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Última atualização: 20/08/2020

Prólogo

A relva outrora verde encontrava–se como um verdadeiro campo de batalha. Os gritos de guerra misturavam–se com os gemidos dos feridos, o sangue escarlate manchava a grama e respingava em todos os que lutavam em busca de sair daquele local com vida. O tintilar das espadas se chocando e dos escudos sendo usados como proteção faziam parte da trilha sonora da primeira briga entre os escandinavos e os ingleses.
Conde Niels estava na linha frente, logo acompanhado por a poucos metros de distância, localizado a sua esquerda, empunhando um machado e protegendo–se com um escudo. O conde considerava o jovem guerreiro como o seu braço direito. Niels o conhecia desde de antes dele ganhar a sua pulseira e tornar–se verdadeiramente um homem. Muito antes de nascer, Niels batalhara ao leste com Jaha, o falecido pai de , em busca de melhorar a situação dos nórdicos com os saqueamentos.
Devido a morte prematura do mais velho, assumiu as terras de Byrum pouco antes de completar vinte anos. Niels estivera sempre presente, ajudando–o a ser um bom líder e a criar o segundo maior exército local, perdendo apenas para o do próprio soberano.
E este era o motivo pelo qual o guerreiro estava lutando ao lado do conde. Os olhos do mais novo brilharam ao ouvir a proposta oferecida por Niels. Eles desbravariam o mar, acabariam com a rotina de saquear apenas ao leste. Iriam finalmente velejar a mar aberto e descobrir o que os aguardava após a imensidão azul.

Buscavam por novidades, ansiavam descobrir se as lendas sobre uma terra próspera e cheia de riquezas era verdade, onde um único Deus era capaz de lhes abençoar.
Com um sorriso sádico nos lábios, esperava que o falso Deus protegesse o exército do rei Edward, pois ele tinha certeza que seus deuses estavam ajudando–o naquela guerra.
Avançou contra mais um inglês, usando o escudo preso ao braço direito para se proteger da espada inimiga. Forçou a mão do guerreiro para baixo, rodando o machado em sua mão e decepando a mão do inimigo empunhava a arma. Aumentou ainda mais o sorriso.
Por Odin, como era gratificante matar aqueles cristãos.
Aproveitou o desespero do soldado – claramente despreparado – e rodou novamente o machado em sua mão, dando um único corte no pescoço do homem e fazendo com o que sua cabeça rolasse para longe.
Não se importou com os jatos de sangue que manchavam sua pele e roupas, aquele era apenas mais um dos diversos tons escarlates espalhados por si. Poderia até mesmo dizer que era revigorante ter a sensação do sangue inimigo contra a sua pele.
Avançou ainda mais contra o exército inglês, a haste de madeira do machado girava em perfeita sincronia em sua mão, chocando–se contra os corpos inimigos sempre que algum deles ousava tentar feri–lo.
Sua mão ardia contra a haste e seu pulso latejava, estava claro que logo mais estaria mostrando claros sinais de fraqueza e que isto seria extremamente gratificante para o exército inglês.
Tinham ido para exploração, levando apenas dois barcos – cujos nenhum dos dois tinham atingido o limite máximo de pessoas –, e não esperavam que já ao pisarem novamente em terra após longos dias no mar, iriam enfrentar uma guerra contra um exército com mais de duzentos homens.
Ouviu a corneta tocar, indicando retirada imediata do campo de batalha.
Tinham chego à conclusão de que seria impossível vencer os ingleses, e que para não perder mais homens, deveriam bater em retirada naquele exato momento.
livrou–se do inglês a sua frente, dando uma certeira machadada em seu peito, fazendo com o que corpo trêmulo do homem caísse sobre outros corpos estirados ao chão.
Virou–se para voltar aos barcos, porém sequer deu um passo em direção ao litoral ao notar a ausência de Niels. Correu os olhos pelo recente campo de batalha, mas era difícil reconhecer qualquer um que estivesse jogado ao chão.
– NIELS. – gritou o mais alto que pode, tornando a correr pelo gramado.
Não tinha notado que acabara se distanciando tanto do conde, e agora culpava–se internamente por isso. Ouviu uma risada irônica ecoar pelo campo que começava a se tornar silencioso, não demorando para localizar a origem do som.
Encontrou o conde com as costas coladas ao tronco de uma árvore, alguns metros distantes do campo onde travaram a batalha. Livrou–se do escudo e do machado, jogando–o de qualquer jeito na grama e correndo até Niels.
O corpo do conde tremulava e sua boca levemente aberta mostrava os resquícios de sangue que começavam a escorrer por ali. Suas mãos se afrouxaram, caindo ao lado do corpo e mostrando o enorme ferimento aberto em sua barriga.
ajoelhou–se na grama ao aproximar–se do corpo de Niels. Sentiu os olhos arderem, odiava perder algum amigo em um campo de batalha, porém sabia que aquilo fazia parte de suas vidas e que eles seriam recompensados.
. – Niels pronunciou com dificuldade, porém o guerreiro compreendeu que o conde queria que suas palavras fossem passadas para sua filha.
Em um último esforço, o conde aproximou–se de , sussurrando para o guerreiro suas últimas palavras, que apenas concordou com aceno de cabeça.
– Que abençoem sua chegada em Valhala. – pronunciou em bom tom, ao ver o resto de vida esvair–se do conde.
O que os ingleses não sabiam, era que ao matarem o conde, eles tinham despertado uma raiva tão primitiva como os próprios deuses nórdicos.
Conforme o conde dava o último suspiro, Red Spear começava a se formar. E não demoraria para que a lança vermelha clamasse por vingança.


Continua...



Nota da autora: Oi meus amores, tudo bem? Estou aqui com mais uma long devido ao meu retorno vicioso para assistir Vikings haha
Eu gosto muito desse prólogo e dessa história, que é diferente de todas as minhas outras histórias desse site e acredito que também das outras histórias que entraram nessa temática, porém espero que vocês tenham gostado e que se preparem para amar o dito “Red Spear”.



Qualquer erro de script nessa fic, favor entrar em contato com a scripter através do e-mail.


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