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Última atualização: 08/11/2018

Prólogo

's POV
Era normal eu estar de pé antes das meninas, afinal sou a matinal delas. é a que levanta assim que escuta o despertador, sai da cama depois de chamar o nome dela umas duas vezes, mas nada supera o sono hiper pesado de . Nada levanta aquela menina, sério. Perdão, eu não costumo sair falando sem me apresentar. Sou Stone, tenho dezenove anos, sou australiana e, geralmente, as meninas me chamam de . E como vocês podem estar se perguntando, aquelas outras três meninas são minhas melhores amigas e, porque não, minhas irmãzinhas amadas.
Nós quatro poderíamos ser uma girlband, mas não somos. E olha que temos cara de girlband, viu? A verdade é que em algum momento tivemos a brilhante ideia de criar nosso espaço na rede para compartilhar o que cada uma de nós mais gosta, e daí surgiu o 4Girls (Quatro Garotas) que é o nosso blog/vlog.
Viajamos para os Estados Unidos para encontrar com nossos melhores amigos, que também são australianos e tem uma banda. Eles formam a 5 Seconds of Summer. Sim, eu sei que formamos o dream team de muitas meninas por aí, mas afirmo que nunca os vemos como pessoas famosas, afinal nos conhecemos bem antes de todo o sucesso deles nas paradas musicais. A 5SOS (porque 5 Seconds of Summer é muito comprido para escrever e/ou falar toda a hora) tem uma fanbase ótima e vivemos interagindo com as fãs deles. Ops, quase ia me esquecendo. Eles são Ashton Irwin, o baterista, Luke Hemmings, o guitarrista, Calum Hood, o baixista, Michael Clifford, o guitarrista também. Os meninos arrasam tanto que todos são vocalistas na banda, mesmo que um ou outro tenha mais espaço vocal em determinadas músicas. Como dizia antes, nós oito nos conhecemos muito antes das noites de shows lotados, antes de todas as capas de revistas, antes de toda essa loucura que eles estão vivendo. Só que os minos são tão meus irmãos quanto as meninas.
Como acordei cedo, já fui logo me vestindo de maneira confortável para pensar em algo para fazer com as meninas. Os meninos estavam fazendo uma turnê pela parte norte do continente americano, e depois de muito tempo separados resolvemos que nos veríamos durante essa turnê. Eu e as meninas estávamos dividindo um quarto de hotel no mesmo local que eles estavam hospedados. Depois de andar muito de um lado para o outro no quarto, parei no sofá roxo da mini sala de estar com a TV ligada em um canal aleatório de desenho animado. Entre um bloco e outro do programa, resolvi checar alguns sites de fofocas. Não era meu hábito, mas queria me livrar do tédio.
Passados uns minutos, acabei mudando de canal para um filme qualquer, contudo, ainda olhava os sites de fofocas de vez em quando. Estava tudo tranquilo quando do nada uma manchete chamou minha atenção. Dizia "5SOS em encontro na noite de ontem", só isso me fez dar um clique imediato no link para saber mais. Minha cara instantaneamente assumiu uma expressão de surpresa quando li a "matéria". Eu vi fotos de qualidade duvidosa acompanhando as palavras que algum funcionário daquele website escreveu. Nas fotos pude ver nós oito em volta de uma mesa, em umas estávamos rindo, já outra mostrava um momento em que Mikey virou-se para mim e me falou algo, uma outra pega um ângulo onde dava para ver comendo umas batatas fritas que Luke estava lhe dando.
Não preciso comentar que foi uma das coisas mais bizarras que já tinha visto. Não quis acreditar no que que havia lido e visto naquela página. Então com toda a minha surpresa, eu larguei meu celular em cima da mesa de centro e corri para o quarto. Precisava acordar as meninas.
Agora.

's POV
Eu estava perdida em uma floresta, correndo em busca de ajuda, seguindo a direção da voz que constantemente exclamava "!!!". Após escutar muito essa voz, um impulso me fez abrir os olhos e logo que o fiz, vi um vulto curvado na minha direção. Aos poucos, o vulto se afastou e eu passei as mãos pelos meus olhos tentando espantar a parte sonolenta que constituía a névoa que os encobria. Com a mão direita, tateei pela mesa de cabeceira pelo meu par de óculos e assim que encontrei os pus.
Foi um sentimento agradável enxergar a , contudo, sua carinha de aflição não me deixou mais feliz. Fiquei preocupada assim que ela me disse "Estamosnumsitedefofocascomosmeninos." Sua fala foi tão rápida que não entendi nada.
, vamos com calma. – Disse a ela enquanto sentava na cama. — Diga-me o que foi. Mas fale devagar.
Ela engoliu seco e depois de um momento breve disse:
— Eu disse que estamos em um site de fofocas com os meninos.
— Entendi direito? Estamos em um site de fofocas? E com os meninos? — Enquanto eu seguia mais preocupada, mas tentando não demonstrar muito, percebi que ficava mais aflita.
— Sim, é isso mesmo. — Ela me contou, e em seguida dispara — O que faremos?
Não estava preparada para aquela pergunta. Não mesmo.
— Hã... er... ainda não sei. — Eu tive que ser franca, afinal realmente não tinha um plano.
— Olha, , relaxa... não deve ser nada. — Disse a ela achando que a mesma se acalmaria um pouco, porém sua expressão continuou a mesma de antes.
Mesmo depois de alguns poucos anos de "fama" na Austrália, ainda não lidava bem com as notícias que surgiam do nada. Todas nós levamos o máximo de vida normal que podemos. Com certeza, para ela, era muito mais difícil porque , e eu não somos australianas, então não temos problema com sermos reconhecidas por estranhos. era de lá e ainda tinha uma certa vergonha, ela dizia que toda vez que alguém a reconhecia era como se os parentes distantes dela a encontrassem na rua e quisessem cumprimentá-la. Ok, isso é, no mínimo, esquisito.
— Sério, . Fica tranquila. — Disse enquanto levantava e caçava o meu par de chinelos. — Não deve ser nada mesmo. Não fique pilhada. — Ela abriu um sorriso pequeno e me disse:
— Você tem razão, não deve ser nada. A propósito, bom dia. — Retribuí seu sorriso e a puxei para um abraço, onde lhe desejei um bom dia também.
Assim que nos separamos, eu lhe lancei mais um sorriso e ela o retribuiu, dizendo:
— Eu vou acordar e lhe dar a notícia. Você se arrume e conte à sobre isso. Ah, vou pedir o café da manhã aqui no quarto.
— Er... tudo certo. Só vou tomar uma chuveirada e pôr uma roupa, aí a gente vê algo sobre o que você me disse.
Deixei no quarto e fui para o banheiro começar a minha rotina matinal. Eu não sou o tipo de pessoa que demora a ligar os motores para começar a fazer algo pela manhã. Após lavar o rosto e escovar os dentes, voltei ao quarto para pegar uma muda de roupas para enfim tomar meu banho. Estava tão empolgada que entrei de cabeça e tudo debaixo do chuveiro, e comecei a pensar sobre o que poderia estar escrito na matéria do site e fiquei meio apreensiva com o que escreveram lá.
Sempre soube quem eu sou. E me orgulho de ser Araignée, brasileira de dezenove anos de idade, a para os mais íntimos. Meus pais acabaram tendo que ir parar do outro lado do mundo porque a família para a qual o meu pai trabalhava (eles são podres de rico e superimportantes) veio morar na Austrália. Aparentemente, meu pai é alguém muito querido pela família. E cá para nós, ele deve ser mesmo, porque os patrões dele bancaram toda a mudança da nossa família para a terra dos cangurus. Eu cheguei lá aos doze anos e foi complicado deixar meus amigos e parentes no Brasil. Tenho certeza que a minha mãe foi corajosa em concordar com a mudança, mas conseguimos superar todas as dificuldades e agora somos muito felizes lá. Pensar nisso tudo me fez lembrar que tenho que mandar uma mensagem para a minha mãe.
E com isso, depois de fechar o chuveiro e me aprontar, deixei o banheiro pela segunda vez desde que acordei. Algo em mim já estava pronto para começar o dia e tentar descobrir o que estava acontecendo do lado de dentro do mundo virtual. Só restava saber se as outras duas meninas se sentirão como eu, prontas para encarar uma possível batalha.

's POV
A sorteada da vez foi . Uma pena para ela ser a destinada a me acordar. Tenho um sono mega pesado, então essas cenas fofas de filme, as cenas em que o mocinho acorda a principal daquele jeito meloso e assim que ele diz o nome dela, a menina abre o perfeito sorriso sonolento e responde algo tão meloso quanto o que ele disse de volta, e assim começa mais uma comédia romântica qualquer. Pois é, nunca acontecerá isso comigo. Eu sou completamente a Anna de Frozen pela manhã, descabelada, boca aberta e, principalmente, mais dormindo que acordada.
Desde que me entendo por gente, quando levanto, entro em um estado de transe. Fico extremamente quieta, observo tudo e quando falam comigo simplesmente não respondo. Tudo piora se vou ao banheiro porque posso passar muito tempo parada, sentada no vaso sanitário ou em frente ao espelho, aparentemente pensando na morte da bezerra. É que todas as manhãs, eu preciso me lembrar de quem eu sou. Algo em mim vai, aos poucos, contando tudo o que preciso saber.
Algo com uma voz que me lembra a J.A.R.V.I.S. (secretamente espero que seja a J.A.R.V.I.S. mesmo), me conta um resumo parecido com "Você é de Assis... Nasceu no Rio de Janeiro, Brasil... Tem vinte anos... Se te chamaram de , você pode responder..." E a partir disso posso começar o novo dia.
já me conhecendo, com muito custo me acordou e me deixou por alguns minutos quieta. Até que disse:
— Hã... Bom dia, . Vou te passar um boletim dos últimos acontecimentos, Ok? Er... Acordei mais cedo e descobri que estamos em um site de fofocas com os meninos. Acordei a e ela já sabe sobre isso. Eu pedi café da manhã no quarto e espero que suco de laranja e chocolate quente te bastem como bebidas. E é isso, por essa manhã.
Eu não tive muita reação. Noventa e nove por cento do meu ser ainda estava deitado na cama, embolado com o cobertor e de olhos fechados. Eu vi sorrir amarelo e deixar o quarto. Continuei na cama com todo o meu sono, ainda não tinha recebido o kit básico de informação, então não tinha como responder o que disse.
O piloto automático ligou-se e, isto me fez levantar e partir em direção da minha mala. Para começar oficialmente a saga do dia, escolhi uma roupa qualquer e entrei no banheiro. Fiz xixi (não faça cara de nojo, porque você também faz a mesma coisa) e assim que acabei, a minha J.A.R.V.I.S. pessoal me disse tudo o que precisava saber e ela ainda incluiu o boletim matinal da no pacote. Passei o banho todo repetindo a mim mesma o mantra "Acorde, ... Acorde, ..." Assim que saí dele, me vesti e saí do banheiro. Cutuquei , que ainda estava deitada, mas tudo que ela fez foi trocar de lado e continuar a dormir.
Quando entrei na saleta do quarto, avistei e no sofá roxo de lá. A televisão estava exibindo uma comédia romântica qualquer, enquanto as duas meninas dividiam suas atenções entre o filme e os seus respectivos celulares.
— Hmmm... Oi, meninas. — Eu disse para que elas me notassem.
Ambas olharam para trás, mas apenas me cumprimentou com um sorriso e dizendo:
— Bom dia, . — Me juntei a elas no sofá e as perguntei:
— O lance que a disse é verdade?
— Sim, eu já li o que escreveram. Não foi grande coisa. E tem também umas fotos de qualidade ruim nossas. — respondeu e completou:
— Assim... Não dá para saber que é a gente, mas como eu sei que só a gente teve com eles ontem à noite...
— Ah, sim... Bom, já tomamos alguma providência sobre isso? — Perguntei.
se apressou em me responder, dizendo:
— Não. Só depois do café. Não tem condições de tomar decisões sem pôr um grão de comida na boca.
— Bom, então, eu quero que esse café chegue logo... — disse.
Segundos depois uma voz surge do outro lado da porta do quarto dizendo "Serviço de quarto." Nós três começamos a rir e lentamente se levantou e abriu a porta do quarto. Vimos um carrinho com bastante comida em cima entrar e parar no quarto.
— Wow... Não foi meio exagerado esse pedido, não? — Perguntei, abismada com o carrinho.
— Pedi para quatro, então posso ter exagerado um pouco. — disse, ficando de pé também.
Vi dar uma gorjeta ao funcionário do hotel, enquanto minha visão periférica avistava indo em direção ao carrinho.
— Ei, você! Não toque nessa comida sem que a esteja aqui. — Eu disse e saí em direção ao quarto para arrastar ela para fora da cama.
É, parece que o dia vai ser longo.

's POV
Eu estava tendo um dos meus melhores sonhos. Isto é, até acabar com ele. Absolutamente não é bom ser acordada na melhor parte do sonho. É tão horrível saber que nunca mais saberei a continuação da maravilhosa apresentação da Fifth Harmony na praia. Elas estavam tão lindas dançando com biquínis dourados. Juro que estava bem legal até que me forçou para fora da cama. O que as pessoas têm contra os sonhos?
Abri os olhos e vi perto demais do meu rosto.
— Cara... eu não acredito que você me acordou bem no meio do meu sonho. — Disse, completamente indignada. só me deu um sorriso irônico e disse-me:
— Bom dia para você também. Pode voltar a dormir, mas se quiser comida é melhor ser rápida.
— O que quer dizer com isso? — Lhe perguntei logo.
— Quero dizer que só falta você para tomarmos o café da manhã. — Ela me disse enquanto saía do quarto. Em seguida, levantei, calcei os chinelos, lavei o rosto e fui para a sala. Não preciso nem dizer que encontrei , e comento. Fico feliz de ter sido rápida o bastante para encontrar alguma comida.
— Bom dia para vocês. — Disse enquanto ia pegando um prato e me servindo de duas panquecas com calda de chocolate.
— Bom dia, . — foi quem me cumprimentou logo que me sentei em volta do carrinho de comidas.
— Temos um motivo para isso tudo no quarto? Geralmente, vamos ao restaurante do hotel ou passamos numa cafeteria. O que houve? — Perguntei antes de dar uma boa garfada no que estava no prato.
Entre um gole e outro do suco de laranja, diz:
— Bom... eu vou contar logo. Um site de fofocas postou uma matéria sobre os meninos. Só que ela é sobre o “encontro” de ontem à noite.
— O caso é que estamos na matéria como garotas misteriosas, porque as fotos usadas são bem ruins. Dá para saber que são garotas e tal, mas não que somos nós quatro. Porém, é como a disse para a , sabemos que é a gente porque sabemos que eles só estiveram conosco naquela noite. — acrescentou antes de voltar a comer seu iogurte com frutas.
— Entendi. Do que eu conheço vocês, devem resolver alguma coisa só depois do café, certo? — Disse-lhes.
me falou:
— Sim, comida em primeiro lugar.
— Ok, mas podemos adiantar alguma coisa sobre isso porque não acho legal perder tempo. — Eu não tinha nada planejado para esse dia, só que tempo não pode ser desperdiçado.
As meninas já estão acostumadas comigo. Sou ativa, gosto de sempre fazer algo. O melhor de tudo é que elas me aceitam acima de qualquer coisa. é família. Literalmente. Somos primas. Queria dizer que tudo é uma brincadeira, mas nossas mães são irmãs. A família dela sempre viajou, porém durante muito tempo ela ainda viveu no Brasil perto do resto da família nossa.
Nós duas não parecemos ser da mesma família. Nosso sobrenome não é o mesmo, sou Goméz e ela usa o da minha tia. Ela é morena e eu sou branca, eu loira e ela com o cabelo preto. Eu tenho olhos verdes e ela com os olhos castanhos escuros, ela com vinte anos e eu com dezoito. A pesar das mil diferenças somos, como já disse, família. As outras duas meninas, eu acrescentei na lista da família também. Jamilly, minha irmã mais nova, já chamava e de primas desde o segundo encontro com as duas.
Nós quatro terminamos o café da manhã e então disparou em um falatório sobre o que fazer.
— Bom, eu já sei o que temos que fazer. disse bem, não é legal perder tempo mesmo. — E ela gesticulava bastante enquanto falava, isso é um sinal de empolgação dela, ou seja, ela realmente tinha algo pensado. — O que temos que fazer agora é damage control. Temos que saber até onde isso foi e se estão comentando na rede. Depois avisamos aos meninos e, em seguida, se for muito mal a situação nós vemos com eles se querem se envolver ou coisa do tipo.
Todas nós concordamos com as ideias que teve. Neste ponto ela estava certa.
— Eu olho o Twitter e o Tumblr. e checam qualquer outra rede e verifiquem nossos canais. — E assim nos dividimos para varrer a internet em busca de comentários.
Assim que pus as mãos no meu celular, abri o aplicativo do Twitter. Vasculhei o Trending Topics e não vi nenhuma tag suspeita. Olhei minhas menções e, como faço sempre, respondi umas e curti outras até que alguém da 5SOSFam me perguntou se eu já tinha visto algo e no tweet tinha um link que levava a matéria da qual as meninas falaram. Aproveitei que estava no tal site e li tudo e vi as fotos.
Respondi a menina com um simples "Sim" e depois corri para ver novamente o que estava no TT. Pois é, no Twitter tudo muda rápido, e o que antes era nada, virou um monte de tags que estavam subindo em direção ao topo. Sabia o que tinha que fazer e falei com as meninas de onde eu estava mesmo.
— O que sei é que o Twitter estava calmo até que do nada coisas estão subindo no Trending Topics. — Eu disse. Levantei de onde estava e peguei um corpo de suco, o virei rápido e saí andando para o quarto. — Vou trocar de roupa e vocês, boa sorte.
Fui sincera, afinal elas precisariam.

’s POV

Ainda estávamos na sala com a televisão ligada e o nosso carrinho de comidas não tinha mudado de lugar. Tirando , que foi se trocar, nós três apenas pegamos os nossos celulares e demos início a busca por qualquer traço de fumaça sobre o assunto.
estava certa quando disse que tudo estava calmo e do nada tinha todo o tipo de tag aparecendo. Alguns dos nossos fãs, e fãs deles também, já começavam a aparecer com todo o tipo de pergunta. Aos poucos não foram só eles, outras revistas de fofocas perceberam o que estava acontecendo e passaram a reproduzir notícias similares a primeira e outras novas notícias que mencionavam o princípio do alvoroço na internet.
Às vezes, me choco com a rapidez com que a informação se propaga pela rede. Neste caso, é informação dúbia. Não era um encontro romântico como a matéria original dizia. Quer dizer, poderia ter sido, mas naquele dia não era. Tenho a sensação que só acredito nisso porque eu estava lá. Pelo o que me lembro daquela noite, os meninos não foram parados por fãs naquele pub que fomos. O que só deixou a noite mais tranquila para nós oito. Eles amam de paixão todos os fãs, mas tem momentos em que é bom passar meio desapercebidos.
Limpei a garganta e me virei na direção de , dizendo:
— Dei uma olhada pela rede de comentários dos nossos canais. Algumas pessoas que sabem da nossa conexão com eles, já começaram a nos procurar em busca de respostas.
apenas ergueu os olhos da tela de seu aparelho e respondeu-me com:
— O Tumblr me parece meio na paz, mas só em alguns aspectos. Como sempre já está rolando a guerrinha entre as fãs extremistas e as fãs deboístas. Umas querem a nossa cabeça, quer dizer, das meninas das fotos, e outras apenas querem que os quatro sejam felizes. Então, eu considero isso como um sinal positivo para atividade questionadora. — Ela deu de ombros e acrescentou por último: — Você sabe como o Tumblr é: mais sentimental e bipolar, não tem.
Lancei a ela meu melhor sorriso cúmplice. Não sou entendida sobre o assunto Tumblr, mas a mecânica básica do site eu sei. E por conhecer a plataforma melhor que eu, confiei no relatório que ela tinha me passado sobre a atividade no site.
Lentamente, foram caindo umas fichas que eu não tinha pensado bem.
Estamos na boca da mídia, na boca de adolescentes de todos os lugares do mundo.
— O que vamos fazer? — perguntou depois de um certo momento de silêncio.
Eu não sabia o que fazer.
Ainda.

’s POV

Tinha acabado de dizer a o panorama do Tumblr e lhe perguntado o que faríamos. Conheço o site bem e sabia onde procurar pelo o que eu queria. Como em todos os momentos da vida, existia um lado bom e outro ruim. E eu sempre prefiro ver o lado ruim primeiro porque quando vejo o lado bom, me sinto mais aliviada. Ou pelo menos era para ser assim.
Ver o que diziam no website não me deixou mais tranquila sobre o que fazer. E o silêncio da após minha pergunta também não ajudou em nada. Tentei encontrar algo para, momentaneamente, me distrair. Só que o filme que passava na TV não era o mais ideal para isso. Cogitei abrir um dos meus vários joguinhos, mas nenhum chamou minha atenção. Olhei para o teto, passei a mão no estofado roxo do sofá, observei as cortinas cinzas do quarto e decidi ser útil.
Abri o Twitter e disse: “Mantenham a calma porque eu acabei de acordar.” Logo uns retweets e curtidas começaram a brotar, porém só uma curtida chamou minha atenção. Ashton. Ele tinha acabado de fazer isso. Sorri logo e procurei por um app de mensagens para falar com ele.
Assim que mandei um “Bom dia. :x”, ele me respondeu com um “Oi, . Bom dia :D” Antes que eu pudesse responder, ele manda outra mensagem: “Dormiu bem?”
Ashton sempre foi carinhoso. No princípio de nossa amizade achava esquisito, mas agora, se deixar, sinto até falta.
“Sim, mas tive que acordar e isso estragou tudo. :|”, respondi para logo mandar outra mensagem dizendo “E você? Diga que sua noite foi bem melhor que a minha... POR FAVOR!!!”
Pedi licença baixinho para as meninas e fui para o quarto, me joguei na cama e encontrei a melhor posição e já estava pronta para continuar meu papo com Ash.
“Minha noite foi ótima. Lembrei da nossa saída. Foi bom ontem. Estava com saudades disso, .” Sim, é muito comum que eu me derreta com o que ele diz. Aliás, não tem como.
Vi pelo rabo de olho que havia saído do banho. Como de costume ela usava um short jeans e uma blusa. Ela me olhou enquanto erguia uma sobrancelha, questionando minha existência lá no quarto.
— Falando com o Ash? — Ela perguntou. Dei de ombros e disse:
— Sim. Quer algo? — Ela pega um pente e começa a desembaraçar o cabelo, enquanto fala rapidamente:
— Não. — E logo se vira para o espelho dizendo: — Eles sabem?
— Não faço a menor ideia. — lhe digo. Ela continuou olhando o espelho e passando o pente pelo seu cabelo loiro. — Pode deixar que eu pergunto para ele. — disse a ela, voltando meus olhos e minha atenção para a conversa com Ash.
“Posso te perguntar outra coisa?”, mandei para ele.
Poucos segundos depois ele me responde com “hahaha, pode sim. ”
“Sabe o que estão falando sobre a banda?”, lhe enviei apreensiva. Enquanto meus olhos estavam fixos na tela, fiquei imaginando o que ele poderia responder.
De repente, o celular começou a vibrar e percebi que Ashton estava me ligando.
— Oi, . — Ele disse assim que atendi.
Tive que lembrar quem eu era depois de ouvir a voz rouca, de quem acabou de acordar, dele. Pode parecer bobo, mas o dia em que vocês souberem o que é isso irão me entender.
, está aí? — Ele pergunta com a minha óbvia demora na resposta.
— Hã... Sim, aqui. — Apressei-me em responder. Ele não podia notar que me deixei afetar pela sua voz.
— Por um momento achei que não estava. — Deu para perceber que ele umedeceu os lábios. Será que ele estava nervoso ou é coisa da minha cabeça? Deve ser só ansiedade para saber o que é. — O que andam falando sobre 5SOS? — Ele indagou.
Geralmente, não éramos nós (as meninas) que contávamos coisas desse tipo, contudo estávamos em uma emergência. Quer dizer, não é uma real emergência. Mas mesmo assim é melhor não arriscar, nunca se sabe a proporção que as coisas tomam na rede.
Durante uns segundos tentei pensar em uma maneira de contar. Na verdade, não sabia exatamente o porquê de querer um modo certo para contar isso, sou meio conhecida por não ter muito jeito em falar as coisas. Acho que parte de mim não quer nunca magoar Ashton e isso faz com que eu fique mais cuidadosa com as palavras.
— Bom... Toda a internet diz que vocês foram num encontro ontem à noite. E tem umas fotos para provar a coisa toda. As fotos são péssimas, mas dá para ver que vocês estão com meninas, só não se sabe quem são elas, mas a gente sabe quem é porque estávamos lá e eu era uma das meninas. E agora todo mundo quer saber quem elas são... E você curtiu o meu tweet sobre o assunto sem nem saber o que era exatamente... — Desembestei a falar. Provavelmente, falei demais e não do jeito certo, como eu sempre fazia.
— Começaram mais um rumor? E agora eu e os caras temos namoradas? — Ele disse num tom de voz que eu não sabia dizer exatamente o que ele sentia no momento. — , achei que fosse grave.
Eram momentos como esse que eu questionava a sanidade de Ash. Brincadeira. Eu não duvido disso. Ou duvido, mas isso não vem ao caso. Seu tom de voz na última frase era meio risonho. E essa habilidade do Ashton, eu admirava e muito.
— Hã... Eu achei que era importante, por... — ele para uma frase minha para falar:
— Obrigado. Vou perguntar para os meninos se eles já viram a nova do dia.
Sorri com o que foi dito por ele logo em seguida:
, pode relaxar. Sei que sua cabeça deve estar dando voltas por causa disso tudo. Mas tente ter uma ideia boa para isso. Na pior das hipóteses, eu assumo um namoro com você e a gente resolve isso. — Ash completou risonho do outro lado da linha. Sinceramente, meu coração pulou uma batida. Ele tinha esse dom, e sabia que ele não falava sério. Somos só amigos.
Não podia deixar barato. O que ele disse atingiu algo em mim. Automaticamente, minha resposta veio.
— E pelo o que eu te conheço, você deve estar doido para que a pior das piores hipóteses apareça. Mas para o seu governo, não quero nada com você. — Eu não sei dizer o quanto do que disse era só provocação, ou se realmente li isso nas atitudes dele. O que importa é que ele teve uma resposta, algo que eu muitas vezes não conseguia pensar quando ele dizia coisas assim.
Com sua risada leve, Ashton me responde com:
— Vou deixar que você pense que sim, mas ambos sabemos que não.
— Por que nos falamos ainda? — Lhe devolvi.
— Porque eu gosto de te perturbar pelas manhãs... As manhãs que está acordada, pelo menos. — Riu com gosto quando disse isso.
— Bom... você tem irmãos para isso, Ash. Os procure.
— Assim que você me abandonar eu farei isso. — Ainda com seu ar feliz Ashton me responde. — É sério agora. Vou falar com os meninos sobre a coisa, e você não se preocupe. Vamos dar um jeito, mas por enquanto ignore o máximo que puder.
— Se você diz... — eu disse a ele. Outra coisa que gosto do Ashton é a sua calma. O mundo desmancha e ele está feliz no canto dele. também tem um pouco disso. Falando nela, lembrei que deixei a coisa toda meio que de lado. Uma crise acontecendo e eu rindo com Ash.
Por isso tratei de ser rápida e nem deixei ele pensar em algo, saí respondendo com:
— Bom, acho que já passei muito tempo longe do problema. Mande notícias sobre o seu lado da coisa.
— Okay, . Divirta-se. — ele me diz com um tom ainda risonho.
— Pode deixar... Ah, boa sorte. — eu lhe disse. Só desliguei depois de ouvir sua risada no fundo.
Qualquer conversa com Ashton tinha mais ou menos esse tom. Rolava uma provocação mútua de vez em quando, mas também era leve. É algo que eu poderia fazer o dia inteiro.
Depois de ter desligado, eu não sabia exatamente o que fazer. Apenas fiquei encarando o teto, ainda meio perdida com tudo. Meu tempo de pensamento na morte da bezerra não durou muito, pois logo começou a falar com as meninas sobre a minha conversa com Ash e se eu não fosse rápida ela poderia contar as coisas de uma forma não muito fiel. Ela acentuaria, principalmente, as partes em que eu dei risadas com o que ele disse, e ela também não saberia dizer bem o conteúdo do papo que tive com ele.
Eu tenho uma teoria, a qual só se aplica a mim. Essa teoria produziu uma lei que diz: “Toda a vez que estiver inerte, a perturbe.” O que basicamente se traduziu em eu me levantar da cama e me juntar com as três na sala outra vez.
Posso dizer que fiz todo o caminho, entoando mentalmente um pedido para quando eu entrasse na saleta. “Que não tenha dito nada demais sobre a conversa. ”
“Que não tenha dito nada de demais sobre a conversa.”
“Que não tenha dito nada de demais sobre a conversa.”
“Que não tenha dito nada d-”
Então, estava super alegrinha conversando com Ashton. Devem ter adorado se falar pela manhã. Ele está tão na dela. Como ela não percebe? — Escutei sair da boca de assim que eu estava na porta que separa o quarto da sala.
Não é meu dia de sorte, pelo visto.

’s POV

Saí do banheiro vestida com o que as meninas chamam de uniforme. Não sei qual é o problema delas. Eu adoro usar shorts e uma camiseta, é prático.
Uma coisa que percebi assim que deixei o banheiro foi a presença de e seu celular no quarto. Ela exibia um sorrisinho que só podia significar uma coisa. Ela estava conversando com o Ashton. Depois de umas simples perguntas confirmei o que já pensava.
e Ash são amigos. e Ash tem sentimentos maiores que “just friends”. e Ash não assumem esse sentimento. E todos nós sempre esperamos por algo vindo dos dois, mas só sai faísca de lá.
Enrolei no quarto fingindo estar desembaraçando o cabelo. Era óbvio que estava lá somente para saber o que os dois tanto conversavam. Pouco antes dele telefonar para ela, eu havia perguntado se os meninos já sabiam de algo e, pelo o que ela me disse, eles não tinham a menor ideia das coisas.
Podem me julgar de fofoqueira, mas não estava nem me notando no quarto. E o papo deles não fazia muito sentido para mim, afinal só tinha o lado da conversa da . Tudo o que eu podia fazer era alimentar a minha imaginação sobre as palavras que Ashton a dizia, palavras essas que ela estava adorando porque não tirava o sorriso do rosto.
Assim que ela desligou, eu parti para a sala para contar tudo para as meninas. Do mesmo jeito que eu sabia que ela fazia comigo e Luke.
Estava sentada, de costas para a porta que separa o quarto da sala, no braço do sofá. E então minha boca começou a falar:
Então, estava super alegrinha conversando com Ashton. Devem ter adorado se falar pela manhã. Ele está tão na dela. Como ela não percebe?
As caras de e começaram boas, porém murcharam muito rápido. Fiquei sem entender o que houve, já que a primeira coisa que fazemos, quando falamos sobre meninos, é pôr nossos melhores sorrisos e começar a nos divertir. Só que não demorou muito para que eu juntasse a dois mais dois na minha cabeça para entender o meu azar.
está atrás de mim, né? — Perguntei com meus olhos fechados.
abriu um sorriso bem grande e ensaiou uma resposta, mas falou:
— Sim, ela está.
— Ops... Acho que deveria pelo menos ter esperado para dizer algo. — Me apressei em iniciar um pedido de desculpas, mas contornou o sofá e parou em frente à televisão.
Goméz, amarre sua língua. Eu estava completamente normal quando falei com ele por telefone. — tentou se defender, contudo não deixou.
— Sabemos bem como é o “normal” de vocês dois no telefone. Você sorri mais do que o normal. Sério. — A reação de ao que disse foi muito engraçada. Primeiro ela arregalou os olhos, depois ela abriu e fechou a boca umas vezes como quem ia falar algo, e depois ela andou até a poltrona mais próxima e se jogou lá bufando.
— Eu sempre sorrio. — disse.
— Falou a menina que tem mais preto no armário que uns dez góticos juntos. — retrucou.
— Não é assim... Eu só gosto da cor. Vocês sabem que é a minha favorita. — tentou argumentar com isso.
— Não adianta falar, nesse assunto é voto vencido. — Disse .
— Eu tinha que ter gravado esse momento. — Disse enquanto ria.
— Não vou dar ideia para nada do que me disseram. Não se esqueçam que temos várias meninas e vários meninos, usando seus Wi-Fi para tentar descobrir qualquer coisa sobre a notícia que saiu hoje de manhã. — disse.
— Nem me lembre. Quero não lidar com isso, mas... Vou fazer o quê? — Questionou .
— Segundo o que Ashton me contou, até o momento, nenhum deles sabia de algo sobre. Eu dei a notícia para ele, e o mesmo disse que iria questionar os meninos. — voltou a contar.
— Como ele se mostrou em relação ao que saiu? — perguntou. Ela estava bem calma, como o de costume, e se sentava de forma relaxada no sofá.
— Vocês sabem como Ash é. Estava bem tranquilo. E também tratou o assunto como algo corriqueiro, tipo algo que sempre acontece. Eu pedi para ele me avisar quando soubesse de alguma coisa. — continuou a nos informar.
— Ok... ele é assim mesmo, então não serve de padrão para reações. — Eu disse e vi acenando em concordância.
— Gostaria de não concordar com você, mas eles não facilitam. Os meninos não devem estar acordados ainda. E temos que tomar uma atitude porque as pessoas não podem continuar inventando coisas sobre o que aconteceu ontem, sendo que nós somos aquelas meninas da foto. — comentou logo depois do que disse.
— Sendo sincera, eu detesto não saber o que fazer. Vocês três sabem que eu não gosto de muita falação, mesmo estando na rede o tempo todo. — disse.
Sei que ela estava sendo super verdadeira. Ela realmente não gostava, mas eu nunca me importei com isso. sabe muito bem que não me importo em ser o centro das atenções de vez em quando. Ela diria que é “de vez em sempre”, mas isso é implicância dela, eu sei que é.
, não se preocupe. Vamos dar um jeito nisso, só vamos esperar uma resposta deles. Depois, tomaremos uma atitude concreta. — disse para tranquilizar .
— Isso mesmo. Contudo não podemos ficar tão à mercê deles. Vamos tocando umas coisas daqui mesmo. — disse.
— Ok... Acho que a gente pode ir se livrando do carrinho de comida. — disse. Fiz uma careta e ela percebeu. — O café já passou tem umas horas. — Ela completou.
— Eu sei... Eu sei... — disse-lhe. Com isso levantei de onde estava e procurei pelo telefone do quarto para pedir que recolhessem o carrinho. Pouco tempo depois que fiz a ligação, algum funcionário do hotel veio buscar o carrinho.
Assim que no carrinho foi embora, nossos telefones celulares apresentaram uma notificação.
Quando olhei, era um recado da equipe de mídia dos meninos. Fui impedida de falar algo sobre porque já estava ligando para um dos agentes e pondo a ligação no viva voz.
— Oi, . — Disse alguém de lá. A voz parecia feminina.
— Oi, Gabrielle. As meninas estão aqui também, estamos em conferência. — Ela respondeu, e nós três a cumprimentamos com um oi.
— Oi, meninas... Bom, vamos direto ao assunto, ok? — Gabrielle nos disse em retorno.
— Sim, adoraríamos saber o que tem a dizer. — disse.
— Então, eu procurei pelo o que os meninos me falaram. Calum disse que Ashton perguntou se sabiam da matéria que saiu, e os quatro me procuraram para ver o que fazer. — Gabrielle continuou a dizer.
— E o que vamos fazer? — Perguntei.
— Eu sei que vocês estão na mídia também, logo, vocês mesmas já tentaram descobrir mais ou menos o alcance de tudo isso. Agradeço que vocês alertaram os meninos. Normalmente, deixaríamos de lado isso, já que não é verdade. Contudo vocês estão envolvidas, e a conexão entre vocês oito é antiga. — Gabrielle dizia muita coisa mas ao mesmo tempo nada ainda. Isso só me tornava mais apreensiva sobre o que ela diria.
— O que vamos fazer? — Eu perguntei de novo.
— Como estava dizendo, já tem gente lhes perguntando sobre a notícia e tudo mais... Eu deixo por conta de vocês. Escolham entre negar ou deixar de lado. — Gabrielle finalmente disse.
— Temos que te comunicar antes? — perguntou.
— Não, vou ficar sabendo por aqui. Só avisem aos meninos. E escolham bem as palavras. Ok? — Ela responde a .
— Ok. E mais alguma coisa? — pergunta.
— Não, só tomem cuidado com o que vão dizer. — Gabrielle completou.
— Então perfeito. Não vai ter problemas. — disse.
— Certo. Até mais, meninas. — Gabrielle disse.
— Tchau. — Nós quatro dissemos.
Observei desligar e colocar seu celular em cima da mesa de centro. encontrou o controle da TV e a desligou. , por sua vez, se jogou na poltrona, que momentos atrás estava.
— Gente, não podemos parar agora. Já temos o parecer da equipe dos meninos. A partir desse momento é com a gente. — Eu disse à elas. Na minha opinião elas demorariam a pensar em algo e a oportunidade de pôr em prática qualquer coisa já não existiria mais.
— Discurso bem inspirador, . — me elogiou, o qual eu só lhe respondi com um sorriso.
— Eu tive uma ideia. — disse.
Todas as nossas cabeças mudaram na direção a . Queríamos ouvir o que ela tinha a dizer.
— Olha... Pode dar um pouco de trabalho, mas vai valer a pena. — Ela completou. — Ainda não postamos nada no site do 4G, e nem no nosso canal. Postar fotos e tweets não contam como atividade, e acho que nós quatro sabemos muito bem disso. Vamos unir o útil ao agradável. Temos que nos pronunciar sobre a matéria e montar um conteúdo novo para atualizar. — continuou tagarelando e pelo o que percebi, ela tinha algo realmente estruturado.
— Os fãs têm muitas perguntas, então vamos fazer um livestream que vai ser exibido no Youtube e no blog. O tema é 20 questions, e vamos focar em um equilíbrio sobre o que está rolando agora e a nossa viagem. Responderemos perguntas sobre nós a princípio, e escolheremos uma ou outra pergunta sobre a matéria para equilibrar. — não deixou ninguém falar. Ela tinha mesmo o plano.
— Ok. É esse o plano. Nem vamos pensar em mais nada. — disse se jogando no sofá.
, você salva vidas. Te adoro. — falou enquanto abraçava .
Com o meu melhor sorriso, assisti a feição de passar de um sorriso para um bico emburrado enquanto eu dizia:
Olha que essa conversinha com o Ash rendeu, hein? Até ideia genial a menina anda tendo depois de falar com ele.

’s POV

, normalmente, não é repleta de tiradas sarcásticas. A dona de todo esse tipo de linguagem é , mas como ambas são da mesma família, e logo tem o mesmo sangue correndo nas veias, eu justifico esses rompantes dela como algo no DNA das duas.
Após ter dito aquilo, sustentou uma carranca por um breve momento, já que a reação que eu e tivemos foi cair na gargalhada com .
Eram momentos como os quais nós vivemos agora que eu amo ter essas meninas na minha vida. Sempre fui meio deslocada socialmente, e todas as meninas me acolheram mesmo. Trouxeram-me para o círculo delas e me incluíram de verdade.
teve a melhor das melhores ideias. Ela totalmente me surpreende com sua mente criativa. O plano dela é bem estruturado e isso é maravilhoso. Ela, nesse caso, teve um pensamento super-rápido que eu mesma não saberia montar em tão pouco tempo.
Depois de uma longa crise de risos, nos acalmamos e entrou em modo operatório novamente:
— Então, já temos um plano, mas agora é hora de pôr em prática ele.
— E o que você sugere? — perguntei.
— Sugiro que nós avisemos aos meninos e, depois, vamos começar uma forte divulgação sobre o livestream. — responde calmamente.
— Ok, eu cuido da parte de avisar aos meninos. — prontamente disse.
— Eu vou pensando nos looks do livestream, temos que estar incríveis. — completa.
, como eu não entendo nada de tecnologia, eu peço para você arrumar todo o equipamento para o live. — se vira para mim dizendo isso. E, sinceramente, seu pedido não me espanta. Ela não entende muito de como se faz as coisas tecnológicas funcionarem. Essa parte é realmente comigo e sempre foi. Sou a mais inclinada para esse lado eletrônico mesmo, sou a que curte mais o vídeo games e animes e uma porcentagem desse universo de cultura asiática.
, eu não esperava nada de diferente vindo de você. Pode deixar que eu cuido da produção da coisa toda. — Lhe respondi. Ela sorriu e me abraçou.
— Você sempre vai ser a minha favorita, por sempre por minhas ideias fora do papel. — Ela completou.
— Também te adoro, mas sabe que não posso escolher. Sou indecisa assumida. — Eu lhe devolvi enquanto ria de leve.
Ela riu e disse:
— Com no comando da logística, eu vou começar a nossa divulgação pesada. Sugiro uma selfie agora. Devemos postá-la em todas, eu disse EM TODAS as nossas redes sociais, as redes pessoais e do 4G. Ah, e não podemos esquecer, cada passo é um tweet, cada decisão é uma foto nova. Vamos tirar uma foto agora, essa vai ser genérica para o 4G e depois usaremos a criatividade de cada uma de nós na divulgação individual. , se possível, peça para os meninos fazerem o retweet e curtirem toda a atividade nossa em relação ao live, porque vai chamar atenção para a coisa. , eu a autorizo para prever nossas roupas em seu Instagram e você também pode escolher um item para nós usarmos. , eu faço o seu lado de divulgação com fotos suas montando todos os aparelhos. Eu vou movimentando a sua, , e a minha parte de divulgação. Vou falar com a Lauren para que ela comente por suas redes... E o que mais? — disparou a dizer. Disse tudo em um fôlego só. Foi desesperador. Ela tem esses rompantes, vai de “detesto planejar” para “rainha dos horários” em pouco tempo. Era incrível como ela vai de um extremo ao outro rapidamente.
— Eu sinceramente não vejo um buraco em nada do que me disse. — disse já com o seu celular na mão.
— Estou com ela. — concordou.
— Senti falta de uma tag de divulgação. — Eu disse sem nem mesmo perceber, pois ainda estava atônita com a complexidade do plano dela.
— EXATAMENTE. Uma tag. Precisamos de uma tag. Urgentemente. — disse em um nível de empolgação que eu não teria, e imediatamente começou a andar de um lado para o outro pela sala.
— Relaxa, . Vamos achar uma. — Disse enquanto já, provavelmente, falava com um dos meninos, o que significa falava com Luke.
— Já sei! A tag é: #Ask4Girls, #Ask4G e #4GLive. O que acham? — pergunta enquanto olha fixamente para nós três.
— Definitivamente, você é o cérebro criativo desse grupo. — Eu disse e a abracei. Virei-me para as duas outras meninas e completei: — Bom, depois disso tudo é hora de ação. Quem está a fim de tirar um selfie?
Nós quatro nos juntamos e batemos uma foto que tão logo foi editada por e . Em seguida estava em nossas redes e todos os nossos seguidores comentariam, compartilhariam, curtiriam e fariam memes.
Peguei o celular e abri o Twitter. A primeira coisa que fiz lá foi postar um tweet: “Já comecei a me preparar para o #4GLive. Usem as tags #Ask4G, #Ask4Girl e #4GLive para mandarem suas perguntas. Até mais tarde. xx”. Terminei o Tweet e fechei o aplicativo.
Agora era hora de realmente começar a me preparar para o livestream. Acho que de nós quatro, eu era a que mais precisava me preparar. Pisquei algumas vezes, até que soltei um suspiro e disse a mim mesma um “Vamos lá, você consegue” e me levantei.
Arrumar um tudo o que precisaria para o live é tão complicado quanto estar pronta para ele. E neste momento, eu só queria focar em um leão de cada vez para derrotar, mas a ansiedade de estar na live com as meninas em algum momento do dia ainda me assombrava.
Que Goku me mande um pouco de suas forças, as mesmas que mandei quando ele precisava, porque vai sei difícil manter a ansiedade sob controle.

’s POV
As meninas já sabem desses meus rompantes ditatoriais. mais que as outras duas sabe disso, pois quando e eu brincávamos juntas sempre rolava uma disputa de poder na brincadeira. Portanto, o fato de eu ter espontaneamente estruturado um plano e ter dividido tarefas não era nada fora do meu normal. A novidade era elas terem adorado o plano.
Eu me dividi em ajudar com toda a parafernália de câmeras e computador para o livestream e ao mesmo tempo estava em nossas redes sociais divulgando tudo. e também foram muito boas, estava vasculhando nossas malas e tirando os melhores looks para o live, e estava falando com os meninos e no Twitter conversando com fãs. No final das contas todas estávamos ocupadas com os preparativos para a ação do dia.
Houve um momento em que eu estava ajudando com o posicionamento da câmera. Durante esse momento, me permiti sair um pouco daquela órbita. Fiquei maravilhada com o que a minha mente produziu. Por mais que todos me digam que eu tenho um potencial incrível para realizar as coisas, eu não acredito. Sempre tenho minhas dúvidas em relação ao que posso fazer e onde posso chegar com o que eu faço e desejo. Então, ver uma ideia minha sendo posta em prática é bom demais para ser verdade.
Quando me dei conta, descobri que viajei longe demais, pois estava balançando sua mão bem perto do meu rosto e me chamando repetidamente.
— Quê? Hã? — Disse piscando algumas vezes.
— Você estava fora daqui. — disse rindo de leve.
— Desculpe. Viajei enquanto pensava na ideia que tive. — Disse enquanto buscava algo para fazer com os olhos. Após encontrar uns fios embolados, eu comecei a desembolar eles.
— Sua ideia foi muito boa. De verdade. — disse enquanto caminhava para longe e recomeçava a trabalhar nas conexões de alguns cabos.
— Ah... Muito obrigada. Mas não foi nada. — Disse enquanto lhe passava o fio que eu tinha desembolado. — Na verdade, não sei de onde ela me surgiu. — Completei.
— Sente no sofá. E de preferência no meio. — me instruiu. — E sobre a ideia, ela foi boa mesmo. Não acredito que nenhuma de nós a teria. Além de tudo, você foi bem rápida em bolar ela.
Eu a respondi com um “não foi nada” baixinho.
Assim que eu estava no local que ela me pediu, ligou a câmera que estava posicionada na mesa de centro. Eu a vi seguir até o quarto para pegar o laptop de trabalho do blog para configurar o que seria necessário para o livestream.
Quando ela voltou, sentou-se no chão e pôs o laptop na mesa. Esperou ele ligar e conectou um cabo que já estava grudado na câmera. Eu percebi que ela apertou uns botões ali, abriu uns programas aqui e, no final das contas, já era possível fazer alguns testes de funcionamento.
Usei o tempinho que gastou acertando o funcionamento de tudo para continuar ativamente nas redes falando sobre o evento. Postei umas fotos sobre os bastidores no Instagram do blog e algumas outras na minha conta pessoal. Visitei o Tumblr e espalhei mais ainda notícias sobre o live que aconteceria mais tarde.
— Ok... Tudo pronto para o 4G Live. — me disse.
— Maravilha. Acho que vou chamar as meninas para gente gravar um vídeo bem curto só para convidar o pessoal mesmo. O que acha? — Terminei lhe perguntando.
— Por mim, sim. — Ela disse de forma simples e sem esboçar muita reação. Foi aí que achei que tinha algo errado.
— Ok, mas antes, você está bem? — Lhe perguntei. As feições de eram um misto de nervosismo com ansiedade.
— Ah, sim, sim. Tudo ótimo. Não se preocupe. — Ela me respondeu com um sorriso amarelo em seus lábios. Sei que ela pensou que sua resposta me convenceria, porém estava muito enganada. Eu a conheço por tempo suficiente para saber que ela estava preocupada com alguma coisa. Certamente era algo que se chama 4G Live.
Stone, mais conhecida como : você acha que me engana? Sei que deve estar preocupada com o live. — Lhe disse com um sorriso amigável.
Ela conseguiu sorrir de verdade com o que eu disse.
— Não sei por que ainda tento esconder as coisas de vocês. — Ela me disse e completou com: — É com o live que me preocupo... Você sabe que não gosto muito de ser o centro das atenções. E essa matéria que saiu me pegou em cheio.
— É totalmente compreensível que se sinta assim, mas sabe, não nos deram escolha quando a matéria foi publicada. Não era como se nós pudéssemos dizer a eles qual era o nosso melhor ângulo para a foto. Tudo aquilo foi inesperado, até mesmo para mim. Eu sei que me faço de forte e que normalmente finjo não ligar para nada disso, contudo, é só fachada. No fundo, me importo. Já fui como você, tímida. Eu sei também que perto de muitos tímidos, você é super desinibida. E é por isso que adoro essa sua qualidade. Adoro porque ela me diz que ainda somos nós mesmas. Depois de tudo o que já fizemos, de todos os programas que já aparecemos, de todos vídeos que gravamos e de cada palavra que escrevemos no 4G, ainda sei que somos as mesmas garotas de quando começamos toda essa bagunça que é o 4Girls. — Lhe disse. Cada palavra foi muito sincera e vinha direto do meu coração. Aquelas meninas são minhas irmãs e as trato como família. Ver se sentido aflita com algo não me deixava bem. Tive que lhe dizer algo que a desse segurança.
Sua resposta foi mais que perfeita. Ela me deu um abraço de urso super bem dado. Quer dizer, foi bem dado nas condições que estávamos, pois eu ainda me encontrava sentada no sofá roxo e ela estava sentada no chão. E nesse abraço tentei passar mais ainda todo o amor que sentia por ela, só o amor lhe daria calma.
Quando nos separamos, eu logo lhe disse:
— Ah, sobre o live de mais tarde: eu e as meninas estaremos com você. Não se preocupe.
— Verdade. Não se preocupe mesmo, . — Disse uma voz diferente, que fez com que nós duas virássemos nossas cabeças em direção da fonte do som. Era , que falou isso com um sorriso e ao seu lado estava. e eu a assistimos andar até onde estávamos e se sentar no chão ao lado de .
— Eu não perdi o momento fofura de vocês. A tem toda razão. Estaremos juntas durante todo o live. Então sinta-se segura. — disse enquanto caminhava para se sentar ao meu lado.
— Muito obrigada, meninas. Vocês são incríveis e eu não poderia pedir por amigas melhores que vocês. — disse com um sorriso grande.
— Isso não foi nada, . — Eu disse enquanto afagava seus cabelos encaracolados. — Temos tudo pronto? — Eu perguntei em seguida.
— Da minha parte sim. Postei fotos no Instagram, meu e do blog, sobre alguns possíveis itens que cada uma de nós poderia usar mais tarde. — disse. — Estava no Twitter assim como você, . E falei com o Luke e pedi que ele avisasse os meninos sobre o 4G Live. Ele me disse que avisaria e que também faria o que eu pedi em relação às curtidas, etc. — me disse.
— Sim, eu estava no Tumblr e por lá também. Fiz umas fotos para o Instagram do blog sobre os preparativos do live. — Eu disse a ela.
— Já deixei toda a parte técnica do evento pronta. A câmera está funcionando e já conectei todos os dispositivos necessários para o live: o microfone, a câmera e a interligação de exibição dele também está pronta. Ou seja, todos do Facebook, Twitter, Tumblr, Youtube e no 4Girls vão assistir o live quando ele estiver acontecendo. E sobre ele, eu sei que vou estar nervosa no começo, mas até o fim eu vou dar boas risadas. — disse sorrindo timidamente.
— Beleza então. Já vi que estamos com tudo em cima para o live. E como ainda temos algumas horas para o evento, pensei em gravar um vídeo bem curto para convidar o pessoal para assistir. Nem vamos precisar editar, só para chamar atenção mesmo. — Eu disse e vi todas concordarem.
Em poucos minutos, nós quatro tínhamos gravado uns vídeos para o Snapchat do blog e para o pessoal de cada uma de nós. Depois compartilhamos tudo nas demais redes e seguimos dando risadas, até que o estômago de roncou alto demais.
— Ops... acho que tem alguém que já está com muita fome. — Eu disse em meio a risadas.
— Não tenho culpa. Só quero alimentar o meu ser agora. — diz.
— Já está tudo pronto. Vamos descer e procurar comida fora desse quarto. — Disse .
— Ok, só vou pegar meu celular e botar uma outra roupa. — Completa .
E com todo o cuidado para não estragar tudo que arrumou, nós quatro saímos da sala e fomos para o quarto pôr roupas mais direitas. Assim que estávamos prontas, saímos do quarto de hotel rindo e seguindo em direção ao elevador. pressionou o botão para chamar ele, e assim que ele chegou e abriu suas portas revelou que já tinham umas pessoas dentro. Todas nós entramos sorridentes e nos posicionamos. pediu educadamente ao senhor que estava próximo ao painel com botões do elevador que pressionasse o do térreo. O senhor lhe respondeu que já havia sido apertado, ela lhe pediu desculpas por não ter visto e lhe agradeceu.
Estávamos em um hotel com muitos andares e até chegar no térreo demoraria pouco, mas o tempo não passa da mesma forma quando estamos dentro de um elevador. Logo que as portas fecharam, e ele começou a se movimentar, todos nós que estávamos dentro dele ficamos em silêncio. O elevador fez algumas paradas antes dele continuar seguindo para o térreo e sempre que as portas dele fechavam todos continuavam quietos.
Gostaria de dizer que o silêncio durou até o fim da viagem, mas isso não seria verdade. De repente, todos os presentes escutam um barulho alto. Barulho esse que veio do meu estômago, o que me informava que não só estava com fome, mas eu também. E não demorou muito para que as meninas começassem a rir como nunca dentro do elevador. Assim como elas, eu ri também porque não tinha como não resistir a risada contagiante delas. Em consequência, todos começaram a nos olhar de cara feia, até que como num passe de mágica o elevador parou e fez o seu barulho habitual para informar que tinha chego ao térreo. Todos os que estavam dentro saíram rapidamente enquanto nós quatro deixamos o elevador segurando nossas barrigas de tanto que havíamos rido.
É por isso que amo estar com , e . Independentemente do que acontecia, sempre terminava com risos.

’s POV
Chegamos ao térreo do hotel e logo procuramos onde seria o melhor lugar para nós quatro irmos comer. Acabamos decidindo ir em um fast food próximo ao hotel. Fizemos o caminho a pé mesmo, já que a loja não era tão longe.
Ao chegar lá compramos nossos lanches nada saudáveis. pediu uma porção de batata frita tamanho mega, junto com copo de milk-shake médio de morango e um hambúrguer com umas três carnes e bacon. quis quase a mesma coisa que , apenas trocou o milk-shake por um copo grande de Coca-Cola, sem antes reclamar da falta do Guaraná. Já tentou ser saudável pedindo só um suco de uva, com um hambúrguer que tinha salada dentro e uma porção grande de batata. Eu fiz uma mistura dos pedidos, uma batata grande, com um hambúrguer de frango e um copo de milk-shake de chocolate. Assim que recebemos nossos lanches nos sentamos em uma das cabines vazias.
— Preciso de uma foto para o Instagram antes. — disse enquanto tirava o celular do bolso da calça que usava.
— Eu nem sei como você vai aguentar comer isso tudo. — Disse .
— Olha quem fala, . Sua bandeja está tão cheia quanto a minha. — Retrucou .
— Eu sei. Vou tirar uma foto também para o Snap. — disse rindo em seguida.
— Só vamos comer. Por favor. — Diz enquanto belisca umas batatas suas.
— Ah, vamos tirar uma selfie. Eu quase não tenho nenhuma selfie nossa no meu perfil do Instagram. — Me vi pedindo. Parte do que eu disse era mesmo verdade, eu tenho poucas fotos de nós quatro no meu Instagram pessoal. O que levava a uma realidade que é: eu quase não peço para tirar selfies com as meninas, pelo seguinte motivo, elas sempre querem tirar selfies. Quer dizer, e gostam mais da , mas faz a mesma coisa, só que furtivamente.
— Bom... Se a está pedindo e ela quase nunca pede, acho melhor acatar. — disse sorrindo.
Com isso peguei meu celular, abri a câmera e o passei para que estava sentada ao meu lado. Ela sempre tinha a mão mais firme para tirar fotos em grupo. Todas nós olhamos para a câmera frontal e depois de umas cinco fotos com umas mil poses diferente, incluindo uma em que todas nós fazíamos as batatas de dentes de vampiros, nós começamos finalmente a comer.
Demos muitas risadas e não tivemos pressa alguma para comer. Não tínhamos mais nenhuma preocupação com nada. Principalmente eu. Sabia que estava segura enquanto elas estivessem comigo.
Quando finalmente terminamos de comer, nos levantamos e fomos embora. Durante o caminho de volta para o hotel, e voltaram se arrastando pela calçada. Ambas falavam que tinham comido demais, mas apenas dizia que faria tudo de novo porque tudo estava muito bom. Verdade, a comida estava boa, com batatas salgadas e hambúrguer gordurosos, bem do jeito que o fast food americano era.
Assim que chegamos no hotel fomos na recepção perguntar se tinham algum recado, pois antes de sair avisamos que o nosso quarto ficaria vazio. A recepcionista disse que não havia nada para nós, e foi como realmente achamos que seria. Agradecemos e fomos em direção ao elevador. Chegamos no nosso andar bem a tempo do alarme que indicava que faltava duas horas para o live que pôs no celular tocar.
— Bem a tempo. — disse enquanto abria a porta do quarto.
Nosso quarto não era grande e o aconselhável era que apenas duas pessoas dividissem ele. Tinha uma saleta com duas janelas grandes com vista para a cidade, também tinha uma tevê e uma mesa de centro. Por conta do livestream, eu transformei a sala em um mini estúdio. Entre a sala e o quarto tinha uma porta que dividia o corredor que liga os dois ambientes, ao meio. No quarto tinha outra televisão, mais duas janelas com vista para a cidade e duas camas grandes e confortáveis de casal. Do lado direito do quarto tinha um banheiro bem equipado com duas pias e incluindo uma banheira com um chuveiro para os banhos.
Assim que nós quatro estávamos dentro dele, tiramos logo nossos casacos. Aparentemente, estava mais mandona que o normal, mal chegamos e ela já estava dizendo que deveríamos nos arrumar para o live que seria em poucas horas. Após ela dizer isso, todas nós fomos para o quarto e abrimos as nossas malas.
— Já separei umas peças para cada uma de nós. — disse assim que entramos no quarto.
Murmuramos algo em agradecimento e fomos olhar onde cada uma de nós estava dormindo. Como eu já tinha dito, o hotel aconselhava que somente duas pessoas fizessem uso daquele quarto porque, segundo o que disseram quando o reservamos, “é mais confortável e cômodo”. Tendo só duas camas, eu e as meninas compartilhávamos mesmo e isso nunca foi problema. e dividiam a cama que ficava mais próxima do banheiro e, eu e estávamos na cama mais perto das janelas. sabendo dessa divisão, pôs nossos itens escolhidos em cima da parte da cama que corresponde a cada uma de nós, e nunca temos problema com confundir as peças de roupa, pois é bem egoísta com seus pertences, então toda a hora ela fica marcando o território de cada uma de nós no quarto.
tinha sido bem legal quando escolheu nossos itens, pelo menos eu não tenho do que reclamar dos meus. Ela tem um senso de moda muito bom assim como e . Como me conhece muito e sabe que sou a mais nerd das quatro, ela separou três opções de suéter para eu escolher. Eu tenho uma paixão por suéteres e moletons que não sei explicar de onde veio.
— Vou tomar uma chuveirada rápida. — anunciou da porta do banheiro. Pelo visto, ela tinha sido bem rápida na sua escolha de look. Curiosa, eu dei uma olhada de onde estava para ver se conseguia descobrir o que ela usaria. Quando os meus olhos bateram no lado dela da cama, eu só vi preto.
— É sério que a vai estar toda de preto? — Perguntei de forma espontânea.
deu de ombros e me disse:
— Vai, né?
— Nossa, não sei como ela consegue isso. — Lhe disse enquanto pegava umas pulseiras.
— Acho que já está na hora de você se acostumar. Ela sempre dá um jeito de pôr preto. — me disse de onde estava.
— Verdade. E olha, eu nem tentei coordenar as cores porque se fosse fazer isso ela iria falar que “é melhor todo mundo usar preto”. — disse enquanto pegava uma sapatilha para combinar com a saia que vestiria.
— Estou percebendo. Você perto da vai parecer mais clara do que nunca. — Falei rindo de leve.
E ela iria mesmo, já que sua roupa era clara.
— Juro que não foi minha intenção, mas não estou com vontade de escolher nada diferente disso, então nem vou mudar nada. — Ela disse sorrindo enquanto balançava a cabeça negativamente.
— Melhor vocês duas sentarem em extremidades diferentes do sofá porque muito perto vai ficar bem forte o contraste de vocês. — Eu disse.
— Ótima ideia. Você senta perto de mim para ficar legal. — Ela me respondeu enquanto guardava umas coisas de volta na mala.
Poucos segundos depois saiu de dentro do banheiro enrolada na toalha.
— Quem é a próxima? — Ela perguntou ao mesmo tempo em que dava poucos passos para a cama.
— Eu mesma. — respondeu e foi para o banheiro.
— Terminou de pegar tudo, ? — me perguntou.
— Falta só umas coisinhas. Por quê? — Eu pergunto virando o rosto para ela.
— Vou ser a próxima a tomar banho. Tudo bem? — Ela me disse.
— Tudo bem. — Eu lhe respondi.
mal saiu do banheiro e entrou nele para fazer o mesmo. já estava pondo suas meias para calçar as botas e estava terminando de se secar para pôr a roupa dela.
— Eu vou demorar mais no banheiro porque vou sair totalmente pronta, ok? — Eu disse enquanto pegava a minha bolsa de maquiagem e deixava todas as roupas de uma maneira fácil de carregar para dentro do local.
— Sem problemas. — Disse enquanto punha a saia.
— Então beleza. — Eu respondi.
Enquanto esperava sair de lá, eu chequei super rapidamente o meu celular. Algumas notificações do Instagram, e umas notificações do Twitter também. A função de ser notificado quando alguém posta é a melhor ideia que eles já tiveram, pois só assim iria descobrir que Michael curtiu e retuítou o que nós postamos sobre o live. Aproveitei a deixa e dei RT no que ele já tinha compartilhado e acrescentei: “É para isso que os amigos servem. Obrigada, Mikey!!! #4GLive”. Em um tempo recorde, muitos fãs de ambos os lados já estavam ensandecidos na rede falando dessa simples interação nossa.
— Wow, eu acho que nunca vou me acostumar com isso. — Pensei em voz alta.
— Eu vi o que você fez, e foi a melhor coisa. Temos muita atenção agora. — disse. Quando ela havia posto as mãos no celular dela, eu não sei, mas pelo jeito até ela já tinha visto.
— Sabe que não foi muito nessa intenção, né? — Eu lhe disse enquanto caminhava para porta do banheiro. nunca sairia de lá?
— Uhum... Mas, nesse momento, não me interessa qual é o joguinho da vez entre você e o Mikey, só o que veio dele. — disse me lançando uma piscadinha de olho. Ela era bem direta e em muitos momentos era difícil lidar com ela e suas palavras.
— Ouch... Até doeu em mim essa. — Foi a voz da que vinha da porta do banheiro. Ela estava de lingerie e com a toalha enrolada nos cabelos molhados.
— Desculpe, . — disse antes que eu entrasse para o banho.
— Sem problemas, . — Eu lhe respondi baixo.
Pois é... Com elas era sempre uma montanha russa, mas eu gosto disso.

’s POV
Estava me arrumando quando escutei toda a interação entre e . Não tive tempo para reagir porque já o tinha feito. era desse jeitinho mesmo, uma montanha-russa em pessoa, oito-oitenta total. Não há como impedir nada nela, acho que nem ela mesma tem um controle firme do que fala às vezes.
Assim que saiu e entrou, eu me virei para onde estava e lhe lancei um olhar repreensivo, dizendo logo em seguida:
— Você nunca se controla, né?
— Ai, desculpa, mas vocês sabem que aquela era a minha mente calculista falando. — Ela disse de forma generalizada.
— Sei bem que você tem que aprender a controlar o que diz. — Eu lhe respondi.
— Tem vezes que não consigo... Eu juro que tento, mas quando vejo já saiu boca a fora. — Ela me retorna com uma cara de cachorro pidão.
— Nem me olhe com essa cara. — Eu lhe disse.
— Ela usou a cara de cachorro abandonado? — , que estava secando o cabelo, perguntou.
— Usou, . — Disse, rindo de leve enquanto calçava as sapatilhas.
— Nunca aprende essa garota... — disse rindo, ao mesmo tempo que sacudia a cabeça negativamente.
— Ei... Ainda estou bem aqui. — exclamou meio indignada.
— Para você ver que somos suas amigas mesmo, se fossemos outras já estaríamos falando pelas costas. Aqui é tudo real, na cara mesmo. — Disse rindo enquanto tinha a cara enfurnada dentro da mala, buscando alguns acessórios.
— Ah, sim. Muito obrigada. Amo vocês. — disse irônica enquanto digitava no celular.
— Ama sim que eu sei. — disse enquanto calçava os tênis.
Apenas balancei a cabeça enquanto ria. Aquelas duas sempre implicavam uma com a outra. Viviam se alfinetando, porém se amavam.
Percebi que estava quase pronta. Vasculhei o quarto para ver se estava muito bagunçado e acabei batendo os olhos em e . estava com uma prancha alisando, desnecessariamente (ela tem o cabelo liso, meu povo), o cabelo. Já estava desleixadamente jogada no lado dela da cama, com a toalha molhada e a bolsa de maquiagem no colo. Ela realmente estava toda de preto e pelo jeito só faltava se maquiar.
Precisava agir. Vi que tinha umas coisinhas espalhadas pelo meu lado do quarto e comecei a catar tudo e a organizar na mala. Tinha que esperar sair do banheiro para usar o espelho, pois já estava ocupando o que fica fora do quarto e não dava sinais de que sairia dali tão cedo.
Depois que me organizei toda, vi que estava abrindo a porta do banheiro. Consegui ser rápida o suficiente para pegar minha bolsa de maquiagem e dizer:
— Depois da sou eu lá dentro, tenho que terminar de arrumar.
— Tudo bem... Não tenho pressa mesmo. — respondeu dando ombros. Quando queria ela era assim, dava sempre um jeito de se meter onde não é chamada.
, não se meta onde não foi chamada. — retrucou de onde estava. Viu? Elas não conseguem ficar muito tempo sem se alfinetarem.
, você fez o mesmo que ela. — Quando vi soltei isso.
Não é do meu feitio falar o que dá na telha. Eu me controlo, só que dessa vez não deu. Sem que eu percebesse saiu aquilo.
Agora, dentro do banheiro, me vejo no espelho e penso na forma com que eu quero me apresentar ao público. teve uma ideia bem boa mesmo e lhe dou crédito por isso. O único problema é que toda essa exposição dá trabalho porque tenho que estar apresentável. Estar apresentável significa se arrumar para fazer muito pouco.
As meninas costumam dizer que estou sempre arrumada, mesmo quando é só para ir até a esquina. Não tenho culpa, sempre fui mais dessa forma. Meu estilo é bem diferente delas, sou a mais feminina de todas. sempre que pode abusa do preto em tudo, usa muitas roupas que remetem ao universo nerd e usa coisas bem praianas e sua receita de look é quase sempre a mesma.
Percebo que me perdi em meus pensamentos quando vejo que ainda estava sem nenhuma maquiagem. Rapidamente pisquei e abri a nécessaire. Fiz todo o preparo da pele com primer, corretivo, base. Depois passei uma sombra em creme de uma cor bem natural nos olhos, contornei os lábios, passei lápis de olho e fiz um delineado em preto normal e logo em seguida passei o rímel. Antes de passar meu batom, me olhei bem no espelho em busca de algum erro ou borrado, mas não vi nada, então logo destampei o batom e o passei. Após tudo isso, eu novamente me olho no espelho em busca de imperfeições no trabalho e não vejo nada.
Como meu cabelo estava de bom humor hoje, eu não fiz muita coisa, apenas passei um pouco de óleo para dar mais brilho. Mesmo sabendo que não iria a lugar nenhum, eu passei perfume, mas foi mais pela força do hábito. Antes de cruzar a porta do banheiro de volta para o quarto, me observei no espelho só para garantir que estava tudo certo comigo. Confirmei que tudo estava em seus devidos lugares, e dei para mim mesma um sorriso. Respirei fundo.
“Vai dar tudo certo, .”, disse a mim mesma. Sorri novamente e fechei a nécessaire. Virei-me e saí porta a fora.
— Quem vai ser a próxima? — Disse assim que saí e vi as meninas pelo quarto.
— Eu vou. — Me responde enquanto levanta lentamente da cama.
— Vou checando tudo enquanto ela termina de se arrumar. — disse saindo para a sala.
E com isso eu me peguei indo em direção a para ajudá-la com a maquiagem. Ela não havia pedido, contudo, vi que ela já estava nesse estágio da sua arrumação e fui ajudar de qualquer jeito. Afinal era uma forma de me manter distraída e ocupar a mente antes do livestream. Eu estou calma e solicita ajudando .
Eu estou calma.
Eu estou... Cacilda Becker... Estou nervosa mesmo.
Só que ninguém precisa saber.

’s POV
Deixei me ajudar com a maquiagem, pois não levo jeito para nada desse mundo. vive me dizendo que devo, pelo menos, passar uma base antes de sair passando tudo na cara. Como não consigo entender esse universo, deixo para que ou me orientarem quando preciso. Quando terminasse com a maquiagem eu estaria pronta. A primeira a ficar pronta foi , depois e, em pouco tempo, eu completaria a lista.
havia deixado o quarto para fazer as últimas checagens no equipamento todo para o livestream. Ela tem uma facilidade de lidar com todas essas coisas eletrônicas que sempre me surpreendo com o que faz e pode fazer. O mais natural era que ela cuidasse de toda essa parte e foi exatamente isso que ela fez com maestria, eu me arrisco a dizer. Fazia uns minutos que tinha entrado no banheiro para que terminasse de se arrumar. Provavelmente, as meninas já devem ter dito isso mil vezes, mas todas nós ainda queremos entender como ela consegue usar preto em excesso. É sério.
— Prontinho, terminei, pode olhar. — disse sorrindo. Assim que me virei e meus olhos bateram no meu reflexo no espelho, eu realmente adorei. Dei um sorriso super grande e a abracei.
“Muito, muito, muito, muito obrigada.”, eu disse enquanto estávamos coladas no abraço.
— De nadinha... — Ela me responde sorrindo.
Procurei pelo meu telefone para tirar uma selfie com ela e aproveitar para postar e divulgar o live de alguns minutos. Assim que o encontrei, pus na câmera frontal e a puxei para perto. Tiramos umas fotos e depois fui até o Snapchat e tirei mais umas fotos com ela. Postamos tudo nas redes com as devidas hashtags e legendas chamativas.
Em poucos momentos, tínhamos chamado a atenção de muitas pessoas. apareceu na porta do quarto e nos convocou para fazer o teste do live. e eu fomos andando lado a lado para a sala.
— Vou ligar a câmera e vamos fazer um teste rápido de áudio e imagem. — nos disse assim que sentamos no sofá.
— Tudo bem. — Eu disse.
— Antes que você ligue isso, tem alguma coisa que devemos dizer? — perguntou.
— Não tem, não. Só sorriam e sejam normais. — responde.
Ela contou até três e fez tudo funcionar. No começo não houve muitas visualizações, então e eu apenas dizemos coisas como “Um, dois, três... Testando” e não demoramos muito nisso.
— Ok... Temos tudo pronto, certo? — Perguntou .
— Ah... Sim. Tudo pronto, quer dizer, podemos começar a qualquer momento. — a responde antes que eu tivesse alguma chance de fazer isso.
— Ótimo. Vou atrás da . Antes de começarmos ainda temos que repassar sobre o que vai ser exatamente. — disse enquanto levantava do sofá em que estávamos sentadas na sala. Apenas virei minha cabeça e acompanhei tudo de onde estava.
De onde estava, tudo o que pude ver foi entrando no quarto e falando meio alto com . questionava sobre quanto tempo mais ela passaria enfiada no banheiro se arrumando. Só ouvi uns resmungos de como resposta a , e pouco depois a voz mais alta de dizendo:
— Ok... Calma, eu só estava me arrumando. Não estava enrolando.
— Uhum... Eu sei. — respondeu enquanto puxava pela mão para fora do quarto.
Não demorou muito para que eu pudesse ver as duas na sala. e , lado a lado como estavam, compunham uma visão bem diferente. Ambas estavam bem opostas a outra. Uma completamente escura e outra completamente clara. Não resisti e tirei uma foto, que salvei e compartilhei no Snapchat com todo mundo.
— Ok, eu já trouxe para cá. O que vamos fazer agora é repassar nosso plano de jogo. — disse enquanto se sentava em uma das extremidades do sofá.
— Bom... Vamos brincar de 20 questions. E vamos manter o nível das perguntas. Antes de entrarmos de fato na brincadeira, a gente vai conversar um pouco, falar da viagem, rir de como eu e estamos bem opostas no estilo e coisas assim. — nos disse enquanto caminhava para o lado em que ela escolheu para se sentar no sofá.
— Entendi... Tudo bem light. Gostei disso. — Eu disse enquanto sentava perto de .
— Agora que isso está resolvido, eu quero falar sobre a tecnologia envolvida nisso. — se dirigiu a nós três enquanto ficava em nossa frente. Nós mantemos o olhar atento em enquanto ela explicava cada coisa. Ela disse cada limite, nos contou por onde escolheríamos as perguntas e nos aconselhou a pegar nossos celulares para o livestream.
Assim que terminou com as instruções, ela se juntou a nós no sofá, se sentando entre eu e . Estávamos sentadas na seguinte ordem: , eu, e . Aproveitamos antes de finalmente começar a coisa para tirarmos uma selfie nossa e postamos no Instagram do blog com a legenda “Pré-livestream”.
Assim que fizemos isso, estendeu a mão direita e contou até três com os dedos. Assim que ela terminou, ligou tudo e estávamos ao vivo do quarto de hotel para o Mundo.
As visualizações estavam aumentando e ainda não tínhamos dito nada.
— Oi, pessoal! — Nós quatro dissemos ao mesmo tempo. Logo em seguida começamos a rir muito, aquilo não tinha sido planejado, mas aconteceu e foi muito divertido.
— Isso não foi planejado. — falou com a mão na barriga.
— Se tivesse sido, não daria certo, tenho certeza. — Eu disse rindo de leve.
— Exatamente. — Completou enquanto ajeitava os cabelos depois da risada intensa.
— Acho que vocês aí não estão entendendo nada. — começou toda sorridente.
— Para quem não conhece ou começou a nos acompanhar há pouco tempo, nós somos as meninas por de trás do 4Girls. — Falou , enquanto gesticulava com as mãos e mantinha um sorriso no rosto.
Rapidamente nos apresentamos e seguimos o plano da . Falamos sobre como a viagem estava sendo, sobre o que tínhamos planejado para ela, contamos tudo o que achamos necessário. Demos muitas risadas até que chegou a hora do jogo.
— Bom... Já atualizamos vocês, né meninas? — sutilmente trocava de assunto.
— Verdade. Acho que agora está na hora do jogo. — disse, me lançando um olhar que não soube interpretar direito.
Franzi a testa enquanto ela me olhava e soltei:
— Por que você está me olhando assim?
Pronto, todas as meninas começaram a rir da situação. Ri com elas, mas ainda não tinha entendido muito bem do que era.
— Ok, vamos esquecer que a estragou a nossa troca de assunto e vamos logo começar o 20 Questions. — disse, balançando a cabeça negativamente.
— Aaaaahhh... Era isso? — Disse rindo.
— Sim, era isso. — disse passando seu braço esquerdo pelos meus ombros.
— Agora eu entendi. Desculpa, meninas. Desculpa, gente. — Eu disse, sorrindo sem graça.
— Então, vamos jogar ou não? — perguntou, olhando para .
— Vamos, mas é bom lembrar as regras. — disse nos olhando.
— Ah, é bom mesmo! — concordou. e foram dizendo as poucas regras que estabelecemos para manter a brincadeira em um bom nível para todas nós, incluindo os meninos.
— Já que eu estraguei a troca de assunto, quero escolher a primeira pergunta. — Falei empolgada enquanto olhava as meninas como quem pede permissão.
— Vai em frente. — Responde igualmente empolgada.
Depois de uns segundos vendo todo o tipo de pergunta, finalmente encontrei uma que servia.
— Essa pergunta é da @madeupworld, ela quer saber quais são nossos animais favoritos. — Li.
— Adoro qualquer tipo de animal. Eu tenho uma cachorrinha, que infelizmente teve que ficar com meus pais, chamada Mayla. — disse, sorrindo meio nostálgica.
— Eu sempre quis ter um cachorro, mas adiaram tanto que hoje tenho só dois peixinhos, que são a Hermione e o Nada. — Respondi sorrindo.
— Amo gatos, principalmente os pretos, eles são tão fofos e lindinhos que eu me derreto. Pena que a minha alergia me impede de ter um. — respondeu com os olhos inicialmente brilhando, para logo depois eles murcharem.
— Assim como , amo gatos, só que os meu preferidos mesmo são as corujas. Elas são incríveis. — respondeu animada.
— Obrigada pela sua pergunta, @madeupworld. — disse sorrindo e logo completou com: — A próxima pergunta vem de @fivesauceatemyhomework, e ela diz: “adoro o blog de vocês e gostaria de saber quais são os últimos artistas que estão ouvindo.”
— Sempre tenho Lana Del Rey e Fifth Harmony no replay. — Respondi logo e olhei para a .
— Tenho uma queda pela antiga Disney, então é fácil me ver cantando Hannah Montana ou Jonas Brothers por aí, mas também amo as músicas atuais. — disse.
— Tenho ouvido K-pop e sempre tenho alguma música em espanhol ou latina. — disse.
— Sou super eclética. Não tem como responder porque no mesmo dia consigo ouvir Lana Del Rey com , tentar entender K-Pop com , cantar “Best of Both Worlds” com a e ainda por cima finalizar com Frank Sinatra... Então é bem difícil eu dizer quem eu estou ouvindo ultimamente. Aliás, eu amei o seu user e obrigada por mandar uma pergunta. — respondeu rindo de leve.
levantou a mão e disse:
— Achei uma boa pergunta aqui. @fourgfans quer saber como nos conhecemos.
— Quem começa? — Disse.
— Eu? — responde com outra pergunta.
— Pode ser. — disse.
— Bom, eu conheci e na escola. Estudamos juntas desde que me mudei para Austrália. foi superlegal comigo logo de cara, mas e eu só nos tornamos amigas depois que nossas mães se conheceram e insistiram que nós nos conhecemos e, bom, estamos aqui agora. eu conheci depois através da . — disse.
— Isso mesmo, e eu conheci na escola. era uma conhecida de longe, porque minha mãe e a dela se conheceram há muitos anos, e depois quando a família da foi para a Austrália tivemos mais contato mesmo. e eu viramos amigas logo porque moramos perto, e ela era nova na escola e simplesmente aconteceu. virou amiga de tanto ver ela com a mesmo. — contou a sua versão.
— Bom como elas já disseram, eu conhecia a antes, mas não tínhamos muito contato até eu mudar para Austrália. Depois já contou como foi e, realmente, se não fosse pelas nossas mães não seríamos amigas. é minha prima, então eu diria que a conheço da vida mesmo. — disse olhando para mim.
— Eu não conheço ninguém aqui, primeira vez que vejo elas... — As meninas começaram a rir e depois de um tempo eu disse a real resposta: — Então, e eu somos primas, nossas mães são irmãs. e se tornaram minhas amigas depois que me mudei para Austrália e precisava de mais companhias que fossem além da minha prima. — Eu disse sorrindo amarelo.
— Sua pergunta foi ótima, @fourgfans, obrigadinha. — agradeceu para que seguíssemos com o jogo.
Tiveram mais perguntas aleatórias como, por exemplo: qual era nosso doce favorito, qual era nosso último sonho, quantos shows iríamos naquele ano, entre outras. Passada essas perguntinhas, começaram a surgir os questionamentos sobre o suposto encontro dos meninos com as meninas misteriosas.
— Ok. As últimas milhares de perguntas são sobre os meninos da 5SOS. Vamos responder vocês. — disse para a câmera.
— As primeiras perguntas são justamente se vimos as matérias. E sim, vimos as matérias, na verdade, quem viu primeiro foi a e ela nos mostrou. — disse em um tom meio sério.
— Muita gente, principalmente quem começou a acompanhar nossas redes e o blog há pouco tempo, não tem a menor ideia que nós conhecemos os meninos e somos amigas deles. — Eu disse.
— Isso. Amigas do verbo, melhores amigas. Então muitas pessoas que já nos conhecem e sabem da nossa conexão com eles já vieram buscar alguma informação sobre o que aconteceu. — disse.
— Então qualquer coisa que nós contarmos sobre ontem é oficial. Conversamos com a assessoria deles e estamos autorizadas a falar. — disse.
— Já vi aqui que todos querem entender como essa coisa toda surgiu, e principalmente como temos essa autorização. Super simples de entender. — disse.
— Estamos devidamente autorizadas porque somos as meninas da foto. Não foi um encontro entre casais. Só um grupo de amigos que foi em um pub. — disse.
— Uhum... Exatamente isso. Tinha pouco tempo que tínhamos chego de viagem e aí eles estavam meio livres naquela noite, então nos encontramos com eles para pôr o papo em dia e nos ver antes que nós fôssemos passear e eles entrassem em semana de shows de novo. — Disse no mesmo tom em que as meninas contavam os fatos.
Depois que contamos tudo e esclarecemos o ocorrido, o assunto se tornou apenas aquela noite e outros aspectos de sermos amigas deles. Estávamos mais relaxadas porque percebemos que as perguntas tinham sido realmente respondidas e, ao mesmo tempo, nos mantemos meio alertas, já que estávamos falando deles e qualquer coisa poderia ser gravada e utilizada contra eles e contra nós.
, , e eu estávamos conversando animadamente com o pessoal no live quando ouvimos uma batida na porta do quarto. Nós quatro nos entreolhamos com caras de “O que está acontecendo?”.
— Isso não estava planejado, mas eu atendo. Volto já, pessoal. — Falei sorrindo enquanto levantava e caminhava na direção da porta.
— Roubei o seu lugar... — disse rindo.
Abri a porta pronta para perguntar o que era e o que queriam, mas fui surpreendida quando me deparei com os meninos na porta. Assim que abri a porta, eles saíram entrando no quarto e tomando conta de tudo mesmo. Apenas fechei quando os quatro já estavam do lado de dentro do quarto.
Não estávamos preparadas para receber eles e era visível, pois as meninas estavam tão surpresas quanto eu. Quando voltei para sentar no meu lugar, já não tinha mais lugar. Michael estava sentado no braço do sofá, Ashton sentou meio de lado no colo da , dando um jeito de deixar pelo menos a cabeça dela aparecendo, Calum se ajeitou do lado da no sofá e Luke procurou uma almofada para se encolher, quer dizer, sentar no chão bem nos pés do pessoal.
— Muito bonito... Agora estou sem lugar. Primeiro a rouba o meu lugar, agora todos vocês quatro tomam conta da sala. Como fico... — Falei indignada.
— Para de graça e se senta logo do lado do Lucas. — disse rindo e obviamente todos a acompanharam, enquanto eu me sentava ao lado dele. Luke e eu trocamos um breve sorriso e logo nos viramos para a câmera.
— Quem vai dizer o que vieram fazer aqui? — perguntou.
— Primeiro... Oi, gente!! — Michael disse.
— Oi, pessoal. — Luke disse, acenando.
— Fala aí, pessoal. — Disse um Ashton sorridente.
— Oi. — Disse Calum rindo.
— Que educados... — disse rindo.
— Legal, agora o que vieram fazer aqui? — perguntou enquanto olhava para Calum.
— A gente veio forçar vocês a dizerem tchau para eles. — Ashton disse.
— Retiro o que disse antes. — disse tentando sacudir a cabeça em vão.
— Pensem em uma intervenção para a diversão. Vamos fazer alguma coisa. — Calum completa.
— Eu garanto que elas amam vocês e que ninguém aqui está tendo um caso. Só queremos jogar vídeo game juntos. — Michael disse de onde estava.
— Só se pedirem um caminhão de pizzas. — Eu me virei de leve para encarar as meninas.
— Acho que é uma boa ideia, não? — disse.
— Vai ter pizza? — Eu perguntei novamente.
— Tem que ter pizza e pipoca. — completa como se fosse algo óbvio.
— A gente pede quando chegar no nosso quarto. — Calum respondeu.
— Tem que ser lá porque elas não trouxeram um vídeo game. — Ashton se apressou em dizer.
— Para oito pessoas, o PSP e o Nintendo DS que eu trouxe não servem mesmo. — disse pensativa.
— Então é isso? — disse.
— É isso mesmo, porque eu topo. — disse.
— Também, mas estou indo pela pizza. — Eu me juntei a ela.
— Por mim sim, quero tentar aquele jogo que o Mikey trouxe do Japão. — disse.
— Já que para mim é “tanto faz”, está muito na cara que estou com voto vencido nessa discussão. — deu de ombros levemente enquanto se pronunciava.
— Então é isso. Sejam boas meninas e digam tchau para o livestream. — Ashton disse rindo.
— Aparentemente acabou o nosso livestream, pessoal. Os meninos invadiram e estão nos sequestrando. Obrigada pelas perguntas. Adorei mesmo a participação de vocês. Não se preocupem com a disponibilidade do vídeo, porque assim que a câmera for desligada ele ficará no Youtube para vocês verem. — Eu disse para puxar a despedida de cada uma de nós.
Aos poucos, , e deram tchau para o pessoal que estavam nos assistindo. Os meninos logo em seguida fizeram o mesmo. Assim que demos um adeus coletivo para todo mundo de novo, os meninos levantaram e nós rimos, nos abraçamos, e cada menina pegou um batom ou gloss, os celulares e saímos do quarto com eles.
Assim que chegamos no quarto deles, pedimos muitas pizzas, e vários refrigerantes e água. Comemos muito, jogamos muito vídeo game, postamos coisas no Snapchat e algumas fotos em outros lugares.
No final deu tudo certo e ainda tivemos uma ótima noite com os meninos. Posso com certeza dizer que eu e as meninas temos uma vida de sorte.


Capítulo 01 – 18 (Eighteen)

Música do capítulo: 18 – 5 Seconds of Summer


Luke’s POV
Há poucos minutos, antes de subir no palco, eu beijei minha garota. Tínhamos um show em Los Angeles nesta noite, era um show nosso. Um show do 5 Seconds of Summer. Não éramos um ato de abertura, nós somos a atração principal. O tempo todo ela esteve do meu lado, sendo adorável como só ela consegue.
Os meninos estavam nervosos e, não tinha como negar, eu também, porém quando quatro pessoas entraram no nosso camarim, soltei um suspiro aliviado. Ela veio. Cumprimentei as outras três meninas rapidamente porque queria ter minha pequena em meus braços o mais rápido possível.
Assim que pus os olhos nela, peguei sua mão e a tirei dali. Depois de meses sem a ver pessoalmente, tudo o que mais queria era um momento nosso para tocar suas mãos, sentir seus lábios contra os meus, olhar em seus olhos e dizer coisas fofas só para ver suas bochechas ficarem rosas.
Chegamos em um ponto afastado do camarim, longe o bastante para ser somente eu e ela, longe o bastante para que eu a beijasse e foi o que fiz. Sua resposta foi tão firme quanto o meu desejo inicial, ela queria aquilo tanto quanto eu, e, demonstrava de forma nítida, pondo uma de suas mãos em minha cintura e entrelaçando a outra com minha mão esquerda. Tinha uma das minhas mãos segurando seu rosto, já que a outra não queria largar a mão dela.
Lentamente nossas bocas foram se soltando. Precisei lhe roubar mais um breve beijo porque não conseguia acreditar ser real, mas o que era para ser um breve beijinho se multiplicou em vários. E se não necessitássemos tanto de oxigênio, eu aposto que, ficaríamos horas ali.
Nossos lábios soltaram-se e imediatamente abri os olhos para vê-la, com seus olhos ainda fechados e um sorriso bobo nos seus lábios que estavam vermelhos devido aos últimos minutos.
— Bem-vinda à América, baby. — Disse sorrindo enquanto dava um passo para atrás, fazendo com que o espaço entre nós dois aumentasse e, num ato automático, pus as mãos nos bolsos frontais da minha calça skinny preta de sempre, aquela com um rasgo em um dos joelhos.
— Ah, obrigada, Lucas. — Me disse com um sorriso largo e completou: — Senti sua falta.
Ri durante um tempo. Com certeza ela não era a menina de, pelo menos, alguns meses atrás. é diferente das outras meninas. É uma frase clichê, mas era isso mesmo. O tipo de menina que nunca ligou para o que eu dizia, se eu parecia um idiota perto dela, uma das poucas meninas que, quando estava comigo, não insistia em alcançar minha altura.
Foi engraçado quando começamos a namorar. , segundo as meninas, dava bandeira que estava a fim de mim. Quando me contaram aquilo, eu naturalmente desacreditei porque eu até “percebi” que ela estava de olho em alguém, mas nunca tinha passado pela minha cabeça que o alguém era uma girafa loira e australiana que acha que pode cantar. E no final não é que era?
— Se continuar a rir, eu não digo mais nada hoje. — Mordi meu lábio inferior e a olhei surpreso. Ela mantinha uma expressão desafiadora, com seus olhos sendo apertados pelas pálpebras que se estreitaram e a boca tinha transformado o sorriso em uma linha reta. Respirei fundo e pude perceber que ela deu um passo à frente e mudou rapidamente a sua expressão de desafiadora para algo que eu não conseguia ler.
— Não precisa fazer essa cara, Luke. — Ela disse conforme retirava a minha mão direita do bolso. — Antes disso — aponta de mim a ela —, eu dizia a mesma coisa...
— E eu nunca fiquei tão feliz em ouvir isso. — Interrompi-a — A verdade é que eu senti sua falta, . Foram meses longe de você, baixinha.
Antes, apenas a deixava brincar com minha mão direita, mas tomei sua mão na minha entrelaçando nossos dedos e disse:
— Agora, eu e você, vamos dizer esse tipo de coisa e por mais esquisito que isso possa soar, vai ser diferente. , me sentia mal por perder a diversão na Austrália, e ouvir aquilo quando você ainda só era minha amiga, só significava isso. Hoje, agora, amanhã e depois não vai significar só isso, porque existe nós. Porque pensarei em todas as vezes que não te fiz rir, em todas as vezes que não nos divertimos, em todas as vezes que não pude te beijar. – Sorri de leve quando vi seus olhos verdes brilhando – Apenas aceite o fato: fico muito, muito feliz em te ter aqui, ok?
— Ok, Luke. — Me respondeu com um sorriso leve nos lábios e com os olhos levemente marejados.
Abri um sorriso grande e neste instante ela me abraçou. No início, foi um esmagador abraço de urso. Correspondi seu abraço da melhor maneira possível, a envolvi em meus braços. Pronto. Estou em casa. Beijei o topo de sua cabeça e senti o perfume dos seus cabelos que sempre cheiravam a chocolate. É, realmente em casa.
Poucos minutos depois, Ashton e os caras mandaram mensagens pedindo para voltarmos para o camarim. e eu fizemos o caminho da volta de mãos dadas e rindo das loucuras que a minha cunhadinha, a irmã mais nova dela, estava aprontando.
— Pronto, chegamos. — Disse assim que fechei a porta atrás de mim.
— Oi, gente. — cumprimentou os outros meninos.
— Fala aí, . — Calum diz sorridente.
— Hey, . — Ash gritou de algum dos banheiros.
— E aí, . — Diz Mikey que estava deitado no sofá com , sua namorada, fazendo o que chama de cafuné em seus cabelos.
Um tempo depois, quando um dos nossos assessores apareceu dizendo que faltavam trinta minutos para subirmos no palco. Ashton tinha acabado de gravar mais um Keek, sem as meninas, e todos nós mal tínhamos dado a nossa primeira risada em conjunto. Essa informação fez com que as meninas se entreolhassem de uma forma significativa, daquele jeito que mulher faz quando elas conversam sem usar a boca e mesmo assim se entendem. E, então, elas pegaram suas bolsas e começaram a se arrumar.
Enquanto elas faziam isso, eu e os caras fazíamos coisas diferentes. Calum andava de um lado para o outro repassando a setlist com uma cerveja aberta na mão. Não durou muito a cerveja na mão dele já que passou por ele arrancando a garrafa da mão dele. Ela nunca foi fã de bebidas alcoólicas e agora que estava com Cal, ela certamente não gostaria dele bebendo, ainda mais antes de subir no palco. Michael mandava, através do Twitter da banda e o dele, o tradicional ”ARE YOU READY FOR TONIGHT???”; Ashton estava na porta do camarim perguntando a Johnny se tudo estava realmente pronto; e eu estava parado, em pé apenas observando a movimentação deles.
Ashton volta sorrindo e passa o braço pelos meus ombros em um semi-abraço.
— Tudo certo para daqui a pouco, Lucas. — Diz sorrindo ainda.
— Maravilha, cara. — Respondi enquanto seguia a movimentação de com o olhar.
— Elas estão lindas, não? — Ele diz assim que percebe com o que estava distraído.
— Ah, claro. — Sorri de lado — Mas você sabe que eu só tenho olhos para...
— Para mim!!! — Disse me interrompendo. Ela sabe que eu não estava exatamente pensando nisso. Sim, eu sou muito bobão em relação a isso. Meus olhos estariam sempre assistindo, acompanhando, seguindo quando ela estivesse no mesmo cômodo que eu. É claro que isso não me torna cego, é bem óbvio que vi que estava linda com a sua roupa, eu percebo e apenas prefiro deixar isso de lado e curtir .
Nesse meio tempo, já tinha me abraçado de lado e sorria abertamente.
— Uhum, ele só tem olhos para você mesmo, . — Ash afirma isso para . — E já que ele tem olhos para você, eu volto os meus para . — Ele ri gostoso enquanto olha para que estava retocando um batom que eu tenho certeza que sairia mais tarde, ou daqui a pouco mesmo, da boca dela.
— Não liga para ele, Luke. — fala lançando seu olhar desafiador para Ash. — Ashton não sabe o que é bom. Eu deixo ele olhar a o quanto quiser... — com isso eu arregalei os olhos. era meio doida às vezes, ela fala sem pensar muito em praticamente todas as ocasiões possíveis.
, olha o que você está falando. Luke pode te trocar pela a qualquer momento. — Disse que parou ao seu lado, em uma aproximação que nenhum de nós três percebeu.
, eu sei, eu sei, mas vale a pena tentar. Luke sabe que depois da , eu estou na fila. — disse sem nem se abalar, com a maior naturalidade do mundo, como se eu, desde sempre, soubesse daquilo. E caraaa, eu acabei de descobrir aquilo.
Minha reação foi a mais surpresa possível. Minha cara deveria estar toda vermelha e meus olhos arregalados.
, para de dar em cima do meu namorado. — finalmente apareceu. Veio me libertar dela. sempre me salva.
Assim que ela disse essa frase, fez questão de desgrudar a prima de mim e logo foi tomando o lugar dela.
— Hey!! Pode relaxar, . Eu disse que estou na fila. Sei esperar pela minha vez. — disse rindo.
— Gente, nem acredito que vocês estão dando ouvidos para a . Olha a blusa dela. Realmente, ela deve estar super de olho no Luke. — sacudia a cabeça negativamente enquanto todos nós reparávamos na blusa da . A tal blusa dizia “I prefer the drummer”. É, realmente ela estava só de zoação, como , e diriam.
Mesmo de longe, Michael e Calum acompanharam tudo e logo começaram a rir e não demorou muito para que todos estivessem rindo também. Até mesmo estava rindo, uma risada que era claramente de desconfortável, já que ela aparentemente estava meio envergonhada. Se ela fosse branca como , eu me arriscaria em dizer que ela com certeza estava corada, mas ela é negra, então não dava.
No meio de tanta risada alguém da produção se aproxima:
— Oi pessoal. Detesto atrapalhar, mas faltam quinze minutos. Melhor vocês já irem se direcionando para o backstage. Ah, e as meninas precisam me dizer onde vão ficar, porque essas credenciais e pulseiras podem não ser o suficiente.
— Backstage ou na primeira fileira seriam ótimos lugares. — logo responde sorrindo e as demais meninas prontamente concordam com as palavras dela.
— Então, essas credenciais e pulseiras servem, mas não acho que possamos pôr vocês na primeira fileira junto com as fãs. — Ele disse preocupado com a reação delas. — O que eu posso fazer é deixar vocês ficarem na frente da grade, sabe? Naquele vão entre o palco o público. É o máximo que posso fazer por vocês sobre a primeira fila.
— AIMEUDEUS!!! Muito muito muito obrigadaaaa!!! — toda empolgada disse enquanto abraçava o rapaz.
— Jesus!! Desculpe-a. Ela sempre quis assistir um show desse vão. — puxava a menina de cima dele enquanto se desculpava por ela.
— Muito mesmo!!! Perdão!!! Foi só a empolgação. — retomava a compostura, sem se desfazer do sorriso gigantesco que tinha nos lábios, durante a sua fala.
— Ah... tudo bem, eu acho. Enfim, me sigam.
Dito isto, todos nós pegamos nossas coisas e fomos para a área do backstage. O pessoal da produção começou nos arrumar para o show. Colocaram os retornos na gente e passaram nossos instrumentos. Ashton era o único que tem um certo tipo de privilégio, afinal carregava a baqueta nos bolsos e não tinha muita enrolação.
As meninas ficaram até o máximo de tempo possível. Dei mais uns beijos na antes dela ter que ir com as outras meninas. Ashton até brincou com em relação a isso. Ele foi andando na direção dela com a boca imitando um bico e fazendo barulhos de beijos. A reação da menina foi correr dele e sair puxando todas as outras com ela. Sorte dos caras que já tinham beijado suas meninas, quer dizer, tirando o Ashton que não tem ninguém.

O show tinha acabando de terminar. Durante, pude ver as meninas se divertindo na frente do palco. Elas dançaram, cantaram, pularam como todos os fãs que estavam lá.
Os meninos e eu precisávamos de um banho urgente. Totalmente suados de toda a movimentação do show. Foi incrível. Dei 1000% de mim naquele palco, estava realmente feliz e empolgado. Fiquei nervoso no início, como sempre, mas no final da primeira música estava em casa assim como me sentia com . Bom, é definitivamente uma casa mais barulhenta do que quando estou com , mas ainda é casa.

Assim que chegamos no hotel, fomos nos tornar mais apresentáveis. Esse era o primeiro show da turnê e estávamos bem contentes com ele. Depois que todo mundo já tinha tomado banho e estava cheirosinho, nos reunimos e pedimos um monte de pizza e mais comidas e bebidas para fazer nossa própria comemoração. As meninas estavam lá, claro. Elas também se arrumaram de novo. Uma nova produção para nossa pequena reunião. Não que eu achasse realmente necessário, mas com elas e o lance do 4G é bem difícil não ver elas produzidas e tirando fotos e postando tudo.
A comemoração foi ganhando vida. Alguém arrumou uma caixa para amplificar música e essa mesma pessoa atacou de DJ. Assim que a música começou a tocar as meninas correram para o meio do cômodo que estávamos e improvisaram uma pista de dança. claramente deixava a música guiar seus movimentos, fazia passinhos que ela viu em filmes ou vídeos de música por aí, e dançavam juntas enquanto riam das duas primas.
Os meninos e eu comíamos enquanto víamos elas se divertirem. Em algum ponto mais gente da produção foi aparecendo para a festinha e logo não tinha só elas na “pista de dança”. Todos estavam se divertindo. Quando vi que Ashton, com o seu copo vermelho, estava caminhando na direção do pessoal dançando, eu simplesmente levantei e fui atrás da mesma diversão que ele.
Depois de horas festejando com todo mundo da turnê, só sobrou as meninas e a gente da banda. Todos nós jogados no sofá com as mãos na barriga de tanto rir. Do nada quebra qualquer possibilidade de um silêncio se formar, dizendo:
— Okay. Agora eu quero muito dizer que adorei a escolha de 18 como música de abertura do show. Gosto muito do que essa música passa, sabe?
— Acho que sei o que você quer dizer. — Calum disse sorrindo.
— Legal, mas agora quero perguntar uma coisa. — saiu falando como o que Cal disse não fosse grande coisa. — Qual a real história por trás dessa letra? Quer dizer, eu sei que tem a vontade de ter logo 18, mas não é sobre isso que ela fala exatamente.
Assisti ela perguntar, curiosa. estava sentada do meu lado com a mão esquerda apoiada na minha perna direita.
— É sério mesmo? Você quer saber? — Ashton pergunta levemente estreitando os olhos como se quisesse ler as expressões/emoções de .
— Quero saber mesmo, Ashton. Estou curiosa, poxa! — Ela diz meia frustrada com a reação de Ash.
— Bom, eu posso dizer. — rapidamente gira a cabeça para mim. Com toda a certeza ela tomou um susto com o que disse.
— Pode mesmo? — pergunta toda esperançosa, com aquela cara de criança pidona que ela faz sem perceber.
— Posso, mas Michael vai ter que ajudar. Não escrevi aquela música sozinho. — Eu disse, rindo da cara esquisita que todas elas fizeram.
— Okay, o Michael ajuda. — Rimos da cara que ele fez assim que escutou essas palavras saindo da boca da querida dele.
— Pelo jeito ajudo sim. — Ele comenta em voz baixa fazendo todos soltarem uma breve risada.
— Então tudo começou quando... — comecei a contar.

FLASHBACK ON

(N/A: pode começar a ouvir Eighteen agora, mas sugiro pôr em looping caso queira ouvir por toda essa parte.)


Luke’s POV
Dentro de toda a escola era unânime entre todos os rapazes, não importava a faixa etária, o conceito de garota perfeita. E essa menina, felizmente, existia pelos corredores de Norwest Christian College e atendia pelo nome de Sarah Maine. Sarah tinha o porte perfeito de modelo internacional, a estatura correta, a magreza exigida, o sorriso, os cabelos loiros e, principalmente, o andar. Todos os pares de olhos masculinos seguiam o caminhar de suas pernas quando ela estava desfilando pelos cômodos da instituição.
Surpreendentemente nenhuma menina desgostava dela, porque sua simpatia e sorriso mais que brancos impressionavam a todas. Ela era a menina popular dos sonhos mais utópicos possíveis. E por isso, não tinha nenhuma pessoa dos arredores, dentro e fora, da escola que não conhecesse a perfeição em carne e osso. O que poderia ser considerado como uma ameaça a sua perfeição era a sua tatuagem tribal bem localizada em seu cóccix. É claro que isso não era nada quando ela conseguia equilibrar o seu emprego de meio período em uma loja da cidade com as suas notas altas e o trabalho voluntário que realizava.
Obviamente, eu tinha uma paixão por essa menina. Adoraria ter alguns segundos de sua atenção, mas, obviamente, ela era tão perfeita que estava com uma rotina bem atarefada. Infelizmente, para mim e os outros rapazes, ela estava prestes a sair da escola. O terceiro ano chega para todos.

Em um dia qualquer, entre uma aula e outra, eu achei que estivesse vendo coisas. Já que nunca tinha visto o que estava diante de seus olhos: e Sarah conversando. Mais que conversando, rindo como se fossem amigas de infância. Era uma cena quase que extraída dos meus sonhos, minha melhor amiga e a garota dos meus sonhos juntas e se dando bem, era melhor do que eu esperava.
Eu parei onde estava e só as observei. estava usando o uniforme de sempre e Sarah não estava tão diferente dela, apenas tinha os cabelos soltos e uma jaqueta que nunca a vi usando, pois tinha símbolos de bandas que adoro, mas que nunca imaginei que Sarah curtisse. Passei o que pareceu uma eternidade as espiando, foram só uns minutos, até que decidi me aproximar delas, afinal ‘queria’ falar com minha melhor amiga.
Tomei coragem e fui andando em direção as duas, até que discretamente percebeu que eu estava indo em sua direção. Ela que não é boba nem nada, já sabia o que eu iria querer falar qualquer coisa com Sarah. E ela, sinceramente, estava disposta a me ajudar com Sarah, mesmo sabendo que minhas chances eram perto ou menores que zero.
Eu sempre soube que fazia parte do clube de francês e frequentava as aulas da língua que a escola ministrava junto com . Só nunca pude imaginar que teria algum tipo de ligação com a menina dos meus sonhos.
Assim que cheguei perto delas, sorriu e me cumprimentou:
— Oi, Luke.
— O-oi . — Respondi gaguejando de leve pelo nervosismo de estar muito perto de Sarah, que mantinha os olhos curiosos indo de para mim na busca de entender o que estava acontecendo.
— Olha que bobagem a minha! — disse rindo — Sarah, este é Luke, meu melhor amigo. Luke, esta é Sarah, excelente dupla de trabalho na aula de francês.
— Tudo o que disse é mentira. Ela é bem melhor que eu. Prazer, Luke. — Disse Sarah exibindo toda a sua simpatia através do sorriso perfeito que tinha.
— Ah, com certeza. Ela tem um potencial incrível. — Eu disse para segundos depois me tocar que tinha feito Sarah parecer burra — Eu quis dizer que vocês têm um potencial incrível. Não a .
— Eu entendi, Luke. — retrucou. — Ele não é um amor?
— Sim, é fofo. — Sarah disse olhando rapidamente para mim — Olha, eu tenho que ir. A gente vai se falando sobre a apresentação? — Ela pergunta para
— Com certeza, tenho o seu número, qualquer coisa te ligo. — disse sorridente.
— Ótimo. — Sarah sorri e abraça de lado a outra menina. — Foi um prazer, Luke. — Dito isso ela saiu andando em direção a outro ponto da escola.
A partir desse primeiro contato, sempre que eu podia dava um jeito de cumprimentar Sarah. De tanto criar artifícios para encontrar com ela, eu consegui passar a falar mais com ela. Quanto mais nós nos falávamos, mais coisas em comum eu percebia que a gente tinha.
Na tentativa de ver a menina pela escola e poder puxar assuntos com ela, eu cheguei ao ponto de pedir a para combinar estudos de matemática tendo Sarah como tutora. sabe que nunca precisei de muita ajuda com a matéria, mas mesmo assim manteria o segredo para ajudar o seu melhor amigo a tentar conquistar a menina.
Depois de várias aulas de monitoria, passou a inventar desculpas para não aparecer nas aulas. queria dar chances de Sarah e eu ficarmos sozinhos. Conforme ganhávamos mais tempo a sós, mais próximo de Sarah eu me sentia. Já não precisava de para ficar perto da menina dos meus sonhos.
Algumas semanas se passaram e eu estava com conversando sobre isso. Tentava encontrar alguma ajuda com minha amiga para conquistar Sarah.
— Luke, eu sei as mesmas coisas que você sabe sobre Sarah. — Disse arrancando uma grama do jardim da minha casa.
— Essa parte eu já entendi, . — Respondi. — Pode, por favor, parar de arrancar as gramas do jardim da minha mãe?
— Mas eu só tirei uma. — Responde ela.
— Um milhão. Daqui a pouco tem um buraco onde você está tirando. — Devolvi meio irritado porque com certeza levaria uma bronca pelo estrago.
— Okay, só paro porque me importo com sua mãe. — Disse ela passando as mãos nos shorts jeans para limpar uma possível sujeira.
— Nossa, quanta consideração. — Disse, fingindo estar ofendido.
— Você sabe que gosto de você, mas sua mãe ganha em afetividade. — A menina me devolve com um sorriso maroto nos lábios.
— Voltando para o assunto Sarah. — Retomei enquanto passava a língua pelos lábios — Quero me abrir com ela. O que acha? — Disse olhando agora para
— Eu acho que você deve ir com calma. Mas te conhecendo como eu te conheço, sei que você vai acabar falando sem querer, então é melhor se preparar e conversar com ela. — disse olhando firme para mim.
— Você tem razão. Eu não quero estragar tudo quando disser isso. — Concordei afirmando com a cabeça. — Quero que tudo dê certo com Sarah.
— Okay. Eu já percebi que você está muito na dela, por isso quero que me escute agora. — disse chamando a minha atenção. — Luke, eu te adoro e você sabe disso, não? Eu absolutamente não quero que as coisas deem errado para você, mas esse é um tipo de equação com um número muito grande de variáveis. Está me entendendo? — Pergunta-me ela.
— E o que você quer dizer com tudo isso? — Perguntei remotamente confuso.
— Quero dizer que tem chances de dar errado, isto é, ela pode te rejeitar. — Ela me responde cautelosa. — Já pensou nessa possibilidade?
— Sinceramente? Não mesmo. — Disse — eu acho que nunca pensei nisso, e mesmo sabendo que ela é areia demais para o meu caminhão, eu não acho que ela vá me rejeitar.
— Tudo bem, Hemmo. Se pensa assim, é com você. Consulte seus irmãos porque eles sabem dessas coisas de relacionamento melhor que eu. Mas saiba que se tudo der errado ainda estou aqui para te ajudar. — disse e me envolve em um semi-abraço.
— Obrigado, . — Eu disse aceitando suas palavras.

Eu passei o final de semana inteiro reunindo coragem para revelar meus sentimentos para Sarah Maine. A primeira coisa que fiz assim que cheguei na escola e avistei Sarah foi confirmar minha aula de monitoria com ela mais tarde, a qual Sarah disse estar ansiosa. Interpretei aquilo como mais um sinal de que nada daria errado com minha confissão.
Assim que nós estávamos na biblioteca para a aula, não permiti que Sarah dissesse muito. Eu revelei meus sentimentos para a menina, disse tudo o que queria, inclusive lhe contei que nunca precisei de ajuda em matemática.
— Nossa, Luke!! — Sarah disse totalmente surpresa — Não sei bem como me sentir. Estou chocada.
— Isso é bom, não é? — Disse eu ainda com o sorriso no rosto.
— Não sei, mas acho que deveria ficar chateada porque você mentiu quando inventou as aulas. — A menina disse enquanto gesticulava com as mãos.
— Me desculpe mais uma vez. — Respondi sério, mas ainda esperançoso.
— Sim, eu te desculpo. No final até que foi fofinho porque era só para chamar minha atenção. — Sarah mordeu seu lábio superior. — Pensando bem, não fiquei chateada com isso, apenas estou surpresa com a situação.
— Mas é uma surpresa boa, não? — Disse com os olhos brilhando de incerteza. Do nada pareceria que não era uma boa ideia ter me declarado.
— Luke, olha, eu gostaria muito que fosse diferente. — Sarah disse depois de ver como eu estava esperançoso com o que ela dizia. — Gostaria de te dar uma resposta positiva, mas... não posso. — A menina disse olhando bem no fundo dos olhos dele.
— Não precisa dizer nada. — Respondi.
— Espera, você tem que saber. — Sarah disse pegando no meu braço para impedir-me de ir embora.
— Do quê? — Disse visivelmente chateado com a situação até porque eu tomei um toco.
— Luke, eu adoraria ficar com você. Você é um fofo, superesperto e todos te adoram. O problema sou eu e não você. Parece clichê, mas é isso mesmo. Olha, eu já estou no último ano e no ano que vem começo minha viagem de intercâmbio para África como voluntária para construir casas. Depois, eu vou para faculdade e não quero te prender em um relacionamento que não vou estar presente. Tem o meu emprego na melhor loja de departamentos na cidade que me tira muito tempo, incluindo nos finais de semana. Para completar, você é novo, nem tem 18 anos para a gente viver algo mesmo que seja por pouco tempo e...
— Tudo bem. Entendi. Obrigado pelo seu tempo. Desculpe se não tenho 18 anos. Boa sorte! — Disse eu a interrompendo no meio da frase e em seguida me levantando e deixando a biblioteca.
Fui direto para casa sem nem olhar para as pessoas ao meu redor. Aquele fora da Sarah era muito o que tentou me avisar.
Assim que cheguei em casa fui direto para cozinha tentar encontrar algo para me acalmar mas dei de cara com a minha mãe.
— Chegou cedo em casa, Luke. — Ela disse.
— Uhum — eu respondo.
— Aconteceu alguma coisa? — Ela perguntou depois de ter percebido que eu não estava bem.
— Não... eu só queria ter logo 18 anos. Seria mais simples. — Disse de forma natural, como se fosse tudo o que precisava para resolver os meus problemas e naquele momento aquilo era realmente a solução.
— Ah, é? — Ela disse se virando da pia e secando as mãos e me encarando. — No que te ajudaria ter 18 anos?
— Você não iria entender, mãe. — Respondi enquanto balançava a cabeça negativamente.
— Não vou? — Ela retruca.
— É isso mesmo, mãe, não vai. — Disse irritado.
— Como não? Você pensa que eu não sei que você quer ter dezoito anos só para se livrar dos seus problemas. Só que eu vou te contar uma coisa, quando se faz dezoito anos os problemas não somem e você também não ganha a vida que tanto vê nas revistas. Muito pelo contrário, tudo se torna mais difícil, você assume mais responsabilidades e é aí que você entende que a vida realmente não é fácil. — Ela me conta do alto de toda a sua sabedoria, mas naquele momento tudo o que ela me disse não entraria na minha cabeça.
— Ok, mãe. Eu vou subir. — Eu lhe disse, cansado de tudo.
— Você só sai daqui se você me disser que vai tirar isso da sua cabeça. — Ela me diz em um tom bem autoritário.
— Já tirei, mãe. — Eu lhe digo com a voz derrotada.
— Então vai lá. — Ela disse enquanto virava para a pia para continuar o que quer que estivesse fazendo antes.
Eu posso ter dito isso para minha mãe, mas nada tirava de mim essa ideia sobre como ter dezoito anos era/deveria ser. A única coisa que eu poderia fazer para ajudar a me livrar desse sentimento era escrever, por isso peguei meu caderno que eu escondia a mais de sete chaves em um canto do meu quarto e deixei que minhas emoções começassem a escorrer de minha mente até as linhas do papel.

I wish that I was eighteen
(Eu gostaria de ter dezoito anos)
Do all the things
(Fazer todas as coisas)
You read in a magazine
(Que você lê em uma revista)
I’m not saying I wanna be Charlie Sheen
(Eu não estou dizendo que quero ser como Charlie Sheen)

She’s just a little bit older
(Ela é só um pouco mais velha)
But I want to get to know her
(Mas eu quero conhece-la)
She said it’s already over
(Ela disse que já está tudo acabado)

She’s got a naughty tattoo
(Ela tem uma tatuagem safada)
In a place that I want to get to
(Em um lugar que eu quero ter)
But mom still drives me to school
(Mas minha mãe ainda me leva para escola)

I think she wants to get with me
(Eu acho que ela quer ficar comigo)
But she’s got a job in the city
(Mas tem um emprego na cidade)
Says that she’s always too busy
(Diz que está sempre muito ocupada)

In my bedroom thinking of ya
(No meu quarto pensando em você)
Her pictures in my private folder
(Suas fotos na minha pasta particular)
I know one day that I will hold her
(Eu sei que um dia eu irei segurá-la)
I’ll make my move when I get older
(Eu farei meu movimento quando estiver mais velho)

♠ ♣ ♥ ♦


Michael’s POV
Sarah Maine não era somente o sonho de menina de um certo alguém, eu também nutria sentimentos por ela. Minha oportunidade de entrar em contato com ela foi quando ela falava com uma de minhas amigas, a . Por acaso, eu as vi conversando em frente ao armário de uma delas. Naquela ocasião, eu só observei as duas, mas ao notar que frequentemente via elas conversando pelos corredores, decidi que daria um jeito de conversar com Sarah e essa decisão me levava ao difícil dialogo que estava tendo.
— Mike, você está no meu pé desde semana passada e tudo o que você fala é: Sarah isso, Sarah aquilo, Sarah, Sarah, Sarah... — disse , que tinha o corpo escorado no portão da escola durante o horário da saída.
— Eu quero saber dela. Você... hm... Não notou que... er... er... eu estou a fim dela? — Finalizei gaguejando um pouco.
— Sério? Acho que eu nem tinha notado nada desde semana passada. — Ela respondeu com a voz carregada de ironia.
— E você está me torturando desde semana passada com as suas desculpas. — Lhe devolvi com voz indignada.
— Prefiro falar de bandas ou até mesmo matéria de escola, nesse caso. Menos sobre Sarah. — falou sem nem me olhar.
— Você não gosta dela? Como assim? — Lhe devolvo um tanto alterado.
— Não é isso. É que ela é uma menina normal, não é diferente de nenhuma das outras e é irracional a forma como todos os caras dessa escola têm uma paixão por ela. — Ela me disse como se fosse óbvio o que ela pensa.
— Okay, você nunca vê muita graça em nada ou alguém e mesmo que você não veja ela é diferente. — Eu disse de forma meio defensiva.
— Está bem, Mike. Não me interessa o que quer com ela. Só para de me encher o saco com isso! — Disse levemente irritada.
— Se você me ajudar com essa história, eu não vou te encher o saco mais porque vou estar muito ocupado beijando a Sarah. — Falei sorridente como se estivesse óbvio.
— Ok. Você tem um ponto bom, mas mesmo assim eu não quero me envolver em drama desnecessário. — ainda mantinha a sua postura blasé quando me respondeu.
— Vocês garotas não vivem repletas de dramas desse estilo? — Pergunto com cara de quem não está entendendo nada.
— Exatamente. Não preciso de mais drama desse tipo. — disse como se estivesse na cara.
— Então ajude um amigo, por favor. — Fiz minha melhor cara de pidão quando disse.
— Vou fazer um favor a mim mesma. Eu não acho que vá dar certo, mas pelo benefício da dúvida, eu te ajudo. — Disse a menina com um tom mais superior.
— Ok, e o que eu faço? Tenho que saber de algo? — Eu disse todo esperançoso com a resposta positiva.
— Tudo o que tem que saber é que ela curte as mesmas bandas que a gente e que amanhã eu vou entrevistá-la para o jornal da escola. Apareça na biblioteca depois das quatorze horas. — A menina avistou o taxi que pegaria para ir para casa — Tenho que ir.
— Muito muito obrigado! Tchau! — Disse eu enquanto observava entrar no carro e ir embora.

No dia seguinte, eu estava na biblioteca bem antes do horário que havia me dito, mas coloquei na cabeça que era um bom motivo para estar muito adiantado para algo na escola.
Quando chegou e me pegou em uma das várias mesas de estudo, ficou surpresa com a real paixonite minha por Sarah. Por isso, ela decidiu que me ajudaria mais ainda.
esperou que Sarah chegasse e então começou a entrevistá-la para a matéria que ela escreveria para a próxima edição do jornal estudantil. descobriu muito mais sobre Sarah e saiu mais ainda com a impressão de que Sarah Maine era uma garota como outra qualquer.
Ao fim da entrevista, do meu ponto de vista era possível ver duas meninas conversando com sorrisos em seus rostos. Calculei que aquela era a minha chance de invadir aquele momento. Eu já tinha pensado na desculpa perfeita para chegar nas meninas. E foi com um leve nervosismo que caminhei até a mesa em que elas se encontravam.
, oi, adorei a sua análise sobre aquele álbum do Blink-182. — Cheguei empolgado falando sobre um post que li no blog dela.
nem precisou fingir surpresa porque ela realmente se sentia assim. A menina, naquele momento, viu que eu, seu amigo, não estava brincando mesmo.
— Obrigada, Mike! — respondeu sorrindo.
Quando a pensou em introduzir Sarah a mim, fui mais rápido.
— Desculpe interromper vocês. — Eu disse olhando para a mesa e vendo as anotações da entrevista no caderno da . — Eu realmente só queria dizer isso. — Então me viro para Sarah e lhe digo: — A propósito, eu sou Michael.
— Prazer, Sarah! E não atrapalhou em nada, a gente já tinha terminado. — Disse Maine sempre sendo simpática. — O blog da é muito bom mesmo.
— Obrigada, gente! Desse jeito fico convencida rápido! — Disse a elogiada rapidamente.
— Que nada, você faz um trabalho ótimo, tanto no jornal da escola quanto no seu blog. — Sarah completa.
— Com certeza! — Sorrindo confirmei.
— Okay, gente! Só porque vocês estão sendo muito gentis, eu darei um spoiler sobre meu novo post lá no blog. — Disse tentando ser misteriosa enquanto mantinha um sorriso nos lábios.
— Ah, não! Eu não quero spoiler, ! — Sarah disse apressadamente.
— Okay, eu não direi mais nada já que não quer saber! — disse ainda com o mesmo sorriso — Depois quero que me contem o que vão achar. — Completa a menina.
— Prometemos um feedback assim que lermos seu novo post, não é Sarah? — Disse para começar a puxar assunto diretamente com quem me interessava.
— Sim, vai ter feedback assim que postar. — Maine disse com um sorriso no rosto.
— Okay pessoal, muito obrigada por toda essa atenção. — falou enquanto juntava o pouco de objetos que ela usou para a entrevista com Sarah. — Eu tenho que ir, mas se tem uma amizade que eu sei que vai dar certo é a de vocês dois. Então continuem aqui conversando sobre todas as bandas possíveis.
— Sério mesmo? Obrigada pela deixa , mas Sarah deve ter muitas coisas para fazer agora, sabe como é, né? Essa vida de veterano que um dia nós teremos. — Disse eu com um tom risonho.
— Não hoje. Eu fiz questão de me livrar de todos os compromissos de hoje à tarde para essa entrevista. — Ela nos diz como se não fosse nada. Essa informação me surpreendeu.
— Viu, Mike, como é para esse momento acontecer! — Disse olhando diretamente nos meus olhos.
— Deve ser então. — Eu lhe disse como se não fosse nada de incrível quando, na verdade, eu estava super animado.
— Ok. Vou deixá-los nas suas agradáveis companhias. — disse para nós dois e em seguida fala diretamente com cada um de nós. — Sarah Maine, foi prazer fazer essa entrevista, te mando uma previa assim que o jornal aprovar a matéria. Já você, Michael, juízo e não vá estragar sua nova amizade com suas opiniões superfortes sobre cada álbum do Green Day. Adeus, gente.
Dito isto pegou sua mochila feita de jeans e saiu dali, deixando nós dois a sós e com um prato bem cheio de assuntos que fluíram e foram suficientes para criar algo que eu chamaria de amizade, mas para Sarah eu deveria ser apenas mais um colega na sua lista de muitos.
Passados alguns dias, em um dos ensaios da banda durante intervalo, eu chamei para a atualizar sobre minha tentativa de romance com Sarah.
, estamos sendo amigos musicais. — Lhe disse com um misto de emoções que flertavam tanto com alegria e tristeza.
— Só? — Depois dessa resposta monossilábica de , realmente mudei minhas emoções para o lado triste da força.
— Como assim “só”? Não serve? — Rebati.
— Serve se você quer ser amigo dela como eu sou sua amiga, mas se você quer ser amigo dela e ter ainda o privilégio de ser chamado de namorado nem que seja por uma semana, é bom você trabalhar para melhorar o seu status. — me disse sendo bem direta.
— Tá, mas o que eu faço? — Ele disse, perdido.
— Primeiro, não fique triste com o seu atual status. E segundo, chame-a para sair. Ou melhor ainda, deixe que ela te convide para algo. — me disse de uma forma que se você a conhecesse, tão bem quanto eu, veria as engrenagens de sua cabecinha girando na busca de um plano perfeito para me ajudar.
— Como faço isso? — Falei ainda perdido.
— Faz assim: você vê a Sarah no corredor da escola, você fala com a Sarah e diz “quer sair comigo um dia desses?”, espera resposta dela e depois vem falar comigo. — disse-me como se fosse a coisa mais simples e descomplicada para se fazer.
— Entendi. Mas para onde eu a convido? — Eu disse.
— Qualquer lugar onde vocês possam falar sobre música e outras coisas. Um show seria perfeito, na verdade. — disse com um sorrisinho malicioso nos lábios.
— Seria uma ótima ideia se não tivesse um número de zero shows acontecendo ou para acontecer nesse momento. — Eu disse agitado.
— Eu entendo, mas essa parte você deixa comigo. — Ao ver os outros meninos voltando aos seus instrumentos disse para mim: — Volta para a guitarra, Clifford. Deixa que eu procuro pelos shows.
Dito isso, sentou-se em um canto do cômodo que os meninos estavam ensaiando e desembestou-se a procurar por shows de qualquer banda pelas proximidades.
No fim do ensaio ainda teve que aguentar Ashton implicando mais do que o normal com ela, só por ter ficado um tempão junto comigo procurando shows para eu levar Sarah. Como Ashton não fazia ideia de que estava me ajudando, a implicância durou muito, mas não era nada que a própria já não estivesse acostumada.
Durante a semana, de volta à escola, assim que tive uma oportunidade me aproximei de Sarah durante o horário de saída, como eu sempre fazia para puxar assunto com ela. Dessa vez comentei com ela sobre o show da banda que descobri.
— Então, você quer ir? — Eu disse contendo ao máximo todo o nervosismo na espera pela resposta e reação dela.
— Nesse final de semana estou de folga do trabalho... então vou sim, vai ser ótimo. A gente se encontra na porta do show. — Disse Sarah sorrindo, pois havia gostado da minha ideia.
— Sim... ok. — Eu disse tentando esconder o super sorriso que tinha no rosto.

Naquele fim de tarde eu estava mais que feliz com a minha pequena vitória. Tão feliz que fui logo tratando de avisar sobre isso. Ela ficou tão feliz por mim que fez questão em me ajudar com a compra dos ingressos e a pesquisar melhor todos os dados necessários para o dia do show.
— Como sou muito amiga sua, Michael, eu já te ajudei com uma grana extra para comprar os ingressos. Tudo bem que estou com menos dois meses de mesada dentro do cofre, mas é por uma boa causa. — disse com um sorriso levemente empolgado — Mas... pelo o que eu estava lendo aqui no site onde a gente comprou as entradas, só maiores de dezoito anos entram no local do show.
— Maravilha! — Disse Mike em tom totalmente irônico — Como vou fazer?
— Sarah tem dezoito anos, então só devemos nos preocupar com você. — Ela me avisa com a voz supertranquila.
— Muito obrigada por lembrar, . — Retruco com o tom irônico mais forte.
— De nada! — Disse a menina enquanto dava uma piscadela com o olho direito e tinha um sorriso bobo no rosto — Agora, o que quer que eu faça? Não vou te dar a ideia de arrumar uma identidade falsa. — Ela completa como se fosse a coisa mais sensata a não se fazer, porém ela mesma não percebeu que tinha acabado de dar a ideia que eu precisava.
Assim que ouvi o que disse, saí de onde estava para dar um beijo bem estalado na bochecha dela, dizendo:
— Ótima ideia, . Vou falar com um daqueles carinhas esquisitos de lá da escola. Algum deles deve saber onde arrumo uma identidade falsa.
levantou-se da bean bag que ela estava e começou a juntar tudo dela que estava espalhado pelo meu quarto, enquanto dizia: — Okay... hora d’eu ir. Sinto muito, mas eu não vou te ajudar com essa parte. Boa sorte. — Com isso ela deu umas passadas até a mim e beijou minha bochecha da mesma forma que eu fiz anteriormente com ela, em seguida pôs a bolsa no ombro e com um aceno de dedos passou para o lado de fora do quarto.
Nem fiquei chateado com ela por ter saído assim porque entendo o lado da minha amiga, que mesmo sendo cidadã legal no meu país, ainda não quer ter nenhum problema com autoridades. Eu também esperava não ter nenhum problema com as autoridades quando peguei o telefone e disquei para falar com um dos carinhas esquisitos.
— Oi. Aqui é o Clifford.
— Nossa... sabia que você acabaria nos procurando. A que devo essa ligação?
— Preciso de uma identidade que diga que eu tenho 18 anos.
— É um pedido comum, mas sempre sai caro.
— Não tem problema, só me diz onde pego.
E com isso a transação foi feita. Provavelmente gastei as últimas economias que tinha para conseguir essa identidade falsa, mas eu havia me convencido que nada de ruim iria acontecer e que pela Sarah era um risco que correria sem pensar duas vezes.

No dia do show tinha certeza que tudo estava mais do que pronto e que nada, absolutamente nada, iria mal. Eu só não contava com o fato de que já não tinha mais nenhuma grana para pagar nenhum meio de transporte para ir ao local do show, ou seja, não tinha grana nem para a passagem de ônibus. Totalmente desesperado com o meu novo problema, eu liguei para a minha querida amiga .
— Oi, Clifford. — Ela me atende com a voz monótona.
— Por tudo que é mais sagrado, me ajude. — Disse sem nem tentar esconder todo o meu desespero.
— Oi, o que houve? — Ela me responde com a voz preocupada.
— Eu estou zerado de grana, não tenho nem como pegar um ônibus para chegar no centro da cidade, quiçá um ônibus para chegar no show. — Lhe disse ainda desesperado.
— Mike, cara... nossaaa!!! Nem sei como te ajudar mais. Eu te dei parte da minha grana para os ingressos. Onde você enfiou o resto do seu dinheiro? — Ela pergunta com uma voz que parecia não querer muito me ajudar.
— Eu arrumei uma identidade para essa noite, mas custou caro. — Lhe revelei com uma certa apreensão.
— Tão caro que você nem vai mais ao show? — Ela diz surpresa.
— Quase isso. Olha, , eu sei que você foi totalmente contra isso, mas só me ajuda. Eu juro que te devo uma por essa.
— Uma muito grande. Tão grande que é melhor sua banda ficar famosa e eu ganhar uma música. — Ela me responde com a voz firme.
— Qualquer coisa. Tudo o que você quiser. — Eu afirmo louco para resolver tudo.
— Ok. Eu vou implorar por uma carona até o centro para “ir ao cinema” com você. — Ela disse cautelosamente. Eu podia sentir que ela estava improvisando um plano. Tal plano que eu esperava que desse certo.
— Muito, muito, muito mais muito obrigado mesmo. — Eu disse num surto de felicidade por finalmente ver uma luz no final do túnel.
— Eu sei. Me agradeça com a minha música e todos os seus fãs cantando ela. — Ela fala novamente com a sua voz num tom autoritário.
— Ok. — Eu disse só para terminar logo com tudo porque eu realmente queria chegar no show.

Após desligarmos, ela chegou dentro de poucos minutos no carro com sua mãe e padrasto. Eles foram até em frente ao cinema que era bem próximo ao pub que a tal banda se apresentaria. Ali, eu e ela, nos despedimos dos familiares de e esperamos até que o carro estivesse longe para falar algo.
— Você vai para o show e eu vou assistir um filme. A gente se encontra aqui assim que o seu “filme” acabar. Boa sorte. — finaliza a sua fala com um desejo que eu sabia que era sincero.
— Nem sei como te agradecer por tudo isso. Valeu mesmo. — Lhe respondi mais sincero ainda.
— Okay. De nada. Amigos servem para essas coisas e bla bla bla. Além do mais, eu só te ajudei para ter coisas legais para contar aos meus filhos e netos. — Ela olha do outro lado da rua a chegada de Sarah mais um grupo de amigos. — Se eu fosse você iria até lá. Sarah já chegou.
— Obrigado. De verdade. — Disse eu abraçando a menina. — Bom filme — completei sorridente.
A cada passo que eu dava na direção da Sarah, mais nervoso me sentia. Eu também trazia uma certa onda de alivio, mas também como não sentir isso depois de tudo que passei para chegar nesse momento? Assim que pus os olhos em Sarah Maine, tive certeza que ela estava muito mais bonita do que eu poderia imaginar. Enchi o peito de ar e reuni o resto de minha coragem para cumprimentar a menina e aos seus amigos.
— Oi, Sarah. Você está linda. — Disse levemente esboçando um sorriso.
— Oi, Mike. Muito obrigada. Ótimo te ver. — a menina disse enquanto dava-me um abraço lateral de leve. — Ah, esses são uns amigos. Katie, Josh, Tim e Helena. Esse é o Mike. — A menina fez questão de me apresentar a todos os amigos que ela levou ao show. E aos poucos, eu comecei a ter problemas com o meu encontro. Mas mesmo tendo um monte de gente, eu ainda preferi manter as esperanças de que em algum momento eu teria um tempo a sós com Sarah e que tudo valeria a pena no fim da noite quando finalmente estivesse beijando a garota.
— Oi, gente. — Disse eu procurando manter o mesmo ar feliz de antes.
— Espero que não se importe com eles. Assim que contei dessa apresentação ao Josh, ele ficou super entusiasmado de saber que a gente também vai e falou com a galera. Nem sabia que ele curtia essa banda até pouco tempo. Quem te mostrou sobre eles, Mike? — Sarah disse simpaticamente.
— Foi a . Ela que disse sobre a banda e o show. Ela queria vir, mas tinha um filme que queria muito ver e só poderia ser hoje, então... Cá estou eu. — Disse da melhor maneira possível.
— Quem é ? Sua namoradinha? — Josh perguntou enquanto me analisava.
— Josh, pegue leve. , mais conhecida como , a menina do blog de música que eu te falei. — Se intrometeu Sarah assim que viu o que o seu amigo tentava fazer comigo.
— Mas ele não disse se ela é a namoradinha dele. — Disse Josh com um sorriso cínico em seus lábios finos.
— Não é não. Amiga mesmo. — Eu Disse de forma equilibrada, pois não queria perder o controle da situação. Quando ele ia sacar que eu estava ali apenas pela Sarah? Eu nem ligava tanto para banda.
— Bom... galera, acho que devíamos entrar e pegar um bom lugar para o show. — Disse a menina que parecia ser a Helena.
— Ótima ideia, H. — afirma Sarah com um sorriso supergrande em seu rosto.
Todos nós entramos na fila que se formava na porta do pub. Apenas pessoas maiores de 18 e com ingressos poderiam entrar naquela noite. Felizmente o papo com os amigos de Sarah começou a render e aos poucos o sentimento de nervosismo se esvaia de mim. Mas a minha leveza de espirito durou cerca de quinze minutos, já que esse foi o tempo exato para que a nossa vez de entrar na casa chegasse. Todos os amigos de Sarah foram entrando sem problemas até que chegou a minha vez e o segurança que conferia a documentação de todo mundo criou caso comigo. Os amigos da Sarah e ela ainda esperavam por mim, já que Sarah disse que só entraria definitivamente no pub comigo, ela ficou parada na entradinha de lá, no intuito de fazer um pouco de companhia para mim.
Quando o segurança começou a demorar mais tempo do que o necessário conferindo a minha identidade, os amigos dela desistiram de esperar e apenas disseram o clássico “te vemos lá dentro” para ambos, mas secretamente Josh já estava dando um tchauzinho para mim.
— Olha, essa é minha identidade mesmo. — Disse eu ao segurança.
— Menino, você nem tem ideia da quantidade de rapazes como você que já tentaram me enganar. Eu poderia chamar a polícia, mas apenas vou rasgar esse pedaço de papel e você vai dar meia volta e nunca mais aparecer aqui até que realmente tenha 18. — Disse o segurança que mantinha uma postura bem firme durante toda a sua fala.
Apenas arregalei os olhos e pensei na vergonha que Sarah tinha visto eu passar. Definitivamente, não era o que queria para aquela noite.
— Mike, nossa, eu nem sei o que dizer. — Disse Sarah aparentando estar impressionada com o momento.
— O mais chato é perder o show e essa noite com você. — Eu estava claramente desolado com tudo isso que aconteceu.
— Perder a noite comigo? Como assim? — Disse ela confusa.
— Achei que estávamos saindo juntos hoje. Não estávamos? — Disse eu enquanto passava a mão pela nuca.
— Er... não. Achei que estávamos aqui como amigos. Por isso trouxe meus amigos também. — Ela disse e claramente buscava entender o que tinha acabado de acontecer conosco.
— Não mesmo. Isso é um encontro. Ou pelo menos era um encontro. — Disse convicto do que eu achava que era aquela noite.
— Mike, não. Não mesmo! Eu não quero um relacionamento agora. — Ela me responde na defensiva.
— O quê? — Eu reajo chocado com o que a menina disse.
— Isso mesmo. Você, aparentemente, é muito novo para mim, e eu não quero um relacionamento agora. Manter minhas notas boas e ser uma boa amiga ocupa muito tempo, então não quero acrescentar um namorado na equação e correr o risco de estragar um dos lados. — Disse a menina num momento muito sincero.
— Ah, sim... desculpe. Não quis tentar estragar nenhum dos lados. Até mais ver Sarah, aproveite o show e a gente se esbarra na escola. — Eu lhe digo com o ar triste. Não dei muito tempo e já fui me virando para ir embora quando ela, antes de entrar para ficar com os amigos, completa:
— Ok. Tchau. Boa noite.
E sem esconder a decepção, eu assisti Sarah entrar no pub sem nem olhar para trás. Com isso, vendi o ingresso, para o melhor lugar da casa, que tinha em mãos, para um rapaz que tentava comprar ingressos de última hora. Com o dinheiro da venda eu comprei um ingresso para o cinema e me enfiei na sala do filme de . Achei minha amiga sentada em uma fileira no meio da sala, e por um momento de sorte ao lado dela havia um lugar disponível do qual eu me apropriei. Assim que me sentei ao seu lado, apenas disse baixinho para ela “hoje não é meu dia.” E com isso passei para ela toda a grana restante da venda do ingresso. Ficamos em silêncio durante o restante do filme e ao longo do caminho de volta para nossas casas.
Assim que pus meus pés em casa, me lancei em minha cama. As falas de Sarah ecoavam pela minha cabeça e tudo o que tive que passar para conseguir o “encontro”, tudo que deu errado na noite também não me deixava em paz. Para tirar aquilo de dentro de mim, peguei um papel e lápis e comecei a escrever:

I bought my fake id for you
(Eu comprei minha identidade falsa por você)
She told me to meet her there
(Ela me disse para encontrar com ela lá)
I can’t afford a bus fare
(Eu tenho dinheiro para passagem de ônibus)
I am not old enough for her
(Eu não tenho idade suficiente para ela).


You got me waiting in a queue
(Você me tem esperando em uma entrada)
For a bar I can’t get into
(Para um bar que eu não posso entrar)
I’m not old enough for you
(Eu não tenho idade suficiente para você)
I’m just waiting ‘til I am eighteen
(Eu estou apenas esperando até que tenha 18)


FLASHBACK OFF

Michael’s POV
— Semanas depois em um ensaio da banda, eu e Luke tivemos a ideia de olhar nossas composições e encontramos nossos trechos de músicas que, de algum modo, se combinavam. Como nos identificamos com a dor mútua, a gente resolveu se juntar e terminar a letra da música. Adicionamos um pouco de melodia, mais umas frases com uma ou outra repetição de palavras e estrofes já escritas e foi assim que nasceu Eighteen. — Eu contei para todos, mas principalmente para que foi a maior interessada no assunto.
— Wow, eu nunca iria imaginar que vocês gostaram da Sarah Maine. — Disse super surpresa. — Quer dizer, do Luke eu sabia, agora o Mike, não.
— Acredite se quiser, eu soube manter esse segredo bem. — Eu emendei rindo.
— Vocês já sabiam quem era a menina da música? Quero dizer, quando escreveram ela lá atrás, sabiam que era essa tal de Sarah para ambos os lados? — Perguntou , que mesmo ainda estando grudada com Luke, não conseguia esconder o leve ciúme quando pronunciou Sarah.
— No começo não, mas depois de certo tempo, eu acho que contamos uns para os outros. Ficamos com medo de que essa pergunta pudesse ser feita por um jornalista ou coisa do tipo. Tínhamos que ter certeza de que estávamos tranquilos com esse lado da história. E depois da revelação foi esquisito durante um tempinho, mas agora a gente ri disso. — A respondi na intenção de salvar Luke de um possível problema.
— Satisfeita com a história, ? — Ashton diz com um tom de voz que era para implicar com a menina.
— Satisfeita sim, achei superinteressante. Obrigada por matarem a minha curiosidade, meninos. — finalizou a frase mandando beijos para Luke e Mike.
— Okay... agora é hora de dormir. Amanhã temos que pegar estrada para o próximo show. Bora descansar, cambada. — Disse depois de checar as horas.
Com isso todos nós fomos para os nossos quartos ao som da voz semi-afinada de que cantarolava alegremente o refrão da música que havia acabado de descobrir as origens.

So tell me what else can I do?
(Então me diz o que mais posso fazer?)
I bought my fake id for you
(Eu comprei minha identidade falsa por você)

She told me to meet her there
(Ela me disse para encontrar com ela lá)
I can’t afford a bus fare
(Eu não posso pagar a passagem de ônibus)
I’m not old enough for her
(Eu não tenho idade suficiente para ela)
I’m just waiting ‘til I am 18
(Eu estou apenas esperando até que eu tenha 18)


Com isso era totalmente seguro afirmar que nós oito teríamos os próximos meses cheios de aventuras e que esses meses com toda e maior certeza renderiam as melhores histórias para contarem aos nossos filhos e nossos netos e a todas as gerações que nós pudéssemos ter.


Capítulo 02 – Out of My Limit

Música do capítulo: Out of My Limit – 5 Seconds of Summer


’s POV
Já fazia alguns dias que a turnê da 5SOS havia começado. Desta vez, as meninas e eu optamos por uma visita bem maior do que a primeira vez que viajamos para vê-los. Criou-se uma rotina interessante ao longo dos últimos dias. Os meninos seguiam a agenda deles com os shows, photoshoots, entrevistas, aparições, divulgações, etc. Volta e meia eles tinham uma folga onde dormiam e/ou faziam nada.
Nós, meninas, de uma maneira ou de outra, nos adaptamos ao estilo de vida deles. Dividimos nosso tempo em turismo e compras com algumas pausas para ir em um ou outro lugar com os meninos. Acordamos com a produção deles de fazer um conteúdo exclusivo da banda no blog/vlog e em pensar em conteúdo para o diário de tour deles. O nosso planejamento sempre deixava as noites livres para irmos aos shows da turnê.
Neste momento estamos, e eu, no camarim dos meninos. Faltavam pouco menos de duas músicas para o show terminar. Normalmente ficamos até a última música, mas hoje quis atacar o buffet deles e arrastei a comigo. e ficaram lá na beirinha do palco assistindo ao fim.
— Não sei de onde veio essa sua súbita fome. Você sempre aguenta firme até o fim. — diz enquanto me olha atacar uma bandeja de batatas fritas que eu tirei da área de comidas e levei para onde estamos.
, eu sempre tenho fome. Só que hoje decidi não me privar de nada. — Finalizei minha resposta pondo mais duas batatas na minha boca.
Passamos alguns breves minutos comendo mais batatas até que eu comecei a me sentir meio entediada. Nota mental: levar balde gigante de batatas fritas para os bastidores do próximo show.
— Estou começando a achar que está muito quieto aqui atrás. Né? — Perguntei.
disse que estão interagindo com o público para cantarem a última música. E você sabe que o camarim deles sempre é meio longe do palco, é certo que aqui vai ser bem mais quieto que lá fora ou perto do palco. — me responde meio mal-humorada. As cenas de fim de show dos meninos são suas favoritas e ela com certeza está chateada por estar perdendo a de hoje.
— Da próxima vez eu deixo você ficar lá até o fim. — Disse-lhe enquanto sacava meu celular e buscava por algum tipo de entretenimento. — Que tal se ouvíssemos uma música?
— Tanto faz. — Ela me responde dando de ombros, claramente irritada com o fato de eu estar “obrigando” ela a ficar ali.
Dada a sua indiferença apenas abri o player de música e escolhi The Neighbourhood. Quando Cry Baby começou a tocar pelo alto falante do meu celular, eu rapidamente me pus de pé e comecei a dançar e a mexer meus quadris da forma que eu sentia a música. Antes de fechar meus olhos e curtir mais ainda o momento em que eu tinha música boa, comida e um lugar maneiro para aproveitar, vi balançar a cabeça em um sinal de aprovação pela escolha musical que fiz. Como se não tivesse sido eu que a ensinei a curtir o que é bom. sinalizou que iria sair dizendo por alto que buscaria por mais batatas fritas ou coisa do tipo, apenas balancei minha cabeça concordando.
Depois disso só foquei em aproveitar a música.

Ashton’s POV.
Saímos direto do palco para o nosso camarim. O normal é eu ser um dos últimos a deixar o palco, mas dessa vez assim que acabou o show, desci da minha área, dei tchau ao pessoal que foi nos ver e fingi estar mais apertado do que realmente estava quando deixei o palco correndo.
Fiz o caminho até o camarim meio que correndo porque eu realmente queria ir ao banheiro. Quanto mais ia chegando próximo a porta, mais eu ouvia um barulho. Enquanto eu ainda estava do lado de fora era só algo que não podia distinguir, mas assim que minhas mãos tocaram a maçaneta e eu empurrei de leve a porta pude perceber que na verdade o barulho era música.
Dei de cara com totalmente em transe durante a música. Como não conhecia muito do que ela ouvia resolvi apenas aproveitar a visão que tinha dela curtindo aquilo tudo.
Tenho certeza que ela estava curtindo aquilo do jeito que só ela sabe. Seus movimentos de dança seriam considerados inadequados para o ritmo que ela estava dançando. Tinha algo de encantador no modo como ela se entregava ao que sentia durante a música; seus quadris iam de um lado ao outro e isso fazia com que a música parecesse mais sensual do que ela era, até parecia uma outra menina. Menina não, algo nela cresceu e por um momento era como se ela não fosse a mesma, não a via como , mas como uma mulher. E, por Deus, como ela era atraente. Espera, o que está acontecendo comigo?
sempre foi a garota que eu tenho como amiga. Desde que nos conhecemos eu faço questão de implicar com ela, é claro que tenho os meus momentos doces. No início da nossa amizade eu era muito doce e ela achava que eu estava na dela só que isso nunca aconteceu. Agora, anos mais tarde, me pego pela primeira vez reparando nela mais do que devia.
Em algum momento a música acabou e bem que eu queria que o meu fascínio por tivesse ido com a música no seu último acorde, mas de alguma maneira ainda via com outros olhos. O que há de errado comigo?
Acho que entrei em transe enquanto admirava , pois os meninos me assustaram quando Calum veio correndo e montou nas minhas costas. Claro que com o susto e o peso gordo de Cal me jogaram para dentro do camarim. deve ter se surpreendido com nossa entrada abrupta, pois ela não estava mais dançando em seu mundo e sim jogada no sofá com seu celular afastado de si e mantinha a mão esquerda sobre o seu coração com os olhos fechados.
— Acho que alguém tomou um bom susto, não é? — Calum disse com a voz super risonha, com certeza ainda estava com os efeitos da adrenalina do palco em si.
— Cal, não faça mais isso! Você sabe que eu tenho coração fraco para essas emoções. — disse sendo meio dramática.
O fato é que ela nunca teve problema nenhum de coração e perto das outras meninas, tinha uma saúde de ferro. O que gostava era de um drama, porém um drama controlado. Ela sabe quando usar e o que dizer, mas é péssima com carinhas pidonas. Com ela a gente cede pelo poder de persuasão que é todo dela e também porque se não cedermos ela vai lá e consegue.
Para manter a pose que fiz assim que sai do palco, corri o mais rápido que pude para o banheiro. Assim que terminei minhas necessidades, lavei o rosto. A água gelada tinha que me fazer bem, me acordar de todas as ideias tortas que começaram a surgir na minha mente. De repente ela não era só o que sempre foi para mim, era uma mulher completamente nova. O cabelo parecia mais brilhoso, o seu perfume ficou mais acentuado, seus lábios se tornaram mais carnudos, eu corpo era mais delineado. Tudo ganhou ênfase. Lavei o rosto pela segunda vez com muito mais agua e esfregando bem os olhos, de algum modo a visão que tive tinha que ser apagada. É muito errado o que estou sentindo.
Quando sai do banheiro encontrei todo mundo no camarim. Luke estava no colo de e eles estavam rindo de uma piada contada por Michael que também tinha os braços de envolvendo o seu torso. E foi só eu desviar os olhos deles quatro para ver Cal beijando que tentava não passar os seus braços pelo pescoço suado dele. POR QUE DO NADA TODO MUNDO ERA UM PAR?
Não. Todo mundo não. Mais uma vez meus olhos buscavam a presença de . Ela tinha um imã. Só podia ser isso para me atrair tanto. Ela estava só, desacompanhada, desprovida de um cara para chamar de seu e não se importava. era o tipo de menina que gostava de relacionamentos leves, bem compromissados, mas leves. Caso não tivesse alguém, ela levantava as mãos para o alto e agradecia por não estar mal acompanhada.
Sem perceber meus próprios pés me guiaram até o canto do sofá que ela estava sentada, o mesmo canto que ela se jogou quando tomou o susto. Hesitei para falar com ela. Nunca havia hesitado para falar com ela, mas agora tinha medo. Era um medo bem bobo porque sei que nada de mal virá dela, mas mesmo assim tinha medo.
— Ash, não vai falar nada? Você está aí parado me olhando. — A sua voz me trouxe de volta a realidade. Umedeci meus lábios antes de dizer algo, fui pego encarando.
— Ah... desculpa por encarar... — falei totalmente desconcertado. Eu não sou assim. Recomponha-se Ashton Irwin. É só a de sempre.
Com uma risadinha leve ela me diz que não se importa. Na tentativa de agir naturalmente eu sento-me ao seu lado no sofá. Em todo momento eu tentava não transparecer que havia algo de errado comigo, mas não deu muito certo, pois ela logo percebeu.
— Está tudo bem? Você está esquisito. — Ela me diz com um olhar investigativo. Eu juro que tentava não me perder, mas ela era demais para mim. Não podia ficar mais tão perto dela. Pelo menos não por agora, tudo o que vi antes ainda dançava na minha mente. Cada segundo que sustentava o seu olhar no meu era mais um flash de tudo que espiei que reaparecia bem no meio de nós, só que ela não sabia.
Sacudi a cabeça negativamente e isso fez com que ela chegasse mais próximo de mim e com uma voz bem baixa dissesse: — não? Quer falar sobre? Sabe que pode sempre contar comigo. Sempre. — Ao terminar a frase ela buscou a minha mão mais próxima para apertar. O seu toque nunca me pareceu tão bom.
Ela tinha o olhar levemente preocupado. Como era tudo da minha cabeça, não via necessidade de alimentar nada. Apenas lhe disse de forma calma e com o melhor sorriso que podia dar naquela situação: — estou ótimo. Coisa da sua cabeça. Relaxa. E obrigada, sempre que precisar estou aqui também. — Ela me deu um sorriso enquanto ainda afagava a minha mão. O seu toque não era estranho, mas meu corpo não respondia da mesma forma, pois minhas mãos suavam como se eu fosse adolescente de ensino médio de novo.
— Chega de segurar sua mão. Você está todo soado e o seu cheiro ruim vai grudar em mim. — Ela disse depois que nossas mãos estavam a muito tempo juntas. A sua voz era de um falso nojo mesmo assim ela usou isso como um artificio para sair de seu lugar. Apenas me aproveitei do espaço que ficou vazio e me deitei por completo no sofá. Fechei meus olhos e implorei para acordar sem lembrar do que vi a mais nela.

Calum’s POV.
Ainda estava pegando o jeito de como ser um casal com a (mesmo nós sendo o casal mais antigo do grupo). Durante muito tempo, eu era só de ficar pelos cantos a observando, mas foi só eu passar a ver de um jeito diferente que quis ficar com ela.
De todas as meninas do 4G ela é a mais doce e por comparação é a que mais destoa quando posa ao lado da banda.
Tudo nela é sempre um aprendizado. Minha mais recente descoberta é que ela é uma ótima observadora. Às vezes, leia-se sempre, nada escapa aos seus olhos. Nada. Ela consegue perceber tudo em um ambiente. É muito difícil esconder algo dela.
De vez enquanto eu tenho um medinho de tudo o que ainda não sei sobre ela, só que esse medo se desfaz toda vez que descubro algo novo e fico cada vez mais empolgado para continuar ao seu lado.
Se não fosse por eu nunca perceberia que tinha acontecido algo diferente entre e Ash. Desde que eles se conheceram viraram amigos e quase sempre viviam entre os altos e baixos de serem, o que classifica como, fofos uns com os outros e depois se alfinetarem. Isso é tão real que nós seis já estamos acostumados com esse jeito deles.
e eu estávamos em um canto super in love, eu roubando vários beijos dela enquanto ela tentava comentar o que ela mais gostou do show dessa noite, quando ela solta: — Cal, viu o que rolou entre Ashton e ? — Ela comentou entre um beijo olhando bem para mim.
Eu estava super confuso com o que ela estava dizendo e soltei a coisa mais sincera que podia: — É sério? Acha que eu olharia para Ashton ou tendo você bem aqui na minha frente?
Acho que marquei uns pontos com porque vi suas bochechas ficarem mais vermelhinhas e ela olhou rapidamente para o chão. Com uma das minhas mãos em seu queixo, levantei o seu rosto novamente para mim e me surpreendi. Ela ficava ainda mais linda toda encabulada. Não me segurei e com um sorriso bobo fui lá e roubei mais um beijo dela. Que beijo bom!
— Okay... Agora pode me dizer o que você percebeu entre aqueles dois que eu claramente não vi?
Ela deu um sorriso empolgado como uma criança que descobriu um segredo e desembestou a falar: — Desde o começo do fim do show eu tenho notado que está esquisita. Ela sempre consegue esperar para matar a fome com todo mundo, mas dessa vez ela simplesmente arrastou a até o buffet e atacou ele. Depois de pouco tempo a volta para nosso cantinho no recuo do palco. O show de vocês acaba, Ashton estranhamente é o primeiro a sair do palco e vem correndo para cá. Mas aí a gente chega aqui e ele ainda está com a mão grudada na maçaneta da porta como se não tivesse entrado ainda. Quando entramos todos de uma vez ele estava esquisito e com cara de assustada, ou seja, ela nem viu que estava sendo observada por ele. Daí ele se trancou no banheiro por uns minutinhos e saiu como se nada tivesse acontecido, os dois chegaram a conversar ali no sofá que ele está agora com direito a toque nas mãos com carinha de preocupação da parte dos dois e tudo...
Eu piscava muito. Como ela tinha captado aquilo tudo? Eu apenas tinha pensado em poucos momentos, mas o que ela me contou quase valeu por uma semana de atenção redobrada minha. Acredito que deveria estar visivelmente chocado.
— Eu te assustei de novo? — disse meio apreensiva. Até entendo o porquê disso. Quando estudamos juntos eu nunca tinha muitas chances de conviver profundamente com ela por conta das notas altas que ela mantinha. Por isso, quando descobri que ela é observadora foi diferente e sei que ela tenta aos poucos me mostrar como é, porém, sua intensidade a torna muito mais atraente e ao mesmo tempo surpreendente. , sendo a fofa que é, sempre se preocupa em saber se está me atropelando por ser meio rápida demais quando está empolgada.
— Não... não me assustou não... — disse da melhor forma para tentar disfarçar que de uma certa maneira eu tinha me assustado.
— Desculpa, Calum. — Ela disse sorrindo fraco tentando se redimir de algo que ela não fez intencionalmente.
— Você sabe que não tem do que se desculpar. É o seu jeito e eu adoro ver como se empolga com essas coisas. — Eu lhe disse fazendo um carinho em sua bochecha. Novamente ela ficou corada, mas essa vez não tentou se esconder.
— Okay... obrigada..., mas... você acha que devemos falar com algum dos dois. Sabe, sobre o que eu te contei.
— Podemos conversar com o Ashton lá no hotel. Aí você faz um monte de perguntas e deixa o Ashton assustado também. — Eu completo rindo e ela ri também.
Pouco tempo depois entramos em uma van com todo mundo e nos dirigimos até o hotel. Segundo os bons olhos observadores de , Ashton estava muito quieto. Combinei com ela de antes de dormir irmos falar com ele, não sei se sairia algo dele mas prometi que tentaríamos algo.
e eu arquitetamos tudo. Como, nessa parada, ela divide quarto com para que a menina não suspeitasse, fez com que eu dissesse que iríamos dar uma volta na piscina do hotel, e para garantir que Ashton não desconfiasse de nada reproduzimos a mesma estorinha para ele.
me deu o sinal de que podia buscar ela para pôr o plano em ação quando ela percebeu que começou a maratona de uma série qualquer. Eu e ficamos escondidos por cerca de quarenta minutos, o que era o tempo de um episódio da série que via, escondidos no lance de escadas do nosso andar. Dentre os muitos assuntos que falamos, ela quis saber por que sempre que cantava “Out of My Limit” meus olhos estão nela. Não quis contar, porém sabia que em algum momento teria que revelar o que escondia.
— Calum, eu acho que agora podemos ir lá no quarto. — Ela disse depois que eu neguei pela enésima vez em dizer o “segredo” da música. Enquanto desse eu a mataria de curiosidade.
No caminho de volta ao meu quarto com Ashton, a convenci de fingir uma sessão de amassos e entrar como se tivéssemos esquecido de que ele estaria no quarto. Com muito custo (porque ela não queria passar vergonha) fizemos isso e pegamos Ash, ou será que ele nos pegou, de surpresa quando ele estava saindo do banheiro com a blusa do pijama molhada de um jeito que entregava a forma bagunçada com que escovou os dentes.
— Opa, casal! Eu estou bem aqui. — Ele disse rindo.
— Eu te falei, Cal! Sabia que ele estaria aqui. — tinha sido bem melhor do que eu imaginava. Mesmo sendo proposital, ela tinha as bochechas coradas como se isso tivesse sido real e não combinado.
— Minha culpa. Peço desculpas aos dois. — Eu disse disfarçando ao máximo. Meu estoque de atuação era bem curto e só durava o suficiente para um vídeo clipe.
— Okay, casal! Só não esquece de me avisar que vocês vão precisar do quarto, eu saio e durmo no meio do Luke e do Mike. — Ashton diz com um sorriso maroto. Obviamente, devolvi o mesmo sorriso maroto de canto de boca, mas foi só olhar de rabo de olho para que vi seus olhos arregalados. Já havíamos conversado muito bem sobre essas coisas e, pelo jeito, agora não seria a melhor hora para brincar com isso.
Com toda a situação, vi se enroscar no meu braço direito. Ela já estava segurando a minha mão desde que Ashton chamou a nossa atenção. Ela enrolou o seu braço esquerdo no meu direito e apoiou a cabeça no meu braço, que é o máximo que a sua altura, quando ela não está de salto, lhe permite atingir. Em um ato desesperado para não ficar mais vermelha do que ela já estava, ela disse da maneira mais imperativa que as suas bochechas coradas deixaram:
— Vamos trocar de assunto. Por favor.
— Tudo bem... trocamos para... — Ashton disse sem nem saber que ao proferir aquelas palavras ele tinha se enfiado num caminho sem volta.
— Para e você. — disse com um sorriso meio travesso. Ela seguiu caminhando em direção até as nossas camas.
Ashton fingindo que estava tudo bem logo se apressou em dizer que não havia nada para comentar sobre eles dois. E nesse instante senti pena dele. Minha namorada estava em uma missão a qual ela só daria como terminada quando ouvisse dele a confissão de algo que nem ela mesma sabia se estava certa.
— Eu sou uma pessoa bem observadora, sabe? E os meus olhos viram umas coisas hoje que só você pode me explicar, Ashton. — , que agora estava sentada em minha cama, falou de uma forma bem misteriosa, como se ela realmente soubesse de algo que não estava certo, mas que poderia ficar.
— Não sei se posso te ajudar, . Não teve nada de incrível no dia de hoje, nada de diferente.
Pelo o que eu conhecia do meu amigo, ele negaria até o fim e diria tudo o que precisasse para convencer-nos que não havia nada de diferente acontecendo.
— Ashton, eu percebi que você não quer me dizer, mas olhe pelo meu lado: não posso esperar que o Cal arranque o que eu quero saber de você. Ele não é tão bom nisso quanto eu e a . — Assim que ela disse o nome do X da questão a reação dele foi automática. Sutil, mas automática. Ele apenas mudou o peso de um pé para o outro. Para mim, um não observador não era nada, contudo para , que agora mais parecia o próprio Sherlock Holmes, era um sinal e tanto. Preferi apenas demonstrar uma falsa ofensa quando ela disse que não confiava em mim para conseguir a confissão de Ash.
— Calum, sua namorada está doida.
— Ashton, ela apenas quer saber se o que ela acha está correto. Só diz logo o que ela quer saber quando você ouvir a pergunta dela. — Eu disse com a voz cansada de ver essa discussão boba deles.
— Que pergunta? — Ele disse confuso.
— Essa aqui ó: você está a fim da ?
O momento mais esperado chegou. Era como o fim de um filme, aquele momento que podia mudar a estória toda da vida do personagem. foi direta como sempre pois não tinha nada a perder. Ashton reagiu com uma mudança de cor repentina, ficou mais branco do que é e passou a língua pelos lábios que claramente ficaram secos. O silêncio que parecia eterno foi quebrado por mim mesmo.
— Ashton responde logo, eu não aguento de curiosidade. Esse suspense todo está me matando.
— Eu não esperava essa pergunta. — Ele diz.
— Bom, você pode responder a primeira coisa que veio na sua cabeça. Sabe que ninguém aqui vai te julgar, muito pelo contrário, eu shippo vocês juntos. Acho que demorariam a se acertarem, mas depois iria ser supertranquilo. — disse enquanto alisava as pontas do cabelo de modo tão natural que eu mesmo me questionei se ela não sabia de algo a mais.
, o que você sabe sobre isso? — Eu disse sem me conter.
— Eu sei o mesmo tanto que você sabe, Cal, ou seja, sei de nada. Tudo o que eu sei é o que eu vejo, e eu vejo que os dois estão super apaixonados, mas não perceberam isso ainda. Alguém tem que ceder primeiro. Eu acho que finalmente Ashton teve o insight dele sobre os seus sentimentos. Falta só fazer a ver o mesmo que ele.
— Estou namorando uma espiã e não sabia. Como pode? — Eu disse enquanto ia para o seu lado para envolvê-la em meus braços. prontamente se aninhou em mim, enquanto Ash ainda estava muito calado.
— Ashton, diga algo, pelo amor do que é mais sagrado. — apelou.
— Eu não... er... eu não sei de mais nada. — Ele disse lentamente como se as palavras lhe faltassem e sua garganta estivesse seca.
— Apenas fale, okay? Vamos te ajudar a entender. — continuou a incentiva-lo com um sorriso doce no rosto.
— Durante todos esses anos de amizade, era só mais uma amiga, uma das melhores, mas nada além de amizade. Foi só eu sair do show de hoje e de repente ela já não era só mais uma amiga. — Ele finalmente tinha dito algo que realmente mudava a vida do personagem dele no filme. estava mais uma vez correta sobre seus palpites. Como minha menina dizia em português com as amigas: tinha caroço naquele angu.
— O que fez você ver isso aí? — continua a sua saga.
— Ela estava dançando, sozinha, “inapropriadamente” para a música que ela estava ouvindo. Ela estava bem à vontade e livre como se soubesse que estava sozinha e isso a deixasse mais solta. Ou vai ver que fui só eu. Eu vendo coisas onde não tinha nada. Foi eu vendo algo onde não existia. Como ela uma hora estava só dançando e de repente, ela está dançando na minha mente? Isso nunca me aconteceu antes. — Um Ashton totalmente confuso e inseguro se mostrou. Minha sorte foi ter encontrado a joia de menina que era. Ela sabia exatamente o que dizer.
A risada leve de assustou tanto a mim quanto ao Ash, nós estávamos esperando uma postura mais madura dela, mas tudo o que veio foi uma alegria colegial.
— Me desculpem por rir. Por favor não pense que é pessoal, Ashton. Muito menos ache que tu estás pagando de bobo. — Ela disse em meio as risadas.
— Então por que está rindo, ? — Eu lhe pergunto.
— Foi exatamente assim que eu me senti quando descobri que gostava de você, Cal. — ela sutilmente revelou.
— Como assim? — Eu lhe questiono surpreso.
— Eu estava tão confusa quanto Ashton agora. Eu não sabia o que fazer e como agir. Você provavelmente não se lembra, mas eu te evitei por alguns dias usando a minha gripe como desculpa. — Ela responde.
Ainda atônito, pude ver que Ashton estava tão surpreso quanto eu. Se ele demonstrava os mesmos sintomas que teve quando descobriu os seus sentimentos por mim, isso significava que poderia ser como eu fui quando soube o que sentia.
— Bom, se for metade do que eu fui com , ela vai brigar pelo relacionamento, mas isso só depois de descobrir o que sente. — Eu disse ao Ashton tentando de alguma forma ser um amigo útil.
— Calum, não romantize a situação assim. Do que eu conheço minha amiga ela ainda vai cozinhar muito o Ashton até que ela se decida em arriscar nesse relacionamento. — Ela disse enquanto andava de um lado ao outro em um dos cantos próximos das camas do quarto.
— Vocês não estão me ajudando, gente. — Um Ashton relativamente preocupado se mostrava.
— Você sabe que eu não sou muito útil. — Eu respondi a ele e rapidamente emendei dizendo: — Só ela pode te ajudar agora.
— Calum Thomas Hood, seja mais prestativo. — Não demorou muito para que um tapa em meu ombro direito fosse sentido logo depois do meu nome completo. — Aliás, é bom que você me explique essa coisa que você disse para ele sobre ser como você no relacionamento. O que quis dizer com isso, hein?
— Okay... muitas perguntas, . Vamos devagar. — Eu disse rindo.
— Eu só acho que a sua explicação vai ser de grande ajuda ao Ashton. Só por isso que quero tanto essas respostas.
Eu sei que ela estava tentando disfarçar a sua curiosidade excessiva. Na cabeça dela, eu já tinha falado demais com conteúdo de menos. Ela tinha uma mente cheia de linhas que completavam o seu raciocínio sobre um assunto, e o fato de eu ter comentado sobre algo que ela não tinha a informação para completar qualquer coisa que ela estivesse maquinando na cabeça dela não era bom. De uma forma ou de outra, a conversa virou meio bilateral. Apenas eu e discutindo algo; como, de certo modo era mesmo, afinal tínhamos A informação sobre o status do coração de Ashton. com a sua última fala foi nada sutil em fazer com que eu falasse algo que ela queria saber sob o pretexto de que era algo para Ashton.
Pisquei algumas vezes para fingir estar chocado, porém ela logo percebeu e soltou um:
— Calum, para de enrolar. Só cospe as palavras, meu amor.
Ashton me assustou com a sua risada e em pouco tempo estávamos os três rindo pois soltou algo que com certeza diria se estivesse impaciente por alguma fofoca. Não que goste de fofoca, mas sabemos como é quando a informação é muito quente, temos que saber.
Okay, meu amor. Eu digo o que quer saber.
Entreguei-me de uma vez. Não valia a pena fazer doce com isso. Mais cedo ou mais tarde ela descobriria sobre o assunto. Antes de lhe responder, dei um sorriso e olhei Ashton. Ele estava meio apreensivo com o que eu diria. Direcionei o meu olhar a ela e reparei em suas roupas. Ela ficava linda com um exagero de cores claras no jeans e na blusa.
— Você queria saber o porquê de sempre que eu canto “Out of My Limit” meu olhar estar em você. Parece que o dia chegou.
— Sério? — Ela disse com os olhos arregalados de surpresa. Apenas confirmei quando agitei minha cabeça de modo afirmativo. Ela ficou tão feliz que me deu um beijo rápido e terminou rindo com o Ashton da situação.
— Os meninos sabem por alto disso, mas hoje, porém em especial a condição do Ashton, eu vou abrir o jogo mais sinceramente.
— Agradeça, Ashton.
— Quê? — Ele retruca com as sobrancelhas levantadas.
— Isso mesmo, agradeça. — Ela confirma o seu pedido.
— Pelo quê?
— Eu venho tentando arrancar essa justificativa há dias dele, e tudo o que eu precisava era ter um Ashton apaixonado por alguém e, bom, aí está a minha resposta. Então pelo menos pela minha irônica situação, agradeça. — Ela demanda dele. Com um ar divertido ele me solta um obrigado.
— Pronto, Cal, pode nos contar tudo.
— Está legal. A história é longa mas começa quando eu...

FLASHBACK ON
Calum’s POV.


(A/N: Carregue a música “Out of My Limit”)


Quando eu a vi pela primeira vez, ela estava com o seu grupo de amigas e eu estava em apuros. Era mais um daqueles momentos em que ou eu estudava ou eu entrava numa espiral de notas ruins até que ficasse à beira de reprovar naquela matéria. Depois de uma longa conversa com o Mr. Knickson, o professor de matemática, e intensa sugestão dele por uma aula de reforço, finalmente aceitei a minha condição de pessoa desesperada por uma chance de não reprovar. Pedir ajuda para o Michael estava fora de cogitação, afinal ele estava tão mal quanto eu e já tinha arrumado alguém para lhe ajudar. Luke estava mais preocupado, leia-se enrolado, com as suas notas e aulas de música que nem tinha tempo para se preocupar com muito mais que os seus próprios problemas, e nem éramos tão próximos assim para que eu pedisse alguma coisa a ele. As aulas e intensas horas de estudo extra teriam que me salvar, não podia ser a decepção da família ou perder a chance de ficar na mesma turma que meus amigos no ano seguinte.
O clima da escola, tirando o meu depois da conversa com o professor, ainda estava leve. Já tinha pouco mais de um mês que as aulas tinham recomeçado e por conta disso ainda estávamos nesse clima feliz com cheirinho de férias. , e ela estavam conversando animadamente sobre algo. Nenhuma delas conseguiu me ver chegando perto porque estavam muito envolvidas em um assunto que provavelmente era sobre o quão idiotas nós homens somos.
— Oi meninas... — disse eu quando interrompi um momento de risadas delas. Todas tomaram um susto, porém as que ficaram mais afetadas foram e ela. exibiu um sorriso e logo respondeu.
— Oi, Calum, um bom susto esse.
— Cal, não faça mais isso. Eu tenho coração fraco, podia ter morrido com essa brincadeira. — Disse com a mão direita posta em cima de onde o coração está enquanto fingia algo maior do que realmente sentia.
— Tem é? Então que bom que não foi hoje que me tornei um assassino. — Respondi a com a pretensão de soltar uma piada sem graça mesmo.
A pequena risada dela com a minha piada tão ruim me fez sorrir em curiosidade. Não a conhecia, mas o que até então tinha visto me agradava.
— Ops... olha a gente dando uma furada boa, hein, . — Disse para que só concordou com um aceno de cabeça e rapidamente completou com: — Calum, essa é a . , esse é o Calum. Vocês ainda vão se esbarrar muito porque temos aulas em comum.
Trocamos um oi rápido e logo percebi que ela era diferente. Tinha algo novo nela e também meio desconfortável sobre alguma coisa.
— Você é nova aqui? — Perguntei sem pensar duas vezes.
— Sim, entrei esse ano. — Ela disse num inglês com sotaque diferente.
— De onde você é? — Perguntei de novo
— Rio de Janeiro no Brasil. — Ela respondeu ainda com esse sotaque novo para mim.
— Não é legal que ela seja do mesmo lugar que eu? — disse enquanto passava o braço esquerdo sobre os meus ombros. sempre foi assim, espontânea. Sempre fez o que quis desde que não quebrasse nenhuma regra grave.
— Você não parece ser de lá, . Seu sotaque nem é diferente. — Eu disse.
— Cal, está aqui faz anos. meio que acabou de chegar por aqui. — se manifestou logo.
— Ah sim... bom, nesse caso, seja bem-vinda, . Espero que os australianos estejam te tratando bem. — Eu disse fazendo uma voz engraçada que arrancou risadas das três.
— Obrigada, Calum. Os australianos têm sido bons, mas confesso que foi um alívio encontrar pessoas como a nesse país. — Ela diz ainda sorrindo.
Deixei que as meninas guiassem a conversa por um tempo e até hoje agradeço, pois sem isso não saberia muito mais que o nome e a nacionalidade de . Por um tempo quase perdi o foco sobre o real motivo de ter me aproximado das três.
— Gente, acabei de sair de uma conversa com Mr. Knickson. Estou desesperado por aulas de reforço.
— Mas Calum esse ano mal começou... como assim você já quer aulas? — O rosto de tinha uma expressão confusa, assim como ela mesma devia estar se sentindo naquele momento.
— Sim, eu sei de tudo isso. Acontece que o Mr. Knickson já deu uma olhada nos meus boletins dos anos anteriores e percebeu que posso ter problemas. Não quero ferrar tanto esse ano. — Eu disse sendo completamente sincero. Sabia que se não começasse logo a estudar iria reprovar mesmo. E isso não podia acontecer. De jeito nenhum.
— Olha, nós estávamos combinando algo do tipo. Nós estamos montando um grupo de estudos de algumas matérias. Podemos incluir matemática só por você, não é, ? — disse de modo simpático.
— Que exagero, . Calum, relaxa, não será só por você que vai ter matemática não, okay? Precisamos estudar essa matéria também. — disse enquanto colocava um fio de cabelo que caiu no rosto atrás da orelha.
Daquele dia em diante nos reuníamos com frequência para estudar algumas matérias. Em pouco tempo tomei vergonha na cara e comecei a estudar matemática em casa mesmo e percebi que toda a minha dificuldade era coisa da minha própria cabeça. Por conta disso, parei de frequentar o grupo de estudos e me envolvi mais com a música, mas claro, sem deixar a peteca das notas cair.
A rotina de ensaios com a banda e estudos meus e dela não deixavam que e eu nos víssemos com muita frequência. Era mais fácil, eu encontrar com ela por algum corredor da escola ou em uma aula que tivéssemos em comum do que nas ruas ou em saídas com o pessoal. Ela sempre dava um jeito de usar o uniforme da escola de um jeito único. Bom, eu aposto que as outras meninas deviam copiar umas coisas, mas eu nunca reparava muito nas demais. Ela sempre tinha um batom forte e usava saltos altos. Nunca tinha entendido o porquê disso até a ouvir conversando com uma menina da sala de matemática que na verdade ela só queria se arrumar para si mesma e por si mesma. Como se ela precisasse de algo para ficar mais linda ainda.
Quando percebi que estava tendo esse tipo de pensamento, algumas sirenes internas começaram a soar. Naquele momento me convenci de que era mais um pensamento amistoso, como os que eu tinha com relação quando ela mudava a cor do cabelo. Sempre dizia que estava linda, ou não, mas nunca pensei em ter nada com ela. Pelo contrário, ela sempre foi uma amiga super maravilhosa. Não conseguia pôr nenhuma lente diferente dessa sobre a nossa relação.
Outro fato que não ajudava que eu visse sempre era o seu trabalho. A menina tinha encontrado um trabalho de meio período como garçonete em uma lanchonete no centro da cidade. e , só a viam quando iam até a sua casa ou decidiam passar a tarde na lanchonete para ocasionalmente ter uma chance de falar com .
Quanto a mim, eu estava entregue a vontade do destino. Quando eu ousava ir à mesma lanchonete, sempre escolhia o dia que ela estava de folga, ou doente, ou tinha uma fila de espera gigante, já que nos fins de semana a lanchonete lotava.
e eu ficamos um bom tempo apenas como amigos e era uma amizade muito virtual. Ela quase não tinha tempo para nada e eu estava comprometido com a minha música. O tempo livre dela era cheio de atividades, ela vinha se encontrando com as meninas e trabalhando num projeto com elas, isso foi algo que eu só descobri porque tinha mais contato com a já que nós dois de alguma forma éramos mais próximos. ainda era um mistério para mim.
A princípio eu apenas queria me aproximar dela por querer ser amigo. E se tratando de , quem não gostaria de ser amigo dela? Imaginem uma princesa, mas não qualquer princesa. Ela tinha um ar de princesa e até mesmo as suas roupas. Ela tinha tudo para ser a menina mais metida ou algo assim, mas não. Ela era uma flor e absolutamente bem-humorada. Todos a adoravam e não era segredo. Queria ter mais contato por conta disso tudo e muito mais.
O único problema era que quanto mais eu a via (mesmo que de longe) e conhecia ela (mesmo que através das histórias dos outros) mais me interessava por ela. Do meu jeito eu tentava buscar coisas que podiam me aproximar dela. Foi a coisa mais louca que inventei na vida, pois não tínhamos nada em comum, além dos nossos amigos. Desde que a conheci, é muito feminina, fazia aulas de costura, manda bem na cozinha, sabe muito de tudo na escola. Se contasse dela para a minha mãe e para Mali, elas com certeza diriam que era a menina perfeita para mim.
Com o passar dos meses, as coisas entre mim e foram melhorando. Tinha um bom tempo que ela tinha saído do emprego e o projeto dela com , e finalmente decolou, então o tempo dela já estava mais espaçado. sem perceber começou a me ajudar a estar mais perto dela quando passou a inventar motivos para reunir nós oito, eram coisas que iam desde “preciso de ajuda para desentulhar o porão” até “trouxe as meninas para rir de vocês no ensaio de hoje”. Esses pequenos gestos encurtaram o espaço que separava a mim e ela.
Demorou um certo tempo, mas encontramos coisas em comum. Ela não curtia exatamente as mesmas músicas que eu, mas a gente adora ver desenhos infantis. Não temos o mesmo estilo de guarda-roupa, mas amamos estar na companhia um do outro. Não temos a mesma opinião sobre comida, mas quando tem pizza de pepperoni a gente briga até acabar dividindo o último pedaço da pizza. Em um dos ensaios da banda, minha irmã Mali apareceu e ela e se deram muito bem. Agora já tinha mais um motivo para a ver, já que as duas se tornaram boas amigas e se viam o mesmo tanto que , e se encontravam com a mesma, por vezes já cheguei em casa e dei de cara com as cinco reunidas rindo de algo, ou então conversando sobre essas coisas que meninas amam.
Nossa aproximação foi tanta que me convenci de que ela era a menina ideal para mim. E como eu diria que não? Minha família toda amava ela, eu amava sua companhia, sem contar que meus melhores amigos são os melhores amigos dela. Ou seja, alguém como ela eu não acharia tão cedo.
Por causa de todo esse sentimento, eu achei que tinha coragem para dizer o que vinha sentido. Como amigo as coisas iam muito bem, e confessar o que eu sentia seria um dos maiores desafios da minha vida, mas assim que tive a ideia de me declarar, eu disse que não. Não cabia a mim arruinar a nossa amizade.
Em uma festinha na casa de um dos vários amigos de alguém da escola, eu a encontrei. Nessa festa estávamos nós oito e tivemos que insistir muito para que as meninas fossem. Ela estava realmente linda. Dava para ver que tinha maquiagem no rosto, um perfume diferente e o cabelo preso de um jeito divertido. Todo esse achismo provavelmente era muita cegueira de amor.
Em um momento consegui a tirar da pista de dança, a minha desculpa tinha sido algo próximo de “vamos pegar umas bebidas. ”, e dei sorte por ela achar que precisava de um copo d’água também. Durante todo o trajeto até a cozinha, ela tinha um olhar observador pela casa e cantarolava a música pop que estava ecoando pela casa toda.
Segundos depois dela ter conseguido pôr a mão no seu copo d’água, eu não aguentei e sugeri que seria uma boa ideia pegar um ar fresco. Dada a minha ideia fomos até a entrada da casa, que era bem típica de filme, com escadinha e tudo na porta de entrada. Nós dois com os nossos copos na mão, o dela com água e o meu cheio de refrigerante, paramos na escada da entrada e ficamos ali. Os olhos dela imediatamente procuraram as estrelas.
— Sabe, eu olho essas estrelas e penso: quando é o dia que eu vou ver uma estrela cadente? — Ela disse tão seriamente que eu nem consegui segurar o riso.
— Desculpe o riso. — Eu disse assim que me controlei um pouco.
Ela mesma não conseguiu segurar o riso quando viu que eu prendia o meu ainda e por um breve momento nós dividimos uma risada gostosa.
— Não me julgue! Eu sempre quis ver uma. — Ela me disse com a sua mão esquerda na barriga e o olhar ainda no céu.
— Te julgar? Longe de mim. — Lhe disse enquanto levantava as minhas mãos em sinal de rendimento.
Ficamos cerca de um minuto em silêncio. Tempo suficiente para perceber que Black Eyed Peas era a trilha sonora agora.
— O que você pediria? — Ela perguntou baixinho com os olhos já fixados nos seus pés. Sua fala foi tão baixinha que mal quebrou o silêncio.
— Para a estrela?
Os olhos dela deixaram os seus pés e passaram a me fitar, e com apenas um aceno, ela confirma a minha pergunta.
— Eu pediria para que minha banda dê certo. — Eu disse sustentando o olhar que ela me dava. — E você?
— Eu pediria... eu pediria por.... — sua testa estava enrugada em confusão enquanto ela tentava pôr em palavras o seu desejo. — Eu pediria pelo sucesso da sua banda também. — E então ela completa sorrindo.
Eu retribuo o seu sorriso e lhe disse que agora que ela havia feito um pedido pela minha banda, eu tinha que pedir por ela. Assim que terminei de dizer isso ela abriu mais um sorriso lindo e agradeceu.
— O que mais você pede? O que mais quer que a estrela lhe dê, Calum? — A menina disse depois de bebericar da sua água.
— Nesse caso, eu lhe desejo que consiga o melhor desse mundo. Eu te vejo nas revistas como uma estilista famosa com muito dinheiro, mas os pés bem firmes no chão. Uma casa maneira e, na hora certa, vai ter um cara bacana ao seu lado por toda a sua vida. — Os olhos dela se arregalaram com surpresa estampado neles, um tom de vermelho ou rosa, detesto admitir que sou péssimo com cores, subiu-lhe as bochechas.
— Calum... Nossa... — ela completa meio que sem palavras para o que eu havia dito.
— Eu não exagerei. Realmente te desejo tudo isso e muito mais. — Eu disse na tentativa de reafirmar o que pensava.
O meu real desejo era mesmo aquele que eu disse, a única coisa que eu não revelei é que o cara que ela teria por toda a sua vida seria eu. Ou pelo menos eu tinha a intenção de ser aquele cara.
— Ah, Cal.... você melhorou muito o seu pedido. Desse jeito, me sinto obrigada a melhorar o meu. — Ela disse rindo sem graça. Era uma risada doce com traços de despreocupação. Não demorou muito para que ela retomasse o seu raciocínio e me revelasse com a sua voz doce tudo o que ela gostaria de mudar. Escutei atentamente o que ela projetava e do fundo do meu coração, por mais ridículo que isso possa soar, eu queria que todas as palavras vindas dela se tornassem realidade.
— Bom, você sabe que as estrelas são só um mito, né? — Eu lhe disse sem medo de destruir o momento, pois o tanto que é sonhadora é o mesmo tanto que ela é realista.
— Sim, eu sei. O mais incrível é que mesmo sabendo disso, eu não desisto de ver uma delas. Não desisto de planejar o futuro que gostaria de ter. Ops... nesse caso, que você gostaria de ter. — ela se remendou no final com uma risada bem leve que eu acompanhei.
— Não tem nada de errado em planejar a vida que eu gostaria que você tivesse. — Disse em meio as risadas que restavam daquele pequeno deslize que cometeu na frase anterior.
E o que era risada lentamente se tornou silêncio. Furtivamente, meus olhos buscavam a direção oposta a mim, onde ela estava. Mesmo estando de noite, com uma brisa fresca, minhas mãos suavam como as de um adolescente no seu primeiro encontro. estava muito próxima de mim e ao mesmo tempo muito longe do que eu queria que ela estivesse.
Não sei dizer bem o que foi que revelou quando o nosso momento ali na porta de entrada da casa de alguém da escola durante uma festa tinha acabado. Pode ter sido o silêncio entre a gente que não nos fazia mal, pelo contrário, era muito inofensivo, mas que me deixava louco por apenas ter que imaginar o que a mente da pensava. Pode ter sido o fato dela aos poucos ter se voltado para a porta de entrada, não se moveu muito, apenas o suficiente para indicar que a qualquer momento ela poderia adentrar a casa.
Os meus olhos que, provavelmente, não me obedeciam mais porque ainda estavam fixos nela, conseguiram captar a menor intenção de fala dela. O meu coração disparou como se estivesse em uma corrida cuja linha de chegada era fora de minha boca. As minhas mãos suavam mais, o que me forçava a segurar mais firme ainda o copo vazio de refrigerante. Concluí que se antes eu achava que gostava dela, agora depois de todo esse alarde corporal, eu realmente estava apaixonado por essa menina que estava na minha frente vestida com jeans e blusa florida, de maquiagem leve no rosto arredondado e tênis nos pés, e que tinha o cabelo cacheado castanho mais bonito que eu já tinha visto.
Estava perdido em meus pensamentos quando me dei conta que ela estava muito próxima de mim com uma cara divertida e com a mão direita acenando bem na frente do meu rosto. Tinha me desligado completamente.
— Hmmm... desculpa por isso. O que você estava dizendo? — Disse enquanto umedecia os meus lábios.
— Estava te chamando para entrar. — Ela tinha um sorriso fofo em seus lábios.
— Ah... sim. Vamos — eu repondo.
Andamos lado a lado pela extensão que separava a entrada da varanda da porta de entrada. Quanto mais próximos da porta mais alta a música ficava. Mais próximo o fim daquele momento com ela chegava. E então ela toma uma atitude que me surpreendeu, com a sua mão livre ela segurou meu punho e me virou para ela.
— Promete que não vai perder contato quando conseguir a fama? — Ela disse com os olhos bem fixos nos meus. Naquela hora eu me convenci que ela podia ver o fundo da minha alma e isso não era algo que me assustava. Pouco antes de entrarmos de volta ao universo da festa, como se já fosse algo natural, eu retribuo o olhar com a mesma intensidade e digo sem medo:
Prometo.

Todo esse sentimento que eu tinha dentro de mim era sempre soterrado com a imagem de quem Araignée é: uma menina muito especial que é superinteligente, muito batalhadora e que sonha com o impossível sabendo que pode tê-lo. Ela é forte e decidida. Cada dia mais eu me entregava naquele sentimento. Sempre só para mim. Sem nem mesmo revelar aos meninos. Era algo só meu.
Principalmente, depois daquele episódio da festa, comecei a assistir crescer somente como minha amiga. A banda começou a fazer um certo sucesso e aos poucos a rotina da banda se tornou intensa, mas eu sempre dava um jeito de acompanhar tudo o que ela fazia, mesmo que fosse à distância. O projeto dela com as meninas cresceu e a visibilidade delas também estava lá, de uma maneira ou de outra nos impedindo de se aproximar o tanto que eu gostaria.
Passaram-se dois anos de encontros casuais, ou seja, e eu nos víamos só quando nós oito nos reuníamos. Como e as meninas estavam muito ocupadas com o 4Girls e outras coisas, os momentos que eu a via eram raros e essas situações só contribuíam para que eu achasse que já havia perdido tempo demais estando apaixonado por ela e nunca tendo feito nada.
Eu me acomodei a quase nunca estar por perto delas, consequentemente, perto dela. Realmente, me iludi achando que não dava mais tempo de tentar algo com . Nossa, eu nunca estive tão errado e apenas vi isso quando em uma das visitas que as meninas fizeram a banda, ela não apareceu. Eu vi entrar na sala. Uma. Vi passar pela porta. Duas. entrou sorridente. Três. São quatro, o total sempre deve ser de quatro meninas. Eu senti algo esquisito assim que apenas três meninas me cumprimentaram. Senti falta dela na hora.
Comecei a notar o padrão. Ultimamente estávamos nos reunindo muito em sete, mas não em oito. Sempre faltando. E eu sempre fingindo que não era comigo toda essa falta que só eu via, já que Luke que é o seu melhor amigo não se importava com a ausência da menina. Através do site e as redes sociais delas, eu conseguia saber que vinha em todas as viagens que as outras três faziam juntas, então algum motivo para ela ter sumido tinha. Toda essa falta de informação estava me consumindo. Imediatamente comecei a me culpar por não ter ficado em contato o tanto quanto eu sentia que precisava. Naquela reunião eu decidi descobrir o que tanto fazia para que não passasse um tempo comigo, quer dizer, com nós oito.
, eu estava reparando que estamos em 7. Está faltando alguém, né? — Comentei tentando disfarçar.
— Sim, é a . Ela está super focada num curso que está fazendo, ficou no quarto estudando. — me disse com um tom monótono.
— Ah... é sobre o que o curso?
— Na verdade, são dois. Um sobre moda e outro é um tipo mais intelectual, sabe? Tem muita matemática. — Ela completa dando de ombros. — Coisas da , sabe como ela é, né? Se não tem desafio, não tem graça.
— É, sei... — tinha um sorriso amarelo no meu rosto quando concordei com ela. Disse que precisava de mais bebida e saí de perto. Eram muitos pensamentos rodando na minha cabeça de uma vez só. E o fato d’eu sentir os olhos de queimando nas minhas costas como se ela estivesse tentando ver o que estava nas entrelinhas da minha fala não me ajudou em nada. Aquelas minhas perguntas aliadas com as suas respostas diziam muitas coisas para ambos.
Estava confuso, pois bastou passar dois anos sem ver da mesma maneira que eu a vi naquela festa para eu perceber o quanto eu ainda gosto daquela menina. Decidi que não valia a pena esperar mais por qualquer coisa. Mesmo que ela estivesse fora do meu alcance eu, pelo menos, não morreria sem saber que ao menos nem tentei.
Deixei a festa o mais rápido que pude sem que fizesse muito alarde nas pessoas. Fui até o meu quarto e assim que entrei lá senti uma necessidade de expulsar todo esse sentimento enclausurado dentro de mim. Achei meu caderno de anotações e com um lápis que estava jogado próximo a ele, comecei dizendo:

(N/A: Dê play na música agora.)

Back in high school we used to take it slow
(Na época da escola costumávamos ir devagar)
Red lipstick on and high heel stilettos
(Batom vermelho e salto agulha)
Had a job downtown working the servo
(Tinha um emprego no centro da cidade, trabalhando com o servidor)
Had me waiting in line couldn’t even let go
(Me deixou esperando, não podia te deixar)

‘Cause I never wanna be that guy
(Porque eu nunca quis ser aquele cara)
Who doesn’t even get a taste
(Que nem se quer sente o gosto)
No more having to chase
(Sem mais ter que perseguir)
To win that prize
(Para ganhar o prêmio)

You’re just a little bit out of my limit
(Você está um pouco for a do meu limite)
It’s been two years now you haven’t even seen the best of me
(Já fazem dois anos e você ainda não viu o meu melhor)
And in my mind now I’ve been over this a thousand times
(E na minha mente, eu já passei por isso milhares de vezes)
But it’s almost over
(Mas já está quase acabando)
Let’s start over
(Vamos começar de novo)

Back in high school we used to make up plans
(Na época da escola costumávamos fazer planos)
Called you up one day to meet split ends
(Te chamei um dia para nós resolvermos)

‘Cause I never wanna be that guy
(Porque eu nunca quis ser aquele cara)
Who doesn’t even get a taste
(Que nem se quer sente o gosto)
No more having to chase
(Sem mais ter que perseguir)
To win that prize
(Para ganhar o prêmio)

You’re just a little bit out of my limit
(Você está um pouco for a do meu limite)
It’s been two years now you haven’t even seen the best of me
(Já fazem dois anos e você ainda não viu o meu melhor)
And in my mind now I’ve been over this a thousand times
(E na minha mente, eu já passei por isso milhares de vezes)
But it’s almost over
(Mas já está quase acabando)
Let’s start over
(Vamos começar de novo)

Assim que a letra estava no papel eu sabia o que tinha que fazer. Peguei meu celular e com um toque, havia discado para . Não passaria daquele dia. O meu dilema seria resolvido. Bom, ele teria sido se ela tivesse atendido o celular. Ainda decido na minha missão eu não quis forçar muito, mas quando dei por mim, já estava discando para recepção do hotel e descobrindo qual era o quarto que ela se encontrava. Meio stalker da minha parte, mas não queria que nenhuma das meninas ou dos caras descobrissem sobre o que estava aprontando. Assim que a informação chegou até mim, não demorei em deixar que meus pés me guiassem até a porta dela.
Ao chegar lá, dei de cara com uma placa “Do Not Disturb” pendurada na maçaneta. Meu cérebro levou apenas milésimos de segundos para decidir que ignorar a placa seria uma boa ideia, pois quando dei por mim já havia batido na porta. Naquele momento o tempo parecia estar em slow motion apenas para me provocar e a incerteza da reação de apenas me trazia mais nervosismo.
Assim que um ser de pijama e enrolado em um edredom apareceu, eu achei que estava no quarto errado, afinal dizem que o amor nos deixa cegos, vai que aquele era o meu caso. Contudo, a voz doce de me deu a certeza de que estava no local correto.
— Nossa, Calum... é você? — Ela disse assim que me viu do outro lado da porta.
— Hmmm... sim... sou eu. Belo visual, a propósito. — Eu lhe disse com um sorriso genuíno. Vê-la me deixava feliz e ficava mais feliz ainda quando podia ouvir a sua risada.
Ela me convidou para entrar e a primeira coisa que reparei é que não estava brincando. Na pequena mesa que tinha no quarto, os mais variados tipos de papéis anotados e prestes a se tornarem anotações, junto com o seu tablet e um par de fones de ouvido que estavam próximos a um pequeno estojo com algumas canetas.
— Não repare a bagunça, estava estudando. — A menina disse enquanto se sentava em uma das camas.
— Imagina... nada que eu não esteja familiarizado... bom, pelo menos eu lembro de como era no ensino médio. — Disse com um pequeno sorriso e completei logo: — Está bem?
— Sim, estou ótima. Um pouco cansada da viagem, mas bem. — Ela me dá um sorriso que claramente demonstra o seu cansaço. Mesmo com toda a fatiga ela ainda se lembra de mim, pois logo soltou um: — E você? Está bem?
— Vou bem.
— Fico feliz que esteja bem. — E estava mesmo. Era visível em seu olhar o quão verdadeiro aquele sentimento era.
me disse que está fazendo cursos... espero não estar atrapalhando os seus estudos. — Eu disse sem jeito. Minha mente ainda maquinava um jeito de falar o que precisava. Daquele dia não passava.
— Imagina, Cal... merecia uma pausa. — Ela diz tirando o par de óculos do seu rosto. Meu deus, como ela ficava ainda mais bonita sem aquela armação.
— Hmmm... eu preciso te dizer uma coisa. — Comecei nervoso. Não podia voltar mais atrás. Era agora ou agora. Passei as mãos pelo meu cabelo o deixando bagunçado. Não importava como eu estava só precisava pôr aquelas palavras para fora de mim. Agora que já havia feito isso no papel, me sentia mais seguro em tentar dizer elas em voz alta.
— Pode falar. — Ela tinha um sorriso pequeno no rosto. Obviamente não sabia que eu estava prestes a mudar muitas coisas entre nós dois. Lentamente, eu encurtei a distância que nos separava. Foram apenas três passos e logo já estava de frente para ela. Levei em consideração que estava sentada na cama e que eu precisava olhar em seus olhos enquanto dizia as minhas palavras por isso me abaixei em sua frente.
Respirei fundo e disse no meu tom de voz mais baixo possível:
Eu estou apaixonado por você.
Os olhos dela se arregalaram. Suas mãos apertaram mais ainda o edredom a sua volta. Ela abriu e fechou a boca algumas vezes antes de fechar os seus olhos. Eu sabia que tinha feito um estrago na sua cabeça. Eu tinha arruinado tudo o que já tínhamos feito, mas precisava dizer isso. Precisei de todo meu autocontrole para não sair dizendo um monte de coisas que só a perturbaria mais ainda ou para simplesmente não levantar e sair dali sem saber o que ela diria, mas pior ainda foi usar esse mesmo autocontrole para não a beijar. Tinha muita vontade de atracar meus lábios nos dela, mas o medo de que me rejeitasse mais ainda me prendia no chão.
— Calum... como assim? — Ela ainda estava surpresa e muito parada. A sua voz saiu como um sussurro. — Desde quando?
— Não sei bem, mas quando dei por mim era assim que me sentia. — Eu disse do modo mais sincero possível. Queria que não tivesse duvidas do que eu sentia por ela.
— Me desculpe todo esse choque. Definitivamente não esperava nada disso vindo de você. — Ela disse ainda com a voz baixinha.
— Eu sei e não esperava nada de diferente. Eu que te peço desculpas... — comecei a dizer tentando não tornar tudo mais difícil. De repente, começo a achar que não foi uma boa ideia. Não devia ter dito nada, porém não gostaria de deixar passar essa oportunidade. Não podia ter sempre essa marca de que não havia ao menos tentado.
— Calma... eu precisava saber. Guardar qualquer tipo de sentimentos não faz bem a nenhuma pessoa. — Ela disse de modo calmo. Senti que esse era o momento que ela reagiria minimamente a informação que eu dei. Parecia que finalmente ela tinha superado o choque inicial e que estava processando melhor.
— Sei disso e foi exatamente por isso que te contei. — Minha fala sai com um certo tom de preocupação que eu não podia deixar transparecer. Já estava fazendo muito esforço para me manter firme e não jogar toda a minha calma para o alto. É, talvez aquele não tenha sido o melhor momento para fazer essa revelação.
— Calum... olha... eu não sei bem como reagir, quer dizer, ninguém nunca me disse algo assim. Eu te entendo, mas ainda estou em choque com tu...
Eu não consegui me segurar e quando vi minha língua fez favor de interromper a menina para dizer:
, eu sei. E por saber que o elemento surpresa mexeu contigo, eu vou te dar um tempo. Você não precisa me dizer nada agora. O melhor é que você reflita.
não me disse nada, porém o seu silêncio era muito para mim. De relance vi que não havia nada que eu pudesse fazer naquele momento, pois tudo o que eu falasse só a deixaria mais na dela. Respirei fundo e a vi soltar um suspiro pesado. A minha presença pós revelação não parecia uma boa ideia. Antes de sair, eu me levantei, afinal minhas pernas não eram de ferro e já começaram a doer dado a minha posição. Levantei, andei de um lado ao outro na tentativa de me acalmar, só que isso não acalma. Aliás, o que eu podia esperar de um movimento que nem funciona nos filmes? Criei coragem e finalmente dei uma boa olhada nela. Pensei bem no que falaria. Qualquer palavra mal colocada podia significar um não da parte dela. Esse risco eu queria eliminar.
, sinceramente, eu estou apaixonado por você. Não sei ao certo quando percebi isso, mas desde que eu me vi nessa situação me mantive quieto. Nós éramos amigos, no ensino médio, cheio de planos e tudo o que eu não queria era estragar nossa relação. Dois anos depois, eu sinto esse aperto no peito. Essa coisa de nunca ter dito nada, e ao mesmo tempo não conseguir seguir em frente, ter medo de fazer isso com qualquer outra pessoa e no futuro sacar que eu e você poderia ter dado certo, sabe? Não quero isso. Não mesmo. Podemos não ficar juntos para sempre, e acredite que isso não é o que quero, mas se for isso o que você quer, eu ao menos terei a mente limpa de que tentei. Eu só quero uma chance. Eu quero que eu e você, nós, tentemos dar certo. — Soltei um suspiro de alívio que nem eu sabia que estava preso e em seguida completei com: — Eu sei que isso deve ter deixado você confusa. Vou te dar espaço. Tempo para pensar. Pode me procurar quando já tiver uma decisão.
Antes de sair do quarto, fui até ela e depositei um beijo em sua testa. Ela não me afastou, mas fiz questão de ser rápido. Não queria demorar demais a ponto de ela achar que estava forçando a barra, por isso assim que terminei o beijo caminhei até a porta e saí.
Todo o caminho até o meu quarto parecia infinito. O elevador parecia demorar mais que o necessário. Abrir a porta parecia mais complicado que o normal. Eu sei que saí de lá sabendo que deveria ter o mínimo de paciência, mas agora que, finalmente, contei a ela como me sinto, as coisas mudaram. O misto de alívio com a sensação de que somente algo divino me dará a calma que eu vou precisar para esperar essa resposta é real.

As primeiras 24 horas pós confissão foram complicadas. Segui os planos da agenda da banda, sempre tentando não deixar os meninos verem como eu estava apreensivo. Passei o dia olhando a tela do meu celular, qualquer movimento ou barulho vindo dele eu já estava checando se não era a minha resposta. Dia vai, noite vem e nada da resposta.
Sete dias se passaram. Uma semana se foi. Tomei todo o cuidado para não parecer super preocupado com o assunto quando estava perto do pessoal. já devia saber porque sempre me olhava como se, por ela, pedisse mais um tempo. Eu nunca lhe perguntava nada e para mim fazer isso era melhor. Eu só queria saber do que viria de . Qualquer palavra de outra pessoa em nome dela, eu não acreditaria. Como fez uma semana e nada da resposta, resolvi mandar uma mensagem para .

“Oi. Sigo esperando por você. Leve quanto tempo precisar. ”

Assim que enviei a mensagem desliguei o celular. Não me colocaria de novo na agonia de esperar por mais essa resposta. Fechei meus olhos, respirei fundo e bem no fundo da minha mente fiz uma prece para que tudo desse certo.
Quando em turnê não é legal ficar incomunicável por muito tempo, então não pude simplesmente me desligar de tudo para evitar a aflição da espera. Muitas meninas pensam que nós caras não sofremos com a demora de uma resposta, sinto dizer que nesse ponto somos iguais. Ainda mais sabendo que a pessoa leu a resposta.
Mais sete dias se passaram. Eu levei esses dias focando no trabalho. Eu procurei me envolver em tudo dando 110% de mim. Não era sempre que eu conseguia, mas ocasionalmente eu estava com a minha cabeça somente para os meus fãs e para os assuntos relacionados com a banda. De algum modo, se embrenhava na mente e nunca mais saía. A essa altura do campeonato, os caras já estavam notando e o restante das meninas também. Naquele dia não fiz nada sobre tudo aquilo, porém aos poucos já começava a me sentir inquieto.
No dia seguinte, decidi que não podia esperar mais. Seria o último dia das meninas com a gente naquela parte da turnê. Não podia deixar passar mais tempo. Mesmo sabendo que tinha dito que lhe daria espaço, eu simplesmente decidi ignorar isso. Parte de mim me convence de que dei espaço o suficiente, afinal foram duas longas semanas, outra parte quer que eu espere por uma eternidade porque tem medo de receber uma resposta negativa de . Rendo-me a parte mais corajosa, ou doida mesmo, e me arrumo para ir lá no quarto dela e perguntar a sua resposta.
O trajeto até lá passou muito rápido, quando dei por mim já estava na porta. Bati com dois toques curtos. Apoiei-me no portal da porta, na espera de que alguém me atendesse. Assim que ouvi passos próximos a porta troquei de posição e pus as mãos nos bolsos da calça que usava.
— Calum... Hmmm... oi. — me atendeu. Dessa vez ela não estava de pijama e nem estava enrolada num cobertor. Os seus óculos estavam lá, mas tinha o adicional de um nariz vermelho com a voz quebradiça quando disse o meu nome assim que abriu a porta.
— Oi, . Tudo bem? — Eu pergunto tentando não transparecer o meu receio em estar lá.
— Sim, sim. Você? — Ela me responde, fazendo menção para eu entrar.
Passei para dentro e percebi que o quarto estava levemente bagunçado. Tinha malas abertas em cima da cama. Ela devia estar se preparando para ir embora.
— Vou indo. — Disse baixinho. Ver o quarto daquele jeito me fez cair na real.
— Que bom... Cal, olha e...
Não deixei que dissesse muito. Pelo jeito o medo era tanto que não podia ouvir nada, só precisava dizer.
— Desculpa te interromper, mas, por agora, apenas me escute, por favor. — Pedi e ela com um aceno de cabeça fez que sim.
Respirei fundo e comecei o discurso que daria um final naquela situação:
— Eu sei que disse que te daria tempo, quanto tempo você quisesse para pensar, mas não posso mais esperar. Se passaram duas semanas. Duas semanas inteiras que fiquei agonizando aos poucos por uma resposta. Eu não estou aqui para te culpar por como senti, afinal o que eu te disse deve ter feito um estrago maior, mas o que são duas semanas, perto dos dois anos que eu deixei que se passasse sem dizer nada sobre como me sinto? — Soltei a respiração e caminhei até ficar mais próximo dela. — O ponto é: não posso deixar que você vá embora sem me dizer algo. Sei que recebeu aquela minha mensagem. Não posso deixar que essas duas semanas aos poucos se tornem mais dois outros anos. Então, o que me diz?
— Calum Thomas Hood, você fala demais. — começou a falar. Até fiz menção de interromper para que me explicar, mas ela percebeu e logo se aproximou o suficiente para usar uma de suas mãos para tapar minha boca. — Se me deixasse falar ia saber sobre como me sinto. Agora é a sua vez de me escutar, sem falar nada até que eu lhe permita, ok?
Respondi um “okay” abafado porque ela ainda mantinha a sua mão sobre a minha boca. Ela deu um sorrido divertido e finalmente tirou a mão de lá. Apenas para reafirmar que ficaria calado, fiz um movimento com a mão direita passado por cima dos meus lábios como se um zíper tivesse sido fechado.
— Ótimo. Então vamos lá... — ela disse ainda com um sorriso no rosto e a forma como ela mantinha as mãos sempre brincando com os botões do casaco que usava, denunciavam que ela estava nervosa. — Quando você apareceu naquele dia aqui e saiu dizendo aquilo, eu realmente fiquei surpresa. Você provavelmente não sabe disso, mas nenhum menino me confessou ter sentimentos pela minha pessoa. Portanto, o seu “eu estou apaixonado por você” foi uma surpresa enorme, tipo, grande mesmo. Desde que você deixou esse quarto de hotel, eu tenho pensado muito. Pensei em como nossa amizade é realmente importante, mas pensei mais ainda sobre se você já deixou transparecer esse sentimento em algum momento que estivemos juntos. Estranhamente lembrei daquela festa na casa de algum conhecido nosso. Teve uma hora que você foi super fofo comigo, eu lembro que suspeitei e perguntei para a se ela sabia de algo, porque vocês são bem próximos, mas ela disse que não e que era coisa da minha cabeça e que você devia estar gostando de outra pessoa. Na época preferi acreditar nisso, porque se você gostasse de mim, eu te diria não. Nesse momento eu sei o que sinto e eu acho que não sinto algo por você dessa magnitude. Eu não estou apaixonada por você, Calum. Não mesmo. E isso não vai ser uma cena fofa em que eu terminaria dizendo que te amo. Eu te amo, só não do jeito como você quer que eu te ame.
Por dentro eu estava acabado, por fora eu era uma fortaleza, apenas mantive minha melhor cara séria como se aquilo não tivesse me dado um soco no estômago. Como ela tinha coragem de me dizer tudo isso?
— O ponto é que: todas essas frases soam horríveis. Eu me sinto mal só por ter que dizê-las. Mas tinha que fazer isso, precisava tirar essas coisas de dentro de mim. Essas frases não são para você. Não se preocupe com elas. Quer dizer, são para você, mas não desse jeito.
Minha cara de confuso deve ter sido muito engraçada porque começou a rir.
— Desculpa. Eu não sei se estou rindo da sua cara de confuso ou se estou rindo de nervoso. Me deixa explicar. Está bom?
Como não sabia se podia falar ou não, apenas concordei com a minha cabeça.
— Ok. Eu precisava ter a sensação de dar um fora. Ai meu Deus, isso soa tão . Eu gastei duas semanas pensando no que dizer e chega agora eu faço isso. Como assim? Desculpa. Agora é sério, presta atenção. Nesse momento, eu sei o que sinto e eu acho que ainda não sinto algo por você dessa magnitude. Eu ainda não estou apaixonada por você, Calum. Eu gosto de você. Eu quero tentar. Eu quero que, eu e você, nós tentemos dar certo. Eu ainda não estou apaixonada por você, mas quero estar. Eu gosto o suficiente de você para embarcar nessa coisa toda. Isso se você quiser, é claro.
Ainda não sabia se podia falar ou não, mas isso não me impediu de deixar um longo suspiro de alívio sair de mim. Mesmo sabendo que ela não sentia tudo da mesma forma que eu, só o fato de saber que ela queria tentar era o suficiente.
— Calum, por que não fala nada? Pode me dizer o que acha. Sem medo. — Ela diz assim que suas mãos novamente encontram os botões do casaco verde que ela vestia.
Depois dela ter me dado a permissão de me expressar, finalmente pude demonstrar melhor o quão feliz estava em ter ouvido tudo aquilo que ela me disse.
— É claro que eu estou disposto a tentar. Eu sei que vamos conseguir. Nós vamos conseguir. Juntos. Você pode ainda não gostar de mim, mas aos poucos vamos nos acertando. Você vai ver que vamos dar certo. — Lhe disse com a maior das maiores convicções sobre o que queria.
Eu podia ser jovem e não saber de muitas coisas, mas tinha certeza do que sinto por e que quero estar com me dava forças para tentar sempre.
— Olha, Calum, eu quero te avisar que vai ter que ser tudo bem devagar – ela enfatizou o “bem” –, porque, assim, eu não quero correr com as coisas e tudo tem o seu tempo. Se a gente for com calma, vai dar certo. Você tem a banda e eu o 4Girls, muitas incompatibilidades de agenda, mas eu sei que aos poucos podemos fazer isso dar certo. — Ela disse ainda brincando com as mãos. Dessa vez o casaco não parecia tão interessante assim. Eu sorri concordando com tudo.
— Vai ser tudo do jeito que você quiser. Sem pressa, na mais pura calma. Eu só quero estar com você e agora eu posso estar com você, eu fico feliz. Só isso me basta. — Tive que dizer isso para deixar claro que seria tudo como ela quer.
Durante o seu discurso, se distanciou de mim. Aos poucos dei passos para encurtar a nossa distância. Mais do que nunca eu queria beijá-la. Assim que estávamos próximos o suficiente, eu não pude conter meus olhos de fitarem a boca dela.
— Cal, você está olhando muito para mim. O que foi? — Ela pergunta tímida.
— Eu quero te beijar. É só isso. — Eu digo sorrindo de lado.
— Quê?
— Posso? Eu posso te beijar? — Eu finalmente pergunto ainda com o meu sorriso de canto no lugar.
Eu a vi mudar o peso dos pés e abaixar a cabeça. Aparentemente, ela ficou com as bochechas coradas. Foi aí que eu me toquei que ela provavelmente não tinha feito isso ainda.
— Hmmm... Cal, eu não sei... quer dizer, sim... eu não sei... — ela falava gesticulando com as mãos.
Eu cheguei mais perto ainda do que estava e, com a voz baixa, lhe perguntei novamente:
— Só se você quiser e se você deixar.
— Então... eu deixo. Quer dizer, eu quero que você me beije. — Ela disse testando como aquelas palavras saíam de sua boca. Apesar de ser um teste, pelo tom que as palavras dela tinham era algo sério, por isso não hesitei ao dizer:
— Então pode ser agora?
com um ato de puro nervosismo ao me ver chegando mais perto ainda dela, apenas assentiu que sim. Não demorei muito para que meus lábios e os lábios dela finalmente se tocassem pela primeira vez. Adoraria dizer que foi mágico e que nossas bocas se encaixaram perfeitamente, mas nada disso aconteceu. Beijar era novo, me fez parecer um garoto que nunca tinha beijado e o fato dela não ter nenhuma experiência com beijos não ajudava muito.
Assim que desgrudamos as nossas bocas, ela me olha sorrindo e diz:
— Preciso te contar uma coisa.
— Pode me falar qualquer coisa.
— Ok. Eu estava gripada, resfriada. Ontem foi a minha última dose de remédio. Eu sinceramente espero que você não fique doente. — Ela tinha uma carinha meio aflita que trazia um sorriso amarelo.
— Olha... essa não era a melhor hora para revelar isso, mas obrigado por me contar. Não se preocupe, já foi. Não tem mais como destrocar a saliva. — Eu disse com sorriso no rosto.
Como ainda mantinha a cara vermelha e não parecia querer acreditar que agora não se podia chorar pelo leite derramado, resolvi beijá-la novamente para provar que estava tudo bem e para poder continuar praticando até que nosso beijo desse certo. Ela recebeu o beijo com surpresa e mesmo assim retribuiu.
— Bom, agora que nós estamos juntos, o pessoal tem que saber também, né? Então eu pensei em te desentocar desse quarto e aí a gente vai espalhar só para eles, por enquanto, que isso aqui está rolando. — Eu disse sorrindo. Sim, eu literalmente não podia conter a minha felicidade, porque eu queria muito essa garota e agora que a tinha, o mundo todo precisava saber disso. Mas como ela quer calma, eu me contento em apenas sugerir que os meninos e as meninas saibam que nós somos um casal.
— Hmmm... por mim tudo bem. Vamos lá... — disse dando ombros num sinal de tanto faz.
Antes de sairmos do quarto eu lhe beijei novamente e assim que nossos lábios se descolaram, demos as mãos e saímos do quarto juntos.
FLASHBACK OFF

Calum’s POV.
— E desde aquele dia, eu e estamos juntos. — Terminei de contar.
A reação de ao descobrir isso e principalmente o meu lado da história foi muito boa pois ela logo veio me dar um beijo rápido. Ela tinha disso de ser tímida quando estávamos em público. Agora sabia que “Out of My Limit” era dela e somente dela. Nada tiraria aquela música ou eu mesmo da vida daquela menina. Se depender de mim nossa relação seria para sempre.
Ashton ficou surpreso porque não conhecia essa história com tantos detalhes, e eu mesmo não a contaria com todos esses pormenores, mas como a estava ouvindo e ela estava super curiosa, eu apenas contei tudo.
Em um dos momentos que eu contei tudo, Ashton se sentou na cama, mas agora era como se houvesse um formigueiro por onde ele pisava porque desde que eu terminei a história ele andava de um lado ao outro.
— Ash, toda essa andança vai desgastar o assoalho atoa. Melhor você pôr para fora isso aí. — disse depois de uns segundos observando o comportamento dele. Eu mesmo sabia que de alguma forma ele estava maquinando algo.
— Pode contar com a gente. De verdade. — Eu lhe disse na tentativa de fazer ele parar, mas como não adiantou, deixei lidar com isso.
— Ashton Fletcher Irwin, pode parando e falando tudo. — se pôs na frente dele em um dado momento.
— Ok, ok. Eu acho que preciso de tempo para organizar o que sinto. Ainda me sinto errado. Olha, com Calum foi diferente, pelo o que ele mesmo contou, ele sempre soube que gostava de você, não teve dúvidas. Mas eu não. Eu nunca gostei dela, pelo menos não como Cal sempre viu você. — Ashton cospe essas palavras com um tom duvidoso sobre si mesmo quanto a tudo o que ele vem sentido por .
— Olha, eu posso te ajudar. No começo é confuso e a gente, e eu digo a gente porque eu estive me sentido como você quando comecei com o Calum, não tem certeza de nada, mas só o fato de você querer estar com ela e de querer tentar já muda tudo. Eu sei que agora é confuso, mas se permita esse tempo para pôr em ordem os seus sentimentos. Não os esconda durante muito, muito muito tempo, como o senhor meu namorado fez, porque é uma menina linda, inteligente e divertida que é muito esperta e que sabe cuidar se si mesma. Se alguém aparecer antes de você e ela quiser ter algo com essa pessoa não haverá nada e nem ninguém que possa impedi-la disso. Por isso que eu digo que o que ela tem de qualidades, é o mesmo tanto que ela tem de teimosia e você não vai querer passar muito mais tempo do que ela vai te fazer passar, porque acredite ela vai fazer isso só para se proteger, brigando por esse relacionamento.
— Olha cara eu completamente assino embaixo do que ela disse. Com a eu sabia de primeira que se eu me senti assim era porque eu realmente estava na dela. Com você pode, já está sendo para falar a verdade, diferente. Põe sua cabeça em ordem e lute pelo que você quer, ou assuma as consequências das suas escolhas. — Eu disse a ele sendo super sincero e não podia ser diferente.
e eu observamos Ashton assumir um olhar mais pensativo. Então me toquei que ele realmente precisava de um tempinho só. Disse a que iria levar ela de volta ao seu próprio quarto e ela pediu para se despedir dele. Eu apenas disse um “já volto” para ele enquanto andava em direção a porta do quarto e de lá mesmo assisti dizer algo para ele, ele lhe responder e ela depois dar um beijo na bochecha dele. Ela veio andando na minha direção com um sorriso de criança, toda empolgada.
Uma. Duas. Três. Quatro. Cinco. Seis. Essa era a quantidade de portas que separavam os nossos quartos. Assim que paramos em frente a porta do quarto, pegou na minha mão e diz:
— Como diria a própria , essa fanfic vai ser muito boa de ver.
— Quê? — Sem entender nada do que ela estava dizendo, eu lhe pergunto.
— Antes d’eu sair do seu quarto, Ashton me disse “não sei ainda pelo que estou lutando, mas sei que quero ganhar a briga. ”
Eu soltei uma risada leve e me acompanhou. A nossa risada não durou muito, pois logo me permito viajar dentro dos olhos castanhos que o par de óculos de guardam. Ela me abraça forte. Eu retribuo da mesma maneira. Sinto-me grato por ter essa garota especial ao meu lado.
— Olha, Cal, eu sei que já disse isso outras vezes, mas só para deixar bem claro, transparente mesmo. Eu estou e sou apaixonada por você. Eu amo como todos os dias nós dois tentamos e conseguimos dar certo. Mesmo que nossos gostos não se cruzem muito, mesmo que eu pareça um cupcake rosa ao seu lado quando você usa as suas roupas surradas e pretas que faz você parecer um cara super descolado para os outros, mesmo quando nossas agendas não deixam a gente se ver direito, mesmo com a nossa diferença de altura. Acima de tudo isso, vem o meu amor por você. Eu te amo, Cal, e eu quero que saiba disso.
Não pude fazer nada a não ser beijá-la. Nada que eu dissesse poderia demonstrar o que eu sentia naquele momento. Quer dizer, talvez uma coisa pudesse.
— Eu te amo, .
Depois desse momento incrível, eu coloquei aquela menina na cama. A cena era linda, estava toda enrolada nos cobertores, usando o seu pijama de ovelhinhas. já estava dormindo com a televisão ligada quando entramos. Certifiquei-me de apagar as luzes e fechar a porta do quarto antes de sair.
Caminhei até o meu quarto pensando em como demorou para que eu e fossemos o que somos hoje, mas não vi isso como algo ruim, e sim como algo que precisava desse tempo mesmo para que desse certo. E nossa como tinha dado certo. Assim que cheguei no meu quarto, cuidei de mim mesmo e me joguei na cama. Fui dormir me sentido o cara mais feliz e sortudo do mundo e não tinha nada e nem ninguém que pudesse me convencer do contrário.


Capítulo 03 – Disconnected

Música do capítulo: Disconnected – 5 Seconds of Summer


’s POV
“Obrigada por assistir. ”
“Obrigada por assistir. ”
“Obrigada por assistir. ”
“Obrigad-”
Eu tomei um susto quando senti a mão de alguém tocar o meu ombro. Geralmente não tomo sustos assim, mas naquela semana eu era a responsável por editar os vídeos do 4Girls e estava aproveitando um tempinho livre dentro de uma das salas de reuniões do hotel. Uma revista teen do Brasil finalmente notou nossa atividade e aproveitou a presença de uma correspondente deles nos EUA e quando dei por mim tínhamos uma entrevista marcada para hoje de tarde.
ainda repousava a sua mão no meu ombro, mas seus olhos estavam na tela do meu laptop. Aparentemente o fato d’eu estar corrigindo o áudio do momento final era mais interessante. A minha visão periférica não me permitiu ver muito mais que uma parte do seu rosto que estava maquiado. Usar maquiagem é uma das várias coisas que a gente faz para dar entrevistas.
depois de perceber que tinha conquistado minha atenção finalmente disse algo.
— A menina da entrevista já chegou. Vamos lá? — Ela disse enquanto me sacudia de leve pelos ombros.
— Okay... — eu lhe disse de forma arrastada. Não estava muito a fim de ir lá, só queria terminar o meu trabalho com o vídeo. Na tentativa de ganhar mais uns minutinhos longe da entrevista, eu disse com um sorriso: — eu vou salvar esse progresso de edição e já estou indo lá.
— Eu te espero. — Ela me diz com um sorriso nos lábios rosados pelo batom.
Voltei meus olhos para o computador que estava na minha frente. Fiz todos os processos necessários para armazenar meu trabalho em melhorar o vídeo que estava mexendo. Suspirei em aceitação ao compromisso do momento e recolhi o meu MacBook Pro e os fones de ouvido que usava.
Caminhamos juntas até a sala que a tal repórter arrumou para a entrevista. e já estavam lá encarando uma moça morena que aparentava ter a idade próxima da nossa e não tirava os olhos da tela do seu celular. Aquilo, de algum modo, me irritou, era só que me faltava ela ser metida ou algo assim.
Limpei a garganta para que a minha presença com fosse notada. Prontamente, e sorriram e a menina levantou os olhos da tela.
— Ah... oi. — Ela me disse.
— Olá, como vai? — Tentei me esforçar para não parecer irritada ou algo do tipo.
— Bem, obrigada. — Ela me responde.
Sentei-me no espaço livre ao lado da e segurei no meu colo o laptop e senti o bolso do moletom que usava pesar já que o fone e o meu celular estavam lá.
— Acho que podemos começar. — disse.
— Sim, claro. — Afirma a repórter.
Eu estava muito apreensiva porque esperava alguém mais simpática. A vibe dessa moça não estava muito boa naquele momento, pelo menos não para mim. Estava torcendo para ser apenas coisa da minha mente quando está nervosa.
— Eu mandei um e-mail para assessoria de vocês sobre os termos da entrevista, mas eles responderam falando que resolveríamos isso no dia da entrevista. Fiquei muito confusa. Vocês sabem algo sobre? — A entrevistadora pergunta enquanto ajeita os óculos que pareciam ser apenas para compor o visual.
— Nós somos a nossa assessoria. Se não houver problema, podemos discutir isso agora. — disse exibindo um sorriso amigável com os seus lábios de tom vermelho por conta da maquiagem. A única resposta que obteve da entrevistadora foi um aceno afirmativo com a cabeça.
Dar entrevistas me deixava muito nervosa porque sempre sinto como se pudesse me envergonhar muito durante as repostas. O fato das três meninas estarem comigo, ao meu lado, ajuda, mas ainda fico com essa sensação. Respirei fundo para tentar me livrar desse sentimento.
— Tenho aqui nesse caderno algumas perguntas sobre os temas que eu comentei, vocês podem ler elas. Tudo bem se eu gravar a entrevista? — Ela pergunta enquanto estende o tal caderno de capa listrada em nossa direção.
pegou o caderno e começou a ler. Não sei de onde ela tirou uma caneta, mas assim que ela o tinha nas mãos começou a riscar as perguntas que não responderíamos.
— Meninas, tudo bem se a entrevista for gravada? — A jornalista questionou novamente.
Eu olhei diretamente para ela e dei de ombros, mas sai respondendo por todas nós enquanto entrega a menina o caderno. desde o começo do 4Girls tomou para si essa responsabilidade de ser a pessoa que cuida da agenda de nós quatro como um grupo. Ela sempre lutou contra o espírito bagunceiro que vive nela, depois de umas trapalhadas ela finalmente pegou o jeito e agora comanda tudo em relação a isso. Em raros momentos eu a via pedir a uma mãozinha.
— Desculpe por tantos riscos, mas não responderemos as perguntas que estão escondidas por eles. E quanto a gravação, eu peço para que nós gravemos também. Sabe como é, né, só por segurança.
A jornalista observa o “estrago” que fez em seu caderno procurando parecer indiferente quanto a isso. Apenas balança a sua cabeça concordando com o que minha amiga disse e procede em configurar o seu celular para o pôr em uma pequena mesa que estava nos separando dela a fim de que ele grave as nossas respostas. fez o mesmo.
Aquele era o sinal que em breve as perguntas começariam. Respirei fundo mais uma vez. fez questão de que a jornalista se apresentasse para mim já que não sabia quem ela era. A tal menina fez questão de se introduzir como Malu, mas eu nem tentei falar o seu nome, minha língua daria um nó com essa palavra em brasileiro. Mesmo depois de anos convivendo com , e e mesmo sabendo uma coisa ou outra em português, eu preferia evitar certas palavras para não passar tanto mico. aproveitou para me explicar que tinha dito a Malu que poderia fazer as perguntas em português, mas que se eu não entendesse nada que era para falar. Malu também me garantiu que falaria devagar para que eu entendesse e que podia responder em inglês sempre.
Então a entrevista começou. Malu nos questionou sobre tudo o que podia. Desde nossa amizade, como vivemos até questões amorosas. Confesso que eu tremi na base com a famosa pergunta “como anda o coraçãozinho de vocês? ”, mas me desmanchei de rir junto com Malu, e com a resposta que deu. Ela respondeu que todas nós temos um ótimo cardiologista e por isso não tem nada de errado com os nossos corações. Quando todas paramos de rir, respondeu direito à pergunta dizendo que era a única solteira do grupo. Malu não era boba nem nada e já foi logo perguntando quem eram os donos dos nossos corações.
— Olha Malu, acho que você devia ter dado uma pesquisada melhor sobre nós. Como assim você não sabe quem é o dono do coração delas? — disse de um jeito muito espontâneo, como se todos fossem obrigados a saber sobre com quem nós estamos saindo.
A reação de nós quatro, com essa fala, foi muito rápida. e ficaram claramente chocadas com a franqueza dela. Já eu fiquei com vergonha alheia pelo o que foi dito. Coitada da Malu.
— Mas não se preocupe. Eu explico tudo. — continua a dizer. Parecia que ela estava doida para contar um fato que era muito velho. — Elas namoram os meninos da 5 Seconds of Summer. namora Calum, está com Mikey e minha prima e Luke estão juntos. Eu estou solteira e o quarto membro deles também. Nós oito somos amigos e nesse exato momento vivemos como uma grande família porque nós estamos acompanhando esse lado da turnê.
Uma pequena onda de alivio veio em minha direção. Pelo menos dessa vez ela não completou a vergonha anterior com uma nova. Momentos como esse que eu acabei de presenciar, me davam certeza de que a sinceridade de não tem muitos limites.
— Aproveitando o gancho, por que vocês não me contam mais sobre isso? Como é namorar um rockstar? — Malu espertamente aproveitou a oportunidade.
— Namorar um rocks- — foi interrompida por .
— Acho que elas só vão falar coisas boas. Talvez seja melhor eu contar sobre eles. Afinal eu os conheço tanto quanto elas. Bom... eu não beijei nenhum deles, e acho que elas não vão querer falar sobre essa parte em si, mas...
, pode parar de fazer a gente pagar mico? — Quando dei por mim esta frase tinha saído pela minha boca. Acho que ela apenas refletia como eu me sentia. Queria sentir um alivio por não estar indo mal durante a conversa, mas parecia que tinha realmente escolhido aquele dia para soltar o verbo.
As meninas começaram a rir do que eu disse e a atmosfera ficou um pouco mais leve. Nada que uma boa risada com minhas amigas não resolvesse.
— Na verdade, é um ponto de vista muito interessante. Por que não a garota solteira falando sobre os seus relacionamentos? Que tal, meninas? — Malu ficou esperta demais muito rápido. Eu literalmente gelei na cadeira e de um jeito que não tinha casaco que me esquentasse.
Não me levem a mal, eu amo muito a minha amiga . Ela é uma flor de pessoa, mas é espontânea demais. Demais mesmo. Depois das últimas pérolas dela no início da entrevista eu já temia o que podia vir dela.
— Acho melhor não, ela vai avacalhar com nossos namorados. — disse ainda com um sorriso nos lábios.
— Eu acho que vocês poderiam ter um pouquinho mais de fé em mim. Poxa, girls, eu nem tinha pensado nisso. Agora se eu falar mal deles é culpa da . — disse gesticulando muito e arrancou mais uma rodada de risadas.
— Malu, você acordou um monstro. Não tem ideia do buraco onde se enfiou. — disse rindo.
— Nossa, vocês falam de mim como se eu fosse uma pessoa horrível. Mas isso não importa, eu ainda amo vocês. — disse fingindo-se de ofendida e superior ao mesmo tempo.
— Bom, , eu amo aquela expressão spill the beans, ou seja, pode contar tudo. Tim tim por tim tim. — soltou uma risada gostosa com a fala de Malu.
limpou a garanta e contou o suficiente. Nada muito comprometedor, apenas o quão fofo eles são conosco. Fez até um comentário sobre como o Michael é um cupcake vestido de emo-punk. Eu tive que concordar porque aquele menino é muito fofo e todas aquelas roupas nem escondem muito bem quem ele é. Ele literalmente é uma pessoa super amorosa com todo mundo, talvez não pareça, mas é quem ele é.
Depois de muitas outras perguntas, finalizamos a entrevista. Tiramos umas fotos para que o pessoal da revista pudesse escolher as melhores para ilustrar a matéria. Malu pediu uma foto conosco, aproveitamos a chance e tiramos umas fotos com ela para fazer a divulgação sobre essa entrevista nas nossas redes sociais.
Assim que nós quatro nos despedimos de Malu e a vimos deixar a sala de tom bege em que estávamos, eu virei para as três e disse: — Okay, por que me fez passar tantos apertos durante essa entrevista? Achei que ia me derreter em uma poça de vergonha.
No meio dos risos delas, achou forças para responder com um tom fake de ofendida:
— Querida, eu salvei essa entrevista de ser tão chata. Depois pode conferir o áudio.
— Detesto concordar, mas a Malu meio que veio obrigada a fazer essa entrevista. Geralmente, os jornalistas são mais soltos pois sabem que somos jovens, só que a Malu veio até meio despreparada. Como ela não sabia quem nós namoramos? Tenho certeza que eles têm uma fanbase brasileira boa. — disse tentando ser a mais racional.
— Mesmo assim ela foi até que legal com a gente. Foi normal, nada de novo, a típica coisa de entrevistas. — Disse como se fosse a coisa mais normal de todas. É claro que de vez em quando dávamos uma palavrinha ou outra com a impressa, mas nada que pudesse ser considerado tão rotineiro. Pelo menos não para mim.
— Ok, ok. Vocês são muito desinibidas para andar comigo. — Disse rindo e consequentemente as fiz rir também.
— Vou acreditar nisso. — Disse exibindo os seus dentes brancos.
— E mesmo que não quisesse acreditar, você não pode ficar para debater a ideia. — fez uma cara confusa com o que disse. — Claramente, você não lembra que tem fotos para tirar? Quem mandou ser a fotografa oficial? Agora tem fotos minhas e da para fazer e editar.
— Posso até tirar as fotos hoje, mas depois e você vão me levar naquele lugar de comida que vocês estavam falando ontem. — disse isto com o mesmo jeitinho que uma criança diria na tentativa de barganhar algo com os pais.
Assisti, com um sorriso no rosto, e cederem a pequena barganha de . Parece que ela ganharia a melhor das recompensas depois de trabalho, em segundo lugar depois do dinheiro, comida. Enquanto saíamos da sala para cada uma cumprir suas atividades, eu disse:
— Vou terminar de editar esse vídeo e agendar a postagem dele para a data certa. Mas aceito uma porção de batatas fritas de qualquer lugar.

As meninas seguiram em uma direção oposta da minha. Minha companhia para aquele momento eram o meu MacBook Pro e os fones de ouvido. Com passos friamente calculados para não tropeçar, mesmo que eu estivesse usando um par de tênis tinha medo de cair ainda mais com o meu laptop na mão. Voltei ao cômodo que estava e consegui usar a mesma mesa que estava antes. Fiquei feliz porque o meu lugar continuava ali. Parece besteira, mas eu marquei aquilo como meu, mesmo que o assento não fosse meu de fato. Quer dizer, não tinha o meu nome escrito nele, mas era meu. Assim que sentei, me senti uma criança de escola por me sentir tão confortável no “meu” lugar.
Passei mais algum tempo acertando o áudio daquele vídeo e quando o finalizei, me concentrei em editar mais um vídeo meu sobre games. Passei tanto tempo concentrada na edição que tomei um novo susto quando senti meu celular vibrar no bolso da blusa de moletom que usava. O retirei de lá e li a mensagem.

[Mikey ❤]: Love, eu acabei com os ensaios para o show de hoje. Estou voltando para o hotel porque os caras querem ir com as meninas para arena.

Não precisava daquela mensagem para me arrancar um sorriso genuíno, bastava eu ter lido no visor “Mikey ❤”. Ele nunca precisava fazer muito para me deixar feliz era só falar em comida ou trazer um novo jogo para gente testar. Quase que imediatamente, eu gastei uns segundos sorrindo feito boba para tela, respondi.

”Essa é a minha deixa para subir e me vestir, não? :P”

[Mikey ❤]: Ah, é sim. Essa é a sua deixa para ficar mais gata ainda. Te amo.

Ri comigo mesma e com um simples “Ok. Te amo também. ”, mais uma vez juntei tudo e saí do local em que estava confortável editando. Peguei tudo e segui em direção ao meu quarto compartilhado com . Essa vida de turnê fazia com que nós quatro revezássemos as duplas quando escolhíamos os quartos. Dessa vez a não tão sortuda era eu porque é meio bagunceira. Puxou a prima, eu diria.
Assim que o elevador chegou no andar dos nossos quartos, que eram vizinhos, diga-se de passagem, guiei os meus pés até a porta que tinha o número 711 e com a chave em forma de cartão abri a porta para encontrar com suas pernas de fora andando de um ponto ao outro do quarto.
— Ops... acho que tem alguém meio agitada. — Eu disse enquanto me dirigia ao local seguro onde eu sempre deixava o meu MacBook Pro e os demais itens de tecnologia que eu levava comigo em todas as viagens.
— Eu só estou tentando encontrar a melhor roupa para usar no show de hoje. — Ela disse quando passou por mim indo em direção ao banheiro.
— Eu acho que se você juntar todas as roupas que você já espalhou pelo quarto pode acabar achando algo. — Fui até a minha própria mala enquanto falava isso. Bom se , que não precisa se estressar para vestir qualquer coisa, estava tendo a sua própria cena de desespero para se arrumar, imagine eu que sempre queria estar em moletons.
Respirei fundo e me concentrei em não deixar que o desespero dela me atingisse. Aos poucos fui retirando as peças que queria vestir. Como fui mais rápida que , tive vantagem na corrida e pude usar o banheiro primeiro. Preferi um banho rápido porque não queria dar margem para que usasse a minha demora como desculpa para a sua demora.
Usando o roupão branco do hotel, eu juro que ele reluz de tão branco que é, deixei o banheiro e segui até a minha cama que era a mais longe da janela. No meu próprio ritmo eu me vesti e como tinha escolhido um vestido já estava pronta para dar o próximo passo, ou seja, hora de pegar a bolsinha de maquiagens. Eu admito que não tenho a metade da habilidade que e tem com essas coisas, mas eu até que disfarço bem. Quer dizer, ninguém, principalmente Mikey, reclama e se ninguém reclama significa que estou fazendo certo.
Depois que eu estava com a minha face coberta de produtos embelezando-a parti aos cuidados dos meus cachos. Coisa que eu só fui aprender a fazer direito com a ajuda de . Depois que a minha pequena juba estava controlada na medida certa eu fui conferir o resultado. É, eu estava gata mesmo.
Com o tempo que restava eu juntei o que baguncei durante a minha arrumação e organizei tudo. Quando vi que não me faltava nada para sair, apenas me joguei na cama para esperar. Peguei meu celular e comecei a navegar pelas redes sociais. Primeiro fui no Facebook e dei atenção aos meus familiares. Essa vida de constante viagem era um saco porque nunca podia estar com meu irmão e minha cachorra quase nunca ia comigo. Eu sentia muita saudade. As meninas me ensinaram essa palavra e após descobrir que o que eu sinto é além do que só uma “falta” nunca mais parei de usar. Em seguida, eu me distraio com um pouco de tevê e do nada senti o meu celular vibrar no meu colo. Era mais uma mensagem do Michael.

[Mikey ❤]: As meninas já estão prontas?

ainda está se vestindo. Não sei de e . MAS eu estou prontíssima. ”

[Mikey ❤]: Estou doido para te ver. Aposto que está linda como sempre!

“Alguém me pediu para ficar uma gata. Só fiz o que pude para atender o pedido. ”

[Mikey ❤]: Sortudo esse cara. Se eu te levasse para uma festa depois do show de hoje, será que ele se importaria?

Arregalei os olhos com a última mensagem. Não por conta da brincadeira, isso era até típico, mas por causa do novo elemento no programa da noite.

“Que festa? COMO ASSIM, MIKEY? ”

[Mikey ❤]: Ganhamos convites para uma festa em uma boate nova. Os caras se animaram para ver qual é a do local.

“Ah, beleza. Nem vou trocar de roupa. ”

[Mikey ❤]: Nem daria tempo, love. ”

“Uhum. Vamos sair que horas? ”

Desencanei da resposta ao perceber que ele demorou mais do que o costume para me responder. Então voltei a minha atenção para a televisão que agora exibia um comercial do McDonald’s. Aos poucos dentro de mim fui achando a coragem para ir na tal festa já que eu não curtia muito esses locais.
Os meus pensamentos me distraíram muito porque mais uma vez hoje tomei um susto. Dessa vez Michael se jogou na cama onde eu estava deitada esperando. Ele estava lindo como sempre. Usando uma calça preta com um suéter de moletom branco e os seus sapatos de sempre. O seu perfume está maravilhoso. Naquele momento eu senti que tinha dado muita sorte na vida.
— Olha que namorada linda eu arrumei. — Ele me diz enquanto eu ainda estou me recuperando do susto. — Te assustei, né?
— Sim, me assustou. — Respondi sorrindo.
— Perdão, love, eu não resisti. Você estava tão bonitinha toda concentrada na TV que eu só podia fazer isso mesmo. — A cada palavra que foi dita por ele, era menos alguns centímetros que nos separavam. Ao fim da frase já estávamos próximos o suficiente para que ele não me poupasse de um beijo. Nossos lábios se tocavam e na hora nem lembrei que já estava de batom e que ia sujar ele. Só beijei e fui beijada. Senti ele desgrudar as nossas bocas com um sorriso preso na dele.
— Acho que tenho que retocar o batom. — Disse ao sentir minhas bochechas corarem.
— Não precisa. Eu vou tirar ele mesmo. — Mikey disse com um tom de voz que continha uma mistura perfeita entre suas segundas intenções e provocação.
Afundei o meu rosto no vão entre o seu ombro e a cabeça a fim de esconder o quão rosadas as minhas bochechas estavam. Aproveito para sentir mais do seu perfume e tentar não pensar na possibilidade de alguém ter ouvido o que ele disse. Esse cheiro sempre me trazia lembranças boas. Ele apenas me trouxe para mais perto, nos envolvendo em um abraço repleto de carinho.
O abraço durou tempo suficiente para que aparecesse dizendo que era hora de irmos para a arena. Segundo ela mais um minutinho ali faria com que eles se atrasassem para o show da noite. Por isso nos levantamos e saímos do quarto deixando trancando tudo. Pegamos o elevador com Luke e ela. Apesar de todo o nervosismo para escolher a roupa, tinha feito a tarefa muito bem.
Ao chegarmos no lobby do hotel demos de cara com os outros quatro nos esperando. e também tinham caprichado no visual para a noite. Não era muita coisa diferente do que elas usariam para ir nos shows, só tinha um pouco mais foco no programa que faríamos posteriormente.
, eu amei a composição. Bem urbana com inspirações japonesas. — disse quando me avistou.
— Obrigada. Você também está ótima. — Lhe retribui a gentileza mesmo que não tenha sacado de onde ela tinha visto tudo aquilo em um vestido com jaqueta bomber.
— Vamos? — Ouvi Ashton perguntar.
Todos nós concordamos e quando dei por mim, os seguranças nos guiavam para a van que nos levaria ao local do show.
Ao chegar lá, os rapazes seguiram direto para o camarim e nós meninas seguimos com eles. Ficamos em uma sala com o pessoal da produção. Não era sempre que ficávamos com eles no camarim porque gostávamos de dar a eles liberdade de se prepararem como bem queriam. Nas vezes em que nós ficávamos com eles o tempo era gasto com várias piadas sem graça que mesmo assim todos riam mais ainda ou ficávamos cantando e dançando até dizer chega.
Na hora certa pegamos os nossos passes e fomos para o backstage em um cantinho que não atrapalhasse o fluxo dos roadies com os instrumentos entre uma música e outra. Aproveitamos cada segundo filmando os meninos, cantando e dançando. Nos divertirmos tanto que nem sentimos o tempo passar. Praticamente no fim da última música nós fomos para o camarim deles, só porque lá tem os melhores espelhos, para que nós meninas retocássemos a maquiagem e pudéssemos conferir o nosso visual. Assim que vimos que estava tudo certo demos o devido espaço para os meninos se cuidarem, ou seja, eles tomaram um banho e se arrumaram para a tal festa.
— Olha se eu não tenho o namorado mais bonito dessa banda. — Eu disse quando senti Michael juntar sua mão esquerda com a minha mão direita enquanto nos direcionávamos para os carros que nos levariam até a boate.
— Tem é? Achei que estava falando do meu namorado, . — diz rindo ao lado de Luke.
— Do seu? É do meu que ela está falando. — diz rindo mais ainda junto com Calum.
— Vocês são muito iludidas. É claro que ela está falando do meu namorado. — disse, com um tom risonho na voz, enquanto se pendurava em um dos braços de Ashton.
— Então vamos comemorar esse namoro aí. — disse com um sorriso bem grande no rosto. Ela devia saber de algo que eu não sabia e que pelo jeito também não sabia porque ela, assim como eu, tinha um ar desconfiado.
— Shh... é segredo. Eu e o meu benzinho não queremos os paparazzi em cima de nós o tempo todo. Não é, meu amor? — retruca.
— Responde aí, benzinho. — Calum, Michael e Luke dizem em uníssono em meio as gargalhadas de todos.
Eu ri tanto que não consegui ver a reação de Ashton em meio as provocações de todos. Quanto a , não tinha o que se fazer, esse é o jeito dela. É claro que ela não perderia a piada, já que ela está super solteira e não vê problema com isso. Então por que não tirar sarro?
A nossa ida até a boate foi regada aos risos e fomos de carro porque uma van ia chamar muita atenção na rua. Chegamos em dois carros separados. , Calum, e Luke em um e logo atrás, eu, Mikey, Ash e .
Assim que nossos pés estavam fora do carro uma onda de flashes invadiu a minha vista. Segurei mais forte ainda a mão de Michael e me pus um pouco mais atrás dele. Eu sei que é ridículo usá-lo de escudo, mas automaticamente reagi dessa forma. Ele sendo o cavalheiro que é apenas andou o mais rápido possível para dentro da boate. Todos nós estendemos as costas de uma das mãos para receber um carimbo que dizia “V.I.P.” junto com pulseirinhas que faziam o mesmo tipo de identificação. Só desgrudei de Michael quando estávamos dentro de um local mais reservado, cheio de locais para sentarmos e com uma iluminação bem característica de festinhas. Mal nos jogamos nos sofás de lá e um garçom já trouxe uma bandeja cheia de bebidas dizendo que era “cortesia da casa para pessoas ilustres como nós”, tudo besteira, mas no fim aceitamos e tomamos os primeiros drinks.
Ao longo da noite, mais pessoas que conhecemos apareceram para encher mais a seção exclusiva. Algumas pseudomodelos, alguns outros músicos, porém as meninas e eu nos mantivemos em nossa mesa muito ocupadas com nossos próprios assuntos para nos importarmos com as outras pessoas.
Não demorou muito para que corresse em direção a pista de dança assim que o DJ acertasse na escolha de músicas, já que ela estava reclamando sobre isso desde que pôs os pezinhos dela dentro do estabelecimento. Com ela longe eu pude finalmente matar a minha curiosidade.
— O que é que você sabe que eu não sei? — Perguntei sem rodeios a . Ela quase engasgou com o gole da sua bebida.
— Ainda bem que você perguntou porque ia fazer essa mesma pergunta assim que eu conseguisse estar a sós com vocês. — diz em concordância comigo.
Dessa vez arregalou os olhos. Sim, ela estava bem surpresa e achando que iria conseguir manter o segredo.
— Eu não sei de deveria contar algo. — A menina começa.
— Deveria sim, pois aquela frase que você disse ainda na arena está ecoando na minha mente. — Eu lhe confessei.
— Ok... eu falo, mas vocês têm que me prometer segredo. — Ela diz de modo severo. — Se eu souber que alguém descobriu o que eu vou contar, eu não sei o que faço com vocês duas.
— Ok, ok. Você não fica bem ameaçando as pessoas. — disse.
— Eu prometo. — Disse de uma vez. desviou a sua atenção para que apenas cedeu.
— Eu prometo também. — ainda fez gestos que transformavam a sua boca em um zíper fechado.
— Ashton está com os quatro pneus arriados pela . — disse.
— Como assim? — pergunta chocada com a revelação.
— Desde quando? — Eu digo
— Tem umas semanas que eu sei disso. Ele mesmo meio que me contou. — escolhe só responder a minha pergunta porque achou que não estava realmente curiosa. Foi só quando a loira perguntou de novo a mesma coisa que revelou como soube do mais novo, para mim era novo, babado.
— Nossa eu adoraria ter visto a cara do Ashton quando ela veio com as brincadeiras sobre o namoro quando a gente ainda estava lá na arena. — Eu confessei após ouvir tudo o que ela tinha para dizer sobre essa novidade.
— Pois eu vi. Ele ficou vermelho, certamente surpreso, mas riu junto só para não ficar de fora da piada. Eu tenho certeza que mexeu com ele. — disse entre um gole e outro do seu copo.
Poderíamos passar o resto da noite ali sentadas teorizando sobre os últimos momentos que vivemos, mas a conseguiu pedir ao DJ que tocasse algumas músicas só para que nós quatro dançássemos. Então assim que os primeiros acordes de um remix da música Wannabe das Spice Girls tocaram, a menina se materializou na nossa frente insistindo muito para que nós três nos juntássemos com ela na pista de dança. O pedido foi prontamente atendido. Dançamos como se não houvesse amanhã, sempre rindo muito e até mesmo arriscando passinhos de filmes e séries que nós amávamos.
Quando nós oito estávamos cansados demais de tudo na boate nos despedimos dos nossos outros amigos e fomos para saída. Os nossos carros foram chamados e assim que chegaram, nós enfrentamos o mar de fotógrafos até que eu, , Michael e Ashton estivéssemos seguros dentro do veículo. Fizemos a viagem de volta ao hotel em silêncio, o que apenas refletia o tamanho do nosso cansaço. Ao chegar no hotel descobri que tinha dormido no ombro de Ashton e naquele momento desejei ter presenciado isso melhor para que pudesse ter tirado uma foto.
Ash fez questão de ser um cavalheiro e carregou até a sua cama no quarto dela com . Eu assisti ele se despedir da menina com um beijo na testa e pedindo para que cuidasse da amiga.
— Ashton Irwin, você realmente acha que eu não cuidaria dela? — pergunta indignada enquanto põe ele para fora do quarto.
Aproveitei a deixa da saída dele e parei de bisbilhotar o momento deles. Fui para o meu quarto e só consegui ir curtir a minha caminha depois de tomar um remédio para dor de cabeça, afinal aquela barulheira toda da boate misturada com dois drinks já não estava me fazendo muito bem.
Na manhã seguinte, acordei com pulando em cima de mim. Totalmente desnorteada sobre o que a menina queria, eu apenas levantei e fiz a minha melhor cara de indignação. Afinal detestei o modo bruto de me acordar.
— Graças aos céus, você abriu os olhos. Achei que tinha morrido debaixo desse cobertor. — disse com um sorrisinho no rosto.
— Bom dia para você também, . O que você quer comigo? — Disse sendo curta e grossa assim como seria se tivesse passando pela situação. O remédio que tomei antes de dormir deve ter me “dopado” porque não escutei o despertador que sempre tenho ativado.
— Vai perder o café da manhã do hotel, estamos há horas enrolando só esperando por você.
— Estamos quem? — Disse enquanto me sentava na cama.
— Mikey, Luke, Ash, Cal, , e eu. — A menina que estava na minha frente contou em seus dedos a quantidade de pessoas enquanto dizia os nomes deles.
— Entendi. Já estou indo. Só preciso de cinco minutos.
Dito isto, se afastou de mim com um sorriso e saiu do quarto dizendo que avisaria que eu já estava descendo. Como não queria deixar eles me esperando muito mais do que já tinham feito apenas lavei bem o rosto, penteei o cabelo e troquei de roupa rápido. Antes de sair me certifiquei de que tinha pego a chave do quarto, o celular e de que tinha calçado os sapatos.
Cheguei no restaurante do hotel e a primeira coisa que os meus olhos viram foi a mesa do pessoal. Reparei que tinha um lugar vazio ao lado de Michael e imediatamente senti o meu peito aquecer em saber que ele tinha guardado aquele lugar para mim. O sentimento não durou muito, pois logo ouvi o ronco baixo do meu estômago.
Depois daquela noitada, se é que posso chamar a noite de ontem de noitada, tudo o que eu queria era comer e ficar com os meus amigos. Então assim que fiz um prato com o que desejava comer na manhã, segui em direção ao lugar vago na mesa. Sentei-me ao lado de Mikey e assim que o fiz, ele passou o seu braço direito pelo encosto da cadeira na tentativa de me levar para perto dele. Pelo seu gesto fofo e porque eu sempre tentava ser fofa com ele, fiz questão de lhe dar um beijo na sua bochecha e dizer bom dia só para ele antes mesmo de pôr uma garfada das panquecas que estavam na minha frente na boca. Aparentemente as minhas atitudes não passaram desapercebidas porque as meninas fizeram questão de comentar sobre.
— Nossa o Mikey é beeeem melhor tratado que eu. — disse com a sua voz exibindo um ligeiro ciúme no fundo.
— Com certeza! Ela quase me jogou pela sacada hoje quando eu a acordei. — fala em seguida com um certo tom risonho.
— Eu consigo entender a reclamando, mas não a . — disse com uma cara ligeiramente confusa, mas sem nunca perder o sorriso que habitava os seus lábios.
— Verdade! Acho que deveria se concentrar em repetir meus gestos e não falar sobre eles. — Disparei assim que terminou a sua fala. É claro que tinha sido algo atrevido de minha parte, já que isso tinha a sonoridade de algo que não hesitaria em deixar escapar pela sua boca que incrivelmente nessa manhã já estava em um batom de tom escuro.
— Nossa, eu te amo, garota. mereceu esse fora! — solta como se fosse um selo de aprovação para algo que, nesse caso, eu já tinha me arrependido de ter dito. Bom... pelo menos naquele tom que usei. Sem contar que a menina exibia uma empolgação que beirava a algo infantil, no melhor estilo de birra que elas tinham.
— Vou fingir que não disse nada e apenas responder a com “eu já fiz os seus mesmos gestos”.
— A coisa é: se vocês estão agradando os boys de vocês, não tem por que essa conversa existir. — disse do alto da sua experiência, afinal o relacionamento dela com Calum era o mais antigo do grupo.
A conversa fluiu na mesma linha e eu dividia a minha atenção entre o meu prato de comida e as falas das garotas.
— Essa vai entrar para lista das conversas mais nada a ver que eu já vi vocês tendo. — Michael disse rindo depois de observar nós quatro e de engolir o seu gole de café.
— Adoraria ler a lista citada, Mikey. — disse enquanto cortava um dos últimos pedaços do waffle do seu prato. Sua voz tinha um tom diferente e divertido. Bom... se nada relacionado a tivesse um tom diferente não seria ela. Como Michael estava com a boca cheia de novo, ele apenas concordou com um aceno de cabeça.
Bloqueei o resto do falatório deles focando bastante em só comer e pensar sobre o meu planejamento do dia. Não se enganem comigo, pois só aprendi a ser mais organizada depois de ver apanhar muito da vida. Eu não sabia exatamente a hora dos compromissos, mas tinha bem nítido na minha mente a lista de tarefas do dia que por um milagre não estava cheio.
Pensando nisso, comecei a construir um momento para ter com Mikey já que a rotina de turnê deles é pesada e mesmo que eu estivesse perto, ainda não tínhamos muito tempo porque eram viagens de trabalho, no final das contas. Então aproveitei que ele provavelmente tinha a mesma brecha que eu na agenda de hoje, já que nós viajaríamos juntos para próxima cidade onde a banda tocaria.
Assim que terminei de comer e montei um dia perfeito com o meu namorado, virei para ele e começamos a combinar o dia. Quer dizer, eu só mandei ele se certificar de que teria tempo para fazermos algo junto.
Admito que fiquei na bolha que a minha conversa com Mikey gerou e só percebi que estavam tentando falar com um de nós quando alguém falou:
— Eu tirei tantas fotos de vocês conversando...
— Depois eu quero ver. — ouvi a voz do Michael dizendo isso enquanto me puxava para mais perto dele porque ele me conhecia tão bem e viu que eu estava vermelha como um tomate.
— Pode deixar que ela mostra para vocês. — disse em um tom monótono e com a cara enfiada na tela do seu celular.
— Só tenho algo a acrescentar: vocês são muito fofos juntos! — disse enquanto se aconchegava no Calum que estava sentado ao seu lado.
— Sim, são fofos e tal, mas... para mim o café acabou por aqui.
Acho que sem perceber observei a reação de Ashton primeiro porque a foi totalmente aleatória. Ele só olhou na direção da menina e ficou mais atento aos movimentos que ela viria a fazer, mas ele estava seguro com seus movimentos porque todos viraram a cabeça na direção dela.
Ela podia dizer que não, mas era chegada em um drama e em uma atenção.
— Não fiquem com essas caras, bebês. Eu já me alimentei bem, muito bem diga-se de passagem, e mais tarde a gente põe o pé na estrada e todas as minhas coisas estão espalhadas pelo meu lado do quarto! Só vou subir para arrumar minhas tralhas, beleza? Não sintam muito a minha falta que eu já volto para perturbar vocês. — Ela disse tudo isso gesticulando muito o que podia ser um sinal de que de alguma forma, o que eu acho esquisito partindo de , toda aquela atenção a incomodou. Sem contar que ela desapareceu tão rápido quanto a velocidade da luz.
— Eu vou te falar: que menina mais maluquinha a gente foi arrumar para ser amigo. Só uma intervenção divina salva a menina e protege a gente dela. — Luke disse rindo de leve.
É claro que todos nós rimos com ele e continuamos conversando e comendo até a última hora possível.

Michael’s POV
seguiu com o seu próprio cronograma e pouco tempo depois todos nós fizemos os caminhos para os nossos respectivos quartos. Eu tomei um bom banho e após me vestir, comecei a juntar minhas coisas. Quando a banda tinha tempo, gostávamos de juntar nós mesmos nossas tralhas. Pelo menos para mim, dava uma sensação de que tudo o que estou vivendo é real e não sonho.
Armazenei o violão na caixa dele e guardei o console do vídeo game na caixa específica e separei para pôr na mala de mão. Juntei as roupas sujas e joguei em uma bolsa que tinha meu nome, sabia que assim que chegasse na nova cidade alguém cuidaria daquela bolsa, os sapatos também pararam em suas bolsas e em seguida as roupas limpas também pararam dentro da mala com o resto. Na minha mochila estava a carteira com todos os documentos, carregador do celular, computador e seus afins, palhetas extras, fones de ouvido e outros itens que julgo ser importantes o suficiente para sempre tê-los comigo.
Dessa vez dividia quarto com Calum e praticamente seguimos a mesma ideia de arrumar as malas. Pouco tempo depois alguém que sempre viajava conosco, passou no quarto para pegar as malas.
Eu estava pronto para sair daquele hotel, seguir viagem e dar continuidade a turnê. A próxima cidade era perto e levaria apenas algumas horas e a produção decidiu nos dar um gostinho dos velhos tempos porque arrumaram um ônibus para fazer o nosso transporte e foi uma grande surpresa descobrir isso. Abasteceram o ônibus com tudo o que gostamos de comer, assistir e jogar. Como uma surpresa adicional, as meninas iriam conosco. já tinha marcado algo comigo e agora fazia todo o sentido ela ter feito isso.
Na hora de deixar o hotel tivemos que sair pelos fundos, perto do estacionamento, para não fazer muito alarde nos fãs. É claro que demos bastante atenção a todos eles antes de sair por trás.
Quando finalmente entrei com todas as minhas coisas no ônibus senti o cheiro de pipoca forte. Era um cheiro muito bom e me trazia boas lembranças. Por uns segundos, fechei meus olhos e deixei algumas dessas boas lembranças passassem como um flash na minha mente e o momento não durou muito porque logo senti alguém me abraçando de frente. Como senti o perfume muito familiar, tudo o que fiz foi aceitar o abraço e retribui-lo da melhor maneira possível.
Era . Beijei o topo da sua cabeça já que ela é muito mais baixa que eu e senti o cheiro de creme do seu cabelo. Percebi que algum ponto perto da minha barriga estava sorrindo, não era eu e sim ela que sorria em meus braços. Era uma das melhores coisas que me acontecia. Ter um sorriso nos lábios de quando ela estava (e não estava também) comigo sempre me alegrava profundamente. Eu sei que a gente se faz muito bem.
— Esse cheiro está muito bom! — Eu disse ainda com ela em meus braços. Nem eu mesmo sabia se falava do seu próprio perfume ou se estava comentando sobre o cheiro de pipoca que preenchia o local.
— Obrigada! Fiz para gente. Pensei que podíamos maratonar umas séries ou ver uns filmes. — Ela me conta com a sua face virada para cima, onde o meu rosto estava. Definitivamente era uma pose engraçada a que estávamos.
— Eu topo qualquer ideia sua. — A minha frase a fez corar suas bochechas e assim que ela percebeu, tratou logo de tirar vantagem da sua posição e escondeu o seu rosto em mim, logo novamente nos encontrávamos em um abraço. Dessa vez, eu apertei ela um pouco mais contra mim.
— Ok, chega! — Ouvi sua voz risonha, que estava meio abafada por ela ter dito contra o pano do moletom que eu usava, dizer.
— Beleza. A gente vai ficar mais grudado ainda no meio da pipoca e com os filmes. — Eu lhe disse como resposta.
Nos desgrudamos e não resisti em roubar um selinho seu. Assim que nos desgrudamos outra vez, ouvi uma voz atrás de mim dizer: — Quando vocês terminarem nos avisem que aí nós entramos, tá?
A dona da voz, ainda mais com o uso dessas palavras, só podia ser . E me revelei correto quando olhei para trás e vi seus cabelos coloridos presos em um rabo de cavalo caindo pelos seus ombros por conta da forma com que ela estava com a cabeça inclinada para dentro do ônibus. Ela tinha um sorriso sapeca no rosto porque sabia que tinha conseguido fazer com que corasse novamente. Apenas sacudi minha cabeça em negação e sorri.
— Se dependesse de mim vocês nem entravam. — Declarei enquanto me jogava na poltrona mais próxima.
Como em um filme ouvi meu nome completo ser dito em alto e bom som com um tom de repreensão vindo de . A dona da voz não demorou muito em aparecer no que podia ser considerado como a sala do ônibus e parou na minha frente com uma cara vermelha de vergonha.
— Pode entrar, gente. Não liguem para o que ele disse. — completa indo em direção a bacia de pipoca para protegê-la de .
não deixou a movimentação passar despercebida.
— Nossa, você leu minha mente muito sério agora. — disse.
— Eu só acho que te conheço muito bem para saber como você é perto das comidas que você adora! — rebate sem sair de perto da bacia onde os flocos brancos de milho estavam.
— Vou deixar isso passar dessa vez, mas eu não esqueci que quase te alimentei ontem. — disse em um tom provocativo.
— Ei, eu não esqueci! Tanto não esqueci que estou afastando essa bacia de você! — disse enquanto protegia a bacia em suas costas já que estava avançando na direção dela para alcançar as pipocas.
Eu apenas continuei sentado assistindo de camarote as duas discutindo sobre quem teria mais ou menos acesso as pipocas.
— Eu não acredito que você está assistindo as duas brigarem e não está fazendo nada? — , do nada, surge próximo de mim dizendo.
Como eu não disse nada, ela simplesmente manifestou a sua reprovação em minhas atitudes com o balançar de sua cabeça em negação em minha direção, em seguida se virou na direção das duas e dispara com o melhor tom de mãe:
— Vocês duas não estão discutindo por causa de uma bacia de comida não, né?
Automaticamente, as duas pararam de falar e olharam com caras assustadas para a direção de . Mais uma vez, me senti em um filme porque as duas meninas no ato deixaram de falar e assumiram caras de culpadas e pediram desculpas uma a outra. Apenas com uma fala e olhar de , as duas agiram bem como crianças. , para completar, assistiu tudo com aquele olhar orgulhoso de mãe.
Depois que e pediram desculpas e se abraçaram, ainda solta:
— Que lindas! A mamãe está muito orgulhosa de vocês duas! Vem cá meus bebês! — Assim que ela chamou, eu vi e minha namorada, cada uma em baixo de um braço dela e quando me dei conta, vi que as três estavam se abraçando.
— Eu não acredito que consegui pôr tudo isso no meu Snapchat! — Do nada, a voz hiper feliz de ecoou pelo espaçamento pequeno do ônibus.
Apesar das três, ainda abraçadas, terem feito cara feia para por conta do que a loira fez, as quatro não discutiram. Em vez disso concentraram essa energia em risos e desapareceram, ainda aos risos é claro, para dentro do ônibus porque aparentemente minha namorada foi a primeira a chegar lá e estava dando um tour para as outras meninas.
Os caras entraram pouco tempo depois das meninas terem desaparecido em algum lugar.
— Isso é muito nostálgico. — Calum disse enquanto, da porta, dava uma boa olhada no ambiente.
— Nada contra o nosso passado, mas preferia não ter praticamente a mesma altura do ônibus novamente. — Ouço Luke dizer próximo de mim porque, em algum momento desde que eles entraram ele também escolheu uma das poltronas perto de mim e estava lá jogado.
O ônibus não parecia ser grande o suficiente para nós oito. Ainda bem que eram apenas algumas horinhas de viagem até a próxima cidade. Só 24 horas de viagem, nada demais.
Quando Irwin fez menção de que falaria algo, as quatro meninas surgem de volta no que poderíamos chamar de sala.
— Já dividimos os “quartos”. — Diz ao caminhar para se juntar ao seu namorado. Obviamente ele já estava de braços abertos para recebê-la.
— Poderiam ter arrumado um ônibus maior, mas aparentemente esse era o maior que a empresa tinha disponível em caráter urgente. — disse com um sorriso amarelo como se estivesse se desculpando por isso.
— Tudo bem, mais nostálgico que isso não poderia ficar. — Calum completa sorrindo.
Antes de partirmos alguém da nossa produção disse que nossas malas estariam indo com o resto das coisas da banda. Então aproveitamos para pegar uma muda de roupas para a viagem curta. É claro que as meninas não precisaram disso pois são sempre muito bem precavidas, as suas mochilas tinham todo tipo de coisa incluindo uma muda de roupas. O nosso motorista chegou e se apresentou para nós oito, Ben era o seu nome e não era muito velho. Só esperava que ele tivesse experiência o suficiente para essa viagem. Ainda bem que um carro da produção com seguranças iria seguindo o ônibus.
Demorou pouco tempo para finalmente termos a liberação da equipe e pegamos a estrada. O ônibus estava muito bem equipado com tudo o que precisaríamos para não morrer de tédio durante o trajeto. Não que fôssemos precisar, só de ter todos nós debaixo do mesmo teto por todo esse período de tempo já podíamos ter uma certeza que iriamos nos divertir bastante.
O balde de pipoca que foi motivo de briga no começo da viagem já tinha sido terminado por nós oito antes mesmo de chegarmos na rodovia. Assim que tinha pouco mais de uma hora de viagem cada um foi procurar algo para fazer. Calum arrastou para a cama que eles iriam dividir para ambos tirarem uma soneca. Ashton foi passar um tempo conversando com o motorista para se distrair. Já e Luke foram ficar juntos, mas sem fazer a mesma coisa, só foram ficar juntos. se dirigiu para um cantinho na “sala” para escrever um pouco e ler enquanto não tirava os fones de ouvido.
— Podemos finalmente aproveitar que todos estão ocupados em seus próprios mundinhos para fazer o que eu queria desde o início, ou seja, passarmos um tempo juntos. — me disse quando percebeu a oportunidade perfeita.
— Hmmm... podemos sim, babe. — Eu lhe digo com o meu sorriso mais sincero estampado no rosto.
Ela rapidamente me retribui da mesma forma e só de vê-la com um sorriso maior que o meu me sinto realizado. Faz-me muito bem vê-la feliz. Não resisto ao encanto que ela me dá e lhe roubo um beijo. Não foi longo porque ela estava muito empolgada com o nosso encontro improvisado. Então assim que descolamos as nossas bocas ela correu para pegar tudo o que ela achava necessário para tornar o nosso momento especial. Não sei exatamente onde ela foi, só sei que quando estava de volta trazia consigo vários cobertores e algumas almofadas. Depois de ajudá-la com toda a arrumação disso, ela ligou a SmartTV, abriu a Netflix e eu desliguei nossos celulares. Escolhemos uma das várias temporadas de Supernatural para assistir e nos aconchegamos embaixo dos lençóis em cima do pequeno sofá listrado que tinha virado de frente para a TV.
Não percebi que tinha dormido até que fui acordado por . Ela estava próxima do meu rosto e tinha um olhar meio preocupado.
— Que bom que você abriu o olho. Já estava ficando preocupada. — Ainda com meus ouvidos tapados de sono a ouvi dizer.
— Tudo bem. Só devia estar bem cansado. — A vi assentir com a minha fala.
— Fizemos uma parada em um posto para abastecer, não que o nosso ônibus precisasse, mas... enfim, eu e Ash vamos descer para comprar umas besteirinhas na loja de conveniência. Quer algo de lá para vocês dois?
As suas palavras caem como uma enxurrada em cima da pessoa que sou pós soneca. Apenas digo para ela trazer alguns chocolates que a gosta e um Redbull para mim. Assisti ela concordar com a cabeça e anotar no celular os meus pedidos para segundos depois deixar o ônibus toda animada.
Eu juro que tentei não me mover muito, mas e eu dormimos em uma posição meio desconfortável a longo prazo. Meu braço estava meio dormente e estava começando a achar todos aqueles cobertores muito quentes. Tive que me mexer para aliviar alguma dessas coisas que sentia e com isso foi inevitável não acordar .
— Desculpa, babe. — Disse assim que vi seus olhos abrirem.
Ainda muito sonolenta, abre um sorriso mole e se aconchega mais perto de mim. Afaguei os seus cabelos encaracolados e voltei meus olhos para a TV que ainda exibia Supernatural só que um episódio bem diferente do que paramos.
— Por que estamos parados? — pergunta com a voz rouca. Era a primeira vez que ela falava depois de ter cochilado comigo no sofá.
disse que pararam em um posto para abastecer. — Lhe respondi enquanto voltava a fazer carinho em seus cabelos.
— Cadê as meninas?
foi comprar coisas na lojinha e das outras duas eu já não sei, mas não devem ter saído do ônibus.
— Estou com fome. — Ela confessa com seus olhos voltados para a estampa colorida do cobertor que estava sobre nós.
— Vamos esperar eles voltarem e aí a gente decide o que vamos fazer. Pode ser?
Apenas ouço ela murmurar “beleza” e voltar os seus olhos para TV que estava na nossa frente. Alguns segundos depois, escutamos o barulho de algo caindo no chão e logo nós dois viramos nossas cabeças ao mesmo tempo para a direção do som.
Encontramos uma meio risonha em volta de algumas garrafas d’água que estavam no chão em frente a geladeira.
— Desculpa pessoal. Eu só queria a garrafa mais geladinha.
— Sem problemas. Quer ajuda? — pergunta.
— Não, não. Pode continuar aí. — A loira responde enquanto cata a sua bagunça.
Dito isto eu voltei os meus olhos para TV. Pela enésima vez, Dean, Sam e Castiel estavam em mais uma aventura macabra para salvar quem quer que seja de algum ser super do mal naquele episódio. Ri ao lembrar de como comecei a ver a série. e são apaixonadas por essa série e as duas durante muito tempo só falavam sobre isso e sobre como os atores eram incríveis.
Depois do que pareceu uma eternidade, Ashton e entraram no ônibus com algumas sacolas com a logomarca que assumi ser da lojinha que a menina de cabelos coloridos disse que iria. Assim que ela apoiou as sacolas na bancada da minicozinha e começou a tirar coisas de dentro. Finalmente quando tudo está mais ou menos arrumado, me entrega a lata do energético e uma caixa cheia de chocolates da Reese’s que sabia que era para .
— Obrigado. — Lhe digo enquanto abro a lata da bebida e passo a caixa de doces para .
— Muito obrigada, e Mikey. — Ela me disse depois de me dar um selinho rápido. tem muita vergonha de fazer esse tipo de coisa perto de muita gente.
— Podem se beijar direito, dou um jeito de tapar os olhos de todo mundo enquanto eu fico com os meus próprios olhos fechados. — disse rindo enquanto comia sorvete que ela provavelmente acabou de comprar. Ela gostava de provocar as pessoas de vez em sempre.
para de implicar com a minha namorada. — Digo depois de um gole na minha bebida.
Quando a menina ia me responder algo, a surge com os cabelos levemente despenteados e a cara amassada.
— Vocês falam demais e em volumes proibidos para pessoas que estão com sono, vulgo eu aqui. — Ela diz enquanto caminha na direção de para usar a pia da cozinha para lavar o rosto.
Todos nós começamos a rir do que disse. Quando menos percebemos o motorista está de volta e voltamos a rodar pelas estradas.
e eu vimos a população de pessoas na saleta aumentar pouco a pouco na medida que o resto do pessoal foi ficando entediado de suas atividades. O mais incrível é que devagarinho eles foram se aglomerando em volta de mim e . Todos os nossos olhos voltados para a televisão que bravamente resistia enquanto exibia mais um fim de episódio da série.
Aproveito que todos estão ocupados prestando atenção na TV e suas imagens para falar com .
— Nosso encontro foi maravilhoso enquanto durou. Obrigado. — Digo no seu ouvido como uma criança que conta um segredo.
Assisti ela se virar para mim e exibir um sorriso tímido. Foi uma das visões mais lindas que tive no dia todo.
— Não precisa dizer nada. — Eu rapidamente acrescento e faço um carinho no seu cabelo. Minha menina apenas assente e continuamos vendo TV.

Nós oito ficamos jogados em frete a televisão por muito tempo. Só a deixamos de lado quando a barriga de um de nós roncou tão alto que não pôde ser ignorada.
— Então acho que tem alguém aqui com muita fome... — disse de onde estava ao lado de .
— Os meninos podem arrumar algo para comer. Estou com uma preguiça pra fazer algo. — disse enquanto deitava por cima da amiga.
— Ótima ideia, . Também não quero arrumar nada, quero ser alimentada. — concorda.
— Vamos parar em algum drive thru pela estrada, por favor? — Ouço Calum implorar.
Automaticamente as meninas riem e todos nós nos juntamos no riso delas, mas com certeza a porção masculina dele estava rindo de nervoso. Só de olhar para cara dos meninos pós sugestão delas dava para ver que a gente não queria nada daquilo. E já que elas também não queriam ter que cozinhar era bem justo parar em um lugar.
— Agora é sério. Vocês vão cozinhar para gente hoje sim. — disse enquanto saía de cima da e se levantava do local onde estava. Ao ver a cara feia de nós quatro ela ainda completa com: — nem pensem em pedir ao Ben para parar em qualquer lugar. Rechearam os armários e a geladeira com um monte de coisas para comer. É só vocês olharem o que tem e inventarem algo. Não é tão difícil assim.
— Tudo bem, a gente vai cozinhar. — Ashton disse com a voz forçadamente derrotada. Achei aquilo bem esquisito. Eu sei que ele gosta de ser o integrante da banda que é mais caseiro e que gosta de cozinhar e tal, mas achei que fôssemos um time. Ele não podia ter desistido da luta tão rápido assim. Muito esquisito.
— Ok, ok, Irwin já se entregou, então vocês podem fazer outra coisa que a gente vai cozinhar para vocês, mocinhas. — Hemmings ganhou um beijo de , bem estalado na bochecha depois de ceder também.
— Calum, não tem jeito, vamos ter que entrar nessa. — Eu digo e ele apenas concorda.
Com isso as meninas anunciaram que estavam de saída para tomarem banho e colocarem o pijama. Aparentemente elas iriam comer e dormir, ou pelo menos fingir que iam dormir depois de comer. Foi só elas desaparecerem para área das camas que Ashton se levantou, foi em direção a cozinha e começou a procurar por algo para fazer.
— Ok, só eu que estou achando super esquisito isso? — Eu disse enquanto dobrava os cobertores que cobriam a mim e .
— Esquisito o quê? As meninas sempre mandam na gente, nada de novo. — Luke disse enquanto se levantava para se juntar ao Irwin.
— Não, disso eu já sei. Estou falando do Ashton cedendo rápido a um pedido da . Eu estava pronto para mais uma briguinha deles.
— Pedido? Você quis dizer ordem, né? — Calum me responde rindo enquanto desligava a TV e colocava uma música qualquer.
— Eu quero mesmo é saber o porquê de ele não ter insistido em parar em algum lugar como você sugeriu?
— Vai ver ele só quis agradar as meninas. Nada de errado com isso. — Luke diz enquanto pega umas caixas do congelador.
— Eu sei que não tem, mas ele está esquisito. — Eu disse. E sei que não estou errado. Tenho levemente reparado nele e sim, está meio diferente.
— Só estou sem paciência para implicar com ela hoje. — Ashton responde enquanto tenta ligar o forno do fogão.
— Ok, ok. Vou acreditar nisso por agora. — Disse finalmente cedendo a sua desculpa e me juntando a eles para ajudar a fazer o lanche do momento.
O congelador da geladeira estava cheio de caixas de pizzas congeladas, então Ashton e Luke as colocaram no forno. Como se não fosse suficiente, eu achei algumas caixas de nuggets e com a ajuda de Calum preparamos isso. Nós quatro tivemos que dar um jeito com as bebidas, pois duas delas só bebem sucos e as outras duas preferem refrigerante. Então depois que estava tudo pronto, Ashton mandou uma mensagem para , ele usou a desculpa de que ela sempre está com a cara enfiada no celular, para avisar que a comida estava pronta. Como ela não respondeu, ele foi no Twitter e pediu para os nossos fãs perturbarem elas quatro para elas virem comer logo. Bom, aparentemente funcionou, pois segundos depois elas apareceram. e já com os seus pijamas; e ainda com as mesmas roupas. Não sei exatamente o que elas fizeram, porém, aquela desculpa do pijama só funcionou com metade daquele quarteto.
— A gente já ia mandar um grupo de busca atrás de vocês. — Luke disse assim que a sua namorada apareceu no seu campo de visão.
— É mentira! A gente ia comer tudo. — Eu o corrigi com um sorriso na boca.
— Eu sei que vocês iam. Se não fossem os fãs eu ia chegar aqui e não ia ter nada! — diz enquanto pega um pedaço de pizza.
— Ainda bem que nem deu tempo para isso! — comenta antes de dar uma mordida em um nugget.
Durante pouquíssimo tempo, a gente ficou quieto apenas enchendo a barriga com as comidas. separou algo para Ben sob alegações de que se não fizesse isso naquele momento não sobraria nada para o menino. Não discordamos dela já que ela estava obviamente certa. De onde eu estava tentei fazer uma piada com sobre o jeito mãezona de , porém foi em vão porque ela estava em outro mundo. Olhar distante como se não estivesse totalmente ali com a gente. Ela estava comendo e tal, mas a mente não estava ali.
— Terra para ? — Ouvi Ashton dizer enquanto sacudia a mão em frente do rosto dela.
Depois de piscar algumas vezes, como se estivesse voltando para a realidade, ela finalmente respondeu.
— Hmmm... oi. — Ela completa com um pequeno sorriso nos seus lábios.
— Você quer suco? — Ash fala ao mesmo tempo que abaixa para ficar na mesma altura que a menina estava já que ela estava sentada no chão.
A resposta de foi apenas um aceno positivo com a cabeça e não demorou muito, sério foi coisa de segundos, mal deu tempo para Ash se levantar, para minha namorada aparecer com dois copos de bebida e entregar para eles dois. Ambos pareceram meio surpresos e agradeceram em meio a sorrisos e começaram a conversar.
Eu não tirei os meus olhos daquela cena e assim que apareceu do meu lado fiz questão de perguntar se ela sabia de algo.
— Eu não sei de nada, Michael. — Ela disse com uma cara como quem queria me convencer de suas palavras, mas quando viu que eu levantei a minha sobrancelha e a questionei ela reforça: — eu realmente não sei de nada. Só sei que eles são fofos juntos e que eu estou shippando e que sim eu estava descaradamente bisbilhotando eles antes de aparecer com as bebidas.
Eu não tinha argumento contra o que ela disse, então sacudi minha cabeça em negação e a beijei. Eu simplesmente amo o jeito fofo dela ser e a enxurrada de informações só dizia que ela estava muito empolgada com a situação toda. Dessa vez, o seu beijo tinha sabor de refrigerante de cola e orégano. Beijo esse que teve duração suficiente para saber o sabor, já que se afastou rápido. Realmente esse tipo especifico de demonstração pública de afeto não era com ela. Mesmo estando cercada só do pessoal, ela não gostava muito.
Acho que ela estava certa em se desgrudar de mim, pois se continuássemos com o beijo perderíamos a cena da surtando com a blusa da . Eu sinceramente não vi nada demais nela, era só uma camiseta preta com algo escrito em branco.
, é isso mesmo que eu acho que está escrito na sua blusa? — A loirinha pergunta.
— Sinceramente eu nem lembro mais o que está escrito aqui. — dá de ombros demonstrando que não se importava muito.
— Bom, posso ver então o que ela diz? — Ouço perguntar curiosa.
Todo mundo que não estava dirigindo se vira para que nem se dá ao trabalho de levantar para mostrar o que a tal blusa diz. Ela deposita o copo meio cheio no chão e gira o seu corpo, que antes estava virado para Ashton, para mudar a posição para que todos nós pudéssemos ler melhor.
— Bom, agora vocês podem por favor me avisarem o que está aqui? — A menina diz em um tom entediado enquanto estica a blusa para deixar mais legível.
A reação de todos foi cair na gargalhada. Como assim ela não lembrava que tinha escolhido uma blusa que dizia em letras grandes “All I need is pizza and Ashton Irwin”? A cara confusa com a reação nossa, a fez virar a cabeça para o lado para tentar ler o que blusa diz.
Bom a reação dela foi impagável. Ela claramente não se lembrava do que estava ali estampado. Ao perceber o que a blusa dizia, sacudiu a cabeça em negação e deu um longo gole no conteúdo restante do seu copo. Arrisco a dizer que ela estava meio envergonhada e possivelmente com as bochechas vermelhas, mas como ela é negra nunca saberíamos se isso realmente estava acontecendo.
— Essa era uma das minhas únicas blusas limpas. Passei o dia todo de casaco então nem lembrava se tinha algo escrito nessa blusa. — Ela comenta ao notar que o pessoal diminuiu com as risadas.
— Tanto faz, só me diz que a gente vai tirar umas fotos legais. Tem que aproveitar que todos os seus desejos estão sendo realizados. — disse, mas ao notar a cara confusa da prima, logo explica como se fosse óbvio. — Tem pizza e o Ashton Irwin está bem ao seu lado.
Todos riram um pouco mais e finalmente pareceu não se importar com a situação. Ao dar de ombros para , ela autorizou que as fotos fossem tiradas. Vi entregar o seu celular na mão da loira que deixou a fatia de pizza que comia de lado e começou a fazer as tais fotos. Depois de várias poses e edições, finalmente compartilhou duas fotos na sua conta do Instagram. A primeira imagem era divertida. estava sentada no chão, de frente para a câmera, com as pernas cruzadas como um pretzel, a cabeça inclinada para o lado esquerdo e tinha a boca aberta; já Ashton estava em pé segurando uma fatia de pizza na mão esquerda como se fosse alimentar a menina. Na segunda imagem, era ela mordendo a fatia de pizza por um lado enquanto Ashton sorria ao segurar o outro lado, ainda com a mesma pose só com essa pequena mudança. A legenda, escrita em inglês, dizia: “cercada por tudo o que queria”. Imediatamente dei minha curtida que foi só mais um em meio os outros milhares que a foto já estava recebendo.
Vi não ligar o celular depois de postar a foto e achei esquisito. Geralmente ela acompanha como vai andando a popularidade da foto assim como a sua prima faz, mas aparentemente ela não liga tanto para isso.
— Eu juro que se as fotos combinassem com o meu feed, eu postava também porque vocês ficaram muito fofos. — disse entre uma mordida e outra de algo que estava na sua mão. — Ué, não vai acompanhar a foto não? — pergunta ao se sentar no colo de Calum que estava em uma das poltronas.
— Hmmm... não dessa vez. Prefiro ficar com vocês e as comidas. — Ela disse em um tom de voz distante.
— Que linda! Está querendo se desconectar um pouco, né? — pergunta.
— Acho que sim. Por falar em desconectar, alguém de vocês da banda pode me explicar o que inspirou Disconnected?
Eu não sei como, mas tem o dom de encontrar conexões ou achar que dois assuntos nada a ver se conectam. Dessa vez ela achou uma ponte boa. Respirei fundo e pensei bem, porque dessa vez só eu podia assistir Luke e Cal explicar sobre. Foram eles junto com o Alex, sim o cara do All Time Low, e o John que escreveram a música. Olhei para os outros caras em busca de sinais de que algum deles estivesse prestes a se revelar como o autor da música.
— Eu não tenho problema nenhum em contar como a música surgiu, mas alguém me explica o que está dando em vocês que toda hora uma pergunta de onde as músicas nossas vieram? — Calum disse meio indignado.
— Cal, é só curiosidade. Todo fã tem isso. — disse dando de ombros como se aquilo fosse supersimples.
— Exatamente. No meu caso, eu só estou querendo descobrir algo que me inspire a continuar a minha história. Estou com bloqueio criativo. Não consigo escrever nenhuma palavra. — disse tranquilamente.
— Eu conto tudo antes que vocês insistam mais ainda. – Luke solta isso. Nitidamente ele só queria acabar com aquilo tudo logo.
— Hemmo, eu já disse que te amo? — Reage com muita empolgação. Tanta empolgação que a fez sair do seu lugar e dar nele um abraço de urso.
Ele retribui o abraço como bom amigo que é. sabia que sua prima não ligaria porque está acostumada com o jeito afetivo de sua prima e das suas melhores amigas. Sem contar que ela sabia também que nunca daria em cima de nenhum cara comprometido. Então muitas vezes era comum ver ela abraçando nós meninos e dando beijos em nossos cabelos e bochechas simplesmente para demonstrar o seu afeto por qualquer um de nós. A menina era assim mesmo com qualquer um que lhe dava amor.
Assim que ele desfez o abraço com , deu mão para a sua namorada e puxou para mais perto.
— Bom, a quem interessar: Disconnected surgiu quando...

FLASHBACK ON
Luke's POV
Já fazia algum tempo que Goméz havia se mudado para Austrália com toda a sua família. Sua prima e minha amiga não estavam muito feliz em ver sua mãe obriga-la a dividir seus amigos com a prima recém-chegada. E do jeito que é, não fazia muita questão de esconder o desgosto quando a loira de olhos verdes interagia com qualquer um de nós.
A Mrs. Assis, mãe de , não suportava ver a filha agir como uma criança todas as vezes que a sobrinha chegava perto da gente. morria de ciúmes da e não perdia a oportunidade de excluir a menina de tudo. Sim, foi algo bem ridículo da parte dela, mas a menina não tinha a mesma experiência com irmãos como eu tinha. Então, eu entendia os seus ciúmes, apesar de não concordar com as atitudes que ela vinha tomando, a compreendia.
Toda a exclusão que sofria só a fazia se fechar mais ainda no seu mundo, consequentemente a odiar ter trocado de país. Por conta disso, resolvi interferir aos poucos na situação toda. Decidi que seria a pessoa que daria o pontapé para deixar sempre confortável no meio do grupo.
Hoje era uma tarde em que todos nós nos reuniríamos para ver filmes. Esse tipo de atividade é bem comum no grupo, sempre nos encontrávamos em diferentes casas para fazer algo junto. Especialmente na tarde de hoje, a presença de se faria porque, outra vez, a mãe de convidou, leia-se intimou, a sobrinha para que ela estivesse lá na sua casa. Como e eu somos vizinhos, mas moramos longe de , sempre tínhamos que pegar um ônibus para visitar a menina e vice-versa. Nesse dia fiz o trajeto sozinho porque me atrasei sendo um filho maravilhoso já que estava ajudando minha mãe com as tarefas domesticas. Nada fora da minha rotinha a final minha mãe é linha dura como a mãe de .
Por ter me atrasado consegui avistar também indo em direção a casa da prima. A menina tinha os fones de ouvidos colocados e estava distraída caminhando com os olhos posicionados no chão. Não precisei apertar o passo para chegar primeiro na entrada da casa. Minha intenção era recepciona-la antes de entrarmos e por causa disso parei na entrada a sua espera. De onde estava dava para ver que ela seguia distraída e que isso só mudou quando o seu rosto arredondado se ergueu dando de cara comigo parado ali.
— Olá. — Em um ato involuntário troquei o peso de um pé para o outro e a cumprimentei com um sorriso tímido.
— Hmmm... oi. — Ela responde desconfiada.
— Eu sou o Luke. — Digo. Na minha cabeça estava tudo planejado, mas minha boca parecia não querer obedecer aos planos. Não sei de onde meu cérebro interpretou a sua desconfiança como um sinal de que ela não me conhecia.
pode não ter deixado eu conhecer os amigos dela direito, mas o nome de vocês eu já gravei. — Deu ombros. — De qualquer forma, prazer em conhecê-lo. Eu sou .

Desde esse dia a menina passou a ser mais falante no grupo, pois eu procurava inclui-la nas conversas. No começo eu recebia uns vários olhares mortais vindos de , com o passar do tempo ela foi entendendo que não tinha necessidade de tentar os seus superpoderes não existentes para me fulminar e passou a aceitar melhor a ideia de ver em nosso meio.
Os episódios em que se excluía ocorriam com menor frequência, porém durante as férias a menina se fechava em um mundo de fuso horário louco para manter as amizades que tinha no seu país natal vivas. Toda essa loucura, na minha opinião, era muito legal – na teoria – porque ela se mostrava uma pessoa empenhada em suas amizades. Na prática, isso era o motivo pelo qual ela estava como um zumbi. Vivia dia e noite acordada para dar conta dos amigos que estão em solo brasileiro e dos amigos em solo australiano. Sem contar que ela virava unha e carne com todo tipo de tecnologia que fosse capaz de se conectar a uma rede de WiFi e abrir qualquer site e/ou aplicativo que a permitisse fazer contato com o mundo fora do nosso continente. Tudo isso não é ruim se você levar em conta que somos jovens e teoricamente temos idade e saúde para levarmos esse estilo de vida louco que a Goméz estava tendo. Sei que 1000/10 mães estão contra essa frase.
mesmo sendo a mais louca do grupo já começa a se queixar de que sua querida prima estava passando mais tempo com a cara grudada na tela do smartphone que interagindo com qualquer um que estivesse em seu entorno. reclamou tanto sobre que a sua mãe se juntou com as nossas para fazer um final de semana diferente. Uma das regras, que mais tarde descobriríamos, era que não poderíamos ficar com o celular ou conectados na internet. Segundo elas – as mães – nós – os adolescentes – estávamos pouco a pouco substituindo qualquer contato humano por eletrônicos. Dona Liz Hemmings e dona Marcia de Assis concordam tanto com isso que para aquele final de semana elas alugaram uma casa quase dentro do mar de tão próxima a praia que era. As duas iriam conosco porque como mães e educadoras — ambas são professoras, dá para acreditar na sorte minha e de ? — Que não sabiam que não se pode confiar em um bando de adolescentes cheios de hormônios para ficarem sozinhos por um final de semana inteiro.
A viagem até a casa foi uma loucura porque mal cabíamos nos carros. Minha mãe foi obrigada a levar eu e os caras porque o seu carro era maior e se fosse ao contrario estaríamos encolhidos no carro da senhora de Assis. As bagagens foram em um esquema inverso: o carro da minha mãe levava as malas das meninas – vantagens de ter um bagageiro maior – e o carro da dona Marcia levava as nossas mochilas e sacolas. As pranchas de surf foram amarradas no teto do carro Hemmings e os violões foram no nosso colo.
No primeiro dia de viagem o uso dos celulares foi liberado até que as responsáveis se irritarem com o fato de estarem falando com “paredes”. A mãe de surgiu com uma espécie de caixa-cofre com um temporizador que após tampada só abria com o termino do tempo pré-estabelecido. Elas mostraram que podíamos fazer de tudo que a caixa não abriria. Minha mãe deu a brilhante ideia de prender os nosso eletrônicos pelo resto da viagem. Acredite que tentamos argumentar ao nosso favor, mas foi sem sucesso.
No dia seguinte, a casa tinha oito pessoas “batendo” cabeça para resolver o que fazer e duas mães rindo do nosso desespero. Como os eletrônicos não seriam uma opção, decidimos passar o dia na praia. As meninas pegando uma cor e os caras alternando entre surfar e bater uma bola. Volta e meia, alguém ia dar um mergulho para esfriar o corpo do calor. Era só isso até que o tédio bateu forte e todo mundo viu que abandonar a praia para tirar uma soneca era a melhor ideia.
O meu sono durou pouco por algum motivo desconhecido. Decidi ir até a varanda da casa curtir a rede e aproveitar uma brisa que estava se fazendo presente do lado de fora da casa. Antes de ir lá passei pela sala até chegar na cozinha para pegar uma garrafa d’água. Ao chegar na varanda, me dirigi a rede e dei de cara com .
A menina estava com os cabelos soltos e eles exibiam um tom mais claro de loiro por conta do Sol. Estava usando, o que até o fim da viagem eu descobriria ser o seu “uniforme”, shorts jeans com uma blusa de unicórnio, os pés descalços, mas dava para ver onde o seu chinelo tinha ido parar em algum ponto da areia na sua frente.
— Ah, você está aqui. — Ela disse ao notar minha presença no espaço.
— Eu posso ir se estiver atrapalhando. — Disse no automático.
— Não, imagina... eu saio se você precisar do espaço. — Ela disse com um tom hesitante.
— Ah, não... imagina, pode ficar aí. Eu só estava...
— Entediado? — Ela disse com um sorriso que levantava o canto das suas bochechas coradas.
— Isso mesmo!
— Se não houver problema, você pode ficar aqui na rede também.
— Já que você está oferecendo, eu aceito. Não tenho problemas em dividir. — Disse lembrando a ela dos ciúmes da .
— Nem me lembre dessa época. é um porre quando quer! — disse abrindo espaço para que eu me sentasse ao seu lado.
Passei cada perna em um lado da rede de estampa xadrez e me sentei. Estávamos em uma posição em que ela estava de frente para a praia e eu estava de frente para a sua lateral.
— Não está aqui quem falou. — Disse na defensiva.
— Meio difícil fingir que alguém do seu tamanho não está aqui.
— Está insinuando que eu sou um elefante? — Tentei ao máximo soar indignado com a sua fala, mas acho que não deu muito certo porque logo ouvi um riso escapando dos seus lábios.
— Elefante? Não, não... — ela disse com uma cara pensativa. — Eu diria que você está mais para uma girafa.
— Girafa? — Faço questão de arquear bem as minhas sobrancelhas para demonstrar o quão surpreso estava com a descoberta.
— Sim. Já viu a sua altura? — Ela diz como se fosse óbvia a escolha daquele animal.
— Nunca! Eu sou algo bem diferente. — Retruquei.
— Ah é? Então o que você é? — Ela diz com a sobrancelha esquerda mais arqueada.
— Eu sou um pinguim. — Na hora, eu juro que parecia algo superinteligente e óbvio de se dizer e na minha cabeça fazia sentido, mas foi só eu terminar a frase para perceber que nada do que tínhamos falado fazia sentido. Rapidamente o som das gargalhadas mais reais e espontâneas que já tinha visto dar puderam ser ouvidas. Não demorei a me juntar a ela com os meus risos que tinham um misto de vergonha com divertimento.
Não demorou muito até que todas as nossas risadas fossem gastas e só sobrassem o silêncio e sorrisos discretos. O silêncio entre nós dois naquela hora não era algo que incomodava. Era confortável e parecia certo, assim como dividirmos aquele momento parecia certo.
— Você não está enlouquecendo sem o seu celular? — Quando dei por mim essas palavras escaparam da minha boca.
— Estava. Até chegar aqui e dar de cara com toda essa beleza. — Os seus olhos verdes não fizeram muito contato com os meus olhos azuis.
— É.... faz sentido.
— Sabe, eu estou grata por ter meu celular naquele pote esquisito que a minha tia e sua mãe arrumaram. — Ela disse com um sorriso nos lábios e os olhos fixos no mar. — Mas que isso fique entre a gente. Elas não podem saber que eu estou gostando disso.
— Minha boca é um túmulo.
— Bom saber disso. — Ri baixo com a sua fala.
— Para você não achar que está sozinha nessa: eu também estou feliz em não ter meu celular comigo agora. — Lhe confessei.
— É horrível perceber que elas tinham razão sobre algo. — A baixinha disse ainda com os seus olhos bem presos no mar e no seu movimento de vai e vem.
— Acho que a pior parte é concordar que nós estaríamos perdendo algo incrível como esse lugar por só mais um “LOL” falso em uma conversa com alguém que também estaria na mesma.
— Acho que você resumiu bem isso. — Ela finalmente olha para mim, mas não durou muito tempo.
— Acho que elas conseguiram fazer com que a gente visse que estamos muito presos nas telas e quando isso acontecesse perdemos momentos maravilhosos como...
— Como esse pôr do sol. — ela completa sem tirar os olhos do horizonte.
Passamos todo o momento observando o sol se recolher para o outro lado do mundo. A mistura da brisa fresca vinda do mar com os tons de laranja espalhados no céu eram exatamente o que nós dois precisávamos ver. Fez toda a nossa conversa, conflitos internos e reflexões sobre estarmos longe de a tecnologia ter um sentido muito maior.
Aparentemente o pôr do sol me hipnotizou tanto que não me dei conta que já tinha saído de perto de mim e com um sorriso nos lábios também deixei o local.

A conversa que tive com naquela rede foi ótima. Eu não imaginava que pudéssemos ter aquele tipo de conversa. Foi algo surpreendente, na verdade. Estava acostumado a falar sobre essas coisas com os caras e a . Falar sobre futuro e outros assuntos mais filosóficos com foi novo, mas não me pareceu estranho ou me deixou desconfortável, pelo contrário, parecia algo certo e não forçado. Mesmo que esse não fosse o nosso assunto mais frequente, não tinha sido bizarro esse encontro de ideias, até porque não foi um diálogo baseado em respostas para agradar alguém, nada foi dito apenas por educação. Foi real e sincero.
Mais tarde naquela noite – estava mais para madrugada – era hora de dormir, ou pelo menos era o que minha mãe e a Mrs. Assis queriam que a gente fizesse. Nem dava para ficar até tarde acordado conversando ou jogando algo que nos fizesse pagar mico/revelar algum segredo porque as meninas ficaram com um quarto suíte onde elas se fechavam nos seus mundos e transformavam todas as noites em festas do pijama. A regra delas era “no boys allowed”. Então todas as noites era como se cada grupo estivesse em uma viagem particular. Minha mãe nem estava nas nuvens com essa divisão e a felicidade era tão inexistente que ela deixava o nosso vídeo games portáteis com a gente na noite e pela manhã os recolhia.
Geralmente, eu estaria com a minha cara espinhenta enfiada em um jogo e disputaria com os outros caras pelo melhor score na fase. No entanto, hoje estava com a cabeça no mundo da lua ou como a mãe da diria: pensando na morte da bezerra. Bem, isso é o que alguém de fora diria ao me ver com meus olhos azuis fixos no céu azul escuro com seus pontos brilhantes que estavam presos do outro lado dos vidros da janela.
O nosso quarto tinha duas beliches e nesse momento eu estava sentado no chão perto da cama. Não sei quando Cal passou pela porta e se juntou a mim. Ficamos lado a lado em silêncio durante poucos instantes.
— Você não acha que o céu já não se cansou de ser encarado por você? — Calum solta com um sorrisinho de lado.
— Nah.... talvez, mas gosto de pensar que não. — Disse dando de ombros.
— Boa sorte se enganando, bro. — Ele solta com uma risada.
— Valeu. — Disse enquanto meus lábios exibiam um sorriso.
— Está legal. Agora você conta por que está com essa cara e com a mente longe.
— Nada demais. Nada mesmo. — Retruquei ainda com os olhos presos no céu.
— Uhum... sei bem qual é a desse nada. — A voz dele tinha um certo tom de malícia implicando saber mais do que dizia. — Eu ouvi a falando com a que viu você e a de papinho na rede.
Tinha sido pego. Não que eu quisesse manter a nossa conversa da tarde em segredo, porém era algo que não fazia questão de compartilhar. Só que Calum estava especialmente fofoqueiro hoje e já sabia do encontro.
— Aquilo não foi nada demais. Eu acordei com sede e fui pegar uma água. Aí decidi ficar na rede só que ela já estava lá, eu até ia embora, mas a menina disse que tudo bem se a gente ficasse ali juntos e tal. Quando vi só ficamos conversando.
— Só conversando?
— Para cara. Está parecendo as meninas quando querem saber de algo. – Tentei usar a minha melhor voz blasé.
— Não me importo. Só conversando mesmo?
— Só conversando mesmo. Não consigo sentir nada por ela nesse sentido, apenas amizade. Sem contar que a gente ficou um tempão comentando sobre como, no final das contas, estava sendo bom ficar desconectado.
— Pelo jeito que você está reflexivo até agora, não me parece algo que merece apenas uma conversa. Poe para fora isso Hemmo.
— Como?
— Com uma música. Está merecendo.
— Não sei se sou capaz disso. — Tentei desconversar para evitar escrever a música.
— É sim. Está escrito na sua cara que você tem muito a dizer sobre isso. — Hood continuou insistindo. Ele falava com tanta certeza de que sairia uma música que cedi.
— Ah, é? Então escrevemos.
— Ótimo. Vou deixar você trabalhar na letra.
— Você não entendeu, né? Eu disse escrevemos.
— Opa, eu não vou fazer parte disso.
— Vai sim. Se está cheio de opinião sobre, pode compor comigo. E nem adianta negar. — Fui firme, já que ele também tinha sido bem convincente comigo.
— Está bom! Vou pegar o violão e a gente escreve.

Pouco tempo depois estávamos nós dois na varanda vendo uma chuva noturna de verão enquanto escrevíamos as primeiras letras e o que poderia ser a melodia

Life's a tangled web of cell phone calls
(A vida é um emaranhado de chamadas de telefone celular)

And hashtag I-don't-knows
(E hashtags "eu não sei")
And you
(E você)
You're so caught up
(Você está tão preso)
In all the blinking lights and dial tones
(Em todas as luzes piscando e tons de discagem)

Essa primeira estrofe era bem óbvia. Ela diretamente fazia alusão ao que e eu conversamos e a minha visão sobre ela no meio daquela tecnologia toda.

I admit I'm a bit of a victim
(Eu admito que sou um pouco vítima)
In the worldwide system too
(No sistema mundial também)
But I found my sweet escape
(Mas eu encontrei a minha doce fuga)
When I'm alone with you
(Quando eu estou sozinho com você)

As duas primeiras frases eram minhas. Claramente falavam sobre a minha relação com essas coisas tecnológicas e o resto ficaria vazio se não fosse o Cal. Ele achou interessante dar a música esse tom meio romântico só para combinar com o trabalho que eu tinha feito no começo. No fundo eu sabia que ele estava de alguma forma implicando comigo em relação a conversa que tive com mais cedo.

Tune out the static sound
(Desintonize o som estático)
Of the city that never sleeps
(Da cidade que nunca dorme)
Here in the moment
(Aqui no momento)
On the dark side of the screen
(No lado escuro da tela)

Mais uma vez Calum e eu fizemos um ótimo trabalho dividindo as escritas da estrofe. Parte dela vinha do fato que realmente estávamos desconectados, presos no lado escuro da tela de qualquer eletrônico quando nos desligamos das demais coisas que nos mantem acesos por um dia todo.
I like the Summer rain
(Eu gosto da chuva de verão)
I like the sounds you make
(Eu gusto dos sons que você faz)
We put the world away
(Colocamos o mundo de lado)
We get so disconnected
(Ficamos tão desconectados)
You are my getaway
(Você é o meu refúgio)
You are my favorite place
(Você é o meu lugar favorito)
We put the world away
(Colocamos o mundo de lado)
Yeah, we're so disconnected
(Sim, estamos tão desconectados)

Estar desconectado me fazia muito bem. De alguma forma minha mente se tornava mais clara. O refrão da música foi escrito sem muita pretensão. Usamos o fato de estar chovendo para nos inspirar, além de juntarmos com algumas coisas mais românticas como fazer referência a uma pessoa como uma forma de escape. Mais uma vez era o Calum. No fundo, no fundo era o jeito de Hood implicar comigo.
— Cara, quer saber de uma coisa? — Cal diz enquanto segurava o violão de modo mais frouxo.
— Fala. — Tirei os meus olhos da última palavra que escrevi.
— Acho que no final das contas foi bom ter desconectado. — Ele finalmente revela após uns segundos em que permaneceu quieto. Não o respondi, mas permiti que um sorriso chegasse aos meus lábios. Acho que ele tinha entendido sobre o que eu estava falando antes de compormos.
Naquela noite não fomos muito além do que essas palavras. Para nossa música ficamos acordados por bastante tempo pensando em cada palavra e em cada nota. A quantidade de riscos que estavam nas folhas que utilizamos para escrever eram incontáveis. Terminamos orgulhosos do nosso empenho em obter algo que nos representasse. Estávamos felizes com o nosso trabalho em equipe.

O resto da viagem seguiu como o esperado. Torramos no sol quando íamos na praia pela manhã e pela noite cada um seguia o seu rumo. Pela tarde os oito arrumavam algo para fazer, como: jogar bola, cantar em volta de uma fogueira enquanto assávamos marshmallows, jogar mimica e outras coisas. Na viagem de volta para nossas casas tudo correu como o esperado, exceto que nós obtivemos de volta os nossos celulares e outras coisas eletrônicas que usamos para nos divertir. Fizemos até uma mini cerimônia apenas para dar uma zoada com toda a situação.

Ao chegar em casa, no conforto do meu quarto pude pensar mais sobre e me comprometi a tornar um hábito separar um tempo para me desconectar. Se não agora, quando ficar mais velho.
FLASHBACK OFF

Ashton’s POV
— A outra parte da música veio com a ajuda do John Feldmann e o Alex Gaskarth. — Luke complementa.
— Nossaaaaaa!!! Pelo jeito eu ia morrer sem saber que aquela viagem gerou essa música. — Ouvi ao lado de Mike dizer.
— Bom agora faz todo o sentido a minha tia ter aquela caixa cofre em casa. — solta em seguida.
A tal caixa cofre fez um sucesso naquela viagem. Foi muito mais impactante do que eu mesmo imaginava.
— Não pense que a Liz e a sua mãe não têm culpa disso. — A loira e mais nova do grupo disseram. Não é segredo para ninguém que as nossas famílias se conhecem. Somos tão íntimos que algumas mães trocam figurinhas sobre como educar os filhos.
— Pode deixar que a gente avisa a elas que não precisa disso mais. — disse com um sorriso nos lábios. Certeza que ela só queria ver a reação de uma das duas meninas. E não foi desapontada porque a loira lançou um olhar mortal na direção dela.
— Sem brigar meninas! — diz com a voz de mãezona. Ela sempre fazia isso. Tentava apartar as possíveis brigas. Às vezes só tinha um aroma bem longe de confusão e ela já estava dispersando tudo. Com toda a certeza, ela é a grande responsável por manter paz e acredito que isso seja apenas um reflexo de sua personalidade. A menina detesta confusões.
— De qualquer modo, eu sinceramente agradeço ao nosso querido amigo Hemmo por ter compartilhado essa incrível história. — disse enquanto puxava uma salva de palmas para Hemmings. É claro que todo mundo se juntou a ela com muitos risos sendo dados.
Calum teve a brilhante ideia de que jogássemos “verdade ou desafio”, mas disse que não tinha graça a menos que fosse “verdade ou verdade”. Supostamente não precisamos mais pagar micos na frente um do outro depois de anos de amizade. Para a de Assis não tinha mais necessidade disso, então ela sugeriu que jogássemos isso onde não importava em quem caísse, apenas a verdade deveria ser dita.
Jogamos o tal jogo conforme o que ela sugeriu e no final foi tão divertido quanto o jogo anterior. Já sabíamos tudo sobre nossas vidas então a maior confissão da noite foi revelando que o momento em que começou a sentir algo por Luke foi exatamente naquela viagem depois daquele momento na rede em que eles tiveram.
— Foi depois dessa viagem que eu comecei a achar graça nele. — Vimos ela apontar para Hemmo — Mas eu segurei a barra muito sério porque eu sabia que ele não via graça em mim, então deixei quieto e segui com a vida. O famoso “se rolar beleza, se não rolar paciência”.
Olha essa menina teve muita paciência porque demorou muito até a gente deixar claro para Hemmings que a Goméz sentia algo por ele. Até alguém contar para ele, a gente se divertia fazendo muitas indiretas para constranger e deixar ele confuso nos assuntos. Bem como aconteceu ontem antes de irmos para a boate nova. Agora os casais se inverteram.
Depois de arrumarmos a bagunça que fizemos para cozinhar o jantar do dia, a gente foi se dispersando. Todos foram trocando os pijamas e escovando os dentes e se recolhendo para dormir. Os primeiros foram e Michael, seguidos por e Luke. Atrás foram e Calum, demoraram mais porque a menina queria se certificar que estava bem e que deixamos tudo em ordem.

Aparentemente para a revelação da origem da música foi perfeita. Seus instintos de autora estavam mais acordados do que nunca e a menina viu que o que ela achava ser uma séria crise de bloqueio criativo, na verdade, era só mais uma falta de fofocas novas para incrementar a sua natural criatividade. Afinal não era segredo para nenhum de nós que recolhia histórias de vida para misturar com as coisas doidas que a imaginação dela bolava para então a menina de cabelos coloridos finalmente pôr para fora no papel.
— Vai continuar aqui? — Perguntei para ao ver que ela tinha se sentado na mesa com suas coisinhas de escrever. Ela tinha um caderno específico para cada história. Eu juro que parece que ela comprou todas as papelarias do mundo e deu um jeito de enfiar tudo num estojo nem tão pequeno. Não sei ao certo quando isso começou, porém é rotineiro encontrá-la com papel e caneta ao invés de vê-la com um arquivo de Word aberto em uma tela qualquer.
— Ah, sim. Tenho que extravasar toda essa inspiração. — O seu tom de voz ao me responder denunciava a sua ligeira empolgação.
— Eu vou deitar lá. Quando você for dormir, me avisa que troco com você. — Disse tentando parecer casual. Dividir uma cama com ela agora que eu sabia como me sinto a seu respeito era algo que talvez o meu eu adolescente apaixonado não estivesse preparado.
— Ash, tudo bem a gente dividir a mesma cama. Somos adultos e eu durmo como uma pedrinha e praticamente não mexo. Vou deitar lá e nem vou te incomodar ou me incomodar com você. — Ela disse me encarando de onde estava. Todas as vezes que dormimos juntos, apenas dormimos e não foi algo planejado. Quando vimos era de manhã e estávamos tortamente abraçados no sofá da sala de alguém. Sempre rimos como se nada tivesse acontecido e seguimos com a vida. — O máximo que pode acontecer é a gente acordar de conchinha. E isso, sinceramente, não é de todo mal porque quem não ama uma posição que te fornece calor extra e afeto?
Admito que ri com ela somente para manter a pose calma, mas fui meio atingido com as suas palavras que obviamente não tinham nenhum duplo sentido. Não dei tanta chance para que minha mente iludisse meu coração com qualquer palavra nova que a boquinha linda dela dissesse, pois forcei um bocejo e segui em direção a sua figura.
— Boa noite. — A desejei junto com um beijo no topo de sua cabeça. Queria não ter notado o cheiro de uva do seu cabelo que divertidamente combinava com as partes roxas dos fios.
— Dorme com os anjos. — Sua resposta se somou a um meio abraço quando dei o beijo.
Fiz todo o meu ritual noturno e deitei na cama. Não fui inocente de achar que deitava e dormiria logo. A verdade é que fiquei um bom tempo olhando para o teto, e depois checando redes sociais, e depois assistindo desenhos, e depois editando fotos que nunca vou postar até que finalmente cochilei.
O meu sono não durou muito porque acordei achando que um copo de água ou leite fosse ajudar em alguma coisa. Ao voltar para a cozinha me deparei com a TV ligada e falando no telefone enquanto estava deitada toda enrolada em cobertores. Ela ria e fala em português, então só podia ser alguém de sua família do outro lado da linha. Eu mesmo só sei que é português o que ela está falando de tanto conviver com ela e vê-la interagindo com sua mãe, primas e . Peguei uma garrafa d’água e segui para perto dela que não me viu logo de cara, mas quando entrei no seu campo de visão, sentou e me chamou para sentar no lugar onde deixou espaço. Não questionei o que ela pediu e sentei no local indicado fazendo o que foi silenciosamente pedido. E mal sentei e ela já foi deitando de novo com a cabeça no meu colo. Minha reação foi só rir enquanto sacudia a cabeça em negação. Naquela hora a menina era um misto de abusada com folgada e eu queria me importar, mas não achava nada de errado nisso, pelo contrário era muito divertido e suas atitudes nesse momento me proporcionavam um ótimo momento com a minha crush.
Pousei os olhos na TV apenas para descobrir que um episódio de Um Maluco no Pedaço estava passando. Bom, provavelmente é uma das únicas pessoas no mundo que não re-assiste Friends. A sua para todos os momentos é The Fresh Prince of Bel-Air e o seu ponto alto na vida foi conhecer os filhos do Will Smith em uma festa. Não tinha motivos para lutar, por isso cedi a sua programação e fiquei ali emprestando o meu colo para ser seu travesseiro. Se fechasse os meus olhos, poderia imaginar o momento de filme romântico clichê perfeito. Eu continuaria alheio a conversa dela por muito mais tempo, porém o meu nome foi dito e todo mundo sabe que quando o seu nome é dito em qualquer conversa é como se você fosse convidado para o assunto. Como tudo era dito em português, não poderia morrer de curiosidade tinha que descobrir mais sobre o que estava acontecendo.
— Quem é? — Movi a boca sem emitir som após cutuca-la o suficiente para chamar a sua atenção.
— Minha mãe. — Ela responde-me da mesma forma e emenda com um “Uhum” para o telefone e isso é algo universal que eu sabia que era em acordo com algo.
— Manda um abraço para ela. Diz que eu estou com saudade da comida dela. — Eu não aguentei nem cinco segundos calado e tive que sussurrar algo. Tentei culpar isso ao fato de que a mãe dela, ou será que agora poderia chama-la de minha sogra, e a minha mãe são boas amigas, por conta disso frequentamos a casa uns dos outros. É óbvio que depois de vários almoços, lanches, jantares, etc., eu tinha que me render a comida da Mrs. de Assis e a alguns pratos da culinária brasileira. A ouvi falar mais algumas coisas com o meu nome no meio ainda usando o português, então esperava que o meu recado fosse levado ao destinatário. continuou por mais uns minutos falando com a sua mãe e em seguida desligou.
— Minha mãe mandou um beijo para você e disse que quando você voltar é para ir lá em casa passar o dia comendo com a gente. — A menina me conta enquanto se retorce no sofá para esticar os dedos dos pês.
— Meu deus, ! Avisa para ela que se continuar assim não vai ter jeito, vou querer entrar para família. — Ainda bem que fechei meus olhos para acompanhar a sua risada. Minha mente entrou em alerta segundos depois. Será que ela percebeu algo no que disse?
— Se controla, Ashton. O máximo que você consegue é inscrever a gente naqueles programas de troca de família da Discovery home and health e aí invés de trocar a mãe, troca os filhos e é isso. — Ela retruca enquanto busca uma almofada para pôr no meu colo para então voltar a deitar a sua cabeça ali. Segundos depois de achar a melhor posição, pegou a minha mão esquerda e pôs na sua cabeça num indicativo de que queria cafunés. Como eu disse antes, folgada e abusada, mas eu amo essa garota.
— Ouch. Vou até voltar a prestar atenção no episódio depois dessa. — Me fingi de ofendido por motivos óbvios. Estava escrito na minha cara que não era sendo adotado que eu entraria na família dela. Só ela que não percebia.
— Tadinho do menino Ashton. — Ela diz ao fingir pena. Não aguentei a provocação e ataquei com muitas cosquinhas. só precisava da sombra da cosquinha para se contorcer rindo e pedindo clemencia, então imaginem o estado em que ela fica quando alguém de fato a toca fazendo cócegas. Era risos para tudo que é lado com vários “por favor para” e “para eu estou ficando sem ar”.
— Ash... chegaaa... por favor... a gente vai acordar todo mundo com o barulho... — ela disse em meio aos risos ainda. Só assim para que eu lhe desse algum sossego.
Gostaria de contar sobre como no meio desse momento a gente parou em uma posição favorável a beijos e todas essas outras coisas românticas lidas nas histórias, mas não foi isso que aconteceu na minha história. Eu parei com as cócegas e ela me deu um tapa no primeiro local que viu, ou seja, meu braço, por quase matá-la sem ar. Aparentemente não foi dessa vez que me tornei um assassino.
— Agora se arruma direito nesse sofá que eu quero deitar de novo para ver minha série. — Ela disse mandona enquanto se estendia com o cobertor que ficou embolado no seu corpo.
— Mas e se eu quiser deitar também? O sofá não cabe nós dois. — Passei a mão nos meus cabelos a fim de arrumar uma possível bagunça ocasionada pelos eventos anteriores.
— Eu tenho a solução. — Ela disse depois de ter levantado segurando o cobertor de um jeito bem desengonçado. — Você deita no sofá, mas deixa uma almofada para mim.
— Não é melhor a gente ir deitar na cama, ?
— Lá tem TV com a série? — Ela pergunta com o perfeito tom de superioridade, já que para ela está claro que a sua ideia é a melhor.
— Não, mas... — não pude nem terminar de falar que na cama seria mais confortável pelo menos porque o seu olhar mortal sobre como a minha ideia não serviria venceu. Diante disso, segui o seu gentil pedido e deitei no sofá.
— Agora você abre as pernas. — A minha cara de confuso a fez rir. — Anda, Irwin! Estou perdendo tempo de série.
Provavelmente seguir as loucuras da sua crush é uma das maiores provas de que você está na dela. A minha prova sobre essa afirmação, foi não insistir tanto na minha ideia e somente fazer o que foi pedido. não perdeu tempo em nada, pois assim que me arrumei na posição que ela queria, me deparo com a menina passando o controle para as minhas mãos, pegando a almofada que queria usar e colocando o cobertor sobre os seus ombros.
— Agora, tu não surtas nem nada, mas eu vou deitar aí com a minha belíssima cabeça nesse travesseiro que ficará bem na sua barriga. — Eu nem tive tempo para processar corretamente as informações e quando vi ela já estava entre as minhas pernas com a sua cabeça no tal travesseiro improvisado e com o cobertor por cima da gente. — Eu sei, eu sei... tive uma ideia genial. Agora você pode pôr naquele na primeira temporada, por favor.
Como disse antes, provavelmente seguir as loucuras da sua crush é uma das maiores provas de que você está na dela. Então só para confirmar que eu estou na dela, fiz o que queria. Quando o episódio começou, ela fez questão de não pular a abertura e me fez voltar quando errei uma frase do rap. Eram momentos assim que me faziam curtir mais ainda . Provavelmente dormiríamos ali e no dia seguinte a gente teria que tomar remédios para dor nas costas? Sim, bem provável, chances de cem por cento do evento acontecer. E sabe o que mais tinha cem por cento de chances de acontecer? Eu cair mais de amores por ela. Ou seja, nada que eu já não estivesse me acostumando a sentir.




Continua...



Nota da autora: Perdoe-me pela demora da atualização!!! Mil coisas aconteceram e me embolei toda aqui, mas o que importa é que saiu att.
Queria mandar um beijo enorme para a Grazie S que é uma flor e tem fics marvigolds. Super indico: Uma Namorada para Dougie Poynter (McFly com o Poynter de pp) e NEVER BE THE SAME (Tom Holland é o pp). A propaganda é de graça e surpresa para ela! Hahaha
O próximo capítulo já está em confecção e espero que vocês gostem dele assim como esse aqui.
Ah, me avisem se quiserem uma playlist com as músicas que me inspiram a escrever a fic. E quem quiser dar um grito comigo porque tô demorando a mandar att ou só dizer oi pode procurar por @sinceranmi no Twitter.
Beijos e até a próxima att!!!



Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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