Por Todas as Estrelas do Céu

Última atualização: 28/08/2020

Epígrafe

E depois daquele dia, eu diria que pela primeira vez eu sabia o que era o amor.
Eu o amava. Eu senti isso desde o primeiro momento em que ele pegou o nosso filho no colo.
Descobri meus sentimentos… talvez um pouco tarde demais. Mas nunca irei me esquecer de suas palavras.

“Olhe para o céu, você consegue contar as estrelas? É impossível, não? Com isso, eu apenas quero dizer que eu te amo, Heaven, por todas as estrelas do céu.”

Em choque, foi assim que eu fiquei diante de sua declaração.
Mas agora, sempre que eu olhar para o céu estrelado, irei me lembrar do seu amor por mim.


Capítulo 1



Eu entrei pela porta do colégio e respirei profundamente. Em minha mente, era apenas mais um dia naquele inferno. Mais um maldito dia.
Dei meu primeiro passo e, no mesmo instante, me senti incomodada pelos olhares das pessoas, principalmente dos garotos, que me encararam com um olhar malicioso. Ignorei todos eles e continuei focada em caminhar, olhando apenas para o chão.
Eu odiava toda aquela atenção desnecessária em cima de mim. Odiava aquelas pessoas que me encaravam sem pudor nenhum. Ou como se eu tivesse alguma doença, ou fosse uma aberração. Minhas duas amigas acenaram em minha direção, me aproximei.

– Bom dia, . – Ela abriu um sorriso radiante.

Olympia Burns. Minha melhor amiga, e uma das únicas pessoas que posso confiar.

– Bom dia – murmurei baixo.

Hoje não era um dos melhores dias. Minha vontade se resumia a zero para qualquer coisa. Minha vida já estava se tornando um inferno, e aos poucos, me queimava, me consumia, me matava por dentro.
Lentamente.
– Opa, o que aconteceu? – perguntou Amber, com o seu olhar curioso.

Eu apenas olhei em sua direção, em um pedido mudo para ela se calar. E ela se escolheu no seu lugar e concordou em silêncio, apenas movendo lentamente a cabeça.
Eu não queria falar com ninguém.
Eu não queria falar sobre minha vida com ninguém.


– Ok… ok – murmurou. – Então, estão animadas para o acampamento no final de semana? – perguntou, em um tom falso de animação.

Revirei meus olhos, totalmente impaciente, e sentei-me ao lado de Olympia. Minha melhor amiga por outro lado, ficou animada imediatamente.

– Estou super ansiosa! Aliás, vocês sabem que os Halteres apareceram por lá.

Continuei calada no meu canto, mas com os pensamentos à mil. Infelizmente, na droga da minha família, principalmente em minha querida mamãe.

– Halteres não perdem uma!

As duas continuaram conversando animadamente sobre o acampamento do fim de semana. Mas minha atenção se tornou outra.
No trio inseparável. Os Halteres.
Eles entraram no colégio com suas típicas expressões de donos do mundo no rosto.
Enquanto eu, controlei minha vontade de rolar os olhos diante daquela cena. Patéticos.
Os três garotos arrancava suspiros apaixonados de qualquer garota por onde passa. Praticamente todas as garotas do colégio queriam estar debaixo dos lençóis de Gregory Woods.
O garoto esbanjava sensualidade e um ar debochado, e imediatamente o fogo das garotas se ascendiam.
O que era ridículo. Idolatravam o garoto como se ele fosse um Deus. Não nego, Gregory é um cara atraente, mas era completamente desnecessário toda aquela atenção especial ao garoto.
Os outros dois garotos do grupo eram sua sombra, e um pouco invisível aos olhos das garotas que lambiam o chão em que Gregory passava. Eles eram bonitos e atraentes, mas não tinham o charme de Gregory Woods.
Greg era único.
Connor Thompson, um babaca igualmente à Gregory. Os dois andavam na mesma linha em questão de personalidade, eram exatamente iguais. Não era atoa que a maioria das garotas, que Connor pegou, tentaram e falharam miseravelmente em ficar com Gregory.
Outro babaca do trio, Turner. Aquele garoto era o mais irritante de todos, além de ser uma pessoa egoísta e fria.
Bem… Eu não o conhecia, entretanto, era o que as pessoas do colégio diziam sobre ele. Todos os dias, havia uma nova história sobre garotas que tiveram o coração partido por Turner. Ou melhor, . O garoto nunca fora chamado por Turner.
Eu não tinha pena, aquelas garotas eram umas tolas por entregarem o seu coração à um homem.
Principalmente à Turner.
era como um cachorrinho de Gregory, sempre obedecendo suas ordens estúpidas. O que tornava tudo mais ridículo ainda. Aqueles garotos precisavam de uma lição, isso sim.
Especificamente Greg Woods.
Minhas amigas por outro lado, estavam suspirando enquanto olhavam para os garotos.

– Ah meu Deus, eles estão… – murmurou Amber, chocada.
– …Vindo, ah meu Deus! Eles estão vindo aqui – completou Olympia, animadamente, fazendo gestos com as mãos.

Eu apenas me controlei para não revirar os olhos – novamente.
Gregory me encarava profundamente, como se estivesse lendo minha alma. Desviei de seu olhar, era um pouco invasor e intimidador demais.

– Aja naturalmente, Amber… – sussurrou Amber, para si mesma e arrumou seus cabelos loiros.
– Como eu queria beijar aquele garoto, por Deus… – murmurou Olympia, completamente encantada.

Eu não tive tempo para reagir, pois no mesmo instante três garotos pararam na minha frente com sorrisos de lado no rosto.
Tirei forças do meu interior para não achar ridículo, pelo fato de estarem vestidos com calças pretas, largas. Todos iguais.

– Olá, meninas. – comprimentou Gregory, com as mãos no bolso da calça preta.

As duas ao meu lado suspiraram. E eu permaneci calada.

– Oi, – Greg falou diretamente para mim.
– Olá, Gregory – respondi, com um sorriso provocativo no rosto.

Se Greg era sedutor e atraente, eu era mil vezes mais.
O rosto de Greg se contorceu.

– Apenas Greg, por favor…
– O que querem aqui? – perguntei direta.

Os garotos se entreolharam, com um sorrisinho no rosto.

– Bom… eu quero algo.
– Diga – falei, impaciente.
– O que acha de aparecer na casa de , para um festa amanhã à noite?
– Quem faz festa em uma quarta feira? – questionei.

No mesmo instante, os três abriram um sorriso.

– Eu – respondeu , com sua voz rouca e profunda.

Olhei rapidamente para o garoto. Sua voz causou algo no fundo da minha mente. Então, nossos olhares se encontraram e abriu um sorriso nos lábios.
Que merda era essa?
Provavelmente a doença Trio Halteres das garotas do colégio era contagiosa. Desde quando eu sinto algo por algum daqueles garotos?

– Então, aparece lá… Suas amigas também estão convidadas. – Greg voltou a olhar para as duas ao meu lado.

Elas se entreolharam chocadas.

– Mas, cla-claro – exclamou Amber.
– Ótimo, e você, ? – Greg voltou com sua atenção para mim.

Merda, não queria conversar com ele. O que os Halteres ainda fazem aqui?

– Tanto faz – respondi, dando de ombros.
– Essa sua indiferença só te deixa mais interessante, senhorita Hicks. – murmurou, Connor.
– Muito interessante – completou Greg com um sorriso malicioso nos lábios.
– Estaremos te aguardando em minha casa, lindinha – falou , completando sua fala com uma piscadinha sedutora.
– Preciso ir agora, mas nos vemos mais tarde, linda. – Greg piscou e enfim, deu as costas indo embora junto com seus dois cachorros ao lado.
– Tão… – murmurei.
– Gostosos – completou Amber.
– Idiotas, era isso que eu iria dizer. – respondi, e olhei para a garota em meu lado.

Amber revirou os olhos.

– Enquanto você finge que não acha eles gostosos, eu também finjo que acredito nisso.
– Quem disse que eu finjo? Eu apenas não sou desesperada por uma noite de sexo com eles, ao contrário de vocês, ou qualquer garota desse colégio.
– Então, assume que acha eles atraentes? – perguntou, com um sorrisinho de canto.
– Nunca neguei nada.

Amber me encarou com uma expressão maliciosa no rosto.

– Quem sabe hoje você não para na cama do gostoso do Connor.
– Nem morta. Ele é ridículo.
– Ele é gostoso – afirmou Olympia.
– Connor é o ridículo mesmo mas, se for comparar, Greg é mais. E mesmo assim, não deixo de pensar em como deve ser… –

Olympia, comentou.

– Aquele garoto é uma delícia! – exclamou Amber, se intrometendo.

Olympia gargalhou, e respondeu:

– Mas prefiro , ele tem cara de bebê.
– Tem mesmo, mas também é um badboy. Ele não tem compaixão com ninguém. Ele ama a si mesmo e nada mais – disse, Amber.
– Mas esse é o charme, ser um badboy!

Levantei-me do banco rapidamente.

– Você vai para a festa, ? – perguntou, Olympia.

Apenas dei de ombros.

– Vamos, ! Quanto tempo que você não aproveita a noite como os velhos tempos hein? – incentivou, Amber.
– Verdade. Você não beija ninguém há 1 semana, e isso é um recorde para a Hicks.
– Nunca mais diga meu nome completo – murmurei, com raiva.
– Mas, vou pensar se vou ou não.

As garotas concordaram. E com um tchau nada animado, caminhei para a minha sala de aula.

✩✩✩✩✩


A aula acabou e soltei o ar que nem percebi que prendia, completamente aliviada. Saí da sala de aula, e caminhei até o meu armário, peguei a chave no bolso da minha calça jeans e abri. Guardei meus livros ali dentro e tranquei o armário.

– Oi, linda.

Pulei de susto com a mão no coração, e olhei furiosa para o garoto ao meu lado.

– Gregory…
– Greg, linda. Mas se quiser pode me chamar de meu amor – disse, com seu sorriso malicioso que pra mim, tornou-se irritante no seu belo rosto.

Virei-me com as mãos na cintura, as sobrancelhas arqueadas.

– O que quer?
– Conversar, minha linda.

Olhei no fundo de seus olhos e dei um passo à frente, aproximando-me de seu corpo.
Ele gostou da minha atitude e deu um passo à frente também, colando seu corpo com o meu, em seguida suas mãos desceram pela minha cintura.

– Grego… – murmurei, entre os dentes.

Ele me interrompeu:

– Linda, escute. Vamos hoje em uma festa, huh? Quero tanto ficar com você, . Você…

Afastei-me de seu corpo.

– E se eu não quiser ficar com você, Gregory? – desafiei, com uma sobrancelha arqueada. – E você sabe que odeio quando me chamam de .

Ele soltou um riso, e retornou a se aproximar.

– Linda, eu vejo nos seus olhos o desejo e…
Desejo?

Seus dedos frios tocaram minha bochecha. Ele me encarou profundamente.

– Você me deseja como eu te desejo, linda.

Seus olhos me encaravam, e eu não queria pensar nisso.
Mas merda… era tão hipnotizante. Tão intenso, tão profundo.

– Greg.
– Olha, temos uma evolução. Linda, você nunca pensou em como nossos corpos podem se encaixar perfeitamente? – sussurrou no meu ouvido, sensualmente e baixo.

Não queria ter feito isso, mas mordi meu lábios inferior, controlando as sensações de meu corpo.

– Nunca pensou em uma noite… intensa comigo? – Sua voz baixa e rouca me arrepiou imediatamente.

Suas mãos grandes apertaram fortemente minha cintura, e em seguida, desceram para as laterais do meu corpo, parando em minha bunda.

– Não posso mais esconder minhas intenções, eu não aguento. Eu quero você, .

Tentei não focar na sua voz sensual no meu ouvido. Mas era praticamente impossível. Então, respirei fundo.

– Você tem noção de quantos garotos me disseram a mesma coisa essa semana?

Ele riu contra a pele do meu pescoço, afastou meu cabelo para o lado e, então, beijou devagar minha pele. Meus olhos fecharam por reflexo, e eu me amaldiçoei por isso.
Merda de garoto. Como era possível eu odiar e agora desejar ao mesmo tempo uma pessoa?

– Eu não ligo, . Você é uma mulher livre e solteira, tem o direito de transar com quantos caras quiser.
– Tem certeza? Você não liga para as fofocas?
– Você se importa? – perguntou com seu olhar ardente, queimando meu rosto.
– Não.
– Então, eu também não.
– Eu já estou acostumada com os boatos sobre minha vida, Gregory. E você, conseguiria lidar com isso? Sua reputação estaria em jogo.

Ele tomou o meu rosto em suas mãos e colou nossos lábios. O beijo me pegou de surpresa e não tive reação nenhuma, até suas mãos fortes segurarem minha nuca.
Ele mordeu meu lábio inferior e soltou, puxando e chupando, de um jeito tão sensual.
Estupidamente, desejei tê-lo dentro de mim.

– Linda, depois desse beijo eu não me importava com nenhuma fofoca sobre nós – murmurou, perto dos meus lábios
– Gregory, eu preciso ir.

Então, me soltei de seus braços e sai correndo.
Completamente perdida e excitada.
Eu, Ricks, estava excitada por Gregory.
Se eu não estivesse desesperada, estaria rindo pelos meus malditos pensamentos sobre ele.


Capítulo 2



Entrei rapidamente dentro do carro, deixando o motorista com uma cara de paisagem do lado de fora.

— Vamos, Steve! — chamei o motorista, despertando-o de seu transe.

Ele balançou a cabeça positivamente e fechou a porta. Entrou no carro e começou a mexer nos retrovisores, me causando uma certa irritação.

— Steve, está tudo ótimo, vamos! — falei, enquanto olhava para os lados. Achei que minha voz soou desesperada, pois ele arregalou os olhos e concordou, rapidamente.
— Ca-calma, Senhorita! — gaguejou, enquanto arrumava sua gravata de um terno ridículo que minha mãe obrigava os motoristas usarem.
— Estou calma, Steve! Você ainda não me viu brava!
— Ma-mas, senhorita, com toda educação, eu não qu-quero presenciar esse momento... — ele respondeu, um pouco hesitante.

Eu apenas olhei diretamente em seus olhos pelo reflexo do espelho, e ele encolheu-se no banco, abaixando a cabeça

— Hã… desculpe, senhorita, desculpe — murmurou.

Eu apenas revirei meus olhos, impaciente. Então, ele ligou o carro e eu finalmente consegui respirar. E no mesmo instante, Gregory Woods saiu correndo do colégio, provavelmente… na minha direção.
Ah, droga!
Ele correu rapidamente, desviando dos alunos que estavam parados em frente da escola, e mantendo os seus olhos fixos no meu carro.

— Steve, se você não acelerar essa merda de carro, eu mando minha mãe te demitir!
— Agora mesmo, Senhorita! — respondeu, prontamente.

E o carro saiu acelerando, deixando um Gregory boquiaberto no portão da escola. Sorri internamente com isso. Gregory esperava por uma rendição por minha parte, Ah coitado! Eu não sou o tipo de garota que ele pensa que sou. Eu não corria atrás dos garotos, eles que corriam atrás de mim. Eu não desejava os garotos, eram eles que me desejavam.

✩✩✩✩✩


Eu finalmente descansei o meu corpo num colchão macio e confortável. Eu estava quase dormindo, quando duas batidas na porta me despertou completamente. Abri os olhos assustada pelo barulho repentino. E novamente, as batidas retornaram a me perturbar.

! Eu sei que está aí, vamos, levante! — sua voz autoritária gritou.

Eu poderia temer pela minha mãe, mas eu não me importava. Ela simplesmente me trata como um nada. Então, eu a tratava como um nada também e isso inclui não obedecer suas ordens estúpidas.

! !

Me levantei irritada, e controlei internamente minha vontade de mandar aquela mulher ir para o inferno. Abri a porta, encarando-a com a melhor expressão de desdém.

— Melhore essa cara, menina!
— Se não está satisfeita com minha cara, não olhe. Essa é a única que eu tenho. — Dei de ombros.
— Mais respeito comigo, garota! Eu sou sua mãe! — esbravejou, irritada.

Eu ri, sem humor algum.

— Sério? Minha mãe? Você nunca cuidou de mim e nem se importa. — falei. — Qual foi a última vez que você realmente foi minha mãe?
— Eu pago tudo para você, sua ingrata!
— Acontece, mamãe — frisei, sarcástica. — Que dinheiro não compra carinho, atenção e muito menos amor! Então, não venha com seu papinho ridículo, por quê eu não me importo.
— Acontece, filhinha, que você não valoriza meu esforço, e muito menos meu sofrimento pelo o que eu consegui! Eu trabalhei muito na minha vida para dar algo digno à você! Mas, se você se sente incomodada ou insatisfeita, a porta é serventia da casa.

Fixei meus olhos nos seus. Eu tentava não deixar transparecer minha angústia diante daquela mulher fria, que era o motivo das minhas crises a noite.
Eu não podia simplesmente chorar em sua frente, não podia!
Ela era fria, distante, sem coração. Ela não se importa com ninguém, além de si mesma e seu saldo bancário. Apenas.
Por esse e outros motivos, eu desisti definitivamente de tentar ter um relacionamento saudável com minha mãe. Ela me manipulava, me humilhava, me xingava, como se eu fosse mais uma de suas empregadas, mas, a diferença é que eu era sua filha.
Minha mãe era uma mulher milionária e muito conhecida no mundo todo. Todos se inspiravam na estrela do cinema, Hicks.
E o mundo nem imaginava quem Hicks realmente era.

, lembre-se das suas obrigações, afinal, você não ganhará parte do meu império.

E então, ela me deu as costas, subindo o corredor largo e branco. Encarei as paredes, buscando por forças. Mas novamente, como todos os dias, eu teria que lidar com suas provocações, e consequentemente com minhas fraquezas.

✩✩✩✩✩


Eu tentava me concentrar no teatro, e não na briga que tive com minha mãe na hora do almoço. Eu aguentei, como todos os dias. Mas o maldito choro ficou preso na minha garganta e, quando eu entrei dentro do carro, ali mesmo, chorei em desespero.
Assustei Steve imediatamente. Ele nunca havia me visto vulnerável, aliás, ninguém nunca me viu vulnerável à alguma situação. Mas ele fingiu me ignorar, e não se atreveu a perguntar. Então, como se nada tivesse acontecido há alguns minutos atrás, me sentei ao lado das garotas.
Ignorando completamente os olhares em cima de mim.
Provavelmente eram novatos surpresos pela a filha de Hicks estar ensaiando para uma peça teatral.

— Ei, !

Ignorei totalmente a voz que estava me chamando. Eu sabia exatamente quem era.

! — A voz se aproximou.

Virei-me e dei de cara com Corey, e sorri brevemente para o garoto.

— Você está bem? Você se atrasou um pouco hoje.
— Estou perfeitamente bem. — Sorri.
— Sim, está mais linda do que nunca também — comentou com um sorriso malicioso.
— Obrigada pelo elogio, Corey. — Dei um sorriso forçado à ele.
— Que isso! Apenas estou dizendo a mais pura verdade, você é encantadora, ! — falou, analisando meu rosto.
— E… você sabe que não curto… , não? Apenas, .

Ele abriu um sorriso, exibindo todos os seus dentes brancos e perfeitamente alinhados.

— Claro! — falou, encarando-me com os olhos estreitos.
— Por que me encara assim? — perguntei, incomodada.

Ele disfarçou, e olhou ao redor e voltou a me encarar, sorrindo.

— Porque você é muito interessante, . Você é um enigma para mim.

Balancei a cabeça, concordando. Sem ter a mínima ideia do que dizer em seguida.

— Er… Corey você sabe que não podemos confundir o profissional com o pessoal, não é mesmo?

Ele sorriu, e passou os dedos entre seus fios loiros.

— Claro, mas sempre há uma exceção, não?
— Hum… acho que não. — Torci os lábios.
— Você já…
— Crianças, venham até o palco! — Michael, o diretor da peça interrompeu.

Obrigada, Michael!
Corey sorriu levemente, e murmurou algo que eu não compreendi, e levantou-se. Eu esperei ele andar primeiro e o segui até o palco.

— Então, estudaram os textos?
— Sim. — Todos responderam em uníssono.

Eu permaneci calada. Pois infelizmente — não é nenhuma surpresa — minha querida mãe fez questão de me ensaiar para a maldita peça.
O ensaio passou lentamente, e agradeci aos céus quando Michael finalmente liberou todo mundo. Sai do teatro — e nada surpreendente — a limusine já me esperava do lado de fora. E acrescentando, com um motorista ridiculamente vestido com um terno e uma posição ereta, como se fosse abrir a porta para uma rainha.
Talvez para eles eu fosse uma, na imaginação fértil daqueles idiotas que lambiam o chão de Hicks.
Entrei no carro, e bufei em tédio.

— Estou vendo sua vontade de estudar teatro, .

Soltei um grito assustado, e me assustei ainda mais quando vi minha mãe sorrindo. Ela exibia seus dentes perfeitamente brancos e alinhados, e, em seu rosto havia uma expressão serena. Como se fosse normal assustar alguém, ou melhor, conversar comigo.

— Que susto!
, eu preciso começar a te acompanhar nos ensaios para se esforçar mais e tornar uma grande atriz?
— Você sabe que não desejo ser uma grande atriz! — respondi, ríspida. — Esse é o seu desejo!
— Sim, enquanto você comer com o meu dinheiro, e viver na minha casa, eu tenho todo o direto sobre você, garota mimada! — debateu com seu tom de voz irritado.
— Então não reclame se eu não dou a mínima para a porra de teatro!

Então, num ato totalmente inesperado, senti um tapa ardido no meu rosto. Abaixei a cabeça com as mãos na bochecha, e os olhos fechados. Controlando-me o máximo possível para não surtar.

— Você que causou isso… — ela sussurrou.

Levantei minha cabeça lentamente, com os olhos fechados. Se eu os abrissem, as malditas lágrimas caíram sem parar.
Engoli em seco e respirei fundo. Senti o carro parar de se movimentar, e num ato completamente desesperado e irracional, fiz o que veio primeiro na minha cabeça.
Abri a porta do carro, e sai correndo pelo trânsito conturbado dos Estados Unidos. Ouvi os gritos irritados de , mas não me importei, continuei correndo pelas ruas.
Um carro quase me atropelou, e por reflexo, levei uma mão ao coração, como se aquele ato fizesse ele se acalmar ou tudo parar. Então, corri para a calçada e virei numa esquina qualquer. Eu trombei com algumas pessoas, mas não me importei e apenas acelerei os passos, correndo o mais longe da minha mãe.
Uma buzina alta despertou-me dos meus pensamentos. Olhei para os lados assustada.
Que não seja ela, que não seja ela.
Repeti em minha mente.
Parei e olhei para o carro luxuoso, e o vidro se abaixou lentamente, então, um Gregory sorridente apareceu. Não sei o que é pior, Gregory ou . Certamente, .
Greg era apenas um babaca que precisava de atenção, era muito pior.
Mil vezes mais.
Então, Greg desceu do carro e acenou em minha direção. Respirei fundo. Caminhei em sua direção com a cara fechada.


Continua...



Nota da autora: AHHHHH EU TO ANIMADA PARA VOLTAR COM OS CAPÍTULOS REESCRITOS AQUI! espero que gostem, e deixem os seus comentários, por favor. Até a próxima.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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