Make 'em Laugh
Contador:
Última atualização: 30/07/2020

Prólogo

-


Os prazos estavam diminuindo e os jornalistas pareciam não ter tanto interesse nas editoras iniciantes, ainda que a quantidade de originais recebidos por e-mail aumentasse todos os dias. Trabalhar com assessoria de imprensa não fora sempre o sonho de , mas acabou se apresentando a ela quando finalizou a faculdade de Jornalismo na UFRJ há três anos. Ela precisava pagar as contas, a empresa tinha um bom salário. Casamento perfeito. Agora ela era a porta voz da Expecto, uma editora que lançava livros de pessoas comuns e que vinha crescendo no mercado, mesmo que a passos de bebê. Por isso mesmo a semana não estava sendo nada fácil para a mulher.
Ainda era quinta-feira e tinha deixado tudo pronto para o lançamento de um livro no dia seguinte. Por ser uma empresa menor, ela lidava tanto com a imprensa quanto com a preparação do evento em si. Ligara para um pequeno buffet, convidara alguns jornalistas e falara com influenciadores. Ela estava exausta, assim como sua estagiária Bianca também deveria estar, mas no final tudo daria certo. Sempre dava!
Mas, mesmo com o sentimento de que deveria se embolar em sua cama, no seu pequeno apartamento, sabia que faltava alguma coisa. Há pouco mais de 3 meses terminara seu relacionamento com Victória e criara alguns padrões em sua rotina para compensar a falta da ex-namorada. Ela sempre chegava em casa, tomava um bom banho e, antes de comer uma das marmitas que tinha deixado pronta no final de semana, ligava a televisão para ver os vídeos de algum canal de comédia no YouTube. Victória tinha apresentado a ela o Make 'em Laugh e desde então, a assessora passava algumas de suas noites relaxando com os esquetes em inglês e ria com as mesmas piadas idiotas. É, talvez a sua rotina precisasse de uma repaginada, mas por enquanto estava satisfeita.
Por isso, ela deu de ombros e depois de se aconchegar em seu pijama, amarrou o prendedor de qualquer modo no cabelo, pegou a marmita já quente e se jogou no sofá, dando play em mais um vídeo do canal. era o criador e o garoto parecia ter um dom natural tanto para atuar, quanto para a comédia. Ela não duvidava que em alguns anos ele estivesse com algum espetáculo stand-up, que ela torcia ter grana para conseguir ir ao EUA assistir. torcia por ele, mesmo sem conhecê-lo e decidiu enviar uma mensagem de apoio ao menino. Sabia que ele provavelmente não responderia e que ela estava parecendo uma tiete, ainda que já tivesse passado da idade.
Abriu seu Instagram e, antes que se arrependesse, mandou uma mensagem para . Gastando todo o seu inglês de cursinho lhe disse o quanto curtia seu conteúdo e que ele deveria continuar nesse bom caminho. Pietra e Camilo, seus melhores amigos, provavelmente ririam da sua cara, dizendo o quão carente ela estava por mandar mensagem até para um famosinho da internet, mas ela não dava a mínima naquele momento. Sua mãe lhe ensinou que quando vemos algo bom, devemos parabenizar a pessoa por trás daquilo. estava apenas seguindo o que aprendera.
Alguns minutos depois, sua marmita finalizada estava esquecida na mesinha de centro e estava adormecida. O YouTube continuava rodando algum vídeo do Make 'em Laugh, mas por sorte a mulher tinha programado a televisão para desligar em algumas horas. Seu celular jazia esquecido no chão enquanto carregava e, para além das mensagens que ela tinha decidido ignorar, um ícone novo de resposta piscava em suas notificações.


Capítulo 1

-


A sexta-feira começou com o despertador de berrando em seus ouvidos, fazendo com que ela acordasse estressada. O dia de hoje seria uma correria sem fim e ela ainda tinha dormido no sofá, fazendo com que sua coluna doesse. Ou seja, seu humor estava péssimo. Mas, ela achou melhor levantar logo e se arrumar para mais uma maratona antes que se atrasasse. Seu banho foi rápido, mas ela aproveitou para tentar relaxar por cinco minutos, já que o restante do tempo ficou repassando em sua cabeça todas as tarefas que precisava concluir antes do evento de lançamento. Não tinha muito para onde correr.
se aprontou o mais depressa que pode, já pensando no evento que teria que participar durante a noite. Deu graças aos céus pelo seu cabelo estar tendo um bom day after e apenas arrumou seus cachos para que eles sustentassem o dia corrido que teria. Vestiu uma blusa vermelha de meia manga e uma saia preta, calçou sua bota de salto e deixou seu apartamento apressada enquanto fechava sua inseparável mochila. O caminho do Catete, onde morava, até o Centro do Rio não era muito longo, mas considerando que precisava parar para tomar um café, tinha que andar rápido.
O metrô estava cheio como sempre, mas não se importou. Ela estava mais preocupada em checar seus e-mails e responder as mensagens de Bianca, que já estava quase chegando a editora. Sua estagiária estava surtando e empolgada ao mesmo tempo, porque seria o seu primeiro evento de lançamento. Ela só esperava que o evento correspondesse a altura das expectativas da menina.
O caminho da estação até o trabalho foi rápido, tendo sido interrompido apenas para que ela pudesse comprar um café com pães de queijo e continuar andando. Quando entrou no escritório da Expecto tudo parecia um caos. O pessoal do marketing estava enlouquecido com o telefone que seguia tocando sem parar e todos, até mesmo os funcionários do financeiro, ajudavam a preparar os brindes que seriam distribuídos no evento da noite. Editora pequena faz assim, coloca todo mundo para ajudar.
- Ainda bem que você chegou, ! – Bianca apareceu quase pulando na mulher enquanto ela colocava sua mochila e comida em cima da mesa – Estamos surtando por aqui!
- Fica calma, Bia. Vai dar tudo certo. – Prometeu, tanto para a estagiária quanto para si, enquanto se organizava e via o que precisava ser feito – Vamos dividir as tarefas e, se Deus quiser, vamos conseguir finalizar o máximo antes do almoço.
Ela prendeu os cabelos como sempre fazia quando estava nervosa e se pôs a trabalhar com o pessoal. Uma editora pequena em dia de lançamento não tinha tanto para fazer, ela sabia. Mas isso mudava completamente de figura quando o lançamento era de um influenciador. Diogo Andrade era conhecido por seu trabalho como cantor e influenciador fitness, que agora se aventurava no mundo da escrita. Com mais de 5 milhões de seguidores no Instagram, era comum que imprensa estivesse interessada e se questionando o motivo dele publicar com uma editora iniciante e pouco conhecida no mercado. Claro que isso se devia ao fato da dona da Expecto ser amiga de longa data de Diogo, mas não era essa a história que sairia nos jornais.
e Bianca conseguiram, com a ajuda de todas as pessoas da editora – que não passavam de 35, mas eram bem ágeis -, terminar de montar os 100 kits para levar para a imprensa e os possíveis fãs de Diogo que aparecessem. A manhã tinha sido longa, mas tudo fora resolvido lá pelas 15 horas, quando elas finalmente conseguiram parar para almoçar. tinha dispensado a menina e fora a primeira hamburgueria que encontrou. Ela podia se dar ao luxo de sair da dieta hoje, principalmente com tanta pressão em seus ombros.
Depois de estar, finalmente, com um hambúrguer enorme e muita batata frita em sua frente, ela conseguiu dar atenção às notificações que ignorava desde ontem. Respondeu ao grupo que tinha com Pietra e Camilo, levando broncas automáticas dos dois por ter sumido durante a noite, além da promessa de que eles estariam no lançamento com ela. Pietra queria mais apoiar a amiga, Camilo, como ele mesmo tinha dito, estava mais interessado em tentar flertar com Diogo Andrade. Mas quem poderia culpá-lo se o cara era um gato?
Deu retorno, também, as mensagens de sua mãe e de algumas outras amigas da época de faculdade, para depois focar no Instagram enquanto comia. Foi só tomar um gole de seu chá quando quase colocou tudo para fora ao ver a nova notificação de resposta em sua rede. tinha lhe respondido e ela estava em êxtase antes mesmo de ver o que estava escrito. A fã dentro de surtava enquanto ela ligava para Pietra e torcia para que a amiga atendesse.
- Não tenho dinheiro, . Nem adianta pedir. – Pietra atendeu falando sem deixar que a mulher formulasse um simples oi.
- Não quero nada disso, sua idiota! – avisou rindo da amiga que lhe acompanhou – Mas eu estou surtando aqui e não quero fazer isso sozinha! – disse tentando não aumentar o tom de voz.
- O que aconteceu? Está me assustando agora. – Ficou preocupada.
- O me respondeu! – comentou animada antes de voltar a comer – E eu estou surtando com isso!
- quem?
- , Pietra! Acorda, eu vivo mandando vídeo dele pra vocês no grupo.
- Ah, aquele garoto lá de comédia? – disse e revirou os olhos com o descaso – É que eu ignoro alguns vídeos que você manda.
- Como você se atreve? – respondeu indignada e Pietra riu.
- Camilo também ignora, mas ele não tem coragem de te falar – ela riu mais ainda e acabou acompanhando – Mas, fala aí. O que esse menino te respondeu?
- Eu ainda não abri. – E ouviu a amiga resmungar do outro lado da linha – 'Tá, espera que eu vou ver. Fica aí.
Respirando fundo, abriu o aplicativo e foi direto na conversa com . A mensagem era bem simples e genérica, nada absurdo. Apenas agradecendo pelo carinho e perguntando para ela como tinha conhecido o canal, já que pelo nome do usuário ela não parecia americana. Mas, ele estava continuando a conversa e isso foi o bastante para que ela ficasse mais animada e mandasse um print para a amiga.
- Sério que você 'tá surtando por isso, ? – Pietra perguntou depois de ter visto a foto da conversa.
- Talvez! – disse rindo e terminando seu almoço – Eu sei, eu sei. É idiota, mas eu senti uma vibe tão boa com essa resposta dele.
- Amiga, a resposta dele é super comum e não tem nem cinco linhas. Não surta! – Pietra alertou realmente preocupada com a sanidade de .
- É que desde a Victória eu não sinto algo assim. – suspirou e levantou para jogar fora seu lixo antes de se encaminhar para fora do restaurante.
- Mas você 'tá interessada nele?
- Não, não. É que ele me faz rir na maior parte das noites com seus vídeos, sabe. Parece até que conheço o e que somos amigos, entende?
- Você sabe que eu e o Camilo estamos sempre aqui para você, né? – Pietra agora parecia preocupada em fazer a amiga entender que não estava sozinha e ouviu uma confirmação de – Ótimo! Eu preciso voltar para o trabalho, mas você pode me ligar a qualquer momento. Nos vemos de noite. – Se despediram e voltou a empresa pensando no que diria na resposta para . Quase do outro lado da cidade, Pietra mandava uma mensagem para Camilo alertando ao amigo sobre sua preocupação com a mulher. Ela sabia que após o término do relacionamento as coisas estavam mais difíceis para a amiga, mas agora estava preocupada.

----------------------------------------------------------------------------------------


O táxi ia lentamente pelas ruas do Centro em direção a livraria no Flamengo, onde aconteceria o lançamento. Bianca estava repassando nervosa se tudo o que tinham feito estava certo e, surtava em silêncio enquanto apagava a quinta mensagem que escrevera para sem enviar. Ela nem entendia o motivo de toda aquela euforia, era apenas um carinha famoso fazendo uma pergunta simples. Não tinha motivos para tanto alvoroço, repetiu para si mesma o que disse a Camilo e Pietra naquela tarde, depois de ter inteirado o amigo no assunto.
Por isso, ela respirou fundo e resolveu responder direto na conversa, já que antes estava fazendo rascunhos no bloco de notas. Disse que era brasileira e comentou que tinha conhecido o canal por uma ex, sem entrar em muitos detalhes, e elogiou novamente o canal de . Sabia que não haveria mais contato entre os dois, talvez um emoji de coraçãozinho da parte dele e só. Ela não estava plenamente satisfeita com a resposta ou com isso, mas resolveu acalmar seu coração por hora e focar sua ansiedade na noite louca que enfrentaria.
Quando o motorista do táxi disse que eles tinham chegado, olhou para Bianca que parecia pronta para ter um surto e apertou sua mão gentilmente, dizendo sem palavras que estava ali com ela. A estagiária era apenas poucos anos mais nova que ela, tinha 19 enquanto a mulher tinha 25, mas se sentia responsável pela menina. Seu instinto "materno" para cuidar dos amigos era enorme e ela considerava Bia uma amiga.
- Respira e fica tranquila, meu bem! Vai dar tudo certo! – lhe disse antes de saírem do carro que já estava pago pela editora. Elas entraram na livraria e tudo parecia pronto. Os livros de Diogo Andrade ocupavam bastante espaço e alguns jornalistas já tinham chegado ao local, assim como o escritor e seu próprio assessor de imprensa. O lançamento começaria em uma hora, mas era o tempo preciso para que tudo saísse nos conformes.
Os fãs de Diogo chegaram ao lugar e uma meia dúzia de influenciadores apareceu para prestigiar o amigo. O livro pareceu bem aceito e as fotos do evento sairiam nas colunas do dia seguinte. A noite fora ótima, graças a todos os deuses.
Antes do final do evento, tinha dispensado Bianca para que voltasse para casa e, ela finalmente podia respirar ao lado dos amigos. Camilo e Pietra ficaram até o fim de tudo com a mulher e os três saíram de lá direto para o bar mais próximo. Nada melhor que uma cerveja para desestressar depois de hoje, pediu que foi logo atendida pelos companheiros.

Capítulo 2

-


Os dias que sucederam o evento foram mais tranquilos do que gostava de admitir. Os demais lançamentos seriam responsabilidade dos outros assessores de imprensa que trabalhavam remotamente para a Expecto nos outros estados, então ela podia dar uma relaxada maior. Só precisava se preocupar em manter o livro na imprensa carioca e em tentar dar visibilidade aos outros títulos do catálogo.
Por isso, se deixou ficar mais tranquila quando deitou em sua cama naquele dia. Era seu dia de home office, seu horário já tinha terminado e ela tomava uma cerveja geladíssima enquanto via os stories de seus amigos e de alguns famosos. Ela apenas trocava de pessoa para pessoa quando chegou ao perfil de e estancou. Ele fazia um chamado aos fãs, pedia currículos de colaboradores para seu canal. Em um primeiro momento ela achou que apenas pessoas que morassem nos EUA poderiam participar, mas no próximo stories ele deixou claro que qualquer pessoa com um computador e comprometimento poderia fazer parte do time do Make 'em Laugh. E ela pensou: por que não?
Talvez fosse a quantidade de álcool no sangue (aquela era sua quarta ou quinta latinha de cerveja do dia!), mas ela achou melhor agir antes que mudasse de ideia. Ligou novamente o computador e traduziu seu currículo para inglês, já anotando o e-mail que deixara no Instagram. Colocou a inscrição para a vaga de editora de vídeo, já que tinha bastante conhecimento na área e de vez em quando pegava alguns freelas para dar uma melhorada na renda. Adicionou também seu portfólio que estava um pouco desatualizado, mas ajudava a ter uma noção do que ela poderia fazer. Releu umas 20 vezes o texto do e-mail e o currículo para ter certeza de que não havia cometido nenhum errinho e apertou o enviar antes que ficasse maluca.
Ela achou melhor não comentar nada com Pietra ou Camilo sobre isso. Sabia que os amigos diriam que ela estava se mostrando muito interessada no canal de um menino que tinha pouco mais de 800 mil seguidores. Sim, um menino, porque tinha 20 anos de idade. Quase um neném, ela pensava.
Mas, esse neném fora importante para ela durante o período em que teve que superar o término com Victória. Ainda se lembrava das noites sem dormir que passou logo depois que a namorada de 3 anos virara ex por uma vontade que não fora dela. tinha levado um fora sem mais nem menos e quase entrado em um estado de depressão. Não adiantou sua mãe ir passar alguns dias com a filha ou seus amigos praticamente armarem acampamento em sua sala. Tudo o que a mulher fazia era ir do trabalho para a cama e da cama para o trabalho. Era a única coisa em que focava, sem mais.
E, fora nesse período que passeando pelo YouTube chegou ao canal de . Victória tinha lhe mostrado alguns vídeos do menino, que na época era ainda mais novo, e se pôs a ver o conteúdo. Fora a primeira vez em semanas que conseguiu soltar uma gargalhada. Aquele dia também fora o primeiro que o sono tinha lhe abraçado e ela dormira sem sonhos ruins. Por isso o Make 'em Laugh era importante para ela, assim como o também era. Ele tinha feito muito por ela, mesmo que não se conhecessem.

----------------------------------------------------------------------------------------


estava finalizando uma planilha com os próximos eventos do mês ao lado de Bia quando seu telefone começou a tocar. Um número desconhecido, com numeração diferente aparecia em sua tela e seu coração parou por um momento. Será que era quem ela estava pensando?
A mulher se desculpou com a estagiária e saiu por um minuto da sala para atender a ligação em uma das salas de reunião da editora que estava vazia. Sentou na cadeira antes e agradeceu por ter feito isso, já que quase caiu para trás quando ouviu uma voz que conhecia bastante da internet.
- Olá, bom dia! Eu poderia falar com a senhorita , por favor? – a voz masculina perguntou em inglês, enrolando a língua como um espanhol ao falar o sobrenome da mulher e ela teve que morder a língua para não gritar com isso.
- Hã, claro. Sou eu, quem gostaria? – perguntou também em inglês apenas para confirmar o que já imaginava.
- Ah, olá, senhorita ! – cumprimentou animado – Aqui quem fala é o do canal Make 'em Laugh. Você mandou seu currículo para o nosso e-mail. Podemos conversar agora?
- Mandei sim! Mas, pode me chamar de , não precisa de tanta formalidade. – ela riu e lhe acompanhou - Será que podemos conversar mais tarde? É que você acabou me ligando no meio do meu horário de trabalho. – ela se desculpou.
- , claro. – e a mulher sentiu um leve arrepio com aquela voz falando seu nome, mas resolveu ignorar – Desculpe por atrapalhar, tentei fazer as contas com o fuso horário, mas não deu muito certo.
- Sem problemas! Se não for ruim para você, pode me telefonar às 19h. Se eu estiver certa, vai ser umas 15h por aí.
- Está marcado, vou te enviar por e-mail um link para a nossa vídeo-chamada, pode ser? - e quase engasgou com a própria saliva: eles iam se ver?! Tipo ao vivo? Ok, era por computador, mas ainda era o mais perto de conhecer alguém que ela tinha em meses - mas era apenas uma entrevista de emprego, ela buscava se focar - Hm, ? Continua aí? - questionou incerto.
- Claro, claro. - ela pigarreou, tentando recuperar o foco - Ficarei esperando pelo link.
- Nos falamos mais tarde então! - e tudo que ela conseguiu foi concordar e se despedir. Suas mãos estavam suando quando desligou o telefone, porque pensar em algo assim parecia inimaginável. Ela estava mesmo sendo cotada para uma vaga no canal que mais gostava atualmente? já não sabia se estava nervosa por fazer parte da equipe do Make 'em Laugh ou por, finalmente, conhecer . Mas, enquanto ela não descobria, tinha muito trabalho para terminar.

-


O Make 'em Laugh tinha pouco mais de 2 anos e podia se considerar muito sortudo com o retorno que tinha conseguido. Em um tempo relativamente pequeno tinha conseguido mais de 100 currículos para as três vagas que oferecera: redator, auxiliar de filmagem e editor de vídeo. Quando que ele ia imaginar que uma ideia para divertir os amigos, que surgira depois de alguns/muitos goles de cerveja, ia tomar essa proporção? Ele tinha 20 anos, pouco mais de 800 mil seguidores no Instagram e mais de 500 mil no YouTube. Era um sonho que estava virando realidade, pensava sempre que estava mais pra baixo.
E hoje ele estava relativamente exausto. Beatrice e George tinham saído de sua casa há poucos minutos, depois de filmarem, no dia anterior, uma bateria de vídeos que precisavam ser editados antes de irem ao ar. O canal estava crescendo e ele não conseguia mais dar conta de ajudar a criar o roteiro, atuar e editar os vídeos. Por isso tinha criado a chamada para captar ajuda.
Só que agora, para além de receber os currículos, precisava entrevistar as pessoas. Ele não tinha como delegar essa tarefa a outros, porque esse era um projeto seu. Quase um filho. E a responsabilidade de fazer isso era sua, afinal os recursos sairiam do seu bolso de youtuber, que não era tão cheio, considerando que ainda precisava se sustentar sem a ajuda dos pais.
Por isso ele deixou os amigos saírem, tomou um banho rápido e começou a separar os candidatos que achou mais legais. A maioria deles era dos EUA, mas como tinha dito em seus stories que não faria distinção de país para funções que não fossem ao vivo, procurou ter a mesma atenção aos candidatos de fora do país.
E até que estava curtindo a ideia de conhecer tanta gente. Claro que não conseguiria finalizar 25 (tinha diminuído bastante a quantidade de pessoas) entrevistas em um único dia, mas hoje ele pretendia conversar com, pelo menos, 5 pessoas. Era um bom número, considerando que esperava fechar o time final durante essa semana. Sua sorte era que só faltavam duas entrevistas para finalizar o dia e ele poderia, finalmente, cair na cama.

----------------------------------------------------------------------------------------


tinha acabado de desligar com Scott Jones, um cara de 27 anos que sonhava em ser produtor de filmes. Por ironia do destino, Scott morava a uns 40 minutos de sua casa e tinha bastante experiência com filmes amadores, o que seria uma boa adição ao Make 'em Laugh. Além disso, podia colocar Scott para atuar algumas vezes, já que ele era bem engraçado, fazendo comentários inteligentes. Ele certamente estava na lista das seis vagas que pensara em abrir.
Agora a última candidata do dia era uma brasileira que tinha se interessado para o posto de editora de vídeo. . Seu sobrenome era bem difícil de pronunciar de maneira certa, principalmente porque tinha um i no meio e no espanhol essa grafia não acontecia. Ele apenas torcia para que entendesse e fosse uma pessoa legal. Beatrice, que tinha namorado um brasileiro e conhecido sua família, comentara que os brasileiros eram muito hospitaleiros e super calorosos. queria esse tipo de pessoa na família Make 'em Laugh.
Então, um pouco antes de dar o horário que ele tinha combinado com , enviou para ela o link da chamada de vídeo e se pôs a esperar pela mulher. Aproveitou o tempo antes dela chegar para rever o que perguntaria a ela, já que era a segunda pessoa para a vaga de edição que entrevistava. Por sorte, não levou mais de meia hora para que se juntasse aparecesse na tela e só conseguia pensar em como ela era linda.
A brasileira tinha os cabelos cacheados com algumas luzes loiras e um sorriso, mesmo tímido, que passava uma confiança, que ele nem sabia que poderia sentir, pelo menos não de apenas olhar para alguém. Ela estava com uma blusa branca e parecia bem confortável para a entrevista, ainda que seus olhos transparecessem expectativa. Ele poderia ficar olhando para ela por bastante tempo.
- Hã, olá! - começou em inglês, mas um pouco incerta já que parecia meio paralisado.
- Olá, olá! Me desculpe, estava um pouco aéreo. - ele pigarreou e resolveu focar na entrevista com a mulher - Eu marquei essa conversa por vídeo para que pudéssemos nos conhecer pessoalmente, nem que seja assim, né? - eles sorriram um para o outro.
- Claro, é importante que a gente se conheça bem antes de qualquer coisa. Afinal, o Make 'em Laugh parece ser como um filho pra você, né?
- Acho que você traduziu da melhor forma possível. - concordou - Então, me conta um pouco mais sobre você.
- ‘Tá, pior parte das entrevistas - riu nervosa e ele adorou a carinha que ela fez - Você já viu muito no meu currículo, mas eu sou a , tenho 25 anos e trabalho há alguns anos com o que eu mais amo na vida: livros.
- Então por que quis entrar na vaga de editora de vídeos?
- Porque o audiovisual também me encanta, eu gosto de estar na frente das câmeras e atrás. É aquele básico “tanto faz”, sabe? - sorriu e ele não conseguiu deixar de pensar em como ela ficava ainda mais bonita.
- Curte atuar então? - questionou surpreso.
- Na realidade, eu prefiro modelar. - ela deu de ombros - Já servi de modelo pro meu melhor amigo algumas/muitas vezes.
E não se surpreendeu nem um pouco com isso, afinal a brasileira era linda. A conversa entre os dois fluía fácil, mesmo que fosse uma entrevista. Ele sentia uma vibe tão positiva vinda de , como se eles tivessem muito mais em comum. E ele queria descobrir mais sobre a mulher, que tinha um currículo impecável, cheia de cursos de edição e alguns de fotografia.
Realmente era uma pena que ela morasse tão distante dele, porque seria uma parceria muito interessante entre os dois. Mas, ele gostaria de ter a mulher em seu time, não importava o jeito que fosse e se só tinha como ser online, assim seria.
A conversa entre os dois durou muito mais que a meia hora que ele tinha programado para as entrevistas. já tinha perguntado a ela tudo o que queria saber sobre a -profissional e eles estavam conversando sobre gostos em comum, ainda que tivessem uma diferença de cinco anos de idade. Apenas o telefone de tocando conseguiu fazer com que eles parassem de conversar.
- Desculpe! - disse quando viu que era a sua mãe no telefone - Eu preciso atender ou a minha mãe vem pessoalmente descobrir o que aconteceu.
- Tudo bem, minha mãe faria o mesmo! - comentou rindo para ele.
- Bem … - ele não sabia ou queria finalizar a conversa - Acho que precisamos desligar, devo ter abusado muito do seu tempo - disse vendo que estavam se falando há uma hora e meia.
- Não foi nenhum abuso, adorei conhecer você … - ela engasgou levemente - Digo, conhecer mais sobre o projeto do Make 'em Laugh e ter a oportunidade de tentar fazer parte dessa equipe. - concluiu envergonhada e agradecendo a Deus por não ficar vermelha com isso.
- Claro, claro! - pareceu adorar e abriu mais o sorriso para ela - Eu te passo a resposta final até segunda-feira, tudo bem? - apenas concordou com a cabeça - Foi um prazer te conhecer, ! De verdade.
- Foi um prazer te conhecer, ! - ela disse e eles desligaram.
se sentiu um pouco estranho com isso, ainda que não soubesse bem o motivo. Só esperava que trabalhar com fosse tão bom como tinha sido essa conversa. Mas, por enquanto, ele precisava retornar para a mãe que ligava pela terceira vez seguida.

Capítulo 3

-


O youtuber estava acordado há mais de vinte e quatro horas com Beatrice e George, seus amigos e parceiros no canal, para montarem o melhor time possível. Bea estava quase dormindo no sofá, enquanto os meninos disputavam o último pedaço de pizza, que a essa hora já estava bem gelado.
- A gente podia terminar essa reunião logo, né? - Bea resmungou torcendo para que um dos dois lhe desse ouvidos.
- Eu também apoio isso, viu! - George concordou e comemorou com uma dancinha ao conseguir pegar o pedaço de pizza e enfiou logo na boca - Nós temos basicamente todos os nomes escolhidos, o que mais você quer resolver, ? - disse de boca cheia.
- É que eu quero ter certeza de que vocês estão de acordo com essas pessoas para trabalhar com a gente. Vocês fazem parte do Make ‘em Laugh tanto quanto eu e ele não acontece sem vocês. - deu de ombros e Bea fez questão de levantar para se jogar em cima do amigo para abraçá-lo.
- Awwwn, que fofura! - disse beijando a bochecha do amigo que estava mais vermelho que seu cabelo enquanto George só ria da situação - Mas a gente concorda com tudo, né?
- Claro, ! Estamos loucos pra conhecer essa galera e para começar a trabalhar com eles - concordou o amigo.
- Então, eu vou mandar os e-mails pros aprovados, ok? - os dois assentiram e reuniu os e-mails dos seis selecionados para enviar o que tinha planejado e começou a redigir.
Beatrice e George não esperaram falar mais nada e já foram para o quarto do ruivo para deitar. Eles estavam exaustos e precisavam dormir o mais rápido possível. , por outro lado, continuava pilhado e digitava sem parar. Ele tinha que admitir que também estava ansioso para adicionar mais pessoas ao time do canal, porque tinha curtido todas as seis pessoas. Ainda que uma mais que as outras.

-


- Vocês conseguem acreditar que eu fui chamada para participar do canal?! - a assessora gritava e pulava ao mesmo tempo, na sala do seu apartamento, enquanto Camilo e Pietra olhavam espantados para ela e riam da felicidade repentina da amiga.
- , meu anjo, se acalma. Você vai acabar se machucando assim. - disse Camilo tentando controlar a amiga e, como se fosse vidente, tinha batido o pé na mesinha de centro e agora estava no chão reclamando de dor no dedo mindinho.
- Te odeio, Camilo! - gritou do chão enquanto jogava uma almofada no rosto do amigo ao mesmo tempo que Pietra dizia “Que boca enorme, jesus!” e continuava rindo da situação toda. Então, fez questão de jogar uma almofada nela também pegando-a de surpresa - Fica quieta você também, Pietra!
- Ok, ok - Pietra tentava se recompor - Conta pra gente como rolou essa situação toda de entrevista, porque eu ainda estou meio perdida. - Camilo assentiu concordando.
- Certo - sentou direito - Ele é um garoto incrível, gente. De verdade, eu tinha medo de que ele fosse mais um youtuber metido ao vivo, mas não. Humilde pra caramba.
- Seus olhos estão brilhando, amiga. - Pietra analisou - Tem alguma coisa que quer contar pra gente?
- Não viaja, cara! - contestou sem graça - Ele é muito novo pra mim e eu disse pra vocês que não iria me envolver com ninguém por um bom tempo. - suspirou.
- Você precisa deixar a Victória no passado, - aconselhou Camilo - O relacionamento de vocês não era saudável e você sabe disso.
- Ela está no passado!
- Então você sabe que nem todo mundo é como ela, né? - Pietra tentou - E que esse menino aí pode ser completamente diferente dela.
- O é meu chefe agora, gente! Não existe “ser diferente dela” porque não estamos em uma relação. - a assessora revirou os olhos - É apenas profissional.
- Você tem certeza disso? - Camilo questionou.
- Claro. - e dizendo isso se jogou no sofá ao lado dos amigos para pegar o controle da televisão, encerrando o assunto por ali. Pietra e Camilo se entreolharam como se dissessem em pensamento que não estavam tão certos de que aquilo era “completamente profissional”. Pelo menos não do lado da amiga. Só o que lhes faltava era torcer para que se sentisse do mesmo modo que sua nova “funcionária”.

-


- É hoje que vamos conhecer os selecionados, ? - George perguntou enquanto carregava as duas pizzas e a caixa de cerveja para dentro do apartamento do amigo. Beatrice já tinha chegado há algum tempo e estava esparramada no sofá procurando alguma coisa para assistir na Netflix.
- Sim, eu marquei uma reunião de vídeo com todos eles para daqui a uma meia hora. - ele deu de ombros e foi fechar a porta.
- Então só temos meia hora pra comer e beber? - Bea ficou chocada e logo levantou do sofá - Temos que começar o trabalho, rapazes! - comandou já pegando um pedaço de pizza e abrindo uma latinha de cerveja - E aí, , dentro dos selecionados você tem um preferido?
, que já estava mastigando, acabou se engasgando com a pergunta direta da amiga. Ele sabia que sua bochechas estavam ficando vermelhas e ele podia sentir suas orelhas mais quentes também.
- Meu Deus, ! Foi apenas uma pergunta! - Bea dava alguns tapinhas nas costas do ruivo que, aos poucos, voltava a respirar normalmente.
- Isso quer dizer que ele tem algum favorito. - George observou o desconforto do amigo - É bonita? - quis saber.
- Vocês estão pirando. - retrucou quando conseguiu se estabilizar - Não tem essa de favoritismo.
- Então pra que esse show todo, ? - observou Bea - Era só ter dito que não. Esse seu engasgo aí quer dizer que tem culpa no cartório. Você não contratou nenhuma amiga de ex não, né?
- O quê?! Claro que não!
- Ok, melhor assim. - ela deu dois tapinhas aprovatórios na cabeça dele e se levantou para ir ao banheiro.
- Agora que ela saiu, me conta. A garota é gata? - George perguntou em voz baixa fazendo revirar os olhos, mas concordar com a cabeça derrotado - Ah, eu sabia! - comemorou baixinho.
- Ela parece ser incrível também, não é só um rostinho bonito. - ele se lembrou da conversa que tivera com .
- Você pode chamar ela pra sair, se quiser. Não é como se houvesse uma cláusula sobre relação entre colegas de trabalho. - George deu de ombros e pareceu ainda mais desanimado.
- Ela não sairia comigo, cara.
- Por que não?! Você até que é simpático. - disse dando um tapinha na cabeça do ruivo.
- Ela é mais velha, cara. E, ainda por cima, mora muito longe daqui. - lamentou - E eu nem conheço ela direito.
- A gente nunca sabe do futuro, ! Deixa as coisas rolarem.
- É? Que nem você com a Bea?
- Fica quieto que ela já ‘tá voltando! - George pediu desesperado e como se ouvisse, Beatrice caminhava para a sala e se sentava junto aos amigos.
- E aí, vamos começar a chamada com o povo? - questionou a garota olhando para os amigos que tinham um comportamento meio suspeito - Vocês estão estranhos, aconteceu alguma coisa? - ela alternava o olhar entre os dois.
- Não, nada! Vamos começar logo! - abriu o notebook e logou no programa para iniciar o chat, agradecendo aos céus pelos seis já estarem online e ele poder se esquivar de qualquer pergunta que Beatrice fosse fazer - E aí, pessoal! Como estão? - cumprimentou quando todos já estavam aparecendo na tela.
A conversa em grupo fora bem proveitosa e os seis novos participantes do Make 'em Laugh puderam se conhecer. Além de Scott e , como auxiliar de filmagem e editora de vídeo, também tinha escolhido Tanya Wood e Harry Anderson para dividir as tarefas com eles, além de Tina Stone e Mary Palazio como redatoras. Mary, assim como , também era estrangeira, diretamente da Cidade do México. aproveitou a entrevista para treinar mais o seu espanhol, que ficava enferrujado com tanto tempo nos Estados Unidos.
Bea e George curtiram bastante as novas pessoas e logo os nove estavam fazendo piadas e brincando de forca para que pudessem se entrosar melhor. As idades não eram tão diferentes entre eles. Scott e Mary eram os mais velhos com 27 anos, mas os demais estavam equiparados na casa dos vinte e poucos. George só ficara curioso para descobrir de quem o amigo falava, já que as únicas que moravam tão distante assim eram Mary e , ainda que a brasileira estivesse a uma distância maior que a mexicana. Mas as duas eram mais velhas, o que também dificultou a descoberta.
- Acho que seria interessante montarmos um grupo de e-mails para estarmos sempre conversando. - sugeriu.
- Não era melhor um grupo no Whatsapp? - questionou e Mary foi a única a concordar enquanto os americanos tinham uma interrogação no rosto - Vocês não sabem o que é o Whatsapp? - perguntou em choque e fez uma careta exagerada arrancando risos dos demais.
- Eles não sabem o que estão perdendo, ! - Mary riu para o grupo e tratou de explicar - É um aplicativo de mensagens, gente! Super útil.
- Mas não é mais fácil criar um grupo no Telegram, então? - George perguntou.
- Vocês seriam massacrados no Brasil se falassem isso! - comentou e achou uma graça a forma como ela arrumava os óculos - É sério, galera. Baixem o aplicativo e venham ser felizes no que a gente chama, carinhosamente, de “zapzap”. - fez graça.
- Agora que eu lembro, a família do meu ex vivia falando esse nome aí! - Bea apontou - Pelo visto é uma febre no Brasil.
- Tenha certeza disso! - completou a nova editora de vídeo - Vocês topam entrar no grupo do Whatsapp, então? - quando todos concordaram ela continuou - Então eu vou criar um grupo aqui e deixar o link no chat. Depois que vocês baixarem, é só entrar.
A conversa durou mais algumas horas, mas pelo fuso horário, a brasileira teve que ser a primeira a se despedir. tentou se manter animado com todo o pessoal, mas seus risos pareciam mais forçados. George notou isso e parecia ter uma ideia do interesse do amigo.

Capítulo 4

-


Os dias de estavam sendo resumidos em editar os vídeos do Make 'em Laugh logo depois de passar por períodos estressantes na editora. Ela dividia as edições dos vídeos com Harry e os dois até estavam se entendendo bem. Já trabalhavam juntos há duas semanas e eles conseguiam equilibrar as demandas, para que não ficasse pesado de nenhum lado, já que o americano também tinha outro trabalho por fora: era contador.
também tinha se conectado bastante com Mary. Ela não sabia se isso se devia ao fato das duas serem as únicas estrangeiras do grupo ou sobre terem tanto em comum. Mary, assim como , também era formada em jornalismo e não curtia muito o lado factual da profissão. Ela preferia trabalhar como revisora e escritora, então a vaga de redatora lhe caíra super bem.
Outra pessoa que mantinha um contato constante com a carioca era . O ruivo fazia questão de estar presente tanto no grupo que criaram no Whatsapp, quanto no privado. Gostava e queria conhecer melhor o time que tinha ao seu lado. Com alguns ele tinha menos assunto, com outros, como , ele acabava extrapolando o tempo que tinha estipulado para cada pessoa. As conversas entre os dois duravam boas horas, quando eles tinham chance e o fuso horário colaborava.
- Eu não acredito que você já mandou! - falou ao iniciar sua conversa por vídeo com naquele dia.
- O que eu mandei? - ele se fez de desentendido enquanto aumentava o sorriso ao ver a mulher tão animada.
- A camisa do Make 'em Laugh! - disse quase esfregando o pano na tela do notebook para mostrar para ele.
- E você vai vestir agora? Sabe como é, ver se deu certinho e mostrar pro chefe. - o homem questionou em tom de brincadeira - Eu posso fechar os olhos se quiser vestir! - completou colocando as mãos sobre os olhos, mas mantendo o sorriso.
- Fica quieto, ! - ela bronqueou risonha - Não vou vestir nada agora! Quero tirar uma foto bonitinha pra colocar nas internets da vida.
- Tem certeza de que não quer ser influencer?
- Eu tenho, ia falar sobre o que? Como ficar na cama sem fazer nada enquanto a Netflix pergunta se ainda tem alguém assistindo? - revirou os olhos e não pode deixar de admirá-la - Dispenso!
E eles continuaram a brincadeira e a conversa por mais alguns minutos, até o telefone de começar a tocar ao seu lado na cama, fazendo com que a mulher se assustasse. Por mais que o contato não estivesse nomeado, a carioca reconheceria aquele número em qualquer lugar. Pelos últimos anos tinha se tornado sua principal chamada. Victória ligava e não sabia o que fazer.

-


- Você prefere desligar a chamada? - o ruivo questionou quando viu olhando compenetrada para o celular em sua mão que voltava a tocar. Já era a terceira vez - ?
- Hã, oi! Não, não. Não é nada. - a brasileira parece despertar de um mini transe e responde com a voz fraca. aperta o fone em seu ouvido para poder entender o que ela fala - É só uma pessoa que não me liga há um tempo.
- Tem certeza de que não é nada? - ele resolveu insistir porque estava bem preocupado com a mulher - Você estava meio em choque e não soltou o celular ainda. - ele observou - E com a força que parece estar segurando, ele vai acabar quebrando. - deu uma risadinha e ficou um pouco mais aliviado quando abriu um pequeno sorriso, deixando o aparelho ao seu lado na cama.
- Eu posso mesmo desabafar com você? - questionou hesitante.
- Por que não poderia?
- Você é meu chefe, ! Não quero que as coisas fiquem ruins entre nós. - ela se explicou, mas se arrependeu no momento em que viu o sorriso dele morrer. Ela não o considerava nem um amigo?!
- Eu entendo.
- Digo, nós nos conhecemos há pouco tempo. Não é certo já te encher com os meus problemas. - tentou contornar
- Tudo bem, você não precisa me contar nada, . Fica tranquila. - ele lhe dispensou um sorriso forçado e suspirou - Eu preciso desligar agora, ok? Tenho que ver uns amigos para convidar para os vídeos dessa semana. Nos vemos!
desligou sem que pudesse responder algo. Fechou o notebook com mais força do que o necessário e se xingou mentalmente por isso. Agora mesmo que ela vai te achar um pirralho sem noção, ele se crucificava batendo de leve na própria cabeça. Mas não conseguia evitar, porque pensava estar realmente se tornando amigo da brasileira. Eles tinham gostos em comum, pensamentos parecidos. Só que ela ainda o via como chefe. Apenas isso.

-


A carioca ficou três dias pensando no que tinha acontecido naquela conversa com . O telefonema de Victória, que ela não tinha retornado e a ex não deu sinal de vida até o momento, estava meio esquecido na sua lista de prioridades. Ela só devia estar bêbada, torcia enquanto almoçava.
Mas, a atitude do ruivo ainda lhe incomodava. Ela tinha visto seus olhos decepcionados quando o chamara de chefe, mas o que ela podia fazer? Ele realmente era seu chefe, lhe pagava por demandas e tudo mais. E, não queria que ele soubesse do desastre de vida amorosa que ela tinha, ainda parecia ter um pouco de admiração por ela e a mulher queria manter assim.
- ‘Tá meio óbvio que ele não curtiu ser visto apenas como seu chefe, garota! - Camilo brigava com ela ao telefone depois que a amiga tinha contado o que acontecera - Vocês estavam conversando bastante nas últimas semanas e joga um balde de água fria assim?!
- Será que ele ficou muito bravo comigo? - suspirou mordendo suas unhas, tentando não cortá-las com o dente de nervosismo.
- Você só vai saber se falar com ele, ! Não posso te responder. - concluiu o amigo e se despediu para voltar ao trabalho.
ainda estava no restaurante, mas tinha pelo menos mais 40 minutos do seu horário de almoço, então resolveu se arriscar. Pegou o fone da bolsa, conectou ao celular e torceu para que lhe atendesse a chamada de vídeo, já que ela não tinha tentado nenhum contato desde aquele dia.
Um. Dois. Três toques depois e a cara de sono de entrava na tela. O ruivo estava sem camisa, com o rosto amassado e o coração de não teve como se controlar e disparou levemente.
- ? - ele questionou com a voz rouca e a brasileira engoliu em seco - ‘Tá tudo bem? - sentou direito na cama, tentando parecer mais desperto quando viu que mulher lhe encarava sem dizer nada.
- Te acordei, né? - perguntou a primeira coisa que pensou e se chutou mentalmente depois porque estava bem óbvio. arqueou a sobrancelha ironicamente, mas logo um sorrisinho surgir em seu rosto, deixando mais aliviada - Claro que acordei, desculpe!
- Não se preocupe! Está tudo bem? Por que me ligou a essa hora?
- Sabe que são exatamente meio dia e dez, né? - comentou olhando pro relógio.
- E você sabe que aqui são apenas 8 horas da manhã, né? - respondeu no mesmo tom e a viu arregalar os olhos em culpa.
- Desculpa, desculpa! Eu esqueci do fuso horário!
- Tudo bem, tudo bem! - aceitou rindo e ela notou que tinha sentido falta disso. As risadas dele faziam com que ela sorrisse - Mas vai me dizer por que me ligou?
- Quero me desculpar com você, . - deu de ombros - É claro que somos amigos. Se ainda quiser, claro! - finalizou rápido e olhou para a tela, sem perder o sorriso de que crescia a cada palavra dela.
- Você não acha que devemos ter apenas uma relação profissional? - ele perguntou meio incerto.
- Seria um desperdício pra você, porque eu sou maravilhosa. - deu uma piscadela e gargalhou alto do outro lado - Você também é um bom cara, então tudo certo.
- Eu posso conviver com isso! Mas se você me desculpar também pela atitude infantil que tive naquele dia, - admitiu - eu não deveria ter desligado daquela forma.
- Nada que já não esteja esquecido, ! Amigos, então?
- Amigos!
Eles selaram uma amizade ali e se sentiu mais leve com essa situação. Pelo menos para si mesma ela podia admitir que sentira falta de conversar com durante os três últimos dias. Em sua cabeça, ela podia dizer que o sorrisinho de lado que ele lhe dava era charmoso demais para o seu próprio bem. Mas, algo que ela não estava pronta pra reconhecer era que estava começando a querer mais do que uma simples amizade.

Capítulo 5


, jura pra mim que não mandou mensagem ou atendeu nenhuma das ligações dela? — Camilo implorava enquanto os três amigos estavam sentados em um barzinho da Lapa — Eu te pago uma caipirinha inteira se você não mentir pra gente!
— A caipirinha custa 5 reais, garoto! — ficou indignada — Pra não mentir, eu deveria ganhar pelo menos uns 10 copos.
— Você já fica bêbada com metade de uma, ! — Pietra debochou — Se ele te pagar uma caipirinha, você fica no lucro. — comentou rindo enquanto cruzava os braços como uma criancinha.
— A gente só se preocupa com você, . — Camilo disse abraçando a amiga de lado — Não queremos te ver da forma como ficou depois da embuste da Victória. — ele sentiu a forma como a mulher estremeceu ao ouvir o nome da ex, mas nada comentou.
— Então, temos que parar de falar dela! — deu de ombros, se afastando delicadamente de Camilo e sinalizando para o garçom que queria mais uma cerveja na mesa — Vai que ela aparece.
— Ela não é tipo o Lord Voldemort, — Pietra achou graça.
— Eu se fosse você também não falava o nome dele por aí, nunca se sabe. — ela se pôs a encher os copos dos três e os chamou para um brinde — Vamos apenas brindar pelo carnaval que está chegando e tá tudo certo! Dona Pietra, vai ter festinha da empresa, né? — questionou inquisidora.
— Os ingressos de vocês já estão separados lá em casa! Esse ano o povo resolveu americanizar um pouco e quiseram misturar o Carnaval com o Halloween, vai entender — comentou. As festas da empresa de Pietra, um escritório bem chique de advocacia na Barra da Tijuca, eram lendárias. A seriedade eles guardavam apenas pras audiências.
— Gosto assim! — os outros dois amigos disseram ao mesmo tempo e os três brindaram.
Faltava uma semana para o carnaval, mas eles já estavam com toda a programação no esquema: a festa da empresa, um bloquinho e praia nos outros dias. Isso quando cada um não fosse para um canto desfrutar a própria companhia. Não tinha como nada dar errado.
----------------------------------------------------------------------------------------

Algumas horas depois, chegava em casa um pouco tonta, mas ainda consciente de que precisava de um banho urgente pra poder cair na cama. Ela foi direto pro banheiro, mas ficou alguns minutos se encarando no espelho. Seu cabelo já estava um pouco mais cheio do que quando ela saíra de casa pela manhã, o que indicavam vários nós nos cachos que ela arrumava quase todo santo dia. A blusinha branca que usava já tinha umas manchinhas de cerveja, das vezes que ela derramara em si mesma.
Mas, focava em seu rosto. Passava a mão no seu nariz, se certificando de que ele estava lá. Mesmo que ela estivesse vendo com seus próprios olhos, tinha que tocar para acreditar. Coisa de gente bêbada, vai entender.
Quando se deu por satisfeita, prendeu o cabelo, tirou a roupa e foi direto pro chuveiro. A água quentinha ajudava a deixar a mulher mais sonolenta ainda, fazendo com que ela apressasse o banho para deitar logo. Nesse meio tempo, ouviu seu celular tocar irritantemente, mas ignorou. Estava tarde demais para que alguém ligasse, além de que Pietra e Camilo tinham lhe deixado em casa, portanto sabiam onde ela estava.
A mulher resolveu sair do banho, se enrolou numa toalha e pegou para vestir a primeira camisola que encontrou na gaveta. Ela estava quase dormindo quando seu celular começou a tocar de novo em sua mesinha de cabeceira, fazendo com que ela pegasse para atender sem nem olhar quem era.
— Alô? — disse com a voz arrastada misturando o álcool ao sono que sentia.
? — a pessoa do outro lado da linha falou e espantou o sono que tinha, olhando incrédula o número no visor para ver se não estava sonhando — , podemos conversar? — a mulher pediu hesitante.
— V-Victória?! — ela gaguejou ainda sem acreditar — Por que está me ligando?
— Porque eu não aguento mais ficar longe de você, ! — a ex-namorada disse com a voz embargada — Eu sei que errei, mas você não me deu escolhas e sabe disso.
— Você me coloca um chifre e eu não te dei escolhas?!! — a mulher questionou sarcástica — Não é como se eu tivesse colocado uma arma na sua cabeça pra te fazer transar com outra mulher.
— Mas você sabe o quanto estava distante e como eu precisava de você, . Você me colocou em segundo plano na sua vida por conta dos seus amigos. — suspirou — Foi um erro que acabou acontecendo, leãozinho. — fez menção ao apelido carinhoso pelo qual chamava durante o relacionamento das duas.
— Não se atreva a me chamar assim, Victória! — retrucou entredentes — Eu deveria ter terminado com você há tempos, mas precisei te pegar com outra pra finalmente acordar pra vida.
— Você sabe que não vai conseguir ser feliz sem mim, ! Por que está fazendo isso com a gente? — Victória agora gritava ao telefone — Quem mais vai aturar as suas birras idiotas por conta dessas séries ridículas que você gosta? Quem vai ter paciência pros seus amigos ou pros assuntos fúteis que você fica falando durante a noite? Ou então pra sua irritante mania de achar que tem talento pra ser modelo ou pra editar vídeos e tirar fotos? Hein, ? Me diz!
As lágrimas já rolavam soltas pelo rosto da assessora que não teve forças pra responder a nenhuma daquelas perguntas. Victória ainda falava, instigando a discussão, mas só conseguiu desligar o telefone e esconder o rosto em seu travesseiro. As palavras da ex-namorada ainda ecoavam em sua cabeça e ela estava sentindo como se o mundo estivesse montado em suas costas.
Ela pensou em ligar para os amigos, mas sabia que, pela hora, Pietra e Camilo já deveriam estar dormindo, mais alcoolizados do que ela. não sabia se deveria, mas ligou para pelo Whatsapp, torcendo para que ele atendesse de primeira.

O homem estava finalizando o roteiro do próximo episódio do Make ‘em Laugh quando seu telefone começou a tocar em cima da cama. Ele pensou seriamente em não atender, mas quem ia ligar a essa hora? Assim que pegou o aparelho nas mãos, viu o nome de e não pensou duas vezes antes de saber o que ela queria.
? — perguntou baixinho, mas não ouvia nada do outro lado, além de uma respiração alterada — , você está aí? — questionou ficando preocupado.
— M- — ela gaguejou com voz de choro e o homem sentiu o coração apertar. Como ele queria estar perto dela agora! — Desculpa te ligar assim, eu te acordei? — ela falava tão baixinho que ele precisou pressionar o celular contra o ouvido para entender melhor.
— Não, não. Eu estava terminando um roteiro pro canal, mas isso pode esperar. O que aconteceu, ? — ele suspirou e a mulher ficou em silêncio. Parecia estar tomando coragem. Mas só torcia pra que não fosse nenhuma fatalidade.
— Eu não sei se temos intimidade pra isso, você é meu chefe. Mas acho que podemos nos considerar amigos, não sei — disse meio incerta e apenas murmurou em concordância, lhe instigando a continuar — Eu tive uma namorada pelos últimos dois anos. — quando não falou nada, a mulher resolveu perguntar — Isso não te incomoda?
— O quê?
— Não sei, talvez saber que eu namorei uma mulher. — completou tímida.
— E por que isso me incomodaria? — perguntou como se fosse o maior dos absurdos. Pra ele realmente era, mas ela devia ter motivos pra ter medo da reação dele.
— Desculpa, é que eu tô meio acostumada aos julgamentos. — ela suspirou e continuou — Bem, ok. Como eu ia dizendo. A gente namorou por dois anos e, no começo, era um mar de rosas. Todo início de namoro é. — soltou uma risada sem humor — As coisas eram tão fáceis entre a gente. Nos encontrávamos depois do expediente, víamos filmes, saíamos juntas. Aquela coisa normal. — ela fungou e soube que a mulher continuava chorando.
— Você tem certeza de que quer mesmo me contar isso agora? — ele interrompeu preocupado com o rumo daquela conversa.
— Acho que eu preciso disso, talvez assim seja mais fácil de lidar.
— Então, continua! — lhe deu forças
— Há mais ou menos um ano, as coisas começaram a piorar entre a gente. — ela seguiu — Victória começar a reclamar sobre tudo: meus hobbies, minhas roupas, até os meus amigos. Eu sabia que ela tinha implicância com eles, mas sempre achei que fosse só essa coisa de não ir com a cara, sabe? — e ele apenas fez um som que desse a entender que estava prestando atenção — Mas não era. Ela fazia chantagem quando a Pietra ou Camilo me chamavam para sair. Reclamava quando eu saía sem ela pra me divertir, com quem quer que fosse. — o choro da mulher agora parecia mais sofrido. Suas palavras em inglês saindo sem a pronúncia correta de sempre. Por isso ela se interrompeu por alguns segundos, retomando o controle da própria respiração. apenas esperou.
— Dizia que eu devia parar de sonhar com isso de ser modelo e que não tinha talento pra fotografar — recomeçou — e começar a focar só naquilo que me desse dinheiro, mesmo sabendo que eu fazia esses bicos pra ajudar na minha renda. Ela me diminuía por trabalhar numa editora pequena, dizia que eu estava num barco pronto para fundar e só eu não via. Além disso, sempre que brigávamos, ela dava um jeito de dizer que a culpa tinha sido minha e eu acabava pedindo desculpas. Dizia que com meu o gênio, ela fazia um esforço muito grande pra me aguentar. — ela pausou mais uma vez e ouviu alguns barulhos indistintos do outro lado.
— Uma vez, tivemos outra briga, foi por coisa boba, na minha opinião. Eu demorei um tempo a mais para chegar num compromisso por conta do trânsito e porque o pneu do carro onde eu estava furou no meio do caminho. — ela suspirou — Quando eu cheguei lá, ela estava tão irritada e silenciosa. Ficou de cara amarrada o evento inteiro. Eu tentei explicar para ela o que tinha acontecido, disse que compensaria, que isso não ia mais rolar, porque eu sabia como ela detesta atrasos. Ainda que ela me deixasse esperando com frequência. — respirou fundo e ficou angustiado pelo que viria.
— Quando a gente chegou na minha casa, ela começou a gritar comigo. Disse que eu fazia de propósito, que eu estava testando a sua paciência. Até que ela devia ter escutado os amigos, quando eles disseram que ela não deveria ter começado a me namorar eu tive que escutar. Naquele dia, ela segurou meu braço com toda a força, não só apertou, como rasgou a minha pele. As marcas das unhas dela ficaram por uma semana. Eu usei blusas com mangas até que voltasse ao normal. Dois dias depois, ela veio me pedir desculpas e chorou nos meus braços. Disse que não ia fazer mais, que me amava, que não existia vida sem mim e eu perdoei. — ela fungou — Mas, essa foi só a primeira vez que isso aconteceu. Situações assim foram comuns por vários meses e eu me afastei de muita gente por isso. Não respondia mais o Camilo e a Pietra, quase não falava com a minha mãe ou meu primo. Ia de casa para o trabalho, só saía com os amigos dela, isso quando a gente saía!
“Depois de um tempo eu já estava ficando cansada das brigas e resolvi que era hora da gente se entender. Então, fui fazer uma surpresa no apartamento dela, já que tinha chave e o porteiro me conhecia. Quando eu entrei na casa, ela estava escura, mas ouvi barulho vindo do quarto dela. Entrei e ela estava transando com a colega de quarto. Elas não me viram, porque não fiz barulho. Nem pra brigar eu tive forças. Só consegui fechar a porta, sair do apartamento e deixar de atender as ligações dela. No momento que terminamos de fato, ela me disse que eu não teria sucesso por pensar muito pequeno.
Que eu nunca encontraria alguém melhor do que ela disse, alguém que fizesse sacrifícios por mim como ela fez e que eu estava jogando fora tudo que a gente tinha construído. Nesse meio tempo, a minha mãe veio ficar comigo aqui em casa, porque eu entrei em depressão. Pietra e Camilo se revezavam pra ficar comigo e me acolheram de novo. E ela não tinha incomodado mais, até hoje.”
— Ela te ligou?! — finalmente falou, fazendo seu melhor pra controlar a raiva em seu tom de voz.
— Sim e eu senti como se tivesse voltado no tempo. Ouvir a voz dela me fez lembrar de coisas tão ruins e eu só consegui desligar. — ela seguia chorando, mas parecia mais leve depois de falar tanto.
— O que você tá pensando agora? — o homem questionou sem saber muito o que falar pra remediar o que ela sentia.
— Muita coisa. — ela soltou um risinho — A primeira é que eu nunca me abri assim com alguém que eu conheço há tão pouco tempo. — enumerou e não conseguiu evitar o sorriso. Ela confiava nele — A segunda é que a Victória ainda me afeta e a terceira é que você é um ótimo ouvinte. Obrigada!
— Não precisa agradecer. Eu estarei sempre aqui! — lhe certificou.
Eles continuaram conversando até que se acalmasse por completo. não fez mais perguntas sobre Victória e não tocou no nome dela de novo. O ruivo estava preocupado, mas tudo que podia fazer era tentar distrair a brasileira para que ela conseguisse dormir. Ele não sabia está dando certo, mas ela não voltou a chorar.
— Eu não quis ligar pra Pietra ou pro Camilo. — ela comentou depois de alguns instantes quieta — Eles iam querer vir aqui se me ouvissem assim.
— E quem disse que eu não quero ir aí? Pegar o primeiro avião pra poder te abraçar agora e dizer que mesmo a gente se conhecendo há tão pouco tempo, você é uma das mulheres mais incríveis que já vi. — ele disse num fôlego só, com toda a coragem que nem sabia que tinha. A mulher, por outro lado, continuava em silêncio. Talvez absorvendo o que tinha acabado de ouvir — ? — ele lhe chamou pela primeira vez pelo apelido e se sentiu confortável.
— Então vem. — ela disse simplesmente e sentiu o coração querer sair do peito.
— 'Tá falando sério? — ele quis confirmar.
— Eu não sei o que está rolando, se é que 'tá rolando algo, . — ela suspirou — Eu tô confusa, as coisas com Victória são muito recentes ainda. Não sei o que pensar, nem sei se tô pronta para qualquer outra coisa.
— Eu não quero te pressionar, ok? — ele tentou ser racional — E e eu não vou para o Brasil agora, não se preocupe
— Acho que ia gostar daqui do Rio. Provavelmente teríamos que comprar um pote enorme de protetor solar só pra você — disse rindo pela primeira vez naquela conversa.
— Eu não me importo de andar todo coberto pra fugir do sol. Seria incrível conhecer o Brasil e finalmente te conhecer pessoalmente. Mas eu só vou fazer isso quando nós dois estivermos prontos.
— Não sei se um dia eu vou estar pronta — ela suspirou — Mas eu gostaria de estar por você. — disse sem saber que do outro lado da linha abria um sorriso maior que o rosto.
— Eu posso esperar não é como se eu quisesse outra coisa agora. Não tenho pressa.
— Achei que queria me conhecer pessoalmente logo — ela disse meio ofendida, mas brincando com ele, ainda que sua voz estivesse fraca.
— Eu quero! — afirmou — Mas eu ainda quero te conhecer melhor e imagino que você também queira.
— Você tem razão. — bocejou
— Vou te deixar dormir, ok?
— S-será que você podia ficar comigo até que eu dormisse? — perguntou baixinho — Não queria ficar sozinha agora. — ela ouviu um som de concordância e fechou os olhos deixando o celular próximo à orelha — Boa noite, .
— Boa noite, . — ele saudou e ficou em silêncio, assim como a mulher.
Ele ouviu quando a respiração dela ficou mais ritmada e, alguns minutos depois, quando chamou pelo nome dela, não teve resposta. Só então desligou e ficou olhando pro celular pensando em tudo o que eu tinha escutado.
Ele não sabia o que estava sentindo, assim como ela. Agora, sabendo o que sabia, tinha medo de machucar ainda mais a brasileira, mas também tinha medo de não tentar nada.
Tudo estava uma confusão enorme, pensou enquanto fechava o notebook e foi deitar na cama. Qualquer coisa que tivesse que acontecer, ia depender do tempo e nada seria resolvido naqueles minutos. Então, ele tentou dormir, deixando o dia de hoje para trás.

Capítulo 6


O sábado amanheceu e estava com uma pequena ressaca, além de uma leve amnésia do que acontecera no dia anterior. Mas isso durou pouco tempo, já que uma mensagem de se destacava em suas notificações:
Eu estou aqui pra você, 💜
A brasileira sentiu o coração bater mais forte e sua cabeça latejar levemente. Uma enxurrada de lembranças inundou a sua mente e ela recordou o desabafo da noite anterior, assim como da ligação de Victória. Era muito pra digerir em pouco tempo. Ela não sabia bem o que respondeu, então achou melhor deixar só um obrigada a ele. A vergonha crescia a cada segundo dentro dela.
Então, ela levantou e foi tomar um banho rápido, logo procurando algo para comer na geladeira. Já passava das 11h da manhã e iria almoçar na casa da mãe, então tinha que se aprontar. Resolveu colocar a camisa do Make 'em Laugh que mandara junto de sua jardineira amarela. Era uma boa forma de mostrar para a mãe e ao primo sobre o projeto que andava participando. Aproveitou para tomar também uma aspirina antes de sair de casa pra não sofrer com uma dor de cabeça mais tarde.
Sua mãe, dona Renata, morava no Méier, na zona norte carioca, o que era bem afastado do Catete. podia pegar o metrô e o trem pra ir mais rápido, mas a preguiça era tanta que chamou um Uber. No mês que vem ela se resolvia com o cartão de crédito.
O carro não demorou pra chegar e já estava a caminho da casa da mãe. Estava com saudade da comida de dona Renata e das implicâncias de Miguel, seu primo que mais parecia um irmão, por terem sido criados juntos. Os 40 minutos seguintes serviram para que ela colocasse a conversa em dia com Pietra e Camilo, mandasse uma mensagem para mãe dizendo que chegaria em breve, além de descobrir um pouco sobre a vida de seu Antônio, o motorista do Uber que tinha desandado a falar das netas.
Mais rápido do que ela esperava, o carro de seu Antônio estava estacionando em frente ao prédio de sua mãe. tinha passado quase toda adolescência ali junto a ela e ao primo, depois que seus pais se separaram quando ela tinha 10 anos e a mãe de Miguel, sua tia Vanda, falecera. A relação com pai não era dos melhores, ele tinha arrumado outra família e quase não lhe procurava. No começo, essa situação machucava. Depois de 15 anos, ela tinha aprendido a conviver com a mágoa.
Foi pensando nisso que a mulher se despediu do motorista, entrou no prédio e deu boa tarde ao porteiro de sempre. Seu Carlos trabalhava no condomínio desde que a família de tinha se mudado e ele sempre foi um amor de pessoa, ajudando nas brincadeiras e encobrindo travessuras dos pais das crianças.
- Leninha, minha filha! - disse seu Carlos se levantando pra dar um abraço saudoso na mulher que logo foi retribuído - Você ‘tá tão bonita, querida!
- Ah, seu Carlos! São seus olhos! - ela riu enquanto jogava os cabelos brincando - O senhor 'tá bem? Como anda a dona Sônia? - questionou sobre a esposa do homem que vivia entregando quentinhas aos moradores.
- Eu tô bem e ela mais ainda. A minha mais velha, Jaqueline, teve neném, mas precisa trabalhar e terminar a pós-graduação, aí deixa a Alice com ela. Tem que ver, Soninha 'tá toda boba agora que é avó. - comentou com carinho sobre a família - Vem cá ver a minha netinha! - chamou já tirando o celular do bolso e mostrando para a garotinha risonha que parecia ter menos de um ano. Não era só a esposa que babava pela criança, ele também estava enfeitiçado. Também, com todas aquelas dobrinhas e aquele sorriso, impossível não amar. Até estava se apaixonando pela bebê.
Por mais que quisesse continuar ali vendo vídeos de Alice, logo se despediu de seu Carlos e subiu para o apartamento da mãe. Sabia que quanto mais demorasse para chegar, mais a mãe reclamaria e ela teria que lidar com Miguel dizendo que iria comer mais sobremesa do que ela por ter aparecido mais cedo.
- Tia Rê estava quase colocando a polícia atrás de você! - Miguel disse sem cerimônia ao invés de cumprimentar a prima - Você demorou uma vida, ! - ele reclamou.
- Ela não te deixou comer nada antes que eu chegasse, né? - questionou desconfiada e segurou o riso ao olhar pro primo que tinha uma expressão culpada no rosto.
- Talvez! - ele sorriu enquanto puxava a mulher pra um abraço - Eu estava com saudades, mas vamos logo porque é risoto. - Miguel empurrou delicadamente pra que ela entrasse logo na casa e ele pudesse fechar a porta.
Os primos foram rindo e implicando até a cozinha onde dona Renata lhes esperava com os braços abertos. logo que viu a mãe, saiu correndo para dentro de seu abraço. Elas se falavam quase todos os dias pelo telefone, mas não era sempre que conseguiam se ver. A saudade doía.
- Você está tão linda, meu bebê! - disse a mais velha enquanto beijava repetidas vezes o rosto da filha - Tem comido direito ou continua pedindo porcaria pra entregar? Porque você não cozinha lá essas coisas - perguntou rindo quando se soltaram.
- Tem uma coisa chamada YouTube, mãe! - ela retrucou, lhe mostrando a língua como uma criança, enquanto se sentavam à mesa - Eles ensinam a fazer receita e eu tenho comido muito bem, tá!
- Já perdeu o medo da panela de pressão? - o primo zoou.
- Você já parou de fazer arroz empapado? - rebateu e Miguel ficou quieto - É, achei que não! - se fez de superior e os três riram.
O almoço correu muito bem entre brincadeiras e carinhos. Nada superava o risoto de dona Renata, que, para a sorte de , já tinha feito uma quentinha generosa para a filha e pro sobrinho. Pelo menos com a comida de segunda-feira ela não precisaria se preocupar.
- Você está feliz, querida? - a mãe lhe perguntou minutos depois de ter contado a eles sobre seu novo trabalho no Make ‘em Laugh e sobre , ostentando animada a camisa do projeto.
- Muito, mãe. - ela respondeu com um sorriso orgulhoso no rosto - Trabalhar com tem sido ótimo e eu tenho aprendido muito sobre audiovisual, sabe.
- , uh? - Miguel implicou com a prima - Tem alguma coisa rolando entre vocês dois?
- Ele é meu chefe, garoto! - retrucou - Não pira! Somos apenas amigos!
- Tem certeza disso, ? - a mãe questionou - Você falou dele com tanta animação.
- Ele é apenas um bom amigo, gente. Eu não estou pronta pra nada do tipo tão cedo. - ela estremeceu levemente, lembrando da noite anterior e do telefonema da ex - Não é como se eu fosse cair nessa de novo.
- Você sabe que nem todos são iguais, né? - Miguel ponderou ao segurar a mão da prima.
- Eu já ouvi isso antes, primo! Eu só não sei o quanto eu acredito! - a jornalista suspirou e tentou mudar de assunto - Mas, e não vamos conhecer a sua nova namorada, Miguelito?
- Você sabe tirar o foco de si mesma e ser uma pessoa terrível, . - o primo acusou fazendo com que as duas mulheres começassem a rir e ele fosse obrigado a comentar sobre a garota com quem estava saindo há algumas semanas.

- Tá tudo bem, ? - Beatrice perguntou do banco do carona enquanto dirigia o carro. Os dois estavam indo buscar George para que os três pudessem ir até a casa de Scott, o novo auxiliar de filmagem. Eles iriam gravar um esquete sobre tipos de fãs e Scott ia ser de grande ajuda.
- Por que não estaria? - ele questionou parando no sinal e checando o celular para ver se alguma nova mensagem tinha aparecido.
- Será que é por ser a décima vez que você olha pra esse celular só hoje? - ela revirou os olhos irônica - O que tá acontecendo? Tá esperando alguma resposta de alguém?
- Não é nada, só coisa da minha cabeça. - ele suspirou vendo que não tinha mandado nada depois daquele “obrigada” simples. Deixou o aparelho de lado e voltou a se concentrar no trânsito - Como você sabe que uma mulher está afim de você? - ele perguntou do nada e a amiga quase engasgou com a água que estava tomando.
- De quem você está a fim, ?! - Bea quase gritou depois que de se recuperar do susto, mas ainda olhando pro amigo como se ele tivesse criado uma segunda cabeça.
- Não é que eu esteja a fim de alguém. - o ruivo tentou justificar, olhando rapidamente pra amiga que o encarava em deboche - Ok, talvez eu esteja. Mas eu não sei se ela também gosta de mim e não quero me precipitar ou perder a amizade.
- Você não está a fim de mim não, né? - ela arriscou e deu uma brecada leve com o carro pela surpresa.
- Claro que não! Você é uma irmã pra mim, criatura! - disse como se fosse um absurdo. E realmente era. Bea era linda, mas como ela podia cogitar isso? Ele nunca furaria o olho de George dessa forma!
- Só estava checando. - ela deu de ombros quando ele voltou a dirigir normalmente - Eu sou maravilhosa, não é como se isso fosse algum tipo de loucura.
- Cuidado, Bea! Vamos morrer os três sufocados aqui dentro!
- Que três?!
- Eu, você e o seu ego gigante, garota! - ele disse e a amiga lhe deu um tapa estalado no braço - Como você consegue ser tão metida assim? - questionou brincando.
- Inveja é uma coisa muito feia, . - ela comentou arrumando o cabelo - Mas, não muda de assunto não: de quem você estava falando então?
- Alguém que eu conheci, apenas isso.
- É alguma das meninas novas do canal, né? - ela arriscou.
- Como você sabe? - se entregou corando um pouco enquanto estacionava na frente da casa de George e aproveitava para mandar uma mensagem ao amigo, avisando da chegada deles.
- Você sabe ser bem transparente algumas vezes, . - ela apenas riu - De todo modo, apenas deixe as coisas irem caminhando. Não tente apressar nada.
- Então, nenhum conselho mágico que possa me ajudar agora?
- Só seja você e as coisas vão acontecer da melhor forma possível. Mas, deixe claro de alguma forma que você sente algo por ela. Essa coisa de amizade nem sempre dá certo quando um dos dois tem sentimentos a mais. - concluiu suspirando no mesmo momento em que viu George saindo do prédio. acompanhou o olhar da amiga e soube que ela falava mais pra si mesma do que pros problemas dele.
- Vocês dois são um caso perdido, viu! - ele revirou os olhos e a amiga deu de ombros enquanto George entrava no carro e eles mudavam de assunto.
Os amigos continuaram a conversa até a casa de Scott e quando chegaram começaram a filmar. Os quatro estavam bem entrosados, aproveitando para fazer alguns vídeos de making of para as redes sociais.
- ? - Scott estava ao telefone com a brasileira e ficou repentinamente curioso com o motivo da ligação entre os dois. Isso não passou batido por Bea e George - Como está a melhor brasileira do mundo? - questionou brincando, mas não pode ouvir o que ela respondera - Eu não estou sendo falso, garota! - o ruivo não podia mentir e dizer que não estava levemente incomodado com a aproximação dos dois.
- Tudo bem, irmão? - George deu um tapinha nas costas de , fazendo com que ele perdesse a conversa que Scott mantinha ao telefone - Se você olhar mais pro Jones é capaz dele sumir.
- Não estava olhando pra ele. - disse terminando de juntar os cabos da filmadora dentro da mochila.
- Você pode continuar fingindo que não quer saber o que ele está falando com a sua brasileira.
- Ela não é minha brasileira, George. Deixa de ser idiota! - brigou - E anda logo que eu tenho que ir pra casa. - finalizou fechando a mochila e começando a levar os equipamentos pro carro.
- Ciúmes? - Bea perguntou ao se aproximar de George que se assustou levemente com a chegada da mulher.
- Quando descobriu? - George questionou olhando pra ela e sentindo seu pulso acelerar um pouco por estarem tão perto um do outro.
- Como se ele fosse um poço de discrição, né?! - ela riu e George não pode deixar de achá-la mais bonita ainda - Ele me perguntou sobre mulheres mais cedo, só isso - Bea deu de ombros - Queria saber como descobrir se uma mulher está afim de algo a mais.
- E você teve resposta pra isso, Bea? - George questionou olhando nos olhos da mulher e viu que ela estava ficando nervosa - Você sabe dizer quando alguém está afim de algo mais? - arriscou se aproximando aos poucos de Beatrice sem nunca tirar os olhos dela.
- E-eu, … - ela gaguejou revezando o olhar entre os lábios do amigo e seus olhos.
- Você? - ele sussurrou.
Eles estavam a ponto de se beijar, os dois escondiam há um bom tempo que os sentimentos entre eles já tinham ultrapassado o nível de amizade. No entanto, e Scott resolveram voltar pro local no mesmo momento, fazendo com que os eles se afastassem rápido demais, torcendo pra que nenhum dos amigos tivesse notado qualquer coisa.
- A tá me esperando enviar o conteúdo do cartão de memória pra começar a editar, pessoal! - avisou Scott pros outros sem ter percebido nada de estranho na sala.
- Vou mandar o roteiro pra ela quando chegar em casa, então! - confirmou animado pois teria uma desculpa pra falar com a mulher - Vamos andando, gente? - perguntou pra Bea e George, notando que os amigos estavam estranhos se entreolhando.
Os quatro se despediram e foi levando o carro com os outros dois muito calados. Ninguém falou nada durante o trajeto, só a música soava no carro. O ruivo tinha medo até de respirar mais alto, o clima não parecia dos melhores. Nem quando George saiu do carro, depois de estacionar na porta do amigo, o clima melhorou. Bea permaneceu quieta até que o amigo parasse na casa dela.
- Aconteceu algo que queira me contar, Bea? - ele arriscou antes dela sair do carro.
- Nada que valha a pena dividir, . - suspirou e deu um abraço no amigo - Nos vemos depois. - se despediu e bateu a porta, entrando no prédio sem olhar pra trás. não era idiota, sabia que algo tinha rolado entre os dois. E ele ia acabar descobrindo, uma hora ou outra. Mas, por agora ele só queria chegar em casa, então ligou o carro e tomou o próprio rumo.

A mulher tinha chegado em casa há pouco mais de uma hora, já estava de banho tomado e feliz assistindo a mais um episódio de Doctor Who quando seu celular começou a apitar com novas mensagens. Ela já imaginava quem era, tinha evitado mandar sinal de vida o dia inteiro, mas depois da ligação de Scott avisando sobre o material de vídeo, sabia que não ia poder fugir muito mais.
S.
Ei, . Como vai? Espero não estar te atrapalhando ou acordando, ainda sou novo nisso de fuso horário.
Mas, Scott disse que vai te mandar o material e queria te avisar que mandei o roteiro pro seu e-mail também.


Oi, ! Tá tudo bem por aqui, você também está?
Pode deixar, amanhã quando eu tiver um tempinho na editora, começo a editar.

S.
Eu estou bem! Que bom que consegui te pegar acordada, achei que estivesse fugindo de mim 👀

Eu estava…
Ontem as coisas ficaram muito pessoais e pesadas.
Não queria deixar o clima ruim entre nós de novo, sabe?

S.
Você só vai deixar as coisas estranhas entre nós se ficar nessa de me ignorar, . Eu só quero ajudar e que você me veja como alguém que possa confiar.


Talvez eu tenha problemas de confiança, você deve imaginar o motivo.
Mas, eu gosto de dividir as coisas com você. Me faz bem.
Me fez bem ontem.

S.
Eu sei que ainda vai demorar pra você confiar em mim de verdade.
E nem eu sei bem o porquê dessa minha vontade de te fazer confiar mesmo em mim, mas eu sei que não quero te magoar. Mas, se você quiser que eu me afaste, por favor, me avisa.

As coisas estão confusas na minha cabeça, .
Só que eu não quero que você se afaste.
Gosto de te ter por perto, mesmo que seja dessa forma online.

S.
Então, vou me manter o mais perto que você quiser.

Isso é bom 💜

Os dois continuaram a conversa por mais um tempo até que se despedisse dizendo que precisava dormir. O coração da brasileira estava mais leve depois de ter conversado com . No fundo, por mais que teimasse dizendo que tudo o que tinham eram uma amizade por conta do trabalho, ela sabia que estava entrando em um campo perigoso. Talvez ainda mais perigoso do que vivera com Victória, já que morava em outro país. só esperava não sair muito machucada dessa.



Continua...



Nota da autora: E aí, pessoal! Todo mundo bem?
Dessa vez eu trouxe att dupla pra vocês, porque eu não tava mais aguentando ficar longe desses dois ❤
Espero que vocês gostem. Me contem nos comentários o que estão achando!
Beijos e se cuidem ❤

Instagram dos personagens:
@mel.he.lena
@mel.max.santi




Outras Fanfics:
Like a Virgin
Amor em Dobro
Blood, love and Death


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus