Última atualização: 04/12/2017

Capítulo 1


forçou ambas as mãos contra o volante do carro, mantendo o controle da respiração que começou a ficar pesada com o movimento suave com o qual mexia as pernas. Droga! Ele se obrigou imediatamente a olhar para frente, prestando atenção no movimento da avenida.
— Shh… — Ele soltou um pequeno ruído com a boca, não compreendendo o que estava acontecendo. De que lugar do inferno essa garota tinha saído? Quando ela chegou? Quando ela ficou tão maravilhosa assim? Por que diabos ela não ligou durante todos esses anos?
Não era 2possível um ser humano ter ficado terrivelmente atraente desse jeito e ainda por cima ser tão provocante. Droga, !. Ele mordeu o lábio quando ela roçou uma perna na outra e aquele movimento proporcionou uma visão tão privilegiada que sentiu o suor escorrer pelo rosto.
– Tudo bem, ? – Ela perguntou, sabendo que aquilo o deixava louco. Qual a necessidade de chamá-lo daquela maneira íntima? Tudo bem? Era isso? Ela perguntou apenas se ele estava bem? O que ela estava querendo provar? Que estava maravilhosa?
Droga, ! Você é um babaca!
– Tudo. – respondeu cortês, sentindo vontade de mandar logo um tudo vai ficar bem quando eu cravar meus dentes contra a sua pele e roçar meus lábios por todo seu corpo. AH! Ele sentiu o corpo arder com aquela provocação espontânea.
– Que bom. – Ela sorriu, entortando um pouco a cabeça.
AH! Esse sorriso que ele sentiu tanta falta. Será que tudo isso era arrependimento?
– Tudo bem com você? – Ele devolveu a pergunta no mesmo tom e sentiu que ela ficou em silêncio, olhando para o vidro do carro.
– Tudo ótimo. – ajeitou o cabelo, escondendo a expressão da resposta. Ótimo mesmo? Algo estava errado e ele conseguia sentir isso.
– Por que veio para Seul? Não estava esperando ver você tão cedo assim. – tentou aproveitar as chances de explorar o terreno.
– Problemas. – Ela respondeu, não o olhando. tentou não transparecer seus sentimentos assim dessa maneira tão rápida. Ela nem ao menos estava certa de que tinha sido uma boa ideia encontrá-lo tão rapidamente desse jeito.
– Algo mais? – Ele forçou a conversa.
. – girou a cabeça, olhando dentro de seus olhos.
Meu Deus! Esse olhar. Ele soltou um longo suspiro.
? – questionou, um pouco confuso com todos aqueles pensamentos que estavam começando a perturbar.
– Ainda posso te chamar assim? – Ela perguntou, tão séria que o deixou estranho. estava maravilhosa, mas ao mesmo tempo tão fria. Tão distante!
– Claro que pode… – respondeu confuso.
Lentamente ele estacionou o carro na entrada de uma boate e antes de tirar o cinto, olhou para o rosto dela. forçou o olhar por alguns segundos antes de abrir a boca novamente.
– Não tente criar uma relação entre a gente. – Ela fez gestos com as mãos, agora sorrindo. – Caso role algum sexo hoje, não preciso que você me convide. Tudo bem? Eu vou saber no momento certo.
OUTCH! Que tapa na cara quando ela disse isso.
– Quem falou em sexo? – fez a sua melhor cara de tapado, tentando inutilmente convencê-la. Ela soltou uma gargalhada gostosa e ele fechou a expressão. – É sério.
– Tudo bem, você finge que me engana e eu finjo que acredito em você.
– Eu senti saudades. – Mentira. Quem o escutasse naquele momento sabia que estava mentindo. Nem ele mesmo acreditava que tinha chamado a garota para essa boate atoa. Óbvio que ele queria relembrar os velhos tempos.
– Saudades é algo que eu vou fazer você sentir mesmo... – ela parou quando o host aproximou-se, abrindo a porta do lado dela. – mas não é só isso que eu quero fazer você sentir.
Antes de sair ela deslizou levemente suas mãos para o seu peito, esbarrando propositalmente contra sua calça. OK! Ele precisava de ar antes que fosse capaz de jogá-la contra a parede daquela boate e fazer tudo o que queria ali mesmo.
– Como você é fácil, .
Ela sorriu maliciosamente, notando que aquilo o estava deixando transtornado. Como era simplesmente fazer com que ele perdesse o rumo da conversa ao tocá-lo daquela maneira.
– Vamos ver... – Ele sorriu da maneira que ela mais gostava.
ficou alguns minutos em silêncio, encarando o volante do carro.
Era impressionante a maneira que ela conseguia lidar com aquilo tudo.
Por onde devia começar? Conversar era algo que estava fora de questão. Impressionar também. A única coisa que restava era logo atacá-la. Ele estava sendo razoável, tentando uma conversa, tentando um contato e ela logo cortou.
O que podia fazer essa noite? Ficar bêbado ou deixá-la bêbada? E sem que nenhum dos dois perceba e se sinta mal acabarem trocando carícias em algum lugar daquela boate.
– Não é uma má idéia, . – Ele balançou a cabeça, andando um pouco atrás dela vendo a maneira que caminhava para a porta da boate. Não era o único do local que estava impressionado com a sua beleza, ao passar por um grupo de rapazes notou a animação deles ao medir cada parte do corpo de .
foi obrigado a rir. Aquilo tudo tinha um único dono, pelo menos essa noite. E adivinhem quem era o dono? Ele, claro. O mais fácil a se fazer era ignorar completamente todas as cantadas que eles começaram a soltar quando pararam para pegar as pulseiras para o vip. Ao julgar pela expressão em seu rosto, também estava ignorando ou não demonstrava em nenhum momento interesse por aquele grupo que ainda insistia nas mesmas cantadas idiotas de sempre. Ela realmente era um ponto de interrogação em sua cabeça.
— Preciso beber algo. – Ela comentou, lançando um olhar para o bar assim que entraram. O lugar estava lotado e a música extremamente alta, quase não era possível escutar nada.
Outro grupo de rapazes que iam nesses lugares achando que conseguiriam qualquer mulher olhou diretamente para ela e aquilo não o incomodou em nenhum momento. Sentiu pena de algum deles caso tentem algo, eles não sabem como ela consegue ser sedutora dessa maneira e acabar com o seu coração em frações de segundos depois. Cruel. Muito cruel.
– Vou pegar algo para você beber. – Falou bem próximo da orelha dela, fazendo questão de tocar os lábios levemente em seu pescoço quando estava distanciando. – Claro que você pode beber o que quiser essa noite e a quantidade que quiser também, – logo pensou, caminhando imediatamente para o bar.
Quando você está bêbado e com esse nível de tensão no ar, a primeira oportunidade, o primeiro lugar que surgir, você somente agarra e descobre depois do ato completo onde estão. Nessa altura do campeonato qualquer lugar era certo para acontecer isso.


Duas e trinta e cinco da manhã.

? — Ele a chamou depois de notar que algumas imagens estavam ficando turvas ao seu redor. — Você não acha que bebeu demais? — Ela já estava bêbada logo nos primeiros minutos que chegaram ao local e não tinha parado ainda de beber. O dia estava sendo difícil e ela só queria ter um momento de tranquilidade sem se importar com qualquer outra coisa.
— Apenas comecei, amor. — Ela respondeu divertida, aparentando realmente ficar mais bêbada a cada minuto. A garrafa de vodka não estava mais em cima da mesa e sim diretamente em sua mão.
...
— Não banque o imaturo, ! — Ela respondeu imediatamente.
ficou em silêncio, como se tivesse tomado um tapa na cara com aquela resposta. Ele estava aprendendo a lidar com as palavras antes que entrasse numa situação delicada com ela.
— Não estou bancando o imaturo. Só acho que você bebeu demais e podemos parar por hoje. — Ele tomou o copo da mão dela, chamando o garçom para recolher a garrafa e todas as outras bebidas que estavam em cima da mesa. ficou surpresa com aquilo e ao mesmo tempo nervosa por não conseguir relaxar o necessário para esquecer os problemas.
— Depois de 3 anos você ainda continua o mesmo chato. — Ela resmungou, agarrando imediatamente a única garrafa de Vodka que havia sobrado.
— Chato? Eu estou cuidando de você.
— Cuidando? Eu pedi alguma coisa pra você? — O olhar dela cruzou com o dele e aquelas palavras foram outro tapa. Quantos foras eram necessário para que ele entendesse que ela não estava disposta a ter nada com ele novamente?
— Você perdeu a chance de cuidar de mim há muito tempo. — Ela disse rapidamente, sem ao menos perceber que estava virando quase a metade do copo de Vodka. Ele sabia que ela era fraca para bebida, mas hoje não parecia que era. Pelo contrário, a bebida parecia quase não estar fazendo efeito algum nela. O planejado da noite era relembrar os velhos tempos, mas se ela continuasse a beber desse jeito a única lembrança que iria ter era de carregar a garota nas costas até sua casa.
— Para com isso… — ficou sem graça, pegando o copo de sua mão. — eu quis te encontrar porque eu estava com saudades, ainda somos amigos e eu me preocupo com você.
No fundo aquelas palavras eram verdade. Apesar de toda a separação, choro, traição e brigas os seus sentimentos por ela sempre foram verdadeiros. Principalmente nesse momento em que sentiu sua fragilidade.
— Idiota! — Ela xingou, jogando o líquido do copo em seu rosto. tomou um susto e rapidamente levantou com dificuldade, não sabendo como reagir. se sentiu descontrolada e queria que ele fosse embora para que a deixasse em paz de uma vez por todas. Não queria ser fraca e nem demonstrar que aquelas palavras ainda fazem muito efeito sobre ela. Principalmente a saudades que sentiu todos esses anos.
ELA REALMENTE ESTAVA BÊBADA!
— Você ficou maluca? — Ele perguntou incrédulo. Não acreditava no que havia acabado de acontecer. Olhou para o relógio da boate, notando que o tempo passou muito rápido e nem havia percebido. Tentou se limpar da melhor maneira possível e com aquele pequeno incidente ele já podia considerar que a noite não iria ser uma das melhores.
agora estava no meio da pista de dança, segurando outro copo de vodka na mão e dançando de uma forma sensual. Ela descia a mão pelo corpo, subindo novamente e moldando o formato de suas curvas.
manteve-se sentado olhando, não perdendo nenhum lance daqueles movimentos.
Ela queria provocar, e o fazia tão bem que era como se tivesse nascido para aquilo. Percebeu que ele estava encarando-a sem piedade, então riu e virou a vodka em um gole só. Em um gesto dramático, mas que caía perfeitamente com a intensidade da garota. Ergueu o copo de vidro vazio ao alto e o largou, fazendo-o cair e estilhaçar-se. Todos ao redor a encararam, e ela só jogou a cabeça para trás, rindo mais ainda ao receber a atenção que tanto queria.
A música mudou, e ela recebeu essa mudança com uma mordida no lábio. Do What We Do, do Jay Park começava a tocar, e assim que reconheceu as notas, rolou os olhos como num movimento de prazer. Depois girou a cabeça na direção dele, e olhou de forma tão sensual que foi suficiente para que ficasse excitado.

Let me come on over [Deixe-me entrar até o fim]
I'm gonna put you on a sofa [Vou colocá-la em um sofá]
And do just like I told yah [E fazer assim como lhe disse]
And work that body right Oo shawty [E trabalhar bem nesse corpo, oh, gata]
I know that you've been naughty [Sei o quanto tem sido travessa]
So get up on my lap [Então suba em meu colo]


Enquanto os primeiros versos da música eram cantados, desfilava em sua direção, recitando as palavras sem deixar escapar nenhum som. Uma canção muda, o obrigando a fazer uma leitura labial deliciosa.

And work it work it [E mova-se, mova-se]
Twerk it oh twerk it [Mexa-se, mexa-se]
I wanna see you sweating girl [Eu quero vê-la suar, garota]
The best is what your getting girl [O melhor é o jeito que você está ficando, garota]
So lets take our time [Então vamos dar o nosso tempo]


Chegou até com um sorriso safado brincando no canto dos lábios. Esticou a mão direção ao seu pescoço, e ele ficou sem ação por um momento, completamente aturdido com as trajetórias que seu corpo seguia vindo ao encontro do dele. Tocou em sua nuca com as pontas das unhas afiadas, fazendo um arrepio percorrer por toda sua espinha. inclinou-se na direção de seu ouvido e sussurrou junto com a música:

Lets go into the room in the bed [Vamos entrar no quarto, para a cama]
Make you wet its the best [Fazer você se molhar é o melhor]
When we do what we do [Quando fazemos o que fazemos]


Não aguentando ficar parado com tanta provocação, ele segurou a garota pelo quadril e a girou, obrigando-a a ficar de costas para ele. abraçou seu corpo por trás em um movimento rápido, colocou a boca em sua orelha e respondeu:

Or we can slip into the shower [Ou podemos nos esfregar no banho]
And make it last for hours [E fazer isso durar por horas]
When we do what we do [Quando fazemos o que fazemos]


E juntos, murmuraram:

— Oh baby oh baby oh baby, Oh yeah, It's the best when we do what we do. [Oh baby, oh baby, oh baby, oh sim, É o melhor quando fazemos o que fazemos]

imediatamente agarrou as mãos do garoto e as guiou por seu corpo, descendo-as pela lateral de sua barriga e subindo-as pela parte frontal das suas coxas. tomou liberdade de controlar as próprias mãos, então com uma delas afastou o cabelo do pescoço da garota, para dar mordidas leves na pele fina e macia. Com a outra mão, deslizou pela parte interna de sua coxa, coincidindo um forte apertão com um chupão em seu pescoço. Fazendo a garota gemer.

Oh girl your making me wanna go crazy [Oh, garota, você me faz querer enlouquecer]
Out of my mind [Fora de controle]
The way you looking when you naked [O jeito que você olha quando está nua]
I get so impatient [Eu fico tão impaciente]
But then you tell me to hush [Mas então você me diz para ter calma]
Because you don't wanna rush [Porque não quer ir com pressa]


recebeu um tapa na mão que repousava pela coxa de , e sem que percebesse, ela já estava no comando novamente. Virou para ele e começou a beijar sua boca, pescoço, o lóbulo da orelha. Mordeu levemente o lábio inferior e o chupou em seguida, enquanto ele a incentivava com apertões em seus glúteos. quando deu conta, já estava com as mãos dentro das calças dele.

In the room in the bed, We do what we do [No quarto, na cama (fazemos o que fazemos)]
In the shower for hours, We do what we do [No banho por horas (fazemos o que fazemos)]
On the sofa on the floor, We do what we do [No sofá, no chão (fazemos o que fazemos)]
Girl anywhere you want, Girl we do what we do [Garota, em qualquer lugar que você queira, garota, fazemos o que fazemos]


sorriu com os toques. Seus dedos finos percorriam toda a extensão da sua ereção, numa frequência rápida e com uma firmeza admirável.
Quando ela aumentou a velocidade, ele gemeu em seu ouvido:
— Me satisfaça...
— Sabe a saudades que eu te disse? — Ela perguntou e ele quase não foi capaz de ouvir em meio a excitação que estava. — Essa saudades? Você vai ficar sentindo!
No instante que a música parou ela riu, se afastando lentamente e o deixando totalmente perdido sem saber o que fazer.
! — ele gritou, correndo em direção a ela, que nem olhou para trás. O álcool não era o suficiente para fazer com que ela esquecesse de tudo o que havia acontecido anos atrás entre eles, mesmo ainda sentindo alguma coisa por ele, não era capaz de aceitar que ele a fizesse de boba novamente. Não depois de tudo o que estava passando, não depois de tudo o que passou quando foi obrigada a ir embora de Seul.
Depois de procurá-la pela festa toda, ele a encontrou perto do banheiro, provavelmente passando mal depois de tanta Vodka. Apesar de ter sido inútil todos os avisos para que ela não bebesse daquele jeito. Decidiu que era melhor tirá-la de perto dali, antes que ela acabasse com a noite de outras pessoas. Ou que algum cara mal intencionado além dele tentasse algo a mais com ela, isso era algo que ele realmente iria ficar nervoso.
— Vem comigo, . — a puxou pelo braço, mas ela se esquivou, ainda sem falar nada. Respirou fundo para não apertar o braço dela tão forte ao ponto de machucá-la, e perguntou, com a maior paciência:
— O que foi, ?
A garota começou a rir histericamente, como se ele tivesse contado uma piada interessantíssima. rolou os olhos quanto àquilo, mas apenas repetiu a pergunta:
— O que foi?
se virou para encará-lo, e ele percebeu que seu hálito estava pior do que imaginava. Bêbado ele também já ficou, mas achava que tinha exagerado dessa vez, hein?
— O que foi, , é que eu não te aguento mais! — Ela o atacou, livrando-se de suas mãos. Não queria contato nenhum com ele. Muito menos qualquer tipo de preocupação. Queria apenas distância.
— Como é? — olhou para a garota, estupefato.
Não entendeu como assim, de uma hora para outra, ela não o aguentava mais. A noite estava tão tranquila e a dança tinha sido a melhor parte disso. Sem contar que ela era a única pessoa que o aguentou durante todos esses anos!
— Você ultrapassou todos os limites, ! — ela respirou fundo, e ele achou que ia se acalmar, mas, ao contrário, ela começou a gritar: - Nós tínhamos um acordo, ! Eu pensei que você honrasse seus acordos! Eu pensei que depois de tudo aquilo você não ia ter coragem de tentar algum contato corporal comigo!
— Eu não tentei nada com você, garota!
— VOCÊ ESTÁ TENTANDO A NOITE TODA! ACHA QUE EU SOU ALGUMA DAS SUAS GAROTAS IDIOTAS?
— Cala a boca! — ele berrou, revoltado. — , cala a boca! Escuta o que eu tenho a te dizer! Eu não...
— Eu estou pouco me lixando para o que você tem a dizer, ! Na verdade, eu estou pouco me lixando pra você! — A frase ecoou, mostrando que os mais próximos estavam prestando atenção à discussão.
Ela se dirigiu para a saída, deixando-o sozinho.
Antes de sair, porém, virou para ele e disse:
— Cansei de tentar ser sua amiga. Não me procure mais, por favor.
E seguiu seu caminho.
Nitidamente estava muito bêbada porque mal conseguia andar com aquele salto. tentou avançar para impedir que ela caísse no meio da multidão, mas aquelas palavras o atingiram de uma maneira que não teve coragem de fazer alguma coisa.
— Tudo bem... — Disse baixo, sabendo que ninguém escutaria.
Hoje ele encontrou uma garota diferente. Por mais que essa noite tivesse sido um desastre, algo também estava diferente com ele.


Capítulo 2


Totalmente exausta e um pouco tonta, não soube direito como chegou no andar de cima da casa do pai. Ela na realidade não tinha nenhuma recordação de como saiu da boate.
— Que merda! — Ela fechou a porta do quarto com dificuldade enquanto tateava no escuro a parede, procurando pela tomada para acender as luzes. Aquele salto estava deixando seu pé com bolhas, e ela sentiu uma dor muito forte no pescoço.
— Era só o que faltava! — Passou a mão lentamente pela parte que estava dolorida. Um chupão! Certeza!
— Filho da puta! — Ela xingou, lembrando vagamente do momento. Correu para o espelho, entrando em choque ao ver a enorme marca ali.
— Por que aquele filho da mãe não segurou aqueles malditos dentes longe do meu pescoço? — Uma enorme raiva começou a surgir por todo seu corpo, e toda a sensação de prazer que estava sentindo começou a se transformar em ódio. — Parece um cachorro que fica mordendo tudo. — A garota continuou resmungando, não acreditando naquilo. Por que teve a ideia de ir para essa boate com ele? O que ela estava pensando? É claro que iria beber desse jeito e iria acabar acontecendo coisas assim.
— Eu tenho que superar esse garoto. — Jogou-se na cama, querendo esquecer por completo aquela noite. Esquecer principalmente como ele estava maravilhoso e ainda tinha o mesmo beijo doce.
Esquecendo por alguns segundos sua atenção desviou para o celular que estava em cima da cama. Ele estava com a tela acesa, indicando que alguém teria ligado ou mandado alguma mensagem.
— Quem sabe não é o filho da mãe pedindo desculpas por ter arrancado parte do meu pescoço? E eu achando que ele era experiente no assunto.

Espero você na agência amanhã às 22:00. Marcamos uma pequena festa para comemorar o novo grupo que vamos representar. Não falte! É sua grande chance de voltar ao mercado de trabalho.

— Ótimo. Agora eu vou ser obrigada a ir àquela festa para comemorar e tenho uma marca desse tamanho no pescoço. — Ela sentiu o sangue subir imediatamente para a cabeça.

Não iria perder por nada, Mr. Will, ela respondeu, sem vontade alguma.

Obrigada por deixar sua marca em meu pescoço, , ela mandou uma segunda mensagem na sequência para o número do garoto.

— Nada melhor do que relaxar no chuveiro depois de um dia longo desse. Preciso de um banho pra me livrar desse perfume!
demorou mais que o normal no banheiro. A água quente caindo pelo corpo estava deixando a garota mais relaxada. Nada naquele momento, a estava deixando mais à vontade do que estar completamente sozinha. Ninguém para irritar, ninguém para conversar. A fumaça começou a aumentar, e em poucos minutos o banheiro estava totalmente coberto por ela. Sem muita vontade de sair daquele estado de alfa, ela desligou e foi para o quarto, procurando o pijama mais confortável que tinha. Ficou surpresa com a tamanha rapidez ao vesti-lo e em segundos já estava na cama com o celular em mãos.

, peguei o na boate, ela digitou, sabendo que faria a amiga surtar a essa hora da madrugada.

A parte mais complicada de contar todos os detalhes era o simples fato de começar a discutir sobre manter distância dele. sabia que a amiga não estava feliz em vê-la novamente em Seul, exatamente por saber que ela iria se encontrar sempre que pudesse com .
— Ela vai falar demais! — não conseguiu segurar o suspiro.

Como alguém morde a outra pessoa sem ser convidada? Achei isso o fim do respeito!, ela digitou uma segunda mensagem na esperança que ele estivesse lendo. Ela não entendeu qual era essa necessidade que estava sentindo no momento. Era confuso. Complicado.

olhou uma última vez para o despertador, e já se passava das 4 da manhã. O que poderia fazer? No momento estava se sentindo eufórica, e ainda tentando recuperar da noite com ele. com certeza não estaria acordada e muito menos . Talvez ele estivesse, mas depois do acontecido na boate ela estava na dúvida se iria responder alguma coisa. Resolveu parar de ficar pensando e ir dormir de uma vez. Tinha uma festa para ir e um dia todo para lidar com . Teria que acordar daqui a algumas horas e estar totalmente disposta para o trabalho, e claro se livrar de todas aquelas sensações e sentimentos que estava causando com seu corpo. Sua mente e seu coração!

perdeu a noção de quanto tempo exatamente conseguiu dormir. Sua cabeça estava totalmente dolorida, e partes do corpo pareciam estar em pedaços. Não lembrava da noite passada ter sido tão violenta para que estivesse nesse estado. Olhou para o relógio de cabeceira e desejou muito que fossem 14h. Ótimo horário para acordar. Para sua surpresa, eram somente 11h25 da manhã. Poderia ao menos voltar para a cama e dormir mais um pouco. O dia ia ser longo e precisaria estar bem disposto para conseguir cumprir todos os compromissos. Incluindo saber o que aconteceu com . Aquela garota não estava normal ontem, a julgando por conhecer mais de 5 anos e nada do que tinha visto ontem tava fazendo sentido. A única coisa que fez sentido foi aquela dança.
− Ficaria horas olhando a maneira que ela estava dançando sem ao menos perder a concentração em nenhuma parte de seu corpo. − Ele comentou lembrando o exato momento que estava com as mãos deslizando por suas coxas.
− Droga. — xingou, ao escutar o celular vibrar em cima do criado mudo. — Preciso de um momento para imaginar algumas coisas. Será que ninguém consegue entender que minha vida não é fácil? — rolou os olhos bocejando, não dando importância. Nada era mais importante do que algumas horinhas a mais de sono.
− Minha pele estava precisando, e meu corpo também. Não era fácil cuidar de tudo aquilo e ainda pensar no futuro. − Ao encostar a cabeça no travesseiro, escutou novamente o celular vibrar.
− Alô? — atendeu, sem muito humor. Escutou ao longe a voz de , perguntando se ele estava dormindo. — Sim, eu estava. E você fez questão de atrapalhar isso.
− Desculpa… — Sua voz fraca e meiga por um momento quase o fez acreditar que ela realmente estava se sentindo culpada.
− Não!
ficou em silêncio pensando em como ela havia surtado. O que ela acha? Que iria receber uma voz mansa e carinhosa logo depois daquele show todo que tinha feito na boate? Não entendeu a necessidade toda de gritar daquele jeito, fazendo o garoto passar vergonha e ainda ser quase expulso.
− Bem? — perguntou, cética, mudando o tom da sua voz imaginando que provavelmente ele estaria preocupado sem dormir até agora pensando no que havia acontecido na boate ontem. respirou fundo sentindo vontade de responder "Não. Você é uma maluca que ficou se esfregando em mim e depois começou a gritar do nada."
− Não, — respondeu ironicamente, contendo seus pensamentos. — Você quer alguma coisa? Eu definitivamente preciso dormir.
Ela hesitou em falar o que realmente estava querendo quando notou que o humor dele não estava como o esperado.
− Quero apenas conversar com você. — ela disse, com uma voz de que estava querendo alguma coisa. Alguma coisa que fosse importante. — Como foi ontem à noite? Eu não me lembro de alguns detalhes.
− Legal — disse, seco.
− Só isso? — Ela perguntou curiosa.
− O que você acha que aconteceu? − perguntou completamente irritado.
− Nada. − Ela parecia decepcionada ou chateada com alguma coisa. Ele sentiu que talvez estivesse sendo um pouco grosso sem necessidade com ela. Estava irritado, mas não tinha necessidade de tanta grosseria.
− Quero conversar com você.
− Eu também quero conversar com você.
− Tudo bem. − Ela concordou.
Ele estava pensando mesmo em apresentar a nova casa para ela. Não podia ter surgido melhor oportunidade do que essa, mas imprevistos acontecem. Como por exemplo ele queria mostrar detalhadamente o sofá, a cama e sem esquecer do banheiro.
− Banheiro! , … − Ele disse baixinho para que ela não pudesse ouvir. Não precisou ser vidente para saber que esses lugares vão ser os mais frequentados quando estiverem juntos. Disso ele não tinha nenhuma dúvida. Claro que não iria negar qualquer outro cômodo ou mobília do apartamento. Tudo era questão dela pedir.
?
− Mando o endereço por mensagem.
Perdido em meio de todos aqueles pensamentos, ele mal se deu conta do tempo que passou. Olhou para o relógio do celular notando que já tinha passado 20 minutos e logo ela estaria batendo na porta. Levantou da cama com um só pulo e correu para o banheiro, começando a se preparar para ficar o mais atraente possível para conseguir pelo menos um beijo.
O que estava pedindo? NADA! A maioria é bem mais egoísta do que ele, pediria algumas horas e até mesmo dias. Ele só queria um beijo. Não qualquer beijo e sim o beijo dela.
− Meu Deus, eu preciso parar com esses pensamentos, isso não é saudável.
desligou o chuveiro, rindo daquilo tudo que estava pensando. Não achava que estaria desse jeito novamente só com esse pouco contato com ela, as vezes não conseguia aceitar o que aconteceu entre eles, mas era obrigado a aceitar que ele era o único culpado. Isso tudo era errado? Claro! Mas, ele estava querendo tudo novamente. Esse contato com o corpo dela. Os lábios. O perfume. Essa saudade que estava sentindo ao vê-la novamente.
. — escutou vagamente, chamando seu nome.
Ouviu na sequência algumas batidas de leve na porta.
− JÁ VOU... − Gritou do banheiro e a única coisa que precisou para começar bem aquela conversa foi se enrolar na toalha e bagunçar um pouco o cabelo. Aquela voz só mostrou o sinal que ele não estava fantansiando e que realmente ela estava ali.
− Tudo bem? Pode entrar, − foi gentil ao abrir a porta.
UAU! Ele engasgou com a própria saliva ao vê-la parada na porta. Gostosa demais para ser verdade. Pernas, nossa. Que pernas são essas?
− Acho que eu estou começando a amar. Na realidade, o meu amor está concentrado em outra parte do meu corpo. − Ele riu. Poderia amá-la eternamente. Dias e noites. Sentiu que a melhor decisão do dia foi convidá-la para essa conversa. Ou então a pior burrada que tinha feito na vida.
… − Ela o encarou sem graça quando viu que eu estava todo molhado usando apenas a toalha. não ajudava naquela situação.
− O que foi? Aqui não tem nada demais que você já não tenha visto.
Ele fez de desentendido quando ela se aproximou. Não era uma das melhores desculpas, mas já era algo. Que perfume! Pelo menos agora estava ciente que ela, além de estar gostosa, usava ainda um dos perfumes preferidos.
— Tem sim uma coisa demais....
Era isso? Isso que ele queria? Brincar dessa maneira?
− O quê? — Ele olhou surpreso para o corpo, esperando que alguma coisa estivesse fora do lugar. Como assim novidade? Será que ela tinha reparado no ABS malhado?
— Essa toalha é demais. Estou acostumada com você não usando nada. Ela sorriu tão maliciosa e em segundos suas mãos estavam segurando um dos lados da toalha. Precisou respirar fundo para não empurrá-lo contra a parede daquele apartamento. Como ainda conseguia manter esse corpo todo? E esse perfume? Esse cabelo todo bagunçado?
— Oi? Como assim? — ficou sem reação, não esperando aquele comentário.
— Agora sim. Estou acostumada a ver isso… — Ela disse na sequência quando puxou a toalha do corpo, fazendo que ele ficasse totalmente pelado. não soube nesse momento o que fazer a não ser ficar exatamente parado enquanto ela deu um pequeno passo para trás, analisando atentamente seu corpo agora descoberto.
— Hum. Parabéns, ! — Ela balançou a cabeça sorrindo, parecendo gostar do que estava vendo. Não era apenas o ABS que estava chamando atenção. Essa parte importante agora sem a toalha havia mudado bastante e ela gostou do que viu. Gostou e muito.
— Você ainda gosta? — Ele levantou uma das sobrancelhas, fazendo charme. Mulheres naturalmente gostam desse charme masculino.
— Ah, sim. — ela fez uma careta, tentando esconder algum comentário que estava prestes a fazer. Se ele soubesse o que ela ainda gostava.
soltou o seu melhor sorriso desarmando qualquer reação sensata que ela pudesse ter para o momento.

Não era questão de achismo, mas ele sabia que ao menos a garota poderia reconhecer que ele estava muito bem. Quem nunca iria se impressionar com esses olhos castanhos? E essa carinha de bebê?
— Hum?
— Não precisa responder, eu sei a resposta!
— Ah? Quem é você mesmo?
, seu único e verdadeiro amor. — Ele apresentou-se formalmente, estendendo a mão. Ela olhou para a mão, soltando uma pequena gargalhada, e saiu andando, ignorando completamente.
— Confesso, esse desprezo me faz perder a cabeça.
— Ok! — Ela riu divertida.
— Você não devia me tratar dessa maneira. — Ele correu, ficando de frente com ela. estava nervosa demais para que ele começasse com essa sedução. O fato de estar pelado daquela maneira era o suficiente para sua sanidade.
— Você está sendo tratado como merece, meu amor! — respondeu totalmente fria mantendo o controle de suas palavras.
riu balançando a cabeça quando notou a mentira.
AH! Como era bom saber que ele ainda era capaz de fazer com que ela ficasse dessa maneira. Mentalmente ele pediu para que parasse de tratá-lo daquela maneira, porque seu coração não estava aguentando.
Se a jogasse contra aquele sofá e ensinasse um pouco sobre amor, alguém iria notar? — Você se surpreenderia se eu falasse quais são os tratamentos que tenho pra você, .
— Uau! Isso foi uma provocação?
Porque ele realmente notou que ela estava tentando provocar.
— Nada me surpreende, — respondeu, num tom másculo e forçado. Será que se pedisse, ela o chamava pelo sobrenome novamente? Soou tão sexy!
, por favor, vamos apenas conversar hoje? — ela perguntou, apontando o dedo para o sofá. Será que ela ia conseguir ficar apenas na conversa e não sentir vontade alguma de trocar algum carinho?
— Tudo bem. — Ele concordou, pegando a toalha que estava no chão.
apenas o ignorou olhando para o outro lado do apartamento cruzando as pernas na sequência. observava enquanto caminhava em passos curtos para o quarto sabendo que aquilo era uma insinuação sem limites.
Blá, blá, blá, podemos conversar o quanto você quiser, mas eu não vou deixar de pensar que essa sua volta está mexendo comigo de uma maneira que não consigo controlar meus sentimentos. Não sei o que você tem garota que ainda me deixa dessa maneira. — ele disse num tom baixo para que ela não escutasse. Estava muito incomodado e perdido em pensamentos. Vestiu a primeira roupa que encontrou no armário e bagunçou ainda mais o cabelo não se importando no momento com sua aparência, seja lá o que fosse essa conversa ele quis que acabasse logo. Não estava se sentindo bem naquele apartamento com ela dessa maneira. Tudo levava a reviver momentos que ele não queria. Sentimentos que atualmente não era possível sentir, sensações e desejos que aprendeu com o tempo a esquecer.
— Você continua lindo. — Ela sorriu ao me vê-lo voltando para a sala. E que sorriso. parou não sabendo por onde andar.
— Você também. — respondeu, apontando o dedo para o corpo dela. , o que está acontecendo com você?
— Eu estou muito feliz e orgulhosa por você, pela sua carreira e por tudo o que você conquistou... — UAL! O que foi isso? Ele ficou ainda mais impressionado. Esse era o momento que eu tinha certeza que fiz errado em deixar essa garota?
— Não tanto… — desconversou, tentando esconder de o quanto estava em conflito. Rolou os olhos pela sala, buscando algo que pudesse servir de distração, e encontrou olhando de forma atenta. Como se estivesse estudando cada movimento que ele fizesse com o corpo. sustentou o olhar, demonstrando não ter nenhum medo dela ou de qualquer coisa que estivesse para acontecer.
— Três anos...
— Muito tempo... — sua voz foi suave. — Eu senti sua falta, .
— Não tenho certeza disso.
percebeu que sua voz estava um pouco mais desanimada depois daquele comentário. Droga! Se ele começasse a pensar demais nesse assunto acabaria entrando em um colapso nervoso. Já bastava se sentir dessa maneira, não estava pronto para lidar com esse amor antigo. Nessa altura ele não sabia nem ao menos dizer se era antigo, porque tudo estava ali tão presente. Como passar por cima do fato de tê-la feito sofrer? Porque esse amor ainda estava presente dessa maneira? A única coisa que ele tinha certeza é que queria uma chance de tê-la novamente em seus braços apenas por essa noite.


Capítulo 3


impaciente andava de um lado para o outro da cozinha, incomodado com a companhia de em seu apartamento. Não estava totalmente certo de que era ele o dono da situação naquela altura do campeonato. Só de olhar para o seu estado conseguia notar que tê-la sentada em seu sofá daquela maneira mexia com o seu coração e também com seu corpo. Ele ficava eufórico toda vez que ela mexia no cabelo ou mordia levemente os lábios. Sabia que aquele jogo era sujo e que ela estava pedindo para que ele perdesse o controle dos seus impulsos e fizesse coisas que com aquela boca que ela não iria imaginar nem nos seus sonhos mais intensos.
, essa mulher vai te enlouquecer. — Ele disse, caminhando em passos largos para a geladeira. — Olha como ela deixa você transtornado, nem consegue pensar direito. Fica que nem um idiota andando de um lado para o outro. — sentiu a necessidade de beber alguma coisa gelada que acalmasse um pouco o calor que começou a invadir seu corpo, imaginando que ela estaria de pernas cruzadas.
Pernas.
Coxas.
Aquela visão fez outra parte do seu corpo pulsar, chamando atenção. Não era somente ali que pulsava mas toda a extensão da sua nuca estava ficando rígida com o pouco oxigênio que circulava em sua cabeça. Todo o ar estava sendo jogado para fora como forma de controle para que não cometesse nenhum ato sexual involuntário.
, , eu sei que ela também te deixa louco. — comentou, olhando para a parte debaixo do seu corpo. — Esfria a cabeça um pouco, amigo.
Encostou levemente a garrafa gelada de água em sua região íntima e com a outra mão tampou os olhos, não querendo imaginar mais nada que pudesse atrair reações involuntárias para o seu corpo. Já havia passado mais de três horas que estava na sala e ao longo daquele tempo conversas paralelas, provocações e qualquer tipo de chantagem emocional estava sendo feita um contra o outro. Nenhum dos dois foi capaz de abaixar a guarda para uma conversa franca, apenas alguns olhares e inúmeros gestos subentendidos iam sendo usados em todos os assuntos. Tudo o que ela exalava era o perfume que ele queria sentir mais perto, quando estivesse arrancando toda a sua roupa. Principalmente aquela blusa que atrapalhava sua visão perfeita dos seus seios. Ele não aguentava mais controlar a tensão que pairava naquele ambiente tão minúsculo, sua vontade era jogar a garota contra aquela parede e só parar de beijar seu corpo quando não sobrasse nenhum lugar sem a marca dos seus lábios.
, — ele disse ao ver o visor do celular acender em cima da pedra. Isso, ele comemorou sabendo que agora era a melhor hora para ganhar um ombro amigo. — não acredito que você e eu estamos nessa sintonia toda. — atendeu, não dando espaço para qualquer outro cumprimento formal.
— Que tensão é essa? — riu, notando a voz dele completamente atordoada do outro lado da linha.
— Estou em apuros, preciso da sua ajuda. — suplicou.
— Você andou bebendo de novo?
— Você sabe que eu bebo moderadamente.
— Moderadamente até cair. — divertiu-se, tirando onda.
— Meu problema tem nome, rosto, boca, coxas e um par de pernas maravilhosa que me deixa de língua de fora que nem um cachorro quando quer água.
, né? — perguntou, sabendo a resposta. Quem mais no mundo deixaria naquela situação se não fosse sua ex-atual-paixão? — Ela voltou esfregando na sua cara o que perdeu?
— Esfregando na minha cara? — Ele gargalhou, nervoso.
— Ah, então o problema é que você gostaria que estivesse esfregando…
— Eu vou ficar doido. — interrompeu a conversa, perdendo a noção do que estava acontecendo. Não estava sabendo lidar com todas aquelas informações e outra parte do seu corpo parecia não querer dormir para que ele pudesse voltar a ter o controle total da situação. Ele tinha plena certeza que estava na sala rindo de todo o desespero dele na cozinha. — Era isso que ela planejava o tempo todo, . — Ele riu nervoso. — Conversar? Que tipo de conversa era essa? Conversar com alguém que já namorou e não querer que o outro tenha algum tipo de desejo sexual pelo outro?
— Você…
, eu queria que ela esfregasse. Mas, eu queria que ela esfregasse tudo mesmo. De todos os jeitos, de todas as maneiras e em qualquer lugar daquela sala. — Ele confessou, atirando-se no chão gelado da cozinha para manter o corpo resfriado.
do outro lado da linha não conseguia parar de rir por um segundo, vendo o amigo entrar em colapso sexual.
— Ela vai acabar com você.
— Eu queria. Queria mesmo que ela acabasse comigo, ela pode acabar comigo a hora que quiser.
— Amigo, você precisa controlar esse tesão…
— Vou controlar quando eu acabar beijando-a toda. — não conseguia compreender de onde surgia aquele calor repentino toda vez que a desejava. — Pra você ter ideia, eu estou deitado no chão da cozinha porque não consigo ficar em um mesmo ambiente com ela.
, conversa com ela… — Ele tentou aconselhar, agora parando um pouco para pensar em quanto devia estar sendo complicado para ele lidar com todas essas emoções. — todo mundo sabe que ela voltou pra Seul por um motivo, acho que esse motivo…
— É acabar com a minha vida… — Ele riu nervoso, rolando a garrafa d'água por debaixo do moletom. Não faltava muito para que ele arrancasse a roupa, ficando pelado naquele chão gelado. De que lugar do inferno tinha voltado? Aquilo era macumba ou algum feitiço que ela lançou pra que ele ficasse transtornado daquela maneira?
— Confessa pra ela o que sente.
— Tá maluco? — assustou, agora levantando a blusa até a altura do pescoço. — Falar que eu to rolando no chão gelado porque to com fogo? É mais fácil eu me atirar pela janela.
— O que pensa em fazer? — perguntou, não esperando que ele fosse saber o que fazer nessa altura. — Você não pode ficar deitado no chão da cozinha desse jeito. Vai pra sala e tenta convencê-la a ir embora.
— Ir embora? Tá maluco? Eu quero essa garota! — Ele respondeu por fim, notando que não teria outra solução a não ser atacar .
— Nunca vi ninguém morrer de desejo sexual!
— Se eu não ter essa garota na minha cama hoje, você pode considerar que eu vou morrer.
— Que dramático. — riu.
— Vai dar muito na cara se eu for tomar outro banho? — perguntou, levantando o corpo para sentar-se, ele estava todo molhado de tanto passar a garrafa de água pelo corpo. — O que você vai fazer no banheiro? — perguntou, parecendo malicioso em sua voz. logo entendeu e começou a rir do outro lado da linha. — Não, . Simplesmente, não. — Apenas perguntei, amigo. também gargalhou alto. — Não tomei banho e nem fiz nada, mas molhado é algo que estou ficando… — Você tá fazendo essas coisas na cozinha? — alterou a voz, atrapalhando a explicação dele. — Porra, cara! — NÃO! — gritou. — Nojento! — Cara, eu to com uma garrafa de água no corpo tentando acalmar esse fogo. agora começava a se sentir um completo idiota nessa situação.
— Começo a acreditar que pessoas podem morrer de desejo sexual.
— Morrer ou se tornarem bem idiotas. — Ele completou, olhando para o corpo. — Olha, eu me sinto bem idiota.
— Não passou da hora do almoço e você nessa situação, ?
— Falei que ela vai me enlouquecer. — Ele disse por fim, suspirando e voltando a deitar-se no chão. — é meu ponto fraco, eu sei. Como eu vou sair dessa? Não posso demonstrar que eu fico desse jeito.
— Você consegue. — animou. — Afinal, vocês são amigos agora e desejo sexual por ex-namorada é a coisa mais simples do mundo. Aliás, quem não tem nenhum desejo sexual por sua ex?
— O quê? Você tem desejo sexual por minha ex? — gaguejou.
— NÃO! — gritou.

é muito…
— Muito?
— Linda.
— Hum… — resmungou.
— Ótima pessoa. — continuou, sabendo que o amigo ainda sentia ciúmes da garota. — Lindo coração, lindas mãos, lindas pernas…

— O cabelo também é lindo...

— Ela tem olhos lindos e sem esquecer daquela boca.

— Hum! Aquela boca é maravilhosa…
...
— Oi? — Ele perguntou, escutando a respiração de ficar mais pesada. Apesar de estar falando para provocar o amigo, não estava mentindo em momento nenhum. Não só ele, como parte dos amigos e do grupo tinha essa mesma visão de , só que não sabia a respeito disso.
— Eu preciso desligar porque tenho que ir no banheiro. — disse, arrancando a blusa imediatamente. — CALOR! QUE CALOR! — O calor estava dobrando e ele sentiu outra parte do seu corpo começar a pulsar. — PELO AMOR DE DEUS! — Esse era o limite que ele não queria que tivesse chegado, respirou fundo algumas vezes e encarou o teto da cozinha, mantendo o controle.
— Morreu?
— Preciso dizer alguma coisa, seu babaca? — Ele levantou-se do chão rapidamente, indo para a pia da cozinha. — , ela é minha ex-namorada e acha que eu não sei o que ela tem de lindo?
— Realmente…
— Se você falar novamente dela desse jeito nós vamos ter problemas. — alertou intimidando. — Problemas reais.
— Acha que eu não sei? Ainda mais você ciumento do jeito que é.
riu nervoso, agora jogando um pouco de água no rosto.
, preciso de um favor.
— Depende…
— Ela provavelmente vai passar o dia todo aqui em casa e eu to sem nada de comida…
— Você quer que eu passe no mercado para levar comida para vocês dois? — perguntou, sabendo que não era novidade nenhuma esquecer de comprar comida. Não entendia porque ele decidiu morar sozinho, sendo que não conseguia nem ao menos se alimentar direito.
— Por favor? — Ele pediu com voz mansa.
— Por que você não pede alguma coisa em algum restaurante? — sugeriu, parecendo óbvio.
— Porque eu quero fingir que vou cozinhar pra ela.
, você é idiota!
Ele escutou desligar o celular, soltando alguns palavrões. correu para o banheiro, tirando a calça e o restante da roupa quase ao mesmo tempo, estava morrendo de calor. Não sabia se era por causa da temperatura ou por estar pensando nela desse jeito.
— Ok, . Pare de pensar nela, só pare! — Ele enfiou a cabeça debaixo d'água, fechando os olhos. — Qual é? Por que essa garota não sai da minha cabeça? Por que eu não consigo esquecer o que sinto por ela?
começou a ficar irritado de verdade com todo aquele sentimento e tensão que surgia a cada minuto. Não entendia como era possível estar pensando tanto nela daquela maneira.
— Caramba! Eu não posso pensar assim, sentir-me assim, pensar nela, amar... — Ele disse, aumentando a força da água. Querendo colocar um fim em todas aquelas imagens. encostou uma das mãos na parede, apoiando o corpo e soltando um suspiro frustrado. Mas lá estava ela de novo, sorrindo, com a boca a milímetros da dele, com os braços em redor do seu pescoço, as imagens eram como flashes e por mais que quisesse fugir, não conseguia esconder que ainda amava a garota.

O corredor da conveniência estava completamente vazio. O estranho de estar nesse lugar a essa hora da noite era o fato de não conhecerem nada. Visualmente a conveniência era dividida em várias prateleiras. O local não era grande, mas era completo.
notou que há muito tempo não entrava em um local sem ter ninguém apontando o dedo diretamente para ele ou então cochichando com as outras pessoas.
O dia seria exatamente perfeito se ele achasse o departamento de comidas rapidas. Caminhou, analisando atentamente as placas e um pouco mais a frente achou o departamento mais sagrado daquela loja.
— Finalmente. — Ele disse, abrindo os braços para a quantidade de comida que podia escolher. — Eu não sei o que eu quero.
— Quem teve essa ideia de ir jantar no apartamento do ? — surgiu um pouco mais atrás perguntando. Já estava tarde e ele não tava com humor para atravessar desse jeito a cidade, somente para ir comer com o amigo que ele via praticamente todos os dias.
— Estou feliz. — riu, abraçado a prateleira de ramen.
— Pega oito, não quero vegetariano. — o alertou, apontando para a pilha enorme de ramen.
— Qual escolho para ela? — olhou questionando, olhando para a variedade de ramen e não sabendo qual a melhor opção levar para .
— Ela não gosta de ramen. — sorriu distraído, observando outra prateleira um pouco a frente. — Vou levar bimbimbap doshirak, é mais saudável e ela precisa comer algo assim. — ele completou.
e se entreolharam curiosos.
— Como você sabe disso? — perguntou, curioso com aquela informação extra sobre saber que não comia ramen.
— O quê? — levantou a cabeça, olhando para os amigos.
— Como você sabe que ela não come ramen?
— Ashh… — levantou uma sobrancelha, não entendendo. — Todo mundo sabe isso, não?
— Como eu vou saber o que a ex-namorada do gosta de comer? — passou um dos braços pelo ombro dele. — E eu achei isso um pouco suspeito, . — Ele completou, olhando para o amigo que agora estava sem graça. sabia que mantinha contato com , mas jamais imaginou que esse contato foi tão íntimo para saber até o tipo de comida que ela gostava.
— O que você anda fazendo quando não estamos juntos? — caminhou até eles, agora suspeitando também do amigo. — Não lembro de receber um memorando com os gostos culinários da namorada dele.
— Vocês são engraçados. — abaixou a cabeça, rindo. — Pra começo de conversa, eu conheço ela há muito mais tempo do que o . — Ele explicou.
— Sabemos disso, mas não sabemos o que ela gosta de comer. — disse, sincero.
— Ex… — completou, levantando um dos dedos. Ele não compreendeu o sentido da pergunta e nem os olhares, como se tivesse feito algum comentário errado.
vai ficar louco com isso. — confessou, rindo.
— Vocês dois...— olhou para eles tentando argumentar, mas achou melhor apenas ficar em silêncio e não terminar a frase. Analisando a situação e conhecendo muito bem ambos, ele sabia que não iria adiantar em nada explicar. E sabia que isso seria motivo para ficar no seu pé.
. — o chamou.
— Sim?
— Você por acaso não está tendo um caso com a ex do , né? balançou a cabeça, gargalhando.
— Hum? — levantou uma das sobrancelhas.
, , . — balançou levemente o ombro dele.
— Você entende que ninguém nem ao menos pode falar o nome daquela garota, né? — disse pausadamente, mostrando preocupação com o que poderia estar acontecendo entre e .
— Então o que você estiver escondendo ou sentindo, é melhor que ele nem fique sabendo de nada. — aconselhou.
— Do que vocês estão falando? — soltou um longo suspiro. — , você sabe que ela é minha amiga.
— Amiga... — Ele olhou torto para . — Relacionamentos começam de amizades assim.
. Você é homem e não vamos mentir que é linda, não posso dizer isso perto do , mas entre a gente aqui, é fácil assumir esse fato. — percebeu que ele estava pensativo com aquela conversa toda. — pode achar estranho esse comportamento.
— É só não comentar nada com ele?
— Tudo bem. Não vou ser o fofoqueiro da turma. — levantou as mãos ,encerrando a conversa.
— Quero Kimbap. — foi para a prateleira de onde perdeu de vista toda a variedade. — Por que tanta variedade? Não sei nem o que escolher.
estava se divertindo com as compras ao ver que nada do que estava na cesta era saudável. Qual era o problema disso? Nenhum! Mas provavelmente iria surtar por causa disso.
A três corredores dali, parou na seção de frutas, procurando por alguma fruta saudável para , já era suspeito essa atenção toda, comprar frutas não seria ainda mais estranho do que os amigos suspeitar que ele e estavam em um relacionamento.
— Morango, pêra e pêssego? — Do outro lado, perguntou, estranhando o cesto que carregava. — O que vamos fazer com essas frutas?
— Não acredito que você vai comprar tudo isso pra ela. — cruzou o braço, perplexo. caminhou lentamente em direção ao caixa, não dando importância para o que o amigo estava falando. — Inacreditável!
— Tem coisa errada nessa história.
— Eu sei. — respondeu para que agora também observava de longe.
— Isso me preocupa bastante, vai surtar.
O vento frio estava cortando o céu e precisou mais empenho para carregar as compras de uma vez para dentro do prédio onde morava. O porteiro já sabia a essa altura o nome de todos os três e com um aceno de cabeça cumprimentou todos eles, sorrindo muito animado.
— OK! Isso é pesado! — disse, jogando as sacolas no balcão. — pediu para deixar essas sacolas aqui embaixo.
— E tem mais essas também! — surgiu um pouco mais atrás. — Inclusive, lembra ele que precisa colocar algumas coisas na geladeira.
— Como você é detalhista. — rolou os olhos, tentando ignorar que hoje estava insuportável.
— AI. MEU. DEUS. — soltou um grito, surgindo atrás deles. deu um pulo, levando as mãos ao coração assustado. Não esperava encontrar a amiga de dessa maneira. E nem que ela fosse completamente maluca de abordar eles desse jeito.
— VOCÊ É LOUCA, GAROTA? — Ele se alterou, caminhando até ela. — COMO VOCÊ CHEGA GRITANDO DESSA MANEIRA, EU SOU CARDÍACO!
— Você não é cardíaco. — sorriu divertido, vendo o desespero dele. — Quanto tempo, garota.
— Ele é sempre exagerado desse jeito? — Ela perguntou, olhando de para . Por mais que quisesse ignorar , imediatamente ela voltou a sua atenção para o ruivo que estava bem a sua frente.
— Você só devia ignorar o . — aconselhou, fazendo um gesto com a mão.
— Sempre! — Foi à vez de concordar.
— Estou no mesmo recinto. — quebrou o silêncio, ainda mantendo os olhos vidrados na garota à sua frente. Por mais que quisesse desviar sua atenção, não dava para mentir que ele adorava encontrar dessa maneira. E, estava feliz porque não tinha lance nenhum combinado para esse encontro, talvez isso fosse um sinal.
— Meu lindinho. — passou por , caminhando rapidamente para o lado de e o abraçando. — Como você tá maravilhoso! Que saudades eu senti de você, .
— Eu? Você que é maravilhosa. — respondeu abraçando a garota de maneira carinhosa. — Você parece que esquece que eu existo.
— Vamos embora? — sugeriu, apontando para o . Ele não entendia qual era o lance todo que tinha com mulheres, não entendia mesmo todo esse amor e todo esse interesse que surgia de repente. E, o que mais deixava sem paciência era saber que não conseguia ver o quanto era irritante todas as mulheres ficarem babando por ele.
— Embora? Pra onde? — A garota que estava do outro lado olhou nesse instante para , curiosa.
— O que você faz aqui? — perguntou curioso, notando que ela carregava uma sacola de compras.
me chamou para almoçar na casa do . — Ela disse, fazendo uma careta, não era novidade nenhuma pra eles o incômodo que ela sentia por . — E vocês?
— Ela te convidou? — perguntou, balançando a cabeça quando olhou para e .
— Sim, ela disse que o queria reunir os amigos e almoçar todos juntos na casa dele. — disse apenas.
Os três se entreolharam rapidamente, estranhando.
— É verdade. — sorriu. Ele não iria perder por nada a reação de ao ver no apartamento. fez um sinal com a cabeça, não entendendo e ao mesmo tempo , olhou de um para o outro começando a rir.
— Posso levar isso pra você… — segurou a sacola gentilmente para ela. — UAL! O que é isso?
— Álcool!
— Você veio preparada… — disse, olhando para dentro da sacola nas mãos de .
— Hoje o dia vai ser inesquecível! — sorriu nervoso, passando uma mão pelo cabelo.
— Espero… — Ela lançou um olhar para e não foi preciso dizer qual o significado dele. fez com que ele ficasse sem graça e bobo ao mesmo tempo. e ficaram em silêncio apenas observando a tensão que pairava no ar com aquela troca de olhares entre os dois, parecia que não existia mais ninguém na recepção a não ser os dois.
— Espero também… — Ele emendou dando um sorriso torto que mata todas as mulheres do mundo, e como não era exceção, o seu coração quase teve um ataque naquele exato momento.
— Claro que sim… — desprendeu o olhar do dele virando-se para e com o melhor sorriso. — Vamos?
— Ah, sim. Claro, vamos! — segurou o riso, sabendo que iria enlouquecer ao abrir a porta do apartamento. — Podemos chegar de surpresa.
adora surpresas. — respondeu prontamente com o melhor ar de que era óbvio que o amigo surtaria ao vê-los lá. Ele tinha uma leve ideia de qual seria a reação dele ao abrir a porta e encontrar e juntos, ainda mais com no mesmo ambiente.
— Então…. — trocou olhares com os três, caminhando até e dando-lhe o braço.
Não disseram mais nada, apenas seguiram para o elevador e no painel apertaram para a cobertura onde estava com . ficou atrás de e teve a certeza que queria explorar cada parte do seu corpo com a boca. Ele sabia que ela era difícil, mas depois de beber todo mundo estava sugestivo a ceder aos seus encantos. e do outro lado apenas observaram ficando calados, sem realmente nada para dizer. O clima dentro do elevador já era de tensão. Não era preciso dizer nada, apenas esperar que não tivesse um colapso nervoso e jogasse todos eles pela janela.


Capítulo 4


mexeu levemente no cabelo de , fazendo uma pequena carícia aproveitando que ela estava bêbada o suficiente para não tentar parar às mãos dele. Ela sorria muito enquanto terminava de virar outro shoot de vodka, mas , do outro lado, apenas observava o comportamento da amiga praticamente sentada no colo de .
— Você tem pernas lindas. — Ele agora estava alisando levemente a coxa dela e sentiu um frio percorrer sua espinha. Olhou para ele, soltando uma risada baixa e provocativa. Aquilo, sem dúvidas, tinha sido um convite para ele seguir com aquela carícia. Quando estivesse sóbria daria um jeito para se livrar dessa dor na consciência. Ainda mais ela que tinha jurado nunca mais chegar perto de . Ao que tudo indicava, ele não sabia do motivo para todo esse ódio. O engraçado é que, o copo dela nunca estava vazio, mesmo ela tomando a cada meio minuto o copo raramente chegava à metade.
— Estou ficando tonta. — Ela gargalhou, jogando a cabeça para trás. — Muito tonta. — fechou os olhos para que aquele turbilhão de imagens distorcidas mudasse. — . — Ela o chamou, colocando uma das mãos em sua coxa.
— Eu sei. — soltou uma risada abafada, largando copo em cima da mesa. — Percebi que você está bêbada. — Ele estava rindo da maneira que ela estava comportando-se. Não precisou ela falar muito e ele logo percebeu que a bebida não era o forte da garota. Hoje estava sendo um canalha, mas não importava. O objetivo da noite era conseguir de qualquer jeito a atenção de , mesmo ela estando bêbada. — O que você quer fazer?
— Eu? — perguntou meio desconexa. O que ele estava perguntando? Fazer? Hoje? Há essa hora? Ela voltou a sentir as mãos dele deslizando por suas coxas, aquilo a estava deixando perturbada demais. — , não quero você se aproveitando da minha inocência.
— Não vou. — mordeu o lábio, aproximando-se dela. — Prometo que vou me aproveitar de uma maneira que você nem vai se importar com a sua inocência. — Pervertido, ele a beijou. tentou evitar o beijo, mas logo cedeu quando sentiu o gosto suave e o hálito quente da boca dentre contra sua. — Nossa, como eu fiquei tanto tempo sem beijar você? — Ele se perguntou, separando um pouco os lábios do dela.
— AI, PELO AMOR DE DEUS! — gritou, dando um pulo do sofá com aquela cena. — O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO NA MINHA CASA? EU NÃO CONVIDEI NINGUÉM, VÃO EMBORA!
— Hoje você conquistou o direito de fazer comigo o que bem entender. — sussurrou no ouvido de , ignorando por completo a histeria de . — Estou totalmente bêbada em um lugar distante e quase sentada no seu colo, nada mais me impede de ir para a cama.
— QUE CAMA? NA MINHA CAMA? — ainda alterado, mordeu o lábio nervoso, caminhando de um lado para o outro da sala. Não era possível que pensava em ir para a cama juntamente com , aquilo não podia ser real. E por que todo mundo estava em seu apartamento? Quem convidou? Quem chamou? — Você…. — Ele lançou um olhar para que se divertia vendo a cena dos dois aos beijos. Com certeza, ela tinha algo a ver com isso. — , você chamou a ?
— Claro! — Ela afirmou, rindo.
— Por quê?
— Porque ela me ama, . — desviou a atenção da boca de , olhando diretamente para ele. — Qual o problema? A não pode amar ninguém a não ser você?
— O que você tá falando, menina? — Ele riu nervoso, passando uma das mãos pelo cabelo. — Sou obrigado a tolerar vocês na minha casa e ainda com essa pegação toda?
O silêncio tomou conta do ambiente com aquele comentário. e estavam indo com calma na bebida, experimentando com todo carinho cada drink que tinha preparado com as frutas que tinha comprado mais cedo. Não se envolveram em momento nenhum naquela discussão, sabia que o melhor a se fazer naquele fogo cruzado era o silêncio.
— UAL! — , alegre, bateu palmas.
— Cala a boca! — , irritado, jogou uma almofada na direção dele. — E, ? A é livre para amar quem ela quiser.
— Amiga… — balançou as mãos no ar, chamando a atenção de . — Amiga, amiga…
— Oi?
— Por que você não ama o ? Ele é tão neném! — disse, olhando para e fazendo gestos de coração com as mãos. — Olha que carinha maravilhosa, que coisa mais linda e meiga. Ele é perfeito.
— Acho que ela bebeu demais. — desconversou sem graça ao notar olhando diretamente para ele sem piscar. — e eu somos amigos há muito tempo, .
— Pega ele, amiga. — Ela agora estava tentando apoiar-se para ficar em pé. Nem foi preciso muito esforço, logo ela caiu novamente no sofá. — Tudo rodando, tudo.
riu, passando uma das mãos em volta da cintura dela.
— Não acha que bebeu demais, ? — perguntou séria, encarando a amiga. , do outro lado, respirou fundo, colocando ambas as mãos na cintura muito incomodado.
— Eu preciso tomar um ar. — Ele virou-se sem muito humor, caminhando para a sacada, não conseguiu esconder que estava incomodado com o que tinha falado sobre e .
— Preciso ir ao banheiro. — comentou, apertando as mãos contra o corpo. — Preciso muito…
— Não me convide dessa maneira. — entortou a cabeça, sorrindo. — Levo você para o banheiro. — Gentilmente, ele a segurou de maneira delicada, acompanhando a garota passo a passo na escada até o andar de cima.
, nada de se aproveitar da situação. — alertou, arqueando a sobrancelha ao notar a malícia na voz dele. Na realidade, esse alerta era para , que conhecia muito bem para saber que esse pretexto do banheiro era usado sempre quando queria ficar a sós com alguém.


16:22...


Na sala tudo estava ocorrendo de maneira natural,
visivelmente ficava mais bêbado ao decorrer das horas e controlado para não perder o controle igual , que agora estava dançando com de um lado para o outro. Ninguém percebeu que ele estava com uma marca de chupão no pescoço e outras marcas de arranhões por toda a extensão do braço, sem contar o tanto que estava descabelado e sem ar quando desceu as escadas com nas costas. sabia que depois de passar toda a bebedeira ela teria que conversar muito com a amiga que ficaria desolada por saber que foi tão fácil assim que ficasse com ela.
— Você não está com fome, ? — perguntou carinhosamente, sentando-se ao lado dela. , do outro lado, ainda estava de cara fechada e descontente com aquela festa não programada. Ele não bebeu em momento nenhum para não perder a cabeça com o amigo que demonstrava preocupação demais com a sua ex-namorada.
— Que amor. — riu, passando os dedos pela bochecha dele. Ela sabia que no fundo aquilo iria provocar e isso era o que mais queria. — Muita fome.
— Comprei bimbimbap doshirak para você. — Ele foi gentil nas palavras, segurando uma das mãos dela. — Sei que você não come Ramen, por isso comprei algo saudável.
— Meu deus, . — sorriu, agora segurando o rosto dele com ambas as mãos. — Como eu posso ter uma pessoa assim como você na vida?
apenas observava a troca de olhares entre e , aquilo o estava deixando atordoado, imaginando o que teria acontecido entre eles. Daquele lado da sala ele conseguiu escutar muito bem o interesse de em comprar algo para ela, principalmente o interesse em demonstrar que ele a conhecia bem o suficiente para saber o que gostava.
— Vem, eu te levo para a cozinha. — Ele disse, colocando-se de pé e estendendo a mão para ela.
— Nossa. — Ela olhou surpresa para as mãos dele. — Eu ainda vou me apaixonar perdidamente por você, .
não foi capaz nem de olhar para , mas sabia que por dentro estava remoendo aquela cena querendo se atirar pela janela no primeiro momento quando ela descruzou as pernas e segurou forte nas mãos de .
… — Ele começou a falar, mas ainda fazendo um pequeno teatro ela fingiu desequilibrar-se para que passasse ambas as mãos em sua cintura, segurando-a firme. Agora iria aprender como é vê-la nos braços de outro homem.
— Boa pegada. — Ela riu.
Dessa maneira ficou com o rosto tão próximo de e não desviou nem por um milímetro o seu corpo do dele, apenas olhou dentro dos seus olhos, vendo o quanto ele estava lindo. sorriu nervoso, não conseguindo desviar o olhar do rosto da garota. Sentia como se estivesse perdido na maneira que ela mexia com os lábios quando sorria. Ele não percebeu porque estava fazendo isso, mas apenas não conseguia tirar os olhos dela, era como se alguma coisa estivesse mantendo-o preso, como um imã que mantinha ainda aquele olhar de maneira carinhosa e intensa.
Ambos ficaram calados, sem realmente ter nada para dizer. não sentia a necessidade de falar nada, apenas se contentava com aquele olhar. Ele não soube ao certo o que estava acontecendo. Nunca tinha sentido necessidade de estabelecer esse contato visual com ela, melhor dizendo, ele nunca tinha sentido vontade de olhar para dessa maneira. Nunca sentia seu coração acelerar dessa maneira quando estava ao seu lado. sentiu que poderia ficar horas apenas olhando nos seus olhos, mas começou a enxergar a realidade do que estava fazendo ao ver do outro lado, perplexo com aquela troca de olhares entre eles.
Mas o que estava acontecendo? O que raios era esse sentimento novo? Por que tudo isso agora?
— Vamos? — Ele quebrou o silêncio.
— Sim.
— Cuidado.
— Eu sempre tenho. — Ela riu, caminhando como se estivesse desfilando em uma passarela. Tudo era intencionalmente para que sentisse o máximo de ciúmes possível.


18:32...


— Quero fazer alguma coisa diferente. — cruzou a perna, apoiando na mesa de centro da sala. Ela olhou diretamente para o grupo que estava na sala. já estava em outra dose de vodka, agora estava misturando todas as frutas dentro de um único copo. estava ao seu lado, olhando tudo muito atento. — Alguém a fim de fazer algo diferente?
— Olha, tudo depende do que for esse diferente. — olhou para a amiga desconfiada. Aquela conversa era estranha demais para essa hora da noite. — Tudo tem seu limite, ainda mais em uma amizade.
— Concordo. — tomou um gole de vodka, brindando com o copo de . — Tudo tem seu limite, ainda mais quando o amigo quer brincar com o outro amigo do amigo. — Ele se enrolou na explicação e , que já estava bêbada o suficiente, não foi capaz de entender. — Eu brinco com você, dependendo do que você queira brincar.
— Não quero brincar. — emburrou.
— Elefante colorido? — começou a rir freneticamente, quase se sufocando com a bebida. — Meu Deus! — ele levantou as mãos para o alto. — Vou morrer.

— Cobra cega? — sugeriu inocentemente. , que estava ao seu lado, cuspiu todo o líquido de volta no copo. entrou em espasmos com aquele comentário, já não teve outra saída se não continuar a rindo.
— Por que todo mundo tem a brilhante ideia de enfiar a cobra onde não deve? — cruzou os braços, olhando diretamente para . O ambiente estava ficando cada vez mais pesado e a cada minuto o consumo de álcool ia diminuindo.
— Não precisa ser necessariamente uma cobra. — levantou a sobrancelha, justificando. — Podemos brincar de outra coisa que envolva alguns objetos.
— Não, obrigado. — levantou a mão, afastando-se deles. — Não quero brincar com a cobra e não quero brincar com objeto nenhum. — Ele virou todo o líquido que estava em seu copo imediatamente. — Eu entrei com minha masculinidade intacta por essa porta e quero sair com ela.
— Truco? — Após alguns minutos em silêncio analisando um jogo que pudesse ser divertido, sugeriu para os outros. olhou insatisfeito e todos os outros simplesmente acharam melhor ignorar qualquer coisa que estivesse falando.
— Poker? — Novamente ela disse numa tentativa frustrada. — Qual é, pessoal?
— Strip-Poker? — abriu um sorriso sacana. — Somos amigos, então logo ninguém vai ficar constrangido quando ficarmos pelados. — Ela explicou de maneira convincente.
— Gostei! — animou-se, imaginando que aquele dia poderia ser um marco na sua vida. Não que quisesse ver a ex do amigo pelada, mas uma olhadinha não iria fazer mal a ninguém.
— Isso é tão constrangedor. — cochichou, segurando uma garrafa de vodka. — Pra aguentar esse jogo eu vou ter que beber muito. — Ele olhou torto para , que levemente estava contendo a empolgação de jogarem poker.
— Eu topo. — foi o primeiro a aceitar. — Não tenho nada a esconder e nem medo.
— Eu também topo. — levantou a mão, concordando. — Preciso mesmo mostrar para vocês que são franguinhos perto de mim.
— Mais do que dentro. — concordou também, levantando a mão empolgada. Nem que fosse por causa de uma brincadeira ela iria se contentar em vê-los todos sem camisa andando de um lado para o outro daquela sala.
— Sinto que isso não vai prestar. — protestou alguns minutos depois. Não iria prestar todos bêbados e pelados pela casa. Caso ele não aceitasse seria taxado como medroso ou o que estava escondendo algo dos amigos. E vamos ser sinceros? Esconder isso para um grupo de amigos homens é a pior coisa do mundo. — Eu aceito. — Ele soltou um suspiro, aceitando também aquela partida de poker.
não teve muita opção, ou estava dentro, participando daquela cena toda de homens andando pelado pela casa, ou aguentaria as conseqüências pelo resto da sua vida, uma enorme zoação quando o assunto surgisse. era a única animada do lugar e já estava com o baralho em mãos, distribuindo animadamente as cartas. Um pouco mais de bebida e foi dado início à partida. O grupo que perdesse era obrigado tirar uma peça de roupa. Apreensivo com o jogo, olhou para que era seu parceira no momento. O outro lado estava e . O jogo seguiu animado no andar de baixo. Os gritos e os palavrões misturados com bastante bebida eram o ponto alto daquela noite. tentava não olhar muito para que estava ao seu lado completamente com a blusa aberta, mostrando parte do sutiã. Ele usava apenas uma bermuda e do outro lado lutava para tirar a camisa de forma sensual para impressionar . Ninguém estava mais se importando em estar praticamente pelado. e começaram a rir dessa cena e pegaram os celulares para filmar aquele momento histórico. O jogo estava indo para a última partida, qual grupo seria obrigado a ficar pelado diante de todos os outros da mesa? O relógio já estava marcando quase meia noite e eles não pareciam desanimados com o momento.
— Não consigo enxergar as cartas. — resmungou, forçando os olhos para os símbolos das cartas que estavam em suas mãos. — Não consigo. — Ela continuou resmungando, incomodada com a situação.
— Olha, eu não enxergo as minhas faz três rodadas. — confessou soltando uma gargalhada contagiando o ambiente. — Quero mostrar para vocês que eu tenho cara de menina, mas corpo de um homem sedutor.
— Fiquei excitado. — , tonto, piscou para . — Quero que você perca só para mostrar toda essa sedução.
— Quem perder além de ficar pelado tem que correr nu pela casa. — disse, apontando para os amigos da mesa. — Não tem que fazer nada, só correr de um lado para o outro. Totalmente pelado.
— Isso é gay demais. — resmungou.
Os gritos eram a única coisa possível de escutar daquele grupo. Ainda mais quando e tiveram que tirar a roupa porque haviam perdido. protestou até o último minuto que estava bêbada demais para conseguir raciocinar e jogar a carta exata. Sem muito esforço, ele conseguiu que a partida tivesse novamente um desempate. De um lado ele e e do outro e . Quem no fim seria obrigado a correr pela casa totalmente sem roupa?
Depois de correr pelado pela sala com , cantarolava alguma coisa de um lado da sala, segurando uma garrafa de vodka. Ao seu lado já estava dormindo, segurando uma das almofadas contra o corpo. estava jogada no outro sofá, dormindo, e desceu as escadas segurando uma manta nas mãos para cobrir a amiga. Ela usava uma camisa de branca, mostrando parte do seu corpo e aquilo o deixou de boca aberta quando a garota cruzou a sala de uma ponta a outra. e iniciaram um papo cabeça sobre novos projetos do BTS enquanto ele estava parado, não conseguindo tirar os olhos da mulher da sua vida. Com os pensamentos perdidos nela, ele pensou em mais uma vez. O que iria acontecer com eles agora? O que iria fazer com esse sentimento? Hoje ele não conseguia esconder mais o quanto ficava estável ao seu lado. O quanto ele queria e desejava que ela estivesse em seus braços.
Ele perdeu a concentração quando ela começou a caminhar em sua direção, prendendo o olhar em seu abdômen que estava totalmente descoberto. colocou-se de pé, esperando que ela fosse hesitar, mas conseguiu sentir seu hálito quente em seu rosto. Imediatamente ele desceu os olhos para a sua boca, ao mesmo tempo que ela descia os olhos para a boca dele. Aproximaram um pouco mais o corpo um do outro e os lábios se tocaram, acompanhados por uma maldita corrente elétrica de antes, mas mil vezes pior.
Inconscientemente, os olhos dela se fecharam ao mesmo tempo que os dele.
— O que estamos fazendo… — Ela murmurou, afastando-se uns milímetros, mas mesmo assim bem perto da boca dele. abriu os olhos rapidamente com isso e constatou que os dela continuavam fechados. Ele achou que ela ainda estava decidindo se o beijava ou continuava a luta para evitar esse contato.
— Tem razão… — afastou-se, esforçando-se ao máximo para não pensar no que estava fazendo. — Eu não quero nada com você.
— Não quer? — Ela fez sinal com a cabeça, sorrindo. — Não acredito em você.
voltou a puxá-la novamente, agora segurando sua nuca com mais força.
— Não quero.
— Tudo bem.
o empurrou e ela não teve a mínima noção do que ele havia acabado de fazer, mas seu corpo estava entrelaçado ao dele e desceu novamente seu olhar para a boca dela e voltaram a ficar a centímetros de distância um do outro. Não contendo essa vontade, os lábios roçaram um no outro. Afinal, era tudo o que ele estava querendo. Os lábios dela se abriram quase inconscientemente, sentindo o hálito quente dele invadir sua boca.
subiu as mãos, puxando-a de leve contra ele, as mãos da garota se juntaram em sua nuca enquanto ele passava a língua pelo lábio superior, pedindo passagem. Ela cedeu, explorando cada parte daquele beijo quente e suave. Desejando, a cada minuto, que não fosse capaz de quebrar aquele contato em nenhum momento. circulou a mão para cima e para baixo das costas dela, enquanto a outra estava no meio dos seus cabelos. A mão de continuava em sua nuca, puxando-o para ela a todo momento. Arranhou de leve sua nuca com a unha, e com a outra puxou levemente o seu cabelo. Ele abafou um gemido, e ela sorriu no meio do beijo.
— Eu quero… — Ele confessou, levando as mãos à cintura dela. Com todo cuidado para que não se machucasse, sentou no sofá, puxando-a para seu colo. Ele não pensou em nada a não ser voltar a beijá-la novamente. Levou uma das mãos para o cabelo da garota e sentiu um leve puxão de cabelo e a outra mão dele apertou leve sua cintura, fazendo-a sentir um arrepio. , notando, sorriu, quebrando o beijo e mordendo o lóbulo de sua orelha, fazendo-a soltar um pequeno gemido.
— Golpe baixo…
Ele sorriu ao vê-la respirar ofegante quando desceu os lábios, distribuindo beijos por todo o pescoço. Ela começou a ficar mais tensa e ele voltou a encontrar sua boca rapidamente, iniciando outro beijo.
A atenção deles foi quebrada por um berro vindo de . Abriram os olhos ao mesmo tempo, interrompendo o beijo e olhando para , que estava parado de braços cruzados encarando ambos.


Capítulo 5

O apartamento era de dois andares com um enorme jardim de inverno rodeado por vidros do lado norte da sala de estar. Talvez quem olhasse não entenderia a paixão que tinha por aquele jardim. Mas, sem dúvida nenhuma, aquele ambiente era o seu preferido da casa.
Dois sofás brancos enormes e duas poltronas no tons e azuis combinando com as almofadas davam o ar aconchegante para quem olhasse a sala de estar como um todo. O detalhe da escada prateada era o auge para a exuberância daquele apartamento. Na estante alguns bichinhos de pelúcia, presentes, livros e vários cd’s. com toda certeza sabia a importância de cada presente exposto ali, cada um tinha um significado diferente e em momentos diferentes da sua carreira.
A cobertura duplex de luxo dele foi uma grande aquisição. Depois da turnê mundial “The Wings”, precisava de um espaço onde pudesse se sentir mais à vontade e tivesse a liberdade necessária para que organizasse sua vida, que estava uma bagunça. Por mais que insistisse para que ele continuasse morando com o grupo, ele sentia a necessidade de ter seu próprio espaço. Um lugar somente dele.
Tudo ali lembrava ele, não era preciso nem olhar para todas as fotos que estavam espalhadas no andar de cima. Quadros e pôsteres de em várias posições, fazendo diversas caras e bocas. Tudo ali parecia ter o toque de suas mãos, da maneira que ele sempre gostava de organizar.
O enorme banheiro da suíte principal parecia nunca mais chegar ao fim, cada traço e todos os detalhes bem cuidados e escolhidos de uma maneira delicada. Não havia explicação para descrever qual era a sensação de estar em um apartamento completamente luxuoso. Tudo parecia moderno e ao mesmo tempo com um ar de rústico, toda a mobília e o cheiro do lugar era deslumbrante.
— Será que eu consigo ligar esse chuveiro? — , preocupada, caminhou em direção ao banheiro, tentando achar logo o motivo de suas preocupações. Queria tomar um banho para ver se refrescava as ideias de estar sob o mesmo teto que . Era muita tensão no ar sempre que ele aparecia sorrindo ou então colocando aquela língua para fora. Tinha de aguentar a adrenalina que surgia no seu corpo e a vontade de jogá-lo imediatamente naquele sofá e fazer tudo o que estava com saudades. Sinceramente, ele estava pedindo por isso. Principalmente pedindo para que ela passasse os lábios por todo o seu abdômen.
, você conseguiu achar o banheiro? — surgiu atrás dela no banheiro e garota deu um pulo, assustando-se com a presença repentina dele.
— Meu deus, ! — Ela deu leves passos para trás, colocando uma das mãos em seu peito. Não esperava que ele fosse aparecer daquela maneira, não quando estava pensando justamente em passar a boca por todo seu abdômen.
— Assustei você, amor? — O sorriso dele ficou maior, notando o quanto ela estava descompensada com a presença dele.
— Eu estou nervosa, ok? — Ela sentiu seu rosto ficando rosa.
— Você está nervosa sobre o que, exatamente?
— Nós. Você. Isso. — Ela fez sinal com as mãos para o apartamento.
Ele caminhou rapidamente, então se aproximou e tomou suas mãos, puxando-a para perto dele e passando os braços ao redor de sua cintura.
— Nós. — Ele a beijou suavemente nos lábios.
Ela tentou se afastar e olhar em seus olhos, mas ele balançou a cabeça e descansou sua testa contra a dela. respirou fundo, buscando fôlego para reagir ao beijo, ao toque ou reagir a qualquer coisa que fizesse. Tudo a essa altura parecia impossível. Ela queria novamente sentir que estava em seus braços, sentir o seu toque e todas aquelas sensações.
— Você não é a única que está nervosa. — Seus lábios voltaram aos dela em um suave beijo lento, que fez seus joelhos tremerem. — Você não sabe o quanto eu senti a sua falta, não sabe o quanto eu tento me controlar quando estou com você. — Ele começou a falar, mordiscando lentamente os lábios da garota. — Você me deixa fraco. — Sua mão subiu lentamente, correndo os dedos pelo seu rosto, seu cabelo, seu pescoço. apenas fechou os olhos para o toque suave dele. A cada toque ela sentia como se fosse inútil lutar contra aquele sentimento que ainda existia entre eles, lutar contra essa vontade de beijá-lo loucamente a cada segundo.
, o que você está fazendo? — perguntou eufórica, controlando-se para jogá-lo contra a parede daquele banheiro.
— Há tanta coisa que quero dizer e fazer, mas eu nunca tive a coragem. — Ele começou a caminhar lentamente, empurrando o corpo dela para trás, em direção à porta de vidro deslizante do box.
, por favor. — Ela disse, envolvendo os braços em volta do pescoço dele.
Ele se afastou e sorriu para ela. Em seguida, em um movimento rápido, ele a empurrou contra o vidro do box. , com o baque, sentiu sua respiração ficar mais pesada, suas mãos tremiam quando ele sorriu e olhou diretamente em seus olhos.
— Por favor. — Ela gemeu quando olhou para o rosto dele.
— Eu preciso de você. — Estendendo a mão, ele pegou o rosto da garota em suas mãos. — Eu preciso muito de você, amor.
— Dane-se! — Ela sentiu o calor em todo seu corpo quando ele olhou para ela assim.
sorriu, inclinando-se para trás e rapidamente tirou camisa.
Respirando fundo, lentamente baixou os lábios até o rosto dele. Ele tentou buscar os dela, mas ela recuou, depois repetiu o gesto, até que ele a deixasse em total controle do beijo. Assim que essa pequena luta foi vencida, ela passou a beijá-lo deslizando os lábios, passando por seu queixo e pescoço, até o peito e descendo, até ouvi-lo respirar ofegante. Foi quando ela percebeu que tinha uma clara vantagem sobre ele, e que seu desejo era visível.
O jeito que ela brincava com a língua pelo seu corpo o estava deixando atordoado de prazer e satisfação e foi obrigado a respirar fundo algumas vezes, controlando-se para não fazer nenhum tipo de barulho.
— Você me deixa louco! — Ele disse quando ela voltou a percorrer seu corpo com os lábios, mordendo e lambendo toda a extensão do seu peito. Por instinto, ele voltou a pressionar o corpo dela contra o vidro e suas mãos rapidamente percorreram suas costas debaixo de sua camisa e sem pensar muito ele retirou parte dela enquanto roçava os lábios contra o seu pescoço. segurou os cabelos da garota e a suspendeu um pouco no alto, fazendo com que seu corpo se prendesse de uma única forma ao dele.
— Cala a boca. — sussurrou, prendendo as pernas em volta da sua cintura, deixando livremente que ele tocasse o seu corpo, conforme desejasse. Embora as mãos e os beijos que ele lhe dava estivessem causando arrepios por todo seu corpo, em algum lugar, no fundo de sua consciência, ouvia um alerta, repetidamente, mas estava longe demais para ser identificado. — Não seja um cachorro dessa vez deixando outra marca em meu pescoço!
— Impossível eu resistir à isso.
— Vou colocar uma coleira em você, .
— Eu vou colocar outra coisa em... — se interrompeu imediatamente quando segurou com força o corpo dela, carregando-a para dentro do box. Tateando com dificuldade, ele ligou o chuveiro e a empurrou debaixo d'água, não pensando em mais nada a não ser no corpo dela totalmente molhado, grudado ao seu.
— Gosto de você molhado. — Ela riu.
— Eu gosto de você de todos os jeitos. — Ele sussurrou no ouvido dela, abrindo mais a água.
— Eu sei, amor. — Suas mãos tentaram empurrá-lo por apenas um momento, então ela estava puxando-o novamente para mais perto, seus dedos entrelaçados em seu cabelo.
parou, o abraçou forte e começou a dar pequenas mordidas e beijos em seu pescoço, enquanto ele esfregava seu rosto por entre os cabelos dela. soltou delicadamente o corpo da garota, colocando ela em pé para que pudesse terminar de tirar suas roupas. Em segundos ele estava completamente pelado e ela pôde contemplar que não era somente o seu abdômen que chamava atenção, outra parte era mais chamativa no momento.
. — ela sussurrou.
— Shhhhhh… — ele murmurou. — eu quero que você apenas sinta.
Ele a puxou pela cintura, procurando novamente seus lábios. Com uma das mãos estava segurando a cintura da garota e a outra estava por entre seus cabelos. O vapor começou a espalhar-se pelo banheiro. E ele não conseguia parar um segundo de querer mais e mais aquele corpo, completamente envolvido ao seu.
cessou o beijo e ela ouviu sua respiração mais desigual agora, como se ele experimentasse as sensações incríveis que ela mesma teve. Ele agarrou a perna direita da garota e levantou-a em torno de sua cintura, mordendo a pele do seu pescoço. gemeu e ele mordeu seu lábio mais forte, até que ela gritou. Ele mergulhou sua língua na boca dela, deslizando fundo, segurando seu rosto firmemente em sua mão.
correspondeu ao beijo, desesperada por ele.
Ela esperou tanto tempo por este homem.
Ela amava o gosto dele, o modo que ele tocava e beijava era intenso. Deus, ele controlando-a era melhor do que podia imaginar.
Ignorando os gemidos, ele apertou sua bunda e levantou outra perna em torno da sua cintura. Seu corpo se chocou contra a parede do banheiro.
Quando ele deslizou lentamente dentro dela, ela sentiu a mudança e sabia que nunca queria que a sensação chegasse ao fim, nunca quis que o momento terminasse. Ele agarrou as coxas dela, começando a mover o corpo da garota junto com o seu. Seus dedos cravaram em seus quadris e ombros, seus movimentos aceleraram. Sua mente girava com a maravilhosa sensação que invadia seu corpo.
A sensação, os cheiros, e o gosto dela preenchendo todos os seus sentidos, até que ele se sentiu completo. Pela primeira vez em sua vida, ele sabia o que queria. Então, ele tocou o ponto certo enquanto se movia dentro dela, e todo o seu mundo explodiu. Um orgasmo de abalar a mente misturado com o próximo, fez com que ele perdesse o controle. Ele se afastou e olhou para ela. Ela tinha um sorriso nos lábios e parecia ainda mais sexy do que antes. olhou mais uma vez dentro do seus olhos e em seguida desligou-se completamente do presente, embainhando-se na mistura de sentimento e recebendo todo aquele contato que seu corpo ansiava, a cada toque dele.

O cheiro de estava completamente intenso debaixo da coberta. girou o corpo um pouco para longe dele, tentando fazer com que ele não acordasse. O choque ao lembrar-se da cena no chuveiro fez com que ela perdesse o chão, onde estava com a cabeça?
se moveu um pouco na cama tateando com uma das mãos, procurando . A garota não percebeu que ele havia despertado e a estava observando, perdida em pensamentos. Deslumbrando a forma delicada dela percebeu que a garota estava apreensiva e bastante preocupada com o que tinha acontecido. A marca roxa em seu pescoço demonstrava bem o quanto tinha sido intenso a hora que passaram dentro do banheiro.
— No que você está pensando? — perguntou, virando-se para ela. Cabelo desarrumado, pele branca e um meio sorriso em seu rosto fizeram esquecer completamente de tudo. Lembrou-se que bastava apenas aquele sorriso para que ela entrasse em estado de alfa. Como nesse exato momento, não queria que a realidade voltasse e estragasse aquele sentimento que aquecia seu peito.
— Buscando alguma maneira de entender o que aconteceu com a gente. — Ela respondeu, sorrindo fraco. — Eu precisava tanto de você essa noite, tanto... — Ela abaixou a cabeça, olhando para as mãos. — Eu sei o quanto é errado. Mas, não sei se quero encarar a realidade agora.
A realidade traria muitas tristezas e o que mais precisava por algumas horas era sentir-se novamente protegida em seus braços. O coração bater acelerado e todas essas sensações que somente era capaz de causar com seu corpo e coração.
— Ei, amor. — Ele aproximou-se dela, passando os dedos lentamente por seu rosto. — Você não precisa se sentir assim. — Ele tentou animá-la. — Esse erro foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida nesses últimos anos, por favor. — pediu. — Vamos ter nosso momento, não sei quando sairmos por aquela porta se algo assim vai acontecer novamente.
— Não vamos. Nunca mais. — rebateu desanimada por imaginar que aquilo não iria acontecer novamente.
— Eu quero isso...
— Não, . Não vamos mais fazer isso, não quero mais ter algum contato com você. — A garota tentava buscar alguma solução que a levasse a entender o que teria acontecido para que ela tivesse cedido daquela maneira. — Você não entende o quanto eu lutei contra esse sentimento? E agora que eu voltei, não posso simplesmente ficar pensando em você.
— Pelo amor de Deus! Eu também sinto isso! — Ele cortou a garota, surpreso com o que ele mesmo havia falado. Era possível ele ainda amar na mesma intensidade? ajeitou-se na cama perto de . — Você não pode simplesmente ignorar que ainda sente alguma coisa por mim. Isso é errado, é errado comigo, com você e com a gente.
— Errado com a gente? — custou acreditar em todas aquelas palavras. Não esperava que ele pudesse ser capaz de dizer algo assim. Não estava preparada para lidar com esses sentimentos novamente e muito menos lidar com os sentimentos dele. — , você sabe que quem acabou com os nossos sentimentos foi você! — ela comentou, lembrando-se do momento em que terminaram. — Como você pode falar essas coisas sem ao menos pensar em tudo o que já me disse? Você ficou louco? Achou que eu estaria esperando por você esse tempo todo? Chorando? Sofrendo?
— Para! Para com isso. Não estraga esse momento, droga! — puxou o corpo da garota para bem próximo do seu. Dessa maneira ela estaria confortável entre os braços dele. — Eu sei o que eu fiz e eu não estou aqui pedindo desculpas, . Me deixe ao menos sentir tudo o que eu perdi e me arrepender ainda mais de tudo o que eu poderia ter tido com você. — Ele passou um dos dedos pelo rosto dela. — O que você quer que eu fale? Que eu estou feliz? Que minha vida é maravilhosa? Como minha vida é maravilhosa se eu precisei desistir de você? Acha que foi fácil? Que eu não sofri com a sua falta?
... — afundou o rosto contra o peito dele. — Não quero pensar mais nisso, você não sabe o que eu passei nesses últimos anos. O que eu precisei enfrentar sozinha sem você. — Ela tentou explicar para ele de uma maneira que não fosse tão óbvia.
— O que aconteceu? — Ele perguntou, preocupado ao ver os olhos delas se encherem de lágrimas.
— Nada.
— Fala! — Ele insistiu.
— Por que você não me procurou para saber como eu estava? Por que nem ao menos veio saber sobre as internações e todo procedimento que eu fui obrigada a fazer? — Ela soltou, começando a chorar na sequência. Por mais que quisesse esconder esse desespero não aguentava mais fingir que estava bem. — Você não tem ideia da dor que eu senti quando eu o perdi. Perdi a única coisa que ainda me ligava a você.
— Do que você tá falando? — engoliu um seco. Uma pontada surgiu em sua cabeça e ele ficou confuso.
“Ele”? Quem era ele?
— Eu passei anos tentando me recuperar, anos sendo obrigada a passar por diversos tratamentos. E em todos esses anos… — levantou um pouco o rosto para enxergar o dele. Não aguentava mais carregar essa dor dentro do peito. Precisava desabafar. — Você simplesmente fingiu que nós não existíamos na sua vida.
— Do que… — não conseguia entender o que estava acontecendo. ainda chorava e ele sentiu um desespero invadir seu corpo, não sabia o que a garota estava falando. Não entendia nada, nenhuma palavra e nada que estava saindo por sua boca.
— O que você quer que eu ainda sinta por você? — Ela perguntou, esperando que ele respondesse.
— Eu quero que você me ame novamente! — Ele respondeu, dando uma pequena pausa.
— Não vou te amar desse jeito. — Ela disse, olhando dentro dos seus olhos. apenas sentiu a dor daquele olhar, estava sofrendo. — Nunca vou sentir alguma coisa por você, . Tudo aqui dentro quebrou quando eu perdi você e perdi ele.
— Ele?
— Esquece!
— Quero você na minha vida. — sorriu, dando um pequeno beijo nos lábios da garota. — Eu preciso de você na minha vida. Preciso do seu carinho, do seu amor.
— Preciso ir embora!
. — Ele abriu a boca assustado. — O que aconteceu com você nesses últimos anos? O que você escondeu de mim? — segurou firme o corpo da garota contra o seu peito. — Alguma coisa aconteceu e eu quero saber. O que aconteceu com você? Por que você voltou para Seul? Que tratamento? Do que você tá falando?
— Nada.
— Para com isso! — Ele perdeu o controle.
— Me deixa em paz! — Ela pediu, agora saltando da cama. Olhou para o chão, procurando algo que pudesse vestir. — Não quero mais falar sobre esse assunto. Esquece que um dia eu falei alguma coisa, esquece que um dia eu estive na sua vida e por favor, esqueça dessa noite.
— Como eu vou esquecer tudo isso? Tudo o que você falou? — Ele questionou aflito, parando na frente da garota. — Você disse um monte de coisas sem sentido e eu não sou obrigado a ficar no escuro.
— Por favor, . — lentamente fechou os olhos, esperando que o clima daquela conversa chegasse ao fim.
— Amor, fica comigo! — Outro sorriso em seus lábios. Agora ele acariciava o cabelo dela. — Quantas vezes eu tenho que te pedir isso? Quantas vezes eu tenho que te chamar de amor? Quantas vezes eu tenho que suplicar pra você ficar comigo? — Ele fez uma pausa ao perceber que a garota estava voltando a chorar. Poderia, nesse momento, parar de falar, mas tentou concluir o pensamento. — , olha dentro dos meus olhos e fala que não consegue sentir mais nenhum tipo de sentimento por mim. Olha e me diz se o seu coração não fica acelerado toda vez que está perto? Eu me sinto assim, eu perco a razão toda vez que você se aproxima. Quero tocar, abraçar, beijar…
— Sinto. Mas nada disso é importante pra mim no momento.
— O que é importante, então?
— Concluir meu tratamento e ir embora de uma vez de Seul! — Ela disse, colocando um ponto final naquela conversa. fez uma pausa, não sabendo como reagir, não sabendo o que falar e muito menos conseguiu impedir que ela saísse pela porta. Tudo estava girando em sua cabeça naquele momento. Ele não conseguiu entender o que estava acontecendo com ela, muito menos entendeu porque estava se sentindo tão culpado dessa maneira. Precisava dela em sua vida todos os dias, minutos e segundos. Nada do que aconteceu no passado iria mudar esse sentimento.
— O que aconteceu para você me odiar dessa maneira? — Ele surrou ainda buscando por respostas. Quem era ele? Procedimentos? Tratamentos? O que estava acontecendo com ela? Esses pensamentos começaram o incomodar bastante e sem medir a força, fechou o punho, socando a porta que estava bem a sua frente.

Rapidamente desceu as escadas, procurando por um lugar confortável onde pudesse sentar-se. Estava ficando tonta e tudo a sua volta parecia rodar. Seu coração batia acelerado e foi preciso controlar o choro para que não tivesse uma crise a essa altura, não podia acreditar no que essa conversa com ele teria dado se ela continuasse a falar sobre o que tanto estava sofrendo nos últimos anos. não somente ficaria transtornado, mas também muito irritado. O medo percorreu por seu corpo, imaginando o que teria acontecido anos atrás se ele tivesse ao seu lado. Várias lembranças surgiram em sua cabeça e ela precisou focar em um ponto da sala para não perder a lucidez do local. Queria fugir daquele apartamento, correr para bem longe de . Correr sem olhar para trás, sem sentir tudo o que estava sentindo. Sem amá-lo daquela maneira que estava amando, apenas queria que tudo isso fosse tirado do seu coração.
— O que aconteceu, ? — perguntou ao vê-la descer as escadas totalmente transtornada. Ela usava apenas uma blusa branca de e estava tremendo bastante. Seu rosto estava vermelho, aparentando ter chorado e sua respiração oscilava um pouco. largou a xícara de café que estava nas mãos e correu até ela, envolvendo a garota na manta que estava em cima do sofá.
— Me leva embora, . — Ela pediu, envolvendo o garoto em um abraço. — Por favor, me tira daqui. Eu quase falei…
— Falou o quê? Sobre… — Ele interrompeu, abraçando a garota contra o seu peito. sentiu um tremor imaginando o que teria acontecido se ela tivesse contato a verdade para . Respirou fundo, buscando ar para não mostrar-se abalado com aquela informação. Ela precisava de um ombro amigo, de apoio e de carinho. — , vamos embora. Eu vou te levar pra casa e cuidar de você.
— Eu preciso trabalhar, já faltei na reunião e nem posso ficar mais um dia longe. — Ela disse ainda abraçada nele. Não queria que ele a soltasse, se sentia protegida nos braços de . — Vou só tomar um banho e depois correr para o escritório.
— Eu posso falar com o Will, ele não vai se importar de deixar você em casa mais alguns dias. Ainda mais se eu explicar que você não está bem. — foi carinhoso agora, afastando um pouco o corpo da garota do seu. Ela ainda tremia muito e ele não sabia mais o que fazer para que ela se sentisse melhor. — , deixa eu cuidar de você hoje. Eu sei que deve ter sido complicado o que aconteceu, não gosto de te ver assim.
, não precisa…
— Precisa sim. — Ele passou a ponta do dedo pelo rosto dela acariciando lentamente. Não sabia explicar em palavras o carinho que sentia por ela, apenas sentia a necessidade ilimitada de protegê-la sempre que possível. — Vamos para a minha casa, eu sei que a essa hora o seu pai deve estar em casa e se ele ver que você está assim, vai ficar muito mal também. — segurou o queixo da garota, olhando dentro de seus olhos fazendo que ela concordasse com o que ele havia dito, sabia que ela iria enfrentar um problema enorme quando ele descobrisse que ela tinha passado a noite no apartamento do . — E você não vai querer mentir pra ele sobre onde passou a noite, não é?
— Ele me mata se descobrir onde eu dormi. — Ela concordou com a opção de ir para a casa de , e seu pai tinha um enorme carinho também por ele. Então com certeza não iria se preocupar com soubesse que estava na casa dele. — Vou procurar minha bolsa.
— Tudo bem. — Ele concordou acenando com a cabeça.
— Eu já volto, . — sentindo-se melhor deu um beijo no rosto dele.
observou a garota se afastando brevemente, indo para outra parte do apartamento. Ela estava tão atrapalhada e desesperada que foi quase impossível não rir da maneira destrambelhada que ela corria de um lado para o outro procurando pela bolsa. O que ele queria saber na realidade era sobre o que havia acontecido no andar de cima para ela estar praticamente usando as roupas de .
— Interessante… — surgiu nas escadas, descendo lentamente degrau por degrau. tomou um susto ao vê-lo descendo daquela maneira e precisou disfarçar a aflição que começou a sentir. — Essa amizade de vocês pra mim é novidade, parece que eu não sabia que existia um carinho desses entre vocês. — Ele falou, parando de frente para de braços cruzados. — Muito menos tinha noção que ela era tão íntima ao ponto de ir para a sua casa.
, não é nada disso… — colocou a mão no rosto nervoso ao notar que ele fala exatamente como se tivesse presenciado toda a conversa com . — Ela é minha amiga e eu quero ajudar, apenas. — Ele mordeu o lábio, procurando uma maneira de explicar o que estava acontecendo sem entregar o real motivo de querer ajudá-la. — Não somos íntimos, apenas amigos. O que é normal, afinal convivemos durante muitos anos quando vocês eram namorados. — Sua cabeça latejou no último nível e ele fechou os olhos, odiando o fato de ter bebido mais do que aguentava na noite anterior. Praguejou e por terem ido embora cedo e deixado ele para trás, agora estava nessa situação com e não tinha ideia do que fazer.
— Não são íntimos e você abraça ela dessa maneira porque é sua amiga? — riu debochado com o que ele havia dito. Não. Não era ciúmes, apenas uma observação importante. Aquilo não é uma amizade e nunca foi uma amizade, não abraçar daquele jeito e conversar tão próximos assim.
, não interprete as coisas de maneira errada. — lutou ainda na explicação notando o tom da voz do amigo mudar. Ele sabia que isso iria desenrolar em outros assuntos, mas no momento apenas estava evitando que ele pensasse que existia algo a mais entre a amizade dele com . — Ela é maravilhosa…
— Sim, maravilhosa. — Ele cortou, caminhando para um dos sofás e jogando-se nele. Então achava sua ex-namorada maravilhosa? Era isso mesmo? Tentou disfarçar, mas o ciumes falou mais alto nesse momento e ele travou a mandíbula como se quisesse acertar um soco no rosto dele.
— Maravilhosa. — Ele concordou, não notando maldade alguma nesse elogio, mas pôde ver que virou-se para ele agora demonstrando irritação. — Eu quis dizer...
— Eu sei disso, convivi com ela durante muitos anos e sei todas essas coisas. — Ele rebateu, perdendo a paciência com o amigo. — Então você vai ser um bom amigo e levá-la para a sua casa, bem interessante.
— Sim, o pai dela vai ficar muito chateado se ver que ela chorou daquele jeito.
— Ah, esqueci que você é bem amigo do pai dela também. — irônico cruzou as mãos atrás da cabeça. Achava aquilo tudo interessante, cada detalhe fazia que seu coração desse um salto de tanta raiva. — Pergunto o que tem de mais interessante nessa amizade que você, meu amigo, não disse.
… — surgiu nesse instante, caminhando em direção ao amigo. ficou na mesma posição, não fez questão de olhar para a garota. Ela notou sua expressão carregada de raiva. — Podemos ir.
concordou, colocando a mão no ombro dela e a acompanhou até a porta. lançou um último olhar para e como se ela não estivesse no lugar ele encarou o reflexo do seu rosto no espelho, ela sabia que algo estava acontecendo.
— A gente se encontra no estúdio mais tarde, ? — perguntou cauteloso lembrando que eles tinham ensaio marcado. Não foi preciso saber o que estava pensando nesse momento, apenas com a gargalhada que ele deu foi o suficiente para que ficasse incomodado.
— Tudo bem, . — respondeu arqueando as sobrancelhas para ele. — Precisamos conversar.
— Ok… — Ele confirmou.
abriu a porta acompanhado de e ao fechá-la sentiu-se um completo idiota por estar fazendo aquilo com . A amizade e o companheirismo durante esses anos demonstrava que sua atitude estava sendo completamente errada. Nunca imaginou que ficaria em uma situação dessas, onde de um lado teria que escolher a amizade dele e do outro escolher a amizade de . Para ele, sempre foi importante ambos, juntos ou separados. O que mais queria no momento era que ela ficasse bem e protegida, mas do outro sabia que estava tirando todas as conclusões erradas.
Odiou profundamente e por isso.


Capítulo 6

terminava de colocar a mesa do almoço quando escutou o celular tocar na mesinha do centro da sala de estar. Impossibilitado de dar um passo sem derrubar várias louças que estavam em suas mãos, esperou pacientemente que a pessoa retornasse a ligação em outro momento. Estava com pressa para terminar o almoço para que comesse algo. Mais cedo, antes de chegar na casa, ela havia passado mal no meio do caminho e teve que parar em uma farmácia para comprar um remédio que ela tinha pedido. Lembrava-se apenas de ficar muito assustado e escutar o farmacêutico recomendar que ela tomasse apenas um comprimido ao dia, e também que ela fosse ao médico caso as dores abdominais ficassem mais fortes.
Ele não entendeu o que aconteceu com a garota por ter vomitado daquela maneira, sua pressão caiu drasticamente e ela chorou de dores enquanto apertava as mãos contra a barriga. Por instinto e assustado, sua primeira reação foi levá-la para o hospital, mas insistiu que não era nada demais e que ela precisava apenas descansar.
, PELO AMOR DE DEUS….
Depois de alguns segundos recordando sobre o incidente, assustou-se ao ver aos gritos, descendo as escadas descalço e todo descabelado, parecia ter acabado de acordar. Usava seu pijama listrado e parou diante de dele cruzando os braços visivelmente nervoso.
— O que aconteceu? — perguntou preocupado, sem entender a expressão no rosto dele. apenas balançou a cabeça e fez alguns gestos com as mãos, apontando para o andar de cima.
— VOCÊ FICOU MALUCO?! — gritou preocupado.
Ele estava assustado ao entrar no quarto e ver dormindo na cama do amigo, na realidade ele estava assustado por saber que a ex-namorada de estava deitada na cama do melhor amigo dele.
— Posso explicar… — largou as últimas vasilhas em cima da mesa e andou até o sofá, sentando-se. Abaixou a cabeça, passando as mãos pelo cabelo, nervoso. Não conseguia explicar o que estava acontecendo com seu corpo, ele estava sentindo-se estranho.
Confuso.
Perdido.
— Hum?
, acho que eu estou ferrado.
— Não sei se ferrado, mas que o vai ficar ferrado com isso, há, meu querido, pode ter certeza. — Ele disse e sentou-se ao lado dele totalmente sem reação. Nem ele sabia o que fazer com toda essa informação. O que estava acontecendo com para ter essas atitudes?
ficou maluco…
— O ? — gargalhou. Agora ele estava começando a ter certeza sobre os sentimentos que ele tinha por . — , o único maluco dessa história toda é você. — Ele iniciou o assunto pausadamente ao vê-lo agora encarar os próprios pés. — Cara, você não acha que está se envolvendo demais em um assunto que nem é seu? E ainda fica julgando o ?
— Não é isso… — jogou-se para trás, sentindo a frustração invadir o seu corpo. Ele queria de uma vez por todas falar sobre o assunto, falar sobre a sua amizade com a garota e falar tudo o que havia acontecido com ela nos últimos três anos. Mas, esse segredo não pertencia à ele e sim a , somente ela tinha o direito de falar a respeito. E também precisava contar para alguém sobre o que estava sentindo, contar sobre esses sentimentos confusos e complicados.
… — respirou fundo, segurando no ombro dele. Tinha medo de fazer essa pergunta, medo da resposta e medo disso se tornar uma bola de neve sem limites. Mas, não conseguia ver essa história desenrolar sem saber o que realmente estava acontecendo com ele. — Vou ser direto nessa pergunta e eu quero que você seja completamente sincero comigo, por favor.
— Você quer saber se eu estou apaixonado por ela. — concluiu, sabendo que essa era a pergunta mais obvia do mundo. Não só ele, como , , , e agora até mesmo tinham essa pergunta em mente para fazer quando tivessem a oportunidade. Principalmente , ao julgar por sua reação mais cedo quando ele estava saindo pela porta do apartamento com . — É complicado, . Na realidade eu nem sei o que eu ando sentindo por ela. Mas, como eu posso sentir algo? Justo por ela? — Ele questionou, esperando por respostas. Esperando que o ajudasse entender o que estava acontecendo com esses sentimentos, entender porque do dia para a noite eles surgiram dessa maneira estranha. Qual era os reais sentimentos e porque tinha essa necessidade de sempre tê-la por perto. Esse vazio que sentia toda vez que ela se afastava, o incômodo em saber como ela estava e o mais absurdo, querer vê-la sorrir com aquele sorriso que dispensava qualquer outro comentário. — , eu não posso ter nenhum sentimento além de amizade pela . Você entende? Não posso. — Ele entendia que isso era errado, que era errado querer de outra maneira. Querer tocá-la sempre que possível, sentir o seu corpo junto ao dela, imaginar mil situações em que todas ela está com ele. Toda essa mistura de paixão, conflito e confusão que estava sentindo há tanto tempo. — As vezes eu sou idiota e fico imaginando o que teria acontecido se eu não tivesse apresentado ela para o , se eu tivesse apenas aproveitado o momento que eu tive. Aproveitado todas as situações e sentimentos que desenvolvemos no começo. — Tudo agora estava ficando mais intenso, mais perturbador. não podia estar dessa maneira, não podia querer a ex-namorada do amigo nessa intensidade.
— Não pode, mas está sentindo… — tentou falar alguma coisa, mas preferiu apenas ficar em silêncio atento a cada palavra e reação que ele expressava, já imaginava a resposta, mas não estava preparado para escutar essa confirmação. Muito menos tinha certeza do que aconteceria com se descobrisse que ele sentia toda essa confusão e paixão por . Julgava apenas sabendo que não era bobo e que estava nesse exato momento ligando os pontos dessa amizade que existia entre e ela, e essa ligação traria muitos problemas para o grupo.
— Sim…
, você está ferrado. — foi sincero, agora olhando diretamente para o rosto dele. — Você sabe o quanto o ainda é apaixonado por essa garota, você mais do que ninguém, , ficou do lado dele todos esses anos e escutou diversas vezes tudo o que ele sofreu e tudo o que ele ainda está sofrendo com esse passado. Com essa paixão que ele foi obrigado a descartar, como justamente você foi se colocar nessa situação? Ainda mais com essa garota.
O silêncio tomou conta do ambiente e agora fechou os olhos, atirando-se com toda força para trás. A única coisa que veio em sua mente foram lembranças de chorando durante noites seguidas, fins de semanas com muito álcool, composições e letras depressivas e corações partidos.
— Ele escreveu uma música pra ela… — Ele, sem forças para levantar, aos poucos começou a cantar o trecho da música que deixava abalado sempre que precisava cantar em shows.

Sarangiran apeugo apeun geot yeah
[O amor é tão doloroso]
Ibyeoriran apeugo deo apeun geot gatae
[Despedidas são ainda mais dolorosas]
Niga eopseumyeon nan andoel geot gata
[Eu não consigo viver, se você não está aqui]
Saranghaejwo saranghaejwo
[Me ame, me ame]
Dasi nae pumeuro wajwo
[Volte para os meus braços]

apenas observou já sabendo que Love Is Not Over era exatamente a música que ninguém conseguia tirar da cabeça, noites e dias em estúdio para finalizar e o grupo não foi capaz de opinar em nenhum momento pela motivação que via nos olhos e no comportamento de , para que ela ficasse finalizada a tempo para entrar no álbum.
Lembrou-se vagamente de passar noites afinco e fins de semanas inteiros ajudando ele nas melodias e na letra para que fizesse sentindo à tudo o que estava sentindo, não pareceu viver nos meses que seguiram da separação e isso fez com que os amigos ficassem preocupados de verdade com o que aconteceria com ele.
— O que eu estou fazendo? — , abatido, abriu os olhos, passando a mão pelo rosto não acreditando no que estava acontecendo. Queria a todo custo protegê-la, mas agora analisando todos os acontecimentos das últimas 24 horas sentiu-se impactado imaginando como estaria a cabeça dele. O que estaria pensando, imaginando, sentindo. Toda a confusão, o medo, o receio, a dor de novamente vê-la depois de tantos anos. Ele também estava confuso com esse turbilhão de sentimentos, mas em nenhum momento pensou em magoar o amigo.
— Agora você entende o que eu quero dizer? — soltou um longo suspiro, também jogando-se para trás. Olhou para o teto esperando que toda aquela confusão tivesse um fim, não queria se sentir daquela maneira e nem ser obrigado a se posicionar entre eles. — Você continuando com esses sentimentos vai entrar em um triângulo amoroso, e esse triângulo amoroso vai destruir a amizade de vocês três. — Ele tentou controlar um pouco ao ver se abater ao escutar aquilo. — , eu entendo que tem alguma coisa muito importante acontecendo entre você e a , e ainda, tem um segredo muito complicado. Não julgo você por isso, e não julgo esse sentimento também. — Agora ele falava pausadamente para que fosse capaz de entender o que ele exatamente estava querendo passar com isso. O ponto mais preocupante de tudo aquilo. — Ela tem em você um amigo que foi o porto seguro no momento que mais precisou, mas… — ele parou agora, virando-se para que tentava segurar algumas lágrimas. — você foi o porto seguro também dele.
— Eu estou péssimo. — Ele limpou algumas lágrimas com as costas das mãos. O aperto que surgiu de repente em seu coração fez com que ele falasse tudo o que estava sentindo, toda a angústia que ao cair na realidade trouxe para o seu corpo. — Não consigo pensar outra coisa a não ser em como o está naquele apartamento sozinho, pensando mil coisas ao mesmo tempo. Imaginando situações que nunca existiram, inventando declarações, traições e todo o tipo de coisa que uma pessoa que está em conflito consegue sentir. — vacilou por alguns segundos e as mãos de seguraram firme em seu ombro. — Como eu fui esquecer dele? Como não pensei nele? Justo eu, julgar ele dessa maneira sabendo que tudo o que ele mais queria era ficar com ela. Como eu posso sentir alguma coisa diferente justo por ela?
Passado um tempo, não souberem quanto, a atenção deles foi quebrada quando viram descer as escadas. lançou um olhar triste para e levantou-se rapidamente, acompanhando a garota até à mesa onde o almoço estava pronto. apenas sorriu para ela, subindo em direção ao seu quarto. Ele estava atrasado para encontrar o restante do grupo no estúdio, e pelo andar da carruagem teria que mentir para os outros sobre o motivo de não comparecer no ensaio. Respirou fundo novamente, encarando o reflexo no espelho. Desejou que estivesse calmo, e que não fizesse nenhuma besteira de cabeça quente.

Depois de longas horas e um tanto mais calmo, foi para o carro e respirou fundo, analisando o movimento da rua por seus óculos escuros. Não conseguia mentir que estava de péssimo humor para sair de casa hoje, principalmente sabendo que teria que olhar para e aquilo de certa forma o deixava bastante incomodado e infeliz, esse sentimento apenas começou a existir quando flagrou ele em sua sala de estar com os braços em volta da cintura de , naquele momento tudo parou e ele teve a certeza que algo estava acontecendo ao analisar a troca de olhares e a cumplicidade entre eles. escondia algo muito importante e estava bastante preocupado com ela. Por outro lado, falava num tom sabendo que ele a entendia e que às vezes não era preciso nenhuma palavra para que ele soubesse do que se tratava. Daquele degrau não foi capaz de escutar muita coisa, mas viu que estava bastante abatida e que demonstrava certa intimidade que nunca tinha visto antes entre ambos. Ele, parado nas escadas sentiu o chão se perder no exato momento que envolveu a cintura da garota em seus braços. vacilou com aquele contato e foi preciso um autocontrole para que não perdesse a cabeça naquele instante.
— Droga, . — Ele balançou a cabeça, não acreditando que estava realmente desconfiando do melhor amigo. Desconfiar de seria a mesma coisa que desconfiar de si próprio, não existiam limites para a enorme confiança, companheirismo e irmandade quando ele pensava em . Para ele não existia outro ombro amigo, outra amizade, outro companheiro igual a ele. Por mais que estivesse rodeado por outras pessoas, pelo grupo, família, fãs, no fim do dia só existia uma pessoa que o ajudava. , seu amigo. Irmão. Para todas as horas, para todos os momentos e situações da vida. — O que você está fazendo? O que você anda escondendo? O que você sabe sobre ela que eu não sei? O que você anda sentindo?
Um choque surgiu por todo seu corpo quando um segundo antes de ligar o carro, teve a certeza que não abraçou como se estivesse abraçando uma amiga. Aquele abraço demonstrou qualquer outro sentimento que não ousaria nomear ou pensar, foi um abraço longo, carinhoso, sincero. O abraço mais demorado e carregado de sentimento que já tinha visto. Esse abraço foi capaz de quebrar qualquer felicidade que estava sentindo horas atrás por ter passado a noite com a mulher da sua vida. Quebrando toda saudade e paixão que voltou a queimar no peito de que teve novamente apenas por essa noite. O perfume ainda estava em seu corpo e ao longe ele conseguia escutar a voz doce e melosa dela chamando por seu nome. Quando fechava os olhos sentia o gosto suave dos seus lábios e a quentura da sua pele contra o seu corpo, todas aquelas sensações ainda estavam presentes e ele conseguia sentir uma por uma, lembrar de cada sorriso, de cada gemido e de cada momento daquela noite.
E mesmo querendo ouvir de o que de fato estava acontecendo, tinha medo de descobrir a verdade e algo dentro dele quebrar-se em vários pedaços. Lidava há três anos com a perda de e não foi capaz de se recuperar, definitivamente o medo de perder um amigo era maior do que qualquer outro medo que já sentiu em sua vida.
suspirou e ligou de vez o carro para ir ao estúdio. Há essa hora estaria nervoso esperando que ele chegasse o mais rápido possível. E mesmo que não soubesse lidar com todos esses sentimentos que lhe bagunçava por dentro, e não sabendo como iria reagir ao encontrar-se com que talvez fosse lhe contar algo que fizesse com a amizade deles ficasse balanceada, ainda sabia que sua vida pessoal não poderia tirá-lo de seus compromissos profissionais.

dirigia focada no trânsito e no banco ao seu lado, de olhos fechados, tentava não vomitar durante o caminho até sua casa. Nenhuma das duas puxaram assunto ou começaram a falar alguma coisa aleatória como de costume. sabia o quanto ela estava chateada e o clima não era um dos melhores hoje, o silêncio estava predominante e ela tentou manter o foco em somente não passar mal durante os próximos minutos. Mesmo isso sendo quase impossível com a maneira nada convencional que a amiga dirigia pelas avenidas de Seul, às vezes duvidava se ela realmente tinha carta de motorista legalizada.
— Ai, droga! — Outra dor acertou em cheio sua barriga e sentiu uma contração muito forte. O remédio parecia não ter efeito algum, e antes de chegar para buscá-la na casa de tomou outro comprimido para que essas dores fossem embora de uma vez por todas, não aguentava mais sentir o corpo dessa maneira. Era só ficar em pé por muito tempo que uma ânsia surgia, fazendo com que ela corresse imediatamente para o banheiro. Ela sabia o quanto era errado tomar dois comprimidos no mesmo dia, mais ainda do ter ingerido bebida alcoólica. A essa altura não estava ligando para essas pequenas reações e estava evitando o máximo ir ao médico para que ele não suspendesse o tratamento por alguns meses, como da última vez que fez. Ela não tinha tempo para isso, tinha que terminar esse tratamento ainda esse ano para que pudesse tentar novamente.
— Eu vou dar na sua cara. — ameaçou.
Esse lance com a bebida alcoólica e o tratamento foi o estopim da discussão que iria acontecer nas próximas horas quando finalmente soube que ela estava mentindo sobre ter parado com a medicação.
...
— Não vou ser chata com você e falar coisas com essa atitude infantil que você teve. — cortou o silêncio, virando o rosto brevemente para ela. — Mas, eu quero que você saiba que também não vou ficar totalmente em silêncio. E que você é pior do que eu imaginei, principalmente por esconder de mim que ainda estava tomando remédios.
— Não…
— Não mesmo. — Ela interrompeu a amiga, fazendo uma conversão brusca para o lado direito. colocou a mão na boca e respirou fundo, controlando o estômago para que não vomitasse. — Vaca, vadia sem coração. Como consegue mentir pra mim assim? Tão descaradamente? Como eu odeio você!
Tudo aquilo parecia um pesadelo, o que seria difícil para os outros. Pra ela, sem dúvida, seria um pouco pior, levantou a cabeça e encarou, por frações de segundos, a amiga. Estava tão feliz em finalmente tê-la ao seu lado, conseguir dividir com ela um pouco essa angústia que carregava todos os dias. Sua vida estava uma bagunça e ela sabia disso, antes disso estava rodeada por pessoas desconhecidas que só queriam se aproximar com algum interesse em seu cargo na filial em Boston. E finalmente depois de anos voltar para Seul era o que mais precisava, ter o pai por perto, amigos e familiares que distante sentia tantas saudades.
O carro voltou novamente a ficar em silêncio, barulhos mais altos e fortes de soluços e choros davam para ser ouvidos. abaixou a cabeça e tampou o seu rosto com todo o cabelo, não queria olhar de jeito nenhum para a amiga. Aquilo a estava deixando tonta e com vontade de chorar mais a cada segundo.
— Pára de chorar, .
— Desculpa…
— Cala a boca. Não quero falar com você agora. — , ríspida, não se sentia pronta para associar a informação de que estava horas atrás na casa de fazendo com que ficasse bêbada e não sabendo do detalhe importante que ela ainda estava sendo medicada. — Cala essa boca porque eu não sei o que eu vou fazer com você. Mil coisas passaram na minha cabeça quando o me ligou falando que você tinha passado mal, não tenho cara de ser a sua babá pra ficar correndo atrás de você sempre que faz alguma merda.
— Eu sei, eu sei… — sussurrou, sabendo que o tom que ela falava era exatamente para que ela ficasse apenas em silêncio escutando tudo. — Não estou me sentindo bem, podemos conversar quando chegar em casa? Por favor?
encarou os próprios pés e se sentiu fraca diante de todas aquelas palavras. Tentou falar alguma coisa, mas as lágrimas e a dor não a deixaram.

O relógio da parede no estúdio de dança parecia ganhar vida própria toda vez que olhava para ele, desesperado com o atraso de , e . Em menos de cinco minutos ele olhou para o relógio diversas vezes e contava mentalmente o tempo que precisaria aturar de espera para começar os ensaios. , por outro lado, estava tranquilo, sentado na cadeira com as pernas cruzadas, olhando para seu reflexo no espelho. jogava candy crush no sofá e ao seu lado assistia um vídeo de dança que dessa distância, não deu para saber se era de Red Velvet ou Twice. Em uma última olhada para o relógio, disse para si mesmo que se não chegassem nos proximos 15 minutos iria embora de uma vez.
— Finalmente um dos nossos integrantes deu o ar da graça, achei que você ia arrumar uma desculpa para não aparecer hoje. — abriu os braços, olhando em volta pelo estúdio de dança branco da BH.
— O que aconteceu? Não sabe ver hora? — perguntou sem humor nenhum para desculpas à essa altura.
apenas passou por ele, jogou sua mochila no chão e vestiu o capuz da blusa de frio, demonstrando não ter interesse algum de conversar com ele ou com qualquer outra pessoa hoje.
— O que aconteceu, ? — , notando que ele estava estranho, arriscou a pergunta, indo alguns passos em direção à ele. Naturalmente ele era o mais animado para uma nova coreografia do que qualquer outro integrante. sempre teve a maior facilidade para os passos e criava até mesmo alguma coisa que era a cara do grupo.
— É, o que aconteceu? — agora também caminhou, parando próximo. tomou distância, indo para a câmera e para o aparelho de som, não respondendo nenhum e nem outro. Não esboçou nenhuma reação e muito menos deu espaço para que outra pessoa pudesse perguntar algo. Ligou a câmera e na sequência aumentou o volume da música.
— Alguém sabe do e do ? — perguntou, indo para a sua posição na frente do espelho. Ajeitou a touca esperando que os outros fizessem a mesma coisa. O ensaio estava atrasado em uma hora e daqui a pouco era o horário da reunião com Choi sobre os últimos detalhes do novo mini álbum. E tudo o que ele não precisava era se preocupar com o desaparecimento de outro integrante, sem contar que não sabia também onde estava.
ligou e disse que está à caminho e que teve um imprevisto e não vai ensaiar hoje. — repassou o recado exatamente da mesma maneira que havia dito minutos mais cedo. Principalmente a parte do imprevisto de . O que já era uma grande preocupação, em todos os anos nunca tinha faltado a um ensaio se quer. Muito menos sabendo que parte da coreografia dependendia muito dele. Não era uma coreografia que conseguia com facilidade substituir alguém ou então pular alguma parte importante.
— Quem mandou vocês ficarem bebendo a noite toda? — questionou, começando o alongamento. Esticou as mãos para cima e depois fez movimento com o pescoço de um lado para o outro.
— Nem me fala em bebida. — passou a mão pelo estômago, o sentindo revirar só de lembrar em tudo o que havia bebido na noite. — Sinto meu fígado gritando por socorro, nunca mais vou beber desse jeito.
“DNA” começou os primeiros toques e , ignorando a presença dos amigos iniciou a coreografia sozinho, andou, dançou a maior parte do tempo completamente sozinho. Todos os movimentos da sua parte e a maioria da parte de todos os outros também. O comeback era daqui há dois meses e ele sabia que iria demorar pelo menos um mês inteiro para aprender todos os movimentos, o pior é que se sentia perdido e não conseguia focar nas batidas da música e nos movimentos obrigatórios que tinha que ser feito.
— Que inferno! — Ele xingou, parando imediatamente.
— Hoje você acordou do lado errado da cama? — queria saber o porquê de tanto estresse que emanava dele. O lugar era enorme, mas sentiu a tensão nos movimentos dele do outro lado da sala.
— A noite não foi boa? — olhou para assustado. — Você até deixou a gente dormindo no sofá!
— Quem iria se preocupar com vocês? — sorriu irônico empurrando ele um pouco com o ombro. — Se eu fosse o deixava todo mundo dormir na varanda.
, não consigo mentir e você sabe muito bem disso. — disse, parando de frente ao amigo com as mãos na cintura. Olhou para o rosto dele, procurando uma parte que não estivesse coberta pelo capuz da blusa de frio. — Fiquei sabendo que você teve uma noite com a sua ex, e sua cara não está de quem ficou feliz com isso.
— Eu ficaria com um sorriso de orelha a orelha se eu estivesse no lugar dele, porque vamos combinar que a é…
— É o que, ? — cortou, sem humor para piadas.
— O que aconteceu pra essa falta de humor? — , do outro lado, apenas observou a maneira como ele ficava quando alguém falava o nome da garota. Nem parecia o da noite passada que estava todo feliz e animado com o retorno dela para a cidade.
— Me deixem em paz! — Ele pegou a mochila do chão, não querendo assunto com os amigos. Será que era muito pedir um pouco de privacidade e sossego?
— Amigo, você não deu con… — interrompeu na hora, colocando a mão na boca.
— Meu Deus! — , divertido, começou a rir junto com . Se o dia tava perdido para o ensaio, não tava perdido para tirar onda com o . — Esperava mais de você…
— Por acaso… — andou até ele, passando uma das mãos em volta do pescoço dele. — , por acaso isso não é ciumes do com ela, né?
Nesse momento todos ficaram em silêncio ao ver se afastar um pouco de e tirar o capuz da cabeça.
— Puta que pariu! — arregalou os olhos, surpreso.
— Quem não ficaria com ciúmes? O ainda com todo aquele jeito meigo e fofo, a mulherada fica louca com aquela carinha de bebê. — completou, balançando a cabeça parecendo tudo óbvio o que tinha acabado de falar. O que não era nenhuma mentira, tinha a fama de ser o mais cobiçado de todos os outros do grupo. — Eu ficaria com ciúmes se minha namorada, ou ex estivesse com aquele contato todo. Ficar viajando? Mensagens na madrugada? — Ele riu, olhando de para .
— O quê…? — fechou os olhos algumas vezes, caminhando até . soltou um gemido de desaprovação e percebeu na hora que algo de errado estava acontecendo.
— Fodeu… — desconversou, procurando a porta de saída do estúdio. — Preciso procurar o Choi e ver alguns detalhes.
— Você não vai sair daqui! — o segurou pelo braço e ainda encarava , sem tirar os olhos dele. — O que você disse? Mensagens? Viagens?
… — o chamou, mordendo o lábio. Como esse assunto surgiu assim do nada? Justo agora? Ele ficou preocupado ao ver que a respiração dele ficou mais pesada. — Não é nada disso.
— Conta logo pra ele! — soltou um suspiro, ficando impaciente.
, abre a boca! — o segurou pela camisa, buscando o assunto que ele tinha começado. — Explica o que você quis dizer do com a , agora.
— Que saco. — fez uma careta, colocando as mãos no rosto. — Você fica muito violento quando se irrita, então não quero meu rosto machucado.
, não tem nada demais. — puxou a mão dele da camisa de . — O que ele quis dizer é que o sempre foi muito amigo da e por isso sempre trocaram mensagens de textos…
— Ligações de horas na madrugada… — completou e parou imediatamente quando rolou os olhos para ele. — Tudo isso é muito normal, mas às vezes também não é… — ele viu a fisionomia dele mudar de repente. — apenas vamos focar que são grandes amigos e que amizades assim tem todo esse contato.
, você não ajuda… — empurrou para um canto e puxou para outro canto da sala, se afastando dos outros. estava suando frio e agora seu coração parecia acelerar a cada instante. — O andou viajando nesses últimos anos para Boston…
— Pra ver a . — interrompeu levantando um dos dedos. — Se começamos a contar as coisas, vamos contar tudo direito.
— Eu que vou socar a sua cara! — se virou para ele fechando uma das mãos.
, você está me falando que o durante todos esses anos mentiu pra mim? — ficou nervoso e tentou se livrar dos braços dele. — E todos vocês sabiam disso?
— Quê? Como assim? Ah? — colocou uma das mãos contra o peito e tossiu algumas vezes, disfarçando. — Não é bem assim…
— É assim mesmo. — afirmou, acenando.
— Meu Deus, você não vai calar a boca? — deu um tapa na cabeça de . Ele ficava nervoso e desesperado cada hora que resolvia abrir a boca. — , você precisa entender…
— EU NÃO PRECISO ENTENDER NADA! — empurrou e deu passos largos em direção à . — FALA! FALA O QUE VOCÊ SABE.
— Se você gritar desse jeito eu não vou falar nada! — cruzou os braços.
— Agora você abre essa boca enorme e começa a falar. — cutucou ele, tomando um espaço considerável de . — E acho melhor você contar logo porque ele parece que perdeu a paciência.
, o é muito amigo dela. Durante esses anos eles continuaram com essa amizade e parece que rola alguma coisa muito forte entre eles, porque o sempre anda cochichando pela casa. — disse sem ser interrompido e todos abriram a boca perplexos. — E, em minha defesa, eu não sabia que você tava por fora disso. Aliás, até cinco minutos atrás antes de você começar a gritar eu estava achando que você sabia de tudo isso e que concordava com essa amizade.
sentiu coração saltar do seu peito ao receber todas essas informações. Como era possível essa amizade? em todos os momentos quando o assunto surgia sobre a garota não respondia nada. Não falava nada e muito menos dava a entender que ainda mantinha contato com ela. Como era possível isso? Como ele escondeu isso? Porque ele escondeu?
— Eu nunca soube disso e muito menos concordei. — Ele disse, saindo do transe e do baque que sentiu ao ouvir tudo aquilo sobre . — Como? Como o fez isso? Por que ele não me disse nada? Por que vocês nunca me falaram nada?
— O é seu melhor amigo, sempre foi vocês dois contra o mundo. — explicou agora, jogando na cara de esse fato importante que todo mundo concordava. — Não era direito nosso interferir na amizade de vocês, ele que devia ter contado tudo isso pra você.
— Não é isso que melhores amigos fazem? — completou levantando uma sobrancelha e a expressão de baixou desacreditando no que estava acontecendo. — Sei que é difícil aceitar, mas eu sei que ele deve tem um bom motivo pra isso. é seu amigo, não iria fazer nada que deixasse essa amizade abalada.
— Certeza? Estamos falando do cara mais gato desse grupo. — riu.
— Porque você não cala a boca? — lançou outra tapa dessa vez na nuca dele.
— Orra! Eu não sou mentiroso. — passou a mão na nuca, incomodado com o tapa. — Todo mundo aqui acha a maravilhosa e gostos…
— Cala a boca! — Todos os outros três falaram juntos.
, não deixe isso te abalar. — aconselhou, agora não sabendo mais o que falar a essa altura. Tudo o que ele não precisava saber já tinha dado errado, agora sabia sobre esse pequeno segredo que escondia. — Conversa com o
— Abalar? Conversar? — riu nervoso.
— Sim, ele é seu amigo.
— Amigos não escondem segredos e muito menos contam mentiras. — Ele rebateu, agora vestindo novamente o capuz.
— Você disse que o não te contava as coisas, então tecnicamente ele não mentia. — acrescentou.
— Ele fez pior, só escondia enquanto me ouvia chorar e sofrer sem saber nada sobre ela. — cortou a conversa, não querendo ouvir mais nada. Precisaria de um tempo sozinho para digerir tudo o que estava acontecendo, definitivamente não estava em condições para pensar em mais nada. Uma lembrança surgiu nesse exato momento quando vagamente pediu que ele o levasse para o aeroporto e outras lembranças foram surgindo em sua cabeça de todos os momentos que desconversava quando o assunto era . Tudo passou a fazer sentindo e aquilo o atingiu de uma maneira que nem conseguia se manter em pé. lançou um último olhar para eles e se virou, saindo da sala.
— Aposto que ele está indo agora socar a cara do agora mesmo. — falou totalmente despreocupado e pôde ouvir quando os outros três o repreenderam:
! — gritam, juntos.
apenas riu em resposta, som que foi seguido por seu próprio grito. não precisava estar presente para saber que o havia derrubado da cadeira, mas não se importou.
estava mesmo certo, afinal. Socar era tudo que ele queria.

dirigiu a toda velocidade pelo caminho até à casa dos amigos. Sua concentração estava totalmente voltada para todas as palavras e todas as informações que , , e haviam dito no ensaio. Ele não podia sequer acreditar em tudo o que contou mais cedo, não conseguia aceitar o fato de mentir dessa maneira. Em um único movimento brusco virou a esquerda, entrando na rua principal de Cheongdam e quando avistou a casa parou imediatamente e correu para a entrada principal. Digitou a senha no painel e abriu a porta com toda força.
? — assustou-se ao deparar com o amigo há essas horas ali. Ainda mais sabendo que ele mesmo estava atrasado para o ensaio. — O que aconteceu?
— CADÊ O ? — Ele passou direto por , procurando por em toda a sala de estar. — ONDE ESTÁ O ? , CADÊ O ?
— O que aconteceu…? — gaguejou um pouco, vendo transtornado andando de um lado para o outro.
, … — gritou, correndo para às escadas.
— Ficou maluco? — subiu até metade das escadas e o puxou pelo braço. — O que você tem?
— Eu vou matar…
— O que foi, ? — surgiu da cozinha, perguntando o que estava acontecendo e o encarando com dúvidas. — O que você quer? O que aconteceu?
— SEU FILHO DA PUTA! — pulou alguns degraus, partindo em direção à . — DESGRAÇADO, COMO VOCÊ CONSEGUIU… — ele segurou na camisa dele, fechando uma das mãos. — VOCÊ É UM IDIOTA, BABACA…
— VOCÊ FICOU MALUCO? — tentou desvencilhar das mãos dele, empurrando com o corpo.
— QUE PORRA É ESSA? — desceu correndo agora, empurrando para longe. — O QUE VOCÊ TEM?
— DESDE QUANDO VOCÊ VEM MENTINDO? DESDE QUANDO VOCÊ VEM ESCONDENDO DE MIM QUE TEM CONTATO COM ELA?
, por favor. — posicionou-se entre ele e , afastou com dificuldade enquanto ele tentava andar mais alguns passos em direção à . — Você não entende o que está acontecendo, não começa a ficar nervoso desse jeito.
— EU NÃO QUERO SABER DE NADA, ! NADA! — , alterado, passava a mão no cabelo, andando de um lado para o outro da sala. O coração batia acelerado e ele mordia os lábios, não conseguindo controlar a raiva que estava surgindo e a vontade súbita de enfiar um soco em . — COMO VOCÊ CONSEGUE SER MEU AMIGO E MENTIR DESSE JEITO? O QUE VOCÊ ACHA QUE EU SOU? — Ele tentava partir para cima dele, mas o impedia a todo custo. Nunca, em nenhum momento da sua vida, tinha ficado tão irritado ao ponto de perder a cabeça dessa maneira.
, POR FAVOR! — gritou, empurrando ele para o outro lado da sala. manteve-se calmo do outro lado, tentando não expressar nenhuma reação que fosse interpretada de maneira errada. estava fora de si, e ele entendia muito bem qual era o motivo. Apenas abaixou a cabeça, esperando que conseguisse acalmá-lo.
— POR FAVOR? ELE… — vacilou por alguns segundos, contendo o choro que estava preso em sua garganta. Parou com as mãos na cintura e abaixou o rosto, respirando algumas vezes buscando um foco para terminar aquela conversa. Essa dor que invadia seu corpo era sufocante, sentia-se perdido, abalado e sem emocional para conseguir lidar com o que estava acontecendo. Buscou um pouco de ar, respirando fundo mais algumas vezes e sem ao menos perceber caiu no choro, sentindo o seu corpo pesado demais para manter-se em pé.
… — quebrou o silêncio. Ele ficou desesperado ao vê-lo nessa situação, não queria que ele ficasse dessa maneira. Não queria mentir, queria acabar com tudo aquilo de uma vez por todas. precisava saber da verdade, saber o que aconteceu. precisava acabar com essa história antes que ele perdesse o amigo, o irmão que tanto admirava e amava. Não suportava mais viver sob o mesmo teto que ele sendo obrigado a mentir todos os dias sobre isso, sendo obrigado a esconder o que estava começando a sentir por ela. Era direito dele saber sobre isso, ele, somente ele o mais interessado e o mais envolvido no assunto estava sendo deixado de lado. Totalmente no escuro, não foi dado nem a chance para que ele tivesse o direito de sofrer com isso. De uma vez, precisava saber sobre todo o tratamento. Todas as consultas, todos os medicamentos e o principal, precisava saber que existia um sentimento novo por ela. Um sentimento que não era de amizade.
— Não. Fica longe de mim… — pediu, levantando uma das mãos para o alto. — O que eu quero de você, . — sua voz estava fraca e ele ainda mantinha a cabeça baixa. — Quero entender porque você fez tudo isso. Por que mentiu pra mim nesses últimos anos? O que eu sou pra você? — sentiu o peso das palavras que acabara de falar e sem esperar desabou no chão, não segurando o próprio peso do corpo.
, você não sabe o que está acontecendo. — passou as mãos pelo rosto, desesperado ao vê-lo daquela maneira no chão.
— Claro que ele não sabe, você acha que se ele soubesse estaria desse jeito? — , irritado, caminhou até e segurou em seu ombro. Não gostava dessa situação e ao vê-lo naquele estado seu coração apertou imaginando o quanto ele estava em conflito com tudo. — Por favor, confia em mim.
— Em você eu confio, . — Ele disse fraco, puxando a touca do capuz. Tentava esconder que parte do seu rosto estava ficando vermelho. — Quando eu perguntava pra onde você tanto viajava, quando eu não entendia todas aquelas ligações de madrugada ou quando você corria para deletar todos da sua galeria, . Tudo isso? Tudo isso era ela?
Como era possível, seu melhor amigo, companheiro de todos os momentos, de todas as frustrações, angústias e sofrimento. O amigo que muitas vezes era seu alicerce para manter-se em pé diante de vários problemas no grupo, seu irmão, o único que o conhecia como ninguém. O que estava acontecendo com ele para mentir dessa maneira?
— CALA A BOCA E ME ESCUTA! — perdeu o controle, indo para o chão perto dele. — Cala a boca, . Cala a boca!
— Era com você que eu dividia a maior parte dos meus sentimentos por ela, minha dor, minha amargura. — não conseguiu encarar o rosto do amigo, apenas conseguiu sentir que ele estava próximo. — Era no seu ombro que eu chorava noite à dentro quando precisei desistir dela, , você era meu apoio, meu ombro amigo. Por que todos esses segredos? Por que todas essas mentiras?
— Não foi culpa minha, . Por favor, eu preciso que você me escute. — controlou as lágrimas que começaram a rolar de seus olhos, não podia começar a chorar nesse momento. Ele não podia perder essa amizade deixando que ele tirasse todas aquelas conclusões sem ao menos saber o que realmente aconteceu, não podia deixar que ele o odiasse dessa maneira. — Confia em mim, por favor. Eu preciso que você confie que foi por um bem maior, você só tem que saber que eu nunca quis fazer isso. Sempre fui contra, sempre falei pra ela que eu não podia me envolver desse jeito.
— CALA A BOCA VOCÊS DOIS! — gritou, jogando um vaso ao longe na parede. Pela primeira vez na vida ele estava irritado de verdade. Não aguentava mais toda aquela confusão e todo aquele desentendimento, não aguentava mais ver os amigos daquele jeito. — EU ESTOU CANSADO DESSE ASSUNTO, ESTOU CANSADO DE DENTRO DESSA CASA. ME SINTO SUFOCADO, PELO AMOR DE DEUS! — ele colocou a mão no coração, controlando a respiração. — VOCÊS SÃO AMIGOS, TODOS SOMOS AMIGOS E NÃO PODEMOS FICAR VIVENDO DESSA MANEIRA.

— CALA A BOCA, ! CONTA DE UMA VEZ POR TODAS PRA ELE! — caminhou para perto de e o segurou pela gola da camisa com força. — CONTA, CONTA PRA ELE ESSE SEGREDO! CONTA O QUE VOCÊ SENTE.
, o que você está fazendo? — segurou com ambas as mãos no peito dele e o empurrou com toda força. — Não, . Não!
— Conta, me fala o que você esconde. — levantou um pouco o rosto, olhando para que agora estava ficando pálido, ainda segurava ele sem ter intenção nenhuma de largar. — O que você sente por ela? Você acabou se apaixonando de verdade? Depois de tantos anos você se deu conta de que a ama? É isso?
jogou as mãos para baixo, acenando com a cabeça para que o soltasse. Deixou que seus olhos encontrasse com os de e finalmente sentiu que se não falasse a verdade nesse momento para ele perderia o amigo para sempre. Não teria mais volta aquele tempo, aquela amizade, noites em claro de gravações e gargalhadas. Muito menos estarem juntos realizando aquele sonho que era ter um grupo conhecido no mundo todo. O seu momento, o único momento era aquele e ele estava com muito medo.


Capítulo 7


Só de pensar no fato de que estaria muito nervosa com ela dessa maneira a deixou com o corpo pesado e sem vontade alguma de falar qualquer coisa. O caminho até o apartamento foi longo e por vários minutos suspirava fundo, mostrando preocupação e irritação sempre que a via colocar a mão na boca. não era o tipo de amiga que conversava delicadamente, era a amiga que precisa se expressar em alto tom, fazendo com que a casa inteira escutasse a conversa. agradeceu mentalmente ao saber que o pai havia ido mais cedo para o restaurante, o alívio de saber que ele não estaria presente para ajudá-la nos gritos até deixava um pouco mais otimista.
— Vamos fazer a senhorita deitar um pouco. — controlou-se um pouco, vendo que realmente não estava bem. Apoiou a amiga pela escada e com todo cuidado a ajudou a se deitar. — Por que você é tão cabeça dura e não quer ir no hospital?
— Já sei o que ele vai me falar e não estou afim de levar mais bronca.
— Eu nem comecei a falar ainda.
— Imagina quando começar.
Não soube exatamente quanto tempo dormiu e ao despertar viu a amiga terminando de ajeitar suas coisas dentro do closet. Ela andava de um lado para o outro, dobrando e separando roupas que ela nem ao menos sabia onde era para serem colocadas.
— Pensei que você iria queimar as minhas roupas, e não guardá-las. — tentou puxar assunto, mas fingiu não estar ouvindo nada. — Vai continuar me ignorando até quando? — Novamente ela ficou sem resposta, levantou da cama e a puxou pelo braço. — Não faz isso, , essa atitude é muito infantil!
— O que você considera infantil? Acordar com um telefonema avisando que a sua amiga está passando mal? Fazer coisas idiotas? Dormir com o ex-namorado? Ser uma mentirosa? — falou, atropelando as palavras e deixando estática. — Me diz, , o que é ser infantil para você?
, vamos começar a conversar sobre isso? — deu de ombros, sentando-se no sofá. — Eu apenas não quero que você fique me ignorando como se eu fosse uma estranha, caramba!
— Você passou a ser uma estranha pra mim.
— Eu vou ignorar isso, porque você não deve estar lúcida o suficiente para saber o que está falando.
— Claro que eu estou. — jogou as roupas de lado e caminhou até onde ela estava. — Você não queria que eu parasse de te ignorar? Pois bem. Não me proíba de falar nada do que eu quero.
— Você realmente me acha uma estranha? — tentou se manter calma, mas aquelas palavras tinham-na deixado atordoada. — Eu sei que ando fazendo tudo errado, mas como você pode falar que eu sou estranha pra você?
— Não se faz de vítima porque você entendeu o sentido disso.
— Eu não entendo mais nada, . Você não viu a quantidade de merda que eu ando fazendo? Você acha que eu entendo alguma coisa nessa altura do campeonato? Eu preciso de uma intervenção! — Ela pediu com urgência e ficou surpresa com o que ela havia acabado de falar, não esperava esse comportamento.
— Então você quer uma intervenção? — Ela perguntou, se levantando e parando de frente pra ela.
— Quero. Preciso parar de fazer essas coisas, preciso que alguém me mande ficar longe dele. — implorou, sabendo que não iria conseguir fazer isso sozinha e não podia contar com a ajuda de . Ele estava provavelmente neste momento em uma péssima situação com , justamente pelo o que ocorreu no apartamento dele mais cedo.
— O que eu faço com você e o ? — Ela jogou-se no sofá ao lado da outra e olhou para o teto. — Eu até entendo que ele é um gato maravilhoso, tem um corpo espetacular e um sorriso que tira qualquer mulher de órbita. E eu disse que ele tem umas coxas perfeitas? Pois é, ele tem uma bunda também que eu tenho vontade de morder.
— Amiga, você precisa intervir e não me fazer ir até ele.
— Desculpa, pensei alto demais. — Ela desconversou, começando a rir de lado. Ela podia não gostar dele, mas sabia reconhecer que era um pedaço de mau caminho e que em outras vidas queria ter tido a oportunidade de explorar mais todos esses caminhos.
?
— AI MEU DEUS! Eu quero explorar todos os caminhos do corpo do . — Ela disse alto abanando a mão em frente ao corpo. — Que fogo é esse? Ligou o ar condicionado? To em chamas aqui nesse sofá com esse assunto.
— Amiga, você acha ele gostoso? — perguntou, aflita pela resposta.
— Claro que eu acho. E você acha que eu estou brava com o lance da boate? Ou com essa marca roxa gritante que você tem no pescoço? — Ela respondeu rapidamente, colocando uma das mãos no coração. — , eu posso não gostar das atitudes de , mas jamais ficaria brava de você ter rolado na cama com ele.
— Maravilhoso como sempre.
— Ai, ai… — suspirou fundo, imaginando que provavelmente teria sido maravilhoso, na realidade duvidou em algum momento que qualquer coisa envolvendo ele e uma cama não fosse uma combinação perfeita. — Tenho uma fantasia sexual de ter o e o numa banheira comigo, eu fico pensando nisso e me sobe um calor.
?
!
— Não sei se tenho fantasias sexuais com o . — riu. Apesar de estar sentindo-se estranha o seu corpo parecia estar se adaptando a dor que vez e outra aparecia. Ela tentava demonstrar que estava bem, mas acima de qualquer outra pessoa enxergava que era tudo mentira e que ela estava mal e era questão de apenas alguns minutos para que ela voltasse para a cama ou corresse para o banheiro.
— Com o , não… — Ela fez uma cara sem vergonha e apenas esperou já sabendo qual seria o próximo nome. — e o ? Amiga! Pelo amor de Deus, fica com ele. Eu nunca te pedi nada nessa vida. — a balançou de um lado para o outro e levantou os pés do chão fazendo birra. — Olha como aquele é perfeito. Casa com ele, por favor.
… — fechou os olhos, sentindo uma outra onda de dor surgir. Não queria ir ao médico, mas não conseguia mais sentir aquela dor toda hora.
, para de ser teimosa e vamos ao médico. Eu sei que você está sentindo dor e isso me deixa agoniada, por favor. — Ela implorou, segurando em uma das mãos da amiga. — Para de ser cabeça dura desse jeito, eu fico com medo de algo acontecer com você.
— Se eu for…
— O que vai acontecer? Do que você realmente tem medo? — perguntou a fim de descobrir por completo o que ela tanto escondia e mentia. Não aguentava mais tanta mentira e vê-la daquele jeito, lutou um pouco antes de entrar no apartamento e ver que o pai dela não estava em casa. Queria que ele estivesse e colocasse um pouco de juízo na cabeça da filha. — Não aceito você fazer comigo o que faz com o .
— Se eu for ao médico ele vai suspender a medicação e vou atrasar o tratamento mais uma vez, e eu estou cansada de ficar atrasando. — disse por fim, contando a verdade para ela. abriu a boca fazendo menção de comentar algo, mas em seguida fechou, esperando que ela terminasse. — E eu to cansada de ficar presa nisso há três anos, quero que chegue logo ao fim toda essa medicação.
— Sua vadia! — Ela deu um soco de leve no braço dela. — Como eu te odeio. Esse tempo todo mentindo pra mim que tinha parado de tomar e que esperava só o momento para tentar de novo, puta que pariu. Como eu te odeio!
— Claro, você não ia me deixar em paz.
— Não mesmo, e nesse momento eu quero ir até a casa do e enfiar a mão na cara dele por ter dado bebida pra você.
, ele não me deu bebida nenhuma. Eu que fui até a casa dele…
— O que você foi fazer lá? Tava querendo mesmo rolar na cama com ele de novo? Já não basta o que aconteceu? — agora estava nervosa por saber que ela havia prometido ficar longe de e na primeira oportunidade estava dentro do apartamento dele, mais precisamente na cama com ele. — Por que você não toma jeito? Chega de pensar, amar, sentir, ter tesão ou qualquer coisa coisa que você sente por esse garoto. A vida anda, a vida continua, a vida segue e você fica presa nesse círculo.
— Credo. — arregalou os olhos surpresa com aquele surto de palavras jogadas ao ar. — Hoje você acordou inspirada para jogar tudo na minha cara? É isso?
— Eu to cansada desse assunto! — levantou-se, agora andando de um lado para o outro do quarto. Mordeu o canto da boca, sentou na beirada da cama e de repente, quando , se deu conta, ela estava dentro do banheiro trocando de roupa. — Eu odeio o por ter deixado você daquele jeito, mas eu tenho que falar que parte de mim sente uma enorme dor por saber que ele está sendo enganado dessa maneira.
— Não…
— Cala a boca! — não estava pedindo, agora estava mandando e voltou do banheiro usando apenas um pijama leve e antigo que ela tinha deixado lá. — Cala a boca e vai me escutar. — Ela caminhou até a amiga, sentando de frente para ela. — Odeio ele? Odeio! Acho ele um babaca? Acho ele um babaca! Acho ele um puta gostoso? Acho isso e um pouco mais!
— Foco! — pediu, agora colocando uma das mãos na cabeça. Uma vertigem surgiu e ela sabia que não iria demorar muito para que sua pressão começasse a cair novamente.
— Não acho certo esse segredo e não acho certo você esconder isso dele todos esses anos… — Ela jogou com todas as palavras e apenas observou sem ter forças para protestar. No fundo ela sabia que estava certa. E essas palavras eram o que justamente falava a todo momento quando surgia oportunidade, que tinha o direito de saber de toda a verdade e que isso era errado, ficar escondendo dessa maneira. Era errado esconder, mentir e omitir algo por direito dele.
, você quer que eu conte para o ? — precisou saber se era isso mesmo que ela estava propondo. Ela coçou um pouco o rosto e balançou a cabeça de um lado para o outro quando as imagens do quarto começaram a se desfocar. — Depois de anos você quer que eu revele toda a verdade? Ele nunca vai me perdoar, nunca vai olhar mais na minha cara e nem na cara do .
— E novamente você arrastou o , deixando ele em uma situação complicada com o próprio amigo. — bufou irritada.
— Não era intenção. — Ela fechou os olhos, agora encostando a cabeça no sofá. Estava ficando mais tonta a cada segundo e suas mãos começaram a soar frio. — Não queria que ele fosse obrigado a entrar nessa mentira, mas eu precisava de um amigo.
— Você tinha à mim e não tinha necessidade de usar o garoto dessa maneira. — notou que ela estava ficando pálida a cada minuto que se estendia da conversa. — ? Você está bem? Que droga.
— Eu sinto muito…
? — deu um pulo da cama e correu para o seu lado no sofá preocupada. — Vou entrar em surto e começar a gritar por todo o apartamento. Mentira, eu vou ligar para o seu pai.
— Eu estou bem… — Ela disse com uma voz fraca, tentando acalmá-la, mas a cada segundo sentia que o quarto estava sumindo diante dos seus olhos. Um tremor surgiu por seu corpo e ela quis ir para a cama, lugar mais confortável para que ela descansasse um pouco. — Me ajude a ir para a cama, preciso de algumas horas de sono. — Ela levantou um dos braços para o alto e com a ajuda de conseguiu se levantar com certa dificuldade. A pressão do quarto pareceu descer sobre sua cabeça nesse exato momento. Ao segurar em uma da mãos, notou que ela estava fria demais e que aquilo não era nada normal. Apoiou o corpo dela com a outra mão para que ela conseguisse chegar na cama, mas parou de repente, colocando uma das mãos na barriga.
, você… — parou imediatamente quando viu ela cambalear um pouco para trás. — AI! CACETE! — ela gritou e em instantes desmaiou, caindo nos braços da amiga.

estava deitada no banco de trás nos braços preocupados de , ela não conseguia nem ao menos pensar em nada. Estava tão assustada que sua primeira reação foi pedir ajuda para o vizinho, não conseguia lembrar do número do pai de e muito menos de qualquer outro. Na realidade, quando pegou o aparelho parece que não enxergava nada e nenhum outro número, sua única reação foi sair correndo buscando por ajuda.
— Falta muito? — A garota não moveu sequer um músculo para não desproporciona-la ainda mais em seus braços. Até mesmo sua respiração estava sendo controlada para não atrapalhar em nenhum ponto. Em seus olhos uma mistura de pânico e choque a cada movimento do carro, estava tão aflita com desmaiada em seus braços daquela maneira que nem pensou em ligar para ou .
— Não falta muito...
Segurando em uma das mãos da amiga, ela pedia em um suspiro que ficasse bem. Não acreditava que por teimosia dela essa situação estava acontecendo, tudo isso por medo de suspender um maldito tratamento. Tudo isso por uma noite que passou no apartamento dele. Ela fechou os olhos vagamente, começando a orar bem baixinho por ela. Em suas orações pediu desesperadamente que a amiga ficasse bem logo. Não aguentava mais ver em hospitais, muito menos passando mal daquele jeito. Uma hora tudo aquilo tinha que acabar, uma hora ela tinha que desistir de uma vez por todas desse sonho.
— Que droga! Olha o que você faz comigo. — Ela murmurou, passando uma das mãos no rosto dela. Lágrimas começaram a escorrer de seus olhos e ela não conseguiu conter o choque surgindo por todo seu corpo. Segurou imediatamente uma das mãos dela e apertou bem forte, como se quisesse demonstrar que estava ali. Independente de qualquer coisa, qualquer momento ou qualquer situação. Não iria sair do lado dela por nada. Estaria simplesmente ali para tudo, para tudo o que fosse possivel e impossivel.
Yang, o vizinho da garota, concentrou no caminho sendo guiado por para chegar no hospital mais rápido daquela região. O único que ela lembrava era exatamente o mesmo que ela estava fazendo o tratamento, ela sabia desse endereço pois acompanhava toda semana para uma consulta e exames de rotina.
— Quase… — Yang olhou de relance para , confirmando que seus pensamentos estavam certos. Todo minuto uma angústia tomava conta do clima do carro que estava em alta velocidade, cortando ruas e avenidas. Ela estava se segurando na porta com toda força para manter a calma e a tranquilidade. Mas era nítido que por dentro estava remoendo todo o acontecimento daqueles minutos. Ela estava tão ansiosa e feliz nessas últimas semanas por rever novamente a amiga e minutos depois o choque de caindo desmaiada.
— Ela é muito teimosa.
— Estamos chegando, fique calma. — Yang disse, tentando amenizar o clima de preocupação que estava pelo carro. Seus olhos se encontraram com os de e ele entendeu como uma súplica para que ele se apressasse o máximo possível. — Nós estamos chegando, vai dar tudo certo. — Ele mexeu com a cabeça, impaciente com todas aquelas ruas confusas e estranhas. — Não mais do que alguns segundos, prometo!
Ele estacionou o carro na primeira vaga que viu pela frente e desceu, abrindo a porta de trás logo em seguida. Com a ajuda de , ele suspendeu com os braços e a levou para dentro. Os passos eram longos e apressados. O segurança do hospital, ao perceber a urgência, abriu caminho por entre os corredores. Sem condições alguma de explicar o que estava acontecendo, se afastou um pouco e com toda a calma explicou para uma enfermeira que estava de plantão o que tinha acontecido. Yang gentilmente deixou em uma maca e antes que ela fosse levada por dois enfermeiros, desejou que a garota ficasse bem. De imediato a levaram para dentro, deixando todos os dois ali parados sem esboçar qualquer reação.
Apenas torcendo para que tudo ficasse bem.
— Eu preciso ligar para o pai dela. — disse, pegando o celular do bolso. — Tanto ele como e precisam saber disso.
— Eu ligo para ele, você pode avisar os seus amigos. — Yang disse, afastando com o celular na mão. Era amigo há anos de Hyun-Ki e sabia que a essa hora com certeza ele estaria no restaurante, preparando-se para abrir.
pegou o celular e olhou para a tela, sentiu um frio no estômago ao pensar nisso, mas aceitou que nesse momento também devia saber do ocorrido.
EUPRECISODEVOCÊURGENTE. — Ela disse ao telefone quando finalmente alguém atendeu.
— O que aconteceu? ? — pediu silêncio para e que estavam do lado e andou para o lado oposto da sala de estar. Não conseguiu entender o que ela tinha dito, e ainda discutiam e ele olhou novamente para eles pedindo silêncio. — O que foi? Por que você está chorando?
, vem para o hospital Cha General…
— O QUE ACONTECEU? VOCÊ ESTÁ BEM? — Ele gritou assustado, olhando para e nesse momento. respirou fundo, tentando controlar a respiração e a sua voz para que conseguisse terminar de passar a informação. — FALA, ! FALA.
— A
— Pelo amor de Deus. — entrou em pânico e sua voz começou a ficar alterada. — O que ela tem? O que aconteceu com a ?
— Avisa o e o … — Ela parou no meio da frase ao ver o médico ir para a o quarto por onde os enfermeiros tinham entrado com a amiga. — Eu preciso desligar, não demore. Por favor, eu estou com muito medo. — conversou por mais alguns minutos com , passando os dados do hospital em que elas estavam e logo desligou.

ficou em silêncio por alguns segundos e olhou para e que estavam com expressões de pânico.
— Vamos para o hospital… — Ele disse, buscando a chaves do carro pela bagunça do aparador da sala. estava trêmulo imaginando mil coisas que podia ter acontecido com a garota, imaginando todas as situações e sentiu o desespero bater em seu peito com remorso de ter falado mais cedo que não aguentava mais falar sobre ela.
… — , sem forças, não sabia se tinha conseguido escutar direito o que ele tinha acabado de falar. Como um estalo seu cérebro parecia ter desligado e não respondia a qualquer impulso que seu corpo precisava. Ele nem ao menos sabia como conseguiu se colocar de pé naquela rapidez, muito menos como estava há poucos centímetros de distância assim de . ? O que tinha ? Hospital? Que hospital? O que estava acontecendo?
— O que houve? Ela foi para o hospital? Ela passou mal de novo? — perguntou aflito, andando de um lado para o outro. Não estava conformado com a teimosia dela de antes em não querer ser levada para o hospital. Sentiu o estômago revirar e culpa por não ter forçado ela a ir mesmo não querendo.
— De novo? — virou para , tentando encontrar um motivo lógico para ainda conseguiu olhar para a cara dele. — De novo? Você disse, de novo? — Ele não acreditou no que estava ouvindo. Como era possível saber de toda a vida dela dessa maneira? não conseguia aceitar, cada minuto surgia alguma coisa nova e ele não conseguia nem ficar mais surpreso com nada. — De novo? Ela passou mal antes? Quando? Desde quando ela vem passando mal?
, não é o momento para isso. — cortou, finalmente achando as chaves do carro. — quer vocês dois no hospital, mas eu não tenho certeza se é melhor vocês levarem esse conflito para lá.
— Eu vou, tenho que ir de qualquer maneira. — disse, adiantando os passos em direção à porta da sala. estava certo, não era o momento para nenhuma briga ou desentendimento e como em todos os anos era ele quem estava sempre ao lado da garota, era ele que devia ir correndo para o hospital ficar ao seu lado novamente. Segurar em suas mãos e sussurrar em seu ouvido que ele estava ali e que tudo ficaria bem, que ele a levaria para casa em breve e cuidaria dela como sempre fez.
… — respirou fundo, controlando as palavras para não magoar nenhum dos dois. — O
— O é o cara que ela amou, ama e sempre vai amar. — cortou a conversa, indo para o lado de . — Você aceitando ou não, criando qualquer tipo de fantasia na sua cabeça, ela ainda me ama. — ele falava apontando o dedo para o rosto dele. — Não sei o que você fez durante todos esse anos, não sei porque você mentiu ou o que aconteceu de tão grave pra você me esconder tudo isso. Mas, eu não aceito que justamente você venha querer se sentir no direito sobre estar ou não com ela nesse momento. — buscou um pouco de ar tentando terminar de falar o que estava preso em sua garganta. — Eu amo essa garota, eu amo tanto que nesses últimos anos eu apenas vivi na esperança que ela voltasse e me perdoasse. Sabe o que é sentir dentro do peito uma dor absurda todos os dias? Você nunca vai entender o que é o sentimento de perder um grande amor. Deitar todas as noites e ficar pensando como estaria sua vida se tivesse feito outra escolha. — agora ele alterava um pouco a voz, controlando o choro que estava surgindo. — Minha esperança era tê-la novamente por apenas algumas horas, eu queria ter o meu amor em meus braços e eu a tive noite passada. Ela estava em meus braços, na minha cama, no meu corpo. — Ele lutou contra as lágrimas que novamente voltaram a aparecer. O seu coração agora batia apressado e suas mãos começaram a formigar. — Nem você e nem ninguém vai me tirar isso, vai me tirar esse direito de ficar com ela. Eu cansei de todas essas mentiras, eu cansei de viver essa falsidade e eu vou descobrir o que está acontecendo. — Novamente ele apontou o dedo, agora encostando no peito de que não teve coragem de dizer nada. Todo o tempo ficou em silêncio escutando cada palavra. — Vou descobrir o que você lutou tanto para esconder de mim. E quando eu descobrir, não quero nunca mais saber de você, . Não quero sua amizade, não quero saber que você existe. Nunca mais quero você na minha vida!
, você pode ter sido tudo isso na vida dela. — mordeu o lábio nervoso e em seguida riu não querendo ser obrigado a falar o que estava entalado há anos. — Mas, eu sempre estive ao lado dela em todos os momentos. Quando ela precisou de um homem, eu estava ao lado e quando ela perdeu o que mais queria na vida, eu também estava lá. — Agora ele apontou o dedo para o rosto dele ficando cada vez mais nervoso. — Sempre soube que ela te amava e que ainda te ama, nunca questionei isso e nunca pedi para que ela me amasse. Nunca pedi para que ela sentisse nada por mim, nunca cobrei nada e nunca fui capaz de pressioná-la a nada. — não conseguia sentir raiva dele, mas algo dentro do peito gritava que ele era o grande culpado por toda essa confusão. — Você abandonou ela, amigo. A escolha foi totalmente sua e não adianta você ficar irritado dessa maneira ou falando que ela te ama e que ela sempre vai te amar, todo mundo sabe isso. Mas… — ele interrompeu, colocando agora uma mão no queixo e analisando a expressão de mudar. — ela ainda vai ficar com você? Ela ainda vai querer alguma coisa? Esse sentimento é maior do que o passado de vocês dois? O que você fez com ela é algo fácil de esquecer?
, que desnecessário todos esses comentários! — forçou a voz, irritado com o que ele estava falando. — Você ficou ao lado dela porque era sua amiga ou pra ficar se vangloriando dessa maneira? Ela precisou de você da mesma forma que o precisou, agora você vai ser desnecessário ao ponto de usar isso como arma contra o seu melhor amigo?
— Chegamos a um ponto deprimente, . — suspirou, abaixando o olhar para o chão. O corpo estava tão cansado que ele não tinha mais forças para aguentar essa competição. — Me sinto tão confuso com tudo isso que eu nem sei mais o que acreditar e nem sei se o que sai da sua boca é verdade. — Ele jogou na cara e ergueu a sobrancelha curioso. — Hoje eu conheci um lado seu que eu nunca queria ter conhecido, eu teria ficado mais feliz com a minha ilusão de ter esse irmão.
— Eu ainda sou seu irmão. — disparou.
— É?
— Não vou ser seu irmão se você não conseguir me compreender da mesma maneira que eu te compreendi durante todos esses anos. — Ele respondeu agora, mantendo a calma em suas palavras. — Te compreender não significa que eu aceite a sua postura e a sua escolha, mas isso é uma opinião pessoal que não tem nada a ver com o assunto.
— Preciso de um tempo dessa situação! — pediu esgotado. Não queria mais esse assunto. A única coisa que queria no momento era ir para o hospital o mais rápido possível, ele só precisava disso nesse momento. — Preciso ver como ela está e por favor, não fique entre eu e ela. Namoros acontecem quando duas pessoas se apaixonam e se amam, duas pessoas e não três.

A maior parte do trajeto foi horrível para os três, estava sentado no banco de trás mergulhado em estado de choque ao imaginar o que poderia estar acontecendo com naquele hospital. O choque estava tanto e tão nítido que ele nem ao menos conseguiu mudar de posição durante os minutos que seguiram até chegar ao hospital. Sua cabeça estava encostada no vidro e a maior parte do tempo ficou de olhos fechados, não tendo coragem de olhar para e sentados no banco da frente. O único pensamento era saber como estaria e o que teria acontecido. Muitas e muitas perguntas surgiam a cada instante. No momento a culpa estava maior do que qualquer outro sentimento, ele se sentia culpado por não saber o que realmente estava acontecendo. Qual era o problema com ele? Por que nada estava certo?
— Eu não gosto de ter vocês dois no mesmo carro, então vamos para algumas regras básicas. — adiantou o assunto sem tirar os olhos da avenida, ele sabia que era questão de minutos para chegar até o hospital. — Muito bem, independente do que vocês estão passando no momento o foco é saber o que aconteceu com a . Suas diferenças vocês podem resolver em casa como dois adultos. — Ele aconselhou, agora encarando pelo retrovisor. — As vezes precisamos apenas parar de querer proteger a outra pessoa, muitas vezes omitir é mais errado do que a própria mentira. E eu sei que vocês entendem isso e espero de todo coração que antes de qualquer atitude coloquem a cabeça no lugar.
— Está tudo bem, . — disse, virando o rosto para o lado oposto dele. Não queria mais falar a respeito e ele também estava bastante chateado com a atitude dele. Seu cabelo estava jogado por todo o seu rosto e quando saiu de casa nem pensou na sua aparência, só queria ir de uma vez por todas. Usava um moletom preto e no banco ao seu lado estava uma pequena mochila com algumas de suas roupas, ele não iria e nem tinha intenção alguma de sair do hospital. Ficaria ali pelo tempo necessário e independente de qualquer coisa que falasse ou fizesse, antes de ser a ex-namorada dele, era sua amiga de anos. Não iria a lugar nenhum, mesmo sabendo o que ela estava sentindo e toda a dor que devia estar sofrendo nesse momento.
Perdido em todos esses pensamentos, ele conseguiu perceber que estava não somente em pânico como lutava contra alguns pensamentos ruins. Talvez estivesse sentindo sua consciência pesada também por não estar junto de ou então ter largado simplesmente tudo e ido junto com ela para o hospital.
— Chegamos. — anunciou, parando na primeira vaga livre na entrada principal do hospital. e abriram a porta quase que na mesma hora e começaram a caminhar lado a lado em passos largos para a entrada. nem conseguiu travar o carro direito e saiu correndo atrás deles, com medo que ambos fizessem alguma cena desnecessária em um hospital público, onde a imprensa poderia se esbaldar em notícias e fotos polêmicas de dois integrantes do grupo.
A corrida foi ótima para que conseguisse alcançar ambos que agora estavam parados na frente do balcão de informação, rolou os olhos pela recepção do hospital e notou que por ser dia de semana estava cheio demais. Isso não era bom, nada era bom passar despercebido. Ajeitou o boné, tampando um pouco o rosto e caminhou silenciosamente para o lado dos dois no balcão.
— Por favor, eu procuro por uma paciente que deu entrada… — foi interrompido quando viu andando em direção à ele. — Meu Deus, o que aconteceu? , como ela está?
— Oh, minha bebe. — abriu os braços para garota e ela correu abraçá-lo, ignorando e . — O que aconteceu? Não me liga desesperada daquele jeito, eu quase enrolei a língua e infartei de desespero.
— A é uma teimosa que não quis vim para o hospital, passou mal o dia todo e depois do nada desmaiou. — explicou, envolvendo o corpo dele com os braços. — Bebê, fiquei com tanto medo.
— Onde ela está? — atrapalhou o momento íntimo deles, perguntando aflito. Ele sabia que aquela cena toda podia esperar.
— Onde ela está, ? — também perguntou.
— Como a consegue aturar vocês dois? — Ela resmungou fazendo careta. — São dois chicletes que quando grudam não soltam mais.
… — levantou uma sobrancelha, colocando as mãos na cintura. Sua blusa estava um pouco aberta e daquela distância ela conseguiu enxergar um pouco mais do seu peito.
, acho você sexy… — Ela começou a falar e notou um suspiro alto de . — Bebê, eu também te acho sexy. Mas, o que eu quero dizer é que eu não gosto que do me olhe desse jeito e nem que fique sem roupa dessa maneira. — Ela apontou para a blusa dele e depois afundou o rosto no peito de . — Nossa, que perfume é esse? Que peito é esse, ? O que você andou fazendo?
, chega disso! — segurou em uma das mãos dela. Ele estava sem paciência para ficar vendo toda aquela palhaçada. — Por favor, onde ela está? Eu preciso vê-la.
— Isso é bem história de dorama. — tirou onda, rindo um pouco com . — é a atriz principal e dois homens disputando seu coração, de um lado seu grande amor e do outro seu grande amigo.
— SBS vai ficar feliz em contratar esse triângulo. — riu.
— Assisto só se tiver os dois sem roupa. — sorriu voltando a encarar e depois . — Quero ficar gritando na frente da TV, , OPPA e OPPA. — Ela imitou uma voz fina, batendo palmas para o alto. balançou a cabeça envergonhado e por outro lado não soube o que fazer ou reagir diante dela. — O quê? Vocês acham que eu não vou gritar OPPA?
— E eu? Não sou seu OPPA? — a puxou para os seus braços novamente. Ele não entendia o que estava acontecendo entre eles, mas isso ficaria para uma próxima conversa. mordeu o lábio, entortando um pouco a cabeça e lentamente aproximou o rosto do dele.
— Eu posso te chamar de muitas coisas, . — Ela sussurrou e sorriu passando os lábios pelo rosto dela.
— Gosto quando você me chama de qualquer coisa e me usa de qualquer jeito. — Ele sussurrou também agora sentindo a língua dela passar pelo lóbulo de sua orelha.
— Eu não mereço isso. — passou a mão na cabeça inconformado com a cena que estava presenciando. — Sério vocês dois? Sério mesmo? Eu vou procurar alguém pra me ajudar.
— Eu também vou. — indignado correu tentando passar na frente de e eles andaram em direção aos quartos na esperança de encontrar alguma resposta sobre o estado da garota. e andaram por dois corredores diferentes e logo no final do corredor esquerdo eles encontraram Hyun-Ki, pai de sentado em uma das cadeiras. Ele estava com a mão no rosto e visivelmente muito abatido.
— Hyun-Ki. — o chamou, aproximando-se.
. — Ele se levantou, cumprimentando-o.
— Senhor, Hyun-Ki. — também cumprimentou e Hyun-Ki cordialmente também o cumprimentou. — Como ela está? O que aconteceu?
— Eu estou esperando o médico. Não sei de nada. — Ele disse um pouco fraco e sem forças. Ele olhava para o chão encarando os pés, sentindo o peso do mundo nas costas. Por conta do restaurante sabia que estava deixando um pouco sozinha e ele não podia fazer nada em relação à isso. Ele tinha que trabalhar e cuidar dos funcionários e o único tempo que sobrava era dedicado exclusivamente à ela. Hyun-Ki tinha 45 anos e era viúvo. A mãe de havia falecido há dez anos em um acidente de ônibus quando voltava para casa. O assunto quase não era comentado e poucas vezes ele tinha coragem de falar com a garota sobre a mãe, ele sabia o quanto o assunto era delicado e ele evitava a todo custo não trazer lembranças ou chorar onde ela pudesse ver.
— Vai ficar tudo bem, Ki. — sentou-se ao lado dele, segurando com uma das mãos em seu ombro. — Ela logo vai estar brigando com o senhor por bagunçar os temperos da cozinha. — ele sorriu lembrando como ficava nervosa sempre que o pai tentava cozinhar em casa. Ela falava que ele era um ótimo Chef, mas pra bagunça e não para comida.
— Ela ainda briga comigo, . Você acredita? — Ele sorriu, agora tirando a expressão cansada e triste do rosto. — Ela vai brigar ainda mais quando souber que eu marquei um almoço importante, será que ela vai ficar brava se eu levar alguns amigos para casa?
— Ela provavelmente vai ficar muito brava. — comentou, trazendo lembranças à tona de vários momentos engraçados. — O senhor lembra do último inverno? O senhor só queria achar a vasilha certa para a sopa e ela ficou transtornada quando encontrou umas 15 vasilhas em cima da pia? — Ele riu novamente, balançando a cabeça. — Achei que ela fosse enfiar uma daquelas vasilhas na cabeça de todo mundo.
— Fiquei na torcida para ela enfiar mesmo, que homem bagunceiro. — disse aproximando deles e estava bem atrás dela segurando em sua cintura. — Ainda é desse jeito. quase perde a linha quando encontra a cozinha daquele tamanho e olha que eu fico escutando durante horas isso.
sempre foi assim. — entrou na conversa e sentiu o olhar de em seu rosto. — O toque dela por organização chega ao limite.
— Ela não tem limites. — completou, rindo.
— Ao invés de cinquenta vasilhas, eu uso agora só trinta. — Hyun-Ki riu junto com e aquela foi a melhor sensação que ele sentiu durante esses minutos. — Como é bom conversar com você, . — Hyun-Ki não lembrava qual o último assunto ou a última vez que teve contato com ele. Apesar de toda a história e de toda a confusão, Ki sabia de todo o sentimento e de toda a confusão com o fim do relacionamento dele com a sua filha. Não negou que durante muito tempo a raiva por era maior do que qualquer outro sentimento, principalmente sobre o ocorrido com a filha. Mas, Ki entendia que não pode sentir raiva de uma pessoa se ela nem ao menos sabe porque está sendo odiada. E , de fato não sabia de nada do que aconteceu e do que estava acontecendo.
— Quem é o responsável pela paciente? — O médico aproximou do grupo que estava no corredor e deu um pulo da cadeira junto com Ki e ficou ao lado dele. — Imagino que o senhor seja o pai, correto?
— Sim, sou. — Hyun-Ki confirmou, aflito.
— Fique tranquilo, ela está acordada e em observação. — Ele disse calmo, notando que todos ao redor estavam preocupados e aflitos esperando por informações. — O senhor pode entrar para vê-la, mas ela precisa descansar um pouco. Então, vou pedir para que seja breve e logo depois eu preciso conversar sobre o estado clínico da e sobre o tratamento dela.
— Sim, sim. Claro. — Ele não conseguia falar nada, apenas balançar a cabeça concordando com o que o médico estava falando. Hyun-Ki sabia que a volta da filha para Seul tinha outros motivos, outras preocupações e ele sentia isso. Sentia que ela estava mentindo e que algo mais havia acontecido em Boston que ela escondeu, principalmente sobre o tratamento. Hyun-Ki acompanhou o médico até o quarto e antes de entrar ele respirou fundo abrindo um sorriso e entrou no quarto fechando a porta.
— O que aconteceu? — olhou para e depois para , não entendendo nada do que estava acontecendo. Por que ninguém estava falando nada? O que estava acontecendo? Por que ela passou mal? — O que ela tem? O que aconteceu? Por que ela ficou em observação? Que tratamento é esse?
— Acalme-se. — deu um passo à frente, agora segurando no ombro dele. — , uma coisa de cada vez. Não adianta ficar nervoso, ela está bem. Eu não sei também o que está acontecendo.
— Vocês dois sabem! — apontou para e depois para . — O que ela tem? Ela tem alguma doença grave? Ela vai morrer? — A palavra “morrer” o atingiu de uma maneira que ele precisou do apoio de para não vacilar. Ele não conseguia imaginar que tudo isso estava acontecendo justamente com ela. — , pelo amor de Deus!
, eu não posso. — Ele abriu os braços, não sabendo o que falar. queria mais do que qualquer pessoa que esse assunto terminasse, que ele soubesse de tudo. Mas, tinha receio do que isso causaria em . — Você não vai querer saber sobre isso, não dessa dor. , essa dor não é algo que você vai suportar.
— Cala a boca, . — interrompeu, agora nervosa com aquela conversa. — Chega, para de passar a mão na cabeça da e aceita que ela está errada nesse assunto. — Pela primeira vez ela foi capaz de encarar e olhando dentro dos olhos ela viu uma dor que invadia e o peso das lágrimas que aos poucos começaram a escorrer. — , você não merece tudo isso. Eu não quero mais participar dessa palhaçada, cansei desse jogo. Vocês não estão brincando com bichinhos de pelúcia que podem fazer o que bem entender a qualquer hora. — Ela lançou um olhar de desaprovação para . — Decide o que você quer fazer com a sua vida e com a sua amizade, porque dessa maneira você está acabando com as duas coisas. E eu duvido que vai restar alguma coisa dessa amizade depois que ele souber o que você andou escondendo.
… — Ele tentou uma conversa direta, mas ela o ignorou, voltando-se para . sentiu o impacto daquelas palavras e aceitou que ela estava certa, não restaria muita coisa dessa amizade.
— Por favor, vamos parar com isso? — cortou o clima que estava começando a ficar pesado. Sua cabeça explodia de tanta dor e ele não aguentava mais essa pressão que estava acontecendo entre e . — Estamos no hospital, eu preciso de um pouco de ar de tudo isso.
— Eu não aguento mais essa história toda. Tem três anos que eu vivo nessa história, eu vivo sofrendo, surtando, chorando e com medo de falar alguma coisa e magoar ela. — deixou algumas lágrimas rolarem por seus olhos. — Senti o peso de tudo isso, eu sinto nas minhas costas a dor do mundo dela e eu vi todas as noites que ela desabou em choro sem esperança. — Ela começou a chorar. — Como vocês acham que eu fico quando eu a vejo perdendo as esperanças dessa maneira? O sonho, sempre foi o sonho dela e agora tudo isso?
não sabendo mais o que fazer ao vê-la daquele jeito puxou a garota para os seus braços, afundou o rosto em seu peito soluçando. apertou com certa força os braços em volta dela e delicadamente beijou o topo de sua cabeça.
— Do que você está falando? — a cada minuto não entendia nada. Tentava controlar o impulso de entrar no quarto e ver com os próprios olhos que ela estava bem, tocar ao menos uma vez e escutar a sua voz dizendo que tudo iria ficar bem e que ela logo estaria longe daquele lugar. — Por que vocês só falam desse tratamento? O que afinal ela tem? Por que todo mundo fica evitando falar as coisas?
— Chega, . — pediu, querendo que aquela conversa terminasse. — Chega, respira.
— Respira? Como você pode falar para eu respirar? — Ele rolou os olhos, incrédulo. — Olha o que eles estão falando, . Eles querem me enlouquecer, eu não aguento mais essas mentiras.
— São as mentiras da ! — cortou, sendo direto.
— São todas nossas mentiras. — assumiu, abaixando a cabeça. — Ela fez um pedido e quem decidiu ou não seguir com a mentira foi cada um. Principalmente eu, e agora eu não tenho coragem de falar a respeito.
— Então por que você fez isso? — agora perguntou, ainda com em seus braços. Ele não estava entendendo onde queria chegar com toda aquela história, ele nem ao menos sabia que mentira era essa para virar todo esse caos.
, me leva daqui. — pediu envolvendo, o pescoço dele com os braços. — Por favor, eu não quero escutar. Eu não quero ver a reação dele.
, preocupado com os amigos, não soube o que fazer ou quem socorrer primeiro, notou que estava muito nervosa e como ela havia pedido a levou para a cafeteria para que ela ficasse um pouco mais calma. Antes de sair do campo de visão de e , ele pediu que eles ficassem comportados e que respeitassem ao menos o local onde estavam. Mas, no fundo ele sabia que a situação não iria ser uma das melhores e antes que pudesse ver estava com o celular em mãos ligando para .
— OK! — andou até e novamente voltou a apontar o dedo para ele. — Você pediu por tudo isso, você fez tudo isso com essa amizade e eu estou cansado de ser um idiota na sua mão e na mão de todo mundo. Eu não mereço ser tratado desse jeito. — Novamente ele estava soltando palavras diretas para que apenas ficou em silêncio. E esse silêncio era a interpretação que não iria falar sobre o assunto e nem contar qualquer outra coisa. — Tudo bem, eu cansei.
, você não consegue enxergar o que está acontecendo. — tentou explicar com alguns gestos, mas logo sentiu uma frustração por não saber por onde começar. — Eu entendo, eu juro que eu entendo o que você está passando e sentindo.
— Entende? Sério? — riu irônico, passando as mãos pelo cabelo. — , meu grande e único amigo.
— Sem ironias.
— Você é um babaca que não entende nada o que eu ando sentindo, pelo contrário, se você soubesse não compactuava para essa mentira que virou uma bola de neve. — Ele descarregou em palavras a adrenalina que estava começando a percorrer por todo seu corpo. — Olha em tudo o que está transformando, olha a sua volta e me fala se isso faz algum sentido!
— Nada faz sentido e eu estou confuso. — foi sincero.
— Não sabe o que é esse sentimento? — foi direto, querendo saber o verdadeiro sentimento que ele sentia por ela.

— Desde quando você sente isso? — sentiu todos os músculos do seu corpo se contrair e ele balançou a mão algumas vezes, controlando a vontade de partir para cima de . — DESDE QUANDO, ?
— DESDE QUE VOCÊ A ABANDONOU! — Ele gritou, assumindo uma vez por todas. — EU, EU ESTIVE LÁ! EU ESTOU SEMPRE COM ELA. — caminhou até ele e o empurrou com as mãos. Estava cansado de mentir, cansado de guardar todo esse sentimento. Cansado de ter que esconder o que sempre sentiu por ela, esconder toda a frustração e toda a angústia e a tristeza que sentia toda vez que era obrigado a vê-la nos braços dele. — SEMPRE, E VOCÊ SABIA DISSO DESDO COMEÇO. SEMPRE SOUBE DISSO E MESMO ASSIM, IGNOROU COMPLETAMENTE O QUE EU SENTIA POR ELA!
não conseguindo enxergar mais nada o empurrou contra a parede com força.
— VOCÊ TEVE A SUA CHANCE! ELA FOI SUA DURANTE ANOS. — em resposta gritou da mesma altura e algumas pessoas começaram a se aglomerar em volta deles. — DURANTE ANOS, TEVE A CHANCE DE FAZER ELA TE AMAR E NÃO CONSEGUIU!
— CALA A BOCA, ! CALA A BOCA! — rapidamente sentiu o rosto queimar em raiva. — VOCÊ ATRAPALHOU TUDO, VOCÊ FOI O CULPADO POR TUDO. POR SUA CAUSA ELA ESTÁ ASSIM!
— ACEITA QUE ELA NÃO TE AMA, ACEITA QUE ELA ME AMA E QUE SEMPRE VAI ME AMAR E QUE VOCÊ NÃO PASSA DE UM AMIGO QUE ELA PRECISA COMO STEP! — Alterado ele segurou na gola da camisa de com um dos punhos fechados. — É ISSO QUE VOCÊ É!
, em um único movimento com o pulso, acertou o rosto dele e com o impacto cambaleou um pouco para trás. Ainda não sabendo o que estava fazendo e completamente cego de raiva com aquelas palavras, partiu novamente para cima dele, soltando outro soco e dessa vez caiu no chão atordoado, não conseguindo reagir. O soco atingiu seu rosto e sentiu uma dor absurda, não conseguindo ter tempo de reação. Ele apenas preferiu receber esse soco imaginando que durante anos estava esperando exatamente por um momento desses.
— LEVANTA! LEVANTA! — pedia ainda com as mãos fechadas, olhando para ele que ainda permanecia no chão. — ANDA, ! ANDA!
— Eu… — com dificuldades sentiu o sangue escorrer por seu rosto e ele fechou um dos olhos com a dor.
— ANDA! VOCÊ PROCUROU POR ISSO. — ainda alterado e descontrolado gritava, assustando todos em sua volta. O tumulto começou por todos os corredores e várias enfermeiras começaram a correr procurar por ajuda. — ! — Era isso, isso era o que estava esperando. Exatamente essa reação, essa explosão e tudo isso estava sendo controlado durante todos os anos.
— PARA COM ISSO VOCÊS DOIS! — , desesperado ao ver a cena, correu para segurar e do outro lado ajoelhou-se para ver , o rosto dele estava sangrando e ficou assustado ao perceber que parecia não sentir nenhuma dor, ainda sustentava o olhar de sem dizer nenhuma palavra. abraçou pela cintura e com muita dificuldade arrastou o amigo para um canto onde tentava a todo custo fazer com que ele se acalmasse.
— Mas....? — surgiu, olhando de um lado para o outro chocado com a situação. Esse era o seu medo, esse limite e agora ele sabia que nada iria ser fácil. — Não acredito que vocês são duas crianças desse jeito. Eu não acredito que chegaram à esse ponto!
, não! — segurou o amigo pelo braço, pedindo que ele não começasse com um sermão. — Não vai adiantar nada você falar agora, só leva o daqui. Eu e o vamos levar o para a enfermaria.
ainda não expressava ou falava qualquer coisa, ao entrar na sala de curativos sentou em uma das cadeiras, esperando que o médico aparecesse para colocar alguma coisa naquele sangramento. Ele tinha que reconhecer que era forte e que seu nariz parecia bem estragado para um simples soco daquele. O ambiente ficou calmo e silencioso e sua atenção estava totalmente voltado para a dor que surgia por cada parte do rosto, queria sentir qualquer outra sensação, mas apenas sentia a dor mais profunda de não saber o que realmente estava acontecendo com ela.
— Então, temos dois homens que gostam de trocar socos em um hospital? — O médico apareceu de repente na sala, fazendo com que ele despertasse. — Não sei o que vocês dois tem na cabeça, ainda mais depois que eu disse que a garota está bem. Ela vai se recuperar e voltar com o tratamento, não precisava de tudo isso.
— Doutor… — vacilou um pouco quando ele passou um algodão com álcool em seu nariz. — Por favor, eu preciso saber.
— O que eu puder fazer por você. — Ele com todo cuidado passou novamente o algodão e levemente fez uma careta.
— O que é esse tratamento? O que ela tem? — Perguntou, sabendo que não estava preparado para isso.
— O tratamento que ela vem fazendo durante os últimos anos é um pouco complicado e eu precisaria de tempo para explicar. — O médico respondeu, logo querendo sanar com as perguntas dele. estava abatido e ele respirou fundo, controlando a emoção. — Ela vai levar um tempo para se recuperar, mas acredito que vamos ter que interromper por motivos óbvios. Ela não está dando conta mais de manter a medicação e o corpo precisa de um descanso. — Ele começou a explicar pausadamente, observando um dos olhos de aberto e o outro fechado. — Ela perder o bebê tão prematuro assim foi complicado, ela teve que passar por uma cirurgia e teve outras complicações ao longo das semanas.
— O quê? — engasgou, não sabendo se tinha escutado direito.
— O que? — O médico perguntou, não entendendo.
— O que o senhor disse?
— Sobre o quê?
— Be-bê? — gaguejou.
— Claro, você não é o ? — O médico perguntou, já sabendo a resposta. levantou o corpo um pouco e agora pareceu não sentir mais nada e nenhuma dor pelo rosto.
— Sim…
— Então, o bebê que vocês perderam.
— Be-bê? — Ele novamente perguntou e o choque correu por todo o seu corpo. Sua cabeça começou a girar e ele não entendeu o que estava acontecendo. Que bebê? Gravidez? Prematuro?
, eu não quero ser indiscreto e me envolver em um assunto de um paciente. — Ele colocou o algodão no lixo e retirou cuidadosamente a luva. Agora estava ficando pálido e sua expressão carregada e o médico notou que ele parecia surpreso e ao mesmo tempo aleatório a informação. — há três anos atrás perdeu uma criança com apenas 12 semanas de gestação, ela foi atendida pela equipe do Massachusetts General em Boston. — Ele explicava detalhadamente e aos poucos foi sentindo o chão sumindo diante dos seus pés. — Na ficha dela consta que o pai da criança se chama .
? — Ele resmungou.
— Sinto muito pela perda do seu filho.
— Filho... — Ele sentiu o coração acelerar ao dizer a palavra filho. O seu corpo gritou em dor e sentiu o seu mundo desabar nesse único instante.


Capítulo 8

O médico, desesperado, não soube como amparar ao perceber que havia causado um choque revelando a notícia sobre o filho. , apenas escorregou para o chão colocando a mão no rosto e iniciando um choro descompensado que era possível escutar em todos os cantos do lugar. Ele tentou algumas vezes chamá-lo, mas tudo o que tentava fazer era inútil diante do desespero e dos gritos que começaram a surgir dele.
— O que está acontecendo? — perguntou ao entrar na sala e encontrar no chão em estado de choque. Do lado de fora foi capaz de ouvir todos os gritos e o médico assustado saiu correndo da sala, buscando por ajuda. Ao entrar, se deparou com aquela cena e não imaginou que o encontraria daquela maneira.
, o que houve? — o acompanhou, abrindo a porta com tudo. — , o que foi? !

, o que foi? — ajoelhou rapidamente, segurando ambas as mãos dele. — O que aconteceu? O que foi? Pelo amor de Deus! — Ele, desesperado, não entendia o choro e os gritos que soltava cada vez mais alto. O rosto dele começava a ficar vermelho e o sangue aos poucos foi escorrendo ainda de seu nariz, os olhos começaram a ficar borrados e balançava a cabeça, falando algo muito baixo não dando para entender direito. — Olha pra mim, fala alguma coisa.
— Você e o vão se entender! — correu rapidamente, ajoelhando-se ao lado de e segurando no ombro dele. Em todos esses anos ele nunca tinha visto o amigo dessa maneira. Ele respirava fundo e tremia bastante, parecia estar fora de si com todos aqueles espasmos. — , não faça isso! , me escute por favor.
, eu… — Ele controlou a respiração, sentindo o ar faltar do seu pulmão. Tentou expressar em palavras a dor que estava sentindo, mas inutilmente lágrimas e um som agudo que saia por sua garganta não davam espaço para nenhuma outra palavra concreta. Ele queria gritar, queria chorar, queria desaparecer e não sentir todas aquelas sensações que começaram a invadir seu corpo por todos os lados. Não era capaz de sentir qualquer outra coisa a não ser a tristeza de saber que tinha um filho, saber que tinha sido pai por um período tão curto. Por um breve momento e que toda aquela felicidade que teria sido em saber sobre isso, agora estava sendo o motivo para todo esse choro e sofrimento. Esse filho, seu filho, esse filho que nunca nasceu. — Eu tô destruído…
...
— NÃO! NUNCA MAIS! — Ele gritou, esfregando as mãos no rosto e depois afundando o rosto por entre os joelhos. e se entreolharam, não entendendo nada do que ele estava falando. começou a tremer e o choro passou a ficar mais descompensado e desesperador. — TIRA ESSA DOR DE MIM, TIRA ESSE APERTO QUE EU ESTOU SENTINDO NO MEU PEITO. — não sentia mais forças para conseguir olhar para , ele apenas queria que tudo desaparecesse e que ele nunca tivesse naquele hospital e nem naquela sala. A verdade o destruiu em vários pedaços, essa verdade estava acabando com todo o seu mundo. Tudo estava desabando e ele sentia o impacto toda vez que tentava abrir os olhos. Era verdade. Tudo era verdade. Ele, e o filho. — Por favor, . Tira essa dor, eu não vou suportar viver com isso. — Ele suplicou.
! — o balançou, tentando fazer com que ele voltasse para a realidade. O coração dele começou a bater rapidamente e ele não estava conseguindo ser capaz de raciocinar rápido. Queria entender o que estava acontecendo. Queria que ele parasse de chorar daquela maneira. — O que você tem? O que aconteceu? Eu vou chamar o médico.
— EU PERDI TUDO, ! EU PERDI! — Ele levantou o rosto e agora batendo a própria mão contra o peito. — PERDI, E EU NEM SABIA DE NADA DISSO. — Seu coração acelerou e ele fechou os olhos, deitando no chão com os braços contra o rosto. ficou naquela posição tentando respirar um pouco enquanto um ataque de pânico e desespero começou a surgir por todo o seu corpo. Ele tentava não lembrar, pensar, sentir ou qualquer outra coisa que fosse possível naquele momento, mas seu coração estava em pedaços e a única reação que sobrava era chorar e sentir aquela dor que queimava com cada palavra. — EU SINTO DOR, EU SINTO ESSA DOR QUE ME SUFOCA! EU ESTOU DESESPERADO, EU NÃO CONSIGO. — A dor de perder, perder alguém, essa dor que abria a cada segundo um buraco em seu coração e ele chorava, chorava descontroladamente na esperança que tudo aquilo fosse um pesadelo.
— O que você perdeu? — já não entendia mais nada e não sabia mais o que fazer, ele estava assustado e passava a mão no rosto tentando encontrar um motivo, uma solução ou qualquer tipo de ajuda. — , o que aconteceu? Fala com a gente, por favor.
— Eu fui um idiota, eu sou um idiota... — Ele soluçava e sua voz cada minuto falhava com a maneira que ele se contorcia no chão. — O que eu faço da minha vida? O que eu fiz da minha vida? Por que tudo isso? — Outro choque atingiu seu corpo e ele lembrou da vaga lembrança de quando estava se despedindo de em sua casa. Os olhos, o choro e o desespero que sentiu ao ser obrigado em deixá-la sair daquele jeito. — Meu deus! Ela queria me contar, ela queria ter me contato naquele dia!
,
, ela queria me contar! — Levantou-se de repente, agora segurando em um dos ombros de . — Ela queria, eu sei que ela queria. Ela chorou muito e eu disse todas aquelas coisas, eu disse que não queria ficar com ela e que ela iria atrapalhar minha vida. , eu disse tudo isso. — atropelou as palavras e desesperado abraçou o amigo, não querendo ouvir mais nada. — , eu fui o culpado. Eu fiz tudo isso, !
, eu estou aqui com você! — Ele o abraçou mais apertado contra o peito, sentindo um nó na garganta surgir no exato momento que o corpo de tremeu contra o seu. Não aguentava mais vê-lo dessa maneira, não conseguia imaginar a dor que ele estava sentindo só de escutar o choro e todos os gritos desesperados. Algo estava acontecendo, e ele queria protegê-lo. — Eu estou aqui, fique calmo! Não vou sair de perto de você. — a cada segundo o envolvia mais em seus braços, formando uma barreira de proteção. — Nunca, nunca vou deixar você.
— Por que eu fiz isso? Por que eu fiz tudo isso? — O soluço desprendeu da sua garganta e ele voltou a chorar novamente, sentindo o peso das palavras todas de uma vez. Nessa altura ele não era capaz de controlar mais nada, nem suas emoções, nem seu choro e nem aquela dor que gritava e latejava cada vez que fechava os olhos e a lembrança dela chorando indo embora pela porta se formava em sua cabeça. Essa imagem começou a se despedaçar e lentamente ele foi buscando por ar, o corpo não respondia a nenhum de seus comandos e tudo o que ele conseguia sentir era uma dor aguda por todo o corpo. — , me ajuda. Por favor, me ajuda!
— Sempre! — forçou os braços ainda mais, mostrando que não iria a lugar nenhum. Ele ficaria ali o tempo que fosse preciso para que ele voltasse a ficar calmo, não conseguia pensar em outra coisa a não ser que soube de alguma coisa notícia muito ruim para que tivesse esse tipo de reação. — Não me importo com nada, nem quero saber de nada o que está acontecendo. Eu quero que você escute minha voz, só minha voz. — Ele começou a falar pausadamente, tentando controlar a situação. ainda tremia bastante e ainda dava para escutar os gritos misturados com choro e reações desesperadas. — , eu estou com você. Não vou te soltar e não vou a lugar nenhum, a culpa não é sua e você não fez nada. Por favor, tente controlar essas emoções.
— Meu coração… — Ele cravou as unhas no ombro dele, voltando a fechar os olhos. Não conseguia sentir mais nada a não ser o desespero e a angústia que a cada segundo ficava mais sufocante. Um filho. Ele respirou fundo, controlando outra onda de desespero surgindo. Um filho, como era possível? Um filho? Ele e tiveram um filho. E esse filho estava morto. Como era possível? Como podia ser real tudo isso? Por que ele não estava sabendo desse filho? — NÃO! EU NÃO SABIA, EU NÃO SABIA DELE. — gritou, agora tentando afastar-se de . — COMO EU PODIA SABER DISSO? COMO EU PODIA SABER DELE? POR QUE ESCONDERAM DE MIM?

, eu nunca consegui chorar por isso. — Ele suspirou alto, querendo colocar tudo o que estava sentindo para fora. Queria poder chorar, gritar, berrar e correr para longe daquele hospital. Queria ter coragem de levantar daquele chão e abraçar e ajoelhar pedindo perdão por tudo, perdão por ter sido um fraco, um idiota e por ter sido o culpado por tudo. — Não consigo, . Essa dor é enorme e eu sinto que meu peito vai se quebrar em vários pedaços. Nunca senti algo assim na minha vida e eu estou desesperado, eu não sei o que fazer com tudo isso. — atropelava as palavras e cada segundo e ficaram mais confusos. — O que eu fiz? Por que ela escondeu isso de mim? Por que o fez isso comigo? Eu merecia saber, eu merecia chorar. — Ele perguntou num lapso de tempo querendo entender. — Era meu sofrimento, parte de mim! Parte da minha vida, era meu e eu tinha esse direito.
, … — chamou, passando uma das mãos pelo cabelo dele. Nessa altura nem ele estava conseguindo controlar suas emoções. ao seu lado apenas ficou estático observando tudo sem ao menos conseguir falar nada. Ele nem ao menos tentou abrir a boca em nenhum momento para que não piorasse a situação. — Sua dor é minha, é nossa dor e eu sempre vou ficar do seu lado. Tenha controle desse sentimento e mostre porque você é . Mostra pra mim nesse momento quem é o amigo mais forte, mais determinado e mais sorridente desse grupo. Mostra porque sentimos orgulho de estar todos os dias com você, mostra a sua força.
, eu me sinto despedaçado! — lentamente começou a respirar de maneira certa, não sentindo mais forças para chorar. Ele só queria conseguir levantar daquele chão e ser capaz de mudar toda essa história, ser capaz de olhar para ela e dizer que sente muito e que sua vida acabou de perder todo o sentido. — Não sobrou forças, não sou nada que pudesse ser feito e isso me assusta. Essa dor que eu sinto eu sei que nunca vou deixar de sentir, nunca vai me abandonar e é algo que eu vou conviver todos os dias da minha vida. — Ele engoliu o choro tentando tirar tudo o que estava preso no peito. — O engraçado é que eu pensei que já conhecia a dor de ter perdido alguém na vida. Até saber que esse momento existe e que existe outra dor mais profunda.
— Quem você perdeu, ? — interrompeu agora passando a mão na cabeça dele. — Você não é assim, nós estamos aqui com você para tudo o que precisar. Nunca vamos te abandonar e nunca vamos deixar de chorar, sorrir ou de estar ao seu lado.
— Queria correr de tudo isso, correr para o lado dela e abraçá-la tão forte e dizer que eu não sei o que eu fazer, eu não sei o que sentir ou o que falar. Eu preciso de alguma maneira encontrar forças para levantar desse chão e olhar dentro dos olhos da mulher da minha vida e pedir perdão por ter falhado, por me sentir um inútil e por ser um inútil que nunca esteve ao lado dela quando ela mais precisou de mim. — Ele gaguejou, agora contraindo todos os músculos. — Eles precisaram de mim! E eu não estava, nunca estive e nunca dei amor ou apoio para nenhum dos dois. Nunca soube da existência dele, nunca consegui sorrir de felicidade ao saber que ele estava chegando. Nem ao menos soube como era o seu sorriso, seus olhos, sua boca e com quem iria se parecer. Eu nunca vou conseguir saber disso, ele não existe mais, ele nunca mais vai existir e eu perdi os dois. — Novamente a culpa caiu sobre seus ombros e o chão foi sumindo lentamente. — Meu corpo dói, minha cabeça dói e eu sinto uma terrível dor por todo o meu corpo. Essa dor que eu vou ser obrigado a carregar todos os dias e essa culpa que nunca mais vou ser capaz de esquecer ou apagar. Essa vontade de ter conhecido parte de mim, parte do meu futuro e dos meus sonhos. — O corpo gritou por ajuda e sentiu ele ficando cada vez mais fraco. — Quantas noites ela foi capaz de chorar sozinha e sofrer? Quantas noites ela passou em claro durante esses anos? O que passou na cabeça dela naquele momento que eu chutei ambos da minha vida? Que tipo de pessoa eu sou? Que direito eu tenho de falar que eu amo?

— Me escuta, . — Ele pediu agora, afastando-se dele e indo apoiar as costas na parede. Nada mais iria ser da mesma forma, ele sentia que seu coração precisava desse descanso, desse desabafo e ninguém mais certo do que e para escutar toda essa dor. Ele sentia que estava ficando a cada minuto mais sem ar e antes que pudesse desmaiar ele queria ao menos tirar essas palavras. — Eu preciso de vocês dois, preciso chorar, sofrer e gritar. — balançou a cabeça agora olhando para o teto e novamente seus olhos começaram a se encher de lágrimas. — Nunca duvidei do meu amor por ela, nenhum segundo e nada me faria desistir dela dessa maneira. Mas, eu tive que escolher entre a minha profissional e minha vida pessoal. E, infelizmente todos sabem qual foi a minha escolha.
— Nós sabemos que você escolheu ela. — cortou, agora sentado na cadeira que antes ele estava sentado. — Depois de tantos anos ninguém entende porque você mudou de ideia no último minuto, todos nós tentamos entender o que aconteceu quando você saiu de casa e foi para o apartamento dela. — Ele lembrou vagamente da conversa que o grupo estava tendo em relação a vida pessoal do amigo e também de todos os conselhos que foram dados naquele dia. — , você escolheu a e saiu determinado a dizer isso pra ela. Mas, o que aconteceu? Por que você desistiu?

— O que ele tem a ver? — perguntou, agora preocupado. O que tinha a ver com essa decisão? apenas o levou de carro para o apartamento dela, essa era a versão que ele sabia daquela noite.
— Tudo deu errado naquele dia. Tudo começou de maneira errada quando eu entrei naquele carro com ele, e eu senti que nada mais seria do mesmo jeito. — Ele suspirou, agora mordendo o lábio e soltando um pequeno sorriso. — Foi tudo culpa minha, eu podia ter escolhido de outra maneira e ter pensado de outra forma de levar esse relacionamento. — O mundo voltou a desabar sobre a sua cabeça e precisou de toda a força do seu corpo para conseguir terminar aquela conversa. — Hoje eu recebi uma notícia que acabou com todo o meu mundo e eu nem sei como eu vou conseguir levantar desse chão e ser obrigado a continuar vivendo. Continuar sendo o , ser o do BTS, amigo, animado e o que um dia conseguia sonhar que sua vida daqui há alguns anos era estar casado com a e viver em um lugar afastado de tudo e de todos. Com os nossos filh… — Ele interrompeu a palavra sentindo o coração gritar em dor. — Eu queria tudo isso, eu queria continuar sendo esse , eu queria ser capaz de sonhar novamente com isso. E agora tudo o que eu consigo sentir é essa dor e esse desespero que isso nunca vai conseguir ser real, porque eu perdi todas essas chances e todas essas oportunidades quando entrei naquele carro. Quando eu tomei a decisão de que ela não iria fazer parte da minha vida.
— Ela voltou e ela pode te perdoar. — tentou achar alguma coisa que o fizesse ficar bem, mas sabia que tudo era muito complicado. A relação dele com estava abalada e estava confuso não sabendo se ainda existia alguma chance entre ele e . — Você precisa levantar desse chão, precisa reagir e eu não sei qual foi essa notícia que deixou você dessa maneira, só que precisamos de você , eu preciso de você o grupo precisa de você e principalmente a que está no outro quarto.
… — perdeu um pouco a noção do que estava falando controlando a respiração e focando em um ponto da sala para não desmaiar. O seu corpo estava tremendo muito e ele sentia sua visão ficar cada vez mais embaçada. — Não existe perdão, não existe nenhum outro sentimento. O que aconteceu é algo que não vamos conseguir superar ou perdoar, eu nem ao menos sei se vou conseguir perdoar o que ela fez comigo e também não sei se um dia ela vai me perdoar por tê-la deixado dessa maneira. — Ele foi sincero agora sabendo que estava voltando para a realidade. Não conseguia mais sentir qualquer esperança que um dia fosse ficar com ela, não depois de descobrir sobre o filho. Ele não sabia nem como contar para ela que estava sabendo de tudo e que estava nessa situação, nesse desespero e nessa dor por ter sido enganado durante todos esses anos. — Não temos um futuro e nunca vamos ter qualquer outra coisa, tudo quebrou e não sobrou nada. Parte desse sentimento morreu junto com ele, todas as esperanças morreram junto com a única preciosidade que poderia ter feito nossas vidas se tornarem apenas uma.
— Não estou entendendo. — questionou novamente não entendendo quem era “ele” e porque sempre voltava a chorar no minuto quando essa palavra surgiu da sua boca. — Quem é ele? O que você perdeu?
— Eu preciso ir embora. — pediu, agora segurando em uma das mãos de . — Me leva embora desse hospital e não me deixa sozinho hoje, por favor. Eu preciso ficar com alguém se não vou enlouquecer de verdade e fazer alguma besteira. — Ele implorou com as mãos ainda tremendo. — Preciso de um calmante, minha cama e ficar longe desse hospital. Não quero continuar nesse chão, não quero mais sofrer, não existe mais nada para chorar e eu sinto que se não for embora agora a situação vai ficar fora de controle.
— Vamos embora! — determinou agora estendendo a mão para ele. Esse era a única coisa que podia fazer por que ainda estava pedindo que o tirasse daquele hospital. No rosto ele ainda conseguiu enxergar lágrimas e a dificuldade dele em ficar em pé, cambaleou um pouco para o lado e o ajudou segurando pelo braço.
O medo de era que a imprensa invadisse o hospital procurando por fotos e relatos dessa briga de e . Não conseguia imaginar a dimensão da confusão que essa briga iria repercutir em revistas e jornais de fofoca em questão de alguns minutos. Tudo iria virar um pandemônio, ligações, entrevistas e tudo o que transformaria a vida do grupo em um inferno.
Lentamente ajudou a se firmar em pé apoiando o corpo dele com o seu, estava bastante abalado e agora parte do seu rosto estava ficando cada vez mais inchado. lançou um olhar preocupado para e abriu a porta com cuidado esperando não encontrar nenhuma surpresa desagradável. segurou com força uma das mãos de e lentamente começou a caminhar pelo corredor tentando não olhar na direção do quarto de . Mentalmente desejou que ela estivesse bem e que em algum momento ela o perdoasse, mas hoje ele estava indo embora sofrer a perda do filho. E queria sofrer completamente sozinho. Queria essa chance de passar pelo luto e chorar por ter perdido a oportunidade de conhecer essa criança que teria mudado completamente a sua vida.

não entendia mais o que estava acontecendo e nem imaginava o que poderia acontecer depois daquela briga no corredor. Sua cabeça estava prestes a explodir de tanto que tentava achar uma solução lógica para compreender o que e estavam fazendo. Não havia nada que ele pudesse fazer, nada iria adiantar no momento a não ser trancar dentro daquela sala e esperar que o tumulto fosse embora. Ele não queria forçar a barra e pressionar nenhum dos dois sobre o incidente, mas aquela briga foi a gota d'água para o caos na vida do grupo.
Era quase sufocante a sensação de conviver todos os dias com eles, mas estavam a cada minuto mais longe uns dos outros. E ele? Nem ao menos sabia o porquê de tudo isso. Ou se o motivo era simplesmente o amor que os dois amigos sentiam pela mesma garota.
, eu não quero saber quem começou essa briga, o que eu quero é que ela termine de uma vez por todas. — , chateado, encarava exigindo um ponto final naquela situação. — Vocês dois são inconsequentes e vão acabar com o grupo com essa atitude infantil. Chega de ser o centro das atenções e vão resolver esse problema pessoal longe de olhares curiosos.
— Ele começou com a provocação, não entende… — interrompeu a explicação quando sua voz falhou. — Que droga! Ele é um babaca, cretino que não sabe o que está acontecendo.
— Claro, era para você ser amigo dele e contar o que está acontecendo, mas prefere ficar do lado da como um cachorrinho. — disparou não poupando nenhuma palavra. Ele estava irritado com aquela briga e desejou que ninguém lá fora tivesse gravado nada do que aconteceu mais cedo. — Babaca é você que fica no meio desse triângulo e não resolve o que quer da vida, assume de uma vez o que quer com ela ou então deixa os dois em paz.
— EU NÃO SOU CACHORRINHO. — Ele respondeu alto, aos gritos, indo em direção a . entrou na frente dele, evitando que ele chegasse do outro lado da sala. — Não entra no meio disso, .
— Baixa a bola, . — Ele fez gesto com a mão para baixo e depois colocou a mão na boca, pedindo silêncio. — O soco no foi covardia, não ache que com a gente vai ser do mesmo jeito.
— Vocês dois estão brigando por causa de uma garota e destruindo tudo pela frente. — perdeu a cabeça, resolvendo abrir a boca de uma vez sobre a situação que estava cada dia pior. Ele não aceitava que em menos de três meses tudo estava ficando fora do controle. — A carreira, amizades, vida pessoal, sentimentos, companheirismo… — Ele respirou fundo, agora apontando a mão para o rosto de . — Tudo isso vocês estão perdendo e estão levando o BTS junto com vocês dois.
— Minha carreira? Minha carreira sempre foi importante. — abaixou o tom da voz agora, olhando fixamente para os olhos de . Não era possível que hoje era o dia para brigar com todos os amigos. — Sempre, e não aceito que você fale que eu estou acabando com o nosso grupo. — Ele tentou respirar fundo para não perder a cabeça novamente. — Isso tudo que anda acontecendo não é culpa minha e sim do descontrolado do seu amigo, não consegue superar as coisas e começa a surtar com todo mundo.
— Meu amigo? — riu nervoso, passando a mão na cabeça. Era isso? A situação chegou no ponto de não tratar como amigo? O que tem com essa garota que causa isso nos homens? — Meu amigo? Então, ele é só meu amigo? Todos esses anos você joga no lixo? Por causa de um sentimento por uma garota?
— Não coloque palavras na minha boca, . — disse, compreendendo o que ele estava falando e não era a verdade, não pelo menos até o soco que ele havia dado em . Eles ainda eram amigos, claro. Por que não seriam? Amigos se desentendem e brigam.
— Você disse “seu amigo”. — refrescou a memória dele, sentindo-se chateado por ouvir aquela frase. Em anos, nunca imaginou que escutaria algo assim e vindo principalmente de . — Penso em não me envolver nesse assunto, mas as vezes eu tenho que ser realista e concordar que vocês dois estão fora de controle. — Ele completava o assunto, mostrando um lado para que ele nem ao menos parecia enxergar, principalmente quando o assunto era . — Quantos anos o é seu amigo? Muitos, certo? E como você consegue acertar esse soco no rosto dele e ficar tranquilo desse jeito? — pela primeira vez questionou e notou que a fisionomia de mudou de repente. Ele entrou abrir a boca para responder, passou a mão pelo cabelo e parou do lado da porta com ambas as mãos na cintura.
— Nem precisa responder, . — respondeu por ele no momento que viu todas aquelas reações. Era o que estava faltando, enxergar além do que só ele enxergava. — O triste é saber que você foi capaz de fazer isso. Fico me perguntando o que mais você é capaz de fazer por essa garota. — Ele ficou triste por um momento, não querendo falar, mas achou melhor não esconder mais nada do que estava acontecendo. queria esconder algumas realidades e verdades, só que estava bastante chateado ao vê-los assim, principalmente por saber que desculpas e arrependimentos não vão ser bastantes para que tudo volte ao normal. — Triste, . De verdade. E eu fico pensando que se você teve a capacidade de mentir, esconder e bater em um amigo o que mais você tem capacidade? O quanto eu posso confiar em você? Por que eu não sei mais se eu confio.
— Como confiar em grupo? Se você está dessa maneira? Descontrolado, agindo por impulso e com raiva. — continuou fazendo o que estava fazendo há minutos atrás, alertando, desabafando e jogando todas as verdades necessárias. — Sempre fomos um grupo unido e agora estamos aos pedaços e sofrendo por causa de vocês dois e olha a confusão que arrumaram em um local público. — Ele balançava a cabeça, sustentando um olhar triste e apreensivo de . — deve estar correndo que nem um louco de um lado para o outro. Tentando ao menos tapar o ocorrido e ver o que consegue com os nossos assessores, ver se ele consegue ao menos ainda manter a imagem do BTS e manter o nosso comeback.
— Cara, desculpa. — controlou o choro que estava preso na garganta. Lentamente ele foi se encostando na parede de cabeça baixa. Sem condições de reagir ao tudo o que foi dito. Todas as palavras começaram a circular por sua cabeça e ele ficou perdido. Triste. Derrotado. — Eu sinto muito por tudo isso e sinto muito por vocês estarem assim comigo, nunca pensei que iria ouvir algo assim ainda mais de vocês dois. — O choro começou a sair e involuntariamente ele desceu o corpo, sentando-se no chão. — Nunca quis atingir o grupo, nossa amizade e muito menos a nossa confiança, mas eu estou passando por tanta coisa nos últimos dias que eu sinto o peso do mundo nas minhas costas. Sim, eu sei que isso não é desculpa para agir dessa maneira e eu não preciso ficar falando todas essas coisas ou agindo dessa maneira com vocês, porque eu nunca fui assim. — Ele tentou justificar, pedir desculpas ou fazer qualquer coisa para que os amigos tirassem aquela imagem errada. — Desculpa, por ser um idiota no momento e por estar de cabeça cheia, tomando atitudes que podem prejudicar o grupo.
, não é com a gente que você deve se preocupar. — ficou ainda mais triste por vê-lo daquela maneira, era errado o comportamento, o soco e toda a confusão que ele tinha começado com , mas como não ficar triste vendo dois amigos dessa maneira? — Para com isso, cara. Levanta desse chão e vamos para a casa.
— Não foi na minha cara que você acertou um soco. — ainda rude respondeu, parecendo não ficar comovido com as lágrimas dele.
— Minha briga com o é algo que só eu e ele podemos resolver. — olhou para cima, encarando . Mesmo falando tudo aquilo ele não conseguia ao menos sentir remorso pelo soco em , sua raiva por ele ainda estava muito presente. O sentimento, a mágoa e o rancor pelas últimas palavras dele era quase impossível de serem esquecidas, falar que ele era um simples estepe e que ela não sentia nada por ele. Quanta mentira. Justo por ele que todos esses anos foi o único que amou, compreendeu e estendeu o ombro todos os dias para ela chorar. E onde estava ? Onde ele estava?
— Jura? — rolou os rolos pela sala. — Não retiro nada do que eu disse e muito menos a parte do cachorrinho, . Enquanto você estiver nutrindo esse sentimento por essa garota, você e o nunca vão parar de brigar. — Ele foi direto agora, andando até a porta. — Aceita, aceita que você ama ela e que vem escondendo isso dele. — Ele parou, voltando alguns passos para trás. — Lembrando que também existe um segredo e essa é a pior parte, segredos e mentiras destroem qualquer relacionamento. Seja ela amorosa ou em uma amizade.
— Não precisa deixar claro que você está do lado do . — reagiu rapidamente colocando-se de pé. sempre teve a sua preferência e sabia disso. — O segredo não é meu.
— Independente. — agora segurou em um dos ombros dele. — Você é o errado na história por ter deixado se envolver nesse triângulo. Ou sou errado em pensar desse jeito? Quem ficava correndo para Boston? Quem mentia falando sobre primos? Quem corria atender o telefone dentro do banheiro? — Ele começou a falar e a raiva começou a percorrer o corpo de . O garoto fechou uma das mãos, sentindo o corpo estremecer com cada pergunta atravessada. — Quem fez o de idiota todos esses anos? Quem ficou escondendo coisas? A mentira é dela, mas você teve a opção de decidir se entrava nesse segredo ou não. E hoje eu vejo o que você decidiu, qual foi a sua preferência.
— Cala a boca! — pediu, empurrando o braço dele para longe. — , não preciso ficar escutar sermão justamente de você. — Ele disparou. — Ainda não sei como o ficou sabendo de tudo isso e eu tenho um chute que foi você ou o que contou tudo.
— Foi o grupo. — abriu a boca para confessar. Era apenas questão de horas para ele descobrir a verdade. — Todo mundo contou uma parte, mas o abriu a boca totalmente.
— Depois vocês falam sobre confiança? — riu nervoso.
— Confiança é diferente de mentira. — rebateu perdendo a paciência. — Nós não somos mentirosos como você.
— Babaca. — puxou ele pela camiseta voltando a sentir os pulsos se fecharam e sua mandíbula pressionar. — Mentiroso?
— Chega! — empurrou de um lado e para o outro. — Eu vou embora e deixo vocês dois sozinhos e acabamos de uma vez com o grupo se continuar desse jeito.
— Ninguém está falando sobre o grupo. — respondeu agora andando até com o dedo de volta para o rosto dele. — Fiquei atravessado com essa história toda, . De verdade, eu não devia tomar lado nenhum. Só que eu não aguento ver essa palhaçada que você está fazendo com o e ainda se sentir no direito de chorar e sofrer e ele? Como ele está? Você pensou no que ele tá passando? E nessa garota que está nesse hospital? O que ela tem? — Ele disparou agora não controlando a raiva que também estava sentindo. — Para de ser um babaca e achar que só existe um tipo de sentimento e ignorar qualquer outro que está a sua volta.
— Chega, ! — voltou a empurrá-lo para longe.
— Não vou perder meu tempo com com esse assunto. — irritado passou por , indo em direção a porta. — Quando voltar a sentir amor por seus amigos, posso começar a sentir carinho por você novamente. Agora, no momento, não consigo nem ao menos olhar para a sua cara.


Capítulo 9

FLASHBACK
pegou o seu casaco que estava em cima do sofá e caminhou para a porta sem dizer nenhuma palavra para ou qualquer outra pessoa que estava naquela sala. Sentia o seu corpo pesado precisando de fôlego para continuar naquele apartamento. Por mais que estivesse feliz ao estar novamente com seus amigos, nesses últimos dias o que mais ansiava era um momento sozinha em que ninguém pudesse atrapalhar. Precisava de um momento que fosse somente seu. Seja para refletir ou simplesmente ficar em silêncio ouvindo o barulho dos acontecimentos do mundo.
Estava cansada de se preocupar demais com todos e não tirar um tempo para se preocupar com a própria vida. Por mais que quisesse estar a todo o momento presente na vida de seus amigos, existia uma parte que gritava por solidão. Por mais que não quisesse admitir sabia que não era capaz de ficar sozinha por mais de alguns minutos, ainda mais sabendo como era e juntos em um único lugar. Mas, hoje o mundo precisava continuar rodando sem ela presente. Os dois precisavam de uma vez parar com todas as provocações e desentendimentos e entender que a se sentia sufocada às vezes pela necessidade de sempre estar ao lado deles. E hoje tudo estava mudado, tudo estava diferente e mesmo não tendo certeza sobre se estaria grávida ou não, ela sentia que seu corpo estava mudando. Não somente seu corpo, mas a forma em que ela estava vendo sua vida. Por mais que odiasse estar tão frágil assim, sabia que mais cedo ou mais tarde teria que ser corajosa para contar a o que estava acontecendo. Como contar para que provavelmente estaria esperando um filho dele.
— Um filho. — Ela disse baixinho, apertando o botão do elevador. Ainda não conseguia acreditar nessa pequena possibilidade. O elevador parecia não chegar nunca e ao longe ela escutou um pequeno estalo da porta do seu apartamento se abrindo. estava parado na porta olhando para ela. Sua cabeça estava um pouco de lado e seu rosto uma nítida imagem de dúvida se ela queria sua companhia.
, tentando esconder sua preocupação, olhou para o namorado e sorriu. Com o olhar preso ao dele e de uma forma que somente ele pudesse entender ela o encarou por alguns segundos sem dizer nada. continuou exatamente em seu lugar, não esboçando qualquer reação que pudesse ser aceita como se quisesse caminhar até onde ela estava. O elevador nesse momento se abriu e girou o corpo para ele. Antes de dar alguns passos para o elevador, ela olhou mais uma vez para fazendo um pequeno gesto de desculpas.
Quando as portas do elevador se fecharam e ela se viu sozinha ali dentro, sentiu uma pontada de dor no estômago e lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. Não se lembrava da última vez em que tinha chorado. Não eram lágrimas de felicidade ou dor. Eram lágrimas de dúvidas, lágrimas de medo. Medo de realmente estar esperando um filho de e não saber lidar direito com esse pequeno ser humano que aos poucos estava se desenvolvendo em seu corpo. Aquela pequena razão que tornaria sua vida diferente. A garota deixou um soluço escapar e ainda chorando desesperadamente envolveu suas mãos contra sua barriga em proteção. Ficando por mais alguns segundos naquela posição o elevador parou e a porta se abriu. imediatamente limpou as lágrimas com uma das mãos para que ninguém notasse que estava chorando. Acenou como de costume para a recepção e rumou em direção à porta. Queria sair para caminhar um pouco para pensar nos últimos acontecimentos. Ao se afastar do prédio percebeu que a maioria das ruas em que caminhava estavam vazias. Ainda sem rumo ela se lembrou de uma pequena praça que não ficava tão longe dali. Não era o melhor lugar para estar com esse tempo, mas era a sua única opção.
Em apenas alguns passos ela estava diante de uma pequena praça. Simples, mas ao mesmo tempo aconchegante. Rolou os olhos pelo local notando que seus pensamentos estavam corretos. Estava sozinha, completamente sozinha naquele lugar. Movendo o corpo ainda por alguns degraus da parte principal ela achou um banco bem atrás de uma enorme árvore. Um lugar onde não pudesse ser vista por ninguém. Dessa maneira se sentiria segura o suficiente para permanecer naquele lugar durante toda a tarde. Não estava com intenção de voltar tão cedo para casa, por mais que estivesse com frio e assustada. Queria simplesmente evitar qualquer contato que pudesse ter com , não sabia lidar com a preocupação que ele estava desenvolvendo nas últimas semanas. Não sabia mais lidar com mentiras e inventar a cada minuto uma nova desculpa quando ele se aproximava. respirou fundo fechando o último botão de seu casaco e lentamente encostou-se no banco. O lugar estava exatamente da maneira em que ela queria, totalmente em silêncio e apenas o barulho do vento nas folhas da árvore era sua companhia.
...End!


Lembrar-se de tudo aquilo fez com que ela voltasse ao tempo para reviver todo o pesadelo que desencadeou com a perda do filho. Sabia que estava dormindo, mas conseguia escutar ao longe o barulho da sirene de uma ambulância, o líquido gelado que corria em suas veias e aquele cheiro forte de remédio por todo o quarto. Todas as mesmas sensações que teve antes de ser levada para o centro cirúrgico anos atrás, hoje a única diferença era que não estava sentindo a dor no abdômen e muito menos sabia que existia um bebê ali. A dor ao pensar nisso fez com que lágrimas começassem a rolar de seus olhos, essa dor não iria a lugar nenhum e ficaria ali naquele lugar para o resto da sua vida. O que era complicado, sabendo que precisava continuar vivendo, lutando e ainda mantendo a esperança de que um dia engravidaria novamente, ou ao menos saber que todo aquele tratamento resultaria em uma parcela de esperança, mas nada do que ela fizesse traria a paz para o seu coração e nem o sentimento necessário para que ela fosse capaz de superar o ocorrido. Lutava todas as noites sabendo que era impossível conter esse pesadelo e todas as tristes lembranças dos gritos por todo o apartamento, lembrar do desespero e também da ambulância correndo a toda velocidade para o hospital na esperança de estancar a hemorragia.
— Filha, acorda. — Hyun-Ki chamou a garota ao ver os olhos dela ficarem úmidos. — Filha, você está tendo outro pesadelo? Eu estou aqui com você, acorda minha filha. — Ele balançou o ombro dela na esperança que ela despertasse. Hyun-Ki sabia dos pesadelos e da dificuldade que ela tinha ao dormir, por isso sempre estava preocupado para que ela tomasse um chá ao invés de remédios antes de tentar dormir. Ele sempre levava para ela na madrugada porque sabia exatamente que estava acordada em algum canto do quarto. Seja mexendo no celular, terminando algum trabalho ou simplesmente sentada na janela olhando para as luzes dos prédios de Seul.
— Pai? — Ela o chamou abrindo os olhos com dificuldade. Sua boca estava seca e ainda sentia um pouco de tontura ao tentar movimentar a cabeça para o lado. — Pai, o que aconteceu?
— Sim, bebê. — Ele sorriu ao vê-la abrir os olhos. Seu coração quase saltou do seu peito e Hyun-Ki respirou aliviado. — Você desmaiou e veio para o hospital. Todos estão preocupados com você.
— Eu estou bem, pai.
— Não mesmo.
— É sério. — Ela disse com dificuldade passando a língua para umedecer os lábios. — Preciso só de um pouco de água.
— Tudo bem. — Ele concordou, indo para a mesa onde tinha uma jarra com água. Relutou um pouco para ganhar tempo e pensar como começar essa conversa delicada e necessária com a filha. Não queria ser estúpido ou rígido demais nas palavras. Mesmo sabendo que ela tinha ultrapassado todos os limites.
— Pai… — Ela tentou falar sabendo que ele estava chateado apenas pelo olhar vago dele.
— Estou bastante chateado com você.
— Pai…
— Não gosto de mentiras e nem que fiquem me escondendo coisas que realmente eu deveria saber, . — Ele foi rígido, levando até ela um copo de água. Com todo cuidado segurou a cabeça da filha e lentamente fez com que ela bebesse o líquido todo do copo. — O que eu quero é que você pare com todas essas mentiras e me conte a verdade. Não gosto de ficar sabendo por outras pessoas o que a minha filha tem, muito menos escutar o que eu escutei hoje do médico sobre a sua saúde.
— O que ele disse? — Ela tentou levantar a cabeça.

— Pai, o que ele te disse? — começou a ficar agitada, contorcendo o corpo da cama. O aparelho que estava em seu dedo começou a apitar e ela voltou a cabeça para o travesseiro no mesmo momento. — O que ele te disse pai? Ele vai interromper o tratamento? Não vou mais tomar as injeções?
— Você precisa descansar.
— O que ele disse? — insistiu apesar de saber qual era a resposta. Era tão óbvio saber que o tratamento iria ser interrompido por causa dos últimos acontecimentos. Uma pausa de um ano no mínimo era a intenção do médico. E sem contar que teria que refazer todos os exames e que se algum tivesse o resultado fora dos padrões necessários o médico com certeza iria suspender por definitivo o tratamento. — Eu preciso saber. Por favor.
, ele me disse que você precisa de um tempo.
— Tempo?
— Tempo para relaxar um pouco e tirar essa história da sua cabeça, os remédios não estão fazendo mais efeito e o seu organismo começou a não responder de maneira certa ao tratamento de indução. — Hyun-Ki explicou, sentindo uma pontada surgir no estômago. Não queria ser ele falar aquele tipo de coisa para a sua filha. Ainda mais ele sabendo que esse tratamento era a única esperança que ela tinha para que pudesse ser mãe um dia. — Filha, não está dando certo. Você precisa aceitar isso e descansar um pouco o seu corpo e seu organismo.
— Não, eu não preciso de descanso. — Ela disse firme, agora segurando uma das beiradas da cama. O coração acelerou e outro apito alto vindo do aparelho fez com que ela respirasse fundo. — Pai, o senhor não entende que eu só tenho esse tratamento e que se eu não conseguir dessa vez é definitivo. Como eu consigo descansar sabendo disso? Como o senhor acha que eu estou por dentro? É a minha última esperança.
— Minha menina. — Hyun-Ki tentou controlar o choro buscando por forças para continuar sendo firme nessa atitude, ele não podia aceitar que ela ficasse nessa ilusão durante muito mais tempo. — Filha, quantas noites você passou acordada na esperança e ansiosa para a próxima indução? Você até mesmo ficava ansiosa para receber a próxima injeção e não tem nenhuma parte do seu corpo que não tenha a marca de uma agulha. — O coração dele cortou nesse instante ao receber o choro desesperado da garota. Ela tentou não chorar, mas foi quase impossível segurar o sofrimento ao escutar todas aquelas verdades. — Não anda adiantando, filha. Você se acostumou com os remédios e durante todos esses anos você viveu tomando todas as injeções necessárias para isso, e nada, nada deu resultado.
— Não é possível. — Ela balançou a cabeça sentindo o desespero emergir por todo o corpo. Não era possível. Ela não podia aceitar, era mentira e existiam provas disso. Provas que seu corpo estava respondendo bem ao tratamento. — Não é assim, ele me prometeu que no próximo mês a gente teria outra seção para novamente tentar a indução, Pai. — voltou a sentir-se tonta e imediatamente fechou os olhos levando uma das mãos ao rosto. — Não acredito nisso, ele não pode falar isso e não pode suspender dessa maneira. Tava tudo programado, tudo planejado e eu me preparei tanto pra isso. — Ela não conseguia acreditar em todos os meses que passou esperando por esse momento. Preparando fisicamente e psicologicamente para outra tentativa, ele não podia decidir dessa maneira. Não era justo, não era certo. — Eu preciso falar com ele.
— Você não vai fazer nada disso porque eu concordei com ele e mandei suspender esse tratamento. — Hyun-Ki foi firme, não abrindo espaço para que ela continuasse o assunto. O choque em seu rosto era exatamente o que ele tanto tentava evitar o dia todo. — O que mais precisa acontecer para você desistir desse tratamento? Quantas foram as tentativas durante esses três anos? Até onde você é capaz de ir para conseguir engravidar novamente? Você não enxerga que isso virou uma obsessão e que a sua vida é muito mais além do que tentar gerar um filho? — Ele questionou notando que agora ela estava ficando mais desesperada e o choro ainda mais alto pelo quarto. — Eu sou o seu pai e tenho a obrigação de zelar pelo seu bem, não aguento mais ver você sofrendo e criando expectativas e depois caindo em depressão durante meses por não ter dado certo.
— É minha vontade. É o meu corpo e eu decido a hora de parar.
— Não é mais a sua decisão. — Hyun-Ki colocou um ponto final na conversa esperando que ela notasse apenas pelo seu tom de voz. — Comprei sua passagem para Boston e quando você receber alta eu espero que você entenda tudo o que está acontecendo e também que compreenda o que estou lhe pedindo. Não quero perder outra pessoa da minha família, não quero passar pelo mesmo sofrimento e não quero me sentir sozinho no mundo sem ninguém. Você é minha única filha, minha única família e eu tenho muito medo de perder você. — Ele limpou os olhos com as costas de uma mão e com a outra acariciava a bochecha dela carinhosamente. — Essa é a intervenção que eu estou fazendo em sua vida e colocando a sua saúde em primeiro lugar. Mesmo que eu fique triste que você vá embora novamente, mas eu prefiro viver com a saudades do que com a dor de não ter você na minha vida.
— Pai, eu entendo o que o senhor está sentindo e eu sei que preciso cair na realidade em algum momento, mas eu estava tão esperançosa. — não conseguia conter as lágrimas e a dor que estava sentindo por todo o corpo. Essa dor, esse sentimento sufocante que surgia cada vez que o assunto era discutido. — Pela primeira vez eu tinha essa certeza dentro de mim. Eu consegui sentir essa confiança e meu coração até deixou o sofrimento de lado um pouco agarrando-se nisso, não é justo eu ir embora agora e mais uma vez ter que me recuperar dessa frustração e dessa dor de não ter conseguido.
— Você vai ter algo para se recuperar e lutar em outro momento com esse tratamento, agora você não tem mais condições de viver dessa maneira. O seu organismo não aceita mais nenhum tipo de remédio, você vem vivendo isso durante anos e chega um momento que não tem mais o que fazer, . Quando você vai aceitar o que aconteceu? Não foi sua culpa, filha. — Outro choque de realidade e dessa vez aquelas palavras conseguiram fazer com que ela ficasse apenas em silêncio escutando tudo atentamente. Queria que existisse algo para falar, algo para argumentar ou qualquer outra coisa que ela pudesse falar para que o pai mudasse de decisão.
— Existe sim um culpado. — Ela respondeu com a voz fraca.
— Ele não é culpado por isso. — Hyun-Ki foi direto pela primeira vez falando sobre o assunto com ela. Ele evitava falar sobre , namoro, a criança e todo o envolvimento que eles tiveram no passado. Não gostava de se intrometer na vida pessoal e nem nas decisões dela, sempre criou a filha para decidir o que quer ser, fazer ou levar a sua vida com a liberdade necessária. Mas, não conseguiu esconder no momento a sua frustração e irritação ao saber que ela ainda achava que o ex-genro tinha culpa do que aconteceu. — está lá fora em algum lugar preocupado com você, perguntando ao médico o que está acontecendo e o que você tem. Totalmente perdido, sem saber o que está acontecendo e é questão de muito pouco tempo para que o médico conte a verdade pra ele, se é que ainda não contou ao ver o tanto que ele estava pálido, chorando e preocupado andando de um lado para o outro do corredor.
— Desde quando ele se importa com alguma coisa? Ele teve anos para se preocupar comigo. — Ela rebateu, agora sentindo a raiva surgir. — Ele nem ao menos se importou com nada. Nunca foi atrás de mim, nunca me ligou e nem ao menos procurou saber através do como eu estava e o que estava acontecendo na minha vida. Ele é o culpado por tudo isso.
— Você nem ao menos deu o direito dele se sentir culpado, mentiu e fica mentindo o tempo todo pra ele. Como ele é culpado por algo que nem sabe que existiu? Como você acha que ele vai ficar ao saber disso tudo? Você pensou nisso em algum momento? Você tem a sua dor para se agarrar e sofrer. Ele nem ao menos tem isso, amo você com todas as minhas forças, mas jamais vou ficar ao seu lado nessa situação. — Ele foi franco.
— Pai, eu não quero falar sobre isso. — Ela pediu sabendo que aquele assunto no momento só faria se sentir pior. — Eu vou embora para Boston, não quero mais ficar em Seul e eu concordo que preciso de um tempo longe de toda essa situação. Preciso voltar a trabalhar e viver um pouco sem precisar me preocupar com datas, horários e remédios.
— Não muda de assunto assim. — Hyun-Ki insistiu.
— NÃO VOU CONTAR PARA O ! — Ela se alterou empurrando a mão do pai para longe do rosto.
— Filha, ele merece saber tudo isso.
— Não merece, ele não merece saber disso e de nada sobre a minha vida.
— Então por que você insiste em ficar indo atrás dele? — Hyun-Ki perguntou querendo saber afinal de contas o que ela tanto queria com nessas últimas semanas. — O que você quer com ele, ?
— Nada, eu não quero nada. — Ela fechou os olhos irritada percebendo o que o pai estava querendo dizer com aquela simples pergunta. — O que eu quero com ele é algo que ninguém vai conseguir entender. — deixou os pensamentos irem para outro lugar e a lembrança dela e de no banheiro fez que seu coração começasse a bater de forma errada. Essa sensação, esse amor ainda existia em alguma parte dela. E nada do que pudesse fazer era capaz de esconder esse sentimento que surgia a cada instante que pensava nele. — Quando for o momento eu vou contar a verdade para o , mas eu quero me sentir pronta e segura com isso.
— Não demore a se sentir segura. Ele nunca mais vai te perdoar se souber disso por outra pessoa. — O pai aconselhou sabendo que não seria capaz de perdoar ela por esconder algo tão importante dele. — O seu momento em Boston é a chance de você colocar a sua vida novamente nos trilhos e tirar um momento para curar todas essas feridas. E curar principalmente esse amor.
— Não é amor. — Ela disse rapidamente.
— É amor.
— Ninguém sabe o que eu sinto.
— Nem mesmo você. — Ele abaixou a cabeça frustrado. O seu único pensamento no momento era que ela aceitasse por completo ir para Boston. Talvez distante novamente de , ela pudesse refletir e aceitar que ele tinha o direito de saber a verdade. E essa distância também era necessário para que ela tirasse um tempo para viver. Viver os 24 anos como uma pessoa normal da sua idade e não carregar essa angústia para o resto da sua vida. — Eu quero ver a minha filha sorrir novamente, quero ver a vida através dos seus olhos e não ver essa frustração e essa ilusão que você anda vivendo todos esses anos. Será que você não enxerga isso? Existe uma vida pra você viver e não se apegar a coisas do passado, essa dor vai continuar com você pelo resto da vida, mas você tá deixando ela comandar a sua vida. Por favor, eu te amo tanto e quero o seu bem.
Ela não disse nada, apenas concordou com a cabeça e antes de Hyun-Ki beijar o topo da cabeça da filha, escutou ao longe a porta do quarto abrindo. surgiu, caminhando lentamente e juntando-se a ele ao lado da garota. sorriu ao ver e esticou uma das mãos em sua direção. Ela estava sorrindo e sabia que tudo agora iria ficar bem. Pois, tinha ao seu lado a única pessoa no mundo que realmente podia confiar e se sentir segura.
— Oi, bebê. — Ele disse entrelaçando ambas as mãos.
— Oi, lindinho. — Ela foi carinhosa, recebendo aquele carinho que tanto precisava. — Desculpa por não querer ir ao médico com você, no fim olha o que acabou acontecendo.
— Fiquei preocupado com você. — retribuiu o sorriso, acariciando a mão dela. — Não faz isso comigo, você sabe que eu não consigo ficar longe de você.
— Eu não quero que você fique longe.
— Nunca vou ficar. — declarou.
Hyun-Ki rolou os olhos pelo quarto, balançando a cabeça em negação. Não tinha nada contra e muito menos contra essa amizade que existia entre eles. Se é que ele podia chamar esse sentimento todo de amizade, sua negação era apenas no valor emocional que colocava nessa relação com a filha e todas as tristezas que isso causaria futuramente. negava os sentimentos por a todo custo e tentava de todas as maneiras esconder o que ainda sentia, mas só um cego para não enxergar que ela ainda o amava e que não existia outra pessoa no mundo que pudesse fazer com ela suspirasse e mudasse de assunto rapidamente quando o nome dele surgia na conversa.
por outro lado sempre deixava claro os seus reais sentimentos por ela, seja por uma palavra, toque, olhar ou simplesmente confessar como tinha acabado de fazer. E o que deixava Hyun-Ki triste, era saber que nem ao menos parecia enxergar esse amor. O tempo seria capaz de fazer com que ela enxergasse esse sentimento e se fosse tarde demais para isso? Quem iria sofrer na história toda? Ela? ou ?
Ela por amar .
por amá-la.
por ainda amar, ser enganado e perder o filho.

caminhou lentamente pelo corredor, sendo amparado por e e sua esperança era não ser notado por ninguém e muito menos encontrar com pelo caminho até o carro. Ele sentia que precisava tirar um tempo para decidir o que fazer com toda aquela informação, principalmente um tempo para digerir esse segredo que tanto escondia dele. Não havia nada que pudesse fazer a não ser somente esperar que ela tivesse coragem para lhe contar toda a verdade. Não iria forçá-la a dizer nada, mas aquele segredo todo estava acabando lentamente com ele. Era quase sufocante a sensação de saber tudo isso e a cada minuto se manter longe dela com medo do que pudesse acontecer se ela descobrisse que o médico havia contado finalmente sobre o filho. Infelizmente a única pessoa que foi capaz de lhe contar a verdade e nem ao menos sabia o porque de tudo isso, porque no fim soube por uma pessoa aleatória dessa maneira algo tão importante. O porque dela mentir, do segredo e de esconder a gravidez todo esse tempo. Talvez ele pudesse ser o culpado por tudo isso ou então ela estivesse apenas protegendo a criança dele e do mundo que ele tinha escolhido viver. fechou uma das mãos com força sentindo a necessidade bruta de quebrar alguma coisa que estivesse no seu caminho. Perdendo o rumo de seus pensamentos, ele parou por alguns segundos analisando a porta do quarto dela.
— Espera um segundo, posso ao menos ver com ela está? — pediu, notando que a porta estava entreaberta. A essa hora ela com certeza estaria dormindo e ele apenas queria observar por alguns instantes. Não queria mais nada, nenhuma conversa, nenhuma reação ou qualquer outra coisa que seu coração estivesse pedindo para ser feito.
, você tem certeza que quer fazer isso? — perguntou incerto, não sabendo se era um bom momento para que ele tivesse algum contato com a garota. Principalmente depois de vê-lo com o psicológico abalado daquela maneira.
, eu preciso ao menos olhar e ver que está tudo bem.
— Não fale muito com ela, o médico disse que ela precisa descansar bastante. Qualquer coisa que tenha acontecido ela precisa de um tempo sem ficar entre esse conflito entre você e o . — Ele aconselhou, olhando para que estava agora tomando distância deles. — Não demore, vamos buscar o carro e encontrar você na parte dos fundos do hospital.
— Tudo bem. — balançou a cabeça concordando.
Ele observou e se afastarem e voltou a olhar para a porta, criando coragem e forças para entrar de uma vez no quarto. Tudo o que ele queria era exatamente olhar para o rosto dela, pedir desculpas e simplesmente ir embora para absorver toda aquela informação. Absorver sobre o filho, , e todas as mentiras que envolvia esse triângulo. Mas, antes que entrasse por completo ele escutou uma voz vindo dentro e por mais que não quisesse acreditar essa voz era de alguém que teria reconhecido há quilômetros de distância.
, você sabe que eu preciso fazer isso. — Ele escutou a voz dela e a coragem de abrir a porta surgiu ao escutá-la pronunciando o nome dele. em silêncio apenas observou novamente a cena desenvolvendo entre e . — Não queria ir embora dessa maneira, mas depois de conversar e ver o estado que meu pai está com toda essa confusão. Ele achou melhor eu tirar um tempo longe de Seul, longe dessa confusão, desses sentimentos e principalmente longe do .
— Ele quer que você fique longe de mim também? — perguntou, agora próximo da cama. não conseguia ver o seu rosto, mas ao julgar o tom da voz manhosa ele sentiu a raiva começar a surgir por toda a parte do corpo. não tinha limites e agora mais do que nunca estava claro todos os seus sentimentos por ela, principalmente ao julgar o comportamento que agora estava notando mais nitidamente que ele tinha toda vez que o encontrava próximo de . Antigamente, era a coisa mais natural do mundo para ele vê-los juntos, distraídos e conversando. Agora enxergava o carinho, amor, cumplicidade nas palavras e tudo o que um casal de verdade conseguia sentir um pelo outro estando em um relacionamento.
— De você? Claro que não. — Ela respondeu, soltando um sorriso fraco. tentou abrir a porta com cuidado para ver melhor o que estava acontecendo e apoiou-se na parede em silêncio. — O tratamento foi interrompido e não vai ter nenhuma outra indução no próximo mês. — O rosto dela fechou ao falar disso e sentiu uma fisgada no peito ao saber que o tratamento era esse. estava tentando por indução engravidar novamente. — Não tem nada que me prenda à Seul e no momento eu preciso de um tempo para refletir em algumas coisas que andaram acontecendo nas últimas semanas.
— É isso que você quer? — perguntou, ficando triste ao receber a notícia daquela maneira. Ele não esperava que ela fosse capaz de voltar tão cedo para Boston, não dessa maneira.
— Não é o que eu quero, mas é o que eu preciso para esquecer esse assunto. — Ela disse por fim, reparando que ele estava triste. — Eu preciso tirar de uma vez por toda esse sentimento dentro de mim e ficar perto dele não vai ajudar, muito menos vai ajudar com a luta que eu vou enfrentar em aceitar que o tratamento foi interrompido.
— Eu entendo. E acho melhor você tirar esse tempo longe de tudo o que te faz mal. — Era isso? estava falando que estava fazendo mal para ela? fechou um dos pulsos ao escutar e respirou fundo uma única vez, controlando o impulso de entrar no quarto e quebrar a cara de . Todos esses anos convivendo com ele e não sabia que era capaz de chegar tão longe dessa maneira. O rosto ardia e ele fechou os olhos por um instante, sabendo que a conversa com ainda não tinha terminado.
— Queria que tivesse sido tudo diferente, . — limpou o canto dos olhos quando lágrimas começaram a surgir e brevemente abaixou o rosto, beijando o topo da cabeça dela. — Não queria sentir essa frustração, mágoa e essa dor que eu tenho dentro do meu peito por ser obrigada a aceitar que meu corpo não responde mais aos remédios. — Ela tentou explicar os motivos e apenas tapou a boca dela com um dos dedos. entrou em pânico ao ver que ele estava próximo do rosto dela. Ele logo julgou na razão que não seria capaz de tentar beijá-la, ele não chegaria a esse ponto. — Não quero sentir meu coração acelerar dessa maneira e muito menos essa saudade que vem me atormentando todos os dias.
— Você não tem que sentir tudo isso, . — Ele falou pausadamente, querendo que ela se sentisse um pouco melhor. — Pensa que você apenas vai tirar um momento para cuidar da sua saúde, da sua vida, dos seus sentimentos e tudo aquilo que você deixou para segundo plano. A sua vida está acontecendo e você deixou de viver para ficar presa nessa vontade de engravidar novamente.

— É verdade. Você é maravilhosa, linda e pode viver toda a sua vida ao lado de uma pessoa que te ama e que pode ser o pai dos seus filhos de uma maneira natural. — Ele tentou convencê-la mesmo sabendo que a situação para que ela engravidasse fosse mais complicada. — Cuida desse coração e desse sentimento, não fique por muito tempo sofrendo por uma pessoa que não te merece e que não merece esse sentimento.
— Meus sentimentos? — Ela riu por um breve momento.
— Você sabe que sentimentos eu estou falando e principalmente de quem estou me referindo.
— Esse sentimento que não gostaria de estar sentindo. — Ela confessou e isso fez ficar apreensivo para escutar melhor a conversa. Principalmente a parte em que entre linhas tentava convencê-la a desistir desse amor que ela ainda sentia por ele.
— Você ainda sente, ainda ama e sempre vai amar.
— Todos os dias. — Ela afirmou agora, voltando a sua atenção para o teto. — Amo e sei que ainda vou amar por muito tempo. Queria que meu coração me deixasse em paz e escutasse a voz da razão.
— Enquanto ele amar alguém é o que importa, .
— E se ele amar a pessoa errada? — Ela perguntou agora, olhando diretamente para a boca dele. não conseguia esconder que era lindo e daquela distância era possível também sentir o cheiro do seu perfume e observar o contorno exato dos seus lábios.
— Você ensina ele amar a pessoa certa, a pessoa que te ama e que sempre esteve ao seu lado esse tempo todo. — foi direto e contorceu o corpo querendo largar a razão e partir para cima dele. — O seu coração vai entender que a pessoa que te ama é a que sempre cuidou de você. Sua razão vai interferir e mostrar que nem sempre o coração toma as melhores decisões.
, você cuidou de mim todos esses anos. — Ela respirou fundo olhando dentro dos olhos dele. não conseguia descrever em palavras o que exatamente sentia por ele. Esse sentimento que era complicado, confuso e estranho. Não sabia o que se passava com o seu coração e nem a bagunça que estava sua cabeça, só sabia que em todos os momentos complicados ele estava presente dando o apoio, amor, carinho e compreensão que tanto precisava. Hoje não conseguia imaginar a sua vida sem ele. — Eu preciso saber que eu tenho você na minha vida. Mesmo que seja a quilômetros de distância. Preciso toda noite receber um telefonema seu, ouvir a sua voz e também preciso que você segure minhas mãos dessa maneira. Você promete que nunca vai me abandonar?
— Amor, eu vou cuidar de você sempre. Nunca passou pela minha cabeça ficar um segundo longe de você, . Nunca vou te abandonar. — Ele respondeu, agora sentindo o coração pulsar ao olhar para os lábios dela tão próximos assim. — O que eu faço para nunca mais ver você chorando dessa maneira? Eu sou capaz de qualquer coisa pra ver o seu sorriso. — mordeu o lábio, lutando contra a vontade de beijá-la naquele momento. Ele sabia que se ultrapasse aquele limite não teria volta. — Sinto muito por não conseguir fazer mais nada, por não fazer você sorrir e nem ao menos cuidar de você para não se machucar dessa maneira.
— Quando eu fico perto de você eu sinto vontade de sorrir.
— Quando eu fico perto de você eu me sinto o homem mais feliz do mundo.
— Eu queria ter amado a pessoa certa. — disse por fim, confessando o que tanto lutava esconder.
— Eu também queria que ele tivesse amado. — aos poucos foi se aproximando dela. — Ainda tenho esperança que ele ame de verdade.
não foi capaz de reagir ao escutar tudo aquilo. Apenas fechou os olhos iniciando um choro triste e abafado ao saber que não era mentira e que de fato estava acontecendo alguma coisa muito forte e real entre eles. Toda essa declaração e essa confissão aconteceu bem diante dos seus olhos e nada nem ninguém era capaz de esconder mais nada. Esse tempo todo, escondeu esse relacionamento e esse sentimento entre eles, mas hoje ele soube que a mulher da sua vida também nutria algum tipo de sentimento por seu melhor amigo.


Continua...



Nota da autora: Não sei o que aconteceu, não sei o que vai acontecer e estou impactada e sem saber que rumo vai levar essa história. NÃO ESTOU GOSTANDO DISSO, MAS MEU CORAÇÃO ESTÁ EM CONFLITO COM O JIMIN E O KOOK. Depois dessa atualização eu espero que alguém entenda o que está acontecendo, o amigo tem sentimentos, poxa!

Por favor, leiam com carinho esse capítulo. Com muito carinho e amor no coração.

CADÊ A COMPREENSÃO, GALERA?

Obrigada de coração por todos os surtos e carinhos que eu recebo por conta de LINO, amo todo mundo e só tenho a agradecer por todos os comentários, apoio e todo o tempo que vocês tiram para ler e acompanhar essa história. Obrigada real e do fundo do coração.



SHORTFICS:
01. Call Me Baby [Ficstape #062: EXO – Exodus]
03. Best Of Me [Ficstape #070: BTS – Love Yourself: Her]
03. This Is How I Disappear [Ficstape #068: My Chemical Romance – The Black Parade]
04. Permanent Vacation [Ficstape #067: 5SOS -Sounds Good Feels Good]
07. Let’s Dance [FICSTAPE #065: Super Junior – Mamacita]
Hug Me [Doramas – Shortfics]

EM ANDAMENTO:
Let Me Know [KPOP – Restritas – Em Andamento]
I NEED U [KPOP – Restritas – Em Andamento]


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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