Última atualização: 17/11/2018

"Dizem que, não importa qual seja a verdade, as pessoas veem o que querem ver." — Gossip Girl.

Capítulo 1

07:10 a.m.

Santa Cruz, Califórnia
se olhou no espelho pela última vez naquela manhã, usava uma saia amarela quadriculada e um blazer da mesma estampa, além de uma blusa branca e meia até o joelho da mesma cor e, nos pés, um tênis branco. Poderiam dizer que estava que a cópia fiel da Cher de As Patricinhas de Bevely Hill, mas, na realidade, era como ela verdadeiramente se sentia. Estava muito ansiosa para sua própria volta ao California College, depois de dois anos, e jurava que queria a coroa de rainha do colégio de volta, principalmente porque era seu último ano estudantil.

Desceu as escadas da casa com pressa, indo em direção à cozinha.
— Está atrasada, ! — Sr. disse sem abaixar o jornal que lia na mesa de jantar.
— Ah, pai! Foram só dois minutinhos. — A garota protestou procurando uma fruta na fruteira.
— Dez! — Corrigiu a filha. — Não se esqueça de que você vai ficar de babá para os filhos do depois da aula.
A garota parou o que estava fazendo e se aproximou da mesa.
— É necessário mesmo isso? — Fez bico e, dessa vez, seu pai abaixou o jornal, olhando-a por cima dos óculos de leitura.
— Só se você quiser uma carta de recomendação para a universidade.
— E ser filha do empresário mais respeitado da região não conta? — A garota se apoiou na mesa, ainda fazendo cena.
— Construa seu próprio império, ! — Ambos falaram juntos e a menina riu, depositando um beijo na bochecha do seu progenitor.
— Tô indo, pai. Bom trabalho!
— Vê se não apronta nada, hein?! — Foi a última coisa que ouviu antes de sair da casa.

— Bom dia, Josh! — cumprimentou o motorista, no qual havia aberto a porta do carro para ela.
— Bom dia, senhorita! Vejo que está feliz para a volta às aulas.
— Obrigada! — Agradeceu entrando no veículo.

Assim que cruzou a entrada do California College, era possível ouvir os cochichos por todo o pátio e, logo em seguida, todos os celulares tocaram anunciando a chegada de uma nova mensagem. A garota apertou a alça da bolsa entre os dedos, já sabendo o que esperar.

“Opa! Que surpresa maravilhosa nessa manhã, não é mesmo?! Queen está de volta à Califórnia, será que ela veio disposta a pegar sua coroa de volta? Será que a está disposta a perder a sua?
O que sei de certeza é que esse ano vai ser bem agitado, então, peguem a pipoca e escolham seu lado, uma guerra acabou de começar!

xoxo, P.L”


respirou fundo ao ler o post do Poison Lips, a pessoa que estava por trás daqueles lábios virtuais devia ser a mais mal amada possível.
Sentiu o olhar todos cair ainda mais sobre si, o que a fez fingir que não se importava com a postagem, erguendo a cabeça andando em direção a ala dos armários.

Ao chegar ao destino, colocou todos os livros que não usaria em primeiro momento e, ao fechar a porta do armário, tomou um susto ao visualizar um grupo de garotas ao seu lado. — Você não falou que iria voltar!
Era , também conhecida como ex-melhor amiga da , a nova abelha rainha, e seus zangões.
— Devo ter me esquecido de comentar. — Disse ironicamente.
— Não fique brava comigo por ter ocupado seu lugar, não tenho culpa se você me abandonou. — observou a garota jogar uma mecha de cabelo para trás, o que a fez quase revirar os olhos, a menina não tinha mudado nada.
— Na verdade, é que nem na história: se você deixa um vácuo de poder, alguém ocupa. — Respondeu, já direcionando seu olhar para um grupo de garotos que zoavam no início do corredor.
Reparando em e seus companheiros de time. Chegava a ser impressionante o como em dois anos quase era a mesma coisa, a não ser por uma peça nova no grupo dos meninos. julgava ser novato, pois não se lembrava dele.
. respondeu seus pensamentos. — Entrou no mesmo ano em que você saiu. E se quiser saber, não mexa com ele!
— Mas porq… — Foi interrompida pelo tocar do sino.
— Vou para sala, beijinhos. — depositou um beijo na bochecha da garota e saiu andando com suas colas trás.
decidiu ir para a sua também, ainda intrigada com a fala da abelha rainha.

As aulas ocorreram de forma mais normal possível, depois passará o intervalo com a diretora falando sobre o tempo em que ficou fora e sobre a faculdade, também se inscreveu para o time de vôlei, esporte que praticava nos anos em que esteve com sua mãe. As últimas aulas foram tão chatas quanto às primeiras.

Depois do anúncio do fim da aula, apressou-se para não encontrar as abelhas ambulantes, mas os insetos são mais rápidos.
— Poderíamos tomar um sorvete no Kendrik’s, sabe, colocar todas as fofocas na mesa. — disse já andando lado a lado com .
— Não tenho o que falar e, além disso, tenho compromisso! — A menina sorriu falsamente, andando mais rápido em direção do carro, que já a esperava.

“Cuidado, ! A Queen anda mais vingativa do que antes.

xoxo, PL.”
06:12 p.m.
Santa Cruz, Califórnia


chegou quase na hora marcada no seu compromisso, quem atendeu a porta foi o sr. com um belo sorriso no rosto, o rapaz apresentou a casa, Lis, sua companhia noturna de quatro anos, e Julius, sua outra companhia de dez anos.
— Obrigada por ajudar, meu filho mais velho quase não para em casa e com essa correria do trabalho estava sem saber o que fazer.
— Tudo bem, eu amo crianças, é um prazer!

O homem passou todas as instruções e logo saiu com sua mulher.

— E então, o que vocês querem fazer? — A menina perguntou olhando para duas criaturinhas a encaravam.

Depois de algumas horas, se encontrava sentada no chão da sala desenhando com a mais nova, enquanto observava o garoto jogando vídeo game.
— Onde você estuda? — Julius perguntou sem tirar os olhos da TV.
— California College. — Respondeu ainda desenhando uma casa de verão. Ela era terrível desenhando, uma garota de quatro anos estava detonando-a. — Por quê?
— Meu irmão estuda lá! — A menininha a sua frente respondeu sorrindo. — Você desenha muito ruim!
— Nem é tá tão feio assim… — As duas riram da situação. — Como é o nome do seu irmão?
.
parou de desenhar, respirando fundo. Era óbvio.
.
Como ela não tinha ligado os pontos? O garoto é a cara do pai.
Rezou para todos os deuses existentes, se falou para não mexer, é porque tem um motivo grande para isso, e colocaria o joelho no milho para que a fofoqueira venenosa não descobrisse sua localização atual, se não ela estaria ferrada!


Capítulo 2

estava sentada na mesa de jantar lendo quando chegou em casa, os mini já tinha adormecido.
— Não sabia que populares liam. — A mocinha sentiu seu coração acelerar com o susto que tomou. Desviou o olhar da página para observar o menino que estava encostado na parede.
— Talvez esteja confundindo as pessoas. — Voltou à atenção para o livro, ouvindo-o ri.
— Sabe, escutei falarem muito de você. — sentou na cadeira que se encontrava na frente dela, com o intuito de chamá-la a atenção, mas ao invés disso, a garota continuou vidrada no livro. — A heartbreaker¹.
Foi a vez de rir. — Fazia muito tempo que não ouvia alguém me chamar assim…
— Li muito a seu respeito no Poison Lips. — confessou, fazendo a moça rolou as órbitas. Odiava aquele blog.
— Correção, você leu muitas mentiras sobre mim. — Ela o corrigiu, ainda sem encará-lo.
— Não dá para negar, passo por isso também! — O garoto a observou baixar o livro e finalmente encará-lo.
— O que você quis dizer com isso? — o analisou cautelosamente. Braços cruzados em cima do peito, cabelos bagunçados e ele se mantinha fora de estereótipos. Jaqueta de couto o tornava bad boy, a blusa do Darth Vader denunciava o lado loser, o corpo malhado exaltava a parte atleta e o status o definia como popular. Lembrou-se do que disse mais cedo e voltou a ficar intrigada com o rapaz. Assistiu os ombros largos do subir e descer, acompanhado com a palavra “nada” que saiu dos seus lábios.
— Não vai demorar para ouvir falar de mim. — Continuou.
— Você não parece curtir muito isso, senhor mistério. — o garoto riu do apelido.
— Como se alguém gostasse de ser o centro das fofocas. — Jogou algumas verdades sobre a mesa. — A não ser que você seja .
— Touché. — Foi a última coisa que ela falou antes de descansar as costas na cadeira e voltar a ler.
— Já pode ir para casa, sabia? Já estou em casa mesmo.
— Quer se livrar de mim? — Arqueou uma das sobrancelhas, encarando-o, se divertindo da situação. Mas logo voltou sua atenção para o livro.
permaneceu em silêncio, estudando-a. parecia ser uma pessoa diferente do que os boatos diziam. Ficou intrigado, praticamente desenhou uma pessoa totalmente errada.
O ar da sala pareceu ficar rarefeito depois de alguns minutos, sentia sua caixa torácica pesada e a respiração falhar, suas mãos suavam de uma maneira que fazia o livro querer escapar da mesma. Estava ansiosa pelas próximas palavras dele, queria saber mais sobre ele. Mas isso ficaria para outro momento, já que o ouviu solta um “até amanhã” antes de sair do cômodo e subir as escadas.

chegou em casa por volta das nove da noite, pouco tempo depois que os s finalmente voltaram para casa. Estava agora observando seu pai, ele estava lendo milhões de papéis, ou deveria está já que na verdade estava quase cochilando.
— Como foi seu dia? — O ouviu perguntar, olhando-a por cima dos óculos.
— Nada demais! — A menina atravessou o escritório, indo parar atrás da cadeira do pai, massageando os ombros do mesmo. — E o seu?
— Cheio! — Assistiu-o abaixar as folhas e relaxar o corpo.
— Pai, — Chamou-o, mordendo a parte interna da bochecha, receosa com o que ia perguntar. — O que sabe sobre o filho mais velho dos s?
— Ele é um bom rapaz!
— Todos os garotos são bons para você… — Contestou, fazendo-o ri.
— Dessa vez é sério!
— Acredito. - disse rindo. — Estou indo dormir… Aconselho o senhor fazer o mesmo.
— Já subo. - O homem disse, pegando as folhas novamente.
— Sei… — Disse rindo, saindo do cômodo.

estava diferente naquela manhã, vestia uma calça branca detonada e uma regata preta do U2, além do All Star cano alto. Se vestida de várias maneiras enquanto morava com sua mãe. sentia-se livre, lá na Inglaterra ela não precisava usar roupas padronizadas para ser aceita socialmente. Fora que queria espalhar para toda a Califórnia que agora era uma pessoa diferente, evoluída.
A garota desceu as escadarias da casa correndo enquanto tentava enfiar alguns cadernos na bolsa, não daria para tomar café da manhã.
— 15 minutos! — Seu pai gritou quando viu um vulto passar correndo.
— Bom dia! — Foi tudo que conseguiu responder antes de passar pela porta principal.

Algumas horas depois…
A garota estava sentada em uma das mesas do lado de fora do prédio no intervalo se deliciando com um pedaço de torta de chocolate, a fome era tanta, que se fosse um bicho já teria engolido o estômago.
— O bolo não vai sair correndo. — sentou do lado da mocinha, que sorriu envergonhada. — Finalmente consegui falar com você!
— Ah, para! Nem sou tão ocupada assim!
— Gostei do novo guarda-roupa, parece mais autêntica. — O garoto elogiou.
— Obrigada! Londres fez bem para mim. — sorriu lembrando-se dos dois últimos anos. — E como está a Sra. ?
— Muito bem, na verdade. Perguntou muito sobre você!
— Sério? — a olhou surpreso.
— Aham, quase me deserdou quando soube que terminamos.
— Entendo, minha mãe encheu o saco também! — Riram.
— Pelo menos você começou a namorar com a . — cutucou o rapaz na barriga, rindo. — Achou mesmo que não sabia?
— Não, é só que… Não foi a mesma coisa… Quer dizer, você conhece o coração . — assentiu e ambos riram.

“Flagrados, e rindo e relembrando os velhos tempos. Será que ainda tem sentimentos por ali? Cadê a que não está presenciando essa cena?

xoxo, P.L”


Ao sair do prédio do colégio, avistou sentada debaixo de uma árvore, mexendo no celular. Pensou e repensou várias vezes antes de se aproximar da garota, sendo ao lado dela.
— Fica um pouco distante, não quero duas fofocas sobre mim em um mesmo dia. — Ótima recepção, pensou.
— Primeiro, só tem nós dois aqui de qualquer maneira e segundo, qual foi da paranoia?
— Desculpa! — A garota disse abaixando o celular e encostando a cabeça no tronco da árvore, olhando para os raios solares que escapavam pelas folhas. — Estou mal acostumada.
— Posso fazer uma pergunta? — esperou a menina assentiu para continuar. — Porque voltou?
— Meu pai… Desde sempre eu era muito apegada a ele e passar esse dois anos longe foi um desafio. Sem falar que é apenas nós dois, então praticamente o abandonei.
— Não sente falta da sua mãe? — estranhou a curiosidade, mas não ligou. Sentia falta de alguém para conversar.
— Ela ‘tá sempre fazendo alguma coisa, é difícil sentir falta de alguém que quase nunca esteve presente. E também nunca tive peso na consciência, já que ela hoje é casa e tem dois filhos, ‘tá bem acompanhada…
— Então, porque você foi para Londres? — O garoto estava visualmente confuso com a história. Mas ele recebeu uma careta da garota em resposta, como se tivesse cutucado uma ferida.
— Acho difícil não ter escutado as versões inusitadas pelos corredores. — sorriu, abaixando a cabeça e observando uma lágrima solitária pingar na calça.
O rapaz encarou a menina, sem saber o que falar. Deveria ter escutado? Mas os celulares vibrando quebrou o momento.

“Flagrada, com um dos jogadores de futebol debaixo das arquibancadas! [Anexo de uma foto da beijando o atleta]


xoxo, PL”


— Quem é esse? — A moça perguntou olhando para a tela do celular no rapaz.
— Acho que é o Peralta, não tenho certeza.
— Ela vai pirar total quando vê isso!
— É a , ela faz tudo para ser o centro das atenções.


Capítulo 3

passou quase uma hora olhando para o teto do quarto depois que chegou em casa, procurando o que fazer. Decidiu fazer algo que poderia se arrepender, mas não custava tentar. Pegou o celular e ligou para um número já conhecido por ela!
Não imaginava receber uma ligação sua. riu ao ouvir aquilo, nem a própria imaginava.
! Estou com fome… — Foi a vez do rapaz ri. Parecia um déjà vu, que tinham voltado para dois anos atrás.
Burger King?
— Em 10 minutos. — Ela respondeu e desligou em seguida, indo trocar de roupa. Vestiu um short jeans cintura alta com um cropped ombro a ombro amarelo e completou com um sobretudo rendado acompanhando de um all star branco.

Burger King

Quando Copper chegou no seu destino, sua companhia da tarde já estava lá, como sempre, pediram seus lanches e se sentaram na mesa já conhecida por eles.
— Qual foi a da ligação?
— Não sei, a Califórnia está um tédio! — A garota fez drama e o garoto riu.
— E a ? — perguntou com a sobrancelha arqueada, buscando mesmo pela fofoca.
— Achei que conseguiria superar tudo quando decidir voltar, mas olhar para ela fez eu perceber que não! E agora estou sozinha.
— Você tem a mim! — Ele a cutucou de lado, e ela riu. — E o . — olhou surpresa para . Como é? — Eu vi vocês dois conversando hoje…
— Sou só a babá dos irmãos deles.
— Você caiu dentro de uma teia bem grande!
— Porque? Primeira coisa que a me falou foi, basicamente, “fique longe dele”. O que ele tem de tão ruim?
— Foster não é o problema, é! Desde que ele entrou, virou o foco de todas as garotas do California College e, consequentemente, do Poison Lips. E todas aquelas que conseguem algo com ele, ver a vida virar um inferno.
— Que? Por que? Algum tipo de maldição? — A garota fez graça.
— Sim, A Maldição da . Desde que ela ocupou seu lugar, incorporou o próprio Lúcifer! Apaixonadíssima por e quando ele a rejeitou, resolveu infernizar a vida das pobres que ele fica. O coitado nunca namorou com nenhuma no colégio, ninguém aguenta as consequências…
parou para analisar a situação antes de se pronunciar. Que porra tinha acontecido nesses dois anos?
— Isso tudo por conta de um menino? Sério?
— Nem todo mundo passou dois anos em outro país para evoluir como você. — rebateu.
— Mas estamos em 2018!
— Tu acredita mesmo que se não tivesse ido embora, não teria a mesma mentalidade que a de antes? Qual é! Crescemos nesse meio. — A garota calou a boca, era uma reconstrução de pensamento difícil. Ela sabia, não tinha como saber como estaria sua vida se não tivesse “fugido” por dois anos. — Às vezes é preciso sair da realidade que vivemos para mudarmos a nossa perspectiva de vida.
— Tirou isso de alguma página do Facebook? — Riram.
— Eu sou um sábio, respeite-me! — brincou e eles riram mais ainda.
— Vou mandar ela para uma excursão londrina!
— Vai fazer um favor a todos nós! — O garoto brincou.
— Você é terrível, ! A garota só precisa de um toque de realidade.
— Sua missão, senhorita.
Eles riram e mudaram de assunto, nem tudo se resumia a colégio.

“Flagrados, e sentados na mesa favorita do tempo em que estavam juntos. Parece até flashback! Seria uma possível volta? Fiquem de olho!
xoxo, P.L”


— Odeio ainda mais essa merda do que quando participava dessa bagaceira toda! Ninguém tem o que fazer a não ser falar da vida dos outros? — disse irritada!
— Isso me fez lembrar, não deixa sair algo sobre você e o Foster no PL.
— Por que?
— Você vai provocar uma guerra civil.
Agora deu os ombros.
— Vai que a Marvel me contrata, já me imaginou na telonas do lado do Homem de Ferro e com Capitão América?
— Certas coisas nunca mudam… — Eles riram. Realmente, nem tudo muda 100 por cento.

estava parada na frente da casa dos Fosters há exatos sete minutos. Hoje não era dia de estar ali, mas depois da conversa que teve mais cedo, entender o porquê da aproximação do era importante, mas decidiu sair dali, indo até sua casa.

Atravessou a sala de estar morta de cansaço, foi até a cozinha procurar algo para comer. Entrando no cômodo encontrou seu pai cantarolando enquanto fazia omeletes.
— Boa noite, filha! — Ele disse sem tirar os olhos do fogão. — Porque veio andando?
— Estava com saudades daqui, e já está chegando o friozinho. — Disse se aproximando do cozinheiro, curioso sobre o que mais velho estava fazendo. — Você está doente? — Questionou com a mão na testa do progenitor, fazendo graça.
— Não reclama, é um momento raro! — Sr. Copper colocou a comida em dois pratos e serviu a mesa, queria ter um momento com sua filha. — Me diz, como que você estava?
— Com o , fomos no BK! — A garota escutou um “hm” seco do pai e continuou a comer. Ele não fora muito com a cara do ex no início, mas depois de um tempo foi melhorando.
— Sem namorada, papi?
— Tenho tempo nem para minha filha, quem diria para mulheres! — Aquilo era verdade, achava deprimente.
— Não se sente incompleto? — Perguntou estudando a linguagem corporal do homem à sua frente. Queria mesmo era perguntar “Não sente vontade de transar?”, mas acho que iria fazer o rapaz engasgar.
— Tenho uma filha que cuida de mim, já tenho o que preciso! — A garota sorriu abertamente. — Mas vamos trocar de assunto, queria te desejar parabéns!
— Pelo o que? —Perguntou confusa.
— Conversei com a Sra. Ogden quando disse que voltaria para a Califórnia. — Agora se perguntava porque diacho seu pai falou com a diretora do colégio. — Ela ligou-me para avisar que meu pedido foi concedido!
— E qual seria? — A garota estava quase colocando o coração acelerado para fora, ansiosa.
— Você vai organizar o baile de outono desse ano! — O mais velho ouviu um grito fino e logo foi abraçado pela filha que distribuiu vários beijos na bochecha do pai.
— Obrigada! Obrigada! — Repetia sem parar.
— Eu sei que isso é importante para você, que queria seguir esse passo da sua mãe! Sei que é capaz de fazer isso.
— Eu te amo, pai!
— Eu também te amo, bonequinha!
Depois da cena, eles voltaram a comer.

não podia estar mais feliz! O baile de outono foi no qual seus pais começaram a namorar, e tinha sido sua própria mãe quem tinha organizado. Era quase como um negócio que a família tinha inventado. Sabia que a popularidade a ajudaria a conseguir isso, pelo menos a que tinha antes de mudar de cidade, mas sabia que usar desse meio para conseguir o que queria era péssimo. Apesar que seu pai ainda sim influenciou na escolha da diretora…
Só existe um problema, . sabia que a ex melhor amiga também queria aquele posto, evoluiria a popularidade da mesma.
E ali estava, um pequeno estopim do início da guerra civil entre x .


Capítulo 4

sentiu um lado da cama afundar, acordando-a. Abriu os olhos com dificuldade por conta da luz e conseguiu visualizar a silhueta de um homem sentado de costas, lendo o jornal. Recusou-se desviar o olhar para o relógio digital que ficava do lado da sua cama, sabia que estava atrasada.
— Espero que você tenha um bom motivo para ter faltado a aula hoje. — O mais velho soltou depois de perceber a movimentação da menina.
— Dormir tarde assistindo Dinastia?! — Falou com medo da reação o pai, mas ele só suspirou, virando-se para ela. Não quis mentir, o drama da família Carrington era muito mais importante do que biologia.
— Vou deixar hoje passar, mas amanhã quero tomar café da manhã com você na mesa e, de preferência, antes das sete.
resmungou sentando-se na cama, abraçou seu pai após perceber que ele tinha levado o breakfast na cama.
— Te amo, papi!
— Sei que é pela comida. — Riu quando a filha se afastou. — Você tem trabalho hoje à tarde, a senhora ligou!
— Pelo menos vou olhar para crianças, não para desenhos de organelas.

House’s


, deixa eu maquiar você? — Lis perguntou com a norma padrão errada, enquanto puxava a barra do short da mesma.
— Deixo sim, meu amor. Espera só a tia terminar de fazer a pipoca pro seu irmão, ok?
terminou seu momento chef, colocando a pipoca dentro de um potinho do Homem-Aranha, depois entregando o recipiente para o menino que vestia uma fantasia do mesmo personagem, enquanto assistia De Volta ao Lar. Quer fã maior que esse? A moça só achava graça.
Quando olhou em direção a menor, queria apertar as bochechas dela, estava tão fofa emburrada.
— Já pegou seu kit, maquiadora? — Chamou atenção da menininha que logo se animou e correu para o cômodo em que ficavam os brinquedos, saindo de lá com vários potinhos. — Já vou avisando que sou uma cliente exigente! — Disse se ajoelhando no tapete da sala.
Lis riu da babá e começou a fazer seu trabalho.
Depois de alguns minutos, a porta principal foi aberta e abriu o canto do olho para poder curar, observando entrar suado do treino.
— Fecha os olhos! — menor reclamou e a babá logo a atendeu.
— O que está acontecendo nessa casa? — O mais velho observava a cena achando fofa e engraçada ao mesmo tempo. Tirou o celular do bolso e tirou uma foto, mas esqueceu de desligar o flash.
— Apaga, agora! — falou apontando onde ele deveria estar.
— Não.
— Terminei! — Lis gritou alegre com sua obra de arte, pegando um espelho para mostrar a “cliente”.
Para garota de cinco anos, estava bem feita e bem simples. Só o batom que estava terrivelmente borrado.
— Ficou muito bom, fiquei até com inveja. — recebeu um abraço da menina radiante.
Mas o sorriso dela não durou muito tempo.
— Tá horrível.
! — pegou uma almofada que estava no tapete e lançou em direção do rapaz, que agarrou. — Você precisa aprender o significado de sensibilidade.
— Você é que tá elogiando esse negócio na sua cara.
— Por isso que sou a babá e você é só irmão mais velho. — A garota observou a menininha se emburrar e encher os olhos de lágrimas. Sentiu seu coração partir. Puxou-a para seu colo, aconchegando-a. — Lis, meu amor, promete para mim que você nunca vai se importar com as críticas? Você é uma menina linda e maquia muito bem, não deixa ninguém te dizer o contrário, ok?
A menina concordou com a cabeça, enxugando as lágrimas com as mãozinhas pequenas.
— E você pode me maquiar sempre que você quiser, tá?
— Eba! — A menor passou os braços ao redor do pescoço da garota, abraçando-a. — Você a melhor babá do mundo!
ficou sem palavras para aquele momento, mas retribuiu o abraço. Era a segunda vez que estava cuidando daquelas crianças e já estava apegada, principalmente a mais nova que a seguia para todo lugar. O fato que a menina era a única entre os dois meninos, e pediu por uma atenção mais feminina, já que eles estavam ocupados demais para brincar de boneca com ela.
— Agora vai guardar tudo! — A babá esperou a menor sair, e procurou o mais velho pela sala, que já estava sentado com o Julius. — Você é um babaca!
— Desculpa, sempre brinco assim, não achei que dessa vez ela ia ficar triste.
— Não é pra mim que você deve pedir desculpas. — observou a garota levar as mãos nas cintura e encará-lo. Acho que ela ficava uma gracinha dessa maneira. — E já apagou a foto?
— Está na minha tela de bloqueio. — mostrou o celular e recebeu outra almofada.
— Você tem problemas!

[...]


podia jurar que estava vendo uma das cenas engraçadas da vida dela: estava sendo maquiado por sua irmã mais nova.
Essa foi a única forma de ele encontrou para se redimir com Lis.
Dando vez a babá para registrar o momento, mas certificou-se que o flash estava ligado de propósito, só para provocar.
— Ei! — Ouviu-o protestar.
— Está na minha tela de bloqueio.

No outro dia.


Naquela manhã tinha acordado bem mais cedo do que de costume, tomou o café da manhã com o seu pai como foi acordado na manhã anterior. Hoje optará por saia e blazer quadriculados preto e branco, com uma blusa regata por dentro. Nos pés, vestiu uma bota preta até o joelho, que nem as da Ariana Grande.
Senhor fez questão de deixá-la no colégio.
Agora ela estava a caminho da sala da diretora.
— Sra. Makiley, queria falar comigo? — Disse assim que colocou a cabeça para dentro do cômodo.
— Sim, entre!
sentou-se na cadeira em frente à mesa da mulher e só aí percebeu que tinha mais uma pessoa no ambiente sentada na cadeira do lado. A garota usava óculos e tinha o cabelo preso, parecia aquelas nerds de filme clichê. Mas entendia de moda, pois vestia um macacão cinza com uma blusa amarela de manga longa por baixo, usava tênis com meião até o joelho. Ela era ruiva.
— Essa é a Briana Lowies, é a responsável pela parte de artes do colégio. Como você está organizando o baile de outono, achei interessante apresentá-las. Qualquer coisa que precisar da área, pode pedir a ela!
As garotas se cumprimentaram. não se lembrava dela, talvez fosse novata.
Depois de receber algumas informações sobre quando e onde seria o baile, a diretora liberou ambas.
! — A mulher chamou a atenção antes que a menina saísse da sala. — Fiquei sabendo que você está sendo babá para conseguir uma carta de recomendação. Fico feliz em saber disso.
— Como… — A garota lembrou que a diretora e seu progenitor andavam conversando por ligações, o que a fez sorrir. — Obrigada, foi ideia do meu pai!
Ao sair da sala, deu de cara com Briana a esperando no meio do corredor.
— Você já tem alguma ideia para o baile?
— Não, mas tenho álgebra agora… A gente pode conversar no almoço? — Perguntou da forma mais simpática que conseguiu.
— Tudo bem.

[...]


estava sentada em uma das mesas ao ar livre com Lowies ao seu lado. Ela escrevia algumas coisas enquanto se deliciava com o pedaço de bolo, e sua companhia apenas comia um sanduíche e escutava as ideias, tentando incorporá-las.
— Como é outono, acho tem que predominar o laranja e o amarelo, e pensei em colocar aquelas lâmpadas de filamento de carbono na entrada sabe, as amarelas? Fazer tipo um corredor delas…
— Oi! — foi interrompida por uma voz conhecida, que sentou ao lado dela. A moça observou Briana desviar o olhar para a comida e estranhou a situação.
— Virou meu stalker, ? — Perguntou virando para ele. Por algum motivo naquele dia o rapaz estava diferente, o sorriso estava mais radiante e o cabelo meio bagunçado, deixando um pouquinho mais bonito.
— Só queria te agradecer por ontem, sabe, com minha irmã… — falou sem jeito e a mocinha achou graça.
— Não vacila muito com Lis, ela é a única menina da casa e sua mãe quase não está lá. Ela se sente sozinha às vezes.
— Agora ela tem você! — Ele sorriu mais ainda, fazendo a garota sorrir também.
— Eu sou só a babá, você que é o irmão mais velho.
O rapaz deu os ombros.
— Você quem manda. Mas eu tenho que ir, até mais tarde!
Quando o garoto saiu da mesa, voltou a atenção para a menina sem graça do seu lado, que encarava a comida de uma maneira estranha.
— O que foi isso?
— Nada. — Lowies respondeu ainda sem olhá-la.
Não bastou muito tempo para a lenha queimar dentro da cabeça de e ela entendesse o que estava acontecendo.
— Ai. Meu. Deus! Você gosta dele! — Disse animada.
— Fala baixo! — Briana repreendeu a outra. — Só acho ele bonito…
— Que bonitinho, você gosta dele. — Apoiou o cotovelo na mesa e encarou a menina sorrindo, feliz com a descoberta. A ruiva estava tão vermelha que quase não dava pra identificar onde era cabelo e onde era pele.
Ficaram em silêncio por um tempo.
— Já sei! — gritou assustando a outra.
— Qual a ideia?
— A melhor de todas! — A menina estava superanimada. — Vou juntar vocês dois, serei sua cupido!




Continua...



Nota da autora: Demorei um pouco para atualizar dessa vez. Peço desculpas, mas culpo o Enem haha.
Fico feliz em ver que vocês estão gostando da fic, cada comentário me incentiva cada vez mais ❤️ PL é a primeira long que tomei coragem para postar e esse reconhecimento me ajuda a não abandoná-la.
Mas enfim, o que acharam desse capítulo?
Link do grupo do facebook para mais informações abaixo.
Xero, amo vocês ❤️





Nota da beta: Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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