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Última atualização: 28/08/2020

Prólogo

O olhar da mulher se ergueu ao receber o Martini e ofereceu um sorriso amarelo ao garçom. Ao olhar ao redor, ela notou o pub vazio, e a única alma vagante naquele local além da dela e dos funcionários, era a de um jovem rapaz que se direcionou rapidamente ao balcão e ocupou uma cadeira longe dela, fazendo um pedido ao barman de um whisky duplo e sem gelo.
Aparentemente todo mundo estava em um péssimo dia, a mulher pensou e riu de si mesma, atraindo a atenção do estranho, para o qual ela ergueu o copo em um brinde silencioso, bebendo todo o conteúdo em um só gole.
A mulher chamava atenção por si só, tanto pela beleza escultural, quanto por exalar classe em cada movimento que fazia. O cabelo negro malmente alcançava seus ombros, mas emolduravam o rosto fino com perfeição. Seus olhos grandes e redondos faziam uma combinação modesta com a boca larga e carnuda que estava com vestígios de um batom nude que uma vez estivera ali. Seu corpo estava coberto por um vestido vinho que chegava até seus joelhos, enquanto seu decote ressaltava seus seios avantajados de uma forma não vulgar. O jovem pode observar tudo no rosto dela em poucos detalhes por conta da distancia, então resolveu se aproximar.
Afinal, qual o problema de flertar um pouco com uma estranha no bar em uma plena quarta-feira?
— Esse lugar está ocupado? — perguntou com o sotaque inglês carregado e a mulher pode parar para aprecia-lo.
Os olhos verdes e o sorriso com covinhas já fizeram com que a mulher derretesse no lugar. Ela nunca teve oportunidade de escolher com quem ficava, mas aquele rapaz era definitivamente o seu tipo. O cabelo levemente encaracolado e puxado para cima, davam um ar mais velho que ele certamente não teria. O terno puxado nos braços revelavam as tatuagens distribuídas e os músculos se forçavam contra o tecido fino. E o sotaque, meu Deus!
— Está se você não me perguntar se eu venho aqui sempre. — disse e riu, puxando seu casaco de cima da cadeira e dando oportunidade para que o rapaz sentasse.
— Prometo que não vou. Dia ruim? — perguntou calmo, dando outro gole no whisky antes de ocupar o lugar ao lado da mulher.
— Vida ruim. — reclamou e sorriu amarelo, estendendo a mão para cumprimentar o rapaz. — Meu nome é .
— Prazer, . Eu sou . — respondeu e depositou um beijo na mão da estranha, que riu fraco.
— Vamos brincar, . — disse a mulher ao ver os funcionários se dispersando, restando apenas um barman que conversava com um homem mais velho o qual a placa determinava gerente. — Sinuca. — completou por fim, direcionando o olhar para a mesa posicionada ao lado dos bancos.
— E o que seria proposto para que isso ficasse mais interessante? — perguntou adotando um tom sexual para a conversa.
— Eu farei uma pergunta a cada tacada, ou você responde, ou pode tirar uma peça de roupa. — adicionou e o rapaz riu nasalado, negando e se levantando, indo em direção ao fim do balcão e entregando um maço de dinheiro ao dito gerente, que não pestanejou em aceitar o pedido de deixa-los a sós ao pousar seus olhos no que lhe seria entregue.
O rapaz logo voltou, a pose imponente inebriando o seu andar. Se esticou e retirou uma garrafa de vodka que estava na arte de trás do balcão.
— Desafio aceito, .
Os dois seguiram para a mesa de sinuca com sorrisos nos rostos, e que comecem os jogos.
Perguntas diversas foram feitas, começando pelas que não tinham nenhuma conotação sexual. descobriu que era um jovem de vinte e seis anos, tendo seu diploma de mestre em gestão diretamente da London Business School. Havia se mudado da Inglaterra há pouco mais de uma semana, e a discussão que tivera com o pai há algumas horas foi o pivô que o trouxe para o bar.
, ficou sabendo que era formada em gestão de empresas e tinha um diploma em jornalismo, nascida e criada na Carolina do Norte, mas nunca se viu como uma mulher da costa oeste. Havia se mudado para Manhattan há dez anos, motivada pela sua avó, e era colunista chefe da revista INC Magazine*.
Alguns shots mais tarde, estava de calcinha e sutiã e seu salto alto, enquanto estava sem camisa e descalço, mas com a a calça do terno ainda no corpo.
Os dois tinham os olhos brilhando em desejo.
podia sentir sua calça apertada enquanto seu pau latejava contra o tecido, e apertava suas pernas uma na outra em uma tentativa falha de esvair o desconforto que sua intimidade pulsante e molhada traziam, mas ambos seguiam firmes no jogo.
— Por quê você veio encher a cara em plena quarta-feira? — perguntou pela terceira vez e arrancou uma revirada de olhos da mulher.
, eu disse que pergunta repetida não valia! — disse tentando deixar a expressão séria mas estava em um ponto que o álcool deixava tudo mais engraçado, então acabou dando risada.
— É, mas você inventou essa regra depois que começamos a jogar. É proibido. — protestou.
— Quem disse isso? — perguntou agarrando a garrafa de vodka e dando um longo gole.
— Eu disse, bebum, e então? Vai tirar a roupa ou vai responder? — perguntou e riu da careta que ela fez ao engolir a bebida.
— OK! — se rendeu e foi até o rapaz, se sentando em cima da mesa ao chegar ao lado dele, constatando que estava um pouco alterada para conseguir acertar alguma tacada. — Meu casamento é daqui a dois dias. —disparou erguendo a mão e balançando o dedo com o anel de brilhantes.
Os dois se encararam por alguns minutos e ela esperou pacientemente o cérebro bêbado do rapaz processar a ideia. Também esperou de forma calma o julgamento, um “o que você está fazendo flertando comigo?” e até mesmo um “vagabunda” mas esses não vieram.
— Uhhh... — assoviou o rapaz, caindo na gargalhada em seguida, fazendo-a sorrir aliviada. — Você ainda pode me ligar sempre que quiser.
riu e se deitou na mesa, vendo o rapaz fazer o mesmo que ela.
— Era disso que você estava com medo? — perguntou ele, colocando o braço para apoiar a cabeça e puxando-a para deitar no peito dele, coisa que ela fez de bom grado.
— Não. Só estou cansada desse assunto. — disse sincera, começando a circular as tatuagens na barriga do jovem com as pontas dos dedos.
— Você não quer mais casar? — perguntou curioso.
— Eu nunca quis.
— E então por que está fazendo?
— Eu tenho uma mãe que não pensa muito por esse lado. Imagine só o quão bom é para a colunista chefe de uma revista de business ser casada com um empresário, dono de um império e famoso no rumo dos negócios? — perguntou sarcástica, rolando os olhos de forma bêbada.
— Então o plano é casar e dar um golpe no velho? — perguntou rindo e ela negou, sentindo o peito dele vibrar.
— Não, o plano é casar e esperar a velha da minha mãe me deixar em paz, pedir o divórcio e continuar minha vida normalmente. — corrigiu.
— Eu sinto muito. — disse sincero e ela sorriu ao ver a pelugem da barriga dele se arrepiar quando traçou a tatuagem abaixo do umbigo, que tinha o desenho de duas folhas da coroa de louros.
— É, eu também. — encerrou e levantou o rosto, distribuindo beijos pelo maxilar rijo e marcado do mais novo, na tentativa de mudar de assunto.
O que funcionou, já que enquanto ela descia os beijos pelo pescoço de , o rapaz não se demorou a segura-la pelas coxas, colocando-a sentada em cima do seu volume, fazendo com que ambos suspirassem. rapidamente começou a rebolar, friccionando sua intimidade latejante. Ao levantar o rosto para finalmente beija-lo, o som de passos se fez audível.
— Achei que tivesse mandado ficarem fora por duas horas! — exclamou baixo, parando de se mover.
— Eu mandei! Mas que caralho! — exclamou bufando e a mulher saiu do seu colo, voltando a sentar na mesa e erguendo o olhar.
Para a surpresa de ambos, não era o gerente ou o resto dos convidados.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou ao olhar para o homem que adentrou o espaço em passadas largas, e que nada falou, apenas se aproximou dela, pegando-a no colo e tirando-a de cima da mesa. — O que você está fazendo?
— Te levando para casa, , o que parece? — resmungou e colocou a jaqueta de couro por cima dos ombros da garota.
— Por quê? Eu estava me divertindo. — perguntou indignada, prologando o final da palavra em um tom bêbado.
— Que caralho você está fazendo? — perguntou , se levantando da mesa, pronto para acertar um soco no rosto do rapaz, mas foi parado pela mulher, que se colocou entre os dois balbuciando um pequeno tudo bem.
— Talvez porque você está em um bar no Upper East Side em plena quarta-feira? Ou porquê você estava prestes a trepar em cima de uma mesa de sinuca com um cara que aparenta ter a metade da sua idade? — perguntou irônico enquanto juntava a roupa dela jogada pelo chão, ignorando . — Ou será porque daqui a dois dias é a porra do seu casamento e você já faltou em duas provas de vestido de noiva? Tantas opções, . Deixo você escolher uma.
— Cara, olha o jeito que você tá falando com ela! — reclamou, voltando a se aproximar.
— Vamos embora, Tyler. — a mulher voltou a se pronunciar com os olhos marejados, se virando para dar um beijo no rosto de .
— Você vai ficar bem? — perguntou o rapaz, segurando na mão dela, que sorriu triste e assentiu. — Posso acompanhar você se não quiser ir sozinha com ele.
— Acho melhor não, mas obrigada. — agradeceu enquanto caminhava para perto de Tyler.
— Boa sorte com o casamento. — desejou sincero e ela assentiu em forma de agradecimento.
— Adeus, . — se despediu de longe.
esfregou o rosto e puxou o cabelo para trás em forma de nervosismo. Seus dedos abotoaram a blusa e logo fez o mesmo caminho que antes fora feito pela mulher que estava tão presente nos seus pensamentos.
A pergunta que rondava a cabeça de e era a mesma; seria essa a última vez que os caminhos dos dois se encontrariam?



INC Magazine* = uma revista de negócios americana fundada em 1979.


Capítulo 1

Toda a elite de Manhattan estava ali presente e um dos mais ricos buffets era servido ao som de uma musica clássica. Os convidados transitavam pelo salão principal da mansão, no qual acontecia a festa após a cerimonia que havia sido realizada apenas no litigioso.
estava deslumbrante; o vestido de seda branco caia como uma luva pelas curvaturas do corpo da mais velha, em seu rosto estava uma maquiagem leve e discreta, juntamente com o batom nude, que acompanhava o tom do scarpin em seus pés.
Ao seu lado estava ele; Desmond . Seu império trazia um peso enorme para o seu sobrenome, o qual ele honrava cegamente. Seu terno Gucci era um sinônimo claro de riqueza e trazia um ar de respeito e imposição, e mesmo sendo um homem recatado e discreto, fez questão de oferecer uma festa a altura para a mais nova primeira dama do seu império.
Os jornalistas estavam eufóricos ao lado de fora da mansão, loucos por uma declaração oficial do que estava acontecendo, mas não foi nada difícil para localizar pelo canto do olho, um paparazzi infiltrado. Deixaria ele ficar, afinal, queria que todos soubessem que o posto de Mrs. havia sido tomado; não faria mal sair na capa de uma revista de fofoca ao lado do seu novo marido.
A festa estava acontecendo há algumas horas, e Des fazia questão de exibir para todos os convidados que cumprimentavam.
Uma mercadoria na vitrine, era como a mulher se sentia. Mas estava tudo bem, afinal, ela havia aceitado ser comprada.
Em um momento, o Mr. pediu licença e depositou um casto e singelo selinho nos lábios carnudos da mulher, alegando ir ao toillet, e a deixou sozinha; solidão aquela que não durou mais que alguns poucos minutos, já que Tyler logo se aproximou.
— Tenho más notícias. — o moreno avisou sério.
— Pelo amor de Deus, nem no meu casamento eu tenho paz. — reclamou, se virando de frente para o irmão. — O que minha mãe aprontou dessa vez?
— Por incrível que pareça, até agora nada. — contou e um olhar de alivio percorreu a feição da mulher. — O que está acontecendo é consequência da noite que você teve naquele barzinho.
O olhar de interrogação permanecia no olhar da mulher até que Tyler apontou para um rapaz de terno, que agora, caminhava na direção do pai, que se encontrava nas postas do escritório e pareceu surpreso ao ver o filho.
Era ele.
estava ali.
— O que ele está fazendo aqui? — perguntou enquanto sentia o ar faltar em seus pulmões.
Não. Ele não podia estragar tudo.
Não agora que estava tão perto de sua mãe deixa-la em paz.
Não, não, não!
— É pior do que você imagina. Ele é o filho do Des. — Tyler interrompeu os pensamentos da mulher, fazendo o possível para ser discreto com os comentários.
— O quê? Ele me disse que o nome dele era ! — grasnou em um sussurro. Todos no salão já tinham suas atenções voltadas para o rapaz e Des, que pareciam sentir vontade de se estapear bem ali, no meio de todos.
. Vinte e seis anos, filho de Desmond e Anne Cox, irmão de Gemma Anne . — informou para a mulher. — Se eu não tivesse chegado naquele bar, você teria trepado com o filho do seu marido.
Tyler conhecia o suficiente para saber que ela estava com um vontade enorme de gritar e espernear, mas ainda permanecia com um sorriso singelo no rosto, que soava mais como um sorriso de desespero.
— Mas ele só viria para Manhattan amanhã de manhã! — tentou.
— Aparentemente ele quis fazer uma surpresinha ao mais novo casal de pombinhos. — disse sorrindo e fazendo um pequeno brinde com a taça que estava parada na mão da mais velha. — Um brinde.
— Eu não acredito que isso está acontecendo. — a mulher murmurou ao ver Desmond segurar firmemente o braço do filho.
Ele estava lindo, não era novidade. Estava com um terno preto básico e uma blusa social branca, com os três primeiros botões abertos, dando visão a algumas de suas tatuagens.
Tatuagens aquelas que havia percorrido com a boca há dois dias atrás.
— Não quero te pressionar mas acho que você deveria ir lá e leva-los para o escritório. O que quer que seja não parece ser boas notícias, já que seu marido está com uma expressão de que vai esganar o pobre rapaz. — sussurrou para , que assentiu. — Um assassinato no casamento não é algo bom.
— Você está certo. Deus me ajude. — disse e terminou de tomar o seu champanhe em um só gole, entregando a taça vazia para Tyler e caminhando de encontro aos dois .
Distribuía sorrisos enquanto passava pelos convidados em uma tentativa falha de fingir normalidade, mas não funcionava já que a próxima coisa que se fez ouvida, foi um tapa estalado que Des depositou no filho.
adiantou os passos e chegou a tempo de impedir de descontar. A surpresa do rapaz foi tanta que ele se calou e abaixou a mão que estava erguida na direção do pai.
— Por favor, entrem no escritório, vocês estão fazendo uma cena na frente de todo mundo. — pediu em uma falsa calma, puxando o pulso dos dois para entrarem no gabinete que tinha ali.
Nenhum dos dois ousou relutar e aceitaram de bom grado. Ao fechar a porta do escritório, a musica clássica logo voltou a soar e suspirou mais calma, encostando a testa na porta.
Sabia que pai e filho estariam encarando-a, mas precisava colocar a sua maior faceta de atriz e fingir que estava tudo bem.
— Querido, eu sei que isso é um problema de família, mas... — começou assim que se virou para os dois, que arfavam em ódio, fazendo-a retrair um pouco a sua fala.
— É, é um problema de família, o que você esta fazendo aqui? — foi o primeiro a se pronunciar, voltando seu olhar para ela, que abaixou a cabeça após alguns segundos sem resposta. — Pelo amor de Deus, não vai me dizer que ela é a sua mulher...
— Olha o jeito que você fala com ela, garoto! Ela é a minha esposa, portanto, sim, ela faz parte da família. — Des se pronunciou, andando na direção de e abraçando-a pela cintura. — Você pode falar, baby.
— Não acho cabível vocês discutirem agora. É nosso casamento. — pediu calma enquanto olhava para o homem.
Sabia como desarmar alguém. Principalmente quando se tratava de Des.
Ele era um bom homem. Fazia tudo que queria e sempre a tratou como uma princesa. A mulher se sentia triste por não poder retribuir o sentimento, mas fazia o possível para fingir direito.
assistia a cena, desacreditado.
Havia passado as duas ultimas noites pensando na mulher incrível que conhecera. Pensando que nunca mais a veria de novo e, de repente, ela aparece e se torna a esposa de seu pai.
Seria cômico, caso não fosse trágico.
— Você tem que estar brincando comigo... — disse desacreditado.
Uma mulher linda e de caráter duvidoso havia flertado com ele descaradamente em uma noite, iria casar e havia praticamente dito que estava dando um golpe do baú em um velho rico. Dias depois ele descobre que o velho rico em questão era seu pai.
Uma cena de filme.
E aquela atriz parada em sua frente com um vestido que tirava qualquer um do sério, merecia um Oscar.
— Você está certa, querida. Me desculpe. — Des pediu dando um beijo nos lábios da garota, que não recusou o gesto, mas viu se virar de costas para não presenciar a cena. — , nosso assunto não acabou por aqui.
— O senhor pode apostar que não. — O homem mais novo retrucou.
— Você vem? — perguntou a , que assentiu.
— Me deixe só tentar falar com ele, nós acabamos de nos conhecer e já foi em meio a uma briga. Tentarei amenizar as coisas, sim? — perguntou terna e viu o marido concordar, saindo do escritório em seguida.
— Não pense que eu vou gostar de você só por ter feito ele calar a boca. Você mentiu para mim. — o homem se pronunciou ajeitando o paletó.
ignorou e seguiu para o lavabo que tinha. Era um escritório amplo, feito especialmente para Mr. , para que o empresário não precisasse sair do cômodo enquanto trabalhava;
A mulher pegou o kit de primeiros socorros e voltou para a sala, encontrando com um copo de whisky na mão e com seu corpo encostado a mesa. O anel que Des carregava em sua mão direita havia deixado um pequeno corte na maçã do rosto do rapaz devido ao tapa que havia sido depositado nela.
A mulher não hesitou em se aproximar, pegando um algodão e passando gentilmente pelo rosto do rapaz, enquanto sua outra mão segurava firmemente o maxilar marcado e rijo de .
— Eu não preciso da sua simpatia, . Muito pelo contrario, você precisa da minha. — disse com a voz calma, mas seus olhos castanhos transmitiam luxúria.
— E por quê eu precisaria? — perguntou com um olhar levado, e fez questão de pressionar o ferimento para causar um pequena ardência, parando apenas quando o homem segurou sua mão e afastou de perto de si.
— Porquê o seu pai faz tudo que eu quero, acho que deu para perceber. — disse sínica, limpando as mãos e indo em direção a porta para voltar para o salão de festas. Havia passado muito tempo ali, e queria evitar a tentação de ficar a sós no mesmo ambiente que o rapaz por muito tempo. — Então se você quer que ele saia do seu pé, é melhor já começar a me chamar de mamãe.


Capítulo 2

Primeiro dia casada com um . O anel de diamante pesava na mão de , mas não parecia incomodar, muito pelo contrário.
Ao seu lado, na mesa farta de café da manhã, estava Mrs. Abigail, a mãe de , acompanhada de Tyler. Do outro lado, de mãos dadas com a mulher, Desmond sorria de forma iluminada. O único que estava faltando era , que não demorou a aparecer, vestido por um terno preto, que deduzia ser Gucci, cruzando o jardim em passadas largas.
A família não era conhecida por ser uma família terna, que fazia refeições em conjunto, mas aparentemente aquilo estava destinado a mudar.
— Eu ainda acho que Des deveria tirar uma folga da empresa, pelo menos durante alguns dias. É a lua de mel, afinal. — Abigail propôs, dando a primeira garfada no mamão cortado em seu prato. — Bom dia, .
— Bom dia. — o mais jovem respondeu com o semblante fechado, e se sentando na mesa, ao lado de Des. Pai e filho usando terno e preparados para um bom dia de trabalho.
— Eu entendo a sua preocupação, Abigail, mas não tenho planos de me ausentar da empresa durante esse mês. Estou com um projeto que requer toda a minha atenção, e foi muito compreensiva comigo nesse aspecto. — Des cortou o assunto delicadamente, dando um pequeno sorriso para a senhora do outro lado da mesa, que assentiu prontamente.
— Claro, eu entendo. Mas vocês ainda estão no auge da idade, tem muito o que se aproveitar para se deixarem presos por uma empresa. — insistiu, fazendo com que segurasse o riso sarcástico.
— Mamãe, como já foi dito, nossa lua de mel não é algo que está aberto a discussão. — tentou.
Havia tido aquela mesma conversa com a mãe há alguns meses atrás, e mesmo assim a mulher ainda insistia. A teimosia já estava dando nos nervos.
— Eu sei, querida, não me leve a mal, não estou querendo entrar na vida íntima de vocês. — explicou. — O que quero dizer é que ainda podem ter mais um filho. Gravidez é algo magnifico na vida de uma mulher.
— Claro, concordo plenamente. É algo que devemos planejar mais para a frente, não é, baby? — Desmond perguntou terno, dando um pequeno e casto selinho nos lábios de , que sorriu.
Desmond era conhecido também por sua rigidez e por seu conservadorismo. Era um homem culto, de forma que qualquer coisa poderia facilmente se tornar vulgar a seus olhos. Seus funcionários tinham sempre o mesmo padrão; sem piercings e sem tatuagens que pudessem ser vistas, ternos impecáveis e cabelos presos. Era um exemplo para seus funcionários e queria manter a sua empresa também assim.
O homem não via seu filho há três anos, e com todas as confusões que aconteceram no dia do casamento, não havia tido tempo para assimilar as mudanças de , então era compreensível o seu choque ao ver seu filho se esticar por cima da mesa, na tentativa de alcançar a geleia de amora, e ter tantas tatuagens aparentes cobrindo a pele de seu braço.
— Desde quando você marca o seu corpo? — perguntou, segurando o braço do rapaz, que revirou os olhos.
— Dezoito. Se o senhor estivesse sido um pai presente, talvez soubesse a resposta. — disse sínico, retirando seu braço do aperto da mão de Des.
— Quantas são? — perguntou engolindo em seco.
se limitou a abaixar a cabeça. Deus, aquele era para ser um café da manhã leve, e de repente a comida começou a pesar no estomago.
— Parei de contar quando chegou na décima quinta. — falou casual, vendo o rosto de seu pai tomar um tom avermelhado.
— E sua mãe permitiu essa pouca vergonha? — perguntou, exaltando o tom de voz. — É ridículo!
— Ainda tem preconceito com tatuagens, pai? Achei que o senhor tinha superado isso, já que casou com . — alfinetou calmo, limpando a boca com o guardanapo, enquanto dirigia um olhar atrevido para , que parecia ter sido congelada no lugar.
Ela sabia o que ele iria falar. O frio na barriga de quando você está prestes a ser pego estava ali, mas ela conteve o impulso de levantar e agredir o rapaz ali mesmo, fazendo a maior expressão de confusão que sabia;
— Do que você está falando? — Des perguntou entredentes.
— A tatuagem dela. Talvez se eu tivesse feito uma no mesmo lugar, o senhor não reclamaria tanto. — apontou, se levantando da mesa, deixando o pai com uma expressão confusa. — Quer saber como eu sei? Pergunte a sua esposa.
Com um sorriso aberto, se esticou, pegando em uma uva e olhando para ;
— Bem vinda a família, . — desejou, dando uma piscadela para a mulher, que parecia que teria uma sincope a qualquer momento, mas se conteve, retribuindo o sorriso.
Des tentou levantar da mesa ao ver o filho se afastar mas foi contido pelas mãos delicadas de , em um pedido mudo para que deixasse para lá; aquilo era uma afronta.
Dylan sorria abertamente da coragem do rapaz; Abigail mantinha apenas uma sobrancelha erguida, olhando o tampo da mesa, pensativa, e permanecia estupefata enquanto espumava de raiva.
A provocação havia atingido em cheio onde queria, e aparentemente havia passado o recado; aquele jogo seria perigoso, mas ambos estavam dispostos a jogar e não ceder.
***

estava completamente exausto. Sabia que o dia seria cansativo, principalmente depois da briga que tivera mais cedo com o seu pai. O rapaz subiu as grandes escadas da casa, já desabotoando a blusa, fazendo um roteiro mental que seguiria para o seu quarto, tomaria um delicioso banho e depois, dormiria o sono dos deuses; esse era o plano, pelo menos.
Sabia que a intenção de seu pai, ao pedir para que voltasse a morar com ele, não era reaproximação, ou um novo contato de pai; mas sim, o interesse de que ele assumisse a empresa, e para isso, precisava ficar por perto para ser controlado por Des. Não odiava o progenitor; mas também não podia dizer que o amava. Era uma relação neutra, que se deu por um pai e marido ausente e que fazia negócios ilegais, e esse era um dos motivos pelo qual havia voltado; descobrir em quê o sobrenome estava metido.
Ao entrar no quarto que anteriormente era de visita, as luzes logo foram acesas, dando vista a um quarto moderno, de cor branca e com móveis escuros, criando um contraste clean no cômodo. Mas algo que chamou a atenção do mais novo, não foi a cama bagunçada, mas sim, quem estava entre os lençóis.
estava sentada no meio da cama, emaranhada nos lençóis brancos de seda, com um copo de whisky na mão. não sabia dizer o que era pior; a sua imaginação fluindo com a imagem da garota em sua cama, ou a camisola indecente que a mulher usava.
— Você demorou, querido. — saudou, se levantando e indo em direção ao rapaz, que continuou estupefato na porta, encarando-a com o cenho franzido.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou saindo do transe, e indo em direção a poltrona do quarto, depositando o seu terno e começando a abrir a camisa.
A mulher ignorou a pergunta e rumou até a porta, encostando-a, e virando-se de volta para . caminhou a passos largos até rapaz, que se voltou para a garota ao sentir o corpo dela pressionando o seu, enquanto as unhas afiadas e pintadas de vinho, perfuravam o pulso do mais novo.
— Que caralho você pensa que está fazendo? — perguntou entredentes.
— Nesse momento? Tirando a minha roupa para dormir. — respondeu sarcástico.
— Não brinque comigo, garoto. Eu quero saber que palhaçada foi aquela no café da manhã. — tentou novamente, fingindo uma falsa calma. — Você sabe como eu quase me fodi tentando justificar sobre como diabos o filho dele sabia que a nova madrasta, que ele conheceu ontem no casamento, tinha a porra de uma tatuagem na virilha?
— E você contou o quê? Que saiu para uma ultima noite de diversão e quase trepou com o filho dele? — contou rindo, afastando a mulher pelos ombros e continuando o processo de se desfazer da roupa.
— Que de manhã, antes do café, eu sai para dar um mergulho na piscina, o que não é de todo mentira, e você acabou vindo me cumprimentar. — listou categórica. — Eu não vou deixar você me ferrar, !
— Então caso alguém te veja, o que você dirá que está fazendo no quarto do seu enteado, — começou, se livrando da calça e olhando no relógio em seu pulso. — ás onze e trinta e sete da noite, sendo que ele está só de cueca? Meio antiético, não acha?
— Que caralho você está fazendo, ? — repetiu, encarando-o.
— Nada, madrasta. — ironizou.
— Você é só um garoto. Nunca te contaram o que acontece com quem brinca com fogo?! — perguntou retórica, segurando o maxilar marcado do rapaz, que agora estava a centímetros de distância.
Ambos arfando de raiva enquanto se encaravam; ela estava espumando porque ele estava se metendo nos planos dela, enquanto ele rosnava pro achar que ela sabia quem ele era três noites atrás. A tensão, sexual ou não, exalava pelo quarto, e os dois sabiam que não conseguiriam dormir depois daquela conversa.
— Vamos ver quem queima primeiro. — continuou com a provocação.
Estavam tão próximos, que podia sentir o cheiro do chiclete de hortelã que havia mascado a minutos atrás. O peito dos dois subiam e desciam no mesmo ritmo, quase encostando um no outro.
queria beija-la.
Sentia saudades dos lábios macios da mulher, mesmo sabendo que aquilo era completamente errado em níveis totalmente diferentes. E o pior era que a vontade era mutua. queria tornar real a fantasia que tivera com ele desde o primeiro dia, no bar, antes mesmo de saber que ele era filho do seu mais novo esposo.
De longe, mesmo absortos em pensamentos e desejos, os dois puderam ouvir a voz de Des chamar por , descendo as escadas em seguida. Foi o suficiente para que o choque de realidade atravessasse ambos, esmagando a consciência dos dois, fazendo com que se afastassem.
— Meu marido está me procurando. — limpou a garganta, virando o resto do whisky que ainda tinha no copo que estava em sua mão. — Melhor eu ir.
— Também acho. Termine com ele o que você começou aqui, comigo. — provocou, vendo-a revirar os olhos e caminhar até a porta, mostrando-lhe apenas o dedo do meio antes de se retirar.
seria uma dor de cabeça a qual ela não lidaria agora, mas uma coisa ficou clara nas entrelinhas de todas as provocações; ele não pararia por ali, e ela não era mulher de deixar algo pela metade.
Então que comessem os jogos.




Continua...



Nota da autora: Oi oiii, mais uma fic e eu fico me perguntando se dou conta de atualizar todas KKKKKKKK. Espero que vocês gostem, essa fic é um pouco mais wild, tanto pelo tema quanto pela tensão sexual que ela exala, mas espero que vocês gostem! Um pouco nervosa e com medo de ser apedrejada, mas vamo q vamo kkkkk qualquer crítica construtiva é só me chamar pelo email ou até comentar aqui embaixo, que eu respondo e vou ficar super feliz com o feedback. Até a próxima att, e enquanto essa não vem, vão ler minhas outras fics kkkkk <3.
All the love, L.
Xx.



Outras Fanfics:

Out Of The Woods - (One Direction - EM ANDAMENTO)
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Waves Of Summer '09 - (One Direction - EM ANDAMENTO)
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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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