Medical School

Última atualização: 15/01/2020

Capítulo 1

Eu estava sentada em frente a escrivaninha enquanto fazia meu resumo sobre nefrologia, quando vejo Candice entrando no quarto. Nefrologia é uma das matérias mais difíceis da faculdade de medicina e o fato de minha colega de quarto entrar embriagada enquanto eu lia um dos parágrafos sobre rins, não ajudava em nada.
- Sabe, você deveria parar de estudar tanto e curtir a vida no campus - Candice diz se jogando na cama.
- E você deveria parar de beber tanto, fígado nenhum é capaz de aguentar tantas noites de festa - eu retruquei virando a cadeira na qual eu estava sentada na sua direção.
- Ah não, não seja tão velha ! Você tem 23 anos! Vamos lá! Não tem vontade de largar esses livros sobre órgãos, ou seja lá o que isso é, e ter pelo menos uma noite que não seja tão... - Ela faz uma pausa e olha para meu pijama rosa claro. – Entediante. - Ela finalizou.
Embora eu tenha me sentido extremamente ofendida com o que Candice disse, não pude deixar de entender o que ela via ao me olhar: Uma menina cheia de olheiras devido às noites mal dormidas por turnos noturnos de residência e estudo. Não que eu esteja reclamando disso, afinal, é o caminho para a vida que eu sempre sonhei. Sair do meu país de origem, Brasil , para terminar os estudos no Canadá sempre fora meu sonho e agora, depois de muito esforço - meu, pela dedicação que pus ao estudar ,e dos meus pais que se sacrificam para pagar - finalmente é uma realidade.
- É claro que tenho vontade Candice, mas nem tudo na vida são rosas - respondi a ela. Mesmo que eu fizesse um discurso enorme sobre meritocracia ou qualquer coisa do tipo, ainda não seria o suficiente para ela entender. Candice nasceu nos EUA, vem de uma família rica do sul da Califórnia e, ao longo da sua vida, gozou de tantos privilégios que seria improvável para ela ver algum sentido em se dedicar realmente para algo.
Naquela noite, ao deitar minha cabeça no travesseiro, fiquei imaginando como seria viver em uma realidade em que eu pudesse me divertir de verdade e conhecer pessoas. Depois de quase quatro anos estudando na Universidade de Western Ontario, as únicos amigos que eu tinha eram minhas colegas de república, Joseph, o professor de bioquímica que revisava todos meus relatórios só pelo prazer de ocupar o tempo em que passaria com sua esposa, e Amanda, a professora de pilates.
Logo eu teria 24 anos. Nenhum namorado ou se quer um amor durante toda minha vida. Poucos amigos. O próximo passo, obviamente, seria me formar, comprar uma casa e adotar dezenas de gatos para meu consolo.
No dia seguinte, acordei com um barulho ensurdecedor ecoando do meu celular.
“Mãe” estava escrito na tela.
- Hey – digo em um tom mal-humorado.
- Bom dia meu amor, já acordou? – a voz doce da minha mãe me faz sentir uma centelha de culpa por ter cumprimentado tão desanimada.
- Agora sim - digo rindo e esperando que minha mãe não tenha percebido o péssimo início da conversa.
- FELIZ ANIVERSÁRIO BORBOLETINHA - Ouço meu pai gritar atrás e gargalho instantaneamente.
- Ei, eu ia desejar antes Carlos! Isso não é justo! - Minha mãe reclama. Isso era típico dela. Controladora e metódica, sempre a primeira e a mais perfeita.
- Obrigada, eu amo vocês – digo. Nossa, como sinto a falta deles. Família faz muita diferença quando você está a mais de 17 horas de distância de avião do seu país.
- Nós também te amamos borboletinha, você nos orgulha muito! – Meu pai diz.
Depois de inúmeras perguntas da minha mãe sobre as notas e a faculdade em geral, finalmente consigo desligar.
- Do que o seu pai te chamou? - Candice pergunta rindo na cama ao lado.
- Você ouviu? Droga, não sabia que estava tão alto, desculpe.
- Está tudo bem. Borboletinha hein? - Candice caçoa.
- É, é uma coisa que meu pai diz desde que era mais nova. – Respondo.
Agradeço aos céus que Candice não fez mais perguntas sobre isso, pois não seria legal ter que falar sobre isso na manhã do meu aniversário e cheia de saudades dos meus pais.

O dia, depois disso, correu rapidamente. Fui para a aula de pilates que fica em uma rua bem perto do prédio da universidade e depois voltei para a república. A república na qual eu morava se tratava de um apartamento com 4 quartos e acomodações bem confortáveis (embora a cozinha não fosse tão grande, já que, não suportava mais de três pessoas nela). No primeiro quarto moravam Dallilah e Marie, Dallilah era porto riquenha, estudava artes e, assim como eu, tinha bolsa para morar naquela república, já Marie, estudava economia, era do norte do Canadá, filha de uma família de religiosos muito ricos e extremamente problemáticos, devido à escândalos de corrupção na política. No segundo quarto Samantha e Irys, duas irmãs gêmeas filhas de um empresário milionário do Brasil. Samantha cursava marketing e Irys, a mais estudiosa das irmãs, fazia direito. No terceiro quarto, eu e Candice. Eu, filha de pais de classe média, cursando medicina e Candice, vinda de uma família rica dos Estados Unidos e cursando sociologia. No último quarto, Madson e Ava. Madson era uma típica garota problema e nós não sabíamos muito sobre ela, só que nasceu na Austrália e cursa história, já Ava era o oposto, cursa física, é certinha e filha de um dos diretores da universidade.
Ao voltar para a república vejo que todas as meninas estão ocupadas. Tudo bem que não somos melhores amigas, mas pensei que, ao menos, lembrariam do meu aniversário.
- Sam, o almoço hoje era por sua conta, lembra? - Dallilah questiona com uma cara brava. Ela ficava assim quando estava com fome.
- Calma, já estou indo fazer - Samantha responde. Durante anos a república tem funcionado dessa forma: independente do dinheiro ou regalias que tenhamos da porta para fora, aqui dentro todas as tarefas são divididas igualmente.
Recolhi as roupas que tinham que ser lavadas de todas as meninas e enquanto passava pelos quartos recebia sorrisos e algumas até me cumprimentavam, mas nada me tirava da cabeça o fato de que tinham esquecido do meu aniversário.
Depois de almoçarmos fui me deitar. Reparei que Candice não estava no quarto, mas isso era algo normal, já que ela sempre tinha muitas festas.
Comecei a assistir “um maluco no pedaço “e logo adormeci.
- Acorda piriguete – eu ouvi Candice dizer enquanto abria meus olhos. - Você vai dormir seu aniversário inteiro? – indagou ela sorrindo.
Todas as meninas estavam lá. Sorrindo e cantando parabéns enquanto seguravam um bolo com as velas 24 encima.
- Achei que tivessem esquecido - eu disse.
- Nós jamais esqueceríamos - Ava disse.
- Viu, eu sabia que ela ia ficar chateada - Marie diz.
- Relaxa princesinha, nós só estávamos brincando - Madson diz e pisca de forma engraçada.
Entre mordidas esfomeadas no bolo e risadas, Candice diz toda animada:
- Temos uma surpresa para você.
- Na verdade quem conseguiu a surpresa foi a Sam mesmo - Irys diz.
- Com um empurrãozinho meu, é claro - Madson termina.
- O que é? – Perguntou curiosa.
- Nós vamos a uma festa! – Dallilah diz dançando animada.
- E todas juntas, para comemorar seu aniversário – completa Marie.
- E a melhor parte...É a festa da PORRA DO ! – Grita Samantha.
Não sei se fiquei animada ou assustada com a notícia. Samantha é conhecida por ir em festas de famosos e arrastar Candice junto, mas eu? Eu nem saberia como me comportar em uma festa dessas.
- Gente, não sei...Eu nem tenho roupa para isso - Digo.
- Ah não, sem desculpas. É seu aniversário ! – Candice diz.
Depois disso eu sou praticamente coagida a aceitar que iriamos a festa do , um dos cantores mais famosos do mundo.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Essa fanfic é de total responsabilidade da autora. Eu não a escrevo e não a corrijo, apenas faço o script. Qualquer erro no layoult ou no script dessa fanfic, somente no e-mail.


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