Última atualização: 27/12/2017

A demência é uma doença mental caracterizada por prejuízo cognitivo que pode incluir alterações de memória, desorientação em relação ao tempo e ao espaço, raciocínio, concentração, aprendizado, realização de tarefas complexas, julgamento, linguagem e habilidades visuais-espaciais. Essas alterações podem ser acompanhadas por mudanças no comportamento ou na personalidade (sintomas neuropsiquiátricos). (Associação Brasileira de Alzheimer).

A Terapia Ocupacional é uma profissão cujo objetivo principal é tornar as pessoas capazes de participar das ocupações da vida cotidiana. Uma ocupação pode ser definida como “um grupo de atividades que tem significado pessoal e cultural e permite a participação social”. A participação em ocupações cotidianas permite que as pessoas construam sua identidade, saúde e bem estar. As pessoas podem sofrer restrições ou impedimento na participação em ocupações devido a alterações na estrutura e/ou funções do corpo, causadas por condições físicas ou mentais (saúde) ou devido a restrições criadas pelo ambiente (físico, social, atitudinal, legal). (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo).


Foto nº 01 – Quem é ela?

Na fotografia estava uma garota de aproximadamente 25 anos, a jovem de cabelos ondulados sorria enquanto segurava uma garrafa de Corona. Suas bochechas tinham duas listras feitas com tinta, uma listra branca e outra azul. A mesma estava usando uma calça jeans escura, uma camiseta dos Chelsea e no pé seu velho Oxford Salmão. Ao fundo na parede várias bandeiras de times de futebol, mostrando que a jovem estava em um típico Pub inglês.
- Ainda lembro exatamente como ela estava vestida quando a vi pela primeira vez. Ela usava um vestido preto, uma sandália de salto e seus cabelos pretos estavam bagunçados, dando a ela um ar de rebeldia. - ele suspirou e concluiu - Sem dúvidas, ela era a garota mais linda daquele bar.
- E como foi? Você tomou a inciativa ou ela veio falar com você?
- Menina, você não tem ideia do furacão que era essa garota - disse sorrindo - Eu observei ela a noite toda, observei ela dar o fora em todos os caras.
- Quer dizer que ela era terrível? - perguntou Jasmim.
- Terrível!? Como eu disse ela era um furacão, todos percebiam sua presença. Ela é a pessoa mais teimosa que eu já conheci, ela é decidida e empoderada. Não abaixa a cabeça e luta até o fim pelos seus ideais.
- Então, foi essa teimosia que te impediu de falar com ela a primeira vez? - questionou Jasmim curiosa.
- Não – balançando a cabeça e sorrindo - simplesmente não teria papo com ela aquela noite, ela tinha terminado um namoro, segundo ela porque o cara era cretino e machista. Descobri isso anos mais tarde – piscando com apenas um olho, seu olhar era de cumplicidade com a menina.
- Uaaau, então realmente a mulher era brava - Jasmim disse sorrindo e se ajeitando na cadeira de madeira que estava sentada - Vamos colar essa foto então, nosso álbum precisa ficar lindo - disse empolgada, enquanto apontava para a foto da garota.
- Vamos sim, você acha que aqui está bom? - Perguntou para jovem, enquanto colocava a fotografia na parte superior da folha.
- Sim, está ótimo! Mas lembre-se que é seu álbum, e você pode escolher como deseja montar.
- Eu quero aqui mesmo – decidido, pegou a cola bastão que estava a sua frente na mesa e passou por toda a borda posterior da foto, colando-a no local que tinham escolhido.
- , mas me conta uma coisa! Quando foi a primeira vez que você falou com ela?
- Eu falei com ela a primeira vez no banco que eu trabalhava.
- E como foi essa conversa? - perguntou ajudando o idoso a terminar de colar a foto.

Fazia dois meses que eu estava trabalhando no Citibank, eu estava fazendo consultaria jurídica quando ela apareceu no banco. era uma jovem advogada que precisava de consultoria para realizar um investimento, ela alegava que não era possível sobreviver com aposentadoria do governo. E que todos precisavam fazer um investimento para o futuro.
- Boa Tarde, meu nome é . Sou atendente jurídico de investimentos - eu disse estendendo a mão para jovem garota que estava a minha frente.
- Boa tarde Sr. , eu sou Affonso. - retribuindo a mão.
- Pode se sentar Sra. Affonso - ofereci a cadeira para a sentar e me sentei em seguida - Em que posso te auxiliar hoje Sra. Affonso?
- Então, Sr. . Recentemente eu comecei a trabalhar como advogada e pensando na situação atual da economia mundial e do nosso país, eu gostaria de realizar um investimento para o futuro. Acredito que essa crise global pode afetar na minha aposentaria e eu definitivamente não quero trabalhar anos e anos, para não poder me aposentar no futuro. - Ela disse calmamente e suspirando ao final, a sensação era de que a garota havia tirado um fardo de suas costas com aquele desabafo. Ela era linda, mesmo com toda aquela preocupação que a rondava.
- Entendo Sra. - Disse sorrindo para ela, acredito que foi uma tentativa de confortá-la, afinal, eu pensava da mesma forma - O Citibank trabalha com diversos tipos de investimento ...
Então apresentei os diversos tipos de investimento, mas aquela mulher me hipnotizou da mesma forma que ela fez no bar. Ficamos quase uma hora falando sobre investimentos, ela parecia entender do assunto, e se apresentava muito segura sobre o que ela queria para o futuro dela. Mesmo depois da sua saída do banco, eu não consegui parar de pensar nela.


- Ela devia ser incrível - disse Jasmim sorrindo e recolhendo as folhas de sulfite a sua frente.
- Sem dúvidas, ela era e ainda é incrível. - Os olhos do idoso brilhavam ao falar da jovem advogada.
- E quando essa foto foi tirada? – Apontando para a foto colada no álbum.
- Quando essa foto foi tirada?! – disse com receio e desviando o olhar. Aparentava estar pensando - Não me lembro muito bem quando essa foto foi tirada. Mas acredito que foi...

Era final da Champions League, Londres estava em êxtase. Afinal, Chelsea estava na final contra o Bayer de Munique. tinha me convidado para ir assistir ao jogo em um Pub, eu não estava muito animado vendo todos aqueles caras gritando para a TV. Eu até gosto de futebol, mas o meu velho Boton não ganha muitas coisas.
Foi quando eu a vi, ela segurava uma garrafa de Corona no meio da torcida e cantava animada. Ficamos trocando olhares, até ela se aproximar.
- Ei, acho que eu te conheço de algum lugar – disse a garota se aproximando – Já sei, você cuida dos meus investimentos no banco, certo? – sorriu ao dizer, ao mesmo tempo que parava ao lado do garoto.
- Exatamente, Sra. Affonso – bebendo um gole de sua cerveja.
- Oh, você gravou meu nome! Você sabe todos os meus dados, você tá me seguindo? – se divertindo com as caretas que o jovem fazia a sua frente.
- Definitivamente não - se aproximando do ouvido de e dizendo – Eu detesto o Chelsea.
- Meu Deus, temos um intruso aqui – gargalhando - Mas, me diga Sr. Do Banco, qual é a seu nome?
- . – estendendo a sua mão para garota.
- Eu sou a e você já sabe – apertando a mão de .


- , eu preciso ir agora. Volto quarta-feira para continuarmos nosso álbum. - A jovem se levantou, se despedindo do idoso.
- Sem problemas, até mais ...? - o velho evitou continuar a frase, devido não se lembrar o nome da mulher que estava a sua frente.
- Jasmim, meu nome é Jasmim - disse carinhosamente - Tchau .
- Claro, uma Flor com nome de Flor. Tchau Jasmim - se levantando da cadeira com auxílio da bengala que estava ao seu lado.


Foto nº 02 – Enfim Formado

- Como você conseguiu essas fotos? – perguntou , tirando algumas fotos de uma caixa pequena de papelão.
- Sua filha Grace que trouxe para podermos colar no seu álbum – explicou calmamente a jovem.
- Grace esteve aqui? Poxa, porque ela não me esperou, eu preciso ir para casa – disse aborrecido.
- Acredito que ela tinha alguns compromissos, mas ela volta . – Confortando – Mas, vamos escolher uma foto para colar no seu álbum. – Mostrando para o senhor um álbum de capa azul marinho.
colocou as fotos sobre a mesa, pegou o álbum que Jasmim acabará de mostrar. O homem tocou o caderno de brochura observando todos os detalhes que podia. Ao abrir o álbum, esboçou um gemido de surpresa, seguido por um sorriso.
- Essa é , minha esposa – apontando para a foto que estava colada na primeira página.
- Muito bonita ela, você tem bom gosto – sorrindo para o idoso - Vamos escolher uma nova foto para colar junto com essa. – Colocando novamente a caixa de papelão na frente do idoso.
- Têm tantas fotos – pegava e soltava as fotos rapidamente após olha-las – Essa foto é legal – sorriu ao mostrar a foto para a jovem a sua frente.
Ao fundo da fotografia era possível ver a faixa com os dizeres "Parabéns Formandos da London School of Economics and Political Science *"
Um rapaz sorridente de calça social preta, camisa branca e gravata azul, levantava sua taça de champanhe com a mão direita. Ao seu lado esquerdo, uma senhora de meia idade usando um vestido longo preto, também sorria para a foto. Era possível também observar a semelhança entre ambos.
- Me conta mais sobre essa foto, quem é essa ao seu lado? – Se ajeitando na cadeira – Ah você também podia me contar um pouco mais sobre sua família.
- Essa é minha mãe, essa foto foi tirada no dia da minha festa de formatura. Você perguntou sobre minha família, bom vamos lá – E novamente foi possível ver o brilho nos olhos do idoso.

Eu nasci na cidade de Bolton, cidade natal dos meus pais e toda minha família. Meu pai faleceu quando eu tinha 10 anos, minha irmã mais velha e minha mãe sempre trabalharam fora para manter a casa, ambas sempre investiram na minha educação. Sou muito grato a elas. Aos 19 anos eu me mudei para Londres, eu tinha acabado de passar no curso de Economia da LSE. Não foi nada fácil, nunca tinha feito nada em casa e de repente eu me vi sozinho na cidade grande. Não foi fácil fazer faculdade, estudar, trabalhar, cuidar do meu quarto no alojamento. Ainda bem que no segundo semestre eu ganhei um companheiro de quarto e meu melhor amigo, .
Nos dois primeiros anos de faculdade eu trabalhei como garçom em um restaurante no centro, trabalhei também de atendente em uma livraria. Até conseguir um estágio na minha área. Foi assim que entrei no Citibank. Trabalhei dois anos como estagiário (fui o faz tudo, atendi no caixa e depois fiquei como auxiliar de investimento) e um pouco antes de me formar eu fui efetivado Atendente Jurídico de Investimento.
Essa foto é de um dos dias mais felizes da minha vida, nunca vou esquecer do sorriso da minha mãe. Eu sabia que ela estava orgulhosa pelo homem que eu estava me tornando.
Nunca mais tive coragem de deixar Londres, ela faz parte do que eu sou. Se em Bolton eu cresci, aprendi valores. Em Londres eu amadureci e aprendi a dar valor a vida.

- , você também está maravilhoso. - Disse minha mãe sorrindo para meu colega de quarto.
- Obrigado Tia, eu sei que eu sou o cara mais gato - disse o garoto, levantando a sobrancelha.
- Senhor!!! É muito narcisismo em uma só pessoa - Vicky disse entregando uma taça de champanhe mim.
- Deixa disso Vicky, eu sei que você me ama e só não assume nosso amor, porque seu pequeno irmão não ia aceitar – mordendo os lábios para a menina a sua frente.
- Vamos parar vocês dois - disse minha mãe sorrindo - Agora por favor, tire uma foto minha e do meu . - Sorrindo orgulhosa para o filho.
Nós nos deslocamos até o painel que tinha a faixa parabenizando os formandos, minha mãe ficou ao meu do lado esquerdo, eu abracei e ergui a minha taça quando Vicky e o fotógrafo da festa tirou nossa foto. Lógico, que depois ocorreu uma série de fotos minha com a mamãe e Vicky, eu e o , eu e Vicky e, todos juntos.


- Então essa é a foto que você quer colar hoje no álbum? – perguntou Jasmim, enquanto observava o senhor a sua frente sorrir ao olhar a foto em suas mãos.
- Sim, eu quero colar essa foto junto a foto da minha pequena rebelde. - desviou o olhar da foto para a garota a sua frente.
- Aqui está a cola - entregando um tubo de cola bastão para o mesmo – Pode passar a cola e colar.
posicionou a foto em cima da mesa de madeira, abriu o tubo de cola com dificuldade. Passou o bastão de cola pelas extremidades da foto, a segurou pelas mãos.
- O que eu faço mesmo com essa foto? - Questionou confuso para garota a sua frente.
- Vamos colar ela no álbum – mostrando o álbum para .
- Ah sim, vou colar ao lado da foto da . – Disse posicionando cuidadosamente a foto no álbum.
Jasmim sorriu para o idoso, recolhendo as fotos espalhadas pela mesa e fechando o tubo de cola em seguida. Enquanto arrumava suas coisas, observou o Sr. olhando para o relógio, o mesmo apresentava estar inquieto - Algum problema ? – Demostrando estar preocupada.
- Eu preciso ir embora e a Audrey não vem logo – olhando para os lados apreensivo – Será que você pode ligar para ela? - Não posso ligar Sr. , mas fica calmo logo ela está aí. Acredito que é melhor você esperar para jantar. – Calmamente, enquanto se levanta e pegava suas coisas.
- É pode ser – bufando - Só espero que ela não demore.
- Não vai demorar.

* Escola de Economia e Ciência Política de Londres

Foto nº 03 – O primeiro beijo

- Olá , como você tem passado? - a jovem se aproximou de e sentou ao seu lado no sofá.
- Oi, eu estou bem sim, só um pouco preocupado - abrindo um sorriso cabisbaixo.
- Posso saber o motivo dessa preocupação?
- Eu acho que eu estou esquecendo das coisas e preciso ir pra casa, está me esperando. - olhando para os lados e demonstrando estar preocupado.
- Ah entendi. Às vezes acontece de esquecermos algumas coisas. Enquanto isso, vamos construir seu álbum. - perguntou, tirando da sua ecobag o álbum de capa azul marinho.
- Pode ser, acho que não vou conseguir ir pra casa tão cedo – sorrindo e pegando o álbum da mão de Jasmim.

"Chego em 5 minutos"
Meu celular apitou, era uma mensagem da . Hoje parecia ser mais um dia normal, apenas uma quarta feira, inicio de noite em Londres, mas não era. Eu consegui chamar para tomar um café, eu devia ter chamado para um jantar chique em um restaurante, mas a primeira coisa que eu perguntei da última vez que eu a vi, era se ela topava tomar um café comigo. E agora estou eu aqui na Starbucks esperando ela chegar.
Estava tão distraído nos meus pensamentos que não percebi quando o furacão parou ao meu lado, sempre sorrindo, ela me trouxe para a realidade. Ela usava uma calça social preta e uma blusa de manga longa branca com alguns detalhes em dourado, usando seus sapatos de saltos. Parecia outra , era incrível como ela parecia tão séria com as roupas sociais e tão despojada aos finais de semana, ela definitivamente era uma menina em um corpo de mulher.
- E aí, já sabe o que vai pedir Bank? - apontando para o letreiro com cardápio.
- Acho que vou pedir um Caramelo Macchiato - falei analisando o cardápio.
- Jura? – surpresa - Essa é a melhor bebida quente, só peço ela - sorrindo - Apesar de você não torcer pro Chelsea, acho que combinamos - batendo em meu braço.
Era incrível sua empolgação e seu sorriso, sem dúvidas eu estava apaixonado por essa mulher. Se bem, que não sei se é possível se apaixonar em tão pouco tempo.
Fizemos nossos pedidos, pediu Caramelo Macchiato como disse anteriormente, e nos sentamos em um sofá, em uma parte mais afastada do salão. Enquanto tomávamos nossa bebida, conversamos sobre nossa infância, nossos gostos musicais, viagens, faculdade, sonhos e trabalho. Me peguei várias vezes olhando para seus lábios, me distraindo com seu sorriso, enquanto sua voz doce me encantava, principalmente quando gargalhava ou fazia uma piada sem graça. Ela era uma mulher facilmente admirável.
- Uau - assustada, olhando para o seu relógio - Estamos aqui a tanto tempo e não percebi a hora passar.
- Quando a conversa é boa, o tempo passa devagar, igual a ampulheta do professor Horácio em Harry Potter - eu disse, rindo da referência nerd que tinha acabado de fazer. Eu realmente não queria ir embora, queria ficar ali horas e horas desfrutando da sua companhia.
- , acho que precisamos casar. Você gosta de Beatles, toma Caramelo Macchiato e ainda cita Harry Potter - olhando nos meus olhos e gargalhado - você deve ser o homem da minha vida.
- É, tô começando a considerar isso – sorriu tímida e abaixou o olhar, eu tinha acabado de deixar ela envergonhada. Me aproximei do seu rosto e coloquei uma mecha do seu cabelo atrás da orelha. Ela tocou minha mão com a sua bochecha, demonstrando gostar do carinho. Ela ergueu seu olhar, eu encarei aqueles olhos profundos, como a frase de um autor de um livro que eu li, ela tinha “olhos de ressaca de cigana”. Seus olhos me transmitia um misto de timidez e desejo. Desviei o olhar para sua boca, sua respiração estava mais acelerada quando nos aproximamos. No momento que ela fechou os olhos, eu sabia que ela estava me permitindo beijá-la.
Foi incrível, acho que toquei o céu e voltei. Nos beijamos lentamente, ela acariciava minha nunca, em contrapartida eu bagunçava seu cabelo. Aos poucos encerramos o beijo, precisávamos de ar. Mas, ao ver ela sorrindo, me aproximei e beijei ela novamente.
Ali simplesmente foi o início de tudo.


- Então vamos colar essa foto - Olhando para a foto que o senhor segurava, e olhava com tanto carinho.
- Sim, quero outra foto da minha nesse álbum - com olhar apaixonado. Com ajuda de Jasmim, colou a nova foto no álbum.
A terapeuta Ocupacional se despediu do idoso, mas percebeu que aquele dia seria longo para o mesmo, a saudade de casa e da esposa estava aumentando. A jovem percebia que o carinho que nutria pelo idoso, ia muito além que o profissional e se questionou quanto tempo levaria para o idoso assimilar tudo que estava acontecendo ou simplesmente perder todas as memórias que lhe resta.
A nova foto no álbum, era a foto de e sorrindo. Ambos estavam sentados no sofá da Starbucks que se beijaram pela primeira vez. O garoto mordia a bochecha da namorada enquanto a mesma fazia careta e segurava um copo de Caramelo Macchiato. Tomar café às quartas na Starbucks era um ritual ou uma rotina do casal, durante muitos anos repetiram este ato. Era uma maneira de renovar e celebrar aquele local tão especial para ambos.


Foto nº 04 – Fish and Chips

Estava deitado na minha cama no alojamento, ouvindo música e olhando para o teto quando percebi um barulho na porta.
- Ótimo, agora esse povo gosta de invadir alojamentos - resmunguei enquanto pausava a música que tocava.
Após um estrondo e vários xingamentos, a porta se abriu, revelando um menino magrelo, com cabelos castanhos.
- Ei, foi mal cara. Não queria te acordar - o rapaz disse entrando no quarto e trazendo consigo uma mochila, dois sacos pretos e um violão.
- Não estava dormindo. - Me sentei na cama - Agora, você pode me dizer quem é você e o que faz no meu quarto – resmunguei impaciente.
- Aah claro – coçando a cabeça e sorrindo torto, ele nem tinha percebido que tinha invadindo o meu quarto e nem tinha se dado o trabalho de se apresentar - Eu sou , seu novo companheiro de quarto - estendendo a mão livre para mim.
- Olá , eu sou , mas pode me chamar de - apertando sua mão firmemente. Acho que precisava mostrar para aquele magrelo quem era o macho alfa - Como você percebeu, eu sou seu colega de quarto.


- Porque toda essa rivalidade com o rapaz que tinha acabado de conhecer ? - Jasmim sorriu encarando o rapaz.
- Não sei, mas acho que isso só rolou por 5 minutos, até ele tirar o vídeo game de um dos sacos pretos. – rindo para a garota.

Eu estava cansado, tinha sido um péssimo dia no restaurante que eu trabalhava. Era sábado à noite e o que eu mais queria era minha cama. Abri a porta do meu alojamento e simplesmente me deparo com agarrando uma loira.
- Caralho , vou ter pesadelos - disse sério e fechando a porta atrás de mim.
- Ops - não sabia se ajeitava a camiseta ou o cabelo - Eu achei que você ia chegar mais tarde, meu amor - olhou para a garota ao seu lado, a mesma sorria divertida - Essa é Lindsay, diga olá pra minha nova paixão – apontando para a Lindsay.
- Você é uma piada - sentei na minha cama em frente à ambos - Desculpa Lindsay, sou . Infelizmente eu vou ser o empata foda, mas é que eu estou realmente cansado e quero minha cama - sorri, tentando consolar a menina.
- Sem problemas , teremos outras oportunidades, não é ? - piscando para , lógico que ele concordou com um sorriso gigante, ele era bizarro - Agora , tem pizza na geladeira se te animar - ela abriu um sorriso gentil, me consolado dessa vez.
- Gostei dela, – Sorri para meu amigo, que simplesmente me retribuiu com -Eu sei, eu sou foda- Ele era ridículo na verdade.
Passamos horas conversando, rindo, tomando cerveja e comendo pizza. Eles definitivamente combinavam, ela era tão pirada quanto ele. Lindsay contou que conheceu na aula de “A Vida no Contexto Cósmico”. Aula que o foi assistir por curiosidade, já que nem está inclusa na sua grade de aulas.
Naquela noite Lindsay disse que a livraria perto do seu trabalho estava precisando de atendente. Me propus ir lá conhecer, talvez fosse mais fácil ser atendente de uma livraria do que ser garçom.


- Ele é meu melhor amigo, faz tempo que eu não o vejo. Acho que a última vez foi em seu aniversário - disse encarando a foto em suas mãos. O retrato tinha dois garotos na sentados na areia da praia, ambos de bermuda. olhava para baixo, enquanto aparentemente tocava o violão que segurava, já estava apenas ao seu lado sorrindo.
- Então, vamos colar no seu álbum, . Pensa, vai ficar um livro com suas memórias.
- Acho que vai ficar bacana, só não entendo pra que isso - disse encarando a jovem a sua frente seriamente.
- Isso - mostrando o livro - ajuda você a recontar sua história, ajuda estimular sua memória e suas emoções. Isso faz parte de quem você é.
- Interessante! Ainda bem que você tem paciência com velho - sorrindo - Isso não é pra qualquer um. Audrey fez uma boa escolha sobre você - demonstrando estar orgulhoso da filha.
- Obrigada - Retribuindo o sorriso - Eu realmente amo o que faço, e sim tenho muita paciência, e gosto de saber sobre as histórias de vida de quem eu atendo. Agora precisamos colar está foto - apontando para o álbum.

estudava Ciências Sociais, ele era totalmente paz e amor, enquanto eu era agitado e extremamente calculista com as coisas. Era uma amizade totalmente equilibrada. Acredito que ele era o Fish e eu o Chips, a dupla dinâmica. E naquela semana que eu conhecia Lindsay, consegui meu emprego na livraria.


Foto nº 05 – Definições!

- Boa tarde - sorrindo - vejo que está acompanhando - olhando para uma mulher loira de aproximadamente 40 anos .
- Boa tarde! Essa é Audrey - sorrindo animado, enquanto apontava para a moça loira ao seu lado.
- Audrey? - A mulher interrompeu - depois de 37 anos. Você ainda pensa que eu sou a Audrey - gargalhando - é Grace - alterando o seu olhar entre o velho e Jasmim.
- Prazer, eu sou a Jasmim, Terapeuta Ocupacional - estende a mão para a mesma à sua frente e recendo o comprimento de Grace. - , o que aconteceu? Você estava tão animado? - Curiosa e abaixando para encarar .
- Eu não consigo me lembrar das coisas tão facilmente - sua voz saiu trêmula e angustiada, conseguiu notar o semblante de preocupação das mulheres a sua frente. Ao percorrer seu olhar no ambiente, notou algumas pessoas sentadas do outro lado da sala, todos mais velhos, próximo da porta e estava duas mulheres de branco conversando. - Onde eu estou? - Desviou seu olhar para a Grace - Não conheço esse lugar! — Jasmim se afastou e Grace suspirou pesadamente antes de responder aquela pergunta mais uma vez.
- Esta é sua nova casa, você tem ficado aqui alguns dias. Estamos organizando o seu apartamento. - Sorrindo e tentando tranquilizar o idoso.
- Está dedetizado de novo? - Grace assentiu com a cabeça - Esse apartamento está dando muito trabalho, preciso falar com para nos mudarmos logo. - Sorrindo e com a voz mais calma.
- , antes de você falar com , vamos fazer a nossa atividade? - Disse Jasmim gentilmente, enquanto se aproximava e olhando com ternura para o senhor. concordou com um sorriso. - Então, vamos lá! - Ajudando o senhor a se levantar.

- Eu realmente tenho preguiça só pensar que preciso arrumar uma mala, ainda hoje - disse a garota se estendendo na canga que estava no chão e olhando para o céu do Green Park.
- Não vai ser tão ruim assim, . – Se ajeitando de lado, de uma forma que pudesse encará-la. Colocou uma mecha dos seus cabelos para trás da sua orelha, suspirou! - Você vai estar perto de casa – disse, tentando animar sua garota.
- , eu sou de Hartford não se esqueça! - Gargalhando - Eu vou estar perto da sua casa garoto, Manchester é mais próximo de Bolton do que de Hartford - apertando a bochecha do rapaz.
- Essas garotas da capital, ficam fazendo pouco caso com a minha pequena Bolton. - Apertando o nariz da mesma, enquanto ela sorria - Manchester é legal, tem várias coisas para fazer lá. Você vai passar uma semana lá, vai poder conhecer vários lugares. - Deitando novamente ao seu lado.
- Pode ser - suspirou - Estava pensando aqui, eu vou precisar de uma guia para conhecer Manchester, você podia ir comigo? - deitando de lado olhando para aqueles olhos que lhe deixavam hipnotizada.
- , você deve ser louca! Como vou passar uma semana longe do trabalho e outra, você vai estar trabalhando o dia inteiro, eu vou ficar encarando a parede do hotel - falando seriamente com a menina.
- Aí senhor certinho, você não disse que tinha várias coisas legais em Manchester - debochando e observando o menino revirar os olhos.
- Posso pensar e tentar pegar a sexta-feira, mas com uma condição? - Levantando a sombra celha e se aproximando da menina.
- Entendo, eu só acho que os meninos de hoje em dia sempre querem algo em troca - roçando seus lábios no de - Mas, me diga. Qual é a condição?
-Você, anda conhecendo muitos meninos interesseiros - roubando um selinho e se afastando em seguida - Queria passar em casa e pelo menos almoçar com mamãe e Vicky, você topa ir comigo? – erguendo suas sobrancelhas, tentando seduzir a garota.
- Olha, eu topo - sorrindo, antes do garoto dizer algo, colocou o dedo em protesto em seus lábios – Quero que você me diga uma coisa, eu vou chegar lá e dizer: “ Olá queria Kathy eu sou a garota maluca que seu filho conheceu no bar e ele beija de vez em quando”- dizendo formalmente.
gargalhou e beijou a menina, era possível perceber o sorriso de ambos durante o beijo. se afastou, levantou os óculos do Sol e encarou a garota.
- Você pode se apresentar como a minha namorada! - Mordendo os lábios inferiores.
- Namorada? - mordendo o canto dos lábios, concordou com a cabeça - Você tem certeza disso? - O rapaz gargalhou e continuou assentindo.
- Então Sr. do Banco - seriamente - agora o Sr. é comprometido - beijando o garoto em seguida.
Eles ficaram se beijando e curtindo o dia de Sol no Green Park.


Jasmim ficou encarando a foto por alguns segundos antes de fechar o álbum. Na foto estava um casal no auge da juventude, era uma self de ambos ( e ). Ao fundo as árvores e um Sol brilhante, tão brilhante quanto o brilho apaixonado do olhar de ambos. A jovem desviou o seu olhar para que ainda conversava com Grace enquanto tomava café. Se questionou como deveria ser ter um amor tão forte quanto e tiveram, será que um dia teria está sorte?!


Foto nº 06 – Somos uma Equipe

estava sentado em um banco de madeira, o móvel de madeira rústica era um contraste no jardim da casa. O velho olhava o horizonte, distante e perdido em seus pensamentos, não percebendo a presença de Jasmim, quando a mesma sentou ao seu lado.
A jovem ficou observando , o idoso tinha rugas e marcas de expressão, a pele fina e avermelhada pelo Sol fazia o contraste com os cabelos brancos, os anos não escondia que aquele homem um dia foi muito bonito.
- Boa tarde - atraindo o olhar de pela primeira vez - Como você está? - Sorrindo para o senhor. retribuiu o sorriso, porém voltou a encarar as flores a sua frente - - tocando o braço do mesmo - Como o senhor está?
- Não sei, estou sentindo uma sensação ruim, não sei se é saudades. Só é algo que me angustia - despejou todas as informações, na sua voz era possível notar a tristeza evidente e em seu olhar também. - Quero ir para minha casa, preciso cuidar das coisas do banco, fica brava quando deixo as coisas para o final de semana. - Encarando Jasmim, que respirou profundamente. - Além disso, faz tanto tempo que não almoçamos na casa do e Lindsay.
- Realmente são muitos sentimentos e muita saudade, principalmente - repousando sua mão sobre a do idoso, era sua tentativa de acalmar através do toque suave - Será que podemos encontrar outra forma de matar essa saudade? Já que não vamos conseguir ir pra casa hoje e nem almoçar no , me conte o que você faria lá. – Curiosa.
negou sua cabeça e suspirou tristemente. Jasmim, retirou de sua ecobag a caixa com as fotos de e entregou para o mesmo. A jovem sabia que palavras não seriam o suficiente, tentou acalmar sua respiração. Ela sabia que a relação de carinho com paciente poderiam ultrapassar o vínculo terapêutico, sabia que nutria esse carinho pelo o Sr. , ele lembrava o seu falecido avô - um sorriso triste brotou em seus lábios - ela sabia como era sentir saudades de alguém querido.
estava olhando as fotos uma a uma em silêncio, quando soltou uma gargalhada misturada de alegria e tristeza. Na foto estava , , e Lindsay. O primeiro casal estava sentado no chão da sala, o segundo estava sentado no sofá preto. Todos sorriam para a foto. Próximo a e tinha uma mesa de centro com caixa de pizza, uma petisqueira e algumas garrafas de long neck de cerveja.
estava deitada com a minha camiseta dos Ramones e de calcinha, ela sorria divertida enquanto cantava Yellow Submarine. Eu tinha acabado de sair do banho, aquela vista era sensacional. era sensacional.
- Porquinha, vai tomar banho - pegando uma camiseta na minha cômoda e vestindo. riu enquanto pegava sua roupa e cantava em um microfone imaginário.
- Meu Deus, pobre Beatles se remoendo no túmulo - tampando meus ouvidos.
- Eu sou a quinta voz dos Beatles – ela simplesmente mostrou a língua pra mim, olhei incrédulo para , que se apressou em responder - Eles só não descobriram minha voz a tempo. - Ao dizer isso, foi em direção ao banheiro e me deixou com cara de paisagem, mas com um sorriso enorme.

(...)

- , a pizza chegou! Você pode pegar, por favor? – gritei da cozinha.
- Caraca ! - Caminhando até a porta - Eu sou visita aqui, pede pra sua namorada que já é da casa - resmungando.
- , você não é visita! – Tentei falar sério com ele, enquanto carregava o engradado de cerveja para a sala e apoiava na mesa de centro.
- Você já foi mais romântico meu amor - disse sorrindo e tentando me abraçar após deixar as pizzas em cima da mesa.
- Eu realmente não entendo a relação deles - gargalhava ao olhar para tentando me beijar.
- Eu já desisti de entender - Lindsay deu um gole em sua cerveja - E também, já aceitei que eu sou a outra na vida do - piscando para o namorado, que retribuiu com enorme sorriso.
- Vocês se merecem – Disse sorrindo para Lindsay, enquanto limpava o meu rosto que tinha deixado todo babado.

(...)

- Gente, agora é sério - ria, enquanto tentava fazer sua garrafa de cerveja como microfone.
- Você já disse isso hoje - ria ao beber sua cerveja, ela já estava um pouco alterada com a cerveja.
- Mas, tô falando sério, cunhada! - bravo - , pede pro seu amor me respeitar - fazendo um bico enorme.
- Amor, não vamos contrariar a criança – sussurrei no seu ouvido, estava sentada no meio de minhas pernas.
- , nosso filho não pode mandar em tudo - tentando ficar seria, mas as lágrimas nos seus olhos diziam o quanto aquela situação estava sendo engraçada.
- Tá ok! Você sempre vai ditar as ordens com nossos filhos.
- Amooooor - resmungou alto, chamando atenção de todos e principalmente de Lindsay que estava concentrada comendo os amendoins da petisqueira - Eles não me deixam contar a novidade.
- AMOOOOR- imitando o garoto - É só você falar - apertando a bochecha do mesmo que estava sentado ao seu lado.
- Hoje eu me senti um homem - falou sério.
- Desde quan... - não me deixou terminar de falar e se posicionou na frente de todos em pé.
- Eu pedi Lindsay em casamento - sorrindo imensamente e olhando para a namorada que mandava beijos - E ela aceitou - dando socos no ar.
teve uma crise de riso com a reação de , enquanto eu só conseguia ficar chocado. Ele tinha pedido ela em casamento.
- Você deve ter entendido errado – Eu disse zoando com sua cara, ele simplesmente apenas balança sua cabeça dizendo “ela disse sim”. Olhei para Lindsay que escondia sua cara de vergonha, o casal definitivamente combinava um com o outro.
- Agora, fala , o que você queria dizer a eles - Lindsay tentou ficar seria e incentivando o namorado.
- Ah é - o garoto deu um tapa em sua cabeça com sua mão esquerda – Já estava me esquecendo – dando um longo gole na sua cerveja.
- Eu achei que essa já era novidade, meu filho – sorriu para o garoto, que retribuiu mostrando a língua pra ela. - Fala logo, estamos curiosos – tacando um amendoim no garoto.
simplesmente se ajoelhou na frente se todos e então disparou a falar – , você aceitar fazer parte desse momento da minha vida? Você aceita ser meu padrinho de casamento? – fingindo carregar uma caixa de alianças para o amigo.
- Claro meu amor – Eu só conseguia sorrir, enquanto caminhei em sua direção e lhe abracei. Simulamos um beijo na boca, até ambos caírem para o lado. Era possível perceber que todos estavam sorrindo, estávamos felizes.


No mesmo dia à noite, Jasmim recebeu uma mensagem de Audrey. Contando que o melhor amigo de , , tinha sofrido um infarto naquela tarde, foi socorrido e precisou realizar uma cirurgia às pressas. Seu estado de saúde era grave e Audrey não teve coragem de dizer ao pai, mas sabia que durante toda aquela semana, tinha falado muito do amigo.
Pressentimento? Saudade? Conexão? Não era possível explicar, o que Jasmim sabia é que de alguma forma sentiu, essa conclusão não era profissional e sim pessoal. Existe fatos e situações que são inexplicáveis.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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