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Última atualização: 20/08/2020

Capítulo 1 - A Proposta

- Sim mãe, sim, eu já entendi – revirei os olhos – eu vou levá-la comigo. Também amo você.
Guardei o celular no bolso e passei a mão nos cabelos pensando no tamanho da confusão em que eu havia me metido.
- E ai cara, qual é a boa? – , meu melhor amigo, apareceu ao meu lado me dando dois tapinhas nas costas.
- Minha mãe quer que eu vá passar o feriado em casa. E quer leve a minha namorada – falei sugestivamente. me olhou boquiaberto.
Prazer, meu nome é , tenho 18 anos, estou no último ano do colegial e sou capitão do time de futebol do colégio. Há um ano meus pais se mudaram para a Austrália e, depois de muitas discussões, concordaram em me deixar ficar morando com o meu melhor amigo de infância, Parker, pelo menos até terminar o colegial.
Bem, há alguns meses, minha mãe começou a pegar no meu pé falando que eu precisava arrumar uma namorada séria “Chega dessa história de ficar com uma menina diferente a cada semana – ela disse”, então eu acabei falando que já havia arrumado uma e agora ela queria conhecer a garota que havia roubado meu coração.
O problema?
Ela não existe.
- Você não fez isso!
- Eu não achei que ela fosse querer conhecer a garota – disse como se fosse óbvio.
- Você é muito burro – me empurrou fazendo com que eu quase derrubasse alguém que passava pelo corredor.
- Que merda , olha por onde anda – eu conhecia aquela voz – eu podia ter caído.
- Desculpa princesa – dei meu melhor sorriso – da próxima vez eu me esforço para que você caia de verdade - de uma piscadela em sua direção antes de me afastar.
- Vocês ainda vão acabar se pegando – comentou assim que eu o alcancei me fazendo soltar uma risada alta.
- Eu e a ? – falei entre risos – Nem se ela fosse a última mulher do mundo todo!
, nos conhecemos aos 15 anos e nos odiamos desde os 13. Ela é a pessoa mais insuportável do mundo, sem exageros, e eu tinha a grande sorte de chamá-la de vizinha.
Há uns três anos ela e resolveram namorar, durou cerca de uns dois meses e foram os piores meses da minha vida. O a levava junto pra todo lugar que a gente ia, e ela sempre levava sua cota extrema de chatisse o que na maioria das vezes resultava em várias brigas diárias entre nós dois. Pra falar a verdade, eu nem lembro o porque a gente se odeia tanto, eu só sei que a gente não se suporta.
Acontece que, há cerca de um ano, decidiu que nosso ódio contínuo é uma paixão reprimida, e desde então não me deixa em paz.
- Cara escreve o que eu digo, vocês ainda vão ficar juntos, mas voltando ao seu problema com a sua mãe, por que não leva a Lisa? – se referiu a minha atual ficante.
- Ta louco? Ela já acha que a gente ta namorando porque estamos ficando há duas semanas, se eu a levar para conhecer minha família vai achar que estamos noivos. Essa é uma ideia fora de cogitação.
- Ok. Leva outra garota então. O que mais tem aqui são garotas querendo sair com você - indicou um pequeno grupo de meninas que sorriam abertamente na minha direção, sorri de volta.
- É exatamente esse o problema, se eu levar qualquer uma delas – apontei para o grupinho – ela nunca vai me deixar em paz.
- Tudo bem, então qual é o seu plano?
- Achar uma garota que seja imune a mim, e convencê-la a ser minha namorada durante o feriado.
- E você não pode simplesmente dizer a sua mãe que ela não pode ir?
- Você conhece minha mãe Parker, ela não vai me deixar em paz durante todo o feriado.
- Então é bom você se apressar , porque seu prazo termina em menos de 24 horas – afirmou conferindo o relógio.
- Onde eu vou encontrar alguém que não vá me encher o saco no final disso tudo? – sua resposta foi interrompida pelo sinal anunciando o início das aulas. – A gente se fala depois cara - entrei em uma sala a minha direita me sentando em meu lugar de costume na última carteira.
Instantes depois, entrou na sala ofegante pela breve corrida, sendo seguida pelo nosso professor de biologia, Sr. Andrews. A garota passou os olhos pela sala à procura de uma carteira vazia para se sentar e sua expressão mudou totalmente ao constatar que a única vazia era na minha frente. Se jogou na cadeira bufando alto a fim de demonstrar toda sua irritação e eu sorri internamente imaginando o quão divertidas aquelas duas aulas seriam.
- Abram seus livros na página 63, quero todas as questões respondidas até o final da aula valendo dois pontos - Sr. Andrews anunciou.

Faltavam menos de 20 minutos para bater o sinal do fim da aula quando eu decidi que estava entediado demais; peguei um lápis qualquer e comecei a enrolá-lo nos cabelos da garota a minha frente. Nas primeiras vezes ela apenas puxou o cabelo para o lado e sussurrou para que eu parasse, na terceira vez ela surtou.
- Porra será que dá pra você parar com essa merda e me deixar em paz – gritou.
- Srta. , Sr. - Sr. Andrews nos chamou – fora - indicou a porta.
- Mas eu não fiz nada, foi ele... - protestou.
- Não quero saber de quem é a culpa Srta., quero os dois fora da minha sala agora mesmo. E seus trabalhos não serão aceitos.
- Isso não é justo - dessa vez fui eu quem tentou argumentar.
- Se vocês não saírem agora, tirarei mais dois pontos de suas médias.
Peguei minhas coisas e sai da sala atrás de uma , igualmente irritada. Quando já estávamos a uns dez passos de distância da sala, ela parou no meio do corredor e se virou para mim começando a distribuir tapas e socos por meus braços e peitoral.
- Porra , qual o seu problema? - segurei seus pulsos impedindo que ela continuasse a me bater. A garota se debateu tentando se soltar, mas como eu era mais forte seu esforço foi inútil.
- O meu problema , é que eu acabei de perder dois pontos por sua causa - a empurrei para trás e a encurralei entre a parede e o meu corpo.
- Minha culpa? Foi você que deu uma de histérica e começou a gritar.
- Porque você não me deixava em paz!
- Foda-se - soltei seus pulsos antes de lhe virar as costas.
- Aonde você vai? - perguntou irritada.
- Para qualquer lugar longe de você - respondi quando já estava longe e pude ouvir ela reclamar.
Entrei em um corredor que eu sabia que daria para os fundos da escola. Faltava mais de dez minutos para acabar a aula então resolvi ir até lá e esperar. Havia acabado de me sentar em um dos bancos quando senti meu celular vibrar.

"Acho que sei como resolver o sei problema com a sua mãe, mas você não vai gostar da ideia." era uma mensagem de .

"Fala de uma vez Parker."

"Você precisa de uma garota que você possa apresentar a sua mãe, mas que não haja feito uma lunática atrás de você depois disso."

"Você vai ficar constatando o óbvio ou vai levar essa conversa a algum lugar?"
respondi começando a ficar irritado.

"Alguém acordou do lado errado da cama hoje"

Estava prestes a mandá-lo se foder quando uma segunda mensagem chegou:

"Eu conheço uma garota que, com toda certeza, não irá se apaixonar por você no final disso e que vai deixá-lo em paz. Mas não vai ser nada fácil convencê-la a te ajudar."

"Fala sério Parker, nenhuma garota diz não pra mim. Me diz logo quem é, que antes mesmo da hora do almoço eu a convenço."

" "



- Não. Você só pode ter batido a cabeça ou coisa assim - falei assim que saiu da sala.
- Ta fazendo o que aqui? Sua sala é do outro lado do prédio.
- Fui expulso da aula por causa da , mas esse não é o assunto – comecei a andar pelo corredor em direção aos nossos armários.
- Eu falei que você não ia gostar da ideia – repetiu.
- Eu não achei que fosse ser uma ideia ridícula como essa.
- Ridícula por que ? Você precisa de uma namorada falsa pra amanhã - falou calmamente guardando os livros em seu armário e pegando outro – a não vai ficar no seu pé depois da viagem, nem achar que vocês estão namorando de verdade. Ela é a garota perfeita.
- Não!
- O que você tem a perder ? – fechou o armário com força e se virou para mim - Se ela disser não você vai continuar tendo um problema. Se ela disser sim você vai ter alguém pra apresentar a sua mãe. Sem contar que ela é uma gata.
- Não - falei novamente e fui ao meu armário trocando os livros.
- você tem menos de 24 horas e, a menos que uma garota que concorde passar o feriado com a sua família sem compromisso caia do céu, ela é a sua melhor opção.
- Ela nunca vai aceitar - falei após pensar no que ele havia dito.
- Não custa tentar.
- Eu preciso pensar beleza? Se até o intervalo eu não tiver nenhuma ideia melhor falo com a .
Entrei na aula de física assim que bateu o sinal pensando na ideia absurda de .
Passei todo o tempo da aula pensando em várias formas de resolver meu problema sem a ajuda de . As melhores ideias foram: inventar alguma coisa para não ir, falar que terminei o meu namoro inventado ou levar a Lisa. Nenhuma dessas ideias acabavam sem algum outro tipo de problema para mim. Quando o sinal para o almoço bateu, fui um dos últimos a sair da sala e encontrei me esperando em frente ao meu armário.
- E aí, o que decidiu? – perguntei quando me aproximava.
- Vou falar com ela - afirmei enquanto guardava as coisas no meu armário novamente.
Dei uma volta completa no refeitório atrás de z, mas ela não estava lá. Estava decidido a desistir quando vi correndo em minha direção.
- Ela tá lá fora - falou ofegante. Sai do refeitório e rapidamente a localizei sentada no mesmo banco que eu havia me sentado há algumas horas. Respirei fundo repassando minhas outras opções mentalmente e caminhei a passos lentos até onde ela estava com seus amigos.
- - chamei e cinco pares de olhos me encararam curiosos, ignorei os outros e me foquei em apenas um par castanho a minha frente - posso falar com você? Em particular.
me analisou e pareceu ponderar o motivo de eu querer falar com ela, aparentemente sua curiosidade falou mais alto, já que concordou com a cabeça e se levantou do banco vindo em minha direção. Fui até uma árvore afastada onde sabia que ninguém poderia nos ouvir e a garota me seguiu sem falar nada.
- E então , o que você quer? - perguntou impaciente.
- Olha eu sei que a gente não se suporta - comecei por fim e a vi erguer a sobrancelha curiosa – e eu jamais pediria isso se não fosse realmente importante.
- Do que você esta falando?
- Minha mãe quer que eu vá passar o feriado com ela na Austrália – comecei hesitante - e quer que eu leve minha namorada junto – analisei sua reação pensando em como continuar.
- Ok, e o que eu tenho haver com isso?
- O fato é que eu não tenho uma namorada , e aparentemente você é a única que pode me ajudar com isso.
- Como assim?
- Quero que você viaje comigo , e finja ser minha namorada para minha família durante o feriado - soltei de uma vez e sua reação deixou claro que ela ficou surpresa.
- Certo , qual é a pegadinha? - perguntou quando saiu do seu transe.
- Não tem pegadinha nenhuma.
- E por que eu? Quer dizer, você sempre tem uma ficante diferente por mês, chama a da vez – deu de ombros como se fosse óbvio.
- Preciso de alguém que não vá achar que estamos namorando depois. Alguém que me deixe em paz depois. E você é a pessoa perfeita para isso – repeti o que havia me dito na esperança de que isso a convencesse.
- Não - falou decidida e começou a andar de volta para sua mesa, a segurei pelo braço fazendo com que me encarasse novamente.
- Qual é ? Você não tem nada a perder.
- Tenho. Meu feriado.
- Você passa todos os feriados em casa, assistindo filme e lendo - constatei fazendo com que sua expressão de raiva piorasse. - Estou te convidando para ir para outro país , ver pessoas de verdade, praias de verdade. E a única coisa que você precisa fazer é dizer pra minha família que é minha namorada.
- Não.
- Deixa de ser teimosa, porra - gritei perdendo completamente a paciência chamando a atenção de todos em volta, passeei as mãos pelos cabelos respirando fundo antes de continuar - não estou pedindo para você pular de um penhasco , estou apenas pedindo para você passar um feriado em um lugar incrível sem precisar se preocupar com nada e, prometo não te irritar durante toda a viagem. Será que da pra você ao menos pensar um pouco antes de simplesmente falar não?
Ela olhou para todos os lados e ficou quieta por um tempo parecendo pensar no assunto e um pingo de esperança brotou dentro de mim quando ela parou seu olhar em mim com um sorriso no rosto.
- Não. - respondeu ainda sorrindo e soltou seu braço do meu aperto voltando para a mesa.
Respirei fundo me controlando para não soltar todos os xingamentos que se passavam pela minha cabeça e fui para onde estava perto da porta que levaria ao refeitório.
- Como foi? - perguntou assim que me aproximei. Ignorei sua pergunta e entrei no prédio seguindo a passos duros até o meu armário.

’s POV

- E então você vai me falar o que o queria com você ou eu vou ter que ir lá perguntar diretamente a ele? - , minha melhor amiga, apareceu na minha frente fechando a porta do meu armário com força. Depois que eu havia conversado com , todos na mesa começaram a me perguntar sobre o que ele queria conversar, mas sempre mudava de assunto ou falava que não era nada demais. O único problema era que era persistente e não desistiria enquanto eu não lhe contasse em detalhes o que queria comigo.
- Já falei que não era nada demais - falei novamente começando a caminhar em direção a sala de química.
- Certo, entendi - olhou ao seu redor e eu parei no meio do caminho tentando entender o que ela estava fazendo. Seu olhar se fixou em algum ponto metros a frente; olhei para a mesma direção finalmente entendendo o que ela pretendia fazer.
estava parado alguns metros a nossa frente conversando com Parker e seu grupinho de amigos.
- Nem pense nisso - falei um pouco tarde demais já que quando terminei ela já estava na metade do caminho.
- , será que a gente podia conversar? - parou na frente dele sorrindo cinicamente.
- Não - respondi por ele e a puxei pelo braço até o banheiro feminino. – O que você pensa que está fazendo ?
- Eu disse que se você não me falasse ia perguntar a ele - deu de ombros e eu quis lhe dar um tapa. Fechei os olhos e contei até 10 antes de voltar a falar.
- Certo, eu conto – abri a boca para responder, mas fui interrompida pelo sinal - Merda. Fica com o celular na mão – gritei já fora do banheiro correndo para a minha sala.
Consegui entrar na sala antes do professor chegar, completamente ofegante por ter corrido. Me sentei no único lugar vazio que tinha, ao lado de Parker, e peguei meu celular.

"Ele queria que eu fingisse que a gente namora pra família dele durante o feriado" digitei rapidamente e enviei para recebendo a resposta menos de um minuto depois.

"Tipo uma namorada temporária?"

"Sim, ele disse que precisa de alguém que não vá ficar enchendo o saco depois"

"E o que você disse?"

"Eu disse não"
revirei os olhos como se fosse óbvio.

"VOCÊ TÁ LOUCA? QUAL O SEU PROBLEMA?" respondeu em apenas alguns segundos e eu não entendi a sua reação.

" eu não vou fingir que sou apaixonada pelo . Eu não aguento ficar na mesma sala que ele por mais de 5 minutos sem discutir, imagina o feriado todo."

"Tá eu sei. Mas você pode tirar alguma vantagem com isso"
eu precisava admitir, sua última mensagem havia me deixado curiosa.

"Como assim?"

"Pensa comigo , se ele te pediu isso é porque ele está claramente desesperado. Pede alguma coisa em troca"

"Tipo...?"

"Sei lá. Você é criativa , com certeza vai pensar em alguma coisa"
antes que eu pudesse respondê-la, meu celular vibrou novamente indicando outra mensagem.

“Por que não aceitou a proposta do ?" era uma mensagem de . Olhei para ele distraído ao meu lado antes de responder.

"Porque isso claramente não vai dar certo. Ninguém nunca acreditaria que a gente namora. Sem contar que, passar mais de 2 horas com ele sem dúvidas resultaria em um assassinato."

"Vocês podem dar uma trégua, ué. Ele realmente precisa da sua ajuda e você sabe disso. O pode agir como um idiota na maior parte do tempo, mas ele é um cara legal e eu tenho certeza de que vocês se dariam bem, se conseguissem parar de brigar"

"Eu e o somos de mundos completamente diferentes , e você sabe disso melhor que qualquer pessoa.”

“Por favor, por mim”
olhei para irritada, aquilo era golpe baixo e ele sabia perfeitamente disso. Pensei no que havia dito e respirei fundo antes de procurar um contato que eu nunca soube ao certo porque estava ali.

“Me encontra no estacionamento na hora da saída.”



“Não me diga que mudou de ideia.”
respondeu prontamente, era possível sentir sua ironia naquela frase.

“Isso você só vai descobrir às três.”

Guardei o celular no bolso novamente e voltei a prestar atenção na aula me preparando mentalmente para a conversa que teria com mais tarde.

O sinal tocou as três horas em ponto. Guardei minhas coisas de qualquer jeito na mochila e segui a passos largos até o estacionamento do colégio. estava encostado no capô do seu carro mexendo em alguma coisa no celular. Assim que me viu, guardou o celular no bolso e cruzou os braços me olhando com um sorriso sedutor no rosto.
- Ta atrasada - falou assim que me aproximei.
- São três horas agora , você que está adiantado.
- Que seja. O que você quer conversar?
- Andei pensando sobre o que você me pediu na hora do almoço e, eu decidi que vou te ajudar com seus pais, mas tenho uma condição – o breve sorriso que havia começado a se formar em seu rosto sumiu.
- Fale.
- Você vai ter que fazer tudo o que eu quiser durante um mês, sem questionar.
- Fala sério , eu não vou ficar bancando o seu empregado particular - negou veemente com a cabeça.
- Você precisa da minha ajuda , e eu estou disposta a te ajudar. Só estou pedindo uma coisa em troca.
- Não - negou novamente.
- Certo – dei de ombros me afastando – É melhor você se apressar, você tem menos de 12 horas pra arrumar uma namorada – lhe dei as costas e comecei a caminhar para o portão de saída.
- Espera – havia dado pouco mais de cinco passos quando sua voz me fez parar – Eu topo.



Capítulo 2 - Se conhecendo

Marquei de encontrar na casa de em duas horas e segui para minha casa com tagarelando ao meu lado sobre como esse acordo seria vantajoso.
Bom, meu nome é , tenho 17 anos, estudo no Kingston College e sou líder de torcida. Graças a isso e a minha rixa com , sou considerada uma das meninas mais populares do colégio, o que as vezes acaba sendo extremamente irritante. Meus pais são brasileiros, moram em Londres há 20 anos o que me torna uma cidadã britânica, mas sou fluente em português e sempre que podemos, passamos as férias no Brasil com meus avós.
- Pensa só , o fazendo tudo o que você quiser, ele realmente devia estar desesperado para concordar com isso – falou assim que entramos na minha casa. era minha melhor amiga desde o ensino fundamental e mais do que ninguém ela tinha total conhecimento do meu problema com . – Você já sabe o que vai falar para sua mãe?
- Ainda não.
- Pelo menos ela adora o , acho que é um ponto positivo – comentou abrindo a geladeira. Eu não tinha pensado nisso ainda, foi meu vizinho por anos, é claro que nossos pais se conhecem. – E pelo que eu me lembre – continuou – a mãe do também adora você.
- ? É você? – ouvi a voz da minha mãe vindo da sala.
- Oi mãe – dei um beijo em sua bochecha quando ela entrou na cozinha.
- Como foi a aula hoje? – minha mãe me perguntava isso todos os dias quando eu voltava do colégio, eu achava fofo.
- Tranquilo mãe – achei melhor omitir a parte em que fui expulsa da sala. – Quero falar com você sobre uma coisa.
- Diga.
- me chamou para viajar com ele nesse feriado. Ele vai pra Austrália ver a família.
- ? Como ele está? – sua empolgação era palpável – Faz tanto tempo que não vejo o pequeno . Bom, mande um beijo para Emily e todos. E mande vir me visitar.
- Então isso é um sim?
- Eu conheço a Emily, sei que você vai ser bem cuidada. E seu pai vai trabalhar nesse feriado então não teria muita coisa para você fazer por aqui – deu de ombros. – Só me prometa, que vai ligar todos os dias.
- É claro que sim mamãe – respondi e fui até ela lhe abraçando.
- E você , vai fazer o que no feriado? – minha mãe perguntou a minha amiga que estava sentada na bancada da cozinha com um copo de água em mãos.
- Minha tia vem nos visitar, minha mãe está preparando um verdadeiro banquete de bolos e tortas para ela.
- Vou fazer minhas malas – falei me dirigindo as escadas. me seguiu.
Faziam 20 minutos que eu estava parada em frente ao meu guarda roupas e eu não fazia ideia do que levar.
- De acordo com o Google – estava deitada na minha cama com o celular em mãos – na Austrália está calor, muito calor. E pelo que eu sei, a família do mora perto da praia então acho que você pode levar alguns biquínis e roupas frescas. Nesse momento, meu celular apitou em cima da cama – É o informou me alcançando o aparelho.

“Leve roupas curtas”

Revirei os olhos ao ler a mensagem e joguei o celular na cama novamente. leu a mensagem e se levantou da cama em um pulo.
- Ok, vou te ajudar com isso porque eu já não aguento mais ver você andando pra lá e pra cá na frente desse guarda roupas e não escolher nada.
tirou uma grande mala que havia na parte de baixo do meu armário e a abriu em cima da cama; começou a abri as gavetas e portas e logo a mala começou a ser feita.
- Onde ficam os biquínis? – perguntou abrindo outra gaveta.
- Na sua esquerda – eu estava dobrando as roupas que ela havia jogado de qualquer jeito em cima da cama e as arrumando cuidadosamente dentro da mala. Mais algumas peças de roupas voaram em minha direção, arrumei os biquínis em um dos bolsos da mala e me levantei para ajudá-la a separar os vestidos.
Quase meia hora depois, minhas malas estavam arrumadas atrás da porta esperando o horário em que eu sairia. Desci as escadas novamente para almoçar e logo em seguida fui tomar banho para ficar pronta no horário. Eu odiava atrasos.

’s POV

- Alô - atendi o celular sem olhar quem era antes.
- Oi amor.
- Ah oi Lisa - falei em tom um pouco entediado ao reconhecer a voz.
- Por quê você não passa aqui em casa agora? Eu tô sozinha.
Olhei no relógio, era um pouco mais de três horas da tarde e eu ainda precisava arrumar minha mala antes de chegar.
- Não posso eu estou ocupado agora.
- Bem então por que você não vem mais tarde? Vou ficar sozinha o dia todo hoje e eu estou tendo sérios problemas com o botão do meu short - falou com a voz manhosa e um sorriso malicioso se formou em meus lábios.
- Eu posso resolver isso.
- Então você vem?
- Me de dez minutos.
Lisa podia ser extremamente chata e grudenta, mas eu precisava admitir que ela sabia exatamente o que fazer na cama. Procurei as chaves do carro e sai em direção a sua casa.
Fui recebido por um grande emaranhado loiro vestindo um mini short e uma blusinha regata. Não me preocupei em cumprimentar Lisa, apenas enrosquei minha mão em seus cabelos a puxando para um beijo enquanto a empurrava para dentro da casa puxando sua blusa para fora do corpo.

- Meus pais vão ficar fora durante todo o feriado – Lisa falou enquanto colocava sua blusa – por que você não fica aqui?
- Não posso, vou visitar meus pais no feriado – respondi sem olhar em sua direção enquanto procurava minha camiseta pelo chão do quarto.
- Tudo bem, me dá vinte minutos que eu arrumo minha mala – se direcionou ao closet, mas a interrompi no meio do caminho.
- Você não vai.
- O que?
- Você me ouviu.
- eu sou a sua namorada, nada mais comum que...
- Você não é minha namorada.
- Nós estamos juntos há semanas , isso é namoro – seu tom de voz indicava que ela estava ficando furiosa.
- Não Lisa, isso é sexo casual, achei que você tivesse entendido – falei abotoando minha calça novamente. Aquele mini piti que ela estava dando estava começando a me irritar. – Eu preciso ir, a gente se fala outra hora beleza? – peguei minha carteira que estava jogada ao lado da cama e a guardei no bolso da calça saindo do quarto.
- nós ainda não terminamos essa conversa – Lisa gritou atrás de mim. Revirei os olhos e desci as escadas rapidamente a ignorando – volta aqui – gritou novamente.
Abri a porta da frente e fui direto para o meu carro dando partida rapidamente enquanto ainda ouvia sua voz gritando meu nome.

Levei pouco mais de dez minutos de volta para casa e fui direto para o meu quarto tomar um banho. Quando sai, estava sentado na minha cama com meu celular em mãos.
- A Lisa está louca querendo falar com você.
- É eu sei.
- Achei que vocês já tivessem ido.
- O voo é mais tarde, e eu nem arrumei minha mala ainda.
- É melhor você se apressar – foi interrompido pela campainha. Olhei no relógio, eram cinco horas. – Deve ser a , vou lá atender.
Assim que saiu do quarto, entrei no closet procurando minha mala e comecei a jogar algumas peças de roupas dentro dela.
- me coloca no chão – ouvi a voz de e instantes depois entrou no quarto com a garota jogada em seus ombros.
- Parker será que você pode deixar a gente a sós um pouquinho, não sou fã de transar em público – falei saindo do closet. Os olhos de se arregalaram e a garota começou a gaguejar.
E então eu comecei a rir.
Gargalhar. me acompanhando.
- Você precisava ter visto a sua cara , foi hilária. – falei controlando o riso - Relaxa, eu não transaria com você nem que você fosse a última mulher da terra e minhas mãos não pudessem mais me ajudar.
- Saiba que o sentimento é recíproco – respondeu entre dentes. – Uau, não é como eu esperava – comentou quando olhando a redor do quarto.
À sua frente, havia um grande cama de casal, com um criado mudo em cada lado. Na parede uma grande estante de madeira com TV, DVD, jogos e várias outras coisas. À sua direita tinha uma mesa com um notebook e outras coisas do gênero em cima e à esquerda, duas portas brancas que levavam ao banheiro e closet.
- E o que você esperava?
- Ah você sabe. Alguns pôsteres de mulheres peladas pela parede, camisinhas por todo lado, uma pilha da playboy ao lado da cama ou uma coleção de pornôs perto da TV - fez uma pausa - Talvez um alvo com uma foto minha atrás da porta.
- Sabe que não é uma má ideia. Sorria – peguei meu celular e o som da câmera me denunciou.
- Você é realmente um idiota . Por que me chamou aqui afinal?
- Preciso convencer meus pais de que estamos juntos, pra isso precisamos realmente nos conhecer um pouco.
- Certo, e por onde começamos?
- Sei lá, eu nunca fiz isso antes – dei de ombros.
- Jura que nunca sentou para conversar com a sua namorada falsa? – perguntou ironicamente.
- Muito engraçada . Hilária. Vamos fazer isso logo porque eu ainda tenho que arrumar minha mala.
- Ok. E se a frente fizesse um jogo de perguntas? – sugeriu – Você me faz uma pergunta e eu te faço outra em seguida.
- É pode ser – me joguei na cama –Eu sei que você não tem irmãos, e que mora na mesma casa desde que era pequena. Seus pais são brasileiros e graças a isso você é fluente em português também.
- Fez a lição de casa – me olhou surpresa.
- Meu melhor amigo é seu ex-namorado, é claro que eu sei mais do que gostaria sobre você.
- Justo. Bom, o que eu sei, você tem dois irmãos...
- Max e Jess.
- Isso. Sua mãe me adora, e você é um babaca – completou com um sorriso.
- Você é insuportável garota – revirei os olhos – se eu não precisasse tanto da sua ajuda.
- Certo , vamos continuar. Quando é o seu aniversário?
- 12 de março. E o seu?
- 22 de março.
- Parece que temos alguma coisa em comum afinal . Comida favorita?
- Não tenho preferência, como qualquer coisa. A sua?
- A macarronada da minha mãe sem dúvidas.
- Banda favorita?
- Beatles. Você?
- Parece que temos outra coisa em comum – disse sorrindo.
- Quantos anos você tem?
- Estamos no mesmo ano , temos a mesma idade - revirei os olhos como se fosse óbvio. E realmente era. – Filme favorito?
- De volta para o futuro. Óbvio. O seu?
- Harry Potter.
- Até que você não tem um gosto tão ruim assim para filmes.
- Obrigada.
- Já ficou bêbada?
- O que? – a garota me olhou confusa.
- Quero saber se você já ficou bêbada?
- Por que isso é importante?
- Sei lá, mas fiquei curioso.
- Já – respondi depois de um tempo – Não que seja da sua conta. Como começamos a namorar?
- O que?
- Se a sua família perguntar, não vai pegar bem se cada um de nós contar uma história diferente.
- Certo. Bem nós estudamos juntos e sei lá, alguns amigos em comum, começamos a conversar e aconteceu.
- Só isso?
- Tem uma ideia melhor ? - levantei a sobrancelha em desafio.
- Eu não sei, mas podia ser uma história um pouco mais... Romântica.
- Eu não faço o estilo romântico .
- Eu sei . Você faz o estilo canalha e acho que é e exatamente por isso que inventou essa história ridícula para sua mãe.
- Você é boa com deduções, entendi. E então, qual o seu plano então?
- Não pensei em nada ainda, só acho que essa história de amigos em comum me parece profundamente falsa. Até porque seus pais sabem que não nos damos bem.
- Certo – concordei com a cabeça. Não tinha pensado nisso antes. Quando concordei com em pedir para me acompanhar nessa viajem tinha esquecido completamente que meus pais a conheciam. Agora que lembrei disso, consigo lembrar do quanto minha mãe adorava ela. – Minha mãe adorava você, isso já é ótimo. Que tal isso: eu precisava de ajuda com algumas matérias e os professores obrigaram você...
- Mais falso que os amigos em comum. Você é o maior galinha do colégio , se quer convencer sua mãe de que você mudou, precisa de uma história melhor que essa.
- Ok então princesa. Qual o plano?
- Homens são imaturos, então a gente pode falar que você o Matt e o Josh fizeram uma aposta para ver qual dos três pegaria a ex do Parker antes. Você relutou muito a participar dessa aposta mas no final o prêmio compensava e então, puff – fez uns movimentos estranhos com os dedos – cá estamos.
- Até que é uma boa história – admiti depois de pensar por um instante.
- De nada.
- Certo então temos uma história, sabemos mais do que o nome um do outro – fui numerando com os dedos – temos uma trégua de não irritar um ao outro durante a viagem, só precisamos de mais uma coisa: intimidade.
- Eu falei sério quando disse que não ia transar com você .
- Não estou falando disso garota, para de pensar que eu quero transar com você – rolei os olhos – estou falando que, namorados de verdade, não tem problema em se abraçar ou qualquer outra dessas coisas melosas. Sua cara descreve exatamente o que eu estou sentindo , pode ter certeza.

’s POV

Tudo aquilo parecia uma loucura, eu estava no quarto de , e em algumas horas estaria viajando com ele para a Austrália para me passar por sua namorada. Quando aceitei o pedido de de ajudá-lo eu estava pensando no que havia me dito, em nenhum momento se passou pela minha cabeça que, como namorada do , eu teria que me submeter a abraços, andar de mãos dadas, chamar ele de apelidos fofos e até mesmo um beijo ou outro.
- Não sei se consigo ficar tão perto assim de você sem vomitar.
- Ah amor – falou a palavra com tom de deboche – depois que você experimentar, não vai querer parar.
Eu queria vomitar.
Respirei fundo perante aquele pensamento e visualizei uma mala de viagem de tamanho médio jogada em um canto no chão do quarto. Totalmente vazia.
- , me diz que aquela mala vazia não é a mala que você vai levar para a viagem.
- Eu disse que ainda precisava arrumá-la.
- Eu achei que precisasse terminar, não começar a arrumar – exclamei.
- Na verdade eu estava esperando você chegar para me ajudar com isso – coçou a nuca de forma desajeitada.
- O que? Fala sério .
- Estou falando. Todas as vezes que eu vou pra lá minha mãe reclama que eu nunca sei o que levar, que eu preciso de uma “visão feminina” para fazer a mala então ela sempre manda uma lista do que eu devo levar. Só que dessa vez eu tenho minha linda namorada para me ajudar com isso então não preciso da ajuda dela. Sendo assim, ela não me mandou lista alguma. – deu de ombros.
- Meu Deus você é uma criança completamente dependente – revirei os olhos – vamos logo com isso.
- O meu closet é logo ali – apontou para uma das portas e ligou a TV procurando o que assistir.
- Eu não vou arrumar a sua mala – tirei o controle de sua mão e desliguei o aparelho – Você arruma e eu digo se falta alguma coisa. bufou antes de pegar a mala e seguir para o closet.
Menos de cinco minutos depois, ele voltou para o quarto com uma pilha de três camisetas, uma bermuda, algumas cuecas e meias e um moletom.
- Você tá brincando né? – perguntei apontando para as roupas.
- Qual o problema? – as colocou em cima da cama e me encarou confuso.
- Você vai ficar uma semana lá não dois dias – levantei apressadamente entrando no closet com ele logo atrás. Demorei um pouco para perceber como as roupas eram organizadas, mas assim que me localizei comecei a pegar mais roupas e jogar em sua direção.
- O que você está fazendo?
- Você queria uma visão feminina e agora está tendo. Não pode sair de casa com três camisetas e uma bermuda se pretende passar uma semana fora.
- Claro que posso, é só você ver.
- Beleza, então você leva só aquilo e explica para sua mãe como sua namorada te deixou levar só aquilo de roupa – lancei lhe um olhar desafiador.
- Você venceu – falou depois de uns instantes. Sorri vitoriosa e continuei a mexer em seu closet a procura de roupas.
Quando terminamos estava com outras quatro camisetas na mão, três bermudas, uma calça, uma camisa social e uma jaqueta de couro preta.
- Isso tudo é um exagero – reclamou pela décima vez enquanto guardava as roupas na mala.
- Apenas pare de reclamar e guarde as roupas okay?
O garoto revirou os olhos, mas guardou as roupas sem mais nenhuma objeção. Seguiu para o banheiro pegando mais algumas coisas para guardar na mala. Quando terminou, olhou as horas no celular e começou a andar apressado pelo quarto terminando de se arrumar.
- Está na hora de irmos, amor – falou e eu revirei os olhos.
O segui para fora do quarto e encontramos na sala assistindo algum programa de TV. Assim que nos viu o garoto levantou vindo em nossa direção.
- Estão prontos? – perguntou pegando as chaves do carro. Concordamos com a cabeça e seguimos em direção a garagem da casa.
- Por que estamos indo para o aeroporto tão cedo? Achei que o voo fosse só de noite.
- O voo é só de noite, mas a gente precisa comprar sua passagem e... – parou de falar subitamente analisando minha reação. – Não me diga que você tem medo de voar.
- Um pouco – admiti envergonhada.
- Mas você vive viajando com seus pais – falou exasperado enquanto guardava as malas no porta malas. Dei de ombros.
- Relaxa , a gente resolve isso quando chegar à hora, você pode dormir ou ler um livro e nem vai perceber que está voando – falou. Concordei com a cabeça e entrei no carro.

Pouco mais de quinze minutos depois, estávamos finalmente no aeroporto. Fui a uma livraria comprar um livro pra ler durante o voo enquanto e foram despachar nossas bagagens e comprar a minha passagem. Comprei um romance conhecido “P.S. Eu te amo” e encontrei os dois novamente perto do nosso portão de embarque.
- Por favor, por favor, não se matem nessa viagem – falou enquanto me envolvia em um abraço.
- Não prometo nada – eu e falamos ao mesmo tempo e ele riu.
- Se cuidem – deu um abraço em e então seguiu para fora do aeroporto nos deixando sozinhos lá.
- Nosso voo sai em uma hora – avisou checando as horas no relógio – Austrália ai vamos nós.



Capítulo 3 – Dia 1

Depois de quase 20 horas de voo, um livro lido, algumas horas de sono e muita reclamação por parte da , havíamos finalmente chegado à Austrália. Meus pais estavam nos esperando do lado de fora do aeroporto enquanto esperávamos nossas malas.
- Tudo bem, , está na hora de começarmos com o teatro. Vamos sair daqui de mãos dadas como um genuíno casal apaixonado. – falei pegando a minha mala e a dela.
- Ótimo, um sonho realizado. – falou ironicamente rolando os olhos.
O dia estava ensolarado e muito quente e eu tenho certeza de que, se eu não estivesse tão cansado da viagem, com certeza daria um jeito de passar o dia em alguma piscina. Passei meu braço pelos ombros de e a puxei para mais perto de mim enquanto caminhávamos até a saída.
- Achei que tivesse dito mãos dadas. – reclamou em tom baixo.
- É, mas achei que assim fosse ser mais realista. – respondi perto de sua orelha, sorrindo. Quem visse a cena com certeza acharia que éramos um casal meloso.
Meus pais discutiam sobre alguma coisa quando nos aproximamos, mas pararam assim que perceberam nossa presença. Minha mãe abriu um grande sorriso ao ver ao meu lado e logo tratou de se aproximar me envolvendo em um grande abraço.
- Senti tanto a sua falta, querido. – falou apertando os braços ao meu redor.
- Também senti sua falta, mãe. – retribui o abraço com a mesma intensidade.
- Essa é pequena ? Meu Deus, como você cresceu. – sorriu timidamente quando minha mãe a envolveu em um abraço. – Sempre soube que vocês ficariam juntos.
- Mandou bem. – meu pai falou em tom baixo, me abraçando. Tive que segurar a grande risada que queria escapar de meus lábios e me limitar a apenas balançar a cabeça concordando. Quando ele me soltou, se dirigiu a a abraçando também enquanto minha mãe recitava o quão bonita ela estava. Meus pais precisam urgentemente de óculos.
- Vocês devem estar cansados, vamos logo para casa para que vocês possam descansar. – meu pai falou já pegando nossas malas e as colocando no porta malas do carro.
se sentou no banco de trás tentando manter certa distância de mim. Deslizei no banco até encostar nossas pernas e passei o braço pelos seus ombros novamente a fazendo descansar a cabeça no meu ombro. Eu sabia que ela não havia gostado nada disso quando vi que ela havia fechado suas mãos em punho, mas o sorriso doce que se formou no rosto da minha mãe com certeza compensou.
O caminho do aeroporto até a casa dos meus pais era curto fazendo com que levássemos menos de vinte minutos para chegarmos lá. Minha irmã nos esperava na varanda enquanto brincava com Boris, o golden retrivier dos meus pais. Assim que ela viu o carro se aproximando, levantou-se rapidamente e correu em nossa direção pulando em cima de mim assim que desci do carro.
- Você não faz ideia do quanto eu sinto falta de discutir com você, seu idiota. – falou contra o meu peito ainda me abraçando.
- Você também faz falta, pirralha. – retribui o abraço.
- Tá, agora me deixa conhecer minha cunhada de uma vez. – me empurrou para o lado se aproximando de . – AI MEU DEUS.
- Oi, Jess. – sorriu para minha irmã e as duas logo se abraçaram como se fossem grandes amigas que não se veem há tempo. Certo, eu precisava admitir, minha família a adorava, eu havia me esquecido totalmente disso. Meus pais não paravam de babar em desde a hora que a viu e Jess nunca havia ficado tão animada em conhecer uma namorada minha como estava agora.
Jess é dois anos mais nova que eu e a , por serem vizinhas e não ter muitas outras crianças morando na nossa rua, as duas eram meio amigas na infância, viviam brincando de bonecas e armando alguma pegadinha para cima de Max, meu irmão mais velho. Quando entrou para o colegial, acabaram se separando devido a diferença de idade. Como foi que eu pude esquecer disso?
- Eu ainda não acredito que você está namorando o idiota do meu irmão. Vem, a gente tem muito o que conversar. – Jess falou a puxando pelo braço. me olhou em um claro pedido de ajuda e a única coisa que eu podia fazer era rir.
Ajudei meus pais a tirarem as malas do carro - a mala de devia pesar uns dez quilos - enquanto os ouvia falar que eu tinha feito uma ótima escolha namorando com ela blá, blá, blá. Perdi a conta de quantas vezes tive que me controlar para não começar a revirar os olhos com todos aqueles comentários. Quando entramos em casa, Jess e estavam sentadas na sala, conversando animadamente, com Boris sentado nos pés delas dormindo. Max estava jogado no outro sofá dormindo.
- Vocês devem estar cansados e com fome. – minha mãe falou perto da escada. – Venham, vou levá-los até seu quarto e vocês podem tomar um banho enquanto eu faço alguma coisa para vocês comerem.
se aproximou para pegar sua mala e subimos atrás de minha mãe até a porta de onde seria o meu quarto. Joguei minha mala na grande cama de casal enquanto esperava na porta do quarto minha mãe lhe mostrar onde ela ficaria.
- Er... Eu não tive tempo de arrumar o quarto de hóspedes então vocês vão ter que dividir o quarto. – minha mãe falou um pouco envergonhada.
- O quê? – e eu perguntamos ao mesmo tempo.
- Bem, vocês estão juntos há algum tempo já, eu achei que não tivesse problema. – minha mãe me lançou um olhar confuso.
- Você está certa, mãe. – dei meu melhor sorriso falso. – Só ficamos surpresos por vocês terem nos deixado ficar juntos, não é, amor? – olhei sugestivamente para torcendo para que ela seguisse com o plano.
- É, claro. – a garota respondeu com um sorriso tão falso quanto o meu e eu respirei aliviado. Minha mãe abriu um grande sorriso em nossa direção antes de sair do quarto nos deixando sozinhos. – Eu não vou dormir na mesma cama que você. – falou pouco tempo depois de a porta ter batido. Peguei seu braço e a puxei até o banheiro.
- Você tá louca, garota, quer que alguém te ouça? – liguei o chuveiro para abafar o som de nossas vozes.
- Eu não estou nem aí se alguém vai ouvir ou não. Eu não vou dividir uma cama com você, .
- Ótimo. Pois então durma no sofá. – respondi irritado.
- O quê?
- Essa é a minha casa, , minha cama, você que se vire.
- Cadê o cavalheirismo, ?
- Ah, amor – enrolei uma mecha de seu cabelo nos dedos – pra você não existe. – pisquei em sua direção e sai do banheiro. Pude ouvi-la bufando atrás de mim antes de fechar a porta com um pouco de força.
Quase meia hora depois, saiu do banheiro enrolada em uma toalha e com os cabelos molhados pingando nas costas. Perdi alguns segundos olhando para suas pernas, que não estavam cobertas pela toalha, antes de passar por ela e entrar no banheiro. Certo, eu precisava admitir, ela tinha um belo par de pernas. Sacudi a cabeça mudando os pensamentos e entrei no chuveiro.
Levei cerca de quinze minutos no banho e mais cinco minutos para colocar uma roupa e arrumar o cabelo. Quando sai do banheiro, estava deitada na cama toda torta dormindo.
- Só pode ser brincadeira. – resmunguei ao me deparar com a cena.
Suas pernas estavam descobertas, comecei a subir meu olhar pelo seu corpo a leve curva que o lençol fazia em sua bunda chamou minha atenção. Estava me decidindo se a acordava ou não quando fracas batidas na porta me acordaram do meu transe.
- Sua mãe mandou vocês descerem para... – meu pai parou no meio da frase ao ver na cama. – Tadinha, estava tão cansada, deixe-a dormir e desça você. Sua mãe está te esperando.
Decidi deixar dormindo e segui meu pai até a cozinha onde minha mãe havia feito um grande banquete de café da manhã na bancada. Max havia finalmente acordado e estava sentado em uma das cadeiras comendo.
- Achei que fosse trazer sua namorada, cara – falou de boca cheia assim que me viu.
- Ela está dormindo. – respondi me aproximando e lhe dando um abraço desajeitado.
- Você realmente está namorando com a ? – perguntou erguendo uma sobrancelha para mim, concordei com a cabeça. – Vocês dois se odiavam.
- Era amor reprimido. – Jess passou por nós em direção a geladeira. – Sempre tem disse isso.
Sentei-me em uma cadeira ao lado de meu irmão e rapidamente comecei a comer um dos muitos sanduíches que minha mãe havia feito. Eu sabia que provavelmente passaria boa parte da tarde dormindo, então resolvi tomar um café reforçado enquanto Jess divagava sobre seus planos para a semana. Eu sentia falta daquilo, Jessamine falando o tempo todo, minha mãe sempre preocupada se nós estávamos comendo direito, meu pai e Max conversando sobre algum assunto aleatório que ninguém mais entendia. Fazia menos de um ano que eles haviam se mudado, mas as vezes parecia muito mais tempo. Tentei participar da conversa, mas depois de uns minutos passei a apenas concordar com a cabeça mesmo sem prestar total atenção devido ao sono. Depois de alguns sanduíches e pedaços de bolo, subi as escadas quase me arrastando até meu quarto e cai na cama ao lado de pegando no sono imediatamente.

’s POV

Acordei sentindo um peso na minha barriga e abri os olhos lentamente constatando que se tratava de um braço; olhei para o lado rapidamente vendo dormindo de boca aberta ao meu lado na cama. Afastei seu braço lentamente e levantei da cama indo direto para o banheiro lavar o rosto. Senti meu estômago roncar e me lembrei de que não havia comido absolutamente nada além da comida horrível do avião há mais de seis horas. Sai do quarto e fui direto para a cozinha da casa encontrando Jessamine conversando animadamente com Emily e Richard .
- , finalmente você acordou. Eu deixei alguns sanduíches separados para você, espero que goste. – Emily falou indicando um prato com três grandes sanduíches na bancada.
- Muito obrigada, tia Emily. - agradeci enquanto pegava o primeiro sanduíche. Era estranho chamar a mãe do de tia agora que ela era minha falsa sogra, mas eu não sabia como deveria chamá-la.
- , lembra do Max, nosso irmão mais velho. - Jessamine indicou o rapaz sentado ao seu lado que sorria em minha direção. - É um prazer finalmente revê-la, pequena . – Max falou, ainda sorrindo.
- É um prazer finalmente vê-lo acordado. – falei em deboche fazendo com que todos rissem. Minha risada parou instantaneamente ao sentir um par de braços envolvendo minha cintura.
- Por que não me chamou quando acordou, amor? – ouvi a voz de perto do meu ouvido. Sua cabeça estava aninhada no meu pescoço e eu podia sentir sua barba rala me arranhando. Abri um sorriso falso e me virei em seus braços ficado de frente para ele.
- Você estava tão bonitinho dormindo que eu fiquei com dó de te acordar. - falei entre dentes olhando com raiva para seus braços ao meu redor.
- Ela é ou não é um amor? - perguntou encarando algum ponto atrás de mim antes de grudar seus lábios nos meus em um rápido selinho. Senti meu rosto esquentar sem saber se era raiva ou vergonha.
- Por que os pombinhos não vão tomar um banho para acalmar todo esse hormônio ai? - Jessamine perguntou em tom zombeteiro atraindo a atenção de todos na cozinha. Senti minhas bochechas esquentarem mais ainda enquanto ria.
- É uma ótima ideia. - concordei e puxei pelo braço até o quarto. - Que porra você estava pensando, ?
- Ah, amor, eu sei que você gostou, não precisa fingir que está bravinha. - falou rindo enquanto tentava me segurar pela cintura.
- Nunca mais faça isso. – falei, irritada.
- Qual é, , você sabia perfeitamente que teríamos que nos beijar vez ou outra durante essa semana e ainda assim aceitou vir comigo. Você não pode dar um ataque desses toda vez que eu encostar em você ou minha família vai desconfiar. Já foi um milagre eles acreditarem que estamos juntos depois de todas as nossas brigas quando éramos vizinhos. - falou se jogando na cama. Suspirei em derrota e entrei no banheiro determinada a tomar um belo banho relaxante. Estava terminando de me ensaboar quando ouvi a porta do banheiro abrir; me cobri rapidamente com as mãos e virei de costas para o vidro do box enquanto ouvia passos pelo ambiente.
- Que merda você tá fazendo aqui, ?
- Eu precisava usar o banheiro e você não saía nunca.
- E você não podia simplesmente ir a outro banheiro?
- Não, esse aqui era o mais próximo. E era uma ótima oportunidade para te ver pelada.
- Você é realmente um idiota.
- Ok, amor, agora fale algo que eu não esteja acostumado a ouvir. A propósito, bela bunda. - ouvi a porta do banheiro fechar anunciando que eu finalmente poderia me virar.
Consegui finalizar meu banho sem mais nenhuma invasão no banheiro. Me enrolei na grande toalha branca que havia ali e deixei meus cabelos escorrendo nas costas antes de sair.
- Finalmente, achei que fosse morrer ali dentro. - entrou no banheiro assim que saí.
Esperei ouvir o barulho do chuveiro antes de me trocar. Escolhi um short curto de tecido confortável e uma regata branca. Estava terminando de arrumar meus cabelos quando saiu do banheiro com a toalha enrolada na cintura. Meus olhos se prenderam em seu peitoral nu incrivelmente definido enquanto eu, inconscientemente, mordia meu lábio inferior.
- Quer tocar, amor? - perguntou em tom provocador se aproximando.
- Vá se foder, . – resmunguei irritada e peguei meu secador seguindo para o banheiro.
- Aqui, veste isso. – me jogou um embrulho preto assim que sai do banheiro.
- O que é isso? – perguntei confusa, esticando o pano.
- Uma camiseta, , o que mais parece?
- Tá, mas por quê?
- Garotas adoram usar as roupas de seus namorados, achei que fosse parecer um pouco mais real se minha família te visse com ela. – deu de ombros. Eu precisava admitir, por mais ridícula que fosse a explicação, ela tinha total lógica. Me virei de costas para ele e tirei a blusa que eu usava colocando sua camiseta rapidamente, eu poderia usar aquela camiseta como um vestido se eu quisesse, quando me virei novamente mordia os lábios quase que inconscientemente enquanto olhava em minha direção.
- O que foi? – perguntei procurando alguma coisa de errado.
- Nada. – respondeu balançando a cabeça. - Vamos, minha mãe está nos esperando para uma grande noite de jogos.
- Noite de jogos? Vocês ainda fazem isso? – perguntei, sorrindo, enquanto me lembrava das vezes em que Jess me contava dos jogos que eles faziam.
- Sim. Jessamine não abre mão desses jogos idiotas todas as vezes que eu venho para cá – torceu o nariz ao explicar a última parte, - mas é divertido.
- Ok. E quais são os tipos de jogos que vocês jogam?
- O normal, , quem sou eu, banco imobiliário, cartas e qualquer outra coisa que a Jess goste. Agora vamos descer logo que a comida está pronta e eu estou com fome.
O jantar foi o mais normal possível devido às circunstâncias em que eu me encontrava; Jess passou o tempo todo fazendo perguntas para e para mim sobre como havíamos começado a namorar e coisas do tipo, nunca agradeci tanto ter ficado um tempo conversando com o . Emily aproveitou para contar algumas histórias engraçadas sobre a infância de que eu ainda não conhecia.
Quando todos acabaram de comer, eu e ficamos encarregadas da louça, enquanto os outros arrumavam a sala com os jogos.
- E então, acha que consegue sobreviver mais alguns dias? - perguntou quando estávamos sozinhos.
- Sua família continua sendo incrível, , eu sempre gostei deles. Tem certeza de que não é adotado? - perguntei arrancando uma careta sua em resposta.
Terminamos de lavar a louça rapidamente e quando entramos na sala, a TV estava ligada no menu de Just Dance enquanto haviam outros jogos na mesa.
- Você disse jogos de tabuleiro. - sussurrei para .
- Deve ser mais uma invenção da Jess, espero que seja boa dançando, .
Os primeiros a jogarem foram e Max que dançaram Blurred Lines, por incrível que pareça, os dois dançavam incrivelmente bem ficando quase empatados no fim, mas Max acabou ganhando por dois pontos. Emily e Richard foram os próximos que, por escolha de Jess, dançaram Sexy and I Know It, eles eram extremamente ruins, mas o jeito desengonçado como rebolavam e se mexiam, junto com a letra da música, causaram ataque de riso em todos. Jess e eu fomos as últimas a dançar, ela me deixou escolher a música então acabamos dançando Moves Like Jagger. Ao contrário do imaginado, eu acabei não me saindo tão mal e quase ganhei se não tivesse me atrapalhado em um dos últimos passos e caído com tudo no chão. Jess ainda ria quando a música acabou e se jogou no sofá ao lado dos irmãos.
- Eu cansei disso, qual a próxima opção, pequena Jess? - perguntou quando conseguiu parar de rir do meu tombo.
- Está cansado só porque perdeu, né, idiota. - Max o provocou.
- Vai se ferrar. - deu um tapa na cabeça do mais velho em resposta.
Jess se jogou entre os dois, apartando a briga com uma grande caixa vermelha em mãos.
- Vamos jogar quem sou eu. Você sabe jogar, ?
- Sim, minhas primas adoravam jogar isso.
- Ótimo. Max, você começa. - tirou uma faixa preta da caixa e entregou ao irmão enquanto escrevia alguma coisa em um papel colorido. Levou alguns segundos para colar o papel na faixa e, quando terminou, sentou-se novamente sorrindo satisfeita. No papel amarelo, lia-se em letras grandes, Chris Evans.
- Tudo bem. - começou Max. - Eu sou uma pessoa?
- É. - dei de ombros.
- Estou vivo?
- Yep. - respondeu balançando a cabeça.
- Sou homem?
- Com toda certeza. - respondi fazendo os outros rirem.
- Sou um ator?
- Sim.
- Chris Evans? - perguntou com cara de entediado.
- Por que você sempre acerta quando é ele? - Jess perguntou emburrada tirando a faixa da cabeça de Max e a entregando a mãe.
- Porque você sempre coloca o Chris Evans. - respondeu em tom óbvio arrancando as folhas da mão dela e escrevendo alguma coisa. Quando colou o papel na cabeça de Emily, Sandra Bullock estava escrito em rabiscos quase incompreensíveis.
- Sou uma pessoa?
- Sim. - Richard respondeu.
- Eu estou viva?
- Sim, mãe. - Jess falou.
- Sou mulher?
- Sim.
- Aham. - Max e responderam juntos.
- Sou bonita?
- Demais. - Max.
- Pra caralho. - fez uma cara pervertida ao responder.
- Sou uma cantora?
- Não. - Max.
- Atriz?
- Isso. - Jess comemorou.
- Emma Watson?
- Não, querida. - Richard respondeu sorrindo.
- Você tem mais uma chance, mãe. - Jess avisou.
- Certo. Sou morena?
- Sim.
- Sandra Bullock?
- Acertou. – falei, sorrindo.
- , sua vez. - Jess anunciou. Emily tirou a faixa da cabeça e a entregou a . Peguei as folhas que estavam no sofá e escrevi Jensen Ackles antes de colar na faixa.
- Eu sou uma pessoa viva?
- Sim.
- Aham.
- E que pessoa. – Emily, Jess e eu respondemos respectivamente.
- Sou homem? - acenei com a cabeça, confirmando. - Sou gostoso? - perguntou rindo.
- Com toda certeza. - respondi de impulso.
- , eu estava falando do papel. - um sorriso de deboche surgiu em seu rosto enquanto eu sentia minhas bochechas esquentarem.
- Deixa de ser idiota, . - Max falou rindo, dando um tapa no irmão.
- Tá, tá. Sou um ator?
- Sim. – Jess.
- Jensen Ackles. - falou convicto.
- Eu odeio jogar isso com vocês. - Jess resmungou para os irmãos.
- A culpa não é nossa se somos melhores que você, maninha. - Max bagunçou os cabelos dela.
- Seus...
- Não briguem, crianças. - Richard interrompeu Jess. - Eu e a mãe de vocês estamos indo dormir. Mantenham-se vivos.
- Boa noite, queridos. - Emily falou se colocando em pé e seguindo o marido pelas escadas.
- O que a gente vai fazer agora? - perguntei.
- Ver filme. - propôs com o controle da TV já em mãos.
- Ta, mas eu escolho o que vamos assistir. - Jess avisou tirando o controle dele.
- Ninguém aqui quer assistir romance, Jessamine. - Max falou tentando tirar o controle das mãos dela.
- E ninguém aqui quer ver filme de guerra. - retrucou.
- Ótimo, então eu escolho. - falou.
- Não. A vai escolher. - Jess falou me entregando o controle. Fiquei esperando por alguma objeção, mas, como Max e ficaram calados, liguei a TV passando os canais até achar alguma coisa que agradasse a todos. Acabei parando em Velozes e Furiosos causando um sorriso em Max e .
- Por favor, me diga que você é fã desse filme. - Max falou.
- Seu dia de sorte. - respondi rindo. Me sentei no sofá ao lado de e fiquei tensa por alguns instantes quando ele passou seu braço pelos meus ombros. Depois de alguns instantes relaxei e me permiti encostar a cabeça no ombro dele me aninhando mais perto.

Quando o filme acabou, e eu subimos para o quarto morrendo de sono. Arrumei a cama rapidamente enquanto estava no banheiro e deitei sorrindo vitoriosa.
- Não, mas não mesmo, sai. - falou assim que saiu do banheiro.
- Eu cheguei primeiro, , mas não se preocupe, eu arrumei um canto para você. - apontei para a pilha de cobertores e travesseiros que eu havia feito no canto do quarto.
- Meu quarto, minha cama, seu chão.
- Mas que merda, será que custa você ser um pouco educado ao menos uma vez na sua vida? - perguntei irritada, me sentando na cama.
- Estou sendo educado em não te arrancar logo dessa cama e te obrigar a dividir a casinha com o Boris.
- Pois eu não vou sair. - cruzei os braços, determinada.
- Não me teste, . – respirou fundo, passando as mãos pelo rosto.
Ficamos nos encarando por vários minutos até que eu suspirei já cansada desistindo daquilo.
- Tudo bem, , vou te propor uma coisa. Nós dois ficamos com a cama e ninguém dorme no chão.
- Eu não vou transar com você, .
- E eu fico extremamente feliz por isso. - revirei os olhos. – Se alguém entrar aqui amanhã de manhã, vai ser difícil explicar por que estamos dormindo separados. Vamos evitar problemas.
- Okay, , você venceu, agora chega para lá. E mantenha sua bunda longe de mim. - deitou no espaço livre da cama de costas para mim. - O quê? – perguntei, confusa.
- Eu sou homem, , e por mais insuportável que você seja, sua bunda não deixa de ser gostosa.
- Você realmente consegue se superar, . – bufei, enquanto puxava as cobertas e me deitava virada de costas para ele. Adormeci poucos instantes depois.



Capítulo 4 – Dia 2

- Bom dia, casal. – acordei com uma voz feminina gritando ao fundo. Abri os olhos lentamente e vi Jess de joelhos na ponta da cama pulando. resmungou alguma coisa ao meu lado voltando a esconder o rosto no travesseiro.
- Que porra você pensa que está fazendo, Jessamine? – perguntei, ainda grogue.
- Já é quase meio-dia, seu idiota, a mamãe me pediu para acordar vocês para almoçarem. - peguei meu celular ao lado da cama e olhei o relógio constatando que já eram onze e quarenta.
- A gente já vai descer. - resmunguei.
- Não me faça voltar aqui. - ameaçou ao sair do quarto.
- , acorda. - empurrei seu braço, a fazendo resmungar em resposta. - Está na hora do almoço, acorda logo. - levantei da cama indo para o banheiro tomar um banho rápido para despertar. Quando sai já estava de pé ao lado da cama só de sutiã procurando alguma coisa em sua mala. - M-me d-desculpa. – eu estava gaguejando? Que porra era aquela? – Foi mal, . – falei depois de limpar a garganta. Um sorriso perverso surgiu em seus lábios ao perceber que meus olhos estavam presos em seus seios cobertos apenas pelo sutiã rendado.
- Quer tocar, amor? – repetiu a frase que eu havia lhe dito na noite passada e eu me xinguei internamente por não ter uma resposta. Sua gargalhada encheu o quarto antes dela entrar no banheiro com uma blusinha branca na mão. Saiu instantes depois com um sorriso debochado no rosto. – Vamos, , antes que sua irmã volte.
- Bom dia, família – falei sorrindo assim que entrei na cozinha. Minha mãe e Jess estavam arrumando a mesa, Max estava quase dormindo sentado em uma das cadeiras e meu pai estava mexendo em alguma coisa na geladeira.
- Bom dia, querido. – minha mãe sorriu em minha direção. – Richard, já falei para deixar essa torta ai!
- Desculpe, querida. – falou fechando a geladeira e se sentando ao lado de Max.
- Bom dia, cara. – Max saudou, sonolento. – Cadê sua garota?
- Bom dia. – entrou na cozinha instantes depois com Boris se enroscando em suas pernas.
- Jessamine, já não falei para você colocar esse cachorro fedorento lá para fora? – meu pai perguntou, um pouco irritado.
- Desculpa, pai, vou dar um banho nele hoje, prometo. – Jess pegou Boris pela coleira e o puxou até a porta.
- É bom mesmo, ninguém mais aguenta esse cheiro.
- Ei, já que vocês não têm nada para fazer durante a tarde por que não me ajudam com o Boris? – Jess olhou para onde eu e estávamos.
- Fala sério, pirralha.
- Estou falando. Por favor, , o Boris é enorme.
- A gente ajuda sim. – respondeu por mim. – Vai ser divertido. – falou animada.
- Defina diversão, . – pedi, a olhando de canto de olho.
- Qual é, , está calor e o Boris é um amor. Você não vai morrer de dar banho nele uma vez na vida. – sorriu meiga. Eu precisava admitir, ela era uma ótima atriz, por um instante até eu acreditei que ela era minha namorada.
- Tudo bem. – falei em desistência.
- Agora que vocês já resolveram isso – minha mãe falou colocando uma travessa na mesa –vamos comer antes que a lasanha esfrie. - me aproximei da mesa com ao meu lado e me preparei para fazer meu prato antes de Max se enfiar na minha frente.
- Porra, Max, não está me vendo aqui não?
- Eu estou com fome.
- E eu estou de visita tenho privilégios. – resmunguei. Max me imitou fazendo uma voz debochada arrancando uma risada de todos na mesa.
- Parem vocês dois. – minha mãe interferiu. – querida, pode fazer seu prato antes que esses dois trogloditas comam tudo.
- Mas… - protestamos juntos.
- Sem “mas”, pode ir, querida. – minha mãe falou entregando um prato para .
- Vocês parecem duas crianças. - falou ao passar por nós torcendo o nariz.
- Anda logo, amor. - respondi entre dentes. riu e se serviu em poucos instantes livrando o espaço para Max e eu. Sentei-me ao lado da garota e comecei a comer silenciosamente. Quando todos terminaram de comer, minha mãe trouxe uma grande torta de maça para a mesa. – Mãe, a senhora ainda faz a melhor torta de maçã que eu já comi na vida. - falei com a boca cheia.
- Eu estou comendo, seu idiota, fecha essa boca. - Jess me deu um tapa.
- E lá vamos nós de novo. - falou, rindo.

Depois do almoço, eu e fomos para a sala assistir um filme na Netflix. Depois de muitos minutos de discussão, me dei por vencido e a deixei escolher o filme, um romance obviamente. Depois de rodar quase o catálogo todo de romance duas vezes, ela escolheu um filme sobre uma barraca do beijo que eu não fiz questão de prestar atenção. Deitei no sofá, apoiando a cabeça sobre as pernas da garota e recebi um olhar matador em retribuição. Faltavam poucos minutos para acabar o filme quando Jess apareceu na sala super animada com uma mangueira e baldes nas mãos.
- Para que tudo isso? – perguntei quando ela parou em frente a TV.
- Vocês falaram que iriam me ajudar com o Boris.
- Ta, mas precisa ser agora?
- Sim, , precisa, levanta logo daí.
- Você continua a mesma insuportável de sempre garota, é incrível. – levantei a contragosto e segui Jess até o quintal da casa. – Boris, hora do banho. – gritei e logo o cão apareceu pulando ao meu lado.
- Eu vou pegar o resto das coisas. – Jess anunciou ao me entregar a mangueira. Quando voltou, estava com um vidro de shampoo canino em mãos, uma toalha enorme, uma escovinha e um perfume para cachorros.
- Aqui, , enche esse balde. , me ajuda aqui. – fui até onde Jess estava e a ajudei a segurar Boris enquanto ela o molhava e despejava uma grande quantidade de shampoo em seu pelo. Ela se ajoelhou ao lado dele e, assim que começou a espalhar o líquido azul pelo cachorro, ele começou a correr pelo quintal atrás de uma borboleta. – Boris, volta aqui, você nunca vai conseguir pegar essa borboleta. – saiu correndo atrás do cachorro.
, que estava ao meu lado, se contorcia de rir enquanto assistia Jess correr e escorregar algumas vezes na grama atrás de Boris. Aproveitei sua distração e apontei a mangueira em sua direção molhando suas pernas e parte de sua barriga.
- Você não fez isso. – lançou um olhar ameaçador para mim, mas o que quer que planejasse fazer, foi impedida quando Jess nos alcançou carregando Boris desajeitadamente.
- Certo, sua grande bola de pelo – falou colocando o cachorro no chão – fique quieto para que eu possa te esfregar.
- Para que você precisa do balde mesmo? – perguntou.
- Tenta tirar toda a espuma desse cachorro só com essa mangueirinha. – respondi e Jess confirmou com a cabeça indicando que eu estava certo.
- , me ajuda aqui. Preciso que você o segure para que ele não corra novamente, okay?
- Tudo bem. – se ajoelhou ao lado de Boris e o cachorro logo percebeu sua presença começando a pular nela e lamber seu rosto.
- , me alcança o shampoo, por favor. – procurei pelo grande vidro azul até encontrá-lo perto da cerca.
- Tenta não fazer isso ir parar na casa do vizinho. – falei ao entregá-lo para minha irmã.
- Ele não ficaria surpreso, acredite. – continuou a esfregar o cachorro que não parava de se mexer molhando ela e . Quando se deu por satisfeita, pegou um dos baldes e começou a tirar a espuma dele com certa dificuldade. – , me ajuda aqui, por favor. – pediu fazendo com que minha namorada começasse a passar as mãos através do pelo de Boris tirando a espuma. Quando o cachorro já estava completamente livre de qualquer resquício de sabão, Jess foi até a cozinha e saiu de lá com dois secadores em mãos.
- Onde você pretende ligar isso? – perguntei ao perceber que ela não estava com nenhuma extensão em mãos.
- Na sua bunda. – respondeu mal humorada. Poucos instantes depois, Max apareceu com duas extensões em mãos e lhe entregou ligando os secadores. – Aqui, – lhe entregou um dos objetos – você vai ter que me ajudar com isso.
- Sem problemas.
Em poucos instantes, ambas estavam posicionadas, cada uma em um lado do corpo de Boris, fazendo seu melhor para conseguir secar o cachorro e deixá-lo parado ao mesmo tempo. Max e eu havíamos puxado duas cadeiras de perto da piscina e observávamos a cena fazendo pequenos comentários vez ou outra que faziam com que uma das duas nos desse uma resposta não muito educada.
Depois de quase meia hora de trabalho, Boris estava completamente seco e Jess e estavam deitadas na grama com expressões de derrota.
- Eu esperava um pouco mais de disposição de vocês duas. – falei, rindo. Duas mãos se levantaram, estirando seus dedos do meio em resposta. Max apenas ria.
- Vamos levantar logo, , ainda precisamos arrumar isso aqui e nos preparar para sair. – Jess levantou com certa dificuldade e esticou o braço para ajudar .
- Sair? – perguntou, confusa.
- Sim, vamos jantar em um restaurante que tem aqui perto, nossos pais fizeram a reserva há umas duas semanas, quando o disse que estava namorando. Eles têm a melhor costela da Austrália. – falou animada.
Os acontecimentos seguintes foram tão rápidos que eu mal tive tempo de processá-los.
Jess levou os secadores e extensões para dentro de casa enquanto ficou encarregada de arrumar a mangueira e os baldes. Ela estava se preparando para guardar o último balde que ainda estava cheio de água, quando Boris passou correndo por ela se enroscando em suas pernas fazendo com que ela caísse na grama virando toda a água do balde em si mesma. Max estava quase caindo da cadeira de tanto rir e Jess, que estava na porta da cozinha, não sabia se ria ou corria até para ajudá-la. Eu com certeza também estaria rindo, se alguns pequenos pontos naquela cena não a tornasse tão...sexy.
A questão é que, quando virou a água sobre si, a blusa branca de havia ficado completamente transparente em seu corpo e, puta que pariu, ela havia tirado aquela porcaria de sutiã rendado e a transparência recém adquirida de sua blusa deixava os bicos de seus seios completamente destacados sobre o pano.
- Pare de ficar olhando para garota com essa cara de pervertido e vai lá ajudá-la, . – Max me deu um cutucão. Balancei a cabeça e me levantei indo até onde estava sentada no chão e a ajudei a levantar.
- Obrigada. – agradeceu tímida enquanto usava os braços para tapar os seios.
- Vai lá para cima tomar um banho – murmurei – eu termino aqui. – ela acenou com a cabeça e sumiu pela porta da cozinha apressada.

’s POV

Subi as escadas pulando dois ou três degraus por vez e me enfiei de vez em baixo do chuveiro deixando a água quente escorrer por todo o meu corpo de uma forma relaxante. Fiquei pouco mais de meia hora no banheiro e, quando sai, estava deitado na cama mexendo em seu celular.
- Finalmente. – resmungou, pegando suas coisas e entrando no banheiro.
Tirei todas as roupas da minha mala procurando alguma coisa para vestir. Eu não fazia ideia de como era o restaurante em que nós iríamos, por isso, depois de ver e rever todas as peças, decidi por uma calça legging flare preta e uma blusa branca. Vesti as roupas rapidamente, peguei meu sapato de salto preto e procurei um blazer branco mais comprido para completar o look. Estava terminando de fazer minha maquiagem quando saiu do banheiro indicando com a cabeça para que eu fosse para lá para que ele pudesse se trocar. Bufei e peguei minhas maquiagens passando pela grande porta branca a batendo atrás de mim. Passei uma maquiagem mais clara, dando um pouco mais de atenção aos olhos com um delineado bem puxado e prendi meus cabelos em um rabo de cavalo alto, com alguns fios soltos na frente.
- Sete e meia, , a Jess vai vir nos chamar daqui a pouco. – falou, entrando no banheiro.
- Estou pronta.
- Sabe, , se eu não te conhecesse, eu até te pegaria hoje. – falou, me analisando de cima a baixo. Ele também já estava pronto com uma calça jeans escura, uma camiseta preta e tênis.
- Isso foi um elogio, ? – arqueei as sobrancelhas em descrença.
- Talvez. – deu de ombros e saiu do quarto.
O restaurante escolhido pela família ficava no centro da cidade, fomos em dois carros para que todos pudéssemos ir confortavelmente. Emily, Richard e Max foram em um carro, , eu e Jess os seguimos com o carro de Max. Jess foi animada cantarolando algumas músicas no banco de trás enquanto eu e permanecíamos em silêncio.
Quando chegamos ao restaurante, fomos recebidos com um grande sorriso pela atendente, que claramente já conhecia toda a família . Sorri timidamente quando Emily me apresentou a ela e seguimos para uma grande mesa redonda em um dos cantos do restaurante. Me sentei ao lado de e Jess, com Emily a minha frente. O restaurante estava um pouco cheio, por isso demoramos um pouco para sermos atendidos, mas isso não pareceu ser problema para nenhum dos que conversavam animadamente.
- , o que você quer beber? – perguntou ao lado da mesa enquanto fazia os pedidos para um garçom. Estava tão distraída com meus pensamentos que não percebi quando o garçom se aproximou anotando nossos pedidos.
- Hum, pode ser o mesmo que o seu. – dei de ombros torcendo para que ele não tivesse pedido nada alcoólico. Respirei aliviado quando o ouvir dizer “duas cocas” para o garçom. O rapaz terminou de anotar mais algumas coisas e saiu se perdendo em meio as várias mesas.
Continuei analisando o restaurante discretamente enquanto conversava com Jesssamine. Aquele com certeza podia ser classificado como um dos vários restaurantes luxuosos da Austrália. O restaurante se localizava em um dos últimos andares de um prédio bem alto no centro da cidade, as paredes ao redor eram todas de vidro, o que proporcionava uma vista incrível da cidade. No interior, várias mesas redondas eram distribuídas pelo ambiente, todas preenchidas no momento, grandes lustres eram espaçados cuidadosamente deixando o ambiente bem iluminado.
Em meio aos meus pensamentos, finalmente me dei conta de uma coisa. Me aproximei de , que conversava com Max sobre algum jogo, cheguei perto de seu ouvido sentindo o forte cheiro de seu perfume me dominar e pude ver alguns pelos de sua nuca arrepiarem quando sussurrei.
- , eu não trouxe minha carteira, você ficou me apressando e eu esqueci minha bolsa em casa, será que você pode me levar em casa para eu pegá-la? – pedi torcendo para que ninguém mais na mesa estivesse me ouvindo. virou levemente a cabeça, encostando seu nariz no meu, e dessa vez pude sentir um arrepio na minha nuca.
- Para que você precisa da carteira, ? – perguntou no mesmo tom, me olhando, confuso.
- Para pagar a minha conta. – respondi como se fosse óbvio. pousou sua mão na minha coxa, dando uma leve risada e pude sentir a irritação começar a tomar conta de mim. Aparentemente ele também percebeu já que no instante em que abri minha boca para respondê-lo, senti uma pressão de seus dedos na minha perna e ele se aproximou, sussurrando no meu ouvido.
- , se eu deixar você pagar qualquer coisa nessa viagem a minha mãe me mata. Só relaxa e aproveita. – falou e voltou a conversar com Max. Ao contrário do que eu esperava, sua mão permaneceu na minha perna aquecendo o local; ignorei a sensação que aquilo estava me causando e voltei a conversar com Jess.
Estávamos no meio da sobremesa quando um casal se aproximou da nossa mesa. A mulher era muito bonita, loira, alta de olhos claros; foi diretamente até Emily cumprimentá-la, enquanto o homem, alto, moreno e tão bonito quanto a esposa, foi conversar com Richard. Há alguns passos atrás do casal, estava uma menina, ela parecia ter a minha idade, tinha os cabelos morenos do pai e os olhos claros da mãe, tão bonita quanto o casal. Ela não parecia nem um pouco interessada em participar da conversa, até que avistou ao meu lado, com a cara fechada.
- . – falou em tom animado, se aproximando da mesa. Senti ficar tenso ao meu lado. – Quanto tempo, como você está? – levantou o olhar para ela com a expressão fechada e respondeu da forma mais seca que conseguiu.
- Estou bem, Ashley – sua mão deslizou até a minha a apertando para chamar minha atenção. – Amor, vamos lá fora? Preciso tomar um ar. – eu podia ver em seus olhos que ele realmente precisava sair dali. Concordei com a cabeça e me levantei ainda segurando sua mão. Mal tive tempo de pegar meu celular e blazer quando já saiu andando me puxando atrás de si.
- Quer me contar por que precisamos sair correndo do restaurante? – perguntei assim que as portas do elevador se fecharam atrás de nós.
- Eu precisava tomar um ar. – deu de ombros. Revirei os olhos em resposta e permaneci quieta até chegarmos ao térreo.
O térreo do prédio era incrível, parecia uma grande praça luxuosa. Haviam alguns bancos espalhados pelo ambiente, cercados por pequenas árvores e diferentes tipos de flores. Soltei minha mão da dele e sai andando pelo local.
- Esse lugar é lindo. – falei depois de alguns minutos andando. – Pena que eu estou aqui com você. – finalizei me encostando em uma parede de flores que havia ali. se aproximou, apoiando um braço na parede ao meu lado e ficou parado na minha frente sorrindo.
- Não está gostando do passeio, amor?
- A viagem está sendo incrível. – dei de ombros e vi um sorriso convencido se formar em seus lábios. – O problema mesmo é a companhia. – completei e o sorriso desapareceu. ficou um tempo parado, me olhando fixamente, antes de se aproximar colocando sua outra mão na minha cintura.
- Ah, amor, o sentimento é totalmente recíproco, pode ter certeza. – falou em um tom baixo. Ele estava tão perto que eu podia sentir seu hálito quente na minha bochecha e seu nariz passar de leve pelo local.
- O que você está fazendo, ? – perguntei com a voz fraca. Aquela proximidade toda estava me deixando desnorteada. Seu perfume tão perto estava me deixando um pouco tonta e a proximidade dos nossos corpos estava prestes a me fazer perder os sentidos a ponto de eu precisar forçar minhas pernas no chão para permanecer em pé. claramente tinha percebido isso também já que soltou uma risadinha fraca no meu ouvido.
- O que foi, amor? –perguntou com a voz rouca, um arrepio subiu pela minha espinha enquanto sua boca passava pela minha bochecha.
- . – coloquei minha mão em seu braço e apertei um pouco a região tentando afastá-lo. Ao perceber minha intenção ele apertou um pouco mais sua mão na minha cintura e juntou ainda mais nossos corpos me fazendo suspirar.
Eu não conseguia entender o que estava acontecendo comigo naquele momento. Fala sério, , esse é o , o cara mais insuportável da face da Terra, você o odeia.
Mas naquele momento eu não conseguia me lembrar de nada daquilo; nossos corpos estavam tão próximos, o cheiro do seu perfume estava me deixando anestesiada e cada centímetro do meu rosto por onde seus lábios passaram parecia começar a ferver.
Eu queria beijar . E me odiava internamente por isso.
Fechei meus olhos e respirei fundo esperando o momento em que nossos lábios se chocariam, mas isso não aconteceu. Seu corpo se afastou do meu, sua mão soltou minha cintura e eu pude ouvir rindo. Rindo não, gargalhando. Abri meus olhos já sentindo a raiva me dominar e o vi parado há alguns centímetros na minha frente com as mãos apoiadas nos joelhos ainda rindo.
- Você precisava ver sua cara, . – falou entre risos. – Infelizmente, para você, claro, vou ficar te devendo esse beijo, amor. Mas foi divertido.
Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa ele saiu andando novamente em direção ao elevador. Minha vontade naquele momento era sair correndo de onde eu estava e enfiar o salto do meu sapato na cara dele, mas eu me controlei, respirei fundo e caminhei lentamente atrás dele o alcançando no elevador. Ao contrário do que eu imaginei não voltamos para o restaurante, descemos para o estacionamento encontrando seus pais e irmãos parados perto dos carros. Entrei no carro junto com e Jess e segui completamente em silêncio até a casa dos .
Quando chegamos cada um seguiu para o seu quarto se preparar para dormir. estava no banheiro trocando de roupa enquanto eu estava sentada na cama procurando um pijama para colocar, eu anda podia ouvir leves risadas vindas do banheiro, foi ai que eu tive uma ideia.

’s POV

Eu estava terminando de escovar meus dentes quando entrou no banheiro como um furacão. Ela ainda não havia tirado completamente a maquiagem, apenas o batom, seus cabelos estavam soltos caindo em cascatas pelos ombros, ainda estava com os sapatos pretos de salto e vestia uma pequena lingerie preta rendada.
Apenas a lingerie.
Seus sapatos tilintavam no azulejo do banheiro enquanto ela andava lentamente em minha direção com os olhos fixos no meu. Eu não conseguia desviar o olhar. Na real eu não tinha certeza se queria. era sem dúvidas a pessoa mais insuportável do mundo e eu diria isso sem medo de estar errado, mas eu não podia negar o fato de que ela era muito bonita.
E gostosa pra caralho.
E agora ela estava aqui, na minha frente, seminua, me olhando com o olhar mais sensual que eu já havia visto na vida.
Eu não sabia o que fazer. Apenas permaneci parado no mesmo lugar analisando seu corpo enquanto ela se aproximava. Quando se aproximou o suficiente, apoiou as duas mãos no meu peitoral nu e me empurrou para trás fazendo com que eu caísse sentado na tampa fechada do vaso sanitário. Eu não estava entendendo nada do que estava acontecendo. Eu estava no banheiro da casa dos meus pais, com a pessoa mais irritante no mundo sentada no meu colo passando as mão pelo meu peitoral. Eu jamais teria imaginado uma cena dessas, nem nos meus piores pesadelos. Se bem que, no momento, não parecia um pesadelo. Longe disso.
Pousei minhas mãos nas suas coxas, cada uma de um lado do meu corpo e deixei um alto suspiro escapar quando ela puxou meu cabelo e arranhou minha nuca grudando ainda mais nossos corpos. Eu queria beijá-la. Eu precisava beijá-la. Inclinei meu corpo para frente na tentativa de grudar nossos lábios, mas desviou. Suas duas mãos fizeram um caminho do meu pescoço até a barra da minha calça arranhando levemente a área enquanto sua boca se aproximava do meu ouvido.
Eu já não conseguia mais pensar direito. O calor entre nossos corpos, a proximidade, seu perfume me deixando quase tonto; eu queria muito conseguir pensar direito e parar com aquilo, mas era quase impossível. Da mesma forma que um lado meu queria tirá-la de cima de mim e sair dali, um outro lado queria que ela continuasse. Deslizei minhas mãos pelo seu corpo até chegar a sua cintura e a puxei para mais perto apertando um pouco a região. Fechei os olhos ao sentir seu hálito quente bater no meu pescoço antes dela sussurrar.
- Eu também sei jogar, . – falou antes de levar suas mãos até as minhas as tirando de sua cintura e levantar do meu colo. Pude ver um grande sorriso de satisfação estampado em seu rosto antes de se virar e sair do banheiro rebolando. Levei uns instantes para compreender o que ela queria dizer com aquilo.
- Porra. – falei alto, jogando minha cabeça para trás quando tudo fez sentido para mim. Aquilo foi o troco pelo que aconteceu no jardim do restaurante. Não dava para negar, se aquilo era um jogo, ela com certeza tinha ganhado esse ponto. Levantei do vaso, pronto para sair do banheiro, quando senti um aperto incomodo na minha calça.
Só podia ser brincadeira.
Eu estava excitado. Sem nem ao menos ter a beijado. Bufei, irritado e tirei o resto das minhas roupas me preparando para tomar um banho gelado e voltar ao normal. Deixei a água gelada escorrer pelo meu corpo, ignorando o frio que estava sentindo, e pensei comigo mesmo pela quinta vez nos últimos minutos.
Eu realmente odiava aquela garota.



Capítulo 5 – Dia 3

No dia seguinte, as provocações continuaram. fazia questão de andar pelo quarto apenas com uma lingerie ou com seu pijama extremamente curto que me possibilitava ver uma parte de sua bunda e sua barriga. E o calor que estava fazendo com certeza não colaborava em nada com a situação.
Eram pouco mais de duas da tarde e eu estava no quarto trocando de roupa para entrar na piscina recém adquirida dos meus pais quando entrou no quarto vestindo um vestido florido roxo. O vestido era um pouco mais comprido que o short do seu pijama cobrindo até metade das suas coxas, agradeci a Deus por isso. A garota foi direto para o banheiro, levando alguns segundos lá dentro e, quando saiu, estava apenas com a lingerie verde água e o vestido em mãos.
- Será que dá para colocar uma roupa? – perguntei, irritado.
- Não está gostando do que vê, amor? – perguntou em tom desafiador. Ela sabia que eu gostava, gostava muito.
- Nem um pouco. – menti.
- Que pena, né, meu anjo. – Passou por mim, esbarrando no meu braço e foi até o grande armário que havia no quarto. Depois de mais de dois dias de viagem, havíamos finalmente desfeito as malas e arrumado as roupas nos armários.
- Eu vou descer. – anunciei e sai do quarto indo diretamente para o jardim com a piscina. Max e Jess já estavam lá, Max estava na piscina totalmente submerso e Jess estava deitada em uma grande boia, com um copo de milk-shake na mão, tomando sol. Peguei impulso e sai correndo pulando na piscina perto de onde ela estava fazendo com que a água espirrasse nela.
- ! – gritou, irritada. Soltei uma risada e nadei até onde Max estava.
- E ai, cara. – falou quando me aproximei. Antes que eu pudesse respondê-lo, apareceu na borda da piscina vestindo um biquíni rosa e branco e trazendo alguns acessórios em mãos.
- – chamou – seu celular – apontou para o pequeno aparelho que tocava em sua mão. Nadei até onde ela estava e sai da piscina e peguei o celular de sua mão me afastando para atendê-lo.
- E ai, cara, como estão as coisas na Austrália? – falou assim que atendi ao telefone.
- Sua amiga está me deixando louco, Parker. – falei sem rodeios. Era ótimo poder falar isso com alguém.
- Vocês prometeram que não iriam se matar.
- Não é isso, cara, quer dizer, ela é extremamente insuportável, mas não é isso que está me enlouquecendo.
- O que foi então? – perguntou em tom confuso. Respirei fundo ponderando se falava a verdade ou não. Suspirei em derrota antes de continuar.
- Eu não me lembrava da ser tão... – procurei as palavras certas.
- Bonita? Gostosa? – completou do outro lado, rindo.
- É. – murmurei e pude ouvi-lo gargalhar do outro lado do telefone. – Eu vou desligar. – avisei.
- Desculpa, cara. – falou controlando a risada. – Mas fala ai, o que aconteceu? – contei para ele o ocorrido da noite passada, tanto no restaurante, quanto no banheiro.
- Você está muito fodido. – falou rindo novamente.
- Obrigado. – falei em tom irônico.
- É sério, posso sentir sua tensão sexual daqui.
- Vai se foder, Parker.
- Relaxa, cara, eu sei exatamente o que você está passando. Logo acaba o feriado e vocês não vão mais precisar manter contato. A não ser que queiram muito.
- Não vejo a hora de não precisar mais fingir que não quero afogá-la na piscina todos os dias. – falei fazendo com que ele soltasse uma gargalhada do outro lado do telefone. – Vou desligar, cara, minha linda namorada precisa que eu passe protetor nas costas dela. – estava sentada em uma cadeira na beira da piscina gritando meu nome e apontando para o protetor solar que tinha em mãos.
- Boa sorte, , manda um beijo para . – falou antes de desligar o telefone. Suspirei novamente antes de me aproximar da piscina.
- Está com medo de molhar o cabelo, ? – falei me aproximando da garota e pegando o frasco de protetor da sua mão.
- Não sou a maior fã de água, – deu de ombros e virou-se para que eu passasse o produto em suas costas. Dei de ombros com sua resposta e voltei para a piscina.

’s POV

Perto das cinco da tarde, Jess começou a apressar todos nós para que entrássemos e fôssemos nos arrumar para sairmos mais tarde. e Max compraram uma discussão com ela dizendo que não iriam fazer nada sem comer antes então, depois de muita discussão e um lanche, eu estava me arrumando para sair enquanto tomava banho. Como não sabia para onde iríamos, escolhi um shorts preto de couro, um body de paetê também preto de mangas compridas bem decotado e um tênis casual. Estava terminando de fazer minha maquiagem quando meu celular vibrou em cima da penteadeira.

“Como estão as coisas ai do outro lado?” era uma mensagem da minha mãe.

“Está tudo bem. Já estou com saudades” respondi prontamente. A Austrália era incrível, mas eu realmente já estava com saudades de casa.

“Também estamos com saudades. Se comporte e aproveite. Amo você.”

“Também amo você.”
Respondi e voltei a me arrumar. Eu havia falado com meus pais mais cedo naquele mesmo dia, se eu não ligasse para eles, um deles com certeza me ligaria no meio da tarde.

Terminei minha maquiagem e arrumei meu cabelo fazendo um rabo de cavalo alto. Estava escolhendo qual batom passar quando saiu do banho com a toalha enrolada na cintura indicando para que eu entrasse no banheiro para ele poder se arrumar. Quando sai do banheiro estava vestido com uma calça de sarja preta, uma camiseta verde militar, tênis branco e uma jaqueta de couro também preta.
- Vamos? – perguntou assim que me viu. Acenei com a cabeça e o segui até a sala onde encontramos Max e Jess nos esperando.
- Finalmente, achei que nunca mais fossem descer. – falou Jess assim que nos viu ao pé da escada.
- Você, mocinha – Emily saiu da cozinha nos pegando de surpresa – se comporte. – falou para Jess. – Vocês dois – se virou para e Max – cuidem dela e você, – virou-se em minha direção – cuide deles – finalizou e eu ri concordando com a cabeça.

O pub onde havíamos ido não era muito longe da casa dos , o que fez com que fôssemos andando até ele. Jess foi animada cantarolando algumas músicas durante todo o caminho enquanto Max e iam conversando sobre algumas coisas aleatórias. Eu e andávamos de mãos dadas, como um típico casal. Sua mão era no mínimo umas duas vezes maior que a minha.
Quando chegamos ao pub, Jess logo escolheu uma mesa perto do palco para que pudesse ver melhor as apresentações.
- , o que você quer beber? – perguntou ao lado da mesa, Max já estava no bar pedido bebidas para ele e Jess.
- Qualquer coisa forte. – respondi. acenou com a cabeça indo em direção ao bar. Poucos instantes depois, uma taça de Apple Martini foi colocada na minha frente.
- Achei que eu tivesse dito alguma coisa forte, . – falei em tom baixo para que apenas ele ouvisse. Um sorriso sacana surgiu em seus lábios.
- Vai com calma, , não quero ter que carregar ninguém para casa hoje. – suspirei derrotada antes de dar um gole na minha bebida.
Fazia quase duas horas que estávamos no pub, Max já havia saído para se agarrar com duas garotas diferentes, Jess havia se perdido nos fundos do pub na pista de dança, dançando e cantando animadamente, eu já tinha espantado cerca de três garotas que haviam aparecido para chamar para uma “conversa” enquanto ele afastou dois caras de mim apenas lhes lançando um olhar nada amigável. Max, que estava na mesa na maioria das vezes que isso aconteceu, teve um grande ataque de risos dizendo que éramos o casal mais ciumento que ele conhecia. Eu já havia bebido cerca de cinco ou seis drinks diferentes e estava começando a me sentir um pouco mais animada que o normal quando Jess voltou para a mesa com um grande sorriso no rosto.
- Eles vão abrir o karaokê para o público, vamos comigo, cunhadinha? – levei um tempo para perceber que ela estava falando comigo e nem tive tempo de formular uma desculpa antes de falar.
- Vai lá, , faz tempo que eu não te ouço cantar. – falou em tom debochado. nunca havia me ouvido cantar e eu estava completamente disposta a não mudar isso antes de Max se juntar a eles e os três começarem a me incentivar.
- Está bem, eu vou. – falei depois de muito ouvi-los falar. Jess e Max comemoraram enquanto me lançava um sorriso de puro deboche. Jess me puxou pala mão até o palco e foi falar com o DJ para escolher a música. Logo que o toque conhecido da música começou, deixei que todo o álcool dos drinks que eu havia bebido tomassem conta de mim e me deixei levar pelo toque da música.

Don't need permission
Made my decision to test my limits
'Cause it's my business, God as my witness
Start what I finished

’s POV

Don't need no hold up
Taking control of this kind of moment
I'm locked and loaded, completely focused
My mind is open


A filha da mãe sabia cantar. E cantava bem pra caralho.
Assim que sua voz soou pelo microfone, gritos e aplausos ecoaram pelo local atraindo a atenção de todos que estavam na pista de dança e até mesmo de algumas pessoas que estavam do lado de fora do estabelecimento.
- Cara, ela manda bem. – Max comentou ao meu lado.
- É, ela é muito boa. – comentei prestando total atenção no palco.

All that you got, skin to skin
Oh, my God, don't you stop, boy


Quando o refrão começou, os gritos no pub aumentaram descontroladamente. Jess cantava e andava por todo o palco, mas quem realmente chamava a atenção era . Além de cantar incrivelmente bem, ela havia começado a dançar de uma fora extremamente sensual, seguindo o ritmo da música. Isso acabou atraindo a atenção principalmente da população masculina que havia ali.

Something 'bout you
Makes me feel like a dangerous woman
Something 'bout, something 'bout
Something 'bout you
Makes me wanna do things that I shouldn't
Something 'bout, something 'bout
Something 'bout


Seus quadris se moviam lentamente de um lado para o outro enquanto suas mãos passeavam pelo seu corpo distraidamente se perdendo em seus cabelos. Eu sabia que ela não estava completamente sóbria naquele momento, caso contrário ela jamais faria algo parecido.
Ao final do primeiro refrão, parou de “dançar” e começou a andar pelo palco interagindo com a plateia, agachando de vez em quando. Jess já não era mais percebida ali sendo completamente ofuscada pelo belo par de pernas que exibia de um lado para o outro.

Nothing to prove, and I'm bulletproof
And know what I'm doing
The way we're moving
Like introducing us to a new thing
I wanna savor, save it for later
The taste, the flavor, 'cause I'm a taker
'Cause I'm a giver, it's only nature
I live for danger


Foi no segundo refrão que eu me senti completamente atordoado. Meus dentes prendiam meu lábio inferior, meu olhos não conseguiam desgrudar da garota dançando no palco e eu podia sentir outra parte do meu corpo querendo ganhar vida com uma rapidez incrível. E então eu fiquei assustado.
Eu nunca imaginei que isso aconteceria comigo.
Em todos os cenários que eu imaginei nessa viagem, esse com certeza era um que eu nem havia cogitado.
Eu estava ficando excitado em ver dançar.

All girls wanna be like that
Bad girls underneath like that
You know how I'm feeling inside

(Yeah, you know how I'm feeling inside, baby)
Something 'bout, something 'bout
All girls wanna be like that
Bad girls underneath like that
You know how I'm feeling inside
Something 'bout, something 'bout


Aquela porcaria de quadril se movendo de um lado para o outro, as coxas descobertas dando um ar ainda mais sensual a sua dança, o grande decote extremamente sensual, os cabelos se soltando do rabo de cavalo, a bunda apertada e completamente delineada com aquele short. Tudo aquilo estava fazendo imagens nada santas com se passarem pela minha cabeça.
Eu não devia ter bebido tanto.

Yeah, there's something 'bout you, boy
Yeah, there's something 'bout you, boy
Yeah, there's something 'bout you, boy
Something 'bout, something 'bout, something 'bout you


estava completamente entregue a música. Seus olhos estavam fechados, a boca se movimentava de uma forma sexy proferindo a letra da canção, suas mãos apertavam o microfone com certa força.

Yeah, there's something 'bout you, boy
Yeah, there's something 'bout you, boy
Yeah, there's something 'bout you, boy
Something 'bout, something 'bout, something 'bout you


Nos últimos segundos da música, seus olhos encontraram os meus e senti um arrepio estranho por todo meu corpo quando a garota pronunciou as últimas palavras sem desviar o olhar. Quando a música acabou, aplausos e assobios se fizeram presentes enquanto as meninas agradeciam. Elas se abraçaram animadamente antes de devolverem seus microfones e descerem do palco. atraiu uma quantidade completamente exagerada de olhares durante o caminho do palco até onde estávamos sentados, sentou-se ao meu lado e tomou um gole do copo de água que havia na mesa. Meus olhos automaticamente foram atraídos para o busto dela que subia e descia enquanto ela ria. Desviei os olhos rapidamente e vi dois caras, que eu havia visto próximos ao palco se aproximando com os olhos fixos em ; antes que pudesse raciocinar melhor, deixei o álcool tomar conta do meu corpo e puxei pela nuca grudando nossos lábios.
Ao contrário do que eu esperava, ela não me empurrou, nem recusou o beijo, muito pelo contrário, seus lábios se separaram imediatamente dando espaço para que minha língua pudesse deslizar para dentro de sua boca de encontro com a sua travando uma batalha incrivelmente deliciosa. Seus dedos se enroscaram em meus cabelos me puxando para mais perto enquanto minhas mãos apertavam sua cintura descontando todo o desejo que eu estava sentindo ali.
Eu não sabia explicar o que eu estava sentindo naquele momento. Aquele era, ao mesmo tempo, o melhor e mais inusitado beijo da minha vida. Seus lábios eram macios, mas travavam uma briga intensa com os meus sem nenhum pudor. Suas mãos não paravam de percorrer o espaço entre meus cabelos e meu pescoço dando leves arranhões; a essa altura seu corpo já estava quase grudado no meu, me deixando ainda mais entorpecido. Naquele momento, eu já havia esquecido completamente Max e Jess na mesa e os caras que se aproximavam, minha atenção estava completamente entregue aquele beijo.
Por que ela tinha que beijar tão bem porra?
P.S.: Eu realmente precisava parar de beber.



Continua...



Nota da autora: Hey, amores, voltei rapidinho com esse capítulo que, na minha humilde opinião, ta MARAVILHOSO. Espero que vcs gostem e não esqueçam de comentar, até a próxima, beijinhos ❤️.



Nota da beta: Ah, meu Deus, finalmente rolou esse beijo, estava surtando aqui torcendo por esses dois darem o braço a torcer, e eles deram e que beijo foi esse, gente/ Socorro hahaha! Ansiosa pela continuação! <3

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.


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