Última atualização: 19/09/2020

Prólogo

1 de novembro de 1981

Era tarde, Remo Lupin podia jurar que estava perto da meia noite, a menos de 24 horas soube da morte de seus grandes amigos, estava confuso, inconformado, não conseguia acreditar que seu outro amigo poderia tê-los traído de forma tão covarde, um resmungo não tão baixo o tirou de seus pensamentos, o pequeno embrulho de mantas parecia estar incomodando o bebe recém acordado, olhou para a garotinha, sua afilhada, imaginando o futuro que poderiam ter juntos se não fosse um lobisomem, aquilo não era justo, perder os pais de maneira tão violenta, crescer longe do irmão, sem saber quem realmente é.
Dumbledore aconselhou Remo a deixa-la o mais longe possível de toda a bagunça que se instalara no mundo bruxo, e de preferência, da Inglaterra, alegando que seria demais entregar dois bebês aos trouxas da família Dursley e para sua própria segurança, a pequena Hanna Lilian Potter seria dada como morta.
Grato por não ser noite de lua cheia, e poder ser ele mesmo, o bruxo voara em sua vassoura durante horas até chegar ao Brasil, São Paulo, mais especificamente, estava à procura de um bom orfanato, todos os que encontrara possuíam aparências assustadoras, não pareciam dignos de sua afilhada, a verdade é que queria passar o máximo de tempo com a menina, não queria deixa-la, mas era o melhor a ser feito. Ao sobrevoar um hospital se deparou com um casal saindo com jalecos brancos do mesmo, a mulher estava em prantos enquanto o marido a abraçava, consolando-a, Remo se aproximou para ouvir melhor a conversa, havia estudado algumas línguas além do inglês o que fez com que compreendesse sem muita dificuldade o português que conversavam.
– Eu só queria um filho, um filho Léo, e esse papel aqui diz que não posso. – A mulher escondeu o rosto no peito do marido, chorando.
– Fique calma meu amor, não é o fim do mundo, é claro que eu quero uma família com você, claro que eu quero um filho, quero mais que tudo, mas temos outras opções, eu te amo e quero uma vida inteira ao seu lado, quero que seja feliz, amanhã mesmo vou dar entrada com os papeis no serviço de adoção, o que você acha?
Remo ouvira o suficiente para uma ideia lhe surgir a mente. Naquela noite, enquanto e terminavam de jantar após um longo dia de plantão no hospital em que trabalhavam, a campainha tocou, a mulher se levantou, abriu a porta e se deparou com um bebê a olhando, silencioso, em sua manta havia apenas um bilhete com os dizeres:
Cuidem bem dela, mantenham-na em segurança, agora ela é sua filha.



Capítulo 1

A gêmea de Harry Potter


acordou de manhã muito animada, era dia de voltar para Hogwarts e começar o seu sexto ano, suas amigas Hermione e Gina já tinham se levantado e estavam brigando pelo banheiro. A garota de longos cabelos avermelhados e olhos castanhos estava hospedada na casa dos Weasley, se juntou a eles nas últimas semana das férias, era a melhor forma de ficar perto de seu irmão que tinha acabado de perder o padrinho, Sirius Black e dos amigos também é claro. Sim irmão, gêmeo! Harry Potter.
Até seus 13 anos, acreditava ser , filha única, sempre soube que foi adotada, por dois trouxas, médicos, e , cresceu em uma grande, movimentada e famosa, cidade no Brasil nas melhores escolas do mundo trouxa, claro sempre percebendo que era diferente, mais esperta que as crianças de sua idade, com uma facilidade incomum para aprender a falar outras línguas e coisas estranhas aconteciam principalmente quando estava com raiva, mas nunca entendeu o motivo, até que um dia, quando acabara de completar seus 11 anos recebeu uma carta que dizia que ela tinha uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria e Hogwarts e uma visita inesperada de seu diretor, Alvo Dumbledore. Ao final de seu terceiro ano na escola de magia, descobriu por Sirius Black e Remo Lupin que era irmã de seu melhor amigo.

- Flashback on-

Estavam na casa dos gritos, logo após o estranho cão negro arrastar Rony pela perna e os outros três entrarem no túnel depois de uma boa batalha contra o Salgueiro Lutador.
– Cadê o cão? – Harry disse exasperado assim que adentraram o cômodo em que Rony estava.
– É uma armadilha! Não é um cão! É um animago! – Gritou, e quando Harry, Hermione e se viraram, encontraram um Sirius Black exalando ódio pelo olhar. Hermione logo entrando na frente de Harry e dizendo que se quisesse matar o garoto teria que matar a todos, rapidamente se pondo ao lado do amigo olhando fundo nos olhos do ex prisioneiro e apontando a varinha.
– Fique longe dele! – Avisou a garota, selecionando qual feitiço conhecido por ela seria eficaz em defende-los do homem a frente.
– Somente uma pessoa vai morrer aqui hoje.
– Será você! – Harry se soltou de Hermione e e, prontamente pulou em cima do bruxo, lhe apontando a varinha, continuou empunhando sua varinha na direção dos dois, por precaução.
– E você vai me matar, vai Harry? – Logo em seguida o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Remo Lupin adentrou a sala gritando um feitiço que fez com que a varinha do menino voasse longe. Indicando a Harry que se afastasse com um sinal de cabeça, inexplicavelmente depois de algumas ofensas, rindo e abraçando o suposto assassino em massa, como velhos amigos.
– Ele está aqui! Vamos mata-lo! – Bradou Sirius Black. Hermione logo começou seu discurso de como havia confiado no professor que a tempos descobrira ser um lobisomem. não acreditando no que via e ouvia, durante todo o ano, parecia que o professor fizera questão de se aproximar, oferecendo aulas extras a ela e a Harry e sempre contando histórias sobre os pais do garoto, o que a fazia pensar que foi uma grande pena tudo o que aconteceu a eles, com certeza pareciam ser pessoas que gostaria de ter conhecido. Todas as aulas extraordinárias, os conselhos, como aquilo tudo poderia ser encenação?
– Tudo bem mate-o, mas espere, eles têm o direito de saber o motivo. – Disse Lupin, estendendo a varinha ao velho amigo. – Eu sei por quê! Ele traiu meus pais! Estão mortos por causa dele! – Havia algo errado, muito errado, só ainda não conseguia descrever o que, por que Black não tirava os olhos de Rony, quando queria matar Harry? A garota continuava apontando sua varinha, deixara passar algo, mas o que? Deixou as indagações para depois agora era importante defender Harry.
– Fiquem longe dele! – Repetiu a garota – Não vão mata-lo, não vou deixar. Você é um traidor Lupin! Vocês dois são. – A ruiva praticamente gritou, empunhando a varinha com força em tom de ameaça, juntando toda a coragem que tinha para enfrentar dois adultos, mais um movimento em direção a Harry e ela iria agir.
Como se somente agora tivessem notado sua presença ali os olhos dos dois adultos se arregalaram, e o que pareceu ser a tentativa frustrada de um sorriso brotou no rosto de Black. Se direcionando a garota.
– Você tem os olhos do seu pai! Veja Remo! – Se virou novamente para o amigo. – Os dois juntos, são iguais aos pais! Vejo Lilian e Thiago neles!
Os dois juntos, o que ele quisera dizer com isso? Como podia ele dizer a que ela tinha os olhos de seu pai? Sequer aquele homem tinha visto seu pai alguma vez, e muito menos sabia que seus olhos não poderiam ser iguais ao dele pois fora adotada ainda bebê, ela era brasileira.
– Não foi o Sirius que traiu seus pais Harry, alguém realmente o fez, mas não foi ele, foi alguém que até recentemente pensei que estava morto. – Lupin disse como se tivesse que separar por prioridade os tópicos daquela conversa.
– E quem foi então? – Harry deu um passo a frente, por instinto segurou seu braço, para mantê-lo longe dos adultos.
– Pedro Pettigrew. E ele está aqui neste cômodo. Vamos Pedro apareça! Vamos brincar! – O ex prisioneiro gritava como louco, sendo interrompido pelo surgimento de um Snape com muita raiva, que desarmou Black falando sobre um sonho que tinha que vingança contra o bruxo. De repente os três adultos pareciam discutir como crianças, claramente uma rixa antiga, todos foram surpreendidos quando Harry tomou a varinha de Hermione e estuporou Snape.
– Harry, o que foi que você fez? – Rony questionou o amigo, pasmo.
– Você atacou um professor! – Exclamou a garota, enquanto estava absolutamente chocada, imaginando o tamanho da detenção que receberiam caso sobrevivessem. Mas Harry queria ouvir a história que tinham para contar.
– Falem desse Pedro Pettigrew.
– Ele estudou conosco, achávamos que era nosso amigo.
Por instantes, parou de prestar atenção na conversa, algo ali estava muito errado, aquele homem do qual estavam falando, estava morto, não estava? Mas Harry tinha lhe dito certa vez que o mapa tinha mostrado este nome, não sabiam da procedência do mapa do maroto, então acreditaram que o mapa estava enganado.
– O mapa nunca mente. – Ela ouviu Black dizer sem muita paciência.
Aquele assunto estava cada vez mais confuso, nada fazia sentido e sentia que ela seus amigos estavam se enfiando cada vez mais em uma encrenca enorme, precisava dar um jeito de todos saírem dali em segurança, e encontrar alguém responsável, já que seu amigo fizera o favor de deixar o único adulto que poderia protege-los desacordado, sim, ela tinha certa simpatia pelo professor Snape, ao contrário do que fazia com Harry, o bruxo sempre a tratou com educação, era a única da Grifinória a quem ele presenteava com pontos, raras vezes, mas ainda assim o fazia, havia algo nele, não conseguia descrever, mas ele, de certo modo, era bom, ela gostava de acreditar nisso. Foi tirada de seus pensamentos quando Sirius arrancou o rato Perebas das mãos de Rony que gritava para deixa-lo em paz, Hermione tentando conforta-lo e quando o animal estava quase fugindo por um buraco na parede se transformou em um homem, gordinho, seu rosto com aparência que lembrava realmente um roedor.
– Remo! Sirius! Meus velhos amigos. – Tentando escapar novamente, o homem que até então era um rato, foi segurado por Lupin e Black.
Ali, a ruiva entendeu o que acontecia, o rato de Rony era na verdade Pettigrew, quem realmente havia traído os pais de Harry, entregando-os a Voldemort incriminando Black, que era inocente, cortou seu próprio dedo para que fosse dado como morto, e assumiu a forma de um rato pelos últimos doze anos. Os dois bruxos adultos a sua frente prestes a mata-lo, pela traição e morte dos Potter.
– Harry, não podemos deixar que o matem, Black é seu padrinho, sob uma sentença pior que a morte, se entregarmos Pettigrew as autoridades, ele será inocentado.
A garota sussurrou próxima ao amigo, este, prontamente assentiu e se prontificou a tentar impedi-los. Propondo entrega-lo aos dementadores, Pettigrew claramente o olhando apavorado, pedindo por misericórdia. Até que, como se uma luz ao fim do túnel surgisse diante de seus olhos, Pedro se virou, a fim de olhar para a garota de cabelos ondulados em tons avermelhados e olhos castanhos, com uma fisionomia bastante familiar.
– Garota boazinha, menina doce, diga a ele para que tenha piedade, Harry sempre escuta você. Você se parece tanto com a sua mãe, Lilian também era muito piedosa.
– Não ouse dirigir a palavra a ela, você a prejudicou tanto quanto o Harry seu covarde! A privou de conviver com os pais, com irmão, de saber quem ela realmente é! – Bradou Lupin, a raiva estampada em seu rosto a pontando a varinha para o outro com mais vontade.
– Do que é que vocês estão falando? – Harry e disseram juntos, o que deixou ambos surpresos.
– Conte Remo, ela merece saber quem realmente é. – Disse Sirius ao amigo.
– Mas Sirius, Dumbledore...
– Dumbledore terá que entender que Harry merece saber que tem família, uma família de verdade. E Hanna também.
– Quem é Hanna? – Perguntou , com medo da resposta que ouviria, ela já estava juntando os pontos, foi adotada com pouco mais de um ano de idade, alguém a deixou na porta de sua casa com apenas um bilhete, dia 1 de novembro de 1981, era o dia em que seus pais comemoravam seu aniversário, já que nunca souberam a real data de seu nascimento, um dia depois do assassinato dos pais de Harry. Não, não podia ser.
– Hanna Lilian Potter, é você ! – Remo Lupin disse de uma vez, enquanto Sirius se certificava de que Pedro não iria fugir novamente, mantendo a varinha em punho e apontada para ele. – Você não nasceu no Brasil, foi apenas criada lá, foi eu quem te deixou lá, para ser adotada pelos trouxas, pois sou seu padrinho, e como sabem, sou um lobisomem, péssima escolha dos seus pais eu sei, mas não podia ficar com você e Dumbledore me pediu para deixar você longe de tudo isso, em segurança. Seus pais são Lilian e Thiago Potter você e Harry são irmãos, gêmeos.
– Não... não pode ser, por que não me mandaram junto para os tios do Harry? Quer dizer, meus tios também, eu estou confusa.
– Sorte a sua – Harry disse para a garota, sua irmã, seria mesmo isso possível? Muitas dúvidas começaram a surgir em sua mente. – Por que ninguém nunca me disse? Que eu tenho uma irmã?
– Já era muita dor ter perdido seus pais Harry, e sua irmã foi dada como morta também, ninguém queria ser o responsável a te contar que perdeu alguém a mais naquela noite. Voldemort atacou Harry primeiro, a intenção dele, não tenho duvidamos, era matar a família inteira, incluindo as duas crianças, mas ele não conseguiu. Somente eu, Dumbledore e agora Sirius sabíamos que vocês dois tinham sobrevivido, não podíamos mandar dois bebês a sua tia biruta Harry, você ainda é muito jovem para entender, mas estava em segurança com sua tia e sua irmã estava mais segura no Brasil, longe de tudo isso, até de você infelizmente.
– Longe da verdade também, você quis dizer, agora tudo faz sentido, por isso eu vim para Hogwarts ao invés de Castelobruxo, porque não sou brasileira, sou inglesa.
– Você tem uma vaga nesta escola desde que nasceu. Vocês são tão parecidos com seus pais, é até curioso, Harry tem a fisionomia de seu pai e os olhos verdes da mãe, já você Ha.. quer dizer , imagino que prefere ser chama assim, tem os olhos castanhos de seu pai e é tão parecida com a sua mãe.
estava tentando conter as lagrimas, mas elas vieram mesmo assim, aquilo era muito injusto, ela cresceu muito bem em uma casa confortável com pais maravilhosos, sem nem saber da existência de seu irmão que desde pequeno sofria nas mãos dos Dursley, mas também estava feliz, algo no fundo de seu coração sempre dizia que ela e Harry eram ligados de alguma forma, agora ela sabia o motivo, eles eram irmãos. Sentiu uma mão pegar a sua e quando olhou para Harry ele estava no mesmo estado que ela, chorando, sem pensar duas vezes ela pulou em seus braços, o envolvendo em um abraço apertado.
– Meu irmão!
– Minha irmã!

– Flashback off –

Depois daquele dia, tudo mudou, fez Remo prometer que faria parte de sua vida, e que sempre manteria contato, não guardou rancor, o entendeu, e agradeceu por ter lhe deixado em um lar tão maravilhoso, não se opuseram a deixar que todos soubessem quem a garota realmente era, rapidamente no mundo bruxo, deixou de ser chamada de “ ” para ser “ Potter” ou como era apelidada, seus pais trouxas não foram contra também, gostaram de saber a origem da filha, a real data de seu aniversário, ficaram apenas preocupados por saber que filha quase fora assassinada quando ainda era bebe. Essa era sua história. Quem ela realmente era.
– O que tem de tão interessante no meu guarda roupa, ? Você está olhando fixo para ele. – A garota se distraiu de seus pensamentos quando Gina entrou no quarto com Hermione.
– Estava distraída, tecnicamente não estava bem o olhando, embora seja realmente um móvel encantador. – As garotas riram juntas.
– Característica típica de , já devia ter se acostumado Gina. – Disse Hermione se desviando de uma almofada lançada pela amiga.
– Mamãe disse que o café já está pronto, vamos descer?
– Eu vou fazer minha higiene matinal já que as donzelas já liberaram o banheiro, desço em cinco minutos.
– Contando... – Hermione disse já descendo as escadas.

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Qualquer refeição na casa dos Weasleys era como uma festa, apesar da condição financeira desfavorecida a mesa era sempre farta e a senhora Weasley era uma ótima cozinheira. Na metade do caminho, nas escadas o cheiro de torradas e bacon já era presente, apressou seus passos, chegando a cozinha e encontrando a mesa cheia de gente, senhor e senhora Weasley ocupavam as pontas, do lado direito da mesa, estavam George, Fred e Gina respectivamente, na esquerda Rony, Hermione, um lugar vago, que ela deduziu ser reservado para si e posteriormente, Harry. Faltavam alguns irmãos de Rony, a quem acreditava que já tinha saído mais cedo.
– Bom dia a todos! – Ela disse recebendo a resposta em conjunto de todos ali presentes. Se colocou ao lado do irmão, bagunçando ainda mais o cabelo mesmo (se é que isso era possível) com uma das mãos, e se sentando em seu lugar logo em seguida.
– Qual é ! – Harry disse tentando arrumar seus cabelos, sem sucesso.
– Relaxa maninho, não fez diferença nenhuma. – Ela disse se servindo, de generosas fatias de bacon, ovos e torradas e recebendo um olhar mal-humorado do garoto. – Está sempre bagunçado.
– Então , não vi vocês indo embora da loja naquele dia, e você ainda não me disse que o achou. – George disse com Fred assentindo ao seu lado.
– Eu adorei, é claro, fiz várias comprinhas, estou ansiosa para usa-las neste ano! Achei tudo incrível! Nunca neguei que sou uma admiradora dos produtos Gemialidades Weasley, vocês sabem. – Respondeu animada.
– Espero que não use em mim. Eu sempre sou a vítima das suas peças. – Reclamou Harry.
– Nem em mim. – Acompanhou Rony.
– Vocês reclamam demais. Fred, George desculpem ter saído apressada daquele jeito da loja, é que alguém estava praticamente me arrastando. – Ela se virou olhando para o irmão.
– Precisava comprovar minhas suspeitas. – Harry disse fazendo e Hermione revirarem os olhos.
– Que suspeitas? – Gina quis saber.
– É Harry, que suspeitas? – se virou para encarar o irmão, ele podia ver o quase sorriso presunçoso se formando no rosto da garota.
– O café da manhã está maravilhoso senhora Weasley, como sempre. – Ele desconversou. Recebendo agradecimentos de Molly pelos elogios. Isso não passou despercebido pela irmã, com certeza ela usaria isso em um momento oportuno.
– Então Harry é o gêmeo apressado. Coisa de gêmeo mais velho. – George voltou o assunto, olhando de soslaio para seu irmão gêmeo, Fred, que era apenas alguns poucos minutos mais velho, recebendo um olhar furioso do mesmo.
– Como assim? – Hermione questionou.
– Nem pergunte Mione, coisa deles, nem tente entender. – Rony
– Coisa de gêmeo, Roniquinho quis dizer. – Respondeu Fred chamando o irmão mais novo pelo apelido zombeteiro que o deram. – Resumindo, o mais apressado nasce primeiro, a boa e velha sabedoria popular.
– O pior é que eu sou mesmo o mais velho. Mais esperto, mais bonito... – Harry brincou e riu quando percebeu que a irmã pulara ao receber seu cutucão na costela.
– A mas é claro irmãozinho, já ouviu dizer primeiro vem o rascunho e depois a obra prima? – As respostas foram as mais diversas, os gêmeos gargalharam alto por vezes soltando um “boa , muito boa”, Hermione, Rony e até mesmo Senhor e Senhora Weasley que até então estavam em silencio apenas apreciando a conversa dos mais jovens riram, Gina segurou o riso claramente em compaixão a Harry, que estava vermelho.
– Eu peço permissão para utilizar este termo . – George tentava parar de rir, lagrimas já saiam de seus olhos por rir tanto.
– Permissão absolutamente concedida.
– Tá bem, eu mereci essa. – Harry riu também.
– Então crianças compraram tudo o que precisam para este ano? – Senhora Weasley perguntou quando os risos cessaram e as atenções voltaram aos pratos a frente, recebendo um “sim senhora” de todos os alunos de Hogwarts ali presentes.
– Estão acontecendo cada vez mais ataques de sequestradores, incluindo no mundo trouxa, os comensais estão querendo chamar a atenção, tomem muito cuidado, os tempos estão ficando cada vez mais difíceis. – Senhor Weasley fez-se ouvir depositando a edição do dia do jornal Profeta Diário em cima da mesa. O silencio predominando posteriormente com o peso da realidade que enfrentavam, Voldemort estava cada vez mais forte e seu número de devotos aumentando, o que será que ele planejava dessa vez?

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Todos já estavam praticamente prontos, esperando no primeiro andar da Toca, o horário para irem à estação King’s Cross, exceto que estava demorando consideravelmente para conseguir colocar sua coruja na gaiola.
– Ai! Não faz assim Flash! – A coruja claramente não estava a fim de entrar ali, dando bicadinhas doloridas das mãos de sua dona. – Eu sei que está chateada, eu também estou, mas eu não posso fazer nada, ele não responde as minhas cartas, enviei você dez vezes, DEZ, não obtive resposta, sei que gostaria de ver a coruja dele, mas eu tenho meu orgulho sabia? – Flash deu um pio alto– Eu sei que as coisas devem estar difíceis para ele por causa do pai, mas eu não tenho culpa, tenho? E qual é o problema em voar com Edwiges ela é uma coruja legal também! – Outra bicada. – Colabora comigo, se não, não vou te levar pra Hogwarts esse ano, seria uma pena, acho que você poderia encontrar a Lady no corujal. – Como num passe de mágica a coruja entrou na gaiola por livre espontânea vontade. – Finalmente! – A garota exclamou travando a gaiola e a juntando ao seu malão, pronta para leva-los para baixo.
– Quer ajuda? – George, apareceu na porta, sempre muito atencioso e prestativo, ainda mais quando se tratava da garota a sua frente. – O pessoal está te esperando lá embaixo, achei melhor vir ver se está tudo bem.
– Flash não está de bom humor ultimamente, não queria entrar na gaiola. Teimoso.
– Como a dona.
– Eu não sou teimosa. – Ela disse com um sorriso culpado. Arrancando um riso do amigo.
– Vou sentir falta da minha parceira de piadas. Poderia até voltar para Hogwarts esse ano para não ficar tanto tempo longe de você.
– Você tem o Fred para parcerias com piadas, e realmente acredito que você não seria muito aceito na escola, vide acontecimentos do ano passado. – Ambos riram com a menção da armação contra Umbridge.
– Você e Fred não tem o mesmo efeito. Não mesmo! Vou visita-la em Hogsmead assim que puder, as coisas na loja estão uma loucura, Fred e eu ainda estamos nos adaptando, e me escreva, está bem? Use a coruja do seu irmão se o Flash estiver revoltado.
– Com certeza! Também vou sentir sua falta por lá, quem vai me ajudar a pregar peças no Harry? Sem contar o time de quadribol da Grifinória, o que faremos sem o nosso melhor batedor? – Ela se aproximou ao amigo e o abraçou, sendo imediatamente retribuída. – Fiquem bem ok? Não fechem a loja, mantenham a esperança de todos, o trabalho de vocês é lindo e muito importante, a alegria deve ser compartilhada principalmente nesses tempos difíceis. Não posso expressar com palavras a admiração e orgulho que tenho por tudo o que criaram.
– Você ajudou muito, sabe disso.
– Foi mais o Harry. Ele quem ganhou o torneio tribuxo e doou o prêmio.
– Fred e eu sabemos que foi você quem deu a ideia. – A garota apenas riu. Se separando do abraço. – Já que você se ofereceu, aceito a ajuda. – Ela disse indicando sua bagagem com a cabeça.

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– Vou dar uma volta. – Harry disse frustrado, saindo da cabine do expresso de Hogwarts após mais uma conversa com Hermione, Rony e , tentando convence-los de sua teoria de que Draco Malfoy era um comensal da morte.
– Harry, espere. – Ele parou no corredor ao ouvir sua irmã o chamar.
– Não fique chateado, só não queremos que você se meta em confusão por causa de suas desconfianças.
– Sei que você não gosta de ver maldade nas pessoas maninha, mas já está na hora de admitir que Draco Malfoy não é só um garoto mimado que gosta de colocar os outros para baixo, ele é mau, está tramando algo, e eu vou descobrir o que é. – A garota pegou na mão do irmão.
– Como você está? – Ela mudou o assunto sabia que insistir naquilo os faria discutir, era o que ela menos queria. – Digo, depois do que aconteceu no fim do ano passado, você não disse nada, até agora. Estou preocupada com você. Não finja que está levando tudo na boa, você pode mentir pra todos, menos para mim.
– Estou tentando seguir em frente , é só o que nos resta. Não quero conversar sobre isso.
– Você poderia aceitar meus convites de passar um tempo em casa, com meus pais, faz mais de um ano que não nos faz uma visita, eles sempre perguntam sobre você, sabem que você também é minha família, não teriam problema em te aceitar como filho também já te disse.
– Eu gostaria de não ter que ficar na casa dos Durleys, mas tem aquela história de proteção da mamãe com a tia Petúnia, já conversamos sobre. Você é quem deveria ir conhecer nossa tia, não digo se hospedar lá, é claro, mas passar lá, antes de irmos para os Weasley, quando disse a ela que você sobreviveu quase pude ver um fio de tranquilidade em seu rosto. – A garota olhou para o irmão com cara de deboche.
– Definitivamente não, se ela ou seu tio te maltratarem na minha frente virar balão seria o melhor que os aconteceria, dois bruxos na casa deles? Não seria nada bem-vinda. – Ela colocou a mão no ombro do garoto. – De qualquer forma, sabe que pode contar comigo, não sabe?
– Sempre.
– Está bem, vou voltar para a cabine, ainda vai dar uma volta?
– Vou sim, quero encontrar alguns amigos.
– Se estiver querendo ver a Gina não aconselharia ir agora, tenho certeza que ela está com o Dino. – Ela disse só para o garoto ouvir, rindo quando percebeu que o irmão corou. Se distanciando a caminho da cabine.
– Só... cale a boca Potter! – Ele disse alto para que ela pudesse ouvir com a distância e o barulho dos trilhos, ouvindo o riso ainda mais alto da irmã, que adentrou a cabine. Harry seguiu pelos corredores do trem, em busca de respostas.


Capítulo 2

De volta Hogwarts

A viagem estava correndo normalmente, até ir ao banheiro do trem e voltar a cabine quieta e pensativa, sem conseguir prestar mais atenção no que Rony e Hermione conversavam, ambos perceberam que algo tinha acontecido, mas quando questionaram a amiga receberam um vago “nada” como resposta, percebendo que seja lá o que fosse, não era um bom momento para questiona-la, Hermione tinha um palpite mas a perguntaria quando estivessem sozinhas.
Encarando o horizonte pela janela de vidro, poderia dizer que estava apreciando a paisagem, era o que ela queria que aparentasse, mas não estava dando a mínima para as belas montanhas verdes da Escócia. Não conseguia tirar a conversa que ouvira no corredor do trem quando estava indo em direção ao banheiro, ao passar por duas meninas do quinto ano, da Sonserina, ouvira algo que a estava atormentando “Malfoy está namorando a Parkinson”. Cretino! Não, não poderia ser verdade, ele teria contado a ela, não teria? A verdade é que tinha algo muito estranho naquilo tudo, fazia cerca de dois meses que Draco não respondia suas cartas quebrando o trato secreto que fizeram a praticamente dois anos atrás.

-Flashback on-

estava perambulando pelo jardim de Hogwarts sem se importar muito com o destino, queria somente se distanciar o máximo possível do grande salão, onde ainda acontecia o baile de inverno do Torneio Tribruxo, seu vestido longo de cor vermelha, arrastando no chão e provavelmente sujando a barra, não se lembrava da última vez que tinha reparado a beleza do céu noturno com sua infinidade de estrelas cintilantes, muitos já haviam se recolhido para suas respectivas salas comunais, outros continuavam a dançar músicas românticas com seus pares, ela praticamente fugira, disse a seu par que estava cansada, claramente uma mentira, George Weasley era um bom garoto, bom não, ótimo, sempre a tratava muito bem, lhe enchia de elogios, a fazia rir, uma excelente companhia, mas aquilo não era justo, ele era um amigo, apenas um amigo, e ela sabia que pelo andar das conversas que estavam tendo durante as danças no baile, ele estava prestes a se declarar, sabia dos sentimentos do garoto por ela, não era nada difícil de perceber, e por mais que quisesse, não conseguia retribuir, aquele lugar em seu coração já estava preenchido, e ela nunca admitiria isso em voz alta, não admitiria de forma nenhuma.
- Sabe, se você planejava se esconder, usar um vestido vermelho como este foi péssima ideia, impossível passar despercebida. O que aconteceu? O Weasley pisou no seu pé ou você simplesmente não aguentava mais o bafo dele? - A garota se virou num pulo, assustada, encontrando olhos azuis acinzentados penetrantes, Draco Malfoy conseguia estar ainda mais lindo em traje de gala, e muito perfumado também, por que ele tinha que ser tão atraente? E afinal, ela acabara de receber um elogio? Dele?
- Obrigada, eu acho, e o George não tem bafo. – Rebateu, se esforçando para não manter contato visual com o garoto a sua frente.
- Não é o que parece, você não estaria aqui se ele realmente fosse uma boa companhia, que eu saiba o baile ainda não acabou, os que saíram estavam entediados ou realmente cansados, e você não está cansada, ou estaria em seus aposentos e não perambulando em um jardim a luz do luar. – À medida que o garoto se aproximava, ela dava passos para trás, manter uma distância segura era sempre bom.
- Já que é assim, suponho que a Parkinson não seja assim tão agradável, ou você estaria dançando com ela, ao invés de estar aqui, desperdiçando meu tempo, ou seja lá o que for... – A garota tentou fingir interesse nas flores ali plantadas, rosas vermelhas , adorava rosas.
- Você sempre tem uma resposta na ponta da língua não é mesmo Potter? Acho que é isso que te faz sempre tão... diferente. Você não se rende, não abaixa a cabeça, você enfrenta. Confesso que sempre escolho momentos de inspiração para tirar onda da cara do idiota do seu irmão, você sempre está lá para provocar um debate no mínimo, interessante, eu diria. – O garoto acompanhou seu olhar, se aproximou de uma roseira, agitou sua varinha e retirou uma rosa vermelha da planta, depois a olhou com um sorriso maroto – E só pra você saber, sim, eu dei um jeito de despachar a Pansy, muito irritante, sempre concorda com tudo que eu digo, faz tudo que peço, não tem graça. - A garota agora encarava o jovem rapaz com uma clara interrogação na expressão
– Mas não é disso que você gosta? Que todos façam o que manda...
- Depende. – Ele deu mais um passo em sua direção, dessa vez ela não se afastou. – Não te entendo Malfoy, nenhum pouco, juro que tento, por vezes posso jurar que vejo você sorrir pra mim quando passamos pelo mesmo corredor, mas nunca fala comigo, uma conversa descente eu digo, ofensas, zombarias e desprezo não contam, se você quer saber, não acho que você seja tão ruim quanto demonstra, isso é claramente uma máscara, só não sei o que você esconde e muito menos o porquê. – O loiro soltou um riso fraco e depois a encarou, olhando em seus olhos, como adoraria interpretar o que se passava ali.
– Você não respondeu a minha pergunta, o que faz aqui sozinha? – Ele mudou o assunto, isso não passou despercebido por ela.
– Estou apenas pensando, não quero voltar para a sala comunal agora, sei que vou deitar a cabeça no travesseiro e ficar minha cabeça não vai parar, pelo menos aqui eu tenho distrações. – A ruiva voltou a andar pelo jardim, Malfoy a acompanhando.
– Acredito que gostaria de conversar com alguém sobre isso, não? – Ele andava a seu lado carregando a rosa que arrancara a pouco na mão esquerda. O garoto estava sendo cordial, praticamente gentil, uma parte dela a dizia para sair correndo dali, pois o loiro ao seu lado só significava uma coisa: problema. Mas outra parte estava curiosa e até mesmo apreciando a inusitada companhia, afinal o que ele pretendia ali?
– Talvez, eu sei que você é o todo poderoso Draco Malfoy, mas já sentiu alguma vez que, durante a sua vida inteira você acreditou em algo, e depois descobriu que a realidade não é bem assim? – Ela o olhou rapidamente, encontrou uma expressão de compreensão em sua face.
– Isso é por causa do que descobriu no ano passado? Digo, quando você descobriu ser irmã do Potter? – assentiu.
– Um irmão que não tem um segundo de paz e que vive arriscando a vida você quer dizer, eu vivo preocupada com ele, e agora ele é um campeão do torneio. – Ela suspirou – E não é apenas isso. Eu costumava imaginar de onde eu vim biologicamente, uma curiosidade que quase todo filho adotado possui, mas não era algo como se algum dia eu fosse sair em uma missão maluca a procura dos meus pais ou da minha mãe biológica, eu sempre a imaginei como uma pessoa que por algum motivo não podia ficar comigo, que me deu a vida, e depois me deu a melhor coisa do mundo inteiro, meus pais, e que se um dia por ironia do destino eu a encontrasse, eu diria apenas obrigada por me dar a oportunidade de ter a melhor família do mundo. E então... eu descubro que não foi uma escolha, que meus pais foram heróis, morreram para nos salvar, que eu tenho um irmão gêmeo que diferente de mim foi criado pelos trouxas mais babacas que existem, e pior, que se não fosse por um bruxo das trevas a minha vida seria absolutamente diferente, não teríamos crescido separados e ele nunca teria sido maltratado. E ai eu me sinto culpada, não é justo com meus pais adotivos, e eu gosto quando me chamam de Potter, sinto orgulho de ser filha de Lilian e Thiago, e que todos saibam disso, mas as vezes tenho medo de estar negando aqueles que me criaram com tanto amor e carinho, eu não sei quem eu sou ou quero ser.
– Seja as duas, até onde eu sei, seu verdadeiro nome é Hanna, e não vejo ninguém se dirigir a você dessa forma. Tudo isso faz você ser quem é, uma bruxa poderosa, e uma garota incrível. E também, você não é san... digo nascida trouxa, como todos pensavam. Isso é bom. – A última parte ele disse mais baixo. A garota resolveu ignorar, fez apenas uma careta em resposta ao nome, que deveria ser seu.
– Hanna não, sou , ou só . Pode me chamar de Potter se quiser, mas não desse nome, não sinto que seja meu. – Draco riu.
– Eu acho que posso entender como você se sente, por vezes eu penso diferente de como deveria pensar, gostaria de fazer coisas que pessoas como eu e minha família não fazem, eu também gostaria de ser só o Draco, sem Malfoy e todo o peso que tem por trás disso. Faço coisas como, por exemplo, enviar cartas anônimas para uma garota que até chute nas partes baixas já me deu.
parou de andar, encarou o garoto incrédula, desde o início do ano letivo, vinha recebendo cartas e bilhetes sem assinatura, os conteúdos das cartas eram os mais diversos, desde dizeres sobre como o seu cabelo estava bonito nas aulas, ou com poemas mais bonitos e elaborados, sempre as manteve muito bem escondidas, guardou todas em uma caixa, mostrara algumas para Hermione apenas, que a ajudou nos possíveis suspeitos a serem seu admirador secreto, nunca, pensaria em Malfoy.
– É você? Eu.... eu pensei que fosse o George, ou o Simas.
– Você parece surpresa... Foi a única maneira que encontrei de dizer o que sinto, não poder conversar com você me sufoca. E duvido que o Weasley ou o Finnigan seriam capazes disso. Você gostou?
– Se eu gostei? Mas é claro que sim. – De repente a expressão dela mudou de suave para muito brava. – Se isso for algum tipo de brincadeira Malfoy, saiba que não tem a mínima graça, faz sentido até, brincar com os sentimentos da irmã do seu inimigo, se for isso, eu juro Draco que o soco que eu vou te dar na cara vai ser pior do que o chute que mencionou, e... O que pensa que está fazendo? – O rapaz se aproximou dela, delicadamente pegou os braços da garota e os colocou em volta de seu pescoço, descendo os seus braços e os posicionando em volta da cintura dela, começando a se mover e a conduzi-la de acordo com a música vinda do grande salão ao qual era possível ouvir mesmo sendo um volume mais baixo pela distância.
– Dançando, é claro. – Ela agora acompanhando seus passos, ele arriscou até roda-la. – Estou dançando com a garota que eu realmente queria ter convidado para ser meu par no baile.
– Por que não convidou? – A ruiva teve somente um riso fraco como resposta. Continuaram dançando por mais duas músicas, em perfeita sincronia, até que de repente Draco parou, em uma das mãos de , depositou a rosa que colhera a alguns minutos, estava sem espinhos, a outra mão se direcionando para o rosto da ruiva, que prendia a respiração e sentia borboletas em seu estomago, ele fez um carinho delicado em seu rosto. – Você é linda demais . – Ele falou baixo, devagar, como um sussurro, os olhos se focando um no outro por alguns segundos, o mundo de ambos parou de girar por um momento, os olhos castanhos dela focados nos azuis acinzentados de Draco, ele passou um de seus braços pela cintura da garota, a outra mão que estava em seu rosto agora rumando para o pescoço, aproximou o rosto do seu e hesitou como se esperasse que ela o impedisse, como não se opôs, selou seus lábios, a princípio o beijo não passou de um selinho, depois outro, e enfim suas línguas começaram a dançar em perfeita sincronia, Malfoy apertou sua cintura e a puxou para mais perto colando seus corpos, era o primeiro beijo da jovem, uma mistura de sentimentos envolvidos, não sabia se estava fazendo certo, ela realmente estava beijando Draco Malfoy, seu coração batia forte, quando o ar começou a faltar eles se afastaram um pouco, mantendo o contato pelo olhar.
– Isso foi.... – não foi capaz de completar a frase.
– Perfeito.
– E o que exatamente isso quer dizer?
– Por Merlin , juro que não estou brincando com você, não seria capaz disso nem se quisesse, tudo o que foi dito naquelas cartas é verdade, e eu precisava falar com você pessoalmente, dançar com você, te dar um beijo, nem que fosse uma vez, sei o que parece, mas não, não quero te fazer nenhum mal. Eu sinto algo diferente por você, desde o dia em que te vi, pela primeira vez, no expresso de Hogwarts, no primeiro ano, torci para você ir pra Sonserina, não sabia quem era você, se tinha família bruxa. Sei que não podemos ficar juntos, um dia quem sabe, mas agora não, sei que seu irmão não ia gostar, nem minha família e não quero problemas para mim e nem para você, no momento, isso viraria uma guerra no mínimo. Por isso eu não vou te procurar mais, eu só precisava de uma vez. Vamos deixar isso aqui, nesse momento, assim, eternizado, sempre lembrado. Só nosso. Não conte isso a ninguém está bem? – O garoto pegou em sua mão entrelaçou os dedos, claramente não era o que gostaria de dizer, parecia que sentia dor.
– Espera, você acabou de me beijar e está dizendo que vai fingir que isso nunca aconteceu? Você tem que saber o que você quer Malfoy, você está claramente confuso, mais do que eu. – A menina se afastou dele encarou o chão e depois o olhou com ressentimento no olhar.
– Eu não tenho escolha , eu nunca tenho, saiba que essa é única coisa que eu realmente quis fazer em muito tempo, esse sou eu. Dizem que você sempre vê bondade até nas pessoas mais improváveis, por favor me veja assim.
– Por que você é assim? Por que não deixa as pessoas verem quem você realmente é? – Ele inclinou a cabeça para o lado a olhando, ela nunca iria esquecer aqueles olhos penetrantes, num tom cinza com azul, a puxou para um abraço, o cheiro dele era maravilhoso, meio amadeirado, não sabia qual era o perfume, mas com certeza era caro.
– Vamos fazer um acordo? Eu vou continuar a te escrever as cartas, só que dessa vez, você responde, poderemos conversar, sem assinaturas, em segredo, e eu posso te mostrar um lado meu que ninguém conhece, apenas você, não vou magoa-la, é uma promessa, vamos, nos conhecer, sem compromisso. Como amigos, de verdade. Se você quiser. E um dia quando formos mais velhos, poderemos enfrentar tudo e todos.
Por que não? Ela pensou, poderia dar uma chance, conhece-lo, não lhe faria mal, e era óbvio que o garoto a sua frente precisava de uma pessoa verdadeira em sua vida, tinha serias dúvidas sobre a veracidade das amizades que ele tinha, se o seguiam apenas por interesse e ninguém merece ter amizade só por interesse, ainda mais o garoto a sua frente, a quem ela não sabia descrever o que sentia realmente, mas, se não poderiam conversar pessoalmente, poderiam conversar por cartas.
– Temos um acordo então, você começa, me conte algo que ninguém sabe sobre você. Vamos usar um termo, para nos identificar, todas as minhas cartas para você virão com um “ps: guarde segredo” ao final. – A garota começou a se distanciar, em direção ao castelo. – Está tarde, acho que o baile já acabou. – Já fazia alguns minutos que não ouvia a música vinda do grande salão. – Melhor irmos para nossas respectivas casas comunais, ou corremos risco de pegar uma detenção. – Ela parou por um instante e se virou para olhar o rapaz uma última vez. –Sobre o chute que te dei no ano passado, desculpe, mas você mereceu, e o soco da Hermione também, não seja um babaca que mata animais inocentes. Boa noite Draco. – Malfoy riu, e sorriu para ela, colocando as mãos nos bolsos e escorando em um pilar, digno de uma foto.
– Nem lembre daquela galinha sanguinária. Boa noite .

Flashback off

Daquele dia em diante, ambos sempre se comunicavam por cartas, nunca ficaram mais que uma semana sem se falar, a garota conheceu lados de Draco Malfoy que nunca imaginaria que existissem, um lado atencioso, carinhoso, romântico e gentil. Até a batalha no ministério, que resultou na prisão e recém julgamento de Lúcio Malfoy, na última carta que recebera o loiro dizia estar muito preocupado com o julgamento e com algumas coisas que andavam mudando em sua casa, não entrou em detalhes. Depois disso, nada, a ruiva enviara dez cartas durante dois meses, até que desistiu por não obter resposta, claro que aquilo a estava incomodando, e agora o boato do namoro com Pansy, com certeza tinha algo errado e ela precisava falar com Draco, sentia sua falta, e já que não respondia suas cartas, teria que dar um jeito de o encontrar pessoalmente, mas como?
O trem parou de mover, a tirando de seus pensamentos, chegaram a Hogwarts, e quando contou os membros da cabine onde se encontrava notou que faltava um.
– Onde está o Harry?
– Eu estava me perguntando a mesma coisa. – Respondeu Hermione.
– Deve estar na plataforma, vem, vamos embora. – Rony disse já se direcionando a porta sendo seguido por Hermione que estava com expressão preocupada. sentia que algo estava errado.
– Eu acho melhor procurar pelo trem, vai que ele cochilou ou algo do tipo, vou conferir, vão na frente, encontro vocês depois.
seguiu vasculhando cada cabine, de cada vagão, nunca tinha realmente reparado o quão imenso era aquele trem até ter que atravessa-lo todo, estava procurando em um dos últimos vagões, esse estranhamente estava com a porta fechada.
– Harry? Está por aqui? – estava conferindo as poltronas, quase desistindo, e muito brava por não encontrar Harry, de repente, ela tropeçou em algo, algo que apenas sentiu ,não viu, sua queda foi tão brusca e inesperada que a garota não teve tempo de apoiar os braços e bateu o nariz no chão, imediatamente sentiu uma dor insuportável no mesmo.
– Ai! – Levou a mão ao rosto e notou a presença de sangue ali, com certeza tinha quebrado. Olhou para trás para conferir em que tinha tropeçado, e não tinha nada, a não ser que... Ela começou a apalpar o chão se sentiu no te que tinha tropeçado, puxou o tecido da capa de invisibilidade e encontrou seu irmão aparentemente petrificado. Imediatamente pegou sua varinha e apontou para o garoto.
– Finite! – Harry voltou a se mover e soltou um gemido de dor. – O que aconteceu? O seu nariz está péssimo. – disse ao notar que além de torto, o nariz do garoto também sangrava.
– Aparentemente está igual ao seu, não vou nem perguntar se você se machucou com a queda. – Ela o ajudou a se levantar.
– Você não respondeu a minha pergunta, o que aconteceu?
– Malfoy aconteceu, me escondi na capa para ouvir o que conversavam, mas algo me denunciou, quando o trem parou e todos desceram ele me enfeitiçou e cobriu com a capa, ele fez esse favor também, disse que foi pelo pai. – Apontou para o nariz. – Se você não tivesse aparecido eu voltaria para Londres.
– Achei que eu tinha quebrado o seu nariz quando tropecei em você. Assim como o meu. Preciso dizer o quão perigoso foi o que você aprontou Harry Potter? E não é nada educado ouvir as conversas dos outros, mamãe ficaria decepcionada, tenho certeza.
– Eu digo que Malfoy me atacou e você praticamente diz que eu estou errado!
– Eu não disse... – Sua fala foi interrompida por uma terceira pessoa entrando no vagão, Luna Lovegood, amiga dos dois, estava usando óculos um tanto quando peculiares, o que não era novidade.
– Olá Harry e ! A cabeça de vocês está cheia de zonzóbulos.

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– Me desculpem ter feito vocês perderem a carruagem. – Harry disse quando já estavam chegando aos portões de Hogwarts.
– Pelo meu nariz quebrado ninguém pede desculpas. – reclamou.
– Essa a gente coloca na conta do Malfoy também. – O garoto disse mudando a expressão com raiva, a irmã acompanhou o olhar e avistou Malfoy ralhando com Filch o zelador da escola.
– Não tem problema, foi como ficar com amigos. – Luna disse
– Mas nós somos seus amigos Luna. – Ambos irmãos sorriram para ela.
– Ah! Ai estão vocês, estava ficando preocupado. – O professor baixinho, Flitwick, os chamou a atenção. – Nomes por favor! – revirou os olhos.
– Professor já nos conhece a cinco anos.
– Sem exceções, Potter.
– Quem é essa gente? – se referia aos bruxos desconhecidos que acompanhavam Filch.
– Aurores, por segurança. – Flitiwick respondeu.
Snape aparecendo para livrar Draco da vistoria na entrada não passou despercebido por Harry, nem .
– Belo nariz, Potter. – Draco disse para Harry, estreitando os olhos quando notou que a garota ao seu lado também estava com o membro torto e inchado, talvez até uma preocupação passando por seus olhos. o encarou também, fazendo questão de transparecer ressentimento pelo olhar, na intenção de que o loiro entendesse a que exatamente ela se referia, Draco abaixou a cabeça.
– Posso concerta-los para vocês, embora acho que fiquem bem melhores assim, agora posso ver uma semelhança em vocês. – Luna disse prestativa.
– Já consertou um nariz antes? – Harry perguntou só para ter certeza.
– Não, mas já consertei vários dedões, e são muito parecidos.
– Está bem, mas o Harry vai primeiro. – apontou para o irmão que a olhou assustado.
– Episkey!

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– Onde vocês estavam? E o que aconteceu com seus rostos? – Hermione perguntou assim que Harry e se sentaram a mesa da Grifinória para jantar, atrasados, já trajando o uniforme da escola e cada um segurando um saquinho de gelo no nariz, ambos sangrando.
– Explicamos depois. – disse.
– O que nós perdemos? – Foi a vez de Harry.
– O chapéu seletor nos incentivou a ser corajosos nesses tempos difíceis. Fácil para ele falar. É um chapéu! – Todos concordaram. aproveitou para cumprimentar os outros amigos de casa que ainda não tinha visto, Neville Longbottom, Simas Finnigan, Dino Thomas, Parvati Patil e Lilá Brown que parecia muito ocupada encarando Rony com interesse e rindo como idiota de tudo que ele dizia. A conversa dos colegas foi interrompida quando Dumbledore, o diretor, iniciou sua fala sobre o início do ano letivo, apresentando o novo professor de poções e Snape que finalmente tinha conseguido o cargo de Defesa Contra as Artes das Trevas que claramente almejava a anos, depois discursando sobre como as maiores armas que os comensais poderiam ter seriam os próprios alunos, discretamente olhou para a mesa da Sonserina, avistando um Draco Malfoy cabisbaixo e aéreo a tudo o que estava sendo dito, sem nenhum vestígio da presunção e superioridade que emanava durante todos os outros anos, e para a infelicidade de , com Pansy com os braços em volta de seu pescoço como realmente um casal, algo estava realmente errado com o garoto, e ela iria descobrir o que.

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Hermione e já se aprontavam para dormir, tinham acabado de arrumar suas coisas nos quartos, estava em cima da sua cama entretida com o conteúdo de uma caixa vermelha de madeira. Cartas.
O seu cabelo estava incrível hoje na aula de poções, os raros cinco pontos que o Snape te concedeu com toda certeza foram pela beleza dele.
PS: guarde segredo

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Confesso que fiquei muito chateado por termos perdido o jogo de quadribol para Grifinória, mas me esqueci de tudo quando olhei para você sorrindo e comemorando em cima daquela vassoura, os cabelos ao vento, você tem o dom de me deixar sem ar sabia. O uniforme do time de quadribol fica ótimo em você, qualquer coisa fica ótima em você, você tem esse dom.
Uma coisa sobre mim: meus doces favoritos são os de abóbora.
PS: guarde segredo

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As coisas em casa estão mais tensas do que o normal, mamãe tem me dito para ser forte, para não me deixar abalar pelos recentes acontecimentos, mas eu sinto falta do meu pai, por mais severo que ele seja, espero que ele seja absolvido no julgamento, torça por nós .
PS: guarde segredo

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– Ele não tem te respondido, não é? – Hermione questionou se sentando na beira da cama da amiga, chamando sua atenção.
– Não sei do que você está falando. – se assustou com a pergunta.
– A mas é claro que sabe, vou iluminar a sua mente, seu amigo secreto, isso porque sou ótima em fingir que não sei que é Draco Malfoy.
– Você DEDUZ que seja ele, nunca confirmei nem contrariei essa sua teoria Mione. – Ela deu ênfase na palavra.
– Isso por que você é uma péssima mentirosa, e sabe que o que quer que diga não vai me convencer do contrário. – Mione piscou. – E por qual outro motivo você se recusaria a me contar com que você se comunica por essas cartas, se não for o Malfoy? Ou qualquer outro garoto de sua gangue da Sonserina, ok, mas tem aquelas trocas de olhares de vocês. Não te julgo amiga... eu guardo o seu segredo, sabe que pode confiar em mim.
– De qualquer maneira, eu nunca te disse nada mesmo. – A ruiva sorriu para a amiga. Mas não a encarava nos olhos estava olhando fixo para a rosa que sempre ficava a beira de sua cama, dentro de um pote de vidro, era a rosa que tinha ganhado de Draco no quarto ano, no dia de seu primeiro beijo, uma prova e lembrança de que aquele momento realmente tinha acontecido, se dedicou muito para encontrar um encantamento que fizesse com que a flor nunca murchasse, a garota era realmente muito boa com encantamentos, isso não foi um problema.
– Você é minha melhor amiga, você já deveria saber que eu sou bem observadora eu vejo o modo como olha para ele, e como por vezes, tentando até disfarçar ele corresponde. Embora você pareça bem preocupada ultimamente e não a vi se escondendo para escrever nenhuma vez no período em que estávamos na Toca, suponho que algo não esteja funcionando como gostaria.
– Falando em olhares, acho que meu irmão finalmente se tocou e começou a reparar na Gina. – mudou de assunto e Hermione não se opôs, era sempre assim quando tocava no assunto das cartas ou no garoto misterioso que para ela não era tão misterioso assim. A conversa durou mais alguns minutos antes das garotas irem realmente dormir, estavam de volta Hogwarts, finalmente.

Capítulo 3

Plano em ação.


O café da manhã estava animado, primeiro dia de aula, com uma consideravelmente ansiosa para conhecer o novo professor de poções, seu padrinho tinha lhe contado que fora também professor de seus pais na época de escola, um dos favoritos de sua mãe.
Rony devorava seu café da manhã como se fosse a última refeição de sua vida, Harry parecia muito entretido com a leitura do Profeta Diário que as corujas tinham entregue minutos atrás. Hermione e conversavam animadas.
– Acredito que ele será mais receptivo que o Snape, pelo menos teremos mais chances de ganhar pontos para Grifinória. – Hermione disse, enquanto conversavam sobre Horácio Slughorn o novo professor de poções.
– Snape só dava raros pontos para você , não acho que ele goste de você, acho que ele só não te detesta e o motivo eu nunca vou entender. – Rony disse de boca cheia sendo logo repreendido por Hermione.
– Eu também não, até porque ele claramente possui um ódio declarado em relação ao papai, o que talvez explique raiva que ele tem por mim, mas a também é filha dele. – Harry se pronunciou, começando a prestar atenção na conversa.
– Ele, assim como nós, nem sempre soube disso, simpatizou comigo e quando soube a verdade, era tarde demais – disse e logo depois piscou brincalhona para o irmão que revirou os olhos.
– Vocês não estão preocupados com os NIEMS? Precisamos nos esforçar nesses anos, nossas futuras carreiras dependem disso. – Hermione disse mudando o assunto. – Já pensaram em quais profissão vão seguir? – Harry e Rony imediatamente disseram a palavra “auror” em uníssono.
– Espero que meu “Excede Expectativas” em poções nas NOMS não atrapalhe esse sonho. – Harry disse irônico e Rony apenas concordou.
– Disse O Eleito. – disse baixo apenas para os três a sua volta ouvirem.
– Essa história de ser o escolhido já nos custou muitas perdas, , já estou cansado disso. Cansado de profecias, expectativas.
– Tem havido muita conversa sobre isso, até mesmo entre os fantasmas, pelo que ouvi. Encontrei um Sr. Nick bem animado conversando sobre isso na entrada do salão, agora a pouco. – comentou.
– Sim! - Disse Rony - Todos querendo saber se você realmente é o escolhido.
– Todo mundo, está questionando, precisamos tomar cuidado. - Choramingou Hermione.
O som de risadas ecoou do outro canto do salão, eles apressadamente olharam para a mesa da Sonserina. Draco Malfoy estava imitando o nariz de Harry se despedaçar e arrancava aplausos e risadas. não pode deixar de pensar que para quem estava com olhar de peixe morto momentos antes, zombar maldosamente dos outros era um grande avanço, talvez incluiria oscilações de humor na lista de características do rapaz. E se Draco pensava que ela engoliu o nariz quebrado do irmão, estava muito enganado.
Harry por sua vez voltou sua atenção para sua torta, seu interior queimando de raiva. O que ele daria para lutar corpo-a-corpo com Malfoy... Fechou os olhos e as mãos fechadas em punho. Abrindo os olhos ao sentir uma mão segurar a sua, vendo sua irmã com um sorriso triunfante no rosto.
– Deixa essa comigo. – Ela sussurrou. E se virou a fim de ficar de frente para a mesa onde todos ainda riam e Draco continua sua encenação. A garota disse em alto e bom tom para quem quisesse ouvir. – Por que está tão preocupado com seu nariz Malfoy? Ele claramente está no lugar, não posso dizer o mesmo do seu cérebro, infelizmente.
Era isso, ela realmente adorava provocar ou responder as provocações dos Sonserinos, principalmente Draco, era até divertido, as vistas de todos, eram claramente inimigos, secretamente, conversavam sobre essas “discussões” com muito humor. Mas naquele momento, ela estava disposta a atingi-lo de verdade, tinha muitos motivos para estar zangada, o principal deles estava praticamente pendurado no pescoço do loiro rindo de todas as baboseiras que ele falava, Pansy.
As risadas agora vinham da mesa da Grifinória. Malfoy a encarava com um misto de raiva e nervosismo, até mesmo um rubor foi tomando conta de seu rosto, junto com um sorriso malicioso.
– Não espere que eu me de ao trabalho de te responder Potter, estou ocupado demais para isso. - Malfoy se virou para Parkinson e a beijou, na frente de todos, risinhos e murmúrios de garotas de todas as casas podiam ser ouvidos. Agora quem queria soca-lo era , que apenas ouviu um “deixa pra lá” baixo de Hermione quando se virou de costas para ele e revirou os olhos, tentando disfarçar o desconforto e os verdadeiros motivos de sua raiva, não queria ver aquela cena.
– Podemos voltar para o assunto anterior? – Reclamou Harry. – Adoraria saber o que o futuro reserva para minha irmãzinha. – Fez força para mudar de assunto, antes que se levantasse e seguisse para a mesa da Sonserina para dar uma surra em Malfoy sem se importar se ele estivesse quase engolindo uma garota ou não.
– Acho que vou seguir os passos dos meus pais, os adotivos no caso, eles são praticamente heróis, salvam vidas, ajudam pessoas, curam pessoas, acho que vou ser uma boa curandeira. – suspirou, ainda tentando esquecer o que acabou de ver, e disfarçar o quanto mexeu com ela. – O que significa que eu preciso de uma alta marca de Ótimo ou Excede Expectativas em: Poções, Transfiguração, Herbologia, Feitiços e Defesa Contra as Artes das Trevas. Eu estou realmente preocupada, vou me matar de estudar. – Ela fez uma careta para parecer cansada.
– Você é uma ótima aluna , vamos estudar juntas. – Hermione sorriu para a amiga.
– E você Mione?
– Ainda estou com algumas dúvidas, tenho algumas opções, mas quero lutar pelos direitos de pessoas e criaturas, acredito que eu vá tentar algo no departamento de execução das leis da magia.
– Conseguir você quis dizer, se a Hermione não conseguir, ninguém consegue. – Rony disse e todos concordaram.
– Nenhum de nós escolheu cursar Trato das Criaturas Magicas com o Hagrid esse ano, não devíamos falar sobre isso? – disse e todos se entreolharam, incertos.
– Ele vai ficar chateado. – Sussurrou Hermione e todos novamente, concordaram em um trato silencioso de que depois precisariam fazer algo a respeito.

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Para um primeiro dia de aula, começou em grande estilo, Harry levou uma detenção na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas por responder Snape, não conseguia parar de encarar Malfoy com ressentimento estampado no olhar, levando alguns cutucões de Hermione por “estar dando muito na cara”, o que Hermione não notou é que o garoto foi pego por inúmeras vezes a encarando também, quando seus olhos se encontravam ele desviava o olhar, aquela situação estava a deixando realmente inquieta, precisava dar um jeito de conversar com Malfoy, independente da ceninha que o rapaz fizera pela manhã, ela precisava de respostas. No mais, a aula correu normalmente, aprenderam a lançar feitiços não verbais.
Assim que adentraram a sala de aula de poções, aromas um tanto peculiares atingiram , procurou de onde vinham e apenas se deparou com substâncias dentro de caldeirões em uma mesa no centro da sala.
– Hermione? Está sentindo cheiro de chocolate? – Sussurrou para a amiga.
– Chocolate? Não, por quê?
– Deixa pra lá.
O professor logo iniciou a aula, se apresentando e depois apresentando a importância do preparo de poções, Harry e Rony o interromperam brevemente ao adentrar a sala atrasados, sendo cordialmente recebidos por Slughorn, ouviu Hermione bufar ao seu lado algo sobre Lilá estar encarando Rony e ainda conseguiu ver uma certa disputa entre os dois ao pegar os livros em um armário, segundos depois, estavam ao seu lado, Rony com um livro inteiro e Harry com um caindo aos pedaços, o professor continuou a explicar.
– Achei que não ia mais cursar poções. – Sussurrou para o irmão.
– Também achei, parece que Slughorn não se importa. – Respondeu tendo um aceno de cabeça da irmã como resposta.
Nada surpreendente, Hermione sabia responder ao professor sobre cada uma das poções ali apresentadas.
– Essa é a Amortentia, a poção do amor mais poderosa do mundo, tem um cheiro especial para cada pessoa dependendo do que a atrai, por exemplo, sinto cheiro de grama cortada, pergaminho novo e pasta de dente de... hortelã.
descobriu de onde vinha o aroma que sentiu antes, ao contrário da amiga, sentia um forte cheiro de chocolate, rosas e... madeira. O cheiro foi embora quando o professor tampou o caldeirão dizendo que aquela seria a poção mais perigosa presente naquela sala, rapidamente seguindo para a próxima a Felix Felicis mais conhecida por sorte liquida, quem a tomasse obteria sucesso em qualquer feito. Após prometer o pequeno frasco a quem preparasse uma poção do Morto Vivo, dando instruções das páginas do livro que seriam utilizadas, Slughorn liberou os alunos para começarem os preparos.
não sabia descrever o que acontecia, nunca na vida tinha visto seu irmão ir tão bem no preparo de poções, o que não fazia nenhum sentido, por vezes ele realizava o preparo de modo diferente do que era solicitado no livro, Hermione até chegou a questionar o garoto, que teimou em dizer que estava seguindo as instruções apenas, e a poção de Harry aparentava estar exatamente como o livro dizia que deveria, quando foi que Harry Potter se tornou um mestre em poções?
– Como você está conseguindo Harry?
– Está escrito no meu livro, faz igual!
continuou tentando seguir a risca a descrição do livro, acabou não resistindo e por uma ou duas vezes fez o mesmo que Harry, o que não ganhou a aprovação de Hermione, não poderia dizer que o resultado fora um desastre total, sua poção adquiriu uma cor lilás, melhor que a de Hermione que tinha coloração purpura e nem chegou perto da de Harry, que estava transparente.
– Como eu desconfiava! – Slughorn exclamou assim que chegou perto da bancada onde os caldeirões de e Harry Potter jaziam. – Sua poção está perfeita Harry! – Ele se virou para a garota. – E a sua também não está nada mal, sabia que era a filha de Lilian assim que entrou nesta sala, você tem o talento de sua mãe, Hanna, posso chama-la pelo primeiro nome?
senhor. Pode me chamar pelo meu primeiro nome, que é . – sorriu, tentando fazer com que a correção fosse o menos rude possível.
– Oh claro, claro. Por um momento esqueci da história de sua criação, uma pena, terem crescido separados. Mas, parabéns ! – Ele sorriu ao dizer o nome correto da garota. – Você tem dom para o preparo de poções!
– Obrigada Senhor. – não pode deixar de sorrir, gostava de ouvir quando diziam que se parecia com a sua mãe, se sentia mais próxima a ela, seu padrinho Remo Lupin e Sirius Black viviam repetindo que além da aparência, ela possuía muito da personalidade de Lilian, forte, decidida, atenciosa, caridosa, corajosa, animada e até mesmo um tanto teimosa.
Malfoy era quem não estava nem um pouco feliz ao fim daquela aula, Harry ganhou o prêmio, obviamente, e Draco parecia bem empenhado a consegui-lo também, sua expressão não era das melhores ao perceber seu resultado, muito menos o favoritismo e interesse do novo professor em Harry Potter. A carranca de sua expressão se suavizou ao notar o sorriso no rosto da garota Potter, por segundos seus olhares se encontram, o sorriso dela sumindo um pouco, dando lugar a uma sobrancelha levantada em sinal de questionamento, tendo como resposta apenas um quase imperceptível balançar de cabeça do rapaz em sinal de “não”, posteriormente o mesmo desviou seu olhar.
Mas aquilo não era resposta suficiente para , que tinha certeza de que tinha algo muito errado acontecendo com Draco, queria ajudar, queria dizer que estava ao seu lado, não que já não tivesse dito isso, mas precisava de algo em retorno, e uma simples expressão de “não”, não a faria desistir.

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Alguns dias se passaram e os testes para o time de quadribol da Grifinória tinham sido um sucesso, mantivera seu posto de artilheira juntamente com Gina e Cátia Bell, Harry também continuou apanhador e Rony conseguiu o posto de goleiro do time, por pouco, Cormaco McLaggen também estava empenhado a conseguir posto e inexplicavelmente perdeu a última bola. Os membros do time e companheiros de casa adentraram a sala comunal muito animados.
– Preciso admitir, achei que ia perder a última bola. – Rony confessou. Os olhos fixos no fogo da lareira. – Vocês não facilitaram nos testes em...
– Claramente estava torcendo pra você Rony, mas não seria certo facilitar, meus parabéns aliás, você entrou porque é bom, defendeu todas.
– Espero que o Córmaco fique numa boa, sabia que ele está a fim de você, Hermione? – Todos se viraram para encarar Hermione que fez uma careta.
– Ele é um nojo. – Ela disse e revirou os olhos, se perguntava até quando aqueles dois iriam ignorar a tensão clara que existia ali, eram feitos um para o outro.
O grupo de amigos então entrou em uma conversa sobre o novo/velho livro de poções de Harry, com Hermione insistindo que não poderia ser coisa boa. Mais tarde, Rony e Hermione se recolheram, deixando os irmãos sozinhos.
– Como tem sido as aulas com Dumbledore?
– Esclarecedoras. – Harry respondeu simplesmente, a atenção no objeto em suas mãos, o mapa do maroto. – Malfoy está aprontando alguma, não sei como faz isso, ele tem perambulado pelo castelo a noite por vezes, e ele simplesmente some do mapa, como é possível que ele suma do mapa?
– Não faço ideia... – Uma mentira, naquele exato momento a mente de se iluminou, já tinha conversado antes com Hermione, a Sala Precisa, não aparecia no mapa, enxergou ali uma oportunidade, só precisava elaborar melhor.
– Harry, posso ficar com a capa e o mapa hoje?
– O que você vai fazer?
– Quero entrar na sessão restrita, pesquisar sobre a família Gaunt que você mencionou, sobre Você-Sabe-Quem, para você sabe, ajudar...
– Não sei não... Dumbledore disse para manter a capa sempre por perto, para o caso dele me chamar para as aulas.
– Ele não te chamou hoje até agora, não vai chamar mais, e se lembre que eu também tenho direito de ficar com a capa, ela era do NOSSO pai, e você fica com ela a maior parte do tempo, hoje eu preciso dela, e do mapa, você tem que dividir.
– Tá bem, tá bem, ela fica com você hoje, você consegue ser chata quando quer. – Harry fez uma careta para a irmã.
– Você também não é legal cem por cento do tempo, sabia?
– Promete que vai tomar cuidado?
– Quando eu não tomo?

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Naquela noite, depois do horário de recolher, munida da capa de invisibilidade de seu pai e do mapa do maroto, saiu decidida a seguir os passos de Draco Malfoy, não ficou surpresa ao ver no mapa que o rapaz também estava fora da cama, Harry já havia lhe dito que por vezes via Malfoy perambular a noite no castelo pelo mapa, ela colocou a capa por cima de si mesma e seguiu a fim de encontra-lo.
Encontrou o garoto parado em frente a tapeçaria de trasgos no sétimo andar, uma porta enorme surgindo diante deles depois de alguns instantes revelando a Sala Precisa. Ela adentrou o cômodo logo atrás de Malfoy, que não podia vê-la graças a capa. Diferente do modo como surgiu para ela e seus amigos no ano anterior, a sala deixou de lado os equipamentos de treinamento em magia para dar lugar a uma tremenda bagunça, as mais diversas coisas jaziam ali, moveis distintos, mesas, cadeiras, armários, montanhas de livros, objetos estranhos, como se fosse um deposito. retirou a capa, mas o loiro não percebeu a sua presença, estava concentrado procurando algo.
– Sabe, as pessoas costumam responder as cartas que recebem. – O garoto se virou para encara-la num pulo, sua expressão não demonstrava susto, estava mais para desespero, os olhos arregalados, ele praticamente tremia.
– Como você entrou aqui? – Perguntou colocando uma mão no rosto e a outra se apoiando em uma pilha de cadeiras.
– Eu te segui.
– Impossível. – Ele fechou os olhos, claramente perturbado. – Eu me certifiquei de que não estava sendo seguido.
– Eu tenho alguns truques sobre isso. – Ela sorriu ao se lembrar o quão útil era a capa da invisibilidade que escondia entre suas vestes. – Relaxa, não estou aqui para espionar o que você anda fazendo com essa bagunça, isso aqui está precisando de uma faxineira a propósito. – Ela passou o dedo em uma pilha o mostrando completamente empoeirado. – Eu quero conversar com você.
– Escolheu uma péssima hora, eu diria. – Draco disse a encarando.
– Como se você me desse alguma escolha. – O tom de voz dela se mudou de firme, para tremulo, ela ensaiara tantas vezes o que diria ao loiro a sua frente quando o encontrasse e agora não sabia o que dizer.
– Você não devia estar aqui, não é seguro, volte para sua sala comunal.
– Você não me dá ordens Malfoy! – Falou um pouco mais alto. – E eu não precisaria estar aqui se você respondesse as minhas cartas. Acho que já bateu o recorde de detenções que um único aluno pode pegar por não fazer deveres em plenos anos decisivos para os N.I.E.M.S. É sério? Eu te enviei dez cartas, dois meses sem resposta, sem contar essa expressão perdida e derrotada que você quase não tira do rosto, você claramente não está bem, e está me afastando, eu só quero te ajudar! E ainda tem essa história de namoro com a Pansy. Isso não se faz, é baixo, até mesmo para você.
– Muita coisa mudou , acredite, você não pode estar próxima a mim. E eu não posso ficar perto de você. Você não pode me ajudar, e duvido que se soubesse de tudo, realmente iria querer faze-lo. – O garoto juntava todas as forças que tinha para encara-la, se esforçando para não demonstrar o que realmente sentia e lançar o olhar mais indiferente que conseguia.
– Você não desmentiu! Realmente está com a Parkinson! Achei que fosse só mais um dos seus rolos. O que aconteceu com o “ela não tem graça, fácil demais”? – Ela o encarava com mágoa, sentia que poderia dar um soco em seu rosto e nem assim passaria. Claro, eles não tinham um relacionamento concreto, nem prometiam exclusividade, era tudo muito complicado, também já tinha ficado com outros garotos durante esse tempo, mas nada que significasse nada, nada comparado ao que ela sentia pelo garoto a sua frente. Aparentemente ele não enxergava do mesmo modo.
– Ela pertence ao meu mundo, entende minhas prioridades, coisas que você jamais entenderia. E nunca disse que não me relacionaria com outras pessoas, outra coisa que você não entende, eu sou homem sabe.
– Você nem sequer tentou! Não tente colocar palavras em minha boca Draco Malfoy e muito menos assumir o que é melhor ou pior para mim, eu, e somente eu, é quem decide isso. – A ruiva suspirou. – Você está decidindo por nós dois, e isso não é justo, me afastar desse jeito não é justo, estou no escuro.
– Aceite Potter, esse jogo de cartas foi interessante, eu me diverti, mas agora, eu enjoei, não quero mais falar com você. Não pedi sua ajuda, não pedi que viesse atrás de mim, pelo contrário, quero mesmo, é que se afaste.
– Então é isso, acabou? – Ela se aproximou dele, o encarando nos olhos procurando alguma insegurança ali, mas o loiro não era capaz sequer de olha-la nos olhos.
– Sequer algum dia tivemos algo para que pudesse acabar. – A garota levantou a mão direita, ele esperou pelo tapa, merecia aquilo, mas a mão dela parou no ar, lançando lhe um olhar de decepção, incrédulo, dolorido, ele preferia que ela tivesse o batido, doeria muito menos que o buraco que estava se abrindo em seu peito ao notar os olhos marejados da garota.
– Cansei de tentar te entender Malfoy, cansei de aceitar suas desculpas ridículas sobre deixar tudo escondido, cansei de você dizendo que não tem escolha, você tem sim escolha, só é covarde demais para faze-las. Se é o que você quer, ótimo! Como você adora: que seja feita apenas a sua vontade. Eu não dirijo mais a palavra a você, sequer vou olhar para você. Fique com seu mundinho perfeito rodeado de pessoas ricas, interesseiras, egoístas, preconceituosas, invejosas e falsas, um dia você vai crescer e perceber sozinho o quão fútil é tudo isso, e aí você pode não sair disso nunca mais, porque vai ser tarde demais. E: você é um péssimo cumpridor de promessas.
não esperou resposta, não estava conseguindo segurar o choro e não permitiria que Malfoy a visse chorando por sua causa. Se virou e saiu daquela sala o mais rápido que conseguiu batendo a porta com raiva atrás de si, as vistas já estavam embaçadas e as lagrimas já caiam em seu rosto. Adentrou o primeiro banheiro feminino que viu, e ali se permitiu chorar, estava se sentindo ridícula, envergonhada, como pode esperar que isso levasse a algo, era claro que Draco Malfoy a magoaria, ela se deixou apaixonar por ele, por hipóteses, por mentiras, expectativas e ilusões com uma pessoa criada em sua imaginação, aquele “relacionamento” se é que poderia ser chamado assim estava fadado ao fracasso desde o momento em que ele pediu para que ele não dissesse para ninguém, será que ele tinha vergonha dela? Diversão, ele mesmo disse, era isso que ela tinha sido para ele por dois anos. Ela tinha decidido que ia chorar tudo o que precisava ali, no momento em que saísse daquele banheiro enterraria qualquer sentimento que um dia teve por Draco Malfoy e não olharia para trás. Entre os soluços do choro ela olhou seu reflexo no espelho, seu rosto estava inchado e vermelho, mas o espelho também mostrou que ela não estava sozinha.
– Olá Murta! – Ela disse sem muito animo. – Se vai gritar me denunciar para o Filch vá em frente, não tem como meu dia ficar pior.
– Olá ! Quanto tempo! Você cresceu, não foi mais me visitar desde que abriram aquela porta estranha no meu banheiro. Harry me contou que vocês são irmãos, como ele está? – A fantasma flutuava ao seu lado.
– Está bem. – A garota se limitou em dizer, abrindo a torneira da pia a sua frente e lavando o rosto.
– E você? Por que você está chorando? – A fantasma voou e pairou em cima do espelho a frente de , as mãos apoiando o rosto em sinal de interesse.
– Não é nada, ou melhor ninguém. Ninguém que mereça uma lagrima minha sequer, eu sou uma idiota. – Ela secou o rosto e foi rumando para a porta do banheiro, ela queria ficar sozinha, e naquele banheiro não era possível. – Boa noite Murta.
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Draco Malfoy tentava pela milésima vez se concentrar no concerto do armário sumidouro a sua frente, sem nenhum avanço, abriu alguns botões de sua camisa social, estava se sentindo totalmente sufocado, passou a mão pelos cabelos os puxando um pouco, estava inquieto desde a conversa com a garota Potter, , por que ela tinha que ter vindo atrás dele? Ele não queria ter dito tudo aquilo para a garota, era o certo a se fazer, não era? Deixa-la de fora de toda a bagunça que sua vida se tornara. Então por qual motivo tudo parecia errado e que faltava uma parte de si próprio? Draco, odiava esse sentimento, odiava a possibilidade de ter ferido os sentimentos da garota e afasta-la, odiava ter que executar aquela missão, mas realmente não tinha escolha, Voldemort mataria seus pais, não poderia suportar isso. E ele a conhecia, sabia que ao dizer aquelas coisas horríveis, seu orgulho seria ferido, e ai não teria volta, ela nunca mais olharia na cara dele a não ser que fosse para trocar farpas, de verdade dessa vez, e o rapaz não sabia como iria conviver com isso, como iria conviver sem suas cartas, sentia falta dela mais que tudo, mas precisava protege-la, não suportava a possibilidade de vê-la em risco por sua causa, e era só o que ele poderia oferecer: perigo. Realmente era um egoísta, mas aquela foi a primeira atitude que tomou pensando no melhor de outra pessoa além de si mesmo.
Percebendo que não conseguiria nenhum progresso estando naquele estado, Malfoy desistiu e resolveu que era um bom momento para voltar ao seu quarto e tentar dormir, passando por um banheiro no meio do caminho, resolveu lavar o rosto.
– Droga! – Ele suspirou vendo a água escorrer a sua frente, frustrado, as palavras de assombrando a sua mente “e aí você pode não sair disso nunca mais, porque vai ser tarde demais” já era tarde demais, não tinha volta, a ardência da marca negra recém tatuada em seu braço era um ótimo lembrete disso. Uma lagrima teimosa insistiu em cair de seus olhos, o rapaz logo a limpou, ele precisava de força, toda força que jamais teve, para proteger sua família.
– Todos resolveram chorar esta noite neste castelo. – Não precisava nem se virar para saber qual fantasma estava ali, choramingando e gemendo pelos esgotos, Murta-Que-Geme disse que vira alguém chorando, poderia ser...
– Quem estava chorando?
– A garota Potter. – A fantasma choramingou o nome da garota de seus sonhos, fazendo-o fechar os olhos. – Estava triste e com raiva, disse que era idiota e que chorava por alguém que não merecia suas lagrimas. E você, por que choras?
– Por alguém que sei que não mereço.

Capítulo 4 - Talvez Harry esteja certo

Betado por Caah Jones a partir desse capítulo



Minha querida
Não posso dizer que estou impressionado com o claro favoritismo que o velho Slug tem demonstrado a você e a Harry, tinha certeza que vocês entrariam na seleção de alunos dele.
Você disse em sua última carta que “a sua vida acadêmica estava bem” o que isso quer dizer? Tem tido problemas? É algum garoto? Quer que eu peça ao Harry para dar um jeito em alguém aí em Hogwarts? Se for de fora me avise, ninguém se mete com a minha garotinha.
Gostaria de ter passado mais tempo com você nas férias, mas são tempos difíceis, a ordem tem tido muito trabalho, os comensais realmente não querem mais se esconder, tem havido cada vez mais ataques e também tenho alguns assuntos pessoais que pretendo lhe contar pessoalmente, o quando está meio distante, acredito que só nos veremos no Natal, prometo que vou compensar isso. Fique atenta, perto dos amigos e cuide bem do seu irmão, não deixe que ele se meta em confusão (se é que isso é possível).
De seu padrinho, Remo.
PS: eu sei que são seus doces favoritos, então aproveite os chocolates, dívida com seu irmão.
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Cara ,
Como sempre se destacando por onde passa, o que me surpreende é o Harry ser bom em poções, esse tal livro é um tanto milagroso, não acha? Os negócios estão indo bem, considerando a realidade, Fred e eu estamos animados, as pessoas tem buscado desesperadamente motivos para rir, a volta das aulas aumentou muito as vendas também.
Roniquinho entrou para o time de quadribol da Grifinória? Diga a ele que se fizer o time perder ele vai se ver conosco aqui em casa, mas com você no time acho difícil acontecer, você não me contou quem são os novos batedores que estão no meu lugar e do Fred, aguardo essa novidade... Me diga quando será o passeio a Hogsmead, irei te visitar.
Carinhosamente, George.
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Nossa querida ,
Não se preocupe tanto assim, suas notas serão as melhores, confiamos no seu potencial, você é muito dedicada, sempre nos enche de orgulho. Também já estamos morrendo de saudades, este ano vamos conseguir reunir toda a família para o Natal, chame o Harry e nos avise com antecedência caso ele aceite o convite, diga a ele que, como sempre, ele será muito bem vindo, e que já está ficando feio tantas recusas a nos fazer uma visita. Convide Rony e Hermione também, não custa tentar não é, adoraríamos conhecê-los melhor, são bons amigos para você.
Os turnos no hospital estão uma loucura, a pediatria anda lotada ultimamente, seu pai está quase se arrependendo de ter aceitado o cargo de cirurgião chefe, mas ele não vai dizer isso em voz alta. Enviamos um dinheiro para você comprar seus doces e o que precisar, quando for àquele vilarejo perto da escola, nós nunca lembramos o nome.
Se cuide! Fique perto do seu irmão e dos seus amigos.
Com amor mamãe e papai
Ps: estamos te enviando doces que sabemos que você adora e não irá encontrar em nenhum lugar da Grã-Bretanha, aproveite as paçocas.

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finalmente conseguira um tempinho para ler as cartas que tinha recebido pela manhã, não pôde deixar de sorrir ao ver as caligrafias de seu padrinho, George e seus pais, não demorou para começar a abrir os embrulhos que vieram com as cartas.
– Esse é aquele doce brasileiro trouxa que você sempre traz? – Rony perguntou.
– É sim! Só vai ganhar um pedaço quem disser o nome corretamente!
– Não vale! – Foi a vez de Harry. – Não falamos português!
– Esperem! Isso é PA-COU-CA! Acertei? – Hermione tentou falar, arrancando risos de pela tentativa meio falha.
– Valeu a tentativa, Mione! – Ela jogou um doce para a amiga, um para o irmão e outro para Rony. – Almocem primeiro, a sobremesa é depois. – Ela levantou o dedo e engrossou a voz para parecer uma mãe. – E o nome é PA-ÇO-CA, se lembrem da próxima vez!
– É claro que Hermione iria saber! Soube que ensina português para ela toda noite! – Rony comentou.
– Não é toda noite, e é uma língua muito difícil, mas vocês também deveriam aproveitar a oportunidade de aprender! – Hermione retrucou.
– Deviam mesmo! Ia ser muito útil na próxima visita aos . – Disse Harry. – É meio estranho, e os pais dela tem que traduzir tudo o que os outros parentes deles falam.
– Era engraçado quando até a tinha sotaque nos primeiros anos. – Rony lembrou, rindo.
– Isso foi só no primeiro e segundo ano, a convivência com vocês me fez perder o sotaque, afinal na maioria do tempo agora eu falo inglês. A propósito! – Ela se virou para Harry. – Você foi praticamente convocado para dar uma passadinha lá no Natal, nem que depois vamos juntos para os Weasley.
– Temos tempo para programar isso. – Harry respondeu, erguendo as mãos em sinal de rendição.
Algumas semanas se passaram desde o encontro de com Draco na sala precisa, desde então, a garota estava mais empenhada que o normal nas tarefas e com ainda mais garra no quadribol, alguns podiam jurar que ela jogava a goles com fúria no olhar, de quem quer que fosse o rosto que ela imaginava na bola, ninguém queria estar em sua pele.
– Nós temos que nos explicar. – Disse Hermione, olhando diretamente para a imensa cadeira vazia frente a mesa dos professores na hora do almoço.
– Hagrid não tem comparecido as refeições no Salão Principal, o que já é um mau sinal, sem contar as poucas vezes que temos o encontrado nos corredores ou nos jardins, ele estava muito misterioso para sequer nos notar ou ouvir nossos cumprimentos. – Foi a vez de .
– Isso é loucura meninas! Nós estamos bem longe de ter tempo livre e vamos visitar o Hagrid? – Rony disse mal-humorado.
– Exatamente isso! – Confirmou Hermione.
– Nós temos que treinar quadribol esta tarde! – Retrucou Rony. – E vamos supostamente praticar aquele Feitiço Aguamenti do Flitwick! De qualquer forma, vamos explicar o quê? Como vamos contar que odiamos aquela matéria idiota?
– Nós não odiamos. – Disse Hermione, com acenando a cabeça em sinal de concordância.
– Falem por vocês mesmas, eu ainda não esqueci dos explosivins. – Rony continuou – Nós escapamos por pouco.
– Eu odeio ficar sem falar com Hagrid. – Hermione disse, parecendo chateada.
– Eu também! Detesto isso... – fez uma careta.
– Iremos até lá depois do quadribol. – Harry assegurou, também sentia falta de Hagrid, embora, como Rony, pensava que estavam melhores sem um Grope ou qualquer outra criatura mágica e perigosa em suas vidas. Mas os treinos iriam levar a tarde toda, os jogos estavam se aproximando e tinham muitos membros novos no time. Mesmo distraído em seus pensamentos com planos para o quadribol, não pôde deixar de notar na mesa da Sonserina, um pouco mais a frente.
– Vocês notaram? O lugar do Malfoy está tão vazio quanto o do Hagrid ultimamente. – Harry comentou. – Tem se ausentado das refeições, das aulas...
– E o que tem isso? – Hermione olhou rapidamente para a mesa da outra casa, voltando a fitar Harry. Ignorando a tensa ao seu lado ao ouvir aquele sobrenome.
– Muito suspeito. Ele está tramando algo, eu sei que está.
– Ainda está nessa Harry? Ele é um imprestável, o que poderia estar tramando além de ser um pé no saco? – Rony revirou os olhos. Mas não conseguia tirar isso da mente desde o encontro com o rapaz na sala precisa, o que ele estava procurando? Por que ele ficou tão assustado quando a viu? E mais preocupado ainda quando ela disse que o havia seguido. Draco realmente estava escondendo alguma coisa, talvez Harry não estivesse tão equivocado assim.
– O que você acha ? – Foi tirada de seus pensamentos pelo irmão.
– Acho que temos os N.I.E.Ms para nos preocupar, matérias para estudar, a Ordem pra ajudar e quadribol para treinar. Não sobra muito tempo para seja lá qual for a frescura do Malfoy, deve ter garotas demais pra ficar.
– Achei seu comentário meio irônico, . – Harry disse encarando a irmã.
– Você só me chama de quando está bravo! Pode parar, o que tem de mal em fazer um comentário irônico? Eu faço isso sempre!
– Você parece estar com ciúme! Eu te conheço, tem rancor na sua voz.
– Ciúme? – franziu o cenho. Tentando disfarçar, olhou para Hermione como um pedido de socorro. – Ciúme de que?
– De quem! Do Malfoy! – Harry disse e Rony riu tanto que se engasgou.
– Você está ficando maluco, cara? jamais nos daria um desgosto como esse.
– Exatamente! – Hermione, por milagre, concordou com Rony (claramente para ajudar a amiga). – Chega disso Harry, você está ficando paranoico, deveríamos começar a nos preocupar?
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O Sol estava se pondo, o treino de quadribol acabara de ser encerrado, o desempenho de Rony estava melhorando, mas achava que seu desempenho poderia ser ainda melhor, precisava apenas vencer a insegurança, ou realmente poderia atrapalhar os jogos, claro que não diria isso ao amigo. Harry, Rony, e Hermione (que sempre assistia os treinos dos amigos) estavam rumando a cabana de Hagrid, conversando sobre estratégias e jogadas quando o caminho foi impedido por Draco Malfoy, Vicente Crabbe, Gregório Goyle, Blásio Zabini e Pansy Parkinson, ou como também eram conhecidos, a Gangue do Malfoy.
- Ora, ora, ora. Se não é o clubinho do Eleito, vejo que estão treinando para perder no quadribol. – Malfoy disse, ele e seu grupo dificultando a passagem dos grifinórios. revirou os olhos, sequer olhou para o rosto de Draco, evitava olhá-lo desde o ocorrido na sala precisa, não queria olhar para ele, falar com ele, falar dele, sequer pensar nele, a última parte sendo a mais difícil de cumprir, mas ela fazia questão de compensar nas outras. A frequência das provocações dos sonserinos tinham sido reduzidas consideravelmente naquele ano, mas ainda sim faziam questão de dar o ar da graça vez ou outra.
- Saia da frente, Malfoy, parece que você anda meio cansado, não seria difícil te derrubar. – Harry já estava ficando se paciência.
– Por que você não tenta, Potter? – Malfoy deu um passo à frente, Harry fez o mesmo, achou melhor intervir, segurou levemente o braço do irmão em sinal de pedido para que ele ficasse no lugar.
– Acabou a palhaçada, se não vão sair da nossa frente, ótimo! Vamos dar a volta, temos mais o que fazer. – disse brava, indicando o caminho aos seus amigos com a cabeça, soltou o braço de Harry e saiu na frente a passos pesados, se distanciando um pouco dos outros, Hermione quase correndo para alcançá-la.
– O que foi isso? – Sussurrou assim que chegou perto de se certificando de que os outros mais atrás não a ouviriam.
– O que?
– Você sequer olhou para ele. – Ela disse ainda baixo.
– Não precisa mais se preocupar com isso.
– Quer falar sobre? – Hermione questionou colocando uma mão no ombro de sua amiga. a olhou e suspirou.
– Não.
Entendo que não era o melhor momento para aquela conversa, Hermione deixou por isso mesmo, por enquanto.
As duas diminuíram o passo para esperar pelos meninos, o quarteto continuou seu caminho encontrando um Hipogrifo cinzento e grande, Bicuço, estava em frente à cabana de Hagrid, com a morte de Sirius, o animal retornou a seu antigo dono.
– Oh meu Deus! Ele ainda é meio assustador, não é?
– Sai dessa, Mione! Você montou nele, não montou? – Rony disse. Harry deu um passo à frente e fez uma reverência para o hipogrifo mantendo o contato visual e sem piscar. Após alguns segundos, Bicuço afundou-se em grande reverência, logo atrás repetindo os passos.
– Como você está? – Harry perguntou em uma voz baixa, acariciando suas plumas, fazendo-o mover a cabeça levemente.
– Nós sentimos sua falta. Mas você está bem aqui com o Hagrid, não está? – se juntou ao irmão fazendo carinho no animal.
Hermione bateu a porta da cabana, puderam ouvir um latido de Canino, o que significava que Hagrid estava em casa, mas não os respondia.
– Hagrid! Abra, nós queremos falar com você! – chamou um pouco mais alto. Não havia mais nenhum som vindo do interior da cabana.
– Se você não abrir a porta, nós a explodiremos! – Harry disse, puxando sua varinha.
– Harry! – Hermione disse, chocada. – Você não pode fazer isso! – já entendo o plano do irmão também sacou a varinha.
– Sim, ele pode fazer e eu também! Saiam do caminho... – Rony e Hermione os olhavam incrédulos.
Antes que pudessem dizer qualquer outra coisa, a porta se abriu de uma vez, Harry sorriu, sabia que abriria, Hagrid os olhava bravo.
– Eu sou um professor! – O meio gigante bradou. – Um professor, Potter! Como vocês ameaçam derrubar a porta da minha cabana?
– Me desculpe, SENHOR. – Harry, enfatizou a última palavra quando guardou sua varinha dentro de suas vestes.
– Desde quando você me chama de 'senhor'?
– Desde quando você nos chama de 'Potter'?
Depois de relutar um pouco, e das mil desculpas e explicações vindas principalmente de Hermione e , o meio gigante acabou cedendo e voltando a ser amigável com o quarteto, que aproveitou o fim de tarde para tomar um chá com o velho amigo.
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estava na biblioteca, o professor Snape conseguia ser ainda mais exigente em DCAT do que em Poções, passava inúmeros deveres. O livro da garota se elevou um pouco na mesa com o impacto de outro livro sendo depositado a sua frente, ao levantar um pouco o olhar, deu de cara com uma Hermione com sobrancelhas erguidas.
– Estou estudando, Mione, você mais do que ninguém deveria entender.
– É exatamente essa a questão, nas últimas semanas você tem somente estudado, sei que é o necessário, mas tem algo realmente errado acontecendo e o episódio no campo de quadribol só me confirmou isso. Precisamos falar sobre Draco Malfoy.
– Só se falarmos sobre o Ronald Weasley também. – Era um truque, sabia que Hermione sempre se esquivava desse assunto, o que a fez perceber o quanto a amiga estava empenhada quando ouviu um “que seja” em resposta. A ruiva suspirou.
– Eu falei com ele.
– Como assim, você falou com ele? Ele respondeu as cartas? – A garota contou tudo, cada palavra que ouvira e como se sentiu.
– Não entendo, realmente achei que ele gostasse de você. – Hermione disse depois de ouvir tudo. – Que idiota! Que cretino! Que filho da puta. – A garota se assustou consigo mesma ao ouvir o palavrão que saiu de sua boca.
– É o Malfoy, não sei por que eu esperava algo diferente vindo dele. – suspirou novamente.
– Ele anda mais estranho que o normal, parece estar doente.
– Eu não quero mais saber, ele quis assim.
– Nunca achei que veria você com tanta raiva. – Hermione se levantou e se sentou ao lado da amiga. – Quer um abraço? Quer que eu dê outro soco no Malfoy? – negou com a cabeça, os olhos marejados, mas não se permitiria chorar. – A propósito, você deu mole hoje pela manhã ao dizer aquilo daquela forma, até o Harry percebeu, foi por pouco. Obrigada por me contar , sei que não está fácil, mas conte comigo, ok?
– Obrigada, Mione. Não me peça mais para falar sobre isso, ok? Me dá vontade de chorar e eu jurei pra mim mesma que não faria mais isso. – A amiga assentiu e ela encerrou o assunto. – Mas agora é sua vez! Quando você e o Rony vão parar de se engalfinhar e assumir um romance? – Disse num tom risonho, rindo ainda mais quando a amiga revirou os olhos.
– Até parece! Rony ainda tem que amadurecer muito para notar algumas coisas.
– Essa tensão toda? Tem que ser muito idiota pra não notar, acho que a questão aqui é aceitar. E falo de vocês dois.
– É melhor deixar tudo exatamente como está. E se isso estragar a nossa amizade?
– Ah não vem com essa, Hermione Jean Granger!
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– Não te incomoda? Não saber quem é esse Príncipe Mestiço? – Hermione questionou mais uma vez assim que os quatro amigos adentraram o Três Vassouras.
– Não. – Harry respondeu simplesmente.
– Eu acho que era um gênio em poções com um apelido brega. – comentou brincalhona. Percebeu Harry tenso ao seu lado, seguiu o olhar do irmão e percebeu que ele encarava Draco Malfoy adentrando o banheiro do estabelecimento, o loiro olhava para todos os lados, como se não quisesse ser seguido, no mínimo suspeito, mas a garota estava lutando para não pensar nisso. O quarteto de amigos se acomodou em uma mesa, cada um fazendo seu pedido de cerveja amanteigada de acordo com seus gostos.
– Que cara mais idiota. – Rony resmungou e os outros seguiram seu olhar encontrando Gina beijando Dino Thomas em uma mesa mais afastada.
– Rony! – Hermione criticou. – Eles só estão de mãos dadas, e.... se beijando. Ok.
– Eu quero ir embora. – Rony já ia se levantando, sendo segurado por Hermione de um lado e de outro.
– Para com isso! – revirou os olhos.
– Está brincando né?
– Aquela ali é a minha irmã! – Disse indignado.
– E daí? E se ela olhasse para cá e visse você me beijando? Você iria querer que ela fosse embora? – Hermione disse tão naturalmente. olhou para Harry e notou que assim como ela, estava se esforçando para conter o riso. A ruiva agradeceu mentalmente a chegada das bebidas e aproveitou para dar um grande gole a fim de disfarçar.
– Diga que concorda comigo Harry, isso é estranho, ele namora minha irmã, então tenho que odiá-lo, uma questão de princípios. – Rony cutucou Harry, e o olhou boquiaberta.
– Você concorda com ele? Maninho?
– Ah! Eu não discordo, tenho que admitir que a ideia de você ter um namorado é meio estranha. – Harry disse, tentando distanciar um pouco sua cadeira da de sua irmã, a cara dela não era das melhores.
– Isso é ridículo!
– Me diz você! Detestava a Cho!
– Mas é claro que detestava! Ela não era nada simpática, você merece coisa melhor. – Discretamente e se certificando que Rony não a veria por estar a seu lado, ela inclinou a cabeça em direção a mesa em Gina estava com Dino, recebendo uma cara feia de Harry como resposta. – Acha que o que? Eu vou ser uma solteirona que mora com 7 gatos? Você não acha que eu nunca sequer beijei um garoto, não é?
– Eu não quero nem pensar nisso! – Harry quem resmungou nessa hora.
– Peça conselhos a Hermione... ela andou muito ocupada com o Krum no quarto ano! – Rony disse aparentemente rancoroso. Hermione revirou os olhos.
– De novo com isso, Rony? Krum é uma excelente companhia, ele sabe como tratar bem uma garota.
Rony estava prestes a retrucar e engatar mais uma das inúmeras discussões com Hermione, Harry e já se arrependendo por terem entrado naquele tipo de assunto, estavam cansados de testemunhar as desavenças dos dois, quando claramente se amavam, quando o garoto abriu a boca, o quarteto foi surpreendido pela presença de Horácio Slughorn.
– Harry, meu rapaz! Como vai?
– Olá Senhor, é muito bom vê-lo. – estranhou aquela atitude a princípio, o favoritismo do professor de poções os incomodava bastante, já havia chamado os Potter para reuniões particulares com “alunos seletos” várias vezes, ia as vezes com Hermione, que também era convidada claro, mas Harry sempre arranjava uma desculpa, o que Izzy invejava, não tinha coragem para recusar os convites, mas os encontros até aquele momento eram entediantes... o professor sempre perguntava muito sobre Harry. A mente se iluminou ao se lembrar que Harry comentara com ela sobre um pedido um tanto peculiar de Dumbledore, para que ele se aproximasse especialmente daquele professor. Aparentemente o irmão levava aquilo bem a sério.
– Ah Harry, é bom ver você também! – O professor respondeu animado.
– Então, o que o traz aqui?
– Tenho uma relação com o bar mais antiga do que eu gostaria de admitir. – Harry riu, um riso forçado, sua irmã podia notar, mas estava se saindo muito bem. O professor estava claramente distraído (talvez efeito do excesso de consumo do líquido em sua caneca), se empolgou um pouco, derrubando cerveja amanteigada em Hermione.
– Cuidado com a onda, Granger! – Slughorn riu mais uma vez.
– Na próxima semana realizarei mais uma das minhas ceias, você vem dessa vez, não vem?
– Claro Senhor, dessa vez eu irei! E será uma honra!
– Ótimo, aguarde a minha coruja, claro que as senhoritas Potter e Granger também serão muito bem-vindas, como sempre. – O velho já ia saindo – Foi bom te ver Wolaby.
– O que você está querendo? – Rony não tinha entendido nada, mas parou de prestar atenção na conversa, outra cabeleira ruiva adentrou o estabelecimento, George Weasley, ela o avisara sobre a data da visita a Hogsmead e aguardava a visita do amigo.
– Onde você vai? – Harry perguntou quando ela bebeu rapidamente o resto de cerveja amanteigada em sua caneca e se levantou da mesa.
– Vou conversar o George. – Ela indicou com a cabeça e o ruivo mais a frente e deu um aceno quando percebeu que o olhavam. – Já volto. – Ela correu para abraçá-lo.
– Que tal irmos dar uma volta? Seu irmão está me encarando com uma cara tão feia, acho que poderia me bater... – George disse e a garota riu.
– Está com medo do meu irmão?
– Ele é Harry Potter, derrotou você-sabem-quem ainda bebê! – Ele exclamou e riu mais alto, saindo do Três Vassouras com George logo atrás dele.

- Flashback on-


– Perverso é o que ele é – disse Rony, com amargura, àquela noite na sala comunal da Grifinória. – Dar um teste no último dia. Estragar o finalzinho do trimestre com um monte de revisões. – Se referia a Snape que, contemplando a turma com um ar malvado, informou que aplicaria um teste sobre antídotos a venenos na última aula do trimestre.
– Hum... mas não se pode dizer que você esteja se matando de estudar, não é? – comentou Hermione, olhando para o garoto por cima dos seus apontamentos sobre Poções. Rony estava entretido construindo um castelo de cartas com o baralho de Snap Explosivo.
– É Natal, Hermione – disse Harry cheio de preguiça; o garoto estava relendo um livro sobre seu time de quadribol favorito, pela décima vez, numa poltrona ao lado da lareira. Hermione lhe lançou, também, um olhar severo, a acompanhando.
– Você deveria estar fazendo outras coisas construtivas além de aprender antídotos, irmão. – disse, ainda estranhando chamar o garoto de irmão, mas era o que eles eram, e ela fazia questão de se acostumar.
– Como o quê? – perguntou Harry, enquanto ainda não tirava os olhos das imagens de seu livro.
– Aquele ovo! É claro. – disse simplesmente. – Você ainda não desvendou a pista para a segunda tarefa, o tempo está passando Harry.
– Tenho até o dia vinte e quatro de fevereiro, dois meses para ser mais exato. – Respondeu o garoto, dando de ombros, Harry guardara o ovo de ouro em seu malão no dormitório e não o abrira desde a festa de comemoração da primeira tarefa, não estava a fim de ouvir aquele berro de agouro novamente tão cedo.
– Mas pode levar semanas para você chegar a uma conclusão! Você vai parecer um perfeito idiota se os outros campeões souberem a resposta para a próxima tarefa e você não. – Comentou Hermione.
– Deixem-no em paz, ele conquistou o direito de tirar uma folga, ele acabou de derrotar um dragão. Um dragão! – Disse Rony enquanto colocava as duas últimas cartas no topo do castelo e a coisa toda explodiu, chamuscando suas sobrancelhas.
– Ficou legal, Rony... vai combinar bem com as suas vestes a rigor, ah, vai. – Eram Fred e George. Sentaram-se à mesa com os três garotos enquanto Rony apalpava o rosto para avaliar o estrago feito.
– Rony, podemos pedir Pichitinho emprestado? – perguntou George.
– Não, ele está fora entregando uma carta. Por quê?
– Porque Jorge quer convidar sua coruja para ir ao baile – Disse Fred sarcasticamente.
– Porque nós gostaríamos de mandar uma carta, seu panacão – Disse George em tom zombeteiro.
– Para quem é que você tanto escreve? – Perguntou Rony.
– Não mete o nariz, Rony, ou vou queimar ele para você também – Disse Fred, acenando a varinha num gesto de ameaça. sorriu para os gêmeos, sabia que deveriam ser negócios dos produtos “Gemialidades Weasley” estavam tentando meios de financiamento para expandi-los.
– Então... vocês já arranjaram par para o baile? – Continuou Fred, olhando de George para , praticamente segurando o riso.
– Não – Respondeu Rony.
– Então é melhor andarem depressa, ou todas as garotas legais vão estar ocupadas – Disse Fred.
– Com quem é que vocês vão, então?
– Angelina – Disse Fred prontamente, sem o menor constrangimento. Ao contrário de seu irmão gêmeo, um rubor surgindo em suas bochechas.
– Quê? – Disse Rony espantado. – Você já a convidou?
– Bem lembrado – disse Fred. E virando a cabeça gritou para o outro extremo da sala comunal. – Oi! Angelina!
Angelina, que estava conversando com Alícia Spinnet perto da lareira, olhou para o garoto.
– Que foi? – Angelina perguntou em resposta.
– Quer ir ao baile comigo? – Angelina lançou um olhar a Fred como se o analisasse.
– Tudo bem. – Disse ela e tornou a se virar para Alícia para retomar a conversa, com um sorrisinho no rosto.
– Pronto – Disse Fred a Harry e Rony – Foi moleza.
– E você George? Com quem você vai?
– É melhor usarmos uma coruja da escola, então, Fred, vamos... – George olhou de relance para e sorriu para ela, Fred levantou-se e se espreguiçou. Os gêmeos Weasley saíram.
– A gente devia começar a se mexer, sabe Harry.. Precisamos convidar alguém. Eles têm razão. Não queremos acabar com um par de trasgos.
– Espero que você não esteja se referindo a garotas como “trasgos”. – Hermione deixou escapar uma exclamação de indignação.
– Hermione, , vocês são garotas! – Rony disse como se tivesse tido uma ideia brilhante.
– Ah, você jura? – respondeu sarcástica.
– Bem observado! – Exclamou Hermione com ainda mais indignação.
– Hermione vai comigo, com Harry, tudo resolvido. Um menino ir sozinho tudo bem, mas uma menina é deprimente.
– Nada é mais deprimente do que ir ao baile com meu próprio irmão, me tira fora dessa!
– E eu não vou sozinha porque acreditem ou não alguém me convidou, e eu aceitei! – Hermione disse brava se levantou e foi em direção ao dormitório feminino. Rony olhou para e ela revirou os olhos já adivinhando o que ele diria.
– Você poderia ir comigo então , se importa, Harry? – O garoto Potter fez que não com a cabeça.
– Você é um idiota, Ronald Weasley! – disse alto. – E não! Não poderia ir com você, porque eu também já tenho par.
– Quem convidou você? – Harry perguntou.
– Não que seja da sua conta. – A ruiva disse mal-humorada. – Mas vocês vão saber de qualquer jeito mesmo. Eu vou ao baile de inverno com George Weasley. Tenham uma boa noite. – Se levantou e fez o mesmo caminho trilhado por Hermione instantes antes.


- Flashback off -


– Me conte as novidades! O que o profeta tem escondido? – A neve já se fazia presente, o que fazia a tarefa de andar rápido ser um tanto mais difícil, mas não estavam com pressa.
– Vejamos. – Ele fingiu pensar. – Você quer as boas ou más notícias primeiro?
– As boas por favor! Acho que já atingi a cota da minha vida de notícias ruins.
– Bom, Gui e Fleur vão se casar!
– Que legal! Mas sinto te informar que eu já sabia. – O ruivo a olhou incrédula. – Harry me contou sobre a estadia com eles na Toca antes de eu chegar. A pergunta que não quer calar é: a sua mãe ainda detesta ela?
– Ela está se conformando, eu diria. Você é a única garota que eu conheço que não fala dela com tom invejoso. – Eles pararam, estavam quase chegando à casa dos gritos, “a casa mais mal assombrada da Grã Bretanha” a ruiva sabia muito bem que não, talvez para ela fosse a mais abençoada, ali ela tinha ganhado os melhores presente de todos, seu irmão e sua verdadeira história.
– A aparência dela é maravilhosa, só um tolo diria o contrário, mas eu nunca teria inveja de um campeão do Torneio Tribuxo, as atrocidades pelas quais foram obrigados a passar.... Eu estou muito bem assim, bem segura e sem traumas relacionados a dragões, sereiranos ou labirintos com uma surpresa mortal em cada esquina. – disse e George riu, abrindo um sorriso, a olhando. – O que foi?
– Você é tão bonita quanto a Fleur, e não tem toda essa questão de torneio. – George começou a se aproximar.
– Obrigada George, sempre me deixando sem graça. – Ela riu, o rapaz se aproximando cada vez mais.
– Sabe, há muito tempo eu venho querendo uma oportunidade para lhe dizer algo, mas nunca dá certo, acho melhor eu te mostrar. – A ruiva sabia o que estava por vir, em certo ponto, ela queria muito aquilo, mas não pelos mesmos motivos do ruivo a sua frente, por um momento se questionou como seria se amasse George, ele com certeza a faria muito feliz, ele jamais a expulsaria de sua vida como Draco tinha feito, pensando nisso, conforme o rosto de George se aproximava do dela, ela não recuou, parte sua queria muito aquilo... mas como um estalo, se tocou de algo: era um de seus melhores amigos a sua frente, não poderia usá-lo daquela forma, não era justo, era?

Capítulo 5 – Escolhas

se afastou de George, que imediatamente entendeu o recado, a expressão triste e decepcionada agora tomando conta de seu rosto.
– Eu... eu não posso fazer isso com você George! Me desculpe. – A garota abaixou a cabeça.
– Não, . – Ele a chamou pelo nome e não pelo apelido, ela sabia que ele estava chateado. – Eu é quem sinto muito, não deveria ter investido assim. Eu achei que... – Ele parou ao notar que a garota olhava para o chão e tentava esconder o rosto com as mãos. – Você está chorando?
– Não. – Ela tentou negar, mas até sua voz estava trêmula. – Droga!
– Ei! . – Ele a chamou e segurou o rosto da garota a fazendo olhá-lo. – O que foi? O que está acontecendo?
– Eu prometi, eu jurei a mim mesma que não ia mais chorar. ¬– Ela soluçou, lágrimas caindo freneticamente de seus olhos e ela estava detestando perder o controle. – Mas isso é tão.... errado... injusto. – Soluçou novamente. – Eu queria, por Merlin, George, como eu queria gostar de você dessa maneira, você é simplesmente um garoto incrível, eu não me perdoaria se te beijasse por beijar, entende? Você é especial demais pra eu te usar para tentar esquecer outra pessoa. – O ruivo não pensou em fazer outra coisa se não abraçar a garota à sua frente, seu coração doendo por vê-la daquela forma, se culpando por ter tentado beijá-la. aceitou o abraço, tentando controlar o choro que vinha tão naturalmente, não conseguindo tirar a imagem de um certo rapaz loiro de sua mente e se detestando por isso.
– Se acalme, , está tudo bem. Você gosta de outro garoto certo? – Ela apenas assentiu com a cabeça sem se desvencilhar do abraço. – Bom se ele te faz sofrer dessa maneira, ele realmente não te merece.
– Eu não consigo suportar a ideia de que você pode se sentir assim. – apontou para o próprio rosto. – Por minha causa, George! Não dá, você não merece isso.
– Ei! , olha para mim. – George para mim. – Eu tô legal, você é uma garota incrível, e não pense que eu vou desistir, eu sou bem persistente, e eu estou feliz em estar ao seu lado nesse momento e ser o ombro amigo pra você chorar, eu sou bem paciente, e quando esse lugar no seu coração deixar de ser preenchido, eu vou estar aqui para te mostrar que você merece o mundo inteiro. Você é linda por dentro e por fora, eu estou grato por você ser sincera comigo, isso só me faz gostar mais ainda de você. Ou talvez eu use uma das poções do amor da loja em você.
– Você não se atreveria! – A ruiva disse ainda chorosa.
– Está me desafiando? – Ele limpou as lágrimas do rosto dela. – Agora pode por favor parar de chorar? Eu mereço pelo menos ter o meu dia iluminado por um sorrido seu, não é? Vamos lá, o que eu faço para conseguir um? Uma careta? – Ele fez uma careta. – Ou eu posso...dançar, sabemos que não sou um bom dançarino, você sempre me ajuda com isso. – George Weasley começou a dançar, tentando imitar os passos de ballet que um dia lhe mostrara na Toca juntamente com Hermione. Tentativas realmente frustradas e totalmente erradas, ali sim, soltou uma gargalhada sincera, juntamente com um sorriso.
– É exatamente disso que eu estou falando, senhorita Potter.
– Obrigada, George.

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– Então, sobre o que você e o George conversaram? – Harry perguntou, os quatro estavam voltando de Hogsmead para Hogwarts.
– Hmmm. – fez suspense, na verdade para selecionar mentalmente o que devia e não devia contar. – Muitas coisas, sobre como está indo a loja, planos da Ordem da Fênix, os novos membros do time de quadribol, ele disse que está feliz por você, Rony.
– Mesmo? – Rony perguntou. – Não ameaçou atentar contra a minha vida se eu fizer o time perder? – apenas riu. – Já entendi!
– Relaxa, Rony, você vai jogar bem. – Hermione o encorajou.
– Vocês dois, seria legal. – Harry comentou.
– O que exatamente você quer dizer maninho?
– Que se você namorasse com o George, seria legal. – Harry disse e Hermione começou a tossir, o olhou como se uma nova cabeça estivesse brotando de seu pescoço.
– Harry, agora a pouco você disse que não queria nem pensar na possibilidade de me ver namorando...
– Mas um dia você vai, melhor que seja com ele, um garoto legal.
– Você seria minha cunhada , até eu percebo que ele gosta de você e mamãe iria adorar ter você na família, não que já não seja considerada, seria a nora favorita dela comparada a Fleur. – Rony comentou e fechou os olhos e riu de nervoso mesmo.
– Obrigada, Rony, mas eu e George somos amigos, nada mais que isso, quer dizer, o George é incrível, mas não o vejo assim.
– Coitado, meu irmão está na friendzone. – Rony disse e recebeu uma bola de neve na cabeça jogada pela ruiva. – Ei!
– E de quem é que você gosta, maninha?
– De quem é que você gosta, maninho? – devolveu a pergunta de Harry, sabia que era território perigoso com Rony bancando o irmão ciumento. Os quatro estavam rindo do rumo que a conversa tomara quando de repente perceberam uma movimentação estranha vinda de duas garotas também da Grifinória, que caminhavam mais a frente, quando se deram conta, Cátia Bell estranhamente levitou no ar, emitindo sons um tanto peculiares e depois caiu bruscamente no chão gelado coberto por neve, não precisava ser nenhum gênio para saber que ela foi vítima de um feitiço muito ruim, perigoso. Uma maldição talvez?

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Uma semana havia se passado desde o ataque a Cátia Bell, era impossível ignorar os rumores que se passavam nos corredores da escola, o mais estranho é que o pacote que a garota carregava não era para si, e sim para Dumbledore, para estava claro que alguém estava tentando atingir o diretor, e assim como o mesmo previu no primeiro dia de volta a Hogwarts, utilizando os próprios alunos da escola, era claro que Bell tinha sido enfeitiçada, mas quem o teria feito? Harry insistia em dizer que foi Draco Malfoy, realmente também o tinha visto em Hogsmead, mas aquilo não era prova suficiente, ou ela queria acreditar que não, o garoto com quem trocava cartas não seria capaz de tal maldade, mas o loiro parecia ser outra pessoa ultimamente.
Naquela manhã e seus amigos tinham aula de Herbologia com os alunos da Lufa-Lufa.
– Isso é basicamente uma tortura! Voldemort matou nossos pais, destruiu a nossa família e Dumbledore faz você ver toda a história dele? – sussurrou para não levar uma bronca da professora Sprout
– Também não entendo, por que ele está te mostrando todas essas memórias? – Rony também quis saber.
– Ele diz que é importante conhecê-lo, assim saberemos o que fazer para derrotá-lo. – Harry explicou.
– Então o que nós já sabemos sobre Você-Sabe-Quem? – Hermione perguntou.
– Que ele é um psicopata desde criança. – respondeu e todos riram. – Eu e Hermione fizemos algumas visitas à biblioteca, a família Gaunt era bem tensa, absolutamente estranhos pra dizer o mínimo, muito me admira Tom Riddle pai ser um trouxa, dada a criação absolutamente preconceituosa dessa família, descendentes de Sonserina... – Ela disse tentando mais uma vez colher a vagem que insistia em fugir.
– A mãe dele estava realmente apaixonada. Raiva, é isso que ele devia sentir, se formos parar para pensar, Voldemort deve ter matado a família por permitirem que ele fosse mestiço. – Hermione completou.
– Já pararam para pensar nisso? Os comensais da morte prezam tanto por essa baboseira de sangue puro e seguem fielmente o filho de um trouxa, com o nome de um trouxa. Não faz nenhum sentido. – falou e todos concordaram. Voltando suas atenções às vagens que insistiam em lutar para não serem colhidas, naquele momento todos queriam ser como Neville, que já colhia sua quarta vagem sem muita dificuldade.
– Então, como foi a reunião do “Clube do Slugue”? – Rony quebrou o silêncio novamente, não tinha obtido sucesso com nenhuma vagem ainda.
– O de sempre, puxa saco pra cá, bruxos famosos pra lá, pelo menos a comida estava muito boa dessa vez. – deu de ombros. – Você não está perdendo nada, Rony.
– O Harry adorou a sobremesa. – Hermione comentou e entendeu na hora ao que se referia, rindo das bochechas recém coradas do irmão, Gina tinha chegado atrasada, na hora da sobremesa.
– Acho besteira essas festinhas do Slugue, não iria nem se fosse convidado. – Rony disse mal humorado.
– O professor disse que podemos levar um convidado na próxima festa. – Harry desconversou.
– Sério? Hermione com certeza vai levar o McLaggen. – Rony disse e Hermione o olhou inexpressiva.
– Na verdade eu ia convidar você.
– Jura?
– Sim. Mas não vou mais nem me dar ao trabalho. – Hermione respondeu e novamente Harry e reviraram os olhos e se olharam, uma maneira silenciosa de se perguntarem por quanto tempo Rony e Hermione manteriam essa “guerra”.

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– Não não não ! O Harry não, por favor. Deixe os meus filhos em paz, por favor! São apenas crianças. – A mulher gritava e, com um último urro em pedido por misericórdia, um jato de luz verde a atingiu. Segundos depois, o bruxo encapuzado se desviou do corpo já sem vida de Lilian que jazia no chão, a varinha foi apontada para o primeiro berço no quarto o outro logo ao lado, os bebês choravam assustados, tanto pelos gritos da mãe quanto pela presença estranha.
– Avada Kedavra! – O bruxo falou, um jato de luz verde se direcionando ao garoto Potter bem na frente de sua irmã.

? ? – Quando a garota abriu os olhos, avistou uma Hermione preocupada, seguida por Parvati e Lilá que resmungavam algo sobre terem sido acordadas.
– O que foi, Mione? – Ela perguntou sem entender nada.
– Você estava gritando, , cada vez mais alto, estava tendo um pesadelo? – Hermione explicou, ignorando os resmungos das outras duas garotas com quem dividiam o quarto.
– Eu estava tendo um pesadelo, um que eu não tinha há muito tempo. – parou e colocou a mão na testa, reparando o quanto estava suada. – Eu sempre achei que era apenas um pesadelo, agora entendo que é mais uma lembrança. Me desculpem! O que foi que eu disse?
– Você ficou o tempo inteiro gritando: não. – Lilá disse e olhou para a janela. – Ótimo, já amanheceu, não vamos conseguir dormir novamente. – Ela disse e logo saiu do quarto, sendo seguida por Parvati.
– Você também disse: “Não mate o Harry” uma vez, com o que você estava sonhando? – Hermione perguntou, se sentando a beira da cama da amiga.
– Eu acho que estava revivendo o dia do ataque em Godric’s Hollow, tinha... uma mulher gritando muito, um quarto de bebê, um bruxo encapuzado e muitos jatos de luz verde saindo de sua varinha. – se levantou e pegou o quadro com a foto da família Potter que tinha ganhado de seu padrinho, ficava ao lado de sua cama junto com a rosa que tinha ganhado de Draco, ela levantou a foto e mostrou para a amiga, a bebê no colo do pai Thiago Potter, e o bebê no colo da mãe Lilian Potter a quem apontava. – Ela estava lá, gritando, implorando pelas nossas vidas. – Depois apontou para o garotinho na foto. – Quando eu acordei, o feitiço tinha atingido o Harry. Foi uma lembrança, nem sabia que eu conseguia me lembrar disso. Eu estava revivendo o dia do assassinato dos meus pais e quase o do meu irmão, eu ia ser a última. – A ruiva se sentou na cama novamente. Encarando a foto.
– Eu... sinto muito, , você está bem? – Hermione perguntou, mas não respondeu, parecia ocupada olhando para o lado de sua cama.
– Eu preciso me livrar disso! – Apontou para a rosa encantada a beira de sua cama. – Não faz sentido nenhum guardar.
– Você pode se arrepender se fizer isso. – Disse Hermione entendo a distração da amiga.
– Acho que não, bom vou fazer isso mais tarde, agora eu preciso ver o Harry.

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Harry tinha acordado animado, era dia de jogo, estava confiante sobre o resultado, só precisava dar um jeito de tirar a insegurança de seu melhor amigo, Rony parecia estar passando mal, assim que colocou os pés na sala comunal da Grifinória naquela manhã, sua visão foi tampada por uma cabeleira ruiva, alguns fios até entraram em sua boca, a irmã rapidamente colocando os braços em volta dele, que mesmo sem entender a demonstração gratuita de carinho, correspondeu o forte abraço.
– Eu tive um pesadelo, mamãe estava nele, você e... Voldemort. Foi algo horrível! – sussurrou ainda sem soltar o irmão. – Por Merlin Harry, como sou grata por você estar vivo. – Harry não pode deixar de se preocupar com a irmã, sabia que ambos estavam no cômodo quando a família foi atacada, ele foi atacado, sua irmã com certeza assistiu tudo, mesmo sem entender o que acontecia pela pouca idade, foi algo traumatizante de se ver, ele próprio sabia, pois todas as vezes que era atacado por Dementadores, era o grito de sua mãe que ouvia.
– Você está ok?
– Estou. – disse finalmente soltando o irmão. – Eu sei que não digo tanto quanto deveria, mas... você é minha família, meu sangue, eu amo você!
– Eu também amo você, irmã! – Harry disse sorrindo para ela, passando uma mão no cabelo de para arrumar alguns fios que se bagunçaram com o urgente abraço. – Seu cabelo é tão mais organizado que o meu, não entendo como isso é possível! Acha que o pesadelo foi uma lembrança?
– Acho que sim, eu costumava ter esse pesadelo quando era criança, sempre acordava gritando, meus pais ficavam preocupados, nunca entenderam, bom eu também não entendia. Agora eu sei.
– Eu também tenho pesadelos assim.... Só você mesma pra me entender. – Harry levantou a mão e eles deram um high five.
– Nós passamos por muita coisa juntos, irmãozinho. É como Fred e George dizem: É coisa de gêmeo. – disse tentando imitar os gêmeos Weasley.
– Não espere que comecemos a falar as coisas juntos. – Harry riu.
– Jamais! – disse fazendo careta ao imaginar aquela possibilidade.
– Bom dia pessoal! Hoje é o grande dia! As apostas na Grifinória estão bem altas, boa sorte! – Neville Longbottom disse aos Potter, animado, sendo seguido por Dino Thomas e Simas Finnigan.
– Grande jogo! – Simas exclamou. – Não nos decepcione capitão! – Ele apontou para Harry e riu.
– Sem pressão, não é mesmo. meninos? – Ela brincou.
– Não vou nem te desejar sorte, . – Simas pegou a garota no colo e a fez girar. – Você, Gina e Harry no mesmo time... só temos feras esse ano, A COPA JÁ É NOSSA. – A colocou de volta no chão.
– Não se esqueça do Rony! – A ruiva disse. – Onde ele está, por falar nisso?
– Ele ainda não saiu do quarto! – Neville falou. – Acho melhor você ir ajudar, Harry. – Harry assentiu. – Vamos tomar café da manhã, nos vemos mais tarde, nos acompanha?
– Vou esperar a Hermione, ela ainda não saiu do quarto. Guardem nossos lugares!
– Pode deixar! – Neville e Simas disseram juntos, saindo pela porta da sala comunal. Dino se sentando em uma poltrona, provavelmente esperando por Gina, que também não tinha aparecido ainda.
– Harry?! – chamou quando o garoto já estava subindo as escadas para os quartos. Quando ele a olhou ela prosseguiu. – Ele está muito mal?
– Eu acho que tenho um plano, espero que funcione. – Harry piscou maroto para a irmã.
– Pode começar a contar!

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O jogo foi um sucesso, para os alunos da Grifinória, é claro, e para infelicidade dos alunos da Sonserina, o desempenho de Rony no jogo foi incrível, ele ficara muito mais confiante depois de supor que Harry tinha colocado um pouco da poção “Felix Felicis” em seu suco matinal, de acordo com foi um ótimo plano.
Gina e conseguiram marcar uns bons pontos, estavam até preocupadas com o substituto de Cátia Bell, mas não foi um problema, o garoto até que ajudou muito em algumas jogadas, faltaram alguns jogadores da Sonserina, o que colaborou com a vitória também, além de claro, Rony ter feito todas as defesas com maestria. não pôde deixar de notar a ausência de Malfoy, tanto no campo jogando, como na arquibancada. Por mais que tentasse, não conseguia parar de se importar, em suas cartas, era nítido o quanto ele amava o esporte, um sentimento de impotência a invadia, junto com o sentimento de orgulho, Draco tinha dito para a garota ficar longe dele, ela não iria tentar novamente, se não poderia ajudar, com certeza era melhor se afastar.
A comemoração na sala comunal da Grifinória estava a todo vapor, os sonoros “Weasley é nosso rei!” ecoando por toda a torre, todos muito felizes, comemorando e dançando, foi para seu quarto trocar suas vestes do time de quadribol por roupas mais confortáveis (menos suadas) e comuns. Ao voltar, tanto Harry como Rony e Hermione não estavam mais na sala comunal.
– Gina? – perguntou a garota, meio sem graça por ter atrapalhado os amassos da mesma com Dino. – Você viu Harry, Rony ou Hermione?
– Harry e Hermione eu não sei , mas o Rony saiu agora pouco com a Lilá. – Gina explicou e e olhou confusa.
– Como assim? Com a Lilá?
– Em que mundo você estava ? Você não viu o beijão que meu irmão e a Lilá protagonizaram aqui agora a pouco? – A garota Weasley contou e a ideia de Rony com Lilá quase embrulhou o estomago de , não tinha absolutamente nada a ver.
– Eu estava me trocando, me conta isso direito, por favor.
Logo depois que Gina contou todo o ocorrido a pouco só conseguia pensar em uma coisa: precisava encontrar Hermione. Depois talvez ela poderia socar o Rony. Não foi preciso procurar, Harry e Hermione logo entrando pela porta da sala comunal, pode perceber os olhos vermelhos da amiga, ela havia chorado, Harry fez um sinal para a irmã com a cabeça que entendeu rapidamente o pedido, se aproximando dos dois.
– Mione, está uma barulheira danada por aqui. O que você acha de irmos para o dormitório? Aqui não dá para conversar. – disse e Hermione assentiu em resposta, as garotas tinham uma longa conversa pela frente.

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Era sábado à tarde, estava aproveitando seu horário livre para se sentar as margens do lago negro congelado, de vez em quando gostava de ficar sozinha, para pensar, escorada em uma arvore, hora ou outra jogava uma pedra no lago, se não estivesse puro gelo poderia fazê-las quicar antes de afundar, tinha aprendido maneiras de jogar as pedras corretamente com seu pai quando acampavam quando era pequena, mas se contentava com o barulho delas batendo e as vezes quebrando o gelo.
As baixas temperaturas do inverno fazendo questão de se fazer presentes, o vento gelado batendo em seu rosto, fazendo seus cabelos longos voarem a faziam sentir um pouco de saudade de casa, do calor do Brasil, nunca foi muito apreciadora do frio, foi uma das coisas mais difíceis em sua adaptação no Reino Unido. Fechou um pouco mais seu casaco, realmente estava fazendo muito frio naquele dia, ouviu uma movimentação e, quando olhou para o lado, avistou o garoto de cabelos loiros também ao vento, a encarando. Ela se virou para a frente novamente, fazendo força para encarar o lago, não conseguiu, então fechou os olhos, a imagem do garoto gravada em sua mente, por que é que ele tinha que ser tão bonito? Ela, suspirou, de repente começou a se sentir sufocada, seu coração cheio de vontade de ao menos encará-lo, correr em sua direção e abraça-lo, sua mente gritando para que saísse dali, pois a única coisa que poderia ganhar seria sofrimento. E foi o que ela fez.
Abriu os olhos e se levantou, caminhando de volta ao castelo, ainda não estava longe quando ouviu um “eu sinto muito” vindo da voz que ela conhecia muito bem, vivia sonhando com ela. parou, mas não se virou, se questionando se tinha realmente ouvido algo ou fora apenas fruto de sua imaginação.
– Não vou repetir, . Eu sei que você me ouviu. – Ele esperou que ela se virasse em resposta, mas como não o fez, continuou. – Sabe, eu estava preparado, imaginei que você iria me odiar, brigar comigo, gritar comigo, até mesmo me bater, eu conseguiria conviver com isso, mas isso, eu não consigo suportar, não posso viver com você fingindo que eu não existo.
A garota se virou e o encarou, Draco não sabia dizer se ela iria gritar algum xingamento para ele ou socá-lo, ele sorriu, era a primeira vez em muito tempo que ele podia olhar em seus olhos e ter o olhar dela em resposta. Ela pensou em não responder, virar as costas e sair, mas precisava deixar algumas coisas bem claras.
– Inacreditável! – o olhava incrédula, balançando a cabeça de um lado para o outro em negação.
– O que? – Ele deu passos à frente, chegando perto da garota, sua mão indo em direção ao seu rosto, mas ela segurou seu braço bem acima da marca negra recém colocada ali, ela não sabia disso, Draco deixou escapar um gemido de dor e a garota rapidamente soltou seu braço, se questionando sobre a quantidade de força que tinha aplicado ali, não era sua intenção machucá-lo, mas ela não pediria desculpas, ele não deveria ter tido a audácia de tentar tocar seu rosto.
– Você! Você é inacreditável! Eu não sou um mero brinquedo, Malfoy, que você brinca quando tem vontade e depois joga fora quando não quer mais. Talvez você não tenha percebido, mas eu tenho sentimentos. Sentimentos esses que não suportam essas suas mudanças repentinas de humor. Não mais. Você não pode viver com alguém fingindo que você não existe? Experimente enviar cartas para alguém durante dois meses como uma idiota sem receber uma mísera resposta.
– Eu nunca quis magoar você. Você precisa acreditar nisso. – A afirmativa soou mais como um pedido, uma súplica. Desculpas.
– Só estou fazendo o que VOCÊ disse que era melhor a fazer, esse lance de ficar me provocando ou aos meus amigos com a sua gangue? É ridículo!
– É a única forma de falar com você. – Ele tentava olhá-la nos olhos, mas ela sempre desviava. – Eu... eu preciso saber, eu vi você quase beijando um gêmeo Weasley em Hogsmead, vocês estão.... namorando? – Ele fechou os olhos, estava apavorado com a resposta que iria ouvir, aquela cena não saíra de sua mente desde que a vira, nunca tinha sentido inveja de um Weasley antes, mas aquele gêmeo (ele não sabia dizer qual era) naquele momento estava segurando seu mundo inteiro e Draco nunca quis tanto socar alguém como naquele dia.
– Engraçado, está com ciúme, Malfoy? Sinto lhe informar, isso realmente não é da sua conta. – poderia muito bem ter negado, mas gostou da ideia de Draco pensar que ela estava seguindo em frente, tomar um pouco do próprio veneno (se é que aquilo realmente o incomodava), já que ele parecia muito determinado a ser o maior pegador de Hogwarts e viver agarrando garotas diferentes pelos corredores.
– Não estou mais namorando a Pansy.
– Eu não perguntei, mas... que pena! Não é o que aparenta, você faz questão de praticamente engolir a garota pelos corredores. – disse em tom sarcástico. – Fiquem à vontade para continuar as provocações se quiserem, mas não esperem algo em resposta, eu CANSEI! Como foi mesmo que você chamou? – Ela fingiu pensar apontando para ela e para ele em seguida – Ah! Jogo! Você mesmo disse que tinha acabado, era importante pra mim, sabia? Mas você deixou bem claro que não é recíproco. E eu não quero jogar. Eu mereço muito mais que isso.
– Finalmente concordamos em algo, você realmente merece muito mais. – Ele disse e ela suspirou.
– Acho melhor você não tentar mais falar comigo, não que eu me importe, mas acredito que não fará bem a sua tão “respeitada” reputação, ser visto com uma Grifinória, você claramente se importa com isso. Fez suas escolhas, Draco, conviva com elas. – soltou um riso fraco, balançou a cabeça novamente.
– Eu queria ser bom para você, mas eu não sou. Eu queria poder explicar, por Merlin, como eu queria, mas você só me odiaria mais. – revirou os olhos, novamente ele estava querendo decidir algo por ela, a única que saberia quem era bom ou não para si era ela mesma. – Parabéns pelo jogo, todos estão dizendo que você foi brilhante.
– Você não tem como saber, não é mesmo? Não estava lá para ver...
– Então você sentiu minha falta? – Draco perguntou, um sorriso convencido brotando em seu rosto. A ruiva olhou uma última vez para o loiro, suspirou novamente, tinha muito a falar, mas não valeria a pena. Se virou e voltou a andar em direção ao castelo.
– Você vai continuar me ignorando? Fingindo que eu não existo? – O garoto perguntou esperava um “sim” ou “não” vindo da garota, mas o silencio serviu como uma resposta ainda mais certeira. – Que droga, . – Draco sussurrou vendo a garota se distanciar cada vez mais até desaparecer a sua frente. Estava estático, não conseguia se mover. – Eu sinto sua falta.

Capítulo 6 - O pedido de Snape

A situação entre o quarteto da Grifinória nunca esteve tão complicada. Hermione contara a sobre a briga feia que teve com Rony no dia do jogo de quadribol, o ruivo agora estava namorando com Lilá Brown, o que resultou em uma Hermione bem chorosa sendo aconselhada pelos Potter e, desde então, Rony e Hermione não se falaram mais, Harry e se revezavam, em alguns momentos o garoto ficava com Rony e a irmã com Hermione, depois trocavam, e assim iam seguindo.
– Eu nunca prometi nada para Hermione. – Rony resmungou para , era seu “turno” com o amigo, estavam saindo do grande salão depois do jantar, talvez Harry estivesse na biblioteca com Hermione naquele momento. – Quero dizer, eu poderia ir com ela para a festa de Natal de Slughorn, mas ela nunca disse nada. Somos apenas amigos. O que significa que sou uma pessoa livre... não sou?
– É claro que é! – disse. – Bom... depende, você tem um compromisso com a Brown, não é?
– Tenho... é claro, e estou muito feliz com isso!
– Que bom! Agora só falta você e a Hermione voltarem a se falar.
– Volto a falar com ela quando vier me pedir desculpas por ter me atacado.
– Não foi bem um ataque Rony, foram alguns passarinhos.
– Você diz isso porque não viu, eu poderia ter me machucado seriamente. – Disse dramático.
– Claro... como quando Almofadinhas te arrastou pela perna e você ficou gritando por aí que iam ter que amputar.
– Aquela foi por pouco! Mais algumas mordidas e o Sirius teria me aleijado.
– Ah, com certeza viu. – revirou os olhos e riu. – Mas me conte... o que tem de tão especial na Lilá?
– Ela é... quente! – As bochechas de Rony começaram a corar.
– Ok! Não preciso saber disso, me arrependi de perguntar. – fechou os olhos a abanou as mãos tentando afastar as imagens que estavam lhe surgindo na mente. O ruivo gargalhou alto.
– Poderiam ser você e George, mas você não colabora... Fica colocando meu irmão na friendzone. – Rony comentou, no mesmo momento, bem à frente da dupla, Draco Malfoy passava pelo outro lado do corredor, uma oportunidade se iluminou na mente de .
– George é um sonho! – Ela disse em alto e bom tom, claramente em uma intenção infantil de que o loiro ouvisse, não pode deixar de sorrir vitoriosa ao ver que Draco a encarou brevemente. Ele tinha ouvido, e sorriu vitoriosa. Rony por sua vez a olhou com a sobrancelha erguida. – Mas... eu não posso mandar no meu coração, ele é meu amigo, não consigo vê-lo de outra forma.
– E quem é que você vê dessa forma, ? Ninguém aqui parece ser bom o bastante pra você, que Harry não me ouça, mas a maioria dos caras da escola são a fim de você e você não está nem ai!
– Você é quem pensa! – A ruiva piscou para o amigo, que a olhou boquiaberto.
– A irmã do meu melhor amigo come quieto? Vou ter que dizer isso a ele.
– A irmã do seu melhor amigo é sua melhor amiga, babaca, e isso não diz respeito a ele, de qualquer maneira. – Ela bagunçou os cabelos do amigo.
– Ei! Não é não, Hermione é minha melhor... – Ele parou a fala no meio do caminho se lembrando da atual situação.
– O que você estava dizendo Rony? – Quem gargalhava era agora.
– Você é uma chata! – Rony disse rindo também.
– O que tem tanta graça, Won-won? – Foram surpreendidos por Lilá Brown pulando nas costas de Rony. Lilá encarava , que podia jurar que a garota estava com raiva.
– Estávamos relembrando alguns momentos engraçados do passado. – A ruiva desconversou. – Peça para o Rony te contar. – A Potter parou no meio do caminho. – Vou me juntar a Harry e Hermione, devem estar na biblioteca. – Ela disse para Rony e se virou para a garota loira. – Não precisa me olhar assim, Brown, ele é todo seu. Até mais. – Saiu andando.
Won-won... com certeza iria usar esse apelidinho fofo contra Rony em um momento oportuno. Seguiu pelos corredores rumando para a biblioteca, encontrando Harry e Hermione de saída do local.
– Ela vai te proibir de ir à biblioteca se você não tiver cuidado. Por que você tinha que trazer aquele livro estúpido?
– Não é minha culpa que ela está latindo furiosa, Hermione. Ou você pensa que ela não escutou que estávamos zoando o Filch? Eu sempre achei que havia algo entre eles... – Harry sugeriu e Hermione riu.
– De quem é que vocês estão falando mal? – disse se fazendo ser notada pela dupla.
– Madame Pince. – Hermione respondeu ainda rindo. – Praticamente expulsou Harry da biblioteca quando viu o estado de seu livro de poções. – Eles voltaram a andar pelos corredores.
– Madame Pince tem um caso com o Filch? – fez uma careta. Aproveitaram a caminhada ao longo dos corredores desertos, iluminados pelos abajures rumo a sala comunal, discutindo se Filch e Senhora Pince poderiam estar secretamente apaixonados.
– Com quem você vai à festa do Slug, ? – Harry mudou o assunto. A irmã arregalou os olhos.
– Eu realmente tinha me esquecido desse detalhe! Preciso resolver isso. Com quem você vai? A Hermione eu já sei.
– Eu estava pensando em convidar a Luna, como amigos mesmo, mas podemos ir juntos também.
– Nós vamos estar lá juntos de qualquer maneira, irmão. Vamos dar chance para mais gente curtir a festa. – disse e finalmente chegaram à porta da sala comunal.
- Bugigangas! – Disse Harry à Mulher Gorda, que respondeu abrindo a porta para os três.
– Oi, Harry! – Disse Romilda Vane, uma garota do quarto ano, correndo assim que ele apareceu pelo buraco de retrato. – Aceita um gelinho? – Hermione deu-lhe um olhar de aviso sobre os ombros. não entendeu o que acontecia.
– Não, obrigado. – Harry disse depressa. – Não gosto muito. – ficou ainda mais sem entender, ele gostava sim.
– Bem, leve estas de qualquer maneira. – Disse Romilda, enquanto empurrava uma caixa nas mãos do garoto. – Caldeirões de chocolate, têm sabores neles. Meus avós os enviaram a mim, mas eu não gosto.
- Oh, certo, muito obrigado. – Disse Harry que não pôde pensar em mais nada para dizer. – Eu preciso ir agora. – E voltou a acompanhar Hermione e .
– O que foi isso? – A ruiva quis saber.
– Hermione acha que Romilda e as amigas estão tentando me fazer tomar poções do amor. Não ajuda o fato de que não convidei ninguém para a festa de Natal ainda. – Harry explicou.
– Mas que vacas! – disse. – Me conta isso direito depois, Mione.
– Tá. – Hermione disse, mas de repente sua face ficou branca, ela avistou Rony e Lilá sentados na mesma poltrona. – Bem, boa noite a vocês. – Disse indo para o dormitório feminino sem dizer mais nada.
– Quando é que isso vai acabar? – Harry resmungou para a irmã.
– Logo, eu espero. – Ela respondeu, a mesma expressão de cansaço em sua face.
– Eu vou para o dormitório também, vai ficar ok por aqui? – Harry disse.
– Eu tenho algo para resolver, pode ir, daqui a pouco eu vou. – sorriu para o irmão, que correspondeu, depois virou as costas e se foi para o quarto.
caminhou apressadamente em direção a Simas Finnigan, que estava mais ao canto da sala comunal conversando com Neville Longbottom.
– Boa noite, meninos! – Os garotos a responderam no mesmo tom rapidamente.
– Simas, eu posso falar com você? – Ela perguntou apontando com a cabeça para conversarem à sós.
– Ok. – Ele se levantou e se afastaram um pouco de Neville. – Pode falar.
– Antes vou deixar claro que isso não tem intenção nenhuma de ser um “remember”, ok? Você gostaria de ir à festa de Natal do Slughorn comigo? Como amigos.
– Eu não recuso uma festa por nada! Com certeza. – O garoto exclamou. – Tem certeza que não pode rolar um “remember”? – revirou os olhos e o olhou.
– Não faça eu me arrepender de te convidar, Finnigan! Sabe que eu e você não damos certo, somos ótimos como amigos.
– Não custa tentar ué. Uns beijos sem compromisso não fazem mal a ninguém, sabe. – Ele riu e ela o acompanhou negando com a cabeça.
– Estamos combinados então, até lá. – se virou na direção dos dormitórios.
– Valeu, heim! Até! – Simas disse se voltando para a mesa onde estava sentado conversando com Neville.
Claro que na mente da garota um sentimento de frustração estava presente, ela queria ter convidado um certo garoto loiro da Sonserina, mas ele disse que não a queria por perto, então o que ela poderia fazer além de sentir falta de suas cartas? Adentrou o quarto e Hermione estava escondida embaixo das cobertas, não sabia se estava chorando ou dormindo e achou melhor não a incomodar. Olhou para a cabeceira de sua cama, a rosa ainda jazia ali, assim como a caixa vermelha cheia de cartas, ainda estava embaixo de sua cama, não tivera coragem de se livrar dos itens, ainda diziam tanto sobre si mesma, sobre um Draco Malfoy que ela queria saber onde estava, porque o garoto cabisbaixo e sem foco que andava pelos corredores do castelo não era o mesmo.
Naquela noite, foi para a cama se confortando que teria apenas mais um dia letivo para o semestre acabar e que depois a festa de Slughorn, ela e Harry seguiriam juntos para passar alguns dias no Brasil com sua família, depois seguiriam para a Toca.
– Mione? – chamou, mas não obteve resposta. – Bem, boa noite!
Parecia impossível que Rony e Hermione fizessem as pazes antes dos feriados, mas talvez, de alguma maneira, o afastamento lhes daria tempo para se tranquilizar e pensar melhor nos seus comportamentos... Quem sabe o mesmo não se aplicaria a ela e Draco?

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A professora Minerva também não estava facilitando, na verdade, nenhum professor estava para brincadeira naquele ano. Eles tinham entrado em um tópico extremamente difícil de transfiguração humana, trabalhando em frente a espelhos, onde tentavam mudar a cor das próprias sobrancelhas. andava calmamente pelos corredores, acabando de sair da aula de Transfiguração, tentando organizar a bagunça de pergaminhos e livros que carregava, de repente, os papéis de suas mãos começaram a voar, a garota bufou assim que avistou Pansy Parkinson empunhando a varinha, em companhia de Daphne Greengrass e Emilia Bulstrode que estavam rindo alto, “haja paciência” pensou, logo se abaixando para pegar os papeis, tentando controlar o impulso de lançar uma azaração em Parkinson. Ao se levantar teve o caminho bloqueado pelas três.
– Será que vocês podem sair da minha frente? Ou será que o intelecto das senhoritas não é capaz de entender o que eu falo? – tentava, mas era difícil não se irritar com aquelas garotas.
– Como está o seu irmão, Potter? Diga a ele para aproveitar o tempo que lhe resta, não vai demorar muito para que o Lorde das Trevas chegue até ele, mal posso esperar para ver isso. – Pansy disse, o sorriso triunfante no rosto ao notar a irritação na expressão da garota a sua frente.
– Retire o que disse, Parkinson! RETIRE AGORA! – A varinha de já estava em punho. A paciência acabou, não se importava muito se zombassem de si, mas NINGUÉM poderia falar algo assim de sua família, não aceitaria ameaças a Harry, fossem elas vindas de qualquer pessoa.
– Olha só! A Potter quer brigar. – Pansy disse apontando a varinha para a ruiva. – Ou deveria chamá-la de ? Combina mais com você, é mais... sangue-ruim.
– Me chame do que quiser, eu tô cagando para o que você e as idiotas das suas amigas falam de mim, mas não se atreva a falar do meu irmão!
– Você vai se arrepender por falar assim comigo, garota! – A morena praticamente gritou, ainda apontando a varinha para a ruiva. – Anteoculatia! – Mas Pansy não pegou de surpresa, ela esperava por isso.
– Protego! – bradou, a varinha em direção a morena.
O feitiço ricocheteou, chifres como de cervos começaram a crescer na cabeça de Pansy, que gritava de raiva enquanto suas amigas tentavam lhe ajudar. não conseguiu conter o riso.
– Não é como se você já não usasse esse acessório na cabeça, Parkinson, só ficou mais... visível. Já que estão tão ocupadas, eu vou indo meninas, aproveite os chifres Pansy!
Foi tudo muito rápido, assim que virou as costas para o outro lado do corredor, Daphne Greengrass para vingar a amiga, atingiu a ruiva com um feitiço estuporante, a garota Potter girou no ar, ao bater no chão percebeu que algo amortecera sua queda, o que ajudou, mas não a livrou de sentir algumas dores pela pancada, meio tonta, ao tentar se levantar, percebeu não caiu em algo e sim em alguém, o cheiro de perfume amadeirado tão familiar inundando suas narinas, ao abrir os olhos pode notar a gravata verde e prata, caíra perfeitamente em cima do peito de Draco Malfoy, rapidamente olhou para seu rosto, conferindo se o tinha ferido, encontrando apenas olhos azuis bem abertos, assustados e uma expressão não conhecida no rosto, talvez dor. Para foi como se tivesse novamente quatorze anos, a última vez que ficara tão próxima assim de Malfoy, nenhum dos dois soube dizer por quanto tempo ficaram se encarando ali, deitados no chão, acordaram do transe com uma garota de voz irritante e chifres de cervo gritando, aparentemente preocupada.
– DRAQUINHO! DRAQUINHO! ESSA IDIOTA MACHUCOU VOCÊ? – Pansy empurrou de cima do garoto, se desiquilibrando pelo novo peso na cabeça.
– Que merda é essa? – Ele perguntou, não sabia dizer se falava sobre a cabeça da morena ou sobre o recente “ataque” que sofrera, estava ocupada demais tentando se levantar, conferindo visualmente se tinha machucado o loiro, claramente não, visto que se levantou mais rápido que ela e nem se quer ofereceu-lhe ajuda. Típico.
– Eu posso saber que confusão é essa? – Bradou um Severo Snape com expressão nada amigável no rosto.
– Potter me atacou, professor! – Parkinson acusou apontando a cabeça. – Olha o que ela fez!
– Sua mentirosa! Eu apenas me protegi! Você tomou do seu próprio veneno, sua cobra! – retrucou.
– Chega! – Snape disse praticamente entrando no meio das duas. – Malfoy! – Ele chamou e se virou para o loiro. – Você parece estar de fora da situação, o que aconteceu?
– A Potter está dizendo a verdade. – Draco respondeu e tanto quanto Pansy não conseguiam acreditar no que ouviam. – Eu estava virando o corredor quando vi Pansy lançar o feitiço e ela se defender, Daphne a estuporou quando já tinha virado as costas, caiu em cima de mim.
– Eu machuquei você? – não conseguiu se controlar, precisava saber.
– Não fale com ele! – Pansy disse com sua voz esganiçada, mas Malfoy fez sinal de não com a cabeça.
– Certo! – Snape falou. – Parkinson vá para a enfermaria Madame Pomfrey vai dar um jeito.... – Ele fez cara de nojo. – Nisso. Potter, na minha sala, agora! – bufou, sabia que responder seria em vão, e aquilo era muito injusto.

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A sala de DCAT nunca foi tão escura, tinha vontade de sair abrindo todas as janelas do lugar para ver se o clima tenso passava, mas Snape continuava a encarando sem dizer nada, inexpressivo.
– Desculpe, professor. – Ela começou. – O senhor vai me aplicar alguma detenção ou não? – Ainda não estava entendendo o motivo do professor não ter tirado no mínimo 50 pontos da Grifinória.
– Não a chamei aqui para lhe aplicar uma detenção, senhorita. Está aqui para que eu possa parabenizá-la, os resultados dos seus últimos testes foram impressionantes. A melhor nota da turma. – Snape retirou um pergaminho de uma gaveta, entregando-lhe a prova com sua letra, gabaritada.
– Impossível. Melho0r que a Hermione? Não pode ser! – Ela recebeu apenas uma sobrancelha erguida de Snape em resposta. – Obrigada. – Na verdade, não sabia nem como agir.
– Não pude deixar de notar, que a senhorita tem estado mais focada ultimamente. Alguma razão em especial?
– Preciso passar nas NIEM’s, quero ser curandeira. Tenho me dedicado muito senhor.
– Ótimo! Realmente ótimo. – Deu uma pausa como se quisesse ter certeza do que iria dizer em seguida. – Tenho uma proposta a lhe fazer, quero que ajude o senhor Malfoy com os deveres, ele tem tido... dificuldades ultimamente. – Snape disse simplesmente, queria rir, aquilo parecia uma piada de muito mal gosto. Era sim, uma baita detenção. – Você receberá todos os devidos créditos estudantis de uma tutora, é claro.
– Acho que seria melhor ter perdido pontos da minha casa. – A garota riu, não sabia nem como agir diante daquilo.
– Ainda posso mudar de ideia. – Snape disse sem humor.
– Professor, eu acredito não ser a pessoa mais indicada para isso, Malfoy me odeia, não vejo possibilidade de isso dar certo. – não conseguia parar de pensar de onde o professor tirara aquela ideia, no mínimo, maluca. – Com certeza deve ter alguém mais qualificado para isso.
– Não foi o que eu vi hoje senhorita, o senhor Malfoy a defendeu, não é algo que faz o perfil dele, e como foi eu quem indicou, ele vai aceitar a sua ajuda, não terá escolha. Você é uma garota muito bondosa, , não consigo te ver recusando ajudar alguém. Escolhi você por acreditar que é a mais qualificada para a tarefa.
– Mas... é o Malfoy, senhor!
– Não se prenda às atitudes dele, vou lhe contar uma breve história: eu tinha uma amiga em minha época de escola, uma garota incrível, inteligente e corajosa, mas eu cometi um erro, um erro terrível, e ela nunca mais falou comigo, não tem um dia sequer que não me arrependa disso, eu não tive uma segunda chance... O que eu quero dizer é que: algumas pessoas merecem o benefício da dúvida, me entende? Dê ao menos uma chance, se junte a ele na biblioteca por algumas horas na semana, ajude-o com os deveres. – suspirou. Não sabia explicar, mas a história de Snape estava quase amolecendo seu coração.
– Eu sinto muito, professor, digo pela sua amiga. – A garota não sabia muito bem o que dizer.
– Eu também sinto, senhorita, todos os dias da minha vida. – O professor fechou os olhos.
– Não tem possibilidade de ter o perdão dela? – não sabia explicar, mas seu coração se entristeceu muito com o pequeno desabafo e conselho do professor, talvez realmente estivesse pegando pesado com Draco, talvez ele merecesse uma segunda chance, o sentimento de ajudá-lo ainda estava em seu coração, junto com a mágoa, mas estava. E não significava que precisavam ter o mesmo relacionamento de antes.
– Receio que não. Espero que guarde segredo quanto a isso, menina.
– Claro senhor, não vou dizer a ninguém. Não é uma história minha para contar. Supondo que eu aceite... estamos perto do Natal.
– Vai começar a ajudá-lo depois do feriado, é claro, não há o que fazer neste momento. Então posso contar com você? – Snape a olhava, enigmático. nunca conseguia definir bem se o professor estava zangado ou feliz. A garota fechou os olhos e suspirou novamente, tomando coragem.
– Tudo bem, eu aceito, mas por favor, diga ao Malfoy para se comportar e colaborar comigo, uma gracinha e não o ajudarei mais.

Capítulo 7 - Interesse

estava animada para a festa de Slughorn, ouvira dizer que até mesmo um vampiro estaria presente, o que aumentou consideravelmente a sua curiosidade, além de que, adorava festas, música e boas conversas. Finalmente ficou pronta, sua mãe lhe enviara um vestido especialmente para a ocasião, a garota deixou os cabelos soltos e escovados, fez uma maquiagem clara. Se olhou no espelho, gostou muito do que viu, se perguntou o que Draco pensaria se a visse com aquele vestido, logo balançou a cabeça, espantando os pensamentos, impossível, ele não iria a festa, não pertencia ao “Clube do Slugh”, muito menos alguém o teria convidado. Havia combinado com Simas de o encontrar na sala comunal para irem juntos a festa, que seria na sala do professor de Poções, Hermione já havia saído para encontrar Córmaco, a intenção da amiga de provocar Rony ao fazer isso aparentemente deu certo, visto que o ruivo empalideceu “inexplicavelmente” ao ouvir quem iria acompanha-la à festa no dia anterior.
– Desculpe a demora. Eu realmente perco um pouco da noção do tempo quando estou me arrumando. – disse assim que encontrou Simas a esperando sozinho na sala comunal. O garoto a olhou de cima a baixo.
– A espera valeu muito a pena. – Simas disse com um sorriso torto no rosto. – Você está lindíssima, . Vamos?
– Obrigada Simas! Você também está encantador! – Ela disse simpática ao rapaz que usava um traje de festa preto e vermelho. Eles começaram a caminhar lado a lado.
– Estou muito animado, ouvi dizer que Slugh convidou grandes nomes da magia para esta noite, não vou esquecer essa chance , eu realmente lhe agradeço.
– Imagina! A companhia é muito boa, eu não perderia a chance de chamar um amigo, quanto mais gente, melhor.
– Eu claramente concordo, acho legal isso sabia? Apesar do que rolou entre a gente, somos amigos.
– Nós somos pessoas muito maduras, podemos dizer. – A ruiva riu. – E... nos beijamos, foi bom, repetimos algumas vezes, começamos a discordar no quesito “volta de Voldemort”, não rolou mais, vida que segue.
– Eu fui um idiota no ano passado, você é incrível , uma das garotas mais legais e bonitas dessa escola. Espero não ter ferido seus sentimentos.
– Ambos sabemos que era mais uma colaboração mútua pra suprir carência! – Ela riu da cara de ofendido de Simas.
– Você me usou, eu me sinto ofendido. – Ele riu também. – Quando quiser me usar novo, me chama tá?! – O moreno piscou para a garota.
– Você está precisando se apaixonar de verdade, Simas.
– Posso aproveitar antes disso.
– Não vou discordar, mas não vai aproveitar comigo. – respondeu a piscadela.
A cada passo que davam, os sons de risada, música e conversação alta estavam aumentando cada vez mais. não sabia se tinha sido construído assim, ou talvez o professor tivesse usado algum artifício mágico para fazê-lo, mas o escritório de Slughorn parecia ser muito maior que os escritórios de professores habituais. O teto e paredes brilhavam com esmeraldas, rubis e ouro, se assemelhando a uma tenda, uma luz vermelha fixa a um abajur dourado fazia parte da decoração, ornado, brilhando no centro do teto no qual fadas de verdade voavam em volta, como pontos brilhantes de luz.
A música era alta, acompanhada pelo que pareciam bandolins soando em um canto distante, realmente havia muitas pessoas ali, alunos, alguns professores e grandes nomes do mundo bruxo. Vários duendes estavam servindo-os, do modo deles, por entre as pernas dos bruxos, quase não era possível vê-los embaixo das travessas prateadas pesadas de comida que eles estavam carregando, acima de suas cabeças, pareciam pequenas mesas andando de um lado para o outro entre as pessoas.
– Minha querida , seja muito bem-vinda! Gostaria de lhe apresentar a algumas pessoas, venha, seu irmão já chegou! – Slughorn estava usando um chapéu aveludado decorado com bolas para combinar com sua jaqueta. Pegou o braço da garota e a conduziu em meio aos inúmeros rostos presentes ali, a ruiva olhou para trás a procura de Simas e viu que o garoto estava muito bem distraído perto da mesa de doces. Pararam perto de Harry e Luna que conversavam com dois homens, um deles com aparência estranhamente pálida e olhar vazio.
, eu gostaria que você conhecesse Eldred Worple, um antigo aluno meu, o autor de “Os Irmãos consanguíneos: Minha Vida Entre os Vampiros” e, claro o amigo dele, Sanguini.
– Senhorita Potter é um grande prazer conhecê-la. – Worple disse beijando a mão da garota. – Estava agora mesmo dizendo ao seu irmão o quanto gostaria de ajudá-lo a escrever uma biografia, seria um prazer escrever isto. As pessoas almejam saber mais sobre Harry Potter. Se você estiver disposta a me conceder algumas entrevistas, contando a sua versão, digo por terem crescido separados, nós poderíamos ter um livro pronto dentro de meses.
– Uma biografia? – olhou segurando o riso para Harry. – Muito interessante!
– Eu definitivamente, não estou interessado - Disse Harry firmemente, fechando a cara. Ambos os irmãos não puderam deixar de notar o olhar faminto do vampiro Sanguini a um grupo de garotas do outro lado da sala, já se direcionando a elas.
– Sanguini, fique aqui! – Worple disse, duramente, para o vampiro. – Aqui, distraia-se com isto. – O homem disse, enquanto agarrava um duende que passava e o deu na mão de Sanguini antes de voltar a dar atenção para Harry. – Meu jovem, o ouro que poderíamos ganhar, você não tem ideia.
fechou a cara junto a Harry, achou as atitudes do homem à sua frente um tanto quanto rudes.
– Acabei de ver uma amiga, se me derem licença. – Harry disse educadamente, rapidamente pegando nas mãos de Luna e e as trazendo consigo, caminhando até Hermione que estava mais ao fundo.
! Harry! Oi Luna, ainda bem que encontrei vocês, acabei de deixar o Córmaco, debaixo do visco. – Hermione explicou. – Ele é muito grudento.
– Por que você o convidou então? – Harry perguntou severamente.
– Para provocar o Rony.
– Esse objetivo foi atingido. – falou. – Nem te conto Mione. – Ela olhou do irmão para a amiga. – Estão querendo fazer uma biografia do Harry.
– Estava demorando! – Harry cutucou a costela da irmã e revirou os olhos. – Você não tinha trazido o Simas? Onde ele está?
– A última vez que o vi estava comendo doces. – Deu uma olhada rápida pelo local e não encontrou o moreno, deu de ombros. Hermione tentando se esconder atrás dos amigos.
– Eu disse que seria melhor você convidar o Smith. – disse a amiga.
– Estou começando a considerar que talvez fosse melhor mesmo, McLaggen faz Grope parecer um cavalheiro. – Os quatro dirigiram-se para o outro lado do salão, quase atropelando duendes no caminho. A professora Trelawney os parou, aparentando estar consideravelmente bêbada reclamando por ter que dividir sua matéria com o centauro Firenze, quando finalmente conseguiram se desvencilhar da professora alterada, Harry se afastou um pouco e sussurrou para Hermione, conseguiu ouvir:
– Você planeja contar ao Rony que você interferiu nas provas de goleiro? – Harry perguntou e Hermione elevou as sobrancelhas.
– Você realmente acha que fiz isso Harry? – Harry olhou seriamente para ela. parou de prestar atenção na conversa dos dois, avistou McLaggen caminhando na direção deles, achou melhor avisar.
– Gente, ele vem vindo aí. – Foi muito rápido, Hermione saiu para o outro lado da sala, olhou para Harry e ele assentiu, entendo que ela iria seguir a amiga, aproveitando para pegar e comer alguns petiscos das bandejas no trajeto. A comida e bebida da festa realmente estavam uma delícia.
– Então você fez aquilo? Com o Córmaco, fez ele perder a bola nos testes? – perguntou quando já estavam distantes.
– O Rony queria tanto entrar no time, eu sei que foi errado, mas... eu só queria ajudar.
– Eu te entendo, Mione, sei das suas intenções, mas isso foi arriscado, o que aconteceu com “eu prefiro morrer a ser expulsa”? – sorriu para a amiga, colocando uma mão em seu ombro em sinal de apoio.
– Virei amiga de vocês. – Hermione disse rindo.
– Está dizendo que somos más influências? – fez cara de ofendida.
– Péssimas! – Ambas riram, juntas. –Você disse mais cedo que precisava me contar algo, o que era?
– O Snape me pediu para... – estava tomando coragem para contar aos amigos sobre a tarefa que Snape lhe passara, talvez contar a Hermione primeiro lhe traria mais coragem para contar a Harry e Rony, não conseguia imaginar qual seria a reação deles. – Para ser tutora do Draco, ajudá-lo com as matérias, as notas dele estão muito baixas.
– O que? Como assim? E você aceitou? – Hermione disse boquiaberta.
– Aceitei. Eu preciso... dos créditos.
– Ah eu sei quais são esses créditos. – Hermione riu e fez cara de ofendida. – E o que o Draco acha disso?
– Eu não sei, o Snape disse que ele concordaria... Não entendi por que eu, tem garotas mais inteligentes, como você.
– O Snape é cruel, não burro, acha que ele mandaria alguém com... meus pais?
– Isso não significa nada Mione, pare com isso.
– Para eles significa. Você sabe como é , acharam que você era nascida trouxa por três anos.
– Sei, mas você sempre deu mais importância pra isso do que eu. Eles são... – foi interrompida por uma aparente confusão se instalando: Draco Malfoy sendo arrastado pela orelha em direção ao centro da festa por Argo Filch. Uma corrente elétrica percorreu toda a espinha da ruiva.
– Professor Slughorn – Ofegou Filch. – Eu peguei este menino espreitando um corredor do andar superior. Ele diz ter sido convidado a sua festa e estar atrasado. Você realmente o convidou? – Malfoy se livrou das mãos de Filch, aparentemente furioso.
– Não, eu não fui convidado! – O loiro disse furiosamente. – Eu estava tentando entrar de penetra, satisfeito?
– Não, não estou! – Disse Filch, numa declaração de superioridade estampada em sua face. – Você está muito encrencado rapaz! As ordens mandam não rondar por aí, a menos que você tenha permissão, não é?
- Certo, Argo está certo. – Disse Slughorn. – É Natal, e não é um crime querer vir a uma festa. Então, nós esqueceremos qualquer castigo e você pode ficar, Draco.
A expressão de furiosa decepção do velho era perfeitamente visível, o homem saiu da sala resmungando a passos pesados. sabia que Malfoy não estava realmente querendo entrar na festa, no andar superior Filch tinha dito... ele estava rondando a sala precisa, aquilo estava começando realmente a incomodá-la, afinal, o que ele tanto fazia ali? No dia em que conversaram, ele parecia estar à procura de algo, mas o que? E por que ele sempre se dirigia a sala em horários um tanto suspeitos? se aproximou discretamente para ouvir e ver melhor o que procederia, do outro lado, Harry fazia o mesmo.
Malfoy forçou um sorriso no rosto e agradeceu a Slughorn por sua generosidade.
– Não é nada, nada. – Slughorn disse renunciando aos agradecimentos de Malfoy. – Eu conheci seu avô, afinal de contas...
– Ele sempre falou muito bem sobre você, senhor. – Malfoy disse depressa. – Dizia que você era o melhor para fazer poções que ele havia conhecido...
encarou Malfoy. Era absolutamente normal vê-lo puxando saco dos professores da Sonserina, o que a incomodava era sua aparência, cada vez pior, o olhar baixo, sem brilho, parecia doente, suas olheiras extremamente escuras, sua pele apresentava uma cor cinzenta. A preocupação imediatamente invadiu seu coração, mesmo que não quisesse, não conseguia parar de pensar nos motivos de todo aquele visível sofrimento do rapaz, e não poder fazer nada só piorava toda aquela sensação.
– Eu gostaria de ter uma palavra com você, Draco. – Snape disse de repente.
- Agora, Severo? – Slughorn disse soluçando novamente. – Por Merlin, não seja muito duro.
– Eu sou o Diretor da Casa dele e eu decidirei quão duro, ou caso contrário, gentil, devo ser. – Snape disse, ríspido. – Siga-me, Draco.
Eles partiram, Snape à frente com Malfoy o seguindo, de cara feia. Harry saiu da festa logo em seguida e estava decidida a segui-los, mas seus planos foram atrapalhados por um Simas Finnigan muito alegre.
– Hey , aquela ali é Guga Jones! A Guga Jones, capitã das Harpias de Holyhead! Esta festa está demais! E o vampiro! Você viu o vampiro? Eu o achei meio assustador, parece estar com fome, e bem, nós somos a comida, não?

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Demorou um pouquinho, mas conseguiu sair da festa depois de apresentar Worple e seu amigo vampiro a Simas, os corredores escuros dificultavam sua visão, retirou os sapatos de salto para que seus passos não ecoassem pelos corredores anunciando a sua chegada, ao virar um corredor deu de cara com Snape e Draco vindo de frente para si. tentou disfarçar, mas eles já a tinham visto, não tinha muito o que fazer.
– Veja só Malfoy, a festa não está tão interessante assim, os convidados já estão até mesmo indo embora. Boa noite senhorita Potter! – Snape disse cordial.
– Bo... boa noite senhor. – Ela disse tentando não parecer nervosa. – Achei melhor ir me deitar, grande viagem terei amanhã, até o Brasil.
– Certo, estava mesmo dando as boas notícias ao senhor Malfoy, espero que o tempo que passarão juntos seja produtivo.
– Você realmente concordou com isso, Potter? – Draco falou pela primeira vez se direcionando a garota.
– Me surpreende mais você ter concordado Malfoy, até onde eu sei, você não gosta muito de ajuda. E eu já especifiquei as minhas condições.
– Não é como se o professor Snape me desse a chance de recusar.
– É, parece que você realmente não tem tido muita escolha... não é o que você sempre diz? – Ela nem queria, mas alfinetar o garoto estava ficando praticamente automático.
– Você não faz a mínima ideia. – Draco disse, suspirou e olhou feio para Snape, que correspondeu o olhar apenas com uma sobrancelha erguida. A curiosidade incomodando , parecia que escondiam algo. O loiro bufou, se virou e saiu a passos pesados virando no primeiro corredor a sua frente.
– Peço desculpas pela falta de educação do meu aluno, tenha uma boa noite, Potter. – Snape disse cordial e se virou, seguindo na direção oposta a que Draco tinha ido.
– Boa noite, professor. – Ela respondeu, mas não tinha exatamente certeza se ele tinha ouvido, o que lhe restava era ir para a sua sala comunal, não tinha mais clima para voltar a festa, seguiu no mesmo caminho que Draco Malfoy fizera minutos atrás. Não imaginava que ao virar o corredor daria de cara com o loiro.
– Eu preciso saber: por quê? – Draco perguntou, mas ela não estava necessariamente prestando atenção no que ele dizia, levou a mão no peito e suspirou, ele lhe dera um baita susto.
– Ai que susto! – Ela sussurrou.
– Estamos quites então, pela noite na sala precisa, responda a minha pergunta.
– Duas coisas Malfoy: primeira, não ouvi o que você disse, estava ocupada demais tentando não deixar o meu coração sair pela boca, e... segunda, ainda não estou falando com falando com você!
– Difícil hein.... considerando que depois do feriado vamos ter que estudar juntos. É loucura, por que concordou com isso? As pessoas podem... descobrir sobre nós. – Draco perguntou a olhando nos olhos, naquele momento queria dizer a verdade, que aceitou porque era uma maneira de manter algum tipo de contato com ele, mas seu orgulho ainda estava muito ferido, por isso mentiu.
– Se é com isso que está preocupado fique tranquilo, não existe um “nós” – fez o sinal de aspas com as mãos – para que descubram, não existe nada. Aceitei unicamente porque a proposta de Snape foi muito boa, vou ganhar créditos por isso, eu preciso muito sabe, para depois que me formar, a carreira em que pretendo entrar não é muito fácil... não quer dizer que precisamos ser amigos. É uma relação estritamente profissional: eu ensino, você aprende, eu ganho créditos e você não bomba nos NIEMs! Todo mundo sai ganhando! Você deveria me agradecer.
– Então é apenas por interesse? – Draco se aproximou da garota, esperava que ela recuasse, mas ela não o fez, apenas o lançou um olhar firme, talvez fosse um aviso de que fosse melhor não se aproximar. – O que o seu namoradinho Weasley acha disso? Ele sabe que você levou o Finnigan para a festa hoje?
– Puro interesse... no meu futuro! E eu já disse que esse assunto não é da sua conta, ninguém tem que achar nada. – Ela disse rabugenta.
– Acho que ele não vai gostar de saber que você vai passar tanto tempo com alguém tão... interessante, quanto eu. – Ele deu um sorriso torto.
– Eu tinha me esquecido do quão convencido você é! Ou essa cena toda seria ciúme, de novo... Malfoy?
– Talvez sim, talvez não... você gostaria de descobrir? – Draco disse e a ruiva revirou os olhos, se virou e ia andando quando ele segurou em sua mão. – Espera... Não precisa me tratar como um estranho, sabe que não somos. – Aquelas palavras a desarmaram, se virou para olhá-lo novamente e naquele momento ela viu o verdadeiro Draco, o garoto com quem teve seu primeiro beijo, com quem trocou cartas por dois anos, aquele a quem contou seus segredos e guardava os dele.
– Já que estamos procurando respostas, me diga: por que me defendeu naquele dia? Por que disse ao Snape que a Parkinson me atacou?
– Porque é a verdade.
– Você nunca pareceu se importar com isso, sinceramente. – A ruiva disse o olhando nos olhos.
– Eu mudei, muito. – Ele correspondeu o olhar.
– Não tem como eu saber disso, você não me quer por perto, se lembra? – disse, se esforçando para que sua voz não parecesse embargada pela quantidade de mágoa que aquelas palavras traziam. Draco por sua vez continuou a se aproximar, a garota foi dando passos para trás até bater as costas na parede, o olhou nos olhos, o loiro escorou suas mãos na parede ao redor de , estavam tão próximos que podiam sentir o hálito um do outro, as respirações ofegantes.
– Perto assim? – O garoto perguntou, não conseguia raciocinar direito, o coração batendo rapidamente. – E você, ? Quer que eu me afaste agora? – Ela apenas balançou a cabeça em sinal de negação. Esse foi o sinal que o garoto precisava para seguir em frente. Uma mão subiu até encontrar uma mecha de cabelo solta no rosto da ruiva e colocou atrás de sua orelha, estavam muito expostos, a qualquer momento poderiam ser vistos, mas naquele momento, Draco não se importava, sua vida estava uma bagunça, uma onda de sofrimentos, ameaças e medo, ele precisava de alguma coisa, alguém, que enchesse seu coração de alegria novamente, e sabia bem que a garota a sua frente era a única capaz de tal feito.
Aproximaram seus rostos, ele encostou os lábios nos dela delicadamente, ela imediatamente fechou os olhos, a mão livre de Draco foi parar em sua cintura, o beijo começou devagar, suas línguas como velhas amigas se reencontrando. Aos poucos, foi se aprofundando, ambos com um misto de sentimentos, saudade, paixão, desejo, urgência.
Os pés descalços da garota faziam o rapaz ficar consideravelmente mais alto que ela, o que fazia com que a nuca do rapaz precisasse se inclinar levemente para chegar até seus lábios. O loiro apertou sua cintura com mais empenho, dessa vez com as duas mãos, apertando o corpo contra o dela, a prensando levemente na parede fria, a ruiva direcionou uma mão aos cabelos loiros dele, vez ou outra os puxando devagar, a outra fazia leves carinhos em sua nuca, o arrepiando. Aquele vestido dela não estava o ajudando a raciocinar direito, nenhum dos dois estava raciocinando direito naquele momento, apesar da parede fria em que estavam encostados, tudo estava quente. Seus corpos tão colados que poderiam ser um só. As mãos da garota desceram da nuca do rapaz até encontrar seu peito, o empurrando, sem uso de muita força, para trás, descolando seus lábios. Ambos respirando fundo e apenas se olhando, para recuperar o folego.
Como quem acorda de um sonho, processara o que acabara de acontecer ali, seu desejo era pular nos braços do garoto novamente e ficar ali a noite inteira, mas não era assim que deveria ser, não, porque o garoto a sua frente era Draco Malfoy, nada relacionado a esse nome poderia ser simplesmente fácil, ela voltou a olhá-lo, séria.
– Bom, nos vemos depois do feriado, peço ao Snape para lhe comunicar meus horários livres. – Soltou-se dele, virou as costas e começou a andar. Estava confusa, precisa pensar, e naquele ambiente, perto daquele garoto em especial, ela não conseguiria.
– Ou você pode me mandar uma carta me informando seus horários. – Ele disse um pouco mais alto para que ela pudesse ouvir com a distância, passando os dedos nos lábios mais para provar que aquele beijo não tinha sido mais um de seus sonhos.
– Escrever para você? Espere sentado. – Ela gritou de volta, sem se virar para olhá-lo.
– Eu não ligo. – Draco disse, o tom mimado exalando em sua voz. – Pois eu vou te escrever no feriado, aguarde, Lady vai bater em sua janela. – Draco disse, ela revirou os olhos e não se virou novamente para olhá-lo.

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sempre achou a viagem no Expresso de Hogwarts muito divertida, podia estar com os amigos e apreciar as lindas paisagens, os mais próximos a conheciam bem e sempre deixavam o lugar mais perto da janela reservado para ela. Estava na cabine com Rony e Harry, tinha recém chegado, encontrou-se com Hermione e Gina anteriormente, já que estava praticamente impossível que Rony e Hermione dividissem o mesmo espaço. Ouvira, há pouco, o irmão contar que estava ainda mais convicto de suas suspeitas a respeito de Draco Malfoy, ouvira uma conversa muito suspeita do rapaz com Snape na noite anterior, Snape tinha feito um voto perpetuo, voto esse que quem quebrasse morreria, o que isso queria dizer? Draco Malfoy, aquele nome a tinha custado o sono na noite anterior, a lembrança do beijo como um loop em sua cabeça, claro, foi um lapso, se deixou levar pelo momento, pela saudade, e não deixaria que acontecesse novamente, não queria se envolver, não mais do que já estava envolvida, mas os olhos azuis acinzentados do loiro não saiam de sua mente, repetindo várias perguntas, as principais “porque tudo tinha que ser tão complicado quando se tratava de Draco?” ou “o que significava aquele beijo?”. E que beijo! Muito melhor que seu primeiro, a garota emburrou a cara ao pensar que se devia pela “experiência” adquirida pelo rapaz.
– O que você tem, ? Tá fazendo uma cara estranha. – Harry perguntou e foi a deixa que ela precisava para contar tudo o que precisava, ou, quase tudo.
– Tá legal, não surtem, ok? – suspirou tomando coragem pela milésima vez.
– Toda vez que diz isso você joga uma bomba na gente. – Rony disse de boca cheia, ele e Harry estavam devorando doces do trem.
– Certo, não deixa de ser... – Ela suspirou. – Quando eu briguei com a Parkinson no corredor....
– Preciso dizer que você arrasou! – Rony a interrompeu. – Aqueles chifres ficaram hilários! Assunto da semana...
– Não foi bem intencional da minha parte, mas... O Snape não me deu uma detenção, na verdade, ele me fez um pedido.
– Pedido? Que pedido? – Harry perguntou.
– Lá vai: ele me pediu para fazer tutoria com Draco Malfoy, já que as notas dele estão muito baixas. E eu aceitei. Eu preciso dos créditos extras...– As reações foras diversas, Rony arregalou os olhos, chocado. Harry a princípio estreitou os olhos, mas depois sua expressão se suavizou.
– Você ficou maluca? Vai ajudar aquele bosta? Aquele cara não merece nada.... nunca nos deixou em paz! – Rony disse alto. fitou o irmão, esperando que dissesse algo.
– Na verdade, isso vai ser bem útil. – Harry disse e quem fez cara de desentendida foi . Então ele continuou: – Você vai poder espionar de perto, saberemos o que ele está tramando.
– Você não só nem ficou bravo com isso, como gostou e quer que eu espione o Malfoy? – disse boquiaberta. – Harry Potter você está se ouvindo? Você está obcecado maninho.
– Você vai ver que tenho razão. Você não ouviu o que eu ouvi ontem, ele estava se gabando por ter sido escolhido para algo. Acho que Voldemort lhe deu uma missão. E você não acha estranho o fato de Snape ter te pedido para ajudar? Os dois são farinha do mesmo saco, e agora poderemos saber de tudo mais de perto. – Ele disse e revirou os olhos. – E eu não preciso me preocupar com isso, você sabe se cuidar sozinha, eu tenho pena do Malfoy caso ele faça alguma gracinha.
– Isso é verdade, jamais vou me esquecer da surra que você e Hermione deram nele no terceiro ano. – Rony comentou, depois olhou para a porta da cabine, parecia aterrorizado, quando seguiu o olhar do amigo viu Lilá Brown escrevendo coraçõezinhos para Rony no vidro embraçado, saindo logo depois de dizer que sentia saudade.
– Que lindo! – Harry disse rindo.
– O que meu irmão quis dizer foi: eca! – completou rindo também.
– Que inferno! – Rony resmungou. – Ela é sufocante...
– Você está com problemas, Won-won. – disse sorrindo brincalhona para o amigo. – Devemos falar sobre isso?

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A estação Kings Cross estava belíssima como sempre, achava que os tijolos à vista davam um toque especial na paisagem, que só melhorava quando estava cheia de pessoas queridas, os primeiros a serem notados pela ruiva e seus amigos foram os Weasley, sempre alegres e carinhosos, questionaram quando e Harry se juntariam a eles, os Potter iriam passar alguns dias no Brasil na casa da família adotiva de , Hermione já se dirigia a seus pais, sentiria falta da amiga na Toca , a briga dela com Rony já estava passando dos limites, mas quem teria coragem de interferir? Olhando ao redor pôde ver Draco mais a frente, acompanhado de uma belíssima mulher loira de expressão presunçosa, sua mãe, Narcisa Malfoy, não pode deixar de notar o carinho com que acolhia o filho, realmente, em suas cartas o rapaz sempre disse que sua mãe era doce, a descrevia como sua ancora, naquele momento invejou a mulher, não por aparência ou riqueza, mas por poder estar com ele, cuidar de Draco, protegê-lo, por mais que não quisesse admitir, aquele era o maior desejo de seu coração.
Outra coisa incomodara : a ausência de seus pais no espaço, será que tinham se atrasado? Seus pensamentos se esvaíram de sua mente assim que viu Remo Lupin de braços abertos a sua frente, não pensou duas vezes e correu na direção do mesmo.
– Padrinho! Achei que só o veria na Toca! – Ela disse sem o soltar do abraço.
– Surpresa! – Ele disse para a garota. – Seus pais estão um pouquinho mais ocupados que o normal e me pediram para levar você e o Harry para o Brasil, eu estou com tempo livre por esses dias e as companhias ofertadas são as melhores, não pude recusar! – Remo disse e estava quase dando pulos de alegria. – Claro, vamos ter que tomar algumas medidas de segurança, feitiços de desilusão por exemplo, mas passaremos um bom tempo juntos.
– Isso significa que vamos viajar de vassoura? – Disse animada. – Meus pais sempre me buscam de avião, nada contra, mas.... Vassouras são muito mais legais. – Ela piscou para o padrinho. – Ouviu isso, Harry? – Ela gritou o irmão que estava conversando com o senhor Weasley. – Nós vamos para casa com o Remo. – Harry sorriu e caminhou na direção deles.
– Achei que seus pais viriam nos buscar! – Ele disse para já se prontificando a abraçar Lupin.
– Eu também achei, mas agora acredito que eles não usam corujas apenas para falar comigo. – Ela deu de ombros. – Você vai pelo menos jantar conosco, não vai? Nós temos muitos assuntos pendentes, e mamãe e papai ainda não puderam te agradecer devidamente por ter me deixado na porta deles.
– Eu é que serei eternamente grato a eles por terem criado tão bem a minha garotinha. – Ele disse abraçando a garota de um lado e Harry do outro. – Não posso dizer o mesmo aos Dursley, esses merecem um soco... Na verdade uma verdadeira surra.



Continua...



Nota da autora: Oi pessoas! Tudo bem com vocês? Espero de coração que vocês estejam gostando. Continuem comentando pra me deixar muito feliz hahaha eu fiz um grupo no face para podermos interagir mais, participem lá.
Beijinhos da Mandy <3




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