência. - avisou, se aproximando da cama do paciente.
- Mas e a cirurgia? - Perguntou meio confusa.
- Deixa isso comigo.
sabia que de inicio não iria entrar assim, tão facilmente na sala de cirurgia, mas se sentia bem apenas por ter convencido o garoto. Sorriu e acenou para o Doutor , indo em rumo à sala para preparar o procedimento.
Assim que finalizou os procedimentos e o Doutor entrou na sala alegando que faria um novo coração voltar a bombear e que uma vida voltaria ao normal, decidiu que era hora de ir até a emergência, dar uma olhada no caso da mulher que havia lhe intrigado. piscou pra em agradecimento antes que ela saísse e a mulher foi até a emergência, encontrando o cirurgião chefe do hospital em discussão com alguns residentes.
- Quem foi que deu o diagnostico à essa mulher do 5B? – O Doutor e chefe, Nicholas, perguntou para sala, vendo Edward levantar a mão timidamente. – Você pediu um ABG e uma radiografia do tórax? Ela continua com dispneia.
- Sim, eu pedi. - Assumiu.
- E o que você viu? - Indagou curioso.
- Bom, senhor, eu ainda não analisei. - Respondeu, olhando para o chão. - Liste as causas comuns de febre pós operatoria, Edward. – O homem pegou o livro do bolso pra checar, mas o chefe o interrompeu.
- Não leia. Quem aqui sabe as causas comuns de febre pós operatória? - Nicholas voltou a perguntar e se lembrou dos possíveis sintomas, levantando a mão e logo recebendo o consentimento para falar.
- Na maioria das vezes é vento, dificuldade respiratória, pneumonia ou imobilidade. É fácil dizer que é pneumonia em primeira hipótese, quando não se faz os exames. - Listou confiante.
- E pra você, qual o problema do 5B, Doutora ?
- A quarta causa. Imobilidade é uma forte candidata para embolia pulmonar. - Explicou.
- E o tratamento? - Perguntou o homem, completamente interessado pela inteligência da residente.
- Tomografia espiral, V/Q, scan oxigênio, dose de heparina e filtro IVC. - Edward, faça exatamente o que ela disse. Depois diga ao seu atendente, que você está fora do caso. - Disse curto e grosso, deixando o rapaz desconcertado. - Senhorita ?
- Sim, Chefe. - Respondeu prontamente.
- Você tem um grande futuro. – E com isso pode finalizar o seu plantão, sorrindo triunfante, enquanto ía até o “vestiário”.

- Mais um plantão terminado. Jerry com um coração novo e eu completamente cansado. - disse depois de um suspiro alto. Era sábado de manhã e ele se sentia orgulhoso por mais um dia de trabalho completo.
- Graças à Deus. Estou morta de fome. - comentou enquanto pegava suas coisas do armário.
- Dra. , eu e o Chris estamos indo para um café aqui perto, você gostaria de ir? - perguntou depois de retirar sua blusa do hospital e colocar uma blusa social branca, que realçava seus braços. Obviamente ele gastava seu tempo fora do hospital, malhando.
- Acho que tudo bem. - Ela sorriu, pegando sua bolsa e indo em direção à saída da sala.
- Te espero no estacionamento. - Ele avisou, também saindo da sala. andou pelos corredores até encontrar Caitlin, uma das residentes. As duas não eram necessariamente próximas, mas era a única pessoa que conversava ali dentro.
- Você já está indo, ? - Cait perguntou, enquanto conferia a ficha de mais um paciente.
- Vou sim, só queria confirmar nosso almoço na segunda. - sorriu. As duas marcaram de almoçar na segunda, para terem a oportunidade de se conhecerem melhor e, quem sabe, firmarem realmente uma amizade ali dentro.
- Está confirmado. Agora deixe-me ir, porque a Madson está me esperando para a minha primeira cirurgia. - A morena comentou animada, recebendo um aceno de , enquanto se virava e caminhava pelos corredores movimentados de Kingston Hospital.

saiu do hospital, logo encontrando e Chris escorados em um carro conversando, enquanto a esperavam.
- Desculpem a demorar. - Sorriu sem graça.
- Sem problemas, Srta. . Como vai? - Chris perguntou com sua habitual simpatia. Além de ser um gato, o rapaz era gentil e muito educado. Isso atrairia muito a doutora, se ela não gostasse dos bad guys.
- Estou ótima, Dr. Young. E você? - Perguntou, enquanto entravam no carro.
- Estou muito cansado, doutora. Vamos logo tomar esse café, antes que eu desmaie aqui na rua. - Brincou, enquanto , que ainda permanecia calado apenas observando os dois, ligava o carro e dirigia para o café mais perto dali.
Não demoraram a entrar no estabelecimento, que era quente, calmo e tinha um cheirinho de café delicioso. Se sentaram em uma mesa mais afastada e logo fizeram seus pedidos, que não demoraram a chegar.
- O que está achando do trabalho no hospital? - Christian perguntou, olhando diretamente para . A mesma não conseguia se concentrar em nada, pois o olhar intenso de pairava sobre si.
- An… A cada dia que passa, eu percebo ainda mais que nasci mesmo para essa profissão. É tudo muito corrido e muito cansativo, mas quando vemos nossos pacientes se recuperando, é uma satisfação tão grande, que eu poderia ficar um mês inteiro dentro do hospital sem nenhum dia de folga. - Ela respondeu, enquanto encarava o copo em suas mãos.
- Uau. - Sorriu Chris. - Acho que essa é uma boa definição para a nossa profissão. - Sorriu mais uma vez.
- Espere até fazer sua primeira cirurgia. Você se sentirá ainda mais satisfeita. - Foi a vez de se pronunciar.
- Você ainda não fez nenhuma cirurgia? - Young a encarou meio espantado.
- Ainda não, só tem uma semana que estou no hospital, mas mau posso esperar para esse momento chegar. - O sorriso no rosto de aumentou. Ela estava esperando tanto por aquele momento, que não via a hora de finalmente acontecer.
- Vamos ver como tudo vai se sair essa semana, quem sabe eu não te consiga uma vaga? - deu de ombros, fazendo a menina lhe sorrir com gratidão.
Infelizmente eles não puderam ficar muito tempo batendo papo, pois estavam todos cansados e não viam a hora de deitarem em suas próprias camas. Então Chris foi o primeiro a se despedir, tendo que correr para fora do café, para pegar um táxi que passava.
- Bom, eu também já vou indo. Obrigada pelo convite, doutor. - agradeceu, após pagar sua parte da conta.
- Se quiser posso te dar uma carona. - Ele disse, enquanto jogava sua pasta pela janela do carro.
- Não precisa se preocupar com isso, eu pego um táxi. - Antes que ele pudesse retrucar, um táxi passou em frente aos dois e ela fez sinal desesperada para que o carro parasse. E por sorte ele parou. - Até semana que vem, . - Deu um tchau breve e entrou dentro do veículo.

[...]

O domingo não demorou a chegar, na verdade, dormiu tanto no dia anterior, que mal viu o tempo passar. Se levantou próximo às nova da manhã e tomou um banho quente para relaxar ainda mais o seu corpo. Não tomaria café da manhã, pois iria almoçar com a sua avó e a velinha adorava enchê-la de todas as comidas que tivesse em casa.
Então vestiu um vestido confortável e uma sapatilha, colocou alguns pertences na bolsa e foi até a garagem de seu apartamento, pegando seu carro que era dificilmente usado, por ela não gostar muito de dirigir.
Chegou na casa da avó quase dez horas da manhã. A senhora já preparava o almoço, que certamente daria para alimentar todos os guardas do palácio de Buckingham sem problema algum.
O almoço seria servido apenas para Judy, e seu tio, que ela ainda não conhecia. Seus pais não iriam, pois estavam fazendo algum programa de casal pós aposentadoria - mesmo que eles não sejam aposentados -, que ela realmente não estava interessada em saber qual era.
- Olá, vovó. - Sorriu enquanto abraçava a mulher.
- Que saudades, minha filha. Que bom que você veio, estou preparando seu prato preferido. - A senhora disse, enquanto mostrava a comida que estava preparando. Alguns empregados transitavam pela casa grande, mas era Judy quem preparava o almoço. Gostava de cozinhar para a própria família, então os funcionários eram mais como uma companhia para a senhora, que detestava ficar sozinha e que não gostava de arrumar a casa.
- Todo prato que a senhora prepara, é o meu preferido, vovó. - sorriu, enquanto roubava um pedaço de bacon que estava na bancada.
- Allice, você poderia dar uma olhada aqui para mim? - Judy pediu, vendo a cozinheira se aproximando sorridente. - Quero conversar um pouco com a minha neta.
- Claro Judy, fique despreocupada. - A empregada mais velha da casa disse, já assumindo as panelas. Allice trabalhava ali desde sempre, era provavelmente a melhor amiga de Judy e as duas eram inseparáveis.
- Como anda no hospital? Está gostando da rotina? - A avó perguntou, enquanto as duas se sentavam no sofá confortável da casa dos .
- É muito cansativo, vó. Mas eu estou adorando. - sorriu, enquanto se ajeitava melhor no sofá, ficando quase deitada no braço do mesmo.
- Sei como é, seu tio também… - Judy começou, mas foi interrompida pelo mordomo aparecendo na sala.
- Sra. , seu filho chegou. - O rapaz disse, lhe pedindo desculpas com o olhar por lhe ter interrompido.
- Avise-o que estamos aqui. - Judy sorriu. Ouviram passos entrando na sala e se virou para encarar o rapaz, começando pelas pernas e subindo para a cintura, até encontrar um capacete que era segurado próximo ao local e finalmente subiu para o rosto, onde sentiu seu coração cair em seu peito.
Eu não acredito. Pensou abismada, enquanto recebia o mesmo olhar do rapaz.
- , esse é o , meu filho que você não conhecia. Filho, essa é a sua sobrinha, . - Judy disse completamente amistosa, enquanto se levantava, chamando os dois para se aproximarem. Ambos engoliram em seco, enquanto trocavam um abraço rápido e sem nenhuma emoção. Não querendo demonstrar em momentos algum que já se conheciam.
- Olá, . - Sorriu forçadamente, enquanto via o homem repetir seu gesto.
- Oi, . - Sua voz estava mais rouca do que o normal, devido ao nervosismo momentâneo.
- Bom, me esperem um minuto, que vou ver como anda a preparação do almoço. - Judy pediu, enquanto saía da sala e seguia para a cozinha. Os dois se encararam pasmos por um momento, com os pensamentos voando à mil.
- O que você está fazendo aqui? - perguntou um pouco nervosa, tentando falar o mais baixo possível.
- Eu vim almoçar com a minha mãe. O que você está fazendo aqui? - Ele a encarou nervoso.
- Estou almoçando com a minha avó. - Ela disse óbvia, fazendo vários gestos com a mão, demonstrando seu nervosismo.
- Caralho , eu não acredito. - Ele estava pasmo, assim como ela. - O que eu posso fazer? - Ela deu de ombros, irritada com o rapaz. Que diabos ele estava fazendo ali? Por Deus! Eles tinham transado.
- Porra, a gente transou, . - Ele quase gritou, mas ela lhe deu um beliscão, o calando rapidamente.
- Agora você se lembra disso né? - Ela se irritou ainda mais, olhando para o fim do corredor para ver se sua avó estava vindo.
- O que você queria que eu fizesse? Te agarrasse no meio do hospital pra todo mundo saber que eu fodi a nova residente, que por um acaso é minha sobrinha? - Ele estava vermelho naquele momento, fazendo sorrir descrente.
- Me poupe, . Eu não tenho culpa se eu não sabia que você era da minha família…
- Voltei. - Rapidamente os dois se viraram de frente para a mais velha, sorrindo forçadamente, enquanto tentavam normalizar as respirações. - Está tudo bem aqui?
- Claro vovó. Só estava comentando com o , que eu já devo ter o visto no hospital. - deu de ombros.
- Sim, ela é uma das novas residentes. - a olhou rapidamente, com uma sobrancelha arqueada e a menina revirou os olhos.
- Que ótimo! - Comentou a mais velha, completamente animada.

Judy os arrastou até o sofá e os fez conversar por muito tempo, até o almoço ser servido. Eles nem se encaravam, sentindo o constrangimento lhe atingir, a cada vez que o nome de um dos dois, seguidos das palavras “tio” e “sobrinha”, eram ouvidos.
Pouco tempo depois, Allice apareceu os chamando para almoçar. Os dois se sentaram de frente um para o outro, se encarando com olhares mortais, enquanto Judy continuava tagarelando completamente feliz, por finalmente terem os apresentados.
- Eu tenho certeza que vocês vão se dar muito bem. - A mais velha comentou animada. - Além da pouca diferença de idade, vocês ainda trabalham no mesmo lugar. Agora nenhum dos dois terão desculpas para não vir me ver. - Ela sorriu, enquanto segurava ambas as mãos por cima da mesa.
O almoço parecia durar uma eternidade, tanto que na hora que eles acabaram a sobremesa e Judy insistiu que eles fossem para a área da piscina conversar com mais tranquilidade, quase surtou para poder ir embora.
- Eu sinto muito vovó, mas amanhã temos mais um plantão e eu quero dar uma descansada. - Ao ouvir a frase de , sorriu aliviado.
- Ah, que pena, . - A avó fez uma carinha triste que apertou o peito da neta. - Você promete vir me ver?
- Claro que sim. A senhora também pode ir ao meu apartamento. - Sorriu, enquanto abraçava a avó.
- Então eu irei. - A mulher lhe fez um carinho nos cabelos.
- Até mais vovó. Tchau . - Acenou levemente com a cabeça, enquanto via o homem sorrir forçado.
Se dirigiu até a garagem da casa, onde viu a CB 600 preta com dourada, que julgou ser de . Ignorou a imagem do rapaz, que descobrira a pouco ser seu tio e entrou em seu carro, pronta para se enfiar no apartamento e sair apenas no dia seguinte para trabalhar.

“Nós como cirurgiões, queremos e precisamos saber de tudo. Não podemos ser cobertos de supresas, mas chega um momento na nossa vida, não somente profissional, em que precisamos entender que certas linhas foram feitas para serem cruzadas. Mas que são totalmente perigosas e que surpresas nem sempre são tão boas. Era isso. Cruzar linhas era essencial, o outro lado era espetacular. Mas também nos mandava varias surpresas. E os dois agora precisariam arcar com as consequências de uma linha perigosamente gostosa que foi traçada."

*Alguns trechos do texto inicial são de Greys Anatomy
*Onus significa: United Network for Organ Sharing. *


Capítulo 4


"Em geral, as linhas estão lá por alguma razão, seja para te dar segurança, ou simplesmente para te restringir de fazer algo que poderá colocar sua vida em risco. Então se você está na segunda opção e resolve cruzar a linha, logo você é responsável pelas consequências.
Então é assim que acontece? Quanto maior a linha, maior a tentação em cruzá-la?
Sim, maior a tentação! Mas o resultado depois de cruzá-la pode ser extremamente pior do que o imaginado. O que não podemos fazer é perder o controle, afinal, que tipo de cirurgião quer perder o controle? Queremos tudo nas nossas mãos, sob total segurança, porque quando se perde o controle… Você não vai querer saber o que acontece!”

saiu pela porta do vestiário usando seu já conhecido jaleco branco e andou pelos corredores do Kingston Hospital em direção à sala de . Aquilo não estava sendo nada agradável na cabeça da garota, tudo que rondava em sua mente era o pensamento profano de que ela havia dormido com o próprio tio. Parou na porta da sala do médico e deu duas batidas com os nós dos dedos, pedindo licença logo em seguida.
Assim que ela entrou dentro da sala, pode observar a encarando de cima a baixo, ainda sem saber como agir com a mulher. E a filha da puta já era bonita, mas naquele dia estava mais que o normal. Talvez pelo fato de que o tesão proibido que os rondava a deixava ainda mais deliciosa na visão do médico. Ela o encarou por mais alguns segundos e girou os olhos, decidindo por se pronunciar logo e acabar com aquele silêncio constrangedor.
- Bom dia, Doutor . Você já tem algum paciente pra mim essa manhã? - Ela não queria olhar nos olhos dele, mas optou por não abaixar a cabeça. Se ele estava tendo a audácia de fingir que nada demais havia ocorrido, por que ela agiria diferente?
- Tenho sim. - Começou a mexer nos papéis que estava em sua mesa, logo tirando algumas folhas soltas dali. - Me acompanhe, interna.
Ótimo, voltamos ao interna. estava pronta para revidar, mas preferiu evitar conflitos e seguiu o médico, enquanto folheava as fichas que ele havia lhe entregado.

Entraram em uma sala no terceiro andar e logo deram de cara com uma senhora deitada na maca, enquanto um rapaz estava ao seu lado.
- Essa é Elizabeth Evans, 50 anos. Seus batimentos estão mais fracos que o recomendado e ela sofreu duas paradas cardíacas só nessa semana. Precisamos fazer um transplante, mas tem duas pessoas na sua frente. Você ficará encarregada de cuidar dela até que o coração chegue e possamos fazer a cirurgia. - disse, enquanto mostrava alguns dados presentes na ficha da mulher. ouvia tudo com atenção e sorriu para Elizabeth assim que o Dr. acabou de falar.
- Mas ela não quer receber o transplante doutor. - O homem que estava ao seu lado disse, chamando a atenção de para si. Assim que a mesma levantou os olhos, recebeu um sorriso do rapaz vendo-o se aproximar dela. - Sou Mark Evans, filho dessa paciente teimosa. - Estendeu a mão para que logo a apertou.
- Prazer, Mark, sou e estarei responsável pelo caso, juntamente com o Dr. . - Ela encarou logo atrás do rapaz e viu que ele parara de conversar com Elizabeth para observar .
- Doutor ? - o chamou.
- Diga. - voltou seu olhar para a caderneta em sua mão.
- Você não me disse quais exames devo fazer e nem os procedimentos. - Ela informou.
- Temos que dar um tempo para a paciente se decidir, por enquanto você pode descer para a emergência ou ir auxiliar algum médico que precise dos seus serviços. - “Algum médico que precise dos seus serviços”, quem ele pensava que era? Que ele pensava que ELA era? Ela era apenas uma residente? Sim, mas ainda sim tinha total competência para estar ali e ele não precisava tratá-la com tamanha insignificância. Tudo isso por causa de um problema pessoal? estava indignada.
- Tudo bem, Dr. , eu irei descer daqui a pouco. - Ela nem olhou para o rosto do doutor. logo saiu da sala, deixando com a paciente e seu filho.
- Ele é sempre assim? - Ouviu Elizabeth perguntar.
- Hoje está pior do que o normal. - deixou a frustração invadir seu rosto e logo se voltou para perto da cama da mulher.
- Estranho, pois eu já estive aqui outras vezes e ele sempre foi muito educado. - Elizabeth tinha expressão de dúvida em seu rosto, mas optou por ignorar.
- Acho que o problema é comigo. - soltou uma risada fraca, sendo acompanhada pelos outros dois.
- Ele não devia tratar você dessa forma. - Mark se pronunciou, fazendo com que sorrisse sem graça.
- Concordo com meu filho. - Elizabeth sorriu.
- Eu agradeço, mas vamos ao que interessa, tudo bem? - mudou de assunto, se sentando na beirada da cama de Elizabeth e a encarando com uma expressão sorridente.
- E o que seria? - A Sra. Evans perguntou, se ajeitando melhor sobre a cama desconfortável.
- A senhora deixar de ser teimosa! - a olhou com uma falsa expressão brava, fazendo um pequeno sorriso triste surgir nos lábios da mais velha.
- Eu não sou teimosa, mas é que desde que Gilbert morreu meu coração bate fraquinho. Eu não queria trocá-lo, pois foi esse coração que amou aquele homem e vai amá-lo para sempre. - não pôde conter o sorriso sincero que se formou em seus lábios. Era tão bonito ver pessoas tratando o amor daquela forma tão pura, que ela até cogitou entender a situação da mulher deitada ali. Mas, apesar de tudo, ainda era a vida dela que estava em jogo, ela não poderia rejeitar o transplante.
- Elizabeth, eu vou te dizer uma coisa e quero que você pense sobre isso, pode ser? Eu ainda não tive a sorte de amar uma pessoa de tal forma, mas eu sei que não existe nada mais puro e verdadeiro do que o amor. Quando amamos uma pessoa, isso não fica só no nosso coração, o sentimento se espalha por todas as células e não é porque você irá dar uma nova chance à sua vida, que o Gilbert irá deixar de estar com você. Eu não sou a maior fã das almas gêmeas, metade da laranja ou o destino, mas eu acredito em anjos da guarda e sei que ele é o teu. Então, independente disso tudo, Gilbert ainda estará com você e ainda será o seu único amor. - Quando finalizou pôde contemplar os olhos marejados de Elizabeth e o rosto sorridente de Mark. Isso a deixou muito mais que emocionada e ela teve que conter as lágrimas que queriam cair. - Pense no que eu disse, Sra. Evans. Eu volto e espero uma resposta positiva sua. E Mark, você me acompanha por favor?
- Sim, . - Mark acenou e caminhou até perto da residente.
- me soa profissional demais. - fez uma cara engraçada, conseguindo uma risada de Mark.
- Posso te chamar de linda? - Os dois começaram a caminhar em direção da porta e sentiu sua bochecha esquentar.
- E isso seria mentira demais. - Ambos gargalharam.
- Creio que nunca fui tão sincero. - O homem lançou um sorriso galanteador para a mulher, fazendo-a acordar para a vida e se lembrar que estava em um ambiente de trabalho.
- Tudo bem, Mark. Vamos deixar a paquera de lado, porque eu vim falar sobre sua mãe. - Ela se virou de frente para ele no meio do corredor, fazendo-o parar de andar.
- Eu sei, eu vou dar um jeito nisso. Depois que meu pai morreu ela simplesmente perdeu a vontade de viver. - Uma expressão triste se formou no rosto do rapaz, fazendo se sentir estranhamente mal pela mulher.
- Isso não pode acontecer. Você sabe de algo que possa lhe dar algum ânimo para a vida?
- Existem algumas coisas que ela gosta, mas não sei se é algo que iria adiantar muito. - Ele coçou a nuca, enquanto buscava em sua mente algumas coisas que sua mãe costumava gostar.
- E o que seriam essas coisas? - o encarou ansiosa, querendo pôr tudo em prática o mais rápido possível.
- Coisas simples como orquídeas, bolo de chocolate, filmes de romance e contar alguns momentos vividos com meu pai. - O homem sorriu ao se lembrar de como sua mãe ficava alegre sempre que se lembrava de todos os momentos passados com Gilbert.
- Eu tive uma ideia, mas preciso que me ajude. Continue conversando com ela e tentando animá-la, em breve eu colocarei tudo em prática, certo?
- Ok, se a ideia é sua, só pode ser coisa boa. - Mark não evitou um sorriso galanteador, que fez o corpo de entrar em uma combustão instantânea, mas ela apenas sorriu e saiu em direção ao elevador. Aquilo era um deus grego ou o quê?
Precisava ir para a emergência antes que encontrasse com em algum corredor, pois era tudo que ela queria evitar. Não sentia raiva, só não estava pronta para encará-lo por enquanto.

[...]

passou um bom tempo atendendo alguns casos na emergência, tendo a sorte de não ouvir o beep do aparelho em seu bolso em momento nenhum. Então decidiu ir checar como estava as coisas com Elizabeth e em seguida tomar um café para aguentar as horas restantes do plantão. parou na porta do quarto da Sra. Evans e a viu dormindo, enquanto Mark estava sentado na cadeira ao lado de cama. Assim que o rapaz viu parada ali, ele se levantou e caminhou até ela.
- E então Mark, convenceu sua mãe? - Ela cruzou os braços, segurando a prancheta entre eles, enquanto o rapaz se escorava na parede ao lado da porta.
- Ela disse que precisa pensar. - Ele respondeu se virando para olhar a mãe dormindo calmamente.
- Você disse que são poucas as coisas que a deixam felizes, certo?
- Sim. - Mark respondeu confuso, ainda sem entender o que a médica pretendia fazer.
- Então vamos fazer de tudo para deixá-la feliz, até ela perceber que sua vida não deve parar. Mas isso se você quiser, é claro.
- Claro que topo, doutora. Só me diz o que devo fazer. - Ele sorriu, começando a se animar com a possibilidade de poder ter sua mãe por perto sem nenhum risco de vida.
- Eu estou de plantão, então não consigo sair daqui para comprar as coisas. Mas, eu vou te passar uma lista e você compra, depois te passo o dinheiro, pode ser?
- Agora mesmo, doutora. E não se preocupe com dinheiro, é da minha mãe que estamos falando. - pegou a caderneta do bolso do jaleco e anotou algumas coisas. Era aquilo, ela iria reanimar Elizabeth.
desviou o olhar para o fim do corredor, vendo conversando com alguns médicos, enquanto tinha um belo sorriso nos lábios. Milagre. Era raridade ver com uma expressão tão leve no rosto. O encarou por tempo demais e não percebeu que o homem começara a observá-la, assim que seus olhares se cruzaram, fechou a cara e se despediu dos outros médicos, não demorando a dar meia volta e sumir pelo corredor. Patético.
Pelo menos ela ainda tinha a agradável companhia de Mark, que apesar de jogar seu charme a cada dois minutos, ainda parecia ser um rapaz legal.
Entrou para o quarto de Elizabeth enquanto esperava Mark ir fazer as compras. Já que não era tão longe ele provavelmente não demoraria. Tirou o celular do bolso checando as notificações e não obteve nada de interessante, apenas uma mensagem de sua amiga e duas de sua mãe. Responderia assim que saísse dali.
Na tela de fundo do celular tinha a foto do dia em que foi ao bar e conheceu , ou melhor, no dia em que conheceu a confusão em pessoa. Parou para pensar no tal dia e começou a se lembrar de como a noite havia sido boa. Não era algo que enchia seu coração de boas lembranças, mas não podia negar que o filho da puta era muito bom no que fazia, até diria que foi um dos melhores com quem já ficou.
Porém, não pôde pensar naquilo por muito tempo, pois logo Mark já estava de volta com algumas sacolas. O ajudou a colocar as orquídeas em cima da mesinha, juntamente com o bolo de chocolate e o café que ele havia trago. Agora era só esperar a paciente acordar, o que não demorou pois Mark não era a pessoa mais silenciosa do mundo.
Quando Elizabeth abriu os olhos e encarou a mesa em sua frente, sua boca se abriu em um perfeito “O”, fazendo ambos sorrirem.
- Mas o que é isso? - Se sentou na cama rapidamente, os encarando confusa.
- Um chá da tarde um pouco diferente, mamãe. - Mark foi para o seu lado e segurou sua mão.
- Quero ouvir um pouco mais sobre você e o Gilbert. Mark me disse que vocês já passaram por muitos momentos engraçados e eu adoraria ouvir as histórias. Isso é verdade? - se sentou na cadeira que ficava do outro lado da cama e também segurou a mão de Elizabeth. Seu plantão já estava quase acabando e ela não via mal algum em passar a hora restante ali, se surgisse algum imprevisto ela iria atrás, simples.
- Oh sim, querida. Eu e Gilbert passamos por muitas coisas. - A Sra. Evans sorriu com as lembranças começando a invadir sua mente.
- Poderia me contar algumas? - pediu.
- Na presença dessas lindas flores e de todo esse lanche, eu contarei várias histórias pra você. - prendeu os cabelos em um coque e serviu um pedaço de bolo para a mulher, enquanto ia se sentar ao seu lado na cama.

[...]

55 minutos depois…

adentrou o quarto e encontrou sorrindo com Mark e Elizabeth. De início estranhou a atitude de e iria informar as regras do hospital logo logo, mas ele percebeu que aquilo era para ajudar no tratamento de Elizabeth e a saúde de seus pacientes vinham muito antes de qualquer rixa familiar.
- Olá, Elizabeth. Como vão as coisas? - Se escorou no batente da porta e a encarou com um belo sorriso no rosto.
- Olá, querido, estão muito melhores. - Assim que a senhora respondeu, se levantou soltando os cabelos e parou em frente à sua cama, pronta para perguntar o que tanto interessava. Seu plantão acabaria em cinco minutos e não queria ir embora sem a sensação de dever cumprido.
- Que bom que se sente assim. Mas agora vem o que importa, já pensou na proposta? - foi mais rápido do que e logo fez a pergunta.
- Sim. - Elizabeth se ajeitou sobre o colchão.
- E então? - perguntou visivelmente ansioso com a resposta. - Podem realizar os exames, pois irei receber o transplante, mas… Tenho uma condição. - Sua expressão era séria, o que deixou ambos apreensivos.
- Pode dizer, Elizabeth. - pediu, começando a brincar com os próprios dedos em nervosismo.
- Você tem que prometer que teremos mais uma tarde como essa quando eu tiver alta. - O sorriso finalmente apareceu, fazendo todos respirarem aliviados e correr para abraçar a paciente.
- Pode deixar pois farei de tudo para que passe um tempo conosco. - Mark sorriu para , fazendo a mesma retribuir de forma sem graça. No entanto, a expressão de se fechara e sua vontade era tirar a residente do quarto naquele exato momento. Mas ele não tinha esse direito, então apenas acenou com a cabeça para os três, chamando para acompanhá-lo logo em seguida.

Assim que a mulher saiu da sala e entrou no vestiário, encontrou sentado em um dos bancos que ficava no meio do cômodo, a encarando com uma expressão indecifrável.
- Então quer dizer que a senhorita estava de paquera durante o serviço, Senhorita ? - O tom irônico estava presente no tom do rapaz, fazendo-a revirar os olhos irritada.
- Que eu saiba isso não é da sua conta. - foi até seu armário e retirou o jaleco, o jogando ali dentro sem se preocupar em dobrá-lo, ou qualquer coisa do tipo. Em seguida puxou sua bolsa e retirou sua blusa de lá, puxou o uniforme pra fora do corpo sem cerimônias e logo vestiu a outra blusa por cima, deixando levemente atordoado enquanto a via apenas de sutiã.
- Eu sou seu supervisor, , logo isso é da minha conta. Então não me dê motivos para te dar uma advertência, pois isso aqui é trabalho e eu espero que você pelo menos saiba o diferenciar da vida pessoal. - Ele se levantou com o maxilar travado e se aproximou da mulher.
- Eu sei diferenciar muito bem, ao contrário de você. Eu não tenho culpa se você está bravinho com o que rolou esse fim de semana, só não venha me tratar como se eu não fosse merecedora de estar aqui, porque eu não tenho culpa. - Ela deu um passo na direção do cirurgião, apontando o dedo para o seu peito diversas vezes.
- Ah, você não tem culpa? Que eu saiba... - Antes que ele pudesse ao menos completar a frase, a porta foi aberta e dois residentes entraram ali.
- Está tudo bem por aqui? - Caitlin, colega de , perguntou.
- Está sim, Cait. Só alguns probleminhas de família, não é titio? - disse ácida, pegando sua bolsa e cruzando a porta do vestiário com um estranho sentimento de raiva correndo em suas veias.

"Então eu digo, essas linhas são pura ilusão, são uma bobagem. Por isso eu dou o seguinte conselho: esqueça as linhas e os limites que ela impõe. Cruzando a linha ou não, as coisas eventualmente irão acontecer, você só precisa saber lidar com as consequências, mesmo que a consequência seja um doutor sexy e completamente insuportável, você só tem que saber lidar com isso.
E então você terá duas opções: deixar toda essa baboseira de lado, ou enfrentar os limites que as linhas lhe impõe. E eu, teimosa como sempre fui, não perderia a oportunidade de tentar vencer essa batalha.
Agora as linhas não existem mais, a única coisa que resta é uma ponte que me liga diretamente ao doutor. Uma imensa ponte com uma bela pedra no meio do caminho, também conhecida como família.



Capítulo 05


“A intimidade é algo que conseguimos com o tempo, mas que mesmo assim vem naturalmente e muitas vezes é almejada entre os mais diversos tipos de relacionamentos. No entanto, em alguns casos não muito raros, nós somos submetidos a tê-la com a pessoa indesejada, somos forçados a abrir nossos corações e almas para pessoas que, se você de fato parar pra pensar, não seria o tipo de pessoa na qual você não se deixaria relacionar.”

não estava disposta a encarar sua família, muito menos seu tio, que não saía de sua cabeça haviam algumas boas horas. Desde que deixou o hospital, não conseguira deixar de pensar na raiva que aquele homem despertava dentro de si. Mas ela tinha que controlar isso, afinal, era domingo e ela tinha um longo dia ao lado dele, enquanto almoçava com a sua família.
Adentrou a casa de sua avó, sentindo um leve desconforto, que só piorou ao ouvir a voz grossa de tendo uma conversa animada com sua avó.
- Bom dia. – cumprimentou-os com um leve sorriso, enquanto via a mais velha levantar animada, indo abraçá-la.
- Oh , que bom que chegou mais cedo. – A senhora disse, assim que a soltou. apenas comentou desconfortável, lançando um rápido aceno de cabeça para seu tio.
- Olá sobrinha, como você está? – O rapaz levantou, com um sorriso um tanto vitorioso no rosto e foi em direção a mais nova, passando um braço por sua cintura e a grudando em seu corpo em um abraço apertado.
- Eu poderia estar muito melhor, titio. – Sorriu igualmente satisfeita, logo se afastando.

Ambos foram conduzidos até a sala de jantar, onde as empregadas já serviam o almoço. Eles não tiveram muito tempo para trocar farpas, pois sua avó os prendeu em conversas animadas, logo os distraindo.
- Mas e então, querida, como está sendo sua estadia no hospital? – A mais velha perguntou, fazendo a encarar fixamente.
- Está indo muito bem, tem alguns médicos que são um pé no saco e se acham os donos do mundo, mas creio que seja problema de ereção, pois nunca vi pessoas tão mau humoradas assim. – A neta respondeu, devolvendo o olhar de , vendo-o ficar ao final da frase. Antes do mesmo responder, a risada da mais velha o interrompeu, fazendo-o dar um sorriso falso.
- Mas não se preocupe, , porque você logo se acostuma com isso. Já nós supervisores, sempre temos que enfrentar residentes novas, que querem colocar tudo que aprenderam em prática, mas só acabam atrapalhando o serviço. – sentiu sua boca espumar e quis voar com as unhas no rosto do tio, no entanto, ela apenas sorriu e concordou, vendo-o desmanchar o sorriso vitorioso aos poucos.

[...]

Depois de um longo almoço na casa da sua avó, entrou pelas portas de Kingston Hospital respirando fundo ao ver o tio entrando atrás de si.
- Será que você pode sair do meu encalço?
- Trabalhamos no mesmo lugar.
- Não é tão agradável quando eu pensei que iria ser trabalhar aqui. - Quando ela cruzou a recepção cumprimentando diversas pessoas alí encontrou Mark com um sorriso maravilhoso e seu café preferido em mãos, lembrava de ter contado a ele, mas não imaginava que ela apareceria alí com ele no dia seguinte. O sorriso que a mulher deu não passou despercebido por que fez questão de alfinetar.
- Vejo que mudou de opinião.
- Sobre a infelicidade de ter que olhar pra meu titio metido a besta e que acha que o simples fato de eu ter passado uma noite com ele, lhe dá o direito de me tratar como inferior, eu não mudei de idéia, ainda te acho insuportável. - Ela piscou e foi ao encontro de Mark o deixando ali com cara de tacho.
pensava que ela era simplesmente uma mulher que se achava, mas queria entender de onde a mulher tirava tanta confiança em si mesma, ela simplesmente não lhe dava bola. Mesmo que ele fizesse de tudo para irrita-la, ela sempre tinha resposta na ponta da língua. Ele ignorou a presença da mulher e do filho de papai e seguiu para sua sala. Não podia se esquecer que mesmo que ela fosse putamente maravilhosa, era sua sobrinha e acima de tudo ele era um Cardiologista renomado e não podia perder seu tempo brigando com Residentes. Enquanto entrou na sua sala e começou a checar algumas fichas e o que tinha pra fazer, viu seu nome no quadro de cirurgias e foi pra o preparatório. tomava café com Mark que não hesitava em faze-la sorrir ou lançar cantadas e sentiu seu pager bip vibrar e era . Apostava que era alguma provocação, mas se despediu de Mark dizendo que o veria logo e seguiu para o armário trocando e colocando o uniforme e seguindo pra sala de . Sabia que precisava de muita paciência, mas sabia também que precisava parar de achar cada mísero detalhe do seu tio, atraente e Mark com todo seu charme era perfeito pra isso, não que ela quisesse usa-lo, mas se ele queria tentar algo, por quê não? Entrou alí encarando com o semblante fechado, não tirou os olhos dos papéis em sua mesa em nenhum segundo.

- Me chamou, Doutor ?
- Sim.
- Para...?
- Está no horario de trabalho, então pré suponho que seja para trabalhar. - respirou fundo tentando não matá-lo com os próprios olhos e sorriu com escárnio vendo o tio levantar os olhos e encara-la erguendo a sobrancelha.
- Algum problema, ?
- Para você é Doutor .
- Ou seria melhor titio? - Era incrível o quanto ela sabia provoca-lo, não no sentindo sexual, mas ela o tirava do sério, fazia com que ele quisesse por um segundo fazer com que ela não existisse, mas em menos de 10 segundos todo desejo completamente insano que ele estava criando por ela voltava e aí só restavam provocações.
- Vamos para o caso da Andy. - disse se levantando e ajeitando o jaleco, mas por um segundo parou atrás de e sussurrou ao ouvido da garota. - Querida sobrinha. - Foi de fato quase o pico para , a vontade de soca-lo aumentou, mas os arrepios foram instantâneos. Então seguiu para a sala segurando a ficha que ele tinha lhe passado. Quando adentrou na mesma, encontrou uma jovem sentada com os olhos completamente inchados.
- Andy Benson, 23 anos, sexo feminino, iniciou quadro de dor torácica esforço induzida, há cinco anos, inicialmente apresentando piora progressiva para pequenos esforços, e a dor apresenta uma duração de aproximadamente 5 minutos, com alivio da sintomatologia em repouso. Relata ainda palpitações de ocorrência esporádica, não associadas à atividade física. Nega dispnéia e síncope, além de hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes melitus(DM), dislipidemia(DLP) e tabagismo, assim como história familiar de doença cardiovascular e morte súbita.
- Ao exame, apresentava-se com ritmo cardíaco regular em três tempos, com presença de quarta bulha(B4), pressão arterial de 110×80 mmHg e frequência cardíaca de 64 batimentos por minuto.ECG: ritmo sinusal com alterações da repolarização ventricular com inversão de onda T maior que 10 mm e critérios para hipertrofia ventricular esquerda (HVE). - A enfermeira Melly disse tomando sua posição.
- Ok. , solicite uma cintilografia miocárdica devido ao quadro clínico do paciente associado às alterações eletrocardiográficas e um ecocardiograma, e me chame assim que terminar. - preparou a paciente a levando para os exames.
- O homem não para de te olhar. - Andy disse e olhou para direção que ela olhava viu Mark sorrindo pra ela, sorriu de volta, mas em questão de segundos como uma assombração apareceu atrás dele e ela girou os olhos. Maldito seja . - Ele é seu namorado?
- Não exatamente. - Ela sorriu pra jovem. - E você namora?
- Casamento marcado. - Ela esboçou um sorriso completamente feliz. - O homem que chegou atrás é seu namorado então?
- De jeito nenhum.
- Ele te olha de um jeito diferente.
- Não gosta de mim. - Ela riu com escarnio novamente.
- Não é o que parece. - desviou os olhos pro mesmo lugar e viu escorado do outro lado do corredor com o copo de café em mãos a encarando. Se ele não fosse tão grosseiro diria que tinha algo diferente naquele olhar, mas como aquele era , ela estava errada com toda certeza.
- Vamos lá cuidar de você? Quero te ver maravilhosa em um vestido de casamento.
- Deve ser legal salvar vidas.
- Deve ser maravilhoso ser ginasta, eu mal consigo fazer uma caminhada na avenida.
- E tem esse corpo maravilhoso? - A menina sorriu.
- Magra de ruim. - preparou os aparelhos com a ajuda das enfermeiras e começaram os procedimentos.

[...]

caminhou até a sala de afim de entregar os resultados, pelo visto aquele caso era complicado, abriu a porta e viu Mariah escorada e curvada na mesa, quase esfregando os seios na cara de e coçou a garganta.
- Os resultados estão prontos Doutor . - Ela fez questão de frisar o Doutor e erguer uma sobrancelha enquanto ele a olhou.
- Mariah, depois conversamos e vamos para lá, preciso analisa-los. - Ele disse saindo da sala e andou ao lado do homem sem citar nenhuma palavra. - Por favor, quais foram os resultados.
- No Ecocardiograma transtorácico foram evidenciados diâmetros cavitários preservados, ventrículo esquerdo com fração de ejeção (Teicholz) de 76% e espessura parietal aumentada em todo o ventrículo, porém mais acentuadamente nas porções apicais.
- E quanto a Cintilografia Miocárdica?
- Na Cintilografia Miocárdica de repouso e esforço, que foi interrompida por dor precordial típica, evidenciou-se distribuição homogênea do radiotraçador no ventrículo esquerdo, além de hipertrofia ventricular esquerda predominante na região apical.
- De acordo com os exames, acho que vou precisar de uma ressonância magnética cardíaca.
- Hipotese de cardiomiopatia hipertrófica?
- Quase 80% de certeza.
- Marca-passo?
- Ou Miectomia septal.
- Não acho que ela aceitaria o Marca-passos.
- Por que acha isso, ?
- Ela é ginasta, ia restringir a pratica dos exercicios.
- Mesmo diante da Miectomia septal ela vai ter que dar um tempo, é isso que resulta . Ela veio ao hospital e tentamos a base de medicamentos, agora não tem mais jeito, ela é refratoria ao tratamento clinico, solicite a ressonância magnética e vamos tomar um café.
- Eu marquei de que assim que tivesse alguns minutos encontraria Mark. - não conseguiu resistir em olha-la indignado. Quando ele pensava que poderia ter alguma conversa digna com a mulher, ela estragava tudo. Notando a falta de expressão e palavras de ela ergueu a sobrancelha e o perguntou. - Algum problema, Doutor ?
- Nenhum, vá fazer a ressonância e tomar o seu café, depois volte para a minha sala pois temos mais casos por hoje. - Ela não hesitou em sair dali indo em direção a onde a mãe de Mark estava e o encontrando rindo com a mãe.
- Olá, está bem Senhora Elizabeth?
- Na medida do possível.
- Posso roubar Mark por alguns minutos?
- Claro querida, ele não para de falar em você. - Ela não conseguiu deixar de sorrir e se despediu da Senhora e saiu com Mark dalí. Caminhou até a sala de aviso em que ela poderia ter o minímo de privacidade, parando no caminho para pegar o café na cafeteria do Hospital.

- Esconderijo? - Mark disse a encarando quando se sentaram.
- Quando quero privacidade.
- Quer ter privacidade com o nobre homem?
- Quero um pouco. - Ela sorriu e viu ele sorrir de volta.
- Quero fazer algo se me permitir.
- Pode fazer, Mark. - Ela tinha uma breve idéia do que viria em seguir então se aproximou do homem e quando enfim os labíos iriam se tocar o Pager fez um barulho e ela bufou.
Por deus.
Tudo bem, era seu trabalho então teria que ir.
- Se importa?
- Vá em frente. - Ele sorriu. - Te ligo depois.
E então saiu em disparata dali indo até onde lhe havia sido socilitado. A sala onde Andy estava, as dores novamente.
Encontrou lá dentro com os resultados em mãos, pronto pra contar para Andy o que seria e então escorou-se no batente da porta.
- Andy, a ressonância magnética cardíaca confirmou a hipótese diagnosticada de cardiomiopatia hipertrófica e como você foi refratória aos medicamentos, eu só consigo lhe dar duas opções.
- O marca passos, ou Miectomia septal que é um procedimento cirúrgico em que se retira parte do engrossamento entre os ventrículos. Ela é recomendada em casos graves ou quando as medicações não conseguem aliviar os sintomas.
- O marca passos vai te restringir completamente, ou quase completamente dos exercicios fisicos.
- Já a miectopia, te dá uma chance de continuar. - A garota olhou pra mãe como se dissesse que não podia acabar com seu sonho e se viu deixar falar.
- Eu vou fazer a Miectopia. - suspirou aliviado, sabendo que aquela era a melhor opção e então saiu com dali e parando ao corredor.
- , termine de prencher a ficha e prepare a sala de cirurgia, vamos opera-la daqui a uma hora já que a sala de cirurgia está livre.
- Sim Doutor , mais alguma coisa?
- Se prepare também, quero que me acompanhe nessa cirurgia. - Ele sabia o efeito que as palavras trariam para a garota, só não imaginava que ela ficaria tão feliz. Os olhos da garota sorriram em agradecimento e ela andou em direção ao homem lhe dando um meio abraço e sibilou um “Obrigada, você não sabe o quanto isso significa pra mim.” E em seguida saiu dali, ele sabia que aquilo significava muito para a mulher e sabia que aquilo seria uma brecha, ele esperava que sim; sorria por dentro enquanto se preparava pensando se ele imaginava ao minimo o quanto aquilo significava para ela. E por fim pensou que as tais brigas poderiam acabar. Pelo menos por enquanto.

”Às vezes o passado é uma coisa que não conseguimos esquecer. E em outras, poderíamos fazer de tudo para tirálo da cabeça. Mas o principal, é que descobrimos algo novo sobre o passado, que muda tudo o que sabemos sobre o presente e é preciso começar a arcar com consequências de um pseudo presente, descobrindo coisas de uma vida toda e ainda pensar em como vai ser o futuro. As vezes as linhas da intimidade são cruzadas em meio a tantas confusões, causando brigas, ou não, mas quando isso acontece você precisa aprender a lidar com isso e aos poucos, de grão em grão você mostra que é muito mais do que isso, muito mais do que brigas, provocações. Você aprende que as vezes vale a pena deixar tudo isso de lado. E então sorri, por fora e por dentro, por encontrar um dia de paz em meio a tantas confusões desde que virou adulto.”



Capítulo 06


“Segredos não podem ser escondidos na ciência. A medicina tem toda uma maneira de expor mentiras. Dentro das paredes de um hospital, a verdade é sempre revelada. A maneira que mantemos nossos segredos do lado de fora do hospital… bem, isso é um pouco diferente. Uma coisa é certa: seja lá o que tentamos esconder, nós nunca estamos prontos para o momento em que a verdade é descoberta. Esse é o problema com os segredos – assim como as tragédias, eles sempre vêm aos montes. Eles vão se empilhando até tomar conta de tudo, até você não ter espaço para mais nada, até você estar tão cheia de segredos que parece que você vai explodir.”

O dia acordou especialmente frio àquele dia. As nuvens não pesavam tanto o céu, mas o vento parecia mais forte. analisou a janela do apartamento verificando se as coisas estavam na bolsa já que iria do almoço com Sophia direto para o hospital. Colocou a jaqueta de couro branca e pegou as chaves. Sabia que aquilo seria um longo almoço, aliás, seria um longo dia. Desde que decidiu que iria cursar medicina, os dias se dedicaram somente a isso. Largou diversas festas, almoços e diversas coisas, mas quando garantiu sua aprovação, se sentiu realizada. E quando terminou o curso seguindo para residência no Kingston, percebeu que todo esforço havia valido à pena. Até conhecer . Se sentiu do céu ao inferno, queria poder se lembrar claramente da noite em que deu início a tudo, mas se sentia ora ou outra culpada por desejar tanto que se repetisse. Só que não queria que ninguém soubesse, tampouco, ele. Que fazia de tudo para que a moça se sentisse um zero. Ou para irritá-la e conseguia.
Cruzou as portas do restaurante em que marcou com Sophia e sentou-se aguardando a amiga, sabia que ela era mestre em se atrasar. Típico, aliás. Ela precisava desabafar com alguém e de alguma forma Sophia era a única pessoa de confiança para saber de tal fato. Afinal, ela estava presente desde o início da história. Viu Sophia atravessar as portas do restaurante completamente destrambelhada.

– Perdão pela demora.
– Não se desculpe, como anda a vida?
– Você sabe, o trabalho não me deixa respirar.
– Eu imagino, mas vem cá. Tenho um outro assunto a tratar com você.
– Você não precisa fala tão formalmente comigo, .
– É que eu ando nervosa ultimamente, se lembra daquela nossa noite em que você se agarrou com Irlandês e eu peguei o gostosão?
– Sim, me lembro.
– O gostosão é meu chefe.
– Fala sério! Você é cagada?
– É meu tio também.
– Tio?
– Tio.
– Mas vocês se pegaram.
– Esse é o problema, e existe algo mais grave, eu não me lembro de basicamente nada.

abriu a boca em sustos enquanto ouvia Sophia lhe detalhar de partes que ela se lembrava e ainda estava presente na noite em que fez tudo virar de cabeça para baixo. Mal acreditava que aquilo tinha acontecido mesmo. E depois que a amiga ia lhe contando, alguns flashbacks soaram em sua memória, a fazendo praguejar por isso. Ela cortou o assunto momentaneamente falando de outras coisas e olhou ao relógio vendo que faltava pouco para ir para o Hospital, logo se despediu da amiga e seguiu para o carro. O caso de Andy seria finalizado hoje, após a cirurgia que fariam. Ela estava imensamente agradecida por permitir que ela o acompanhasse em uma cirurgia de tal porte e até chegou a cogitar que as coisas poderiam ser normais agora. Mas nada era normal entre ela e . Não com tal desejo reprimido. Era extremamente terrível lembrar de que existia realmente o maldito desejo, só que era impossível esconder. Pelo menos conseguia “fingir” que não sentia nada enquanto brigava com ele e claro, tudo seria mais fácil se não existisse grau de parentesco entre os dois, ou talvez fosse aquilo que fazia tudo parecer tão excitante. Praguejou mentalmente enquanto descia do carro no estacionamento e corria para o vestiário. Não estava atrasada, mas preferia estar pronta para isso. Colocou a roupa adequada e seguiu para a sala de .
Inferno! Era a porra da segunda vez que encontrava Mariah ali em situações constrangedoras.
Bateu a porta e saiu dali. Se ela precisava ter ética, o diabo do homem também precisava e ela não iria aturar aquilo. Ouviu a porta bater de novo e vir atrás de si.

– Precisava bater à porta? - Ouviu a voz do homem e parou incrédula.
– Precisava transar de porta aberta? Isso é um hospital, e não um motel.
– Eu só estava dando beijos.
– Tenha ética, pelo amor de Deus. — Ela disse e saiu andando para a sala dele. – Seus papéis estão aqui, a SO foi reservada para 15:40 e tenha decência de se vestir, Mariah.

O médico a encarou e viu Mariah ficar vermelha e abrir a boca para responder, mas negou com a cabeça e ela saiu dali.

– Qual o seu problema?
– O meu?
– Sim, você entra na minha sala e bate à porta, depois volta e xinga uma enfermeira?
– Ela estava seminua!
– E isso não te dá o direito.
– Claro, porque só me dá o direito de fazer algo se eu abrir as pernas para você!
– Você já fez isso.
– Qual o problema de vocês? — Ouviram a voz do Doutor Young e se assustaram, o quanto ele tinha ouvido? E isso seria um problema?
– Nenhum.
– O hospital inteiro está ouvindo vocês discutirem, na verdade, o hospital inteiro descobriu que vocês já transaram. — arregalou os olhos e passou a mão pelos cabelos.
– Isso virará uma fofoca perdida ora ou outra.
– Mas vocês fizeram isso mesmo? — Doutor Young perguntou e não conseguiu não gargalhar.
– Que inferno! — saiu dali em passos largos e ouviu gritar “ três horas na SO, senhorita . ”

Aquilo era um filme de terror e logo apareceria um monstro e a mataria. Era o melhor a se pensar. Ouviu certa vez em Grey’s Anatomy que segredos não ficam guardados e percebeu aquilo naquele dia. Era um inferno pensar nisso e agora, 60% do hospital que residia naquele andar, sabia que ela era , a mulher que havia aberto as pernas pra .
Se ela ao menos se lembrasse da maldita noite. Desceu para emergência, ficar longe de era o melhor a se fazer por ora.

(...)

girava em sua cadeira depois de conversar com Young sobre . Os dois eram bons amigos de longa data e sempre compartilharam de tudo. E a tal conversa fez recordar-se da noite em que ficou com .
Seria brega dizer que nunca viveu uma noite daquela. Havia vivido sim. Mas não deixava de dizer que a noite havia sido memorável. Ele não devia pensar naquilo, na verdade, não deveria desejar que aquilo acontecesse novamente. Mas o desejo era mais forte que a razão e dane-se a razão se ele a tivesse novamente.

Flashback.

A garota havia prendido as pernas em sua cintura enquanto ele empurrava porta adentro onde tinham entrado, supondo ser o apartamento da garota. Ele a prensou na parede próxima dali e desceu os beijos para o pescoço da moça fazendo com que ela soltasse um grunhido e soltasse as pernas da cintura para tirar a camisa dele. viu que ela estava sem a mínima calma e não gostava disso. Queria tudo feito sobre a maior calma possível, torturando-a o máximo que conseguisse.

– Vem para o quarto. - Ela murmurou entre gemidos.
– Pressa?
– Precisa de calma? Ou não aguenta o pique?
– Eu não me acharia tanto.

Ele a beijou novamente enquanto ela dava passos para trás os conduzindo para o quarto. desabotoava a blusa jeans claro que ele vestia e arranhava as costas dele em meio a um gemido e outro. O vestido da garota tomou o mesmo rumo que a roupa dele e sobraram apenas as peças íntimas que não duraram muito e logo os dois estavam deitados na cama e a encarou enquanto se posicionava para entrar nela.

– Preparada, ?
– Para uma transa? — Ela desenhou gargalhando.
– Para gritar. — Ele respondeu e depois daquilo, somente gritos e gemidos foram ouvidos naquele quarto durante toda a madrugada.

//Flashback

Ele podia não dizer para ela, mas sentia uma vontade absurda de repetir o ato. Talvez se ela não fosse tão nervosinha. E não fosse sua sobrinha. Onde é que ele tinha se metido?

Era a terceira vez que bipava no Pager e ela não deu sinal de vida, eram duas e cinquenta e cinco e nada da mulher. Adentrou a sala que costumava descansar e encontrou dormindo ali.
Merda! Ela parecia extremamente angelical daquela forma. Ele precisava acordá-la, mas estava pensando seriamente em se acomodar ali. Tudo bem, fora de cogitação.
Abaixou-se e a chamou com a voz baixa.
Nada da moça responder.

… vamos lá.

Ela apenas se mexeu e se virou para o lado contrário.
Ele se aproximou do ouvido da garota e a chamou novamente, desta vez um pouco mais alto. Ela se virou rapidamente e o ato brusco fez com que a boca de , que segundos atrás estiva próxima ao ouvido, ficasse próxima demais a boca dela, e isso pareceu convidativo demais.
As respirações estavam descompassadas demais. Os olhares disputavam entre analisar os olhos um do outro e a boca. Aquilo daria em merda. lambeu os lábios e aquilo pareceu uma tortura para que se aproximou um pouco mais quase roçando as bocas. fechou o olho e abriu rapidamente ao ver que o homem também havia fechado e então depositou um beijo em sua bochecha e levantou-se.

– Precisa de muito mais do que um momento desses para me beijar, aliás, se é que um dia terá minha boca junto a sua outra vez.

não tinha o que dizer. Era 1x0 para ela, que conseguiu obviamente fazer o desejo do homem aumentar, mas claramente não podia fazer nada. Já que aquilo era a merda de um tesão acumulado e nada além disso. A moça seguiu para SO em parte se arrependendo por não ter grudado a boca na do homem novamente, em parte aliviada, afinal, existiam muitos contras naquela decisão. E ela só tinha uma certeza.
Aquilo a deixava louca

(...)

A cirurgia havia sido um sucesso e havia deixado fazer vários procedimentos, o que a fazia se odiar por soar tão grosseira às vezes. Arrependimento momentâneo, já que quando ouviu a voz do homem zombando de algo, ela quis socá-lo.

– Veja se não é o namoradinho. — Ele apontou com a cabeça para sala de espera e ela localizou Mark ali. Podia dizer que ele não era seu namorado, mas como de costume, preferiu irritá-lo.
– Não podia ter um momento melhor que esse.
– Depois de uma cirurgia dessa, deveria se sentir feliz por estar comigo.
– Você precisa é de atenção, bebezão?
– Obrigada seria suficiente, Doutora .
– Obrigada, então, Doutor .
– E um abraço não seria nada mal.
– Bem, eu sei que deseja o calor do meu corpo próximo ao seu, mas agora eu realmente preciso ver Mark. — Ela soltou uma piscadela e saiu dali indo em direção a Mark e o abraçando e olhou para em seguida.

Aquela garota era o diabo em pessoa e sabia muito bem jogar. pensou e saiu dali em seguida. Já tinha emoções demais para um único dia e tinha pacientes a atender.

– Então eu vou poder ter um tempo com a Senhorita?
– Somente poucos minutos, mas sim.
– Eu me contento com minutos, com você tudo fica ótimo. - Ela o levou para o quarto onde ficava geralmente e logo Mark a beijou. O beijo era calmo e ele sabia exatamente onde pôr as mãos, mas tinha algo errado. Não que ele fosse errado, tampouco ela. Mas era o beijo, ela não conseguia parar de pensar em como seria se não tivesse interrompido há minutos atrás. E isso era errado, extremamente errado na verdade, mas precisava disso. Cessou o beijo com Mark e riu amarelo. Aquele inferno de atração faria com que ela ficasse indecisa! Justo sobre Mark?
– Preciso ir. - Ela disse e Mark fez uma carinha de cachorro sem dono que teria derretido-a se não fosse por aquela confusão.
– Mas já?
– É meu trabalho, se cuida! – Ela deu um beijo no rosto do homem e saiu dali subindo as escadas. O plantão duraria no mínimo vinte e quatro horas. Haviam se passado treze horas e ela já sentia estar tempo demais no mesmo ambiente que seu tio.
? – Ela ouviu Christian Young lhe chamar e praguejou. O assunto sobre a transa, de novo não.
– Sim?
– Eu tenho um caso de Neurocirurgia agora e como você foi muito bem naquele caso com Doutor no dia que eu não estava presente, gostaria de saber se me daria as honras de ser minha Residente por um dia.
– Oh, sério? – Ela gargalhou sem evitar.
– Doutor disse que não precisa dos seus serviços agora.
– Claro que eu quero, Christian. Doutor Young.
– Pode me chamar de Christian, Senhorita .
– Só , e qual seria o caso?
– Um cisto multiplicou-se por oito, todos eles obstruindo o terceiro ventrículo e não tem como realizar uma operação nessas condições se eu não romper um deles. Achei que um olhar diferente poderia me clarear as ideias. – Ele disse enquanto caminhavam para sala onde os resultados da ressonância estavam.
– E não existe possibilidade de entrar sem estourar um deles?
– Nenhuma.
– Isso por que são oito e estão separados?
– Sim, mas não entendo aonde quer chegar.
– E se você olhar com uma outra perspectiva? Olhando mais de perto, como se fossem um só, porém um grande. Como faria para tirar esse daqui. – Ela disse localizando o último cisto. Fazendo o Doutor Young a encarar como se aquela fosse à solução.
– Vem comigo, Doutora . Temos que avisar ao paciente que ele fará uma cirurgia.

Ela assentiu e eles caminharam rumo à sala 254, enquanto Young lhe entregou a ficha do paciente para que começassem o procedimento.

– Archer, preciso encontrar espaço no ventrículo para manobrar a pinça. Se eu ressecar cisto por cisto, a pinça poderá removê-los.
– Cistos, papai? – A filha do homem que aparentava ao menos 17 anos o questionou com o olhar assustado. E e Christian se olharam.
– Naomi, minha filha. É uma situação complicada.
– Você disse que era apenas uma dor de cabeça.
– E era, mas complicou-se, eu lhe explico depois.
– Você mentiu para mim!
– Eu omiti, existem segredos que precisam ser guardados. – A menina saiu correndo dali e o homem passou a mão pelos cabelos. – Ela só tem a mim. A mãe morreu quando ela tinha 11 anos e desde então nos mantemos, eu precisava esconder isso dela.
– Segredos não duram muito tempo, Archer. – disse com olhar calmo para o homem. – Dentro das paredes de um hospital, um segredo nunca dura, mas o que importa agora é lhe explicar como o Doutor Young realizará a cirurgia.
– Prossiga, minha jovem.
– Continuando, eu vou segurar cada um com fórceps, puxá-lo, aspirar o fluido. A aspiração terá que ser precisa. Se você concordar em tentar, iremos agora mesmo para sala de cirurgia. – Young disse e o velho assentiu. – , liga e pede para reservarem a SO agora, estamos subindo.
– Sim, Doutor. – Ela disse saindo dali. Estava achando neurocirurgia uma grande área também. Aquilo seria complicado.

(...)

Os dois e a equipe de enfermeiras e anestesista, já se localizavam na SO e Christian havia acabado de iniciar a cirurgia.

– Entrando no terceiro ventrículo. Segurando cisto um e ressecando. , aspira, por favor. – aspirou enquanto ele tirava com calma o cisto e entregava a enfermeira que o colocava no local indicado.
– Estamos indo bem. O escoléx um está bem aqui. – Christian foi tirando cisto a cisto enquanto a filha do homem assistia aflita da galeria depois de implorar para ficar lá.

(...)

– Em qual número estamos, ?
– Sete cistos, sete escolécis.
– Muito bem falta apenas um. – Ele sentia-se aliviado por estar conseguindo. – Droga!

Quando o médico havia ressecado o último cisto, o escoléx escapou da pinça. A frequência cardíaca começou a abaixar, o que deixou alerta.

– Ele está ficando bradicardíaco.
– Irrigue e veja se está bloqueado.
– Assistolia. Marquem o tempo de parada! – auxiliou as enfermeiras enquanto Christian pensava no que fazer ali. começou a massagem cardíaca mesmo sem equipamentos.

2 minutos e 20 segundos e o Archer continuava Bradicardíaco.

– Achei o parasita.

2 minutos e 45 segundos.

– A frequência está aumentando. – Uma enfermeira declarou e e Christian sorriram com os olhos. Era aquilo, haviam conseguido!

(...)

– Isso foi definitivamente demais!
– Foi mesmo.
– Oito cistos ressecado! Um a um e ele está bem. – disse enquanto saiam do hospital e encarava Christian e se questionando quando aquilo tinha acontecido. Ela estava sendo tão educada e sorrindo tanto com Christian e ele só recebia patadas. Estava disposto a mudar aquilo, só não sabia como.
– Eu vou indo, . Até amanhã! – Christian disse e deu aperto de mão em .

O silêncio prevaleceu e e caminhavam até os respectivos carros. O que não sabia é porque ainda não havia desviado o caminho e ignorado o homem ao seu lado. Existia alguma força maior que a impedia e teve certeza quando parou de repente.

– Eu não sou grosseiro, tampouco, irritante assim. Só que você aflora esse lado meu e eu ainda não decidi se isso é bom ou ruim, mas está fazendo com que nós briguemos.
– Aonde você quer chegar com isso?
– E mesmo que sejamos tio e sobrinha, existe um tipo de coisa que me faz querer agarrar você boa parte do tempo e ao mesmo tempo tirar você de perto de mim, porque você é meio mimada e tão nova e tão inteligente e tão mulher.
, o que você está tentando dizer?
– Que talvez eu esteja louco para ter você de novo.

”O que as pessoas se esquecem, é o quanto é bom quando a gente se livra desses segredos. Sejam bons ou maus, pelo menos eles foram liberados – quer gostemos ou não. E uma vez que seus segredos foram escancarados, você não tem mais que se esconder atrás deles. O problema com os segredos é que mesmo que você pense que está no controle… você não está e quando se trata de desejos e sentimentos, você nunca está no controle.”

Ventrículo: pequena cavidade, esp. do coração ou do cérebro.
Fórceps: cir. obst. instrumento cirúrgico de dois ramos articulados, para apreensão, compressão ou tração, esp. o que é empr. para a extração de fetos do útero; fórcipe, tenaz, pinça.
Escolex/Escolécias: O
escólex ("cabeça") é a parte anterior de vermes da classe Cestoda responsável pela fixação ao intestino dos hospedeiros.
Bradicardíaco: Quando a frequência cardíaca está baixa ou abaixando.
SO: Sala de cirurgia/ Operatória


Capítulo 07


“Há uns duzentos anos atrás, Benjamin Franklin compartilhou o segredo de seu sucesso com o mundo. Ele disse “nunca deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”. Esse é o cara que descobriu a eletricidade. Então é normal achar que a maioria de nós iria ouvir o que ele fala… Eu não tenho ideia porque a gente fica adiando as coisas, mas se eu tivesse que chutar, diria que tem muito a ver com o medo. Medo do fracasso. Medo da dor. Medo da rejeição. Às vezes, o medo é de apenas tomar uma decisão, porque, e se você estiver errado? E se você fizer um erro que não dá pra desfazer? Seja lá do que a gente tem medo, uma coisa é sempre verdade: com o tempo, a dor de não ter tomado uma atitude fica pior do que o medo de agir. Acaba parecendo que a gente está com uma dor terrível no coração. E, não, eu não estou falando metaforicamente”.
(1.06 Grey’s Anatomy - Adaptado)

De tudo que eu esperava ouvir àquela hora, essa não se encaixava em nenhuma das alternativas. Ouvir dizer aquilo soou como um sopro, mas não tão ruim. Não digo um sopro do sentido cardíaco, ou talvez sim. Só que bem, eu não tinha reação a esboçar. Eu queria o mesmo, mais do que eu deveria, mais do que eu podia. Eu só não tive reação suficiente para impedi-lo de sair andando depois de perceber que eu não faria nada. Intacta é a palavra certa. Eu me mantive intacta e sem noção do que faria agora. Ouvi passos atrás de mim e a voz de Mark soou. Eu não precisava daquilo agora, mas pelo visto. Qualquer força divina não parecia estar de bom humor comigo.

- Eu te procurei por todo hospital, consegui sair mais cedo da empresa para vir buscar você.
- Eu estava conversando com Doutor .
- O que aconteceu dessa vez?
- Nada, Mark.
- Aconteceu alguma coisa, ?
- Eu não sei exatamente, mas eu ‘tô confusa e não sei se posso continuar com isso. – Eu disse e apontei o dedo para nós dois. - , tem alguma coisa haver com seu chefe?
- É claro que não, Mark, o problema sou eu. Eu não tenho tempo pra namoro agora, a residência está tomando tempo demais de mim. Desculpe-me.

E pela segunda vez no dia, eu simplesmente tomei uma das decisões necessárias naquele momento. Caminhei em direção ao carro, o necessário àquela hora era apenas dormir e deixar que tudo se resolvesse amanhã.

Sono tranquilo era realmente algo impossível de se ter. Meu celular tocou disparadamente na madrugada. Eu rejeitei a primeira chamada. Eu precisava dormir, mas na segunda vez eu pensei que poderia ser algo importante. Abri os olhos e vi um numero desconhecido

- Alô?
- , vem para o hospital, agora.
- O que aconteceu?
- É a Judy, sua avó acabou de entrar na emergência e está desesperado.
- O que diabos aconteceu?
- Eu ainda não sei, mas venha. – A voz da minha colega de residência soou aflita e eu desliguei o telefone me vestindo o mais rápido que pude e fui rumo ao hospital. Eu não sabia o que pensar ou fazer, mas tudo que não podia acontecer é perder minha avó.

...

O olhar desesperado de encarando a mãe pelo vidro era tudo que eu consegui ver no momento. O desespero era uma junção de não poder ir até lá e tentar com as próprias mãos e em não saber totalmente o que aconteceu. Que soubera, a mãe nunca teve problemas de coração e de repente um ataque cardíaco.

- Está tudo bem? - Eu arrisquei com a voz baixa. Eu sabia que não estava, mas precisava encontrar alguma forma de falar com ele. E entre nós nada era tão fácil.
- Eu não sei.
- Posso ficar aqui?
- Ela também é sua avó.
- Digo… com você. - Ele desviou o olhar para o meu por segundos e voltou novamente para o vidro dando ombros.
- Estabilizaram, mas ela está fraca. Ninguém soube direito o que aconteceu, foi o vizinho que ligou para emergência, eu tinha vindo para o hospital. Ele disse que ouviu gritos e alguém saiu e ele foi até lá saber o que tinha acontecido, e viu Judy passando mal.
- Não tem nem ideia de quem causou isso? Se ela passou mal, foi pelo nervosismo.
- Ainda não tive tempo de perguntar, eu não posso atender o caso e tampouco você. Chamaram um médico de Toronto, ele chegou mais rápido que eu imaginei.
- Eu vou até lá, digo, no vizinho, procurar saber o que houve. Você vem?
- Vou ficar aqui e queria que ficasse. – Nesse momento foi minha vez de desviar o meu olhar para o dele. Eu sabia que era uma situação difícil, mas no CTI é proibido acompanhante e não podíamos fazer nada além de esperar. Repetíamos isso para pacientes todos os dias. E ali estávamos sentindo aquilo, a angústia.
- Tudo bem, vamos pra sala de sobreaviso, na sala de espera vão ficar perguntando demais.

não falou mais nada, mas me acompanhou em silêncio. Eu nunca sabia o que falar com ele, parecia que eu pisava em ovos o tempo todo. Eu nunca tinha o visto desse jeito, chateado por algo, sim. Mas dessa forma, não.
Ele fechou a porta atrás de si e sentou-se na cama, eu me afastei um pouco e o olhei de lado.

- Não precisa fugir, eu não mordo.
- Eu sei que não.
- Eu não vou agarrar você, não tenho cabeça para isso agora.
- Eu sei que não vai, . Ela é sua mãe, mas também é minha avó.
- Não disse que não era.
- Nós já vamos brigar?
- Eu não brigo mais com você, . Eu te disse aquele dia que eu não era o grosso que andava sendo e expliquei meus motivos.
- E eu entendi no momento.
- E não respondeu...
-
- Tudo bem.
- Será que a Judy vai ficar bem?
- Não tenho a mínima ideia, mas peço a qualquer força divina que fique.
- Ela vai ficar.
- Sua blusa está do lado errado. - Ele disse e ergueu a sobrancelha.
- Eu estava dormindo quando ligaram.
- Eu pedi pra ligar, não sei o que faria sem você aqui.

Esse foi sutilmente um momento estranho. Eu não soube o que responder, o que deixou um silêncio incômodo na sala.

- Por que você nunca responde as coisas que eu falo?
- Eu não sei.
- Isso é uma resposta.
- Você falou e saiu andando.
- Eu esperei você falar algo por pelo menos 5 minutos.
- Eu não sabia o que falar e estava nervosa.
- Eu sei que estava, eu não devia ter dito.
- Devia sim.
- Não, . Isso não vai mudar nada, você é o ‘proibido’ – Eu o encarei no mesmo momento em que ele olhou pra mim de volta. Eu não soube o que sentir e suponho que ele também não. Já que o silêncio se instalou novamente e ele se aproximou. Foi um choque instantâneo, mas de fato valeu a pena.

Nossos lábios se encostaram há um segundo e parecia ter dado um curto. Já que no momento seguinte a mão dele encostava-se a minha cintura e as minhas envolviam o cabelo dele puxando pra mais perto. Eu podia pensar na merda que aquilo iria dar. Mas de todas as consequências possíveis, a boca dele na minha e o calor que emanava de ambos os corpos parecia mais importante. O fato é que parecia que o mundo tinha sumido naquele momento, pelo menos por alguns segundos, já que o bip preso no bolso dele fez um barulho fazendo-me afastar brutalmente, fazendo me encarar assustado com os lábios vermelhos.

- Deve ser a Judy. – E sem falarmos mais nada, saímos dali rumo ao andar onde ela estava e encontramos o Doutor Young parado no corredor.

- Ela pediu para falar com você, .
- Tudo bem, vou até lá. Você vem?
- Vou até a casa dela, atrás de alguma coisa que possa ter causado isso.
- Então tudo bem... – Ele disse e foi rumo à sala onde ela estava e o Doutor Young me acompanhou.
- O que foi isso? – Ele disse e ergueu a sobrancelha rindo.
- Nada...
- , você está com cabelo bagunçado, ele com a boca vermelha e os dois completamente estranhos.
- Doutor Young, estou atrasada, se me permite. – Eu apenas acenei e sai do hospital balançando a cabeça em negação e deixando Young rindo pra trás. Nem eu sabia definir o que de fato tinha acontecido. E preferia não ter que lidar com isso tão cedo.

...

Estacionei o carro em frente à casa de Judy, entrando, já que a porta destrancada, devido à forma na qual ela saiu daqui. Parecia tudo em ordem aqui, nenhum sinal de alguém. Exceto um porta-retrato jogado no carpete vermelho da sala. Abaixei-me para analisar direito e vi que a foto tratava-se de e ela por volta dos 12 anos dele.
Aquilo não era nenhum motivo para tal acontecimento, exceto o fato de parecer que jogaram aquilo para acertá-la.
Atravessei as portas novamente encontrando um Senhor de aparentemente 50 anos parado no jardim me olhando aflito.

- Olá, sou . Neta da Judy, foi você que a resgatou?
- Não foi um resgate, mas sim, fui eu.
- O senhor sabe exatamente o que aconteceu?
- Eu escutei alguns gritos e meu filho também, não tenho certeza do resto, mas ouvi um homem dizendo: “Se você não contar, eu conto. A Clarice está atrás de você e o caso foi desarquivado.” Judy gritou algo e em seguida o carro saiu cantando pneu.
- Isso já ajuda muito.
- Minha filha anotou a placa, se for útil.
- Sim, vai ser muito. – O senhor me entregou o papel dobrado e eu fui rumo ao carro.

(No hospital Kingston)

Não deu tempo de entrar na sala para ouvir o que de tão importante Judy queria ter dito-lhe. Em um segundo ela tinha sido estabilizada, no outro, corriam com carrinho de parada. Ele não hesitou em ignorar todas as regras e correr pra dentro da sala pegando o desfibrilador.

– Carrega em 200. Afasta! – Nada, nenhum pico. Deixando mais aflito do que antes, era sua mãe, que ontem estava bem, lhe falando sobre o fato de estar velho e não ter ninguém e agora estava ali deitada. Carrega em 300, afasta! – Um pico e nada. Ele se desesperou, iniciando uma massagem cardíaca e as lágrimas desceram. Ele não queria aceitar, mas o pulso já não era fraco. Era inexistente. – Carrega em 300 novamente! – Ele disse desesperado, mas encontrou o encarando da porta da sala com o olhar cheio de lágrimas.
- Carreguem a porra do desfibrilador. – Era inaceitável.
- Doutor , pare. – A enfermeira tentou pará-lo. Mas ele puxou os equipamentos, nervoso.
- É minha mãe! Carregue em 300.
- Não dá mais, Doutor.
- , é assistolia.
- , é sua avó. Venha aqui me ajuda! – O desespero na sua voz era de cortar o coração. Mas não podia fazer mais nada.
- Hora da morte, 9:46. – A enfermeira disse e ele encarava a mãe, atônito. sinalizou para que elas saíssem antes de qualquer coisa e todos saíram deixando somente e ela ali em um silêncio insuportável e uma situação completamente errada. Era Judy, a senhora que era tão doce diariamente, mas que algo, no qual a deixou nervosa a ponto de parada cardíaca.

...

15 minutos e não havia saído da mesma posição. não sabia mais o que fazer, então simplesmente o abraçou com força e o homem abaixou o rosto no pescoço dela mesmo ela sendo mais baixa e a bolsa de caiu no chão. Mas nada daquilo importava, as lágrimas caíram com força. Ela já chorava também e ergueu mais os pés para abraçá-lo.

- Shhh, vai ficar tudo bem.
- Ela era a única pessoa que eu tinha.
- , vai ficar tudo bem e você não tem só a ela.
- E quem eu tenho, ? Sou médico, fico vinte e quatro horas por dia nesse hospital. Eu só tinha a ela quando chegava em casa.
- Você tem a mim. – Ela disse e escondeu o rosto respirando fundo. Sabia que aquele momento era único. Sabia que não tinha muito o quê dizer, então simplesmente ficou ali por minutos incontáveis. Nada importava, que a papelada ficasse pra depois. Ali era o local certo no momento.

Dois dias depois...

Funerais nunca foram bons, eles geralmente faziam todo mundo sofrer mais. A casa estava quase vazia. A mãe de tinha acabado de se despedir e estava sentado com as mãos apoiadas no joelho e o rosto entre elas. Nada parecia realidade, parecia que a dor só aumentava a cada momento. sentou-se no sofá de frente pra ele achando que agora podiam ter o luto sem todos perguntando sobre tudo. Até que a campainha tocou novamente e se levantou para atender e olhou em duvida quando abriu os olhos.

- Bom dia, está a procura de quem?
- , é você? Sou Clarice.

“Dor chega em todas as formas possíveis. Uma dorzinha aguda, um pouquinho de depressão, a dor aleatória com que convivemos todos os dias. Então tem o tipo de dor que você simplesmente não consegue ignorar, um nível tão grande de dor que bloqueia todo o resto, faz com o que o mundo inteiro desapareça até que a gente só consiga pensar que o tanto que machucamos e a maneira com que lidamos com a dor é totalmente pessoal. Nós anestesiamos, sobrevivemos a ela, ou a abraçamos, ou ignoramos. Para alguns de nós, a melhor maneira de lidar com ela é atravessando-a.

Continua...



Nota da autora: (06/10/2017) Olá meninas, demorei, não é? Mas espero que tenha valido a pena. Ocorreram vários problemas nos últimos meses que levaram a uma demora imensa da atualização. Agora eu vou seguir o cronograma à risca e eu peço compreensão. Deixem um comentário. Amo vocês!
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