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Última atualização: 23/07/2020

Prologo

FLASHBACK

Era o primeiro dia de primavera. O tempo estava agradável, as flores no jardim ficavam ainda mais bonitas nessa época. Estava terminando de tomar meu café da manhã quando escutei um barulho de carro vindo do lado de fora da casa. O alarme do carro logo fez barulho e alguns segundos depois a campainha tocou. Era Dan. Mamãe estava feliz em o ver, eles iriam tratar sobre negócios.
Continuei sentada à mesa lendo as notícias pelo meu celular quando senti um toque em meus ombros. As mãos do homem estavam geladas, provavelmente por causa do ar condicionado do carro. Ele tentou me dar um beijo mas esquivei, pude ver a frustração em sua cara e ele tentou novamente.
- Nem tente, não irei te beijar. – falei e o afastei com as mãos. Ele estendeu um buquê de rosas em minha direção, mas não peguei. Mamãe ficou sem graça e pegou por mim, cheirando profundamente as flores.
- Um dia você não vai mais fugir de mim e eu estarei bem aqui te esperando, pode ter certeza que vou te ensinar direitinho como você deve tratar o seu homem.
Não pude conter minha risada, que se espalhou pelo cômodo inteiro. Nancy, a empregada, tentou disfarçar sua risada, claramente ela mordia sua língua para não rir.
Dan é patético. Crescemos juntos devido nossos pais serem melhores amigos, as famílias ficaram mais próximas depois que a mãe dele, Susan, faleceu devido um câncer quando ele tinha 10 anos. O seu jeito machista era total influência de seu pai, Bill, que fazia questão de ensinar o filho a como ser um “macho alpha".
Ele deu um soco na mesa e saiu junto de minha mãe a caminho do escritório, onde meu pai já aguardava sua chegada. O barulho da chave trancando a porta deu total segurança para Nancy finalmente rir de Dan, não consegui evitar em rir de novo. Olhei para a mulher de cabelos loiros e curtos e fiz sinal para ela se aproximar.
- Nancy, me faça um favor, leve um café para eles e tente escutar o máximo possível da conversa. – falei entusiasmada. Sempre tive vontade de saber sobre tantos negócios que eles tratam, afinal, por ser mulher, era deixada de fora das reuniões. A única coisa que sabia é sobre um empréstimo que o pai de Dan faria para meus pais poderem investir em nossa rede de hotéis.
Nancy assentiu com a cabeça e rapidamente foi fazer o café maravilhoso que somente ela sabia fazer, com um toque especial de canela. Passaram-se alguns minutos quando ela voltou com uma bandeja com três xícaras e caminhou em direção ao escritório. Ela bateu na porta e mamãe a abriu, dando passagem para ela entrar. Tentei ver o que estava acontecendo lá dentro, mas não consegui.
A mulher saiu do escritório e veio correndo em minha direção, suas feições não eram as melhores. – , estão planejando casar você com o Sr. Dan.


Capítulo 1 - Save You Tonight

Os preparativos para a recepção da festa no hotel em Londres já estavam quase prontos, o decorador finalizava os arranjos de flores nas mesas, os fornecedores das comidas já haviam chegado e começado a trabalhar na cozinha, o cardápio fora todo planejado por mamãe, que gosta do título de alta dama da sociedade e meu pai não poderia estar mais feliz. E eu? Nunca estive com mais raiva. Simplesmente é impossível de acreditar que em pleno século 21 ainda poderiam fazer um casamento arranjado.
Mamãe não parava de falar sobre o filho dos Stones, aquele playboy entojado que só pensava nos potes de gel para passar em seu topete. Ela tagarela como se ele fosse o genro que havia pedido a Deus.
Do meu quarto eu posso ver toda a arrumação do jantar de noivado, que é mais uma celebração de negócio entre nós, os e os Stones. O relógio já marca 18h e mais 2h faltavam para o teatro começar. Pensar em Dan Stone me dá refluxos contínuos e dor de cabeça.
- Minha filha querida, você ficará deslumbrante com esse vestido. É modelo exclusivo, feito sob medida e obviamente com o gosto que tenho, olhares não sairão de você esta noite. - mamãe botou o longo vestido branco em meu colo, juntamente com um conjunto de brincos e colar de esmeraldas. – Após o jantar, você e Dan têm um encontro marcado, ele mesmo escolheu um lugar para te levar. É segredo de Estado.
- Não entendo sua felicidade em vender sua filha mais velha para um desconhecido. Casamento arranjado era comum há mil anos atrás, não em 2019.
- Entenda que queremos seu bem. Estamos à beira da falência, queremos te proteger. O pai de Dan é dono de um dos maiores bancos do mundo e já está quase batendo as botas. Dan é seu único herdeiro, sem contar que ele sempre teve interesse em você.
- Não nego que dinheiro é bom, mas e a minha felicidade? Dinheiro não pode comprar.
- Ora, se dinheiro não traz felicidade, como você pôde realizar todas suas viagens, faculdade e luxos? Como sempre teve seus mimos? Sorrisos não pagam suas Channel.
Droga, ela realmente me pegou desprevenida em suas palavras que me atordoei e nem tive forças para refutar. Ela sorriu vitoriosa como se houvesse acabado de ganhar uma batalha.
Essa ideia louca de meus pais desde o começo me tira o sono e me dá ansiedade. Essa aproximação forçada com Dan, todos os encontros com ele, todos momentos que tivemos poderiam me dar um Oscar como atriz do ano.
Desde quando soube dos planos elaborados por minha família, me surgiu a idéia de guardar dinheiro e durante 02 longos anos, guardei em conta o suficiente para comprar um apartamento confortável o bastante para viver e me manter por poucos anos. Claro que havia ainda meu consultório, que aos poucos consegui ganhar e manter com minha pouca independência financeira.
Como uma boa filhinha de papai continuei sendo mimada e me deixei levar por toda essa loucura, não tive voz ativa para impor minhas vontades como uma jovem mulher.

***

Um maquiador e uma cabeleireira me arrumam ao mesmo tempo para que eu fique pronta mais rápida. Mamãe acabou de descer para receber os convidados escolhidos a dedo. Meus cabelos caem sobre meus ombros e costas em grandes e largas ondas perfeitamente alinhadas e o maquiador passa um batom vermelho em meus lábios logo depois de finalizar a minha pele.
Durante minha preparação, pensei em mil maneiras de recuperar minha vida de volta, de recuperar minhas escolhas. Tenho muito a perder, mas no futuro, não quero me arrepender de nada do que eu deixei de fazer.
Dispensei os dois e encarei o vestido que mamãe deixou no cabide, tirei meu roupão e tomei um banho bem quente e com bastante cuidado para não estragar todo o trabalho feito até agora.
Sabia que todos aguardavam a minha entrada e assim que me arrumei, peguei minha bolsa de mão e apertei o botão do elevador que me levaria para a festa. Assim que ele se abriu, virei o alvo de todos os olhares.
Mamãe veio diretamente até onde eu estava e me puxou pelo braço para um lugar mais vazio. – , onde está o vestido que escolhi para você? Que roupa é essa? Isso é um jantar de noivado, não uma boate. - ela encarava meu vestido curto preto com olhos de reprovação.
- Mudança de planos, Sra. . Estou bem mais atraente com essa roupa e disfarce essa cara que o seu colírio salvador se aproxima.
Dan caminhava em minha direção e sua visão não saía de minhas pernas desnudas. Ele mordeu seu lábio e sua cara poderia dizer o quanto ele estava satisfeito com o que via.
- ... Está muito bonita. Confesso que esperava uma roupa apropriada, mas você não deixa de estar deslumbrante como sempre.
- Agradeço o elogio, Dan. - logo peguei uma taça de champanhe que um garçom serviu. Ele chamou minha atenção por não ser velho como os outros. Era um rapaz de minha idade aproximadamente e muito bonito, por sinal. Sorri agradecendo e ele sumiu na multidão.
- Jane, você poderia nos deixar a sós por alguns minutos? Gostaria de ter uma conversa em particular com sua belíssima filha. – esse crápula sabe manipular muito bem as pessoas, principalmente minha mãe, ainda estou me decidindo se ela é ou se faz de cega e não enxerga o ser humano que tenho que lidar para a agradar.
Mamãe ficou um pouco sem graça e nos deixou a sós. Dei mais um gole na minha taça enquanto a assistia partir. Cruzei meus olhares com o garçom no meio do salão e ele percebeu, o rapaz ficou um pouco desajeitado, quase deixando a bandeja cair.
Encarei Dan que não tirava os olhos de meu corpo. Ele não estava acostumado a me ver usando roupas mais curtas durante nossos encontros arranjados.
- Sabe, , você sempre me despertou desejos inimagináveis e agora com essa roupa... se você soubesse a vontade que estou de rasga-la e usar seu corpo em várias posições possíveis, você...
- Nem ouse terminar, seu tarado. Só de ouvir essa sua voz me dá vontade de vomitar. Você não vai tocar em mim.
- Lindinha, esqueceu que iremos nos casar? Você realmente acha que uma hora não vai transar comigo? Vai bancar a difícil?
- Dan, eu posso aturar sua presença, posso aturar nossos encontros forçados, mas nunca irei ter nada com você. Vou dar um jeito de me livrar de você, pode ter certeza.
Ele me segurou pelo braço e aproximou sua boca perto de minha orelha. – Vamos ver, docinho. Você não resistirá aos meus encantos.
Puxei meu braço e ao adentrar no salão, fui parada por diversas pessoas conhecidas que queriam me cumprimentar. Dei milhões de sorrisos falsos e tive que aguentar o sermão de meu pai que eu deveria aguentar essa situação por 03 anos e depois, eu poderia pedir o divórcio, como se tudo fosse extremamente fácil.
Saí de perto do meu pai inconformada e procurei uma mesa mais afastada para me sentar e aproveitar minha própria companhia. – Um brinde ao meu fracasso. – disse para eu mesma e finalizei meu champanhe.
O mesmo garçom de antes se aproximou de mim, dessa vez com certo receio.
- Mais um champanhe, senhora? – ele ofereceu.
- Não me chame de senhora. Meu nome é e sim, vou querer mais uma taça. Não quero ficar sóbria está noite.
- Tudo bem, senhora... quer dizer, . - ele me entregou a taça e se retirou.
- Rapaz, volte aqui.
Ele se virou em minha direção e retornou. – Precisa de mais alguma coisa?
- Qual é o seu nome? Meu pai sempre contrata os mesmos serviços para eventos e nunca te vi. Você é novo?
- Meu nome é e sou novo sim, comecei menos de um mês.
- , gosto do seu nome. Essa festa está um saco. Posso te pedir um favor? Mantenha meu copo sempre cheio. - dei um sorriso e ele se retirou.
Dan pegou um microfone e todos se voltaram a ele, que provavelmente iria começar um discurso.
- Boa noite, senhoras e senhores. Gostaria da atenção de todos, por gentileza. Quero chamar aqui meus futuros sogros, Jane e Ben, assim como meu pai, Bill. - os três se aproximaram de Dan e ele continuou a falar. – Primeiro, agradeço a presença de todos e digo que estou muito feliz. Eu jamais poderia imaginar que a mulher da minha vida esteve ao meu lado desde muito jovem, afinal, a grande amizade das famílias nos uniu e hoje, irá acontecer algo maravilhoso.
As pessoas aplaudiam e sorriam com a palestrinha.
- Agora, gostaria da presença da linda , venha aqui, querida. Não seja tímida.
Tentei me esconder debaixo da mesa, mas me acharam, o que era horrível, já que abriram passagem e senti empurrões me encorajando a me aproximar. Minha mãe me fuzilava com os olhos e posso dizer que seu olhar era mortal, se ela pudesse me pegar pelo pescoço e me levar até Dan, ela faria. Mas nesse momento, o mais importante é se portar como uma dama.
Dan me puxou e me pôs ao seu lado, botando sua outra mão no bolso tirando uma caixinha e se agachou em minha frente. É previsível saber o que ele irá fazer. – , casa comigo? – Dan botou o anel em meu dedo enquanto havia vários aplausos se estendendo no salão. Ele se levantou e botou sua mão em minha cintura, me puxando mais para seu corpo.
- , querida. Agora queremos te ouvir. – ele disse.
Peguei o microfone e segurei próximo de mim, respirei fundo e tomei coragem para fazer o que eu queria desde o início da noite.
- Hm, eu quero começar dizendo que essa festa está muito chata. Meu Deus, música clássica é o fim da picada. – mamãe veio em minha direção e tentou tirar o microfone de mim. – Chega, eu vou falar agora, a senhora aceitando ou não. Quero aproveitar a presença de todos para falar que tudo isso é uma farsa. Dan, de uma forma educada, eu não gosto de você e você sempre soube disso, é impossível sentir afeto e amor quando não existem faíscas de sentimentos. Me desculpe. Desculpe todos que vieram aqui essa noite, não existe noivado algum.
As pessoas ficaram em choque e comentavam pelo salão. Pude ver os garçons rindo e surpresos ao mesmo tempo, mas não tão surpresos quanto meus pais e Dan, que nunca imaginaram que eu pudesse ter essa reação.
- Mocinha, trate de se redimir e dizer que isso foi uma brincadeira de mau gosto. Meu pai disse enquanto me puxava.
- Eu não vou fazer isso. Arrume outro meio de ter dinheiro sem botar minha vida no meio.
Saí apressada da multidão e pude ouvir meu pai gritar: - Segurem ela!
Num impulso irracional, corri o mais rápido possível enquanto os seguranças tentavam me pegar. Perto do elevador estava , acho que ele nunca presenciou algo assim. Ele apertou o botão e o elevador logo se abriu, puxei ele para dentro comigo e por que diabos eu fiz isso? Apertei o botão para as portas se fecharem e minha última visão do salão foi a dos seguranças tentando abrir a porta de forma manual.
- MEU DEUS, VOCÊ ESTÁ LOUCA? – falou desesperado.
- Acho que sim. Estou louca! – olhei em seus olhos castanhos ao falar.
A porta do elevador se abriu, dando para o saguão do hotel e mais uma vez o puxei comigo, passamos correndo pelo saguão, atraindo vários olhares e segundos depois os mesmos seguranças apareceram nos perseguindo.
Saímos do hotel e corremos sem parar por aproximadamente três quadras até perceber que não estávamos mais sendo seguidos. Já estávamos sem fôlego quando paramos de correr. Respirávamos ofegantes demais para conseguir dizer alguma coisa.
- VOCÊ REALMENTE É MALUCA E AGORA VOU PERDER MEU EMPREGO. – ele disse depois de se recuperar um pouco.
Não consegui dizer nada, minha única reação era o encarar. Pude reparar melhor seu rosto e cada detalhe que deixei passar despercebido. Ele realmente é muito bonito e é o tipo de cara que me atrai.
- Não foi minha intenção, mil perdões. Quero poder te recompensar de alguma forma.
- Eu não quero seu dinheiro por piedade ou consciência pesada. Eu vou embora pra minha casa e fingir que isso nunca aconteceu, além de ligar bem cedo para meu chefe pedindo uma segunda chance.
- Não me deixe sozinha. Por favor. Eles vão vir atrás de mim, quero esperar até eles esfriarem a cabeça.
- Me desculpe, mas isso é problema seu e não meu. – falou me dando as costas e saiu andando.
- , por favor, me ajuda.
- O que você quer que eu faça?
- Eu não sei.
Ele botou as mãos na cintura e bufou, olhou para o céu, o que me fez olhar também e notei que era uma linda noite estrelada de lua nova.
- Só me segue. – ele disse e fiz o que ele pediu.
Realmente eu não havia parado para pensar na grande merda que fiz, com as consequências que vou ter que lidar e nunca mais ser impulsiva desse jeito. , como você está encrencada.


Capítulo 2 - Get To Know Me

andava a dois passos na minha frente e ele resmungava a toda hora sobre o quanto ele estava ferrado, além de fazer contas sobre o quanto faltava para o valor total do aluguel. Ele é mais alto por uns 20 centímetros e seu ombro largo era percebido mesmo dentro de uma roupa de garçom.
Durante a caminhada pensei no que teria acontecido se eu tivesse continuado com todo esse teatro. A esta hora, provavelmente eu estaria sendo levada para o encontro secreto com Dan e só Deus sabe o que poderia acontecer e o que ele poderia tentar comigo. Só de imaginar me dá calafrios.
O vento começa a ficar mais raivoso, o que me faz tentar aquecer meus braços. Abri minha bolsa e peguei meu celular, já são 21:57h da noite e haviam 178 chamadas perdidas, na verdade, 179 com a que recebo neste minuto. Resolvi não atender e desliguei meu celular, o guardando na bolsa novamente. Não estava prestando atenção no caminho e só notei quando bati com o rosto nas costas de .
- Você precisa olhar por onde anda.
- Eu sei, me desculpe. Para onde estamos indo?
- Comer alguma coisa. Estou com fome e você? Se bem que você deve ser do tipo que vive de salada.
Soltei uma leve risada após o ouvir e ver sobre o quão mal ele me julgou. – Sabia que sou conhecida entre meus amigos por comer 23 cachorros-quentes em menos tempo? Meu recorde é de 10 minutos e 41 segundos.
Dessa vez foi ele quem me puxou pela mão e entramos numa pizzaria. O lugar era bem simples e haviam algumas pessoas. As paredes eram verdes e as toalhas da mesa eram quadriculadas de vermelho e branco, havia também um rosto de um homem bigodudo feito em neon branco na parede principal.
Uma jovem atendente reconheceu e soltou um grande sorriso quando o viu. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo baixo e o uniforme estava impecável. Ela se dirigiu até nossa mesa e pegou seu bloco de notas e uma caneta.
- Oi, . Quanto tempo que não te vejo, hein?! Vai querer a de sempre? – a jovem parecia estar feliz em o ver devido seu largo sorriso estampado em seu rosto.
- Hoje vou deixar a “Milady” escolher. – disse enquanto me entregou o cardápio. A jovem nem notou minha presença antes dele falar e pude ver sua cara de desapontada.
- Gosta de pepperoni?
- É a minha favorita. – ele sorriu e olhou para a jovem garçonete. – Vamos querer então uma grande de pepperoni, do jeito que eu gosto. – ele piscou para a menina e ela saiu.
- Você vem sempre aqui? - perguntei curiosa enquanto o fitava.
- Sim, sempre que posso, eles têm a melhor pizza do bairro, daquelas que o queijo parece ter saído de comercial.
- A menina pareceu surpresa ao me ver. Ela com certeza tem uma quedinha por você, já percebeu?
- Você acha? Ela só deve ser bem tímida. – pareceu surpreso ao processar minha fala.
- Eu tenho certeza, meu radar não engana. Até que ela é bonitinha, você poderia a chamar para sair um dia.
olhou para a garçonete e a mesma abaixou a cabeça tentando disfarçar que estava o olhando. Seu rosto voltou a ficar vermelho e logo me olhou. - Esse tempo todo pensei que ela ficava vermelha por causa do calor aqui dentro. – ele riu baixo e olhou para a rua pela grande janela de vidro.
- Te deixei encrencado, não é? Me desculpe, nunca foi minha intenção.
- Na hora fiquei com raiva de você e agora parece que foi quando tudo aconteceu.
- Eu vou ligar para o dono do buffet e vou conversar com ele, vou assumir toda a responsabilidade. – toquei sua mão tentando mostrar que iria o ajudar mas ele a tirou em seguida.
- , quando tudo isso passar, você vai se esquecer de mim. Segunda-feira vou atrás de outro emprego, não tenho vida mole de rico. – ele encostou no encosto da cadeira e botou suas mãos sob seu pescoço.
- Você acha que minha vida é mole? – falei indignada.
- Acho. Meu radar não me engana. – falou de forma irônica sobre o que eu praticamente havia acabado de falar para ele e deu uma piscadela para mim.
A pizza logo chegou e realmente é muito boa. Uma das melhores que já comi. Enquanto estávamos comendo, tive a oportunidade de conhecer um pouco mais do jovem: ele se formou em Oxford e na verdade é arquiteto mas perdeu o emprego há pouco tempo, não têm medo de trabalhar duro, adora animais e segundo ele, faz a melhor lasanha existente.
Enquanto conversávamos, não pude deixar de notar seu sorriso e como seus olhos se fechavam quando sorria. Sua risada era leve e gostosa de ouvir, daquele tipo contagiante.
- Então, acho que é minha vez de te levar a algum lugar. - deixei o valor da conta em dinheiro na mesa e o puxei comigo.


Capítulo 3 - Getting Crazy Till' We See The Sim

As ruas estavam mais vazias por causa do horário, tendo somente aglomerações em locais próximos a boates e bares. Andamos até uma pequena mercearia, indo diretamente na parte de bebidas, procurei pela mais forte e peguei duas garrafas.
- Uma pra você e uma pra mim. – falei enquanto o entreguei a garrafa. O escutei me chamar de doida bem baixinho e ri, deixando ele pagar a compra.
Abri minha garrafa e dei um longo gole, o que o deixou assustado, nunca deve ter visto uma garota beber tão rápido assim. Ele abriu sua garrafa e também bebeu.
- Vamos fazer um brinde?
- Qual é o sentido de brindar uma bebida que já bebemos?
- Para de ser chato, . Podemos brindar a vida. O que acha?
- Pode ser. – tocamos nossas garrafas e sorri olhando pra ele.
- Você é muito sério, . Deveria sorrir mais, você tem um sorriso muito bonito e prefere manter uma cara azeda.
- Minha cara não é azeda, só não sei como agir. Mal te conheço, somos de mundos completamente diferentes.
- Garanto que se você me conhecer, você vai gostar.
- E por que você acha isso?
- Todo Mundo gosta de mim, eu sou uma pessoa agradável. E divertida.
- Esqueceu de falar que é doida.
- Eu não sou doida. Meu único problema é ser impulsiva, ao mesmo tempo é bom e ruim. Aliás, tive uma idéia. Me dê seu celular.
- Pra que você quer meu celular?
- Vou pedir um uber, você vai ver quando chegar.

O destino do uber nos deixou em um clube que costumo vir. Nessa hora já não tinha ninguém exceto os seguranças. Já havia entrado diversas vezes escondida na minha adolescência para ter meus momentos sozinha e respirar um pouco.
Puxei para a quadra de basquete e liguei as luzes. A quadra estava fresca, aparentemente desligaram o ar condicionado há poucas horas.
- Sabe, ... uma coisa que poucos sabem é como sou boa em basquete.
- E o que você pretende fazer?
- Um strip basquete. Quem errar as cestas tira uma peça de roupa.
- Hm... e depois você não gosta que eu te chame de doida. Mas eu topo, só pra provar que eu sei me divertir e que não tenho uma cara azeda.
Peguei uma bola e de longe consegui acertar a cesta, bateu palmas e encarei como um leve deboche, o que me fez jogar a bola forte para ele, que reclamou logo em seguida. E como era previsível, ele errou sua cesta e tirou seus sapatos.
Íamos jogando e conversando, estávamos tendo um momento agradável e divertido. mostrava cada vez mais um lado que me encantou e que me faz querer o ter na minha vida, o jeito que ele fala de sua vida, família e amigos é encantador.
Sim, é muito cedo para ter sentimentos, mas não têm como negar que existe uma tensão sexual entre nós e principalmente da forma discreta que ele olha para o meu decote, mas sempre me respeitando.
Depois de tantas partidas, tendo eu como grande vencedora, estava apenas usando uma cueca boxer preta. Suas roupas estavam espalhadas pelo chão e ele tentava sua última cesta, que finalmente ele acertou e comemorou escorregando no chão da quadra. Fui o ajudar a se levantar e acabei caindo em cima dele, deixando nossos rostos bem próximos.

Pegamos nossas coisas e saímos correndo depois que um segurança apareceu, já estávamos virando corredores profissionais. Paramos atrás de um muro para o poder terminar de se vestir. Ele vestiu apenas a calça e a camisa social, deixando em suas mãos o colete e terno brancos.
Mais à frente tinha uma boate com uma fila imensa. Já tinha ido algumas vezes com umas amigas, conhecia o segurança e ele nos deixou entrar. A música estava bem alta e fomos direto para o bar. Pedi um sex on the beach e um Martini.
Começou a tocar “I Found You” do The Wanted e o puxei para a pista de dança. – Eu adoro essa música. – falei perto de seu ouvido.

She wants me to come over
I can tell her eyes don't lie
She's calling me in the dark
She moves us where the room
around the lights up like the sky
Confidence like a rock star
I wanna put my hands on her hands
Feel the heat from her skin
Get reckless in the starlight
I'm moving to the beat of her heart
I was so lost until tonight, tonight

dançava com seu corpo colado no meu, suas mãos passavam por minha cintura depois que as coloquei na mesma. Estava de costas pra ele, sentindo o ritmo da música invadir meus movimentos e me deixar mais leve, gostando de seus toques em meu corpo.
Ele me virou de frente e me puxou para mais perto, colando mais uma vez nossos corpos. O rapaz botou sua mão em meu pescoço e olhou em meus olhos. – Não aguento mais, desde quando te vi, te achei muito atraente e o que eu mais quero agora é você. – então ele me beijou e meu deus, que beijo maravilhoso. Nossos lábios têm um encaixe perfeito e nossas línguas se moviam como uma sinfonia.
me levou para sua casa, durante o caminho não conseguimos nos conter e voltamos a nos beijar, dando uns amassos mais quentes. Ele abriu a porta o mais rápido possível e fomos para o chuveiro e do chuveiro para cama, passando uma madrugada bem calorosa cheia de prazer.
O sol bateu em meu rosto, me despertando e vi que estava completamente nua deitada sob o peito de , que envolveu seu braço em minha cintura. Já era 10h da manhã. Tirei seu braço de mim e vesti minhas roupas, peguei minha bolsa e liguei meu celular, haviam mais de mil ligações perdidas. Peguei meu batom vermelho e escrevi meu número de celular no espelho do banheiro. Por um último momento, olhei dormindo e dei um beijo em seu rosto.
Então eu já estava pronta para enfrentar o longo dia.<


Capítulo 4 - Night Changes

Cheguei em casa e havia uma viatura de polícia, meus pais estavam desesperados e ouvia os gritos de mamãe de longe. Dan também estava com eles.
Tentei ir para o meu quarto sem fazer nenhum barulho, mas Dan atrapalhou meus planos.
- , onde você estava? Te procuramos em todos os lugares, estávamos desesperados atrás de você depois que aquele cara te sequestrou?
- Como assim ele me sequestrou?
- Já falamos com o dono do buffet e estamos esperando ele dar o endereço daquele insolente.
- Ele não me sequestrou e ele não é um insolente, ele é o cara mais incrível que eu já conheci. Na verdade, posso dizer que foi eu que o sequestrei. E foi a melhor noite de toda a minha vida, quando eu finalmente pude ser eu mesma.
- , nem ouse em subir. – mamãe chegou falando, com certeza ela ouviu minha conversa com Dan. Em seguida, atrás dela vieram os policiais e meu pai.
- Senhora, ela já está em casa. Aparentemente está tudo bem, foi só uma travessura. A senhora ainda vai precisar dos nossos serviços?
- Podem ir. Mas ainda queremos aquele moleque preso por sequestro.
- Ele não me sequestrou. – interferi. – Ele que veio comigo e não fez nenhum mal comigo. Está tudo bem.
Os policiais se olharam e falaram mais algumas coisas que não prestei atenção.
- Onde você estava, ? Você tem ideia do caos que você fez? Você arruinou tudo.
- Eu estava por aí. E foi muito melhor do que aquele porre de festa que vocês armaram.
- Não quero saber! Vou ligar para o juiz de paz amigo da família e você vai se casar hoje mesmo com o Dan.
O homem sorriu vitorioso e botou uma mão em minha cintura, me puxando para perto. – Viu?! Não tem como fugir de mim.
- Eu não vou me casar com você. E não vou mais deixar vocês controlarem minha vida. Como vocês são tóxicos! A partir de agora, eu tenho o controle de mim. Eu sou dona de mim, minha vida me pertence. Eu vou embora dessa casa!
- E você vai para onde? Saia e cancelo seus cartões, tiro tudo seu. – mamãe me pegou pelo braço e me ameaçou.
- Faça! Não tenho medo, você realmente não me conhece. Seus negócios com os Stones ficarão entre vocês três.
- , independentemente dos negócios, eu quero me casar com você! Eu te amo. – Dan se expressou, deixando mamãe apreensiva.
- Entendo e respeito seus sentimentos. Mas não acho que você realmente me ama, você gosta de se sentir no poder, de achar que sou sua propriedade. Você pode achar alguém que goste de você de verdade. E falando sobre negócios, o contrato está justo quanto à porcentagem de lucro. Ninguém vai sair perdendo, mas não me coloquem nesse meio. Com licença.
Subi correndo as escadas e fui seguida pelos três. Tranquei a porta e me joguei na cama, parei pra pensar na noite anterior e veio em minha cabeça. Liguei o som bem alto para abafar as batidas na porta, fui para meu banheiro e tomei um banho bem quente.
Coloquei uma calça de moletom e uma regata, um tênis bem confortável e comecei a arrumar minhas malas, já pensando no que eu poderia vender para algum bazar de marca. Ao todo foram 07 malas repletas de roupas, sapatos e bolsas. Peguei meu celular e vi que tinha uma mensagem de um número não salvo.
“Obrigado pela noite, espero te encontrar de novo. Xx .”
Essa mensagem me tirou um sorriso do rosto. Olhei ao meu redor e me despedi do meu quarto, onde passei todos esses anos, onde vivi parte de minha história. Tentava lidar com a quantidade de malas e minha única saída foi amarrar algumas com cordas para poder levar todas comigo. Abri a porta e encontrei as caras deles surpresos.
- , se você sair por essa porta, você nunca mais volta. Você entendeu? Dan, Bem, façam alguma coisa.
- Estou decidida e falo sério. Não há nada que vocês possam fazer.
Vi que o uber já estava me esperando e motorista ajudou a botar minhas coisas na mala. De longe, mamãe esperneava. Papai parecia o mais sereno, ele no fundo, sabia que eu tinha que ir embora. Já Dan, acho que finalmente conseguiu entender que eu nunca poderia ficar com ele. Eles nunca haviam me visto desse jeito. Sempre fui acostumada a me calar e obedecer, deixar com que mandassem na minha vida, que escolhessem tudo no meu lugar. Mas sou uma nova a partir do momento que fugi daquela festa.
O ponto de chegada era meu apartamento, que por anos escondi sua existência, guardando como um segredo. Entrei no imóvel e nunca me senti tão independente. A porta dava direto para a grande e aconchegante sala de estar, liguei a TV e deixei passando o canal de notícias enquanto eu arrumava minhas coisas.
Depois de saber onde o mora, deduzi que ficava há uns 45 minutos de distância.
Passei a tarde conversando com e o chamei para vir aqui, preparei a mesa de jantar para dois, já que ele me prometeu fazer. Na hora marcada ele apareceu com uma sacola de compras e um buquê de flores.
- Parabéns pela sua independência. – ele falou e deu um beijo no meu rosto. Dei passagem para ele entrar e fechei a porta. Ele vestia uma camiseta preta e calça jeans, juntamente com um tênis preto. Seu perfume invadiu o apartamento todo. – Não pude não observar o belo edifício que é.
- Eu conheço o arquiteto desse projeto e um passarinho me disse que ele está precisando de um funcionário em sua empresa. Aí eu lembrei que você é arquiteto e você tem uma entrevista para semana que vem, se quiser, é claro.
- Sua consciência pesou, né? – ele riu. – Eu aceito sim, mas vou procurar outras coisas também.
- Fico feliz! Eu tinha que dar um jeito de te ajudar depois de tudo.
sorriu e me abraçou. – Sabe, eu não sabia que precisava de uma noite como a de ontem. Não sabia que precisava te encontrar. Eu me sentia perdido, mas depois de ontem, eu andei pensando que seria legal se nós dois saíssemos mais vezes. O que você acha?
- Bom, você está na minha casa, é a primeira pessoa que vem aqui. Você já tem a sua resposta. - colei meus lábios nos dele por alguns segundos e o empurre para a cozinha, estava morrendo de fome e ele havia prometido cozinhar pra mim.
E assim foi só o começo da mais louca noite que me fez conhecer o amor da minha vida. foi à entrevista de emprego e foi contratado, ele é muito bom no que faz. E depois de uns 08 meses veio morar comigo e foi ótimo ter alguém para me fazer café da manhã todos os dias. Em um desses cafés, ele colocou um lindo anel de noivado mas deu totalmente errado porque eu acabei engolindo.
segurou minha mão e respirou fundo, em seguida me olhou e beijou minha testa. – Está pronta, ?
- Estou e você? – apertei minha mão na dele e sorri.
- Nunca estive tão pronto. – entramos juntos na sala do juiz de paz e assinamos os papéis que oficialmente iriam nos tornar marido e mulher. Ali com a gente, estavam presentes os amigos mais próximos que torciam por nossa felicidade.
A melhor comemoração que pudemos ter foi uma noite regada a comida e bebidas que nos deixaram bêbados muito rápidos. Da sacada do prédio, e eu pudemos ver uma noiva e um rapaz correndo, não pudemos contentar em nós olhar e rir que há pouco tempo isso aconteceu com a gente.
- Será que eles também vão se apaixonar? – perguntou.
- Eu tenho certeza. – o puxei para um beijo e o abracei. – Eu te amo!
- Eu também te amo!


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



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