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Última atualização: 06/11/2020

Capítulo 1


Ele

Era apenas um coração quebrado dentro de um corpo inteiro. E por algum motivo ele ainda insistia em bater, em fazer com que continuasse vivo.
Morrer. Esse era o seu único desejo naquele momento. Na verdade, só queria acabar com aquela dor, mas não se importava se para isso, fosse necessário acabar com a sua vida também.
Queria que tudo aquilo fosse o seu pior pesadelo, que fosse uma brincadeira sem nenhuma graça ou que ele estivesse ficando louco e que tudo aquilo fosse fruto da sua imaginação. Ele só não desejava que fosse real o que os seus olhos viam.
Negou algumas vezes com a cabeça antes de sair do quarto sem dizer uma palavra sequer, fechou a porta atrás de si e respirou fundo antes de pegar o seu casaco, as sua chaves e sair daquela casa.
Ele não sabia para onde estava indo, ele só tinha certeza de que precisava sair dali o mais rápido possível. Para onde ele ia, ou que ia fazer depois de tudo o que presenciou não tinha nenhuma importância naquele momento.
A primeira dose deixou um gosto amargo em sua boca, mas aquilo não era um incômodo para ele. Nada era pior que a dor que ele estava sentido, nada o incomodaria mais.
Se precisasse descrever, diria que alguém estava abrindo o seu corpo sem usar nenhuma anestesia, mesmo achando que não era uma comparação justa. O que ele estava sentido era pior que qualquer outra coisa.

- O que você tiver de mais forte. - Foi o que pediu para o garçom assim que sentou no assento vazio em frente ao balcão do bar.

A segunda dose parecia ser mais fraca, mesmo sendo a mesma bebida. Talvez o primeiro gole o pegou desprevenido e agora ele já estava preparado para sentir o sabor daquele líquido em seus lábios.
O garçom assistia beber com um olhar de pena. tinha certeza que estava com um semblante horrível e era por isso que ele não havia questionado o rapaz que o observava descaradamente.
A partir da quinta dose, ele já conseguia sentir um sabor agradável na bebida. Talvez já estivesse acostumado com o seu gosto ou talvez já estivesse bêbado o suficiente para não se importar com isso.
não sabia por que estava naquela balada, como chegou ali e como ainda conseguia ficar sentado depois de secar tantos copos.
Naquele momento a única coisa que ele queria era beber até esquecer o que aconteceu naquela noite, nem que fosse só por algumas horas.
Seus pensamentos estavam distantes, a música alta não o incomodava e a loucura que estava em sua mente parecia ter diminuído depois que ele tentou preencher o vazio que havia em seu corpo com bebida.

- Uma cerveja, por favor. - Uma voz feminina o tirou dos seus pensamentos, fazendo com que ele levantasse o olhar.

Sua cabeça estava baixa e ele o questionou silenciosamente se havia cochilado enquanto estava encostado no balcão.
Uma mulher muito bem vestida havia ocupado o assento vazio ao seu lado, ela já estava bebendo a cerveja que pediu segundos antes.
Ela talvez tenha percebido que estava sendo observada, pois virou seu rosto para onde estava.
O movimento fez com que os seus cabelos caíssem em seu rosto, usou uma de suas mãos para jogá-los para trás, deixando a mostra um sorriso acolhedor.

- Está tudo bem? - Ela perguntou depois colocar a mão no ombro de .
- Olhe para a minha cara e me diz se está. - Respondeu sem pensar, se arrependeu no momento seguinte.

Não queria soar grosso, mas o problema é que sua cabeça estava longe demais para fazer com que ele pensasse em uma resposta mais delicada.

- Desculpe, eu só pensei que... - Tentou se explicar, mas não encontrou as palavras certas para usar.
- Você nem me conhece, saber disso não vai mudar nada em sua vida. E o que você pensa também não me interessa. - O álcool em seu corpo impediu que as palavras saíssem de sua boca corretamente, mas isso não foi o suficiente para que a moça em sua frente não entendesse o que ele queria dizer.

O sorriso que estava no rosto da mulher se desfez com a mesma rapidez em que ela sumiu no meio da multidão.
O próximo rosto que encontrou foi o do garçom, que assistiu a cena de perto.

- Você pegou pesado, cara. - Ele comentou enquanto negava com a cabeça.

nem lembrava ao certo o que havia falado, mas imaginava que, pelo comentário do garçom, não foi nada agradável.
E quando ele pensou em ir atrás da garota pra tentar consertar o seu erro, já era tarde demais. Com a quantidade de gente na balada e com a quantidade de álcool em seu corpo, ele jamais a encontraria.
Só esperava não ter descontado naquela mulher, a raiva que estava sentindo.
“Você é um babaca, ”, foi o que ele pensou.
Depois de algum tempo concluiu que era hora de ir embora, fechou a sua conta e foi em direção ao estacionamento.
Em um outro momento, amaldiçoaria qualquer pessoa que dirigisse depois de ingerir uma gota de álcool. Mas ele estava tão fora de si, que não sabia mais dizer o que era certo ou errado.
Para a sua sorte, e de outras pessoas, o prédio onde os seus pais moravam era bem próximo dali. Não gastou muito tempo para chegar no condomínio, poderia afirmar que sua viagem até lá durou de dez minutos.
O porteiro que trabalha naquele lugar já o conhecia e por isso ele não precisou falar muita coisa antes de subir, também não estava em condições para isso.
Não demorou muito para que seus pais autorizassem a sua entrada no local. Deixou o carro no estacionamento e se apoiou na parede enquanto esperava o elevador.
A porta do apartamento estava aberta e assim que os seus pais o enxergaram, suas expressões mudaram de preocupação para pena.

- Meu filho, o que aconteceu? - Sua mãe perguntou enquanto o puxava para dentro e trancava a porta atrás de si.
- Sente aqui, meu querido. - Josh, o pai de , o conduziu até o sofá quando enxergou os olhos marejados do filho.

A relação de com os seus pais sempre foi a melhor possível. Apesar do horário e da cara de sono, seus pais estavam ali ao seu lado. Sabia que merecia e escutaria alguns sermões dos dois depois, mas no primeiro momento eles estavam mais preocupados em saber o que aconteceu do que em criticar o estado em que o seu filho se encontrava.
E seria eternamente grato por isso.
Não segurou suas lágrimas em nenhum momento depois que entrou no apartamento de seus pais, sabia que nenhum deles o julgaria por isso e o ajudariam no que fosse preciso.

- Acabou tudo, mãe, acabou. - Ele conseguiu responder alguns segundos depois.

Isso fez com que as cenas de mais cedo ressurgissem em sua mente, fazendo com que ele chorasse mais ainda.
Os dois mais velhos não o questionaram mais, apenas deixaram que colocasse toda sua dor para fora.
No fundo eles já imaginavam o que poderia ter acontecido. Só não sabiam como e por que as coisas haviam chegado naquele ponto e muito menos que o problema era bem maior do que eles poderiam imaginar.
Depois de algumas horas, tomou um copo de água e um remédio que seu pai havia lhe dado, mas que ele não sabia dizer qual era. Aos poucos o seu choro foi indo embora, parecia que estava levando consigo um pouco do álcool que estava presente no corpo do rapaz, pois ele já conseguia conversar com facilidade e já sabia o que estava fazendo ou falando.
Contou tudo o que aconteceu para os seus pais, se segurou para não chorar novamente.

- Eu não consigo acreditar em tudo isso. - Bethany pensou alto, enquanto termina de tomar o seu copo de café. Provavelmente não dormiria tão cedo e aquele líquido ajudaria Beth a ficar acordada para fazer companhia para o filho.

estava deitado no sofá, enquanto seus pais dividiam o outro que estava em sua frente. Observava a luminária no teto como se aquilo fosse mais importante do que qualquer outra coisa.

- Eu também não acreditaria se eu não tivesse visto com os meus próprios olhos.
- Mas filho, não estou defendendo ela, mas talvez ela tenha algo para falar com.... - Bethany teria continuado se o seu esposo não tivesse interrompido.
- Querida, não tem explicação para isso. Ela jogou muito sujo com o nosso filho, jamais vou perdoá-la. - Josh expôs a sua raiva, sempre foi o mais calmo da família, mas sempre tomava as dores de seus filhos.
- Duvido muito que ela tenha algo para me dizer e, mesmo se tiver, eu não tenho interesse em ouvir uma palavra que saia da boca dela. - alterou o seu tom de voz, sentia nojo só em pensar na possibilidade.

Nada justificaria o que havia acontecido e nenhuma palavra faria com que as cenas que estavam vivas em sua mente desaparecessem.
Ficaram algum tempo em silêncio, olhou em seu relógio e viu que já se passavam das três horas da manhã, provavelmente os seus pais não sairiam dali enquanto não tivessem certeza de que ele estava bem.

- Podem ir dormir, eu só vou tomar um banho e me ajeitar aqui mesmo no sofá. - Tentou falar com uma voz segura, para tentar convencer os seus pais de que ele estava melhor.
- Durma no quarto do Nick, ele saiu com a sua irmã e vão dormir na casa de um amigo. Tem algumas peças de roupa no guarda roupa dele que eu acho que te servem. Amanhã eu arrumo o quarto de hóspedes pra você, você pode passar um tempo aqui com a gente. - Sua mãe informou, fazendo com que lembrasse dos irmãos. Estava com o pensamento tão longe, que acabou esquecendo de perguntar por eles.
- Não precisa se preocupar, mãe, não quero dar trabalho e amanhã mesmo já vou procurar um novo lugar pra morar. - Disse sem jeito, não queria incomodar os seus pais com os seus problemas.

desde os dezenove anos de idade morou sozinho, sua maturidade e responsabilidade fizeram com que ele se tornasse o braço direito do seu pai nos negócios e ganhasse um simples apartamento, como o Josh descreveu na época, de presente de aniversário.
Agora ele não tinha vontade nem coragem de voltar naquele lugar, por isso arrumar uma nova moradia era a melhor opção. Sabia que ao cruzar a porta da sua moradia, lembraria de tudo o que aconteceu ali.

- Não é incomodo algum, meu filho, você sabe que pode ficar aqui o tempo que quiser. - Josh reforçou as palavras da mulher.

abraçou os pais com força, tentando passar o amor e a gratidão que tinha através daquela demonstração de afeto. Suas lágrimas de agora não eram por tristeza, eram de emoção em saber que, independente de qualquer coisa, seus pais sempre estariam ao seu lado.

- Eu perdi duas pessoas que tinham uma enorme importância minha vida, vocês são tudo o que tenho agora. - Confessou depois de soltar os dois mais velhos, que beijaram a testa do filho, como se concordassem com o que ele havia acabado de dizer.


Capítulo 2


Ela

Aquele sábado chuvoso deixou o dia mais triste, mas isso não interferia em nada no humor de . A garota dirigiu animadamente até a loja onde trabalhava, cantarolando todas as músicas que tocavam na rádio.
Já estava acostumada a fazer aquele trajeto todos os dias e em poucos minutos ela já estava em seu local de trabalho. Acordar para ir trabalhar era uma das suas maiores alegrias, fazia o que gostava ao lado de pessoas que ela gostava ainda mais, não tinha motivos para reclamar.

- Bom dia. - Cumprimentou o seu amigo com quem ela dividia a sala.

trabalhava em uma famosa loja de roupas há mais de um ano, começou como vendedora junto com a sua melhor amiga, Hope. Acabou subindo de cargo depois de alguns meses e agora dividia o trabalho burocrático da loja com o seu companheiro de sala, .

- Como faz pra ter essa animação contagiante as nove horas da manhã de um sábado frio e chuvoso? Teve aumento no salário e não me avisaram? - perguntou, sua cara de desânimo era mais um motivo para que não parasse de sorrir.
- Não, apenas acordei feliz, não posso? - já organizava alguns papéis em sua mesa, enquanto esperava o seu computador ligar.

A sua relação com sempre foi a maravilhosa, desde quando ela chegou na loja o rapaz sempre a tratou com carinho e sempre a ajudou quando necessário.

- Mas é claro que pode. - Sorriu para a sua companheira de trabalho que piscou para o rapaz como resposta.

Ouviram passos no corredor e já imaginaram quem seria. Hope entrou na sala com cara de poucos amigos, como sempre, os dois já estavam acostumados a ouvir a garota reclamar do seu trabalho todos os dias.

- Bom dia, Hope. - cumprimentou a amiga que apenas revirou os olhos.
- Eu não quero mais trabalhar como vendedora, quero trabalhar aqui com vocês. - Os olhos fundos de Hope davam a impressão de que ela podia chorar a qualquer momento. precisou segurar a risada para não rir na cara da garota.
- Amiga, nem é tão cansativo assim, tenha um pouco de paciência. - falou com calma, tentando aconselhar a amiga da melhor forma possível.
- Não esquece que a e eu viemos lá de baixo também. Reclamar não vai fazer com que você suba de cargo mais rápido. - quase sempre usava um tom de deboche para falar algumas verdades para a amiga.

Muitas vezes precisava entrar no meio de discussões dos dois; Hope não gostava de ouvir ninguém e não conseguia ficar calado, então, quase sempre rolava alguns estresses entre os dois.
Mas no fundo eles se gostavam e quando não tinham trabalho envolvido no assunto, a conversa entre os dois fluia muito bem.

- Vocês são muito chatos, sabiam? Tchau pra vocês. - Hope se despediu antes de sair da sala e voltar para o trabalho.

e se entreolharam antes sorrirem um para o outro. Eles já estavam acostumados com o jeito da amiga.

- Dá pra você parar de provocar a Hope? - levantou de onde estava sentada e cruzou os braços em frente ao corpo enquanto olhava para , esperando uma resposta.
O rapaz lançou um sorriso em direção à enquanto se levantava e ia até ela.
Ficou bem próximo da garota, que matinha um expressão confusa devido a aproximação de , antes de responder.

- É mais forte do que eu, não tenho muito paciência com ela.

E de fato ele não tinha, não entendia como ela conseguia reclamar o tempo inteiro, nada nunca estava bom, nada a agradava.

- E eu não tenho paciência com vocês dois. - Fingiu estar nervosa, já se preparava para se sentar em sua mesa novamente, mas foi impedida pelo rapaz.

A mão forte em sua cintura fez com que parasse no mesmo momento, finalmente os seus pensamentos estavam se concretizando.
sempre chamou a atenção de desde quando ela começou a trabalhar na loja. A beleza, a educação, o corpo e a mente do rapaz formavam um conjunto de tudo o que admirava em um homem.
Em pouco tempo, e Hope se aproximaram do rapaz, dando início a uma grande amizade.
O problema é que mesmo depois de se tornarem amigos e confidentes, por muitas vezes imaginou como seria se tivesse a oportunidade de ter algo a mais com o amigo.
Poderia estar ficando louca, mas podia jurar que o seu interesse em era recíproco. A forma como ele a olhava quando os dois estavam sozinhos deixava a entender que havia segundas intenções presentes ali.
Como nunca comentou sobre esse seu interesse com ninguém, ela não sabia dizer se aquilo de fato estava acontecendo ou se ela estava ficando louca.
Sorriu antes de se virar para , que mantinha um sorriso no rosto.
Arqueou a sobrancelha enquanto esperava uma explicação do rapaz.

- Bom, é... Quer fazer alguma coisa hoje à noite? Ir em algum barzinho, ver um filme... Acho que seria legal a gente sair juntos, só nós dois.- Coçou a cabeça deixando claro o seu desconforto em estar tendo aquela conversa com ela.
- Claro, conheço um barzinho que é ótimo. - Respondeu de forma rápida, pensar demais poderia fazer com que se perdesse nas palavras que pretendia falar.
- Que horas eu te pego?
- A hora que você quiser.

Os dois se olharam durante alguns segundos antes de perceber o duplo sentido na frase e caírem na gargalhada.

- Então eu passo nas sua casa às 8 da noite, combinado? - Viu sorrir e acenar de forma positiva com a cabeça, antes de voltar ao trabalho.

Durante toda a parte da manhã, e trocaram olhares e sorrisos cúmplices. Não tiveram muito tempo para ficarem conversando devido a grande quantidade de trabalho que tinha para os dois.

- Vamos almoçar? - repetiu a mesma pergunta que fazia todos os dias para o amigo quando estava no horário do almoço.
- Não vai dar, tenho uma papelada para assinar aqui, mais tarde eu como alguma coisa.

concordou com a cabeça antes de sair da sala, arrumou seu cabelo no espelho do corredor antes de entrar no elevador para ir encontrar com a Hope.
Decidiu compartilhar a novidade com a amiga, quase não existia segredos entre as duas. Já conhecia muito bem a amiga que tinha e sabia que provavelmente ela enxergaria algum lado negativo nisso, mas não deixaria isso interferir na sua decisão.

- Sério que você vai sair com o ? Como um casal? - Questionou após ouvir e não acreditar no que a amiga havia falado.

mantinha sem olhar focado no caminhada que estava fazendo até o restaurante, mas podia jurar que a cara da sua amiga ao lado não era uma das melhores.

- Sim, algum problema? - Encarou a amiga depois que parou os seus passos para esperar o sinal que indicaria que elas poderiam atravessar a rua.
- Claro, vai dizer que você nunca percebeu a cara de mulherengo que ele tem? Tenho certeza que ele só quer te usar e depois sair fora, até parece que você não aprendeu nada com o Austin. - Pensou alto e viu o semblante da amiga mudar no mesmo instante.
- Hope! - repreendeu a amiga no mesmo instante. - Quantas vezes eu vou ter que te pedir para não falar o nome dele perto de mim?

Era difícil ouvir aquele nome depois de tudo o que aconteceu. A ferida ainda não havia cicatrizado e ela tinha certeza que demoraria muito para que isso acontecesse. Bastava ouvir o nome de Austin para que aquelas tristes lembranças invadissem a sua mente.
Tudo o que ela passou naqueles dias parecia voltar para o seu presente só de ouvir falar sobre ele.
Já havia deixado bem claro para todas as pessoas próximas dela que ela não queria ouvir falar sobre nada que envolvesse o rapaz, porém, muitas vezes Hope tocava no nome do garoto sem querer, fazendo com que as lembranças daquele fatídico dia viessem à tona.

- Desculpa, eu não queria...
- Você nunca quer, né? Pelo amor de Deus, esquece esse cara e me ajude a esquecer também. - Interrompeu a amiga que olhava para qualquer outra coisa na rua.
- Tá bom, tá bom, não precisa descontar a sua raiva em mim também. - Hope aumentou o tom de voz assim que viu a sua amiga respirar fundo. - Não tenho culpa das idiotices que ele fez.

No mesmo momento o sinal para que as duas atravessassem a rua se abriu, Hope começou a andar novamente, mas parou quando viu que a amiga continuou parada no mesmo lugar.

- Você vai atravessar agora ou vai esperar os carros começarem a se movimentar de novo?

negou várias vezes a grosseria da amiga antes de responder, não era Hope, mas sim ela quem tinha motivos para estar nervosa.

- Pode ir sozinha, perdi a fome. - Fez o caminho de volta para o escritório sem olhar para trás.

Tentou limpar os resquícios de lágrimas que ficaram em seu rosto durante o caminho, mas assim que entrou em sua sala novamente, já percebeu que alguma coisa havia acontecido.

- O que foi que a Hope fez dessa vez? - Ele já tinha certeza que, independente do que havia acontecido, envolvia a garota. As duas amigas eram complemente diferentes uma da outra e não era a primeira vez e nem seria a última que elas discutiriam.

não queria contar sobre o que Hope pensava a respeito dele e por isso resolveu deixar os detalhes de lado.

- Estávamos conversando e sem querer ela tocou no nome do Austin... Preciso dizer mais alguma coisa? - Seus dedos passeavam pelo seu cabelo enquanto sua imaginação parceria estar bem longe.
- Hope não aprende nunca.
- Até perdi um pouco da fome que estava sentindo, mas tudo bem, já passou. - Lembrou por que ela havia voltado para o trabalho, amava comer, mas momentos assim acabavam com o seu apetite.
- Olha, se você quiser eu tenho um beijinho aqui, pode matar a sua fome e te adoçar um pouco. - Ofereceu e recebeu um olhar assustado de como resposta. - Calma, , é do doce que estou falando, sei que você é uma formiguinha e isso é o máximo que eu posso te oferecer aqui no trabalho. - Sorriu de canto, tirou o doce da bolsa e levou até a mesa em sua frente, enquanto se divertia as custas da amiga. - Que cabecinha maliciosa, hem?

sabia que ele só estava fazendo aquilo para levantar o seu astral. Ele poderia muito bem ter questionado os detalhes do que a fez ter voltado para o escritório antes do horário, mas só de saber o motivo que levou a fazer isso, preferiu ignorar aquela conversa desagradável e animar a amiga de alguma forma.

- Não fala nada com a Hope não, tá? Eu sei que ela não falou por mal. – Pediu, já prevendo que falaria um monte para a amiga quando tivesse uma oportunidade.
- Não vou falar nada só porque você pediu com carinho.

lançou um sorriso acolhedor em direção ao rapaz. Ele trazia consigo uma alegria, uma energia boa e uma paz que ela não conseguia explicar, só sabia dizer que queria tê-lo ao seu lado para sempre.

- Você não existe, . - Sua boca cheia de doce fez com que suas palavras saíssem emboladas, mas conseguiu entender perfeitamente o que ela queria dizer.
- Existo sim e sou de carne e osso, a noite eu deixo você me apalpar só para ter certeza. - Piscou para a garota antes de voltar para a sua mesa.

Se ele queria deixá-la sem jeito, ele havia conseguido.


Capítulo 3

Ele

A chuva forte fazia com que o dia lá fora parecesse noite, quando na verdade ainda era onze horas da manhã. O céu estava escuro e nublado, qualquer pessoa que olhasse pela janela conseguiria ver que uma boa parte das luzes da cidade ainda estavam acesas.
demorou alguns segundos para reconhecer o lugar onde estava depois de abrir os olhos pela primeira vez naquela manhã, não sabia dizer como havia conseguido pregar os olhos na noite anterior. Não lembrava de muita coisa que havia acontecido na balada e nem de tudo o que havia conversado com os seus pais, porém, o motivo de ter bebido tanto e ter passado a noite na sua antiga casa, ainda estava bem claro em sua mente.
Alguém deixou a luz do quarto acesa e aquilo incomodava enquanto ele estava com os olhos abertos, sua cabeça estava latejando de dor, seu corpo estava mole e tudo em sua volta parecia girar.
Era a maldita ressaca lhe dando bom dia.

- Te acordei? - Ouviu a voz do seu irmão do lado da cama, virou-se no mesmo instante para onde ele estava.

Nick parecia esvaziar a sua bolsa; papéis de balas, pedaços de bolachas, duas camisinhas e duas meias que pareciam estarem usadas já estavam em cima da sua mesa de estudos.

- A mãe vai te matar se ela ver isso. - alertou após negar com a cabeça a bagunça do irmão, já havia se esquecido de como ele era desorganizado.
- Achei! - Disse enquanto mostrava um fone de ouvido todo enrolado para o irmão.

Jogou tudo o que estava em sua mesa para dentro da bolsa novamente, incluindo os lixos, depois sentou em uma cadeira de frente para o irmão enquanto conectava o fone de ouvido ao celular.
Nicholas ficou algum tempo em silêncio, pensando em um jeito de iniciar uma outra conversa com o .

- Dona Beth me contou tudo, como é que você está se sentindo? - Falou mais baixo que o normal, sua animação de sempre não estava presente em sua fala.
- Como esse fone que estava no fundo dessa lata de lixo improvisada. - Forçou um sorriso para o irmão depois de levantar da cama, tinha a impressão de que aquele dia seria longo.
- Eu sinto muito, cara. - Disse com sinceridade, se estivesse no lugar do irmão, Nick com certeza estaria explodindo de raiva.
- Eu também. - Respondeu enquanto ia em direção ao banheiro.

Nick ficou em silêncio enquanto esperava seu irmão sair do banho, depois de alguns minutos, voltou para o quarto secando o rosto com uma toalha enquanto uma outra estava enrolada em sua cintura.

- Eu não sei nem o que te falar, mas se eu fosse você, eu teria quebrado a cara daquele babaca. - Nick comentou enquanto tirava do seu guarda roupa algumas peças de roupas de que estavam lá.

vestiu as primeiras peças que ele pegou, usou também um casaco de Nicholas, já que o tempo nublado havia abaixado a temperatura.

- E você acha que isso não passou pela minha cabeça? Só não o fiz porque se não, eu estaria atrás das grades agora. Na raiva que eu estava sentindo, eu ia acabar com aquele desgraçado.
- Mas vale lembrar que não é só ele quem tem culpa. - Nick lembrou que havia mais uma pessoa envolvida na história.

prestava atenção no que o seu irmão falava enquanto arrumava o cabelo em frente ao espelho, apesar do que havia acontecido, ele não deixava a sua vaidade de lado.

- Você sabe que eu jamais encostaria um dedo em uma mulher, independente de qualquer coisa que ela tenha feito. A vida é quem vai cobrar dela, e ela bate de um jeito diferente, meu irmão, e dói bastante.
- É, você tem razão. - Disse sem jeito, era impossível falar sobre aquele assunto e se sentir à vontade.

encerrou aquela conversa com o irmão, para evitar continuar falando sobre os acontecimentos da noite anterior. Isso não faria com ele esquecesse o que aconteceu e mesmo se quisesse não conseguiria, porém, não falar sobre era o mínimo que ele pode fazer.
Foram em direção a sala de jantar e encontraram sua mãe preparando a mesa do café. Por sua culpa ela também foi dormir tarde e com certeza esse era o motivo para ela estar preparando a mesa do café naquele horário.

- Bom dia! - Cumprimentou a mais velha depositando um beijo em sua testa, observou o seu irmão fazer o mesmo.
- Bom dia, meus amores, fiquem à vontade, vou chamar o Josh e a Sam para tomar café com a gente. - Saiu em direção aos quartos, deixando os dois irmãos sozinhos na sala.

Sobre a sua família, não tinha do que reclamar, sempre foram muito unidos e presentes na vida uns dos outros. Lembrou o quanto foi difícil sair de casa pela primeira vez, parecia que ele estava abandonando aqueles que sempre estiveram ao seu lado. Com o passar do tempo, se acostumou com a mudança e com a saudade que ele sentia todos os dias.

- ! - Ouviu alguém gritar o seu nome, roubando a sua atenção que estava voltada para os seus pensamentos.

Antes mesmo de pensar responder alguma coisa, recebeu um abraço forte da irmã mais nova, fazendo com que ele se esquecesse de falar qualquer coisa. Não era necessário o uso das palavras, aquele gesto já dizia muito. Era um abraço cheio de saudades e amor, como ele sempre recebia quando chegava na casa dos seus pais. Sentiu também uma certa compaixão e deduziu que a irmã também já sabia o que havia acontecido na noite anterior, era como se ela estivesse dizendo " eu sinto muito", sem falar nenhuma palavra.

- Oi, minha princesa. - Olhou para a irmã que sorria com os olhos para ele.
- Credo, , princesa não. - Revirou os olhos enquanto tentava segurar a risada.
- E você quer que ele te chame de quê, pirralha? - Nick entrou na conversa, com a intenção de provocar a mais nova.

Samantha mostrou a língua para o irmão enquanto se virava para para continuar a conversa.

- Princesa é um apelido para menininhas e eu já sou uma adolescente. - Explicou para o irmão que ria do que Sam falava.

puxou o braço da sua irmã, que ainda estava em pé ao seu lado, para que ela se sentasse em seu colo.

- Acontece que, pra mim, mesmo quando você crescer você não vai deixar de ser a minha princesa. - Deu mais um abraço na irmã antes que ela se levantasse para se sentar em seu lugar.

Josh se sentou a mesa junto com os seu filhos e a sua esposa e iniciou uma conversa sobre algumas notícias que ele havia lido no jornal naquela manhã. seria sempre grato por nenhum deles ter falado sobre o que aconteceu com ele, com certeza aquele assunto faria com que ele perdesse o apetite.
Em seguida, Nicholas começou a contar sobre a festa da noite anterior, o que fez com que pensasse o quanto Samantha devia sofrer nas mãos do irmão.
Seus pais e Nicholas tinham um enorme ciúme da Sam, talvez por ser a mais nova, ou a única menina, ou pelos dois motivos. Devido a isso, Sam só ia para as festas acompanhada por Nicholas, mas o problema era que ele era tão ciumento quanto os seu pais e sair com ele acabava não sendo tão legal assim.

- Depois um outro garoto ficou piscando pra ela, aí eu fui lá e falei: você não percebeu que ela está acompanhada? - Nick continuou contando sobre as inúmeras vezes que ele fingiu ser namorado da irmã, só para que nenhum garoto falasse com ela.

ria e negava com a cabeça enquanto Nick contava as histórias com orgulho. Sam revirava os olhos demonstrando sua irritação e seus pais ouviam atentos o que o filho falava.

- E você acha que você está certo? - Questionou o irmão que olhou para surpreso.
- Claro, ou você acha que eu vou deixar ela ficar com esses caras? - Retrucou, achando que estava coberto de razão.

Samantha pegou uma fruta e usou a desculpa de que ia dormir mais um pouco, só para sair de lá. Ela odiava ser o centro das atenções, principalmente quando os assuntos eram sobre relacionamentos.

- Quando vocês vão perceber que a Samantha cresceu? - perguntou assim que percebeu que a sua irmã não escutaria aquela conversa, alternando seu olhar de seus pais para o seu irmão.
- Como? - Nicholas estava tão focado em comer a sua salada de frutas que não conseguiu entender o que seu irmão queria dizer.
- Tudo bem que ela vai ser sempre a nossa menininha, mas vocês não precisam tratar ela como uma criança.

Seus pais escutavam a conversa em silêncio, se era porque eles sabiam que estavam errados ou porque discordavam do filho, não sabia dizer.

- , ela só tem 16 anos, eu não vou deixar que esses garotos brinquem com ela. - Nick deixou claro a sua preocupação com a irmã, fazendo pensar se tudo o que ele fazia era apenas pra proteger a Sam.

ficou algum tempo em silêncio, parecia estar pensando no que responder para o irmão enquanto bebia um pouco do seu suco.

- Vocês precisam tratar ela como uma garota de 16 anos. Ela precisa sair, se divertir, conhecer pessoas novas, sem ter o Nicholas do lado como segurança. Vocês têm que confiar na Samantha. – Disse, olhando para os três presentes ali na mesa, não era só Nicholas que precisava ouvir aquilo.

sabia que não era certo o que eles estavam fazendo com a irmã, sabia que todas as vezes que Sam reclamava de alguma coisa com ele, era devido ao comportamento dos seus pais ou do seu outro irmão.

Tinha medo que a irmã se revoltasse e fizesse alguma besteira por causa desse ciúme desnecessário.

- Meu medo é que ela se envolva com pessoas ou com coisas erradas, não me perdoaria se alguma coisa acontecesse com ela. - Josh se pronunciou, seu semblante estava triste e mostrava que, de fato, aquele era o seu maior medo.

Viu sua mãe concordar com a cabeça assim que o seu olhar se direcionou à ela. Eles estavam certos em se preocupar com a filha, mas também não podiam exagerar na dose.
Ela era uma garota como qualquer outra, também tinha suas vontades e ficar presa dentro de casa com certeza não era uma delas.

- Eu sei, pai, mas é um risco que se corre. Você também não tem medo que ela se revolte por ser tratada assim e faça alguma besteira?
- Você ficou louco, ? - Nick encarou o irmão mais velho, como se o que ele tivesse falado fosse um absurdo.
- Não estou dizendo que ela vai fazer isso, mas é algo a se pensar. - Voltou a olhar para os seus pais. - Vocês educaram o Nick e eu muito bem e acredito que estão fazendo o mesmo com a minha irmã, mas pensem com carinho no que falei e conversem com ela, nada melhor que um diálogo para resolver as coisas. - Sorriu antes de se levantar da mesma.
- Não sei se isso é uma boa ideia... - Nick pensou alto, não conseguia aceitar que a sua irmã havia crescido, mas sentiu que o sabia bem o que estava falando.
- Obrigada, meu filho, pode deixar que nós vamos conversar com ela. - Ouvi a voz de sua mãe antes mesmo de sair da mesa e ir em direção ao sofá da sala.


Capítulo 4

Ela

Aquela tarde demorou passar e a cada momento sentia um vazio dentro dela. Não havia conversado com Hope depois daquele desentendimento e sabia que era isso que estava lhe incomodando.
Assim que acabou o seu expediente, arrumou as suas coisas com uma certa pressa, tinha a intenção de encontrar com a amiga ainda naquela tarde.

- Já estou saindo, quero falar com a Hope ainda hoje. - avisou para o seu colega de sala, que lhe deu um sorriso como resposta.
- Tudo bem, só vou terminar de guardar esses documentos aqui e já saio também. Te encontro daqui a pouco.
- Te espero na minha casa. - Sorriu para , que ainda organizava alguns papéis em sua mesa.
- Até mais tarde, . - Acenou para a garota antes que saísse da sala.

Andou em direção onde Hope estava, ela também já estava de saída. Queria se desculpar pelo ocorrido de antes, conhecia muito bem a sua amiga e sabia que ela falava muitas coisas sem pensar e que não era por maldade.
Hope também não tinha culpa de ainda se sentir mal só por ouvir falar de Austin. Se ela não havia superado, isso era um problema só dela.

- Hope? - Chamou a amiga que já andava em direção a saída da sala.

Hope se virou para onde estava, cruzou os braços em frente ao corpo e sem dizer nenhuma palavra, esperou que a amiga iniciasse a conversa.

- Queria te pedir desculpas, acabei me estressando mais cedo.
- Eu percebi. - Disse sem olhar para a amiga.

não queria ficar com aquele peso na consciência por ter discutido com ela, não queria estragar o seu dia por causa de uma pessoa que se quer merecia ser lembrada.

- Já passou, esquece isso. Rola você me dar uma carona hoje? - Hope sorriu de forma amigável para a amiga depois de falar.
- Claro que sim. - Disse aliviada, tinha certeza que as coisas entre elas estavam bem.

A casa de Hope era próxima de onde morava, elas sempre voltavam juntas. Durante o trajeto elas evitaram o assunto da conversa de mais cedo, porém, assim que estacionou o carro na frente do prédio onde Hope morava, a mais nova não conseguiu conter a sua curiosidade.

- Você vai mesmo sair com o ?

apoiou sua cabeça no volante, ficando alguns segundos em silêncio. Respirou fundo tentando não se estressar, havia acabado de fazer as pazes com a amiga, não queria brigar novamente.

- Vai começar com essa história de novo, Hope? Eu não estou te entendendo, você é amiga da gente, devia nos apoiar. - Falou de forma rápida, a sua voz não demonstrava nervosismo, mas a sua impaciência podia ser notada.
- Não é isso, eu só acho que... - Tentou se justificar, mas foi interrompida por .
- Você tem interesse nele, é isso? - Disse a primeira coisa que veio em sua cabeça. No fundo ela só queria entender o motivo de Hope estar agindo assim.

Hope lançou um olhar assustado em direção onde estava, era como se ela tivesse falado a pior coisa do mundo. Negou com a cabeça algumas vezes antes de responder alguma coisa.

- Claro que não, de onde você tirou essa ideia? Ele não faz meu tipo.
- Sei lá, só estou tentando entender porque você está desse jeito. - Tentou se explicar após relaxar o seu corpo no banco do motorista.
- Eu acho que vocês não combinam, só isso. Mas não vou falar mais nada, depois não diga que não avisei. - Disse antes de abrir a porta e sair do carro. - Até segunda, valeu pela carona.

apenas sorriu de canto para a amiga, ainda ficou pensando alguns segundos antes de voltar a dirigir.

Queria muito sair com , mas e se Hope estivesse com a razão? Sentia que com não seria uma coisa só de momento e era isso que a preocupava, ela não suportaria outra decepção.
Chegou em sua casa e encontrou sua mãe e seu irmão dormindo nos sofás que ocupavam um bom espaço da sala. Eles tinham a mania de assistir filmes juntos, mas sempre pegavam no sono antes de acabar.
O barulho da porta se fechando fez com que Victória acordasse, sorriu para a filha assim que a viu parada bem próxima dela. Era assim que era recebida todos os dias em sua casa. Depois que o seu pai faleceu, a sua mãe faz de tudo para preencher o vazio que ele deixou, e isso faz com que ela fique mais presente na vida dos filhos.

- Filha, que bom que você chegou. - Sua voz não negava que ela estava dormindo há um bom tempo.
- Está tudo bem? - Perguntou após se jogar no colo da mãe, que agora já estava sentada.
- Sim, estava assistindo um filme com o seu irmão, mas acabei dormindo, pra variar. - Sorriu fazendo com que sorrisse também.

Victória começou a fazer um cafuné na filha, adorava quando sua mãe ficava mexendo em seu cabelo. Aquilo era melhor que qualquer remédio para insônia, pois não havia se passado nem dois minutos e ela já estava sentido vontade de dormir.

- Mãe, é melhor você parar porque se não eu vou dormir e eu vou sair daqui a pouco. - Não olhou para a sua mãe enquanto falava, seus olhos estavam fechados devido ao prazer que sentia ao receber aquele carinho.
- Vai pra balada?
- Acho que sim, vou sair com o , aquele meu amigo gato do trabalho, sabe? Até que enfim ele me chamou para um encontro. - Deixou um sorriso cheio de significados escapar enquanto explicava para a sua mãe.

As duas sempre foram muito amigas e Victória sabia praticamente tudo sobre a vida da filha. Conhecia tão bem que, foi necessário apenas um sorriso para que ela entendesse que aquele não era um encontro qualquer.

- Saia mesmo, minha filha, fico feliz em saber que você está seguindo em frente. - Disse o que estava passando por sua mente, sorriu de forma gentil para a filha.
- Eu ainda não segui em frente, mãe, mas juro que eu estou tentando. - Depositou um beijo no rosto da mãe antes de sair em direção ao quarto para começar a se arrumar.

Tomou um banho demorado enquanto pensava na vida. Depois de tudo o que aconteceu entre e Austin, nada mais foi como antes. Ela continuava saindo, bebendo e se divertindo. Porém, ela que gostava tanto de sempre ter alguém ao seu lado, acabou bloqueando a passagem de qualquer sentimento novo. simplesmente não conseguia se apegar, sempre tinha a impressão de que passaria pela mesma coisa novamente.
Mas com era diferente, ela já conhecia o rapaz há um bom tempo e não tinha o que reclamar. No fundo sabia que ele jamais faria alguma coisa que a magoasse. E foi essa certeza que fez terminar o banho e se arrumar sem mandar uma mensagem inventando uma desculpa de que estava com dor de cabeça ou sentindo qualquer outra coisa, como ela já havia feito com outros rapazes.
Despediu de sua mãe, já que seu irmão permanecia desmaiado no sofá e foi em direção ao elevador assim que foi avisada de que já a esperava lá embaixo. Estava nervosa, sentindo-se como uma garota no primeiro encontro, prestes a dar o primeiro beijo.

- Quando eu penso que você não pode ficar mais linda, você me aparece desse jeito. - Sorriu antes de depositar um beijo demorado na bochecha de .
- Obrigada, . - Piscou para o rapaz que ainda a observava de boca aberta. - Pra onde vamos? - Abriu a porta e sentou assim que viu ir para o outro lado do carro.
- Eu pensei em irmos em algum lugar para dançar e beber um suco, já que estou dirigindo, e mais tarde podemos ir para minha casa comer e beber bebidas que são permitidas para a nossa idade, o que acha? - Disse enquanto colocava o veículo em movimento.
- Acho ótimo. Conheço um lugar, inclusive estava lá ontem, que é bem divertido, e é bem próximo da loja... - Deixou a sugestão no ar, aquela era a balada que mais gostava de frequentar.
- Vai me dando as direções, pois é pra lá que nós vamos. - sorriu para antes de pisar no acelerador.

explicou o endereço para e não demorou muito para que eles chegassem no local. Durante a viagem até lá, os dois foram conversando sobre o trabalho e a vida, nunca faltava assunto entre eles.
O lugar era composto por um bar, uma pista de dança e algumas mesas. Na parte de cima era o lugar onde as pessoas ficavam mais a vontade. Escolheram uma mesa bem próxima da pista dança e não muito longe do bar. Ambos conseguiam enxergar uma boa parte da balada de onde estavam.

- Então é aqui que é a sua segunda casa? - perguntou enquanto varria o lugar com o olhar.

balançava seu corpo de um lado pro outro, ouvir música e ficar parada era uma missão praticamente impossível pra ela.

- Quase isso, venho aqui sempre. - Falou alto, já que a música do local interferia no diálogo dos dois.
Era incrível como a conversa fluía bem entre os dois. Não existia falta de assunto e muito menos silêncio constrangedor.
Beberam alguns drinks sem álcool, que parecia não ter muita graça para os dois que já estavam acostumados com bebidas fortes. deixou claro para que ela podia beber o que quiser e que ele só não ia fazer o mesmo porque estava dirigindo, porém, preferiu acompanhar o amigo naquelas bebidas para adolescentes.

- Se você quiser beber outra coisa, fique à vontade, como já te disse, só não estou bebendo mesmo porque estou dirigindo. - repetiu o que havia falado mais cedo, sabia o quanto a amiga gostava de beber.
- Já que você insiste tanto, vou pegar uma cerveja. - Brincou com o rapaz antes de se levantar e ir em direção ao bar.

O local estava bem cheio naquele sábado, todos os assentos em frente ao balcão estavam ocupados e muitas pessoas em pé estavam próximos dali.

Andou devagar para não se esbarrar em ninguém, o garçom lançou um sorriso para ela assim que a viu se aproximando, ele já conhecia de vista. Em seguida, o mesmo falou alguma coisa com um homem que estava sentado em sua frente e apontou para ela logo em seguida.
teria questionado a atitude do garçom se o seu olhar não tivesse cruzado com o do rapaz no momento seguinte. Apesar de ter bebido bastante na sexta feira, se lembrava muito bem daquele rosto estranho e das poucas palavras que trocaram na noite anterior.


Capítulo 5


Ele
Por não ter absolutamente nada para fazer, aquele sábado demorou passar. Quando não estava dormindo, estava pensando em tudo o que aconteceu, ainda sentia uma pontada no peito quando as cenas ficavam nítidas em sua mente, sabia que jamais esqueceria aquele momento.
Sabia também que teria que enfrentar aquele problema e não pretendia adiar aquele momento. Quando o dia já estava quase virando noite, tomou um banho e colocou uma roupa quente antes de sair do quarto, já que a temperatura continuava do mesmo jeito. Seus pais e seus irmãos, que estavam na sala assistindo TV, lançaram um olhar confuso em sua direção quando viram ele se aproximar.
- Estou indo no meu apartamento pegar algumas coisas, não demoro. - Avisou para todos que estavam ali presentes, não queria que eles ficassem preocupados.
- Quer que eu vá com você? - Nick se manifestou, enquanto parecia responder alguma mensagem em seu celular.
Todos ali conheciam o suficiente para saber que ele não faria nenhuma besteira, mas mesmo assim eles ainda tinham medo que o nervosismo o transformasse em uma outra pessoa completamente diferente do que ele era.
- Não, é coisa rápida. Quando voltar eu vou sair, se você quiser ir, fica pronto que daqui a pouco eu passo pra te pegar. - Viu seu irmão sorrir animado. Nenhum deles gostavam de ficar em casa no final de semana. - Vou indo lá, tudo bem? - Disse para os seus pais que apenas concordaram com a cabeça.
Eles não tinham o que falar, já era um homem maduro, sabia muito bem o que fazer da sua vida. Despediu-se da sua família e foi em direção ao elevador para descer para a garagem. Não imaginava como seria voltar em seu apartamento depois de tudo, um buraco havia se formado em seu peito desde a noite anterior e só de pensar em voltar naquele lugar, já começava a sentir uma dor insuportável.
Era pior que qualquer dor física, que qualquer agressão ou mal estar, era uma dor que talvez só a morte fosse o remédio. Agora que ele estava sozinho dentro do carro, não tinha motivos nenhum para segurar as lágrimas.
- Você é um idiota, , um idiota. - Disse para ele mesmo enquanto segurava o volante com força.
Todas as pessoas que o conheciam, viam nele uma pessoa forte e determinada, porém, sobre os seus sentimentos, só ele entendia. E sentia muito. Sentia por ter presenciado aquela cena, sentia por ter visto anos de dedicação sendo jogados no lixo, sentia por ver seus planos do futuro sendo destruídos, sentia por ter perdido pessoas que ele sempre nomeou como as mais importantes de sua vida.
Não demorou muito para que chegasse em seu apartamento. Depois de passar pela portaria e ir para o estacionamento, ainda ficou alguns minutos dentro do carro tentando secar o seu rosto e controlar a sua respiração antes de subir. Apertou o botão do elevador que o levaria para o décimo andar e encostou a cabeça no espelho enquanto esperava.
Respirou fundo antes de abrir a porta do seu apartamento, seus olhos flagraram quem ele menos queria ver. Lauren estava deitada no sofá, embrulhada e com um livro na mão. Seu rosto estava inchado e seus olhos cheios de lágrimas. Em um outro momento sentiria pena em vê-la naquela situação.
- Amor, a gente precisa conversar. - Lauren ficou de pé, bem próxima de . As lágrimas em seus olhos já começavam a fazer um caminho pelo seu rosto.
caminhou em direção ao seu quarto sem responder nada e sem olhar para trás, percebeu que Lauren o seguia. Por viajar sempre, sabia exatamente onde ficavam as suas malas. Pegou a maior delas, deixou aberta em sua cama, foi para o seu closet e trouxe consigo uma grande quantidade de roupas.
Lauren assistia tudo de braços cruzados, mas assim que começou a tirar as roupas dos cabides, colocando de qualquer forma na mala, ela não conseguiu se controlar.
- O que você pensa que tá fazendo? - Gritou alto, jogando no chão todas as roupas que estavam na mala.
Lauren tirava todas as peças que guardava, na terceira vez que ela repetiu a ação, ele perdeu a sua paciência e usou toda a sua força para pegar a mala e jogar no espelho que ocupava metade da parede, quebrando o mesmo na hora.
- Dá pra você me deixar em paz? – Gritou, fazendo com que Lauren se afastasse.
A mulher o olhava com um olhar assustado, suas lágrimas ainda estavam presentes em seu rosto e o seu tom de pele estava pálido.
passava a mão pelos seus cabelos desesperadamente, andava de um lado para o outro e olhava para cima como se buscasse uma explicação para tudo aquilo que estava acontecendo.
- A gente precisa conversar. - Repetiu sua fala, falando mais baixo, quebrando o silêncio que havia se instalado no quarto. - Você nunca falou comigo desse jeito. - Prosseguiu quando viu que não pretendia continuar o diálogo.
Foi necessário apenas um olhar de para que Lauren desabasse. O olhar dele era frio e parecia distante, foi isso que fez com o seu choro aumentasse. Aquele homem que estava ali não era o que ela conhecia há quase dez anos, não era a pessoa com quem ela viveu suas maiores alegrias. se transformou em uma outra pessoa em pouquíssimo tempo e a culpa era toda dela.
- Não temos mais nada para conversar e por favor, saia do quarto e não entre até eu terminar de arrumar as minhas coisas. Eu não estou mais aguentando olhar na sua cara.
- Você não pode falar assim comigo, eu sou a sua mulher. - Disse por cima das lágrimas. Sentou-se na cama do lado oposto de onde estava, aquelas palavras pareciam ter levado a sua força.
- Você deixou de ser quando foi pra cama com o meu melhor amigo. Qual o seu problema, Lauren? - Fechou seus olhos enquanto falava, doía demais pronunciar aquelas palavras.
havia assumido o papel de um personagem assim que encontrou com ela. Sua vontade era de chorar, de gritar e de quebrar tudo em sua volta. Mas ele não queria demonstrar seus sentimentos na frente de Lauren, não queria parecer um fracassado.
E todo aquele inferno começou quando passou a chegar em casa bêbado, Lauren sempre brigava com por isso mas ele nunca ouvia o que ela dizia. Ele gostava de beber com os seus amigos, gostava da sensação de leveza que a bebida o fazia sentir. Quando a bebida se tornou mais presente em sua vida, as brigas se tornaram uma coisa comum no relacionamento do casal. Na sexta feira, quando descobriu que a sua reunião importante havia sido cancelada, ele não pensou duas vezes antes de voltar para a sua residência para tentar fazer as pazes com a sua esposa. Mas o que ele jamais esperava era pegar sua mulher e o seu melhor amigo juntos, na cama. Foi um golpe tão baixo que o deixou sem reação, não conseguiu fazer nem falar nada para os dois, a única coisa que passou pela sua cabeça, além da raiva que já estava presente em seu corpo todo, é que ele precisava sair dali para beber. E foi isso que fez.
- Eu posso expli...
- Não, você não pode. - Interrompeu a mulher que não conseguia mais encarar . - E eu não quero ouvir mais nada que saia da sua boca. Você jogou a nossa relação de anos no lixo, jamais vou te perdoar por isso. - Jogou as peças de roupa de qualquer jeito na mala e saiu do apartamento, sem dar uma chance para Lauren se explicar.
Entrou no carro e colocou uma música qualquer para tocar, era como se o silêncio desse vida para os seus pensamentos e, naquele momento, tudo que ele queria era esquecê-los.
Ligou pra seu irmão e pediu que o mesmo o esperasse na entrada do prédio em que seus pais moravam, alguns minutos depois, ambos já estavam indo em direção a balada onde se embebedou na noite anterior.
Apesar de notar que o irmão estava diferente, Nick não quis questionar sobre a ida de em seu apartamento. Ficar tocando naquele assunto não era uma boa ideia, quando se sentisse à vontade para falar, Nicholas estaria ali para ouvi-lo.
- Você leva o carro. - entregou a chave do carro para Nicholas assim que se sentou em frente ao balcão do bar.
Nick sabia que o plano de naquela noite era encher a cara de álcool. Como nunca foi fã da bebida como o irmão e não via nenhum problema em ficar sem beber naquela noite, optou por ficar sóbrio, assim ele poderia dirigir e evitar algum acidente.
- Está melhor? - ouviu o garçom perguntar após entregar o seu pedido. A sua cara de assustado fez o garçom entender que não fazia ideia do que ele estava falando. - Você estava aqui ontem... - Continuou fazendo com que tivesse alguns flashbacks dá noite anterior.
- Ah, claro, desculpe, é que eu não estava me lembrando de você.
- Então você não deve lembrar que foi super grosso com uma mulher que só tentou te ajudar. - Pensou alto, viu a preocupação tomar conta do semblante de .
- O que eu fiz? - Perguntou enquanto via o garçom alternar o seu olhar para onde ele estava e para outro canto da balada.
- Você pode perguntar pra ela mesmo, ela está vindo pra cá. - Disse antes de sair para atender outras pessoas.
Nicholas já não estava mais perto de , provavelmente já estava conversando com alguma mulher, ele não perdia tempo. Sem estender muito bem o que o garçom havia falado, olhou para onde o garçom estava olhando segundos antes. Seu olhar encontrou com uma mulher extremamente linda, ela também o olhava mais com um certo receio, fazendo com que ele ficasse confuso.
- Quero uma cerveja, por favor. - A mulher pediu depois de parar ao lado de onde estava sentado.
O garçom que antes conversava com , pegou a bebida para ela e lançou um olhar para ele como se estivesse pedindo para fazer alguma coisa.
- Ei, espera. - Segurou o braço da mulher que o olhou assustado, soltou ao perceber que ela havia parado os seus passos e estava esperando uma explicação. - Fiquei sabendo que fui grosso com você ontem, apesar de não lembrar, e eu só queria te pedir desculpas. Não sei o que te falei, mas tenho certeza que se eu não tivesse bebido, nada teria acontecido.
- Tudo bem, eu vi que você não estava bem e só quis ajudar, mas já passou. - Sorriu de forma gentil para , que retribuiu logo em seguida.
- . - Se apresentou, pegando na mão da mulher com delicadeza quando um silêncio nasceu entre os dois. - Muito prazer.
- . - Retribuiu o cumprimento sem deixar de sorrir. - O prazer é todo meu.
Sem saber mais o que falar para consertar o seu erro, disse a primeira coisa que veio em sua mente:
- Como um pedido de desculpas, o que acha de sentar aqui para tomarmos alguma coisa, ? - Foi gentil, no fundo ele só queria causar uma boa impressão e mostrar que não era um babaca. E, naquela situação em que ele se encontrava, conversar com alguém ia lhe fazer muito bem.
- Obrigada, mas eu estou acompanhada. - Sorriu de canto e apontou para um rapaz que estava sentando sozinho em uma mesa, observando os dois. Andou até lá logo em seguida.


Capítulo 6


Ela
- Algum problema? - foi questionada por assim que sentou de frente para o rapaz.
Olhou para onde mantinha a sua atenção e notou que ele observava o rapaz com quem ela havia trocado algumas palavras anteriormente.
- Não, aquele homem só estava me pedindo desculpas. Ontem ele estava aqui, estava bêbado e acabou sendo grosso comigo.
Explicou e logo em seguida eles começaram a conversar sobre outros assuntos. Para , era ótimo estar perto de , o garoto conseguia arrancar alguns dos seus sorrisos com facilidade. era sempre tão presente, carinhoso e prestativo, que mal conseguia explicar. Aquelas poucas horas em que passou com ele já havia trazido uma alegria para ela, e faria de tudo para sentir aquilo para sempre.
- Vamos pra minha casa? Estou morrendo de fome. - confessou enquanto sorria para . Pra falar a verdade ele não conseguia ficar sério quando estava perto dela.
- Vamos. - Ela se levantou e ambos se dirigiram para o caixa da balada.
Não houve muita conversa entre os dois durante o percurso até a residência de , ambos estavam ocupados cantando as músicas que passavam na rádio.
Uma outra qualidade de , era fazer com que se sentisse a vontade ao seu lado para fazer o que quiser. A garota cantava como se estivesse embaixo do chuveiro da sua casa, não ligava se estava desafinada ou fora do ritmo, também parecia não se importar.
- Não repara a bagunça. - Ele pediu assim que entrou na casa.
- Não vou reparar porque ela não existe. - Disse depois de varrer a casa com o olhar.
já tinha ido na casa dele algumas vezes, mas sempre tinha mais gente no local , e ela nunca tinha parado para reparar todo o ambiente.
Enquanto estava procurando um CD, ela teve tempo para reparar toda a sua sala. O cômodo era impecável, tudo muito bem organizado e até as cores dos móveis combinavam com as paredes. Aquilo só deixava claro que nem sempre as residências de homens são desorganizadas.
- Eu amo essa música. - falou bem próximo do ouvido de , após segurar em sua cintura.
Enquanto ela observava toda aquela beleza da casa, usou o seu tempo para diminuir as luzes e colocar uma música pra tocar. O som tomou conta do local, ficou de frente para e depositou suas mãos no pescoço do rapaz enquanto os dois dançavam lentamente.
- Ed Sheeran? - reconheceu a voz do cantor que acabou com todo o silêncio do ambiente.
- Você vai duvidar que eu sou hétero se eu te disser que sou completamente apaixonado por esse cara?
- Talvez eu duvide. - Provocou o rapaz que deu uma risada gostosa para ela.
- E o que que eu posso fazer para acabar com a sua dúvida? - Parou de dançar para olhar nos olhos dela.
Mesmo com a falta de luz, conseguia enxergar o brilho deles.
- Não pensei nessa parte ainda. - Sorriu de forma inocente para que apenas negava com a cabeça.
ainda ficou olhando para por alguns segundos, depois, os lábios do rapaz contra os seus fizeram com que ela fechasse os olhos para aprofundar o beijo.
Enquanto as mãos de pareciam estar coladas no pescoço de , as do rapaz caminhavam em sua cintura no ritmo da música.
- E então? - falou mais baixo já que os dois estavam bem próximos um do outro, depois de depositar um beijo no topo da cabeça de .
- Beijar bem não comprova que você é hétero. - Fez gargalhar com a sua resposta, antes de beijá-la mais uma vez.
E foi trocando beijos, conversas e risadas que os dois passaram um bom tempo juntos. Até esquecerem de beber como haviam combinado, eles tinham coisas melhores pra fazer. Já se passavam dá meia noite quando os dois foram pra cozinha devorar uma torta de morango. O gosto estava tão divino que só acreditou que foi que havia feito devido a aparência da sobremesa que não estava muito agradável. Não era que estava duvidando da capacidade do amigo, o problema era que a torta estava saborosa demais para ter sido feita por alguém que não fosse um chefe profissional.
- Já está tarde, né? Acho que já está na hora da mocinha ir pra casa. - A voz de despertou os pensamentos de .
Tudo que menos queria era sair dali, os seus planos era passar a noite com . Fazia tanto tempo que ela não ficava com alguém, que ela não se entregava... Não tinha dúvidas de que com ela não se arrependeria, porém, infelizmente os planos dele eram o oposto de tudo o que ela planejou.
- Você tá falando sério? Eu achei que... - Tentou explicar, mas lhe faltou as palavras.
- Eu não quero que você pense que eu te chamei pra sair só pra te levar pra cama. - entendeu o que ela queria dizer e explicou o que estava acontecendo no momento seguinte.
- Mas eu sei que você não quer só isso, quantas vezes eu já te disse que você é diferente de todos os outros caras?
não estava implorando para passar a noite ali, ela só queria deixar claro que era especial, que ele lhe passava confiança e que, de fato, era diferente de todos os outros rapazes que ela havia conhecido.
- , eu sei sobre todos os relacionamentos que você já teve e é por isso que estou agindo assim. Você sabe que eu não quero só ficar com você, não sabe? - Viu a garota afirmar com a cabeça. - Eu também quero que as coisas entre a gente sejam especiais, quero ser diferente de todos os babacas de que já te magoaram. Você pode até se assustar comigo falando isso no primeiro encontro, mas eu estou sendo sincero com você. Não estou te prometendo um relacionamento, mas se rolar eu vou te tratar como você e qualquer outra mulher merece ser tratada. E se não rolar, eu quero ter sido especial o suficiente para que as nossas lembranças não te tragam nem dor, nem sofrimento.
Respirou fundo depois de falar enquanto observava os olhos de brilharem, ele até se arriscaria em dizer que havia lágrimas ali. sabia muito sobre a vida amorosa de , principalmente sobre o seu último relacionamento que deixou marcas profundas nela. merecia alguém que cuidasse do coração grandioso que existia ali dentro, alguém que a fizesse sorrir a todo momento. merecia ser feliz no amor e, estava disposto a lhe apresentar essa felicidade.
- Esse foi o fora mais lindo que eu já levei. - Sorriu antes de abraçar que estava sentado ao seu lado. - E eu entendo você, de verdade. Obrigada por ser essa pessoa que você é, pessoas assim são raras e eu tive sorte em te conhecer. Você não imagina o quanto você é importante pra mim.
- Quem em sã consciência daria um fora em você? - Brincou para descontrair, sentiu a risada de contra o seu pescoço. - E não precisa agradecer, você sabe que vou estar sempre ao seu lado e o que eu puder fazer por você, eu vou fazer.
- Já que você não quer mais ficar comigo, acha que já pode mesmo me levar pra casa né? - Brincou, sabia que tinha intimidade suficiente para falar qualquer coisa com o rapaz sem se preocupar.
Ela já havia entendido o lado do , mas com certeza ainda ia fazer muitas brincadeiras em relação aquela conversa dos dois.
- Acha que eu sou fácil assim, garota? - Piscou para ela antes de sorrir. - Só vou ir ao banheiro e já te levo em casa, . - Avisou antes de sair em direção ao seu quarto.
Deixou na sala, sorrindo por estar ali, naquele lugar, com aquela pessoa. Apesar de tudo que ela já havia passado, ainda tinha a mania de achar que ela era uma garota de sorte.
Enquanto dirigia em direção à casa de , os dois conversavam animadamente. O momento na casa do rapaz fez com que ele lembrasse dos encontros constrangedores que tivera na adolescência.
- Eu era muito feio na adolescência, não que eu me ache bonito agora, mas o tempo foi um pouquinho generoso comigo.
- Você é muito exagerado. - negou com a cabeça, enquanto ouvia os relatos do amigo.
- Mas é sério. Uma vez uma menina do colégio disse que não ia sair comigo porque a única coisa que eu tinha de bonito era o óculos. Nossa, eu chorei por uma semana. - Disse com certo pesar, fazendo com que chorasse de rir.
- Você é ótimo, . - Limpou os vestígios de lágrimas que tinham em seus olhos. Era sempre assim, sempre chorava quando ria por muito tempo.
- Não ri não, eu sofri muito com isso tá? - Colocou a mão que não estava no volante no peito, como se estivesse sentindo alguma dor. - Vai dizer que você também não tem nenhuma história assim pra contar?
segurou o queixo com a mão, tentando lembrar dos acontecimentos passados. Sorriu quando seus pensamentos lhe corresponderam.
- Lembrei de uma coisa. Eu era BV e estava assistindo um campeonato de futebol que sempre tinha no colégio, o menino que eu gostava chegou, sentou do meu lado e me abraçou. Eu juro que ele só fez isso e eu comecei a tremer de um jeito assustador, ele perguntou por que eu estava tremendo e eu menti dizendo que era porque o meu amigo estava jogando e eu estava nervosa por causa dele. Ai eu usei a desculpa de que precisava ir ao banheiro, sai de lá e pedi pra minha amiga avisar que eu não queria ficar com ele.
- Imagina o quão emocionante é abraçar alguém que não para de tremer. - Provocou e recebeu um dedo do meio como resposta.
- Eu estava nervosa, naquela época eu só sabia usar a minha boca para comer. - Começou a rir quando viu a cara que fez ao ouvir aquela frase.
- Tá vendo? Você era a que dava os fora, e eu era o que os recebiam.
- Mas hoje em dia, parece que o jogo virou, não é mesmo? - Lançou um olhar desafiador pro rapaz, que gargalhou antes de puxar sua mão pra depositar um beijo ali.
Segundos depois já estava parando o carro na rua onde ela morava.
- A princesa já está entregue. - Aproveitou o momento para fazer um carinho na bochecha de .
- As duas da manhã? O certo seria meia noite, não?
- Tempos modernos, baby.
- Obrigada pela noite, . - Segurou a mão do rapaz, enquanto se perdia naquele olhar.
- Eu que agradeço, . - Falou antes de beijá-la novamente.
- Até segunda. - Se despediu ao sair do carro.
- Até segunda. - respondeu, antes de começar a fazer o seu caminho de volta pra casa.
E aquela noite foi tão especial para os dois que, com certeza eles lembrariam dela antes de dormir, isso se algum deles conseguisse pregar os olhos durante a noite.


Capítulo 7


Ele

Beber era mágico, era como se se transformasse em uma outra pessoa, era como se a bebida fosse capaz de amenizar todos os seus problemas e era por isso que ele sempre bebia, mais ainda quando estava mal.
Uma sensação de leveza já havia tomado conta do corpo de e aquilo era tudo que ele queria sentir no momento. começou a beber aos 19 anos de idade, mas antes disso ele já havia provado algumas bebidas. Depois disso, beber começou a fazer parte da sua rotina, e quando ele ficava alguns dias sem consumir bebidas alcoólicas, sentir o gosto de qualquer líquido forte em sua boca se tornou um dos seus maiores prazeres.
- Mais uma. - Apontou seu copo de cerveja vazio para o garçom.
O local já começava a ficar vazio devido ao horário, ainda estava sentado em frente ao balcão enquanto Nicholas trocava beijos no meio da balada com uma loira que ele havia conhecido ali.
- Olha, eu tô aqui pra vender, mas eu acho que você já passou dos seus limites, não? - O garçom questionou, viu fechar a cara no mesmo momento.
- Pega a cerveja pra mim. - Seu tom de voz estava alterado, demonstrando seu nervosismo.
ficou de pé de frente para o garçom, se apoiou no balcão para não cair, tudo isso graças a grande quantidade de álcool que ele já havia bebido.
- Você mal está conseguindo ficar em pé. Eu quero vender minhas bebidas, mas não quero que ninguém morra na minha frente não. - Falou mais alto para que a música alta não conseguisse atrapalhar o diálogo.
tentou segurar o garçom pela camisa, mas não conseguiu, era como se ele não tivesse forças. Seu rosto estava vermelho, o garçom conseguiu deixa-lo extremamente nervoso. Tentou pegar um dos copos que estavam vazios em sua frente mas o garçom conseguiu segurar as suas mãos com facilidade, ele estava bêbado demais para revidar.
- O que você está fazendo, ? - Nick se aproximou do irmão assim que viu o que acontecia no bar. - Você ficou maluco?
- Eu só quero mais uma cerveja. - Sua voz embriagada deixava claro o estado em que ele se encontrava.
O garçom o soltou quando viu o irmão se aproximar. Nick lançou um olhar envergonhado para o garçom que apenas forçou um sorriso. Ele já devia estar acostumado com aquilo.
- Você já bebeu demais, já é hora de ir embora. - Soou firme, viu lançar um olhar furioso para o garçom e se distanciar do balcão no mesmo momento, sem dizer nada.
Nicholas despediu do garçom com um aceno enquanto direcionava o irmão para o caixa da balada.
Foram o caminho todo sem dizer uma palavra e, assim que chegou, foi direto para o seu quarto, nem notou a presença da sua mãe na sala.
- anda bebendo demais. - Nicholas comentou com Bethany, que ainda estava acordada, lendo um livro na sala, provavelmente estava esperando por eles.
- Eu sei, e isso me preocupa. - Seu tom de voz demonstrava tristeza, seu olhar dizia o mesmo.
- O pior é que ele é cabeça dura, não quer escutar ninguém. - Nick comentou enquanto depositava as chaves do carro na estante da sala.
Nicholas sempre foi um rapaz responsável. Gostava de sair, namorar e até beber de vez em quando, mas sabia muito bem os seus limites.
- Amanhã vou ter uma conversa com ele, meu filho, vai ter que me ouvir. - Falou com um certo pesar, logo em seguida despediu de Nick e ambos foram dormir.
A noite passou muito rápido, ou então estava indisposto demais para enfrentar aquele domingo. Acordou assim que ouviu a voz de sua mãe lhe chamando, eles sempre tomavam o café da manhã juntos.
Tomou um banho e logo em seguida ingeriu um comprimido para dor de cabeça, ela sempre aparecia depois de uma noite de bebedeira. Desceu e cumprimentou seus pais e irmãos assim que se sentou à mesa.
- Pai, eu posso sair hoje? - Samantha aproveitou o silêncio no local para falar.
Gostava de pedir as coisas sempre quando tinha mais alguém presente, se ela levasse um não, pelo menos não seria uma resposta grosseira. Falava direito com Josh depois que notou que a resposta de sua mãe não mudava, ela sempre dizia que só deixaria Sam fazer alguma coisa se o pai dela também deixasse.
- Depende, pra onde você quer ir? - Interrogou a filha enquanto saboreava um pedaço de bolo.
- Em uma festa. É aniversário de uma amiga do colégio. - Forçou um sorriso, sabia que poderia ouvir um não do seu pai.
- Aniversário no domingo? - Nick fez seu questionamento, enquanto encarava o olhar assustado da irmã.
- O que é que tem? O aniversário dela é hoje, e é só para os amigos mais próximos. - Respondeu de forma rápida, ela só queria acabar com a dúvida do irmão.
- Já estava me animando pra ir. Deve ser festinha de pijama, tô fora.
- E por acaso você foi convidado, Nicholas? - entrou na conversa, fazendo com que a irmã segurasse o riso e o irmão fechasse a cara.
- Filha, não sei se é uma boa ideia. Ainda mais que o seu irmão não pode ir pra cuidar de você. - Beth comentou, notou a tristeza no olhar da filha no mesmo instante.
- Mas mãe... - Tentou falar, mas foi interrompida por seu irmão mais velho.
- Se vocês deixarem, eu posso levar ela e buscar, não tenho nenhum compromisso hoje. - sugeriu, para a felicidade da irmã.
Assim como Nicholas, também sentia ciúmes da irmã, mas depois que ele saiu da casa de seus país, começou a pensar de uma forma diferente. Era maravilhoso ter o seu espaço e a sua liberdade, e sabia que a sua irmã também precisava disso.
- Se for assim, por mim tudo bem. Só não quero que você demore muito.
- Obrigada, pai. - Sam sorriu para o mais velho enquanto recebia um sorriso do irmão.
Domingo era um dia para ficar em casa. Os cinco passaram a tarde toda conversando comendo e assistindo, era tudo que eles mais gostavam de fazer. Sabiam que era uma família diferenciada, sabiam que nem todos tinham aqueles momentos de lazer juntos. Apesar das correrias do dia a dia, todos eles separavam o domingo para fazerem coisas juntos, inclusive nada. Mesmo não morando lá, todo domingo se juntava a eles, as vezes quando a sua semana era estressante só ao lado da família era que ele conseguia relaxar.
Quando já estava quase escurecendo, e Sam subiram para se arrumarem. Assim que o relógio informou que já era quase oito horas da noite, desceu e encontrou a sua mãe na sala, lendo um livro.
- Achei que eu estava atrasado mas a Sam nem desceu ainda. - Disse aliviado enquanto se sentava de frente para a sua mãe.
- Filho, eu queria aproveitar que ela ainda não desceu e conversar com você dois minutinhos. - Parou sua leitura para olhar nos olhos do filho, que a ouvia atentamente.
- Aconteceu alguma coisa, mãe? - Lançou um olhar em direção à mais velha, que matinha uma expressão preocupada em seu rosto.
- Eu estou preocupada com você, meu filho. Você anda bebendo demais e eu tenho medo que aconteça alguma coisa com você. Eu sei que você é um cara responsável, mas ontem quando você chegou aqui parecia outra pessoa. Hoje o seu irmão veio me falar que você queria brigar com o garçom, é isso que você quer pra sua vida?
abaixou a cabeça enquanto ouvia tudo que a sua mãe falava, o pior era saber que tudo era verdade. sabia que estava exagerando, sabia que isso podia prejudicar a sua vida, mas ele não sentia vontade de parar. Também não queria que a sua mãe ficasse preocupada, não queria ser um peso pra ela e nem queria que os seus problemas fizessem parte da vida dela.
- Me desculpe, mãe, mas ultimamente eu ando com tanta coisa na cabeça que só a bebida consegue me distrair um pouco. - Foi sincero, de fato usava a bebida como um meio de escapar dos seus problemas.
- Eu só quero o seu bem, meu filho. Eu me preocupo muito com você.
- Eu sei, mãe, e agradeço por isso. Mas pode ficar tranquila que eu vou tentar me controlar. - Sorriu antes de se levantar para ir depositar um beijo no topo da cabeça de Bethany.
- Vamos? - Samantha apareceu na sala assim que os dois pararam de conversar.
A garota estava com os cabelos soltos, um vestido soltinho florido, e uma sapatilha cor de pele. Sam foi questionada por sua mãe sobre não estar com uma roupa de festa e sem salto, ela apenas respondeu que era uma festinha simples e que não tinha necessidade para tudo aquilo. Se despediram de sua mãe e logo em seguida os dois saíram do apartamento, quando Beth estava prestes a retomar a sua leitura a porta se abriu e ela enxergou o rosto de no vão entre a porta e a parede.
- Mãe, pode ficar tranquila que hoje eu não vou beber. - Piscou e sorriu para ela antes de fechar a porta novamente.
Aproveitou o momento a sós com a irmã para conversarem. Sentia orgulho por ter uma irmã tão nova e ao mesmo tempo tão madura. Apesar de ser tão jovem, Samantha sabia conversar, sabia opinar sobre determinados assuntos e principalmente sabia ouvir. Mesmo sendo tímida, ela conseguia se soltar ao lado de , se sentia a vontade para conversar sobre quase tudo com ele.
Quando um pequeno silêncio nasceu entre eles, Samantha sentiu vontade de questionar o irmão.
- , e como você está? Você está tranquilo mesmo ou é impressão minha?
- Eu estou apenas fingindo, maninha, e pelo jeito está dando certo. Mas por dentro eu estou acabado. - Respirou fundo e segurou o volante com um pouco mais de força antes de continuar. - Mas uma hora isso passa, sempre passa.
- Eu queria poder te ajudar, . - Sam abaixou a cabeça derrotada, sentia-se inútil por não saber o que fazer em momentos como aquele.
continuou em silêncio enquanto estacionava o carro em frente ao endereço que a sua irmã havia lhe passado, assim que o veículo parou por completo ele se virou para ela para continuar o diálogo.
- Você existe, quer ajuda maior que essa? Só em saber disso eu já tenho motivos o suficiente para continuar seguindo em frente.
Um sorriso sincero nasceu entre lábios de Sam após ouvir aquilo. Sentiu vontade de chorar, mas tudo que ela menos queria no momento era estragar a maquiagem.
- Eu te amo. - Disse com ternura antes de abraçar o irmão pelo pescoço.
- Eu também te amo, demais. - Retribuiu o carinho na mesma intensidade. - Bom, agora vá curtir a festa porque não podemos chegar muito tarde, sabe como é o senhor Josh, né?
- E como sei. - Revirou os olhos, fingindo estar incomodada antes de sorrir para o irmão.
- Então meia noite eu passo aqui para pegar a minha princesa. - Comentou assim que a irmã saiu do veículo.
- Só não se assuste se ela estiver sem o seu sapatinho de cristal. - Brincou antes de começar a andar em direção ao prédio.
- Juízo, viu? - Gritou quando ela já estava parada em frente ao portão de entrada.
- É o que eu mais tenho. - Respondeu depois que falou alguma coisa, que não conseguiu escutar, na portaria.
E assim que ela entrou, ligou o seu carro novamente e seguiu para o seu próximo destino.
Ele ainda tinha algumas coisas para resolver naquela noite.


Capítulo 8


Ela

não se lembrava a quanto tempo não acordava daquele jeito. Uma alegria e uma paz interior foram dar bom dia a ela. Aquela noite ao lado de foi especial, se ela soubesse que tudo seria tão bom assim, não teria perdido tanto tempo sendo apenas amiga do rapaz.
Depois de tomar o seu banho, sorrindo para as paredes, e se arrumar, foi encontrar com sua a mãe e com o seu irmão para tomarem café da manhã juntos.
- Bom dia. - cumprimentou os dois assim que se sentou a mesa.
- Bom dia, querida. - Victoria dirigiu a palavra filha com um sorriso nos lábios.
- Achei que ia acordar mais tarde, pela hora que você chegou... - Dylan, seu irmão mais novo, provocou, fazendo com que a irmã sorrisse enquanto negava aquilo com a cabeça.
- Você praticamente entra em coma quando dorme, impossível saber a hora que eu cheguei. - Falou para o mais novo enquanto se servia.
- Você que pensa...
- Toma seu café aí e fica quieto, porque eu estou bem humorada hoje, mas se você me provocar eu jogo uma torrada na sua cara sem pensar duas vezes. - Mostrou a língua para o irmão, arrancando gargalhadas do mesmo e de sua mãe.
Dylan aproveitou o momento para contar para a sua mãe e irmã que sua filha passaria a segunda feira com ele. Aos dezoito anos de idade Dylan descobriu que sua, até então, atual namorada estava grávida, foi um choque para todos pois não era algo que eles haviam planejado. Sabia que tudo mudaria, se pudesse voltar atrás ele teria evitado, mas naquele momento o que lhe restava era arcar com as consequências dos seus atos. Sua vida mudou por completo assim que sua filha, Julie, chegou ao mundo, mas a alegria que ele sentiu ao ver sua filha assim que ela nasceu, supriu todos os seus problemas.
Se Dylan tivesse mudando algumas atitudes antes de sua filha nascer, talvez ele ainda estaria com , sua ex namorada. Foi só quando Julie veio ao mundo que ele descobriu que precisavam amadurecer o quanto antes, porém, já era tarde demais para salvar o seu relacionamento que já havia se desgastado. Mas felizmente a maturidade de ambos contribuíram para que, mesmo separados, Dylan conseguisse acompanhar o crescimento de sua filha. Ele e se tornaram amigos em prol da vida de sua filha e ele seria eternamente grato por isso.
- Ah, tenho mais uma coisa pra falar. - Dylan comentou quando sua mãe e sua irmã se acalmaram, era sempre uma festa quando ele falava que ia levar sua filha pra lá.
- O que foi, meu filho? - Questionou apreensiva depois de ver o seu filho coçar a cabeça, mostrando o seu desconforto.
- Eu preciso que vocês saiam de casa essa noite, eu vou trazer uma garota pra cá hoje. - Deixou um sorriso sínico escapar enquanto via lançar um olhar significativo em sua direção.
- Maninho, sinto muito, mas não vou poder te ajudar nessa. Hoje eu não estou a fim de sair, só quero descansar. Mas por que você não a leva pra outro lugar? - Seu tom de voz mostrava que o que ela havia dito tinha um outro sentido.
- Hoje não vai dar, tem que ser aqui mesmo.
- Filho, hoje eu não vou sair também. Mas pode trazer ela que não vamos atrapalhar em nada, inclusive, vai ser um prazer conhecer sua nova namorada. - Victoria sorriu animada, enquanto Dylan revirava os olhos, se segurava para não rir também.
- Ela não é minha namorada, mãe.
- É ficante, mãe. - completou.
- Na minha época não era assim não, se andavam de mãos dadas já eram namorados. - Relembrou do passado, compartilhando as lembranças com seus filhos.
Victoria também aproveitou o momento de diálogo com os filhos para questionar sobre a noite anterior. contou para ela o que aconteceu e deixou claro o quanto estava feliz por ter ficado com , fazendo com que sua mãe ficasse feliz também. Quem não gostou muito da história foi Dylan, o rapaz morria de ciúmes da irmã.
Talvez por saber como a maioria dos garotos eram, Dylan se sentia no direito de proteger a sua irmã, já que ela não tinha mais o pai presente para fazer esse papel. Ele sempre gostava de saber onde a irmã estava, com quem e quando voltaria. Para não ter problemas, sempre avisava a sua mãe e ao seu irmão quando ia sair, mesmo achando que aquilo não era necessário. Ela sabia muito bem o que podia fazer ou não e também sabia se cuidar.
Durante a tarde, recebeu a visita de Hope, sua melhor amiga. Aproveitaram o tempo juntas para conversarem enquanto assistiam um filme. aproveitou para contar para a amiga sobre o seu encontro com , incluindo todos os detalhes. Ela estava tão feliz que queria dividir sua alegria com todos em sua volta.
- E você acha que ele vai te pedir em namoro? - Hope questionou depois de ouvir toda história.
- Não sei, mas eu espero que sim. O gosta das coisas certinhas, então eu acho que ele não vai apressar nada. - Explicou para Hope que apenas deu de ombros depois de encher sua mão de pipoca.
- Se vocês namorarem e você me abandonar, você me paga. - Fez a amiga sorrir com o seu comentário enquanto recebia um abraço da mesma. - Sai, eu não gosto de grude.
- Eu não vou te abandonar nunca, sua ciumenta.
Passaram mais um bom tempo juntas antes de sua amiga decidir ir embora. aproveitou o tempo livre para continuar a leitura de um de seus livros favoritos. Ela adorava viajar no mundo das letras, nos enredos fascinantes e nos personagens apaixonantes. Por muitas vezes se via perdida no meio daquelas linhas que tinham tanto a dizer.
Já era noite quando a sua atenção voltou para o seu quarto assim que o seu celular tocou, o nome aparecia na tela.
- Alô? - Atendeu alegremente, mantinha o sorriso nos lábios mesmo sabendo que ele não estava vendo.
- Oi, tá ocupada? - Perguntou do outro lado da linha, quase no mesmo momento em que atendeu.
- Não, na verdade não estou fazendo nada, pode falar. - Mentiu só para passar algum tempo falando com ele.
- Eu também não estou fazendo nada, aí liguei para saber como foi o seu dia.
- Digamos que foi um dia de folga normal, passei uma boa parte dele na cama. E o seu, como foi? - Foi sincera, arrancando uma risada dele.
- O meu também, dei muita atenção para a minha cama hoje, acho que ela já estava com saudades de mim. - Sorriu depois de falar, fazendo com fizesse o mesmo do outro lado da linha.
E o tempo acabou passando tão rápido que, quando desligou o telefone, percebeu que mais de duas horas haviam se passado. Em todo esse tempo eles haviam conversado sobre tudo e sobre nada, até o barulho da respiração de ambos se tornou um assunto. Não é que eles não tinham nada de mais importante para conversarem, era que qualquer assunto que aparecia no meio da conversa dos dois acabava se tornando interessante.
Depois de pensar alguns instantes sobre tudo o que já havia acontecido em tão pouco tempo, foi para a cozinha fazer companhia para a sua mãe, já que ela não tinha mais nada para fazer.
Um cheiro já conhecido invadiu as narinas de assim que ela passou pela porta que separava os cômodos. Na mesa já havia duas jarras com sucos diferentes, uma torta salgada e alguns outros lanches. E para completar o banquete, Victoria ainda estava terminando de rechear um bolo de chocolate.
- Vai ter festa e eu não estou sabendo? - questionou enquanto observava aquele exagero de comidas sob a mesa.
- Você esqueceu que o seu irmão vai trazer a namorada dele aqui? - Disse de forma inocente, como se o que ela estivesse fazendo fosse óbvio.
- Mãe, eu não estou acreditando. - respondeu, quase não conseguiu falar devido a sua risada que não podia mais ser controlada.
Sua mãe a olhava de forma confusa, apenas tentando entender o motivo para a filha estar daquele jeito.
- Mãe, a última coisa que eles vão querer é ficar comendo... - ainda não conseguia ficar séria, dava risada entre cada palavra que ela falava. - Até parece que a senhora nunca foi jovem.
- Mas eu pensei que ele estava trazendo ela aqui para apresentá-la a família...
- Mãe, ele vai trazer ela aqui para ficarem mais a vontade, por que você acha que ele pediu pra gente sair hoje? Como ele mesmo disse hoje, ela não é namorada dele. - Piscou para a Victoria que agora também ria da situação.
- É, acho que estou viajando. É assim que vocês jovens falam, não é? - Fez gargalhar mais uma vez com o que ela havia dito.
- Ai, mãe, a senhora não existe. - Disse enquanto se sentava à mesa.
Enquanto experimentava tudo o que a sua mãe havia feito, ela também ouvia tudo o que ela tinha a dizer sobre o seu irmão.
Victoria conseguia ver de longe as mudanças na vida do filho, depois que Julie veio ao mundo. Ele continuava estudando, é só não trabalhava para ter mais tempo para focar na faculdade e para cuidar da sua filha.
Apesar da pouca idade, Dylan enchia a sua mãe de orgulho por não ter abandonado a filha em nenhum momento e por nunca ter usado a idade para se ausentar das suas obrigações como pai.
- Ele me disse que a vai começar a fazer um cursinho na semana, aí ele vai cuidar da Julie durante a noite. - expôs para a sua mãe parte de uma conversa que teve com seu irmão a alguns dias atrás.
- As vezes eu acho que ele ainda gosta dela, sabia? - Sua mãe disse com certo pesar, Victoria gostava muito de ver os dois juntos.
- Eu também acho, mãe. Mas se não deu certo, não podemos fazer nada. Pelos menos eles são amigos, ia ser péssimo para a Julie crescer no meio de brigas.
- É, você tem razão, minha filha.
Continuaram conversando até que Dylan apareceu na cozinha. Estava bem vestido, com o cabelo penteado e era possível sentir seu perfume de longe.
- Ai que gato. - elogiou o irmão que apenas deu uma piscadinha pra ela.
- Ela já está chegando, vocês duas fiquem quietas, sem piadinhas, por favor. - Disse antes de roubar um pedaço de bolo do prato de sua irmã.
- Sim senhor. - respondeu enquanto seu irmão atendia o interfone, que tocou para avisar que a sua convidada havia chegado. Dylan autorizou a subida da garota e desligou logo em seguida.
- Filho, nós vamos pro quarto, fiz algumas coisas aqui pra vocês comerem se quiserem. - Victoria disse e viu o filho acenar de forma positiva com a cabeça.
- Vamos? Mas eu queria conhecer a garota, mãe. - disse com certo desânimo, no fundo ela só queria provocar o irmão.
- , eu te dou dois minutos para você desaparecer daqui. - Fingiu estar bravo, apenas para entrar no jogo da irmã.
- Deixa de ser curiosa, menina, vem, vamos ver um filme comigo. - Empurrou em direção ao seu quarto, sem deixar que ela respondesse alguma coisa antes.
A campainha tocou e Dylan ajeitou a sua roupa pela última vez antes de abrir a porta. Assim que viu a garota em sua frente, não conseguiu segurar o sorriso que nasceu em seus lábios.
- Oi. - Ela disse de forma tímida, assim que ele deu passagem para que ela entrasse na casa.
- Oi. - Ele respondeu antes de presentear a garota com um abraço demorado. - Que bom que você veio, meu anjo.


Capítulo 9

Ele

Enquanto dirigia em direção à balada, seus dedos dançavam em cima do volante no ritmo da música que tocava na rádio. Dois dias haviam se passado e tudo parecia ter mudado tão rápido que nem ele mesmo conseguia entender.
A raiva não havia diminuído, mas ele estava mais controlado, nada que ele fizesse iria apagar o erro de sua ex esposa e do seu ex melhor amigo, isso estava bem claro em sua mente.
O caminho era conhecido e bem próximo, por isso não demorou muito para que ele chegasse ao seu destino. Depois de parar no estacionamento, entrou na balada e se sentou de frente para o balcão, ficou ali esperando alguém aparecer para lhe atender.
- Um refrigerante, por favor. - pediu assim que olhos do garçom da noite passada fixaram onde ele estava. Forçou um sorriso quando viu que o seu pedido surpreendeu o rapaz que trabalhava ali. - Não estou a fim de brigar com ninguém hoje. - Ele explicou, fazendo com que o garçom sorrisse.
A sua vontade de beber era enorme e ele não estava fazendo aquilo pelo seu próprio bem, ele estava controlando a sua vontade por ser preocupar com a segurança de sua irmã e por ter garantido a sua mãe que não faria aquilo naquela noite.
- Isso é ótimo. - Ele respondeu enquanto atendia ao pedido de . - Ontem você estava mal, cara, até brigou comigo só por que eu não quis te vender mais bebidas. Eu só estava preocupado com o seu estado. - Apesar de ser um estanho para o garçom, ele disse aquilo como se estivesse sentido pelo o que aconteceu.
- Me desculpe. - Disse sem jeito após saborear aquela bebida que ele já não bebia há muito tempo. - Eu não sou de brigar, mas sabe como é, né? A bebida transforma a gente.
- Relaxa, eu já estou acostumado com essas coisas. - Respondeu antes de ir atender os outros clientes.
Enquanto observava todo o estabelecimento, aproveitou para lembrar dos seus momentos vividos enquanto estava solteiro. Não havia aproveitado tanto como gostaria, começou a namorar muito cedo e, depois disso, todos os momentos que ele teve foram ao lado de Lauren. Os dois viveram uma boa parte de suas vidas juntos. Tiveram problemas, mas também foram muito felizes. As festas, as viagens, as noites em claro que eles passavam assistindo séries, tudo isso jamais esqueceria, embora fosse essa a sua vontade.
O amor que sentia por Lauren era tão grande, que ele duvidava que algum dia a esqueceria de uma vez por todas. Mas ele precisava seguir em frente, precisava seguir a sua vida e deixar para trás tudo o que aconteceu.
Diversão. Era isso que estava faltando em sua vida. Tomou o seu refrigerante, estranhando o gosto daquela bebida que há muito tempo ele não sentia e andou em direção a pista de dança. A música eletrônica estava alta demais, mas aquilo foi um incomodo para apenas no início. Ele começou a dançar no meio dos desconhecidos e depois de algum tempo, já estava conversando com algumas pessoas.
De vez em quando ele tentava ligar para a sua irmã, porém ela nunca atendia. Mesmo se divertindo, não esquecia das responsabilidades que tinha naquela noite. Concluiu que a Samantha estava curtindo a festa e decidiu fazer o mesmo.
Notou que uma garota loira que estava próxima dele, o observava com um sorriso nos lábios. retribuiu o sorriso e logo em seguida foi em direção onde a garota, que também aparentava estar sozinha, dançava.
- Dança comigo? - Ele se aproximou, falou bem próximo dela, já que a música atrapalhava o diálogo.
- Claro que eu danço. - Ela sorriu mais uma vez, antes de começarem a dançar juntos.
Enquanto dançavam, os dois conversavam como se eles se conhecessem há alguns anos. Quando o cansaço apareceu, depois de dançarem incontáveis músicas sem parar, os dois foram para o bar e lá o diálogo continuou.
Depois de alguns minutos, eles já estavam em um lugar mais reservado trocando beijos e carícias. A vontade de era de ficar ali a noite toda ou sair apenas para irem para um outro lugar em que os dois ficassem mais a vontade, mas ele não havia se esquecido de sua irmã. anotou o telefone da garota, deu mais um beijo de despedida nela, pagou sua conta e saiu da balada antes que ele acabasse cedendo as vontades do seu corpo.
Por um momento se sentiu mal por ter ficado com outra pessoa. O seu coração lhe dizia que ele estava fazendo o mesmo que Lauren fez com ele, mas sua mente sabia que aquilo não era verdade. agora era um homem solteiro, livre para se divertir e para fazer o que sentisse vontade. Aproveitou que estava indo buscar sua irmã para focar na direção e evitar pensar sobre aquela situação.
Mais de vinte e três chamadas feitas para o número da Samantha, nenhuma delas atendida. Já se passavam das duas da manhã e já estava parado há quase uma hora em frente ao prédio em que a amiga de Sam morava.
O porteiro que estava trabalhando naquele horário não sabia de festa nenhuma e ele informou ao que não poderia interfonar em todos os apartamentos, ainda mais naquele horário, já que não sabia nem o nome da amiga da irmã.
Não queria preocupar a sua mãe, mas concluiu que ela deveria saber, no mínimo, o nome da amiga da Samantha, já que ela conhecia uma boa parte delas.
E antes que ele terminasse de discar o número de sua mãe, seu celular começou a tocar, mostrando a foto e o número de Samantha na tela.
- ? - Ele ouviu a voz dela assim que atendeu o telefone, o tom de voz de Sam era baixo e ao fundo uma música tocava.
- Desce agora. - disse bravo, desligou o telefone antes mesmo que sua irmã respondesse.
Depois de uns cinco minutos Samantha entrou no carro em silêncio, percebeu que estava nervoso só pela cara dele. dirigia em silêncio, respirando fundo algumas vezes. Quando ela percebeu que seu irmão não pretendia falar nada, ela resolveu quebrar o silêncio:
- Eu não vi o meu celular tocando, quando vi a hora até assustei, a noite passou muito rápido. - Falou enquanto observava a rua através do vidro, não tinha coragem suficiente para encarar o mais velho.
ainda respirou fundo mais algumas vezes antes de responder, não queria ser muito grosso com a irmã, mas queria deixar claro o quanto ficou preocupado com ela.
- Samantha, eu não disse que passava aqui a meia noite? Por que você não atendeu a merda desse celular? Porra, eu fiquei preocupado, você não atendia, o porteiro não sabia de festa nenhuma, eu já estava ligando pra minha mãe para saber pelo menos o nome da sua amiga. Agora pensa o quanto ela ia gostar de ser acordada as duas e pouco da manhã só porque você simplesmente não me atende. - Falou de uma vez. Enquanto as palavras saiam de sua boca, as lágrimas desciam pelo rosto de sua irmã.
- Eu falei lá em casa que era apenas para os mais próximos, o porteiro não sabia porque não era festa grande. E eu já disse que não vi a hora passar e não te atendi porque não fiquei grudada no celular. - Falou entre as lágrimas, era o seu irmão mais próximo e era a pessoa que ela mais tinha intimidade em sua casa, doía vê-lo falando como seus pais.
- Você tem que aproveitar as oportunidades que eles te dão, mas tem que pensar em não pisar na bola também. Eu já tive a sua idade e sei bem como é essas coisas, e sei que pra mulher é bem mais complicado, mas isso passa, você vai crescer e vai mandar na própria vida. - Aconselhou a irmã, estava mais calmo, mas ainda estava bem sério.
- E até lá vou ter que aguentá-los me tratando como uma criança? E outra, eu não faço nada de errado para eles me tratarem assim, hoje foi só um deslize, mas já passou.
- Imagina se fosse o papai vindo te buscar, ele não ia querer nem te ouvir, ia te deixar de castigo por um ano. - Ele alertou, queria que Samantha entendesse a gravidade da situação.
- Eu já vivo como se estivesse castigada, não ia fazer diferença. - Pensou alto, recebeu um olhar triste de logo em seguida.
- Para de falar besteira, Samantha, eu não aprovo a forma como eles tratam você, mas garanto que eles só querem o seu bem. - Disse depois de ter estacionado o carro na garagem do prédio.
- O meu bem? Sei... - Ironizou antes de sair do carro e subir sozinha em direção ao seu apartamento.
Adolescentes e suas rebeldias, foi o que passou pela cabeça de .
Entrou na casa de seus pais e encontrou sua mãe acordada, assistindo um filme qualquer na TV.
- Oi, mãe, está sem sono? - Disse depois de beijar a testa da mais velha.
- Sim, meu filho, ai estou assistindo para passar o tempo. - Olhou de um lado para o outro se certificando de que estava sozinha com o filho. - O que aconteceu com a Samantha? Ela entrou aqui com a fechada e nem falou comigo.
sabia que Samantha havia pisado na bola e sabia o tamanho da bronca que ela lavaria se os seus pais soubessem o susto que ele levou com a sua irmã naquela noite. Por isso ele optou por não contar nada e resolver ele mesmo aquela situação, sua irmã merecia aquele voto de confiança.
- Tive uma conversa de gente grande com ela, e bem, você sabe como são esses adolescentes... - Deixou de lado o motivo das conversa, mesmo se sentindo mal por não contar toda a verdade para a sua mãe.
- Isso é ótimo, filho. Sei bem como funciona essa fase, por isso me preocupo tanto com ela. - Beth comentou, no fundo ela só queria proteger a filha de qualquer coisa.
- Só tenha um pouquinho de paciência com a Sam, ela vai ter os momentos dela de rebeldia, mas é só uma fase mesmo, vai passar. - Disse de forma amigável para a mãe, antes de beijá-la mais uma vez. - Agora eu vou dormir, estou morrendo de sono.
- Filho? - Bethany o chamou quando ele começou a andar em direção ao quarto, parou, olhou para ela e esperou que ela continuasse a sua fala. - É muito bom te ver assim.
Ela não precisou falar mais nada para que entendesse o que ela queria dizer. Sempre quando ele saia, ele bebia e mesmo quando não morava com seus pais, eles sabiam disso. Ver chegar de madrugada da forma como ele estava, foi um presente para Beth.
- Boa noite, mãe. - apenas se despediu, não falou mais nada, porém o sorriso que nasceu em seus lábios após ouvir as palavras de sua mãe dizia muita coisa.


Capítulo 10


Ela

O céu limpo daquela manhã de segunda feira deixava claro que aquele dia seria agradável. Não tinha como ficar indisposta com aquele sol sorrindo lá fora, não tinha como deixar aquele dia passar sem aproveitar cada segundo dele.
Um aperto invadiu o peito de assim que ela fechou a janela do quarto para descer. Se pudesse, passaria o dia inteiro admirando aquela vista, sentiu-se especial por ter aquele privilégio todas as manhãs. Aprendeu com o seu pai a admirar as coisas que passam despercebidas pelos olhos de todos, ele sempre dizia a ela que a vida era curta demais para não aproveitar simples momentos, por mais insignificante que eles fossem. Depois que ele faleceu, sempre que olhava para o céu era como se ela conseguisse sentir a presença do seu pai, mesmo os seus olhos não o enxergasse ali, o seu coração sentia. E só depois de fazer todo esse ritual era que o seu dia, de fato, começava.
Verificou pela última vez se não estava esquecendo nada antes de descer para tomar o seu café e encontrar seu irmão e sua mãe na cozinha.
- Bom dia. - Cumprimentou os dois, que lhe responderam com entusiasmo.
- Tem alguém animadinho aqui ou é impressão minha? - Olhou para o seu irmão, que tentava decifrar o que ela estava querendo dizer. - A noite deve ter sido muito boa.
- Não enche o saco, . - Não deu muita atenção para irmã, continuou tomando o seu café.
- Você nem deixou a gente pelo menos ver a garota que você trouxe aqui ontem. - Foi a vez de Victoria falar.
Era tão curiosa que, quando já era tarde, ficou na sala só para ver a menina que estava com o seu filho quando ela saísse, mas em um segundo em que ela cochilou, Dylan aproveitou para se despedir da garota, fazendo com que o esforço de sua mãe não tivesse nenhum resultado. Dylan era muito reservado, não gostava de exposições e nem de comentar sobre a sua vida. Esse era um dos motivos pelo qual Victoria pegava tanto no pé do filho. Enquanto desabafava sobre tudo com ela, Dylan comentava sobre sua vida o mínimo possível.
- Pelo amor de Deus, mãe, quando eu estiver namorando, eu apresento pra vocês. Eu não vou apresentar toda garota que eu fico. - Alterou o seu tom de voz, já estava começando a ficar irritado com aquele assunto.
- Tudo bem, eu já entendi, não precisa se estressar também. - A mais velha respondeu, enquanto só observava a situação, escondia sua risada atrás da xícara de café que estava posicionada em frente a sua boca.
- Ah, e da próxima vez, vê se não fica esperando na sala, ou você acha que você eu não percebi qual era a sua?
- Dessa parte eu não estava sabendo, depois eu que sou a curiosa. - riu enquanto sua mãe negava com a cabeça e tentava segurar o riso, Dylan era o único que continuava sério.
- Vocês são chatas, isso sim. - O mais novo pensou alto, viu sua mãe o repreender com o olhar, sem precisar dizer nada.
- Você é que está mais nervosinho do que eu quando estou na tpm. Nem parece que deu uns beijos ontem. - o respondeu, não perdeu a oportunidade de provocá-lo, aumentando ainda mais a irritação do irmão.
- Eu vou pra faculdade que eu ganho mais. - Avisou antes de se levantar da mesa e bater a porta com força logo depois de sair do apartamento.
- Você também, ... - Sua mãe a repreendeu, logo a olhou como se a questionasse. - Sabe como o seu irmão é e ainda o provoca.
- Mãe, nem vem porque a senhora tem mais culpa no cartório do que eu. E isso é frescura da parte dele, logo passa. - Ambas riram e voltaram a tomar o café da manhã, agora em silêncio, até a hora de sair para ir trabalhar.
Assim que chegou ao trabalho, Hope já veio em sua direção, havia uma certa pressa em seus passos. A loira cumprimentou as poucas pessoas que estavam próximas a entrada da loja, logo em seguida ela puxou a amiga para um lugar mais calmo, para que as duas ficassem mais a vontade.
- O chegou mais cedo hoje, trouxe flores e chocolates. - Diminuiu o seu tom de voz para que mais ninguém além de escutasse.
- Deve ser uma surpresa pra mim. - pensou alto, mal estava conseguindo conter o sorriso em seus lábios.
- Deve ser. - Hope revirou os olhos após concordar com a amiga.
- E por que você me contou? Estragou a surpresa, amiga.
- Pra ver se você acorda pra vida. Pelo amor de Deus, , vocês só saíram uma vez, não acredito que já estão pensando em namorar. - Hope negou com a cabeça, como se não acreditasse no que ela mesma estava falando.
- Hope, para de se preocupar tanto comigo, para de me tratar como se eu fosse uma adolescente. Não sei qual é o seu problema com o , quando éramos só amigos você não implicava com ele tanto assim.
- , eu conheço o tipo do , você tá imaginando mil e uma maravilhas com ele e eu sei que não vai ser assim. - Já era possível notar a sua impaciência, Hope não conseguia ficar parada e gesticulava com as mãos sempre que falava. - Eu só quero ajudar, depois não diga que eu não avisei. Quando eu implicava com o Austin,você também brigava comigo, mas depois você viu como eu estava com a razão. - Andou por um dos enormes corredores da loja, antes que a amiga lhe respondesse qualquer coisa.
ainda ficou parada por alguns minutos, processando toda aquela informação recebida. Aquele cuidado excessivo da amiga a incomodava, ela havia ficado com só uma vez, não tinha porque se preocupar. Por outro lado, tinha medo de que, de fato, Hope estivesse certa e que ela repetisse o mesmo erro de antes.
Para , Austin, seu ex namorado, era um verdadeiro príncipe, ela não tinha do que reclamar. Por vê-lo assim, não conseguia entender a implicância da amiga, foi só depois que o seu relacionamento chegou ao fim e toda aquele decepção aconteceu que ela percebeu que Hope sempre esteve com a razão. Austin não era um príncipe e ela estava longe de viver um conto de fadas.
Ela sabia que a amiga queria evitar que ela se machucasse, mas tinha que seguir em frente, tinha que tentar novamente. Assim como ela se enganou com Austin, ela poderia se enganar com , mas ela só ia saber disso se tentasse. Só que depois de pensar em tudo, não sabia dizer se estava preparada para correr o risco, embora fosse aquela a sua maior vontade.
Respirou fundo algumas vezes até se acalmar, não queria compartilhar o seu nervosismo com e nem queria estragar a manhã do rapaz como a sua melhor amiga havia feito com a dela. Deixaria os problemas para trás e assim que ela passasse por aquela porta que separava a sua sala do corredor, começaria o dia de trabalho ao lado de com um sorriso nos lábios, pronta para receber a surpresa, que ela já sabia, do mesmo.
- Bom dia, . - Cumprimentou o amigo com um sorriso nos lábios.
, que já estava revisando algumas planilhas em seu computador, foi pego de surpresa. Assim que viu a imagem de parada próxima a porta, ele sorriu e caminhou em direção a ela.
- Bom dia. – Disse, ficando bem próximo da garota, deixando presa entre ele e a porta.
Antes que ela falasse qualquer outra coisa, a beijou. Um beijo calmo, sem pressa ou segundas intenções, era um beijo acolhedor, um beijo que fez sentir a mesma sensação que sentia quando ele a abraçava.
- Quer que sejamos demitidos? - brincou depois de finalizar o beijo.
- Duvido muito que isso aconteça, é mais fácil a nossa chefe nos dar uma lua de mel adiantada do que sermos demitidos por um beijo no horário de trabalho.
- Você acha?
- Eu tenho certeza, ela me ama e gosta muito de você também. - Bem deixou claro o quanto era convencido só pela sua forma de falar.
deu risada do amigo antes de se dirigir para a sua mesa. A manhã de trabalho foi normal, com muitos afazeres e pouco tempo para conversar. A única coisa que por várias vezes recebeu a atenção de , foi o buquê enorme de rosas vermelhas e a caixa de chocolates que estavam em cima de uma pequena mesa que ficava encostada na parede, entre a sua mesa e a de . O rapaz ainda não havia tocado no assunto das rosas e ela ainda não havia entendido o motivo.
No almoço, ela e almoçaram com mais umas cinco pessoas que trabalhavam na loja, incluindo sua melhor amiga, graças a grande quantidade de pessoas na mesa, ninguém percebeu o clima entre e Hope.
Ao voltarem para o trabalho, as flores e o silêncio de voltaram a incomodar . Ela não queria ser apressada ou pressionar , mas estava doida para saber o motivo para tanto suspense. Sabia que a manhã havia sido corrida, mas aquela tarde estava bem tranquila, então o seu silêncio não era por falta de tempo.
Quando faltavam uns cinco minutos para eles irem embora e os dois já estavam arrumando as suas coisas para saírem, resolveu tocar no assunto e acabar logo com aquele silêncio desnecessário.
- Lindas essas flores. - Apontou com a cabeça para o buquê, recebendo a atenção de logo em seguida.
- Ainda bem que você falou, eu já estava me esquecendo delas.
- Eu percebi. - Falou mais pra ela mesma do que para .
- Gostou mesmo? - Perguntou enquanto se direcionava em direção a pequena mesa para segurar o buquê em mãos.
- Claro, elas são lindas, eu amei. - Respondeu com um enorme sorriso nos lábios e um grande entusiasmo em sua fala.
- Que bom que você gostou, são para a minha mãe, hoje é o aniversário dela. Acredito que ela irá gostar também. - A sua animação em contar a novidade para impediu que ele reparasse a cara que ela fez ao ouvir aquelas palavras. Um sorriso forçado agora pousava em sua boca e ela torcia mentalmente para que ele não tivesse percebido o tamanho da sua animação ao pensar que aquele presente seria para ela.
- Tenho certeza que ela vai gostar sim. Dê os parabéns a ela por mim. - Continuou a falar enquanto tentava recuperar a sua postura normal.
- Obrigada, não vou ter tempo de passar na floricultura agora, por isso fui antes de vir pra cá. Vamos fazer uma surpresa pra ela lá em casa, só para os mais próximos, você não quer ir?
- Obrigada, , mas não vai dar. Minha sobrinha vai lá pra casa hoje, quero ficar um pouco com ela. - Mentiu, aquela era a melhor maneira que ela havia pensado de recusar o convite sem ser indelicada. Ela já havia visto a mãe de apenas umas duas vezes, a sua presença naquele momento de família não era importante.
- Tudo bem, até amanhã então, . - Ele se despediu de forma carinhosa.
- Até amanhã, . - Ela lançou um sorriso antes de se dirigir até a porta.
- Ei, você não está esquecendo nada? - parou de andar assim que ouviu a voz de . Varreu a sua mesa com o olhar e, por não sentir falta de nada, olhou para ele novamente, esperando uma explicação. - Cadê o meu beijo de despedida? - Perguntou com ternura, fazendo esquecer por completo o momento anterior e andar em passos largos até onde ele estava, unindo os seus lábios aos dele, em um beijo longo.


Capítulo 11


Ele

Com tantos problemas para resolver no escritório, não teve tempo para pensar em sua vida pessoal. Mas quando o seu expediente acabou e ele voltou para casa, as lembranças daquela sexta feira apareceu em um passe de mágica, infelizmente ele teria que aprender a conviver com aquilo.
Chegou em casa e encontrou a sua mãe preparando o jantar. Seu pai, que havia saído mais cedo do trabalho, lia uma livro na sala enquanto Nick assistia um canal qualquer de esportes. Sentiu falta de sua irmã e foi informado que ela estava estudando na casa de uma amiga. Trocou poucas palavras com eles e subiu para o quarto, necessitava de um bom banho quente.
Quando desceu, encontrou as mesmas pessoas fazendo as mesmas coisas, era como se o tempo tivesse parado e os congelado naquela posição. Riu do que se passou pela sua mente enquanto se sentava ao lado de Nicholas.
- Que segunda feira mais sem graça foi essa? A faculdade estava um tédio, cruzes. - Nick resmungou, arrancando uma risada do irmão. Nada para ele nunca estava bom e dificilmente ele estava satisfeito com algo.
Quem o conhecia sabia que ele reclamaria das aulas puxadas do seu último ano da faculdade de engenharia civil e das aulas em que não tinha nada pra fazer. Reclamava das atividades porque dizia ser muita coisa de uma para uma pessoa só fazer e reclamava da falta delas por achar um desperdício de tempo ter que acordar cedo pra nada.
- Enquanto isso, o escritório estava uma loucura. - falou aliviado por saber que naquele momento ele estava livre dos seus afazeres.
Os dois irmãos ficaram um bom tempo conversando enquanto o jantar não ficava pronto, eram raros mas gratificantes momentos como aquele. Parecia que havia voltado no tempo, quando ainda morava com os seu pais. Quando ele mudou para o seu apartamento, se sentia diferente quando ia visitar a sua família, mesmo eles sempre falando que ele era de casa, não era a mesma coisa.
Depois de um tempo, todos foram para a mesa de jantar. não conseguia não elogiar a comida de sua mãe, tudo que Bethany fazia era maravilhoso, qualquer coisa que tinha o seu toque se tornava especial. Vez ou outra, durante as conversas paralelas que eles tinham sobre o dia, interrompia o assunto para elogiar novamente cada comida que ele experimentou.
- O papo está bom mas eu tenho que ir buscar a Sam, já está tarde e eu ainda preciso revisar alguns documentos. - Josh interrompeu o assunto dos filhos, que falavam sobre a necessidade de começarem a frequentar uma academia.
- Se você quiser fazer seu trabalho, eu vou lá buscar ela, pai, não tenho nada pra fazer mesmo. - se prontificou em ajudar, vendo que, diferente do seu pai, a única coisa que ele tinha para fazer naquela noite era dormir.
- Se você puder fazer isso, eu agradeço.
- Eu vou com você, , também estou atoa. - Nick disse sorrindo, viu o irmão concordar com a cabeça.
- Filho, ela está na casa da Chloe, é onde ela estava na festinha ontem, você já sabe o endereço. - Bethany avisou, fazendo com que lembrasse do sufoco da noite anterior. Saber daquele nome antes ia servir como uma grande ajuda.
Não havia conversado com a irmã naquele dia, já estava com saudades. Se Nicholas não estivesse indo com ele, aproveitaria o momento para pedir desculpas pela noite anterior, não queria que a Sam ficasse magoada com ele. Mas como não queria que mais ninguém soubesse do ocorrido, deixaria aquele conversa para uma outra hora em que ele estivesse a sós com a mais nova.
Enquanto fazia aquele caminho já conhecido, aproveitou pra contar ao irmão alguns acontecimentos da noite anterior. Além de irmãos os dois eram muito amigos e se sentiam a vontade para conversarem, independente do assunto
- Fiquei com uma garota ontem. - Falou quando o irmão começou a cantar, Nicholas cantando era um castigo para qualquer pessoa com ouvidos.
- Que rápido, já sei a quem puxei. – Brincou, pois sabia que tinha intimidade o suficiente para isso.
- Se eu te falar que estou arrependido, você acredita? Na hora foi bom, mas estou sentindo que fiz o mesmo que a Lauren. - Confessou, aquilo estava martelando a sua mente desde o dia anterior.
- Desencana, , isso não tem nada haver. Foi ela quem fez a burrada, você agora é um homem solteiro, pode fazer o que bem entender. E você tem mesmo é que aproveitar, não vai parar a sua vida por causa de um erro que não é seu. - Aconselhou o irmão que ouviu aquelas palavras com atenção.
No fundo sabia que Nicholas tinha razão, sua vida não podia parar. Aquela era a hora em que ele tinha que começar a viver, desistir naquele momento seria uma traição consigo mesmo, traição que ele jamais perdoaria, assim como a de sua ex esposa.
Ficaram o restante do percurso, que não era longo, em silêncio. Nicholas pensava no quanto o irmão devia estar confuso com toda aquela situação que o pegou desprevenido, enquanto filtrava as palavras do Nick e o que julgava ser certo ou errado.
- É esse prédio aí. - Apontou para o prédio ao lado, assim que parou o automóvel.
- Povo estranho. - Nicholas pensou alto, chamando a atenção do irmão que escrevia uma mensagem para a irmã, avisando que estava esperando por ela.
- Quem? - Quis saber enquanto apagava as palavras escritas em seu celular. Desistiu de enviar a mensagem, achou melhor ligar, seria mais prático.
- Na sexta eu fui pegar a Chloe para ir na festa com a gente, ele não morava nesse ai prédio não. - Ele explicou enquanto reparava o local por completo.
Aquela informação atingiu como um tiro a mente de . Logo as lembranças da demora da irmã no outro dia, a festa com poucos convidados, o porteiro que não sabia de nada, tudo isso veio a tona. Esperava que a sua cara não tivesse o denunciado, não queria que seu irmão percebesse o que estava passando em sua mente. Tratou de tirar aqueles pensamentos da cabeça, as pessoas mudam de residência sempre que necessário, não tinha motivos para Samantha mentir. Sentiu-se mal por ter desconfiado de sua irmã por um momento.
- Ela deve ter se mudado pra cá com a família. - Respondeu saindo do carro, foi para o outro lado e se posicionou próximo ao irmão que já estava parado na calçada do prédio, encostado no carro.
- O estranho é eles mudarem logo pra cá, é lindo o prédio, mas não se compara com o outro em que eles moravam. Sem contar que por aqui só mora gente como a gente, não eles que são ricos pra caralho.
- Vai ver eles estão querendo diminuir os gastos. E você está sabendo demais sobre a vida da garota, é a Samantha ou é você o amigo dela? - Perguntou enquanto tentava ligar para irmã novamente, já que não obteve sucesso na primeira tentativa. - A Sam não atende.
- Eu fiquei com ela no dia em que saímos, sei de algumas coisas. - O sorriso de Nicholas dizia que ele havia lembrado de algo. - Eu tenho o número da Chloe, deixa que eu ligo pra ela, aproveito e já marco o próximo encontro. - Deixou um outro sorriso cheio de significados escapar.
- Você não perde tempo mesmo. Vai, liga logo porque eu quero ir pra casa dormir.
riu da cara de pau do irmão enquanto ele procurava pelo contato em sua agenda, não demorou muito para que a garota atendesse a sua chamada.
- Oi, Chloe, é o Nick, tudo bem? - Enquanto esperava por resposta, ria das caretas que o irmão fazia. - Tudo bem também. Você está com voz de sono, depois a gente conversa, só pede para minha irmã descer, estamos aqui na frente do seu prédio esperando mas ela não atende o celular.
ficou se perguntando o que a garota falava do outro lado. O sorriso de Nicholas já havia desaparecido dos seus lábios e o seu rosto já estava começando a ficar avermelhado. Se conhecia bem o irmão, diria que aquilo só acontecia quando ele ficava muito nervoso e o pior de tudo era que não era qualquer coisa que o deixava assim.
- Como assim ela não está com você? Ela saiu de casa falando que vocês iam estudar juntas. - Gritou ao telefone, naquele momento não restava dúvidas de que, de fato, Nick estava muito nervoso.
Com a voz mais baixa, para não atrapalhar a ligação, perguntava ao irmão o que a garota estava falando. Por não obter nenhuma resposta, sem pedir permissão, tomou o celular de Nicholas, não ia aguentar esperar até o fim da chamada para saber o que estava acontecendo.
- Oi, Chloe, é o , você não sabe da minha irmã? - Ouviu a garota dizer que não, que não havia falado com a amiga nos últimos dias. - E deixa eu te perguntar outra coisa, você está morando mais perto da nossa casa? - Ela também negou, dizendo que estava morando no mesmo lugar desde que nasceu.
também estava nervoso e preocupado com a irmã, não tanto quanto Nicholas que andava de um lado pro outro, sem deixar de prestar atenção na conversa. Sabia que a amiga de Samantha não tinha culpa, e se ela não tinha informações sobre onde ela estava, logo, não tinha porque incomodá-la naquele momento.
- Pode ser que tenhamos confundido a amiga dela, desculpe te incomodar. - Ouviu a garota dizer que aquilo não era um incomodo e pedir para avisar quando tivesse notícias da Sam. - Pode deixar que eu peço pro meu irmão te avisar. - A lembrança da noite anterior apareceu novamente e ele aproveitou o momento só para confirmar o que, agora, já estava claro em sua mente. - Ah, feliz aniversário atrasado. - E antes de se desculpar mais uma vez e finalizar a chamada, ouviu a risada da menina, antes dela dizer que faltava mais de cinco meses para o seu aniversário.
A raiva e a preocupação havia tomado conta dos dois irmãos. Raiva por Samantha ter mentido para todos, preocupação por estar sem notícias, sem saber onde ela estava, com quem e o que estava fazendo.
- Não tinha aniversário nenhum, né? Sexta feira ela estava em outro lugar também. - Nicholas deduziu, viu o mais velho afirmar com a cabeça enquanto continuava tentando ligar para a irmã.
- Mas eu busquei ela aqui no dia da festa, será se a nossa mãe não confundiu os nomes das amigas? - Dentro de ainda havia uma ponta de esperança de que eles estivessem enganados e de que a sua irmã não tinha motivos para mentir.
- Claro que não, , a Sam está aprontando alguma coisa, eu tenho certeza que... - Teria continuado se o barulho do toque do telefone do irmão não tivesse atrapalhado o diálogo.
Era Samantha ligando para ele, assim que atendeu, ela desligou a ligação. Logo em seguida, viu que a garota também havia mandando uma mensagem dizendo que já tinha visto o carro dele lá na frente e que já estava descendo. Entendeu que a ligação foi apenas para chamar a sua atenção para o aparelho.
- Ela está descendo. - Assim que ele avisou. Nicholas passou as mãos pelo rosto, demonstrando a sua impaciência. - Fica calmo. - pediu mas não obteve nenhuma resposta.
Logo depois os dois viram a irmã se aproximando da saída do prédio com uma mochila nas costas, a alegria que o sorriso em seu lábios tentava colocar pra fora era do tamanho da raiva que o seu irmão do meio estava sentindo. Quando percebeu a irmã se aproximando, respirou aliviado por saber que ela estava bem e que nada havia acontecido com ela. Enquanto isso, Nicholas respirava fundo, como se buscasse uma força para colocar tudo que estava sentindo pra fora.
- Espero que a faculdade de moda compense esse tempo todo que estou perdendo estudando pra tirar notas notas boas no ensino médio, porque eu não tô aguentando mais estudar. - Falou tudo de uma vez sem olhar para os irmãos, quando terminou e seus olhos encontraram com os deles, Samantha parou os seu passos no mesmo momento. - Que caras são essas? Aconteceu alguma coisa?
- Sou eu que te pergunto isso, Samantha. - falou sério, sem mudar a posição em que ele se encontrava.
Nem precisava dizer nada pra Samantha entender que algo estava errado. Ela havia percebido isso pela forma como pronunciou o seu nome. Quando percebeu que não continuaria o diálogo ela fixou o seu olhar em Nicholas e sentiu medo no momento. Ele estava vermelho, podia jurar que estava tremendo também, nunca tinha visto o irmão daquela forma.
- Já sabemos que você não estava com a Chloe, que sexta não teve aniversário porra nenhuma e que ela não mora aqui. Você vai explicar o que está acontecendo ou a gente vai precisar obrigar você a subir novamente para descobrirmos onde você estava? - Nicholas gritou, fazendo a irmã dar um passo para trás por medo.
Uma sensação ruim invadiu o corpo de Sam ao ouvir aquelas palavras, não sabia exatamente o que falar ou fazer. Foi só quando as lágrimas começaram a percorrer o seu rosto que ela percebeu que não tinha mais controle de nada, nem mesmo das suas próprias emoções.
- Abre essa boca e fala alguma coisa, Samantha, ou você quer que a gente fique a noite inteira aqui? - Foi a vez de gritar depois de alguns minutos que só não foram em silêncio total devido as lágrimas da irmã. Odiava tratar a irmã daquela forma, mas ele não tinha outra opção no momento.
O barulho do portão do prédio se abrindo chamou atenção dos três que olharam pra a pessoa parada bem próxima a eles.
- Samantha, o que está acontecendo aqui? - Uma voz feminina entrou no meio da conversa, havia preocupação e desconfiança na fala.
Antes que pensasse em qualquer coisa para falar, lembranças vieram de imediato em sua mente. Era ela, a mulher da balada, aparecendo mais uma vez em um momento desnecessário. O mais estranho não era ela ter aparecido do nada, acreditava em coincidências, ela podia muito bem morar naquele lugar. Mas o que o intrigou foi ela ter chamado a sua irmã pelo nome. De onde elas se conheciam?


Capítulo 12

Ela

Várias pessoas, por muitas vezes, passam por momentos de questionar tudo e todos. Não sabe mais dizer o que é certo ou errado, não sabe mais distinguir o que faz bem ou mal e duvidam até do que sempre acreditaram. Enquanto a água quente do chuveiro caminhava desde o fio de cabelo até as pontas do pés de , tudo isso rodeava a sua mente. Existia uma confusão dentro dela que se alguém pedisse para explicar, provavelmente ela não conseguiria.
era o culpado por tudo isso. já sentia algo além da amizade a muito tempo, mas fazia questão de tentar esconder já que não era recíproco. Porém, com o tempo a garota notou uma mudança no comportamento de , era diferente o jeito como ele a tratava, e só teve certeza que aquilo não era fruto de sua imaginação, depois do convite para um encontro.
No fundo ela estava feliz por ter ficado com ele, foi melhor que o esperado, mas por outro lado tinha medo do depois que ainda era incerto, tinha medo de se machucar novamente e de colocar esperanças em algo sem futuro. Sabia que jamais seria capaz de fazer qualquer coisa que a magoasse, mas e se os sentimentos dele não correspondessem aos dela? Isso era algo que não podia ser controlado.
Finalizou o seu banho ainda pensativa, depois colocou uma vestido curto e saiu do quarto com objetivo de encontrar com a sua mãe que devia estar na cozinha preparando alguma coisa, mas ao passar pela sala, uma pessoa diferente lhe chamou atenção. Uma menina fazia um carinho no cabelo de Dylan enquanto ele conversava com a sua filha que estava em seu colo, como se ela entendesse tudo que ele estava dizendo. Os olhos dele brilhavam e os da garota também, não tinha quem não se derretia com uma criança tão linda como aquela.
- Olá! - parou de admirar o momento para falar com eles.
- Oi . - Dylan sorriu sem tirar os olhos da filha e a garota o acompanhou. - Ah, essa é a Samantha. Sam, essa é a minha irmã.
Ele apresentou a menina, sorriu alegremente para Samantha que retribuiu, mesmo com a vergonha e com a timidez presentes naquele momento.
- Oi. - Samantha disse um pouco sem jeito, não estava a vontade com aquela situação.
- É um prazer, Samantha. - Parou de beijar a sobrinha para responder. - Quer que eu fique um pouquinho com a Julie? Assim vocês ficam mais a vontade.
- Quero sim. - Dylan sorriu, agradecendo silenciosamente antes de entregar a filha para a irmã e ir para o quarto com Samantha.
era apaixonada por Julie, não entendia como uma pessoa tão pequena e tão indefesa conseguia trazer uma paz tão grande. A nove meses atrás a sua vida se tornou mais colorida depois que aquela garotinha veio ao mundo, além do seu irmão, também evoluiu bastante com a chegada da sobrinha.
- Bonita a sua nora. - brincou assim que visualizou a imagem da mãe na cozinha, preparando o jantar.
- Ela é linda mesmo, só é um pouco tímida. - Respondeu sem desviar a sua atenção do que ela estava fazendo.
- Dizem que a primeira impressão é a que fica e eu já fui com a cara dela, bom sinal.
Ficaram conversando por um bom tempo enquanto o jantar ainda estava sendo preparado. Quando todos foram pra mesa, teve a ideia de observar a garota um pouco mais. De fato ela era linda; seu rosto, o seu corpo, o seu cabelo, tudo parecia combinar com o seu jeito. Não sabia dizer se Samantha só estava com vergonha ou se era muito tímida, mas durante todo o jantar ela só ouviu uma palavra da boca da menina, ela respondeu que sim quando perguntou se ela queria um pouco mais de suco.
Depois de um tempo, quando assistiam TV na sala, Samantha se despediu de todos, avisou que ia embora e que o seu irmão já estava esperando por ela. Dylan e se ofereceram para levá-la até a saída, mas a mesma recusou. Assim que Samantha desceu, Dylan foi para o seu quarto com a filha, Victoria foi tomar banho para dormir e ficou na cozinha olhando a rua pela janela enquanto terminava de comer um chocolate. Enxergou Samantha parada perto de dois homens que estavam bem na frente do prédio, pouco tempo se passou e eles continuaram no mesmo lugar. Uma preocupação veio a tona: se um daqueles rapazes fossem o irmão da garota, não seria melhor conversarem em casa ou no carro do que no meio da rua a noite? Foi o que ela pensou.
Sua intuição falou mais alto e em questão de segundos desceu e foi ao encontro de Samantha, quando se aproximou percebeu que a garota estava chorando, ignorou os dois rapazes e qualquer medo que ela poderia ter naquele momento e perguntou a menina o que estava acontecendo.
Todos os olhares se voltaram para ela, inclusive um que não era muito estranho. Um deles era do rapaz que havia conhecido na sexta feira a noite, ela tinha boa memória para imagens e lembrou daquele rosto com facilidade, parecia que ele também havia se lembrado daquele dia, pela forma como a olhava.
- Samantha? Quem são eles? - Perguntou novamente, quando percebeu que Sam não ia responder a pergunta anterior.
- Somos os irmãos dela. - O rapaz que estava ao lado do homem da balada respondeu, seu semblante era sério e preocupado. - E você, quem é?
- Sou a , irmã do Dylan. - Disse o óbvio e forçou um sorriso mesmo notando que todos ali estavam sérios.
- Quem é Dylan? - O rapaz quase gritou, o outro que não era tão estranho assim, fixou o seu olhar nela enquanto esperava a sua resposta.
- É o meu irmão, ficante da Samantha. - Disse com certa inocência mas se arrependeu assim que observou as três pessoas paradas ao seu lado.
ficou algum tempo em silêncio esperando alguém se pronunciar, ao perceber que o olhar de Samantha em sua direção, entendeu que ela havia falado demais.
- Eu já entendi tudo, o papai vai amar saber disso, Samantha. - O rapaz que julgou ser mais novo que o outro, falou em alto e bom tom.
- Sam, entra no carro. - O outro que parecia estar mais calmo pediu, viu a irmã atender o seu pedido sem questionar no segundo seguinte. - Boa noite. - Disse para que só balançou a cabeça como resposta, não sabia o que falar.
Só quando o carro desapareceu naquela rua vazia foi que voltou para o seu apartamento. Estava preocupada com Samantha, tinha a impressão de que o relacionamento dela com os irmãos não era um dos melhores e pela reação deles, eles nem faziam ideia do que ela estava fazendo ali. Sentiu-se mal por ter falado demais, no fundo ela só queria ajudar. Decidiu não contar nada ao Dylan, não queria preocupar mais ninguém com aquela situação, ainda mais conhecendo o irmão que tinha, sabia o quanto ele ficaria bravo se soubesse de tudo.
Entrou no quarto de Dylan e viu que ele já estava dormindo com a sua filha, tomou cuidado para não acordá-lo mesmo sabendo que ele tinha o sono pesado.
Pegou o celular do rapaz, que para a sua sorte não tinha senha, e anotou o número de Samantha em seu aparelho, saiu de lá no momento seguinte.
- Seu irmão já dormiu? - A voz de Victoria assustou , que sorriu para disfarçar a cara de quem estava aprontando.
A mais velha estava na cozinha tomando um copo de água, provavelmente ela foi para a cozinha no momento em que entrou no quarto do irmão.
- Já sim, fui lá agora olhar e os dois já estão roncando. - Exagerou fazendo com que sua mãe sorrisse.
- E eu vou fazer o mesmo agora, só vim tomar um copo de água mesmo.
- Eu também já vou dormir. - Disse antes de dar um beijo na testa de Victoria. - Boa noite, mãe.
Assim que ela entrou no quarto mandou uma mensagem para Samantha pedindo desculpas por ter falado demais, dizendo que estava preocupada, que queria falar com ela e pedindo pra ela não comentar nada sobre o que aconteceu com Dylan. Logo depois ela deixou o telefone de lado e tentou dormir.
Um bom tempo se passou e ainda não havia pegado no sono, várias coisas rodeavam sua mente e fazia com que o sono desaparecesse. Pegou seu celular e viu que não tinha nenhuma resposta de Samantha, em seguida seus olhos fixaram em outro contato que estava em suas conversas recentes: o contato de parecia se destacar entre os outros juntamente com a sua foto de perfil com um sorriso enorme.
"Se eu te dissesse que eu estou sem sono, você me ligaria agora pra me fazer companhia?"
Mandou a mensagem para sem pensar duas vezes, seu coração acelerou enquanto ela esperava por uma resposta, vendo que o rapaz estava online.
"Se eu te dissesse que eu também não estou conseguindo dormir, você ligaria lá na portaria para avisar que chego ai em 20 minutos?"
Em menos de dois minutos ele já havia respondido, para a alegria de .
" Você está falando sério?"
Enquanto esperava uma nova resposta, lembrou dos seus momentos na adolescência, quando marcava encontros escondidos do seu pai, quando saia de madrugada sem que ele percebesse e subornava o porteiro que trabalha lá na época com a lasanha de sua mãe, só pra ele não abrir a boca.
" Claro, porque não estaria? Se você falar que posso ir, saio daqui agora. "
" Vem então, estou te esperando."
respondeu antes de começar a trocar o seu pijama de ursinhos por uma camisola mais sensual.
Só quando interfonaram avisando que estava lá embaixo foi que acreditou que ele estava falando sério. As batidas do seu coração aceleraram, o seu corpo se arrepiou por inteiro e o seu sorriso estava exposto para quem quisesse ver.
Respirou fundo e tentou se controlar assim que ouviu o barulho de batidas, deixou a porta aberta para que ele não usasse a campainha e acordasse os outros, pareceu ter entendido o recado.
- Não te falei que eu vinha. - Foi a primeira coisa que ele disse assim que viu a imagem de parada em sua frente.
apenas sorriu, não respondeu nada antes de juntar os seus lábios ao de em um beijo calmo e sem pressa.


Capítulo 13

Ele
Muitas vezes o silêncio perturba, incomoda e até atrapalha. Em outras, ele existe apenas pela falta de palavras ou por não saberem como usá-las. Mas naquele momento, o silêncio falava mais do que qualquer diálogo, ele deixava claro o quanto Samantha estava triste, com medo e preocupada com o que ia lhe acontecer. Ele mostrava o quanto Nicholas estava nervoso e evitava falava qualquer palavra porque ele só sentia vontade de usá-la s para gritar ou xingar. E principalmente, mostrava o quanto estava preocupado com a irmã. O que ela havia feito não era nada simples, não era algo que ele poderia deixar passar. Ela estava na casa de alguém que ele não conhecia, provavelmente fazendo coisas que não queria imaginar. Só de pensar nisso suas mãos já tremiam e seu coração acelerava. Em um mundo onde não se conhecem nem mesmo as pessoas com quem convivem, qualquer estranho torna-se um suspeito.
Não trocaram uma palavra sequer até chegarem ao prédio. Os três tinham muito o que conversar, mas ambos estavam nervosos, então naquele momento era impossível haver algum diálogo maduro entre eles, o problema era que uma conversa em especial, não podia ser adiada.
- Samantha, sobe que eu preciso conversar com o Nick, depois converso com você. - pediu assim que ele estacionou o carro na garagem do prédio.
A menina não respondeu, apenas saiu do carro e começou a fazer o seu caminho. Tudo o que ela poderia fazer para adiar aquela conversa entre eles, ela iria fazer. Sabia que estava errada e sabia o quanto o seu irmão mais velho era um homem que não gostava de brincadeiras. Ela ia ouvir muita coisa, tinha consciência disso, mas naquele momento ela precisar colocar a sua cabeça no lugar antes de qualquer coisa.
- , eu já imagino o que você está pensando e já te adianto: os nossos pais vão saber disso. - Nicholas disse, parecia ter lido os pensamentos do irmão mais velho.
- Eu te entendo, Nicholas, mas ainda acho que isso não é o melhor a ser feito.
- Como não, ? Nossa irmã estava na casa de uma cara que a gente nem sabe quem é, fazendo Deus sabe lá o que, e você quer que eu finja que nada aconteceu? Cara, eu convivo com a Sam todos os dias, ela ainda é muito imatura. - Apesar do nervosismo, Nicholas estava conseguindo conversar sem se exaltar com o irmão.
- Nick, pensa comigo: Por que a Samantha sai escondido? É porque nossos pais e você pegam muito no pé dela. Se a gente falar com o nossos pais, eles vão deixar ela de castigo, ou seja, ela vai se sentir mais presa ainda. Ai quando ele tiver uma oportunidade, ela vai fazer coisa muito pior. - Falou o que parecia óbvio, só estava pensando em uma forma de evitar problemas piores.
- Mas se a gente não fizer nada, ela vai continuar aprontando. E eu só pego no pé dela porque me preocupo, está cheio de caras babacas por ai, não quero que nenhum deles brinque com ela.
- Claro que a gente vai fazer, fica tranquilo que eu vou resolver essa história. Só não fala nada com ninguém tá? Pelo menos por enquanto, se eu não conseguir a gente conversa com os nossos pais, te dou a minha palavra. - pediu e viu o irmão afirmar com a cabeça.
- Não acho certo esconder isso deles, mas eu confio em você. - Forçou um sorriso em meio aquela situação desagradável.
- Ah, também não fica com cara feia pra Sam, você sabe como a nossa mãe é desconfiada, qualquer coisa diferente ela vai notar.
já sabia muito bem o que fazer, sua mente funcionava de forma extremamente rápida quando necessário. Ele não via nada de errado em sua irmã sair ou se relacionar com rapazes ou moças, o que de fato o preocupava era as intenções do outro com a sua irmã. Jamais permitiria que alguém a machucasse, não o perdoaria se isso acontecesse.
- Se a gente proibir ela de fazer alguma coisa é pior, por isso vou tentar descobrir com quem ela estava. - Voltou a falar, recebendo de volta a atenção do irmão que estava perdido entre os seus pensamentos.
- Como?
- Eu tenho uma ideia, fica tranquilo.
Nicholas confiava em de olhos fechados, sabia o quanto o irmão era responsável, o único problema dele era com a bebida, mas como naquele momento ele estava sóbrio, Nick tinha certeza que o irmão sabia do que estava falando.
Quando os dois subiram para o apartamento, foram recebidos por um silêncio que não era nenhum pouco desconfortável. Deduziram que todos os outros já estavam dormindo, por isso fizeram questão de não fazer nenhum barulho e foram fazer o mesmo, ou pelo menos tentar. Antes de dormir. a mente de fez questão de lembrá-lo de todos os acontecimentos daquele dia, principalmente os que envolviam a sua irmã. Sua vontade era ir ate e perguntar se estava tudo bem, seu coração doía só de imaginar Samantha triste, e naquele momento, provavelmente ela estaria.
Quando a noite virou dia e a claridade do sol que nascia lá fora começou a invadir o quarto onde estava, ele se levantou. Não havia conseguido dormir direito, seus pensamentos estavam confusos e ele não conseguia parar de pensar em Samantha. Em um outro momento ele brigaria com a irmã pelo susto que teve com ela, cada vez que a lembrança de que ela estava na casa de alguém que ele não conhecia voltava, sentia uma sensação ruim. Decidiu colocar em prática a ideia que teve, podia parecer loucura, mas ele precisava ter certeza de que a pessoa que a sua irmã estava conhecendo não era uma má companhia para ela. Tomou um banho, se arrumou e ficou acordado até que todos os outros se levantassem. Durante o café da manhã, um clima estranho se instalou entre eles, mas os seus pais pareciam não terem notado. Samantha quase não falava e Nicholas estava mais quieto do que nunca. Assim que terminaram, pediu a Sam que o ajudasse na escolha de uma roupa, mas aquilo era apenas uma desculpa para que eles ficassem a sós. Assim que os dois entraram no quarto, o mais velho começou a falar, não podia perder tempo.
- Sam, ontem eu fiquei muito chateado quando soube que você estava mentindo, porém eu sei como é a situação aqui em casa e eu te entendo, mesmo não achando que o que você fez foi certo. - No mesmo momento em que ele começou a falar, as lágrimas apareceram nos olhos de Samantha.
A amizade da garota com o irmão era a melhor possível, o que ela menos queria era que um vacilo abalasse a relação dos dois. Sam não tinha dúvidas de que ele queria apenas o seu bem.
- Desculpa, eu... - Ela tentou falar, mas não conseguiu, o choro impedia.
Ele a abraçou com a intenção de que seu abraço servisse como um consolo, seu coração doía em ver Samantha daquela jeito. O cuidado dos pais em acesso sufocava a garota, sabia muito bem disso. Não achava justo, sua adolescência e a do irmão foram muito bem vividas, a de Samantha deveria ser da mesma forma. Não fazia sentido em sua cabeça porque quando era com uma mulher as coisas eram diferentes.
Talvez devido a maldita sociedade e aos homens. As mulheres sempre viveram com medo: medo de ser assediada e de sair pelas ruas porque sabem que podem não voltar ou de fazer as suas vontades por saberem que serão julgadas por elas. Os homens também correm os mesmos riscos, mas parece que a gravidade de tudo isso aumenta quando do outro lado tem alguém do sexo feminino.
Por isso ele não julgava os seus pais, sabia que tudo o que eles faziam eram pensando no bem de Sam, mas que eles exageravam na dose de cuidado, não tinha dúvidas.
- Eu fiquei preocupado com você, a gente não pode confiar em qualquer pessoa de uma hora pra outra, Sam, não é certo você ir pra casa de alguém sem dizer nada a ninguém. - Ele voltou a falar quando a irmã ficou mais calma dentro de seu abraço.
- Mas se eu falasse, ai que eu não ia poder sair mesmo, . Até parece que você não conhece o nosso pai.
- Eu conheço sim, mas Samantha, isso não diminui o perigo que você corre ao ir pra casa de um estranho. - Apesar de estar calmo, não perdeu a oportunidade de falar tudo o que queria para a irmã.
- Ele não é uma má pessoa, , se fosse ele teria feito alguma coisa comigo, e eu não iria na casa dele se não confiasse.
- Eu confiava na Lauren e estava a anos com ela, e você sabe muito bem o que aconteceu, né? - Usou a sua história como exemplo e sentiu uma pontada no peito ao tocar no assunto, apesar de ser situações diferentes.
- Mas se for assim, eu nunca vou conhecer ninguém. - Falou desanimada, sentindo-se mal por ter feito o irmão tocar naquele assunto.
- Confiar desconfiando, acho que é essa a única opção. - Ele alertou a irmã, que pareceu ter entendido o recado.
- Desculpa, prometo que nunca mais vou mentir pra você. - Ela falou e abraçou o irmão novamente, selando a promessa que tinha acabado de fazer.
conhecia muito bem a irmã que tinha. Sabia que ela tinha maturidade, mas o que o preocupava era que o coração de sua irmã era grande demais. Ela sempre confiava cegamente nas pessoas, sempre enxergava só o lado bom delas, e isso fazia com que ela não visse o que de fato importava.
- Desculpo mas com uma condição. - Ele começou a falar o que estava planejado em sua cabeça, aquela era a sua única chance de saber toda a verdade.


Capítulo 14


Ela
Era como se dentro dos dois existisse um imã, pela facilidade em que seus corpos colavam um ao outro e pela dificuldade que tinham de se separarem. As mãos de souberam exatamente onde repousar sobre o corpo de , sua boca era o encaixe perfeito para a dela e o abraço era uma mistura de desejo com proteção.
Depois de aproveitar uma boa parte da noite, deitou no peito do rapaz, um filme passava em sua mente naquele momento.
- Nunca imaginei que chegaríamos a esse ponto. - Pensou alto e logo sentiu as mãos de fazendo um carinho agradável em seu cabelo.
Era bom sentir a presença e o toque do rapaz. Devido as decepções passadas, se fechou e a muito tempo não sentia aquela sensação. Não sentia vontade de se envolver com outros caras, tinha medo de se entregar e se decepcionar novamente. Porém, com era diferente, com ele era queria tudo.
- Que bom, ser surpreendida é bem melhor, não? - Ele perguntou logo depois de ouvir o comentário da garota.
- Não sei, é? - Retrucou na intenção de deixar aquela pergunta nas mãos do rapaz.
- Também não sei, eu já me imaginava te dando alguns beijos naquele escritório desde o dia em que te conheci. - Revelou e recebeu um olhar assustado de como resposta, enquanto ele tentava sem sucesso segurar o riso.
- Que imaginação fértil. Então, por que você preferiu se aproximar como amigo? - Quis saber logo em seguida.
- Porque é melhor ser só seu amigo do que ser apenas mais um em sua vida. - falou de forma segura, deixando sem palavras depois disso.
Ela apenas sorriu como resposta e se acomodou no peito do rapaz. Estava sentindo-se feliz depois daquele momento que com , porém, por mais que ela quisesse, não conseguiria deixar o medo de se machucar de lado.
não tinha dúvidas de que queria tentar com e que ela nutria um sentimento pelo rapaz. Porém, o medo de acontecer novamente o que aconteceu no passado, fazia com que ela sentisse vontade de questionar até as suas certezas.
Já de madrugada, quando avisou que ia embora, o acompanhou até a porta, apagou as luzes que estavam acesas, tomou um banho e aproveitou o restante da madrugada para dormir.
Na manhã seguinte, acordou mais tranquila, estava fazendo um grande esforço para pensar positivo e não deixar que as paranóias tomassem conta de sua vida. Quando foi tomar o seu café da manhã, notou a ausência de sua mãe, apenas Dylan estava na mesma, sua expressão não era uma das melhores.
- Bom dia, maninho, que cara é essa? – perguntou animada, na intenção de iniciar uma conversa. – E onde está a mamãe?
O mais novo continuou tomando seu café como se não estivesse ali. Preferiu ficar calado pois sabia que se começasse a falar, não ia conseguir parar.
- Ficou mudo? Eu te fiz uma pergunta. – tentou novamente, sua pouca paciência e a animação que havia acordado junto com ela já estavam se esgotando.
Sabia que, quando Dylan ficava daquele jeito era porque alguma coisa havia acontecido e que, para ele não querer tocar no assunto, com certeza era algo muito sério.
- Ela foi ao mercado. – Respondeu sem olhar pra irmã, o pedaço de bolo em seu prato parecia ser mais importante para ser observado.
- Ótimo. E você está com essa cara fechada por quê? - Ela questionou mais uma vez, precisava entender o que estava acontecendo.
- O , ? Sério? - Dylan parou o que estava fazendo e encarou a irmã sentada em sua frente pela primeira vez naquela manhã. – Eu vi ele chegando aqui ontem, e vi a hora que ele saiu também.
E então entendeu o que estava acontecendo: Dylan já havia se encontrado com poucas vezes e sempre parecia que havia um clima estranho entre os dois. não conseguia entender já que não havia acontecido nada que justificasse isso. Em poucos momentos que precisou ir até o seu apartamento, Dylan sempre ignorava a presença do rapaz e participava das conversas o mínimo possível.
- Qual é o seu problema com o ? – alterou a voz ao questionar o irmão, queria esclarecer aquela história de uma vez por todas. - Qual o seu problema em me ver feliz?
- Eu não confio nele, , ele não me passa segurança. É óbvio que eu quero que você seja feliz e que você siga em frente, mas precisa ser justo com ele? Eu estou falando isso pro seu bem. – Tentou ficar calmo para conseguir colocar tudo pra fora, não queria brigar, queria apenas que a irmã conseguisse entender o que ele queria dizer.
- Você mal conhece o , não tem o direito de falar nada.
- Não conheço porque o pouco que eu conheci já me deu vontade de manter distância. - Foi direto, Dylan sempre falava o que pensava, era sincero até demais.
- Eu vou te provar que não é uma pessoa ruim. - Falou sentindo-se ofendida por ver o irmão julgar alguém que era tão importante pra ela.
- Isso se eu não te provar que você está errada primeiro. – Disse antes de sair da mesa, deixando um tanto confusa.
Uma lágrima desceu pelo rosto de enquanto ela tentava, sem sucesso, arrumar a bagunça que estava em sua mente, quando tudo parecia estar bem, algo sempre acontecia.
Não tinha motivos para Dylan dizer tudo aquilo e isso era o que a deixava mais confusa, afinal, podia ser apenas uma implicância qualquer como também poderia ser um aviso.
Tinha plena consciência de que jamais faria algo que a machucasse, logo, não tinha motivos para ela ocupar a cabeça com aqueles pensamentos.
Decidiu ir para o trabalho mais cedo, ficar com a cabeça vazia não ajudaria em nada. Quanto mais coisas ela tivesse pra fazer, menos ela se preocuparia com isso.
- Caiu da cama? - Hope seguiu a amiga até o escritório assim que a viu chegar e percebeu que ela não estava bem. Ainda estava cedo, ou seja, elas teriam tempo suficiente para conversar até chegar.
- Hoje o meu irmão veio falar do . Primeiro você, agora ele, qual o problema de vocês em me ver tentando seguir em frente depois de tudo? - Falou sem rodeios, tinha intimidade suficiente com a amiga para isso.
Hope ainda pensou alguns instantes antes de sentar em frente a amiga que, pela sua expressão, começaria a chorar a qualquer momento.
- Eu não tenho nenhum problema com o , inclusive até gosto dele. Só acho que vocês dois não combinam, tipo a conta em que 1+1=3, não faz sentido, está errado e nem da pra explicar, só aceitar e pronto. - Respondeu enquanto observava o esmalte em sua unha, como se aquilo fosse algo mais importante.
- Meu Deus, Hope, eu gosto dele, vocês não podem me impedir de ser feliz. - Disse entre as lágrimas que agora desciam livremente pelo seu rosto.
- Ninguém vai colocar uma arma em sua cabeça e pedir pra você não ficar com ele, você pediu minha opinião e eu dei, só isso. O que eu nao vou fazer é falar algo diferente do que eu penso só pra te agradar.
- Você está me ajudando muito, Hope, muito obrigada. - ironizou antes de secar suas lágrimas e começar a mexer com os papéis que estavam em sua mesa, ignorando a presença da amiga.
- Não sei pra que você pede conselho se no final você sempre acaba fazendo o que você quer. - Disse antes de sair da sala, deixando sozinha.
Sem concentração nenhuma para trabalhar, começou a acessar algumas pastas de fotos em seu celular que nunca havia conseguido apagar. Nas imagens estavam registrados alguns momentos que ela passou ao lado de Austin. Viagens, aniversários, festas... O sorriso dos dois eram os mesmos em todas as fotos.
Qualquer pessoa que conhecesse aquele casal diriam sem dúvidas que eles eram a alma gêmea um do outro. Embora já tivesse superado, ela ainda não conseguia se desfazer das recordações dos bons momentos que viveu ao lado de Austin. Ela foi extremamente feliz ao lado dele, disso ela não poderia reclamar.
As vezes se perguntava por que o destino era tão traiçoeiro. Se não era para eles ficarem juntos, por qual motivo ele apareceu em sua vida e fez com que ela imaginasse todo o restante dela ao seu lado?
Muitas vezes sentia vontade de saber notícias dele, o que ele estava fazendo, se havia encontrado alguém... Mas isso seria humilhante demais depois de tudo o que ele fez. De fato, cortar qualquer contato que ela pudesse ter com o ex namorado foi a melhor decisão que ela fez após o término, assim, jamais teria alguma recaída.
Não soube dizer por quanto tempo ficou viajando através das imagens, mas assim que ela ouviu a voz de , guardou o aparelho para não ser pega no flagra, como se o que ela estava fazendo fosse muito errado.
- Bom dia. - foi em sua direção e a cumprimentou com um beijo na testa.
- Bom dia, . - Respondeu com um sorriso no rosto. Era impossível ver sorrindo e não sorrir também.
- Tudo bem? - Ele quis saber, não notou nada de estranho, era apenas uma tentativa de manter um diálogo entre os dois.
teria respondido se o seu celular não tivesse começado a tocar no segundo seguinte, pediu licença para para poder atender.
- Alô. - Atendeu a ligação, sua cara de surpresa não passou despercebida por que a encarava enquanto ela ouvia o que uma outra pessoa dizia do outro lado da ligação. - Você?


Capítulo 15

Ele
Mentir nunca era a melhor escolha, porém, naquele momento não teve nenhuma outra ideia que pudesse ajudá-lo. Odiava mentiras, mas entendia que as vezes elas ajudavam mais do que as próprias verdades. Não podia simplesmente dizer a Samantha que pretendia ir atrás de informações sobre o rapaz com quem ela estava saindo e foi por isso que ele preferiu inventar que tinha interesse em conhecer aquela mulher que foi ao encontro de Sam na portaria.
Sabendo da atual situação do irmão, Samantha não pensou duas vezes antes de passar o número de a ele, não passou pela sua cabeça que , na verdade, tinha outras intenções. Mas qualquer coisa que ela pudesse fazer para ajudar o irmão a superar o que havia acontecido, ela faria.
Pouco tempo depois de chegar ao trabalho, ligou para . Ele se identificou, explicou o motivo da ligação e marcaram de se encontrarem no final daquele mesmo dia. Para a sua sorte, ele não precisou insistir muito para que ela aceitasse o seu convite. só queria saber um pouco mais sobre o rapaz com quem a sua irmã estava saindo, queria conhecê-lo o máximo possível para ter confiança e não se preocupar todas as vezes em que a sua irmã estivesse com ele.
Podia ser exagerado da sua parte, mas ate onde sabia, Samantha nunca havia se envolvido com alguém, então, o fato de tudo ser uma novidade pra ela o deixava um pouco apreensivo. Sam ainda era muito nova e via o mundo de uma forma diferente do que ele realmente era. Algumas pessoas só começavam a enxergar de fato depois de quebrar a cara, mas faria de tudo para que a sua irmã não precisasse chegar a esse ponto.
O dia já estava quase virando noite quando chegou ao lugar que havia combinado com , era uma cafeteria aconchegante e bem movimentada. Não demorou muito para que chegasse também.
- ? - Ela perguntou só para ter certeza se realmente era ele que estava ali.
estava de cabeça baixa mexendo no celular, o que fazia com que não conseguisse visualizar o rosto do homem que ela tinha visto apenas duas vezes. Porém, levando em consideração que ela estava atrasada, deduziu que era ele por ser a única pessoa que estava sozinha em uma das mesas.
- ? - Ele quis confirmar também, desejava mentalmente não ter confundido o nome. Viu que estava certo quando assistiu ela sorrir e afirmar com a cabeça. - Sente-se, por favor.
- Desculpe o atraso, tive alguns imprevistos no trabalho.
- Não se preocupe, eu cheguei a pouco tempo também. - Sorriu de forma acolhedora para ela.
Assim que ambos se acomodaram, eles foram interrompidos pelo garçom que foi anotar o pedido dos dois, assim que o jovem saiu, eles continuaram a conversar.
- E então... - o incentivou a dizer o motivo para os dois estarem ali.
De uma forma bem resumida, explicou toda a situação para : o fato da irmã ser imatura, nunca ter se envolvido com alguém, a pressão dos seus pais e a mentira de Samantha para sair de casa.
- Eu tive que inventar uma história para conseguir o seu número, não queria que ela sentisse que estava sendo vigiada, por isso recorri a você, gostaria de saber um pouco sobre o seu irmão, se você não se importar em falar, é claro. - Finalizou explicando toda a situação e o motivo para os dois estarem ali.
ouviu tudo atentamente enquanto tomava o seu café que havia acabado de chegar. Entendia o lado de e conseguiu perceber nele um lado muito protetor em relação a irmã.
- Não sei se é exatamente isso o que você quer saber e nem se vai acreditar, já que quem está falando é a irmã dele, mas o Dylan é um bom rapaz e uma de suas maiores qualidades é ser sincero até demais. - Respondeu enquanto tinha a atenção de totalmente voltada para ela.
Enquanto escutava tudo o que falava, observava a garota em sua frente como se estivesse anotando mentalmente todas as palavras que saiam de sua boca.
- Então você acha que se ele não quiser alguma coisa com a Sam, ele vai chegar nela e abrir o jogo?
- Não tenho dúvidas. O último namoro dele, tinha anos de relacionamento e uma filha no meio, ele foi maduro o suficiente para decidir que terminar era melhor do que ficar do jeito em que eles estavam.
- Ele já é pai? - Viu afirmar com a cabeça e lançar um olhar duvidoso em sua direção. - Não que isso seja um problema, só uma curiosidade mesmo.
- Ele terminou o relacionamento a pouco tempo e, antes que você pense isso, não acho que ele está usando sua irmã para esquecer a ex. Não faz o tipo do Dylan, eu diria que ele está apenas seguindo em frente. Mas voltando ao caso da filha, ele é um excedente pai, mesmo após o término, ele nunca foi ausente com ela. Olhando por esse lado, você pode ver o quão responsável ele é.
- Sabe, , hoje em dia é difícil confiar até nas pessoas que estão do nosso lado. Não me leve a mal, eu estou fazendo tudo isso pelo bem da minha irmã, não me perdoaria se alguma coisa acontecesse com ela. - Explicou-se mais uma vez, não queria que nada ficasse confuso.
E o que não imaginava era que aquela conversa seria tão agradável. teve paciência o suficiente para ouvir todo a sua versão e sentiu-se a vontade para falar exatamente o que pretendia ouvir. Qualquer detalhe a mais que ele soubesse sobre o rapaz já faria toda a diferença.
- Acho que eu posso aproveitar o momento e te pedir desculpas também. - mudou de assunto assim que o anterior foi encerrado e o silêncio nasceu entre eles.
- Como?
ainda estava pensando sobre a conversa de minutos atrás. A preocupação com a irmã e o desejo de querer cuidar de Samantha, foi visto de maneira positiva por ela. Em nenhum momento aquilo pareceu errado ou doentio. apenas queria que a mais nova seguisse pelo seu caminho sozinha, mas antes disso ele estava certificando de que não existia nenhum perigo no meio dele, sem que ela soubesse, é claro.
- Por ter sido um idiota com você na balada. É muita coincidência ter te encontrado novamente depois disso, não posso perder a oportunidade de me desculpar. - Ele comentou para que entendesse e lembrasse o motivo do seu pedido de desculpas.
- Imagina, eu que peço desculpas se fui inconveniente. Mas você não estava com uma cara muito boa, pensei que poderia estar passando mal, algo assim. - Sorriu de forma gentil para , que retribuiu o gesto. - E esse mundo é realmente muito pequeno mesmo.
- Você só quis ajudar, não precisa se desculpar, o idiota da história fui eu. É que eu estava no pior dia da minha vida e com o corpo cheio de álcool, você deve imaginar a minha situação. - O sorriso de foi desaparecendo conforme ele foi lembrando dos momentos daquela noite.
- Sei muito bem. - Embora fosse muito curiosa, não se sentiu a vontade para perguntar o que havia acontecido naquela noite.
E então uma conversa paralela se iniciou entre os dois. Começaram a falar sobre baladas, músicas, bebidas e acabaram descobrindo vários gostos em comum. Os dois estavam ali por um motivo, mas a companhia um do outro estava tão boa que eles não se importaram em ficar mais um bom tempo conversando sobre coisas aleatórias.
Visto que muito tempo havia se passado, avisou que precisava ir embora. Antes disso ela tranquilizou mais uma vez em relação ao seu irmão e disse que, se ele precisasse, poderia contar com ela novamente.
- Você se importa se eu pagar a conta? - perguntou, tendo em mente que o seu dinheiro e o dela tinham o mesmo valor.
- Prefiro dividir. - Ela sorriu e viu o rapaz sorrir também e afirmar com a cabeça.
- Obrigada por ter aceitado o meu convite e vir até aqui conversar comigo. - agradeceu depois de pagarem a conta. - Eu estou bem mais aliviado. - Continuou e segurou a mão de que estava em cima da mesa, fazendo um carinho agradável nela.
foi surpreendida pelo gesto mas aquilo não foi um incômodo. Ela sabia que aquilo era apenas um agradecimento e que ali não tinha nenhuma outra intenção além disso. Ela sorriu para e antes que ela pudesse responder alguma coisa, a voz de uma outra pessoa atrapalhou o momento dos dois.
- Vocês se importam se eu me sentar aqui? É que todas as outras mesas já estão ocupadas.
- ? - olhou assustada para o rapaz, não esperava encontrá-lo ali.
- , sou amigo da . - Ignorou o susto da garota e estendeu a mão para que mantinha um semblante confuso.
- . É um prazer. - Falou um pouco sem graça, junto com o rapaz, surgiu também um desconforto entre os três.
sorriu e continuou parado de pé ao lado dos dois. permaneceu em silêncio, não sabia o que estava acontecendo mas notou um clima estranho no ar. alternava o olhar entre eles sem saber exatamente o que dizer. Se pudesse, ficaria invisível naquele momento.
- Com licença, eu já estava de saída. - Percebendo que estava sobrando ali, se levantou, quebrando aquele silêncio confrangedor. - Foi um prazer te conhecer, , e , muito obrigada por hoje. - Sorriu e saiu sem dar a oportunidade de um dos dois responderem.


Capítulo 16

Ela

não conseguia dizer por qual motivo ficou tão sem jeito ao falar com aquele rapaz no telefone, na frente de . Não tinha nada a esconder e também não sabia o motivo da ligação, mas a única coisa que passou pela sua cabeça antes de iniciar aquela conversa foi pedir licença ao e se retirar da sala. Pior que isso foi ter voltado com uma história inventada na ponta da língua para explicar a sua saída para o seu colega de trabalho, mesmo sem ele pedir.
Passou o dia todo sentindo-se mal por ter mentido, não tinha motivo para isso, mas simplesmente não conseguiu dizer a verdade. Quase no fim do seu expediente, ela se despediu de e saiu alguns minutinhos mais cedo, para conseguir encontrar com Hope e desabafar com a amiga. Hope já estava se arrumando para ir pra casa, mas ainda conseguiu encontrá-la para uma conversa.
Contou sobre o telefonema de e sobre ter inventado uma história para para não contar o real motivo da ligação. Não soube dizer ao certo por qual motivo ela mentiu, mas simplesmente não conseguiu dizer a verdade. Era como se ela estivesse fazendo lago de errado, quando na verdade, ela estava indo apenas tomar um café e conversar.
- Você casou com o e não me convidou? - Hope perguntou depois de ouvir toda a história amiga.
- Como? - Respondeu com uma pergunta inocente, sem entender o que a amiga quis dizer com aquele comentário.
- Desde quando você tem que dar satisfações ao ? - Questionou de forma mais clara, joguinhos não funcionam com ela.
A verdade era que Hope não conseguiu entender o motivo da atitude de , ela não tinha que se explicar para o rapaz, eles só tinham ficado. Até onde ela sabia, os dois não haviam assinado um contrato onde dizia que um deveria dar satisfações de tudo o que fizesse ao outro.
- Eu só acho que... - ia tentar se explicar, mas foi interrompida pela amiga.
- Você não acha nada, , você vivia dizendo que não queria mais se apegar a ninguém e já está de quatro pelo . Só não falo mais nada pra depois você não dizer que eu não quero te ver feliz.
queria dizer que a amiga havia entendido errado, que o fato dela ter mentindo foi apenas uma forma de evitar problemas. Na verdade estava confusa, talvez nem se importaria com a verdade, mas como ela já havia prestado aquele papel, seria feio demais voltar atrás.
E se tinha uma coisa que estressava era a forma como Hope falava as coisas com ela. A amiga não sabia conversar e sempre chegava com cinco pedras na mão. Já não era novidade ficar magoada depois de conversar com a amiga, sempre era daquele jeito. Foi exatamente por esse motivo que ela não tentou mais se explicar.
- E precisa falar desse jeito? - Alterou o seu tom de voz, já havia se estressado só de ouvir a opinião da Hope.
- Quem sabe assim você acorda, o não quer o mesmo que você. - Hope comentou como se aquilo fosse óbvio.
Ela conhecia muito bem e sabia o tamanho do seu interesse por , talvez fosse por isso que ela estava sendo clara e expondo o seu ponto de vista para a amiga. Hope enxergava que estava em um momento de curtir a vida, e apesar de tudo que ele dizia para , ela tinha consciência de que as intenções dos dois não eram as mesmas.
- E quem te garante isso? - Respirou fundo antes de perguntar, só para não ficar mais nervosa do que ela já estava.
- Já me envolvi com caras do tipo dele, falo por experiência, você devia cair fora enquanto é tempo.
- Eu acho que eu já sou bem grandinha pra decidir o que fazer da minha vida. - E antes de pensar ela já havia respondido Hope, quase no mesmo tom que ela sempre usava com .
- E eu acho que a partir do momento que você me conta alguma coisa, você me dá a liberdade de falar o que eu penso. Se não quer ouvir a minha opinião, não me conte mais nada. - Disse antes de sair, deixando sozinha com o seu estresse.
Lavou o rosto no banheiro, na intenção que aquilo lhe acalmasse de alguma forma. Olhou por alguns segundo seu rosto vermelho no espelho e lembrou o quanto tudo parecia complicar quando era com ela. Mas não iria chorar, não naquele momento, não fazia mais sentido ela desabar sempre que algo de errado acontecia, aquilo não resolvia nada.
Saiu da loja e foi em direção ao lugar combinado. Na ligação, já havia adiantado o assunto, ele queria falar sobre o envolvimento de Dylan e Samantha. imaginou que fosse apenas ciúmes de irmão mais velho, mas ao chegar no local combinado e encontrar com o rapaz, percebeu que estava completamente enganada. Ficou claro que era mais preocupação do que ciúmes da parte dele.
Basicamente só queria saber um pouco mais sobre Dylan e sobre as suas intenções com a Samantha. não mentiu em momento algum, e disse o que ela podia dizer, até porque ela não fazia ideia do que Dylan sentia ou pensava. Mas ela sabia que o irmão era uma boa pessoa e jamais faria lago para machucar a garota.
Depois disso recordaram o fatídico dia na balada e começaram a conversar sobre assuntos aleatórios. No início não estava tão a vontade por não ter nenhuma intimidade com ele, mas depois de alguns minutos de conversa, era como se eles já se conhecessem a muito tempo.
Ela não esperava que um simples café se transformaria em uma conversa agradável, e muito menos que essa conversa seria interrompida pela voz de . Não percebeu o rapaz se aproximando e só acreditou que de fato era ele ao vê-lo parado ao seu lado. pareceu ter notado um clima estranho, pois logo em seguida ele avisou que estava de saída, deixando os dois a sós.
- Eu posso explicar. - falou depois que se sentou onde estava antes.
- E eu tenho todo o tempo do mundo para te ouvir. - Disse enquanto olhava o cardápio do local. – Por que você mentiu, ?
demonstrava uma enorme tranquilidade enquanto tentava se acalmar daquele susto que foi encontra-lo ali. Diferente de , ele não parecia nenhum pouco incomodado com aquela situação.
- Eu não sei. Só não queria que você pensasse que eu estava vindo pra um encontro ou algo do tipo. Esse rapaz é apenas o irmão da ficante do Dylan, ele só queria sabe um pouco mais sobre o meu irmão e achou melhor me perguntar do que ir falar direto com ele. Não queria que a irmã dele pensasse que ela estava sendo vigiada. - Disse de forma rápida, soltando tudo de uma vez para não gaguejar.
- E qual o problema em me dizer isso? - Perguntou sem se exaltar, não sabia dizer se aquele excesso de tranquilidade era algo bom ou ruim.
- Sei lá, eu só achei que... - Tentou responder, mas não sabia ao certo o que dizer.
- Você não me deve satisfações, . Você é maior de idade, solteira e madura o suficiente para fazer o que bem entender. Não é porque estamos nos conhecendo que você precisa agir assim, até parece que você não sabe como eu sou. - Fechou o cardápio que olhava sem intenção nenhuma e olhou para , com um sorriso nos lábios que ela não conseguiu decifrar o significado.
Aquelas palavras de uma certa forma magoaram a garota. Mesmo falando que eles estavam se conhecendo, a forma como ele falou deu a entender que eles não passariam disso. E se estivesse, de fato, em um encontro? não se importaria?
- Se fosse o contrário, eu não ia gostar. Acho que foi isso que passou pela minha cabeça.
- Sabe por que eu não me importaria se eu chegasse aqui e te encontrasse agarrada com aquele homem? Porque se não assumimos algo, você continua sendo solteira. Eu gosto de você mas não posso te cobrar nada. Porém, eu posso te pedir uma coisa, certo? Não minta mais pra mim, por favor.
- Desculpa, , isso não vai acontecer de novo, te dou a minha palavra. - Sorriu e viu o garoto fazer o mesmo. - E como foi que você me achou aqui, eu posso saber?
- Foi uma coincidência, acredita?
E em questão de segundos, um pequeno filme passou na mente de . Lembrou do encontro na balada com , do encontro na frente de sua casa e de ter aparecido naquele local justamente no momento em que ela estava conversando com .
- Acredito, e como acredito. - Foi o que ela respondeu enquanto seus pensamentos estavam longe.


Capítulo 17

Ele

Muitas vezes o ser humano erra em agir por impulso, fazem tudo de cabeça quente e só param para pensar depois que tudo aconteceu, pensam nas consequências quando já é tarde demais.
poderia muito bem ter ido direto para a sua casa depois de ter conversado com , mas ele já estava bêbado demais dentro do mesmo bar que sempre frequentava para pensar porque não havia feito isso.
- Qual o seu nome? – Perguntou para o garçom que lhe atendia sempre, assim que ele lhe serviu mais uma bebida.
- Jordan. - Eles respondeu enquanto apoiava seus braços no balcão. - E o seu? - Perguntou já sabendo o quanto bêbados gostam de conversar quando estão naquele estado.
Ainda era cedo e por ser uma terça feira, quase não tinha movimento na balada naquele dia, isso fazia com que Jordan pudesse dar atenção a que já estava bêbado o suficiente.
- Me chamo . - Fez uma pausa para beber mais um gole da bebida que ele já não conseguia mais dizer qual era. - Jordan, você já foi traído? – Perguntou e viu o rapaz negar com a cabeça. – Eu fui, ela me traiu com o meu melhor amigo. Ela falava que gostava de mim e me traiu, Jordan.
não se importava com as lágrimas que desciam sem permissão pelos seus olhos. Embora estivesse naquele estado devido ao álcool, aquilo doía de verdade e a bebida já não estava mais funcionando como anestésico.
- Todo dia ela falava que me amava e que queria ter filhos comigo, mas ela foi pra cama com meu amigo que foi padrinho do nosso casamento. E não é mentira, porque eu vi com meus próprios olhos. – Falou entre os soluços, era estranho demais pensar que aquilo havia acontecido com ele.
Jordan ouvia aquela história com atenção, já presenciou muitos desabafos de bêbados e sabia que estava falando sério. Talvez sem a bebida ele não teria coragem de expor o quão difícil estava sendo aquele momento para ele. Sóbrio era mais fácil fingir que estava tudo bem, mas depois de beber, fingir parecia ser algo impossível e extremamente errado.
- Você já tentou conversar com ela? – Jordan perguntou com calma, como se não quisesse tocar na ferida do rapaz.
- Eu não consigo olhar na cara dela mais e sei que não adianta conversar, não tem como ela negar. - Ele mesmo negava com a cabeça enquanto respondia o garçom.
- Olha, , eu nunca passei por uma situação assim mas acredito que um erro não anula os acertos de alguém. Se tudo o que vocês passaram antes disso foi bom, vale a pena perdoar. - Sorriu numa tentativa de aconselhar que parecia estar perdido em seus pensamentos. - Quem erra uma vez, pode não errar duas.
- Mas eu fui traído, Jordan, eu não consigo mais confiar nela. - Disse antes de limpar suas lágrimas, viu o garçom negar com a cabeça antes de ir atender outro cliente que havia chegado.
Depois de beber um pouco mais, pagar a conta e sair do bar, dirigiu em direção ao seu antigo apartamento, não sabia muito bem o que faria ali, mas sabia que precisava ir até ele. Já era tarde e Lauren não estava em casa, isso fez com que automaticamente imaginasse que ela poderia estar com alguém. Seu sangue ferveu e ele foi até o bar que ficava na sala, encheu um copo de whisky e bebeu o líquido desejando que aquilo fizesse com ele se acalmasse. Foi ate o quarto e pegou uma caixa onde ficavam as fotos reveladas das viagens que o casal havia feito, comprovantes de passagens e de hotéis. Olhava cada lembrança e logo em seguida rasgava, como se aquilo fizesse com que ele se esquecesse dos momentos já vividos.
- O que você está fazendo com as nossas recordações? - Lauren perguntou assim que entrou no apartamento.
jogou no chão o restante de papéis que ainda estavam na caixa e logo em seguida bebeu todo o whisky que estava no copo. Lauren estava linda e ao observar isso, os pensamentos de que ela estava com alguém voltaram para a mente do rapaz.
- Nada do que tem aqui é seu. - Encheu novamente o seu copo enquanto falava. - Essa poltrona é minha. - Disse depois de virar o móvel no chão. - Esses quadros de fotos são meus. - Derrubou todos que estavam na estante da sala. - Tudo aqui é meu. - Por fim, quebrou o copo que estava em sua mão, o jogando na parede.
Era como se algo estivesse alertando a que ele estava errado, era como se ele soubesse que iria se arrepender depois, mas ele não conseguia parar, sua vontade era quebrar tudo o que visse pela frente, suas ações e as palavras que saiam da sua boca não podiam mais ser controlados.
Lauren se contraiu, numa tentativa de esconder-se dentro do próprio corpo. Sabia que jamais faria algum mal a ela, sabia que ele jamais seria capaz de agredi-la, porém, aquele homem em sua frente não era o que ela conhecia, e por isso ela não sabia dizer do que aquele que estava ali era capaz.
- Você enlouqueceu, ? O que você pensa que está fazendo? - Lauren gritou, embora sentisse medo, não podia ficar quieta vendo tudo acontecer em sua frente.
- Enlouqueci! Enlouqueci no dia que vi você nos braços do meu melhor amigo. Enlouqueci no dia em que vi o nosso casamento sendo jogado no lixo. Enlouqueci quando descobri que você e o meu melhor amigo eram tão baixos a ponto de ter um caso e ficarem juntos dentro da minha casa. - Cuspiu as palavras como se elas tivessem um gosto amargo e não pudessem mais ficar em sua boca.
- Eu não tenho caso com ninguém. - Ela respondeu enquanto as lágrimas caiam sem permissão pelo seu rosto. Aquele era o seu pior pesadelo no qual ela daria tudo para ser acordada.
- Vai dizer mais uma vez que eu estou ficando louco e você não estava se agarrando com aquele filho da puta?- Suas palavras se embolavam devido ao seu estado de nervosismo e ao álcool, mas Lauren conseguia entender tudo com facilidade.
- Eu não estou dizendo isso, eu sei que errei e assumo o meu erro, mas aconteceu uma única vez, eu não tenho caso com ninguém.
- E você quer que eu acredite nisso? Ah, Lauren... - Negava com a cabeça enquanto mantinha um sorriso sem alegria em seus lábios. - Eu não acredito mais em nenhuma palavra que sai da sua boca.
- ... - Tentou continuar, mas suas lágrimas disseram por si só, tudo o que ela menos queria era que aquilo estivesse acontecendo.
- Você não significa mais nada pra mim, Lauren, eu tenho nojo de você e do que você fez. Sinto ânsia só de olhar pra sua cara. - Andou em direção a saída, precisava ir embora dali o mais rápido possível antes que sua cabeça explodisse. - Pra mim você não existe mais. - Disse por fim, antes de sair e deixar Lauren aos prantos, sozinha no apartamento.
Quando gostamos muito de alguém, temos a mania de associá-la com músicas, filmes e lugares. Automaticamente as lembranças aparecem em nossa mente quando temos algum contato com essas ligações. A música que tocava na radio enquanto dirigia em direção ao apartamento de seus pais era justamente uma de sua favoritas, que trazia lembranças de um dos dias mais felizes de sua vida.
Era janeiro, aquele dia o sol sorria e a sua cor amarelada deixava o dia mais bonito. não conseguia parar de sorrir, sentia vontade de gritar pro mundo o tamanho da sua felicidade. Em poucas horas ele daria o seu sobrenome e a sua vida para a mulher que despertou o melhor que existia dentro dele. Naquele dia, assim que ele acordou, observou por alguns minutos o seu reflexo no espelho: era como se ele conseguisse ver o seu interior, era como se a sua alegria estivesse transparecendo por cada parte do seu corpo. Seu coração estava acelerado e suas mãos soavam constantemente. sorria para o seu próprio reflexo e, embora aquilo parecesse loucura, ele não conseguia controlar. Ao chegar naquela igreja, a mesma que ele dizia ser a mias bonita da cidade quando passava em frente a ela quando era criança, sua ficha caiu e ele percebeu que realmente estava vivendo aquele sonho. O local estava lotado de pessoas especiais, seus familiares e amigos pareciam estar sentindo uma alegria quase igual a dele, pois sorriam sempre que olhavam para ele. Quando a música começou e Lauren entrou pelas grandes portas, as lágrimas que ele estava segurando com grande esforço desceram sem permissão pela sua face. Ela estava linda, mais do que já era e estava ali para ele, estava ali para jurar perante a Deus que o amor dos dois seria para sempre.
- Merda de vida, merda. - gritou enquanto desligava o rádio com agressividade. Uma simples música fez com que lembrasse, em poucos segundos, dos principais acontecimentos daquele dia.
Agora todo aquele amor, aquelas promessas e aquele casamento estava no passado, não seria para sempre como ele achou que fosse. Estacionou o carro assim que chegou no prédio dos seus pais e colocou pra fora tudo o que estava sentindo antes de sair do veículo. Chorou por tudo que estava passando, por saber que não passaria o resto dos seus dias ao lado de Lauren como havia jurado, chorou por saber que aquele casal apaixonado não teria filhos como os seus amigos sempre diziam, chorou porque se sentiu fraco, inútil e insuficiente por não ter desconfiado de nada em nenhum momento.

Betada até aqui por Mayh Angeli


Capítulo 18

Ela

Não tem como saber ao certo o que se passa na mente de alguém. As chances de uma pessoa estar dizendo a verdade ou pensando uma coisa e dizendo outra são enormes. Qualquer um pode falar ou fazer o que quiser, mesmo se isso não tiver nenhuma ligação com os seus pensamentos.
Enquanto dirigia em direção a casa de sua ex cunhada, para matar a saudade da amiga, ela refletia sobre a conversa que teve com Benjamin. No primeiro dia parecia que ele queria algo sério com ela, parecia que ele queria, de fato, tentar. Mas naquele momento, depois daquela conversa, parecia mais que Benjamin estava apenas curtindo o momento. E não sabia dizer se aquilo era bom ou ruim.
Antes de sair pelas ruas da cidade, que estavam vazias naquele horário, resolveu ligar para Dominique, para se encontrarem e conversarem. Diferente de Hope, Dominique sabia ouvir e sabia exatamente quais palavras usar em seus diálogos com a amiga. Apesar de ser ex do irmão de , elas nunca deixaram que isso interferisse na amizade das duas. Fizeram um combinado de não falarem sobre Dylan. Dominique preferia não saber sobre nada dele, exceto o que incluia sua filha, dessa forma ela acreditava que seria mais fácil esquecer o rapaz.
O encontro com a amiga foi extremamente agradável, as duas tinham uma conexão e uma confiança muito grande uma na outra. Depois de ouvir as novidades de Dominique, contou tudo sobre ela e Benjamin e sobre as implicâncias da Hope.
- Hoje eu estava tomando um café com um amigo, o Ben apareceu do nada e não demonstrou nenhum ciúme, depois conversamos e ele disse que sou solteira e não devo satisfações a ele, só me pediu para não mentir mais. Eu menti porque fiquei sem graça de dizer que estava indo encontrar um homem, mesmo sabendo que não era, de fato, um encontro. - Mentiu em relação ao para não ter que tocar no assunto do irmão.
- Olha, , se ele falou isso pra você, serve pra ele também. Não estou dizendo que ele está ficando com mais alguém, mas se ele já considerasse o que vocês estão tendo como algo mais sério, ele jamais falaria algo do tipo. Sinceramente, eu acho que ainda é cedo para você se prender a ele. Continuem se conhecendo mas não perca a oportunidade de conhecer outras pessoas também. Porque se ele aparecer com alguém enquanto você está totalmente dedicada a ele, isso vai te machucar.
ouvia atentamente as palavras da amiga. Aquelas palavras fixaram na mente de , talvez ela estivesse indo rápido.
- Você está querendo dizer que eu tenho que conhecer outros caras?
- Eu estou dizendo que você deve. Você já perdeu tempo demais, amiga, aproveita. Se for pra ser o Benjamin, o tempo vai dizer. E se não for ele, você pelo menos não vai ter perdido outra parte da sua vida esperando. - Sorriu numa tentativa de encorajar a amiga.
No fundo conseguia entender muito bem o que Dominique estava querendo dizer. Afinal, criar expectativas faz com que as pessoas imagem algo que pode não acontecer, faz com que elas coloquem uma responsabilidade no outro, mesmo que o outro não saiba disso. E, quando são decepcionadas, não se culpam em nenhum momento sequer.
Decidiu ouvir a amiga, seguir sua vida e tentar não criar nenhuma expectativa. O que ela pudesse fazer para não se decepcionar novamente, ela faria.
Foi para sua casa, se arrumou, pegou um táxi e foi para a balada. Queria beber, se permitir conhecer outras pessoas, queria recuperar o tempo que ele perdeu por causa de outro alguém.
Não sabia flertar, não sabia como chegar em alguém mesmo com tantas pessoas interessante no local, sempre foi sem jeito para essas coisas.
Rotulou a bebida como a sua companhia da noite. Enquanto ela trazia uma sensação de leveza e deixava a garota mais solta, ela fazia com que esquecesse um pouco a bagunça que estava em sua mente.
Já era tarde quando sentiu que estava sendo observada, olhou para a sua frente e no mesmo momento recebeu um sorriso cheio de significados, de alguém que ela já conhecia.
Ela retribuiu o sorriso e aquilo foi um convite para que o rapaz, que estava do outro lado do balcão, se aproximasse.
- Cadê suas companhias? Desde que chegou notei que você está sozinha. - Falou gentilmente, ficando o mais próximo possível para que o barulho do local não atrapalhasse o diálogo. - Hoje eu estou sozinha, mas já estou indo embora, só vim beber alguma coisa. - respondeu gentilmente.
- Se quiser uma companhia... Ai você não vai precisar ir embora agora. - O homem em sua frente deixou o convite no ar, que não passou despercebido por ela.
- Você não está trabalhando?
- Eu posso folgar o restante da noite hoje. - Sorriu para a que retribuiu na mesma hora, fazendo com que ele entendesse o recado. - Só preciso de cinco minutinhos.
Saiu deixando sozinha, rindo daquela situação que havia acabado de acontecer.
- Vamos? Se eu ficar aqui, meu chefe arruma alguma coisa para eu fazer. - Ele apareceu novamente, sem uniforme e bem perfumado. - Ah, acho que não me apresentei. Jordan, mais conhecido como garçom, muito prazer.
nunca havia olhado com outros olhos para aquele garçom. Sempre viu o rapaz trabalhando ali mas nunca reparou nele. Jordan era bem bonito, atraente e tinha um olhar misterioso.
Por alguns segundos conseguiu lembrar de todos os encontros que ela desmarcou por medo de se envolver com alguém novamente e o que Benjamin pensaria se soubesse que ela estava com outra pessoa. Tratou de ignorar todas aquelas lembranças e sorrir mais uma vez para Jordan, que estava em sua frente esperando uma resposta.
- Prazer, Jordan. Meu nome é mas pode me chamar de . - Assistiu ele afirmar com a cabeça. - Pra onde vamos?
- Podemos ficar em um barzinho que tem do outro lado da rua. É que, como eu trabalho aqui, não consigo me divertir nesse mesmo lugar, já estou enjoado. Você se importa?
- Não, claro que não. - concordou antes de pagar sua conta e sair, tendo Jordan como companhia.
O barzinho era extremamente agradável, a pouca luz e o ambiente silencioso dava um charme a mais ao local. Alguns casais e amigos ocupavam algumas das vezes enquanto bebiam e conversavam.
Melhor que o lugar era quem estava com . Jordan conseguiu deixar a garota confortável ao seu lado para conversar sobre tudo enquanto dividiam uma cerveja. Ela sentia como se estivesse em um encontro com um amigo de infância, contando todas as novidades e acontecimentos da vida.
- Você acabou de contar toda a sua vida para uma estranha. - disse depois que Jordan respondeu todas as perguntas dela. Antes disso o rapaz tinha feito o mesmo. Segundo ele, aquilo era a melhor forma deles se conhecerem.
- Só esqueci de dizer o quanto eu te achei linda. - Comentou enquanto encarava uma sem jeito pelo elogio, sentada em sua frente.
- Obrigada, Jordan. - Sorriu tentando esconder a sua timidez.
- Não precisa ficar sem jeito, , você já deve estar acostumada com elogios.
Jordan não deixava que nenhum silêncio constrangedor se instalasse entre eles. Quando não estavam contando algo sobre ele, perguntava a opinião de sobre determinados assuntos.
Decidiram ir embora quando perceberam que só tinha os dois de clientes no local e que os funcionários estavam com uma cara que deixava claro que eles só estavam esperando os dois saírem para fecharem o local.
- Quero dividir a conta, tudo bem? - perguntou quando estava em frente ao caixa.
- Eu faço questão de pagar.
- Por quê?
- Porque se eu pagar essa sozinho, você vai pagar no próximo encontro. - Piscou para que negou com a cabeça.
- E vai ter um próximo encontro? - Questionou enquanto ria da cara do rapaz.
- Agora vai. - Sorriu enquanto entregava o seu cartão para a moça que estava no caixa.
Andaram em direção ao ponto de táxi mais próximo de mãos dadas. A atitude do rapaz não incomodou , muito pelo contrário, ela precisou sorrir para o nada só para não ser pega no flagra por Jordan.
- Obrigada pela companhia. - agradeceu assim que visualizou alguns táxis vazios em sua frente.
- Eu que agradeço, vamos repetir essa noite, hem?
- Claro, anota meu número que a gente combina depois. - Disse e logo em seguida eles trocaram os números de telefone.
- Agora eu posso te cobrar a sua dívida. - Brincou ao lembrar que era ela quem ia pagar a conta do próximo encontro. - Se cuida, .
Para que a despedida fosse em um abraço, era necessário que as mãos de Jordan ficassem em volta do corpo da garota. Mas, assim que se aproximou para se despedir, sentiu as mãos geladas de Jordan em suas bochechas. Seus olhos surpresos encararam o rapaz, mas se fecharam assim que sentiu os lábios dele nos seus.

Capítulo 19

Ele

Abrir os olhos era um sacrifício para naquela manhã, ele sabia que estava atrasado para o trabalho, mas a ressaca fazia com que ele não se importasse com isso. Seria capaz de jurar que não beberia mais, se não tivesse quebrado aquele juramento tantas outras vezes.
Não lembrava ao certo como chegou em casa, muito menos tudo o que conversou com Lauren, sua mente estava confusa demais para que qualquer lembrança da noite anterior aparecesse de forma clara.
Ouviu uma respiração estranha dentro do quarto, ao abrir os olhos encontrou seu pai sentado na cadeira ao lado da cama lendo um jornal.
- Pai? - Chamou ao estranhar a presença de Josh ali. – O que você está fazendo aqui?
- Estava esperando você acordar, precisava conversar com você e não queria ter que esperar até o fim do dia. – conhecia muito bem o seu pai para saber que o assunto era sério mesmo que o mais velho não demonstrasse isso.
- Aconteceu alguma coisa?
- Eu que te pergunto isso, filho. – Disse e recebeu um olhar confuso do filho como resposta. - Eu vi você chegando ontem.
- Pai, eu entendo a sua preocupação, mas não tem necessidade, eu não sou mais um adolescente, eu sei o que faço. – Adiantou, já sabendo onde aquela conversa ia parar.
- Então por que você não para de agir como um? Meu filho, você está há poucos dias aqui em casa e olha quantas noites você chegou aqui embriagado.
- Eu já estou procurando um novo apartamento, pai. – Respondeu seco, tendo em mente que a sua presença ali estava incomodando.
- Eu te diria a mesma coisa se você não estivesse aqui. Eu me preocupo com você, e apesar de você ser já ser um homem responsável, eu sempre vou querer cuidar de você, meu filho.
Um silêncio nasceu entre os dois, enquanto Josh pensava em uma forma de ajudar o filho, refletia sobre tudo o que havia acabado de ouvir.
- Eu vou tentar me controlar com a bebida, eu prometo. – Respondeu sem jeito, talvez por saber que aquilo que ele estava prometendo mais uma vez era extremamente difícil de cumprir.
- Tire o dia hoje para você e faça coisas que você goste, procure uma boa companhia, escute uma boa música... Você precisa seguir em frente e não precisa da bebida para isso. – O mais velho aconselhou enquanto dobrava o jornal e se levantava.
apenas concordou com a cabeça antes que o seu pai saísse do quarto. Se fosse o contrário, talvez ele falaria as mesmas coisas que o seu pai. Ele tinha consciência dos seus atos e sabia o quando os seus pais ficavam preocupados, ele só não sabia como mudar a situação de uma vez por todas.
Aquele dia foi extremamente longo, e aproveitou uma boa parte do tempo para ficar apenas com seus pensamentos como companhia, já que ninguém estava em casa. Sua mãe foi a primeira a chegar, não tocou no assunto de bebidas e Lauren, fazendo agradecer mentalmente por isso.
Samantha percebeu, assim que ela chegou, que o seu irmão não estava em seus melhores dias, apesar de se esforçar para esconder isso. Ela queria ajudar o irmão a se animar e sabia muito bem o que fazer.
- ? – Sam chamou depois de bater na porta do quarto um bom tempo depois.
- Pode entrar, Sam. – respondeu enquanto tirava seus óculos depois de guardar o seu livro e se ajeitar na cama.
Samantha sentou-se sem jeito ao lado do irmão, não conseguia fixar o seu olhar no dele e por isso, fixou a sua atenção nas suas mãos que estavam trêmulas.
- Sam, o que você aprontou? – Ele perguntou ao notar que a irmã mais nova estava diferente.
- Droga, você me conhece tão bem. – Comentou e viu que ainda espera por uma resposta. – Eu vi que hoje você não estava bem e resolvi te ajudar. Falei com a e ela gostou de te conhecer.
- Sam... – Disse com receio de aonde aquela conversa ia parar.
- E aí, eu disse a ela que você queria sair com ela novamente, resumindo, você tem um jantar marcado daqui umas três horas. – Falou de uma vez, ainda sem coragem de olhar para o irmão.
- Samantha, você não devia ter feito isso. – Respondeu sério, espantado com a atitude da irmã.
- Me desculpa, eu só queria te ajudar. É só um jantar, , você precisa distrair um pouco. Não dá para você ficar desse jeito para sempre. – Encolheu-se com medo do que o irmão podia falar.
A vontade de era dizer o quão errado era aquilo e que tudo o que ele mais queria era continuar em casa com os seus pensamentos. Sabia que na cabeça de Samantha, ela achava que tinha algum interesse em e ela jamais poderia descobrir o real motivo daquele encontro. Uma segunda oportunidade de falar com sem ter o relacionamento dos irmãos como foco poderia, sim, ser uma boa ideia para se distrair. No fundo, ele sabia que Sam só queria ajudar e talvez naquele momento ele estivesse mesmo precisando de uma ajuda.
- Sam? – Chamou a irmã que estava de cabeça baixa. – Me ajuda a escolher uma roupa para esse jantar? – Sorriu contagiando a mais nova, que respirou, aliviada.
A pior coisa daquele dia foi quando avisou que iria sair e recebeu olhares duvidosos de seus pais, como se eles já estivessem imaginando como ele voltaria para casa.
Não queria comentar nada, disse a Samantha que aquele era um segredo dos dois, mesmo sendo ele o único a esconder alguma coisa. também sabia que não tinha mais idade para ficar dando satisfações ao seus pais, eles tinham que confiar nele mesmo ele pisando na bola tantas vezes.
Saiu de casa com tempo suficiente para que ele pudesse dirigir tranquilamente pelas ruas e ainda assim chegar no local no horário combinado. Talvez fosse aquilo que realmente precisasse, um momento para esquecer o seu relacionamento e o da irmã. Talvez uma comida, uma companhia, uma conversa leve e um bom vinho fosse tudo o que ele precisasse naquela noite.
Chegou no local combinado e encontrou sentada a sua espera, ela sorriu assim que os olhos de encontraram os delas e levantou-se para cumprimentá-lo com um abraço aconchegante.
- Como você está? - perguntou ao se sentar, enquanto esperava o garçom vir até eles.
- Eu estou bem, fiquei surpresa quando sua irmã me ligou. – Respondeu de forma doce, tendo toda a atenção de para ela.
- Eu gostei de conversar com você e bom, ando precisando de uma companhia, meus dias não foram nada fáceis. – Deixou escapar e logo tentou voltar ao seu estado normal.
- Foi o que ela me disse, se quiser conversar, dizem que sou uma ótima ouvinte. – Disse numa tentativa de ajudar.
teria respondido se o garçom não tivesse chegado para anotar os pedidos. Assim que ele saiu, o olhou enquanto esperava uma resposta.
- Melhor não, quero me distrair, e tocar na ferida não vai ser um bom remédio. – Respondeu e sentiu as lembranças daquele dia voltarem com tudo para a sua mente, mas se esforçou para não deixar que elas estragassem a sua noite.
- Claro, como quiser. – sorriu de forma acolhedora enquanto tomava um gole do vinho que havia acabado de ser servido. Um silêncio se instalou entre os dois, talvez porque os únicos assuntos que rondavam a mente de eram justamente os que ele não queria falar.
- Eu acho que te devo um pedido de desculpas. - comentou, quase em um sussurro, não sabendo ao certo como falar.
- Desculpas? - Ele perguntou confuso.
- Pelo o que aconteceu no nosso café, acho que o meu amigo não foi tão gentil. – Falou sem graça, deixando transparecer a vergonha pela situação.
- Achei que ele fosse o seu namorado. – Foi sincero, aquilo foi a primeira coisa que passou em sua mente.
- Não, somos apenas amigos mesmo. – Ela respondeu de forma rápida.
- Está tudo bem, . – Sorriu confortando a garota em sua frente. – Já passou e eu não me importei com a presença do rapaz, não precisa esquentar a cabeça com isso.
- Só não queria deixar transparecer uma imagem ruim, fiquei sem reação.
- O nosso café não deixou de ser ótimo por isso. – Sorriu mais uma vez para ela que também sorriu em resposta.
O jantar, assim como o outro encontro foi extremamente agradável, mais uma vez a conversa entre os dois fluiu de uma forma natural. Era como se os dois já se conhecessem há muito tempo, já que tinham tanta facilidade para iniciar uma conversa sobre qualquer assunto. Qualquer pessoa que presenciasse aquele momento, não acreditaria que eles haviam se conhecido há pouquíssimo tempo.
- Obrigada pela noite agradável. – agradeceu, sabia o quanto seus dias estavam sendo difíceis e aquele momento mais tranquilo, de fato, aliviou toda a tensão que ele sentia por tudo que estava acontecendo.
era uma mulher incrível e não deixou de reparar o quanto ela era linda. Seu sorriso, seu cabelo e seus olhos pareciam combinar com a personalidade dela. Provavelmente seria alguém que chamaria a atenção de se de fato ele estivesse em um encontro.
Mas ele não queria se envolver, não naquele momento. Precisava se encontrar primeiro na confusão que estava dentro dele e o que ele jamais faria seria usar alguém para isso. Aquela mulher com quem ele se envolveu na balada para passar um tempo foi um erro que ele não queria repetir.
Os dois estavam no estacionamento, parados bem próximos do local em que o carro de estava estacionado. estava encostada no automóvel enquanto estava parado em sua frente.
- Eu que agradeço, você é uma ótima companhia. – Sorriu sem jeito, olhando para baixo para não encarar o rapaz.
não soube dizer se foi devido ao silêncio que se instalou entre eles e muito menos quem foi que deu o primeiro passo, já que eles estavam bem mais próximos um do outro. E todo o pensamento de que aquele foi um encontro amigável e que ele não queria se envolver com ninguém sumiram de sua mente quando viu o sorriso de tão próximo do dele. O seu cérebro por um momento pareceu ter parado de funcionar e dessa vez ele nem podia culpar a bebida.
Foi só quando os lábios dela tocaram os de que ele pareceu ter acordado e voltado para o lugar onde estava. o beijava com calma, como se quisesse aproveitar cada segundo. foi pego de surpresa, mas precisou apenas de um segundo para que ele retribuísse o beijo e depositasse as suas mãos na cintura dela.
Os lábios dos dois se desgrudaram, mas os corpos não, envolveu em um abraço enquanto ela descansava a cabeça em seu peito, a falta de diálogo naquele momento não incomodava. Depois de um tempo respirou fundo e se afastou, olhando nos olhos de com um sorriso nos lábios.
- Boa noite, . – Ela disse enquanto dava um passo para trás para se aproximar do carro novamente.
- Boa noite, . - Foi a última coisa que ele disse antes de retribuir o sorriso e observar indo embora.
Sorriu sozinho sem sentir um peso ou arrependimento pelo o que havia acabado de acontecer, foi até o seu carro e dirigiu em direção a casa dos seus pais.


Capítulo 20

Ela

Mais estranho do que ter saído com uma pessoa aleatória na noite anterior, foi ter recebido a ligação de Samantha implorando para que fosse a um jantar com o . Disse que o irmão não estava em um bom dia e Sam tinha certeza que a companhia dela podia ajudar. Samantha também deixou claro que havia conversado com o irmão e ele adorou a ideia de jantar com naquela noite, sendo assim, não tinha motivos para que ela negasse aquele convite.
por um momento pensou em recusar, pois lembrou-se do dia anterior em que ela havia mentido para , porém, ao notar o rapaz ausente durante o trabalho, ela achou melhor não criar mais expectativas em cima dele.
Foi para o jantar e não se arrependeu de nada, nem mesmo do beijo em que ela deu em assim que eles estavam indo embora. ficou com medo de tomar atitude, mas tentou não pensar nas consequências dos seus atos e apenas fez o que ela queria naquele momento. Durante todo o jantar, era como se estivesse ali apenas conversando com um grande amigo, mas ao se despedir de , ela sentiu como se estivesse faltando alguma coisa para fechar aquele jantar e foi por isso que ela o beijou. Ao sentir que correspondeu, esqueceu todos os pensamentos negativos que insistiam em aparecer repreendendo o que ela tinha feito.
Para , aquele foi apenas um beijo de momento, algo bom, que precisava acontecer mas que não iria se repetir. Ela tinha consciência de que eles não estavam em um encontro e que o beijo não foi uma tentativa de conseguir algo mais, apenas sentiu que precisava beijá-lo e fez sem pensar no que havia acontecido antes ou no que poderia acontecer depois.
No dia seguinte, fez questão de chegar mais cedo para conversar com Hope, o dia anterior havia sido muito corrido e ela não teve tempo de contar tudo o que estava acontecendo na sua vida para a amiga. Hope era a única pessoa que sabia tudo sobre ela.
Como a amiga ainda não havia chegado, foi para a sua sala e pediu para que avisassem Hope que ela estava a sua espera.
- Bom dia. - entrou na sala, pouco tempo depois.
- Bom dia, . - Ela respondeu sem tirar os olhos do computador.
Ouviu os passos de e então viu ele sentando-se em sua frente, logo em seguida o rapaz segurou a sua mão e teve a atenção de direcionada a ele.
- Desculpa por ontem, você viu como essa loja estava uma loucura. Eu estava um pouco impaciente mas não era nada com você. - Forçou um sorriso para .
- Não se preocupe, está tudo bem. - retribuiu o sorriso.
- Eu sei que não, eu vi que você ficou chateada, mas juro que não tem nada a ver com o que a gente tem. - Comentou, sem conseguir olhar nos olhos de .
- E o que a gente tem, afinal? - Aproveitou a oportunidade para perguntar.
Queria esclarecer de uma vez por todas aquela situação. Sabia que eles não tinham nada sério, se tivessem, ela jamais ficaria com outras pessoas. Mas se quisesse algo a mais, mesmo não estando preparada, ela seria capaz de tentar com ele.
- Como? - Ele demonstrou estar confuso em relação aonde ela queria chegar com aquela pergunta.
- , antes de qualquer coisa somos amigos, então eu quero que você seja sincero comigo. - Ela começou a falar e viu ele afirmar com a cabeça. - Eu não estou te pressionando nem nada, só quero saber o que você quer. Apesar de estarmos ficando há pouco tempo, você não deixa claro o que você quer, às vezes parece que você quer algo mais, aí depois você vem e me fala algo que dá a entender que é só um envolvimento sem nenhum compromisso. Independente do que seja, eu só quero deixar as coisas claras para não criar nenhuma expectativa. - Respirou fundo depois de falar tudo que estava guardado dentro dela.
ficou algum tempo em silêncio, continuou segurando a mão de enquanto pensava em tudo o que ela havia acabado de dizer. não forçou , muito pelo contrário, ela esperou pacientemente pela resposta do rapaz. Tinha todo o tempo do mundo para esperar por uma resposta, a única coisa que não queria, era adiar aquela conversa.
- Eu tenho um interesse em você há muito tempo, você sempre foi uma mulher que me chamou atenção. Quando saímos, eu pensei seriamente em começarmos um namoro ou algo assim por já te conhecer bastante, mas antes de qualquer envolvimento, somos amigos e é isso que me preocupa. - Começou a falar demonstrando um certo nervosismo enquanto ouvia tudo com atenção. - Pode parecer confuso, mas me assusta a ideia de que a nossa amizade não seja mais a mesma, mas ao mesmo tempo eu quero ficar com você. Eu sei o que você passou no passado, e eu jamais faria algo para te magoar, porém eu não sei se é o momento certo para assumirmos algo mais sério, você entende?
conseguiu entender com facilidade o que ele queria: queria algo sério, mas talvez estivesse cedo demais para isso. Mas ele também não queria enrolar ou prendê-la em algo que ele não sabia dizer como seria no futuro.
sabia que seria difícil ficar longe de e fingir que nada entre os dois aconteceu. Talvez por medo, estivesse precipitando as coisas, nada impedia que ela aproveitasse sua vida e curtisse com também sem pensar no futuro. Ela estava errando em pensar tanto no amanhã que ainda era incerto e se esquecendo que não havia nada de errado em conhecer novas pessoas.
- Claro, só queria saber o que você pensava a respeito de tudo isso. Tenho meus medos devido a forma como o meu último relacionamento acabou e eu só não quero passar pela mesma situação, mas se eu sei de fato o que você quer, eu sei o que esperar ou não. - Explicou, feliz por estarem conversando tranquilamente sobre os dois.
- E então? - questionou sem saber ao certo qual seria a conclusão daquela conversa.
- Melhor continuarmos sendo amigos e apenas deixar as coisas acontecerem entre nós, sem pensarmos muito no depois. Independente de qualquer coisa, o que tiver que acontecer, vai acontecer, não tem porque nos precipitarmos. - Sorriu depois de se levantar e ir em direção ao amigo.
Assim que se levantou, o abraçou, um abraço cheio de carinho recíproco. Era bom saber que tinha por perto e ela não aceitaria que nada atrapalhasse a amizade dos dois.
- Então, seremos amigos que se beijam às vezes? - Ele disse enquanto retribuía o abraço.
- Amigos que respeitam o local de trabalho, mas que podem colorir a amizade fora daqui. - respondeu fazendo o amigo gargalhar.
- Que mulher maravilhosa, espero que no futuro eu me case com você. - Brincou antes de voltar para sua mesa.
Minutos depois foi informada que Hope havia chegado, resolveu ir ao encontro da amiga que devia estar mais atarefada do que ela naquele momento.
avisou que tinha novidades para a amiga, contou do garçom que havia ficado, do café com , do jantar e da última conversa que teve com . não conseguia e também não tinha motivos para esconder nada dela.
- Você ficou com dois caras em menos de 24 horas depois de ficar meses sem beijar ninguém por causa do seu ex e de tudo o que ele fez com você? - Hope perguntou surpresa.
- Precisava lembrar do meu ex? - Revirou os olhos sabendo que as lembranças sempre apareciam.
- Eu estou surpresa com tamanha evolução. - Ignorou a pergunta e pensou alto enquanto continuava arrumando algumas peças de roupa no estoque.
- Você fala como se fosse algo de outro mundo. - respondeu, sentindo o clima daquela conversa mudar.
- Vindo de você, é de outro mundo, sim. Mas e o nessa história toda? - Arqueou a sobrancelha, ansiosa pela resposta.
- Você mesma disse que ele não quer nada sério e eu estou começando a achar a mesma coisa. Conversamos e vamos deixar rolar, ver o que isso vai dar!
- Você vai continuar ficando com ele mesmo sabendo que ele não quer nada com você? - Disse surpresa com aquela afirmação de .
- E se eu quiser apenas me divertir? Eu também posso. Eu tenho resquícios do meu último relacionamento que não irão passar tão cedo, talvez o que esteja faltando na minha vida seja um pouco de diversão. - Sorriu, feliz por pensar diferente depois de tanto tempo.
- Isso não combina com você, . Você sempre namorou sério, nunca curtiu sair ficando com qualquer um por aí. - Lembrou a amiga daqueles detalhes.
- Talvez seja a hora de mudar. - piscou para Hope que negou com a cabeça.
- Bom, você já é adulta, faz o que quer e nunca escuta os meus conselhos. Faça o que for melhor para você, mas agora deixa eu trabalhar que tudo o que eu menos quero é fazer hora extra nesse inferno. - Reclamou e saiu do estoque logo em seguida. estava tão tranquila que não ficou nervosa, apenas sorriu e negou com a cabeça enquanto se perguntava mentalmente como ela conseguia ser amiga de uma pessoa tão complicada.


Capítulo 21

Ele

Três copos esvaziados em menos de vinte minutos, a casa estava silenciosa e deduziu que todos já estavam dormindo. Não estava bêbado ainda mas a bebida já havia mudado o seu estado e aquela sensação era extremamente prazerosa. Gostava do que o álcool o fazia sentir, gostava da leveza que as doses de whisky traziam, e mais ainda de como aquilo parecia já fazer parte da sua vida.
conseguia ficar sem beber, porém era um sacrifício muito grande que ele não via motivos para fazer. Sabia o quanto os seus pais ficavam preocupados e o quanto, por exemplo, era perigoso dirigir depois de beber, porém aquilo era a única coisa que estava lhe dando prazer nos últimos dias. A bebida tornou-se sua amiga, sua companheira, era como se fosse um alguém que seria incapaz de decepcioná-lo.
Quando decidiu dormir, já não sabia mais quantos outros copos havia enchido e esvaziado segundos depois.
O álcool não impediu que ele pensasse no que havia acontecido naquela noite. Era a segunda pessoa que ele beijava depois que viu sua mulher na cama com o seu amigo. Depois que conheceu Lauren, nenhuma outra mulher lhe chamou atenção, só tinha olhos para a pessoa que um dia ele jurou passar todos os seus dias ao lado dela, mas naquele momento, aquele juramento não fazia sentido algum.
Vários pensamentos acusavam de estar se igualando a Lauren, enquanto outros tentavam convencê-lo de que ele não estava fazendo nada de errado. Esses pensamentos permeiaram a sua mente até o sono aparecer.
- Bom dia! - cumprimentou assim que entrou na cozinha na manhã seguinte, havia perdido a hora e só a sua mãe estava em casa.
Sua cabeça parecia querer explodir e ele sabia que o motivo daquilo era ter exagerado na bebida no dia anterior. Seu corpo pedia para que ele ficasse na cama mas não cederia, havia muito trabalho a sua espera e a sua vida pessoal já havia atrapalhado demais.
- Bom dia, meu filho, vou esquentar o café para você. - Bethany falou enquanto secava suas mãos, depois de lavá-las, para servir o filho.
- Não precisa, mãe, vou comendo uma fruta no caminho, dormi demais e tenho muita coisa pra resolver. - Viu sua mãe concordar e logo em seguida beijou a testa da mais velha. - Até mais tarde!
- Até mais tarde, meu filho. - Sorriu enquanto via a imagem do filho se afastar.

Cinco minutos depois, sua campainha tocou, Bethany estranhou, já que tinha a sua chave, imaginou que só poderia ser ele voltando por algum motivo, já que não interfonaram avisando que ela receberia visitas.
Abriu a porta e não conseguiu disfarçar sua cara de surpresa, não era mas era alguém que tinha total liberdade para entrar naquela casa sempre que quisesse. Tinha, no passado, agora no presente Bethany sabia que as coisas iriam mudar.
- Bethany... - Lauren forçou um sorriso, sem saber ao certo o que dizer. - Vi o saindo e subi tão rápido que até esqueci de interfonar. Eu posso conversar com você?
Apesar de tudo o que havia acontecido, Bethany sempre considerou Lauren como uma filha e sabia que um erro, por mais grave que fosse, não ia ser capaz de apagar aquele carinho de anos. E ela também queria ouvir o outro lado da história, queria saber o que Lauren tinha a dizer sobre tudo o que aconteceu.
- Claro, querida, entre! - Deu espaço para que Lauren passasse, seguindo-a até o sofá onde as duas se sentaram.
As lágrimas já tomavam conta dos olhos de Lauren, que respirou fundo e tentou se acalmar antes de começar a falar. Beth aguardou em silêncio, sabia que Lauren estava ali para se explicar e por isso ela ainda não precisaria fazer nenhuma pergunta.
Bethany conseguia enxergar o quanto Lauren estava abalada com a situação: o rosto pálido não parecia ser o mesmo daquela garota vaidosa de sempre, as olheiras deixavam claro o quanto ela havia chorado e que provavelmente ela não dormia há dias e qualquer um que a olhasse perceberia a sua tristeza que, mesmo que tentasse, ela não conseguiria disfarçar.
- Eu sei que eu errei mas eu vim aqui tentar me justificar e dizer que eu não sou a única errada da história. O estava chegando bêbado em casa todos os dias, ele sempre foi um ótimo marido, porém a bebida estava deixando o nosso casamento em segundo plano. Eu já estava de saco cheio e comecei a fazer o mesmo, beber como se não houvesse amanhã. - Respirou fundo novamente, numa falha tentativa de se acalmar, as lembranças traziam uma sensação que era como se ela estivesse revivendo tudo novamente. - Quando estava sóbrio, o se desculpava e dizia que ia ter mais controle com a bebida, mas a história sempre se repetia. No dia que tudo aconteceu, havíamos brigado um dia antes, ele passou a sexta inteira fora e não falou comigo o dia inteiro. Quando o amigo do chegou, eu estava alterada. Continuamos bebendo, conversando e o que eu lembro é de estar na cama com ele e do chegando logo depois. - Falou de uma vez, tentando buscar forças para não desabar, aquela situação era dolorida demais.
- O que esse cara estava fazendo na sua casa? - Bethany perguntou curiosa.
- Eu não sei, ele chegou querendo falar com o , começamos a beber, comecei a desabafar, fiquei mais alterada e ele também e tudo aconteceu... Não sei se ele se aproveitou da situação ou se foi tudo culpa minha, o que eu sei é que eu nunca estive tão arrependida. - Continuou se explicando, o seu choro parecia não querer cessar.
- Traição é coisa séria, minha filha. - Beth falou usando um tom de voz acolhedor, apesar de ter machucado o seu filho, ela jamais faria o mesmo com Lauren que parecia já estar colhendo os frutos das suas atitudes.
- Eu nunca fiz isso antes, Bethany, eu nunca trai o e isso nunca nem passou pela minha cabeça. Juntou a raiva com a bebida e com toda dor que eu estava sentindo e deu nisso. - Tentou explicar mais uma vez.
- Você sabe que o nunca te desrespeitou, mesmo bêbado, não sabe?
- Eu sei e eu não quis dizer isso, mas... - Ia continuar mas lhe faltou palavras.
- Não tente se justificar, querida, diga apenas que você errou e pronto. Eu não vou te julgar, somos pessoas com defeitos e nós erramos diariamente. Melhor assumir um erro do que tentar buscar justificativas que tirem a culpa que é toda sua. - Explicou mais uma vez, tentando tirar da cabeça de Lauren a ideia de tentar justificar o que ela fez.
- Dói tanto, eu casei pra viver para sempre com o , eu não quero perdê-lo, Beth. - Disse sentindo as lágrimas descerem pelo seu rosto.
- Então prove que você está arrependida, tente consertar o seu erro, lute pelo amor de vocês que sempre foi lindo. - Bethany incentivou.
- Será que o consegue me perdoar?
- Isso eu não posso te garantir, mas garanto que você tem todo o meu apoio. - Disse antes de abraçar a mais nova, que se sentiu acolhida naquele abraço.
Sabia que era algo complicado e conhecia muito bem o filho que tinha, mas Beth também sabia do amor que um sentia pelo outro.
- Me perdoe por tudo isso, Beth.
- Eu só quero ver vocês felizes, como antes.
- Eu vou fazer de tudo para ter o seu filho de volta. - Lauren sussurrou, disse mais para ela do que para a própria Bethany que ainda a abraçava.


Capítulo 22

Ela

O dia passou mais rápido do que imaginava, talvez devido a quantidade de trabalho ou ao seu bom humor, ela mal viu o tempo passar. O clima entre ela e estava normal, lembrou de quando ela nem cogitava ficar com o rapaz, quando não tinha nada além da amizade. Talvez fosse isso, talvez eles tenham confundido as coisas, talvez no fundo eles seriam sempre apenas bons amigos. Não podia negar que a amizade do rapaz era uma das melhores coisas que lhe aconteceu, porém, agora era mais difícil separar tudo.
Apesar de não ter nenhum sentimento além da atração, estava envolvida além da amizade com . Por um lado ela queria continuar com o que os dois estavam tendo, mas também não queria pressionar o amigo ou estragar a relação que eles tinham antes, no meio de tantas dúvidas, ela decidiu que iria deixar as coisas acontecerem naturalmente.
Saiu do serviço e foi em direção a sua casa, Hope não havia esperado e isso fez com que ela chegasse em casa mais rápido, já que não precisava mudar o percurso para dar carona a amiga. Queria aproveitar para descansar, os últimos dias foram extremamente agitados, levando em consideração o ritmo da vida que ela tinha.
No dia seguinte, acordou animada, não lembrava a quanto tempo ela acordava assim, sem ter um motivo específico. Tomou um banho demorado enquanto passava um filme na sua cabeça. Lembrou do garçom que sempre lhe atendeu, que ela nunca tinha reparado o quanto ele era atraente e de ter beijado do nada, sendo que eles não estavam em um encontro, de fato. Lembrou de e da conversa entre eles que deixou sem saber ao certo o que esperar do amigo. Sorriu para o espelho ao perceber quanta coisa estava acontecendo em pouquíssimo tempo e dessa vez ela não julgou as suas atitudes, apesar da insegurança, depois de tanto tempo, estava vivendo sua vida novamente.
Desceu pro café e encontrou seu irmão e sua mãe a sua espera, sempre tomavam pelo menos o café da manhã juntos, já que os horários do restante do dia eram complicados para todos.
- A Samantha falou que você saiu com o irmão dela - Dylan comentou com um duplo sentido em seu tom de voz, iniciando uma conversa entre eles.
- Mas o não é filho único? - Victória questionou a filha, tentando entender aquela conversa.
- Ele é filho único sim, mãe. É que eu saí pra jantar com o irmão da Samantha, um outro rapaz. Mas foi só um jantar mesmo e não um encontro como vocês devem estar pensando - explicou enquanto matava a sua fome que estava enorme.
De fato, estava bem humorada naquele dia, em outro momento ela teria implicado com o seu irmão pelo comentário, mas ela preferiu apenas esclarecer a história. Os dois tinham personalidades muito diferentes uma da outra e, devido a isso, acabavam se desentendendo as vezes.
- Mas se fosse não teria problema, , fico feliz em te ver assim depois de tanto tempo. Aproveite, só se cuide para não me dar um neto antes da hora, igual o seu irmão me deu.
- Mãe! - repreendeu a mãe enquanto tentava segurar o riso.
Ainda não havia acostumado com o jeito tão moderno de Victória, por isso alguns assuntos ainda a assustava. Por outro lado, ficava feliz em saber que tinha uma mãe preocupada e uma melhor amiga na mesma pessoa.
- Me recuso a imaginar que a minha irmã faz essas coisas - disse Dylan depois de fazer uma careta pelo comentário de sua mãe, arrancando risadas das duas que estavam presentes. - Mas concordo que você tem que voltar a viver a vida, desde que não seja com aquele , é claro.
- Eu não consigo entender seu ódio gratuito por ele - pensou alto quando o irmão voltou no assunto que eles já haviam conversado antes.
- O meu santo nunca bateu com o dele - deu de ombros após responder.
- E desde quando isso é motivo para julgar as pessoas?
- E quando eu julguei ele, ? Nunca sequer o tratei mal, mas não é porque você é amiga do cara que eu sou obrigado a amar ele também - alterou o tom de voz ao perceber que já estava começando a se exaltar também.
- Já vão começar? - Victória repreendeu os filhos, que nada responderam, apenas voltaram a comer. - A nunca interferiu na sua vida, Dylan, então faça o mesmo. E você, , também não pode fazer com que o Dylan ame o , quem tem que gostar dele é você.
- Eu só não vejo motivos para tanta implicância, mãe. Eu acho que o Dylan tem uma imagem completamente errada do , assim como ele tinha do Austin, já que ele achava meu ex um homem perfeito e você sabe muito bem o que ele fez comigo - desabafou, lembrando do quanto o irmão defendia o cunhado há um tempo atrás.
- São situações completamente diferentes - respondeu, dessa vez sem se exaltar.
- Me explica a diferença então - pediu só para saber se o irmão ainda teria coragem de defender o seu ex namorado depois de tudo que ele fez.
- O Austin foi um filho da puta sim e se eu pudesse eu dava um murro na cara dele por isso, porém, antes disso, ele sempre foi um ótimo namorado pra você, um ótimo cunhado pra mim e um genro maravilhoso para a minha mãe, disso a gente não pode discordar. Eu sempre defendi muito ele, mas quando tudo aconteceu, eu fiquei do seu lado e não falei uma palavra sequer para defende-lo. O , eu já não consigo gostar desde agora, ele é estranho, , quer ser perfeitinho demais, como se isso fosse apenas uma farsa para esconder as merdas dele, que eu não sei quais são, mas aposto que elas existem, não é alguém que eu quero ter por perto. Mas talvez você tenha razão e eu esteja completamente errado em relação a ele assim como errei em relação ao Austin.
- Eu tenho certeza que você está - disse enquanto filtrava o que Dylan falou.
- É por isso que não devemos julgar ninguém sem conhecer - Victória entrou na conversa para alertar os filhos.
- Não adianta, mãe. achava que ia ficar pra sempre com seu ex, assim como eu pensei que ia ficar com a mãe da minha filha e aqui estamos, solteiros sem eles. As pessoas mudam constantemente - explicou ao perceber que a conversa havia mudado o rumo.
- Então por que essa implicação com o ? Porque, se a sua opinião sobre ele estivesse correta, mesmo eu sabendo que não está, ele poderia mudar também, não poderia?
- Claro, nunca disse que não. Mas enquanto ele não muda ou me mostra que estou errado, ele continua sendo alguém que eu não quero ter por perto.
- Desisto de você, irmãozinho - riu e negou com a cabeça, sabia o quanto o irmão era cabeça dura. - Deixa eu ir trabalhar porque o meu dia vai ser longo - comentou ao sair da mesa e se despedir da mãe e do irmão.
- Eu sei que você me ama, . E desculpa qualquer coisa, você já é grande o suficiente para saber o que é melhor pra você, vou tentar não interferir mais.
- Faça isso e eu vou te amar mais ainda.
- Fico feliz em saber que você superou o Austin - ffalou quando a irmã já estava quase na porta. - Os times daqui estão loucos para que ele volte pra cá, bom é que se ele vier, isso não vai ser um problema pra você.
apenas forçou um sorriso, demonstrando surpresa com a notícia antes de fechar a porta. Respirou fundo pensando no que o irmão havia dito, sempre evitou canais de esportes para não ouvir falar sobre Austin, o ex era um famoso jogador e vários times eram loucos por ele. Sabia que Dylan comentou sem maldade, já que nunca falavam sobre o assunto respeitando o pedido dela e sabia também que a qualquer momento Austin poderia voltar, afinal, aquela era sua cidade natal.
O que não sabia era como seria ter a pessoa que a levou ao céu e ao inferno tão próxima assim.


Capítulo 23

Ele

Enquanto tomava um banho depois de um dia cansativo, ficou se perguntando se devia agradecer pela quantidade de trabalho o impedir de pensar nos problemas pessoais ou suplicar ao universo para que os próximos dias fossem mais tranquilos. O único momento de tranquilidade que teve foi durante o almoço com o seu pai, onde ele aproveitou o momento para falar do divórcio, queria resolver aquilo de uma vez por todas. Não suportava a ideia de que ainda existia algo entre ele e Lauren. Ao chegar em casa, tomou uma dose de whisky, um banho e logo em seguida foi descansar. Ele estava mesmo precisando de algumas horas a mais de sono.
O dia seguinte foi cheio de trabalho como qualquer outro, mas devido a noite tranquila que teve, estava mais relaxado. Quando retornou para casa de seus pais, encontrou apenas seu irmão e foi informado que os mais velhos estavam no shopping com a Samantha.
- Alguma novidade sobre o namoradinho da Sam? - Nick perguntou assim que saiu do banho e voltou para sala.
- Eu disse a Sam que queria o número daquela mulher, que é irmã do rapaz. Me encontrei com ela e expliquei a situação, claro que eu não podia fazer uma entrevista sobre o rapaz, mas pelo o que foi conversado eu já fiquei mais tranquilo.
- Entendi, não perca o contato com ela, dessa forma a gente consegue ficar mais próximos dessa relação.
- Sim, a foi muito gentil ao tentar me ajudar, senti que ela é uma boa pessoa. De bônus, eu ainda ganhei um beijo - sorriu e negou com a cabeça ao lembrar, sentiu-se como uma adolescente contando as novidades para o irmão.
Ao dar risada de algo que havia acontecido com ele, pensou por alguns segundos a quanto tempo aquilo não acontecia de forma verdadeira. Aquele alegre ainda existia, ele só estava um pouco perdido.
- Como assim? - Nick questionou, sem entender ao certo.
- A Sam achou que eu me interessei de verdade pela e marcou um jantar pra gente, eu precisava me distrair e fui. Não sei ao certo o que as duas conversaram, mas eu havia deixado claro para , na primeira vez, que eu tinha inventado uma história para conseguir o número dela. Mesmo assim ela também aceitou esse jantar, conversamos sem segundas intenções e na hora de ir embora ela me beijou. Nem eu entendi muito bem.
Nicholas sorriu depois de ouvir atentamente a história. Sabia que ainda não estava bem, mas pelo menos estava mais tranquilo. Sabia também que algumas doses de diversão contribuiriam e muito para o tratamento do irmão cuja doença era a traição de Lauren, que acabou com um casal que todos achavam ser perfeito.
- E foi bom? Vocês podem sair de novo, você precisa aproveitar a vida.
- Apesar de não esperar, foi bom sim. É diferente beijar outras pessoas quando você passa vários anos da sua vida com uma só - riu de forma irônica ao lembrar. - Mas, você tem noção que eu saí de um casamento de anos há poucos dias? Eu jamais usaria alguém para esquecer a Lauren e muito menos para vigiar a Samantha, tanto que eu menti só para a Sam, para a eu falei a verdade. Jamais seria escroto a esse ponto - explicou, tendo em mente que não estava fazendo nada de errado.
- Eu não quis dizer isso e as duas hipóteses sequer passaram pela minha cabeça. Só acho que se ela te beijou, mesmo sabendo do motivo de você estar ali, é porque teve interesse da parte dela e se foi bom pra você, não tem porque não saírem de novo. Hoje em dia é difícil achar alguém legal, com quem você possa conversar e não apenas levar para a cama. Eu te conheço, irmão, sei que você jamais voltaria com a Lauren, logo não vejo motivos para não aproveitar um pouco agora que está solteiro. Concordo com o fato de você não se envolver mais sério com alguém, mas se ambos quiserem, qual o problema de curtir um pouco sem compromisso?
- Vocês jovens são modernos demais - comentou enquanto pensava a respeito dos conselhos do irmão.
- Você é que está ficando velho cedo demais.
Encerram aquele assunto depois que os pais e a irmã dos dois chegaram. Depois do jantar, começou a refletir sobre o que havia conversado anteriormente com Nick.
Ninguém sabe exatamente o que fazer ou como agir diante de certas situações. nunca havia imaginado que um dia o seu casamento chegaria ao fim e naquele momento ele estava tentando imaginar como seguiria sua vida após tamanha decepção.
Uma semana já havia se passado e estava com a sensação de que os seus dias nunca haviam passado tão rápidos como os últimos e ao mesmo tempo se questionava como e por que tanta coisa podia acontecer de uma só vez.
Ao acordar no dia seguinte, não soube dizer quais foram os últimos pensamentos que rondaram a sua mente antes de pegar no sono, porém, algo apareceu claramente em sua cabeça: ele não havia bebido no dia anterior. Não que isso fosse um descoberta importante, mas a bebida estava sendo uma ótima amiga para nos últimos dias e, ao sequer lembrar dela, tentou entender o motivo, já que ele conseguia sim ficar sem beber, mas sempre era um grande sacrifício.
Família, era esse o motivo! havia passado o dia anterior ao lado dos seus pais e irmãos e não teve tempo de lembrar do álcool. Se estivesse sozinho, talvez as coisas seriam diferentes.
Talvez pela falta de trabalho ou de qualquer outra coisa para fazer, aquele sábado passou rápido demais e quando notou, o dia já havia dado lugar para noite. Mais tarde após o jantar, se arrumou e saiu, dessa vez sem a companhia de Nicholas que recusou o convite para sair por preguiça. foi para a mesma balada de sempre, mesmo com tantas outras opções pela cidade, gostava daquele lugar. As bebidas, as músicas e o ambiente formavam um conjunto que agradava muito o rapaz.
O mesmo garçom que quase sempre o atendia apareceu em seu campo de visão assim que ele se sentou em um dos assentos que estavam vazios em frente ao balcão.
- Eu vou querer uma cerveja, por favor - pediu ao garçom que saiu no mesmo instante para pegar ao bebida. - Muito obrigada - agradeceu ao receber o seu pedido e viu o garçom falar alguma coisa que ele não conseguiu entender devido a música alta.
Talvez já estivesse na quarta ou quinta cerveja quando sentiu que estava sendo observado. Estava de frente para o bar e consequentemente de costas para as pessoas que estavam nos demais locais da balada, mas isso não impediu que ele sentisse esse incômodo.
Sempre ouviu das pessoas que se você encarar alguém por muito tempo, em algum momento quem está sendo observado vai perceber mesmo se esse alguém não estiver olhando pra você. sempre acreditou muito nisso e era exatamente aquilo que estava acontecendo. Olhou para trás e não conseguiu esconder a surpresa ao notar quem o observava, deu o último gole em sua bebida antes de ir até aquela mesa ocupada por duas pessoas.
- Boa noite, - cumprimentou ao chegar na mesa. - Boa noite - direcionou a palavra a outra mulher que estava ali.
- Boa noite, - ela sorriu ao responder. - Ah, essa é a Dominique - apontou para a garota ao seu lado.
- É um prazer - Dominique sorriu e viu afirmar com a cabeça. - Se quiser se sentar aqui na nossa mesa, fique à vontade.
- Eu agradeço, mas não quero atrapalhar - disse ao perceber um expressão de espanto no rosto de ao ouvir aquele convite. - Só vim cumprimentar a , que coincidência encontra-la aqui novamente - sorriu ao lembrar que aquela não era a primeira vez que se encontraram do nada.
- É porque eu adoro frequentar esse lugar e parece que você também - respondeu e viu sorrir afirmando com a cabeça.
- Bom, só vim dar um oi mesmo. Dominique foi um prazer te conhecer e, , foi bom te ver de novo.
Por não ter mais o que dizer, sorriu e saiu em direção ao bar antes mesmo de receber alguma resposta. Não tinha amizade com e o assunto que existia entre eles era sobre os irmãos de ambos, assunto que jamais abordaria num lugar onde eles estavam para se distraírem.
- ?
Ouviu o seu nome ser chamado e pausou os seus passos, olhando para trás logo em seguida. Encontrou bem próxima dele, tão próxima que nem a música muito alta impediu que ele a ouvisse perfeitamente assim que ela o chamou.
- Oi, , aconteceu algo? – perguntou ao perceber que ela estava mais agitada do que segundos antes quando ele falou com ela na mesa.
- Eu posso conversar com você? - respondeu logo em seguida.
- Claro. Quer ir ao fumódromo? Lá não deve ter muita gente e a música não incomoda tanto.
- Eu só vou me despedir da minha amiga que já está indo embora e te encontro lá em dois minutos, tudo bem? - concordou e viu indo em direção aonde ela estava antes.
Não imaginava o que queria conversar com ele, mas estava disposto a ouvir. Pegou duas cervejas e subiu para o segundo andar, onde tinha o espaço para fumantes e um outro bar que tocava uma música bem mais tranquila. Por ser um lugar mais íntimo que o andar debaixo, o espaço também possuía sofás, pufs espalhados pelo lugar e uma luz vermelha, deixando o ambiente bem propício para os casais que queriam ficar mais à vontade.
Já que não havia quase ninguém ali, mudou de ideia, era melhor ficar ali em um ambiente mais confortável do que lá fora no fumódromo, sem contar que a noite estava fria e a temperatura lá dentro estava ideal.
- Desculpe a demora, a Dominique não conhecia esse lugar e eu tive que mostrar pra ela onde era o caixa e a saída - disse assim que encontrou com , depois de sentar ao lado do rapaz.
- Não precisa se desculpar. Achei melhor ficar aqui dentro mesmo já que esse lugar está praticamente vazio, você se importa? - viu responder negando com a cabeça. - Trouxe pra você - entregou a cerveja que estava encima da pequena mesa posicionada na frente dos dois.
- Obrigada - sorriu e agradeceu antes de beber.
- E então, sobre o que você queria conversar? - Chris questionou assim que um silêncio começou a nascer entre eles.


Capítulo 24

Ela

Sem muitas novidades no trabalho, aquela sexta não demorou passar. Assim que acabou o horário do seu expediente, foi para a sua casa, apesar do dia tranquilo, tudo que ela queria era descansar um pouco.
- O Dylan saiu? - y perguntou depois de sair do banho e ir para a sala fazer companhia para sua mãe.
- Ele saiu, acho que foi encontrar alguns amigos da faculdade.
- Estou aqui pensando se saio também ou aproveito essa noite para descansar - segurava o seu próprio queixo enquanto pensava.
- Você trabalha amanhã? - sua mãe perguntou e viu a filha negar com a cabeça. - Bom, você quem sabe, mas acho melhor descansar hoje, amanhã você sai.
- Acho que é isso mesmo que eu vou fazer, mãe. Escolhe um filme pra gente assistir que eu vou fazer uma pipoca - pediu antes de ir para a cozinha.
Não chegou a ver o final do filme porque dormiu no meio dele. Acordou de madrugada com o seu corpo reclamando por estar deitada no sofá de forma tão desconfortável. Sua mãe não estava ali e ela reclamaria por Victória não ter lhe acordado se não estivesse coberta por um cobertor quentinho. Victória apenas não queria acordar a filha, mas fez questão de cobri-la. Sorriu contente pelo cuidado que a mãe possuía com os filhos, enquanto ia para o seu quarto.
Acordou mais tarde no sábado e aproveitou o restante do dia para cuidar de si mesma. Foi no salão de beleza, fez as unhas, cabelo e depilação. Estava precisando de um momento assim. Quando já era noite, combinou de sair com Dominique, a amiga havia falado que queria sair e, já que Dylan estava com a filha naquela noite, era uma ótima oportunidade.
Já no táxi, a caminho da balada, compartilhou com a amiga os recentes acontecimentos. Teve que abrir o jogo sobre Samantha e Dylan, para que Dominique pudesse entender toda a história envolvendo e também porque não gostava de mentir. Dominique fingiu não se importar com as informações sobre Dylan, focando apenas no que incluía . O que Dylan fazia ou deixava de fazer não era mais da sua conta.
- Eu beijei um rapaz que só queria me ver para proteger a irmã - falou quase que para ela mesma, lembrando do acontecimento.
- Bom, se a irmã dele está querendo virar cupido, o homem deve estar solto na pista, pra não dizer encalhado. E foi só um beijo, , não é o fim do mundo.
- Eu não sei o que me deu. Já fiquei com três rapazes nos últimos dias, eu nunca fui assim - sentiu-se envergonhada pelo que havia feito.
Depois que terminou o seu último relacionamento, sempre teve medo de se envolver novamente, mesmo que fosse só por uma noite.
- Amiga, para de se torturar. Você é solteira e tem todo o direito de ficar sozinha ou com um, dois ou dez caras numa noite. É a sua vida e as suas escolhas, a única pessoa que você tem que agradar é a você mesma.
- Você tem razão, vou tentar não pensar nisso mais. Porém, sei que eu ficaria morrendo de vergonha se me encontrasse com o de novo, mas acho que já ajudei ele no que eu podia – comentou ao lembrar que não havia conversado com novamente e respirou aliviada por isso.
Continuaram conversando sobre outros assuntos até chegarem na balada que sempre frequentava, Dominique não conhecia, mas sabia que era o lugar que mais amava ir aos finais de semana.
Sentaram-se em uma das mesas que ainda estavam vazias e voltaram a conversar sobre a vida de . Com o olhar, mostrou o garçom para Dominique e enquanto as duas observavam o rapaz, que trabalhava bastante naquela noite, enxergou uma outra pessoa que ela não esperava ver naquela noite.
- Ai meu Deus – disse assustada, recebendo a atenção Dominique.
- O que houve?
- O está ali no bar – mostrou o homem que bebia a alguns metros de distância das duas. – Espero que ele não me veja aqui.
- Amiga, ele é maravilhoso! Se eu estivesse no seu lugar, sentiria orgulho por ter beijado esse homem e não culpa - brincou tentando animar a amiga que ficou sem reação ao ver o rapaz. - Eu acho que você devia ir falar com ele, ficar só olhando não vai adiantar nada - avisou ao perceber que ainda observava .
- Eu não sei o que eu diria a ele. Talvez um: oi, desculpa por eu ter te beijado?
- Isso seria péssimo, acho melhor você pensar em outra coisa para ter ele como companhia porque estou indo embora, já estou ficando com sono - um pequeno silêncio se instalou entre elas e assim que Dominique viu o homem se aproximar, ela tratou de avisar a amiga. - Mas pense bem rápido porque ele já te viu e está vindo pra cá.
Antes mesmo que pudesse responder alguma coisa, chegou na mesa onde ela estava. Cumprimentou as duas mulheres rapidamente, trocando poucas palavras e quando estava voltando para o seu lugar, Dominique lançou um olhar para a amiga, como se perguntasse a se ela realmente não iria dizer nada.
Sem muito pensar, chamou e pediu para conversar com ele. Dominique já tinha avisado que ia embora, mas antes de sair pediu para que aproveitasse a noite por ela.
Foi para o segundo andar e encontrou com facilidade. O rapaz passava uma tranquilidade invejável enquanto tentava não demonstrar que estava nervosa. Assim que perguntou sobre o que ela queria conversar, lembrou de Dominique, provavelmente ela brigaria com a amiga ao descobrir que ela só tinha uma resposta em mente para aquela pergunta.
- Então... - bebeu um gole da cerveja para ter um tempinho a mais para pensar nas palavras que usaria. - Aquele dia em que te encontrei, não sei direito o que aconteceu, mas eu acabei te beijando. Eu sei que você estava ali para conversar sobre a Samantha, então queria te pedir desculpas por isso.
- Não precisa se explicar, muito menos pedir desculpas – ele respondeu, depois de sorrir.
- Só não queria que você pensasse nada demais, eu só... - tentou pensar em uma palavra certa para usar, mas não conseguiu.
- Sentiu vontade de me beijar e me beijou - ele completou com extrema facilidade.
- Desculpa, já estou falando demais, mas só consigo pensar que eu não devia ter te beijado, porque não estávamos em um encontro e...
teria continuado a sua fala, numa tentativa de se explicar, se não tivesse sido interrompida pelos lábios de envolvendo os seus com calma. Como não esperava por aquela atitude, demorou alguns segundos para entender o que estava acontecendo e retribuir o beijo.
Diferente do primeiro, dessa vez tinha mais vontade de ambas as partes, puxava suavemente os cabelos de enquanto as mãos da garota repousava no colo do rapaz. Não é como se ela não quisesse retribuir as carícias, mas estava concentrada demais nos lábios do rapaz para pensar em fazer qualquer outra coisa. Ele finalizou o beijo com um selinho, segundos depois abriu os olhos e encontrou o sorriso de bem próximo dela.
- Você me beijou e eu te beijei, acho que agora você não tem motivos para me pedir desculpas. Estamos quites - ele brincou de um jeito leve e logo depois sorriu, contaminando com o seu sorriso.
Realmente não sabia o que dizer, estava tentando organizar em sua mente tudo o que aconteceu e os segundos que ela usou para pensar em tudo, fez apenas com que ela ficasse mais confusa ainda.
- Mas você saiu comigo para falar sobre sua irmã, não era um encontro e mesmo assim eu te beijei - explicou-se novamente, o álcool provavelmente estava ajudando para que ela falasse aquilo. Se não tivesse bebido, talvez aquelas palavras não saíram de sua boca, não daquela forma.
- Também não estamos em um encontro agora e mesmo assim eu te beijei - ele sorriu tentando tranquilizar .
- Certo, estamos quites então e eu não vou me explicar mais – respondeu e viu afirmar com a cabeça antes de beber a sua cerveja.
Para , o mais estranho não foi ter ficado com novamente, mas sim a conversa que eles tiveram depois. Não era uma conversa de duas pessoas que estavam ficando, parecia que eles já se conheciam há muito tempo, pois não faltava assuntos. Não se beijaram novamente e, por incrível que pareça, isso em nenhum momento incomodou ou fez com que ela pensasse que a beijou novamente apenas para que ela parasse de se explicar. Apenas não cabia mais um beijo naquele momento entre eles e estava tudo bem.
Algumas garrafas de cervejas vazias ficaram na mesa assim que avisou que ia embora e decidiu acompanha-la. O dia já estava quase amanhecendo lá fora e só decidiu ir quando viu que quase nenhum cliente estava no local e os funcionários já começavam a organizar as coisas. Nunca a hora havia passado tão rápido.
Nenhum dos dois estavam bêbados, apesar de terem bebido bastante juntos, a maior parte do tempo eles ficaram conversando. falou da sua família, inclusive do seu pai, falou do trabalho e do quanto gostava de sair. também comentou sobre a sua vida profissional e sobre a sua família, não deixaram de falar novamente sobre Dylan e Samantha. pagou a conta, depois de insistir um pouco e perguntar a se ela se importava. Logo os dois caminharam juntos em direção ao estacionamento.
- Você está de carro? – perguntou quando parou próximo ao seu veículo.
- Não, quando eu saio com a intenção de beber, eu prefiro não dirigir. Mas eu moro perto daqui, sempre pego um táxi.
- Eu te deixo em casa – ele ofereceu, apesar de também não achar certo beber e dirigir, eles ficaram tantas horas só conversando que sentia como se o efeito da bebida já tivesse passado.
- É perigoso beber e dirigir – ela alertou mesmo sabendo que o rapaz em sua frente não estava bêbado.
- Também é perigoso uma mulher andar sozinha na rua ou dentro de um táxi, essa hora.
- Antes fosse só essa hora... – pensou alto, odiava correr tantos riscos apenas por ser mulher. - Eu aceito a carona, então.
- Então vamos – ele sorriu enquanto ia em direção a porta do motorista.
Os assuntos sempre fluíam entre eles mas naquele momento o silêncio bastava e não era um incômodo. informou o seu endereço, apesar de já ter ido lá buscar a irmã e no restante do percurso, apenas a música que tocava na rádio estava entre eles.
A noite já começava a virar dia, o sol estava nascendo e algumas pessoas já andavam pela rua. reparava tudo através da janela da porta do carro, enquanto tentava organizar os últimos acontecimentos em sua mente.
- Está entregue – brincou assim que parou o carro em frente ao prédio de .
- Obrigada, , pela carona e pela companhia - ela sorriu depois de acordar dos seus pensamentos.
- Foi um prazer, . A gente se fala, até qualquer hora – respondeu antes de depositar um selinho nos lábios de , que apenas sorriu antes de sair do carro.
não sabia explicar ao certo o que tinha acontecido ou definir aquele encontro que não era, de fato, um encontro. O que ela sabia era que aquela noite foi extremamente agradável e, se pudesse ela repetiria a dose, mas sem nenhum arrependimento dessa vez.


Capítulo 25

Ele

Os resultados de tentar não pensar nos problemas e aproveitar o que estava acontecendo renderam boas lembranças a . Por um momento, todo o seu discurso sobre o fim recente do seu relacionamento e sobre não se envolver com ninguém, deixaram de fazer sentido. Na noite anterior, quando viu em sua frente, sentiu o impulso de ficar com ela, se permitiu e fez o que estava com vontade. E diferente do que ele imaginava, naquela manhã, não acordou arrependido do que aconteceu na noite passada.
Talvez ele tivesse mesmo que seguir em frente e deixar tudo o que aconteceu para trás. Não tinha como apagar de sua mente o que ele presenciou naquela maldita noite e embora ainda doesse muito, sua vida teria que continuar.
Foi pensando em tudo isso que acordou antes de todos naquele dia de domingo, ainda tinha algo para resolver, mas sentia medo de sua reação e do que ele poderia fazer, foi por isso que ele adiou tanto aquele momento. Como naquela manhã acordou disposto a fazer tudo o que precisava, decidiu não adiar mais, seria difícil de qualquer forma. Estava calmo e sóbrio, isso contribuiria para que ele não fizesse nenhuma besteira, com o álcool no corpo ele não teria tanto controle assim.
Dirigiu até a casa que ele conhecia bem, sempre passava por lá pelo menos uma vez por semana. Deduziu que o porteiro não sabia o que tinha acontecido, já que autorizou a entrada de assim que ele apareceu no portão. Bateu na porta da casa duas vezes e assim que ela foi aberta, a figura surpresa de Robert apareceu, certamente ele jamais imaginava que pudesse voltar ali.
- Eu vim em paz, Robert, eu quero conversar com você de homem pra homem - avisou ao perceber um certo medo no olhar do rapaz.
- Entre - falou mais baixo que o normal.
- Não precisa, eu vou ser breve - fez uma pequena pausa antes de continuar. - Você não imagina o quanto eu estou decepcionado com você.
- Me perdoa, , eu juro que não sei o que aconteceu.
- Mas eu sei bem, você foi pra cama com a minha mulher - alterou o tom de voz, era impossível lembrar daquilo e continuar da mesma forma. - Porra, cara, você sempre foi como um irmão pra mim, você conseguiu acabar com o meu casamento e com a nossa amizade - colocou para fora enquanto se esforçava para não chorar.
Já Robert não conseguia segurar as lágrimas, sabia que tudo o que o estava falando era verdade. Nunca imaginou que algo assim poderia acontecer, nunca passou pela sua cabeça se envolver com a mulher do seu melhor amigo. Foi uma coisa do momento e se ele pudesse voltar atrás nada disso teria acontecido.
- Eu posso pelo menos tentar me explicar? - Robert perguntou quando um silêncio nasceu entre eles.
- Não, não pode. Eu não quero ouvir e só acredito no que eu vi, nada que você disser vai mudar o que aconteceu. Eu só vim aqui te pedir para esquecer que eu existo e que um dia existiu uma amizade entre nós.
- , por favor... - Robert tentou falar, mas continuou.
- Hoje eu vim em paz, mas não é todo dia que estou assim. Então, para o seu próprio bem, não cruze o meu caminho e nem me procure mais. Eu nunca vou te perdoar - alertou antes de sair, sem sequer esperar uma resposta do rapaz.
Apesar da traição de duas das pessoas mais importante da sua vida, tinha consciência de que eles que erraram, que ele não era o culpado de tamanha decepção. Sua vida não podia parar por isso, a felicidade de uma pessoa não pode depender de algo que ela pode perder e ficar se lamentando nunca resolveria nada. estava disposto a seguir em frente e talvez fingir que Lauren e Robert não existissem mais fosse o primeiro passo.
Enquanto dirigia de volta pra casa, lembrou da noite anterior. Ele não sabia explicar, mas sentia-se tranquilo quando conversava com , a garota nem sabia o que estava acontecendo com ele, mas estava o ajudando. Sempre acreditou muito em conexões e energias e acreditava que era esse o motivo de ter gostado tanto de conversar com a garota. Não diria algo mais, mas certamente ela seria alguém que ele se esforçaria para manter uma amizade, qualquer oportunidade de conversar com seria bem-vinda.
Ao reconhecer o bairro onde estava, estacionou o carro em uma rua qualquer e abriu o seu aplicativo de mensagens. Buscou o contato de e ao perceber que a garota estava online, não pensou muito em enviar uma mensagem.

", bom dia, tudo bem? É o !"

Aguardou a resposta antes de enviar outra mensagem. Não demorou muito para que ela respondesse.

"Oi, bom dia! Aconteceu alguma coisa?"

riu ao imaginar o quanto ela devia estar estranhando uma mensagem dele em plena manhã de domingo, sem dúvidas ela não devia estar esperando por isso.

"Não, não. Na verdade eu queria dizer que foi muito bom sair com você ontem. E, bom, estou aqui próximo do seu bairro, estava resolvendo um assunto pessoal e agora vou procurar uma padaria para tomar um café, não gostaria de me acompanhar?"
"Eu até iria, porém a minha mãe e meu irmão foram para um parque com a minha sobrinha e deixaram uma mesa de café pronta pra mim. Hahaha."


Novamente o pensamento de energia e conexão voltaram para a mente de , foram apenas poucas palavras trocadas e pareciam que eles já tinha uma intimidade um com o outro. Como aqueles amigos que contam cada detalhe do seu dia, até mesmo sobre o café da manhã.



já ia ligar o veículo novamente quando o seu celular apitou, avisando que ele havia recebido uma nova mensagem.

"Você está perto do meu prédio? Não quer vir aqui em casa? Podemos inverter as coisas e você me faz companhia."
"Seria um prazer, mas não quero incomodar."
"Não será um incômodo. Se você soubesse a fama do bolo da minha mãe, certamente não recusaria."


O estômago de já o avisava que ele precisava se alimentar, riu e negou com a cabeça ao ler a última mensagem. Provavelmente estava da mesma forma quando a enviou.

"Vou pagar pra ver. Me confirma o endereço que em dez minutinhos estarei aí."

Assim que ela enviou o endereço completo, embora ele já soubesse onde era, foi em direção ao apartamento de . Como previsto, em dez minutos ele já estava em frente ao prédio.
Não demorou para que a entrada de fosse autorizada, o rapaz dirigiu em direção ao estacionamento e facilmente encontrou o elevador. Como ele já havia lido a mensagem que dizia qual era o apartamento, subiu logo em seguida. Tocou a campainha apenas uma vez e não demorou para que a porta fosse aberta, expondo a imagem de uma sorridente.
- Bom dia! - ela cumprimentou ainda mantendo o sorriso nos lábios.
- Bom dia, - respondeu antes de depositar um beijo no rosto da mesma.
- Entre, fique à vontade - deu espaço para que ele passasse. - Já coloquei mais um lugar na mesa pra você.
- Obrigada, não queria mesmo incomodar. Mas como estava por perto, resolvi falar com você. Nossas conversas foram muito agradáveis.
- Não é incômodo algum. E as vezes precisamos mesmo bater um papo com alguém, faz bem - ela respondeu após fechar a porta, quando os dois já estavam dentro do apartamento.
- Você não imagina o quanto - ele pensou alto, seguindo em direção a mesa.
Assim como das outras vezes, não faltaram assuntos entre os dois. Era estranho pensar e tentar entender porque eles conseguiam entrar em qualquer assunto com tamanha facilidade.
- Já conversamos tanto e eu ainda não sei quase nada sobre você - comentou quando um silêncio, que não era incômodo, nasceu entre eles.
Já haviam terminado o café da manhã e estavam na sala conversando, não sabiam dizer ao certo quanto tempo havia se passado. Conversando com , sequer lembrou do acontecimento daquela manhã.
- O que você quer saber? - perguntou de um jeito extrovertido enquanto se arrumava no sofá para ficar de frente pra ela.
- O que eu posso saber sobre você? - arqueou a sobrancelha e sorriu para o rapaz. - Se apresente, quem é o ?
- Bom, o é um advogado, que tem 27 anos, trabalha no escritório do pai, tem dois irmãos e acho que é só - ele riu. - Não sei ao certo se é o que quer saber.
- Solteiro? - riu, provavelmente lembrando do que já havia acontecido entre eles. - Vai que eu agarrei um homem comprometido.
gargalhou pela primeira vez naquela manhã. Conseguia enxergar uma mulher tão cheia de si e uma menina divertida na mesma pessoa que estava em sua frente.
- Sim, já fui casado, mas estou me divorciando. Você agarrou um cara solteiro, fique com a consciência tranquila - piscou para , que ficou sem jeito.
Tocar no assunto de relacionamento trouxe por um momento as lembranças que ele tentava com muito esforço esquecer. Talvez por estar ao lado de alguém que sabia conversar com ele, as lembranças não machucaram tanto como antes.
As conversas com estavam funcionando como anestesia para os seus problemas. Se todos os dias fossem assim, a vida de seria bem mais fácil.


Capítulo 26

Ela

Tudo parecia entranho e confuso demais na cabeça de . Era automático ela sempre acordar pensando no que estava acontecendo em sua vida, se assustando com as mudanças bruscas que ocorreram em tão pouco tempo. Havia acabado de sair do banho e não conseguiu disfarçar mesmo sem necessidade, já que estava sozinha, o sorriso que surgiu em seus lábios assim que recebeu a mensagem de . Ele ter aceitado o seu convite para tomar café em sua casa foi a melhor coisa que aconteceu naquela manhã de domingo.
Após a refeição matinal, os dois foram para a sala para continuarem conversando, estava tentando saber um pouco mais sobre e a última coisa que ele havia respondido naquela manhã, era que estava se divorciando.
- Não estava dando certo o casamento? - ela perguntou curiosa. - Desculpa se estou sendo invasiva demais, tudo bem se não quiser responder.
- Ela me traiu - ele respondeu sem delongas, seu olhar parecia distante e observava a sua expressão, agora, vazia.
Abriu a boca para tentar falar, mas nenhuma palavra saiu de seus lábios, ela não fazia ideia do que dizer. Apesar do seu término ter sido bem doloroso, o fim de sua última relação não envolvia uma traição, não seria justo fazer uma comparação das duas situações.
- Eu sinto muito - foi o que conseguiu dizer depois de ouvir aquela confissão e ficar alguns segundos em silêncio.
- Não sinta, . Lógico que meu sangue ferve ao tocar no assunto, mas não tem como voltar atrás e mudar a situação, o que me resta é seguir em frente - ele tentou amenizar a situação com aquele comentário. - Mas vamos falar de coisa boa, me fala sobre você agora.
- Bom, tenho 24 anos, sou formada em administração e trabalho na área em uma loja de roupas, moro com minha mãe e o meu irmão, meu pai já faleceu - forçou um sorriso ao tocar no assunto da morte de seu pai e assentiu, sem precisar dizer nenhuma palavra. - Ah, eu também tenho uma sobrinha.
- A filha do Dylan - disse o que era óbvio, apenas por se lembrar que ela havia falado sobre aquilo com ele quando se encontraram anteriormente.
- Exatamente - se levantou, ia trazer até uma foto que estava na estante, mas ele a acompanhou. - Ela e o meu irmão - esclareceu enquanto entregava o quadro com a imagem para .
Na foto, Dylan estava sorrindo enquanto segurava sua filha e a criança segurava uma de suas bochechas. acompanhava a leitura que fazia da imagem com o olhar, aproveitando também para admirar aquelas duas pessoas tão especiais em sua vida.
- Deve ser incrível ter um filho - pensou alto, recebendo a atenção de que ainda encarava o quadro com a foto.
Foi nesse momento que percebeu o quanto os dois estavam próximos, os corpos se encostavam já que eles estavam um do lado do outro. O contato não incomodou e parecia não incomodar também, pensando nisso, ela continuou no mesmo lugar, a diferença era que, agora, os olhos de estavam na direção dela.
- Acredito que sim, acho surreal a ideia de poder gerar uma vida.
- Tem vontade de ser mãe? - ele questionou curioso, engatando uma nova conversa.
- Tenho sim, mas nos dias de hoje as vezes volto atrás, através do meu irmão eu vejo que ter um filho não é uma missão muito simples - forçou um sorriso em direção a que ouvia a sua resposta atentamente.
- Entendo bem, eu sempre quis ser pai, mas devido alguns questionamentos que eu tenho, resolvi esperar um pouco mais. Hoje sei que fiz a escolha certa - terminou a frase sem jeito e podia jurar que era em relação ao divórcio que ele estava se referindo.
Ela assentiu concordando e colocou o quadro de volta no lugar, se sentiu à vontade para ver as demais fotos que ali estavam. Tinha fotos de em sua formatura, dela ainda criança com o seu irmão e uma onde ela estava com Dylan e os seus pais. Ela respirou fundo já sentindo as lágrimas em seus olhos ao perceber que ele tirou aquela última foto do lugar com um certo cuidado, era como se soubesse o quanto aquela imagem era especial para ela.
- Eu sinto tanta falta, não tem um dia que eu não pense no meu pai - comentou enquanto limpava uma lágrima que desceu sem permissão. - Essa foi a última foto que tiramos juntos.
Ela acariciou o rosto do mais velho no quadro como se fosse o seu pai ali e não apenas a sua imagem em um pedaço de papel. Se possível, faria qualquer coisa para estar com ele novamente e aproveitaria cada segundo que deixou passar por achar que jamais ficaria sem a sua presença.
Sempre achou a morte injusta, nunca entraria em sua cabeça o fato de que é possível perder qualquer pessoa em qualquer momento, sem aviso prévio. O pior de tudo era saber que amor nenhum podia trazer de volta alguém que já morreu, enquanto a saudade podia matar um pouquinho a cada dia.
- O que aconteceu com ele? - perguntou após guardar a foto no lugar em que ela estava, como se aquilo fosse fazer com que ficasse bem.
- Eu posso não tocar nesse assunto agora? A morte do meu pai foi a pior coisa que me aconteceu e na mesma época eu tive uma grande decepção, não quero estragar a nossa manhã com isso - ela pediu, tentava sorrir mas já sentia aquelas sensações ruins invadirem o seu corpo.
- Claro, desculpa a minha curiosidade, não sabia que você ficaria assim - se desculpou sem jeito, era notável o quão afetada ela estava com aquela situação.
- Em um outro momento eu posso te contar tudo - respondeu gentilmente e forçou outro sorriso.
- Se for te fazer mal falar sobre isso, eu prefiro não saber - disse e se aproximou ao perceber que ela continuou em silêncio.
limpou uma lágrima que descia pelo rosto de com a ponta do dedo, ela fechou os olhos ao sentir o toque e automaticamente as lembranças que queria evitar apareceram em sua mente. Mesmo se tentasse, naquele momento ela não conseguia mais segurar as lágrimas que desciam dos seus olhos com urgência e sem permissão. Em questão de segundos, assim que sentiu as suas pernas fraquejarem e deduziu que cairia ali mesmo, ela sentiu os braços de envolvendo seu corpo em um abraço apertado.
O contato físico era forte e podia jurar que era um pedido de desculpas silencioso. Abriu a boca para dizer que não era culpa dele, mas nenhuma palavras saiu de seus lábios. Retribuiu o abraço, enquanto ele descansava os lábios em sua cabeça, sem pressa alguma para quebrar aquela aproximação.
Alguns minutos depois, respirou fundo sentindo aquela crise de choro passar, era a certeza de que ela nunca mais teria o seu pai ao lado que a deixava em estado de choque. Levantou a cabeça para encarar e observou o seu olhar preocupado. Assim que sorriu, deixando claro que estava tudo bem, ele relaxou a sua expressão e sorriu também, antes de se aproximar.
Não tinha segundas intenções ou desejo naquele momento, o beijo era uma mistura de carinho com preocupação, os dois estavam ali e nada de ruim poderia acontecer. não soube dizer se foi ela ou quem tomou a iniciativa, mas quando percebeu, os seus lábios já estavam juntos aos dele, em um beijo calmo e reconfortante. Ela sorriu assim que finalizaram o beijo, sentindo segurar suas mãos.
- Você está bem? - ele perguntou receoso, com medo de que ela voltasse ao estado de antes.
- Eu vou ficar - respondeu antes de abraçar o rapaz, sentiu a necessidade de um mais um contato físico, que imediatamente foi retribuído.
Um abraço não faria com que o seu pai voltasse ou com que a dor desaparecesse, mas saber que ela não estava sozinha deixava tudo mais leve.
E naquele momento não estava sozinha, naquele momento ela tinha ao seu lado.


Capítulo 27

Ele

Depois de confirmar que estava bem, não demorou muito para que fosse embora. Após aquele momento, eles voltaram a conversar normalmente como se fossem amigos. Beijaram-se novamente apenas quando se despediu da mulher para ir para a casa de seus pais. Não sabia dizer o motiv,o mas sentia como se eles não precisassem explicar aquele momento mais íntimo, que acabou acontecendo novamente.
O restante do domingo aconteceu em família sem muitas surpresas, durante a noite um copo de whisky fez companhia a enquanto o sono não aparecia. Sentia seu corpo relaxar após cada gole que dava na bebida.
Não exagerou tanto como das outras vezes, devido a isso a ressaca não apareceu na manhã daquela segunda. Apesar de tantos problemas e acontecimentos, acordou de bom humor. Não era nada exagerado, mas comparando com dias anteriores, estar daquela forma já era uma evolução.

- Bom dia, , tem alguém te esperando em sua sala - a sua secretária informou animada assim que chegou em seu local de trabalho e ele apenas balançou a cabeça em agradecimento, já que a funcionária estava em uma ligação ao mesmo tempo em que falava com ele.

Ao abrir a porta de sua sala, com certa ansiedade para saber quem o esperava, não precisou de muito tempo para reconhecer quem estava ali, mesmo sentada de costas para a porta ele a conhecia o suficiente para reconhece-la mesmo sem ver o seu rosto.
Lauren aguardava o advogado e assim que a porta foi aberta, ela precisou apenas de alguns segundos para virar e encara-lo, logo em seguida forçou um sorriso que não foi retribuído. respirou fundo enquanto passava um de suas mãos pelos cabelos, qualquer pessoa que o conhecesse bem sabia que ele só fazia aquilo quando estava nervoso. E Lauren provavelmente era a pessoa que sabia tudo sobre o homem, além de ser o motivo do seu nervosismo.

- O que você veio fazer aqui? - perguntou embora não tivesse interesse em saber a resposta.

Naquele momento se arrependeu de ter acordado naquela manhã para ir trabalhar e odiou a sua secretária por autorizar a entrada de Lauren, apesar dela não ter motivos para fazer o contrário, já que a jovem não sabia de nada. Aquela pequena disposição que acordou com ele, desapareceu ao ver a sua ex-mulher em sua frente.

- Você não pode agir desse jeito comigo, precisamos parar e conversar como pessoas adultas - ela respondeu assim que ele se sentou, ficando em sua frente. Estava estampado na cara que não fazia nenhuma questão de ter aquela conversa. - Pra facilitar você podia parar de me olhar como se eu fosse uma cliente ou uma pessoa qualquer.
- Você só pode estar de brincadeira comigo - riu sem humor depois de negar com a cabeça. - Você vai pra cama com o meu melhor amigo, joga no lixo o nosso casamento e ainda quer conversar? E ainda quer que eu seja gentil com você?

Lauren sentiu as lágrimas no fundo dos seus olhos, mas se esforçava para não chorar, não era uma boa ideia deixar as emoções participarem daquele diálogo, embora fosse quase impossível evita-las. Para ela, tudo ainda estava confuso e o que Lauren mais queria era colocar pra fora e tentar salvar o seu casamento.

- Você pode só me ouvir, por favor? - pediu com certa impaciência, estava nervoso demais para responder e devido ao silêncio ela continuou. - Você não pode fingir que não fomos felizes antes disso, você não pode apagar da sua mente os momentos que tivemos juntos. Éramos um casal quase perfeito, , você mais que ninguém sabe disso. Eu nunca desrespeitei nosso casamento, nunca sequer passou pela minha cabeça te trair. Eu estava bêbada, não tinha consciência do que estava fazendo, assumo que errei, mas você não pode esquecer todos os meus acertos por causa disso. Você acha que estou feliz com essa situação? Ah, e você lembra como você me tratou quando voltou no apartamento? Você também errou e nem por isso eu desisti do nosso amor.

levantou de onde estava sentado apenas para não ficar cara a cara com Lauren, não conseguia acreditar no que ela estava dizendo. Preferia pensar que havia entendido errado a ter certeza de que sua ex-mulher estava comparando o que ela fez com o nervosismo dele quando a encontrou. Isso não significava que ele estava certo, longe disso, mas as suas atitudes e ações não foram os motivos da separação dos dois. E Lauren sabia daquilo.

- Agora eu sou o culpado pelo o que você fez? - falou mais alto, sem se importar que mais alguém no escritório escutasse. - Eu bebo muito, Lauren, mas eu nunca te traí ou sequer pensei nisso. Não venha colocar a culpa na bebida ou em mim, como se você fosse a vítima da história. Eu não quero explicações, então, por favor, saia daqui e não me procure mais porque nada que você disser vai me fazer mudar de ideia. A única coisa que eu quero de você, além da distância, é a sua assinatura para o divórcio - cuspiu as palavras e apesar de também estar destruído por dentro, não demonstrou nada além de indiferença.

Ao contrário dele, Lauren não conseguia parar de chorar ao ouvir aquelas palavras duras do homem de sua vida. Não conseguia imaginar como seria viver pra sempre longe dele, mas não sabia mais o que fazer diante daquela situação. Desejava com todas as suas forças ter a chance de voltar no tempo, se pudesse, certamente ela apagaria da sua vida aquela noite.

- Vai dizer que você não me ama mais? - ela se aproximou de , mas ele deu dois passos pra trás para manter a mesma distância de antes. - Diz que você não me ama mais, , mas diz olhando nos meus olhos - pediu em meio as lágrimas, sentia medo da resposta, mas se recusava a acreditar que todo aquele sentimento que ele jurava sentir pudesse acabar em tão pouco tempo. fraquejou ao encarar a mulher parada em sua frente, que dava pequenos passos para se aproximar dele, enquanto sentia o seu corpo paralisado. Assistiu os passos lentos de Lauren e assim que ela ficou próxima o suficiente para tocar o rosto de , ele acordou do seu transe e se afastou.

- Só o amor nunca foi suficiente para fazer com que duas pessoas fiquem juntas - respondeu e abriu a porta. - Saia da minha sala, Lauren, não temos mais nada para conversar.

Lauren não insistiu em continuar aquela conversa e saiu sem olhar para trás. respirou fundo e aguardou alguns minutos antes de sair também, informou a secretária que Lauren estava proibida de entrar no escritório e nada mais explicou antes de sair e ir em direção ao seu carro, sem se importar com a quantidade de trabalho que ele tinha pra fazer.
Parou no primeiro bar que encontrou aberto, era manhã e isso dificultava encontrar um lugar onde ele pudesse beber. O estabelecimento onde ele entrou era completamente diferente dos que ele costumava frequentar, alguns bêbados dormiam nas mesas e o homem que estava no balcão demonstrava que também não estava sóbrio. Aquelas pessoas deviam estar lá desde a noite anterior, mas estava sem cabeça para se importar com isso.

- Quero um whisky, por favor - pediu ao ignorar os olhares que ele recebia. De fato, era um tanto quanto estranho ver um homem vestido de maneira tão formal pedir um whisky e não um suco ou qualquer outra bebida que possa ser tomada no café da manhã.

O copo com a bebida encima do balcão foi esvaziado em questões de segundos, engoliu o líquido e sequer teve tempo de sentir o gosto direito. O rapaz que lhe atendeu observava em silêncio, ficou apenas aguardando um próximo pedido que provavelmente aconteceria.

- Eu quero uma garrafa de whisky - disse como se o garçom tivesse entendido errado o pedido anterior. O homem olhou assustado, mas logo em seguida entregou a bebida para , que não demorou para efetuar o pagamento. - Obrigado - agradeceu antes de sair.

Uma dose não era suficiente para que ficasse bêbado a ponto de cogitar a ideia de estar vendo coisas que não existiam. Foi por isso que assim que viu Josh encostado em seu carro, ele soube que o mais velho, de fato, estava ali.

- Pai? O que você está fazendo aqui? - perguntou assustado, viu que o homem em sua frente parecia estar triste enquanto encarava a garrafa em suas mãos.
- Não faz isso com você, meu filho, por favor - pediu e podia jurar que nunca tinha visto o seu pai tão abatido. - Eu vi a Lauren e te vi saindo logo em seguida. Imaginei que você fosse fazer alguma besteira e acabei vindo atrás de você, infelizmente eu não estava errado.
- Pai, você não imagina como está a minha cabeça, besteira seria ficar sóbrio enquanto milhões de lembranças me atormentam. Você nunca vai saber o que é ver a sua mulher na cama com o seu melhor amigo, porque você casou com uma mulher que te ama de verdade. Ninguém faz ideia de como eu estou, pai. Estou destruído por dentro, enquanto tento fingir que as coisas estão bem pra não enlouquecer.

Era impossível fingir que era forte depois de dizer tudo aquilo e ser presenteado com um abraço de Josh. Não tentou segurar as lágrimas e muito menos sentiu vergonha delas, talvez colocar tudo pra fora pudesse fazer com que aquela dor emocional e a sensação de vazio desaparecessem.
Dentro do abraço do mais velho, se sentiu como uma criança indefesa, que corria para os braços do pai quando se machucava enquanto brincava. A diferença era que agora ele havia crescido e sabia que, mesmo que Josh tivesse a intenção de ajuda-lo, ainda não existia nenhum remédio capaz de remover ou cicatrizar a ferida exposta em seu coração.


Capítulo 28

Ela

Sem saber ao certo o que fazer após aquela manhã na companhia de , ficou deitada no sofá depois que o homem saiu, pensando em tudo o que os dois conversaram e principalmente no seu pai. Sentia falta do mais velho, nada conseguia preencher a ausência daquela figura masculina que ela tanto amava e aquela foto serviu como um gatilho para despertar as suas emoções.
Acabou adormecendo e só acordou quando ouviu um barulho, o sol estava desaparecendo lá fora enquanto o dia se transformava em noite. Dylan era quem estava fazendo barulho na cozinha, provavelmente comendo alguma coisa, levantou o corpo preguiçoso por ter dormido demais e foi até onde o irmão estava.

- Chegou agora? - perguntou enquanto enchia um copo de suco.
- Tem um tempinho, fui deixar a Julie na casa da mãe dela. Dona Victória foi ver um filme na vizinha - explicou já sabendo que a irmã perguntaria pela mais velha.
- Entendi! - afirmou enquanto se servia do macarrão, requentado por Dylan, que estava na mesa. Dormiu tanto que acabou acordando com fome.

Os dois continuaram comendo em silêncio, não queria e nem tinha motivos pra falar nada sobre a sua manhã e Dylan quase nunca falava sobre sua vida pessoal com ela. percebeu que o irmão estava quieto demais, mas preferiu não questionar, já conhecia o mais novo o suficiente para saber que ele não falaria se algo estivesse o incomodando.

- Eu posso te pedir um conselho? - o mais novo perguntou deixando surpresa, já que ela não esperava aquela pergunta. Era como se ele tivesse lido os pensamentos da irmã. - Mas se você for fazer alguma brincadeirinha, já avisa que eu nem começo.
- Calma, Dylan, eu nem disse nada. Pode falar, eu percebi que você tá estranho, mas nem perguntei porque você nunca me conta nada - se defendeu e esperou o irmão desabafar.
- Eu vi a Dominique hoje e foi diferente, sabe? A gente quase se beijou, mas eu falei pra ela que eu estou ficando com uma pessoa. Estou com a Samantha e apesar de não ser nada sério, quero respeita-la. Mas eu sinto que se não fosse isso, eu teria ficado com a Dominique e ela teria correspondido - abriu o jogo, olhava para o nada relembrando tudo o que aconteceu.

ouviu atentamente e apesar de amar brincar com o irmão, sabia que tinha que levar aquela conversa a sério. Dylan jamais pediria a sua opinião se o assunto não fosse importante.
Lembrou quando o irmão soube que seria pai, ele ficou tão assustado com a notícia que correu até para que a mais velha pudesse ajuda-lo. Os dois não podiam ser considerados como melhores amigos, mas sabiam que tinham o apoio e a ajuda um do outro sempre que fosse necessário, independente da situação.

- Vocês ainda se amam - falou o que era óbvio para qualquer um que conhecesse o casal.
- Mas a Sam... - tentou falar, mas não soube ao certo o que dizer.
- Você gosta da Samantha, eu não duvido, mas gostar e amar são coisas diferentes. Você e a Dominique terminaram de uma forma muito estranha, nem eu entendi muito bem. Vocês se amam, tem uma filha linda e merecem ser felizes. Porém, se você está confuso e quer conversar e tentar algo com a Dominique, acho justo você abrir o jogo com a Samantha. Ninguém merece ser enganado ou usado para tampar o buraco que outro alguém deixou.
- Eu não estou usando ela - disse de imediato, sem acreditar que estava cogitando aquela possibilidade.
- Eu não disse que está, mas você não pode negar que ainda sente algo pela Dominique. Enquanto isso, a Samanta pode estar criando esperanças e até um sentimento graças ao envolvimento dos dois. Se você acha que não tem volta, segue em frente, mas se você ainda está balançado, não deixa a Samantha fazer morada em um lugar onde você só está de passagem. Ela é mais nova que você, não deve ter tanta maturidade para lidar com relacionamentos, não se torne uma experiência ruim pra garota.

Dylan ouviu em silêncio, encarava a irmã enquanto armazenava todas as palavras que ouvia. Não queria tomar nenhuma decisão precipitada e muito menos machucar a Samantha. O melhor que ele podia fazer naquele momento era colocar todos os seus sentimentos na balança e todos os pensamentos em seu devido lugar.

- Obrigada, - agradeceu enquanto pensava em tudo o que ouviu.

Logo em seguida Victória chegou e os três começaram um novo assunto, fazendo o domingo terminar sem muitas emoções. Já na segunda-feira, acordou mais cedo que o normal, não tinha conseguido dormir muito bem na noite anterior, aproveitou o tempo a mais para fazer o ritual que ela sempre fazia pela manhã, só que com mais paciência.
Chegou ao trabalho e encontrou sentado em frente a sua mesa, como se esperasse para falar com ela. Assim que ela entrou o rapaz sorriu e se levantou para abraça-la.

- Bom dia, - cumprimentou enquanto tinha os braços do amigo envolta do seu corpo.
- Bom dia, - respondeu enquanto se afastava.
- Tudo bem? - quis saber enquanto ia para o seu lugar.

observou a amiga e companheira de trabalho dar a volta em sua mesa para se acomodar em seu lugar antes de se sentar onde ele estava anteriormente, queria aproveitar que mal havia começado o expediente dos dois para conversar com ela.

- Sim, quer dizer, não sei - falou demonstrando certa confusão. - Eu sinto que estamos estranhos um com o outro, mas não sei se é impressão minha – fez uma pausa enquanto pensava. - Tudo o que eu menos quero é que algo atrapalhe a nossa amizade, .
- , nada vai atrapalhar, fica tranquilo. Como a gente se envolveu, as coisas ficam meio diferentes mesmo. Eu não sei por que, mas pelo o que conversamos, não vamos levar isso adiante, não agora. Mas, no que depender de mim, a amizade vai continuar da mesma forma - foi sincera em relação ao que pensava, enquanto o amigo ouvia atentamente.

Era confuso como as coisas que se iniciaram de forma tão certa, tinham desandado daquela maneira. imaginou que viveria uma paixão com o amigo, coisa que não aconteceu. Por mais que ela quisesse muito, não faria nada que pudesse comprometer a relação e a amizade que os dois tinham antes de tudo.
Antes mesmo que respondesse alguma coisa, duas batidas foram ouvidas na porta, logo em seguida uma das funcionárias da loja entrou, um tanto quanto agitada demais para uma manhã de trabalho que havia acabado de começar.

- , preciso que me acompanhe, chegou uma mercadoria errada e eu preciso de ajuda pra checar as notas - mostrou os papéis que segurava em mãos. - E , tem alguém querendo falar com você, vou pedir pra ele subir.
- Ele quem? - perguntou, já que não estava esperando visitas.
- Se eu contar você não vai acreditar - lançou um sorriso animado antes de sair da sala.
- Bom, já que o dever nos chama, a gente continua essa conversa depois, tudo bem? - perguntou e assentiu. - Você é muito especial e tudo o que não quero é te decepcionar - levantou, beijou a mão de e saiu da sala sem esperar por uma reposta.

Antes mesmo que pudesse pensar em algo após a saída de , outras duas batidas foram ouvidas atrás da porta. Ao perceber que a pessoa que estava ali não ia entrar sem que ela autorizasse, a mulher saiu de seu lugar e foi até a porta para abri-la.
De todas as pessoas que pudessem estar ali para falar com ela, aquela era quem menos esperava encontrar. Apesar do tempo distante, ele continuava quase da mesma forma, as mudanças físicas não eram tão assustadoras.
Sempre que imaginou ficando de frente com ele, conseguia enxergar a sua própria imagem dizendo tudo o que ela não teve oportunidade de dizer no passado. Porém, naquele momento, estava paralisada, surpresa demais para iniciar qualquer diálogo.
Tentava apenas descobrir se aquela situação era mesmo real ou se era coisa de sua cabeça.

- , quanto tempo - foi ele quem a acordou de seus pensamentos ao iniciar uma conversa.
- Sim – falou sem jeito, sem saber ao certo o que dizer. - Entre - convidou enquanto ia para a sua mesa e se sentava em sua cadeira.

Viu o homem fechar a porta e logo depois sentar no lugar que antes estava ocupado por . tentava achar palavras certas para saber o que dizer, mas sentia que os seus pensamentos estavam bagunçados como cartas após serem embaralhadas.
Respirou fundo e olhou a figura sentada em sua frente, que respeitava e aguardava pacientemente aquele momento de . No fundo ele já esperava que a reação dela fosse daquela forma ou até mesmo pior. Por dentro o rapaz estava da mesma forma que ela, só conseguia disfarçar melhor.

- Eu preciso conversar com você - ele quebrou o silêncio outra vez, notando a dificuldade dela em fazer isso.

respirou fundo outra vez, enquanto se esforçava para começar aquela conversa que ela quis ter durante tanto tempo. Muita coisa do seu passado estava confuso e aquela era a melhor hora de esclarecer. Tinha muitas perguntas a fazer, perguntas que apenas uma pessoa tinha as repostas.
Perguntas que só Austin, o seu ex-namorado, podia responder quando estivesse cara a cara com . E naquele momento ele estava!


Capítulo 29

Ele

Era um tanto quanto estranha a situação em que se encontrava: deitado em seu quarto, ouvindo os conselhos de seu irmão, que estava sentado ao seu lado, como se estivesse em uma terapia.
Depois do encontro com o seu pai, ele atendeu o pedido do mais velho e devolveu ao dono do bar a garrafa de bebida. Logo em seguida os dois foram para um café, aproveitou a disponibilidade de Josh para colocar pra fora tudo o que sentia, enquanto o mais velho não poupava palavras para aconselhar e consolar o primogênito. Voltaram para o trabalho depois que se acalmou, ele sabia que precisava ocupar a cabeça e, já que havia descartado a bebida, os casos a serem estudados tinham que servir. No final do dia quando foram pra casa, nenhum dos dois comentaou sobre o ocorrido, mas assim que ficou a sós com Nicholas, o irmão mais novo conseguiu arrancar com facilidade tudo que estava tentando esconder.

- É muito mais difícil lidar com tudo isso quando estou sóbrio - acrescentou depois de contar o que havia acontecido naquele dia. - Às vezes fico sem saber o que fazer, eu estava melhor, mas foi só a Lauren aparecer naquele escritório que eu perdi a cabeça.
- Ela ainda acredita que pode te reconquistar - Nicholas pontuou o que era óbvio pra ele.

sabia que estava longe de ficar bem, mas ele não podia negar que estava tentando. Por nunca sequer ter imaginado que poderia passar por algo daquele tipo, quando tudo aconteceu, ele não soube ao certo o que fazer. Talvez fosse esse o motivo dele se sentir tão perdido por diversas vezes.

- Isso é impossível. Sei que, por mais que eu tenha facilidade em perdoar, jamais conseguiria perdoar uma traição.
- Você tem certeza disso, mas e a Lauren? Se ela tivesse certeza que não tem mais volta, você acha que ela teria ido atrás de você? - quis saber a resposta do irmão, embora já tivesse uma opinião formada sobre aquilo.
- Eu não sei onde você está querendo chegar com essas perguntas - encarou o mais novo, demonstrando a sua confusão com aquela conversa.
- , ela te conhece melhor que ninguém e sabe dos seus sentimentos. Se a Lauren está indo atrás de você é porque imagina que no fundo você pode mudar de ideia - esclareceu e assistiu negar com a cabeça.
- Isso seria impossível - respondeu de imediato. Quanto a isso, não tinha dúvidas.
- Sim, eu sei, mas ela sabe? A Lauren deve estar pensando que você está se afogando na bebida e é exatamente o que está acontecendo. Não que você precise provar alguma coisa, mas só vai cair a ficha que ela te perdeu quando ver que você seguiu em frente e que não tem mais espaço para ela em sua vida.

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos, refletindo sobre aquela conversa. Nicholas aguardava uma resposta do mais velho sobre tudo o que ele havia acabado de falar, enquanto pensava se o irmão estava mesmo querendo dizer o que ele havia entendido.

- Você está insinuando que eu preciso usar alguém para mostrar para a Lauren que não tem mais volta? - quebrou o silêncio, sem querer acreditar que Nick estava propondo aquilo.
- Lógico que não, estou querendo dizer que você precisa seguir em frente. Mas se pra você, seguir em frente inclui conhecer alguém, eu não vejo problema algum.
- Eu acabei de terminar um casamento de anos - deixou no ar, mesmo sabendo que Nicholas não havia se esquecido daquela informação.
- E você acabou de dizer também que não tem mais volta. , qualquer pessoa que te conhece sabe que você sempre foi adepto a relacionamentos sérios, tanto que a culpa do seu casamento ter acabado não foi sua. Se você conhecer alguém e sentir que essa pessoa pode te fazer bem, por que não tentar? Você já me disse várias vezes que ninguém é igual, então não significa que se você conhecer alguém, a história vai se repetir. E você está solteiro, se quiser namorar sério hoje mesmo, a vida é sua e ninguém pode te julgar.
- Nicholas, você trocou a Engenharia por Psicologia e não me contou? - tentou brincar mesmo sabendo que a conversa era séria, apenas para descontrair.

O irmão mais novo gargalhou e negou com a cabeça, embora quisesse apenas ajudar, só o fato de ver mais relaxado já valia a pena. Nicholas gostava de ver em momentos mais descontraídos mesmo sendo algo raro, pois sempre que pensava no mais velho, nas lembranças, ele estava trabalhando ou preocupado com algo. sentia como já não tivesse mais idade para se divertir como as outras pessoas. Apesar da vida ligada no automático, ele sempre gostou do seu trabalho e da vida de casado. Tinha planos de abrir um outro escritório e ter filhos futuramente, mas depois de tudo o que aconteceu, era como se tivesse perdido o controle da própria vida.
Antes mesmo da conversa continuar ou dos irmãos começarem um novo assunto, Bethany surgiu no quarto, depois de bater na porta, forçou um sorriso para os filhos mesmo com um semblante triste.

- O que houve, mãe? - perguntou ao notar que a mãe estava abatida, conhecia bem a mais velha.

Beth respirou fundo antes de se sentar na cama ao lado de . Olhou para Nicholas, pedindo silenciosamente para que o mais novo deixasse os dois a sós, o que ele entendeu de imediato.

- Estou me retirando porque a louça de hoje é por minha conta - comentou antes de se retirar e ir para a cozinha.

Embora soubesse que só ela poderia ter aquela conversa com o filho, Bethany estava nervosa. A ligação que havia recebido minutos atrás fez com que diminuísse a esperança que ela tinha para que os problemas do filho se resolvessem.

- Filho, a Lauren me ligou, disse que voltou a morar com a mãe dela e que você pode voltar pro apartamento, ela já tirou as coisas dela de lá - disse de uma vez, exatamente como a mulher havia pedido.
- Eu não ia pedir para que ela saísse, inclusive já estava olhando outros imóveis pra comprar ou alugar, mas se a Lauren fez isso por vontade própria eu volto hoje mesmo - respondeu tentando evitar todas as sensações que apareciam sempre que tocava no nome da ex-esposa.
- Você sabe pode ficar aqui o tempo que quiser.
- Eu sei, mãe, e agradeço muito por isso. Mas eu preciso ficar um tempo sozinho e gosto de ter o meu espaço.

Bethany apenas assentiu, já conhecia o filho o suficiente para saber que aquilo era uma verdade. Observou manter o olhar no nada, enquanto a sua mente parecia saber muito bem onde estava. A mente da mãe também estava longe depois de saber que Lauren havia se mudado após a conversa que teve com , Beth estava começando a acreditar que a relação dos dois não tinha mais volta e aquilo era o contrário do que ela desejava.

- E se vocês tentassem conversar? A Lauren deve está sofrendo, coitada, você sabe como ela tem um coração bom - a mais velha disse mais se arrependeu assim que recebeu um olhar frio do filho.
- Sério que você está sugerindo isso, mãe? - negou com a cabeça, sem querer acreditar no que havia acabado de ouvir. - Se você não sabe, eu também estou sofrendo e a culpa de tudo isso é dela.
- Eu só quis...
- Só quis defender a Lauren - interrompeu Bethany antes dela se explicar. - Olha, eu não quero brigar, muito menos ser grosso com você e também não quero continuar essa conversa. Com licença, eu vou arrumar as minhas coisas - avisou antes de se levantar sem esperar por uma resposta.

Estava chateado por ver a sua própria mãe defendendo a mulher que foi capaz de traí-lo com o melhor amigo. Não queria que Bethany tomasse as suas dores, mas esperava que ela entendesse o seu lado pelo menos. Beth assistiu o filho pegar suas malas antes de sair do quarto e deixa-lo acompanhado apenas pelos seus pensamentos.
Um bom tempo depois, agradeceu por tudo e se despediu de todos para finalmente poder voltar para o seu antigo lar, depois de consolar sua mãe que chorava como se ele estivesse indo para outro país. Sabia que as lembranças de tudo o que presenciou naquele apartamento ainda estariam vivas e seria uma coisa a mais para superar. Por outro lado, ele estava feliz de poder voltar para onde sempre foi o seu lugar favorito.
Ao entrar no apartamento, respirou fundo antes de reparar aquele lugar por completo, sentiu falta de alguns objetos mas viu que a maioria das coisas permaneceram ali. Com medo de começar a viver toda aquela dor novamente, ele foi logo em direção ao pequeno bar que tinha ali para se servir com uma dose de whisky, bebendo o líquido de uma vez logo em seguida.
Algumas horas mais tarde as lágrimas já eram a sua companhia quando ele já estava um pouco alterado, entrou em seu quarto e se recusou a dormir naquela cama antes de solicitar uma limpeza em todo o apartamento. Foi pensando nisso que dormiu no sofá, o excesso de álcool fez com que ele se esquecesse do quarto de hóspedes e de secar o copo de bebida que, depois de ser enchido e esvaziado tantas vezes, acabou ficando pela metade.


Capítulo 30

Ela

Ao perder uma das pessoas que mais amava, a primeira coisa que passou pela mente de foram os questionamentos que fazia com que ela se esforçasse para tentar descobrir onde ela havia errado. Desejava passar todos os dias de sua vida ao lado de Austin, mas quando foi deixada por ele no pior momento de sua vida, sentiu como se tudo o que ela fez pelos dois não tivesse valido a pena. E mesmo cheia de dúvidas, não fazia ideia de como continuar aquela conversa, deixando nascer entre os dois um silêncio que parecia querer gritar.

- Eu vim aqui te explicar tudo o que aconteceu naquela época - foi Austin quem começou. - Tudo aconteceu muito rápido, , eu precisei de um tempo para entender.
- Você não entendeu tarde demais? - fez a primeira pergunta sem conseguir filtrar o que passava em seus pensamentos.

Austin fechou os olhos e respirou fundo antes de responder, apesar de ter passado uma boa parte da sua vida ao lado daquela mulher, mesmo conhecendo tão bem, ele ainda conseguia ficar sem reação perto dela. Quando o jogador criou coragem para continuar a conversa, a porta da sala que dividia com foi aberta antes de qualquer aviso, expondo a imagem de uma Hope agitada do lado de fora, que não fez nenhuma cerimônia antes de entrar.

- Eu preciso que você desça agora e resolva um problema no estoque - informou ofegante, ignorando por completo a presença de Austin.
- Agora, Hope? Eu estou no meio de uma conversa importante e o desceu para resolver isso - disse e apontou com a cabeça para Austin, que apenas assistia em silêncio aquela conversa acontecer.
- Às vezes, o e nada é a mesma coisa - explicou ao revirar os olhos. - E o problema é com as peças da coleção que será lançada ainda hoje, , não posso esperar a sua boa vontade para continuar o meu trabalho - continuou e conhecendo bem a amiga, sabia que Hope só iria se acalmar quando ela resolvesse o que estava acontecendo.
- Com licença, Austin, eu já volto - avisou ao se levantar e viu o rapaz apenas assentir positivamente, antes de sair da sala sem se importar se Hope a seguia ou não.

Para evitar uma discussão com plateia, decidiu não responder a amiga, principalmente por saber que dificilmente Hope mudava de ideia. Andou com certa pressa até o estoque de peças, apesar de estar no horário de trabalho, a presença de Austin deixou sem cabeça para qualquer outra coisa. Ela queria resolver o quanto antes aquele problema e finalizar aquela conversa que havia começado. Ao chegar no local desejado, encontrou sentado comendo uma maçã enquanto assistia as garotas, que trabalhavam no mesmo setor que Hope, arrumarem as peças novas nas araras.

- A Hope pediu para eu vir aqui resolver um problema com as peças de lançamento, o que aconteceu? - questionou assim que entrou no espaço onde os demais estavam.
- É que vieram algumas peças a mais no pedido, mas podemos devolver se elas não forem vendidas. A marca está apostando muito nas vendas e também acredita muito no sucesso da loja - explicou pacientemente. - Já está tudo sob controle.
- Ótimo! A Hope chegou à minha sala como se a loja estivesse pegando fogo.
- Jura que você nunca se acostumou com o drama da sua amiga? - perguntou e respirou aliviada. Ela teria dado risada ou repreendido pela implicância dele, se não estivesse tão nervosa pela visita de Austin.
- Pelo jeito não - ela deu de ombros. - Vou subir, preciso continuar uma conversa que a Hope interrompeu - falou mais baixo para que só escutasse, mesmo percebendo que as demais pessoas presentes já estavam ocupadas cumprindo as suas tarefas e não prestavam atenção na conversa.
- , escutei nos corredores que ele veio te procurar... - deixou no ar enquanto jogava o que sobrou da fruta no lixo. - Você não precisa falar com ele se não quiser. - concluiu demonstrando uma certa preocupação.
- Eu sei me cuidar, - ela forçou um sorriso, percebendo que o colega de trabalho só queria ajudar. - E eu também preciso ter essa conversa com ele.

sorriu em concordância e logo em seguida voltou para a sua sala, ao chegar percebeu que Hope continuava lá. Austin parecia triste, diferente de como ele estava quando saiu daquela sala. Hope estava séria demais e com cara de poucos amigos, o que era totalmente compreensível por , já que no passado ela sempre tentava alertar a amiga sobre o, até então, namorado.

- Hope, o já resolveu tudo - avisou quando viu que os dois olhavam em sua direção já que ela estava parada na porta, logo em seguida caminhou em direção a sua cadeira.

Hope apenas assentiu e saiu antes de bater a porta, negou com a cabeça aquela atitude da amiga apesar de já estar familiarizada com situações como aquela. Sabia que provavelmente ouviria muitas reclamações da amiga depois, apenas por estar conversando com o ex-namorado, mas sentia que precisava esclarecer alguns acontecimentos de sua vida antes de seguir em frente.

- Perdoe a falta de educação da Hope, ela te disse alguma coisa enquanto eu não estava aqui? - ela quis saber embora já imaginasse a reposta.
- Ela só cumpriu o papel de melhor amiga - respondeu e forçou um sorriso sem humor.

No fundo, queria perguntar qual foi a conversa dos dois, mas sabia que sobre aquilo ela poderia conversar diretamente com Hope depois. Naquele momento estava mais interessada em saber tudo o que ele tinha para falar com ela.

- Acho que você já pode me explicar o que aconteceu - ela começou, se ajeitando na cadeira ao tentar acalmar o coração que estava acelerado e ansioso por aquele momento.
- , naquela época eu estava sem entender ao certo tudo o que estava acontecendo, eu meio que perdi a cabeça - Austin começou, demonstrando seu nervosismo através das mãos que pareciam ter vida própria. - Nada que eu te disser vai apagar o que aconteceu, mas podemos tentar esquecer e começar de novo.

sabia que a qualquer momento as lágrimas que ela tentava segurar poderiam cair, aquele momento estava sendo mais difícil do que ela imaginava que pudesse ser. Sentia vontade de gritar e desejava mandar Austin ir embora, mas também queria que ele soubesse de tudo o que ela passou por culpa única e exclusiva dele. E o que mais interessava era saber o que levou Austin a fazer o que fez com ela e com o relacionamento que os dois tinham no passado.

- Eu acreditava que estava vivendo um conto de fadas quando eu te conheci, Austin, você era perfeito demais e eu me sentia a mulher mais feliz do mundo - desabafou, sem conseguir segurar as suas emoções. Limpou as lágrimas com a palma da mão antes de continuar. - Mas você me abandonou no momento que eu mais precisava de você. Enquanto eu estava no velório do meu pai, você estava em uma festa comemorando o que podia ser adiado. Você não teve coragem de voltar ou sequer me ligar, você agiu como se a minha dor não importasse pra você.
- Eu não sabia da festa, , também não sabia da morte do seu pai - quis se defender, interrompendo de imediato.
- Não soube por que você simplesmente fugiu para outro país - aumentou o seu tom de voz, sem se importar que outras pessoas pudessem ouvir.
- Eu precisava de um tempo para colocar a minha cabeça no lugar, havíamos passado por alguns problemas, estávamos passando por dias difíceis e você sabe muito bem disso - Austin respirou fundo, triste demais por tocar naquele assunto. - Vamos deixar isso no passado.
- Esse passado me atormenta até hoje.
- Eu ainda te amo, - ele declarou sem pensar nas consequências daquelas palavras.
- Eu deixei de te amar quando tive certeza que na sua vida não tinha um lugar pra mim - disse acertando Austin com aquelas duras palavras. -Achei que conversando com você esse rancor que está aqui guardado pudesse passar, mas eu estava enganada. Você só quer que eu esqueça tudo, mas até o momento você não me esclareceu nada sobre o que te fez mudar de ideia tão rápido e muito menos parece estar arrependido. Agora, se você puder se retirar eu agradeço, eu preciso resolver algumas coisas aqui no trabalho e acho que não temos mais nada para conversar - falou de uma vez tudo o que estava engasgado, sentindo-se até mais leve por falar exatamente o que ela estava pensando.

Com um semblante decepcionado, Austin apenas assentiu antes de se retirar. Assim que a porta foi fechada e se viu sozinha naquela sala, ela colocou pra fora tudo o que estava sentido. Doía demais relembrar os piores dias de sua vida. O encontro com Austin foi como se tivesse mexido em uma caixa cheia de lembranças, sabia que aquilo era necessário, mas não imaginava o quão difícil seria lidar com aquilo.

- Eu odeio te ver assim - ouviu a voz de , até então ela não tinha notado a presença do seu colega de trabalho na sala. - Subi assim que ele saiu para ver como você estava e agora só sinto vontade de descer e ir atrás dele - explicou ao notar que estava confusa com a presença dele.
- Eu sempre desejei ter uma conversa com ele, esclarecer as coisas... Eu tinha esperanças de que, sei lá, talvez tivesse acontecido algum mal entendido - começou a desabafar com o amigo que a ouvia atentamente. - Mas o Austin fez o que fez porque quis, , ele poderia ter voltado naquela época, mas ele não voltou - não conseguiu segurar as lágrimas na presença do amigo.

não pensou duas vezes antes de ir até onde estava para abraça-la. A mulher aceitou o gesto de carinho do amigo, repousando em seu peito, esperando que aquilo fizesse com que ela se acalmasse.

- Eu sinto muito, vou fazer de tudo para não te ver mais triste assim. E se depender de mim, nunca mais ele chega perto de você, nem ele e nem ninguém que possa te fazer sofrer desse jeito - prometeu e permaneceu em silêncio, sem saber como agradecer por todo aquele carinho e cuidado que ele sentia por ela.


Capítulo 31

Ele

Saber que perdeu a hora para o trabalho e sentir a sua cabeça explodindo de dor não eram motivos suficientes para fazer com que levantasse da cama. Já havia recusado algumas ligações do escritório, embora soubesse que precisava dar uma satisfação e que provavelmente Josh devia estar preocupado com o seu sumiço. Porém, estar novamente naquele apartamento, obrigava a pensar sobre o fato de que agora ele seguiria a vida sozinho, que ele não teria mais Lauren ao seu lado como estava acostumado antes.
Um bom tempo depois ele se levantou, avisou ao seu pai através de uma mensagem que estava indisposto para trabalhar naquele dia e entrou em contato com a faxineira que sempre contribuía com o serviço doméstico quando necessário, pedindo que ela fizesse uma limpeza no apartamento naquele dia, como se ela também fosse apagar as lembranças que ele tinha com Lauren naquele lugar.
Ainda no período da manhã, enquanto andava pelos corredores do mercado para fazer as suas compras e para não ficar em casa e atrapalhar a funcionária que fazia o seu trabalho, sentiu o seu celular vibrando no bolso. Por curiosidade ele pegou o aparelho de imediato, viu o nome na tela e uma mensagem da mesma logo em seguida. Riu pela primeira vez naquele dia ao ler o conteúdo, não demorando muito para responder. Comprou tudo o que precisava sem esquecer de suas bebidas, já que o estoque que ele tinha em casa estava acabando, aproveitando aquele momento para distrair a sua cabeça, parando vez ou outra apenas para responder as mensagens que recebia.
Um pouco mais tarde ele voltou para o apartamento, guardou todos os alimentos e bebidas enquanto a funcionária finalizada a limpeza dos outros cômodos. Queria ocupar a mente naquele dia, faria de tudo para não pensar em todos os seus problemas, embora fosse difícil para deixar tudo de lado.
Decidiu que naquele dia ele iria cozinhar, há muito tempo ele não preparava algum prato e estar na cozinha era uma terapia para . Duas horas depois, o apartamento estava impecável, a lasanha estava no forno e estava sozinho tomando um bom vinho quando o interfone tocou. Nicholas estava lá embaixo aguardando a autorização de para subir, que não pensou duas vezes antes de receber o irmão.

- E aí, - cumprimentou o irmão mais velho, abraçando-o em seguida.
- Tudo certo, Nick? - perguntou sem esperar uma resposta. - Entre - deu espaço para que o mais novo pudesse passar.
- Eu só vim saber como você está, meu pai disse que você não estava muito bem e que acabou não indo trabalhar hoje - explicou ao andar em direção ao sofá, observou o apartamento bem arrumado, sentiu falta de algumas fotos e objetos pela sala mas decidiu não comentar nada.
- Sentia como se minha cabeça fosse explodir a qualquer momento hoje de manhã - confessou enquanto se aproximava do irmão.
- Ressaca?
- Também, mas se fosse só isso, eu teria ido trabalhar - ele mesmo negou com a cabeça antes de ir até a cozinha buscar a sua taça de vinho, ofereceu para Nicholas que recusou por estar dirigindo.

Odiava o fato de não conseguir mentir para todos que estavam ao seu redor. Seria melhor se as pessoas pensassem que ele não estava sofrendo tanto, que não estava se afogando no álcool graças a uma traição e ao fim do seu casamento. Talvez fosse menos vergonhoso. Apesar de ter sido Lauren a pessoa que foi para a cama com o seu amigo, sentia-se envergonhado por estar vivendo no meio daquela situação.
Era como se tudo o que os dois viveram enquanto estavam juntos fosse apenas uma farsa. Como alguém que dizia amar era capaz de trair? Como alguém tinha coragem de jogar fora um casamento de anos em troca de uma noite? E o pior, quem garantia para que aquela foi a primeira vez? Todas aquelas perguntas rodeavam a sua mente, deixando ele sem saber o que fazer.

- Você sabe que se quiser conversar, pode falar comigo - o mais novo sorriu gentilmente, vendo assentir.
- Agradeço, mas no momento eu só quero esquecer - ele respondeu indo em direção a cozinha novamente, dessa vez, sendo seguido por Nicholas.

Observou a massa através do vidro, ao notar que já estava pronta, retirou a lasanha do forno, fazendo o cheiro da comida tomar conta do local.

- Que recepção, e olha que eu nem avisei que viria até aqui - Nick comentou, fazendo o irmão gargalhar.
- Convencido, na verdade eu só queria cozinhar - deixou no ar e coçou a cabeça enquanto pensava se devia prosseguir ou não. - E eu vou receber uma visita mais tarde.

Como já era de se esperar, os mesmos olhos que admiravam a lasanha foram em direção a e um sorriso suspeito surgiu nos lábios de Nicholas. Não sabia se tinha necessidade de falar, mas estava a vontade ao lado do irmão e não tinha motivos para mentir.

- Posso saber quem é a visita que fez o meu irmão cozinhar?
- Em minha defesa, eu cozinhei para distrair e passar o tempo – respondeu, mas Nicholas permaneceu em silêncio esperando que ele completasse a sua resposta. - A vem aqui hoje.
- A é aquela mulher que...
- Sim, ela mesma - ele completou porque sabia do que Nicholas estava falando.
- Então estou indo embora, deixa a lasanha pra ela, depois você faz outra e me convida - o mais novo avisou, indo em direção à porta.
- Não precisa ir embora - avisou enquanto ia atrás dele, a presença do irmão ali não atrapalhava em nada.
- Tchau, irmão, qualquer coisa você sabe que pode me ligar - Nicholas ignorou a fala de e o abraçou para se despedir, saindo antes mesmo que ele pudesse responder algo e impedir a sua saída.

riu, achando exagerada aquela atitude do irmão. Continuou tomando o seu vinho e pensando sobre a vida. Um pouco mais tarde ele foi se arrumar, não sabia explicar, mas estava ansioso para encontrar , de certa forma saber que ela iria até o seu apartamento não lhe causava um incômodo ou a sensação de que ele estava fazendo algo de errado.
No horário combinado interfonaram dizendo que estava lá embaixo, esperando que permitisse a sua entrada. Poucos minutos depois a campainha tocou, informando que , agora, estava do outro lado as porta.

- Boa noite! - ela cumprimentou sorridente, enquanto abraçava .
- Boa noite, , sinta-se em casa - foi gentil enquanto conduzia a visita até sofá. - Como você está?
- Estou bem, obrigada - sorriu enquanto olhava as próprias mãos.

percebeu que existia alguma coisa no ar, estava feliz por receber em sua casa, mas sentia como se ela não estivesse a vontade. Embora tentasse esconder, ele conseguiu ler as suas expressões sem nenhuma dificuldade.

- O que houve? Parece que você está nervosa.

Quando os olhares dos dois se encontraram, levantou de onde estava e se sentou no lugar disponível no outro sofá, ao lado de . Respirou fundo antes de começar a falar, em nenhum momento deixou de olha-la.

- Têm acontecido tantas coisas na minha vida nos últimos dias, nos momentos em que você apareceu tudo ficou mais calmo - ela começou a falar, ao mesmo tempo em que tentava se acalmar. - Você não faz ideia do quanto me fez bem quando esteve do meu lado naquele momento que eu me lembrei do meu pai. Você pode ter achado estranho eu querer te encontrar hoje, do nada, mas eu só queria te agradecer, mesmo. E também não queria perder tudo isso.

Os olhos de brilharam querendo competir com o sorriso que nasceu em seus lábios. Logo aquela sensação contagiou , que também sorriu antes de juntar suas mãos com as dela.

- Eu acordei querendo que hoje fosse um dia bom, ele só está sendo a partir de agora - começou a falar, recebendo toda a atenção de , que não conseguia parar de sorrir. - Também está acontecendo muita coisa em minha vida, coisas que eu não quero falar agora para não estragar a nossa noite, mas os momentos ao seu lado foram todos bons. Um lugar de paz em meio ao caos.

O silêncio que se estabeleceu entre eles já dizia muito, os olhares se mantinham conectados um ao outro enquanto, sem perceber, eles se aproximavam. O sorriso de só desapareceu quando os lábios de encontraram com os dela, em um beijo que expressava tudo o que eles estavam dizendo um ao outro. Quando as bocas se afastaram, abraçou , que não pensou um segundo sequer antes de retribuir.

- Eu entendo que praticamente acabamos de nos conhecer, mas não posso negar que você me fez muito bem em todos os momentos que esteve comigo.
- É recíproco, , espero que possamos ter mais momentos assim - confessou, sem medo nenhum de se arrepender.

Talvez aquela fosse uma chance que a vida estava lhe dando para seguir em frente. Quem sabe seria alguém que pudesse, de alguma forma, trazer um pouco de tranquilidade para a sua vida. Apesar de ainda ter muitas dúvidas, também estava se sentido da mesma forma que ele. Saber disso fazia pensar que talvez valesse a pena correr o risco de tentar ser feliz com outro alguém, apesar de tudo o que aconteceu.

- Obrigada por me receber em sua casa.
- É um prazer - respondeu já se levantando ao lembrar-se de algo. - Vem, vamos tomar um vinho - convidou e segurou em sua mão enquanto andavam em direção a mesa.

Serviu as duas taças e se sentaram antes mesmo de degustar a bebida. Diferente de como estava quando chegou, percebeu que estava mais tranquila e mais feliz, já que o sorriso não desaparecia dos seus lábios.

- Você tá linda! - ele elogiou sem aviso prévio, fazendo o sorriso dela aumentar, se é que aquilo era possível.
- Muito obrigada, você também tá um gato - retribuiu e ele gargalhou pelo elogio que recebeu. - Você fica muito mais bonito sorrindo, sabia? Embora seu jeito sério seja um charme.
- Jeito sério? - questionou tentando entender o que ela queria dizer.
- Sim, esse ar misterioso, esse olhar...
- Acho que nunca fui tão elogiado - brincou e se levantou para pegar a lasanha que ele havia colocado no forno pra esquentar quando soube que já havia chegado. - Fiz uma lasanha pra gente, espero que goste.
- Não só gosto como é o meu prato favorito.

O jantar foi extremamente agradável, não faltou assuntos e nem elogios para sobre o prato que ele fez. Diferente de todos os momentos em que os dois estiveram juntos, naquele encontro não tinha problemas pessoais ou familiares, relacionamento dos irmãos ou qualquer outro assunto que não fosse os dois.
Era apenas e juntos, como tinha que ser.
Dividiram mais uma garrafa de vinho e algum tempo depois os beijos tomaram o lugar de todos os assuntos que os dois conversaram durante aquele jantar. Diferente dos outros, os beijos tinha mais urgência e em cada momento em que as línguas se encontravam, ambos sentiam como se uma corrente elétrica passasse pelo corpo. Quando percebeu tudo o que estava acontecendo, ela já estava deitada no sofá, com o corpo de em cima do seu.

- Desse jeito vai ser difícil ir embora - sussurrou no ouvido de enquanto ele beijava o seu pescoço. - E eu não me importo nenhum pouco em ficar - ela ainda completou, passeando as suas unhas pelo corpo dele.
- Já não estava nos meus planos deixar você sair daqui hoje - concluiu antes de voltar a beija-la.


Capítulo 32

Ela

Já era fim do dia, o sol estava se pondo pintando o céu em um tom alaranjado digno de ser apreciado. observava aquela imagem em sua frente enquanto tentava colocar sua mente em ordem, já que tudo parecia estar de cabeça para baixo.
Após a conversa com Austin, aconselhou a ir para casa, sabia que a amiga não teria condições de continuar o seu trabalho naquela manhã. Ela saiu da loja, mas concluiu que precisava ficar um tempo sozinha, não queria levar os seus problemas para casa, não naquele momento. Passou o dia inteiro em um parque, lugar onde não frequentava há muito tempo. Escutou música, chorou, pensou sobre a vida e curtiu a sua própria companhia. Voltou para casa no mesmo horário em que chegava quando estava no trabalho, não queria falar nada com a sua mãe sobre o acontecimento daquele dia e se chegasse mais cedo, certamente a mais velha iria perceber que algo havia acontecido.
No dia seguinte, acordou mais disposta e animada, também havia pensado muito sobre os seus sentimentos antes de dormir. A verdade era que estava cansada de deixar as atitudes dos outros falarem mais alto em sua vida, estava cansada de sofrer por quem não merecia e de focar apenas nos momentos ruins quando muita coisa boa acontecia ao seu redor, bastava apenas ela olhar tudo com um pouco mais de calma. Chegou no trabalho mais tarde do que estava acostumada, apesar de não estar atrasada, cumprimentou todos os funcionários que encontrou enquanto caminhava em direção ao seu local de trabalho. Assim que entrou na sala, encontrou e Hope conversando animadamente.

- Bom dia! - cumprimentou abraçando os dois amigos, ao se afastar viu entregando uma quantia em dinheiro para Hope. - Alguém aqui ficou rico e não me contou? - brincou apontando para a amiga que havia guardado o valor.
- Antes fosse - foi quem respondeu. - Pedi a Hope um dinheiro emprestado para comprar flores e chocolates para a minha mãe no dia do aniversário dela. Tive um problema com o meu cartão e a nervosinha aqui me salvou.
- Diferente do que vocês pensam, eu também tenho um coração - Hope respondeu, fazendo mostrar a língua em implicância. - Bom, deixa eu ir que o dever me chama, até mais tarde.

Os dois se despediram da amiga e cada um ocupou o seu espaço de trabalho. começou a ler a sua agenda e ver tudo o que tinha de compromissos para aquele dia, observava pacientemente enquanto esperava ela terminar o que estava fazendo para voltar a falar com ela.

- Você está bem? - ele perguntou quando olhou em sua direção.
- Estou ótima, - sorriu para ele ao responder. - Inclusive já esqueci aquele momento de ontem e prefiro não comentar sobre - completou por saber do que ele estava falando.
- E nós dois, como estamos? - ele perguntou depois de alguns segundos em silêncio.

parou o que estava fazendo para encarar o amigo, ele também esteve em seus pensamentos no dia anterior. Primeiro ela pensou em Austin e na sua volta repentina, chegava a ser um desrespeito com o que eles viveram ver o jogador agindo como se ele não tivesse destruído por dentro quando foi embora. A volta de Austin só serviu para mostrar que ela estava muito bem sem ele.
Depois foi quem ocupou os seus pensamentos, as coisas estavam diferentes entre eles e tinha medo de que aquilo acabasse interferindo na amizade dos dois. Concluiu que conversaria novamente com para terminar aquela conversa do dia anterior, estava certa de que no momento eles tinham que ser apenas bons amigos como eram, antes que a situação piorasse a ponto de destruir a relação tão linda que os dois construíram.
Por último, mas não menos importante, se lembrou de . Depois daquela noite na balada, eles tinham tudo para não se encontrarem, mas a vida fez questão de cruzar o caminho dos dois novamente. Depois disso todos os momentos ao lado dele foram bons, dignos de serem repetidos. não sabia o que esperar de , mas sentiu um interesse em conhece-lo um pouco mais. Decidiu não reprimir aquela vontade, não como ela já havia feito outras vezes. sofreu com Austin, esperou algo que não aconteceu com e mesmo assim ela sentia uma enorme vontade de ver mais uma vez.
Nem ela conseguia explicar a sua própria confusão.

- Estamos bem e no que depender de mim continuaremos assim - ela respondeu, para começar a viver novos momentos, devia colocar um ponto final no que já existia ou queria existir. - , acho que confundimos as coisas e tudo o que eu não quero é que algo atrapalhe a nossa amizade, é melhor mesmo voltarmos ao que éramos antes, apenas bons amigos.

apenas assentiu pensando no que a amiga havia acabado de falar, eles já haviam tocado naquele assunto,, mas tudo ficou subentendido das outras vezes. A última conversa dos dois foi interrompida e eles não puderam esclarecer o que de fato estava acontecendo.

- Eu só quis ir devagar para não te magoar, eu não quis apressar nada, sabe?
- E não magoou, só estou te falando isso novamente porque não tivemos a chance de terminar a nossa conversa de ontem. Mas você percebe que as coisas estão diferentes? Que está um clima estranho? - ele concordou assentindo mais uma vez. - Eu pensei muito sobre nós e tenho certeza que é o melhor a ser feito agora. Funcionamos muito bem como amigos - ela sorriu, sua voz demonstrava segurança, mas por dentro ainda se esforçava para acreditar que ela estava fazendo a coisa certa.
- , essa sua decisão tem alguma relação com a volta do Austin? - ele pareceu preocupado por estar ouvindo tudo aquilo logo depois que conversou com o ex-namorado.
- Não, , fica tranquilo que ele é uma página virada no livro da minha vida.
- Então seremos apenas bons amigos, como éramos antes - afirmou mais para ele mesmo do que para ela. - Eu respeito sua decisão e faço qualquer coisa pra te ver feliz - deixou no ar e agradeceu com um sorriso, sem querer prolongar aquela conversa.

Era difícil para colocar um ponto final numa história onde ela queria escrever muitas outras linhas. Gostava muito de e imaginou que os dois pudessem viver uma linda história juntos. Porém, ao ver a relação dos dois mudar de uma forma tão rápida e de um jeito negativo, achou melhor não pagar pra ver o que poderia acontecer depois.
O telefone de tocou dando início aquele dia de trabalho e encerrando por completo aquele momento dos dois. Depois de acertar tudo com , estava mais leve e pronta para fazer outra coisa que estava com vontade. Não deixaria mais o medo impedir que ela fizesse algo, estava confiante demais naquela manhã. Alguns minutos depois, quando o trabalho ficou mais tranquilo, observou um certo contato salvo em seu celular, pensou por poucos segundos antes de digitar a mensagem, sem nenhuma intenção de voltar atrás.

“Oi, ! Bom dia, tudo bem?”

De imediato ela viu que o contato ficou online, logo em seguida a sua mensagem foi visualizada e respondida.

“Olá, . Bom dia! Tudo bem e você?”


estava ansiosa por estar no meio daquela conversa, sentia um certo nervosismo e ansiedade naquela troca de mensagens. O motivo era que todas as conversas que ela teve com haviam levado para um lugar onde as complicações não existiam.
E apenas queria sentir tudo aquilo de novo.

“ Tudo bem também! Desculpa te mandar mensagem tão cedo, espero não estar te atrapalhando.”
“Claro que não, posso te ajudar em alguma coisa.”


Para não correr o risco de voltar atrás, respondeu a mensagem de imediato, se atrapalhou com as palavras, mas não teve tempo para que o seu subconsciente alertasse que ela estava fazendo algo de errado. convidou para um encontro, confessando que queria sair com ele novamente. aprovou a ideia e a convidou para que os dois pudessem tomar um vinho em sua casa naquela mesma noite. Convite que não pensou duas vezes antes de aceitar.
Sem muitas novidades no trabalho no restante do dia, foi direto para o seu apartamento, já que a sua amiga havia saído mais cedo e não precisaria de sua carona. Hope ia com a tia para o trabalho, mas sempre voltava para casa com . Quando chegou, avisou sua mãe que tinha um compromisso, sem dar muitos detalhes. No horário marcado seguiu para o endereço que havia lhe passado.
E de todas as formas que imaginou terminar aquela noite, a mais improvável de acontecer seria com ela deitada nos braços de , exatamente como estava. Ele fazia um carinho em seu cabelo enquanto ambos recuperaram a respiração depois do momento que tiveram juntos. O mais estranho de tudo era que estava se sentido bem, como se ela estivesse exatamente aonde deveria estar.

- Eu não imaginei que a nossa noite terminaria assim, mas você estava irresistível demais pra eu te deixar ir embora - comentou com humor enquanto fazia um carinho nos cabelos de .
- Confesso que está bem difícil sair daqui - também sorriu, acomodando o seu corpo no dele.
- Você pode voltar quantas vezes quiser.
- É uma proposta quase irrecusável, só que eu estava me referindo a ter que ir embora mesmo - explicou fazendo gargalhar antes de beijar o seu cabelo.
- Isso continua fora dos meus planos - disse em um tom um pouco mais baixo. - Dorme aqui comigo? - ele convidou e a reposta de veio em um beijo quente, como todos os outros que eles haviam trocado antes.

Como se existisse um imã entre eles, novamente os dois estavam repetindo o que fizeram minutos antes. O beijo cada vez mais intenso fazia com que os corpos nus desejassem ficar mais próximos um do outro, se é que aquilo era possível. Tomando o controle da situação, cobriu o corpo de com o seu, buscando retribuir todo aquele prazer que ela estava lhe proporcionando.

- Acho que o convite certo seria: passa a noite aqui? Dormir também está fora de cogitação - esclareceu enquanto olhava o corpo de , desejando beijar cada parte dele.
- É impossível recusar qualquer uma das opções - ela respondeu antes de beija-lo mais uma vez.

Enquanto os lábios desfrutavam da sensação de estarem juntos, os corpos buscavam mais contato um com o outro. A pele delicada de parecia ter sido feita para receber os carinhos das mãos firmes de , enquanto o toque sensível de parecia fazer um carinho na alma do rapaz.
Aquela não era só mais uma noite em uma cama qualquer, estava se entregando de todas as formas para aquele homem que, apesar do pouco tempo juntos, despertou nela sensações jamais sentidas antes. Era como se eles estivessem descobrindo um novo mundo juntos, como se já estivesse escrito que a partir do momento em que eles se encontrassem, tudo ao redor dos dois mudaria para melhor.
e estavam dançando no meio de uma chuva de felicidade, depois de uma tempestade de decepções. Que sorte a deles seria se chovesse para sempre.


Capítulo 33

Ele

acordou assim que a claridade do dia adentrou o quarto, antes mesmo que o despertador fizesse o seu trabalho. Teve poucas horas de sono, mas estava com a sensação de que havia dormindo uma noite inteira. Olhou para o lado e viu nua em sua cama, logo lembranças da noite anterior apareceram e ele não pôde deixar de sorrir. Verificou a hora constatando que havia acordado cedo demais. Mesmo que trabalhasse naquele dia, ele ainda teria tempo para preparar um café antes de acorda-la.
Tomou um banho e se arrumou, em sua sala ainda tinha roupas espelhadas, resquícios da noite anterior que havia começado ali. não podia negar que estava feliz, tão feliz que se estivesse sozinho seria capaz de beber uma dose de whisky para comemorar. Com esse pensamento ele olhou para o mini bar que tinha em seu apartamento, mas logo se lembrou de que dormia em seu quarto, resolvendo deixar a bebida para outra hora. Assim que o café da manhã ficou pronto, voltou ao quarto com a intenção de acordar , que ainda dormia tranquilamente. Sentou-se ao seu lado na cama, olhou para ela por alguns segundos antes de tocar em sua pele com delicadeza, assistindo despertar aos poucos. Ela observou por um breve momento, reconhecendo o lugar onde estava e lembrando-se da noite anterior, antes de sorrir para ele em cumprimento.

- Adorei a cor da sua gravata - foi a primeira coisa que ela disse, instalando aquele clima leve que sempre aparecia nas conversas dos dois. – Bom dia!
- Bom dia, , obrigado pelo elogio à gravata.

Estar ao lado de fazia com que tivesse a certeza de que a noite anterior realmente aconteceu. O mais estranho de tudo era que nem por um segundo sequer ele questionou se aquilo era certo ou errado, em nenhum momento o arrependimento apareceu. acordou feliz, uma felicidade diferente que há muito tempo ele não sentia.

- Você tem bom gosto - ela concluiu ao se sentar na cama. - Que horas são?
- Bem cedo - ele apontou o celular na direção dela para que pudesse ver a hora. - Fiz um café para gente tomar antes de começar o dia.
- Posso só tomar um banho antes? Não sou ninguém sem meu banho matinal - pediu ao se enrolar no lençol, já que não viu suas roupas pelo quarto. - Como ainda está muito cedo, posso aceitar o seu convite para o café sem me atrasar.
- Claro! Estarei te esperando na cozinha, fique à vontade.

Enquanto tomava o seu banho, aproveitou para preparar a mesa do café da manhã para os dois. Como ele havia feito compras no dia anterior, o que não faltava era opções do que servir. Alguns minutos depois apareceu na cozinha, vestindo a camisa que ele usou na noite anterior e com os cabelos molhados. Ele sorriu ao constatar que ela era linda de qualquer jeito.

- Não achei minhas roupas no quarto, por isso eu acabei vestindo a sua camisa - ela se explicou ao ver que não parava de olhar em sua direção. - Só depois me lembrei de que elas ficaram pela sala - concluiu sem conseguir conter o sorriso que nasceu em seus lábios por se lembrar da noite anterior.
- Eu não estava te olhando por causa disso, - ele começou a falar, recebendo toda atenção dela. - Você tá linda!
- Muito obrigada, , e olha que eu acabei de acordar - disse e os dois riram.

Como em todos os outros encontros, os assuntos surgiram naturalmente entre os dois durante o café da manhã. Só quando um breve silêncio nasceu, enquanto se deliciava com uma torrada e ele a observava como se aquilo fosse uma grande atração, foi que pensou se aquele era o momento ideal para começar a falar sobre a noite anterior. sabia que tinha algo a mais por trás das mensagens trocadas e de tudo o que eles falaram um para o outro. Sabia que a noite que passaram juntos não foi uma coisa de momento, estava claro para que não foi um encontro casual.
Ele não podia negar que desejava ter em seus braços novamente. Porém, só de pensar naquela possibilidade, também vinha em mente tudo o que ele passou recentemente. não tinha culpa dos seus problemas e não seria justo coloca-la no meio daquela bagunça.
Sem querer esconder o que sentia ou fugir de suas vontades, decidiu abrir o jogo. Ele sabia que, devido aos acontecimentos, ao seu lado não era um lugar seguro de estar, mas concluiu que aquela seria uma decisão dela. Se quisesse ficar, mesmo depois de ouvir tudo o que ele tinha a dizer, tentaria ser feliz novamente com ela ao seu lado.

- , eu preciso conversar algumas coisas com você - quebrou o silêncio, quando ela assentiu, ele respirou fundo e continuou. - Naquele dia que você me encontrou na balada, eu tinha acabado de ver a minha mulher na cama com o meu melhor amigo - começou a falar, o seu semblante era sério e estava da mesma forma ao ouvir aquela informação. - Eu acabei bebendo muito e por causa disso acabei sendo grosso com você. Mas eu sei que eu errei e não estou falando isso pra me justificar.
- Eu consigo imaginar a sua dor, talvez eu teria feito o mesmo se estivesse no seu lugar - segurou a mão de , que não recuou.
- Estou te falando isso porque eu não estou pronto para me envolver com alguém novamente, tudo ainda está muito recente. Quando eu pedi seu número para a minha irmã, eu não tinha outra intenção além de proteger a Samantha - ao ouvir aquilo ela tentou soltar a mão dele, sem esconder o semblante um tanto quanto triste, mas foi mais rápido e manteve o contato com delicadeza. - Eu não queria ter mais ninguém por medo de passar pela mesma decepção de novo. Só que aí você apareceu e tudo mudou, . Agora parece que é errado demais deixar você ir embora da minha vida por causa de um erro de outra pessoa.

Foi possível notar um brilho diferente nos olhos dela e um quase sorriso brotar aos seus lábios. Suas expressões falaram antes mesmo que ela pudesse pensar nas palavras certas para usar.

- Eu realmente sinto muito pelo o que aconteceu com você - ela sussurrou como se fosse errado falar sobre aquilo em voz alta. Ele havia comentado que foi traído, mas não imaginou que tudo aconteceu daquela forma. - Eu também passei por alguns problemas só que não posso comparar com o que houve com você, mas eu precisei fazer escolhas antes de vir aqui ontem. Eu priorizei o que estava me fazendo bem, se eu fiz a escolha certa ou não, só o tempo vai dizer. Só não quero mais deixar de viver por medo de sofrer de novo - continuou e permanecia em silêncio, tentando entender aonde ela queria chegar. - Tudo o que eu te disse ontem é verdade, , mas eu vou te entender se achar melhor ficar sozinho. Eu vou entender se escolher o que for melhor pra você.
- Ultimamente o melhor pra mim são os momentos ao seu lado, , você foi à única coisa boa que me aconteceu nesse tempo - foi sincero e viu o brilho dos olhos de se acenderem novamente. - Eu tenho certeza que eu não quero a pessoa que me traiu ao meu lado, só que eu ainda não consegui esquecer tudo o que aconteceu. Se você quiser tentar mesmo assim, eu estou disposto a fazer dar certo. E quero deixar claro que mesmo não estando inteiro ainda, eu não vou e nem quero te usar para esquecer alguém.

Com calma, levou a mão dela que segurava até o rosto dele, fazendo um carinho na barba do rapaz. Ele fechou os olhos ao sentir o toque, desejando que aquele momento fosse eterno. Apesar de não ter falado nada ainda, aquele carinho era uma resposta para e, ao saber disso, ele não conseguiu esconder o sorriso que nasceu em seus lábios. Naquele momento, era como se tudo o que ele sofreu por Lauren não fizesse mais sentido. Parecia errado demais sofrer por alguém que não estava mais em sua vida enquanto ele tinha ali tão próxima, tão doce. Desejava com todo o seu coração que ela estivesse sentindo o mesmo que ele.

- Eu também não estou inteira ainda, , mas talvez os nossos pedaços possam se completar. - ao ouvir a voz de , abriu os seus olhos só para encontrar com os dela, ambos pareciam querer competir para ver qual brilhava mais.

Ele sorriu antes de se aproximar, tocando a pele macia dela com delicadeza. Logo seus lábios se encontraram com os de , selando aquela conversa dos dois. O beijo começou devagar, era apenas o toque dos lábios, um encontro de respirações. Era o gosto de ambos se misturando, reconhecendo que os próximos dias seriam assim. Afastaram-se já que naquele momento nenhum deles tinham a intenção de intensificar o beijo, logo em seguida sentiu o seu corpo sendo abraçado pelo de , enquanto ela descansava o rosto na curva de seu pescoço.

- Como vão ser as coisas a partir de agora? - ela perguntou sem dar muitos detalhes, mas entendeu o que ela queria dizer.
- Eu quero ir com calma, , quero te conhecer e quero que você me conheça também - falou enquanto acariciava os cabelos dela. - E também quero desfrutar dessa leveza que eu sinto quando você está por perto.
- Eu também não quero apressar nada, , mas confesso que vai ser difícil ficar longe de você depois de tudo o que aconteceu aqui - riu contra o pescoço dele depois de dizer.
- Isso não será um problema, , estou ansioso para compartilhar todos os meus dias com você.


Capítulo 34

Ela

Enquanto aguardava o elevador em seu prédio, pensava em tudo o que havia acontecido. a deixou em casa, já que ela preferiu ir de táxi na noite anterior, ao se despedir, prometeu que eles se encontrariam novamente o quanto antes. E não podia negar que estava ansiosa para que esse próximo encontro chegasse, ao lado de as coisas pareciam estar em seu devido lugar, e naquela manhã ela não conseguia pensar em outra coisa que não fosse estar mais uma vez nos braços dele. Assim que entrou no apartamento, encontrou sua mãe e irmão tomando o café da manhã, sorriu para eles em cumprimento, porém nenhum dos dois retribuiu.

- Bom dia! - ainda tentou mais uma vez ao sentar-se a mesa onde os dois estavam.
- Não podia pelo menos ter avisado que passaria a noite fora, ? - Dylan perguntou sem tentar esconder o seu mau humor.
- Eu fiquei preocupada e muito decepcionada com você - foi surpreendida pela fala da mãe, sem entender o motivo da decepção.

No fundo ela sabia que tinha errado, já que deixou de avisar que não voltaria para casa. Só que estar ao lado de fez com que se esquecesse de tudo o que não incluísse os dois juntos, porém, ao ouvir de Victória que ela estava decepcionada, entendeu que existia algo a mais além da chateação por ela não ter dado notícias na noite anterior.

- Mãe, eu sei que errei por não ter avisado que dormiria fora e também porque eu não te dei muitos detalhes sobre o meu compromisso da noite passada, mas acho que isso não é motivo suficiente para que você fique decepcionada comigo.
- Não é esse o motivo, - o irmão mais novo esclareceu, talvez por notar a dificuldade da mãe em falar sobre aquele assunto. - Já sabemos que ele está aqui na cidade.

olhou para o irmão, assustada ao ouvir aquela última frase, como se não acreditasse no que ele tinha acabado de falar. Não precisava de mais detalhes para entender que era sobre Austin que ele estava falando, Dylan já tinha comentado que o rapaz poderia voltar a jogar em um dos times da cidade. Só que o que mais surpreendeu foi o fato de que seu irmão e sua mãe estavam pensando que ela havia passado a noite com o seu ex-namorado.

- Eu não estava com o Austin - riu de nervoso, sem conseguir sequer imaginar aquela possibilidade. - Eu estava com o , irmão da Samantha.
- Nem fala no nome da Samantha, preciso resolver a minha vida - Dylan pensou alto, viu a sua mãe o olhar um tanto quanto confusa, enquanto parecia entender perfeitamente o que estava acontecendo. - Mas enfim, como você saiu ontem e passou na TV que o Austin tinha voltado, acabamos ligando uma coisa com a outra.
- Eu acho que já está na hora de eu saber um pouco mais sobre esse - Victória pensou alto, viu sorrir enquanto se servia de uma xícara de café.

Por estar tão feliz e por não ter motivos para mentir, contou tudo o que estava acontecendo para a sua mãe e seu irmão. Contou da balada, do dia em que foi buscar Samantha e dos encontros que os dois tiveram. Também contou, sem os detalhes, sobre a noite juntos e sobre os planos de tentarem ter algo mais sério. Sam também já havia compartilhado algumas informações com Dylan, mas nem ela mesma sabia de alguns detalhes. só não falou sobre o término recente de por achar que não tinha necessidade de compartilhar aquela informação.

- Então você mexe no meu celular enquanto eu durmo? - o mais novo perguntou, como se aquilo fosse o mais importante de tudo o que tinha falado. - E não era melhor ele vir falar comigo ao invés de fazer as coisas às escondidas?
- O irmão dela só queria protege-la, Dylan. Tenho certeza que se fosse a Julie no lugar da Samantha, você faria o mesmo - ele deu de ombros parecendo não gostar do rumo que tomava aquela conversa. - E eu só peguei o número da Samantha porque fiquei preocupada.
- Desculpa ter cogitado a ideia de que você estava com o Austin, filha, mas como você não estava com o , ele foi à única pessoa que me veio em mente - Vick cortou o diálogo dos filhos, recebendo toda a atenção dos dois.
- E como você sabia que eu não estava com o ?
- Ele veio aqui ontem à noite, perguntou por você e eu disse que não estava. Falei que você saiu porque tinha um compromisso e ele foi embora logo em seguida - assentiu com a cabeça, tentando entender o motivo de ter ido até a sua casa. - Espero que esse te faça muito feliz.
- Ele já está fazendo, mãe - saiu de seus pensamentos apenas para responder.

Aproveitando aquele momento de conversa, também contou para os dois que Austin foi até o seu trabalho para conversar com ela. Não gostava de falar sobre os assuntos que diziam respeito ao seu ex-namorado, mas preferia abrir o jogo para que Victória e Dylan descartasse de uma vez por todas a ideia de que, em algum momento, ela poderia se encontrar novamente com o jogador.
Quando deu o seu horário, foi para o trabalho, dirigia pelas ruas enquanto tamborilava os próprios dedos no volante, no ritmo da música que tocava. não deixou de pensar em qual poderia ser o motivo da visita de na noite anterior, ainda mais sem aviso prévio. Concluiu que devia ser algo muito importante, caso contrário, o seu amigo teria ligado ou esperado o dia seguinte para conversar com ela. Mesmo preocupada e querendo descobrir o real motivo que levaria a procura-la, não escondia o seu semblante alegre e o sorriso que teimava em ficar em seus lábios, tudo isso graças a noite que ela teve ao lado de .
Foi direto para a sua sala assim que chegou à loja, a curiosidade era enorme e ela queria conversar com antes de começar o seu trabalho, independente do que ele quisesse falar com ela. Estranhou não ter encontrado assim que entrou na sala que dividia com ele e achou mais estranho ainda ver o horário passar e nada do seu companheiro de trabalho aparecer. Tentou ligar, mas ele também não atendeu, deixando-a mais preocupada. mandou uma mensagem para Hope pedindo que ela fosse até a sua sala assim que possível, esperava que amiga soubesse de alguma coisa sobre . Não demorou muito para que Hope aparecesse, entrando em sua sala sem bater na porta.

- Bom dia, , precisa de algo? - perguntou ao se sentar em frente à mesa da amiga.
- Bom dia! Sabe por que o não veio trabalhar hoje? Já liguei, mas ele não me atende - não conseguiu esconder a sua preocupação em seu tom de voz.
- Eu ouvi algumas pessoas comentando que ele tirou o resto da semana de folga.

Ao ouvir aquela resposta, lançou um olhar um tanto quanto confuso para a amiga. De fato ela esperava que Hope soubesse de algo, mas era como se o que ela acabara de ouvir não fizesse sentindo. sequer havia comentado que tinha interesse em pegar alguns dias de folga, alguma coisa devia ter acontecido para fazer o rapaz mudar de ideia.

- Folga? - quis confirmar e viu Hope assentir. - Ele foi à minha casa ontem a noite, mas eu não estava, confesso que estou preocupada.
- Também achei estranho, mas talvez ele só quisesse descansar um pouco - deduziu e viu concordar. - Talvez ele tenha ido a sua casa apenas para te avisar.

concordou novamente embora ainda achasse tudo aquilo muito estranho, já que poderia muito bem ter ligado ou pelo menos mandado uma mensagem, não fazia sentido algum aquele sumiço. Ao ver Hope se levantar pronta para voltar ao trabalho, se lembrou de algo que ainda precisar perguntar para a amiga.

- Hope? - chamou e ela olhou em sua direção. - Por que naquele dia você disse que o me trouxe flores se você sabia que eram para a mãe dele?

Hope olhou para , como se fosse óbvia a resposta daquela pergunta. Precisou de apenas alguns segundos para se sentar novamente onde estava antes e responder a amiga, que aguardava ansiosamente por sua resposta.

- Eu achei que era uma desculpa dele para não me contar a verdade. Porque se ele me dissesse que compraria algo pra você, eu também não ia conseguir guardar segredo - respondeu com naturalidade, como se já esperasse que amiga fosse questiona-la. - E eu só te contei pra você não criar expectativas.
- Acho que você fez o certo - pensou alto ao responder. - Conversamos ontem e eu achei melhor sermos apenas bons amigos, sem nenhum outro benefício - explicou brevemente para amiga sobre os últimos acontecimentos.
- Eu não te avisei? - perguntou e viu rir sem humor como resposta. - Eu só queria que você me escutasse de vez em quando, às vezes é difícil demais cumprir o meu papel de melhor amiga.

Antes mesmo que pudesse responder, o telefone de Hope tocou informando que estavam esperando por ela lá embaixo. Despediu-se da amiga com um aceno antes de se retirar, deixando na companhia do seu trabalho e de seus pensamentos. No restante do dia não teve mais tempo para conversar com Hope, teve a impressão de que a amiga estava chateada ao falar aquela última frase que finalizou a conversa das duas. também queria compartilhar as novidades sobre com a amiga.
Durante o seu expediente, tentou ligar para outras vezes e até deixou uma mensagem, mas também não teve nenhuma resposta. No final do dia foi direto para a sua casa, Hope sempre ia embora com a amiga mas naquele ela já não estava mais na loja quando saiu. Chegou em casa e encontrou apenas a sua mãe, trocou algumas palavras com a mais velha antes de entrar no banho. Assim que voltou para o quarto, seu telefone começou a tocar, sorriu ao imaginar que talvez fosse retornando as suas ligações. Embora não fosse o nome de que piscava na tela, o sorriso de permaneceu em seus lábios ao ver que era quem estava ligando para ela. Era cedo demais pra dizer que ela já estava com saudades?


Capítulo 35

Ele

O escritório onde trabalhava estava uma loucura, e como havia faltado no dia anterior, ele não teve sequer um minuto para descansar. Mas aquela era uma correria que gostava, com a cabeça cheia de trabalho ele não tinha tempo para pensar em outra coisa. Chegando em sua casa, ligou para , enquanto acabava com o que sobrou da segunda garrafa de vinho que eles abriram quando estavam juntos, ficaram conversando por alguns minutos, cada um contando sobre o seu dia de trabalho. não demorou muito para finalizar a chamada, tomou o seu banho, fez a sua refeição e foi dormir para descansar do dia cansativo que teve.
No dia seguinte o trabalho estava mais tranquilo, até conseguiu almoçar com o seu pai, aproveitando o tempo juntos para conversarem sobre a vida. Josh contara que havia conversado com Lauren sobre o divórcio, já que pediu que ele cuidasse disso, mas que ela ainda tinha esperanças de reatar o casamento.

- Eu não vou voltar com ela, pai - afirmou depois de beber um gole de seu suco, desejava que aquela fosse uma bebida que continha álcool, mas ele poderia esperar e matar a sua vontade quando chegasse em seu apartamento.
- Sei disso, filho, por isso estou conversando com ela com calma para podermos entrar em um consenso e agilizar o processo.

Ele concordou ao ouvir o mais velho, não precisava de detalhes, afinal, também era advogado e sabia perfeitamente como tudo funcionava. Mesmo se Lauren dificultasse a situação, a única coisa que mudaria seria apenas o tempo que levaria para que os dois assinassem os papéis do divorcio, nada disso faria com que mudasse de ideia.

- Só quero resolver tudo da melhor forma possível, a Lauren saiu do apartamento por vontade própria, pai, eu jamais a expulsaria de lá. Eu não quero prejudica-la e pouco me importo com os bens, à única coisa que eu quero é esquecer que um dia eu já estive casado com ela - a sua fala era um desabafo e viu o seu pai assentir depois de ouvi-lo.

Mudaram de assunto enquanto finalizavam o almoço juntos. Apesar de ter muita intimidade com Josh, achou melhor não comentar nada sobre , já que tudo era recente demais. Também não queria que o seu pai pensasse que ele estava usando alguém apenas para esquecer Lauren, ele mesmo jamais cogitaria aquela possibilidade. não estava com para esquecer a ex-mulher, mas ele não podia negar que quando estava ao lado dela os seus problemas pareciam desaparecer, e Lauren era o maior deles. Foi por esse motivo que preferiu abrir o jogo com e contar toda a verdade pra ela. Se os dois estavam de acordo com aquela situação, não tinha com o que ele se preocupar.
O restante do seu dia não teve muitas surpresas e ele finalizou a noite junto com o seu copo de Whisky, colocou uma música para tocar enquanto usufruía da sua própria companhia. Por ser uma pessoa mais reservada, nunca foi um homem com muitos amigos, talvez esse tenha sido um dos motivos que fez com que ele se casasse tão cedo. Sempre preferiu ter apenas alguém especial ao lado a estar em algum lugar rodeado de pessoas. Aos poucos isso foi mudando com o tempo, sair à noite passou a ser uma diversão a mais já que em todos esses lugares o que não faltava eram bebidas, às vezes era depressivo demais beber em casa. Mas ainda assim se considerava um homem caseiro, fazia anos que ele sempre frequentava a mesma balada apenas por gostar daquele ambiente, embora o principal motivo que sempre o fazia sair de casa era o bar que existia no lugar onde ele visitava.

Na sexta-feira também não teve muitas surpresas em seu trabalho, ainda no período da manhã ele ligou para e a convidou para sair. Assim que ela aceitou o convite eles combinaram o encontro e não se falaram mais durante o dia. No horário em que eles haviam combinado já estava em frente ao prédio de aguardando, não demorou muito para que ela descesse.

- Oi! - Ela sorriu em cumprimento assim que entrou no carro.

estava linda, como na última vez em que eles se encontraram. encarou a mulher sentada ao seu lado, observando os seus traços como se desejasse memoriza-los. Alguns segundos depois ele sorriu em resposta, antes de se aproximar e depositar um selinho em seus lábios. Teria se afastado logo em seguida se o perfume que ela usava naquela noite não tivesse preenchido o ambiente, obrigando a se aproximar do pescoço dela para sentir aquele cheiro mais de perto, ao mesmo tempo em que depositava beijos naquela parte sensível do corpo de .
Percebeu que a respiração dela mudou conforme ele acariciava aquela região com os lábios, a mão de percorreu o braço de que estava mais próximo dela, fazendo um caminho pelo corpo dele até chegar em seus cabelos. Segurou perto dos fios com delicadeza, apenas para que levantasse o rosto e olhasse em sua direção. mordeu o próprio lábio inferior quando os olhares se cruzaram, foi o necessário para que pudesse colar aqueles lábios com os seus mais uma vez.

- Boa noite, – cumprimentou em meio a um sorriso, apenas quando ambos precisaram de ar e tiveram que se afastar. - Espero que goste do restaurante que escolhi.
- Não tenho dúvidas de que irei gostar - respondeu com sorriso e direcionou os seus dedos para fazer um carinho na barba de .

Em resposta, depositou um beijo carinhoso no rosto dela antes de começar a dirigir até o local. No percurso os dois conversaram sobre o dia que tiveram e quando perceberam, já haviam chegado ao destino. O restaurante era aconchegante e sofisticado, ficava em um terraço e as paredes de vidro presenteavam os clientes com uma vista espetacular da cidade. Enquanto o casal era direcionado até mesa reservada para os dois, observava aquele lugar, boquiaberta e sem soltar a mão de que ela segurava.

- Acho que esse é o restaurante mais lindo que eu já conheci - comentou quando estava a sós com na mesa, olhando as luzes da cidade abaixo.
- Que bom que você gostou! - sorriu para ela que retribuiu. - Estava doido para voltar aqui, mas estava esperando um dia ou uma companhia especial.

Um garçom apareceu servindo um vinho para os dois e deixando o cardápio na mesa, eles permaneceram em silêncio até que o rapaz terminasse de servi-los. quebrou o silêncio para agradecer, voltando a sua atenção para logo em seguida.

- Hoje é um dia especial, por isso você me trouxe aqui? - quis saber enquanto olhava para ele com admiração.
- Na verdade eu escolhi o lugar apenas porque você seria a minha companhia, com isso automaticamente o meu dia se tornou especial - ele respondeu e pôde assistir sorrir pelo que ela havia acabado de ouvir. - Um brinde a nós e a tudo o que está por vir - levantou a sua taça e foi acompanhado por ela.

Brindaram selando aquele momento e tudo o que estava para acontecer, não podia estar mais feliz e também não estava muito diferente dele. Não demorou muito até que o casal fizesse os seus pedidos, se surpreendia com cada detalhe daquele lugar, da decoração até o prato que escolheu para os dois.
A noite estava tão perfeita que desejava apenas que ela não acabasse tão cedo, fez o convite para que dormisse em sua casa novamente e ela não pensou muito antes de aceitar. No caminho até o apartamento de , o casal conversava sobre o jantar, ainda estava surpresa com a beleza daquele restaurante, não deixou de dizer para o quanto se sentiu especial naquela noite e ele não tinha nenhum problema em afirmar que ela não deveria se sentir de outra forma.
Os dois andaram abraçados até o elevador, trocando sorrisos cúmplices entre si. fez uma brincadeira sobre o preço do vinho que eles beberam naquele jantar, fazendo gargalhar enquanto tentava abrir a porta só com uma mão, já que ele abraçava com a outra. questionou internamente se havia deixado à porta destrancada, já que não teve nenhuma dificuldade em abri-la. Ele pausou os seus movimentos assim que os seus olhos avistaram a parte interna do seu apartamento, ainda ria contra o seu peito e parou apenas quando notou que ele não a acompanhava. Olhou para frente tentando entender o que havia acontecido e logo depois ela direcionou o seu olhar para , que precisou de apenas um segundo para quebrar o silêncio.

- Lauren, o que você está fazendo aqui? - perguntou, firmando a sua mão na cintura de quando ela fez a menção de se afastar.
- Quem é ela? - Lauren ignorou a pergunta anterior ao se levantar e observar ao lado do seu ex-marido.

Por estar com o corpo colado no dela, conseguiu sentir o quanto estava tensa, não precisava de uma explicação para que ela pudesse entender o que estava acontecendo ali. a olhou como se, silenciosamente, ele estivesse pedindo desculpas por aquele momento, antes mesmo de falar alguma coisa para Lauren que sequer tentava esconder a sua raiva e nervosismo.

- Acho melhor eu ir embora, - deduziu e sentiu o olhar furioso de Lauren sobre ela assim que pronunciou o apelido dele.
- Não é você quem tem que sair daqui, - negou com a cabeça antes de olhar em direção a Lauren. - Vai embora daqui, Lauren. Eu não disse que não quero mais te ver? É pedir demais que você me deixe em paz?

Uma lágrima desceu pela face de Lauren, que sequer tentou esconder a situação em que ela se encontrava. Suas mãos passeavam pelo seu cabelo, quase que de forma agressiva, enquanto ela andava de um lado para outro, em frente ao casal que estava parado em sua frente.

- Você já está com outra, ? - entre as lágrimas Lauren conseguiu perguntar, parando seus passos e ficando mais próxima dos dois. - Acabamos de terminar, não acredito que você fez isso comigo.
- Como você ainda tem a coragem de me questionar? - ele gritou, perdendo a paciência que o mantinha parado ali em respeito a . - Você me traiu, foi você quem destruiu o nosso casamento. E agora você invade a minha casa e acha que eu te devo explicações? Você só pode estar de brincadeira comigo.
- Você não sabe o que está falando e ainda não me respondeu quem é essa mulher que está com você - Lauren também se alterou enquanto , mesmo sendo citada na conversa, ficava imóvel no meio daquela situação.
- Não tenho mais nada pra falar com você, a única pendência que temos é o divórcio e sobre isso você pode falar com o meu pai. Agora saia da minha casa e não volte aqui nunca mais, Lauren - exigiu, soltando apenas naquele momento para que eles pudessem se afastar da porta, deixando um espaço entre eles o suficiente para que Lauren pudesse passar. - E já que quer tanto saber, essa é a - disse enquanto puxava em sua direção e a abraçava por trás. - Sabe Lauren, se você não tivesse transformado a minha vida em um inferno, eu até te agradeceria pelo o que você fez. Graças a sua falta de caráter eu tive a chance de conhecer essa mulher incrível que está ao meu lado agora.

Lauren tentou falar só que nenhuma palavra saiu de sua boca, a expressão de choque tomava conta do seu rosto depois de ouvir tudo o que ele havia lhe dito. Ela pegou a bolsa que estava jogada no sofá e andou até a porta, pensou por um momento e pausou os seus passos, ficando de frente para os dois.

- Não duvido que ela faça o mesmo que eu quando conhecer de verdade o alcoólatra que está com ela - cuspiu as palavras na cara de antes de direcionar a sua fala para . - Eu no seu lugar não me contentaria com tão pouco, , está na cara que ele só está te usando para me esquecer. Embora eu acredite que não esteja funcionando, se for levar em consideração o que acabou de acontecer aqui - finalizou a sua fala e fechou a porta atrás de si, sem esperar por uma resposta de qualquer um dos dois.


Capítulo 36

Ela

Enquanto observava a quantidade de papéis em sua mesa, segurava o rosto entre as mãos ao mesmo tempo em que pensava por onde ela devia começar. Ela estava fazendo sozinha todo o trabalho que sempre dividiu com , naquele momento apenas desejou que o amigo estivesse ali para ajuda-la. Ela havia recebido uma mensagem dele na madrugada, mas que ela só visualizou ao acordar, se desculpou pelo sumiço, disse que estava resolvendo algumas coisas e que ligaria pra assim que possível. respondeu dizendo que ficou preocupada com o sumiço do amigo, mas não obteve mais respostas do rapaz. Não teve tempo de conversar com Hope, já que não tinha parado um minuto sequer, encontrou a amiga apenas na hora de ir embora. Ao mesmo tempo em que dirigia em direção à casa de Hope, compartilhava com a amiga os últimos acontecimentos entre ela e , apesar de não gostar de alguns comentários que Hope fazia sobre a sua vida, não queria esconder nada da amiga.

- Espero que dê tudo certo - Hope confessou após ouvir a amiga, como o carro estava parado devido ao trânsito, não teve problema em olhar assustada para ela, pelo o que Hope havia acabado de falar.
- Agora eu estou surpresa - disse enquanto voltava a sua atenção para o volante. - Esperava que você fosse me julgar por estar me envolvendo com outro homem.

Já estava tão acostumada com os comentários negativos de Hope, que ao ouvir a amiga falar daquela forma, não conseguiu esconder a sua surpresa. Não era como se ela preferisse as críticas, mas Hope sempre foi mais racional, sempre olhava para um lado que quase sempre não enxergava, ou não queria ver.

- Credo, como você é chata, não posso falar nada que você reclama - Hope revirou os olhos como se tivesse sido difícil para ela dizer aquelas palavras.
- Desculpa, é que eu já estou acostumada com as suas críticas - Riu porém Hope não a acompanhou. - Mas vai dar tudo certo sim.
- É a chance de você esquecer o e aquele que não deve ser nomeado - não citou o segundo nome, mas sabia perfeitamente de quem ela estava falando.
- O eu não vou esquecer - disse com convicção. - Ele é muito especial pra mim, Hope, por isso eu achei melhor sermos apenas amigos antes que aconteça algo que possa atrapalhar a nossa amizade. Quanto ao Austin, espero que ele não me procure novamente, não temos mais nada para conversar.

Hope apenas assentiu em resposta, sem tempo para continuar a conversa já que havia parado em frente a sua residência. As duas se despediram com um abraço antes de Hope descer do carro e continuar o seu percurso. Durante a noite aproveitou que Julie estava em sua casa para matar a saudade da sobrinha, a presença da criança deixava aquela família mais alegre.
O dia seguinte ficou mais interessante depois que ligou para e a convidou para sair. As horas pareceram passar mais rápido depois daquele convite e, quando percebeu, ela já estava no restaurante na companhia do rapaz. Tinha a sensação de que se os dois ficassem um dia inteiro conversando, não faltaria assunto entre eles. Quando finalizaram o jantar e convidou para ir até o seu apartamento, ela aceitou de imediato. Aproveitou para mandar uma mensagem para a sua mãe durante o trajeto, avisando que dormiria com novamente, não queria correr o risco de se esquecer como da outra vez.
O plano de era se entregar novamente a , exatamente como na última noite que eles estiveram juntos. Estava ansiosa para sentir o toque dele em seu corpo, para estar nos braços do rapaz e matar a saudade que ela sentia, apesar do pouco tempo. Mas, chegar ao apartamento e dar de cara com a ex-mulher de , fez com que os seus planos perdessem todo o sentindo.

- Eu ainda acho que é melhor eu ir embora - quebrou o silêncio que permanecia desde a saída de Lauren. - Não tem mais clima para passarmos a noite juntos.

Assim que a ex-mulher de saiu, permaneceu parada no lugar onde estava enquanto ele se jogava no sofá, segurando a cabeça entre as mãos, provavelmente pensando em tudo o que tinha acabado de acontecer. sabia que a ausência de palavras não significava que ele havia se esquecido da sua presença, provavelmente apenas não sabia como iniciar aquela conversa. No fundo entendia e compreendia a situação em que ele se encontrava, foi por isso que ela quebrou o silêncio e cogitou a ideia de ir embora, talvez precisasse ficar um pouco sozinho.

- Desculpe por isso, , eu não imaginei que a Lauren pudesse aparecer aqui - pediu segundos depois, o seu olhar perdido se encontrou com o dela. - E não precisa ir embora, não vou permitir que ela acabe com a nossa noite que, até então, estava perfeita antes dela aparecer.
- Mas talvez você precise ficar um tempo sozinho, eu vou entender.

Antes mesmo de responder alguma coisa, respirou fundo e andou em direção onde estava, já que ela permanecia perto da porta. Ele ficou de frente para , os olhares se encontrando novamente, as respirações um do outro podiam ser sentidas devido a proximidade. Sem perder o contato visual, juntou as suas mãos com as delas. Apenas o toque já dizia muito, reforçava a ideia de que tudo parecia ser mais fácil quando eles estavam juntos.

- Você pode dormir aqui mesmo que não aconteça nada entre a gente. É difícil te olhar e não pensar em te tocar, mas quero que você esteja por perto mesmo se isso não acontecer.
- ...
- Eu não menti sobre o que eu falei agora a pouco - interrompeu para se explicar, como se conseguisse ler o que estava passando pela mente dela. - Você foi à única coisa boa que me aconteceu depois que a Lauren me traiu.

Em um outro momento teria se alegrado ao ouvir aquelas palavras, afinal, também era a parte boa dos últimos acontecimentos em sua vida. Mas por saber que o término dos dois era recente e encontrar com Lauren no apartamento dele, não deixou de pensar que talvez ela estivesse fazendo bem a apenas por estar preenchendo um vazio que a sua ex-mulher deixou.

- Eu não entrei na sua vida com a intenção de ocupar o lugar dela, - disse e soltou o ar que segurava, sem se dar conta disso anteriormente. Andou em direção ao sofá onde se sentou e em seguida ela assistiu ocupar o lugar ao lado.
- E eu não quero que você ocupe, - afirmou enquanto se aproximava. - E eu nem disse tudo aquilo com a intenção de feri-la ou de mostrar a Lauren que eu estou bem sem ela. Eu ainda estou destruído por dentro, mas já tenho certeza do que eu quero na minha vida e a Lauren não está inclusa nisso. Eu só não vou mais privar as minhas vontades, eu não estou desrespeitando ninguém ao tentar ser feliz de novo. Você acredita em mim?

Ao ouvir aquela pergunta e sentir as mãos de em seu rosto, fazendo com que ela o olhasse ao mesmo tempo em que ele distribuía carinhos naquela região, sentiu como se todas as suas dúvidas estivessem desaparecido de seus pensamentos. foi sincero na conversa que tiveram na outra noite em que eles ficaram juntos, ele apenas estava tentando seguir em frente e, embora os motivos não fossem os mesmos, estava fazendo a mesma coisa.
Não achava certo, mas entendia o fato de Lauren ter usado a sua presença para insinuar algo negativo, e até mesmo insultar o chamando de alcoólatra. Em todas as vezes que eles se encontraram bebeu como qualquer outra pessoa, só viu o advogado passar dos limites no dia em que ela o conheceu e, ao descobrir os motivos, conseguia entender perfeitamente porque ele havia exagerado. Naquela noite, Lauren devia ter ido até o apartamento com a intenção de tentar reconquistar o marido, mas ao entender que ele estava vivendo a sua vida sem ela, achou melhor machucar com as suas palavras tanto ele quanto quem estava ao seu lado.

- Eu acredito em você, – segundos depois ela respondeu com um sorriso nascendo em seus lábios, que logo em seguida estavam juntos com os de , depois que tudo pareceu fazer sentindo em sua mente.




Continua...



Nota da autora: Amores, espero que tenham gostado da atualização. Não deixem de comentar o que acharam, o feedback de vocês é muito importante! WhatsApp



Nota de Beta: Se eu amei essa compreensão e maturidade dos dois?? Com toda certeza do mundo. Fico bem feliz que eles se acertaram e estão deixando o passado no passado (aleluia, irmãos, rsrs). Mas estou super curiosa pra saber o que o Ben anda fazendo por aí na vida... Ansiosa pra saber o que vempor aí.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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