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Última atualização: 28/08/2020

Prólogo

Nervosismo.
Não era algo que eu costumava sentir antes de algum evento, ou show. Tudo isso fazia parte da minha rotina, definia quem eu era e, normalmente, eu não teria motivo nenhum para me sentir nervoso, exceto, é claro, que muita coisa havia mudado nos últimos oito meses. Conhecê-la naquela reunião tinha transformando quem eu era, meu jeito de ver o mundo... e pior ainda, pela primeira vez, eu me importava com o que diriam quando eu subisse naquele palco.
A opinião dela tinha passado a ser a mais importante para mim.
Encarei meu reflexo no espelho — pela milésima vez —, ao mesmo tempo em que rodava os anéis nos meus dedos, tentando me convencer desesperadamente de que a sensação em meu estômago iria passar só por estar tentando desviar a sensação para outros lugares. A verdade é que ela não ia, e a tendência era só piorar com a presença daquela mulher, que me causava tantas sensações que eu jurava nem ser capaz de sentir até vê-la pela primeira vez.
Eu já tinha sido convidado para milhares de eventos, conhecido muitas mulheres poderosas e mais velhas do que eu. Contudo, tinha alguma coisa nela que me atraía, além do jeito de olhar, andar, falar... e claro, saber colocar no lugar um homem que acha que só por se enquadrar neste gênero está acima dela. Não sei dizer, tinha algo em específico que fazia eu me remexer por dentro só por estar ao lado dela.
No momento em que eu procurava no fundo da minha mente o que poderia ser — como vinha fazendo nos últimos meses —, escutei três batidas na porta. Eu sabia que era ela.

— Pode entrar! — Gritei, já me levantando e ficando em pé para encarar a porta se abrir.

Merda. Foi tudo que consegui pensar, quando ela apareceu no meu campo de visão, usando um vestido vermelho longo que delineava todo o seu corpo, com os cabelos soltos... e espera, ela os tinha cortado. Como sempre, Becker estava perfeita, com todo aquele ar sério e a capacidade de passar confiança para qualquer um que estivesse na presença dela.
Não tinha como negar. Eu estava apaixonado, completamente apaixonado pela mulher diante de mim.
— Sr. , está pronto? — Ela perguntou, como sempre fazia nos últimos meses.
Soltei um riso fraco e a encarei da mesma forma de sempre.
— Minha entrada é apenas às 21h, certo? — Perguntei, mas dessa vez sem olhá-la.
raspou a garganta, e então voltei a olhar para ela. Passando meus olhos por todo seu corpo até parar em seu rosto e me aproximei dela, levando uma das mãos até seus cabelos.
Pude vê-la se arrepiar com meu toque, o que me arrancou um leve riso.
— Você está linda, gostei do cabelo. — Falei, com os olhos fixados aos dela.
— Obrigada. — respondeu, simplesmente.
Ela não precisava falar, eu era capaz de sentir seu incômodo com as minhas demonstrações de afeto, então me afastei.
— Sem problema. — Disse, voltando para onde estava antes.
? — A escutei me chamar, de forma informal, e não pude conter o sorriso em meus lábios.
Me virei para encará-la de novo.
— Não é minha intenção ser indiferente a você... — Ela disse, sua voz agora estava mais calma.
Ri fraco.
— Essa não é a questão aqui, não estou pedindo para ser alguém que não quer ser.
A vi estreitar os olhos e me aproximei.
— Não estou entendendo...
— Eu só não quero ter que ir embora, entende?
— Quem falou sobre ir? — perguntou, parecendo visivelmente preocupada com o que eu tinha acabado de dizer.
Abriu um sorriso fraco e levei minha mão até o rosto dela.
— Mas metade de você não é o suficiente para mim, . — Falei, com sinceridade.
me encarou e permanecemos assim por um tempo, até que a porta do camarim se abriu, de repente, fazendo com que eu me afastasse dela. Estranhamente, permaneceu no mesmo lugar.
— Me desculpa. — A assistente falou, um pouco sem jeito com o que tinha acabado de presenciar.
me encarou por alguns instantes, para então caminhar até a porta, mas antes se virou para me encarar.
— Te vejo lá fora, ? — Ela perguntou, usando apenas meu nome, o que me pegou de surpresa.
— Sim, Srta. . — Falei, e me virei para a assistente. — Callie, certo?
continuava parada na porta.
— Se puder não contar para ninguém o que presenciou aqui... — Eu odiava ter que dizer aquilo, mas era necessário.
— Pois eu espero que conte. — disse, e saiu da sala sem que eu tivesse a oportunidade de dizer algo.
Eu não sei por que, mas sempre me surpreendia com .

O evento e o show tinham corrido muito melhor do que eu esperava. Como eu já tinha planejado, cantei uma música que tinha escrito durante os oito meses que passei ao lado de e a reação dela foi muito melhor do que eu esperava. Naquele momento em que a chamei no palco, parecia que nós dois era a única coisa que importava ali, como se não precisássemos nos preocupar com mais nada.
Depois de cantar para ela, nós não conseguimos ficar muito tempo juntos. E era compreensível, estava á frente de uma das maiores empresas dos Estados Unidos, era uma mulher importante e qualquer um seria louco se não quisesse ter ao menos uma conversa com ela naquela noite. Qualquer coisa que ela falasse, ou fizesse, chamava a atenção de todos que estavam à volta dela, não tinha como ser diferente disso.
Como bom admirador que eu era, a observei em vários momentos durante o restante da noite e até trocamos alguns olhares. Eu não sabia explicar, mas alguma coisa parecia ter mudado na forma como ela me encarava em público, sem me mandar mensagens para que eu parasse de encará-la ou me puxar par algum canto dizendo que eu não deveria fazer isso.
Ela simplesmente, parecia não se importar com a nossa interação em público.
Dei um último gole no meu champagne e vi caminhar até a porta de saída, onde parecia ter uma grande aglomeração de repórteres. Eu sabia qual era a causa daquilo e logo deixei minha taça em cima da bancada, já caminhando até lá para dar o suporte que eu tinha certeza de que ela ia precisar.
Minha música para ela, tinha causado tudo isso.
Me aproximei e levei a mão até as costas dela, que pareceu relaxar com meu toque e virou rapidamente o rosto para me olhar. Um sorriso se formou nos lábios dela e lancei um sorriso cumplice, mostrando que estava ali por ela.
Eu sempre estaria.
— O que você tem a dizer sobre a música que ele escreveu para você? — Uma mulher perguntou.
Bingo. Eu estava certo.
— Vocês estão íntimos há quanto tempo?
Me inclinei e levei minha boca próximo ao ouvido dela.
— Não precisa responder nada disso, se não quiser. — Sussurrei.
— Vocês estão tendo algum relacionamento? Ou podemos supor que é apenas uma aventura?
Revirei os olhos.
— Considerando sua idade. — Uma repórter falou, de forma totalmente arrogante e machista.
— Ei! — Falei, irritado, e senti segurar minha mão.
— Eu vou responder a todas as perguntas se todos se acalmarem. — A mulher ao meu lado disse, com toda sua classe.
O problema, é que ficou ainda pior. Eles começaram e se aglomerar de uma forma enlouquecedora e nos bombardear com ainda mais perguntas.
me puxou para mais perto, pegando-me de surpresa.
— Eu espero que esteja pronto para o que eu vou fazer. — Ela sussurrou.
— Sim, como eu disse, só não quero ter que ir embora. — Falei e ela sorriu.
O tumulto ficou ainda maior, com as palavras que vieram da boca de .


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



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