Por Todas as Estrelas do Céu

Última atualização: 13/06/2020

Epígrafe

E depois daquele dia, eu diria que pela primeira vez, eu sabia o que era o amor. Eu o amava. Eu senti isso desde o primeiro momento em que ele pegou o nosso filho no colo.
Descobri meus sentimentos, talvez... um pouco tarde demais. Mas nunca irei me esquecer de suas palavras.
"Olhe para o céu, você consegue contar as estrelas? É impossível, não? Com isso, eu apenas quero dizer que eu te amo, , por todas as estrelas do céu."
Em choque, foi assim que eu fiquei diante de sua declaração.
Mas agora, sempre que eu olhar para o céu estrelado, irei me lembrar do seu amor por mim.

Capítulo 1



Eu entrei pela porta do colégio, e respirei profundamente. Em minha mente era apenas mais um dia naquele inferno. Mais um maldito dia.
Dei meu primeiro passo e no mesmo instante, me senti incomodada pelos olhares das pessoas, principalmente dos garotos, que me encararam com um olhar malicioso. Ignorei todos eles e continuei focada em caminhar, olhando apenas para o chão.
Eu odiava toda aquela atenção desnecessária em cima de mim. Odiava aquelas pessoas que me encaravam sem pudor nenhum. Ou como se eu tivesse alguma doença, ou fosse uma aberração. Minhas duas amigas acenaram em minha direção, me aproximei.
- Bom dia, . - Ela abriu um sorriso radiante.
Olympia Burns. Minha melhor amiga, e uma das únicas pessoas que posso confiar.
- Bom dia - murmurei baixo.
Hoje não era um dos melhores dias. Minha vontade se resumia a zero para qualquer coisa. Minha vida já estava se tornando um inferno, e aos poucos, me queimava, me consumia, me matava por dentro.

Lentamente.

- Opa, o que aconteceu? -perguntou Amber, com o seu olhar curioso.
Eu apenas olhei em sua direção, em um pedido mudo para ela se calar. E ela se escolheu no seu lugar e concordou em silêncio, apenas movendo lentamente a cabeça.
Eu não queria falar com ninguém.
Eu não queria falar sobre minha vida com ninguém.
- Ok... ok - murmurou. - Então, estão animadas para o acampamento no final de semana? - perguntou, em um tom falso de animação.
Revirei meus olhos, totalmente impaciente, e sentei-me ao lado de Olympia.
Minha melhor amiga por outro lado, ficou animada imediatamente.
- Estou super ansiosa! Aliás, vocês sabem que os Halteres apareceram por lá.
Continuei calada no meu canto, mas com os pensamentos à mil. Infelizmente, na droga da minha família, principalmente em minha querida mamãe.
- Halteres não perdem uma!
As duas continuaram conversando animadamente sobre o acampamento do fim de semana. Mas minha atenção se tornou outra.
No trio inseparável. Os Halteres.
Eles entraram no colégio com suas típicas expressões de donos do mundo no rosto.
Enquanto eu, controlei minha vontade de rolar os olhos diante daquela cena. Patéticos.
Os três garotos arrancava suspiros apaixonados de qualquer garota por onde passa. Praticamente todas as garotas do colégio queriam estar debaixo dos lençóis de Gregory Woods.
O garoto esbanjava sensualidade e um ar debochado, e imediatamente o fogo das garotas se ascendiam.
O que era ridículo. Idolatravam o garoto como se ele fosse um Deus. Não nego, Gregory é um cara atraente, mas era completamente desnecessário toda aquela atenção especial ao garoto.
Os outros dois garotos do grupo eram sua sombra, e um pouco invisível aos olhos das garotas que lambiam o chão em que Gregory passava. Eles eram bonitos e atraentes, mas não tinham o charme de Gregory Woods.
Greg era único.
Charme que na minha opinião, significava macho escroto.
Connor Thompson, um babaca igualmente à Gregory. Os dois andavam na mesma linha em questão de personalidade, eram exatamente iguais. Não era atoa que a maioria das garotas que Connor pegou, tentaram e falharam miseravelmente em ficar com Gregory.
Outro babaca do trio, Turner. Aquele garoto era o mais irritante de todos, além de ser uma pessoa egoísta e fria.
Bem... Eu não o conhecia, entretando, era o que as pessoas do colégio diziam sobre ele.
Todos os dias, havia uma nova história sobre garotas que tiveram o coração partido por Turner. Ou melhor, . O garoto nunca fora chamado por Turner.
Eu não tinha pena, aquelas garotas eram umas tolas por entregarem o seu coração à um homem. Principalmente à Turner.
era como um cachorrinho de Gregory, sempre obedecendo suas ordens estúpidas. O que tornava tudo mais ridículo ainda. Aqueles garotos precisavam de uma lição, isso sim.
Especificamente Greg Woods.
Todos eram ridículos, babacas.
Minhas amigas por outro lado, estavam suspirando enquanto olhavam para os garotos.
- Ah meu Deus, eles estão... - murmurou Amber, chocada.
- Vindo, ah meu Deus! Eles estão vindo aqui - completou Olympia, animadamente, fazendo gestos com as mãos.
Eu apenas me controlei para não revirar os olhos - novamente.
Gregory me encarava profundamente, como se estivesse lendo minha alma. Desviei de seu olhar, era um pouco invasor e intimidador demais.
- Aja naturalmente, Amber... - sussurrou Amber, para si mesma e arrumou seus cabelos loiros.
- Como eu queria beijar aquele garoto, por Deus... - murmurou Olympia, completamente encantada.
Eu não tive tempo para reagir, pois no mesmo instante três garotos pararam na minha frente com sorrisos de lado no rosto.
Tirei forças do meu interior para não achar ridículo, pelo fato de estarem vestidos com calças pretas, largas. Todos iguais.
- Olá, meninas - comprimentou Gregory, com as mãos no bolso da calça preta.
As duas ao meu lado suspiraram. E eu permaneci calada.
- Oi, - Greg falou diretamente para mim.
- Olá, Gregory - respondi, com um sorriso provocativo no rosto.
Se Greg era sedutor e atraente, eu era mil vezes mais.
O rosto de Greg se contorceu.
- Apenas Greg, por favor...
- O que querem aqui? - perguntei direta.
Os garotos se entreolharam, com um sorrisinho no rosto.
- Bom... eu quero algo.
- Diga - falei, impaciente.
- O que acha de aparecer na casa de , para um festa amanhã à noite?
- Quem faz festa em uma quarta feira? - questionei.
No mesmo instante, os três abriram um sorriso.
- Eu - respondeu , com sua voz rouca e profunda.
Olhei rapidamente para o garoto. Sua voz causou algo no fundo da minha mente. Então, nossos olhares se encontraram e abriu um sorriso nos lábios.
Que merda era essa?
Provavelmente a doença Trio Halteres das garotas do colégio era contagiosa. Desde quando eu sinto algo por algum daqueles garotos?
- Então, aparece lá... Suas amigas também estão convidadas. - Greg voltou a olhar para as duas ao meu lado.
Elas se entreolharam chocadas.
- Mas, cla- claro - exclamou Amber.
- Ótimo, e você, ? - Greg voltou com sua atenção para mim.
Merda, não queria conversar com ele. O que os Halteres ainda fazem aqui?
- Tanto faz - respondi, dando de ombros.
- Essa sua indiferença só te deixa mais interessante, senhorita Hicks. - murmurou, Connor.
- Muito interessante - completou Greg com um sorriso malicioso nos lábios.
- Estaremos te aguardando em minha casa, lindinha - falou , completando sua fala com uma piscadinha sedutora.
- Preciso ir agora, mas nos vemos mais tarde, linda. - Greg piscou e enfim, deu as costas indo embora junto com seus dois cachorros ao lado.
- Tão... - murmurei.
- Gostosos - completou Amber.
- Idiotas, era isso que eu iria dizer. - respondi, e olhei para a garota em meu lado.
Amber revirou os olhos.
- Enquanto você finge que não acha eles gostosos, eu também finjo que acredito nisso.
- Quem disse que eu finjo? Eu apenas não sou desesperada por uma noite de sexo com eles, ao contrário de vocês, ou qualquer garota desse colégio.
- Então, assume que acha eles atraentes? - perguntou, com um sorrisinho de canto.
- Nunca neguei nada.
Amber me encarou com uma expressão maliciosa no rosto.
- Quem sabe hoje você não para na cama do gostoso do Connor.
- Nem morta. Ele é ridículo.
- Ele é gostoso - afirmou Olympia.
- Connor é o ridículo mesmo, mas se for comparar, Greg é mais. E mesmo assim, não deixo de pensar em como deve ser... -
Olympia, comentou.
- Aquele garoto é uma delícia! - exclamou Amber, se intrometendo.
Olympia gargalhou, e respondeu:
- Mas prefiro , ele tem cara de bebê.
- Tem mesmo, mas também é um badboy. Ele não tem compaixão com ninguém. Ele ama a si mesmo, e nada mais - disse, Amber.
- Mas esse é o charme, ser um badboy!
Levantei-me do banco rapidamente.
- Você vai para a festa, ? - perguntou, Olympia.
Apenas dei de ombros.
- Vamos, ! Quanto tempo que você não aproveita a noite como os velhos tempos hein? - incentivou, Amber.
- Verdade. Você não beija ninguém há 1 semana, e isso é um recorde para a Hicks.
- Nunca mais diga meu nome completo - murmurei, com raiva.
- Mas, vou pensar se vou ou não.
As garotas concordaram. E com um tchau nada animado, caminhei para a minha sala de aula.

✩✩✩✩✩

A aula acabou e soltei o ar que nem percebi que prendia, completamente aliviada.
Saí da sala de aula, e caminhei até o meu armário, peguei a chave no bolso da minha calça jeans e abri. Guardei meus livros ali dentro e tranquei o armário.
- Oi, linda.
Pulei de susto com a mão no coração, e olhei furiosa para o garoto ao meu lado.
- Gregory...
- Greg, linda. Mas se quiser pode me chamar de meu amor - disse, com seu sorriso malicioso que pra mim, tornou-se irritante no seu belo rosto.
Virei-me com as mãos na cintura, as sobrancelhas arqueadas.
- O que quer?
- Conversar, minha linda.
Olhei no fundo de seus olhos e dei um passo a frente, aproximando-me de seu corpo.
Ele gostou da minha atitude e deu um passo à frente também, colando seu corpo com o meu, em seguida suas mãos desceram pela minha cintura.
- Grego... - murmurei, entre os dentes.
Ele me interrompeu:
- Linda, escute. Vamos hoje em uma festa, huh? Quero tanto ficar com você, . Você...
Afastei-me de seu corpo.
- E se eu não quiser ficar com você, Gregory? - desafiei, com uma sobrancelha arqueada. - E você sabe que odeio quando me chamam de .
Ele soltou um riso, e retornou a se aproximar.
- Linda, eu vejo nos seus olhos o desejo e...
- Desejo?
Seus dedos frios tocaram minha bochecha. Ele me encarou profundamente.
- Você me deseja, como eu te desejo, linda. Nosso desejo de sentir aquela sensação maravilhosa dos nossos corpos se fundindo juntos, é mútuo. Não negue.
Seus olhos me encaravam, e eu não queria pensar nisso.

Mas merda... é tão hipnotizante. Tão intenso, tão profundo.

- Greg.
- Olha, temos uma evolução. Linda, você nunca pensou em como nossos corpos podem se encaixar perfeitamente? - sussurrou no meu ouvido, sensualmente e baixo.
Não queria ter feito isso, mas mordi meu lábios inferior, controlando as sensações de meu corpo.
- Nunca pensou em uma noite... selvagem e intensa comigo? - Sua voz baixa e rouca me arrepiou imediatamente.
Suas mãos grandes apertaram fortemente minha cintura, e em seguida, desceram para as laterais do meu corpo, parando em minha bunda.
- Tão gostosa. Não posso mais esconder minhas intenções, eu não aguento. Eu quero você, .
Tentei não focar na sua voz sensual no meu ouvido. Mas era praticamente impossível. Então, respirei fundo.
- Você tem noção de quantos garotos me disseram a mesma coisa essa semana?
Ele riu contra a pele do meu pescoço, e afastou meu cabelo para o lado, e então, beijou devagar minha pele. Meus olhos fecharam por reflexo, e eu me amaldiçoei por isso.
Merda de garoto. Como era possível eu odiar e agora desejar ao mesmo tempo uma pessoa?
- Eu não ligo, . Você é uma mulher livre e solteira, tem o direito de transar com quantos caras quiser.
- Tem certeza? Você não liga para as fofocas?
- Você se importa? - perguntou com seu olhar ardente, queimando meu rosto.
- Não.
- Então, eu também não.
- Eu já estou acostumada com os boatos sobre minha vida, Gregory. E você, conseguiria lidar com isso? Sua reputação estaria em jogo.
Ele tomou o meu rosto em suas mãos, e colou nossos lábios. O beijo me pegou de surpresa e não tive reação nenhuma, até suas mãos fortes segurarem minha nuca.
Ele mordeu meu lábio inferior e soltou, puxando e chupando, de um jeito tão sensual.
Estupidamente, desejei tê-lo dentro de mim.
- Linda, depois desse beijo eu não me importava com nenhuma fofoca sobre nós - murmurou, perto dos meus lábios
- Gregory, eu preciso ir.
Então, me soltei de seus braços e sai correndo.
Completamente perdida e excitada.

Eu, Ricks, estava excitada por Gregory.
Se eu não estivesse desesperada, estaria rindo pelos meus malditos pensamentos sobre ele.


Capítulo 2



Entrei rapidamente dentro do carro, deixando o motorista com uma cara de paisagem do lado de fora.
— Vamos, Steve! — chamei o motorista, despertando-o de seu transe.
Ele balançou a cabeça positivamente e fechou a porta. Entrou no carro e começou a mexer nos retrovisores, me causando uma certa irritação.
— Steve, está tudo ótimo, vamos! — falei, enquanto olhava para os lados. Acho que minha voz soou desesperada, pois ele arregalou os olhos e concordou, rapidamente.
— Ca- calma, Senhorita! — gaguejou, enquanto arrumava sua gravata de um terno ridículo que minha mãe obrigava os motoristas usarem.
— Estou calma, Steve! Você ainda não me viu brava!
— Ma- mas, senhorita, com toda educação, eu não qu-quero presenciar esse momento... tão perigoso. — ele respondeu, um pouco hesitante.
Eu apenas olhei diretamente em seus olhos pelo reflexo do espelho, e ele encolheu-se no banco, abaixando a cabeça.
— Hã... desculpe, senhorita, desculpe — murmurou.
Eu apenas revirei meus olhos, impaciente. Então, ele ligou o carro e eu finalmente consegui respirar.
E no mesmo instante, Gregory Woods saiu correndo do colégio, provavelmente... na minha direção. Ah, droga!
Ele correu rapidamente, desviando dos alunos que estavam parados em frente da escola, e mantendo os seus olhos fixos no meu carro.
—Steve, se você não acelerar essa merda de carro, eu mando minha mãe te demitir!
— Agora mesmo, Senhorita! — respondeu, prontamente.
E o carro saiu acelerando, deixando um Gregory boquiaberto no portão da escola. Sorri internamente com isso.
Gregory esperava por uma rendição por minha parte, Ah coitado!
Eu não sou o tipo de garota que ele pensa que sou. Eu sou a ! Eu não corria atrás dos garotos, eles que corriam atrás de mim. Eu não desejava os garotos, eram eles que me desejavam.

✩✩✩✩✩

Eu finalmente descansei o meu corpo num colchão macio e confortável. Eu estava quase dormindo, quando duas batidas na porta me despertou completamente. Abri os olhos assustada pelo barulho repentino.
E novamente, as batidas retornaram a me perturbar.
! eu sei que está aí, vamos, levante! — sua voz autoritária gritou.
Eu poderia temer pela minha mãe, mas eu não me importava.
Ela simplesmente me trata como um nada. Então, eu a trato como um nada também, e nisso, inclui não obedecer suas ordens estúpidas.
! !
Me levantei irritada, e controlei internamente minha vontade de mandar aquela mulher ir para o inferno.Abri a porta, encarando-a com a melhor expressão de desdém.
— Melhore essa cara, menina!
— Se não está satisfeita com minha cara, não olhe. Essa é a única que eu tenho. — Dei de ombros.
— Mais respeito comigo, garota! Eu sou sua mãe! — esbravejou, irritada.
Eu ri, sem humor algum.
— Sério? Minha mãe? Você nunca cuidou de mim e nem se importa. — falei. — Qual foi a última vez que você realmente foi minha mãe?
— Eu pago tudo para você, sua ingrata!
— Acontece, mamãe — frisei, sarcástica. — Que dinheiro não compra carinho, atenção e muito menos amor! Então, não venha com seu papinho ridículo, por quê eu não me importo.
— Acontece, filhinha, que você não valoriza meu esforço, e muito menos meu sofrimento pelo o que eu consegui! Eu trabalhei muito na minha vida para dar algo digno à você! Mas, se você se sente incomodada ou insatisfeita, a porta é serventia da casa.
Fixei meus olhos nos seus. Eu tentava não deixar transparecer minha angústia diante daquela mulher fria, que era o motivo das minhas crises a noite.
Eu não podia simplesmente chorar em sua frente, não podia!
Ela era fria, distante, sem coração. Ela não se importa com ninguém, além de si mesma e seu saldo bancário. Apenas.
Por esse e outros motivos, eu desisti definitivamente de tentar ter um relacionamento saudável com minha mãe.
Ela me manipulava, me humilhava, me xingava, como se eu fosse mais uma de suas empregadas, mas, a diferença é que eu era sua filha.
Minha mãe é uma mulher milionária e muito conhecida no mundo todo. Todos se inspiravam na estrela do cinema, Hicks.
E o mundo nem imaginava quem Hicks realmente era.
, lembre-se das suas obrigações, afinal, você não ganhará parte do meu império.
E então, ela me deu as costas, subindo o corredor largo e branco.
Encarei as paredes, buscando por forças. Mas novamente, como todos os dias, eu teria que lidar com suas provocações, e consequentemente com minhas fraquezas.

✩✩✩✩✩

Era 15:00 da tarde. Eu estava indo diretamente para o lugar onde todos achavam que eu tinha uma "vida perfeita", onde eu era a filha mais sortuda por ter uma mãe atriz famosa e mundialmente conhecida.
Segundo eles, eu deveria agradecer ao Céus pela oportunidade de ter sido gerada no útero mais rico de toda a América.
Mas, minha vida era uma mentira. Uma farsa. Uma ilusão que minha mãe criava para as pessoas ao seu redor.

✩✩✩✩✩

Eu tentava me concentrar no teatro, e não na briga que tive com minha mãe na hora do almoço.
Eu aguentei, como todos os dias. Mas o maldito choro ficou preso na minha garganta, e quando eu entrei dentro do carro, e ali mesmo, chorei em desespero.
Assustei Steve imediatamente. Ele nunca havia me visto vulnerável, aliás, ninguém nunca me viu vulnerável à alguma situação. Mas ele fingiu me ignorar, e não se atreveu a perguntar. Então, como se nada tivesse acontecido a alguns minutos atrás, me sentei ao lado das garotas.
Ignorando completamente os olhares em cima de mim.
Provavelmente eram novatos surpresos pela a filha de Hicks estar ensaiando para uma peça teatral.
— Ei, !
Ignorei totalmente a voz que estava me chamando. Eu sabia exatamente quem era.
! — A voz se aproximou.
Virei-me e dei de cara com Corey, e sorri brevemente para o garoto.
— Você está bem? Você se atrasou um pouco hoje.
— Estou perfeitamente bem. — Sorri.
— Sim, está mais linda do que nunca também — comentou com um sorriso malicioso.
— Obrigada pelo elogio, Corey. — Dei um sorriso forçado à ele.
— Que isso! Apenas estou dizendo a mais pura verdade, você é encantadora, ! — falou, analisando meu rosto.
— E... você sabe que não curto... , não? Apenas, .
Ele abriu um sorriso, exibindo todos os seus dentes brancos e perfeitamente alinhados.
— Claro! — falou, encarando-me com os olhos estreitos.
— Por que me encara assim? — perguntei, incomodada.
Ele disfarçou, e olhou ao redor e voltou a me encarar, sorrindo.
— Porque você é muito interessante, . Você é um enigma para mim.
Balancei a cabeça, concordando. Sem ter a mínima ideia do que dizer em seguida.
— Er... Corey você sabe que não podemos confundir o profissional com o pessoal, não é mesmo?
Ele sorriu, e passou os dedos entre seus fios loiros.
— Claro, mas sempre há uma exceção não?
— Hum... acho que não. — Torci os lábios.
— Você já...
— Crianças, venham até o palco! — Michael, o diretor da peça interrompeu.

Obrigada, Michael!


Corey sorriu levemente, e murmurou algo que eu não compreendi, e levantou-se.
Eu esperei ele andar primeiro e o segui até o palco.
— Então, estudaram os textos?
— Sim. — Todos responderam em uníssono.
Eu permaneci calada. Pois infelizmente — não é nenhuma surpresa — minha querida mãe, fez questão de me ensaiar para a maldita peça.
O ensaio passou lentamente, e agradeci aos céus quando Michael finalmente liberou todo mundo. Sai do teatro — e nada surpreendente — a limusine já me esperava do lado de fora. E acrescentando, com um motorista ridiculamente vestido com um terno e uma posição ereta, como se fosse abrir a porta para uma rainha.
Talvez, para eles eu fosse uma, na imaginação fértil daqueles idiotas que lambiam o chão de Hicks.
Entrei no carro, e bufei em tédio.
— Estou vendo sua vontade de estudar teatro, .
Soltei um grito assustado, e me assustei ainda mais quando vi minha mãe sorrindo. Ela exibia seus dentes perfeitamente brancos e alinhados, e, em seu rosto havia uma expressão serena. Como se fosse normal assustar alguém, ou melhor, conversar comigo.
— Que susto!
, eu preciso começar a te acompanhar nos ensaios para se esforçar mais e tornar uma grande atriz?
— Você sabe que não desejo ser uma grande atriz! — respondi, ríspida. — Esse é o seu desejo!
— Sim, enquanto você comer com o meu dinheiro, e viver na minha casa, eu tenho todo o direto sobre você, garota mimada! — debateu com seu tom de voz irritado.
— Então não reclame se eu não dou a mínima para a porra de teatro!
Então, num ato totalmente inesperado, senti um tapa ardido no meu rosto. Abaixei a cabeça com as mãos na bochecha, e os olhos fechados. Controlando-me o máximo possível para não surtar.
— Você que causou isso... — ela sussurrou.
Levantei minha cabeça lentamente, com os olhos fechados. Se eu os abrissem, as malditas lágrimas caíram sem parar.
Engoli em seco e respirei fundo.
Senti o carro parar de se movimentar, e num ato completamente desesperado e irracional, fiz o que veio primeiro na minha cabeça.
Abri a porta do carro, e sai correndo pelo trânsito conturbado dos Estados Unidos.
Ouvi os gritos irritados de , mas não me importei, continuei correndo pelas ruas.
Um carro quase me atropelou, e por reflexo, levei uma mão ao coração, como se aquele ato fizesse ele se acalmar ou tudo parar. Então, corri para a calçada, e virei numa esquina qualquer.Eu trombei com algumas pessoas, mas não me importei e apenas acelerei os passos, correndo o mais longe da minha mãe.
Uma buzina alta despertou-me dos meus pensamentos. Olhei para os lados assustada.

Que não seja ela, que não seja ela.

Repeti em minha mente.

Parei e olhei para o carro luxuoso, e o vidro se abaixou lentamente, então, um Gregory sorridente apareceu. Não sei o que é pior, Gregory ou . Certamente, .
Greg era apenas um babaca que precisava de atenção, era muito pior.

Mil vezes mais.


Então, Greg desceu do carro e acenou em minha direção.
Respirei fundo. Caminhei em sua direção com a cara fechada.


Capítulo 3



— Por que está correndo como uma louca, ? — perguntou, com uma expressão divertida no rosto.
— Nada... Grego...
Ele aproximou-se, com as mãos no bolso de sua calça.
— Não, apenas estou... hum... fugindo da minha mãe por um dia.
Ele riu.
— Então, deixa-me ajudar com isso, entre no carro. — Apontou para o carro.
— Não! — quase gritei.
Entrar num carro com Gregory seria um erro.

Um grande erro.

Ele gargalhou e deu mais um passo em minha direção. Muito perto.
— Está com medo de mim?
— Não, tenho algum motivo?
— Não sei... Talvez, você não resista ao meu charme. — Ele piscou.
Revirei os olhos.
— Greg, pare com o seu egocentrismo. Isso é irritante.
Ele arregalou os olhos levemente e abriu a boca em um O. Provavelmente, nunca ouviu alguém o cortar assim.

Ele tinha um charme mas qual era necessidade de ficar se exibindo por isso?

— Ok, mas eu posso te ajudar...
— Greg, na verdade…
Parei de falar. Meus olhos imediatamente foram atraídos para o meio da rua, onde estava um carro exatamente igual ao da minha mãe. Num ato de desespero, peguei as mãos de Greg e o puxei em direção ao carro.
— Mudou de ideia, linda?
— Cala a boca — respondi, irritada.
Entrei no carro, e abaixei minha cabeça quando o carro passou por perto. Greg fechou a porta, e começou a gargalhar, de repente.
— Escondendo da sua querida mãe. Ah, .
... meu nome é — eu disse, entre os dentes.
— Sempre gostei mais de , mas tudo bem, .
Ignorei seu deboche no fim da frase e ajeitei minha postura no banco do carro.
— Para onde você estava indo, Greg?
Ele olhou para mim e abriu um sorrisinho nada agradável, e depois, olhou para o motorista pelo retrovisor do carro.
— Mudanças de planos, White. Vamos para a minha casa. — E seu olhar voltou-se para mim. Seus olhos estavam brilhando.

✩✩✩✩✩

— Fique a vontade, linda.
Controlei pela milésima vez a vontade de revirar os olhos para Greg.
Era linda para lá, linda para cá. Estava ficando irritante.
Eu me sentei no sofá branco e espaçoso no meio da sala enorme da casa.
— Quer suco, ou refrigerante?
— Uma água, por favor.
Ele assentiu e gritou por alguém. No mesmo instante, uma senhora de idade apareceu no meio da sala.
— Senhor Woods?
— Traga um copo de água, agora — ordenou, sem olhar para a senhora.
— Sim, Senhor. — A empregada disse, e saiu da sala depois de uma referência exagerada.
— Não precisa falar desse jeito com os empregados, Greg — eu disse.
Ele me encarou com a testa levemente franzida.
— Eu falei normalmente.
— Você falou como se mandasse nela.
— Mas eu mando aqui! — exclamou, com um tom de voz levemente alto.
— Não, você não manda em nada, Greg. Do mesmo jeito que ela te serve, você cumpre sua parte pagando-a por isso. Patrões não são donos de funcionários — retruquei, totalmente indignada com tal pensamento.
Ele apenas bufou, e passou as mãos pelos fios de cabelo.
— Você não precisa se intrometer nisso, ela não reclama e eu não estou incomodado, e ponto final.
Quando pensei em retrucar novamente, a senhora retornou na sala com o copo de água em mãos.
— Desculpa a demora, Senhor Woods, mas eu tive um probleminha na...
— Não me interessa, deixe o copo aqui e volte ao seu serviço.
A mulher assentiu freneticamente, provavelmente com medo, e colocou o copo de água em cima da mesa da sala.
— Com sua licença, Senhor.
Greg revirou os olhos e ignorou a mulher. Pegou o copo de água em cima da mesinha, e estendeu na minha direção. Eu aceitei.
Bebi a água, com o olhar atento de Greg sobre mim. Levantei e coloquei o copo na mesinha, e me sentei novamente no sofá.
— Quer passar a noite aqui?
— Eu não sou louca!
— Por quê? — ele perguntou, rindo. — Nós poderíamos adiantar aquela festinha...
— Greg, não começa, por favor — falei, suspirei profundamente. — Eu preciso voltar para a minha casa, infelizmente.
— Você vai negar o meu maravilhoso convite de passar uma noite comigo?
Eu olhei para seu rosto. Sua expressão era de espanto. Até que era divertido. Um jogo onde Greg não vencia, apenas mais um jogo para o meu divertimento.
Ponto para .
— Sim, eu não quero passar a noite aqui.
Ele disfarçou sua frustração mexendo em seus fios de cabelo, e em seguida, cutucou o canto da unha. E então, novamente, voltou a me observar.
— Então, o que pretende fazer aqui? — perguntou. Sua voz estava calma mas sua expressão facial era de puro desgosto.
— Eu também não sei, agi por impulso, mas já estou indo — falei, e levantei-me do sofá.
No mesmo instante, ele aproximou-se e tocou no meu braço.
— Fique aqui.
Eu comecei a rir.
— Não seja bobo, não sou fácil, você não vai me levar para cama.
, você não facilita nada. — Ele suspirou profundamente. — Mas eu espero.
— Espera, o quê exatamente, Greg?
— Espero quando decidir estar em meus lençóis — ele disse, com um sorriso nos lábios.

Se eu tivesse uma cadeira, quebraria todos aqueles dentes perfeitos dele.

— Olha, está ficando tarde. Eu preciso ir.
, por favor. E se...
— Senhor Woods? — uma voz grave interrompeu o comentário de Greg.
Ele virou-se para o homem alto e com poucos fios de cabelo na cabeça.
— Tem uma mulher na sala de estar, esperando pelo senhor. — ele disse.
— Quem?
— Ela não se identificou, mas pela aparência, parece ser alguém de extrema importância.
— Se fosse importante, ela diria o nome — respondeu, ríspido.
— Senhor Woods, a mulher praticamente me ameaçou para chamá-lo. E fez um pedido, estranho...
Greg passou as mãos pelo rosto impaciente.
— Que pedido, criatura?
— Hã... de... uma tal de — ele falou, evitando o meu contato visual.
Na minha cabeça só pensei em uma coisa: minha mãe.
Merda
— Estou indo — respondeu, Greg.
O homem saiu da sala, e Greg virou-se para mim.
— E se for sua mãe?
— Não tenho dúvidas. É ela.
— Posso ir junto? — perguntou.
— Não há necessidade, obrigada.
Ele fez uma careta, e concordou levemente com a cabeça. Saí da sala, e segui o homem que me esperava do lado de fora da sala.
Ele parou de andar e indicou a sala no fim do corredor, concordei e continuei caminhando. Entrei na sala enorme, e o que eu vi, não me surpreendeu.
estava lá, sorrindo triunfalmente para mim.
— Sentiu saudades da mamãe, docinho? — perguntou, com sua voz aguda. Imediatamente, me causou um enjôo.
— Algo está errado, mamãe. Você quem veio atrás de mim, sentiu saudades?
Ela fechou a cara e aproximou-se com passos duros contra o piso liso e branco do chão.
— Pare com esse deboche, ! Eu não suporto esse seu comportamento ridículo e rebelde, então, faça-me o favor, saia dessa casa agora mesmo e entre na droga daquela limousine! — exclamou, irritada enquanto apontava o dedo na minha cara.
— Eu inventei milhares de desculpas para seu pai, e ele está louco para saber onde você está.
— E se eu não quiser voltar?
Ela gargalhou na minha cara.
Uma risada fria, e imediatamente, arrepiou o meu corpo inteiro.
— Você já não tem nada de mim, . Se não voltar, ficará sozinha.
— Eu estou sozinha, mamãe.
— Você não está sozinha, querida — falou, num tom debochado. — Você ainda não sabe o que é ficar sozinha, de verdade. Para seu próprio bem, saia agora daqui.
Eu olhei para os lados, como se buscasse por alguma ajuda.
Eu não tinha saída. Se eu ao menos, tivesse alguém do meu lado, eu nunca mais voltaria para a casa da minha mãe.Nunca mais eu obedeceria suas ordens, nem precisaria de seu dinheiro, seu teto ou de sua comida.
Greg entrou na sala e me observou com um olhar preocupado. Minha mãe apenas olhou para ele com as sobrancelhas arqueadas.
— Você tá bem, ?
Minha mãe começou a gargalhar.
— Mas, meu querido, por qual motivo eu faria mal a minha própria filha?
— Desculpa, senhora Hicks, mas vocês não parecem ter um bom relacionamento.
— Querido Woods, acho melhor você não se intrometer em assuntos de família. — Ela o cortou com um olhar frio e olhou para mim. — Vamos, .
Contra minha vontade, assenti. Eu não brigaria com ela na frente de Greg. Então, segui para fora da sala e acenei levemente para Greg. Ele pareceu compreender e lançou um último olhar para minha mãe, e sumiu pelo corredor.
— Teremos uma conversa séria, . Você está impossível com esse comportamento ridículo.
Não havia uma outra opção, e me rendi ao inferno novamente.


Capítulo 4



Havíamos acabado de chegar em casa, depois de um longo caminho em completo silêncio dentro do carro.
— O que há de errado com você, sua bastarda? — ela gritou, de repente.
Eu encarei a mulher que eu chamava de mãe. Sua frase me espantou. Me machucou. Me feriu como ela nunca havia feito antes. Bastarda?
não se importou com os empregados ao nosso redor, e me encarou esperando por alguma resposta.
— Sua bastarda! Está surpresa por isso, não é? — retornou a gritar para mim. Os empregados arregalaram os olhos, e no mesmo instante, disfarçaram e encararam algum ponto qualquer. Menos o rosto da mulher a minha frente.
— O que você pensa que é, ?
Silêncio.
Eu não tinha uma resposta.
Minha mente apenas absorveu todos os seus insultos, e levou para o meu coração, causando uma angústia interna. Doía, pra caralho.
Mas eu já aguentei coisas piores.
Respira, . Apenas respira, e não surte.
— Você não é merda nenhuma, ! Você quer atenção com esse comportamento rebelde mas não consegue! Nunca vai conseguir! Você não passa de uma vadiazinha carente, necessitada de amor.
Uma maldita lágrima desceu pela minha bochecha, fechei os olhos e a limpei com raiva e dor, ao mesmo tempo. Respirei profundamente e abri os meus olhos. Encarei como nunca olhei para ninguém em toda a minha vida. Olhei no fundo dos seus olhos e recebi um olhar na mesma intensidade.
— Você tem toda razão, — eu disse, com a voz rouca do fundo da garganta.
Ela concordou, e um sorriso vitorioso cresceu lentamente em seus lábios.
— Eu sou uma vadia sem amor. Mas isso, é tudo por sua culpa, completamente sua, mãe. Você nunca me amou, e nunca irá, e eu não entendo os motivos e não tenho interesse em saber. Mas não me culpe por ser assim, sendo você mesma a culpada por isso. Eu te pertubo e vou continuar até você perder a cabeça, porque é justamente isso que você causa em mim. Você me enlouquece, você tira minhas forças. Eu não sinto nada por sua culpa, .
Ela aproximou-se com uma expressão vazia no rosto plastificado. Eu fiz um gesto para parar em seu lugar. E estranhamente, ela obedeceu. Era a minha vez de falar.
— Talvez eu preciso de um amor. Ou melhor, precisava. Por que amor é última coisa que eu quero de você, Hicks. E amor, definitivamente é a última coisa que você pode me dar.
E então, dei as costas à ela. Subi em passos rápidos as escadas. Entrei no meu quarto e bati a porta com força, raiva, dor. E as lágrimas finalmente rolaram sem parar pelo meu rosto. Soquei a parede, descontando toda a minha frustração e dor. Meus pensamentos foram invadidos por momentos da minha infância.
Quando eu tive minha primeira apresentação de ballet e não apareceu. Naquele dia, eu dancei perfeitamente bem, e procurei pelos olhos azuis da minha mãe na plateia. Mas não a encontrei. Apenas meu pai estava lá. Então, a dança acabou, e eu voltei para os bastidores em lágrimas.
Na minha primeira peça teatral, com apenas 8 anos de idade. estava na primeira fileira, olhando atentamente à todos os meus movimentos, sem expressar nenhuma emoção. Eu pensei que, ela estava orgulhosa pelo meu desempenho mas me enganei.
Em casa, recebi milhares de palavras dolorosas de . Para ela, era uma vergonha sua filha esquecer uma maldita frase.
E a partir daquele dia, passou a me tratar com indiferença. Ela apenas se importava com uma coisa: A perfeição. Hicks tinha que ser perfeita.
Então, sua obsessão pela minha perfeição começou. Eu não tinha o direito de opinar em nada.
Meu pai era um bobão e obedecia suas ordens. Sinceramente, eu tinha pena dele.
Na adolescência, foi quando me cansei de toda a falsidade, e comecei a agir como uma rebelde. Tudo para ter um pouco do amor da minha mãe, mas não funcionou. Seu ódio por mim triplicou.
No momento em que eu mais precisei de minha mãe, eu realmente percebi algo. Eu nunca tive uma mãe ao meu lado. Tudo era uma farsa. Então, passei por tudo sozinha, sem apoio de ninguém. Meu pai não sabia, e nunca desconfiou de nada, mas sempre soube. E decidiu ignorar.
Depois de tudo, eu também decidi ignorá-la. E meu próximo alvo se tornou os garotos do colégio.
Eu ficava com qualquer um que me interessava, e não me importava com os boatos sobre isso. Eu beijava e descartava sem nenhum problema. E se depender de mim, irei continuar assim. Soltei um grito do fundo da minha garganta e corri para minha cama, joguei meu corpo contra o colchão e afundei a minha cabeça no travesseiro.

✩✩✩✩✩

Acordei com o barulho insuportável do despertador. Joguei o aparelho contra a parede e bufei.
Eu não queria acordar. Quero continuar dormindo... Para sempre, de preferência.
Levantei da cama e caminhei até o banheiro. Tirei minhas roupas e entrei debaixo do chuveiro, soltei um suspiro de alívio ao sentir a água quente contra meu corpo. Senti meu corpo inteiro relaxar e encostei minha testa na parede.
Tentei não pensar nas palavras de . Mas não consegui, relembrei de toda a cena de ontem, desde quando saí do teatro, até no momento em que ela me chamou de bastarda, sem nenhum remorso.E meu coração se apertou. Suas palavras novamente me cortaram como uma faca afiada. Senti como se essa faca, perfurasse meu coração e revira-se lentamente.
Apertando, perfurando, profundamente. Causando-me dor.
Uma dor insuportável.
Sentia dor. Raiva. Tristeza. Desgosto. Sentia tudo de uma vez. Como uma avalanche de emoções que não me fizesse bem.
Debaixo das águas quentes, chorei novamente. Simplesmente era difícil suportar todo aquele sofrimento.
Sofrer calada, em silêncio.
Sorrir como se minha vida estivesse perfeitamente bem. Como se eu não estivesse morrendo a cada segundo. Como se tudo fosse fácil.

✩✩✩✩✩

Cheguei na escola e fui recebida por duas garotas emocionadas.
! Eu acho que vou morrer. — exclamou, Amber. Completando o seu momento dramático com a mão no coração.
— Não exagera, Amber. — Olympia revirou os olhos.
— Shiu. — Ela fez um gesto para minha melhor amiga se calar. — , os Halteres chegaram mais cedo hoje e vieram conversar com nós.
— E? — perguntei com indiferença.
— Amber está emocionada por isso. Para mim, tudo é muito estranho — disse, Olympia. Ela estreitou os olhos e olhou ao redor.
— Estranho? Talvez Greg se tocou que sou gostosa e me quer — respondeu Amber, jogando os cabelos para o lado.
— Você será apenas mais uma para ele — eu disse.
Ela me olhou e revirou os olhos.
Mais uma iludida por Greg Woods.
Senti vontade de gargalhar por isso.
— Não me importo. — Deu de ombros.
Eu soltei um riso fraco e Olympia apenas negou com a cabeça.
Ficamos em silêncio, então, eu perguntei para minha amiga :
— Olympia, será que você não pode conversar com minha mãe, sobre aquilo?
— Sobre você...? — perguntou Amber.
— Sim, Amber. É sobre isso — murmurei.
Amber concordou com a cabeça. E olhou ao redor, e ficou animada, de repente.
— Vou indo, tchau. - Mandou um beijo no ar. E sumiu entre os alunos do colégio.
— A última coisa que eu faço na minha vida é tentar conversar com Hicks - falou Olympia.
— Olympia... Você sabe se eu pudesse, nunca mais entraria naquela casa.
— Eu sei, . Mas não é fácil, sua mãe é uma pessoa difícil.
— Tudo bem…
Cruzei os meus braços e ouvi um barulho de alunos assobiando e gritando.
Olympia ficou tensa, e eu a encarei. Sem entender nada.
— Amber... — sussurrou, e apontou para o outro lado do corredor.
Olhei para o fundo do corredor e entendi.
Amber estava com os Halteres.
Com , Connor e Greg.
Eles estavam apontando para ela enquanto gargalhavam.
— Ela deve ter falado algo, e ele está se aproveitando disso para chamar a atenção.
Concordei.
— Vamos lá.
Segui Olympia, andando entre os alunos. Mas paramos de andar no momento em que Amber correu como um furacão, para longe de Greg com o rosto vermelho. Ela estava segurando o choro, eu percebi isso.
Ela aproximou-se de nós e parou em minha frente. Neste momento, quase todos os alunos estavam olhando para ela.
Incluindo Greg, que estava parado ao lado de e Connor, com os braços cruzados e aquela merda de sorriso no rosto.
— Eu converso com sua mãe, . Mas quero algo em troca — ela sussurrou.
Olympia e eu nos entreolhamos confusas.
— Diga, Amber.
Ela olhou ao redor e engoliu em seco quando percebeu que toda a atenção estava sobre ela. Aproximou-se de mim e me pegou pelo pulso, e saiu em passos apressados para o outro lado.
Olympia correu em meu alcance.
— O que deu em você, Amber? - perguntei, confusa.
— Vamos conversar, .
Tentei não me irritar com o nome usado para se referir a mim, e concordei silenciosamente.
Ela parou de andar e sentou-se em um dos bancos.
— Vamos ficar aqui, não há ninguém para ouvir.
Olympia sentou-se de frente para Amber, e eu imitei seu movimento.
— Então... — comecei a dizer.
— O que você acha de fazermos uma aposta?
— Oi?
Ela riu.
— Uma aposta, . Greg é um babaca e você não gosta dele.
— Que tipo de aposta? — perguntou, Olympia.
— Então... Se você conseguir fazer Greg Woods ficar com você por um mês...
— Eu? ficando com um mês com alguém? — perguntei. Eu gargalhei, em seguida.
Ela ignorou o meu comentário, e suspirou antes de continuar.
— Se você ficar com Greg por um mês, eu te ajudo.
— Então... Você está apostando comigo...
— Você tem que pegar o Greg por um mês.
Eu não pensei muito, na verdade, não tinha no que pensar. Amber era a queridinha da minha mãe. Talvez minha mãe gostasse mais dela do que de mim. Então, seria fácil ela conseguir o que eu queria.
Respondi, sorrindo:
— Eu vou ter Greg Woods por um mês. Ele vai lamber meu chão, anota aí. - Pisquei.
Ela sorriu abertamente e assentiu.
— Eu queria negar, mas vai ser interessante isso...
— Será mesmo, Amber — concordou Olympia, sorrindo.
Nós três sorrimos, e eu olhei em direção à Greg.
— Mas... Por que essa aposta, afinal?
— Greg merece uma lição. Quero rir da sua cara quando ele se apaixonar por você.
— Se apaixonar por mim? — Fiz uma careta de desgosto.
— Sim, . Faça-o lamber seu chão, mas como um pobre apaixonado.
— Isso é algo difícil para Greg Woods.
— Te garanto que não. Pense na sua recompensa, Hicks. E aliás, eu confio em você e no seu poder de sedução, amiga. Não me decepcione. — Ela piscou um olho. E levantou, deixando-me boquiaberta.
— Eu sei que você não irá falhar, amiga. Então, honre a nossa amizade e faça aquele garoto sofrer — disse Olympia.
— Como se isso fosse fácil. Mas irei tentar o meu melhor. — Forcei um sorriso.
— É isso aí.
Fizemos um high five e levantamos para procurar nossa sala de aula.

✩✩✩✩✩

As aulas finalmente acabaram. Eu saí praticamente correndo da sala de aula, ignorando os olhares das pessoas. Guardei os meus livros no meu armário, e tranquei com a chave.
— Tá gostosona, Hicks.
Virei o meu corpo lentamente e me deparei com um dos quarterbacks da escola. Colega de Greg.
— Gostosa é sua mãe, seu idiota.
— Que mau humor, gostosa — ele respondeu, com um sorriso malicioso nos lábios enquanto encarava o meu corpo.
— Se você continuar me chamando de gostosona, eu vou quebrar seu pau.
Seu sorriso ampliou.
— E não, não vai ser de tanto eu sentar aí. Vai ser do jeito mais doloroso possível, quarterback.
Seu sorriso diminuiu, e então, ele suspirou e negou com a cabeça.
— Ok... — murmurou, antes de ir embora.
Eu sorri.
— Ele mereceu essa.
Tentei manter meu sorriso no rosto, e me virei para o garoto ao meu lado.
— Homens machistas deveriam entrar em extinção. O que quer, Greg?
— Nada…
Concordei. E então, arrumei a minha mochila nas costas e comecei a andar para longe de Greg. Mas como se uma ideia brilhante tivesse surgido em minha mente, parei no meio do caminho. Então, sorri e voltei a andar em sua direção.
— A festa de hoje à noite ainda está de pé, Greg?
— Com toda certeza.
— Ótimo, estarei lá às dez horas.
Ele sorriu.
— Estarei esperando por você ansiosamente, .


Capítulo 5



Eu estava pronta. Vesti meu melhor vestido que comprei na Grécia, numa loja incrível que encontrei por lá. O vestidinho era preto e brilhante, um pouco curto, e com um decote enorme na frente.
Coloquei saltos e deixei meus cabelos soltos. Meus olhos estavam marcados levemente por um esfumado preto e meus lábios estavam pintados na cor vermelho. Minha cor favorita.
Um dos empregados me avisou que Olympia havia chegado. Saí do meu quarto, com um sorriso confiante no rosto. A noite seria longa.
Mas meu sorriso se desmanchou ao ver me encarando com os braços cruzados, e ao seu lado, estava o meu pai.
Ele usava um óculos de grau e ainda vestia o terno. Provavelmente ainda estava em seu escritório, trabalhando como um louco.
— Ora, ora. Já vai entrar no modo “a vadia louca americana", ? — Minha mãe debochou.
Terminei de descer as escadas e parei em sua frente. Revirei meus olhos e me aproximei de meu pai. Dei uns tapinhas em seu ombro e beijei levemente sua bochecha.
Olhei para minha mãe com um sorrisinho de lado.
— Vou. E aliás, volto amanhã, por que hoje a noite estarei muito ocupada, no quarto de algum garoto.
Meu pai arregalou os olhos.
, que comportamento é esse, minha filha? — Ajeitou seu óculos e cruzou os braços.
— Ah, Gerald! Essa é a sua filhinha que você ama. Não passa de uma vagabunda que abre as pernas todos os dias. — Minha mãe riu maleficamente.
... Ela é sua filha — meu pai sussurrou, incrédulo.
— Uma vadia... Por isso vive nessa nessa situação atual — minha mãe respondeu, e fez um gesto em minha direção.
— Não comece a culpar as minhas atitudes com os meus problemas pessoais do passado, — eu disse, aproximando-me dela.
Nossos rostos estavam próximos e eu observei seu rosto com mais atenção. Sua testa estava franzida e as pupilas levemente dilatadas.
— Se você não agisse como uma vadia, não…
, chega! — gritou, meu pai.
Nós duas olhamos em sua direção. Ele estava com os olhos arregalados.
— Por Deus, é apenas uma adolescente, deixa-a viver a vida em paz. Você é a prova de que nós aprendemos com os nossos erros, querida.
não é uma adolescente. É uma vadia mimada e privilegiada.
— Devo concordar com você, mamãe. — Pisquei para ela.
, sem provocações. Vá para a sua festa e aproveite. Boa noite. Agora, preciso voltar para o escritório. — Ele beijou levemente minha testa e saiu.
me encarou com uma expressão de nojo.
— Vai fazer o que você sabe de melhor, — falou num tom provocativo.
— A cada dia que passa você fica mais esperta, mamãe. Pode deixar, irei aproveitar minha noite, com muito prazer. — Mandei um beijo no ar e sorri.
Então, saí da sala. Passei pelo longo corredor branco, e esperei enquanto abriam os portões. Do lado de fora, minhas duas amigas correram ao me ver.
— Finalmente! — exclamou, Olympia.
— Tive umas complicações. Mas aqui estou, agora vamos!
— Isso aí! Aliás, hoje você tem um objetivo para cumprir, senhorita Hicks. — Apontou Amber com um sorriso no rosto.
— Eu sei, Amber. E irei conseguir, você vai ver.
— Confio no potencial da sua bunda, amiga.
— O que? — Olympia exclamou com uma expressão de horror no rosto.
Eu gargalhei, e dei de ombros.
— Essa bunda tem o poder, minha amiga — falou, Amber.
Eu concordei com a cabeça, e gargalhei.
— Ah, claro! — Olympia apenas revirou os olhos.
Continuei rindo, e fui até o carro. Abri a porta e entrei.
— Hoje eu dirijo! — exclamei.
— Mas era minha vez! — Amber fez um biquinho. Mas jogou as chaves em minha direção. Sorri e esperei as duas entrarem e colocarem o cinto de segurança.
Então, liguei o carro.

✩✩✩✩✩

Estacionei o carro em frente à uma casa luxuosa.
— A casa de é linda — Olympia sussurrou.
— Só não é mais bonita do que ele. — comentou Amber, entre os risos.
Ignorei e abri a porta do carro.
— Espera, sua doida. Vamos entrar juntas.
Concordei, e esperei as duas saírem do carro.
Amber pegou um batom da bolsinha que estava em sua mão, e passou em seus lábios enquanto encarava-se pelo retrovisor. Demorou alguns segundos, mas ela finalmente terminou.
— Finalmente hein, Barbie — provoquei. Ela odiava o apelido.
Ela ignorou o meu comentário, e sorriu levemente para um garoto que nos observava. Caminhamos pelo jardim da casa, e logo, se tornou possível ouvir o som abafado de alguma música tocando.
— Preparadas? — Olympia, perguntou.
— Eu nasci pronta, meu bem — respondi.
Elas gargalharam.
Eu abri a porta da sala e entrei. Imediatamente, quase todos os olhares estavam em nós. Em nossa chegada.
Dei um sorrisinho vitorioso e olhei para trás. Minhas amigas estavam com uma leve expressão de choque no rosto.
— O que foi?
Elas não responderam. Olhei para frente e encontrei com os olhares surpresos das pessoas.
— Gente, todo mundo está olhando para nós — cochichei.
— Nem todo mundo, — respondeu, minha melhor amiga.
— Que?
— Olhe para o fim do corredor, você irá entender.
Olhei para o corredor onde Olympia indicou. Era difícil enxergar algo mas eu o vi perfeitamente. O momento se passou na minha cabeça, como em uma câmera lenta.
Gregory agarrando a coxa de alguma garota e flexionando sua perna em volta de sua cintura.
Ele puxava e descia com seus lábios pelo pescoço da garota desconhecida. E se beijavam intensamente. Eles finalmente desgrudam os lábios. E, então, ele - infelizmente - olhou para os lados e encontrou o meu olhar sobre ele.
Nós nos encaramos. Não foi possível enxergar muito, pois as pessoas começaram a andar pela casa. Ele se separou da garota e despediu-se com um abraço. Olhou novamente em minha direção e começou a andar.
— Corre para longe daquele babaca, — Olympia gritou no meu ouvido.
Neguei com a cabeça.
— Correr? Por que? Eu posso brincar com ele também — gritei de volta.
Amber deu um sorrisinho malicioso e piscou um dos olhos para mim.
— Eu vou ir beijar umas bocas. Encontro com vocês depois — ela gritou para nós.
— Cuidado com esses babacas, Amber — avisou, Olympia.
Ela concordou e afastou-se. No mesmo momento, Greg parou - na maior cara de pau - em minha frente.
— Hã... Olympia, você pode nos dar um momento aqui? — perguntou, com o olhar hesitante na direção da minha melhor amiga.
Olympia concordou, e sorriu antes de se afastar.
— Chegou na hora, . — Greg, falou no meu ouvido.
— Sim. Bem na hora. - Dei um sorriso provocante e ele entendeu a minha frase.
Ele sorriu forçado e olhou ao redor.
— Ah, os caras estão lá... — Apontou para o outro lado do corredor.
Concordei. Um rapaz passou com dois copos de bebidas coloridas nas mãos e peguei um copo.
— Foi mal, cara! — Me desculpei, na maior cara de pau.
— Que isso, ! Você pode tudo aqui, minha diva.
Sorri e mandei um beijo no ar para ele. O garoto gargalhou, e piscou um olho, mas eu sabia que não era um flerte, pois o garoto era gay e o seu acompanhante estava atrás de si, segurando-o pela cintura.
Greg cutucou o meu braço, e sussurrou no meu ouvido:
— O dono da casa quer te ver.
— Então, cadê ele? — Olhei ao redor.
— Está te observando... Sentado naquele sofá ali. — Apontou para o sofá onde estava.
Tinha duas garotas sentadas em seu colo, alisando seu rosto. Mas ele estava com seus olhos fixos em mim. Sorri em sua direção. Ele franziu a testa em um sinal de confusão. Abri um sorriso sarcástico e acenei.
— Vamos até lá — eu disse.
Ele me puxou pelo cotovelo e começou a andar, indo em direção à .
O sorriso de se ampliava, a cada passo em que eu me aproximava.
— E aí, brother! — gritou, Greg.
cochichou algo no ouvido das garotas, e em seguida, elas se levantaram. Ele sorriu e passou as mãos pelos fios de seu cabelo e levantou-se.
Os dois fizeram um high five com as mãos.
— Ela veio, cara. — Greg apontou para mim com um sorriso malicioso no rosto.
— Estou vendo — ele respondeu e andou em minha direção. — Estou surpreso, . Greg me falou que você aceitou, mas duvidei. Você não é uma garota fácil.
— Não sou mesmo. De qualquer jeito, estou aqui, não?
Ele concordou com a cabeça.
— E o que está achando? — Olhou ao redor.
— Acabei de chegar, bad boy. — Ele fez uma careta pelo apelido. — Mas sinceramente, eu vou animar o povo ali na pista de dança. — indiquei com o queixo, o lugar desanimado onde o povo dançava. — Eles parecem velhos dançando.
Ele olhou para o lugar que indiquei.
— Devo concordar com você, .
... apenas , bad boy. — pisquei.
— Pare de me chamar de bad boy.
— Quando você parar de me chamar de , eu penso no seu caso.... Bad boy. — Frisei sarcástica e sorri.
Sai andando, em direção a pista de dança completamente desanimada daquela festa. Greg me seguiu e me puxou em sua direção.
— Ei, ! Vamos beber juntos?
— Depois. Agora vou dançar. — E rapidamente, me desvencilhei de seu aperto em meu braço.
Comecei a dançar ao som de Tik Tok da Kesha e cantei em pleno pulmão as partes em que eu me lembrava da música.

✩✩✩✩✩

Eu estava dançando fazia minutos ou horas. Não sei. Peguei algumas bebidas com algumas pessoas na pista de dança e bebi loucamente.
Eu fazia o que sabia de melhor: rebolar.
Alguns garotos chegaram por trás de mim e dançavam enquanto seguravam minha cintura. Alguns observavam de longe, com um olhar malicioso. Ignorei todos eles. Apenas dancei como uma maluca no meio da pista de dança. Eu queria aproveitar minha noite, e da melhor maneira possível.
Horas depois, meu pé começava a doer por causa do salto alto. Infelizmente, sai da pista de dança. Fui até a cozinha para pegar algum drink. E, em todo canto do cômodo tinha alguém se pegando. Decidi ignorar alguns olhares e procurei por alguma bebida na geladeira.
— Procurando o quê, ?
Fechei a geladeira e olhei para . Ele não esperou por uma resposta e falou novamente:
— Ops, , não é? — perguntou, com um sorriso sarcástico no rosto.
Bufei e concordei. Ele arqueou as sobrancelhas esperando por alguma resposta.
— Bebida. Nessa festa não tem nenhum bartender, então…
Ele riu.
— Eu sei disso. Fiz de propósito, especialmente para pessoas folgadas que não preparam a própria bebida. — Ele continuava rindo da minha cara.
Cerrei os olhos em sua direção.
— Babaca — resmunguei, e passei ao seu lado, para sair daquele lugar.
Mas suas mãos me seguraram. Me controlei para não mandá-lo ir diretamente ao inferno.
— Relaxa, gata. Eu faço um drink para você.
— Relaxa, gato. Eu não quero te incomodar.— Abri um sorriso debochado.
— Não seria nenhum incômodo, . — Frisou o meu nome. — Vamos.
Ele me puxou levemente e me sentou na cadeira.

Ele sorriu e fez um gesto com a mão, para esperar. Saiu do meu lado e caminhou até a geladeira, abrindo-a. Olhou para mim e levantou uma garrafa de vidro.
— A melhor vodka.
Colocou a garrafa em cima da pia, e virou-se de costas para mim. Abriu um armário e retirou dois copos.
— Vou te acompanhar no drink, .
— Estou estranhando toda sua gentileza, bad boy.
Ele gargalhou e negou com a cabeça. Então, começou a mexer nas coisas, mas eu não fiquei observando seus movimentos.
Minha atenção estava em Greg Woods e alguém que ele praticamente estava comendo no canto da parede.
Estava escuro e somente as luzes de néon refletiam sobre eles. Pelo jeito, meu plano não iria dar certo hoje.
— O que tanto encara, ?
— Hã… Nada… — Desviei meus olhos dos dois.
Ele cerrou os olhos em minha direção e concordou levemente.
— Agora, observe como se faz um drink de verdade, gata.
— Ah claro. Você é o melhor em tudo.
— Pelo jeito você sabe bastante sobre mim.
— Não, e nem quero saber. Mas é óbvio que você é uma pessoa super egocêntrica, e tem o maior estilo bad boy americano.
— Ah, . Você não me conhece. Mas não nego que sou egocêntrico, e talvez um pouco egoísta, às vezes. — Deu de ombros.
— Às vezes? Meu Deus! Você pisa nos corações das meninas.
— Não tenho culpa se são bobas o suficiente para se apaixonarem por mim.
— Sem coração — murmurei
— Gata, você não é um bom exemplo, também. Devo dizer a quantidade de garotos que se iludiram por você?
— Cuida da sua vida, .
Ele fez um gesto de rendição e voltou a fazer a mistura das bebidas.
— Curte Whisky?
— Claro.
Ele concordou e abriu a geladeira. Abriu a garrafa de whisky e colocou um pouco no copo em que ele fazia a mistura. Fechou o copo e começou a mexer.
Eu estava distraída com seus movimentos, até perceber as caras e bocas que ele fazia enquanto me olhava.
Sua expressão era de divertimento. Mas eu apenas pensava no quão idiota ele era.
— Babaca — sussurrei para mim mesma.
Ele ouviu. Abriu um sorriso e parou com seus movimentos.
— Obrigado, . Gosto de receber elogios.
Ignorei seu comentário completamente sarcástico e tentei não olhar para o canto onde Gregory estava dando uns amassos.
Ele jogou a mistura nos dois copos e debruçou-se no balcão, com um copo em mãos.
— Pode provar, .
Peguei o copo de sua mão e bebi um gole, com o seu olhar atento sobre mim. Seus olhos me encaravam em expectativa.
— E aí?
Fiz uma expressão de nojo, somente para brincar e ele franziu a testa.
— Está bom, bad boy. — Comecei a rir.
— Confio nos meus métodos de como se fazer um maravilhoso drink, .
— Você é bem confiante, hein. — Bebi um pouco da bebida que estava ridiculamente deliciosa.
Ele abriu um sorriso debochado e bebeu sua bebida, ainda com os olhos em mim.
— Aliás, não é nada surpreendente, visto que você é amigo dos outros dois babacas.
Ele gargalhou e debruçou-se no balcão novamente.
— Sou diferente dos meus amigos.
— Ah, claro! — debochei. — Vocês são o padrão de bad boy. Todos babacas, egocêntricos, sem coração, e se acham o dono da porra toda.
— É isso que você pensa de mim?
— É isso que eu penso sobre os Halteres, Turner.
— Turner, não, por favor.
— Você me decepcionou, . — Uma outra voz, respondeu.
Congelei. Virei meu corpo para olhar Greg.
— Desculpa, mas fui sincera. — Torci meus lábios e bebi minha bebida.
Ele sorriu levemente e sentou-se ao meu lado.
— Gosto da sua sinceridade, mas gostaria de mudar esse conceito sobre os Halteres que você imagina, linda.
— Hum… Obrigada, mas não precisa. Não tenho interesse mesmo.
Ele gargalhou e concordou. Então, bebeu a bebida que estava em sua mão. Continuei bebendo o meu drink, até acabar com tudo, em um único gole.
— Quem fez o drink? — Greg perguntou, após um gole em sua bebida.
— Eu — respondeu.
Greg arqueou as sobrancelhas em sua direção.
— Mas acabou - acrescentou .
— Sem problemas, vou beber essa vodka mesmo. — pegou a garrafa de vodka e encheu o seu copo. — Quer, ?
Concordei. Estendi minha mão em sua direção e ele encheu o copo.
— Também quero. — retirou a bebida da mão de Greg e encheu o seu copo.
— Cansou de dançar, ? — Greg perguntou.
— Meus pés estão doendo pra caralho.
— Já estava na hora também, você passou horas na pista de dança.
— Andou observando a senhorita Hicks, Gregory? — perguntou com um sorrisinho de lado.
— Não tenho culpa se ela dança perfeitamente bem — ele respondeu, me encarando com um olhar malicioso.
— Agradeço pelo elogio, Greg. — Abri um sorriso nada inocente.
Eu tinha uma aposta a ganhar.
— Não vou ficar observando o flerte de vocês dois, então, vou indo — disse, .
— Inveja, meu amigo? — Greg provocou.
Inveja? — ele soltou uma gargalhada debochada. — Cara, eu conseguiria ter a Haven muito fácil na minha cama.
Engasguei com a minha bebida.
— Te garanto que não, Turner — respondi.
— Vou fingir que acredito, . Mas meu amigo, tenta aí, quem sabe você consegue, não? — perguntou, antes de se afastar.
Greg revirou os olhos e virou-se para mim.
acha que é melhor do que eu. Coitado — comentou, balançando a cabeça negativamente.
Eu apenas bebi minha vodka, enquanto o observava.
— Quer mais? — perguntou, indicando a garrafa.
— Ainda tenho no meu copo.
— Bebida nunca é demais, linda.
E o babaca tinha razão. Beber me fazia esquecer dos meus malditos problemas.
— Tem razão, enche aqui. — Estiquei meu copo em sua direção.

✩✩✩✩✩

Era a quarta garrafa de vodka que eu bebia junto com o Greg.
Estávamos bebendo e conversando sobre coisas aleatórias. Eu estava bêbada pra caralho e Greg não estava muito diferente de mim.
— Então, uma vez eu caí de bunda no chão… Eu levantei e segui plena mas passei um mico. — Comecei a gargalhar escandalosamente.
Minha voz estava meio mole e eu não falava nada com nada.
— Eu tô com a cabeça doendo caralho. Bebi demais — Greg reclamou.
— Eu também, meu corpo tá até mole. — Movimentei meu corpo e voltei a rir novamente.
Ele riu também. Jogou seu copo na pia e aproximou-se do meu rosto. Bebi minha bebida com o olhar atento de Greg sobre mim.
— Você é linda demais — sussurrou.
Bebi o resto da bebida e joguei o copo na pia. Olhei em seu rosto.
— Você não é de se jogar fora também.
— Ah é? — Seu rosto se aproximou.
— É… bonitinho, eu diria.
Ele riu.
— Mas beija bem. — Encarei seus lábios levemente avermelhados.
— Beijo, é?
Nossos rostos estavam muito próximos.
— Sim. — Sorri.
— Eu queria dizer que me lembro do seu beijo também, linda. Mas não me recordo. Que tal um remember?
Ele não esperou por uma resposta. E acabou me roubando um selinho. Em seguida, mordeu meu lábio inferior e sorriu.
Entre abri os meus lábios e ele iniciou o beijo. Sua língua explorava cada canto da minha boca, lentamente. Ele beijava lento e ridiculamente bem.
Suas mãos apertaram minha cintura e desceram para o meio da minha coxa. Ele cessou o beijo com uma mordida nos meus lábios e desceu com sua língua pelo meu pescoço, me causando um arrepio por todo o meu corpo.
— Quer um remember? Mas dessa vez, será mais gostoso, te garanto — sussurrou no meu ouvido.
Eu não sabia se estava entendendo as coisas muito bem. Mas concordei levemente.
Minha cabeça deu uma pontada dolorosa e fechei os olhos. Consequências da droga da bebida.
Ele beijou minha bochecha e levantou-se da cadeira, e pegou minha mão. Em seguida, me levantei, e - literalmente - fui arrastada para fora da cozinha.

✩✩✩✩✩

Passamos por quase todos os cômodos e ele parou em frente à uma porta.
Procurou por algo em seu bolso e retirou uma chave. Ele abriu a porta e entrou primeiro, então, me puxou para dentro num movimento rápido. Suas mãos ansiosas fecharam rapidamente a porta e ele me olhou com um sorriso safado no rosto.
— A nossa noite começa agora, linda.
Então, seus lábios colaram os meus e eu o beijei intensamente.

Continua...


Nota da autora: Oii, gente! O que estão achando da história até agora ? Alguém consegue "gostar" do Greg? Ou pelo menos, dos Halteres? Eles são o típico badboy americano, tem gente que gosta e outras não. E o que vcs acham da nossa bad girl? Kiara é uma garota f*da d+
Bem... Se vc sentir vontade de conversar sobre a história, personagens ou qualquer outra coisa, entre no grupo do Facebook, só pesquisar: FANFICS DA TORI.
Beijos, até a próxima atualização dupla! Muitas coisas estão por vir...


Essa fanfic é de total responsabilidade da autora. Eu não a escrevo e não a corrijo, apenas faço o script.
Qualquer erro no layoult ou no script dessa fanfic, somente no e-mail.


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