Última atualização: 09/06/2020
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Prólogo

Uma pilha de livros.
Vários discos de música.
O cheiro dele estava preso a ela para sempre, assim como o dela ficaria nele.
Ela sempre acreditou que quando duas almas se conectavam assim não importava o curso da vida. Uma hora elas voltariam a se encontrar, essas duas vidas se cruzariam em algum momento do percurso inevitável que é a vida. Tinha os pés tão grudados ao chão como tinha o coração aos milhares de livros que já havia lido, era o que gostava de dizer quando alguém perguntava se era uma sonhadora.
Acreditava no amor.
Poderia ele superar tudo?
Se era possível morrer aos dezessete anos — talvez estivesse acontecendo —, também renasceria. Uma vida poderia se formar dali, não seria a mesma vida e nem ela a mesma pessoa, mas conseguiria recomeçar, não de onde parou. Alguns passos teriam que ser retomados, um novo amor surgiria e suas almas tomariam um novo curso.
Até se reencontrarem novamente.
Eram todas as coisas em que conseguia pensar naquele momento dentro do carro destruído e prestes a ser tomado pela água. Todos planos que tinha feito estavam tão distantes e perdidos em algum lugar em sua mente e não tinha relevância agora. Nada era mais importante do que aproveitar aquele lapso de vida que ainda tinha ao lado dele.
Demorou, mas as lágrimas e o desespero finalmente tinham chegado.
segurou a mão da garota em prantos ao seu lado, agora nada além disso poderia ser feito. Com a água do rio já na altura de seu pescoço, a única coisa que ele conseguia fazer por ela, era que sentisse que tinha sido amada e que ainda era.
Naquele momento de desespero ele ainda podia ama-la sobre todas as coisas.
Foi a única coisa que fez desde a primeira vez que colocou os olhos nela.
Apertou a mão contra a dela e fechou os olhos. Sentiu o cheiro de chocolate quente, também conseguia sentir o amadeirado da cabana pela manhã, o mar batendo na areia e trazendo a maresia para dentro. As sensações eram quase tangíveis.
Sua mão se soltou, assim como a consciência de seu corpo.
deixou que a última lágrima caísse sobre seu rosto. Não iria chorar mais, apertou a mão de mesmo sabendo que ele não poderia sentir seu toque e abriu o sorriso mais largo que conseguiu. Queria que o último minuto que fosse ter com ele lhe causasse alegria, mas não tristeza, depois de todos os momentos já vívidos ao lado de , era a única coisa em que poderia pensar.
Felicidade.
Pensou em seu diário e o que tinha escrito nele na noite anterior, uma última frase dele.

"Seja qual for a matéria de que as nossas almas são feitas, a minha e a dele são iguais. Emily Brontë. "

Também foi a última coisa que lhe ocorreu, antes que perdesse a consciência.

 



Capítulo - 7 years later

NOVA YORK — MANHATTAN.


Ela envolveu os braços no corpo na tentativa de diminuir o frio que o vento gélido e incessante do início de inverno em Nova York estava trazendo. Desejou não ter saído de casa, poderia ter trabalhado do próprio apartamento, afinal a empresa estava em uma boa fase e seria seu último mês, antes das férias, não tinha muito o que fazer. Mas, estava ansiosa demais para a chegada dele, se tivesse ficado em casa não teria terminado nem um terço de suas obrigações.
Fez sinal para um táxi que se aproximava e pulou para dentro dele assim que o motorista estacionou, informou para onde ia e se recostou no banco sentido-se aliviada pelo ar quente dentro do carro.



LONDRES — ESTAÇÃO DE TREM.


desceu na estação de Londres sentindo seu coração acelerar com a sensação de estar finalmente indo para casa depois de sete anos, após a morte de ele decidiu que não voltaria tão cedo para Holmes Chapel, sua cidade natal e onde passou cada momento de alegria ao lado dela.
Ainda não se sentia totalmente seguro, mas nas quatro horas de viagem que teria de enfrentar teria tempo suficiente para sentir-se pronto — ao menos era o que achava. Entrou no carro alugado na intenção de não atrair paparazes e deu partida, sua mente divagou em lembranças assim que pegou a Central Road passando por uma placa onde dizia "Holmes Chape".
jogou a cabeça para trás e riu descontroladamente da garota bem na sua frente. estava com a mão na cintura e o encarava esperando que ele parasse de rir da cara dela, odiava quando ele começava com essas crises de risos e não parava mais.
— Juro que não me responsabilizo pelos meus atos, se continuar rindo assim,   — disse com firmeza, mas por dentro estava achando graça.
— “Você é como o sol, nasce todos os dias para mim…” — leu o papel em sua mão e caiu na risada de novo.
A garota se jogou em cima dele e tentou pegar o papel de sua mão, já fazia mais de uma hora que ele a estava zoando por causa da carta que Josh leu para ela, fazendo uma declaração como um garoto apaixonado.

— Isso, não tem a menor graça — disse já em cima dele, tentando de maneira frustrada pegar a carta de amor de volta.
— Sério, seria cômico se não fosse trágico — disse por fim, se sentando de maneira que ela ficasse no colo dele.
Estendeu o papel para , que pegou de volta fazendo um careta.
— Ué! Por quê? — questionou olhando-o com uma careta. — Pensa que não sou boa o suficiente para receber uma carte de amor, no dia dos namorados?
a encarou por um instante, era ridículo aquilo passar pela cabeça dela. Qualquer cara seria idiota, se não mandasse uma carte de amor para ela no Dia dos Namorados.
Era o oposto do que ele estava pensando.
— Não é isso. — Seu humor tinha mudado, detestava quando ela dava a entender que ele poderia nem sequer pensar algo assim sobre ela. a empurrou para o lado de maneira que ela saiu de cima dele e ele se ajeitou na cama encarando-a.

revirou os olhos, levava as coisas a séria demais e ela sabia disso.
— Qual é , sabe que não falei sério. — Sentou-se ao lado dele e o encarou.
— Não sei, as vezes tenho minhas dúvidas. — levantou e andou pelo quarto em busca de sua camisa, a vestiu assim que encontrou e encarou a garota de cabelos negros deitada na cama encarando o teto.
bufou e fechou os olhos, sabia que ele ia começar de novo com todo o drama do "Eu te amo e você não acredita."
O problema era esse, ela acreditava tanto que tinha medo de admitir isso em voz alta, principalmente para ele.
— Eu tenho que ir.
Ela abriu os olhos e o encarou. Apesar de ele parecer um pouco duro por causa da mudança brusca de humor, seus olhos profundamente verdes estavam calmos e as convinhas mostravam que bem lá, no fundoele queria abrir um sorriso.
Ele não tinha que ir, só queria.
sempre era a causadora de todo o clima estranho que se formava entre eles.
— Você quis dizer que, quer ir.
a encarou e andou até a cama, sentou-se ao lado do corpo deitado dela e aproximou o rosto ao dela.
— Pensei que não quisesse ir rápido demais. — Seus lábios estavam próximos demais do dela.

riu com irritação.
— Você sabe que não era sobre isso, que eu estava falando.
franziu a testa, depositou um beijo na bochecha de e andou até a porta do quarto, mas parou para encará-la.
— Eu te amo, . Mas, talvez quando você decidir aceitar esse amor, seja tarde demais — disse e saiu do quarto.
— Eu também te amo, .
A confissão saiu quase como um sussuro, ao menos foi o que ela pensou naquele momento, já que ele realmente foi embora a deixando completamente sozinha naquela noite fria.

 

NOVA YORK — ESTAÇÃO DE MANHATTAN.


Quando  desembarcou na estação de Manhatam o coração disparou, enquanto esperava pelo seu motorista particular observou alguns casais interagindo. Viu um cara com roupa de soldado que parecia estar voltando de uma missão, pelas lágrimas de felicidade que escorriam de sua esposa — sabia disso, porque ambos usavam uma aliança — e o quanto ela abraçava e o beijava.
Viu uma garota correr enquanto chamava pelo nome do que parecia ser seu namorado, ele ainda estava na parte restrita a pessoas que não tivessem uma passagem de ida ou de volta. Mas, a moça passou pela faixa e se jogou nos braços de um rapaz alto, que retribuiu o abraço. Sentiu um pouco de inveja, gostaria de poder fazer isso também com a garota que ama.
Mesmo com dois anos de relacionamento, ela não queria se expor a fama que vinha com ele. Sempre disse que só tornariam a relação pública depois que estivessem de fato consolidados, se soubessem que aquilo era real. Não queria ser mais uma, na lista de  ou de qualquer outro famoso, focada demais na vida profissional não poderia cometer nenhum deslize.
 entendia isso, mas, ao mesmo tempo sentia que não a tinha por inteiro. Convivia vinte e quatro horas com quatro caras que eram tudo para ele, porém só sabia de seu romance secreto — talvez os outros desconfiassem — e o apoiava. Agora necessitava de mais, queria abraçar-la em público, leva-la para jantar, poder falar dela, nas entrevistas e compartilhar com as outras pessoas de sua vida que tinha encontrado sua alma gêmea. 
Ele estava disposto a isso, dois anos era mais que suficiente para ele considerar o relacionamento consolidado.
Mas, será que seria para ela?
— Sr. Cárter. — Um homem alto, de quase uns quarenta anos se aproximou de  usando o nome falso dele, era Taylor, seu motorista particular.
Para conseguir esconder o relacionamento por tanto tempo foi preciso se desdobrar. Eram incontáveis às vezes em que ele precisou sair correndo ou arrancar com o carro porque algum ‘paparazzi’ tinha descoberto seu disfarce e começou a fazer um monte de perguntas.
Onde você está indo? Porque o disfarce? Você e Perrie voltaram e decidiram ter algo mais privado?
Cada dia tinha uma nova especulação na mídia, uma manchete diferente dizendo que   estava tendo um relacionamento escondido, depois que ele estaria em uma relação as escondidas com sua ex.
Sua imagem estava ficando comprometida, mas não só isso, o círculo estava se fechando e ele sabia que não teria mais desculpas para dar. Já tinha inventado de tudo, encontro as escondidas, doença na família — gerou um alvoroço uma vez — e muitas outras desculpas. Não importava, isso tinha que acabar.
— Você sabe para aonde ir — disse  já dentro do carro.
Ele sentiu o cheiro doce o invadir assim que atravessou a porta da cobertura. Tinham algumas malas na enorme sala de entrada, sabia que ela tinha chegado antes dele por isso diminuiu os passos fazendo com que eles fossem silenciosos. Era a mesma excitação de sempre estar de volta e encontra-la lendo ou fazendo algo do trabalho, sentada na cama rodeada por papéis.
Seu queixo caiu assim que entrou no quarto.
Dessa vez não estava fazendo nenhuma das coisas que cogitou. Ela se encontrava debruçada sobre a varanda da sacada vestindo apenas calcinha e sutiã de um vermelho vivo. Seus olhos percorreram as curvas dela e algo se acendeu dentro dele, já tinha visto ela completamente nua, mas era sempre uma sensação nova vê-la usando uma “lingerie” sexy.
Se aproximou já levando as mãos a cintura nua dela e abraçou-a. essa) soltou um gritinho de susto e excitação ao sentir as mãos dele sobre ela, vinha esperando por esse toque há meses. Desde que, a turnê tinha se iniciado os dois não tinham conseguido se encontrar mais que duas vezes. Os disfarces estavam ficando complicados e o intervalo entre os shows muito curtos, sem contar que ela também tinha uma vida e um trabalho.
Ela se virou e envolveu os braços no pescoço de  já depositando um beijo em seus lábios. Ele não pode se conter em sorrir e a pegou no colo, não se demorou e prendeu suas pernas na cintura dele e começou a beija-lo enquanto ele andava de volta para o quarto.
Quando seu corpo se chocou com a cama, sorriu. Encarou-o e o puxou para que ficasse sobre ela, naquele momento, senti-lo era mais importante do que qualquer conversa que ela tinha idealizado ter quando o reencontrasse.
— Amor— sussurrou enquanto ele abria o sutiã dela.
 riu, adorava a forma como apenas seu beijo a deixava. Gostava de saber que só ele conseguia fazê-la se sentir assim.
— Eu sei, baby — sussurrou no ouvido dela e a segurou, colocando-a um pouco para cima na cama.
Levou seus lábios ao dela novamente e iniciou um beijo mais intenso que o anterior. Se arrepiou quando as unhas de fincaram suas costas e o arranharam em seguida, ele gemeu de leve e sorriu por entre o beijo. Queria curtir cada parte daquele momento, senti-la por completa era tudo que importava nos últimos meses e agora ele poderia fazer isso.
Interrompeu o beijo e deslizou seus lábios devagar passando pelo maxilar dela e pescoço até chegar aos seios. Iniciou depositando beijos e aumentou o ritmo até começar a chupa-los com vontade.
arfou ao sentir todo seu corpo se arrepiar com o toque dos lábios de . Passou a mão pelas costas do namorado e desceu-as até a cintura dele já abrindo com pressa o botão da calça que ele estava vestindo, ela estava com pressa, queria senti-lo dentro dela o mais rápido possível e ele sabia disso.
 levantou parando de chupa-la e tirou sua roupa com rapidez. Geralmente faria as coisas com mas destreza, mas precisava ser rápido e tinha que senti-la. Os últimos meses sem nem um toque da namorada tinham sido uma tortura para ele.
Zayn desviou o olhar de Vanessa e caminhou até a cômoda ao lado da cama, pegando um pacotinho e camisinha, abriu-o e a vestiu. Quando voltou os olhos para a bela mulher deitada na cama, ela já tinha se livrado da calcinha e estava completamente nua. Abriu um sorriso involuntário, não importava quantas vezes olhasse para ela, sempre se surpreendia com sua beleza e a capacidade de deixa-lo duro só de olhar para ela. sorriu e fez sinal para que ele fosse até ela e assim  cumpriu. Ficou por cima dela e a penetrou lentamente, gemidos desesperados quebraram o silêncio que antes tomava conta do quarto.  aumentou o ritmo gradualmente e desceu as mãos através da coxa de , apertou-as a medida que aumentava as estocadas.
cravou as unhas nas costas de e seus gemidos se intensificaram a medida que ele entrava e saia dela. Levou seus lábios ao dele e o beijou, o mordeu não intencionalmente quando ele diminuiu o ritmo e de repente a penetrou de uma só vez.
sorriu.
— Acho que agora é a minha vez — sussurrou no ouvido dele.
travou o movimento entre eles colocando suas pernas em volta dele e movimentou-se de maneira que ele caísse para o lado e ela pudesse subir em cima dele. se deslocou até a parte de cima da cama e apoiou as costas na cabeceira.
Sem demora ela subiu em cima dele e sentou-se de modo que conseguisse sentir cada parte dele. Movimentou-se primeiro como se estivesse rebolando lentamente e segurou a cintura dela de modo que aumentasse os movimentos. Ela arfou entre gemidos e sentiu que estava quase lá para alcançar o orgasmo.
— Goza para mim, amor —  pediu sussurrando no ouvido dela e deu uma leve mordida em sua orelha.
arfou e se movimentou mais uma vez, o orgasmo tomou conta de seu corpo e ela se sentiu mole. Mas, continuou com os movimentos, não tinha chegado lá ainda. Agora ele estava com as mãos em sua cintura ajudando ela a fazer os movimentos, seus corpos já estavam muito suados e as respirações ofegantes.
Quando ele chegou ao ápice a puxou para junto dele, apertando-a contra seu corpo.

 

acordou tão cedo que ficou ao menos dez minutos, sentada na ponta da cama encarando um adormecido. Apesar de sua expressão calma era visível que ele estava exausto dos meses em que passou rodando de um país para o outro, ele sempre dissera a ela a satisfação de rodar o mundo para conhecer cada vez mais fãs da banda, mas também contava às vezes em que se sentira mentalmente cansado.
Depois de tomar um longo banho, saiu do quarto o mais silenciosamente possível. Não gostava de sair de fininho, mas era preciso, mesmo com os dois anos de relacionamento com ainda tinham coisas que ela precisava contar a ele. Enquanto preparava um café preto bem forte, escreveu um bilhete em um pedaço de papel que achou na bancada e o deixou lá mesmo preso com uma xícara.
Parou na porta de saída do apartamento segurando sua garrafa térmica e observou o corredor, era de se esperar que às dez para seis da manhã não teria ninguém vagando pelo lugar, mas todo cuidado era pouco depois da última notícia que quase expôs o relacionamento deles. Com sorte, conseguiu com ajuda de alguns contatos despistar — ou ao menos acalmar — os boatos e fazer com que continuassem como se nada tivesse acontecido.
O trânsito estava calmo e se sentiu atenuada, mas de certa forma um pouco agitada. A parte boa do congestionamento é que demoraria mais para ela chegar até o lugar, mas a parte ruim, é que ela ficaria ansiosa demais com a demora do percurso, apesar de já ter essa rotina, dois sábados por mês nos últimos oito meses não tinha conseguido se adaptar totalmente. A rotina exaustiva de trabalho, o fato de ter que lidar com questões em branco do seu passado e o atual estado de saúde de sua mãe a estavam deixando em desalento.
Soltou um suspiro forte ao estacionar e puxou a chave do contato. O Sanatorium Broklyn Center ainda era intimidador aos olhos dela, um prédio enorme e antigo que devia ter sido construído por volta dos anos sessenta e que sofreu apenas pequenas reformas com a intenção de não modificar sua forma original.
— Bom dia, eu estou aqui para ver a paciente Giordana . — abriu um sorriso simpático para a recepcionista.
A mulher como de costume lhe pediu os documentos de identidade e em seguida entregou um formulário para preencher.
Encarou os papéis por um momento e sentiu uma certa vontade de desistir do que estava prestes a fazer, mas suas mãos começaram a preencher as perguntas quase que involuntariamente.
8 meses.
Não tinha se dado conta de fato do tempo que tinha se passado desde a internação até preencher o campo de quanto tempo fazia que o paciente se encontrava no Sanatorium.
— Pode vir comigo. — Uma enfermeira que ela não conhecia a chamou, assim que entregou os papéis na recepção.
encarou o lugar como se nunca estivesse estado ali, sempre se espantava com as paredes brancas e também com o lugar sem vida. Passar as mãos pelos cabelos, repetidas vezes quando se estava nervosa era um hábito e ela não se importou em repeti-lo dezenas de vezes até chegar ao quarto de número 608.
— Como ela está, hoje? — perguntou enquanto segurava a maçaneta sem roda-la.
— Muito bem, falou de sua visita desde que acordou. — A enfermeira Lucy, como ela pode ler no crachá, sorriu compreensiva.
Tomou coragem e rodou a maçaneta já adentrando o quarto, deu um leve pulo quando escutou a porta bater atrás de si. A mulher que aparentava ter cerca de quarenta e cinco anos e olhos negros iguais aos de a encararam da cama coberta por um lençol profundamente branco. Apesar do tempo que já estava internada, falta de acesso a maquiagens e qualquer coisa que a deixasse mais arrumada o tempo tinha sido generoso com ela, lhe concedendo uma boa aparência de cara limpa.
Ela realmente parecia muito melhor do que da última visita em que fez, sua pele estava mais corada e sua expressã parecia suave. Saiu debaixo das cobertas e cruzou as pernas encarando a garota que logo se ajeitou em uma bancada de madeira feita para sentar, já que na ala em que se encontrava eram proibidos vários objetivos, incluindo uma cadeira.
— Oi mãe. — Abriu um sorriso ao terminar de se acomodar, encarando a mulher ainda sentada na cama.
Ela sorriu.
— Sou eu, a — disse engolindo em seco. — Sua filha.
Giordana soltou um riso abafado.
— Não seja boba, . — Abriu um sorriso encantador, mas um pouco assustado aos olhos da garota. — Sei quem você é.
Ela encarou a mãe por alguns instantes, além de melhor, parecia ter algo diferente nela.
— Senti sua falta. — A mulher disse encarando . — Você está diferente.
— Desculpa não ter vindo antes, eu ando bem atolada com o trabalho. — Mentiu.
Não era o trabalho que a vinha ocupando — em partes também —, mas o maior motivo de ter se afastado um pouco era seu relacionamento com e o fato de nunca ter falado sobre sua mãe para ele — ao menos não a verdade.
— Não minta para mim, .
Os olhos de se arregalaram e ela engoliu em seco.
— Sei que isso tem a ver com algum garoto, sei das coisas, me contam elas. — Soltou um riso estranho.
se remexeu impaciente onde estava e desviou os olhos de sua mãe. Teve momentos em que ela pensava que tinha alguém que a vigiava a mando dela, mas seria paranoia demais, com o tempo acabou percebendo que ela apenas era boa em ler as pessoas.
— Vamos falar de você, só te vejo duas vezes por mês. — Mudou de assunto, era o melhor a se fazer e sabia disso.
Ela abriu um sorriso para a filha e saiu da cama onde estava sentada. pode perceber que ela estava usando um vestido florido, seus cabelos negros — algo que puxou dela — estavam soltos e diferente de quando foi internada, agora chegavam até os ombros.
Sentiu um leve arrepio pelas lembranças que ele lhe trouxe.
Ela atravessou o hall do prédio, apressada, seu celular já contabilizava mais de quinze ligações de sua mãe. As coisas estavam fugindo de seu controle, sempre que se atrasava era motivo para um surto, desde o acidente e a perda de memória permanente sua mãe passou a ficar obcecada por cada passo que dava. Se ela não atendesse ou fizesse alguma amizade que não fosse apresentada a ela, era motivo de surto.
— Ela vai me enlouquecer, eu vou acabar parando em um sanatório. — disse a si mesma ao entrar no elevador.
Uma senhora que se encontrava ali olhou apreensiva para a garota toda molhada da chuva. Ela riu exasperada e sem se importar com o que fosse que tivesse passado pela cabeça da mulher, naquele momento tinha problemas maiores para serem resolvidos assim que chegasse ao décimo segundo andar.
Quando o elevador parou e saiu dele, sentiu que seus pés seguiam para o apartamento, mas que seu corpo queria desesperadamente dar meia volta. Depois da última reação de sua mãe ao chegar atrasada, não sabia o que poderia esperar dessa vez e um medo desconhecido a consumiu assim que atravessou a porta de entrada os seus olhos ficaram paralisados com a cena.

Cacos de vidro.
Coisas quebradas.
Cadeiras jogadas no chão.
Andou pelo corredor até seu quarto, estava ainda pior do que a sala.
Livros jogados no chão.
Seus diários espalhados pelo quarto.
Estava um caos.
Soltou um grito abafado quando sentiu seu corpo ser jogado contra a parede.
— Eu disse o que aconteceria, a próxima vez que você chegasse atrasada.
As mãos de sua mãe estava apertando seu punho com muita força e sua respiração estava acelerada.
Ela estava ficando louca? Ou ela era?
Eram lacunas difíceis de preencher desde o acidente há sete anos, quando acordou em uma cama de hospital e a única coisa de que conseguia se lembrar era de estar atravessando a rua e tudo ficar escuro.

Essa lembrança era mesmo real?
Escutou sua mãe gritar seu nome, mas não conseguia processar o que estava acontecendo.
Sua vida era real? Não sabia.
Nos últimos sete anos sentiu como se nada em sua vida de encaixasse, acreditou nas palavras de mãe quando lhe disse que ela sofreu um grave acidente de carro e que estava com perda de memória permanente.
Moravam na Inglaterra.
Se mudaram para os Estados Unidos.
Muitas lacunas ficaram sem conteúdo.
Despertou de seus pensamentos quando sentiu ser empurrada contra a parede de novo e seu corpo ricocheteou com força, fazendo com que sua mãe caísse sentada em sua cama.
Os pés de foram tão rápidos que ela só se deu conta do quanto tinha corrido em tão pouco tempo, quando atravessou a porta de entrada do prédio e sentiu a chuva em sua pele.
Mas, o vestido florido ainda estava em sua mente apavorando-a.

— Filha, você está me ouvindo? — Giordana colocou a mão sobre a de que se retraiu. — Você não precisa ter medo de mim, não mais.
Ela sorriu sem jeito.
— Não estou com medo, você me assustou, só isso. — Desviou o olhar, não queria encarar aquele vestido.
Levantou-se e se afastou um pouco.
— Poderia ter uma janela aqui, né.
— Desculpa ter colocado este vestido. — Sua mãe disse, chamando sua atenção. — Eu estou melKhando agora, o médico até disse que eu logo poderei ir para casa. Ele disse que sou a paciente mais dedicada que ele já viu.
Voltar para casa?
sentiu que a sala estava rodando.
— O quê?
— É, ele disse que logo estaremos juntas de novo, eu e você. Para sempre.
Não, isso não poderia acontecer. Não para .
— Certo, eu preciso ir agora. — Falou já indo em direção a porta e sentiu a mão de sua mãe sobre os ombros.
— Você quer que eu vá para casa, né? — Giordana disse encarando a filha.
deu duas batidas na porta e ela se abriu, saiu rapidamente e bateu a porta atrás de si porque sabia que caso a mãe tivesse um ataque de fúria não poderia abrir a porta sozinha do lado de dentro. Mas, tudo o que escutou foi completo silêncio.
Bateu a porta do carro com força e deixou as lágrimas caírem descontroladamente.
Não sabia o que a fazia se sentir tão horrível, se era o fato de sua mãe receber alta ou não querer que isso aconteça.

INGLATERRA — HOLMES CHAPEL.


se empolgou um pouco mais quando passou pela placa de Bem-Vindo a Holmes Chapel. Sentiu finalmente de que era uma coisa boa estar em casa depois de tanto tempo, pela primeira vez em um longo período ele ia de fato passar as férias com a família em casa, afinal sempre que tirava uma folga era sua família que ia para alguma casa que ele alugava em algum país paradisíaco.
O vilarejo ainda estava igual ao que ele se lembrava, com algumas pequenas modificações são claro, mas ele ainda sentia certo deleite ao estar ali. Rodou por um tempo, passou em uma sorveteria e depois decidiu que era hora de encarar a verdade e ir para casa.
Quando estacionou seu coração estava disparado, era como se nunca tivesse deixado de ir ali. Jogou a cabeça para trás e quase pode sentir as mãos de sobre a sua, sua risada e seu cheiro eram quase tangíveis para ele naquele momento.
Seus olhos arderam.
estava tão nervoso que até ficou com medo de deixa-lo dirigir, mas ele insistiu tanto dizendo que isso o deixaria um pouco mais calmo até chegarem que ela preferiu não discutir. O encarou enquanto dirigia e abriu um largo sorriso, ele estava muito concentrado e parecia perdido em pensamentos.
Pegou sua câmera instantânea e bateu uma foto dele assim que virou para olhá-la.
Tirou uma mão do volante e apoiou sobre a coxa dela apertando-a.
— Ficou adorável — falou mostrando a polaroide.
riu de leve.
— O quê? — o encarou um pouco intrigada.
— Você está tão preocupada, que resolveu ser fofa? — disse enquanto estacionava de frente para sua casa.
soltou uma gargalhada.
— Não sou eu que estou toda me tremendo, .
Ele revirou os olhos com a ousadia dela.
— Não estou me tremendo, só estou nervoso porque vai conhecer a minha família — explicou enquanto desligava o carro.

abriu a porta, mas ele a segurou.
— O que foi agora? — Perguntou em tom de brincadeira.
— Eu estou me tremendo — admitiu fazendo rir.
Ela fechou a porta e se virou no banco encarando-o, abriu um sorriso e levou sua mão ao rosto dele.
— Também estou tremendo e penso que estarei ainda, anos depois de conhecer sua família, sempre será como dá primeira vez para mim.
sorriu, aquilo o deixou um pouco mais calmo.

Outra lembrança o fez perceber que apesar de se sentir pronto, iria ser muito doloroso. Nem sua casa tinha sido poupada pela presença de , depois que a levou para conhecer seus pais eles passavam a maior parte do tempo ali, já que sua mãe passou a trata-la como parte da família.
Braços envolveram o pescoço dele assim que saiu do carro que pensou ser de Gema, mas ficou espantado ao ver quem era.
— Lexie? — Sua expressão era espanto.
A ruiva o encarou com um sorriso enorme no rosto. Lexie Colins era uma das melhores amigas de e a pessoa em que ele se apoiou depois da morte dela e ela acabou fazendo o mesmo, mas depois que sua carreira com a One Direction deslanchou eles se falavam apenas por mensagem e o contato foi ficando cada vez mais escasso com o passar dos anos.
— Eu sei, você não merece, mas…
Foi ininterrompida por um animado que a abraçou tirando-a do chão.
— Eu, nem sei o que dizer. — Ele a encarou ainda um pouco confuso.
— Qual é, — começou a dizer e deu um soco no amigo — sem drama, por favor.
riu, pelo jeito nada tinha mudado entre eles.
— Só se você disser que vai ficar para o almoço em família. — Fez cara de dó.
Lexie revirou os olhos.
— Qual é, eu que ajudei nesse almoço, é claro que vou ficar! — disse convencida o acompanhando até o porta mala.
— Deus me livre, espero que esteja brincando, porque a sua comida é horrível. — soltou uma gargalhada, enquanto ela revirava os olhos e o ajudava a tirar as malas do carro.
Ele riu ainda mais.
— Continua rindo, que vai carregar essas malas sozinho— gritou já na frente dele.
Respirou fundo e sentiu-se de certa forma preenchido pela presença da velha amiga. Atravessou a porta da entrada logo depois dela e largou as malas ali mesmo, tinha se esquecido de como a casa em que morava era linda e ficou ainda mais depois da reforma que pagou para sua mãe. Atravessou o hall de entrada passando pela sala de jantar e entrou na cozinha onde sua mãe se encontrava cozinhando e conversando com sua irmã Gema que não se importou em fazer um escândalo quando o viu entrar.
— Eu nem acredito, que você está mesmo aqui, pirralho. — Gema o apertou ainda mais no abraço.
riu da reação da irmã.
— O pirralho que você ama. — Deu de ombros.
— Deixa um pouco dele para mim! — Anne disse limpando as mãos em um pano de prato já indo em direção a .
O abraço de sua mãe era a melhor coisa que poderia ter recebido em meses, ainda mais com o turbilhão de sentimentos que percorria cada célula do seu corpo agora.
O almoço foi melhor que ele esperava, mas depois dele se sentiu na necessidade de ficar a sós. Rever a casa, toda sua família e também Lexie foi um baque e tanto, então se dirigiu para o andar de cima da casa até chegar ao sotão onde costumava ser seu quarto. O lugar ainda era bem parecido com o de antes, ainda tinha a cama de casal e uma estante cheia de livros.
Andou pelo lugar e correu os dedos pelos livros, fechou os olhos e sentiu o odor amadeirado do ambiente. Sua mão parou no livro Orgulho e preconceito de Jane Austen e o abriu na última página, ali continha uma frase com a letra de , o livro pertencera a ela.

 

"Eu lhe repasso este livro, na esperança de que toque a sua alma, tanto quanto tocou a minha. Com amor, ."

Fechou a capa com força e o colocou de volta já seguindo em direção a cama e jogando-se nela. Encarou o teto por alguns instantes e depois fechou os olhos soltando um suspiro na intenção de tentar relaxar um pouco devido a toda emoção ao ler a frase dentro do livro.

Lexie estava deitada bem ao seu lado, por um momento desejou que fosse outra pessoa ali. Aquilo era cruel demais com a garota depois da forma como ela o apoiou, mas mesmo depois de um ano ele ainda se sentia preso demais a .
— Posso ir embora, se você quiser.
Sabia que ela o estava encarando, mas não conseguia dizer nada depois do que tinha acontecido entre eles. Era a primeira vez que ele ficava com alguém depois do que aconteceu, não tinham chegado a transar, mas chegaram perto e isso o fazia sentir uma culpa terrível.
Apertou os olhos antes de abri-los e virou para encará-la.
— Desculpa… — disse, pensando em como achar uma maneira de explicar o que estava sentindo. — Não quero que pense que a culpa é sua, pela minha reação.
— Ei, tudo bem. — Ela se levantou e sentou bem ao lado dele pegando-o pela mão.
Um silêncio tomou conta por alguns instantes e ele a encarou.
Gostava de Lexie.
— Eu gosto de você. — Viu um sorriso se formar no rosto da garota com suas palavras. — Mas, ainda sinto falta da , não posso mentir para você.
Lexie sorriu com a atitude sincera do amigo.
— Também sinto falta dela, .

Deu um pulo da cama e saiu do quarto como se estivesse em uma espécie de corrida. Encontrou Lexie conversando com sua irmã Gema na sala de casa e a puxou pelo braço e arrastou-a para longe dali em uma fração de segundos deixando ambas muito confusas.
— O que você está fazendo? — Lexie perguntou já do lado de fora da casa.
riu nervoso, nem ele sabia ao certo o que estava acontecendo.
— Quero dar uma volta nessa cidade, sair um pouco de casa...
Era só uma desculpa.
— Certo... — Ela olhou um pouco desconfiada. — Está tudo bem, ?
Lexie estava achando a atitude do rapaz muito estranha.
— Lembra quando passamos aquelas férias, juntos?
— Depois do The X-Factor? Claro! — Abriu um sorriso largo. — O que tem?
Não estava entendo onde estava querendo chegar.
— Podemos passar um dia como, aquele? Por favor.
— Hm. — A garota resmungou analisando-o. — Tá, mas em que aspecto?
Ela não podia negar que ter beijado naquelas férias lhe ocorreu naquele momento, era inapropriado, mas, ao mesmo tempo era difícil não se perguntar se ele estaria sugerindo isso também.
— Entra no carro — disse e assim ela fez.

 

NOVA YORK — MANHATTAN.


"Sai para resolver algumas coisas, o Taylor vai te pegar as 08:00 pm."

leu o bilhete deixado por  enquanto mordia o lábio inferior. Seja lá o que ele estivesse planejando não era um bom dia para surpresas do ponto de vista dela, mas não queria estragar nada, então olhou para o relógio que marcava cinco horas e foi para o quarto tomar um banho e começar a se arrumar. Tomou banho com a intenção apenas de ficar limpa para o encontro e não de aproveitar para pensar em como tinha sido o encontro com sua mãe, teve tempo o suficiente para fazer isso enquanto ficou rodando pelo centro de Nova York.
Colocou um vestido branco bem colado ao seu corpo que chegava até quase em seus joelhos, soltou os cabelos negros de modo que eles ficaram naturalmente enrolados nas ponta e fez uma maquiagem leve e passou um batom vermelho nos lábios. Encarou sua imagem no enorme espelho do quarto se sentindo satisfeita consigo e respirou fundo na intenção de livrar-se de qualquer peso que estivesse sobre seus ombros.
Como havia lhe instruído no bilhete, Taylor estava na porta do apartamento as 08:00 pm em ponto. Ela tentou convencê-lo a lhe dizer onde estavam indo, mas tudo o que ele disse a ela era que iria gostar da surpresa que o “Sr.Cárter” tinha preparado para ela.
abriu um sorriso assim que viu o prédio em que o motorista estava adentrando. Apesar de terem dois anos desde a última vez em que esteve nele, ela conseguia se lembrar muito bem de cada detalhe e daquela noite que passou ali com .
Sua mente divagou em memórias ao sair do carro.
Ela encarou o rapaz moreno de barba por recém fazer colocar o champagne em sua taça gentilmente. Sentia-se enérgica enquanto ele aparentava estar profundamente calmo — ao menos era o que parecia — e com o controle da situação.
Nunca se sentira intimidada pela figura do famoso , o que sempre a intimidava era o fato de conhecer tão bem um lado tão pessoal dele, o rapaz tranquilo e sonhador que ele era por trás das câmeras, calmo, amigo e namorado…
O último pensamento sobre ele lhe casou arrepios.
Eram namorados?
Talvez.
… — O nome dele saiu através dos lábios dela tão sutilmente que até pareceu vir de seus pensamentos.
Ele colocou a garrafa de champagne de volta a mesa e a encarou com um sorriso no rosto.
, eu queria esperar o jantar… — disse e se levantou.
Ela engoliu em seco, adoraria dizer que não tinha ideia do que estava por vir. Mas, sabia muito bem qual seria o próximo passo.
Eles estavam conectados demais para continuar adiando.
O rapaz aproximou-se da cadeira em que ela estava sentada do outro lado da mesa e ajoelhou-se bem ao lado dela.
, você quer namorar comigo? — Ela disse arrancando-o uma gargalhada.

deu um salto quando escutou a porta do elevador abrir e a voz de Taylor dizendo:
— É aqui que deixo, a Srta. — Ele sorriu gentil para ela apontando para a direção que ela deveria seguir.
Ela sorriu gentilmente para ele e andou pelo enorme corredor do hotel. Lembrou que Taylor não lhe havia dito o número do quarto, mas sabia exatamente em qual deveria entrar e encontraria lá dentro, provavelmente usando terno e de frente para uma linda mesa de jantar como aconteceu na sua lembrança.
Era clichê para muitas pessoas, mas não para ela, uma romancista incurável.
Sentiu o aço frio na ponta dos dedos e rodou a maçaneta sem exitar. Mas, o que encontrou foi muito maior do que suas lembranças, o quarto estava tomado por pequenas velas que fazia um caminho até a enorme varanda e o chão todo coberto por pétalas de rosa.
Suspirou deslumbrada enquanto caminhava.
— Ah, . — Foi tudo o que conseguiu dizer, ao vê-lo.

 

INGLATERRA — HOLMES CHAPEL.

Depois de passar o dia todo com Lexie, sentia-se mais leve. Estar com ela era como ter uma vida normal de novo em Holmes Chapel. As risadas ainda eram as mesmas e a logística entre eles também, era como se ele tivesse saído para uma turnê muito grande em que trocava mensagens com ela o tempo todo para se manter inteirado e estivesse em uma folga.
Ele sabia que não era isso, que tinham passado muito tempo sem se falar depois que ele foi afastando-a quando reconheceu que não estava pronto para dar esperanças a ninguém devido aos sentimentos que ainda nutria por , mesmo meses após sua morte.
O barulho do motor sendo desligado fez com que soltasse a respiração pesadamente, tirou a chave do contato e saiu do carro seguido da amiga. Eles estavam de frente para a casa que pertenceu à família de , onde agora morava uma amiga de Lexie que permitiu que ele visitasse o lugar.
Seu coração batia compulsivamente de modo que ele quase conseguia contar cada batida dada por ele. Quando a porta se abriu e uma garota simpática apareceu em seu campo de visão, ele sentiu que o órgão quase pulou de seu corpo, deixando-o quase sem nenhum resquício de vida, talvez tivesse sido menos doloroso se isso de fato tivesse acontecido e não só em seus pensamentos.
— Lex. — A garota sorriu simpática puxando-a para um abraço. — É muito bom ver você.
permaneceu em silêncio.
— Também senti saudades. — Lexie retribuiu o abraço e se virou para o amigo. — Lembra que te falei do , Ema?
Ele sorriu gentilmente.
— Nem precisava, né. — Ema sorriu para rapaz. — O famoso . É um prazer.
estendeu a mão para a garota e sorriu sem jeito.
— Só , por favor.
Ela sorriu com a educação dele e abriu espaço para que eles entrassem.
— Vamos, devem estar ansiosos para ver a casa que um dia foi da amiga de vocês.
A casa tinha sido reformada e as paredes pintadas, muitas mudanças haviam sido feitas e isso não passou despercebido aos olhos de . Para Lexie não era nenhuma novidade estar ali, pois devido a sua amizade com Ema, ela já tinha entrado na casa algumas vezes ao visitar a amiga. Mas, para era como estar de volta ao passado e as sensações a cerca das lembranças com eram quase tangíveis e sentiu seu coração disparar ainda mais. Escutou algo sobre ele poder olhar a casa a vontade e sentiu seus pés se deslocarem pelo local quase que involuntariamente, subiu as escadas que davam para o andar de cima com pressa até chegar ao quarto que pertenceu à garota que um dia amou tanto e que agora estava morta.
Nem foi preciso rodar a maçaneta e sentir-se ansioso porque a porta estava aberta, dando-lhe a visão de um quarto enorme. Ele também havia sido reformado e agora a cama não ficava mais entre às duas portas da varanda e sim na parede ao lado da porta e era muito menor do que a de , de casal, mas que dava a impressão de que dependendo do tamanho das pessoas não caberiam os dois ali. Entrou de vez no quarto depois de alguns longos minutos, parado ali encarando o lugar e respirou pesadamente, deixando que uma lágrima caísse sem cerimônia sobre sua pele quente.
estava tão concentrada em ler orgulho e preconceito pela quinta vez enquanto a observava. A garota estava sentada no banco da sacada, com as pernas esticadas e cruzadas enquanto segurava o livro em uma mão e revelava expressões como se aquela fosse a primeira vez em que estivesse lendo aquele livro.
Mordeu o lábio inferior e riu de leve.
Ele sabia que ela estava lendo algo no livro que lhe agradava muito, alguma parte que provavelmente era sua preferida ali. Poderia ficar horas observando a garota e nunca se cansaria, apesar da briga que tinham tido na noite anterior ele não conseguia ficar bravo com ela por muito tempo, então se aproximou sem fazer muito barulho e se encaixou atrás dela de forma que ela ficou entre suas pernas sem demonstrar querer se afastar por ainda estar brava com ele.
fechou o livro e jogou a cabeça para trás apoiando-se no peito dele.
— É tudo bobagem, sabe disso, né? — ela perguntou se referindo a briga que tiveram.
Já era a milésima vez que tocava no assunto sobre eles finalmente começarem a namorar, mas para ela era só um rótulo idiota e que não queri colocar sob eles. Namorados, vez ou outra acabavam terminando, ou eram separados pelo destino e ela não gostava de pensar nesta possibilidade.

— Eu querer namorar você, é bobagem, então? — perguntou como se estivesse irritado, mas estava com um sorriso no rosto que não conseguia ver.
resmungou.
lhe apertou contra o corpo dele.
— “Em vão tenho lutado comigo mesmo; nada consegui. Meus sentimentos não podem ser reprimidos e preciso que me permita dizer-lhe que eu a admiro e amo ardentemente.” — Ele disse calmamente enquanto escutava perplexa.
Ele estava citando uma frase de orgulho e preconceito. Sabia como ganhá-la.
— Você pesquisou na ‘internet’? — perguntou para provocá-lo.
riu de leve.
— Não, eu li mesmo. Até que é legalzinho.
riu. Saiu de onde estava e virou-se para olhá-lo.
O encarou por alguns instantes e levou a mão até o rosto de acaranciando-o, fazendo com que ele fechasse os olhos.
— Eu amo você, .

Ele abriu os olhos e encarou a paisagem da varanda, quase conseguia sentir a presença dela ali de novo dizendo que o amava de forma tão pura e genuína. Ele ainda guardava o livro orgulho e preconceito que foi encontrado todo destroçado no local do acidente que eles sofreram sete anos antes, passou a mão pelo banco que ainda se encontrava ali, era o mesmo e ao menos isso não tinha mudado na casa.
Respirou fundo e saiu do quarto muito mais rápido do que entrou.
Lexie estava na cozinha com a amiga Ema, às duas estavam rindo e pareciam perfeitamente tranquilas enquanto ele dava a impressão de estar um pouco atordoado por estar ali naquela casa.
Raspou a garganta e recebeu o olhar curioso das duas.
, você está bem? — Lexie perguntou encarando-o.
Era óbvio que não estava.
— Estou sim — mentiu. — Se importa de ir?
— Não, sem problemas!
Se despediu da amiga rapidamente e seguiu direto para o carro com . Ele permanecia em silêncio enquanto ela não parava de dizer como sempre se sentia nostálgica por voltar na casa que um dai foi de sua melhor amiga, também falou como ainda sentia falta dela e queria que nada daquilo tivesse acontecido naquele inverno.
, você precisa seguir… — As palavras saíram da boca de Lexie antes que ela se desse conta do que acabara de dizer. — Desculpa, eu pensei alto demais.
Ele olhou de canto de olho para a garota enquanto dirigia.
— Você está certa. — suspirou pesadamente. — Lá naquele quarto…
Parou de falar para pensar exatamente no que iria dizer.
— Você não me deve explicações, eu não deveria ter falado nada. — Sorriu gentilmente.
— Lá naquele quartou — continuou o que estava dizendo antes — eu me senti como se a ainda estivesse ali, lendo aquele livro que ela adorava, orgulho e preconceito. Então me dei conta, que depois de sete anos eu ainda estou tão conectado a ela que é como se eu estivesse vivendo lá e não aqui.
Aquela confissão doeu tanto nele quando na amiga que o ouvia.
— Sinto muito, .
— Quero passar em um lugar, tudo bem, para você? — perguntou já mudando de assunto, apesar da confissão, não queria estender muito o assunto.
— Claro.
Lexie só se deu conta de que estava indo até onde tinha sido enterrada quando ele virou na direção da placa que dizia “Holmes Chapel Cemitery” e engoliu em seco. Depois da morte da amiga, não tinha ido visitar o túmulo dela nenhuma vez, exceto no dia do seu enterro e velório, era muito estranho para ela estar ali, mas agora não tinha como voltar e não teria coragem de dizer a ele que não queria ir naquele lugar. Afinal, foi a primeira vez em sete anos que o ouviu dizer que queria de fato de seguir depois de tanto sofrimento e saudade.
Os dois saíram do carro em silêncio e permaneceram assim até chegar ao túmulo. segurou a mão de Lexie assim que chegaram perto o bastante para conseguir ler a lápide com a data de nascimento, morte e também o nome completo de gravado ali como se o tempo nunca tivesse passado. Apertou a mão contra a dela e deixou as lágrimas caírem como aconteceu mais cedo no quarto, mas dessa vez elas vieram de forma violenta e descontroladamente como se ele estivesse esperando por isso há muito tempo.
Era doloroso demais, mas necessário.
— Ah, . — Lexie sentiu a necessidade de se afastar, também estava cKhando.
Soltou a mão de e decidiu dar a ele um pouco de privacidade naquele momento.
Ele sentiu um tremor percorrer seu corpo e fechou os olhos, quase conseguia sentir agora a mão de entrelaçada na sua.
— Eu amo você, … — Ouviu a voz de sussurra em sua mente.
Respirou fundo e se apegou aquelas palavras.
— Também amo você. — A resposta saiu desesperada.
Estremeceu novamente e sentiu como seria abraça-la naquele momento.
— Se algo acontecer comigo, quero que viva, . — A voz de ecoou novamente. — Por isso não devemos namorar, porque se algo acontecer comigo eu quero que se sinta livre, não quero que fique preso a mim para sempre.
Era a primeira vez em tanto tempo que conseguia se lembrar do pedido de da última vez em que estiveram juntos.
— Você promete? — A voz dela ecoou de novo em sua mente.
— Eu prometo. — sorriu e abriu os olhos novamente.
Sentiu-se leve pela primeira vez e se virou para encarar Lexie que o encarava um pouco confusa.
— Está pronta, para ir?
— Você está? — Sorriu gentilmente.
— Sim, está na hora de seguir, eu fiz uma promessa para a . — Riu de leve, realmente estava achando graça em toda a situação.
Lexie resmungou achando graça.
— Que pena, isso quer dizer que você vai embora mais rápido. — Deu um soco no amigo enquanto andavam de volta para o carro.
— Sim, mas dessa vez você vai comigo — disse já andando na frente dela.
Lexie olhou perplexa e riu.
— O quê?
— A proposta de trabalhar com a banda, que te fiz há dois anos ainda está de pé — disse ao abrir a porta do carro. — E eu não aceito, não, como resposta.
Entrou no carro gargalhando e ela fez o mesmo.
Ele estava blefando ou falando sério?

 

NOVA YORK — MANHATTAN TOWER.

sempre se encantava com a beleza de , os cabelos negros que caiam sobre ombros e o vestido branco que realçava ainda mais as curvas dela ainda fazia seu coração disparar toda vez que olhava para ela, mesmo depois de dois anos de relacionamento. Terminou de encher a taça dela com champagne e a encarou com um sorriso no rosto, queria esperar um pouco mais para tomar a atitude de fazer o que tinha planejado um mês antes, mas não conseguia mais esperar, tinha que fazer.
Um mês já foi tortura suficiente, esperando.
Ele levantou da cadeira e riu com a distração da garota, parecia um pouco aérea desde a hora que tinha chegado.
… — disse ao se dar conta de que ele estava bem ao lado dela.
!
Ela sorriu calorosamente para ele que estendeu a mão e a direcionou até a sacada do hotel em que eles estavam. A noite estava fresca, mas o céu cheio de estrelas dava um ar ainda mais bonito para o momento que eles
estavam tendo ali, se recostou no vidro da sacada e colocou a mão no bolso na intenção de pegar uma caixinha que tinha ali.
— Eu esperei muito, por isso. — disse e abriu a caixinha que estava em sua mão, relevando um anel com uma pedra brilhante.
abriu um sorriso de ponta a ponta.
— Ah,
Sentiu lágrimas tomarem conta de seus olhos.
, você aceita casar comigo? — disse ajoelhando bem na frente dela.
Ainda estava boquiaberta, mas naquele momento só conseguia pensar em sua mãe. Estava sendo pedida em casamento pelo homem de sua vida e tudo o que conseguia pensar era na mulher louca que tinha ido visitar — as escondidas — mais cedo e em como era errado esconder tudo isso do namorado.
Você deve contar a ele. O pensamento ecoou em sua mente.
— Eu não… — Ela sentiu o corpo estremecer.
Não era essa resposta que estava esperando.
— Você não quer casar comigo? — perguntou pasmo.
— Não, não é isso! — olhou sem jeito. — Tem coisas que você precisa saber.
— Já sei tudo sobre você e, seja lá o que for, não vou mudar de ideia. Quero me casar com você! — disse, agora de pé.
mordeu o lábio inferior.
Ele a abraçou.
— Casa comigo, .
Ela o apertou contra o corpo dela.
— Minha mãe, está em um sanatório .
— O quê? — A pergunta saiu dos lábios dele quase como um sussurro em seus pensamentos.



Capítulo 2- Spaces

INGLATERRA, HOLMES CHAPEL — 1 SEMANA ANTES.

 

Depois de visitar o cemitério onde foi enterrada, deixou Lexie em casa e seguiu de volta para a sua. O clima estava muito menos pesado e ele sentiu que finalmente poderia ficar ali sem sentir uma culpa imensa por não ter mais a garota que amava ao seu lado.
Amava. A palavra martelou em sua mente, de fato pela primeira vez em um período tão grande sentiu que isso estava no passado.
Deitou-se em sua cama, agora em um novo quarto na casa e fechou os olhos para que pudesse pensar. A banda veio em sua cabeça e decidiu que precisava fazer uma reunião com os garotos, algumas ideias tinham se passado e ele também tinha que comunica-los sobre Lexie.
Digitou o número de e coloco no viva-voz, esperando que ele atendesse.
— Fala, cara. — atendeu, parecendo um pouco desanimado na percepção de .
— Tá tudo bem, dude? — Ele perguntou, antes que começasse a falar alguma coisa.
— As coisas não saíram como o planejado, acho que vou voltar por uma semana ou quinze dias. — O amigo bufou do outro lado da linha.
— Quer conversar? — perguntou e abriu os olhos, depois de algum tempo.
— Por telefone é complicado, as coisas estão tensas.
percebeu que a coisa era mais séria do que queria fazer parecer.
— Eu estava pensando em reunir a banda. Queria alinhar algumas coisas, podemos nos encontrar antes e daqui a uns dois dias ligamos para os outros, o que acha? — sugeriu.
— Estou fazendo as malas. Aonde vamos nos encontrar? — perguntou, agora um pouco mais animado.
— Vem aqui para casa, minha mãe disse que queria mesmo ver você e os outros. — riu de leve.
As vezes achava que Anne gostava mais dos meninos do que dele.
— Ok, até logo.
desligou e decidiu que precisava dormir um pouco, o dia tinha sido cheio e ele passou por muitas emoções. Pela primeira vez em muito tempo, assim que caiu no sono, ele sonhou com um futuro cheio de surpresas, mas não com uma que nunca mais faria parte de sua vida.

 

NOVA YORK, MANHATTAN - 1 SEMANA DEPOIS.

 

A chuva caia incessantemente do lado de fora do escritória onde estava. Ela tinha se atarefado de muito trabalho no minuto em que saiu pela porta sem nem sequer se despedir dela, depois do pedido dele e a revelação dela deixou tudo desconhecido entre eles, como se ele não soubesse quem ela era mais.
Mas, antes mesmo de eles irem embora os dois tiveram a primeira briga séria do casal e isso não saia da cabeça de nem por um minuto desde que aconteceu. As palavras de chamando-o de mentirosa e que nem sequer poderia mais confiar nela, ainda ressoavam em sua mente.
encarou a água da chuva que escorria pela enorme janela da sala do escritório onde estava e suspirou. Se perdeu na lembrança, antes mesmo de se dar conta disso.
não conseguia encarar , ao fazer um pedido de casamento não era isso que ele esperava ouvir dela.
Minha mãe, está em um sanatório . As palavras ainda ressoavam na mente do rapaz.
Com a mesma facilidade que ele abraçou , ele a soltou e para ela foi como ter sido jogada a metros de distância. Seus olhos estavam fixos no rapaz, a intenção dela não era jogar essa informação assim, mas vê-lo dando um passo tão grande no relacionamento deles, não poderia continuar escondendo algo assim.
Ou, mentindo.
— Amor, eu não... — procurou as palavras, mas não encontrou.
— Não me chama, assim. — disse desviando o olhar.
sentiu a garganta fechar e sua boca secar. Eles nunca tinham entrado em uma briga assim e ele jamais tinha falado com ela dessa maneira.
Sentiu os olhos arderem, lágrimas já se formavam.
— Eu não queria mentir para você, não era minha intenção. — Tentou se explicar e deu um passo na direção da varanda, onde se encontrava agora.
Ele não queria ser tão frio, mas era impossível não se sentir traído. Afinal, durante dois anos de relacionamento ele aceitou se manter as escondidas, nem sabia como era possível estar a tanto tempo lutando contra os tabloides ou qualquer notícia que pudesse vazar e a única coisa que ele esperava dela era a sinceridade.
passou a mão pelos cabelos e encarou a garota com os olhos cheios de lágrimas, sentiu-se com o coração apertado, mas não conseguiu ir até lá e consola-la. Ele precisava processar o que ela tinha acabado de dizer para ele, no dia que deveria ser um dos mais felizes de sua vida.
— Você mentiu para mim, — disse finalmente.
deu um passo a frente, mas parou a uma certa distância do namorado.
— Eu não menti — defendeu-se. — Minha mãe ficou doente há alguns meses...
— Meses? — Ele passou a mão nos cabelos na intenção de tentar amenizar o nervosismo.
A garota engoliu em seco, as mesmo tempo que sentia-se culpada, também compartilhava do sentimento de ser um direito dela manter isso em segredo. Falar sobre sua mãe e os problemas que enfrentava com ela, nunca foi algo fácil.
— Minha mãe surtou, eu... — deixou as lágrimas caírem, antes que continuasse seu raciocínio. — Era meu direito manter isso, somente para mim.
a encarou incrédulo.
— Achei que estivéssemos em um relacionamento — questionou, sem tirar os olhos dela.
— E estamos, mas é um assunto delicado para mim! — quase gritou.
Virou de costas para e limpou as lágrimas que caiam, não conseguia mais encara-lo.
, eu preciso de um tempo. — respirou pesadamente, de maneira que conseguia escutar.
Ela respirou fundo e sentiu um aperto ainda maior com as palavras dele.
Suspirou, antes de virar-se para encarar .
— Tudo bem. — Foi tudo que conseguiu dizer.
Ele apenas passou por ela sem dizer nada.
deu um pulo na cadeira assim que escutou o telefone de seu escritório tocar, o barulho pela primeira vez não agradou à garota que atendeu prontamente. Era sua secretária informando que os acionistas estavam todos reunidos na sala de reunião como ela havia instruído, por um momento quase tinha se esquecido porque estava ali.
Ela apenas respondeu dizendo que em cinco minutos estaria lá e desligou, precisava de mais um tempo para processar a lembrança, para ela era como se tivesse acontecido ontem.
1 semana sem ...A informação ecoou nos pensamentos de , que preferiu afasta-la com rapidez.
O telefone tocou de novo, era sua secretária mais uma vez que parecia ter se esquecido de passar alguma informação importante para a chefe.
— Srta., me desculpa, mas é que tem uma pessoa na linha — informou de maneira mais educada possível.
sentiu o coração disparar.
Seria ?
Depois do que aconteceu entre eles, a garota manteve contato com o namorado — se é que ainda era isso — pelos três primeiros dias, mas desistiu quando percebeu que ele não parecia muito interessado em conversar com ela. Hoje, então, estava completando o total de quatro dias sem se falarem.
O mais tempo que já passaram.
— Srta. ? — Hather, a secretária, chamou atenção de que estava em completo silêncio do outro lado da linha.
— Desculpa, Hather, eu me distrai — explicou se endireitando na cadeira que estava sentada. — Pode passar para minha sala.
desligou, antes que ela informasse quem era e não demorou muito para que o telefone a sua frente tocasse de novo.
Ela o encarou por alguns instantes e depois de dois toques, atendeu.
— falou com a voz um pouco embargada pelo nervosismo.
— Uau, agora você realmente atingiu o nível de poder. — Megan falou do outro lado do telefone.
nem acreditou ao ouvir a voz da amiga. Tinha mais de seis meses que às duas não conseguiam manter um contato descente e praticamente trocavam uma mensagem por semana, depois que a garota foi passar uma temporada na coreia a trabalho tudo ficou mais complicado se tratando de comunicação.
— Meu deus, Megan! — não conseguia conter a animação.
— Você sumiu garota, arrumou um namorado poderoso igual você? — A amiga riu do outro lado da linha, fazendo engasgar. — Não acredito!
— Megan, não posso falar sobre isso aqui no trabalho. — riu. — Aliás, como conseguiu meu número?
Apesar de saber que a amiga poderia conseguir o que quisesse, sempre se impressionava com isso.
— Sou quase uma diplomata meu amor, consigo tudo que eu quiser — respondeu convencida.
— Não sei porque, mas isso sempre me surpreende. Quem diria, que duas garotinhas tão inocentes da faculdade se transformariam nisso. — Ela comentou rodando na cadeira.
Às duas tinham se conhecido na faculdade, cursava direito no primeiro ano e Megan relações internacionais. Ambas já sabiam o que queriam desde o primeiro momento que pisaram na universidade, a primeira já almejava advogar com direito empresarial em algum mercado promissor em uma multinacional — era onde estava agora —, a segunda sonhava em ser uma diplomata que não passaria mais de cinco anos em um país e, assim estava caminhando para conquistar.
A amizade delas se tornou muito forte ao longo dos anos, apesar de nunca ter compartilhado o acidente com a amiga, ela sempre demonstrou que ela era a úncia amizade verdadeira que a garota tinha, megan sempre soube disso. Mas, o trabalho das amigas as afastou um pouco e o relacionamento secreto de , também.
suspirou, ao pensar na amizade.
? — Megan chamou do outro lado da ligação.
— Onde você está agora? Que horas são aí? — perguntou curiosa.
encarou o relógio, vendo que já tinha se passado muito mais que os cinco minutos para a reunião, mas não se importou, era a primeira vez em uma semana que se sentia realmente bem.
— São duas horas. — Respondeu.
olhou o relógio de novo e viu que em Manhattan também eram duas horas.
— Pera ai...
— Sim, eu estou nos Estados Unidos. — Riu. — Você está livre para jantar?
sentiu um conforto no coração.
— Claro!
— Ok, as 20h no restaurante principal, do Manhattan Tower? — sugeriu a amiga.
— Hm, pode ser em outro lugar? Comida japonesa? No Takashima?— Mordeu o lábio inferior esperando que a amiga concordasse.
O último lugar que queria ir era onde tinha acontecido a briga com .
— Perfeito, te vejo lá então.
desligou com um sorriso no rosto, seria bom ver a amiga e poder contar em partes o que estava acontecendo para ela. Saiu da sala quase em um salto e em pouco instantes entrou em outra, onde já tinham homens e mulheres reunidos, apenas esperando por ela.
Ela se desculpou pelo atraso informando que teve um imprevisto e iniciou a reunião. A empresa estava para fechar novos contratos com outra grande multinacional e era preciso avaliar todos eles, apesar de ter apenas dois anos de formação já estava em um cargo importante. Mas, o que almejava de verdade era se tornar responsável por todas as ações judiciais da empresa.
Conforme foi comandando, começou a sentir-se mais focada em seu trabalho e qualquer pensamento que não fosse isso foi dispersando-se de seus pensamentos.

 

INGLATERRA, HOLMES CHAPEL — 1 SEMANA ANTES.

 

Os pensamentos de ainda estavam nas palavras de , mesmo com um voo de sete horas dos Estados Unidos para a Inglaterra — Londres para ser mais exato — ele não tinha conseguido descansar a mente nem por um minuto e isso o estava corroendo por dentro. Se arrependeu da atitude no momento que saiu pela porta da frente, mas não tinha como voltar, ambos precisavam de um tempo para processar tudo que estava acontecendo.
Agora, já no quarto de hóspedes na casa de , ele tentava colocar os pensamentos no lugar para poder explicar ao amigo tudo que estava acontecendo. Do momento em que ele foi busca-lo na estação de Londres, até chegar em Holmes Chapel os dois tinham falado apenas sobre a banda e a nova contratação que queria fazer.
encarou o teto frustrado e sentou-se na cama. ainda estava sentado na poltrona esperando que ele falasse alguma coisa, enquanto o relógio já marcava seis horas da manhã.
— Cara, você está bravo mesmo. — foi o responsável por quebrar o silêncio.
o encarou, ele não estava exatamente bravo, mas se o definiu assim ele nem queria pensar o que tinha se passado na cabeça de com a reação dele.
— Ela mentiu para mim, cara. — disse encarando o amigo que balançou a cabeça indicando que ele continuasse.
Ele bufou.
, se você não me disser exatamente o que aconteceu. Não tenho como te ajudar. — insistiu. — Como exatamente ela mentiu?
— Eu a pedi em casamento — disse encarando o amigo.
— Ah, entendi, ela finalmente se deu conta da loucura que estava fazendo. — riu, mas lhe lançou um olhar de repreensão.
— Dude, é sério, ela me contou uma coisa… — Ele apertou os olhos e desvou o olhar.
Minha mãe está em um sanatório. A voz de ecoou em sua mente, pela milésima vez.
— A mãe dela está em um sanatório! — Ele encarou que pela primeira vez olhou para ele de forma séria.
O amigo bufou e passou as mãos pelo cabelo.
— Onde isso é um problema? Ela tem o gene? — Perguntou de forma séria, não era nenhuma brincadeira da parte dele.
— Não, não é isso. — revirou os olhos.
— Qual é o problema, então? — estava tentando entender.
levantou e andou pelo quarto, procurando uma forma de explicar para o amigo que o problema não era a mãe dela estar em um sanatório e sim a mentira.
— Ela mentiu para mim. — Insistiu nisso.
— Cara, é algo muito pessoal, acho que a intenção não foi mentir.
odiava quando o amigo defendia o outro lado e não o dele.
— Achei que era meu amigo, não dela. — Riu nervoso.
— E sou, mas eu daria tudo para a pessoa que eu amo estar mentindo para mim agora.
só se deu conta do que estava falando depois que a frase saiu por completo, apesar de estar se sentindo melhor depois que decidiu seguir em relação à , era impossível não deixa-la cruzar seus pensamentos em momento como esse.
Odiava ver pessoas desperdiçando tempo com bobagens, quando se podia estar com a pessoa amada.
— Pera, estamos falando da mesma coisa aqui? — riu.
O relógio agora marcava sete horas da manhã e nenhum dos dois estava raciocinando mais.
— Só estou dizendo, que é tudo bobagem. — falou como , em um passado bem distante para ele.
O moreno encarou o amigo, pensou em arrancar mais detalhes sobre o que ele estava falando, mas se sentiu cansado demais de repente. Cansaço físico e mental, que vieram como uma avalanche para cima dele assim que se jogou na cama.
— Pense nisso, cara! — disse e saiu do quarto.
Ele pensou em voltar e despejar tudo para cima do amigo, mostrar para ele que devemos valorizar quando podemos estar com a pessoa que amamos — mal sabia que ele que estaria falando da mesma pessoa —, mas desistiu por algum motivo que não saberia explicar, não naquele momento.

 

INGLATERRA, HOLMES CHAPEL — AGORA.

 

encarou os amigos sentados na mesa e começou a sentir mais saudade de quando a banda estava unida do que das férias que tanto tinha sonhado, passava tanto tempo com esses caras que um curto espaço de tempo sem eles era estranho para ele.
Lexie então, sentia-se um peixe fora do aquário apesar de ter sido recebida pelos garotos muito bem, era algo meio fora da realidade para ele. Estar com era normal de seu ponto de vista, por conhecê-lo há tanto tempo, mas o resto era quase inacreditável, principalmente quando lembrava de garotas que trabalhavam com ela, no auge dos vinte e cinco anos fofocando sobre eles e a respeito fanfics que leem com eles.
Ela riu de leve com o pensamento, mas sua reação passou despercebida pelos garotos que decidiam qual ia ser a refeição daquele jantar e enquanto eles se ocupavam com isso, os pensamentos dela voaram até e o dia em que ela foi visita-la, dois dias antes do acidente que a mataria.
Como sempre, a garota estava sentada na varanda da casa rodeada por livros. Eram raras às vezes em que Lexie ia à casa de e ela estaria fazendo outra coisa que não fosse ler ou estudar, algo que admirava muito nela.
A dedicação.
— Ei, está aí há muito tempo? — perguntou ao ver a amiga.
Lexie riu da reação da amiga, nunca mudava.
— Sim, peguei essa mania de te observar lendo. — Lexie sentou-se ao lado da amiga.
riu.
— Igual ao . — A garota completou e riu ainda mais.
Era como se a amiga estivesse lendo os pensamentos dela falando sobre o rapaz, ela queria mesmo tocar no assunto e fazer um pedido. Lexie era a pessoa perfeita para isso, sabia que poderia confiar nela para qualquer coisa.
— Lex, quero te pedir uma coisa. — fechou o livro que estava em seu colo, sentou-se de forma ereta e encarou a amiga.
— Sou todo ouvidos. — Riu animada e pegou um biscoito em um pote em cima da mesa.
— É algo sério, Lexie. — a encarou.
Tinha passado a noite toda pensando sobre, depois que um pressentimento no dia anterior rodeou seu coração de forma tão sombria que ela precisava compartilhar o que sentia com alguém e, a melhor amiga, era a pessoa certa.
— Esta me deixando preocupada, .
respirou fundo e segurou a mão da amiga.
— É sobre o .
, não me diga, que vai quebrar o coração do coitado.
Ela riu.
— Não, não é nada disso. — Riu nervosa. — Será que pode me deixar falar?
— Claro!
— É um pedido, porque você é minha melhor amiga e sei que posso contar que você vai cumprir! — encarou Lexie, que agora sentia-se realmente nervosa com as palavras dela.
— Tudo bem
respirou fundo de novo.
Hughes, fala logo! — Lexie estava apreensiva, com todo o "suspense" da amiga.
— Tudo bem. — Encarou-a de novo. — Preciso que cuide do , se algo acontecer comigo.
Lexie sentiu um aperto no coração.
— Do que você está falando? Alguém te ameaçou?
Ela riu.
— Não, eu só estou com um pressentimento ruim — explicou. — Então, se algo acontecer comigo eu preciso que cuide dele. Eu conheço o , muito bem
desviou o olhar devido à vontade de chorar e depois voltou a encarar Lexie.
, eu
— Lexie, se algo acontecer comigo ele vai sofrer e preciso que deixe ele passar por isso, faz parte de quem o é. Fiel demais para deixar alguém ir quando ama e quero que o apoie mesmo assim, mas quando ele decidir seguir — fez uma pausa —, preciso que o apoie ainda mais, faça com que ele não desista e volte a estaca zero, preciso que mostre a ele como é viver. Entende?
As palavras estavam doendo muito em , em proporções inalcançáveis para Lexie. O sentimento era quase tangível e ela poderia achar que era tudo insanidade da amiga, mas para , aquele pressentimento era torpe e genuíno.
, do que você está falando? Pelo amor de Deus! — Lexie levantou-se e encarou a amiga preocupada.
— Preciso que prometa — pediu delicadamente, ainda sentada.
Lexie andou de um lado para o outro antes de responder.
— Não, isso é loucura, ! — gritou.
levantou e andou até a garota.
— Preciso que prometa, por favor — implorou. — E não quero que conte ao nada disso, porque sei que no fim você não vai fazer isso porque eu pedi e, sim, porque verá o quão especial ele é.
o amava, mas as palavras finais eram sinceras e, a ideia de que ele poderia se envolver com outra pessoa não a amedrontava. Nada era mais aterrador do que imaginá-lo sozinho, sofrendo por ela, sem poder tê-la.
, eu não
— Por favor! — As lágrimas agora caiam.
— Tudo bem, eu prometo! — Lexie disse, antes que decidisse mudar de ideia.
a abraçou forte.
Lexie limpou a lágrima que caiu com a lembrança para que ninguém percebesse, achou até engraçado recordar do momento com a amiga justo agora, quando tinha finalmente decidido seguir e viver depois de tanto tempo.
sempre teve dessas coisas. O pensamento ocorreu para ela.
— Ei, você está bem? — Jayce perguntou, ao ver o rosto dela vermelho.
Lexie o encarou de maneira compreensiva.
— Sim, só cocei demais o olho. — Levantou-se da cadeira onde estava.
Era hora de colocar a promessa que fez para a amiga em ação.
— Os manés aqui, ainda estão discutindo o que vamos comer — disse encarando a amiga.
— Só to vendo um mané aqui, — Alex disse dando um tapa na cabeça do rapaz.
— Vocês parecem um bando de crianças. — Ela riu.
— Tirando eu, é claro — Dylan sentiu a necessidade de se defender.
apenas riu da situação, seus pensamentos estavam em qualquer lugar, menos ali.
— Enfim, estava pensando, devíamos sair para alguma balada — sugeriu batendo palminhas, toda animada.
Dylan torceu o nariz.
— O que foi agora, papai? — Perguntou Alex, de forma brincalhona.
Dylan era a cabeça da banda, o mais sensato e responsável e sentia-se na necessidade de evitar que os outros fizessem besteira.
— Não sei, se é uma boa ideia.
— Qual é, só uma saída, eu topo! — respondeu animado, agora ao lado de Lexie e com os braços em volta dos ombros dela.
Não demorou para que todos se dessem por vencidos e decidissem ir a uma balada que os amigos sugeriram.

 

NOVA YORK, MANHATTAN.

 

A reunião com os acionistas, foi um sucesso e, sentiu-se satisfeita com isso, não só por ter fechado alguns contratos, mas também porque por algumas horas conseguiu se concentrar totalmente no trabalho e esquecer dos problemas que tinha para resolver.
Se já não bastasse o que tinha acontecido com , ela também recebeu uma ligação do Sanatório informando que era necessário que ela fosse até lá ainda hoje.
Bufou ao sentar-se na cadeira em sua sala, o relógio já marcava cinco horas e ela tinha marcado de encontrar-se com a amiga às oito horas. Mas, graças ao telefonema ela não conseguiria ir para casa tomar um banho, como tinha planejado, precisaria passar primeiro para ver o que tinha de errado com sua mãe.
Para variar.
— Você pode me esperar aqui, Taylor. — Falou antes de sair do carro.
Jogou a bolsa sobre o ombro esquerdo e andou em direção a entrada do Sanatório, tentou ignorar a sensação que aquele lugar lhe causava o máximo que conseguiu e foi direto até a recepção.
— Você deve ser a , filha da Giordana. — Uma mulher de cabelos brancos levantou-se de trás do balcão, assim que ela se aproximou.
apenas assentiu e tirou os óculos de sol.
— Eles lhe informaram, do que se trata? — A mulher perguntou, já indicando que ela deveria acompanha-la
As suas entraram em uma sala não muito grande, com uma mesa de tamanho mediano onde tinha uma cadeira de cada lado. As paredes brancas, com apenas uma janela acima da mesa vazia e a falta de moveis tornava o lugar ainda mais sem vida.
sentou-se na cadeira, ainda não tinha respondido à pergunta.
? — Rute, que era o nome dela, como pode ler no crachá a chamou.
— Desculpe. O que você precisa saber? — perguntou ao cruzar as pernas.
Rute encarou-a, era notável o nervosismo da garota por suas mãos que tremiam apoiadas nas pernas cruzadas.
— Você precisa de algo? Eu sei que o ambiente não é dos melhores…
desviou o olhar.
— Tudo bem, estou bem — confirmou, só queria sair o mais rápido possível dali.
— Você foi informada do assunto, na ligação? — perguntou, enquanto abria uma pasta vermelha.
A boca de ficou seca, ela sabia que eram os arquivos de sua mãe.
— Não.
— Certo. — A mulher terminou de abrir a pasta. — Sua mãe teve uma grande melhora, nesses últimos meses.
O coração dela disparou.
Melhora? Não. Era tudo que conseguia pensar.
— O que você quer dizer, com melhor? — Encarou a mulher, esperando que a próxima resposta poderia fazê-la desmaiar e apoiou as mãos na mesa, por prevenção.
— Podemos aumentar o número de visitas — começou explicar —, e logo pensarmos na possibilidade de saídas aos finais de semana.
sentiu-se enjoada e a pressão cair de imediato, ela não poderia estar falando sério. Era total insanidade, aumentar as visitas de sua mãe e ainda mais pensar que ela poderia sair do sanatório aos finais de semana.
— Isso, está totalmente fora de cogitação — disse e levantou-se da cadeira de forma repentina, nem mesmo ela estava esperando por tal reação.
A mulher encarou , mas não saiu de onde estava, permanecendo com as mãos cruzadas em cima da mesa.
— Isso, cabe aos médicos decidirem. — A mulher falou de forma ríspida.
olhou incrédula.
— Isso cabe a mim, porque o peso de cada decisão é meu. — Encarou-a. — Sou responsável por ela, aqui.
— Mas, se provarmos a sanidade de sua mãe, a decisão é dela e do juiz que avaliar, juntamente a uma equipe médica.
Para ela, aquilo não poderia estar acontecendo. Nem conseguia explicar como sua vida viraria de cabeça para baixo, caso sua mãe tivesse a chance de viver fora do sanatório.
— Eu conheço as leias, sei como funcionam, infelizmente. — Falou e caminhou até a porta, para ela, aquela conversa tinha acabado.
Ela ouviu a mulher levantando da mesa e parou, com a mão sobre a maçaneta.
— Srta. . — A mulher disse. — Sugiro que comece a procurar um advogado, para iniciar o processo.
riu, uma mania que tinha sempre que sentia-se nervosa.
— Não preciso, eu sou a advogada. — Abriu a porta e saiu, sem nem se dar o trabalho de fecha-la.

 

INGLATERRA, HOLMES CHAPEL.

 

A van onde os seis estavam estacionou de frente para o The Manchester, uma das baladas mais bem frequentadas da charmosa Manchester, apesar de a cidade não ser tão frequentada como Londres os famosos adoravam ir para lá devido à privacidade maior que conseguiam.
— Vocês podem ir primeiro, eu preciso falar com a Lexie. — encarou os amigos, que já estavam prontos para sair.
Lexie o encarou, sem entender, se tinham combinado de falar em particular ela não se lembrava.
— Aconteceu algo, ? — perguntou.
— Nada que tenha que se preocupar. — Ele sorriu. — Podem ir.
E assim os quatro fizeram, saíram da van e logo foram tomados por olhos curiosos ao serem reconhecidos sem nem sequer entrarem na balada.
encarou a amiga e fechou a porta, antes que alguém se desse conta de que ele tinha ficado dentro do veículo e acabasse com a paz da conversa que pretendia ter com a amiga.
— Olha, se você não quiser ir, desculpa se forcei a barra te trazendo para uma noitada em sua primeira noite de "seguindo em frente". — Lexie disse fazendo aspas com as mãos.
riu.
Para ele, era o oposto do que ela estava pensando.
— Não ria de mim. — Deu um soco no braço dele, de leve.
— Se você fosse menos fofa, talvez eu conseguiria não rir. — Encarou-a.
Lexie sentiu suas bochechas esquentarem.
— Fala logo, besta.
— Se você quiser, podemos entrar pela porta de trás — sugeriu.
— Você não quer que sejamos vistos, juntos? — A ideia lhe incomodou de certa forma, pensar que poderia ter vergonha de ser visto com ela lhe causava uma sensação estranha.
— Vai se ferrar, Lexie. — revirou os olhos. — Não é nada disso, só quero que entenda o peso que é andar comigo.
— Claro, o famoso — debochou.
— É sério. Não quero que te tabelem como mais uma, na lista de, , o famoso. — A encarou.
Ele estava preocupado comigo, com a forma que as pessoas iriam me ver. O pensamento ocorreu em Lexie que sentiu seu coração disparar por uma leve fração de segundos.
— Alguma chance de sairmos em um site sensacionalista? — perguntou fazendo uma cara sedutora.
gargalhou.
— Com certeza!
— Ótimo, porque não sou do tipo que se intimida com umas notícias falsas que saem por aí. — Ela disse e abriu a porta do veículo já saindo.
Ele a encarou, com carinho e admiração no olhar.
— Você vem?
saiu e logo uma multião rodiou os dois, ele passou o braço pelos ombros de Lexie que retribuiu passando o dela pela cintura dele e assim foram caminhando até a entrada da balada, enquanto os repórteres os rodeavam enchendo de perguntas.
"Uma nova garota na sua vida, ?"
"É uma amiga?"
"Quem é ela?"
Ele gargalhou se divertindo e não respondeu a nenhuma das perguntas.
— Isso, vai ser divertido!
Lexie riu e o acompanhou.
Às três primeiras horas passaram rápido demais para dentro da The Manchester devido à quantidade de álcool que ele estava ingerindo. Dylan tentou alerta-lo a ir mais devagar, mas o rapaz estava na fossa demais para dar ouvidos ao amigo como costumava fazer, só queria aproveitar a noite e esquecer dos problemas.
Entre fotos com algumas garotas — que não eram famosas — e autógrafos, ele pedia uma vodka com energético e shots de tequila. Já tinha perdido a conta de quantos shots já tinha tomado e a quantidade de copos da bebida, quando se deu conta de que o relógio já marcava exatamente duas horas da manhã.
Procurou o celular no bolso de forma atrapalhada para ver se tinha alguma mensagem de , ele sabia que já não se falavam há quatro dia e sentia-se mal por isso, mas depois da forma que reagiu com ela e as coisas horríveis que disse, achou que o melhor seria dar um espaço para ela.
— Ei, será que você pode me ajudar? Não estou me sentindo muito bem. — Uma garota deslumbrante em um vestido preto, de cabelos ruivos disse ao se aproximar de , tirando-o dos pensamentos.
Ele demorou um pouco para processar que ela estava falando com ele.
— Ei, está me ouvindo? — A garota chamou por ele. — Eu não estou me sentindo muito bem, acho que ingeri alguma coisa.
— Claro, tem um enfermeiro na minha van, posso te levar lá. — pegou o braço da garota que mal conhecia para que ela pudesse se apoiar nele e caminhou em direção a saída.
Do lado de fora o ar estava muito gelado e ele se perguntou se a garota não estaria com muito frio devido ao micro vestido que estava usando, a ideia de emprestar seu blazer lhe ocorreu, mas achou que não seria uma boa se isso caísse em algum site sensacionalista.
Enquanto a garota se apoiava em seu corpo e ele caminhava em busca da van da banda, sentiu que era uma péssima ideia ter uma garota pendurada a ele no meio da rua onde poderia ser fotografado. Teve certeza disso quando a ruiva entrou em um beco com pouca luminosidade e se recostou ali.
A ideia era ruim desde o ínicio, na verdade, deveria tê-la levado na enfermaria da balada e talvez teria pensando nisso se não estivesse tão bêbado.
— Ei, você é ! — A garota disse animada, enquanto ele permanecia encostado na parede do beco.
riu. Não sabia ao certo porque, não tinha nada de engraçado na situação, ainda mais se ela acabasse mal.
— É, se puder não falar isso muito alto. — Riu.
Caralho. Foi tudo que conseguiu pensar na hora, estava bêbado demais e com uma garota bonita demais na frente dele.
também é bonita demais, ela é perfeita. O pensamento lhe ocorreu ao olhar para a garota a sua frente, que agora estava perto demais.

 

 



Capítulo 3 - She's Beautiful

Estados Unidos, Manhattan — Nakashima.

atravessou a porta de entrada do restaurante um pouco mais calma, depois das palavras da enfermeira sobre sua mãe e o possível processo que terá que enfrentar ela correu de lá direto para um mato onde precisou colocar tudo que tinha em seu estômago para fora e depois de pedir para que Taylor não comentasse nada com , eles seguiram para o destino.
Seus braços tomaram o corpo de Megan, assim que ela viu a amiga levantar-se da mesa em um canto do restaurante próximo ao bar. A apertou tanto que teve a sensação de que a garota tinha parado de respirar por um instante, o gesto aconteceu não só pela saudade, mas também devido ao que tinha acontecido antes no sanatório.
Precisava sentir algum acolhimento.
— Uau, você está incrível, ! — Megan disse olhando-a ao soltar-se do abraço.
era muito bonita, ninguém poderia negar, com cabelos negros, e os olhos negros que combinavam perfeitamente com o tom de sua pele. Sem falar, que seu hobby por luta a ajuda manter a forma que queria, apesar de não ser tão alta, era fácil notar que ela podia intimidar quem quisesse com seu modo de agir e portar.
também aproveitou para passar os olhos por Megan, uma garota de pele negra, olhos pretos e um corpo que ela adorava intitular como escultural, com cochas grossas e curvas perfeitas. Qualquer pessoa que olhasse para sua amiga, poderia dizer que ela estava acima do peso, mas para , ela era perfeita.
Sem falar nos cabelos cacheados, tão perfeitos aos olhos de .
Louco seria o cara que não se interessasse por ela.
— Senti saudades! — disse, ao sentar-se.
Não era mentira, de fato, tinha sentido muita falta da amiga. Fora ela, nunca teve muitas amizades e todas as coisas que aconteceram em relação á sua mãe dificultaram ainda mais a possibilidade de ela criar um vínculo com alguém e até começar a namorar , passou muito tempo presa a solidão.
Colocou a bolsa na cadeira ao lado e ao ver a amiga pedir licença para atender a um telefonema, se deu conta de que já não olhava seu celular há horas. Abriu a bolsa e procurou desesperadamente pelo aparelho, mas não encontrou nada, se desesperou ainda mais ao notar que também não estava no bolso da jaqueta onde costumava deixar.
, você está bem? — Megan perguntou ao voltar para a mesa e reparar na expressão de preocupação da amiga.
— Eu não sei se deixei meu celular na empresa, ou se perdi — comentou irritada.
— Quer usar o meu?
torceu o nariz, ela era péssima em lembrar-se de números.
— Eu não saberia o número de ninguém, nem do meu trabalho. — Riu.
— Srtas. Gostariam, de escolher? — Um garçom perguntou ao se aproximar, interrompendo a conversa das amigas.
— Ah, sim — sorriu simpática. — Eu vou querer o rodízio completo. Megan?
— A mesma coisa. — A garota confirmou. — E queremos uma garrafa de saquê.
— Megan! — a reprendeu, não tinha a intenção de beber.
— Qual é, vai beber sim. — Megan riu. — Pode trazer.
— Tudo bem, fiquem a vontade! — O garçom disse e se retirou.
bufou assim que o rapaz saiu, ainda pensando em seu celular perdido e Megan passou um aparelho para ela.
— Pode usar o meu, eu tenho o número do seu trabalho, liga e pergunta se esqueceu lá — comentou.
— Obrigada! — falou e levantou da mesa para fazer a ligação do lado de fora, na intenção de não atrapalhar as outras pessoas no restaurante.
precisou ficar bem próxima à porta do restaurante, pois do lado de fora caia uma tempestade. Ela observou a água que caia enquanto esperava que alguém atendesse do outro lado da linha, tocaram quatro vezes e ela já estava desistindo quando sua secretária disse "Alô" do outro lado da linha.
Infelizmente ela foi informada que o celular não se encontrava lá e logo desligou, imaginando que o aparelho só poderia ter sido esquecido no carro de Taylor, alguém que ele jamais lembraria o nome de cabeça e que Meg não teria o número.
Respirou fundo em desapontamento e estava pronta para voltar ao restaurante quando o celular da amiga apitou, revelando para ela uma notícia de primeira mão em uma manchete enorme. não se conteve em clicar e sentiu seu coração simplesmente parar ao ler o que estava escrito nela, se aquele parecia ser um dia horrível, tinha acabado de ficar pior.

"PARECE QUE O NOSSO QUERIDO, , ACABOU DE NOS DAR A HONRA DE DESCOBRIR QUEM É SUA NAMORADA MISTERIOSA."

leu a notícia em letras garrafais e arrastou a tela para continuar lendo as informações até chegar em uma foto, onde se encontrava em um beco escuro junto de uma moça de cabelos ruivos, muito bonita e de corpo escultural bem próxima a ele, que parecia rir.
O nó na gargante era inevitável e o sentimento de nojo ainda maior, podia esperar qualquer coisa dele, menos uma atitude tão baixa. bloqueou o celular e voltou para dentro com a intenção de contar tudo a amiga.
— Ei, , o que aconteceu? — Meg perguntou ao vê-la pálida.
engoliu em seco e devolveu o celular para amiga ao sentar-se.
Sabe o que é? Eu estou namorando escondido há dois anos e, ontem quando revelei para ele que minha mão está em um sanatório ele saiu sem olhar para trás e acabou de sair uma notícia que ele pode estar me traindo. O pensamento ecoou em sua mente.
— Nada, só estou com muita fome — mentiu.
Tinha desistido como das últimas cem vezes, em que pensou contar tudo para a amiga e ter alguém para desabafar.
Mais uma vez, estava completamente sozinha, mesmo rodeada por tantas pessoas.

 

Inglaterra, Holmes Chapel — The Manchester.

 

puxou Lexie pelo braço enquanto os dois ainda observavam a balada, eles já tinham dançado um pouco na pista principal e em outra no camarote, reservada apenas para pessoas vip. Os dois passaram por um número significativo de pessoas e ela rodou os olhos ainda um pouco confusa com alguns famosos que se encontravam ali.
fez sinal para o garçom pedindo por duas bebidas e rolou os olhos pela balada. De onde ele estava — no terceiro andar — conseguia ver todos os companheiros de banda, menos , ele procurou pelo melhor amigo o máximo que deu, mas nada dele, então enviou uma mensagem que nem sequer chegou.
. — Lexie o chamou, tirando-o de seus pensamentos sobre .
Ele a encarou.
aproveitou para observar a beleza da garota a sua frente, notou a pele morena dela com os cabelos cacheados bem volumosos, os lábios pintados de um batom rosa bem leve e um sorriso encantador. Pensou em quanto tempo esteve com ela e não parou sequer um minuto para reparar em sua beleza tão singular.
Sem falar nos olhos negros, com uma expressão meiga.
, você está me ouvindo? — Foi interrompido por ela chamando-o mais de perto.
— Desculpa, eu me distrai. — Riu de leve.
Lexie o encarou preocupada.
— Com o quê? — Perguntou curiosa. — Eu forcei a barra trazendo você aqui, né?
riu mais uma vez e passou a mão pelos cabelos dela de forma que acariciou sua bochecha.
— Com você — disse e sorriu.
Ela o encarou perplexa e pegou sua mão.
— Me divirto, com a forma como você fica sem graça quando eu falo essas coisas. — inclinou-se na direção dela e a puxou para mais perto dele soltando sua mão que estava entrelaçada na dela e passando o braço por sua cintura. — Você precisa esquecer essa ideia, de que é uma má ideia estar com você.
Lexie o encarou e sentiu seu coração acelerar com a proximidade dos dois, estava pronta para se perder em qualquer coisa que pudesse acontecer entre os dois ali, mas foi interrompida pelo garçom e outra voz.
— Aqui está, sua bebida, Sr. . — O garçom empurrou os copos com líquido transparente e cheio de morangos dentro, no balcão.
— É, só . — Ele pegou a bebida. — Obrigado.
— E ai, o que os pombinhos estão fazendo? — Alex pergntou fazendo com que Lexie engasgasse com a bebida que tinha sido acaba de ingerir.
— Só, bebendo — confirmou, ignorando a brincadeira do amigo.
Alex riu, com a reação natural de e a envergonhada de Lex.
— Estamos com um pessoal ali, vamos brincar de vira vira, vocês querem se juntar? — Lou sugeriu.
encarou Lexie esperando pela opinião dela.
— Por mim, tudo bem. — A garota concordou e os três o seguiram.
Os três chegaram a uma parte ainda mais reservada do camarote que estavam, onde encontraram além de todos os integrantes da banda — menos — mais duas garotas que foram apresentadas como duas modelos da Victoria Secrets que Lexie não fazia ideia de quem eram, tinha uma leve noção.
Também passou pela cabeça dele, que alguma delas, provavelmente iria para cama com um de seus amigos que já pareciam bem alterados, exceto por Alex, que não tinha o costume de beber muito e estava noivo de Eleanor.
Lexie sentiu as garotas encararem sua mão um pouco trêmula que segurava a de , ela lançou um sorriso simpático para às duas que não devolveram. Seja lá o que elas estivessem pensando sobre ela estar de mãoa dadas com um dos meninos da , cogitou que precisaria estar pronta para uma possível notícia amanhã nos maiores jornais do mundo.
Trocou o peso de uma perna para a outra, devido ao nervosismo.
— Vamos sentar aqui. — sussurrou para ela, indicando um sofá vazio de dois lugares. — Vocês nunca cansam desse jogo, né? — perguntou se referindo a Jayce e Dylan, que para quem não queria sair, já parecia ter bebido bastante.
Lexie aproveitou para se apresentar as garotas, enquanto o amigo falava com os companheiros de banda.
— Sou Lexie. — Ela estendeu a mão para as garotas sentadas, uma morena e outra ruiva.
— Sou Amber e ela é Janet, nunca vi você com os meninos. — A ruiva disse de maneira totalmente simpática e sem maldade alguma.
— Você os conhece de onde? — Perguntou Janet.
— Uma velha amiga do . — Sorriu gentilmente e deu um gole em sua bebida. — Se vocês puderem não...
— Relaxa Lexie, elas são gente boa, não vão sair por aí falando de você e do . — Dylan a tranquilizou.
riu com sua inocência de não ter notado que as garotas eram conhecidas dele, quase sempre se esquecia que depois do fracasso do último relacionamento de Dylan, ele nunca ficava mais de uma semana com a mesma garota.
— Obrigada. — Lex sorriu agradecida.
— Vamos jogar isso, ou não? — Alex perguntou esfregando as mãos.
— O que é, vira vira? — Lexie perguntou sem jeito.
Antes de começarem o jogo, Dylan explicou para Lexie que "vira vira" era um jogo onde eles teriam que responder uma pergunta de uma das cartas do "vira vira" e, caso a pessoa errasse, teria de tomar uma dose de tequila ou cumprir um desafio, tudo ia depender do que estivesse escrito na carta para eles, que poderia ser: bebe ou cumpre.
Não demorou muito para que cada um ali da mesa já tivesse tomado mais de quatro shots de tequila e tivessem pago mico suficiente para não quererem voltar ao Manchester, nunca mais. foi o primeiro a ter que fazer uma dança vergonhosa no meio do camarote, claro que aquilo estaria nas primeiras notícias pela manhã — mas nem ligou. Alex precisou se declarar para a primeira garota que encontrasse na balada, por sorte, não foi tão ruim quando ele pensou que seria, já Dylan ficou com o pior, teve que dançar sensualmente no meio da pista de dança e os outros deram sorte, tiraram apenas "bebe" em todas as cartas que pegaram ao darem a resposta errada.
estava se divertindo tanto quanto Lexie, mas não conseguia deixar de pensar onde poderia estar , sabia que o amigo era impulsivo e considerando o estado emocional dele, poderia acabar fazendo alguma besteira. Ele retirou o celular do bolso e ele logo se acendeu, indicando uma mensagem do próprio.

", vem aqui fora, preciso da sua ajuda."

 

Ele sussurrou rapidamente para Lexie que precisava resolver uma coisa e retirou-se de lá com pressa já caminhando, por entre o número de pessoas que agora parecia muito maior. Ainda com o celular na mão, viu que ele começou a aptar repetidamente, desbloqueou encarando a tela e apertou o primeiro link que apareceu escrito " ..." e logo uma página da internet se abriu.
abaixou o celular para não correr o risco de cair ao esbarrar em alguém e conseguiu chegar ao primeiro andar da balada, leu por cima o que estava escrito na matéria — algo sobre um integrante da banda com uma garota — e andou ainda mais rápido em direção a saída. Fez sinal para o segurança que precisava sair e atravessou rapidamente a porta.
Ele procurou pelo amigo, mas não viu nada, então seu celular apitou com uma mensagem que pode ler na barra de notificação. Ele caminhou até o beco que ele dizia estar na mensagem, enquanto encarava uma foto de com uma garota ruiva bem próxima dele.
— Cara, eu acho que, fiz merda. — disse ao ver dobrar no beco.
bufou.
— Você acha? — disse apontando o celular.
encarou a foto dele com a garota que já tinha ido embora e percebeu que a merda que tinha feito, era muito maior.
— O que nós vamos, fazer? — Ele perguntou passando as mãos pelo cabelo enquanto andava de um lado para o outro.
— Você precisa se acalmar, chama um táxi, vou lá dentro buscar a Lexie. — disse já saindo, mas o segurou pelo braço. — Cara, já estou mentindo para todo mundo, não vou mentir para ela também.
— Tá, mas volta logo, precisamos ir embora logo e eu preciso achar um jeito de falar...você sabe.
apenas assentiu e voltou para dentro da balada.

Estados Unidos, Manhattan.

tentou pela quarta vez enfiar a chave no buraco da porta, enquanto gargalhava. Ela e a amiga tinham bebido muitas doses de saquê enquanto esperavam pelas comidas do rodízio japonês e, depois da notícia que leu sobre , ela não conseguia se manter sóbria para encarar tudo aquilo de uma vez.
" e uma garota..." As palavras da matéria ainda ressoavam na cabeça dela de maneira que a fez torcer o nariz enquanto tentava abrir a porta do apartamento.
, deixa que eu faço — Megan disse, já tentando pegar a chave da mão da amiga, que se recusou a entregar.
riu.
— Consegui! — falou comemorando assim que a porta se abriu, revelando o enorme lugar sem vida.
Meg aproveitou a deixa e entrou no apartamento já tirando os saltos que usava, passou os olhos pelo apartamento enorme e jogou-se no sofá gigantesco que tinha ali. Ainda estava rindo da situação, mas também bastante surpresa pela casa da amiga, não esperava um lugar tão bonito e luxuoso.
— Uau. — Meg disse ainda perplexa. — Você sempre teve bom gosto, mas se superou na escolha desse apartamento.
riu com o comentário da amiga e se jogou no outro sofá.
— Não fui eu quem escolhi, foi o .
Meg demorou um pouco para processar o que a amiga havia dito, mas quando aconteceu, ela a encarou com os olhos arregalados, não era de falar de seus relacionamentos.
— Como? — perguntou, tentando arrancar mais alguma coisa dela.
. — disse de maneira séria.
Megan engasgou e sentou-se.
— Muito engraçada — disse rindo, sabia que a amiga estava bêbada, mas não riu de volta.
Ela se levantou e andou até o sofá onde estava deitada encarando o teto, sem demonstrar emoção alguma. Ajoelhou-se ao lado dela e esperou que ela desse uma explicação, mas isso também não aconteceu.
, não tem graça. — Chacoalhou a amiga.
— O quê? — perguntou, confusa. — Você já olhou seu celular, desde que te devolvi?
Megan pegou o aparelho do bolso de trás da calça e desbloqueou, o que a deu a visão sobre a notícia de com uma garota. Ela encarou e se deu conta de que a amiga não estava mentindo e que não era nem um pouco uma alucinação de bêbada.
— Ah, meu, Deus! — Disse ao levantar-se. — Você está tendo um relacionamento escondido, com , não está?
deu um pulo no sofá e saiu andando em direção a cozinha do apartamento, onde pretendia pegar um copo de água para diminuir a bebedeira e a dor de cabeça que estava sentindo, se é que a segunda era por causa do álcool que ingeriu.
— Quem é ela? Ah, meu, Deus! — Megan disse andando atrás da garota.
abriu a geladeira e pegou uma jarra com água bem gelada.
— Você quer? — perguntou ao caminhar até um armário e pegar dois copos.
Megan apenas balançou a cabeça negativamente.
, quem é ela? Como isso começou? — Começou a bombardeá-la de perguntas.
encheu o copo e encarou a amiga.
— Claramente, não sou eu. — Levou o copo até a boca.
Meg murchou, estava claro o quanto estava chateada com toda a situação e ela não havia sido nem um pouco sensível a isso, ao demonstrar tanta curiosidade.
— Ele está te traindo? Eu sinto muito, .
riu e terminou de tomar a água de seu copo.
— Eu adoraria dizer que sim — começou a dizer e puxou um banco para sentar-se —, mas eu estaria mentindo, não acho que ele esteja me traindo. Ele não pode.
Meg viu uma lágrima escorrer pelo rosto da amiga e caminhou até ela, sentando-se ao seu lado.
— Então. Por que ele está com essa garota? Liga para ele. — Meg disse passando o celular para ela, que recusou.
— Não posso, não é algo que dá para decidir assim. — disse baixinho e abaixou a cabeça apoiando-a sobre as mãos. — Nós tivemos uma briga.
— O suficiente para ele ir atrás de outra garota? — Megan disse revirando os olhos. — Nunca existe motivo, para um cara ir atrás de outra garota.
riu.
— Ele descobriu sobre a minha mãe, eu contei para ele.
— Qual é, eu sei que você não devia ter mentido, mas precisava ir embora? — Meg perguntou irritada.
— Ele tinha acabado de me pedir em casamento! — riu da situação, que não tinha graça nenhuma. — Vem, preciso tirar essa roupa.
Megan não sabia muito bem o que dizer a amiga, então apenas a acompanhou até o quarto e, ficou ainda mais encantada com a parte de cima do apartamento, onde você já dava de cara com um quarto enorme e todo iluminado pela luz da noite, devido às janelas de vidro.
disse para Meg que ela ficasse a vontade e foi tomar um banho, precisava se livrar das roupas que tinha usado para trabalhar o dia todo, ir ao sanatório e ainda sair com a amiga e também queria um tempo, sozinha, para processar todas as confissões que tinha acabado de fazer.
Falei sobre e foi libertador. O pensamento ecoou na cabeça de , assim que ela entrou na água quente que caia.
Enquanto a água caia e ela observava os enormes prédios de Manhattan — um privilégio que tinha pelos vidros fumes onde ela via tudo lá fora, mas ninguém via nada dentro do banheiro — ela pensou em e em todos os momentos bons que teve ao lado dela, não demorou muito, para que divagasse até uma das lembranças mais bonitas que tinha sobre eles.
sentiu o piso gelado do apartamento sob os pés enquanto olhava mais um pouco o ambiente. Tudo era simplesmente perfeito e ela pensou como nunca se sentiu tão em casa, como estava sentindo-se ali, mesmo sem móveis ela já conseguia imaginar como seria viver naquele lugar ao lado de .
Ela andou até a varanda, apoiu-se sobre o parapeito e fechou os olhos, o vento jogava seus cabelos de um lado para o outro e a sensação para ela fora indescritível, poderia passar horas ali, sem ter que pensar em nenhum problema.
Seria seu esconderijo.
— Você gostou? — A voz de a tirou dos pensamentos e sentiu seus braços envolverem sua cintura.
sorriu e virou-se para ele, envolvendo os braços em seu pescoço.
— Eu amei. — Encostou os lábios no dele.
sorriu e a abraçou.
— Você pretende morar aqui, quando vir para cá? — perguntou despretensiosamente.
— Pretendo morar aqui, com você — falou e olhou surpresa. — Quero que você more aqui.
— O quê? — Ela tinha imaginado tudo isso ao entrar no apartamento, mas não esperava que essa ideia pudesse se quer passar na cabeça dele.
— Você aceita morar aqui comigo? — perguntou sem tirar os olhos dela. — Um pouco sozinha, quando eu não estiver aqui.
riu e o abraçou.
— Você sabe que sim, que eu aceitaria qualquer coisa com você, em um piscar de olhos.
soltou e a encarou.
— Em um piscar de olhos? — perguntou.
— Em um piscar de olhos.
pegou no colo e andou com ela para dentro do apartamento rodando-a no ar, arrancando gargalhadas da garota.
— Eu te amo! — Ele sussurou e beijou .
Em um piscar de olhos. Foi tudo que ela conseguiu pensar, ao ser beijada por ele, porque sabia que jamais amaria alguém assim.
desligou o chuveiro e saiu rapidamente, a lembrança a tinha atingido a niveis dolorosos. Pensar na ideia de que seria capaz de traí-la depois de tudo que eles passaram juntos, de todas as coisas que tiveram de enfrentar para que o relacionamento desse certo as escondidas, era difícil demais.
Precisa conversar com ele, mas não por telefone. Queria olhar nos olhos dele, sentir o cheiro dele.
Entrou no quarto já trocada e viu Megan jogada na cama encarando-a.
— Você não queria casar com ele? — A amiga perguntou, pegando de surpresa.
a encarou.
— O quê?
— Você casaria com ele? — Megan mudou a pergunta. — Se souber que ele jamais te traiu.
— Em um piscar de olhos! — respondeu sem nem pensar antes.
Meg deu um pulo da cama e foi até a amiga.
— Você vai comigo para Londres, então!
riu, mas parou, ao ver que a garota falava sério.
— Megan, não posso ir para Londres!
Ela deu de ombros.
— Claro que pode e, acho bom, começar a fazer as malas! — Falou caminhando até o banheiro. — Vou tomar um banho, eu sou rápida, então arruma essas malas e, uma roupa para mim, também.
não teve muito tempo para processar a proposta da amiga sobre ir com ela para Londres e, quando viu, já estava pegando uma roupa para Megan e roupas para que ela colocasse na mala. Sabia que se pensasse demais, provavelmente desistiria da ideia maluca de pegar um voo de seis horas para resolver seu relacionamento, ou o que tinha sobrado dele.
aproveitou o tempo de banho da amiga, usou o telefone do apartamento onde tinham os números importantes para falar com Taylor e pediu que ele a levasse ao aeroporto, e tudo que ele fez foi informa-la que estaria lá em trinta minutos. Só depois que desligou o telefone, se deu conta de que seu relógio marcava uma hora da manhã e sentiu-se mal por ter ligado para ele tão tarde, mas já tinha feito a ligação e ele provavelmente estaria a caminho.
Meg logo saiu do banho e às duas desceram para esperarem pelo motorista na recepção do prédio. Assim que ele chegou, Taylor entregou o celular de dizendo que ela havia esquecido no banco de trás do carro, mas que ele só se deu conta quando foi estacionar o carro depois de deixa-la no restaurante mais cedo.
— Ai, graças a Deus! — disse empolgada no banco de trás e Taylor sorriu para ela, através do retrovisor.
— Preciso passar no meu hotel, primeiro, pegar minhas malas. — Megan se pronunciou.
— Só falar o endereço para o Taylor — disse e assim a garota fez.
Enquanto Megan procurava pelo endereço do hotel dela, no cartão, aproveitou para olhar o celular, mas ele estava completamente sem bateria, então desistiu e recostou a cabeça no vidro do carro vendo as ruas passarem aos seus olhos e imaginou como iria ser seu reencontro com .

 

Inglaterra, Londres.

 

acelerava o carro de Lexie, enquanto ela apenas encarava no banco do passageiro, ele ainda não tinha explicado para ela o porquê de eles estarem atravessando a cidade até Londres. Ela tinha entendido parte da situação quando viu a foto dele em todos os principais jornais do mundo, mas não via problema nisso, já que ele não namorava.
— Ainda não entendi, porque não podemos ficar na minha casa, ninguém sabe que moro lá. — Lexie disse encarando .
permaneceu em silêncio no banco de trás, enquanto ainda tentava enviar mensagens e ligar para .
— Você ficaria surpresa, com as coisas que eles podem descobrir. — riu, ele até que estava achando a situação engraçada.
— Tudo bem. Mas, o é solteiro, qual problema dele aparecer com uma garota? — Perguntou curiosa. — Muito bonita, por sinal.
revirou os olhos, não porque estava irritado com Lexie, porque não queria mais falar sobre a garota que poderia acabar sendo a causadora do fim do seu relacionamento.
— Te explico melhor, quando chegarmos em Londres.
se recostou no banco e ignorou a conversa dos dois, a única coisa que conseguia pensar era em tudo o que tinha acontecido com e em como ele pode ser tão burro para se deixar ser fotografado com uma garota que não era ela, principalmente depois da briga que tiveram.
A garota o tinha reconhecido e ele sabia que isto não era boa coisa, ou porque ela poderia ser uma repórter disfarçada tentando arrancar uma bomba dele e se fingindo de bêbda para isso, ou ela estaria interessada nele e sabe-se lá o que poderia cair na mídia, nada de bom, com certeza.
Ela sorriu para ele repentindo seu nome e colocou a mão na boca dela, pedindo que parasse de repetir isso ou que ao menos, não falasse tão alto para que outras pessaos pudessem ouvir. Ele olhou para fora do beco e não viu ninguém, a rua estava muito vazia e agradeceu por isso, dificilmente uma foto poderia ser tirada ali — ao menos foi o que pensou.
— O que , está fazendo em uma balada como a Manchester? — A garota perguntou e ele pode sentir o hálito dela de bebida, ao menos, não estava mentindo sobre estar bêbada e passando mal.
— O que acha, de irmos para a van? — perguntou despretensiosamente.
— Já me sinto melhor. — A garota respondeu com rapidez. — Sempre me perguntei, como você seria pessoalmente.
riu, apesar de a situação não ter graça nenhuma.
— Qual é, nenhuma garota é boa o suficiente, para ? — perguntou rindo.
revirou os olhos, uma péssima mania que tinha ao se irritar.
— Não falei, nada — rebateu.
— Qual problema, então, ? — Insistiu, ficando ainda mais próxima dele.
— Você é linda, mas eu tenho uma pessoa — disse firmemente.
A garota se afastou e riu.
— Ela é linda e eu preciso voltar para ela, de um lugar onde nunca deveria ter saído. — colocou as mãos no bolso e sorriu.
— É, foi mais fácil do que eu pensava.
— O que?
A garota correu rindo e entrou em um carro que acabara de parar de frente para o beco e ficou ali parado, com a mão na cabeça.
sentiu-se aliviado ao ver a placa de "Bem-vindo a Londres" e, apesar de a lembrança sobre a garota ainda estar fresca em sua mente e lhe incomodar, ele sabia que não tinha traído e nem feito nada de errado que pudesse gerar qualquer problema no relacionamento dele, então, se apegou a isso.
Escolheram um hotel que não chamasse muita atenção e se hospedaram, o relógio já passava das cinco horas da manhã e só queria descansar depois das quatro horas de viagem e tomar algum comprimido para dor de cabeça, tinha exagerado na quantidade de bebidas e já estava fora de forma, não fazia isso há muito tempo.
se jogou na cama e tentou de forma falha, mais uma vez, ligar para , já que seu celular dava apenas caixa postal e as mensagens não chegavam de forma alguma. Então, tomou uma atitude drástica e decidiu que era melhor ligar para o Taylor e saber se ele tinha alguma notícia, precisava ao menos saber se ela estava bem e se algo sério poderia ter acontecido, afinal, ela não era de ficar com celular desligado.
Enquanto isso, foi para a cozinha e pegou um pouco de água para que ele e Lexie pudessem beber e aproveitou para contar sobre com um pouco mais de privacidade, já que o amigo passou o tempo todo em silêncio, sabia que ele não estava de muito bom humor.
, você vai me dizer, para que tudo isso? — Lexie encarou o amigo, enquanto dava um gole no copo.
— Sim — respondeu e sentou-se em um banquinho que tinha na pequena cozinha. — O namora escondido.
Lexie cuspiu a água que tomava.
— E ele acabou de fazer a maior merda, da vida dele. — continuou. — Aquela garota, ele nem a conhece.
— Puta que pariu! — Lexie disse perplexa. — Mas, era mesmo necessário, vir para Londres por causa disso? A garota mora aqui?
— Pelo que eu sei, não. — Ele terminou de beber a água e colocou mais um pouco em seu copo. — Você quer mais?
— Por favor.
— Taylor, você a viu hoje? — Os dois escutam falar no telefone.
— Ele parece nervoso — comentou Lexie.
riu.
— Mas, me diz, como você não sabe se a garota mora aqui? — Perguntou curiosa. — Vocês são melhores amigos.
—Sim, mas não sei, e também não faço ideia de qual nome dela. — revirou os olhos. — O fato, é que ela não quer, se expor, não agora. Mas, ele a pediu em casamento.
— Uau, vocês têm mais segredos, do que eu pensava. — Lexie encarou . — Vai me dizer, que você vai casar, também?
riu de novo.
— Não sei, se dou conta desse trabalho, . — Lexie disse um pouco desanimada. — É muita responsabilidade, eu saber de tudo, sobre a vida de vocês. Ainda mais, sendo sua amiga.
se preparou para dizer algo, mas eles se assustaram ao ouvir .
— Ela, o quê?????? — gritou.
Lex e foram para a parte do quarto e encontram praticamente sem sangue nenhum no rosto e segurando o celular em uma das mãos, ele parecia bastante preocupado.
— Cara, o que aconteceu? — perguntou, preocupado.
, acho melhor você sentar — sugeriu Lexie.
— Ela, está em Londres.
— Como assim, em Londres? — perguntou perplexo.
— Bom, ao menos agora, sabemos que ela não mora aqui. — Lexie concluiu e encarou . — Ele me contou, porque eu insisti muito.
ainda assim, encarou o amigo.
— Não, eu contei porque confio nela, . — defendeu Lexie.
— Tá, tudo bem. Mas, o que eu vou fazer? Vou até o aeroporto?
riu.
— Qual a graça?
— Nada, é que você desesperado é engraçado. — comentou. — Acho melhor, mandar uma mensagem para ela, uma hora ela vai ver. Manda o endereço, tudo.

 

Inglaterra, Londres — Aeroporto.

O coração de palpitava tanto que ela podia jurar que era capaz de contar cada batida, sua respiração sibilava de maneira repetitiva e por um instante ela pensou em desistir da loucura que estava prestes a cometer, mas já era tarde demais, o avião acabara de pousar no Aeroporto Internacional de Londres e não seria possível voltar. Ela teve certeza, ao descer as escadas da enorme aeronave em que tinha voado que era vai ou racha, e ela não estava pronta para ir, mas era preciso, então acompanhou Megan que não parava de tagarelar alegremente.
O clima estava muito mais frio do que em Nova York e ela agradeceu por ter se agasalhado bem, precisava achar um lugar onde pudesse carregar seu celular e depois de pegarem as malas, sugeriu que às duas fossem tomar um café da manhã e assim talvez ela encontraria uma tomada para carregar o aparelho e ver se tinha alguma coisa importante, além de que, precisava avisar no trabalho que ficaria alguns dias fora.
Pegaram um táxi assim que saíram do aeroporto e o motorista lhes indicou uma ótima cafeteria onde ela poderia carregar o celular e também se alimentar, não tinha comido nada além do rodízio japonês e sua boca estava extremamente amarga devido às doses de saquê que tomou. Mesmo com os pensamentos turbulentos, aproveitou o tempo dentro do carro para observar a cidade linda, com prédios antigos e muito mais "rústica" do que a enorme Manhattan que estava acostumada.
Agradeceu pela gentileza do motorista lhe dando uma boa gorjeta e dirigiu-se ao Coffe Plaza com Megan, ela falava algo sobre ter uma intermediação para fazer com o país, mas a garota não conseguia pensar muito no que a amiga estava dizendo, sua ansiedade falava mais alto.
— Eu quero um Latte e um croissant, por favor. — disse, assim que uma mocinha veio atende-las na mesa.
— Ai, aqui é tão aconchegante, adoro este país! — Megan disse tirando as luvas que usava.
riu.
— Qual é, , se anima. — Megan cutucou a amiga. — Você vai se resolver, com .
arregalou os olhos.
— Não fala isso, alto! — A repreendeu. — Esqueceu que é segredo?
— Ninguém mandou, me contar isso! — A garota riu.
riu junto e acrescentou:
— Eu estava, muito bêbada, agora estou sóbria. Então, pare!
Ela colocou o celular para carregar e o deixou de lado assim que o café das duas tinha chegado. Além do que elas tinham pedido, às duas também decidiram pedir um pedaço de bolo da casa que tinha ótimas recomendações no cardápio, deixado pelos clientes que passavam por ali e já tinham experimentado.
O lugar parecia uma casinha de madeira dessas de interior, com um número máximo de vinte mesas no único andar que tinha e um enorme balcão onde você conseguia ver os funcionários preparando os cafés para as pessoas. achou muito sofisticado e bonito, ela ainda se sentia vazia ainda por tudo que estava acontecido, contudo, conseguia se imaginar ali com tomando um café despretensiosamente e sem se importarem com as outras pessoas.
Ela sorriu com o pensamento, mas logo eles foram afastados por inúmeras notificações em seu celular e todas de .
Um desesperado.
Muito preocupado.

"Amor, eu sinto muito por tudo que aconteceu. Eu não pretendo ficar nem mais um dia, longe de você. Eu te amo."

Não pode deixar de sorrir, com a mensagem e passou para próxima.

"Amor, cadê você? Eu sei que errei, mas por favor, precisamos conversar."

Mais mensagens depois dessa.

"Meu Deus, amor, eu sinto muito. Não acredite em nada disso, eu não sei descrever o quanto sinto muito. Por favor, me liga, assim que ouvir essa mensagem."

"Amor? Cadê você? Por favor, precisamos conversar sobre isso."

sentiu o coração apertar, pelo desespero do rapaz, mas ficou perplexa ao ler a última.

 

"Amor, o Taylor me disse que está em Londres. Eu não acredito, que fui tão egoísta a ponto de fazer algo, onde você precise vir até mim. Eu sinto muito mesmo.
Por favor, se você estiver aqui, porque ainda acredita em nós, é só vir neste endereço, estou encaminhando a localização."

estava boquiaberta com todas as mensagens, mas a última foi a que fez seu coração se despedaçar, ela sabia que não a tinha traído, não veio a Londres com a intenção de sequer cogitar isso ao falar com ele e seu coração teve mais certeza ao ler pela segunda vez a última mensagem e deixou que uma lágrima de alívio caísse, a ideia de perdê-lo ou que ele não fosse nada daquilo que ela pensava era pavorosa.
Pegou um pedaço do croissant e tentou comer, mas ele simplesmente não descia, a única coisa que pensava em fazer era ir até o endereço que ele tinha passado para ela por telefone e clicou nele enquanto pegava sua bolsa para colocar sobre o ombro.
Megan a encarou confusa.
— Onde você, vai?
nem tinha se dado conta de que a amiga ainda estava ali.
— Vou, encontra-lo, você vai ficar bem ai? — perguntou deixando dinheiro na mesa. — É para pagar minha parte.
— Me pergunto, se você, vai ficar bem. — Encarou .
se aproximou e abraçou a amiga.
— Obrigada, por tudo, sempre. — A apertou forte. — Não sei, o que faria sem você, mas vou ficar bem.
Depois de dizer tudo isso, ela virou-se e seguiu seu rumo em direção ao endereço que ele tinha passado.

 

não parava de andar de um lado para o outro ao ver que suas mensagens tinham chegado para e que ela já as tinha visualizado. A ideia de que ela poderia estar indo até ali e de que eles se resolveriam fazia seu coração abrandar-se. Mas, mesmo assim, não conseguia ficar parado em um lugar só e preferiu ligar para ela.
Uma ligação falha, já que ela não atendeu, mesmo depois de tocar várias vezes.
o encarava e não parava de falar o quanto ele parecia nervoso e que dava a impressão que ia bater as botas a qualquer hora e isso estava começando a tira-lo do sério, pensou por um momento, que era melhor ter vindo sozinho.
— Cara, se acalma. — disse.
se virou para ele e parou, pela primeira vez em um bom tempo.
— Ela acabou de ver minhas mensagens! — disse.
arregalou os olhos.
— Isso, quer dizer, que vou conhecer ela? — perguntou animado.
revirou os olhos.
— Você está querendo, acabar com meu relacionamento?
riu.
— Você consegue, fazer isso, sozinho.
o fuzilou com os olhos, mas riu no final.
— Você devia ter ido, com a Lexie, comprar algo para comer.
— É, acho que vou encontrar ela, você vai precisar de privacidade aqui. — disse e caminhou até a porta.
— Sei, tomar café da manhã. — disse gargalhando.
O amigo mostrou o dedo do meio para ele e saiu do quarto.
não podia negar que estava com vontade de ao menos espiar quem era a garota de , mas a ideia logo passou, ele tinha prometido ao amigo que nunca procuraria nada sobre ela e que esperaria chegar a hora para conhecer ela e assim seria, promessa, era algo muito importante na amizade deles.
Então, ele seguiu o caminho dele pelo corredor até o elevador.
chegou ao hotel em apenas dez minutos depois de pegar um táxi, seu coração estava ainda mais acelerado do que antes e suas pernas tremiam tanto que ela podia jurar que daria de cara com o chão a qualquer momento, mas isso não aconteceu.
Informou o número do quarto que lhe havia passado na recepção e o moço lhe deu um cartãozinho dizendo a ela que era no décimo andar e que era só pegar o elevador da esquerda para chegar lá. Não demorou muito para que entrasse em um elevador completamente vazio, viu que tinha ligado para ela, mas não queria responder, sua intenção era fazer uma surpresa e vê-lo cara a cara.
Os dez andares que tinha de subir pareciam uma eternidade e ela ficou torcendo para que não parassem em mais nenhum andar, além do segundo, onde uma mulher perguntou para ela se estaria descendo e ela respondeu educadamente que não.
Enquanto isso, ainda esperava impacientemente pelo seu elevador. Ele esperou mais alguns minutos e, apesar de serem dez andares, ele concluiu que seria mais rápido ir de escada. Virou as costas e foi andando até a porta, momentos antes de o elevador de chegar ao mesmo andar em que ele estava, ela saiu e andou rápido para a direção oposta em que o rapaz estava e ele seguiu para as escadas que o levaram rapidamente para o térreo do hotel.
revirou os olhos ao escutar a campainha do quarto tocar, sabia que só podia ter esquecido alguma coisa e a ideia de que poderia chegar ao qualquer momento e o amigo estar aqui, o deixava nervoso. Afinal, eles tinham combinado que só quando ela estivesse pronta, eles contariam para qualquer pessoa sobre o relacionamento deles, mas ele já tinha contado para o melhor amigo há muito tempo.
Não poderia ter mais um problema.
Seu coração quase saltou da boca, assim que a porta se abriu e braços envolveram seu pescoço desesperadamente e o cheiro de invadiu todo o ambiente. Ele não se demorou em envolver os braços na cintura da garota e a puxar para dentro do quarto, fechando a porta com o pé e levando seus lábios ao dela.
Sentiu-se aliviado, assim que sentiu que ela correspondia ao seu beijo e parecia estar esperando por isso tanto quanto ele. Eles ficaram em um beijo calmo e parou assim que sentiu um gosto salgado na boca, ela estava cKhando e ele sabia que era o causador de suas lágrimas.
— Ei, não chora amor. — disse afastando-se dela, mas encostou a cabeça em seu peito e o abraçou, cKhando ainda mais.
Ela o apertou forte.
, eu juro, eu não te traí. — disse, sentindo-se péssimo por ter feito ela passar por isso.
Ela se afastou dele e retirou o celular do bolso, ficou esperando que ela fosse mostrar alguma foto ou esfregar aquela que ele já tinha visto na cara dele, mas isso não aconteceu.
— Amor, eu...
— Me deixa, falar! — disse firme.
Ele ficou em silêncio e esperou pelas palavras da garota.
— Eu passei os piores dias, da minha vida — começou a dizer —, mas apesar de tudo isso, eu descobri que tenho a pessoa mais incrível do mundo ao meu lado. Eu não poderia ser mais sortuda.
a olhou confuso.
— Eu não estou..
— Da para calar, a boca? — riu e apertou algo no celular.
Um áudio começou.
— Qual problema, então, ? — Insistiu, ficando ainda mais próxima dele.
— Você é linda, mas eu tenho uma pessoa — disse firmemente.
A garota se afastou e riu.
— Ela é linda e eu preciso voltar para ela, de um lugar onde nunca deveria ter saído. — colocou as mãos no bolso e sorriu.
ficou boquiaberto, a garota tinha feito tudo aquilo por um áudio. Ela poderia ter pedido e ele daria uma entrevista, talvez não ali no meio de uma balada, mas poderia marcar. Contudo, isso não importava, ela tinha acabado de salvar seu relacionamento e merecia um agradecimento depois.
— Eu te amo, . — disse encarando-o. — E eu não quero mais mentir para você, também não pretendo mais esconder nosso relacionamento.
Ele estava boquiaberto, não era esse reencontro que estava esperando e muito menos ouvir essas palavras.
Depois de ficar por alguns instantes sustentando o olhar dela, andou até a garota e a pegou no colo. Os lábios dele logo encontraram o dela e ele caminhou até a cama com ela ainda em seu colo e sentou-se na cama, suas mãos percorriam seu corpo e ele sabia que precisava sentir cada parte dela, tinha a necessidade da certeza de que aquilo que estava acontecendo era real.
afastou-se dele e passou as mãos por seus cabelos.
— Você ainda aceita casar comigo, ? — perguntou encarando-a.
— Aceito, em um piscar de olhos. — Ela disse e a beijou de novo, mas dessa vez, se apressou em tirar a blusa da garota.

 

 

 

Capítulo 4 - Not Real

I won't let these little things
Slip out of my mouth
But if it's true
It's you
It's you


(One Direction - Little Things)


Inglaterra, Londres.



se afastou de e deixou que ele tirasse a blusa dela com agilidade. Ela sorriu para ele e aproveitou a deixa para fazer o mesmo com ele, a cama do hotel não era muito grande para que os dois ficassem ali juntos, mas ela nem se importou com isso naquele momento.
O plano não era dormir.
Ela o empurrou na cama enquanto sentia as mãos dele sobre a coxa dela, apertando com força, levou os lábios até os dele e iniciou um beijo apressado entre eles. passou as mãos pelas costas dela e levou os desdos com destreza até o feixo do sutiã, sentiu um pouco de dificuldade no inicio, mas depois de algumas tentativas, conseguiu abri-lo e o delizou por entre os braços da garota.
se arrepiou com o gesto.
Ela encarou por alguns instantes e tudo que passou por sua cabeça foi a sorte em tê-lo, agora não só como seu namorado, mas noivo também. sorriu para ele e levou as mãos até os botões de sua calça abrindo-o e, sem nem se preocupar com delicadeza, puxou a calça de seu noivo para baixo, levando junto a cueca, fazendo com que seu pênis já duro pela ereção, pulasse para fora. Jogou a calça em qualquer canto do quarto e envolveu o membro em suas mãos, começando por movimentos leves e precisos, arqueou com a cabeça para trás e ela viu o corpo dele estremecer.
Sem nenhum aviso, levou a boca ao membro e começou a chupá-lo com vontade. Passou a língua por toda a extensão e voltou para região da cabeça, envolvendo-o de novo em sua boca com vontade, fazendo com que soltasse um gemido alto de prazer.
Se deliciou com a cena e parou o que estava fazendo, para observa-lo.
Fez menção de voltar de onde parou, mas ele a segurou pelos pulsos e a virou na cama ficando por cima dela, que ainda se encontrava com a calça que vestia, mas se dependesse dele, não por muito tempo. Então, assim o fez, abriu o botão da calça da garota e arrancou com força junto da calcinha, prestando atenção em cada reação dela ao seu toque e seus movimentos.
O olhos negros dela estavam fixados a ele, seus lábios vermelhos e inchados pelas chupadas eram visiveis e para ele, aquilo era uma visão indescrítivel. Pensou em como a achava gostosa e o poder que tinha sobre ele, apenas com um olhar, que era uma mistura de inocência e safadeza juntos.
Seria impossível, para ele, não se apaixonar por ela.
Sabia disso.
Cravou as mãos em ambas as coxas da gorota e a puxou para mais perto de si, inclinou sua cabeça por entre as pernas dela e passou a língua de leve sobre a pele em brasa. Levou a lambida até próximo de sua virilha, fazendo com que ela arfasse e soltasse um gemido contido pela excitação que abrasava seu corpo.
segurou os cabelos de com força, arrancando um sorriso dele.
Ele passou a língua primeiro pelo clitóris dela, fazendo com que se contorcesse toda na cama sem nem se preocupar em entregar-se por completo. Naquele momento — ou em qualquer outro —, era completamente dele, não teria como negar.
, por favor — arfou. — Preciso de você.
parou de chupá-la e deixou escapar um riso convencido.
— Preciso que me diga, o que você precisa, amor.
revirou os olhos, mas gora não era hora de demosntrar superioridade, se ele queria ouvir, ela ia dizer.
— Preciso de você, dentro de mim.
Zayn depositou um beijo delicado na coxa dela e andou até onde ela tinha jogado sua calça, para poder pegar uma camisinha e vesti-la.
Enquanto ele caminhou pelo quarto, aproveitou para olhar toda a beleza dele, com o cabelo preto recém cortado molhado pelo suor, a pele morena suada e seu corpo que para ela, era extremamente escultural. Sorriu boba para ele, assim que o viu voltando em direção a cama com um sorriso nos lábios também.
Ele já tinha colocado a camisinha.
debruçou-se sobre e acariciou a bochecha dela com delicadeza, ao mesmo tempo que entrou nela de uma só vez, arrancando um gemido alto da garota que levou a mão até a boca, que ele fez questão de tirar dali com delicadeza.
...
— ele disse com firmeza e selou os lábios ao dela, enquanto segurava os braços dela para trás presos a cama e movimentava-se dentro dela.
, nós estamos em um hotel...
sorriu safado.
— Não me importo, quero que todo mundo saiba o que só eu posso fazer com você.
Ela sorriu para ele devido as palavras e entregou-se ao prazer, soltando gemidos assim que ele intensificou os movimentos.

ligou deversas vezes no celular de , mas ele não atendeu, então decidiu ir atrás de Lexie para que ela não fosse para o hotel e o encontrasse lá com a namorada. Pegou o celular e ligou para a amiga que atendeu prontamente, ela disse que estava em uma lanchonete e passou o número para que ele fosse encontrá-la.
Enquanto chamava um táxi sentiu o celular apitar e o pegou do bolso de novo, era mais uma notícia com o nome de logo nas letras iniciais, apertou para abrir o site e entrou no primeiro táxi que parou para ele. Leu a matéria toda, ao contrário do que ele esperava, não era mais nenhuma bomba e não estavam difamando a imagem de , muito pelo contrário, a dona da matéria que assinava como "Madson Parker", estava falando sobre ele e defendendo-o das acusações sobre estar com uma garota msiteriosa.

"Eu espero que esse aúdio e está matéria, tenha ajudado vocês a verem a verdade não só sobre , mas também, sobre as pessoas em si. Hoje vivemos em um mundo, onde as pessoas cometem maldades, espalham falsas notícias, a garota na foto sou eu e, apesar de me sentir Khanda com a suspeita, não tenho absolutamente nada com o galã da , estava apenas tentando conseguir uma exclusiva, sobre algo que eu já suspeitava a algum tempo. De fato, tem uma namorada, uma garota de sorte, como vocês puderam ouvir.


Madson Parker, Pruit."



Estava pronto para deixar um comentário anônimo agradecendo a mulher pela gentileza de ter dado uma explicação a tudo que aconteceu de verdade, mas o celular dele tocou no mesmo momento.
Era Dylan ligando, sabia que ia ouvir poucas e boas, por isso, suspirou e levou o celular ao ouvido já revirando os olhos.
Onde diabos, vocês estão? — ouviu Dylan gritar do outro lado da linha.
não conseguiu conter outra virada de olhos.
— Dylan, calma — pediu, enquanto informava ao taxista um caminho com menos trânsito.
Calma? , está um caos. Vocês simplesmente sumiram e fomos para sua casa sozinhos — Dylan começou a dizer. — E, adivinha só? recebemos a bomba pela manhã, de que, , tem um relacionamento escondido.
bufou.
— Olha, acabou de sair uma outra notícia, vou te mandar o link. As coisas já devem estar mais calmas, eu vou pegar a Lexie e nós vamos para a minha casa aqui em Londres, venham pra cá.
tirou o celular do ouvido e ia apertar desligar quando escutou Dylan gritar.
E o ? Onde ele está?
Ponderou por leves segundos se deveria dar alguma resposta, decidiu que não e finalizou a ligação já abrindo as mensagens para enviar o link para o amigo. Sabia que não era o melhor a se fazer, mas resolver as coisas por telefone nem sempre foi sua especialidade.
Ele estava tão absorto com a ligação do amigo que esqueceu de onde estava indo, mas se lembrou assim que seu celular apitou mostrando uma mensagem de Lexie perguntando onde ele estava e se estaria tudo bem, mas nem sedeu o trabalho de responder, o homem que dirigia o táxi tinha acabado de encostar informando que eles haviam chegado no lugar, pagou a ele dando uma gorjeta e seguiu em direção ao estabelecimento.
Assim que entrou no restaurante, agradeceu por não terem muitas pessoas e logo avistou Lexie sentada em uma mesa bem afastada, próximo de uma parede cheia de quadros, estilo “vintage”.
, está tudo bem? — Lexie perguntou, ao notar a expressão do amigo.
— Sim — abriu o cardápio e começou a passar os olhos, na intenção de se acalmar um pouco.
Lexie, que estava segurando o cardápio, o fechou e colocou sobre a mesa. Encarou e raspou a garganta, na intenção de chamar a atenção dele para ela.
— Ok, está tudo uma merda — disse sem cerimônia, arrancando uma risada da garota.
— Imagino. Você viu a última notícia?
pensou que ela só poderia estar se referindo a mulher saindo em defesa de e todos os famosos.
— Daquela moça, defendendo ?
Lexie afirmou com um aceno de cabeça.
— Vou querer esse com fritas — Lexie disse, ao ver o garçom se aproximar. Você?
— A mesma coisa.
Alguma coisa para beber? — O garço perguntou educadamente.
Ele aproveitou o momento de reflexão dos clientes e retirou os cardápios da mesa.
— Duas cocas — respondeu e voltou a se concentrar na garota a sua frente.
Ele aproveitou para reparar que agora, Lexie tinha feito uma trança que ele achava conhecer como boxeadora, suas maçãs do rosto estavam vermelhas — provavelmente por causa do frio — e, que ela tinha tirado toda a maquiagem do dia anterior.
? — Lexie o chamou e ele se deu conta de que estava encarando-a demais.
— Desculpa, é o cansaço — riu. — Do que estávamos falando?
— Da notícia, que defendia — Lexie riu.
— Certo — confirmou. — Achei bem legal, da parte dela.
O garçom voltou, trazendo a bebida dos dois e ambos agradeceram.
— Sim — Lexie concordou. — Acho, que vocês poderiam usar isso.
arqueou a sobrancelha, mostrando que não tinha entendido o que ela queria dizer com isso.
, vocês poderiam entrar em contato, agradecer — Lexie começou a explicar, enquanto parava para dar um gole em sua bebida. — O que é o mínimo, que devem fazer.
— Continua.
O garçom chegou com a comida de ambos, primeiro colocou os pratos na mesa e foi colocando as vasilhas com a refeição.
— Depois, acredito eu, que não vai mais querer manter esse relacionamento escondido. Nem recomendo, que continue — disse enquanto servia seu prato.
O garçom terminou de colocar tudo na mesa e se retirou depois de dizer:
Precisam de mais alguma coisa?
— Não, está tudo ótimo — Lexie sorriu com gentileza.
O homem se retirou.
— Você recomenda? — pergunto brincalhão.
Lexie deu de ombros.
— Sim, porque esse relacionamento, por mais que eu goste do , vai acabar com a banda e a relação de vocês.
a encarou, ficava encantado como ela era mesmo boa nisso.
— Nossa relação, é ótima.
— Está me dizendo, que não chegou aqui puto porque recebeu uma ligação, de um dos meninos também putos da vida?
riu, ela era boa.
— O que mais, você sugere? — insistiu.
— Que deem uma exclusiva para ela, contem tudo — Lexie terminou e deu uma garfada em sua comida.
a encarou.
— Pensei, que não queria o emprego — comentou debochado.
Lexie revirou os olhos.
— Cala boca!
fez o mesmo e aproveitou para comer, enquanto fazia isso, pensou em todas as coisas que Lexie tinha falado e ponderou as decisões que precisaria tomar e os conselhos que teria de dar para . Não gostava da ideia de ter que convencê-lo a contar sobre o relacionamento, mas Lexie estava certa, o relacionamento deles iria ser afetado se esse segredo continuasse e as coisas já não estavam bem entre eles.
As tensões estavam se tornando cada vez maiores com o empresário, a divergência de opiniões estava se tornando cada dia mais evidente, as brigas entre eles muito constantes. Todos estavam muito nervosos com o rumo que a banda poderia estar tomando, apesar de ninguém dizer nada, sabia de tudo isso e sabia que as férias foram só uma desculpa para tentar aliviar os ânimos.
Os dois permaneceram em silêncio durante toda a refeição e assim ficaram até sugerir que fossem para a casa dele em Londres. Lá poderiam tomar um banho e também esperar pelos garotos, que , torcia para que estivessem mesmo indo para ela, na intenção de resolver mais essa bomba.
sentia falta daquela casa também, tinha pouquíssimo tempo para ficar ali devido ao grande número de shows que eles faziam ao redor do mundo. Rodou a maçaneta o sentiu o cheiro de limpeza invadir suas narinas, provavelmente sua mãe tinha mandado alguém limpar, sabendo que ele voltaria de turnê e como sempre, costumava passar uns dias na casa só para relaxar.
Jogou a chave no balcão de entrada e andou até a sala, se jogou no sofá enorme sem pensar duas vezes. O cansaço agora era muito maior, já que estava com a barriga estourando de tanto comer, por um momento, quase se esqueceu de que Lexie estava ali com e, de que ela nunca tinha ido à casa.
— Desculpa, esqueci que nunca veio aqui — disse e se ajeitou no sofá.
Lexie olhava encantada, com a mansão enorme.
— É linda — comentou encarando-o.
— Vi que comprou umas roupas — comentou encarando as sacolas que tinha visto entre as pernas dela, no restaurante, agora se encontravam na mão dela.
Lex riu e se sentou em uma poltrona de frente para o sofá em que estava.
— É, esqueci que não íamos ter onde tomar banho — deu de ombros.
— Agora tem — disse encarando-a.
— Não, tudo bem, tomo quando for para casa — sorriu sem jeito e se recostou na poltrona, também estava cansada.
levantou de supetão e caminhou até a escada.
— Bom, se você não vai, eu vou — disse já subindo as escadas. — Fica a vontade.

apertou contra seu corpo, enquanto permanecia deitada com a cabeça no peito de . Pensou como era bom sentir o cheiro, o toque e simplesmente ele bem ao lado dela, ter a certeza de que nada tinha mudado entre eles, era tudo o que ela queria. Se movimentou sem saber se ele estaria acordado e o apertou mais um pouco, deixando escapar um “eu te amo” por entre os lábios e fechou os olhos.
Ele estava acordado, só observando cada movimento dela e gostando da maneira como sentia que ela sentiu tanta falta dele, quanto havia sentido dela. Sorriu ao ouvir as palavras da garota e depositou um beijo sob o topo da cabeça dela, apertando-a contra seu corpo.
— Eu também, amo você, .
Não queria sair dali e, estava torcendo para que ela não quisesse também. Seu celular já havia tocado mais de dez vezes, todas as ligações de Dylan, Jayce ou Alex, mas ele não queria correr o risco de atendê-los e acabar com aquele momento que estava tendo ali com . Fechou os olhos, sabia que ela provavelmente já estaria quase pegando no sono e pretendia fazer a mesma coisa, afinal não tinha dormido nada desde que tudo aquilo aconteceu.
O telefone tocou, de novo, fazendo resmungar. Esticou os braços se desvencilhando um pouco de , tinha a intenção de desligar o celular, mas desistiu, quando viu quem estava ligando.
Fala cara disse do outro lado da linha e conseguia ouvir o barulho de água do chuveiro.
se mexeu, mas não disse nada.
— Hm — resmungou.
, você está transando? — gargalhou do outro lado da linha.
— Cala boca, claro que não!
Menos mal riu. — E aí, como estão as coisas?
— Preciso mesmo, te falar isso agora? — revirou os olhos e viu que agora estava olhando para ele, com a cabeça ainda apoiada em seu peito.
Considerando, que eu me arrisquei por você, sim.
revirou os olhos.
Quem é? — perguntou baixinho.
— Um cara bem chato — respondeu baixo e riu.
Ela está aí, né? Vocês se resolveram! — disse animado e ouviu o barulho de água aumentar.
— É , mais alguma coisa? — estava até achando engraçada a conversa, mas não queria dar explicações agora para o amigo.
observou e passou a mão pelo abdômen dele, fazendo com que ele se arrepiasse.
, estou meio ocupado, te ligo mais tarde — disse já tirando o celular do ouvido e encarando .
gargalhou.
Z-z-a-yn gaguejou do outro lado da linha, mas a ligação caiu, em seguida.
encarou , que ainda passava a mão pelo abdômen dele.
— Agora, ele vai pensar que somos pervertidos — disse rindo.
Ele depositou um beijo no topo da cabeça dela e jogou o celular no final da cama.
— Melhor, assim para de me infernizar — deu de ombros. — Queria te perguntar uma coisa.
fez um maneio de cabeça, dando sinal para ele continuar falando.
— Como chegou tão rápido, aqui em Londres?
, de repente, se lembrou de Megan e que não havia dado nenhuma notícia para a amiga, desde que a tinha deixado na lanchonete. Ela levantou em um pulo e correu até a bolsa que estava no chão do quarto, pegou o celular e começou a digitar.
encarou preocupado.
— Amor, está tudo bem?
não respondeu e continuou digitando, passou os olhos pelo corpo da garota que estava completamente nua e voltou rapidamente a olhar para ela, não era hora de pensar naquilo.
— Amor, você está me assustando — avisou.
— Desculpa, é que esqueci de avisar a Megan que está tudo bem — riu.
fez cara de interrogação, não fazia ideia de quem era Megan.
— É uma amiga, foi por causa dela que eu consegui vir tão rápido — ela disse enquanto pegava a blusa no chão, a colocou e sorriu para .
Ele tentou pensar no que ela havia dito, mas só conseguia prestar atenção nela, nos seios marcados na blusa, as pernas maravilhosas e em como ela é linda e ele era sortudo demais em tê-la.
— O que foi? — perguntou, encarando-o.
levantou da cama e andou até ela, pegando-a no colo de surpresa.
… — procurou as palavras, mas não encontrou.
— Você é linda — disse e depositou um beijo delicado nos lábios dela.
sorriu com o comentário, mas logo ficou séria.
— Algum problema?
riu.
Ela se aproximou dele, envolvendo as mãos em sua cintura e encostou os lábios no dele.
— Eu amo você.
abriu um largo sorriso e depositou um beijo na testa dela.
— Eu também amo você, muito.
Ela encarou , seus olhos tinham uma expressão de cansaço e tristeza. A essa altura ela estava sentada na cama.
— Ei — disse ao encará-la
sorriu.
— Precisamos conversar — sua voz saiu calma, sem demonstrar preocupação alguma.
sentou-se ao lado dela na cama.
— Então?
— Não queria ter mentido para você, não foi minha intenção.
pegou a mão dela e acariciou.
— Isso já passou — ele a encarou. — Só queria que tivesse me contado, que confiasse em mim.
— Eu confio em você — afirmou. — Falar sobre a minha mãe é complicado, nem sei por onde começar...
— Que tal do ínicio? — perguntou em tom de brincadeira, fazendo-a soltar um riso fraco. — Me conta o que você conseguir.
— Quero te contar tudo.
— Certo.
respirou fundo e apertou os olhos, na tentativa de tentar se acalmar.
— Bom, minha relação com a minha mãe sempre foi muito difícil, principalmente depois do meu acidente. Ela...
— Acidente? — a interrompeu, ela nunca tinha falado sobre acidente nenhum com ele.
— Sim, eu sofri um acidente há 7 anos. Minha mãe diz que foi muito grave e que eu fiquei meses no hospital — explicou, pensou em falar sobre a parte da memória, mas achou que seria melhor deixar para um outro momento. Era informação demais.
Era uma nova pessoa, isso não tinha importância agora.
— E você já morava nos Estados Unidos?
— Não, eu morava na Inglaterra.
arregalou os olhos surpreso.
— Certo.
— É, eu sei, é muita informação — riu nervosa. — Depois disso, ela passou a me monitorar a cada segundo, as coisas foram ficando díficeis...
— Por quê?
— Ela simplesmente surtava, sempre que eu saia e não atendia as ligações.
desviou o olhar e apertou a mão dela, na intenção de acalmá-la.
— Você não acha que era só preocupação?
— Não — ela afirmou voltando a olhar para ele. — Ela surtou um dia, então...
— Você precisou interná-la.
confirmou com a cabeça e deixou que as lágrimas caissem.
— Eu nunca... — ela tentou falar, mas a vontade de chorar era maior.
a abraçou, na tentativa de acalma-la.
— Ei, amor, está tudo bem! — afirmou enquanto acariciava as costas dela.
Ela o apertou no abraço por alguns instantes, mas depois o afastou para que pudessem continuar a conversa. Era sempre difícil falar sobre tudo que ela pasosu com sua mãe, mas era necessário, não podia se casar com sem que ele soubesse a bagagem que viria junto com ela.
— Eu que devia te perguntar se você quer mesmos e casar comigo, o encarou.
riu fraco.
— Em momento algum, eu pensei em desistir — afirmou. — Nem mesmo quando eu peguei um avião no impulso do momento e viajei para longe de você.
— Você tem certeza?
— Tenho — afirmou de novo. — Nunca tive tanta certeza na minha vida.
— Certo.
— Não tem nenhuma chance da sua mãe melhorar? — perguntou com sinceridade.
— Ela foi diagnósticada com Transtorno de Bipolaridade, mas na época foi atrelado a um surto psicótico — afirmou .
— Você acredita no diagnóstico?
— Não sei o que pensar — falou com sinceridade. — Eu a visito a cada duas semanas, mas é sempre difícil, ainda sinto muito medo dela.
— Ela te machucou?
— Não, mas quase.
— Amor, eu sinto muito — se aproximou e puxou para seus braços.
encarou e tudo que cosneguiu fazer foi sorrir em agradecimento, não tinha mais nada que ela queria dizer para ele naquele momento, estava feliz por ter finalmente contado a ele parte do que tinha acontecido e vinha acontecendo em sua vida.
— É tão cedo e eu me sinto exausta — ela disse enquanto caminhava até sua bolsa para escolher uma troca de roupa. — Você deve estar também.
apenas resmungou, já estava deitado na cama com os olhos fechados, fazendo rir assim que se virou para olhá-lo.
— Eu vou tomar um banho — disse e caminhou em direção ao banheiro.
Não demorou muito para que ouvisse passos atrás dela e sentisse os braços de em volta de sua cintura, sabia que por mais cansado que ele estivesse, jamais dispensaria um banho com ela. Não teve sexo entre eles e nem nada do gênero, tudo que tinha ali era uma saudade inexplicável e aproveitaram para conversarem mais um pouco sobre o que tinha acontecido e também se abriu como tinha se sentido.
Falou também sobre a vontade dele de acabar com o relacionamento "secreto" deles, para ele já estava mais do que na hora, se dois anos de relacionamento não era o suficiente para que ela se sentisse preparada para estar ao lado dele e encarar a vida real, ele não sabia mais o que seria e foi expressamente sincero sobre isso com , que apenas o encarava enquanto ele falava.
— Eu não estou querendo te pressionar — disse enquanto arrumava a cama para que eles dormissem.
— Eu sei — afirmou, não estava conseguindo pensar em mais nada com todo o cansaço. — O que quer fazer?
— Quero que tenhamos um relacionamentod de verdade, quero poder te levar para jantar sem me preocupar se alguém nos fotográfar. Porque nosso relacionamento não é um problema para a minha carreira, nunca foi — sentou-se na beirada da cama com em seu colo.
Observou que ela estava apenas usando uma camiseta dele e de calcinha, com os cabelos molhados e uma expressão calma. Gostava de vê-la assim, em sua forma mais natural.
— Podemos fazer isso — afirmou encarando-o, enquanto ele brincava com a barra de sua blusa lhe causando arrepios.
— Parece até que sou um dos seus clientes — riu com o comentário.
— Desculpa, é que eu estou exausta — afirmou sentando-se no colo dele. — Eu também não quero mais esconder nada, acho que isso já quase nos custou nosso relacionamento.
— Está falando sério?
— Sim — ela depositou um beijo em seus lábios, fazendo-o sorrir e viu uma expressão diferente surgir no rosto de . — Tem mais, não tem?
respirou fundo e a encarou.
— Pode falar — pediu.
— Bom, eu queria conhecer sua mãe, antes de fazermos qualquer coisa.
Os olhos de se arregalaram e ela sentiu uma sensação dolorosa percorrer sua espinha, antes de sair do colo dele em um salto.
— O que? — foi tudo que conseguiu dizer.
, eu preciso fazer isso, antes de finalmente fazermos a nossa festa de noivado — explicou e a encarou afastada dele. — Eu já sei da condição dela, é importante para mim poder falar com ela pessoalmente.
— Parece até que estamos em 1984, onde o homem tem que pedir a mão da garota.
— Não se trata disso, .
— Se trata do que, então?
— Eu acabei de descobrir isso, quer dizer, processar — disse e viu os olhos de ficarem vazios. — Não quero te magoar com isso, só quero poder conhecer a família que você tem. Nós nunca falamos muito sobre isso e, tudo bem, afinal nosso relacionamento era escondido. Ainda é.
ponderou enquanto o encarava, não via probelma em conhecer sua mãe, mas sim o contrário.
— Isso é importante para você? — ela perguntou ainda longe dele.
— Sim, é importante para mim — afirmou.
— Certo.
— Nada do que ela disser ou fizer, vai mudar algo entre nós — tentou tranquiliza-la e fez sinal para que se aproximasse.
se aproximou, mas sem voltar a sentar no colo dele.
— Eu sei — disse e pousou a mão no rosto de . — Não é isso.
— É o que, então?
— Minha mãe pode não ter a melhor das reações, eu já estou acostumada com isso — caminhou um pouco de um lado para o outro, tentando conter o nervosismos. — Não quero que você tenha que passar por isso.
— Vamos nos casar, amor — disse e soriru carinhosamente. — Será parte da minha vida também.
riu e pousou a mão no rosto de mais uma vez.
— Você é tão bom comigo, que nem sei se mereço.
— Merece sim — falou puxando-a para o colo dele. — Agora vamos dormir, depois falamos mais sobre isso. Pode ser?
apenas balançou a cabeça concordando, estava cansada demais para continuar qualquer discussão, principalmente essa. Pensou que ao deitar dormiria como uma pedra, mas depois do pedido de , demorou algumas horas para que conseguisse pregar o olho e, quando isso aconteceu, teve um pesadelo seguido do outro.
Enquanto isso usou essas lacunas para dar notícia a Megan e explicar tudo que tinha acontecido, da maneira mais breve que conseguisse e, depois voltou a cair no sono, dessa vez sem nenhum pesadelo.
sentiu cada parte do seu corpo se arrepiar e o coração acelerar, ao escutar uma gargalhada do outro lado da linha e a ligação cair. Entrou embaixo da água quase que por instinto e pensou na última vez que tinha escutado aquela risada, lembrou de como se sentia toda vez que escutava ela gargalhar, todas as sensações que era capaz de conhecer ao escutar aquele som.
.
gargalhava exatamente, assim.
Quais eram as chances? Nenhuma. Ela estava morta.
Era o baile anual de início das aulas — dado por um garoto qualquer do terceiro ano — e, não conhecia ninguém, tinha acabado de mudar de escola e estava sentindo-se completamente deslocado. Tinha notado a garota de vestido azul, desde a hora que havia pisado naquele lugar, ela estava com duas garotas muito bonitas e as três dançavam muito no meio da pista de dança.
A garota do vestido se movia facilmente e parecia não estar nem aí, para as pessoas, a sua volta. Era fácil perceber que ela se envolvia completamente com a música.
Ficou pensando em como faria para chegar até ela, ponderou todas as ideias possíveis. Contudo, não precisou de nenhuma, quando viu a garota se aproximar de onde ele estava e pegar uma bebida no bar, bem ao lado dele.
— Olá novato — ela disse, virando-se para ele.
Se lembrava dele, já era um bom sinal.
— Olá, você vem sempre aqui? — perguntou.
A garota o encarou por alguns instantes e, logo em seguida, soltou uma gargalhada.
— Você já ganhou alguém, com essa cantada horrível? — perguntou ao gargalhar.
riu e encarou a garota a sua frente.
— Bom, não, mas ninguém nunca riu assim, também — disse e sorriu para ela, que o encarava.

desligou o chuveiro, decidido a não se deixar afetar por uma gargalhada — algo que as pessoas podiam ter parecido —, muito menos por uma lembrança e saiu do box. Se secou, colocou uma cueca box branca e enrolou de novo a toalha no corpo só para não ter que ficar segurando até pendurar. Procurou uma camisa social branca no closet, uma calça preta, bota marrom e caminhou em direção ao quarto.
, eu... — ouviu Lexie dizer e entrar no quarto, logo em seguida.
Ela o encarou, não esperava pega-lo de toalha.
— Nossa, desculpa!
riu com a reação dela e se levantou da cama.
— Hm, eu decidi tomar banho, onde tem toalhas? — perguntou, tentando não olhar para o tronco nu dele.
Lexie já o tinha visto sem roupa, mas obviamente tinha crescido nos últimos anos e o corpo estava diferente.
Ele aproveitou a deixa para fazer uma brincadeira.
— Aqui, pode usar essa — disse e puxou a toalha que estava na cintura dele.
Lexie ficou paralisada.
! — o repreendeu. — E se você estivesse pelado?
gargalhou, afinal, ele estava de cueca.
— Jamais, te desrespeitaria assim — disse com sinceridade. — Estou de cueca, nada de mais, muito menos que não tenha visto.
Lexie riu, mas não podia negar, que ficou curiosa por um instante.
— Eu sei, desculpa, é que você me assustou — falou rindo.
— Tem toalha, no meu closet, pode pegar e usar o chuveiro do meu quarto, é o melhor da casa — disse enquanto colocava a camisa branca, que antes estava em cima da cama.
Lexie andou até lá sem dizer nada.
— Você é muito, metido! — Lexie gritou e ele escutou a porta do banheiro fechar.
Ele riu de canto e saiu do quarto.
Não demorou muito, para que recebesse uma mensagem do Dylan dizendo que eles chegariam tarde, pois estavam resolvendo algumas coisas. nem se importou, não queria mesmo passar o restante do dia discutindo com os garotos, não depois da lembrança que teve e do que aconteceu ao ligar para o .
Ele foi para o lado de fora da casa, em uma área de jardim enorme com uma piscina grande e toda iluminada por luzes de neon. pensou que já deveria passar das seis horas da tarde, pois já estava bem escuro e as luzes da piscina bem evidente, deixando-a ainda mais bonita.
Se sentou em um banco e pegou o celular, não tinha mais nenhuma nova notícia e sentiu-se aliviado por isso. Por alguns instantes, perguntou-se o que estaria fazendo e também na garota dele, não sabia porque estava tão preocupado com isso isso, por sorte, o pensamento foi embora, assim que Lexie entrou no campo de visão dele.
Ela estava linda, com uma calça branca bem colada ao corpo, uma blusinha preta com brilhos e os cachos bem soltos.
— Que bom! Se arrumou, vamos sair! — disse indo na direção dela.
A garota olhou confusa.
— Nós, vamos? — perguntou. — Pensei, que os garotos vinham para cá...
entrou na casa, seguido por ela.
— Não, Dylan disse que vão chegar tarde. Então, pensei que poderíamos fazer alguma coisa.
Lexie ponderou e encarou .
— O que foi? Está com medo de alguma coisa? — perguntou de maneira brincalhona, enquanto colova a carteira no bolso e abria uma caixinha grudada a parede, que mostrou estar cheia de chaves.
— Eu deveria? — Rebateu.
riu.
— Não, lógico que não — falou e colocou a chave da BMW no bolso. — Vamos, vou te levar em um lugar.
Lexie sentia-se apreensiva, não sabia até onde estava indo com aquilo de leva-la em um lugar. Ele tinha acabado de tomar a decisão de seguir em frente em relação à , ela estava disposta a ajudá-lo, mas não sabia até que ponto poderia controlar os sentimentos que tinha por ele.
deu partida no carro e ela o encarava, parecia exagerado da parte dela pensar em autopreservação só por estarem saindo juntos, passando algum tempo lado a lado, mas para ela, não era nada difícil se apaixonar perdidamente por , era capaz até de fazer uma lista em sua cabeça. Cada “item” dela, a deixava ainda mais assustada, a repassou várias vezes, antes de joga-la no fundo da mente.
Inteligente.
Talentoso.
Atraente.
Carinhoso.
Sexy.
O último “item” a fez rir, era capaz de listar muito mais, mas preferiu não pensar nisso. Escolheu prestar atenção no caminho que fazia, ele entrava e saia de várias ruas com muita facilidade, parecia saber exatamente o caminho de onde estava indo, já ela, não tinha ideia nenhuma de onde estava, esteve poucas vezes em Londres, todas a trabalho.
, onde estamos indo? — perguntou, na intenção de quebrar o silêncio enlouquecedor.
Ele não respondeu, apenas sorriu para ela e voltou a atenção para a rodovia que se encontravam.
Não foi preciso muitos quilômetros a mais, para que encostasse de frente para um prédio enorme, todo com janelas de vidro e uma vista linda de um lado, do lado oposto.
— Não vai mesmo, me dizer onde estamos indo? — insistiu, assim que eles saíram do carro e ela o viu entregar a chave para um manobrista.
— Já chegamos — pegou a mão dela e a guiou para a entrada do enorme prédio.
Lexie se retraiu com o toque.
— Relaxa, ninguém vai tirar fotos nossas aqui — disse enquanto apertava o botão para chamar o elevador. Além do mais, eles estão bem concentrados no .
— Não estava preocupada com isso — Lexie o encarou e o seguiu para dentro do elevador, assim que o mesmo chegou no andar.
apertou uma letra, ao invés de um número e ela olhou um pouco intrigada, mas preferiu não perguntar nada. Os dois permaneceram em completo silêncio, o elevador parou em alguns andares, onde algumas pessoas entravam e ficavam encarando ao ver .
Lexie ficou se perguntando se alguém o reconheceria e se essa “saída” entre os dois poderia aparecer nos jornais de amanhã. A possíbilidade fez com que ela sentisse o coração palpitar, mas preferiu jogar qualquer pesamento negativo para longe, queria proveitar o momento.
, isso é lindo — Lexie disse vendo a paisagem.
Eles estavam em um andar com formato de “bola”, onde ao jantar, eles poderiam ver toda a cidade, já que ela rodava em 360 graus o tempo todo e minimamente perceptível para quem estivesse ali.
— Mas, não precisava gastar tanto dinheiro asism — ela acrescentou, imaginado que poderia ser muito caro.
deu de ombros e sentou-se, assim como ela.
— Pode pedir o que quiser — ele informou, assim que um garçom lhe ofereceu o cardápio.
, com o preço disso aqui eu posso pagar metade do meu aluguel — Lexie comentou ao ver os preços.
gargalhou.
— Você, nem paga aluguel, Lexie.
— Certo, mas aposto que as pessoas que pagam aluguel, poderiam pagar — ela riu.
— A conta será minha, eu não pago aluguel, então pode pedir sem preocupação — respondeu achando graça.
Ela o encarou e se deu por vencida, sabia que discutir preços com ele não levaria a nada. Nunca funcionou quando eram mais novos e não ia funcionar agora que ele era podre de rico, então pediu seu prato e viu ele fazer o mesmo e pedir um vinho também, sem se preocupar com o preço da garrafa ou se beberiam tudo.
Os dois comeram em quase completo silêncio e depois sugeriu que eles fossem para área de lazer do restaurante. Ele se sentia estranhamente a vontade com ela, mas a risada que escutou quando estava no telefone com ainda estava martelando em sua cabeça, tinha decidido finalmente seguir em frente depois de 7 anos, mas ainda era difícil não lembrar de , principalmente quando estava com a Lexie.
, está tudo bem? — Lexie perguntou assim que os dois chegaram a enorme varanda do lugar, com uma vista linda de Londres.
Ele riu fracamente.
— É estranho, a maneira que você me conhece — disse e a encarou. — Tudo bem, só com algums coisas na cabeça.
— Coisas, como?
— A banda, ... — começou a dizer e desviou o olhar. — .
Lexie encarou o amigo.
, você tomou essa decisão de seguir em frente há pouco tempo. Precisa se dar um tempo, é normal pensar sobre ela — comentou e riu fracamente. — Eu mesma penso muito, sobre ela.
— Sério?
— Sim, éramos melhores amigas — explicou. — Compartilhávamos muitas coisas.
— Sente saudades? — perguntou com sinceridade.
— Demais — lágrimas se formaram nos olhos dela.
sorriu e a tomou nos braços para um abraço.
— Eu também — sussurrou.

Estados Unidos, Nova York — Manhattan.



sentia-se nervosa e o frio na barriga era inevitável, já , estava calmo e aliviado por finalmente poder conhecer a mãe da sua noiva. Em dois anos era a primeira vez que ele sentia que tudo entre eles seria realmente "real", que ele não estaria falando sobre alguém para os amigos ou nas entrevistas que ninguém tivesse conhecimento.
Tinha tudo planejado. Uma matéria falsa já tinha sido liberada dizendo que ele estava em uma viagem para uma entrevista na Irlanda, sendo que na verdade, ele estaria em Manhattan. Era melhor assim, não poderia correr o risco de ser visto entrando em um sanatório com uma garota desconhecida, ao menos não até apresentar para o mundo.
— Amor, você está bem? — perguntou ao observar a noiva trocando de roupa.
Era possível perceber que as mãos dela estavam tremendo ao abotoar a camisa.
— Só nervosa — respondeu sem olhar para ele.
Ela estava realmente nervosa, a ideia de conhecer a mão dela era asustadora. Tinham se passado apenas dois dias desde o dia no hotel, quando ele disse que gostaria de conhecê-la mesmo sabendo onde ela estava.
se aproximou dela e ela pode ver o reflexo dele no espelho, onde se olhava.
— Ei, olha para mim, pediu segurando-a nos ombros.
— Eu estou bem, de verdade — disse ao se virar para olhar para ele. — Só quero saber, se você tem certeza que quer fazer isso.
— Eu tenho — respondeu. — Mas, estou preocupado com a sua reação.
— Sempre fico assim, quando vou visitá-la — explicou e voltou a olhar para o espelho.
— Tem certeza? — continuava atrás dela.
— Sim — afirmou. — Já estava na hora, de resolvermos isso.
saiu da frente dele e caminhou até o closet do apartamento, onde pegou uma saia preta e começou vesti-la.
— Você é linda, demais — disse observando-a apoiado ao batente da porta.
riu fracamente.
— Olha quem fala, riu do seu próprio comentário, fazendo gargalhar.
Ela se aproximou dele, antes sair do closet.
— Precisa fazer a barba — disse enquanto passava a mão no rosto dele, o pelo fez com que sua mão pinicasse e ela depositou um beijo no canto da boca dele.
... — sussurou com os olhos semicerrados e a segurou pela cintura.
— Pena que temos que sair — disse rindo da reação dele.
— Se sua intenção é me distrair, está funcionando — afirmou rindo.
— Vamos, estou pronta — disse ainda rindo. — A não ser...
— Você é terrível — respondeu rindo, mas voltou a abrir os olhos. — Temos tempo para isso.
— Certo — ela afirmou já passando por ele.
Ele a encarou caminhar e seus olhos pararam diretamente na bunda dela, não podia negar o quanto a achava gostosa. Riu do seu pensamento e caminhou em direção a saída do apartamento onde ela já esperava por ele, era a primeira vez que eles iriam sair daquele apartamento juntos.
— Te encontro lá embaixo — ela disse e seguiu para a direita, enquanto ele foi para a esquerda.
encarava a paisagem passar enquanto muitas coisas se passavam em sua cabeça. Tinha quase se esquecido da última conversa que teve no sanatório sobre as possíveis saídas de sua mãe aos finais de semana, a lembrança disso a deixou ainda mais agitada. Só queria chegar logo no maldito lugar, apresentar e sair dali tão rápido quanto chegou.
Os dois chegaram ao Sanatorium Broklyn Center em menos de uma hora. tremia mais do que tudo agora, não só pelo encontro, mas também pelo medo de serem pegos por algum fotógrafo antes que os dois pudessem aparecer oficialmente em público, mas fez questão de garantir a ela que não teria ninguém.
Os dois atravessaram a porta de entrada e logo uma enfemeira se aproximou, pedindo que os dois esperassem. teria que fazer o mesmo procedimento de sempre, assinar os papeis com o nome dela, nome da mãe, datas e toda aquela burocacria.
— Tudo pronto — disse enquanto deslizava a prancheta sobre a bancada.
estava bem ao lado dela.
— Hoje sua mãe está no jardim, aproveitando o dia — a enfermeira disse e sentiu um frio na espinha.
Se já era ruim encontrá-la em um lugar onde ela não teria para onde ir, era desesperador pensar em ficar perto dela em espaço aberto.
— Por quê? — questionou, tentando não demonstrar a chateação.
— Ela está tendo uma melhora nos últimos dias, recebeu este privilégio.
— Privilégio... — repetiu a palavra quase que para si mesma.
— Amor, está tudo bem?
— Sim, tudo — afirmou. — Como chegamos lá?
— Eu levo vocês — a enfermeira se ofecereu e saiu de trás da bancada.
Os corredores eram os mesmos de sempre, com paredes brancas, sem quadros e nem decoração, mas ela teve a sensação de que eram muito mais apertados e intimidadores. Era inevitável não se sentir enjoada, apavorada e com uma vontade desoladora de sair correndo dali sem olhar para trás, mas não poderia fazer isso, precisava ser corajosa. queria conhecer sua mãe e ela não queria desapontá-lo.
era íncrivel, era óbvio que sua mãe gostaria dele. Contudo, não poderia dizer o mesmo sobre ela.
Ao menos o jardim era aconchegante, com uma área verde extensa e bastante flores que dava um ar colorido para o ambiente. Também tinham algumas mesinhas com cadeiras para se tomar "chá da tarde", não estava muito cheio, tinha apenas alguns pacientes sozinhos e outros recebendo visitas de seus parentes. Sua mãe estava na estufa, como ela escutou a enfemeira dizer.
Ela parou e se virou para .
— Algum problema? — ele perguntou preocupado.
— Você se importa se eu for sozinha, primeiro?
Queria ter certeza de como estava o humor dela.
— Não, tudo bem — ele disse com um sorriso no rosto. — Quando estiver pronta, é só me chamar.
assentiu e se virou para ir em direção a estufa. Entrou sem fazer muito barulho, queria olhar o território primeiro, sentiu-se um pouco idiota por isso, mas preferiu manter essa posição. Sua mãe estava usando um vestido verde claro e uma sapatilha branca, seus cabelos estavam presos e ela parecia concentrada em mexer nas plantas. Sempre gostou delas.
— Mãe... — disse ao se aproximar.
Sua mãe se virou na mesma hora, com um sorriso enorme no rosto.
— Oh, minha filha! — a mulher disse e correu para abraçar , que se enconlheu com o gesto.
— Eu andei trabalhando muito — explicou já saindo do abraço. — Como você está?
— Ah, minha querida, eu estou ótima — disse e voltou a se concentrar nas plantas. — Tenho me perguntado, como você está.
— Estou bem, mãe — afirmou. — É...
, tem algo que queira me dizer?
Ela sentiu um frio na espinha, era horrível como ela sabia ler cada passo dela.
— Sim — disse e a encarou, sua mãe se virou para olhá-la, ainda com um sorriso de ponta a ponta. — Eu trouxe uma pessoa que gostaria de te apresentar.
— Uma pessoa?
— Meu noivo — achou melhor ser franca.
Os olhos de sua mãe a encararam por alguns intantes, mas logo um brilho se formou neles.
— Ah, minha menina vai se casar? — Giordana estava empolgada.
— Mãe, só ficamos noivos, ainda não vamos nos casar — explicou.
— Certo, claro — concluiu. — Quero conhecê-lo mesmo assim.
— Tudo bem, eu já volto.
se virou para sair da estufa, mas sua mãe a segurou no braço lhe arrancando um leve gritinho.
...
— Desculpa, você me pegou de surpresa.
Sua mãe a encaraou.
— Claro. Que tal se eu for até ele? — sugeriu.
— Tudo bem, se você prefere assim.
deixou que sua mãe fosse na frente e ela a seguiu, era sempre assim, gostava de estar com os olhos nela ao invés do contrário. ainda estava no mesmo lugar que ela o tinha deixado, mas estava sozinho, a enfermeira estava afastada apenas observando toda a situação, sua mãe não gostava muito quando eles ficavam muito perto. Ela sempre se irritava, dizendo que não precisava de babá, talvez fosse por isso que a enfemeira se afastou.
Queria eu, poder me afastar. O pensamento ocorreu para .
— Mãe, esse é o , meu noivo — disse assim que elas chegaram próximo dele. — , essa é a minha mãe Gior...
Ela foi interrompida por sua mãe, que abraçou sem cerimônia alguma.
Uma careta se formou em seu rosto na hora, mas ele fez apenas um sinal com a mão para ela dizendo que estava tudo bem.
— Giordana — concluiu.
Os dois se soltaram.
— É um prazer, conhecer a senhora — disse educadamente.
— Ah, pode me chamar de Gio — Ela disse sorrindo para ele.
achava aquilo tudo rídiculo, mas não queria estragar o momento, porque sabia como era importante para o conhecer sua mãe.
— Você deve ser um garoto muito especial — Giordana disse.
— Eu, espero que sim... — olhou confuso.
— Ela te trouxe aqui, então é sim.
revirou os olhos.
— Fico feliz, então — disse e se aproximou de , pegando-a pela mão, sabia que isso estava sendo difícil para ela.
Com licença, está na hora do lanche da tarde da Sra. Giordana — a enfemeira de antes apareceu, interrompendo-os.
— Ah, nós...
— Comem comigo? — a mãe de a interrompeu.
— Claro — concordou.
sabia que a mãe dela tinha horário para tudo, comer, beber, tomar banho, sair no jardim e receber visitar. Por isso, viu aquilo como uma oportunidade para ir embora, não tinha intenção alguma de torná-los próximos, o máximo que queria fazer era apresentar para sua mãe e ir embora, mas ele era educado demais para recusar um pedido.
Os três se sentaram em uma mesa próximo da estufa e logo chegou o café. estava dispersa, a maneira como a mãe dela e estavam se dando bem a incomodava muito e era difícil para ela disfarçar isso, não era isso que tinha planejado. Queria sair dali, mas não tinha coragem de deixar ele sozinho com sua mãe.
— Vocês estão juntos há quanto tempo? — Giordana perguntou de forma curiosa.
apenas encarava.
— Dois anos — respondeu enquanto segurava a mão de sua noiva por baixo da mesa. — A sua filha é incrível.
— É, a é muito especial — ela disse e colocou a mão sobre a de .
Dessa vez ela não teve reação nenhuma, apenas encarou sua mãe que parecia estranhamente feliz.
— Só falta me deixar participar mais da vida dela.
abriu a boca para responder, mas foi interrompiada pelo toque do seu celular.
— Licença — pediu e saiu com pressa daquela situação insuportável.
Pelo número, ela sabia que era alguém do escritório, se afastou o máximo que conseguiu e atendeu o telefonema o mais rápido que conseguiu.
Dra. Davis, desculpa te ligar assim, é que eu preciso da sua senha — Trevor, um dos estágiários do escritório falou do outro lado da linha assim que ela atendeu.
— Oi, Trevor. Como estão as coisas por aí? — perguntou educadamente.
Ela abriu uma porta que dava para o lado de dentro da clinica e entrou.
Só preciso ter acesso a um processo da empresa, poderia me informar? — pediu. — Depois eu peço para o TI trocar, sei que está de férias...
— Tudo bem — disse interrompendo o rapaz. — Eu só entro oficialmente de férias amanhã. Minha senha é 025678v.
Vou tentar.
Ela escutou ele digitar do outro lado da linha e de onde ela estava, era possível ver interagindo com a sua mãe.
Não está indo — informou Trevor.
passou a mão pelos cabelos, tentando pensar se a senha poderia estar errada, mas se lembrava de ser essa.
— Trevor, eu não estou muito longe do escritório, chego aí daqui a pouco — disse e desligou.
Era isso que precisava, uma desculpa para sair correndo do show de horror que estava vivendo. Voltou para a mesa de café tão rápido quanto saiu para atender seu celular, sua mãe estava bombardeando com perguntas sobre ela, pode escutar uma delas assim que se aproximou da mesa.
— Eu preciso ir, surgiu um problema na empresa — disse encarando .
— Você não estava de férias? — Giordana questionou a filha.
— Não, eu só entro amanhã.
encarou , ele conseguia perceber que ela não estava mentindo, mas que estava usando isso para sair daquela situação.
— É só verem que vamos sair de férias, que os problemas surgem — disse para tentar amenizar a situação.
— Ela trabalha demais, nun...
— Não, eu naõ trabalho demais, mãe — rebateu. — Trabalhar é o que pessoas normais fazem.
Pessoas normais.
Normais.

percebeu o que tinha dito, mas não ia voltar atrás e nem se explicar.
— Está vendo, você sempre me trata assim — sua mãe disse com uma voz chorosa.
revirou os olhos e virou para sair dali, não ia entrar em uma discussão com ela, mas sentiu ela segurar seu braço.
— Me solta — pediu.
— Não, você vai terminar esse café comigo, ! — quase gritou.
Enfermeiros se aproximaram.
fez sinal que estava tudo bem e puxou o braço enquanto apenas observava.
— Você sempre me deixa aqui sozinha, você nunca faz nada por mim — escutou sua mãe dizer com mais drama ainda na voz e sentiu o sangue ferver.
— Eu nunca faço nada por você? — riu fracamente.
Os enfermeiros estavam próximos, sabiam que a mãe dela podia ser agressiva.
— Sim, você só se importa com essa sua vida nova. Nunca faz nada para a sua mãe.
— E o que você fez por mim, porra? — gritou.
— Amor... — disse próximo dela, nunca a tinha visto assim.
Não tinha mais volta, toda a calma que ela tinha planejado manter tinha saído do seu controle.
Os enfermeiros ficaram ainda mais próximos da mãe dela.
— Quando eu sair daqui, tudo vai mudar, filha — Giordana disse com calma.
Não era essa reação que ela estava esperando.
se aproximou dela, ficando cara a cara.
— No que depender de mim, você nunca vai sair daqui — disse e se virou para ir embora.
Ela não tinha ideia alguma de como conseguiu andar daquele jardim até a saída do sanatório. a seguia, mas nem disso ela tinha consciência, precisava ficar sozinha, respirar de verdade e tentar absorver o que tinha acabado de acontecer. Se arrependimento pudesse matá-la, ela teria batido na tecla e recusado que esse encontro tivesse acontecido.
Entrou na parte de trás do carro e entrou logo em seguida. Ele a bombardeava de perguntas para saber se ela estava bem, mas não fez questão de responder a nenhuma, precisava de espaço naquele momento, não conseguia nem olhar para ele. Se afastou dele e ficou próxima a outra porta olhando para o lado de fora, lágrimas caiam incansavelmente sobre seu rosto.
— Taylor, preciso que me leve para o Trade — disse com a voz trêmula. — Por favor.
, você naõ vai trabalhar assim — protestou.
— Sim, eu vou — afirmou. — Por favor, Taylor, preciso chegar lá o quanto antes.
— Senhor? — Taylor estava pedindo a autorização do .
revirou os olhos.
— Deixa, eu vou de táxi — disse e fez menção de abrir a porta, mas segurou o braço dela.
— Taylor, pode levar a gente para o Trade.

já tinha perdido completamente a noção de tempo, depois que a deixou no Trade, ela decidiu não só ajudar Trevor com a senha, mas também finalizar algumas coisas antes de entrar de férias. As horas passaram voando, ela conseguiu se atolar do maior número de tarefas que conseguiu, parecia uma máquina andando de um lado para o outro e dando ordens, era isso que a fazia esquecer os problemas.
Não estava brincando, quando disse que se dependesse dela, sua mãe nunca sairia do sanatório. Depois que terminou tudo que tinha para fazer, fez sua reunião pré-férias com sua equipe, ela dedicou todo seu tempo em procurar um advogado espcializado neste tipo de conduta, adivogados especialistas em processos hospitalares. Encontrou o melhor de NY e enviou um e-mail explicando toda situação, inclusive mencionando que era advogada também, mas que não tinha a intenção de defender o próprio caso.
Viu seu celular tocar pela décima vez no dia, era ligando, ele já tinha ligado para ela diversas vezes e ela recusou em todas. Não tinha condições nenhuma de encará-lo depois do que aconteceu, não sabia nem se conseguiria levar seu relacionamento com ele para frente, não tendo a mãe que tinha, sendo sempre uma sombra em seu caminho.
— Taylor, você conseguiria me pegar em dez minutos? — perguntou assim que o motorista atendeu.
Claro, Srta. .
— Não avise o , por favor, quero fazer uma surpresa para o meu noivo — pediu e desligou antes que ele a questionasse.
O caminho até em casa foi em completo silêncio, ela já tinha pensado em muitas coisas ao longo do dia apesar de ter trabalhado igual uma louca. Precisaria ter uma conversa difícil com , apesar de não saber como iria encará-lo, não poderia guardar isso e ginfir que nada tinha acontecido. Ela tinha perdido completamente a cabeça bem na frente dele.
O apartamento estava silencioso, tinha apenas um bilhete em cima da bancada da cozinha onde dizia que tinha ido comprar o jantar.
Aproveitou para tomar banho, que durou longos quarenta minutos e depois se concentrou em pensar em tudo que teria para dizer para o e ficou fazendo suas malas até escutar o barulho da porta da frente.
— Graças a Deus! — disse e correu até ela, a tomando em seus braços.
o apertou, era impossível negar o conforto que sentia ao estar nos braços dele.
— Você me deixou preocupado — ele disse ao soltá-la. — , somos noivos, você não pode agir assim, sumir assim...
— Eu sei — disse desviando o olhar. — Nós precisamos conversar.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou enquanto pegava do chão as sacolas que estava carregando quando chegou.
foi para cozinha e o seguiu.
— Você comprou jantar? — ela perguntou observando-o.
— Sim — afirmou enquanto tirava caixinhas da sacola. — Comida Thailandesa, sua favorita, deduzi que ia estar morrendo de fome quando chegasse.
sentiu os olhos arderem e lágrimas se formarem.
— Ei, amor, o que foi? — parou o que etava fazendo e se aproximou dela.
Mais lágrimas caíram.
— Não posso fazer isso — disse com a voz chorosa.
— Não pode fazer o que?
— Isso, nós...
ficou paralisado, não tinha certeza se era isso mesmo que ela estava falando.
— Como assim, nós? — perguntou.
— O que aconteceu hoje, ...
— Ei, olha pra mim — ele pediu e segurou o rosto dela. — O que aconteceu hoje não nos afeta em nada, nada!
— Como não? — perguntou se afastando.
— Porque isso é sobre a sua mãe, não sobre nós! — disse e se aproximou. — Eu sei que foi horrível, a maneira como ela te tratou.
o encarou.
— Você não acha que eu...
— Não, eu não acho nada — a interrompeu. — Eu não tenho ideia do que você passou com ela. Eu não fui lá para te julgar ou duvidar de você. Eu só queria ter a oportunidade de conhecer sua mãe, conhecer mais de você. Só isso.
Ela sentiu mais lágrimas cairem.
— A maneira que eu gritei com ela... — o encarou. — Foi horrível.
— Sim, a situação foi horrível, não você! — disse e a abraçou.
o abraçou com força e deixou que as lágrimas caissem. Sua mãe a levava a um limite tão grande de estresse que conseguia até fazê-la questionar sobre seu relacionamento. tinha razão, nada que envolvesse sua mãe era sobre eles, nem mesmo sobre ela. Tudo que aquela mulher fazia era sobre ela, então ela não poderia deixar que tivesse controle sobre sua vida.
Não mais.
— Está mais calma? — perguntou preocupado enquanto observava se preparar para deitar na cama com ele.
— Sim, estou — disse sorrindo para ele. — É só que a minha mãe as vezes testa os meus limites.
— Não precisamos falar sobre isso — disse enquanto pegava o notebook na mesa de cabeceira lado da cama. — Que tal falarmos do nosso noivado?
— O que tem ele? — perguntou e sentou-se na cama o lado dele.
— Eu estava pensando que poderiamos marcar ele para daqui uns 5 dias — ele começou a dizer enquanto digitava algo. — Tem um hotel que eu gosto muito, acho que poderiamos fazer no salão de lá.
— Parece ótimo. — sorria enquanto observava ele.
— Nada que você queira acrescentar? — ele estava enviando um e-mail para que a equipe dele reservasse o local.
— Não — concluiu. — Vou casar com o homem mais lindo desse mundo, preciso de mais alguma coisa?
riu fracamente.
— Muito engraçada.
riu junto com ele.
— Podemos chamar sua família, claro, a banda... — sugeriu.
— Você quer providenciar tudo?
Ela torceu nariz.
— Ótimo, porque eu já estava mandando mensagem para minha equipe — disse rindo e fechou o notebook.
Os dois deitaram e deitou no peito dele.
— Obrigado, por hoje! — disse e depositou um beijo na cabeça dela.
apertou ele.
— Acho que poderiamos chamar aquela jornalista para o nosso noivado — sugeriu.
— Aquela que fez a matéria?
— Sim.
— Tudo bem, posso providenciar isso — disse com a voz já fraca.
Ele se esticou um pouco e desligou o abajur ao lado da cama.
— Boa noite, te amo — disse e depositou um beijo no topo da cabeça dela.
— Eu também, te amo! — disse e fechou os olhos. — Sempre.
A última parte saiu como um sussurro, devido ao sono.

Inglaterra, Londres.



Cinco dias passaram voando. O noivado estava todo planejado e o casal mal conseguia acreditar que o noivado seria esta noite. tinha convidado os amigos mais próximos, sua família e a banda, é claro. tinha convidado apenas algunas amigos próximos, sem mencionar ainda quem era seu noivo, e convidou Megan que ainda se encontrava em Londres.
já tinha repassado várias vezes o seu discurso, mas estava nervoso demais, tinha sonhado com aquele dia por muito tempo e nem podia acreditar que finalmente iria acontecer. Hoje ele e passaria o dia longe um do outro pela primeira vez em cinco dias, ela tinha que fazer cabelo, unha e estar perfeita para a noite de hoje, enquanto ele iria apenas fazer a última prova da sua roupa para o noivado e passar a tarde com os garotos da banda resolvendo novos trabalhos.
— Cara, estamos felizes por você — Alex comentou enquanto se jogava em um dos sofas do estúdio.
— Mesmo eu escondendo, por 2 anos? — perguntou de forma brincalhona.
riu fracamente, sua mente estava distante.
— Cara, como conseguiu isso? — Jayce perguntou com curiosidade.
— Com muito esforço, meu amigo, muito esforço — respondeu rindo.
— Estou ansioso para conhcê-la, saber se vale quase o fim da nossa banda — Dylan disse rindo.
— Você está exagerando, Dylan — disse. — E ela vale.
, não vai falar nada? — questionou Alex.
estava ainda pensando, sobre a noite em que ouviu a risada quando ligou para .
!
— O que foi, ?! — encarou o amigo.
— Eles querem saber sua opinião, sobre o meu relacionamento.
— Foi mal — disse e levantou do sofá que estava deitado. — Eu tenho umas coisas para fazer, antes do noivado, encontro vocês lá. Pode ser?
— É, claro... — afirmou, sentiu que o amigo estava estranho.
se despediu dos amigos de banda e saiu do estúdio com rapidez e o seguiu.
!
— Esqueci de algo? — perguntou enquanto pegava a chave do seu carro no bolso.
— Você ta bem, cara? — perguntou com sinceridade.
— Só cansado — Mentiu.
— Então, você anda bem cansado.
— Como assim?
— Você está estranho desde que voltei...
— Cara, é o seu noivado, fica tranquilo que está tudo bem comigo! — disse e saiu andando andes que o questionasse ainda mais.
Ele estava tudo, menos bem. não saia de sua cabeça nos últimos dias. Se ele fosse comer, ela estava lá. Se ele fosse sair, ela estava lá. Se ele fosse ouvir uma música, ela estava lá. Tudo era sobre ela e o quanto ele sentia sua falta. A risada que ouviu no telefone no utro dia só trouxe tudo de volta, as lembranças e principalmente a certeza de como ele a queria ali com ele mais do que tudo.
Deu partida em seu carro e já sabia exatamente onde iria.
encarou que gargalhava sem parar. Já era a quinta vez que ele caia ao tentar patinar e ela não conseguia contar a risada, estava achando muita graça em vê-lo tentar arduamente acompanha-la em um dos seus Hobbys favoritos, mas também estava começando a ficar com dó da quantidade de vezes que ele tinha ficado com a bunda no chão.
No fundo, ele também estava achando graça. Não se importava de cair, não desde que isso significasse vê-la sorrir e passar o maior tempo que conseguisse ao lado dela. Ela tinha acabado de voltar de um intercâmbio de dois meses dos Estados Unidos e ele não conseguia se lembrar qual tinha sido a última vez que ficaram tão longe um do outro.
— O que foi? — perguntou vendo que ele a encarava.
— Você é linda — ele disse sorrindo.
riu fracamente.
— Você é maluco — dissedando de ombros.
— Por você? — perguntou de forma brincalhona. — Com certeza.
— Anda longo, para de enrolar — disse e o pegou pela mão.
Ela o puxou mais para o centro da pista. Só tinha os dois ali, então ninguém poderia ver os micos que estava pagando ao tentar patinar com ela e cair repetidas vezes
.
— Você vai querer patinar? — a mulher perguntou, tirando de suas lembranças.
— O que?
— Perguntei, se vai querer patinar...
riu fracamente. Ele estava usando um boné para não ser pego ali pos fãs, apesar de gostar muito de encontá-las, tirar fotos e dar autógrafos, hoje ele só queria um pouco de paz para passear por entre as lembranças sobre .
— Não, eu só estou assistindo — respondeu e saiu andando.
se afastou um pouco da pista e viu logo a frente uma sorveteria que gostumava ir com .
Você é muito covarde mesmo, comentou rindo, enquanto eles entravam na Del' Amo, uma sorveteria muito famosa em Londres.
— Eu sou covarde? — perguntou rindo. — Você queria que eu desse uma pirueta, .
— Uma manobra bem simples — respondeu rindo.
— Você vai querer sorvete de que
?
encarou a sorveteria e entrou observando o lugar. Ele ainda era muito parecido, mas tinha sido reformado para deixá-lo com um ar um pouco mais moderno, e agora eles tinham muitas mesinhas espalhadas na calçada, coisa que antigamente não existia.
Credo, quem come sorvete de chocolate, ? — perguntou torcendo o nariz, enquanto observava o garoto tomar seu sorvete de chocolate.
riu da reação de . Adorava a forma como ele era único, e não se preocupava em agradar o gosto de ninguém
.
— Já decidiu o sabor? — a atendente perguntou, tirando dos seus pensamentos mais uma vez.
— Chocolate — respondeu e encarou os sabores. — Quero de pistache também.
Meus gostos são muito peculiares, você não entenderia — disse se defendendo, por gostar de sorvete de pistache.
— É mesmo — afirmou.
— O que você disse? — a moça perguntou, enquanto pegava o sorvete dele.
As lembranças eram quase tangíveis, ele podia jurar que conseguia ouvir a vor de ecoando naquele lugar.
— Desculpa, pensei alto.
Mentira, ele não tinha pensado alto. Ele tinha escutado a voz de bem ao seu lado, como sempre acontecia quando ele lembrava dela, se conectava com ela indo a lugares que costumavam ficar juntos. Ele sabia que era se torturar demais o que estava fazendo, mas estranhamente ele precisava pensar sobre ela, sentir que estava na presença dela, mesmo que isso lhe causasse quase uma dor fisica.
Do outro lado da cidade, se encarava no espelho tentando decidir entre um vestido mais curto e um mais longo. Nunca pensou que essas coisas poderiam ser tão díficeis, isso que era apenas o noivado, não gostava nem de pensar em como seria quando ela fosse realmente se casar com .
Casar.
Casar com .
Era quase surreal pra ela pensar que estava noiva de e que em poucas horas, isso seria oficializado para milhares de fãs ao redo do mundo. Não conseguia deixar de pensar se estava preparada para algo dessa proporção, mas não era hora para ser covarde ou desistir, não faria isso, nunca.
Escolheu o vestido mais longo.
— Ai, você está maravilhosa! — Megan disse empolgada enquanto observava a amiga.
— Estou nervosa, na verdade — disse com sinceridade, enquanto andava até o vestiário para tirar o vestido.
, vai dar tudo certo — Megan gritou do lado de fora.
Ela realmente torcia para que tudo desse certo, a ideia de que algo pudesse dar errado na primeira vez em que iria aparecer em público com , a deixava apavorada de uma certa forma.
— Nem sei como agradecer por você ter adiado sua viagem — disse assim que saiu do vestiário.
— E perder seu noivado? — erguntou rindo. — Com ?
A segunda parte Megan sussurrou, fazendo rir.
— Quando você faz isso, eu fico pensando que isto está prester a acabar — comentou rindo.
— Como você conseguiu guardar isso por dois anos?
colocou o vestido por cima do balcão e procurou pelo cartão em sua bolsa.
— Também não sei — respondeu com sinceridade. — Débito.
As duas sairam da loja e Megan sugeriu que elas parassem para tomar um sorvete, apesar do frio. As duas estavam bem perto de uma das melhores sorveterias de Londres e a garota sabia disso, com a sua vida na diplomacia, ela conhecia muitos paieses e muitos lugares.
Enquanto isso, terminava sem sorvete, ainda imerso nas lembranças sobre . Uma sensação estranha tomava conta do seu coração, ele não sabia explicar o que era, mas tinha aquele sentimento que fazia seus batimentos acelerarem sempre que ela estava por perto.
Ele decidiu ir embora, não tinha mais nada para fazer ali e ainda tinham muitas coisas para ser feitas antes do noivado.
estava prestes a atravessar a rua, mas parou, assim que ouviu seu celular apitar.
— Ai droga — disse assim que desbloqueou o celular.
— Aconteceu alguma coisa? — Megan perguntou preocupada.
— Esqueci que tinha marcado de cortar o cabelo — respondeu rindo, ela sempre esquecia esses eventos que não considerava de grnade importância.
— Bom, vamos lá então, outro dia tomamos sorvete...
parou e encarou a soveteria.
saiu de lá destraído, enquanto falava com Lexie no celular, que tinha acabado de ligar para ele.
? — Megan chamou pela amiga.
Ela continuava encarando o lugar.
A essa altura já tinha saido dali e seguido seu rumo de volta para o seu carro.
— O que foi, meu deus?
— Desculpa — desviou o olhar e encarou a amiga. — Nós viemos aqui nos últimos dias?
— Não... — Megan olhou confusa para ela. — Por quê?
— Nada... — disse enquanto fazia sinal para um táxi. — Vamos!
Ela não sabia ao certo o que tinha acontecido, era a primeira vez desde que tinha acordado daquele acidente que sentia conhecer algum lugar sem explicação alguma. Pensou sobre isso por um tempo, mas decidiu não ficar obcecada por isso, era o dia do seu noivado e não deixaria nada estragar isso.
" finalmente vai nos revelar finalmente a identidade de sua amada?
Fontes seguras nos revelaram que essa noite acontecerá um grande evento. Não temos informações sobre onde será, mas estamos ansiosos. E vocês?
Aguardem por atualizações.


Andrew Barner, Events."



sentiu o coração disparar ao ler a matéria.
Tinha chegado a hora, ela finalmente seria conhecida por milhares de fãs ao redor do mundo e o nervosismo era inevitável. De certa forma, tinha se acostumado com o ananonimato do seu relacionamento, não se importava com a fama de , nunca se importou com isso, não foi por essa razão que se apaixonou por ele.
Quando o viu naquela noite de ano novo, nem sabia quem ele era. Só sabia que ele mudaria sua vida para sempre.
Era a primeira vez em muito tempo que iria passar o ano novo longe de sua mãe e com amigos. Um mês antes, tudo estava preparado para que ela fosse passar a virada de ano em Nova York, no Manhattan Tower.
Estava se sentindo um peixe fora d'água, naquele lugar com tantas pessoas famosas. Em partes estava acostumada, afinal na empresa que trabalhava já tinha pegado muitos processos de famosos, mas ao mesmo era estranho estar ali em uma comemoração e não a trabalho.
— Você pode me dizer o que tem aí nessa sua bebida? — Lisa, uma das suas colegas de trabalho perguntou.
— O que? — perguntou confusa.
, está te encarando já tem algum tempo, desde que chegamos aqui no bar — a garota disse enquanto tinha os olhos fixados do outro lado do salão.
estreitou os olhos.
— Ah não, !
— Não faço ideia, de quem você está falando! — disse com sinceridae.
Ela já tinha escutado falar, só não se lembrava. Era ocupada demais para se preocupar com famosos do momento.
— Fala sério, ! — Lisa disse inginada. — Ai meu, Deus!
— O que foi?
— Ele está vindo pra cá.
— O que?
— Boa sorte, amiga! — Lisa disse e saiu andando.
queria matar a amiga, mas já era tarde.
Um rapaz moreno, de cabelos pretos e com uma beleza peculiar já tinha se aproximado do bar, onde ela estava apenas observando a festa.
— Eu pensei em algumas coisas que poderia dizer, até chega aqui — começou a dizer enquanto segurava uma taça em uam mão e a outra estava no bolso. — Mas, me fugiu tudo que tinha pensado.
riu fracamente.
— Eu sei, isso foi horrível, principalmente para mim.
olhou confusa.
— Bom, acho que não preciso me apresentar — ele disse e sorriu para ela. — Mas, eu adoraria que se apresentasse, seu nome é...
! — ela disse prontamente. — Acabei de descobrir seu nome também, , certo?
Ele olhou confuso para ela.
— É , certo? — ele afirmou com a cabeça, ainda se sentindo confuso. — Eu não me atualizo muito, sobre famosos.
riu fracamente, estava realmente achando graça.
— Se me deixar pagar uma bebida para você, posso dizer tudo que quiser saber.
— Quem disse que quero saber algo? — rebateu de forma brincalhona.
— Bom — começou a dizer e se aproximou dela. — Eu quero saber sobre você, se quiser me contar, é claro.
o encarou e seu olhar foi sustentado pelo dele, enquanto pensava no que responder.
— Desculpa, eu...
— Claro, posso contar o que quiser saber! — disse e sorriu gentilmente para ele
.
encarou seu reflexo no espelho e sorriu com a lembrança. Estava satisfeita com a sua aparência e sabia que não tinha mais nada a ser feito, então passou batom uma ultima vez e se virou para seguir em direção ao salão.
estava parado na porta.
Um sorriso se formou no rosto dela. Ele estava lindo, como sempre.
— Você está linda — disse com um sorriso de ponta a ponta.
estava com um vestido longo prata — tinha desistido das duas cores que havia pensado quando estava na loja — com uma abertura grande nas costas, sua maquiagem era apenas um delineador preto com um batom vermelho na boca e seu cabelo estava solto, apenas com uma coroa de trança para dar o ar de estar levemente preso.
De fato, ela estava linda.
— Você está maravilhoso — disse sorrindo.
estava usando um terno preto, não que ele precisasse de muito para ficar bonito.
— Cortou o cabelo?
— Só um pouco — respondeu sorrindo, adorava a forma que ele reparava nas mudanças dela.
— Está pronta? — perguntou, ainda parado na entrada.
— Sim — confirmou e caminhou até ele.
Ele segurou na mão dela e os dois caminharam para fora do quarto de hotel. Era a primeira vez que eles iriam caminhar de mãos dadas pelos corredores do lugar, apesar de estarem prestes a anunciar seu relacionamento, ou melhor, noivado, para toda a mídia.
sentia que seu coração ia pular para fora do peito, enquanto sentia que o mesmo ia acontecer com o mesmo, mas de tanta felicidade e ansiedade. Tinha esperado muito tempo por aquele momento e saber que em alguns instantes a vida deles mudaria completamente o fazia querer andar ainda mais rápido.
O noivado iria acontecer no London Eye Tower, mais especificamente no salão de festas deles. Um dos hoteis mais requisitados de Londres. gostava do lugar e também tinha gostado das fotos que ele mostrou para ela, então acharam que seria mais "tranquilo" fazer a festa em um lugar não tão óbvio, como a casa dele.
Os dois chegaram na entrada do salão depois de descerem quinze andares de elevador e apertou a mão dele. Não tinha reporteres, eles estavam entrando pela entrada da parte de trás do salão, eles tinham decidido assim, não queriam um monte de fotógrafos e jornalistas bombardeando eles antes mesmo de anunciarem oficialmente.
O lugar era lindo, com lustres de cristal e toda a decoração feita do mesmo material. O salão era enorme e composto por dois ambientes, um com mesas onde aconteceria o jantar mais tarde e a outra parte tinha uma pista de dança, uma área aberta e um bar enorme que dava a volta no salão. Tudo muito sofisticado.
— Vem, quero te apresentar a banda primeiro — disse puxando pelo braço, que apenas concordou com uma aceno de cabeça.
A cabeça dela estava rodando de certa forma, tinham diversos fotógrafos e todos eles estavam batendo fotos deles enquanto eles andavam e muitas pessoas estavam com os olhos sobre eles.
Ela teria que se acostumar com isso.
— Dudes — disse assim que se aproximou dos rapazes da banda.
Dylan, Alex e Jayce se viraram para . Os três encararam , que sorriu de forma simpática, não sabia muito bem o que fazer.
— Essa é a , minha noiva! — disse passando o braço pela cintura dela.
— Então, você é a responsável por fazer esse carinha aqui guardar um segredo de nós por 2 anos? — Dylan perguntou de forma brincalhona e se inclinou para cumprimentar com um beijo na bochecha.
sorriu sem jeito.
— Agora que conhecemos ela, até vamos te perdoar — Alex disse após cumprimentar ela também.
— Tenho que concordar — Jayce concluiu e a cumprimentou.
— É um prazer conhecer vocês — disse com sinceridade. — Não foi minha intenção.
— Não liga para eles, amor — disse rindo. — Cadê o ?
— Estou ansiosa para conhecer ele — disse.
— Que ótimo — Alex disse revirando os olhos. — O tem a preferência até da noiva do , será possível?
Todos gargalharam.
— Parece que a Lexie teve um problema e ele foi ajudar — Dylan explicou.
— Achei que ela fosse viajar — disse confuso.
— Sim, parece que o problema foi relacionado a isso... — Dylan concluiu.
— Bom, agora que vocês já conhecem a , eu vou levar ela para ver a minha mãe — disse rindo. — Ela vai me matar, se as duas não se verem longo.
Os rapazes riram e se despediram deles.
já conhecia Trisha, elas tinham se conhecido em um natal. conseguia esconder de muita gente sobre seu relacionamento, mas da sua mãe era praticamente impossível, porque não demorou muito para perceber que ele estava diferente e sempre ocupado demais para passar as folgas na casa da família.
! — Trisha disse assim que os viu se aproximar. — Você está íncrivel, como sempre.
retribuiu o abraço.
— Você é quem está sempre maravilhosa! — ela abraçou a sogra fortemente.
As duas tinham se dado muito bem desde o primeiro encontro que elas tiveram.
— Estou tão feliz, com o noivado de vocês!
— Nós também estamos — disse sorrindo.
— Bom, não para minha sorte, agora vocês vão poder passar muito mais tempo juntas — comentou rindo.
— Não seja mal criado, meu filho — Trisha disse e abraçou o filho.
riu fracamente.
— A já conheceu os rapazes?
— Sim, eles são ótimos — respondeu. — Só falta o . — Esse filho da mãe tem vários dias para resolver problemas, e resolve fazer isso no dia do meu noivado.
Trisha riu, sabia como eles eram amigos e como era importante para que ele conhecesse .
— Vocês já se apresentaram para a mídia?
— Não, quero fazer isso só depois que todos conhecerem a respondeu enquanto observava um pouco o ambiente.
— O que foi? — perguntou preocupada.
— Estou me perguntando onde estão as pirralhas — riu.
Trisha deu um tapinha no braço dele.
— Não fala assim das suas irmãs, amor — o repreendeu, mas riu também.
— Doniya me ligou agora pouco, disse que Safaa e Waliyha ainda estão terminando de se arrumar — explicou Trisha.
O noivado seguiu seu curso como deveria acontecer. apresentou para todas as pessoas que queria e ela fez o mesmo, apresentando-o para os seus amigos ali presentes. O rapaz esperou o máximo que pode para iniciar o jantar com presente, mas ele tinha enviado uma mensagem avisando que iria demorar um pouco e eles decidiram iniciar o jantar.
No jantar tudo correu bem, todos estavam muitos animados. Foram tiradas diversas fotos, a jornalista que eles tinham convidado já estava lá, mas eles ainda não tinham conhecido ela oficialmente, eram muitas pessoas para conversar e apresentar.
Os dois estavam explodindo em alegria.
— Oi — Madson, a jornalista convidada se aproximou de e .
— Ei — disse levantando-se para cumprimenta-la.
a encarou, dessa vez ela estava usando uma roupa social.
— Eu queria pedir desculpas, pela confusão que posso ter causado... — Madson disse e riu.
— Tudo bem, sem problemas — disse educadamente.
— Nós que queriamos agradecer, pela matéria que você fez, contando a verdade — disse e sorriu para ela.
Ele não sabia, mas apesar da idade, ela também era fã dele.
— Quando vi você na balada, fiquei sem acreditar... — Madson disse com um brilho nos olhos.
também teria que se acostumar com isso, outras mulheres encantadas com seu noivo.
— É uma fã?
— Pois é — Madson riu. — Uma mulher de vinte e oito anos que curte boyband.
— Acho super normal — comentou. — Eu acho que também teria a mesma reação que você.
— Bom, é um prazer conhecer vocês — Madson disse sorrindo. — Será que poderia tirar umas fotos de vocês? Também gostaria de saber se poderiam me ceder uma entrevista exclusiva.
— Claro, com certeza — concordou.
Os dois levantaram e Madson pediu que sua equipe os fotografasse, mas disse que a entrevista poderia ser outro dia, ela não queria ocupá-los demais.
Do outro lado da cidade, se despediu de Lexie, ele queria muito que ela o acompanhasse no noivado de , mas tinha surgido uma viagem de negócios importante e infelizmente não poderia ser adiada.
Ele voltou para o carro e deu partida pensando nas lembranças de mais cedo. estava estranhamente nervoso para esse noivado e principalmente para conhecer a noiva do melhor amigo, ele nunca tinha visto fotos, nem nada do tipo. Apesar de ter contado muita coisa para ele, nunca entraram em muitos detalhes.
O caminho até o hotel foi até que rápido, mas para ele parecia uma eternidade. Desceu do carro e seguiu em direção ao salão, tinham muitos reporteres na porta de entrada tentando conseguir uma permissão para entrar no lugar e tirar fotos do pessoal. Ele foi bombardeado de perguntas, não respondeu a nenhuma e continuou caminhando, logo que entrou deu de cara com a mãe de e a cumprimentou, ela falou algo sobre como o filho estava ansioso para apresentar a noiva para ele e disse onde os dois estavam, mas antes, foi até o bar pegar uma bebida.
Escolheu uma taça de champagne, tinha a intenção de faze rum brinde ao casal.
caminhou até a parte aberta do salão e logo avistou . Os rapazes estavam junto com ele e ele logo pode notar uma garota de costas, com um vestido prata aberto nas costas ao lado de conversando com uma outra garota.
Sentiu o coração acelerar por um momento.
Ela era muito semelhante com...
! — disse ao ver o amigo, interrompendo os pensamentos dele. — Finalmente cara, achei que você não viria nunca mais.
— É, me atrasei um pouco — respondeu sem tirar os olhos da garota de costas.
se virou abruptamente.
, melhor amigo do meu noivo, eu estava ansiosa para te conhecer — ela sorriu gentilmente.
— V-v-você — gaguejou.
A garota por quem ele passou longos sete anos de luto, agora estava viva bem na sua frente.
Comemorando seu noivado, com nada menos, que seu melhor amigo.
estava ali.
Bem diante dele.
estava sem reação, sua mão perdeu a força por um momento e no segundo seguinte, pode-se ouvir o eco do braulho de vidro quebrando no chão. Ele tinha deixado cair sua taça e estava paralisado.


v

Capítulo 5 - All These Memories

And if you hurt me
(E se você me machucar)
That's okay, baby
(Tudo bem, querida)
Only words bleed
(Somente palavras sangram)
Inside these pages you just hold me
(Dentro destas páginas você apenas me abraça)
And I won't ever let you go
(E eu nunca vou te deixar ir)

Ed Sheeren - Photograph.
(sugiro colocar para escutar)


Inglaterra, Londres.



Tudo a sua volta parecia estar em câmera lenta. Se ele estava sonhando, pela primeira vez, queria ser acordado. Nunca em seus maiores sonhos pensou que poderia reencontrar , viva e como noiva do seu melhor amigo e companheiro de banda, nada disso fazia sentido. Contudo, não conseguia tirar os olhos dela.
Todo mundo estava a sua volta. Ele podia ouvir a voz dos rapazes ao longe, mas é como se não fosse capaz de responder ou entender o que eles estavam dizendo, perdeu completamente todos os sentidos do seu corpo. Se perguntou o que estava acontecendo e tentou buscar a resposta lá no fundo de sua mente, nada. Não tinha resposta, porque o que estava acontecendo era irreal.
— Como você acha que será daqui a sete anos? — perguntou enquanto encarava o teto do quarto, estava deitado ao lado de .
Ela virou o rosto para olhar para ele, não esperava ouvir uma pergunta assim.
— O que foi? — ele questionou ao olhar dela.
— Não entendi por que está me perguntando isso — disse e voltou a olhar para o teto.
— Por que não?
— Por que estaria pensando sobre isso? — riu fracamente e virou de lado para encará-la.
fez o mesmo. O cabelo de agora caia sobre os olhos e ela adorava levar as mãos até a testa dele e jogá-lo para o lado, mesmo sabendo que logo os fios voltariam a cair sobre os olhos dele e ela sabia que iria repetir o gesto. Apesar do tempo que já compartilhava com ele, ela sempre se encantava com sua beleza.
— Eu acho — começou enquanto brincava com mexa de cabelo dele caída sobre o olho. — Que daqui a sete anos, estaremos mais maduros.
— E?
— E que ainda seremos nós, assumiu e deixou um suspiro sair por entre seus lábios.
Ele não conteve o sorriso com a resposta e a puxou mais para perto.
— Você ainda tem dúvidas?
— Sobre o que, ? — ela arqueou uma sobrancelha.
Ele era assim, em um minuto estava falando sobre o futuro e no outro estava pensando sobre coisas que já nem eram mais relevantes. Estavam juntos, ele sabia disso.
— Sobre nós, .
Ela riu fracamente, sabia do que ele estava falando, mas adorava ouvi-lo dizer.
— Não, eu nunca tive dúvidas, — afirmou. — Só não queria correr o risco de partir seu coração.
— Isso só aconteceria, se por algum motivo você saísse da minha vida.
se aproximou dele e depositou um beijo em seus lábios.
— Então, nunca vai acontecer — afirmou e deu um pulo para fora da cama.
a encarou, com os cabelos caindo sobre os ombros, bochechas rosadas e, claro, a melhor parte, ela estava usando uma camiseta dele. Tudo que ele conseguia pensar naquele momento era como ela era linda e em como sentia-se feliz em tê-la.
Jamais poderia imaginar uma vida sem ela.

— Ela é tão linda — disse baixo e finalmente conseguiu ver as pessoas a sua volta.
Tinha finalmente voltado à realidade. já não se encontrava mais a sua frente, ela estava um pouco atrás dos rapazes que ainda chamavam por ele. Ele a procurou no meio daquelas pessoas, a ideia de que tudo foi coisa de sua cabeça o assombrou naquele momento, por mais que a ideia de que ela poderia estar viva fosse enlouquecedora.
— Cara, você está bem? — escutou a voz de Dylan e virou o rosto, procurando por ele.
Apertou os olhos e riu fracamente, depois empurrou os garotos e procurou por , ela estava com uma expressão confusa de quem não estava entendendo o que acontecia, mas sorriu assim que ele se dirigiu a ela.
? — perguntou.
— Isso — ela afirmou e abriu um sorriso largo. — , é um prazer te conhecer, .
Ela estendeu a mão para ele e ele a segurou, sentindo uma espécie de choque em sua pele.
— Você tem certeza de que está se sentindo bem? — perguntou demonstrando sua preocupação.
riu fracamente, ele nem sabia mais por que estava rindo. Toda a situação era surreal. Ela era idêntica a , tinha o mesmo nome, mas o sobrenome não era o mesmo. Ele tinha quase certeza de que tinha entrado em algum sonho muito bizarro na cabeça dele e tudo que queria era sair dele, o mais rápido possível.
— O fo...
— Cara, fui pegar uma água para você — disse interrompendo e deu o copo para o amigo. — Você está bem?
— Sim, eu só preciso tomar um ar! — disse na intenção de sair dali, mais parou e encarou . — Você se importa se eu for até o quarto que você alugou aqui?
fez que não com a cabeça e deu a chave para ele.
saiu andando o mais rápido que conseguiu, passou por todas as pessoas ali presentes, sentindo que fosse desmaiar a qualquer momento. Sua cabeça estava rodando, o coração acelerado e parecia que sua pressão caia e subia ao mesmo tempo, sem falar o embrulho no estômago que estava sentindo naquele momento. Se um dia achou que o pior dia de sua vida tinha sido quando morreu, agora, sem dúvidas, estava bem próximo disso.
Saiu pela porta dos fundos onde sabia que não teria repórteres e seguiu em direção ao elevador. Cada andar parecia uma eternidade e ele sentia como se fosse sufocar, então puxou a gravata que prendia seu pescoço, abriu alguns botões da sua camisa branca e encarou seu reflexo cansado no espelho, parecia que tinha tomado um porre, mas eram só os turbilhões de sentimentos dentro dele que o tinham deixado daquele jeito.
Quase pulou para fora do elevador quando ele chegou ao andar de destino. Andou novamente apressado até o quarto de hotel e, depois de quase quebrar a maçaneta da porta na tentativa de tentar abrir a porta com o maldito cartão que ficava dando erro, entrou batendo a mesma atrás de si com muita força. Tudo a sua volta ainda rodava e ele caminhou pela enorme cobertura em direção à janela que dava uma vista incrível para as ruas de Londres, geralmente ficar olhando aquela paisagem o deixava mais calmo, mas nem isto estava funcionando.
Procurou por uma adega e rodou por algum tempo ali dentro até achar um frigobar no quarto, onde tinha uma garrafa de champagne e duas doses de vodca. Voltou para a janela dona de uma das vistas mais bonitas que já tinha visto do London Eye enquanto abria a primeira garrafinha com vodca e virou de uma só vez, o líquido desceu rasgando sua garganta, mas ele não se importou, nada era mais doloroso do que o que sentia em seu coração naquele momento.
O olhar de ainda estava fixado em sua mente, sua voz, tudo...
sempre perdia a noção do tempo quando estava com ela, principalmente deitada em sua cama vestindo apenas sua camisa e distraída em mais um dos seus livros da Jane Austen. Ele podia jurar que ela era a pessoa mais viciada em livros do mundo. Gostava disso, da forma como ela se perdia naquelas páginas, se apaixonava por cada personagem e conseguia chorar e sentir com todo seu coração o que as palavras ali queriam passar.
Ele estava parado na porta do seu quarto, completamente pronto para sair enquanto ela parecia totalmente despreocupada com a hora, apesar de terem um casamento para ir. nunca tinha pressa, o relógio para ela praticamente nem existia, fazia as coisas no seu tempo, bem diferente dele, que estava sempre correndo atrás de tudo horas antes.
Esse jeito dela o acalmava.
— O que foi? — escutou perguntar enquanto fechava seu livro, deixando-o sobre as pernas.
riu fracamente.
— Nada — afirmou e caminhou até a ponta da cama, sentando-se ali. — Só te admirando.
riu do comentário dele e sentou-se na cama.
— Estou atrasada, né? — perguntou enquanto prendia o cabelo.
— Não, eu que estou adiantado — disse e virou para olhar para ela, que sorria para ele.
— Você é um mentiroso — ela disse e arremessou um travesseiro nele.
se virou e a puxou para si, fazendo com que ficasse mais próxima dele.
— Vou me arrumar — disse rindo.
Ela depositou um beijo rápido nos lábios dele e caminhou em direção ao banheiro do quarto.

tocou seus lábios, o toque dos lábios dela ao seu era quase tangível. Até hoje, não achou que ainda sentia tanta falta assim de beijá-la. Nunca mais teve nenhum relacionamento com ninguém, como teve com ela, mas já tinha ficado com muitas garotas e nenhuma delas lhe proporcionou sensações como as que tinha quando beijava .
Tomou a segunda — e última — garrafinha de vodca e se preparou para abrir a garrafa de champagne. Sabia que não deveria estar bebendo tanto, mas precisava, não tinha conseguido chorar ainda e isso lhe fazia se sentir ainda pior, como se algo dentro dele fosse se quebrar a qualquer momento. Só uma quantidade considerável de álcool poderia ajudar naquele momento. Abriu a garrafa de champagne e deu o primeiro gole, mais lembranças de vieram em sua mente, o mesmo dia da última.
se lembrava de poucas vezes em que viu bêbada, era possível contabilizar em seus pensamentos quantas foram, afinal nem era permitido beber na idade deles. Mas, naquela festa de casamento eles tinham conseguido pegar algumas garrafas que levaram com eles, correndo um grande risco de serem parados por algum policial.
Gargalhou mais uma vez, ao ver correr para fora do carro em direção a casa dele. Os pais dele não estavam em casa e por isso eles teriam o lugar totalmente para eles, o casamento tinha sido de uma tia de que gostava muito dos dois e que não era muito próxima da mãe de — que não suportava — e por isso os dois tinham ido ao casório e a festa.
Entrou na casa depois de e a seguiu enquanto segurava uma das garrafas de champagne, a outra estava na mão dela, que bebia sem se preocupar com nada. Apressou o passo, sabia que nos fundos tinha uma piscina e que não sabia nadar, não poderia correr o risco de ela cair na água por estar bêbada.
Ficou boquiaberto quando chegou lá, já não estava mais vestida e a essa altura tentava desabotoar o sutiã, com um pouco de dificuldade, afinal, estava bêbada.
, o que você está fazendo? — perguntou enquanto a encarava.
Amava aquele corpo, era difícil se concentrar no que importava.
— Tirando a roupa — respondeu rindo. — Tentando, ao menos.
Sua voz estava enrolada, fazendo com que caísse na risada.
— Qual a graça? — ela perguntou visivelmente irritada com ele.
— Você, tentando tirar a roupa — afirmou. — Vamos, você precisa de um banho.
riu fracamente, enquanto ainda tentava tirar o sutiã.
— Você podia me ajudar, né — disse irritada.
a encarou, apesar de estar bêbada e de terem dançado bastante durante a festa, ela ainda estava linda. Com seus cabelos bagunçados, a maquiagem um pouco borrada embaixo dos olhos e as bochechas levemente rosadas por conta da quantidade de champagne que ela já tinha ingerido.
Ele caminhou até ela, que tinha um sorriso de orelha a orelha.
... — ela disse baixinho assim que ele se aproximou.
— Vamos, você precisa de um banho.
— Vou tomar um, de piscina — disse rindo.
Eles estavam perto da beirada da piscina, não precisava de muito para entrarem ou caírem ali.
levou os braços até o pescoço de e os envolveu ali, em seguida levou seus lábios ao dele. Não demorou muito para que ele levasse sua mão até a cintura dela e a puxasse para iniciar um beijo entre eles, mas foi interrompido, por , que o puxou para junto dela fazendo com que os dois caíssem na piscina.
a procurou, mas ela tinha se soltado dele e logo ele emergiu da água. estava se segurando na borda e já se encontrava sem sutiã, ele estava irritado com ela pelo susto que tomou, mas maravilhado com a beleza dela, de seu corpo, absolutamente tudo.
— Você quase me matou de susto — disse já perto dela, puxando-a para ele.
envolveu as pernas na cintura de e os braços no pescoço dele.
— Conseguiu tirar o sutiã — ele disse com os lábios próximos ao dela.
Ela fez que sim com a cabeça, sem tirar os olhos dele.
— Precisamos fazer algo a respeito — disse e levou os lábios aos dela.

deu mais um gole em sua champagne que já estava pela metade. Pensou nos beijos de mais uma vez, na expressão dela e voltou para o momento em que viu a noiva de também — na hora que ele a apresentou para ele. Pensou sobre quais eram as chances de ela estar viva e nenhuma das teorias que passavam em sua cabeça pareciam ser possíveis, era apenas uma coincidência, já tinha visto muitos famosos que se pareciam muito. Lembrou de ter lido algo sobre isso e pensou em pesquisar mais quando voltasse para casa.
Não importava o quanto tentava se convencer, era difícil não sentir que aquela era sua , a garota por quem sofreu por tantos anos e por quem estava voltando a sofrer, depois de finalmente ter decidido que precisava seguir em frente.
Estava com raiva, porque depois de sete anos, quando finalmente achou que poderia viver sua vida, tudo foi tirado dele em uma fração de segundos, da mesma forma que aconteceu naquela noite de neve quando sofreu aquele acidente.
Se nada di...
, você está aí? — escutou a voz de chamar do lado de fora do quarto, interrompendo seus pensamentos.
Merda. Pensou ele enquanto começava a andar pelo quarto procurando algum lugar para esconder as garrafinhas vazias de vodca que ele já tinha tomado.
? — chamou mais uma vez. — Você está me deixando preocupado, cara.
Ele suspirou pesadamente e tentou parecer o mais normal possível ao dizer:
— Eu já vou descer, não se preocupa.
respirou pesadamente, assim que ouviu passos se afastando do quarto. Não queria ter feito isso, afinal era o noivado de e sabia como ele tinha esperado por isso, mas não tinha como ficar sozinho com ele, não com tudo que já tinha se passado em sua cabeça, não poderia correr o risco de falar algo que pudesse comprometer a relação do amigo.
Ele encarou a garrafa de champagne, a paisagem e depois voltou a olhar para garrafa. Se deu por vencido, não poderia ficar enfiado naquele quarto de hotel depois do que aconteceu na frente de todo mundo, sabia que poderia ser suspeito demais e, uma hora ou outra, ele sabia que teria que enfrentar o que estava acontecendo. A noiva de não ia desaparecer, muito pelo contrário, agora sua presença seria cada dia mais constante e ele precisaria se acostumar com isso até entender o que era tudo isso.
Decidiu que estava na hora de descer, mas antes foi até o banheiro, fez suas necessidades e depois encarou sua imagem no espelho pela segunda vez depois do que tinha acontecido. Lavou o rosto depois de alguns minutos encarando o próprio reflexo e tentou colocar a gravata, mas desistiu, não queria usar aquele negócio apertando a garganta, fechou apenas alguns botões da camisa e decidiu tirar o terno que estava usando também, queria parecer mais descontraído quando chegasse ao salão de novo.
O caminho de volta foi mais rápido do que quando ele precisou subir até o quarto. Ao contrário do que ele pensava, ninguém estava ali rondando a porta esperando pela volta dele para saber o que tinha acontecido, aparentemente só que sentiu que ele estava diferente, logo percebeu que estavam todos aglomerados em uma área perto do palco que tinha ali e que estava em cima dele.
Não pode deixar de rolar os olhos pelo lugar até que eles caíssem em , que estava sentada em uma mesa junto dos rapazes.
Ele engoliu em seco e escolheu por ficar em pé, onde ele estava.
— Bom — começou a dizer, mas parou assim que seus olhos viram parado lá no fundo do salão. — Que bom que você está aqui, porque você é o grande responsável por eu estar aqui em cima, sem você, esse discurso nunca sairia.
sabia que estava se referindo a ele e assentiu com a cabeça, mas sentiu o corpo enrijecer, quando viu virar o pescoço e seus olhos pousarem sobre ele. Ela deu um leve sorriso para ele — que fez estremecer — e depois voltou a olhar para o palco, onde o noivo dela estava em pé, pronto para fazer um discurso.
engoliu em seco, esperando que o amigo começasse.
— Naquela noite de ano novo, quando eu olhei para você parada naquele bar, eu soube que estava olhando para o amor da minha vida. Aliás, o amor da minha vida que não tinha ideia de quem eu era, mas eu sabia mesmo assim — disse olhando diretamente para , arrancando uma risada de todos. — Todas as vezes que imaginei conhecer alguém que eu quisesse para toda minha vida, eu achei que isso estava muito distante, até eu te conhecer você. A verdade, é que eu amo todas coisas em você, a maneira como você me acorda de manhã com aquela voz fraca para não me assustar, como quando você da gargalhadas quando eu digo alguma coisa muito previsível, a maneira que você olha para mim sempre que digo que amo você. Eu amo cada detalhe seu, e eu tenho certeza de que não poderia ser diferente disso, eu sei que nossos caminhos se cruzariam de qualquer forma, fosse naquela noite de ano novo ou em qualquer outro lugar — disse, e respirou fundo, estava quase ficando emocionado.
Os olhos de brilhavam, ao vê-lo ali falando sobre ela daquela forma, enquanto sentia que seu coração ia sair pela boca.
— Porque o amor, não é sobre insistir. É sobre esperar, e eu sabia que nos encontraríamos de qualquer forma, porque meu coração sempre pertenceu a você, .
estava com os olhos cheio de lágrimas quando ele terminou e sussurrou um "eu te amo" para o noivo de onde estava sentada, enquanto lá no fundo do salão não conseguia sequer se mover e não demorou muito para que ele saísse dali e fosse direto para o bar, pegar mais bebida. Já estava mais do que claro para ele, que se quisesse sobreviver a esta festa, teria que continuar bebendo.
e caminharam juntos em direção onde ficava uma pista de dança, ainda estava relativamente cedo e agora que as formalidades tinham acabado, eles poderiam aproveitar um pouco mais o noivado juntos. Ele levou a mão até as costas nua dela e a puxou para ele, aproveitou a deixa para depositar um beijo delicado nos lábios do noivo e envolver os braços em seu pescoço e o encarou.
— Foi uma surpresa e tanto — disse olhando nos olhos de , que abriu um sorriso e depois lhe deu um beijo.
— Foi, é? — perguntou rindo, adorava vê-la assim, feliz.
— Eu te amo — ela disse e depositou dessa vez um beijo mais demorado nos lábios dele.
— Eu também te amo — afirmou sorrindo para ela.
— É o , ali, não é? — perguntou, desviando o olhar para onde o amigo dele estava.
— É — respondeu de forma um pouco seca, porque não conseguia tirar da cabeça a reação estranha que teve quando viu , parecendo até que a conhecia. Uma expressão de choque.
observava e juntos, estava feliz pelo amigo, na verdade estava extremamente feliz por ele, mas não conseguia deixar de se sentir desconfortável ao vê-los juntos. Respirou pesadamente e deu um gole longo em sua bebida, assim que viu que os dois estavam caminhando em sua direção, ponderou se deveria sair dali, mas sabia que ia dar muito na cara, e de qualquer forma, uma hora ele teria que encarar os dois juntos.
Ela fazia parte da vida da banda agora e ele sabia disso.
disse ao se aproximar dele, mas parecia que tudo que conseguia ver era os olhos de que o encaravam. — Você está melhor?
— Sim, acho que eu passei mal com alguma coisa que comi, só isso — disse tentando parecer o mais convincente possível, dessa vez olhando para o amigo. — Eu estava ansioso para conhecer você, desculpa pelo ocorrido.
abriu um sorriso de ponta a ponta e inesperadamente se inclinou para cumprimentar . Ele pousou a mão nos ombros dela e deixou que ela se aproximasse dele, o rosto deles se encostaram e ele depositou um beijo na bochecha dela, depois se afastaram e ele a ficou encarando enquanto permanecia ali parado, sem dizer nada, apesar de ter um milhão de coisas em sua cabeça.
— Desculpa te encarar assim, é que falou muito sobre você — disse para tentar descontrair, arrancando uma risada dela. — Comecei achar até que era invenção dele.
— Não, eu sou bem real — afirmou encarando .
abriu a boca para dizer mais algumas coisa, quando foi interrompido pela presença de Trisha, mãe do .
— Eu poderia roubar seu noivo, por um tempo? — Trisha perguntou encarando , que sorriu gentilmente.
— Claro, com certeza — afirmou rindo.
— Sério? — disse um pouco irritado e a mãe dele riu, já puxando-o com ela, mas ele voltou se dirigindo a .
apenas observou e começou a sentir-se nervoso, a ideia de ficar sozinho com lhe apavorava.
— Acho que vi a Megan com Dylan, se quiser me esperar lá — disse e franziu o cenho, achando estranho ele não sugerir que ela ficasse com ele.
— Vou fazer companhia para o disse. — Aproveito e já peço outra bebida.
— Volto logo, amor — disse depositando um beijo de despedida nos lábios de .
desviou o olhar e se voltou para o bar, onde pediu que colocassem mais uma bebida em seu copo. permaneceu ali parada observando-o e aproveitou para pedir uma taça de vinho rose para ela e sentou-se em um dos "banquinhos" que tinha ali parado de frente para o bar, estava um pouco cansada.
Ela encarou o amigo do noivo ao lado dela, se perguntou se estaria tudo bem com ele, já que parecia um pouco agitado.
, está tudo bem? — perguntou curiosa.
— Sim, eu só estou um pouco cansado, acordei um pouco cedo hoje — afirmou olhando para ela, que assentiu.
Deus, aquilo estava matando-o, queria fazer muitas perguntas para ela, mas também não sabia por onde começar. Passou os olhos pelo rosto dela, os traços estavam um pouco diferentes da de sete anos atrás, mas os olhos ainda eram os mesmos, exatamente com a mesma cor, já os cabelos estavam mais curtos do que de sete anos atrás, indo até a altura dos ombros dela com algumas ondulações nos fios. Os lábios dela pareciam um pouco mais grossos e o sorriso dela um pouco mais branco também.
Desviou o olhar dela e se repreendeu mentalmente, por estar pensando na "antiga ", queria se convencer de que aquela era apenas uma muito parecida com a de sete anos atrás e não a mesma pessoa, não tinha como ser, ele tinha ido ao enterro dela e sabia que ela estava morta. Queria se convencer, de que isso era só mais um caso daqueles que já tinha lido na internet sobre pessoas que se parecem estranhamente sem ter nenhum grau de parentesco, era só isso, a vida lhe pregando uma peça.
Será mesmo? Ele não saberia dizer.
— Quer dançar? — perguntou enquanto se levantava.
franziu o cenho, achou que ela estava brincando.
— Estou falando sério — ela afirmou, como se pudesse ler os pensamentos dele.
— É... — olhou um pouco confuso, não sabia se aquilo era uma boa opção.
me disse que morre de inveja, porque você sempre sabe dançar nas festas que vão — comentou encarando-o e deu um gole em seu vinho rose que já tinha chegado, em algum momento que nem percebeu por que estava absorto em seus pensamentos.
— É, acho que sim — respondeu rindo.
— Mas, se não quiser, tudo bem — disse enquanto prendia os cabelos.
— Tudo bem — ele concordou, quase nem acreditando que aquelas palavras tinham saído de sua boca e deu mais um gole em sua bebida. — Só não vale dar risada.
— Isso não posso prometer.
soltou uma gargalhada em seguida e sentiu cada pelo do seu corpo se arrepiar enquanto a acompanhava. Era exatamente a mesma que tinha escutado dias atrás quando falou com no telefone, igualzinha a de sua , e agora, teve de novo a sensação, de que era a mesma, bem ali diante dele.
Ele a acompanhou por entre as pessoas que estavam ali até chegarem à pista de dança. Algumas pessoas já estavam ali dançando e isso incluiu as irmãs do e os garotos da banda, mas nenhum deles se aproximaram ao verem ele e juntos ali. Não demorou muito para que começasse a tocar "Call You Mine" do Chainmokers com a Bebe Rexha, uma música animada e que logo começou a dançar.
passou as mãos pelo cabelo, estava nervoso e não sabia se deveria acompanhá-la na dança, mas não teve muito tempo para decidir isso, já que decidiu por ele, pegando sua mão e o puxando mais para o meio da pista onde ela estava. Ele observou os movimentos dela ao ritmo da música que estava sendo mixada pelos DJS da festa e tentou acompanhar o ritmo dela.
Todo o álcool que ele tinha ingerido começou a subir rápido e não demorou muito para que ele se soltasse, puxando pela mão e rodando com ela ao ritmo da música. Sabia que essa proximidade com ela poderia resultar em algo ruim ou algum movimento inesperado por parte dele, mas não se importava, naquele momento só pensava em aproveitar o momento e dançar naquela pista com ela.
sorria para o enquanto se movimentava na pista ao som de Drake, apesar de ter muitas pessoas a volta deles, tinham a sensação de que estavam sozinhos ali naquele momento. O vestido preto dela não parava de subir através das coxas grossas e não conseguia tirar os olhos dela, o que estava levando ele a loucura e a ter pensamentos nada apropriados para o momento.
Ela se aproximou e levou as mãos até o pescoço dele, fazendo com que respirasse pesadamente, encaixou as pernas entre a perna dele e começou a se movimentar enquanto ele deslizava as mãos das cinturas até acima da bunda dela fazendo com que ele perdesse completamente o ar por alguns instantes.
— Não isso, sussurrou ao pé do ouvido dela.
Ela riu e continuou se movimentando. — Estamos em um lugar público — disse apertando a cintura dela.
— Podemos ir para um lugar privado, então — ela disse rindo e deu um beijo rápido nos lábios de , depois se virou para continuar dançando.

respirou pesadamente com a lembrança e encarou parar ao último toque da música que tinha acabado. Agora ela estava com os cabelos um pouco mais bagunçados do que antes, suas bochechas estavam vermelhas e era possível ver o peito dela subir e descer por estar ofegante com toda a dança.
Ela estava lin....
desviou o pensamento assim que viu abraçar a noiva por trás, pegando-a de surpresa.
— Achei que minha mãe ia me manter com a família para sempre — comentou rindo, depois de depositar um beijo no topo da cabeça de .
desviou o olhar, levando as mãos ao bolso.
— Estou vendo que vocês dois se divertiram bastante, enquanto eu estava ausente — comentou rindo.
— É, é um ótimo dançarino — concluiu, encarando .
— Que nada, você é muito melhor — respondeu sem jeito, olhando para o casal ainda abraçado.
Os três se encararam e logo a próxima música começou a tocar, dessa vez era "Photograph" do Ed Sheeran, uma música de ritmo lento. puxou para o meio da pista que relutou dizendo que não sabia dançar, muito menos uma música lenta e até achou graça na situação, era engraçado ver o amigo se encrencar com essas coisas como acontecia em alguns eventos que eles iam.
— Amor, você sabe que eu sou péssimo nisso — escutou dizer e cair na risada.
Aquela risada, o estava matando desde o dia que escutou através do telefone.
, me ajuda aqui — pediu e olhou confuso.
riu.
— Nada disso, você vai dançar comigo — disse puxando , que resistia. Essa era uma das poucas coisas que ele dizia não para ela, era realmente muito ruim na dança.
— Ela é sua noiva, disse rindo da situação, era a primeira vez na noite que conseguia olhar para os dois e rir. — Se esforce um pouquinho.
— Juro que mato você — ameaçou .
caiu na gargalhada.
— Está bom, eu vou mostrar para você e depois vocês dançam — disse se aproximando deles e se afastou de . — Vamos logo, antes que a música acabe por culpa do .
— Eu o mato — afirmou , arrancando uma risada de .
levou as mãos até o ombro de de forma que ficou muito mais próxima dele e ele levou a mão até a cintura dela. A música ainda estava no começo e ele gostava dela em especial, por falar de fotos e lembranças sobre duas pessoas que se amam. Começou a se movimentar com ela, os dois estavam conseguindo manter o ritmo.
apenas os encarava, naquele momento não sentiu ciúmes de , apesar de ainda estar pensando no primeiro momento que viu .
o encarava, e para ele era difícil sustentar o olhar dela sem ter uma imensidão de lembranças rodeando sua mente — como se já não tivesse tido o suficiente para uma noite — e trazendo sensações para ele que jurava ter esquecido a maioria. desviou o olhar dela para e sentiu-se aliviado, o amigo encarava os dois prestando atenção na dança, estava preocupado que seus olhares para ela pudessem estar denunciando-o.
— Acho que ele já consegue acompanhar.— comentou, dando a entender que passaria ela para .
riu fracamente.
— Ele não vai dançar — ela afirmou, enquanto continuava a dança. — Foi só uma desculpa, concordar com você ensinar.
— Bem a cara do concordou rindo.
— Com quem aprendeu a dançar assim? — perguntou.
Ele sentiu o coração disparar.
— Não é para tanto, eu estou bem bêbado, danço bem melhor do que isso — disse, tentando fugir do assunto.
riu do comentário enquanto dançava, pois já tinha notado que ele parecia um pouco bêbado. não tinha reparado, mas ela já tinha reparado nele quando conversaram antes de dançarem, em como ele estava um pouco estranho e parecia nervoso com alguma coisa, mas o achava engraçado e estava gostando de ter a companhia dele. Para ela, era bom saber que se dariam bem, já que ela sabia como era importante para o e sempre soube da amizade deles e o que ele contava sobre o relacionamento deles para ela.
Sem falar, que ela tinha aquela sensação de que já o conhecia, além das coisas que havia contado para ela nos últimos dois anos.
— Certo — ela disse rindo, um tempo depois. — Mas, aprendeu com alguém. Uma namorada?
engoliu em seco desviando o olhar, e depois voltou a olhar para ela, que ainda o encarava.
— Você perdeu alguém... — concluiu ao ver o olhar dele. — Desculpa.
sorriu para ela e a rodou, fazendo com que ela caísse em cima dele assim que o último toque da música foi tocado e ela o encarou rindo.
olhou um pouco desconfortável.
— Tudo bem — disse encarando-a, quase podia sentir lágrimas se formarem em seus olhos. — Foi um prazer, dançar com você , e te conhecer.
Ele se afastou dela e saiu andando em direção à saída do lugar, aquela festa tinha oficialmente acabado para ele ali, quando ela tocou no assunto sobre com quem ele aprendeu a dançar. A palavra "você" não saia de sua cabeça, mas também não conseguia deixar de sentir uma confusão enorme em sua cabeça, aquela parte que queria que ele entendesse que ela não era a sua , e sim a noiva do , que tinha apenas uma estranha semelhança com a garota que um dia amou.
— escutou gritar, mas continuou andando. — Cara!
Ele parou apertando os olhos e respirando pesadamente, só queria sua cama.
— O que foi? — perguntou se virando para o amigo.
— Você tem certeza de que está bem? — perguntou encarando-o.
— Sim, tudo bem — afirmou, queria sair dali.
o encarou, pensando no que iria perguntar.
— Tive a sensação, que a te afeta de alguma forma — disse, de forma calma, mas como quem esperava iniciar alguma discussão sobre o assunto.
engoliu em seco, não esperava isso.
— Está maluco, ? — perguntou, tentando ser o mais convincente que conseguisse.
— Sei lá, só achei estranha a forma como você reagiu quando a viu — afirmou .
— Você é maluco, gosta de achar problema onde não tem — disse , até um pouco irritado com isso. — é ótima, vocês são ótimos juntos, tem sorte em tê-la.
ficou em silêncio e apenas saiu andando.
A sorte que eu gostaria de ter. Pensou e se virou, para ir em direção a saída do prédio, realmente não tinha intenção nenhuma de ficar nem mais um minuto naquele noivado, já tinha se torturado o suficiente por um dia, deixaria o restante da cota para sabe-se lá quantos dias mais ele teria que vê-la.
não tinha dirigido até em casa, preferiu chamar o motorista da banda para que o levasse em casa. Ele realmente tinha passado totalmente dos limites no que se tratava de álcool e não queria nem pensar em como estaria pela manhã. E como era de se esperar, ele passou o caminho todo repassando em sua mente pensando sobre , o noivado, e a semelhança dela com a que um dia conheceu.
Tentou repassar em sua mente quais eram as chances de terem se enganado e de na verdade ela estar viva o tempo todo. Não tinha como, sua mãe a tinha enterrado, ele mesmo tinha ido ao velório e ao enterro, e ainda conseguia se lembrar que foi a primeira vez na vida que sentiu dó daquela mulher, vendo-a chorar em cima do caixão fechado da filha.
desistiu, simplesmente decidiu que não iria pensar em mais nada até o dia seguinte, assim que sentiu seu corpo cair pesadamente no colchão macio da sua cama. Tirou o celular do bolso que o estava incomodando e viu que tinham muitas ligações e mensagens de Lexie e até ligações da sua mãe, mas sua visão não estava boa para ler mensagens e muito menos em condições de retornar qualquer ligação, então apenas colocou o aparelho de lado e se virou na cama.
Seus olhos estavam pesados, sentia-se um pouco enjoado e sua boca estava seca, mas preferiu não sair de onde estava. Precisava desesperadamente dormir e acordar em um outro dia que não fosse o que estava vivendo no momento, lá no fundo estava desejando que acordasse e que descobrisse que tudo que tinha acontecido era apenas um sonho horrível.
Caiu no sono, mas rápido do que esperava.
a encarou ali, bem diante dele. Se um dia achou que já tinha visto de tudo, naquele momento descobriu que não, que as coisas poderiam fugir completamente do seu controle em uma fração de segundos e o levar a loucura.
Loucura, o que estava acontecendo naquele momento só poderia ter essa definição e era só isso que ele conseguia pensar. Sua respiração estava pesada, a cabeça rodando e o estomago mais embrulhado que qualquer coisa, teve a sensação de que iria desmaiar a qualquer momento, se não fosse pela mão que tinha acabado de tocar a sua.
Seus olhos encontraram os dela, parecia preocupado e o olhava como se esperasse algum tipo de explicação.
— Não faz sentido... — escutou ela dizer, enquanto ele lhe mostrava algumas fotos.
a encarou, odiava ver que ela estava passando por aquilo, mas tinha certeza de quem ela era.
— Você só precisa olhar para mim, só por um momento — ele disse levando a mão ao rosto dela.
fechou os olhos e colocou a mão dela sobre a dele, que estava em seu rosto.
— Isso é loucura, eu nem sei quem você é.
— Só olhe para mim por uns minutos e irá se lembrar — afirmou.
Ela o encarou, mas não conseguiu lembrar de nada. Para ela, ele era apenas o melhor amigo do seu noivo, não o amor da sua vida, como ele disse.
— De qualquer forma — começou a dizer enquanto se afastava dele, — Não mudaria nada, eu amo o .
Não mudaria nada.
Eu amo o .
Não mudaria nada.
Tudo isso ficou ecoando na cabeça de e ele sentiu como se um soco tivesse atingido a boca do estomago.

deu um pulo na cama, estava suando e sua respiração ofegante. Rodou os olhos pelo quarto e eles pararam no relógio que marcava quatro horas da manhã, tudo tinha sido um sonho, que pareceu muito real e ainda conseguia ouvir as palavras de .
Eu amo .
Preferiu jogar o pensamento para longe e decidiu que era melhor tomar um banho, já que estava pingando de suor e só depois tentar dormir de novo.

não tinha pregado o olho desde que teve aquele sonho, passou a maior parte da noite andando no quarto tentando pensar em muitas teorias. Começou pesquisando na internet sobre pessoas muito parecidas, quais eram as chances até que parou em um site onde falava sobre o termo "Doppelgänger" um termo que em alemão significa "duplicata ambulante" que seria da forma mais simples, alguém idêntico a você.
Depois de achar tudo um monte de besteiras, decidiu procurar pelo que fazia mais sentido: fotos.
Entrou em seu closet e procurou por elas, mas não achou nada, porque, como era de se esperar, tinha deixado tudo na casa da sua mãe. Então voltou para as pesquisas, rodando de site em site, tentando desesperadamente encontrar alguma coisa que explicasse o nó que estava em sua mente, mas não conseguiu encontrar nada, tudo que ele lia não fazia sentido algum para ele, a não ser que também estivesse ficando louco.
— Chega, isso já está ridículo, — disse desligando a TV do quarto e jogando o controle do outro lado da cama. — Ficar assistindo The Vampire Diaries, não vai te dar explicações sobre como descobrir como ela pode ser tão parecida com a .
Procurou pelo celular na cômoda ao lado da cama e decidiu que estava na hora de responder as mensagens que tinha ali. Ainda eram nove horas da manhã e ele sentiu-se totalmente despreocupado, até onde lembrava, não tinha nenhum compromisso para aquele dia e pretendia ficar o mais longe que conseguisse de e sua noiva.
Entrou no contato de sua mãe e disse que assim que desse, ligaria para ela, sua irmã também tinha enviado algumas mensagens questionando sobre as fotos que já tinha visto e respondeu a mesma coisa que para sua mãe, não saberia se ia se aguentar ao falar com as duas, provavelmente não, então ligou para Lexie.
, meu deus, eu estava preocupada! — Lexie disse ao atender.
— Foi mal, eu bebi mais que o esperando e não estava em condições de atender ninguém — disse com sinceridade ao atender.
Ele escutou Lexie suspirar do outro lado do telefone.
— Está tudo bem, sério.
— Eu estava procurando algo para dizer, mas não sei... — Lexie disse e respirou fundo. — Não sei o que dizer, , estou em choque também com as fotos.
— É que você não viu de perto — comentou e se levantou da cama, já indo em direção ao closet.
— Mas, não pode ser a , ela está m...
— Eu sei o que ela está, Lexie — disse cortando a amiga, não queria ouvir aquilo, não agora.
— Desculpa, eu não queria falar dessa forma — Lexie disse. — É estranho para mim também.
— Tudo bem — afirmou e decidiu mudar de assunto, não queria mais falar sobre isso. — Como está a viagem?
Ele abriu a gaveta com a mão livre e tirou uma camiseta branca de lá.
— Estou finalizando as coisas com a empresa, devo voltar depois de amanhã — ela disse calma. — Ainda tenho um emprego?
De certa forma, a voz dela fazia sentir-se mais calmo, queria mesmo que ela voltasse logo.
— Claro — afirmou enquanto ia em direção ao banheiro.
— Ótimo — Lexie afirmou do outro lado da linha.
Um silêncio se instalou.
— Você está bem mesmo? — Lexie perguntou, visivelmente preocupada com ele.
— Sim — afirmou prontamente, mesmo sabendo que era mentira. — Eu vou tomar um banho, te ligo mais tarde, pode ser?
Lexie afirmou e ele logo desligou.
encarou sua imagem no espelho do banheiro e pode ver que estava com olheiras enormes, o que já era de se esperar levando em consideração que ele tinha ingerido uma quantidade um tanto quanto exagerada de álcool e dormido apenas três horas na última noite. Sabia que precisava de um descanso, mas ele não ia acontecer agora, então começou a tirar as roupas e ligou o chuveiro para que ele esquentasse.
Entrou embaixo da água de uma vez só e deixou que a água quente caísse sobre seu corpo, fazendo com que ele relaxasse aos poucos. Fechou os olhos e deixou-se ser tomado pelas lembranças, a primeira que veio em sua cabeça foi de olhando para ele ontem pela a primeira vez quando foram apresentados, depois do momento em que ele a abraçou e depois lembrou da maneira que dançaram juntos.
Sentia-se culpado por estar pensando nela sabendo que é noiva de , mas com a semelhança que tinha com a garota que um dia tanto amou, era difícil evitar e se viu desejando voltar ao momento em que suas mãos se tocaram, ou no momento em que se abraçaram. Era absurdo estar desejando essas coisas, mas ele queria aproveitar aquele momento, antes de se convencer de que tinha que parar com isso.
Abriu os olhos e respirou pesadamente, aqueles pensamentos estavam acabando com ele e saber que teria que conviver com ela, lhe assombrava, não sabia como seria capaz de ficar olhando para ela, e para piorar, trocando caricias com e fazendo ele ter lembranças sobre o tempo todo.
Estava vivendo o próprio inferno, tinha certeza disso.
desligou o chuveiro e saiu de lá ainda sentindo o peso das memórias, mudou de ideia sobre se trocar para fazer alguma coisa, então apenas se secou um pouco e enrolou a toalha na cintura já se jogando na cama sem ter a intenção nenhuma de sair de lá tão cedo.
Bufou irritado, quando viu que tinha perdido muitas ligações não só de , mas dos meninos da banda também, mas nem precisou se dar o trabalho de ligar para um deles, o contato de já estava aparecendo em sua tela, indicando que ele estava recebendo uma ligação.
— Meu Deus, — Escutou dizer, assim que levou o telefone até o ouvido. — Onde você está?
— Em casa, onde mais eu estaria? — perguntou um pouco irritado, só queria ficar em paz.
— Estamos te ligando tem um tempão disse.
— Ok, conseguiu falar comigo — afirmou revirando os olhos. — Aconteceu alguma coisa?
— Simon convocou uma reunião com a banda.
deu um pulo na cama.
— E porque nosso empresário iria convocar uma reunião, sendo que estamos de férias? — perguntou curioso.
— Não sei, respondeu irritado. — É um saco, eu sei, mas temos que ir.
— Tá, onde?
— Aqui no hotel onde aconteceu o noivado, ele marcou às 12 horas.
olhou para o relógio ao lado da cama, eram dez horas da manhã.
— Ok, estarei lá — afirmou . — Mais alguma coisa?
— Você acha é que por causa do meu relacionamento com a ?
respirou pesadamente, não queria falar sobre ela, mas seria difícil evitar e ele sabia disso.
— Não sei, talvez.
— Você pode me apoiar, caso o Simon decida que meu relacionamento é um "problema para a banda"?
ficou em silêncio, pensando sobre o que tinha falado.
? Você me escutou? chamou a atenção dele do outro lado da linha.
— Sim, eu ajudo — afirmou absorto, enquanto se levantava para começar a trocar de roupa.
— Valeu, te vejo lá disse e desligou.
jogou o celular do outro lado da cama e resolveu se trocar, afinal não tinha escolha, ou iria a essa reunião, ou iria.

encarou dormir e sorriu com a cena. Ela estava nua e apenas com o lençol cobrindo parte do seu corpo, os dois tinham ido dormir tarde e ele sabia que ela estava cansada, mas queria muito que ela o acompanhasse na reunião que Simon tinha convocado, agora que podia ir com ela para onde quisesse sem ter que se preocupar em se esconder queria aproveitar isso. Mas, decidiu por tomar banho antes de acordá-la, já tinha conseguido finalmente falar com para avisar sobre a reunião e ainda eram 10 horas da manhã, então tinha algum tempo até lá.
Falando em , acabou pensando sobre o que disse ao amigo ontem e sentiu-se um pouco intrigado com isso. Sempre quis que os dois se conhecessem, mas a reação do amigo parecia um tanto quanto estranha, sem falar, que assim que ligou para ele, soube que tinha alguma coisa errada. parecia estar irritado e nem conseguia disfarçar, só pelo jeito que falou com ele no telefone.
respirou fundo e decidiu direcionar seus pensamentos sobre a noite passada e seu noivado. Ele esperou tanto tempo para poder ter um relacionamento assim com ela, que por alguns momentos até pensou que estava sonhando, mas se deu conta de que era real ao acordar no outro dia e ver o colar no pescoço dela. Pensou no momento na noite anterior que deu um colar para quando estavam só os dois já no quarto e mostrou para ela que também usaria um igual e se perdeu na lembrança.
estava exausto assim como , mas ainda tinha uma surpresa e tinha deixado para fazê-la quando estivessem os dois sozinhos no quarto do hotel. Alguns momentos queria que fosse compartilhado apenas pelos dois, queria guardar a expressão de felicidade só para ele e não dividir com mais ninguém.
Ele sabia que podia ser um pensamento egoísta, mas não se importava.
— Está pensando em que? — perguntou, ao vê-lo observar a paisagem através da janela perdido em pensamentos.
abriu um sorriso e se virou para a noiva.
— Em você — afirmou e caminhou até ela. — Sempre.
levou a mão até os cabelos dele e ficou na ponta dos pés para levar os lábios até os dele. poderia ter se inclinado e tornado o beijo mais rápido, mas a verdade é que adorava quando ela fazia isso com ele e gostava de esperar pelo momento que seu lábio seria tocado pelo dela.
— Eu acho bom — ela respondeu olhando para ele e arrancando um sorriso de seus lábios.
— Tem mais uma coisa, que eu gostaria de te dar essa noite — disse levando as mãos ao bolso.
estreitou os olhos, um pouco confusa.
— Acho que, o discurso que você fez, foi suficiente — disse sem tirar os olhos dele. — Não acha?
— Você sempre merece mais — ele disse e beijou a testa dela de forma rápida.
puxou a mão do bolso e mostrou uma caixinha preta. olhou um pouco confusa para ele, afinal já tinha ganhado uma aliança de brilhantes dele, que até já estava usando e que já tinha se apegado completamente.
, não é cultura usar aliança de noivado aqui, é? — perguntou confusa.
riu.
— Não — afirmou . — Não é uma aliança.
olhou para ele confusa.
riu e abriu a caixinha. Ali dentro tinha dois colares, com um pingente com o desenho idêntico a uma tatuagem que tinha abaixo do seio, de uma borboleta, onde uma das asas dela são flores e passarinhos. A favorita dele.
Ela não pode deixar de sorrir, ele tinha criado colares para que eles usassem.
— Esse é o seu — falou apontando para o colar de pássaro. — E esse é o meu.
— É lindo, amor — disse olhando maravilhada para os colares.
— Agora — começou a dizer enquanto virava ela de costas para ele. — Quando você estiver longe de mim, eu terei um pedaço de você e você terá um pedaço meu.
sorriu com as palavras dele e levantou o cabelo para que ele pudesse colocar o colar nela.
— É perfeito — respondeu já se virando para ele.
colocou o colar em e depois os dois voltaram a se encarar.
— Você gostou mesmo? — perguntou encarando-a.
Ela não respondeu nada, apenas levou seus lábios até os dele e iniciou um beijo entre eles. Ali estava sua resposta.

Saiu do banheiro ainda sorrindo com a lembrança e deu de cara com uma enrolada no lençol encarando a paisagem incrível que o hotel proporcionava para eles. ficou ali por alguns instantes só admirando-a, antes de caminhar até ela e passar os braços em volta dela e depositar um beijo no topo de sua cabeça.
levou as mãos aos braços dele que estavam em volta dela e os apertou contra seu corpo.
— Bom dia — sussurrou enquanto ainda olhava a paisagem.
— Bom dia — disse com a voz rouca ao pé do ouvido de , fazendo com que ela se arrepiasse. — Está pensando em que?
Ela se virou para ele já passando os braços em torno de seu pescoço.
— Em nós — afirmou e depositou um beijo nos lábios dele e começou a descê-los através do pescoço.
— Hm — resmungou com os olhos semicerrados e levou as mãos a cintura de coberta pelo lençol, guiando-os em direção a cama.
caiu sentado na cama e subiu em cima dele, colocando uma perna de cada lado para que ficasse montada no colo dele. Ele levou as mãos até as costas dela e a puxou mais para perto dele, fazendo com que seus lábios se juntassem mais uma vez já iniciando um beijo entre eles, apesar do tesão que ambos estavam sentindo, era um beijo cheio de sentimentos.
levou as mãos até a coxa dela, mas parou ao escutar o barulho do seu celular tocando e bufou irritado.
— Sério? — disse ainda com os lábios colados aos dela e riu fracamente.
— Acho que você precisa atender — ela disse depositando um beijo no canto da boca dele e saindo de cima dele, deixando que o lençol caísse e mostrasse seu corpo nu, coberto apenas pela calcinha que ela estava usando.
passou a mão pelos cabelos nervoso e sem tirar os olhos dela e levou o celular até a orelha.
— O que foi? — perguntou irritado assim que atendeu, nem olhou que estava ligando.
não pode conter a risada, enquanto mexia em seu colar e o encarava, vendo que ele não tirava os olhos dela.
Estraguei sua foda, foi? — Alex perguntou do outro lado da linha rindo.
revirou os olhos.
— Não, só estava me arrumando — afirmou encarando . — Aconteceu alguma coisa?
Jayce teve a ideia de nos reunirmos antes da reunião com Simon, falar um pouco sobre a banda. Ele já falou com — Alex explicou. — E eu falei com Dylan, ele foi tomar café com a Megan e vai direto para lá.
— Tudo bem, vou só terminar de me arrumar — disse esperando que a conversa terminasse.
Só dá uma rapidinha para não nos atrasar — Alex disse rindo do outro lado da linha.
— Cala boca! — respondeu de forma brincalhona e desligou antes que ele falasse mais alguma coisa.
encarava , ela ainda não tinha se trocado e foi pega de surpresa por que a puxou de volta para o colo dele, fazendo com que ela desse um gritinho. Ele levou as mãos até as costas dela e a puxou para si, depositando um beijo demorando em seus lábios e arrancando um sorriso dela.
— Acho que teremos que deixar para depois — disse manhosa, fazendo rir.
— É, eu tenho uma reunião com Simon — explicou enquanto fazia carinho nas costas dela. — Só que os caras querem se reunir antes para discutirmos algumas coisas.
— Tudo bem — concordou encarando-o.
— Depois disso, sou todo seu — disse com um olhar safado, fazendo ela rir.
— Você sempre é todo meu — afirmou e levou os braços ao pescoço dele.
— Bom, isso é verdade — disse rindo. — Vou pedir algo para você tomar café e aí depois almoçamos juntos e se você quiser descer antes, vou ficar feliz.
afirmou com a cabeça concordando e saiu do colo dele.
— Onde vai ser a reunião? — perguntou enquanto vestia a camisa que tinha usado no dia anterior e ele a olhava todo bobo.
— Aqui no hotel mesmo — disse já se levantando da cama para se trocar. — Mudei de ideia, podemos descer juntos, aí ao invés de eu pedir o café, você toma ele lá no restaurante do hotel onde vamos fazer a reunião.
— Isso é para me manter mais perto de você? — perguntou com um sorriso de canto.
— Com certeza — afirmou.
— Uma boa ideia, posso chamar a Megan para tomar café da manhã comigo.
riu fracamente e deu a volta para pegar seu sapato.
— Acho que ela já tomou café.
olhou para ele com uma sobrancelha arqueada.
— Alex me disse que ela foi tomar café da manhã com Dylan.
— Jura? — perguntou visivelmente surpresa.
— Pois é — concordou rindo. — Esses dois foram bem rapidinhos, pelo jeito.
riu, pensando na amiga.
— Quem diria — comentou encarando e caminhou até ele, vendo que já estava pronto. — Vou sentir saudades.
a puxou pela cintura deixando os dois próximos.
— Achei que íamos juntos — concluiu.
— Vou tomar um banho e depois eu desço.
— Tudo bem — afirmou.
depositou um beijo demorado nos lábios de e depois ele seguiu em direção a saída do quarto.
Ele caminhou ainda sorrindo em direção ao elevador, estava com zero vontade de ir nessa reunião com Simon, depois do sucesso que foi seu noivado ontem só queria aproveitar o dia com a , principalmente porque sabia que suas férias estavam acabando. Sabia que ela tinha algumas semanas de férias ainda, na verdade, um mês praticamente, porém não tinha ideia de como seria daqui para frente. Se ela continuaria nos Estados Unidos, ou se mudaria para a filial em Londres como tinha conversado com ela uma vez, tudo era um pouco incerto quando se tratava desse assunto.
O caminho até o restaurante do hotel foi tranquilo e estava perdido em pensamentos. O lugar não estava muito cheio, mas pode ver que do lado de fora já tinham alguns jornalistas tentando conseguir permissão para entrar no lugar e provavelmente conseguir fotos ou até mesmo uma entrevista com ele e os garotos da banda. Como sempre, ele foi até lá para cumprimentá-los e principalmente falar com algumas fãs que tinham ali, ele nunca passava sem tirar uma foto com elas ou dar algum autógrafo.
chegou no meio disso e os dois ficaram ali tirando algumas fotos e depois seguiram para o restaurante. notou que o amigo estava estranhamente quieto e sentiu-se um pouco intrigado com isso, porque ele não era de ficar de boca fechada do jeito que estava e o costume era ele ser todo brincalhão e fazer piadas com ele.
— Cara, você está bem mesmo? — perguntou enquanto os dois caminhavam em direção à mesa onde Alex, Dylan e Jayce já estavam sentados.
— Sim, só cansado de ontem — afirmou e andou apressado, passando dele.
apenas observou a atitude do amigo e preferiu deixar para lá.
— Se não são as belas adormecidas — Alex comentou ao ver os dois chegarem à mesa.
— Nem estamos tão atrasados assim — comentou . — Ainda temos um tempo, até a reunião com Simon.
— Aliás, por que ele quer fazer essa reunião? — perguntou Jayce. — Estamos de férias.
— Provavelmente é sobre a banda — afirmou Dylan.
— Só espero que ele não implique sobre o meu relacionamento com a disse visivelmente preocupado com isso.
— Falando nisso, ela não quis vir? — perguntou Alex, curioso.
permanecia em silêncio, parecia que não importava onde estava gora, ela seria mencionada.
— Ela acordou mais tarde do que eu, vai tomar um banho e deve descer daqui a pouco para almoçar — explicou com um sorriso de ponta a ponta.
— Parece que alguém está apaixonado — Dylan comentou rindo. — A te fisgou mesmo.
deu um pulo da cadeira em que estava sentado e saiu dizendo que ia pegar o café dele, mas não era bem isso.
Os meninos olharam para ele um pouco confuso — principalmente — , mas depois voltaram a conversar entre si.
— E a Megan? — perguntou encarando Dylan, que riu fracamente.
— Ela é legal — ele disse dando de ombros.
Mas, sabia que era mais do que isso, ele percebeu bem durante seu noivado como os dois ficaram um bom tempo conversando, dançaram juntos e passaram a maior parte do tempo de um lado para o outro. Foi fácil perceber que os dois estavam se dando bem e que Dylan tinha gostado dela, claro que não botava muita fé, já que sabia que Dylan é muito mulherengo e que em cada festa que eles vão, ele está com uma diferente.
observou de longe os amigos conversando enquanto esperava pelo seu suco de laranja que tinha pedido. A menção de e qualquer coisa relacionado aos sentimentos dela por , o incomodou de uma forma que ele nem sabia explicar, apesar de estar se convencendo desde ontem de que ela não era a sua do passado, mesmo assim, ele não conseguia deixar de se sentir desconfortável com qualquer coisa que a envolvesse.
Sentiu-se aliviado quando voltou para a mesa e percebeu que eles estavam falando sobre outra coisa, o assunto era agora a banda e ele até entrou no meio. Não demorou muito para que desse o horário da reunião com Simon e ele chegasse. O primeiro assunto abordado foi como seriam os primeiros compromissos que eles teriam ao voltar a trabalho, falou também sobre a turnê e sobre como iria funcionar o começo das gravações do próximo CD e possivelmente a turnê seria gravada para dar origem a um DVD.
— Parece que teremos bastante trabalho — comentou .
— Teremos alguma folga, nesse meio tempo? — perguntou Alex.
— Isso não me afeta mais, agora que não preciso mais esconder meu relacionamento — comentou todo animado.
respirou pesadamente, mas sentiu todo seu corpo enrijecer quando viu entrar no restaurante. Seus olhos passaram por ela que estava usando um vestido branco, com uma jaquetinha jeans por cima e um All Star branco, que ao contrário de ontem quando ela estava de salto, agora provava que ela não era muito alta.
logo percebeu que ela estava sem maquiagem nenhuma e seus cabelos estavam completamente soltos. Ele pensou em como ela estava linda e simplesmente não conseguia tirar os olhos dela e quase perdeu todo ar, quando viu ela acenar para ele, já que era o único que estava sentado em uma parte da mesa que fazia com que ele tivesse visão da entrada.
De repente, sentiu uma vontade absurda de conhecê-la mais.
, está ouvindo? — escutou Simon chamar sua atenção e se deu conta de que tinha se distraído completamente com a presença dela.
— Desculpa, não — disse com sinceridade. — Vocês estavam falando sobre folgas...
— É, vocês terão algumas ao longo desse período — afirmou Simon e todos concordaram.
— Ótimo — afirmaram todos juntos.
— Mais alguma coisa? — perguntou , já tinha avistado pegando coisas no balcão do restaurante.
— Só uma coisinha, sobre o seu relacionamento — Simon começou a dizer e revirou os olhos. — Espero que isto não mude a sua dinâmica com a banda e nem com seus fãs.
— Como assim? — indagou.
— O seu comportamento, — afirmou.
— Não vai mudar — afirmou ele. — Amo a banda, amo meus fã e a entende isso.
— Bom, então está tudo ótimo — afirmou Simon e se levantou. — Nos vemos em algumas semanas.
tinha visto os meninos e até acenou para , que estranhamente não acenou de volta para ela. Depois disso ela seguiu em direção à parte de comidas do restaurante para pegar seu café da manhã e acabou encontrando Megan, não foi muito difícil perceber que o semblante da amiga estava diferente e que ela havia tido uma ótima noite.
As duas conversaram um pouco e Megan lhe deu alguns detalhes sobre a noite que teve com um dos integrantes da e contou para ela como ele era bem diferente — para melhor — do que ela imaginava ao ler algumas coisas sobre eles na internet e ficou só ouvindo tudo, gostava de ideia de que poderia rolar algo entre eles, mesmo sabendo que era cedo demais para pensar nisso.
As duas viram que Simon já tinha se levantado para sair da mesa e caminharam até lá. sabia que já tinha notado sua presença, sempre sabia quando seus olhos estavam sobre ela, amava aquele olhar e o sustentou até chegar perto dele.
— Oi rapazes — disse de forma simpática, enquanto segurava sua bandeja.
se levantou para pegar a bandeja da mão dela e aproveitou para dar um beijo rápido na noiva.
— Oi — Jayce disse de forma simpática.
— Não sabia que tínhamos chegado na fase de apelidos — disse de forma brincalhona.
se sentou rindo, seguida de Megan.
— Tudo bem — disse sorrindo. — Eu até prefiro, é muito formal.
apenas encarava tudo e seu olhos estavam concentrados em , como já era de se esperar.
— Agitada a noite? — Alex perguntou com uma cara maliciosa e todos caíram na risada.
— Você nunca perde a piada, né Alex? — comentou rindo e seu olhar cruzou o de , que sorriu para ele.
— Sim — afirmou. — me cansou ontem, com as danças dele.
sorriu com as palavras dela e se remexeu na cadeira, ao ouvir o comentário dela.
— Me salvou, você quer dizer — concluiu .
— O noivado foi lindo, amiga — Megan comentou e viu Dylan encará-la.
— É, mas parece que não foram só os pombinhos aqui que se divertiram — Alex comentou encarando Megan e Dylan.
— Não começa, Alex — Dylan o repreendeu e todos riram.
— O que vão fazer hoje? — perguntou curioso, de repente ele teve uma ideia.
— Nada — todos responderam juntos.
— Ótimo — concluiu. — O que acham de uma "festinha" lá em casa?
Todos se entreolharam.
— Acho uma boa, ótima oportunidade para conhecermos melhor a — afirmou Alex animado.
— Essa é a ideia — afirmou e o encarou, mas ele se manteve da mesma forma.
— Só nós? — perguntou Alex.
— Se quiserem chamar mais alguém, podem ficar à vontade — disse concluindo.
Todos começaram a conversar sobre o que fariam na festa enquanto se perdia em pensamentos. Ele sabia que era arriscado inventar essa festa na casa dele e ter essa proximidade com a , mas ele queria saber mais coisas sobre ela e essa seria a única forma de conseguir isso.
e os rapazes tinham ficado de resolver as coisas da festa enquanto ia resolver alguma coisa com Megan que as duas não tinham explicado muito bem. Enquanto isso, aproveitou para tentar tirar algumas informações do , ele tinha muitas perguntas e já o estava bombardeando com elas há pelo menos uns trinta minutos desde que tinham chegado à casa dele.
, tem alguma coisa que eu preciso saber? — perguntou encarando o amigo.
— Como assim?
— Não sei, você passou mal quando viu a começou a dizer, enquanto mexia em uma caixa com coisas de festa. — Agora está me fazendo um monte de perguntas sobre ela.
— De novo isso, ? — perguntou encarando-o. — Só quero conhecer melhor a pessoa que meu melhor amigo está noivo.
o encarou, sabia que estava sendo ridículo, mas aquilo não deixava de incomodá-lo.
— Ela nunca me falou em detalhes a vida pessoal dela — afirmou .
— Isso não te incomoda? — perguntou , curioso.
— Por que incomodaria? — perguntou parando para encarar o amigo.
— Não sei, acho que para casar-se com alguém temos que saber bastante sobre ela.
sabia que estava pegando pesado, mas precisava saber mais.
— Bom, quando ela estiver na festa, você pergunta todas as coisas que quiser para ela — afirmou , em um tom um pouco irritado.
viu o amigo sair andando e se sentiu mal por ter forçado tanto a barra, mas não tinha volta, ele precisava de respostas.

Estava tudo pronto para a "festa", seria mais algo íntimo entre eles, exceto que Alex tinha chamado as garotas que estavam com ele e Dylan na noite em que eles foram naquela balada onde surgiu todo aquele problema com . Eles tinham passado o dia todo organizando tudo e e Megan ainda estavam para chegar, então ele teve muito tempo para repensar no seu plano em descobrir mais coisas sobre a , mesmo depois da reação do .
Estava decidido, queria a qualquer custo descobrir quais eram as semelhanças dela com a sua e se, mesmo parecendo total loucura, teria alguma chance de ser ela. Sabia que precisaria se controlar ao máximo e não poderia e nem queria causar nenhum problema que pudesse afetar o relacionamento de .
Se encarou no espelho enquanto terminava de fechar o botão da camisa e respirou pesadamente, ao ver parada na porta do seu quarto.
— Eu cheguei e não achei os meninos, nem o comentou encarando .
Ele engoliu em seco, tentando se lembrar se eles tinham falado que iriam em algum lugar.
— Eles não me falaram nada — respondeu e terminou de abotoar a camisa.
o encarou, enquanto observou que ele estava usando uma camisa branca, calça preta e uma bota marrom e pensou que ele e tinham um estilo bem diferente, apesar de serem muito amigos.
— Você e o tem um estilo bem diferente — ela disse com sinceridade, ainda parada no batente da porta.
riu com o comentário.
— Acho que sim — disse dando de ombros e aproveitou para reparar nela.
Agora ela estava um pouco mais arrumada, com uma saia preta lisa, uma blusinha branca com brilhantes e uma jaqueta de couro preta, e ao descer o olhar até os pés dela, percebeu que ela estava com uma bota de cano curto sem salto.
Gostava do estilo dela também.
— Vamos, vou te mostrar a casa — disse passando por ela na porta, que o acompanhou.
Eles seguiram primeiro no corredor dos quartos, onde ele mostrou para ela algumas coisas pessoais dele ao longo de sua carreira e ela prestava atenção em tudo. Depois disso, a guiou para o andar de baixo onde passaram por Maggie que mexia distraidamente em seu celular e seguiram para a parte de fora da casa, ali tinha um jardim e uma piscina enorme com uma área de lazer que era um dos lugares preferidos de na casa.
Depois os dois seguiram para o fundo, onde ele tinha construído um estúdio para que ele pudesse sempre estar ensaiando, compondo e próximo da música mesmo quando a banda estivesse em pausa como agora. Ele contou tudo isso para ela, que dizia a todo momento o quanto a casa era bonita e aconchegante e ele resolveu mostrar para ela como era o estúdio por dentro.
— Acho sempre o máximo, esses estúdios — comentou passando o olho por tudo e a observava.
O coração dele acelerava a cada palavra e cada expressão dela, era difícil para ele estar tão perto dela, mas extremamente necessário.
— Eu fui algumas vezes em estúdio, quando defendi clientes no mundo da música — ela comentou virando para olhar para ele.
— Você é advogada? — perguntou curioso, pensando que sua tinha direito como uma das opções de curso, mas que queria literatura também.
— Sou sim — afirmou recostando-se próximo de uma bancada. — Eu pensei em literatura por um tempo, mas depois fui para a área de direito.
engoliu em seco com a informação.
— E você, , sempre quis ser músico? — ela perguntou curiosa enquanto mexia no colar em seu pescoço e os olhos de foram parar ali.
Ele na hora pensou em uma tatuagem de borboleta que tinha, muito semelhante ao que estava no pescoço dela agora. Ele também tinha uma tatuagem de borboleta, um pouco abaixo do peito, bem na região do estômago.
— Sim, sempre — afirmou.
abriu a boca para dizer algo, mas parou assim que sentiu o celular vibrar no bolso da saia e ela o pegou. Era uma mensagem de perguntando onde ela estava e que ele tinha acabado de chegar à casa do .
— Parece que eles chegaram — disse e caminhou em direção a saída, percebendo que continuou no mesmo lugar. — Você não vem?
— Vou olhar umas coisas aqui e já vou — ele disse desviando o olhar.
— Você está bem, ? — Van perguntou visivelmente preocupada e ele se deu conta de que estava dando um pouco na cara.
— Sim, só preciso ver umas coisas mesmo — ele afirmou com um sorriso no rosto e ela assentiu já saindo do estúdio.
bufou irritado ao ver que na resposta da mensagem que tinha mandado para estava escrito "Estou no estúdio com " e voltou a colocar o celular no bolso se sentindo um pouco ridículo. Afinal, até o momento ele queria que e fossem próximos, já que os dois eram muito importantes para ele.
Porém, não conseguia tirar da cabeça a reação do amigo ao ver sua noiva pela primeira vez, mesmo ele dizendo que só não estava se sentindo bem, isso tudo parecia muito estranho e a maneira como ele começou a fazer perguntas sobre ela, também parecia muito esquisito. Sem falar, que conhecia muito bem para saber que ele não tinha o costume de tratar garotas da maneira que a estava tratando.
Estava começando a incomodá-lo de uma maneira que ele não gostava e fazendo com que ele se sentisse um idiota, afinal era seu amigo, não teria por que ter interesse em sua noiva.
Ao menos, era o que achava.
— Sentiu minha falta? — foi pego de surpresa, quando os lábios de encostaram aos seus e ela se sentou no colo dele.
sorriu, ela tinha esse poder de desarmá-lo.
— Sempre — afirmou devolvendo o beijo.
— Eles não são lindos, juntos? — Megan, que estava sentada em outro sofá da casa comentou com os olhos brilhando.
— São — Dylan disse rindo, ao concordar e sentou-se ao lado dela.
Nesse momento, Alex e Jayce se juntaram a eles.
— Cadê o ? — perguntou Alex, enquanto entregava cerveja para todos.
— Ele ficou lá no estúdio — comentou. — Você deveria ir lá amor, ele parece meio triste com alguma coisa.
— O é assim , só deve estar com ciúmes porque agora o tem alguém que ele ama mais do que ele — Alex comentou rindo, fazendo com que todos rissem.
entrou na sala bem nesse momento, rindo do comentário do amigo e desejando que esse realmente fosse seu problema.
— Muito engraçado, Alex — disse e foi e foi direto para a cozinha pegar alguma coisa mais forte do que cerveja para beber.
Não demorou muito, para que as garotas que estavam no outro dia na balada com Dylan e Alex chegassem e elas tinham trazido mais pessoas, então a "festa" tinha ficado um pouco maior e deu graças a Deus, por ter convencido os amigos que a melhor ideia seria contratar um buffet para que eles não tivessem que se preocupar nem com comida e muito menos com bebida.
só observava tudo, Alex e Jayce com as modelos deles, Dylan que surpreendentemente estava com Megan e parecia não estar dando a mínima para as outras garotas. E não demorou muito, para que o olhar dele caísse sobre e , os dois estavam sentados no sofá conversando e ela se encontrava no colo dele e, apesar de se sentir desconfortável com a situação, não podia negar que eles ficavam bem juntos.
Ele já estava na sua segunda dose de vodca e já tinha tomado duas garrafas de cerveja, mas estava começando a se acostumar, porque tinha chegado à conclusão de que para aguentar daqui para frente, só com boas doses de álcool. Não tinha muito costume de beber, mas também não tinha pretensão nenhuma de encarar toda a situação que estava passando sóbrio, como ele sempre dizia, momentos de crise pedem medidas drásticas.
Já estava distraído em teorias da conspiração, pensamentos e lembranças quando foi puxado por chamando-o para ir para a área aberta da casa onde tinha sido montada uma pista de dança improvisada. Ele riu com a atitude dela e a acompanhou até o lado de fora, junto com que estava de mãos dadas com ela.
— Vamos, essa é uma ótima oportunidade para o aprender a dançar — disse rindo, ela parecia já ter bebido um pouco também.
revirou os olhos, achando graça e riu.
— Você não perde uma oportunidade, para tentar me humilhar — comentou rindo, enquanto encarava a noiva.
Todos à volta já estavam dançando ao som de Cold Water remixada, enquanto tentava convencer .
— Por favor, amor — disse fazendo biquinho e riu.
apenas permaneceu observando, na tentativa de controlar seus sentimentos.
— Tudo bem — concluiu . —O que eu não faço por você?
Ela sorriu e deu pulinhos animada.
— Não é nada de outro mundo, disse. — É só se mover, conforme o ritmo da música.
e começaram a se mover conforme o ritmo da música e começou a entrar na dança com eles. Os três, a todo o momento, riam da maneira como era um pouco travado e ele estava feliz, por ver como ela estava se divertindo com a tentativa dele e com os erros também.
passou as mãos através das costas de a puxou para ele, entrando no ritmo da música com ela, conforme passava as instruções para ele. Já , nem podia acreditar que estava mesmo fazendo isso, e se perguntou o que não faria por sua se ela estivesse bem diante dele, chegando a conclusão que faria qualquer coisa, até mesmo por uma garota que fosse absurdamente parecida com ela, se não idêntica.
Para ele, era visível ver a felicidade ao ver dançar com ela e mesmo aquilo lhe causando até uma certa dor física, ele estava estranhamente feliz em vê-la sorrir, então preferiu jogar qualquer pensamento ruim para o fundo de sua mente e acompanhou os dois pombinhos na dança até que a música terminasse.
Uma música estilos anos 80's começou a tocar em seguida e fez uma careta.
— Não, não vou dançar isso — afirmou ele rindo, enquanto encarava noiva que já lhe olhava com aqueles olhos de pidona.
gargalhou.
— Tudo bem — respondeu sorrindo e depositou um beijo nos lábios de . — Ele se esforçou, né ?
apenas concordou acenando com a cabeça, enquanto observava a cena.
— Ufa — respondeu rindo.
— Vou dançar com , então — concluiu, se virando para o amigo do noivo.
mordeu o lábio, não queria falar que não para ela, afinal não tinha nenhuma justificativa para dizer algo assim para ela — e mesmo que tivesse não tinha esse direito —, então apenas concordou e saiu de lá dizendo que ia buscar uma cerveja para ele, o que não era mentira.
— Se você quiser, claro — disse a , após a saída do noivo.
— Claro — concordou.
riu e segurou a mão dele, iniciando os movimentos entre eles ao som da música. A música dava espaço para muitas piruetas e os dois aproveitaram para fazer isso, e enquanto dançavam, ela aproveitou para observar as outras pessoas a volta dela, até que seus olhos foram parar em Megan e Dylan.
Os dois estavam dançando também e pareciam estar se dando muito bem. por um momento imaginou como seria se ela se envolvesse com ele e riu disso, pensando que há um mês não achou que um dia poderia estar rodeada por tantas pessoas que pareciam realmente gostar dela, por um grupo de amigos. Principalmente, porque depois do seu acidente sua mãe fez de tudo para que ela tivesse o menor número de amigos possível. Pensou em , e na sorte que tinha por estar ali e que estava feliz com a decisão que tinha tomado, em conhecer a banda e ter um relacionamento de verdade com ele.
Jogou os pensamentos para o fundo da mente e voltou a se concentrar na dança, a música já estava quase acabando e foi pega por um gesto inesperado de , que a rodou de forma que ela passou por trás dele, voltando a cair de frente para ele assim que a música deu o último toque.
observou tudo de longe, surpreso. Apesar de saber que sabia dançar, nunca o tinha visto fazer isso com ninguém e não foi muito difícil para ele notar o olhar do amigo para , quando a dança entre eles acabou.
— Meu Deus, onde aprendeu isso? — escutou perguntar rindo.
Todos estavam olhando com a mesma surpresa de .
— Um dia, eu te conto, quem sabe — disse e saiu deixando-a sozinha.
não tinha ideia nenhuma ideia do porque tinha feito aquilo e percebeu que estava deixando se levar demais pelos sentimentos, quando o olhar dele cruzou o de que parecia um pouco irritado, conhecia bem o amigo para saber o que ele estava pensando só de olhar para ele, então deixou na pista da dança e seguiu para a cozinha, para pegar mais um pouco de cerveja.
Quando voltou para a sala, percebeu que todos estavam reunidos ali e pareciam prontos para jogar alguma coisa, então ele se jogou na poltrona vazia que ele tanto gostava só observando todos. Seu olhar cruzou o de e pode perceber que ele o encarava de uma forma diferente, mas preferiu não sustentar aquele olhar e desviou se voltando para Dylan, que estava explicando como ia funcionar o jogo.
Normalmente ele odiava esses tipos de joguinhos, mas não tinha mais nada para fazer ali, então decidiu que ficaria e jogaria com o pessoal. Dylan explicou que o jogo seria composto por perguntas e que se você errasse teria que cumprir algum desafio, caso errasse duas perguntas seguidas, não teria a opção do desafio, seria obrigado a tomar uma dose de vodca ou tequila, o que fosse de sua preferência. Resumido, o intuito do jogo era fazer todo mundo pagar mico e ficar bêbado.
— Dessa vez, vamos fazer um pouco diferente — Alex comentou encarando Dylan, que assentiu. — Vamos nos dividir em duplas, eu já escrevi os nomes nos papéis, será sorteado.
— Finalmente, um jeito de deixar esse jogo mais interessante — comentou rindo. — Até porque, eu sempre acabo sobrando.
Dylan chamou todos que não tinham o nome lá, porque assim as duplas seriam formadas e cada um se levantou e foi em direção aos potinhos com os papéis que ele colocou na mesinha de centro da sala.
— Baby, teremos que nos separar — disse fazendo biquinho e olhando para que sorriu com o apelido, era a primeira vez que ela o chamava assim.
— Quem é seu par? — perguntou curioso.
— ela disse e ele apenas assentiu, enquanto sentiu algo ascender dentro dele.
— Espero que eu ainda seja seu par favorito — disse baixinho, de forma que só pudesse escutar.
— De onde saiu isso? — ela perguntou olhando nos olhos dele, ele nunca tinha falado nada parecido, beirando o ciúmes.
— Bom, agora ele é o dançarino favorito — disse rindo, apesar de realmente sentir isso.
grudou os lábios aos dele, levando as mãos ao pescoço de .
— Você é meu favorito em tudo, Baby — disse rindo, ela já estava um pouco bêbada com as bebidas que tinha ingerido e sabia disso, mas estava achando graça.
— Gostei, do apelido novo — ele disse rindo.
— Ei, pombinhos — Alex chamou a atenção dos dois, que olharam sem graça. — Será que pode ficar cada um com seu par, para começarmos?
Todos riram e se afastou, indo sentar-se perto de e, como ele estava em uma poltrona, ela acabou sentando-se no braço dela, apesar de ele ter insistido para que ela ficasse no lugar dela. O restante das duplas também estava definido e eles decidiram que era hora de começar o jogo, a primeira dupla a jogar foi e Megan, Dylan pegou um bilhete no pacotinho fazendo uma pergunta para eles e eles tinham o tempo de um minuto para pensar em responder.
Os dois acertaram e o jogo seguiu seu curso, e logo foram os próximos e por sorte eles conseguiram acertar a pergunta antes mesmo e bater o tempo de um minuto. A essa altura os dois já estavam sentados de pernas cruzadas no chão, porque assim ambos conseguiam ficar confortáveis e se comunicar o tempo todo para pensar nas estratégias caso a próxima pergunta fosse mais difícil que a primeira.
Não demorou muito tempo de jogo, para que todos ali já tivessem errado, bebido muito e até cumprido desafios bizarros. e Megan já tinham feito uma dancinha ridícula — que ele odiou —, Dylan e Janet, a modelo da Victoria Secrets que tinha sido a acompanhante dele no outro dia na balada, e as outras duplas também já tinham feito coisas como, se jogar na piscina com roupa intima, beber algo com gosto muito azedo, entre outras coisas.
— Não foi tão ruim assim — disse gargalhando, já estava muito mais bêbada que o planejado.
— Foi horrível — afirmou fazendo cara feia.
Os dois tinham sido obrigados a mastigar farinha, o que não tinha sido a melhor das experiências. Eles estavam na cozinha tentando lavar a boca e não parava de rir dele, no fundo, ele também estava achando graça da situação toda e em alguns momentos ele podia jurar que simplesmente se esquecia de toda sua paranoia e era como se ela fosse sua , bem ali diante dele.
Desejou por um momento, que realmente fosse ela.
— Tudo bem? — perguntou enquanto sacudia a saia, cheia de farinha.
tombou para o lado e o segurou.
— Você está muito bêbado, — ela concluiu rindo. — Acho que deveria recusar as próximas doses de tequila ou vodca.
— Eu estou bem — afirmou rindo. — O colar, o que significa?
Ela o encarou.
— Vi que o está usando um colar com ela, igual ao seu — concluiu ele.
— É uma tatuagem que tenho, gosta muito dela e mandou fazer para nós — disse com a mão no colar enquanto sorria.
Era fácil para o notar o quanto ela o amava e isso era quase doloroso para ele.
— O colar foi um pre...
— Ei — foram interrompidos por um Alex, que também estava bêbado, que entrou na cozinha. — Já temos os resultados, vocês perderam, vão ter que pular na piscina de roupa.
Alex caiu na risada, já saindo da cozinha e e se entreolharam, mas antes que qualquer um dos dois falasse mais alguma coisa, entrou na cozinha e preferiu deixar os dois sozinhos.
— Ei — disse rindo fracamente.
— Você bebeu demais — disse ao se aproximar dela, achando graça.
Ela envolveu os braços no pescoço dele, encarando-o.
— Acho que sim — concluiu rindo. — Aliás, o que foi aquilo sobre você ser meu favorito?
desviou o olhar.
— Nada — afirmou firme.
, te conheço bem, mesmo estando um pouco bêbada — ela disse olhando para ele de forma séria. — Você não está com ciu....
— Ei, pombinhos, vamos logo — Alex apareceu de novo. — Não pense que vai se livrar do desafio, .
Alex caminhou até ela e a puxou em direção à saída da cozinha, deixando sozinho com seus pensamentos e sentimentos. Ele a puxou até a piscina e apenas acompanhou, vendo que já se encontrava na beira da piscina fazendo o mesmo.
— Em minha defesa — disse rindo assim que chegaram à beirada da piscina. — Eu não sei nadar.
— Qual é , não vem com essa — Alex disse rindo e a empurrou.
olhou sem acreditar e correu na hora quando viu cair na piscina, mas o amigo foi mais rápido. Ele pulou na hora na piscina e a pegou antes que pudesse acontecer alguma coisa, mas não parou, e se jogou na piscina também. estava rindo, apesar de ter tomado um susto e tanto quando Alex a empurrou na piscina sem avisar e sentiu-se aliviada, quando sentiu alguém pegá-la pela cintura.
Era , que parecia visivelmente preocupado.
— Você está bem? — ele perguntou preocupado.
— Sim — respondeu rindo. — Nem deu tempo de eu me afogar.
— a voz de fez com que ela desviasse o olhar de para ele.
— Está tudo bem — disse, ainda segurando no braço do amigo do noivo.
— Pode deixar, pode deixar que eu seguro minha noiva — disse já empurrando o amigo e passou o braço na cintura dela, que olhou para ele estreitando os olhos.
apenas assentiu e se afastou, ficou bem claro para ele as palavras de .
Não demorou muito, para que todo mundo já tivesse pulado na piscina de roupa mesmo e só saiu logo em seguida, indo até a cozinha para pegar mais bebida para todo mundo, inclusive para ele. A frase de , minutos antes na piscina ainda martelava sua cabeça e ele começou a se perguntar se o amigo não estaria notando a maneira como ele estava tratando , já que por serem amigos há um bom tempo, ele sabia que ele não era de ter esse tipo de proximidade com garotas que não gostasse realmente.
Observou os dois juntos na piscina e deu mais um gole na bebida, depois foi em direção à pista onde Megan e Dylan dançavam juntos e ficou ali. Dançando, bebendo e deixando que os pensamentos rodeassem sua cabeça, já nem sabia mais no que pensar, se acreditava que aquela era só muito parecida com a do seu passado ou se ela era realmente ela e por alguma razão inexplicável, estava viva.
Caiu no sofá, depois de tanto dançar e beber.
— Meu Deus, você está péssimo — Alex disse rindo se referindo a , era o único que tinha bebido menos ali.
— Hm — resmungou e se levantou, na intensão de ir para sua cama, queria ficar sozinho. Em paz.
Alex e se aproximou para ajudá-lo.
— Eu te ajudo — disse passando um braço de por seu ombro.
— Ei, eu ajudo — disse vendo que Alex tentava ajudar e Alex riu. — O que?
— Você também não está nas melhores das condições — Alex respondeu rindo e deu de ombros. — Mas, eu aceito.
Os dois subiram a escada com um pouco de dificuldade, mas com um passo de cada vez nos degraus eles conseguiram. O lugar estava um pouco escuro, então depois de deixarem ele na cama, andou até o outro lado e acendeu um dos abajures para que pudesse iluminar pelo menos um pouco o ambiente.
Por sorte, as roupas dele já tinham secado pelo tempo que ele ficou dançando na pista de dança e deu para apenas deixá-lo na cama sem ter que trocar a roupa dele. Alex avisou que ia ao banheiro e ela aproveitou para olhar um pouco o ambiente, o quarto de era enorme e através da decoração dele dava para perceber o quanto ele era apaixonado por música, considerando os quadros e enfeites de instrumentos.
— Hm — escutou resmungar e se virou para ele.
— Parece que alguém bebeu demais — ela comentou rindo.
riu.
— Você também — ele concluiu.
riu e se aproximou do outro lado da cama, onde ele estava deitado.
— Gostei da decoração — ela disse, sentando-se ao lado dele na cama, estava exausta.
— Obrigado — agradeceu, encarando-a.
Muitas coisas passavam na cabeça dele naquele momento, muitos deles sobre o passado dele com , que costumava fazer a mesma coisa que ela estava fazendo naquele momento. Sentar-se bem ao lado dele enquanto ele estava deitado e jogar conversa fora quando ele tinha bebido demais, porque sabia que conseguiria arrancar coisas dele e se perguntou se ela não estaria fazendo o mesmo.
— O que foi? — perguntou, ao notar que ele estava encarando-a.
— É que você me lembra uma pessoa — disse com sinceridade, sentindo como se um pouquinho do peso que estava sentindo tivesse saído de suas costas.
— Seria a pessoa que te ensinou a dançar daquele jeito? — perguntou abrindo um sorriso.
Ele estava certo, ela estava mesmo tentando arrancar alguma coisa dele.
— Estou bêbado demais, para te contar essa história agora — disse e colocou a mão sobre a dela.
se retraiu com o toque, de repente sentiu sua respiração ficar pesada e respirou fundo. Era a primeira vez, desde que tinha sido tocada por — afinal já tinham dançado juntos — que tinha uma sensação de que parecia ser conhecida, mas tão distante na mente dela, como se já tivesse sentido aquele toque antes, mas não conseguia se lembrar quando foi.
— Parece que Alex morreu naquele banheiro — ela disse rindo para mudar de assunto e viu começar a fechar os olhos, ainda com a mão sobre a sua.
Ela não entendeu ao certo porque, mas levou sua mão até os cabelos dele para tirar uma folha que tinha ali.
— Você é linda... — disse quase que em um sussurro e riu, ao ver ele cair no sono, imaginando que já estivesse praticamente sonhando.
O que não esperava, era ouvir a voz de logo em seguida dizer:
— O que está acontecendo aqui?


Capítulo 6 - After These Memories

I'm going under and this time I fear there's no one to save me.
(Estou afundando e desta vez temo que não haja ninguém pra me salvar)
This all or nothing really got a way of driving me crazy.
(Esse tudo ou nada realmente me deixa louco)
I need somebody to heal, somebody to know.
(Eu preciso de alguém para curar, alguém para conhecer)
Somebody to have, somebody to hold.
(Alguém para ter, alguém para segurar)

Lewis Capaldi — Someone You Loved.


INGLATERRA, LONDRES — CHELSEA.



encarou por um instante e depois voltou a olhar , ele estava mesmo em um sono profundo e ela tinha certeza de que o rapaz não iria se lembrar de nada do que eles tinham conversado e muito menos da última coisa que ele disse para ela antes de cair desmaiado bem diante dela. Caiu na gargalhada, mesmo sabendo que aquilo poderia acordá-lo e se levantou da cama — onde estava sentada bem ao lado dele — e caminhou em direção a porta onde se encontrava parado, que caiu na gargalhada junto com ela.
— Você bebeu muito mesmo, né?! — comentou rindo e a puxou pela cintura, enquanto ainda dava risada.
Qualquer coisa que estava na cabeça dele naquele momento, pensando sobre o que ela fazia ali com , desapareceu no momento em ele a viu rir do amigo dele bêbado e apagado na cama.
— Não mais do que o — ela afirmou rindo e envolveu os braços no pescoço do noivo. — Sou linda.
A última afirmação fez com que gargalhasse ainda mais, arrancando um sorriso largo de . Era isso que ele gostava, de vê-la sorrindo e feliz sempre.
— Se eu já digo que você é linda sóbrio — começou a dizer e aproximou os lábios ao dela. — Imagina bêbado.
Os dois ainda estavam na porta do quarto de que dormia como uma pedra — e pareceram não se importar com isso. a puxou para fora e a empurrou contra a parede, fazendo com que seus corpos ficassem grudados e ele pudesse sentir cada parte dela, levando a soltar a respiração pesadamente e levar as mãos ao cabelo dele, puxando-o para um beijo.
aprofundou o beijo entre eles e levou uma mão até os cabelos de , puxando a cabeça dela um pouco para trás, de forma que afastou os lábios interrompendo o beijo entre eles. Ela sorriu quando viu encarando-o, gostava de ter o olhar dele sobre ela, tanto quanto ele gostava de olhá-la e admirar cada pedaço da mulher que amava.
Se preparou para voltar o que estava fazendo, mas foi interrompido por Alex saindo do quarto de , que quase os matou de susto.
— Atrapalhei algo? — Alex perguntou encarando-os com um olhar de insinuação.
riu fracamente e passou as mãos nos cabelos, na intenção de arrumá-los.
— Sim — revirou os olhos. — É a segunda vez, aliás, que você nos atrapalha hoje.
deu um tapa no braço dele, que a pegou no colo, arrancando um grito de surpresa por parte dela.
Alex riu e deixou os dois sozinhos, já tinha entendido tudo.
— Vamos — disse e começou a andar com em seu colo. — Você precisa de um banho e descanso.
Ela caiu na gargalhada e viu seguir em direção a escada.
No carro, o clima era de puro silêncio. estava cansada demais para falar alguma coisa, bêbada e aproveitando aquele momento para pensar em algumas coisas e a primeira que veio em sua cabeça foi a noite anterior em seu noivado, quando subiu naquele palco e fez aquela linda declaração para ela. pensava na mesma coisa, e até depositou um beijo no topo da cabeça da noiva ao sorrir com a lembrança e ela soube que estavam compartilhando dos mesmos pensamentos. Não poderia ser diferente e ela sabia disso.
Os dois desceram do carro e seguiram pelo saguão do hotel, por sorte estava vazio e sem nenhum resquício de repórteres ali, o que já era de se esperar, considerando que já passava da meia noite. A porta do elevador se abriu e deu passagem para que entrasse, mas sem tirar as mãos que se encontravam apoiadas nas costas dela e o gesto foi muito rápido, ela se virou para ele e o puxou empurrando-o em direção a parede e colando os lábios ao dele.
a apertou contra seu corpo e pediu passagem para aprofundar o beijo entre eles, pensando que essa era uma das coisas que mais gostava em , a forma como ela sempre o pegava de surpresa e estava em perfeita sintonia com ele. O beijo não durou muito, pois logo o elevador apitou, avisando que eles tinham chegado ao andar de destino.

Recomendo colocar pra ouvir Crazy In Love remix Fifty Shades Of Gray

O percurso até o apartamento foi rápido e logo os dois já se encontravam lá dentro aos amassos mais uma vez. pegou no colo e caminhou em direção ao banheiro, os dois estavam cansados, já era tarde e ele sabia que ambos precisavam de um banho, então lá era o melhor lugar para relaxar com ela.
— Você é linda — disse ao interromper o beijo entre eles e colocá-la no chão.
fez um biquinho e ele riu.
— Olha quem fala — ela disse dando de ombros enquanto tentava tirar a blusa que vestia, mas estava um pouco difícil, tinha bebido demais.
— Vem, deixa eu te ajudar — ele disse já ajudando-a com a blusa e se abaixou para tirar a saia de , vendo-a estremecer com o toque dele.
Um sorriso de formou nos lábios de e ele permaneceu na mesma posição, depositando um beijo na intimidade de , que ainda se encontrava de calcinha, mas que estremeceu mais uma vez, levando as mãos até os cabelos dele.
— Baby... — disse como em um sussurro.
Ele riu ao escutar ela o chamar assim pela segunda vez e se levantou de forma rápida.
tirou sua roupa intima enquanto a observava sem piscar, depois caminhou em direção ao box já ligando o chuveiro e fazendo sinal para que ele entrasse com ela. Ele não demorou muito e se desfez das roupas que estava vestindo, ficando completamente nu, assim como sua noiva.
Ela já estava embaixo do chuveiro e assim que entrou, a abraçou por trás levando os lábios até os ombros dela e depositou beijos naquela região. Ela se arrepiou mais uma vez e se virou para o noivo, que a jogou contra a parede do box, fazendo com que eles saíssem da direção da água que antes caia sobre eles. Os lábios de tomaram os de com voracidade e ela levou as mãos aos cabelos dele, trazendo-o ainda mais para perto dele.
Suas línguas dançavam em perfeita sintonia, cada parte do corpo de desejava-o, assim como ele também ansiava por ela. percorreu uma de suas mãos através da lateral do corpo dela até chegar em sua intimidade, fazendo com que o corpo de estremecesse, arrancando um riso dele entre o beijo. Como sempre, ela reagia ao seu toque.
Ele deslizou os dedos para baixo e sentiu que ela já estava molhada e pronta para ele, então a penetrou lentamente com um dedo, fazendo com que soltasse um gemido abafado e interrompesse o beijo entre eles, apertando seu corpo ainda mais contra o dele, o fazendo movimentar os dedos lentamente dentro dela.
jogou a cabeça para trás e mordeu os lábios ao sentir que ele a penetrava agora com dois dedos, arrancando gemidos mais altos dela. A sensação era uma mistura de prazer, desejo e paixão que emanava tanto dela, quanto dele, que não tirava os olhos da noiva para não perder nenhuma reação que fosse expressa naquele momento.
Ela suspirou pesadamente ao sentir um vazio quando ele tirou os dedos de dentro dela e levou os lábios até seu pescoço, fazendo uma trilha lenta, passando pelos seios, onde depositou beijos e chupões e depois desceu em direção a intimidade dela. depositou beijos delicados no pé da barriga de e foi descendo lentamente até chegar na intimidade dela, ao mesmo tempo que subia lentamente as mãos passando os dedos com leveza através de sua coxa, que estremeceu com o gesto, mas não tirou os olhos daquele homem diante dela nem por um segundo.
Ele levou os lábios até a intimidade de e passou a língua levemente no clitóris dela , fazendo com que ela levasse as mãos até os cabelos do noivo, apertando-os ao mesmo tempo que tentava segurar o gemido e a sensação que aquele gesto lhe causava, sendo mais uma vez pega de surpresa por ele, que a penetrou com os dedos mais uma vez.
a chupava com voracidade ao mesmo tempo que a penetrava, ora com um dedo ora com dois, arrancando gemidos de , enquanto ela revirava os olhos, puxava os cabelos dele e apoiava uma das pernas em seus ombros na tentativa de não cair bem diante daquele homem que lhe proporcionava tanto prazer.
... — sussurrou entre gemidos.
Ele sabia que ela estava perto de gozar e queria lhe proporcionar todo esse prazer, então continuou chupando-a e a penetrando. Não demorou muito, para que ele sentisse os dedos encharcados e o corpo de estremecer, fazendo com que a sua perna apoiada no ombro dele ficasse mole e ela perdesse levemente a força das pernas.
sorriu ao vê-la daquela forma tão entregue a ele e tirou os dedos de dentro dela com delicadeza, segurando as pernas de , para que não caísse e se levantou. O que ele tinha era a visão de uma mulher ofegante, com os cabelos molhados, bochechas rosadas e uma expressão tranquila.
Ele apoiou uma das mãos na parede atrás dela e depositou um beijo em seus lábios.
— Hm — resmungou e abriu um sorriso em seguida, fechando os olhos.
Ele sabia que ela estava cansada.
— Vamos amor, você precisa tomar um banho e descansar de verdade — disse ao pé do ouvido dela, que riu fracamente.
O movimento de foi rápido e ela o virou contra a parede, enquanto ele olhava aquilo maravilhado — como sempre — com a mulher diante dele. Ela abriu um sorriso e levou os lábios até o dele, que deu passagem para um beijo, mas foi pego de surpresa quando ela mordeu seu lábio inferior e o puxou chupando-o e depois soltando, descendo os lábios e percorrendo por toda a extensão de seu pescoço, fazendo com que ele se arrepiasse.
Ela desceu os beijos por toda extensão do abdômen dele ao mesmo tempo que levou uma das mãos até o membro duro de , que já estava completamente pronto para ela. sorriu ao perceber isso e ao chegar ao final, ajoelhou-se diante dele, olhando-o primeiro nos olhos, para só depois depositar um beijo na glande dele, fazendo-o estremecer.
começou brincando com a língua na glande e o vendo estremecer seguidamente, para só depois começar a chupar toda a extensão do membro de , colocando-o por completo na boca. Ela subiu chupando-o com vontade até voltar para a glande e repetiu isso algumas vezes até parar e levar os lábios até as bolas dele, onde deu uma atenção para elas, chupando-as com vontade.
Depois voltou para a glande e voltou a chupar toda a extensão daquele membro que já estava completamente duro. respirava pesadamente, enquanto segurava os cabelos de ajudando com os movimentos, e tentava se segurar em pé com toda aquela mistura de prazer que estava sentindo.
Ele quase explodiu em prazer, quando ela o pegou de surpresa enfiando todo seu membro na boca e chupando-o com vontade, pegando toda a extensão dele e voltando a dar leves lambidas na glande. Ele estava quase lá e tinha certeza de que ela sabia disso, pois começou a alternar entre chupadas rápidas, fazendo com que ele explodisse na boca dela, extasiado pelo prazer.
O peito de subia e descia e se levantou, observando aquilo maravilhada.
— Agora podemos tomar banho — ela disse e sorriu para ele, que riu fracamente.
Mais uma vez, estava encantado pela mulher diante dele. Totalmente de quatro por ela.

sabia que estava cansada, mas ele precisava conversar com ela sobre o que tinha acontecido na festa, seu comportamento, a reação dele ao sabe sobre a mãe dela e até mesmo a forma como ele sentiu que a pressionou para conhecê-la. Ele sentia que não tinham de fato falado muito sobre isso e agora que estavam oficialmente noivos e que eram de fato um casal para a mídia, não queria deixar nada pendente entre eles.
Ele a observou andar pela suíte do hotel vestindo só uma camiseta dele e sorriu, já passava das duas horas da manhã e apesar de estar cansada, ela ainda tinha disposição para manter tudo organizando e resolver algumas coisas do trabalho. Era uma mulher forte e dedicada, e isso era uma das coisas que mais amava nela.
— Eu vou ter que voar para os Estados Unidos — disse enquanto secava os cabelos com a toalha.
— Agora? — perguntou olhando para o relógio.
— Não — riu fracamente. — Amanhã cedo.
— Parece que não teremos muitas horas de sono, então — ele disse fazendo careta, não era muito fã de acordar cedo.
Ela riu fracamente.
— Eu queria conversar, se você não estiver tão cansada — disse, não queria esperar ela voltar de viagem para conversarem.
— Sobre o que? — perguntou enquanto ia em direção ao banheiro para deixar a toalha molhada lá.
— Algumas coisas — disse, não sabia exatamente como começar.
— Posso dar um palpite? — ela perguntou enquanto voltava do banheiro.
— Palpite?
— É, eu acho que você quer falar sobre a festa — ela afirmou enquanto se sentava na ponta da cama e ele engoliu em seco.
riu da reação dele.
— Não estou brava, nem nada — ela disse encarando-o. — Só surpresa com a sua reação.
— Eu nunca senti ciúmes de você, porque eu nem gosto disso, disse com sinceridade. — Nós falamos sobre isso quando começamos a namorar, como era a minha vida, a sua vida...
— Sim, falamos.
— Eu não sei, sempre fomos só nos dois e a conexão que você teve com — ele disse encarando-a, fazendo com que arqueasse uma sobrancelha, não era isso que esperava ouvir.
— Conexão?
— É, o nunca tratou ninguém assim e a maneira que ele reagiu quando te viu — explicou. — Você reparou?
o encarou por alguns instantes, só para então responder:
— Sim, eu reparei — ela afirmou saindo de onde estava e sentando-se no seu lado da cama, onde dormiria depois.
apenas assentiu, sabia que ela iria dizer mais alguma coisa.
— Eu acho que eu lembro alguém que foi especial para o afirmou, demonstrando que realmente se importava com os sentimentos do amigo dele. — Você deveria falar com ele, ao invés de ter esse tipo de reação.
— Não pensei nisso.
— Pensaria, se não estivesse ocupado sentindo um ciúme sem necessidade — ela disse e o encarou. — Agora as coisas serão diferentes, as pessoas sabem sobre nós... você terá garotas a sua volta e eu terei caras a minha volta, mas isso não muda o que sentimos um pelo outro.
sorriu admirado, aquela mulher sempre sabia o que dizer.
— Certo — afirmou. — Eu fui um babaca.
— É, você foi e deveria pedir desculpas para o também — ela disse com sinceridade. — Foi bem esquisito aquilo na piscina.
assentiu, de fato tinha sido mesmo.
— Bom, já que resolvemos isso... — disse e a encarou.
olhou para ele confusa, agora não tinha ideia sobre o que mais ele queria falar.
— Eu forcei a barra em relação a sua mãe — afirmou, fazendo arregalar os olhos. — Quando eu fui embora daquele jeito e quando disse que queria conhecê-la.
Ela o encarou, engolindo em seco.
— É um assunto delicado para você, eu deveria ter conversado e depois entendido seu lado — ele afirmou e ela sorriu em agradecimento. — Desculpa amor, se eu fiz você se sentir como se devesse satisfações das suas coisas pessoais para mim, porque você não deve.
sorriu e sentiu uma lágrima escorrer do seu olho direito.
— Não chora, amor — disse e se inclinou para abraçá-la.
— Obrigada, por isso — disse abraçando-o, tudo isso significava muito para ela.
a soltou e depositou um beijo na testa de .
— Vamos dormir, porque temos poucas horas de sono e você precisa descansar — ele disse e ela apenas assentiu.



encarou a cidade e um sorriso largo se formou em seu rosto. Tinha amado os dias que passou em Londres, mas gostava demais de Nova Iorque e era bom retornar, não só para ela, mas para sua rotina e até mesmo para o seu trabalho — apesar de estar de férias — gostava da profissão que tinha escolhido. O cliente que ela iria encontrar em poucas horas não era só isso, também era um grande amigo, um pouco irresponsável, mas uma pessoa muito especial em sua vida.
Como era de se esperar, ela tinha enfrentado uma multidão de fãs pela manhã ao sair do hotel em Londres para ir em direção ao aeroporto e não foi diferente quando desembarcou no Aeroporto Internacional John F. Kennedy as onze horas da manhã. Como fez pela manhã, cumprimentou os fãs da banda de seu noivo, tirou fotos e depois se despediu dizendo que infelizmente tinha compromissos a cumprir.
No carro, seus pensamentos divagaram até tudo que vinha acontecendo, desde o seu noivado com um dos homens mais cobiçados do momento — até a multidão que a cercou em sua saída e chegada, sentia-se acolhida pelos fãs da banda, mas ao mesmo tempo era difícil imaginar que daqui para frente essa seria sua vida, completamente exposta.
Estava preparada para isso? Não saberia dizer.
Ela agradeceu a Taylor assim que chegaram ao prédio onde trabalhava e seguiu em direção a entrada do lugar. Respirou aliviada, quando percebeu que tudo estava calmo e parecia o de sempre, sentindo-se satisfeita porque ao menos o seu local de trabalho ainda estava preservado, ali não teria sua privacidade invadida, ao menos por enquanto.
cumprimentou os colegas e pode perceber que os olhares sobre ela tinham mudado, sem dúvidas por conta da revelação sobre seu noivado. Teve quase certeza de que sua secretária estava lendo algo sobre ela e em algum blog de fofoca, porque a mulher deu um pulo quando a viu e ouviu dizer um “Bom dia” rápido enquanto seguia em direção a sua sala.
Como de costume, ela se sentou em sua cadeira de frente para mesa e desbloqueou o computador para verificar o e-mail e o chat da empresa. Obviamente que ela não tinha nada para fazer, só estava ali para receber um cliente e falar com uma moça do RH e administrativo sobre o seu novo relacionamento, depois disso, voltaria para suas férias, querendo ou não.
— Srta. — sua secretária a chamou, ao adentrar a sala. — Ellie, do RH e administrativo, já está aqui. Posso mandá-la entrar?
— Claro — afirmou sorrindo para ela.
Ela respirou fundo assim que a viu sair e se levantou indo em direção ao outro lado da sala, onde tinha um espaço com sofás que usava para conversar com seus clientes no dia a dia. Sentou-se em uma das poltronas que ficava bem de frente para a enorme janela, dona de uma vista esplendida de NY e esperou por Ellie.
Estava nervosa, não tinha se preparado para a conversa, havia recebido uma ligação de última hora no dia anterior pedindo que ela viesse a empresa e usou seu voo apenas para descansar, estava exausta. Não só da noite que passou com que ainda rodeava seus pensamentos — mas do noivado e da festa na casa de .
fez uma anotação mental, para que se lembrasse de perguntar sobre ele a , no instante em que Ellie adentrou a sala.
— Bom dia, Ellie — disse assim que a mulher caminhou até ela e se levantou para cumprimentá-la.
— Bom dia, — ela disse sorridente e sentou-se na poltrona de frente para a dela. — Desculpa te chamar aqui de forma tão repentina. Você teve um voo tranquilo?
— Sim, tudo certo, sem problemas — ela afirmou, sorrindo em agradecimento pela preocupação dela.
— Despois me passa as contas, cobriremos qualquer despesa.
assentiu concordando, queria ouvir logo o que ela tinha para dizer.
— Eu só queria esclarecer algumas coisas, — Ellie disse encarando-a. — Primeiro queria te parabenizar pelo noivado. Depois, queria saber como sua relação pode nos impactar.
— Desculpa, não sei se entendi... — olhou um pouco confusa.
— Você será uma pessoa pública agora, . Quero saber como isso pode impactar no seu trabalho, afinal mora em Londres e você aqui nos Estados Unidos — ela explicou e a mulher assentiu, não tinha pensado muito sobre isso ainda. — Pretende se mudar para nossa filial em Londres?
— Não — respondeu prontamente. — Meu relacionamento não tem ligação alguma com meu trabalho, farei o máximo possível para que a empresa não sofra nenhuma consequência com a minha vida pública.
— Certo, não esperava nada diferente disso — Ellie disse de forma mais relaxada. — Eu odeio fazer isso, porque se você fosse homem, não estaríamos tendo essa conversa e sim fechando algum contrato com sua nova namorada.
riu fracamente.
— Tudo bem, Ellie. É o seu trabalho — ela disse e fez sinal para que a mulher prosseguisse, caso tivesse mais alguma coisa para dizer.
— É só isso mesmo, — Ellie disse já se levantando e faz o mesmo e estendeu a mão para ela.
As duas seguiram até a porta e era só alegria e alívio no coração, estava muito preocupada com o impacto que namorar poderia lhe causar.
— E — Ellie se virou para ela, antes de sair da sala de verdade. — Você é a nossa melhor advogada, estou feliz que queira continuar conosco.
abriu um sorriso largo.
— Muito obrigada, Ellie! — agradeceu.
— Agora, vá aproveitar suas férias — Ellie disse e saiu a sala.
voltou para sua mesa e sentou-se de frente para ela respirando pesadamente. Mal tinha conseguido dormir a noite toda pensando em como seria sua conversa com Ellie e era tranquilizador saber que tinha sido muito melhor do que ela esperava, havia acabado de vencer a primeira batalha de muitas que viriam pela frente.
Olhou seu relógio e viu que já passava do meio dia, ela tinha marcado de encontrar seu cliente — e amigo — por volta do 12h30, onde falariam sobre trabalho e depois tinham planos de almoçar juntos para colocar as coisas em dia. Ela aproveitou os quinze minutos que ainda tinha e decidiu navegar um pouco pela internet só para saber como andavam as notícias sobre seu relacionamento.
Como já era de se esperar tinham notícias boas e ruins, algumas diziam que ela só queria o dinheiro do , por isso esperou tanto tempo para revelar que era noiva dele. Outras diziam que eles formavam um casal muito bonito e que o integrante da estava visivelmente feliz e radiante por estar com ela e finalmente apresenta-la para o mundo.
se apegou as notícias positivas.
— Sr. Você não pode entrar aí — escutou a voz de Heather, sua secretária.
Franziu o cenho achando estranho e caminhou em direção a porta.
— Ela já está me esperando, não se preocupe — escutou a voz que conhecia bem e riu fracamente, ele nunca mudava.
Ela abriu a porta e logo deu de cara com o rapaz de cabelos lisos jogados para o lado, vestindo uma jaqueta de couro preta assim como o restante de sua roupa da mesma cor — e claro — um sorriso encantador estampado no rosto.
— Está tudo bem, Heather, obrigada — disse segurando o riso.
Ela se virou abrindo um sorriso e dando passagem para que o rapaz entrasse, mas foi pega de surpresa por ele que se aproximou levando uma das mãos até a lateral da cintura dela, puxando-a para um abraço apertado e depositando um beijo carinhoso na testa dela. Na maioria dos momentos, quase não se dava conta do quanto ele era alto perto dela e que — apesar da falta de responsabilidade na maior parte do tempo — ele vinha ficando cada dia mais adulto.
— Aaron — disse fechando a porta atrás dela. — Você podia ter dito para a Heather que é meu cliente.
— Foi engraçado vai — ele comentou rindo. — Vocês mudam de secretária muito rápido por aqui, eu mal tinha me acostumado com a última.
riu fracamente.
— Você é terrível, Aaron Becker — falou enquanto caminhava até as poltronas onde conversou com Ellie antes.
— Me chamou pelo nome completo, deve estar muito brava comigo — comentou de modo brincalhão, mas não acompanhou até as poltronas.
Aaron andou até a mesa dela e apoiou uma das pernas sobre a superfície, sentando-se ali.
— Você nunca muda, Aaron — disse encarando-o sentado na mesa sem tirar os olhos dela. — Desembucha logo.
— Quando ia me contar que seu namorado secreto era, ? — perguntou sem fazer rodeios, mas sem nenhuma forma de acusação em sua voz. — Porra, não se esconde quando está tendo a oportunidade de transar com um homem desses.
gargalhou, era inevitável não fazer isso quando se estava na presença de Aaron Becker.
Os dois tinham se conhecido ainda na faculdade, sempre foram muito diferentes, mas se deram muito bem desde o início. Ela estava totalmente concentrada em ser a melhor da turma, se formar e ter um bom emprego, enquanto ele cursava arquitetura e só conseguia pensar em ser músico e um dia ter uma carreira de sucesso, a faculdade era só um plano B.
Ela o encarou, pensando em como a amizade deles cresceu de forma tão rápida e lembrou em que momento passou a ser advogada dele e cuidar de toda sua carreira junto com seus empresários. Aaron sempre foi uma ótima pessoa, mas muito imaturo para um homem de vinte e quatro anos e que, infelizmente, não consegue parar de pular de um relacionamento para o outro.
Era sempre o mesmo círculo vicioso. Romance. Sexo. Fim de relacionamento. Processos. Exceto pela última vez, que ficou casado por seis meses com uma garota que mal conhecia.
? — escutou Aaron chamá-la e só então se deu conta de que tinha se perdido em pensamentos.
— Desculpa, me distrai — respondeu encarando-o. — Te convidei para o noivado, lembra? Você nem respondeu minhas mensagens.
— Desculpa, tive uns problemas na família — se justificou, realmente queria ter ido. — Contudo, estou surpreso.
— Por quê? é bom demais para mim? — Aaron revirou os olhos.
— Não fala bombagem, — ele disse e saiu da mesa, caminhando até ela. — Você que com certeza é boa demais para ele, ou melhor, para qualquer pessoa.
sorriu para ele.
— Antes de te dar mais detalhes — começou a dizer enquanto se ajeitava na poltrona. — Por que me pediu para vir até aqui?
— Adoraria dizer que é saudades, mas te chamei porque estou com problemas — Aaron bufou, seu humor tinha mudado drasticamente.
— Não estou surpresa.
— Engraçadinha — riu.
— Lembra da Amber? — ela fez que sim com a cabeça. — Ela está alegando que está esperando um filho meu.
Ela arregalou os olhos.
— Eu sei, eu preciso começar a tomar rumo na minha vida — ele disse bufando. — Só que agora isso não vai mudar o que já foi feito, mas esse filho não é meu .
— Aaron, eu sou formada em direito publicitário, não sei como posso te ajudar nisso — explicou enquanto pensava em algo.
— Eu sei, você é minha advogada junto a agência... porém, só confio em você para falar dos meus bens, contratos... você sabe.
o encarou, tentando processar a informação, ainda se lembrava do problemão que Amber tinha causado quando convenceu Aaron a fazer uma campanha publicitária com ela, que quase lhe arrancou milhões depois.
— Eu tenho um colega que pode te ajudar, vou falar com ele e vemos o que podemos fazer. Tudo bem? — perguntou lançando um olhar de compaixão.
— Não sei o que eu faria sem você — Aaron respondeu sorrindo e ela sorriu em resposta. — Não sei como sempre acabo me metendo nessas coisas.
abriu a boca para responder, mas parou ao escutar seu celular tocar. Ela fez sinal de licença para Aaron que apenas assentiu demonstrando que estava tudo bem e ela seguiu até sua mesa, ela sabia que aquele número era do sanatório e recusou a chamada, isso seria resolvido depois.
— Tudo bem? — Aaron perguntou, ao perceber a expressão dela.
— Sim — afirmou. — Você se mete nessas coisas, porque pensa com a cabeça errada, né?
Sua expressão estava mais relaxada e Aaron até riu com a observação.
— Odeio admitir, mas você está certa — ele concordou rindo.
— Eu sempre estou — riu fracamente.
— Bom, ainda quero saber mais sobre esse relacionamento. Você está livre para almoçar? — Aaron perguntou se levantando.
— Sim, eu estou de férias.
Ele franziu o cenho, um pouco confuso.
— Eu só vim até aqui porque você me ligou e eu também tinha que falar com o RH — explicou e caminhou até sua mesa, para pegar sua bolsa e celular que tinha deixado na mesa.
— Você deve me amar muito — Aaron disse já abrindo a porta.
gargalhou e o acompanhou para fora da sala, tentando jogar para longe qualquer pensamento sobre a ligação que tinha recusado minutos antes. Era a primeira vez que ia sair com ele em meses e poder falar sobre seu relacionamento com , sem ter que esconder nada e viver sempre a sombra de seus segredos, queria poder usufruir disso, sem nada para atrapalhar.

INGLATERRA, LONDRES — CHELSEA.



acordou bem cedo, tinha dito para Lexie que iria buscá-la no aeroporto. A primeira coisa que ele fez ao sair da cama foi ir em direção a enorme janela do seu quarto e observar a paisagem deslumbrante, com um céu absurdamente azul e o sol que já brilhava apesar de ainda ser nove horas da manhã.
Sua cabeça ainda doía e ele conseguia se lembrar de poucas coisas da noite anterior, mas é claro que tudo que envolvia a noiva do seu melhor amigo — estava fresco em sua memória, ele sabia que isso seria impossível de não recordar. O sorriso, o cheiro, a voz, o olhar...tudo estava gravado nele, querendo ou não, sentia-se afetado por ela.
O banho matinal não foi nem demorado e nem rápido demais, mas levou tempo suficiente para que ele se perdesse em pensamentos sobre a noite do noivado e a festa em sua casa no dia anterior. Pensou que se sua cabeça estava doendo tanto, é porque provavelmente tinha sido muito mais intensa do que ele esperava e não sabia se tinha coragem de perguntar a ou aos seus integrantes de banda — tudo que tinha acontecido.
encarou seu reflexo no espelho e bufou frustrado. Estava com olheiras enormes, sem falar na expressão de cansaço que emanava dele, tinha passado totalmente do limite na quantidade de álcool que havia ingerido e sentiu-se culpado por isso, logo trazendo de volta a sua mente a pessoa dona de toda sua racionalidade.
.
Contudo, dessa vez não deu lugar para ela em seus pensamentos por muito tempo. Fechou o último botão de sua camisa e caminhou em direção a saída do seu quarto, passando rapidamente pelo corredor e indo direto para a garagem pegar seu carro e buscar Lexie.

O caminho até o aeroporto tinha sido sem muito trânsito e tranquilo, o que fez a alegria de . Sua cabeça estava doendo sem parar e ele começou a pensar na possibilidade de ceder e tomar algum comprimido para dor — não era muito fã de remédio — enquanto estacionava seu carro e descia dele já indo em direção a entrada do lugar.
Não estava muito cheio, mas claro que ele não passou despercebido pelos seus fãs presentes ali. Deu autógrafos, conversou, tirou fotos e depois disso seguiu até uma ala de espera a sentou-se em um espaço com cadeiras que tinha ali, estava cansado demais para ficar em pé até que sua amiga finalmente chegasse.
Ele encarou o relógio algum tempo depois e viu que já passava das dez horas, o que indicava que logo o avião em que Lexie estava pousaria. Pensou em ir até a área de desembarque, mas decidiu que antes precisava ligar para uma pessoa e sacou seu celular do bolso já indo em direção aos contatos ao desbloquear, estava na lista de favoritos.
— escutou a voz sonolenta de do outro lado da linha e riu fracamente. — Aconteceu alguma coisa?
Ele olhou o relógio mais uma vez, para ter certeza de que não estava louco e que poderia ser cedo demais. Sua mente vinha mesmo lhe pregando peças.
, já passa das dez horas — disse encarando seu relógio e um sorriso fraco se formou em seus lábios.
Hm — o rapaz resmungou, era visível para que ele tinha acabado de acordar.
— Cara, precisa de mais 5 minutos e aí eu te ligo? — disse rindo do amigo.
Não, é que eu fui dormir tarde e acordei depois para levar a no aeroporto — ele explicou e um aperto pairou sobre o coração de .
Ela teria ido embora? A ideia lhe assombrou de imediato.
— Ela foi embora? — perguntou, tentando conter o desespero em sua voz.
Não, só precisou ir resolver algumas coisas do trabalho informou calmamente e ele percebeu que estava tudo bem entre eles, que suas atitudes não o tinham incomodado.
Sentiu-se aliviado, não só porque estava tudo bem em sua relação com , mas também, porque tinha apenas viajado a trabalho.
Você ainda não disse por que ligou.
— Você é tão gentil — respondeu de forma debochada. — Se arruma e vai lá para casa.
Para que? — indagou o rapaz do outro lado da ligação.
, só se arruma, e vai lá para casa, por favor — pediu e interrompeu a ligação, antes que fosse questionado.
encarou a tela do seu celular e o devolveu para onde estava antes, seu bolso, e depois seguiu para a área de desembarque para encontrar Lexie que já devia ter pousado há algum tempo.

Lexie estava ansiosa para chegar em Londres, sua viagem tinha sido tranquila e ela havia acabado de desembarcar no Aeroporto Internacional de Londres. Ela desceu as escadas do avião e sorriu ao ver o país que tanto amava, era bom saber que agora passaria a maior parte do ano nele, já fazia tempo que queria voltar.
Enquanto esperava para pegar sua mala na esteira de bagagem seus pensamentos correram até , e aquela era a primeira vez em anos que ela pensava com tanta frequência na amiga da forma como acontecia agora. Desde que tinha visto as fotos de com sua noiva — com o mesmo nome da falecida amiga — ela não saia de seus pensamentos nem um minuto do dia.
Claro que, também pensou em . Não conseguia dizer em palavras o que ela imaginava que ele poderia estar sentindo após encontrar a noiva do melhor amigo, os dois tinham se falado só um pouco quando ela ligou para ele, mais foi fácil perceber que aquilo o tinha afetado em proporções catastróficas.
Ela terminou de pegar sua mala e assim que se virou, estava a poucos metros de distância encarando-o. Sua reação foi rápida, seus pés caminharam até ele e os braços agarraram o pescoço de em um gesto de carinho e consolo, e ela soube que ele estava precisando disso, no instante em que os braços do rapaz envolveram sua cintura e um suspiro saiu de seus lábios.
Ficaram no abraço por um tempo, até seus olhos se encontrarem.
— Obrigado — disse levando as mãos até a mala de Lexie e pegando-a.
Ela sorriu com a atitude e levou as mãos até o cabelo dele, afastando uma mecha que caia sobre seus olhos. Um gesto inesperado pelos dois.
— Como você está? — Lexie perguntou, na tentativa de quebrar o “clima” que tinha se formado ali.
— Bem — afirmou fazendo sinal para que eles seguissem caminhando.
— Sério? — riu fracamente, era a mentira mais deslavada que ele contava em um bom tempo. — , eu estou até agora arrepiada só com a foto, imagina você que a viu pessoalmente.
Ele assentiu e continuou caminhando, estavam indo de volta para o estacionamento onde tinha deixado o carro.
...
— Lexie, eu ainda estou tentando processar tudo — ele disse e caminhou em direção ao carro, tinham acabado de chegar no estacionamento.
— Certo.
adentrou o carro e ela fez o mesmo. Ele levou as chaves até o contato e girou já ligando o veículo, mas parou para olhá-la.
— Eu vou me abrir quando estiver pronto, tudo bem? — perguntou encarando-a.
— Claro — Lexie respondeu esboçando um sorriso largo.
Ele deu partida no carro e logo pegou a estrada principal, seguindo para sua casa. O caminho foi calmo e rápido, exatamente como a sua ida ao aeroporto para buscar a amiga, e claro que deu graças a deus por isso, sempre odiou trânsito.
Os dois seguiram direto para dentro da casa, enquanto não parava de tagarelar sobre como estava animado por ela ter aceitado fazer parte da equipe de assessoria da banda, e também mencionou que estava feliz em tê-la de novo por perto, o que não passou despercebido pela garota, que deixou escapar um sorriso.
Também estava feliz.
— Jayce, Dylan e Alex já estão chegando — comentou enquanto caminhava em direção a cozinha da casa, seguido pela amiga. — Queria falar uma coisa com você, antes deles chegarem.
— Certo.
— Eu estava pensando em voltar para Holmes Chapel, passar uns três dias por lá — comentou de forma direta.
— Isso tem a ver com a , né? — Lexie perguntou sem tirar os olhos do amigo.
riu fracamente e concordou com um aceno de cabeça.
— Se acha que isso vai te fazer bem, eu acho que deve ir — ela disse e sorriu para ele.
— Queria que fosse comigo — revelou, pegando-a de surpresa.
— Ir com você?
— Por que não? — ele questionou, enquanto caminhava pela cozinha pegando algumas panelas.
— Tudo bem, mas...
— E aí, casal — Alex disse irrompendo pela cozinha, cortando o que Lexie ia dizer.
— Interrompemos algo? — Dylan perguntou encarando-os.
Jayce apenas observou tudo.
— Não, eu e o só estamos querendo voltar para Holmes Chapel e aproveitar o fim das férias — ela disse e os olhos de foram parar nela. — Vocês topam?
olhou confuso, não era esse o plano.
— Claro! — todos concordaram.
Ele apenas abriu um sorriso amarelo e encarou a amiga, que sorria animada. Até parecia estar planejando algo.

ainda estava exausto da noite passada e pretendia ficar no hotel dormindo o dia inteiro, se não fosse por ligando e dizendo para ele ir até a casa dele, não era surpresa nenhuma que não teria um dia de paz. Tomou um banho, ligou para que não atendeu nas duas vezes — viu algumas notícias e depois seguiu em direção a casa do .
O dia em Londres estava estranhamente ensolarado e ele até agradeceu por isso, pela primeira vez em muito tempo, sentia-se um pouco cansado do frio, era bom um calorzinho para variar. Enquanto dirigia até a casa do melhor amigo e colega de banda, pensou na noite anterior com e sorriu, era incrível a falta que já estava sentindo dela.
Só tinham poucas horas que estavam separados, mas para ele parecia uma eternidade.
Também lembrou da conversa que teve com ela e sentiu-se aliviado em relação a isso, mas ainda tinha mais uma coisa para resolver, teria que falar com sobre a reação dele no dia que o amigo estava indo embora do seu noivado e também sobre a forma que ele falou com na piscina, quando pulou para ajudar . Não queria deixar uma mal estar entre eles.
estacionou o carro de frente para a enorme mansão de e caminhou até a porta de entrada, nem precisou tocar a campainha, tinha intimidade o suficiente para entrar direto e anunciar que tinha acabado de chegar. Lexie, a amiga de que o ajudou na fuga pra Londres, estava na enorme sala da casa e levantou para cumprimentá-lo assim que notou sua presença.
— Achei que viria com a noiva — Lexie disse afastando-se do moreno.
riu fracamente.
— Ela precisou viajar a trabalho, mas vocês ainda vão se conhecer — disse passando os olhos pelo ambiente e procurando pelo amigo. — Cadê o ?
— Na cozinha, preparando algo para comermos junto com os rapazes — Lexie disse e ele riu fracamente, já se direcionando até lá.
Sabia que o amigo não era o melhor cozinheiro do mundo, logo era estranho que estivesse fazendo algo para comer.
— Ah, agora está explicado — disse ao entrar na cozinha e ver Alex preparando a comida. — Achei estranho mesmo, quando a Lexie disse que você estava cozinhando, .
riu fracamente e mostrou o dedo do meio para o melhor amigo.
— Se não é a bela adormecida — Alex disse rindo.
Jayce e Dylan gargalharam com o comentário, enquanto Lexie ria ao observar a banda.
— Ah! Eu preciso contar uma novidade para vocês — disse enquanto tentava ajudar Alex com a comida.
Lexie apenas observou, sabia do que ele estava falando.
— Fala aí — Jayce disse curioso.
— Jayce adora uma fofoca — comentou Dylan rindo, fazendo todos rirem.
— Cala boca — Jay rebateu, mas estava achando graça.
— Posso falar? — pediu.
— Para de enrolar e fala logo — pediu rindo
Lexie estava rindo a essa altura, concluindo que seria divertido trabalhar com a .
— Lexie aceitou trabalhar na assessoria da banda — disse animado, enquanto encarava a garota que parecia um pouco tímida.
Os rapazes ficaram muito mais felizes do que ela esperava e a abraçaram, dizendo que ela era muito bem-vinda a equipe e que eles estavam empolgados para tê-la trabalhando com eles e trazendo ideias para tudo que pudesse ajudá-los na carreira de alguma forma. Eles eram contagiantes, Lexie não podia engar, e aos poucos, estava começando a sentir parte da banda.
— Tem outra cosia — disse, se lembrando de Holmes Chapel, já que não sabia sobre isso ainda.
está cheio de novidades hoje — disse, arrancando risadas dos outros ali presentes. — O que foi agora?
— Vamos para Holmes Chapel, passar uns dias — explicou. — Topa?
ponderou sobre a possibilidade de voltar logo, mas achou que seria uma boa ideia passar um tempo com a banda e com , até para que pudessem conversar.
— Claro! — concordou empolgado.
— Antes de continuar, e a Megan, Dylan? — Alex perguntou de forma provocativa.
— Não que seja da sua conta, mas ela precisou viajar — Dylan respondeu de forma seca.
— Quem é Megan? — Lexie perguntou para .
— A gente precisa te contar algumas coisas — Alex disse puxando-a para ajudá-lo.
Ela precisava mesmo saber das coisas e tratou de se inteirar de tudo, enquanto faziam o almoço.

ESTADOS UNIDOS, NOVA YORK — MANHATTAN.



não parava de gargalhar nem por um minuto quando estava na presença de Aaron, e sempre se surpreendia com a capacidade que ele tinha de fazer com que ela se sentisse completamente à vontade, como se os dois se conhecessem de uma vida inteira. A amizade dele era leve, sentia que nunca precisava esconder quem ela era de verdade e principalmente sua vida, e não era atoa, que mesmos sem saber o nome de , ela contou a ele que vivia um relacionamento escondido.
Os dois tinham decidido almoçar em um restaurante de comida Italiana que costumavam ir na época em que estavam na faculdade. O lugar era calmo, com uma decoração vintage e perfeito para poder conversar sem ser interrompido a todo momento por pessoas passando ao lado da sua mesa, já que tinha um lugar reservado, como se fosse uma salinha, para cada “casal” ou grupo de amigos almoçar.
Ela encarou o amigo e sorriu, pensando em como era bom tê-lo por perto.
— O que foi? — Aaron perguntou antes de levar sua taça de vinho até os lábios.
deu de ombros.
, eu sei que tem alguma coisa. Você está um pouco quieta desde que saímos da empresa — ele disse encarando-a enquanto apoiava os talheres no pato.
Ela bufou e fez o mesmo com seus talheres, mas antes de pensar em dizer algo, deu um longo cole em seu vinho rose.
— Eu recebi uma ligação, como sempre, tenho que resolver problemas relacionados a minha mãe — ela disse encarando-o.
Ela nunca chegou a contar para ele que precisou internar sua mãe, mas ele presenciou todas as dificuldades que viveu com a mulher e na maior parte do tempo abria sua casa para que ela ficasse lá por um tempo, apenas para ter alguns momentos de paz.
Aaron a encarou por alguns instantes, antes de dizer:
— O que ela fez agora, ?
— Tanta coisa — ela riu fracamente e voltou a pegar os talheres, mexendo em sua macarronada. — Eu preciso ir em um lugar, você poderia ir comigo?
— Claro!
Ela sorriu em agradecimento.
— Acho que deveríamos sair mais tarde — comentou e encarou um pouco confusa. — Como nos velhos tempos, uma noite entre amigos.
— Só posso concordar — ela disse empolgada. — Só que por favor, não me faça passar vergonha.
— Você decidiu ser minha pessoa favorita no mundo, — Aaron começou a dizer, mas fez uma pausa para tomar um gole de seu vinho. — Vai sempre passar vergonha.
Ela gargalhou e sorriu para ele, sentindo-se agradecida por tê-lo em sua vida.

encarou a paisagem passar por seus olhos enquanto o carro entrava e saia das ruas movimentadas de Nova York. Ela respirou pesadamente e se virou para olhar Aaron que dirigia enquanto cantava uma das músicas dele que tocava no rádio, fazendo com que ela soltasse uma leve risadinha e levasse as mãos até o som, aumentando o volume da música.
Os pensamentos dela estavam perdidos em sua mãe. Sempre se sentia extremamente cansada quando tinha que visitá-la, mas dessa vez em especial, ela teve a sensação de que todas as suas energias haviam sido esgotadas, não queria mais viver isso. Pela primeira vez em muito tempo, desejou que pudesse fingir que essa parte de sua vida não existia, ou nunca existiu.
Só queria viver sua vida com um pouco de paz.
Depois de quase trinta minutos de trânsito, Aaron encostou o carro de frente para o sanatório sem esboçar surpresa alguma quando ela olhou para ele. Seus olhos encararam os dele por algum tempo após o carro ser desligado e depois ela os desviou em direção ao enorme prédio com aspecto antigo, desejando que um dia não precisasse mais voltar para aquele lugar.
— Posso te esperar aqui, se quiser — Aaron disse para quebrar o silêncio que pairava.
sorriu para ele.
— Você se importaria de ir comigo? — ela perguntou, pegando-o de surpresa.
— Não, claro que não — ele afirmou, já se virando para sair do carro.
Ele a acompanhou e segurou a mão do amigo em um gesto inesperado assim que atravessaram a porta de entrada. O lugar ainda era o mesmo de sempre, sem vida alguma, com as paredes brancas e tudo perfeitamente organizado, dando um ar ainda mais intimidador.
Os dois caminharam até a recepção e logo se identificou avisando que estava ali para ver Giordana e foi informada mais uma vez, de que a mulher se encontrava no jardim com os outros pacientes. Como sempre ela preencheu os papeis, entregou para a recepcionista e seguiu — ainda de mãos dadas com o amigo — ao encontro de sua mãe, junto de uma enfermeira.
O dia em Nova York estava estranhamente ensolarado e dava um ar bonito para o jardim cheio de flores e arvores. Naquele espaço do sanatório, você até se esquecia de que estava naquele lugar, era como se estivesse em uma casa muito bonita para passar uma tarde tranquila, exceto que, sabia que não tinha nada de tranquilo no ambiente.
Dessa vez sua mãe não se encontrava na estufa, e sim regando algumas flores no jardim mais a frente, e logo os olhos da mulher caíram sobre , que apertou a mão de Aaron em instinto. O rapaz olhou para ela e retribuiu o gesto apertando sua mão de volta e avisando com o olhar, que não se importava de ficar com ela, que aceitou de bom grado.
— Eu vou continuar aqui, devido aos acontecimentos da última visita — a enfermeira que os acompanhava disse um pouco antes de se aproximarem demais da mulher.
apenas assentiu.
— Giordana disse animada, encarando a filha.
— Oi, mãe — ela respondeu, sem se aproximar muito.
— Quem é o moço bonito? — a mulher perguntou encarando Aaron, que sorriu.
— Sou Aaron — ele disse de forma calma.
Giordana sorriu por alguns instantes em direção ao rapaz e depois se inclinou, abraçando-o e fazendo com que soltasse a mão do amigo.
— Por que não trouxe o outro rapaz? — ela disse se soltando do amigo e direcionando o olhar para a filha. — Como é mesmo o nome dele?
.
Aaron sabia com aquilo estava sendo difícil para a e por isso levou as mãos até as costas dela acariciando o local na intenção de acalmá-la.
— Isso — afirmou sua mãe, depois de algum tempo. — Por que ele não veio?
— Mãe, não estou aqui para falar sobre o , tudo bem? — falou tentando não ser tão dura. — Como você está? Estão cuidando bem de você?
A mulher encarou a filha e um sorriso se formou nos lábios dela, como se estivesse analisando e ao mesmo tempo lembrando de algo que lhe agradava.
— Mãe? — perguntou, tentando conter o nervosismo e voltou a segurar a mão de Aaron.
— Sim — a mulher respondeu, como se nem tivesse escutado o que ela tinha dito.
— Estão te tratando bem?
— Você acha que dá para ser bem tratado em um lugar como esse? — a mulher perguntou, seu olhar agora era sombrio.
respirou fundo e apertou a mão do amigo.
— Eu não vou discutir isso com você — afirmou séria, não iria mesmo.
A mulher se aproximou da filha e levou uma das mãos até o braço livre de , fazendo Aaron dar um passo a frente, ficando quase entre as duas.
— Eu sinto sua falta — ela disse de forma carinhosa, vendo a filha estremecer com o toque.
, nós estamos um pouco atrasados... acho que precisamos ir — Aaron disse se virando para a garota, que sorriu em agradecimento.
Giordana encarou o rapaz de forma séria, não era idiota para acreditar naquela desculpa e segurou o pulso de , fazendo com que a enfermeira se aproximasse e levasse as mãos até a da mulher, dando a entender que ela deveria soltar a filha.
apenas observava tudo, como se estivesse paralisada, só esperando pelo próximo gesto agressivo da mulher que chamava de mãe.
— Tudo bem, está tudo bem — Giordana disse como se estivesse falando para si mesma e soltou o braço da filha.
caminhou de forma rápida de volta para a parte de dentro do sanatório, sentindo que suas pernas nem pertenciam mais ao seu corpo. Era sempre uma sensação de desespero estar perto de sua própria mãe, e quando se afastava, tinha aquele sentimento de que estava sendo sufocada apenas por estar na presença da mulher, recebendo a sensação de alívio depois, como alguém que retorna a superfície após se afogar.
Ela tentou acalmar a respiração por alguns instantes e depois pediu para falar com a mulher que a tinha atendido há algumas semanas quando recebeu a notícia de que sua mãe poderia começar a receber visitas, precisava resolver isso logo, adiar não estava diminuindo toda a agonia que vinha sentindo.
? — uma voz de mulher a chamou pelo nome e ela caminhou até lá, seguida por Aaron.
— Oi, eu sou a filha da Giordana , nos falamos há algumas semanas — ela disse de forma direta. — Eu queria conversar novamente, Rute, certo?
— Isso — Rute afirmou e sorriu gentilmente.
— Quero saber como andam os trâmites, se tem algo que eu possa fazer para ela permanecer aqui. — disse de forma direta, pegando até Aaron de surpresa.
— Srta. , como eu te expliquei aquele dia, o médico faz uma avaliação....
— Eu entendi — disse cortando a mulher. — Quero saber quais são os critérios da avaliação de vocês. Ela está aqui há 8 meses e toda vez que venho neste lugar eu sinto...
Ela parou de falar e desviou o olhar, sentindo seus olhos queimarem e tanto Aaron quanto a mulher permaneceram em silêncio.
— Não vejo melhora — disse firme.
— A Srta., pode pedir uma reavaliação de outra clínica se quiser, juntamente com um advogado — explicou.
— Ótimo, aguardem meu contato — disse e se virou para ir embora, só queria sair daquele lugar.

andava de um lado para o outro pensando no que tinha acontecido no sanatório. Não era nenhuma novidade para ela, mas o cansaço e a frustração que sentia era diferente de tudo que ela já havia sentido nos últimos meses, não aguentava mais viver nesse círculo vicioso e queria acabar de uma vez por todas com isso.
Aaron a encarava um pouco preocupado, ele estava sentado em um dos sofás da enorme cobertura há pelo menos trinta minutos desde que tinham chegado. Queria dizer alguma coisa que pudesse ajudar a amiga, mas não sabia exatamente o que, era a primeira vez que tinha visto-a tão afetada por algo.
encarou o celular e deu um leve salto quando o viu acender.
— Alô — Ela disse apressada. — Sr. Warren, é .
Desculpe, eu estava em uma reunião — o homem do outro lado da linha falou apressado. — Em que posso ajudar Srta. ?
— Eu queria saber se poderíamos iniciar aquele processo, Sr. Warren — explicou.
Certo. Eu tenho uma lista de ótimas clínicas que posso entrar em contato — ele disse e Van concordou. — A não ser que tenha algo em mente.
— Não, eu não tenho, pode fazer uma lista e aí nos encontramos para decidir. Pode ser?
Claro — Warren concordou educadamente.
— Eu quero pedir uma reavaliação, não acho que aquele lugar tenha feio um diagnóstico preciso — disse enquanto sentia um nó na garganta.
Certo, te retorno em alguns dias — Warren disse e desligou.
jogou o celular no sofá e sentou-se nele soltando a respiração que nem tinha se dado conta de estar segurando. Ela queria resolver essa questão de uma vez por todas, mandar sua mãe para uma clínica onde ficasse bem cuidada, mas que não tivesse chance alguma de conviver com ela de novo, nem mesmo aos finais de semana.
Tinha vontade de chorar e gritar só para tentar se livrar da sensação em seu peito. Olhou para Aaron que a encarava e sorriu em cumplicidade, nem sabia como agradecer em palavras o que ele tinha feito por ela mais cedo no sanatório. Sabia que não teria conseguido se encontrar com sua mãe sem a presença dele e muito menos sem todo o suporte que ele lhe proporcionou.
, se quiser conversar... — Aaron começou a dizer enquanto encarava a amiga.
— Eu não sei o que dizer — ela disse com a voz trêmula.
viu seu celular se ascender, era , mas preferiu recusar e ligar para ele depois.
— Pode me dizer o que quiser, sabe que não vou julgar — o rapaz disse encarando a amiga.
Ela levou as mãos até o rosto apoiando os braços sobre os joelhos e lágrimas começaram e escorrer por seu rosto.
— Desculpa, eu...
, não faz isso — Aaron disse e se levantou indo em direção ao sofá onde ela estava. — Você não precisa se desculpar por nada.
Ele se sentou ao lado dela e a puxou para si, fazendo com que encostasse a cabeça no peito dele e passou o braço por ela.
— Você não precisa me dizer nada, se não quiser — disse enquanto acariciava o braço de de forma carinhosa.
Ela soluçou e ele soube que estava chorando ainda mais do que antes.
— Eu odeio que isso esteja acontecendo com você, — Aaron disse e depositou um beijo no topo da cabeça da amiga.
Ele não viu, mas ela sorriu com o gesto e o apertou contra ela.
— Onde você esteve, Aaron? — ela perguntou entre soluços e ele sentiu uma dor no coração naquele momento.
— Eu sei, me desculpa — falou com a voz carregada de remorso. — Prometo que não vai mais acontecer.
sorriu mais uma vez.
— Eu acho bom, porque se não for ao meu casamento, eu te mato — falou rindo, enquanto limpava as lágrimas.
— Vou morrer sabendo que você vai estar feliz, tudo bem para mim, — ele disse e ela riu fracamente.
Era a primeira vez, que tinha decidido se abrir completamente sobre sua mãe e assim fez, nas horas a fio que passaram na sala daquela cobertura, conversando e colocando tudo em dia, após meses afastados.

INGLATERRA, LONDRES — HOLMES CHAPEL.

Sugiro escutar “Someone You Loved” do Lewis Capaldi.



estava empolgado por estar de volta a Holmes Chapel, diferente do sentimento de agonia que sentiu quando voltou para o vilarejo há algumas semanas, agora ele se sentia estranhamente empolgado. Tinha acabado de estacionar de frente para a casa da sua mãe e estava retirando algumas coisas do porta malas que tinha trazido de sua casa para passar os três dias.
Havia algumas coisas em mente para os poucos dias que iria ficar e pretendia começar alguma delas logo, então foi direto para o seu quarto na intenção de tomar um banho e sair. Os rapazes estavam marcando de fazer alguma coisa só de noite e por isso ele sabia que teria um tempinho sozinho ao longo do dia, o que era bom, precisava mesmo colocar algumas ideias no lugar e pensar em tudo que tinha acontecido nos dois últimos dias.
Os pensamentos dele estavam exatamente onde ele sabia que estaria se voltasse para a cidade, ela sempre vinha ao seu encontro e era tomado de uma nostalgia inexplicável. As lembranças ligadas a ela e ao lugar eram muitas, os anos que passou ao lado dela até aquele acidente que a tirou dele com a mesma rapidez que ganhou, causavam tudo isso.
sentiu a água bater em seu corpo e respirou fundo, só queria se livrar de todo aquele sentimento, seguir em frente, mas tinha sempre aquela percepção de que seria muito difícil com a aparição da noiva de . Não conseguia deixar de pensar nisso nem por um minuto, a dança que tiveram na noite do noivado — um dos momentos que mais o marcou — a forma como ela o tratou.... Tudo o fazia sentir-se conectado a ela.
— Eu preciso seguir em frente — disse a si mesmo enquanto desligava o chuveiro.
Ele se trocou rápido e logo desceu as escadas da casa, de onde estava conseguia ver os rapazes conversando na enorme sala. Ainda não tinha visto sua mãe e sua irmã porque parecia que elas tinham saído para um passeio e só voltariam a noite, o que também era bom, não sabia se estava preparado para falar sobre tudo que vinha sentindo com elas.
Sabia que não ia conseguir esconder.
caminhou até a porta de entrada e deu de cara com Lexie, que acabara de entrar.
— Vai sair? — ela perguntou um pouco surpresa.
— Sim, quero ir em um lugar — explicou sorrindo fraco. — Consegue entreter eles enquanto isso?
— Tem certeza de que quer ir sozinho? — Lexie perguntou olhando-o de forma compreensiva.
sorriu e desviou o olhar para os amigos e depois para ela, antes de dizer:
— Sim, preciso de um tempo sozinho.
— Certo, se precisar estou aqui — Lexie informou e seguiu seu caminho até onde o resto dos rapazes estavam.

dirigiu por um longo tempo até decidir finalmente ir onde queria desde o início, era a primeira vez que estava indo até aquele lugar depois de sete anos. Sabia que seria muito mais fácil fazer aquilo na companhia de alguém, mas também tinha a consciência de que precisava estar ali sozinho, por conta própria.
Ele saiu do carro e decidiu ir caminhando até o local. Suas mãos estavam um pouco trêmulas e o coração acelerado, quando pensou naquele lugar ao longo dos sete anos que se passaram, jurou que jamais teria coragem de um dia voltar. Contudo, lá estava ele, caminhando até ali como se aquela fosse a única forma de reviver sentimentos que tentou afastar por tanto tempo.
Ele levou as mãos até os bolsos e encarou o imenso lago a sua frente. O lugar estava estranhamente igual a anos atrás, nem mesmo a cor da água parecia ter mudado, a única diferença é que na noite daquele terrível acidente tudo parecia escuro, sombrio e sem vida. Uma parte de ainda conseguia se lembrar do desespero que sentiu ao ver o carro derrapar, ouvir o grito de e como tentou de toda forma evitar que aquilo acontecesse, ainda se sentia culpado.
— Você acha que é uma boa ideia sairmos nessa chuva? — perguntou encarando-o.
riu fracamente, ela se preocupava demais.
— Acha que a chuva pode ser pior que a ira da sua mãe? — ele perguntou encarando-a, que riu com a comparação.
— É, pensando por esse lado... — comentou encarando a chuva que caia incansavelmente do lado de fora da casa.
caminhou até ela e a abraçou por trás, envolvendo os braços em seu corpo.
— Você acha que estou me preocupando demais? — perguntou virando-se para ele.

Ele sentiu cada parte dos eu corpo se arrepiar com a rápida lembrança.
— Você nunca se preocupou demais — concluiu, como se ela fosse capaz de ouvir o que ele tinha a dizer.
Desejou pela milésima vez, como fez nos últimos sete anos, que ele nunca tivesse saído naquela chuva, hoje entendia que a ira da mãe de seria muito melhor comparado ao que aconteceu naquela noite. Respirou fundo e sentiu lágrimas caírem sobre suas bochechas, mas as limpou rápido, chorar não ia mudar nada do que tinha acontecido.
Estava ali para se despedir e não para se lamentar, e era isso que iria fazer.
Deixou sua mente divagar mais uma vez e pensou na do presente, a noiva de . Sua mente voltou mais uma vez ao dia do casamento, em como ela aprecia feliz e realizada por estar ao lado dele, pensou nas semelhanças que tinha com a sua e seus pensamentos voaram até seu melhor amigo.
estava feliz.
Ele queria a felicidade dele.
Precisava se desapegar do passado, se não quisesse estragar isso.
Estaria disposto a fazer isso? Era uma resposta difícil de encontrar.
Contudo, estava disposto a tentar.
agora, teria que ficar em seu passado.

estava achando estranho ter saído sozinho sendo que chamou toda a banda para vir até Holmes Chapel com ele, então ligou para o amigo, que não atendeu em nenhuma das quatro vezes. Bufou frustrado, porque parecia que ninguém queria atendê-lo hoje, afinal já tinha ligado para algumas vezes também, e nada de ser atendido.
Estava começando a ficar preocupado com a noiva, já que a última notícia que tinha sobre ela era a de ter chegado no aeroporto e ter sido recebida por diversos fãs da banda. Estava prestes a ligar para ela de novo, quando viu a foto da garota aparecer na tela do seu celular, lhe arrancando um largo sorriso. Estavam sempre conectados, tinha certeza disso.
— Amor — disse ao ouvir a respiração dela do outro lado da linha.
Oi, amor disse de forma calma e ele sorriu ao escutar a voz dela, tinha algo de estranho.
— Está tudo bem? — perguntou apressado.
Não gostava da ideia de que poderia ter acontecido algo de ruim com ela.
Sim, só estou cansada da viagem — escutou ela dizer e relaxou. — Desculpa não ter atendido, eu estava com Aaron e fui visitar minha mãe.
— Aaron? — perguntou um pouco confuso, se tinham falado sobre ele, não se lembrava.
Meu cliente explicou e ele pode ouvir alguns barulhos do outro lado da linha.
Seu melhor amigo também — escutou uma voz masculina e jovem gritar.
É, meu melhor amigo também riu enquanto falava isso para o noivo.
riu, era bom saber que ela não estava sozinha.
— Quando vou conhecê-lo? — perguntou animado, mas sem nenhuma segunda intenção na voz. — Gosto de conhecer as pessoas que são importantes para você.
Acho que você já o conhece riu, pensando que Aaron já tinha feito a abertura de um show da .
— Não entendi.
Aaron Becker.
— Não acredito — disse levantando-se de onde estava deitado, ao ouvir um barulho de carro sendo estacionado do lado de fora. — O cara é ótimo.
Sim, ele é concordou rindo. — Mas, podemos marcar algo, claro. ficou em silêncio e olhou através da janela descendo do carro e caminhando até a entrada da casa, sabia que era o momento certo para ir conversar com ele.
? chamou por ele.
— Desculpa, amor — ele disse enquanto descia as escadas. — Posso falar com você depois? Você vai ficar bem? Preciso falar com .
Eu estou bem, — ela riu. — O está bem? Quase me esqueci de perguntar, afinal ele bebeu demais.
— Sim, ele só bebeu demais — riu fracamente.
Certo, eu te ligo mais tarde, então. Tudo bem?
— Vou esperar. Eu te amo, disse sorrindo.
Eu também amo você, até mais tarde! — escutou ela dizer, lhe arrancando um sorriso e a ligação foi interrompida.
guardou o celular no bolso e caminhou até a sala de estar, mas o amigo não estava lá. Como sabia que tinha um estúdio naquela casa também e que adorava ficar lá, se direcionou até o lugar enquanto repassava em sua mente algumas coisas que tinha para dizer ao amigo.
Ele empurrou a porta do estúdio e logo deu de cara com tocando violão. O rapaz parou o que estava fazendo e o encarou um pouco confuso, estava acostumado a ficar ali sozinho e não ser interrompido, principalmente por que era o que mais sábia o quanto ele gostava de ficar horas a fio ali dentro, compondo.
— E aí, cara — disse depois de fechar a porta atrás de si.
— Está tudo bem? — perguntou um pouco preocupado, enquanto colocava o violão de lado.
— Sim — afirmou enquanto se recostava na parede. — Você está ocupado?
— Não, pode falar — disse encarando o amigo, um pouco intrigado do porquê ele estava ali. — Só estava passando um tempo sozinho.
— Certo — afirmou .
, fala logo — pediu. — Você está me deixando nervoso.
— Eu quero falar sobre a disse encarando-o.
engoliu em seco ao ouvir as palavras do amigo, de fato tinha acontecido muita coisa que ele não se lembrava.




Continua...



Nota da autora: Oi lovers, tudo bem?
Primeiro de tudo, eu quero muito agradecer por todos os comentários, nem sei como agradecer por todo o carinho de vocês.
Eu queria pedir desculpas pela demora na atualização, aconteceram muitas coisas, mas agora está tudo bem.

Segundo: NÃO ESQUEÇAM, de deixar aquele comentário, viu? Eu adoro saber se vocês estando gostando, o que esperam da fic e se saber as teorias de vocês sobre esse triângulo amoroso que eu amo tanto ahahahahah.

Outra cosa, NÃO ESQUECE de entrar no grupo do whats, lá eu sempre posto spoilers para vocês, interagimos e eu aviso sobre as atualizações.
Bom, é isso.

Kisses,Vane.





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Nota de beta: Por que, ó pai, tem que acabar desse jeito o capítulo?? Eu vou sofrer esperando por essa conversa, já estava louca de vontade que ela chegasse, agora mais ainda. Apesar de estar morrendo de medo de o Harry não falar nada por motivos de não querer magoar o amigo.
Eu adorei, do início ao fim, o quanto esse capítulo foi especial pra o Z e a Van fazerem as pazes - mesmo que já tivessem feito - achei super fofo ele pedindo desculpas.
O que eu não decidi ainda é se eu quero que o Harry desista dela ou não, não sei se todo mundo merece essa confusão. É muita gente sofrendo, gente, eu tô crente que vai dar tudo certo, mesmo pensando que não vai dar (confusa?? Só um pouco). Talvez saia todo mundo sozinho, seria a melhor opção porque eu não consigo escolher, sério.
E esse Aaron todo perfeito? Gente, que melhor amigo perfeito (achei que ele sabe de alguma coisa porque ele não ficou nada impressionado com a mãe dela e a situação, maaaas... nunca se sabe). Adorei que ele super deu apoio a ela.
Eu tô sofrendo porque foi curtinho demais (sim, eu quero 50 páginas por capítulo), mas, amei demais a att. Morrendo aqui pela próxima.
Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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