CAPÍTULOS: [Prólogo] [Capítulo único]









Prólogo


O Velho Chico é o rio onde fizeram o juramento de amor, antes de tudo cair...
Hoje, a falta de sentimento afeta a cidade comandada pelo coronel. E isso, finalmente, terá um fim!

Capítulo único


Ele me deitou na mesa, seus beijos quentes tiravam o frio de minha pele. Enquanto todos comemoravam o dia de São João, talvez fôssemos os únicos que não queriam estar presentes em uma noite única e bela como aquela.
Seu hálito de canela bateu contra meu queixo. Pude sentir suas mãos inquietas e indecisas de em que lugar e como me tocar, mas não valia a pena esperar mais... Finalmente, havíamos nos encontrados, e o tempo era curto para desenterrar o antigo sentimento!
— Não! Não podemos fazer isso! — emitiu, afastando-se como se estivesse desesperado. — Nunca mais podemos... — Afastou-se da mesa, passando a mão no rosto.
— O passado estás morto para tu? — Levantei o tronco, soltando, sem pensar no quanto essa pergunta tinha saído pesada.
— Não queria mais pensar-te nele — respondeu baixo.
— Não é preciso pensar. Apenas pelo simples fato de ter assumido propriedades nesta cidade, faz o passado viver em tua mente! — expliquei.
— Você não entende, ! — gritou alto.
— O quê? O que eu não entendo agora? — rebati no mesmo tom, descendo da mesa.
— O fato de estarmos com a vida feita! — respondeu. — Tu estás casada com — sua voz parecia mostrar dor.
— E tu com a filha do prefeito Taine — minha voz continha dor assim como a dele.
— Esses são os motivos pelos quais nunca mais podermos nos ver. — Olhou fixo em meus olhos. — Você tem uma vida com , e não vou estragar isso. — Iria se retirar.
— Ei! — Corri até ele, segurando em seu braço. — Você não vai estragar nada — revelei, abraçando-o e apoiando a cabeça em seu peito.
Ficamos em silêncio por um tempo, apenas nos acariciando. Eu fazia carinho em seu braço, enquanto ele retribuía com um simples cafuné, com o queixo apoiado em minha testa.
Ele estava certo, não podíamos ficar juntos enquanto estivéssemos envolvidos naquelas uniões. e Mary Taine não mereciam virar os cornos da história. Meu pai, se não estivesse tão ocupado com o barulho da festa de São João, com certeza estaria me perturbando.
Meu coração palpitava batimentos os quais significavam o quanto valia estar ao lado daquele homem. Assim como há anos, gostava de sentir seus braços em volta de mim. Sua temperatura era capaz de esquentar a nós, e esse simples fato fazia com que eu me sentisse segura.
— Já faz vinte e três anos — suspirou, antes de falar, e os fogos de São João começaram.
— Pode fazer quantos anos forem necessários, nada vai mudar o que sinto por ti... Nada... — revelei, inspirando seu perfume.

Flashback on.


(...) Vinte e três anos atrás...


Os cavalos correram. Poderia ser qualquer coisa... Uma corrida, uma aposta, uma brincadeira, uma diversão.
Os cascos tocavam o chão, fazendo a poeira subir, o sol iluminava nossos caminhos, a lua vagava nas noites, anunciando nosso amor. Os cachorros latiam, as vacas corriam, produtores cultivavam, e pássaros cantavam.
— Vá, ! — gritei, fazendo meu cavalo retornar a correr quando o mesmo aproximou-se.
— Não estamos apostando! — Brincou.
— Agora estamos! — Olhei para trás, lançando meu melhor sorriso. — Quem chegar por último, vai ser o responsável por juntar o rebanho. — Guiei o cavalo, conseguindo pressentir que ele estava em minha cola.
Sua poeira subiu, ele conseguiu me ultrapassar. Seu sorriso se alargou, e eu gritei, me divertindo com a derrota. Seja lá como juntaria o gado, estava morrendo de amores por aquele homem montado em um mustangue da fazenda da família .
Continuei o trajeto na direção dele, não estava disposta perder tão fácil daquele jeito. Ainda tínhamos um belo trecho de terra para percorrer. Uma hora, ele iria cansar de estar em primeiro na corrida.
Movimentei as rédeas, obrigando o cavalo a pular por um tronco. Agora era a pior parte: aquela floresta imensa e cheia de árvores. A visão rápida do animal domesticado era a única coisa que dependia no momento. Nunca iria conseguir atravessar naquela velocidade com um cavalo, dependendo apenas de mim.
Quando menos esperei, seu cavalo rompeu meu caminho; puxei as rédeas a tempo o suficiente para não esbarrar nele. Além de divertido, também era sem noção!
— Não vá passar em primeiro! — emitiu com um tom maligno.
— Ah, eu vou! — Brinquei, passando comando para o cavalo prosseguir, mas ele não saía da frente.
— Acho que teu cavalo está um pouco... Desobediente — disse, aproximando-se.
— Igual a ti? — arrisquei em pronunciar, segurando um riso.
— Não sou desobediente — rebateu indignado, curvando o corpo em minha direção.
— Agora, tu és! — Peguei-o de surpresa, empurrando-o de leve, obrigando o cavalo a retornar para a corrida.

Puxei as rédeas, me preparando para descer da sela, quando o mustangue se colocou ao meu lado esquerdo. Ele logo desceu, começando a guiar o cavalo até a água, e eu fiz o mesmo, antes de amarrá-lo na árvore mais próxima de uma sombra.
Nossos passos acompanhavam um ao outro, as formigas, que perto da margem montavam o formigueiro, chamaram minha atenção. A rainha estava junto à colônia; ela parecia tranquila com o ambiente calmo, o rendimento parecia estar sendo executado do jeito que ela planejou.
— Gostas de ficares aqui? — disparou, sentindo o vento chocar em seu corpo.
— Com tu? — Levei meus olhos até ele.
— Por quê? Não agrada saber que estou aqui? — parecia ter usado palavras duras.
— Para de brincadeira! — Bati de leve em seu braço. — Estar com você é a melhor coisa que pode acontecer... — revelei, sentindo-o me envolver por trás, colando nossos corpos.
— Tem certeza? — quis garantir.
— Nunca vai existir outro homem para me fazer sentir o que sinto por ti... Nunca... — Segurei em suas mãos, que me envolviam, beijando-as.

Flashback off.


— Eu preciso ir — sua voz pronunciou. Só fui capaz de abraçá-lo com mais força.
, não... — implorei. — Quero ficar contigo... — revelei um pouco chorosa.
— Não posso...
— Por favor... — implorei novamente.
— Não, ! — Afastou-se por completo. — A gente nunca mais poderemos nos encontrar! Ouviu? Nunca mais! — gritou, e meu coração se despedaçou, assim como minhas lágrimas cederam quando a porta bateu, anunciando que ele havia mesmo partido.
Deixei-o ir. Não tinha mais nada em mente para tentar convencê-lo a ficar. Tudo tinha sido retirado de mim em apenas questões de segundos.
Primeiro e trágico encontro entre .
Nunca pensei que ele havia mudado tanto nos últimos anos. Queria, pelo menos, compreender sua mente. Como foi possível tamanha mudança? Será que ele sabia sobre ? Será mesmo que sabia o quanto seu filho precisava dele? Um menino de apenas vinte e três anos era uma fase difícil, cheia de mudanças que apenas o pai poderia compreender.
Os fogos de artifícios iluminavam o imenso céu estrelado. A festa estava apenas começando. Queria poder estar no pique para passar, pelo menos, uma borracha pelo nosso breve encontro, pois não era justo saber que, enquanto você sofria, pessoas estavam a poucos metros de você apenas se divertindo.
— Esta festa terás um fim! Ouviram? — meu pai pronunciou alto. Ele era o motivo por toda minha dor.

POV's (off)


POV's (on)


Encarei a casa de onde tinha acabado de sair. O que aconteceu comigo? Não poderia simplesmente sair daquele jeito, sendo que esperei vinte e três anos, ruins e catastróficos vinte e três anos, apenas para poder me encontrar com ela. E tudo isso para, no momento esperado, sair como um imbecil? Não, eu era muito pior que um imbecil... Era um inútil!
Chutei uma caixa cheia de legume; acompanhei os tomates e batatas saírem rolando pelo asfalto. Que raiva estava de mim mesmo! Como pude ser tão estúpido?
— Mas o que o senhor está fazendo em meu território, Sr. ? — Ah, não! Tudo menos o coronel! — Eu te fiz uma pergunta e queria que fosse respondida!
— Pelo que eu saiba, não existe nenhuma placa avisando que a vila é de tua responsabilidade, coronel! — Encarei seus olhos.
— Pois, agora que sabe, saia! — ordenou, mas quem disse que eu era um homem de seguir regras do coronel?
— Escute bem aqui, coronel... — fiz questão de pronunciar entre os dentes. — Não sou teu cachorro para pensares que pode fazer o que bem entende com ele. Não sou teu filho para seguir tuas ordens. Não sou tua esposa para conceber obediência! — Precisava tirar aquele peso das costas.
— Como ousa falar de minha esposa dessa maneira, como se ela fosse algum tipo de animal em cativeiro?
— Assim como tua filha, ela também deve ser tratada como merece. — Como sentia ódio daquele homem, ô, se sentia! — Tua filha, coronel...
— Não fale de minha filha, senhorzinho ! — Achava mesmo que ele poderia me impedir de falar em ? Não, eu nunca iria ser seu capacho.
— Eu falo dela assim como falo de qualquer outro ser humano neste mundo. Sou livre tanto para fazer minhas escolhas, quanto para falar de quem eu quiser! — rosnei. Alguém, de fato, precisava colocá-lo no devido lugar de onde não deveria ter saído!
— Fale dela e perde a vida! — ameaçou, apresentando sua companheira mais fiel: a espingarda, a única e mais sincera amiga, porque era obrigada.
— Não vou forçá-lo a nada, coronel. — Segurei no cano da arma. — Mas fique tu sabendo que destas terras, o senhor não me tira! — confrontei, e sua expressão tomou outro rumo.
— Se eu ver você de novo por este lugar... — Levantou a arma.
— Abaixe essa arma, coronel! — outra voz masculina surgiu. — Não é necessária tamanha violência.
Ele virou-se.
— Não serás tu quem me impedirá, .
O neto do coronel disse:
— Não estou aqui para impedir. — Apenas ouvi suas palavras com atenção. — Estou aqui para tentar fazer tua cabeça a raciocinar mais levemente e fazê-la compreender que não é certo matar alguém só porque tem mais poder que o senhor. — Quem olhava e ouvia, não tinha sequer um jeito para dizer que tinha o sangue do Coronel Saruê.
não tem mais poderes que eu. Ele não passa de um morto de fome, da pior raça e qualidade.
— Fique você sabendo... — Morto de fome era a mãe dele, aquela vadia que tinha por acidente lhe trazido ao mundo!
— Não sabes as condições dele para afirmar — o rapaz defendeu.
! — O coronel agarrou o pulso do neto.
— Solte-o! — Senti-me no dever de tirar o Coronel Saruê de cima dele.
— Você não dita as regras, coronel! — O garoto puxou seu braço com uma postura rígida. — E muito menos é o responsável por esta cidade. Aqui entra e sai quem tiver vontade! — Ele enfrentava com atitude e coragem. Gostava de ver pessoas com tamanha determinação.
— Antes de voltar para casa, pense melhor no que disse para seu avô. — O coronel recuou.
— Se eu tivesse escolhido, não teria escolhido você para ser meu avô — essas palavras machucariam qualquer ser de coração, mas o coronel não continha um coração com sentimentos; nele continha apenas ódio.
— Seu garoto insolente! — Irritou-se, voltando a erguer a arma.
— Painho! — sua voz despertou algo em mim. — Como sempre, não respeitando os próprios herdeiros, mas, afinal, quando tu respeitas alguém? — ditou, aproximando-se.
Observei seus movimentos. Seus olhos estavam direcionados para a postura de . Sua silhueta chamava atenção de meus olhos assim como seus lábios vermelhos, devido ao batom. Aquela mulher não tinha como ser mais atraente, seu charme para os homens era impecável.
teve sorte de ter se casado com ela. Quantos homens não queriam poder estar em seu lugar? Vários desejavam tê-la ao seu lado, só que muitos não poderiam ter o direito assim como o próprio Coronel Saruê não iria permitir um casamento que não fosse de seu real interesse.
— Deveria ter vergonha de tratar teu próprio neto dessa maneira. — entrou na frente de .
— Mainha, está tudo bem, o coronel nunca iria me fazer mal — o garoto pronunciou.
— Não é questão de fazer mal, é questão de covardia. Você não conhece teu avô como eu conheço. Ele não passa de um covarde! — afirmou com clareza, o que era estranho, já que, na maioria das vezes, todos os filhos ficavam do lado dos pais.
— Se você ainda fosse uma garotinha, juro que iria pagar por todas as palavras que acabou de dizer! — o coronel ditou. — Mas, agora que cresceu, não é meu dever corrigi-la, pois cabe a esse dever de...
— Não me cabe há nada, coronel! — Ótimo. Para melhorar a situação, nada melhor que a família toda reunida! — pode ser minha esposa, mas tem total liberdade para ser e dizer o que achar melhor — disse, e apenas recuei alguns passos. Aquela conversa já não me envolvia.
— Não vá embora, , minha conversa com o senhor ainda não acabou. — O coronel percebeu minha vontade de sair.
— Não é certo segurá-lo, se tua conversa já está no fim! — pronunciou. — , você tem todo o direito de se retirar quando bem entender. — Virou-se para mim, assentindo e concebendo permissão.
— Escute, , você não ouse ficar do lado dele! — disse. Esse era o nome do coronel, que tentava recuperar seu aliado.
— Eu fico do lado de quem merece meu apoio. Só porque o Sr. está em tua área, que você diz ser tua, não há motivo para segurá-lo — confrontou.
— Se você soubesse os pecados desse homem, , diria o contrário. — Minha garganta secou e meus batimentos cardíacos aceleraram. Se tinha coragem para confrontar o coronel com justa certeza, teria coragem para atirar em mim.
— Quem julga os pecados não sou eu, coronel, só quem tem esse direito é Deus! — rebateu.
— Painho, não adianta gastar saliva com quem não vai ouvir sequer uma palavra tua. — colocou-se ao seu lado.
, para garantir segurança, acompanhe o , até que o coronel tenha tamanha distância dele. — sugeriu, mas simplesmente não deveria ter sugerido.
— Os dois voltem para casa, não vale discutir, ele não vai mudar — disse, lançando um olhar sem brilho para o coronel, antes de beijar na bochecha e se dirigir até mim.
, junto de , tomaram o mesmo caminho logo após o coronel prometer não agir mais daquela maneira comigo. Não precisava tamanho alvoroço por minha causa, o coronel e eu podíamos muito bem nos entender sem sequer precisar da ajuda da família perfeita .
Propriedades de terras. Tudo nesta vida miserável envolvia propriedades de terras, o que era uma coisa inútil. Cada um com sua condição conseguia o número de terras apropriado. Minha família, antes de eu decidir construir uma própria, não tinha tanto interesse em terras. Tínhamos dinheiro, mas não a necessidade de cultivar alta quantidade de produtos para sobreviver.
Minha mãe trabalhava apenas limpando a casa, enquanto meu pai passava praticamente metade de seu tempo cuidando das terras de nossa autoria. O gado produzia uma alta quantidade de leite, que também servia para o ganho, sem contar que o rebanho aumentava a cada ano, resultando na venda, para evitar o acúmulo de bovinos.
Ao contrário da família , que, desde o início, tentava ao máximo ser o nível mais alto da cidade. O coronel casou-se com a Sr.ª Giulia Mendes por causa de seu relacionamento escondido do pai dela. Ambos tinham uma relação até amorosa, mas assim que nasceu, o ódio do coronel passou a existir.
Ele necessitava de um filho homem para liderar os bens da família, pois, em sua cabeça e também por regras da época, uma mulher nunca seria capaz de dominar terras. Assim, Giulia teve seu segundo filho, um menino que fora batizado de Nick, e foi por causa dessa gravidez que , aos seus sete anos, perdeu a mãe.
Sua mãe morreu após dar à luz a seu irmão. Ela me contou tudo aos mínimos detalhes quando a conheci sentada a margem do rio perto de minha fazenda, desenhando na areia com um pequeno graveto. Naquele dia, ela parecia estar esperando o tempo passar. Mas, também, com um pai que lhe maltratava 24h, o melhor mesmo seria buscar conforto longe dele.
— Desculpa pelas atitudes do coronel — sua voz me despertou. — Já estou cansada dessa maneira rude que ele possui, mas não consigo fazê-lo mudar — explicou, deixando um pequeno sorriso se formar nos cantos de seus lábios. — Não pense que o problema é contigo, pois ele é assim com todo mundo — disse como se eu fosse uma criança de cinco anos.
— Já estou acostumado com as implicâncias do coronel. Não é a primeira vez que acontece. — revelei, sem ânimo.
— Ele odiou encontrar sua sombra por aqui — sorriu, girando, como se estivesse livre.
— Até imagino... — deixei a frase no ar assim que meus olhos se prenderam em si, acompanhando seus movimentos livres e alegres.
não parecia uma mulher adulta, aparentava ser uma criança de dez anos, no máximo. Pulava e sorria como se tudo fosse simples e fácil na vida, suas mãos seguravam em algumas partes do vestido enquanto rodopiava, mantendo seu sorriso encantador que tanto me fascinava.
— Precisamos, às vezes, aproveitar pequenos momentos — indagou, encarando a lua. — Não é sempre que temos um tempo para descontrair — disse, me olhando com um sorriso que mostrava suas intenções.
— Como este? — Aproximei-me de si. — Não há nada a perder?! — Toquei a lateral de seu braço, começando a subir minha mão em um carinho.
— O tempo é muito curto para pensar. — Enlaçou seus braços ao redor de meu pescoço, aproximando sua boca de meu ouvido. — Vinte e três anos foram o suficiente para fazer nossas mentes construírem muralhas. Agora, é hora de derrubá-las...
— Então, vamos derrubá-las... — deixei claro, encarando seus olhos.
Ela abriu um sorriso, antes de me puxar pela nuca. Seus lábios tocaram os meus perfeitamente como antes, a mesma sensação continuava viva. Sentir sua boca contra a minha era como sentir o leve vento bater em seu rosto quando se está cavalgando ou dirigindo...
Nossas línguas se chocaram, o calor nasceu... O contato foi crescendo e renascendo. Sentíamos falta um do outro e, mesmo sabendo que aquilo era errado, o que vivíamos recebia o nome de romance proibido, mas, no caso, em nossas regras, nada poderia se tornar proibido quando o amor realmente nascia!
Minha mão pousou em seu pescoço, concebendo mais vida ao ato. Meus dedos puderam ter a liberdade de sentir sua temperatura elevada. estava quente e seu corpo denunciava o quanto estava satisfeita com apenas um simples contato de lábios, mas, para mim, um beijo não era o suficiente para fazer a saudade partir.
— pegamos fôlego —, venha comigo! — Lançou um olhar brilhante, puxando-me pela mão.
Apenas concebi confiança e deixei que ela me guiasse para o lugar que desejava. Em meio às pessoas da cidade, passamos apressados. O coronel vagava pelas ruas lotadas por causa do São João e, se caso presenciasse nossa união, com razão à guerra estaria declarada.

POV's (off)


O pescador puxou sua vara de pesca, o anzol continuava do mesmo modo que jogara. A minhoca não tinha sequer sido beliscada. Estava começando a desistir da pescaria. Desde muitos anos, o Rio São Francisco sofria com a safra de peixes, ele produzia um número muito baixo para ser capaz de sustentar a cidade.
— Nada, Sr. Hill? — seu amigo gritou.
— Nem beliscar os peixes quer... — respondeu, sem ânimo.
— Acho que não tem mais volta, o Velho Chico está se acabando... — Tentava acreditar em suas próprias palavras.

(...) Suas mãos enlaçaram novamente seu pescoço assim que adentraram, iniciando mais um beijo; desta vez, com mais pressão e determinação. O quarto dos fundos da imensa casa do coronel finalmente teve utilidade, a cama estava em perfeito estado de encontro. Era apenas isso o que precisavam...

— Sabe o que eu acho? — o pescador insistia. — Vou continuar aqui por mais essa noite. Se, até esta manhã, não conseguir um só peixe, volto à minha casa, com os pensamentos prontos, para outra base de alimentação — deixou claro, lançando novamente o anzol na água.
— Vou jogares a rede, quem sabe — pronunciou. — Ainda tenho um pingo de esperança. — Lançou o objeto na água.

(...) Abriu o zíper do vestido feminino, podendo ser capaz de sentir a pele quente das costas, que eram expostas. Retirava a peça com cuidado. Estava com intenção de gravar cada segundo, para poder relembrar o quanto era bom viver o amor novamente.
Também, na mesma linha de pensamento, desabotoava a camiseta branca de lentamente, enquanto ele apenas absorvia o quanto era prazeroso sentir os dedos finos e delicados por sua pele.
tratou de puxar sua camiseta, expondo seu abdômen não muito definido. fez o mesmo com seu vestido, deixando seu sutiã e sua calcinha preta em exposição. Tudo, então, seguiu seu caminho; enquanto ela distribuía carícias no pescoço, ele aproveitava cada toque, apertando firme na cintura da mulher, soltando gemidos agudos a cada mordida de leve que recebia...

O Sr. Jimmy Hill estava quase cochilando quando o sino de alerta soou. De início, pensou ser apenas o som de sua imaginação, mas assim que sentiu a força bruta sendo aplicada através do carretel que girava, foi quando seu sono tomou outro rumo e começou a puxar sua linha.
As puxadas eram fortes, ele conseguia dar conta, mas como era possível simplesmente um peixe surgir tão rápido? Um milagre!

(...) Selaram suas bocas. Esse era o milagre. A união só poderia resultar na recuperação do Rio São Francisco, aliás, desde a separação de ambos, o número de peixes caiu...

— É UM MILAGRE!!! — Jimmy gritou quando conseguiu finalmente analisar o grande peixe em seu anzol.
— FINALMENTE, UM SINAL DE QUE DEUS NÃO SE ESQUECEU DE NÓS!!! — o outro pescador gritou animado, puxando sua rede com ajuda de outros oito pescadores, devido à alta quantidade de peixes.
Os peixes tinham finalmente voltado, para a sorte de todos. A situação não estava nada boa com o baixo nível que conseguiam da pescaria. Os pescadores mantinham um sorriso nos lábios, aliviados por saberem que teriam o que comer e o que vender para seu sustento.
e precisavam permanecer juntos, só assim o Velho Chico voltaria a produzir a mesma quantidade de peixes novamente. Foi preciso apenas um pequeno tempo de ambos para se reconciliarem, e foi isso que resultou!
Não importava as leis do coronel, ambos precisavam assumir o amor que nutriam. Apesar de já terem uma grande prova dele através de , era necessário mais.
— Eu te amo... — ela pronunciou.
— Igualmente... — respondeu, fazendo ambos sorrirem, antes de reproduzirem outro beijo.

(...) No dia seguinte...


apertou os olhos assim que a luz do sol bateu contra seu rosto. O galo cantava em algum lugar pela cidade, o breve frio da manhã alcançou seu tronco nu, causando um pequeno calafrio.
Seus glóbulos analisaram os cômodos do quarto, conseguindo sentir tudo o que sentia na noite anterior. A presença dela naquele quarto não fazia a maior diferença, mas o mesmo ponto continuava perturbando-o:
A conversa que ouvira ainda estava viva. Tudo era fresco, cada ponto e vírgula que saiu pela boca do coronel continuavam intactos em uma parte de seu cérebro o qual queria, com todas as forças, apagar, mas precisava saber a verdade, antes que fosse tarde, e só aquela voz podia lhe dizer a resposta.
— Bom dia! — emitiu atrás dele, sorridente.
— Dormiu bem? — quis saber, aliás, ele já sabia o motivo daquele sorriso.
— Melhor que há muitos anos — respondeu, ainda sorrindo, colocando as pernas para fora da cama.
— Até imagino... — disse simplesmente, decidido a jogar as cartas na mesa, afinal, não poderia mais ficar com aquela dúvida em sua mente. — Preciso de respostas, .
— Hm, sobre os negócios de meu painho? — Mostrou interesse enquanto vestia suas roupas.
— Não — respondeu seco, levantando-se da cama. — É sobre . — A mulher deixou o colar, que em suas mãos estavam, cair no chão. — Qual é a verdade por trás das cortinas?
— O que queres dizer com isso, ? — Virou-se de frente para ele.
— Ele não é meu filho... É? — perguntou, sem enrolar.
é... — não conseguia dizer.
— Diz logo, ! — gritou. — O que é o pai biológico dele? — questionou.
— Quem disse isso a tu? — quis saber no mesmo tom que ele.
— Ouvi o coronel conversando ontem à noite, enquanto você transava com o em algum canto pela cidade — revelou.
— Eu não dormi com ele.
— Não minta para mim! — gritou com raiva. Odiava mentiras. — Eu senti o cheiro dele em ti. O perfume dele estava tanto em suas roupas quanto em teu corpo! — Observou a expressão incrédula dela. Nunca passou por sua cabeça que ele estaria acordado para sentir o cheiro de .
— Não deve falar nesse tom...
— Só quero uma resposta! — interrompeu. — Eu sou, ou não, o pai de ? — tentou novamente.
... — começou, iria mentir, mas o certo era revelar. — Não, não, tu não és o pai dele — disse, não causando nenhuma reação de surpresa no homem à sua frente. — Tu já sabias, não?
— Desconfiava em alguns pontos — pronunciou. — O já sabe a verdade?
— Não.
— E não vai contar para... — não teve tempo para terminar, pois a porta se abriu brutalmente e a atual esposa do coronel entrou eufórica.
! Por favor, você tem que deter teu painho! — seu tom de desespero assustou aos dois.
— O que houve, Mel? — quis saber.
— O coronel acabou de sair daqui — respirou fundo — e decretou morte contra .
— Como é? — ela emitiu quando seu coração acelerou.
— E por quê? — mostrou-se intrigado.
— Porque o confrontou. — ficou sem reação, apenas ouvia. — Teu filho saiu desta casa, na madrugada de ontem, e disse que preferia morar com os membros da família .
— Mas o que realmente aconteceu? — Precisava saber, antes de sair.
foi humilhado pelo povoado por causa de uma ação cometida pelo coronel. Todos pensam que, por teres o mesmo sangue, eles são iguais — respondeu.
— Isto és um absurdo! — exclamou pasmado, pegando uma camiseta qualquer e dirigindo-se à porta.
— Aonde vai? — perguntou.
— Não vou deixar essa guerra acontecer — deixou claro.
— Eu vou contigo! — Garantiu confiante e ambos saíram, deixando Melissa apenas com o terço em mãos.
— Por favor, Senhor, proteja esses dois, eles não merecem pagar pelas atitudes cometidas pelo coronel... Por favor... — pedia de joelhos, encarando a imagem da Virgem Maria.

e guiaram seus cavalos para um ponto alto, de onde era capaz de visualizar a cidade que o coronel Saruê tanto dizia ser sua área. Ambos observaram com calma a paisagem; pessoas trabalhavam pesado, enquanto outras corriam e comercializavam. Assim que o Velho Chico começou novamente a produzir peixes, a população passou a ficar mais ocupada que o comum.
— Deveria voltar à tua casa, . — quebrou o silêncio. — Sua mãe deve estar preocupada.
— Não vou mais voltar. Todos naquele lugar acham que sou igual ao meu avô — revelou, enquanto seu cavalo andava lentamente, acompanhado o de .
— Fugir não fará diferença — emitiu. — Ao invés de enfrentar e mostrar ao povo que tu és diferente, fugiu de seus compromissos.
— Nada que eu faça vai fazer o povoado pensar diferente. Para eles, todos que possuem o sangue do coronel são iguais a ele. — , então, pensou enquanto encarava algo diferente na cidade.
— Queres fazer diferente? — soltou com um sorriso nos lábios, fazendo seu cavalo se movimentar. — Venha comigo! — Observou a expressão assustada do menino, antes de obrigar seu cavalo a correr em uma direção desconhecida pelo garoto.

O coronel gritava, no centro da cidade, montado em seu cavalo. Os moradores corriam para o abrigo de suas casas, a luta estava prestes a começar. estava decidido de que mataria por ter roubado seu herdeiro de forma tão covarde.
e sabiam da situação atual que se encontrava a cidade. Mesmo sendo barrados pelo exército do coronel, conseguiram sair da cidade para ir de encontro aos dois.
— Faz ideia de onde eles podem estar? — gritou.
— Tenho uma hipótese! — gritou de volta. — Espero que esteja certa.
Os cavalos correram, o casal guiava os animais como podiam, apesar do desespero; a rapidez era o foco do qual mais pensavam. Eles precisavam encontrar com rápido. As tropas do coronel estavam determinadas a matá-lo.
O barulho dos cascos chocando contra a terra era o único barulho que ouviam. A situação ficava preta na cidade onde o Coronel Saruê mantinha seus homens, os moradores não entendiam o que acontecia e muito menos compreendiam os tiros que disparavam para o céu. Todos só queriam a paz, mas enquanto o ódio da família existisse contra a família , a palavra paz não poderia dominar as localidades.
Há anos, desejavam que as duas famílias pudessem fazer as pazes, mas o passado cruel de ambas não permitia a união. Só que, naquele momento, junto a , o fruto dessa união tinha apenas vinte e três anos de idade. O passado condenou os integrantes, a luta traçada pelos ancestrais continuava a prejudicar, mas tudo ainda teria um fim!
— Não os deixem sair da rota! — um homem com uma arma em punho, acompanhado de outros dois, pronunciou. — Atirem, só não machuquem a filha do Coronel Saruê! — passou seu comando.
foi capaz de sentir que estavam sendo perseguidos e, apenas para confirmar sua cisma, arriscou um olhar para trás, encontrando com as três imagens que temia. Os aliados do coronel estavam em sua cola. Tinham que despistá-los, antes que pudessem ter a oportunidade de cometer algum ato que ambos não desejassem.
. — Aproximou seu cavalo do dela. — Tu vais ter de pular — anunciou.
— Como é? — perguntou um pouco assustada.
— Pula! — ordenou, apoiando seu pé no estribo da sela do cavalo ao lado. — Agora... Vai!
Só restava obedecer.
Foi isso que fez. Abandonou seu cavalo, deixando-o correr sem rumo pelo imenso pedaço de terra, enquanto tentava ao máximo não atrapalhar a visão de durante a trajetória de fuga. Ambos tinham de adentrar algum lugar estreito e difícil de correr, mas onde?
Atiraram contra os dois, fazendo o cavalo se assustar. tentou manter o controle da situação, mas quando o animal levantou-se, apoiando-se nas patas traseiras com o segundo tiro, sentiu que tudo estava perdido para os dois.
Mais um tiro foi disparado, o que foi o suficiente para fazer do cavalo um animal totalmente fora de controle. O trio aproveitou a situação para se aproximarem. Eles tinham o dever de mandar a filha do coronel de volta à cidade contra sua própria vontade, porque seu pai exigia.
— Vai! — outra voz masculina surgiu junto com os gritos.
O rebanho, então, entrou em cena, acompanhado de dois cavalos. Parecia ter sido tudo planejado para o momento, como se já soubessem que iria acontecer e, de fato, o gado surgir para atrapalhar a tarefa dos aliados do coronel estava definitivamente nos planos!
, assim que os bovinos passaram por si, conseguiu recuperar o controle do cavalo, fazendo-o prosseguir em direção a , que esperava mais à frente, observando domar o gado e afastar os inimigos.
Com um sorriso nos lábios, observou o trio afastar-se. Ninguém sobrevivia, se decidisse enfrentar um rebanho grande como continha nas propriedades de terras de . Sentiu uma sensação de dever comprido, podendo, enfim, recuperar o cavalo de , conforme guiava o seu em direção aos três.
— Não estão aqui por acaso — pronunciou, puxando as rédeas.
— Se souberes, não vai acreditar. — disse, recebendo um olhar curioso de , enquanto montava em seu cavalo.
— O coronel quer vê-lo morto — a própria tomou a decisão de revelar.
— Percebi certo movimento estranho no povoado. — retrucou, apoiando o braço no joelho.
— O que faremos? — recebeu atenção do trio.
— Tenho um plano. — anunciou assim que um tiro fora disparado para o alto, recebendo atenção de todos.

(...)


O coronel reuniu seus aliados no centro da cidade. Estava decidido a invadir a propriedade . Não teria tamanha paciência para esperar a alma dele vagar diretamente até si, o ato de invadir era mais gostoso e rápido.
Seus olhos ágeis procuravam por algum sinal do inimigo. Antes de atacar, uma boa certificação do território nunca era demais. Seu ódio por estava se transformando em doença. Ninguém, no mundo, poderia ser capaz de nutrir tanto rancor dentro do peito como o Coronel Saruê. Aquele homem era o diabo em pessoa! Sua filha não poderia, sequer, sair, dizendo que teve uma adolescência agradável. Ele a maltratava. Seu pior erro foi separá-la de quando descobriu o romance proibido. Foi ele o causador por prejudicar o Velho Chico.
— Oh, meu caro ! — exclamou com um sorriso largo. — Pensei que o senhor tinha me deixado na mão — gabou-se quando o homem adentrou a entrada.
— Por que achara isso, coronel? Sabe minha vontade insana de acabar com a raça de ! — mentiu.
— Excelente! — Sentia uma sensação de poder dentro das veias. — Mais um aliado com o mesmo objetivo — sorriu.
— Oras, coronel, aprendi com o mestre! — Gesticulou, fazendo seu cavalo dar alguns passos, passando pela figura de .
— E onde pretende ir, Sr. ? — quis saber um pouco rancoroso.
— Preciso trocar estes trajes, coronel. Uma ocasião como esta merece ser executada com trajes adequados, não acha? — Indicava sua própria roupa.
— Faz sentido. — Deu-se por vencido. — Faça isso e rápido! — ordenou. — Estarei esperando-o para o ataque.
— Não vai se arrepender, coronel! — Retribuiu a confiança, guiando seu cavalo de forma lenta em direção à casa e discando o número de em seu celular.
Coronel Saruê tinha mordido a isca. Acreditou facilmente nas palavras firmes de . Agora era só avisar sobre a aceitação a e , que esperavam resposta dele, para poderem aplicar a segunda parte do plano como tinham planejado.
— Tudo saiu como esperado. És tu, agora, quem comanda — passou o recado.
Faça o próximo passo e nos encontramos daqui a pouco. — disse enquanto observava a tropa do coronel.
— Saruê está prestes a atacá-lo. Só vai me esperar recuar.
Ótimo, tenho que guiar a minha tropa. — Encerrou a ligação.
guardou o celular no bolso da calça, desceu do cavalo, puxando-o pelas rédeas, até alcançar uma pequena árvore, onde amarrou firmemente o animal. Tratou logo de adentrar a casa do coronel, onde tinha, como objetivo, encontrar uma pista que pudesse confirmar sua hipótese à polícia.
Abriu a porta com fúria, fazendo-a bater com força contra a parede e assustando a todos que ali se encontravam. Sua atenção estava muito focada em subir as escadas para se importar com as perguntas ao redor. Poderia ser capaz de escutar cada pergunta, mas se recusava a respondê-las. Aliás, remexer as gavetas do Coronel Saruê era mais tentador.
Atravessou o corredor, a caminho do quarto principal da casa. Olhava para trás, a todo santo momento, para certificar se ninguém o seguia. Qualquer membro da família que decidisse acompanhar seus passos e descobrir sua insolência iria diretamente contar ao coronel, arruinando todo o plano.
Chegando ao quarto, tratou logo de trancar a porta com a chave, dirigindo-se rapidamente à primeira gaveta que encontrou: as das cômodas próximas à cama. Remexeu as roupas diversas vezes, mas nada de suspeito encontrou. Partindo, no entanto, para o guarda-roupa, onde cada peça de roupa teve seu destino traçado com o chão.
A primeira camada de roupa se encontrava no chão, e nenhum sinal de papelada. Verificou as gavetas, colchão, potes, pastas, caixas e todo o resto do quarto, que conseguia acesso, mas sequer um pedaço do que procurava foi encontrado, causando, assim, uma sensação de fracasso. Seria mesmo mentira o que dissera a ?
Passou um breve olhar pelo quarto, agora, totalmente bagunçado, resolvendo que o melhor seria sentar e pensar, mas nada disso foi preciso.
Estava prestes a se dirigir à cama quando seu terceiro passo fez todos os seus medos tomarem caminho para o inferno. Pisou em um piso falso, que se quebrou. Com surpresa no olhar, retirou os resto de madeira, encontrando um pequeno baú constituído por uma madeira escura que aparentava ser velha.
Soprou a poeira, abrindo facilmente, já que o cadeado estava quebrado, encontrando de imediato as provas que buscava. Jogou todos os resíduos em cima da cama, tratando logo de apanhar seu celular, em que discava com rapidez o número da polícia.
— Alô? — A ligação foi atendida. — Aqui quem fala é e eu queria poder fazer uma denuncia — emitiu, lendo algumas informações.
Diga, Sr. .
— Acho que encontrei o assassino de Roger — pronunciou, ainda com os olhos presos nas manchetes de jornal.

(...)


recebeu o recado de , disposto a seguir com o plano. Sua família era o seu exército, afinal, não haveria guerra, se dependesse dele, e com as informações coletadas por , tudo ficou mais claro, e ele não deixaria barato a morte de seu pai.
O motivo tinha sido inútil, mas o Coronel Saruê pagaria caro pelo que fez. Ninguém se envolvia com os e saía com as mãos abanando, principalmente um assassino como , o pai legítimo de seu amor.
O estranho foi ter como sua aliada. A própria filha havia ficado contra o pai em um momento doloroso, apesar de seus motivos serem justos. Devido ao sofrimento e ter sido tratada como um cachorro, que foi obrigado a passar o resto de sua adolescência em um colégio de freiras, qualquer filho teria feito a mesma coisa.
? — a voz dela lhe despertou. — Vamos dar logo um fim nisso — pediu.
— Estás cientes do que vai acontecer...?
— Ele merece ir para a cadeia, e não há nada que eu possa fazer para impedir — revelou, ouvindo um tiro vindo da direção da cidade, que despertou certa determinação em .
— Vamos!!! — gritou alto, guiando seu cavalo à frente.
A tropa pequena de o seguiu em direção à cidade, enquanto o coronel encarava-os de longe, seus olhos estavam fixos no líder, que era seu principal alvo; finalmente, iria se vingar daquele homem que deveria ter sido eliminado muito tempo atrás.
Desde que e fugiram do compromisso da igreja anos atrás, ele sentiu certo dever de eliminar o garoto, mesmo ele sendo jovem para conhecer a morte. Seus sentimentos de ódio pela família cresceram, conforme o tempo, assim que descobriu o relacionamento amoroso de sua filha com ele.
— Esperava por mim, coronel? — emitiu alto. — Então, aqui estou! — Desafiou, quase frente a frente com ele.
— Você é muito insolente, ! — pronunciou quando visualizou a figura de sua filha ao lado do inimigo. — Atraiu minha filha para o seu lado, jogou-a contra mim!
— E não foi só ela, coronel! — uma voz surgiu ao fundo.
, junto dos membros da família e alguns habitantes da cidade, surgiram. A expressão indignada do coronel ao vê-lo foi o motivo do sorriso de . Achou que, no momento, uma família se desmanchava.
— Todos estão cansados de suas atitudes, coronel! — tomou novamente à frente.
— Mas, como você explica isso, ? — O velho ignorou as palavras do inimigo.
— Isso é resposta o suficiente? — questionou, jogando o baú encontrado no quarto, fazendo-o espalhar as manchetes e provas do assassinato de Roger .
— Foi você todo esse tempo, coronel! — gritou, sentindo raiva. — Agora, vai pagar pelo que fez! — anunciou, fazendo sua família abrir caminho para a polícia. — Vai apodrecer na cadeia, coronel!
— Não vão conseguir tão fácil! — emitiu, agarrando uma espingarda e obrigando seu cavalo a correr para a fuga.
— Atrás dele! — e , junto de alguns membros da polícia, o seguiram.
O povoado espantado com o tumulto foi apenas capaz de observar. Os cavalos estavam firmes. liderava, sua força obrigava estar em primeiro. Era do assassino de seu pai que falavam que todo o tempo estava debaixo de seu nariz o responsável pela recaída de sua família e, naquele momento, não deixaria barato.
o alcançou. Agora, corriam lado a lado. Mesmo ele não tendo sequer um pingo de relacionamento com a morte do pai de , sentia que o certo era ajudar, aliás, nunca o considerou inimigo de raça, sempre se deram bem. O fato de estar no meio, não faria de um homem ruim igual ao coronel.
— Cerca na floresta — opinou, fazendo concordar.
Continuaram a corrida, tendo como mais um obstáculo, além das pedras, se desviar das balas que eram disparadas pelo coronel; uma delas pegou de raspão no bíceps de , mas nada muito grave. Ele era capaz de aguentar qualquer dor para pegar o assassino de seu pai.
Os cavalos adentraram uma espécie de floresta constituída por diversas árvores, o caminho era difícil e cheio de pedras, levando em conta o quanto era quase impossível correr com os galhos e troncos que podiam a qualquer momento derrubar um deles do cavalo.
E foi justamente isso que aconteceu... Por descuido, os agentes da polícia, que os seguiam, acabaram caindo, deixando os três a sós.
Sem saída. Foi assim que os dois sentiram-se quando visualizaram o barranco se aproximar. A queda era imensa e muito dolorosa. Parte da terra já cedia, o que somava um cuidado mais preciso na perseguição.
Pedras rolaram assim que os cascos dos cavalos tocaram a terra. passou com o coração palpitando extremamente rápido. Confiar em seu cavalo era fácil, o problema era confiar em si. estava à sua frente, mostrando a mesma postura. Ele parecia mais inseguro de si, deixando transparecer através dos movimentos lentos que cometia com o cavalo.
E o inesperado aconteceu:
O pedaço de terra cedeu, e o cavalo de tentou, mas foi, infelizmente, levado junto às pedras. Os relinchos de desespero foram ouvidos por seu dono e também por , o qual temia outro desabamento.
— Segura firme! — Recuou seu cavalo para uma área segura. — Vê o galho? — Apontou. — Agarre-se no galho, vai demorar mais tempo para cair! É melhor que ficar dependendo das pedras! — explicou, observando o cavalo do coronel ainda correndo, mas que se fodesse o coronel.
Pisou com desconfiança, sua mente estava tranquila, mas qualquer descuido poderia garantir que iria se encontrar com seu pai.
tinha de se manter calmo, mas como se manter calmo quando estava cara a cara com a morte?
Os estralos lhe despertaram um desespero maior. Seus olhos fixaram rapidamente no galho, e o mesmo estava cedendo; aos poucos, soltava-se do tronco da árvore, e assim seu destino seria igual ao de seu cavalo. O medo cresceu e, assim, com seus movimentos, o galho se quebrou.
— Segura! — tinha se jogado no chão e, agora, segurava firme no pulso de .
agarrou uma parte firme do barranco e com a ajuda de escalou, sua respiração estava ofegante quando ambos recuaram os passos para uma área segura. Por dentro, sentia por perder seu cavalo, assim como sentia raiva por ser justo ele o culpado por não terem pego o coronel. Agora, aquele assassino estava solto, podendo ter a chance de matar mais.
. — o chamou, atraindo sua atenção.
Ambos se encararam nos olhos. Estavam com a consciência limpa. De que adiantava se preocupar? Ninguém morreu na história para terem de guardar remorso igual ao Coronel Saruê guardava.
— Obrigado! — ambos sorriram e o puxou para um abraço.
— Não fiz mais que o meu trabalho — pronunciou, e o vento bateu contra seu rosto. Talvez, fosse a hora de dizer a verdade. — é seu filho.
gelou.
— Como é? — assim que se afastaram, quis garantir.
— É isso mesmo! — Bateu no ombro do homem indignado. — tem o teu sangue, pertence a tua família, — sorriu.
— Por que ela me escondeu? — quis saber.
— Para não me prejudicar, mas, quanto a isso, não me afeta — revelou. — Vou pedir a separação, assim podem construir uma família como sempre sonharam em ter, mas, antes, separe-se de Mary — disse simplesmente.
— E quanto a ti? — Ajeitava a sela do cavalo.
— Não se preocupe comigo, mas, sim, contigo — respondeu, fazendo ambos rirem alto, brincando com motivos diversos, conforme percorriam o caminho de volta à cidade.

(...) Seis meses depois...


— Problema com o rebanho? — questionou, adentrando o quarto.
— Não. Só com os pensamentos — respondeu, puxando sua camiseta, sentindo-se mais livre.
— Faço-te uma massagem — ofereceu, subindo na cama.
— Não preciso de massagem... Apenas do seu amor. — Aproximou-se dela, lhe dando um selinho carinhoso.
— Isso você tem desde nossa primeira conserva no Velho Chico — relembrou.
— Tenho? — Brincou.
— E sempre vai ter... — deixou claro, beijando-o.
Assim, a vida dos habitantes da cidade teve finalmente um destino menos violento. A família juntou-se ao povoado assim como a de , que se tornara o novo coronel, ou o novo Coronel Saruê. As águas do Velho Chico, agora, se encontravam cheias de peixes, que, com a união das famílias rivais, mais peixes surgiram de diversas espécies, aumentando, assim, o mercado da população. Os rebanhos cresciam como a cidade. ajudava em tudo que lhe fosse preciso, e o pai de ... Bem... Esse ainda continuava vivo em algum lugar, mas nunca encontrado.
— Tu ainda vais pagar, ! Tu vais pagar! — emitiu, observando a cidade escura.

Fim



Nota da autora: (28/07/2016) Bom de início espero que tenham gostado, juro que além de escrever com pressa, tentei ao máximo agradar meu amados leitores, e… Acho que consegui, o que acham? E da ideia da novela Velho Chico? Achei legal escrever sobre algo relacionado ao tema da novela, e olha... Tenho que dizer... FOI UMA EXPERIÊNCIA COMPLICADA, MAS GOSTOSA!!!!
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E para quem gostou desse trabalho e tem interesse em ver mais de minhas bebês, aqui embaixo deixo todas:
Shoot Me (Em andamento/Restrita)
Killers Handfuls (Em andamento/Restrita)
Simply Lovers (Em andamento/Restrita)
01.Confident (Finalizada/Shortfic)






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