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Última atualização: 04/07/2020

Prólogo


Num canto mais afastado daquele cemitério, ela estava parada, encostada numa árvore, apenas observando os demais, os familiares do magnata milionário que havia falecido. Ela deu uma tragada no cigarro importado e sentiu pena da família. Sabia o que era perder alguém, a dor insuportável de ter que começar a planejar uma vida sem um ente querido. Já tinha sofrido bastante, apesar de não ter passado dos seus 29 anos. Uma idade relativamente empolgante para algumas garotas, mas não para ela. Em se tratando de Londres, aquela idade referia-se a muito mais do que somente uma liberdade e independência. Significava usar de si mesma para o que bem entendesse. Seus saltos altos Louboutin, seu sobretudo Chanel e os seus óculos escuros Marc Jacobs, a definiam como uma mulher de no mínimo charme. Em Londres, as pessoas que tinham dinheiro, eram as que mais chamavam atenção e com ela não seria diferente. Seus olhos expressivos, a maquiagem bem colocada, davam a impressão de que ela viveu para aquilo ali, remetia aos espectadores de que o seu berço tinha sido em ouro branco e cravejado em brilhantes.
Ela deu outra tragada naquele cigarro que só fazia com que o seu corpo relaxasse e mordeu o lábio inferior. Soltando o ar dos seus pulmões.
estava ferrada, como gostaria de pensar. Ali, naquele caixão, jazia o homem que a vinha a sustentado há exatos 5 anos, que tinha pagado o seu curso de Direito junto a presentes como um apartamento luxuoso em Chelsea e uma Mercedes para chamar de sua. Tiffany's era como bijuteria para a mulher e quanto mais ganhava, sua sede por mais se multiplicava. Ela jogou o cigarro no chão e passou seu sapato de mais de mil libras, arrastando junto aquela grama bem aparada, amassando a ponta que ainda demonstrava estar acesa. A mulher respirou fundo e tentou pensar no que iria fazer para conseguir dinheiro, ela estava, literalmente, destruída.
- Pensativa, ? – Perguntou , chegando ao lado da mulher naquele instante, muito bem vestido num terno Armani. Ele conseguia chamar atenção de todas as mulheres ali presentes, apesar de estar um tanto afastado, assim como ela – Como vai? – O homem olhou para ela, retirando, naquele exato momento, os óculos do rosto, ficando ainda mais bonito ao expor seus olhos claros.
conseguia escutar um burburinho, alguns olhares sob o seu corpo e naquele instante, com a presença do homem ao seu lado, a mulher recuou o um pouco a fim de que ninguém pudesse realmente e nitidamente entender de quem se tratava. A mulher fumando o seu cigarro.
- Entediada – Ela afirmou cruzando os braços – Sério, quanto tempo demora isso aqui? – A mulher passou a mão pelo cabelo impaciente, sabendo que, na verdade, ela poderia passar todo o dia ali parada, pensando o rumo que a sua vida tomaria dali para frente.
- Daqui a uns minutos acaba – Passando a mão pelo terno bem alinhado, ele depositou um sorriso de lado nos lábios, encarando a mulher a sua frente, intensamente – O velho te deixou alguma coisa? – Foi direto ao ponto ao fitar o rosto dela se contrair ao desviar os olhos dos dele, direcionando-os na direção oposta a que ele se encontrava. – Devo presumir que não – Ele a olhou para ela fixamente, levando a mulher a tirar os óculos do rosto e fitar os olhos dele, angustiada. – Você não sabe o que fazer?
- Eu tenho dinheiro – Sua voz não passou de um sussurro e ela se forçou a deixar um sorriso nos lábios, nervosa – Não é como se eu não tivesse, sabe? Tenho uma porra de um apartamento que eu posso vender, um carro, roupas de grife, joias, dá para me sustentar – balançou o pé sem cessar, aborrecida, o que o deixou sem entender.
- E por que o nervosismo? – Ele questionou fitando os olhos dela, que se chocaram com os dele, sorrindo tristemente.
- Tenho contas a pagar – sussurrou, deixando transparecer para ele o real motivo a sua angustia.
Aquela mulher com ar superior e fala mansa, não demonstrava nenhum tipo de emoção para as pessoas que a olhavam a distância. Num cemitério privado, repleto de pessoas influentes, hora ou outra um homem encarava os cabelos perfeitamente moldados ao corpo, ou a cintura fina, acentuada no sobretudo. O Cigarro ocupava sua mão e ela balançava os braços tentando buscar uma posição em que não sentisse um certo incomodo referente ao mal estar em que sentia por se encontrar ali.
- Mas você trabalha na empresa dele, não é? É advogada, , recebe quanto? 20 mil libras? – questionou, incrédulo – Você sempre foi ambiciosa, mas não imaginei que seria para tanto.
- Não! Eu fui demitida. – A mulher respirou fundo antes de continuar– Ele me pegou literalmente em cima da mesa dele com um advogado. – baixou a cabeça, recordando por um momento daquela cena, deixando que um sorriso sacana brotasse nos seus lábios – O velho era ridículo! Não se toca não, é? Ficou revoltado porque eu estava transando com o gostoso de lá, existe isso? – Perguntou debochada – Não, não existe, e o pior é que ele me demitiu e não demitiu o advogado... – Ela abriu a pequena bolsa, retirando seu maço de cigarro e um isqueiro Dunhill – Por isso eu estou fodida, não tenho dinheiro! Estou fodida, , fodida – balançou a cabeça enquanto acendia o cigarro e tragava mais uma vez. – Você acredita nisso? Fui demitida porque estava fazendo com outro, o que eu faço com ele! Piada! – Sua voz adquiriu um tom mais debochado e ela tragou o cigarro mais uma vez. Seus olhos percorriam cada mínimo detalhe daquele lugar e ela não mais encarava os olhos do James.
- Você não está fodida, , eu estarei sempre aqui– Sorriu dando uma piscadela para ela, que apenas fez careta. – Você sabe que eu estou aqui.
- Para que? Para que eu volte a ser puta? – Perguntou irritada, balançando a cabeça – Eu passo esse tipo de ajuda.
- Eu posso conseguir outro velho rico que te sustente afirmou com seriedade, tendo os olhos da mulher presos nos seus por um instante – Você não quer um velho rico?
- Não – Tragando o cigarro mais uma vez, ela deu de ombros andando de um lado a outro, interessada nos próprios pés, analisando a proposta feita e o quanto sentia repulsa de ter que voltar até o ponto inicial da sua vida ali – Quero uns novinhos gostosos.
Estudou cada passo que ela deu, a mulher fatal tinha os olhos perdidos em qualquer acontecimento corriqueiro, levando-o a insanidade a todo instante. Ela conseguia a proeza de demonstrar autoritarismo e soberba mesmo quando se encontrava em péssimos momentos. Uma mulher de mil faces, ele tinha que admitir. Uma cobra prestes a dar o bote, sempre pronta para o próximo passo.
- Você ainda faz parte do meu casting – Ele lembrou-a observando-a erguer uma sobrancelha – Como indisponível, claro, mas faz, qualquer coisa do seu nível, eu te ligo – deu uma piscadela antes de depositar um beijo em seu rosto, passando seus dedos ao redor da boca dela, um pouco hipnotizado – Você pode contar comigo para tudo, você sabe – Ele falou com os olhos cheios de sentimento, o que fez com que ela soltasse um sorrisinho debochado.
- Eu acho tão fofinho o meu cafetão apaixonado por mim. – mordeu o lábio inferior ao ver as feições dele enrijecerem. – A gente se vê, – Ela soltou um beijo no ar e virou as costas para ele e para tudo ali.

O seu queixo tremia na medida em que o seu corpo caminhava para o carro. O caminho nunca fora tão lento. Seus passos trêmulos iam de acordo com o desejo de enfim desabar. Durante toda a sua vida, batalhou para obter o que queria, nada havia sido fácil e nem nunca seria. acreditava em carma. Talvez aquele fosse o seu. Ter que voltar a proporcionar prazer a homens que sequer despertavam um resquício de prazer ao seu corpo. Avistando o carro, ela apressou os passos acionando o alarme, destrancando o carro sem escutar nenhum som aparente, além dos seus passos indo de encontro ao chão de concreto. Ela precisava pensar no que faria dali em diante. Não poderia voltar a ser prostituta, não poderia seduzir o para que ele a sustentasse, ele era um bom homem, não merecia viver de migalhas, as quais ela estava disposta a doar. Ela necessitava de um novo modo de vida, ela carecia de um novo trabalho, ganhar seu próprio dinheiro sem depender de ninguém. Seu celular tocou e ela suspirou, abrindo a clutch Alexander Mcqueen. observou o visor para fechar os olhos ao atender a ligação, com o coração em disparada.
– Alô? – atendeu com a voz um tanto perturbada, para ficar em silêncio logo em seguida. As lágrimas já desciam pelo seu rosto, para desesperá-la. A mulher entrou no carro e sentou-se no banco, encarando o retrovisor, analisando o rosto com aquele sinal de fraqueza que se mostrava presente naquele momento. – Eu vou conseguir, eu prometo, vou conseguir o dinheiro. – Ela sussurro, desligando o celular e o arremessando longe, passando as mãos pelo cabelo, jogando sua cabeça para trás encostando-se no banco do carro – É , nem tudo que reluz é ouro, às vezes, somente é uma faca apunhalada no seu peito – Sussurrando, ela passou as mãos pelo rosto, a fim de afastar aquele momento de fraqueza. A maquiagem continuava intacta, mas ela não enxergava aquele rosto perfeito no espelho. As cicatrizes do seu passado estavam a mostra, junto a sua alma que recaia sob a realidade repleta de frieza e barganha.
ligou o carro e deu partida, afastando qualquer resquício de lembrança do que acontecera na sua vida naqueles últimos dias.

‘’Ask yourself why I would choose to prostitute myself’’
prostitute – guns n roses


Capítulo 1

'Eu repetia mentalmente...
Não chega mais perto,
eu vou beijar a sua boca
e prostitutas não fazem isso...'


O Champanhe borbulhava na taça. Seus olhos observavam aquele movimento enquanto o carro deslizava pelas ruas Londrinas numa noite típica de terça feira. Momento perfeito para homens se entreterem numa reunião de negócios ou um jantar com uma acompanhante de Luxo. O terno vinha sempre acompanhado de uma gorjeta ao garçom para demonstrar o poder que possuíam, o motorista era somente o início de uma noite entediante para mulheres como e a fantasia daquelas que desejavam realizar o sonho de vencer na vida, mesmo que essa mudança fosse através de algo sujo que habitava a escuridão da noite. A janela do carro proporcionava uma mistura de luzes que em conjunto ao champanhe que ela bebericava com bastante entusiasmo transformavam o seu corpo em chamas. havia sido pega de surpresa, sem ter cogitado aquela possibilidade, se viu entre ficar mais um tempo pensativa em casa ou ir a um encontro arranjado. O Mercedes preta com uma placa oficial demonstrava que dinheiro nunca seria problema para o que ela estava prestes a conhecer. As 19 horas estava pronta e com a pontualidade dos ingleses, ela se viu percorrendo junto a um carro desconhecido ao seu destino final.
O carro foi estacionado em frente aquele lugar no qual conhecia tão bem, seus olhos percorreram o veículo e ela observou o motorista que a encarava pelo retrovisor. O banco de couro era espaçoso e continha duas garrafas de champanhe depositas nas laterais, junto a taças que ela se deixou utilizar uma. Era um automóvel completamente novo, o couro cheirava a fabricação e sentiu os pelos do corpo arrepiaram quando percebeu que tudo aquilo era feito somente para si mesma.
Ela saiu do carro no momento em que o manobrista abriu a porta, ergueu o corpo naquela noite estrelada e rara, sua mão se posicionou na porta e ela deixou que seus olhos se perdessem naquele raro e estrelado céu, no frio daquela cidade que tanto se encontrava em casa, dias como aqueles mereciam um passeio. Percorrer suas ruas sem destino segurando uma garrafa de champanhe e uma boa companhia. Alguém que não a levasse ao descontrole, mas despertasse na mulher um pouco de excitação e prazer, ao seu lado, ela escutou um pigarrear e quando seus olhos se fixaram no homem tímido ao seu lado, ela deixou que um sorriso simpático brotasse dos seus lábios. retirou a mão da porta e o manobrista a fechou. A mulher viu o carro percorrer por aquela rua movimentada e voltando seus olhos rapidamente, pôde analisar o semblante fascinado do rapaz. Ele estava devidamente bem vestido, o uniforme do Hotel, um sobretudo azul por cima e um chapéu, em contrapartida, a mulher estava com saltos altos, um vestido preto moldado ao seu corpo e um sobretudo por completando o look, Versace era detinha o controle de cada peça que tinha sobre si. Nunca se considerou a mulher mais bonita de nenhum local que fosse, mas certamente seria uma das mulheres mais bem vestidas do loca. O charme se encontrava nas vestes, no seu caminhar como uma pluma que viajava junto a velocidade em que o vento definia, suave, impactante, ela. As mulheres sofisticadas tinham o que queriam e não precisavam fazer esforço algum para isso. caminhou para a entrada do The Ritz, imponente. Muitos olhares do local foram direcionados a ela e ela passou uma mão pelos cabelos com os olhos fixos num ponto cego, somente para que os homens tivessem a oportunidade de contempla-la sem a soberba de que ela poderia encara-los por algum instante ou flertar e que suas mulheres ou acompanhantes, tivessem inveja de alguém como ela.
O Hotel Ritz significa muito mais do que somente um dos mais luxuosos hotéis do mundo, para , recém chegada a Londres a alguns anos atrás, parar em frente aquele prédio magnifico de arquitetura neoclássica se assemelhando a um bloco de estilo parisiense. A iluminação noturna conseguia transportá-la para um século completamente distinto, onde mulheres como ela, nunca sonhariam em estar num ambiente como aquele. Cada detalhe daquele ambiente sofisticado foi construído para a alta sociedade, algo que não foi modificado durante os anos e percorrendo o seu olhar pelo balcão de entrada, ainda se encontraria completamente fascinada pelo lugar. Começando pela tapeçaria que percorria todo o seu piso, os mais diversos quadros emoldurados pelas paredes e seus cômodos com cores distintas, assim como moveis e objetos de decoração. A escada circular sempre havia fascinado a mulher e ela tinha total certeza de que aquilo nunca mudaria. caminhou a vontade até a recepção avistando uma pessoa e acenando com a cabeça, sorrindo discretamente para que ninguém a definisse como distinta do que havia apresentado até ali.
caminhou até a porta perfeitamente moldada daquele restaurante tão fascinante se deixando acenar para os criados do local. Uma mulher de longos cabelos loiros, presos num coque, estava em pé com um tablet em mãos, graciosamente cumprimentando as pessoas que caminhavam pelo estabelecimento a fim de proporcionar não somente uma estadia fascinante pela sua arquitetura, mas junto a isso, a perfeita hospitalidade na qual eles eram tão famosos quanto.
- Sra. – A recepcionista acenou junto ao seu perfeito sorriso, cumprimentando que meneou a cabeça em resposta, simpática ao cumprimentá-la, mordendo sua bochecha ao tentar manter o controle para não ir direto ao ponto.
Por um instante, teve a ideia de pergunta-la abertamente quem estava a sua espera, mas o devaneio foi rapidamente aniquilado dos seus pensamentos, junto a ideia de não demonstrar nenhum tipo de envolvimento ou curiosidade.
- Já disse que não gosto do Sra. Tenho 29 anos, não 50, mesmo que eu já tenha a mente de uma idosa – se deixou caçoar de si mesma, passando por ela e entrando no Restaurante – A mesa de sempre? – Ela questionou virando-se para a recepcionista que deixou mais um sorriso aberto ser depositado no rosto.
- Sim, Sra – A mulher afirmou lembrando-se das palavras da anteriormente, ficando sem jeito por um instante. era uma das mulheres mais bonitas que frequentava aquele lugar, em sua opinião. A conhecia formalmente a mais de cinco anos e durante todo aquele tempo, pôde observar a evolução da mulher, tão diferente das garotas mais jovens que costumava aparecer ali para jantares com homens distintos, assim como ela. O que diferia , na sua opinião era a classe e elegância, a maioria dos funcionários tinha a certeza do que se tratava os jantares muitas vezes coorporativos em que a mulher frequentava, assim como as outras mulheres e garotas que caminhavam por ali.
Acompanhantes de luxo. Discretas, elegantes e bonitas. Cada uma possuía sua peculiaridade e algumas tinham sido convidadas a se retirarem do ambiente, o cassino era o ponto alto da noite enquanto seus respectivos acompanhantes perdiam ou ganhavam bastante libra, mas nunca ficava por muito tempo jogando conversa fora.
Dentre os funcionários e toda a conversa que circulava, ela era uma das mais velhas e mais bem pagas. Então, observando-a sentar-se sozinha, ela soube que aquela mulher não deixaria de frequentar o Ritz tão cedo.

caminhou animadamente para a mesa, realmente feliz naquela noite em particular. Não pôde negar um contentamento ao marchar por aquelas mesas cheias de pessoas da alta sociedade. Ela chamava atenção dos homens por desejarem-na e das mulheres por invejarem-na. Nunca se sentiu envergonhada por isso, sequer cogitava a possibilidade de passar despercebida. gostava disso, amava o quanto as pessoas curvavam-se para vê-la passar e se perguntar se ela não era uma atriz da tv. Não sabia o que a aguardava, porém, podia ver as costas largas, o cabelo devidamente arrumado e se não fosse de muita ousadia dela, diria que o terno era Armani - o seu favorito em homens, ela não negaria. A mulher mordeu o lábio inferior ao se sentir curiosa, parando em frente à mesa, com um sorriso estampado nos lábios, esperando o homem que ela conheceria naquela noite.
A mesa de sempre era definida por um local privilegiado em que ela conseguia observar os carros percorrendo a Picadilly e caso ela inclinasse um pouco o rosto para o lado, a Picadilly Circus ocupava a sua mente e realidade, enchendo-a de satisfação. Diante os seus olhos, deixou que o sorriso aberto e galante morresse no instante em que ela se deparou com o homem a sua frente.
- Oi, linda! – Ela escutou aquela voz tão conhecida e o olhou surpresa. Não sabia que estava tão desatenta para distinguir os ombros largos de alguém conhecido, quanto mais os dele. tentou recapitular os segundos que antecederam aquele encontro tentando mesclar a um lapso em que se deixou iludir pelo fato de não ter que se deparar com aqueles olhos, belos olhos, mas ainda sim, os dele.
- O que você faz aqui? – questionou contrariada, batendo o pé no chão repetidamente antes de acomodar-se na cadeira, fitando-o, incrédula. – Sério, , você não cansa? – Ela questionou posicionando sua bolsa junto a mesa enquanto tentava acalmar os pensamentos homicidas que pairavam a sua mente naquele instante. fechou os olhos e respirou fundo, num misto de inquietude e descontrole que pairavam a sua mente diante do homem, extremamente bonito e bem vestido, porém, bastante piegas – Esse é a minha terceira tentativa e você já estragou todas – A mulher exclamou com a voz controlada, mesmo que no seu íntimo o desejo de mata-lo ainda parecia ser bastante apetitosa.
- Lógico, você não me ligou em nenhum momento para ajudá-la – Ele sorriu confiante, enquanto ela se limitava a bufar – Me senti deixado de lado e você sabe como eu odeio quando isso acontece.
- Eu tenho os meus contatos, não preciso de um cafetão – A mulher resmungou por entre os dentes. encarou os olhos dela, observando-a analisar o menu de degustação como se já não soubesse cada item daquelas páginas. Seu maxilar ainda estava trincado e ele sabia que aquele ar de teimosia iria embora no segundo em que ele afirmasse o que certamente estaria esperando-a.
- Qual é, , você quer mesmo começar uma guerrinha contra mim? ergueu uma sobrancelha, fixando cada detalhe do rosto da mulher a sua frente, tão bem maquiada, tão bem feita, completamente diferente do rosto da garota que ele conheceu há 6 anos atrás. – Você está linda – Ele sorriu sincero e, se ela fosse capaz de sentir alguma coisa por qualquer homem que fosse, ficaria boba ao receber um elogio tão sincero do homem a sua frente, mas infelizmente, ele não passava de mais homem criado e mantido na sociedade onde mulheres para casar sempre se tornavam entediantes e mulheres como ela eram um desafio a ser vencido.
- Sem esses elogios para cima de mim, não colam. – Ela falou enquanto balançava a cabeça negativamente, erguendo os olhos do menu, encarando-o – pronunciou o seu nome, séria. – Eu estou tentando sobreviver – A mulher o olhou num misto de preocupação e confiança, deixando que a apreensão não fosse percebida por ele, demonstrando uma certeza que ela não saberia dizer se realmente sentia.
A busca por uma nova clientela se resumia em ligações para alguns empresários que havia conhecido em festas. não era uma pessoa noturna, mas gostava de confraternizar com homens mais velhos e ricos somente para ter aonde recorrer quando alguma coisa saísse do seu controle. Em todos aqueles anos, ela se limitou em comparecer a algumas festas ou noites no cassino exatamente por aquilo.
Nenhuma acompanhante de luxo conseguiria almejar o topo caso não tivesse um pouco de controle diante as suas atitudes e planejasse um futuro. O presente destruía muitas delas e pôde presenciar muito daquilo acontecer em frente aos seus olhos.
- E eu estou atrapalhando aonde? – ? indagou, vendo-a comprimir os lábios irritada, deixando o menu em cima da mesa e o segurando novamente, em questão de segundos, diante o seu incomodo. A mulher segurou o menu novamente em mãos, o folheando, interessada no que tinha escrito, apenas para irrita-lo; ela sabia o quanto ele odiava conversar seriamente, enquanto a se limitava em dar atenção a qualquer outra coisa, menos ele. O que a deixava mais bonita ainda, aos olhos do homem – Estou com cliente, no 132, o seu quarto preferido – deixou um sorriso de lado ocupar seu rosto no instante em que soube que ela reagiria positivamente aquela afirmação. Diante todos os anos de experiência que teve dentro daquele mundo, aprendera a conhecer cada mulher que havia passado pela sua agência e com ela não seria diferente. retirou os olhos do menu, entusiasmada. Ela já tinha memorizado cada prato que tinha ali, cada ingrediente, cada vinho caro, tudo. – Interessou? A chave é essa – comentou calmamente, deixando a chave em cima da mesa, enquanto se levantava e a olhava com desdém – Se gostar, avisa – O homem deixou visível seu belo sorriso dando uma piscadela para ela, proporcionando a mulher um misto de excitação e contentamento ao sorrir sacanamente, aquilo não seria de graça e ela teria que pagar muito caro.
- E o seu preço? – questionou com a voz baixa, mas não sem que ele escutasse, virando-se para ela com um sorriso sorrateiro brincando nos lábios.
inclinou o corpo até o corpo dela, se posicionando a centímetros do seu rosto, sem desviar os olhos, ainda com o sorriso perambulando por ali. Numa fração de segundos, o homem se movimentou, deixando seus lábios ao lado do ouvido da , deixando que um gemido fraco se fizesse presente, observando a mulher fechar os olhos em contemplação diante tal atitude.
- Você é o meu preço. – Ele sussurrou com a voz rouca e teve uma certa dificuldade ao controlar a vontade de agarra-lo bem ali. Ele conseguia proporcionar momentos como aqueles, às vezes. Homens bonitos sempre haviam sido o seu fraco e não ficaria de fora. Ele tocou o seu rosto delicadamente com a ponta dos dedos e entreabriu os lábios momentaneamente para fecha-los com força, a mulher recuou o corpo, encostando na cadeira, piscando os olhos diversas vezes a fim de distanciar os pensamentos libidinosos que se fizeram presente, ainda com o corpo arrepiado, ela se deixou passar a mão pela nuca e desviar os olhos dos dele. Malditos hormônios.
Não era novidade para ninguém que ele arrastava uma asinha para a e ela não poderia negar que uma ou duas vezes, tinham transado como 'bons amigos', mas nada além disso. Para , era tudo aquilo o que ela sempre detestou na vida. Um riquinho mimado que cansou de cuidar das empresas do seu, até então, falecido pai e resolveu fazer o seu dinheiro, de modo ilegal é claro, mas ainda assim o seu dinheiro.
Ele inclunou seu braço até o corpo dela, passando seus dedos pela boca da script>document.write(Serena), que não sabia se batia nos seus dedos, ou se deixava ele se divertir, pelo menos até o momento em que ela subisse e se deparasse com cara gordo e feio com quem ela teria que transar, algo em que ela prometeu que não faria mais.
- Isso não tem preço – sussurrou para que ele continuasse com os olhos presos ao dela, o deixando nervoso, com o coração em disparada – Principalmente se lá em cima estiver um velho gordo que eu não estou afim de conhecer. – A mulher sibilou por entre os dentes, sem se deixar perceber. Para todos os presentes naquele restaurante sofisticado, script>document.write(Serena) estava tendo uma pequena desavença com o seu até então, companheiro. As vozes nunca seriam alteradas ou ambos, que se entreolhavam com fúria nos olhos, lidariam com aquele pequeno incomodo como algo externo, não necessitavam de plateia para nada. A delicadeza em que os lábios dela se mexiam ao responder o homem a sua frente a proporcionavam momentos de completo deleite, somente ele saberia do que se tratava aquilo.
- Me liga depois – direcionou outra piscadela para ela, erguendo o corpo, antes de virar-se de costas para a mulher e caminhar a passos largos, saindo rapidamente dali, deixando-a sozinha com os seus pensamentos e dúvidas.
Ela estava com ódio. Primeiramente, se sentia uma idiota pelo fato de não ter segurado os instintos e ter transado com um carinha qualquer em cima da mesa do seu velho; depois se sentia mais idiota ainda por não ter gostado da transa que, na época do flerte, parecia que seria completamente interessante. respirou fundo e se colocou a pensar se iria ou não comer ali. Na verdade, não estava com fome. Em casa, se alimentou com bobagens demais e precisava estar com o seu corpo perfeito para não decepcionar quem quer que fosse. A perfeição definia cada um dos seus traços e não teria problema naquele instante em se deixar comer algum doce magnifico que conhecia tão bem, mas não o faria. Não podia. Prostitutas trabalhavam como uma vitrine humana, sempre se colocando no seu ápice corporal, não existia nenhum tipo de opção por fraquejar diante uns quilos a mais ou uma roupa que não fizesse jus ao seu porte e sua classe. Tinha chegado naquele patamar por esse único motivo, o controle e a regulação perfeita de cada uma das suas reações e atitudes.
Caso tivesse que analisar o cara que ela transaria naquela noite, seu desejo ficaria em torno de um sheik árabe no intuito de que ele se apaixonasse por ela e se casasse, deixando-a milionária, apesar de ser feio demais. Já tinha visto foto de alguns deles e pouquíssimos eram bonitos o bastante para seu alto requisito, tinham mostrado a quando se colocou a procurar por homens ricos e dispostos a sustentar uma advogada desempregada. Depois de 4 meses desde a morte daquele homem, ela estava exatamente como ele a deixou: desempregada, falida e sem vergonha alguma. Tinha passado longos 4 meses em busca de emprego, era inteligente e ótima na área tributária, mas dos 4 escritórios que a chamaram para uma entrevista, 3 dos sócios a conheciam e sabiam que ela era caso do velho, os deixando com livre arbítrio para tentar passar a mão por ela e abusá-la, coisa que ela não admitia, desistindo logo em seguida de procurar um emprego e voltando à estaca zero.
Não sentia prazer em transar com um cara a cada dia, sabia que já tinha feito isso um dia, mas ultimamente ela estava mais seletiva. Do casting do , ela era a indisponível. Estava assim há um bom tempo, desde o dia em que se viu com o velho e descobriu o quão podia ser interessante aparecer nas festas dos magnatas com ele, para que ele, deixando sua esposa e filhas em casa, pudesse se exibir com a beldade ao lado. Uma mulher elegante, fina e, acima de tudo, que ele poderia levar para cama. Mesmo que na maioria das vezes, não o fizesse.
ergueu o corpo da mesa, deixando uma nota de 10 euros e pegou a chave por entre as suas mãos, caminhando lentamente um pouco nervosa para o lugar informado. A mulher mordeu o lábio inferior ao passar pela recepção, voltando imediatamente ao visualizar quem estava sentado ali. Ela sorriu largamente ao observar o homem que sorria completamente interessado na mulher a sua frente. se apoiou ao balcão e fitou August sorridente; o mesmo soltou um sorriso fraco para ela, já sabendo que alguma coisa ela queria. Conhecia bem demais para saber o que aquele sorriso fraco, porém lindo, significava alguma informação completamente indisponível onde ela não enxergava dessa maneira.
- Boa noite, Mademoiselle – Albert sorriu, cumprimentando-a sorridente – Esse seu sapato está uma graça, . Você me empresta algum dia? - Ele brincou no minuto em que o último hospede saiu dali, deixando-os sozinhos.
- Te dou de presente – deu de ombros deixando-se sorrir abertamente, fazendo o garoto erguer a sobrancelha – O que foi? – Ela lançou um olhar inocente, fazendo-o erguer uma sobrancelha.
- O que você quer, ? – Ele foi direto ao ponto, a conhecia bem demais. Haviam trabalhado juntos num barzinho beira de estrada, antes de ela mudar drasticamente de vida, Albert sabia do que ela era capaz de fazer para conseguir o que queria e naquele momento ele se pôs a pensar o que estava despertando a curiosidade da mulher.
repensou algumas vezes antes de questionar sobre o seu interesse. Por maior que fosse a sua curiosidade, sempre deixou de lado qualquer tipo de interesse velado diante de algo em prol da sua descrição, então, para ela, uma mulher fria e controladora, trocar um sapato por uma mísera informação, teria que valer muito a pena.
- Quarto 132 – Ela falou para o garoto que se encontrava ali e esperou ansiosamente por uma resposta. Ao seu lado, algumas pessoas se movimentaram e pediram informações, outros se deixaram fazer o check-in, ela somente encarou os olhos dele ansiosa, vendo-o perder a concentração por um instante, enquanto distribuía informações para os presentes ali.
- Qual o interesse? – Albert ergueu uma sobrancelha ao vê-la erguer no ar uma chave onde os números foram imediatamente reconhecidos por ele, fazendo o garoto sorrir sacana; ele havia entendido – Uau – O homem sussurrou voltando para uma mulher ao lado da que pedia informações em francês. Albert se viu maravilhado ao testar a fluência das aulas do francês, com uma pronuncia perfeita, despertando em , um sorriso de orgulho por vê-lo se dar bem, assim como ela – Encontro às escuras, ? – Ele perguntou abanando o corpo, mordendo o lábio inferior, demonstrando excitação – Adoro essa sua vida.
- Vamos, Albert, não tenho todo o tempo do mundo. – Ela revirou os olhos sem paciência para os joguinhos que o seu amigo adorava fazer. Até gostava bastante dele, já haviam passado por maus bocados juntos, mas naquele instante, ela só precisava de algumas informações que ele possuía, suas reações estavam em demasiado espalhafatosas para que elae não soubesse muito mais do que ela, Albert só não queria dizer tão rapidamente– Quem está lá? – voltou a questionar, batendo os pés no chão, escutando seus saltos ecoarem a cada movimento em que seu corpo, impaciente se deixava Fazer.
- Ninguém, meu bem – Ele sorriu sem graça ao ver a mulher fitar os seus olhos com a sobrancelha erguida, sem entender o que estava errado naquela frase dele – O Quarto 132 acabou de sair da reserva – Albert deu mais outro sorrisinho sem graça ao fitar cada traço daquela mulher. Ela estava em demasiado irritada, queria estrangular alguém e Albert sabia que ela poderia ser a primeira vítima. não era o tipo de mulher que se deixava ser jogada de lado, aprendera muitos anos atrás quando ambos tentavam dividir o mesmo teto em busca de um lugar privilegiado na grande e cinzenta Londres. suspirou pesadamente, seus olhos percorreram aquele ambiente e ela se deixou ficar paralisada observando um quadro monárquico, vestidos pesados e completamente elegantes, cintura marcada, seios a mostra. A mulher o quadro tinha feições aristocratas, loira, olhos azuis. Um oposto direto aquela mulher que buscava por algum tipo de calma ali, junto ao homem que parecia se divertir às suas custas.
- Eu estou com as chaves – A mulher ergueu a mão, balançando a chave por entre os seus dedos um tanto, trêmulos, diante seu descontentamento. – Porra, Albert, pare de brincadeiras, eu estou irritada – Bufou, sentindo raiva dele naquele momento, fechando um dos pulsos com força, tentando segurar a vontade que ela sentia de estapeá-lo – Eu sei que tem alguma coisa naquele quarto, certo? Então pare de gracinhas e me fala logo, quem está lá? Quero altura, cor dos olhos, corpo, sorriso, o que você tiver de informação relevante.
- Amada – Albert começou espalhafatoso, recebendo um olhar cruel e frio do seu companheiro de turno, levando o homem a dar de ombros, continuando a demonstrar pela primeira vez ali, sua real personalidade – Eu já falei que não tem ninguém lá, se quiser você vai lá e vê – Ele bufou fingindo indignação - Se você quiser, pode ir para lá. Relaxar, você está precisando – Deu uma piscadela para ela, que o fitou com os olhos intensos, tendo fortes indícios psicóticos de matar aquele ‘viadinho de merda.’
deixou seu olhar preso nos dele por alguns segundos, até desviar, dando de ombros - Se foda então, Albert, estou subindo – Ela resmungou por entre os dentes ao sorrir cinicamente e dar as costas para ele, sem olhar uma vez para trás.
Sentia seu corpo acanhado. Aquela montanha russa em que seus últimos dias tinham se limitado em se tornar estavam acabando com a sua maturidade e controle. Estava precisando de um pouco de bebida percorrendo suas veias para talvez relaxar um pouco. As reservas que possuía iriam acabar antes que ela conseguisse em cogitar uma possibilidade que fosse plausível junto a vida que não queria abrir mão. Seu grande problema em se tratando da morte do velho. Não queria abrir mão de absolutamente nada. Algumas taças de champanhe francês seriam o bastante para relaxar um pouco e talvez desfrutar sozinha e com sua própria companhia a melhor suíte daquele lugar. tinha falhado em todas as tentativas, se sentia uma fraca, uma menininha assustada que tinha nojo de transar com velhos gordos, como se ela nunca tivesse feito isso. Prometeu a si mesma que nunca mais se submeteria a tal situação constrangedora simplesmente por acreditar que a sua vida estava andando por entre os trilhos e que ela não iria precisar nunca mais vender o seu corpo por qualquer libra. A mulher entrou no elevador e soltou o ar dos pulmões com toda a sua força, ela tiraria toda aquela noite para arquitetar um plano, para se deixar influenciar pela bebida, a banheira cheia de espuma e os seus delírios. Detestava pedir ajuda ao ou a qualquer pessoa que fosse, sempre foi independente ao ponto de desde os 12 anos, não necessitar de ninguém, nem que para isso ela precisasse sair de casa e passar algumas noites na rua. Nunca se submeteu a alguém, sua vida sempre foi e sempre seria controlada por si mesma. Portanto, sabia quel utaria com todas as suas forças contra o e a sua vontade doentia de tê-la para si. Não cederia, pelo menos não por agora.
parou no último andar daquele hotel, o mais luxuoso de Londres, aquele que a realeza gostava de se hospedar, e caminhou a passos lentos escutando seus saltos tocarem ao chão a cada caminhar, pelas suas pernas nervosas. Ela parou no quarto 132 e olhou aquela porta, tão bem trabalhada, tão elegante e pegando o cartão, depositou na fechadura abrindo-a, notando que estava sozinha ali. A mulher rapidamente entrou, tirando os saltos altíssimos e sentindo a maciez do chão com aquele carpete tão gostoso que tantas e tantas vezes já havia servido de cama para ela e os seus amantes. mordeu o lábio inferior ao constatar que aquele ali, como o tinha informado, era mesmo o seu quarto preferido; não por ser diferente dos demais, mas a vista que ela tinha ao parar em frente a sacada era realmente de tirar o fôlego. Conseguia ver o movimento dos famosos Routmaster para lá e para cá e aquela era uma das imagens que nunca esqueceria de Londres. Ela sentiu-se amedrontada, por um instante, repensando se em algum momento, poderia ficar sem ver mais daquele lugar naquela vista privilegiada, a reserva daquele quarto não era fácil, mas em se tratando do o não existia dificuldade para absolutamente nada.
se perdeu um pouco pensando no quanto sempre tinha gostado de passear naqueles ônibus vermelhos originais, abertos em cima, com o vento batendo e bagunçando os seus cabelos enquanto ela contabilizava se aquele cinza no céu iria se transformar em gotas de chuva molhando todo o seu corpo que mais uma vez não trouxe capa para mais um passeio daqueles, sempre que tinha um tempo, gostava de colocar as ideias em ordem assim, sentindo a brisa bater no seu rosto, assim como deitar numa banheira e passar horas e horas a fio. Ela teria passado horas ali, vendo as ruas tão bem desenhadas da sua amada Londres se não fosse um pequeno barulho que se fez ouvir da entrada do quarto. Ela não teria escutado se estivesse conversando com alguém, ou se caso estivesse escutando uma das suas músicas favoritas, apenas ouviu porque o silêncio dos seus pensamentos a deixam um pouco arisca, fazendo qualquer pequeno som ser audível demais aos seus ouvidos.
Ela se postou, pé ante pé até bem próxima a porta, apenas esperando que o desconhecido abrisse, fazendo com que o coração dela batesse descompassado com a ideia de que o tal do encontro do estava ali, querendo-a. Um misto de confusão pairou a sua mente ao tentar procurar com os olhos seus saltos que certamente estavam jogados em algum lugar, a mulher fatal dera lugar a uma mulher corriqueira, repleta de dúvidas e angustias. Já havia retirado um pouco da sua máscara de Deusa do sexo e estava tentando ser apenas ela naquele momento.

.

A porta se abriu e ela não soube defini por quanto tempo ficou paralisada ali, fascinada por aquilo que ela tinha acabado de encontrar. O homem a sua frente estava com um celular em mãos e discutia animadamente com uma pessoa que ela não saberia nunca dizer quem era. Seus traços aristocráticos, seus olhos fortes e penetrantes que no instante em que encontraram os dela, foram intensos o suficiente para cessar qualquer outro movimento em que fazia. Os olhos dele estudaram cada linha do corpo da mulher a sua frente, deixando-a desconcertada ao ponto de sentir suas pernas fraquejarem, tamanha era a tensão sexual que ela sentia. Ele era alto, o bastante para colocá-la nos seus braços sem que aquilo parecesse um esforço para ele; seus braços fortes, suas mãos firmes foram impactantes para Serena.
Por um curto espaço de tempo, tentou cogitar possibilidades que fariam sentido. Ele parecia surpreso ao encontra-la, talvez fosse uma mera coincidência ou louvado fosse , ela pensou.
O homem desligou o celular e fixou seus olhos nos olhos da mulher a sua frente. Saía faísca dos seus olhos e, naquele instante, ele sentiu sua aliança na mão direita formigar um pouco, fazendo-o movimentar a mão, desviando os olhos dela para lá. sentiu o corpo arrepiar pela aliança grossa e em outro que ela pôde observar na mão esquerda. Conhecia pouquíssimos homens que usavam aliança em Londres, algo peculiar e completamente o oposto do lugar de onde vinha. Aparentemente, os homens não precisavam da necessidade de aplicar a um dedo algo forte o suficiente para defini-los como comprometidos, palavras valiam muito mais do que objetos, e os poucos homens que havia encontrado pelo seu caminho que usavam do objeto, eram honestos e costumavam ser fiéis.
deu um passo à frente vendo-o demonstrar confusão por estar em sua frente, muitas vezes, a mulher possuía desejos carnais junto a homens muito bonitos, poucas vezes ela se viu numa armadilha como aquela. Ele não deveria ter mais do que seus 39 anos e não desviava seus olhos de cada traço dela. Independente da veracidade daquele pseudo cliente, o desejo de tê-lo naquela cama estava se tornando uma tentação maior do que o pagamento em sua conta ao final da transa. Seu peito arfava e ela talvez tivesse se deparando com uma vontade de ser possuída como a muito tempo não sentia.
- Estou atrapalhando? – Ele perguntou parando vendo-a cessar os passos, ficando a centímetros do seu corpo, sentindo-se um pouco constrangido.
- Não, eu... – sorriu nervosa, passando uma das mãos pelo cabelo, em desalinho – Eu sou...
- – A voz dele saiu grossa e mais roupa do que anteriormente, transformando o seu corpo numa corrente elétrica repleta de excitação. Ele sabia o seu nome, certamente tinha certeza de quem ela era – Eu sei quem você é – Ele deu um passo à frente, o suficiente para que o seu corpo ficasse perto demais do dela e percorrendo seus dedos pelo rosto dela, ele sorriu um tanto tímido, deixando-a arrepiada pelo simples toque. tentou raciocinar rápido para tentar entender por onde aquele homem estava escondido. O sotaque inglês deixava nítido que ele era dali. O Corte do terno implicava numa quantidade significativa de dinheiro e ele a conhecia. Por que ela não? - Você é ainda mais bonita, – Um belo sorriso estampou aquele rosto másculo e completamente aristocrático. Ele sorriu mais uma vez, mostrando todos os seus dentes perfeitamente alinhados, deixando-o ainda mais bonito aos olhos dela.
- Quem é você? – Tentou se recompor e pigarreando baixo, para que depois tentasse formular uma frase alto o suficiente. Ele não poderia descobrir ou perceber que ela estava sem saber como reagir aquele homem. Sabia seu nome, certamente ele sabia o que ela fazia, não poderia decepcionar.
desejou poder voltar no tempo e calçar seus saltos, sentia-se um pouco tímida diante o seu estado completamente despojado e como nota mental, deveria lembrar-se de nunca perder a pose em lugares que não fossem de confiança, como a sua casa e apenas ali. Os olhos dele estavam presos ao dela, estudando cada reação e erguendo o queixo, a mulher mordeu o lábio inferir. O homem desviou os olhos dos olhos dela se voltou para os lábios, entretido demais com aquele pequeno gesto em sinal de provocação da mulher.
- O meu nome não importa – Ele afirmou com a voz ainda mais aveludada, pigarreando antes de tocar a cintura da mulher. O homem tocou a cintura dela com uma de suas mãos, a puxando com força, sentiu a rapidez do a sua atitude e quando se deu conta, seu corpo estava colado ao dele ficando sem ar. Precisava daquele homem na sua cama, ou no chão, não importava, o tesão que exalava pelos seus poros, a aura sexy que os envolvia a deixava inebriada, nunca tinha sentido tanto tesão assim por homem nenhum, muito menos por um cliente, por mais bonito que ele fosse – Nenhum nome importa para você, não é verdade? – Perguntou antes de inclinar o seu rosto em direção ao pescoço dela, inspirando seu perfume, Chanel nº 5, ele conhecia aquele cheiro. Era o perfume que todas da elite usavam, a altercação era como aquele perfume ficava em cada pele e ele poderia admitir: na dela, ficava ainda mais convidativo.
Ela percorreu sua unha pela boca dele, sem controlar a luxuria que habitava o seu corpo, ele entreabriu os lábios e percorreu o polegar da mulher com a língua, sentiu o corpo responder e para controlar a vontade absurda de beijar a boca dele, ela recolheu o dedo e entreabriu os lábios tentando afirmar alguma coisa, mas as palavras possuíam uma certa dificuldade em se mostrarem presentes. A única coisa que ela conseguia pensar eram gemidos junto ao ouvido dele e a entrega daquele homem, completamente seu.
- Não importa? – Ela sussurrou fechando os olhos e inclinando sua cabeça para o lado, dando livre acesso a ele, que ainda a segurava pela cintura e passava seus lábios delicadamente pelo pescoço da mulher.
– Não, não importa – Ele sorriu malicioso, tocando os braços dela e delicadamente, puxando-os até a altura do seu próprio pescoço. passou percorreu a nuca dele com a unha vendo-o inclinar novamente o rosto até o seu pescoço, mordiscando-lhe o lóbulo da sua orelha, arrepiando o seu corpo, tornando mais íntima a aproximação do corpo de ambos, se ainda fosse possível. – Você sabe o que importa? – questionou sorrindo sacana, antes de morder o lábio inferior e vê-lo rir também, com luxúria no olhar, ao fitar os olhos dela já abertos, que o devoravam intensos.– O que importa é o que você sabe fazer, não o seu nome – deu uma piscadela, enquanto sentia que os botões do seu vestido, que se encontravam no topo das suas costas, eram delicadamente abertos, fazendo a pulsar, sentindo uma ponta de prazer invadir o seu corpo.
Ela sentia seu corpo mergulhar numa completa luxúria. Sua lingerie se encontrava molhada diante o seu contentamento e aquela era, em definitivo, a primeira vez em que aquilo acontecia. Nunca tinha se excitado a tal ponto, independente das cifras que estivessem em jogo ou o sexo casual que conseguia ter com algum cara apetitoso. somente não conseguia se debruçar em prazer como algumas mulheres. Sozinha ela tinha todo o poder sobre o seu corpo, cada ponto da sua intimidade ela sabia, mas aquilo não se tratava de homens, eles não costumavam proporcionar prazer, sequer tinham paciência para as preliminares.

Você não sabe de nada, John Snow.

A frase habitava cada um dos seus poros ao se deparar com homens fáceis, os quais não conseguiam pensar no prazer das mulheres, somente nos seus. Eles nunca sabiam nada, sequer conheciam cada movimento feminino, mas ainda acreditavam ter uma sabedoria maior do que a feminina. Homens não conseguiam raciocinar com clareza, tampouco tinham a avidez ou perspicácia de uma mulher. talvez, diante o homem especialmente delicioso que sorria em sua frente, nem todos. Então, costumava repetir uma frase icônica de um seriado que se deixou envolver somente quando um homem tolo resolvia que sabia demais, quando na verdade, somente bobagens pairavam a sua mente. Algo que talvez, não tivesse a necessidade de utilizar com o homem a sua frente.
- Então tenho uma pequena amostra para você – Ele sussurrou de encontro ao ouvido dela, fazendo-a sentir o coração bater descompassado, puxando-a de volta a realidade nua e crua bem a sua frente, como jamais sentido antes, com nenhum outro homem. presenciou o momento em que ele mordeu a orelha dela, fazendo-a inspirar um pouco o ar, proporcionando a ela um arrepio involuntário ao imaginar que aquilo mais parecia um gemido do que qualquer outra coisa. Ela se controlava para não o jogar na cama e subir em cima dele com desespero, afinal de contas, não poderia agir como uma adolescente prestes a gozar a cada toque; precisava saber fazer, proporcionar prazer, para que ele voltasse outro dia e muito mais outros. não se importava em ir para cama com ele todos os dias. Seria melhor assim, já que ela era quase que insaciável por nunca ter encontrado alguém o suficientemente bom para que se sentisse completa.
Ele tocou o rosto dela e se inclinou para a frente, fechando os olhos, que antes estavam fixos na boca da mulher. recuou um pouco, negando com a cabeça. Ele entreabriu os olhos e os fixou nos seus lábios. Um incomodo percorreu o corpo dela fazendo-a mordeu a língua com força. O desejo de tomá-lo e entrelaçar a sua língua a dele era quase que uma dor física. Os membros do seu corpo ansiavam por aquele toque e um simples beijo, aquela caricia única e completamente natural ais casais se tornava uma tortura para ela. Ele ergueu uma sobrancelha ao desviar os olhos da boca dela e encarar os seus. negou com a cabeça antes de fechar os olhos e pela primeira vez durante aqueles anos de profissão, ela se sentiu completamente desesperada com a ideia dele tentar beija-la. Ela nunca teria forças o suficiente para afastá-lo. Mesmo se iludindo ao sentir-se dona de si mesma. Sexo sempre seria sexo, aquele mantra deveria ser repetido a cada segundo. Indo contra cada partícula do seu corpo sedento e afobado.
– Na boca não – Entrelaçando as mãos nos cabelos dele e os puxando, ela sussurrou com a voz um pouco rouca pelo turbilhão de sensações que sentia, ao notar o seu membro nitidamente pela calça de alfaiataria preta, num movimento automático, roçou sua intimidada ao membro dele e deixando que um sorriso malicioso acompanhasse seus olhos num tom inocente, brilhando em desejo.
- Eu não sabia que as prostitutas de luxo não beijavam na boca – Ele disse com a voz rouca fazendo todo o seu corpo responder aquele comentário em êxtase, roçando mais um pouco seu corpo ao dele. O homem retirou sua mão da cintura dela, tocando o seu joelho e subindo devagar. sentia-se anestesiada. A mulher fechou os olhos e se transportou para um mundo psicodélico onde os espasmos da sua luxúria a carregava. As mãos dele ao percorrerem suas coxas, adentrando naquele ambienta tão explorado, mas de uma maneira tão ímpar, era como uma festa de música eletrônica com todas as suas luzes. Ou um concerto de Chopin. Cada dedo suava como uma nota numa sinfonia e ela era sua plateia, observando algo completamente inusitado e fascinante. O novo percorria suas veias e o seu corpo era o ambiente a ser explorado.
- Eu não sou qualquer uma – Ela falou, tirando a mão dele da sua perna e virando-se de costas para ele, enquanto caminhava até o lado oposto do quarto rebolando o suficiente para que mesmo sem virar, . soubesse que ele travava uma batalha contra o desejo que possuía de jogá-la na cama. Suas mãos estavam trêmulas e . confessava para si mesma que nunca tinha sentido tanto desejo por um cara como estava experimentando com ele, por isso repetia o tempo todo para os seus nervos que, apesar de ser algo novel, era um tanto quanto completamente normal – Eu sou a melhor – A mulher olhou para ele de rabo de olho e deu um sorriso, levando-o a balançar a cabeça negativamente, sorrindo também, do que ela havia dito. Ela era imensamente atrevida, ele sabia.

E ele queria.

- E o que a melhor tem a me oferecer? – escutou a sua melodia inebriante como uma droga. Algum tipo de oxidante capaz de transformar a sua pele 10 anos mais jovem, ele conseguia rejuvenescer seu corpo sem um mísero toque e transformar uma mulher como ela, repleta de batalhas percorridas, em alguém que não conseguia ter o poder de liderança junto ao próprio corpo. O homem questionou enquanto caminhava a passos lentos até onde ela se encontrava. conseguia observar aquela cena sexy e desafiadora em que um homem como tantos outros conseguia deixar o terno pelos cantos enquanto caminhava até o seu corpo, ela desejou que ele a possuísse e que talvez beijasse a sua boca, uma pequena insensatez – Ela me oferece o que? – Chegando junto ao corpo dela, ele segurou-a pela cintura e tocou no seu cabelo, sua mão percorria toda a extensão da nuca, deixando que todas as mechas ficassem reunidas de um lado, caindo pelo seu ombro. sentiu o hálito dele percorrer seu pescoço e um tremor habitou o seu corpo, ela fechou os olhos imaginando cada reação que ele teria por ali e, dando pequenos beijos pela pele desnuda dela, . sentiu os dentes dele depositarem mordidas pelo seu ombro, empurrando lentamente o vestido em que ele tinha desabotoado os botões anteriormente – ? – Ele voltou a perguntar não obtendo uma resposta dela, que estava concentrada demais em tentar conter a vontade imensa que tinha de pegá-lo pela gravata e jogá-lo na cama.
empinou o corpo reabrindo os olhos que anteriormente tinha fechado e observando as luzes Londrinas naquele momento, deixou um um largo sorriso habitar os seus lábios ao sentir sua feminilidade aflorar naquele instante. A mulher percorreu seus dedos pela mão dele, trazendo para sua coxa e subindo, mostrando exatamente o que tinha de melhor Junto ao seu ouvido, ela conseguiu escutar o gemido dele baixinho e mesmo tão submersa entre o desejo de tê-lo a qualquer custo, era sempre bom saber que não estava completamente alucinada por ele. Era algo recíproco.
- Você se contenta com menos do que tudo? – virou-se para ele, fitando-o nos olhos e dando o seu melhor sorriso, colocando de lado a outra parte do vestido que apenas caiu ao chão, fazendo-o se deliciar com a visão que tinha ali. estava com um conjunto de renda preta, onde ela mais mostrava do que escondia, devido a transparência da renda francesa que usava. A mulher sorriu satisfeita, ao dar-se conta de que ele não estava esperando por aquilo em hipótese alguma, o que a deixou bastante satisfeita, retomando o controle dos seus desejos e recobrando a memória de quem verdadeiramente mandava ali. Ela - Sem voz? – Sussurrou no ouvido dele, que prendeu a respiração ao segurar a cintura dela com força, para descer suas mãos e apertar com força os glúteos dela, . inclinou o corpo um pouco de encontro ao dele, aproveitando a oportunidade para inspirar o cheiro dele e passar a língua despretensiosamente por ali, o fazendo sorrir de lado.
Ele cheirava a homem. Não precisaria questionar o perfume que ele tinha impregnado em sua pele, ela conhecia bem demais aquele tipo de cheiro. Joe Malone. Um perfumista Londrino famoso por suas velas perfumadas e fragrâncias exóticas e completamente exclusivas. Para somente homens excitantes deixavam-se usar aquele tipo de colônia no corpo e ela entendia o suficiente para saber que aquele homem era mesmo tudo o que ela havia imaginado ou talvez sonhado um dia em conhecer. Eis o motivo do anonimato. O anonimato construía os melhores gentleman.
- Delícia – Sua voz rouca ecoou de encontro ao pescoço dela, fazendo-a fechar os olhos inebriada, enquanto ela tirava a gravata do seu corpo.
se encontrava impaciente e naquele instante odiou a complexidade daquele nó de gravata em particular, nada colaborava com a sua ânsia. Afrouxando a gravata, para depois tirá-la pelo pescoço dele, percorrendo sua cabeça, ela não deixou de observar o rosto bem esculpido dele. Tudo naquele homem exalava testosterona e seus poros não aliviariam junto a embriaguez que ele representava. Ela foi faminta até os botões da camisa de social, amaldiçoando as casas pequenas, o que estava dificultando em demasiado o seu projeto intimo de se deixar lamber aquele peitoral másculo – Calma, eu não vou fugir – Ele colou seus lábios junto ao pescoço dela e foi descendo até chegar no seu colo, passando a língua por cima do sutiã. . sentia o peito arfar, vendo-o retirar a alça do sutiã, mordiscando lhe o seio para logo em seguida chupar um mamilo exposto. A mulher parou de desabotoar a camisa e abriu o fecho do próprio sutiã, jogando ao chão. Ela levou uma das suas mãos ao membro dele, sentindo-o enrijecido.
estava se sentindo inebriada.
O homem a sua frente afastou o corpo do seu, observando-a como um lobo faminto. Seus olhos estavam admirados, sua respiração estava ofegante e isso proporcionou a ela a certeza de que por muito mais, não sentiu ter a lingerie tão molhada quanto naquele instante. Sua excitação era quase incontrolável e ele estava apenas olhando-a, comendo-a e ela, como boa menina que sempre foi, se sentia pronta. Deixando exposta a selvageria que habitava sua mente, ela queria que ele a fodesse.

Existia muito mais no simples ato de gozar do que as pessoas afirmavam por aí. Ela era refém de momentos como aqueles, homens sedentos por prazer, não somente pela gozada e quando ele a segurou pelas pernas, erguendo o seu corpo para que ela entrelaçasse suas pernas junto a ele, ela soube que nunca conseguiria se afastar daquilo. Seu envolvimento.
Ele caminhou com ela até a cama, jogando-a de qualquer jeito e entreabriu as pernas, deitando o corpo, percorrendo suas mãos pelos seus seios, brincando com o seu mamilo enquanto sorria e gemia baixo. Não era um gemido falso, não estava fingindo, era real.
Cada pequenos gestos que o seu corpo se deixava prolongar era a realidade do desejo que sentia. Ela sentiu as mãos do homem percorrerem suas pernas e brincarem com as laterais da sua calcinha. abriu os olhos e olhou. Ele estava próximo demais. Encostando o corpo junto ao dela ele iniciou uma série de movimentos. Sua língua percorria o pescoço dela, descendo pelo seu colo, mordiscando o seu mamilo. Ele lambeu seu pescoço de modo convidativo, enquanto ela, experiente, abria os botões da camisa dele, ou tentava acabar aqueles que ainda restavam, endo que aquilo iria demorar, ela posicionou suas pernas na barriga dele e o empurrou, fazendo o olhá-la sem entender, roubando um sorriso sacana dos lábios dela, deitou o corpo do homem na cama e sentou em cima do seu membro, fingindo procurar a posição certa, apenas para que sua intimidade roçasse nele, fazendo-o suspirar pesadamente. Ela posicionou uma mão em cada uma das laterais da camisa da camisa dele e, reunindo toda a força que tinha, rasgou os botões que ainda teimavam em não abrir. teve a imagem do seu abdômen definido, rebolando em cima dele para que ele lidasse com o desejo que sentia, o sofrimento não seria só seu. Ele gemeu um pouco mais alto e fechando os olhos pigarreou – Minha camisa – A sua voz rouca pronunciou a frase, a fazendo a rir, mordendo o lábio inferior antes de dar de ombros, mesmo percebendo que os olhos dele ainda se encontravam fechados.
se ocupou depositando beijos sôfregos pela sua nuca, enquanto ele gemia baixo, tentando monitorar tudo aquilo que seu corpo pedia com urgência.
- Desculpa – sussurrou no ouvido dele – Mas é que eu achei que você ficava bem melhor sem ela – Sorriu ao dizer aquilo, passando a língua pelo abdômen trincado dele – Você é mais gostoso do que chocolate quente – A mulher disse concentrada, sentindo-o segurar seus cabelos. recuou o corpo um pouco, descendo os beijos até seu membro, passando a boca por cima da calça, mordiscando-lhe enquanto sorria – Será que é tão lindo quanto o dono? Acho que é rosinha, grande e grosso, do tipo que arromba uma mulher na cama – Ela sussurrou passando a língua mais uma vez, vendo-o ofegante observando o corpo da mulher a sua frente.
sentiu-se fraquejar no instante em que ele tomava impulso e soltava suas mãos do cabelo dela, pegando-a pela cintura e virando-a, ficando por cima da mulher.
- Eu preciso te beijar – Ele afirmou segurando-a pelos cabelos ofegante, com os lábios de encontro com aos dela, encostando a testa de ambos. – sentiu mais uma vez o corpo responder ao pedido, cada célula respondia e ansiava por mais, mais e mais. Os lábios dele pareciam ser tão apetitosos quanto ele e ela precisava ter um limite. Ficando aflita, ela virou a cabeça para o lado oposto ao dele.
- Não, eu já disse que não – o repreendeu, prendendo suas pernas na altura da cintura dele – Tem tanta coisa interessante para fazer, por que você quer... Beijar? – Ela colou seus lábios ao pescoço dele, chupando toda a região, fazendo-o soltar um gemido alto, prendendo a respiração logo em seguida.
- Você não quer? – Ele perguntou, fitando-a sério e, por um instante, sentiu a insanidade tomar conta de si mesma, quas sucumbiu aos seus desejos e beijou aquele homem a sua frente. Odiava misturar trabalho com diversão, nunca havia beijado um cliente e levava isso literalmente. Tinha conhecidas que já tinham praticado essa façanha, mas não ela, nunca teve vontade de beijar um cara o suficiente para corresponder a um pedido, mas ali seus olhos estavam perdidos na intensidade dos dele. Sua boca ansiava por conhecer cada pedaço do corpo dele e ela poderia contar com a boca dele, certamente.
- Não – negou com a cabeça, sentindo que aquela conversa iria destruir a sua libido, que estava às alturas. – Eu prefiro colocar a língua em outros lugares – A mulher desconversou, um sorriso malicioso foi estampado nos seus lábios e ele esquecera rapidamente do assunto principal, antes de sair de cima dela e deitar-se ao seu lado, fazendo-a levantar-se, se escorando nos cotovelos.
Ela observava enquanto ele tirava os sapatos velozmente, as meias e desabotoava o cinto, fazendo com que ela se perdesse na barriga dele. Não era cheia de músculos, como os homens que passavam horas e horas na academia, era como a barriga de executivos, que entre uma reunião e outra passava rapidamente na academia para fazer 30 minutos de musculação. Seus músculos definidos faziam-na arranhar a cama, como uma felina prestes a dar o bote. Ele tirou a calça e virou de lado, para olhá-la com um sorriso nos lábios, brincando com os seios descobertos dela.
- Se quiser me mostrar, estou ansioso para saber o que você sabe fazer com a boca – Ele sorriu enquanto subia em cima dela e começava a trilhar beijos por entre seu pescoço, descendo lentamente até a sua barriga para que ela prendesse a respiração, com os olhos fechados e cravasse suas unhas nas costas dele, arranhando-o o bastante para que qualquer pessoa que o encontrasse sem camisa fosse capaz de ver o que ela tinha feito com ele. Ele dava pequenos chupões por toda a região da barriga dela, passando lentamente pelo seu colo, dando breves mordidas nos seus mamilos, enquanto ela apenas gemia de prazer.
ergueu o corpo como se fosse levantar, fazendo com que ele a empurrasse de volta, para que ela se deitasse novamente. – Primeiro eu proporciono, depois você faz tudo o que você sabe – Ele sorriu ao dizer aquilo, enquanto roubava um selinho rápido dela, fazendo a franzir o cenho, relaxando logo em seguida ao sentir os dedos dele passarem lentamente pela sua lingerie.
A mulher sentia sua respiração falhar ao ter os dedos dele ali, seus olhos fechados a faziam pensar que para ter um cara daqueles ela daria o braço a torcer, ficaria com ele a cada dia que pudesse, só por ter aquilo que ela nunca teve. O grande problema da sua profissão era esse: ela não tinha prazer; ela proporcionava. A maioria dos caras que ela tinha se deixava transar, simplesmente pediam ou exigiam para que ela fizesse tudo o que sabia com eles, sequer se importavam se ela iria gozar e ali, bem a sua frente, um dos sorrisos mais lindos que tinha visto em toda a sua vida, estava dando pequenas mordidas na sua intimidade, enquanto passava os dedos por ali também, deixando-a com retardo mental. – presenciu sua calcinhar ser retirada do seu corpo, lentamente, quase que a torturando, ele arrancava sua calcinha com os dentes, sem ajuda alguma das suas mãos, o que a deixou um pouco trêmula, ansiando pelo próximo toque. Ele posicionava sua boca do lado esquerdo da calcinha, depois ia para o lado direito e assim ele o fez, até tirar completamente o pedaço de pano do seu corpo e de joelhos na cama, ele ficou parado olhando o corpo dela, maravilhado.
Ele abriu suas pernas encarando os olhos da mulher, analisava o seu rosto maravilhada, quando os olhos do homem desceram até sua intimidade, ele se perdeu e ela o acompanhou, em câmera lenta, ele passou a língua uma vez, depois a segunda e a terceira. Ela fechou os olhos deixando que um gemido alto fosse escutado por ele, arregalou os próprios olhos e levou uma mão tremula aos lábios vendo-o sorrir de lado diante da movimentação.
Seu espírito um tanto rebelde, levou-a a erguer suas pernas, fazendo-o prender a respiração, movimentou seu quadril com as pernas no topo, sentindo o homem tocar seus pés começando a beija-los, percorrendo os beijos por toda a extensão das suas coxas, ela fechou os olhos gemendo baixinho, se deixando repetir algumas vezes aquele som, demonstrando submissão e pertencimento. Ele afundou seu rosto na intimidade dela. A mulher se contorceu de prazer, sentindo a sua língua, quente e forte, passear sem pudor algum por ali, proporcionando a ela um prazer jamais sentindo com homem algum. Ela movimentou suas mãos até os cabelos dele, os puxando e empurrando descontroladamente em direção ao seu clitóris, enquanto ele, em contrapartida, fazia movimentos circulares observando-a gemer mais e mais alto – Grita, sua puta, eu quero escutar você urrar – Sua voz rouca e um tanto alterada proferiu ao levantar rapidamente o rosto, apenas para vê-la se contorcer, enquanto sentia seus dedos penetrarem sua intimidade. Ele havia começado com dois dedos e, em menos de três segundos, colocava 4 dedos adentro, com mais e mais força, movimentando circularmente, percorrendo toda aquela extensão.
Por um instante, ele paralisou os movimentos, percorreu seus dedos pelo rosto dele e o homem fechou os olhos ainda ofegante, passando os lábios pelos seus dedos. Eles não afirmaram uma única palavra que fosse e nem precisavam. A atmosfera que envolvia ambos era tentadora demais para que aqueles segundos que antecediam a entrega fosse o único resquício de sanidade que habitava o corpo deles.
- Desculpa, na próxima, faremos com calma – abriu os olhos e assistiu quando ele sussurrou aquelas palavras antes de levantar, retirar a boxer de qualquer jeito, voltando para a cama em segundos, chupando uma última vezes o seu clitoris antes de posicionar seu membro e penetra-la. O impacto daquele contato deixou escapar um gemido alto da mulher. Os olhos fechados indicavam o prazer que ele desviava do próprio corpo direcionando ao dela. Em partes, ela sentia que iria gozar a cada segundo, devido a excitação em que ele proporcionava, sabia que a sua libido estava nas alturas e juntamente com isso, seu coração batia descompassado, algo que ela não deferiu a devida importância era a novidade por ter um cara que não pensava só em si.

A cada estocada, ela sentia todo o seu corpo responder com louvor, suas investidas eram fortes, intensas e ambos se encontravam entregues a algo que eles não sabiam definir. se pegou fitando-o nos olhos e desejando ardentemente beijar a boca dele, de uma maneira que nunca fez e, como se adivinhasse os seus pensamentos, ele deu mais um selinho nos lábios dela, sem forçar. Ele sabia que mais cedo ou mais tarde, depois do que eles compartilharam ali, isso iria acontecer. Os movimentos ficaram mais bruscos e não foi preciso nenhum fetiche, posição inusitada, provocação para que eles fechassem os olhos, no exato instante em que ambos gozaram. Ela sentiu um jato forte invadir o seu corpo e o seu coração bateu descompassado, acompanhando um arrepio sobre humano que tinha passado pelo seu corpo; ela mordeu o ombro dele, depositando beijos por toda a extensão. Ela percorreu os lábios trêmulos por toda a extensão dos ombros do homem escutando-a deixar no ar outro gemido acompanhado por um sorriso no instante em que ele depositava um beijo no seu ombro desnudo. Com as respirações se fundindo, ela de olhos já fechados, ele se limitou a depositar um beijo em sua testa, talvez por agradecer pelo que havia acontecido.

abriu os olhos e sorriu fraco, se sentindo uma virgem ao gozar pela primeira vez com o namoradinho da escola. Seu coração tinha acalmado um pouco, ela já conseguia centralizar suas atitudes, apesar de saber que se por um acaso ele quisesse voltar a fazer o que tinha iniciado anteriormente, ela estaria entregue ao sexo que tinham feito, como se fosse a primeira vez. Ele passou seus dedos pelo rosto dela, trazendo-a de volta dos seus devaneios e se dando conta naquele momento de que sequer tinham se prevenido.
- Puta merda, eu não usei camisinha – Ele saiu de cima dela num pulo e a fitou com os olhos arregalados, tirando dela um sorriso divertido, que o fez ficar num pânico maior.
- Eu tomo pílula – Ela sorriu ao acalmá-lo, vendo o exato momento em que ele, sentado, colocou a mão na altura do coração e respirou fundo, de olhos fechados. Deixando livre o acesso para ela ficasse analisando cada traço do seu rosto com precisão. Ainda um pouco ofegante, com as bochechas coradas diante os movimentos feitos, ele era ainda mais bonito. – Não precisa se desesperar e, outra coisa, eu sei abortar.
- Abortar? – Ele perguntou em pânico, pigarreando em seguida, percorrendo uma mão pelo cabelo em desalinho desconfortável – Eu não sou a favor – Ele a recriminou sério e negou com a cabeça revirando os olhos. Homens não pareciam acompanhar a evolução dos tempos. Sempre com a imagem retrograda de que num mundo criado por Deus, mulheres não possuíam o total controle sobre o seu corpo.
- Em que séculos vivemos? – Ela perguntou indignada. Odiava os certinhos demais, sentia repulsa pelos que se diziam politicamente corretos e traiam suas esposas com prostitutas. Chegava a ser hipocrisia para ela, não queria ter que lidar com aquela perfeição de homem sendo mais um idiota hipócrita – Meu corpo, minhas regras. Se eu acredito que não tenho condições, não tenho filhos, simples.
O homem assentiu com a cabeça demonstrando algum tipo de impaciência junto aquela conversa, algo que não passou despercebido a ela. Quantos filhos ele teria? Dois? Três? Pela idade... Talvez somente um e logo depois do nascimento dele, a esposa ainda parecia estar naquela fase em que nada mais importa além do bebê, o que sempre levava homens bem casados a trair a esposa recém saída de um parto. Procurando por mulheres adulteras e um sexo fácil.
- Eu...Eu tenho que ir – Ele falou sorrindo fraco, consultando o relógio enquanto se sentava na cama, ao vestir a boxer – Tenho uma reunião de negócios – alargou o sorriso sarcástico nos lábios observando a primeira mentira dita por ele naquele instante. Reuniões de negócios logo depois de um gozo eram desculpas perfeitas para aqueles que não possuíam paciência para o pós-sexo, o que não era problema algum para ele, somente ali que um certo incomodo percorreu o seu corpo, não teria problemas em ficar mais um tempo ao seu lado.
O seu cliente sorriu mais uma vez ao vê-la preguiçosamente na cama, sem sequer se mexer para vestir a roupa – Vamos lá, , me ajuda, caso contrário, eu não saio daqui – Ele voltou a pronunciar ao notar que ela tinha começado a provocá-lo passando suas mãos por toda a extensão do corpo dela – Você sabe que eu queria te comer novamente, não sabe? – Ele perguntou, a segurando pelos braços, puxando-a para o seu corpo, percorrendo os dedos por toda sua extensão, penetrando dois dedos na sua intimidade, admirando o gemido fraco que brotou dos lábios dela ao ser pega de surpresa. Ele retirou a mão, passando a língua pelos próprios dedos.
raciocinou rápido ao empurra-lo na cama e sentar em colo, direcionando uma perna de cada lado, homem sorriu, roubando um selinho dos seus lábios, estudando-a somente se deixar sorrir em resposta – Você é sempre assim? – Ele perguntou enquanto depositava um beijinho rápido no pescoço dela, e gargalhou leve e divertidamente.
- Assim como? – Ela questionou enquanto passava suas mãos pelo peitralo dele ainda desnudo, sentindo o corpo dele enrijecer com o contato, deixando suas mãos um pouco trêmulas sem que ela conseguisse entender o que era aquilo que ele proporcionava a ela
- Deliciosa? – Ele perguntou no ouvido dela, fazendo-a tremer um pouco mais forte, não se deixando despercebida por ele – Tremeu com a minha voz, , cadê a experiência? – O homem deu uma leve mordida no ombro da mulher, sorrindo. – Eu gosto disso, sabia?
- De que? – indagou sentindo o corpo um pouco rígido, travando uma luta com o seu emocional que estava se descontrolando novamente com aquele contato.
- Você – Ele sorriu fraco, levando-a a erguer a sobrancelha para ele no momento em que os seus olhos se cruzaram. – Você é o tipo de mulher que faz com que um homem abandone uma família, enlouqueça, sabia? – Ele depositou um beijo estalado no ombro dela, a deixando em pânico com aquele comentário – Não precisa ter medo, minha querida, por mais tentadora que você seja, eu não estou disposto a percorrer as camadas de escuridão que habitam esse coração
sentiu sua cabeça girar. Ainda sentada em cima dele, ela se viu sem palavras, algo perfeitamente raro em se tratando dela. Ela era uma prostituta, qualquer tipo de envolvimento, nem que fosse amizade entre as duas partes, estava fora de cogitação para ela e de repente, aparece diante dos seus olhos, tudo aquilo que ela sempre quis num homem e esse mesmo ser, conseguia lidar com palavras e demonstrar uma veracidade na verdade que a faziam se perguntar se talvez fosse possível existir alguém como ele e ainda sim, deixa-la perdida.
- Tadinho de você – exclamou saindo do colo dele e caminhando até o banheiro para pegar um roupão que estava ali. Suas mãos estavam inquietas, assim como o seu corpo e a sua mente que pareciam terem sido abduzidos por algum extraterrestre e naquele momento somente a mulher emotiva e com emoções a flor da pele estava presente. Ela voltou com o roupão em mãos e começou a vesti-lo, sabendo que o homem admirava cada um dos seus movimentos graciosos ao colocá-lo, fechando-o no seu corpo – Se apaixonar por mim só vai tirar dinheiro demais do seu bolso, não é como se eu fosse uma esposa exemplar – Ela sentou na beirada da cama suspirando pesadamente, a sorriu fraco,voltando a levantar inquieta, caminhando até a sua bolsa e pegando um cigarro para acendê-lo e dar uma pequena tragada – Se quiser sexo em troca de dinheiro, terá; mas se você quiser romance, vá atrás da sua esposa pacata e gorda, ou então leia um livro – Ela observou o homem erguer uma sobrancelha, ela sorriu em resposta, sarcasticamente, no momento em que colocou o cigarro na boca e pegou a camisa dele no chão, colocando em seus ombros, o vestindo delicadamente, tocando o abdômen sarado e segurando a vontade que tinha de morder todo aquele corpo e chupar tudo o que ela queria e que ela não teve tempo de fazer.
respirou fundo antes de sorrir fraco, ao lembrar-se de que a maioria dos botões da camisa dele estavam jogados pelo quarto, na sua ânsia de ver o corpo dele perto do seu, com o mesmo pensamento que ela, ele caminhou um pouco e pegou o paletó, o fechando sobre o corpo e parando mais uma vez na frente dela.
- Eu te ligo – Ele sorriu ao tocar o rosto dela, levando um embrulho a se formar no seu estomago pela simples dúvida do ‘e se’. Queria que ele ligasse, desejava perdidamente do toque dele e sabia que tudo estaria nas mãos dele dali para a frente. segurou a enorme vontade que teve de puxá-lo para um beijo e se limitou a sorrir fraco, assentindo com a cabeça – Tchau, – Ele se inclinou e a abraçou, colando os seus corpos e fazendo o coração dela dar um salto, deixando-a constrangida, o que fez com que ela o afastasse rapidamente e sorrisse sem graça, ao vê-lo sorrir mais uma vez, dando uma piscadela e abrindo a porta para fecha-la logo em seguida atrás de si.
Ao se ver pela primeira vez sozinha ali, ela se jogou na cama e colocou uma das suas mãos sobre seus lábios, sorrindo sozinha pelo que havia acabado de acontecer. Definitivamente, ele era o melhor sexo que tinha tido em toda a sua vida e não negaria que tinha transado com os mais diferentes homens e até mulheres, mas ali ela viveu sensações que só lia em livros eróticos e histórias. Ela se pegou pensando no corpo dele e mordeu o lábio inferior, sem saber como explicar o que tinha acabado de acontecer, feliz demais para dar algum nome ao que tinha sentido com um carinha qualquer. Até que ela estava viva.

Apesar dos pesares.

escutou uma batida leve na porta e levantou num salto, achando que poderia ser ele para mais uma rodada de sexo louco, onde, dessa vez, ela iria proporcionar prazer a ele. A mulher correu para a porta e a abriu, deixando o seu sorriso morrer nos seus lábios sem entender o que estava diante dos seus olhos.
Na sua frente, estava um dos caras mais bonitos que ela tinha visto em toda a sua vida. Um homem de porte, esperto e infinitamente elegante. Alguém capaz de enlouquecer qualquer tipo de mulher ao seu redor, menos ela. estava parado com uma garrafa de champanhe em suas mãos e sorria abobado para ela, fazendo-a erguer uma sobrancelha sem entender o que tinha acontecido.
- Agora, ? Eu não acredito que você não me deixa ne... – Ela foi interrompida pelos dedos dele que silenciaram suas palavras. Ele ainda sorria quando a pegou nos seus braços e depositou um beijo na sua testa sem deixar que ela entendesse o que havia acontecido ou o que significava aquilo.
- Me desculpa – Ele falou com o corpo colado ao dela e ela não conseguia falar nada, tamanha era a sua confusão – O cliente desistiu e eu não...
- Você mandou outro? – o interrompeu com os olhos arregalados, sem entender o que tinha acontecido ali.
- Eu vim no lugar do outro, – Ele sorriu fraco - Nós já transamos algumas vezes e eu gostei, não acredito que você não tenha gostado, então...
- Você não mandou ninguém? – A mulher sussurrou de encontro ao ombro dele, sem entender realmente o que tinha acontecido ali. Se aquele homem que ela tinha transado não era um cliente do , quem ele seria afinal? passou as mãos pelo cabelo, nervosa o suficiente por se dar conta de que ela não sabia absolutamente nada do homem em que ela havia acabado de transar, o que a deixou apreensiva demais a ponto de querer esmurrar alguma janela ali a sua frente ou jogar longe algum copo de vidro, apenas para escutar o vidro despedaçado caindo no chão e ela sentir fisicamente o caos que a sua cabeça se encontrava naquele instante – Tem certeza, , que o cliente não veio?
- Claro que eu tenho, linda!! Eu tenho cara de louco, por acaso? – Ele perguntou enquanto tocava os seus ombros sobre o roupão – Você está tão tensa, o que aconteceu? – questionou virando-a para sua frente e vendo um pânico um tanto familiar em rosto dela. Havia passado tempo o suficiente para decifrar as reações da mulher a sua frente e em momentos como aqueles, ela não costumava aparentar tanta confusão. Aquelas não eram de maneira alguma, suas feições normais. – O que aconteceu? – Ele insistiu olhando ao redor do quarto e vendo as roupas dela jogadas pelo quarto em total desalinho. ergueu uma sobrancelha e a fitou, intensificando o olhar ao notar uma mancha vermelha no pescoço dela, tocando delicadamente a região que estava levemente machucada – Mas que porra é isso? – Ele exclamou, alterando um pouco a voz, descontrolado por ver o que alguém tinha feito com ela ali sem que ele estivesse dando consentimento. – Vamos, , que porra é isso? – Voltou a exclamar, segurando-a pelos braços e a apertando com força o suficiente para que ela acordasse dos seus devaneios e o fitasse incrédula
- Me solta, ! – alterou a voz de modo autoritário – Não interessa a você para quem eu abro as pernas! – Ela gritou. Antes de ver em câmera lenta a mão dele percorrer a distância que os separava, estapeando o rosto da mulher, alarmando-a a ponto dela levar a mão ao rosto completamente assustada – Saí daqui– Ela resmungou tocando o próprio rosto, agora ardendo devido a tapa que tinha recebido.
Seus olhos eram como faíscas e ela sentia que ele era um gatinho indefeso. O era o tipo do cara que agia por impulso e depois se arrependia amargamente por ter feito alguém sofrer, nem que fosse um ser insignificante, o que não era o caso dela. Ela sabia que ele passaria noites e noites sem dormir, apenas pensando no que ela havia feito com ele, mas isso não importava, ele não importava para ela e nunca tinha custado algo, na verdade. Foi fácil fazê-lo se apaixonar e ensiná-la tudo o que ela precisava saber vivendo na alta sociedade em que vivia; foi um bom amigo por isso, mas ela deveria confessar a si mesma que nunca havia passado disso e que ele não passava de um simples brinquedinho que ela adorava ter por perto.
- , me desculpa, eu... – Ele sussurrou exasperado, passando as mãos pelos cabelos levando-a a morder o lábio inferior com força sentindo uma enorme vontade de gargalhar da cara de coitado que ele fazia o tentar se desculpar com ela. Homens conseguiam ser completamente patéticos ao se apaixonarem, patéticos. Ao observar aquele homem amedrontado a sua frente, ela lembrou de todos os outros que agiram assim. Com os anos, aprendera a lidar com determinadas atitudes como aquelas e um dia, certamente, iria se vingar de cada um deles que ousou esbofetear o seu rosto, mas ali não era hora e nem lugar para uma reação mais invasiva. respirou cansada, gostaria de retornar para momentos antes em que aquele cara estava ao seu lado achando um absurdo ter que abortar, tão diferente daquele que certamente já teria deixado muitas mulheres desamparadas numa clinica para um aborto de um filho seu.
- Sai daqui, depois conversamos... – comentou baixinho, desviando os pensamentos difíceis da sua mente, indicando com o dedo para que ele saísse do quarto e ele o fez, de cabeça baixa, ainda com o champanhe em mãos. – Ei, o Champanhe fica – Ela sorriu sarcástica ao vê-lo, como um cachorrinho bem treinado, deixar a garrafa no chão e olhar uma última vez para ela, com aquela cara de dar pena em qualquer garota, menos nela.
Ao escutar a porta sendo batida com força, sentou-se na cama e colocou uma mão em sua testa. Quem era aquele homem que ela tinha transado? Será que ela realmente tinha transado com alguém ou tudo não havia passado de um sonho? Ela acordaria e veria que estava fodida e mal comida como sempre tinha sido? Seu coração batia descompassado e não saberia explicar o porquê. O que a mulher sabia era que havia tido a melhor transa da sua vida, com um desconhecido... um mero desconhecido. jogou o corpo para trás e voltou a levar os dedos aos lábios, pensando em tudo o que tinha acontecido naquela noite. Na pior das hipóteses, não ganharia dinheiro algum por ter transado com o homem, mas ainda assim, diante da loucura em que a sua vida se encontrava, tinha um momento de calmaria diante de uma transa bem feita. Às vezes, homens até que valiam a pena, alguns deles. Talvez somente um.

Capítulo 2

abriu a porta do apartamento observando o seu reflexo em cada pequeno pedaço do lugar. Desde a cor das cortinas até o tapete que estava no meio daquela imensa sala de estar, junto a um centro com alguns livros de fotografia das mais variadas grifes de luxo. Quadros geométricos determinavam a sofisticação que sempre havia imaginado para um ambiente como aquele. Seu apartamento continha duas salas de recepção junto a uma pequena bancada e um bar, sua adega estava junto a parede onde existia a bancada e ela se deixou lembrar a dificuldade em que tinha passado para chegar até ali. Dentre as joias que recebera dos clientes, as quais ela trocava por dinheiro, angariando fundos para quando conseguisse enfim chegar ao patamar de ter um lugar para chamar de seu. Cada pequena ou grande quantia, jantares, orgias, voyares. Todo cliente tinha o seu desejo e para cada um deles, ela tinha o seu valor.
Em sua grande maioria, a ajuda de comprimidos para aguentar muitas vezes o odor de homens suados refletiam no descontrole de algumas colegas de profissão. tinha a plena consciência de que ela sempre havia sido focada e nunca deslumbrada diante de tudo o que recebia por ser uma mulher latina no centro de Londres. A diversão sempre havia sido composta daquilo que continuamente representou a sua etnia. Alguém limitado intelectualmente, mas maravilhosamente boa em atributos sexuais. Isso sempre havia sido um sex appeal para magnatas de todos os países que resolviam passar uma noite ou duas na sua cidade. No começo, havia sido difícil, ter que se limitar a alguém inferior somente pelo seu passado, mas com o passar do tempo, até construiu laços fortes com homens que não a julgavam tanto somente por ser mulher, mais ainda por representar um lugar no qual as pessoas associavam somente a diversão.
Os vinhos que estavam no canto esquerdo haviam sido presente de homens que conversaram com ela além do sexo e quando souberam do seu imóvel enfim comprado, se dispuseram a compartilhar um pouco de uma paixão na qual se apaixonou.

Sua vida era luxuosa ao ponto de ela não saber lidar com o fato de precisar entregar ou se desfazer de tudo aquilo em algum momento da sua vida. recordou-se do último acontecido no quarto do hotel e ela fechou os olhos tendo a imagem do batendo no seu rosto. Um tremor percorreu o seu corpo e aquilo a incomodaria por um longo período. Durante os anos, aprendera a se defender de homens abusivos e autoritários. No começo da sua cruel e dolorosa trajetória, não existia momento para pensar e reclamar de um tapa fora do semblante sexual.
Quando conhecera o , uma das suas primeiras frases foram sobre o quanto ela estava disposta a calar. Voltando o pensamento para aquela época, ao abrir um vinho e colocar uma pequena quantidade na taça, ela reviveu momentos de confusão que se fizeram presentes na sua mente. O mundo da prostituição nunca havia sido um conto de fadas para ninguém, tampouco para ela e depois de alguns meses, a mulher percebera que a dor que sentiria construiria a mulher que estava num apartamento luxuoso em Kensington & Chelsea.
possuía cicatrizes de momentos repletos de ódio e nenhum tipo de amorosidade. Caso uma garota mais nova questionasse sobre seguir aquele parâmetro, sua resposta seria completamente negativa junto a uma realidade que nenhuma mulher merecia ter que passar, mas para ela, depois de tantos anos, nada daquilo importava.

Ou quase nada.

A sensação de formigamento junto ao seu rosto ainda se fazia presente a cada minuto em que voltava com o seu pensamento junto ao ocorrido. fora um amigo muito solicito que na verdade, , fingiu não enxergar. O interesse do homem junto a ela sempre fora repleto de segundas intenções. Ele era possessivo e obsessivo, características que havia se acostumado em se tratando de homens no meio em que vivia, mas não ele.
negou com a cabeça, dando outro gole no vinho, fechando os olhos. Na imagem que via de si mesma, ela sempre corria junto a um vinhedo, uma terra na qual estava presente o seu legado. Um ambiente que definiria como seu. Tão distante da movimentada e apaixonante Londres, mas ainda sim um lugar no qual poderia viver livremente sem sentir aquele olhar sob o seu corpo.
Ela não se envergonhava de quem precisou ser ou quais tenham sido os caminhos que teve que percorrer para obter um lugar como o que possuía, mas uma grande parte de si mesma não gostaria de retornar ao ponto crucial em que tudo teve início.
Um passado submerso ao presente em que vivia.

A mulher caminhou segurando a taça de vinho por entre sua mão até o cômodo perfeitamente bem planejado. Percorrendo as salas principais e o corredor de acesso, levou a mão até a maçaneta do quarto principal e delicadamente a girou a fim de abri-la e preparar um banho de horas sem fim na banheira da sua suíte.
A imagem do último corpo que estivera junto ao seu ainda estava impregnada dentro de si, a luxúria que sentira junto ao homem que sequer sabia o nome era como um ponto de calma diante da busca incansável por algum tipo de emprego que fosse. Aquele dia não havia sido diferente dos demais, tentou mais uma vez, pelos meios corretos, um emprego como advogada e mais uma vez, retornara a sua residência com nada mais do que insinuações referentes a sexo.

Algo que ela não faria sem um pagamento justo, ela não era qualquer uma.

Ela entreabriu a porta e fixou seus olhos na cama de lençóis brancos completamente amassados. Num segundo de susto, a taça que ela segurava em sua mão fora solta e em câmera lenta, o objeto de cristal foi despencando até o carpete, tintilando algumas vezes, até que enfim fora despedaçando. O líquido vermelho fora intercalando lugares distintos daquele chão e não conseguia se movimentar. Sua cama estava completamente suja com fragmentos do que numa primeira análise deveriam ser sangue. Sua pulsação acelerou e ela sentiu o corpo responder ao ocorrido quando sua mente girou uma vez. Embrulhando o seu estômago.
Pétalas de rosas brancas estavam jogadas pelo colchão que anteriormente continha um branco impecável. Algumas rosas inteiras também estavam devidamente bem posicionadas e ela não precisou de uma análise mais precisa para entender o que aqueles caules representavam.

Murder.

Algumas rosas tinham tons em vermelhos junto as suas pétalas e a mulher voltara a um momento em que se viu procurando por verdades irreais em uma certa obra infantil. A rainha de copas costumava pintar de branco as rosas vermelhas que nasciam junto ao seu jardim. O movimento inverso ao que estava acontecendo no seu quarto.
ficou um tanto submersa aquela imagem, talvez classificaria em cena de um episodio de Sherlock, algo completamente irreal no qual ela sentiu um pouco de dificuldade em entender. A mulher adentrou ao quarto esquecendo completamente os cacos de cristal pelo chão e ao pisar deliberadamente para checar o que estava acontecendo, ela cambaleou gemendo com a dor que sentiu ao conhecer os pequenos fragmentos penetrando a sua pele. Seus passos foram ágeis e ela impulsionou o corpo até encostá-lo na beira da cama.
- Puta que pariu – exclamou erguendo o pé machucado para observar o sangue que aos poucos começava a aparecer. A mulher tentou retirar alguns pedaços e com uma certa facilidade, somente pôde observar as gotas de sangue que caiam pela extensão do seu calcanhar e pingavam no carpete. – Isso só pode ser algum tipo de brincadeira – Ela voltou o seu olhar para a cama, entre feições incomodadas acoplada a dor que sentia e seu corpo estremeceu.
Junto a frase que se formava, uma grande mancha de liquido vermelho estava sujando tudo ali, por um instante, desejou que fosse somente algum tipo de tinta ou sangue falso, mas no segundo em percorreu seus dedos pelas marcas e levou até próximo ao nariz, a ânsia de vômito fora maior do que pudesse controlar. A mulher limpou a mão na colcha e sem pensar no que fazia, inclinou sua mão até a primeira rosa que formava a palavra. Ela segurou por entre a sua mão e logo deixou que a rosa caísse ao chão. Seus dedos agora estavam com pequenos furos e o sangue jorrava de lá com uma precisão maior do que do pé.
voltou seu olhar, aproximando o corpo junto a colcha, percebendo que pequenos espinhos estavam percorrendo toda a extensão do caule. Num primeiro momento, eram quase que imperceptíveis e aquilo incomodou ainda mais a mulher que agora tentava levantar-se.
Já com dois dedos rente aos lábios para que o sangue enfim parasse de jorrar. Ela tentou se equilibrar com um pé só e foi ao banheiro do seu quarto, jogando os dedos da mão na pia e abrindo com força a torneira. Seu desejo era gritar. Pegar o celular e expor para qualquer pessoa o que estava acontecendo, estava horrorizada e não passava pela sua cabeça o porquê daquela palavra estampar sua cama.
- Eu preciso ligar para alguém – A mulher sussurrou consigo mesma observando o sangue começar estancar. Ela foi até a segunda gaveta da bancada e com uma certa dificuldade, abriu os bandaids e colocou nos dedos, percorrendo o caminho até a banheira e deixando o pé repousar junto a água da torneira, na qual ela havia aberto.
As imagens do que havia encontrado no seu quarto a deixariam naquele estado vegetativo por um longo período, não conseguia assimilar o que estava acontecendo, tampouco a ideia de que alguém tinha a liberdade o suficiente para deixa-la naquela sensação de incomodo e foi aí, junto a pensamentos confusos que ela se viu acreditando na motivação da única pessoa que tinha poder e influencia o suficiente para brincar com a sua normalidade tão desejada.
Num acesso de fúria, foi até o quarto e retirou a colcha da sua cama. Jogando-a no chão sem absolutamente nenhum vestígio de remorso – Eu vou jogar essa merda no lixo – A mulher afirmou enquanto ia retirando camada por camada dos lençóis que ainda continham vestígios de sangue. Ela gritou. Um grito alto e em bom som, um sentimento de ódio esvaindo de todos os poros do seu corpo. Com o pé latejando e dores nos dedos, a mulher só queria ter que correr até o mandante daquela invasão de privacidade e acabar com a sua vida. A arma estava guardada no cofre junto as joias que ainda restavam na sua casa e ela não pensaria duas vezes em destruir o resquício de qualquer pessoa que ousasse em brincar com ela daquela maneira.
Ela sentou-se ao chão com a respiração ofegante, a mulher fechou os olhos e tentou contabilizar motivos plausíveis para que aquele tipo de atitude acontecesse. O desejo de jogar alguma coisa pela janela interrompeu as tolas tentativas de tentar cogitar a possibilidade de alguém ainda estar dentro do apartamento, nenhum movimento era audível. Absolutamente nenhum som era perceptível além da sua própria respiração descontrolada e bastante emotiva.
não costumava ter reações, ou quase nunca. A vida não seria fácil caso pudesse se deixar sentir absolutamente tudo a flor da pele, ela já teria desistido. Por hora, aniquilar qualquer vestígio de sangue do local seria o único dever a fazer, as muitas questões ainda perpetuavam sob a sua mente, mas em nada ajudaria tentar solucionar xaradas das quais não tinha controle. Quem quer que tivesse se dado ao trabalho para ir até a sua casa nunca teria feito sem pensar. O assunto fora premeditado e ela sabia que no meio em que vivia, poderia ser absolutamente qualquer pessoa.

Inclusive o .

Ela ergueu o corpo com uma certa dificuldade e se pôs de pé para tentar caminhar até a bancada do bar, procurando pelo celular. Cada pulo dado para não deixar que o pé tivesse algum tipo de contato com o chão era doloroso o bastante para que ela gemesse baixo. No meio do caminho, ela abriu a segunda porta, entre o corredor e a suíte principal, adicionando a sua digital. Como se costume, olhou para os dois lados do corredor a fim de checar se havia alguém ali, mesmo sabendo que a resposta daquela dúvida que tinha era um sonoro não.
Muitos anos atrás fizeram-na se envolver profissionalmente com um homem cujo hobbie era a tecnologia, e como conhecidos de bom grado, contratou sua empresa para adicionar uma trava especial num certo cômodo onde pudesse guardar absolutamente tudo o que fosse de suma importância para ela, e isso se aplicava ao arsenal de medicamentos.
Ela entrou na sala e foi diretamente a uma pequena mesa com alguns analgésicos já abertos, junto a maca de hospital, sentiu o frio daquela sala cirúrgica enquanto tomava medicamentos e passava outros no seu pé.
Como boa imigrante irregular no país, não poderia em hipótese alguma ter seu rosto vinculado a qualquer tipo de lista. O pânico de ter que voltar ao seu local de origem transformou a mulher em alguém que jamais imaginara em toda sua vida, uma fugitiva que sequer conseguia adentrar em hospitais somente para não ter seu nome vinculado em nenhum cadastro capaz de fazê-la voltar.
Seu nome não era , seus cabelos originalmente não eram daquela cor, seu semblante havia sido modificado numa clínica há muitos anos atrás. Algumas pessoas possuíam um certo incomodo com a irregularidade dentro de outro pais, para ela, aquilo fazia parte de algo muito maior.
Ao longe, ela escutou seu celular e resmungando baixo, teve que erguer o corpo e caminhar até a bancada do bar, a mulher não conseguiu enxergar o aparelho e bufando, ela foi até a bolsa, jogando o corpo ao sofá e erguendo o pé. O sangue havia cessado, só não quando os movimentos bruscos em que fazia na tentativa de caminhar se tornavam presentes.
pegou o celular em mãos e atendeu, ajeitando a saia junto ao corpo, incomodada pelas cortinas abertas e a praticidade em que o vizinho da frente teria ao observar toda a sua lingerie – Alô? – Ela atendeu a ligação ainda incomodada, ajeitando melhor o corpo e direcionando uma almofada entre suas pernas. – Alô? Alô?
- ? – Ela escutou uma voz feminina e seu estomago afundou um pouco, tudo bem?
fechou os olhos, mordendo o lábio inferior, a necessidade de pedir por ajuda tantas vezes se habitara do seu corpo e ela repeliu. Jogou para longe junto a certeza de que as pessoas não somente ajudavam as outras sem nenhum tipo de interesse e ainda sim quando o faziam, era porque tinham a necessidade de se mostrarem perfeitamente humanizadas, nada nunca era sem qualquer tipo de interesse por trás, e com a sua bagagem de histórias trágicas, necessitar era um verbo no qual a mulher não se submeteria para absolutamente ninguém – ? – A mulher questionou para escutar um sim ressoar do outro lado da linha - Ei, onde você está? Vem aqui em casa. Eu... queria conversar com você, seria possível? – perguntou tentando não transparecer interessada demais na presença da outra mulher.
Enquanto aguardava pela resposta, lembrou-se da falta de perspicácia da e a sua vulgaridade, na maioria do tempo, evitava ter que ver aquela mulher adentrando o hall do seu apartamento, talvez encontrando um vizinho rico e bem nascido, mas em outros momentos, era a única pessoa capaz de talvez ajuda-la a se acalmar.
Com todas as suas conversas tolas e sem fundamento.
- Eu... ok. Eu estava mesmo por perto, pensei em passar para dar um oi. Então daqui uns cinco minutos chego, aí, pode ser? - Claro! Pode vir – afirmou aliviada e escutou um pigarreado do outro lado da linha, a mulher fechou os olhos sentindo um latejar maior no instante em que movimentou a perna um pouco mais rápido, se incomodando. Ela gemeu baixinho em dor e soube que o som audível seria facilmente percebido.
- Você está bem?
Ela percebeu um tom de voz um tanto preocupado da outra, se conheciam a tempo o suficiente e mesmo que tentasse a todo custo delimitar o envolvimento delas, por muitas vezes, tiveram que conviver em festas particulares. O que resultou num reconhecimento junto a reações instantâneas e impensáveis.
- Eu estou – afirmou antes de desligar o celular sem proferir nenhuma palavra a mais. Ela jogou o celular ao seu lado no sofá e deixou que a sua cabeça fosse inclinada para trás, ela fechou os olhos tendo vontade de xingar alguém com raiva o bastante para acabar com uma vida.
O dia não havia sido fácil. tinha ido para três entrevistas de emprego e nenhum dos escritórios selecionados haviam demonstrado interesse no seu currículo. Uma grande parte deles se limitavam em analisar o corpo da e sua moradia. Uma mulher como ela, sozinha, com o endereço que habitava não era muito bem visto e diante da morte do Ludwing, isso refletiu em cada metro quadrado da alta sociedade Londrina.
havia deixado de ser a garota prodígio para ser a mulher que havia sido responsável pela morte de um dos maiores advogados de Londres. O império do homem era avaliado em milhões de libras e isso ecoava como um sopro.
De repente, todas as pessoas e as grandes empresas sabiam exatamente qual era a real profissão da e o porquê de ela estar precisando de um emprego. Naquele instante, quando a verdade vinha à tona, tanto fazia quais casos ela tinha junto aos escritórios, suas causas ganhas, absolutamente nada além da realidade em que ela era uma garota burra que usava o seu corpo para atingir o patamar que havia construído.

A mulher votou seu corpo, rente ao sofá e sentou, suspirando pesadamente, com uma certa dificuldade, ela tentou erguer o corpo – puta que pariu – rezingou observando cada cômodo milimetricamente afim de andar tendo como apoio os móveis, algo que não aconteceria com tamanha facilidade, mas ela não se importou.
Pulo ante pulo, ela voltou a aproximar seu polegar da maçaneta digital e retornou a adentrar o cômodo. Já um tanto mais tranquila, e com suas faculdades mentais mais calmas, observou o pequeno cômodo repleto por medicamentos.
Os detalhes do ambiente eram amadeirados, sem nenhum tipo de textura para não dificultar a higienização. Ao lado da porta, uma bancada bem iluminada de mármore com uma pia no seu centro. O espelho ia de canto a canto da pequena parede e ao seu lado, pequenas prateleiras repletas por remédios. A temperatura do quarto diferenciava do restante da casa, não poderia passar dos 15 graus celsius devido aos medicamentos que não suportam grandes temperaturas. Bisturis, mesa e bandeja cirúrgica. Dentre tantos outros instrumentos em que ela conseguiu obter junto a conhecidos que a ajudaram. não estava higienizada e certamente teria que entrar em contato com a sua auxiliar para uma limpeza mais sucinta.
Algo que se tornou corriqueiro para ela.

sentou-se com uma certa dificuldade na cama e começou a enfaixar seu pé. Nunca tivera qualquer tipo de aula sobre cuidados consigo mesma e por isso mantinha uma equipe de pessoas pagas por fora para auxiliá-la quando algo acontecesse. Para a maioria das pessoas, aquela relação era médico-paciente, mas para , era como uma peculiar operação de descrição para que nada de diferente acontecesse junto a sua normalidade.
O pânico era como um amigo, no cotidiano da mulher em questão.
Finalizando os cuidados com o pé, ela tentou organizar os utensílios que utilizou junto ao pé, diferenciando-os para depois esterilizá-los calmamente sem que ninguém pudesse atrapalhá-la.
Ela erguera o corpo e caminhou novamente pelo quarto, fechando a porta e tentando abrir a maçaneta, girando-a, somente por uma precaução que costumava utilizar sempre, tendo certeza de que fora travada, ela caminhou tentando pisar rente ao chão, juntando as sobrancelhas e deixando uma careta fixa ao rosto por sentir aquela dor aguda. A praticidade de ter que realmente pular para conseguir voltar até o sofá era mesmo a escolha certa para aquele movimento.
Mesmo com toda a tecnologia já estudada perante medicamentos, nada ainda estava ao seu alcance para que machucados ou cortes mais extensos e profundos, fossem facilmente cuidados em apenas alguns minutos. O repouso ainda estava dentre os melhores indícios de cura e talvez, nem todo o avanço da medicina fosse construir uma base tão sólida do que a pele em descanso.

A campainha fora escutada e mordeu o lábio inferior ao ter que caminhar com o pé devidamente enfaixado até a entrada do seu apartamento. Ela ainda revivia a cena um pouco incomodada, em partes pela dor que sentia ao ter que movimentar-se, o que a remeteria o tempo todo para a cena em que presenciou na suíte e em outro ponto, somente por ter que se mostrar simpática com alguém no qual ela não fazia muita questão de conviver. A mulher fora caminhando, intercalando com pulos até a porta de entrada e logo que entreabriu um certo pesar habitou o seu corpo.

Junto a , uma mulher de longos cabelos vermelhos e maquiagem marcada, com um batom vermelho nos lábios, estava um certo homem de olhos claros. A jaqueta de couro estava presente e o seu semblante era muito mais sério do que quis admitir para si mesma. A ruiva sorria completamente fascinada por aquele encontro e tinha esquecido completamente a presença da mulher. tinha uma sobrancelha arqueada e se perguntou qual fora o motivo para aquele encontro. Desde a última vez em que se encontraram ela o ignorou completamente.
Ela admitia muitas coisas do sexo masculino. Sexo sem camisinha não era um ponto positivo na sua profissão, mas em casos extras, a transa sem camisinha era somente mais um motivo para ter sua ginecologista junto a sua casa. Alguns exames rotineiros no qual era facilmente obsessiva por. Muitas vezes passou por momentos difíceis em que ao afirmar que só transaria com o preservativo, algum homem foi baixo o bastante para esfregar junto ao seu rosto notas de libras somente para demonstrar, sem uma única palavra quem verdadeiramente mandava ali e ela não se sentia a vontade ao admitir para si mesma que em algumas ocasiões, aceitou cada uma daquelas ofensas. Cada um dos abusos.
Porém, não era negócios e nunca seria. O homem a sua frente era somente um esnobe, mimado. Alguém cuja fortuna havia sido feita através de programas ilegais, não que ele verdadeiramente precisasse. Para , seria muito fácil conseguir vencer na vida recebendo uma boa quantia do seu pai, herdando, na verdade, mas para os meros mortais como ela, ou o sacrifício a tornaria alguém, ou ela continuaria no lugar em que tinha de origem.
Estar frente a frente a ele a proporcionava dúvidas em que ela não soube explicar, mas sua mente voltava com uma certa precisão até as imagens vistas junto ao seu quarto, uma espécie de vingança para com ela e ela nunca colocaria a mão no fogo por homens com o – o que você está fazendo aqui? – questionou apoiando o corpo rente a porta, sentindo um certo incômodo no pé, sem desviar o olhar do que ainda a fitava com um certo brilho nos olhos.
- Não posso visitar uma velha amiga?
- Foda-se você e o velha amiga, entra e você fica aí fora, caso tente entrar no meu apartamento, eu te denuncio – afirmou por entre os dentes e rompeu numa gargalhada.
Ao lado deles, entreolhando de um para o outro, não conseguia entender sobre nada que estivesse acontecendo. Lembrava-se da imagem do questionando se ela havia conversado com a e afirmando que queria visitá-la, ela, que nunca havia sido idiota, resolveu que iria acompanhá-lo a fim de ficar de olho nas intenções dele para com a outra. Algo que ela não conseguia entender. Para , era uma sem graça. Uma prostituta metida a besta que dera a sorte de se relacionar com os homens certos até o ponto em que teve que montar o seu pequeno império, não costumava beber nas festas, sequer fumava junto as garotas. Não possuía tatuagens e piercings. era tudo aquilo que aprendera não ser quando resolveu sair do subúrbio em que morava e tentar a vida na capital Londrina.

Ela era como uma socialite.

Uma mulher repleta de limitações impostas por pessoas que não tinham sequer controle sob as próprias vidas, mas que ousavam em apontar o dedo no rosto da outra pessoa somente por se sentir melhor.
, observando aquele momento como uma boa oportunidade para colocar o seu plano em ação, posicionou sua mão sob a do e entrelaçou os seus dedos aos dele – Ele está comigo, . Se ele não entrar, eu não entro também. – Ela ergueu o queixo desafiando a mulher a sua frente, os olhos verdes da mulher possuíam faíscas e deixou que o ar dos seus pulmões saísse do seu corpo com uma certa vontade de estapear a tolice dela - Não sabia que ele incomodava você.
segurou um sorriso debochado e negou com a cabeça. Seu olhar repousou no homem a sua frente e ela precisava agir. Deixa-lo de fora somente aumentaria a soberba que ele tinha dentro de si, culminando a necessidade de se sentir importante o suficiente para enfraquecê-la em algum ponto e absolutamente ninguém tinha o poder de deixá-la desconfortável em sua própria casa, muito menos alguém hipócrita como ele.
sorriu de lado dando uma piscadela ao dar passagem para que eles entrassem, retirou do rosto o semblante vencedor e a encarou sério – Não acredito que o consiga me incomodar o suficiente para não entrar na minha casa, você conhece bem, não é ?
- Conhece? – movimentou o rosto e voltou o seu olhar para o homem ao seu lado – Pensei que você havia dito que nunca tinha subido aqui.
- Ele disse, foi? – caminhou fingindo não sentir dor alguma no pé machucado, piscando algumas vezes ao ter a dor moldando o seu pé e subindo pelo seu tronco. O incomodo fino que percorria sua circulação ainda estava forte o bastante para deixá-la com um semblante sofrido, mas não em frente a ele. Nunca em frente daquele homem – Você esqueceu de comentar com a que você já dormiu aqui, digo... No quarto de hospedes, óbvio – Ela sentou-se cruzando as pernas, o tom da sua voz estava completamente debochado e entenderia o que significaria aquele tipo de frase num primeiro momento. sentiu o olhar dele repousar junto ao movimento gracioso que fazia, em completo silencio.
- Não sabia que você costumava dormir na casa das prostitutas, soltou a mão dele e caminhou até o sofá, sentando-se ao lado da , voltando o seu olhar até ele – Pensei ter escutado de você que eu era a primeira.
- Primeira em que? – não conseguiu segurar uma gargalhada escandalosa, ao observar o semblante do homem – Ele já transou com todo o casting, não transou com você? Quais eram as frases... ‘Posso ensinar como você deve se comportar com um homem na cama... Você quer?’ - não teve tempo de continuar as palavras de deboche porque no minuto em que se dera conta, estava a sua frente, o homem inclinou o corpo em direção ao seu e ergueu o queixo desafiadora – Vai me bater novamente, ? – Ela questionou por entre os dentes enquanto ele fechava os olhos e tinha o punho junto ao corpo – Agora vai ser um murro? – Ela sussurrou junto a orelha dele, vendo-o se deixar levar – Responde , vai me bater novamente?
- Como assim, bater?
- Oh, seu namoradinho não afirmou que me deu um tapa somente porque eu tinha gozado com um desconhecido num quarto de hotel? – questionou empurrando o corpo dele, que se ergueu, passando as mãos que suavam pela calça jeans – Ele não tem dito muita coisa a você, não é ?
- Quando você vai parar de achar que tudo gira em torno do seu umbigo? – cruzou os braços e observou um pequeno corte junto a uma tatuagem, próximo ao seu pulso – Você e a sua porra de mania de acreditar que eu fico como um cachorrinho esperando por você escolher todos os velhos gordos para transar e finalmente me deixar te ter para mim.
- Para quem não acredita nisso, você está muito convicto na frase, não está? – questionou vendo-o entreabrir os lábios para retrucar, sem organização suficiente junto as palavras, ficando em silêncio – Eu não tenho problema com a sua obsessão com a , , ela nunca ficaria com você – A ruiva observou com um sorriso estonteante no rosto – Então, querido, você realmente precisa se contentar com o que tem, no caso, eu.
continuava a enumerar sobre as delícias de saber que o grande amor que ela julgava ser o eterno para o , não o queria, mas tinha a mente completamente em outra ambientação. Sentada ao lado da sua colega vulgar, ela observava em pé, que não se aproximava em momento algum dela. O machucado era fino e parecia ter sido feito por algum tipo de ponto fino o bastante como um espinho. As duas pessoas na sua sala de estar começaram a conversar ou discutir, talvez pelo tom ríspido em que retrucava a cada comentário da ruiva a sua frente, mas só conseguia pensar nas possibilidades do sadismo do homem.

Até onde iria a obsessão daquele homem por algo que ele não tinha?


- Onde você se machucou, ? – interrompeu a discussão, apontando para o braço dele e ele rapidamente voltou seu olhar para o arranhão, escondendo-o sob o casado, dando de ombros sem responder uma única palavra. A brincadeira parecia ser repleta de sarcasmo e analisando a reação do homem ao dar de ombros, soube que talvez assim como a sala de medicamentos que possuía, talvez estivesse ficando muito preocupada e metódica com aquilo também.

Paranoica.


- Você parecia preocupada ao telefone, aconteceu algo? – depositou a mão no ante braço da mulher, que se afastou rapidamente, negando com a cabeça em resposta – Por que você está com o pé enfaixado, ?
- Andou se cortando? – O tom de voz do estava sarcástico e ela não desviou os olhos do rosto da para os dele, a mulher sentiu o maxilar trincar e num acesso de medo, deu de ombros balançando a perna para saciar o mal-estar que sentia diante da pergunta dele – Cuidado, linda, sempre existem pessoas malucas por aí.
ergueu o corpo do sofá e sem expressar nenhum tipo de palavra, caminhou até a porta, voltando a abrir – Acabei de lembrar que preciso sair, vou tomar um banho, tenho algumas coisas a resolver, tem algum problema se a visita ficar para outro dia? – Ela afirmou sorrindo simpática para ambos, deu de ombros erguendo o corpo e caminhando até a porta.
- Você está muito estranha hoje, amiga. É dinheiro? O pode ajudar você... – Ela afirmou – Ah, espera, antes... Posso usar o banheiro, ?
- Claro, segunda porta a esquerda, no lavabo de preferência – Ela afirmou ainda com o corpo encostado junto a porta, a adrenalina que inalava do seu corpo era grande a ponto de ela ter que tentar acalmar a respiração que se encontrava ofegante.
observou a mulher desaparecer da sua vista, voltando o seu olhar até o – Seu filho da puta! – Ela exclamou – que merda de brincadeira foi essa? Você realmente acha que pode colocar merda de espinho na minha cama e me chamar de assassina? Sabemos quem costuma acabar com...
Antes que ela pudesse finalizar a frase, foi de encontro ao seu corpo e depositou a mão sob os seus lábios com força – Cuidado com suas palavras, – Ele sussurrou no ouvido da mulher – Eu posso muito bem acabar com a sua estadia em Londres, esqueceu que você se encontra nas minhas mãos? – O homem questionou levando uma das suas mãos até a perna da mulher, apertando-a junto ao seu corpo, os dedos ágeis do foram em direção da sua intimidade e ele rapidamente deixou a calcinha dela de lado, tentou se afastar desconcertada, sentindo uma onda de excitação pairar pelo seu corpo com o contato – Não vem bancar a puritana perto de mim não, você é tão suja quanto eu – Ele afirmou adentrando dois dedos, vendo-a fechar os olhos por um instante, esquecendo completamente das atitudes do último encontro que eles haviam tido.
deixou que a sexualidade que assolava junto ao seu corpo naquele instante fosse vencida pela sua consciência e numa tentativa falha de afastar o homem que se encontrava em vantagem, ela percorreu suas unhas pelo pescoço dele. Ele se deixou levar sorrindo fascinado e ela pensou eu trazê-lo ainda mais para perto para tirar um pouco de sangue dos seus lábios, mas ela não o fez. Com o controle daquela situação, a mulher se limitou em estapear o seu rosto, vendo-o arregalar os olhos que anteriormente estavam fechados – Não vem bancar o fodão perto de mim, . Você é um otário em se tratando de mim e eu não sinto o menor medo de você, sabe o porquê? – Ela sorriu com ele retirando sua mão do meio das pernas dela – Porque cada vez em que você pensar em me foder ou me mandar para fora de Londres, você vai repensar como será viver sem mim, patético.

abriu a boca para retrucar, seu semblante exalava uma mistura de ódio junto a surpresa pelas palavras ditas, mas ao mínimo som de salto alto no piso, afastou o corpo do , sem desviar os olhos dos dele. Eles ficaram observando-se por segundos, que tiveram o poder de durar minutos ou horas para os dois. A eletricidade que exalava o cômodo não havia sido despercebida a .
- Vocês vão transar ou se matar? – A ruiva questionou e se afastou deles, voltando a segurar a maçaneta, apertando, sentindo uma pequena dor ao observar sua mão machucada pelos espinhos. Algo que ela esqueceu por um instante.
- Nos matar, talvez – trocou um olhar com o homem e pigarreou antes de continuar – Vai logo, eu preciso me arrumar, vão.
- Encontro, ?
- Não interessa a você, – A mulher afirmou por entre os dentes ao sorrir forçando mostrar um sorriso forçado, antes de fechar a porta e encostar o corpo junto a ela.
fechou os olhos e sentiu todas as dores voltarem ao corpo, a adrenalina se esvaiu e junto a ela, só restava a loucura que o parecia começar a planejar. A conversa não havia sido reveladora e ela sabia bem que era o tipo do homem que costumava se vangloriar por feitios que não lhe pertenciam. Ela caminhou mancando até o sofá e jogou o corpo ali, tateando o estofado, pegando o celular para observar uma mensagem de texto na tela principal.
Sem nenhum tipo de remetente, de um número desconhecido, se viu um pouco nervosa diante do que estava visível ali.
Uma excitação voltou a percorrer o seu corpo com a lembrança do homem que havia conhecido, será que poderia ser dele a mensagem?
Seu corpo respondeu de imediato a mensagem e ela mordeu o lábio inferior desejando um pouco de prazer naquele dia repleto de insanidade. Ele poderia ser um resquício de normalidade pairando a sua vida. Algo que a fizesse desejar que as mãos que estiverem entre as suas pernas mais cedo fossem daquele que possuía um sorriso e um corpo no qual ela ainda não havia conseguido esquecer ou tirar de foco.
Um sexo e tanto.

Esteja pronta às 19 horas.
Aproveite e analise sua conta bancária.
A lingerie é preta.
Xx

Continua...


Nota da autora: Sem nota.



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» Tóxica
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» Anna

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