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Última atualização: 31/10/2020

Prólogo

1940. Plymouth, Inglaterra.

A situação da Inglaterra durante os anos 40 era de quase total isolamento devido a Segunda Guerra Mundial. A força aérea real defendia o País da Alemanha nazista e os ataques devastaram cidades e civis.
Os sobreviventes das cidades mais próximas se mudavam em massa para Plymouth, onde era uma das poucas que não haviam sido destruídas completamente.
Os homens ajudavam com trabalhos braçais mais pesados e as mulheres como empregadas.
A família Bradshaw era uma das poucas que tinha recursos o suficiente para ajudar outras famílias, principalmente as dos sobreviventes. Foi quando a desgraça aconteceu.
Mary era uma jovem mulher apaixonada pela família, uma mãe zelosa e uma boa esposa. Ela e John tinham uma família perfeita. Tinham. John conheceu Abigail quando ele estava trabalhando no campo e ela chegou com pães e água para os homens. Ela se encantou na hora por ele.
Abigail se aproximou de Mary e as duas viraram grandes amigas. Abbie, como preferia ser chamada, passou a ficar cada vez mais na casa dos Bradshaw. No início, John havia adorado, mas ela passará de todos os limites.
John procurou o Padre Whitebloom para se confessar e pedir perdão por ter pecado. Ele saiu da igreja e foi direto terminar o que tinha com Abbie, que surtou e não aceitou o fim do romance.
Ela estava com raiva, mais do que isso, Abbie estava furiosa e decidiu contar tudo para Mary.
A esposa de John sentiu seu coração partir em mil pedaços conforme Abbie contava toda a verdade, nos detalhes mais perversos possíveis. Mary, duplamente traída, perdeu a sanidade e viu tudo desmoronar.
Ela estava decidida que naquela noite iria se vingar de John.
Com lágrimas nos olhos, reuniu os 3 filhos para brincar no lago atrás da casa.
O primeiro que ela afogou foi o mais novo com menos de 01 ano, Carl. Seus olhos brilhantes e inocentes encaravam a mãe, que deixou seu corpo boiando no raso.
Os mais velhos tentavam entender o que a mãe estava fazendo. June, de 05 anos e Robert de 08 anos, morreram de mãos dadas enquanto Mary apertava seus pescoços embaixo d’água.
A mulher recolheu seus corpos e com a faca mais afiada abriu suas barrigas, um de cada vez.
As horas se passaram e John chegou do trabalho. Sentiu o cheiro do jantar da porta, ele estava faminto. Mary serviu um prato bem cheio para John, que até então não tinha percebido que a casa estava quieta demais. Mary disse que as crianças já tinham jantado e estavam dormindo.
John ficou feliz com a notícia, poderia ter uma noite mais íntima com a esposa e tentar recuperar o que sentia por ela.
Após a janta, ele subiu as escadas em direção ao quarto das crianças para dar um beijo de boa noite. Tinha algo estranho acontecendo. As crianças estavam perfeitamente limpas e geladas, quando se estava fazendo um calor infernal.
Foi quando ele descobriu o lençol das crianças e viu a maior tragédia de sua vida, e vendo aquela cena, percebeu que havia comido as entranhas dos filhos, forçou o vômito e se aliviou pela janela. Seu desespero e gritos puderam ser ouvidos de longe. Mary chegou por trás dele e disse: “Nossos filhos não são lindos? Parecem anjos.”
John perguntou o que estava acontecendo, porque ela havia feito tal barbaridade? Mary calou-se e a única coisa que fez foi retirar a faca que escondia em suas costas e enfiar várias vezes na própria barriga, até a morte.

Parte 1

2018

— Você é amiga de Eliza Summers há quanto tempo? – Perguntou o policial.
— Desde a faculdade e não nos separamos mais. – respondeu de forma calma, mas percebe-se a agonia estampada em seu rosto.
— Ela tem algum histórico de transtornos mentais? Toma remédios controlados? – Foi a vez do que estava em pé perguntar, observou um crachá preso em seu bolso com o sobrenome Hans gravado.
— Não, senhor. Ela nunca teve nenhum problema. A única coisa que às vezes via era ela tomar remédios para enxaqueca. Ela precisava entregar um novo livro, estava acordada a várias noites, estava com bloqueio criativo.
— Você não está mentindo para ajudar sua amiga, não é? Saiba que você pode ser presa. Talvez um dia vendo o sol nascer quadrado vai te fazer falar. – O que estava sentado voltou a falar, passou a mão por seu bigode e cruzou os braços.
— Eu não tenho o que mentir em nada. Aliás, abuso de autoridade pode ser levado à corregedoria. Não tenho mais nada a falar.
— Você está me ameaçando? – Ele disse mais bravo.
— Você está me ameaçando? – rebateu.
— Deixa pra lá, Rick. Agora temos que passar tudo para a polícia de Londres. Eles estão pegando no nosso pé querendo alguma resposta. Srta. , você está liberada. – O policial Hans falou.
— Muito obrigada. – deu um sorriso amarelo e saiu da sala.
estava desesperada atrás da amiga que estava sumida há 2 semanas. As buscas atrás de Eliza Summers começaram depois que a escritora desapareceu ao sair de casa na tarde da quinta-feira retrasada. Os familiares já estavam aflitos em busca da mulher. Seu celular está sem sinal e a polícia não tem nenhuma pista, a última vez que foi vista foi numa loja de conveniência num posto de gasolina há 200km de Londres.
e Eliza estavam escrevendo um livro de romance juntas, já que anteriormente escreveram um best seller que virou um filme depois. Elas queriam explorar um novo lado e apostaram em uma escrita de suspense e terror. Queriam novos tipos de leitores.
parou para pensar e notou que Eliza ficou estranha depois que fizeram uma viagem para rever a família no último feriado.
— Alô, . Sou eu, , preciso que você me encontre ainda hoje. Se possível agora. Te espero na cafeteria na esquina da minha casa. – Desligou o telefone e passou as mãos pelo rosto. Não aguentava mais essa situação e seu único desejo é que tudo isso passasse o mais rápido possível.
O caso Eliza Summers já havia ganhado repercussão nacional. A mídia sensacionalista levantou diversas teorias, tais que e têm certeza de que é mentira.
Como marcado, foi o primeiro a chegar e se sentou numa cadeira acolchoada e pediu um cappuccino e cookies. Deu uma golada, mas se arrependeu por ter ido tão afobado, ele esqueceu que estava muito quente e acabou cuspindo.
— Você sempre esquece que está quente e queima a língua. Deveria pedir um copo d’água junto. – o pegou de surpresa enquanto ele limpava sua boca.
— Você veio aqui só para falar isso ou tem algo importante? — falou de forma brava, sua língua queima e não quer ouvir piadas.
— Como a polícia não faz nada, vim comunicar ao irmão da minha melhor amiga que vou procurar sozinha pela Eliza. Tenho uma cópia das chaves do apartamento dela, estou indo agora lá pra ver se eu encontro algo que a polícia não achou. Tchauzinho. – pegou o cookie e virou as costas, marchando em direção à porta.
— Você está maluca? Você não vai sozinha, eu vou com você, eu posso ajudar. – segurou pelo braço antes que ela saísse pela porta. – Antes de tudo, ela é minha irmã.
— Tudo bem, só não me atrapalhe. – puxou seu braço e saiu da cafeteria rumo à casa de Eliza, sendo seguida por .


Tudo no apartamento da Summers estava no mesmo lugar. começou olhando pela sala e pelo quarto. Ela se lembrou que Eliza mantinha um armário com fundo falso no quarto e talvez todo o mistério seria desvendado quando achassem esse armário.
, eu lembrei de algo. Bata no fundo dos armários até encontrar um falso. – mandou e ele assentiu com a cabeça, passando a vasculhar cada armário.
— ACHEI! – O grito de fez se assustar e ele sentiu a jovem se aproximar.
— O que tem aí? – Ela viu pegar vários jornais antigos que estavam juntos com anotações.
— É uma história de assassinato. Eu conheço essa história, minha avó contava sempre para a gente. Só não entendo porquê tá tudo guardado no fundo falso.
— Deve ser por causa do livro que íamos escrever. Que história é essa? – pegou um dos papéis e começou a ler. – Mary Bradshaw matou seus filhos e depois se matou, o marido alegou insanidade da mulher. Será que ela queria escrever sobre isso?
— Eu acho é que ela deve ter ido até essa história e eu sei bem o lugar. Arrume suas malas, nós vamos para nossa cidade natal, Plymouth.


Parte 2

abastecia o carro enquanto comprava água e petiscos para comerem. A viagem de carro já estava exaustiva e os dois já não suportavam a presença um do outro.
Na lojinha, observou a TV, que por mais uma vez mostrava o caso de Eliza nesses programas sensacionalistas. A edição do jornal mostrava que tinham novas pistas sobre o caso, que até então, eram desconhecidas para ela.
Câmeras de segurança gravaram o momento que ela e adentraram o apartamento de Eliza e a polícia estava achando isso suspeito.

“Eliza Ivy Summers, 29 anos, está desaparecida há 02 semanas e a polícia tem novas pistas sobre o caso. Câmeras de segurança filmaram o exato momento que e James Summers, amiga e irmão da jovem, entraram no apartamento dela e depois de algumas horas saíram correndo do local, que estava interditado. A polícia suspeita de que os dois estejam envolvidos no misterioso sumiço de Eliza. A hipótese de homicídio não foi descartada.”

O atendente olhava para a TV e para várias vezes, o que já incomodava a mulher. Ele havia a reconhecido. Para não demonstrar desespero, ela calmamente pegou o dinheiro que devia e botou no balcão.
— O que você tá olhando, nunca viu uma gostosa antes? – Ela falou debochada e empurrou a porta com suas costas, saindo correndo para o carro onde jogou tudo no banco de trás. – , PRECISAMOS SAIR O MAIS RÁPIDO DAQUI. A POLICIA VIU A FILMAGEM DE ONTEM DO PRÉDIO E ESTÃO ACHANDO QUE FIZEMOS ALGUMA COISA.
— Mas é claro que fizemos alguma coisa, fizemos o trabalho deles, que é de investigar. – Ele olhou para o quão afobada ela estava ao falar e não conteve sua risada.
— Virei uma palhaça agora para você rir de mim? – bateu nos ombros do rapaz, que reclamou bem alto e entrou no lado do motorista. – Se você me estressar, eu vou fazer questão de te fazer ir a pé.
— Você nem ousa, o carro é meu. – Ele rebateu.
— Não tenho medo de você e isso não me impede de fazer nada. Agora senta essa bunda do outro lado que temos que chegar ainda hoje.
ligou o som do carro, que tocava alguma música do Maroon 5 que sabia cantarolar muito bem, deu um sorriso ao ligar o carro é escutar o motor, seguindo a estrada que avisava que Plymouth estava à 50km dali.


Os moradores da pequena cidade se impressionaram com um carro chegando ali, afinal, era difícil aparecer gente nova na redondeza. e saíram do carro e avistaram um senhor passando a grama de sua casa.
— Ele é bem velho, será que ele a viu? – pergunta.
— Não sei, acho uma má ideia parar aqui, devemos ir direto para a casa da minha avó. Talvez Eliza esteja lá. – Ele falou.
— Se ela estivesse, sua avó teria falado. – bufou com o que ouviu.
— Talvez Eliza teria pedido segredo, eu conheço minha irmã, ok?!
Ela respirou fundo e se aproximou do senhor. Ele parecia bem cansado e já havia olhado para os dois de forma curiosa.
— Olá, desculpa incomodar. Gostaria de fazer algumas perguntas para o senhor. – se aproximou.
— Não conheço vocês, o que vieram fazer aqui? – O velho perguntou.
— Estamos atrás dessa moça. – mostrou a foto de Eliza. – O senhor a viu por aqui?
— Hm, deixe-me ver melhor. – Ele pegou a foto e analisou bem. – A moça bonita, eu a vi de longe não tem muito tempo, acho que umas 2 semanas atrás.
— O senhor acha que ela pode estar na cidade?
— Todos sabem quem chega e quem sai daqui, ela veio atrás da casa de Mary Bradshaw, quem entra lá não sai vivo.
engoliu a seco.
— Como assim não sai vivo? – perguntou.
— Você não conhece a história? O espírito de Mary continua na casa, ela mata qualquer um que entrar lá.
— Mas isso é só uma lenda, não? Onde é a casa?
— No outro lado da cidade, a única casa perto do lago Black. Se você for, peço a Deus que tenha piedade de sua alma.
saiu de perto e voltou para . Ela sabia que tinha que ir na casa, seu pressentimento não era mais bom. Ela temia que algo pudesse ter acontecido com sua amiga.
— Ele a viu, . Ela foi para a casa de Mary.
— Ela sabe que ninguém entra nessa casa, nem quando éramos pequenos nós passávamos perto. Eu sinto que não conheço mais minha irmã.
— Eu tenho certeza de que iremos achar a Eliza. Ela está bem, vamos pensar positivo, ok? – tocou o ombro de carinhosamente e ele olhou no fundo dos olhos da mulher.


parou o carro na frente de uma casa simples e toda branca, as janelas tinhas caixas de flores azuis e amarelas, dando um chame especial. Uma senhora sentada no banco de balanço abriu um sorriso ao ver o rapaz.
, meu querido. Que saudades de você. – Ela se levantou com dificuldades e acenou.
— Vovó, quanto tempo. – Ele a abraçou e puxou . – Essa é a , amiga da Eliza.
— Uma bela moça, meu neto. Vocês estão namorando? Eu quero ter bisnetos antes de morrer.
— Não, senhora. Não namoramos, somos amigos apenas. – falou.
— Entendo. De qualquer forma, estou feliz com a visita. Venham, entrem que vou fazer um bolo bem fofinho para vocês.
— Vovó, não se preocupe. Só vamos deixar nossas coisas e vamos dar uma volta na cidade. – botou as malas dentro da casa e voltou para o carro. – Voltaremos para o jantar.
— Vão com Deus e se divirtam. – A mais velha deu um sorriso doce e voltou para casa.
. – disse sentada no carro. – Precisamos ir na casa.
— Eu não vou entrar lá.
— Mas eu vou. A coragem que te falta, eu tenho de sobra.
— Tudo bem, capitã Marvel. Como você quiser.
engolia a seco cada minuto que se passava até chegar na casa abandonada do outro lado da cidade.
A casa era mais que abandonada, não tinha vida ali perto, apenas a casa toda depredada, com vidros e portas quebradas. olhou para cima e viu um vulto passar por trás da cortina da janela de cima. Sentiu sua pele arrepiar e se aproximou da casa.
Botou o pé direito no degrau e olhou para trás, observando parado fora do carro. Respirou fundo e tomou coragem, entrando na casa. A porta bateu com a força do vento e ela deu um pulo de susto.
— Eliza, sou eu, . Você tá aqui? – Ela gritou.
A casa estava imunda. Foi seguindo as escadas e notou uma mancha de sangue velho. O primeiro quarto, com coisas infantis bem velhas, também estava manchado de sangue, principalmente os lençóis. No chão perto da cama tinha algo que chamou sua atenção: a bolsa de Eliza. Agora, sem nenhuma dúvida, ela tinha certeza de que Eliza esteve ali.
escutou passos vindo em sua direção, conseguia ver por debaixo da cama os sapatos femininos. Levantou em câmera lenta e se abismou com o que estava parado bem à sua frente. Ela sabia que era Mary.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.


Nota da Scripter: Olá! Não sei vocês, mas estou ansiosa demais para a continuação! Se eu sou a PP já estava desmaiada com a visão da Mary!

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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