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Última atualização: 20/03/2018

Prólogo

's POV
Era normal eu estar de pé antes das meninas, afinal sou a matinal delas. é a que levanta assim que escuta o despertador, sai da cama depois de chamar o nome dela umas duas vezes, mas nada supera o sono hiper pesado de . Nada levanta aquela menina, sério. Perdão, eu não costumo sair falando sem me apresentar. Sou Stone, tenho dezenove anos, sou australiana e, geralmente, as meninas me chamam de . E como vocês podem estar se perguntando, aquelas outras três meninas são minhas melhores amigas e, porque não, minhas irmãzinhas amadas.
Nós quatro poderíamos ser uma girlband, mas não somos. E olha que temos cara de girlband, viu? A verdade é que em algum momento tivemos a brilhante ideia de criar nosso espaço na rede para compartilhar o que cada uma de nós mais gosta, e daí surgiu o 4Girls (Quatro Garotas) que é o nosso blog/vlog.
Viajamos para os Estados Unidos para encontrar com nossos melhores amigos, que também são australianos e tem uma banda. Eles formam a 5 Seconds of Summer. Sim, eu sei que formamos o dream team de muitas meninas por aí, mas afirmo que nunca os vemos como pessoas famosas, afinal nos conhecemos bem antes de todo o sucesso deles nas paradas musicais. A 5SOS (porque 5 Seconds of Summer é muito comprido para escrever e/ou falar toda a hora) tem uma fanbase ótima e vivemos interagindo com as fãs deles. Ops, quase ia me esquecendo. Eles são Ashton Irwin, o baterista, Luke Hemmings, o guitarrista, Calum Hood, o baixista, Michael Clifford, o guitarrista também. Os meninos arrasam tanto que todos são vocalistas na banda, mesmo que um ou outro tenha mais espaço vocal em determinadas músicas. Como dizia antes, nós oito nos conhecemos muito antes das noites de shows lotados, antes de todas as capas de revistas, antes de toda essa loucura que eles estão vivendo. Só que os minos são tão meus irmãos quanto as meninas.
Como acordei cedo, já fui logo me vestindo de maneira confortável para pensar em algo para fazer com as meninas. Os meninos estavam fazendo uma turnê pela parte norte do continente americano, e depois de muito tempo separados resolvemos que nos veríamos durante essa turnê. Eu e as meninas estávamos dividindo um quarto de hotel no mesmo local que eles estavam hospedados. Depois de andar muito de um lado para o outro no quarto, parei no sofá roxo da mini sala de estar com a TV ligada em um canal aleatório de desenho animado. Entre um bloco e outro do programa, resolvi checar alguns sites de fofocas. Não era meu hábito, mas queria me livrar do tédio.
Passados uns minutos, acabei mudando de canal para um filme qualquer, contudo, ainda olhava os sites de fofocas de vez em quando. Estava tudo tranquilo quando do nada uma manchete chamou minha atenção. Dizia "5SOS em encontro na noite de ontem", só isso me fez dar um clique imediato no link para saber mais. Minha cara instantaneamente assumiu uma expressão de surpresa quando li a "matéria". Eu vi fotos de qualidade duvidosa acompanhando as palavras que algum funcionário daquele website escreveu. Nas fotos pude ver nós oito em volta de uma mesa, em umas estávamos rindo, já outra mostrava um momento em que Mikey virou-se para mim e me falou algo, uma outra pega um ângulo onde dava para ver comendo umas batatas fritas que Luke estava lhe dando.
Não preciso comentar que foi uma das coisas mais bizarras que já tinha visto. Não quis acreditar no que que havia lido e visto naquela página. Então com toda a minha surpresa, eu larguei meu celular em cima da mesa de centro e corri para o quarto. Precisava acordar as meninas.
Agora.

's POV
Eu estava perdida em uma floresta, correndo em busca de ajuda, seguindo a direção da voz que constantemente exclamava "!!!". Após escutar muito essa voz, um impulso me fez abrir os olhos e logo que o fiz, vi um vulto curvado na minha direção. Aos poucos, o vulto se afastou e eu passei as mãos pelos meus olhos tentando espantar a parte sonolenta que constituía a névoa que os encobria. Com a mão direita, tateei pela mesa de cabeceira pelo meu par de óculos e assim que encontrei os pus.
Foi um sentimento agradável enxergar a , contudo, sua carinha de aflição não me deixou mais feliz. Fiquei preocupada assim que ela me disse "Estamosnumsitedefofocascomosmeninos." Sua fala foi tão rápida que não entendi nada.
, vamos com calma. – Disse a ela enquanto sentava na cama. — Diga-me o que foi. Mas fale devagar.
Ela engoliu seco e depois de um momento breve disse:
— Eu disse que estamos em um site de fofocas com os meninos.
— Entendi direito? Estamos em um site de fofocas? E com os meninos? — Enquanto eu seguia mais preocupada, mas tentando não demonstrar muito, percebi que ficava mais aflita.
— Sim, é isso mesmo. — Ela me contou, e em seguida dispara — O que faremos?
Não estava preparada para aquela pergunta. Não mesmo.
— Hã... er... ainda não sei. — Eu tive que ser franca, afinal realmente não tinha um plano.
— Olha, , relaxa... não deve ser nada. — Disse a ela achando que a mesma se acalmaria um pouco, porém sua expressão continuou a mesma de antes.
Mesmo depois de alguns poucos anos de "fama" na Austrália, ainda não lidava bem com as notícias que surgiam do nada. Todas nós levamos o máximo de vida normal que podemos. Com certeza, para ela, era muito mais difícil porque , e eu não somos australianas, então não temos problema com sermos reconhecidas por estranhos. era de lá e ainda tinha uma certa vergonha, ela dizia que toda vez que alguém a reconhecia era como se os parentes distantes dela a encontrassem na rua e quisessem cumprimentá-la. Ok, isso é, no mínimo, esquisito.
— Sério, . Fica tranquila. — Disse enquanto levantava e caçava o meu par de chinelos. — Não deve ser nada mesmo. Não fique pilhada. — Ela abriu um sorriso pequeno e me disse:
— Você tem razão, não deve ser nada. A propósito, bom dia. — Retribuí seu sorriso e a puxei para um abraço, onde lhe desejei um bom dia também.
Assim que nos separamos, eu lhe lancei mais um sorriso e ela o retribuiu, dizendo:
— Eu vou acordar e lhe dar a notícia. Você se arrume e conte à sobre isso. Ah, vou pedir o café da manhã aqui no quarto.
— Er... tudo certo. Só vou tomar uma chuveirada e pôr uma roupa, aí a gente vê algo sobre o que você me disse.
Deixei no quarto e fui para o banheiro começar a minha rotina matinal. Eu não sou o tipo de pessoa que demora a ligar os motores para começar a fazer algo pela manhã. Após lavar o rosto e escovar os dentes, voltei ao quarto para pegar uma muda de roupas para enfim tomar meu banho. Estava tão empolgada que entrei de cabeça e tudo debaixo do chuveiro, e comecei a pensar sobre o que poderia estar escrito na matéria do site e fiquei meio apreensiva com o que escreveram lá.
Sempre soube quem eu sou. E me orgulho de ser Araignée, brasileira de dezenove anos de idade, a para os mais íntimos. Meus pais acabaram tendo que ir parar do outro lado do mundo porque a família para a qual o meu pai trabalhava (eles são podres de rico e superimportantes) veio morar na Austrália. Aparentemente, meu pai é alguém muito querido pela família. E cá para nós, ele deve ser mesmo, porque os patrões dele bancaram toda a mudança da nossa família para a terra dos cangurus. Eu cheguei lá aos doze anos e foi complicado deixar meus amigos e parentes no Brasil. Tenho certeza que a minha mãe foi corajosa em concordar com a mudança, mas conseguimos superar todas as dificuldades e agora somos muito felizes lá. Pensar nisso tudo me fez lembrar que tenho que mandar uma mensagem para a minha mãe.
E com isso, depois de fechar o chuveiro e me aprontar, deixei o banheiro pela segunda vez desde que acordei. Algo em mim já estava pronto para começar o dia e tentar descobrir o que estava acontecendo do lado de dentro do mundo virtual. Só restava saber se as outras duas meninas se sentirão como eu, prontas para encarar uma possível batalha.

's POV
A sorteada da vez foi . Uma pena para ela ser a destinada a me acordar. Tenho um sono mega pesado, então essas cenas fofas de filme, as cenas em que o mocinho acorda a principal daquele jeito meloso e assim que ele diz o nome dela, a menina abre o perfeito sorriso sonolento e responde algo tão meloso quanto o que ele disse de volta, e assim começa mais uma comédia romântica qualquer. Pois é, nunca acontecerá isso comigo. Eu sou completamente a Anna de Frozen pela manhã, descabelada, boca aberta e, principalmente, mais dormindo que acordada.
Desde que me entendo por gente, quando levanto, entro em um estado de transe. Fico extremamente quieta, observo tudo e quando falam comigo simplesmente não respondo. Tudo piora se vou ao banheiro porque posso passar muito tempo parada, sentada no vaso sanitário ou em frente ao espelho, aparentemente pensando na morte da bezerra. É que todas as manhãs, eu preciso me lembrar de quem eu sou. Algo em mim vai, aos poucos, contando tudo o que preciso saber.
Algo com uma voz que me lembra a J.A.R.V.I.S. (secretamente espero que seja a J.A.R.V.I.S. mesmo), me conta um resumo parecido com "Você é de Assis... Nasceu no Rio de Janeiro, Brasil... Tem vinte anos... Se te chamaram de , você pode responder..." E a partir disso posso começar o novo dia.
já me conhecendo, com muito custo me acordou e me deixou por alguns minutos quieta. Até que disse:
— Hã... Bom dia, . Vou te passar um boletim dos últimos acontecimentos, Ok? Er... Acordei mais cedo e descobri que estamos em um site de fofocas com os meninos. Acordei a e ela já sabe sobre isso. Eu pedi café da manhã no quarto e espero que suco de laranja e chocolate quente te bastem como bebidas. E é isso, por essa manhã.
Eu não tive muita reação. Noventa e nove por cento do meu ser ainda estava deitado na cama, embolado com o cobertor e de olhos fechados. Eu vi sorrir amarelo e deixar o quarto. Continuei na cama com todo o meu sono, ainda não tinha recebido o kit básico de informação, então não tinha como responder o que disse.
O piloto automático ligou-se e, isto me fez levantar e partir em direção da minha mala. Para começar oficialmente a saga do dia, escolhi uma roupa qualquer e entrei no banheiro. Fiz xixi (não faça cara de nojo, porque você também faz a mesma coisa) e assim que acabei, a minha J.A.R.V.I.S. pessoal me disse tudo o que precisava saber e ela ainda incluiu o boletim matinal da no pacote. Passei o banho todo repetindo a mim mesma o mantra "Acorde, ... Acorde, ..." Assim que saí dele, me vesti e saí do banheiro. Cutuquei , que ainda estava deitada, mas tudo que ela fez foi trocar de lado e continuar a dormir.
Quando entrei na saleta do quarto, avistei e no sofá roxo de lá. A televisão estava exibindo uma comédia romântica qualquer, enquanto as duas meninas dividiam suas atenções entre o filme e os seus respectivos celulares.
— Hmmm... Oi, meninas. — Eu disse para que elas me notassem.
Ambas olharam para trás, mas apenas me cumprimentou com um sorriso e dizendo:
— Bom dia, . — Me juntei a elas no sofá e as perguntei:
— O lance que a disse é verdade?
— Sim, eu já li o que escreveram. Não foi grande coisa. E tem também umas fotos de qualidade ruim nossas. — respondeu e completou:
— Assim... Não dá para saber que é a gente, mas como eu sei que só a gente teve com eles ontem à noite...
— Ah, sim... Bom, já tomamos alguma providência sobre isso? — Perguntei.
se apressou em me responder, dizendo:
— Não. Só depois do café. Não tem condições de tomar decisões sem pôr um grão de comida na boca.
— Bom, então, eu quero que esse café chegue logo... — disse.
Segundos depois uma voz surge do outro lado da porta do quarto dizendo "Serviço de quarto." Nós três começamos a rir e lentamente se levantou e abriu a porta do quarto. Vimos um carrinho com bastante comida em cima entrar e parar no quarto.
— Wow... Não foi meio exagerado esse pedido, não? — Perguntei, abismada com o carrinho.
— Pedi para quatro, então posso ter exagerado um pouco. — disse, ficando de pé também.
Vi dar uma gorjeta ao funcionário do hotel, enquanto minha visão periférica avistava indo em direção ao carrinho.
— Ei, você! Não toque nessa comida sem que a esteja aqui. — Eu disse e saí em direção ao quarto para arrastar ela para fora da cama.
É, parece que o dia vai ser longo.

's POV
Eu estava tendo um dos meus melhores sonhos. Isto é, até acabar com ele. Absolutamente não é bom ser acordada na melhor parte do sonho. É tão horrível saber que nunca mais saberei a continuação da maravilhosa apresentação da Fifth Harmony na praia. Elas estavam tão lindas dançando com biquínis dourados. Juro que estava bem legal até que me forçou para fora da cama. O que as pessoas têm contra os sonhos?
Abri os olhos e vi perto demais do meu rosto.
— Cara... eu não acredito que você me acordou bem no meio do meu sonho. — Disse, completamente indignada. só me deu um sorriso irônico e disse-me:
— Bom dia para você também. Pode voltar a dormir, mas se quiser comida é melhor ser rápida.
— O que quer dizer com isso? — Lhe perguntei logo.
— Quero dizer que só falta você para tomarmos o café da manhã. — Ela me disse enquanto saía do quarto. Em seguida, levantei, calcei os chinelos, lavei o rosto e fui para a sala. Não preciso nem dizer que encontrei , e comento. Fico feliz de ter sido rápida o bastante para encontrar alguma comida.
— Bom dia para vocês. — Disse enquanto ia pegando um prato e me servindo de duas panquecas com calda de chocolate.
— Bom dia, . — foi quem me cumprimentou logo que me sentei em volta do carrinho de comidas.
— Temos um motivo para isso tudo no quarto? Geralmente, vamos ao restaurante do hotel ou passamos numa cafeteria. O que houve? — Perguntei antes de dar uma boa garfada no que estava no prato.
Entre um gole e outro do suco de laranja, diz:
— Bom... eu vou contar logo. Um site de fofocas postou uma matéria sobre os meninos. Só que ela é sobre o “encontro” de ontem à noite.
— O caso é que estamos na matéria como garotas misteriosas, porque as fotos usadas são bem ruins. Dá para saber que são garotas e tal, mas não que somos nós quatro. Porém, é como a disse para a , sabemos que é a gente porque sabemos que eles só estiveram conosco naquela noite. — acrescentou antes de voltar a comer seu iogurte com frutas.
— Entendi. Do que eu conheço vocês, devem resolver alguma coisa só depois do café, certo? — Disse-lhes.
me falou:
— Sim, comida em primeiro lugar.
— Ok, mas podemos adiantar alguma coisa sobre isso porque não acho legal perder tempo. — Eu não tinha nada planejado para esse dia, só que tempo não pode ser desperdiçado.
As meninas já estão acostumadas comigo. Sou ativa, gosto de sempre fazer algo. O melhor de tudo é que elas me aceitam acima de qualquer coisa. é família. Literalmente. Somos primas. Queria dizer que tudo é uma brincadeira, mas nossas mães são irmãs. A família dela sempre viajou, porém durante muito tempo ela ainda viveu no Brasil perto do resto da família nossa.
Nós duas não parecemos ser da mesma família. Nosso sobrenome não é o mesmo, sou Goméz e ela usa o da minha tia. Ela é morena e eu sou branca, eu loira e ela com o cabelo preto. Eu tenho olhos verdes e ela com os olhos castanhos escuros, ela com vinte anos e eu com dezoito. A pesar das mil diferenças somos, como já disse, família. As outras duas meninas, eu acrescentei na lista da família também. Jamilly, minha irmã mais nova, já chamava e de primas desde o segundo encontro com as duas.
Nós quatro terminamos o café da manhã e então disparou em um falatório sobre o que fazer.
— Bom, eu já sei o que temos que fazer. disse bem, não é legal perder tempo mesmo. — E ela gesticulava bastante enquanto falava, isso é um sinal de empolgação dela, ou seja, ela realmente tinha algo pensado. — O que temos que fazer agora é damage control. Temos que saber até onde isso foi e se estão comentando na rede. Depois avisamos aos meninos e, em seguida, se for muito mal a situação nós vemos com eles se querem se envolver ou coisa do tipo.
Todas nós concordamos com as ideias que teve. Neste ponto ela estava certa.
— Eu olho o Twitter e o Tumblr. e checam qualquer outra rede e verifiquem nossos canais. — E assim nos dividimos para varrer a internet em busca de comentários.
Assim que pus as mãos no meu celular, abri o aplicativo do Twitter. Vasculhei o Trending Topics e não vi nenhuma tag suspeita. Olhei minhas menções e, como faço sempre, respondi umas e curti outras até que alguém da 5SOSFam me perguntou se eu já tinha visto algo e no tweet tinha um link que levava a matéria da qual as meninas falaram. Aproveitei que estava no tal site e li tudo e vi as fotos.
Respondi a menina com um simples "Sim" e depois corri para ver novamente o que estava no TT. Pois é, no Twitter tudo muda rápido, e o que antes era nada, virou um monte de tags que estavam subindo em direção ao topo. Sabia o que tinha que fazer e falei com as meninas de onde eu estava mesmo.
— O que sei é que o Twitter estava calmo até que do nada coisas estão subindo no Trending Topics. — Eu disse. Levantei de onde estava e peguei um corpo de suco, o virei rápido e saí andando para o quarto. — Vou trocar de roupa e vocês, boa sorte.
Fui sincera, afinal elas precisariam.

’s POV

Ainda estávamos na sala com a televisão ligada e o nosso carrinho de comidas não tinha mudado de lugar. Tirando , que foi se trocar, nós três apenas pegamos os nossos celulares e demos início a busca por qualquer traço de fumaça sobre o assunto.
estava certa quando disse que tudo estava calmo e do nada tinha todo o tipo de tag aparecendo. Alguns dos nossos fãs, e fãs deles também, já começavam a aparecer com todo o tipo de pergunta. Aos poucos não foram só eles, outras revistas de fofocas perceberam o que estava acontecendo e passaram a reproduzir notícias similares a primeira e outras novas notícias que mencionavam o princípio do alvoroço na internet.
Às vezes, me choco com a rapidez com que a informação se propaga pela rede. Neste caso, é informação dúbia. Não era um encontro romântico como a matéria original dizia. Quer dizer, poderia ter sido, mas naquele dia não era. Tenho a sensação que só acredito nisso porque eu estava lá. Pelo o que me lembro daquela noite, os meninos não foram parados por fãs naquele pub que fomos. O que só deixou a noite mais tranquila para nós oito. Eles amam de paixão todos os fãs, mas tem momentos em que é bom passar meio desapercebidos.
Limpei a garganta e me virei na direção de , dizendo:
— Dei uma olhada pela rede de comentários dos nossos canais. Algumas pessoas que sabem da nossa conexão com eles, já começaram a nos procurar em busca de respostas.
apenas ergueu os olhos da tela de seu aparelho e respondeu-me com:
— O Tumblr me parece meio na paz, mas só em alguns aspectos. Como sempre já está rolando a guerrinha entre as fãs extremistas e as fãs deboístas. Umas querem a nossa cabeça, quer dizer, das meninas das fotos, e outras apenas querem que os quatro sejam felizes. Então, eu considero isso como um sinal positivo para atividade questionadora. — Ela deu de ombros e acrescentou por último: — Você sabe como o Tumblr é: mais sentimental e bipolar, não tem.
Lancei a ela meu melhor sorriso cúmplice. Não sou entendida sobre o assunto Tumblr, mas a mecânica básica do site eu sei. E por conhecer a plataforma melhor que eu, confiei no relatório que ela tinha me passado sobre a atividade no site.
Lentamente, foram caindo umas fichas que eu não tinha pensado bem.
Estamos na boca da mídia, na boca de adolescentes de todos os lugares do mundo.
— O que vamos fazer? — perguntou depois de um certo momento de silêncio.
Eu não sabia o que fazer.
Ainda.

’s POV

Tinha acabado de dizer a o panorama do Tumblr e lhe perguntado o que faríamos. Conheço o site bem e sabia onde procurar pelo o que eu queria. Como em todos os momentos da vida, existia um lado bom e outro ruim. E eu sempre prefiro ver o lado ruim primeiro porque quando vejo o lado bom, me sinto mais aliviada. Ou pelo menos era para ser assim.
Ver o que diziam no website não me deixou mais tranquila sobre o que fazer. E o silêncio da após minha pergunta também não ajudou em nada. Tentei encontrar algo para, momentaneamente, me distrair. Só que o filme que passava na TV não era o mais ideal para isso. Cogitei abrir um dos meus vários joguinhos, mas nenhum chamou minha atenção. Olhei para o teto, passei a mão no estofado roxo do sofá, observei as cortinas cinzas do quarto e decidi ser útil.
Abri o Twitter e disse: “Mantenham a calma porque eu acabei de acordar.” Logo uns retweets e curtidas começaram a brotar, porém só uma curtida chamou minha atenção. Ashton. Ele tinha acabado de fazer isso. Sorri logo e procurei por um app de mensagens para falar com ele.
Assim que mandei um “Bom dia. :x”, ele me respondeu com um “Oi, . Bom dia :D” Antes que eu pudesse responder, ele manda outra mensagem: “Dormiu bem?”
Ashton sempre foi carinhoso. No princípio de nossa amizade achava esquisito, mas agora, se deixar, sinto até falta.
“Sim, mas tive que acordar e isso estragou tudo. :|”, respondi para logo mandar outra mensagem dizendo “E você? Diga que sua noite foi bem melhor que a minha... POR FAVOR!!!”
Pedi licença baixinho para as meninas e fui para o quarto, me joguei na cama e encontrei a melhor posição e já estava pronta para continuar meu papo com Ash.
“Minha noite foi ótima. Lembrei da nossa saída. Foi bom ontem. Estava com saudades disso, .” Sim, é muito comum que eu me derreta com o que ele diz. Aliás, não tem como.
Vi pelo rabo de olho que havia saído do banho. Como de costume ela usava um short jeans e uma blusa. Ela me olhou enquanto erguia uma sobrancelha, questionando minha existência lá no quarto.
— Falando com o Ash? — Ela perguntou. Dei de ombros e disse:
— Sim. Quer algo? — Ela pega um pente e começa a desembaraçar o cabelo, enquanto fala rapidamente:
— Não. — E logo se vira para o espelho dizendo: — Eles sabem?
— Não faço a menor ideia. — lhe digo. Ela continuou olhando o espelho e passando o pente pelo seu cabelo loiro. — Pode deixar que eu pergunto para ele. — disse a ela, voltando meus olhos e minha atenção para a conversa com Ash.
“Posso te perguntar outra coisa?”, mandei para ele.
Poucos segundos depois ele me responde com “hahaha, pode sim. ”
“Sabe o que estão falando sobre a banda?”, lhe enviei apreensiva. Enquanto meus olhos estavam fixos na tela, fiquei imaginando o que ele poderia responder.
De repente, o celular começou a vibrar e percebi que Ashton estava me ligando.
— Oi, . — Ele disse assim que atendi.
Tive que lembrar quem eu era depois de ouvir a voz rouca, de quem acabou de acordar, dele. Pode parecer bobo, mas o dia em que vocês souberem o que é isso irão me entender.
, está aí? — Ele pergunta com a minha óbvia demora na resposta.
— Hã... Sim, aqui. — Apressei-me em responder. Ele não podia notar que me deixei afetar pela sua voz.
— Por um momento achei que não estava. — Deu para perceber que ele umedeceu os lábios. Será que ele estava nervoso ou é coisa da minha cabeça? Deve ser só ansiedade para saber o que é. — O que andam falando sobre 5SOS? — Ele indagou.
Geralmente, não éramos nós (as meninas) que contávamos coisas desse tipo, contudo estávamos em uma emergência. Quer dizer, não é uma real emergência. Mas mesmo assim é melhor não arriscar, nunca se sabe a proporção que as coisas tomam na rede.
Durante uns segundos tentei pensar em uma maneira de contar. Na verdade, não sabia exatamente o porquê de querer um modo certo para contar isso, sou meio conhecida por não ter muito jeito em falar as coisas. Acho que parte de mim não quer nunca magoar Ashton e isso faz com que eu fique mais cuidadosa com as palavras.
— Bom... Toda a internet diz que vocês foram num encontro ontem à noite. E tem umas fotos para provar a coisa toda. As fotos são péssimas, mas dá para ver que vocês estão com meninas, só não se sabe quem são elas, mas a gente sabe quem é porque estávamos lá e eu era uma das meninas. E agora todo mundo quer saber quem elas são... E você curtiu o meu tweet sobre o assunto sem nem saber o que era exatamente... — Desembestei a falar. Provavelmente, falei demais e não do jeito certo, como eu sempre fazia.
— Começaram mais um rumor? E agora eu e os caras temos namoradas? — Ele disse num tom de voz que eu não sabia dizer exatamente o que ele sentia no momento. — , achei que fosse grave.
Eram momentos como esse que eu questionava a sanidade de Ash. Brincadeira. Eu não duvido disso. Ou duvido, mas isso não vem ao caso. Seu tom de voz na última frase era meio risonho. E essa habilidade do Ashton, eu admirava e muito.
— Hã... Eu achei que era importante, por... — ele para uma frase minha para falar:
— Obrigado. Vou perguntar para os meninos se eles já viram a nova do dia.
Sorri com o que foi dito por ele logo em seguida:
, pode relaxar. Sei que sua cabeça deve estar dando voltas por causa disso tudo. Mas tente ter uma ideia boa para isso. Na pior das hipóteses, eu assumo um namoro com você e a gente resolve isso. — Ash completou risonho do outro lado da linha. Sinceramente, meu coração pulou uma batida. Ele tinha esse dom, e sabia que ele não falava sério. Somos só amigos.
Não podia deixar barato. O que ele disse atingiu algo em mim. Automaticamente, minha resposta veio.
— E pelo o que eu te conheço, você deve estar doido para que a pior das piores hipóteses apareça. Mas para o seu governo, não quero nada com você. — Eu não sei dizer o quanto do que disse era só provocação, ou se realmente li isso nas atitudes dele. O que importa é que ele teve uma resposta, algo que eu muitas vezes não conseguia pensar quando ele dizia coisas assim.
Com sua risada leve, Ashton me responde com:
— Vou deixar que você pense que sim, mas ambos sabemos que não.
— Por que nos falamos ainda? — Lhe devolvi.
— Porque eu gosto de te perturbar pelas manhãs... As manhãs que está acordada, pelo menos. — Riu com gosto quando disse isso.
— Bom... você tem irmãos para isso, Ash. Os procure.
— Assim que você me abandonar eu farei isso. — Ainda com seu ar feliz Ashton me responde. — É sério agora. Vou falar com os meninos sobre a coisa, e você não se preocupe. Vamos dar um jeito, mas por enquanto ignore o máximo que puder.
— Se você diz... — eu disse a ele. Outra coisa que gosto do Ashton é a sua calma. O mundo desmancha e ele está feliz no canto dele. também tem um pouco disso. Falando nela, lembrei que deixei a coisa toda meio que de lado. Uma crise acontecendo e eu rindo com Ash.
Por isso tratei de ser rápida e nem deixei ele pensar em algo, saí respondendo com:
— Bom, acho que já passei muito tempo longe do problema. Mande notícias sobre o seu lado da coisa.
— Okay, . Divirta-se. — ele me diz com um tom ainda risonho.
— Pode deixar... Ah, boa sorte. — eu lhe disse. Só desliguei depois de ouvir sua risada no fundo.
Qualquer conversa com Ashton tinha mais ou menos esse tom. Rolava uma provocação mútua de vez em quando, mas também era leve. É algo que eu poderia fazer o dia inteiro.
Depois de ter desligado, eu não sabia exatamente o que fazer. Apenas fiquei encarando o teto, ainda meio perdida com tudo. Meu tempo de pensamento na morte da bezerra não durou muito, pois logo começou a falar com as meninas sobre a minha conversa com Ash e se eu não fosse rápida ela poderia contar as coisas de uma forma não muito fiel. Ela acentuaria, principalmente, as partes em que eu dei risadas com o que ele disse, e ela também não saberia dizer bem o conteúdo do papo que tive com ele.
Eu tenho uma teoria, a qual só se aplica a mim. Essa teoria produziu uma lei que diz: “Toda a vez que estiver inerte, a perturbe.” O que basicamente se traduziu em eu me levantar da cama e me juntar com as três na sala outra vez.
Posso dizer que fiz todo o caminho, entoando mentalmente um pedido para quando eu entrasse na saleta. “Que não tenha dito nada demais sobre a conversa. ”
“Que não tenha dito nada de demais sobre a conversa.”
“Que não tenha dito nada de demais sobre a conversa.”
“Que não tenha dito nada d-”
Então, estava super alegrinha conversando com Ashton. Devem ter adorado se falar pela manhã. Ele está tão na dela. Como ela não percebe? — Escutei sair da boca de assim que eu estava na porta que separa o quarto da sala.
Não é meu dia de sorte, pelo visto.

’s POV

Saí do banheiro vestida com o que as meninas chamam de uniforme. Não sei qual é o problema delas. Eu adoro usar shorts e uma camiseta, é prático.
Uma coisa que percebi assim que deixei o banheiro foi a presença de e seu celular no quarto. Ela exibia um sorrisinho que só podia significar uma coisa. Ela estava conversando com o Ashton. Depois de umas simples perguntas confirmei o que já pensava.
e Ash são amigos. e Ash tem sentimentos maiores que “just friends”. e Ash não assumem esse sentimento. E todos nós sempre esperamos por algo vindo dos dois, mas só sai faísca de lá.
Enrolei no quarto fingindo estar desembaraçando o cabelo. Era óbvio que estava lá somente para saber o que os dois tanto conversavam. Pouco antes dele telefonar para ela, eu havia perguntado se os meninos já sabiam de algo e, pelo o que ela me disse, eles não tinham a menor ideia das coisas.
Podem me julgar de fofoqueira, mas não estava nem me notando no quarto. E o papo deles não fazia muito sentido para mim, afinal só tinha o lado da conversa da . Tudo o que eu podia fazer era alimentar a minha imaginação sobre as palavras que Ashton a dizia, palavras essas que ela estava adorando porque não tirava o sorriso do rosto.
Assim que ela desligou, eu parti para a sala para contar tudo para as meninas. Do mesmo jeito que eu sabia que ela fazia comigo e Luke.
Estava sentada, de costas para a porta que separa o quarto da sala, no braço do sofá. E então minha boca começou a falar:
Então, estava super alegrinha conversando com Ashton. Devem ter adorado se falar pela manhã. Ele está tão na dela. Como ela não percebe?
As caras de e começaram boas, porém murcharam muito rápido. Fiquei sem entender o que houve, já que a primeira coisa que fazemos, quando falamos sobre meninos, é pôr nossos melhores sorrisos e começar a nos divertir. Só que não demorou muito para que eu juntasse a dois mais dois na minha cabeça para entender o meu azar.
está atrás de mim, né? — Perguntei com meus olhos fechados.
abriu um sorriso bem grande e ensaiou uma resposta, mas falou:
— Sim, ela está.
— Ops... Acho que deveria pelo menos ter esperado para dizer algo. — Me apressei em iniciar um pedido de desculpas, mas contornou o sofá e parou em frente à televisão.
Goméz, amarre sua língua. Eu estava completamente normal quando falei com ele por telefone. — tentou se defender, contudo não deixou.
— Sabemos bem como é o “normal” de vocês dois no telefone. Você sorri mais do que o normal. Sério. — A reação de ao que disse foi muito engraçada. Primeiro ela arregalou os olhos, depois ela abriu e fechou a boca umas vezes como quem ia falar algo, e depois ela andou até a poltrona mais próxima e se jogou lá bufando.
— Eu sempre sorrio. — disse.
— Falou a menina que tem mais preto no armário que uns dez góticos juntos. — retrucou.
— Não é assim... Eu só gosto da cor. Vocês sabem que é a minha favorita. — tentou argumentar com isso.
— Não adianta falar, nesse assunto é voto vencido. — Disse .
— Eu tinha que ter gravado esse momento. — Disse enquanto ria.
— Não vou dar ideia para nada do que me disseram. Não se esqueçam que temos várias meninas e vários meninos, usando seus Wi-Fi para tentar descobrir qualquer coisa sobre a notícia que saiu hoje de manhã. — disse.
— Nem me lembre. Quero não lidar com isso, mas... Vou fazer o quê? — Questionou .
— Segundo o que Ashton me contou, até o momento, nenhum deles sabia de algo sobre. Eu dei a notícia para ele, e o mesmo disse que iria questionar os meninos. — voltou a contar.
— Como ele se mostrou em relação ao que saiu? — perguntou. Ela estava bem calma, como o de costume, e se sentava de forma relaxada no sofá.
— Vocês sabem como Ash é. Estava bem tranquilo. E também tratou o assunto como algo corriqueiro, tipo algo que sempre acontece. Eu pedi para ele me avisar quando soubesse de alguma coisa. — continuou a nos informar.
— Ok... ele é assim mesmo, então não serve de padrão para reações. — Eu disse e vi acenando em concordância.
— Gostaria de não concordar com você, mas eles não facilitam. Os meninos não devem estar acordados ainda. E temos que tomar uma atitude porque as pessoas não podem continuar inventando coisas sobre o que aconteceu ontem, sendo que nós somos aquelas meninas da foto. — comentou logo depois do que disse.
— Sendo sincera, eu detesto não saber o que fazer. Vocês três sabem que eu não gosto de muita falação, mesmo estando na rede o tempo todo. — disse.
Sei que ela estava sendo super verdadeira. Ela realmente não gostava, mas eu nunca me importei com isso. sabe muito bem que não me importo em ser o centro das atenções de vez em quando. Ela diria que é “de vez em sempre”, mas isso é implicância dela, eu sei que é.
, não se preocupe. Vamos dar um jeito nisso, só vamos esperar uma resposta deles. Depois, tomaremos uma atitude concreta. — disse para tranquilizar .
— Isso mesmo. Contudo não podemos ficar tão à mercê deles. Vamos tocando umas coisas daqui mesmo. — disse.
— Ok... Acho que a gente pode ir se livrando do carrinho de comida. — disse. Fiz uma careta e ela percebeu. — O café já passou tem umas horas. — Ela completou.
— Eu sei... Eu sei... — disse-lhe. Com isso levantei de onde estava e procurei pelo telefone do quarto para pedir que recolhessem o carrinho. Pouco tempo depois que fiz a ligação, algum funcionário do hotel veio buscar o carrinho.
Assim que no carrinho foi embora, nossos telefones celulares apresentaram uma notificação.
Quando olhei, era um recado da equipe de mídia dos meninos. Fui impedida de falar algo sobre porque já estava ligando para um dos agentes e pondo a ligação no viva voz.
— Oi, . — Disse alguém de lá. A voz parecia feminina.
— Oi, Gabrielle. As meninas estão aqui também, estamos em conferência. — Ela respondeu, e nós três a cumprimentamos com um oi.
— Oi, meninas... Bom, vamos direto ao assunto, ok? — Gabrielle nos disse em retorno.
— Sim, adoraríamos saber o que tem a dizer. — disse.
— Então, eu procurei pelo o que os meninos me falaram. Calum disse que Ashton perguntou se sabiam da matéria que saiu, e os quatro me procuraram para ver o que fazer. — Gabrielle continuou a dizer.
— E o que vamos fazer? — Perguntei.
— Eu sei que vocês estão na mídia também, logo, vocês mesmas já tentaram descobrir mais ou menos o alcance de tudo isso. Agradeço que vocês alertaram os meninos. Normalmente, deixaríamos de lado isso, já que não é verdade. Contudo vocês estão envolvidas, e a conexão entre vocês oito é antiga. — Gabrielle dizia muita coisa mas ao mesmo tempo nada ainda. Isso só me tornava mais apreensiva sobre o que ela diria.
— O que vamos fazer? — Eu perguntei de novo.
— Como estava dizendo, já tem gente lhes perguntando sobre a notícia e tudo mais... Eu deixo por conta de vocês. Escolham entre negar ou deixar de lado. — Gabrielle finalmente disse.
— Temos que te comunicar antes? — perguntou.
— Não, vou ficar sabendo por aqui. Só avisem aos meninos. E escolham bem as palavras. Ok? — Ela responde a .
— Ok. E mais alguma coisa? — pergunta.
— Não, só tomem cuidado com o que vão dizer. — Gabrielle completou.
— Então perfeito. Não vai ter problemas. — disse.
— Certo. Até mais, meninas. — Gabrielle disse.
— Tchau. — Nós quatro dissemos.
Observei desligar e colocar seu celular em cima da mesa de centro. encontrou o controle da TV e a desligou. , por sua vez, se jogou na poltrona, que momentos atrás estava.
— Gente, não podemos parar agora. Já temos o parecer da equipe dos meninos. A partir desse momento é com a gente. — Eu disse à elas. Na minha opinião elas demorariam a pensar em algo e a oportunidade de pôr em prática qualquer coisa já não existiria mais.
— Discurso bem inspirador, . — me elogiou, o qual eu só lhe respondi com um sorriso.
— Eu tive uma ideia. — disse.
Todas as nossas cabeças mudaram na direção a . Queríamos ouvir o que ela tinha a dizer.
— Olha... Pode dar um pouco de trabalho, mas vai valer a pena. — Ela completou. — Ainda não postamos nada no site do 4G, e nem no nosso canal. Postar fotos e tweets não contam como atividade, e acho que nós quatro sabemos muito bem disso. Vamos unir o útil ao agradável. Temos que nos pronunciar sobre a matéria e montar um conteúdo novo para atualizar. — continuou tagarelando e pelo o que percebi, ela tinha algo realmente estruturado.
— Os fãs têm muitas perguntas, então vamos fazer um livestream que vai ser exibido no Youtube e no blog. O tema é 20 questions, e vamos focar em um equilíbrio sobre o que está rolando agora e a nossa viagem. Responderemos perguntas sobre nós a princípio, e escolheremos uma ou outra pergunta sobre a matéria para equilibrar. — não deixou ninguém falar. Ela tinha mesmo o plano.
— Ok. É esse o plano. Nem vamos pensar em mais nada. — disse se jogando no sofá.
, você salva vidas. Te adoro. — falou enquanto abraçava .
Com o meu melhor sorriso, assisti a feição de passar de um sorriso para um bico emburrado enquanto eu dizia:
Olha que essa conversinha com o Ash rendeu, hein? Até ideia genial a menina anda tendo depois de falar com ele.

’s POV

, normalmente, não é repleta de tiradas sarcásticas. A dona de todo esse tipo de linguagem é , mas como ambas são da mesma família, e logo tem o mesmo sangue correndo nas veias, eu justifico esses rompantes dela como algo no DNA das duas.
Após ter dito aquilo, sustentou uma carranca por um breve momento, já que a reação que eu e tivemos foi cair na gargalhada com .
Eram momentos como os quais nós vivemos agora que eu amo ter essas meninas na minha vida. Sempre fui meio deslocada socialmente, e todas as meninas me acolheram mesmo. Trouxeram-me para o círculo delas e me incluíram de verdade.
teve a melhor das melhores ideias. Ela totalmente me surpreende com sua mente criativa. O plano dela é bem estruturado e isso é maravilhoso. Ela, nesse caso, teve um pensamento super-rápido que eu mesma não saberia montar em tão pouco tempo.
Depois de uma longa crise de risos, nos acalmamos e entrou em modo operatório novamente:
— Então, já temos um plano, mas agora é hora de pôr em prática ele.
— E o que você sugere? — perguntei.
— Sugiro que nós avisemos aos meninos e, depois, vamos começar uma forte divulgação sobre o livestream. — responde calmamente.
— Ok, eu cuido da parte de avisar aos meninos. — prontamente disse.
— Eu vou pensando nos looks do livestream, temos que estar incríveis. — completa.
, como eu não entendo nada de tecnologia, eu peço para você arrumar todo o equipamento para o live. — se vira para mim dizendo isso. E, sinceramente, seu pedido não me espanta. Ela não entende muito de como se faz as coisas tecnológicas funcionarem. Essa parte é realmente comigo e sempre foi. Sou a mais inclinada para esse lado eletrônico mesmo, sou a que curte mais o vídeo games e animes e uma porcentagem desse universo de cultura asiática.
, eu não esperava nada de diferente vindo de você. Pode deixar que eu cuido da produção da coisa toda. — Lhe respondi. Ela sorriu e me abraçou.
— Você sempre vai ser a minha favorita, por sempre por minhas ideias fora do papel. — Ela completou.
— Também te adoro, mas sabe que não posso escolher. Sou indecisa assumida. — Eu lhe devolvi enquanto ria de leve.
Ela riu e disse:
— Com no comando da logística, eu vou começar a nossa divulgação pesada. Sugiro uma selfie agora. Devemos postá-la em todas, eu disse EM TODAS as nossas redes sociais, as redes pessoais e do 4G. Ah, e não podemos esquecer, cada passo é um tweet, cada decisão é uma foto nova. Vamos tirar uma foto agora, essa vai ser genérica para o 4G e depois usaremos a criatividade de cada uma de nós na divulgação individual. , se possível, peça para os meninos fazerem o retweet e curtirem toda a atividade nossa em relação ao live, porque vai chamar atenção para a coisa. , eu a autorizo para prever nossas roupas em seu Instagram e você também pode escolher um item para nós usarmos. , eu faço o seu lado de divulgação com fotos suas montando todos os aparelhos. Eu vou movimentando a sua, , e a minha parte de divulgação. Vou falar com a Lauren para que ela comente por suas redes... E o que mais? — disparou a dizer. Disse tudo em um fôlego só. Foi desesperador. Ela tem esses rompantes, vai de “detesto planejar” para “rainha dos horários” em pouco tempo. Era incrível como ela vai de um extremo ao outro rapidamente.
— Eu sinceramente não vejo um buraco em nada do que me disse. — disse já com o seu celular na mão.
— Estou com ela. — concordou.
— Senti falta de uma tag de divulgação. — Eu disse sem nem mesmo perceber, pois ainda estava atônita com a complexidade do plano dela.
— EXATAMENTE. Uma tag. Precisamos de uma tag. Urgentemente. — disse em um nível de empolgação que eu não teria, e imediatamente começou a andar de um lado para o outro pela sala.
— Relaxa, . Vamos achar uma. — Disse enquanto já, provavelmente, falava com um dos meninos, o que significa falava com Luke.
— Já sei! A tag é: #Ask4Girls, #Ask4G e #4GLive. O que acham? — pergunta enquanto olha fixamente para nós três.
— Definitivamente, você é o cérebro criativo desse grupo. — Eu disse e a abracei. Virei-me para as duas outras meninas e completei: — Bom, depois disso tudo é hora de ação. Quem está a fim de tirar um selfie?
Nós quatro nos juntamos e batemos uma foto que tão logo foi editada por e . Em seguida estava em nossas redes e todos os nossos seguidores comentariam, compartilhariam, curtiriam e fariam memes.
Peguei o celular e abri o Twitter. A primeira coisa que fiz lá foi postar um tweet: “Já comecei a me preparar para o #4GLive. Usem as tags #Ask4G, #Ask4Girl e #4GLive para mandarem suas perguntas. Até mais tarde. xx”. Terminei o Tweet e fechei o aplicativo.
Agora era hora de realmente começar a me preparar para o livestream. Acho que de nós quatro, eu era a que mais precisava me preparar. Pisquei algumas vezes, até que soltei um suspiro e disse a mim mesma um “Vamos lá, você consegue” e me levantei.
Arrumar um tudo o que precisaria para o live é tão complicado quanto estar pronta para ele. E neste momento, eu só queria focar em um leão de cada vez para derrotar, mas a ansiedade de estar na live com as meninas em algum momento do dia ainda me assombrava.
Que Goku me mande um pouco de suas forças, as mesmas que mandei quando ele precisava, porque vai sei difícil manter a ansiedade sob controle.

’s POV
As meninas já sabem desses meus rompantes ditatoriais. mais que as outras duas sabe disso, pois quando e eu brincávamos juntas sempre rolava uma disputa de poder na brincadeira. Portanto, o fato de eu ter espontaneamente estruturado um plano e ter dividido tarefas não era nada fora do meu normal. A novidade era elas terem adorado o plano.
Eu me dividi em ajudar com toda a parafernália de câmeras e computador para o livestream e ao mesmo tempo estava em nossas redes sociais divulgando tudo. e também foram muito boas, estava vasculhando nossas malas e tirando os melhores looks para o live, e estava falando com os meninos e no Twitter conversando com fãs. No final das contas todas estávamos ocupadas com os preparativos para a ação do dia.
Houve um momento em que eu estava ajudando com o posicionamento da câmera. Durante esse momento, me permiti sair um pouco daquela órbita. Fiquei maravilhada com o que a minha mente produziu. Por mais que todos me digam que eu tenho um potencial incrível para realizar as coisas, eu não acredito. Sempre tenho minhas dúvidas em relação ao que posso fazer e onde posso chegar com o que eu faço e desejo. Então, ver uma ideia minha sendo posta em prática é bom demais para ser verdade.
Quando me dei conta, descobri que viajei longe demais, pois estava balançando sua mão bem perto do meu rosto e me chamando repetidamente.
— Quê? Hã? — Disse piscando algumas vezes.
— Você estava fora daqui. — disse rindo de leve.
— Desculpe. Viajei enquanto pensava na ideia que tive. — Disse enquanto buscava algo para fazer com os olhos. Após encontrar uns fios embolados, eu comecei a desembolar eles.
— Sua ideia foi muito boa. De verdade. — disse enquanto caminhava para longe e recomeçava a trabalhar nas conexões de alguns cabos.
— Ah... Muito obrigada. Mas não foi nada. — Disse enquanto lhe passava o fio que eu tinha desembolado. — Na verdade, não sei de onde ela me surgiu. — Completei.
— Sente no sofá. E de preferência no meio. — me instruiu. — E sobre a ideia, ela foi boa mesmo. Não acredito que nenhuma de nós a teria. Além de tudo, você foi bem rápida em bolar ela.
Eu a respondi com um “não foi nada” baixinho.
Assim que eu estava no local que ela me pediu, ligou a câmera que estava posicionada na mesa de centro. Eu a vi seguir até o quarto para pegar o laptop de trabalho do blog para configurar o que seria necessário para o livestream.
Quando ela voltou, sentou-se no chão e pôs o laptop na mesa. Esperou ele ligar e conectou um cabo que já estava grudado na câmera. Eu percebi que ela apertou uns botões ali, abriu uns programas aqui e, no final das contas, já era possível fazer alguns testes de funcionamento.
Usei o tempinho que gastou acertando o funcionamento de tudo para continuar ativamente nas redes falando sobre o evento. Postei umas fotos sobre os bastidores no Instagram do blog e algumas outras na minha conta pessoal. Visitei o Tumblr e espalhei mais ainda notícias sobre o live que aconteceria mais tarde.
— Ok... Tudo pronto para o 4G Live. — me disse.
— Maravilha. Acho que vou chamar as meninas para gente gravar um vídeo bem curto só para convidar o pessoal mesmo. O que acha? — Terminei lhe perguntando.
— Por mim, sim. — Ela disse de forma simples e sem esboçar muita reação. Foi aí que achei que tinha algo errado.
— Ok, mas antes, você está bem? — Lhe perguntei. As feições de eram um misto de nervosismo com ansiedade.
— Ah, sim, sim. Tudo ótimo. Não se preocupe. — Ela me respondeu com um sorriso amarelo em seus lábios. Sei que ela pensou que sua resposta me convenceria, porém estava muito enganada. Eu a conheço por tempo suficiente para saber que ela estava preocupada com alguma coisa. Certamente era algo que se chama 4G Live.
Stone, mais conhecida como : você acha que me engana? Sei que deve estar preocupada com o live. — Lhe disse com um sorriso amigável.
Ela conseguiu sorrir de verdade com o que eu disse.
— Não sei por que ainda tento esconder as coisas de vocês. — Ela me disse e completou com: — É com o live que me preocupo... Você sabe que não gosto muito de ser o centro das atenções. E essa matéria que saiu me pegou em cheio.
— É totalmente compreensível que se sinta assim, mas sabe, não nos deram escolha quando a matéria foi publicada. Não era como se nós pudéssemos dizer a eles qual era o nosso melhor ângulo para a foto. Tudo aquilo foi inesperado, até mesmo para mim. Eu sei que me faço de forte e que normalmente finjo não ligar para nada disso, contudo, é só fachada. No fundo, me importo. Já fui como você, tímida. Eu sei também que perto de muitos tímidos, você é super desinibida. E é por isso que adoro essa sua qualidade. Adoro porque ela me diz que ainda somos nós mesmas. Depois de tudo o que já fizemos, de todos os programas que já aparecemos, de todos vídeos que gravamos e de cada palavra que escrevemos no 4G, ainda sei que somos as mesmas garotas de quando começamos toda essa bagunça que é o 4Girls. — Lhe disse. Cada palavra foi muito sincera e vinha direto do meu coração. Aquelas meninas são minhas irmãs e as trato como família. Ver se sentido aflita com algo não me deixava bem. Tive que lhe dizer algo que a desse segurança.
Sua resposta foi mais que perfeita. Ela me deu um abraço de urso super bem dado. Quer dizer, foi bem dado nas condições que estávamos, pois eu ainda me encontrava sentada no sofá roxo e ela estava sentada no chão. E nesse abraço tentei passar mais ainda todo o amor que sentia por ela, só o amor lhe daria calma.
Quando nos separamos, eu logo lhe disse:
— Ah, sobre o live de mais tarde: eu e as meninas estaremos com você. Não se preocupe.
— Verdade. Não se preocupe mesmo, . — Disse uma voz diferente, que fez com que nós duas virássemos nossas cabeças em direção da fonte do som. Era , que falou isso com um sorriso e ao seu lado estava. e eu a assistimos andar até onde estávamos e se sentar no chão ao lado de .
— Eu não perdi o momento fofura de vocês. A tem toda razão. Estaremos juntas durante todo o live. Então sinta-se segura. — disse enquanto caminhava para se sentar ao meu lado.
— Muito obrigada, meninas. Vocês são incríveis e eu não poderia pedir por amigas melhores que vocês. — disse com um sorriso grande.
— Isso não foi nada, . — Eu disse enquanto afagava seus cabelos encaracolados. — Temos tudo pronto? — Eu perguntei em seguida.
— Da minha parte sim. Postei fotos no Instagram, meu e do blog, sobre alguns possíveis itens que cada uma de nós poderia usar mais tarde. — disse. — Estava no Twitter assim como você, . E falei com o Luke e pedi que ele avisasse os meninos sobre o 4G Live. Ele me disse que avisaria e que também faria o que eu pedi em relação às curtidas, etc. — me disse.
— Sim, eu estava no Tumblr e por lá também. Fiz umas fotos para o Instagram do blog sobre os preparativos do live. — Eu disse a ela.
— Já deixei toda a parte técnica do evento pronta. A câmera está funcionando e já conectei todos os dispositivos necessários para o live: o microfone, a câmera e a interligação de exibição dele também está pronta. Ou seja, todos do Facebook, Twitter, Tumblr, Youtube e no 4Girls vão assistir o live quando ele estiver acontecendo. E sobre ele, eu sei que vou estar nervosa no começo, mas até o fim eu vou dar boas risadas. — disse sorrindo timidamente.
— Beleza então. Já vi que estamos com tudo em cima para o live. E como ainda temos algumas horas para o evento, pensei em gravar um vídeo bem curto para convidar o pessoal para assistir. Nem vamos precisar editar, só para chamar atenção mesmo. — Eu disse e vi todas concordarem.
Em poucos minutos, nós quatro tínhamos gravado uns vídeos para o Snapchat do blog e para o pessoal de cada uma de nós. Depois compartilhamos tudo nas demais redes e seguimos dando risadas, até que o estômago de roncou alto demais.
— Ops... acho que tem alguém que já está com muita fome. — Eu disse em meio a risadas.
— Não tenho culpa. Só quero alimentar o meu ser agora. — diz.
— Já está tudo pronto. Vamos descer e procurar comida fora desse quarto. — Disse .
— Ok, só vou pegar meu celular e botar uma outra roupa. — Completa .
E com todo o cuidado para não estragar tudo que arrumou, nós quatro saímos da sala e fomos para o quarto pôr roupas mais direitas. Assim que estávamos prontas, saímos do quarto de hotel rindo e seguindo em direção ao elevador. pressionou o botão para chamar ele, e assim que ele chegou e abriu suas portas revelou que já tinham umas pessoas dentro. Todas nós entramos sorridentes e nos posicionamos. pediu educadamente ao senhor que estava próximo ao painel com botões do elevador que pressionasse o do térreo. O senhor lhe respondeu que já havia sido apertado, ela lhe pediu desculpas por não ter visto e lhe agradeceu.
Estávamos em um hotel com muitos andares e até chegar no térreo demoraria pouco, mas o tempo não passa da mesma forma quando estamos dentro de um elevador. Logo que as portas fecharam, e ele começou a se movimentar, todos nós que estávamos dentro dele ficamos em silêncio. O elevador fez algumas paradas antes dele continuar seguindo para o térreo e sempre que as portas dele fechavam todos continuavam quietos.
Gostaria de dizer que o silêncio durou até o fim da viagem, mas isso não seria verdade. De repente, todos os presentes escutam um barulho alto. Barulho esse que veio do meu estômago, o que me informava que não só estava com fome, mas eu também. E não demorou muito para que as meninas começassem a rir como nunca dentro do elevador. Assim como elas, eu ri também porque não tinha como não resistir a risada contagiante delas. Em consequência, todos começaram a nos olhar de cara feia, até que como num passe de mágica o elevador parou e fez o seu barulho habitual para informar que tinha chego ao térreo. Todos os que estavam dentro saíram rapidamente enquanto nós quatro deixamos o elevador segurando nossas barrigas de tanto que havíamos rido.
É por isso que amo estar com , e . Independentemente do que acontecia, sempre terminava com risos.

’s POV
Chegamos ao térreo do hotel e logo procuramos onde seria o melhor lugar para nós quatro irmos comer. Acabamos decidindo ir em um fast food próximo ao hotel. Fizemos o caminho a pé mesmo, já que a loja não era tão longe.
Ao chegar lá compramos nossos lanches nada saudáveis. pediu uma porção de batata frita tamanho mega, junto com copo de milk-shake médio de morango e um hambúrguer com umas três carnes e bacon. quis quase a mesma coisa que , apenas trocou o milk-shake por um copo grande de Coca-Cola, sem antes reclamar da falta do Guaraná. Já tentou ser saudável pedindo só um suco de uva, com um hambúrguer que tinha salada dentro e uma porção grande de batata. Eu fiz uma mistura dos pedidos, uma batata grande, com um hambúrguer de frango e um copo de milk-shake de chocolate. Assim que recebemos nossos lanches nos sentamos em uma das cabines vazias.
— Preciso de uma foto para o Instagram antes. — disse enquanto tirava o celular do bolso da calça que usava.
— Eu nem sei como você vai aguentar comer isso tudo. — Disse .
— Olha quem fala, . Sua bandeja está tão cheia quanto a minha. — Retrucou .
— Eu sei. Vou tirar uma foto também para o Snap. — disse rindo em seguida.
— Só vamos comer. Por favor. — Diz enquanto belisca umas batatas suas.
— Ah, vamos tirar uma selfie. Eu quase não tenho nenhuma selfie nossa no meu perfil do Instagram. — Me vi pedindo. Parte do que eu disse era mesmo verdade, eu tenho poucas fotos de nós quatro no meu Instagram pessoal. O que levava a uma realidade que é: eu quase não peço para tirar selfies com as meninas, pelo seguinte motivo, elas sempre querem tirar selfies. Quer dizer, e gostam mais da , mas faz a mesma coisa, só que furtivamente.
— Bom... Se a está pedindo e ela quase nunca pede, acho melhor acatar. — disse sorrindo.
Com isso peguei meu celular, abri a câmera e o passei para que estava sentada ao meu lado. Ela sempre tinha a mão mais firme para tirar fotos em grupo. Todas nós olhamos para a câmera frontal e depois de umas cinco fotos com umas mil poses diferente, incluindo uma em que todas nós fazíamos as batatas de dentes de vampiros, nós começamos finalmente a comer.
Demos muitas risadas e não tivemos pressa alguma para comer. Não tínhamos mais nenhuma preocupação com nada. Principalmente eu. Sabia que estava segura enquanto elas estivessem comigo.
Quando finalmente terminamos de comer, nos levantamos e fomos embora. Durante o caminho de volta para o hotel, e voltaram se arrastando pela calçada. Ambas falavam que tinham comido demais, mas apenas dizia que faria tudo de novo porque tudo estava muito bom. Verdade, a comida estava boa, com batatas salgadas e hambúrguer gordurosos, bem do jeito que o fast food americano era.
Assim que chegamos no hotel fomos na recepção perguntar se tinham algum recado, pois antes de sair avisamos que o nosso quarto ficaria vazio. A recepcionista disse que não havia nada para nós, e foi como realmente achamos que seria. Agradecemos e fomos em direção ao elevador. Chegamos no nosso andar bem a tempo do alarme que indicava que faltava duas horas para o live que pôs no celular tocar.
— Bem a tempo. — disse enquanto abria a porta do quarto.
Nosso quarto não era grande e o aconselhável era que apenas duas pessoas dividissem ele. Tinha uma saleta com duas janelas grandes com vista para a cidade, também tinha uma tevê e uma mesa de centro. Por conta do livestream, eu transformei a sala em um mini estúdio. Entre a sala e o quarto tinha uma porta que dividia o corredor que liga os dois ambientes, ao meio. No quarto tinha outra televisão, mais duas janelas com vista para a cidade e duas camas grandes e confortáveis de casal. Do lado direito do quarto tinha um banheiro bem equipado com duas pias e incluindo uma banheira com um chuveiro para os banhos.
Assim que nós quatro estávamos dentro dele, tiramos logo nossos casacos. Aparentemente, estava mais mandona que o normal, mal chegamos e ela já estava dizendo que deveríamos nos arrumar para o live que seria em poucas horas. Após ela dizer isso, todas nós fomos para o quarto e abrimos as nossas malas.
— Já separei umas peças para cada uma de nós. — disse assim que entramos no quarto.
Murmuramos algo em agradecimento e fomos olhar onde cada uma de nós estava dormindo. Como eu já tinha dito, o hotel aconselhava que somente duas pessoas fizessem uso daquele quarto porque, segundo o que disseram quando o reservamos, “é mais confortável e cômodo”. Tendo só duas camas, eu e as meninas compartilhávamos mesmo e isso nunca foi problema. e dividiam a cama que ficava mais próxima do banheiro e, eu e estávamos na cama mais perto das janelas. sabendo dessa divisão, pôs nossos itens escolhidos em cima da parte da cama que corresponde a cada uma de nós, e nunca temos problema com confundir as peças de roupa, pois é bem egoísta com seus pertences, então toda a hora ela fica marcando o território de cada uma de nós no quarto.
tinha sido bem legal quando escolheu nossos itens, pelo menos eu não tenho do que reclamar dos meus. Ela tem um senso de moda muito bom assim como e . Como me conhece muito e sabe que sou a mais nerd das quatro, ela separou três opções de suéter para eu escolher. Eu tenho uma paixão por suéteres e moletons que não sei explicar de onde veio.
— Vou tomar uma chuveirada rápida. — anunciou da porta do banheiro. Pelo visto, ela tinha sido bem rápida na sua escolha de look. Curiosa, eu dei uma olhada de onde estava para ver se conseguia descobrir o que ela usaria. Quando os meus olhos bateram no lado dela da cama, eu só vi preto.
— É sério que a vai estar toda de preto? — Perguntei de forma espontânea.
deu de ombros e me disse:
— Vai, né?
— Nossa, não sei como ela consegue isso. — Lhe disse enquanto pegava umas pulseiras.
— Acho que já está na hora de você se acostumar. Ela sempre dá um jeito de pôr preto. — me disse de onde estava.
— Verdade. E olha, eu nem tentei coordenar as cores porque se fosse fazer isso ela iria falar que “é melhor todo mundo usar preto”. — disse enquanto pegava uma sapatilha para combinar com a saia que vestiria.
— Estou percebendo. Você perto da vai parecer mais clara do que nunca. — Falei rindo de leve.
E ela iria mesmo, já que sua roupa era clara.
— Juro que não foi minha intenção, mas não estou com vontade de escolher nada diferente disso, então nem vou mudar nada. — Ela disse sorrindo enquanto balançava a cabeça negativamente.
— Melhor vocês duas sentarem em extremidades diferentes do sofá porque muito perto vai ficar bem forte o contraste de vocês. — Eu disse.
— Ótima ideia. Você senta perto de mim para ficar legal. — Ela me respondeu enquanto guardava umas coisas de volta na mala.
Poucos segundos depois saiu de dentro do banheiro enrolada na toalha.
— Quem é a próxima? — Ela perguntou ao mesmo tempo em que dava poucos passos para a cama.
— Eu mesma. — respondeu e foi para o banheiro.
— Terminou de pegar tudo, ? — me perguntou.
— Falta só umas coisinhas. Por quê? — Eu pergunto virando o rosto para ela.
— Vou ser a próxima a tomar banho. Tudo bem? — Ela me disse.
— Tudo bem. — Eu lhe respondi.
mal saiu do banheiro e entrou nele para fazer o mesmo. já estava pondo suas meias para calçar as botas e estava terminando de se secar para pôr a roupa dela.
— Eu vou demorar mais no banheiro porque vou sair totalmente pronta, ok? — Eu disse enquanto pegava a minha bolsa de maquiagem e deixava todas as roupas de uma maneira fácil de carregar para dentro do local.
— Sem problemas. — Disse enquanto punha a saia.
— Então beleza. — Eu respondi.
Enquanto esperava sair de lá, eu chequei super rapidamente o meu celular. Algumas notificações do Instagram, e umas notificações do Twitter também. A função de ser notificado quando alguém posta é a melhor ideia que eles já tiveram, pois só assim iria descobrir que Michael curtiu e retuítou o que nós postamos sobre o live. Aproveitei a deixa e dei RT no que ele já tinha compartilhado e acrescentei: “É para isso que os amigos servem. Obrigada, Mikey!!! #4GLive”. Em um tempo recorde, muitos fãs de ambos os lados já estavam ensandecidos na rede falando dessa simples interação nossa.
— Wow, eu acho que nunca vou me acostumar com isso. — Pensei em voz alta.
— Eu vi o que você fez, e foi a melhor coisa. Temos muita atenção agora. — disse. Quando ela havia posto as mãos no celular dela, eu não sei, mas pelo jeito até ela já tinha visto.
— Sabe que não foi muito nessa intenção, né? — Eu lhe disse enquanto caminhava para porta do banheiro. nunca sairia de lá?
— Uhum... Mas, nesse momento, não me interessa qual é o joguinho da vez entre você e o Mikey, só o que veio dele. — disse me lançando uma piscadinha de olho. Ela era bem direta e em muitos momentos era difícil lidar com ela e suas palavras.
— Ouch... Até doeu em mim essa. — Foi a voz da que vinha da porta do banheiro. Ela estava de lingerie e com a toalha enrolada nos cabelos molhados.
— Desculpe, . — disse antes que eu entrasse para o banho.
— Sem problemas, . — Eu lhe respondi baixo.
Pois é... Com elas era sempre uma montanha russa, mas eu gosto disso.

’s POV
Estava me arrumando quando escutei toda a interação entre e . Não tive tempo para reagir porque já o tinha feito. era desse jeitinho mesmo, uma montanha-russa em pessoa, oito-oitenta total. Não há como impedir nada nela, acho que nem ela mesma tem um controle firme do que fala às vezes.
Assim que saiu e entrou, eu me virei para onde estava e lhe lancei um olhar repreensivo, dizendo logo em seguida:
— Você nunca se controla, né?
— Ai, desculpa, mas vocês sabem que aquela era a minha mente calculista falando. — Ela disse de forma generalizada.
— Sei bem que você tem que aprender a controlar o que diz. — Eu lhe respondi.
— Tem vezes que não consigo... Eu juro que tento, mas quando vejo já saiu boca a fora. — Ela me retorna com uma cara de cachorro pidão.
— Nem me olhe com essa cara. — Eu lhe disse.
— Ela usou a cara de cachorro abandonado? — , que estava secando o cabelo, perguntou.
— Usou, . — Disse, rindo de leve enquanto calçava as sapatilhas.
— Nunca aprende essa garota... — disse rindo, ao mesmo tempo que sacudia a cabeça negativamente.
— Ei... Ainda estou bem aqui. — exclamou meio indignada.
— Para você ver que somos suas amigas mesmo, se fossemos outras já estaríamos falando pelas costas. Aqui é tudo real, na cara mesmo. — Disse rindo enquanto tinha a cara enfurnada dentro da mala, buscando alguns acessórios.
— Ah, sim. Muito obrigada. Amo vocês. — disse irônica enquanto digitava no celular.
— Ama sim que eu sei. — disse enquanto calçava os tênis.
Apenas balancei a cabeça enquanto ria. Aquelas duas sempre implicavam uma com a outra. Viviam se alfinetando, porém se amavam.
Percebi que estava quase pronta. Vasculhei o quarto para ver se estava muito bagunçado e acabei batendo os olhos em e . estava com uma prancha alisando, desnecessariamente (ela tem o cabelo liso, meu povo), o cabelo. Já estava desleixadamente jogada no lado dela da cama, com a toalha molhada e a bolsa de maquiagem no colo. Ela realmente estava toda de preto e pelo jeito só faltava se maquiar.
Precisava agir. Vi que tinha umas coisinhas espalhadas pelo meu lado do quarto e comecei a catar tudo e a organizar na mala. Tinha que esperar sair do banheiro para usar o espelho, pois já estava ocupando o que fica fora do quarto e não dava sinais de que sairia dali tão cedo.
Depois que me organizei toda, vi que estava abrindo a porta do banheiro. Consegui ser rápida o suficiente para pegar minha bolsa de maquiagem e dizer:
— Depois da sou eu lá dentro, tenho que terminar de arrumar.
— Tudo bem... Não tenho pressa mesmo. — respondeu dando ombros. Quando queria ela era assim, dava sempre um jeito de se meter onde não é chamada.
, não se meta onde não foi chamada. — retrucou de onde estava. Viu? Elas não conseguem ficar muito tempo sem se alfinetarem.
, você fez o mesmo que ela. — Quando vi soltei isso.
Não é do meu feitio falar o que dá na telha. Eu me controlo, só que dessa vez não deu. Sem que eu percebesse saiu aquilo.
Agora, dentro do banheiro, me vejo no espelho e penso na forma com que eu quero me apresentar ao público. teve uma ideia bem boa mesmo e lhe dou crédito por isso. O único problema é que toda essa exposição dá trabalho porque tenho que estar apresentável. Estar apresentável significa se arrumar para fazer muito pouco.
As meninas costumam dizer que estou sempre arrumada, mesmo quando é só para ir até a esquina. Não tenho culpa, sempre fui mais dessa forma. Meu estilo é bem diferente delas, sou a mais feminina de todas. sempre que pode abusa do preto em tudo, usa muitas roupas que remetem ao universo nerd e usa coisas bem praianas e sua receita de look é quase sempre a mesma.
Percebo que me perdi em meus pensamentos quando vejo que ainda estava sem nenhuma maquiagem. Rapidamente pisquei e abri a nécessaire. Fiz todo o preparo da pele com primer, corretivo, base. Depois passei uma sombra em creme de uma cor bem natural nos olhos, contornei os lábios, passei lápis de olho e fiz um delineado em preto normal e logo em seguida passei o rímel. Antes de passar meu batom, me olhei bem no espelho em busca de algum erro ou borrado, mas não vi nada, então logo destampei o batom e o passei. Após tudo isso, eu novamente me olho no espelho em busca de imperfeições no trabalho e não vejo nada.
Como meu cabelo estava de bom humor hoje, eu não fiz muita coisa, apenas passei um pouco de óleo para dar mais brilho. Mesmo sabendo que não iria a lugar nenhum, eu passei perfume, mas foi mais pela força do hábito. Antes de cruzar a porta do banheiro de volta para o quarto, me observei no espelho só para garantir que estava tudo certo comigo. Confirmei que tudo estava em seus devidos lugares, e dei para mim mesma um sorriso. Respirei fundo.
“Vai dar tudo certo, .”, disse a mim mesma. Sorri novamente e fechei a nécessaire. Virei-me e saí porta a fora.
— Quem vai ser a próxima? — Disse assim que saí e vi as meninas pelo quarto.
— Eu vou. — Me responde enquanto levanta lentamente da cama.
— Vou checando tudo enquanto ela termina de se arrumar. — disse saindo para a sala.
E com isso eu me peguei indo em direção a para ajudá-la com a maquiagem. Ela não havia pedido, contudo, vi que ela já estava nesse estágio da sua arrumação e fui ajudar de qualquer jeito. Afinal era uma forma de me manter distraída e ocupar a mente antes do livestream. Eu estou calma e solicita ajudando .
Eu estou calma.
Eu estou... Cacilda Becker... Estou nervosa mesmo.
Só que ninguém precisa saber.

’s POV
Deixei me ajudar com a maquiagem, pois não levo jeito para nada desse mundo. vive me dizendo que devo, pelo menos, passar uma base antes de sair passando tudo na cara. Como não consigo entender esse universo, deixo para que ou me orientarem quando preciso. Quando terminasse com a maquiagem eu estaria pronta. A primeira a ficar pronta foi , depois e, em pouco tempo, eu completaria a lista.
havia deixado o quarto para fazer as últimas checagens no equipamento todo para o livestream. Ela tem uma facilidade de lidar com todas essas coisas eletrônicas que sempre me surpreendo com o que faz e pode fazer. O mais natural era que ela cuidasse de toda essa parte e foi exatamente isso que ela fez com maestria, eu me arrisco a dizer. Fazia uns minutos que tinha entrado no banheiro para que terminasse de se arrumar. Provavelmente, as meninas já devem ter dito isso mil vezes, mas todas nós ainda queremos entender como ela consegue usar preto em excesso. É sério.
— Prontinho, terminei, pode olhar. — disse sorrindo. Assim que me virei e meus olhos bateram no meu reflexo no espelho, eu realmente adorei. Dei um sorriso super grande e a abracei.
“Muito, muito, muito, muito obrigada.”, eu disse enquanto estávamos coladas no abraço.
— De nadinha... — Ela me responde sorrindo.
Procurei pelo meu telefone para tirar uma selfie com ela e aproveitar para postar e divulgar o live de alguns minutos. Assim que o encontrei, pus na câmera frontal e a puxei para perto. Tiramos umas fotos e depois fui até o Snapchat e tirei mais umas fotos com ela. Postamos tudo nas redes com as devidas hashtags e legendas chamativas.
Em poucos momentos, tínhamos chamado a atenção de muitas pessoas. apareceu na porta do quarto e nos convocou para fazer o teste do live. e eu fomos andando lado a lado para a sala.
— Vou ligar a câmera e vamos fazer um teste rápido de áudio e imagem. — nos disse assim que sentamos no sofá.
— Tudo bem. — Eu disse.
— Antes que você ligue isso, tem alguma coisa que devemos dizer? — perguntou.
— Não tem, não. Só sorriam e sejam normais. — responde.
Ela contou até três e fez tudo funcionar. No começo não houve muitas visualizações, então e eu apenas dizemos coisas como “Um, dois, três... Testando” e não demoramos muito nisso.
— Ok... Temos tudo pronto, certo? — Perguntou .
— Ah... Sim. Tudo pronto, quer dizer, podemos começar a qualquer momento. — a responde antes que eu tivesse alguma chance de fazer isso.
— Ótimo. Vou atrás da . Antes de começarmos ainda temos que repassar sobre o que vai ser exatamente. — disse enquanto levantava do sofá em que estávamos sentadas na sala. Apenas virei minha cabeça e acompanhei tudo de onde estava.
De onde estava, tudo o que pude ver foi entrando no quarto e falando meio alto com . questionava sobre quanto tempo mais ela passaria enfiada no banheiro se arrumando. Só ouvi uns resmungos de como resposta a , e pouco depois a voz mais alta de dizendo:
— Ok... Calma, eu só estava me arrumando. Não estava enrolando.
— Uhum... Eu sei. — respondeu enquanto puxava pela mão para fora do quarto.
Não demorou muito para que eu pudesse ver as duas na sala. e , lado a lado como estavam, compunham uma visão bem diferente. Ambas estavam bem opostas a outra. Uma completamente escura e outra completamente clara. Não resisti e tirei uma foto, que salvei e compartilhei no Snapchat com todo mundo.
— Ok, eu já trouxe para cá. O que vamos fazer agora é repassar nosso plano de jogo. — disse enquanto se sentava em uma das extremidades do sofá.
— Bom... Vamos brincar de 20 questions. E vamos manter o nível das perguntas. Antes de entrarmos de fato na brincadeira, a gente vai conversar um pouco, falar da viagem, rir de como eu e estamos bem opostas no estilo e coisas assim. — nos disse enquanto caminhava para o lado em que ela escolheu para se sentar no sofá.
— Entendi... Tudo bem light. Gostei disso. — Eu disse enquanto sentava perto de .
— Agora que isso está resolvido, eu quero falar sobre a tecnologia envolvida nisso. — se dirigiu a nós três enquanto ficava em nossa frente. Nós mantemos o olhar atento em enquanto ela explicava cada coisa. Ela disse cada limite, nos contou por onde escolheríamos as perguntas e nos aconselhou a pegar nossos celulares para o livestream.
Assim que terminou com as instruções, ela se juntou a nós no sofá, se sentando entre eu e . Estávamos sentadas na seguinte ordem: , eu, e . Aproveitamos antes de finalmente começar a coisa para tirarmos uma selfie nossa e postamos no Instagram do blog com a legenda “Pré-livestream”.
Assim que fizemos isso, estendeu a mão direita e contou até três com os dedos. Assim que ela terminou, ligou tudo e estávamos ao vivo do quarto de hotel para o Mundo.
As visualizações estavam aumentando e ainda não tínhamos dito nada.
— Oi, pessoal! — Nós quatro dissemos ao mesmo tempo. Logo em seguida começamos a rir muito, aquilo não tinha sido planejado, mas aconteceu e foi muito divertido.
— Isso não foi planejado. — falou com a mão na barriga.
— Se tivesse sido, não daria certo, tenho certeza. — Eu disse rindo de leve.
— Exatamente. — Completou enquanto ajeitava os cabelos depois da risada intensa.
— Acho que vocês aí não estão entendendo nada. — começou toda sorridente.
— Para quem não conhece ou começou a nos acompanhar há pouco tempo, nós somos as meninas por de trás do 4Girls. — Falou , enquanto gesticulava com as mãos e mantinha um sorriso no rosto.
Rapidamente nos apresentamos e seguimos o plano da . Falamos sobre como a viagem estava sendo, sobre o que tínhamos planejado para ela, contamos tudo o que achamos necessário. Demos muitas risadas até que chegou a hora do jogo.
— Bom... Já atualizamos vocês, né meninas? — sutilmente trocava de assunto.
— Verdade. Acho que agora está na hora do jogo. — disse, me lançando um olhar que não soube interpretar direito.
Franzi a testa enquanto ela me olhava e soltei:
— Por que você está me olhando assim?
Pronto, todas as meninas começaram a rir da situação. Ri com elas, mas ainda não tinha entendido muito bem do que era.
— Ok, vamos esquecer que a estragou a nossa troca de assunto e vamos logo começar o 20 Questions. — disse, balançando a cabeça negativamente.
— Aaaaahhh... Era isso? — Disse rindo.
— Sim, era isso. — disse passando seu braço esquerdo pelos meus ombros.
— Agora eu entendi. Desculpa, meninas. Desculpa, gente. — Eu disse, sorrindo sem graça.
— Então, vamos jogar ou não? — perguntou, olhando para .
— Vamos, mas é bom lembrar as regras. — disse nos olhando.
— Ah, é bom mesmo! — concordou. e foram dizendo as poucas regras que estabelecemos para manter a brincadeira em um bom nível para todas nós, incluindo os meninos.
— Já que eu estraguei a troca de assunto, quero escolher a primeira pergunta. — Falei empolgada enquanto olhava as meninas como quem pede permissão.
— Vai em frente. — Responde igualmente empolgada.
Depois de uns segundos vendo todo o tipo de pergunta, finalmente encontrei uma que servia.
— Essa pergunta é da @madeupworld, ela quer saber quais são nossos animais favoritos. — Li.
— Adoro qualquer tipo de animal. Eu tenho uma cachorrinha, que infelizmente teve que ficar com meus pais, chamada Mayla. — disse, sorrindo meio nostálgica.
— Eu sempre quis ter um cachorro, mas adiaram tanto que hoje tenho só dois peixinhos, que são a Hermione e o Nada. — Respondi sorrindo.
— Amo gatos, principalmente os pretos, eles são tão fofos e lindinhos que eu me derreto. Pena que a minha alergia me impede de ter um. — respondeu com os olhos inicialmente brilhando, para logo depois eles murcharem.
— Assim como , amo gatos, só que os meu preferidos mesmo são as corujas. Elas são incríveis. — respondeu animada.
— Obrigada pela sua pergunta, @madeupworld. — disse sorrindo e logo completou com: — A próxima pergunta vem de @fivesauceatemyhomework, e ela diz: “adoro o blog de vocês e gostaria de saber quais são os últimos artistas que estão ouvindo.”
— Sempre tenho Lana Del Rey e Fifth Harmony no replay. — Respondi logo e olhei para a .
— Tenho uma queda pela antiga Disney, então é fácil me ver cantando Hannah Montana ou Jonas Brothers por aí, mas também amo as músicas atuais. — disse.
— Tenho ouvido K-pop e sempre tenho alguma música em espanhol ou latina. — disse.
— Sou super eclética. Não tem como responder porque no mesmo dia consigo ouvir Lana Del Rey com , tentar entender K-Pop com , cantar “Best of Both Worlds” com a e ainda por cima finalizar com Frank Sinatra... Então é bem difícil eu dizer quem eu estou ouvindo ultimamente. Aliás, eu amei o seu user e obrigada por mandar uma pergunta. — respondeu rindo de leve.
levantou a mão e disse:
— Achei uma boa pergunta aqui. @fourgfans quer saber como nos conhecemos.
— Quem começa? — Disse.
— Eu? — responde com outra pergunta.
— Pode ser. — disse.
— Bom, eu conheci e na escola. Estudamos juntas desde que me mudei para Austrália. foi superlegal comigo logo de cara, mas e eu só nos tornamos amigas depois que nossas mães se conheceram e insistiram que nós nos conhecemos e, bom, estamos aqui agora. eu conheci depois através da . — disse.
— Isso mesmo, e eu conheci na escola. era uma conhecida de longe, porque minha mãe e a dela se conheceram há muitos anos, e depois quando a família da foi para a Austrália tivemos mais contato mesmo. e eu viramos amigas logo porque moramos perto, e ela era nova na escola e simplesmente aconteceu. virou amiga de tanto ver ela com a mesmo. — contou a sua versão.
— Bom como elas já disseram, eu conhecia a antes, mas não tínhamos muito contato até eu mudar para Austrália. Depois já contou como foi e, realmente, se não fosse pelas nossas mães não seríamos amigas. é minha prima, então eu diria que a conheço da vida mesmo. — disse olhando para mim.
— Eu não conheço ninguém aqui, primeira vez que vejo elas... — As meninas começaram a rir e depois de um tempo eu disse a real resposta: — Então, e eu somos primas, nossas mães são irmãs. e se tornaram minhas amigas depois que me mudei para Austrália e precisava de mais companhias que fossem além da minha prima. — Eu disse sorrindo amarelo.
— Sua pergunta foi ótima, @fourgfans, obrigadinha. — agradeceu para que seguíssemos com o jogo.
Tiveram mais perguntas aleatórias como, por exemplo: qual era nosso doce favorito, qual era nosso último sonho, quantos shows iríamos naquele ano, entre outras. Passada essas perguntinhas, começaram a surgir os questionamentos sobre o suposto encontro dos meninos com as meninas misteriosas.
— Ok. As últimas milhares de perguntas são sobre os meninos da 5SOS. Vamos responder vocês. — disse para a câmera.
— As primeiras perguntas são justamente se vimos as matérias. E sim, vimos as matérias, na verdade, quem viu primeiro foi a e ela nos mostrou. — disse em um tom meio sério.
— Muita gente, principalmente quem começou a acompanhar nossas redes e o blog há pouco tempo, não tem a menor ideia que nós conhecemos os meninos e somos amigas deles. — Eu disse.
— Isso. Amigas do verbo, melhores amigas. Então muitas pessoas que já nos conhecem e sabem da nossa conexão com eles já vieram buscar alguma informação sobre o que aconteceu. — disse.
— Então qualquer coisa que nós contarmos sobre ontem é oficial. Conversamos com a assessoria deles e estamos autorizadas a falar. — disse.
— Já vi aqui que todos querem entender como essa coisa toda surgiu, e principalmente como temos essa autorização. Super simples de entender. — disse.
— Estamos devidamente autorizadas porque somos as meninas da foto. Não foi um encontro entre casais. Só um grupo de amigos que foi em um pub. — disse.
— Uhum... Exatamente isso. Tinha pouco tempo que tínhamos chego de viagem e aí eles estavam meio livres naquela noite, então nos encontramos com eles para pôr o papo em dia e nos ver antes que nós fôssemos passear e eles entrassem em semana de shows de novo. — Disse no mesmo tom em que as meninas contavam os fatos.
Depois que contamos tudo e esclarecemos o ocorrido, o assunto se tornou apenas aquela noite e outros aspectos de sermos amigas deles. Estávamos mais relaxadas porque percebemos que as perguntas tinham sido realmente respondidas e, ao mesmo tempo, nos mantemos meio alertas, já que estávamos falando deles e qualquer coisa poderia ser gravada e utilizada contra eles e contra nós.
, , e eu estávamos conversando animadamente com o pessoal no live quando ouvimos uma batida na porta do quarto. Nós quatro nos entreolhamos com caras de “O que está acontecendo?”.
— Isso não estava planejado, mas eu atendo. Volto já, pessoal. — Falei sorrindo enquanto levantava e caminhava na direção da porta.
— Roubei o seu lugar... — disse rindo.
Abri a porta pronta para perguntar o que era e o que queriam, mas fui surpreendida quando me deparei com os meninos na porta. Assim que abri a porta, eles saíram entrando no quarto e tomando conta de tudo mesmo. Apenas fechei quando os quatro já estavam do lado de dentro do quarto.
Não estávamos preparadas para receber eles e era visível, pois as meninas estavam tão surpresas quanto eu. Quando voltei para sentar no meu lugar, já não tinha mais lugar. Michael estava sentado no braço do sofá, Ashton sentou meio de lado no colo da , dando um jeito de deixar pelo menos a cabeça dela aparecendo, Calum se ajeitou do lado da no sofá e Luke procurou uma almofada para se encolher, quer dizer, sentar no chão bem nos pés do pessoal.
— Muito bonito... Agora estou sem lugar. Primeiro a rouba o meu lugar, agora todos vocês quatro tomam conta da sala. Como fico... — Falei indignada.
— Para de graça e se senta logo do lado do Lucas. — disse rindo e obviamente todos a acompanharam, enquanto eu me sentava ao lado dele. Luke e eu trocamos um breve sorriso e logo nos viramos para a câmera.
— Quem vai dizer o que vieram fazer aqui? — perguntou.
— Primeiro... Oi, gente!! — Michael disse.
— Oi, pessoal. — Luke disse, acenando.
— Fala aí, pessoal. — Disse um Ashton sorridente.
— Oi. — Disse Calum rindo.
— Que educados... — disse rindo.
— Legal, agora o que vieram fazer aqui? — perguntou enquanto olhava para Calum.
— A gente veio forçar vocês a dizerem tchau para eles. — Ashton disse.
— Retiro o que disse antes. — disse tentando sacudir a cabeça em vão.
— Pensem em uma intervenção para a diversão. Vamos fazer alguma coisa. — Calum completa.
— Eu garanto que elas amam vocês e que ninguém aqui está tendo um caso. Só queremos jogar vídeo game juntos. — Michael disse de onde estava.
— Só se pedirem um caminhão de pizzas. — Eu me virei de leve para encarar as meninas.
— Acho que é uma boa ideia, não? — disse.
— Vai ter pizza? — Eu perguntei novamente.
— Tem que ter pizza e pipoca. — completa como se fosse algo óbvio.
— A gente pede quando chegar no nosso quarto. — Calum respondeu.
— Tem que ser lá porque elas não trouxeram um vídeo game. — Ashton se apressou em dizer.
— Para oito pessoas, o PSP e o Nintendo DS que eu trouxe não servem mesmo. — disse pensativa.
— Então é isso? — disse.
— É isso mesmo, porque eu topo. — disse.
— Também, mas estou indo pela pizza. — Eu me juntei a ela.
— Por mim sim, quero tentar aquele jogo que o Mikey trouxe do Japão. — disse.
— Já que para mim é “tanto faz”, está muito na cara que estou com voto vencido nessa discussão. — deu de ombros levemente enquanto se pronunciava.
— Então é isso. Sejam boas meninas e digam tchau para o livestream. — Ashton disse rindo.
— Aparentemente acabou o nosso livestream, pessoal. Os meninos invadiram e estão nos sequestrando. Obrigada pelas perguntas. Adorei mesmo a participação de vocês. Não se preocupem com a disponibilidade do vídeo, porque assim que a câmera for desligada ele ficará no Youtube para vocês verem. — Eu disse para puxar a despedida de cada uma de nós.
Aos poucos, , e deram tchau para o pessoal que estavam nos assistindo. Os meninos logo em seguida fizeram o mesmo. Assim que demos um adeus coletivo para todo mundo de novo, os meninos levantaram e nós rimos, nos abraçamos, e cada menina pegou um batom ou gloss, os celulares e saímos do quarto com eles.
Assim que chegamos no quarto deles, pedimos muitas pizzas, e vários refrigerantes e água. Comemos muito, jogamos muito vídeo game, postamos coisas no Snapchat e algumas fotos em outros lugares.
No final deu tudo certo e ainda tivemos uma ótima noite com os meninos. Posso com certeza dizer que eu e as meninas temos uma vida de sorte.


Capítulo 01 – 18 (Eighteen)

Música do capítulo: 18 – 5 Seconds of Summer


Luke’s POV
Há poucos minutos, antes de subir no palco, eu beijei minha garota. Tínhamos um show em Los Angeles nesta noite, era um show nosso. Um show do 5 Seconds of Summer. Não éramos um ato de abertura, nós somos a atração principal. O tempo todo ela esteve do meu lado, sendo adorável como só ela consegue.
Os meninos estavam nervosos e, não tinha como negar, eu também, porém quando quatro pessoas entraram no nosso camarim, soltei um suspiro aliviado. Ela veio. Cumprimentei as outras três meninas rapidamente porque queria ter minha pequena em meus braços o mais rápido possível.
Assim que pus os olhos nela, peguei sua mão e a tirei dali. Depois de meses sem a ver pessoalmente, tudo o que mais queria era um momento nosso para tocar suas mãos, sentir seus lábios contra os meus, olhar em seus olhos e dizer coisas fofas só para ver suas bochechas ficarem rosas.
Chegamos em um ponto afastado do camarim, longe o bastante para ser somente eu e ela, longe o bastante para que eu a beijasse e foi o que fiz. Sua resposta foi tão firme quanto o meu desejo inicial, ela queria aquilo tanto quanto eu, e, demonstrava de forma nítida, pondo uma de suas mãos em minha cintura e entrelaçando a outra com minha mão esquerda. Tinha uma das minhas mãos segurando seu rosto, já que a outra não queria largar a mão dela.
Lentamente nossas bocas foram se soltando. Precisei lhe roubar mais um breve beijo porque não conseguia acreditar ser real, mas o que era para ser um breve beijinho se multiplicou em vários. E se não necessitássemos tanto de oxigênio, eu aposto que, ficaríamos horas ali.
Nossos lábios soltaram-se e imediatamente abri os olhos para vê-la, com seus olhos ainda fechados e um sorriso bobo nos seus lábios que estavam vermelhos devido aos últimos minutos.
— Bem-vinda à América, baby. — Disse sorrindo enquanto dava um passo para atrás, fazendo com que o espaço entre nós dois aumentasse e, num ato automático, pus as mãos nos bolsos frontais da minha calça skinny preta de sempre, aquela com um rasgo em um dos joelhos.
— Ah, obrigada, Lucas. — Me disse com um sorriso largo e completou: — Senti sua falta.
Ri durante um tempo. Com certeza ela não era a menina de, pelo menos, alguns meses atrás. é diferente das outras meninas. É uma frase clichê, mas era isso mesmo. O tipo de menina que nunca ligou para o que eu dizia, se eu parecia um idiota perto dela, uma das poucas meninas que, quando estava comigo, não insistia em alcançar minha altura.
Foi engraçado quando começamos a namorar. , segundo as meninas, dava bandeira que estava a fim de mim. Quando me contaram aquilo, eu naturalmente desacreditei porque eu até “percebi” que ela estava de olho em alguém, mas nunca tinha passado pela minha cabeça que o alguém era uma girafa loira e australiana que acha que pode cantar. E no final não é que era?
— Se continuar a rir, eu não digo mais nada hoje. — Mordi meu lábio inferior e a olhei surpreso. Ela mantinha uma expressão desafiadora, com seus olhos sendo apertados pelas pálpebras que se estreitaram e a boca tinha transformado o sorriso em uma linha reta. Respirei fundo e pude perceber que ela deu um passo à frente e mudou rapidamente a sua expressão de desafiadora para algo que eu não conseguia ler.
— Não precisa fazer essa cara, Luke. — Ela disse conforme retirava a minha mão direita do bolso. — Antes disso — aponta de mim a ela —, eu dizia a mesma coisa...
— E eu nunca fiquei tão feliz em ouvir isso. — Interrompi-a — A verdade é que eu senti sua falta, . Foram meses longe de você, baixinha.
Antes, apenas a deixava brincar com minha mão direita, mas tomei sua mão na minha entrelaçando nossos dedos e disse:
— Agora, eu e você, vamos dizer esse tipo de coisa e por mais esquisito que isso possa soar, vai ser diferente. , me sentia mal por perder a diversão na Austrália, e ouvir aquilo quando você ainda só era minha amiga, só significava isso. Hoje, agora, amanhã e depois não vai significar só isso, porque existe nós. Porque pensarei em todas as vezes que não te fiz rir, em todas as vezes que não nos divertimos, em todas as vezes que não pude te beijar. – Sorri de leve quando vi seus olhos verdes brilhando – Apenas aceite o fato: fico muito, muito feliz em te ter aqui, ok?
— Ok, Luke. — Me respondeu com um sorriso leve nos lábios e com os olhos levemente marejados.
Abri um sorriso grande e neste instante ela me abraçou. No início, foi um esmagador abraço de urso. Correspondi seu abraço da melhor maneira possível, a envolvi em meus braços. Pronto. Estou em casa. Beijei o topo de sua cabeça e senti o perfume dos seus cabelos que sempre cheiravam a chocolate. É, realmente em casa.
Poucos minutos depois, Ashton e os caras mandaram mensagens pedindo para voltarmos para o camarim. e eu fizemos o caminho da volta de mãos dadas e rindo das loucuras que a minha cunhadinha, a irmã mais nova dela, estava aprontando.
— Pronto, chegamos. — Disse assim que fechei a porta atrás de mim.
— Oi, gente. — cumprimentou os outros meninos.
— Fala aí, . — Calum diz sorridente.
— Hey, . — Ash gritou de algum dos banheiros.
— E aí, . — Diz Mikey que estava deitado no sofá com , sua namorada, fazendo o que chama de cafuné em seus cabelos.
Um tempo depois, quando um dos nossos assessores apareceu dizendo que faltavam trinta minutos para subirmos no palco. Ashton tinha acabado de gravar mais um Keek, sem as meninas, e todos nós mal tínhamos dado a nossa primeira risada em conjunto. Essa informação fez com que as meninas se entreolhassem de uma forma significativa, daquele jeito que mulher faz quando elas conversam sem usar a boca e mesmo assim se entendem. E, então, elas pegaram suas bolsas e começaram a se arrumar.
Enquanto elas faziam isso, eu e os caras fazíamos coisas diferentes. Calum andava de um lado para o outro repassando a setlist com uma cerveja aberta na mão. Não durou muito a cerveja na mão dele já que passou por ele arrancando a garrafa da mão dele. Ela nunca foi fã de bebidas alcoólicas e agora que estava com Cal, ela certamente não gostaria dele bebendo, ainda mais antes de subir no palco. Michael mandava, através do Twitter da banda e o dele, o tradicional ”ARE YOU READY FOR TONIGHT???”; Ashton estava na porta do camarim perguntando a Johnny se tudo estava realmente pronto; e eu estava parado, em pé apenas observando a movimentação deles.
Ashton volta sorrindo e passa o braço pelos meus ombros em um semi-abraço.
— Tudo certo para daqui a pouco, Lucas. — Diz sorrindo ainda.
— Maravilha, cara. — Respondi enquanto seguia a movimentação de com o olhar.
— Elas estão lindas, não? — Ele diz assim que percebe com o que estava distraído.
— Ah, claro. — Sorri de lado — Mas você sabe que eu só tenho olhos para...
— Para mim!!! — Disse me interrompendo. Ela sabe que eu não estava exatamente pensando nisso. Sim, eu sou muito bobão em relação a isso. Meus olhos estariam sempre assistindo, acompanhando, seguindo quando ela estivesse no mesmo cômodo que eu. É claro que isso não me torna cego, é bem óbvio que vi que estava linda com a sua roupa, eu percebo e apenas prefiro deixar isso de lado e curtir .
Nesse meio tempo, já tinha me abraçado de lado e sorria abertamente.
— Uhum, ele só tem olhos para você mesmo, . — Ash afirma isso para . — E já que ele tem olhos para você, eu volto os meus para . — Ele ri gostoso enquanto olha para que estava retocando um batom que eu tenho certeza que sairia mais tarde, ou daqui a pouco mesmo, da boca dela.
— Não liga para ele, Luke. — fala lançando seu olhar desafiador para Ash. — Ashton não sabe o que é bom. Eu deixo ele olhar a o quanto quiser... — com isso eu arregalei os olhos. era meio doida às vezes, ela fala sem pensar muito em praticamente todas as ocasiões possíveis.
, olha o que você está falando. Luke pode te trocar pela a qualquer momento. — Disse que parou ao seu lado, em uma aproximação que nenhum de nós três percebeu.
, eu sei, eu sei, mas vale a pena tentar. Luke sabe que depois da , eu estou na fila. — disse sem nem se abalar, com a maior naturalidade do mundo, como se eu, desde sempre, soubesse daquilo. E caraaa, eu acabei de descobrir aquilo.
Minha reação foi a mais surpresa possível. Minha cara deveria estar toda vermelha e meus olhos arregalados.
, para de dar em cima do meu namorado. — finalmente apareceu. Veio me libertar dela. sempre me salva.
Assim que ela disse essa frase, fez questão de desgrudar a prima de mim e logo foi tomando o lugar dela.
— Hey!! Pode relaxar, . Eu disse que estou na fila. Sei esperar pela minha vez. — disse rindo.
— Gente, nem acredito que vocês estão dando ouvidos para a . Olha a blusa dela. Realmente, ela deve estar super de olho no Luke. — sacudia a cabeça negativamente enquanto todos nós reparávamos na blusa da . A tal blusa dizia “I prefer the drummer”. É, realmente ela estava só de zoação, como , e diriam.
Mesmo de longe, Michael e Calum acompanharam tudo e logo começaram a rir e não demorou muito para que todos estivessem rindo também. Até mesmo estava rindo, uma risada que era claramente de desconfortável, já que ela aparentemente estava meio envergonhada. Se ela fosse branca como , eu me arriscaria em dizer que ela com certeza estava corada, mas ela é negra, então não dava.
No meio de tanta risada alguém da produção se aproxima:
— Oi pessoal. Detesto atrapalhar, mas faltam quinze minutos. Melhor vocês já irem se direcionando para o backstage. Ah, e as meninas precisam me dizer onde vão ficar, porque essas credenciais e pulseiras podem não ser o suficiente.
— Backstage ou na primeira fileira seriam ótimos lugares. — logo responde sorrindo e as demais meninas prontamente concordam com as palavras dela.
— Então, essas credenciais e pulseiras servem, mas não acho que possamos pôr vocês na primeira fileira junto com as fãs. — Ele disse preocupado com a reação delas. — O que eu posso fazer é deixar vocês ficarem na frente da grade, sabe? Naquele vão entre o palco o público. É o máximo que posso fazer por vocês sobre a primeira fila.
— AIMEUDEUS!!! Muito muito muito obrigadaaaa!!! — toda empolgada disse enquanto abraçava o rapaz.
— Jesus!! Desculpe-a. Ela sempre quis assistir um show desse vão. — puxava a menina de cima dele enquanto se desculpava por ela.
— Muito mesmo!!! Perdão!!! Foi só a empolgação. — retomava a compostura, sem se desfazer do sorriso gigantesco que tinha nos lábios, durante a sua fala.
— Ah... tudo bem, eu acho. Enfim, me sigam.
Dito isto, todos nós pegamos nossas coisas e fomos para a área do backstage. O pessoal da produção começou nos arrumar para o show. Colocaram os retornos na gente e passaram nossos instrumentos. Ashton era o único que tem um certo tipo de privilégio, afinal carregava a baqueta nos bolsos e não tinha muita enrolação.
As meninas ficaram até o máximo de tempo possível. Dei mais uns beijos na antes dela ter que ir com as outras meninas. Ashton até brincou com em relação a isso. Ele foi andando na direção dela com a boca imitando um bico e fazendo barulhos de beijos. A reação da menina foi correr dele e sair puxando todas as outras com ela. Sorte dos caras que já tinham beijado suas meninas, quer dizer, tirando o Ashton que não tem ninguém.

O show tinha acabando de terminar. Durante, pude ver as meninas se divertindo na frente do palco. Elas dançaram, cantaram, pularam como todos os fãs que estavam lá.
Os meninos e eu precisávamos de um banho urgente. Totalmente suados de toda a movimentação do show. Foi incrível. Dei 1000% de mim naquele palco, estava realmente feliz e empolgado. Fiquei nervoso no início, como sempre, mas no final da primeira música estava em casa assim como me sentia com . Bom, é definitivamente uma casa mais barulhenta do que quando estou com , mas ainda é casa.

Assim que chegamos no hotel, fomos nos tornar mais apresentáveis. Esse era o primeiro show da turnê e estávamos bem contentes com ele. Depois que todo mundo já tinha tomado banho e estava cheirosinho, nos reunimos e pedimos um monte de pizza e mais comidas e bebidas para fazer nossa própria comemoração. As meninas estavam lá, claro. Elas também se arrumaram de novo. Uma nova produção para nossa pequena reunião. Não que eu achasse realmente necessário, mas com elas e o lance do 4G é bem difícil não ver elas produzidas e tirando fotos e postando tudo.
A comemoração foi ganhando vida. Alguém arrumou uma caixa para amplificar música e essa mesma pessoa atacou de DJ. Assim que a música começou a tocar as meninas correram para o meio do cômodo que estávamos e improvisaram uma pista de dança. claramente deixava a música guiar seus movimentos, fazia passinhos que ela viu em filmes ou vídeos de música por aí, e dançavam juntas enquanto riam das duas primas.
Os meninos e eu comíamos enquanto víamos elas se divertirem. Em algum ponto mais gente da produção foi aparecendo para a festinha e logo não tinha só elas na “pista de dança”. Todos estavam se divertindo. Quando vi que Ashton, com o seu copo vermelho, estava caminhando na direção do pessoal dançando, eu simplesmente levantei e fui atrás da mesma diversão que ele.
Depois de horas festejando com todo mundo da turnê, só sobrou as meninas e a gente da banda. Todos nós jogados no sofá com as mãos na barriga de tanto rir. Do nada quebra qualquer possibilidade de um silêncio se formar, dizendo:
— Okay. Agora eu quero muito dizer que adorei a escolha de 18 como música de abertura do show. Gosto muito do que essa música passa, sabe?
— Acho que sei o que você quer dizer. — Calum disse sorrindo.
— Legal, mas agora quero perguntar uma coisa. — saiu falando como o que Cal disse não fosse grande coisa. — Qual a real história por trás dessa letra? Quer dizer, eu sei que tem a vontade de ter logo 18, mas não é sobre isso que ela fala exatamente.
Assisti ela perguntar, curiosa. estava sentada do meu lado com a mão esquerda apoiada na minha perna direita.
— É sério mesmo? Você quer saber? — Ashton pergunta levemente estreitando os olhos como se quisesse ler as expressões/emoções de .
— Quero saber mesmo, Ashton. Estou curiosa, poxa! — Ela diz meia frustrada com a reação de Ash.
— Bom, eu posso dizer. — rapidamente gira a cabeça para mim. Com toda a certeza ela tomou um susto com o que disse.
— Pode mesmo? — pergunta toda esperançosa, com aquela cara de criança pidona que ela faz sem perceber.
— Posso, mas Michael vai ter que ajudar. Não escrevi aquela música sozinho. — Eu disse, rindo da cara esquisita que todas elas fizeram.
— Okay, o Michael ajuda. — Rimos da cara que ele fez assim que escutou essas palavras saindo da boca da querida dele.
— Pelo jeito ajudo sim. — Ele comenta em voz baixa fazendo todos soltarem uma breve risada.
— Então tudo começou quando... — comecei a contar.

FLASHBACK ON

(N/A: pode começar a ouvir Eighteen agora, mas sugiro pôr em looping caso queira ouvir por toda essa parte.)


Luke’s POV
Dentro de toda a escola era unânime entre todos os rapazes, não importava a faixa etária, o conceito de garota perfeita. E essa menina, felizmente, existia pelos corredores de Norwest Christian College e atendia pelo nome de Sarah Maine. Sarah tinha o porte perfeito de modelo internacional, a estatura correta, a magreza exigida, o sorriso, os cabelos loiros e, principalmente, o andar. Todos os pares de olhos masculinos seguiam o caminhar de suas pernas quando ela estava desfilando pelos cômodos da instituição.
Surpreendentemente nenhuma menina desgostava dela, porque sua simpatia e sorriso mais que brancos impressionavam a todas. Ela era a menina popular dos sonhos mais utópicos possíveis. E por isso, não tinha nenhuma pessoa dos arredores, dentro e fora, da escola que não conhecesse a perfeição em carne e osso. O que poderia ser considerado como uma ameaça a sua perfeição era a sua tatuagem tribal bem localizada em seu cóccix. É claro que isso não era nada quando ela conseguia equilibrar o seu emprego de meio período em uma loja da cidade com as suas notas altas e o trabalho voluntário que realizava.
Obviamente, eu tinha uma paixão por essa menina. Adoraria ter alguns segundos de sua atenção, mas, obviamente, ela era tão perfeita que estava com uma rotina bem atarefada. Infelizmente, para mim e os outros rapazes, ela estava prestes a sair da escola. O terceiro ano chega para todos.

Em um dia qualquer, entre uma aula e outra, eu achei que estivesse vendo coisas. Já que nunca tinha visto o que estava diante de seus olhos: e Sarah conversando. Mais que conversando, rindo como se fossem amigas de infância. Era uma cena quase que extraída dos meus sonhos, minha melhor amiga e a garota dos meus sonhos juntas e se dando bem, era melhor do que eu esperava.
Eu parei onde estava e só as observei. estava usando o uniforme de sempre e Sarah não estava tão diferente dela, apenas tinha os cabelos soltos e uma jaqueta que nunca a vi usando, pois tinha símbolos de bandas que adoro, mas que nunca imaginei que Sarah curtisse. Passei o que pareceu uma eternidade as espiando, foram só uns minutos, até que decidi me aproximar delas, afinal ‘queria’ falar com minha melhor amiga.
Tomei coragem e fui andando em direção as duas, até que discretamente percebeu que eu estava indo em sua direção. Ela que não é boba nem nada, já sabia o que eu iria querer falar qualquer coisa com Sarah. E ela, sinceramente, estava disposta a me ajudar com Sarah, mesmo sabendo que minhas chances eram perto ou menores que zero.
Eu sempre soube que fazia parte do clube de francês e frequentava as aulas da língua que a escola ministrava junto com . Só nunca pude imaginar que teria algum tipo de ligação com a menina dos meus sonhos.
Assim que cheguei perto delas, sorriu e me cumprimentou:
— Oi, Luke.
— O-oi . — Respondi gaguejando de leve pelo nervosismo de estar muito perto de Sarah, que mantinha os olhos curiosos indo de para mim na busca de entender o que estava acontecendo.
— Olha que bobagem a minha! — disse rindo — Sarah, este é Luke, meu melhor amigo. Luke, esta é Sarah, excelente dupla de trabalho na aula de francês.
— Tudo o que disse é mentira. Ela é bem melhor que eu. Prazer, Luke. — Disse Sarah exibindo toda a sua simpatia através do sorriso perfeito que tinha.
— Ah, com certeza. Ela tem um potencial incrível. — Eu disse para segundos depois me tocar que tinha feito Sarah parecer burra — Eu quis dizer que vocês têm um potencial incrível. Não a .
— Eu entendi, Luke. — retrucou. — Ele não é um amor?
— Sim, é fofo. — Sarah disse olhando rapidamente para mim — Olha, eu tenho que ir. A gente vai se falando sobre a apresentação? — Ela pergunta para
— Com certeza, tenho o seu número, qualquer coisa te ligo. — disse sorridente.
— Ótimo. — Sarah sorri e abraça de lado a outra menina. — Foi um prazer, Luke. — Dito isso ela saiu andando em direção a outro ponto da escola.
A partir desse primeiro contato, sempre que eu podia dava um jeito de cumprimentar Sarah. De tanto criar artifícios para encontrar com ela, eu consegui passar a falar mais com ela. Quanto mais nós nos falávamos, mais coisas em comum eu percebia que a gente tinha.
Na tentativa de ver a menina pela escola e poder puxar assuntos com ela, eu cheguei ao ponto de pedir a para combinar estudos de matemática tendo Sarah como tutora. sabe que nunca precisei de muita ajuda com a matéria, mas mesmo assim manteria o segredo para ajudar o seu melhor amigo a tentar conquistar a menina.
Depois de várias aulas de monitoria, passou a inventar desculpas para não aparecer nas aulas. queria dar chances de Sarah e eu ficarmos sozinhos. Conforme ganhávamos mais tempo a sós, mais próximo de Sarah eu me sentia. Já não precisava de para ficar perto da menina dos meus sonhos.
Algumas semanas se passaram e eu estava com conversando sobre isso. Tentava encontrar alguma ajuda com minha amiga para conquistar Sarah.
— Luke, eu sei as mesmas coisas que você sabe sobre Sarah. — Disse arrancando uma grama do jardim da minha casa.
— Essa parte eu já entendi, . — Respondi. — Pode, por favor, parar de arrancar as gramas do jardim da minha mãe?
— Mas eu só tirei uma. — Responde ela.
— Um milhão. Daqui a pouco tem um buraco onde você está tirando. — Devolvi meio irritado porque com certeza levaria uma bronca pelo estrago.
— Okay, só paro porque me importo com sua mãe. — Disse ela passando as mãos nos shorts jeans para limpar uma possível sujeira.
— Nossa, quanta consideração. — Disse, fingindo estar ofendido.
— Você sabe que gosto de você, mas sua mãe ganha em afetividade. — A menina me devolve com um sorriso maroto nos lábios.
— Voltando para o assunto Sarah. — Retomei enquanto passava a língua pelos lábios — Quero me abrir com ela. O que acha? — Disse olhando agora para
— Eu acho que você deve ir com calma. Mas te conhecendo como eu te conheço, sei que você vai acabar falando sem querer, então é melhor se preparar e conversar com ela. — disse olhando firme para mim.
— Você tem razão. Eu não quero estragar tudo quando disser isso. — Concordei afirmando com a cabeça. — Quero que tudo dê certo com Sarah.
— Okay. Eu já percebi que você está muito na dela, por isso quero que me escute agora. — disse chamando a minha atenção. — Luke, eu te adoro e você sabe disso, não? Eu absolutamente não quero que as coisas deem errado para você, mas esse é um tipo de equação com um número muito grande de variáveis. Está me entendendo? — Pergunta-me ela.
— E o que você quer dizer com tudo isso? — Perguntei remotamente confuso.
— Quero dizer que tem chances de dar errado, isto é, ela pode te rejeitar. — Ela me responde cautelosa. — Já pensou nessa possibilidade?
— Sinceramente? Não mesmo. — Disse — eu acho que nunca pensei nisso, e mesmo sabendo que ela é areia demais para o meu caminhão, eu não acho que ela vá me rejeitar.
— Tudo bem, Hemmo. Se pensa assim, é com você. Consulte seus irmãos porque eles sabem dessas coisas de relacionamento melhor que eu. Mas saiba que se tudo der errado ainda estou aqui para te ajudar. — disse e me envolve em um semi-abraço.
— Obrigado, . — Eu disse aceitando suas palavras.

Eu passei o final de semana inteiro reunindo coragem para revelar meus sentimentos para Sarah Maine. A primeira coisa que fiz assim que cheguei na escola e avistei Sarah foi confirmar minha aula de monitoria com ela mais tarde, a qual Sarah disse estar ansiosa. Interpretei aquilo como mais um sinal de que nada daria errado com minha confissão.
Assim que nós estávamos na biblioteca para a aula, não permiti que Sarah dissesse muito. Eu revelei meus sentimentos para a menina, disse tudo o que queria, inclusive lhe contei que nunca precisei de ajuda em matemática.
— Nossa, Luke!! — Sarah disse totalmente surpresa — Não sei bem como me sentir. Estou chocada.
— Isso é bom, não é? — Disse eu ainda com o sorriso no rosto.
— Não sei, mas acho que deveria ficar chateada porque você mentiu quando inventou as aulas. — A menina disse enquanto gesticulava com as mãos.
— Me desculpe mais uma vez. — Respondi sério, mas ainda esperançoso.
— Sim, eu te desculpo. No final até que foi fofinho porque era só para chamar minha atenção. — Sarah mordeu seu lábio superior. — Pensando bem, não fiquei chateada com isso, apenas estou surpresa com a situação.
— Mas é uma surpresa boa, não? — Disse com os olhos brilhando de incerteza. Do nada pareceria que não era uma boa ideia ter me declarado.
— Luke, olha, eu gostaria muito que fosse diferente. — Sarah disse depois de ver como eu estava esperançoso com o que ela dizia. — Gostaria de te dar uma resposta positiva, mas... não posso. — A menina disse olhando bem no fundo dos olhos dele.
— Não precisa dizer nada. — Respondi.
— Espera, você tem que saber. — Sarah disse pegando no meu braço para impedir-me de ir embora.
— Do quê? — Disse visivelmente chateado com a situação até porque eu tomei um toco.
— Luke, eu adoraria ficar com você. Você é um fofo, superesperto e todos te adoram. O problema sou eu e não você. Parece clichê, mas é isso mesmo. Olha, eu já estou no último ano e no ano que vem começo minha viagem de intercâmbio para África como voluntária para construir casas. Depois, eu vou para faculdade e não quero te prender em um relacionamento que não vou estar presente. Tem o meu emprego na melhor loja de departamentos na cidade que me tira muito tempo, incluindo nos finais de semana. Para completar, você é novo, nem tem 18 anos para a gente viver algo mesmo que seja por pouco tempo e...
— Tudo bem. Entendi. Obrigado pelo seu tempo. Desculpe se não tenho 18 anos. Boa sorte! — Disse eu a interrompendo no meio da frase e em seguida me levantando e deixando a biblioteca.
Fui direto para casa sem nem olhar para as pessoas ao meu redor. Aquele fora da Sarah era muito o que tentou me avisar.
Assim que cheguei em casa fui direto para cozinha tentar encontrar algo para me acalmar mas dei de cara com a minha mãe.
— Chegou cedo em casa, Luke. — Ela disse.
— Uhum — eu respondo.
— Aconteceu alguma coisa? — Ela perguntou depois de ter percebido que eu não estava bem.
— Não... eu só queria ter logo 18 anos. Seria mais simples. — Disse de forma natural, como se fosse tudo o que precisava para resolver os meus problemas e naquele momento aquilo era realmente a solução.
— Ah, é? — Ela disse se virando da pia e secando as mãos e me encarando. — No que te ajudaria ter 18 anos?
— Você não iria entender, mãe. — Respondi enquanto balançava a cabeça negativamente.
— Não vou? — Ela retruca.
— É isso mesmo, mãe, não vai. — Disse irritado.
— Como não? Você pensa que eu não sei que você quer ter dezoito anos só para se livrar dos seus problemas. Só que eu vou te contar uma coisa, quando se faz dezoito anos os problemas não somem e você também não ganha a vida que tanto vê nas revistas. Muito pelo contrário, tudo se torna mais difícil, você assume mais responsabilidades e é aí que você entende que a vida realmente não é fácil. — Ela me conta do alto de toda a sua sabedoria, mas naquele momento tudo o que ela me disse não entraria na minha cabeça.
— Ok, mãe. Eu vou subir. — Eu lhe disse, cansado de tudo.
— Você só sai daqui se você me disser que vai tirar isso da sua cabeça. — Ela me diz em um tom bem autoritário.
— Já tirei, mãe. — Eu lhe digo com a voz derrotada.
— Então vai lá. — Ela disse enquanto virava para a pia para continuar o que quer que estivesse fazendo antes.
Eu posso ter dito isso para minha mãe, mas nada tirava de mim essa ideia sobre como ter dezoito anos era/deveria ser. A única coisa que eu poderia fazer para ajudar a me livrar desse sentimento era escrever, por isso peguei meu caderno que eu escondia a mais de sete chaves em um canto do meu quarto e deixei que minhas emoções começassem a escorrer de minha mente até as linhas do papel.

I wish that I was eighteen
(Eu gostaria de ter dezoito anos)
Do all the things
(Fazer todas as coisas)
You read in a magazine
(Que você lê em uma revista)
I’m not saying I wanna be Charlie Sheen
(Eu não estou dizendo que quero ser como Charlie Sheen)

She’s just a little bit older
(Ela é só um pouco mais velha)
But I want to get to know her
(Mas eu quero conhece-la)
She said it’s already over
(Ela disse que já está tudo acabado)

She’s got a naughty tattoo
(Ela tem uma tatuagem safada)
In a place that I want to get to
(Em um lugar que eu quero ter)
But mom still drives me to school
(Mas minha mãe ainda me leva para escola)

I think she wants to get with me
(Eu acho que ela quer ficar comigo)
But she’s got a job in the city
(Mas tem um emprego na cidade)
Says that she’s always too busy
(Diz que está sempre muito ocupada)

In my bedroom thinking of ya
(No meu quarto pensando em você)
Her pictures in my private folder
(Suas fotos na minha pasta particular)
I know one day that I will hold her
(Eu sei que um dia eu irei segurá-la)
I’ll make my move when I get older
(Eu farei meu movimento quando estiver mais velho)

♠ ♣ ♥ ♦


Michael’s POV
Sarah Maine não era somente o sonho de menina de um certo alguém, eu também nutria sentimentos por ela. Minha oportunidade de entrar em contato com ela foi quando ela falava com uma de minhas amigas, a . Por acaso, eu as vi conversando em frente ao armário de uma delas. Naquela ocasião, eu só observei as duas, mas ao notar que frequentemente via elas conversando pelos corredores, decidi que daria um jeito de conversar com Sarah e essa decisão me levava ao difícil dialogo que estava tendo.
— Mike, você está no meu pé desde semana passada e tudo o que você fala é: Sarah isso, Sarah aquilo, Sarah, Sarah, Sarah... — disse , que tinha o corpo escorado no portão da escola durante o horário da saída.
— Eu quero saber dela. Você... hm... Não notou que... er... er... eu estou a fim dela? — Finalizei gaguejando um pouco.
— Sério? Acho que eu nem tinha notado nada desde semana passada. — Ela respondeu com a voz carregada de ironia.
— E você está me torturando desde semana passada com as suas desculpas. — Lhe devolvi com voz indignada.
— Prefiro falar de bandas ou até mesmo matéria de escola, nesse caso. Menos sobre Sarah. — falou sem nem me olhar.
— Você não gosta dela? Como assim? — Lhe devolvo um tanto alterado.
— Não é isso. É que ela é uma menina normal, não é diferente de nenhuma das outras e é irracional a forma como todos os caras dessa escola têm uma paixão por ela. — Ela me disse como se fosse óbvio o que ela pensa.
— Okay, você nunca vê muita graça em nada ou alguém e mesmo que você não veja ela é diferente. — Eu disse de forma meio defensiva.
— Está bem, Mike. Não me interessa o que quer com ela. Só para de me encher o saco com isso! — Disse levemente irritada.
— Se você me ajudar com essa história, eu não vou te encher o saco mais porque vou estar muito ocupado beijando a Sarah. — Falei sorridente como se estivesse óbvio.
— Ok. Você tem um ponto bom, mas mesmo assim eu não quero me envolver em drama desnecessário. — ainda mantinha a sua postura blasé quando me respondeu.
— Vocês garotas não vivem repletas de dramas desse estilo? — Pergunto com cara de quem não está entendendo nada.
— Exatamente. Não preciso de mais drama desse tipo. — disse como se estivesse na cara.
— Então ajude um amigo, por favor. — Fiz minha melhor cara de pidão quando disse.
— Vou fazer um favor a mim mesma. Eu não acho que vá dar certo, mas pelo benefício da dúvida, eu te ajudo. — Disse a menina com um tom mais superior.
— Ok, e o que eu faço? Tenho que saber de algo? — Eu disse todo esperançoso com a resposta positiva.
— Tudo o que tem que saber é que ela curte as mesmas bandas que a gente e que amanhã eu vou entrevistá-la para o jornal da escola. Apareça na biblioteca depois das quatorze horas. — A menina avistou o taxi que pegaria para ir para casa — Tenho que ir.
— Muito muito obrigado! Tchau! — Disse eu enquanto observava entrar no carro e ir embora.

No dia seguinte, eu estava na biblioteca bem antes do horário que havia me dito, mas coloquei na cabeça que era um bom motivo para estar muito adiantado para algo na escola.
Quando chegou e me pegou em uma das várias mesas de estudo, ficou surpresa com a real paixonite minha por Sarah. Por isso, ela decidiu que me ajudaria mais ainda.
esperou que Sarah chegasse e então começou a entrevistá-la para a matéria que ela escreveria para a próxima edição do jornal estudantil. descobriu muito mais sobre Sarah e saiu mais ainda com a impressão de que Sarah Maine era uma garota como outra qualquer.
Ao fim da entrevista, do meu ponto de vista era possível ver duas meninas conversando com sorrisos em seus rostos. Calculei que aquela era a minha chance de invadir aquele momento. Eu já tinha pensado na desculpa perfeita para chegar nas meninas. E foi com um leve nervosismo que caminhei até a mesa em que elas se encontravam.
, oi, adorei a sua análise sobre aquele álbum do Blink-182. — Cheguei empolgado falando sobre um post que li no blog dela.
nem precisou fingir surpresa porque ela realmente se sentia assim. A menina, naquele momento, viu que eu, seu amigo, não estava brincando mesmo.
— Obrigada, Mike! — respondeu sorrindo.
Quando a pensou em introduzir Sarah a mim, fui mais rápido.
— Desculpe interromper vocês. — Eu disse olhando para a mesa e vendo as anotações da entrevista no caderno da . — Eu realmente só queria dizer isso. — Então me viro para Sarah e lhe digo: — A propósito, eu sou Michael.
— Prazer, Sarah! E não atrapalhou em nada, a gente já tinha terminado. — Disse Maine sempre sendo simpática. — O blog da é muito bom mesmo.
— Obrigada, gente! Desse jeito fico convencida rápido! — Disse a elogiada rapidamente.
— Que nada, você faz um trabalho ótimo, tanto no jornal da escola quanto no seu blog. — Sarah completa.
— Com certeza! — Sorrindo confirmei.
— Okay, gente! Só porque vocês estão sendo muito gentis, eu darei um spoiler sobre meu novo post lá no blog. — Disse tentando ser misteriosa enquanto mantinha um sorriso nos lábios.
— Ah, não! Eu não quero spoiler, ! — Sarah disse apressadamente.
— Okay, eu não direi mais nada já que não quer saber! — disse ainda com o mesmo sorriso — Depois quero que me contem o que vão achar. — Completa a menina.
— Prometemos um feedback assim que lermos seu novo post, não é Sarah? — Disse para começar a puxar assunto diretamente com quem me interessava.
— Sim, vai ter feedback assim que postar. — Maine disse com um sorriso no rosto.
— Okay pessoal, muito obrigada por toda essa atenção. — falou enquanto juntava o pouco de objetos que ela usou para a entrevista com Sarah. — Eu tenho que ir, mas se tem uma amizade que eu sei que vai dar certo é a de vocês dois. Então continuem aqui conversando sobre todas as bandas possíveis.
— Sério mesmo? Obrigada pela deixa , mas Sarah deve ter muitas coisas para fazer agora, sabe como é, né? Essa vida de veterano que um dia nós teremos. — Disse eu com um tom risonho.
— Não hoje. Eu fiz questão de me livrar de todos os compromissos de hoje à tarde para essa entrevista. — Ela nos diz como se não fosse nada. Essa informação me surpreendeu.
— Viu, Mike, como é para esse momento acontecer! — Disse olhando diretamente nos meus olhos.
— Deve ser então. — Eu lhe disse como se não fosse nada de incrível quando, na verdade, eu estava super animado.
— Ok. Vou deixá-los nas suas agradáveis companhias. — disse para nós dois e em seguida fala diretamente com cada um de nós. — Sarah Maine, foi prazer fazer essa entrevista, te mando uma previa assim que o jornal aprovar a matéria. Já você, Michael, juízo e não vá estragar sua nova amizade com suas opiniões superfortes sobre cada álbum do Green Day. Adeus, gente.
Dito isto pegou sua mochila feita de jeans e saiu dali, deixando nós dois a sós e com um prato bem cheio de assuntos que fluíram e foram suficientes para criar algo que eu chamaria de amizade, mas para Sarah eu deveria ser apenas mais um colega na sua lista de muitos.
Passados alguns dias, em um dos ensaios da banda durante intervalo, eu chamei para a atualizar sobre minha tentativa de romance com Sarah.
, estamos sendo amigos musicais. — Lhe disse com um misto de emoções que flertavam tanto com alegria e tristeza.
— Só? — Depois dessa resposta monossilábica de , realmente mudei minhas emoções para o lado triste da força.
— Como assim “só”? Não serve? — Rebati.
— Serve se você quer ser amigo dela como eu sou sua amiga, mas se você quer ser amigo dela e ter ainda o privilégio de ser chamado de namorado nem que seja por uma semana, é bom você trabalhar para melhorar o seu status. — me disse sendo bem direta.
— Tá, mas o que eu faço? — Ele disse, perdido.
— Primeiro, não fique triste com o seu atual status. E segundo, chame-a para sair. Ou melhor ainda, deixe que ela te convide para algo. — me disse de uma forma que se você a conhecesse, tão bem quanto eu, veria as engrenagens de sua cabecinha girando na busca de um plano perfeito para me ajudar.
— Como faço isso? — Falei ainda perdido.
— Faz assim: você vê a Sarah no corredor da escola, você fala com a Sarah e diz “quer sair comigo um dia desses?”, espera resposta dela e depois vem falar comigo. — disse-me como se fosse a coisa mais simples e descomplicada para se fazer.
— Entendi. Mas para onde eu a convido? — Eu disse.
— Qualquer lugar onde vocês possam falar sobre música e outras coisas. Um show seria perfeito, na verdade. — disse com um sorrisinho malicioso nos lábios.
— Seria uma ótima ideia se não tivesse um número de zero shows acontecendo ou para acontecer nesse momento. — Eu disse agitado.
— Eu entendo, mas essa parte você deixa comigo. — Ao ver os outros meninos voltando aos seus instrumentos disse para mim: — Volta para a guitarra, Clifford. Deixa que eu procuro pelos shows.
Dito isso, sentou-se em um canto do cômodo que os meninos estavam ensaiando e desembestou-se a procurar por shows de qualquer banda pelas proximidades.
No fim do ensaio ainda teve que aguentar Ashton implicando mais do que o normal com ela, só por ter ficado um tempão junto comigo procurando shows para eu levar Sarah. Como Ashton não fazia ideia de que estava me ajudando, a implicância durou muito, mas não era nada que a própria já não estivesse acostumada.
Durante a semana, de volta à escola, assim que tive uma oportunidade me aproximei de Sarah durante o horário de saída, como eu sempre fazia para puxar assunto com ela. Dessa vez comentei com ela sobre o show da banda que descobri.
— Então, você quer ir? — Eu disse contendo ao máximo todo o nervosismo na espera pela resposta e reação dela.
— Nesse final de semana estou de folga do trabalho... então vou sim, vai ser ótimo. A gente se encontra na porta do show. — Disse Sarah sorrindo, pois havia gostado da minha ideia.
— Sim... ok. — Eu disse tentando esconder o super sorriso que tinha no rosto.

Naquele fim de tarde eu estava mais que feliz com a minha pequena vitória. Tão feliz que fui logo tratando de avisar sobre isso. Ela ficou tão feliz por mim que fez questão em me ajudar com a compra dos ingressos e a pesquisar melhor todos os dados necessários para o dia do show.
— Como sou muito amiga sua, Michael, eu já te ajudei com uma grana extra para comprar os ingressos. Tudo bem que estou com menos dois meses de mesada dentro do cofre, mas é por uma boa causa. — disse com um sorriso levemente empolgado — Mas... pelo o que eu estava lendo aqui no site onde a gente comprou as entradas, só maiores de dezoito anos entram no local do show.
— Maravilha! — Disse Mike em tom totalmente irônico — Como vou fazer?
— Sarah tem dezoito anos, então só devemos nos preocupar com você. — Ela me avisa com a voz supertranquila.
— Muito obrigada por lembrar, . — Retruco com o tom irônico mais forte.
— De nada! — Disse a menina enquanto dava uma piscadela com o olho direito e tinha um sorriso bobo no rosto — Agora, o que quer que eu faça? Não vou te dar a ideia de arrumar uma identidade falsa. — Ela completa como se fosse a coisa mais sensata a não se fazer, porém ela mesma não percebeu que tinha acabado de dar a ideia que eu precisava.
Assim que ouvi o que disse, saí de onde estava para dar um beijo bem estalado na bochecha dela, dizendo:
— Ótima ideia, . Vou falar com um daqueles carinhas esquisitos de lá da escola. Algum deles deve saber onde arrumo uma identidade falsa.
levantou-se da bean bag que ela estava e começou a juntar tudo dela que estava espalhado pelo meu quarto, enquanto dizia: — Okay... hora d’eu ir. Sinto muito, mas eu não vou te ajudar com essa parte. Boa sorte. — Com isso ela deu umas passadas até a mim e beijou minha bochecha da mesma forma que eu fiz anteriormente com ela, em seguida pôs a bolsa no ombro e com um aceno de dedos passou para o lado de fora do quarto.
Nem fiquei chateado com ela por ter saído assim porque entendo o lado da minha amiga, que mesmo sendo cidadã legal no meu país, ainda não quer ter nenhum problema com autoridades. Eu também esperava não ter nenhum problema com as autoridades quando peguei o telefone e disquei para falar com um dos carinhas esquisitos.
— Oi. Aqui é o Clifford.
— Nossa... sabia que você acabaria nos procurando. A que devo essa ligação?
— Preciso de uma identidade que diga que eu tenho 18 anos.
— É um pedido comum, mas sempre sai caro.
— Não tem problema, só me diz onde pego.
E com isso a transação foi feita. Provavelmente gastei as últimas economias que tinha para conseguir essa identidade falsa, mas eu havia me convencido que nada de ruim iria acontecer e que pela Sarah era um risco que correria sem pensar duas vezes.

No dia do show tinha certeza que tudo estava mais do que pronto e que nada, absolutamente nada, iria mal. Eu só não contava com o fato de que já não tinha mais nenhuma grana para pagar nenhum meio de transporte para ir ao local do show, ou seja, não tinha grana nem para a passagem de ônibus. Totalmente desesperado com o meu novo problema, eu liguei para a minha querida amiga .
— Oi, Clifford. — Ela me atende com a voz monótona.
— Por tudo que é mais sagrado, me ajude. — Disse sem nem tentar esconder todo o meu desespero.
— Oi, o que houve? — Ela me responde com a voz preocupada.
— Eu estou zerado de grana, não tenho nem como pegar um ônibus para chegar no centro da cidade, quiçá um ônibus para chegar no show. — Lhe disse ainda desesperado.
— Mike, cara... nossaaa!!! Nem sei como te ajudar mais. Eu te dei parte da minha grana para os ingressos. Onde você enfiou o resto do seu dinheiro? — Ela pergunta com uma voz que parecia não querer muito me ajudar.
— Eu arrumei uma identidade para essa noite, mas custou caro. — Lhe revelei com uma certa apreensão.
— Tão caro que você nem vai mais ao show? — Ela diz surpresa.
— Quase isso. Olha, , eu sei que você foi totalmente contra isso, mas só me ajuda. Eu juro que te devo uma por essa.
— Uma muito grande. Tão grande que é melhor sua banda ficar famosa e eu ganhar uma música. — Ela me responde com a voz firme.
— Qualquer coisa. Tudo o que você quiser. — Eu afirmo louco para resolver tudo.
— Ok. Eu vou implorar por uma carona até o centro para “ir ao cinema” com você. — Ela disse cautelosamente. Eu podia sentir que ela estava improvisando um plano. Tal plano que eu esperava que desse certo.
— Muito, muito, muito mais muito obrigado mesmo. — Eu disse num surto de felicidade por finalmente ver uma luz no final do túnel.
— Eu sei. Me agradeça com a minha música e todos os seus fãs cantando ela. — Ela fala novamente com a sua voz num tom autoritário.
— Ok. — Eu disse só para terminar logo com tudo porque eu realmente queria chegar no show.

Após desligarmos, ela chegou dentro de poucos minutos no carro com sua mãe e padrasto. Eles foram até em frente ao cinema que era bem próximo ao pub que a tal banda se apresentaria. Ali, eu e ela, nos despedimos dos familiares de e esperamos até que o carro estivesse longe para falar algo.
— Você vai para o show e eu vou assistir um filme. A gente se encontra aqui assim que o seu “filme” acabar. Boa sorte. — finaliza a sua fala com um desejo que eu sabia que era sincero.
— Nem sei como te agradecer por tudo isso. Valeu mesmo. — Lhe respondi mais sincero ainda.
— Okay. De nada. Amigos servem para essas coisas e bla bla bla. Além do mais, eu só te ajudei para ter coisas legais para contar aos meus filhos e netos. — Ela olha do outro lado da rua a chegada de Sarah mais um grupo de amigos. — Se eu fosse você iria até lá. Sarah já chegou.
— Obrigado. De verdade. — Disse eu abraçando a menina. — Bom filme — completei sorridente.
A cada passo que eu dava na direção da Sarah, mais nervoso me sentia. Eu também trazia uma certa onda de alivio, mas também como não sentir isso depois de tudo que passei para chegar nesse momento? Assim que pus os olhos em Sarah Maine, tive certeza que ela estava muito mais bonita do que eu poderia imaginar. Enchi o peito de ar e reuni o resto de minha coragem para cumprimentar a menina e aos seus amigos.
— Oi, Sarah. Você está linda. — Disse levemente esboçando um sorriso.
— Oi, Mike. Muito obrigada. Ótimo te ver. — a menina disse enquanto dava-me um abraço lateral de leve. — Ah, esses são uns amigos. Katie, Josh, Tim e Helena. Esse é o Mike. — A menina fez questão de me apresentar a todos os amigos que ela levou ao show. E aos poucos, eu comecei a ter problemas com o meu encontro. Mas mesmo tendo um monte de gente, eu ainda preferi manter as esperanças de que em algum momento eu teria um tempo a sós com Sarah e que tudo valeria a pena no fim da noite quando finalmente estivesse beijando a garota.
— Oi, gente. — Disse eu procurando manter o mesmo ar feliz de antes.
— Espero que não se importe com eles. Assim que contei dessa apresentação ao Josh, ele ficou super entusiasmado de saber que a gente também vai e falou com a galera. Nem sabia que ele curtia essa banda até pouco tempo. Quem te mostrou sobre eles, Mike? — Sarah disse simpaticamente.
— Foi a . Ela que disse sobre a banda e o show. Ela queria vir, mas tinha um filme que queria muito ver e só poderia ser hoje, então... Cá estou eu. — Disse da melhor maneira possível.
— Quem é ? Sua namoradinha? — Josh perguntou enquanto me analisava.
— Josh, pegue leve. , mais conhecida como , a menina do blog de música que eu te falei. — Se intrometeu Sarah assim que viu o que o seu amigo tentava fazer comigo.
— Mas ele não disse se ela é a namoradinha dele. — Disse Josh com um sorriso cínico em seus lábios finos.
— Não é não. Amiga mesmo. — Eu Disse de forma equilibrada, pois não queria perder o controle da situação. Quando ele ia sacar que eu estava ali apenas pela Sarah? Eu nem ligava tanto para banda.
— Bom... galera, acho que devíamos entrar e pegar um bom lugar para o show. — Disse a menina que parecia ser a Helena.
— Ótima ideia, H. — afirma Sarah com um sorriso supergrande em seu rosto.
Todos nós entramos na fila que se formava na porta do pub. Apenas pessoas maiores de 18 e com ingressos poderiam entrar naquela noite. Felizmente o papo com os amigos de Sarah começou a render e aos poucos o sentimento de nervosismo se esvaia de mim. Mas a minha leveza de espirito durou cerca de quinze minutos, já que esse foi o tempo exato para que a nossa vez de entrar na casa chegasse. Todos os amigos de Sarah foram entrando sem problemas até que chegou a minha vez e o segurança que conferia a documentação de todo mundo criou caso comigo. Os amigos da Sarah e ela ainda esperavam por mim, já que Sarah disse que só entraria definitivamente no pub comigo, ela ficou parada na entradinha de lá, no intuito de fazer um pouco de companhia para mim.
Quando o segurança começou a demorar mais tempo do que o necessário conferindo a minha identidade, os amigos dela desistiram de esperar e apenas disseram o clássico “te vemos lá dentro” para ambos, mas secretamente Josh já estava dando um tchauzinho para mim.
— Olha, essa é minha identidade mesmo. — Disse eu ao segurança.
— Menino, você nem tem ideia da quantidade de rapazes como você que já tentaram me enganar. Eu poderia chamar a polícia, mas apenas vou rasgar esse pedaço de papel e você vai dar meia volta e nunca mais aparecer aqui até que realmente tenha 18. — Disse o segurança que mantinha uma postura bem firme durante toda a sua fala.
Apenas arregalei os olhos e pensei na vergonha que Sarah tinha visto eu passar. Definitivamente, não era o que queria para aquela noite.
— Mike, nossa, eu nem sei o que dizer. — Disse Sarah aparentando estar impressionada com o momento.
— O mais chato é perder o show e essa noite com você. — Eu estava claramente desolado com tudo isso que aconteceu.
— Perder a noite comigo? Como assim? — Disse ela confusa.
— Achei que estávamos saindo juntos hoje. Não estávamos? — Disse eu enquanto passava a mão pela nuca.
— Er... não. Achei que estávamos aqui como amigos. Por isso trouxe meus amigos também. — Ela disse e claramente buscava entender o que tinha acabado de acontecer conosco.
— Não mesmo. Isso é um encontro. Ou pelo menos era um encontro. — Disse convicto do que eu achava que era aquela noite.
— Mike, não. Não mesmo! Eu não quero um relacionamento agora. — Ela me responde na defensiva.
— O quê? — Eu reajo chocado com o que a menina disse.
— Isso mesmo. Você, aparentemente, é muito novo para mim, e eu não quero um relacionamento agora. Manter minhas notas boas e ser uma boa amiga ocupa muito tempo, então não quero acrescentar um namorado na equação e correr o risco de estragar um dos lados. — Disse a menina num momento muito sincero.
— Ah, sim... desculpe. Não quis tentar estragar nenhum dos lados. Até mais ver Sarah, aproveite o show e a gente se esbarra na escola. — Eu lhe digo com o ar triste. Não dei muito tempo e já fui me virando para ir embora quando ela, antes de entrar para ficar com os amigos, completa:
— Ok. Tchau. Boa noite.
E sem esconder a decepção, eu assisti Sarah entrar no pub sem nem olhar para trás. Com isso, vendi o ingresso, para o melhor lugar da casa, que tinha em mãos, para um rapaz que tentava comprar ingressos de última hora. Com o dinheiro da venda eu comprei um ingresso para o cinema e me enfiei na sala do filme de . Achei minha amiga sentada em uma fileira no meio da sala, e por um momento de sorte ao lado dela havia um lugar disponível do qual eu me apropriei. Assim que me sentei ao seu lado, apenas disse baixinho para ela “hoje não é meu dia.” E com isso passei para ela toda a grana restante da venda do ingresso. Ficamos em silêncio durante o restante do filme e ao longo do caminho de volta para nossas casas.
Assim que pus meus pés em casa, me lancei em minha cama. As falas de Sarah ecoavam pela minha cabeça e tudo o que tive que passar para conseguir o “encontro”, tudo que deu errado na noite também não me deixava em paz. Para tirar aquilo de dentro de mim, peguei um papel e lápis e comecei a escrever:

I bought my fake id for you
(Eu comprei minha identidade falsa por você)
She told me to meet her there
(Ela me disse para encontrar com ela lá)
I can’t afford a bus fare
(Eu tenho dinheiro para passagem de ônibus)
I am not old enough for her
(Eu não tenho idade suficiente para ela).


You got me waiting in a queue
(Você me tem esperando em uma entrada)
For a bar I can’t get into
(Para um bar que eu não posso entrar)
I’m not old enough for you
(Eu não tenho idade suficiente para você)
I’m just waiting ‘til I am eighteen
(Eu estou apenas esperando até que tenha 18)


FLASHBACK OFF

Michael’s POV
— Semanas depois em um ensaio da banda, eu e Luke tivemos a ideia de olhar nossas composições e encontramos nossos trechos de músicas que, de algum modo, se combinavam. Como nos identificamos com a dor mútua, a gente resolveu se juntar e terminar a letra da música. Adicionamos um pouco de melodia, mais umas frases com uma ou outra repetição de palavras e estrofes já escritas e foi assim que nasceu Eighteen. — Eu contei para todos, mas principalmente para que foi a maior interessada no assunto.
— Wow, eu nunca iria imaginar que vocês gostaram da Sarah Maine. — Disse super surpresa. — Quer dizer, do Luke eu sabia, agora o Mike, não.
— Acredite se quiser, eu soube manter esse segredo bem. — Eu emendei rindo.
— Vocês já sabiam quem era a menina da música? Quero dizer, quando escreveram ela lá atrás, sabiam que era essa tal de Sarah para ambos os lados? — Perguntou , que mesmo ainda estando grudada com Luke, não conseguia esconder o leve ciúme quando pronunciou Sarah.
— No começo não, mas depois de certo tempo, eu acho que contamos uns para os outros. Ficamos com medo de que essa pergunta pudesse ser feita por um jornalista ou coisa do tipo. Tínhamos que ter certeza de que estávamos tranquilos com esse lado da história. E depois da revelação foi esquisito durante um tempinho, mas agora a gente ri disso. — A respondi na intenção de salvar Luke de um possível problema.
— Satisfeita com a história, ? — Ashton diz com um tom de voz que era para implicar com a menina.
— Satisfeita sim, achei superinteressante. Obrigada por matarem a minha curiosidade, meninos. — finalizou a frase mandando beijos para Luke e Mike.
— Okay... agora é hora de dormir. Amanhã temos que pegar estrada para o próximo show. Bora descansar, cambada. — Disse depois de checar as horas.
Com isso todos nós fomos para os nossos quartos ao som da voz semi-afinada de que cantarolava alegremente o refrão da música que havia acabado de descobrir as origens.

So tell me what else can I do?
(Então me diz o que mais posso fazer?)
I bought my fake id for you
(Eu comprei minha identidade falsa por você)

She told me to meet her there
(Ela me disse para encontrar com ela lá)
I can’t afford a bus fare
(Eu não posso pagar a passagem de ônibus)
I’m not old enough for her
(Eu não tenho idade suficiente para ela)
I’m just waiting ‘til I am 18
(Eu estou apenas esperando até que eu tenha 18)


Com isso era totalmente seguro afirmar que nós oito teríamos os próximos meses cheios de aventuras e que esses meses com toda e maior certeza renderiam as melhores histórias para contarem aos nossos filhos e nossos netos e a todas as gerações que nós pudéssemos ter.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: Se eu amei essa nova att? Que nada hahahaha. Espero ansiosamente a nova att, Anmi <3.

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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