Perfeito para você

Última atualização: 18/10/2020

Capítulo Um

Eu nunca poderia ter imaginado como era morar em um hotel, até eu morar em um hotel.
Meu pai Steve é um empresário muito bem sucedido no ramo de hotéis e para ele não existia nada melhor do que viver dentro de uma das suas maiores criações.
Palace Hotel.
Tenho que admitir que o hotel realmente é grandioso e recebemos hospedes de todas as partes do mundo, inclusive celebridades, porém morar em um hotel era completamente diferente. As pessoas costumam pensar que pelo fato de eu ter alguém que arrume meu quarto todos os dias, que eu tenha direito a todos os pratos que o hotel oferece é ótimo, porém não é tão bom assim.
Apesar de vivermos no Palace, meu pai projetou uma cobertura para que pudéssemos ter mais privacidade, não que isso conte como alguma coisa realmente, afinal todos nesse hotel sabem quem somos e como nos achar.
Desde cedo eu tinha sido ensinada pelos meus pais a não me preocupar com dinheiro, eles falavam constantemente que tínhamos uma fonte de dinheiro inesgotável e que eu poderia aproveitar minha vida, com limitações é claro. Uma das únicas regras que eu não poderia quebrar de jeito nenhum era me envolver com algum hospede, algo que claramente eu já havia quebrado e meu pai nunca tinha descoberto.
– Papai está furioso com você! – Ouço minha irmã mais velha entrando no meu quarto.
– O que eu fiz dessa vez? – resmungo assim que ela abre as cortinas deixando o sol entrar.
– Você chegou tarde outra vez. – O tom acusatório da minha irmã me faz revirar os olhos. – Eu não aguento mais ouvir o nosso pai reclamando sobre você. – Maddie estava tão vermelha de raiva que me fez rir.
Na maior parte do tempo minha irmã era um pé no saco e uma baba ovo do meu pai. Geralmente Maddison não gostava que eu saísse e aproveitasse bem a noite, pois isso dizia mais trabalho para ela com os tabloides.
– Talvez você devesse sair comigo uma noite dessas. – tento me manter neutra, porém não consigo esconder o cinismo na minha voz.
– Não . Seu tipo de diversão não condiz com meu estilo de vida. – reviro meus olhos e ela bufa.
– Tudo bem! – levanto minhas mãos em sinal de redenção. – Agora você vai fechar as cortinas e sair do meu quarto? – pergunto.
– Eu até poderia, mas papai quer você no escritório dele. – seu sorriso era diabólico, eu poderia dizer que ela estava se divertindo internamente com a minha próxima desgraça. – Saia da cama agora . Não me faça tira-la a força. – me levanto rapidamente, pois não deixaria que essa história se repetisse novamente.
– Já estou indo. – jogo minhas cobertas para o lado e me levanto rapidamente, esse gesto acaba levando tudo a girar ao meu redor.
– Diminua a quantidade de álcool que bebe. Você fede. – eu odeio quando Maddie tenta vir com lições de moral para cima de mim.
– Pelo menos eu tenho uma vida. – cruzo meus braços completamente emburrada.
– Uma vida de fracassos? – abro minha boca para falar algo, porém o choque não me permite. – Soube que você foi rejeitada em mais uma gravadora. – fecho minhas boca e fulmino com os olhos.
– Isso não diz respeito a você. – me aproximo dela. – E além do mais eu tenho uma vida repleta de histórias para contar, e você? – dou algumas batidinhas em seu ombros antes de entrar no banheiro para tomar banho.
Maddison era minha irmã mais velha e talvez a única filha que meus pais se orgulhavam de ter, afinal desde cedo ela seguia meu pai feito um cachorro para entender como era o funcionamento de um hotel, claro que eu tenho uma dívida imensa com ela por ter assumido esse cargo, assim livrando eu e meus irmãos de uma vida sem vida, mas nunca a deixaria saber disso.
O hotel que morávamos tinha sido desenvolvido pelo meu pai, assim como os outros, porém esse hotel tinha sido o projeto de sua vida. Ele queria ter certeza de que tudo que havia sido planejado saísse do jeito certo, para ele o mais importante era ter o cliente satisfeito, e por isso ele acompanhou de perto toda a obra. Assim que ele foi aberto para as pessoas nos mudamos.
O nosso hotel era um dos hotéis mais badalados de Londres, todos queriam se hospedar aqui, sendo um hotel cinco estrelas a nossa prioridade era servir da melhor forma possível todos os nossos hospedes, famosos ou não.
Logo que eu termino meu banho, que a proposito demorou mais do que o normal para irritar meu pai e minha irmã, me visto com a roupa mais confortável que eu poderia encontrar na bagunça que estava meu quarto e saio para o escritório dele. No meio do caminho percebo que não tinha deixado meu café da manhã no quarto, talvez esse fosse um castigo administrado especialmente por Maddie por eu ter voltado apenas hoje cedo, vai entender.
Assim que chego na porta do escritório dou leves batidas na porta e espero que meu pai peça para eu entrar.
– Queria falar comigo? – dou o meu melhor sorriso para ele enquanto entro.
– O que eu falei sobre sair durante a semana? – meu pai era um cara de cinquenta e três anos, que aparenta ser ainda mais jovem, porém seu humor entregava completamente o tipo de pessoa que ele era.
– Não sou mais criança papai. – eu praticamente me jogo na cadeira a sua frente. – E desculpe decepcionar você, mas eu não sou como Maddie. – dou um sorriso de lado. – O que eu posso fazer se depois que Sophie se casou e Alec foi para a faculdade eu me sinto sozinha? – fecho minha cara.
Eu realmente sentia saudades dos meus irmãos, Sophie tinha se casado a mais ou menos um ano e estava morando com seu marido Derek em Nova York, afinal ele tem um escritório de advocacia lá. Alec tinha ido para a universidade no início desse ano, me deixando completamente sozinha nesse hotel imenso.
– Vocês três juntos me davam muita dor de cabeça. – ele massageia suas têmporas em seu rosto e solta um suspiro. – Mas você está me surpreendendo nesse quesito. – fecho minha cara imediatamente, me fazer de coitada e boa filha não estava gerando resultados. – Maddison me contou sobre sua audição. – faço um chiado com a boca, aquela fofoqueira.
– Às vezes as coisas não saem como esperamos. – dou um sorriso sem graça e me levanto.
– Não terminamos ainda. – me sento novamente na cadeira, um tanto irritada por ser mantida ali a muito tempo. – Se isso não der certo eu quero que você prometa que irá para a faculdade. – bufo.
– Tudo bem papai. – concordo me levantando em seguida. – Se nada der certo como cantora, eu irei para a faculdade. – sorrio e saio rapidamente da sala, pois não queria que ele me visse mentindo descaradamente na sua frente.
Solto um suspiro completamente aliviado assim que me vejo fora de seu escritório, eu me sentia feliz por não ter levado um esporro como imaginei que levaria novamente, e se meu pai não se pronunciou em seus termos abundantes minha mãe não o faria. Rapidamente tiro meu celular do bolso assim que o sinto vibrar e abro a mensagem do meu irmão mais velho.
Você definitivamente não é a garotinha do papai.
Junto desse mensagem Alec tinha anexado uma foto minha e de saindo de uma boate ontem à noite e apesar de eu não ser uma pessoa completamente famosa, ainda tinha dois ou um fotógrafos me incomodando nos finais de festas. Eu tinha plena consciência de que Maddison estava puta da cara comigo nessa manhã por conta da foto, afinal, ela odiava que nossa família ficasse exposta.


***


Como eu não tinha tomado café da manhã ainda e o horário do café servido aos hospedes já havia terminado eu faço meu caminho diretamente para a cozinha do hotel e consequentemente para as mãos do nosso talentoso chefe Pietro.
- Se não é a minha garota favorita. – Pietro tinha praticamente a idade do meu pai e desde que eu me entendo por gente ele esteve na família.
Pietro trabalhou com meu pai em seus principais hotéis, e foi transferido para cá assim que o prédio foi inaugurado. Meu pai sempre buscou ter chefes renomados trabalhando em seus hotéis para oferecer uma boa comodidade aos seus clientes.
– Estou um pouco chateada com você. – finjo estar um pouco emburrada e não o abraço quando o mesmo estende seus braços para mim.
– Por que? – Pietro aparentava estar confuso.
– Você não me mandou ovos mexidos nessa manhã. – sussurro.
– Não mandei porque eu vi a hora que a senhora chegou no hotel. – ele revira os olhos para mim. – Posso não ter ovos mexidos para você, mas como eu tinha certeza de que você viria até a cozinha, separei algo maravilhoso para você. – rapidamente meu rosto se ilumina.
– Torta? – pergunto esperançosa.
– Torta. – ele tira uma mini torta da geladeira gigante que tínhamos na cozinha e me entrega.
– Você não poderia fazer meu dia mais feliz. – dou uma garfada na torta e encho minha boca de morangos. – Isso aqui é divino! – falo de boca cheia.
– Apenas o melhor para a minha garota. – ele sorri para mim.
– Como estão as crianças? Faz um bom tempo desde que eu as vi. – apesar de meu pai ser o dono do hotel, Pietro e eu tenho uma relação de pai e filha mais do que eu tenho com o meu próprio pai.
– Elsa as levou para Los Angeles mês passado antes de começar as aulas. – ele explica. – Pensa na alegria. – Pietro balança a cabeça. – Venha almoçar em casa no final de semana, assim você vê as meninas. – concordo com a cabeça, pois estava ocupada demais comendo.
– Isso aqui é o melhor remédio para a ressaca. – digo assim que dou uma última garfada.
– Sei que não sou seu pai, mas tente maneirar na bebida. – bufo. – Eu vi as fotos de ontem. – reviro meus olhos.
– Às vezes apenas acontece. – dou de ombros.
– Se você continuar desse jeito nenhuma agência vai querer contrata-la. – fecho minha cara imediatamente, mesmo sabendo que ele estava certo ao falar dessa maneira.
– É mais forte que eu. – dou um sorrisinho e saio da bancada que eu estava sentada.
– Seus pais se preocupam com você. – Pietro e meu pai se conheciam há muito tempo, talvez em uma época que estudaram juntos, ou algo do gênero. Por isso ele é considerado da família.
– Meus pais apenas se preocupam com o que eu posso causar para a nossa família. – digo um pouco chateada.
A questão é que sabíamos muito bem o favoritismo que meu pai tinha por Maddison, e ele nunca havia realmente tentado ser um bom pai para mim e meus outros irmãos, ele e minha mãe apenas tinham medo de que pudéssemos fazer algo de ruim para a família, então quando Sophie se casou foi quase como um alivio instantâneo para os meus pais.
– Eu conheço vocês desde pequenos , sei muito bem como são seus comportamentos. – dou uma risadinha. – Você, Sophie e Alec viviam para quebrar as regras. – fecho meus olhos ao lembrar da primeira regra quebrada, aquilo quase custou ao meu pai um ataque cardíaco.
– Você tem razão Pietro. Talvez alguns dos cabelos brancos que meu pai tenha foi por causa de mim e meus irmãos. – dou uma batidinha em seu ombro e me despeço. – Vou passear um pouco, Londres está mais bonita do que o normal hoje. – comento ao me lembrar de como estava o céu no momento em que Maddie abriu minhas cortinas.
– Faço isso e pense no que eu te disse. – concordo com ele.
– Antes de eu ir... – eu nem termino a frase e Pietro me entrega um copo térmico com café dentro. – Você é um anjo. – sorrio.
Apesar de boa parte do ano Londres ser nublado e chuvosa, hoje era um daqueles dias em que a cidade estava fenomenal. Caminhar no Hyde Park talvez fosse um dos únicos hábitos saudáveis que eu tinha e que valia realmente cada minuto do meu tempo. Geralmente eu me sentava em algum banquinho e observava as pessoas caminhando por lá. Acredite ou não você consegue aprender muito sobre as pessoas se você apenas observar.
– Bom dia senhora Margareth. – me aproximo de um banquinho e cumprimento a senhora que estava por lá.
, querida. – ela parecia surpresa ao me ver.
– Vejo que a senhora já começou sua cruzadinha. – aponto para o livro de palavras cruzadas em sua mão.
– Pensei que você não viria hoje. – ela me encara levemente curiosa.
– Infelizmente fui acordada cedo demais. – me sento ao seu lado.
– Coitada. – ela bate em minha perna suavemente. – Saiba que acordar cedo, mesmo depois de uma noite de bebedeira é essencial para a sua saúde mental. – solto uma risada.
– Acho que não é bem assim. – faço um barulho com a boca.
– Deixe eu contar uma história para você. – ela se vira para ficar de frente para mim. – Quando eu era mais nova, talvez mais nova que você, minha mãe obrigava eu e minhas irmãs a caminhar cedo. – ela parecia um pouco nostálgica. – Foi assim que eu conheci meu marido. – quando conheci Margareth ela passou horas contando sobre como tinha conhecido seu marido e como o destino tinha sido maravilhoso com ela.
– Adoro suas histórias. – solto um bocejo.
– Vocês jovens estão cada vez mais cansados. – Margareth balança sua cabeça. – Mais deixe que eu conte um segredo. – ela se aproxima mais de mim, como se alguém pudesse escutar o que ela iria me contar. – Um dia você terá histórias maravilhosas para contar. – sorrio.
– Espero que eu seja como a senhora. – dou uma piscadinha.
– Você será melhor. – observo quando seu motorista se aproxima de nós. – Me ajude a levantar pequena . – eu me levanto imediatamente e faço o que ela me pediu.
– Adorei poder ver a senhora hoje. – a levo até onde seu motorista estava.
– Ainda bem que você me encontrou hoje. – ela para de repente. – Amanhã estarei indo para Áustria visitar minha filha mais velho. – o sorriso que ela abre se torna contagiante.
– Não vá tentar esquiar. – afago sua mão antes de entrega-la para o homem que a esperava.
– Pode deixar. – ela acena para mim enquanto caminha lentamente para fora do parque.
Caminho mais um pouco depois de ter me despedido de Margareth e volto para o hotel, à medida que vou me aproximando dele, noto uma movimentação bastante dramática em volta do hotel que me deixa intrigada. Provavelmente deve ser alguém famoso dando entrada e por conta disso o excesso de fãs e impressa estavam ali.
Não querendo ter que ficar me justificando para as pessoas e arrumar briga com alguém ao tentar entrar no hotel, dou a volta no quarteirão e entro pelos fundos.
Eu só queria garantir que chegaria no meu quarto o mais rápido possível e dormir, pois se eu quisesse sair com novamente eu teria que descansar.
– Cuidado. – uma voz rouca bate diretamente em meus ouvidos me fazendo se desequilibrar.
– Porra. – eu não queria xingar tão alto, mas foi inevitável, afinal eu teria caído se a pessoa que estava na minha frente não tivesse me segurado. – Obrigada. – ergo meus olhos para cima e dou um sorriso amarelo ao tentar me desvencilhar de seus braços.
– Olhar para onde anda é a peça fundamental para não se machucar. – o garoto parado na minha frente parecia um pouco constrangido com o nosso contato físico, mas em partes ele tinha um sorriso malicioso em seus lábios.
– Você não devia estar aqui. – assim que saio de seus braços eu o encaro da cabeça aos pés.
– E por que não? – o garoto parecia se divertir com a situação.
– Área restrita. – aponto para a porta que ele tinha aberto.
– Desculpe. – ele mexe em seus cabelos. – Eu estava correndo. – ergo minha sobrancelha para ele. – . – automaticamente eu entendo o motivo do hotel estar tão movimentado na entrada.
. – sorrio e o empurro levemente para sair dali.

Capítulo Dois

Meu pai andava de um lado para o outro dentro do nosso apartamento, ele havia acabado de soltar a bomba dizendo que iria ficar um mês afastado, pois estaria indo cuidar pessoalmente da fiscalização das obras de seu novo hotel. Maddie ficaria como responsável pelo Palace Hotel durante a ausência do meu pai e eu não poderia estar mais feliz com essa notícia.
– Mamãe irá acompanhar você? – tento não deixar aparecer meu entusiasmo.
– Sim. E nesse tempo espero que você realmente se comporte. – reviro meus olhos.
– Eu sempre me comporto. – dou um sorriso torto. – Apenas Maddie que costuma exagerar. – cruzo meus braços e encaro minha irmã.
– Claro. – Maddie me fuzila com o olhar. – Espero que você seja uma boa irmã como sempre. – seu olhar cínico me deixa ainda mais irritada.
– Para o seu desespero é capaz de Alec vir para casa no final de semana. – dou uma risadinha ao ouvir meus pais suspirando.
– Não cause problemas demais . Não quero ter que pagar revistas e jornais novamente para eles não publicarem nada sobre você. – Meu pai odiava ter que se envolver com a mídia para abafar as notícias que poderia sair sobre mim, na realidade ele só fazia isso com medo de manchar a reputação do hotel.
– Prometo que isso não irá acontecer. – eu sabia muito bem que essa poderia ser uma promessa em vão e costumo acreditar que meu pai sabia sobre isso também. – Vou sair com e apenas com ela. – o deixo acreditar.
– É isso que me faz temer ainda mais. – meu pai se senta no sofá de forma relaxada. – Existe mais uma coisa que tenho que falar com você. – observo enquanto ele bate delicadamente com a ponta de seus dedos em seu queixo. – Tem um hospede que você precisa ficar longe. – solto uma risada sem querer e me repreendo mentalmente por ter feito isso.
– Você deve estar falando de ? – pergunto inocentemente.
– Já sabes que ele está aqui? – meu pai parecia um pouco surpreso com a minha agilidade de descobrir hóspedes.
– Nós dois nos esbarramos uns dias atrás. – ele tinha demorado em me dar essa noticia, talvez porque papai estivesse tentando arrumar um jeito de me fazer ficar longe de .
irá ficar por pouco tempo, então espero que você não o incomode. – a postura relaxada do meu pai some rapidamente, por conta disso apenas concordo com o que ele fala.
– Não se preocupe. – abano minha mão. – não faz meu estilo. – eu poderia mentir descaradamente na frente dos meus pais, mas eu realmente não queria nada com e toda a sua pose de celebridade.
– Espero que você esteja falando a verdade. – minha mãe se intromete na conversa.
– É claro. – me levanto do sofá e começo a caminhar para o meu quarto. – Eu disse para vocês que quero ser cantora, mas não irei crescer do jeito mais fácil. – meus pais queriam que eu ficasse longe de porque tinham medo de eu usar ele para alavancar minha carreira de cantora, porém apesar dos meus pais pensarem assim sobre mim, eu nunca faria uma coisa dessas.


***


Não demorou muito para que meus pais fizessem suas malas e partissem de Londres para Nova York. Portanto logo que ambos estão dentro do carro eu aceno para eles e saio rapidamente da entrada do hotel indo encontrar no bar.
– Você não acha que está muito cedo para beber? – sento ao lado de e aceno para o garçom vir.
– Nunca é cedo demais para começar. – minha melhor amiga toma um gole de seu drink e me encara despretensiosamente. – Ouvi dizer que você acabou de colocar seus pais em um carro direto para Nova York. – assim como eu, tinha certa aversão aos meus pais.
– Vou ficar um mês livre deles. – sorrio abertamente. – Quero um cosmopolitan. – me viro rapidamente para o garçom e dou uma piscadinha para ele.
– O que você acha de irmos viajar? – Geralmente quando pedia para viajar era porque ela se sentia entediada.
– Não quero ir para muito longe, não faz nem um mês que eu voltei de Ibiza com Alec. – me debruço no bar.
– Esqueça a viagem então. – ela coloca sua taça no balcão. – Tenho entrada vip no novo pub do . – me inclino rapidamente para o seu lado.
– Por que aquele idiota não me avisou que ele ia abrir essa semana? – pergunto.
– Porque você não tem atendido os telefonemas dele. – reviro meus olhos.
– Estive ocupada. – essa semana realmente tinha sido corrida para mim. Eu estive treinando muito no estúdio de dança que tínhamos no hotel e não tive tempo para os meus amigos.
– Ele só está chateado. – bufo.
– De todos, era o que mais tinha que me entender. – assim como eu queria se tornar cantor, o cara era realmente bom no que fazia, mas depois de um tempo, acabou desistindo.
– Talvez seja por isso que ele está preocupado. – tinha um ponto, mas eu nunca deixaria a acreditar que eu entendia o que ela estava dizendo.
– Ok. – digo quase sem emoção. – Vamos para o novo pub dele. – sorrio.
– Vejo você mais tarde então. – a encaro, confusa. – O quê? Preciso comprar roupas. – ela pisca para mim e eu reviro meus olhos, afinal tudo era motivo de fazer compras.
– Ah! Espere. – seguro sua mão. – Você não vai acreditar em quem está hospedado no hotel. – tento fazer mistério, porém ergue a mão e me corta antes mesmo de eu falar.
. – solto um chiado com a boca.
– Você é uma estraga prazeres. – dou uma leve batida nela.
– Eu gosto de acompanhar o mundo dos ídolos dessa nova geração. – minha amiga se explica. – Agora eu realmente tenho que ir. – ela termina seu drinque e pega sua bolsa que estava apoiada na cadeira. – Vejo você em algumas horas. – aceno para ela e a vejo indo embora.
é uma garota maravilhosa. – o garçom que havia me atendido anteriormente se inclina no balcão.
– Liam? – me inclino um pouco mais para ver seu nome no crachá e ele concorda. – é uma garota excepcional. – dou um sorrio e pulo da cadeira. – Mas ela não gosta de garotos como você. – vejo seu sorriso se fechando aos poucos e me afasto dele rapidamente, eu não tinha a fama de ter a melhor personalidade.
– Você foi meio rude com ele. – dou um pulo de susto ao ouvir uma voz rouca perto do meu ouvido.
. – eu meio que sussurro lentamente seu nome.
– Então você ouviu o que eu disse. – ele tem a minha atenção rapidamente e noto um sorriso completamente torto em seus lábios e seus dentes perfeitamente alinhados.
– Não fui rude. – me coloco na defensiva. – Apenas disse a verdade. – tento passar por ele, porém barra a minha saída.
– Talvez fosse melhor se você se desculpasse com ele. – reviro meus olhos com tamanha insolência.
– Desculpa, mas não. – tento novamente passar por ele, sem sucesso.
– Garotas como você não duram muito tempo no mundo real. – sua observação me deixa um pouco chateada e irritada.
– Garotas como eu estão preparadas para o mundo real. – o empurro levemente e consigo achar uma brecha para sair dali.
Eu odiava quando as pessoas se metiam na minha vida, principalmente aqueles que não sabiam nada sobre ela. não fazia ideia do que Liam havia feito semanas atrás com uma das hospedes do hotel. Meu pai tinha uma regra clara para todos os funcionários que trabalham no Palace Hotel, em hipótese nenhuma se envolva com um hospede. Ele procura frisar isso sempre que contrata alguém novo e em todas as reuniões coletivas que faz com os funcionários. Liam tinha quebrado a regra não uma, mas duas vezes com algumas clientes mais velhas.
Chegando à cobertura eu imediatamente digito a senha para entrar no apartamento construído especialmente para a minha família. Quando digo que meu pai havia feito todo o design do hotel eu não tinha mencionado o que ele havia feito com o nosso apartamento.
Meu pai queria uma residência fixa para viver, mas morar em uma casa não era exatamente o que ele queria, então ao desenhar todo o projeto do Palace Hotel, ele criou em sua cobertura um apartamento de luxo capaz de suprir todas as necessidades de sua família.
– Chegou bem na hora do almoço ser servido. – Maddie já estava na mesa esperando uma das empregadas a servi-la.
– Você sabe que pode muito bem se servir. – praticamente me jogo na cadeira e começo a colocar comida no meu prato.
– E isso teria alguma graça? – ela dispensa a emprega com a mão que praticamente sai correndo do cômodo.
– Você me incomoda. – não escondo o desagrado de estar com ela.
, você me critica, mas trata os funcionários exatamente como eu. – Maddison sorri para mim.
– Tenho meus motivos. – tento ignora-la pelo máximo de tempo que consigo.
– Vi você e no bar. – coloco delicadamente meu garfo e faca na mesa e fecho meus olhos.
– Agora vai ficar me vigiando? – Maddie conseguia tirar toda a paciência que eu tinha.
– Não necessariamente. – reviro meus olhos.
– Você sente prazer em me irritar. – resmungo.
– Até porque não tenho mais nada para fazer da minha vida. – ela ironiza.
– Maddie, você me cansa. – sorrio cinicamente.
– E você é uma babaca. – minha irmã adorava fazer esse jogo de rato e gato.
– Talvez eu fique na casa de esse mês. – comento. – Assim não tenho que olhar para a sua cara todos os dias. – Maddie odiava o tratamento frio, apesar de ela ser fria.
– Faça o que você quiser, contanto que eu não tenha que livrar a sua bunda da cadeia. – reviro meus olhos. Maddison sempre jogaria na cara esse momento conturbado da minha vida.
– Se isso acontecer eu ligo para Alec. – solto uma risadinha, afinal quando fui presa eu estava acompanhada de Alec e Sophie.
– Papai devia cortar a mesada de vocês, talvez só assim vocês irão criar juízo. – ela cruza seus braços e ergue uma sobrancelha.
– E você acha que ele iria fazer isso? – pergunto. – Papai gosta de manter as aparências. – irritada com o rumo que a conversa estava tomando, me levanto e vou rapidamente para o meu quarto.
A primeira coisa que faço assim que ouço a porta do apartamento batendo é sair do meu quarto. Geralmente eu não gostava de brigar com as pessoas, as vezes é claro meu temperamento se sobressaltava e eu acabava me estressando, mas estava tentando de todas as maneiras melhorar esse comportamento.
Notando que a barra estava limpa eu saio pelos corredores do hotel, eu precisava de café, mas não queria ter que ir até a cozinha pegar, com certeza Pietro me colocaria para fora, então a melhor opção seria se eu fosse até a cafeteria mais próxima pegar meu café.
Conforme vou andando para a saída noto uma presença masculina perto de mim.
– Acho que tem me seguido. – solto um suspiro ao ouvir a voz inconfundível de .
– Até porque eu perderia meu tempo e prazer para fazer isso. – me viro para encara-lo.
– Você é sempre tão mal humorada? – observo ele cruzar os braços e me encarar.
– Apenas com pessoas que não conheço. – talvez eu o tenha pego desprevenido com a minha resposta.
– Não sabe quem eu sou? – ele parecia confuso e solto uma risada.
– É meio impossível não saber quem você. – me aproximo o suficiente para ficar cara a cara com ele. – Mais devo dizer que você não me interessa. – jogo um beijo no ar e começo a caminhar saltitante para a saída. não iria me seguir, a não ser que ele queira enfrentar uma legião de fãs que o esperam na saída do hotel.
. Espere. – berra meu nome sem se importar com as pessoas a nossa volta.
– O que você está fazendo? – eu praticamente corro até ele e tampo sua boca.
– Acho que começamos com o pé esquerdo. – ele parecia um pouco envergonhado pela sua atitude.
– O que você quer dizer com isso? – antes que ele me resposta eu praticamente o arrasto para uma sala.
– Eu repreendi você sem saber realmente seus motivos, e nós dois meio que estamos tendo esses encontros. – fecho meus olhos e conto até dez.
– Meu pai é dono desse hotel. – explico. – É normal você me encontrar por aqui enquanto estiver hospedado.
– Entendi. – parece um pouco mais envergonhado.
– Olha não é que eu não goste de você. – começo a falar. – É que eu estou tentando com a minha carreira de cantora, e não acho que vai pegar muito bem se ficarmos perto um do outro. – explico.
– Não sabia que você queria ser cantora. – ele se encosta-se à parede e por um momento eu o fito.
– Você não sabe nada sobre mim. – começo a bater meus pés apressadamente no chão. – Agora por que você está em um hotel e não em uma casa? – pergunto.
– Minha casa em Londres está em obras. Ficarei no hotel pelo menos por um mês. – balanço minha cabeça.
– E você pretende ficar trancado o tempo todo? – eu tento fazer dessa conversa tudo, menos um interrogatório.
– Você parece o tipo de garota divertida. – sorri para mim. – Talvez você pudesse me levar para algum lugar divertido? – bufo.
– E como você sabe que sou uma garota divertida? – me ponho em defensiva. – Até uns minutos atrás você achava que eu era mal educada. – dou um sorriso vitorioso ao ver seu semblante franzido.
– Talvez eu tenha julgado você errado. – tento não revirar meus olhos, mas é inevitável.
– Parabéns pela sua nova percepção. – começo a sair da sala, porém uma força maior me faz parar. – Esteja no primeiro andar as onze da noite, vou levar você para uma das melhores noites que poderia ter em Londres. – dou uma piscadela para ele e saio.
Saindo do hotel encaminho uma mensagem para explicando que sairia conosco essa noite, ela tinha ficado completamente em êxtase por tê-lo conosco naquela noite e eu me perguntava o que tinha de tão especial que todas as garotas caiam por ele.
Aproveitando meu tempo livre fora do hotel encaminho uma mensagem para Sophie explicando meus motivos de não ter viajado com nossos pais para Nova York e aproveito para perguntar o que ela sabia sobre . Esse nome não saia dos meus lábios desde o dia que o conheci, talvez esse seja o encanto que ele tem com as meninas.

Capítulo Três

era a pessoa mais pontual que eu conhecia, onze horas da noite ela tinha mandado uma mensagem para mim avisando que estava esperando na parte de trás do hotel. Geralmente eu sairia pela frente, mas desde que tenho empoleirado ao meu lado e com medo de ser visto por suas fãs, damos a volta no hotel apenas para que ele não fosse encontrado.
qual é o nome do pub que iremos? – enquanto caminhávamos pelos corredores do hotel me pergunta.
– Minds. – digo.
– Ouvi dizer que hoje é a inauguração. – fala atrás de mim.
– Para uma pessoa que não vive em Londres, você está bem informado. – viro rapidamente e dou um sorriso para ele.
– Meu amigo está passando um tempo por aqui. – ele se explica rapidamente.
– Entendi. – agarro sua mão para que ele andasse mais rápido.
– Não faria mal nenhum se eu o chamasse, não é mesmo? – paro por um segundo para falar com ele.
– Chame quem você quiser. Apenas me passe o nome dele quando chegarmos no carro para que eu libere a entrada. – eu não gostava de estar atrasada para os meus compromissos e essa conversa fiada com estava me atrasando. E como eu não era a pessoa mais delicada do mundo, praticamente saio arrastando pelos corredores do hotel até a saída dos fundos para que pudéssemos encontrar o mais rápido possível.
– Demorou. – minha amiga estava completamente incrível em sua roupa, não que ela não fosse maravilhosa nos dias anteriores, porém hoje ela realmente tinha se superado.
– Acho que eu acabei de me apaixonar. – coloco minha mão no coração e sorrio para minha amiga.
– Você me alegra. – joga um beijo para mim que finjo pegar e guardar em meu coração. – Finalmente estou conhecendo pessoalmente. – minha amiga encara da cabeça aos pés e eu juro que ouço um suspiro vindo dela.
– Não acredito que você seja . – parecia surpreso ao descobrir que a minha era .
– Vejo que você sabe quem ela é. – digo tentando quebrar o clima tenso que surgiu de repente.
– Com certeza! – ele parecia um pouco extasiado. – Eu sou muito fã do seu pai. – Adam , pai de era um músico muito conhecido em Londres, as vezes pelo de convivência que tenho com a minha melhor amiga, esqueço que as pessoas o conhecem.
– Que bom que você é fã do meio pai, talvez eu arrume um encontro entre vocês dois. – ela sorri para ele e abre a porta do carro. – Que tal irmos? – solto uma risada.
não gostava quando as pessoas falavam sobre seu pai. Era quase como um tabu, porém eu a entendia, afinal cresceu com pessoas ao seu redor querendo estar ao lado dela por interesse.
– A noite é uma criança. – digo antes de entrar no carro.
O passeio até a nova boate de demorou menos do que eu esperava. E como hoje era sua inauguração era comum ver uma fila se formando na entrada e pessoas muito bem vestidas aguardando pacientemente sua vez de entrar. Claro que tudo estava pré-agendado e muitas pessoas ali deram seus nomes meses antes da boate abrir, apenas para ter a chance de conhecer um lugar planejado por .
– Vamos entrar pela frente? – pergunta.
– Por estarmos com você iremos entrar pelos fundos, já falei com . Ele estará nos esperando. – solto um suspiro ao ouvir se pronunciar.
– Ele ainda está brabo comigo? – olho para minha amiga.
irá perdoar você. – reviro meus olhos.
Eu realmente não tinha feito nada de errado, apenas esqueci de atender as chamadas de e aparentemente ele ficou chateado com isso. Geralmente não atender suas ligações eram motivos para nós brigarmos, pois realmente se preocupava com meu bem estar ou que algo ruim pudesse acontecer comigo.
Saindo de dentro do carro tenho a oportunidade de olhar cada detalhe por fora da boate. O lugar era ainda maior do que os outros empreendimentos que tinha.
Era perceptível ouvir a música tocando do lado de fora, fazendo com que meus músculos relaxassem rapidamente. Era engraçado como uma única batida musical poderia determinar seu humor.
– Espero que essa noite seja muito boa. – abro o meu melhor sorriso e enquanto vou em direção a porta dos fundos.
– Vamos ser as últimas a sair. – enlaça seu braço no meu e acena para nos seguir.
estava ali parado em frente a porta nos esperando e ele estava impecável no que eu diria ser o seu melhor terno até agora. não era a pessoa mais alta do mundo, mas tínhamos uma grande diferença de tamanho e diferente de que era um pouco mais incorporado, puxava mais para a linha do chefe, nerd e sexy.
. – faço uma voz meiga ao me aproximar dele.
. – apesar de ele ainda querer me dar um gelo pelos telefonemas que não atendi, ele me abraça. – Senti sua falta. – era meu melhor amigo desde sempre, e apesar de e eu crescermos juntas é com que tive mais afinidade.
– Eu também. – faço um biquinho. – Desculpa não atender seus telefonemas. – me desgrudo dele e o deixo cumprimentar os outros.
. – ele a cumprimenta com um abraço. – E . – juro que queria entender a necessidade das pessoas terem que pronunciar o nome dele completo.
– Finalmente eu pude conhecer o famoso . – se aproxima e aperta sua mão. – Você é famoso na Califórnia. – ele sorri e sorri junto.
– Vemos que sua fama procede. – enlaço meu braço em . – Podemos entrar? – peço delicadamente.
– Claro. – começa a andar. – Vou levar vocês para um local onde não sejam incomodados. – mais cedo eu tinha feito ligar para e avisar que estava indo conosco e que ele não queria ser fotografado naquela noite, na realidade ele tinha sido bem claro que queria aproveitar sem nenhuma interrupção.
– Obrigada.
Andamos pela boate até chegarmos ao último andar; lugar que ficavam as salas privadas. De lá tínhamos uma visão privilegiada do palco e pista de dança e eu poderia chutar que as pessoas lá de baixo não conseguiam ver nada na parte de cima.
– Eu amei a decoração. – é a primeira a falar.
– Você teve uma influência bem pop para o lugar. – faço contato visual com .
– Eu precisava inovar. – sorri e suas covinhas aparecem. – Vou deixar um dos garçons cuidando diretamente da mesa de vocês. – ele acena para um de seus garotos que praticamente corre até nós. – Pensam o que quiserem. Depois nos acertamos meninas. – ele pisca para mim e .
– Você não vai ficar aqui com a gente? – pergunto.
– Tenho que supervisionar tudo. – explica. – Da próxima vez eu juro que vamos nos divertir juntos. – bufo.
Eu entendia que hoje era o dia da inauguração e que ele devia trabalhar, mas ultimamente tem trabalhado demais e aproveitado de menos.
– Vá. – acena para ele. – Não ligue para o mau humor de . – reviro meus olhos.
– Depois nos falamos. – dou um beijo em sua bochecha e chamo o garçom. – Traga alguns shot de tequila e uma garrafa de vodca, por favor. – inúmero os pedidos para o garçom.
– Você comentou que um amigo viria. – ouço e falando de fundo e fico um pouco rígida.
– Daqui a pouco ele chega. – o ouço responder.
– Interessante. – diferente de mim, amava conhecer e fazer novas amizades, porém eu não tinha muita certeza de que ela ficaria feliz em ver o amigo de .
– Avisei para que quando seu amigo chegasse, ele poderia traze-lo diretamente para cá. – dou um sorriso amarelo para .
– Obrigado. – ele me agradece e se aproxima assim que o garçom trás as bebidas. – Podemos começar? – concordo enquanto pego o copinho de cima da bandeja do garçom e bebo rapidamente meu shot de tequila.
Na realidade eu não era muito fã daquela bebida. O gosto amargo que ela deixava na boca não era muito agradável ao meu paladar, e talvez pelo fato de eu ficar mal nós dias posteriores faziam minha mente não ter uma memória reconfortante da bebida, porém como a tequila era uma bebida bem potente, eu continuava bebendo para que o efeito fosse mais rápido.
– Odeio isso. – faço uma careta depois de beber.
– Não sei como você consegue. – olha com repulsa para seu copo.
– Eu também não. – solto uma risada seguida por um gritinho ao ouvir uma das minhas músicas favoritas tocando. – ! – a chamo para fazer a coreografia comigo. Eu amava dançar, fazia isso desde muito cedo e eu realmente era boa nisso.
Ao primeiro som da música eu me posiciono para começar a coreografia ensaiada tantas vezes por mim no salão de dança do hotel. Eu me mexo freneticamente no ritmo da música, não deixando nenhum passo sair errado, era uma sincronia que eu amava e o melhor de tudo era poder cantar junto com a música.
Era quase como se aquele fosse o meu pequeno show. Enquanto eu dançava com podia sentir os olhos de em cima da gente e pela sua fisionomia ele estava completamente chocado. Quando a música acabou e eu batemos na mão uma da outra e eu me sirvo de vodca.
– Isso nunca fica velho. – fala um pouco mais alto para que eu pudesse ouvir.
– Eu amo essa música. – respondo para ela e me viro para . – O que? – estava paralisado nos encarando.
– Por que você não é cantora? – ele solta uma risada. – Caramba. – na maioria das vezes as pessoas ficavam chocadas com as minhas performances.
– Não tive a oportunidade ainda. – eu limpo um pouco do suor que desce da minha testa. De repente o ambiente estava mais quente do que o normal e isso era eu não faço nenhum esforço extra para dançar.
– Você dança muito bem. – ele aplaude e eu reviro meus olhos.
– É o que eu gosto de fazer. – dou de ombros e fecho minha cara imediatamente quando vejo se aproximando de nós com uma pessoa que eu conhecia muito bem, e sabia que estaria ficando conosco essa noite. – . – cutuco minha amiga de lado ao vê-los se aproximando.
Eu tinha optado em não falar nada para minha melhor amiga, pois eu sabia que ela não ficaria nada feliz em saber quem estaria conosco, porém ao notar a cara que estava fazendo, notei o quanto estava errada.
– Puta que pariu. – ela fala baixinho ao meu lado.
... – tento sorrir para ele, porém ele estava com cara de poucos amigos, apesar de saber que viria o tempo todo. – E . – falo seu nome com um pouco de desagrado.
– Espera. – olha para nós um pouco confuso. – Vocês se conhecem? – ele pergunta.
– Infelizmente. – e eu falamos juntas.
– Meninas. – parecia um pouco desconfortável com a situação.
Reviro meus olhos.
Eu não queria deixá-lo completamente desconfortável, mas era inevitável.
Eu tinha quase certeza de que sabia que estávamos aqui. Era quase impossível não ter comentado que sairia com a gente essa noite.
. – o encaro de cima a baixo. – Como tem passado? – franzo meu nariz. Eu estava tentando a todo custo ser cordial com ele, porém eu sentia que estava falhando miseravelmente.
– Muito bem e você? – ele coça sua cabeça, um pouco desconfortável.
– Que seja. – decido que a melhor maneira era ignorar e não perder meu tempo com isso. O assunto não era meu para ser tratado e sim dele com , porém eu não poderia deixar para trás o fato dele ter sido um babaca com a minha melhor amiga. Depois de ignorar o mundo a minha volta eu começo a me divertir novamente, eu não deixaria um simples fato acabar com a minha noite.
As pessoas na boate eram incríveis, a pista de dança estava exalando uma energia espetacular e tinham muitas pessoas bonitas naquela noite.
Era inacreditável como você aproveita momentos sem mexer no celular ou ficar em cima do horário, o tempo passava sem ao menos você perceber. O ambiente estava tão energizado, com músicas perfeitas tocando a todo momento que eu não tinha percebido a boate esvaziando aos poucos.
– Vocês sempre fazem isso? – estava com as bochechas completamente vermelhas por conta da bebida.
– Sempre que podemos. – me sirvo com um pouco mais de bebida. – E você? – me aproximo para falar em seu ouvido.
– Geralmente ser famoso requer alguns cuidados. – observo ele dar de ombros parecendo um pouco chateado.
– Sabe , o segredo não é ligar para as coisas no momento em que você está vivendo elas. – explicou para ele. – Deve ser maravilhoso ser famoso, ter as pessoas o idolatrando, mas é tudo mentira. – solto um suspiro. – As pessoas não são perfeitas o tempo todo. – eu tirava a minha vida como exemplo.
Meu pai era um cara muito famoso no mundo da hotelaria e todos os seus hotéis estavam na lista dos hotéis mais procurados do mundo, sem eufemismo. Por muito tempo eu tive que lidar com a crítica das pessoas, então eu poderia dizer que cada palavra que saiu da minha boca eram verdadeiras. – Tudo bem não ser normal. – dou algumas batidinhas em seu braço, pois eu não alcançava muito bem em seus ombros.
– Você gostaria de ser famosa? – sua voz falha um pouco.
– Eu já sou famosa. – dou uma risadinha embriagada.
– Como assim? – me encara confuso.
– Com o tempo você vai entender. – dou uma piscadela e olho ao meu redor procurando . – Onde está minha amiga? – continuo olhando ao redor e noto que nem e nem estavam ali. – Droga. – bato levemente na minha testa.
– O que houve? – vem ao meu lado cambaleando um pouco.
– Aparentemente e sumiram. – eu sabia que teria problemas assim que apareceu no camarote mais cedo.
– Eles estão juntos? – me pergunta e eu juro que tento o meu melhor para não rir como se aquilo fosse uma piada.
– Não poderíamos dizer isso desde que seu amigo deu um pé na bunda dela no mês passado. – bufo.
– Uou! – ele parecia surpreso. – não me falou nada sobre estar com alguém. – por um momento achei que poderia estar chateado por seu amigo não contar algo para ele.
– Acontece. – abano minha mão. – Às vezes existem coisas que não devem ser contadas. – dou de ombros.
Eu não conhecia muito bem, tudo o que eu sabia era de que alguns meses atrás o conheceu em uma de suas viagens para Los Angeles e se apaixonou. Há dois meses veio para Londres e e eu o conhecemos. A primeira impressão que tive de era que ele era um cara legal e realmente apaixonante, porém ele sumiu e apenas com uma ligação terminou com .
– Você está certa. – parecia não se importar com o assunto.
– Acho que a noite acabou. – digo assim que olho em meu relógio que passava das quatro horas da manhã.
– E como vamos embora? – fecho meus olhos e tento pensar em uma alternativa.
– Venha comigo. – pego meu celular da bolsa e envio uma mensagem para .
– Pra onde estamos indo? – continuo caminhando com até chegar ao local que tinha me indicado.
– Estou com . . – mantinha um segurança próximo ao seu escritório.
Assim que tenho permissão para entrar, arrasto para dentro.
– O que aconteceu? – estava praticamente dormindo sobre a mesa. – E onde está ? – ele olha para a porta, esperando que mais alguém entre.
– Ajudando o astro teen aqui. – aponto para ir para o sofá e me aproximo de . – E foi embora com , e não tenho como voltar pra casa já que viemos com o motorista dela. – o olho quase como se suplicando por ajuda.
– Porra . – estava chateado. não estava no seu melhor estado e sabíamos que não seria legal ele ser visto saindo daqui carregado por alguém. – Vou ligar para seu irmão. – reviro meus olhos.
Claro que acharia a pior solução para me ajudar.
– Você não pode pedir para alguém nós levar? – pergunto. – Tenho certeza de que Alec está ocupado. – mordo meu lábio nervosa.
, você acha que dá conta de carregar até o quarto dele? – bufo. me conhecia muito bem para saber que o mínimo que eu iria fazer era deixar no corredor sozinho.
Sorrio com o pensamento das pessoas o encontrando.
– Você tem razão, eu deixaria ele se virar sozinho. – praticamente me jogo na cadeira. – Ligue para Alec, ele provavelmente vai querer chutar minha bunda por isso, mas não tenho muito que fazer. – dou de ombros e olho para trás apenas para ver dormindo.
Esperei pacientemente mais de meia hora para que finalmente meu irmão aparecesse para nos ajudar. Nesse meio tempo, que até então estava achando tudo muito divertido me ajudou a ficar sóbria e inclusive me colocou dentro do carro em segurança assim que meu irmão estacionou nos fundos da boate.
– Não acredito que você saiu com ele. – meu irmão aponta para trás. – ? – ele me pergunta. – Você não está tentando se tornar cantora da maneira mais fácil, não é mesmo? – bufo.
Apesar das pessoas terem a impressão de eu ser uma pessoa completamente interesseira, a realidade era completamente o oposto. Eu tinha pavor das pessoas acharem que eu me aproximava delas por querer algo.
– É claro que não. – fixo meu olhar na estrada. – Você não acha que se eu tivesse escolhido a maneira mais fácil eu não teria colado no pai de ? – encaro meu irmão.
– Você tem razão. – Alec fala rapidamente. – Não é que eu esperasse isso vindo de você. – ele começa a se explicar e eu bufo. – Mais é que você vem tentando há dois anos e nunca teve nenhum resultado. – fecho meus olhos ao me lembrar brevemente do meu fracasso.
– Onde você estava? – mudo de assunto rapidamente, pois essa não era uma conversa que eu gostaria de ter com meu irmão depois de uma noite como essa.
– Você quer mesmo saber? – faço um barulho de ânsia de vomito.
– Alec... – murmuro. – Você é nojento. – não consigo segurar uma risada. – Espero que você esteja se cuidando. – eu não precisava ficar lembrando constantemente ele sobre suas obrigações, mas gostava de deixa-lo envergonhado.
... – eu sabia que não tinha como Alec ficar brabo por muito tempo então durante o caminho para o hotel nós dois conversamos.
Por morar em um hotel nós tínhamos o nosso próprio local para estacionar nossos carros. Nenhum hóspede tinha acesso a nossa área, o que facilitou o processo de chegar ao hotel com sem sermos vistos por alguma pessoa estranha. Porém entrar no hotel em si com cambaleando não foi tão fácil quanto eu tinha imaginado. Ele tinha uma tendência em ficar resmungando coisas sem sentindo e eu tinha que me segurar o tempo todo para não rir e não chamar a atenção das poucos pessoas que estavam no local.
Demorou aproximadamente dez minutos de muita persuasão para Alec e eu descobrirmos qual quarto estava hospedado e me sinto completamente feliz quando o deixamos em seu quarto finalmente.
Quando chego no apartamento dos meus pais eu me sentia tão exausta que ao menos perco meu tempo em tirar a maquiagem do meu rosto, eu sabia que dormir de maquiagem fazia mal para pele, porém eu estava tão cansada ao ponto de apenas substituir minhas roupas por uma blusa masculina que eu tinha jogada pelo meu quarto, antes de apagar completamente.

Capítulo Quatro

. – solto um resmungo quando alguém me sacode repetidas vezes.
– Me deixa. – tento me virar para o lado, porém minhas cobertas são tiradas de cima de mim. – Droga! – abro meus olhos apenas para ver Alec me encarando com um sorriso vitorioso. – O que você quer? – me sento na cama e tento arrumar o ninho que estava meu cabelo.
– Tenho uma surpresa para você na sala. – Alec estava empolgado demais e eu bufo.
– Espero que seja realmente uma boa surpresa. – bufo. – Se não for, eu vou matar você. – ameaço que vou bater nele e o mesmo sai correndo do meu quarto deixando a porta entre aberta.
Levanto da cama soltando alguns resmungos no processo, eu estava me sentindo tão cansada e minha cabeça estava prestes a explodir de tanta dor, eu precisava dormir mais para compensar a noite passada, porém Alec acabou me despertando antes que eu pudesse me recompor totalmente.
Ao me encarar no espelho vejo que sou uma completa bagunça. Eu tinha amarrado meu cabelo antes de dormir e não o soltei, resultando em um ninho de fios para ter que desembaraçar. Meu rosto não estava diferente, eu tinha maquiagem espalhada por todo o meu rosto e eu sabia que não iria ser nada fácil removê-la. Antes de começar a tomar banho eu paro na frente da pia e tiro um dos meus produtos de remoção de maquiagem de dentro da gaveta, com um suspiro resignado eu começo a tirar lentamente todos os vestígios de maquiagem da minha pele, eu sabia que não era nada saudável dormir dessa maneira, mas eu estava tão cansada que tirar a maquiagem não estava nos meus planos. Depois de remover tudo da maneira mais delicada do mundo eu entro debaixo do chuveiro. Claro que se eu tivesse tempo suficiente teria pulado o banho no chuveiro e optado pela minha banheira, porém a notícia de que alguém estava me esperando lá fora me fez ser o mais breve possível.
Assim que termino de tomar banho eu escolho uma roupa completamente confortável para vestir, se fosse alguém muito importante, por exemplo, Alec teria me falado sobre o que vestir, e como ele não mencionou nada eu prefiro escolher algo que eu me sinta bem.
. – assim que abro a porta do meu quarto dou de cara com uma das pessoas que eu mais amo nessa vida.
– Sophie. – eu fico parada na minha porta, boquiaberta demais para acreditar que minha irmã estivesse mesmo em Londres. – Por que você não falou que estava vindo? – minha voz soa um pouco mais rouca do que o normal.
– Queria fazer uma surpresa para você. – eu rapidamente a puxo para um abraço.
– Estava com saudades. – minha voz sai um pouco abafada e me desgrudo dela. – Derek. – vou até ele e o abraço rapidamente. Nós não tínhamos tanta intimidade para eu dizer que estava com saudades dele. – E Hayden? – encaro a cunhada da minha irmã, ligeiramente confusa.
– Hayden foi transferida para Londres. – Derek se pronuncia. – Quis me assegurar de que ela chegasse em segurança. – arregalo meus olhos. Eu não tinha nenhuma ideia de que Derek fizesse a linha de irmão preocupado.
– Isso é tão legal. – sorrio para ela e vejo que meu irmão estava muito concentrado na garota. – Você vai ficar conosco no hotel? – pergunto.
– Na realidade. – Alec se intromete um pouco envergonhado. – Ela vai ficar comigo. – eu solto uma risada e aponto de Hayden para Alec.
– Boa sorte. – digo para a garota na minha frente. Alec tinha manias estranhas e era esse um dos motivos que ele não dividia o apartamento dele com ninguém. – Meu irmão é louco. – me aproximo dela e dou dois tapinhas em seu ombro.
– Não sou tão ruim assim. – Alec se defende e todos nós rimos. – A propósito, saiu com ontem. – reviro meus olhos.
Não que eu tivesse feito algo de errado em sair com na noite anterior, porém como era algo que ninguém sabia, não precisava ser espalhado para todos os cantos do mundo.
Alec tinha essa mania idiota de que quando se sentia acuado acabava falando coisas que não precisavam ser ditas para tirar o foco de cima dele.
– O cantor? – minha irmã me olha um pouco desconfiada.
– Sim. – dou de ombros. – Ele esta hospedado aqui. – eu não precisava ficar detalhando tudo para ela, então sou o mais breve possível.
– Papai não falou nada sobre isso? – Sophie me encara.
– Ele disse para não me envolver com . – friso bem a última parte. – Mais ele não está aqui de todo modo. – digo.
– Isso não é bom. – Sophie parecia preocupada. – Você não devia ir contra o que o papai pediu. – observo minha irmã se sentar com certa estranheza. Talvez algo de errado estivesse acontecendo com ela, afinal Sophie nunca falaria para eu ser a favor de algo que nosso pai pedisse.
– Você não precisa se preocupar. – falo desconfortavelmente. – Não quero me envolver com desse jeito. – eu não precisava explicar algo que eu sabia estar passado pela mente de Sophie. – Apesar de ele ser um cara completamente bonito, eu acho que não vale o preço que tenho que pagar. – dou de ombros.
. – minha irmã morde os lábios nervosamente.
– Sim? – pergunto.
– Não queremos que o hotel tenha mais enfoque pelas coisas que você faz. – solto um suspiro. Era engraçado ela falar sobre isso na frente de seu marido, visto que ela foi uma das pessoas que mais causou problemas enquanto esteve aqui.
– Eu não vou me envolver com ele. – estalo minha língua. – Porém, caso isso aconteça, pode deixar que não irei deixar ninguém saber. – dou uma piscadinha para ela e me levanto do sofá. – Vocês já comeram? – pergunto tentando quebrar o clima tenso que pairou no ambiente.
– Ainda não. – Derek fala. – O que vocês acham de irmos comer algo lá embaixo? – Hayden solta um assovio baixo.
– Por mim tudo bem. – eu não tinha certeza de que iria conseguir me alimentar completamente, pois eu podia sentir meu estômago dando voltas, porém recusar a comida do hotel era completamente inaceitável para mim, ainda mais quando a comida faz parte do cardápio dos deuses. – Só preciso tomar um remédio. – eu praticamente saio correndo para a cozinha que tínhamos anexada no nosso apartamento, que apesar de nunca ser usada, foi projetada para ser uma parte chique do apartamento, e procuro pela caixa de remédios que era deixada lá, assim que encontro o que procurava eu tomo meu remédio e volto para a sala.
Todos nós saímos para ir para o restaurante do hotel, e no meio do caminho encontramos uma das camareiras que estava indo arrumar nosso apartamento. Eu procuro cumprimenta-la mesmo que o meu jeito nada caloroso, enquanto os demais apenas a ignoram.
Alec pressiona o botão do elevador e nós esperamos pacientemente até que as portas se abrissem para que entrássemos. A decida não é demorada, afinal o elevador era apenas de uso externo do nosso apartamento, e apenas nós e as pessoas que mantinham o local organizado tinham acesso.
– Tirando tudo o que tem acontecido, como estão as coisas no hotel? – coloco meu celular no bolso para encarar Sophie.
– Normal. Papai fica trancado no escritório o dia todo e mamãe vive saindo para fazer compras. – dou de ombros.
– E Madison tem incomodado? – estranho o súbito interesse de Sophie em Madison.
– Maddie é apenas Maddie. – dou de ombros e praticamente saio correndo pelo saguão assim que as portas do elevador se abrem.
Desde que meus pais foram para Nova Iorque eu mal tinha visto Madison, na realidade era um pouco estranho estar no mesmo local que ela e não saber o que minha irmã estava fazendo.
Madison geralmente ficava no meu pé sobre as coisas que aconteciam ao redor do hotel, mas estranhamente ela sumiu apesar de eu saber que ela está administrando o local com pulso firme.
Deixando para lá o assunto de Madison eu sou a primeira a entrar no restaurante e escolho imediatamente uma mesa para que todos pudessem se acomodar.
. – um dos garçons se aproxima e me cumprimenta. – Sophie. – ele parecia um pouco surpreso ao encontrar minha irmã acomodada ao lado de Derek e muda um pouco sua postura.
– Para você é senhora Williams. – minha irmã responde de maneira áspera e meus olhos praticamente saltam para fora.
– Desculpe. – Parker era uma das pessoas que trabalhava no hotel que eu mais tinha afeto. Ele era um amor de pessoa, e se as pessoas soubessem das coisas que ele tinha passado na vida, tenho certeza de que iriam querer protegê-lo.
– Não precisa se desculpar. – observo Derek se mexendo desconfortavelmente na cadeira. – Apenas lembre-se do seu lugar. – prendo minha respiração e olho imediatamente para Alec. Eu nunca tinha visto uma atitude dessa vinda de nenhum dos dois.
– Parker. – tento sorrir para ele, mas eu estava chocada demais para falar alguma coisa. – Não decidimos ainda o que iremos querer. – dou um sorriso amarelo para ele, eu não sabia onde meter minha cara. – Irei chamar você assim que decidirmos. – dou um olhar de desculpa para ele que sai imediatamente. – Vocês não precisavam tratá-lo daquela maneira. – resmungo encarando minha irmã e cunhado.
– As pessoas tem que entender o lugar delas. – eu praticamente fico quieta depois disso.
Eu não conseguia entender o motivo deles tratarem Parker desse jeito. Geralmente eu não tratava bem os funcionários, mas apenas aqueles que eu sabia que trapaceavam nas regras do hotel. Nunca em nenhum momento me passou pela mente atacar eles da forma que minha irmã e meu cunhado o atacaram.
– Então... – Alec é o primeiro a se pronunciar e eu reviro meus olhos. – Você está ansiosa pela mudança? – meu irmão encara Hayden abertamente e eu coloco uma mão na boca para abafar minha risada.
– Um pouco. – Hayden encara meu irmão igualmente e eu continuo tentando não olhar para nenhum dos dois.
– Aconteceu alguma coisa engraçada ? – Alec me chuta por debaixo da mesa.
– Ainda não. – fecho meus olhos com satisfação ao ver Alec envergonhado.
– Não entendi. – Sophie se inclina sobre a mesa e seus olhos passam de Alec para mim lentamente.
– Em breve você entenderá. – dou uma piscadinha. – Já decidiram o que irão querer comer? – eu tinha certeza de que o café da manhã ainda estava sendo servido.
– Sim. – minha irmã coloca o cardápio sobre a mesa e levanta a mão delicadamente chamando alguém para vir nos atender.
Felizmente essa pessoa não era Parker.
– Já temos o pedido? – o garçom praticamente se curva diante dos meus irmãos certamente por medo do que aconteceu com Parker anteriormente.
– Vou querer um café expresso e uma fatia de bolo de morango. – eu não precisava olhar o cardápio para saber minha escolha.
– Um latte e waffles, por favor. – Hayden pede delicadamente, mas por incrível que pareça eu conseguia ver certa malicia no seu olhar para o garçom.
Interessante.
Meus irmãos e Derek fazem seu pedido em seguida e logo engatam uma conversa sobre o curso universitário que Hayden estava fazendo pelos próximos anos.
– E você? – sou chamada repente e deixo meu celular de lado.
– Desculpe? – eu não tinha prestado atenção na conversa deles realmente, então não sabia sobre o que era sua pergunta.
– Não decidiu para que universidade irá? – Derek me pergunta.
– Não preciso decidir sobre algo que não irei fazer. – dou de ombros e volto minha atenção para o celular.
. – Sophie chama minha atenção. – Estamos conversando com você. – sua voz soa um pouco irritada por eu não estar dando a atenção necessária ao assunto.
– Por que vocês estão me perguntando algo que sabem a resposta? – tento manter a calma na minha voz enquanto respondo.
– Porque você precisa se preocupar com o seu futuro. – Derek continua se intrometendo na conversa.
– Derek. – eu estava achando ele um pouco intrometido demais com relação ao meu futuro, visto que ele estava há mais ou menos um ano na família. – Acho que sou adulta o suficiente para fazer minhas próprias decisões. – explico calmamente. – E ir para a universidade não é uma opção para mim no momento. – dou um sorriso para ele e estreito meus olhos.
... – sou repreendida pela minha irmã, porém não ligo realmente para isso, pois eu sentia a necessidade de colocar Derek em seu lugar naquele momento.
– Mas já que vocês estão tão interessados assim no meu futuro, deixe-me falar que estou trabalhando no hotel quando tenho tempo livre. – não era totalmente uma mentira o que eu acabara de falar, afinal quando Sophie se casou com Derek, meu pai me colocou para fazer momentaneamente as tarefas dela no hotel, porém como ele não confiava muito no meu senso de responsabilidade, papai acabou criando um trabalho para mim, dar aulas de dança para os hóspedes.
Acho que ele fez isso, pois sabia que as pessoas que estão hospedadas em um hotel não iriam procurar fazer aulas de dança, e sim sair para conhecer os pontos turísticos da cidade. Não que eu esteja reclamando. Na realidade eu adoro a ideia de ter o salão apenas para mim pela maior parte do tempo.
– Como eu não soube disso? – Sophie me pergunta.
– Porque ultimamente você não procura saber o que está acontecendo comigo. – eu sabia que minha irmã era uma pessoa ocupada, porém antes passávamos muito tempo juntas e ela sempre procurava saber como as coisas iam.
Depois que Sophie casou, algumas coisas mudaram, e claramente suas prioridades também.
– Isso soa como ciúmes para mim. – Alec cruza os braços e pela sua feição ele estava completamente satisfeito com o rumo que a conversa estava tomando.
– Idiota. – o chuto por debaixo da mesa.
– E você acha que irá trabalhar eternamente para seu pai? – eu não sabia ao certo quando a conversa virou em torno do que eu queria ou não fazer da vida, mas o que eu podia falar com clareza é que esse assunto estava começando a me deixar irritada.
– Não eternamente, mas o suficiente. – corto o assunto assim que a comida chega.
– Você ainda tem em mente se tornar cantora? – minha irmã pergunta e eu poderia dizer que ela parecia desacreditada que eu ainda pensasse nisso.
– Não sei, talvez? – fazia muito tempo desde que eu falei sobre esse assunto com alguém da minha família.
Meus pais eram totalmente contra a carreira de cantora. Eles insistem que isso poderia manchar a reputação do hotel, algo que eu acho ser totalmente o oposto, mas geralmente não discuto com eles sobre o assunto, apenas deixo para lá, pois não vale o esforço de fazê-los entender qual é a minha verdadeira paixão.
Na realidade Madison é a única pessoa que não me pressiona sobre o assunto, acho que na concepção dela, se eu me afastar do hotel será a oportunidade perfeita para ela ser a única a assumir as responsabilidades da rede de hotéis quando meu pai decidir se aposentar. Alec também é um pouco neutro com relação a isso, ele não acredita e nem desacredita de mim, ele apenas não opina sobre isso. Já Sophie era totalmente diferente, na realidade eu sempre achei que ela se preocupava com o fato de eu sair machucada nessa história de ser cantora, porém suas atitudes hoje revelam que talvez eu tenha interpretado a situação totalmente diferente.
– Eu acho que você tem opções maravilhosas, ainda mais sendo filha dos nossos pais. – aparentemente o assunto não havia morrido como pensei.
– Infelizmente eu não penso do mesmo jeito que você. – olho para Alec e praticamente suplico para que ele mude de assunto.
– Por que não deixamos que caminhe da maneira que ela ache certo? – meu irmão sugere.
– Você sabe muito bem porque não devemos deixar ela livre para fazer suas escolhas. – largo meu talheres de maneira bruta.
– Não dá para manter uma conversa assim. – eu arrasto a cadeira e me levanto. – Não sei o que está acontecendo com você hoje. – tento manter a minha voz baixa. – Mas a maneira que você está falando comigo Sophie, não é nada agradável. – eu tinha perdido completamente a fome.
Eu tinha demorado muito para conseguir me livrar dos sentimentos de culpa que eu tinha constantemente pelo fato de não querer seguir ao destino que meus pais fizeram para mim. Eu esperava que pelo menos meus irmãos pudessem entender meus sentimentos e minhas escolhas, o que claramente Sophie não estava fazendo.
No ano anterior eu tive alguns problemas e não conseguia me relacionar direito com pessoas desconhecidas, ficava pavorosa apenas em imaginar ter que sair de casa e ter que lidar com as pessoas. Eu sabia que algo não estava certo comigo e acabei procurando por ajuda sem que meus pais soubessem.
Eu estava ciente de que talvez meus medos pudessem estar relacionados com as cobranças constantes que meus pais vinham fazendo para eu ter uma imagem perfeita diante das câmeras e ao notar que isso estava prejudicando minha vida pessoal eu procurei ajuda, e por um bom tempo eu tive esse medo cruel de que esses sentimentos fossem irreversíveis. Porém depois de receber meu diagnóstico e lutar para vencer meus obstáculos, notei que eu era uma pessoa de carne e osso, que tinha sentimentos e que as pessoas precisavam saber e entender meus posicionamentos. Depois de toda essa conversa exaustiva que tive com minha irmã e seu marido vou caminhando para um dos únicos locais que eu poderia extravasar minha raiva, o salão de dança.
Eu passava tanto tempo no salão de dança praticando que ele tinha virado meu lugar favorito no hotel, e olha que o hotel tem lugares maravilhosos projetados para todos os gostos dos hospedes. Meu pai pensa em tudo realmente.
– O que você está fazendo aqui? – assim que abro a porta do salão eu dou de cara com .
– Me falaram que eu podia praticar aqui. – dou uma risadinha.
Por mais que as pessoas quisessem que eu ficasse longe de , elas eram as próprias a jogarem ele para mim.
– Vai dizer que você dança? – o encaro da cabeça aos pés e solto uma gargalhada, eu podia não estar completamente vestida para um treino, mas não estava longe.
– Você realmente nunca ouviu falar sobre mim? – ele parecia um pouco ofendido, mas a realidade é que eu realmente nunca tinha ouvido falar sobre até ele aparecer de repente no nosso hotel e arrastrar diversas garotas para frente do hotel. – Desculpe. – coloco minha mão no peito. – Mais eu tenho outras coisas importantes para fazer do que ficar pesquisando sobre a vida de cantores. – geralmente eu estava tão focada na dança que eu apenas pesquisava coreógrafos e grupos de dança para eu saber o que estava em alta nos últimos tempos. Eu não era uma pessoa que ficava pesquisando sobre novos cantores, na realidade eu escutava muita música, mas nunca associava os nomes. Talvez eu tenha ouvido alguma música de , mas saber que era dele? Completamente diferente.
– Eu sou cantor e dançarino. – ele explica. – Você devia procurar meu nome na internet. – o cara tinha uma autoestima, nisso eu tinha que concordar.
– Por que eu faria isso? – o encaro lentamente e espero sua resposta.
– Para saber mais sobre mim. – se aproxima. – Eu realmente preciso praticar. – ele para na minha frente. – Você acha que é capaz de dividir esse espaço comigo? - por um momento fico sem palavras.
Eu realmente estava esperando ter o salão apenas para mim, mas acabo cedendo o espaço para ele.
– Você é um hóspede, afinal. – cruzo meus braços e solto um suspiro. – Tem preferência de música? – geralmente eu treinava ouvindo musicas pops, porém ele poderia ter outro tipo de gosto.
– Deixo você escolher. – imediatamente dou play no meu celular e a música explode pelos alto-falantes.
- Fã de K-pop? – não era uma critica. Apenas um comentário.
– Sim. – corto a conversa com .
Eu não gostava de conversar enquanto fazia meu próprio treino.
Tento não pensar muito em dançando e me concentro em minha própria dança. Eu sabia que tinha que treinar muito para ter uma coreografia perfeita, para uma apresentação perfeita. Recentemente eu tinha visto um anúncio de audição seletiva de uma gravadora. Eles estavam procurando por cantores e dançarinos, e no fim iriam escolher duas pessoas para seguirem carreira solo e integrantes para uma nova girlband e boyband. Claro que assim que eu vi o anúncio eu corri para me inscrever, e naquele momento eu tive a brilhante ideia de me inscrever para audição de girlband.
Na realidade entrar em uma girlband nunca tinha passado pela minha cabeça, eu sempre procurei focar em ser cantora solo. Porém as chances de eu conseguir entrar em um grupo são maiores do que eu conseguir a única vaga disponível para solista.
– Você é boa dançando. – assim que termino meu treino me jogo no centro da sala e se aproxima de mim.
– Você não é tão ruim assim. – dou um sorriso para ele. O cara realmente dançava muito bem. Na realidade a dança de me lembrava de quando e eu praticávamos juntos.
– Muito tempo de treino. – ele se gaba.
– Até porque todos nós precisamos treinar se queremos alcançar a perfeição. – me levanto lentamente para pegar um pouco de água. – Por que Londres? – pergunto de repente enquanto encho um copo
– Queria um tempo para poder compor. – ele solta uns barulhos com a boca. – Apesar de viver na Califórnia com meus pais desde que eu era criança, Londres sempre vai ser meu lar. – aceno com a cabeça. – E você? Por que a dança? A propósito me lembro muito bem de você dançando e cantando ontem. – ele solta uma risada. – Inclusive você canta muito bem em outra língua. – fico um pouco sem graça com o seu elogio.
– Era coreano. – explico.
Geralmente eu não me gabava muito, mas quando o idioma era difícil de aprender, mostrar que você sabe falar ele era realmente gratificante.
– Sério? – parecia surpreso.
é coreano. Ele quem me ensinou. – me sento ao seu lado e entrego uma garrafinha de água que julgo ser dele.
– Obrigada. – abre a garrafinha e imediatamente toma o conteúdo de dentro dela. – Você já pensou em ser cantora? – suas palavras me pegam de surpresa.
– Às vezes. – dou de ombros.
– Já tentou alguma vez? – estreito meus olhos, era quase como se ele soubesse do meu passado.
– Algumas vezes. – não era um assunto que eu realmente gostava de falar, afinal quem é que gostava de falar sobre os seus fracassos na vida?
– É realmente difícil. – suspira ao meu lado. – Eu levei alguns anos para conseguir assinar um contrato com uma gravadora. – o encaro surpresa.
– Verdade? – apesar de não conhecer exatamente o estilo musical de , a julgar pela euforia de seus fãs, eu poderia dizer que ele era um ótimo cantor.
– As pessoas costumam julgar muito quando você está entrando no ramo musical. – noto que ele escolhe as melhores palavras usar. – Comigo não foi diferente. – arqueio uma sobrancelha.
– Você poderia me explicar? – eu não queria forçá-lo a falar sobre algo que não o deixasse confortável, por isso pergunto.
– A indústria musical realmente é muito difícil. Se você não é uma pessoa que se molda aos padrões, eles não irão te escolher mesmo que você seja um ótimo cantor. Geralmente eles optam por aqueles que têm o perfil desejado primeiro, para depois dar a oportunidade aos outros. – a reflexão de bate nos meus ouvidos.
– E você não fazia? – a curiosidade me pega de repente.
– Eu tive que lidar com muitas coisas antes de ser o cantor que eles queriam que eu fosse. – faço uma careta. – Eu era uma pessoa muito tímida. – solto uma risada.
Eu tinha visto muita confiança exalando dele na noite anterior, e até mesmo hoje eu vi a mesma confiança. Então era meio difícil de acreditar que as palavras ditas por ele eram verdadeiras.
– Então vamos supor que você era uma pessoa completamente tímida. – balanço minhas mãos. Até que a história estava sendo interessante, pois eu não conseguia entender como uma pessoa tímida podia se transformar na pessoa que era. – Como você ganhou tanta confiança assim? – pergunto.
– O segredo é você aprender a lidar com seus medos. – apoia a mão no queixo. – E na realidade eu tinha muita gente falando que eu tinha uma feição angelical, e que seria um sucesso com as mulheres. – passo a mão pelo meu rosto, completamente desacreditada com o que ele tinha acabado de me falar.
– Então você quer dizer que criou confiança depois que as pessoas falaram sobre você fazer sucesso com as mulheres? – eu começo a rir descontroladamente. – Sério isso? – pergunto em meio a risadas.
– Eu era apenas um garoto naquela época. – se defende.
– Se você era apenas um garoto naquela época, quando é que você se tornou cantor? – eu estava perdida no tempo.
. Penso.
Eu nunca tinha ouvido falar nesse nome, então seu surgimento no ramo musical era uma incógnita para mim.
– Eu me tornei oficialmente um cantor algum tempo atrás, mas apenas ganhei visibilidade há dois anos. – isso realmente explicava muita coisa, eu não conhecia porque geralmente eu acompanhava cantores com mais tempo de carreira.
– E tem sido difícil? – como a conversa estava fluindo de maneira positiva resolvo tirar algumas dúvidas com ele.
– Manter uma aparência saudável e ocultar boa parte da sua vida não é legal. – solto um suspiro. – Mas saber que as pessoas me amam é um alivio.
– Porém manter uma parte oculta da sua vida não é mentir? – apesar de se sentir aliviado, eu não achava certo mentir para seus fãs.
– Sim. – ele concorda comigo. – Mais você tem que entender que nós cantores somos a inspiração dos nossos fãs, e quando você tem fãs mais novos, você tem que aprender a lidar com algumas questões e oculta-las. – faço um barulho com a boca.
– Isso é muito ruim no meu ponto de vista. – expresso minha opinião.
– Por quê? – parecia estar tão fissurado nessa conversa quanto eu.
– Vamos supor que você seja o mundo para os seus fãs. – tento parecer o mais racional possível. – E elas têm uma paixão incrível por você, às vezes até mesmo obsessiva. – explico. – E hipoteticamente falando você se apaixona por alguém e começa a namorar. Você acha que seus fãs irão aceitar o seu relacionamento? – pergunto.
– Acho que elas iriam entender. – responde.
– Tem certeza? – o questiono.
– Por que eu não teria? Acho que elas iriam gostar de me ver feliz. – ele toma mais um pouco de água.
– Ás vezes algumas situações tomam proporções que não ficam sobre seu controle. – eu estava falando isso para ele, pois eu sabia o que era viver sobre uma aparência que não era sua. – Não estou criticando os fãs, porque eu sou fã, mas existem algumas atitudes que me deixam inquieta. – explico.
– Do tipo? – solto um suspiro.
– Muitas vezes os fandoms são tóxicos, eles não aceitam que seu ídolo tenha uma vida sem ser a que elas acompanham. Muitas fãs não aceitam que seus ídolos se relacionem com outras pessoas apenas pelo fato de não acharem certo o rumo que sua vida está seguindo. Não querendo generalizar, mas esse tipo de obsessão está se tornando cada vez mais forte e eu realmente temo pelas fãs e pelos seus ídolos. – faço uma careta.
Eu realmente acompanhava muitos grupos de fãs e às vezes eu ficava assustada pelas atitudes tomadas por alguns. Comprar CD dos seus ídolos e depois queimar algo deles pelo fato dos mesmos demostrem serem apenas seres humanos era algo que eu realmente não conseguia entender.
Muitas vezes eu me questionei sobre o que se passava em suas cabeças, afinal se cada fã que julga seu ídolo por beber, namorar, e ter amigos me falar que sua vida é completamente voltada para seu ídolo assim como elas querem que eles façam, eu daria todo o meu dinheiro.
– Eu sei que existem alguns fãs fora de linha, mas não gosto de julgar todos pelo erro de alguns. – estalo minha língua.
Eu não tinha propriedade para falar mais sobre o assunto, pois eu não era famosa. Na realidade tudo o que eu falei até então tinha sido a minha opinião de fã.
– Você está certo sobre isso. – respondo. – Mais espero que você possa fazer uma reflexão sobre o que eu acabei de falar. – me levanto do chão.
– Onde você está indo? – se levanta também e me encara.
– Eu tenho que tomar um banho e comer alguma coisa. – meu estômago escolhe esse momento para fazer um barulho horrível.
– Você não tomou café da manhã? – por um momento ele parecia preocupado com a minha alimentação.
– Não consegui terminar. – solto uma risadinha. – Nós nos vemos por ai. – faço um sinal de continência para ele e saio do salão rapidamente.
não era uma pessoa ruim, na realidade o tempo que passei com ele realmente tinha sido interessante e do seu ponto de vista eu pude entender um pouco sobre como a indústria musical trabalha, não que eu já não soubesse que eles preferem a aparência ao caráter da pessoa.

Capítulo Cinco

Eu ainda não tinha conseguido digerir toda a conversa que tive com minha irmã e cunhado na parte da manhã. Na realidade eu estava tentando entender o motivo de Sophie começar a me atacar como se ela fosse à dona da verdade, afinal a pessoa que vivia nos holofotes não era eu, e sim ela.
Acredito que Sophie foi uma pessoa muito pior do que eu sou hoje, ela vivia sua vida de um modo completamente insano, o que por um momento trouxe certo prejuízo para o hotel.
Imagino que quando ela se casou com Derek meu pai se sentiu aliviado por não ter que usar da sua influência para impedir que surgisse qualquer publicação referente à vida selvagem que minha irmã levava.
– O que te aflige? – assim que terminei meu treino de dança eu corri diretamente para os braços do meu melhor amigo.
... – eu praticamente lamento na sua frente. - Por que as coisas tem que ser tão injustas? – pergunto.
– O que aconteceu agora? – ele me encara esperando a resposta.
– Sophie está em Londres. – comento. – E ela foi tão má comigo. – eu não queria sobrecarregar com meus problemas, porém ele era a única pessoa que eu tinha mais facilidade para conversar.
– Sophie? Você tem certeza? – muita gente achava estranho o fato de ser meu amigo ao invés de Sophie, afinal os dois tinham idades próximas. E mesmo que nós dois nos conhecêssemos há tanto tempo, não foi capaz de criar um vínculo com Sophie e muito menos com Madison.
– Sim! – me debruço na mesa.
Como eu não tinha tomado meu café da manhã de maneira justa eu liguei para e pedi que ele me encontrasse na nossa cafeteria favorita. Meu melhor amigo era um anjo e prontamente foi, sem ao menos questionar o motivo de eu chama-lo tão cedo.
– O que ela falou para você? – ele me pergunta.
– Ela e Derek ficaram falando sobre eu ir para a faculdade. – qualquer pessoa que escutasse nossa conversa agora acharia que eu era uma pessoa mimada que estava sendo contrariada, mas a questão é que eu realmente me sentia mal pelas coisas que minha irmã tinha falado mais cedo, e o fato do seu marido se meter na minha vida pessoal e ela não falar absolutamente nada me deixou ainda mais chateada.
... – começa. – Nós já conversamos sobre isso, não é mesmo? – cruzo meus braços e bufo.
– Eu sei. – na última conversa que tive com sobre a pressão que eu estava tendo para entrar na faculdade, ele tinha dito que eu apenas seria livre se eu me libertasse das amarras que minha família tinha posto em mim. – Mais eu fico pensando. – comento. – Eles têm um pouco de razão quando falam que eu não tenho nenhuma experiência na minha vida. – reflito. – Se eu sair de casa como eu irei sobreviver? – pergunto para ele como se pudesse ter a resposta certa para as minhas dúvidas.
– Você trabalha para isso. – assim como eu, sabia muito bem que eu não conhecia a palavra trabalho, afinal eu cresci de uma maneira onde sempre tive tudo o que quis em minhas mãos.
– Isso seria um completo desastre. – me debruço na mesa e o encaro. – O que eu devo fazer? – me lamento novamente.
– Foque naquilo que faz você feliz. – pega minha mão e aperta levemente. – E se nada der certo você pode virar coreografa. – solto um suspiro.
– Acho que meu pai enfartaria. – sorrio.
– Você vive constantemente para chocar as pessoas. – reviro meus olhos.
Não é que eu não amasse os coreógrafos, eu apenas não me imaginava sendo uma. Como eu não era a pessoa mais paciente do mundo, eu tinha certeza de que não daria certo, pois eu tenho um sério problema em ter que ensinar as pessoas, mas se eu tivesse que escolher entre ser coreógrafa ou estudar algo forçada, eu escolheria ser coreógrafa.
– Mudando de assunto. – encaro . Eu não queria falar sobre algo que me deixava chateada. – Como estão as coisas? – apesar de eu ter visto recentemente nós não pudemos conversar muito já que o mesmo estava trabalhando no momento.
– Corridas. – arruma sua postura na cadeira.
– Do tipo bom, ou ruim? – me inclino para frente.
– Mais ou menos. – ele me responde. - Nada que você precise se preocupar. – me irritava que não gostasse de compartilhar seus problemas comigo e sempre estava preparado para ouvir os meus.
– Odeio quando você não fala as coisas para mim. – eu não queria parecer estar chateada com isso, mas era inevitável.
– Prometo que em breve você saberá. – sorri para mim. – Não é algo que você realmente tem que se preocupar. – reviro meus olhos e mudo de assunto novamente, já que estava sendo evasivo quando o assunto era sobre o seu cotidiano.
– Como está sua mãe? Faz um bom tempo desde que eu a vi. – eu amava a mãe de , aquela senhora cuidava de mim de uma maneira tão maternal que foi muito fácil me apaixonar por ela.
– Ela foi ao meu apartamento ontem. – coça a cabeça. – Deixou um monte de comida. – ele reclama.
– Comida nunca é demais. – resmungo. – A propósito eu amo a comida da sua mãe! – mostro a língua para ele.
Não que estivesse realmente reclamando da comida que a mãe dele preparava, na realidade eu entendia muito bem o que ele queria dizer com o excesso de comida que ela havia deixado, afinal não faz muito tempo desde que ela foi a casa dele e deixou comida o suficiente para ele comer o mês inteiro.
– Eu também adoro a comida da minha mãe, porém ela exagera às vezes. – reviro meus olhos.
– Você é filho único, ela apenas quer mimar você. – a defendo.
Era muito perceptível o amor que ela tinha por ele.
era seu único parente em Londres, toda a sua família morava na Coreia e eles não tinham exatamente o melhor relacionamento, afinal até onde eu sei a família dela nunca aceitou realmente o casamento dela com o pai de .
. – me chama. – Ela também considera você como filha, mas não leva comida para você porque sabe que sua mãe iria surtar. Tenho certeza de que se não fosse sua mãe, você provavelmente estaria enjoada de comer kimchi e outras coisas. – solto uma risada.
Não era mentira que minha mãe tinha certa antipatia com a mãe de , e ela fazia questão de deixar transparecer esse sentimento em todos os momentos que elas se encontravam.
– Então me convide para jantar. – cruzo meus braços.
Eu amava comida coreana, mas nenhum restaurante superava a comida que a mãe de fazia. Acho que ela coloca tanto amor na hora do preparo que a comida fica com um sabor perfeito.
– Não preciso fazer convites especiais para você. – declara.
– O problema é que você nunca está em casa para jantar. – reflito. – Então acho que podemos almoçar juntos. – sorrio como se eu fosse uma criança que tinha acabado de ganhar o melhor presente de todos.
– Sempre que você precisar. – bagunça meu cabelo. – Agora termine seu café. – ele aponta para minha xicara.
Era sempre muito bom passar meu tempo com , ele sempre esteve ao meu lado em todos os momentos, e principalmente era um bom ouvinte. Nossas conversas sempre fluíam de maneira natural, não era algo que tínhamos que forçar e eu era extremamente grata por isso.
Eu não era uma pessoa que demonstrava meus sentimentos abertamente, mas acredito que saiba do meu amor por ele e que ele é minha âncora nesse mundo.


***


Como prometido, acabei vindo para a casa de apenas para almoçar com ele e me deliciar com a comida de sua mãe.
Eu amava como a casa de tinha sua própria identidade. Conhecendo meu amigo eu sabia que ele tinha levado muito tempo para chegar ao conceito ideal para ele. Sim. amava trabalhar nos mínimos detalhes e claro, ele não deixaria sua casa para trás.
– Ainda é um pouco cedo para almoçarmos. – ele abre a porta para mim. – Então se sinta em casa. – balanço minha cabeça e imediatamente vou para o sofá.
– Você mudou algumas coisas. – digo enquanto observo sua sala recém-decorada.
– Me enjoei dos móveis antigos. – dá de ombros e se senta ao meu lado. – Gostou? – ele me pergunta.
– Não entendo muito sobre decoração, mas acho que ficou melhor agora. – geralmente eu não participava muito da parte decorativa de casa, minha mãe era uma pessoa muito exigente quando o assunto era manter a boa aparência das coisas, então era ela quem supervisionava as mudanças no nosso apartamento.
– Estive pensando em mudar a minha cozinha também. – reviro meus olhos. De todos os cômodos da casa de o único lugar que eu achava que ele não deveria jamais mexer era a sua cozinha.
Olhando daqui o ambiente era realmente convidativo, apesar de ser conjugada com a sala, a cozinha dele era completamente diferente do restante da casa. gostava muito e cozinhar, então ele tinha equipado sua cozinha com materiais de primeira.
– Não acho que a cozinha tenha que ser mudada. – dou minha opinião. – Eu gosto dela assim. – rapidamente pego o controle da televisão de cima da mesinha de centro e a ligo.
– Sério? – olha da cozinha para mim.
– Sim. – concordo. – Mas é a minha opinião. – digo. – Se tem algo incomodando você e você pode fazer algo para reverter, faça. – o encaro gentilmente.
– Eu realmente vou muda algumas coisas, você quer ir às compras comigo? – me olha indeciso.
– Eu amo fazer compras, . – solto uma risadinha. – Quando você quer ir? – pergunto.
– Semana que vem eu vou estar com a agenda livre. – ele olha seu relógio rapidamente.
– Tem algum compromisso hoje? – levanto minha sobrancelha enquanto observo meio aéreo. – Você conheceu alguém? – o encaro boquiaberta com a minha descoberta.
– Pelo contrário. – bufa ao meu lado. – Minha mãe arrumou um encontro às cegas para mim. – começo a gargalhar.
Eventualmente isso era algo que a mãe de faria. Ela realmente tinha esperanças que seu filho encontrasse alguém e se casasse imediatamente.
– Precisa de ajuda? – geralmente me pedia ajuda quando sua mãe o jogava em encontro às cegas. Na maioria das vezes nós dois damos boas risadas com as enrascadas que ela o coloca.
– Acho que dessa vez minha mãe escolheu bem. – continua rindo ao meu lado.
– Como das últimas vezes. – reviro meus olhos, divertida. – Lembra a última garota? – pergunto.
– Não tem como esquecer. – era quase impossível me esquecer da última enrascada que se meteu, eu sempre ria quando lembrava desse momento.
Kim Ha-Yun, ou apenas Sun, era dona de um temperamento forte, e nada poderia fazê-la desistir de casar seu filho, e quando eu falo nada, era realmente isso.
Da última vez eu tinha escutado detalhadamente todos os planos que a mãe de havia feito para o tão esperado encontro às cegas.
O tal encontro de era com a filha mais nova de uma colega dela que havia chego há pouco tempo em Londres, e tanto ela quanto a mãe da garota haviam achado interessante aproximar seus filhos, o problema era que a garota mantinha um relacionamento escondido da sua mãe, e o namorado dela apareceu de repente no restaurante que os dois estavam se encontrando e brigou com .
– Você ficou com um olho roxo. – o empurro levemente.
– Aquilo feriu meu ego. – ele passa a mão no rosto.
– Então porque você não aprende e pede para sua mãe parar com isso? – pergunto.
– Não gosto de magoar minha mãe e no fim eu tenho você para me salvar. – reviro meus olhos. - Acho que seu celular está tocando. – aponta para o meu celular. – Eu já disse para você não deixar ele no silencioso. – ele me repreende.
– Meu celular saiu da loja no silencioso. – mostro a língua para ele. – Alô. – falo assim que atendo o celular.
? – uma voz grossa e totalmente desconhecida fala.
– Quem gostaria? – pergunto desconfiada e fica gesticulando para saber quem é. – Não sei. – sussurro para ele.
– Louis da gravadora Record Music. – meus olhos praticamente soltam assim que ele se apresenta. – Estou ligando para confirmar sua inscrição. – engulo em seco.
– Pensei que assim que eu fizesse a inscrição eu automaticamente estaria confirmada. – falo.
– Você está certa. – Louis responde na linha. – Porém enviamos um material para o seu e-mail assim como dos outros candidatos, e você não retornou. – estranho, afinal eu não tinha recebido nada ultimamente.
– Poderia me encaminhar novamente? – pergunto. – Eu checo meu e-mail diariamente e tenho certeza de que teria visto o que o senhor me mandou. – eu gesticulo para e peço que ele trouxesse seu notebook para a sala.
– Claro. – o cara responde. – Você está com seu e-mail aberto? – ele me pergunta.
– Estou abrindo. – eu nunca tinha demorado tanto para fazer um login no e-mail como hoje. - O abri agora. – vou diretamente à minha caixa de spam. – Recebi seu e-mail. – clico em cima para abri-lo.
– Perfeito. – ele fala. – Existem algumas instruções anexadas que você deverá prestar bem atenção. – Louis explica. – Qualquer dúvida você pode entrar em contato conosco. – Louis se despede e em choque eu olho para .
– O que é? – me encara preocupado.
– Eu fui chamada para a audição. – sussurro.
– Quando você se inscreveu? – me pergunta.
– Essa semana. – eu não conseguia acreditar no telefonema recente. – ... – as palavras pareciam estar travadas no céu da minha boca, pois eu não conseguia pronunciar nada relativamente interessante.
– Isso é maravilhoso, ! – rapidamente me abraça. – Estou tão feliz por você! – ele continua me apertando. – Por que você não falou nada? – não havia julgamento em suas palavras, apenas curiosidade.
– Porque é uma audição fechada, poucas pessoas seriam selecionadas para se apresentar. – explico. – Eu não queria que as pessoas a minha volta criassem expectativas para no fim eu nem ser chamada para o teste. – meu maior medo era não conseguir me apresentar na gravadora, porém isso era algo que eu tinha superado no momento.
– Você vai arrasar. – me solta e segura minha mão. – Eu sei que tem sido difícil para você nos últimos anos, mas tenho certeza de que a sua hora de brilhar vai chegar. – fecho meus olhos e absorvo todas as palavras de .
– Espero que você esteja certo. – eu não sabia que estava chorando até limpar a primeira lágrima que caiu sobre meu rosto.
– Ei. – ele me chama. – Não chore. – me pede. – Essa notícia deve ser comemorada do jeito certo, e não chorando. – eu não aguento segurar as lágrimas, elas caiam livremente pelo meu rosto e perco completamente a postura.
– É que eu sempre chego nessa parte e no fim eu nunca sou escolhida. – continuo com as minhas lamentações.
– Então você deve dar tudo de si para conseguir. – segura meu rosto. Estou falando sério, ! – ele me encara por um longo tempo.
– Se eu não conseguir dessa vez eu realmente vou desistir. – limpo minhas lágrimas.
– Eu entendo que tudo isso é muito frustrante, mas vamos contar apenas como experiências ruins que você teve para alcançar o sucesso. – as palavras de são doces, porém não são suficientes para afugentar o medo e a ansiedade que estou sentindo no momento.
– Não quero que ninguém saiba. – eu mudo minha postura rapidamente. – As coisas que Sophie falou hoje ainda estão me atormentando. – falo.
– Você sabe que pode confiar em mim. – beija minha testa. – Nem irá saber? – ele me pergunta.
– Ainda não estou preparada para falar sobre isso. – solto um suspiro. – Não é que eu não confie nela, é minha melhor amiga. – digo olhando para . – Mais sabemos bem que ela não é uma pessoa que guarda segredos. – fecho meus olhos.
Existiam coisas que eu não poderia falar para imediatamente, pois era questão de segundos para as pessoas ao nosso redor saberem e essa notícia era algo que eu não queria espalhado por ai.
– Tudo bem! – se levanta. – Podemos manter segredo. – ele sorri para mim.
– Aonde você vai? – seguro sua mão imediatamente, eu não estava preparada para deixar ir.
– Vou esquentar comida para a gente. – minha expressão se ilumina rapidamente.
– Quer ajuda? – pergunto.
– Prefiro manter você longe da minha cozinha. – bufo.
Não é novidade nenhuma que ache que eu sou um perigo na cozinha, e concordo que eu não tenho nenhuma experiência, afinal para que aprender a cozinhar se eu morava em um hotel e tinha comida no meu quarto a qualquer momento?
– Prometo que não vou queimar nada. – faço um beicinho.
– Fique longe das toalhas. – ele pega minha mão e me puxa.
– Eu não vou colocar fogo nas toalhas. – passo por ele revirando meus olhos e enxugando os últimos vestígios de lágrimas que eu tinha pelo rosto.
– Pelo que me lembro da última vez... – eu corro rapidamente eu sua direção e tampo sua boca.
– Não precisamos falar sobre isso. – começo a rir quando ele tenta se pronunciar.
– Tudo bem. – morde minha mão rapidamente e eu recuo.
– Odeio quando você faz isso. – imediatamente eu vou lavar minha mão.
– Esse é meu troco. – ele mostra a língua para mim.
– Idiota. – resmungo.
– Você pode arrumar a mesa. – ele indica o balcão acima para que eu pegue os utensílios.
– Você só pede isso porque odeia arrumar a mesa. – aos poucos eu vou pegando as coisas que iriamos precisar para comer e vou colocando na mesa.
Enquanto isso vai organizando a comida para a gente enquanto cantarola alguma música desconhecida.
– Esqueci completamente! – falo de repente e bato na minha testa.
– O quê? – me encara confuso.
– Eu não li o e-mail. – dou um sorriso amarelo para ele.
– Então pegue o notebook e leia. – revira os olhos para mim e eu rapidamente me locomovo para a sala voltando em seguida para a cozinha. – O que o e-mail diz? – ele me pergunta.
– Eles me mandam preparar uma coreografia e uma música para apresentar. – continuo lendo o restante do e-mail.
– Mais alguma coisa? – me olha de lado enquanto termina de colocar o arroz em uma tigela.
– Basicamente isso. – dou de ombros.
– Ok. – sorri para mim. – Se você precisar de ajuda me fale. – ele pisca para mim.
– Isso quer dizer que você vai me ajudar com a dança? – pergunto esperançosa.
– Não. – ele fala imediatamente. – Isso quer dizer que serei um bom ouvido e um bom olho. – bufo.
Eu não queria que se sentisse pressionado sobre a dança, mas eu via muitas vezes em seus olhos a saudade estampada.
Como não gosto de ficar pisando em ovos com não toco no assunto novamente. Apesar de eu ver muitas vezes a saudade estampada em seus olhos é algo que tem que decidir sozinho e no momento que ele estiver preparado tenho certeza de que ele irá me procurar.
Nós dois desfrutamos do nosso almoço calmamente depois disso, e apesar de eu querer ficar mais tempo com eu tinha que voltar para casa e treinar.
Eu sabia que a próxima semana seria decisiva, então eu teria que treinar todos os dias para uma coreografia perfeita e cuidar da minha saúde para que eu não ficasse doente no meio do caminho.

Capítulo Seis

Eu ainda não conseguia acreditar que o jogo tinha virado ao meu favor, claro que o telefonema para uma audição não era realmente uma garantia de que eu pudesse me tornar cantora, porém eram flores em um campo que há muito tempo não florescia.
Contar para qualquer pessoa da minha família não era o caso no momento. Eu tinha medo de que se eu falasse sobre esse assunto eles fossem explodir comigo. E pela última conversa que eu tive com Sophie, eu tive a certeza de que meus irmãos não me apoiavam quando o assunto era meus sonhos.
Antes de o meu pai viajar, eu tinha dito que se nada desse certo eu iria para a faculdade, claro que aquilo tinha sido apenas uma desculpa para que ele saísse do meu pé, porém eu queria provar para todos da minha família que mesmo eu não seguindo o rumo que eles queriam, eu iria obter sucesso.
Do meu jeito.
Enquanto arrumo meu quarto eu paro e olho tudo ao meu redor, eu nasci em uma vida privilegiada, porém isso não permitiu em nenhum momento eu ter uma profissão que realmente gostasse. Muitas pessoas acreditam que nós temos total apoio dos nossos pais para vivermos nossos sonhos, porém aqui era diferente, meu pai, por exemplo, queria que todos os seus filhos vivessem do seu sonho e não o contrário.
Minha ficha ainda não tinha caído completamente, eu tinha tanta coisa para organizar em um espaço muito curto de tempo. Eu tinha que pensar que música iria cantar e que coreografia iria apresentar. Claro que referente à coreografia, não existiam dúvidas de que eu pegaria algo difícil e que eu tivesse habilidade para apresentar. Geralmente pessoas que cantam não dançam muito bem, esse tipo de habilidade elas conseguem com o tempo e dependendo muito do estilo de musical que procede em sua carreira.
O teste seria nas próximas semanas e apesar de eu treinar todos os dias eu sabia que isso era o suficiente para fazer um trabalho bom, mas não perfeito. Então eu pegaria mais pesado nos meus treinos para que não houvessem erros e que eu estivesse em perfeita sincronia com a música. Afinal minhas chances de ser tornar cantora pareciam estar ficando cada vez mais distantes e eu não podia deixar essa oportunidade escapar das minhas mãos.
Terminando de arrumar minhas roupas e separar o que eu não queria para doação resolvo ir novamente para o salão de danças e praticar mais um pouco. Eu queria estar perfeita para o teste. Quando a gravadora entrou em contato comigo mais cedo eu quase não acreditei no que estava acontecendo, eu tinha consciência de que eles deviam ter ligado para outras garotas, então eu tinha que mostrar que apesar de ser mais velha eu poderia muito bem dançar e cantar.
Quando chego ao salão de dança percebo que já estava lá se aquecendo para começar seu próprio treino. Confesso que desde o momento que conheci eu não tinha reparado nele atentamente, pois tinha colocado na minha cabeça que eu não podia ter nenhum tipo de interação física com ele. Ao perceber cada traço, vejo o motivo da preocupação da minha família quando o assunto era ele.
A questão é que realmente era o tipo de cara que eu me envolveria. Ele não era completamente musculoso, mas eu ainda sim eu conseguia ver a definição do seu corpo. também era moreno, e tinha um par de olhos azuis que era capaz de hipnotizar alguém. Sua dança também era incrível, ele tinha o poder de seduzir sem ao menos saber que estava seduzindo alguém. Por incrível que parece também tinha uma pequena covinha no lado direito da sua boca, o que deixa ele adorável.
– Você aqui de novo? – resolvo interromper seu treino, pois não queria perder mais tempo o observando.
– Eu disse para você que eu iria usar o tempo que estou aqui para compor e treinar. – reviro meus olhos.
– Ok. – entro no salão e logo começo a fazer meu aquecimento. – Como você chegou primeiro eu deixo você escolher as músicas. – eu não iria entrar em nenhum conflito hoje. Tudo o que eu queria era poder treinar e tirar o máximo desse treino.
– Prometo que minhas músicas não são tão ruins assim. – passa por mim com um sorriso enorme nos lábios e começa a dançar.
escolhe uma música de hip hop, completamente diferente do que eu imaginava para treinar hoje, mas mesmo assim eu me pego dançando no ritmo da música. Eu tinha feito aulas de dança durante toda a minha vida, comecei com ballet, pois minha mãe achava uma dança maravilhosa na época, depois eu passei por mais alguns estilos de dança até chegar à dança contemporânea.
Eu costumo dizer para mim mesma que minha dança só é boa por conta das oportunidades que tive ao aprender o básico de outras danças. Isso me deu base para criar meu próprio estilo.
– Você dança bem. – se aproxima de mim. – Que tal uma música mais lenta? – reviro meus olhos, mas não consigo segurar uma risada.
– O que você tem em mente? – pergunto levemente curiosa.
– Você vai ver. – ele sorri e dá play na música e ao ouvir os primeiros acordes eu abro um sorriso enorme.
– Just you? – um sorriso brinca em meus lábios. – Eu amo as músicas da Lauren Hart. – ergo minha mão para ele. – Que tal você dançar comigo? – eu não costumava chamar as pessoas para me acompanhar em uma dança, geralmente eu era melhor que eles, mas merecia.
O começo da música é lento, mas o ritmo vai crescendo em cada nota cantada por Lauren. Era surpreendente como nossos corpos simplesmente se encaixavam e ganhavam ritmos conforme a música ia crescendo. solta algumas risadas e palavrões quando eu sem querer piso no seu pé e esse gesto simples me faz rir. Em algum momento da dança eu me afasto dele, mas sem desviar nossos olhos e danço com um sorriso genuíno brincando em meus lábios. acaba se aproximando de mim e seu corpo acompanha o meu como se fossemos apenas um.
Quando a música acaba estamos praticamente com nossos lábios colados e por um momento eu consigo escutar nossas respirações ofegantes por conta da dança.
– Você realmente é boa no que faz. – se afasta de mim.
– Nunca disse que eu era ruim. – vou em direção de onde estava minha garrafa d'água.
– Quanto tempo você tem treinado? – ele se senta no chão e eu o acompanho.
– Eu danço desde os meus quatro anos. – faço um quatro com a mão.
– Uau! – ele realmente parecia surpreso. – E então decidiu continuar? – me pergunta.
– Na realidade minha mãe me obrigou a fazer aulas de dança na infância. – me deito no chão. – Mais quando eu tinha uns seis anos eu comecei a criar gosto. – explico. – Quando eu estava mais velha eu obriguei minha melhor amiga a fazer algumas aulas comigo. – sorrio com a vaga lembrança que tenho de .
– Sério? – ele me pergunta.
– Sim. – me viro de bruços. – Eu consigo ser uma pessoa muito persuasiva quando quero. – pisco meus olhos repetidas vezes.
– Posso ver. – sorri e novamente sua covinha aparece.
– Você tem uma covinha. – me levanto para me aproximar dele. – Eu amo covinhas. – sorrio e arrumo uma mecha de cabelo caiu no meu olho.
– As garotas amam minhas covinhas. – ele passa a mão em seu rosto e eu bufo.
– Você é meio convencido. – faço uma careta e solto um chiado.
– Eu tenho que reconhecer minha beleza. – ele balança suas sobrancelhas e me faz rir.
– Quer ir comer algo? – pergunto de repente.
– Está me convidando para sair do hotel? – me encara com um olhar presunçoso.
– Claro que não. – me embalo para levantar. – Vamos comer no restaurante do hotel. – o encaro como se fosse óbvio o que eu estava querendo dizer quando o chamei para comer.
– Isso parece ser o ideal para mim. – ele ergue sua mão para eu ajuda-lo a levantar. – Vamos! – passa seus braços no meu ombro e me guia para a saída da sala.
Chegando ao restaurante algumas pessoas nos encaram curiosas para saber o que estávamos fazendo ali juntos. Eu não tinha imaginado que o restaurante estaria tão cheio naquele momento, porém ignoro e escolho um lugar para sentar.
– Acho que nós dois juntos chamou muito a atenção. – se senta na minha frente.
– Talvez você tenha chamado à atenção. – me inclino. – Não se preocupe todos os hóspedes são gentilmente instruídos a não incomodar. – explico.
– Talvez seja esse o motivo do meu agente ter escolhido esse hotel até minha casa ficar pronta. – sussurra.
– Você tem razão – tamborilo meus dedos na mesa enquanto espero alguém aparecer para nos atender.
– Não faça isso! – segura minha mão. – Você está me deixando ansioso. – coloco minha mão em cima da minha perna.
– Força do hábito. – dou um meio sorriso. – Só estou com fome. – digo.
– Então peça o que você quer comer. – revira seus olhos e eu mordo o canto da minha boca. – O quê? – ele me pergunta.
– Pode parecer um pouco chato da minha parte, mas eu tenho que perguntar. – me inclino para frente e baixo o tom da minha voz. – Você vai ficar quanto tempo em Londres? – franzo meu nariz e solto uma risadinha.
– Tempo suficiente para que eu possa compor algumas músicas e descansar. – fala igualmente baixo.
– Entendi. – volto a me sentar normalmente na cadeira e somos interrompidos pelo garçom.
– Estão prontos para pedir? – me viro para encará-lo e sorrio.
– O prato do dia. – não perco meu tempo olhando o cardápio. – ? – pergunto e nossos olhos se fixam.
– O mesmo que você. – ele fecha rapidamente o cardápio e entrega para o garçom.
– O quê? – noto o olhar de em mim.
– Por que você trata as pessoas com frieza? – ele me pergunta.
– Eu não as trato com frieza. – gesticulo com as mãos. – Quando você mora em um hotel você não pode ser apenas sorriso para os funcionários, principalmente se você é a filha do dono. – suspiro.
A última vez que eu agi por impulso foi quando eu ajudei uma funcionária com uma hóspede, esse gesto fez com que o hotel levasse um processo do cliente.
Meu pai tinha ficado louco quando descobriu que eu havia me metido na briga da nossa hóspede com um funcionário. Ele ficou horas falando sobre eu não poder me meter em assuntos como esse, e que agora ele teria que pagar uma indenização para o cliente que se sentiu lesado.
No fim das contas a funcionária foi demitida, pois para os meus pais todos os funcionários tinham que ter a olhos e bocas fechados.
– Como você quer se tornar uma artista se você não trata seus funcionários bem? – me pergunta.
– Você não entendeu o que eu acabei de falar? – pergunto. – Existem coisas que não são da minha ossada. – eu explico calmamente. – Você chegou ontem aqui, e está se metendo onde não deveria. – cruzo meus braços e o encaro.
– Entendo. – ele sussurra. – Talvez você viva em um mundo que não condiz com a realidade. – bufo.
– Claro que não! – balanço minha cabeça negativamente.
– Sim! – ele faz um barulho com a boca. – Não é legal tratar as pessoas de um jeito ruim. Suas atitudes são meio estranhas, e você trata as pessoas de maneira rude. – cruzo meus braços e faço uma careta. – Isso não é legal, e as pessoas não gostam disso! – reviro meus olhos.
estava me deixando irritada.
– Não preciso de você me falando sobre o que é certo ou errado. – descruzo meus braços e me inclino para frente. – Se você parar para pensar, você também é um julgador. – dou uma piscadinha para ele.
– Eu não julgo as pessoas! – ele entra em um modo defensivo.
– Tem certeza? – pergunto me referindo a conversa anterior. – Você se mete onde não deve, e tem esse olhar. – com meu dedo indicador circulo no ar seu rosto e dou um sorrisinho cínico para ele.
– Eu sou uma pessoa observadora. – se explica.
– Isso quer dizer que você tem me observado? – pergunto surpresa.
– É inevitável! – ele dá de ombros. – A gente vive se esbarrando. – balanço minha cabeça.
– Já disse para você que isso é normal. – bufo. – Eu vivo nesse hotel, esbarrar com hóspedes acontece o tempo todo. – eu explico pausadamente para que ele não ache que eu esteja atrás dele ou algo do gênero.
– Ainda acho que você tem me seguido. – bufo.
Ele tinha que cair na real.
– Acho que você está se emocionando demais. – faço uma careta.
– Confesse! – se inclina para frente e me encara nos olhos. – Você está caidinha por mim. – imediatamente coloco minha mão sobre a boca para abafar a minha risada.
– Claro! – falo cinicamente. – Até porque eu não tenho mais nada para fazer. – o garçom acaba cortando nossa conversa ao chegar com os pratos.
Tento a todo custo não deixar o assunto voltar à tona novamente, eu queria poder comer em paz e tinha certeza de que se começasse a falar sobre o quanto eu sou uma pessoa ruim, ou que eu estava caidinha por ele eu fosse perder minha cabeça.
Geralmente eu não gostava de ser julgada pelas pessoas, apesar disso sempre acontecer. Muitas pessoas tinham a visão de que pelo fato de eu ter uma vida de princesa, tudo era perfeito. Porém ninguém tinha noção do inferno que muitas vezes eu ou meus irmãos passamos nas mãos dos nossos pais.
Minha vida sempre foi controlada de perto pelos meus pais. Eles tinham tanto medo de serem expostos pela mídia se algum filho deles fizesse algo errado, que eles simplesmente controlavam tudo a nossa volta.
Quando eu fiz dezoito anos eu fugi de casa, naquela época eu achava que seria a melhor decisão. tinha me acolhido em sua casa e no inicio tudo tinha sido flores, até meus pais bloquearem a minha mesada e ter que viajar para fora do país. Em um instante eu me vi sem dinheiro e sem casa para viver, foi aí que a mãe de entrou e me acolheu.
Eu morei com a mãe de por mais ou menos quatro meses antes de sucumbir à vontade dos meus pais e voltar para casa. Nesse tempo eu não tinha conseguido trabalhar em nenhum lugar por falta de experiência, e a falta de dinheiro estava me deixando louca.
Posso dizer que meus pais fizeram uma jogada genial ao cortar minha mesada, pois eles sabiam que eu não iria viver por muito tempo no mundo real.
. – a voz de me desperta dos meus pensamentos. – Desculpe. – ergo minha sobrancelha.
– Pelo quê? – me faço de desentendida.
– Por dizer indiretamente que você era uma pessoa ruim. – solto um bochecho.
– Tudo bem! – abano minha mão. – Vamos esquecer esse assunto. – como eu não queria ter voltar a isso resolvo deixar para lá. Afinal não ficaria tempo suficiente no hotel para eu ter que me preocupar com o que ele achava de mim.
– Se você precisar de ajuda é só falar comigo. – fala de repente.
– E como você ajudaria realmente? – coloco meu prato para frente e o encaro.
– Posso ajudar você sobre a mídia, sobre os fãs. – ele parecia presunçoso demais. – Coisas desse gênero. – começo a rir.
– Ok. – balanço minha cabeça. – Se eu precisar da sua ajuda pode ter certeza de que não irei procurar. – dou uma piscadela.
– Você é confusa. – me encara mais um pouco.
– Um pouco. – sorrio para ele. – Você terminou? – pergunto ao olhar para seu prato.
– Sim. – parecia realmente satisfeito com a comida.
– Senhorita . – Parker se aproxima. – Pietro pediu para trazer pra vocês. – ele colocar duas sobremesas na mesa.
– Você poderia agradecer ele por mim, Parker? – peço gentilmente.
– Claro. – ele sorri para mim e se retira, deixando e eu sozinhos novamente.
– Você tem algo para fazer depois daqui? – pergunto antes de começar a comer minha sobremesa.
– Não! Por quê? – me dá um olhar curioso.
– Então vou levar você para um lugar que apenas alguns hóspedes conhecem. – eu não sei exatamente o porquê, mas apesar de me irritar, tinha algo nele que me fazia querê-lo perto de mim.
– E onde seria? – vejo em seu olhar curiosidade.
– O terraço do hotel. – falo rapidamente e volto minha atenção para a sobremesa na minha frente.
– Sério! Você é estranha. – resmunga antes de seguir meu gesto.
– Eu sou divertida. – não me importo de falar de boca cheia. – Você vai adorar o lugar. – o terraço era um dos melhores lugares do hotel em minha opinião.
Meu pai não costumava deixar o acesso para todos os hóspedes, na realidade aquele local tinha sido projetado para clientes Vips usarem sem serem incomodados por outras pessoas. Normalmente quando não tínhamos tantas pessoas importantes hospedadas no hotel, aquele local ficava praticamente vazio.
– Espero que seja um local bom. – não parecia acreditar muito em mim.
– Na realidade é o único lugar que você pode encontrar paz. – explico. – Meu pai projetou o terraço para que pessoas como você tivessem mais paz enquanto estivessem hospedados aqui. – Não iria explicar para ele que eu também havia ajudado no projeto, afinal meu pai parecia não lembrar muito disso.
Assim que terminamos nossa sobremesa levo para o elevador e seleciono o botão que nos levaria para o terraço. Ele parecia estar um pouco ansioso ao meu lado e isso estava começando a me deixar um pouco inquieta.
Quando chegamos à primeira coisa que eu faço é sair rapidamente do elevador e caminhar para uma porta lateral que dava para o terraço.
– Por aqui. – o chamo.
– Essa é a hora da verdade. – fala assim que me vê abrindo a porta. Quando abro a primeira coisa que me bate é o cheiro das flores. – Caramba. – olho para ele apenas para vê-lo completamente chocado.
– Eu falei para você. – digo enquanto entramos.
– Nunca imaginaria uma coisa dessas em cima de um hotel. – ele me fala.
Na realidade o terraço não era tão grande assim, mas era um verdadeiro jardim, ele tinha sido planejado dessa maneira para deixar os hóspedes mais relaxados.
– Estou chocado. – ele corre para se sentar em um banquinho. – Esse lugar é lindo! – concordo com ele. Cada árvore que foi colocada aqui, cada flor plantada, tudo tem um significado, mas para uma pessoa de fora como eles só enxergam a aparência.
O terraço havia sido planejado para se parecer realmente como uma floresta encantada, na realidade esse tinha sido o tema. Esse lugar em todas as suas fases sempre tinha sido o meu refúgio. A aura que o local emana é alucinante.
– Quando as coisas não estiverem tão bem para você é só vir aqui. – depois de cheirar uma flor me sento ao seu lado.
– Você vem muito aqui? – ele me pergunta.
– Às vezes. – digo. – Não venho mais com tanta frequência. – explico.
– É uma pena, porque esse lugar merece ser usado. – solto uma risada.
– Você tem razão. – encaro o lugar a minha volta e tento recolher novas energias.
– Finalmente você está concordando comigo. – dou um leve empurrão nele, mas não falo nada.
– Não exagera. – peço.
– Bom. Talvez você não seja tão ruim assim. – finjo soltar um bocejo.
– Já está entediada? – tenta parecer ofendido.
– Claro que não! – abano minha mão. – Você não é nada entediante. – sorrio docemente.
– Você é uma péssima mentirosa. – reviro meus olhos ele nem me conhecia direito para falar que eu era uma péssima mentirosa.
– Tento não ser. – caminho lentamente para um banquinho próximo a uma das minhas árvores favoritas. – Sente-se. – bato no espaço ao meu lado e o chamo.
– Você não vai morder? – ele parecia meio cauteloso.
– Idiota! – reviro meus olhos. – Isso não é da minha natureza. – falo.
– Desculpe! Pensei que você era como um pinscher raivoso. – bufo ao ouvir suas palavras. Eu já tinha sido chamada de muita coisa, menos pinscher raivoso.
– Não acho que eu esteja para um pinscher raivoso. – gesticulo. – Estou mais para um lobo. – dou um sorriso de canto.
– Não deve ser legal ter as pessoas julgando você o tempo todo. – comenta. – Eu realmente sinto muito por chamar você de rude. – reviro meus olhos. Eu já estava tão acostumada com as pessoas me achando rude, que eu simplesmente tento não me importar tanto com as criticas.
– E não é. – me viro para encarar Londres a fora. – Mais existem coisas que temos que sobreviver. – o encaro rapidamente.
– Quero me redimir com você. – ele fala chamando minha atenção.
– E como você faria isso? – tento não parecer muito empolgada.
– Vamos sair! – me encara totalmente empolgado.
– Você quer dizer fora do hotel? – se fosse o caso eu realmente acho que não está pensando muito bem.
– Sim. – ele me encara como se fosse óbvio o que ele estava falando desde o começo.
– E como você faria isso sem ser reconhecido? – cruzo meus braços e ergo minha sobrancelha enquanto espero uma resposta.
– Existem disfarces que eu posso usar. – solto uma risada.
– Claro. – eu não estava acreditando que realmente fosse dar certo, mas estranhamente eu queria saber o que ele iria fazer para se redimir.
– Isso é um sim? – ele me olha esperançoso.
– Vou dar essa chance para você. – mostro um pequeno sorriso antes de voltar a encarar a movimentação das ruas ao redor do hotel.

Capítulo Sete

Eu passei o dia anterior pensando se realmente valia a pena sair com por Londres. O meu maior medo era dele ser reconhecido no meio do passeio e as pessoas acharem que tínhamos algum tipo de envolvimento romântico, na realidade isso era o que mais estava me deixando aterrorizada no momento, apesar de eu não ser uma pessoa que sentia medo constantemente, porém a curiosidade de saber para onde ele me levaria estava me dominando no momento.
e eu éramos pessoas completamente diferentes, e com visões de um mundo diferente. Enquanto eu tento ser uma pessoa mais transparente com as pessoas a minha volta, se molda diante aos olhos da sociedade para não decepcionar seus fãs. Algo que realmente me deixava chateada, pois na minha concepção os fãs deveriam ver o lado verdadeiro dele e não o contrario.
– Você está atrasada! – bufo ao ver a figura de do lado de fora do meu apartamento.
– Como você conseguiu chegar até aqui? – coloco minha bolsa sobre meus ombros e o questiono.
Era quase impossível conseguir chegar à cobertura sem nenhuma ajuda.
– Tenho meus métodos. – reviro meus olhos.
– Depois sou eu quem está seguindo você. – Meu humor não estava nos seus melhores momentos, afinal acordar cedo não era meu ponto forte. – Agora me diga como você espera não ser reconhecido na rua? – o encaro da cabeça aos pés ao notar que ele estava normal. – Você vai assim? – aponto para ele.
– Por que não? – olha para sua roupa como se eu estivesse vendo um problema que não existe.
– As pessoas vão saber quem você é. – franzo o cenho e faço um barulho com a boca.
– Não seja por isso! – tira uma máscara de rosto do seu bolso completamente empolgado e eu solto uma risada.
– Isso completa seu estilo. – balanço minha cabeça de um lado para o outro, ainda desacreditada que ele se achasse um gênio por colocar uma mascara para tampar metade do seu rosto. – Mais ainda acredito que as pessoas irão reconhecer você. – falo.
– E você vai assim? – ele questiona imediatamente olhando para minha roupa.
– Você disse para eu usar algo confortável. – olho para minha roupa para ver se havia algo de errado com elas. – Por quê? – pergunto.
– Só estou surpreso. – coloca a mão dentro do bolso da calça.
– E por que você estaria surpreso? – eu estava confusa com sua suposta surpresa, afinal eu não me achava diferente dos outros dias.
– Todas as vezes que encontrei você no hotel, você estava bem vestida. – ergo minha sobrancelha para ele.
Minhas roupas não deveriam ser tópicos de conversa.
– Todas as vezes que nos encontramos eu estava vestida como qualquer outra pessoa. – faço uma careta.
– Desculpe. – ele fala rapidamente. – Acho que me expressei errado. – espero que ele continue a falar pacientemente. – O que eu quis dizer é que em todos os momentos que nós nos encontramos, você estava vestindo roupas bem caras para serem usadas apenas no dia a dia. – a observação de me incomoda um pouco.
– As roupas que eu uso não deviam ser um tópico de discussão, afinal são minhas roupas e meu dinheiro. – dou um sorriso amarelo.
– Você tem razão. – passa a mão desesperadamente pelos cabelos. – Eu realmente me expressei mal. – ele me pede desculpas com os olhos e eu bufo.
– Acho que você fica nervoso toda vez que está perto de mim. – solto uma risada ao ver a cara chocada de .
– Depois eu que sou emocionado. – ele murmura. – Podemos ir? – me pergunta enquanto muda seu peso de uma perna para outra.
– Claro! – agarra minha mão rapidamente e me guia para o elevador.
– Você não precisa segurar minha mão como se eu fosse uma criança. – rapidamente puxo minha mão.
– É apenas o costume. – parecia envergonhado.
– Então é costume sair por ai pegando a mão de todo mundo? – faço uma careta.
– O que? Não! – ele parecia ainda mais chocado com a minha suposição. – Eu apenas tenho um senso de zelo. – rapidamente se explica.
– Ok. – dou de ombros e bato meu pé gentilmente enquanto não chegamos ao saguão. – O carro estará nos esperando? – pergunto de repente.
– Hoje nós iremos a pé. – é a segunda vez no dia que ele consegue me surpreender.
– Você é louco? – o questiono.
– Não! – continua me encarando. – Não vejo mal nenhum em nós dois sairmos a pé. – solto um suspiro.
... – começo a falar, porém ele ergue sua mão me impedindo.
– Eu vou ter um segurança nós seguindo, se as coisas ficarem difíceis ele vai interferir. – meu plano não era ser vista publicamente com ele, ainda mais com a minha audição se aproximando.
– Não quero ter problemas pro meu lado. – êxito em sair com ele por um momento.
Agora mais do que nunca existiam vários fatores que gritavam para eu não sair com ele.
– Por favor, você não vai se arrepender. – sorri docemente para mim. Eu realmente queria dizer que não, mas ao ver o sorriso meigo de eu me senti rendida.
– Se as coisas ficarem feias eu corro e deixo você para trás. – começo a andar rapidamente.
– Uma atitude um tanto quanto infantil. – ele parecia não ter gostado do que eu disse, mas estava rindo.
– Estou apenas sendo sincera. – sorrio para ele e paro para puxá-lo pela mão. – Vamos! – o chamo.
Apesar de ser completamente o meu oposto, eu realmente fiquei interessada em saber mais sobre ele. Um dos motivos que me levou a pesquisar sobre era viver esbarrando com ele pelos corredores do hotel.
Nesse meio tempo eu tinha aprendido que apesar de esconder uma parte da sua vida, essa que eu ainda não tive a oportunidade de ver, ele tentava ser a pessoa mais carinhosa e positiva para todos os seus fãs. Confesso que fiquei chocada com o engajamento que ele teve em países estrangeiros e como em tão pouco tempo se tornou o queridinho de todos.
Esse era um dos motivos que me deixaram aflita em sair com ele, pois apesar de eu fazer direitinho meu dever de casa, eu não queria mesmo que as pessoas pensam o contrario e me julgassem por isso, afinal se minha própria família pensou que eu pudesse usar ele para me tornar cantora, o que seriam as pessoas que não me conhecem? Porém confesso que eu amava ver o circo pegar fogo em alguns momentos e ter um tour por Londres acompanhada de parecia divertido no momento em que aceitei o convite.


***


caminha entusiasmado por mais ou menos quinze minutos. Verdade. Eu tinha feito questão de cronometrar no meu relógio.
Não é que caminhar não seja meu forte, porém não é algo que eu faça com muito entusiasmo. , por exemplo, é uma pessoa que ama caminhar e só ela sabe o quanto eu fugi dela por conta disso.
– Ainda falta muito para chegarmos onde você quer? – pergunto inquieta.
– Não muito. – para e analisa o local a sua volta.
– Espero que realmente valha muito a pena. – solto um suspiro cansado. – E você pode andar um pouco mais devagar? – pergunto. – Minhas pernas são pequenas em comparação com a sua. – era realmente enorme em comparação com o meu um metro e sessenta, ao seu lado eu parecia uma anã.
– Desculpe. – ele vem até mim e começa a rir. – Você realmente tem razão. – compara nossas alturas e eu quase dou um chute em sua canela, apenas pela audácia da sua brincadeira, porém me seguro.
– Engraçadinho. – recupero meu folego durante nossa pequena pausa.
– Podemos continuar? – me pergunta e eu apenas balanço minha cabeça.
Eu não tinha muito que falar na realidade.
parecia muito distraído para perceber o quão frustrada eu estava por ter que andar por mais tempo.
Juro que andamos por mais uns dez minutos após a nossa pequena pausa até chegarmos ao local que queria ir.
Eu podia sentir meus pés latejando por conta da longa caminhada que fizemos e estava prestes a começar a reclamar, porém ao ver a feição de criança feliz que estava fazendo, não fui capaz de falar absolutamente nada sobre isso.
– Chegamos! – ele abre seus braços e aponta para a uma feira livre ao nosso lado.
– Era aqui que você queria vir? – eu estava surpresa por querer ir a uma feira livre.
– Sim! – começa a girar de felicidade e eu praticamente me encolho de vergonha. – Eu aprecio esses pequenos momentos que a vida proporciona. – ele me encara por um tempo antes de sair praticamente correndo no meio das barracas.
– Desculpe por . – me sobressalto assim que escuto uma voz atrás de mim e ao me virar observo o segurança de ao meu lado.
– Vocês costumam pedir muitas desculpas. – digo rapidamente.
– Ele apenas não tem muitos momentos como esse. – ele joga a cabeça para frente para que eu olhasse .
– Como assim? – olho para o segurança.
trabalha demais e geralmente não tem muito tempo para aproveitar. – emito um som de entendimento.
– Então ele é sempre assim? – pergunto enquanto observo comprando algumas coisas em uma lojinha próxima.
– Sim. – ouço uma risada do segurança.
– Entendo. – mordo o canto da minha boca.
– Acho melhor você se juntar a ele. – o segurança me da um leve empurrão em direção a sem me dar a oportunidade de perguntar seu nome.
Aos poucos vou me aproximando de para que ele não se assuste, afinal apesar de estarmos andando por aí juntos, era capaz de ele achar que alguém o tinha reconhecido.
– Cad... Ei. – eu estava quase o chamando pelo nome quando lembro que ele era uma pessoa pública.
! – me entrega um bolinho. – Coma isso! – ele me pede. – É realmente bom! – faço uma careta para o bolinho que ele havia me entregue, pois eu não tinha nenhuma noção de como ele tinha sido preparado e eu era uma pessoa um pouco chata quando se tratava de comida.
– É o que? – pergunto meio indecisa se eu deveria ou não comer.
– Scones. – encaro novamente e aproximo o pãozinho próximo ao meu nariz para cheirar e logo dou uma mordida receosa.
Para minha surpresa o scone que havia me entregado realmente era muito bom.
– Uau! – dou mais uma mordida.
– Bom, não é mesmo? – ele me pergunta com um sorriso enorme nos lábios.
– Sim. – dou minha ultima mordida.
– Sei que você vive por comidas cinco estrelas, mas experimentar algo de pessoas que não tem tanto reconhecimento também é muito legal. – comenta antes de me puxar para outra barraquinha. – Quer alguma coisa? – ele me pergunta.
– Já que estou comendo fora do hotel vou querer um Yorkshire Pudding e um café. – peço assim que vejo o que era vendido na barraquinha.
– Um Yorkshire Pudding e um café saindo para você. – faz o pedido e logo me entrega. – Que tal nos sentarmos em um desses banquinhos? – ele aponta para os bancos próximos ao pequeno parque que tinha ali.
– Tudo bem! – dou de ombros.
Assim que a gente se senta eu começo a comer imediatamente.
– Então, ... – fala arrastadamente.
– O quê? – não me importo de falar de boca cheia.
– O que você faz da vida além de viver no hotel? – a pergunta de é tão repentina que eu quase me engasgo.
– Que tipo de pergunta é essa? – pergunto rindo.
– Apenas curiosidade. – ele dá de ombros. – Eu não conheço você muito bem, apesar de estar compartilhando esse momento único. – aponta ao redor.
– Tudo bem. – limpo minha boca. – Vou saciar seu desejo de saber sobre eu. – finjo pensar um pouco e semicerro meus olhos. – Além de viver no hotel eu vivo pela dança e pela música. – explico.
– Isso não é novidade. – me encara profundamente. – O que eu quero saber é o que você faz sem ser isso. – reviro meus olhos.
– Nada. – dou de ombros.
Eu realmente não fazia nada além de praticar dança e canto. Eu poderia acrescentar fazer compras e sair para beber com os amigos, porém eu não queria parecer fútil demais.
– E se isso não der certo? – joga a pergunta no ar.
– Ainda não pensei sobre isso. – mentira.
Eu vivia pensando sobre isso.
– Sério? – parecia não acreditar em mim.
– Não existe outra opção. – na realidade a conversa que tive com acende na minha mente. Existia sim outra opção, mas essa seria em último caso.
– Acho legal que você seja tão otimista. – ele faz um joinha para mim.
– Sou a única que posso realizar meus sonhos, se eu não for otimista quem será por mim? – pergunto.
– Você tem razão sobre isso. – ele concorda. – Não existe outra pessoa além de você mesma que pode realizar seus sonhos. – pisco meus olhos.
– Então você concorda comigo? – ergo minha sobrancelha.
– Nesse momento sim. – sorri. – Não tem como negar que você tem espírito para seguir de cabeça erguida. – solto uma risada.
– Não posso ser pessimista. – faço uma pequena reflexão. – Durante esse tempo todo não passei em vários testes. – resolvo desabafar. – E apesar de sempre ter sido triste por um tempo, acredito exista um motivo maior para eu não ter consigo antes. – dou um sorriso de canto. – Eu realmente acredito que boas coisas estão por vir. – sinto a leve brisa bater no meu rosto delicadamente.
– Você tem razão! – fala. – Por mais que você se sinta pra baixo por não ter conseguido antes, fazer do hoje uma oportunidade para conseguir no futuro é muito importante. – sua reflexão prende na minha mente.
– Queria que algumas pessoas ao meu redor entendessem isso. – lamento.
– Existem pessoas que não apoiam você? – ele me pergunta curioso.
– Meus pais. – solto um suspiro. – Por eles eu já estaria na faculdade. – olho para . – Isso sempre me pareceu um destino triste. – volto meu olhar para algumas crianças que estavam brincando no parque.
– E porque ir para a faculdade seria triste? – me pergunta. – Acho que se eu tivesse essa oportunidade, eu iria. – solto uma risada engasgada.
– Seria triste, pois não seria algo que eu gostaria fazer de coração e sim por obrigação. – explico. – E sobre a oportunidade de ir para a faculdade, você sempre pode ir. – o incentivo.
– Talvez seja algo que eu faça no futuro. – parecia pensativo.
– Seria uma imagem interessante de se ver. – imagino rapidamente na faculdade e várias fãs correndo atrás dele.
– Talvez. – apoia a mão no queixo. – Na realidade existe mais uma coisa que me deixa intrigado.
– E o que seria? – pergunto.
– Como é morar em um hotel? – começo a rir descontroladamente.
– Depende do ponto de vista. – começo a explicar. – Em alguns momentos é interessante, em outros, entediante. – as pessoas que eu conhecia sempre tinham curiosidade em saber como era morar dentro de um hotel.
Na realidade para mim era normal, afinal nos vivíamos na cobertura e eu apenas tinha contato com os hóspedes quando eu estava andando pelo hotel.
Quando eu era mais nova, eu costumava brincar que o hotel era apenas um condomínio e que as pessoas que viviam ali eram nômades que iam e vinham.
Desde pequena eu sempre tive uma mente muito imaginaria.
– Não consigo imaginar uma situação que faça o hotel ser entediante. – parecia pensar.
– Você fala isso porque nunca morou em um. – o empurro levemente.
– Agora me conte um pouco mais sobre você. – o olho.
– O que você quer saber? – me pergunta.
– Você gosta da vida que leva, ? – falo seu nome pausadamente.
– Depende. – ele solta um suspiro. – Podemos caminhar enquanto eu conto para você meu ponto de vista? – fica de pé.
– Claro. – concordo com ele, pois eu estava um pouco curiosa para saber sua história.
– A realidade de eu ter vindo para Londres é totalmente o oposto do que eu contei para você. – finco meus pés no chão e o encaro, chocada.
– O que você quer dizer com isso? – pergunto.
– Eu estava tão estressado com os ensaios e toda a preparação para o final da turnê que negligenciei minha própria saúde. – o encaro atentamente.
– Sinto muito. – mordo meus lábios, pois eu não era realmente boa com palavras. – O que aconteceu depois? – eu sabia que poderia estar o pressionando, porém como ele tinha começado a falar eu queria saber o final da história.
– Desmaiei logo após o show terminar, fui levado para o hospital. – ele começa a caminhar despretensiosamente.
– Por isso que veio para Londres? – pergunto.
– Os médicos me pediram para descansar. – me explica. – Então eu e meu agente entramos em um acordo de que eu precisava cuidar da minha saúde para poder ser o cara que os meus fãs precisam.
– Isso é triste. – digo pensativa.
Em nenhum momento deixou transparecer que ele estava mal por algum motivo, e muito menos deixou que seus fãs soubessem sobre isso.
– É a vida de um astro. – parece não se importar muito. – Se você for fraco, irá se perder nessa vida. – solto um suspiro.
– As pessoas costumam achar que tudo é lindo e maravilhoso. – reflito.
– Eles gostam de glamourizar uma vida que não existe. – arregalo meus olhos com sua verdade nua e crua.
– Então porque você dá corda para isso? – pergunto me lembrando da nossa conversa sobre transparência.
– Os fãs procuram em nós uma ancora para se apoiarem nos momentos difíceis. – se defende.
– Entendo perfeitamente, mas vocês acabam ficando sufocados e às vezes vocês não mostram quem realmente são por medo dos fãs não aprovarem vocês. – essa era a ideia que eu tinha quando um cantor não era transparente e criava uma persona para agradar seus fãs.
– É um assunto delicado. – continua me guiando enquanto caminhamos.
Eu sabia muito bem o que significava ser fã.
Caramba!
Até eu sou fã! E amo muito meus ídolos! Porém para mim a sinceridade deles era o ponto mais alto que eles poderiam dar aos fãs. A partir do momento que você omite quem você realmente é; você cria uma ilusão para todos.
– Em algum momento nós podemos voltar a falar sobre isso. – decido que o melhor seria finalizar o assunto ali mesmo para que ninguém ficasse chateado, afinal as pessoas tendem a ter opiniões diferentes. – Estou vendo uma cafeteria que eu costumava frequentar, podemos ir? – aponto para o local que eu havia mencionado.
– Você só pensa em comida? – muda completamente sua postura.
– Sim! – ele parecia mais relaxado no momento. – Comida resolve quase todos os nossos problemas. – eu praticamente puxando ele pelo braço até chegar aonde eu queria.
– Uau! – assim que entramos solta um assovio baixo, porém abafado pelo mascara que ele estava usando.
O local era incrível e nunca perdia sua beleza.
A cafeteria lembrava muito locais que eu frequentava enquanto estive em Nova York, porém de uma maneira mais aconchegante.
Por alguns minutos eu perco de vista, pois eu realmente precisava ir ao banheiro.
Assim que volto para a mesa eu encontro algumas garotas ao redor de . Aparentemente ele tinha decidido tirar sua mascara para "tomar" um ar e as pessoas o reconheceram.
Decidida a não chegar perto dele, eu vou diretamente para o outro lado da cafeteria, a fim de observar a situação de longe.
Brevemente faço contato visual com o segurança de e ele acena para mim como se tivesse controle total do que estava acontecendo. Com um leve gesto de cabeça o deixo saber que eu iria esperar por perto, mas sem me aproximar.
Decida ao menos comer alguma coisa enquanto eu estivesse por aqui, me aproximo do balcão para fazer meu pedido.
– Posso ajudar? – a atendente sorri para mim enquanto espera que eu faça o pedido.
– Ah! – coço minha cabeça. – Um mocca, por favor! – sorrio enquanto entrego meu cartão de crédito para ela. – Você o conhece? – pergunto teatralmente.
– Quem não conhece ? – ela me pergunta como se eu fosse algum tipo de aberração.
– Eu não conheço! – sorrio enquanto coloco minha senha na maquininha. – Mais pelo jeito ele é bem famoso. – digo pensativa. – Vocês não deveriam tomar alguma precaução? – indago.
– Isso não é comigo! – a atendente é curta e grossa.
– Ok! – faço uma careta e vou para mesa enquanto espero meu pedido ser preparado.
Aguardo cerca de dez minutos para que meu café ficasse pronto e nesse meio tempo mais e mais fãs começam a entrar no estabelecimento. O segurança que estava nos acompanhando estava próximo de e evitando qualquer ato improprio vindo dos fãs e pelo seu semblante eu podia ver que ele estava começando a ficar tenso.
– Olá. – uma garota se aproxima de mim timidamente. – Posso me sentar com você? Os outros lugares estão ocupados. – olho para a cadeira vazia na minha frente e para a garota me pedindo um favor.
– Claro! – abro um sorriso para ela. – Você é fã dele? – ergo minha cabeça para frente indicando .
– Na realidade não! – ela solta uma risadinha. – Só queria um café mesmo. – ela dá de ombros. – A proposito sou Autumn. – ela ergue sua mão para mim.
. – pego sua mão e a cumprimento. – Parece que vai demorar para o local esvaziar. – murmuro.
– Sim! – Autumn concorda comigo. – Esse é o preço de ser famoso. – a garota sorri e eu inconscientemente sorrio também.
– Ele deve estar sofrendo. – tento segurar uma gargalhada.
– Provavelmente. – ela toma um pouco de seu café.
– Acho que a festa irá acabar. – olho pela janela apenas a tempo de ver alguns seguranças aparecendo.
– Infelicidade para as fãs dele. – Autumn fala e eu concordo.
– Bom. – resmungo. – Pelo menos parece que ele vai ter sossego agora. – assim que os seguranças começam a entrar no estabelecimento, a intensidade dos fãs aumenta para que dê atenção para elas.
– Espero que não confundam a gente como fãs. – a garota parada na minha frente encara a situação com um pouco de receio.
– Acredito que não irão nos expulsar. – respondo.
Eu tinha decidido que apenas iria embora alguns minutos após ser retirado do local. Na realidade eu estava rezando para que ninguém tivesse visto nós dois caminhando até a cafeteria juntos.
– Tudo o que eu quero é poder terminar meu café antes de voltar a trabalhar. – Autumn beberica seu café lentamente.
– Devo dizer o mesmo. – sorrio. – Sabe! – eu chamo sua atenção. – Você não é estranha, será que nos conhecemos? – pergunto enquanto a encaro com mais precisão.
– Acho meio difícil. – ela sorri nervosamente.
– Por acaso você já esteve hospedada no Palace? – pergunto diretamente.
– Não! – a garota se apressa em dizer. – Acho que nunca nós vimos na vida. – a olho, desconfiada, porém Autumn realmente parecia não me conhecer.
– Talvez eu tenha confundido você. – solto um suspiro aliviada ao ver que já estava envolvido em uma redoma de seguranças e que já estava sendo levado para o carro.
– Isso acontece o tempo todo. – ela sorri para mim.
Eu espero aproximadamente dez minutos após a saída de para que eu saísse da cafeteria.
Eu não iria caminhar novamente para o hotel, isso estava fora de cogitação, por isso eu chamo um táxi.
Assim que estou em segurança eu mando uma mensagem para e pergunto como ele estava, afinal eu não tinha ideia do que tinha acontecido assim que seus seguranças chegaram.
Quando chego ao hotel houve certo incômodo para entrar, algumas fãs tinham se aglomerado na entrada novamente e apesar de termos seguranças tentando dispersar a multidão que se formavam, elas continuavam chamando por . Algumas me dirigiram olhares tortos, achando que eu estava furando seus lugares, e acredito que algumas iriam me xingar se não fosse pelos seguranças me chamando de chefe tenho certeza de que teria sido linchada.
Subo imediatamente para a cobertura, o dia tinha sido muito cansativo e tudo que eu podia imaginar era eu na minha banheira e um banho super demorado.
– Posso saber onde você estava? – porém minha alegria durou pouco, pois ao abrir a porta dou de cara com Sophie e Derek na sala, prontos para uma batalha.

Capítulo Oito

Ao observar a fisionomia tensa da minha irmã, eu sabia que ela não estava nada feliz, porém eu não tinha ideia do que poderia tê-la deixado irritada.
Tudo o que eu queria no momento era um banho quente e minha cama, mas meus planos tinham sido interrompidos pela minha irmã que aparentemente iria estender meu tempo na sala.
– E desde quando eu devo avisar para onde vou? – pergunto entediada.
... – ela fala meu nome lentamente. – Precisamos conversar. – bufo.
Eu não achava que realmente tínhamos algo para conversar, na realidade eu tinha uma ideia sobre o que ela falaria, e só de pensar nisso minha cabeça começa a doer.
– Não podemos deixar para outro dia? – tento manter minha calma.
– Não! – pela primeira vez Derek se pronuncia.
– E o que você tem haver com isso? – o encaro por alguns segundos.
– Pense nisso como uma intervenção. – ele fala calmamente para mim.
– Você não tem nenhum direito de fazer qualquer tipo de intervenção. – reviro meus olhos com a sua atitude.
! – o tom de voz de Sophie aumenta. – Você não deve falar com Derek desse jeito. – ela fala categoricamente.
– E de que jeito eu deveria falar com uma pessoa que não sabe nada sobre a minha vida e se mete achando que é meu pai? – pergunto.
– Nós apenas queremos ajudar você. – Derek se intromete.
– Ajudar com o que? – cruzo meus braços. – A fazer minha cabeça para ir pra faculdade? – solto uma risada. – Vocês são hipócritas? – os questiono.
– Não existe hipocrisia em querer ajudar uma pessoa perdida. – encaro Sophie, completamente chocada com suas palavras.
– Perdida? – pergunto confusa. – Por que eu estaria perdida? – Eu ainda não conseguia acreditar nas palavras que minha irmã tinha acabado de pronunciar.
– Sim! Perdida. – Derek se senta no sofá totalmente descontraído, quase como se tudo o que estivesse acontecendo ao seu redor fosse maravilhoso.
– Então me expliquem o motivo de eu estar tão "perdida" – Faço aspas e os encaro, esperando uma resposta.
– Primeiro que você vive pela dança, ninguém em sã consciência faria isso. – Minha irmã começa a enumerar os atos que ela achava errado. – Segundo, você vive por um sonho que não é capaz de realizar. – Cada palavra que sai da sua boca é um soco no estomago. – Terceiro, você tem sido uma vergonha diária para a nossa família desde seu último fracasso. – Olho para cima e conto até dez para não falar nenhuma besteira.
– Se correr atrás dos meus sonhos é errado para você, tudo o que posso fazer é sentir pena da sua mente pequena. – Tento manter uma postura firme enquanto falo. – Eu faço aquilo que eu acho certo ser feito, não importa quantas vezes eu cair no processo, pois tenho certeza de que tudo isso me faz ser uma pessoa forte todos os dias – explico. – Se você acha que eu estou perdida não posso fazer nada, pois essa é sua opinião e nada que eu diga irá fazer você mudar de ideia. – Respiro profundamente. – Mas vocês acharem que eu devo fazer algo do seu gosto não é certo e eu quero que vocês entendam isso de uma vez por todas! – Escuto Derek bufar e o encaro. – Qual é o seu problema? – pergunto.
– Meu problema é a sua falta de respeito com todos a sua volta. – o encaro abismada.
– Uau! – Começo a bater palmas. – Vocês são tão ridículos. – encaro os dois lentamente.
– Ridículos? Nós apenas pensamos no seu bem. – Sophie aponta o dedo para mim.
– Sim! Ridículos. – Balanço minha cabeça negativamente. – Você realmente acha que eu falto com o respeito? – Meu tom de voz se altera. – Seguir meus sonhos deve ser realmente um incômodo para vocês. – Reviro meus olhos.
– Acho que você não entendeu nada sobre o que eu falei. – Sophie parecia estar ficando cada vez mais sem paciência.
– Sophie... – resmungo. – Sabe o que eu realmente não entendo? – Não dou tempo para que ela responda. – Como uma pessoa de espírito livre como você pode mudar drasticamente. – Eu sabia que minhas palavras iriam causar certo desconforto na minha irmã.
– Eu apenas amadureci. – Automaticamente vejo minha irmã ficando na defensiva.
– Tudo bem! – Dou de ombros. – Assim como eu não me meto na sua vida, espero que você nunca mais se meta na minha.
Talvez minha irmã não fosse verdadeira consigo mesma, talvez ela sempre tivesse esse tipo de temperamento, mas não o usava para que eu ficasse ao seu lado em todas as brigas que eu presenciei. Não só com meus pais, mas com Madison também.
– Será que é tão difícil para você aceitar que tem que ir para a faculdade? – Derek se levanta irritado e para na minha frente.
– Mantenha a distância – Aviso. – Primeiro que vocês não são meus pais para obrigarem algo. Segundo, eu não acho que um diploma defina uma pessoa. – Mantenho meus olhos fixos no seu. – Terceiro, se você fizer novamente isso – aponto para onde ele estava – Eu irei tomar uma atitude que você não irá gostar. – Dou dois tapinhas em seu ombro e me afasto. – Espero que você mantenha seu marido longe de mim e que cuide de você mesma. – encaro Sophie. – Se ele não é capaz de controlar sua raiva quando algo não sai do jeito que ele quer, o que ele pode fazer com você, não é mesmo? – Eu não queria que a conversa chegasse nesse ponto, porém, tinha sido inevitável.
Lentamente eu me retiro da sala e vou para o meu quarto. Chegando lá, eu fecho minha porta automaticamente antes de finalmente desabar.
Desde que Sophie chegou a Londres eu não entendia a obsessão dela para que eu fosse para a faculdade, ou de eu ter que fazer as coisas que nossos pais mandassem.
Todas as conversas que tivemos até agora se tornaram discussões no final e eu estava ficando no meu limite próximo. Nem Madison, que costumava me atormentar por conta do meu desleixo, tentava mudar minha opinião. Ela apenas ficava lá, observando tudo o que acontecia a minha volta sem se meter.
Eu não era uma pessoa que demonstrava fraqueza na frente dos outros. Não. Não importa o que as pessoas falam, eu me mantenho firme nos meus pés fazendo com o que ninguém percebesse o quão ruim suas palavras poderiam soar.
Minha autodefesa e controle eram ótimo em momentos como esse. As pessoas costumam pensar que eu não me abalo fácil, mas elas estão enganadas, pois eu costumo guardar tudo dentro de mim.
Eu não tinha conseguido digerir tudo o que Sophie tinha me dito no café da manhã do dia anterior e suas palavras tinham sido suficientes para me atormentarem mais um pouco.
Eu não estava acostumada em ver minha irmã dessa maneira.


***


Todas as brigas me fizeram correr para fora do hotel e ir para os braços dos meus amigos.
Eu não queria que meu dia terminasse de maneira tão melancólica, afinal tinha sido muito legal sair nessa manhã com e eu não queria deixar a briga com a minha irmã estragar o meu humor. Por isso, decido me reunir com meus melhores amigos e manter um bom humor pelo resto do dia.
– O que se passa com você? – agita sua mão no meu rosto, para chamar minha atenção.
Antes de sair do hotel eu tinha mandado uma mensagem para perguntando se ele estava em casa e se havia algum problema de eu ir até lá e chamar .
Prontamente, me respondeu e pediu para que eu fosse pra lá.
– Pensando. – Dou um sorriso para ele. Eu ainda estava meio dispersa.
– Você tem feito muito disso ultimamente. – Sua voz soa um pouco preocupada. – Isso é sobre a audição? – me pergunta.
– Também. – Solto um suspiro. Eu não queria preocupar nesse momento. – Mas não quero falar sobre isso. – Sorrio.
– É por isso que você veio para minha casa? – pergunta, desconfiado. – Foi Sophie, não é mesmo? – sabia me ler perfeitamente.
– Sim. – Dou um sorriso triste.
– Não entendo porque ela está incomodando você. – Concordo com ele.
– Eu também não. – Dou de ombros. – Podemos não falar sobre isso hoje? – pergunto.
– Quando você se sentir pronta para falar, eu estarei aqui. – balanço minha cabeça positivamente e o abraço.
– Se eu não conhecesse vocês dois, diria que ambos estão flertando. – A porta da casa de se abre, revelando com diversas sacolas na mão.
– Assim você me mata do coração! – Rapidamente me afasto de e coloco a mão no meu peito.
– Se vocês queriam privacidade era só ter fechado a porta. – passa por mim, revirando os olhos, e vai ajudar com as sacolas.
– O que é isso tudo? – Meu melhor amigo pergunta, desconfiado.
– Quando me mandou mensagem mais cedo falando para vir até aqui eu sabia que alguém estava na fossa. – Reviro meus olhos.
Sim. Existem algumas pessoas que conseguem me ler muito bem, e duas delas estavam nessa sala.
– O que você trouxe? – Me levanto e corro para o seu lado.
– Sorvete, chocolate. – ela fala, conforme olho nas sacolas. – Tudo o que eu sei que não tem em casa. – implica.
– Eu sou uma pessoa saudável. – se defende.
– Até demais. – Reviro meus olhos, os dois amavam se provocar.
– Podemos comer isso agora? – Abro um sorriso enorme.
– Que tal assistindo um filme? – olha para mim empolgada.
– Vou arrumar a sala. – coloca as sacolas em cima do balcão e vai para sala.
Ele era uma pessoa muito organizada, então não era nenhuma surpresa ele querer organizar a sala para a nossa pequena festa de lamentação.
– Você vai me falar o que aconteceu ou estou sendo intrometida? – cochicha ao meu lado.
– Sobre o que você está falando? – Pergunto, um pouco confusa.
– Você me chamou até aqui, geralmente ficamos no hotel. – Reviro meus olhos.
– Sophie está em casa. – Eu não tinha falado com a semana toda, então eu não sabia se ela tinha noção de que minha irmã do meio estivesse em Londres.
– Sophie? – Ela parecia surpresa. – Você adora Sophie! – Minha amiga me encara, confusa.
– Eu amava a versão antiga de Sophie, não a nova. – Começo a me sentir chateada novamente.
– Como assim? – me pergunta.
– Que tal não falar sobre isso? – interrompe nossa conversa. – nos reuniu com um propósito, não vamos deixá-la chateada. – Sorrio para e faz uma careta.
– Deve ter sido algo grave. – Ela ignora as palavras de . – O que Sophie fez para você? – me pressiona.
... – a repreende.
– Tudo bem. – Dou um sorriso sem graça para eles. – Acho melhor falar sobre isso agora, não é mesmo? – Pressiono meus lábios um no outro.
– Tem certeza? – me olha com cuidado.
– Sim! – Sorrio para ele e me sento em uma cadeira. – Por onde você quer que eu comece? – pergunto para .
– Do começo! Resumidamente, por favor! – Concordo.
– Certo! De forma reduzida. – Penso nas palavras que eu poderia usar para resumir a história. – Sophie apareceu de repente em Londres e, incrivelmente, tem me perturbado para entrar na faculdade. – Explico. – Não só ela como Derek vieram com lição de moral, dizendo que eu envergonho a família com os meus fracassos em busca de me tornar cantora. – Não existia outra forma de explicar o que tinha acontecido.
Na realidade, até agora eu não tinha entendido a necessidade deles brigarem comigo.
– Sophie sempre apoiou você. – fala de repente. – Você tem certeza de que ela usou essas palavras? – ela pergunta.
– Sim! – falo.
– Não consigo acreditar que Sophie faria isso, mas tudo bem. – ainda parecia não acreditar. – As pessoas mudam, afinal. – Um silêncio se instala por um momento.
– Por que não mudamos de assunto? – bate levemente na minha perna. – Você poderia falar para nós o motivo de ter saído com e não ter avisado para ? Você a deixou sozinha. – Rapidamente, muda de assunto e foca no fato da minha amiga ter praticamente me abandonado na inauguração da boate de .
– Eu estava bêbada. – se explica. – E não é como se eu tivesse deixado sozinha, ela tinha você e . – Reviro meus olhos.
Eu amava minha amiga, mas existiam momentos como esse que ela virava uma pessoa um tanto quanto egoísta.
– Tudo bem! Não vou ficar cobrando algo de você. – Solto um suspiro. – Mas lembre que a primeira e única vez que fiz isso, você não falou comigo por um mês. – Eu não costumava brigar por isso, afinal, eu já tinha me acostumado com fazendo isso diversas vezes comigo. Porém, às vezes, eu ficava de saco cheio.
– Não seja tão exagerada! – Ela se levanta da cadeira, sorrindo. – O importante é que eu me acertei com . – Bufo.
– Vocês voltaram? – Faço uma careta.
– Quase isso! – realmente parecia empolga ao partilhar sua recente volta. – É meio complicado, já que em breve ele vai para Los Angeles. – Ergo minha sobrancelha.
– E então terminar com você quando chegar lá. – se levanta e começa a pegar as coisas de cima da mesa para organizar.
– Dessa vez é diferente! – Fecho meus olhos e me esforço para não falar nada.
– Se você acha. – Sorrio para ela, apesar de querer dar na porrada nela por estar sendo trouxa de novo.
– Ele não é tão ruim assim. – se explica por . – Talvez eu tenha exagerado um pouco quando reclamei dele. – Minha amiga pega minha mão. – Imagina o quão interessante seria eu, você, ele e saindo juntos. – solta um suspiro sonhador.
– Isso não vai acontecer. – Tiro minha mão da dela, delicadamente.
– Não diga isso! – revira os olhos. – Tenho certeza de que você vai ceder. – Bufo.
– Se eu ceder ou não, não quer dizer que vou sair por aí com ele. – Sorrio para e me levanto para ajudar .
– A não ser que você já esteja compromissada. – Ela solta de repente e eu paraliso rapidamente.
– O que você quer dizer com isso? – pergunto.
– Acho que vocês dois estão juntos, mas não falam nada porque não querem que eu fique com ciúmes. – Imediatamente eu olho para e começamos a rir juntos.
– Acredito que você tenha uma mente bem fértil. – se aproxima de e bagunça seu cabelo. – Você acha que se fosse para nós dois ficarmos juntos, isso não teria acontecido antes? – ele pergunta.
– Bom... Antes tinha Eileen. – Meus olhos encontram o chão rapidamente e sai da cozinha.
Nós não falávamos sobre Eileen desde o fatídico dia do acidente que tirou sua vida.
– Você não devia ter dito isso. – Suspiro.
– Foi sem querer. – sorri docemente para mim. – Já faz quatro anos, não entendo como vocês dois não superaram. – Prendo minha respiração com suas palavras.
– Não vamos falar sobre isso. – Passo a mão pelo meu cabelo. – Eu vou ver como ele está. – Aponto para o caminho que fez. – Espere aqui! – Dou um sorriso amarelo para ela.
Eu sabia que não tinha feito por mal, mas falar sobre Eileen era tocar em uma ferida não cicatrizada. Acredito que não importe o tempo que passe, o vazio que eu e sentimos apenas em ouvir o nome de Eileen nunca irá passar.
Eileen Wilson foi minha amiga desde que eu tinha dez anos e namorada de por quatro anos. Ela era a pessoa mais doce que eu conheci em toda a minha vida, para ela não existiam momentos ruins. Eileen costumava nos dizer que tudo fazia parte de um plano e que todos nós tínhamos um destino traçado.
Foi em uma noite chuvosa, depois de uma apresentação que nós fizemos, que tudo mudou.
Lembro que naquela noite tinha voltado para casa com sua mãe.
Eileen e eu fomos para casa com o pai dela, pois naquele dia eu dormiria por lá, afinal, meus pais tinham viajado para uma terceira lua de mel e eu não queria ficar sozinha em casa.
Nunca na minha vida eu imaginaria que aquela apresentação teria sido a última que eu faria com Eileen e que os sonhos da minha melhor amiga seriam interrompidos.
À exatas dez horas da noite, um carro colidiu de frente com o nosso, causando instantaneamente a morte da minha melhor amiga e de seu pai.
Eu fiquei aproximadamente dois meses em coma e, quando acordei, não me lembrava de nada sobre o acidente. Quando perguntei sobre Eileen e seu pai, recebi a triste noticia.
tinha ficado fora de si e comigo não foi muito diferente.
... – Eu bato delicadamente na porta, apenas para ele saber que eu estava entrando.
– Oi. – Sua voz soa fraca.
– Sinto muito. – Eu vivia para me desculpar pelos descuidos de . – Você sabe como é – sussurro. – Ás vezes ela se esquece de filtrar as palavras. – Ele ri suavemente.
– Eu sei disso. – me encara. – Eu realmente não queria ficar triste. – Solto um suspiro.
– É meio difícil. – Faço uma careta. – Eu sempre fico triste quando ouço o nome dela, apesar de saber que se Eileen estivesse viva ela estaria chutando minha bunda. – nós rimos.
– Se ela estivesse viva, nós não estaríamos triste. – Concordo com .
– Verdade. – O abraço. – Talvez nós devêssemos rever nossas atitudes para que onde ela esteja não se sinta triste também. – Confesso.
– Eu realmente a amei. – suspira na minha frente. – Às vezes eu acho que não vou ser capaz de ter aquele tipo de amor – ele desabafa.
– Você tem razão – digo lentamente. – Você não será capaz de amar daquele jeito, pois sempre amamos de maneira diferente – explico.
– Eu não sei! – desfaz o abraço.
– É normal você se sentir assim, ela foi seu primeiro amor. – Sorrio para ele. – Independente de quem você amar depois dela, ela sempre vai ser a primeira. – Suspiro. – Mas se você se abrir, você vai ter o segundo, terceiro e assim por diante, até achar uma pessoa que complete você. – Geralmente eu não era boa em conselhos, então esperava estar fazendo um bom trabalho no momento.
– Droga! – fala rapidamente. – Nós nos encontramos para fazer você ficar feliz e agora você está aqui me consolando. – Solto uma risada.
Eu realmente não me importava por estar consolando . Na realidade, eu me sentia aliviada por ele estar me falando mesmo que brevemente o que estava sentindo.
– Não se preocupe com isso. – Acaricio sua mão. – Você sabe que pode contar comigo para sempre. – Pisco meus olhos para ele.
– Assim como você pode contar comigo. – me encara.
– Promete? – pergunto e ergo meu dedo mindinho para ele.
– Sempre. – Ele sorri. – Só falta selar. – encosta seu dedo polegar no meu, delicadamente.
– Agora estamos presos um no outro. – Pisco lentamente.
– Sempre tivemos. – bagunça meu cabelo. – Agora vamos voltar pra sala, garanto que está subindo pelas paredes nesse momento.
– Verdade. – Me levanto de sua cama, rindo, e abro a porta apenas para pegar pulando.
– Desculpe! – Ela nos encara. – Eu realmente não queria ouvir atrás da porta. – solta uma risada.
– Você e sua curiosidade. – Ele passa por nós, ainda rindo. – Vamos! Vamos assistir alguma coisa e comer as coisas que trouxe. – nos chama para a sala, porém, me para no caminho.
– Está tudo bem, certo? – Ela me pergunta de repente.
– Sim. – Mexo minha cabeça. – Apenas não fale mais sobre ela. – Peço delicadamente.
Eu sabia que ela não tinha feito por mal, mas às vezes sua falta de filtro realmente magoava as pessoas à sua volta.
Ela sabia o quão traumático o acidente tinha sido, apesar de eu não me lembrar de nada depois da batida. Porém, eu sempre tive esse sentimento de horror todas as vezes que alguém mencionava aquela noite.
– Vocês estão esperando um convite formal? – grita da sala e eu puxo pela mão.
Apesar de ter deixado o assunto morrer, eu sabia que por dentro ele estava sofrendo, porém, a necessidade que ele tinha de me deixar feliz era posta por cima dos seus sentimentos e eu não gostava de como isso soava.


Continua...



Nota da autora: Nas últimas semanas eu me questionei muito sobre a história e sobre o rumo que ela estava tomando, meu maior medo era que algumas pessoas não entendessem a trajetória da personagem e o motivo de "tanta arrogância" da parte dela.
Tenho que confessar que demorei mais do que o normal para mandar as atualizações porque eu sou muito perfeccionista e quando eu reviso a história acabo encontrando algumas pontas soltas que tenho que resolver, e quando vejo eu tenho um capítulo inteiramente novo que tenho que enquadrar com a história toda. Enfim, é um processo longo, mas que me deixa feliz.
Espero que as pessoas que tenham chegado até aqui possam continuar acompanhando a trajetória dos personagens, e não se preocupem porque tem muita coisa para acontecer ainda.

Outras Fanfics:
5SOS – Lost Boy [5 Seconds Of Summer/Shortfic]
All That You Are Is All I’ll Ever Need [5 Seconds Of Summer/Shortfic]

Nota da scripter: Nem sei o que dizer sobre essa fic, apenas sinto que a Cornélia é muito indelicada e egoísta com seus amigos, o que me deixa muito irritada às vezes hahaha ansiosa pelos próximos capítulos e curiosa sobre o que pode acontecer ainda, Nath!

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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