LISTEN - Deluxe Version

Última atualização: 13/11/2019

CAROLINA - SIDE A

She's got a family in Carolina
So far away, but she says I remind her of home
Feeling, oh, so far from home

She never saw herself as a west coaster
Moved all the way 'cause her grandma told her
Townes, better swim before you drown


Com seu mais novo sobretudo, ainda que fosse verão, saiu do táxi tentando não transparecer o quão animada estava. Após meses tentando se desvincular da imagem de estagiária ingênua, finalmente conseguiu convencer sua chefe a lhe dar a responsabilidade de um trabalho melhor e maior, o que significava que ela faria pequenas viagens e acompanharia alguns eventos. Por ironia do destino, ela estava de volta em seu país natal, apenas para cobrir a festa de uma das celebridades mais influentes do mundo. Encarando todas aquelas pessoas famosas, andou até o segurança, que pediu o celular dela devido a regra de privacidade da festa, ainda mais por ela ser da imprensa. Tirou um aparelho do bolso e entregou ao homem - provavelmente seria descartado mais tarde - sorrindo para ele com a certeza de que seu aparelho estava guardado na bolsa. Exatamente como queria, estaria ali como convidada e tentando se infiltrar ao máximo. Nem parecia uma festa na piscina, todos estavam muito bem vestidos para a ocasião. Olhou para o próprio visual tentando comparar aos de outras convidadas, por fim deu de ombros e se aproximou do bar, pedindo uma taça de dry martini.
Seu único objetivo ali seria captar bons momentos e conversar com alguns convidados que a diretoria da GLAM achasse mais relevantes e dignos de uma matéria. Seus olhos bateram em Charlie Puth, que recentemente havia lançado seu novo álbum. Sem perder a chance, ela o entrevistou por alguns minutos e após tirarem uma foto juntos, decidiu-se por dar uma pausa a si mesma. Por exatamente duas horas, ela falou com o máximo de pessoas possível então uma pausa seria muito bem-vinda. Foi andando até uma mesa com doces variados e parou ali, tentando decidir entre um deles, fazendo careta para os que não gostava - que, segundo ela, foram feitos só para olhar.
Em meio a uma de suas caretas, ouviu a risada de alguém muito próxima a ela, se virou e ficou encarando a mesa com quatro caras que foram e ainda eram seus ídolos. Ela podia não ser tão fã quanto antes, mas ainda sabia de cor a letra todas as músicas deles enquanto ainda eram uma boyband. Era difícil falar da One Direction como se fosse algo que havia terminado, afinal, não fazia muito tempo desde que eles anunciaram a pausa. O desejo de ir até eles era quase tão grande quanto sua vontade de conseguir uma matéria que alavancasse sua carreira, assim ela decidiu que iria se aproximar como quem não queria nada.
Harry não se intimidou quando ela o encarou, ele sorriu - apenas por educação - já imaginando se tratar de alguma socialite que ele não foi apresentado, mas que aparentemente o reconhecia, voltando a mexer no celular sendo o mais discreto possível.
“Ótimo, isso foi um sinal bem claro de que eles não querem que eu me aproxime”, ela pensou, mas deu de ombros, se aproximando e ignorando o fato de Harry Styles ter claramente a ignorando. parou na frente da mesa em que eles estavam, fazendo os outros três a olharem curiosos, tentando entender o que fazia ali.
— Eu achei que fosse proibido o uso de celulares na festa — a fala para Harry, ignorando os olhares curiosos sobre ela. Sua fã interior gritava e insistia que, caso ela se jogasse no colo de um deles, logo aconteceria como nas fanfics que ela gostava de ler antes de dormir.
Styles tentou esconder o olhar surpreso ao notar a presença da mulher, não esperava que ela fosse até eles.
— Então parece que você vai ter que esconder o seu também — ele apontou para o cós do short que ela usava, o volume que o aparelho fazia no short poderia ser visto de longe.
— Fui o único que entregou o celular mesmo? — Niall perguntou desanimado e Liam lamentou dizendo que também não estava com o dele. Louis riu dos amigos e olhou para a garota. Vendo a expressão de Harry - que raramente ficava sem assunto -, decidiu agir antes que a desconhecida fosse embora. Ela parecia ser legal.
— Porque não se senta aqui com a gente? Como você se chama mesmo? — queria gritar, mas isso os assustaria, e olhando bem de perto agora, eles nem pareciam uma obra de arte. Ela sentou ao lado de Louis, sorrindo agradecida.
, mas todo mundo chama de — optou por agir casualmente, se pensasse muito, provavelmente enlouqueceria com o fato de estar sentada junto a eles.
— Eu sou Harry — quase riu, seria Harry Styles tão lerdo a ponto de achar que algum deles precisava se apresentar ou aquilo fazia parte do charme que ele estava acostumado a usar com as garotas?
— Não me ofenda, eu sei quem vocês são — eles riram e ela sorriu antes de continuar. — Sempre fui fã da banda e agora eu trabalho numa revista então devo saber mais de vocês do que vocês sabem — ela mexeu na bolsa e entregou um pequeno cartão a Louis, que foi passando para os outros. Os garotos pareceram ficar um pouco sem graça com a última afirmação e percebeu. — Ah, não fiquem paranoicos com isso, eu já ‘tô acostumada a ver celebridades o tempo todo por causa do trabalho — mentiu e eles caíram feito patinhos.
— Então você trabalha na GLAM Magazine e não vai tirar fotos nossas ou fazer várias perguntas para a revista? Já escutei muito sobre a GLAM e não foram coisas boas — Liam disse desconfiado, a banda poderia já ter a data definida para entrar em hiatos, mas ele não deixaria qualquer jornalista fazer perguntas que pudessem prejudicar ainda mais o humor dos amigos.
— Só se vocês quiserem, de verdade. Vou deixar meu celular aqui em cima e assim vocês podem ver que não tem câmera escondida nem nada do tipo, a única coisa ilegal hoje é que eu estou aqui sem precisar de convit. — respondeu deixando o celular em cima da mesa. — Você deve estar falando da equipe antiga, todos foram demitidos por não seguirem a política da empresa. Eles sempre foram mais invasivos e isso causou muitos processos — contou. A GLAM passou por uma reforma gigantesca antes de a contratarem, mas alguns dos funcionários deixaram escapar o motivo para tanta mudança. Agora, a equipe não tinha permissão para tirar fotos ou fazer perguntas sem que o entrevistado permitisse, o que sabia que tornaria seu trabalho cada vez mais difícil. Assim como havia muitas pessoas simpáticas, ela teve que lidar com algumas pessoas irritantes que sequer a olharam enquanto se recusavam a tirar foto ou falar sobre a festa e a aniversariante.
— Tudo bem, eu acredito nela — Liam falou e os outros pareceram relaxar. Desde que ela acompanhava a banda, sabia que Payne era conhecido por ser o mais responsável e o alívio dos outros a fez perceber que certas coisas não mudam. A garota sorriu, fazendo com que eles dessem início a uma conversa animada com eles interessados em saber como havia entrado na festa sendo praticamente uma jornalista, ao que a garota explicou que ainda estava em período de teste e que era praticamente estagiária ainda.
Harry estava admirado com o jeito espontâneo da garota e se pegou observando mais do que deveria. Ela era bonita, simpática e divertida.
Já era final de tarde e eles ainda estavam ali, o sol estava se pondo logo atrás de , fazendo com que alguns fios de cabelo dela ficassem com um tom alaranjado. Ele se pegou admirando-a como se fosse nunca tivesse visto alguém como ela. A dizia o quanto os achava talentosos, quando Harry decidiu parar com os devaneios e entrar no assunto, queria saber mais sobre e achou melhor entrar na conversa também.
— Qual de nós é seu favorito? Todo mundo tem uma história de fã, conta a sua — os outros sorriram como se estivessem orgulhosos por ele ter feito a pergunta que os três pensaram em fazer, mas não tiveram coragem.
— Meu preferido sempre foi o Louis — sorriu e Louis fez cara de convencido enquanto os outros reclamavam. — Vamos lá, nasci na Carolina do Norte, pode ser o máximo pra todo mundo, mas eu nunca me imaginei tendo uma vida lá. Eu já era fã da One Direction, mas isso só teve mais significado quando me mudei pra Londres. Eu não tinha amigos por lá então me lembrava de casa sempre que ouvia suas músicas — parecia estar mais séria agora, no entanto, estava apenas focada no assunto. Havia certo brilho em seus olhos enquanto ela falava, e embora Liam, Louis e Niall também quisessem saber a resposta, Harry estava muito mais interessado. — Sabia que estava muito longe, mas minha avó me disse uma vez que era melhor nadar antes de me afogar, então eu saí antes de me afogar naquela cidade. Já em Londres, onde moro atualmente, eu 'tô correndo atrás dos meus sonhos e é onde fica tudo o que eu conquistei.
Styles não conteve o sorriso, e os outros também não, por isso Niall deu a ideia de responder algumas perguntas para a garota colocar na revista. agradeceu um pouco histérica, ter uma matéria sobre a One Direction antes do último show juntos era sinal de que alguém seria promovida - ou pelo menos receberia um extra. Como já era o fim de festa, alguns convidados já usavam os celulares livremente, aproveitando isso, tirou fotos com os garotos antes que a festa terminasse e tentou mais fotos com alguns convidados que já havia conversado.
Harry se levantou para procurar pela garota, porém mal conseguiu falar o que queria quando a encontrou. Charlie Puth apareceu, dizendo que queria apresentá-la a alguém e o máximo que Harry conseguiu foi um sorriso antes de a garota se afastar.
Além das fotos que tirou para a matéria, ainda teria mais para guardar como recordação daquele dia.
Ao chegar ao hotel, ignorou a bagunça em que o lugar se encontrava e foi direto para o banho. Menos de vinte minutos depois, ela estava com os cabelos molhando o suéter azul escuro que ganhou da mãe - combinava com a calça de moletom que ela adorava usar -, deitada no sofá enquanto editava as fotos antes de enviar para sua superior.

She's a good girl
She's such a good girl
She's a good girl
She feels so good

She's got a book for every situation
Gets into parties without invitations
How could you ever turn her down?


Já fazia uma semana desde a festa, que Harry descobriu ter sido dada por Beyoncé - através de uma matéria da GLAM Magazine -, e tanto ele quanto os outros membros da One Direction, aproveitavam o período de descanso antes do último show como uma boyband.
Na bancada da cozinha, uma tigela cheia de cereal permanecia ao lado do notebook que estava ligado, na tela do aparelho estava o conteúdo da entrevista da GLAM, que Harry lia mais uma vez enquanto buscava qualquer notificação no Instagram que o levasse até . Ele tinha o número da garota, que conseguiu através de uma das secretárias da GLAM, mas não tinha certeza se ligar era uma boa ideia. O que diria a ela? Que não parava de pensar na garota desde o dia em que a viu? Era loucura demais. Mas se não o fizesse, iria ficar se lamentando pelo resto da semana, quem sabe para o resto da vida. Foi pensando nisso que ele discou o número e esperou até ouvir a voz dela.
estava ansiosa e impaciente ao mesmo tempo. A seu lado, sua chefe dava uma olhada nas propostas feitas por ela, aprovando as que mais lhe interessava. Estava feliz com as oportunidades que ela mesma estava criando. Após tantos reviews positivos desde a cobertura da festa, Sue lhe presenteou com uma sala e um assistente, aparentando estar feliz com o trabalho de e ansiosa para ouvir as ideias dela. continuava sendo uma estagiária, mas segundo a própria chefe, ela ficaria em um período de treinamento até o contrato acabar e eles a admitirem como editora de conteúdo. Seu celular tocou e ela colocou a chamada no viva-voz ao atender, imaginando que se tratava de um fotógrafo que havia contratado - ambas já aguardavam a ligação dele, já que Sue precisaria concordar com algumas condições do contrato. A se afastou enquanto se aproximava da parede de vidro - que por vezes a fazia sentir que não tinha um pingo de privacidade -, encarando o restaurante no prédio ao lado. Estava morrendo de fome e ainda faltava um tempo para o horário de almoço.
, — ela começou a frase que usava todos os dias — em que posso ajudar?
— Hey, é o Harry — estava muda ao reconhecer aquela voz e ele pensou que talvez ela não se lembrasse dele, nem imaginando que a garota só estivesse tentando não surtar no outro lado da linha. — Harry Styles da One Direction? Nos encontra... -
Ela encarou Sue, totalmente sem graça enquanto andava rapidamente até o telefone e tirou o aparelho do gancho, automaticamente tirando do viva-voz antes que ele pudesse terminar a frase. Sob o olhar curioso da chefe, tentou disfarçar a vermelhidão que queria tomar conta de seu rosto.
— Eu me lembro de você, claro. É sobre as perguntas da festa? Não gostou de alguma coisa?
— Na verdade eu queria conversar sobre isso mesmo — Harry quase agradeceu a por ter lhe dado a oportunidade perfeita. — Acho que você descreveu algumas situações de um jeito diferente do que eu me lembro de ter acontecido.
— Sério? — sorriu debochada, Harry Styles agora iria lhe ensinar a fazer seu trabalho?
— Um minuto — ela concordou em esperar, aproveitando para explicar para Sue que ele estava ligando por causa da entrevista, esperando que aquilo fosse o suficiente para a mulher parar de encará-la. Harry deu uma olhada num parágrafo em especial e sorriu antes de ler. — Okay, a entrevista ‘tá perfeita. Mas eu quero perguntar algo que não diz respeito a trabalho.
— Ok, vou checar isso e já aviso — ela disse tentando conter um sorriso e deixando Harry confuso. Precisava arrumar uma desculpa para que Sue estivesse fora dali ou nunca conseguiria agir normalmente. Como se alguém ouvisse suas preces, a mais velha se levantou dizendo que voltaria depois para continuarem o assunto anterior. Suspirou aliviada quando a porta se fechou e ela estava sozinha na sala. — Me desculpe, minha chefe estava aqui.
— Deus, eu sinto muito — ele riu, sendo acompanhado por ela. — Devo ligar depois?
— Não, eu ganhei alguns minutinho — a garota já estampava um sorriso idiota em seu rosto, mas não conseguia evitar, era Harry Styles falando com ela além de ter elogiado seu trabalho. — Eu ‘tô surpresa, não vou negar. A que devo a honra dessa ligação?
— Eu estava, na verdade, me perguntando se você gostaria de sair comigo — ele disse e encarou o céu pela janela da cozinha, o dia estava ótimo para um passeio. A linha ficou muda por alguns segundos e ele achou que a ligação havia caído. — ?
— Estou aqui — ela falou num tom mais baixo, tentando digerir a informação. Era um de seus ídolos convidando-a para sair, como deveria reagir?
Harry encarou aquele silêncio como algo ruim e parou para pensar nas possibilidades de o rejeitar. E se ela tivesse um namorado?
— Você tem namorado? — quando se deu conta, as palavras já haviam saído de sua boca, mas a risada da garota o deixou mais calmo.
— Não, eu não tenho — ela suspirou e sorriu novamente, assim como o cantor também o fez. — Quando você diz sair, você fala de um encontro?
— É o que duas pessoas fazem quando se veem. Elas se encontram — ele disse e logo levou a mão ao rosto. “Que droga de piada foi essa?”, se perguntou. Ouviu-a rir antes de tentar consertar a situação. — Sim, é um encontro, mas se você quiser não precisa parecer um. Eu só gostaria de conhecer você. Que tal hoje? Eu estou em casa, posso passar aí e te buscar no trabalho — para quem tinha a fama de ter jeito com mulheres, Styles parecia extremamente desconcertado e isso deixou menos nervosa. Afinal, tudo o que ela sabia sobre ele era o que lia em revistas e então nada daquilo deveria ser levado em consideração agora que ela o conhecia pessoalmente.
Embora quisesse ir, precisou de alguns segundos olhando para todo o trabalho que precisava terminar e no quanto aquilo iria acumular para o fim de semana. Qualquer outra em seu lugar teria largado tudo para encontrar Harry, mas ela estava sozinha e dependia daquele emprego. Ela poderia largar tudo e sair com ele, mas e se o encontro não desse certo? Com certeza ela teria que dizer adeus a Harry Styles e seu emprego dos sonhos, junto com o dinheiro do aluguel e consequentemente teria de voltar para a casa dos pais.
Suspirou derrotada sabendo também que, se decidisse por sair com ele, passaria seus dois dias de descanso trabalhando.
— Eu vou estar atolada de trabalho até o fim de semana — ouviu Harry murmurar um “tudo bem” do outro lado e, continuou não deixando a chance passar. — Mas se estiver por perto, eu costumo almoçar no restaurante ao lado da GLAM. O nome é Chef Rabello, você deve conhecer, as pizzas de lá são as melhores.
Styles estava animado. Fazia um tempo que ele não saía com alguém em quem realmente estivesse interessado. Após dizer o horário, ela pediu que ele escolhesse uma mesa perto da janela, era onde a gostava de sentar e ficar de olho na própria sala - ela e sua mania de ficar controlando quem entrava e quem saía do lugar. Harry estranhou, mas também não questionou sua decisão. Um pouco sem jeito ainda, ele encerrou a ligação após se despedirem. Teriam mais três horas antes de se encontrar.
Após fazer uma dancinha em sua cadeira, voltou a fazer seu trabalho com mais ânimo que o de costume. Fazia algum tempo que ela não se sentia tão bem.
Harry permaneceu alguns segundos com o celular e, em seguida, sentou novamente perto do notebook enquanto tomava seu café da manhã.


There's not a drink that I think could sink her
How would I tell her that she's all I think about?
Well I guess she just found out

She's a good girl
She's such a good girl
She's a good girl
She feels so good
She feels so good


Harry foi o primeiro dos dois a chegar ao restaurante. Com cinco minutos de antecedência, ele já estava lá dentro e no lugar combinado. Uma garçonete veio atendê-lo e não escondeu o quanto estava contente quando o reconheceu, ele pôde ver a expressão dela vacilar quando explicou que não pediria nada, pois estava esperando alguém. Pelo cheiro de pizza, parecia que ele iria realmente comer a melhor pizza do mundo, mas preferiu esperar para que pudessem pedir juntos.
Olhou para o prédio da GLAM e reparou que apenas três andares possuíam paredes de vidro. O prédio era tão perto do restaurante, que nem precisou se esforçar para reconhecer a falando ao telefone.
Moved all the way ‘cause her grandma told her... — soprou as palavras ritmadas e logo continuou. — Townes, better swim before you drown — precisava tirar aquelas palavras da mente. Pegou o celular no bolso e notando que o mesmo estava sem bateria, foi ao balcão pedir por uma caneta emprestada, voltando para a mesa e escrevendo em um guardanapo.
Já fazia cinco minutos que ela deveria ter saído para o almoço, mas infelizmente uma ligação atrapalhou tudo. não aguentava mais ouvir sobre como deveriam ser cautelosos ao escolher quem estamparia a capa de novembro. Ainda era outubro, será que não poderiam lhe dar um descanso? Ela tinha um encontro com Harry FUCKING Styles e sua colega de trabalho não parava de falar o quanto a revista precisava se destacar para limpar a imagem.
Inventando uma desculpa, ela desligou e viu Andrew entrar na sala. Como seu assistente, ele deveria bater antes de entrar, mas agora que eles estavam criando algo que quase poderia ser chamado de amizade, Andrew ignorava o lado profissional.
— Tudo bem, sei que você está surtando com a capa de novembro, mas realmente precisamos encontrar alguém.
— E como você quer que seja feito? — ela quase jogou o celular nele. — A maioria desse povo já está na capa das concorrentes, você por acaso conhece o Bieber ou a Madonna? — Perguntou tentando não soar irritada, e pela expressão de Andrew ela estava se saindo muito mal. Fez cara de choro antes de continuar — Me desculpa, mas eu ‘tô desesperada e me apressar também não vai adiantar em nada, Andy.
— Do que você precisa? , você tem que me dizer o que imagina.
— Eu preciso de autenticidade e romance. Preciso de alguém que faça essas malditas adolescentes desejarem essa revista — respondeu e seus olhos brilharam com a ideia que imediatamente passou por sua cabeça. — Ainda tem o número daqueles meninos que você acha gostosos? O trio que canta — explicou e Andrew revirou os olhos.
— Emblem3? — Andrew perguntou, recebendo um sorriso como resposta.
— Isso! — ela vibra e então pega sua bolsa. — Eles são surfistas, skatistas e o mais importante: muito gatos. O verão ‘tá logo aí, Andy. Você terá uma recompensa se conseguir trazê-los aqui na semana que vem. — parecia sorrir ainda mais toda vez que terminava uma frase. — Nós teremos uma capa e agora, literalmente, eu tenho um encontro.
— Considere feito e bom encontro — Andy já saía da sala e o observou dar alguns passos e parar na porta. — Solta esse cabelo, mulher. Não é uma entrevista de emprego.
Assim ele partiu e logo era a vez dela também. Seguindo o conselho do amigo, ela soltou o cabelo e deixou a empresa em passos rápidos após alguns minutos no elevador. poderia jurar que aquele cubículo estava demorando só para atrasá-la ainda mais.
Quando chegou ao restaurante cerca de 15 minutos após o combinado e viu Harry ainda lhe esperando, quase ajoelhou e agradeceu a todas as divindades que conhecia. Aquilo era bom demais para ser verdade. O garoto parecia concentrado, escrevendo algo, mas logo abandonou a caneta e papel quando notou a presença de para enfim chamar a garçonete e fazer o pedido.
Toda a timidez se foi quando a pizza chegou e os dois logo estavam conversando, a sintonia deles era incrível, qualquer um poderia enxergar.
estava tomando uma lata de energético e segurando uma fatia enorme de pizza. Não havia bebida que afundasse a disposição daquela garota.
Sem tirar os olhos dela, Harry tentava imaginar qual seria a reação de ao saber que ele não conseguia parar de pensar nela. O olhar de no guardanapo abandonado na ponta da mesa, seguido de um sorriso divertido na direção dele, lhe dizia que ela havia acabado de descobrir. Apenas viu uma vez antes daquele dia e ele já estava escrevendo músicas sobre ela. Harry não sabia o que estava acontecendo, mas queria gritar aquilo para todos. Esperava que ficasse tempo o suficiente para lhe ouvir.

I met her once and wrote a song about her
I wanna scream, yeah, I wanna shout it out
And I hope she hears me now

She's a good girl
She's such a good girl
She's a good girl
She feels so good
She feels so good

She feels so good
She feels so good
Oh, she is a good girl
She feels so good




END OF THE SUMMER - SIDE B

My friends talk shit everytime I sing about her
I don't got a lot of dough but here's a little flower
I'm covered in sand baby we can take a shower
Taking sips of her lips like it’s happy hour

Afternoon delight reverse cowgirl rowdy
All I know is that I'm stoked I found out about her
When I don't believe no I will never doubt her
And when I put my arm around her I couldn’t be prouder

We have all we need
Singing sweet melodies
Feels just like a dream
I need you to believe
Cause honestly like


— Vai lá, eu ainda preciso comprar algumas coisas. Vou estar na sessão de bebidas — disse a Harry, que sorriu e foi em direção a um grupo de fãs chorando em frente ao mercado. Ela havia saído cedo na intenção de gastar o salário em comida e utensílios para casa, estava fazendo muito isso durante os fins de semana e ter Harry como companhia não estava sendo ruim, mesmo nas vezes em que correr - literalmente - quando um pequeno grupo de fãs se tornava um grupo maior e as pessoas passavam do limite.
admirava Harry por isso, o carinho que ele tinha com as fãs - mesmo algumas que só queriam saber se Larry era real ou não - era incomparável. Não importava se ele estava tendo um dia de merda, se uma fã pede uma foto ou um autógrafo, Harry vai parar e fazer o que puder para mostrar o quanto é agradecido pelo carinho e a fé que elas depositam nele.
Ela pegou um carrinho e foi direto para o corredor de alimentos, fazia um tempo que não cozinhava algo diferente e dessa vez ela morreria por comida mexicana. Aprendera a cozinhar por volta dos treze anos, revezando entre assistir programas de culinária e ajudar sua avó na cozinha, aos poucos se tornou uma cozinheira de mão cheia.
Encarou as variedades de tortillas na prateleira, optando pela que mais lhe agradava e colocou três embalagens dentro da cesta.
Seu celular tocou e ela atendeu ao ver a foto de Connor na tela, tendo o cuidado de olhar para onde andava.
— Já está com saudades? — ela riu e ignorou o homem resmungando do outro lado da linha. — Estou bem, Kyle. Saí pra fazer umas compras pra casa e quem sabe umas quesadillas mais tarde — ela parou novamente ao ver uma embalagem do cereal que gostava, colocando o mesmo na cestinha e voltando a andar, sem se dar conta de que um carrinho estava parado mais a frente. O encontrão entre o carrinho e a lateral de sua cesta assustou a mulher, que derrubou alguns produtos na prateleira mais próxima, desligando o celular e murmurando pedidos de desculpa enquanto recolhia tudo do chão.
O dono do carrinho se abaixou para ajudá-la, sem deixar de notar que ela parecia muito a estagiária da GLAM que o colocaria na capa daquele mês.
Ele havia sido apresentado a ela brevemente, no entanto, antes e depois do photoshoot, não conseguia deixar de observá-la. Ela era bonita. Não tinha aquele padrão de beleza de celebridades ou modelos - o tipo de pessoas que ele achava de se relacionar -, mas era bonita.
— É , certo? — ele arriscou o nome e seus olhos chegaram a brilhar quando a garota ergueu o rosto em sua direção. Ele havia pensado que os olhos dela eram castanhos, mas olhando de perto, conseguiu notar um tom esverdeado. As bochechas dela pareceram ganhar um pouco de cor e ela assentiu não deixando de retribuir o sorriso, pegando as últimas latas e levantando rápido, colocando-as na prateleira em seguida. Wes fez o mesmo, sem deixar de encarar a . — Eu cheguei a falar com você na GLAM, não sei se lembra do meu nome.
— Eu lembro, Wesley — “Não tem nem como esquecer”, ela pensou. queria se enfiar numa prateleira daquelas e sumir, sabia que já deveria estar vermelha como um tomate.
— Você pode me chamar de Wes — ele continuou, passando a mão na nuca - fazendo reparar em como os braços dele eram fortes - e tentando tomar coragem para dizer o que viria a seguir. Embora tivesse fama de bem resolvido, Wes conseguia ser bastante tímido quando se tratava de alguém em que ele realmente tinha interesse. concordou e decidiu acabar com aquela situação estranha.
— Bom, eu preciso terminar de procurar umas coisas e pagar por tudo — ela apontou para o carrinho e afastou-o do outro, as rodas dos dois estavam meio presas, ela puxou com um pouco mais de força e sorriu novamente. — Foi um prazer, Wes.
“Deus, porque diabos você simplesmente não o chama pra sair, ?” ela pensou e se repreendeu logo em seguida por colocar Deus e o Diabo na mesma frase. Porém, antes que pudesse se afastar completamente, a voz de Wes chama a sua atenção mais uma vez.
— Eu nunca tive a oportunidade de te agradecer por pensar em colocar a E3 na capa — ele disse e ela parou o carrinho, ignorando a senhora que vinha logo atrás. — O que acha de sair comigo? Um jantar ou algo do tipo, você escolhe.
Não era de seu costume oferecer jantares em agradecimento, mas ele não poderia deixar a chance ir embora.
— Eu gosto de comer — ela o encarou, mordendo o lábio inferior na tentativa de não sorrir debilmente mais uma vez, fazendo o sorriso dele aumentar em seu rosto. Wes se aproximou, tirando o celular do bolso.
A garota pediu que eles encostassem os carrinhos onde não incomodassem os demais britânicos que faziam suas compras e odiavam americanos atrapalhando o sossego. Pararam na sessão de frios, geralmente ficava vazia e era mais fácil de parar por ali, o que fizeram de imediato, encontrando apenas outras quatro pessoas por perto. aproveitou para colocar um pacote de salsichas no carrinho, já pensando no dia em que ela teria vontade de comer cachorro-quente.
Wes entregou o celular a ela e devolveu o aparelho assim que digitou o número.
— Preciso de uma foto — ele disse já apontando o celular para ela, que o encarava com descrença enquanto argumentava que ela não estava arrumada para fotos. — Tarde demais, tirei enquanto você falava bosta.
Ela riu, de repente sentindo-se em casa. Ouvir alguém ser tão rude no meio de britânicos era tão gostoso e só perdia para os olhares alheios julgando os dois. Lembrando que havia perdido pelo menos dez minutos naquela conversa toda e olhando para a cesta quase vazia, caiu na real de que não estava ali para flertar.
— Eu preciso ir, ainda faltam alguns temperos e as bebidas — Wesley assentiu, estendendo a mão para que ela depositasse a sua ali. o fez, vendo Wes se curvar para beijar seu dorso, uma expressão divertida em seu rosto.
— Mal posso esperar pelo nosso encontro, minha querida — ele disse, forçando um sotaque britânico e fazendo um homem olhar feio para os dois. Ela definitivamente precisaria de outro mercado, estava começando a achar que as pessoas daquele iriam bater neles.
— Você é uma coisa, falo com você mais tarde, Stromberg — sorriu presunçosa ao chamá-lo pelo sobrenome e saiu andando em direção a sessão de temperos.
Pegou alguns que estavam em falta e foi para a sessão de bebidas, seu ponto de encontro com Harry. Não o encontrou lá assim que chegou, mas quando decidia qual vinho comprar para acompanhar o jantar, Harry apareceu atrás dela.
— Esse não, parece suco de uva — reclamou e ela revirou os olhos, perguntando desde quando ele entendia de vinhos e qual era a sugestão do cantor. — Não preciso beber tanto quanto você pra saber qual desses é ruim, leva esse.
— Abusado — ela riu e pegou a garrafa que ele apontou, segurando a mesma enquanto andavam até o caixa. Não havia muitas filas, em menos de cinco minutos e Harry já deixavam o local. Ele com as sacolas e ela apenas com a sacola onde colocou o vinho. Rumaram para a casa da garota, não muito longe dali, andando rápido para que ele não fosse reconhecido novamente.

I'll pick you up girl
In my 97 honda
No A/C shit is hotter than a sauna
but it's all good
when it's cooler by the water
Dive right in skinny dipping if you wanna

We don't get time to waste
So baby come here to me
I'll pick you up girl
And there'll never be another

I’mma make you mine by the end of summer
Summer, summer
I’mma make you mine by the end of summer
Summer, summer
I’mma make you mine by the end of summer


Se olhando no espelho pela milésima vez, puxou para baixo o vestido vermelho, que parecia justo demais em seu corpo. Havia recebido uma mensagem de Wes dizendo que a levaria para um restaurante e depois fariam um passeio em Brighton, que também ficava a algumas horas de distância. Depois de dias trocando mensagens com ele e conversando por Skype antes de dormir, ela mal podia esperar para encontrá-lo novamente.
Era seu primeiro encontro - apesar do encontro com Harry, ela não sabia se havia sido realmente um encontro - desde que se mudara para Londres e ela queria que fosse ótimo. estava realmente interessada em Wesley e saber que havia a possibilidade de conhecê-lo melhor já era um motivo para que ela ficasse ansiosa e nervosa.
— Você está linda, . Só para com isso — Harry disse incomodado. Ele estava encostado no batente da porta fazia alguns minutos, encarando aquela que ele estava odiando ao mesmo tempo em que gostando. Embora tentasse ignorar, não gostava de saber que ela estava se arrumando para ver outro cara, mas era ali. Eles eram amigos e ela era a criatura mais adorável que havia visto, não queria de jeito nenhum estragar o que tinham.
— Você diria isso até se eu estivesse coberta de lama se fosse pra me animar — ela retrucou, jogando o cabelo para o lado e suspirou, pegando a pequena bolsa em cima do criado mudo.
— Ou porque eu realmente te acho linda, mas você se recusa a entender — ele sorriu para ela, o sorriso dele era tão lindo e quando mais nova, sonhava em ver pessoalmente. Era algo que ela poderia se acostumar facilmente.
— Somos amigos, você é obrigado a me achar linda — devolveu o sorriso e foi na direção dele, abraçando o cantor. — Tenho que ir, promete que vai chegar em casa são e salvo.
— Prometo — ele respondeu pegando as chaves do carro e seguindo a mulher para fora do apartamento.
Minutos depois, os dois estavam fora do prédio. Harry foi direto para o estacionamento por insistência de , ela queria que ele dirigisse antes de ser atingido pelo sono, visto que o cantor estava sem dormir direito fazia duas noites. O carro de Harry se afastava e ele acenou para ela antes de ir. Não muito tempo depois, o carro de Wesley parou na calçada em frente ao prédio.
O cantor sorriu antes de sair do carro e abrir a porta para ela, que soltou um “oi” tímido antes de entrar no carro. Wesley estava nervoso, embora não fosse o tipo de cara que se sentia intimidado pelo sexo oposto. No entanto, toda vez que ele citava ou falava do encontro com ela - que ainda nem havia acontecido - ouviu inúmeros “Ela é legal demais pra você, cara” vindos de Drew e até mesmo Keaton, e agora estava com medo de que estivessem certos.
Tentando não deixar o silêncio tomar conta do carro, ele aumentou o volume do rádio e sorriu quando ela cantarolou junto a ele, tornando a situação menos esquisita e a viagem mais agradável do que ele esperava. Uma vez que estavam no restaurante e haviam feito seus pedidos, Wesley tomou a dianteira e puxou assunto.
— Faz quanto tempo que você se mudou? — ele perguntou, lembrando que ela não tinha sotaque britânico quando se falaram no mercado.
— Um mês e uma semana, pra ser exata — ela explicou sorrindo. — E você, pretende continuar na terra da Rainha por mais tempo?
— Eu gosto daqui — ela estava surpresa com a resposta, mas esperou por uma explicação, que veio ao mesmo tempo em que o garçom enchia as taças de vinho. — Obviamente não é nada parecido com o lugar onde eu moro, mas até que eu gosto. A proposta da GLAM veio em boa hora, inclusive. Eu e os caras estamos em processo de criação então é sempre bom sair da nossa zona de conforto.
— Sério? Isso é legal — disse sincera e tomou um gole do vinho. — Vocês costumam fazer isso sempre? Como funciona esse lance de processo criativo? — perguntou e, antes que Wesley respondesse, se sentiu uma enxerida. — Me desculpe. Você não precisa responder isso, não é uma entrevista, eu só fiquei curiosa.
— Não tem problema perguntar, inclusive é um assunto que eu gosto de falar e acho que os métodos que usamos servem para qualquer profissão, então pegue seu bloquinho e anote minhas dicas de ouro — ele disse, fazendo rir e então citou os métodos usados por ele e os outros dois.
A comida estava boa demais e se sentia leve. O caminho para Brighton não foi muito longo, mas cansou os dois. Não fazia muito tempo desde que o céu nublado deu lugar a um azul estrelado, mas porque era início de verão, estava abafado em Brighton.
Wesley certificou-se de que as janelas traseiras também estavam abertas, o ar condicionado do carro estava quebrado - graças a Keaton - e ele precisava que a mãe natureza colaborasse para que ele e não morressem de calor no automóvel. Apesar das janelas abertas, ele tinha certeza de que estava mais quente que uma sauna.
Na orla, tirou os saltos e deixou seus pés se afundarem na areia fria. Ela sorriu agradecida quando Wes tomou os sapatos de suas mãos e carregou junto aos seus. Enquanto estava distraída observando o mar, Wesley se aproximou de um homem que vendia rosas não muito longe dali. Quando voltou, segundos depois, a mão antes desocupada agora segurava uma flor. Ele assistiu os olhos de se abrirem em surpresa quando ele entregou a rosa em suas mãos. Assim que ela aceitou, ele pegou a mão da garota e os dedos se entrelaçaram ali, fazendo as bochechas de corarem enquanto ela sorria satisfeita.
— O que acha de um mergulho? — ele perguntou, deixando as coisas dos dois atrás de uma pedra. Não havia muitas pessoas na praia aquele horário, apenas uma quantidade razoável no píer.
— Eu… — ela olhou para o mar novamente, fazia um tempo que não ia à praia. — Eu não sabia que era pra trazer roupa de banho, você pode ir e eu tomo conta das nossas coisas, se quiser.
Wesley sorriu, encarando a garota e tirou a camisa. mordeu o lábio inferior e tentou disfarçar o quanto queria olhar para ele.
— Nem eu, — ele respondeu atraindo a atenção dela. Wesley riu quando a garota soltou um palavrão. — Vamos lá, aposto que você não consegue ficar dois minutos lá sem correr por causa da água gelada.
alternou o olhar entre o mar, Wesley e a praia quase deserta. Encarando ele, ela desamarrou o laço que a prendia ao vestido e o mesmo escorregou por seu corpo, fazendo Wes sorrir também enquanto ia em direção ao mar, sem tirar os olhos dela.

[...]


— Me lembre de nunca duvidar de você novamente — Wesley falou para a garota após alguns minutos na água.
Os dois se comportavam como adolescentes prestes a fazer alguma rebeldia e o melhor nisso era que ambos se sentiram mais livres uma vez que o nervosismo foi embora e eles se sentiam confortáveis com a presença um do outro. Wes e ela estavam um pouco animados demais e Stromberg havia duvidado que ela topasse nadar pelada. tirou o sutiã apenas, ela tinha certeza de que ele não veria nada, pois já estava escurecendo.
— Tudo bem, vamos trocar de papel — ela respondeu, um sorriso malicioso foi direcionado a ele, que sorriu também embora estivesse surpreso. Aproximou-se dela devagar, e encarou . — Eu ainda sinto o gosto do vinho que tomamos mais cedo preso nos meus lábios. Talvez você deva me ajudar a tirar com um beijo — tinha que admitir que talvez estivesse esperando aquilo fazia algumas horas.
— Que coincidência, eu também. Talvez você deva me ajudar — ele riu, fazendo a garota revirar os olhos, mas sem conseguir esconder um sorriso bobo. Wes passou a mão pelo rosto dela - o que resultou em uma de olhos fechados e apreciando a carícia - até chegar na nuca, onde sua mão ficou firme e trouxe o rosto dela para perto do seu até seus lábios se encontrarem. Sua outra mão foi direto para a cintura da garota, puxando-a cada vez mais para si. Ela realmente ainda tinha o gosto do vinho vermelho de mais cedo.

Last night when we Skyped
I kissed the screen night night like 5 times
Everytime I laugh it's us passing texts
And I stutter everytime that I answer back

So maybe baby you can lay me down and I play the ukelele
Singing lullabies to lady on the daily
She's fine like the red wine stuck to my lips

Maybe you can help me take it off with a kiss
Maybe you can help me get it off lil miss
I'mma speak french to you while I kiss your wrist

We have all we need
Singing Sweet melodies
Feels just like a dream
I need you to believe
Cause honestly like


— Você fala outras línguas? — ela perguntou após ele se afastar de mais um beijo. Wes e ela estavam deitados, ambos cobertos de areia e encarando o céu.
— Je te ferai mien d'ici la fin de l'été — respondeu se apoiando no braço direito para encará-la e beijou o pulso dela, onde notou uma pequena tatuagem.
— Tradução, seu exibido — pediu e ele riu.
— Eu disse que vou te fazer minha até o fim do verão.
— Vai sonhando, Stromberg — ela riu imaginando que não tinha como fugir dele, e quando o olhar dela encontrou o de Wes, não queria estar em outro lugar que não fosse ali.
Em casa, tomou um banho para tirar a areia e o sal do corpo, durante todo o banho, o sorriso nunca abandonou seu rosto. Não só o encontro havia sido melhor do que esperava como foi sem sombra de dúvidas o melhor de sua vida e ela conseguia sentir uma euforia ao lembrar-se de Wes e da tarde que passaram juntos. Toda vez que se lembrava do beijo deles, ela sorria como boba e cantarolava algo.
Wesley não estava muito diferente dela. Após deixá-la em casa, e depois ir para o hotel onde estava hospedado, tomou um banho e deitou, esquecendo o abajur aceso.
Keaton acordou com a claridade, logo em seguida reclamando que Wes precisava apagar a luz.
— Cara, tá tudo bem se o encontro foi ruim e ela nunca vai te ligar — Keaton sentou na cama, atraindo a atenção de Wes, na cama ao lado. — Mas meu sono é sagrado, Wes. Respeite.
— Foi um encontro perfeito, cara. Ela é incrível — o Stromberg mais velho respondeu e Keaton revirou os olhos.
— Você diz isso em todo encontro — Keaton respondeu entediado.
— Dessa vez foi diferente, eu juro pra você. Noite passada quando nos falamos pelo Skype, eu acho que beijei a tela para dar boa noite umas cinco vezes — retrucou, Keaton sorriu em seguida.
Wesley não era do tipo que se abria sempre, ele e Drew o faziam através de música e por essas e outras, a Emblem3 tinha inúmeras músicas que ainda não haviam sido gravadas. Keaton já imaginava o que sua mãe diria se Wesley estivesse pedindo conselhos a ela.
— Escreve algo, Wes. Tira isso do peito e passa para o papel e então você supera, é como terapia. Vou voltar a dormir, vê se não demora a apagar a luz — o mais novo finalizou e deitou novamente, dessa vez de costas para o abajur.
Tirando o caderno de composições da mala, Wesley já tinha o refrão e ele sabia que uma vez que começasse a escrever, aquela música seria inteiramente inspirada em . E não conseguia se imaginar fazendo músicas para outra pessoa.

I'll pick you up girl
In my 97 honda
No A/C shit is hotter than a sauna
but it's all good

when it’s cooler by the water
Dive right in skinny dipping if you wanna

We don’t got time to wait
So baby come here to me
I'll pick you up girl
And there never be another
I'mma make you mine by the end of the summer

Summer, Summer (I'm feelin right)
I'mma make you mine by the end of the summer (I'm feeling right)
Summer, Summer (I'm feeling right)
I'mma make you mine by the end of the summer (I'm feeling right)
Summer, Summer (I'm feeling right)
I'mma make you mine by the end of the summer (you know I'm feeling right)
Summer, Summer
I'mma make you mine by the end of the summer




WOMAN - SIDE A

(Should we just search romantic comedies on Netflix and see what we find?)

I'm selfish, I know But I don't ever want to see you with him
I'm selfish, I know
I told you, but I know you never listen


Era impossível dizer que não gostava de ser tão próxima de Harry. Ele era simplesmente adorável. O tipo de pessoa que ela gostaria de ter conhecido a vida inteira, ou pelo menos durante o período em que ela estava de mudança para Londres, afinal, não conhecia ninguém quando deixou seu país para encarar a vida em um lugar desconhecido.
Obviamente foi mais fácil para ela quando o assunto era oportunidade: conseguiu o estágio na revista porque a avó conhecia um dos sócios da sede nos Estados Unidos, o que deu passagem livre para conseguir uma entrevista via Skype - porém não dava a certeza de que a vaga e, Londres seria dela - e uma espera de dois meses até o pessoal da GLAM entrar em contato. Seu irmão mais velho não só a ajudou com a mudança para o novo apartamento, como também ficou em Londres por um mês - a pedido dos pais - para ajudar a irmã. poderia mentir e dizer que mal via a hora de Connor voltar para casa, mas depois que ele foi embora, ela se sentia mais sozinha que nunca. E agora a sensação estava de volta.
Os almoços de quinta-feira no Chef Rabello - que havia se tornado um ritual para os dois -, era a única coisa que fazia Harry e agirem como se não houvesse nada de errado entre eles. Harry inclusive havia conversado com o dono do estabelecimento, pedindo que o mesmo garantisse total sigilo sobre a identidade de quem o acompanhava. Não que o próprio dono fosse contar algo - já que conhecia -, mas era possível que algum funcionário abrisse a boca.
Então o cantor começou a encontrar desculpas para não comparecer aos almoços. No fim, ele estava apenas a ignorando pois não sabia o que fazer agora que ela estava com Wes.
Com a presença - quase constante - de Harry, os dias dela se tornavam mais leves, e saber que ele causava essa diferença na vida dela fazia se sentir cada vez mais amada. Ele a tratava como ninguém, além de bonito e simpático, era o cara mais otimista e bem-humorado - depois de Connor, ninguém supera seu irmão e a habilidade de fazer idiotices que resultam em gargalhadas de quem estiver ao redor - que já havia conhecido. No entanto, quando ela começou a sair com Wes, Harry se afastou dando lugar para que o outro cantor se aproximasse ainda mais.
Ele estava com ciúmes, ela sabia. As inúmeras desculpas que Styles dava para não saírem juntos já havia deixado tudo bem claro.

Desde o encontro com o Stromberg mais velho, se viu extremamente determinada em aproveitar o tempo que tinha com o cantor antes que ele voltasse para seu país de origem. Somando o beijo que aconteceu no primeiro encontro a alguns que vieram depois, o casal não assumiu nada para a mídia, mas todos sabiam que havia algo rolando ou prestes a rolar entre os dois.
Harry teve que reduzir os olhares e evitar que fosse atingido pelo raio do ciúme, infelizmente, ficou cada vez mais complicado depois que passou a frequentar premiações e entrevistas para dar suporte a Emblem3, consequentemente as mesmas que ele frequentava. E a última coisa que ele queria ver era e Wesley juntos, então evitaria ao máximo.
Uma parte de Harry o implorava para ignorar o que sentia e focar em sua carreira. Talvez fosse a parte sensata, afinal. O problema era que em momento nenhum ele se esquecia da existência de , mesmo que ela e Wes já estivessem juntos a praticamente 1 mês e ele estivesse saindo com Nadine há duas semanas.
Não que eles realmente tivessem algo, ele apenas não poderia deixar de conhecer outras pessoas porque - talvez, só talvez - ainda estivesse preso a .

Styles seguiu os amigos, que subiam no palco do Brit Awards para receber o prêmio de álbum do ano. Naquele palco, ele lembrava com orgulho da primeira vez em que esteve em uma daquelas premiações. Não muito diferente das outras vezes, Harry e Niall planejavam fazer uma brincadeira com Louis para compensar todas as vezes que eles foram os alvos do companheiro de banda. Liam apenas filmava, rindo de tudo em antecipação.
— Okay, temos que ser rápidos. Vai, Louis — Niall disse e se afastou do microfone logo em seguida, dando espaço para o amigo.
— Primeiro de tudo, queremos agradecer aos nossos fãs — Louis continuou. — Não chegaríamos aqui sem vocês. Obrigado aos fãs, à nossa equipe, família, amigos e gravadoras. Amamos vocês!
Louis sorriu e sentiu duas mãos puxarem suas calças para baixo. Era a hora da vingança. Tantos anos deixando Harry e Niall de cuecas na frente de todos, com certeza um dia eles iriam se vingar. Os outros artistas presentes só não riram mais que os quatro amigos, que definitivamente estavam animados.
Louis levantou as calças em meio às risadas e voltou ao microfone.
— Eu deveria ter imaginado essa vindo por aí, Horan — piscou para os amigos e deu um tapinha no braço de Niall. — Tenham todos uma boa noite.
Voltaram aos seus assentos junto com a plateia e assistiram ao final da premiação como pessoas comportadas. A premiação se encerrou e a maioria dos convidados saiu de lá para o after party, que estava sendo realizado num restaurante a poucos quilômetros dali.
estava feliz, tanto pela One Direction quanto pela Emblem3, ambos haviam sido indicados em categorias importantes naquela noite.

I hope you can see the shape that I'm in
While he's touching your skin
He's right where I should, where I should be
But you're making me bleed

Woman
Woman (la la la la la la la la)
W-woman
Woman


Após três ou quatro copos de uma bebida que o garçom serviu, eles conversavam sobre idiotices que haviam feito na adolescência e algumas coisas que fizeram em shows e na internet. Eram coisas bobas, porém inesquecíveis.
— Teve aquela vez em que o Louis disse que estava sem leite em casa e uma mulher tocou a campainha e ofereceu o leite dela — Liam riu, apontando para Louis enquanto o mesmo fazia a melhor expressão de culpado que conseguia.
— E aquela vez que Harry encontrou o cara que roubou a namorada de infância dele. — Louis apontou para Harry. — Ele disse pras fãs que, se o cara ainda estivesse por lá, elas poderiam dar pequenos chutes.
Harry praticamente se jogou para trás rindo e os outros também riram tão alto quanto ele.
As risadas de Styles não duraram tanto quanto ele queria. Quando voltou ao seu lugar, estava de pé perto da mesa deles, na companhia de Wesley, Drew e Keaton.
Ela sorriu, cumprimentando todos, um por um. Quando chegou a vez de Harry, a o engoliu em um abraço e só Deus sabe que ele tentou disfarçar o quanto estava sentindo falta daquilo.
também estava. Poderia ficar abraçando Harry pelo resto de sua vida, mas precisava soltá-lo. Quando o fez, encontrou o olhar da mulher que o acompanhava.
Nadine cumprimentou a garota, tentando não parecer antipática na frente dos outros, mas lembrava de já ter visto fotos de e Harry, fotos seguidas de rumores e especulações sobre a relação que tinham. Embora Harry houvesse dito que eram apenas amigos, estava na cara do cantor que ele sentia algo mais.
— Por que não se sentam conosco? — Liam sugeriu, sem notar o olhar constrangido de .
— Acho que a mesa já está um pouco cheia demais, não? — Nadine sorriu após dizer e todos perceberam que as coisas ficaram um pouco estranhas. — Tenho certeza de que ela e os amigos vão preferir se sentar em outro lugar.
Em outra situação, ela teria dito que não se importava e sentaria ali mesmo. Nadine ficaria com raiva e as duas trocariam farpas a noite inteira. No entanto, sabia que a modelo possivelmente acreditava em todos os rumores sobre sua relação com Harry, mesmo quando não passava de uma amizade. admitia para si que teria feito o mesmo se estivesse no lugar dela, talvez com um pouquinho mais de discrição e educação.
Ela suspirou antes de responder. Harry já estava pronto para sair em defesa de , que foi mais rápida.
— Ela tem razão, nós só estamos de passagem, mas obrigada pelo convite — respondeu e virou para Harry. — Foi um prazer ver vocês de novo.
Em seguida os membros da Emblem3 foram com até a mesa mais afastada, dois deles tentando entender o que havia acontecido enquanto Wes não precisava perguntar nada. Ele sabia que existia algo entre ela e ex One Direction, algo que ambos não tiveram coragem de tentar descobrir o que é.
— Você destruiu meu sonho de assistir duas gatas brigando — Drew falou assim que conseguiram sentar, arrancando risos de e Keaton. Wes olhava-o de cara fechada e isso fez o loiro logo se corrigir, mal sabendo que o problema de Wes não era com ele. — Com todo o respeito, maninho.
— Eu apostaria em você, — Keaton comentou sorrindo para a garota.
— Deixem de palhaçada e vamos pedir algo, por favor — foi quem respondeu antes de Wes puxar a garota para si. — Você tá bem? — ela perguntou sendo cuidadosa o suficiente para falar com ele sem que os outros escutassem.
— Tá tudo bem — Wes sussurrou de volta e deu de ombros, se aninhou no peito dele enquanto voltava a olhar para Drew e Keaton, que conversavam animados.
Vendo que e Wes estavam abraçados, Drew e Keaton deram início a uma série de motivos para serem os únicos solteiros da mesa.
De onde estava sentado, Harry conseguia ver a cumplicidade do casal e aquilo só o deixava mais irritado. Ele esperava que notasse aquela sensação horrível que corria por suas veias toda vez que a mão de Wes tocava o rosto dela. Toda vez ele se perguntava o porquê de não ter investido em uma abordagem mais direta, que deixasse explícito o desejo por uma relação além da amizade que tinham. Ele também se culpava por ser lento demais.
Wesley Stromberg estava onde Harry deveria estar e, para Styles, a culpa era inteiramente dele.

Woman
Woman (la la la la la la la la)
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Woman

Tempted, you know
Apologies are never gonna fix this
I'm empty, I know
And promises are broken like a stitch is

,br> definitivamente gostava de ter Wes por perto e era horrível saber que após ficarem juntos por dois meses e meio, ele iria embora em duas semanas. Ele a entendia, escutava falar de seus problemas e a aconselhava sempre que sabia o que dizer. Além de ser alguém que ela beijava quando estava a fim, Wes era seu amigo e embora estivessem saindo, ele era o mais perto de amizade verdadeira que ela tinha em Londres desde Harry.
Embora ele fosse famoso, suas músicas não eram um sucesso tão grande quanto as da One Direction, então não precisava se preocupar com pessoas tirando fotos dela por todos os lados, 24 horas por dia.
Nada tirava de sua cabeça que Wesley precisava ficar mais tempo, porque para ela estava sendo maravilhoso acordar e ter alguém ocupando o espaço que antes ficava vazio.
— Encomenda para a garota mais sexy do prédio! — Wesley entrou na sala de com duas sacolas em mãos e carregando flores com a outra. A sorriu. — Bom dia.
Ele colocou as sacolas em cima da mesa de e se aproximou para beijá-la quando a garota se desvencilhou.
— Nada de beijos no trabalho, Stromberg. — ela levantou e o puxou até que ele se sentasse na cadeira de frente para sua mesa. — Já acho um abuso você entrar aqui quando quer e ninguém reclamar só porque você é famoso.
— Em minha defesa, o Andy que me deixa entrar — começou arrancando uma risada da garota, que não sabia mais o que fazer para Andy deixar de ser enxerido. — E eu precisava te ver antes de pegar o avião pra Cali — o cantor sorriu e encarou aqueles olhos castanhos pensando que ele só podia estar de brincadeira. — Tivemos um imprevisto e o voo sai daqui a duas horas.
Aquele era um dos contras de estar com Wes. sabia que ele nunca trocaria as maravilhosas praias de Los Angeles pelas ruas frias de Londres.
— Então isso acaba aqui, certo? — ela perguntou, já sabendo a resposta. — Vou sentir sua falta.
— Não vai não — Wesley riu. — E eu espero que você aproveite o meu tempo distante para resolver as coisas entre você e o One Direction.
— Você sabe o nome dele, Wes — ela repreendeu, achando fofo o quanto ele tentava chamar Harry por outros nomes e apelidos apenas para irritá-la.
— Não mude de assunto, . Eu te conheço — ele sorriu, se afastando e encostou no batente da porta. — Diga a ele que eu o odeio.
Ele não odiava Harry, Wes era incapaz de odiar alguém. Mas ele deixaria seguir em frente, uma relação à distância só machucaria os dois. Não é como se a amizade fosse terminar, e se fosse para eles ficarem juntos, o destino iria se encarregar de fazer os caminhos dos dois se cruzarem novamente.
Com um aperto no peito, eles se despediram e Wesley foi para o hotel em que esteve hospedado, terminar de fazer as malas antes de ir embora. Agora que havia adquirido o costume de usar as redes sociais para algo que não fosse relacionado a trabalho, postou uma foto das flores que recebeu em seu Instagram, junto com um texto de despedida para Stromberg e os outros dois.
Entrando em casa após fazer algumas compras necessárias - lembrando-se de como era divertido fazer compras com , ainda que não o fizessem muitas vezes -, abrir o Instagram foi o maior sinal que Harry poderia receber, e aquela despedida foi a resposta para todas as vezes em que havia se perguntado se deveria ir atrás dela ou não. Mas a quem ele estava tentando enganar?

I hope you can see the shape I've been in
While he's touching your skin
This thing upon me howls like a beast
You flower, you feast

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Woman (la la la la la la la la)
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Nem mesmo dois dias se passaram após Wesley viajar e Harry “supostamente” terminou com Nadine. Não que eles realmente tivessem algo, ele apenas não poderia deixar de conhecer outras pessoas porque - talvez, só talvez - ainda estivesse preso a . Mas após saber que Wesley estaria longe, uma semana depois ele decidiu que era hora de colocar as cartas na mesa e mandar Nadine para longe também.
As fãs criaram suas teorias sobre como os dois deveriam estar aproveitando juntos agora que Wes estava na Califórnia.
Mal sabiam elas que eles nem se falavam como antes. Harry por falta de tempo - ele descobriu que o tempo havia se tornado seu mais novo inimigo. Após deixar a casa de seu amigo James, com quem buscava meios de divulgação para quando virasse um artista solo, Styles dirigiu até o apartamento no qual morava.
— Senhor Styles, esteve sumido! — o idoso sorriu para o jovem e Harry retribuiu.
— Muito trabalho, senhor Gardner — ele se aproximou do balcão e batucou no mesmo com os dedos. — está em casa, certo? — perguntou e o homem assentiu. Harry pediu que ele avisasse que estava subindo. Despediu-se do mais velho e entrou no elevador, que logo o deixaria no andar de .
Ela com certeza não esperava sua visita tão cedo, talvez ela nem esperasse mais que ele ainda lembrasse-se dela.
Era cedo e estava frio, mais do que ela estava acostumada. estava sentada no canto da sala, onde ela tinha uma mesa e um armário, que acabou sendo um escritório improvisado. Os papéis com seus rascunhos estavam espalhados por toda a sala e ela vestia um conjunto de moletom vermelho que a deixava parecendo a sacola de presentes do papai Noel. Ao menos o conjunto lhe manteve aquecida, ou talvez fossem as taças de vinho que ela tomava enquanto fazia o trabalho.
Quando Gardner avisou que Harry estava subindo, ela largou o que fazia e pegou o máximo de papéis que conseguiu, colocando todos em cima da mesa.
Tentou arrumar o cabelo — até cogitou trocar a roupa —, mas a campainha tocou e ela foi até a porta sem hesitar.
Harry disse tudo o que precisava colocar para fora. Só Deus sabia o quão confuso ele estava.
, por sua vez, sabia o que queria. Ela não podia negar que existia uma tensão sexual gigante entre eles - talvez mais que isso, se dependesse de Harry -, então deixou que ele terminasse, sentada no sofá ela ficou observando a cena com certo divertimento.
Harry estava inquieto, mordia o lábio inferior enquanto andava de um lado para outro na sala de , gesticulando mais do que ela achou necessário.
Ele parou de andar e olhou para ela.
— Então você sabia que eu sentia ciúmes? — perguntou, confuso.
— Quem não sabia? — respondeu, tentando tirar sarro da situação. Harry assentiu.
— Vamos… Tentar? — jogou a cabeça um pouco para o lado quase como um filhote de cachorro faria e esperou que ele continuasse. — Você sabe, tentar descobrir se vai dar em algo ou não.
sabia que provavelmente era o álcool tomando conta de seus pensamentos, mas não conseguia entender o motivo de ainda não estarem se beijando. Ela levantou do sofá e, antes que Harry se desse conta da proximidade dos dois, os lábios dela se chocaram contra os seus. Ele não demorou a aprofundar o beijo e ter todas aquelas boas sensações que tinha quando estava com ela, dessa vez até melhores do que quando estavam juntos apenas como amigos.
Harry passou a mão no rosto dela, desceu a mesma deixando uma carícia no local para logo em seguida parar em seu pescoço e depositar um pouco mais de força ali.
Por anos imaginou como seria beijar Harry Styles e, agora que estava realmente o beijando, a sensação era indescritível. interrompeu o beijo, lembrando-se de algo importante e encarou Harry.
— Isso é o máximo que eu poderia te dar, apenas diversão. Se você disser que está de acordo, podemos terminar essa conversa no meu quarto — ela disse baixo.
Sem se importar, Harry assentiu. Sorriu um tanto admirado enquanto acompanhava os passos da até o quarto. Não importava se ele não poderia tê-la para si do jeito que queria - ainda, ele pensava -, seria aos poucos que conquistaria .
Parecia que o mantinha preso sobre algum feitiço, pois mesmo não querendo nada sério com ele, Styles faria qualquer coisa por aquela mulher.

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Woman

Woman!


ONLY ANGEL - SIDE B

Open up your eyes, shut your mouth and see
That I'm still the only one who's been in love with me
I'll guess I'll be getting you stuck in between my teeth
And there's nothing I can do about it


— Ai, minha cabeça — resmungou quando Harry tentou, sem muito sucesso, encostá-la na parede. Os encontros, que antes se resumiam ao casal assistindo o filme, agora muitas vezes terminavam com os dois sem roupa. Harry pediu que eles se encontrassem após o expediente de , que pôde sair por volta das 18h graças a uma reunião adiada para o dia seguinte. Os dois almoçaram juntos e mais tarde, ele voltou para buscá-la, ignorando a possibilidade de haver algum paparazzi o esperando. Quando chegaram na casa do cantor, ficou claro que os dois não conseguiam ficar a sós por cinco minutos sem que se beijassem.
— Desculpa, — Harry respondeu, o rosto entre o pescoço da garota. Quando estava prestes a deixar mais uma mordida ali - o que estava adorando -, o barulho da porta, seguido de passos vindos da sala surpreendeu os dois.
Ambos se separaram, ficando a uma distância em que podia observar enquanto ela tentava colocar a blusa o mais rápido possível. Harry pediu que ela fizesse silêncio.
O garoto pegou o mais próximo de algo que poderia machucar o suposto invasor, segurou o violão como se fosse um taco de baseball e saiu do quarto.
permaneceu no quarto, estranhando por supostamente ter escutado gritos femininos, e o grito de Harry ao mesmo tempo. Quando deu um passo para trás a fim de abrir a porta, Harry já abria a mesma do outro lado, resultando em um grito agudo de após a porta ter ido de encontro com o dedinho do pé esquerdo.
— Você ‘tá bem? — Harry perguntou assustado enquanto a garota mordia os lábios, sentindo o dedo latejar. sentou no chão, massageando o pé na esperança de que a dor passasse. Ela não se deu ao trabalho de responder, estava concentrada em não sentir dor. Harry sentou no chão, de frente para ela e puxou o pé da garota para o colo dele, assumindo a tarefa que ela fazia antes. .
— Vocês precisam de ajuda? — a porta se abriu devagar, atraindo o olhar de , que de curioso foi para constrangido em questão de segundos. Anne sorriu para a garota e Gemma apareceu logo atrás dela, também sorridente.

Ela tinha o sorriso de Harry, percebeu e nada disse, não saberia o que dizer. Revezando o olhar entre Harry e as duas mulheres na porta, logo entendeu que se tratava da família dele.
Nunca foi muito extrovertida e apenas com o trabalho ela estava aprendendo a se abrir mais, falar com desconhecidos - ainda que famosos - estava cada vez mais se tornando cotidiano e isso supostamente deveria ajudar em um momento como aquele. Mas não estava ajudando. Sacudindo a perna devagar para se livrar de Harry, se preparou psicologicamente para levantar sem sentir dor. Quando se tratava de “acidentes” como aquele, conseguia ser bem medrosa e dramática.
— É , não é? — Anne continuou, a assentiu e assentiu, infelizmente sacudindo a cabeça mais que o necessário. — Venha para a sala querida, eu trouxe torta — e sem dizer mais nada, Anne e a filha deixaram os dois a sós novamente. encarou Harry, que sorria para ela.
— Essa é a minha família.

I got splinters in my knuckles crawling across the floor Couldn't take you home to mother in a skirt that short
But I think that's what I like about it


— Então você achou que se fosse um ladrão ele iria se sentir ameaçado por um cara com um violão? — Anne riu enquanto Gemma continuava a caçoar de Harry. — O que você planejava fazer? Tocar uma de suas músicas pra ele?
Os quatro estavam na cozinha. Mãe e filho arrumando a mesa, já que Harry havia prometido uma sobremesa para , enquanto esta se encontrava sentada ao lado de Gemma. Estar ali com eles a deixava nervosa em tantas maneiras que não conseguia enumerar. Toda vez que Gemma e Anne se dirigiam a ela ou tratavam-na como se fosse família, sentia vontade de chorar.
Era normal, sentir aquilo quando sua família era apenas seu irmão e sua avó. Os dois sempre estiveram por perto, toda vez que precisava.
Ela estava ali, participando de um momento tão íntimo entre eles, Anne e Gemma fazendo todo o possível para que a não se sentisse uma intrusa.
— Talvez assim ele corresse mesmo — Anne falou, arrancando risadas da filha e consequentemente de , que fazia de tudo para tentar disfarçar seu nervosismo.
— Nossa, muito engraçadas mesmo — Harry revirou os olhos e sua mãe o abraçou, sendo calorosamente bem vinda em meio aos braços do filho. — Posso saber o motivo de entrarem naquele silêncio todo?
se levantou e pegou um copo de água, bebendo com calma enquanto o assunto se desenrolava e tentando ficar longe o suficiente para que esquecessem a presença dela. Infelizmente, Gemma era o tipo de irmã que não deixava Harry em paz.
— É seu dia de folga, pensamos que estava dormindo e não queríamos acordar. Você sempre dorme até tarde quando tem folga — Gemma respondeu e logo olhou para . — E o que vocês estavam fazendo que ficaram tão assustados com a nossa chegada?
— Arrumando minha mala — Harry respondeu enquanto começou a tossir, engasgando com o líquido. — ouviu um barulho e pensamos que fosse um ladrão.
Aquela resposta poderia convencer a Harry, mas nunca que Anne e Gemma iriam acreditar. Até mesmo riu da ingenuidade dele.
— Tudo bem, fico feliz que tenha encontrado uma amiga, você tem ficado muito sozinho ultimamente — Anne disse para o filho e logo se virou para . — Obrigada por cuidar dele, você é um anjo.
— Pra aturar ele, tem que ser — Gemma comentou e sorriu.

She's an angel
Only angel
She's an angel
My only angel

I must admit I thought I'd like to make you mine
As I went about my business through the warning signs
End up meeting in the hallway every single time
And there's nothing we can do about it


Não era um crime querer qualquer tipo de relação com Harry, uma parte dela a deixava desconfortável com a situação - chegava a se perguntar se tudo aquilo não passava de uma brincadeira de mau gosto -, enquanto a outra parte implorava por um pouco mais de contato físico.
— E você, ? Harry me falou muito de você, mas eu quero ouvir o que você tem a dizer — Anne sorriu simpática e a garota piscou confusa antes de pensar em uma resposta, esta que quando veio, era rasa demais.
— Acho que ele disse tudo o que precisava ser dito — com um sorriso sem graça, ela lançou um olhar desesperado a Harry, que apenas sorria com a situação, supondo que ela estivesse nervosa.
— Maninho, vocês conseguiram resolver o vazamento sobre a sua participação em Dunkirk? — Gemma perguntou fazendo com que os olhares se virassem para Harry.
— Ainda não encontramos quem foi e eu espero que isso deixe de ser notícia logo — o cantor disse aparentando aflição. — Não anunciamos justamente para que não houvesse toda essa expectativa com a minha presença, daí alguém simplesmente vaza a informação. Meu lema deveria ser “trate as pessoas com gentileza”, — ele explicou encarando Gemma. — Essas coisas me fazem querer me isolar de tudo e que se dane os seres humanos. Eu poderia perder o papel por causa disso!
— O importante é que além de cantor, você é um ótimo ator também e eles não seriam loucos de tirar o papel por causa disso — disse, surpreendendo as outras duas mulheres, que até então não haviam presenciado qualquer detalhe que indicasse o afeto dela por Harry.
— Obrigada, — cantor sorriu, podia jurar que o sorriso dele rasgaria seu rosto. Apesar de ser Harry Styles, um cantor mundialmente famoso, ela realmente se preocupava com ele.
Anne encarou a cena com o coração se enchendo de alegria ao ver Harry feliz, ao mesmo tempo, ela tentava desvendar .
O toque já conhecido do celular de ecoou pela sala e ela correu até ele, atendendo em seguida. Dando uma brecha para Anne falar com Harry.
— Filho, o quanto você a conhece? — Anne perguntou tentando não soar intrometida. Gemma encarou o irmão, já não tão sorridente quanto antes.
— Como assim?
— Você sabe, estou perguntando porque como sua mãe, quero te prevenir de certas decepções na vida.
— Mãe, eu sou um homem crescido — ele riu, fazendo Gemma discordar por pura implicância.
— E será sempre o meu bebê, por isso eu gostaria que você tentasse conhecer mais a sua amiga, antes de mergulhar nessa paixão toda. Ela sente o mesmo?
— Eu não estou apaixonado.
— Ah, claro que não — Gemma respondeu, fazendo uma careta e sentando ao lado do irmão, a fim de bagunçar os cabelos do mesmo enquanto o mesmo assistia vindo a seu encontro, desta vez com o rosto vermelho. Nunca havia visto a garota chorar, mas parecia que ela estava prestes a desabar ali.

Told it to her brother and she told it to me That she's gonna be angel, just you wait and see
When it turns out she's a devil in between the sheets
And there's nothing she can do about it
Hey, hey

She's an angel
Only angel
She's an angel
My only angel


Vovó morreu, . Ela morreu” a frase se repetia em sua mente, fazendo a mais nova perder o ar por alguns segundos. Ela não explicou o que aconteceu, apenas disse ter um problema no trabalho e pediu um uber, alegando que não era nada demais e que Harry deveria ficar com a mãe e a irmã.
Precisava ficar sozinha e organizar os pensamentos.
Era graças a Nancy que morava no país de seus sonhos, numa casa maravilhosa e tinha o emprego que sempre quis.
Foi ela quem cuidou de durante toda a adolescência da garota, dando broncas em suas fases mais rebeldes e consolando nas fases mais sensíveis. Se não fosse por Connor, nem saberia da morte da avó, ela tinha certeza. Seus pais não a consideravam família, e por isso ela sempre era a última a saber das coisas.

Ao chegar em casa, após quase vinte minutos dentro do carro, ela nem ao menos notou o velho Gardner sorrindo para ela. O porteiro estranhou o comportamento da mais nova, mas nada disse. Todo mundo tem seus dias ruins, afinal.
Apenas quando deitou em seu sofá, olhando para o porta retrato que ficava em cima da mesinha de centro, se deixou levar pela dor que sentia.
Suas lágrimas caíram sem aviso prévio, encarando a foto onde uma de apenas 15 anos sorria, abraçada a avó.

Esticou o braço e puxou o objeto para si, lembrando-se dos bons momentos com a mulher. As tardes ao ar livre, as aulas de piano, os passeios à praia e trilhas, que sempre terminavam com as duas vermelhas como um camarão - devido ao tempo de exposição ao sol sem o uso de protetor, coisa que era motivo de piada entre as duas -, deitadas assistindo um filme qualquer. O dia em que elas se despediram - antes de viajar para o Reino Unido -, parando num restaurante de comida japonesa que havia adorado. Ela descobriu tantas coisas com a avó, aprendeu tanto, e então ela se foi.
Sem aviso, sem despedida.
Após horas chorando ao lembrar de todos os momentos que teve com Nancy, caiu no sono.

{...}


Horas depois ela acordou estranhando o fato de um cobertor ter sido colocado em cima de seu corpo e o barulho que vinha de sua cozinha. Antes que pudesse se perguntar o que estava acontecendo, Harry apareceu na sala com uma garrafa de suco e dois copos. fez careta para o suco, ela precisava comprar refrigerante.
— Achei que iria gostar de companhia — ele colocou as coisas na mesa de centro e sentou no espaço vago do sofá enquanto ela o encarava sem entender nada. — Andy me ligou, antes de me dar o número do seu irmão, que ligou para o seu trabalho algumas vezes.
não se mexeu, minimamente chocada com a informação e ainda atônita demais para ter qualquer assunto normal.
— Eu liguei pra ele a caminho daqui, você o deixou preocupado.
Era estranho demais sentir como se nada houvesse mudado? Porque sentia falta da avó, sabia que nunca mais a veria e ainda assim tudo o que ela queria era agir como se Nancy estivesse em sua casinha e que logo mais - quando uma das duas resolvesse viajar e aproveitar a vida por alguns dias - elas se encontrariam de novo. Então ela lembrou de Connor, ele sim estava desesperado.
— Ele está bem?
— Ele está cercado de pessoas que o amam, ele vai ficar bem assim como você vai — Harry abraçou a , que não hesitou em afundar o rosto no pescoço do cantor. Ele sentia que estava carregando o mundo nas mãos e o mundo dele era . Cheia de problemas que ele queria e sempre faria de tudo para ajudá-la a resolver. Preservando a beleza que ele via nela. — Eu disse que ficaria de olho no anjinho dele. Achei melhor esconder que você é um demônio entre os lençóis — tentou quebrar o clima ruim. Os lábios dela tocavam o pescoço dele, que acariciou os cabelos de e ignorou os arrepios que sentia. sorriu, se aninhando ainda mais contra ele. — Eu sinto muito, sei o quanto ela foi importante pra você.
— Obrigada — a garota sussurrou contra o pescoço dele. Sem dizer mais nada, Harry se ajeitou no sofá com ela ainda agarrada em seu corpo, sabia o quando achava conforto no silêncio e não seria ele a atrapalhar aquele momento que deveria ser apenas dela.
— Eu vou cuidar de você, . Você é meu anjo — Harry respondeu sem graça antes de ambos encontrarem uma posição confortável para ficarem.
foi a primeira a pegar no sono. Os cabelos de emanando o cheiro de hortelã que Harry adorava - talvez fosse o shampoo -, enquanto ele acariciava um dos braços dela, que o abraçava de volta.
Ela era tão perfeita para ele, talvez fosse um anjo de verdade.
E tentava não se envolver, mas achava Harry apaixonante. Tão apaixonante que ela poderia morrer naquele abraço e morreria feliz.

Wanna die, wanna die, wanna die tonight Wanna die, wanna die, wanna die tonight
Wanna die, wanna die, wanna die tonight

She's an angel
Only angel
She's an angel
My only angel

She's an angel
My only angel
She's an angel
My-my-my only angel






Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Outras Fanfics:
Ain't Blind

Nota de Beta: Que amor todo foi esse, Lola?? Aaaaff que capítulos perfeitos, viu. Essa interação com a família dele foi incrível. E esse final de cortar o coração, como ele pode ser tão fofo? Acho que estou apaixonado por esse Harry.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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