Contador:
Última atualização: 23/07/2020

1. I might never be your knight in shining armor

Desde que eu conheci alguns meses atrás, minha vida mudou bastante. E pra melhor. Era para ter ser sido mais um caso de uma noite só, com começo, meio e fim compreendidos totalmente num intervalo curto de horas, mas nós dois falhamos na missão. Quando nosso olhar se cruzou pela primeira vez, despertou em mim uma curiosidade enorme, como se ele fosse um mistério que eu precisasse resolver. No minuto seguinte, quando não consegui encontrá-lo na multidão, fiquei desconfortável. É estranho se sentir assim por uma pessoa que você só viu, literalmente, uma vez na vida?
Desde que meus lábios tocaram os dele, uma química incrível conectou nossos corpos, e ficou impossível de nos separarmos. Eu sentia uma dor quase física em não tocá-lo, e cada célula do meu corpo ansiava e desejava estar com ele e nem podemos culpar a bebida por isso, porque depois que os efeitos do álcool foram embora, eu passei a desejá-lo ainda mais.
Nos dias que se seguiram depois daquela noite que passamos juntos, eu encarei meu celular várias vezes, selecionando o número dele e ensaiei o que diria para que a gente repetisse cada movimento que fizemos em cima daquele colchão, e em como cada vez que eu lembrava do perfume dele perdia um pouco o rumo do meu pensamento. A verdade é que havia uma chance enorme de eu acabar me apaixonando por ele, mas eu não queria ter que lidar com um sentimento tão intenso nessa altura da minha vida.
Mas você deve estar pensando, “, você ficou com o cara uma vez na sua vida! Como pode estar preocupada em se apaixonar?”
Eu apenas sabia. E foi ficando cada vez mais evidente, quando ao longo dos dias eu fui resistindo à vontade de ligar pra ele, e o esforço era cada vez maior. E para piorar o meu desespero, esbarrar nele durante um dia de trabalho, sentir o perfume exalar daquela pele macia fez subir um frio tremendo na espinha. Ouvir a voz dele falando meu nome fez meus joelho fraquejarem um pouco também, e eu acho que ele percebeu, especialmente pela maneira como eu saí correndo.
Um buquê de peônias depois, e eu cedi.
— Alô, ?
— Eu já estava aqui me perguntando se peônias tinham sido a escolha certa - começou, - mas agora recebi a minha confirmação de que minhas memórias não estavam tão comprometidas pelo álcool como eu achei que estariam.
— Eu não lembro de ter te dito em momento algum que essas eram as minhas flores favoritas. - Eu disse, tentando relembrar os acontecimentos de quando a gente se conheceu. - Mas você foi muito preciso. Eu adorei! Obrigada.
— Não tem de quê. - Ele parecia muito satisfeito do outro lado da linha. - Você me ligar era só uma desculpa pra um convite, você sabe, não é?
— Eu imaginei que não estava ganhando flores assim, do nada. - Ri enquanto caminhava pelo apartamento, podendo apostar que estava com uma cara meio abobada. - O que você tem em mente?
— Pensei em café da manhã na cama, para começar. Estou morrendo de fome.
— Eu costumo tomar café da manhã depois de ter acordado, e essa noite eu ainda não dormi. - Lembrei das várias horas pensando nele, sem conseguir dormir, consumida de vontade de estar com ele mais um vez.
— A gente pode dormir antes, e tomar café da tarde ao invés de café da manhã. - Ele sabia bem como me provocar. - Você tem meu endereço. Estou te esperando.
E então ele desligou, sabendo que eu não tardaria em chegar. E para não deixá-lo esperando demais, comecei a me vestir depressa, colocando o primeiro vestido que achei no guarda-roupas. A essa altura, minhas entranhas já estava se revirando de expectativa, tanto que quase passei mal dentro do táxi.
A fachada do prédio não era nada como eu imaginava que seria. A verdade é que da primeira e última vez que estive no prédio, eu não tinha condições de prestar atenção quando cheguei; na saída, eu praticamente saí correndo. Parecia um prédio mal cuidado, uma fachada velha, de aparência meio suja. Dizem que aquele estilo arquitetônico estava em voga, mas eu jamais saberia o porquê. Mas combinava bem com , um sujeito bem ligado nas tendências.
Quando eu fui tocar o interfone, uma mulher alta e bem vestida que estava saindo do edifício abriu a porta. Ela sorriu para mim e segurou a porta aberta e eu fui entrando. Já estava indo em direção ao elevador quando um funcionário do prédio me parou e perguntou onde eu estava indo, e até me pediu desculpas depois que eu mencionei “ ”. Ele me acompanhou ao elevador e autorizou minha subida.
Durante a subida, minha cabeça fez questão de me levar de volta à noite em que e eu nos conhecemos e das coisas que fizemos, especialmente entre aquelas 4 paredes de aço. Minhas pernas viraram gelatina, o calor começou a subir e eu já nem conseguia raciocinar direito, mas daí, a porta abriu.
Na minha cabeça, era como a porta do paraíso tivesse sido aberta e o mais belo anjo do Senhor estivesse me recebendo. Tudo bem que o anjo mais bonito do céu, segundo a Bíblia, era Lúcifer, mas eu acho que não podia mesmo esperar intenções tão santificadas de alguém com aquela cara e aquele corpo.
Ele nem me disse nada, só pegou a minha mão, colocou em volta de seu pescoço e me beijou. Nesse momento, tudo em mim formigava: meus lábios, que estavam se esfregando de leve nos dele; minhas mãos, tentando captar a maciez de seus cabelos; meu couro cabeludo, sendo acariciado pela mão dele; e meu corpo, tentando se acomodar em seu laço. Ele apartou o beijo, mas manteve sua testa encostada na minha, respirando profundamente.
escorregou suas mãos pelas minhas costas e enterrou seu rosto em meu pescoço, me apertando mais forte contra o corpo dele. Eu nem sabia que era possível sentir tanta saudade de um abraço que eu tinha sentido tão poucas vezes na minha vida, mas dentro daquele abraço eu sentia conforto, e o resto do mundo nem me importava.
Ele finalmente pegou a minha mão e foi me puxando pelos corredores, por um caminho que eu conhecia bem por ter largado minhas roupas por ele. Chegamos ao quarto, e as cortinas estavam fechadas. A cama estava feita, sinal de que ele não tinha mesmo dormido. Ainda sem dizer uma só palavra, puxou uma parte do edredon e foi se acomodando na cama. Ao ver que eu estava apenas observando, ele deu três tapinhas no espaço a seu lado e eu entendi a deixa.
Me aconcheguei a seu lado, deitada de costas para ele. soltou o meu cabelo e o colocou para cima, de modo que pudesse se deitar bem pertinho de mim sem ficar sufocado na cabeleira. Sua mão buscou a minha, entrelaçando nossos dedos, trazendo cada vez mais lembranças da nossa primeira noite juntos. Seu corpo se encostou ao meu, e a última coisa que eu ouvi foi um suspiro profundo antes que eu caísse no sono.



Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber se a história tem atualização pendente, clique aqui


comments powered by Disqus