FFOBS – Lies, por Sofia Prescott
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Última atualização: 31/07/2018



Prólogo

Casa dos Lombarddi - 25 de Setembro de 2008 – 11h15
Ah, o dia de "descanso" da Família Lombarddi. Sem deveres para fazer, folga dos pais, sem contato com a tecnologia, só curtindo a companhia uns dos outros. Menos para Olivia, que tinha uma grande encomenda de roupas para entregar à distribuidora. Ela e a irmã teriam um dia de muito trabalho.
- Meus amores, a mamãe promete chegar a tempo para o nosso jantar em família, ok? – Olivia disse e os filhos concordaram com a cabeça, revirando os olhos enquanto ela os apertava em um abraço coletivo.
- Mãe, para com isso, já somos bem velhinhos para isso, você não acha? – Luke perguntou para a mãe enquanto arrumava seu cabelo.
- Não – ela respondeu, bagunçando novamente o cabelo do filho que desistiu de tentar arrumá-lo – Aproveitem o dia de descanso de vocês e quando eu chegar se preparem que vamos comer pizza – os filhos sorriram e correram para abraçar a mãe novamente, fazendo um monte de planos para o dia do descanso enquanto Olivia ia conversar com o marido. Apesar de dizerem que estavam velhos demais para carinhos de mãe, não podiam negar que os abraços da mãe eram os melhores e que no fundo gostavam de todo aquele carinho.
- Querido, não deixa eles comerem muita porcaria hoje, certo? – ele revirou os olhos – É sério, Dylan, você sabe como eles gostam de abusar nos doces quando vão para a casa dos meus pais, principalmente porque a minha mãe ama fazer as vontades deles – ela foi colocando alguns papéis em sua pasta.
- Querida, eles não são mais crianças, eles têm 14 anos, sabem se controlar – ela olhou para o marido com cara de poucos amigos e cruzou os braços – Tá certo, eu vou regular as besteiras que eles vão comer, pode deixar – eles desceram as escadas – Agora anda logo, quanto mais cedo você for, mais cedo você volta e pelo menos pode fazer a maratona de filmes com a gente – ela sorriu – Sem falar que eu e a galerinha do terror lá em cima – apontou para o primeiro andar, onde podia-se ouvir os filhos gritando e rindo – Temos que ir para o heliporto daqui à meia hora, que o nosso helicóptero vai sair às 09h – ela concordou e se despediu.
Dylan foi até o primeiro andar e entrou no quarto onde os filhos estavam fazendo uma guerra de travesseiros – Ei! – gritou e os filhos pararam na hora, esperando a bronca – Nem me esperaram para começar a guerra de travesseiros, né seus traíras? – os filhos relaxaram e correram até o pai, começando a bater nele com os travesseiros. Ele tropeçou, caiu de barriga para cima e os filhos correram para fazer cosquinhas nele, que começou a rir junto com eles.

(...)

Calabasas – 12h49
Dylan chegou com os filhos no condomínio onde os pais de Olivia já os esperava.
- Desculpem a demora, nos atrasamos um pouco para sair de casa – Dylan sorriu, explicando o que aconteceu enquanto cumprimentava os sogros.
- Oi, meus amores – A senhora sorriu, se abaixou e os netos foram correndo abraçá-la. Teresa, a mãe de Olivia, era muito querida, tanto pelos netos quanto pelo genro, eles tinham uma relação muito boa, assim como Olivia também tinha com os pais de seu marido. Esse era um dos motivos pelos quais estampavam capas de revistas e eram chamados de “Família Perfeita” ou de “Família de Ouro”.
- Vô, nós temos novidades – Luke disse feliz, e os irmãos sorriram e começaram a contar sobre tudo que estava acontecendo na escola. Depois de algum tempo conversando resolveram se dividir e passar a tarde em duplas fazendo o que sempre faziam. Jade ficou com a avó ouvindo suas histórias de quando atuava na Broadway, Dylan foi com Luke para o campo de futebol americano treinar alguns lances para os jogos da escola e Anna saiu com o avô para o estábulo para passear a cavalo. E o dia do descanso só estava começando.

(...)

Calabasas – 13h45
- Quando você volta para a Itália com o vovô, vó? – Jade perguntou enquanto experimentava um vestido.
- Amanhã mesmo, querida – Teresa respondeu triste para a menina – Tenho muito trabalho para fazer ainda antes de me aposentar dos palcos – ela riu – Mas é só à noite.
A menina sorriu e olhou para o nada, sentindo um aperto leve no peito.
- Sabe, vó – ela começou – Eu estou com uma sensação estranha.
- E como é essa sensação?
- Não sei, não dói, mas também não me sinto bem – ela disse terminando de trocar de roupa – Deve ser a saudade que eu vou sentir de vocês quando voltarem para a Itália – ela deu de ombros.
- É só vocês irem nos visitar, querida, eu e seu avô também sentimos muita falta de vocês, mas não podemos ficar muito tempo, você sabe que com todo o trabalho que o seu avô e eu temos fica um pouco difícil ver vocês com mais frequência, principalmente depois que vocês se mudaram de vez para os EUA.
- Eu sei, vó, o vovô tem que salvar o mundo e você tem que alegrar as pessoas no teatro – ela sorriu – Eu tenho muito orgulho de vocês – sorriu e abraçou a avó – Vamos voltar? O papai deve estar nos esperando para almoçar – ela concordou e foram caminhando e conversando até onde os outros estavam.

(...)

Estábulo/ Calabasas – 17h19
Depois de almoçarem, assistiram um filme e quando o mesmo acabou, os adultos ficaram conversando enquanto os irmãos foram cavalgar juntos para encerrar o dia.
- ... Bom, eu pretendo ganhar uma regional esse ano com a equipe de líderes de torcida e me destacar como flyer da equipe, sem falar que a treinadora sabe o quanto eu sou boa e até já cogitou me escalar para a equipe da liga de animadoras para competições internacionais, e ainda disse que se eu me empenhar e continuar nesse ritmo posso até virar capitã – Anna contava seus planos e os irmãos ficaram animados por ela.
- Isso vai ser incrível, mana – Jade disse para a irmã que sorriu – Luke, você precisava ver o teste que a Aninha fez para a equipe, ela foi a melhor.
- Olha só quem fala – Anna disse – E o seu teste para o clube de teatro? Luke, foi a coisa mais incrível, eu até chorei – Anna sorriu para o irmão que riu.
- Você chora por qualquer coisa, Aninha – Luke zombou da irmã, Jade riu concordando e Anna ficou emburrada, mas acabou rindo também.
- Mas nada se compara com o você no campo, Luke – Anna disse e as bochechas do menino ficaram vermelhas – Depois que terminamos de fazer os nossos testes fomos correndo te ver e você foi incrível, e depois você diz que não temos motivos para te chamar de Speed, você conseguiu passar por todos aqueles garotos malhados super-rápido.
- Mas eu só fui aceito porque usei aquele passe que eu e o nosso pai treinamos, não achei nada de mais – Luke deu de ombros, sempre achava que estava faltando alguma coisa em seus passes.
- Que nada, você estava ótimo, maninho – Jade disse e o menino deu um sorriso de canto.
- Ah, deixa disso – Anna começou, tentando convencer o irmão de que ele tinha sido ótimo no teste – Admita que você é um dos melhores e mais rápidos que aquele time já viu em anos, Speed – Anna disse e logo depois sentiu o cavalo estremecer e sair correndo desenfreado. Luke e Jade seguiram o cavalo quando o mesmo relinchou, empinou as patas traseiras, derrubou Anna no chão e saiu correndo novamente.
- ANNA! – Jade gritou e correu com Luke até a irmã – Meu Deus, Luke, a cabeça dela tá sangrando – disse assustada.
- Coloca a cabeça dela no seu colo – Luke falou pegando o lenço que estava em seu bolso e deu à irmã – Toma, coloca em cima do ferimento para estancar o sangue, eu vou voltar em casa e pedir ajuda.

(...)

Pacific Shores Hospital – 18h38
- Ela teve uma concussão, nada muito grave, mas o corte na cabeça foi um pouco fundo por isso sangrou bastante, mas ela está bem, só está sentindo um pouco de dor de cabeça e está um pouco confusa, o que é normal, só vou prescrever um antibiótico para ela caso ela sinta muita dor de cabeça e já posso dar alta para ela hoje mesmo – o médico sorriu – Vocês podem vê-la agora se quiserem. – Eles seguiram o médico e foram ver Anna.
- Poxa, baixinha, que susto você nos deu, hein? – o avô disse sentando na cadeira ao lado da cama.
- A minha cabeça dói – Anna disse ao avô dando um sorriso meio grogue e fechou os olhos.
- Conseguiu ligar para a mamãe, pai? – Jade perguntou – Avisar a ela o que aconteceu e que vamos chegar um pouco tarde.
- Liguei para ela, mas chama e ninguém atende – Dylan respondeu, tentando mais uma vez – Agora deu na caixa.
- Deixa pra lá então, pai, quando ela ver as chamadas ela liga de volta – Luke disse e o pai concordou indo falar com Anna.

(...)

Casa dos Lombarddi – 25 de setembro de 2008 – 19h27
Após voltarem do hospital com Anna ainda meio grogue perceberam que Olivia ainda não tinha chegado, o que era estranho porque já passava das 19h. Ela nunca se atrasava para o jantar.
- Pai? – Luke chamou e seu pai virou o rosto em sua direção – Que horas a mamãe chega? Ela tá demorando muito.
- Eu não sei, campeão – Dylan respondeu se sentando – Deve ter ocorrido algum problema lá na Grivolly – Luke assentiu e se sentou também.
Eles apostaram corrida e entraram pela porta da cozinha, já se sentando na mesa.
- Luke, você está sujando a cozinha toda de terra com essas sandálias sujas – Jade reclamou – Anda, coloca elas na lavanderia antes que a mamãe chegue e veja – Luke revirou os olhos com o jeito mandão da irmã mas foi colocar as sandálias sujas na lavanderia.
- Vocês sabem que a gente não janta enquanto a mamãe não chegar, não é? – Anna perguntou tomando o remédio que o médico passou. Seu pai e seu irmão embirraram e disseram juntos:
- Mas eu tô com fome! – E riram por terem falado ao mesmo tempo.
Ninguém podia negar que Luke se parecia muito com o pai e que além disso eram melhores amigos. Eles tinham o mesmo amor pelo futebol, tinham o mesmo sorriso com covinhas, os mesmos olhos.
Luke começou a conversar com as irmãs enquanto Dylan tentava ligar para o celular de Olivia novamente quando ouviram um barulho muito alto vindo da sala e correram para ver o que tinha acontecido. Uma das empregadas tinha derrubado uma bandeja na sala e olhava assustada para a TV.
- Meu Deus, Trude, o que aconteceu? – Dylan perguntou assustado e ela apontou para a TV.

“Olá, eu sou Ava Jenkins e estou falando da Rodeo Drive onde fica localizado uma das maiores lojas de departamento de Beverly Hills, a Grivolly, que pertence à Olivia de Fiore Lombarddi, uma das estilistas mais requisitadas dos EUA. Há alguns dias, fiscais fizeram um alerta de que havia vazamento de gás em uma parte isolada da Rodeo Drive e que a interditariam, porém o chefe da polícia local, Jeff Hopkins, afirmou que não havia vazamento nenhum e que as lojas abririam normalmente, sanando as dúvidas das pessoas que estavam com medo de fazer suas compras. Como algumas lojas estavam passando por inspeção, suas mercadorias foram tiradas de lá um dia antes, no entanto, houve uma queda de energia geral deixando o quarteirão inteiro totalmente no escuro e, então, se ouviu uma explosão. A Grivolly havia acabado de explodir e pelas informações que recebemos, Olivia estava dentro do local, porém a polícia não encontrou nenhum corpo, portanto Olivia Lombarddi foi dada como desaparecida. É com grande pesar que comunico essa tragédia para a elite de Beverly Hills e para a família Lombarddi. Voltaremos em breve com mais informações.”


Capítulo 01

Casa dos Lombarddi – 30 de agosto de 2010 – 09h
Um ano e meio se passaram desde que a Grivolly explodiu. Era tão estranho para a família de Olivia não vê-la andando pela casa, tentando acordar os filhos para não se atrasarem para o colégio, quando ela preparava o café da manhã para comerem em família, quando viajavam para prestigiar a mãe em algum desfile ou quando passavam o verão na casa do lago junto com toda a família. Era doloroso ver que o estereótipo de família unida e perfeita que viam nas fotos espalhadas pelas paredes daquela imensa casa não existia mais e eles não podiam fazer nada quanto a isso, pois, depois daquele dia, tudo mudou. O pai, Dylan, agora está noivo da Katherine, irmã mais velha de Olivia. Desde o enterro da mãe, Luke, Anna e Jade passaram por 3 fases:
Fase 1: Luto
Organizaram junto com o pai e a tia o enterro da mãe, apesar de tristes ainda faziam as coisas juntos, mas à noite cada um ia para seu quarto ficar sozinho.
Fase 2: Brigas
Depois de algumas semanas começaram as brigas. Qualquer coisa era motivo de discussão. Os irmãos não aguentavam mais ficar em um mesmo ambiente sem brigar, tanto que nem mesmo jantavam mais juntos.
Fase 3: Depressão
Dylan ficou tão desolado que estava totalmente entregue ao trabalho. Ele é o oncologista e hematologista mais prestigiado da Califórnia e está quase sempre viajando, ou trabalhando no hospital, ou em seu escritório. Jade se dedicou totalmente para o clube de teatro. Luke, que costumava jogar no time da escola agora nem aparece mais nos treinos. Anna também se afundou nos treinos e conseguiu ser eleita a nova capitã do time depois que a antiga capitã se formou.
Uma semana após a explosão, Katherine, a irmã de Olivia, providenciou a reconstrução da Grivolly e iniciou algumas reformas que Olivia planejava, e hoje a loja ainda tem o mesmo prestígio de antes, senão até mais. A Grivolly é uma loja diferente, uma loja de departamento: o primeiro andar é de peças íntimas feminina e masculina, o segundo é roupa masculina, o terceiro é roupa feminina, o quarto é sapatos masculinos e femininos, o quinto é perfumaria, o sexto é de joias e o sétimo é um Spa. É a loja mais diversificada que alguém pode conhecer. Suas linhas de roupas eram desenhadas exclusivamente por Olivia, porém o design das roupas foi assumido por Alice, melhor amiga de Olivia, e a presidência da loja foi assumida por Katherine.
Hoje à noite teria a festa de despedida das férias organizada por ninguém mais, ninguém menos que a capitã da equipe de líderes de torcida, Anna Lombarddi. Todos os alunos marcaram presença, era uma das festas mais badaladas da escola e sempre estampavam páginas dos tabloides americanos.
Jade se levantou, fez sua higiene matinal, arrumou sua bolsa e desceu para tomar café. A mesa do café da manhã já estava posta, e como sempre comeu um sanduíche natural com um suco de abacaxi, foi até a garagem indo até o seu carro e seguiu até a Grivolly. Chegando lá, encontrou Jéssica – uma das recepcionistas da loja.
- Olá, senhorita Lombarddi – ela cumprimentou Jade como de costume.
- Jessie, você sabe que não precisa me chamar assim, né? – Jade perguntou.
- Força do hábito – ela sorriu culpada.
- Tudo bem, da próxima vez você já sabe, né? Só Jade – sorriu e ela concordou – E então, as encomendas já chegaram?
- Ainda não, mas os fornecedores ligaram e disseram que estarão aqui em 20 minutos, no máximo meia hora.
- Tá certo, quando eles chegarem você manda eles colocarem as encomendas no estoque e me liga avisando, ok? – Jessica assentiu e perguntou:
- Como está o Luke? – Jade já esperava pela pergunta, afinal, Jéssica era apaixonada por seu irmão.
- Eu não sei, Jessie, não o vi chegar ontem à noite, então provavelmente não dormiu em casa – ela balançou a cabeça minimamente – Fique bem, ok? Vou dar uma volta.

Jade foi até a Starbucks, comprou um Chocolate Frappuccino e saiu indo olhar algumas vitrines, quando esbarrou em alguém, derrubando todas as sacolas da pessoa e sua bebida também, abaixou para catar todas as coisas que saíram da sacola e a pessoa se desesperou.
- Nossa, me desculpe, eu estava distraída, meu Deus, como sou desastrada – Jade conhecia aquela voz, não podia ser quem pensava, levantou seu olhar e se deparou com a pessoa que menos esperava – Jennifer? – perguntou sem acreditar e a garota a olhou assustada.
- J-Jade – ela gaguejou.
- Jennifer, o que você está fazendo aqui? Por que voltou? Aliás, por que foi embora? – disparou enquanto a garota a olhava confusa e ainda assustada.
- Eu... – Jennifer pareceu pensar – Eu estava ligando para você agora – sorriu de lado e mostrou o celular com o número velho de Jade discado.
- Bom, eu mudei de número, então não adiantaria muita coisa, agora que já me encontrou, pode me explicar o que aconteceu com você todos esses anos? Foi embora sem avisar, não deu notícias – Jade foi perguntando rápido, pegando as sacolas do chão e devolvendo à garota.
- Eu vou explicar, Jade, vem comigo até uma praça de alimentação e eu te compro outra bebida para pagar essa que eu derrubei e explico, ok?
- Aqui não tem praça de alimentação, esqueceu que aqui é a Rodeo Drive e não um shopping? – Jennifer olhou-a sem graça – Vem, vamos ao Starbucks aí você me paga outro Frappuccino de Chocolate e tudo certo – Jade sorriu e ela concordou.
Elas foram até a Starbucks que tinha no final da outra rua, Jennifer comprou o Frappuccino de Jade e se sentaram em uma mesa.
- Eu quero dizer antes de tudo que eu sinto muito por ter ido embora sem avisar, não foi planejado – ela respirou fundo e prosseguiu – Bom, a minha mãe e o meu pai se separaram, então, já que a minha mãe não trabalhava, ela não tinha uma renda boa que sustentasse a casa e suprisse as nossas necessidades. Como eu era menor e meu pai com mais condições, meu pai ficou com a minha tutela e decidiu se mudar comigo para a Suíça e não me deixou avisar a ninguém, mudou até o número do meu celular – Ela explicou e Jade ficou chocada – Me desculpe por não ter avisado, eu realmente não pude.
- Eu não sei o que dizer, Jennifer, sério, não sei mesmo, estou chocada, sei que você deve ter passado uma barra, mas eu precisei de você e você não estava aqui, sei que você disse que não pôde se comunicar com ninguém, mas você podia ter tentado – disse Jade um pouco magoada.
- Jade, você não entende? Eu não podia falar com ninguém, eu sinto muito que eu tenha te abandonado, mas a culpa não foi minha, poxa – ela disse um pouco brava por Jade não entender a situação – Você precisaria de mim para quê? A sua vida é perfeita, você tem dinheiro e não precisa se preocupar com nada, tem uma família unida, tudo o que as pessoas possam querer e precisava de mim por quê?
- Porque a minha mãe morreu – disse simplesmente.
- O quê? – Ela disse assustada.
- A minha mãe morreu na explosão da Grivolly há um ano e meio, os meus avós depois do enterro viajaram para a Itália de novo e não dão mais notícias, o meu pai entrou em depressão, eu, a Anna e o Luke não nos falamos mais, a minha tia ficou tempos abatida, mas ela segurou a barra e a minha família teve muito prejuízo quando a Grivolly explodiu, quase falimos, mas depois a minha tia Katherine conseguiu contornar a situação, e com o dinheiro do seguro conseguiu reconstruir a Grivolly. Você disse que a minha vida é perfeita, mas não é. Eu perdi a minha mãe, o meu pai, os meus avós, a minha tia e os meus irmãos, tudo num pacote só. Você sabe como é morar numa casa onde você não fala mais com o seu pai? Ou com seus irmãos que eram seus melhores amigos? Consegue lidar com a morte da sua mãe? – Jade falou triste – Eu acho que ninguém consegue lidar com isso.
- Jade, me desculpa, eu não sabia – ela sentou do lado de Jade e a abraçou – Eu sinto muito.
- Eu também sinto por tudo que aconteceu com você.
- Podemos voltar a ser amigas? Eu senti muito a sua falta – Jennifer falou, ainda abraçada a Jade e ela sorriu. Jade, mais do que ninguém, precisava de uma amiga.
- Eu posso ter ficado magoada com você, mas nunca deixamos de ser amigas, porém você ainda vai ter que fazer muita coisa para eu voltar a confiar em você como antes – ela disse e sorriu, seu celular tocou, era uma mensagem da Jéssica avisando que a entrega já tinha sido feita – Bom, você não quer ir conhecer a nova Grivolly? – Jade perguntou e Jennifer sorriu – Aposto que você vai amar.
- Mas por que você vai lá? Pensei que não trabalhasse.
- E não trabalho, eu só estou indo checar uma entrega de novo estoque que a minha tia pediu – ela assentiu – Olha, nós vamos lá, aí depois podemos ir almoçar e você me conta como foi lá na Suíça e quando chegou aqui, onde vai estudar e tudo mais.
- Ok – Jennifer sorriu e assentiu enquanto elas caminharam até a Grivolly. Jade checou o estoque e depois foram almoçar. Jade contou sobre a festa e praticamente a intimou a ir, falou do noivado do pai com a tia, ainda falou dos irmãos e, principalmente, da irmã que, para ela, havia se tornado a pior pessoa de mundo.
- Bom, já que terminamos aqui, podemos passar na sua casa pegar a sua roupa para a festa e depois podemos ir lá para casa, o que acha? – ela perguntou animada e Jennifer hesitou um pouco.
- Não, não precisamos passar na minha casa, Jade, eu acabei de fazer compras – Jennifer respondeu rápido e Jade estranhou, mas depois sorriu.
- Tá certo – Jade concordou – A melhor coisa que me aconteceu foi você ter voltado, Jenny – elas sorriram e saíram do restaurante, indo para o carro e seguiram para a casa de Jade.

- Nossa! – Jenny exclamou maravilhada olhando para a mansão onde Jade morava, estava ainda maior do que antes.
- Provavelmente a Anna já deve ter ido terminar de organizar a festa e o Luke não dormiu em casa, então estamos só eu, você, os empregados, os seguranças e o Alfa – Jade falou entrando em casa com Jenny atrás dela. Mas ela não esperava que Anna ainda estivesse em casa e pior ainda, iria estar descendo pela escada principal da sala de estar conversando animadamente com alguém no celular. Assim que as viu parou de sorrir imediatamente.
- O que você está fazendo aqui? – Anna disse tirando os óculos escuros e olhando para Jennifer de cima a baixo.
- Oi, Aninha – Jennifer disse animada.
- Ela voltou, Anna – Jade subiu um degrau e parou de frente à irmã – E pra ficar, você deveria se acostumar a perder, porque é isso que vai acontecer com você enquanto a Jennifer estiver aqui – Jade sorriu sarcástica – Afinal, ela é melhor que você em tudo.
- Isso é você que está dizendo, maninha – Anna sorriu sarcástica, do mesmo modo que Jade fazia – E a sua opinião pouco me importa – ela olhou para Jennifer e saiu desfilando.
- O que foi isso? – Jennifer perguntou, não entendendo o que tinha acabado de acontecer.
- Essa é a nova Anna, Jenny – Jade disse e revirou os olhos – E ela é uma imbecil, acredite.
- Isso eu percebi, mas por que você disse que eu sou melhor que ela em tudo? E que ela tem que se acostumar a perder? – Jennifer seguiu Jade até a cozinha.
- Nada – ela abanou as mãos mostrando que não era nada – Você ainda é boa ginasta?
- Ah, eu só treinei uns três anos por causa da minha mãe – ela disse olhando para Jade – Por quê?
- Eu só queria saber – sorriu forçado pra Jennifer – Vou falar sério, ok? Eu não aguento mais a Anna, ela é um pé no saco e eu a odeio.
- Jade, eu sei que vocês pararam de se falar, mas não é possível que você odeie a sua irmã.
- Você viu o que acabou de acontecer? – perguntou Jade – A única coisa que sabemos fazer é brigar, ela me odeia, eu odeio ela e um dia, você pode escrever, Jenny, um dia eu ainda vou vê-la engolir todo esse ar de superioridade que ela carrega e vê-la sozinha. Completamente sozinha.
- E como você pretende fazer isso? – Jennifer perguntou.


Capítulo 02

- Eu ainda não sei, mas vou pensar em algo – Jade acabou de dizer, e sua tia entrou na cozinha sorrindo.
- Amiga nova, querida? – Ela colocou umas sacolas de tecido em cima do balcão e as olhou.
- Não lembra dela, tia Kathy? – ela perguntou e a tia negou – É a Jenny, Jennifer Colt.
- A abelhinha? – A mulher perguntou e Jenny sorriu. Ela deu esse apelido à Jennifer porque quando ela era pequena sempre usava uma tiara com um par de antenas de abelha – Meu bem, como vai você? Quanto tempo.
- Eu vou bem e a senhora? – ela perguntou educada.
- Eu estou um pouco triste por duas coisas – ela abaixou a cabeça e Jade olhou para ela já sabendo o que ela ia dizer.
- Por que a senhora está triste? O que aconteceu? – Jenny perguntou.
- Estou triste porque você me acha tão velha que precisa me chamar de senhora – a mulher riu ao ver as bochechas de Jeniffer corarem – Estou brincando, querida, mas pode me chamar de você, por favor – ela disse – E bom, eu estou triste porque os meus sobrinhos só sabem brigar.
- Ah, que isso – Jade revirou os olhos sem paciência – Essa ladainha de novo não, você sabe que a Anna é uma vadia e o Luke um marginal idiota, e eu tentei de tudo para voltarmos a nos falar.
- Jade, não fale assim dos seus irmãos, a sua irmã não é uma vadia e o seu irmão não é um marginal – Katherine reclamou – Vocês três se distanciaram quando a Olivia morreu mas nenhum de vocês tentou voltar a se falar, nenhum – ela frisou – E não diga que fez de tudo porque não foi verdade, nenhum dos três fez algo para mudar o distanciamento de vocês.
- Tá, Katherine, continue defendendo eles e me deixe em paz – a menina revirou os olhos e deu as costas à tia – Vamos, Jenny – puxou a amiga para fora da cozinha e foram para o quarto de Jade.
- Você não deveria ter tratado sua tia dessa maneira, ela não merece.
- Eu estou cansada dela ficar defendendo eles.
- Relaxa, Jade, você tem que parar de se estressar com tudo.
- Tá. – respirou fundo – O que vamos fazer agora?
- Você pode me contar como o pessoal está, tipo o Peter, o Zack, a Kimberly, a Marina, o Jack, – ela sorriu – o Henry.
- Bom, – Jade começou – o Zack e a Marina estão namorando já tem um ano e são um casal até bonito, mas ele é ciumento pra caralho. O Peter e o Jack você vai ver hoje no luau. A Kimberly é a melhor amiga da Anna e é a maior vadia da escola, mas eu acho que ela só é assim porque ela quer chamar a atenção do Luke. Lembra que eles até se gostavam? – ela acenou com a cabeça – Então, eles começaram a namorar pouco antes da mamãe morrer, aí quando a nossa mãe morreu ele se afastou de nós, terminou com a Kimberly e desde então eles vivem brigando. E o Henry está namorando a Anna.
- O quê? – ela perguntou sem entender – Como assim namorando?
- É, eles são os mais populares do colégio. O capitão do time de futebol e a capitã da equipe de líderes de torcida. O rei e a rainha do baile. O Nate e a Blair de Beverly Hills.
- Não acredito nisso, eu nem mesmo estava aqui e ele me troca por ela, ele gosta de mim – Jennifer alegou ainda sem acreditar.
- Ele gostava de você – Jade foi dizendo provavelmente com algum plano em mente - Ele gosta dela agora e pelo que todo mundo vê, ele gosta muito dela.

Depois de Jennifer se lamentar um pouco sobre o namoro de Anna e Henry, elas fizeram um lanche e prepararam suas roupas para o luau colocando-as em cima da cama. Já eram 18h e o luau seria às 20h, e já que era um evento particular quem chegasse depois das 20h não entraria mais.
- Toma banho no meu banheiro, vou tomar no do corredor – Jade falou e saiu do quarto indo para o banheiro do corredor, antes passando pelo quarto de Anna, que por incrível que pareça, estava com a porta entreaberta. Não resistiu.
Jade entrou no quarto que antes era o seu refúgio nas noites de chuva quando tinha pesadelos. Ela e Anna quando eram menores, compartilhavam de uma amizade profunda e sincera que as pessoas até achavam estranho, já que elas nunca brigavam e faziam tudo juntas. Uma onda de nostalgia invadiu Jade quando ela olhou para o mural de fotos preso em cima da escrivaninha. No mural havia várias fotos de campeonatos, do Henry, da Anna com a Kimberly vestidas com o uniforme, das meninas todas juntas, fotos dos pais, do irmão e até dos garotos. O que Jade não esperava é que no centro do mural preso por um imã escrito “melhor irmã do mundo” havia uma foto dela com a irmã e o Alfa (o cachorro da família) no jardim de casa sorrindo, maravilhosamente felizes. Jade, mesmo não querendo admitir, sentiu saudades, chegou mais perto do mural querendo pegar a foto para olhar mais de perto e poder reviver aquele momento, mas a voz de Jenny vinda do quarto a assustou, fazendo-a derrubar uma caixinha que estava em cima da escrivaninha. Da caixinha caiu papéis, algumas fotos, uma palheta, algumas medalhas de campeonatos de ginástica que a Anna tinha ganho quando era menor e uma pulseirinha com pingentes de doces que tinham comprado quando eram menores, ela não acreditou que Anna tinha guardado aquilo. Por que ela guardaria? Não fazia sentido. Depois de ouvir outro chamado de Jenny, Jade pegou a caixa, guardou todas as coisas dentro e pôs em cima da escrivaninha, saindo do quarto e indo para o banheiro tomar seu banho e se preparar para o luau.

Enquanto Jenny se arrumava, Jade se olhava no espelho, mais precisamente para a sua inseparável correntinha de ouro com pedrinhas brilhantes – era uma correntinha importante, já que sua mãe desenhou especialmente para suas filhas, a única diferença era que na de Jade tinha uma “J” e o da Anna tinha um “A” como pingente. Não parava de pensar na correntinha depois de encontrar a pulseira que Anna guardava na caixinha. Jade ficou em dúvida de onde Anna teria guardado a corrente dela já que nunca reparou se ela ainda usava. Quando o telefone do andar de baixo tocou, os pensamentos de Jade sumiram. Aquilo não importava. Anna ainda era a mesma vadia e Jade ainda precisava de um plano para acabar com ela.

(...)

Casa dos Lombarddi – 20h20

Já prontas, se despediram da tia de Jade e foram até o carro. A via N Santa Mônica Blvd e I-10 W não estavam engarrafadas. Apesar do grande fluxo de carros, chegaram à praia de Santa Mônica rapidinho. Andaram por uns minutos até chegarem em uma área que estava com uma corda e dois seguranças ao lado. Se identificaram como alunas do Beverly Hills High School e eles as deram duas pulseiras brancas de identificação. A área estava toda decorada com luzes e enfeites havaianos, uma pista ao meio e uma mesa suspensa por um palco em frente a pista com um DJ tocando uma música qualquer e vários alunos da escola dançando. Jade procurou pela irmã e não a encontrou, ela ainda não tinha chegado – provavelmente chegaria por último com seus capachos e o Henry para fazer cena. Puxou Jennifer e foram dançar um pouco. Quando viu que Peter e Jack tinham chegado foi mostrar quem tinha voltado, não foi como um comitê de boas-vindas, mas eles ficaram contentes pela volta dela. Peter é como um cavalheiro, educado e super galante, é realmente o cara que qualquer garota quer ter, já o Jack é o bad boy do colégio, faz parte do time da escola e é o detentor do título de garoto mais rico do Beverly Hills High School – o pai do Jack é um empresário bilionário e engenheiro –. Jade sinceramente não sabia como o Peter era o melhor amigo dele, ou como ela era amiga dele já que ele é todo fechado, mal-educado e adorava humilhar as pessoas. Já eram 20h05 quando as luzes começaram a piscar de uma maneira alucinante, todos olharam para a entrada e viram a elite, vulgo: Kimberly, Zack, Henry e Anna.

- Minha nossa, o Henry está tão lindo – Jennifer suspirou e Jade concordou.
- Ah, não acredito que vocês estão suspirando pelo bocó do Scott – Jack disse revirando os olhos olhando para a Henry – Eu não sei o que esse cara tem que fazem vocês suspirarem tanto.
- Ah, eu não sei, Jack, ele é o Henry, qualquer garota seria maluca se não tivesse uma queda por ele – Jennifer disse sarcástica e Jack sorriu.
- Bom, querida, eu sou Jack Malloy – sorriu sarcástico se aproximando dela, usando o mesmo "argumento" que usava com todas as garotas – Sem falar que eu sou o cara mais rico da elite do Beverly Hills High School – ele terminou de falar e pegou na cintura dela, colando seus narizes e ela suspirou. Jade e Peter riram, ele estava seduzindo-a e ela caiu direitinho – Essa é a diferença entre nós dois, enquanto ele tenta ser o cara rico, gostoso e legal eu faço isso sem nenhum esforço – quando terminou de falar a agarrou e começaram a se beijar.
- É, parece que sobramos – Jade disse se virando para Peter.
- Pois é – ele sorriu – Olha, parece que a sua irmã vai falar alguma coisa – ele apontou para o palco com a cabeça e ela se virou. Anna estava em cima do palco e o DJ deu o microfone a ela que sorriu agradecendo-o.
- E aí, galera, estão gostando da festa? – todos gritaram um 'sim' e ela sorriu – Bom, eu quero avisar que se vocês se cansarem de dançar e curtir aqui na pista podem ir ao píer de Santa Mônica, eu consegui que liberassem o espaço e ele está fechado só para os estudantes do Beverly Hills High School, só precisam mostrar que vocês têm a pulseirinha branca para os seguranças que eles liberam, era só isso, aproveitem – ela desceu do palco e foi para perto do Henry. Zack tinha sumido e a Kimberly beijava um garoto como se não houvesse amanhã. Olhou para os lados procurando Jennifer e a encontrou perto de uma mesa com algumas bebidas.
- Ei, cadê o Jack? – Perguntou.
- Não sei, ele disse que precisava resolver umas coisas e saiu com o Peter – Jennifer explicou e Jade deu de ombros, pegando uma cerveja e começando a se mexer com a batida da música, ainda bem que era sábado e ainda teriam o domingo para aproveitar, porque ir de ressaca para a escola de manhã cedo seria terrível.

(...)

Píer de Santa Mônica – 31 de agosto de 2010 – 02h15
- Kim – Anna chamou a amiga que estava bebendo uma cerveja – Me ajuda lá no depósito de bebidas no píer? Preciso repor o freezer da festa.
- Bora lá, preciso mesmo sair de perto do Kevin – Ela respondeu e foram para o depósito nos fundos do píer – Anna, o garoto só sabe falar de si mesmo e quando não fala dele fica falando dos passes que tem que fazer, é irritante.
- Foi você que escolheu trazer esse cara, Kim, e agora tá reclamando? O cara é mais velho, praticamente nem estuda nada na faculdade, só deve estar lá por causa do time de futebol – Anna disse pegando algumas caixas de cerveja e dando para Kim – Coloca no freezer e volta pra cá, ok? – Kimberly concordou.
Anna esperou alguns minutos e viu que Kimberly não voltaria mais, então resolveu checar a lista de bebidas sozinha. Quando terminou, saiu e viu que não estava sozinha.
- Ah, pensei que não fosse voltar e me ajudar com... – ia falando quando percebeu que não era Kimberly e se escondeu atrás do balcão. Eram seu irmão, Jack e Peter. Eles pareciam discutir e ela parou para ouvir.
- O que você estava pensando quando mandou seus fornecedores de drogas virem aqui, Jack? Ficou maluco? Se a polícia baixar aqui vai dar merda para todo mundo, cara – Peter falava exaltado enquanto Jack olhava para o celular toda hora.
- Olha, não vai dar merda nenhuma, tá tudo sob controle – Jack disse calmo – Eu só pedi um novo carregamento porque o Luke tava precisando de uma ervinha e tem uma galera do colégio que precisa de algo a mais pra poder se divertir.
- Relaxa aí, Peter – Luke falou – Fica na boa que vai dar tudo certo.
- Vocês não entendem a gravidade do problema, não é? – Peter perguntou quando Anna apareceu furiosa assustando-os.
- Então quer dizer que você pediu um novo carregamento para o meu irmão se entupir de drogas e mandou virem diretamente para a minha festa? – Anna gritou, sorte que a música estava alta, se não todos iriam ouvir – Você enlouqueceu? – Anna deu um tapa forte no braço de Jack, que pôs a mão no lugar – Se isso der errado vai sujar pra mim, sem falar que você ta vendendo drogas para menores e isso... – Anna ia bater nele de novo, só que ele segurou seu braço.
- Para de me bater, ô garota, que eu não tô de bom humor pra ficar apanhando não – Jack terminou de falar quando dois homens chegaram e ele largou o braço de Anna.
- Foi aqui que pediram um novo fornecimento de drogas? – um dos homens falou olhando para Jack que acenou com a cabeça.
- Eu vou embora daqui – Anna disse e todos olharam para ela – Não quero que pensem que eu estou compactuando com isso – ela foi saindo quando ouviu uma gritaria de onde vinha a festa e várias sirenes cercando o lugar.
- Vocês estão presos por tráfico e venda de drogas – um dos policiais disse enquanto prendia Anna e os outros e os colocavam nos carros a caminho da delegacia.

(...)

Casa dos Lombarddi – 02h35
Estavam tão cansadas quando chegaram em casa que nem perceberam as mensagens no celular. Entraram sem fazer barulho e foram para o quarto. Jade prendeu seu cabelo em um coque e jogou os sapatos em um canto, Jenny se jogou na cama, enquanto Jade sentou na poltrona do canto do quarto e fechou seus olhos, descansando um pouco.
- Você estava certa – Jennifer disse depois de um tempo em silêncio, levantou a cabeça e olhou para Jade.
- Sobre o que exatamente?
- Sobre a Anna – ela disse e Jade murmurei um "ah" e ela continuou – Ela é uma vadia.
- Tá, isso aí, eu e o planeta inteiro já sabe – Jade falou sarcástica e ela riu – Mas como foi que você chegou a essa conclusão?
- Depois que eu e o Jack terminamos de nos beijar...
- De se engolir você quis dizer – Jade a interrompe e ela revirou os olhos.
- É, essa porra aí, posso continuar? – Jade balançou a cabeça rindo – Eu fui te procurar e acabei esbarrando nela...

FLASHBACK ON
Jennifer’s POV
23h47
Tinha acabado de esbarrar em alguém, levantei a cabeça e vi que era a Anna.
- Me desculpe, Aninha, eu não te vi, foi sem querer – eu dizia enquanto ela me olhava.
- Não me chame de Aninha – ela disse fria – Não somos amigas.
- Eu... Me desculpe – eu olhei para o chão – Antes de eu viajar nós éramos amigas, você não lembra? Eu, você, a Jade, a Kimberly e a Marina – por um momento pensei ter visto um resquício de bondade nos olhos dela.
- Não, não lembro – ela chegou mais perto de mim – A única coisa que eu lembro, Jennifer, é de você ter nos abandonado, de você ter abandonado a Jade quando ela mais precisou, que foi no dia em que a nossa mãe morreu, então não, não me lembro de nada, nem de você e nem dessa amizade que ficou pra trás no dia em que você foi embora – ela disse aquilo com tanto ódio que me deu vontade de chorar – A única coisa que eu tenho que dizer a você é que fique longe do Henry, eu sei que você sempre gostou dele e que acha que só porque voltou agora pode tomar o que é meu, mas não pode e não se engane, queridinha, você não tem chance – ela me deu as costas e saiu, eu enxuguei algumas lágrimas que caíam sem minha permissão e a olhei com raiva.
- É o que nós veremos.

FLASHBACK OFF

- Foi isso? – Jade encarou a amiga – Ela te ameaçou? E você resolveu se vingar? – ela afirmou – Ah, você é das minhas – ela comemorou.
- Precisamos de um plano, você sabe, pra acabar com o reinado dela.
- É, eu sei, e eu já pensei em um plano – Jade sorriu – Não é à toa que eu sou a irmã inteligente.
- Então, qual é o plano? – Jenny perguntou sentando no chão, em cima do tapete felpudo, mais perto da poltrona em que Jade estava sentada.
- Preciso falar com o Jack primeiro, se ele topar, ele vai ser a parte principal do plano.


Capítulo 03

O dia amanheceu e foi de uma ressaca só. Jennifer estava parecendo um zumbi e meia hora atrás ainda dormia, porém Jade a acordou com uma travesseirada e ela só faltou trucidar a menina, mas isso era só um detalhe. Como Jade tinha acordado primeiro, aproveitou para fazer sua higiene matinal e se vestir. Pegou seu iPhone que estava na cabeceira e abriu o WhatsApp. Mensagens do clube de teatro, mensagem do Peter, ignorou todas e abriu na conversa com Jack e mandou: "Tenho um plano e preciso da sua ajuda, me encontre no shopping Beverly Center às 14h15, em frente a loja ‘DOLCE & GABANNA’''.
Jennifer saiu do banheiro já pronta.
- Vamos ao shopping encontrar o Jack, preciso conversar com ele sobre o plano – avisou a Jennifer e ela assentiu, pegando sua bolsa que estava na cômoda.
- Amanhã você passa lá em casa para irmos ao colégio? – Jenny perguntou.
- Claro – sorriu.

(...)

Shopping Beverly Center – 14h25

Chegaram ao shopping e foram direto para a entrada da loja, onde Jack já as esperavam. Ele deu um sorriso de canto, e mesmo Jennifer não querendo admitir, quase caiu para trás. A verdade era que desde a festa ela tem uma queda por ele, afinal quem nunca? Ter uma queda por Jack Malloy é uma coisa que todas as garotas um dia terão.
- E aí? – Jade falou indo direto ao ponto – Então, eu preciso conversar com você sobre uma coisa muito importante.
- Ok, mas antes... – ele puxou Jennifer e deu um selinho demorado, deixando Jade sem graça.
- Você quer parar de ficar agarrando a Jenny toda hora? Isso é importante, Jack – Jade disse irritada, e ele riu levantando os braços, dizendo que era inocente, fazendo com que ela revirasse os olhos – Vamos então? – ele afirmou.
Foram até a praça de alimentação e sentaram.
- Então, Jade, o que você quer me falar de tão importante que não podia esperar até amanhã no colégio?
- É um assunto importante, Jack, não se pode falar sobre ele no colégio. – Jenny disse e Jade afirmou.
- Eu vou direto ao ponto, eu tenho um plano para acabar com o reinado de Anna e do Henry e preciso da sua ajuda para isso – disse e esperou sua resposta.
- O que eu tenho a ver com isso? – ele perguntou sem entender.
- Tem tudo a ver, olha, eu preciso de você para me ajudar com isso, eu só preciso que você diga que está dentro – Jade olhou para ele suplicante – Eu sei que você odeia o Henry e esse pode ser o jeito de você destruir ele e de brinde leva a Anna.
- Olha, para mim será um prazer destruir o Henry, mas eu posso fazer isso sem precisar do seu planinho – ele disse sarcástico.
- O que seria mais humilhante? Destruir o Henry dentro do time ou roubar a namorada dele fazendo a mesma o trair por estar com Jack Malloy? – levantou uma sobrancelha e olhou para ele. Malloy pareceu pensar no assunto.
- E o que eu ganharia com isso? – ele perguntou cheio de interesse.
- A chance de ter Anna Lombarddi na sua lista de garotas que já pegou, virar o novo capitão do time e colocar má fama no Henry.
- E o que mais? – ele continuou.
- O que você quer mais? – Jade perguntou sem saber mais o que dizer.
- Eu quero que você limpe a minha ficha na polícia – ele disse simplesmente, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
O quê? A primeira reação de Jade foi rir, mas quando viu que ele não riu com ela viu que ele estava falando sério. Por que ele queria que ela limpasse a ficha dele na polícia? Como ele achava que ela poderia fazer isso? E o que tinha acontecido para ele ter uma ficha na polícia?
- O quê? – perguntou meio que para confirmar.
- Por que a surpresa? – ele disse grosso.
- Bom, é que eu não faço ideia do que você tenha feito para ter uma ficha na polícia, você não é santo, eu sei, mas daí a ser fichado na polícia é um pouco demais, não acha? – ele deu de ombros como se não fosse nada demais – O que aconteceu?
- Você não viu os jornais ainda? – Jade negou – Eu, o Peter, o Luke e a Anna fomos presos – ele disse e elas se surpreenderam – Sua irmã se intrometeu no meu fornecimento de drogas e acabamos em cana. Anna e o Luke foram liberados porque estavam limpos e tiveram suas fichas intactas, e o Peter também, mas eu não, quer dizer, eu fui liberado depois de pagar uma fiança, mas a minha ficha tá suja, se eu for pego de novo posso ir pra cadeia por tempo indeterminado. E advinha quem livrou a cara dos seus irmãos? O seu tio Tyler, que por acaso é policial, então se você quiser que eu participe desse plano vai ter que arranjar um jeito de limpar minha ficha – Jade pareceu pensar um pouco.
- Tá, eu dou um jeito – Jade concordou – Pode demorar, mas eu dou um jeito.
- Então eu aceito, mas – ele levantou um dedo – quero que me explique todo esse plano direitinho.

(...)

Casa dos Lombarddi – 15h20

Após a conversa com Jack, Jade conseguiu achar Jennifer numa loja qualquer e foram embora. Passou na casa de Jenny, treinaram um pouco para o teste de amanhã, depois voltou para casa. Seu pai provavelmente faria plantão no hospital e Katherine ficaria na Grivolly até mais tarde. Luke provavelmente não iria para casa e Anna já devia ter chegado. Subiu a grande escadaria central e foi até seu quarto. Tomou banho e pôs seu pijama, pegou sua mochila e organizou os livros que deixaria no armário do colégio, seu material e uniforme. Amanhã seria o dia em que colocariam o plano em andamento e ela esperava que desse certo. Jade estava ansiosa para amanhã, de fato, seria o início de uma nova geração no Beverly Hills High School, ninguém mais seria excluído. Ninguém. Só Anna Lombarddi.

(...)

Casa dos Lombarddi - 01 de Setembro de 2010 – 07h25

Fazia meia hora que Jade estava acordada, já tinha tomado banho, vestido seu uniforme e estava tomando café. Anna desceu as escadas vestida em seu uniforme de líder de torcida e passou direto pela sala de jantar e saiu. Era hoje. Pegou sua mochila e foi para a garagem, entrando no carro e seguindo para a casa da Jenny.

(...)

Beverly Hills High School – 07h45

Jade e Jennifer tinham acabado de chegar no colégio e já podiam ver os cartazes espalhados pela escola: "Hoje é o dia dos testes para a equipe de líderes de torcida, se você tiver talento, quem sabe pode se dar bem? Não perca! Hoje, 13h no campo do colégio." E logo embaixo podia ver a quantidade de alunas que se inscreveram, eram para mais de 30 fichas de inscrições no porta folha do mural de avisos.
- Não acredito que vou fazer esse teste, eu nem gosto de animar – Jenny ia falando enquanto colocava seus dados na folha de inscrição e Jade olhava a foto da equipe de líderes de torcida no último campeonato internacional em que, mais uma vez, o seu colégio foi campeão – Eu queria era entrar para o jornal da escola, você sabe, quero ter créditos para conseguir passar em jornalismo em alguma faculdade da Liga Ivy.
- Você vai entrar para o time de animadoras, um time que já venceu vários campeonatos, só de você colocar isso na sua carta de admissão, você passa na hora – Jenny suspirou sem questionar, estava fazendo isso para conseguir ganhar de volta a confiança de sua melhor amiga – Além do mais, tá muito cedo pra você se preocupar com isso, ainda estamos no segundo ano, Jenny.
O sinal bateu e elas foram para suas respectivas salas, o dia seria longo.

(...)

09h50

- ... Anna, você não entende, ele era muito gato e nós passamos a noite juntos e foi tão... – Kimberly falava, mas foi interrompida pelo barulho da porta do armário de Anna sendo fechado com força, chamando a atenção de alguns alunos que estavam pelo corredor – Eita, amiga, cuidado, só faltou quebrar o armário – ela disse olhando o rosto nada amigável de Anna – Mas deixa eu continuar, então... – Kimberly foi interrompida de novo.
- Kim, será que você ainda não percebeu que eu não estou a fim de ouvir sobre a sua noite maravilhosa com um desconhecido? Eu estou cansada e com raiva, então se você não parar de falar sobre o quanto o sexo de vocês foi maravilhoso, eu vou ser obrigada a socar a sua cara, tá entendendo? – Anna disse com raiva, pegando a mochila do chão e saiu andando. Kim foi atrás.
- Poxa, Aninha, o que você tem? O que de tão horrível pode ter acontecido pra você ficar tão irritada?
- Ah, Kim, que bom que perguntou – Anna disse sarcástica – Aconteceu que enquanto você estava transando como uma vadia louca, eu estava na delegacia com o Luke, o Peter, e é claro, o Jack, e nem você e nem o Henry estavam por perto para me ajudar. O meu rosto está estampado em todas as colunas sociais de hoje, eu estou rezando para a treinadora não descobrir, senão eu posso até perder o posto de capitã ou pior, posso ser expulsa da equipe – Anna suspirou – Olha, me desculpa, mas eu estou atrasada, depois a gente conversa – e saiu.
Kim e Anna não tinham aula juntas hoje, então depois que Anna saiu em uma direção, Kim seguiu a direção oposta e foi para sua sala e encontrou Henry sentado, mexendo no celular.
- Onde você estava ontem à noite? – ela perguntou rápido e ele se assustou – Responde, Henry.
- Calma aí, Kimberly, o que foi? – ele disse assustado – Eu estava no mesmo lugar que você, oras – ele respondeu meio óbvio – Estava no luau junto com a minha namorada.
- Não, não estava – ele não entendeu – Acabei de falar com a Anna e ela está furiosa, disse que deu um problema no luau e ela acabou indo parar na delegacia junto com o Luke, o Peter e o Jack e nenhum de nós dois estava lá quando ela precisou – ele pareceu se lembrar de alguma coisa e ficou quieto – Afinal, onde você estava nessa hora? Eu lembro que eu e ela fomos repor as bebidas e eu deixei ela sozinha lá trás checando a lista de bebidas porque tinha recebido uma mensagem do Kevin – Kimberly pensou um pouco – Mas e você? Estava onde?
- Eu tive que atender uma ligação urgente do meu pai – ele disse rápido.
- Você sabe que estamos ferrados, né? – ela disse deixando o assunto no ar – Ela está puta da vida, só faltou me bater.
- Bom, eu não sei você, mas eu tenho ótimas maneiras de fazer a Anna me perdoar – ele sorriu – Vou comprar um buquê de hortênsias, que são as flores que ela gosta, fazer uma reserva no melhor restaurante e depois passaremos a noite juntos. Ela ama quando eu sou romântico.
- E eu sou a melhor amiga dela, tudo o que você fizer vai deixar ela de bom humor e ela vai me perdoar também – eles riram e o professor entrou na sala, passando algumas páginas para fazerem a lição.


Capítulo 04

Beverly Hills High School – 10h30
Em uma das trocas de sala, Jade viu Jack indo para o lado oposto ao das salas e foi atrás dele.
- Ei, Malloy – chamou e ele a olhou – Aonde você vai?
- Vou matar a quarta aula, tô sem saco para matemática – ele disse simplesmente – E você, pequena Lombarddi? Está fazendo o que aqui ainda? Não está atrasada para a aula? – ele disse sarcástico e ela revirou os olhos.
- Por que você fica me chamando de pequena Lombarddi? Que coisa mais ridícula – ele riu – E respondendo a sua pergunta anterior, eu vi você indo na direção oposta aos corredores das salas e vim ver o que você vai fazer, mas também queria saber se você vai para o teste de líderes de torcida?
- Bom, eu não quero entrar para a equipe de líderes de torcida, e convenhamos, eu não ficaria tão bem numa mini saia tanto quanto a Jennifer ou até mesmo você – ele riu ao ver a cara de indignação da menina.
- Não, seu idiota, o que eu quis dizer foi se você vai assistir ao teste da Jenny?
- Ah sim, eu vou, quero ver as garotas tentarem entrar para o time e a Anna destruir o sonho delas – riu – Uma coisa que eu admiro na Anna é que ela consegue ser tão cruel quanto eu.
- Ok, eu vou com a Jenny para o campo às 12h40, você vem com a gente?
- Tanto faz – deu de ombros – Fui.
E ele foi embora, sem dar nenhuma certeza para Jade, que quando percebeu que estava que nem idiota parada no corredor, correu até a sua sala para não perder a aula, isso se a professora a deixasse entrar.

(...)

Campo de treino do Beverly Hills High School – 12h50

Jade foi com Jennifer até o campo, deixou ela junto das outras e se sentou na arquibancada. Jack chegou pouco depois junto com alguns alunos que queriam assistir também. Dava para sentir o nervosismo das meninas que estavam ali, não era por que não sabiam as acrobacias ou os passos, e sim porque em todos os testes a treinadora ia assistir e ela era muito rígida. Ela falava na cara que a pessoa era ruim e que não tinha como melhorar, ela fazia a pessoa se sentir pior que um verme. Depois de alguns minutos, Kimberly chegou e Anna veio atrás conversando com a treinadora, elas pararam de frente para as meninas e Jade percebeu que Anna olhou para Jennifer e não expressou nenhum sentimento. Nem raiva, nem surpresa, nada. Estranho.
- Bom, antes de começar eu tenho algumas coisas para dizer, certo? – a treinadora começou e todas assentiram – Eu quero que vocês tenham em mente que a equipe de líderes de torcida não é para vocês ganharem popularidade, e sim para animar, competir e, principalmente, vencer campeonatos, sendo eles dentro ou fora da escola, além de campeonatos regionais, estaduais, nacionais e internacionais de cheerleaders. Se vocês vieram aqui fazer o teste com o intuito de ganhar popularidade então é melhor ir embora porque eu não quero perder o meu tempo – ela disse séria e ninguém saiu ou disse nada – No mínimo o que vocês precisam ter para entrar no time é: equilíbrio, destreza, sincronia, saber trabalhar em equipe, saber fazer saltos e acrobacias com passos de danças e saber respeitar sua capitã e suas companheiras de equipe. Para quem não sabe, o que eu duvido muito, a capitã da equipe é a Anna – Anna levantou a mão se “apresentando” – Eu espero que vocês se saiam bem.
Jennifer engoliu em seco e olhou para a amiga na arquibancada. Estava com medo e nem lembrava mais o porquê tinha topado fazer isso, já que o que queria mesmo era entrar para o jornal da escola e conseguir sua carta de recomendação para fazer jornalismo na faculdade. Droga, se não quisesse mesmo que Jade confiasse nela não estaria fazendo aquilo.
- Adoro mulheres de pulsos firmes – Jack disse, aparecendo de repente do lado de Jade, que olhava para a treinadora. A menina revirou os olhos.
- Vocês já alongaram, não é? – a treinadora perguntou e as meninas assentiram – Então vamos começar, a Anna e a Kimberly vão mostrar alguns passos básicos para vocês e vocês vão repetir, ok? – a treinadora disse e elas assentiram novamente.
- V alto – Anna disse e ela e a Kimberly fizeram. – Touchdown – elas repetiram. – Arco e flecha – repetiram. – Clap – repetiram de novo. – Beleza, pelo menos as posições básicas elas sabem.
- Agora vamos ver se vocês conseguem fazer algumas acrobacias – a treinadora deu a ordem para Anna.
- Essas aqui também são posições básicas de acrobacias então não tem nenhum segredo, façam o que eu fizer – Anna disse. – Back Walkover – ela fez uma acrobacia e em seguida as meninas fizeram também. – Front Walkover – repetiram o movimento ao contrário. – Roundoff – repetiram outro movimento. – Por enquanto estão indo bem.
- Agora vamos fazer as acrobacias da nossa coreografia do ano passado, façam o que eu fizer – Anna e Kimberly fizeram alguns passos de dança misturados com acrobacias básicas e fecharam com um Roundoff paralelo. – Façam igual – a treinadora mandou, as meninas tentaram fazer e algumas até conseguiram mas outras não, o que não deixou a treinadora feliz.
- Parem – a treinadora mandou e todas pararam na hora, fazendo com que elas se atrapalhassem e algumas caíssem – O que vocês acham que eu sou? Algum tipo de idiota? O que foi isso? Acha que eu tenho tempo para perder com vocês? – ela foi perguntando em tom crítico – A maioria de vocês foram péssimas, mal sabem fazer acrobacias, meu Deus – ela respirou fundo e revirou os olhos – Porém, algumas se salvaram – ela disse sem paciência olhando na lista, e com os números das inscrições ela pôde identificar as meninas – Jennifer, Peyton, Rachel, Whitney e Alice venham para cá, o resto pode ir, vocês me dão vergonha – disse entregando a lista para Kimberly – Agora é a segunda fase, vocês vão mostrar as suas habilidades como ginastas e as três melhores entram para o meu time – ela se sentou em uma das cadeiras da bancada e ficou as observando.
As meninas fizeram o que a treinadora mandou. Danças de um lado, acrobacias do outro e todas nervosas. A treinadora levantou e mandou elas pararem, pelo visto já tinha escolhido. Era impressionante a percepção que a treinadora tinha para meninas que tinham talento.
- Muito bem, venham para cá, Jennifer Colt, Amélia Wilson e Alice Miller, o resto pode ir embora – a treinadora falou e se virou para Anna – Entregue as bolsas de ginástica e avise sobre os horários de treino, ok? – Anna assentiu – Ótimo, as garotas da equipe principal são: Anna Lombarddi, que continua como capitã, Kimberly Evans, Jennifer Colt, Charlotte Jones, Sasha Folley, Angelina Hayes, Lucy Hernandez, Claire Smith, Sabrina White, Taylor Peterson e Victória Garcia. E as reservas são: Amélia Wilson e Alice Miller – a treinadora anunciou e depois saiu.
- Bom, meninas, para começar, podem ir pegar as bolsas de ginástica em cima da arquibancada e voltem pra cá – Anna falou para as meninas e elas pegaram as bolsas – Os horários de treinos são segunda, quarta e sexta das 13h às 15h e aos sábados das 08h às 12h – as meninas a olharam assustadas – É, até nos sábados. Se acostumem com isso, até porque foram vocês que quiseram entrar para a equipe – disse meio grossa e algumas das meninas da equipe riram sabendo como Anna infernizaria a vida das meninas nas primeiras semanas.
- Não assuste elas, Aninha, é o primeiro dia, pegue leve – Charlotte disse olhando com carinho para as meninas – Não se assustem, ela é assim mesmo, afinal é a capitã e tem que nos botar na linha, mas vocês vão gostar e se acostumar com ela – Anna revirou os olhos, provavelmente estava sem paciência.
- Voltando ao que interessa – Anna voltou a falar – Existem regras que vocês precisam cumprir, como: é proibido que vocês usem suplementos ou anabolizantes, faltem aos treinos sem justificativa, usar o vestiário de maneira inadequada – uma garota ia levantando a mão – Exemplos: usar drogas ou bebidas alcoólicas em dias de jogos, se pegar com garotos, etc. – a mesma garota olhou assustada para ela – Acredite, isso acontece – a menina assentiu – Vocês vão ter que entrar em forma também, podem usar a academia do clube aqui em frente ao colégio, ela é vinculada com a escola assim como o clube – as meninas assentiram – Além de fazer uma dieta, é claro, depois de saírem daqui passem na enfermaria e se consultem com a nutricionista, ela vai prescrever uma dieta para vocês se manterem no peso ideal.
- Anna, você não esqueceu de nada não? – Kimberly perguntou e Anna lembrou na hora. Era um detalhe importante.
- E é claro que vocês têm que manter as notas acima de sete, senão podem ser suspensas dos jogos ou podem ser expulsas da equipe – Anna terminou de explicar e as meninas não podiam estar mais assustadas, era muita coisa para ser líder de torcida.
- Por hoje é só isso, semana que vem começaremos os treinos e sempre que tiver treino vocês estão liberadas para vir com o uniforme direto de casa. Agora vocês já podem ir – Anna terminou e saiu andando junto com Kim. Jade chamou Jenny e foram embora.
Fase 1 do plano: Completa. ENTRARAM EM TERRITÓRIO INIMIGO.


Capítulo 05

Beverly Hills High School - 10 de Setembro de 2010 – 11h30
Aula de filosofia, uma das piores matérias que existe e uma das poucas que Jade tinha com Jenny – que por um acaso estava encarando o relógio com uma cara de dor.
- O que foi? – Jade perguntou, olhando para ela – Você está encarando o relógio com uma cara estranha.
- Eu... – ela suspirou – Faz uma semana que eu estou na equipe e já estou cansada, treinar com a Anna é como estar no exército, ela é uma ditadora.
- Você aguenta – Jade falou simplesmente e Jenny revirou os olhos – Olha, o que você conseguiu, muitas garotas se matariam para conseguir, você está na equipe de líderes de torcida da escola e a maioria dessas garotas querem ser populares – começou a falar mais baixo perto dela – Mas nenhuma quer ultrapassar a Anna porque tem medo dela, mas você não, você vai destruir ela e pegar o Henry de volta.
- Jay, eu sei que na sua cabeça, esse seu plano maluco deve ser um máximo, mas eu estou começando a achar que não vai dar certo. A Anna não vai confiar em mim – Jenny disse escrevendo o que estava no quadro.
- Jenny, se você fizer tudo direito ela vai confiar sim, agora relaxa e segue o plano direito – ela assentiu – A única que vai perder com isso é a Anna.

(...)

12h
Do outro lado da escola, um jovem alto de cabelos escuros conversava com outro mais baixo e pareciam discutir. O mais baixo estava com um pacotinho transparente na mão e o maior tremia falando alguma coisa. Kimberly estava passando por ali e reconheceu o irmão da sua melhor amiga como o garoto que tremia alucinadamente e também o que tinha naquele pacotinho. Cocaína. Kim não acreditou no que estava vendo e muito menos na reação que teve. Ela foi até lá.
- Luke – ela chamou e os garotos olharam assustados.
- O que você está fazendo aqui? – Luke falou com a voz rouca – Não devia estar com os mil caras com quem você sai? Ou com a queridinha do colégio? – ele disse sarcástico pegando o pacotinho da mão do garoto menor e escondeu atrás do corpo.
- Primeiro: se eu saio com mil caras isso não é da sua conta, segundo: que a queridinha do colégio é a sua irmã e ela odeia esse apelido e em terceiro: eu vi o que você escondeu aí atrás – ela colocou a mão nas costas do garoto e conseguiu pegar o pacote – Cocaína, Luke? Você acha que isso vai fazer bem para você? Como a sua família vai se sentir quando souber?
- Eu não estou nem aí para o que eles vão dizer e nem se vai me fazer mal – ele parou na frente da menina – Volta lá para a sua equipe de merda e para a sua vidinha de contos de fadas que assim como os mil caras com quem você sai não são da minha conta, isso aqui também não é da sua – puxou o pacotinho com a droga e saiu trombando no ombro de Kim quase a derrubando enquanto ela ficava parada olhando ele ir embora. Não acreditou que ele estivesse fazendo isso com ele mesmo. Porra, o cara era irmão da sua melhor amiga, tinha sido seu primeiro namorado e agora estava usando drogas? Não acreditou que uma pessoa pudesse ir de 0 a 100 tão rápido. Não acreditou que um dia já tinha sido apaixonada por ele.

(...)

Clube do Beverly Hills High School – 12h25
Após a “descoberta”, Kimberly foi encontrar Anna no restaurante do clube para almoçarem e irem juntas para o treino.
- Achei que não viesse mais – Anna, que lia o cardápio, foi falando, mas percebeu que a amiga estava estranha – O que foi? – perguntou abaixando o cardápio e esperando a amiga falar.
- Você não vai acreditar no que aconteceu... – Kim disse baixo, mas lembrou que se contasse para Anna que viu o irmão usando drogas ela ficaria chateada, porque apesar de não demonstrar, ela se preocupava com os irmãos – ... O Josh me deu o cano no nosso encontro de ontem – disse a primeira coisa que passou pela sua cabeça e que não era mentira, tinha realmente levado o cano – Ele foi numa festa de uma fraternidade e ainda me mandou fotos pegando outras garotas.
- Ah, era só isso? Eu pensei que fosse algo importante – Anna falou sem se importar muito, voltando a olhar o cardápio.
- Anna, o cara com quem eu estava ficando me deu o cano para pegar universitárias e você diz que não é nada? – Kim disse um pouco irritada – Então quer dizer que só os seus problemas importam? Porque semana passada você deu chilique porque eu e o Henry não estávamos com você quando você “mais precisava” – disse a última parte com sarcasmo.
- Aquilo foi totalmente diferente, Kimberly, eu quase fui presa por estar no lugar errado, com as pessoas erradas e por uma coisa que eu não fiz – Anna argumentou – E afinal, o que você esperava que o Josh fizesse? Ele é universitário e você é uma adolescente que ama sair com caras mais velhos, era meio que óbvio que ele não ficaria com você – Kimberly suspirou chateada sem ter o que falar e Anna a abraçou – Me desculpa, ok? – Kim sorriu – Agora vamos deixar esse assunto de lado e me conta, quando a Marina chega de viagem?
- Ela chega dia 16, logo cedo vou buscar ela no aeroporto e vamos direto para o colégio.

(...)

12h30
Luke andou apressado para o estacionamento do colégio e entrou em seu carro batendo a porta com força. Ligou o rádio e botou em uma estação qualquer. Sabia que a droga fazia mal, mas não estava nem aí, ele precisava daquilo tanto quanto precisava de ar para respirar. Aquilo fazia-o se esquecer de tudo. Depois de meses tomando antidepressivos – roubados do hospital de seu pai –, sua única saída era a cocaína. Podre. Era assim que se sentiu depois de experimentar pela primeira vez aos 14 anos. Depois de tossir e sentir como se estivesse sufocando, não usou durante alguns meses, porém não deixou de usar outras coisas que aliviavam a dor da perda de sua mãe. Maconha, Álcool, Cafeína, Nicotina. Mas nenhum desses o fazia se sentir como a cocaína. As outras coisas nem se comparavam. A cocaína o fazia sentir como se estivesse no inferno, era quente, alucinante, viciante. Era como estar em uma realidade alternativa. Começou a perder peso, passou a ser agressivo com as pessoas e tremia bastante. Pensou em como a vida de suas irmãs tinha mudado para melhor, em quanto seu pai e sua tia estavam felizes com o noivado e ele estava no fundo do poço e ficou com mais raiva ainda. Fez três carreirinhas com o pó da droga, pegou seu maço de cigarro improvisado e aspirou a droga tossindo algumas vezes, sentindo seu nariz arder. Aquela sensação de novo. Sentindo que podia fazer qualquer coisa, colocou a chave na ignição e ligou o carro. Iria dirigir até não sentir mais nada. Saiu sem rumo. Como era dia de semana e horário de almoço, as ruas não estavam tão movimentadas. Depois de um tempo entrou em uma rua deserta e sentiu o vento frio em seu rosto suado. Pisou no acelerador e o efeito alucinante da droga surgiu. Luke imaginou o quanto era foda se sentir livre e, por um segundo, sua mente focou nas palavras que saíam do alto-falante. Um acidente de carro tinha acontecido em alguma rua qualquer. Se imaginou batendo em um caminhão e riu, quais as chances disso acontecer em uma rua deserta? Abriu os olhos e viu que lá no fim havia uma linha de cruzamento e um trem passando. Se continuasse, com certeza morreria. “Seria uma boa morrer”, pensou. E foi aí que a voz de Kimberly veio em sua cabeça. "Você acha que isso vai fazer bem para você? Como a sua família vai se sentir quando souber?". O efeito passou rapidamente e sua mente se focou por um minuto no perigo real. Se não freasse, morreria. E não queria morrer daquele jeito. Pisou no freio com tanta força que achou que quebraria. Ouviu os pneus cantarem e tampou os ouvidos. Seu carro parou a milímetros da lateral do trem. Seu corpo foi para frente e voltou para trás num baque surdo. Seu coração batia tão rápido que poderia ter um ataque cardíaco. Após alguns minutos tentando se recuperar, deu de ré e foi para outro lugar. Pararia com aquilo. E sabia a quem recorrer. Ou pelo menos tentaria.

(...)

Campo de treino do Beverly Hills High School – 16h05
Depois de passar a tarde no cemitério visitando o túmulo de sua mãe, Luke voltou para o colégio e ficou esperando Kimberly terminar o treino. Quando ela saiu do vestiário ele foi rapidamente falar com ela, fazendo-a tomar um susto pela aproximação repentina.
- Desculpa se te assustei – ele disse sem graça – Preciso da sua ajuda.
- Com o quê? Pelo que eu sei, não é da minha conta me meter na sua vida – ela saiu andando e ele foi atrás dela.
- Espera, Kimberly – ele segurou ela pelos ombros – Eu preciso que me ajude a parar – ele disse quase implorando.
- Você quer mesmo parar? – Kim disse surpresa – Eu fico tão feliz por você – ela o abraçou impulsivamente e depois soltou – Desculpe, quer dizer, eu fico feliz pela sua família, pela Anna e tudo o mais.
- Tudo bem – ele disse se sentindo meio estranho – Mas você vai me ajudar, não é?
- Vou – ela disse – Mas eu já vou logo avisando, não tente nenhuma gracinha pra cima de mim, eu ainda detesto você e gosto de outra pessoa.
- Eu só pedi que me ajude, Kimberly, não estou me declarando pra você, então vê se dá um tempo, que você não está com essa bola toda, ok? – ele falou um pouco grosso e ela tornou a sair andando.
- Espera! – gritou e correu até ela – Foi mal, eu prometo não fazer nenhuma gracinha – ela riu do nervoso dele e concordou.
- Eu só estou fazendo isso pela Anna, não por você, que fique claro – ele revirou os olhos – E já até sei por onde começar.
- Por onde?
- Você pode voltar para o time de futebol – ela opinou.
- O treinador não me aceitaria de volta – Luke disse incerto – Mas como isso me ajudaria?
- Vou falar com o Henry, talvez ele possa ajudar – ela disse enquanto eles caminhavam pelo estacionamento – Isso te ajudaria porque vai fazer você se ocupar e ficar sem vontade de usar.
- E como você sabe disso? – ele perguntou curioso.
- Li em algum fórum da internet para um trabalho de química sobre substâncias que viciam – ela explicou – No começo pode ser difícil, mas pode dar certo, se você quiser realmente parar.
- Eu quero, mas isso fica só entre nós, ok? – ela concordou – Valeu, Kimberly – ele disse envergonhado.
Acenaram minimamente um para o outro e cada um entrou em seu carro.

(...)

16h48
Após a conversa com Kimberly, Luke foi dar uma volta de carro e se livrar de suas drogas. Era difícil, mas necessário. Apesar de estar irritado com suas irmãs, sua tia e seu pai, não podia os culpar pelo seu vício, eles não tinham nada a ver com isso e tentaria fazer o possível para reconstruir sua imagem. Ser uma nova pessoa. Parou em uma rua sem movimento e avistou uma lata de lixo. Pegou o maço de cigarro improvisado e os pacotes de cocaína jogando tudo no lixo. Ficou parado olhando aquelas coisas que fizeram parte de um período escuro de sua vida e viu que estava fazendo o certo. Aquilo o fazia mal e se quisesse mudar o rumo de sua vida era por ali que tinha que começar. Se o plano de Kim desse certo, é claro, mas ele se esforçaria o quanto pudesse. Voltou para o carro e seguiu a rodovia para a pista principal, indo para casa.

Rodeo Drive – 18h08
Em seu caminho de volta para casa, Luke passou pela Rodeo Drive e viu uma garota sentada no ponto de ônibus do outro lado da rua. Era Jéssica, uma das garotas que trabalhava na loja de sua mãe. Ela estava sozinha e parecia cantarolar alguma música olhando para o chão. Luke seguiu com o carro até lá.
- Ei! – chamou e a menina levantou os olhos assustada – Quer uma carona?
- Luke? – ela perguntou meio para confirmar – Não, não precisa – falou rápido – Eu espero o ônibus.
- Ah, que isso, você acha mesmo que eu vou deixar você ficar aqui sozinha esperando um ônibus, sendo que eu estou aqui quase implorando para te levar para casa? – ele brincou e ela riu envergonhada – Entra aí.
Ela caminhou até o carro e entrou pedindo licença e ele achou graça. Ela era tão educada e tímida que chegava a ser engraçado. Jéssica era um tipo diferente de garota. Ela não fazia parte da alta sociedade de Beverly Hills, não vestia roupas caras e nem esnobava ninguém para conseguir o que queria. E parecia que gostava dele já que quando as mãos deles se tocaram em um curto período de tempo enquanto se ajeitava no banco, ela corou e virou o rosto para a janela.
- Tudo bem, Jess, não precisa ficar desconfortável – ele pediu e ouviu ela suspirar.
- Desculpe, é que nós nunca estivemos tão próximos – ela explicou – Eu sempre fui mais amiga das suas irmãs.
- Que bom, porque ser só amigo de uma garota tão bonita não é fácil – ele disse e ela corou novamente, abaixando a cabeça – Podemos sair, o que acha? – ela levantou rapidamente a cabeça, olhando para ele – Tipo um encontro – ele esperou ela responder, mas ela apenas olhava para ele – Eu estou querendo mudar, sabe? – ele explicou – Conhecer pessoas novas, sair com garotas legais – ele olhou brevemente para ela – E você é uma garota legal, mas se você não quiser eu vou entender perfeitamente.
- Não, eu... – ela parou e pensou um pouco – Eu aceito – e sorriu olhando para ele pela primeira vez desde que entrou no carro.


Capítulo 06

Casa dos Lombarddi, Beverly Hills – 19 de Setembro de 2010 – 07h50
Hoje era o dia do brunch anual da fundação da família Lombarddi e os empregados da casa estavam arrumando tudo para o grande evento. Haviam mesas sendo espalhadas pelo jardim da mansão, sofás por todo lado e alguns forros brancos para enfeite do jardim. O brunch era muito bem organizado e sempre contava com presenças ilustres, sendo funcionários do hospital em que Dylan trabalhava, estilistas famosos que eram colaboradores da loja Grivolly, atores, cantores, alguns políticos, socialites e as família mais importantes de Beverly Hills. Além dessas presenças ilustres, não poderia faltar o capitão do exército da Itália, sogro de Dylan, pai de Olivia e Katherine e avó de Anna, Luke e Jade, que estava fazendo uma visita especial ao EUA e ele seria um convidado especialíssimo do brunch desse ano.

Anna já estava de pé porque sempre aos domingos de manhã antes do brunch ela tomava café da manhã com sua irmã, Kimberly, Marina e Jennifer, mas como ela já não falava mais com a irmã e nem com Jennifer, a tradição meio que se rompeu e ficou apenas ela, Marina e Kimberly. E por falar em Marina, ela foi a sensação do colégio quando chegou há alguns dias. Marina era presidente do grêmio, irmã da Kimberly e melhor amiga de Anna que estava fazendo um intercâmbio de férias no canada. Ela era muito querida por todos, e apesar de ser da alta sociedade, não era esnobe com ninguém e sempre tratava as pessoas com muito carinho.
- É, Kim, você e a Marina me encontram no Starbucks para tomarmos nosso café da manhã, aí voltamos para casa, nos arrumamos e nos encontramos no brunch – Anna falava com Kimberly ao telefone – Ok, então até daqui a pouco.
Anna desligou e foi tomar seu banho. Já tinha separado a roupa do brunch e a que ia vestir quando saísse do banho para encontrar as meninas, então não teria que se preocupar escolhendo roupas. Hoje era uma das comemorações que sua mãe mais gostava, se ainda estivesse viva provavelmente estaria comandando a arrumação do brunch no jardim. Já vestida, Anna desceu as escadas passando pela sala, cumprimentando seu pai, sua tia e seu avó e foi para a garagem, saindo logo em seguida.

(...)

Starbucks – 08h38
- Olá – Anna sorriu para a atendente do caixa e recebeu outro sorriso em troca – Eu quero três chocolate frappuccinos, uma porção de pães de queijo e três toast de peru – a atendente computou os pedidos.
- São 35 dólares – a atendente respondeu enquanto colocava os pedidos na bandeja e Anna retirou uma nota de 50 dólares e deu a ela.
- Pode ficar com o troco – sorriu para a moça e saiu com os pedidos, indo de encontro as meninas.
Anna colocou a bandeja com os pedidos em cima da mesa enquanto Kim falava algo sobre o cabelo de uma garota sentada na mesa ao lado e Marina tentava inutilmente reclamar com a irmã pela piada ofensiva. Apesar de Anna adorar os cafés da manhã com as meninas, ela estava bem distraída olhando a paisagem pela janela, tomando seu chocolate frappuccino quando o sininho da porta de entrada tocou e ela viu que Jade e Jennifer tinham acabado de entrar. O que elas estavam fazendo ali?
- Olha só quem chegou, Anna – Kim falou.
- Eu já vi – Anna respondeu sem muita emoção.
- Vou chamar elas para tomarem café conosco – Marina disse e Kimberly arregalou os olhos.
- O quê? Tá maluca? Nós nem falamos mais com elas, Marina – Kimberly disse olhando indignada para a irmã que revirou os olhos.
- Tá na hora dessa briga acabar, afinal a Jennifer convive com vocês duas na equipe e a Jade é irmã da Aninha, vocês não podem continuar assim, você não concorda Aninha? – Marina disse e Anna deu de ombros.

Do outro lado do local, Jade e Jenny conversavam.
- Eu não sabia que elas estavam aqui – Jade disse olhando para a irmã do outro lado do local – Vamos embora – ela fez menção de abrir a porta, mas Jennifer segurou seu braço.
- Jade, para com isso, não tem problema nenhum elas estarem aqui – Jennifer disse e elas viram Marina levantar o braço e chamá-las para se juntar a elas na mesa, Jenny olhou para Jade novamente – Se quer que o seu plano dê certo você também tem que se aproximar da Anna – Jade ia responder alguma coisa mas Jenny a interrompeu – Além do mais, eu preciso ganhar a confiança da Anna e da Kimberly, então enquanto você pensa nisso nós sentamos lá e tomamos café, afinal foi para isso que viemos aqui – Jade concordou emburrada e seguiu de encontro a mesa em que a irmã estava sentada.
- Bom dia, meninas – Jennifer falou e Marina respondeu sorrindo, Kimberly respondeu a contragosto e Anna não respondeu – Eu vou fazer nossos pedidos, ok? – Jenny disse e se levantou.
- Vou ao banheiro – Kimberly se levantou também.
Marina não tinha muito o que falar já que Anna e Jade estavam se encarando há alguns minutos, elas não falaram nada uma com a outra, mas quem estava ao redor podia sentir a barreira que as duas criaram entre si.
- Então, Jade, como vai a equipe de teatro? – Marina perguntou tentando quebrar o gelo.
- Vai bem – Ela respondeu sem quebrar o contato visual com a irmã e Marina viu que era melhor deixar elas resolverem as coisas entre si, tanto que elas nem perceberam quando Marina saiu da mesa.
Depois de alguns minutos sem falarem nada, Anna tornou a olhar para a janela e se pronunciou.
- Não precisava tratar a Marina desse jeito, ela não tem nada a ver com o que aconteceu entre a gente, Jade – Anna falou baixo e Jade revirou os olhos.
- Eu trato a Marina do jeito que eu quiser e não venha com essa conversa fiada pra cima de mim que não cola Anna, você não se importa com ninguém além de si mesma e fica dando uma de boa moça, me poupe – Jade falou grosseiramente e Anna suspirou. Ela não queria brigar com Jade. Não de novo. O silêncio não demorou muito já que Jennifer, Marina e Kimberly voltaram para a mesa e Jenny e Marina começaram uma conversa.
- Eu preciso ir, tenho coisas a fazer, com licença – Anna disse se levantando e Kimberly foi atrás dela.
- O que aconteceu, Aninha? A Jade te disse alguma coisa enquanto vocês estavam sozinhas?
- Nada que ela já não tenha me dito, Kim – Anna respondeu – Olha, eu preciso mesmo ir, tenho que buscar meu colar na joalheria – sorriu sem vontade – Nos vemos no brunch, ok? – Kimberly confirmou com a cabeça e Anna entrou em seu carro.

(...)

Rodeo Drive – 09h18
Fazia meia hora que Jenny e Jade saíram do Starbucks, estavam caminhando pela Rodeo Drive e Jade continuava calada.
- Me conta o que aconteceu entre você e a Anna, Jade, por que ela saiu daquele jeito? E por que você está com essa cara?
- Essa cara é a única que eu tenho, Jenny – Jennifer revirou os olhos.
- Fala logo o que aconteceu – Jenny disse sem paciência.
- Eu disse que ela não precisava fingir que se importava com ninguém porque eu não acreditava – Jade explicou.
- Jade, você tem que parar com isso, assim a Anna vai perceber que tem algo errado, afinal por que diabos eu iria voltar a ser amiga dela se você que é minha amiga não quer saber de falar com ela?
- Eu sei, é que... – Jade suspirou e Jenny a interrompeu.
- Não, você não sabe, a Anna não é idiota, se você continuar tratando ela assim, ela vai perceber, então é melhor você começar a disfarçar esse ódio ou eu pulo fora desse plano e você vai ter que se virar sozinha – Jenny falou com raiva, assustando Jade que depois sorriu – O que foi?
- Olha só, parece que alguém está estressadinha hoje, não é mesmo? – Jade falou, exalando sarcasmo.
- Eu não tenho tempo para o seu sarcasmo, Jade, se você continuar assim, a Anna vai perceber que estamos tentando enganá-la, então eu acho melhor você colocar a sua atuação em prática, porque se ela descobrir...
- Chega, Jennifer, ela vai descobrir se você continuar gritando como uma louca aqui na rua e se você pular fora eu paro de falar com você e aí é que você não vai conseguir a sua carta de recomendação para Yale.
Foi aí que Jenny percebeu que Jade só voltou a falar com ela tão rápido porque queria ajuda com o plano e alguém que estivesse muito arrependida para fazer tudo que ela queria.
- E então? Vai continuar com o estresse ou vai conversar civilizadamente comigo? – mas apesar de tudo o que Jade disse, Jennifer ainda queria ser amiga dela e fazer com que Jade a perdoasse de verdade.
- Tudo bem, me desculpe, é que você precisa me ajudar, se você voltar a falar com ela eu aposto que ela abaixaria a guarda para eu poder conseguir o que você quer – resolveu não discutir, afinal Jade era cabeça dura demais e talvez não desse ouvidos.
- Eu vou pensar nisso – Jade disse e nem se preocupou em pedir desculpas a Jenny – Vamos, estamos atrasadas, precisamos nos arrumar para o brunch.

(...)

Casa dos Lombarddi – 11h
Dylan estava no jardim com toda família se preparando para a chegada dos convidados.
- Hoje é um dia importante para a nossa família, e principalmente por ser um dos dias mais especiais para a mãe de vocês, então eu peço que se comportem, não briguem e ajam como se fôssemos a mesma família de antes, por favor – Dylan pediu e os filhos concordaram quando viram o grande portão se abrir e uma fileira de carros atravessar o jardim transportando diversos convidados importantes. Era hora de fingirem ser a família perfeita.

(...)

11h45
Passaram-se meia hora até Jennifer chegar e Jade poder finalmente parar de sorrir para pessoas que ela nem lembrava o nome. Luke já estava em seu segundo copo de uísque porque, segundo ele, era a única forma de ficar horas aturando gente velha e seus problemas com dinheiro, sem falar que ele já tinha visto Kimberly chegar com um cara e ela nem sequer deu uma palavra com ele. Por que achou que seria diferente? Não era só porque ela estava o ajudando que ela voltaria a falar com ele. Anna cumprimentou alguns convidados e só ficou mais contente depois que Henry e sua família chegaram. Eleanor e Daniel eram grandes amigos de seus pais.
- Então, querida, como vão as coisas na equipe? Soube que você é a melhor do time, segundo o seu namorado que adora falar o quanto você é o máximo – Eleanor perguntou e Anna sorriu.
- O Henry é um amor – ela entrelaçou seus dedos com os do namorado e ele sorriu, beijando sua mão – Mas as outras meninas também são muito boas, eu não tenho o que reclamar delas – sorriu – Mas o Henry também não fica para trás, ele é um dos melhores do time tanto que é o capitão da equipe – os pais do Henry sorriram e quando iam falar algo, a tia de Anna a chamou – Com licença – ela pediu, deu um beijo no namorado e saiu.
- Filho? – Daniel chamou o filho e ele olhou, tomando um gole de sua bebida – Queremos que fique com isso – ele pegou o anel na mão de sua esposa e Henry estranhou – É para você pedir a Anna em casamento – o garoto não esperava, tanto que engasgou – Calma, filho.
- Como assim casar? – Henry olhou para os pais assustado. Não que não quisesse casar com a Anna, mas ainda era cedo. Não era?
- Filho, você não ama a Anna? – Eleanor perguntou ao filho.
- Claro que amo, mãe – ele suspirou – É que eu não esperava que vocês fossem me fazer pedir a Anna em casamento hoje.
- O quê? Não queremos que peça a Anna em casamento hoje – Eleanor negou e riu.
- Não? – ele perguntou para confirmar e assim que ouviu um "não" relaxou.
- Nós queremos que guarde o anel para quando for pedir ela em casamento ano que vem quando se formarem, nós planejamos tudo – Eleanor sorriu animada e o marido acompanhou.
- Eu guardo sim, mãe, pode deixar – ele sorriu forçado pegando o anel da mão de sua mãe, pediu licença aos pais e saiu. Sua vida já estava planejada e ele nem sabia. Tinha que beber e tentar entender por que os pais estavam pensando em casamento tão cedo. Um garçom passou com um bandeja de uísque e ele pegou dois copos de uma vez bebendo rápido. Precisava achar Anna mas assim que olhou para a porta que dava para o jardim e viu quem estava ali, o susto passou e deu lugar a surpresa. O que Jack Malloy estava fazendo ali? E conversando com a sua namorada? Parou para os observar. Jack tinha um sorriso malicioso enquanto olhava para ela, e a menina revirava os olhos. Da surpresa veio a raiva quando viu ele pegar na mão dela e levar em direção a sua boca. Saiu pisando forte e parou entre os dois puxando a mão da namorada.
- O que você pensa que está fazendo, Malloy? – Henry perguntou – Você nem devia ter aparecido aqui e muito menos estar conversando com a MINHA namorada – Henry falou um pouco alto – Tá pensando o quê? Que vai pegar ela e fazer o que você faz com as outras? Deixa a MINHA namorada em paz.
- Se você quer tanto marcar território, Scott, seria mais fácil você fazer xixi nela, não acha? – Jack provocou – Eu não sei se você se lembra, mas a minha família faz parte da elite, mas se quiser checar o meu nome está na lista – Jack falou dando um sorriso sarcástico, piscou para Anna e saiu trombando no ombro dele. Henry iria atrás dele, mas Anna segurou seu braço com força.
- Henry – ela puxou o rosto dele e colocou perto do seu – Deixa o Malloy pra lá – ela se aproximou para beijá-lo mas ele virou o rosto – O que foi?
- Eu vi você conversando com ele na maior intimidade, ele até estava pegando na sua mão, se eu não chegasse a tempo o que vocês iriam fazer? Se agarrar escondidos dentro do jardim ou quem sabe aqui na frente de todo mundo? – Henry começou a falar um pouco alto fazendo Anna puxá-lo mais para dentro do jardim.
- Ei, abaixa o tom de voz porque você não está falando com seus amigos ou com os empregados da sua casa, ok? – Anna começou irritada – E o que você acha que eu sou, alguma puta para ficar me agarrando com outro em qualquer lugar? E pior, com o Jack, que não é nada para mim.
- Não tenta me enganar, Anna, eu vi vocês na maior intimidade, ele até estava sorrindo e querendo beijar a sua mão – Henry reclamou – Além do mais, o que ele está fazendo aqui? E conversando com você?
- Eu só vim autorizar a entrada dele para os seguranças porque eles não estavam acreditando que ele era Jack Malloy e ele estava me agradecendo por ter deixado ele entrar – Anna explicou, mas Henry não cedeu, então continuou explicando – A minha tia estava ocupada conversando com alguns distribuidores da Grivolly e por isso me pediu para ir lá, você sabe que o pai do Jack é um dos maiores contribuintes da fundação da minha família e como ele não pôde vir o Jack veio no lugar dele – Henry continuou olhando para ela – Poxa, Henry – ela entrelaçou seus dedos nos dele – Não precisa ficar assim só por causa do Jack, ele não significa nada para mim.
- Me desculpa – ele pediu e ela sorriu – É que eu não suporto o Jack, e como ele rodeia as garotas para fazer o que elas querem e depois magoá-las.
- Você esqueceu que eu não ligo para o que o Jack faz e que o único cara que me importa é você? – ele sorriu e ela o beijou – Eu te amo.
- Eu também te amo – Anna sorriu enquanto arrumava a gravata de Henry e voltaram para o salão.

(...)

14h27
- Por favor, um minuto da atenção de vocês – Dylan bateu em sua taça com uma colher pedindo silêncio – Eu tenho um comunicado importante a fazer.
Todos olharam para Dylan no topo da escada principal. Jenny estava com Jack e Peter em um canto conversando animadamente. Kimberly e seu novo ficante estavam juntos de sua irmã e Zack. Luke estava ao lado de Jade enquanto Anna conversava com Henry mais à frente.
- Eu gostaria de anunciar que eu e minha noiva Katherine marcamos a data do nosso casamento – eles sorriram – Será no dia 11 de fevereiro.
Uma salva de palmas pôde ser ouvida e os convidados foram dar parabéns ao casal. Porém, a notícia pegou Anna, Luke e Jade de surpresa, sabiam que algum dia eles marcariam a data do casamento, mas era muito cedo para isso. Estavam tão chocados que ficaram minutos sem falar nada, apenas olhando para o nada, absortos em pensamentos.
- É... – Anna suspirou – Parece que pelo menos duas pessoas dessa família conseguiram seguir em frente.


Capítulo 07

Casa dos Lombarddi – 19 de Setembro de 2010 – 16h09
Após o almoço das 15h, o leilão anual beneficente da fundação Lombarddi começou e muitos lances foram feitos, a maioria dos lances eram feitos apenas por pena das pessoas que precisavam ou para saírem nas colunas sociais mas nunca para realmente ajudar os que precisavam. Olivia sempre gostou de ajudar as pessoas e sempre que podia arranjava um jeito de ajudar, mas com o seu desaparecimento e eventual morte a fundação foi deixada de lado, Katherine que teve a ideia de reinaugurar fazendo um leilão no brunch.
- Você odeia a sua tia, é isso? – uma garota perguntava para Luke depois dele reclamar sobre o noivado – Eles parecem felizes e tudo o mais.
- Eu não odeio a minha tia, ela é quase tão perfeita quanto a minha mãe e essa ideia de reinaugurar a fundação com um brunch foi genial, seria exatamente o que a minha mãe faria se estivesse aqui – Luke explicou para a menina que não estava nem aí para o que ele dizia e só encarava Peter um pouco mais a frente conversando com Jade, Jenny e Jack – Vai, pode ir dar em cima do Peter, você está encarando ele a mais de meia hora – ele disse e revirou os olhos assim que ela foi atrás de Peter – Garota idiota.
A garota desconhecida caminhou até ficar um pouco mais perto de Peter e ficou o encarando, ele nem percebeu, mas Jack tinha uma percepção infalível quando se tratava de mulheres.
- Aí, cara – chamou o amigo que conversava com Jenny e Jade – Aquela gostosa ali está te encarando há um tempão, vai lá – Jack incentivou o amigo que sorriu meio tímido e olhou para Jade, esperando alguma reação que provavelmente não apareceria. Peter era apaixonado por Jade, mas ela parecia não gostar dele e quase nunca dava espaço para eles conversarem, então resolveu ir ficar com a garota desconhecida.
- Esse é o meu garoto – Jack disse fingindo limpar algumas lagrimas dos olhos e Jenny riu – Vou beber, vocês me acompanham? – ele perguntou e quando elas negaram ele saiu.
- Idiota, deve achar que aquela garota quer realmente alguma coisa séria com ele – Jade resmungava sobre Peter e Jenny estranhou.
- Você gosta do Peter, Jade? – Jenny perguntou.
- Claro que não – Jade negou rapidamente – O Peter é um idiota, como é que eu posso gostar dele se ele é um babaca idiota igual ao Jack?
- O Peter não é nada disso, Jade – Jenny defendeu o amigo – Ele gosta de você, sempre tenta conversar com você mas você não dar espaço a ele, ele está mais do que certo em partir para outra, aliás já que você não gosta dele devia partir para outra também ao invés de ficar rebaixando o garoto – Jenny reclamou e saiu indo beber com Jack. Jade revirou os olhos olhando para Peter e a garota, terminou de beber seu champanhe, suspirou e foi até o jardim.

(...)


Anna deixou Henry conversando com Marina e Zack e foi falar com Kimberly que estava no jardim conversando com uma socialite.
- ... A minha equipe é a melhor da liga de líderes de torcida – Kim sorriu – Estamos cogitadas a ganhar o prêmio internacional de ginastica, de novo.
- Nossa, isso é incrível – a mulher disse – A minha filha não cansa de assistir vocês na televisão – sorriu – Nós até já fomos assistir vocês em um campeonato mundial e vocês foram incríveis, eu me lembro bem.
- Ah, muito obrig... – Kim foi interrompida por Anna.
- Será que eu posso interromper a conversa, senhoritas? – Anna pediu educadamente e a mulher sorriu radiante, como se estivessem vendo alguém muito famoso.
- Mas é claro que sim, querida, fique à vontade – ela sorriu ainda mais e saiu.
- A filha dela é muito nossa fã, Aninha, você precisa ver – Kim ia falando enquanto Anna a puxava para longe da festa – O que foi?
- Eu sei que foi você que falou com o treinador para que pusesse de volta o Luke no time – Anna disse subitamente e Kimberly se assustou.
- Não, foi o Henry – Kim negou rapidamente.
- Não mente pra mim, Kim – Anna reclamou – Eu pensei que vocês estivessem brigados.
- E estamos, mas não fui eu que pedi...
- Para! – Anna pediu – Eu sei que foi você, não adianta mentir pra mim, eu só não entendo o motivo pelo qual ele pediria ajuda a você – Kim pensou um pouco. Não dava mais para ficar mentindo para Anna, ela era muito esperta e descobriria de qualquer jeito.
- Olha, eu não queria te contar desse jeito, não queria que você descobrisse assim, mas... – Kim criou um suspense meio que sem querer – Mas o Luke me pediu ajuda para parar de usar drogas.
- O quê? – Anna disse surpresa. Não por Kim achar que ela não sabia que Luke usava drogas, mas porque ele pediu ajuda a ela. Logo para ela.
- Eu sei que é difícil descobrir isso assim, mas...
- Espera, você acha que eu não sabia que o Luke usava drogas? – perguntou e Kim se assustou.
- Você já sabia? – ela perguntou assustada.
- Claro que já sabia, Kim, o que você acha que o Luke estava fazendo na delegacia junto comigo, o Peter e o Jack?
- O Peter usa drogas? – ela se distraiu um pouco.
- Não – revirou os olhos com a lerdeza da amiga – O Jack fornece drogas pra uma galera lá do colégio e o Luke às vezes compra com ele. Foi por causa disso que fomos pra delegacia. Porque quando estávamos no luau e o Jack pediu um carregamento de drogas, o Peter estava reclamando com ele, o Luke estava esperando a droga que iria comprar chegar e eu fui reclamar com eles. O que foi meio idiota da minha parte, mas eu não sabia que a polícia ia chegar.
- Eu pensei que você não soubesse – ela falou um pouco alto – E o idiota do seu irmão nem me falou nada.
- O Luke nem liga se eu sei ou não – Anna disse um pouco triste – Mas obrigada por ajudar ele a parar de usar – Anna sorriu abraçando a amiga.

(...)

Escritório – 18h57
Dylan revisava os cheques dos contribuintes do leilão quando a porta de seu escritório foi empurrada com força e uma Jade irritada entrava.
- O que você estava pensando quando marcou o seu casamento para o dia 11 de fevereiro? Ficou louco? – Jade estava furiosa, não entendia por que o pai marcou o bendito casamento naquela data, ela sabia que eles iriam casar, mas pensou que demoraria mais, bem mais.
- Jade, eu não admito que fale assim comigo – Dylan respondeu calmo e Jade se irritou mais, ele sabia que ela queria brigar, afrontá-lo, mas ele não brigaria com ela, não mesmo.
- Eu falo desse jeito sim, como você achou que nós reagiríamos com a notícia de que vocês se casariam no mesmo dia em que você casou com a minha mãe? Achou que ficaríamos felizes e pularíamos de alegria? Faça-me o favor – ela disse com raiva e Anna e Luke entraram na sala.
- Que gritaria é essa aqui, pelo amor de Deus? – Luke perguntou com Anna do seu lado – Pai?
- A Jade não gostou que a data do casamento foi marcado para o mesmo dia em que foi o da mãe de vocês – Dylan respondeu ao filho.
- Para falar a verdade, pai, eu e o Luke também não gostamos, vocês não deveriam ter marcado na mesma data – Anna respondeu.
- Viu? Eu não sou a única que não está satisfeita com esse casamento – Jade cruzou os braços.
- Você não tem que estar satisfeita com nada, Jade, eu caso com quem eu quiser e nenhum de vocês tem direito de opinar em nada – Dylan disse sem paciência, não aguentava mais ter que falar naquele casamento – Até porque eu não opino em nada sobre os relacionamentos de vocês.
- Pai, você quer comparar namoro de colégio com casamento? – Luke se pronunciou – Você não acha que... – Luke foi interrompido quando sua tia Katherine e seu avô entraram no escritório.
- Ah claro, chegou quem faltava para completar a festa – Jade falou sarcástica – Está feliz? Até isso você conseguiu roubar da minha mãe.
- JADE! – Guilhermo repreendeu a neta.
- Eu não quero roubar nada da sua mãe, Jade – Katherine disse triste e Jade ficou calada esperando a explicação – Eu amo o seu pai, quero estar ao lado dele quando ele precisar e o casamento é uma dessas maneiras de estar conectada com ele e a vocês também, tenho certeza que quando você amar alguém tanto quanto eu o amo o seu pai, você vai entender – Katherine suspirou – Eu sei que o Dylan sempre vai amar a Olivia, ela foi, é e sempre será o primeiro amor da vida dele e eu de maneira alguma quero roubar o lugar dela, eu apenas quero ser amada por quem eu amo e poder cuidar de vocês.
- Seria a desculpa perfeita se você já não tivesse a apunhalado pelas costas – Katherine não entendeu e ficou calada esperando a explicação da sobrinha – Você noivou com o meu pai assim que o enterro dela aconteceu, assumiu a loja dela e agora marcou o casamento para o mesmo dia que o dela, se isso não é ser falsa e apunhalar a irmã pelas costas eu não sei o que é – Jade gritou e saiu da sala, sendo seguida por Anna que correu atrás dela.
- Jade, espera – Anna gritou.
- Me deixa em paz, Anna – ela bateu a porta com força e Anna parou no meio do corredor abaixando a cabeça. Sentiu vontade de chorar, queria tanto que sua irmã conversasse com ela, que desabafasse, que voltasse a ser como era antes.
Luke, que vinha atrás, parou ao lado da irmã.
- Você vai chorar? – ele perguntou.
- Claro que não – Anna disse rapidamente – Eu não choro, não tenho motivos para isso – ela deu um meio sorriso.
- Mesmo? – ele perguntou para ter certeza.
- Mesmo. Eu vou voltar para o meu quarto, amanhã tenho treino cedo e você também – ela sorriu.
- O treinador me aceitou de volta? – ele perguntou surpreso.
- A Kim me contou – Anna disse e Luke se assustou. Kimberly tinha contado a ela que ele usava drogas? – Ela me contou que você queria a vaga de volta no time, então... – falou deixando a frase no ar.
- Ah, claro – ele suspirou concordando – Você é Anna Lombarddi, claro que conseguiria minha vaga de volta, o que é que você não consegue, afinal? – ele sorriu falando mais baixo.
- Sou e você é Luke Lombarddi – ela riu – Mas agradeça a Kim, foi ela que falou com o treinador e conseguiu a sua vaga de volta – ela sorriu – Parabéns, speed! – chamou ele pelo apelido de quando era menor e sorriu piscando um olho – Vem, Alfa – chamou o cachorro que correu até ela e entraram no quarto.

(...)

Escritório – 19h39
- Eles não gostaram da notícia, estavam bem chateados – Katherine falava para Dylan.
- Chateados? Eles ficaram irritados, Katherine, eles odiaram a notícia, principalmente depois de saber que vai ser no mesmo dia em que foi o meu casamento com a mãe deles – Dylan disse irritado.
- É, filha, você podia ter escolhido outra data ou, pelo menos, esperar um pouco para realizar o casamento – Guilhermo disse.
- Esperar? Escolher outra data? – Katherine perguntou, olhando para o pai – Pai, essa data é uma tradição de família, a sua avó se casou nessa data, a sua mãe, você e a minha mãe e a Olivia, por que eu tenho que abrir mão disso? Eu também faço parte dessa família, sabia? Além de que eu e o Dylan estamos noivos há um ano e não dá para esperar mais, eu não quero tirar nada da Olivia, mas parece que vocês estão querendo que eu abra mão das coisas mais importantes pra mim só por causa dela e isso não é justo – ela falou chateada, saindo do escritório e Dylan suspirou.
- Eu vou falar com ela – Dylan levantou, mas Guilhermo segurou seu braço.
- Não, ela precisa pensar, ficar sozinha e descansar, assim como todo mundo dessa família – ele sorriu – E, principalmente, você, Dylan, amanhã eu converso com ela, ok? – Dylan assentiu.

(...)

21h35
Jade não conseguia parar de pensar no casamento de sua tia com o seu pai. Claro que estava ciente de que isso aconteceria, mas era um absurdo ser naquela data. Não era? Era o dia em que os pais dela tinham se casado e isso era um ultraje para ela. Ficou com raiva por exatamente uma hora, após isso, uma voz irritante na sua cabeça a fez pensar que poderia estar sendo egoísta. Katherine mais do que ninguém merecia ser feliz, afinal ela segurou a barra quando Olivia morreu, ela sofreu o preconceito das pessoas que não achavam certo ela se casar com o pai dos seus sobrinhos, ex-marido da irmã. O homem que ela amava. Não era justo com sua tia. Apesar de ter sido a data do casamento dos pais e uma data de casamento de família era, acima de tudo, apenas mais uma data que se passava no calendário e nada se resolvia sobre o caso de sua mãe. Estava na hora de superar aquilo e partir para o que realmente interessava. Seu plano para acabar com o reinado de sua irmã perante a escola. Anna Lombarddi ia perder tudo o que mais zelava. Sua popularidade. Sorriu pegando no sono imaginando como seria depois que tudo desse certo.

Jade andava pelo corredor do colégio onde todos olhavam admirados para ela, sorrindo ela parou em seu armário encontrando com Jenny e iniciaram uma conversa. Logo depois chegou Henry enlaçando a cintura de Jenny e a menina sorriu, Peter veio logo em seguida dando um beijo em Jade.
- Nossa, como você está arrumado – Jade sorriu olhando o menino – É a gravata que eu te dei de presente? – ela perguntou e ele sorriu, concordando.
- Se eu vou namorar alguém tão importante como você preciso estar à altura, você não acha? – ele disse e a menina sorriu ajeitando a gravata.
- É verdade – concordou – Agora que está comigo não pode mais vestir aqueles trapos de antes – sorriu – E o Jack? Cadê? – perguntou ao namorado olhando os amigos.
- Sabe que eu não sei – Peter respondeu sem dar muita importância.
- Ele me disse que ia ficar com a Lindsay – Jenny respondeu sorrindo – Depois que acabamos com o reinado da Anna ele pôde ficar com a Lindsay em paz. Me disse que a Anna enchia o saco dele – eles reviraram os olhos.
- Falando em coisas ruins, olha quem chegou – Henry disse apontando com a cabeça para a entrada e eles olharam.
Anna estava diferente. Não caminhava com toda aquela segurança de antes, vestia o uniforme amassado, o cabelo estava amarrado em um rabo de cabalo bagunçado, os ombros estavam caídos e ela caminhava com a cabeça baixa escondendo as olheiras e o medo de olhar as pessoas que zombavam dela e a xingavam de algo que Jade não conseguia identificar. Anna estava acabada e aquilo era tudo o que Jade queria mas por alguma razão que ela desconhecia parecia não estar tão contente como esperava.

Jade acordou ofegante e muito suada. Tinha tido um pesadelo. Ou um sonho. Não sabia dizer. Olhou para o relógio na cabeceira da cama que marcava 00h27 e levantou indo até o banheiro lavar o rosto.
- Nossa – suspirou – Que sonho mais estranho – olhou-se no espelho e voltou para a cama.


Capítulo 08

Casa dos Lombarddi - 25 de Setembro de 2010 – 09h15
O dia 25 amanheceu nublado. Como todo ano desde a morte de Olivia. Hoje completava 2 anos que ela havia desaparecido e dada como morta após a explosão da Grivolly. Anna já tinha acordado, mas continuava deitada na cama olhando fixamente para o teto. Na verdade, nem tinha dormido. Sua mente repassava o noticiário daquela noite, da repórter dando a notícia de que a Grivolly tinha explodido e sua mãe tinha sido dada como desaparecida. A busca perdurou por meses e nada foi encontrado, e então eles enterraram um caixão vazio, vazio para os outros, mas para eles aquele caixão levava embora toda alegria que existia em suas vidas, todo o amor que tinham recebido, toda a esperança de um recomeço. Todos os anos Anna sempre acordava exatamente à meia-noite do dia 25 e não conseguia dormir mais. Era algum tipo de TOC que não sabia explicar. Mas mesmo assim reuniu forças e levantou da cama indo para o banheiro fazer sua higiene matinal e trocar de roupa, já que sairia com Kim e Mari para um almoço. Assim que saiu do banheiro seu celular tocou. Era Henry.
- Oi – Anna disse sem animo – Ah, tudo bem sim – respondeu e Henry perguntou o porquê de estar com a voz triste – Não é nada, meu bem, juro – assegurou depois dele perguntar novamente se estava bem – Tudo certo pra amanhã, né? – perguntou sobre a surpresa que Henry disse que faria e ela estava ansiosa pra saber o que é – Ok, nos vemos amanhã, amor, beijos.

(...)


Casa dos Evans – 09:25 AM
Kimberly e Marina conversavam no banheiro do quarto de Kim enquanto uma tomava banho e a outra escovava os dentes.
- Tem certeza que não quer vir? – Kimberly perguntava pela quinta vez à Marina sobre o almoço.
- Tenho, Kim – Marina balançou a cabeça mesmo sabendo que a irmã não veria – O Zack disse que passaria aqui pra me ver – Marina se olhava no espelho tentando decidir qual maquiagem usaria e continuou – Sabe, ele ficou distante esses dias, não sei o motivo, então vou aproveitar pra conversar com ele.
- Você está deixando de sair com suas melhores amigas pra sair com o seu namorado – Kimberly dizia saindo do box enrolada na toalha – Você é a típica amiga que quando namora larga as amigas, sabia? – Kim falou um pouco chateada, e Marina parou o que estava fazendo – Tem um tempão que você não sai comigo e com a Aninha, Mari, não falo nem por mim porque eu sou sua irmã e te vejo todo dia, mas a Aninha não, tem um tempo que não saímos nós três e isso é meio chato.
- Eu não vou sair com o Zack, vamos passar um tempo juntos aqui em casa, Kim, qual o problema? – Marina perguntou, e Kimberly revirou os olhos indo para o closet do seu quarto – Então quer dizer que você pode ter quantos namorados quiser, a Anna pode ter o Henry e sair com ele enquanto eu não posso sair com o meu namorado por que você acha errado? – Marina disse com raiva – Eu não reclamo quando você fura comigo ou com a Aninha, não reclamo quando a Anna sai com o Henry, mas você tem sempre que reclamar quando eu saio com o Zack.
- Você acabou de dizer que não ia sair com ele – Kim falou pra irritar a irmã e a mesma revirou os olhos – Vocês só fazem brigar, Marina – Kimberly rebateu.
- E daí? Todo mundo briga, Kim, principalmente os casais, mas é claro que você não sabe disso porque o único namorado que você teve, você fez questão de afastar – Marina mencionou o namoro entre Luke e Kimberly, e ela não se abateu. Ou pareceu que não.
- Se você não lembra, Marina, o Luke que me traiu e eu acho que isso tenha sido motivo suficiente pra eu querer me afastar dele – Kim lembrou, e Marina se sentiu um pouco mal por ter feito Kim lembrar que o único cara que ela gostou tinha traído ela – Você sabe que se não tivesse acontecido isso, eu ainda estaria com o Luke, teria estado com ele quando a tia Liv morreu, teria dado o apoio que ele precisava – Kim passou a mão no rosto, afastando uma lágrima teimosa, e mesmo estando de costas, Marina conseguiu perceber, mas não disse nada – Você sabe que eu só quero o melhor pra você e é por isso que eu me preocupo – Marina se aproximou – Eu sou uma porra louca, bebo até quase entrar em coma, fico com vários caras e eles podem até quebrar meu coração, porque eu também sou uma vadia com eles – Kim fez uma pausa – Na maioria das vezes – deu de ombros e Marina riu – Mas você não, você é muito inocente, Mari, e eu tenho medo que ele te magoe – Kim falou e Marina abraçou a irmã, achando muito fofo a preocupação dela.
- Ah, mana, me desculpa vai, não quero brigar com você – Mari se derreteu com as coisas fofas que a irmã disse – Sei que você só quer me proteger, mas eu gosto do Zack, e se por algum acaso ele me magoar, você tem passe livre pra fazer o que quiser com ele – Kim levantou a cabeça do ombro da irmã.
- Posso chutar o saco dele? – Kim perguntou como uma criança e Marina começou a rir, fazendo Kim rir também.
- Claro que pode – Mari sorriu vendo que estava tudo bem entre elas – Agora vamos terminar de nos arrumar.

(...)


- Não esquece de mandar um beijo pra Aninha e de comprar aquele vestido que eu gostei lá na Gucci, ok? – Kim concordou e saiu, entrando na limusine e partindo para o shopping encontrar com Anna.
Marina observou a limusine passar pelo portão da casa e esperou Zack chegar.

(...)


Shopping Beverly Center – 09h35
- Ainda não acredito que a Marina não pôde vir – Anna falava com Kim enquanto caminhava olhando algumas vitrines – Faz um tempo que não saímos juntas.
- Ela teve que sair com o Zack – Kimberly explicou – Sabe como é, o macho chamou e ela foi – Anna revirou os olhos com o comentário de Kim.
- Olha, Kim, essa sua desconfiança com o Zack já tá ficando chata – Anna reclamou – Deixa ela, ela gosta dele, qual o problema? – Anna suspirou – Talvez você só esteja com ciúmes.
- Ciúmes? – riu – Por favor, Aninha, pra que eu vou querer um namorado só pra brigar, discutir e não me contar nada da sua vida? Porque ele é um completo mistério, eu diria que ele é um completo estranho pra ela – Anna revirou os olhos.
- Todo mundo tem segredos, Kim – Anna tentou explicar – Eu não estou dizendo que ele é uma das minhas pessoas preferidas no mundo e que eu confio nele cegamente, mas a Marina gosta dele e o que nós temos que fazer é aceitar, você principalmente.
- Tudo bem, eu não quero brigar, mas... – Kim foi interrompida pelo celular tocando – É a Mari – ela avisou, atendendo o celular e colocando no viva-voz, fazendo Anna chegar mais perto do celular. Elas ouviram uma gritaria e finalmente Marina atendeu.
- Aninha? Kim? – Ela chamou.
- Ei, Mari, tá tudo bem aí? – Anna perguntou ouvindo o som de algo se espatifando.
- Tá sim, Aninha, é só o maluco do Zack tendo um surto psicótico – elas riram ouvindo o garoto gritar no fundo “Eu não sou maluco, Marina” – Mas age como se fosse – ela gritou pra ele e voltou a falar com as meninas – Eu só liguei pra avisar que recebi uma mensagem de um dos representantes da diretoria avisando que as primeiras avaliações do semestre serão na segunda, a galera vai receber um e-mail amanhã sobre isso, então vocês estão sabendo em primeira mão.
- Mas que droga, final do mês e já vamos ter avaliação – Kimberly reclamou.
- Desde o ano passado eles mudaram os dias de avaliações, Kim, e que aliás, é uma coisa boa porque aí, no final do ano letivo ficamos com semanas livres, sem avaliações, apenas com atividades extras caso queira melhorar as notas e para organizar as festas – Anna falou, e Marina concordou do outro lado da linha – Obrigada por avisar, Mari.
- Por nada, tchau meus amores – Marina sorriu mesmo sabendo que elas não poderiam ver – Agora eu já vou, preciso ver se o maluco não fez besteira né – ouviram o “Eu não sou maluco, porra!” e riram, desligando o telefone.
- Esses dois não tomam jeito – Anna riu.
- Eu ainda acho que eles vão casar – Kimberly riu da expressão da amiga.
- Mas há pouco tempo você estava dizendo que não confiava nele e agora diz que acha que eles vão casar? – Anna perguntou confusa.
- Apesar de não confiar no Zack, eu não acho que ele seja uma ameaça para a Mari – Kim explicou, e Anna riu balançando a cabeça negativamente.
- Você é uma pessoa muito estranha, Kim – Kimberly riu puxando Anna para outra loja.

(...)


Casa dos Evans – 09h50
Depois da ligação, Marina voltou pra cozinha e viu que o local já estava todo limpo. Depois que o Zack chegou, eles conversaram um pouco, deram uns amassos e assistiram algum episódio de uma série que Marina gostava, mas depois Zack inventou de fazer um bolo e acabou quebrando o que parecia ser uma porcelana muito cara.
- Eu estava conversando com as meninas e ouvi alguma coisa se espatifando – Marina chegou na cozinha e encostou na pilastra observando seu namorado limpar o balcão – Você está querendo me meter em encrenca? – perguntou risonha – Sabia que essa porcelana que você quebrou era presente de casamento?
- Desculpa, amor – Zack pediu desculpas – Depois compro uma nova, ok? – ele perguntou – Eu só queria fazer um bolo pra gente – ele fez um cara triste, mesmo sabendo que a namorada não veria já que estava de costas pra ela.
- Meu amor, pra isso que temos empregada – Marina disse o abraçando e dando um beijo em suas costas nuas – Posso chamar a Marion pra fazer um lanche pra gente – ele se virou e a abraçou pela cintura – Antes que você destrua as porcelanas da minha casa – riram e se beijaram. Um beijo lento e sensual que causou arrepios em Marina. Estava apaixonada por Zack e não poderia negar, mas ainda se sentia estranha por não saber quase nada dele. Zack era um tipo de novato no colégio e na turma dos populares. Ele chegou ao colégio no ano passado, e como era bom jogador, conseguiu passar no teste e entrou para o time. Conheceu Marina depois que precisou de aulas de reforço por causa das notas ruins em matemática, e depois de muitas cantadas, Marina aceitou o convite dele pra saírem, foi nesse encontro que eles se beijaram pela primeira vez e depois começaram a namorar. Simples assim. Talvez um pouco simples demais e pelo que parecia, era esse simples que incomodava Marina. Ela não sabia nada dele, nada além do que todo mundo sabia. Garoto rico vindo do Canadá fazer o ensino médio em um dos colégios mais prestigiados dos EUA, misterioso, mulherengo e jogador de futebol. Virou amigo dos caras do time, pegou várias líderes de torcida – tirando Anna e Kim –, ia mal em algumas matérias e arrumava confusão com alguns garotos mais velhos, costumava fazer bullying com alguns garotos mais novos e tinha alguns acessos de raiva. O típico garoto problema. Eles encerraram o beijo com alguns selinhos e ficaram abraçados por um tempo.
- Zack? Posso te fazer uma pergunta? – Marina perguntou e ele murmurou um ‘hurum’ – Quando eu vou poder conhecer os seus pais?
- Eu já disse, Mari, quando tiver uma oportunidade – ele respondeu respirando fundo, não gostando do rumo que a conversa estava tendo.
- É, você disse, mas quando é que vai ser isso? Porque você disse isso no ano passado e até agora não aconteceu – Zack se irritou e se desvencilhou de Marina sem muita delicadeza.
- Por que toda essa cobrança agora?
- Porque eu gosto de você, Zack – Marina disse – E quero conhecer a sua família, é isso que namorados fazem, nós já estamos namorando há quase 1 ano e eu não sei quase nada de você.
- E se continuar desse jeito, talvez não saiba nada mesmo – ele disse chegando perto dela – Eu também gosto de você, Marina, mas essa cobrança toda não é legal, eu confio em você – ele disse tocando o rosto da namorada com carinho – Mas queria que você também confiasse em mim – ele disse chateado e caminhou até a porta.

(...)


Shopping Beverly Center – 10h11
Depois de olharem mais algumas vitrines decidiram fazer um lanche e seguiram até a praça de alimentação.
- Eu morro de vontade de tomar um super Sundae de baunilha com calda de chocolate – Kimberly sonhava acordada – E comer um hambúrguer com milk-shake e...
- E engordar muitos quilos e a treinadora te cortar do time por não estar no peso ideal proposto na regulamentação? – Anna interrompeu Kim.
- Estraga prazeres – Kim respondeu, fazendo Anna rir.
- Mas é verdade, Kim, você sabe, eu também morro de vontade de mandar a dieta para o espaço, mas não podemos – Anna explicou, mas Kim não respondeu, e Anna percebeu que ela estava parada olhando para um lugar específico.
- O que foi, Kim? – Anna perguntou chegando perto dela.
- O que eles estão fazendo juntos? – Kimberly perguntou, olhando para Anna, que procurava de quem a amiga estava falando.
Anna pôde ver um pouco distante delas em uma mesa em frente ao McDonald’s, seu irmão e Jessica sorrindo com as mãos entrelaçadas dividindo um milk-shake. Não era surpresa para Anna saber que Luke e Jessica estavam saindo, ela sabia disso porque Luke contou para ela em um de seus encontros no decorrer da semana e ela ficava feliz por eles.
- Esqueci de falar, o Luke e a Jess estão saindo já tem uns dias – Anna explicou – Eu acho legal, afinal ele voltou para o time, parou de usar cocaína e não está mais andando com aqueles garotos nojentos do terceiro ano – Anna deu de ombros e Kimberly olhou-a com raiva – E a Jess é uma garota legal.
- Garota legal? – Kimberly riu – Aninha, olha só para ela, ela é desengonçada, se veste mal e não é da elite, fala sério, ela não serve para ele.
- O quê? – Anna disse confusa – Kim, deixa de idiotice, se as pessoas fossem escolher alguém para namorar só por causa de roupa ou de classe social as pessoas nunca namorariam, aliás, você esqueceu que a Kate Middleton não era princesa quando começou a namorar com o príncipe?
- Em primeiro lugar, o seu irmão não é um príncipe e em segundo, a Kate frequentava a alta roda, e essa garota...
- Essa garota nada, Kim, se você está com ciúmes é só falar, mas não precisa ficar menosprezando a Jess.
- Eu com ciúmes? Do Luke? – Kim perguntou rindo – Não seja idiota, Aninha, eu e o seu irmão terminamos faz tempo e eu odeio ele, ok? Eu só digo isso porque nós somos de mundos diferentes do dela, mas se ele quer ficar com a ralé que fique então – Kim deu de ombros e saiu andando na frente.
- Ela com certeza está com ciúmes – Anna riu balançando a cabeça e indo atrás de Kim.

(...)


Auditório do Beverly Hills High School – 10:25 AM
Jade estava no auditório repassando a sua fala de uma apresentação importante que aconteceria em poucos dias. Seria a protagonista e teria que cantar e dançar, sem falar na dificuldade que estava tendo para conseguir aprender suas falas. Não podia nem dizer que não sabia porque estava assim, sabia sim, hoje completava 2 anos da morte de sua mãe e como todos os anos, não conseguia se concentrar nesse dia, ficava irritada, triste, distraída e para Jade isso significava sinal de fraqueza e não gostava de se sentir fraca.
- Vocês poderiam me ajudar com... – Jade começou a ensaiar novamente e travou no mesmo lugar – Eu me perdi... – tentou novamente – Por favor, eu preciso de... – tentou novamente e não conseguia lembrar de mais nada, bufou e jogou os papéis do roteiro com raiva no chão – Droga! – gritou.
Jennifer, que estava sentada um pouco mais afastada na plateia, desceu e foi para perto do palco.
- Jay – chamou e Jade a olhou – Que tal irmos comer alguma coisa, beber um suco ou uma água? – sorriu olhando a amiga com carinho – Você está nessa cena há duas horas, descansa um pouco e depois que voltarmos, eu até posso te ajudar com essas falas – Jade sorriu, reconhecendo que estava mesmo cansada e ajudou Jenny a subir no palco, indo até o camarim.
- Entra aí que eu vou buscar uma água para você e depois vamos almoçar – Jenny disse e saiu. Assim que abriu a porta Jade encontrou alguém sentado de frente para o espelho. Katrina Sparks.
- O que você está fazendo no meu camarim? – Jade perguntou sem rodeios. Jade e Katrina não se gostavam.
- Eu só vim ver se estava tudo bem, aqui também vai ser o meu camarim, afinal eu sou a sua stand, esqueceu? – disse com desdém.
- Aqui seria o seu camarim se você fosse atuar e como você mesma disse, você é a minha stand, ou seja, a minha substituta, então a não ser que eu fique doente, sofra um acidente que quebre as minhas pernas ou morra, você não vai atuar – Jade disse a última frase pausadamente dando um sorriso cínico ao ver a cara de poucos amigos que Katrina fez.
- Sabe o que eu acho? – Katrina perguntou se levantando.
- Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe – Jade disse revirando os olhos, mas Katrina continuou:
- Ainda bem que a sua mãe morreu – disse se aproximando e Jade mudou de expressão rapidamente – Ela não teria nenhum orgulho de você, sabe por quê? – Jade travou o maxilar, cravando as unhas nas palmas das mãos – Porque você é egoísta, imbecil e péssima atriz – disse, saindo do camarim e esbarrando propositalmente no ombro de Jade, que deixou algumas lágrimas caírem enquanto olhava para as mãos feridas. Não era a primeira vez que Jade se machucava, mas não podia evitar. Tinha vontade de bater em Katrina, a odiava e todo mundo podia ver isso, e a garota não ajudava, sempre fazendo piadinhas sobre o ocorrido com Olivia, inventava mentiras e tudo mais para encher a paciência de Jade. Da última vez que brigaram, Jade bateu em Katrina e tomou uma advertência, então passou a “segurar” sua raiva. Se olhou no espelho e viu que a sua maquiagem estava um pouco borrada, dando-lhe uma aparência estranha para um rosto tão bonito. Pegou alguns lenços umedecidos e passou no rosto, limpando a bagunça que as lágrimas tinham feito.
- Pronto, Jay, aqui está a sua água – Jenny entrou de repente trazendo uma garrafa de água, mas percebeu algo errado – Ei! Tá tudo bem?
- Tudo bem sim – Jade se virou e sorriu – Vamos comer alguma coisa? – perguntou e Jenny confirmou com a cabeça quando o celular de Jade bipou. Era uma mensagem – É a tia Kathy, ela quer que eu vá até a Grivolly.
- Ok, então vamos – Jade concordou e as duas saíram do camarim.



Capítulo 09

Shopping Beverly Center – 10h35
Kimberly estava olhando uns sapatos em uma das vitrines enquanto Anna falava ao telefone.
- ... Certo, tia Kathy, eu já estou indo, beijos – Anna desligou e foi até Kim – Era a Katherine, ela quer que eu vá na Grivolly que ela tem uma reunião importante e quer que eu e meus irmãos estejamos lá – suspirou e guardou o celular, caminhando com Kim até o estacionamento.
- O que será que ela quer? – Kim perguntou com seu espelhinho na mão arrumando o cabelo.
- Não sei, mas ela me pareceu um pouco nervosa – Anna respondeu entrando no carro.

(...)

Rodeo drive – Loja Grivolly – 10h45
Luke, Anna e Jade estavam na sala de reuniões com sua tia esperando alguns dos investidores chegarem para a reunião. Tinham chegado há uns 10 minutos e Katherine os recebeu um pouco aflita como se fosse algo realmente urgente, o que os deixou um pouco nervosos.
- Tia Kathy, você não pode nos dizer o que está acontecendo? – Luke perguntou cansado de tanto esperar.
- É, Katherine, pra que tanto suspense? – Jade perguntou sem muita paciência, como sempre, e Anna revirou os olhos.
- Você acha que se ela pudesse ou pelo menos soubesse como nos dizer o que ela tem pra nos dizer você não acha que ela já não teria nos dito? – Anna disse sarcástica e Jade sorriu cínica.
- Ah claro, falou a voz da sabedoria – Jade disse no mesmo tom sarcástico de Anna, e Katherine e Luke puderam ver que o campo de batalha já estava armado, se não intervissem elas arrancariam fios de cabelo e quebrariam as unhas ali mesmo, mas não precisou, já que os investidores apareceram e se sentaram em suas cadeiras.
- Que bom que vocês puderam comparecer a essa reunião pois o assunto que trataremos aqui hoje será de extrema importância para a Grivolly nesse mês e no próximo – James, um dos investidores, disse abrindo a mala em cima da mesa, tirando de lá vários papéis e entregando para cada um – Na verdade, vocês não precisavam estar aqui hoje, mas como a tia de vocês achou necessário a presença de vocês então não podíamos negar um pedido tão especial – James deu um sorriso que pareceu cínico e se levantou para ligar o projetor, começando sua apresentação – Bom, como hoje faz dois anos da morte da Olivia – fez uma pausa – Que Deus a tenha – disse fazendo o sinal da cruz em frente ao rosto e continuou – Eu pensei em fazer algo especial para esse final de mês – passou o slide e mostrou uma das primeiras linhas de roupas que Olivia já havia criado – Com essa linha de roupas que vocês estão vendo aqui nesse slide, Olivia se firmou como estilista e fez a pequena loja Grivolly alavancar as vendas há anos, tornando-se assim a estilista revelação de 1994 na Itália, então eu conversei com o nosso publicitário e ele aprovou e recomendou a minha ideia.
- Você enrolou, enrolou e até agora não nos disse qual a sua ideia – Jade disse e todos concordaram.
- Bom, a minha ideia é reinventar essas peças – ele disse – Colocá-las em tons escuros, fazer uma mini campanha com as roupas da primeira coleção para sensibilizar as pessoas da tragédia que aconteceu há dois anos, com vocês, os filhos da dona da Grivolly, sendo os modelos da campanha para mostrar todo o sentimento da coisa, uma mini campanha de luto e no mês de outubro lançamos a nova coleção – James explicou deixando-os boquiabertos – Segundo as estatísticas e probabilidades que a nossa gerente de financeiro me passou, com essa mini campanha e a nova campanha do próximo mês teríamos um aumento de quase 100% na loja física quanto na online, sem falar que as nossas ações aumentariam o valor no mercado.
- Você só pode estar de brincadeira – Luke exclamou – Que palhaçada é essa, cara?
- “Mostrar todo o sentimento da coisa”? – Anna repetiu indignada com a falta de bom senso de James. O que ele pretendia com essa ideia? Fazer a Grivolly perder todos os investidores, falir ou zombar da memória da mãe deles?
- Não – Jade interrompeu os irmãos – Essa história de mini campanha de luto não vai rolar, você achou mesmo que nós concordaríamos com isso?
- É aí que está, meus queridos – James disse cordial, mas com a voz carregada de sarcasmo – Eu não estou pedindo a permissão de vocês para nada, eu só estou avisando que essa mini campanha vai acontecer.
- Como é que é? – os irmãos disseram em uníssono, indignados.
- Isso mesmo, eu só me dei o trabalho de vir aqui hoje e mostrar esse projeto para vocês por consideração à Katherine – apontou para a mulher sentada na ponta da mesa – Porque ela ficou preocupada em como vocês reagiriam – ele explicou – Não estou pedindo a permissão de vocês para nada, aliás, a opinião de vocês nem conta aqui – James disse se mostrando superior e Luke não gostou nada da postura do mais velho.
- Como assim “a nossa opinião não conta aqui”? – Luke disse indignado – Nós somos filhos da dona dessa loja, você esqueceu? Nós temos voz aqui dentro.
- Sem falar que nós três possuímos ações da Grivolly, o que significa que fazemos parte do conselho administrativo da loja, ou seja, a nossa opinião conta aqui dentro sim, James – Anna falou.
- Eles tem razão, James – Jade concordou com os irmãos – Você não pode simplesmente aprovar uma campanha sem falar com os outros acionistas, você não tem tanto poder assim.
- Certo – James disse cansado, mas ainda sorrindo sarcasticamente – Vocês tem um pouco de razão – ele concordou e os mais novos sorriram automaticamente – Porém, vocês estão enganados a respeito de um pequeno detalhe – ele parou de frente para a mesa encarando os filhos de Olivia – Vocês possuem sim uma parcela de ações da Grivolly, mas é uma besteira, minoria, quase nada – disse abrindo a pasta em cima da mesa – O valor das ações de vocês aqui na pauta é de 5% cada – disse jogando a pauta na mesa para os garotos verem a veracidade do documento – Juntando, vocês três detém apenas 15% das ações da Grivolly, ou seja, apenas 15% de voto.
- Mas a tia Kathy também tem ações, ela detém as ações que eram da nossa mãe e ela é a acionista majoritária, não é? – Anna perguntou encarando James.
- Sim e não – disse – Sim, a Katherine está responsável pelas ações da mãe de vocês que era de 25% e não, ela não é a acionista majoritária da loja – disse apoiando o corpo na mesa com as mãos – Os acionistas majoritários são os que detém a maior porcentagem de ações, ou seja, os que mais investem na loja, portanto, eu e os outros três acionistas aqui – apontou para os acionistas sentados ao seu lado – Detemos cada um 15% e eles aprovaram a minha ideia, ou seja, temos um total de 40% de votos do seu lado e 60% de votos do meu, logo, a minha ideia está mais do que aprovada – sorriu fechando a pasta, deixando Anna, Luke e Jade boquiabertos.
- Ok – Katherine se levantou mostrando-se presente – Você pode ter conseguido a aprovação para a sua campanha, mas não pode obrigá-los a participar como modelos.
- Mas nem em sonho que participaríamos de uma coisa dessas – Luke disse e saiu da sala irritado.
- Eu sempre soube que você era um cara desonesto, mas usar o pretexto do aumento das vendas para convencer os acionistas foi um golpe muito baixo – Anna falou saindo da sala também.
- Eu espero que a sua campanha seja um fracasso – Jade falou sarcasticamente e saiu esbarrando propositalmente no ombro de James.
- Mas que sobrinhos mais esquentadinhos você tem – James brincou e Katherine revirou os olhos sem paciência para aturar mais aquele homem.
- A reunião acabou, James, pode ir embora – Katherine disse quase que empurrando o homem da sala, que riu ao perceber que não era bem-vindo e saiu da sala também junto com os outros investidores.

(...)


Loja Gucci, Rodeo Drive – 11:37 AM
Anna estava irritada e saiu avoada pelas ruas procurando Kimberly. Kim estava dentro da Gucci cheia de sacolas conversando com uma das atendentes quando Anna entrou e foi em sua direção chamando a atenção de algumas pessoas que a reconheciam. Alguns a conheciam pelas competições que acompanhavam pela tv e os outros conheciam apenas por ela ser a filha da falecida Olivia Lombarddi.
- Anda Kim, vamos embora, preciso conversar com você e ainda temos que almoçar – Anna disse e Kim veio rapidamente até ela.
- Você não vai comprar nada? – Kim perguntou, mas Anna rapidamente respondeu um “não” curto e grosso. Kim saiu da loja pedindo várias desculpas para as atendentes e Anna saiu puxando seu braço para longe dali – Aninha, você está me deixando nervosa, o que foi que aconteceu na tal reunião que te deixou assim?
- O que aconteceu? – Anna destravou o carro e seguiu para um restaurante – Aconteceu que o James, um dos acionistas da Grivolly, decidiu fazer uma mini campanha de luto no final desse mês para aumentar as vendas no mês de outubro na loja – Anna explicou ainda com raiva.
- O que seria uma campanha de luto? – Kim perguntou confusa se segurando no banco já que Anna suspirou sem paciência e acelerou mais o carro.
- Ele quer pegar as roupas da primeira coleção da minha mãe, colocá-las em tons escuros como se fossem roupas de luto mesmo e vender nessa última semana para sensibilizar as pessoas da morte da minha mãe – Anna disse com mais raiva e bateu as mãos no volante, parando em frente ao restaurante – E ele ainda teve a audácia de dizer que queria eu, a Jade e o Luke no comercial da campanha.
- E aí você me indicou né? – Kim perguntou ignorando o que Anna disse.
- Te indiquei pra quê? – Anna perguntou confusa.
- Como assim “pra quê”? – Kim respondeu como se fosse óbvio – Me indicou para ser uma das modelos da campanha, você sabe que eu sou modelo e faço um ótimo trabalho com... – Anna interrompeu Kimberly.
- Qual parte do “O James quer fazer uma campanha de luto para zombar da memória da minha mãe” você não entendeu, Kimberly? – Anna disse com raiva, agora não mais de James e sim de Kimberly – O máximo que ele vai conseguir é falir a Grivolly.
- Anna, falir a Grivolly seria um tiro no próprio pé dele, já que ele também perderia dinheiro com isso, então para de chilique e me fala por que não mencionou o meu nome pra fazer essa campanha? – Kimberly explicou sua teoria que até fazia sentido, mas Anna não estava ligando muito.
- Repetindo, qual parte do “Ele queria que a campanha fosse feita por mim, a Jade e o Luke” você também não entendeu? – Kimberly revirou os olhos e Anna tentou explicar – Eu sinceramente, Kim, nem pensei nisso porque tinha coisas mais importantes para pensar no que na sua carreira de modelo – Anna falou batendo a cabeça no volante e Kimberly se calou por um estante.
- Admita – Kim começou – Você é tão egoísta que não quis que eu participasse da campanha – Anna levantou a cabeça suspirando – Você está tão acostumada a ter tudo que não liga se vai tirar algo de alguém, não é? – Kim falou sarcasticamente – Ainda bem que a sua mãe não está mais aqui, se não ela teria vergonha de você – Kim sabia que tinha tocado na ferida, mas como estava com raiva nem percebeu.
- Sai do meu carro agora – Anna falou baixo e Kim não entendeu – SAI DO MEU CARRO AGORA, KIMBERLY – Anna gritou e Kim pegou as sacolas rapidamente do banco de trás e saiu do carro.
- Espera, você vai mesmo me largar aqui cheia de sacolas? – Kim perguntou sem acreditar e Anna saiu disparada do estacionamento deixando-a sozinha – Mas é claro que ela vai me largar aqui cheia de sacolas – Kim concluiu revirando os olhos – Merda.

(...)


Casa dos Evans – 20:00 PM
Depois da briga com Anna, Kimberly passou a tarde bebendo com um desconhecido no bar e contou praticamente sua vida inteira pra ele, mas ela não estava ligando pra isso na hora, depois de afogar suas magoas ela chamou seu motorista e ele a levou para casa. Chegando lá, ela pensou que Zack ainda estaria lá, mas ele não estava, sua irmã estava na sala sentada no sofá assistindo algum filme que ela não quis saber o nome e se jogou no sofá junto de Marina.
- E aí, mana? – Kim falou jogada no sofá com as pernas no colo da irmã.
- Você bebeu, Kim? – Marina perguntou sentindo o cheiro forte vindo das roupas de Kim – Não acredito que você não consegue passar um dia sem beber – Marina falou indignada – Pera aí, se você bebeu, a Aninha também bebeu – Marina pensou – Então ela tá dirigindo bêbada? Meu Deus, Kim, a Aninha tá dirigindo bêbada...
- Aninha? Aninha, querida? – Kim falou meio grogue – Não precisa se preocupar, a Anna está sã e salva dirigindo pelas ruas com os cabelos ao vento.
- Hãm? – Marina não entendeu.
- A Anna está bem – Kim revirou os olhos – Ela me largou no restaurante depois que eu disse umas verdades pra ela – Kim riu – Nós brigamos feio.
- Que verdades, Kim? Brigaram por quê? Explica isso – Marina empurrou os pés de Kim do seu colo e levantou.
- A Anna não quis me indicar pra nova campanha da Grivolly – Kim deu uma explicação superficial sobre o que tinha acontecido – E aí eu disse que ela era muito egoísta e que a tia Liv teria vergonha disso, aí ela me expulsou do carro.
- Oh, Kim, não era pra menos né, você sabe que hoje a Aninha fica meio avoada, poxa, é o aniversário de morte da mãe dela, o que você queria? Que ela soltasse fogos de artifício e dissesse que você, entre tantas modelos que a Grivolly tem, deveria ser a escolhida para tal campanha?
- Sim, era exatamente que ela deveria fazer – Kim se encolheu no sofá e fechou os olhos querendo dormir – Você sempre defende ela, né? Até parece que ela que é a sua irmã e não eu.
- Ah, Kim, ciúmes a essa hora da noite não né – Marina disse sem muita paciência – Tudo isso é a bebida falando e você não deveria ter mencionado o nome da tia Liv, você sabe que a Aninha fica mal com isso – Marina começou a andar pela sala – Você deveria ligar pra ela e resolver essa história, sei que ela também está errada ou pode estar, eu não sei, tenho que ouvir a versão dela primeiro porque você provavelmente só deve ter me contado menos da metade já que chegou aqui bêbada e.... – Marina olhou pra irmã que dormia no sofá – Não acredito que você dormiu e me deixou falando sozinha – revirou os olhos e pegou a manta que estava na poltrona e cobriu Kim – Boa noite, maluquinha.


Capítulo 10

Música da primeira parte do capitulo: Bella Ciao

Casa dos Lombarddi – 22h06
Anna tinha acabado de chegar em casa e deu graças a Deus por não ter ninguém na sala ou teria que dar explicações já que estava com a roupa suja de terra, olhos vermelhos e o cabelo todo molhado e bagunçado depois da chuva que teve no final da tarde. Subiu a escada principal e nem se deu o trabalho de acender a luz do quarto, já que a lua iluminava o mesmo. Ligou o rádio, sentando no tapete e abaixando a cabeça por entre os braços, ouvindo a música baixinha que tocava em uma estação qualquer. Depois da briga com Kimberly, Anna foi até o Píer de Santa Mônica e passou a tarde lá, até resolver que iria ao cemitério, parando antes na floricultura para comprar um buquê com as flores preferidas de sua mãe.

FLASHBACK ON
Cemitério – 20h35
Anna parou o carro no estacionamento do cemitério e seguiu para a capela. O local estava quase vazio, com exceção de poucas pessoas que rezavam ali. Molhou seu polegar em uma vasilha ao lado da porta e fez o sinal da cruz em frente ao seu rosto, entrando na capela, sentou-se e pôs o buquê ao seu lado. A família Lombarddi tinha muito respeito pelo catolicismo, quando moravam na Itália iam em todas as missas de domingo e sempre que podiam iam assistir algumas missas do papa no vaticano. Era uma tradição de família. Enquanto ouvia as palavras que o padre dizia ao fundo, Anna fazia uma pequena oração antes de ir visitar o túmulo da mãe.
- Deus, o senhor sabe que hoje está sendo um dia muito difícil, não só pra mim, imagino que para todos da minha família – fechou os olhos – Sei que todas as vezes que venho aqui é para pedir algo e hoje não será diferente, porém, é o mesmo pedido de todas as vezes – respirou fundo e entrelaçou seus dedos embaixo do queixo – Por favor, continue cuidando da minha família, olhe por nós daí de cima, sei que minha mãe deve estar aí junto do Senhor olhando por todos nós também e nos dando forças para continuar, porque se não fosse o tanto de trabalho que nós nos atolamos para fazer e a ajuda de vocês, nós com certeza não conseguiríamos suportar esses anos sem resposta de quem fez isso com ela – sentiu uma lágrima escorrer, mas nem se deu ao trabalho de limpar porque ali, naquele momento, podia se permitir chorar, sentir dor, sentir alguma coisa – E obrigada por ajudar o Luke a parar de usar cocaína, o Senhor não pode imaginar a minha alegria quando fiquei sabendo – ela sorriu – Amém!
Se levantou e caminhou até o lado de fora, indo em direção ao túmulo de Olivia, mas antes de chegar lá avistou um corpo magro, alto e longos cabelos loiros parecidos com os seus em pé ao lado da lápide. Era Jade. Não iria até lá porque não era o momento, por isso se escondeu. Jade não ia gostar que ela fosse até lá. Era o momento dela. Observou sua irmã limpar os olhos e deixar um buquê quase igual ao dela, o que mudava era o papel que enrolava as rosas. Depois de ver Jade se despedir e ir embora, Anna caminhou até a lápide de sua mãe e se sentou no chão sem se importar se sujaria sua roupa ou não.
- Oi mãe – Anna engoliu em seco – Eu sei que demorei pra vir, mas é que tive que ir na Grivolly resolver algumas coisas – Anna falou e depois repensou no que disse – Estou falando como se tivesse resolvido alguma coisa – riu revirando os olhos como se estivesse realmente conversando com alguém – Me desculpe por não ter conseguido fazer aquele idiota do James mudar de ideia sobre aquela campanha – suspirou – Tiraram você de nós e o nosso mundo desabou – abaixou a cabeça e chorou. Chorou por tudo o que tinha acontecido com James, a briga com Kim, pelo ódio que Jade sentia dela e pela mãe – Não é justo – ela disse baixo – Eu sinto tanto a sua falta, mãe, tanto.
Se alguém perguntasse agora o que Anna estava sentindo ela não saberia explicar em palavras, só saberia chorar, pois seu corpo doía, sua cabeça latejava e o lencinho de papel não estava dando conta do rio de lágrimas que seu rosto pálido tinha se tornado. Em plena luz da lua, a garota conhecida como indestrutível, inquebrável, e até coração de pedra, desabava em frente a triste lápide de sua mãe. Minutos se passaram e Anna já podia enxergar direito depois de enxugar seus olhos, mas algo a assustou. Alguém tinha pisado em um galho de árvore e tinha o quebrado. Levantou rapidamente e olhou ao redor procurando o lugar de onde vinha o barulho. Mais à frente, um pouco longe do seu campo de visão, uma pessoa com uma capa preta cobrindo sua cabeça e seu tronco estava parada em frente a outra lapide. Sabia que o cemitério era público, mas achou que estivesse sozinha e aquele momento era muito pessoal para dividir com um estranho.
- Ei – chamou a atenção da pessoa andando até ela, que quando viu que não estava sozinho começou a correr e Anna foi atrás, mas a pessoa estava muito na frente, obviamente era mais rápida que ela e no escuro ela não reconheceria ninguém – Droga.
Anna voltou até o cemitério e foi até a lápide que a pessoa estava visitando.
Mason Edward Bennett - Amado filho e irmão
★ 22-12-1990
† 01-01-2008

Quem será esse tal de Mason? Anna não conhecia ninguém chamado Mason e nenhuma família com o nome Bennett, se pelo menos tivesse conseguido ver quem estava embaixo da capa... Anna balançou a cabeça, mandando embora esses pensamentos. Não importava quem era, ela tinha ido ali para visitar a mãe e já tinha o feito. Hora de ir embora.
FLASHBACK OFF

Anna dirigiu o caminho todo pensando no tal de Mason. Quem seria? O que fazia? Será que algum amigo o conhecia? Essas perguntas a fizeram esquecer por um tempo a falta que sentia da mãe e a dor de hoje ser o aniversário de morte dela. E como num déjà vu, Anna levantou a cabeça prestando atenção na nova música que tocava no rádio. Era uma música italiana.

Una mattina mi son' svegliato
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
Una mattina mi son' svegliato
E ho trovato l'invasor

Anna conhecia a música. Era Bella Ciao. Uma das músicas preferidas de Olivia e a mesma que tocou em seu funeral.

O partigiano, portami via
O bella ciao, bella ciao, bella ciao, ciao, ciao
O partigiano, portami via
Ché mi sento di morir

Anna não aguentou e chorou mais. Chorou alto. E dessa vez, chorou sem se importar se as pessoas ouviriam, talvez quisesse que elas ouvissem e percebessem que ela também tinha um coração. Um coração que também estava sofrendo.

Casa dos Evans – 26 de Setembro de 2010 – 05h49
Marina acordou cedo e aproveitou o tempo para cuidar de Kim, sabia que ela estaria de ressaca e como é uma boa irmã acordaria ela cedo pra tomar um banho gelado e tomar um remédio pra dor de cabeça. Riu com o pensamento, iria mesmo acordar a irmã e faria ela tomar um banho gelado às 6 horas da manhã? Mas é claro. É, ela era uma boa irmã, sim. Subiu até o quarto de Kim levando uma aspirina e um copo com água, colocando-os na cômoda ao lado da cama.
- Kim? – Marina sacudiu levemente a irmã que não se moveu – Oh Kimberly, acorda – gritou e Kim levantou assustada.
- O que é, inferno? – Kim disse irritada.
- Não me xingue – Mari reclamou – Levanta daí, toma essa aspirina e vamos pro banho, você tá fedendo – Kim levantou resmungando – Os nossos pais vão chegar daqui a pouco e eles não vão gostar de ver você assim.
- Ah, claro – revirou os olhos – Depois te agradeço por ter me acordado aos gritos, ok? – Kim disse sarcasticamente – Preparou meu banho quente também?
- Tá achando que é quem? A rainha Elizabeth? – Mari sorriu sarcástica – E quem disse que é banho quente? Você vai é tomar banho gelado, meu amor, com essa cara de ressaca você acha mesmo que ia tomar banho quente? – riu – faça-me o favor né, Kim.
- Chata – Kim foi tomar banho enquanto Marina ria da irmã organizando uma roupa pra ela vestir. Marina abriu o closet e metade das roupas da irmã caíram em cima dela. Organização é uma das coisas que Kimberly não tinha e não era ela que iria ensinar isso. Não mesmo. Jogou as roupas no chão e foi até o banheiro levando a roupa pra Kim.
- Então, agora você pode me explicar o que de fato aconteceu ontem? – Mari perguntou.
- Eu saí pra beber – Kim desviou do assunto.
- Eu sei disso – Mari revirou os olhos.
- Então pra que perguntou?
- Você sabe do que eu tô falando, Kimberly Antoine Evans.
- Você sabe que eu não gosto quando você me chama pelo nome todo, droga.
- Então me conta o que aconteceu ontem entre você e a Aninha, porque não dá pra ignorar, você chegou ontem resmungando e não me contou nada direito. – Kim suspirou e Mari esperou a resposta.
- Eu e a Anna discutimos por ela ser egoísta – Kim começou – A Grivolly vai fazer uma nova coleção e ela não me indicou como modelo pra campanha e ainda me largou no estacionamento do restaurante.
- O quê? – Mari perguntou sem entender direito – Vocês brigaram por causa disso? – Kim acenou com a cabeça.
- Ela nem sequer se lembrou de me indicar pra campanha.
- Pera aí, Kim, não pode ter sido só isso, sempre que pode, a Aninha te indica para as campanhas, mas eles preferem modelos famosas que já estão no mercado, sem falar que ontem foi uma data muito ruim pra Anna e...
- Você vai defender ela? – Kim falou com raiva olhando para a irmã, que não disse nada – Mas é claro que vai – Kim revirou os olhos – Olha, Marina, eu não quero mais falar disso, ok? Agora sai do meu quarto, preciso me arrumar – Kim empurrou Marina para fora do quarto e bateu a porta na cara da irmã, que suspirou e foi até a cozinha. Iria descobrir o que de fato aconteceu e para isso teria que checar o outro lado da história.
- Querida, você não vai tomar o café da manhã? – Marion, uma das empregadas, perguntou.
- Não, Marion, preciso dar uma saída rápida antes que os meus pais cheguem, preciso resolver um assunto – disse pegando o copo, tomando um pouco de suco e saindo da casa.
- Gregório, para a casa dos Lombarddi, por favor – Marina pediu ao motorista entrando na limusine e seguiu para a casa de Anna.

Casa dos Lombarddi – 06:05 AM
Anna estava arrumando sua “mala” pra sair com o Henry quando ouviu uma batida na porta.
- Pode entrar – disse e Trudy, uma das empregadas, apareceu na porta.
- Aninha, tem visita para você.
- Ué, mas o Henry já chegou? Pensei que ele só viesse às 07h30.
- Não é ele – Trudy disse – É a senhorita Marina – Anna franziu o cenho estranhando Marina estar tão cedo na sua casa. Será que tinha acontecido alguma coisa com Kim?
- Ah, então pode mandar subir.
Anna terminou de arrumar sua bolsa e esperou Mari entrar.
- Oi Aninha, que bom que você ainda não saiu, eu preciso conversar com você.
- O que foi?
- É sobre a Kim.
- Aconteceu alguma coisa? – Anna perguntou preocupada, apesar de ainda estar chateada com ela.
- Não, nada de muito grave, é que ela chegou bêbada ontem e não me explicou direito o que aconteceu entre vocês e nem hoje de manhã – Mari explicou – E eu vim aqui pra você me explicar e eu poder ajudar vocês a se reconciliarem.
- Olha, Mari, eu agradeço pela tentativa de ajuda, mas a Kim pisou na bola comigo, eu não sei se vou conseguir perdoar ela assim tão fácil.
- Mas Aninha, me explica o que aconteceu, vai – Mari pediu juntando as mãos – Eu estou tão curiosa.
- Tudo bem – Suspirou – Os investidores da Grivolly querem fazer uma campanha de luto com as roupas da primeira coleção da minha mãe – Aninha explicou – Eles disseram que era pra mostrar todo o “sentimento da coisa” – disse fazendo aspas com as mãos – Eu e meus irmãos tentamos nos opor, mas parece que a nossa opinião não vale muita coisa – suspirou virando o rosto pro lado – E eles queriam que eu, a Jade e o Luke fôssemos os modelos da campanha, mas é óbvio que nós não aceitamos.
- Mas por que você e a Kim brigaram? – Mari perguntou sem entender.
- Segundo ela, eu fui muito egoísta por não ter indicado ela pra essa campanha, sendo que tudo que aconteceu na reunião eu contei a ela, e ela ainda assim não entendeu e disse que a minha mãe sentiria vergonha de mim por causa disso – Aninha explicou e Mari ficou boquiaberta.
- Eu nem sei o que dizer, Aninha, eu sinto muito.
- Não precisa se desculpar pela Kim, Mari – Anna sorriu e a abraçou – Você não tem culpa dela não pensar nas coisas antes de falar.
- Não vou mais te encher com isso – Mari disse mudando de assunto – Então você vai viajar com o Henry hoje, hein – Marina fez uma cara engraçada, levantando as sobrancelhas e mostrando que essa viagem poderia ter outro significado.
- Não, Mari, não é nada disso que você está pensando – Anna riu – O Henry não tem pressa pra isso, ele é tão cavalheiro e tão gentil que não me pressiona – Anna disse suspirando, tão apaixonada.
- Ah, como o amor é lindo – Mari sorriu – O Henry é tão perfeito pra você, Aninha, que até parece que ele nasceu para ficar com você – suspirou – É uma pena que o meu namoro não seja assim tão mais fácil quanto o seu – Anna fez um cara confusa – Ontem eu e o Zack brigamos e agora parece que eu fui meio injusta com ele.
- O que aconteceu?
- Nós discutimos porque eu pedi a ele pra conhecer a família dele, mas ele sempre dá uma desculpa e eu nunca os conheço – Mari explicou – E eu me sinto uma completa estranha no meu próprio relacionamento, você entende?
- Não muito, mas eu até concordo com a Kim sobre o Zack, ela já me falou que ela acha tudo isso muito estranho e tal, mas eu não me liguei muito.
- É, ela me disse a mesma coisa, que não confia muito nele, mas...
- Olha, Mari – Anna pegou nas mão da amiga – Se você confia nele, ótimo, mas você não pode se basear nas coisas que a Kim e eu pensamos, o importante é o que você acha, você sabe que a Kim é meio paranóica quando assunto é você, já que você é a nossa princesinha e merece um príncipe – Anna sorriu.
- A Kim disse isso outro dia – riu – Obrigada, Aninha.
- Pelo quê?
- Por me ouvir, tentei falar com a Kim, mas ela não me deu muita atenção.
- Sempre que precisar eu estarei aqui pra você, Mari – sorriram e ouviram a porta bater, e Henry pôs a cabeça para dentro.
- Interrompo uma reunião das meninas? – elas riram e ele entrou no quarto.
- Não, não, eu já estava indo embora mesmo – Mari sorriu e cumprimentou Henry – Bom passeio pra vocês – Abraçou Aninha e se virou para Henry – Cuida bem dela viu? Se ela chegar amanhã e disser que não foi o melhor dia da vida dela vou bater em você – Mari ameaçou.
- Sim, senhora – bateu continência e Mari foi embora rindo – Então, amor, tudo pronto? – ele perguntou, Anna acenou com a cabeça e então desceram as escadas saindo da casa.
- Pra onde vamos? – Anna perguntou curiosa depois de Henry vendar seus olhos assim que entraram no carro.
- É surpresa – ele sorriu e ligou o rádio – Ainda não é o nosso aniversário, mas você merece, então é um presente de namoro antecipado – Anna sorriu toda boba.

Rodeo Drive – 08h08
Depois da ressaca matinal, Kim resolveu ir para a Rodeo Drive fazer mais compras e se distrair, já que não tinha mais a companhia de Anna e Mari não estava em casa quando ela saiu. Enquanto caminhava pela Rodeo Drive, passou em frente à loja Harry Winston e viu quem estava do lado de dentro conversando com uma vendedora. Jéssica. E sem o Luke. Resolveu entrar e ainda pôde ouvir um pedaço da conversa.
- ... Eu ainda não tenho certeza se ele gosta de mim o suficiente ou se está tentando esquecer alguém... – Jéssica parou de falar assim que percebeu quem entrou na loja, não queria que ouvissem sobre seu relacionamento, principalmente Kimberly.
- Olá, senhorita Evans, gostaria de ver alguma joia em especial? – A vendedora que conversava com Jéssica perguntou à Kim.
- Não, eu só vim buscar uma joia que eu trouxe para polir há algumas semanas.
- Oh sim, o anel prateado com detalhes em diamantes, não é? – Kim concordou – Um momento que eu vou pegá-lo.
A vendedora foi pegar o anel e Kim se virou e resolveu puxar assunto com Jéssica.
- Oi, Jamie, como vai? – Kim falou simpática errando propositalmente o nome de Jéssica.
- Oi, Kimberly – Jéssica falou sem muita animação, visivelmente incomodada com a presença de Kim – E o meu nome é Jéssica, achei que já soubesse.
- Me desculpe, querida, sabe como é, sou uma pessoa muito ocupada, conheço muita gente, então costumo confundir nomes – sorriu sarcástica continuando a conversa – Não sabia que você frequentava esse tipo de loja – Kim sorriu.
- Esse tipo de loja? – Jessica perguntou.
- É, esse tipo de loja – frisou – O tipo de loja do cacife da Harry Winston.
- Eu não estou fazendo compras, só vim esperar o Luke e aproveitei pra conversar um pouco com minha amiga.
- Ah sim, isso é bem conveniente pra você, não é?
- Conveniente pra mim? – Jéssica indagou confusa.
- É, pensa comigo, você está namorando com o filho da dona da Grivolly, uma das lojas mais famosas da Rodeo Drive, isso é tão conveniente pra você que daqui a algum tempo você pode até faltar o trabalho que a Katherine nem vai ligar e ainda vai pagar o seu salário.
- Eu não estou com o Luke por causa do dinheiro dele, Kimberly, estou com ele porque eu...
- “Gosto dele” – Kim a interrompeu completando sua frase – Sei, sei, mas olha, eu não pude deixar de ouvir a sua conversa anterior – Jessica suspirou, não queria que Kim tivesse ouvido – Você está cheia de dúvida sobre os sentimentos do seu príncipe encantado – a vendedora chegou com o anel e ele brilhava tanto que Jéssica teve a impressão que o anel podia até iluminar aquela sala – Uma das provas mais concretas de que o Luke gosta de alguém é quando ele dá uma joia para a garota, no meu caso, por exemplo, quando ele me pediu em namoro ele me deu esse anel – Kim pôs o anel no dedo e mostrou a Jéssica – Sabe, para uma garota de 14 anos, foi como se o príncipe encantado tivesse me pedido em casamento – Kim pagou o polimento e esperou a nota fiscal – Bom, se ele não te deu um ainda, talvez esteja em dúvida Kim deixou a frase no ar por alguns segundos para depois completar Ou talvez esteja procurando algo do seu nível – pôs o anel de volta na caixinha – Tchau, Jamie – e saiu da loja com seu habitual sorriso sarcástico.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: Jesus do céu, como a Kimberly é sem coração ¬¬.


Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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