Última atualização: 15/06/2019
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Capítulo 1

25 de abril de 2018 – Melbourne, Live On Tour

22 shows feitos, 37 até o final da turnê.
Eu havia acabado de sair do palco, ainda suado, tudo que eu queria nesse momento era arrancar esse terno florido e me jogar dentro de uma banheira até que meu corpo relaxasse completamente. Saí andando e cumprimentando a todos no backstage. Quando o show acaba, existem duas opções, ficar no camarim por um tempo e depois ir dar atenção para alguns fãs ou sair correndo direto para o ônibus, antes que alguém saísse do local do show. Hoje eu iria direto para o ônibus, nem mesmo meu celular eu busquei no camarim. Eu precisava de um banho, de banheira, com bolhas de preferência.
O meu hotel ficava bem próximo ao local do show, eu teria apenas a manhã do dia seguinte para descansar antes de pegar o avião para Sydney, onde faria o show do dia 27. Cheguei no meu quarto e todas as minhas coisas já estavam lá. O pessoal deve ter percebido o quanto eu estava cansado no palco e deduziu que eu viria direto para cá. Notei meu celular piscando em cima da cama. Eu tinha quatro mensagens novas. Tirei quase toda minha roupa e comecei a responder.

“Oi querido, adorei o look que hoje, quando tiver um tempo me liga.’’ – Minha mãe estava sempre ligada nos meus shows, mesmo com fusos malucos.

“Oi mãe, obrigado, hoje foi a primeira noite sem usar Gucci, estou destruído, o show foi incrível, te ligo quando for de mais tarde aí! Te amo, x.’’

“Terno amarelo e flores na cabeça, vivendo o sonho hein, maninho? Seu idiota. Haha.’’

“Eu sou incrível irmãzinha, te amo também, quando você vem me ver? Saudades, x.’’


Minha irmã sempre fazia comentários brincando com minhas novas roupas durante a turnê. Já fazia pelo menos três meses que eu não via a cara daquela besta pessoalmente, estava ficando com muitas saudades de casa. Já fazia alguns anos que eu não morava mais em casa. Mas eu nunca tinha ficado tanto tempo sem ver minha irmã, ela vira e mexe aparece de surpresa e me ajuda a superar um pouco da saudade. Com minha mãe era mais difícil, em geral eu só conseguia vê-la a cada três ou quatro meses.
A terceira mensagem era da fotógrafa da turnê, me enviando algumas fotos do show de hoje. A última mensagem me pegou de surpresa. Realmente de surpresa.

“Quanto tempo, hein? Encontrei com sua irmã ontem por acaso. Ela me passou seu número e suplicou que eu mandasse uma mensagem para você, é sério. Espero que você não se importe. Ah, é a .”

Fazia oito anos que eu não via . Oito anos. Meu coração apertou, como eu pude ficar oito anos sem ver a ? A última vez que falei com ela, foi uma semana antes da minha audição no X Factor. Me lembro de ter visto ela quando voltei para visitar meus pais e minha irmã antes de sair em turnê, mas não conversamos. E foi isso, sumi pelo mundo e nunca mais falei com ela. e Gemma eram melhores amigas desde que eu consigo me lembrar. Eu sempre tive uma queda enorme por ela, e nunca havia sido correspondido, até a semana anterior à minha audição.

{Flashback}

- Como é que eu posso sentir isso por você, Harry? Você é o nosso bebê! Sua irmã vai me matar. – fazia cara de choro.
Eu estava calado, mas um sorriso bobo se mantinha firme e forte. Ela gostava de mim. Na minha cabeça, eu dava pulinhos e gritava “yay” sem parar.
- Para de rir! – ela estava desesperada, o que era meio fofo. – Você tem 16 anos, Harry, isso é meio ilegal, sei lá.
Eu dei uma risada boba, alta.
- Eu tenho 16 anos e você tem 18, grande coisa. – Levantei os ombros. – quando eu tiver 19 e você 21 nem vai fazer tanta diferença assim.
- Mas faz toda a diferença do mundo, principalmente quando você é o irmãozinho da minha melhor amiga, Harry, eu sempre te vi como um pirralho que fica no nosso pé o tempo todo. – Ela continuava com cara de dor.
Dei mais um sorriso e resolvi que naquela hora que precisava beijá-la. Ou não teria outra oportunidade.
- O que você sente quando eu faço isso? – dei um passo para frente e juntei nossos lábios em um beijo, de forma lenta fui aprofundando, ela aceitou e abriu espaço para que eu pudesse explorar toda sua boca. Me afastei e olhei no fundo de seus olhos.
- Eu esqueço que você é o pirralho irmão da minha melhor amiga. – e deu um suspiro. – Vamos mudar de assunto, pare de me beijar de surpresa.
Dei um sorriso torto e continuei a encarando. Meu Deus, como eu gostava daquela menina.
- E a audição? Preparado? – ela mudou completamente de assunto e eu voltei para minha ansiedade.
- Já quase desisti umas cinco vezes hoje. – Dei um sorriso fraco. – Não sei se tenho coragem.
- Harry, você é muito talentoso, se eles não te aceitarem, são uns idiotas. Além de talentoso, você é uma gracinha, talvez passe pela beleza. – Ela fez piada e eu resolvi abraçá-la no meio das risadas.
- Fica comigo para sempre? – perguntei igual a uma criança apaixonada idiota.
- Harry, você tem 16 anos e vai entrar para um programa de TV famoso agora. Não posso ficar com você. – Ela falou como minha mãe. – Você vai aproveitar isso do jeito que tem que ser. Isso. – apontou para nós dois – Acaba hoje. Foi uma ótima semana, mas eu não posso ficar te iludindo.
- E se eu não entrar? Vou ficar sem você e sem o programa? – olhei como uma criança triste novamente.
- Você vai entrar, meu bem. Te garanto! – Dessa vez ela me puxou para um beijo – Estarei sempre aqui para o que você precisar. Não desista do seu sonho. Você vai se arrepender se desistir por conta de um “crush” na amiga da sua irmã.

{Fim do flashback}


Uns dois dias depois eu fui para a audição e tudo deu certo. E o que ela falou era verdade, eu teria me arrependido se não tivesse ido, minha vida estaria totalmente diferente. Mas não pude deixar de pensar como seria minha vida se o “crush” tivesse dado certo. Nos primeiros dias sentia vontade de ligar para ela a todo momento, principalmente quando estava sem confiança. Mas aos poucos fui superando o sentimento. Minha irmã e ela acabaram se afastando depois que toda a onda One Direction começou. Gemma começou a viajar conosco e foi parando de ter contato com boa parte de seus amigos também, mas sei que elas mantiveram contato por mensagens e coisas do tipo um bom tempo, mesmo afastadas.
Encarei o celular por alguns segundos, tentando entender o que eu estava sentindo naquele momento e resolvi entrar no banho para pensar no que responder. Aparentemente eu tinha superado os meus sentimentos adolescentes por . Mas eu estava nervoso apenas com a possibilidade de mandar uma mensagem para ela. Como eu sou idiota. Ela provavelmente está namorando sério com alguém, e mesmo se tiver, eu não me importo, não é mesmo? Eu já namorei algumas pessoas pelo caminho, não posso achar que ela ficaria solteira esse tempo todo. Meu Deus! Que diabos está acontecendo? Não é possível que eu ainda tenha algum sentimento por ela. Deve ser só saudade. Jesus, eu sou patético. 24 anos, famoso, meninas aos meus pés. E eu aqui, dentro da banheira morto de cansado e ansioso em responder a mensagem da minha primeira paixão adolescente. Pa-té-ti-co.
Saí do banho e deitei na cama. Nessas horas eu gostaria de ter WhatsApp para saber se a pessoa está online ou não antes de mandar uma mensagem. Ou ao menos para poder ver uma foto dela. Como será que ela está? Será que continua tão linda quanto eu me lembro? Caralho, que diabo. Vou responder qualquer coisa. Que porra. Não posso enviar qualquer coisa. O que eu escrevo? Comecei a surtar e escrever milhões de mensagens e apagar. Eu me sentia com 16 anos novamente. Resolvi ligar para Gemma. Tomara que ela me atenda.
- Fala, bocó! – Ela atendeu com voz de sono. Devo ter acordado ela com os toques.
- Te acordei? - perguntei fingindo estar preocupado e olhei para o relógio. - 8 horas da manhã, sua preguiçosa, você não devia estar trabalhando?
- Sim, foda-se, estou de férias. O que você quer a essa hora? Não deveria estar pensando em dormir ou algo assim?
- Primeiro de tudo, não me julgue.
- Já estou julgando, o que diabos você fez?
- Não fiz nada. - Me defendi. - Eu só estou num surto adolescente.
- Caralho, Harry, você tem 24 anos, chega de surto adolescente. Qual o nome da biscate?
- Não é uma biscate.
- Opa, do biscate? - ela deu uma risada.
- Caralho, Gemma, você sabe que é a , porra. - Soltei sem paciência. - Estou tendo um surto adolescente, porque sua melhor amiga da infância me mandou uma mensagem de texto e eu não sei o que responder.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos e depois eu ouvi uma sonora risada. Ela continuou rindo por alguns segundos. Me mantive calado.
- Eu não creio. - Gemma continuava rindo. - Harry, você namorou swifts, jenners, e sei lá quem mais e está surtando por conta da ? É isso mesmo?
- Uma coisa não tem nada a ver com outra.
- Cara, você é famoso, rico, belo e tem uma irmã maravilhosa e linda. Por quê diabos você tá nervoso?
- Gemma, é a ! - repeti dando ênfase no nome dela. - Ela me conhece antes de tudo isso. E você sabe bem o que eu penso sobre fama.
- Estou tentando descontrair. O que foi que ela falou na mensagem para você ficar tão maluco?
- Nada, só falou "quanto tempo" e perguntou se era ok me mandar mensagens. - Suspirei.
- Caralho, Harry. Só responde "quanto tempo mesmo" e fala que é ok sim. Ou você não quer falar com ela?
- Claro que eu quero falar com ela. Porra, você não está ajudando em nada.
- Meu amor, se você está surtando só com essa mensagem imagine só quando souber da minha novidade.
- Qual novidade?
- Ela vai morar comigo em Londres.
- O quê?!
- É isso mesmo, responda essa mensagem logo. Porque em breve, ela será minha colega de quarto em Londres e você vai ter que encarar ela pessoalmente. - Ela enfatizou o pessoalmente e eu comecei a sentir minhas pernas bambas. Ainda bem que eu estava deitado.
- Puta merda, Gemma. Por que você não falou isso antes?
- Porque eu queria ver você surtar. – Ouvi novamente sua risada.
- Idiota. ok. Vou responder. Obrigada por nada.
- De nada, boa noite para você, bobão.
- Bom dia para você, vê se levanta essa bunda da cama. Te amo.
- Te amo também, maninho. Não surta.
Terminei a ligação e resolvi que não tinha muito para onde correr e respondi a mensagem. Seja o que Deus quiser.

“Oi, ! Muito tempo mesmo. Gemma me contou a novidade! E claro que você pode me mandar mensagens. x - Harry”

Encarei a mensagem por alguns minutos e apertei enviar.
Encarei o teto por alguns minutos pensando o que ela poderia estar fazendo. Até que meu celular brilhou novamente.

“Uau, estou recebendo mensagens de Harry Styles, já posso ficar famosa no Twitter. x”

“Haha, não acredito, só voltou a falar comigo porque eu sou famoso. :(“

“Se fosse assim eu nunca nem tinha parado de falar, né?”

“Verdade. Pois então. Você vai morar com a Gemma? Me explica essa história. Porque sua amiga não me falou nenhum detalhe.”

“Na verdade, eu encontrei com ela no trabalho e ficamos conversando. Falei para ela que tinha acabado de me mudar para Londres. Estou trabalhando com editorial, fui transferida recentemente para cá, e dei sorte de parar na mesma revista que sua irmã. Mas sabe como é, Londres é bem caro para gente normal, tipo eu. Então eu comentei que estava procurando alguém para dividir um flat, e sua irmã já fez mil planos de morar comigo. Haha”

“Eu sou normal!”

“Não, você é Harry Styles.”

“Sim, sou e sou normal, oras.”

“Você é milionário, Harry, morar em Londres é fácil para você. Já eu preciso de alguém para dividir as despesas, ou não rola.”

Resolvi ignorar a alfinetada e mudei o foco da conversa.

“Morar com alguém é divertido, na época da banda eu dividia minha casa e foi super legal.”

“Com certeza, e eu estou feliz de ter encontrado com sua irmã e ser persuadida a morar com ela.”

“Minha irmã é muito esperta, eu também me ofereceria para morar com você se tivesse a chance.”

Eu pensei duas vezes antes de enviar a mensagem, mas eu não tinha nada a perder. Enviei e fiz jus a minha fama de pegador pelo menos dessa vez. Ela não respondeu, e eu já tinha perdido meu sono aguardando a resposta. Quem diria, uma hora atrás eu só queria dormir, agora estou aqui ansioso pela resposta de uma menina que eu tive uma paixonite há oito anos. Sou um perdedor mesmo.
Quando eu estava prestes a desistir de tudo o meu celular vibrou novamente.

“Desculpa a demora, o meu chefe tá aqui falando bobagens. Enfim, é assim que você fala com suas fãs, é?”

“Você é minha fã?”

“Certamente, desde antes de você entrar nessa vida louca! Haha”

“Eu não falo assim com fãs.”

“Hm, Gemma me falou que você estava em turnê e que não te via há meses, é sério?”

“Sim, estou morrendo de saudades dela, da minha mãe, então, nem se fala.”

“Você é um filhinho de mamãe, mesmo.”

“Não posso negar.”

“Você está em qual cidade agora?”

“Melbourne.”

“Meu Deus! Aí já são mais de meia noite agora, vai dormir menino, depois conversamos!”

“Não estou com sono, quando saio dos shows fico meio eletrizado por umas horas.” Isso não era uma mentira, acontecia mesmo, mas dessa vez o que me mantinha acordado era apenas a ideia de conversar com .

“Isso é muito louco. E pensar que uns anos atrás isso era seu maior sonho! Fico muito feliz por saber que está dando certo.”

“Você já aceitou morar com a Gemma, né?”

“Tudo certo, por quê?”

“Porque assim fica mais fácil de eu te ver. Sabendo onde você mora. A gente precisa se ver, conversar sobre a vida e tudo mais.”

“Verdade, principalmente porque agora não é mais ilegal eu beber com você! Hahaha”

“Está combinado então. Assim que eu tiver uma folga vou encontrar com vocês duas! E já mato todas as saudades de uma vez só.”

“Ótimo, combinado, vá descansar rapaz, ouvi dizer que você tem uma agenda lotada.”

“Tenho mesmo, mas antes eu quero saber uma coisa.”

“Mande.”

“Qual o nome do seu namorado?”
Mandei isso porque não tive coragem de perguntar “Você está namorando?” Apesar de ser basicamente a mesma coisa. Só o que muda é que aparentemente eu estou controlando a resposta. Mas na verdade não. Meu Deus, como eu estou confuso.

“Hm, Chad. Por quê?”

“Apenas para eu colocar na minha lista de pessoas que o Paul não pode afastar de mim. Isso é necessário quando você conhece alguém tão importante como eu.”

“Deixa de onda, Styles. Vá dormir, já tomei muito do seu tempo precioso. Boa noite! x”

“Bom dia, , adorei saber que agora você está de volta na minha vida! x – H.”

Ela tinha um namorado. Isso era esperado, mas me afetou. Puta merda, por que é que eu estou querendo beijar essa menina se eu nem sei como está o rosto dela atualmente? Amores não resolvidos são foda. Jamais pensei que estaria nessa situação. Ainda tinham 37 shows pela frente, não posso me desconcentrar. Quando a turnê acabar, eu lidarei com isso.
Oito fucking anos. E eu estou sentindo como se fosse ontem que ela me beijou e me mandou para o X Factor. Merda.


Capítulo 2

’s POV.

Desci do trem e olhei ao redor. King Cross, é, eu realmente estava em Londres. Nos últimos 5 anos morei em Manchester trabalhando como freelancer para várias revistas. Mas agora finalmente fui contratada. Nem acredito. Coloquei meus fones de ouvido e liguei na rádio, estava afim de saber das notícias da cidade enquanto andava até o local que dormiria hoje. Ainda não tinha arrumado um lugar para ficar, preferi ficar num lugar provisório enquanto achava um bom apartamento, e quem sabe alguém para dividir as despesas. Já era noite, na manhã seguinte já iria iniciar no meu novo emprego e não poderia estar mais empolgada. Apesar do desentendimento com meu namorado, eu estava disposta a fazer tudo dar certo por aqui.
Cheguei até o apart hotel que havia reservado saindo de Manchester. Não era nada demais, uma cama de casal, um banheiro e um protótipo de cozinha no canto direito. Havia apenas uma pequena janela, pela qual eu podia ver o prédio da revista onde iria trabalhar. Sozinha, ali no quarto, comecei a relembrar da nossa briga e o tanto que ela havia sido infantil. Senti uma lágrima descer pela minha bochecha, eu ainda estava ouvindo a rádio quando começou a tocar uma música diferente com uma voz familiar.
“Apenas pare de chorar é um sinal dos tempos”
Dei um sorriso com a coincidência. Era a música nova de Harry. Fazia oito anos que ele havia começado essa carreira e eu não poderia estar mais orgulhosa. Mesmo perdendo o contato com toda a família, eu sempre guardei de forma carinhosa os momentos que passamos juntos. Desejei ainda ter o contato de Gemma, eu sentia muita falta de conversar com a minha melhor amiga.
Terminei de arrumar as poucas coisas que trouxe enquanto a música ainda tocava, peguei meu celular e desliguei após a música acabar. Dormi logo depois.

xxx


Dormi mal a noite toda, acordei várias vezes agoniada e ansiosa com a manhã que estava por vir me peguei pensando algumas vezes nas coisas que Chad disse. Quando foi a hora de realmente levantar, estava morta de preguiça. Fiz uma lista de prós e contras e pesei se realmente queria trabalhar. Parei de bobagem e me forcei a levantar, alguns minutos depois me joguei debaixo do chuveiro para começar a me arrumar.
Saí do banho e me arrumei rapidamente, já havia preparado minha roupa na noite anterior. Ao sair do apart hotel, meu estômago reclamou da falta de comida. Na esquina do prédio havia um Costa. Entrei, pedi um café grande e peguei um dos sanduíches prontos. Pedi para o atendente esquentar o sanduíche e sai de volta para o vento gelado da manhã com meu café e sanduíche em mãos. Não queria me atrasar, então fui andando e comendo até o prédio da revista.
Quando cheguei lá, já havia terminado meu café, me apresentei na recepção e fui encaminhada para uma sala de espera. Minha cara de surpresa não poderia ser maior quando vi quem apareceu para me receber.
- Cala a boca! – Gemma gritou ao me ver. – Quando eu vi o nome que eu deveria receber hoje, eu achei que fosse alguém com o mesmo nome que o seu. Não acredito! – e se aproximou para me abraçar – Como você está, ?
Eu arregalei os olhos e corri para abraçá-la.
- Meu Deus, Gemma! – Ainda estávamos nos abraçando. – Eu estou ótima! E você? Nossa! Quanto tempo! Que saudade! Você trabalha aqui? – Soltei nosso abraço, mas parecíamos duas crianças pulando na sala. A recepcionista ouviu a nossa barulheira e resolveu checar se estava tudo bem.
- Está tudo bem, senhorita Styles? – Ela perguntou, levantando uma das sobrancelhas para a cena que viu.
- Margareth! – Ela olhou para trás. – Esta aqui é , minha melhor amiga da infância! Faz uns mil anos que a gente não se vê e agora ela vai trabalhar aqui comigo! – E deu um gritinho empolgado.
Margareth deu apenas um sorriso e balançou a cabeça.
- Muito bem, leve a moça para a sala dela e a apresente para todos então. Não fiquem apenas aqui pulando, pelo que eu sei, vocês têm prazos apertados, e devo avisar que o Mark não está de bom humor hoje.
Gemma fez uma careta.
- Obrigada, Maggie, vou levar essa moça para conhecer todo mundo e corro para finalizar minhas matérias.
- Nossa, eu não estou acreditando nisso! – Falei enquanto ela puxava minha mão me guiando pelos corredores da empresa. – Ontem mesmo estava pensando em vocês, ouvi uma música do Harry na rádio!
- Temos muito o que conversar! Amanhã eu vou sair de férias, mas agora que você reapareceu na minha vida, não vou deixar fugir novamente!
- Eu não fugi, foi tudo muito rápido depois que o Harry entrou no X Factor. Entendo que não ia mais ter como vocês continuarem em Holmes.
- Sim, foi tudo muito surreal, mas me conta de você! Quero saber tudo, onde anda, com quem mora, como chegou aqui! – Gemma falava rápido enquanto me puxava, era como se nunca tivéssemos nos separado. Me sentia em casa novamente.
Ela me levou até a copa, puxou uma cadeira e me sentou. Depois andou até o balcão pegou duas xícaras de chá e voltou para mesa, colocando uma na minha frente e pegando a outra para si.
- Bem, por onde começar? – Peguei meu chá e tomei um gole. – Eu não deveria estar sendo apresentada para as pessoas para trabalhar?
- Menina, você vai trabalhar no meu departamento, se alguém perguntar algo eu estou no meio do seu treinamento, ok? – Ela deu um gole no chá – Começa pelo começo.
- Hum, depois que você entrou na Shelffield e começou a acompanhar o Harry nas turnês, eu entrei na universidade de Manchester para estudar inglês. E, bem, fiquei lá até antes de ontem. – Dei uma risada pequena - Trabalhei como freelancer para alguns sites e revistas no país todo de lá, e recebi a proposta para vir para cá mês passado. - Gemma me olhava atentamente enquanto eu contava minha história. - Aceitei a proposta e comecei a planejar minha mudança. Mas você me conhece, deixei tudo para última hora e estou num apart hotel até encontrar algum lugar que caiba no meu bolso.
- Que legal, ! Você sempre sonhou com isso. Que bom que conseguiu! – Gemma comemorou levantando as mãos para cima e balançando – O melhor de tudo é que agora podemos trabalhar juntas!
- Isso vai ser demais!
- Mas espera, você ainda não tem lugar para morar?
- Não procurei nada, você sabe como eu sou procrastinadora. Olhei alguns lugares, mas tudo muito fora do meu orçamento, talvez eu possa colocar um anúncio em algum lugar por aqui? – Perguntei.
- Anúncio para que?
- Colegas de quarto, ué. Para dividir as despesas. – Assim que eu fechei a boca, percebi os olhos de Gemma brilhando.
- Vamos morar juntas! – Ela deu um gritinho – Sério, vai ser ótimo, eu estou mesmo precisando de uma colega de quarto. Se você quiser podemos ir lá em casa no final do expediente e você me diz se topa!
- Gemma, não precisa fazer isso, eu sei bem que você deve gostar de morar sozinha. Você sempre quis isso.
- Deixe de bobagem! Você só não vai morar comigo se não quiser. – Ela levantou da mesa e pegou as xícaras para lavar na pia. – Eu não sou milionária igual o meu irmãozinho, não, vai ser bom ter alguém para dividir as contas.
Fiquei calada por uns segundos e soltei uma risada, Gemma continuava a mesma.
- Tá certo, no final do dia irei com você até lá e me decido.
- Já está decidido, você vai apenas conhecer seu novo lar! – Ela sorriu confiante. Aquele sorriso me lembrou muito o de Harry. Eu estava me segurando para não fazer mil perguntas sobre ele. Não queria parecer uma fã maluca. Mas eu realmente queria saber como estavam as coisas. Se ele tinha mudado. Afinal, eu só sabia o que a mídia dizia. E eu também não ficava procurando. Não perguntei nada, apenas segui Gemma pelos corredores novamente para que ela me mostrasse tudo no nosso departamento.
No final das contas eu estaria trabalhando na área de entretenimento. Eu queria estar escrevendo reportagens investigativas, ou fazendo tudo aquilo que vemos repórteres incríveis fazer. Cobertura de desastres, guerras, e tudo mais. Só que a gente tem que começar de baixo, não é mesmo? Eu aguentaria uns meses ou anos falando até de fofoca, desde que soubesse que estaria trilhando meu caminho para reportagens e investigações.
Gemma fazia matérias sobre música e moda. Tudo que ela gostava. Nosso editor chefe se chamava Mark. Era um cara ranzinza, mas muito gente boa.

xxx


No fim do dia, eu já estava bem organizada e meio triste que Gemma não estaria lá por quinze dias. Ela iniciaria suas férias no dia seguinte, e tinha muitos planos de dormir e não responder e-mails.
- Ah! – Gemma suspirou alto se espreguiçando em sua cadeira, que ficava no cubículo ao lado do meu. – Férias! Doce som do descanso remunerado.
Dei um pequeno sorriso. Gemma realmente ainda era a mesma menina de oito anos atrás. Estava um pouco mais estilosa e bem menos tímida. Mas de resto, tudo igual.
- Então, senhorita , está pronta para conhecer seu novo lar? – Ela me cutucou após levantar de sua cadeira, colocando seu computador na bolsa.
- Você realmente tem certeza de que não vou te atrapalhar? – Fiquei preocupada dela estar apenas com pena de mim.
- Me diz, em qual planeta que morar com a sua melhor amiga de todas atrapalha? - Gemma soava ofendida com esses meus questionamentos. – Se você continuar falando isso, vou achar que você é que não está confortável em ir morar comigo.
- Sei lá, Gems, você já deve estar acostumada com suas coisas, não vai ser chato eu estar lá?
- Deixe de bobeira, o meu apartamento é grande demais para se morar sozinha, e Deus sabe que eu não estou pronta para morar com o Michal. – Gemma falava como se tudo fosse muito óbvio e apenas eu não entendia.
Dei uma risada. Uma coisa era certa, com os Styles não se pode argumentar por muito tempo. Eles sempre vão dar um jeito de te convencer. Descemos até o térreo, onde Gemma já tinha um Uber nos aguardando. Nem sequer vi quando ela solicitou a corrida. Ela deu as instruções para o motorista passar em outro endereço antes e fomos conversando bobagens sobre o trabalho até chegarmos lá. Estávamos entrando em Hampstead, um bairro muito bonito, e bem conhecido por ser o local onde gente rica e famosa mora. É um lugar que parece uma cidade pequena do interior. Eu sabia que esse não era nosso destino final porque estava vendo o trajeto no celular do motorista. Fiquei curiosa depois de uns minutos andando pelo bairro e finalmente perguntei:
- Onde estamos indo?
- Ah, vou passar rapidinho na casa do Harry para pegar umas chaves extras. Da última vez que ele foi lá em casa, pegou minhas chaves reservas, porque havia esquecido as dele, e eu pretendo te entregar essas chaves. Afinal, você vai morar comigo e precisa conseguir entrar na sua casa, não é mesmo?
Quando ela terminou de falar, o motorista parou o carro em frente a um portão preto. Gemma pediu que o motorista entrasse na garagem e aguardasse por alguns minutos. Ela tirou da bolsa um controle e abriu o portão. O motorista entrou com o carro e estacionou. Ela perguntou se ele desejava um copo de água ou qualquer outra coisa, sendo prontamente respondida que não precisava se preocupar. Ele aguardaria no carro o tempo que fosse necessário.
- Vem, , me ajuda a achar a chave. – E me puxou para fora do carro.
- Te ajudar como? Eu não conheço a casa!
- Só procura em qualquer superfície plana. Harry tem mania de jogar as chaves em qualquer lugar! As que estamos atrás tem um chaveiro de pomo de ouro, do Harry Potter, sabe?
- Sei, vou tentar de ajudar.
Gemma abriu as portas, entrou na minha frente e saiu reclamando que tinha roupa jogada no sofá. “Vou ter que pedir para mamãe mandar a Sra. Knowles aqui”, ela murmurava enquanto revirava as coisas atrás das chaves.
Eu deixei Gemma para lá e saí explorando a casa e procurando as chaves. Mas perdi muito tempo olhando para fotos que via em porta-retratos pelo caminho. Tinham muitas fotos de família, e algumas de quando eles eram crianças. Andei pelo andar inferior quase todo, quando ouvi um “estou no segundo andar” da Gemma. Ela avisou que revistaria o quarto dele. Cheguei na cozinha da casa dele e notei um pequeno mural num canto, percebendo que era o mural que ficava no quarto dele em Holmes. Me aproximei e consegui ver algumas coisas familiares, entre elas uma foto minha com Gemma de quando tínhamos uns 15 ou 16 anos de idade. Fiquei encarando a foto sorrindo e nem percebi que ela havia chegado atrás de mim.
- Nossa, eu não sabia que ele tinha essa foto nossa! – Ela tirou a foto do mural para olhar com mais clareza. – Olha a gente! Que bebês!
- Sim, eu nem me lembro de quando foi isso! – Continuei olhando a foto que estava na mão dela.
- Não faço ideia também! – Ela colocou a foto de volta no mural. – Como diabos o Harry tem essa foto?
- Não faço ideia!
- Ele deve ter roubado da mamãe. – Gemma virou os olhos. – Isso me lembra: me conta essa história ai de vocês terem trocado uns beijos! É sério? Ou aquele imbecil sonhou com isso?
Dei uma risada.
- Não me mata!
- Eu não acredito que você beijou o meu irmão, quando ele era um bebê. – Ela se fingia de ofendida. – Me explica como, quando, onde e por quê.
- Eu não me lembro ao certo. – Tentei enrolar – Sei que ele um dia me pegou de surpresa, sabe? Veio falando um monte de coisas e disse que queria só um beijo meu para poder superar. Me entregou uma carta até.
- E você caiu nessa? - Gemma rolava os olhos.
- Eu me deixei levar, quando eu vi, estava dando mais do que um beijo nele. – Levantei os ombros – Ele beijava melhor que Christopher.
- Meu Deus, eu não estou ouvindo isso. – Gemma começou a rir – Meu irmãozinho bebê beijava melhor que seu ex-namorado saradão?
- Durma com essa. – Entrei na brincadeira.
- Então, vocês trocaram uns beijos e foi isso?
- Foi isso, eu não queria admitir na época, mas eu estava começando a ficar interessada demais no Harry. Consegui tirar algum juízo da minha cabeça e convenci ele a acabar com qualquer coisa que nós tivéssemos para ele poder seguir com o sonho dele no X Factor.
Gemma apenas me encarou.
- Você sabia que quebrou o coração dele?
- Como assim?
- Na semana seguinte, eu fui com ele para Londres, junto com nossa mãe para o teste. E no trem ele estava à beira de um colapso. Eu achei que fosse nervosismo por conta do teste, sabe?
Continuei calada enquanto ela contava a história.
- Mas aí, eu percebi que ele estava na verdade segurando um choro. Chamei ele para comprar algo na lanchonete do trem e saímos de perto da mamãe. Quando eu perguntei o que estava acontecendo ele me abraçou e contou que estava “apaixonado” por você. E que você tinha dado um pé na bunda dele.
- É, eu realmente dei um pé na bunda dele. Mas eu juro que não queria magoá-lo.
- Eu sei, . – Gemma me deu um tapinha no braço. – Ele realmente ficou sentido. Teve algumas vezes que ele me ligou para não ligar para você. Até que as coisas começaram a engrenar no programa, e ele finalmente começou a se concentrar mais no futuro dele.
- Ainda bem que tudo deu certo. E por que você não me falou na época que sabia de tudo? A gente ainda se falava bastante.
- Ah, porque o Harry me fez fazer uma “promessa de mindinho” que eu nunca, jamais, sob hipótese nenhuma, falaria sobre isso com você.
Dei uma risada dela imitando a voz de Harry fazendo a dela ficar um pouco mais grossa e meio afeminada.
- Você acabou de quebrar essa promessa. – Lembrei.
- Já se passaram oito anos. Ninguém se importa mais. Vamos nessa? Eu achei as chaves.
Acenei que sim com a cabeça e segui Gemma pelos corredores até a garagem onde o motorista do Uber ainda nos aguardava tranquilamente.
- Muito bonita sua casa, senhorita. – Ele falou quando retornamos para o carro. – Minha esposa com certeza adoraria esse jardim.
- É a casa do meu irmão, também gosto bastante do jardim, ele tem uma boa jardineira, é uma senhorinha que mora logo ali em Camden. Posso te passar o contato dela!
- Eu agradeço! – Ele falou ligando o carro e seguindo para o endereço da casa de Gemma.
O local não ficava muito distante da casa de Harry, ficava em Camden Town, cerca de 15 minutos de distância.
O motorista estacionou na frente de um pequeno prédio, onde ficava o apartamento de Gemma, e nos desejou uma boa noite.
- Seja bem-vinda! – Gemma abriu os braços na calçada – Este será o seu novo lar! – Subiu pela soleira e procurou as chaves na bolsa enquanto caminhava até a entrada.
- Nossa, Camden Town? – Olhei surpresa, essa era uma localização tão nobre quanto a anterior.
- Harry insistiu que eu deveria morar próximo dele. – Ela levantou os ombros andando pela sala de entrada do prédio, cumprimentando o porteiro com um aceno de mão. – Quando eu reclamei que não teria condições de arcar com nada próximo da casa de milionário dele, ele me deu esse apartamento de presente. – Ela segurava as chaves na frente da porta.
- Uau!
- No começo eu até fiz um charme, disse que eu não ia aceitar, que ele não tinha que sair comprando casas para mim. Mas, no final das contas ele comprou de qualquer jeito. – Ela abriu a porta. – Seja bem-vinda.
O apartamento era térreo, com três quartos, uma sala aberta com cozinha integrada, o bom e velho “conceito aberto”. Tinha um jardim privado nos fundos, com portas francesas. A decoração era moderna, bem a cara de Gemma. Tinha um piano armário num dos cantos da sala, um sofá em L e uma televisão grande. A cozinha seria bem apertada se não fosse aberta.
Havia um pequeno lavabo na sala, e logo ao lado, um corredor estreito que levava aos quartos.
- Vem – Gemma me puxou pelo corredor. – Esse é o meu quarto. – Ela me mostrou abrindo a primeira porta. O quarto dela era muito bonito, dava para ver que havia algum tipo de decoração planejada ali. – O seu quarto fica do outro lado.
Ela continuou me levando pelo pequeno corredor. O apartamento não era gigante, era bem simples, levando em consideração o valor que provavelmente foi pago. Tudo é localização.
- Esse é o quarto de visitas, ou o quarto da minha mãe. – Ela abriu a porta novamente para que eu pudesse olhar. – E aquele ali é o “quarto do Harry”. - Gemma fez aspas com as mãos no ar. - Que agora vai ser o seu quarto.
- Quarto do Harry? Como assim? – Arregalei os olhos – Eu não posso roubar o quarto do Harry!
- Ele gosta de falar que esse quarto é dele, porque o de visitas é da minha mãe. Ah, e porque ele comprou a cama desse quarto também.
Entrei no quarto e percebi que realmente era o quarto do Harry. Tinham alguns livros, papéis rabiscados numa escrivaninha, fotos da família. Uma das portas de armário estava aberta e pude ver algumas roupas dele penduradas.
- Gems, eu não vou roubar o quarto do seu irmão, posso ficar no de visitas! – Falei, percebendo que talvez incomodaria Harry. – Imagina se ele quer vir aqui e eu estou no quarto dele.
- , ele tem uma casa inteira só para ele. E no quarto de visitas não tem banheiro. Se ele quiser dormir aqui vai ter que ficar no quarto de visitas, ora essa! – Ela falou como se fosse óbvio, novamente.
- Eu posso pelo menos esperar ele pegar as coisas dele, sei lá. Você não acharia ruim uma pessoa estranha mexendo nas suas coisas?
Gemma rolou os olhos e foi até a escrivaninha do quarto.
- Ele está em turnê, por uns cinco ou seis meses. Eu resolvo isso. Veja só.
Ela puxou uma caixa que estava sendo usada de lixeira de debaixo da mesa. Jogou tudo que tinha dentro, que eram apenas alguns papeis amassados, no chão. E depois disso, passou o braço na mesa arrastando tudo que havia lá para dentro da caixa. Separou apenas um óculos e um relógio que estavam na mesa de dentro da caixa. Puxou uma caneta do meio da bagunça e escreveu na caixa “merdas do Harry”.
- Pronto. Tudo guardado.
Dei uma risada. Gemma não ia mudar de ideia.
- Ok, me dou por vencida. Vou morar com você.
Ela deu um pulinho no ar e veio me abraçar.
- Você não vai se arrepender! – Disse ainda me abraçando. – Amanhã depois do trabalho, vem para cá e para de pagar esse apart hotel, por favor.
- Gems, esse apartamento é seu, certo?
- Sim, por quê?
- Você não paga aluguel, como vou dividir com você? Dividir só as despesas da casa não parece justo.
- Eu ganhei essa casa do meu irmãozinho que você costumava beijar. Isso não parece justo também. Me ajudar com as despesas vai ser mais que o suficiente. Agora, finalmente vou poder aumentar a velocidade da internet. – Ela fez piada – Se você quiser, já pode dormir aqui hoje!
- Não, tenho que ir para casa, não tenho nem uma muda de roupa aqui. Sem falar que preciso arrumar minhas coisas para mudar para cá.
Gemma entendeu, foi comigo até a sala e me entregou as chaves com o chaveiro de pomo de ouro. Depois disso ela me levou até o porteiro para me apresentar e me colocar na lista de moradores.
- Muito bem! Até amanhã então, Gemma. Aproveite seu primeiro dia de férias!
- Muito obrigada, dormirei até a cama me expulsar! – Ela deu um sorriso torto. – Ah! Antes que eu me esqueça, anote o telefone no Harry!
Olhei para ela com cara de interrogação, e meio assustada.
- Ah, não me faça essa cara, ele vai gostar de saber que você está de volta. – Ela pegou o meu celular de dentro da minha bolsa e salvou o numero do irmão. – Ele está em algum lugar do planeta aí, sei que o fuso horário é de mais ou menos umas 9/10 horas. Então, o ideal é mandar mensagem para ele por agora.
- São oito e meia agora. – Comecei a contar nos dedos as horas de diferença. – Lá deve ser umas cinco ou seis da tarde?
- Isso mesmo, mas ele tem show hoje, então é capaz que ele só te responda amanhã de manhã, que é mais ou menos quando acaba o show.
- Ok, prometo que antes de dormir, eu mando uma mensagem para ele. Quem sabe eu não peço autorização para ficar com o quarto dele, não é?
Gemma apenas deu outra risada e se despediu. Fui até o metrô para poder voltar para o meu apart hotel.
Demorei uns bons 40 minutos para chegar de volta ao meu hotel, porque me perdi nas linhas do metrô. A gente sai do interior, mas o interior não sai da gente. Eu só tinha vindo para Londres umas duas vezes minha vida inteira, todas elas acompanhada dos meus pais, não tinha como eu acertar de cara. Quando cheguei, organizei rapidamente o pouco que eu havia tirado das malas no dia anterior. Tomei um banho e antes de dormir, encarei meu celular. Resolvi abrir o Whatsapp para ver qual tipo de foto Harry Styles usava no Whatsapp dele. Não apareceu nada. Então resolvi mandar uma mensagem para Gemma.
“Acho que você me deu o número errado, ele não está aparecendo no Whatsapp.”

“Ah, foi mal, ele não tem Whatsapp. Mande Imessage ou sms. Ele vai receber.”


Harry Styles não tem Whatsapp. Excêntrico. Abri as mensagens e fiquei encarando a tela. Eu não tinha ideia do que escrever. Resolvi parar de pensar demais e mandei a primeira coisa que veio na minha cabeça.

“Quanto tempo, hein? Encontrei com sua irmã ontem por acaso. Ela me passou seu número e suplicou que eu mandasse uma mensagem para você, é sério. Espero que você não se importe. Ah, é a .”

Esperei alguns minutos e nenhuma resposta. Fiz as contas e percebi que ele provavelmente estaria se preparando para o show. Resolvi ir dormir. Lidaria com a resposta dele pela manhã.


Capítulo 3

Harry’s POV.

Acordei com o telefone do hotel tocando. Era o meu “despertador” na turnê. Meu empresário, Jeffrey, sabia que eu tinha dificuldade de levantar pela manhã e ele definitivamente não confiava no meu despertador do celular, uma vez eu fiquei por duas horas apertando a soneca e me atrasei para uma sessão de fotos. Desde então, ele faz Mike, meu assistente, programar chamadas para me levantar de manhã aonde quer que eu esteja.
- Bom dia, senhor Styles. Esta é sua chamada despertador. – Coloquei o telefone no ouvido ainda deitado com os olhos fechados. – em alguns minutos seu café da manhã será entregue, junto com ele o Sr. Azoff chegará.
- Obrigado, bom dia para você também. – falei com a voz meio rouca de sono. Eu tinha que levantar, mas estava terrivelmente cansado. Parecia que dois tratores haviam passado por cima de mim. Eu não conseguia parar de pensar na troca de mensagens da noite anterior. Me levantei depois de enrolar uns minutos e fui até o banheiro lavar o meu rosto. Hoje eu tinha uma manhã de folga antes de embarcar para Sydney. Cheguei no banheiro e notei que o chão estava quente, diferente do quarto. Aparentemente o banheiro tinha aquecedor no chão. Me lembrei que era uma coisa que eu queria colocar na minha casa em Londres, mas Gemma falou que era frescura. Joguei água fria no meu rosto e ouvi a campainha do quarto tocar. Peguei a toalha de rosto, sequei, joguei ao redor do meu pescoço e fui até a porta do quarto.
- Bom dia, Harry! – Jeff entrou no quarto sendo seguido por um carrinho com muitas frutas e pães.
- Bom dia, Jeff! – cumprimentei bocejando. – Você não podia me deixar dormir um pouco mais nem na minha manhã de folga?
- Mas você me pediu ontem que te acordasse por volta das nove, para poder conhecer a cidade antes de embarcar. – Ele sentou na minha cama pegando uma das maçãs do carrinho. – Sem falar que você foi dormir ontem às dez horas da noite. Não é possível que ainda esteja com sono.
- Demorei para pegar no sono. – Desconversei. Eu realmente tinha pedido que me acordasse mais cedo.
- Bem, aqui está sua passagem para mais tarde. Arrume suas coisas e deixe tudo certo que logo mais viremos buscar aqui no quarto. Você vai direto para o aeroporto?
Olhei a hora das passagens, três da tarde, agora eram nove e vinte. Cheguei a conclusão de que poderia aproveitar mais se não voltasse para o hotel.
- Vou sim, alguém mais vai comigo? – perguntei me referindo à banda.
- Sarah e Mitch também estavam querendo dar uma volta. Quer que eu os coloque no mesmo carro com você?
- Se eles toparem, quero sim, vai ser melhor explorar a cidade com companhia.
Jeff puxou seu telefone e se afastou para a varanda do quarto, resolvi tomar o meu café da manhã. Enquanto comia uma banana e servia um pouco de suco, ele apareceu no quarto, ainda falando no telefone me fazendo um sinal de positivo com o polegar direito. Sorri de boca cheia e levantei meus dois polegares de volta para ele. Mitch e Sarah viriam comigo. Terminei rapidamente meu café, coloquei uma blusa branca, uma calça bege, meus óculos escuros e segui Jeff para o local onde o carro estaria esperando para nos levar.
Encontrei Sarah e Mitch no hall de entrada do hotel. Sarah estava com um coque na cabeça e uma blusa de manga comprida azul que tinha uma das mangas vermelhas, uma legging justa preta e botas. Mitch estava com uma calça jeans preta, uma blusa cinza e óculos escuros. Me aproximei dos dois e me coloquei no meio deles, puxando ambos para um abraço de lado.
- Bom dia, meus amorecos.
- Bom dia, Harry. – Os dois responderam ao mesmo tempo e deram uma risada.
- Gostei da blusa, Sarah. – Falei apontando para a manga de cor diferente.
- Te empresto quando quiser. – Ela fez piada e apontou para o carro que havia estacionado na entrada.
Era uma pequena van preta. Nos sentamos nos bancos de trás e começamos a decidir aonde iríamos primeiro.
Fomos até o píer Yarra River. Era um local bonito, como era um dia de semana pela manhã, estava mais tranquilo, descemos e ficamos passeando por lá. A todo momento eu checava meu celular à espera de alguma mensagem de . O que não fazia sentido, eu não tinha mandado nada para ela, não tinha porquê ela me mandar nada. Mas não conseguia evitar. Mitch foi o primeiro que notou meu comportamento.
- Que diabos você tanto olha nesse celular, Styles?
- Na verdade, nada. – Peguei o celular e olhei mais uma vez. – Eu estou apenas olhando as horas.
- Ah tá, corta essa. – Sarah entrou na conversa. – Você olhou a hora pelo menos umas vinte vezes nos últimos cinco minutos. Isso é uma desculpa esfarrapada.
Dei uma risada e guardei meu celular.
- Isso tá com cara de “love affair”. – Mitch fez as aspas com as mãos. – tá de papinho com alguém e não recebeu resposta foi? – ele chegou perto de mim fazendo uma voz fina e tentando me fazer cócegas.
Continuei calado, mas senti o meu rosto começar a me entregar. Eu conseguia sentir minha face ficar ruborizada enquanto tentava escapar das cócegas.
- Olha lá Mitch, ele já está até vermelho. – Sarah resolveu se juntar a Mitch para pegar no meu pé – Tentou falar com Kiwis é?
Ela e Mitch gargalhavam. Eu ri junto e rolei os olhos, colocando meus óculos para cima como uma tiara.
- Não é da conta de vocês. – Falei e nesse mesmo segundo meu celular fez barulho de mensagem recebida. Os dois se entreolharam e resolveram com uma troca de olhar que deveriam roubar meu celular. Quando percebi comecei a correr desesperado pelo píer pegando o celular no bolso para ver a mensagem. Os dois foram mais rápidos e conseguiram pegar o telefone logo após eu destravar a tela. – Vou trocar de banda, vocês estão muito insubordinados. – brinquei enquanto os dois mexiam no meu celular.
- Você recebeu uma mensagem da sua irmã. – Mitch devolveu o celular com a cara preocupada. – Nada de kiwis. Ela só quer saber como foi ontem à noite e se você conseguiu dormir depois do seu surto.
Eles não leram as conversas anteriores, apenas acharam que a mensagem que eu havia recebido seria de alguém diferente. E no fundo eu também esperava.
- Surto? – Sarah perguntou. – Se você não quiser falar sobre isso tudo bem, mas estamos aqui para te ajudar, qualquer coisa. – Achei fofo, ela pensou que fosse algo grave. Sarah e Mitch eram os mais próximos de mim na banda. Mitch era quase como um irmão. Resolvi abrir o jogo, porque eles já podiam estar fantasiando acerca do meu estado mental.
Suspirei fundo.
- Gemma é uma idiota mesmo. – Dei uma risada. – Está tudo bem, eu “surtei” – levantei os dedos no ar fazendo aspas – porque recebi uma mensagem de texto de uma menina que eu era apaixonado quando tinha 16 anos. Pronto podem zuar.
- Como é? – Sarah me encarou – Você recebeu uma mensagem de texto do seu amor adolescente?
- Sim, ontem, logo depois do show.
Mitch segurava uma risada, Sarah ainda me olhava incrédula.
- Como ela conseguiu seu telefone?
- Por acaso, ela foi, ou é, melhor amiga da minha irmã por muito tempo, e ontem elas acabaram se reencontrando. Então minha irmã deu meu telefone para ela.
Sarah ficou calada. Mitch resolveu falar.
- E por que diabos você surtou? Você ainda gosta dela?
- Não sei porque eu surtei.
Os olhos de Sarah brilharam.
- Você estava esperando uma mensagem dela! – Gritou para todos do píer ouvirem – Você ainda gosta dela! Meu Deus.
Coloquei minhas duas mãos no rosto e respirei fundo. Virei de costas e ignorei os pulos de Sarah.
- Vou tomar um sorvete. – Caminhei em direção a uma sorveteria que tinha mais à frente no píer. Paul que estava nos vigiando de longe percebeu minha movimentação e logo chegou do meu lado. Algumas meninas me reconheceram e pediram para tirar fotos. Mas havia pouca gente por lá, então pude comprar meu sorvete tranquilo.
Sarah e Mitch cochichavam atrás de mim sem parar. Pediram sorvetes também. Aos poucos, notamos que a notícia de que Harry Styles estava no Yarra River começou a se espalhar e precisamos voltar para o carro às pressas.
- Conta essa história direito, você gosta dessa menina desde que você tem 16 anos?
- Eu não gosto dela desde que eu tenho dezesseis anos. – Puxei o cinto de segurança para prender – Eu gostava dela quando tinha dezesseis anos. – Dei ênfase no quando.
- Então por que o surto?
- Eu não sei. Não sabia o que responder, eu não falava com ela há oito anos.
Mitch e Sarah trocaram um olhar. E me encararam como se tivessem toda a sabedoria do universo.
- Na verdade... - suspirei - acho que nosso "término" - fiz aspas com a mão novamente - foi meio esquisito. Talvez eu não tenha superado ela direito, sei lá. Meu deus do céu. Eu tô muito adolescente.
- É, meu amigo. - Mitch passou o braço por cima do meu pescoço. - Você realmente tem uns sentimentos não resolvidos aí.
- Você vai encontrar com ela em algum momento? Ou foram só essas trocas de mensagem?
- Ela vai morar com minha irmã. No final da turnê ou nessa pausa antes da América do Sul, vou ter que encarar ela pessoalmente e não sei o que vou fazer.
Mitch me abraçou.
- É, você realmente não superou ela.
- Como foi esse término de vocês? - Sarah manteve o assunto.
- Eu tinha dezesseis anos, troquei uns beijos com ela por uma semana e ela me deu um pé na bunda.
- E você ainda gosta dela? Conta essa história direito.
Suspirei novamente e dei um sorriso fraco.
- Ok, vou contar direito.
Enquanto passeávamos pela cidade de carro contei tudo desde o início, de como me apaixonei, nossa diferença de idade, X Factor e como nos afastamos.
- Tá aí a explicação. É óbvio. - Sarah fez uma pose de terapeuta e continuou - Você nunca deixou de gostar dela, Harry. Você apenas se forçou para esquecer. E aí tudo que aconteceu ajudou você a ter outros focos.
Fiz uma careta e baixei meus óculos.
- Ok, chega de sessão de terapia, vou tirar um cochilo aqui. Estou cansado.
Encostei minha cabeça no ombro de Mitch, que estava ao meu lado e fingi dormir. Mas fiquei pensando no que Sarah tinha acabado de dizer. Será que era por isso que eu estava tão esquisito? Eu ainda gostava dela?
Ainda tínhamos algumas horas até a o embarque. Sarah me cutucou depois de um tempo para saber se tinha algum lugar especifico que eu queria visitar. Eu apenas falei que toparia qualquer coisa que eles quisessem e continuei jogado no meu banco pensando no que eu podia estar sentindo. Acho que tenho que ligar para a minha mãe.
Paramos numa região do centro meio movimentada, resolvi ficar dentro do carro para que os dois pudessem aproveitar melhor as lojinhas. Dei a desculpa de que iria telefonar para minha mãe e preferia ficar sozinho. Eles não protestaram muito e foram passear, acho que algo estava acontecendo entre eles. Mas eu estava tão agoniado com o pensamento em que nem sequer consegui analisar muito bem a interação dos dois. Fiquei no carro uns cinco minutos pensando na vida até que resolvi pegar o telefone.
- Olá, querido! – era sempre bom ouvir a voz da minha mãe – Está tudo bem por aí?
- Oi, mãe! Por aqui está tudo ótimo, logo mais vou embarcar para Sydney.
- Nossa, cada vez mais distante de casa, não é mesmo? – ela deu uma risada – Quando é que você tem a semana de folga e vem me ver?
- Se não estou enganado, é depois do Japão. Antes de ir para América do Sul. Daqui umas duas ou três semanas.
- Ótimo! Já ficou sabendo das notícias? Gemma e estão morando juntas em Londres! – dava para perceber a empolgação em sua fala – Estou tentando convencê-las a virem para cá na sua semana de folga. Matar a saudade como nos velhos tempos.
- Fiquei sabendo sim, eram bem sobre isso que eu queria conversar com você.
- Então mande, maninho. – Minha mãe, sempre tentando soar como adolescente. Dei uma risada.
- Talvez Gemma já tenha te contado isso. – Comecei sem saber se eu devia estar falando com minha mãe sobre isso. – Mas, hum...
- Desembucha logo! Estou curiosa! Você está namorando?
- Não estou namorando. O que eu estar namorando tem a ver com Gemma e ?
- Ah, não sei, meu amor, talvez você quisesse saber se podia trazer ela para cá. Eu leio as fofocas, sabe?
- Não estou namorando. Se eu começar a namorar você vai saber por mim. Não leia fofocas, mãe.
- Às vezes eu leio para dar risadas e para ver fotos suas. Você não me manda mais nada. – Começou o sermão. – Parece que nem lembra de mim, às vezes.
- Mãe. – Interrompi – vou te mandar mais fotos. Mas eu preciso de sua opinião, lembra que eu estava contando uma história?
- É verdade, continue, vou ficar quieta.
- Então, no começo de 2009, antes de eu ir para o X Factor, eu meio que comecei a gostar da . – Fiquei em silêncio por uns segundos e minha mãe manteve a palavra de ficar quieta. – E algumas semanas antes de ir para minha audição a gente meio que ficou. Só que ela me deu um pé na bunda pois eu tinha apenas 16 anos e ela não queria que eu deixasse de ir viver minha vida no X Factor. Daí ontem quando ela me mandou uma mensagem de “oi” eu comecei a surtar. Você acha que eu ainda gosto dela?
Minha mãe deu uma risada.
- Meu bem, você começou a gostar da com uns 11 anos. – Eu ia falar, mas ela me interrompeu – Você queria sair com elas, só falava nela. Talvez você só tenha se dado conta disso com 14 ou 16. Mas essa paixonite aí começou bem antes.
- Tá, mãe, mas e agora? Você acha que eu ainda gosto dela? Eu tô realmente meio esquisito. Ela só me mandou uma mensagem idiota e eu estou há 24 horas igual a um louco. Isso não acontece normalmente, sabe?
- Harry, querido, talvez seja só a empolgação do momento. Talvez entrar em contato com ela tenha apenas “reativado” essas memórias românticas. E talvez por você estar meio isolado de tudo isso, numa turnê, sem ninguém especial na sua vida, aparentemente, você ache que está gostando dela.
- Você acha que eu estou pensando demais nisso?
- Com certeza, sabe como você vai ter certeza? – respondi que não. – Quando vocês se verem pessoalmente. Se você ainda gostar dela, vai perceber. E se você não perceber, eu percebo por você. Afinal, vocês vão se ver aqui em casa na sua folga, não é mesmo?
Senti meu coração acelerar.
- Só de pensar nisso, já fico nervoso, mãe.
- Talvez você ainda goste dela, meu bem. E que mal há nisso? Vocês podem muito bem conversar. Eu ia adorar ter a de nora. Você sabe o tanto que eu adoro aquela tortinha de morango que ela fazia.
Virei os olhos e dei uma risada.
- Mãe, ela tem namorado. E mesmo que não tivesse, pode não querer nada comigo.
- Você é mais bonito que o namorado dela, tenho certeza. Muito mais inteligente e cheiroso também.
- Mãe. Você nem conhece o cara.
- Mas eu conheço você. Ora essa, ninguém é mais lindo do que o meu bebê. Tenho certeza que ela consideraria namorar com você. Eu me lembro que ela não era louca.
- Mãe! – continuei rindo.
- Trago apenas verdades, meu filho. – Notei Mitch e Sarah voltando, de mãos dadas, para o carro.
- Tá, mãe, o pessoal está voltando para o carro. Acho que já vamos para o aeroporto.
- Muito bem, querido, boa viagem, e me mande as fotos que você prometeu, sim?
- Vou mandar, mãe, obrigado pela conversa, te amo!
- Te amo, meu bebê.
Desliguei o telefone um pouco mais calmo. Minha mãe era muito boba. Eu com certeza não teria chances com . Resolvi não pensar demais nisso e voltei minha atenção ao pequeno casal diante de mim.
- Quer dizer que vocês são um item agora? – apontei para as mãos dadas. Os dois deram uma risada. Mitch apenas levantou os ombros e Sarah disse um “sei lá, estamos nos divertindo”.
Achei fofo.
- O que vão dizer os tabloides, Mitch? – falei para ele me fingindo de traído. – Que você me trocou por Sarah. Eu, Harry Styles. – fiz uma pose de diva.
Os dois deram mais risadas e seguimos de carro para o aeroporto, ficaríamos pelo menos uns 45 minutos no lobby. Mas não tínhamos mais tempo de ir a lugar algum sem nos atrasarmos.


Capítulo 4

’s POV.

Fiquei encarando meu celular por alguns minutos. Eu tinha acabado de trocar mensagens com Harry Styles. Sei que eu já conhecia ele antes, e até já dei uns beijos nele. Mas isso fazia tanto tempo. E ele havia mudado tanto. Agora era famoso e importante. Sem falar que ele estava muito lindo. Não tinha como dizer o contrário. Harry sempre foi bonito, mas ele tinha aquela carinha de criança que apronta. Agora ele é um adulto com cara de safado. Meu Deus. Estou aqui chamando ele de safado na minha mente.
- Você me ouviu, ? - Mark me chamou, pelo visto, pela segunda vez.
- Ah, me desculpe, eu me perdi. - Parei de divagar e voltei minha atenção para o meu editor chefe.
- Quem diabos estava falando com você nesse celular? Nunca vi alguém ficar tão compenetrada numa conversa. - Ele disse sem tirar os olhos da coluna que estava lendo.
- Ah, ninguém importante, era só um velho amigo perguntando sobre minha mudança.
- Hum, pois trate de conversar com seus amigos em outro horário. Essa coluna está boa, fale com o pessoal da fotografia para anexar as imagens e já pode mandar para minha sala quando estiver finalizado. Sairá na edição desta semana.
- Tá certo. - Peguei de volta o papel das mãos de Mark e fui andando até o elevador. O editorial de fotografia ficava no sexto andar. Enquanto aguardava o elevador, comecei a ler novamente nossa troca de mensagens. Ele perguntou se eu estava namorando. O que isso quer dizer? Será que ele acha que eu entrei em contato porque quero alguma coisa com ele? Eu ainda estava pensando em mil motivos para Harry querer saber se eu tinha um namorado quando meu celular vibrou. Senti um frio na minha barriga, pensando que podia ser alguma mensagem dele. Mas era uma mensagem de Chad, meu namorado, que aparentemente eu esqueci nos últimos dois dias.

"Está tudo bem? Você não me mandou mensagens ou ligou desde que desembarcou em Londres. Não me chame de dramático. Mas eu estava acostumado com mais atenção quando você morava por aqui."

Em outras situações, eu acharia bonitinha ou até mesmo fofa essa mensagem. Leria em tom de brincadeira. Mas depois da nossa briga antes da mudança não conseguia ler nenhuma mensagem do mesmo jeito que não em tom acusatório.

"Claro que está tudo bem, me desculpe por não ter te ligado, mas as coisas estão meio bagunçadas por aqui. Mudança e trabalho. Sabe como é, te ligo hoje de noite, pode ser?"

Tentei manter a compostura. Afinal eu gostava dele, apesar de tudo. Quem sabe depois de conversarmos de noite, poderíamos voltar ao normal.

"Tudo bem, espero sua ligação ou você quer que eu te ligue?"

"Eu te ligo, por volta das nove, pode ser?"

"ok, xx"


Não respondi nada, porque tinha chegado na sala dos fotógrafos. Fui até a mesa de Samantha. Ela era umas das fotógrafas que me dava um pouco mais de atenção. Afinal este era apenas o meu segundo dia de trabalho, nem todo mundo falava comigo.
- Oi, ! - ela me cumprimentou. - Tudo certo?
- Já te falei várias vezes para me chamar de , Samantha!
- Quando você começar a me chamar de Sam, eu paro. - ela deu um sorriso. - Como posso te ajudar?
- Preciso das fotos para essa coluna - entreguei o papel para ela - Mark está esperando apenas isso para finalizar e enviar para a edição final.
- Deixa comigo. - Ela começou a ler a matéria para verificar quais fotos devem ser anexadas. - E então, como está a Gems? Curtindo muito as férias?
- Quando eu saí de casa, ela estava dormindo profundamente. Acredito que isso seja equivalente a curtição extrema para ela. - Samantha anotou alguns nomes e colocou a coluna numa pilha com a etiqueta "enviar para formatação".
- Pronto, logo ela vai pra mesa do Mark. Seu trabalho está feito. Você vai almoçar por aqui hoje?
- Sim, mas ainda tenho que explorar a redondeza, tem algum lugar bom e barato? Ou é melhor eu já pedir um delivery?
- Tem sim, hoje vamos comer no Joey´s. Vem com a gente! É bom que você já conhece mais um pessoal.
- Legal, que horas vocês saem?
- Por volta das 12:15, te dou um toque e vamos, pode ser?
- Fechado.
Voltei para meu cubículo e resolvi mandar uma mensagem para Gemma.

"E aí, já acordou?"

"Acordei alguns minutos depois que você saiu. Meu irmão fez o favor de me levantar com uma ligação. Ele queria ter certeza de que você era você mesmo."

"Ah, foi por isso que quando ele me respondeu, já sabia que íamos morar juntas?"

"Sim, como foi a conversa com ele? Ele falou igual uma pessoa normal com você?"

Achei a pergunta meio esquisita.

"Na medida do possível sim. Perguntou como eu estava e essas coisas."

"Que bom, posso manter minha fé nele então"

"Ah, ele perguntou se eu estava namorando. Achei meio aleatório, mas o Harry é meio aleatório. Ele continua assim, pelo visto. haha"

"Ele perguntou se você estava namorando do nada?"

Essa resposta dela fez minha barriga gelar novamente, realmente não tinha sido uma pergunta que se faça aleatoriamente. Ou tinha. Ai meu Deus.

"Não foi bem assim. Ele perguntou com certeza de que eu estava namorando. Falou 'qual o nome do seu namorado?' Você falou para ele do meu namorado?"

"você tem namorado?"

"Tenho ué, o Chad."

"Você não me falou nada de Chad nenhum! Quero saber tudo, ele mora em Manchester?"

"Sim, mais tarde te conto sobre ele. Mas se você não falou para ele. Como ele poderia saber?"

"Vai ver ele jogou um verde e você caiu."

"Mas por que ele estaria interessado nisso? Não faz sentido."

Gemma demorou para responder, pude ver ela digitando e apagando o texto algumas vezes até que recebi sua resposta.

", você ainda pode achar que meu irmãozinho é um bebê inocente. Mas eu sei bem que ele não pergunta esse tipo de coisa sem motivo. Ele estava genuinamente curioso acerca do seu status de relacionamento porque ele quer alguma coisa ou apenas para ter certeza que você o superou. Ele é incrível e eu amo aquela peste. Mas ele é bem narcisista. Vai ver ele pensou que você fosse ficar esse tempo todo sozinha lamentando por não estar com ele. haha"

"Hum, faz sentido."

"Se você quiser deixar ele meio curioso pergunta se ELE está solteiro. Te garanto que assim a gente descobre se era só narcisismo ou ele ainda tem alguma queda por você."

"Ele não tem uma queda por mim. Ele nem sabe mais como eu estou. Não tem como ele ter uma queda por mim."

"Lendo essa mensagem parece que você tem uma queda pelo meu irmãozinho, haha"

"Você está delirando, Gemma. Eu tenho um namorado."

"Meu bem, eu tenho um namorado também e isso não me impede de achar o Chris Pratt um gostoso e ter uma queda monstro por ele. Vai dizer que você não acha que o Harry belo e garboso?"
"Belo e garboso? hahaha"

"Eu não vou usar a mesma nomenclatura que usaria para definir Chris Pratt para falar do meu irmão."

"Você é uma idiota, igual seu irmão"

"Você não respondeu minha pergunta."

"Sim, eu acho seu irmão belo e garboso."

"Bingo. Se ele te desse mole, você pegaria, não pegaria?"

"Chega disso. Não quero mais falar sobre isso. Hoje de noite te conto do Chad, estamos meio brigados, se prepare para a conversa, haha. Vá aproveitar suas férias e pare de pegar no meu pé."

"Eu sei que você pegaria, umas oito milhões de pessoas pegariam. E você está nessa estatística."

Simplesmente ignorei a mensagem. Eu sei que com certeza ia querer em qualquer outra situação. Mas eu sou uma pessoa bastante racional, que não age por instintos selvagens. Tenho um namorado, logo não ia fazer nada. Mas se eu não tivesse namorando pensaria várias vezes antes de tentar alguma coisa com Harry. Primeiro, ele é irmão da minha melhor amiga, mas isso não me impediu antes. Mas naquela época ele me idolatrava, eu era a amiga da irmã mais velha, isso devia ser algum status para adolescentes, naquela época eu era muita areia pro caminhão dele. Mas agora? Depois da fama? Ele pode e definitivamente pega todas as modelos possíveis e imagináveis. Harry Styles definitivamente é muita areia para meu caminhão.
Eu devo ter ficado encarando a tela do meu computador por pelo menos uns 20 minutos sem fazer nada apenas pensando no que eu deveria ou não fazer. Apesar de toda minha racionalidade um pedacinho de mim ainda queria entender por que ele se interessava pelo meu status. Resolvi que mais tarde mandaria a mensagem que Gemma sugeriu, junto com ela de preferência, para que ela me ajudasse com a possível resposta.
Meu telefone tocou, era Sam me avisando que estava na hora do almoço. Juntei minhas coisas e joguei na bolsa. Corri até o elevador e sai para almoçar com o pessoal da revista.

XXX


Saí do trabalho às 17:00h em ponto e resolvi passear pela cidade, e talvez comprar algumas coisas novas para meu novo quarto. Perdi totalmente a noção do tempo dentro da Primark e só cheguei em casa às dez da noite. Tinha perdido o horário combinado de ligar para Chad.
Quando entrei em casa, Gemma estava na sala com uma toalha na cabeça comendo chips e vendo Sexta Feira Muito Louca.
- Meu Deus do céu, você está vendo esse filme jurássico? – já cheguei fazendo piada.
- Temos que relembrar a vida de Lindsay Lohan antes das loucuras do cabelo platinado. Quer ver comigo?
- Até gostaria, mas eu tenho uma ligação horrível para fazer pro meu namorado agora.
- Horrível porque?
- Bem, vou tentar ser objetiva – falei sentando no sofá, enquanto ela abaixava o volume da televisão. – No dia que eu recebi o convite para trabalhar fixo na revista fiquei super empolgada e fui contar para ele.
Gemma se manteve calada, comendo seus salgadinhos, me encarando como seu eu fosse o novo filme.
- Ele primeiramente ficou muito feliz por mim, mas entendeu que a vaga era à distância. Quando eu comecei a explicar que seria uma vaga na sede da editora ele começou a surtar.
Gemma levantou apenas uma das sobrancelhas, fazendo uma cara séria meio engraçada, o que me fez dar uma pequena risada.
- Para de fazer essa cara, eu tô tentando contar a história aqui. – Joguei a almofada na cara dela.
- Que cara? Eu só estou ouvindo, foi um movimento involuntário, não jogue coisas em mim. - E jogou de volta a almofada na minha cara.
- Tá, tá... Então, ele começou a surtar, falando que eu não podia mudar para Londres, que devíamos ficar juntos, que esse trabalho era inferior ao que eu estava atualmente e que se eu viesse para cá, nosso relacionamento estaria fadado ao fracasso por minha culpa.
- Nossa, mas ele está sendo um babaca. – Ela colocou mais salgadinhos na boca – Se ele não te apoia nisso, é complicado manter um relacionamento à distância, não acha?
Apenas suspirei.
- Você gosta dele, né? Tentem conversar numa boa, . Quem sabe ele não começa a entender melhor o seu lado?
- Me deseje sorte. – falei e caminhei para o meu quarto.
Ouvi um “boa sorte” de boca cheia dela antes de fechar a porta.
Eu ainda não havia tirado minhas coisas da mala para colocar no armário, resolvi abrir tudo e tirar pelo menos alguns vestidos que ficariam amassados para sempre se permanecessem mais dias na mala.
Ao abrir o armário notei umas três peças de roupa de Harry penduradas, e me senti como uma intrusa no quarto. Coloquei meus vestidos ao lado das roupas dele, mas não tirei de lá. Ia pedir para que Gemma as guardasse depois.
Sentei na minha cama, respirei fundo enquanto buscava o telefone de Chad nos meus contatos favoritos. Apertei para chamar ainda pensando duas vezes.
- Lembrou que tem namorado, é? – ele atendeu fazendo piada, o que derrubou o meu humor para zero.
- Eu estava trabalhando e depois precisei comprar umas roupas de cama, não precisa falar assim. – nem sequer disse alô, já que ele também não o fez.
- Eu te avisei que seria assim, aos poucos você ia me ignorar por conta desse trabalho novo e dessa mudança. – ele decidiu retomar a briga que havíamos começado ainda em Manchester.
- Não estou acreditando que você vai voltar nessa briga, novamente. Eu não aguento mais brigar sobre isso, Chad.
Ele suspirou fundo e eu me mantive calada, bufando e segurando um choro. Tudo que eu queria era desligar o telefone naquele segundo.
- Desculpa, - ele quebrou o silêncio – mas eu estou sentindo muito a sua falta, . Não consigo imaginar ficar a semana inteira sem te ver.
- Eu nem sequer tive um momento para sentir sua falta, Chad. Pois toda hora que eu penso em falar com você, essa briga começa de novo.
- Não sei o que falar, , eu ainda não concordo com essa sua mudança. Nós deveríamos ficar juntos.
- Você é muito egoísta, Chad. Eu te convidei para vir morar aqui comigo. E qual foi sua resposta?
- Isso não tem nada a ver, .
- Claro que tem, Chad, você não quis mudar para cá por conta da SUA carreira, mas tudo bem EU desistir da MINHA por sua causa, certo?
- Você mudou para Londres para escrever fofoca num jornal, isso de longe é um crescimento na sua carreira.
Eu senti gosto de sangue na minha boca nesse momento. Fiquei com tanta raiva desse comentário que acabei mordendo minha língua. Trabalhar nesse jornal em Londres sempre foi parte dos meus planos e ele sempre soube disso. Mesmo que seja na coluna de fofocas. Eu preciso conhecer as pessoas e fazer um bom trabalho para chegar aonde eu quero, mas era necessário esse primeiro passo.
- Quer saber, Chad? Eu acho que a gente precisa dar um tempo nisso, obviamente não está dando certo, não é mesmo?
- O que você quer dizer com isso?
- Temos que dar um tempo, Chad. – Comecei a perder minha voz, eu havia começado a chorar de raiva. – Não quero ficar brigando com você assim, sempre que nos falamos é apenas briga.
- Eu não quero terminar com você, . Pelo amor de Deus, isso está tomando proporções malucas. Eu te amo, e você sabe disso.
- Eu sei, e eu também te amo. Mas isso está insustentável. Eu não consigo esperar por uma mensagem. Sempre que eu vejo seu número já penso na forma como você vai me atacar por ter escolhido esse caminho para trilhar a minha carreira.
- Não tem porquê a gente terminar no meio dessa briga. Temos que nos ver pessoalmente e conversarmos sério. Eu estou nervoso e você também, mas pelo menos da minha parte, mais da metade disso é apenas saudades suas.
- Vamos fazer o seguinte, vamos nos dar um tempo por duas semanas. E depois nos vemos pessoalmente e decidimos o que vai ser desse relacionamento.
- Eu não quero dar um tempo. Você está em Londres, rodeada de gente interessante, o que te impede de se interessar por alguém?
- Pelo amor de Deus. Você acha que eu sou sua propriedade? Que se eu ficar duas semanas “sem ser sua”, eu vou começar a transar com todos os caras que me rodeiam?
- Eu não quis dizer isso. Você está exagerando. Pelo amor de Deus digo eu.
- Duas semanas, e nos veremos, posso ir até aí ou você vem para cá e conversamos. Acho que precisamos disso para aliviar essa tensão.
Ele permaneceu calado por uns minutos.
- Não vou conseguir te convencer de forma nenhuma, não é?
- Não. Eu preciso focar na minha mudança e não vou conseguir fazer isso com a minha cabeça girando em torno dessa briga. – Engoli o choro e fui firme.
- Não tenho mais nada para falar então. – disse bravo. – Daqui a duas semanas eu vou até Londres e te mando uma mensagem para nos encontrarmos. Até lá.
- Até. – falei e ele desligou o telefone.
Comecei a chorar igual a uma idiota, Gemma provavelmente ouviu um pouco da ligação já que no final eu estava praticamente berrando minhas palavras em meio ao choro. Ela bateu na porta e pediu para entrar. Quando abriu a porta me viu chorando na cama e veio me abraçar.
- Ele não te merece, nem conheço ele, mas se ele está te fazendo chorar assim ele definitivamente não te merece.
- Nós estamos dando um tempo. – falei limpando minhas lágrimas e sentando de frente para ela. – Duas semanas para vermos se vamos ou não seguir adiante com essa relação.
- Vai dar tudo certo, se vocês decidirem ficar juntos ou terminar, eu estarei aqui para te apoiar, ok? – ela me entregou um lenço que puxou de dentro da gaveta do criado mudo. – Mas não desista da sua carreira, ok?
- Obrigada, Gems.
- Que tal você vir comigo para a casa da minha mãe na semana que vem? Passamos uns dias lá, e você tira esse Chad da sua cabeça. Uns dias só de meninas.
- Vou pensar, Gems, não quero ser uma nuvem depressiva na semana feliz de vocês.
- Deixa de bobagem. Vem, vamos ver vídeos de gatinhos na internet, isso sempre me anima quando estou triste.
Dei uma risada fraca e levantei da cama para segui-la até a sala. Ainda bem que eu tinha Gemma aqui. Talvez sozinha não tivesse forças para continuar e acabasse cedendo à Chad.


Capítulo 5

Harry’s POV.

Após o show em Sydney, o tempo parecia voar. Foram sete shows em menos de duas semanas. Eu havia acabado de sair do show de Osaka, no Japão. Depois desse, tinha apenas Tóquio. E então, teria uma semana de folga antes de embarcar para América do Sul. Logo após o show em Bangkok, eu havia conversado com minha mãe sobre a possibilidade de visitá-la durante a folga, estava com saudade. Ela deu a ideia de chamar Gemma e ficarmos todos juntos na casa dela na semana. Assim todos poderiam se ver. Ao chegar no hotel deitei na cama e olhei para o teto. Pensei na possibilidade de convidar para ficar com a gente nessa semana, mas não sabia se ela aceitaria, quem sabe não estaria ocupada com trabalho, ou fosse visitar o namorado?
Resolvi ligar para minha mãe.
- Alô?
- Oi querido, como estão as coisas? Você chega amanhã?
- Oi mãe, amanhã ainda tenho show em Tóquio. Mas logo após o show vou direto para o aeroporto e já embarco para Londres.
- Que ótimo, meu bem! Estou morrendo de saudades.
- Uma dúvida. Vamos ficar na minha casa, na Gemma ou vamos para Holmes na sua casa?
- Pensei em irmos para o interior, você fica mais à vontade, não acha?
- O que você achar melhor, mãezinha. Eu só quero te ver e curtir uma preguiça.
- Vamos para Holmes então, eu já estava combinando com as meninas de irmos para lá essa semana, vou ver se adiamos para te encontrar.
- A vai estar lá nessa semana?
- Então, se você não quiser, não. Ela e a Gemma estavam combinando de viajar para lá para termos um momento de menininhas, aparentemente, e o namorado brigaram e ela está meio mal.
- Deixe de ser fofoqueira, mãe. – falei rindo, mas feliz pela informação. – Convide ela para ir nessa semana sim, mas não diga que eu estarei lá.
- Por que não?
- Para que ela não desista de ir. Se ela se incomodar comigo lá, eu posso ir embora ou pedir para alguém levá-la em casa. Mas gostaria de poder vê-la.
- Entendo, vou ver o que eu consigo fazer, meu amor. Vou falar com a Gemma, para que ela não fale que você está vindo, porque ontem conversei com ela sobre isso. Vou logo ligar antes que seja tarde demais.
- Tá certo mãe. Até depois de amanhã, te amo!
Desliguei o telefone e me deitei. Em dois dias eu veria e resolvo se surto de vez ou volto ao normal.

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O show em Tóquio tinha sido incrível. O Japão foi sensacional, se eu não estivesse esperando tanto pela minha folga, com certeza passaria um ou dois dias por aqui. Cheguei no hotel apenas para tomar banho e trocar de roupas, iria embarcar para Londres em duas horas. Tomei uma rápida ducha e coloquei uma roupa confortável para o avião. Desci para a entrada do hotel onde o meu carro já me esperava. Resolvi ligar para Gemma, eram uma da manhã aqui, então ainda estava cedo em Londres. Não iria atrapalhar em nada.
- E aí rapaz? Tá vindo?
- Olá, estou à caminho do aeroporto, mamãe falou com você?
- Falou sim, eu achei ótima a ideia de irmos todos para Holmes.
- E a ?
Gemma deu uma risada.
- Eu sabia que você não tinha ligado para saber como eu estou.
- Ela sabe que eu vou? – ignorei a alfinetada.
- Não, Harry, ela ainda não sabe de nada. Mas é melhor que ela não saiba mesmo, ela tá meio chateada com o namorado ainda, e acho que se souber que você vai estar lá vai ficar de frescura, achando que vai atrapalhar sua folga com a "nuvem depressiva" dela.
- Nuvem depressiva?
- É assim que ela tem se autodenominado. Estamos precisando animar ela de verdade. - O que foi que aconteceu para ela brigar com esse namorado?
- Ah, o cara é um imbecil, egoísta que não merece a namorada que tem. Ele inventou essa briga apenas porque ela quer seguir a carreira dela.
- Isso não faz sentido. Me explica direito, Gems.
- É assim, ele quer que ela foque no que ele acha que é pertinente, e isso tem que acontecer aonde ele estiver, basicamente. Ele é um otário.
- Mas eles terminaram? - um pequeno sorriso esperançoso se formou no meu rosto. Sem motivo aparente.
- Eles estão dando um tempo. Vão conversar no final da semana que vem.
- Ok, então o que você acha de fazermos uma pequena festa amanhã, só com nossos amigos, quem sabe ela não se anima um pouco?
- Boa ideia. Vou falar com a mamãe. Você chega que horas?
- São 12 horas de voo, que horas são aí agora?
- São cinco e meia da tarde.
- Então eu chego por volta das cinco e meia da manhã. Vou em casa, pego umas roupas, passo na mamãe e parto para Holmes. Devemos chegar lá por volta das oito ou nove da manhã.
- Perfeito, nós saímos daqui às cinco da tarde e encontramos vocês umas sete da noite, já na festa, fechado?
- Fechado!
- Boa viagem, maninho.
- Até amanhã, Gems, te amo, sua besta.

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A viagem foi muito cansativa, dormi pouco durante o trajeto inteiro, foram basicamente duas horas dormindo e dez horas pensando em como seria encontrar novamente. E o pior, numa situação de merda, já que ela estava triste por ter quase terminado com o namorado. Passei o vôo inteiro pensando se eu poderia ser uma distração para ela, se eu queria ou não ser uma distração. Que saco. Odeio ficar surtando por isso. Tomara que quando eu a ver, isso passe. Não estou mais aguentando.
Assim que pisei em solo britânico olhei meu celular e percebi que tinham mensagens de alguns "contatinhos" que estavam pensando em me ver nessa folga. Eu surtei tanto, que até havia esquecido as promessas bêbadas que eu havia feito por aí. Resolvi dispensar todos, via mensagem, porque não estava com cabeça para ver ou falar com ninguém. Eu precisava saber o que diabos eu estava sentindo pela minha paixão adolescente antes de voltar a vida de contatinhos de turnê.

Graças a Mike já havia um carro me esperando na porta do aeroporto com instruções de me levar até a minha casa. Eram 6 horas da manhã e eu estava destruído, não poderia dirigir naquela condição. Ao entrar no carro, perguntei se o motorista tinha disponibilidade de nos levar até Holmes, senão, chamaria outro carro. O senhor Hill era extremamente simpático, disse que não havia problema algum e perguntou se ele deveria cobrar isso na mesma conta ou seriam contas diferentes. Eu não fazia ideia, então respondi que seriam contas diferentes para que não houvesse erro. Vai que o Mike resolve não pagar o pobre senhor por que eu mudei o trajeto sem avisar?
Chegamos na minha casa e eu pedi para que ele entrasse e me esperasse na sala.
- O senhor aceita um café? Ou qualquer outra coisa? Acabei de chegar de viagem, provavelmente não tenho nada para comer por aqui, mas o senhor pode ficar à vontade para mexer na geladeira. - Falei subindo as escadas a caminho do meu quarto. - Não vou demorar.
- Muito obrigado, já tomei café da manhã, vou aguardar aqui mesmo. – E se manteve sentado no sofá duro como pedra. Dei uma risada, ele me lembrou um pouco o Robin. Não sei se era o jeito de falar ou algo na aparência dele. Mas eu senti uma vontade de ser amigo dele no mesmo instante.
Demorei por volta de dez minutos, quando voltei, encontrei o Sr. Hill me aguardando no mesmo local.
- Desculpe a demora, agora vamos passar na casa da minha mãe e seguiremos a viagem. O senhor tem certeza que eu não posso fazer nada pelo senhor?
- Olha, Sr. Styles, não me leve a mal. – ele disse olhando para baixo – mas o senhor não era ou é um cantor famoso de alguma banda que meninas gostam?
Dei uma risada.
- Sim, eu sou cantor, eu fazia parte de uma banda chamada One Direction, mas atualmente estou em carreira solo. – expliquei.
- Isso mesmo, será que seria muito abuso da minha parte pedir um autógrafo para minha filha? Eu não sei ao certo quem é o favorito dela, mas sei que ela gostava muito dessa banda do senhor. – Ele ainda se mantinha sentado do mesmo jeito no sofá, duro como pedra. E não conseguia me encarar. Achei graça da situação. Fui até o bloco de notas que ficava ao lado do meu telefone e puxei um pedaço de papel e uma caneta.
- Abuso nenhum, qual o nome da sua filha?
- Caroline, muito obrigado, ela vai ficar louca quando souber que o senhor andou no nosso carro.
Fiz o autógrafo e entreguei para ele.
- Ótimo, se o senhor quiser tirar uma onda com ela poderíamos tirar uma foto juntos. Falei apontando para o celular dele. E pode me chamar apenas de Harry, não tenho idade e nem experiência para ser senhor. – Dei um sorriso gentil.
Ele entregou o celular na minha mão e fizemos uma selfie juntos.
Voltamos para o carro conversando sobre música, Sr. Hill adorava Pink Floyd e várias outras bandas “da época de ouro do rock britânico”, nas palavras dele. Enquanto nós dirigimos para a casa de minha mãe, ele pediu para ouvir alguma música minha para ver se aprovava. Coloquei Sign of the Times para tocar e ele começou a curtir a música comigo.
- Olha, Harry. – Sr. Hill, que agora eu chamava apenas de Rick, já estava mais à vontade para conversar comigo. – Suas músicas antigas da banda que minha filha gosta não eram muito meu estilo, não. Mas essas aqui, eu ouviria o dia inteiro. Você é muito talentoso.
- Rick, você é muito gentil, mas como eu vou saber que você não está falando isso apenas porque está aqui no carro comigo?
- Eu não tenho papas na língua não, Harry. Teria pedido para tirar após a primeira música se eu não tivesse gostado. E talvez nem tivesse mais te dado papo. – Ele deu uma risada gostosa. E foi aí que eu percebi, ele tinha sorriso e personalidade muito parecidos com Robin. Talvez por isso eu estivesse tão à vontade com ele.
- Chegamos. – disse parando em frente à casa da minha mãe.
Pude avistar minha mãe abrindo o portão com uma pequena mala de mão. Desci do carro para ajudá-la. E também para abraçá-la. Minha mãe me apertou forte como se eu fosse sair correndo se ela não fizesse força.
- Que saudade. - falou ainda enquanto me abraçava.
Peguei as bagagens e me dirigi até o porta malas, enquanto ela entrava no carro.
Quando eu entrei ela já havia feito amizade com Rick, em menos de um minuto, essa é minha mãe. E já tinha conseguido convencê-lo a colocar um cd do ABBA para tocar. Seguimos viagem com minha querida mãe berrando Dancing Queen nos meus ouvidos.
No caminho, fiz algumas ligações e convidei o pessoal da banda para conhecer minha mãe e fazermos um pequeno jantar, assim teria desculpa para fazer algum evento mínimo que pudesse animar um pouco . Minha mãe faria um jantar com todas as nossas comidas favoritas da infância. E eu já tinha providenciado até um karaokê, igual aos jantares que costumávamos ter quando éramos um bando de adolescentes remelentos. Seria uma noite de nostalgia/não lembre do seu futuro ex-namorado/olhe para mim. Eu estava extremamente ansioso para reencontrá-la e descobrir o que diabos eu estava sentindo.


Capítulo 6

’s POV.

Minha noite foi péssima. Tive muita dificuldade para dormir pensando na conversa com Chad. Ele havia quebrado meu coração desde a primeira briga. Nunca imaginei que ele, entre todas as pessoas do mundo, não me apoiaria. Eu até entendo o fato de ele ficar mal por eu me mudar, acredito que seria assim se fosse o contrário também. Mas eu gosto de pensar que eu não jogaria no lixo dois anos de namoro e parceria por uma mudança. Uma viagem de três horas. Estamos a apenas 3 horas de distância um do outro. Não é uma coisa inviável. Desde que eu comentei sobre essa possibilidade, ele sempre se mostrou intransigente. Nem sequer tentar uma vaga em Londres ele quis. Suspirei fundo e resolvi que era hora de encarar o mundo novamente. Levantei da cama fui até o banheiro escovar meus dentes quando ouvi uma batida na porta.
- Posso entrar? - Gemma disse já entrando e sentando na cama do quarto.
Abri a porta do banheiro com a escova na boca cheia de espuma e fiz um joinha.
- Então, tudo preparado para nossa semana em Holmes? Eu liguei para o Mark e disse que se ele te liberasse a gente podia fazer uma entrevista exclusiva com o Harry sobre a turnê.
Cuspi a pasta na pia e me voltei para ela.
- E como você pretende entrevistar o Harry e ter fotos do Japão?
Gemma deu um sorrisinho bobo.
- Você já conhece os benefícios e as vantagens do mundo moderno? Já ouviu falar de internet? Telefone? Skype?
Apenas rolei os olhos.
- E fotos exclusivas como teremos?
- , pelo amor de Deus, ele tem uma fotógrafa incrível na tour. Ela deve topar fotografar algumas coisas e receber para que sejam publicadas sem problema algum.
- Mas por que diabos ele me deixaria ir até Holmes se vamos entrevistá-lo via Skype?
- Olha , se você não quiser ir, me avisa logo, que coisa, eu já me resolvi com o Mark, falei que o Harry estaria lá.
- Você está mentindo para o seu chefe. - Fiz cara de falsa moralista.
Gemma pegou uma toalha limpa que estava dobrada na escrivaninha, fez uma bola e jogou na minha cara.
- Arrume suas coisas, passo na editora às 17:00 em ponto. Então não enrole. Bata o ponto e saia correndo antes que alguém te peça algo.
Dei uma risada leve.
- Você tem certeza de que eu não vou atrapalhar? Eu não estou no meu melhor momento. E talvez eu até chore.
- Tudo bem, estamos acostumadas com choro nas noites das meninas. Até porque quase sempre, pensamos no Robin quando estamos juntas.
Até aquele momento eu nem sequer tinha me lembrado disso. Eu senti uma vontade imensa de chorar. Fui até Gemma e dei um abraço forte nela.
- Eu aqui, idiota, sofrendo por uma bobagem, e vocês perderam o Robin há um ano apenas e estão firme e fortes. Meu Deus Gems, eu vou desabar quando encontrar sua mãe sem ele.
- No início foi muito difícil mesmo. Mas eu acredito que seria muito egoísmo da nossa parte querer que ele continuasse sofrendo e com dores só porque queríamos ele por perto.
Gemma começou a ficar emocionada, e percebi ela tentando segurar um choro. De repente ela deu um grito para abafar.
- Mas que coisa! Não vamos chorar agora, esteja pronta, hoje 17:00 horas. Quero você na porta do prédio, entendido? - ela apontou o dedo no meu nariz, como uma louca autoritária.
- Tá, tá, mas que coisa! - falei jogando a toalha de volta nela.

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O dia foi bastante estressante. Mark não conseguia se conter de felicidade com a entrevista exclusiva.
- , eu quero tudo que você conseguir tirar deles. Gemma nunca falaria algo pessoal porque eles são irmãos. - Ele gesticulava muito ao falar - mas você não é da família, lembre-se você é uma repórter infiltrada. Descubra se ele está realmente de rolo com aquela modelo loira!
- Mark, por que te importa isso? Não seria mais legal uma reportagem sobre a turnê?
- Todo mundo fala sobre a turnê, mas uma confirmação de um namoro é outra coisa.
Suspirei fundo. Eu não iria confirmar nenhum namoro do Harry para revistas. Mas fingi concordar com o Mark, estou há pouco tempo trabalhando aqui, não vou contrariar o chefe que está me liberando por uma semana inteira, após 10 dias de trabalho, não é mesmo?
- Mas e se ele realmente não estiver namorando, eu faço o que?
- Descubra algo interessante para falar, coisas pessoais, o dia a dia dele, ou pelo menos arranje alguma foto boa o suficiente. Faça algo acontecer, se você não tiver uma boa matéria no final da semana eu vou descontar esses dias todos das suas férias!
Mark continuava falando alguma coisa sobre o que eu deveria perguntar para Harry. Enquanto eu comecei a lembrar de como era nosso dia a dia quando éramos mais novos.

{Flashback}

- Gemma, de onde tá vindo esse barulho?
- Ah, o Harry ganhou um karaokê portátil. - Ela disse virando os olhos - foi divertido nos primeiros dias, mas ele não para de cantar. Então colocamos no quarto dele. Pelo menos agora está abafado.
- Nossa, coitado.
- Coitada de mim. Não consigo sequer ouvir meus pensamentos! – Gemma fez uma cara irritada quando ouviu o início de outra música - Mas não é possível. - Ela saiu correndo para o quarto do irmão. Fui atrás para não ficar sozinha.
- Harry! - ela gritou abrindo a porta. - Chega! Eu quero um minuto de paz.
Entrei no quarto atrás dela. Harry estava cantando imitando o vocalista do Stereophonics. Estava hilário. Ele não saiu do personagem quando entramos de supetão. E continuou cantando fazendo uma voz idiota para deixar Gemma mais nervosa.
- Por que você faz isso comigo?
- Gemma, relaxa, deixa o menino ter infância.
- Harry, por que você não vai pra casa de alguém e deixa a gente em paz essa tarde?
Harry terminou a música, desligou o karaokê e deitou na cama.
- Cansei de cantar. Pode seguir com sua vida, Gems.
Gemma bufava.
- Deixa esse chato aí, , vamos escolher logo o filme agora que conseguimos silêncio.
Fiquei rindo da situação. Gemma e Harry sempre foram bem unidos. Mas eles brigavam por coisas muito bestas, às vezes.
- Se vocês me convidarem eu faço pipoca!
- Não, obrigada. - Gemma falou.
- Ei, eu quero pipoca, pode vir Harry.
- ! Ele vai atrapalhar.
- Ah, vai nada, deixa de frescura. Você pode escolher o filme, que tal?
Ela ponderou por um momento.
- Tá, mas faz bastante pipoca, vou escolher o filme. , busca os travesseiros.
- Pego no seu quarto, Gems?
- Pode pegar no meu também, acho que no quarto da Gemma só tem um. Eu tenho três.
- Por que você precisa de três travesseiros, Harry?
- Porque ele dorme abraçadinho com eles igual a um bebê.
Foi a vez de Harry rolar os olhos. Mas ele não respondeu nada. Apenas foi para a cozinha.

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Nem deu a metade do filme Harry, já estava dormindo no meu colo. Era o que sempre acontecia. Ele deitava no meu colo, reclamando que estava precisando esticar as pernas e eu fazia cafuné na cabeça dele. Era sempre assim. Acho que ele sempre dormia por conta do cafuné. Mas eu não resistia, o cabelo dele sempre foi ótimo de passar a mão. Como esse remelento pode ter um cabelo tão macio? Até usar os shampoos dele eu tentei uma vez, mas não funcionou.
Gemma ainda estava compenetrada no enredo do filme. E eu acabei adormecendo logo em seguida. Acordei com Anne nos chamando para jantar. Nem mesmo Gemma tinha aguentado o filme, e se encontrava jogada para o outro lado do sofá, nos apertando no outro canto.
- Não sei porquê eu vejo filme com vocês. Sempre dormem! – Ela falou, acordando e fingindo que tinha visto o filme até o fim.
Dei uma risada, ignorando o sermão de Gemma e cutuquei Harry, que estava me espremendo num meio abraço.
- Acorda, vamos jantar!
- Você é sempre tão cheirosa. É melhor de abraçar que meus travesseiros.
- Harry, deixe de ser saidinho.
- Eu estou apenas relatando um fato.
Apenas levantei rolando os olhos. Ao chegarmos à mesa, Anne tinha passado num restaurante mexicano no caminho para casa e comprado vários tacos. Sentamos à mesa e Harry começou a fazer piadas de como eu era cheirosa para Anne e Gemma. Que entraram na onda de me deixar com vergonha.

{Fim do flashback}


O sentimento de nostalgia estava preenchendo todo meu pensamento, até que eu finalmente acordei do meu transe.
- ? - Mark chamou minha atenção, aparentemente pela segunda vez - Você está prestando atenção?
- Sim, estava pensando em como fazer ele contar tudo isso pra gente.
- Ótimo, conto com você! A matéria irá para a revista Another Man. Me avise se precisar que eu envie fotógrafos.
- Ok.
Respirei fundo quando ele finalmente saiu da minha sala. Faltavam apenas 15 minutos para eu sair e fugir para o interior com Gemma. Pensei no que eu poderia escrever sobre o Harry na matéria, e me peguei pensando “será que ele realmente está de rolo com alguma modelo?”. Sem nem perceber passei 15 minutos lendo todas as fofocas acerca de qualquer possível relacionamento do Styles. Só parei ao notar que Gemma estava me ligando. Já era 17:05!
Desci correndo e fui ao encontro de Gemma, mas ainda pensava em todas as modelos que ele provavelmente costuma sair. Eu nunca teria chance com ele. Não que eu quisesse ter chance, mas definitivamente eu não teria. Ele não era mais aquele menino que arrumava desculpa para deitar no meu colo e me chamar de cheirosa. Agora eu que teria que inventar desculpas. Mas eu não queria inventar desculpas, certo? Minha cabeça começou a doer.
Cheguei até o carro e Gemma estava gesticulando a mão e batendo veementemente um dos dedos no seu relógio de pulso.
Dei uma risada e abri a porta.
- Você está muito atrasada, !
- Me desculpe, Mark ficou me enchendo o saco, ele quer que eu arranque do Harry se ele está namorando ou não com alguma modelo loira, sei lá.
Gemma deu uma pequena risada.
- Harry não está namorando com nenhuma loira, pelo menos não até o momento.
- Essa parece ser uma fofoca recorrente. - brinquei enquanto colocava o cinto de segurança.
- Que tal você aproveitar e perguntar pra ele? Afinal, ele te perguntou se você estava namorando, né? Você tem esse álibi. Talvez ele te conte algo que não contou para nós.
Olhei para ela e apenas balancei negativamente a cabeça. Gemma ainda estava com o carro estacionado e acabou pegando meu celular na bolsa enquanto eu colocava meus óculos escuros dentro da case. Ela deu uma risada boba e me devolveu o celular, com a tela nas mensagens:

“Ei Harry, Gemma inventou uma desculpa para que eu pudesse ser liberada no trabalho e ter uma pequena folga. Enfim, ela prometeu pro meu chefe que você daria uma entrevista exclusiva. Meu chefe quer saber, quem é a loira misteriosa? Me ajude a ter uma semana de folga, sim? x”
Olhei descrente para o celular.
- Eu não acredito que você enviou isso! - eu ainda encarava a mensagem - isso não é o WhatsApp, eu não posso apagar!
Enquanto eu surtava ela estava mexendo no celular dela como se nada tivesse ocorrido.
- Deixa de drama, nós duas queremos saber dessa loira aí. - Guardou o celular, ligou o carro e deu início a nossa viagem.
Eu continuei olhando para o celular na minha mão sem saber como reagir. Quando pensei em novas formas de xingar Gemma meu celular vibrou. Harry tinha me respondido:

“Loira? Você diz a Tess ou a Camille? Haha. Até onde eu sei essas são minhas últimas namoradas de acordo com os tablóides. Qual a cor do seu cabelo?”

Fiquei uns dois minutos encarando a mensagem sem entender nada. Li em voz alta para Gemma que só deu uma risada alta. E me incentivou a responder logo.
- Eu não sei o que responder!
- Responde a cor do seu cabelo, ora bolas.
- Porque?
- Eu quero saber aonde ele quer chegar, responde logo.
Rolei os olhos e resolvi satisfazer minha motorista.

“Você não lembra mais a cor dos meus cabelos?”

“Até onde eu sei as pessoas têm a leve tendência de modificar sua aparência com o passar dos anos, eu mesmo cortei meu cabelo que estava bem longo, diga-se de passagem. Você pode até ter raspado a cabeça.”

“Eu não raspei minha cabeça”

“Então retorno para minha pergunta anterior, qual a cor dos seus cabelos, atualmente? Ou você ainda continua com os cabelos castanhos que refletem um tom acobreado quando bate o sol?”
Li em voz alta para que Gemma continuasse participando.
- Meu deus, ele não vale nada! Responde que ele não vale nada. Pelo amor de Deus pega meu celular e me deixa gritar que ele não vale nada num áudio.
- Cala a boca. - eu dei uma risada, estava gostando de ter esse pequeno momento com Harry. Tinha até me feito esquecer um pouco do Chad. Me senti novamente nostálgica.

“Então você lembra da cor do meu cabelo.”

“Certamente. Ele mudou ou não?”

“Não mudou, por que você está tão interessado no meu cabelo?”

“Não estou interessado no seu cabelo, não sei se você sabe, mas o meu cabelo cresce bem sozinho.”

“Porque diabos estamos falando de cabelo?”

“Ah sim, você queria saber quem era a loira. Então, se a gente se ver algum dia desses e sair para qualquer ambiente público, você vai virar a minha namorada dos cabelos castanhos com reflexos acobreados no sol. Eu saí com elas uma vez, não namorei nenhuma delas.”

“Entendi. Mas você definitivamente saiu com elas para um encontro, não é mesmo?”

“Você realmente soa como uma repórter, esse ‘não é mesmo’ foi bem intimidador.”

“Eu sou uma repórter.”

“É verdade, sim, eu saí com elas para um encontro, não ao mesmo tempo, diga-se de passagem. Mas você não pode publicar isso.”

“Poxa vida, eu conseguiria tantas coisas, Mark ficaria super feliz com essas descobertas.”

“Elas negam até o fim do mundo terem saído comigo, então quem sou eu para falar algo? Quem sabe você não pode cobrir um dia inteiro na minha vida, eu deixo você publicar tudo desde que você não invente coisas para o seu chefe.”

“Prometido. Mas você está longe, como faríamos?”

“Você já conhece as maravilhas do mundo moderno?”

“Sua irmã me falou a mesma coisa hoje mais cedo.”

“Bem, nossa mãe é muito moderna e antenada nas tecnologias. A gente aprendeu com ela. De qualquer forma, eu tenho uma exigência para essa entrevista acontecer.”

“Eu não tenho como cumprir exigências. Se for muito complexa acho melhor eu voltar para o trabalho na segunda”

“Não é complexa.”

“O que seria?”

“Eu te digo mais tarde, vou ter que resolver umas coisas agora. xx H.”

“Você podia ter falado o que era ao invés de escrever essa mensagem, sabia?”

“Eu sabia. xx”
Rolei os olhos enquanto Gemma dava pulinhos de empolgação enquanto dirigia.
- Por que você está tão empolgada, Gemma?
- Ah, por nada, estou feliz de ir para casa e você ir comigo. É como nos velhos tempos. - Só que dessa vez sem o Harry cantando Stereophonics imitando o Kelly Jones.
Gemma deu uma risada muito alta.
- Meu Deus! Ele fazia isso mesmo naquela bostinha de máquina de karaokê.
Continuamos rindo e relembrando histórias da nossa infância e as três horas de viagem passaram voando. Quando percebi que já estávamos em Holmes, senti a nostalgia chegar ao topo.
Passamos em frente à minha antiga casa. Atualmente meus pais estavam morando em Portsmouth, uma cidade mais ao sul, que tinha um ótimo outlet, diga-se de passagem. Eles mudaram para lá pouco depois de eu me mudar para Manchester. Eles dizem que não, mas eu sei que foi porque minha irmã passou na universidade lá. Eles não conseguem ficar longe dela.
Andamos mais um pouco, até que Gemma parou em frente à casa dela. As luzes estavam acesas e haviam uns dois carros estacionados do lado de fora.
- Minha mãe preparou um jantar pra gente, com alguns amigos, relaxe que é todo mundo de casa, ok?
- Eu não estava nervosa até você falar isso. - Fiz piada e nos dirigimos para a porta de entrada carregando nossas malas.
Gemma tocou a campainha, pois não estava com suas chaves. Acho que todo o sangue do meu corpo evaporou quando vi quem abriu a porta.


Capítulo 7

Harry ‘s POV.

Eu estava deitado na cama, completamente vestido para uma festa que só começaria dentro de três horas. Tudo isso era ansiedade. A todo minuto pegava meu celular e olhava a hora. Até que do nada recebi um SMS esquisito da . Ela queria saber quem era a mulher loira que estava comigo. Ainda estava meio confuso quando menos de um minuto depois Gemma me manda um SMS.

“Fui eu, o SMS da . Responde aí. Eu sei que você queria uma desculpa para falar com ela. De nada. xx G.”

Dei uma risada. Gemma me conhece tão bem.
Fiquei alguns minutos compenetrado conversando com ela por SMS, até que minha mãe apareceu no quarto.
- Que sorriso é esse? Tá falando com quem, hein?
Olhei para o lado ainda com meu sorriso bobo no rosto. Mandei uma última mensagem para . E levantei da cama.
- . - Puxei minha mãe pra um abraço. - Estou me sentido com 14 anos. - Dei uma risada ainda no abraço. - Eu vou estragar tudo hoje de noite, mãe.
- Por que você estragaria tudo? Você está muito obcecado, meu bem. Se acalme, ela nem sequer sabe que você estará aqui.
- Sim, isso que me deixa nervoso. E se ela não quiser ficar aqui por isso? Será que não deveríamos avisar?
- Pare de drama. Você é sempre muito dramático. Vamos descer, o Mitch acabou de chegar com aquela mocinha simpática que toca na sua banda também.
- Sarah.
- Isso mesmo, vá lá conversar com seus amigos enquanto eu termino o jantar. Teremos macarronada hoje!
Desci até a sala. Sarah e Mitch estavam sentados no sofá.
- Sejam bem-vindos à Holmes! O que acharam?
- Adorável. - Sarah respondeu me olhando da cabeça aos pés. - Você está muito arrumado.
- Não estou não. - Olhei pra baixo - Eu uso essas roupas no dia a dia.
- Usa coisa nenhuma. Você usa camisetas, bermudas, fica nu, fica descalço. Porque você está tão arrumado?
- Eu não estou arrumado. Só estou com roupas pretas.
- Você está usando roupas de entrevista. Era para estarmos arrumados assim? Achei que esse jantar era só para família. Sem imprensa.
Mitch levantou do sofá e começou a analisar minhas roupas. Eu usava com uma camisa de botão preta, uma calça, também preta e minha botas.
- Vou testar uma coisa. Mitch falou enquanto tirava uma jaqueta de couro preta que ele estava usando por cima de uma camiseta do Pink Floyd e colocando sobre meus ombros.
- É, você está a um terno de distância de um tapete vermelho. Quem vem para esse jantar? Você está tentando impressionar alguém.
Eu ainda olhava abismado para eles quando minha mãe entrou na sala e na conversa:
- Ah, vocês não estão sabendo? - ela deu uma risadinha - ele se arrumou todo para a . Ela está vindo com a Gemma.
- Mãe! - olhei pra ela fazendo uma careta.
- O que? É óbvio que você está querendo impressionar a , meu bem. Não precisa disso. Ela não tem como escapar do seu charme. - E deu uma piscada para os dois.
Dei um tapa na minha testa e me joguei no sofá. Minha mãe sempre consegue me envergonhar na frente dos outros.
- Ah, está vindo para cá? - Sarah fez uma cara de animação. - Estou louca para conhecer essa menina. Harry não calou a boca sobre ela durante os últimos dias.
- Nossa, ele falou tanto dela que todo mundo está criando expectativas. - Mitch respondeu pegando a jaqueta dele de volta.
- Não mais do que ele, eu garanto! - minha mãe voltou a atenção pra mim.
- Quero só ver quando ela chegar aqui. Ele vai surtar de vez ou pensar porquê fiquei tão obcecado, não era nada demais.
Mitch, Sarah e minha mãe continuaram conversando por mais um tempo pegando no meu pé. Finalmente mudaram de assunto e conversamos sobre o Japão e sobre a Clare falando japonês no último show. Não percebi o tempo passar até que eu ouvi o barulho do carro estacionando. Me levantei com o coração batendo mais rápido do que eu esperava. Ouvi a campainha e fui até a porta. Era agora ou nunca.
Quando eu abri a porta olhei para Gemma cheia de malas nas mãos. E olhei para ela. continuava a mesma, um pouco menor do que eu me lembrava. Talvez eu tenha crescido. Os cabelos dela estavam com um corte diferente, mas ela ainda tinha a mesma aparência. O que me fez voltar a ter 16 anos em questões de segundos. Para controlar minha baderna emocional resolvi agarrar a Gemma.
- Surpresa! - falei e puxei Gemma para um abraço. - Que saudade de você!
- Você é um idiota. Não era para ter vindo abrir a porta. Você era a surpresa! Pega minhas malas, por favor?
Ignorei a fala de Gemma e suas malas, respirei fundo e me dirigi à . Que estava parada do mesmo jeito na porta. Ela estava congelada, da mesma forma que algumas fãs ficavam ao me ver pela primeira vez. Dei um meio sorriso. Será que ela também estava sentido o que eu senti? Ou foi apenas o baque de me ver depois da fama?
- Oi, tudo bom? Posso te dar um abraço? - falei me aproximando aos poucos.
- Vocês são uns idiotas, Styles! - ela acordou do transe - Como você não me fala que ele estaria aqui, Gemma? - Gemma apenas ria da situação, ela foi a única que percebeu o tanto que eu estava nervoso - E você, falando comigo por sms... - ela apontou o dedo pra mim. - é claro que você pode me abraçar. Seu idiota!
Dei um abraço apertado nela. O cheiro do perfume dela não era o mesmo. Mas continuava tão bom quanto eu esperava.
- Você sempre muito cheirosa, não é mesmo? - ela me olhou balançando a cabeça negativamente e sorrindo.
- Olha quem fala! Você vai sair daqui para uma sessão de fotos? Quem usa blusa de botão em casa? - ela entrou em casa junto com Gemma, que apenas apontou as malas no chão e pediu para que eu pegasse.
Mitch ouviu ela falar sobre a minha roupa já se aproximou para conhecê-la. Enquanto eu carregava tudo para dentro sozinho. continuava espontânea como sempre e pareceu não ficar intimidada comigo, como outras pessoas ficavam. Ela estava se comportando como sempre.
- Estávamos justamente conversando sobre isso mais cedo. Ele está ridiculamente bem vestido para uma ocasião familiar. - Ele estendeu a mão direita para . - Meu nome é Mitch.
- Muito prazer, , mas todo mundo me chama de . - Ela estendeu a mão para apertar a dele. - Mas era de se esperar né? Harry sempre faz essas coisas. Lembra quando ele juntou quatro meses de salário da padaria para comprar aquela jaqueta ridícula, Gems?
- Sim! Caríssima e ele parecia um palhaço. Usava ela diariamente. - Soltei as malas perto da escada e fui me defender.
- Aquela jaqueta que vocês chamam de “ridícula” por acaso era uma Tom Ford original, ok? Comprei ela numa promoção incrível. Ela me deixava ótimo. E eu não usava diariamente. Só em ocasiões especiais.
- Claro, maninho, andar pelas ruas de Holmes e seguir a gente era sempre uma ocasião especial.
deu risada concordado e continuou conversando com Gemma e Mitch. Peguei as malas delas e falei que deixaria tudo no quarto da Gemma. Subi as escadas e Sarah veio atrás de mim trazendo uma pequena bolsa que eu havia deixado para trás. Percebi que era só uma desculpa para ela poder falar comigo.
- E então? - ela me encarou assim que chegamos ao quarto de Gemma.
- E então o que?
- Você gosta dela ou não? O que você sentiu?
- Nostalgia. Borboletas no estômago. Sei lá, ainda não sei ao certo. Mas eu estou gostando de ver ela novamente. Eu tinha me esquecido o tanto que ela me conhece. Ela não está me tratando diferente do que costumava. E muita gente faz isso quando me reencontra.
- Ela cresceu com vocês?
- Cresceu com a Gemma, eu me meti no meio, na maioria das vezes. - Dei uma risada. - Vamos descer, agora é hora de karaokê!
Cheguei lá embaixo e estava abraçada chorando com minha mãe. Resolvi não chegar perto, elas estavam falando do Robin, com toda certeza. Sentei ao lado do Mitch e ouvi a campainha tocando. Jeff e Clare estavam chegando. Eles eram os últimos convidados pra chegar, o restante não poderia vir. Depois que eles chegaram e a "festa" começou, acabei não conversando mais direito com , ela estava muito compenetrada falando com Gemma e minha mãe. Aparentemente sobre o namorado/ex dela. Resolvi deixar ela ficar à vontade, mas eu me peguei encarando-a várias vezes durante a noite. Ela me olhou bem menos vezes. Pelo menos que eu tenha notado, geralmente sou bom em notar quem me olha.
Sarah e Mitch passaram a noite do lado dela de conversinha. Eu fiquei revezando entre Gemma, mãe, Jeff e Clare. Até na hora que começamos a brincar com o karaokê. Não me senti confiante para fazer piadas com ela da mesma forma que estava fazendo com os outros. E percebi que ela também estava receosa. Talvez no dia seguinte poderíamos conversar com mais tranquilidade. Mas o plano de fazê-la não pensar no ex até o momento parecia funcionar.
Mais tarde eu estava na mesa com minha mãe e notei conversando com Clare e Sarah, muito animada e sorridente. Elas estavam escolhendo o que iriam cantar no karaokê.
- Estou muito feliz com todos vocês aqui hoje. - Minha mãe falou enquanto eu ainda encarava sorrindo as quatro escolhendo “Spice Up Your life” das Spice Girls em meio a pulinhos empolgados. - Ela continua a mesma menina doce de sempre.
- Que bom, ainda não tive oportunidade de conversar com ela. - Voltei minha atenção para minha mãe por um momento, elas estavam procurando a música na internet para cantar.
- Sabe, filho, esse namorado dela é muito maluco. Não vejo como pode dar certo. Mas ela gosta muito dele.
- Ah é? E porque você está me falando isso, mamãezinha? - dei uma risadinha - Você quer me desencalhar a qualquer custo, não é mesmo?!
- Não estou falando por isso. Apesar de achar que ela seria uma ótima nora. Eu não ia precisar pensar em como conversar com ela. Diferente das outras.
Apenas rolei os olhos e aproximei minha cadeira da dela para poder abraçá-la de lado enquanto víamos as meninas iniciando a música. , como sempre, animada e agitada, era o contrário de Gemma, que sempre foi tímida, sempre roubava a cena. Gemma sofria muito quando eu e íamos no karaokê. Sempre tínhamos duetos e coreografias bobas, porém elaboradas. Elas tinham começado a música, e faziam a coreografia da canção. Eu acompanhava a dança das quatro e ria com a animação excessiva de todas elas. , que era a que mais tinha motivos para estar triste da casa, era a mais animada. Meu plano estava realmente dando certo. Ela estava se divertindo ao invés de pensar no namorado tosco.
- Mas você acha que a gente daria certo, mãe? - perguntei sincero. - Ou seria igual a esse namoro dela?
- Eu acho que sim. Mas vocês teriam que se gostar muito. Você não deve fazer nada se não tiver certeza do que quer. é a melhor amiga da Gemma. Pode dar muito errado se você quiser só brincar. - Ela me olhou séria.
- Entendi. Você sabe que eu não faria nada assim, não é? - falei e ela apenas concordou com um aceno na cabeça. As meninas dançavam e faziam graça com Mitch e Jeff que estavam sentados por perto. O que me deixou levemente com inveja. - Gemma me falou que o problema do namorado é com a mudança para Londres, é isso? - voltei ao assunto anterior, percebi que minha mãe estava bastante protetiva sobre . Imagino que ela tenha falado mais coisas sobre o cara para minha mãe nessa conversa.
- Sim, o rapaz até falou que ela estava dando passos para trás na carreira dela. Nenhum pouco animador.
- Mas ela mudou mesmo assim. Isso mostra que ela é bem decidida. - Dei um sorriso e pisquei um dos olhos quando ela olhou para nós durante a música. Era a primeira interação direta desde que nos falamos quando ela chegou. Ela deu um tchau para nós.
- Sim, mas ela está bem triste com tudo isso. Acho que quando vocês forem conversar, você pode colocar um pouco mais de perspectiva para ela.
- Perspectiva de que?
- Vida. Amor. Essas coisas. Você fala bem. Explica para ela com seu jeitinho que ela pode sim largar desse rapaz e continuar feliz. - Ela apertou nosso abraço. - Você sempre foi bom com seus amigos para essas coisas, talvez consiga ajudá-la.
Fiquei calado e aproveitei mais um pouco o abraço e colo da minha mãe. Até que Gemma puxou minha mãe para dançar com elas como a quinta integrante do grupo. Sentei no sofá com os rapazes e ficamos rindo da performance.
Quando acabou a música, Gemma sugeriu que elas cantassem outra coisa, Clare sugeriu uma música do One Direction, eu apenas ri e fiquei olhando a situação de longe.
- Vamos cantar No Control. É uma música que a gente pode inventar coreografia facilmente. - Clare falou rindo e tomando mais um gole da sua taça de vinho.
olhou para mim diretamente nesse momento.
- Me desculpa, Harry. - Olhei para ela confuso e ela continuou - Eu não conheço as músicas do One Direction. - deu uma risadinha - Mas eu sei cantar umas partes de Drag me Down e What Makes You Beautiful. - Ela fez dois joinhas, que eu respondi com uma risada alta.
- Não fico ofendido não, tá tudo bem! Você não é obrigada a saber as músicas.
- Mas se te deixa melhor eu sei todas as músicas do seu CD solo. - falou confiante - Bem mais meu estilo. - Ela levantou o ombro e deu um sorriso de lado. Acho que eu devo ter ficado até vermelho nesse momento, porque Mitch me deu um cutucão. E me fez olhar para o lado assustado.
já tinha voltado para as meninas e elas estavam ensinando para ela quais seriam as partes da música que ela deveria cantar. No final das contas, elas cantaram What Makes You Beautiful, e cantou as minhas partes, surpreendentemente bem. Ela tinha uma voz boa, que foi inclusive elogiada por Clare, que é professora de canto. Mitch constantemente me cutucava e me fazia parar de encarar . Eu devia estar parecendo um idiota. Quando ela começou a cantar Medicine com Sarah e Clare, Gemma estava comendo e resolveu apenas assistir.
Graças a Deus ela evitou me olhar durante a música. Quando ela cantou "I had a few, got drunk on you and now I’m wasted", eu quase caí para trás no sofá, ainda mais porque ela cantou a segunda parte da música e adicionou o que as minhas fãs falam nos shows "And when I sleep I’m gonna dream of how you… Tasted". Parecia algum tipo de tortura. Eu sequer conseguia fazer contato visual com ela. Mitch somente ria sentado do meu lado. Gemma estava quase cuspindo macarrão de tanto que ria de mim. , por outro lado, sequer notou minha loucura mental. Ela cantava e dançava de olhos fechados com Clare.
Mitch resolveu que eu deveria cantar depois, e que ele escolheria a música. Quando elas acabaram, levantei do sofá e anunciei que era minha vez. Elas sentaram, e Mitch escolheu a música Wild Thoughts da Rihanna. Dei um sorriso para ele e comecei a cantar. Cantei a música para Mitch, e brinquei com Sarah. Mas não tive coragem de sequer olhar para durante. Eu estava incrivelmente tímido/covarde. Gemma continuava rindo da minha cara de idiota.
A noite passou rápido, quando me dei conta já eram 01:00 da manhã, e nossos convidados estavam se despedindo. Todas as minhas tentativas de me aproximar dela para uma conversa falharam miseravelmente, não por falta de oportunidade, foi falta de coragem mesmo. Gemma e me deram abraços de boa noite e subiram as escadas. Minha mãe subiu em seguida. Eu não estava com sono, troquei de roupa, colocando meu pijama, e resolvi ir para o quintal. Nós tínhamos feito uma piscina no último verão. Peguei umas das cadeiras de sol e virei de costas para a água, nós sempre tivemos essas cadeiras, mesmo quando não tínhamos piscina. Era sempre familiar deitar nelas, aproveitei para olhar o céu enquanto pensava e elaborava o que eu tinha sentido ao ver novamente. Não acho que eu esteja apaixonado, mas eu definitivamente estava sentindo alguma coisa. Eu sabia que não era apenas nostalgia. Mas não conseguia comparar o que estava sentido hoje à nenhum sentimento palpável. Era oficial, eu perdi de vez a cabeça. Obrigada por isso, .
Não sei quanto tempo se passou, mas acabei adormecendo deitado na cadeira. Acordei com um barulho de violão atrás de mim. Olhei com cuidado e percebi concentrada mexendo no meu violão e anotando coisas num caderno surrado. Dei um pequeno sorriso. Ela estava escrevendo alguma música, pelo visto. Eu sempre soube que ela escrevia poemas muito bons, inclusive, ela me ajudou a escrever uma música da época da escola para uma peça de teatro. A música ficou ótima, minha performance por outro lado foi terrível. Fiquei por alguns minutos olhando-a de longe e admirando sua existência. Meu Deus do céu. O que diabos eu estou fazendo com a minha vida? Resolvi levantar da cadeira e falar com ela. Ela não notou minha aproximação até que cheguei realmente perto dela.


Capítulo 8

’s POV.

Eu estava sem sono nenhum. Deitada na cama ao lado de Gemma, que estava a um passo de começar a roncar. Fiquei pensando no que havia acontecido na noite de hoje. Passei a noite me divertindo com todo mundo. Mas evitei Harry a todo custo. E o que eu mais queria era ter falado com ele. Notei ele me olhando algumas vezes durante a noite. Talvez ele estivesse receoso de se aproximar para conversar, achando que eu ia surtar como fiz quando ele abriu a porta. Resolvi levantar da cama. Desci para a sala. Ao chegar lá me deparei com a máquina de karaokê e lembrei das nossas brincadeiras quando mais novos. Essa noite toda estava muito nostálgica. Eu me sentia em casa. Harry estava completamente maravilhoso. Não havia como negar. Ele estava mais confiante, menos vulnerável e bem mais esperto. Dava para perceber o motivo de tanta gente se apaixonar por ele. Eu gostaria de ter conversado com ele melhor. Será que ele ainda era como costumava ser? Comecei a ficar mais confusa. Sempre que eu fico assim, minha solução é colocar tudo no papel. Escrever poemas ou pequenas canções. Sempre fiz isso, desde uns 14 anos de idade. Uma vez, inclusive ajudei Harry com uma música que ele tinha que escrever para a escola. Dei um sorriso ao lembrar desses momentos. Lembro que quando ele devia ter uns 14 ou 15 anos de idade, me deu um poema de aniversário. Escondido, foi quando ele se declarou para mim. Não me lembro mais o que dizia, mas ele conseguiu ganhar um beijo meu naquele dia. E foi quando eu comecei a me deixar levar por um menino de 15 anos. Balancei a cabeça e peguei meu caderno na bolsa que estava pendurada perto da porta. Sentei no sofá e comecei a rabiscar algumas ideias. Olhei para o lado e me deparei com um violão. Tentei dedilhar algumas notas e pensei que seria melhor ir para o quintal. Alguém poderia acordar se eu ficasse tocando violão na sala.
Cheguei no quintal e haviam duas espreguiçadeiras. Uma delas estava do outro lado da piscina de costas para água, e a outra estava próxima à porta. Sentei nessa por estar mais perto e continuei escrevendo e dedilhando algumas coisas.
“Todo mundo ama as coisas que você faz
Desde o jeito que você fala
Até o jeito que você se move
Todo mundo aqui está te observando
Porque você dá sensação de lar
Você é como um sonho que virou realidade”
Olhei para o caderno e tentei pensar num ritmo para esse pequeno trecho que eu havia escrito. Estava muito concentrada até que acordei do transe com alguém falando comigo.
- Você sempre pega as coisas dos outros sem pedir? - Harry com uma calça de pijama xadrez verde, uma blusa branca e um cabelo extremamente bagunçado apareceu do meu lado.
- Meu Deus, que susto! - falei e ligeiramente peguei meu caderno e fechei no meu colo.
- O que você está fazendo?
- Nada. - Tirei o violão do meu colo e dei espaço para ele sentar na espreguiçadeira.
- Você estava escrevendo uma música? - ele pegou o violão do chão e começou a dedilhar as mesmas notas que eu havia tocado há pouco. - Posso ajudar?
Eu senti meu rosto ficar quente, provavelmente estava completamente vermelha. Não você não pode me ajudar. Eu meio que estou escrevendo uma música sobre você ou sobre a gente? Fiquei calada pensando essas mil coisas enquanto ele ainda me encarava. Os olhos dele brilhavam com o reflexo da lua na piscina. Meu Deus, quando foi que ele ficou tão maravilhoso assim?
- Não é bem uma música. É mais um poema que eu acho que pode vir a ser uma música. Não sei. - Comecei a falar rápido e ele continuou me encarando em silêncio. Prestando atenção no que eu dizia enquanto continuava dedilhando ritmos diferentes. - Mas eu não consigo mostrar pra ninguém nada que eu escrevo. Principalmente se estiver pela metade.
- Eu entendo. - Ele falou calmamente colocando o violão para o lado e deitando ao meu lado. - Mas eu posso ouvir quando ficar pronta? Prometo não contar para ninguém. Você sempre fez poemas bons.
Eu estava sentada no canto e ele deitado ao meu lado olhando para cima. Continuei sentada como pedra.
- Se eu gostar, eu te mostro.
- Eu quero ouvir mesmo se você não gostar.
- Não sei se consigo.
- Essa pode ser minha condição para dar sua entrevista. - Ele deu um sorriso esperto. Olhei para ele com cara de derrotada.
- Tá bem. Quando eu terminar mostro para você. Mas ninguém pode saber, combinado?
- Será o nosso segredo! - ele afastou um pouco para o lado. - Você não quer deitar?
- Não, estou bem sentada. - Não tinha coragem pra deitar lado dele.
- Tá certo. - Ele levantou um pouco o apoio da cadeira e continuou deitado, porém agora estava um pouco mais levantado para poder me olhar mais diretamente. - Então, não conseguimos conversar direito hoje. Como você está?
- Bem. - Respondi automaticamente.
- Você não parece bem. Gemma me contou mais ou menos sobre o seu namorado. Você quer falar sobre isso?
Desde que chegamos eu havia falado sobre o Chad somente com Anne, e depois disso não pensei mais nele a noite inteira. Até aquele momento.
- Não quero te aborrecer com isso.
- Me aborreça, eu estou sem sono mesmo. Eu já sei que minha mãe não gostou muito dele. O que já deixa a imagem dele 50% manchada comigo. - ele deu um sorriso pequeno. - E como eu sei que você está mal com tudo o que está acontecendo, entra mais uns 20% de problemas pra ele.
- Então você já não gosta dele 70%?
- Isso mesmo. Estou apenas aguardando seu veredito para chegar no 100% ou voltar ao 0.
Dei um meio sorriso. Eu não tinha escapatória.
- Bem, é meio idiota. Mas nossa briga agora está em torno da minha mudança. Ele não aceitou muito bem.
- Você conversou com ele sobre essa vaga e a mudança antes?
- Sim, desde o ano passado eu falo para ele que gostaria de me candidatar pra ela. Mas ele sempre se opôs. Acho que ele gostaria que eu continuasse na mesma empresa que ele.
Harry continuou calado ouvindo a história. Ele me encarava prestando muita atenção, parei de olhar para ele para conseguir me concentrar.
- Acho bobagem essa briga. Nós tínhamos planos de morar juntos até o final deste ano. Mas ele não quer largar Manchester. Acho que o maior problema é que ele traçou vários planos para a nossa vida, mas esqueceu de me consultar.
Harry estava sério ouvindo a história. Fiquei calada por alguns segundos e ele resolveu falar.
- Ele deve gostar muito de você, não é?
- Não sei. Quando a gente gosta de alguém fica feliz por suas conquistas, não acha?
- Sim, isso é primordial. - Ele começou - Mas eu entendo o lado dele, não apoio, mas entendo.
- Me explique então, porque eu não entendi até agora.
- Talvez ele achasse que você estava feliz aonde estava, que seus planos para Londres não envolvessem residência fixa e mudança para lá. E que os planos que vocês fizeram estavam de pé. Talvez ele tenha se enganado acerca do que você queria por não te ouvir direito?
- Talvez eu não tenha sido tão enfática acerca da minha vontade de ir para Londres desde o início. Mas quando a oportunidade surgiu, eu sentei e falei com ele meses antes. Até para que ele pudesse tentar algo por lá.
- Mas será que ele não está satisfeito com o que ele tem lá?
- Ele nunca falou isso.
- Esse deve ser o problema então. Ambos têm ideias diferentes para o futuro. E nenhum conversou de verdade com o outro. Às vezes precisamos fazer escolhas difíceis.
- Você acha que eu tenho que escolher entre ele ou a minha carreira?
- Não acho nada. Eu acho que vocês devem conversar. Pode ser que estejam dispostos a tentar. Mas alguém vai ter que abrir mão de algo.
- Você já passou por isso, Harry?
- Sim. - Ele deu um pequeno sorriso - Com você.
- Comigo? - olhei confusa - Como assim comigo?
- Eu estava completamente apaixonado por você quando fui para o X Factor. E apesar de você achar que não, eu precisei decidir. Se eu queria desistir de tudo e ficar com você ou se eu deveria te ouvir e seguir em frente.
- Você fez a escolha certa. - falei dando um sorriso - Olha pra você agora!
- É, mas eu só consegui fazer essa escolha porque você me apoiou. Se você tivesse pedido para eu ficar talvez eu não tivesse me entregado à oportunidade. - Ele sentou e me olhou no fundo dos olhos. O que me fez parar de sentir as pernas por alguns segundos. - Por que você falou aquilo para mim?
Fiquei alguns segundos pensando, e ainda meio paralisada com o olhar dele. Até que consegui responder.
- Eu também gostava de você. E tudo que eu queria era que você fosse feliz. Mesmo que isso significasse te perder.
Eu nunca tinha falado aquilo em voz alta. Depois que as palavras saíram da minha boca, eu senti meu rosto corar.
- Eu entendo o sentimento dele. Mas acredito que se ele gostasse de você, da mesma forma que você gostou de mim, ele te apoiaria.
Senti minha garganta fechar. E não consegui segurar o meu choro. Harry me abraçou forte.
- Vai ficar tudo bem. Você gosta dele, não é? Quem sabe se vocês conversarem francamente, não consigam contornar isso?
- Harry, você acha que eu deveria terminar com ele?
- Eu acho que você tem que fazer o que for melhor para você. - Ele continuava me abraçando. - A única coisa que eu posso te garantir é que eu estarei aqui por você. Para o que precisar.
Eu afastei o abraço ainda com lágrimas descendo por minhas bochechas. Harry puxou a manga longa de sua camisa e usou para secar. Me deu um beijo na testa e segurou meu rosto bem de frente para o dele.
- Eu posso parecer meio maluco ao falar isso, até porque a gente não se vê por quase uma década, mas eu me importo demais com você, . Você é como se fosse da minha família. Estou muito feliz de você ter voltado para nossas vidas. E te garanto, agora você não escapa mais! Vai ter que me aturar para sempre.
Continuei calada, mas com um pequeno sorriso. Ele soltou meu rosto e segurou minhas mãos ao perceber que eu estava começando a ficar com frio.
- Eu também estou feliz de ter reencontrado vocês.
- Presta atenção. - ele falou apertando forte a minha mão. - Se você precisar de mim, eu estarei aqui. Ok? Estarei sempre a um SMS de distância. - E deu um sorriso bobo para me animar.
- Se você precisar de mim, eu também estarei aqui para você.
Harry me abraçou mais uma vez, dessa vez mais para me aquecer.
- Eu sei que sim. - Ele falou no abraço. - Vamos entrar, você vai congelar aqui e eu não tenho nenhum casaco para te emprestar.
Soltei o abraço.
- Peraí. - levantei correndo da espreguiçadeira, fui até a sala e peguei o cobertor que eu havia trazido comigo. - Pronto, podemos ficar mais um pouco aqui fora agora! - disse sorrindo. - Quero aproveitar um pouco mais essa noite. Ainda estou sem sono.
Harry deu um sorriso, pegou o cobertor da minha mão e jogou por cima de nós dois. Ele me encaixou no seu colo e ficou fazendo carinho na minha cabeça. Passamos o resto da noite relembrando momentos da nossa infância, até que chegamos ao nosso pequeno romance.
- Sabia que foi aqui nesse mesmo quintal que eu escrevi aquele poema para você?
- Não sabia.
- Nesse mesmo dia eu escrevi uma meia música, mas foi em outro lugar. A música eu só terminei na banda. Ela está inclusive em um dos nossos CDS.
- Sério? - olhei para ele de lado. - Eu conheço, será?
- Pouco provável, já que você não ouvia One Direction. - ele deu uma risada gostosa. - Me diga quais músicas você conhece.
- Hum… conheço What Makes You Beautiful.
- Não é essa. Próxima tentativa.
- Conheço… - parei um tempo para pensar - No Control, porque vocês cantaram no carpool karaokê. E eu sou fã do James. Aí eu vi.
- Não é essa.
- Conheço Perfect. Mas essa é da Taylor né? - falei rindo.
- Não é essa. - Ele continuava sorrindo com a boca fechada.
- Eu conheço aquela que o James produziu também. Que você tá fantasiado de nerd. E dançam. Não sei o nome.
- Não é essa. Acho que você não conhece mesmo. Você só conhece alguns singles.
- É o que tocava na rádio, né. - falei fazendo piada.
- É uma música mais lenta. Não sei se ela tocava nas rádios. Mas as fãs sempre gostaram. - Lenta? Não sei mesmo.
- O nome da música é If I could Fly. Conhece?
- Não conheço.
- Imaginei. Eu escrevi algumas partes dela no mesmo dia que escrevi o poema para você.
- Então é para mim a música? Posso me sentir importante?
- Você é importante! - ele apertou um pouco nosso abraço. - Você quer ouvir?
- Sim! - quando fui pegar meu celular para procurar a música na internet percebi que ele havia levantado e pegado o violão do chão. - Você vai tocar pra mim?
- Claro. Era para ser um presente pra você mesmo. Depois que eu terminar a música eu te falo o que eu escrevi para você e o que foi escrito depois, ok?
Apenas acenei com a cabeça. Harry começou a tocar o violão e a cantar a música.
Eu nunca tinha ouvido Harry cantar ao vivo depois de ficar conhecido. A voz dele tinha mudado tanto desde a adolescência. Ele cantava bem quando mais novo, mas a voz dele estava muito melhor agora. Eu realmente nunca tinha ouvido aquela música antes. Como assim ele escreveu aquilo para mim? Eu estava em outro planeta ouvindo-o cantar. Ele fechou os olhos enquanto cantava e abria apenas para olhar para o violão em alguns momentos. Percebi que de alguma forma ele estava nervoso por estar cantando. Talvez na metade da música, tivesse desistido da ideia. Mas cantou até o final.
- Que coisa mais linda, Harry.
Ele colocou o violão para o lado.
- As partes que eu escrevi para você foram essas, me empresta seu caderno? Prometo não olhar suas anotações.
Entreguei o caderno e ele começou a escrever. Depois de um tempo me devolveu o caderno.
“De: Harry
Para:
Presente de aniversário 2010, nunca entregue porque eu resolvi entrar numa boyband.
Desculpe.
'Preste atenção, espero que você ouça porque eu baixei minha guarda
Agora estou completamente indefeso

Apenas para seus olhos, eu mostrarei meu coração
Para quando você está sozinha e esquece quem você é
Eu sinto falta de metade de mim quando estamos separados
Agora você me conhece, apenas para seus olhos
Apenas para os seus olhos

Eu posso sentir seu coração dentro do meu, eu sinto isso, eu sinto isso
Eu tenho saído da minha cabeça, eu sinto isso, eu sinto isso
Saiba que estou apenas perdendo tempo e eu espero que você não fuja de mim.'
Todo o resto da canção foi escrita depois de eu estar muito tempo sem te ver e com outras pessoas me ajudando, então ela não é toda sua, mas essa parte específica sempre será somente e totalmente sua.
Feliz aniversários e Natais atrasados.
H.”
Olhei para o caderno e quase comecei a chorar de novo.
- Por que você faz isso comigo?
Ele deu apenas um sorrisão e me abraçou de lado.
- Porque eu gosto de você, ué. Vamos dormir, já está tarde. - Ele me ajudou a levantar e me deixou na porta do quarto da Gemma. - Até amanhã, .
- Até amanhã, obrigada pela conversa e pela música. - Dei um beijo na bochecha dele e fui para dentro do quarto. Mas a última coisa que eu pensava era em dormir. Maldito Styles. Me faz entender o meu namorado e termina a noite fazendo isso comigo. Gemma estava certa. Ele não vale nada mesmo.
Entrei com cuidado no quarto para não acordar Gemma. Eu estava fechando a porta vagarosamente com muita cautela para não fazer barulho. Assim que eu soltei a fechadura a luz do quarto acendeu.
- Muito bem. - Gemma estava sentada na cama me encarando, ainda com a mão no interruptor. - Abra o bico.
Olhei para ela assustada e comecei a rir.
- Abrir o bico sobre o que?
Não se faça de desentendida, senhorita, eu acordei não te encontrei na cama e como eu sou - uma ótima amiga me preocupei que você estivesse sofrendo sozinha na sala.
Fiquei calada, Gemma continuou com uma voz sarcástica.
- Cheguei na sala já me preparando para te consolar e vejo você e o meu irmãozinho abraçados numa espreguiçadeira. - Ela começou a sorrir - Abra o bico!
Continuei rindo.
- Bem, eu estava sozinha na espreguiçadeira pensando na vida, até que o seu irmãozinho veio puxar papo comigo.
- Chegue logo na parte do abraço na espreguiçadeira, por favor.
- Te acalma, não estávamos fazendo nada demais. Ele apenas conversou comigo sobre o Chad. E me fez entender um pouco que o meu namorado pode estar sentindo nessa minha mudança. Eu acabei chorando no meio da conversa e ele me abraçou. Foi isso.
- Nossa, você mente que nem sente, . Pelo amor de Deus, todo mundo da casa ouviu ele tocando If I Could Fly para você. Vocês se beijaram e tão de rolo secreto de novo? Não me deixe de fora disso. - Gemma estava muito agitada.
- Não nos beijamos. Eu até poderia se eu quisesse - tirei onda e Gemma deixou seu queixo cair com a minha audácia. - Estou dando um tempo com o Chad, então não seria uma traição ao certo. - continuei brincando.
- Fala sério!
- Tá, vou explicar.
Ela continuou calada e balançou a cabeça para me apressar a contar.
- Em 2009, no meu aniversário, Harry me deu um poema de presente, onde ele meio que se declarava para mim, naquele dia foi a primeira vez que eu dei um beijo nele.
- Ele te fez um poema de amor? Ele é um ridículo. Adorável, mas ridículo.
- Pois é, estávamos falando sobre isso e ele me falou que nesse mesmo dia ele havia começado a escrever um música que seria meu presente no ano seguinte. Mas ele não finalizou a música e acabou indo para o X Factor no ano seguinte.

Peguei meu caderno e mostrei anotação que Harry tinha feito. Gemma pegou e leu tudo.
- Meu Deus! - Gemma deu um tapa na testa dela, largou o caderno. - Eu acabei de entender o 'você devia saber'! Como eu sou uma idiota!
Fiquei calada encarando Gemma.
- Harry não é de fazer essas coisas e dar nome aos bois, sabe? Mas eu sei de uma coisa sobre essa música em específico.
- O que?
- Ele nunca me diz para quem ele escreveu nenhuma música. Sempre fala que era apenas um sentimento ou uma ideia do além. Mas essa música, no dia que ele me mostrou pronta ele me falou que era para uma pessoa que ele realmente havia amado. - ela deu uma pausa - Quando eu perguntei quem era, ele só disse 'você devia saber'.
- Você acha que ele falou sério? Ele não estava só se aproveitando do momento?
- Olha, conheço bem o meu irmão, ele com certeza se aproveitou do momento. Mas eu garanto que essa música é para você. Se não fossem, ele não falaria isso. Ele é esperto, mas não é mentiroso.
Peguei meu caderno de volta e olhei novamente a página escrita.
- E outra, - Gemma continuou - Você tem um papel escrito e assinado de próprio punho dele falando que a música é sua. Você pode comprovar até num tribunal. - ela começou a rir. - Você ainda gosta do Harry, ?
- Não sei o que eu sinto pelo Harry. - falei sincera - é uma mistura de nostalgia e surpresa, ele mudou muito, mas só para melhor.
- Sim.
- Mas eu tenho o Chad, que eu sei que amo, ou acho que amo. - Eu estava começando a duvidar dos meus sentimentos. - Eu costumava adorar falar do Chad e estar com ele. Mas ultimamente tem sido difícil. E te garanto que ter um popstar gato cantando para você de madrugada, não ajuda a manter a cabeça no lugar.
Gemma deu uma risada e começou a arrumar o travesseiro dela.
- Sabe, , eu não gostaria de estar no seu lugar. Mas uma coisa é certa, se você conseguir melhorar as coisas com o Chad, eu vou te apoiar 100%. Você precisa pensar em você, e não neles.
- Ah, sabedoria plena de Gemma Styles.
- Estarei aqui a noite toda! - ela deu um sorriso.
- Vamos dormir, quem sabe eu não receba algum sinal divino durante o sono? Ou quem sabe algum ser superior não faz o Chad voltar a ser a pessoa que eu me apaixonei?
- Vamos torcer! - Gemma disse apagando a luz do quarto. - Boa noite, .
- Boa noite Gems.


Capítulo 9

Harry’s POV.

Depois que deixei na porta do quarto de Gemma, voltei para a piscina com meu celular e fones de ouvido. Eu não estava conseguindo dormir de jeito nenhum. Acredito que seja o jetlag do Japão ainda fazendo efeito. De qualquer forma, além disso, também tinha . Depois dessa conversa com ela percebi que estava me deixando levar por um sentimento que há tempos não sentia. Conversar com era natural. Eu parecia saber dizer exatamente o que ela queria ouvir. Meu plano original era chegar aqui, conversar com ela e perceber que eu estava exagerando nas expectativas. Mas desde que eu olhei novamente para ela, não consigo. A todo momento crio novas expectativas em cima de expectativas anteriores. Respirei fundo e coloquei meus fones na orelha. Fui para minhas músicas e coloquei no aleatório. Vamos ver se o universo me ajuda a resolver minha confusão mental por meio de canções. Dei uma risada percebendo o tanto que eu soava cada vez mais idiota desde que descobri que estava de volta na vida da Gemma, e consequentemente na minha.
Quando eu ouvi o primeiro acorde da música já comecei a rir. O universo só pode estar de brincadeira comigo.


“Eu poderia ficar acordado
Só pra te ouvir respirar
Te ver sorrir enquanto dorme
Enquanto está longe e sonhando
Eu poderia passar a minha vida
Nesta doce rendição
Eu poderia ficar perdido neste momento pra sempre
Cada instante que passo com você
É um momento que eu valorizo”


Steven Tyler, o meu correspondente do universo, cantava I Don’t Wanna Miss a Thing. Dei apenas um sorriso, o universo realmente estava me mandando um sinal? Resolvi fechar os olhos e cantar o resto da música enquanto pensava em , inevitavelmente.

“Eu não quero fechar meus olhos
Eu não quero adormecer
Porque eu estaria te deixando, amor
E eu não quero perder nada
Porque mesmo que eu sonhe com você
O sonho mais doce não serviria
Eu estaria te deixando, amor
E eu não quero perder nada”

Quando a música acabou e resolvi ir para o meu quarto. Em poucas horas iria amanhecer, e minha mãe provavelmente ficaria brava se soubesse que eu passei a noite no frio.

xxx


Consegui dormir por algumas horas. Acordei com o barulho da minha mãe preparando o café da manhã cantando Daytripper de uma forma desordenada na cozinha. Me levantei e fui ao seu encontro.
− Dormiu bem, mãezinha? - dei um abraço nela por trás e um beijo estalado na sua bochecha.
− Dormi sim, meu bem, e você?
− Ah, eu dormi pouco, acho que ainda estou no horário do Japão. Acho que vou ter sono de tarde. - Peguei alguns copos e comecei a colocar a mesa da cozinha.
− Se você continuar dormindo de tarde nunca vai organizar esse sono. A América do Sul tem um fuso horário diferente também. Se você ficar dormindo aqui de tarde não vai acordar lá.
− É, mas lá eu estarei trabalhando. Várias pessoas vão me fazer entrar na linha. Mas essa semaninha aqui eu posso dormir o tanto que eu quiser.
Continuei colocando a mesa e conversando com minha mãe sobre o dia a dia na turnê e não percebi Gemma chegando.
− Bom dia! - ela estava um sorrisinho no rosto de quem sabe de alguma coisa.
− Bom dia, flor do dia. - Puxei ela para um abraço. Eu realmente sentia falta dessas duas no meu dia a dia.
− Tá feliz demais hoje de manhã, pra quem não dormiu nada de noite, não?
− Claro que estou feliz, estou com vocês, não é?
Minha mãe fez um “oh” veio me dar um beijo na bochecha e passou a mão na minha cabeça fazendo carinho.
− Deixa de besteira. Você está com saudades da gente, blá blá blá. O que foi que o senhor fez com a naquela espreguiçadeira logo ali? Conta pra mamãe, seu safado!
− Eu não fiz nada! - olhei para minha mãe que me encarou fazendo cara de espantada. - Não fiz nada mãe! A gente só conversou.
− Você tocou até música pra ela, seu canalha. - Gemma começou a ajudar a colocar a mesa. Enquanto ria.
− Eu conversei com ela, como a mamãe pediu. - Levantei meus ombros.
− Realmente pedi, mas explica essa história de música?
− Como você sabe da música, Gemma? Ela te contou?
− Eu ouvi com minhas próprias orelhinhas. Não sei se você percebeu, mas a janela do meu quarto fica bem em cima de onde você estava...- ela sentou - dando em cima da minha melhor amiga comprometida descaradamente.
− Eu não estava dando em cima dela. Apenas cantei uma música que eu fiz pra ela quando ainda tinha uns 15 anos. Estávamos relembrando. – dei um sorrisinho torto.
Minha mãe resolveu pegar no meu pé junto com Gemma.
− Meu amor, você precisa esperar ela pelo menos terminar com o namorado atual pra fazer essas coisas. Mas eu apoio que você continue tentando. é um ótimo partido.
− Isso, sem dúvida nenhuma, é verdade. - Gemma começou. - Mas não invente de enrolar minha amiga que eu te mato.
Dei uma risada e deixei as duas pegarem no meu pé. Elas já estavam fazendo planos para meu casamento. Minha mãe fez questão de falar que eu não poderia usar nenhum terno estampado na cerimônia.
− Mas eu fico tão bem com estampas, mãe!
Nesse momento chegou na cozinha, nos deu bom dia.
− Diga para elas, , eu fico bem com ternos estampados, não fico? - passei com minhas torradas com abacate por ela e sentei na mesa.
Ela não estava entendendo nada, mas respondeu mesmo assim.
− Fica, aonde você quer ir estampado?
− No meu casamento. Imagina um Gucci florido? - fiz piada enquanto minha mãe fez uma cara de ofendida.
− Você não pode chamar mais atenção do que a noiva, Harry. - Gemma falou.
− Vocês estão planejando o casamento do Harry?
− Elas fazem esse tipo de coisa. - falei puxando uma cadeira para ela sentar ao meu lado.
− E você vai casar com quem?
− Essa posição ainda está vaga, mas se você quiser se candidatar estou com inscrições abertas. - Dei um sorriso de lado e pisquei para ela. Que ficou vermelha no mesmo instante.
− Você é muito bobo. - Ela pegou um pedaço de pão e começou a passar manteiga tentando disfarçar as bochechas rosadas. - Mas vou concordar com elas, você não pode usar estampa no seu casamento.
− Vou tirar uns pontos da sua classificação de minha noiva por isso. - falei mordendo minha torrada e sujando meu rosto. Gemma riu e jogou um guardanapo na minha cara.
− E quem disse que eu quero essas pontuações?
− Olha só? Me desdenhando? Você ganha pontos por isso.
rolou os olhos e resolveu que, se não podia me vencer, iria se juntar a mim.
− Então, vamos combinar o seguinte, você pode usar terno estampado no nosso casamento, desde que eu não precise te mostrar a música.
− Você é esperta. Ganhou mais pontos, acho que até o final da semana eu vou ter que ir atrás de um anel para você.
− Se eu não for a madrinha desse casamento, eu mato vocês dois. - Gemma falou, provavelmente para me fazer parar de encarar .
Continuamos fazendo piadas durante todo o café da manhã. Quando terminamos de comer, Michal, namorado de Gemma, chegou. Ele não pôde vir na noite anterior devido à uma reunião de trabalho.
Gemma levantou da cadeira para poder apresentar a Michal pessoalmente. Eles só haviam conversado por FaceTime umas duas vezes. Gemma e Michal têm agendas bem ocupadas. Mas ainda assim conseguem fazer o relacionamento deles funcionar.
Ele sentou na mesa para comer alguma coisa, quando eu percebi encarando o celular e ficando pálida. Ela pediu licença e saiu da cozinha para atender uma ligação. Nesse momento eu queria me transformar numa mosca e segui-la para saber o que tinha deixado ela tão assustada. Gemma percebeu que eu estava preocupado.
− Eu olhei a tela, é o Chad. - Ela me falou baixinho, para que ninguém notasse. Michal e minha mãe estavam conversando sobre abacates quando eu resolvi inventar uma desculpa qualquer para tentar ver como estava.
− Com licença, vou tomar um banho para ver se o sono do Japão passa. Já, já estou de volta.
Subi as escadas correndo e comecei a andar mais devagar ao passar pelo quarto de Gemma.
“Você não deveria ter me ligado para falar isso” ouvi falar com a voz meio chorosa.
“Eu não precisava saber disso. Nós estamos separados essa semana, não é? Aproveite sua vida, então. Não quero saber de nada. Vamos conversar na semana que vem. Tchau.” Ela desligou o telefone e começou a chorar ainda mais. Fiquei receoso de entrar, mas eu não aguentei. Bati na porta do quarto, que estava entreaberta.
− Posso entrar?
Ela sentou na cama limpando as lágrimas. E acenou positivamente com a cabeça.
− O que aconteceu? Você quer falar sobre isso?
Ela respirava fundo para tentar controlar o choro. E balançou negativamente a cabeça. Eu estava de pé de frente para ela, que estava sentada na cama ainda tentando controlar o choro com sua respiração pausada. Peguei um copo de água que estava no criado mudo de Gemma, fui até o banheiro e joguei a água velha fora e enchi o copo com água de uma jarra que estava na escrivaninha.
− Toma, vai te fazer sentir melhor.
Ela ainda estava calada, tomou a água e conseguiu se acalmar mais.
− O que aconteceu? Eu posso te ajudar de alguma forma?
− Chad… - ela respirou fundo e bebeu mais um gole de água - ele me ligou.
− Certo, isso é ruim porque...?
− Porque ele me ligou para pedir desculpas.
− Mas isso é ótimo, porque você está chorando?
− Me pedir desculpas porque ele dormiu com a Madison.
Fiquei sem reação. Por alguns segundos e ela continuou.
− Me ligou para dizer que me ama, que foi um erro, que a culpa era minha por ter inventado essa semana separados.
− Ele falou que a culpa era sua?! - esse cara estava cada vez pior para mim. Como diabos se envolveu com um cara assim?
− Sim. Eu o mandei se foder primeiro. E depois relembrei que ele pode fazer o que quiser essa semana. Não estamos juntos. Mas que eu não precisava saber. - Ela bebeu água novamente tentando engolir o choro.
− Já sei, ele falou que se você não soubesse, ele se sentiria um mentiroso, que de alguma forma você descobriria e ele preferia que você soubesse por ele?
− Precisamente.
− Caralho, nós homens somos muito previsíveis.
apenas levantou os ombros. Eu me ajoelhei na frente dela e a puxei para um abraço apertado.
− Eu sinto muito. Você merece muito mais do que isso, .
− Ele estava tão preocupado comigo morando sozinha em Londres e todos os homens que eu iria transar que esqueceu de cuidar dele. - ela deu uma risada de desdém - ele pediu desculpas por ter sido ‘seduzido’.
− Ele é um merda. Espero que você conte ponto negativos para ele agora.
− Pontos negativos? - ela falou confusa.
− Sim, para ele não virar seu noivo.
Ela deu uma risada quando entendeu que eu estava continuando a piada do café da manhã.
− Você é muito bobo!
− Pelo menos agora você está sorrindo! Não quero você triste.
− Me desculpe. - Ela falou.
− Não tem nada pra desculpar, se eu encontrar com esse Chad, eu vou dar um murro na cara dele.
− E você lá tem jeito para dar murro nas pessoas, Styles?
− Eu treino boxe, se liga! - levantei e comecei a mostrar meus movimentos.
− Nossa, que elegância. - Ela fez piada.
− Não se deixe levar pela minha beleza. Eu treino todos os dias na turnê. Garanto que consigo apagar um jornalista com meu murro.
Ela deu mais uma risada.
− Obrigada por ser um idiota, Styles.
− Vamos sair hoje de noite, vou terminar de te animar, pode ser?
− Tá bem, mas por favor pare de pular e dar murros no ar. Eu não quero ter uma crise de choro de riso!
Olhei para ela com cara de ofendido. Fiz ela levantar da cama e voltar para a conversa com o pessoal. Pelo menos assim ela esqueceria um pouco sobre o babaca do namorado dela.


Capítulo 10

’s POV.

Eu ainda estava sem entender porque Chad dormiria com alguém sem mais nem menos. E porque diabos ele me ligaria na manhã seguinte. OK, ele percebeu o erro e me ligou, isso é nobre ou manipulador? Tinham apenas 8 dias desde que demos nosso tempo e ele já estava transando com outras mulheres. Eu jogava minhas coisas com raiva na mala enquanto pensava muito rápido. Gemma olhou de lado, estávamos arrumando minhas coisas pra eu me mudar para o quarto de hóspedes. Michal tinha chegado e eu não seria a empata foda do casal.
- Você está bem? - Eu ainda não havia falado para Gemma do telefonema com Chad.
- Não estou. - Sentei no chão. Que saco, eu estava parecendo uma louca, toda hora queria chorar. Gemma sentou ao meu lado e passou o braço por cima do meu ombro.
- Tudo bem você chorar, sabia? Não é como se tudo estivesse bem com você. Eu notei que o Chad te ligou hoje cedo. E eu sei que o Harry conseguiu te animar de alguma forma. Mas se você quiser me falar, eu posso tentar te ajudar.
Respirei fundo e relembrei a conversa que tive pela manhã com Chad.
{flashback}
- Alô, Chad, aconteceu alguma coisa? - atendi preocupada, afinal tínhamos combinado não conversarmos até o final dessa semana. Ouvi um suspiro forte do outro lado da linha.
- É tão bom ouvir a sua voz, . Eu estou sentindo muito a sua falta. - Meu coração apertou. Eu também sentia a falta dele. Essa situação toda era uma merda. - Mas eu acho que o que vou te falar agora vai fazer você me odiar.
- Do que você está falando, Chad? – senti meu coração começar a bater mais rápido.
Primeiro de tudo, eu quero que você saiba que eu te amo.
Fiquei calada, mas meu corpo começou a perder os sentidos. Minhas mãos estavam formigando, meu estômago começou a embrulhar e ficar frio. Comecei a sentir um princípio de dor de barriga. Sempre que fico nervosa, perco controle de todas minhas funções vitais.
- O que aconteceu, Chad, me fala logo. - Comecei a sentir meu coração bater ainda mais forte. Eu estava à beira de um colapso nervoso.
- Ontem à noite eu estava muito mal, sentindo sua falta. - Ele pausava a fala de tempos em tempos, como se estivesse esperando que eu gritasse. - Saí com o pessoal da faculdade, e acabamos enchendo a cara.
Eu continuava calada.
- Quando resolvemos voltar para casa, Madison chegou na nossa mesa e ficou conversando comigo e os caras. Todos foram embora e eu fiquei sozinho com ela.
Fechei os olhos esperando que ele não falasse nada depois disso. Ou que ele falasse que eles tinham se machucado. Ou que alguém entrou com um carro pela janela do pub. Tudo, menos o que eu já sabia que ele iria falar.
- Eu não sei como chegamos a isso, mas eu acabei dormindo com ela.
Eu pude sentir meu coração quebrar. Meu peito se aqueceu e eu perdi o controle das minhas pernas. Sentei na cama, ainda calada, apenas sentindo as lágrimas descerem pelo meu rosto. Respirei fundo.
- Porque você está me falando isso? Eu não precisava ouvir isso agora. Muito menos desta forma. Você está fazendo isso só para me machucar? Está tão bravo com a minha mudança assim?
Pude ouvir ele chorando do outro lado da linha.
- Não quero te machucar. Eu só queria que você soubesse por mim, e não por terceiros. Eu estou muito arrependido, isso não teria acontecido se você estivesse aqui.
- Você está colocando a culpa do seu impulso sexual de merda em mim? Você não consegue ficar duas semanas sem transar que a culpa é minha? Vai se foder, Chad.
- Me desculpa, eu me expressei errado, você tem todo direito de estar com raiva. Eu te entendo. Mas por favor, me entenda, eu te amo.
- O caralho, Chad, se me amasse não teria sequer iniciado essa briga de merda que está criando toda essa situação. Isso tudo é sua culpa.
- Não. Se você nunca tivesse se mudado… - ele começou a falar, mas eu já estava chorando, nervosa e sem paciência, interrompi antes que ele completasse a sentença.
- Você não precisava ter me ligado para falar isso! - quase gritei, me controlei apenas por saber que preocuparia demais as pessoas no andar de baixo. - Eu não precisava saber disso. Nós ainda estamos separados essa semana, não é? Aproveite sua vida então. Não quero saber de nada. Vamos conversar depois. Tchau.
Nem sequer dei tempo para que ele pudesse falar mais alguma coisa. Desliguei o telefone e me sentei na cama chorando.
{fim do flashback}
Eu estava novamente chorando por relembrar tudo que aconteceu ao contar. Gemma me abraçou de lado.
- Ele não sabe te dar valor, .
- Mas será que ele não está certo, Gems? - falei limpando minhas lágrimas com as costas das mãos.
- Certo em quê?
- Se eu não tivesse me mudado? Não acha que as coisas estariam bem?
- Eu acho que se você não tivesse mudado, talvez descobriria tarde demais quem é o verdadeiro Chad.
- Eu não sei mais o que achar. - Respirei fundo parando de chorar - Eu quero terminar com ele. Mas não sei se devo. Será que não estou agindo de forma precipitada? Nós nem sequer estamos juntos essa semana. Estamos dando um tempo, então ele pode fazer o que bem entender, não?
- Olha, isso vai depender de uma coisa primordial, você está do lado da Rachel ou do Ross?
- Han? Falei confusa.
- Friends, , acorda pra vida. Ross fala que eles estavam dando um tempo, então era ok transar com outra pessoa. Rachel não concorda.
- Mas em Friends foi diferente, ele fez isso em menos de 24 horas. Já estamos na segunda semana.
- Mas eles estavam ou não dando um tempo?
- Eu não consigo ficar do lado do Ross nessa.
- Então porque você ficaria do lado do Chad? Ele é o Ross nessa situação.
Dei um meio sorriso. Styles e suas artimanhas para me fazer mudar o pensamento.
- Seu irmão aprende com você essas coisas, né?
- Acho que eu que aprendi com ele isso. Harry sempre foi bom em animar as pessoas com coisas bestas ou comparações idiotas. Teve uma época que ele até queria ser psicólogo. Imagina! – ela deu uma risada.
- Ele me chamou para jantar hoje de noite. Será que eu vou?
- Ué, porque não? Meu irmão geralmente leva a gente para lugares legais e paga tudo, se aproveite disso para se animar. - Ela levantou do chão e me estendeu as mãos. - Vem, vamos levar suas coisas para o seu quarto privativo agora. Infelizmente, a cama de lá não é tão boa quanto a minha. Mas você vai superar.
Levantei e fui com ela até o quarto de hóspedes levando minhas malas e um travesseiro enquanto ria.
xxx

Harry sumiu pelo resto do dia. Tivemos um dia bem de meninas, Anne estava sendo minha mãe durante esse momento. Até falar mal do Chad ela falou para me animar. Tudo isso enquanto tomávamos champanhe.
Quando notei a hora já eram sete da noite, nem sinal de Harry. Será que ele havia esquecido do nosso jantar? Eu estava pegando meu celular para mandar uma mensagem para saber se estava de pé ou eu deveria me arrumar quando meu telefone vibrou na minha mão.

"Oi :)"

Era um sms de Harry.

"Oi, eu já ia te mandar uma mensagem, estava com o celular na mão."

"Que bom, já está se arrumando?"

“Na verdade, não, estava vendo TV com sua mãe aqui."

"Pois então, vá se arrumar, às 20:00 nós saímos."

"Ok."

Subi e tomei um banho rápido. Depois comecei a pensar, o que será que eu devo vestir? Eu estava ficando realmente nervosa. Não vi o Harry o dia inteiro, e não sabia o que ele estava tramando, muito menos como ele se vestiria. Parecia um encontro real. Comecei a ficar nervosa. Respirei fundo e olhei minha mala. Não havia nada de grandioso. Então, eu não tinha muito para onde correr. Coloquei minha calça jeans skinny, ela tinha dois furos enormes nos joelhos. O que para mim deixava a calça melhor ainda. Mas se ele tivesse planejado algo chique, eu estaria enrolada. Se bem que não tem nada chique aqui em Holmes. Adoro minha cidade natal, mas convenhamos, aqui é basicamente setor rural. Coloquei uma blusa de seda branca com alças finas e sequei o meu cabelo. Eu estava me maquiando quando Gemma bateu na porta e entrou no meu quarto.
- E aí, o que você acha? - levantei e dei uma volta. - Eu não trouxe nenhum salto, então vou usar o meu vans preto. Porque a outra opção é um chinelo. - E dei uma risada e levantei os ombros.
- Você está ótima, tem algum casaco? Está meio frio lá fora. - Gemma falou mexendo na minha mala, como se fosse minha mãe.
- Eu só trouxe o meu casaco da Gap, que não funciona com essa roupa.
- Peraí, acho que tenho um perfeito. - Gemma saiu do quarto, enquanto eu finalizava minha maquiagem e colocava meus sapatos.
Assim que terminei de amarrar o meu cadarço ela apareceu segurando uma jaqueta preta de couro com detalhes internos florais bem intensos, era uma jaqueta muito bonita. Na hora que ela me entregou eu notei o emblema da Gucci.
- Isso é uma jaqueta da Gucci? - falei segurando a jaqueta como se fosse um bebê. - Eu não posso usar isso aqui. Se eu estragar são três meses do meu salário para te devolver.
- Deixa de ser idiota. - Ela tomou a jaqueta da minha mão e colocou sobre meus ombros - olha como completou o look!
Me olhei no espelho, e realmente estava demais.
- Qualquer jaqueta preta faz esse efeito, você não tem nenhuma da Primark aí não? - fiz piada.
- Eu só tenho essa. E se você falar uma coisa dessas na frente do Harry, se prepare para uma hora de sermão sobre caimento e curvas corretas.
- Tá bem. Vou usar, mas porque você me obrigou, se eu estragar essa jaqueta a culpa é sua!
- Se você conseguir estragar essa jaqueta num jantar a gente fala como garoto propaganda da marca para ele dar nosso dinheiro de volta.
Comecei a rir. Estava pronta. Agora era só encontrar o Harry.
- Harry está pronto?
- Acho que sim, vamos descer?
Anne estava na sala conversando com Harry quando eu desci com Gemma.
- Como você está linda, meu bem! - Anne levantou e me deu um abraço - Aproveitem bastante a noite, qualquer coisa me ligue!
Harry levantou do sofá e me deu um sorriso matador. Ele estava usando roupas que ficaram normais em qualquer pessoa. Mas nele pareciam acentuar toda sua beleza. Ou talvez o champanhe da tarde ainda esteja fazendo efeito. Ele usava uma calça branca, que parecia ser ter sido costurada no corpo dele pela forma que ela servia tão bem, a mesma blusa preta de botão que ele usou no dia que eu cheguei, dessa vez alguns botões estavam abertos, eu conseguia ver uma parte de suas tatuagens e um colar prateado de cruz. Ele estava colocando uma jaqueta que ia até metade de suas coxas naquele momento. Estava lindo, sem se esforçar. Maldito. Deu um beijo na bochecha da mãe dele.
- Não nos esperem acordadas. - fez piada e estendeu o braço pra mim - Vamos lá?
Dei uma risada, mas foi de nervoso mesmo, olhei para trás, Gemma e Anne olhavam para nós como se fossemos filhotes de cachorro. Dei um tchauzinho e saímos porta a fora. Do lado de fora havia um Audi R8 parado na garagem ao lado da Range Rover que Gemma dirigiu até aqui. Eu não sabia que era o carro do Harry, até ele abrir a porta para que eu pudesse entrar. Entrei e fiquei pensando, como esse carro veio parar aqui? Harry não veio com um motorista?
- O que foi? - ele disse sorrindo me vendo confusa dentro do carro.
- Esse carro estava aqui antes? Achei que a gente ia no carro que a Gemma trouxe.
- Não estava. Pedi para trazerem. Gemma vai levar de volta para Londres com você na volta. Minha mãe vai ficar com a Range.
Fiquei calada. Nos últimos dois dias eu tinha me esquecido que agora Harry era milionário.
- Eu tinha achado que Gemma tinha alugado o carro.
- Ah, não, a Range Rover foi um dos primeiros carros que eu comprei. Era do Robin. Minha mãe gosta de andar nele e eu não me desfiz dele quando comprei esse porque ele é especial para gente… - ele deu uma pausa ao falar - Gemma veio com ele porque sabia que minha mãe não ia querer voltar para Londres no Audi.
- Entendi. - falei e continuei calada. Estava me sentindo meio fora do meu ambiente naquele carro.
- Você está bem? - ele perguntou depois que eu fiquei calada novamente.
- Estou bem, não estou acostumada com você dirigindo. - falei sincera - E nem com esses carros esportivos.
- Quando eu estiver de férias, vou te levar para Los Angeles, aí você pode andar nos meus carros velhos.
- Quantos carros você tem, Harry?
- Eu tenho 3 aqui na Inglaterra e dois em Los Angeles. Mas os de lá são modelos antigos. Gosto muito de carros com mais história. Costumo alugar vários diferentes nos Estados Unidos, só para dar uma volta.
- Você é muito esquisito, Styles.
Ele levantou os ombros. E manteve seus olhos na rua. Rapidamente estávamos no nosso destino.
- Chegamos! - Ele estacionou o carro. - Espera aí, que eu vou abrir a porta para você. - Dei uma risada e esperei - Pronto, senhorita, pode descer. - Ele estendeu novamente o braço.
- Você é um palhaço mesmo!
Chegamos ao The Cobbles Tearoom Courtyard, e imediatamente reconheci o local. Harry percebeu que eu havia reconhecido e deu um sorriso pequeno.
- Lembra daqui? - ele segurou minha mão para me guiar até a entrada. - Sim, viemos aqui no nosso encontro secreto. - dei uma risada - Nós tomamos chá e dividimos um café da manhã. Ele deu outro sorriso pequeno, dessa vez notei sua covinha aparecendo. Chegamos até a porta e uma senhora muito simpática veio nos receber.
- Boa noite, Harry! - Ele deu um abraço com apenas uma das mãos, a outra ele mantinha segura na minha. - Essa é a ? - Ela me cumprimentou da mesma forma.
- Sim, senhora. - Ele deu um sorriso - Conseguiu separar a nossa mesa?
- Certamente, querido, vamos lá. - Ela dava passinho curtos, e nos levou vagarosamente para uma mesa pequena que ficava isolada num jardim interno. - Aqui vocês estarão seguros. - Ela deu um sorrisinho. - Logo mando alguém aqui com o cardápio. Aproveitem a noite.
Essa tinha sido exatamente a mesma mesa que ficamos da outra vez. Harry realmente pensou em tudo.
Alguns minutos depois o garçom chegou, fizemos nossos pedidos e Harry pediu um vinho. Estávamos estranhamente calados. Harry me encarava, mas não dizia nada. Apesar de estarmos calados, eu não me sentia desconfortável. Estava olhando todos os detalhes do restaurante. Que era um lugar bem charmoso, e com uma carta de chás enorme. Eu nunca tinha vindo no jantar aqui. Só no café da manhã.
- Você lembrava o nome daqui? - Cortei o silêncio ainda olhando ao nosso redor.
- Sim, eu sempre venho aqui tomar café da manhã pelo menos uma vez quando estou em Holmes. - Ele tomou um gole do vinho que havia chegado.
- Eu não me lembrava. - Harry ainda me encarava. - Por que você está me olhando assim?
- Você está muito bonita. - ele disse despretensiosamente - Não consigo evitar. Me desculpe.
Eu estava tentando formular alguma resposta quando nosso jantar chegou. Começamos a comer.
- Isso está muito bom - ele disse apontando para o prato dele - Você deveria ter pegado um igual ao meu.
- O meu também está bem gostoso.
- Ah é? Deixe-me ver. - ele simplesmente colocou o garfo dele dentro do meu prato e roubou um camarão inteiro do meu risoto! Que por acaso eu havia colocado no canto para aproveitar bem depois.
- Você roubou meu camarão! - Eu falei brava e ele apenas riu de boca cheia.
- Quer de volta? - ele abriu a boca
- Não, seu nojento! - peguei meu garfo e roubei um pouco do macarrão dele. - Nossa, que saco, meu camarão devia estar bem melhor. - Coloquei na boca. Ainda balançando negativamente a cabeça. Ele deu um sorriso e chamou o garçom. Mostrou algo no cardápio e voltou a me olhar.
- Deixe de drama. - Ele continuou sorrindo. - Me conta, como está sendo trabalhar na editora? Eu sei que Gemma adora. Mas quero saber de você, está cumprindo suas expectativas?
- Por enquanto eu ainda estou me adaptando. Mas estou gostando sim.
- Eu sei que você não quer fazer carreira nessa parte de músicas e celebridades, você quer fazer o que?
- Quero trabalhar com reportagens investigativas, política essas coisas. - Harry apenas concordava com a cabeça. Eu comecei a rir quando ele colocou mais macarrão que devia na boca. - Você tá parecendo um esquilo com toda essa comida na boca. - Ele apenas balançou a cabeça e continuou mastigando. Eu estava prestes a reclamar mais uma vez do camarão roubado, quando o garçom chegou à mesa com uma porção de camarões.
- Muito obrigado! - Harry falou para o garçom. Então ele pegou um camarão e jogou dentro do meu prato - Pronto, seja feliz.
Comecei a rir novamente.
- Eu não acredito que você pediu uma porção inteira de camarões só porque eu reclamei que você comeu o meu.
- O objetivo desta noite é te animar. Se o preço for um camarão, tá fácil. - Ele riu e pegou um camarão da porção para comer.
Continuamos a noite rindo, Harry pediu uma sobremesa enorme para nós dois. Ele comeu mais da metade dela sozinho. No final do jantar eu nem sequer me lembrava do Chad. Harry sabe envolver alguém numa conversa. Ele passou a noite perguntando tudo da minha vida. Me senti num daqueles perfis de revista adolescente. Acho que ele me fez responder tudo que já perguntaram para ele.
- Qual sua cor favorita?
- Roxo.
- O que costuma chamar sua atenção em encontros? - ele deu uma piscada e começou a rir. - Ok, acabaram minhas perguntas.
- Percebi que você estava fazendo um perfil de revista comigo.
- Você não respondeu a última.
- Na pessoa ou no encontro em si?
- Pode ser os dois.
- Hum. - comecei a pensar. - Geralmente a primeira coisa que eu reparo em qualquer pessoa é o sorriso. E se os olhos sorriem junto.
- Como assim os olhos sorriem junto?
- Por exemplo, tem gente que quando sorri, não demonstra felicidade.
- Meus olhos sorriem junto? - ele falou e deu um sorrisão - E aí?
- Sim, seus olhos sorriem junto. - Dei uma risada - Você sempre sorriu com os olhos, acho que é por isso que eu sempre reparei isso em outras pessoas, Gemma também sorri assim.
- Entendi. Então, o que você repara é o sorriso?
- Sim, e os olhos. - Falei encarando os dele e percebi pela primeira vez na noite ele corar.
- E em encontros? - Ele estava vermelho, mas não se deixou abalar.
- Bem, eu nunca pensei em nada. Mas eu gosto de coisas pessoais.
- Entendi. - Ele chamou o garçom e pediu a conta - Você quer mais alguma coisa ou eu posso fechar?
- Ah, quero não, obrigada. - Achei esquisito ele de repente ficar apressado. - Nós já vamos embora?
- Sim, vou te levar num lugar ainda. - Ele pagou a conta e agradeceu ao garçom.
Nos levantamos e Harry foi novamente até a senhora que nos recebeu. Deu um abraço nela e agradeceu pela mesa. Saímos e fomos direto até o carro.
- Eu adoro Holmes. - Harry falou assim que sentamos no carro. Fiquei calada e olhei para ele. - Nenhuma câmera saindo do restaurante. Posso andar normalmente.
- Ninguém mexe com você aqui?
- Às vezes no centro se eu estiver à pé, sempre aparece alguém. Mas em geral, aqui as pessoas estão acostumadas a me ver.
- É engraçado, eu não consigo te ver como o cara famoso que você é. Você é tão normal.
- Bem, se prepare psicologicamente, porque se você for para algum lugar comigo em outra cidade sempre vai ter alguém tentando me fotografar. - Ele deu partida no carro. - E eu sou normal, te falei isso desde que a gente começou a conversar por sms, lembra?
Apenas revirei os olhos. Harry começou a dirigir por uma estrada estranha.
- Aonde estamos indo?
- No meu esconderijo.
- Esconderijo? Você tem um esconderijo?
- Sim, desde criança esse é o meu lugar. - Chegamos no meio do nada. E eu continuei sem entender.
Harry saiu do carro, abriu o porta malas e tirou um cobertor imenso e grosso. Pegou minha mão e me puxou para dentro de uma clareira rodeada de flores coloridas. Esticou o cobertor no chão e disse para eu ficar à vontade. Me sentei no chão e Harry tirou seu casaco, enrolou como um travesseiro e deitou com a cabeça olhando para o céu.
- Olha, - ele apontou para cima - aqui dá para ver as estrelas como em nenhum outro lugar do mundo.
Olhei para cima. E estava realmente muito bonito de se ver. Deitei ao lado dele e fiquei olhando para as estrelas.
- Vou te mostrar a experiência completa! - Ele puxou seus fones de ouvido do bolso, me entregou um e me deu o celular dele - Coloca sua música favorita.
- Eu não sei qual é a minha música favorita.
- Vou colocar uma então, enquanto você pensa. - Ele colocou para tocar Breathe do Pink Floyd.
- Essa música é muito boa, faz tempo que eu não escuto. - Harry deu um sorriso e pegou meu celular. Puxou meu dedo e destravou a tela. - O que você vai fazer?
- Vou te fazer uma “mix tape” em forma de playlist no Spotify. - E começou a selecionar músicas. Depois de alguns minutos, ele me devolveu o celular. - Pronto, essas são algumas das minhas músicas favoritas. Acho que você vai gostar.
Ele salvou a playlist como "Harry's Mix Tape". Pausei a música que estava tocando e pedi para ele colocar a playlist que havia feito para mim.
- A primeira música já ouvimos, então eu vou passar. - E então, ele deu play na segunda da lista. Can't Help falling in Love, do Elvis. Ele colocou o fone que tinha na orelha e começou a olhar as estrelas.
Fiquei olhando para o céu e ouvindo a música. Eu estava tão perdida em pensamentos que apenas voltei ao momento quando Harry segurou a minha mão, enquanto ouvíamos Elvis cantando:

"Eu deveria ficar?
Seria um pecado?
Se eu não consigo evitar me apaixonar por você?
Como um rio que corre, certamente para o mar
Querida, é assim....
Algumas coisas estão destinadas a acontecer
Pegue minha mão, tome minha vida inteira também
Porque eu não consigo evitar me apaixonar por você"

Olhei para o lado, Harry estava de olhos fechados cantarolando a música, bem concentrado. Ainda segurando minha mão.

"Porque eu não consigo evitar me apaixonar por você"

A música acabou e eu pude ouvir a voz de Paul McCartney cantando Heart Of The Country. Harry abriu os olhos, mas continuou olhando para cima enquanto cantava. Eu já não conseguia olhar para outro lugar senão ele. E admirar o ritual que ele tinha com esse local. As músicas que ele havia escolhido eram todas muito boas. Quando a última acabou, ele virou o rosto para mim. E deu um sorriso.
- Sua vez. - Ele novamente me entregou o celular - Coloca alguma coisa para gente ouvir. Não precisa ser uma playlist inteira. Só algo que você goste de ouvir e ache que eu vá gostar.
Peguei o celular dele e encarei o Spotify por alguns minutos. Até que escolhi uma música. Something, dos Beatles. Harry fechou os olhos e começou a cantar junto novamente. Eu coloquei essa música porque eu realmente gostava dela. E ela parecia se encaixar com o momento atual. Ele cantou toda a primeira parte da música de olhos fechados, até que depois do primeiro solo ele virou de frente para mim.


"Em algum lugar em seu sorriso, ela sabe
Que não preciso de nenhum outro amor
Algo em seu estilo me mostra eu não quero deixá-la agora
Você sabe o quanto eu acredito
Você me pergunta se meu amor vai crescer
Eu não sei, eu não sei
Acompanhe de perto e você verá
Eu não sei, eu não sei"

Durante o segundo solo, Harry me olhou muito intensamente. Eu fechei meus olhos e ouvi ele cantar junto com a música.

"Alguma coisa em seu jeito de saber
E tudo o que tenho que fazer é pensar nela
Algo naquilo que ela me mostra
Eu não quero deixá-la agora
Você sabe o quanto eu acredito"


A música acabou, ele continuou me olhando profundamente e se aproximou de mim. Acabei com o pouco espaço que tínhamos entre nós e encostei nossos lábios. Sem pensar duas vezes, Harry me puxou para perto de si, acabando com qualquer espaço que pudesse haver entre nós. Parecia que estávamos colocando para fora todos os anos de amor acumulado. Ele me abraçava tão intensamente que parecia não acreditar que eu realmente estava ali. Eu estava com medo de acordar e perceber que toda essa noite não passou de um sonho. Por alguns minutos não existia nada que importasse ao meu redor. Só eu e ele.


Capítulo 11

Harry’s POV.

Passei a noite em claro pensando no beijo. Foi muito melhor do que eu podia imaginar. Eu sentia todo o meu corpo formigar só de lembrar. O cheiro dela ainda estava na minha roupa e eu não tinha forças para tirar minha blusa, queria continuar revivendo aquele momento. O que essa menina está fazendo comigo? Comecei a rir igual a um idiota. Será que eu realmente estava me apaixonando por ela, de novo? Ou isso seria apenas coisa do momento? Fechei meus olhos e comecei a tentar fazer uma autoanálise rápida. Não faz nem um mês que voltou para minha vida. Não consigo pensar em nenhum dia desde a mensagem que eu não tenha pensado nela. Antes eu tinha dúvidas. Mas quando olhei ela na porta da minha casa, meu coração bateu mais forte. Caralho. Ela ainda está confusa com o namorado de merda dela. Será que ela ficaria comigo se eles terminarem? Só de pensar na possibilidade dela não terminar com ele eu já fico nervoso. Pelo amor de Deus, tenho apenas mais dois dias antes de voltar para a turnê. Deveria estar preocupado com a viagem, mas só penso em . Rolei os olhos, coloquei meus fones de ouvido e apertei o play no aleatório. Harry de amanhã de manhã vai ter que lidar com esses sentimentos. Enfiei minha cara no travesseiro e deixei Us and Them do Pink Floyd embalar meu sono.

xxx

De manhã, levantei um pouco mais tarde. Quando cheguei até a cozinha, já tinha saído, de acordo com Gemma, para resolver algumas coisas para a entrevista que eu deveria dar e alguns pepinos que Mark havia encaminhado.
- Como foi ontem? - Gemma resolveu puxar conversa depois de algum tempo calada.
- Foi bom. - falei tentando segurar um sorriso. Que só fez me entregar mais.
- Que cara é essa? - ela estava ficando animada. - Desembucha!
Minha mãe já estava sentada na mesa, me encarando da mesma forma que a minha irmã. Passei a mão no rosto e puxei meu cabelo para trás.
- Desembucha! - ela repetiu.
- Bem, nós fomos jantar lá no teahouse, sabe?
As duas ficaram caladas e continuaram me encarando. Eu mereço mesmo. Rolei os olhos e continuei a história.
- Eu comi macarrão, ela comeu risoto de camarão. Depois a gente conversou sobre música lá no campo.
- Só isso? - ela me olhou desconfiada - para de enrolar a gente, pula para o que aconteceu.
Fiquei calado e levantei a sobrancelha. Gemma sabia. Ou não sabia? Era difícil ler sua expressão. Ela sempre faz cara que sabe de tudo. Mesmo quando não sabe de nada.
- O que aconteceu? Você sabe de algo mais? - usei minhas técnicas de mudança de assunto como um mestre. Só que não.
Ela continuou me encarando e eu de volta. Até que minha mãe perdeu a paciência.
- Me conte logo o que aconteceu antes que eu grite!
Dei uma risada alta da minha mãe. Ela estava agoniada, elas pareciam querer ouvir que eu tinha pedido em casamento na noite anterior.
- Não aconteceu nada demais. - falei tentando não me comprometer. Não sei se ia querer que minha mãe soubesse de alguma coisa. - Nós jantamos, passeamos pela cidade de carro, fomos até o campo e ouvimos música. - Mordi um pedaço bem grande de torrada. - Foi lá que eu a pedi em casamento, é isso que vocês querem ouvir? - falei de boca cheia.
As duas rolaram os olhos ao mesmo tempo, ambas sem paciência para minhas piadas.
- Vocês conversaram sobre o Chad? - minha mãe perguntou. - Ela estava bem triste pelo acontecido. A gente quer saber se ela contou algo mais ou se ela finalmente decidiu terminar com o imbecil.
- Mãe! - me fingi de ofendido - Você chamando alguém que não conhece de imbecil? O que aconteceu com “se não tiver nada de bom para falar de alguém, fique calado?”.
- Harry, querido, não seja bobo. - Ela sorriu - Ele é um imbecil, quem faz aquilo com a ? - Então ela me olhou ameaçadora - Não se atreva a brincar com que eu te coloco de castigo!
Dei uma risada e tomei um gole de chá.
- Não, falamos sobre tudo, menos ele.
- Ela estava mais animada hoje. Mas ainda não 100%. - Minha mãe levantou. - Acho que ela deve gostar do rapaz e está tentando não mostrar para gente que está sofrendo.
Apenas olhei para minha mãe e não falei mais nada. É verdade. estava num relacionamento longo, com um cara que ela definitivamente deve amar. E só porque eles brigaram feio, não quer dizer que o amor acabou. E não é porque eu consegui envolver ela por uma noite que ela magicamente superou tudo e quer ficar comigo. Senti minha cabeça dar uma pontada. Acho que vou ter que abrir o jogo para Gemma. Ou falar com alguém de fora. Levantei da mesa, ajudei minha mãe com a louça e depois subi para meu quarto falando que estava com a cabeça doendo. Minha mãe me mandou beber água e descansar um pouco.
Quando cheguei no meu quarto não consegui me conter. Peguei meu celular e resolvi mandar um SMS para .

“Olá, dormiu bem?”

Ela não me respondeu. Deve estar ocupada. Ou estaria me ignorando? Não tem porque ela me ignorar. Ela que me beijou. Fechei meus olhos. Estava com vontade de gritar. Resolvi que ficar sozinho no meu quarto olhando para o teto e inventando teorias bizarras não iria ajudar. Só ia alimentar uma possível crise de ansiedade. Depois de um tempo, fui até o quarto de Gemma e bati na porta. Michal abriu.
- Oi Harry! - ele estava com o computador ligado na escrivaninha, devia estar trabalhando e eu atrapalhei.
- Ah, me desculpa atrapalhar, eu estou procurando a Gemma.
- Ela está na sala. Disse que me ver trabalhar atrapalha as férias dela. - Ele riu.
- Gemma é maluca mesmo. Vou lá então, bom trabalho! - me virei e desci as escadas.
Gemma estava assistindo O Diabo Veste Prada. Sentei do lado dela e não falei nada. Apenas fiquei assistindo o filme por um tempo. Estávamos na metade do filme e não conseguia mais me concentrar. Eu estava ficando maluco. Porque diabos ela não me respondeu até agora? Pode parecer presunção da minha parte. Mas eu nunca era ignorado, principalmente por garotas. Tudo bem que ainda não tinha sentido o peso da minha importância, ela ainda me via como o menininho do interior. Por Deus, sou muito egocêntrico. Talvez fosse bom ela me dar um gelo. Pelo visto, estou mesmo precisando. Peguei uma almofada e me deitei no colo de Gemma. Que não colocou a mão na minha cabeça, como sempre fazia. CARALHO, PARA DE PENSAR NELA. Suspirei fundo.
- Tá tudo bem? - Gemma perguntou depois de ouvir meu suspiro.
- Sei lá. - falei sincero.
- Aconteceu alguma coisa ontem, não aconteceu? - Ela falou sem pausar o filme. - geralmente diabo veste prada costuma prender sua atenção...
- Eu… - pausei a fala, ela ainda me encarava, minhas pausas não eram dramáticas, eu sempre falo devagar, então não fazia diferença para ninguém. - Vamos conversar em outro lugar? Não quero que a mamãe me mate.
Gemma arregalou os olhos, acredito que milhões de teorias passando por sua cabeça.
- Você não pediu pra ela casar com você de verdade, né? - ela parecia genuinamente preocupada.
Dei uma risada. E me sentei no sofá.
- Você acha que eu sou maluco?
- Eu acho. - Ela riu comigo. - Você faz piadas loucas o tempo todo, vai que resolveu brincar com isso?
- Não pedi ela em casamento. - falei me levantando - Vamos tomar um sorvete?
- Vamos andando?
- Pode ser. - Subi as escadas para colocar um sapato, touca e achar meus óculos. Geralmente quando saio andando, costumo esconder meu cabelo. É o que geralmente me entrega. Coloquei um moletom preto e meu vans.
Desci e Gemma estava basicamente igual a mim. Moletom, jeans e vans. Até rimos da coincidência. Saímos caminhando e ela puxou o assunto.
- Tá, o que aconteceu ontem? estava esquisita hoje de manhã. E depois que Mark ligou pedindo algumas coisas, ela parecia aliviada de ter desculpa para sumir por umas horas.
Respirei fundo.
- Ontem a gente acabou se beijando. - Me encolhi um pouco, achando que Gemma ia me dar um tapa com a cara que ela fez.
- Como assim? Harry! Porque vocês se beijaram?
- Eu não sei. Simplesmente aconteceu. Nós estávamos deitados ouvindo música e ela ficou me olhando. Eu não resisti. Mas eu não tomei a iniciativa.
- Ah, mas você ficou olhando pra ela com esses seus olhões, meu Deus, eu até imagino. Você encarando-a de volta.
- Mas ela estava me encarando também. - Me defendi - A noite toda foi diferente. Ela me envolveu da mesma forma que eu envolvi ela. Sei lá. Só sei que nos beijamos.
- Tá e como foi?
Olhei para ela sem entender.
- O que você sentiu? Foi igual a outro beijo qualquer? Você não entende nada. Que coisa!
- Não sei o que eu senti. Mas não foi igual a nada. Foi melhor. Sei lá, não sei me expressar. - Dei um gritinho de nervoso. Estávamos passando por um parque e eu resolvi sentar no balanço. - Esse parque é novo? Não me lembro dele.
- Não muda de assunto. - Gemma estava de pé na minha frente no balanço - Esse parque não é novo. Tem foto sua pequeno aqui. A sorveteria inclusive fica ali. - Ela apontou o outro lado da rua.
Suspirei novamente.
- Você acha que estou ficando maluco?
- Você não está ficando maluco. Vamos por partes. O que você sente por ela, nesse momento?
- Acho que algum tipo de obsessão. - Dei uma risada. - Não consigo parar de pensar nela. Tudo que eu faço me lembra dela.
- Ok, talvez você esteja um pouco obcecado. - Ela sentou no balanço ao lado - Talvez você esteja começando a gostar dela também.
Apenas suspirei e comecei a balançar levemente.
- Mas eu acho que você não pode ficar com ela agora. - Gemma continuou. - Tem muita coisa acontecendo. Ela pode até voltar com o Chad.
- O cara a traiu! - falei nervoso - Por que ela voltaria com ele?
- Harry, - Gemma falou com uma paciência que eu jamais havia visto. - ela está namorando com esse rapaz já tem uns dois ou três anos, não me lembro ao certo. E essa “traição” foi dentro de um período de “pausa”. - Eu já estava preparando para argumentar quando ela continuou falando e não me deu espaço. - Também não concordo com isso. Mas te beijou, ela também está errada nesse ponto. Mas como ela mesma me falou mais cedo, os dois estão dando um tempo.
Continuei olhando para baixo. Tudo que Gemma falava fazia sentido racionalmente. Mas eu não queria dar o braço a torcer. Meu cérebro apenas guardou a informação “dando um tempo”. Eu poderia tentar alguma coisa. Deus do céu. Não tenho limites.
- Ela não pode voltar com ele.
- Você é muito mimado. - Gemma levantou do balanço. - Se você realmente gosta dela, vai querer que ela seja feliz, mesmo que não seja com você.
- Eu não quero que ela fique com esse babaca.
- Ela quem não deve querer. É nosso trabalho como amigos ajudá-la e apoiá-la.
Revirei os olhos com a ênfase que ela deu em amigos.
- Deixa a ter o momento dela, se ela resolver não ficar com o cara, você pode ter alguma chance, mas agora acho que não vale a pena.
Apenas balancei a cabeça positivamente. Nesse mesmo instante meu celular vibrou. Era ela respondendo a minha mensagem.

“Dormi muito bem, obrigada pela noite de ontem.”

Dei um sorriso. E senti metade do peso do mundo sair das minhas costas. Ela não estava me ignorando.
- Gem, - levantei o olhar do celular e olhei para minha irmã - você acha que ela gosta de mim?
- Olha, não sei. Mas eu acho que ela está muito nostálgica. Talvez vocês dois estejam. Você deveria era estar se preparando para a entrevista de amanhã ao invés de ficar pensando na .
- Ok, vou me preparar para a entrevista. - Dei um sorriso de lado.
- Eu conheço essa cara. Se comporte, Harry.
- Vou me comportar. - Me levantei e puxei Gemma pela mão até o outro lado da rua onde ficava a sorveteria.

Xxx


chegou em casa tarde, minha mãe já estava dormindo. Eu estava sentado na sala assistindo Gemma e Michal jogando videogame, quando ela sentou do meu lado e pegou um pouco da pipoca que eu comia. Olhei de lado para ela dando um meio sorriso. Ela ignorou minha cara e continuou roubando minha pipoca.
- Você quer meu balde inteiro? - falei sarcasticamente, finalmente a encarando desde o beijo.
- Oh, muito obrigada. - ela pegou meu balde de pipoca e colocou no colo dela. Dando um sorriso bobo.
- Era uma piada! Eu não vou te dar meu balde! - peguei de volta rapidamente. - Mas eu deixo você continuar comendo comigo. Sou bonzinho. – pisquei o olho e dei um sorriso para ela.
apenas sorriu e continuou pegando minha pipoca.
- O que estamos assistindo? - ela me perguntou, se aproximando levemente da minha orelha, ao tentar alcançar o balde de pipoca que eu havia afastado dela. Isso fez meu corpo inteiro se arrepiar.
- Michal perder miseravelmente para Gemma em todos os níveis possíveis.
Gemma havia ganhado mais uma vez. Eles estavam jogando Mário Kart. Michal ria junto conosco enquanto Gemma fazia sua dança da vitória. Após a dança, os dois falaram que iriam dormir. Todos nós levantamos falando o mesmo. seguiu comigo para a cozinha. Eu fui levar meu balde vazio e ela me ajudou trazendo os copos.
- Como foi seu dia? - falei colocando as coisas na pia da cozinha. - Conseguiu resolver tudo?
- Consegui sim. - Ela deu um sorriso e me entregou os copos. - Já até preparei minhas perguntas para você.
- Que bom! - eu estava louco para falar com ela do beijo. Mas não sabia como puxar o assunto. Sei que Gemma falou para deixar pra lá. Mas eu precisava saber o que ela estava pensando. Comecei a lavar os copos para tentar ganhar tempo. Ainda bem que Gemma não estava por ali, ela iria perceber que eu estava enrolando. Eu não lavava louça sem ameaças.
- Sim, foi bom trabalhar hoje. Consegui parar de pensar na loucura que está minha vida. - ela deu uma risadinha fraca e sentou numa das cadeiras da cozinha e me assistiu terminar de lavar os quatro copos. Percebi que aquela poderia ser minha deixa.
- Eu queria me desculpar por ontem.
- Desculpar por que?
- Pelo beijo. Eu não deveria ter te beijado, . – Joguei o pano de prato na pia e me sentei de frente para ela. - Você está num momento vulnerável. Eu meio que me aproveitei disso, me desculpe.
- A culpa não foi inteiramente sua. - Percebi ela desviando o olhar - Fui eu quem tomei a iniciativa.
- Você ainda sente alguma coisa por mim? - eu sabia que não podia perguntar isso. Mas não consegui me aguentar.
- Eu estou muito confusa, Harry. - Ela me olhou no fundo dos olhos. - Não acho justo te puxar para o meio dessa confusão louca. Você já tem muita coisa com o que se preocupar, afinal você tem uma turnê para continuar, não posso te envolver numa história que me remete ao ensino médio de tão dramática e infantil.
- Você sempre faz isso, não é? - aproximei minha cadeira da dela.
- Isso o que? - ela me olhou confusa.
- Tenta me proteger de alguma forma. A primeira vez foi no X Factor. Agora isso. Por que você faz isso?
- Eu não quero te arrastar para drama?
- Não parece ser só isso. Você gosta de mim? Vamos fingir que não exista Chuck nenhum.
- O nome dele é Chad…
- Que seja. – fiz uma careta - se não existisse Chad. O que você sentiria?
- Eu não sei, Harry. Chad existe e é uma grande parte da minha vida. - Ela suspirou fundo - Mas ter você de volta na minha vida com certeza me deixou bem mais confusa.
Dei um sorriso, era exatamente o que eu queria ouvir. Eu tinha alguma chance. Pequena. Mas ela existia.
- Sabe, eu sou um cara bem dramático. - falei ainda olhando nos olhos dela. - não me importaria se você quisesse me puxar para o seu drama. Talvez eu até gostasse.
deu uma risada, mas percebi que ela estava nervosa. Me aproximei dela novamente, como na noite anterior. Ela ainda me encarava sem saber o que fazer.
- Eu gosto de você, Harry, e não quero que você sofra. - Ela falou bem próxima de mim.
- Agora eu já sou um rapaz grandinho. Você não precisa me proteger. - Me aproximei o máximo que podia, sem encostar os meus lábios no dela. Mas eu podia sentir o calor deles muito próximo. - Vocês estão dando um tempo, não é? Então eu posso fazer isso, certo? – me aproximei ainda mais dela.
Ela apenas acenou a cabeça positivamente. Parecia hipnotizada com minha voz. Não quebramos o contato visual por nenhum segundo. Acho até que esquecemos de piscar por alguns segundos.
- Harry, - ela fechou os olhos - eu acho que não devíamos...
Antes que ela pudesse completar a frase, acabei com o milímetro de espaço que nos separava e dei um beijo nela. E como na noite anterior, eu senti meu corpo inteiro relaxar. Beijar era como algum tipo de droga. O perfume dela me consumia. Eu aprofundei nosso beijo. colocou a mão na minha nuca e puxou levemente meus cabelos. Então quebrou nosso beijou abruptamente.
- Harry! - ela respirou fundo. Eu continuava apenas a encarando. - Eu tenho que ir dormir. Boa noite. - Ela se afastou completamente de mim e saiu rápido em direção as escadas.
Eu me apoiei na pia. Precisava de mais beijos dela. Em algum momento eu iria conseguir ficar satisfeito e começar a trabalhar numa possível forma de superar isso. Certo?

xxx


Na manhã seguinte acordei com batendo na porta do meu quarto.
- Bom dia, senhor Styles! - ela entrou no meu quarto sem pedir nem licença. Eu ainda estava enrolado no meu cobertor. - Vamos levantando, o fotógrafo deve estar chegando de Londres em alguns instantes, temos algumas horas contadas com ele. Lá embaixo tem algumas roupas separadas, mas você pode levar coisas suas também. Vamos logo tomar café. - Ela falava tudo isso enquanto andava pelo quarto, abria minhas cortinas e puxava meu cobertor.
- Hey! - protestei ao ter meu cobertor quentinho arrancado - Eu poderia estar nu aqui.
Ela me ignorou solenemente, repetiu que eu devia descer para tomar café e que se demorasse, ela ia falar como eu era preguiçoso na matéria. Da mesma forma que entrou ela sumiu do meu quarto. Me deixando acordado e olhando para o teto. Resolvi levantar de uma vez, tomei um banho e desci de cabelos molhados para tomar café.
Ao chegar na cozinha, Michal estava preparando panquecas. E eu podia ver Gemma e decidindo as possíveis locações das minhas fotos.
- Posso ajudar? Ou eu sou um mero coadjuvante nessa história?
- Você é o personagem principal - Gemma falou sem olhar na minha cara. - Deixa de drama, come e vem pra cá ajudar a gente.
- Cadê a mamãe?
- Ela foi na casa da Sra. Harris.
- Achei que ela ia participar dessa bagunça.
- Na verdade, ninguém vai. - falou. - Nós já, já, vamos sair. Vai ser só você. Gemma vai escrever uma pequena crônica para a matéria. Mas o restante é só você.
Olhei para ela e apenas acenei a cabeça positivamente.
- Sou todo seu hoje. - dei uma piscadinha. Michal deu uma risada discreta. E Gemma jogou a tampa do suco dela na minha cara.
- Ei! - gritou com Gemma - Não estraga a cara dele antes das fotos.
- Tá bem. Quando ele voltar, eu vou dar um jeito nessa cara dele.
- Eu ainda tenho uma tour pela frente. Não me deixe de olho roxo.
Gemma jogou um papel amassado em mim.
- Chega, vocês dois! - estava rindo e me puxou pelo braço. - Vem, vamos logo antes que o fotógrafo chegue e você não esteja pronto.
Chegamos na sala e ela pediu que eu separasse algumas roupas que eu tivesse gostado. Tinham várias roupas muito legais.
- Gostei de tudo. - falei rindo ainda mexendo nas roupas. - Você que escolheu?
- Sim. - Ela falou segurando uma prancheta e anotando algumas coisas enquanto eu ainda olhava as roupas. - Mas eu tive ajuda de duas estilistas da editora que pré-selecionaram tudo. Eu só escolhi algumas que achei que você gostaria entre as seleções.
- Já começou a entrevista? - falei segurando uma jaqueta vermelha que me lembrava os Beatles.
- Ainda não. - Ela riu e continuou escrevendo na prancheta dela. - Mas eu já estou anotando coisas para a matéria em si.
- Entendi. - falei experimentando a jaqueta. - O que você acha?
Ela fez apenas um sinal joia. Dei um sorriso. Continuei olhando as roupas até que a campainha tocou. Era a equipe fotográfica. Maquiadora, cabeleireira e tudo mais. A equipe me ajudou a terminar de escolher as roupas e então fomos todos embora para os locais que e Gemma tinham programado para as fotografias. O fotógrafo era um cara não muito velho. Seu nome era Ryan. Ele era americano, e era a primeira vez dele numa cidade do interior da Inglaterra. Conversamos um pouco e então começamos as fotos. Depois de algumas horas, finalmente surge novamente e me chama para sentar numa mesa um pouco afastada enquanto o pessoal modificava algumas coisas para as próximas fotos. Ryan queria tirar algumas no fim da tarde. Então tínhamos que esperar um tempo.
Ela tinha separado algumas frutas para mim e estava bebendo um suco de laranja. Não tínhamos comido nada desde o almoço rápido que fizemos durante outro rápido intervalo. Sessões de fotografia sempre consomem muito tempo.
- E então, como está indo? - perguntei para ela enquanto descascava uma banana.
- Está indo tudo muito bem, você está cansado?
- Estou acostumado. - falei de boca cheia. - Quando você vai me entrevistar?
- Agora! - ela ligou o celular e me mostrou um gravador - Pode ser?
Acenei positivamente a cabeça enquanto engolia minha banana. ligou o gravador e começou:
- O que você costuma fazer para tentar escapar do seu dia a dia de fama?
- Na maior parte do tempo, eu realmente só vou para casa. Tenho sorte da minha mãe ainda morar no lugar onde eu cresci, então este é um dos lugares em que sinto que mais consigo desaparecer, se é disso que estou precisando. Eu volto muitas vezes para Holmes e ando pelos mesmos campos e isso é uma daquelas coisas que não vão mudar nunca, não importa o que aconteça. É bom ter coisas como essas que não são diferentes de quando eu tinha dez anos. Eu tenho muita sorte de ainda ter essa base remanescente.
- Você costuma estar rodeado de fãs, você acha que essa loucura pode te afastar da realidade?
- Se você consegue dar um passo para fora dessa loucura e apreciá-la pelo fato de que é extraordinária, enxergá-la como essa coisa incrível por um segundo, está ótimo. Mas se você começar a pensar que a vida é assim, é aí que perde a sensibilidade. É bom ter pessoas que podem te falar quando você é um idiota e quando está errado. Acho que isso é tão importante quanto ter pessoas te encorajando, às vezes. Ir para casa é provavelmente sempre a melhor solução.
- Quando você saiu da banda e foi seguir carreira solo, como ficou o seu lado criativo? Obviamente tem um grande reconhecimento sobre quem você era quando estava no grupo, mas você achou muito difícil pensar que “será certo se eu fizer algo diferente?” Como você lidou com essa primeira experiência criativa?
Encarei ela por alguns segundos. Aquela tinha sido uma boa pergunta. Pensei mais um pouco até formular uma resposta satisfatória. estava fazendo perguntas diferentes das que eu estava acostumado a responder normalmente. A entrevista parecia apenas uma conversa entre amigos.
- Então, você acabou de fazer um filme. Eu ouvi falar que você passava o dia inteiro filmando em água fria congelante.
- Sim! Mas foi divertido, apesar disso.
- Como você decidiu fazer o filme?
- Eu atuei na escola, você lembra? É algo que eu sempre quis explorar, mas eu estava ocupado com a banda, então eu nunca senti que tinha tempo para fazer isso do jeito certo. Quando nós decidimos dar um tempo, eu pensei que poderia ver se isso daria certo. Foi um desafio, mas é bom estar fora da minha zona de conforto.
Continuamos conversando e eu tinha inclusive me esquecido que estava tudo sendo gravado.
- Eu sei que você é muito reservado, como você se adaptou à sua falta de privacidade, depois da fama?
- Eu acho que há uma ou duas formas diferentes de abordar isso. Algumas pessoas não deixam que isso as incomodem de forma alguma. Outras pessoas dirão que a falta de privacidade é um dos lados da questão, e que você tem que aceitar isso da forma como é. Eu simplesmente gosto de sair tranquilamente com amigos e família. Eu não acho que eu sou estranho em relação à isso, eu simplesmente gosto de passar o tempo com amigos. É isso o que é normal para mim. Talvez por isso me vejam como muito reservado.
- Você sente que vai se casar?
- Esse assunto veio simplesmente do nada. - Dei uma risada.
- Bom, essa é a nossa conversa. É exatamente como qualquer uma das conversas que nós temos. - ela sorriu. - Foi sua mãe que pediu que eu perguntasse isso.
- Na verdade, foi bem sutil, vindo de você. Estou meio decepcionado, pra ser sincero. Jamais pensei que você cederia perguntas para minha mãe.
- Bem, não se preocupe com isso. Eu não me importo se você está decepcionado comigo.. - Ela pegou uma maçã para comer. - Responda à pergunta da sua mãe, por favor.
- Ah. Bom, eu acho que sim. Provavelmente.
- Você pensa em ter uma família ou não é algo que passa pela sua cabeça?
- Eu mal posso esperar por um dia em que isso seja realidade para mim, eu espero ter isso em minha vida. Eu sinto que você aproveita mais as experiências quando você está com pessoas com as quais você realmente quer estar e com as quais você realmente se importa.
- Você parece ser uma pessoa bem espiritual para mim, tipo, um espiritual hippie. Como você se vê nessa questão religiosa?
- Estou feliz por você ter dito isso, eu sinto como se todo mundo que diz “eu sou espiritual” soasse meio babaca. Mas sim, eu definitivamente me considero mais espiritual do que religioso. Eu não sou super preso à certas regras, mas eu acho que é ingênuo dizer que nada existe e que não há nada acima de nós ou mais poderoso que nós. Eu acho que isso é um pensamento um pouco estreito.
- Você é uma dessas pessoas que acham que tudo acontece por um motivo?
- Eu definitivamente acredito em carma. Eu acho que dizer que “tudo acontece por um motivo” é difícil, porque tem um monte de merda acontecendo no mundo que é tão injusta. Então é difícil olhar para essas coisas e pensar “Bom, tudo acontece por um motivo”. Mas eu definitivamente acredito que existe alguma coisa. Que não somos só nós. Porque, sabe, é meio louco pensar que somos só nós. Eu não estou dizendo que eu acredito em alienígenas, mas você sabe o que eu quero dizer.
- Eu entendo. - ela disse rindo.
- Veja nós dois por exemplo. Nos reencontramos depois de tanto tempo? Isso só pode ser algum arranjo cósmico. - Dei uma risada.
- Eu não vou publicar isso. - Ela começou a rir e eu também.
- A melhor parte de ser entrevistado por você é que eu não preciso me policiar.
- Como assim?
- Eu sei que mesmo que eu fale umas bobagens aqui ou brinque com situações, você não vai distorcer para ganhar uma manchete.
Ela apenas deu um sorriso.
- Pronto. Acabaram minhas perguntas.
- Já? - olhei para o meu relógio e vi que tínhamos passado uma hora e meia conversando. Estava quase na hora de voltar para as fotos com Ryan. - Mas você nem perguntou sobre a loira que tem saído comigo.
- Ah é? - ela desligou o gravador do celular, mas continuou me olhando. - Então me fale da loira, por favor. Isso vai dar uma boa chamada na capa da revista.
- Não tem nenhuma loira. - falei pegando mais uma banana. - Eu estou de olho em outra menina agora, ela tem os cabelos castanhos, e às vezes no sol tem uns reflexos meio acobreados. Ela é meio chatinha às vezes.
- Ainda bem que eu não gravei isso, seu louco! - ela me deu um tapa de leve no braço.
- A escolha é sua. - Mordi minha banana - Lembre-se: hoje eu sou todo seu. Você pode fazer o que quiser comigo. - Dei uma piscadinha. levantou meio corada e se dirigiu até Ryan, sem olhar para trás. Eu fiquei apenas sorrindo enquanto terminava de comer.
Fui até onde os dois estavam e me aproximei de Ryan segurando meu celular na mão.
- Já está na hora? - perguntei para ele. ainda olhava algumas das fotos tiradas mais cedo.
- Quase. Mais uns 15 minutos e podemos continuar. - Ryan falou.
- Posso pedir para você tirar uma foto minha com ela aqui no meu celular enquanto isso, por favor?
ouviu a minha conversa e me encarou.
- Sem problemas. - Ryan falou e se aproximou de mim para pegar o telefone.
- Não, senhor. - entrou na minha frente. - Eu não vou tirar fotos com você.
Ignorei e entreguei o meu celular para Ryan.
- Faça seu trabalho, Ryan! - e me virei para . Que resolveu sair correndo.
Corri atrás dela e consegui alcançá-la. Ryan conseguiu tirar várias fotos com meu celular. Ele perguntou no meio da bagunça se poderia tirar fotos nossas juntos na câmera dele. estava totalmente derrotada e aceitou por fim posar para quatro fotos, contadas. Nenhuma a mais. Quando terminamos a bagunça estava na hora que Ryan tanto queria me fotografar. finalmente conseguiu fugir dos meus braços e ficou olhando de longe enquanto eu caminhava pelo campo aberto e Ryan tirava todas as fotos que ele queria.
No final da sessão, estava do outro lado do campo finalizando algo com o restante da equipe enquanto eu conversava com Ryan, que devolveu meu celular e me chamou até o seu computador. Ele puxou um pendrive de dentro de uma mochila e baixou as fotos que eu estava com . Colocou todos os arquivos que ela aparecia comigo na pasta e depois apagou do computador e da máquina.
- Seu segredo está a salvo comigo. - Ele falou e me entregou o pen drive com as fotos. Dando uma leve piscada com o olho.
- Obrigado. - falei, dei um abraço agradecendo pelas fotos, pelo ótimo trabalho no dia e guardei o pen drive no meu bolso.


Capítulo 12

’s POV.

Voltamos para casa no carro da empresa. Harry estava visivelmente cansado. A distância do campo onde estávamos até a casa dele, deve ter levado apenas uns 10 minutos, mas ele dormiu o caminho inteiro.
- Harry? - chamei ele com calma. - Nós chegamos na sua casa.
Ele acenou positivamente a cabeça, ainda de óculos escuros, apesar de já estar escuro lá fora. Agradeceu a todos no carro e entrou em casa. Eu ainda fiquei mais um tempo lá fora, assinando recibos e liberando o restante de equipe. Quando finalmente entrei em casa, Anne estava segurando o telefone na orelha com o ombro e me deu um sorriso.
- Estamos pedindo pizzas, vamos assistir um filme na Netflix? - Dei um sorriso de volta como resposta positiva enquanto ela falava com o restaurante. - Vá tomar seu banho e desça, Harry já subiu para fazer o mesmo.
Anne continuava a mesma mãezona de sempre. Imaginei Harry entrando cansado e ela falando exatamente a mesma coisa para ele. Subi as escadas e fui até o quarto de hóspedes, que ficava logo depois do de Harry. Ele havia deixado a porta meio aberta, dei uma espiada lá dentro sem nem perceber. Consegui ouvir ele tomando banho ao fundo. E o pouco que eu vi do quarto continuava igual a oito anos atrás. Continuei meu caminho antes que alguém notasse minha curiosidade. Tranquei minha porta e entrei no banho. Quando a água quente bateu em minhas costas, comecei a tentar processar tudo que estava acontecendo nesse último mês.
As coisas estavam ocorrendo ao mesmo tempo. Primeiro a oportunidade de trabalhar na Comag. Uma das melhores editoras no Reino Unido. Eu tinha trabalhado bastante como freelancer para conseguir uma oportunidade de entrevista. Conseguir a vaga foi sensacional. Mas desde que iniciei esse processo, percebi que Chad estava diferente. Ele nunca aceitou o meu desejo de trabalhar em uma grande editora. Chad sempre foi meio revolucionário, gosta de edições independentes e trabalho autoral. Eu sempre deixei claro que meu objetivo era conseguir chegar na BBC algum dia. Ele sempre achou isso besteira, talvez não acreditasse no meu potencial? Respirei fundo e comecei a lavar meus cabelos. No dia que eu aceitei a vaga, preparei um jantar de comemoração e fiz o convite para ele mudar comigo para Londres. O trabalho dele sempre foi remoto, então não iria ser algo tão complexo. Mas a reação dele foi totalmente ao contrário.
{Flashback}
- Nossa! - ele chegou em casa e se deparou com a mesa toda arrumada. - Quando você me chamou para jantar, não achei que seria tão especial! - deixou o computador dele no sofá e veio me dar um beijo e um abraço - Você está linda! Hoje é alguma data especial e eu esqueci? - Ele me olhou assustado - Tenho que me desculpar?
- Não. - dei uma risada ainda nos seus braços- - Hoje eu recebi a resposta, Chad!
- Resposta do que?
- Do RH da Comag!
Ele ficou sério e continuou me encarando.
- Eu consegui! - Falei abrindo um sorriso enorme - Consegui a vaga!
- Parabéns! - Ele veio me abraçar. - O que você vai fazer?
- Bem, consegui uma vaga para trabalhar no cargo flutuante. Vou escrever matérias relacionadas ao cenário musical e artistas para algumas das revistas da editora.
Chad fez uma cara de confuso e continuou calado.
- Eu sei que meu foco é de notícias mundiais, mas eu acredito que será um bom começo.
Ele continuava calado.
- Bem, tem uma coisa, - comecei a falar um pouco nervosa, notando o silêncio da parte dele. - A minha vaga é de residente. Ou seja, eu preciso me mudar para Londres, pois vou fazer parte da equipe da sede. – Falei tudo de uma vez angustiada com o silêncio. Chad continuava me olhando sem falar nada. - Eu queria saber se você gostaria de mudar para Londres comigo.
Ele me encarou por alguns minutos até que finalmente começou a falar.
- Londres? Você não havia falado que estava se candidatando para uma vaga regional?
- Sim, mas surgiu essa oportunidade…
- E você já aceitou? - ele cortou minha fala.
- Aceitei.
- Não sequer pensou em conversar comigo sobre isso?
- Eu achei que você iria gostar da notícia.
- Eu não posso mudar para Londres, . - Ele sentou na cadeira - Você sabe que eu tenho meus vínculos aqui. E estou quase conseguindo a vaga para dar aulas na universidade. Não posso me mudar. Você também não deveria.
- Mas essa é uma ótima oportunidade, Chad. - comecei - é o caminho para o meu sonho. A Comag faz parte da rede BBC.
- Eu achava que eu fazia parte dos seus planos. Mas pelo visto não.
- Chad. Não é assim. Claro que você faz parte, porque eu te convidaria para morar comigo se não fosse?
- Se eu fizesse parte dos seus sonhos, você teria pelo menos conversado comigo sobre essa proposta. E eu teria feito você entender que isso não vai dar em lugar nenhum.
- O que você quer dizer com isso?
- Que essa vaga é para um trabalho muito inferior ao que você faz aqui.
Fiquei calada, eu não estava acreditando no que ele estava falando.
- Você vai mudar para Londres, estragar nosso relacionamento, somente para escrever fofoca em revistas?
- Eu não estou te entendendo, Chad. Você estava me apoiando durante todo o processo.
- Eu não sabia que você iria se submeter a isso.
- Não vou ficar aqui, Chad. E se você quiser manter um relacionamento comigo vai ter que aceitar que eu não vou fazer o que você quer.
- Eu não quero que você faça o que eu quero. Quero que você entenda que você está colocando tudo que construímos a perder. Por conta de fofocas.
Eu já não conseguia falar nada. Levantei da cadeira e tirei o meu prato da mesa, sem nem ao menos tocar na comida.
- Aonde você vai? Essa é a sua casa. - Ele perguntou ainda sentado na cadeira ao me ver colocar um casaco.
- Isso mostra o tanto que eu estou nervosa. Vou para qualquer lugar. Só não quero olhar para você por agora.

{Fim do flashback}
Desde aquele dia, nada mais foi igual. Ele me pediu desculpas, falou que deveríamos tentar, mas eu sentia um ressentimento da parte dele. Sempre colocando a culpa em mim por nos separarmos. Até mesmo no dia que nos falamos no telefone e eu resolvi dar um tempo. Será que ele reclamava de mim para Madison? Será que minha mudança foi a desculpa que ele precisava para poder transar com ela?
Desliguei o chuveiro, enrolei a toalha na minha cabeça, saí do banheiro e entrei no quarto. Agora, além disso, eu tinha Harry. Ainda parece surreal. Reencontrar Gemma no primeiro dia de emprego pareceu um sinal divino de que eu estava no caminho certo. Voltar para a vida dos Styles foi como recuperar uma parte perdida da minha. Mas eu nunca sonharia que Harry ainda teria algum tipo de sentimento por mim. Ou será que não tem? Não sei o que eu sinto por ele e não entendo o que ele sente por mim. O cara tem modelos aos pés dele, porque está perdendo o tempo dele flertando comigo? Talvez seja apenas a situação. Nós dois, Holmes Chapel, não tinha como não acontecer, certo? Logo ele vai voltar para a vida real dele, com fãs e paparazzi e eu voltarei a minha insignificância, provavelmente meio deprimida porque vou ter que lidar com Chad. Mas estava bom para o meu ego ter um popstar dando em cima de mim, principalmente durante uma briga e uma “traição”. Porque diabos Chad dormiria com Madison? Ninguém faz isso do nada. Eles deviam estar flertando ou tendo algum envolvimento desde antes, será que era questão de tempo até ele me largar para ficar com ela? Respirei fundo. A única certeza que eu tenho é de que no final das contas eu iria acabar sozinha mesmo. Sem Chad, porque ele obviamente vai querer ficar com a Madison, que mora em Manchester e transa com ele com facilidade, e sem Harry, porque convenhamos, ele é um artista famoso. Balancei a cabeça e resolvi me vestir e descer antes que comecem o filme sem mim. Minha cabeça estava em parafuso.
Cheguei na sala e Harry ainda não havia descido. Anne estava com o controle na mão procurando possíveis filmes. Me sentei no sofá ainda com a cabeça nas nuvens, pensando em como seria a minha vida se eu não tivesse encontrado os Styles novamente. Hoje eu estaria num apart hotel, chorando porque Chad estava transando com Madison. Acho que não vou conseguir superar isso tão cedo. Eu estava com os olhos fechados tentando me concentrar em não pensar mais nisso. Estava à beira do choro, até que senti mãos quentes pegando no meu pé.
- Tira o pé do meu pedaço. - Harry chegou e puxou minhas pernas para cima pelo tornozelo. Eu estava sentada, então não caí. Mas me assustei, afinal eu estava em outro planeta.
- Te acalma. Não precisa me puxar! - falei rindo. Tirei meu pé do sofá e sentei de forma adequada, com eles no chão.
- Ótimo! - ele falou pegando uma almofada e colocou os pés dele no meu colo.
- Folgado! - falei, ele fez cara de ofendido, mas manteve os pés no meu colo.
Quando ele ia abrir a boca para falar algo, ouvimos a campainha tocar, era o entregador de pizza. Harry levantou do sofá e foi buscar a entrega. Nesse momento Anne, sentou ao meu lado no sofá para pedir ajuda com uma configuração no celular dela. Eu estava concentrada ajudando, quando Harry voltou para a sala segurando duas caixas de pizza e uma garrafa de vinho.
- Mãe, esse é o meu lugar! - ele falou colocando tudo na mesa de centro. Gemma e Michal foram até a cozinha buscar taças para o vinho.
- Eu já estou saindo, se acalme. - Ela levantou rindo e foi de volta para o sofá dela.
- Agora sim! - Ele sentou novamente ao meu lado, dessa vez sem colocar os pés em cima de mim.
Gemma chegou com as taças e serviu todos. Harry, ainda sentado do meu lado, me fez brindar com ele antes de tomar o primeiro gole. Anne escolheu o filme e todos ficaram quietos depois que Michal apagou a luz. Lá para a metade do filme Harry pegou a almofada e colocou no meu colo, como ele sempre costumou fazer, na mesma hora que ele deitou eu comecei a passar a mão no cabelo dele. Foi automático, quando me dei conta já estava com a mão submersa em seus cabelos. Harry estava deitado do mesmo jeito já tinha um bom tempo. Eu continuei passando meus dedos pelo seu cabelo, que estava curto, porém continuava fazendo pequenos cachos. Eu estava analisando todo o corte do cabelo dele com minhas mãos, quando passei com a mão perto de sua nuca, senti ele dando um longo suspiro, então senti ele colocar a mão direita por debaixo da almofada que estava no meu colo. Harry apertou ligeiramente minha coxa. Eu já não sabia mais o nome de nenhum personagem do filme. Harry desceu a mão vagarosamente até o meu joelho, senti todo meu corpo arrepiar. Já estava quase puxando o cabelo dele, quando ele levantou abruptamente. Gemma tinha pausado o filme para ir ao banheiro. Ele levantou junto dizendo que precisava de uma cerveja. Notei que não sentia mais minhas pernas de tão nervosa que fiquei com o toque de Harry. Estiquei minhas pernas no sofá e me deitei. Anne dormia profundamente no outro sofá. Porque ele faz isso comigo? Eu estava de olhos fechados quando Gemma e Harry voltaram, ele apagou a luz, ela deu o play no filme. Ainda estava deitada no sofá, então não havia espaço para ele. Mas isso não o impediu de nada. Harry deitou, literalmente, em cima de mim e me encarou de perto.
- Me dá um espacinho? - ele olhava no fundo dos meus olhos. - Pode ficar deitada, só preciso de um pedacinho de nada. - Harry estava com uma cara de safado terrível. Eu não conseguia manter o contato visual. Foquei em tentar não olhar para a boca dele também.
Me afastei o suficiente para ele conseguir deitar atrás de mim. Harry se encaixou no pouco espaço que eu havia dado e me abraçou para ficar mais confortável e acabar de vez com qualquer possibilidade de sanidade mental em mim. Já não me lembrava nem qual era o nome do filme. Harry estava respirando vagarosamente, sempre que ele exalava o ar, eu sentia meu pescoço formigar. A boca dele estava a poucos centímetros do meu pescoço. Tudo que eu conseguia pensar era em como eu queria que ele mordesse meu pescoço. Bem ali, na frente de todo mundo. Fechei meus olhos e tentei controlar minha respiração. Harry percebeu minha batalha interna e fez o favor de sussurrar no meu ouvido.
- Se você quiser, meu quarto vai estar aberto hoje, você é bem-vinda lá. - E deu uma pequena mordida no meu pescoço. Eu arregalei os olhos, graças à Deus todos estavam bem concentrados no filme e não estavam percebendo o que ele estava fazendo, ou como eu estava reagindo. Resolvi levantar do sofá de repente. Gemma me encarou no mesmo instante.
- Vou na cozinha buscar um copo de água, não precisa parar o filme. – falei e saí basicamente correndo da sala. Olhei de canto para o sofá e Harry estava me encarando com um sorriso que só pode ser descrito como sacana.
Quando voltei para a sala Harry estava sentado comendo uma fatia de pizza e segurando sua cerveja. Sentei novamente ao seu lado, assim que terminou de comer ele deitou novamente no meu colo, mas dessa vez ele estava concentrado no filme. Permanecemos do mesmo jeito até o final do filme. Quando o filme acabou, falei que estava muito cansada e dei boa noite a todos. Gemma estava fazendo piadas com Anne por ela ter dormido durante todo o filme. Harry aproveitou a minha desculpa e disse que também iria dormir, o dia tinha sido muito cansativo. Subimos as escadas juntos. Ele parou em frente ao quarto dele, encostou o ombro na porta e ficou me encarando enquanto me dirigia até o de hóspedes.
- Minha porta vai ficar aberta. - Ele disse mais uma vez e deu uma gargalhada com a minha cara. - Boa noite, . – Harry deu uma piscadinha e entrou no quarto dele.
Entrei no quarto, me joguei na cama e fiquei encarando o teto. Harry era um safado. Ele sabia que eu estava confusa, mas não deixava de pegar no meu pé. O pior de tudo, é que esse imbecil é um gostoso de merda. Caralho, eu estou realmente considerando ir até lá. Fechei meus olhos e dei uma risada, não sou melhor do que o Chad. Se eu estou considerando continuar dando beijos em Harry, quem sou eu para julgar uma transa bêbada com Madison? Talvez eu até devesse ir lá, imagina que resposta eu teria. “Você transou com a Madison e eu com Harry Styles. Estamos quites, mas eu estou melhor”. Deus do céu. Será que eu sequer consideraria qualquer coisa com o Harry se o Chad não tivesse sido um idiota? Eu não sei mais nem o que pensar. Coloquei meu pijama, apaguei a luz e voltei para a cama. Tentei voltar nos pensamentos bons do meu relacionamento com Chad. Mas minha cabeça sempre voltava até Madison. Será que ela sempre tentou algo com ele? Não foi algo aleatório. Eles deviam flertar com alguma regularidade. Ela não iria num bar com eles e conseguiria transar do nada. Senti um frio na barriga, lá estava ela, minha doce ansiedade. Meu coração começou a bater mais rápido. Respirei fundo, não adiantava de nada ficar fazendo suposições de como as coisas teriam acontecido, elas já aconteceram e não importa como. Pelo menos ele abriu o jogo, talvez mais para me machucar do que qualquer outra coisa. Como ele se sentirá quando eu disser que beijei Harry? Duas vezes. E tinha vontade de beijar mais? Socorro. Eu não posso julgar o Chad, ou talvez eu deva. Harry tem uma história comigo, é mais fácil de me envolver. Madison não tem nenhuma história com Chad. Só é uma garota esperta que soube o momento exato de conversar com o imbecil do meu namorado. Se ele me ama tanto assim, porque diabos se deixou seduzir? Será que eu também não amo ele? Estou me deixando seduzir pelo Styles? Mas isso não era difícil, devem existir um milhão de pessoas que se deixariam seduzir por Harry, será que eu devia aproveitar a oportunidade? Comecei a rir igual uma idiota.
Resolvi levantar para tomar um leite ou uma água. Eu precisava recuperar minha sanidade mental e desistir de entrar no quarto ao lado. Já eram quase duas da manhã. O tempo voa quando a gente entra em surto, não é? Ao sair notei a porta de Harry encostada, luz apagada. Dei uma risada, não vou entrar. Desci as escadas ainda rindo das minhas ideias, será que se a luz estivesse acesa ele notaria que eu saí do quarto e viria mexer comigo? Talvez meu inconsciente estivesse esperando por isso. Eu podia receber algum sinal divino me dizendo se eu deveria ou não entrar no quarto dele. Balancei a cabeça e entrei na cozinha sem acender a luz. Ainda com a cabeça imersa em pensamentos obscenos envolvendo Harry.
- Também está sem sono? - Harry deu um sorriso de lado, ele estava apenas de boxer tomando chá. Eu esqueci até como respirar. Primeiro de susto e depois choque. Desde que cheguei aqui, não tinha visto Harry sem camisa. Por Deus, quando foi que ele ganhou esse corpo? Eu ainda estava encarando as suas tatuagens quando ele levantou e buscou uma xícara para que eu pudesse tomar com ele. Ele colocou o chá na xícara, eu ainda congelada. - Ajuda a dormir. - Colocou na bancada na minha frente.
Sentei no banco e acenei positivamente a cabeça. Tentando não fazer contato visual. Caralho, seria esse um sinal dos anjos me avisando que eu deveria sim agarrar ele? Harry estava do outro lado da ilha, de frente para mim e começou a me encarar. Comecei a tomar o meu chá e não conseguia tirar os meus olhos dele. Como diabos ele faz isso só olhando? Estava escuro, mas eu podia ver seus olhos refletindo a pouca luz da rua que entrava pelas janelas. Meu Deus, porque ele é tão bonito? Eu tinha parado de tomar o chá e ele deu um leve sorriso. Eu sorri de volta, como reflexo. Harry consegue realmente hipnotizar as pessoas, não é possível. Eu consegui perceber ele hesitando por um milésimo de segundo. Mas no seguinte, ele já estava debruçado por cima da ilha da cozinha me puxando para um beijo. Fui pega de surpresa, mas me deixei levar. O beijo dele era delicioso, tinha uma sensação de urgência. Tudo o que eu conseguia pensar era em como eu queria continuar beijando-o. Todas minhas preocupações foram embora. Ele tinha um leve cheiro de baunilha, misturado com couro. Eu estava ficando louca. Harry sentou em cima do balcão e me puxou mais para perto. De repente ele quebrou nosso beijo.
- Você quer que eu pare? - que pergunta idiota. Claro que não. Pensei enquanto olhava para ele ainda sentado na ilha.
- Você vai derrubar isso no chão. - Falei e ele deu uma risada.
- Não seja por isso. - Ele desceu do balcão, me colocou sentada e se encaixou no meu corpo. Passou os lábios pelo meu pescoço e foi até minha orelha sussurrar.
- Se você quiser eu vou embora para o meu quarto e te deixo em paz. Mas eu não consigo resistir. Enquanto você estiver na minha frente, eu não vou conseguir me controlar.
Fechei meus olhos e respirei fundo. Foda-se. Chad me traiu. E eu tenho um cara lindo me querendo, do futuro terá que lidar com minha decisão impulsiva. Puxei Harry para outro beijo. Coloquei minhas pernas ao redor de suas costas, forçando o corpo dele junto ao meu. Harry deu uma leve risada e me olhou no fundo dos olhos novamente.
- Como você faz isso comigo? - Ele balançou a cabeça negativamente e mordeu levemente o meu lábio. - Vamos sair daqui antes que alguém apareça. - Ele disse me dando um selinho.
Desci da ilha e subimos até o quarto dele, dessa vez ele trancou a porta, com duas voltas. Apenas dei uma risada quando ele se virou e me pegou novamente no colo, já colando nossas bocas e me levando até a cama.


Capítulo 13

Harry’s POV.

Entrei no meu quarto deixando a porta apenas encostada. Eu sabia que ela não viria aqui, mas a porta meio aberta me deixava sorridente. Vai que ela realmente aparecesse? Deitei na cama sorrindo com a possibilidade e peguei o meu celular. Desde o início da semana eu ignorava o número de mensagens que só aumentava no contador. Resolvi finalmente ler todas.
"Oi Harry, encaminhei no seu e-mail sua passagem para Argentina, você pode checar se recebeu? De qualquer forma amanhã no fim do dia um motorista irá te encontrar. Você tem que comparecer na Gucci na manhã seguinte para verificar algumas coisas para o próximo ensaio. Seu vôo será no final da tarde. Esteja pronto. x Mike"
Respondi a mensagem dele apenas com emoticon de jóia.
Eu tinha outras mensagens de Mike, meu assistente/social media, perguntando acerca de algumas fotos que poderiam ou não ir para minha conta do Instagram. Respondi falando que confiava nas escolhas dele. Eu geralmente escolho tudo para minhas redes sociais, mas estava sem paciência hoje. Essa pequena semana de folga havia me tirado do ritmo. Principalmente pela presença de .
Continuei respondendo todas as mensagens e e-mail relacionados à trabalho. Quando estava quase terminando, notei uma mensagem de Emily Spencer. Eu tinha me esquecido da Emily. Quando cheguei em Londres, dispensei todo mundo que consegui lembrar. Mas esqueci dela.
"Oi Babe, uma pena não conseguirmos nos ver em Londres. Mas eu entendo que você deve ter escolhido um tempo com a família. De qualquer forma acho que vou conseguir ir ao show de NYC como combinado! Te vejo lá. Quem sabe eu não uso aquela lingerie azul que você tanto gostou? haha x Em."
Como foi que eu esqueci da Emily? Dei uma risada, tudo bem que eu sempre soube que nosso "relacionamento" se baseia somente em sexo casual. Mas ainda assim. Esqueci completamente dela por pelo menos um mês. Eu estava ocupado sendo um adolescente de 14 anos. Ouvi um barulho do lado de fora. Seria ? Aguardei um pouco, nada. Provavelmente só alguém indo beber água. Respondi a mensagem de Emily falando que estaria ansioso para vê-la em New York. Eu não tinha motivos para dispensá-la agora. Afinal, ainda tem o namorado. Não posso achar que ela vai largar tudo para ficar comigo e, mesmo que ela largue o namorado, isso não significa que logo em seguida ela vai correr para os meus braços e exigir um relacionamento sério comigo. Emily era discreta, boa de cama e nenhum pouco ciumenta, nós dois sabíamos bem dividir sexo de amor. O que mais eu precisava?
Terminei de responder as poucas outras mensagens que restavam do trabalho e salvei algumas fotos que Helen havia me encaminhado. Fui até a galeria olhar tudo e por acaso cheguei até as fotos que Ryan havia tirado. Comecei a sorrir como um bobo olhando as fotos. correndo de mim. Eu agarrando-a pela cintura. Lembrei das fotos do pen drive e fui até a mesa ligar o computador. Enquanto ele iniciava, peguei o pen drive. Comecei a olhar as fotos tão logo o sistema abriu. Ryan era um fotógrafo ótimo, nossas fotos estavam todas incríveis. Ele tinha tirado umas 20 fotos. Não tinham sido apenas aquelas que posou. Tinham algumas fotos dela me entrevistando, nossa troca de olhares, eu comendo banana e falando de boca cheia. Tinha sido um registro e tanto daquela tarde. Uma das fotos foi durante o ensaio final. Eu estou deitado na grama, mas a câmera dele está focando nela. estava sorrindo me olhando, de uma forma doce, senti meu corpo aquecer ao olhar o sorriso dela. Respirei fundo novamente. Essa menina tem poderes incríveis sobre mim. Não é possível que eu realmente esteja considerando me apaixonar por ela de novo. Mas não era como se eu tivesse alguma escolha sobre isso. Me encaminhei a foto por e-mail, fechei o computador e retornei para minha cama. Salvei a foto no meu álbum do celular, coloquei meus fones de ouvido e dei play em Dark Side Of the Moon. Fiquei os 42 minutos de duração do cd deitado de olhos fechados, cantando junto com as músicas e pensando se poderia ser capaz de ter alguma coisa com . Ao final da última música estava claro para mim que eu estava alimentando uma obsessão maluca. Mas eu não conseguia evitar. Toda vez que eu estava na presença dela, o menino de 14 anos apaixonado falava mais alto. Tentei dormir, mas eu continuava pensando nela. Será que se os planetas se alinharem, ela ficasse solteira e superasse o tal namorado, nós conseguiríamos ter alguma coisa? Será que ela entraria nessa minha vida louca? Estaria disposta? Meu Deus, eu estava mesmo considerando namorar com e assumir para a imprensa? Ok. Já chega, vou fazer um chá para dormir. Chega de loucuras por hoje. Desci do jeito que eu estava, apenas de boxer e fui tomar um chá. Com certeza ia me ajudar a dormir.
Eu estava na cozinha há alguns minutos tomando um chá e olhando a luz do poste entrar pela janela sentado no banco alto em frente a ilha da cozinha. Eu tinha feito mais chá do que precisava. Me levantei ainda segurando minha xícara e ouvi um barulho nas escadas. Dei a volta no balcão e fiquei olhando surpreso descer as escadas balançando a cabeça negativamente enquanto fechava os olhos e suspirava. Ela parecia estar tentando esquecer de alguma coisa. Não acendeu a luz e não notou minha presença até que eu falei com ela. Dei um leve sorriso ao perceber o choque dela ao me ver ali. E percebi ela olhando todo o meu corpo e analisando todas minhas tatuagens expostas. Ela me achou gostoso, ri de leve. Ofereci chá e coloquei na minha frente uma xícara para ela. Se ela tivesse chegado dez segundos depois, eu provavelmente já teria jogado tudo fora, o universo parecia conspirar para nós. Ela me encarava e eu a encarava de volta. Tudo que eu queria era subir naquela ilha e dar um beijo nela. Caralho. Dei outro sorriso, ainda olhando profundamente para ela. Eu não consegui desviar o olhar. Ela sorriu de volta. Na minha cabeça aquilo era um convite. Dei um passo para frente e olhei a ilha que me atrapalhava. Pensei em dar a volta, mas eu já estava quase lá. Simplesmente subi na ilha e puxei para um beijo. Eu esperava que ela me empurrasse ou quebrasse o beijo. Mas ela continuou. Será que ela tinha ido até o meu quarto? Só de pensar nessa possibilidade eu sentia um tesão subindo por todo meu corpo. Eu precisava dela. Já estava sentado em cima do balcão beijando-a quando minha consciência me fez quebrar o beijo. Eu não podia transar com ela na cozinha. E se alguém viesse aqui? Mas eu queria demais. Deus sabe como eu estava com vontade de arrancar o pijama bobo de gatos de bigode dela. Perguntei se ela queria que eu parasse, ela não respondeu, fez uma piada dizendo que eu iria quebrar a ilha. No mesmo instante desci, peguei ela pela cintura, coloquei sentada na ilha e me encaixei entre suas pernas abertas. Eu mordia o seu pescoço levemente enquanto absorvia todo o seu cheiro. Meu coração batia mais forte do que nunca. Segui beijando levemente seu pescoço até chegar à sua orelha e sussurrar extremamente sincero:
- Se você quiser eu vou embora para o meu quarto e te deixo em paz. Mas eu não consigo resistir. Enquanto você estiver na minha frente eu não vou conseguir me controlar.
Ela hesitou por um instante e então me puxou para outro beijo. Dessa vez ela apertou as pernas na minha cintura. Eu já não conseguia mais pensar em silêncio:
- Como você faz isso comigo? - só essa pequena pegação na cozinha conseguia me deixar louco. Se ela me pedisse para fugir com ela nesse momento era capaz de eu aceitar apenas pela adrenalina que ela estava me fazendo sentir. Mordi o lábio dela e chamei para o meu quarto. Dessa vez ela não hesitou.

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Eram cinco da manhã quando eu acordei com sede. estava abraçada no meu travesseiro e dormia pesado. O cheiro do perfume dela continuava forte. Levantei, bebi um gole da água que deixei no criado mudo. Dei um sorriso olhando-a dormir. Era oficial, eu estava apaixonado mesmo. Como ela conseguiu me conquistar em uma semana, ainda era uma incógnita. Me deitei novamente na cama, tirei delicadamente o travesseiro de seus braços e me aproximei. se mexeu levemente, semi acordada, me abraçou e respirou fundo, voltando a adormecer no mesmo instante. Dei um beijo na testa dela. Eu me sentia em casa, mais do que nunca. Desejei que a noite nunca acabasse, principalmente porque no dia seguinte eu teria que ir embora. Lembrei que ir embora significava voltar para turnê e voltar para a vida de contatos aleatórios, voltar para pessoas como Emily. Ela não era uma pessoa ruim, nem as outras pessoas que eu me relacionava. Mas eu não sentia o que estou sentindo agora. Abracei um pouco mais forte e desejei ter mais dias com ela antes de voltar para a realidade. Nesse instante tudo que eu queria era poder ficar assim para sempre. Acabei adormecendo abraçado com ela.

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Acordei, ainda abraçados, meu braço esquerdo totalmente dormente. Mas eu não me importei, eu não queria que ela acordasse, queria continuar mais algum tempo ali, abraçado com ela, como se mais nada importasse. Caralho quando foi que eu virei essa pessoa? Eu achava que era mentira quando as pessoas falavam desse tipo de sentimento. Talvez minha obsessão estivesse ajudando a ficar mais intenso. Enfim. Eu estava novamente idiota como quando tinha 14 anos. se mexeu e começou a despertar.
- Bom dia - falei baixinho dando um beijo na testa dela - dormiu bem? - sorri de lado.
- Bom dia! - ela se afastou do meu abraço e deu uma espreguiçada. Até que ela me encarou e arregalou os olhos de um jeito engraçado.
Dei uma risada grande. Ela parecia ter se dado conta só agora que estava comigo. No mesmo instante senti ciúmes, será que ela achou que estava com o namorado? Aquele idiota sortudo de merda. Quantas vezes será que ela já não acordou assim, nos braços dele? E ao invés da cara de susto deu um beijo apaixonado nele?
- Tá tudo bem? - me sentei apoiado na cabeceira. Ela ainda me encarava sentada na cama.
- Ai, meu Deus. - Ela bateu com a mão na testa. - A gente não devia! Meu Deus, que horas são? Vão ver a gente no mesmo quarto. Como eu vou olhar na cara da sua mãe?!
- Te acalma, menina! - continuei rindo. - Ainda tá cedo. E eu sempre posso sair na frente e ver se alguém está por perto.
- Harry, porque você não me impediu?
- Te impedir? Eu queria mais do que você. - dei outra risada - Inclusive, posso até adiar a turnê se você quiser repetir a dose.
- Para de brincadeira! - Ela levantou só de calcinha e foi procurar o pijama dela. usava uma blusa de botão branca minha, que colocou ontem de noite porque estava com frio, mas o pijama estava ‘muito longe’. Extremamente sexy. - Cadê meu pijama, Harry?
- Não sei. Ontem de noite você o jogou em qualquer lugar. Eu estava ocupado olhando pra você e não vi. - Provoquei. O pijama dela estava numa cadeira ao lado de onde ela estava procurando desesperada.
- Harry, para com isso e me ajuda.
- Te ajudo se você vier aqui me dar mais um beijo.
Ela me encarou, deu uma risada e continuou procurando o pijama. Quando ela finalmente achou, resolveu se vestir. Eu fiquei encarando-a como um animal. Quando ela tirou a blusa e senti uma vontade enorme de pular em cima dela e repetir tudo que fizemos na noite anterior. Levantei da cama e me aproximei por trás.
- Para de me provocar, . - falei já com a boca em seu pescoço. Senti o braço dela arrepiar.
- Harry, você quem está me provocando. - Ela falou tentando manter a postura. Eu continuei dando beijos no pescoço dela e na nuca.
- Estou, me desculpe. Vou deitar. - Me afastei dela e voltei para a cama.
Ela ficou desapontada, ou pelo menos pareceu. Dei um sorriso e fiquei encarando-a profundamente. Ela colocou o pijama e voltou para o meu lado na cama, mas estava com o semblante diferente do meu, que era de felicidade extrema.
- Porque você faz isso comigo? - perguntou com a voz chorosa. Eu notei que ela realmente estava à beira do choro. E fiquei preocupado. Puxei ela para um abraço.
- Me desculpe, eu não consigo evitar, você desperta em mim um adolescente apaixonado, mas agora eu já sei como usar minhas armas ao meu favor.
Ela deu uma leve risada e limpou uma lágrima.
- Eu queria não estar tão louca e confusa. Queria conseguir aproveitar isso aqui. Mas tudo que eu penso é em como eu acabei de trair meu namorado. Mesmo que estejamos dando um tempo.
- Você gosta muito dele, não é? - soltei nosso abraço e encarei . Limpei uma última lágrima que ainda estava em seu rosto com o meu polegar.
- Eu amo ou amava ele, Harry. Antes de me mudar para Londres nós estávamos muito bem. Com planos de morar juntos no final do ano. - Ela suspirou fundo.
- Entendo. - falei tentando não demonstrar meu recém adquirido ciúme.
- Chad sempre foi um cara bom. Me tratava com respeito, me amava e me apoiava. Eu ainda não entendi porque ele surtou tanto com a mudança.
- Eu acho que consigo entender o lado dele.
- Consegue?
- Sim, agora mais do que nunca. - falei apertando a mão dela. - Se eu fosse seu namorado e você falasse que iria me deixar para trás, também surtaria.
- Mas eu convidei ele para vir comigo, Harry.
- Sim, e ele foi um idiota de não ter aceitado. Se você me pedir agora para ficar aqui o dia todo, eu fico.
- Deixa de ser bobo, Styles. - ela riu de verdade agora. - Já você volta para suas modelos e esquece de mim.
Levantei uma sobrancelha e continuei encarando.
- Eu não saio só com modelos.
- Ah, é, você gosta de cantores também, né? - ela riu. E eu rolei os olhos.
- , - olhei para ela - você sente alguma coisa por mim?
- Sendo completamente sincera, sim. Mas não sei o que é, e nem como lidar com isso.
- Acho que estamos na mesma. - Levantei minhas sobrancelhas para ela. - Você quer manter isso em segredo?
- Você diz o que aconteceu ontem ou nossos sentimentos confusos?
- Os dois.
- Acho que é o mais sensato, me desculpe por te arrastar para o meio desse drama adolescente.
- Acho que eu sou um grande culpado para a piora desse drama. Então te devo desculpas também.
- Você tem culpa de quê?
- De deliberadamente continuar te provocando mesmo sabendo o tanto que você está sofrendo. Eu sou um egoísta babaca às vezes.
- Tudo bem, eu vou gostar de jogar na cara do Chad que transei com um cara mundialmente famoso. - Ela deu uma risada com a minha cara de falso ofendido.
- Tá certo, será nosso segredo. - Segurei a mão dela - Eu tô aqui pra te ajudar no que for preciso, ok?
- Ok! - ela deu um sorriso.
- Eu estou falando sério. Se você precisar de qualquer coisa, estarei sempre à um vôo de distância.
- Tá certo, eu também posso te ajudar se você precisar, mas não consigo estar à um vôo de distância. - ela fez piada. - Você pode me ligar como uma pessoa normal que não tem dinheiro para viajar do nada…
- Se eu precisar de você, posso mandar um avião te buscar? - pisquei o olho, ela apenas riu mais um pouco.
- Você vai embora hoje, né?
- Sim, no final da tarde.
- Então veja logo se tem alguém no corredor. Eu tenho que te entregar uma coisa, mas está no meu quarto.
Levantei da cama abri minha porta e vi que todos continuavam deitados. Avisei para , que correu desesperada até a porta ao lado. Eu continuei rindo parado na porta do meu quarto. Ela entrou no quarto dela. Demorou alguns minutos até que eu não me contive de curiosidade e fui até a porta, que estava aberta. Ela estava escrevendo alguma coisa no seu caderno. Arrancou uma folha dobrou e me entregou.
- Pronto, eu prometi que você poderia ler a poesia/música. Mas não lê na minha frente.
- Posso ficar ou tenho que te devolver?
- Pode ficar.
- Vou ler no avião. - Ela deu um sorriso tímido.
- Tá bem. Mas não reclame se for uma merda. Você que inventou de ler.
Segurei o papel dobrado, me aproximei dela e roubei um selinho. Ela era adorável, talvez por isso eu estivesse nessa condição. Todas as pessoas que interagiam comigo atualmente tentavam me ganhar com imagem, status ou dinheiro. Eu não gostava e nem precisava de mais disso, já bastava o que eu tinha. era a personificação dos meus desejos anônimos.
- Último beijo, prometo não roubar mais nenhum.
Ela sorriu, me puxou pelo pescoço e me deu um beijo de verdade. Depois simplesmente virou e entrou no quarto, me deixando sozinho no corredor. Retornei para o meu quarto e guardei o papel dobrado dentro da minha carteira. Eu ia precisar de muito tempo, cerveja e loucuras para tentar superar essa menina. E o problema é que não sei se eu estava disposto a tentar.


Capítulo 14

Gemma’s POV.

Acordei cedo para levar Michal até Manchester, ele precisava viajar para Paris. Gastei uma hora pra ir e outra para voltar, mas estava ótimo. Eu peguei as chaves do Audi do Harry e pude fingir que era milionária por duas horas.
Cheguei em casa, minha mãe estava na sala com vendo uma reprise do Graham Norton show e rindo alto. Passei por elas dando um alô com a mão e fui até a cozinha. Harry estava sentado lendo um livro e tomando chá, tinha uma torrada com abacate em cima da mesa.
- Você está cada dia mais americano.
- O quê? - ele voltou a atenção para mim, confuso.
- Essas merdas de enfiar abacate em tudo. Coisa de americano. Você tá ficando tempo demais em LA.
- Fique sabendo que, além de deliciosas, são muito nutritivas. - Ele deu uma mordida, mastigou e abriu a boca para me mostrar.
Rolei os olhos, peguei uma xícara, coloquei meu chá e um pouco de leite. Harry fechou o livro e continuou comendo a torrada.
- Tudo certo até o aeroporto? Você respeitou os limites de velocidade?
- Óbvio que não. Que tipo de pessoa você pensa que eu sou? Num carro esporte, respeitando limites. - Fiz uma careta.
- Ótimo, se chegar alguma multa, eu vou transferir pro seu nome.
- Ah tá. Como se você soubesse fazer isso.
Harry deu uma risada e jogou um guardanapo de papel amassado em mim.
- Vocês vão voltar no meu carro, certo?
- Posso fazer esse sacrifício. Você vai como para Londres?
- Mike vai me mandar um carro. Eu tenho algumas coisas para resolver na Gucci. Vou fazer outro ensaio, mas vai ser só depois do último show.
- Entendi, você vai levar ternos para a América do Sul? Lá é bem quente.
- Separei uns ternos e umas blusas diferentes. Dependendo do calor, vamos ver o que uso.
- O que vamos almoçar hoje? - falei, pegando um pedaço da torrada com abacate.
- Não sei, a gente poderia almoçar fora. - Ele deu uma risada com a minha cara de surpresa ao morder a torrada. - Eu falei que era bom.
- Vamos almoçar em Manchester? - continuei comendo da torrada dele - Na volta pra cá, passei em frente a um restaurante que parece legal.
- Estou dentro, convença as outras duas. - Ele puxou o prato de volta e pegou o que sobrou da torrada. Ele pegou de volta o livro dele quando eu me levantei e fui até a sala. - Se precisarmos de reservas, liga pro Mike, que ele resolve. – então esticou o celular dele na minha direção.
- Eu posso ligar, ao contrário de você, minha orelha não cai quando preciso falar com estranhos no telefone. - Peguei o celular dele, já desbloqueado. - Tenho que pesquisar ao nome do restaurante, vou usar sua internet.
- Fique à vontade. - Ele nem sequer tirou o olho do livro. Segui para a sala.
e minha mãe estavam rindo muito com o programa, sentei no sofá e entendi o motivo. Graham estava lendo traduções malucas que restaurantes estrangeiros colocavam no menu.
- Ei, meninas. - puxei papo quando o programa deu intervalo. - Eu pensei de irmos almoçar em Manchester hoje, vi um restaurante novo lá que parece interessante, ele tem um Leme na porta! - eu estava procurando o nome do restaurante ao mesmo tempo. - Vou ver se encontro o nome para ver se conseguimos reservas.
- Leme na porta? - perguntou. - Não seria o Tattu? - olhei para ela com a cara confusa. - Eu morava em Manchester, lembra?
- Caralho, como eu sou idiota! - coloquei o nome na pesquisa. - Esse mesmo! - apertei o número que apareceu no Google e coloquei o telefone no ouvido.
- Você não vai conseguir reserva tão em cima da hora. - começou a falar. O restaurante me atendeu, eu a mandei ficar quieta e sai da sala.
Dois minutos depois, eu voltei com a cara fechada. O atendente não havia sido grosso comigo nem nada, apenas explicou que eles só faziam reservas com 24 horas de antecedência, e que, apesar de não ser um dia muito cheio, ele não podia garantir que haveria uma mesa livre quando eu chegasse. Harry finalmente largou o livro e chegou na sala. Sentou no sofá ao lado de . Eles trocaram um olhar diferente.
- Nada feito, estão lotados hoje. - Sentei e devolvi o celular pro Harry.
- Você falou com o Mike? - Harry pegou o celular.
- Não, liguei direto. - Ele me olhou e fez uma cara de idiota. Rolou os olhos e ligou para Mike. Dessa vez, ele saiu da sala.
Harry voltou para sala dizendo que Mike iria resolver tudo. Devia ser muito bom ter um assistente que faz tudo para você, mas eu acho que não teria paciência. Ele mal sentou no sofá e Mike ligou de volta.
- Temos reservas para às 13:00h. - E deu um sorriso idiota desafiador para mim. - O que eu não consigo, maninha?
- Não consegue se formar. - Dei língua para ele.
- O que tem nesse restaurante, ? - Harry se virou para ela.
- Você acha que eu já entrei no Tattu? - ela deu uma risada sonora. - Eu não sou você, querido.
- Você não precisa entrar no lugar para saber o que tem, bobinha - Harry fez uma careta e sentou do lado dela, passando o braço ao redor do seu ombro.
- Ah… lá é comida japonesa, chinesa e frutos do mar.- Ela ficou vermelha, coitada, Harry não para de provocar, mas os dois ficavam tão bonitinhos juntos. Que diabo, por que não se beijam logo? Olha que amor.
- Ok, então saímos às 11:30h? - perguntei. Minha mãe estava muito calada durante toda a conversa, até estranhei. Ela estava olhando Harry abraçado com , e nem sequer disfarçava o sorriso besta.
- Fechado. - Harry levantou. - Vou arrumar minhas coisas. Quando voltarmos, vai ser bem próximo da hora de ir, e eu estou com tudo jogado pelo quarto.
Continuei deitada no sofá vendo tv por mais alguns minutos, até que resolveu subir para tomar um banho e se arrumar para o almoço. Assim que ela subiu, chamei a atenção da minha mãe:
- Você tá muito calada hoje.
- Ah… - ela deu um sorriso. - Já estou triste porque essa semana acabou. - Ela fez uma cara de choro. Eu fui dar um abraço nela.
- Deixa de drama, mãe. – Minha mãe sempre chora por tudo.
- Não estou fazendo drama, eu fico com saudades disso. - Ela me abraçou mais forte. - vocês todos juntos, a gente em casa. - Deu um suspiro forte.
- Oh, mamãezinha! - dei um beijo na bochecha dela. - vai passar um tempo lá em casa. Quem sabe não passa um pouco da saudade.
- Sim, vou pensar nisso. - Ela sorriu. - Convença seu irmão a ficar mais tempo por aqui também.
- Ele é um idiota, tá todo americano, comendo torradas com abacate até! Você viu?
Ela deu outro sorriso e me abraçou mais uma vez. Toda vez que Harry vinha, ela ficava muito feliz, toda vez que ele ia embora, ela chorava. Era um ciclo sem fim. Aquele imbecil faz muita falta por aqui.
- Mudando de assunto agora. - falei sentando de frente pra ela. - você acha que tá rolando alguma coisa entre os dois?
- e Harry? - concordei balançando a cabeça - Eu tenho certeza que o Harry está caidinho por ela, mas não sei se ela tá correspondendo.
- Eu acho que ela está confusa. Por conta do Chad.
- Com certeza. Ela podia largar logo esse Chad e ficar com o meu bebê.
- Ai, mãe! - dei uma risada. - Ela ficou de conversar com ele nesse final de semana.
- Você acha que ela vai querer continuar?
- Acho que isso vai depender da postura dele. Não conheço o cara, mas ele não deve ser tão terrível assim, afinal eles tão juntos há anos.
- É verdade. Estamos “conhecendo” ele numa situação difícil. - Ela levantou do sofá. - Vamos ter que esperar para ver. Eu acho que você devia falar com o seu irmão.
- Sobre o quê?
- Sobre isso. Ele não pode ficar provocando a pobrezinha, tem que deixar respirar. Quando ela estiver solteira, ele pode tentar algo se quiser.
- Ele é um idiota. - levantei. - Vou falar com ele.
- Vamos nos arrumar também, em breve temos que sair.
Resolvi subir direto para o quarto de Harry. Não ia adiar a conversa. Talvez na volta não tivéssemos a oportunidade de ficarmos sozinhos antes dele ir embora. Bati na porta e ouvi um “pode entrar”. O quarto dele estava até arrumado, uma das malas já estava fechada e ele já estava vestido para o almoço.
- E aí? - ele estava abotoando uma camisa estampada.
- Tente fechar até o último botão para variar. - falei me jogando na cama dele. Que apenas rolou os olhos.
- À que devo a honra da sua visita? - Ele estava escolhendo um óculos na frente do espelho, de costas para mim.
- Quero saber da . - Ele estava de costas, mas pude notar que ele tinha ficado ligeiramente nervoso.
- O que você quer saber dela? - ele se mantinha de costas.
- Notei que vocês estavam trocando mais olhares hoje. Vocês conversaram sobre o beijo?
- Não conversamos. - Ele se virou de óculos, sentou na cadeira da mesa dele e se virou para mim.
- Tem alguma coisa esquisita, Harry, vocês não estão normais.
Ele deu um pequeno sorriso de lado e continuou calado. Encarei ele por alguns segundos e ele começou a rir.
- Abre o jogo, Harry, anda. Aconteceu alguma coisa durante a entrevista?
- Não aconteceu nada durante a entrevista. Foi uma entrevista bem legal, inclusive. Tenho uma foto aqui no meu celular. - Ele me entregou o celular com a foto aberta. Harry comia uma banana enquanto respondia alguma coisa, passei para as próximas fotos e vi outras fotos dos dois interagindo. Levantei o meu olhar.
- O que significam essas fotos, maninho? - mostrei o celular com uma foto dele abraçando pela cintura.
- Ei, eu te dei para olhar aquela foto, e não para você ficar bisbilhotando.
- Você não deveria ter me entregado o celular se não quisesse que eu visse isso. - Ele levantou e pegou o celular de volta, colocando no bolso. - Você está começando a gostar dela, de novo?
- Eu não sei. - Ele puxou os óculos como uma tiara- - Realmente não sei o que eu estou sentindo. Ela me deixa tão… - e fez um gesto com as mãos que eu não entendi. - E tem toda a história do tal do Chuck.
- Chad.
- Ah, que seja, quem tem um nome desses? Chad? - senti que ele estava demonstrando um pouco de ciúmes.
- Várias pessoas. - sentei na cama - Você está com ciúmes dele?
- Não estou, está com raiva dele e pensando em terminar, porque eu teria ciúmes disso? Por mim ela bem podia terminar com ele por telefone, hoje mesmo.
- Querido irmãozinho, as coisas não funcionam dessa forma no mundo real, sabe? - olhei para ele. - Você nunca esteve num relacionamento maior do que seis meses. Então, talvez seja mais difícil você entender como é pensar em terminar com alguém que você imaginava que ficaria para sempre.
- Você acha que ela queria ficar com ele para sempre?
- Bem, eles tinham planos de morar juntos no final do ano.
- Ele é um idiota. - Harry suspirou e baixou novamente os óculos, dessa vez escorregou um pouco na cadeira para conseguir apoiar a cabeça no encosto.
- Disso não temos dúvidas. Mas eu acho que você devia dar um espaço maior para ela neste momento, não faça bobagens que você pode se arrepender depois.
Ele deu uma risada e balançou a cabeça.
- Já fizemos grandes bobagens até ontem. Pode deixar que eu não vou mais fazer nada. Mesmo que ela queira.
Olhei para ele com uma das sobrancelhas levantada, mas não falei nada. Eu sabia que ele não me contaria mais nada além disso. Talvez eu tivesse mais sucesso com no caminho de volta para casa. Teríamos um bom tempo dentro do carro, sozinhas.
- Tá certo, vou me arrumar, saímos em 30 minutos?
Ele me mandou um jóia, já de costas, mexendo em algumas coisas na mesa dele.

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Fui a última a descer pronta. Todos me esperavam na sala. Minha mãe estava tirando fotos com e Harry, e me fez entrar na última. Harry conseguiu quebrar o círculo das fotos, falando que iríamos nos atrasar e perder a reserva. Ele pegou as chaves da Range Rover, chegando na garagem, minha mãe abriu a porta de trás e já se sentou. Fui para o outro lado correndo.
- Mãe, você não vai da frente?
- Deixa os dois ficarem juntos na frente só mais esse tempinho, Gems, não custa nada.
- Mas mãe, eles não… - fui interrompida por abrindo a porta de trás também. Harry já estava no banco do motorista.
- Ei, eu não sou Uber não, pode vir alguém aqui para frente.
- Sente lá na frente, . Eu tenho que conversar algumas coisinhas com Gems aqui. - Minha mãe respondeu, antes que eu me levantasse. saiu do carro e deu a volta para o banco da frente.
Até o caminho final, não houveram gracinhas por parte do meu irmão. Ele apenas pediu para que ficasse escolhendo as músicas. Quando chegamos ela, foi indicando o melhor caminho até o restaurante. Paramos em frente para entregar as chaves ao manobrista. Desci junto com , minha mãe e Harry demoraram um pouco dentro do carro, conversando alguma coisa.
- Gems, eu vou ali no café rapidinho e encontro você no restaurante, pode ser?
- Pode, mas porque você que ir lá?
- Ah, uma amiga minha trabalha lá, queria só dar um oi. Eu trabalhava aqui perto e sempre vinha tomar chá de tarde com ela.
- Justo, mas não enrole. - dei uma risada e atravessou a rua.
Minha mãe e Harry finalmente saíram do carro e perguntaram onde estava.
- Ah, ela tem uma amiga que trabalha bem ali e foi dar um oi. Ela já volta. Disse que é coisa rápida.
Entramos no restaurante e fomos até a mesa reservada. A decoração era incrível. Mandei uma mensagem para assim que sentamos na mesa.

", quando você estiver chegando me avisa para eu te buscar na porta, se você disser que está com a gente, não vão te deixar subir achando que você é uma fã ou algo do tipo."

"Tá ok, em 5 minutos eu tô aí. x"



Estávamos numa mesa que tinha vista para a janela, consegui ver saindo do café e resolvi já descer para que ela subisse comigo. Cheguei na porta do restaurante e me viu, já sorrindo. Ela olhou para o lado para atravessar a rua e congelou. Seu olhar estava fixo, olhei e percebi uma menina andando ao lado de um cara bem bonito, diga-se de passagem. Foi quando eu percebi, aquele deveria ser o Chad. Corri para o outro lado da rua e puxei ela comigo antes que os dois notassem sua presença. Olhei para cima para ver se Harry ou minha mãe haviam notado algo, mas o vidro da janela era fumê, não dava para ver se eles estavam ou não nos olhando. Entramos no restaurante e fui com ela direto para o banheiro.
- Aquele era o Chad? - perguntei, tentando fazer ela voltar ao normal.
- Com a Madison. - estava furiosa. - Os dois idiotas estão provavelmente indo tomar um chá. - Ela respirou fundo, segurando um possível choro. - Tudo bem, não vou estragar nosso almoço por isso. Vamos comer.
- Você tem certeza que está bem?
- Não estou bem, mas prefiro ficar com vocês agora, aproveitar bem o último dia com o Harry, amanhã eu vou lidar com o Chad. Não vamos mais falar sobre isso, pode ser?
- Tudo bem. Vamos subir.
Mandei mensagem no grupo com minha mãe e Harry falando do acontecido e pedindo que eles não tocassem no assunto durante o almoço. Quando chegamos à mesa, eu pude ver Harry meio nervoso tentando disfarçar, mas ele estava bem sério e de cara fechada. Quando chegamos, ele sorriu e tentou melhorar a cara, pedindo para sentar ao seu lado. Nossa mesa era estilo cabine, com sofás ao invés de cadeiras. Quando ela sentou, ele a puxou para perto, passou o braço ao seu redor e deu um beijo na cabeça dela sem falar nada e nem tocar no assunto, mas acho que ela percebeu que ele estava sabendo. Pedimos nossas comidas e jogamos conversa fora até o almoço chegar. já estava mais sorridente, Harry não largava dela. Ele desgrudou dela assim que a comida chegou, mas depois que ela terminou, puxou a mão dela discretamente. Acho que minha mãe nem sequer percebeu que eles estavam de mãos dadas.
Terminamos o almoço e começamos a nos levantar para sair. Desci ao lado da minha mãe, e Harry ficaram para trás por uns segundos. Olhei para trás discretamente enquanto minha mãe agradecia o atendimento para o garçom. Vi Harry falando alguma coisa para e dando um abraço nela. Eles nos alcançaram logo depois, e ele ainda mantinha o braço ao redor de . O manobrista entrou no restaurante e avisou que haviam algumas pessoas do lado de fora, se eles quisessem, ele poderia colocar o carro nos fundos para que eles saíssem despercebidos.
- Não precisa. - Harry falou - Vamos meninas? - olhei para ele sem entender.
- A gente vai antes? - perguntei.
- Vamos todos juntos que é mais rápido.
Eu ainda não tinha entendido o que ele queria fazer. Geralmente nós vamos antes e ele vem depois sozinho. Quando olhei para fora, antes de sair pude ver que Chad e Madison estavam na esquina olhando e tentando entender o motivo de tanta bagunça na frente do restaurante. Então eu entendi. Harry queria dar a chance de uma pequena vingança para a . Saímos do restaurante, eu e minha mãe na frente, e Harry atrás, ainda abraçados. Ele parou rapidamente para assinar alguns papeis de algumas fãs, soltou o abraço, mas se manteve segurando a mão dela. Deu a volta no carro e abriu a porta para ela e depois voltou para o lado do motorista. Falou com algumas outras fãs e entrou no carro em seguida. Enquanto tudo isso acontecia eu consegui contar para minha mãe com maiores detalhes o acontecido e nós duas pudemos ver a cara de Chad no momento que ele teve certeza de que aquela era , abraçada com Harry Styles. Meu irmão é um idiota. Agora era hora de aguardar a repercussão dessa vingança na internet.
No caminho de volta, resolvi postar algumas fotos que eu havia tirado com para que todo mundo soubesse que ela era minha melhor amiga e talvez amenizasse um pouco para o lado dela com as fãs malucas. E marquei o perfil dela, que até o momento tinha várias fotos com o namorado, então talvez pensassem que ela era realmente só amiga do meu irmão.

xxx


Não falamos mais nada sobre o acontecido até chegarmos em casa. Faltavam apenas duas horas para que o carro que ia buscar Harry chegasse. Minha mãe estava agarrada nele enquanto assistíamos TV. Deixei os dois na sala e fui até o quarto de conversar com ela. Chegando lá, ela já havia arrumado todas as coisas dela e estava encarando o celular.
- Oi, , como você tá?
- Gemma, eu tenho 200 novos seguidores no Instagram. - Ela olhava pro celular assustada.
- É, isso acontece quando você aparece abraçada com meu irmão. Eu te marquei numa foto também, para que as curiosas vissem que você tem namorado e te deixassem em paz. Elas não precisam saber da briga de vocês.
Ela ainda encarava as fotos.
- Harry acabou de me seguir.
- Ele não é muito de redes sociais, mas deve estar tentando segurar um pouco do estrago e talvez te bisbilhotar. O que foi que ele te falou no restaurante?
- No restaurante?
- Sim, na hora que vocês ficaram sozinhos, eu o vi te falando alguma coisa e depois te abraçando.
- Ah… Ele disse que o Chad não me merecia e que se ele pudesse, ia até lá brigar com ele.
- Aconteceu alguma coisa entre vocês dois? Vocês estão diferentes.
- Diferentes como?
- Sei lá… Vocês estão trocando olhares mais profundos. Eu conheço muito bem vocês dois, você pode até ter passado 8 anos sumida da minha vida, mas eu ainda te conheço bem.
Ela suspirou fundo fechando os olhos. Depois de alguns segundos voltou a me olhar.
- Nós dormimos juntos essa última noite.
Arregalei meus olhos e meu queixo caiu. Sentei na cama dela e continuei calada por alguns minutos.
- Como diabos isso foi acontecer?
- Bem, depois que a gente se beijou, ele continuou me provocando de todo jeito. No dia da entrevista e das fotos também, de noite quando assistimos ao filme.
- E você caiu na provocação dele?
- Eu me deixei levar. Talvez seja uma coisa feia de se falar, mas poxa, o Harry é lindo e famoso e estava ali me querendo. Massageou meu ego.
Dei uma risada.
- Ok, te entendo, mas como foi que isso aconteceu? Depois do filme? Você subiu pro quarto dele?
- Não. Eu tinha decidido que nada iria acontecer. Estava no meu quarto tentando dormir sem sucesso e resolvi descer para tomar um leite quente. - Eu continuei calada prestando atenção. - Aí, eu cheguei na cozinha e ele estava lá, tomando chá. Trocamos duas palavras e ele me beijou. Daí eu já não conseguia pensar em mais nada.
- Vocês dois são muito inconsequentes. - falei balançando a cabeça - Lindos juntos, podem inclusive casar e fazer sobrinhos lindos para mim, mas muito inconsequentes. Você já não está confusa o suficiente, ? Para acrescentar o doido do meu irmão?
- Sim, eu não pensei em nada. De manhã a gente concordou em não contar para ninguém.
- Por isso que ele não me falou nada hoje mais cedo quando a gente conversou.
- Vocês conversaram sobre isso?
- Não sobre isso, mas sobre vocês dois. Ele não me falou que vocês dormiram juntos.
- Entendi. - O celular dela vibrava a cada nova pessoa que a seguia.
- Vamos lá, deixa eu te ensinar algumas coisas agora que você vai ter novos seguidores. - Ela me entregou o celular e ficou me olhando. - Primeiro, você precisa desativar as notificações, logo você não vai conseguir fazer mais nada. Você pode colocar seu perfil no privado se não quiser que ninguém te siga, mas eu te aconselho a manter público, se você fechar, elas podem achar que você está escondendo alguma coisa.
- Você acha que vai aumentar? - ela me olhou assustada.
- Vai, muita gente viu vocês juntos, espera só, você vai ser a mais nova namorada dele na internet.
- Ai meu Deus.
- É bom que você já pode conquistar as fãs até você oficializarem esse namoro.
Ela rolou os olhos para mim e riu.
- Até parece, né?
- Ué, pode acontecer.
ficou calada, talvez imaginando a possibilidade.
- Não sei se eu teria condições psicológicas de namorar o Harry. Chad nem é famoso e olha a minha situação.
- Ah, mas o Chad é um babaca, o Harry é só idiota mesmo.
Continuamos conversando mais algumas bobagens e eu continuei pegando um pouco no pé dela, falando que eu seria a madrinha do casamento dos dois e que até já tinha ideias para o meu vestido. Quando ela ia me responder, minha mãe nos chamou lá embaixo, o motorista de Harry havia chegado. Minha mãe já não segurava mais o choro, as lágrimas escorriam por suas bochechas mas ela mantinha um sorriso no rosto enquanto abraçava Harry.
- Por favor, me mande mensagens assim que você embarcar e quando você pousar. Não esqueça de mim.
- Pode deixar, mãezinha. - Ele deu um beijo em cada bochecha dela e a abraçou mais uma vez.
Ele olhou para profundamente e veio me dar um abraço.
- Cuida dela por mim? Não deixa aquele idiota a convencer. - Ele sussurrou no meu ouvido.
- Vou fazer o possível. Te mando notícias dela. - Sussurrei de volta.
- Você vem para o show em LA, né?
- Vou fazer o possível.
- Tá bem!
Ele beijou minha testa se afastou de mim e foi até .
- Me desculpe por hoje, eu nem sequer perguntei se você se importava de sair de mãos dadas comigo. Só pensei em fazer o Chuck sentir um pouco do que você sentiu. - Ela deu uma risada.
- O nome dele é Chad. Mas você não vai aprender mesmo né?
- Eu realmente não me importo. - Ele sorriu.
- Eu gostei de ver a cara dele, então tudo bem. - Ela sorriu de volta, e eu nem sequer disfarçava minha completa cara de pau prestando atenção na conversa particular dos dois. Até um passo discreto mais para perto eu dei para continuar ouvindo.
Harry a abraçou forte, assim como havia feito conosco. E sussurrou no ouvido dela. Graças ao meu passo, eu consegui ouvir.
"Lembre que vai ficar tudo bem", ela sorriu e respondeu: "nós podemos nos ver novamente em algum lugar", ele abriu um sorriso e disse: "em algum lugar bem longe daqui". Olha que imbecis maravilhosos. Acho que ele não imaginou que ela saberia que era a música dele. Pelo sorriso bobo que ele deu, era óbvio que ele não esperava por essa. Ele ficou de frente para ela, olho no olho e eu até arregalei os meus olhos, porque achei que ele fosse beijá-la ali, na frente da mamãe e tudo. Mas ele fechou os olhos e deu um beijo na testa dela só que bem mais demorado que o meu e com um leve suspiro no final.
- Qualquer coisa me ligue, minha promessa continua de pé, ok?
Ela apenas balançou a cabeça positivamente e eles se afastaram. Harry abriu a porta e o motorista entrou para pegar a bagagem. Ele pegou a mala que sobrou.
- Eu amo vocês, prometo mandar notícias! - e então entrou no carro.


Capítulo 15

Harry’s POV.

Fazia 1 hora e 30 minutos que eu estava sentado dentro do carro, tudo que pensava era em como eu queria ter beijado quando nos despedimos. Nem sequer tinha embarcado para o resto da turnê e já estava sofrendo, querendo voltar para Holmes com ela. Eu tinha ficado extremamente irritado com tudo que aconteceu na hora do almoço, e vi o tanto que ela ficou triste ao ver o idiota com a menina que ele resolveu transar andando juntos na rua. Eu queria ir lá dar um soco na cara dele, mas não podia simplesmente sair batendo nas pessoas na rua. Durante todo o almoço, tentei amenizar as coisas para que pudesse ficar melhor. Nessa hora, notei algumas pessoas parando na frente do restaurante. Foi quando pensei em sair junto com ela., ele ia ver a gente e isso ia fazê-lo se sentir tão mal quanto , talvez até pior, porque eu sou famoso. Lembrei do meu ato impulsivo e resolvi olhar a repercussão online mais uma vez. Mas cedo tinha pouca coisa, mas agora já deu tempo de se espalhar. Entrei no twitter e fui direto para as menções, não precisei descer muito para encontrar a primeira foto. Cliquei. Dei uma risada, ela estava ali nos meus braços hoje de tarde, e agora eu estou aqui sozinho, mas que merda de dia. Tinham várias fotos e as pessoas já respondendo logo abaixo quem era ela, inclusive com o perfil do Instagram dela. Outras falavam que ela era amiga de infância da família e anexaram fotos de nós dois muito novos juntos. Elas realmente não têm limites. Fechei twitter e fui para o Instagram, ela já estava com 2 mil seguidores, mas até o momento, nenhum comentário maldoso. Eu estava prestes a fechar o aplicativo quando notei o círculo de story ao redor da foto do perfil dela. Apertei e esperei para ver o que me aguardava. Primeiro era uma foto dela arrumando as malas e falando "de volta para o mundo real". A segunda era um "vídeo selfie" da Gemma rindo, enquanto dançava e cantava alto o início de Weird Fishes do Radiohead. Ela percebeu que estava sendo filmada e não se importou. No outro vídeo ela olhava diretamente para a câmera, cantava segurando uma escova de cabelos como microfone e dançava:

"Eu seria louco em não seguir, seguir por onde você me leva Seus olhos, eles me transformam Me transformam num fantasma Eu caminho até a beirada da Terra E caio."

E então ela se jogou na cama interpretando a canção, dei uma risada. Ela era muito boba. Gemma continuou gravando o restante da música com a interpretação de para a câmera em outros vídeos no story.

"Sim, todo mundo vai embora Quando surge a chance E essa é a minha chance"

Quando começou o solo da música, começou a dançar de uma forma muito engraçada e desengonçada, começou a rir junto com a Gemma e o vídeo acabou.
O próximo era uma foto da placa de Holmes com um emoji de coração estava escrito "até a próxima, cidade natal". Então acabou. Queria que tivessem mais, agora eu conseguia entender o motivo das minhas fãs ficarem bravas quando eu postava só uma foto. Fui até o perfil dela e apertei todos os botões disponíveis até descobrir como fazia para receber notificações quando ela postasse algo novo. Olha o nível que cheguei. Coloquei a mão na testa e olhei pela janela dando uma risada, voltei minha atenção ao celular novamente, pesquisei no google e consegui ativar as notificações. Resolvi olhar as fotos antigas dela e tinham muitas. Fiquei o restante da viagem inteira olhando fotos no Instagram dela. Vi como ela parecia feliz ao lado do Chad e que ele talvez não fosse tão ruim assim, mas eu escolhi odiá-lo. Vi vários vídeos dela cantando em karaokês. O mais legal era ela cantando Heads Will Roll dos Yeah Yeah Yeahs. Ela estava fantasiada de Karen O., a vocalista da banda, aparentemente era uma festa de halloween. estava num pequeno palco e gritava "Cortem, cortem-lhe a cabeça, Dance, dance até morrer, Cabeças vão rolar, pelo chão". Eu estava gostando de ver esses vídeos antigos dela, parecia estar preenchendo o tempo que passamos separados e, até agora, tudo que tinha visto só me fazia gostar cada vez mais dela. Ainda não tinha chegado no final quando chegamos ao escritório da Gucci, Já estávamos na garagem do prédio e eu sequer tinha notado. Eram 19:30, sairia dessa reunião direto para o aeroporto.
Chegando ao escritório, conversamos rapidamente sobre o próximo photoshoot, Glen Luchford continuaria sendo o diretor e fotógrafo principal. Eu já havia trabalhado com ele no início do ano com as fotos do Fish and Chips, então estava bem confiante, já sabia que o trabalho dele era bom. Ajustamos as datas de acordo com o final da turnê. As fotos ficaram marcadas na Itália, numa vila próxima à sede da Gucci.
Saí do escritório e vi que tinha que me apressar para o aeroporto. Mandei uma mensagem para Mike falando que não conseguiria passar em casa e se eu precisava de algo, além das bagagens que já estavam prontas desde antes da semana de descanso.
Ele me respondeu logo em seguida falando que estava tudo certo e que, se eu sentisse falta de algo, era só avisar que ele me enviaria. Agradeci e voltei para o carro, fui direto para o aeroporto.
Chegando lá fui para a sala de embarque vip da primeira classe. Sentei no bar e pedi um whiskey. Eu estava precisando beber alguma coisa para colocar minha cabeça longe de .
Tomei um gole e lembrei que tinha que mandar mensagens para as três, como havia prometido.

"Acabei de entrar na sala de embarque, logo estarei no avião. Quando eu chegar na Argentina aviso vocês. x H."
Criei um grupo no Imessage com as três e enviei a mensagem de uma só vez.

"Boa viagem, meu bem, já estou com saudade. xx mamãe"

Gemma respondeu mandando apenas um emoji de jóia.

"Boa viagem, Harry. x" mandou.

Tomei mais um gole do whiskey. Eu queria mandar uma mensagem para ela falando “eu te amo e vou sentir muitas saudades”. Mas isso não era a coisa certa a se fazer. Respirei fundo, virei o resto do whiskey.

"Obrigado meninas, amo vocês, também já estou com saudade mãe. x"

"Nós também te amamos seu idiota, para de ficar falando assim, já, já a mamãe começa a chorar de novo."

Ri da mensagem de Gemma.

"Tarde demais, eu já estou chorando de novo. haha"

"Não chore, mãe, já tenho uma viagem programada para a Itália pra gente assim que acabar a turnê, ok?"

Dessa vez ela mandou um emoji sorridente e eu ouvi a chamada para meu voo.

"Estou entrando no avião, até mais, lindinhas :) x"

Esperei um pouco, não falou mais nada, então resolvi não olhar mais nenhuma resposta e desliguei meu celular assim que embarquei.
Cheguei até a minha cabine, geralmente em voos mais curtos, vou na classe executiva, mas até a Argentina, seriam quase 14 horas de vôo, eu precisava dormir bem. Na primeira classe, eu tenho uma cama. Nada poderia superar isso. Coloquei uma roupa mais confortável e solicitei que o comissário de bordo me trouxesse o cardápio, ainda não havia comido nada desde o almoço. Enquanto ele mudava minha poltrona para cama eu notei que havia derrubado minha carteira quando troquei de roupa. Peguei do chão e notei o papel dobrado. Era a música/poema de . Dei um sorriso, eu poderia ler agora. Ele terminou e disse que voltaria em breve com o meu jantar, perguntou se eu desejava algo para beber e eu disse que não. Assim que ele saiu, me sentei na cama e olhei para o papel dobrado. Ela tinha começado a escrever isso no dia que nos vimos pela primeira vez lá em casa.
Abri o papel e comecei a ler.

"Oi Harry. Eu não pretendia que você sequer soubesse que eu escrevo merdas desse tipo, mas você me pegou no flagra. Então, eu não tive escapatória não é mesmo? Não é uma música, são apenas pensamentos soltos, estão mais para uma tentativa triste de poesia. Eu não sei fazer música, a única que eu já fiz, foi com sua ajuda, quando você tinha 12 anos e nem sabia fazer nada direito, então nem conta né? Se você achar bom, ótimo, se você achar uma merda, a culpa é sua que quis ler. Ainda dá tempo de desistir, só amassa e joga fora, eu nunca vou saber. :)"

Dei um sorriso, como ela conseguia ser boba e encantadora ao mesmo tempo? Caralho. E eu estou aqui num avião a cada minuto mais longe dela. Nesse momento, Chad parece ter alguma vantagem nesse jogo de merda, mas vou torcer para todas as merdas terem sido o suficiente para ela pelo menos considerar dar um tempo maior, se não for terminar. Voltei a atenção para o papel, quando ia continuar a ler quando minha comida chegou.
Agradeci ao comissário, deixei a comida de lado e continuei lendo.

"Todo mundo ama as coisas que você faz, desde o jeito que você fala
Até o jeito que você se move, todo mundo está te observando
Porque você dá sensação de lar, você é como um sonho que virou realidade
Mas, se por acaso você estiver aqui sozinho, posso ter um momento, antes de ir?
Porque eu fiquei sozinha a noite toda na esperança de que você ainda seja alguém que eu costumava conhecer.

Você se parece com um filme
Você soa como uma canção
Meu Deus, isso me lembra
De quando nós éramos jovens

Eu estava com tanto medo de enfrentar meus medos
Por que ninguém me disse que você estaria aqui?
Eu jurei que você tinha se mudado para o exterior
Foi isso que você disse, quando me deixou

Você ainda se parece com um filme
Você ainda soa como uma canção
Meu Deus, isso me lembra
De quando nós éramos jovens

É difícil admitir que tudo apenas me leva de volta para quando você estava lá
E uma parte de mim ainda espera por isso
Só no caso de ainda não ter esquecido
Eu acho que eu ainda me importo
Você ainda se importa?

Era exatamente como um filme
Era exatamente como uma canção
Meu Deus, isso me lembra
De quando nós éramos jovens”

Dobrei o papel e suspirei fundo. Puta que pariu. Não tenho dúvidas que eu amo essa menina. O que eu vou fazer agora? Peguei o meu Journal e coloquei o papel cuidadosamente dentro de um pequeno bolso, para que não se perdesse. Tentei comer o meu jantar, mas não conseguia fazer mais nada, eu precisava mandar uma mensagem para ela. Agora. Como fazer isso de um avião em modo cruzeiro? Será que tem wifi na primeira classe? Puxei uma revista com as "comodidades" e procurei alguma forma de achar internet. Não é possível que, em 2018, ainda não tenha wifi na primeira classe. Encontrei um informativo na última página da revista falando que internet estava disponível mediante o pagamento de uma taxa extra. Dei um sorriso e chamei o comissário.
- Boa noite, senhor Styles, como posso ajudar?
- Como eu faço para ter acesso a internet?
- O senhor tem acesso incluso no hotspot, é só conectar o seu computador no cabo azul do lado esquerdo da sua poltrona.
Eu não trouxe meu computador, existe a possibilidade de conectar pelo wifi?
- Sim, mas pelo wifi temos uma taxa de manutenção de 10,90 por hora utilizada.
- Sem problemas, pode liberar para mim por favor?
- Certamente, vou até a cabine liberar e quando o senhor terminar de usar, acertaremos o pagamento. Logo estarei de volta com o Login e senha da internet.
Quando o comissário saiu, finalmente consegui terminar de comer meu jantar, que já estava até meio frio do tanto que enrolei. Uns dez minutos depois, ele retornou, retirou meu prato e me entregou o papel com login e senha. Pediu que apertasse o botão para chamá-lo quando eu tivesse acabado para que a contagem de horas não continuasse e pediu autorização para cancelar a internet caso eu acabasse dormindo e não avisasse. Achei atencioso da parte dele, isso provavelmente acontecia com alguma regularidade pelo visto.
Primeiro mandei uma mensagem no grupo com as três, para ver se alguém estava online.

"Tem wi-fi no meu avião!" mandei uma Selfie sorrindo abraçado na minha garrafa de água para fazer piada.

"Que desperdício, você com internet, nem sequer vai utilizar de forma adequada. E qual é a da garrafa de água, já estão te proibindo de beber com uma hora de vôo? Lamentável, irmãozinho"

"Eu estou me hidratando para não ficar doente, aparentemente está frio em Buenos Aires. Cala a boca, Gems."

"Muito bem, querido! Você já jantou?"

"Já sim! Comi macarrão ao molho pesto, bem gostoso, mãe."


Quando vi que estava digitando uma mensagem, fiquei feliz. Só puxei papo nesse grupo para ter certeza de que ela ainda estava acordada.

"Na classe econômica eles nem sequer oferecem essas coisas pra gente. Eu já fico feliz de ter filme, imagine internet. haha"

"Eu tive que pagar extra para ter internet, acredita? Eles só liberam de graça via cabo aqui. :("

"Problemas de gente rica. hahahaha"
Dei uma risada da mensagem dela e resolvi que já podia chamar ela para conversar.

"Porque diabos você pagou para ter internet? Só para ficar mandando mensagem besta? Pelo amor de Deus, Harry, se tá sobrando tanto dinheiro assim pode me dar, irmãozinho."


Mandei um emoji de olhos para cima.
Fui até a conversa de e mandei uma mensagem para ela.

"Oi"

"Oi, Harry. Se enfezou com a Gemma? haha"
"Ah, ela sempre faz isso estou acostumado... Na verdade, eu acabei de ler o que você me entregou."


Ela não respondeu nada.

"?"

"Tô aqui, só não sei onde enfiar minha cara, eu falei para você não me falar quando lesse!"

"Não senhora, você falou que eu devia ignorar se tivesse achado ruim."

"Você achou bom?"

"Eu amei."

Ela mandou um emoji do macaco tapando os olhos.

"De verdade, e eu me importo com você. Demais."

Ela continuava calada, apenas visualizando minhas mensagens. Acho que nesse momento, o whiskey que tomei no embarque bateu. Não pensei em mais nada e comecei a escrever coisas que eu deveria realmente guardar só para mim.

"Eu não sei que tipo de poder você tem, mocinha, mas eu tenho cada vez mais certeza que estou me apaixonando por você. E isso é meio esquisito, porque a gente passou tanto tempo sem se ver. Mas parece que eu nunca te superei. E depois dessa semana, não sei se eu quero superar. Eu sei que você está passando por um momento turbulento e está confusa com tudo, e sei que não sou o melhor dos partidos, afinal se só uma foto comigo já te rendeu um monte de bafafá na internet, imagina se a gente casar, né? :P "

"Me desculpa jogar tudo isso por mensagens enquanto eu estou dentro de um avião viajando para outro continente, mas depois que li o que você escreveu e lembrei como me senti ao seu lado esses últimos dias, eu estaria mentindo se disser que não sei o que estou sentindo por você. Estou aqui para qualquer coisa que você precisar. Até mesmo se você decidir continuar com o Chad (viu, aprendi o nome do idiota)."

"Harry… Eu não sei nem o que responder. Eu ainda estou tentando lidar com tudo que aconteceu com Chad e eu não sei o que estou sentindo. Ai, mas que merda. Me desculpa por isso. Eu não queria estar maluca assim, hoje foi um dia muito esquisito."

", fica tranquila, só te falei isso porque eu precisava botar isso para fora antes de enlouquecer nesse avião pelas próximas 11 horas. Meu amor por você não está condicionado a nós dois ficarmos juntos, mas eu ia gostar bem mais se a gente ficasse. Ainda tenho três longos meses de tour. A única coisa que eu te peço é que você não suma nunca mais da minha vida, pode ser? Mesmo que a gente não fique junto nunca? Posso inclusive ser padrinho de todos seus filhos com qualquer idiota, eu sou um ótimo padrinho, pode perguntar por aí :)"

"Você é mesmo um idiota."

"É uma das minhas principais qualidades. ;)"

"Eu prometo nunca mais sumir. E você pode ser o padrinho dos meus filhos."

"Eu vou rezar para ser o pai."

"Besta.”

“Essa é a minha segunda principal qualidade.”

“Harry…”

“Oi?”

“Você promete que se você mudar de ideia me avisa?”

“Mudar de ideia no quê?”

“De me querer para sempre na sua vida? Ou não querer mais ser padrinho dos meus filhos.”

“Porque eu mudaria de ideia?”

“Não sei, aparentemente as pessoas mudam de ideia toda hora.”

“Aconteceu alguma coisa?”

“Nada não, você vai me avisar?”

“Eu não vou mudar de ideia.”

“Pode acontecer.”

“Eu sou bastante teimoso”

“Mas eu posso ser insuportável”

“Essa é uma das suas principais qualidades. :)”

“Besta, bem, vou acreditar que você vai me contar se mudar de ideia. E eu vou dormir, tive uma longa noite hoje e preciso colocar minha cabeça no lugar, boa viagem!"

"Boa noite, , não vou mudar de ideia, bom descanso. Amanhã nós falamos. x”

Ela não respondeu mais nada. Foi meio egoísta, mas eu me senti tão leve depois de falar que o que eu estava sentido para ela. Puxei meu cobertor e comecei a pensar na outra vez que falei algo assim para .
{Flashback}
Passei o dia inteiro enfiado no mato. Literalmente. Tentei de todo jeito terminar a música para ela mas não consegui. Pelo menos podia dar o poema, não era grande coisa, mas eu precisava falar para ela o que estava sentido. Acho que as coisas seriam bem mais fáceis se ela não fosse amiga da Gemma. Talvez me desse uma chance, eu não sou tão feio assim. Voltei para casa com os papéis no bolso e uma flor, cheguei em casa e ela estava lá, assistindo televisão com Gemma. Me assustei quando ela me chamou para sentar com as duas, falei que precisava tomar um banho e já voltava. Corri até a cozinha e deixei a flor lá para que elas não vissem. Subi em disparada para meu quarto e tranquei a porta. Não dei os parabéns para ela, mas eu faria isso em breve. Peguei o papel do meu bolso e passei a limpo num menos amassado. Tomei banho e passei até perfume. Desci e ela estava sozinha na sala.
- Cadê a Gems? - Falei, sentando no sofá ao lado dela.
- Ah, ela foi comprar sorvete, vamos maratonar uns filmes, quer ver com a gente?
Senti que aquela era a minha oportunidade. Eu fiquei tão nervoso só de pensar que senti meu corpo gelar.
- Você tá bem, Haz? - ela segurou na minha mão. - Você ficou pálido de repente! - Então colocou a mão na minha testa.
Peguei a mão dela da minha testa e balancei a cabeça.
- Tô bem sim, eu queria conversar com você na verdade. - Soltei a mão dela e cocei a minha nuca.
- Pode falar.
- Você acha que a Gemma ainda vai demorar? É porque é meio que um segredo e eu não quero que ela saiba.
- Ela saiu tem uns 5 minutos. - olhou no relógio - Deve demorar mais uns 10. Você sabe o tanto que ela é lerda.
- Vamos lá pro quintal? Se ela chegar antes dá tempo de disfarçar. - dei um sorriso fraco. Eu estava com as mãos tremendo. Coloquei no bolso da calça e ela saiu junto comigo. Sentamos numa das espreguiçadeiras.
- Antes de tudo, eu fiz uma coisa para você de aniversário.
- Achei que você tinha esquecido! - Ela deu um sorriso. - Não precisava fazer nada para mim, só um abraço é mais que o suficiente, Harry. - Ela me puxou para o abraço e eu respirei fundo, o cheiro dela me deu até palpitações, não vou conseguir falar que eu a amo. Puta merda. Eu não consigo falar mais nada.
Entreguei para ela um envelope com o poema/carta dentro e torci para que ela não achasse tão ridículo quanto eu estava achando naquele momento. Ela agradeceu, mas não abriu o envelope. Me deu outro abraço bem apertado. Eu estava quase entrando em colapso quando ela finalmente começou a abrir, levantei e corri até a cozinha buscar a flor que eu havia esquecido. Voltei e ela estava com o envelope aberto e lendo.

"Há algum tempo eu noto que os seus olhos têm silêncio e vozes
Seu olhar mais frágil tem muitas coisas que me envolvem
a maioria delas eu não posso tocar
porque estão muito perto e são em sua maioria muito familiar
Seu olhar mais leve facilmente me cerca
embora e eu me feche de todo jeito
você me abre pétala por pétala
como a primavera abre a primeira gérbera
Eu não sei o que é acontece para você ter esse efeito
se devo me fechar ou me abrir
Sei apenas que algo em mim compreende que a voz dos seus olhos é mais profunda do que todas as vozes
e ninguém
nem mesmo a chuva mais forte
é capaz de me fazer não ouvir e te seguir.
Mas se o seu olhar permitir
minha vida eu entrego a ti "

Eu sentei novamente na espreguiçadeira, acho que ela nem sequer percebeu quando me sentei. Entreguei uma Gérbera cor-de-rosa para ela, eu sabia que aquela era a flor favorita dela.
Ela pegou a flor e continuou me olhando.
- Que coisa mais linda, Harry. - ela disse, olhando novamente para o papel - Você escreveu isso para mim?
- Sim, talvez agora esteja meio óbvio, mas eu gosto de você, . Já faz algum tempo.
- Harry…
- Eu sei, sou o irmão mais novo da sua melhor amiga, sou muito novo, nunca daria certo. E eu sei que é o seu aniversário, mas eu posso te pedir um beijo?
Então ela deu um sorriso e acenou positivamente a cabeça. Colocou a flor e a carta para o lado e se aproximou de mim vagarosamente. Eu fechei meus olhos e ela juntou nossos lábios.
Meu coração batia tão forte que eu achava que podia rasgar a minha roupa a qualquer momento. Segurei o rosto dela delicadamente e continuei o nosso beijo por todo tempo que pude. Eu não tinha dado tantos beijos na vida para poder comparar, mas nenhum tinha sido daquele jeito. Meu Deus, ela era perfeita. Quebramos o beijo, mas mantivemos nossas testas juntas por um tempo. Eu ainda de olhos fechados tentando processar tudo que estava sentindo. “Eu te amo”, pensei, mas não consegui colocar para fora.
- Esse foi o melhor presente de aniversário que eu já ganhei na minha vida inteira, Haz.
Olhei para ela ainda em êxtase. Dei um sorriso.
- Que bom que você gostou.
- Eu também gosto muito de você, sabia? - ela falou levantando e guardando a carta no bolso da jaqueta dela. -
Mas não da mesma maneira, não é?
Ela apenas levantou os ombros disse:
- Esse vai ser nosso segredo, tá bem? - Então ela me deu um selinho e voltou para a sala. Menos de dois minutos depois, Gemma chegou em casa gritando porque tinha encontrado o sorvete com pedaços de chocolate. Eu fiquei estirado na espreguiçadeira sorrindo igual a um idiota. Ela me deu alguma abertura, na próxima vez eu vou falar "eu te amo".
{fim do flashback}

Demoraram dez anos, mas eu finalmente tinha coragem de colocar para fora esse todo esse sentimento que estava preso dentro de mim. Eu devia essa para o meu eu de 15 anos. Eu preciso ter certeza de que ainda me sinto assim e falar que eu realmente a amo. Mandei uma mensagem para Gemma.

"Eu falei tudo que estou sentindo para a , por uma mensagem agora há pouco, se você quiser me matar, vai ter que me encontrar na Argentina. x te amo, H."

"Kwagdiladkasjdbaigdkasdasdhasdakj O QUÊ?"

"EU GOSTO DA E ELA SABE."

"PUTA MERDA, HARRY"

"POR QUE DIABOS VOCÊ NÃO FALOU COMIGO ANTES? CARALHO, VOCÊ É MUITO INCONSEQUENTE."

"Fica tranquila, ela tá ok, entendeu que eu não estava exigindo nada e que eu ficaria feliz mesmo que ela voltasse com o Chad."

"O CHAD VEIO AQUI HOJE, HARRY, ELES TERMINARAM. OU MELHOR ELE TERMINOU COM ELA. EU NÃO TENHO TEMPO PARA TE EXPLICAR ISSO AGORA."

"Por que ela não me falou isso?"

"Porque ela não queria ter terminado com ele, Harry. Eu não quero que você sofra, sou sua irmã e te amo, mas você tá pedindo. A ama o Chad. Talvez ela esteja balançada com essa semana de vocês. Mas ela gosta do cara, e agora tudo acabou meio que indiretamente por sua causa. Ele falou várias verdades de um possível relacionamento de vocês dois e ela ficou muito mal.”

"Eu não estou entendendo mais nada."

"E vai continuar sem entender, Harry, meu querido irmão. Me faz um favor, cancele essa internet, vai dormir e acorde só na Argentina. Depois eu te ligo e te explico tudo com detalhes."

"Ela está mal? Tem alguma coisa que eu posso fazer?"

"Tem sim, vai dormir. Ela está bem. Só está chorando um pouco. Vou conversar com ela. Amanhã eu falo com você, eu juro!"

"Tá bem, me desculpe pela confusão, mas eu me dei conta que nunca deixei de gostar dela Gems."

"Eu entendi, Harry, você não fez por mal. E eu acredito mesmo que você goste dela. Quer uma dica? Se livre das modelos o quanto antes e quem sabe você talvez tenha alguma chance. Boa noite, maninho. x"


Meu celular vibrou. Encarei o visor. Merda, a foto tinha chegado aos Estados Unidos. Eu tinha três mensagens de contatos diferentes perguntando se era minha namorada. Meu empresário, meu assistente e a Emily. Respondi os dois primeiros igual:

"Eu realmente gostaria, mas não. Ela é melhor amiga da Gemma. x H"

Para Emily eu mandei uma mensagem diferente, porque ela poderia vazar qualquer coisa que eu falasse. Principalmente agora que eu ia tentar acabar com nosso "lance" por sms seguindo o conselho da minha irmã.

"Ela é a melhor amiga da escola da Gemma. Estava tendo um dia ruim e nós saímos para animá-la."

"Isso afeta nosso combinado?"

"Ela não afeta nosso combinado, mas outras coisas acabaram afetando. Me desculpe por falar isso por sms, mas eu estou a bordo de um avião para a Argentina neste momento, não posso te ligar."

"Não entendi, você não quer mais me ver ou vamos ver outro possível dia?"

"É esquisito terminar algo que nunca existiu, né? Você é uma garota adorável, Em. De verdade, você merece alguém que te aprecie. Eu não sou o cara certo, me desculpe."


Ela demorou um pouco para responder.

"Harry, tá óbvio que é ela, não precisa mentir para mim. Mas tudo bem, boa sorte. Você tem meu número se mudar de ideia e desistir da amiga da sua irmã. xx"


Esse dia só ficava cada vez pior. Eu sei que isso vai sobrar para mim de alguma forma em algum site de fofoca, pelo menos ela não escreve músicas. Acho melhor eu avisar o Mike, ele vai ficar puto. Dei uma risada.

"Eu acabei de terminar um 'rolo' que eu estava tendo há alguns meses com a Emily Spencer. Acho que ela não ficou muito feliz. Fica de olho para alguma possível fofoca. Desculpe desde já. Ela acha que eu 'terminei' com ela por causa da . X"


Mike respondeu logo em seguida.

"Emily Spencer da VS? Você é um cachorro, quem termina com ela por sms? Se bem que ela meio que merece, menina chata do caralho. Haha. Acho que você vai ficar bem, ela não tem fama de sair detonando os ex pela internet. E você está tão afim da assim? Para terminar com a faço-qualquer-coisa-na-cama-Emily?"

"Deus te ouça, a última coisa que a precisa agora é ser arrastada mais ainda pros sites de fofoca. Outra coisa, a repercussão da minha foto com a ela tá muito forte? Ela não tá podendo lidar com fãs doidas por agora, já tem muita coisa acontecendo com ela no momento. E, aparentemente, eu estou no centro do fogo como sempre. E sim, estou tão afim dela à esse ponto."

"Eu vou te proibir de tirar folga durante as turnês se eu tiver que ficar apagando incêndios como esse o tempo todo."

"Você não tem esse poder!"

"Harry, eu controlo sua agenda. Me passa o contato da , vou tentar ajudar."


Mandei o contato e agradeci a Mike. Depois de toda essa confusão, encarei meu celular novamente. Quanto estrago para um dia só. É por isso que eu não gosto da internet. Chamei o comissário de bordo e pedi para ele cancelar o wifi. Guardei meu celular, liguei a televisão e coloquei qualquer filme para passar enquanto eu tentava entender metade do que aconteceu nesse tempo. Agora eu só podia esperar e talvez rezar. Dei uma risada nervosa e suspirei fundo. Que dia. Me concentrei no filme e acabei adormecendo.


Capítulo 16


Colocamos todas as coisas dentro do carro, ainda bem que não levamos muitas malas. O audi do Harry não tinha tanto espaço assim para malas, mas era um carro bem legal.
- Você quer dirigir? - Gemma balançou as chaves.
- Eu? Você tá louca, e seu eu bater esse carro? - Ela jogou as chaves na minha mão. -
Dirige só aqui na cidade - Gemma me empurrou para o lado do motorista - Você vai gostar, quando chegarmos na placa, a gente troca se você quiser.
Sentei no banco do motorista e me senti até intimidada.
- Parece que eu estou sentada no chão! - comecei a rir. - Gemma apertou um botão e o banco começou a subir vagarosamente. - Bem melhor, obrigada! - Apertei o botão de ligar o carro e tudo acendeu. - Esse carro parece uma espaçonave.
- Demais né? Vamos nessa!
Dirigi metade do percurso e depois troquei com a Gemma. Tinha sido muito legal, mas eu fiquei assustada com a potência do carro.
- Será que o Harry já embarcou? - perguntei sem nem pensar.
- Você já está com saudades do meu irmão? - Gemma virou os olhos - Vamos conversar sério aqui. Primeiro, ele manda mensagem antes de entrar no avião sempre, então ainda não embarcou, segundo, o que você está realmente sentindo?
- Eu realmente não sei. Essa semana em Holmes foi surreal, Gems, foi como voltar no tempo. No primeiro dia, nós dois lá fora no quintal. Você sabia que foi lá que ele me deu o poema e a gente se beijou pela primeira vez?
- Não sabia.
- Pois é, tem muita história. E o fato dele estar cada dia mais bonito não ajuda em nada.
Gemma deu uma risada e continuou olhando para frente na estrada.
- Esses últimos dias têm sido muito malucos. Eu tenho a sensação de estar sendo manipulada pelo universo. - Comecei a rir, eu estava soando como uma louca.
- Manipulada pelo universo?
- Ah, sei lá.
- Universo. - Gemma fez uma voz teatral - Se você estiver manipulando a , nos dê um sinal nos próximos dez segundos.
- Como a gente vai saber que é um sinal?
- Oito, sete, seis. - Gemma arregalou os olhos e começou a rir. - Puta merda.
Olhei para frente e tinha um outdoor com uma placa escrita "Viu só como você viu? anuncie aqui". Comecei a rir.
- Gemma!
- Tá, vamos fazer algo mais específico. Difícil, porém não impossível. - Ela ligou a rádio. - Universo, se você estiver ajudando a , quando eu colocar na estação número 4 gravada nesse carro vamos ouvir alguma música do Harry. - Ela me olhou. E eu comecei a rir que nem uma idiota. - Vai aperta no 4.
- Eu não! - comecei a rir de nervoso - Se tocar uma música do Harry, eu vou gritar.
Gemma fez uma careta e apertou o 4. A rádio estava voltando da propaganda e um violão começou a tocar. Gemma deu um grito e arregalou o olho. Quase freou o carro.
- O que foi? Eu me assustei.
- Isso é One Direction!
- Han? - Eu ouvi a voz de Harry começar a cantar na rádio e foi minha vez de gritar.
- Que maluquice. - Gemma começou a rir - Isso foi muito maluco. Você não conhece essa música?
- Eu não conheço One Direction. Não muda de assunto. Você viu que loucura?
- Isso foi só uma coincidência, . Eu só entrei na onda pela brincadeira.
- Gemma, a gente pediu uma música e tocou.
- Não senhora, eu pedi uma música do Harry e não do One Direction.
- Ele foi o primeiro que cantou.
- Você está tentando manipular as regras para parecer que o universo está te manipulando. Deixa de loucura.
- Todas as evidências estão aí. Só não vê quem quiser.
- Tá, quem sabe então o "universo" não esteja tentando te afastar do Chad porque ele é um traidor?
- Ah, que merda. - Eu não consegui segurar meu choro, coisa que consegui fazer pouco durante a semana. - Eu ainda não acredito que ele transou com a Madison. Ela me conhece.
- Que vadia escrota do caralho.
- Gemma!
- Ué, ela te conhece, sabe que o cara namora com você e mesmo assim vai lá e transa com ele. Não tô jogando a culpa toda nela, porque ele podia ter dito não e ido embora. Mas ela também tá errada.
- É verdade. - Suspirei - O pior de tudo é que eu amo o Chad, Gems, eu queria muito poder voltar a ser como antes. Mas não sei se tenho a mínima confiança nele de novo.
- A conversa de vocês não vai ser fácil.
- Não mesmo.
- Ainda mais depois do meu querido irmão sair abraçado com você na frente das câmeras. E vocês trocarem beijos e carícias.
- Esse é meu outro problema. Harry. Porque ele não é só o Harry? Porque ele tem que ser O Harry Styles? - dei ênfase no o.
- Não é fácil. Você acredita que teve uma época que as pessoas não sabiam que eu era irmã dele e me odiaram de graça por uma semana inteira?
- Fala sério!
- Estou te falando! Uma semana inteirinha. Mas naquela época, Harry era mais ativo nas redes sociais e postava coisas demais. Ele sofreu demais com comentários maldosos. Acho que isso fez ele amadurecer um pouco mais rápido e aprender a separar trabalho e vida pessoal.
- Entendi.
- Ele separa tanto que minha mãe fica louca, ela sempre acha que ele está namorando com alguém e ele nunca dá certeza de nada nem pra gente.
Comecei a rir.
- Desde que ele começou a carreira solo dele, muita coisa mudou. A maioria para melhor, mas a gente sente falta dele por aqui.
- Pois é, a vida do Harry é muito mais agitada do que ele faz parecer.
- É sim. Mas uma coisa é certa, se ele quer alguma coisa, ele faz acontecer.
- Como assim?
- Se vocês quiserem ficar juntos, um exemplo hipotético, sem esperança nenhuma da minha parte por sobrinhos perfeitos. - ela fez piada e eu ri revirando os olhos. - Eu tenho certeza absoluta que se ele te amar e quiser ficar com você, até mudar para minha casa ele muda sem pensar duas vezes.
- Que exagero, Gems.
- , você parece que esquece que a gente doutrinou esse menino com comédias românticas. - Comecei a rir. - Tudo dele é grandioso e milimetricamente programado. Desde muito novo. Você mesmo é um exemplo.
- Eu? como?
- Ué, ele fez um poema para se declarar para você. Um fucking poema. Quem faz isso?
- Ele também deu minha flor favorita junto com o poema. - Comecei a rir.
- Viu só! - ela bateu com a mão no volante. - No meu último aniversário, ele me deu passagens e hospedagem num hotel na Grécia para ir com o Michal. Depois que eu comentei que estávamos um pouco afastados por conta das nossas agendas de trabalho.
- É, a gente realmente doutrinou ele. - dei mais uma risada. - Mas quem sou eu perto de alguma supermodelo da Victoria secrets ou filha de Kardashian?
- Ah, cala a boca. - Gemma riu - Nunca dura mais do que três meses. Elas não gostam do Harry. Elas gostam do status dele. Acredite se quiser, ele é realmente muito famoso.
- Pois é, eu não faço parte desse mundo.
- Isso é um ponto positivo para você na verdade. Mas voltando ao Chad. O que você pensou?
- Eu não decidi nada. Penso em terminar, mas não sei se consigo. Sinto falta do relacionamento que nós tínhamos. Ele não era um idiota.
- Vocês vão conversar amanhã?
- Vou ligar para ele e ver se conseguimos.
- Muito bem, estarei em casa te esperando com sorvete, ele serve para boas ou más notícias.
- Obrigada, Gems!
Colocamos uma playlist de música pop para cantar no carro e seguimos nossa viagem cantando até Londres.
xxx

Eram nove horas da noite quando começamos a nos aproximar de casa. Passamos antes na casa de Harry para deixar o carro, não tinha estacionamento no apartamento de Gemma, e pegamos um Uber até lá. Quando descemos do carro, eu congelei. Deixei inclusive minha mala cair no chão. Gemma se assustou e então olhou para frente. Lá estava ele. Chad. Ele me encarava com a cara fechada. Matthew, nosso porteiro, achou tudo meio suspeito e saiu da portaria para nós acompanhar.
- Boa noite senhoritas, posso ajudar? - ele pegou minha mala e a da Gemma.
- Obrigada, Matt. - Gemma respondeu.
- O que você está fazendo aqui, Chad? - perguntei assustada, como ele sabia onde eu morava?
- Eu precisava falar com você. Podemos conversar, ?
- Eu não estava pronta para falar com você agora, Chad.
- Já estou aqui, podemos conversar?
- Gente, desculpa me meter, porque vocês não vão conversar lá em casa? - Gemma falou.
- Gems, a gente acabou de voltar de uma viagem cansativa, você precisa descansar.
- , eu vou ficar bem, suba, conversem e se resolvam. Eu vou no mercado comprar sorvete. - ela deu uma piscada e um sorriso pequeno e me encorajou a subir.
Essa hora da noite, realmente era mais seguro conversar com ele no meu prédio com testemunhas do que sair andando pela rua. Não que eu achasse que ele pudesse me machucar, mas eu estava realmente assustada com a cara dele. Chegamos ao apartamento. Matt deixou nossas coisas e saiu dizendo que se eu precisasse de algo, era só interfonar.
- Bela casa. - ele falou e sentou no sofá - Me explica o que diabos está acontecendo, .
- Eu não sei o que está acontecendo até agora, porque você apareceu aqui do nada. Eu ia te ligar hoje. E como você descobriu onde eu moro?
- Diferente de você, eu ainda converso com a sua mãe toda semana. Ela me falou o quanto você estava feliz de ter reencontrado sua melhor amiga e como vocês estavam morando juntas. Eu falei para ela que nós tínhamos nos desencontrado algumas vezes, mas que eu planejava fazer uma surpresa e então ela me deu o seu endereço.
- Eu ia te passar o meu endereço e a gente ia conversar. Você não precisava fazer esse joguinho sórdido, Chad.
- Ah, tá, você sai agarrada com um “artista” de dentro de um restaurante famoso na minha cidade e eu sou a pessoa com jogos sórdidos.
- Você transou com a Madison, Chad. Eu saí de mãos dadas com o Harry, meu amigo de anos, de dentro de um restaurante.
- Vocês estavam abraçados.
- Você quer saber porque estávamos abraçados?
- Porque esse filho da puta está te comendo, não é?
- Não, Chad. Foi porque eu vi você e a Madison juntos indo tomar chá no Pétit.
Ele ficou calado.
- Eu estava quase chorando e o meu amigo não queria me ver sofrendo. E ao invés de me deixar sair sozinha, segurou a minha mão e me acompanhou.
Chad sentou no sofá e colocou a cabeça entre as mãos.
- Você estava levando-a para o nosso lugar, Chad. Sempre íamos lá juntos. Se você não quer mais ficar comigo, ótimo, mas não venha colocar a culpa em mim. Você começou isso tudo.
- Não, você começou isso, , com toda essa história de mudar para Londres. Você não estava satisfeita com a nossa vida?
- Chad, eu não estava satisfeita profissionalmente…
- Ah, agora escrevendo fofoca e fazendo parte delas você está?
- Eu só fui para Holmes porque você transou com a Madison. Eu só reencontrei o Harry e voltamos a nos falar porque você não foi um namorado, no mínimo, respeitoso. Você queria que eu fizesse o que, Chad? Me trancasse em casa e rezasse para você não continuar transando com ela? Isso não adiantaria. Vocês continuam saindo juntos, mesmo depois de você me pedir desculpas furadas.
- É diferente, . Ninguém sabe que eu transei com a Madison. Só você sabia e eu pedi perdão. Ontem eu saí com ela para poder tentar resolver isso e saber se ela aceitaria conversar com você sobre o acontecido. Ela também se arrependeu. E então marcamos um chá hoje.
- Para de mentir, Chad. Vocês estavam de mãos dadas e sorrindo.
- Você também estava de mãos dadas com o famosinho.
- O nome dele é Harry. E sim, ele é famoso, por conta do talento dele. Não tenha inveja do talento dos outros, Chad.
- Hoje eu fui motivo de chacota em toda a redação. Todos estão me falando que você me trocou por um cara gay de uma boyband fracassada.
- Chad… - respirei fundo, eu não precisava ficar defendendo Harry, mas estava extremamente furiosa com o que ele estava dizendo. - Eu e o Harry somos apenas amigos. Você sabe que eu te amo. Eu não queria terminar com você. Eu só precisava de um tempo para pesar minhas escolhas profissionais sem deixar meu coração atrapalhar. - Ele me interrompeu novamente.
- Todas as revistas de fofocas, iguais a que você queria tanto trabalhar, estão falando de vocês. Mas eu já resolvi, . E eu não preciso de uma semana para pensar. Diferente de você, eu sei tomar decisões.
- Chad, por favor me escuta.
- Não quero ouvir. Está tudo acabado. Pode ser feliz com o seu famoso de merda. Mas aproveite enquanto durar, você não está no mesmo patamar que ele. Você não vai ter assunto com os amigos ricos dele. Você não vai ser tão bonita com as modelos gostosas que vão dar em cima dele. Escreve o que eu to te dizendo. Você ainda vai se arrepender do que fez.
- Chad… - Eu estava furiosa, mas ainda tinha um sentimento, talvez alguma dependência emocional, algo que me impedia de conseguir aceitar que ele saísse assim da minha vida.
Ele olhou para mim tentando esconder suas lágrimas.
- É você quem vai se arrepender. Eu não queria terminar, você quem está fazendo isso. Uma coisa você pode ter certeza, se você quiser conversar civilizadamente e tentar resolver isso, eu estou disposta, mas, se você sair por essa porta, nunca mais teremos nenhuma chance.
Ele me encarou profundamente. Fechou os olhos e saiu pela porta. Eu fiquei sentada no chão da sala, ainda sem entender nada do que aconteceu. Eu estava chorando sem conseguir me controlar quando Gemma abriu a porta e correu para me abraçar. Ficamos assim por alguns minutos até que eu consegui me acalmar no sofá. Gemma não perguntou nada. Pegou duas colheres e colocou o pote de sorvete na minha frente.
- Esse é o nosso Everest essa noite! - eu dei um pequeno sorriso.
- Ele terminou comigo, Gems. Aparentemente, transar com a Madison é ok, sair com ela para conversar sobre mim no lugar que eu costumava ir com ele é ok. Mas eu sair de mãos dadas com o Harry, não.
- Imagine se ele soubesse que o Harry te beijou.
- Eu não consegui falar absolutamente nada, Gems, ele não me deixou falar. Estava com o orgulho de merda dele ferido porque as fofocas espalharam as fotos e os amigos dele pegaram no pé dele.
- Ele é um merda.
- Porque eu tive que sair junto com o Harry, Gems? Se eu não tivesse aparecido com ele nas fotos, talvez eu ainda tivesse alguma chance de salvar o que eu tinha com o Chad.
- , você queria mesmo voltar a ter alguma coisa com ele? Olha o tanto de merda que ele fez. Até mentiu para sua mãe para achar nosso endereço!
- Sei lá. Eu não conheço esse cara que veio aqui hoje. Ele não era o Chad que eu me apaixonei. Eu não devia, mas estou me culpando por ter me deixado levar com o Harry.
Gemma ficou calada. Continuamos comendo nosso sorvete quando nosso celular vibrou ao mesmo tempo. Harry me colocou no grupo da família dele no IMessage. E avisou que estava embarcando. Mandei apenas um “Boa viagem”.
Conversei com Gemma e cheguei à conclusão que não era justo eu descontar minha raiva em Harry. Ele não tinha sido nada além de ótimo para mim essa semana inteira. Mas o que o Chad falou no final na briga fazia sentido. Ele até podia achar que estava interessado em mim agora, mas ele vai voltar pro mundo dele e eu não sou uma modelo. Ele não vai querer ficar comigo. Eu estava quase começando a chorar de novo.
- , você tá pensando demais. Tenta descansar. Amanhã com a cabeça fria a gente conversa mais sobre isso, pode ser?
- Gemma, obrigada por tudo. Eu vou tentar dormir.
- Tá bem, . Qualquer coisa grita! Boa noite!
- Boa noite!
Deitei na cama e suspirei fundo. Porra, universo, porque você está fazendo isso comigo? Eu estava passando por tanta mudança tão rápido. Será que eu estou no meio de uma crise existencial? Talvez eu precise arrumar um psicólogo. O pior de tudo é que agora, aqui, deitada na minha cama triste, tudo que eu queria era o Harry me fazendo cafuné. E isso era uma coisa que eu não ia ter tão cedo. Porra. Meu celular vibrou e a luz da tela iluminou todo o quarto. Sorri ao ver Harry sorridente abraçando uma garrafa de água. Obrigada universo, às vezes você não é tão terrível. Suspirei fundo e resolvi responder na conversa também. Eu estava rindo dos problemas de rico dele quando ele me mandou um oi numa conversa separada. Pensei se devia ou não responder. Conversar com o Harry sempre me anima, então dei corda. Ele me falou que tinha acabado de ler meu poema, música ou sei lá o quê. Meu coração começou a bater, nervoso. Porque entreguei aquilo para ele? E então ele falou um monte de coisas que basicamente significava que ele estava se apaixonando por mim, de novo. Entrei em parafuso.
Estou solteira agora, devia achar isso ótimo, mas eu só queria chorar. Porque ele me amava? Não tinha motivos para isso, a não ser a nostalgia. Eu ainda amo o Chad? Não sei o que estou sentindo pelo Harry. Ele ainda não tinha voltado para a vida dele. Quando ele realmente voltasse, ia perceber que não era bem isso. Dormi no meio de pensamentos muito ruins.
Xxx

Acordei com um SMS gigantesco de um número desconhecido.
“Oi, boa madrugada. Meu nome é Michael Morin. Eu sou o AP do Harry. Acredito que você já deve saber que a foto de vocês saindo do restaurante está aparecendo em todos os sites. Harry está preocupado com a repercussão e com medo de você surtar e não querer nunca mais falar com ele por isso. Eu realmente entenderia, mas acho que ele não. De qualquer forma, espero que você esteja dormindo, gostaria de poder te ligar pela manhã, e se possível te ajudar a se preparar para as possíveis loucuras. Quando você acordar, pode me mandar um ok que eu te ligo. Até logo.”
Encarei a mensagem por alguns segundos. O que era AP? Provavelmente algo óbvio. Resolvi levantar e ir até a cozinha tomar café. Eu checaria com Gemma antes de dar algum ok para um desconhecido. Principalmente desconhecidos usando o nome do Harry. Vai que alguma dessas pessoas que passou a me seguir descobriu meu telefone de algum jeito?
Cheguei na cozinha, Gemma estava fazendo torradas com abacate. Dei uma pequena risada.
- Você tá comendo abacate?
- Quem diria, não é mesmo? - Ela sorriu e sentou no balcão ao meu lado. - Dormiu bem?
- Dormi sim. Desculpe por ontem de noite.
- Você não tem nada que se desculpar.
Suspirei e peguei um pedaço das torradas de Gemma para experimentar. Era realmente gostoso, parecia guacamole.
- Eu recebi esse sms ontem de madrugada. É pra eu responder ou não? - entreguei meu celular na mão dela.
- Ah, sim. Esse é o Mike, assistente pessoal do Harry. Ele é ótimo. Pode passar até a senha do seu cartão de crédito pra ele, de tão confiável. - Ela me devolveu o celular rindo. - Sem falar que ele é um gato.
- Você não presta. Vou falar com ele então. Será que ele vai me ligar agora?
- Se você mandar o ok agora, ele liga. Eu acho que o Mike nunca dorme. Assistentes pessoais são meio loucos. Ele nunca deixou de atender a gente em momento nenhum.
Dei uma risada e mandei um "ok" conforme o solicitado. Vi que ele tinha visualizado basicamente na mesma hora, dei uma risada quando o telefone tocou.
- Ele realmente liga na mesma hora. - falei mostrando meu telefone tocando.
- Eu te disse! - Gemma falou saindo da cozinha com sua torrada e indo para a sala. Ela sentou no sofá e ligou a tv.
Levantei da cadeira e atendi o telefone. Sempre tive mania de atender telefonemas e sair andando.
- Alô.
- Ah, alô! É a ? - uma voz com um sotaque muito americano falou. O que era muito engraçado. Eu só tinha falado com americanos umas três vezes na minha vida inteira. No interior da Inglaterra, não tem muita gente de fora.
- Isso, você é o Michael?
- Precisamente! Me desculpe ter te mandando um sms de madrugada, mas o Harry havia falado comigo naquela hora. Como estão as coisas?
- Acho que tudo bem. Você não precisa se preocupar comigo. Aposto que você tem muitas coisas para fazer.
- Nesse momento, você é a prioridade número um. Eu vi que você está com quase cinco mil seguidores novos.
- Cinco mil? Eu estava com mil e pouco da última vez que olhei.
- Bem, conforme a notícia se espalha, a tendência é isso aumentar. De qualquer forma, eu estou aqui para te ajudar. Primeiro de tudo, eu sei que isso vai parecer muito estranho, mas eu gostaria de saber se você pode me passar a senha do seu Instagram.
- A senha do meu Instagram? O que você quer fazer lá? Será que você não pode apenas me falar e eu faço?
- Bem, pode ser, mas são muitas coisas, seria mais fácil eu fazer mesmo. Se você quiser pode fazer uma senha nova depois que eu terminar.
- O que tem de errado com o meu Instagram?
- Não tem nada de errado com ele. Eu só preciso bloquear alguns termos, tirar algumas localizações geográficas e coisas do tipo. Não sei se você sabe, , mas Harry tem umas fãs bem loucas.
- Mas o que elas poderiam fazer vendo minhas fotos apenas?
- Bem, apenas olhando o seu Instagram, eu consigo saber onde seus pais moram, a localização do seu trabalho, sua localização atual, tenho acesso à sua página pessoal do facebook e o seu email. Isso pode te trazer alguns transtornos, principalmente enquanto elas acharem que vocês estão juntos.
- Você consegue ver tudo isso só pelo meu Instagram?
- E olha que eu nem me esforcei. Eu só quero mudar algumas pequenas coisas, para que você fique um pouco mais protegida. E também para que elas entendam que você é amiga da Gemma, e não namorada do Harry.
- Justo, tudo bem, eu vou te confiar a minha senha. Se você fizer alguma bobagem, eu vou ficar brava!
- Se você reclamar de qualquer coisa pro Harry, eu estou encrencado. Então pode confiar, vou cuidar bem da sua conta. Abra seu Imessage agora e mande escrito, não desliga a ligação porque eu vou precisar continuar falando com você.
Fiz o que ele pediu.
- Ótimo, consegui entrar na conta. - Eu conseguia ouvir ele digitando coisas pelo computador.
- Você está acessando no pc?
- Sim, é mais rápido de mexer em algumas coisas. Sua conta agora vai ser comercial. Isso não muda nada como você usa o seu Instagram, ok? Só que se alguém quiser falar alguma coisa para você via e-mail, agora vai para a conta comercial, e não terão acesso ao seu pessoal.
- E como eu vou saber se alguém me mandar um e-mail por lá?
- Ah, eu já estou colocando para te encaminhar no seu e-mail pessoal. É só para não terem acesso mesmo. Eu apaguei a localização em 15 fotos suas, ok? Se você for postar alguma coisa com localização, tente sempre deixar algum lugar público ou apenas o nome da cidade, beleza?
- Tá certo.
- Eu sei que estou soando assustador, mas te garanto que vai dar tudo certo. Você não postou nada junto com a Gemma até agora. Se vocês tiverem alguma foto juntas, esse seria um bom momento. Talvez algo antigo de vocês duas, para que todo mundo tenha certeza que vocês são amigas há tempos.
- Talvez eu tenha alguma coisa, mas nada muito antigo. Tenho fotos com ela dessa semana só. Foto antiga, só com minha mãe mesmo. - dei uma risada.
- Me envia no Imessage o que você tiver que eu dou um jeito.
Comecei a mexer na fotos que eu tinha no celular e enviei algumas minha com Gemma e Anne.
- Ótimo! Anne acabou de me enviar umas fotos de vocês duas. Vou te encaminhar, todas.
- Você está falando com a Anne?
- Eu estou falando com umas quatro pessoas. Mas você é a única falando comigo no celular. Pode se sentir importante.
- Estou lisonjeada. - Meu celular vibrou e eu olhei a primeira foto. Éramos nós todos fantasiados. Gemma estava de Cruela de Vil, eu estava fantasiada de Anita, James, um amigo nosso, estava de Roger, minha irmã era a dálmata perdita e o Harry estava de Pongo. Todos no tema 101 Dálmatas. Dei uma risada ao olhar a foto. - Essa foto está ótima demais. Obrigada por me mandar! - A segunda foto que chegou era apenas eu e Gemma sentadas na frente da casa deles. - Eu tirei uma foto com a Gemma muito parecida com essa segunda! Vou te mandar.
- Essa está ótima. Posso postar?
- Se você acha que vai ajudar a melhorar minha cara para as fãs, fique à vontade.
- Quantos anos vocês tinham nessa foto?
- Dez anos.
- E você tem quantos anos agora 26? 27?
- Tenho 27, igual a Gemma. Você tem quantos anos, Michael?
- Eu tenho 29. Estou à beira da crise dos 30. Ainda bem que eu gosto do meu trabalho, senão estaria em colapso.
- Você é assistente do Harry há muito tempo?
- Desde que ele promoveu a assistente anterior dele à diretora da Ersikne, tem uns dois anos mais ou menos. Pronto, fiz uma postagem com as fotos de vocês duas. Não postei a que o Harry aparece. Recomendo que você não poste nada com ele, pelo menos por um tempo, até as coisas darem uma acalmada.
- Eu não tirei nenhuma foto com ele no meu celular. - lembrei das fotos do dia da entrevista - Mas eu acho que ele tem algumas fotos comigo no celular dele. E tem algumas com a Anne também.
- Entendi, bem, meu trabalho no seu Instagram já está feito, se quiser mudar a senha, a hora é essa, eu já desloguei. Vou manter um olho nas suas redes sociais, se alguma coisa precisar de ajuste, eu vou te pedir a senha nova, ok?
- Você parece confiável e eu estou com preguiça de mudar minha senha. Só me avise se você for entrar, para eu saber o que fiz de errado.
- Ah, sim, eu recebi as fotos do fotógrafo do ensaio para sua entrevista com o Harry. Ficaram muito boas, você precisa de alguma outra coisa para finalizar a matéria?
- Eu queria tentar colocar a foto dele na capa da revista, mas isso vai depender se o Mark vai gostar do que ler. E preciso de uma autorização do Harry também, você acha que ele vai liberar?
- Já está liberado, vou te mandar uma autorização por e-mail. E vou mandar algumas fotos dos bastidores da tour também, se vocês quiserem usar.
- Muito obrigada, Michael.
- De nada, pode me chamar de Mike. Salve meu numero, qualquer coisa que você precisar, é só mandar uma mensagem.
- Tá certo, obrigada.
Mike era um cara legal. Muito estranho ter que tomar cuidado com o que eu posto. Resolvi mandar uma mensagem para o Harry, para falar que o Mike tinha sido muito atencioso. Vai que ele acha que o moço não me ajudou?
“Oi Harry, já chegou na Argentina? Conversei agora pouco com o Mike, ele foi super atencioso e aparentemente agora eu tenho uma conta muito popular no Instagram. Vamos torcer para que as coisas que ele fez lá ajudem a não me odiarem muito por ter saído do restaurante com você… Bom retorno à turnê. Até mais! X”
Alguns minutos depois eu recebi uma mensagem de resposta.
“Que bom, . Não hesite em ligar para ele para qualquer coisa que você precisar, ok? Já falei que você é prioridade número um. E me desculpe pela confusão que isso possa ter te gerado. Nem pensei nisso na hora.”
Lembrei de novo da confusão com Chad. Pensei em falar para Harry, mas ele estava do outro lado do planeta. Ele não precisa ficar sabendo do meu drama amoroso. Resolvi acabar com a conversa ali mesmo.
“Relaxe, eu sei que você não teve a intenção de me fazer ser odiada por metade da população mundial. Haha, tá tudo sob controle. Estou indo resolver algumas coisas, depois a gente se fala, ok? x”
“Ok, pode me chamar se precisar de qualquer coisa. Não se esqueça disso! xxx H.”

Respirei fundo e voltei para sala quanta confusão para tão pouco tempo.


Capítulo 17

Gemma’s POV.

Depois do café da manhã, ficou muito tempo no quarto. Fiquei preocupada que ela pudesse estar triste pelo acontecido da noite anterior. Eu não entendi absolutamente nada. Chad apareceu de repente, causou um caos e foi embora. Eu achava que ele queria ficar com , mas ele ficou com o orgulho ferido por nada. Ele nem sequer soube o que aconteceu entre e Harry, imagine se ela tivesse falado algo?
Fui até o quarto dela e bati na porta para entrar. Ouvi um consentimento e então abri a porta. Ela estava ao telefone falando com a mãe dela, que ao ser avisada por que eu estava no quarto, pediu para falar comigo.
- Gemma, querida, quanto tempo, como você está, meu bem? - Liz, a mãe de , soava como sempre, mas por algum motivo achei o sotaque dela mais forte. Talvez eu esteja convivendo demais com pessoas de Londres e esqueço como o pessoal do interior soa às vezes.
- Oi, Liz! Muito tempo mesmo, que saudade, como estão todos?
- Todo mundo ótimo, Albert, diga olá para a Gemma! - Ouvi um "olá" distante. - Estamos tomando um chá enquanto eu penso no que será feito para o almoço.
- Mande um oi para ele também, Liz! me contou que vocês mudaram para Portsmouth, é isso mesmo?
- Sim, você sabe como o Bert é, não é mesmo? Assim que a Evie passou na universidade, ele teve que correr atrás dela. Acho que só não mudamos para Manchester quando foi para lá porque era do lado de casa. Como está sua mãe? Estou louca de saudades das nossas ótimas conversas, precisamos marcar um chá!
- Sim, o Bert sempre foi muito protetor com as meninas! Minha mãe está ótima, vou pedir para te passar o telefone dela, assim vocês podem recuperar o contato também!
- Que ótimo! Então, Gemma, eu pedi para falar com você para que você me ajude a convencer a sua amiga a vir aqui passar o domingo com a gente. Acho que ela está precisando de um tempo em família para pensar melhor no que aconteceu com o Chad. - Liz sussurrou o nome dele. Achei engraçado, talvez fosse para esconder do Albert, ou apenas ela achando que podia estar escutando. - Você também é bem-vinda se quiser vir, faremos um assado com batatas e aquele pudim de yorkshire que vocês tanto gostam, o que acha?
- Acho ótimo, você quer que eu arraste ela aí ainda hoje ou apenas amanhã? - brinquei e notei balançando a cabeça negativamente enquanto falava que não tinha tempo, porque estava terminando a matéria para a revista.
- Se vocês conseguirem um trem ainda hoje seria ótimo ter vocês para o Jantar.
- Legal, vou organizar as coisas aqui então e nos veremos no jantar, pode confiar!
Liz começou a comemorar e avisar para Albert que eu e estávamos a caminho para passar o final de semana com eles.
- Nos avisem quando chegarem que vamos buscá-las na estação se for necessário. E avisem se não conseguirem tickets para hoje! -
Fique tranquila, eu conheço um cara que resolverá esses tickets rapidinho! Estaremos ai, pode deixar que mais tarde vamos te passar o horário!
Assim que desliguei o telefone, já disquei o número de Mike, antes mesmo que pudesse falar qualquer coisa.
- Oi Mike, Gemma aqui, será que você me consegue duas passagens ida e volta King Cross ou Victoria para Portsmouth?
- Você vai com quem para portsmouth?
- Com a , vamos visitar os pais dela lá, sabe quanto custa uma passagem de trem pra lá?
- Por volta de uns 50 pounds, se não me engano, porque vocês não vão de carro? É mais rápido.
- Ah, não quero pegar a estrada novamente.
- Se vocês quiserem eu posso mandar um carro aí, vocês chegam mais rápido e vão mais confortáveis também. Você sabe que seu irmão vai reclamar se eu ficar te mandando de trem para viagens por aí. -
Ele não precisa saber que eu estou andando de trem por aí. E porque ele iria achar ruim eu ir de trem para Portsmouth?
- De carro leva 1h e 30 minutos. De trem, 3h. Eu tenho ordens escritas e assinadas por ele de nunca deixar nem você e nem sua mãe irem pelos caminhos mais longos.
- Você é um porre, Mike, igual ao Harry. Qual é mais barato? Vou no mais barato.
- Vocês vão de carro, ele vai passar aí às 16:00, pode ser?
- E quanto custa o carro?
- Já está pago, pare de reclamar, ninguém mandou me ligar. -
Você é mesmo um insuportável. - fiz piada. - Eu só queria ajuda com passagens de última hora.
- Isso já foi resolvido! Posso ajudar em algo mais? Ah, é uma moça chamada Jennifer que irá dirigindo o carro, tá bem? Estejam prontas às 16:00!
- Obrigada, Mike. - dei uma risada e desliguei o telefone.
Olhei para , que estava sentada na cama ainda falando que não tinha tempo para viagens.
- , vamos visitar seus pais, vai ser ótimo, sua mãe vai fazer pudim de yorkshire!
- Não pode ser semana que vem?
- Não, o Mike já mandou um carro para gente. Ele chega às 16:00 horas.
olhou para o teto e fechou o laptop que segurava.
- Ele chamou um táxi? Vai ficar uma fortuna! Porque a gente não pega um ônibus? É tipo, 5 pounds.
- Eu queria comprar passagens de trem, mas aparentemente tem um papel assinado pelo Harry que me proíbe de ter livre arbítrio. Eu devia ter entrado na internet ao invés de ligar para ele, mas fiquei com medo de demorar e você me persuadir a não irmos.
- Ele chamou um carro? Isso vai custar quase 200 pounds, ele é maluco?
- Ele não, mas o Harry é maluco. Ele pediu um uber. Já está pago, não temos para onde correr. Quatro da tarde vai chegar.
- Eu não sei se tenho paciência para lidar com meus pais hoje, Gems.
- , sua mãe tá preocupada com você e a situação com o Chad.
- Não quero nem pensar nisso agora. - Notei os olhos dela encherem de lágrimas. Mas ela ainda forçava um sorriso.
Puxei para um abraço.
- Você sabe que pode chorar comigo, né?
- Eu ainda não estou acreditando sabe, Gems? Parece que não é real, que eu vou acordar e tudo vai voltar ao normal. Eu só queria que ele voltasse a ser o meu Chad.
Sentei ao lado dela na cama abraçando-a de lado.
- Ele sempre foi o namorado ideal, sabe? Me apoiava, sempre esteve ali por mim. Meu amor por ele é genuíno. Eu não consigo não me culpar pelo que está acontecendo.
- , não começa, ele quem saiu pela porta. Você queria tentar.
- Gemma, eu o traí. Eu me envolvi emocionalmente com o Harry.
- Você estava numa situação de merda, . Chad estava sendo um babaca e ele te traiu antes. Acho que você queria algum tipo de vingança. Meu irmão só foi uma distração.
- E tem mais essa. Harry agora acha que gosta de mim. Quando foi que minha vida virou um drama mexicano ruim?
- Por isso temos que ir até Portsmouth, visitamos sua família, iremos ao outlet e vamos esquecer Harry e Chad. Você precisa focar no que você quer.
- Eu queria que o Chad me perdoasse. -
Eu acho que ele te deve desculpas, talvez até maiores do que as que você acha que deve a ele.
Ela apenas suspirou e finalmente concordou com nossa escapada para Portsmouth pelo final de semana. Organizamos rapidamente uma bolsa com poucas coisas, afinal só passaríamos essa noite e o domingo por lá. Segunda, voltaria para a redação. Eu ainda tinha alguns poucos dias de férias.
Às 16:00 em ponto, Jennifer, nossa motorista, estava nos aguardando na porta. Entramos no carro e em 20 minutos, já estava dormindo. Ela estava exausta. Acredito que dormiu mal a noite toda. Liguei o meu computador e comecei a escrever a minha parte da matéria.
Quando terminei o último parágrafo, Jennifer falou que havíamos chegado e me perguntou o endereço de onde ficaríamos. Chamei devagar, ela despertou e deu as coordenadas para Jennifer. Em dez minutos, estávamos em frente à casa dos pais de . Eram quase seis horas da tarde, mas como estávamos no horário de verão, o sol ainda brilhava no céu.
Ao chegarmos, fomos recepcionadas por Albert, pai de , que estava no jardim cortando a grama. -
Elizabeth! - ele gritou, largando o cortador. - As meninas chegaram! - deu a volta no jardim e foi ao nosso encontro! - Como estão, queridas?! - puxou para um abraço de urso.
- Oi pai! - ela falava ainda presa no abraço do pai - Lembra da Gemma?
- Claro que sim! - ele soltou e se dirigiu para mim. - Você cresceu demais, Gemma! Como andam as coisas, Harry continua cantando?
- Sim, está na Argentina hoje!
- Um menino de ouro, sempre falei para o Des que ele iria longe! - ele me deu um breve abraço quando ouvi Liz gritar da porta.
- Meninas! - ela estava usando um avental na cintura. - Vocês não me avisaram da hora, entrem, está tudo de cabeça para baixo! - ela falou enquanto nos dava rápidos abraços e beijos na bochecha.
A mãe de se chama Elizabeth, mas todo mundo sempre a chamou de Liz. Quando eu era criança acreditava que esse era o verdadeiro nome dela. Ela me lembrava um pouco a Sra. Weasley, do Harry Potter. Sempre muito receptiva e com tantas comidas gostosas, mas ao mesmo tempo extremamente rígida, sem falar que ela tinha os cabelos ruivos, enquanto Bert já era mais liberal e ajudava as meninas a escaparem de algumas coisas. aprendeu muitas coisas de cozinha com ela. Depois que meus pais se separaram, Harry e eu passávamos grande parte do tempo sozinhos em casa enquanto minha mãe trabalhava. Quase todos os dias Liz mandava lanches, bolos e tortas maravilhosas por para que comêssemos de tarde. Ela inclusive ajudou muito minha mãe na época da separação.
Entramos na casa e, apesar de ser um lugar totalmente novo que eu nunca havia estado na vida, eu podia reconhecer alguns móveis.
- Ainda bem que o quarto de hóspedes está arrumado! - ela disse tirando o avental da cintura. - Por aqui, meu bem!
Liz nos guiou para o quarto de hóspedes, que tinha duas camas de solteiro.
- Fiquem à vontade! Estão com fome? Eu estou acabando de fazer uma torta de alho poró! Se organizem e venham até a cozinha que eu vou cortar uma fatia para cada!
Ela saiu sorridente falando alto com Albert para que ele avisasse Evie que já estávamos aqui.
- Sua mãe continua a mesma! - sorri sentando na cama.
- Sim, só quer empurrar comida na gente.
Dei uma risada.
- Terminei minha parte da matéria no carro, depois você pode encaminhar para o Mark.
- Ótimo! Ele vai ficar feliz.
Mal terminamos de nos organizar no quarto, ouvimos Evie chegando em casa, na sala.
- Cadê as duas?! - ela falava alto. Conseguimos ouvir os passos se aproximando. Comecei a rir, já rolava os olhos.
- Finalmente você veio me ver! - Evie pulou em cima de e as duas caíram rindo na cama.
Evie tinha a mesma idade que Harry. E, apesar disso, nunca ficou no nosso pé como ele. e ela tinham um ótimo relacionamento. Evie sempre foi mais tranquila e tímida do que , sempre estava com um livro na mão, quieta no canto, enquanto estava correndo ou fazendo piadas.
- Que diabos aconteceu nesses últimos 15 dias? Estou até agora sem entender! - ela sentou na cama e me olhou - Ei, Gemma! Passei direto por você, me desculpe! - Evie levantou e veio me cumprimentar.
- Bem, se você que está fazendo um mestrado em tecnologia não conseguiu entender, quem dirá eu, irmãzinha.
- A mamãe me deu uma ideia mais ou menos do que aconteceu, ele terminou com você porque você saiu de mãos dadas com o Harry? E ele te traiu? Tudo num prazo de 15 dias? Você tá mesmo falando do Chad que eu conheço?
- Eu também ainda não entendi nada. Ele começou a ficar diferente desde que eu falei que ia mudar.
- Ele sempre foi meio babaca, mas não assim. É até meio esquisito.
Elas ainda estavam conversando quando eu ouvi Liz gritando no pé da escada.
- Meninas, Liz está gritando alguma coisa! - Falei e abri a porta.
- Venham logo comer antes que a torta esfrie! Já está pronta. Não me façam subir aí e buscar as três.
Descemos correndo, comemos uma torta de alho poró maravilhosa. Eu me lembrava bem que Liz era uma ótima cozinheira, mas ela sempre conseguia me surpreender. Quando terminamos de comer, subimos, tomamos nosso banho e resolvemos ir dormir mais cedo para aproveitar melhor o dia seguinte.

xxx

Na manhã seguinte, acordei cedo. estava dormindo bem, achei melhor não a acordar. Desci para tomar café, todos estavam na cozinha. Liz já havia preparado chocolate quente, café, chá e mais milhões de coisas. Me senti num café de hotel 5 estrelas.
- Bom dia, Gems! Como está a moça?
- Segue dormindo. - Respondi Evie e cumprimentei Liz enquanto me sentava.
- Pobrezinha, é bom deixar ela descansar um pouco, logo eu subo com um café reforçado para ela. Porque você não leva Gemma para conhecer a cidade enquanto isso?
- Ótima ideia, mãe. Vamos fazer isso. Topa, Gemma?
- Claro! Quando a tiver mais disposta, a gente sai com ela para algum lugar.
Terminei o café e subi para trocar de roupas. estava acordada encarando o seu celular.
- Vou ter que levar esse celular comigo? - brinquei.
- Ele apagou as fotos dele comigo no Instagram.
Respirei fundo e sentei na cama dela.
- , para de olhar essas coisas. Isso não vai te fazer bem.
Ela suspirou fundo, colocou Wish You Were Here do Pink Floyd para tocar, se cobriu até a cabeça com o cobertor e ficou cantando baixinho. Dei um meio sorriso, era muito parecida com Harry quando ficava triste. Falei para ela que ia dar uma volta na cidade com a Evie até o horário do almoço e que depois poderíamos ir tomar um sorvete e conversar. Ela precisava ficar um pouco sozinha. Ela apenas tirou uma das mão do cobertor e deu um joia.

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Meu passeio com Evie foi muito interessante, Portsmouth era uma cidade pequena com cara de grande. A cidade foi uma base da marinha real por muito tempo e era um local importante durante a Primeira Guerra Mundial. Tinha museus da guerra, um navio que podíamos visitar, âncoras no meio do caminho e coisas que a gente só vê em filmes. A universidade ficava espalhada por toda a cidade, e era comum ver muita gente jovem. Evie falou que na época das férias escolares, a cidade ficava muito vazia. Fomos até a Spinnaker Tower e demos uma volta pelo Gunwarf Quays, que tinha ótimos outlets. Expliquei com detalhes tudo que havia acontecido, deixando de lado apenas o que aconteceu entre ela e o meu irmão. Evie reclamou que sempre achou Chad um cara chato, que ele parecia sempre ser um bom moço, mas que no fundo ela nunca gostou dele.
Estávamos dentro da loja da Vans quando o celular de Evie tocou, era sua mãe falando que deveríamos voltar que o almoço logo sairia. Ela pediu que passássemos no Tesco para comprar algumas coisas que ela precisava. Fizemos o que foi pedido e logo chegamos em casa.
parecia melhor, ela estava na sala folheando uma revista e cantando Landslide do Fleetwood Mac ao mesmo tempo. Meu celular começou a tocar e eu vi o nome de Harry na tela. Pedi licença e saí para atender. A última coisa que precisa agora é qualquer interação com ele. Falei rapidamente com ele, disse que estávamos bem, expliquei que estávamos na casa dos pais dela e me despedi.
Voltei para dentro e me sentei ao lado dela.
- E aí, como estamos?
Ela me respondeu apenas levantando os ombros, mas pelo menos não estava mais com a cara tão abatida.
- Como foi seu passeio? Gostou de Portsmouth? - ela largou a revista e abaixou a música.
- Gostei demais, depois do almoço vamos dar uma volta juntas? Tomar um sorvete quem sabe?
- Pode ser. - ela deu um leve sorriso.
Almoçamos, brincamos durante todo o tempo. Albert ficou lembrando de coisas que nós fazíamos quando crianças e tudo que aprontava. Isso deixou o clima melhor, não tocamos no nome de Chad durante todo o almoço e eu também evitei falar no nome do Harry. Falei dele com os pais de apenas nos momentos que ela saia ou estava distraída.
Quando terminamos, fomos dar uma volta com para continuar na tentativa de animá-la. Evie nos acompanhou. Fomos até o Clarence Pier, que tinha um parque de diversões que funcionava apenas no verão. Compramos sorvetes e fomos andar na roda gigante. Passamos a tarde toda brincando no parque e conversando bobagens. No fim do dia, arrumamos nossas coisas para voltar para Londres.
Liz me agradeceu por convencer a vir visitá-los e pediu que da próxima vez minha mãe viesse conosco. Nos despedimos e entramos no carro para a voltar para casa.
- Obrigada por isso, Gems, eu realmente estava precisando.
- Nada como um tempo em família para curar um pouco do coração partido. – suspirou profundamente.
- Porque eu estou me sentindo assim? Estou desde ontem tentando entender, sabe? Chad foi um filho da puta, mas eu ainda estou me culpando. E sei racionalmente que não deveria, mas não consigo. Tudo que vem a minha cabeça é como eu posso tentar resolver isso.
- , vocês ficaram muito tempo juntos, tinham planos, talvez até uma certa dependência emocional.
- Eu deixei de fazer tantas coisas por ele, Gems, logo quando a gente começou a namorar, eu declinei uma oportunidade em York. Hoje, durante a manhã, eu analisei tudo que eu poderia ter sido ou feito se ele não tivesse me segurado. E tô pensando, eu não posso me sentir assim, porque ainda quero ele?
- Acho que isso faz parte, por mais babaca que ele tenha sido, você o amou. E isso pesa.
- O bizarro é que tá doendo tanto, Gems, estou sentindo falta dele como nunca senti. – Ela começou a chorar e eu a abracei.
- Minha mãe uma vez me disse uma frase muito sábia, quando eu estava tentando superar um término. – Afastei nosso abraço e olhei para ela. - Quando dói seguir em frente, basta lembrar a dor que você sentiu enquanto se manteve com ele. – Ela voltou a me abraçar, ainda chorando.
- Será que eu fiz isso tudo ficar assim, Gemma? Não era assim, éramos felizes. Será que eu forcei demais?
- , não se culpe pelos problemas dele. Se ele quisesse, vocês teriam conversado civilizadamente. Mas, ao meu ver, ele só queria te jogar novamente a culpa. Ele fez tudo errado desde o início e quer que você saia como a vilã da história.
- Você está certa. – ela limpou uma última lágrima, que teimava cair. – Não posso continuar presa nessa dependência que ele criou, eu não preciso dele. – deu um sorriso fraco. Eu percebi que ela estava tentando ao máximo falar alguma coisa que eu quisesse ouvir. Puxei-a novamente para um abraço.
- A pessoa errada te faz cobrar atenção, cobrar amor, cobrar compreensão, cobrar parceria. A pessoa certa simplesmente faz isso por te amar. Ele não era a pessoa certa para você. Você merece outro tipo de amor. – apertei novamente o abraço. – Agora vamos colocar alguma música animada, de superação de namoro finalizado, porque até eu estou prestes a chorar. – ela deu um sorriso. – Alguma sugestão?
- Faixa número cinco do cd Rumors. – rolei os olhos. – Você e o Harry têm uma fixação com esse álbum que não é possível. Se for Landslide de novo, eu vou te colocar de castigo.
- Por favor, eu juro que não é Landslide. – Coloquei a música para tocar.
“Amar você, não é a coisa certa a se fazer
Como eu poderia mudar, aquilo que eu sinto?”

Dei uma risada com ela imitando a vocalista. Quando chegamos ao refrão, não resisti e cantei com ela.

“Você pode seguir seu próprio caminho, siga o seu próprio caminho
E você pode considerar isso como sendo outro dia solitário
Você pode seguir seu próprio caminho, siga seu próprio caminho”

Seguimos cantando Go Your Own Way e várias outras músicas até Londres. finalmente começou a ficar um pouco mais animada. Quando chegamos, fomos direto para o quarto dormir, a semana que estava por vir seria bastante corrida.


Capítulo 18

’s POV.

O final de semana na casa dos meus pais realmente me ajudou, apesar de eu ter passado a maior parte do tempo no quarto ouvindo música e lamentando minhas escolhas pessoais. A conversa com Gemma no carro também tinha me ajudado bastante. Tentei arrumar uma postura positiva e começar a finalmente seguir em frente.
Acordei cedo, preparei um café da manhã reforçado e saí de casa antes da Gemma acordar. Peguei o metrô com meus fones no ouvido e coloquei mais uma vez Landslide do Fleetwood Mac para tocar. De alguma forma, a voz da Nicks me acalmava. Minha vida realmente estava parecendo uma avalanche. Cantei junto com ela até a canção acabar, quem me olhava no metrô, devia achar que eu estava meio louca. Quando a música acabou, eu deixei o cd rodando no aleatório sem prestar mais atenção nas letras, deixando apenas o ritmo embalar meus pensamentos. Gemma provavelmente estaria reclamando se estivesse aqui, porque ouvi apenas esse cd o final de semana inteiro.
Respirei fundo quando me aproximei da minha parada. Sai do trem e andei até a rua, ainda estava bastante cedo. Cheguei até minha mesa e comecei a ler a parte que Gemma havia escrito para a minha matéria. Ela escrevia muito bem.
“É uma experiência estranha ter seu irmão mais novo se tornando um pop star. Uma coisa que a ascensão de Harry me ensinou, foi que, de repente, você não é mais visto como uma pessoa normal, mas como uma ‘coisa’ famosa que simplesmente ganhou vida quando uma câmera foi apontada a você. As pessoas foram em debandada para pegarem qualquer mínima informação sobre sua vida, sendo elas prontamente compartilhadas ou não, para tentar entender de onde veio essa criatura com aquele cabelo e as botas prateadas.”
Dei uma risada com o parágrafo inicial. Harry realmente havia soltado seu lado fashion depois da fama. Continuei a leitura e terminei de ler um pouco emocionada, Gemma tinha escrito de uma forma tão bonita sobre a vida deles. Me fez ter muita saudade daqueles momentos, relembrando das tardes juntas, das badernas, do Harry fazendo banhos à luz de velas para dias que a Anne chegava mais cansada em casa. Até a época do X Factor. Resolvi salvar toda a matéria finalizada e encaminhar para Mike. Pedi que ele mostrasse para Harry e se ele quisesse que eu modificasse algo, era só me avisar.
Poucos minutos depois, Mike respondeu falando que tinha achado toda a entrevista ótima e que tinha certeza que Harry iria gostar. Ele ficou de me avisar o que ele responderia. Não mandei nenhuma mensagem para Harry, não sei se eu tinha cabeça para lidar com ele naquele momento.
Eu estava sentada na minha cadeira sozinha na redação quando Mark chegou.
- Você já chegou? Ótimo, venha comigo.
Me levantei e fui até a sala dele.
- A entrevista com o Styles ficou ótima. Já podemos mandar para diagramação?
- Ah, eu tenho mais essa parte para acrescentar. - Entreguei o texto que Gemma havia escrito impresso.
Mark leu atentamente e eu pude ver seus olhos começarem a brilhar.
- Você conseguiu tirar um texto da Gemma sobre o Harry. Ela trabalha aqui há anos e eu nunca consegui isso!
- Tenho meus métodos. - Dei um sorriso fraco.
- Essa sua entrevista, com essa coluna e as fotos, poderiam ser a matéria central da próxima edição. Será que conseguimos autorização para uma capa?
Dei mais um sorriso e estendi a autorização que Mike havia me encaminhado.
- Você é mais que eficiente! - Mark sorriu e leu o papel da autorização.
- Eu também tenho algumas fotos exclusivas da turnê. - Mostrei as imagens pelo meu celular, pois não havia impresso nenhuma.
- Como você conseguiu tudo isso?
- Ué, eu era uma jornalista infiltrada, apenas segui seus comandos! - puxei um pouco do saco dele.
- Você fez um ótimo trabalho, . Estou realmente contente com seu desempenho. Sei que seu objetivo é chegar na BBC 1. Continue assim que isso estará garantido.
Dei um sorriso mais feliz dessa vez. Ainda bem que pelo menos o meu lado profissional estava caminhando bem.
- Semana que vem você terá sua primeira publicação na Another Man e será a reportagem de capa! Parabéns! Organize tudo e entregue na diagramação antes das 10:00h.
Saí da sala de Mark um pouco mais animada para o dia que viria. Voltei para o meu cubículo e comecei a organizar as ideias para poder passar para Sam e o pessoal da diagramação. Enquanto eu estava focada, nem notei o restante das pessoas chegarem.
Terminei tudo às nove da manhã. Imprimi o que precisava e salvei as fotos e a versão digital no pendrive. Subi até o andar de Sam, que estava muito animada conversando com os fotógrafos.
- Bem-vinda de volta, mocinha! - ela me cumprimentou. - O que você me manda?
- Tenho minha primeira matéria completa para ser publicada! - dei um sorriso e entreguei os papéis e o pendrive.
- Mark te falou qual a revista?
- Another Man.
- Ótimo. - Sam estava passando os olhos rapidamente pela matéria, e chegou até as fotos.
- E aí, ele é bonito assim na vida real? - dei uma risada. - Não vá fazer igual a Gemma e falar que ele não é tudo isso.
- Ele é exatamente igual às fotos. - falei levantando os ombros - Eu era acostumada com o Harry quando ele era um adolescente remelento, te garanto que foi um choque o ver pessoalmente. - Sorri sincera.
- Ah, é! - ela deu um leve tapa na testa - Você conheceu ele antes da fama. Ele mudou muito?
- Sabe que não? Acho que ele poderia ser insuportável, mas ele continua igual. Só mais bonito mesmo. - Era diferente falar com a Sam sobre o Harry. Eu me sentia mais livre para falar certas coisas, porque se eu falasse isso pra Gemma, ela já estaria planejando nomes para sobrinhos.
- Eu me daria por satisfeita só dele lembrar meu nome. - Sam deu uma risada alta - Deus sabe que eu não lembro o nome de metade das pessoas que interagiram comigo 10 anos atrás.
Dei uma risada junto com ela. Até que uma das fotógrafas se aproximou.
- Diz aí, , você deu uns beijos nele ou não?
Senti meu rosto corar.
- De onde você tirou isso, Charlie? - Eu ria, mas era de nervoso.
- Vi a foto de vocês saindo do restaurante lá em Manchester, vocês não estavam sozinhos?
- Não, - respondi conseguindo manter a calma - Estávamos com Gemma e a mãe dele também. A gente saiu juntos porque meu, até então, namorado estava com uma garota do outro lado da rua. Aí eu meio que estava abalada.
- O quê? - Sam e Charlie falaram ao mesmo tempo. - Seu namorado estava com outra? -
Estava. E eu estava à beira de um ataque de choro no restaurante.
- Meu Deus, que canalha! - Sam deu uma leve batida na mesa.
- Enfim, Harry tomou minhas dores e resolveu sair junto comigo para “devolver”.
- Harry é dos meus. E que volta por cima, hein? Ele com uma piranha e você com um artista conhecido mundialmente.
- É, mas agora mais da metade da população feminina e gay acha que eu estou com o Harry e me odeia. - Levantei os ombros. - Estou meio famosa. Espero me redimir um pouco com essa matéria.
- Vamos colocar varias fotos dele então. - Charlie riu - Mas acho que se você contar essa história aí, o clima fica mais ameno. As pessoas entenderiam, não acha? -
Sei lá, minha vida pessoal está de cabeça para baixo desde que me mudei para Londres. Não acho que adicionar isso aos meus 15 minutos de fama vai ajudar.
- Talvez você precise sair pra beber e esquecer isso! Vamos marcar, chama a Gemma. Vamos para algum lugar na sexta à noite! - Sam deu pulinhos concordando com a ideia de Charlie.
- Tá certo, vou ver com ela e a gente combina!
Voltei para minha mesa e respondi alguns e-mails ao longo do dia. No final do meu expediente, eu já estava bem mais animada. Mark me disse que na reunião do editorial, todos aprovaram minha entrevista para a capa. Voltei para casa bem mais leve. Eu estava entrando em casa quando recebi um SMS de Gemma.

“Hey querida, como você tá? Eu vou passar a noite na casa do Michal hoje, ok? Qualquer coisa me liga! xx G.”

“Tudo ok, vou ficar bem, fique tranquila, aproveite o Michal! xx .”


Coloquei a playlist que Harry tinha feito para tocar e fui para cozinha. Eu sabia que a Gemma adorava meu cheesecake de morango, então resolvi fazer um pra nós. Primeiro, porque cozinhar me ajudava a relaxar e focar em outras coisas que eu gostava tinha me ajudado ao longo do dia. Segundo, porque eu precisava agradecer de alguma forma tudo que Gemma havia feito por mim nesses últimos dias.
Cantei e cozinhei por vários minutos. Eu havia acabado de tirar o cheesecake do forno e estava apenas esperando a geleia de morangos esfriar quando minha música parou. Meu telefone estava recebendo uma chamada, andei até o sofá onde o celular estava jogado carregando. O nome que apareceu no visor me pegou de surpresa.
“MADISON”
Eu senti um frio na barriga, minhas pernas falharam e sentei no sofá ainda encarando o celular tocando. Respirei fundo e criei coragem de atender. Seja o que Deus quiser.
- Alô?
- ?
Fiquei em silêncio, era realmente ela.
- Alô? - ela repetiu quando eu permaneci em silêncio.
- Oi. - falei, sentada, eu estava começando a suar frio. Minha barriga já estava dando nós de nervoso. Minhas mãos tremiam. - Por que você me ligou? Aconteceu alguma coisa?
- Eu precisava conversar com você, .
- Me chame de , por favor. Eu não entendo o que você teria para falar para mim.
- Eu não liguei para me desculpar. Sei que você provavelmente está se vitimizando por tudo que aconteceu.
Que diabo? Essa louca ligou para me insultar?
- Estou aguardando o motivo da ligação até agora. - Se Gemma tivesse aqui, ela provavelmente já me teria feito desligar o telefone.
- Olha, , você cavou tudo isso. Já faz alguns meses que você tem deixado o Chad de lado.
- Madison, pode ficar com ele, ok? A gente terminou, não precisa ficar me ligando. Segue sua vida.
- Eu não ia te ligar, mas o Chad tá extremamente mal.
- Eu continuo sem entender nada. O que você espera que eu faça?
- Você precisa pegar as suas coisas. Toda vez que ele chega em casa e vê suas coisas, fica pior.
Respirei fundo. Era só o que me faltava mesmo.
- Olha, Madison, fale para o Chad que eu vou buscar tudo nesse final de semana, ok? Pode ficar tranquila que eu vou desaparecer da vida de vocês. Meu único pedido é que vocês me deixem em paz. Sábado estarei aí e não quero encontrar nenhum de vocês. Tranco a porta e deixo a chave. Só não me ligue novamente.
- Obrigada.
Eu não respondi nada. Apenas desliguei o telefone e sentei no sofá, dessa vez eu sentia apenas raiva. Não estava triste, eu queria que os dois explodissem. Voltei para a cozinha e terminei o cheesecake. Como diabos eu buscaria tudo que tinha na casa do Chad? Porque eu tinha que falar que iria lá no sábado? Vou ter que pensar em alguma forma. Suspirei, peguei um pedaço bem grande do cheesecake e liguei a tv. do futuro lidaria com isso.


Capítulo 19

’s POV.

Eu já havia me enturmado com pessoas o suficiente na editora desde que a matéria havia sido aprovada para a capa da Another Man. Todo dia, alguém de um departamento diferente me parabenizava pela exclusiva. Não sei se posso ficar muito orgulhosa, talvez se eu não fosse amiga dele não teria tido essa oportunidade, mas não me deixei abalar, eu podia ter feito uma entrevista de merda, mas consegui fazer algo bem legal. Sem falar nas fotos, milhões de fotos maravilhosas. As fãs podiam me odiar hoje, mas acho que depois de liberar as fotos que não estarão na revista na minha versão resumida para o site, conseguiria ganhar mais alguma compaixão.
Recebi vários SMS de Madison durante a semana, o que estava me tirando do sério a maior parte do tempo. Sam já tinha inclusive bloqueado o número dela por 24hrs no meu celular na quarta. Hoje recebi um, que espero ser o último dela, me informando que estava tudo certo para sábado. Apenas visualizei. Eu estava com vontade de chegar lá esbofeteando a cara dos dois, mas isso não ia ajudar em nada. Comecei a bolar estratégias para o final de semana na terça feira, já era quinta e eu não tinha nada. Gemma estava viajando, ela precisava finalizar uma coleção de óculos que havia começado e estava aproveitando o final de suas férias da editora para fazer algumas últimas reuniões e Michal estava junto. Ela já estava sem nenhuma paciência para ouvir o nome Madison ou Chad, então eu estava a poupando um pouco. Nem cogitei chamar as meninas do trabalho, acho que iam me fazer quebrar o apartamento inteiro e deixar um bilhete do tanto que elas não aguentavam mais a Madison me torrando a paciência. Ela parecia estar testando meus limites de bom senso, então não me restava mais ninguém em Londres.
O pior de tudo é que sequer conhecia alguém ou alguma empresa de pequenos fretes. Pesquisei no Google, mas não sabia o que deveria buscar. Os poucos lugares que liguei não faziam esse tipo de trajeto “interestadual”, ou eram apenas o caminhão/carro, sem ajudantes. Passei quase metade do dia tentando descobrir como arrumar algo. Então cheguei à conclusão de que teria que ir de carro sozinha mesmo, já que eu teria que carregar tudo sozinha, podia ao menos economizar com o carro. Tentei ligar para Gemma e ver se poderia usar o carro que ela usou para nos levar até Holmes, mas ela estava voando provavelmente, então resolvi ligar para Mike. Os carros são do Harry, não vou ligar para ele no meio da turnê para pedir um carro emprestado, Mike pode resolver isso, ele provavelmente deve ter algum tipo de autorização para essas coisas também.
- ? - Mike atendeu o telefone em algum ambiente cheio, dava para ouvir muito barulho.
- Ah, oi, Mike, me desculpe te ligar, você pode falar agora?
- Posso sim, aconteceu alguma coisa? - notei que o som estava mais baixo agora, ele deve ter saído de onde estava.
- Não aconteceu nada, na verdade eu gostaria de um favor seu, ou do Harry. Não sei ao certo. - Dei um leve suspiro e ele apenas soltou um “hum”. - Eu tentei falar com a Gemma a manhã inteira, mas acho que ela deve estar voando. No sábado, eu preciso ir até Manchester e queria saber se posso pegar um carro emprestado.
- Claro que sim, você quer usar qual carro?
- Bem, tanto faz, o que você achar que o Harry não vai achar ruim eu dirigir.
- O que você vai fazer em Manchester, se eu não estiver me intrometendo demais…
- Ah… - respirei fundo. - Eu preciso ir até a casa do Chad. Tenho que pegar algumas coisas minhas que foram para lá quando me mudei para Londres.
- Chad seria o seu namorado?
- Meu ex-namorado. - Apesar de ter passado a semana inteira brava com Madison, eu ainda sofria sempre que precisava falar ex-namorado. - Nós terminamos no final de semana passado. E ele está sofrendo demais com minhas coisas lá. De acordo com a nova garota dele.
- Como é? - Mike ficou confuso- - ele está sofrendo por olhar as suas coisas? Mas está com outra mulher?
- Homens. - Suspirei. - Ele está sofrendo porque eu mudei para Londres tem um mês, Mike. Isso fez ele ficar tão mal que ele precisou transar com uma ex colega de trabalho minha.
- Caralho. E você vai lá sozinha? - notei um pouco de preocupação na fala dele. - E se ele aprontar alguma coisa?
- Ele não vai estar lá. - Respondi rápido - Tentei todo mundo que eu conheço aqui em Londres, que não é tanta gente, mas acho que eu só confiaria na Gemma também. Sei lá.
- Quando você pretende ir mesmo?
- Neste sábado. Procurei algumas empresas de frete também para ter uma ajuda, mas todas que eu liguei não fazem nada interestadual, por isso a ligação para você.
- , isso tá meio perigoso.
- Não tem perigo, Chad pode estar sendo um babaca e insensível, mas ele não é uma pessoa perigosa nem nada. Ele provavelmente vai passar o dia na casa da Madison.
- Não sei... Só um minuto, não desliga. - Ouvi ele atendendo outro telefone, pelo visto ele não tinha só aquele celular. Consegui ouvir ele falando dados de viagem com alguém no telefone. Passagem do Chile para o Brasil, então se despediu. Ele estava falando com o Harry no outro telefone, ele estaria embarcando logo mais para o Brasil. Eu nem sequer tinha ouvido a voz dele, mas senti um frio na barriga. Mike provavelmente fala com ele várias vezes ao longo do dia, senti saudades da voz dele. Eu estava viajando e pensando se tinha condições mentais para fazer uma ligação ou sequer mandar uma mensagem para Harry quando Mike voltou ao telefone. - Pois bem, você ficaria incomodada se eu fosse com você?
- O quê? - falei confusa, eu estava em outro planeta e não entendi nada.
- Para Manchester, se você não se importar eu posso ir te ajudar. Não acho legal você ir sozinha. Vai que você resolve arrumar encrenca com esse maluco ou com a maluca que está com ele? - ele fez piada e deu uma risada.
- Eu não vou criar encrenca. Você tá preocupado disso sobrar para o Harry de algum jeito, né?
- Não, estou com medo de sobrar para mim mesmo. - ele riu de novo - Meu chefe é bravo, e você é prioridade número um.
Apenas dei uma risada.
- Falando sério, posso te ajudar, a gente vai e depois te deixo em casa com as coisas. Podemos até comer uma pizza e falar mal do Chad. Deus sabe o tanto que eu tenho experiência em odiar desconhecidos. - Ele riu mais uma vez.
- Você não precisa se preocupar com isso, eu posso ir sozinha. Não precisa perder seu final de semana.
- Eu não tenho nada esse final de semana. E outra, posso ir até no meu carro, que na verdade nem é meu porque é alugado, dessa forma sou apenas um amigo te ajudando, e não o assistente do Harry te emprestando um carro dele.
- Você mora em Londres, Mike?
- Não, moro em Los Angeles. Mas estou em Londres até o dia 29 de maio resolvendo algumas pendências na Gucci. Depois vou para o México encontrar com o Harry e seguir com ele até a Pensilvânia, depois volto para cá novamente para resolver outras coisas. Harry me faz viajar bastante.
- Entendi. Se eu não for realmente atrapalhar nada...
- Não vai. Amanhã eu termino tudo e fico tranquilo até terça, que é o dia do voo.
- Tá bem então. Eu aceito sua companhia.
- Ótimo, então por volta das 09:00 horas passo na sua casa, ok?
- Você sabe o endereço?
- Sei sim. Pode ficar tranquila. Nos vemos no sábado.
- Obrigada, Mike.
- Por nada.

XXX


Sábado pela manhã, eu estava ligeiramente nervosa. Primeiro porque voltaria no apartamento de Chad, estaria imersa no nosso antigo mundo. Segundo porque ia conhecer o Mike pessoalmente. Será que Harry já estava sabendo que ele me acompanharia? Mas se ele está fazendo isso num dia de folga não seria da conta do Styles, não é? Eu estava no meio de um pensamento quando a campainha tocou. Levantei da cadeira e fui até a porta.
- Olá, ! - Mike sorriu ao me ver quando eu abri a porta - Você se importa se eu usar o banheiro? Resolvi tomar café no carro, mas como vocês dirigem ao contrário eu acabei derramando um pouco na minha roupa. - Ele falou tudo muito rápido e mostrou uma pequena mancha na blusa.
- Olá, Mike! Pode me chamar de , por favor! - Falei dando espaço para ele entrar - O banheiro fica logo ali. - Apontei o caminho, ele fez um joia com as duas mãos e se dirigiu ao lugar que eu apontei.
Mike definitivamente não era nenhum pouco como eu imaginei. Gemma tinha me falado que ele era bonito, mas eu não esperava que ele fosse tão novo. Tá que eu sabia que ele era novo e tudo mais, mas me surpreendeu. Ele era alto, magro, mas dava para perceber que ele tinha alguns músculos. Ele estava usando uma blusa cinza fina, calças jeans skinny na cor preta, um vans, também preto, e tinha uma mochila média nas costas. O cabelo dele me lembrava um pouco o do Harry, só que liso. Ele estava com um topete muito parecido com o que fazem na cabeça do Harry nos shows. Mas faltavam os cachos para atingir o look Styles. Quando ele saiu do banheiro, havia colocado uma jaqueta jeans por cima da roupa, parecia um famoso do Instagram, todo blogueiro. Ele tinha dois celulares, um em cada bolso da calça, um apple watch no pulso esquerdo e óculos quadrados com a armação que pareciam Wayfarer, da Ray ban. Parecia uma mistura de modelo, nerd, integrante de boyband e Clark Kent. Dei uma risada mental com a minha conclusão.
- Dá para ver a mancha? - ele perguntou ajeitando a jaqueta e me olhando.
- Não dá, fique tranquilo.
- Ótimo! - Ele abriu um sorriso e estendeu a mão para mim - Muito prazer te conhecer oficialmente, senhorita! - Dei uma risada.
- Ah, o prazer é meu! - apertei a mão dele - Seu sotaque é mais forte pessoalmente.
- Sério? Nunca me vi como alguém com sotaque. Vocês ingleses que têm sotaque.
- Não temos sotaque, nós falamos da forma certa. - fiz piada.
- Ah claro. Perdão, m'lady. - Ele forçou um sotaque britânico e eu caí na risada - É, eu não sou bom com sotaques. Está tudo pronto, já podemos partir?
- Tudo pronto, vou só pegar minha bolsa. - Corri até o meu quarto e busquei minha bolsa, quando eu cheguei na sala Mike estava nos dois telefones ao mesmo tempo. Ele falava em uma ligação, enquanto mexia no outro. Ele olhou para mim e fez um gesto pedindo só um minuto. Dei um ok e sentei na cadeira. Ele estava bem nervoso aparentemente, fiquei prestando atenção no que ele fazia.
- Estão de greve? Mas nosso frete para os instrumentos não é terceirizado? Eles bloquearam os acessos? Puta que pariu. O Jeff já sabe disso? Eu vou ligar para ele. O Harry já está no hotel pelo menos? Quando é o show em São Paulo? Vou organizar passagens para a equipe técnica, mas eu já aviso, o Jeff vai fazer alguém dai pagar essa conta. Tá, eu já te mando uma resposta.
Ele desligou o celular e deu uma risada.
- Aparentemente tá rolando uma greve no Brasil, e os caminhoneiros estão fechando os acessos para São Paulo, onde será o próximo show. - Ele começou a me explicar sentou ao meu lado e puxou um computador da mochila. - Vamos ter que dar uma leve atrasada, ok?
- Sem problemas, você quer cheesecake? Fiz essa semana e ainda tem.
- Eu quero sim! - Ele abriu o computador e começou a fazer várias coisas ao mesmo tempo novamente. Ligou para Jeff, empresário de Harry, brigou com outras pessoas e acabaram resolvendo o que precisava. Tudo isso enquanto comia. Isso sim era multitasking. - Pronto, terminei.
- É sempre assim?
- Às vezes é pior. - ele riu sincero - Jeff sempre organiza os planos de ação e os cronogramas, mas eu existo para fazer tudo rodar.
- Nossa, e ainda tem que lidar comigo. Me desculpa por isso.
- Ah, você é ótima! Até me alimentou com um cheesecake divino, eu não acredito que você fez isso. - Ele terminou de comer o último pedaço do cheesecake e eu apenas sorri levantando os ombros, todos sempre elogiavam meus doces, aprendi muita coisa com a minha mãe. - Você não tem noção como era na época 1D, mas eu era apenas o ajudante da assistente nessa época. E eu só ajudo com a família mesmo. Se for alguma coisa com os rolos dele, geralmente ele se vira bem. - Dessa vez ele levantou os ombros.
Será que Mike sabia do meu "rolo" com o Styles? Saímos de casa e fomos andando até o carro, que estava bem próximo da entrada.
- Ele se mete em muitos rolos? - tentei soar despretensiosa, mas pude ver ele levantando uma das sobrancelhas. Entramos no carro e ele me respondeu.
- Menos do que poderia, se quisesse… Ele não gosta muito de lidar com gente que faz da fama a parte principal da vida, sabe? Pelo que eu conheço dele, Harry é um menino simples. Acho que por isso que ele sempre se cansa dessas modelos.
- Entendi. Isso é uma coisa que ele mudou bastante, sabia?
- Ah é?
- Sim, mais novo ele só queria saber de chamar atenção e ser notado aonde chegava.
- Ele ainda gosta de muita atenção, mas só nos momentos certos. Ele tinha dificuldade com isso antes, mas agora conseguimos organizar bem as coisas. Acho que ele tem conseguido aproveitar mais os momentos.
- Eu percebi ele bem mais reservado na semana que o vi.
- É complicado. Por exemplo, a parte boa desse mundo é que ele está conseguindo planejar um aniversário sensacional surpresa para a mãe dele. Mas o ruim é que ele não vai poder ir.
- Por que ele não vai?
- Porque o aniversário será num local meio público, e se ele for, a mãe dele não vai poder aproveitar, então ele prefere abrir mão de ir, para que a família tenha a experiência.
- Poxa. Eu ficaria triste de não poder ir. - Eu realmente não conseguia conceber o tanto que Harry era famoso. Em Holmes, estava tudo tão normal que sequer consegui entender a proporção da fama dele.
- Ele já está acostumado. E depois desse evento principal, ele sempre faz algo mais reservado, então fica tudo bem.
- Mas ele já está planejando o aniversário da Anne? - Parei para pensar. - O aniversário dela não é só em outubro? - Mike deu uma risada.
- Você não sabe que o Harry vive a vida num calendário? Tudo dele é bem cronometrado. Tenho todos os compromissos dele agendados até o final de outubro. Se não me engano, ele vai ter umas semanas de férias em novembro e dezembro. Fora isso, tá tudo cronometrado. Incluindo o aniversário da mãe dele dia 21 de outubro.
- Como você consegue lembrar essas coisas?
- É o meu trabalho, eu olho para essa agenda 24 horas por dia. - Ele deu uma risada e estendeu o braço direito dele. - Aperta aí na tela do relógio. - Fiz o que ele pediu e vi um calendário cheio de bolinhas coloridas aparecer. - Essa é a agenda dele. Fica sincronizada no meu relógio, e nos celulares de trabalho dele e meu. Todo dia de manhã, eu mando um e-mail com o todo o cronograma do dia dele.
- Nossa, e eu achando que meu trabalho era cansativo.
Mike apenas deu uma risada e puxou um dos telefones do bolso.
- Coloca alguma coisa para a gente ouvir, por favor? Meu bluetooth está desconectado.
Ele me entregou o celular desbloqueado, coloquei uma playlist para tocar e seguimos conversando até chegarmos em Manchester. Mike era muito simpático, parecia que a gente já se conhecia há anos, do tanto que ele me deixou à vontade para conversar. Falamos sobre tudo, desde a época que ainda morávamos todos em Holmes. Ele contou um pouco sobre ele, nasceu e cresceu em New York, os pais dele moravam no Brooklyn até hoje. Ele conheceu a antiga assistente do Harry e começou a fazer algumas coisas para ela por lá. Quando foi promovido para assistente pessoal, ele precisou mudar para Los Angeles, que é onde ficam a maioria dos contratos do Harry.
Chegamos em frente ao prédio onde ficava o apartamento de Chad. Respirei fundo ainda dentro do carro.
- Você tá bem? - Mike perguntou ao me ver suspirar fundo.
- Eu estou meio nervosa. Vai ser a primeira vez em semanas que eu piso nesse lugar. -
Tá tudo bem. Vamos lá. - ele saiu do carro e parou na frente da entrada do prédio. Juntei toda minha coragem e saí do carro.
Ele deu um leve sorriso e me deu um joia. Peguei minha chave na bolsa e entrei no prédio seguida por Mike. Chegamos no apartamento, senti um frio na barriga ao entrar. Aquele lugar era muito familiar, eu me sentia confortável, mas ao mesmo tempo estava com um sentimento estranho. Notei todas as minhas coisas num canto e, em cima da mesa, uma caixa com várias outras coisas pequenas. Coisas que sempre ficaram aqui. Minha escova de dentes “da casa do Chad”, algumas roupas e pijamas. Isso tudo era esperado, mas percebi que haviam outras coisas ali. Dentre elas, alguns presentes que eu havia dado a ele recentemente e até algumas coisas que eram dele e não tinham nada a ver comigo. O que me deixou mais irritada, foi perceber que aquilo não era coisa do Chad. Eu sei que algumas daquelas coisas ele gostava muito. Tinha a mão da Madison ali, certeza. Essa garota estava me tirando do sério.
- Tá tudo bem? - Mike estava sentado no chão, lacrando uma das caixas, e me olhou por cima dos seus óculos de grau.
- Essa menina é louca! - falei brava - Eu não queria colocar culpa nela, até porque eu sei que o Chad é bem mais culpado, mas tá ficando complicado.
- O que ela fez?
- Parece que ela tá fazendo o Chad se desfazer de tudo que eu já toquei. - Puxei algumas coisas da caixa. - Eu nem sequer comprei isso. Foi a mãe dele.
- Esse Chad é tão incrível assim? Quero ver a cara dele. - fiquei confusa enquanto Mike se levantou e saiu procurando alguma foto dele pelo apartamento.
- Incrível? Por quê?
- Para alguém se dar esse tipo de trabalho, ele tem que valer a pena demais. - ele falou ainda de costas. - Você está visivelmente sofrendo por ele e a outra aí, querendo ter certeza de que não vai ter nada que você encostou aqui.
- Ele não é incrível. É um idiota que tem uma lábia muito grande. E é bonitinho. Ele faz a gente ficar meio dependente dele, aos poucos eu tenho percebido isso cada vez mais, sabe? Gemma tem conversado muito comigo.
- Dependente? -
Sim, acho que por isso que ele surtou tanto quando eu não fiz o que ele quis, me mudando para Londres. Agora ele tá fazendo isso com a Madison, mas ela tá tão insuportável que eu estou até achando bom. Quero mais que se exploda junto com ele. - Mike deu uma risada.
- Você é muito engraçada. - ele levantou e pegou outra caixa. - Você é extremamente racional, mas ainda tá sofrendo.
- Você é psicólogo? - dei uma risada e ele só balançou a cabeça negativamente - Me explica aí então, senhor analista, por que diabos a Madison é tão chata?
- Hum. Sabe, pelo o pouco que eu conheço você, ela deve estar fazendo isso porque se sente intimidada.
- Intimidada comigo? - dei uma risada alta - Ah, claro.
- Ué, você é bem legal, bonita, interessante. Aposto que se o Chad tivesse a oportunidade de te convencer, iria voltar com você, e talvez isso deixe ela assustada.
- Primeiro, ele teve oportunidade, e não quis. Segundo a Madison é muito mais bonita do que eu.
- Ele não quis daquela vez, mas daqui a pouco ele vai mudar de ideia. Essa menina aí é só um rebote. Ele namorou com você por dois anos?
- Foi.
- Isso aí ainda vai dar o que falar. Escreve o que eu estou falando.
Rolei meus olhos.
- Bem, ele pode querer, eu estou sofrendo o suficiente. Ele não precisava ter feito isso comigo. Agora não tem mais volta.
- Eita! Agora então as fãs do Harry podem começar a se preocupar? - ele deu uma risada.
- Ah é, tem mais essa ainda. - joguei as coisas de volta em cima da mesa. - Eu não vou levar essas coisas. - Fui até o lugar onde ficava o telefone, abri a primeira gaveta e peguei papel e caneta.
“Se você não quer, pode doar ou queimar. Isso não vai comigo. - ”.

- Ui, ui, ui. - Mike riu ao me ver colocando o papel sob a pilha de coisas que eu tinha tirado da caixa.
- Sobre o Harry, não vejo porque as fãs deveriam se preocupar comigo. Não tenho cara de modelo e nem sou loira.
Mike deu uma risada alta.
- Ele não sai só com modelos loiras.
- Ah, mas ele só sai com pessoas famosas. Eu não faço parte desse mundo dele, não.
Mike não falou nada e apenas deu um sorriso me olhando. Ele parecia estar analisando todos os meus movimentos. Terminamos de arrumar tudo, dei uma última volta pela casa para checar se tinha mais alguma coisa minha perdida. Fui até o quarto dele, e abri a última gaveta do guarda roupas dele. Ele costumava guardar algumas coisas do início do nosso namoro lá. Madison não saberia disso, então resolvi olhar. Se ele tivesse realmente me superado, não teria mais nada ali.
Abri a gaveta e notei algumas blusas dele, as tirei do caminho e encontrei tudo lá, aparentemente escondido. Peguei o meu caderno dentro da bolsa, eu tinha escrito tanta coisa nele nesse meu momento triste. Olhei todos os textos, escolhi uma página e arranquei. Madison não queria mais nada meu na casa, mas eu ia deixar alguma coisa, só para me vingar desses dias todos dela me importunando.
“Eu não queria sentir essa dor.
Ela surge de assimilar que você é igual aos outros caras que encontrei por aí.
Aparece sempre que eu penso que você poderia ser diferente de todos eles
mas que, mesmo assim, preferiu ser igual.
Você sempre gostou de ler meus textos, então espero que não goste desse, boa sorte com a Madison.”

Dobrei o papel e coloquei na gaveta. Não sei se ele iria ver isso tão cedo, mas me senti bem por ter deixado ali.
- Algo mais? - Mike tinha voltado do carro - Já levei todo o resto.
- Mais nada. - Coloquei a chave sobre a mesa, junto com o chaveiro que ele havia me dado. Senti meu coração apertar. Eu estava muito brava, mas eu ainda sentia algo pelo Chad. Não do jeito que ele estava atualmente, mas enfim, ele era problema da Madison agora. Senti pena dela também, ele provavelmente a usaria por um tempo e deixaria ela para trás. Tomara que ela sofra menos do que eu.
- Vamos comer uma pizza, sinto que trabalhei demais enquanto você sofria pelos cantos. - Mike fez piada.
- Acabou já. Agora estou bem. Acho que precisava desse fechamento.
- Perfeito, pizza! - ele disse ligando o carro. - Agora que você está solteira, é bom tomar cuidado, porque as revistas vão cair em cima de você.
- Elas não precisam saber que eu estou solteira.
- Elas já devem saber. Você não tem noção de como são rápidas, se bem que os nossos stories provavelmente vão mandar sinais confusos para elas.
Durante o processo de empacotar algumas coisas Mike fez algumas stories no meu Instagram, de acordo com ele, para que a Madison visse e, assim, poupasse minha cabeça de alguma ligação. Mas acho que ele fez mais para me animar, me colocando para empacotar e dançar quando eu estava mais para baixo. Achei que ele tinha postado apenas no meu Instagram, mas colocou algumas coisas no dele também.
- Ei, eu tenho que te seguir! Quero ver esses stories aí! - falei rindo ao assistir os meus.
- Pode seguir. - ele falou - Vamos comer pizza aqui ou em Londres? Eu estou com fome.
- Mas que coisa. - dei uma risada. - Vamos comer aqui mesmo, não vou aguentar duas horas de você reclamando!
- Oba! - ele deu uma risada - E dizem que reclamar não compensa.
Levei Mike para comer por minha conta numa pizzaria ótima. Ela se chama Rudy’s. É uma das melhores pizzas de Manchester, era um lugar pequeno, mas muito bom. Terminamos a noite tirando uma selfie comendo pizza. A foto ficou tão boa que eu tive que postar no meu Instagram.
No caminho de volta para casa, fiz mais alguns stories nossos cantando no carro. Quando chegamos em casa, eu já nem me lembrava mais que estava brava no começo do dia. Agradeci a companhia de Mike depois que descarregamos tudo. Ele foi embora e eu fiquei mexendo no meu celular. Voltei ao Instagram e notei algumas curtidas e comentários na minha foto com Mike. A maioria dos comentários falavam do Harry, foi então que eu percebi que ele havia curtido a foto. Ele também tinha assistido todos os stories, pelo visto ele sabia que o Mike estava comigo hoje. Terminei a noite contando sobre meu dia com Gemma e confirmando que o Mike realmente era tão bonito e simpático como ela havia falado.


Capítulo 20

Mike’s POV.

Deixei na porta da casa dela e liguei para Harry no mesmo instante, ainda dentro do carro.
- E aí, Mike, deu tudo certo para o próximo show? Jeff estava tão puto. – Harry atendeu já falando sem nem sequer dar um oi, ele parecia agitado.
- Deu sim, vamos levar tudo de avião, a organização vai arcar com os custos.
- Você já recebeu os valores da arrecadação para doação? O pessoal ficou de te mandar um e-mail. Queria ver os números.
- Já sim, amanhã vamos só juntar com as vendas do merchandising. Tem uma ONG no Rio e outra em São Paulo. Serão duas doações independentes. Te mando assim que fizer tudo.
- Ótimo. Como foi o dia hoje? Você conseguiu ajudar a ? Obrigado mais uma vez por isso. – Ok, ele provavelmente queria me perguntar isso desde o início, dei uma risada contida.
- Não precisa agradecer, ela é muito legal, entendi bem porque você gosta dela.
- Ah é? Eu vi nas stories do Instagram de vocês. Acabei curtindo sem querer a foto que ela postou. Achei que seria pior tirar a curtida, talvez causasse mais bafafá. Acha que tem problema?
- Eu vi, não tem problema, eu acho. Vamos ver a repercussão, a ideia é que as meninas entendam que vocês são só amigos e mais nada.
- É… - ele deu uma tossida leve e voltou a falar na velocidade normal dele, que é bem lenta, diga-se de passagem. - Acho que estou ficando resfriado. O Chad aprontou alguma coisa?
- Nada, mas a tal Madison realmente a tirou do sério. Separou coisas aleatórias para que ela levasse, tipo, coisas que a mãe dele tinha comprado, inclusive.
- Ela deve ter medo do Chad querer voltar com a . Isso é coisa de gente insegura.
- Foi o que eu pensei também. Ainda mais com a imprensa falando que você tá com ela. Imagina o tanto que a Madison deve estar bolada. Se um artista gosta de você, imagina o Chad, não é mesmo? – ri.
- Isso é uma merda mesmo, eles não me deixam em paz. Ela estava muito triste com a história das fofocas? Reclamou em algum momento do possível assédio nas redes sociais?
- Ela não falou nada sobre você e nem sobre as redes sociais. - dei uma pausa - na verdade, ela ficou interessada em saber sobre seus rolos durante uma de nossas conversas. – ri de leve. – está convicta que você só sai com gente famosa e loira.
- E você falou o quê?
- Que você não sai só com modelos loiras. - dei outra risada e ele também - E que eu geralmente não me envolvo nos seus rolos. Ela também estava achando que eu trabalho demais, merecia um aumento e férias.
- Coitado de você. - Harry falou rindo.
- Ela se sentiu um pouco culpada porque a bomba desses caminhões aí estourou quando eu estava na casa dela. E ela me viu fazendo muitas coisas ao mesmo tempo, ficou impressionando com o meu desempenho, por isso o aumento.
- Ah, então ele sentiu um gostinho do Mike multitasking? - ele fez piada novamente e eu ri junto. – Você não vai ter um aumento, pare de inventar moda. – rimos juntos.
- não só viu o Mike multitasking, ela ficou com dó e deu uma fatia de um cheesecake sensacional à ele.
- Não acredito! De morango?
- Sim!
- Seu filho da puta! Ela faz cada doce maravilhoso. Não consegui comer nenhum na pausa porque ela estava mal. E eu não ia ficar pedindo, né?
- Só comi do cheesecake, que mais que ela faz bem para eu poder pedir e te fazer inveja?
- Torta de limão. Ela coloca tipo um suspiro em cima. Porra, estou com desejo agora.
- Se comporte. Quem sabe eu não levo algum quitute dela para você no México?
- Nossa. Se tiver alguma coisa que resista o voo de avião, pelo amor de Deus, traga!
- Isso vai me render o tal aumento? – rimos - Vou falar com ela. E você? Já tentou pelo menos mandar um oi pra ela desde que viajou?
- Ah, a gente trocou umas mensagens só logo que eu cheguei na Argentina. Mas depois não falei mais nada, nem ela.
- Olha, do pouco tempo que passei com ela hoje, deu pra perceber que ela é uma menina muito boa. Não é todo dia que a gente encontra gente assim.
- Pois é. - ele suspirou - Eu queria ter ajudado ela hoje. Você é um babaca sortudo, passou o dia todo com ela, ainda ganhou pizza e foto no Instagram. - Apenas ri.
- Se você quiser posso tentar convencer a ir para o show de Los Angeles. Assim, vocês podem se ver novamente e você para de ficar com ciúmes de mim.
- Eu não estou com ciúmes. – dava até para imaginar o tamanho do bico que ele estava fazendo ao falar isso.
- Você está visivelmente irritado com o fato de eu ter comido pizza com ela hoje. E tirado fotos, ter sido publicado no Instagram, dançado e cantando com ela.
- Estou te dando língua nesse momento. – continuei rindo - Mas falando sério, muito obrigado por cuidar dela hoje. Isso significa muito para mim, apesar dos leves ciúmes.
- Me sinto realizado apenas por você admitir que está com ciúmes. Mas fique tranquilo, não vou me apaixonar pela sua garota, chefinho.
- Você sabe que isso é o que sempre dizem antes de se apaixonarem por alguém em comédias românticas, não é? - Harry deu mais uma risada.
- Eu não vivo a vida como uma comédia romântica, H. – comecei a rir.
- Acho bom, porque eu sou o cara que vai terminar com ela, ok? Nem que eu tenha que te demitir. – ele ria, mas parecia falar sério. - Vou para academia aqui, qualquer coisa me liga.
- Tá certo, eu estou a caminho do hotel, já vou dormir, mas se precisar de algo e eu não atender, manda um SMS que assim que eu levantar resolvo!
- Beleza, boa noite, Mike, durma bem!
- Obrigado, boa academia!
Continuei dirigindo até o meu hotel, quando cheguei, deitei direto na cama. Estava prestes a pegar no sono quando recebi um SMS de .

“Obrigada pelo apoio hoje. Se estiver de bobeira, amanhã eu vou fazer um almoço especial para Gemma e Michal, você pode vir se quiser! Até mais! xx

Encarei a mensagem por alguns segundos e resolvi não responder prontamente. Melhor dormir e pensar se eu devo ou não ir para esse almoço. era uma menina diferente, muito interessante e completamente fora dos meus limites. Ela era a garota do Harry, e ele deixou isso bem claro. Larguei o celular e me virei para dormir.

xxx


Na manhã seguinte, resolvi responder que agradecia o convite, mas estaria muito ocupado resolvendo algumas coisas, o que não era verdade, entretanto, achei mais prudente não me envolver demais com ela. Harry gostava de à ponto de me fazer resolver coisas para ela e ficar de olho nas redes sociais dela, ao invés das dele. E eu não queria, mas me interessei por ela depois do dia de ontem. Foi engraçado, não acho que ela tenha tentado nada, ela é tão espontânea, nossa conversa fluiu de forma tão dinâmica. Há tempos eu não conversava assim com ninguém, a maioria das mulheres que se envolviam comigo eram chatas ou estavam tentando dar um jeito de se aproximar do Styles, e estava só sendo ela mesma. Caralho, eu não posso me interessar pela menina que o Harry gosta desde os 14 anos. Estava decidido, eu não ia fazer nada ou me comunicar com sem ordens diretas do Harry. Tomara que ele não me faça ficar falando com ela diariamente.
Segui meu domingo organizando algumas coisas, postando fotos do show do Brasil nas contas do Harry e conversando com Helene, a fotógrafa da tour. Mitch já tinha me falado que ela estava meio que afim de mim. Mitch é igual ao Harry, mentalidade de ensino fundamental. Os dois tinham colocado na cabeça que eu e Helene seríamos um casal perfeito, mas esqueceram que ela morava em Paris e que só nos vimos duas vezes. Mas quem sabe agora no México eu não dê uma olhada nessa possibilidade, não é mesmo? Helene não está fora dos limites, como está.
Estava no final da tarde quando recebi uma nova mensagem de Helene.

“Oi Mike, vou te encaminhar mais algumas fotos dos últimos shows, mas eu queria te pedir um favor. Será que você consegue trazer algum doce da para o Harry?”

“Um doce? Ele ainda tá nessa? Haha”

“Tá insuportável, ele não para de reclamar como você conseguiu comer pizza, cheesecake de morango e passar o dia com ela. Está morto de ciúmes, mas não assume de jeito nenhum.”

“Ele assumiu que estava com ciúmes para mim na nossa última conversa. Vou ver o que eu consigo fazer, não crie expectativas nele, pelo amor de Deus.”

“Pode ficar tranquilo. Faça essa surpresa, acho que assim ele supera o fato de você ter passado o final de semana inteiro com ela. Sério, tá insuportável.”

“Beleza, logo estarei aí e ajudo vocês a lidar com ele. Harry insuportável é fichinha. Vocês nunca lidaram com o Harry indignado ou o Harry puto.”

“Espero não ter que lidar. Até o México, Mike!”


Me despedi e então resolvi ligar para . Era um caso extremo, eu não estava criando desculpas para falar com ela. Harry precisava de um doce.
- Hey Mike! - atendeu animada - Como eu posso te ajudar? Ou eu fiz alguma coisa errada, ai meu Deus! - dei uma risada, ela estava falando muito rápido.
- ? Você está agitada!
- Ah – ela riu muito alto - eu e Gemma estamos bebendo rosé aqui, Michal não está bebendo, ele é um perdedor! – ela cantarolou a frase enquanto falava. Eu dei uma risada junto. Ela estava aparentemente bêbada. - O que eu fiz?
- Você não fez nada, ainda. Eu gostaria de te pedir um favor, na verdade.
- Eu estou mesmo te devendo um favor, mande. - fez som de uma arma laser disparando e eu ri novamente. - Aô Michael! - Gemma havia pego o celular gritando - vem pra cá, vamos fazer um selfie de vídeo, como chama? Aquele que o Harry fala com a gente e assiste a gente pelo celular? Que tem nos celulares modernos de hoje?
- Oi Gemma, você diz uma chamada de vídeo?
- Isso! Você é muito esperto. - ela começou a rir - Mike vai vir para cá! E nós vamos ligar pro Harry. Uhul! - e então ela desligou a ligação.
Dei uma risada e liguei novamente. Elas realmente estavam muito bêbadas. Mas eu precisava ao menos saber se poderia fazer o meu favor, quem sabe bêbada eu não teria mais chance de conseguir?
- Você já chegou? - Gemma atendeu assustada. - Como você conseguiu?
- Gemma, deixa eu falar com a , por favor.
- , o Mike só que falar com você! Porque você não liga no celular dela ao invés do meu? - eu estava prestes a responder quando Michal, namorado de Gemma, pegou o telefone.
- Cara, me desculpe por isso. Elas estão bebendo desde o almoço. Nenhuma delas está em condições de conversar civilizadamente. Vem pra cá e a gente faz um trabalho em dupla para elas ficarem sóbrias. Realmente preciso de ajuda, elas são duas contra um.
- Tá certo, vou te salvar, Michal!
- Muito obrigado, vou deixar a porta aberta, quando chegar é só entrar. Vou avisar o porteiro também.
Troquei de roupa e me dirigi até o apartamento delas. Passei o caminho todo me relembrando que estava indo até a casa delas somente para conseguir doces para Harry. Doces da menina que ele está obcecado. Meu chefe gosta dela, não quero perder meu emprego. Fiquei alguns minutos parado em frente ao prédio criando coragem para entrar. Respirei fundo e subi. Ao chegar lá, Gemma estava em pé no sofá já fazendo uma chamada de vídeo com Harry. O qual estava rindo desesperadamente. e Gemma estavam gritando com o celular e Michal sentado derrotado ao canto. A porta estava apenas encostada como combinado, então eu fui entrando e visualizando a cena. Harry notou que eu havia chegado e gritou “Michael!” O que virou a atenção das duas até a porta que eu acabava de fechar atrás de mim.
- Mike! - correu e me deu um abraço. - Bem-vindo! Você chegou agora? - ela passou o braço ao redor do meu, me puxou e pegou o celular da Gemma - Harry, o Mike chegou!
- É, eu que o anunciei, ! – Harry sorriu e me deu um tchau pelo vídeo.
- Harry, você só trabalha com gente bonita, né? O Mike é bonito, a Helene é bonita, a banda só tem gente bonita. Eu quero seu trabalho.
- Você quer trabalhar com gente bonita? - Harry continuava brincalhão, mas eu notei que ele estava ligeiramente mais sério. E eu sabia que estar do meu lado estava causando isso.
- Sim, vou roubar o Mike para ser meu assistente! Ele é muito eficiente e é uma graça. Você pode ficar com a banda.
- E você precisa de assistente para quê? - notei que Harry estava ficando visivelmente incomodado com o fato dela estar me elogiando e me segurando pelo braço até aquele momento. Tentei soltar, mas ela apertou mais o braço.
- Ué, pra vida. Eu sei que eu não sou importante como você, mas eu quero que o Mike seja meu assistente.
- O Mike já é meu, tira o olho. - ele fez uma piada mas estava totalmente sério dessa vez.
- Mike devia morar aqui em Londres, a gente ia se divertir. – Essa menina queria a minha cabeça, não é possível.
Michal, que também estava sóbrio, deve ter percebido que estava me colocando numa situação difícil com o meu chefe. E então interveio, pela graça de Deus.
- , vocês não iam contar alguma coisa para o Harry?
- Ah! - Gemma gritou quase como se estivesse ressuscitando do sofá. - Eu tenho coisa para falar pro Harry! - e então ela pegou o celular de , que finalmente me largou e a seguiu para o lado oposto da sala.
Agradeci com o olhar Michal, que me deu um joia discreto. Gemma ficou mais alguns minutos falando sobre os óculos dela com Harry e falando que havia escolhido as músicas favoritas dela para colocar o nome em cada modelo. Ela estava falando mais alguma outra coisa com Harry quando alguém da produção o chamou. Ele precisava ir para o local do show para passagem de som. Nos despedimos dele e desligamos a chamada. Então meu trabalho com Michal começou. Começamos dar água para as duas e busquei coisas doces na geladeira delas. Um tempo depois, elas estavam finalmente melhorando, totalmente cansadas.
- Mike, você queria me pedir algum favor no telefone, não? - já estava bem mais tranquila. E o mais importante, não estava me segurando.
- Sim, eu queria ver a possibilidade de você fazer algum dos seus doces para eu levar de surpresa lá na tour. Acho que o Harry ia gostar.
- Isso é uma ótima ideia! Mas eu trabalho amanhã o dia todo.
- Ah, que pena.
- Se você conseguir comprar os ingredientes eu consigo fazer de noite. Você viaja de manhã ou de tarde pro México na terça?
- Vou no horário do almoço. Chego lá na madrugada do dia 30.
- Ah, então se você quiser, dá para fazer na segunda de noite e você leva. Mas daí você teria que esperar aqui.
- Não me importo de esperar. Não fica corrido para você?
- Fica não, o Harry merece. Eu vou fazer uma lista, aí colocamos em embalagens pequenas e você leva no colo.
- Certo!
Anotei tudo que ela precisava, eu precisava me redimir com Harry, que provavelmente está pensando em alguma forma de me demitir depois de ver agarrada ao meu braço. Saí com a desculpa de que tinha que resolver algumas coisas, mas eu só queria evitar que elas postassem mais fotos ou stories comigo. Harry já devia estar bravo o suficiente.

xxx


Segunda às 17:00h, passei no trabalho dela e voltamos juntos. Ela fez quatro tipos de sobremesas e colocou em várias pequenas embalagens individuais. Então ele teria quatro doces diferentes, mas seriam várias porções. Sobrou um pouco de cada sobremesa, comi com ela e no fim da noite, eu mesmo estava me xingando. Por que diabos eu estou me interessando pela garota do Styles? Caralho, ele tá sempre com umas meninas sensacionais, modelos lindas e eu nunca me interesso. Por que diabos logo por essa? Sai da casa dela segurando os doces e torcendo que isso fosse o suficiente para fazê-lo ficar menos bravo comigo. Além de chefe, Harry era um ótimo amigo e eu não quero que ele fique mal. Assim que eu chegar no México, vou organizar as coisas e entregar esses doces como presentes espontâneos dela. Isso deve melhorar o humor dele. Se Deus quiser.


Capítulo 21

Harry’s POV.

Assim que o show de São Paulo acabou, fui direto para o hotel. Deitei na cama e suspirei, passei metade do show com a cabeça em Londres. e Gemma tinham ficado bêbadas durante a tarde para “comemorar” o momento de fechamento, tinha finalmente terminado toda e qualquer ligação com o Chad. Mas isso não era o suficiente, eu queria ter certeza de que ela realmente estava bem, ainda me preocupava com a reação das minhas fãs acerca dela. Mike tinha tentado me acalmar no dia anterior falando que ela não estava ligando muito para as redes sociais, mas Gemma havia sido tão enfática quando eu estava indo para a Argentina que até agora estava desconfiado. E, além disso, agora estou com ciúmes do Mike, por estar conversando e convivendo com ela nesses últimos dias. Respirei fundo, não vou mais pensar nisso, ou vou entrar em parafuso de tanta ansiedade. Entretanto, não conseguia parar de pensar e, agoniado, resolvi entrar no Twitter, coisa que evito ao máximo. Nunca me sinto bem em redes sociais.
Comecei a olhar algumas menções ao meu nome, nada demais. Então, resolvi olhar um Twitter aleatório de “updates” sobre mim, comecei a entrar em um túnel sem fim. Tinham pessoas achando que ela estava namorando com Mike agora e que realmente não passava de uma amiga minha. Outras achavam que ela estava usando Mike para chegar até mim, algumas falando que ela estava se aproveitando do meu assistente porque ela era interesseira e daí para baixo. Nada bom vinha daquilo, mas eu não conseguia parar de ler. Haviam várias fotos de e Mike, incluindo alguns vídeos da tarde de hoje, que foram gravados por Gemma bêbada. Eu estava ficando nervoso, senti uma possível crise de ansiedade se aproximar. Quando finalmente consegui me desvencilhar, fechei o app e resolvi ir ler um livro. Tudo que eu não precisava agora era dar início à uma crise de ansiedade por ficar lendo mentiras no Twitter.

XXX


Na manhã seguinte, embarquei para o México. Fiquei mal durante todo o voo, cabeça e corpo doloridos, eu estava realmente ficando doente. Ainda bem que o voo até o México não era tão demorado, tomei um remédio para dor de cabeça e tentei dormir durante o resto do tempo. Assim que pousei, mandei um SMS para Mike falando que não estava me sentindo bem. Ele me respondeu prontamente, havia chegado no México algumas horas antes de mim e avisou que eu poderia ficar no hotel descansando durante a manhã inteira, se ficasse pior, poderíamos chamar um médico. Entrei no carro e fui direto para o quarto, ao chegar lá, tomei outro remédio e dormi. Acordei algumas horas depois com Mike batendo na porta.
- Como você está, Harry?
- Não estou bem, ainda estou com muita dor de cabeça.
- Você está péssimo! - Mike sentou na cama e colocou a mão na minha testa- - você está queimando de febre, Harry! - e já puxou o celular. - Vou pedir para alguém vir te examinar. Se você continuar assim, teremos que cancelar o show.
- Não vamos cancelar show nenhum. - sentei na cama - eu só preciso de algum remédio mais forte.
Mike apenas rolou os olhos já conversando com Jeff ao telefone.
- Se vista, vou te levar no médico. Não dá para sair pelos fundos, coloca uma máscara e vamos tentar te tirar rapidamente pela frente. Tem muitas fãs, mas acho que vai ser rápido.
- Não precisa disso tudo. Eu só preciso de algum remédio mais forte e dormir.
- Harry, você tem mais vinte cinco shows. Não pode brincar com sua saúde. Coloque uma roupa bem quente.
- Mas eu estou com calor!
- Você está com febre, lá fora está ventando. Faça o favor, antes que eu ligue para sua mãe.
- Tá tá, vou me vestir. - Me levantei e senti todo o meu corpo doer. Talvez eles estejam certos, ir até o médico deve ser melhor do que ficar tomando remédios aleatoriamente.
- Vamos ter que sair com uma van do hotel mesmo, para ser mais rápido.
Desci com Mike, estava visivelmente mal. Entramos no carro e, ao sair, haviam várias fãs do lado de fora. Puxei minha máscara para cima e olhei pra baixo, torci para que não percebessem que era eu. Logo estarei no médico e vou melhorar, agora só precisamos sair, não tinha condições nem mesmo de acenar. O carro entrou no meio de algumas meninas e então eu não consegui mais entender nada do que estava acontecendo. Um grupo de pessoas começou a bater na van, e ficamos completamente rodeados. Eu não sabia mais se eram apenas fãs ou se o carro estava sendo atacado de alguma forma. Minha cabeça doía, comecei a tentar me concentrar para ficar calmo. Eu conseguia sentir meu coração começando a bater muito rápido. Coloquei a mão na testa tentando me acalmar para não entrar em pânico com a situação, eu não podia ter uma crise agora. Fechei os olhos, comecei a sentir falta de ar e minhas mãos começaram a tremer. Eu não olhei mais ao redor, fechei os olhos mais firme dessa vez. Haviam pessoas em cima do carro, já não conseguia mais me controlar, estava realmente em pânico. Uma das janelas trincou, nessa hora o motorista arrancou com o carro para trás, mas não tínhamos escapatória, eu teria que sair dali andando. Em outras situações, seria mais fácil, mas eu estava sem força alguma para andar, com dor e definitivamente tendo um ataque de pânico. Mike estava completamente puto com todo o desenrolar das coisas, me tirou do carro junto com os seguranças. Eles me cobriram com todos os casacos possíveis e imagináveis e de algum jeito, conseguiram me arrastar em segurança para dentro do hotel. Mike ficou para trás, tentando de alguma forma manter os fotógrafos e as fãs afastadas. Eu já não sabia mais nem onde estava, me levaram de volta para o quarto. Não conseguia falar nada, fiquei deitado na cama estático por alguns minutos. Mike chegou algum tempo depois, muito preocupado, e pediu que todos saíssem do quarto e que não ligassem para minha mãe. Eu sempre pedia que ele ligasse para Gemma nesses momentos, minha mãe só conseguia ficar mais nervosa quando eu tinha crises de pânico ou ansiedade. Mike já sabia exatamente o que fazer sempre que eu tinha qualquer tipo de crise. Quando todos saíram, ele sentou ao meu lado em silêncio.
- Ainda tá muito ruim? - ele perguntou. Eu apenas fechei os olhos e suspirei balançando a cabeça positivamente. Todo meu corpo estava dormente, minha cabeça parecia que ia explodir a qualquer segundo. Ele segurou minha mão direita e apertou - Você vai ficar bem, já estamos seguros novamente. Vou tentar achar um médico que venha aqui, nem que eu tenha que ir buscá-lo e arrastar ele até esse quarto.
Eu ainda estava de olhos fechados tentando acalmar minha respiração. Eu conseguia ouvir muito longe Mike ao telefone. Apertei mais os meus olhos e perdi um pouco a noção do tempo. Mike chegou novamente ao meu lado um tempo depois.
- Vou colocar o telefone no seu ouvido, ok? Não é a sua mãe. Gemma estava ocupada também. Eu vou precisar sair para resolver algumas coisas e arrumar um médico, mas não quero que você fique sozinho, conversa com ela, vai te ajudar a sair dessa.
Abri os olhos, respirei fundo e não falei nada, ainda não conseguia. Quem era? Você não me disse quem é Mike! Pensei, mas não consegui falar nada.
- Harry? - ouvi a voz de meu coração deu uma disparada. - Mike me falou o que acabou de acontecer e me pediu para ficar falando com você enquanto ele lida com algumas coisas. Você se importa de conversar comigo? Se você não estiver bem pode ficar em silencio, mas eu estou aqui, ok?
A voz dela me fez abrir os olhos, mas eu ainda estava sem conseguir formar palavras. Mike já havia saído do quarto, notei que aquele era o meu celular encostado ao meu lado, liguei a câmera sem desligar a ligação, para que ela entendesse que eu estava tentando conversar, mas ainda não conseguia. Ela aceitou a chamada de vídeo, e pude notar que estava extremamente preocupada, aparentemente quase chorando. Respirei fundo mais uma vez e consegui juntar forças para falar com ela, não queria que ficasse preocupada comigo.
- Me desculpe por isso, Mike não devia ter te ligado, eu estou bem. - menti. Eu estava conseguindo falar. Estava me sentindo menos assustado, mas meu corpo ainda tremia, sem falar que eu ainda estava com febre. Conseguia sentir minhas costas completamente molhadas de suor.
- Ah, Harry! - percebi que ela tinha deixado uma lágrima escapar - Por que fizeram isso com você? Se eu pego essas mexicanas, elas estão enroladas. - dei um meio sorriso. - Você já teve crises dessas mais alguma vez?
- Sim, isso era uma coisa mais recorrente. - respirei fundo - Mas ultimamente tenho conseguido lidar melhor com isso me isolando das rede sociais o máximo que posso. Ontem eu dei uma vacilada, isso me deixou mais propenso a ter uma crise dessas. Se bem que, com o que aconteceu hoje, acho que dificilmente eu escaparia sem dar uma surtada. – tentei sorrir para deixá-la menos preocupada.
- Isso é uma merda. Olha, era para ser uma surpresa. - Ela mudou completamente de assunto, talvez para me fazer mudar o foco - O Mike ia te entregar só depois do show de amanhã. Você consegue se levantar?
- Acho que sim. - Estava começando a me sentir melhor. Ainda estava doente, mas pelo menos os sintomas do ataque de pânico estavam diminuindo.
- Ótimo, quando você achar que consegue, procura uma caixa térmica amarela, Mike ficou de colocar perto da TV se não estou enganada.
Olhei ao redor do quarto e notei a caixinha bem próxima da televisão. Me levantei ainda segurando o celular e busquei, mostrei para a câmera.
- Isso mesmo! - ela deu um gritinho de felicidade. - Estou tão feliz que te mandei isso agora.
- Posso abrir? - perguntei já de volta à cama.
- Pode.
Quando abri a caixa, haviam várias pequenas embalagens com muitos doces diferentes. Dei um grande sorriso.
- Vamos lá. - ela falou - Pega algum e me mostra que eu vou dizer o que é cada um deles.
Continuei sorrindo, dessa vez de forma espontânea, nunca tinha me recuperado tão rápido de uma crise de pânico. Eu me sentia feliz novamente, estava até me esquecendo do medo que passei dentro do carro. Peguei o primeiro potinho e mostrei para a câmera.
- Ah sim, esse é o favorito da sua mãe! - ela abriu um sorriso - um Triffle! Esse é de geleia de morango, creme e pão de ló. Pega outro!
Comecei a sorrir, ela havia feito várias receitas diferentes para mim.
- Macaroons! - Falei feliz já abrindo o pacote e colocando um na boca! deu uma risada.
- Sim! Das suas cores favoritas!
- Muito obrigado, ! Você foi muito atenciosa, não precisava disso tudo.
- Ué, mas você nem viu as melhores!
Voltei a olhar a caixa, tinha cheesecake, mas eu não consegui descobrir só de olhar qual era a cobertura.
- É de quê? - mostrei a embalagem da fatia com o creme branco.
- É um cheesecake com creme de banana. - ela disse sorrindo - eu nunca tinha feito, mas como lembrei que você sempre gostou de bananas e Gemma me garantiu que você ainda gostava bastante, resolvi fazer para você, ficou bem gostoso. Eu não fiz o de frutas vermelhas porque fiquei com medo de não aguentar no voo. O creme de banana é mais confiável, afinal não quero você com dor de barriga no meio do show.
- Eu adoro bananas, e só de você ter feito, eu tenho certeza de que está ótimo.
- Tem só mais uma, foi um pedido especial do Mike, ele falou que você estava desejando.
- TORTA DE LIMÃO COM SUSPIRO?
- Isso! - ela disse rindo.
- , você é maravilhosa! Eu não mereço isso tudo!
Ela deu mais uma risada.
- Mike me falou que você estava febril mais cedo.
- Acho que ainda estou, mas você me animou bastante com esses doces todos. Já até consegui voltar ao normal!
- Que bom, faz o seguinte, tome um banho mais gelado e espere. Logo o Mike vai chegar com um médico para te examinar. Eu preciso desligar, como você está melhor não vou me sentir tão culpada, mais tarde você me liga para falar o que o médico falou, pode ser?
- Que horas são aí? Já está tarde?
- Não está tarde e não importa a hora. Promete que vai me ligar. Sem frescura de “ai, vou acordar a ”. - ela fez uma voz chata para me imitar.
- Tá, eu prometo que te ligo depois que for examinado. Independente da hora.
- Muito bem! Você está melhor mesmo?
- Estou sim, não se preocupe. Vou comer um doce, tomar banho e depois comer mais um doce.
- Tá certo, vou ficar aguardando sua ligação, ok?
- Ok! Ah, não conta para minha mãe dessa crise, por favor. Não quero que ela fique preocupada. Mais tarde ligo pra ela e explico o que aconteceu.
- Tá bem. Fica bem, Harry. Qualquer coisa me ligue!
- Obrigado por tudo, , fique bem também!
Desliguei o telefone e consegui voltar a respirar melhor. Meu pânico havia passado. Tomei um banho mais gelado e aguardei Mike retornar com o médico comendo meus doces.


Capítulo 22

’s POV.

Desliguei o celular ainda preocupada. Terminei de responder alguns e-mails da redação e do editorial acerca da publicação pendente, a revista estaria nas bancas amanhã. Desde o início da semana estive muito ansiosa, mas depois da conversa com Harry, até esqueci. Ver o tanto que ele estava mal tinha me deixado acabada. Meu coração apertou tanto quando ele atendeu o telefone e fingiu que estava tudo bem. Eu só queria correr até ele e abraçá-lo bem forte, até que tudo que ele estivesse sentindo de ruim passasse. Fui até a sala para conversar com Gemma sobre o que aconteceu com o Harry. Ela estava com o computador ligado e com cara brava.
- Eu acabei de ver na internet, as loucas quebraram até o vidro da van que ele estava. Isso não faz nenhum sentido.
- Também ainda não entendi qual o objetivo dessa gente. - reclamei - Harry costuma ter crises de pânico?
- Foi uma coisa que ele adquiriu quando começou a ficar famoso. No início era bem pior. Sempre que tinha muita gente ele ficava mal, às vezes até chorava.
- Coitado! - comecei a pensar no tanto que deve ser difícil para um adolescente lidar com esse tipo de coisa.
- É, além disso é bem difícil não se deixar levar pelas coisas que as pessoas falam na internet. Como você está acerca disso?
- Eu tenho evitado olhar. Na verdade, acho que até hoje eu não li direito nenhum comentário no meu Instagram, de medo.
- Bem, acho que depois que a revista for para as bancas, elas devem dar uma diminuída na raiva. Mas se não me engano, Mike bloqueou a maioria dos termos ofensivos no seu perfil.
- Talvez por isso não esteja pior - falei sincera.
- Uma coisa boa de se evitar é buscar o seu nome no Google, lá não tem filtro. Às vezes o Harry fazia isso, daí começava com crises de ansiedade.
- Ele estava bem mal, Gems, fiquei com tanta dó dele. Sem falar que ele está visivelmente doente. Não sei como ele vai fazer esse show.
- À base de remédios, com certeza. - Gemma falou - Duvido que ele cancele qualquer show.
Eu dei um suspiro e olhei para a tela do celular, já fazia uma hora desde que conversei com ele. Será que ele já havia sido consultado? Por que diabos ainda não me ligou? Eu estava prestes a ligar para ele quando meu celular começou a tocar. O nome Harry piscava na minha tela. Dei um sorriso e atendi no mesmo instante.
- Como você está, Harry? - falei sem nem deixar ele dar oi, estava preocupada demais para dar oi.
- Gripado, garganta inflamada e cansado. - Harry deu uma risada leve seguida de uma tosse fraca. - Tomei alguns remédios e amanhã vou ter que me esforçar um pouco mais no show. Mas já estou bem melhor, seus doces me ajudaram muito. Obrigado de novo, .
- E a febre? Você tem certeza que realmente está bem?
- Passou, a dor no corpo também. Eu estou deitado para repousar o resto do tempo inteiro até o show de amanhã. Juro que estou bem.
- Você vai conseguir fazer o show?
- Eu tenho que conseguir, né?
- Não force além dos seus limites, Harry, por favor.
- Pode ficar tranquila, vou ficar bem. Não se preocupe, .
- Claro que eu me preocupo, até parece. Me desculpa por ter desaparecido esses últimos dias, muita coisa estava acontecendo.
- , você não precisa ficar justificando nada pra mim. Eu sei bem que você não deve estar com cabeça pra lidar com nada, quem dirá comigo. - Ele deu uma risada.
- Eu estou com saudades de você. - falei sincera.
- Também estou com saudades. De todas vocês, na verdade, queria estar aí. De preferência deitado no seu colo enquanto você mexe nos meus cabelos do jeito de sempre. Fiquei em silêncio por alguns segundos. Como eu queria estar com ele nesse momento. Senti uma vontade louca de cuidar dele. Ele voltou a falar e me disse que o remédio estava deixando-o sonolento. Nos despedimos e ele prometeu que continuaria me avisando como ele estava amanhã.

XXX


No dia seguinte, Gemma finalmente voltou à redação, as férias dela haviam acabado. A revista com a minha matéria tinha acabado de ser publicada. Peguei a foto da capa, o link na matéria virtual com fotos extras e postei no meu Instagram. Em poucos minutos já haviam mais de mil curtidas. Dessa vez, li alguns dos comentários, várias pessoas me agradecendo, outras reclamando que eu havia passado o dia todo com ele e por isso era uma vadia escrota. Mas no geral, pessoas felizes e me elogiando. Mandei para Mike os links, ele agradeceu e avisou que iria fazer um tweet com os links e a capa da revista.
Fui no grupo que Harry havia feito comigo, Anne e Gemma, mandei um link da matéria completa para que todos pudessem ler. Logo em seguida, encaminhei algumas fotos em alta resolução, principalmente para Anne.

“A entrevista ficou ótima, ! Mas acho que minha crônica vai roubar a cena. Haha” Gemma estava sentada ao meu lado e riu alto depois de ter mandado a mensagem me olhando.

“Obrigada pelas fotos, querida, se eu depender do meu filho, nunca terei nenhuma. Vou ler agora a matéria, mas tenho certeza que deve estar ótima.”

“Primeira vez que eu não fico preocupado com uma matéria. Acho que só vou dar entrevistas para você de hoje em diante, pode ser? H.”

“Me avise depois se você gostou, Harry, tentei deixar o mais fiel possível.”

“Eu adorei, , já li a versão previa que você mandou para o Mike. O único problema é que agora eu estou com mais saudades de vocês. Relendo agora, me lembrei da nossa semana de folga.”

“Estamos todas ocupadas agora, mas estou com quase tudo certo para LA. Só não vou se os óculos me chamarem.”

“Nós temos nossa escapada para a Itália programada, não é mesmo, meu filho? Quem sabe as meninas não vem caso não dê para ir para LA. O que acham, meninas?”

“Ótima ideia, mãe! Se der errado Los Angeles, nos vemos na Itália, maninho.”
Gemma falou no grupo e então me olhou sorrindo.

- Vamos para Los Angeles?
- Ah, claro, é simples fazer uma viagem internacional assim de supetão.
- Deixa de drama, você já viu o Harry ao vivo?
- Ué, passei uma semana com ele, não lembra? - fiz piada.
- Deixa de ser louca, você já viu algum show dele?
- Nunca vi. Ele não vai fazer show em Londres?
- Ele já fez, a turnê acaba nos Estados Unidos, em Los Angeles mais precisamente. Eu e minha mãe vamos para o último show, se tudo der certo. Você deveria vir conosco.
- Eu nunca fiz uma viagem internacional. Como você pensa que eu conseguirei ir para Los Angeles assistir apenas um show?
- Você já foi para Paris comigo, lembra? A gente foi com a escola.
- Paris não conta, a gente consegue ir pra lá de carro. Nunca fiz uma viagem internacional por cima de oceanos. Melhorou?
Gemma apenas rolou os olhos e voltou a olhar para o celular dela. Eu estava mexendo na minha bolsa em busca de uma caneta. Esse tipo de material básico de escritório parecia ouro nessa redação, não adiantava colocar nome, comprar diferente, as canetas desapareciam e aparentemente ninguém roubava. Elas sumiam, apenas. Quando percebi esse padrão de desaparecimentos, fiz um estojo e comecei a mantê-lo sempre dentro da minha bolsa. Sempre que eu terminava de usar, a caneta voltava para o estojo. Desde então, eu era a rainha das canetas da redação. Quando finalmente puxei meu estojo, meu caderno de anotações voou direto nos pés de Sam, que estava chegando carregando e anunciando que havia cupcakes grátis, cortesia da ala de culinária. Meu caderno caiu aberto e jogou vários pequenos papéis para o ar. Sam começou a pegar tudo com uma só mão rindo. Quando chegou no caderno, pude notar que ela passou o olhar rapidamente pela página que estava aberta. Era If I could Fly escrita à mão por Harry.
- Olha, você tem certeza que não estão juntos? - ela cochichou me devolvendo o caderno - Porque esse tipo de coisa aqui não é para qualquer uma não, garota.
Arregalei os olhos na mesma hora e peguei o caderno. Gemma estava do outro lado do corredor vendo e ouvindo tudo, apenas segurando uma risada, ela era muito enxerida.
- Não estamos juntos. - Peguei meu caderno e coloquei os papéis que ela me entregou de qualquer jeito dentro para fechar com a liga.
- Eles não seriam um casal maravilhoso? - Gemma chegou na conversa - Mas a não quer saber do meu irmãozinho.
- Mentira que você esnobou? - Sam fez uma cara engraçada abrindo a boca.
- Vocês querem parar? Estamos no meio de uma redação cheia de gente que adora publicar fofocas. Deus me livre de mais gente achar que eu estou com ele.
- Nossa, se o seu irmão olhar por muito tempo para mim, capaz de já me atirar nua nele.
- Meu Deus, Sam! - Gemma fez uma careta - Tenha modos, a namorada dele está aqui te olhando.
Rolei os olhos e deixei as meninas falando bobagens. Peguei meu caderno para organizar todos os papéis, longe das duas, e então li novamente o que ele havia escrito. O sentimento de nostalgia tomou novamente conta de mim. Agora eu estava solteira, será que poderia tentar prestar atenção nos meus sentimentos pelo Harry? Ou deveria deixar isso para lá? Uma coisa era certa, Chad era um imbecil, mas ele falou a verdade quando disse que nós não fazíamos parte do mesmo mundo.
Ao mesmo tempo eu sentia uma vontade terrível de correr até o México para fazer um barraco com quem o machucou, só que acredito que a Gemma também esteja com esse sentimento, será que minha preocupação com ele era familiar? Eu sabia que tinha sentimentos românticos também, mas estava tão confusa, achava que amava o Chad, agora já não sabia se amei ou me deixei levar por um cara manipulador… Suspirei alto. Por que diabos a vida não podia ser igual às canções bobas de amor? Quando alguém realmente te amasse, você sabia de cara? Harry falou que gostava de mim, mas será que não foi só o calor do momento? Eu devia estar com uma cara muito esquisita enquanto pensava nisso tudo. Sam e Gemma pararam a conversa e estavam há alguns minutos me encarando rindo.
- Tá tudo bem, ?
- Ah, sei lá. - Coloquei meu caderno na bolsa. - Por que tudo é tão confuso quando está ligado à minha vida amorosa? Eu não aguento mais. – soltei um grunhido.
As duas deram uma risada.
- Esse tipo de coisa deve ser resolvida num pub! A base de álcool. - Sam anunciou - Hoje, 18:00 horas, Argyll Arms!
- Eu não vou poder ir. - Gemma falou triste - Tenho que ver umas últimas coisas com o pessoal dos óculos hoje, mas vai , as meninas vão te ajudar!
- Tá, eu vou, acho que preciso beber mesmo. - dei uma risada - Onde fica? Lembre que eu não conheço Londres, sou do interior.
- Tranquilo de chegar lá, só descer na estação Oxford Circus e virar à direita da A40. Fica atrás da Regent Street, perto da Gap. Não dá nem 100 metros da estação. Se eu não tivesse externas hoje, saia daqui com você, mas não é difícil.
- Qualquer coisa eu pergunto pro Google.
- Se terminar a reunião e vocês ainda estiverem lá, eu apareço! - Gemma disse. Então vimos Mark chegando sorrindo pela redação.
- ! - ele falou alto ao me avistar - Parabéns pela capa e pelas vendas. Sua matéria está alavancando as vendas da Another Man. Tem gente de fora do UK comprando.
Dei um sorriso e agradeci.
- O pessoal gostou da sua narrativa, se prepare que a diretoria tem planos de te enviar para entrevistar Paul McCartney em Liverpool. - Ele se virou para Gemma - Obrigado pela crônica, também está sendo bastante elogiada, Gemma.
Arregalei os olhos logo depois que ele falou “Paul” e já nem prestei mais atenção aos elogios dirigidos à escrita de Gemma. Meu deus, minha mãe vai ficar maluca. Da mesma forma que ele chegou, foi embora, sem dar mais nenhum detalhe.
- Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus! - Sam e Gemma davam pulinhos.
- Óbvio que eu vou arrastar vocês comigo se isso acontecer, Gemma vai ajudar a gente a falar com o Paul, e você vai tirar as fotos.
- O que te faz achar que eu tenho condições de falar com o Paul McCartney?
- Ah, você é irmã de famoso, ele vai se identificar com você. - Dei uma risada.
Ficamos mais alguns minutos fazendo planos de como seria essa entrevista, que nem sequer estava confirmada, até que Sam teve que ir embora para fazer as externas com algumas modelos que haviam chegado. Notei uma modelo em particular me encarando, ela nem ao menos disfarçou. Era alta, loira e magra, como todas as outras modelos. Quando a olhei de volta com cara de confusa, ela deu um sorriso e virou de costas, seguindo a produção. Fiquei alguns minutos sem entender nada, mas logo voltei minha atenção para o trabalho e esqueci do acontecido.

xxx


Algumas horas mais tarde, Gemma me acompanhou até a entrada da estação de metrô, onde eu segui para Oxford Circus e ela entrou num Uber com destino ao outro lado da cidade, para a reunião com a equipe dos óculos. Em menos de quinze minutos, eu já estava na minha estação final. Desci e dei uma volta no quarteirão, conseguindo encontrar o Pub que Sam havia falado. Entrei e logo avistei uma mesa com Charlie, Sam e mais alguns fotógrafos que eu não conhecia.
- Olha ela! - Charlie deu um gritinho, visivelmente queimando a largada com a bebida - Vem pra cá agora, que temos muitas fofocas!
- Charlie, hoje é segunda! - fiz piada.
- Eu não trabalho amanhã! - Ela levantou o copo com o drink e gritou "uh uh", o que fez a mesa inteira começar a rir.
- Quais são as fofocas? - sentei na mesa e Sam me entregou um copo de cerveja.
- Vamos começar pelo começo! - ela levantou e sentou de frente para mim - De onde você conhece Emily Spencer?
- Quem? - olhei confusa.
- Emily Spencer, Victoria Secrets.
- Não conheço, ela trabalha na Victoria Secrets? - todos da mesa começaram a rir.
- Você tá se fazendo de besta ou realmente não sabe quem ela é?
- Nem ideia, eu deveria saber? - tomei um gole da minha cerveja.
- Ela é um dos anjos da Victoria Secrets, um anjo oficial que desfila com asa e tudo mais.
- Menina, eu nem sequer tenho uma calcinha da Victoria Secrets, quem dirá conhecer anjos. - Dei uma risada.
- Pois ela te conhece. - Sam fez uma cara engraçada arregalando os olhos - Não só te conhece, como aparentemente tem alguma obsessão com você.
- É o que? - eu dei outra risada - Me conhece de onde?
- Bem, ela estava hoje no ensaio, e como me viu com você, perguntou se você era realmente "a" .
- A ? - outra risada escapou de forma espontânea - Você querendo me zoar, Sam? Eu não estou entendendo nada.
- Menina, ela estava insuportável, assim, ela geralmente é insuportável, mas hoje estava pior. Ficou querendo saber de você, o que fazia, quantos anos tinha, o que comia, como vivia...
- Que maluquice. Eu não sei nem quem ela é!
Charlie pegou o celular e me mostrou uma foto na pesquisa do Google imagens. Na mesma hora eu reconheci como a modelo que estava me encarando.
- Ela me encarou hoje na redação, antes de vocês saírem. - Dei um leve grito quando percebi - Meu Deus, como essa mulher sabe quem eu sou?
- Não faço ideia, . Mas ela está realmente interessada em você.
- Vai ver ela se apaixonou por você. - Charlie sentou do meu lado e largou o copo de drink sussurrando - Modelos adoram essas coisas de meninas com meninas, sabia?
Dei uma risada do sussurro.
- Bem, ela não é meu tipo, e achei meio esquisito ela saber quem eu sou.
- Vamos ter que investigar. - Sam falou fazendo uma pose de Sherlock Holmes, com um cachimbo imaginário. Até que ela fez uma cara diferente e deu um grito - Ah! Como somos idiotas!
Charlie e eu olhamos com cara de interrogação para Sam.
- Como eu não pensei nisso antes? - ela deu um tapa na testa - Harry!
- Harry o que? - falei.
- Harry Potter? - Charlie já estava em outro planeta - Eu adoro Harry Potter!
- Styles! - Sam riu e jogou um porta copo na Charlie. - Harry Styles! Ela deve estar envolvida com o Styles, ou ela é fã do Styles e por isso sabe quem você é!
- Você acha?
- Pergunta para ele! Quem sabe assim a gente não descobre. Se não for ele, voltamos à estaca zero.
- Tá, amanhã eu pergunto e digo a vocês.
- Ótimo, agora vamos, por favor, alcançar o nível da Charlie? – Sam pegou duas doses de tequila e me entregou uma. – Pode virar, meu bem, hoje todo mundo vai para casa carregada.
- Você é louca, Sam. – Tomei minha dose, mas me mantive tranquila, afinal eu teria que trabalhar no dia seguinte. Continuamos falando sobre teorias da conspiração e como afastar modelos do nosso pé.
- Acho que se você fizer uma roda de McDonald’s ao seu redor, ela não chega nem perto. – Charlie seguia com conselhos malucos devido a bebedeira. – Se bem que, pelo tanto que ela é magra, estaríamos fazendo um favor jogando Mcdonald’s nela.
- Você falou em fazer um círculo e não jogar comida nela. – falei rindo.
- Podemos fazer os dois! – ela passou a mão no pescoço de um cara da mesa ao lado que estava flertando com ela há algum tempo. – Você também acha as modelos da VS muito magras? – e então engatou numa conversa sem pé nem cabeça com o pobre cara.
Depois de um tempo, concordamos de não falarmos mais em Harry, modelos ou trabalho. No fim das contas, Gemma conseguiu chegar a tempo e aproveitamos bastante o restante da nossa noite. No caminho para casa, contei para Gemma da Emily e ela também achou que poderia ser algo ligado ao Harry. Combinei de mandar uma mensagem para ele e deixaria Gemma informada da resposta.
Quando finalmente me deitei na minha cama, senti o meu quarto girar levemente. Estava ligeiramente bêbada, mas ainda tinha certo controle acerca dos meus atos. Resolvi mandar logo a mensagem antes que perdesse o efeito da bebida e resolvesse que não seria uma boa ideia. Nem sequer pensei, apenas enviei a pergunta.

"Você conhece alguma Emily Spencer?"

Aguardei um pouco, nenhuma resposta, resolvi que deveria ir dormir, provavelmente de manhã eu teria algo.


Capítulo 23

Mike’s POV.

Havíamos acabado de desembarcar em Dallas. Daqui em diante seguiremos viagem no ônibus da turnê até o estado de Washington, depois pegaremos um avião para Califórnia. Faltavam apenas 22 shows para acabar, estava tão próximo de acabar, mas o sentimento de todos era de como se ainda faltassem 80. Harry estava emocionalmente e fisicamente mal, as mudanças de clima intensas na América do Sul e o ocorrido no México tinham deixado a situação um pouco pior. O pessoal da banda e os doces da tinham ajudado até certo ponto, mas eu precisei confiscar o celular dele por algumas noites. Eu sabia que se ele acabasse mexendo com qualquer coisa de mídias sociais naquele momento seria mais difícil de resolver, tudo que eu não queria era que ele continuasse tendo recaídas com crises. Harry não gostava tanto assim de mexer no celular, então não reclamava quando eu confiscava suas tecnologias, se ele estivesse com alguns livros bons para ler, ficava tudo bem. Diferente de mim, quando acaba a bateria de qualquer um dos meus eletrônicos, entro em surto. Depois de pousar, saímos do aeroporto e o levei direto para um médico, ele ainda tossindo bastante. Até aquele momento, se não estivesse em cima de um palco, estava proibido de falar. Durante a consulta, deixei que ele entrasse sozinho, mantive todos os celulares comigo para o caso de alguém ligar. Anne provavelmente ligaria em breve, eu tinha mandando o itinerário da viagem e ela estava bem preocupada com o filho. Gemma estava brava com tudo relacionado ao México, me falou na última ligação que deixaria de comer torradas com abacate só porque parecia guacamole. Ela era uma boba, mas entendia muito bem as dificuldades relacionadas à ansiedade e pânico que Harry tinha.
Ele ainda estava no consultório quando eu senti o celular pessoal dele vibrar. Achei que pudesse ser sua mãe e fui direto para as mensagens. Era uma mensagem da , perguntando sobre a Emily. Que diabos? Respondi rapidamente, Harry não podia ficar preocupado com isso, não agora. A imunidade dele já está baixa o suficiente, lidar com Emily não ia ajudar em nada.

“Oi, prioridade!”

Eu sabia que ela me identificaria de cara com esse apelido. Eu estava utilizando isso para falar dela sempre que postava algo nas minhas redes sociais, começou para evitar que as desavisadas ficassem procurando pelo perfil dela, mas agora era só piada, já que todo o mundo já devia saber até o nome do hospital que ela nasceu à essa altura.

“Mike? Você está com o celular do Harry ou eu mandei mensagem no lugar errado? Haha”

“Estou com celular do Harry. Ele está em uma consulta e não está podendo conversar, quando sair vou levá-lo para repousar no hotel, prometo que quando eu devolver o telefone peço para que te responda, pode ser?”

“Como ele está?”

“Vou te responder do meu celular, ok?”

Guardei o celular dele no bolso e peguei o meu.

“Ele está bem ruim, estava quase perdendo a perdendo a voz e ficou sem falar desde o último show, mas já está sendo atendido aqui no Texas. Acho que até amanhã na hora do show ele deve estar melhor.”

“Tomara que ele melhore rápido. Mike, você conhece essa Emily?”

“É a modelo da VS? Se for, só conheço de nome, nunca vi pessoalmente.”

Isso não era uma mentira, Emily era tão insuportável que não “tolerava” os “ajudantes” por perto, então ela nunca “tratava” nada comigo. Sempre teve acesso direto ao Styles. Acho que ela só falou comigo uma vez na vida toda e foi pra me pedir um café. Ela era o único rolo do Styles que ninguém suportava. Todas as outras pessoas que ele se envolvia costumavam ser, ao menos, educadas. Eu não sabia de onde o Harry tirava paciência para sair com essa modelo. Eu, Jeff, a banda e Anne tínhamos dificuldades sérias com essa moça, Gemma nem sequer a conheceu, senão provavelmente julgaria Harry eternamente. Me lembro que no dia que Anne a conheceu, ela fez um bico idêntico ao do Harry quando ele está incomodado. Elas se conheceram “por acaso”, mas tenho certeza que a Emily apareceu naquele restaurante de propósito. Alguns dias depois, todos os tablóides do Reino Unido falaram que Harry estava apresentando a namorada para a família. Eu reclamava diariamente acerca da modelo, porque achava que ela só queria atenção do Harry por conta da fama dele. Mas eu sou homem, sei que se uma mulher daquelas estivesse querendo meu corpo nu, seria difícil dizer não. É foda, a gente não vale nada mesmo. respondeu o sms rapidamente, me acordando do devaneio.

“Entendi…”

“Porque você está interessada nessa garota?”. Não me contive de curiosidade. Será que a Emily abordou ela de alguma forma?

“Na verdade, ela está querendo saber de mim. Por isso pensei que ela poderia ser alguém que conhece o Harry e ele pode ter falado algo de mim, sei lá. Não costumo ser reconhecida por gente famosa. Fora o Harry, né?”

“Olha, eu sei que ela conhece sim o Harry, mas não sei o nível de amizade dos dois… Não acho que ele comentaria nada, mas só ele vai poder te responder isso.”

Eu senti vontade de falar que os dois costumavam ficar juntos, mas isso não era da minha conta, Harry quem devia saber se ia ou não falar isso para . Não eu. Imagina se eu falo alguma coisa e estrago tudo? Mas que queria falar, ah, isso eu queria. Talvez, se não fosse o Harry, eu seria capaz de contar tudo. Caralho. Por que estou me deixando levar por essa menina? Eu não posso querer fazer joguinhos com isso. Porra.

“Verdade, bem, quando ele tiver melhor pede para ele me responder. Vou avisar pra Gemma que ele não está podendo falar, ela queria ligar pra ele hoje. Obrigada, Mike!”

“Pode deixar, quando ele estiver melhor eu devolvo os telefones e peço para que ele te envie a resposta, afinal, você continua sendo a prioridade número um, né? hahaha xx Mike”

Terminei de falar com na mesma hora que o Harry saiu do consultório com vários papéis na mão. Ele ia tomar algumas medicações na veia, mas podia conversar novamente. De acordo com o médico, a fase inflamatória já havia melhorado. Encarei, pensando se deveria ou não falar da conversa que acabou de acontecer. Eu ganhei tempo, não ia esperar por uma resposta por agora, mas será que Harry acharia que eu estava escondendo isso porque estou desenvolvendo sentimentos por ela? Não, ele não percebeu nada. Ninguém percebeu nada, e nem vai, eu nem estou gostando mesmo dela. Continuei minha batalha interna de convencimento. Eu não gosto da . Ela é só uma conhecida, nem minha amiga é.

- Que cara é essa? - Harry me olhou rindo antes de voltar a assinar algumas coisas para a liberação dos remédios. Ele parecia melhor e já estava podendo falar novamente, decidi contar da mensagem, estávamos numa clínica, era um ambiente adequado caso ele ficasse mal de novo. Eu não ia aguentar guardar isso mesmo.
- Aparentemente Emily e se conheceram.
- É o quê? - Harry virou rapidamente do balcão e me encarou. - Se conheceram onde? Como você sabe disso?
- te mandou uma mensagem. Mas eu acho que você pode deixar para ver isso depois, você precisa melhorar.
- Não, me dá o celular, quero ver agora. - Ele me olhou sério e estendeu a mão.
- Aqui. - Entreguei o celular dele para que pudesse ver a mensagem, ele fez uma cara muito séria quando terminou e viu que eu continuei a conversa no meu celular, entreguei meu celular já desbloqueado para que ele visse que eu não havia conversado nada demais com ela. Não preciso dele curioso acerca disso. - Como você pode ver, consegui ganhar um tempo para a resposta. - Ele leu rapidamente e me devolveu o celular.
- Obrigado. - Agradeceu - Mas acho que eu tenho que responder ela logo. Não sei o que a Emily pode ter falado. Como elas se conheceram?
- Responde ela então. Eu vou tentar puxar um papo logo depois e ver se descubro algo.
Fomos encaminhados para uma pequena enfermaria, não havia mais ninguém por lá, Harry sentou numa cadeira reclinável enquanto a enfermeira chegava com os remédios, sentei na cadeira ao lado. Ele escreveu uma resposta e me entregou o celular pedindo para que eu lesse e enviasse enquanto ele se concentrava para não puxar o braço na agulhada.

“Oi , saí do consultório, então Mike comentou que você havia me mandando uma mensagem, fiz ele me entregar o celular sob pena de demissão. Sobre sua pergunta, então, conheço sim a Emily, eu costumava sair com ela um tempo atrás, mas já fazem alguns meses que não a vejo. Não estamos juntos nem nada. x H.”

Em menos de um minuto respondeu a mensagem. Li em voz alta para ele.

“Oi Harry, ah, entendi, olha eu sei que isso soa como se eu estivesse pesquisando sobre sua vida, mas não é bem assim, tá? Só perguntei por “conheci” ela hoje na redação. Aí fiquei curiosa com o fato dela saber quem eu era. Espero que você esteja melhor, não se preocupe com isso.”

“Fique tranquila, se você quiser saber qualquer coisa da minha vida, pode me perguntar. x H.”

A última mensagem ele ditou para que eu enviasse, o remédio que estava correndo pelas veias dele havia deixado sua visão turva e ele não conseguia mais ler nada no celular.

- Ótima resposta. Agora fique tranquilo que eu vou descobrir todos os detalhes disso. - Falei e ele deu uma risada.
- Você é muito fofoqueiro. - continuou rindo - Mas descubra e me conte.
Troquei mais algumas mensagens com , dessa vez do meu celular. Descobri que Emily estava num ensaio com uma das fotógrafas e estava obcecada por . No final das contas, parecia apenas um leve ataque de ciúmes por parte da modelo, que viu e descobriu por quem havia sido “trocada”.
Harry estava meio mole por conta das medicações, suas pupilas estavam extremamente dilatadas, ele havia colocado os óculos escuros por conta da sensibilidade à luz. Harry deslizou levemente pela cadeira soltando um suspiro alto.
- Manda uma mensagem para a Emily, por favor? - ele falou olhando para o teto.
- Não acho que seja uma boa ideia, Harry.
- Eu preciso saber a versão dela dessa história. Por que diabos ela está importunando pessoas ligadas à .
- Eu acho, na minha humilde opinião, que você deveria ignorar isso.
- Não vou ignorar, manda uma mensagem, pode mandar direto do meu celular pessoal.
Levantei uma das sobrancelhas e peguei o celular, Harry era muito teimoso. Tenho quase certeza que a Emily fez isso para conseguir algum tipo de atenção e ele está seguindo com o plano dela.

“Oi, Em, tudo certo com você? Ainda está em Londres? H.”


- Você vai mandar só isso? - Suspirei enquanto ele balançava a cabeça positivamente. - Pergunta direto, Harry.
- Relaxa, eu sei lidar com a Emily, pode enviar. – continuei encarando ele por cima dos meus óculos e então enviei a mensagem. Rapidamente o celular dele piscou em minhas mãos. Ela tinha respondido.

“Oi H, tudo ótimo, estou aqui até o fim do mês, muitos ensaios marcados. Como você sabia que eu estava aqui?”


Harry me fez pesquisar na conversa com o nome da fotógrafa com quem Emily havia realizado o ensaio. Quando achei, ele ditou a seguinte mensagem:

“Ah, Sam me falou que tinha feito um ensaio com você recentemente, aí fiquei curioso, você raramente fica por Londres, não é?”

Dei uma risada, Harry realmente é esperto. Ele vai deixar Emily achando que a Sam quem falou com ele, e não a . Ele realmente não precisava da minha ajuda para lidar com mulheres. Talvez eu quem precise da ajuda dele.

“Sam? Não me lembro dos nomes de quem me fotografou esses últimos dias, você tem perguntado de mim para fotógrafas é? Podemos nos ver se você estiver com saudades xxx”



“Longe disso, nossa última conversa ainda prevalece, é só porque Sam me relatou que você estava bastante interessada na melhor amiga da minha irmã. Estou tentando entender até agora o motivo, na verdade.”

Demorou menos de um minuto para o celular dele começar a vibrar novamente. O número da Emily apareceu na tela. Eu comecei a rir. Harry olhou por cima dos óculos escuros e me encarou sorrindo.
- Eu disse que sabia lidar com ela… - puxou os óculos para cima como uma tiara e sentou corretamente na cadeira. Aparentemente o efeito de sensibilidade à luz havia passado.
- Você vai atender? - perguntei ainda segurando o celular nas minhas mãos. - Ou quer que eu atenda? Ela ia odiar ter que falar comigo. – falei rindo.
- Ainda não é sua hora, meu querido aprendiz. - Ele fez uma careta e riu. - Pode ignorar. Manda outra mensagem.

“Não posso te atender agora, estou muito ocupado. Você não está realmente acreditando em tabloides, não é? Eu achava que você era melhor do que isso, Em. Estou realmente desapontado. Por favor, respeite a privacidade dos meus amigos e familiares. Até mais. H”

Esperamos alguns minutos e nenhuma resposta. Emily devia estar louca da vida e como Harry é esperto, ela estaria puta com a fotógrafa, não com .
Ele estava começando a ficar mais disposto, a medicação estava praticamente acabada. Em poucos minutos, uma enfermeira apareceu e tirou o acesso do seu braço. Ele agradeceu e pediu por um band-aid decorado. É engraçado como cinco minutos atrás ele estava completamente engajado em deixar uma modelo louca e no seguinte agiu como uma criança boba. É complicado querer entender a mente de Harry Styles.

xxx


Acordei cedo como de costume e fui direto até o quarto de Harry, precisava verificar se ele realmente estava melhor para o show daquela noite. Dei uma olhada na agenda, ele deveria estar no ensaio às 10:00h.
Cheguei no quarto, Harry estava bem mais disposto, os remédios parecem ter feito ação da forma esperada. Ele estava vestindo somente uma bermuda preta e uma faixa branca, com alguma coisa escrita em japonês, estava amarrada na sua cabeça. Havia um carrinho cheio de frutas próximo à sua cama, o cooler onde estavam os doces que tinha mandado estava vazio ao lado dele. Harry estava segurando duas bananas, uma em cada mão.
- Bom dia, Mike, você acha que eu tenho tempo para ir na academia? – Harry mordia uma banana de cada vez e eu soltei uma risada.
- Você tem mais ou menos uma hora livre, temos que sair às 09:40h no máximo. Às 10:00h tem a passagem de som no palco.
- Perfeito, eu já tomei café e comi todo o restante dos doces que a mandou. - ele deu uma risada e colocou uma blusa da Nike. - Vou dar só uma corrida, e podemos ir para o local logo depois.
- Tá certo. Novidades da Emily?
- Ela me mandou uma mensagem ontem de noite, mas não respondi. Mais tarde eu atendo alguma das ligações dela ou algo assim.
Ele colocou apenas o celular pessoal no bolso e me entregou o de trabalho. Saímos juntos do quarto, ele foi para a academia e eu desci para preparar o carro e o motorista para a saída. Aproveitei para verificar o perímetro, mas aparentemente as fãs estavam dando mais espaço para ele depois do acontecido no México ter chegado até a mídia.
Foi tranquilo de organizar a saída, não tinha ninguém por perto do hotel, então não precisei de grandes maluquices. Eu estava tão ocupado com várias pequenas coisas que, quando me dei conta, já era hora de sair. Dei um toque no celular dele e pedi que descesse. Fomos até o local do show, Harry fez a passagem de som e quando terminamos, Jeff pediu para que ficássemos pelo local. Aparentemente, algum problema por perto do hotel podia fazer o trânsito ficar muito parado, então não podíamos arriscar perder o horário na volta. Ninguém se opôs, montamos uma mesa de ping pong e Harry anunciou que ninguém seria capaz de ganhar dele. Mitch foi o primeiro a ser desafiado. Eles estavam jogando apostando peças de roupas. Eu não entendia a necessidade que o Harry tinha de ficar praticamente nu em todos os lugares. Novamente, ele tem uma mente difícil de entender. Mitch estava apenas de calça Jeans, Harry usava meias, cuecas e o seus óculos de sol. Hélène estava fotografando o jogo e rindo da situação, Harry e Mitch eram péssimos.
Algum tempo depois tive que cortar o barato e mandar todo mundo para os camarins, eles precisavam começar a se arrumar para o show. Assim que Harry colocou a calça que usaria para o show, o telefone pessoal dele começou a tocar. O nome Emily piscava na tela.

- Acho que agora já posso atender. - Ele disse dando um meio sorriso e então pegou o telefone. Vi um sorriso torto aparecer na sua boca quando ele se virou para mim de repente. - Na verdade, você atende, Mike. Fala que esse não é meu telefone pessoal e pergunta se pode ajudar. Dei uma risada, peguei o celular dele e atendi. Eu estava adorando fazer isso com ela, só porque ela costumava ser horrível conosco.
- Alô. - falei com o maior sotaque americano que um alô poderia fazer.
- Quem está falando? - ela respondeu confusa.
- Você gostaria de falar com quem? – respondi curto e grosso.
- Esse não é o telefone do Harry?
- Ah sim, sou o assistente pessoal dele, Michael. Quem fala? Como posso te ajudar?
- Eu gostaria de falar com o Harry, esse não é o número pessoal dele?
- Olha, meu bem, o telefone pessoal do Harry não é divulgado para pessoas de fora. Até agora não sei quem está falando, por favor se identifique antes que eu perca a minha paciência. Esse telefone não dá acesso ao Harry, você está soando como uma fã. - Harry ria junto com Mitch, que pedia por mais "sangue nos olhos", pelo que eu consegui entender das mímicas. Mitch também não gostava da Emily. E uma coisa é certa, se o Mitch não gosta de alguém, esse alguém boa pessoa não é.
- Eu sou Emily Spencer, não sou uma fã. Você pode me fazer o favor de passar para o Harry? Ele sabe quem eu sou. Você provavelmente vai acabar perdendo o seu emprego tratando amigos íntimos dele desta forma.
- Olha, senhorita Spencer, - fingi educação - Harry costuma passar o telefone pessoal dele para os amigos íntimos. E o seu nome não está na minha lista atualizada de pessoas que têm acesso a ele. Se você quiser de tratar algo relacionado a alguma entrevista ou agendamento, esse número é apenas para isso. Estamos em turnê e a agenda dele só tem vaga para novembro. Para outras coisas, infelizmente não posso te ajudar no momento.
- Eu preciso falar com o Styles agora. – ela tentava manter a voz baixa, mas eu conseguia sentir a raiva dela pelo telefone.
- Tá certo, vou passar o recado para ele. Mais alguma coisa? - Eu comecei a rir da cara de felicidade de Mitch. Harry estava se arrumando e nem prestava mais atenção na conversa.
- Você é um estúpido. Qual é mesmo o seu nome? Assim que eu conseguir falar com o Harry você já era, escreve o que eu estou dizendo.
- A senhorita não precisa ficar nervosa, estou apenas fazendo o meu trabalho. Posso ajudar em algo mais?
Ouvi ela dar um grito e então desligar o celular na minha cara.
- Isso foi maldoso demais. - Mitch falou apertando meus ombros com suas duas mãos, quase fazendo uma massagem - Adorei, continue assim.
- Ela não decorou sequer o meu nome. Quando ela for reclamar para você, Harry, vai falar "aquele seu assistentezinho". - fiz uma careta - Mas tá, agora ela acha que o seu telefone pessoal é o de trabalho. Por que isso mesmo?
- Ah, quero que ela pare de me ligar, já me encheu o saco. - Harry estava abotoando a camisa. - Amanhã a gente pensa e manda uma mensagem para ela, falando que estou indisponível para ela no momento. E que pedi para avisar que ela deixasse minha família em paz. Não quero ela enchendo o saco da ou qualquer coisa assim.
- Você acha que ela vai parar?
- Bem, ela provavelmente vai ficar cada vez mais brava, talvez reclame de mim na internet, mas eu já estou acostumado. Só não quero ela importunando Gemma ou .
- Eu te disse para não ficar com ela desde o início. - Mitch lembrou o conselho que todos os seres pensantes falaram meses atrás. - a pobre modelo está apaixonada e você nem percebeu.
- Ela não está apaixonada por mim, Mitch. - Harry falou colocando o restante do terno rosa e se olhando no espelho pra arrumar a corrente que estava enrolada no seu pescoço. - Ela está deslumbrada pela minha fama e o que isso pode gerar para ela. - Ele jogou um pedaço do cabelo para trás, colocou os fones do retorno no ouvido e ajustou os fios.
Era bizarro o tanto que ele conseguia ser frio e racional em alguns momentos. Durante muito tempo, na época da banda, Harry se deixava levar por muita coisa. Ele aprendeu da pior maneira que nem todo mundo é realmente seu amigo nesse mundo de fama. Mas apesar disso, ele nunca tinha me pedido para fazer nada deste tipo. Os produtores apareceram e falaram que eles deviam se dirigir para o palco. Harry estava quase saindo quando meu celular começou a tocar bem alto. O nome "Prioridade HS - " piscou na minha tela, eu pude notar ele encarando o celular, que estava na mesa de centro.
- está te ligando. - Ele falou e parou de andar - Será que aconteceu alguma coisa?
Peguei o celular para atender, ele ainda estava me encarando, mas foi obrigado a sair e correr para o início do show. Eu percebi que ele estava preocupado e até meio enciumado pelo fato dela ter ligado direto no meu telefone.
- Vou atender aqui, quando o show acabar te conto o que foi. Não deve ser nada demais.
- Será que a Emily aprontou alguma coisa?
- Harry, você precisa entrar agora. – Uma pessoa da produção pegou ele pelo braço e pediu que ele entrasse.
A tela estava prestes a iniciar sua subida e ele ainda não estava no centro do palco. Atendi o telefone assim que ele virou as costas e subiu para o show. Eu me sentia um merda, mas estava gostando do fato dela estar me ligando e falando comigo o tempo todo.

xxx


Eu estava no camarim resolvendo algumas coisas no e-mail e conversando com Hélène, que tinha voltado para trocar o cartão de memória da máquina antes de retornar ao palco para fotografar o restante do show, quando de repente Harry aparece correndo. Olhei para trás assustado.
- Pausa pro banheiro? – Hélène deu uma risada pela correria dele.
- Não consigo me conter de curiosidade. Eu não estou me concentrando no show - ele deu uma risada, Harry realmente era muito curioso, mas eu nunca tinha visto ele sair no meio de um por conta de curiosidade. - O que aconteceu com a ? - ele parou do meu lado, estava bastante suado, então pegou uma toalha na mesa e começou a secar enquanto aguardava minha resposta.
- Ah, nada demais, de verdade era uma bobagem. – falei ainda sentado tentando desconversar. Ele continuou me encarando e tive que explicar. - Quando fui com ela lá na casa Chad, em Manchester, nós saímos para comer pizza num restaurante que se chama Rudy’s, hoje ela achou a mesma pizzaria em Londres.
- Ela te ligou só pra isso? - eu não sabia dizer se ele estava desapontado, bravo ou com ciúmes. Olhei para ele sem saber o que falar.
- Harry, - Aaron, da produção apareceu - você tem 30 segundos para voltar antes do início da próxima música. Não me faça te arrastar.
Ele deu um último suspiro e voltou para o palco.
- Qual é o seu problema, Mike? – Hélène colocou a câmera na mesa.
- O que eu fiz?
- Você tá gostando dessa menina também?
- O que você está falando? - arregalei os olhos e acho que até meu coração começou a bater mais rápido. ‘Eu não estou gostando dela’ repeti isso na minha cabeça para tentar reafirmar.
- O Harry está insuportavelmente apaixonado por ela e você está recebendo ligações aleatoriamente sobre o dia dela.
- Mas ele quem falou que eu devia atender todas as ligações dela e…
Ela me interrompeu arregalando os olhos como se tivesse percebido o óbvio.
- Você tá gostando dela? Ai, meu Deus!
- Eu não estou gostando dela, de onde você tirou isso? - pelo visto não estava conseguindo nem mesmo me enganar. Puta que pariu, eu não posso gostar dela.
- Se você não está gostando dela, então você está sendo um babaca com seu chefe e amigo.
- Você acha que ele ficou bravo comigo por isso?
- Ele com certeza ficou com ciúmes. Você está recebendo ligações pessoais da menina que ele gosta. Quantas vezes ela ligou para ele nesse tempo?
- Acho que teve uma ou duas vezes que eles se falaram por telefone.
- Mas foi ela quem ligou para ele? Porque pelo que eu me lembre, das nossas conversas, você ligou para ela e passou para ele.
- Mas ela queria falar com ele.
- Ué, ele pode interpretar como ela fazendo só um favor. Mas para você ela liga por vontade própria, entendeu?
- Puta merda. O que eu faço? Eu não quero que ele pense que eu gosto dela!
- Não sei, mas você tem que resolver isso até o final do show. A fotógrafa saiu rindo, me desejando boa sorte, eu realmente ia precisar.


Capítulo 24

’s POV.

Acordei muito cedo, Gemma estava completamente apagada no quarto dela. Fiz o café da manhã, deixei panquecas, café e um suco prontos para quando ela acordasse. Resolvi sair mais cedo para a redação, queria caminhar até lá, curtir um pouco a cidade. Eu ainda não tinha aproveitado nada, só estive envolvida em dramas desde que pisei aqui, tudo por culpa do Chad. Por mais que tentasse, eu não conseguia parar de pensar nele. O que ele estava fazendo? Será que ele sentia minha falta também? Entrei numa banca de revistas para matar o tempo, lá encontrei um exemplar da Another Man com minha reportagem de capa. Comprei uma e saí folheando o exemplar, então comecei a pensar em Harry, inevitavelmente. Eu queria entender de verdade o que eu estava sentindo por ele. Tinha horas que eu pensava nele sem parar, e outros momentos não. Eu fico sentindo como se tudo que aconteceu naquela semana tivesse sido um sonho distante. Não tenho sequer coragem de ligar para ele sem ficar nervosa. Nos falamos nos últimos dias por conta de uma situação de merda, geralmente eu sou boa com esse tipo de situação, mas agora passou e eu não consigo ligar para ele para saber como ele está ou qualquer outra coisa. Isso é uma maluquice, eu beijei Harry. Não, muito pior, a gente transou. Porque estou com esse bloqueio de falar com ele? Eu não devia ter feito nada. Merda. Não sei o que eu faço e minha cabeça fica voando o tempo todo de volta para o idiota do Chad. Suspirei. Desci as escadas do metrô e apertei play no meu celular sem olhar se o app estava aberto. Meu celular ficou mudo por alguns segundos e então começou a tocar aleatoriamente a gravação da entrevista. Ouvi a voz de Harry conversando comigo e fazendo piadas, comecei a sorrir enquanto esperava meu trem. Acho que se nós tivéssemos a oportunidade de nos vermos mais uma vez, igual em Holmes, talvez eu conseguisse finalmente tentar entender o que estava sentindo. Agora não tinha mais Chad, será que eu conseguiria me permitir?
Segui ouvindo nossa conversa até chegar na redação. Como ainda estava bastante cedo, sentei no meu cubículo, abri meu caderno e comecei a escrever todas as minhas confusões mentais até que finalmente mais gente começou a chegar.
Sam chegou cedo, ela teria mais algumas externas com as modelos, incluindo a minha “fã”, como agora ela denominava Emily. Só que dessa vez, eu não teria a chance de vê-la. As modelos já estavam na locação, Sam só veio até a redação porque precisava buscar alguns cartões de memória que havia esquecido na tarde anterior, ela chegou e saiu correndo. Fiquei rindo da cara dela quase caindo com os equipamentos que veio buscar.
Mark chegou junto com Gemma.
- Preciso de você na minha sala, Rangel.
Levantei e fui seguindo Mark até a sala. Ele chegou jogou a bolsa e o casaco por cima da mesa.
- A diretoria está muito feliz com o desempenho da sua entrevista. Eles querem que você cubra a West End Festival, vai ser em Glasgow semana que vem. Liberamos o orçamento para dois repórteres e dois fotógrafos. Como você se deu bem na capa e nas vendas, vou deixar você escolher quem vai com você.
- Meu Deus, muito obrigada pela oportunidade, Mark.
- Você conseguiu isso com seu mérito, eu sei que você vai chamar a Gemma, e não tenho restrições quanto a isso. Sobre fotógrafos, se você puder escolher pessoas aqui da redação, fica mais vantajoso para nós. Mas você tem carta branca para chamar alguém de fora, como aconteceu no ensaio do Styles.
- Tá bem, vou organizar tudo. Quando devo te entregar o relatório?
- Hoje, até às 15:00h. Amanhã liberamos tudo e na sexta vocês viajam para a Escócia.
Saí da sala quase dando pulinhos de empolgação. Fui até a mesa de Gemma com um sorriso gigantesco.
- Obrigada pelo café da manhã! - ela falou enquanto eu me aproximei - Estava bem gostoso.
- De nada! - dei um sorrisinho tentando segurar as novidades - Você gosta da Escócia?
- Escócia? Só fui lá uma vez na verdade, acompanhando o Harry na época 1D.
- Você conhece o festival West End?
- Mais ou menos, sei só que tem de tudo...
- Pois então, Mark acabou de me designar para fazer a cobertura de todo o evento durante uma semana em Glasgow.
- Que máximo, parabéns, !
- E tem mais, eu tenho que levar mais uma repórter comigo. Não sei quem eu chamo… - fiz um charme enquanto ela arregalou os olhos e começou a pular comigo.
- Nós vamos pra Escócia juntas?! - ela deu um grito e me abraçou - Vai ser incrível!
- Eu preciso escolher também duas fotógrafas.
- Samantha e Charlie?
- Foi bem quem eu pensei mesmo!
- Isso vai ser o máximo! - ela repetiu e começou a falar rápido sobre tudo que faríamos, que seria incrível e que ela iria despistar o Mike para poder ir de trem.
Mark viu a nossa empolgação e cortou um pouco do nosso barato mandando nos controlarmos antes que ele mudasse de ideia. Sentei à minha mesa e comecei a organizar todas as coisas para entregar a ele. Mandei mensagens para Sam e Charlie, ambas aceitaram no mesmo instante. Essa viagem seria sensacional.

xxx


Eu preparei tudo para entregar ao Mark e fiquei boa parte da tarde estudando sobre o festival e todos os tipos de eventos diferentes que iríamos cobrir. Estava desligando o computador quando Samantha chegou correndo até a minha mesa.
- Para tudo! - Encarei com a cara assustada, Sam estava respirando fundo, provavelmente tinha corrido do elevador até aqui. - Ainda bem que você ainda está aqui. A gente precisa conversar agora! - Ela olhou para os lados. - Mas não aqui, vamos para minha casa ou para sua. Precisamos de um ambiente seguro!
Eu já estava conhecendo bastante Sam e sabia que ela podia ser muito dramática, só perdia para a Gemma nesse quesito. Talvez nem fosse algo muito sério, dei uma risada e disse que eu poderia ir com ela, mas que lá em casa teríamos Michal e Gemma.
- Vamos para minha casa então. – ela continuava olhando para os lados.
- Tá tudo bem? Você está esquisita.
- A gente conversa em casa. – saímos correndo da redação, quase não consegui guardar minhas coisas na bolsa.
Fomos até a estação de metrô com ela me puxando para andar mais rápido, sempre que eu tentava puxar assunto, ela dizia "em casa a gente conversa." Eu já estava ficando brava de tão curiosa. Depois de um tempo no metrô, percebi que finalmente chegamos. Samantha morava num pequeno studio em Kilburn. Ela tinha uma sala/quarto, uma cozinha separada e um banheiro, simples, mas tudo muito bem decorado. A região era extremamente nobre, muito próxima do apartamento que eu morava com Gemma. Mas se fossemos comparar o apartamento da Gemma com o studio da Sam, conseguíamos ver a diferença de se ter um irmão milionário sem dificuldades. A parede ao lado da cama estava coberta de fotografias, muitas de paisagens e outras de pessoas, que eu imaginava que fosse alguns familiares pela semelhança com ela, posando.
- Ah, são meus irmãos e meus pais. - Ela falou ao me ver olhando as fotos. - Tem uma da Gemma por aí também, acho que ali do lado. - Ela apontou para um dos cantos e eu encontrei uma foto bastante espontânea dela.
- Suas fotos são muito boas, Sam. - Falei sorrindo.
- Eu tento pegar as pessoas desprevenidas, essas são as minhas favoritas.
- Tá, agora você pode me falar o que diabos aconteceu? - Sam afastou algumas almofadas da cama e disse para eu me sentar, foi até a cozinha e buscou duas cervejas. Me entregou e então sentou ao meu lado.
- Sabe a sua fã?
- Minha fã da Victoria Secrets? - dei uma risada - Sei sim, o que ela aprontou hoje?
- Pois bem, hoje durante o ensaio ela me chamou para conversar à sós. - Fiquei calada e aguardei Sam continuar a história. - Pois bem, eu estava lá, na minha, e a modelo me chamou, então eu fui. Nós estávamos no Regent Park, então não tinha um lugar de portas fechadas nem nada. - Concordei com a cabeça. - Nos afastamos um pouco do pessoal e ela veio 'Desde quando você conhece o Styles?'. - Eu dei uma risada com ela imitando a voz da modelo de uma forma anasalada.
- Ela perguntou isso? E você respondeu que não conhecia?
- Bem, eu não nasci ontem, e percebi que ela tinha certeza da informação. Então resolvi entrar no jogo dela e tentar descobrir o que diabos estava acontecendo.
- Você falou que conhecia ele?
- Falei assim: 'E desde quando te interessa quem é meu amigo ou não?'.
- Que audácia! - Dei uma risada e tomei mais um gole da cerveja - Ela te xingou depois disso?
- Ela ficou vermelha, mas continuou: 'Bem, Harry me contou que você foi reclamar para ele que eu estava perguntando da melhor amiga da irmã dele. Por que você fez isso?'. – eu ria com a voz boba que ela utilizava.
- Ela falou com Harry?
- Falou e ele falou que euzinha aqui sou amiguinha dele!
- Continua, o que você respondeu? – minha risada continuava.
- Ah, meu bem, você me conhece, eu adoro um barraco.
- Ai, meu Deus, Sam, o que você falou?
- Falei: 'Srta. Spencer, minha amizade com o Harry é antiga, a gente conversa sobre tudo. É claro que eu ia comentar com um dos meus melhores amigos que uma modelo aleatória estava interessada na família dele'.
- Melhores amigos?! Sua louca! Chamou a "anja" de aleatória! Continua. - Dei uma risada.
- Nessa hora ela já estava vermelha, menina! Aí começou a apertar as mãos e falou assim: 'Ah, quer dizer que você é outra das meninas que ele come por aí então. E, meu bem, não é da família dele. É só amiga da Gemma'. E eu respondi: 'Eca, eu nunca transaria com o Harry, ele é tipo meu irmão.' - Eu dei uma risada alta.
- Ah tá! Você estava se oferecendo para ficar nua perto dele esses dias, Sam.
- Mas a modelo não precisa saber disso. - Ela riu. – Peraí que eu falei mais depois daquilo, foi assim: 'E se você não sabe que ele considera família, você realmente não conhece o Harry tão bem como pensa.' - Ela tomou mais um gole da cerveja - Ela virou as costas para mim, lembrando que ela estava apenas de calcinha, sutiã e saltos, e saiu marchando de volta até o set de fotografia. Foi uma cena e tanto. – ela olhou para o nada como se estivesse relembrando enquanto ria.
- Você é uma louca! - Eu também ria, mas estava preocupada. - E agora? E se ela resolver atacar a gente? E se ela atacar o Harry?
- Será que ela realmente falou com o Harry? Liga para ele e descobre isso. Vou pedir uma pizza pra gente!
Ela levantou da cama e foi até uma mesinha que ficava bem de frente. Discou um numero e começou a falar com o atendente. Eu pensei em ligar para Harry, mas ele estava se recuperando da doença dele. Melhor falar com o Mike, não tem porque eu estressar Harry com essa bobagem. Mike poderia me ajudar.
- ? - Mike me atendeu.
- Oi, Mike, tudo bem?
- Tudo certo, como eu posso te ajudar, prioridade? - Mike estava meio esquisito, ou era apenas impressão minha? Ele parecia desanimado. Talvez seja o cansaço, nem sei que horas eram por lá.
- Já deu essa história de prioridade, já me basta seu Instagram. – ele deu uma risada de leve. - Então, sabe a Emily? Ela meio que colocou Sam contra a parede hoje.
- Ai, meu Deus! Eu sabia que isso ia acontecer, a Sam falou que não conhecia o Harry?
- Jamais, ela não só falou que conhece, como ainda fez o favor de falar que eu era família para os Styles. - Ele deu uma risada.
- Que bom que ela manteve a história então, Emily ficou muito brava?
- Aparentemente sim. Você acha que ela pode fazer alguma coisa para atingir o Harry?
- Bem, ela provavelmente vai espalhar por aí que saiu com ele algumas vezes. Mas acho que nada além disso.
- Entendi. - Pensei na Emily, inevitavelmente, olha o tanto que ela era bonita. Harry saiu com ela, algumas vezes, esse era o padrão dele. Eu realmente estava fora do perfil. Percebi que estava ficando meio triste e resolvi mudar de assunto completamente. - Ah, nem te falei.
- O quê?
- Eu estou indo para Escócia cobrir um festival na semana que vem!
- Que legal, , fico feliz por você. - Percebi que ele estava meio incomodado de conversar comigo, por algum motivo, parecia querer que a ligação terminasse. - Você já falou isso para o Harry? Ele vai adorar saber.
- Não falei, eu tô evitando falar com ele enquanto ele está doente. Não quero preocupá-lo com bobagens... Você pode comentar com ele para mim.
- Harry já está 100% recuperado, eu acho que seria melhor ele saber das suas novidades diretamente de você do que por mim.
- Sabe o que é, Mike? - falei meio constrangida - Eu estou com vergonha de falar com ele. - Dei uma risada. - Patético, eu sei, mas a gente não conversou direito mais nenhuma vez desde que ele foi embora de Holmes. Só nos falamos quando ele estava doente, e eu acho que nem contou.
- , - Mike começou sério. - Harry se importa demais com você, de verdade, ele só fala de você o tempo inteiro. Liga para ele, você vai ver que não tem porque ficar assim.
- É, você tá certo, eu estou muito maluca ultimamente.
- Vai ficar tudo bem, boa noite para você. Liga para ele. Beijos, prioridade.
- Beijos, Mike.
Sam já havia desligado o telefone e estava na cama mexendo no celular quando eu desliguei a chamada com mike.
- Por que você está com vergonha de falar com o Styles? Vocês não são amigos a vida inteira?
Respirei fundo.
- Olha, você promete guardar segredo de tudo que eu falar aqui?
- Sam arregalou os olhos e disse que sim. Então eu contei tudo que havia acontecido comigo e Harry na semana que nos vimos. Falei da minha confusão de sentimentos e tudo mais. Falei do beijo e do sexo. Expliquei que Gemma sabia de tudo isso, mas que eu não conseguia mais falar com ela sobre Harry, porque ela dizia que não, mas parecia que queria que nós dois ficássemos juntos para ontem e eu nem sequer sabia o que eu estava sentindo ao certo.
- Caramba. - Ela terminou a cerveja que estava tomando. - Mas olha só, aconteceu isso tudo e ele deu um pé na bunda dessa modelo. Ao meu ver, parece que ele está mesmo gostando de você.
- Mas você olhou para ela, Sam! Você tirou fotos dela, só de calcinha e sutiã. Eu não posso competir.
- Baby, ela já está fora da competição. Você não percebeu que ela tá fula da vida porque o Harry te escolheu?
- Mas a gente nem sequer conversa mais, Sam.
- Você que não tem ligado para ele. Já contou sobre o Chad para ele?
- Não diretamente.
- Então! Ele nem sequer sabe que você terminou com o Chad!
- Ele sabe, Gemma contou para ele.
- Mas você não contou. Ele deve estar achando que você é quem não quer nada com ele, .
- Eu não sei o que eu quero! - Me joguei na cama dela com o rosto para baixo.
- Você não precisa casar com ele hoje. Mas pode tentar pelo menos recuperar o contato. Quem sabe quando vocês puderem se ver você já não vai saber o que sente?
- Você é muito sensata. Por que eu estou tão emotiva nos últimos meses? Eu não era assim.
- , você ainda está meio de luto por conta do seu relacionamento com Chad. É normal se sentir assim.
Dei um meio sorriso, nossa pizza chegou e, enquanto comíamos, eu decidi que ligaria para o Harry assim que acabássemos de comer, ainda hoje. Eu não podia ficar evitando-o para todo o sempre.


Capítulo 25

Harry’s POV.

Eu mal tinha superado os ciúmes malucos que tive em Dallas, e, quando estava terminando de me vestir para o show na Philadelphia, descubro que Mike e estavam novamente conversando no telefone. Dessa vez Mitch comentou comigo.
- O que eles tanto conversam? - Me sentei no sofá falhando miseravelmente no disfarce do meu ciúme.
- Cara, não fica assim, ela ligou para ele para saber de você. Pelo menos ouvi ele falando o seu nome. Eu não fiquei lá ouvindo igual um fofoqueiro.
- Por que ela não liga para mim? - suspirei.
Desde que nos falamos após o acontecido no México ela não me ligou mais. Eu estava louco de saudades.
- Talvez ela não queira atrapalhar, sei lá.
- Acho que ela está me evitando, Mitch.
- Eu acho que você está pensando demais nisso. Foi você quem fez o Mike conversar com ela, pra começo de conversa.
Peguei meu livro e dei uma bufada, o que fez Mitch rir. Hélène entrou no camarim com a câmera nas mãos e perguntou sobre Mike. Olhei de lado com o livro ainda na minha frente, Mitch começou a rir da minha cara na mesma hora. Ela deu uma risada com a minha reação ao ouvir o nome dele e acabou tirando uma foto.
- Você fica bem bonito quando está bravo. - Ela ria enquanto olhava a foto na câmera.
- Ele é sempre bonito. - Mitch fez piada e me mandou um beijo com cara de idiota, com isso ele conseguiu arrancar um pequeno sorriso meu.
- O que você quer com o Mike? - perguntei ainda bravo.
- Quero o telefone da . - Olhei confuso para ela abaixando totalmente o livro. Ela tirou mais duas fotos e começou a rir. - Só foto boa. Tenho que guardar essa carta na manga.
- Vocês estão demais hoje. - Voltei a atenção para o meu livro.
- Harry, - Hélène sentou do meu lado e deixou a câmera na mesa de centro - Por que você não liga para ela? Deixa de drama.
- Eu não posso simplesmente ligar para ela, Hélène. - falei como se fosse óbvio.
- E o que te faz pensar que ela não está na mesma? - levantei uma das sobrancelhas e continuei encarando Hélène. - Ela pode estar pensando a mesma coisa.
- Até parece, ela liga toda hora pro Mike. - falei soando como uma criança, mas eu não ligava mais a essa altura.
- Harry, querido, você sabe que eu te adoro, não é? - Ela pegou meu livro das minhas mãos. - Você é muito famoso, sabe? Muito mesmo. - Rolei meus olhos. - Não me venha com esses olhinhos verdes revirados. Ela pode estar intimidada.
- não é assim, a gente conversou normalmente em Holmes.
- Tudo bem, mas não tinha todo esse contexto, ou tinha?
- Que contexto?
- Suas fãs escrevendo comentários e seguindo tudo que ela faz, seu assistente pessoal ajudando com as redes sociais, revistas de fofoca falando dela, modelos malucas…
- Mas isso nem foi tão assim, ninguém mais está falando que estamos juntos nem nada.
- Harry, ela tinha 200 seguidores e agora tem uns de 10 mil, isso não é normal. Ela pode estar compreendendo agora a dimensão da sua fama.
- Eu só queria que ela me ligasse e que a gente pudesse conversar sobre essas coisas. Eu posso ser só amigo dela.
- Mas você não quer.
- Não quero.
- Ele não vai ligar para ela, Hélène. - Mitch sentou na poltrona do lado - O emocional desse rapaz é equivalente, no máximo, a uns 15 anos.
Dei uma risada e concordei com Mitch, eu não ia mesmo ligar. Mike apareceu no camarim para avisar que em 15 minutos deveríamos estar no palco. Eu apenas olhei para a cara dele e acenei com a cabeça. Estava tão enciumado que não conseguiria falar nada com ele sem soar babaca e ele realmente não havia feito nada demais. Terminei de colocar minha roupa e me dirigi para a entrada do palco com Mitch.
Após o show, fui direto para o hotel, não encontrei com ninguém, e nem sequer consegui cumprimentar todos, como sempre faço. Minha cabeça estava em outro planeta. Eu estava louco de ciúmes de Mike. Por que diabos liga para ele toda hora para falar sobre bobagens? Ela podia me ligar para falar bobagens. Ao chegar no quarto notei que estava sem meus celulares. Me joguei na cama ainda com a mesma roupa do show, poucos minutos depois ouvi a campainha do quarto. Respirei fundo e caminhei até a porta. Eu sabia que em algum momento teria que encarar Mike, ele era meu assistente no fim das contas.
- Seus celulares. - Mike estava de poucas palavras. Eu percebi que ele tinha ido até o meu quarto apenas porque deixei meus celulares no camarim. Ele não era idiota, sabia que eu estava enciumado e talvez todo mundo estivesse falando disso pelas minhas costas. Mas eu não estava mais nem aí.
- Obrigado! – peguei os celulares. – Que horas saímos amanhã?
- Na verdade, vamos sair em três horas. Amanhã é o seu show em Toronto, são por volta de 7 horas de viagem. Vamos chegar lá de manhã, suas coisas já estão no ônibus. Deixei apenas uma mala menor com suas roupas mais confortáveis, se quiser tomar um banho e tal. Vamos te esperar no lobby do hotel meia noite, ok? Precisa de algo mais?
- Não preciso, vou tomar um banho e já vou para o lobby. Obrigado, Mike.
Eu tinha que melhorar meu humor, vou ter que enfrentar sete horas no ônibus com Mike. Não posso ficar o tempo todo trancado no meu quarto sem interagir e continuar com ciúmes sem fundamento dele. Entrei no banho e rapidamente saí, ouvi meu celular tocando. Achei que fosse minha mãe, mas quando vi o nome no visor, senti até meu coração acelerar.
- Alô? - atendi colocando uma bermuda e me jogando na cama.
- Harry! - disse com a voz baixa, quase sussurrando. - Te acordei?
- Não, você não me acordou. - Comecei a sorrir, só de ouvir a voz dela eu já estava me sentindo mais calmo. Caralho, como eu sou um perdedor. - Aqui é bem mais cedo. Que horas são aí?
- São cinco da manhã. - Ela ainda sussurrava. - Eu não estou em casa, por isso estou sussurrando, não quero acordar… - ela parou abruptamente de falar.
- Onde você está? Tá tudo bem? - escutei alguns barulhos, ela estava provavelmente saindo de onde estava.
- Então, eu estou na casa da sua amiga. - e deu uma risadinha. - Não consigo dormir.
- Minha amiga? - pensei logo que ela pudesse estar na casa da Emily, mas ela não morava em Londres. Permaneci aguardando a resposta.
- A Samantha! - ela riu mais uma vez - A fotógrafa que estava lidando com a sua peguete, Emily. - Dessa vez eu dei uma risada.
- Peguete?
- É, a menina que você pega e tal.
- Eu não pego a Emily. Na verdade, eu não pego ninguém, mas queria pegar você.
- Deixa de ser besta, você já me pegou.
- E acabou? Não posso mais pegar?
- Você tá muito longe.
- Se você quiser me pegar, eu chego aí amanhã.
- Você tem show amanhã.
- Eu desmarco!
- Até parece, você estava quase morrendo esses dias e não desmarcou o show. Não sou eu que vou conseguir um feito desses.
- Se você disser qualquer coisa, eu cancelo até o final da turnê, .
- Deixa de ser bobo. Eu te liguei para outra coisa, na verdade.
Dei uma risada, eu até tinha esquecido que estava bravo, tinha um grande poder sobre mim. Isso estava cada vez mais sério. A pior parte é que ela achava que eu estava fazendo piadas, mas eu tinha até medo do que seria capaz de fazer se ela falasse que queria me ver agora.
- Então, não sei se o Mike te contou… - fechei meus olhos, comemorei cedo demais. - Mas eu fui selecionada para cobrir um festival na Escócia!
- Ele não me contou nada… Me explica direito, que festival?
- Ah é, como eu sou besta, quando ele me falou para te ligar disse que achava melhor que você soubesse por mim.
- Você só me ligou porque o Mike pediu? - senti minha raiva começar a aparecer novamente.
- Não. Eu queria falar com você. Mike só me encorajou mesmo...
Respirei fundo. Por que eu fico tão descontrolado falando com essa menina? Que merda. Eu não sou assim. Será que todo muito fica lerdo desse jeito quando se apaixona? Não conseguia pensar nada antes de falar. Será que eu realmente estou apaixonado? Gente apaixonada é maluca? Antes que eu conseguisse pensar, percebi que eu estava falando novamente.
- Sabe, , não sei porque me sinto assim, de verdade, não quero soar como um babaca, mas eu estou realmente sentindo ciúmes da amizade de vocês. - Dei uma risada fraca. Falei e me arrependi no segundo seguinte que entendi o que eu estava falando. Meu Deus, o que está rolando? Porra. Cala a boca, Styles.
- Da minha amizade com o Mike? - ela perguntou confusa. - Mas eu nem sou tão amiga dele assim… - Eu não tinha para onde correr, era melhor abrir o jogo.
- Nos últimos dias, eu estava perto dele a maioria das vezes que você o ligou, para falar bobagens. Tipo o nome da pizzaria que você viu ou qualquer coisa assim e fiquei com ciúmes de uma forma descomunal, não quero nem falar com ele para não ser um idiota. Eu não sabia que era tão ciumento assim.
- Ah... Não sei nem o que falar.
- Você não tem que falar nada, eu estou sendo um babaca mesmo. Mike é um cara ótimo, você não tem porque evitar falar com ele. Eu só me sinto enciumado porque eu gosto de você e sei lá, eu queria saber pelo menos alguma coisa antes dele.
- Eu entendo… Não te ligo tanto porque eu fico com receio de atrapalhar alguma coisa. Você tem uma agenda tão cheia…
- Você pode me ligar até durante um show que eu vou te atender.
- Deixa de drama, Styles.
- É sério. - dei uma risada - Mas não quero que você me ligue só porque eu estou falando essas coisas.
- Cara, você está muito dramático. - ela deu uma risada alta - Relaxa.
- Eu estou uma pilha de nervos mesmo. Acho que estou muito ansioso, minha cabeça não está funcionando da forma certa. - respirei fundo dando mais uma risada fraca. - Me conta do festival, você vai quando? - Resolvi mudar de assunto.
- Ah sim, vou na sexta, Gemma vai comigo. Ainda não dividimos, mas acho que vou ficar com os eventos musicais e Gemma vai pegar os de moda e cultura.
- Muito legal! Fico feliz por vocês duas! Vocês vão fazer um ótimo trabalho.
- Ah! Você conhece o Paul McCartney?
- Dos Beatles? Claro que eu conheço os Beatles. Você tá me zuando, ?
- Não bestão, eu digo pessoalmente.
- Bem, eu já falei com ele por telefone uma vez durante uma entrevista, mas nunca conheci ele pessoalmente. Por quê?
- Curiosidade apenas. - ela deu uma risadinha.
- Essa foi uma curiosidade bastante específica. - Mike bateu na porta do meu quarto, perguntando se eu já estava pronto. Abri a porta e dei um joia para ele, saí ainda com o telefone na orelha. Eu estava muito sorridente, Mike me encarou com as sobrancelhas arqueadas tentando entender o motivo da minha felicidade.
- Foi mesmo. - ela continuou misteriosa.
- Você não vai me falar o motivo, ? - Falei o nome dela para que Mike percebesse que era ela ao telefone comigo. Notei ele sorrir e então se afastou. Provavelmente para que eu ficasse à vontade para conversar com . Em pensar que alguns minutos atrás eu estava puto da vida com ele. Sou um idiota mesmo.
- Não vou falar agora, aprendi a ser misteriosa com a família Styles, conhece? Todos os integrantes costumam me deixar louca de curiosidade.
Dei uma risada, continuei conversando com ela até chegar no ônibus. Falando uma bobagem atrás da outra, até que Sam acordou e ela resolveu desligar. Por fim, ela disse que eu podia ligar para ela também, para variar.
Pisei dentro do ônibus, Mitch e Sarah estavam no sofá. Mitch dedilhava umas notas soltas no violão e Sarah lia um livro. O casal, Mike e eu dividimos o ônibus, o restante da banda estava em outro. Adam estava com sua família, eles iriam acompanhar o restante da turnê, desta forma troquei de ônibus com ele, afinal eles precisavam de mais espaço por conta das crianças. Mais cedo eu havia me arrependido mentalmente, pois teria que ficar no mesmo ônibus que Mike. Mas agora estava tudo melhor, depois que finalmente me ligou. Eu ainda estava curioso acerca dos acontecimentos com Chad, Gemma não tinha me explicado nada e não tinha comentado mais nada desde Holmes sobre o babaca. Dei um oi para o casal do sofá, fazendo uma nota mental de perguntar diretamente sobre o acontecido para na próxima vez.
- Quer dizer que o seu humor melhorou, princesa? - Sarah falou sem tirar os olhos do livro.
- Como assim? Eu estou igual. - sentei no outro sofá.
- Ah tá, conta outra, você tá até sorrindo.
- Você nem olhou para mim, como sabe que eu estou sorrindo?
- Você deu seu oi sorridente e não seu oi murcho. - ela continuava olhando para o livro. Mitch parou de tocar e me encarou.
- Você falou com a , né?
Levantei apenas um dos cantos da boca tentando segurar o meu sorriso bobo.
- Eu sabia! - ele colocou o violão de lado - Vamos ter que trazer essa menina para cá ou obrigar ela a te ligar todo dia. Você fica insuportável quando está com ciúmes.
Mandei os dois à merda, levantei do sofá e me dirigi até o meu quarto, se é que eu podia chamar uma cama com cortina de quarto, para deixar minha mochila. Quando voltei para a sala, o ônibus já estava em movimento, Mike estava sentado mexendo no computador, como sempre.
- Como foi a conversa com a ? - notei que ele evitou chamá-la pelo apelido.
- Ah, foi tranquilo. - puxei uma cadeira e sentei ao lado dele - Obrigada por fazer ela me ligar.
- Vocês dois são insuportáveis. - ele falou sem tirar os olhos do computador. - Querem falar um com o outro e ficam me usando de pombo correio. - Mike deu uma risada. - Ela te falou do festival?
- Falou sim, vai ter alguma coisa com o Paul por lá?
- Paul?
- Do Beatles.
- Olha, não faço a mínima ideia, atualmente minha cabeça está apenas em “Harry Styles Live on tour”. - Dei uma risada. - Por que?
- Ela me perguntou sobre ele. Achei que você pudesse saber de algo.
- Não sei do que se trata, você quer que eu descubra?
- Não precisa, vou descobrir por conta própria. - puxei o pacote de salgadinhos que ele estava comendo para perto e comecei a ler as informações nutricionais. - Isso vai te matar, cara. Ela te falou algo sobre a Emily?
- Falou que a Emily colocou a Samantha contra a parede, mas aparentemente a fotógrafa confirmou que era sua amiga há tempos. - ele puxou de volta o pacote, encheu a mão de salgadinhos e colocou na boca. Me encarando rindo ao ver minha cara. - Não me venha com esse papo nutricional, eu não gosto de abacates. - comecei a rir e continuei o assunto.
- Emily voltou a me ligar. Mas eu não atendi. Acho que agora eu devo ignorar, você acha que ela é capaz de armar alguma coisa?
- No máximo umas fofocas em revistas ou sites. Mais do que isso, não.
- Tá certo, me desculpe por ser um babaca nesses últimos dias.
- Eu entendo, você estava com ciúmes.
- Pois é, isso é novo para mim.
- Novo nada, você é muito ciumento. Só pensa que não.
- Eu sou?
- Sim, eu tive que ficar quase um mês sem falar o nome da sua irmã depois que ela postou uma foto comigo ano passado. E olha que nem o namorado dela ficou não enciumado quanto você.
- Não nego que sou super protetor com a Gemma. Mas eu nunca fui ciumento com as pessoas que me envolvi.
- Vai ver você nunca gostou delas como você está gostando da ?
- Você acha?
- Bem, é uma menina encantadora, é difícil não se deixar levar.
- Eu acabei de voltar a ficar bem com você, não abusa.
- Ah claro, vou para Londres amanhã, lembra? Primeira coisa que eu vou fazer é ir na casa dela me declarar e casar com .
Fiz uma careta de desdém e dei a língua para Mike.
- Você vai para Londres ver os assuntos da Gucci?
- Sim, e preparar as coisas para o Japão. Isso está me matando, eu estava louco para passar em New York, em cinco dias estaríamos lá.
- Vamos trocar de vida? Eu vou para Londres amanhã, encontro com e faço as reuniões e você faz o restante dos shows e vai para New York?
- Acho que as pessoas iam notar que um americano de cabelo liso que não canta nada não é Harry Styles.
- Vamos fazer igual nos filmes, trocar de corpos.
- Mas aí a não ia querer nada com você porque você estaria no meu corpo, preso na friendzone.
- Realmente não tem jeito.
- A não ser que você conquistasse ela com o meu corpo. Mas dai ia ser difícil depois fazer ela voltar a gostar de você quando recuperarmos nossos corpos.
Sarah levantou do sofá fechando o livro e passou por nós dois.
- Vocês querem parar de conversa fiada e ir dormir? Já está tarde e amanhã tem show, Harry. Michael, você está quebrando as regras, já era para ter colocado esse rapaz para dormir, ele estava doente e ainda está se recuperando, precisa dormir bem.
Nós dois rimos, falamos “desculpa mãe” para Sarah e nos dirigimos para nossas cabines.


Continua...



Nota da autora: Att dupla porque vocês merecem, suas lindas. <3
Eu estou numa correria maluca, então nem vou me alongar, próxima att vem rapidinho! Beijos!
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Beijos, continuem comentando! ☺ Sinais do Tempo playlist;
Mix Stape do Harry



Outras Fanfics:
Tarefa final – [Originais – Shortfic] (http://fanficobsession.com.br/fobs/t/tarefafinal.html#)

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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