One Of The Longshots Paid Off.

Última atualização: 28/10/2020

Capítulo 1

Fevereiro de 2018.
Londres.


– Você não era de beber. Me lembro quando me enchia o saco sobre isso. Bem assim: , todo esse álcool que você consome um dia vai virar mar e vai acabar te afogando. – ela riu como uma criança, depois fez uma breve pausa e me fitou nos olhos. – O que está acontecendo, hein ?
Eu não conseguiria explicar claramente para ela, algo que ainda não estava tão claro para mim mesma. Algo dentro de mim fazia um barulho, como um disco riscado.
Eu tomei o último gole de cerveja e funguei querendo muito chorar. Eu sabia que a melhor forma de tornar as coisas mais claras é assumindo elas e colocando elas para fora. Mesmo que seja complexa demais. Os dragões precisavam ser expostos para que eu pudesse ver as dimensões deles – quando digo “eles” é exatamente o que quero dizer, deve haver centenas deles. Caso contrário eu perderia noites de sono, que servem para recompor minhas energias gastadas durante o dia com robôs do meu trabalho, que nunca conseguem sequer dizer bom dia, ou se está tudo bem, ou agir como humanos, eu existo apenas para essas máquinas de trabalho.
nunca gostou que eu escondesse as coisas. Nós nos vemos todo final de semana, e ela sempre tenta arrancar algo da minha tediosa semana.
– Eu entendo que esteja sendo estressante pra você, lá na redação. Mas eu nunca te vi tão desanimada como estou vendo esses dias. Você está há três anos lá, e parece que trabalhou por oito anos. – Ela afastou a mão do balconista quando tentou colocar mais cerveja no meu copo, com uma carranca. – Pode trazer água?
– Eu não sei... – comecei dizendo. – Eu só estou ressentida. Algo dentro de mim parece querer chorar sobre algo que nem é meu. – fiz uma careta sofrida, as palavras apenas queriam sair. – E eu não sei o que eu faço com esses sentimentos, porque eu não os entendo.
– Ahá. Aí estão eles. Bem, minha amiga, você está com um problema aí. Comece pelo começo ou eu vou acabar ficando confusa e vou te deixar mais confusa ainda. Você sabe que eu adoro resolver um problema alheio. – Ele soltou uma risada anasalada me arrancando uma risada também.
– Vou contar, certo? Apenas finja que não ouviu isso saindo da minha boca, quando acordar amanhã.
– Muito difícil...
Endireitei a coluna e coloquei os braços em cima do balcão. Pelo menos não iria rir de mim depois que escutar isso.
– Você lembra quando eu contei sobre aquela noite no Strand Palace? – ela assentiu rapidamente e pediu para que eu continuasse. – Eu só fui lá para entrevistar aqueles caras do Catfish and The Bottlemen. Eu precisava daquela entrevista, você sabe, pra que meu chefe ganhasse confiança em mim. E eu estava ansiosa demais, meu Deus, eu lembro de mal ter dormido na noite anterior reformulando as perguntas e essas coisas. – dei uma pausa para beber um pouco de água, bufou. – Eles já tinham colocado os caras no esquema, eu só precisava chegar lá e entrevistar. Então eu sentei e eles todos me olharam, um ou dois sorriram para mim, mas o vocalista...
me interrompeu batendo no balcão, dizendo:
– Aquele gato!
Eu revirei os olhos, porque eu sempre ouvia isso, em qualquer lugar, nas premiações. Rádios. Tv. Em tudo. Van Mccann era um gato. Isso não me surpreendia.
– Estamos falando de dois mil e quinze. – eu bufei.
– Exatamente isso, ele começou a ficar um gato depois de dois mil e dezesseis, querida. Mas continue!
– O Ryan parecia querer que aquilo acabasse logo. Eu fiquei com receio de ele não me deixar terminar, porque pela sua cara ele queria muito que eu desaparecesse.
– Você ainda o chama de Ryan... Estamos quase chegando lá. – disse com um sorriso ladino nos lábios.
– Prefiro, antes que alguém nos escute, ou algo assim.
– Meu Deus, . Continue mulher.
Eu pigarreei girando um pouco o pescoço para olhar em volta. O bar estava ficando cheio. E eu tenho certo problema em estar no meio de muita gente bêbada, estava começando a me incomodar.
– A entrevista não estava sendo gravada, eles poderiam responder da forma que quisessem e eu só teria que editar depois. Mas isso não justifica. Caráter é caráter!
– Depende do humor. O Ryan só podia estar cansado ou algo assim, você sabe. Você é maravilhosa, mas odeia quando te acordam cedo, ou quando as pessoas se atrasam.
– Sim, mas... – eu me rendi a aquele comentário. Derrotada.
, querida. Apenas vá em frente, depois discutimos isso.
Eu suspirei profundamente.
– Eu não sabia que ele estava passando por um momento difícil, o Ryan. Eu só fiz as perguntas rapidamente porque queria muito sair dali. Eu estava sentindo que não tinha nascido para aquilo. Eu deveria começar outra coisa, outra carreira. Eu pensei em até ser balconista! Não que isso seja algo ruim, não, as pessoas vivem como podem. Era como se boa parte da minha autoestima tivesse evaporado. E eu só tinha que entrevistar, mais nada. – balançou meu ombro tentando me animar, e quase conseguiu. – Então, recebi aquelas malditas flores na minha mesa, na redação, no dia seguinte. E veio com um cartão. Tudo muito fofo e bonitinho.
– Perai, eu lembro do que estava escrito. Você tinha tirado uma foto e me mandado e eu gritei no supermercado. – ela bateu na perna rindo. – Acho que era assim “Oi . Me desculpe por ter agido como um idiota, mas você estava linda com aquele vestido preto.” Que aliás era o meu vestido que você tinha pegado emprestado.
Eu revirei os olhos, pois estava começando a sentir meu estomago me sabotar.
– Então as pessoas começaram a falar. A redação estava cheio de pessoas cochichando num canto e de outro. De inicio pensei que não seria nada. Elas logo parariam, não é? Eu estava errada. Isso chegou até meu chefe, e ele pediu para que eu me afastasse por alguns meses da redação. Fui passar esse tempo com a mamãe porque ela estava precisando de mim na época por conta da cirurgia que havia feito na perna. Mas aqueles pensamentos me seguiram por tantos dias... Você sabe que eu nunca havia namorado alguém antes. E eu nem pensava nisso, porque nunca tinha encontrado alguém que me prendesse tanto a atenção. Então eu só tinha isso para pensar. E não era nem grande coisa, ele devia ter feito isso com várias mulheres na vida. Não era algo em especial.
estava em seu segundo copo de água, e eu queria muito rir desse momento, pois a essas horas ela poderia muito bem estar bêbada e dançando pelas mesas. Mas ela não estava e isso me fez me sentir bem.
– O Van sabe mesmo como deixar alguém de joelhos...
– Cala a boca, . – ela deu uma gargalhada.
– Então minha pequena princesa. Você ainda está apaixonada por ele. Ainda dá para perceber, e você sempre foi péssima em esconder sentimentos assim tão avassaladores.
– Eu não sei... Tem algo que eu não te contei...
Ela arregalou os olhos imediatamente e deu um pulo do lugar onde estava sentada.
– Me conte agora!
– Calma. Certo. Em janeiro desse ano, eu estava entrando na rádio do Nick, e os meninos estavam lá, todos eles. Tom não havia me avisado quem eu entrevistaria, só pediu para mim arrancar alguma coisa da rádio naquele dia. Assim que eu entrei no estúdio, Nick acenou para mim e veio na minha direção, animadíssimo. Eu não gosto dele tanto assim, mas tentei ser o mais educada possível, juro.
– Eu sei!
– O Ryan estava já sentado com os outros caras, e me olhou. Não lembro por quanto tempo. Mas eu não passei despercebida. Não que eu esteja me achando a mulher mais atraente do mundo, ele poderia olhar para qualquer um que adentrasse aquele estúdio. Eu fiquei no canto, anotando tudo, sem falar.
– Ele já sabia.
– Sim...
– Temos que mencionar que depois da entrevista em dois mil e quinze vocês dois saíram, né? Aí ficaram na minha casa porque eles estavam de folga em Londres, e tudo mais. Vocês tiveram um lance de dez meses, querida. Ele seria um idiota por esquecer de você. – diz baixo, pois as pessoas estavam começando a passar do nosso lado. E quando olhei em volta outra vez, percebi que o lugar estava cheio.
– Eu poderia só ser mais um lance.
– Mas não foi. Ele gostou de você. Caso contrário não teria voltado nunca mais. Mas agora termine, pelo amor de Deus, .
– Ele me ligou depois desse dia, bêbado como sempre. E todo aquele papo de sentir minha falta. Como se eu fosse a salvadora dele, . Ele disse isso pra mim. E por mais que tenha sido bêbado aquilo me impactou, porque eu me vi sozinha no apartamento com o coração apertado de saudade dele...
Eu reprimi a vontade de chorar, porque não era um local apropriado. Mas as pessoas sempre não estão nem aí nos bares. Mesmo assim, eu não era o tipo de pessoa que derramava lágrimas no balcão de um bar.
– Eles fazem isso, chegam, roubam nossos corações, vão embora, depois ligam bêbados nos dizendo que sentem nossa falta, e depois nos deixam assim. O Van é um gostoso, mas odeio o que ele fez com você, olha seu estado. – ela fez um bico, emotiva. – Vamos sair daqui, está bem? Vamos para seu apartamento, e assim podemos assistir um filme e comer chocolate, e você por fim pode chorar, porque eu sei que você quer.
Eu assenti pois era tudo que eu mais queria naquele momento.

Felizmente acordei e era domingo. continuava dormindo no sofá. A tv continuava ligada. E eu continuava com aqueles sentimentos fazendo batuques na minha cabeça como se estivessem se preparando para um show de rock. Eu não sabia mais distinguir o que era pior, descobrir que eu ainda estava apaixonada por Ryan Evan Mccann ou que eu continuava trabalhando em um lugar que eu detestava.
Sem acordar minha melhor amiga, fiz um café e me sentei na mesinha perto da minha janela, um lugar meu favorito. Quando fechei meus olhos tentei imaginar um campo de flores. Imaginei girassóis, intermináveis. E imaginei minha vida dali uns anos e Van não estava em meus planos. Nada do que eu estava fazendo era com esperança que voltássemos ao que nós tínhamos.
Quando acordou, pegou uma xícara de café para si e se juntou a mim.
Ela me olhou com aquela cara de sono e fez uma careta.
– Sorte que não bebemos quase nada. – ela disse. – Dormiu bem, pelo menos?
– Depois que ele ligou, nós nos encontramos, e bebemos juntos. Ele estava tentando não beber muito, eu percebi. E não parava de olhar para o celular... uma tal de Emily ligou. E ele não se importou em atender, ele não tinha me perguntado isso... eu pedi para que ele não ligasse mais para mim, e para ele seguir em frente sem ter que ligar para as ex’s ficantes todas as vezes que enchesse a cara.
– Uau, .
– Eu peguei meu celular e saí daquele lugar. Não aguentava mais olhar pra cara dele, de verdade. Ele faz as mesmas merdas de sempre. Nunca muda. E eu tenho que ir em lugares que ele está porque meu chefe charlatão percebeu que eu sou muito boa nisso. E semana passada eu recebi uma proposta. Mas eu não quero deixar essa cidade...
– Espere, . O que? – ela arregalou levemente os olhos. – A empresa quer me mandar para Nova York. Mas eu estou com tanto medo de deixar minha mãe, minha família, meus amigos, aqui...
– Não... Você está pensando no Van. Porque sempre que ele está na cidade é aqui que ele bate. A Taylor Swift fez aquela música pra vocês. We never go out of Style. – ela soltou uma risadinha.
...
– Não deixe a porta aberta para ex’s. Nova York pode te fazer bem. Outro lugar. Novas pessoas. E quem sabe um novo amor. Está na hora de você respirar novos ares, querida. E não se preocupe. Sua mãe está ótima. Eu me comprometo em estar lá para ajudar, qualquer coisa. E você pode passar as férias aqui, não é?
– Sim...
– Esse sentimento não vai mudar, você sabe . Mas se ele te fazer querer olhar para trás toda vez e te deixar arrasada de novo, então é melhor que você se afaste de lugares que lhe fazem lembrar daquele idiota do Van.
– São seis meses. – eu lembrei das palavras do Tom. – Eu não quero deixar a mamãe aqui. Sem mim eu não sei como vai ser. – levei a xícara a boca e bebi um longo gole de café, me esquecendo ligeiramente que ainda estava quente o bastante.
– Seu problema é pensar demais nas coisas antes de fazer. Não se pensa demais. Se deve pensar com inteligência e sabedoria. E seus pais ainda tem seu irmão mais velho e a Elena, que passa o dia todo com eles lá no sitio. Essa proposta veio num momento certo, admita.
Eu não queria ter o sentimento de estar fugindo das coisas. Fugindo da rotina, fugindo de Londres e de qualquer lembrança com o Van. E eu sei que estou sendo muito melodramática. Mas uma mulher apaixonada não consegue pensar com tanta clareza por muito tempo. E eu sempre tenho a sensação de estar voltando para o começo.
Van tinha a banda, as fãs, fama, shows, os amigos, a bebida, o cigarro, e a família. Eu tinha meu trabalho como jornalista, e minha família. E eu nunca tive nem a metade do que ele tinha na vida.
Eu não achei relevante contá-la, que o iceberg tinha sido uma noticia que circulou na redação há três quatro semanas atrás. Se isso fizesse ela me incentivar a me mandar de vez de Londres e aceitar o trabalho em Nova York então estaria tudo bem. Mas fez isso antes mesmo que saísse pela minha boca.


Capítulo 2


2 meses depois. 

Abril 2018.

Nova York.



O que levar para um passeio no Central Park? 

Assim que atravesso o quarto para fechar a porta e com meu café da manhã, me pergunto se é realmente lógico visitar os pontos turísticos em um dia de chuva. Eu definitivamente não irei sair do hotel hoje. Vou fechar as cortinas, ligar a TV, me deitar na cama e fingir que sou parte dela. Há tantas coisas para se fazer deitado, como, por exemplo, procurar apartamentos perto do meu novo trabalho.

Se não tivesse me incentivado a vir para Nova York, eu não teria essa coragem de imediato. Vim para cá há uma semana, me hospedaram em um hotel bom, e estou comendo sem precisar que esse dinheiro saia do meu bolso. Em outras palavras estou me sentindo maravilhosa.

O celular vibra na mesinha ao lado da cabeceira da cama e eu vou até lá, preguiçosamente, para saber quem é.

“Boa tarde, minha filha linda!” mamãe disse animada do outro lado do mundo. 

“Mãe, aqui ainda é bom dia.” Eu soltei uma risada divertida. 

“Ah, é mesmo! Não estou acostumada ainda. Minha filha está em Nova York, quem diria!”
Me sentei na cama, cruzando as pernas. Conseguia ouvir papai na cozinha pelo barulho das panelas, e ele sempre canta quando está cozinhando. 

“Até quando eles irão pagar o hotel pra você, filha?”
Eu entortei os lábios.

“Por três semanas. Foi o que me disseram. E o Tom quer que eu corra atrás de apartamentos antes que as coisas fiquem mais apertadas, então nesse momento estou procurando por um na internet.” 

“O dinheiro consegue pagar um?” Ela perguntou, e eu imaginei que estivesse com uma expressão séria no rosto, com as sobrancelhas franzidas. 

“Do meu salário, sim. Eles não irão me dar nada extra. Está tudo acertado. Mas eu estou começando a me preocupar. Não posso me acomodar, tenho logo que ver as coisas que preciso.” Eu fiz uma expressão sofrida.

“Fica tranquila. Seu pai e eu iremos ajudar, já conversamos sobre isso, não? E você já tomou seu café? Não está se sentindo solitária demais?”
Eu olhei em volta, havia coisas espalhadas demais para me sentir solitária, desde que cheguei sempre tenho algo a fazer, como arrumar minhas roupas, por exemplo. Mas eu sabia que ela não estava se referindo totalmente a isso.

“Estou bem, mãe... Tenho internet.” Ela deu uma risada. “É sério, não se preocupem comigo.”

“Você sabe que iremos nos preocupar mesmo assim. Trate de comer bem, e não saía por aí sozinha sempre. Seu pai está fazendo o almoço atrasado. Acabamos de chegar da casa da sua tia.”
“Pode deixar. Bom almoço. Manda um beijo para o papai! Amo vocês demais.” 

“Nós te amamos muito mais, princesa.”
Logo após eu desligar, sou chamada pela recepção. Pensei no que Tom me disse, e me preocupei caso ele tenha se enganado dos dias da hospedagem. Porque eu sou do tipo de pessoa que precisa dar um choque de pessimismo para poder enfrentar os desafios, caso isso tenha soado estranho demais, eu peço mil desculpas.



Colins? Aqui está dizendo que seu tempo de hospedagem está para acabar amanhã. Correto? — a recepcionista me olhou com um sorriso meio forçado nos lábios. Eu não a culpo, só estava começando a ficar irritada. 

— Tenho mais uma semana. Pode chegar isso para mim novamente? É Colins com dois “s”. — franzi a sobrancelha na minha melhor expressão de encrencada. 

A vi dizer com os olhos que sentia muito. Então pedi, mais uma vez, para que checasse minha hospedagem. Difícil explicar o que eu estava sentindo. Fisicamente um calor subir pelo corpo. Mentalmente uma mistura de raiva e vergonha. Raiva pelo Tom. Vergonha pois eu seria obrigada a desocupar o quarto amanhã, e eu ainda não tenho para onde ir. 

Eu me encostei na bancada e disquei os números do Tom. Vi quando um pessoal entrou pelo hall, e assim que meus olhos focalizaram, avistei Benji e seus camaradas de banda. Me deu três tipos de vergonha. E o coração acelerou. 

Ele veio em minha direção. Me reconhecendo. Eu só queria que ele ficasse lá, ou apenas seguisse seu percurso, porém lembrei que eu estava na recepção, e eles teriam que passar por lá antes de ir para os quartos. Eu amo Benji, ele se tornou uma pessoa próxima de mim, mas não naquele momento. Não quando Van poderia passar por mim. 

— Olha só, quem eu encontro por aqui. Uau, isso sim que é coincidência. — ele disse calmo, com um sorriso disfarçado no rosto. 

— Oi! Meu Deus, quanto tempo. — eu me atrapalhei para dizer simples palavras e ainda deixar o celular cair no chão. Benji se apressou para apanhá-lo para mim. — Me desculpe. Tô num mal momento. 

Johnn havia o chamado, ele se virou para trás no mesmo instante e me pediu licença. 

— Se a senhora quiser, podemos adicionar mais uma semana. — a recepcionista voltou a falar comigo. 

— Irei voltar depois então, aí conversamos sobre isso. — eu virei minhas costas, apressando os passos até o elevador, mas alguém me interrompeu. 

— Vamos beber algo mais tarde? Eu sei que você e o Van não se falam, mas queria muito conversar com você. — Benji disse. 

Eu só estava preocupada demais com outra coisa para sequer pensar em sair para beber.

— O Van vai ficar aqui também? Não que eu estou preocupada com ele... nada disso. Mas é que eu não quero mais estar no mesmo ambiente que ele. Isso soa horrível, mas você me entende. 

Ele soltou uma risada.

— Eu sei. 

— Você pode passar no meu quarto. Mas eu não irei para nenhum lugar que ele estiver junto. — eu disse franca, porque precisava ser. 

— Certo. Nos vemos mais tarde então. 



Eu passei exatas três horas pensando no Van. E não sabia mais o que fazer com a vontade imensa de ver o rosto dele de novo. Eu andava de um lado para o outro. Ia até a janela e tentava me acalmar com o barulho da cidade. Mas no final das contas nada estava funcionando de verdade. 

O que fazer com sentimentos que voltam à tona de forma tão avassaladora que tomam conta da nossa mente como se fossem os verdadeiros proprietários? Controlam nossas mãos e pés. Eu até me culpei por ter um coração!

Não é justo. Como há pessoas que podem nos trazer tantos sentimentos assim? Parecem uma mistura de tudo que temos e nos bagunçam como uma tempestade. 

Benji bateu na minha porta às vinte e uma horas. Eu estava saindo do banho e ele teve que esperar quase meia hora do lado de fora. Porque eu não sabia o que vestir. 

— Olha, o Van não sabe que estou aqui, certo? No mesmo hotel e tudo mais. — eu comecei dizendo, o arrastando para dentro do quarto e fechando a porta rapidamente. 

— Não sei, pra falar a verdade. — ele fez uma pausa. — E estou vendo que o assunto vai ser “Van McCann”. Está tudo bem, ?

Eu fiz uma careta, ele deve ter percebido a minha euforia. E eu me senti envergonhada por alguns segundos. 

— Não quero que ele saiba... não quero atrapalhar ele. — confessei em voz alta para além de mim mesma. 

Benji caminhou até a mini geladeira. 

— Só tenho água. — avisei. 

— Tudo bem. Eu sei que está curiosa para saber como anda as coisas com o Van. Então sente-se aí e se prepare para ouvir coisas que já deve ter ouvido ou lido, coisas não tão boas assim. 

Me sentei na poltrona. Benji na ponta da minha cama e ficamos de frente um para o outro. Queria ter permanecido em pé, porque assim minha saída do quarto seria mais rápida. 

— Você me conhece... — eu murmurei. Ele riu. — Estou um pouco chateada.

— Ele faz as coisas como se não pensasse nelas antes de fazer. Apenas faz o que tem vontade. Quando nós dois nos encontramos, dois anos atrás mais ou menos, eu e você, eu pensei que ele iria realmente mudar para melhor. Não tava acreditando muito, mas, pela forma como ele mudou as prioridades, parecia realmente isso. 

Eu assenti. Eu estava ouvindo algo finalmente de alguém próximo dele. E isso me deixava confortável. 

— Ele só estava apaixonado... Ele estava sempre bêbado nos nossos próximos encontros. Como se fizesse isso pra me provocar, ou qualquer coisa assim... E eu só ouço sobre ele com garotas e bebidas, isso vai tudo pra mim na redação, como se meus próprios colegas de trabalho e até meu chefe estivessem me torturando ou tirando uma com minha cara. 

Benji fez uma careta triste, dessa ele não sabia. 

— Eles não podem continuar fazendo isso com você, . 

— Eles podem, e fazem. Eu preciso mesmo desse trabalho. 

De repente o ar ficou mais triste. Eu arriscaria dizer, melancólico. 

— Então sabe da última... — ele levantou os olhos do chão, como em câmera lenta. 

— Emily. 

Eu suspirei. 

— Ela veio pra cá com ele. Nós não queríamos que ela viesse, mas ele insistiu dizendo que ela lhe fazia feliz, e que tava parando de beber, então achamos melhor aceitar, do que ver ele pra baixo os shows inteiros. — Benji bebeu um gole de água e jogou o tronco contra minha cama. — Nossa, a sua cama é macia. 

Eu maneei a cabeça.

— O pior de tudo é que eu ainda gosto dele. Essas coisas não me afetariam tanto caso não estivesse, não é? 

— Desculpe. 

— Tudo bem, já estou acostumada. — então me levantei para ir até a janela. Não poderia ignorar a minha vontade imensa de cair naquela cama e chorar por algumas horas, mas Benji continuava ali. 

— Mas eu prefiro você. Emily pode lhe proporcionar prazer, felicidade superficial. Mas você, , é diferente. Você é real. Seus sentimentos são genuínos comparados aos dessas mulheres todas. 

— Você só está sendo gentil... 

— O Van foge disso tudo, porque ele sabe disso melhor do que eu. Ele faz isso porque ele sabe que precisa de você. Você tira ele desse orgulho todo. Esse orgulho de achar que não precisa de ninguém. Ele fica maluco. — Benji pausou voltando a se sentar na cama, dessa vez parecia querer fazer uma revolução. — Você parece ter trazido à consciência dele algo que ele não pode mais viver sem, mas ele tenta mesmo assim. Ele tenta fechar os olhos do coração, porque ele sabe que sem você ele não pode ser verdadeiramente feliz. Por isso ele faz isso tudo. Ele te magoa, eu sei que ele faz. Ele sabe que você gosta dele. Ele sabe que você é a única pessoa que pode salvar ele, dele mesmo. 

Eu apertei minhas mãos. Fiquei tentando acreditar no que eu estava ouvindo. Como algo que te pega de surpresa e você não sabe como agir de imediato. Em outras palavras eu estava perplexa. 

— Me dê essa água. — eu pedi a ele. — Ben! 

Benji correu para entregar o copo nas minhas mãos. 

— Está tudo bem? — ele perguntou preocupado. 

— Você tem ideia da dimensão do que acabou de falar? 

— Eu estou quase certo do que acabei de falar. 

Quase certo. Eu não sou a salvadora dele, Ben. Eu só deixo ele pior do que ele já é. Ele foge de mim. Tenta me evitar ao máximo. Só me liga quando está bêbado. E isso me deixa muito triste, porque é como se eu despertasse nele o pior dele mesmo... 

— Quando se está no deserto, é um milagre encontrar um poço de água. E ele encontrou. Só não está acreditando nisso. E eu quero muito que ele possa aceitar que encontrou um poço de água. 

Eu olhei para Benji, olhei para o copo. Olhei pela janela e vi as luzes da cidade como se estivessem dançando. Eu podia ouvir meu coração pelo ouvido, batendo forte no peito. Embora eu não achasse que era aquilo tudo que ele estava dizendo, eu estava apaixonada demais pelo Van para refutar. 

— E eu não paguei você para dizer isso. — brinquei. 

— Com certeza que não. — ele riu. — Mas agora preciso ir. Tenho que dormir. 

— Está certo. 

Ele caminhou até a porta e me acenou.

— Tranque bem a porta caso não queira que um cara alto e magro, de olhos azuis, loiro, venha te importunar à noite.

— Ele já está ocupado demais para isso. — fiz uma careta. 

— Desculpe por isso... 

— Tudo bem! Vai lá. 

Ele balançou a cabeça. 

— Qualquer coisa é só me chamar. 

E então ele se foi. E eu abracei forte o travesseiro. Então me diga, Van McCann, como é sentir que não pode ter a quem deseja estar, ou nunca terá?


Eu poderia ter ficado em Londres. Poderia ter me mudado para o sítio com os meus pais e desistir da minha carreira de jornalista, ou seja sei lá o que eu me formei para ser. Ficar longe de toda essa bagunça de sentimentos que me assolam e me fazem perder o sono. Mas, por mais que eu quisesse fugir, não havia uma maneira de fugir de mim mesma no final das contas. 

Lidar com sentimentos sempre foi algo que eu nunca fui boa. É algo que não posso controlar. Não consigo ver quando chega. É involuntário. 

Não queria que ninguém sentisse essa confusão, porém as vezes é necessário passar por tudo isso. depois da tempestade pode ser que será mais fácil de organizar tudo em meu coração. 



Capítulo 3


— Tudo bem se você cobrir essa por mim? — ele dizia enquanto recolhia as folhas de cima da sua mesa, perfeitamente desajeitado. Se chamava Mike. 

— Pode ao menos me dizer quem são esses caras que vou entrevistar? Porque preciso dar uma pesquisada antes. — eu disse levemente irritada. Eu já tinha um outro trabalho para entregar antes do final de semana, e o Mike estava prestes a me atrasar. 

Ele parou e me olhou.

— Está tudo nessa pasta que acabei de te entregar. 

— Não está me enganando para poder se livrar da entrevista, não é? — eu estreitei os olhos, desconfiada.

— Você é esperta. 

— Não mais do que você. 

Ele pigarreou. 

— Olha, eu estou te fazendo um favor. Você pode ter trabalhado como uma redatora, mas sua natureza não é ficar aqui nesse cubículo, ouvir fofocas, e fazer cafezinho para esse pessoal. Garota, seu lugar é lá fora. 

Mike tinha olhos verdes, não era difícil notar. Seu sorriso de canto de boca sempre o deixa com um ar de misterioso, como se o tempo todo estivesse fazendo as pessoas de cúmplice. E em três semanas, desde que havia começado a trabalhar na revista, ele se mostrou um cara confiável e bacana. 

Eu sorri, abraçando a pasta que ele havia me dado. Como uma grande oportunidade, aceitei. 

— Obrigada. 

— Certo. Estou indo almoçar agora. Se quiser me acompanhar. 

Eu torci o lábio. 

— Sim. Poderíamos conversar sobre os caras que vou entrevistar. — eu disse, pegando minha bolsa. — É muito longe daqui? Já está tudo agendado? 

Ele deu uma risada. 

— Está tudo certo, . Vamos lá. 

Mike não era de falar sobre coisas superficiais. Ele gostava de conversas profundas sobre qualquer coisa. Natureza. Cotidiano. Filmes. Séries. Livros. Ciência. Astronomia. Rock. Ele tinha uma tatuagem no braço com o nome de uma música da sua banda de rock favorita. E toda vez que ele abria a boca lá se vinham algumas metáforas. 

Nós pedimos um café depois do almoço. Não era do meu costume, mas ele disse que café sempre deixava um gosto de vida que vale a pena. E ele também me mostrou algumas fotos. Mike era um fotógrafo por hobby mesmo, e suas fotos eram incríveis.

Poucas pessoas me cativaram na vida. Eu nunca fui do tipo que conversava com todo mundo, querendo saber de seus cotidianos, suas vidas e essas coisas todas de gente sociável. Deve ser um dos motivos por eu ter tido apenas a como amiga por longos anos. Meu irmão dizia que eu era uma pessoa difícil de arrancar alguma coisa. Hoje tenho certeza que sim.

— Acredito que tenha feito uma grande escolha em se mudar para Nova York. — Mike começou dizendo. — Sem contar nas brigas que cobrimos de famosos. 

— Acha que eu me darei bem na revista? 

Ele bebericou seu café e em seguida me olhou fixamente. 

— Você é uma mulher incrível. Em poucos meses já vai conquistar a confiança do chefe. 

— Se não fosse por você... no começo, eu não teria me soltado tanto. — eu disse sincera, arrancando um sorriso dele. 

— Deixe disso, ...

— Sério, Mike. Eu sou um desastre ainda. Eu fiquei muito grata quando confiou em mim. Isso me motiva e muito. 

— Disponha. A redação é um lugar onde rola muita coisa ruim. Muita fofoca. Desentendimento. Briga. Nessa revista pelo menos. É todo mundo querendo cuidar da vida de todo mundo. 

— Lá em Londres é a mesma coisa. — suspirei. — Mas, quando você passa a se acostumar, essas coisas acabam não te afetando tanto. 

Ele assentiu. 

— Verdade. Eu só quero jogar uma bomba e sair correndo. De vez em quando tenho essa vontade. 

Eu soltei uma risada alta, depois me recompus. As pessoas me olharam com olhos críticos, que eu percebi. Porém Mike achou graça.

— Também tenho. Isso é algo horrível de se pensar. — eu disse, enxugando os cantos dos olhos. 

— Nós próprios não nos aturamos, é isso mesmo. Mas você já percebeu que todos são estressados porque buscam sempre estar perfeitos em frente um ao outro? Sempre querem estar acima. E assim sucessivamente. Nós estamos cada vez mais infelizes. Irritados. Estressados. Desapaixonados. 

Eu concordei. A paixão nos motiva a correr atrás do que queremos. Porém ela é um sentimento que, como qualquer outro, pode ser inconstante, e não sobrevive às segunda-feira. 

— Eu queria ser apaixonada pelas pessoas. — eu confessei. — Ia tornar tudo mais tolerável.

Mike apoiou o queixo na mão e olhou para qualquer canto do restaurante, pensando. 

— Queria que essa paixão sobrevivesse a qualquer briga, fofoca, desinteresse, etc. — continuei falando.

— Nós só continuamos apaixonados por aquilo que nos dizem respeito. 

— Quase isso. Acho que não iremos continuar apaixonados quando conseguirmos o que queremos. A euforia passa. 

— Isso, sim, é um assunto que devemos debater. — ele se endireitou na cadeira e pegou a pasta em cima da mesa. — Catfish and the Bottlemen. — ele leu com seu sotaque americano perfeito. Eu me arrepiei, e abri a boca em surpresa. 

— Não me diga que é a banda que vou entrevistar. — eu disse e puxei a folha da sua mão. — Ai, meu Deus. 

— É, sim. Os conhece? 

— Se eu conheço? Sou amiga de um dos caras. — eu disse, ainda quase sem fôlego. Era demais para mim. Eles eram como um ímã que me atraía. 

— Uau. Eles estão fazendo sucesso por aqui. Eu já ouvi os dois álbuns e as pessoas têm razão de gostar deles. 

— E qual o motivo de não querer entrevistar eles?! 

— Não curto muito o vocalista. — Mike disse, me mostrando uma foto impressa do Van. — O encontrei uma vez no bar. Era uma inauguração de um amigo meu. Jonathan me apresentou o cara, e o Van tava pendendo de bêbado. Tirando a parte que riu do meu cabelo e queria me apresentar algumas meninas. 

Eu tampei minha boca em estupor. 

— É. Ele parece ser uma cara legal e tudo mais, mas não me arrisco a entrevistar esse cara sóbrio. 

— E você achou que eu seria a pessoa certa para fazer isso. Mike, eu te odeio. — revirei os olhos. 

— Mas, calma. Pode ser que ele não seja tão babaca com você então. Vocês se conhecem, não é mesmo? 

— Sim. E é exatamente por isso que eu não quero entrevistar eles. — eu disse, recolocando os papéis na pasta e a guardando na minha bolsa. — Mas, pensando bem, acho que vou me dar bem nessa. 

— Vai. Tenho certeza que sim. E meu café acabou. Vou pedir um pra levar. 

— Quero um americano e um pãozinho doce pra levar também, por favor. 

Nós permanecemos ali sentados por mais oito minutos, porém em mais dez teríamos que voltar à revista. 

— Então o conhece... o vocalista. — Mike me olhou com um ar malicioso. Ele sabia como intimidar qualquer pessoa. 

— Nós nos conhecemos. Mas ele não vai muito com a minha cara também. — dei de ombros. 

— Acredito que ele não goste muito de jornalistas. 

— Tenho quase certeza. 

Mike pegou seu celular e fuçou algo nele. Depois virou-o para mim, o nome do Van estava em seus contatos. Eu não estava surpresa. 

— Mas pelo menos tenho o número dele. 

— Eu também tenho. — franzi o nariz. — Para todas as vezes que ele me ligar bêbado, assim posso desligar antes. 

Ele soltou uma risada anasalada. 

— Vocês são bem mais que conhecidos, suponho então. 

Eu arregalei meus olhos. Caramba. 

— Não esquenta. Não é como se eu fosse sair espalhando para todo mundo. — ele deu de ombros. 

— Por favor...

— Confie em mim. Já somos amigos, não é mesmo? 

Eu assenti, quase que freneticamente. 

Quando mais nova, como eu disse, meu irmão dizia que era quase impossível arrancar algo sobre mim, e de mim. Porém, conforme você vai ficando mais velho, as palavras parecem ficar mais soltas na sua boca, e elas apenas acabam saindo. Mas eu confiava no Mike. Todos confiavam nele. E ele não sabia da minha história mais profundamente, então não me pareceu um risco. 

Pegamos nossos cafés e o meu pãozinho doce, e caminhamos de volta para a revista. O novo lugar onde eu trabalhava era um prédio no meio do centro da cidade, e, desde que havia começado a trabalhar aqui, já me havia me perdido umas centenas de milhares de vezes, porque às vezes acho que posso me virar sem um aparelho celular. 

Naquele mesmo dia aconteceram algumas contravenças na redação. Quase tive que me mudar de lugar. E as pessoas estavam cochichando sobre eu e Mike. Eu sabia que eles não perderiam uma oportunidade de comentar sobre nossas saídas juntos, todos aqueles cafés e tudo mais. Mas, desde que eu focasse no meu trabalho e ele saísse bom, ficaria tudo bem. 

Eu estava ligeiramente enganada. 

Uma das mulheres que trabalhavam nos arquivos (eu não esperava que meu nome tenha ido tão longe assim) veio até minha mesa. Apoiou as duas mãos na madeira e se curvou para mim, estava furiosa. Mas era linda.

— Se você acha que só por ser nova aqui pode ficar saindo com os jornalistas assim, você está indo por um caminho errado, querida. — seu sotaque era tão incrível que eu mal prestei atenção no que ela queria dizer. — O Mike é meu. 

Eu suspirei e fixei meus olhos nos dela. Seus olhos pareciam pegar fogo. 

— Ele só está me ajudando. — eu disse, abrindo um sorriso. 

— Sua vadia! 

Eu abri minha boca para revidar, mas acabei fechando rapidamente. Olhei ao redor e todos já estavam com os olhos grudados em nós duas. E foi nesse instante que meu rosto começou a esquentar. 

— Olha só. Eu não tenho nenhum interesse no seja lá o que ele é seu. Mike só está me ajudando com as coisas por aqui. — me levantei para terminar de falar. — Eu não sei o que as pessoas disseram a você. Mas não estamos tendo caso algum. Somos amigos. 

Ela bufou alto, depois começou a dar risada. Então foi quando a metade da redação se juntou a ela. Eu queria desaparecer daquele lugar, naquele exato momento, de pura vergonha. 

— Seu sotaque londrino é muito fofo, mas ainda sim não gostei de você. Todos aqui sabem muito bem que o Mike e eu estamos juntos. — nesse momento ela se aproximou ainda mais de mim e pegou uma mecha do meu cabelo. — Quero que grave isso na sua cabeça loira. — então virou as costas, sorrindo vitoriosa para todo mundo. — É assim que se corta o mau pela raiz, pessoal. 

— Eu ouvi meu nome? 

A mulher deu um pulo de surpresa.

— Meu Deus, Mike! Que susto. 

Eu peguei meu copo e saí caminhando para fora daquele lugar. Porém ouvi a voz de Mike chamar a atenção de todos. Então parei onde estava, entre a porta. 

merece ser respeitada. Então, por favor, vamos parar com isso. Se ela está aqui, é porque precisamos dela. — ele disse, em seguida se virou para me olhar. — A deixem trabalhar em paz. E, Jenny, eu já deixei bem claro que não temos coisa alguma. Mas você também é incrível. Agora vamos voltar ao trabalho. 

— Não acredito... — a tal Jenny abriu a boca para dizer alguma coisa, mas suas palavras morreram dentro da sua boca. 

Todos acabaram aplaudindo Mike, porque, no final das contas, ele era o cara legal. 

— Você tem que parar de se vestir de ovelhinha. Ou as pessoas irão fazer o que quiserem com você, . — Mike disse, colocando a mão em meu ombro. 

— E o que sugere? — eu perguntei. 

— Você se parece muito mais como uma leoa. Então comece a agir como tal. Por aqui, ou você come, ou é comido. 


×××



Pensei bem nas palavras de Mike. Eu me vestia de ovelha? Meu semblante era tão piedoso assim? 

Antes de sair do banheiro, girei meu calcanhar e me voltei ao espelho. Havia olheiras profundas. O olhar cansado de quem tem muito o que se preocupar. 

Quando me olho no espelho, volto a me lembrar de onde eu vim. Os olhos verdes herdados dos meus pais. O cabelo de um loiro escuro herdado da mamãe. As sardas também foram dela. Mas o nariz e a boca são de um todo do papai. 

— Vinte e cinco anos. — falei para mim mesma, sozinha, no apartamento. — Achava que estaria melhor do que isso. Se eles querem uma leoa, então leoa eles terão. 

E, naquele momento, eu realmente acreditei nas minhas próprias palavras.


Capítulo 4


Cause there's nothing in the life i knew That got through to me.


Eu tendo a esquecer as merdas que as pessoas já me fizeram. Às vezes, eu finjo que não as vejo para que eu não possa ter que resolver esse problema. A verdade é que eu nunca me dei bem em resolver coisas. E em muitas vezes eu não as esqueço como gostaria, e eu acredito que tenho uma caixinha em minha mente só para esses casos.
Liguei para na quinta-feira, pouco depois das nove da manhã. Eu queria muito falar apenas com ela. Porque não tem outra pessoa nesse mundo que eu gostaria de contar sobre mim mesma. E ela atendeu, depois da quarta tentativa.
"Olha, amiga, você sabe que eu te amo e essas coisas, mas você também está ciente que estamos a algumas horas de diferença."
"Droga de fuso horário. Antes era só te ligar a qualquer hora que você atenderia no mesmo instante." Eu resmunguei e ela soltou uma gargalhada, acredito que ela tenha feito muito esforço mesmo estando grogue.
Eu ouvi o barulho da torneira sendo aberta do outro lado da linha. Ela deveria ter se trancado no banheiro, lembrando rapidamente que o namorado estaria no apartamento dela.
"O que aconteceu, ?" sua voz, agora, estava baixa.
"Se eu te contar você não vai acreditar." Eu mordi o lábio.
"Se você não me contar, eu vou achar que você está pirando, mulher."
"Certo." Eu pigarreei.
"É o Van? Não estou certa?"
"Mais ou menos."
"Você não me engana, . Quer saber se ele apareceu por aqui desde que você se mudou? Pois saiba que ele apareceu, duas vezes. E o síndico quase xingou ele."
Eu me encostei no armário, rindo. Van não tinha mais concerto. E confesso que essa notícia me deixou com o peito ardendo.
"Ele estava bêbado, não é?"
"Estava na primeira vez, depois eu esbarrei com ele no corredor e parecia normal." Ouvi o suspiro da minha amiga. "E foi bom que você não deixou a porta aberta pra ele. Porque eu odeio quando ele faz isso."
Eu assenti, passando o dedo pela borda da minha xícara de chá.
"Mas você sabe que eu nunca vou poder me livrar dele, não completamente. Esse é o meu trabalho."
"Eu só não te contei porque queria que você ficasse longe disso tudo. E se livrar dele é mais difícil do que mandar seres humanos até marte."
Demos risada. Eu já estava com saudade da minha amiga por perto.
"Ele conheceu uma tal de Emily. E Ben disse que ele está feliz. Eu realmente espero que sim. Assim eu tenho mais uma razão para ficar longe dele." Foi minha vez de suspirar.
"Isso nem te surpreende mais, não é? Sobre as mulheres que ele arruma..."
"Pra falar a verdade é uma sensação estranha, como se eu quisesse ser uma delas. Mas aí eu lembro de como ele é, e essa vontade passa." Revirei os olhos.
"Realmente. Mas o que queria me dizer? Eu to aqui no banheiro para não acordar o Carter. Provavelmente ele vai dormir o dia inteiro, esse porquinho.” Ela soltou uma risadinha baixa. "Ele odeia quando o chamo de porquinho."
"Está bem. Não podemos acordar o Carter porquinho. Vou ser breve." Virei o resto do meu chá. Chá às nove da manhã, sim. "Meu colega de trabalho passou pra mim o trabalho dele de entrevistar o Catfish and the Bottlemen. E estou há algumas horas de fazer isso, então queria conversar com você primeiro antes de eu cometer uma loucura."
ficou em silêncio por alguns segundos antes de soltar outra risada. E eu me senti muito boba, porque parecia uma ovelhinha amedrontada por lobos.
"Não acredito. Vamos ter que mandar você para trabalhar em um outro planeta, amiga. Só assim para se livrar dessa. Estou pasma. Eles te perseguem."
"Eles estão em todo lugar." Eu murmurei.
"Exatamente. Mas dessa vez eu te encorajo a ir, de cabeça erguida e tudo mais. Porque você é uma jornalista, . Estufa o peito, beba café, que tudo vai sair bem. Depois dê meia volta e volte para casa. E não fique olhando tanto nos olhos dele, é muito provável que você vá desmaiar de nervosismo. Se quer uma dica, olhe sempre para o Benji ou para o Johnny. Eu amo esses dois."
"Você não acha que vou ir lá só para estragar tudo?"
"Muito pelo contrário. Eu acredito tanto em você... Você vai se sair maravilhosamente bem!"
As palavras dela me aliviaram. O nervosismo ainda estava ali, porém agora meus pensamentos foram substituídos por outros melhores.
"Minha querida . Você é a pessoa mais incrível que eu já conheci na vida. Vai fundo. É seu trabalho."
"Eu acredito nas suas palavras, mas você sabe que eu não sei reagir a um elogio. E eu não sou isso tudo, está bem? Agora eu vou desligar porque preciso tomar um banho urgentemente, antes que eu me atrase!"
"Eu sei..."
"Você é maravilhosa, !"
"Eu sei!"

×××


Tive que correr até a redação porque havia esquecido a pasta do Mike na minha gaveta. Foi um longo caminho, porém me ajudou a não acabar pensando demais e decidido pegar um trem de volta para Londres.
Assim que saí do elevador, acabei encontrando Mike no corredor. Ele me acenou, animado. E eu já soube que ele me tinha noticias.
— Ninguém me pediu isso, mas vou com você. Quero te ajudar com o que precisar. — ele começou dizendo, quase eufórico.
Eu parei e pendi minha cabeça para o lado. Toquei meu lábio, pensando. Depois disso, disse:
— Eu acho uma ótima ideia, para ser sincera. Você pode tirar algumas fotos. E acho que vai ser bem mais interessante. Já que Mark, o fotógrafo, está doente. — Dei uma piscadela.
— Está certo. Está com tudo em mãos?
— Só a pasta.
— Na verdade já tinha pegado ela pra você. Agora podemos ir. — Mike disse passando por mim. Ele entrou sozinho no elevador. Eu fiquei paralisada onde estava. — O que foi?
Eu girei meu calcanhar, vagarosa. E minha expressão deveria estar um misto de emoções, se é que ele poderia captar.
— É que eu não os vejo faz alguns meses...
— Você não está lá para jantar com eles. Você está indo a trabalho. — Mike disse firme.
— Desculpe. É verdade. Está mais que certo. — Adentrei o elevador rapidamente e me pus ao seu lado. — Eu queria muito ser a pessoa que a minha amiga diz quem sou...
— Tudo bem. Olha, é só questão de pensamento. Se você disser isso toda vez, vai acabar acreditando de verdade nisso, e se tornando verdade absoluta pra você. Experimente pensar que tem a garra e a coragem de uma leoa. Todos os dias. Faça isso de verdade.
Ele sabia o que estava dizendo. E é por isso que eu acreditava tanto em suas palavras.
— Preciso fazer isso mais vezes. — eu disse.
— Todos os dias. — ele arqueou as sobrancelhas, me dizendo.
Eu não sei se Mike percebeu, mas eu estava dando o meu melhor. No táxi até a casa de shows onde o Catfish and the Bottlemen iria fazer o concerto naquele dia, tentei meu melhor para me manter calma e concentrada. Aquele era o meu trabalho, afinal de contas, eu teria que ser o mais profissional que eu poderia ser. Eu estava em Nova York, e precisava causar uma boa impressão.
Assim que chegamos no backstage, minha barriga começou a dar algumas voltas. Não tive tempo para pensar direito, mas era um misto de sensações. Não me dei conta antes da saudade que sentia de estar perto dos entrevistados. Desse nervosismo antes de chegar a vê-los, a expectativa de que ocorresse tudo bem e fluido. E, por mais que eu estivesse ainda insegura quanto ao desconhecido, era algo necessário a ser feito.
Mike ficou atrás, ele disse que não iria interferir caso não achasse necessário, e sempre que eu olhava para ele sua expressão nunca estava engessada, mas sempre estava com um sorriso no rosto. Isso me deu a confiança que eu precisava no momento, eu o agradeci mentalmente, de coração.
— Olá, viemos para a entrevista com o Catfish and The Bottlemen. — saudei para o segurança na porta. Abri um sorriso educado.
Ele nos deixou passar depois de checar nossa presença, então passamos pelo muralha e adentramos a sala. Nesse momento foi como se milhares de pares de olhos estivessem me observando. Avistei Benji sentado no sofá de couro preto, que me acenou sorrindo, nada surpreso.
Não me demorei, afinal eles teriam que subir ao palco em menos de três horas.
— Vou ficar aqui. — Mike disse baixo, parando na porta.
Eu assenti com a garganta seca. Eu ainda não tinha olhado para todos os caras da banda. Apenas tirei meu caderninho de anotações, e o celular da bolsa, quando levantei os olhos novamente, tentei dar meu melhor sorriso simpático.
— Então, vamos começar?
— Não antes de mim.
— O que estava fazendo, cara? Estávamos te esperando. — Johnny disse para Van, que eu não tive a coragem de olhar naquele instante.
— Emily. — ele disse com a voz afetada. Por mais que ele tenha pronunciado o nome dela quase num murmúrio, eu ouvi quase bem demais para o meu gosto. — Okay, vamos começar. Oi, .
Abri um sorriso forçado para ele, porque eu realmente não queria sorrir. E eu não estava sendo nada profissional. O que passou por minha cabeça era de agarrar o pescoço dele e o despejar na lua.
— Olá, meninos...

×××


— Então, é o seu namorado? — Van disse e eu segui seu olhar até Mike, que conversava com Benji e parecia estar se divertindo.
Eu não queria o responder. Eu coloquei meu material jornalístico na bolsa e me mantive em silêncio. Nós precisávamos de uma entrevista apenas com o Van, e ele topou, logo eu teria que ser mais rápida para não perder uma oportunidade importante para a revista. Mas, como as mulheres sabem, ou você odeia a presença do seu ex alguma coisa e quer muito que ele desapareça da face da terra por algumas décadas, caso for possível, ou você simplesmente odeia ao mesmo tempo que ainda ama e finge que nada está acontecendo demais.
Mas o meu silêncio não pendurou por muito tempo, o tempo estava correndo.
— Só vou te dar essa entrevista, que, aliás, não foi agendada, ou seja, eu tenho a liberdade de rejeitá-la e até mesmo pedir pra vocês saírem, se você me responder essa pergunta. — e ele se aproximou ainda mais para dizer: — Você sabe que eu não gosto muito de jornalistas.
Eu fechei meu punho, xingando aquele cretino mentalmente, ou eu poderia ser processada.
— Vai se ferrar. — eu disse olhando bem para seus olhos. Van abriu um sorriso que eu mais odiei.
— É sério. Estão namorando?
— Não é da sua conta. Quem está fazendo a entrevista aqui sou eu, não você. Então vamos ao que interessa.
Ele se endireitou na cadeira que havia colocado á minha frente. Uma hora juntos seria o suficiente para fazermos grandes estragos, um no outro.
— Droga. — eu resmunguei.
— O que foi?
— Não consigo olhar nem na sua cara para fazer as perguntas. Porque quero muito te bater.
— Muito profissional, eu diria. Geralmente somos nós que queremos fazer isso. — ele fez uma pausa, e lá estava ele olhando em direção a Mike novamente, com o maxilar cerrado.
— Algum problema? — eu perguntei irônica. Ele se virou para mim revirando os olhos. — Não vai me dizer que se apaixonou pelo Mike.
— Eu não acredito. Vocês estão realmente se pegando? — ele perguntou com a voz baixa, gesticulando como se estivesse realmente indignado. Eu quase acreditei nele.
— Ah, sim. Você está com ciúmes?
— Só não achei que você fosse o tipo de pessoa que se pegava com outros jornalistas.
Eu abri minha boca, porém queria guardar minha compleição, meu temperamento nunca foi dos bons, mesmo eu conseguindo me controlar na maioria das vezes.
— Chega. — eu me levantei, pegando minha bolsa já exasperada. Olhei para Mike, que havia se movido também. — Vamos embora.
— Aconteceu alguma coisa? — ele me perguntou rapidamente. — Não me diga que...
— Quer saber de algo? Eu realmente acreditei que era uma leoa, agora quero devorar todo mundo. — comprimi meus lábios de raiva. Meus dedos de fechavam na alça da bolsa.
Mike soltou uma risada baixa.
— E você, pode ir parando de achar que deve saber da minha vida. Quando, depois que paramos de nos pegar, porque aquilo nunca poderia ser chamado de relacionamento, não é, Van? Você, na primeira oportunidade, começou a namorar a primeira mulher que se jogou na sua frente. Não venha jogar esse jogo de hipocrisia comigo, porque não vai rolar.
Mike tocou em meu ombro, dizendo:
— Tudo bem. Vamos embora.

×××


Me joguei no meu sofá, que comprei de uma senhora assim que havia me mudado. E nunca agradeci tanto por ter algo antigo e fofo onde eu pudesse descansar meu corpo cansado.
No final do dia, nós tínhamos a entrevista com o Catfish and The Bottlemen, algumas fotos, e uma coleção de raiva crescente de Van McCann. Eu nunca imaginaria que poderia ser tão estressante assim. Mas eu comecei a pensar mais na minha carreira profissional do que em qualquer outra coisa.
Quando deitei minha cabeça no travesseiro naquela noite, eu fiz uma promessa para mim mesma, de nunca mais colocar o coração à frente do meu trabalho, e talvez esse fosse o caminho para me tornar uma leoa, e deixar de ser uma ovelhinha amedrontada por seus próprios sentimentos.


Capítulo 5


Sabe o que pode te fazer se sentir viva? Tomar um banho quentinho na banheira, colocar aquele LP da banda que você tanto gosta, e fazer um cházinho para acompanhar. Caso não gosta de nenhuma dessas coisas — porque são coisas que me fazem se sentir bem — eu sugiro que respire fundo e pense em coisas que te façam se sentir bem consigo mesma. Como se você fosse a joia mais preciosa de toda uma nação. Caso você não se sinta como uma joia, pérola ou diamante, quero que saiba que você é.
Nunca tive problema em ficar sozinha. Eu saí da casa dos meus pais aos dezenove anos, cursei a faculdade junto com , morei com ela por alguns meses, mas tivemos sérios problemas de convívio, e ainda hoje prefiro que cada uma fique no seu canto — é parada dura. Eu sempre arranjo algo para fazer caso a solidão bate na porta, mas nunca a deixei entrar de verdade.
Recebi a visita de Mike hoje mais cedo, é domingo. Ele trouxe um bolo de frutas que eu amei verdadeiramente, e me fez sentir melhor. Com todo aquele lance com os Catfish and The Bottlemen — para não mencionar diretamente Van Mccann — me senti meio pra baixo quase o final de semana todo. Mas ele me ajudou a abrir um sorriso para me encorajar a bater de frente com esse muro que havia se erguido em minha frente.
— Eu ouvi o que ele disse. Ele é um babaca mesmo. E é por isso que eu recusei entrevistar eles. — Mike disse, afundando sua colher no bolo divino.
Eu ainda estava em êxtase por causa do bolo, porém a conversa me despertou certa raiva de novo.
— Ouviu o quê?
— Vocês realmente estão se pegando? Mas que diabos, qual o problema dele? E se estivéssemos, qual o problema disso? — Vi nos olhos de Mike certa fúria.
— Van é idiota, não liga com isso não. Já estou acostumada. — revirei os olhos suspirando. — Ele adora me provocar.
— Li que ele anda com uma tal de Emily. Todos querem saber da onde ela é. É como se tivesse surgido nesse planeta do nada.
Eu soltei uma risada.
— Sim. Mas ele sempre sai com as que não são famosas. Algumas ele mal sabe o nome completo. Outras nem o nome sabe. E quer saber de uma coisa? É porque ele se sente muito solitário. — contestei.
— Vocês tiveram um caso... não é? Isso ficou bem na cara.
— Você ficou nos observando demais! — eu disse indignada.
— Querida, eu fico de olho em tudo. Não passa nada. E esse bolo é muito bom.
Eu assenti com a boca cheia.
— Huhummmm.
— Me conta, eu posso tentar ajudar.
Eu arregalei os olhos, depois maneei a cabeça rapidamente. Eu não queria que ninguém me ajudasse com esse problema, eu nem queria resolver nada. Queria deixar como está. E está "bom" dessa forma.
— Não temos solução. É sério Mike, o Van é um homem que bagunça a cabeça de qualquer mulher. É só entrevistar elas, você vai checar o que estou dizendo.
— Tem que ter uma solução, . Esse cara sente algo por você, algo que se vê mesmo, de verdade. A forma como ele te olhava lá. A forma como ele queria sorrir quando você ria. E olha que você não é nem engraçada... — Eu o interrompi para dar um tapinha em sua mão. — Aí!
— Você quer dizer: não se faça de sonsa, mulher.
Ele gargalhou jogando a cabeça para trás, quase virando a cadeira. Eu me levantei rapidamente para ajudar, mas ele foi mais rápido.
Acabamos gargalhando juntos.
— Okay. — ele disse recuperando o fôlego. — Eu te falaria, mas sou educado o suficiente.
— Então está bem. — eu disse.
— Mas não fuja do assunto. Por que não liga pra ele, e inventa qualquer desculpa para se encontrarem? Essa cidade é enorme, se tem de tudo pra fazer. É sério, . Ouvi dizer que eles estão viajando na terça-feira para Seattle.
Senti uma fisgada no peito. Era como se eu, mesmo que em outra vida, não tivesse coragem o suficiente para fazer tal coisa. Mas eu nunca mais gostaria de dar um passo em direção ao Van novamente, com medo de que quando eu pisasse eu caísse em um grande abismo.
Mike estava tentando ajudar, e eu apreciei muito isso.
— Não quer conversar com ele? Dizer coisas e mais coisas. Sentimentos etc. — Mike olhava fundo nos meus olhos, talvez querendo entender o que se passava em minha alma.
— Van nunca muda. Eu posso até mesmo ligar pra ele, mas ele nunca está totalmente sóbrio o suficiente para conversar comigo. Posso ficar na linha contando-o sobre o quanto sinto sua falta e que quero muito que ele mude, porém isso seria perda de tempo, pois ele não se lembraria no dia seguinte. Entende, Mike? Quero seguir em frente, porque é o certo a se fazer.
Mike deu aquele suspiro de quando não se sabe o que dizer. Eu comi minha última colher de bolo, e fui para meu chá.
— Então prefere que eu não fale mais dele. — ele disse baixo.
— Não vou superá-lo mesmo que eu faça um voto em silêncio sobre esse assunto. Eu só aprendo a viver sem ele. Aceito isso e toco minha vida. Não posso mesmo parar por isso, então não tenho escolhas.
— Uau. Isso foi muito realístico.
— E não é? Agora, quer ver minha coleção de dvd's? — eu disse animada mudando de assunto.
Nós nos levantamos, ele me ajudou a lavar os pratos e depois seguimos para minha pequena sala. Lá estavam eles, os meu dvd's. Uma variedade de filmes, antigos, atuais, desenhos, romances, drama, ação. De tudo um pouco. Boa parte ainda nas caixas.
— Eu tinha muitos LP's, mas um dia alguém entrou no meu apartamento e roubou boa parte deles, e fiquei apenas com meia dúzia. Suspeito que tenham sido os garotos da loja de vinis do outro lado da rua. — ele disse, fazendo um bico em seguida. — Amava meus LP's antigos.
— Minha nossa, e você não prestou queixa disso?
— Preferi não. Eu sei que seria o certo a se fazer, mas eu não tive coragem.
— Ah, Mike...
— Nessa época eu quase não tinha tempo pra respirar. A redação estava uma loucura e eu era sempre chamado para viajar aqui e ali em busca de matéria boa. Eu era o novato.
Me sentei no chão separando os desenhos dos de ação, Mike fez o mesmo.
— Eu entendo...
— Olha só, Dumbo!
— Sim, um dos meus favoritos. — eu disse, sorrindo abertamente.
— Me diga, , como se vê daqui cinco anos? — ele me perguntou diretamente.
Demorei para abrir a boca. Ele me cutucou o ombro para que eu desse alguma resposta. Mas a verdade é que eu havia idealizado um futuro sim, mas parecia mais um sonho distante do que uma realidade.
— Quero já ter ganhado o suficiente para viajar com meus pais para Paris, e com meus irmãos também.
— Nada de filhos?
— Então...
— Me fale! Quero algo real.
Mordi o lábio, aquela lembrança fazia as borboletas do meu estômago se revirarem.
— Eu e o Van costumávamos discutir sobre nome dos nossos bebês. Ele dizia que gostaria de ter um bebê aos trinta e poucos. Isso é tão bobo...
— Hey. — Mike me chamou a atenção. — Não parece nem um pouco bobo pra mim. Nesse tempo, ele era um cara bacana?
— Ele não fumava quando estava comigo, dizia que estava parando, porque eu odiava o gosto disso. Quando eu pedia para ele parar de beber tão demasiadamente, ele fazia mesmo isso.
— Ele fazia qualquer coisa por você... — Mike quase disse num sussurro, mas eu ouvi bem. Ele parecia estar tendo um insight. — Anything, do The Ride. Sua música. Caraca, vocês tem uma história juntos. E você me vem dizer que não quer tentar de novo? Você é a única pessoa que pode salvar aquele cara, . Entende isso?
Eu arregalei os olhos, pois os de Mike estavam densos demais nos meus. Eu senti como se todas as setas estivessem sendo apontadas para o Van, e eu só queria fugir disso, desesperadamente.
Eu peguei Alice no País das Maravilhas, na mão. E apontei dizendo:
— Esse filme é incrível!
— Não fuja do assunto!
— Ai meu Deus, está bem. Vamos retornar a esse assunto. Que na verdade eu comecei, mas... — me levantei me jogando no sofá. — Eu não as ouço, as musicas dele. Nenhuma mesmo. Nunca parei para fazer isso, porque eu sabia que eu acabaria pedindo para ele voltar de novo. E ele é muito persuasivo.
— Mas são boas. Por que não tenta?
— Não. De jeito nenhum, Mike. — balancei a cabeça.
— Por quê?!
— Porque nem todas são sobre mim. — eu disse o óbvio. — E eu não quero me magoar fazendo isso. É demais pra mim.
Mike fez uma careta.
— Mas deveria fazer. Deveria saber o que elas falam sobre você, e sobre os sentimentos dele. Quem sabe você possa entender melhor.
— Ou eu saía mais confusa do que já estou.
— Disso você só vai saber tentando, não é mesmo?
Eu comprimi os lábios, pensando.
— Eu passei meses tentando me livrar dessas coisas. Qualquer coisa que me lembrasse dele. Porque, sabe Mike, eu descobri que o Van não é o tipo de homem que eu queria para minha vida. Ele fumava, bebia, usava coisas que eu nunca vou saber o que eram, e se continua usando eu realmente não sei. Eu nunca tive coragem para contar a todas essas coisas porque ela é meio doida. — eu soltei uma risada sem graça. — Mas quando estávamos sozinhos, eu via que ele tentava ser uma pessoa melhor.
— Continue... — Mike pediu, ficando em posição de índio no tapete.
— Assim que conheci ele, não demorou muito pra que começássemos a sair juntos, com seus amigos. Eu comecei a beber junto. Tentei fumar por uns tempos, mas eu odiava o gosto daquilo, e só continuava porque acreditava que em algum momento isso ficaria bom. — eu fiz uma careta, colocando a língua para fora. — Eu sabia que estava tentando ser uma pessoa que eu não era, mas sim tentando ser como as garotas que ele saía. Mas não deu para esconder isso por muito tempo. Em dois mil e dezesseis, nós brigamos, eu estava cansada de tudo aquilo, e precisava focar na minha carreira. Quando eu mostrei quem eu era de verdade, ele foi embora.
— Meu Deus. — Mike abriu a boca tampando com a mão logo em seguida. Eu achei que fosse grande coisa para se contar, ele era um bom ouvinte. — Ele é realmente um babaca, . E o que aconteceu depois?
— Ele entrou em turnê. Estava ocupado. E eu estava no meu trabalho e também andava ocupada. Mas nós nos encontrávamos quando ele ia para Londres. Ele tinha meu endereço e número, então batia na minha porta, e era como se nunca tivéssemos brigados. E isso está ficando meio deprimente.
— Perdoa a minha cara de choro. — Mike fingiu estar secando as lágrimas. Eu ri. — É meio confuso, mas é algo que só vocês devem saber de verdade. Não devem ter colocado uma ordem nisso tudo.
Mike se levantou olhando as horas no celular, e fez uma careta triste.
— Já vai? — eu perguntei, me levantando também.
— Eu adoraria passar a tarde aqui te ouvindo falar sobre o Van, mas tenho que ir ver minha mãe. Domingo é o único dia que posso vê-la.
— Vai lá!
— Vou. E você, qualquer emergência me ligue.
— Uma mulher é capaz de sobreviver a um tsunami. — eu pisquei.
O levei até a porta, e nos despedimos. Aquela tinha sido a despedida mais estranha da minha vida, porque pela primeira vez queria que alguém além de realmente ficasse.
Assim que Mike se foi para a casa da mãe, eu decidi fazer minha própria comida — já que eu estava sobrevivendo dos restaurantes e comida chinesa desde que cheguei — mas para isso eu teria que fazer uma pequena compra com o que eu iria precisar. Então peguei minha bolsa e saí à procura de um supermercado que estivesse aberto no domingo.
Comprei o que estava em minha mente para fazer uma boa janta. E tudo saiu bem, no final das contas.
São essas pequenas coisas que trazem prazer. Já que eu sou uma introvertida incurável. É o que eu sempre venho fazendo nos últimos anos. Não muita companhia. Não muitos convites para jantar. Não muito amigos. E eu ainda prefiro estar com meus pais.
Mas agora, final de um domingo. Trabalho pela manhã. Sem por perto. E um apartamento pequeno e agradável. Se não soubermos ser contentes com nossa vida, deixaremos o desespero entrar.
Vesti minha toalha, sequei meu cabelo. A campainha tocou, ecoando o som ligeiramente irritante pelo apartamento quieto. De súbito meu coração acelerou, pelo susto. Quem eu imaginaria que tocaria minha campainha sem ser Mike? Ninguém nem me conhecia. Mas poderia ser o síndico, isso sim.
— Só um minuto! — tive que gritar. A campainha tocou mais uma vez. — Só um segundo!
Corri para me vestir um roupão. E me apressei para atender a porta, e meu erro foi não ter olhado pelo olho mágico antes de abrir...
— Meu Deus. — foi o que eu consegui dizer.
Ali estava ele, novamente, em minha porta. Com os cabelos úmidos, e os olhos vermelhos como se estivesse chorado minutos atrás. Aqueles olhos azuis baixos como se tivesse feito algo de errado. Me passou aquela sensação de ter me puxado para meses atrás, quando nós dois ainda tínhamos alguma coisa. Mas não era um fato dessa nova realidade.
— Posso entrar? — ele me perguntou com a voz baixa. Van tirou a mão do casaco marrom e a colocou no batente da porta.
Eu fechei os olhos tentando pensar racionalmente. Eu poderia fechar a porta e o ignorar. Sim, eu poderia ignorá-lo, seria o certo a se fazer. bateria palmas para mim caso eu fizesse. E Van estava cheirando a bebida, uma mistura boa do seu perfume favorito e bebida, mas não parecia bêbado. E quando eu percebi estava olhando para ele, com os pés cravados no mesmo lugar, em estupor.
Maneei a cabeça, e passei as mãos pelo meu rosto como para recobrar a consciência.
— Não, você não pode entrar. — eu disse como se fosse óbvio. Ele revirou os olhos passando a mão, que estava no bolso, no cabelo. Um ato charmoso, mas eu estava tentando ser racional naquele momento.
— Eu não estou bêbado, . Só quero conversar. Os caras me ofereceram muita bebida, mas eu queria vir atrás de você, então recusei-as. — Ele parecia estar falando a verdade. Mas eu não me deixei levar por isso.
— Então você queria vir atrás de mim. — eu estreitei os olhos. — Eu te daria uma salva de palmas por não aparecer na minha frente bêbado, mas estou ocupada... — Fechei a porta com certa força. – ... fechando a porta.
Ouvi ele bufar, e segurei uma risada.
...
— É sério, Van, vai embora.
— Tenho algumas coisas para esclarecer.
— Ainda consigo sentir seu perfume, por favor, mantenha mais distância. — eu disse me afastando, dois passos para trás.
— Tudo bem. Você ainda consegue me ouvir, então é melhor se sentar. — Sua voz divertida acaba comigo.
— Não sento, se eu não quiser, bonitinho.
— Está certo. Só continue aí. Eu... — ele pausou, parecia estar se sentando. Queria dar uma espiada na porta só para checar. — Eu andei pensando.
Eu soltei uma risada, me escorando na porta. De roupão e com um ex alguma coisa do outro lado.
— Desde quando você pensa, Van?
— Isso não foi nada engraçado, . Isso é sério. Eu realmente andei pensando sobre nossa situação mais a fundo.
— E descobriu que me ama perdidamente.
— Eu estou apaixonado por Emily.
Dessa vez minha boca se abriu e saiu quase um xingamento, porém por algum tipo de má sorte — como se ele ao proferir tais palavras tenha começado algum tipo de maldição — eu mordi meu lábio sem querer. Foram longos segundos se contorcendo, e tentando não gritar.
Van bateu na porta, eu fiquei com mais raiva ainda.
— Está tudo bem? Caso você tenha buscado algum tipo de arma, é melhor eu sair andando...
— Ai, eu não acredito.
— O que foi?
— Eu mordi meu lábio por sua culpa, seu idiota. — Fiz uma careta de dor.
— O que eu fiz? — ele perguntou calmamente, como se não tivesse dito nada demais poucos minutos atrás.
— Por que está aqui? Veio para me reforçar que está apaixonado por outra pessoa e que está tão feliz que prefere que sejamos apenas amigos, depois de tantos meses? Você acredita que tendo vindo aqui vai mudar a realidade do meu coração? Como se pedisse para o meu coração não bater por você? Por que, se acha que eu vou aceitar ser sua amiguinha, está muito enganado.
Ele suspirou pesadamente.
— Olha, tem um garotinho aqui na porta do lado, sentado, me olhando de uma forma monstruosa. Estou pensando que talvez você tenha o contratado para ser seu guarda.
Eu soltei um grunhido.
— Eu te odeio. — eu soltei.
— Está bem. Vou tentar explicar. — O ouvi arrastar o corpo até bater na porta. — Eu conheci a Emily em uma festa, de um dos meus amigos que trabalham na 67 rádio. Quando eu e você decidimos que seria melhor que cada um fosse para um lado, eu realmente levei a sério por um tempo. Mas foi difícil. Eu apareci no seu apartamento em Londres algumas vezes, até quando você não estava. Eu tentei mesmo fazer com que você voltasse a gostar de mim. E eu precisava de você. Precisava mesmo, , porque só você conseguia me fazer sentir confortável sendo eu mesmo, sem todo aquele álcool e drogas. Você me traz todas aquelas coisas boas. Todo esse sentimentalismo, drama. E eu realmente queria que desse certo. Você tem essa essência que dá pra ver em sua pele e ossos. É a pessoa mais verdadeira que eu já conheci... — ele fez uma pausa. Não o ouvi suspirar. Queria ter aberto a porta e o abraçado. Mas nada disso o fiz. — Mas eu decidi que não quero isso agora. Eu quero a Emily e toda a sua superficialidade. Nada de conversas profundas. Nada de parar com os meus vícios. Nada de olhar para a realidade da minha alma...
Eu o interrompi:
— Nada de mim. — eu disse quase num sussurro, mas ele me ouviu e parou. — Não é nada fácil ouvir você dizendo isso.
— Eu sei. Mas eu vim aqui, , porque eu pensei sobre nós dois. Eu pensava em você o tempo todo. O que será que estaria fazendo. Se se sentia solitária naquele apartamento. Se precisava de mim. E eu quase nunca poderia estar por perto. Você merece alguém como o Mike, é por isso que eu senti tanto ciúmes dele.
Eu estreitei as sobrancelhas, com os olhos já marejados. Eu só queria que ele fosse embora naquele momento para que eu pudesse entrar no meu quarto e chorar, porém eu teria tempo de sobra para isso durante a semana, talvez semanas.
— Eu e Mike não temos nada. — eu disse com completude. — Mas se é isso que quer então deve seguir dessa forma. Não quero atrapalhar em nada. — Meu coração gritava o contrário a cada palavra.
— Não quero perder você. Nós podemos ser amigos. Por favor, não me deixe sair daqui sem a sua afirmação.
Deslizei meus dedos até a maçaneta e a girei devagar, enquanto pensava. Assim que abri a porta os olhos tilintantes de Van me alcançaram. Aqueles oceanos. Os cílios longos e úmidos. O cabelo que ele deveria ter cortado recentemente o deixou com um ar mais adulto. E eu temi que nunca mais voltássemos a ser como éramos antes. O medo de não tê-lo por perto. De não rir com ele. Beber com ele. Me deixou sem saída naquele momento.
Ele se levantou rapidamente, e eu, pequena, desviei meus olhos para o elevador.
— Se quer mesmo que sejamos amigos, então está bem, Van Mccann. Mas isso não quer dizer que eu irei gostar de Emily. Quero ficar o mais longe possível de vocês. — eu disse, e deveria estar com a pior expressão possível de alguém que acabou de ouvir a pessoa a qual gosta pedir para que fossem apenas amigos.
— Você não precisa fazer isso, se não quiser, é claro. Mas entenda que, agora, é como eu quero que as coisas fiquem. E nós iremos ficar muito melhores dessa forma. Só em saber que você não está brava comigo vai me deixar mais leve.
Eu levantei meus olhos até os seus. Descruzei os braços e pensei em algo para fazer ele ir embora, porque meu coração estava apertado.
— Você não tem que voltar para o seus amigos?
Ele levantou as sobrancelhas.
— Eu devo?
— É, você precisa mesmo ir embora, Van.
Ele riu sem graça.
— Não posso ir, você não parece bem...
— Vou ficar bem, sempre fiquei. — eu disse no automático. Boa parte disso era verdade.
— Você precisa voltar para a Emily, e eu para meu apartamento e ouvir The Killers. Vai lá. Eu vou ficar bem. Só tente não fazer nenhuma besteira.
Van continuou parado em minha frente. Os olhos também parados em mim, como se estivesse pensando no que nos tornaríamos a partir dessa noite.
— Tenho medo de estar fazendo a escolha errada. Tenho medo que o temos possa escorregar pelas minhas mãos e eu nunca mais conseguir tê-la novamente.
Meus olhos acabaram se enchendo de lágrimas. Eu estava me derretendo bem ali, em frente à pessoa que eu não gostaria que as visse.
Eu dei um passo para trás por medo. Ele deu dois em minha direção. Levantei o braço para que ele não se aproximasse mais, e ele me respeitou.
— Você está tornando as coisas muito piores do que já estão, Van. — eu funguei. — Acho melhor não falarmos mais sobre isso.
— Acho melhor eu ir indo... — ele disse meio desconcertado.
— Também acho.
— Qualquer coisa me ligue, ou ligue para o Ben, ou Johnny. Qualquer um dos rapazes que possam me avisar.
— Você sabe que eu não irei ligar. — enxuguei minha bochecha.
...
— Van, só vá. Por favor.
Ele hesitou. Mas quando dei conta ele já estava no elevador. As portas se fecharam, e junto com ele se foi qualquer esperança que tínhamos de ter algo realmente concreto.

Continua...


Nota da autora: (26/03/2019) Olá, meninas! Que sonho estar publicando uma fanfic no site Obsession, sempre tive essa vontade. Espero que estejam gostando. Beijos!

Nota da beta: Cara, você não tinha o direito de destruir meu coração sonhador com esse capítulo, dessa forma!!!! Eu sou mil vezes apaixonada por essa história, é de verdade uma das minhas favoritas no site, e eu adoro como você consegue transmitir as emoções confusas dessa relação mal acabada deles (off: eu já passei por uma situação parecida, então me toca na ferida kkkkkkk). E todas as referências às músicas são simplesmente perfeitas, fico sempre muito ansiosa esperando mais capítulos. Obrigada por essa atualização!!! <3<3<3

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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