Última atualização: 06/02/2019
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Capítulo 1

25 de abril de 2018 – Melbourne, Live On Tour

22 shows feitos, 37 até o final da turnê.
Eu havia acabado de sair do palco, ainda suado, tudo que eu queria nesse momento era arrancar esse terno florido e me jogar dentro de uma banheira até que meu corpo relaxasse completamente. Saí andando e cumprimentando a todos no backstage. Quando o show acaba, existem duas opções, ficar no camarim por um tempo e depois ir dar atenção para alguns fãs ou sair correndo direto para o ônibus, antes que alguém saísse do local do show. Hoje eu iria direto para o ônibus, nem mesmo meu celular eu busquei no camarim. Eu precisava de um banho, de banheira, com bolhas de preferência.
O meu hotel ficava bem próximo ao local do show, eu teria apenas a manhã do dia seguinte para descansar antes de pegar o avião para Sydney, onde faria o show do dia 27. Cheguei no meu quarto e todas as minhas coisas já estavam lá. O pessoal deve ter percebido o quanto eu estava cansado no palco e deduziu que eu viria direto para cá. Notei meu celular piscando em cima da cama. Eu tinha quatro mensagens novas. Tirei quase toda minha roupa e comecei a responder.

“Oi querido, adorei o look que hoje, quando tiver um tempo me liga.’’ – Minha mãe estava sempre ligada nos meus shows, mesmo com fusos malucos.

“Oi mãe, obrigado, hoje foi a primeira noite sem usar Gucci, estou destruído, o show foi incrível, te ligo quando for de mais tarde aí! Te amo, x.’’

“Terno amarelo e flores na cabeça, vivendo o sonho hein, maninho? Seu idiota. Haha.’’

“Eu sou incrível irmãzinha, te amo também, quando você vem me ver? Saudades, x.’’


Minha irmã sempre fazia comentários brincando com minhas novas roupas durante a turnê. Já fazia pelo menos três meses que eu não via a cara daquela besta pessoalmente, estava ficando com muitas saudades de casa. Já fazia alguns anos que eu não morava mais em casa. Mas eu nunca tinha ficado tanto tempo sem ver minha irmã, ela vira e mexe aparece de surpresa e me ajuda a superar um pouco da saudade. Com minha mãe era mais difícil, em geral eu só conseguia vê-la a cada três ou quatro meses.
A terceira mensagem era da fotógrafa da turnê, me enviando algumas fotos do show de hoje. A última mensagem me pegou de surpresa. Realmente de surpresa.

“Quanto tempo, hein? Encontrei com sua irmã ontem por acaso. Ela me passou seu número e suplicou que eu mandasse uma mensagem para você, é sério. Espero que você não se importe. Ah, é a .”

Fazia oito anos que eu não via . Oito anos. Meu coração apertou, como eu pude ficar oito anos sem ver a ? A última vez que falei com ela, foi uma semana antes da minha audição no X Factor. Me lembro de ter visto ela quando voltei para visitar meus pais e minha irmã antes de sair em turnê, mas não conversamos. E foi isso, sumi pelo mundo e nunca mais falei com ela. e Gemma eram melhores amigas desde que eu consigo me lembrar. Eu sempre tive uma queda enorme por ela, e nunca havia sido correspondido, até a semana anterior à minha audição.

{Flashback}

- Como é que eu posso sentir isso por você, Harry? Você é o nosso bebê! Sua irmã vai me matar. – fazia cara de choro.
Eu estava calado, mas um sorriso bobo se mantinha firme e forte. Ela gostava de mim. Na minha cabeça eu dava pulinhos e gritava “yay” sem parar.
- Para de rir! – ela estava desesperada, o que era meio fofo. – Você tem 16 anos, Harry, isso é meio ilegal, sei lá.
Eu dei uma risada boba alta.
- Eu tenho 16 anos e você tem 18, grande coisa. – Levantei os ombros – quando eu tiver 19 e você 21 nem vai fazer tanta diferença assim.
- Mas faz toda a diferença do mundo, principalmente quando você é o irmãozinho da minha melhor amiga, Harry, eu sempre te vi como um pirralho que fica no nosso pé o tempo todo. – Ela continuava com cara de dor.
Dei mais um sorriso e resolvi que naquela hora que precisava beijá-la. Ou não teria outra oportunidade.
- O que você sente quando eu faço isso? – dei um passo para frente e juntei nossos lábios em um beijo, de forma lenta fui aprofundando, ela aceitou e abriu espaço para que eu pudesse explorar toda sua boca. Me afastei e olhei no fundo de seus olhos.
- Eu esqueço que você é o pirralho irmão da minha melhor amiga – e deu um suspiro. – Vamos mudar de assunto, pare de me beijar de surpresa.
Dei um sorriso torto e continuei a encarando. Meu Deus, como eu gostava daquela menina.
- E a audição? Preparado? – ela mudou completamente de assunto e eu voltei para minha ansiedade.
- Já quase desisti umas cinco vezes hoje. – Dei um sorriso fraco. – Não sei se tenho coragem.
- Harry, você é muito talentoso, se eles não te aceitarem, são uns idiotas. Além de talentoso, você é uma gracinha, talvez passe pela beleza. – Ela fez piada e eu resolvi abraçá-la no meio das risadas.
- Fica comigo para sempre? – perguntei igual a uma criança apaixonada idiota.
- Harry, você tem 16 anos e vai entrar para um programa de TV famoso agora. Não posso ficar com você. – Ela falou como minha mãe. – Você vai aproveitar isso do jeito que tem que ser. Isso. – apontou para nós dois – Acaba hoje. Foi uma ótima semana, mas eu não posso ficar te iludindo.
- E se eu não entrar? Vou ficar sem você e sem o programa? – olhei como uma criança triste novamente.
- Você vai entrar, meu bem. Te garanto! – Dessa vez ela me puxou para um beijo – Estarei sempre aqui para o que você precisar. Não desista do seu sonho. Você vai se arrepender se desistir por conta de um “crush” na amiga da sua irmã.

{Fim do flashback}


Uns dois dias depois eu fui para a audição e tudo deu certo. E o que ela falou era verdade, eu teria me arrependido se não tivesse ido, minha vida estaria totalmente diferente. Mas não pude deixar de pensar como seria minha vida se o “crush” tivesse dado certo. Nos primeiros dias sentia vontade de ligar para ela a todo momento, principalmente quando estava sem confiança. Mas aos poucos fui superando o sentimento. Minha irmã e ela acabaram se afastando depois que toda a onda One Direction começou. Gemma começou a viajar conosco e foi parando de ter contato com boa parte de seus amigos também, mas sei que elas mantiveram contato por mensagens e coisas do tipo um bom tempo, mesmo afastadas.
Encarei o celular por alguns segundos, tentando entender o que eu estava sentindo naquele momento e resolvi entrar no banho para pensar no que responder. Aparentemente eu tinha superado os meus sentimentos adolescentes por . Mas eu estava nervoso apenas com a possibilidade de mandar uma mensagem para ela. Como eu sou idiota. Ela provavelmente está namorando sério com alguém, e mesmo se tiver, eu não me importo, não é mesmo? Eu já namorei algumas pessoas pelo caminho, não posso achar que ela ficaria solteira esse tempo todo. Meu Deus! Que diabos está acontecendo? Não é possível que eu ainda tenha algum sentimento por ela. Deve ser só saudade. Jesus, eu sou patético. 24 anos, famoso, meninas aos meus pés. E eu aqui, dentro da banheira morto de cansado e ansioso em responder a mensagem da minha primeira paixão adolescente. Pa-té-ti-co.
Saí do banho e deitei na cama. Nessas horas eu gostaria de ter WhatsApp para saber se a pessoa está online ou não antes de mandar uma mensagem. Ou ao menos para poder ver uma foto dela. Como será que ela está? Será que continua tão linda quanto eu me lembro? Caralho, que diabo. Vou responder qualquer coisa. Que porra. Não posso enviar qualquer coisa. O que eu escrevo? Comecei a surtar e escrever milhões de mensagens e apagar. Eu me sentia com 16 anos novamente. Resolvi ligar para Gemma. Tomara que ela me atenda.
- Fala, bocó! – Ela atendeu com voz de sono. Devo ter acordado ela com os toques.
- Te acordei? - perguntei fingindo estar preocupado e olhei para o relógio. - 8 horas da manhã, sua preguiçosa, você não devia estar trabalhando?
- Sim, foda-se, estou de férias. O que você quer a essa hora? Não deveria estar pensando em dormir ou algo assim?
- Primeiro de tudo, não me julgue.
- Já estou julgando, o que diabos você fez?
- Não fiz nada. - Me defendi. - Eu só estou num surto adolescente.
- Caralho, Harry, você tem 24 anos, chega de surto adolescente. Qual o nome da biscate?
- Não é uma biscate.
- Opa, do biscate? - ela deu uma risada.
- Caralho, Gemma, você sabe que é a , porra. - Soltei sem paciência. - Estou tendo um surto adolescente, porque sua melhor amiga da infância me mandou uma mensagem de texto e eu não sei o que responder.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos e depois eu ouvi uma sonora risada. Ela continuou rindo por alguns segundos. Me mantive calado.
- Eu não creio. - Gemma continuava rindo. - Harry, você namorou swifts, jenners, e sei lá quem mais e está surtando por conta da ? É isso mesmo?
- Uma coisa não tem nada a ver com outra.
- Cara, você é famoso, rico, belo e tem uma irmã maravilhosa e linda. Por quê diabos você tá nervoso?
- Gemma, é a ! - repeti dando ênfase no nome dela. - Ela me conhece antes de tudo isso. E você sabe bem o que eu penso sobre fama.
- Estou tentando descontrair. O que foi que ela falou na mensagem para você ficar tão maluco?
- Nada, só falou "quanto tempo" e perguntou se era ok me mandar mensagens. - Suspirei.
- Caralho, Harry. Só responde "quanto tempo mesmo" e fala que é ok sim. Ou você não quer falar com ela?
- Claro que eu quero falar com ela. Porra, você não está ajudando em nada.
- Meu amor, se você está surtando só com essa mensagem imagine só quando souber da minha novidade.
- Qual novidade?
- Ela vai morar comigo em Londres.
- O quê?!
- É isso mesmo, responda essa mensagem logo. Porque em breve, ela será minha colega de quarto em Londres e você vai ter que encarar ela pessoalmente. - Ela enfatizou o pessoalmente e eu comecei a sentir minhas pernas bambas. Ainda bem que eu estava deitado.
- Puta merda, Gemma. Por que você não falou isso antes?
- Porque eu queria ver você surtar. – Ouvi novamente sua risada.
- Idiota. ok. Vou responder. Obrigada por nada.
- De nada, boa noite para você, bobão.
- Bom dia para você, vê se levanta essa bunda da cama. Te amo.
- Te amo também, maninho. Não surta.
Terminei a ligação e resolvi que não tinha muito para onde correr e respondi a mensagem. Seja o que Deus quiser.

“Oi, ! Muito tempo mesmo. Gemma me contou a novidade! E claro que você pode me mandar mensagens. x - Harry”

Encarei a mensagem por alguns minutos e apertei enviar.
Encarei o teto por alguns minutos pensando o que ela poderia estar fazendo. Até que meu celular brilhou novamente.

“Uau, estou recebendo mensagens de Harry Styles, já posso ficar famosa no Twitter. x”

“Haha, não acredito, só voltou a falar comigo porque eu sou famoso. :(“

“Se fosse assim eu nunca nem tinha parado de falar, né?”

“Verdade. Pois então. Você vai morar com a Gemma? Me explica essa história. Porque sua amiga não me falou nenhum detalhe.”

“Na verdade, eu encontrei com ela no trabalho e ficamos conversando. Falei para ela que tinha acabado de me mudar para Londres. Estou trabalhando com editorial, fui transferida recentemente para cá, e dei sorte de parar na mesma revista que sua irmã. Mas sabe como é, Londres é bem caro para gente normal, tipo eu. Então eu comentei que estava procurando alguém para dividir um flat, e sua irmã já fez mil planos de morar comigo. Haha”

“Eu sou normal!”

“Não, você é Harry Styles.”

“Sim, sou e sou normal, oras.”

“Você é milionário, Harry, morar em Londres é fácil para você. Já eu preciso de alguém para dividir as despesas, ou não rola.”

Resolvi ignorar a alfinetada e mudei o foco da conversa.

“Morar com alguém é divertido, na época da banda eu dividia minha casa e foi super legal.”

“Com certeza, e eu estou feliz de ter encontrado com sua irmã e ser persuadida a morar com ela.”

“Minha irmã é muito esperta, eu também me ofereceria para morar com você se tivesse a chance.”

Eu pensei duas vezes antes de enviar a mensagem, mas eu não tinha nada a perder. Enviei e fiz jus a minha fama de pegador pelo menos dessa vez. Ela não respondeu, e eu já tinha perdido meu sono aguardando a resposta. Quem diria, uma hora atrás eu só queria dormir, agora estou aqui ansioso pela resposta de uma menina que eu tive uma paixonite há oito anos. Sou um perdedor mesmo.
Quando eu estava prestes a desistir de tudo o meu celular vibrou novamente.

“Desculpa a demora, o meu chefe tá aqui falando bobagens. Enfim, é assim que você fala com suas fãs, é?”

“Você é minha fã?”

“Certamente, desde antes de você entrar nessa vida louca! Haha”

“Eu não falo assim com fãs.”

“Hm, Gemma me falou que você estava em turnê e que não te via há meses, é sério?”

“Sim, estou morrendo de saudades dela, da minha mãe, então, nem se fala.”

“Você é um filhinho de mamãe, mesmo.”

“Não posso negar.”

“Você está em qual cidade agora?”

“Melbourne.”

“Meu Deus! Aí já são mais de meia noite agora, vai dormir menino, depois conversamos!”

“Não estou com sono, quando saio dos shows fico meio eletrizado por umas horas.” Isso não era uma mentira, acontecia mesmo, mas dessa vez o que me mantinha acordado era apenas a ideia de conversar com .

“Isso é muito louco. E pensar que uns anos atrás isso era seu maior sonho! Fico muito feliz por saber que está dando certo.”

“Você já aceitou morar com a Gemma, né?”

“Tudo certo, por quê?”

“Porque assim fica mais fácil de eu te ver. Sabendo onde você mora. A gente precisa se ver, conversar sobre a vida e tudo mais.”

“Verdade, principalmente porque agora não é mais ilegal eu beber com você! Hahaha”

“Está combinado então. Assim que eu tiver uma folga vou encontrar com vocês duas! E já mato todas as saudades de uma vez só.”

“Ótimo, combinado, vá descansar rapaz, ouvi dizer que você tem uma agenda lotada.”

“Tenho mesmo, mas antes eu quero saber uma coisa.”

“Mande.”

“Qual o nome do seu namorado?”
Mandei isso porque não tive coragem de perguntar “Você está namorando?” Apesar de ser basicamente a mesma coisa. Só o que muda é que aparentemente eu estou controlando a resposta. Mas na verdade não. Meu Deus, como eu estou confuso.

“Hm, Chad. Por quê?”

“Apenas para eu colocar na minha lista de pessoas que o Paul não pode afastar de mim. Isso é necessário quando você conhece alguém tão importante como eu.”

“Deixa de onda, Styles. Vá dormir, já tomei muito do seu tempo precioso. Boa noite! x”

“Bom dia, , adorei saber que agora você está de volta na minha vida! x – H.”

Ela tinha um namorado. Isso era esperado, mas me afetou. Puta merda, por que é que eu estou querendo beijar essa menina se eu nem sei como está o rosto dela atualmente? Amores não resolvidos são foda. Jamais pensei que estaria nessa situação. Ainda tinham 37 shows pela frente, não posso me desconcentrar. Quando a turnê acabar, eu lidarei com isso.
Oito fucking anos. E eu estou sentindo como se fosse ontem que ela me beijou e me mandou para o X Factor. Merda.


Capítulo 2

’s POV.

Desci do trem e olhei ao redor. King Cross, é, eu realmente estava em Londres. Nos últimos 5 anos morei em Manchester trabalhando como freelancer para várias revistas. Mas agora finalmente fui contratada. Nem acredito. Coloquei meus fones de ouvido e liguei na rádio, estava afim de saber das notícias da cidade enquanto andava até o local que dormiria hoje. Ainda não tinha arrumado um lugar para ficar, preferi ficar num lugar provisório enquanto achava um bom apartamento, e quem sabe alguém para dividir as despesas. Já era noite, na manhã seguinte já iria iniciar no meu novo emprego e não poderia estar mais empolgada. Apesar do desentendimento com meu namorado, eu estava disposta a fazer tudo dar certo por aqui.
Cheguei até o apart hotel que havia reservado saindo de Manchester. Não era nada demais, uma cama de casal, um banheiro e um protótipo de cozinha no canto direito. Havia apenas uma pequena janela, pela qual eu podia ver o prédio da revista onde iria trabalhar. Sozinha, ali no quarto, comecei a relembrar da nossa briga e o tanto que ela havia sido infantil. Senti uma lágrima descer pela minha bochecha, eu ainda estava ouvindo a rádio quando começou a tocar uma música diferente com uma voz familiar.
“Apenas pare de chorar é um sinal dos tempos”
Dei um sorriso com a coincidência. Era a música nova de Harry. Fazia oito anos que ele havia começado essa carreira e eu não poderia estar mais orgulhosa. Mesmo perdendo o contato com toda a família, eu sempre guardei de forma carinhosa os momentos que passamos juntos. Desejei ainda ter o contato de Gemma, eu sentia muita falta de conversar com a minha melhor amiga.
Terminei de arrumar as poucas coisas que trouxe enquanto a música ainda tocava, peguei meu celular e desliguei após a música acabar. Dormi logo depois.

xxx


Dormi mal a noite toda, acordei várias vezes agoniada e ansiosa com a manhã que estava por vir me peguei pensando algumas vezes nas coisas que Chad disse. Quando foi a hora de realmente levantar, estava morta de preguiça. Fiz uma lista de prós e contras e pesei se realmente queria trabalhar. Parei de bobagem e me forcei a levantar, alguns minutos depois me joguei debaixo do chuveiro para começar a me arrumar.
Saí do banho e me arrumei rapidamente, já havia preparado minha roupa na noite anterior. Ao sair do apart hotel, meu estômago reclamou da falta de comida. Na esquina do prédio havia um Costa. Entrei, pedi um café grande e peguei um dos sanduíches prontos. Pedi para o atendente esquentar o sanduíche e sai de volta para o vento gelado da manhã com meu café e sanduíche em mãos. Não queria me atrasar, então fui andando e comendo até o prédio da revista.
Quando cheguei lá, já havia terminado meu café, me apresentei na recepção e fui encaminhada para uma sala de espera. Minha cara de surpresa não poderia ser maior quando vi quem apareceu para me receber.
- Cala a boca! – Gemma gritou ao me ver. – Quando eu vi o nome que eu deveria receber hoje, eu achei que fosse alguém com o mesmo nome que o seu. Não acredito! – e se aproximou para me abraçar – Como você está, ?
Eu arregalei os olhos e corri para abraçá-la.
- Meu Deus, Gemma! – Ainda estávamos nos abraçando. – Eu estou ótima! E você? Nossa! Quanto tempo! Que saudade! Você trabalha aqui? – Soltei nosso abraço, mas parecíamos duas crianças pulando na sala. A recepcionista ouviu a nossa barulheira e resolveu checar se estava tudo bem.
- Está tudo bem, senhorita Styles? – Ela perguntou, levantando uma das sobrancelhas para a cena que viu.
- Margareth! – Ela olhou para trás. – Esta aqui é , minha melhor amiga da infância! Faz uns mil anos que a gente não se vê e agora ela vai trabalhar aqui comigo! – E deu um gritinho empolgado.
Margareth deu apenas um sorriso e balançou a cabeça.
- Muito bem, leve a moça para a sala dela e a apresente para todos então. Não fiquem apenas aqui pulando, pelo que eu sei, vocês têm prazos apertados, e devo avisar que o Mark não está de bom humor hoje.
Gemma fez uma careta.
- Obrigada, Maggie, vou levar essa moça para conhecer todo mundo e corro para finalizar minhas matérias.
- Nossa, eu não estou acreditando nisso! – Falei enquanto ela puxava minha mão me guiando pelos corredores da empresa. – Ontem mesmo estava pensando em vocês, ouvi uma música do Harry na rádio!
- Temos muito o que conversar! Amanhã eu vou sair de férias, mas agora que você reapareceu na minha vida, não vou deixar fugir novamente!
- Eu não fugi, foi tudo muito rápido depois que o Harry entrou no X Factor. Entendo que não ia mais ter como vocês continuarem em Holmes.
- Sim, foi tudo muito surreal, mas me conta de você! Quero saber tudo, onde anda, com quem mora, como chegou aqui! – Gemma falava rápido enquanto me puxava, era como se nunca tivéssemos nos separado. Me sentia em casa novamente.
Ela me levou até a copa, puxou uma cadeira e me sentou. Depois andou até o balcão pegou duas xícaras de chá e voltou para mesa, colocando uma na minha frente e pegando a outra para si.
- Bem, por onde começar? – Peguei meu chá e tomei um gole. – Eu não deveria estar sendo apresentada para as pessoas para trabalhar?
- Menina, você vai trabalhar no meu departamento, se alguém perguntar algo eu estou no meio do seu treinamento, ok? – Ela deu um gole no chá – Começa pelo começo.
- Hum, depois que você entrou na Shelffield e começou a acompanhar o Harry nas turnês, eu entrei na universidade de Manchester para estudar inglês. E, bem, fiquei lá até antes de ontem. – Dei uma risada pequena - Trabalhei como freelancer para alguns sites e revistas no país todo de lá, e recebi a proposta para vir para cá mês passado. - Gemma me olhava atentamente enquanto eu contava minha história. - Aceitei a proposta e comecei a planejar minha mudança. Mas você me conhece, deixei tudo para última hora e estou num apart hotel até encontrar algum lugar que caiba no meu bolso.
- Que legal, ! Você sempre sonhou com isso. Que bom que conseguiu! – Gemma comemorou levantando as mãos para cima e balançando – O melhor de tudo é que agora podemos trabalhar juntas!
- Isso vai ser demais!
- Mas espera, você ainda não tem lugar para morar?
- Não procurei nada, você sabe como eu sou procrastinadora. Olhei alguns lugares, mas tudo muito fora do meu orçamento, talvez eu possa colocar um anúncio em algum lugar por aqui? – Perguntei.
- Anúncio para que?
- Colegas de quarto, ué. Para dividir as despesas. – Assim que eu fechei a boca, percebi os olhos de Gemma brilhando.
- Vamos morar juntas! – Ela deu um gritinho – Sério, vai ser ótimo, eu estou mesmo precisando de uma colega de quarto. Se você quiser podemos ir lá em casa no final do expediente e você me diz se topa!
- Gemma, não precisa fazer isso, eu sei bem que você deve gostar de morar sozinha. Você sempre quis isso.
- Deixe de bobagem! Você só não vai morar comigo se não quiser. – Ela levantou da mesa e pegou as xícaras para lavar na pia. – Eu não sou milionária igual o meu irmãozinho, não, vai ser bom ter alguém para dividir as contas.
Fiquei calada por uns segundos e soltei uma risada, Gemma continuava a mesma.
- Tá certo, no final do dia irei com você até lá e me decido.
- Já está decidido, você vai apenas conhecer seu novo lar! – Ela sorriu confiante. Aquele sorriso me lembrou muito o de Harry. Eu estava me segurando para não fazer mil perguntas sobre ele. Não queria parecer uma fã maluca. Mas eu realmente queria saber como estavam as coisas. Se ele tinha mudado. Afinal, eu só sabia o que a mídia dizia. E eu também não ficava procurando. Não perguntei nada, apenas segui Gemma pelos corredores novamente para que ela me mostrasse tudo no nosso departamento.
No final das contas eu estaria trabalhando na área de entretenimento. Eu queria estar escrevendo reportagens investigativas, ou fazendo tudo aquilo que vemos repórteres incríveis fazer. Cobertura de desastres, guerras, e tudo mais. Só que a gente tem que começar de baixo, não é mesmo? Eu aguentaria uns meses ou anos falando até de fofoca, desde que soubesse que estaria trilhando meu caminho para reportagens e investigações.
Gemma fazia matérias sobre música e moda. Tudo que ela gostava. Nosso editor chefe se chamava Mark. Era um cara ranzinza, mas muito gente boa.

xxx


No fim do dia, eu já estava bem organizada e meio triste que Gemma não estaria lá por quinze dias. Ela iniciaria suas férias no dia seguinte, e tinha muitos planos de dormir e não responder e-mails.
- Ah! – Gemma suspirou alto se espreguiçando em sua cadeira, que ficava no cubículo ao lado do meu. – Férias! Doce som do descanso remunerado.
Dei um pequeno sorriso. Gemma realmente ainda era a mesma menina de oito anos atrás. Estava um pouco mais estilosa e bem menos tímida. Mas de resto, tudo igual.
- Então, senhorita , está pronta para conhecer seu novo lar? – Ela me cutucou após levantar de sua cadeira, colocando seu computador na bolsa.
- Você realmente tem certeza de que não vou te atrapalhar? – Fiquei preocupada dela estar apenas com pena de mim.
- Me diz, em qual planeta que morar com a sua melhor amiga de todas atrapalha? - Gemma soava ofendida com esses meus questionamentos. – Se você continuar falando isso, vou achar que você é que não está confortável em ir morar comigo.
- Sei lá, Gems, você já deve estar acostumada com suas coisas, não vai ser chato eu estar lá?
- Deixe de bobeira, o meu apartamento é grande demais para se morar sozinha, e Deus sabe que eu não estou pronta para morar com o Michal. – Gemma falava como se tudo fosse muito óbvio e apenas eu não entendia.
Dei uma risada. Uma coisa era certa, com os Styles não se pode argumentar por muito tempo. Eles sempre vão dar um jeito de te convencer. Descemos até o térreo, onde Gemma já tinha um Uber nos aguardando. Nem sequer vi quando ela solicitou a corrida. Ela deu as instruções para o motorista passar em outro endereço antes e fomos conversando bobagens sobre o trabalho até chegarmos lá. Estávamos entrando em Hampstead, um bairro muito bonito, e bem conhecido por ser o local onde gente rica e famosa mora. É um lugar que parece uma cidade pequena do interior. Eu sabia que esse não era nosso destino final porque estava vendo o trajeto no celular do motorista. Fiquei curiosa depois de uns minutos andando pelo bairro e finalmente perguntei:
- Onde estamos indo?
- Ah, vou passar rapidinho na casa do Harry para pegar umas chaves extras. Da última vez que ele foi lá em casa, pegou minhas chaves reservas, porque havia esquecido as dele, e eu pretendo te entregar essas chaves. Afinal, você vai morar comigo e precisa conseguir entrar na sua casa, não é mesmo?
Quando ela terminou de falar, o motorista parou o carro em frente a um portão preto. Gemma pediu que o motorista entrasse na garagem e aguardasse por alguns minutos. Ela tirou da bolsa um controle e abriu o portão. O motorista entrou com o carro e estacionou. Ela perguntou se ele desejava um copo de água ou qualquer outra coisa, sendo prontamente respondida que não precisava se preocupar. Ele aguardaria no carro o tempo que fosse necessário.
- Vem, , me ajuda a achar a chave. – E me puxou para fora do carro.
- Te ajudar como? Eu não conheço a casa!
- Só procura em qualquer superfície plana. Harry tem mania de jogar as chaves em qualquer lugar! As que estamos atrás tem um chaveiro de pomo de ouro, do Harry Potter, sabe?
- Sei, vou tentar de ajudar.
Gemma abriu as portas, entrou na minha frente e saiu reclamando que tinha roupa jogada no sofá. “Vou ter que pedir para mamãe mandar a Sra. Knowles aqui”, ela murmurava enquanto revirava as coisas atrás das chaves.
Eu deixei Gemma para lá e saí explorando a casa e procurando as chaves. Mas perdi muito tempo olhando para fotos que via em porta-retratos pelo caminho. Tinham muitas fotos de família, e algumas de quando eles eram crianças. Andei pelo andar inferior quase todo, quando ouvi um “estou no segundo andar” da Gemma. Ela avisou que revistaria o quarto dele. Cheguei na cozinha da casa dele e notei um pequeno mural num canto, percebendo que era o mural que ficava no quarto dele em Holmes. Me aproximei e consegui ver algumas coisas familiares, entre elas uma foto minha com Gemma de quando tínhamos uns 15 ou 16 anos de idade. Fiquei encarando a foto sorrindo e nem percebi que ela havia chegado atrás de mim.
- Nossa, eu não sabia que ele tinha essa foto nossa! – Ela tirou a foto do mural para olhar com mais clareza. – Olha a gente! Que bebês!
- Sim, eu nem me lembro de quando foi isso! – Continuei olhando a foto que estava na mão dela.
- Não faço ideia também! – Ela colocou a foto de volta no mural. – Como diabos o Harry tem essa foto?
- Não faço ideia!
- Ele deve ter roubado da mamãe. – Gemma virou os olhos. – Isso me lembra: me conta essa história ai de vocês terem trocado uns beijos! É sério? Ou aquele imbecil sonhou com isso?
Dei uma risada.
- Não me mata!
- Eu não acredito que você beijou o meu irmão, quando ele era um bebê. – Ela se fingia de ofendida. – Me explica como, quando, onde e por quê.
- Eu não me lembro ao certo. – Tentei enrolar – Sei que ele um dia me pegou de surpresa, sabe? Veio falando um monte de coisas e disse que queria só um beijo meu para poder superar. Me entregou uma carta até.
- E você caiu nessa? - Gemma rolava os olhos.
- Eu me deixei levar, quando eu vi, estava dando mais do que um beijo nele. – Levantei os ombros – Ele beijava melhor que Christopher.
- Meu Deus, eu não estou ouvindo isso. – Gemma começou a rir – Meu irmãozinho bebê beijava melhor que seu ex-namorado saradão?
- Durma com essa. – Entrei na brincadeira.
- Então, vocês trocaram uns beijos e foi isso?
- Foi isso, eu não queria admitir na época, mas eu estava começando a ficar interessada demais no Harry. Consegui tirar algum juízo da minha cabeça e convenci ele a acabar com qualquer coisa que nós tivéssemos para ele poder seguir com o sonho dele no X Factor.
Gemma apenas me encarou.
- Você sabia que quebrou o coração dele?
- Como assim?
- Na semana seguinte, eu fui com ele para Londres, junto com nossa mãe para o teste. E no trem ele estava à beira de um colapso. Eu achei que fosse nervosismo por conta do teste, sabe?
Continuei calada enquanto ela contava a história.
- Mas aí, eu percebi que ele estava na verdade segurando um choro. Chamei ele para comprar algo na lanchonete do trem e saímos de perto da mamãe. Quando eu perguntei o que estava acontecendo ele me abraçou e contou que estava “apaixonado” por você. E que você tinha dado um pé na bunda dele.
- É, eu realmente dei um pé na bunda dele. Mas eu juro que não queria magoá-lo.
- Eu sei, . – Gemma me deu um tapinha no braço. – Ele realmente ficou sentido. Teve algumas vezes que ele me ligou para não ligar para você. Até que as coisas começaram a engrenar no programa, e ele finalmente começou a se concentrar mais no futuro dele.
- Ainda bem que tudo deu certo. E por que você não me falou na época que sabia de tudo? A gente ainda se falava bastante.
- Ah, porque o Harry me fez fazer uma “promessa de mindinho” que eu nunca, jamais, sob hipótese nenhuma, falaria sobre isso com você.
Dei uma risada dela imitando a voz de Harry fazendo a dela ficar um pouco mais grossa e meio afeminada.
- Você acabou de quebrar essa promessa. – Lembrei.
- Já se passaram oito anos. Ninguém se importa mais. Vamos nessa? Eu achei as chaves.
Acenei que sim com a cabeça e segui Gemma pelos corredores até a garagem onde o motorista do Uber ainda nos aguardava tranquilamente.
- Muito bonita sua casa, senhorita. – Ele falou quando retornamos para o carro. – Minha esposa com certeza adoraria esse jardim.
- É a casa do meu irmão, também gosto bastante do jardim, ele tem uma boa jardineira, é uma senhorinha que mora logo ali em Camden. Posso te passar o contato dela!
- Eu agradeço! – Ele falou ligando o carro e seguindo para o endereço da casa de Gemma.
O local não ficava muito distante da casa de Harry, ficava em Camden Town, cerca de 15 minutos de distância.
O motorista estacionou na frente de um pequeno prédio, onde ficava o apartamento de Gemma, e nos desejou uma boa noite.
- Seja bem-vinda! – Gemma abriu os braços na calçada – Este será o seu novo lar! – Subiu pela soleira e procurou as chaves na bolsa enquanto caminhava até a entrada.
- Nossa, Camden Town? – Olhei surpresa, essa era uma localização tão nobre quanto a anterior.
- Harry insistiu que eu deveria morar próximo dele. – Ela levantou os ombros andando pela sala de entrada do prédio, cumprimentando o porteiro com um aceno de mão. – Quando eu reclamei que não teria condições de arcar com nada próximo da casa de milionário dele, ele me deu esse apartamento de presente. – Ela segurava as chaves na frente da porta.
- Uau!
- No começo eu até fiz um charme, disse que eu não ia aceitar, que ele não tinha que sair comprando casas para mim. Mas, no final das contas ele comprou de qualquer jeito. – Ela abriu a porta. – Seja bem-vinda.
O apartamento era térreo, com três quartos, uma sala aberta com cozinha integrada, o bom e velho “conceito aberto”. Tinha um jardim privado nos fundos, com portas francesas. A decoração era moderna, bem a cara de Gemma. Tinha um piano armário num dos cantos da sala, um sofá em L e uma televisão grande. A cozinha seria bem apertada se não fosse aberta.
Havia um pequeno lavabo na sala, e logo ao lado, um corredor estreito que levava aos quartos.
- Vem – Gemma me puxou pelo corredor. – Esse é o meu quarto. – Ela me mostrou abrindo a primeira porta. O quarto dela era muito bonito, dava para ver que havia algum tipo de decoração planejada ali. – O seu quarto fica do outro lado.
Ela continuou me levando pelo pequeno corredor. O apartamento não era gigante, era bem simples, levando em consideração o valor que provavelmente foi pago. Tudo é localização.
- Esse é o quarto de visitas, ou o quarto da minha mãe. – Ela abriu a porta novamente para que eu pudesse olhar. – E aquele ali é o “quarto do Harry”. - Gemma fez aspas com as mãos no ar. - Que agora vai ser o seu quarto.
- Quarto do Harry? Como assim? – Arregalei os olhos – Eu não posso roubar o quarto do Harry!
- Ele gosta de falar que esse quarto é dele, porque o de visitas é da minha mãe. Ah, e porque ele comprou a cama desse quarto também.
Entrei no quarto e percebi que realmente era o quarto do Harry. Tinham alguns livros, papéis rabiscados numa escrivaninha, fotos da família. Uma das portas de armário estava aberta e pude ver algumas roupas dele penduradas.
- Gems, eu não vou roubar o quarto do seu irmão, posso ficar no de visitas! – Falei, percebendo que talvez incomodaria Harry. – Imagina se ele quer vir aqui e eu estou no quarto dele.
- , ele tem uma casa inteira só para ele. E no quarto de visitas não tem banheiro. Se ele quiser dormir aqui vai ter que ficar no quarto de visitas, ora essa! – Ela falou como se fosse óbvio, novamente.
- Eu posso pelo menos esperar ele pegar as coisas dele, sei lá. Você não acharia ruim uma pessoa estranha mexendo nas suas coisas?
Gemma rolou os olhos e foi até a escrivaninha do quarto.
- Ele está em turnê, por uns cinco ou seis meses. Eu resolvo isso. Veja só.
Ela puxou uma caixa que estava sendo usada de lixeira de debaixo da mesa. Jogou tudo que tinha dentro, que eram apenas alguns papeis amassados, no chão. E depois disso, passou o braço na mesa arrastando tudo que havia lá para dentro da caixa. Separou apenas um óculos e um relógio que estavam na mesa de dentro da caixa. Puxou uma caneta do meio da bagunça e escreveu na caixa “merdas do Harry”.
- Pronto. Tudo guardado.
Dei uma risada. Gemma não ia mudar de ideia.
- Ok, me dou por vencida. Vou morar com você.
Ela deu um pulinho no ar e veio me abraçar.
- Você não vai se arrepender! – Disse ainda me abraçando. – Amanhã depois do trabalho, vem para cá e para de pagar esse apart hotel, por favor.
- Gems, esse apartamento é seu, certo?
- Sim, por quê?
- Você não paga aluguel, como vou dividir com você? Dividir só as despesas da casa não parece justo.
- Eu ganhei essa casa do meu irmãozinho que você costumava beijar. Isso não parece justo também. Me ajudar com as despesas vai ser mais que o suficiente. Agora, finalmente vou poder aumentar a velocidade da internet. – Ela fez piada – Se você quiser, já pode dormir aqui hoje!
- Não, tenho que ir para casa, não tenho nem uma muda de roupa aqui. Sem falar que preciso arrumar minhas coisas para mudar para cá.
Gemma entendeu, foi comigo até a sala e me entregou as chaves com o chaveiro de pomo de ouro. Depois disso ela me levou até o porteiro para me apresentar e me colocar na lista de moradores.
- Muito bem! Até amanhã então, Gemma. Aproveite seu primeiro dia de férias!
- Muito obrigada, dormirei até a cama me expulsar! – Ela deu um sorriso torto. – Ah! Antes que eu me esqueça, anote o telefone no Harry!
Olhei para ela com cara de interrogação, e meio assustada.
- Ah, não me faça essa cara, ele vai gostar de saber que você está de volta. – Ela pegou o meu celular de dentro da minha bolsa e salvou o numero do irmão. – Ele está em algum lugar do planeta aí, sei que o fuso horário é de mais ou menos umas 9/10 horas. Então, o ideal é mandar mensagem para ele por agora.
- São oito e meia agora. – Comecei a contar nos dedos as horas de diferença. – Lá deve ser umas cinco ou seis da tarde?
- Isso mesmo, mas ele tem show hoje, então é capaz que ele só te responda amanhã de manhã, que é mais ou menos quando acaba o show.
- Ok, prometo que antes de dormir, eu mando uma mensagem para ele. Quem sabe eu não peço autorização para ficar com o quarto dele, não é?
Gemma apenas deu outra risada e se despediu. Fui até o metrô para poder voltar para o meu apart hotel.
Demorei uns bons 40 minutos para chegar de volta ao meu hotel, porque me perdi nas linhas do metrô. A gente sai do interior, mas o interior não sai da gente. Eu só tinha vindo para Londres umas duas vezes minha vida inteira, todas elas acompanhada dos meus pais, não tinha como eu acertar de cara. Quando cheguei, organizei rapidamente o pouco que eu havia tirado das malas no dia anterior. Tomei um banho e antes de dormir, encarei meu celular. Resolvi abrir o Whatsapp para ver qual tipo de foto Harry Styles usava no Whatsapp dele. Não apareceu nada. Então resolvi mandar uma mensagem para Gemma.
“Acho que você me deu o número errado, ele não está aparecendo no Whatsapp.”

“Ah, foi mal, ele não tem Whatsapp. Mande Imessage ou sms. Ele vai receber.”


Harry Styles não tem Whatsapp. Excêntrico. Abri as mensagens e fiquei encarando a tela. Eu não tinha ideia do que escrever. Resolvi parar de pensar demais e mandei a primeira coisa que veio na minha cabeça.

“Quanto tempo, hein? Encontrei com sua irmã ontem por acaso. Ela me passou seu número e suplicou que eu mandasse uma mensagem para você, é sério. Espero que você não se importe. Ah, é a .”

Esperei alguns minutos e nenhuma resposta. Fiz as contas e percebi que ele provavelmente estaria se preparando para o show. Resolvi ir dormir. Lidaria com a resposta dele pela manhã.


Capítulo 3

Harry’s POV.

Acordei com o telefone do hotel tocando. Era o meu “despertador” na turnê. Meu empresário, Jeffrey, sabia que eu tinha dificuldade de levantar pela manhã e ele definitivamente não confiava no meu despertador do celular, uma vez eu fiquei por duas horas apertando a soneca e me atrasei para uma sessão de fotos. Desde então, ele faz Mike, meu assistente, programar chamadas para me levantar de manhã aonde quer que eu esteja.
- Bom dia, senhor Styles. Esta é sua chamada despertador. – Coloquei o telefone no ouvido ainda deitado com os olhos fechados. – em alguns minutos seu café da manhã será entregue, junto com ele o Sr. Azoff chegará.
- Obrigado, bom dia para você também. – falei com a voz meio rouca de sono. Eu tinha que levantar, mas estava terrivelmente cansado. Parecia que dois tratores haviam passado por cima de mim. Eu não conseguia parar de pensar na troca de mensagens da noite anterior. Me levantei depois de enrolar uns minutos e fui até o banheiro lavar o meu rosto. Hoje eu tinha uma manhã de folga antes de embarcar para Sydney. Cheguei no banheiro e notei que o chão estava quente, diferente do quarto. Aparentemente o banheiro tinha aquecedor no chão. Me lembrei que era uma coisa que eu queria colocar na minha casa em Londres, mas Gemma falou que era frescura. Joguei água fria no meu rosto e ouvi a campainha do quarto tocar. Peguei a toalha de rosto, sequei, joguei ao redor do meu pescoço e fui até a porta do quarto.
- Bom dia, Harry! – Jeff entrou no quarto sendo seguido por um carrinho com muitas frutas e pães.
- Bom dia, Jeff! – cumprimentei bocejando. – Você não podia me deixar dormir um pouco mais nem na minha manhã de folga?
- Mas você me pediu ontem que te acordasse por volta das nove, para poder conhecer a cidade antes de embarcar. – Ele sentou na minha cama pegando uma das maçãs do carrinho. – Sem falar que você foi dormir ontem às dez horas da noite. Não é possível que ainda esteja com sono.
- Demorei para pegar no sono. – Desconversei. Eu realmente tinha pedido que me acordasse mais cedo.
- Bem, aqui está sua passagem para mais tarde. Arrume suas coisas e deixe tudo certo que logo mais viremos buscar aqui no quarto. Você vai direto para o aeroporto?
Olhei a hora das passagens, três da tarde, agora eram nove e vinte. Cheguei a conclusão de que poderia aproveitar mais se não voltasse para o hotel.
- Vou sim, alguém mais vai comigo? – perguntei me referindo à banda.
- Sarah e Mitch também estavam querendo dar uma volta. Quer que eu os coloque no mesmo carro com você?
- Se eles toparem, quero sim, vai ser melhor explorar a cidade com companhia.
Jeff puxou seu telefone e se afastou para a varanda do quarto, resolvi tomar o meu café da manhã. Enquanto comia uma banana e servia um pouco de suco, ele apareceu no quarto, ainda falando no telefone me fazendo um sinal de positivo com o polegar direito. Sorri de boca cheia e levantei meus dois polegares de volta para ele. Mitch e Sarah viriam comigo. Terminei rapidamente meu café, coloquei uma blusa branca, uma calça bege, meus óculos escuros e segui Jeff para o local onde o carro estaria esperando para nos levar.
Encontrei Sarah e Mitch no hall de entrada do hotel. Sarah estava com um coque na cabeça e uma blusa de manga comprida azul que tinha uma das mangas vermelhas, uma legging justa preta e botas. Mitch estava com uma calça jeans preta, uma blusa cinza e óculos escuros. Me aproximei dos dois e me coloquei no meio deles, puxando ambos para um abraço de lado.
- Bom dia, meus amorecos.
- Bom dia, Harry. – Os dois responderam ao mesmo tempo e deram uma risada.
- Gostei da blusa, Sarah. – Falei apontando para a manga de cor diferente.
- Te empresto quando quiser. – Ela fez piada e apontou para o carro que havia estacionado na entrada.
Era uma pequena van preta. Nos sentamos nos bancos de trás e começamos a decidir aonde iríamos primeiro.
Fomos até o píer Yarra River. Era um local bonito, como era um dia de semana pela manhã, estava mais tranquilo, descemos e ficamos passeando por lá. A todo momento eu checava meu celular à espera de alguma mensagem de . O que não fazia sentido, eu não tinha mandado nada para ela, não tinha porquê ela me mandar nada. Mas não conseguia evitar. Mitch foi o primeiro que notou meu comportamento.
- Que diabos você tanto olha nesse celular, Styles?
- Na verdade, nada. – Peguei o celular e olhei mais uma vez. – Eu estou apenas olhando as horas.
- Ah tá, corta essa. – Sarah entrou na conversa. – Você olhou a hora pelo menos umas vinte vezes nos últimos cinco minutos. Isso é uma desculpa esfarrapada.
Dei uma risada e guardei meu celular.
- Isso tá com cara de “love affair”. – Mitch fez as aspas com as mãos. – tá de papinho com alguém e não recebeu resposta foi? – ele chegou perto de mim fazendo uma voz fina e tentando me fazer cócegas.
Continuei calado, mas senti o meu rosto começar a me entregar. Eu conseguia sentir minha face ficar ruborizada enquanto tentava escapar das cócegas.
- Olha lá Mitch, ele já está até vermelho. – Sarah resolveu se juntar a Mitch para pegar no meu pé – Tentou falar com Kiwis é?
Ela e Mitch gargalhavam. Eu ri junto e rolei os olhos, colocando meus óculos para cima como uma tiara.
- Não é da conta de vocês. – Falei e nesse mesmo segundo meu celular fez barulho de mensagem recebida. Os dois se entreolharam e resolveram com uma troca de olhar que deveriam roubar meu celular. Quando percebi comecei a correr desesperado pelo píer pegando o celular no bolso para ver a mensagem. Os dois foram mais rápidos e conseguiram pegar o telefone logo após eu destravar a tela. – Vou trocar de banda, vocês estão muito insubordinados. – brinquei enquanto os dois mexiam no meu celular.
- Você recebeu uma mensagem da sua irmã. – Mitch devolveu o celular com a cara preocupada. – Nada de kiwis. Ela só quer saber como foi ontem à noite e se você conseguiu dormir depois do seu surto.
Eles não leram as conversas anteriores, apenas acharam que a mensagem que eu havia recebido seria de alguém diferente. E no fundo eu também esperava.
- Surto? – Sarah perguntou. – Se você não quiser falar sobre isso tudo bem, mas estamos aqui para te ajudar, qualquer coisa. – Achei fofo, ela pensou que fosse algo grave. Sarah e Mitch eram os mais próximos de mim na banda. Mitch era quase como um irmão. Resolvi abrir o jogo, porque eles já podiam estar fantasiando acerca do meu estado mental.
Suspirei fundo.
- Gemma é uma idiota mesmo. – Dei uma risada. – Está tudo bem, eu “surtei” – levantei os dedos no ar fazendo aspas – porque recebi uma mensagem de texto de uma menina que eu era apaixonado quando tinha 16 anos. Pronto podem zuar.
- Como é? – Sarah me encarou – Você recebeu uma mensagem de texto do seu amor adolescente?
- Sim, ontem, logo depois do show.
Mitch segurava uma risada, Sarah ainda me olhava incrédula.
- Como ela conseguiu seu telefone?
- Por acaso, ela foi, ou é, melhor amiga da minha irmã por muito tempo, e ontem elas acabaram se reencontrando. Então minha irmã deu meu telefone para ela.
Sarah ficou calada. Mitch resolveu falar.
- E por que diabos você surtou? Você ainda gosta dela?
- Não sei porque eu surtei.
Os olhos de Sarah brilharam.
- Você estava esperando uma mensagem dela! – Gritou para todos do píer ouvirem – Você ainda gosta dela! Meu Deus.
Coloquei minhas duas mãos no rosto e respirei fundo. Virei de costas e ignorei os pulos de Sarah.
- Vou tomar um sorvete. – Caminhei em direção a uma sorveteria que tinha mais à frente no píer. Paul que estava nos vigiando de longe percebeu minha movimentação e logo chegou do meu lado. Algumas meninas me reconheceram e pediram para tirar fotos. Mas havia pouca gente por lá, então pude comprar meu sorvete tranquilo.
Sarah e Mitch cochichavam atrás de mim sem parar. Pediram sorvetes também. Aos poucos, notamos que a notícia de que Harry Styles estava no Yarra River começou a se espalhar e precisamos voltar para o carro às pressas.
- Conta essa história direito, você gosta dessa menina desde que você tem 16 anos?
- Eu não gosto dela desde que eu tenho dezesseis anos. – Puxei o cinto de segurança para prender – Eu gostava dela quando tinha dezesseis anos. – Dei ênfase no quando.
- Então por que o surto?
- Eu não sei. Não sabia o que responder, eu não falava com ela há oito anos.
Mitch e Sarah trocaram um olhar. E me encararam como se tivessem toda a sabedoria do universo.
- Na verdade... - suspirei - acho que nosso "término" - fiz aspas com a mão novamente - foi meio esquisito. Talvez eu não tenha superado ela direito, sei lá. Meu deus do céu. Eu tô muito adolescente.
- É, meu amigo. - Mitch passou o braço por cima do meu pescoço. - Você realmente tem uns sentimentos não resolvidos aí.
- Você vai encontrar com ela em algum momento? Ou foram só essas trocas de mensagem?
- Ela vai morar com minha irmã. No final da turnê ou nessa pausa antes da América do Sul, vou ter que encarar ela pessoalmente e não sei o que vou fazer.
Mitch me abraçou.
- É, você realmente não superou ela.
- Como foi esse término de vocês? - Sarah manteve o assunto.
- Eu tinha dezesseis anos, troquei uns beijos com ela por uma semana e ela me deu um pé na bunda.
- E você ainda gosta dela? Conta essa história direito.
Suspirei novamente e dei um sorriso fraco.
- Ok, vou contar direito.
Enquanto passeávamos pela cidade de carro contei tudo desde o início, de como me apaixonei, nossa diferença de idade, X Factor e como nos afastamos.
- Tá aí a explicação. É óbvio. - Sarah fez uma pose de terapeuta e continuou - Você nunca deixou de gostar dela, Harry. Você apenas se forçou para esquecer. E aí tudo que aconteceu ajudou você a ter outros focos.
Fiz uma careta e baixei meus óculos.
- Ok, chega de sessão de terapia, vou tirar um cochilo aqui. Estou cansado.
Encostei minha cabeça no ombro de Mitch, que estava ao meu lado e fingi dormir. Mas fiquei pensando no que Sarah tinha acabado de dizer. Será que era por isso que eu estava tão esquisito? Eu ainda gostava dela?
Ainda tínhamos algumas horas até a o embarque. Sarah me cutucou depois de um tempo para saber se tinha algum lugar especifico que eu queria visitar. Eu apenas falei que toparia qualquer coisa que eles quisessem e continuei jogado no meu banco pensando no que eu podia estar sentindo. Acho que tenho que ligar para a minha mãe.
Paramos numa região do centro meio movimentada, resolvi ficar dentro do carro para que os dois pudessem aproveitar melhor as lojinhas. Dei a desculpa de que iria telefonar para minha mãe e preferia ficar sozinho. Eles não protestaram muito e foram passear, acho que algo estava acontecendo entre eles. Mas eu estava tão agoniado com o pensamento em que nem sequer consegui analisar muito bem a interação dos dois. Fiquei no carro uns cinco minutos pensando na vida até que resolvi pegar o telefone.
- Olá, querido! – era sempre bom ouvir a voz da minha mãe – Está tudo bem por aí?
- Oi, mãe! Por aqui está tudo ótimo, logo mais vou embarcar para Sydney.
- Nossa, cada vez mais distante de casa, não é mesmo? – ela deu uma risada – Quando é que você tem a semana de folga e vem me ver?
- Se não estou enganado, é depois do Japão. Antes de ir para América do Sul. Daqui umas duas ou três semanas.
- Ótimo! Já ficou sabendo das notícias? Gemma e estão morando juntas em Londres! – dava para perceber a empolgação em sua fala – Estou tentando convencê-las a virem para cá na sua semana de folga. Matar a saudade como nos velhos tempos.
- Fiquei sabendo sim, eram bem sobre isso que eu queria conversar com você.
- Então mande, maninho. – Minha mãe, sempre tentando soar como adolescente. Dei uma risada.
- Talvez Gemma já tenha te contado isso. – Comecei sem saber se eu devia estar falando com minha mãe sobre isso. – Mas, hum...
- Desembucha logo! Estou curiosa! Você está namorando?
- Não estou namorando. O que eu estar namorando tem a ver com Gemma e ?
- Ah, não sei, meu amor, talvez você quisesse saber se podia trazer ela para cá. Eu leio as fofocas, sabe?
- Não estou namorando. Se eu começar a namorar você vai saber por mim. Não leia fofocas, mãe.
- Às vezes eu leio para dar risadas e para ver fotos suas. Você não me manda mais nada. – Começou o sermão. – Parece que nem lembra de mim, às vezes.
- Mãe. – Interrompi – vou te mandar mais fotos. Mas eu preciso de sua opinião, lembra que eu estava contando uma história?
- É verdade, continue, vou ficar quieta.
- Então, no começo de 2009, antes de eu ir para o X Factor, eu meio que comecei a gostar da . – Fiquei em silêncio por uns segundos e minha mãe manteve a palavra de ficar quieta. – E algumas semanas antes de ir para minha audição a gente meio que ficou. Só que ela me deu um pé na bunda pois eu tinha apenas 16 anos e ela não queria que eu deixasse de ir viver minha vida no X Factor. Daí ontem quando ela me mandou uma mensagem de “oi” eu comecei a surtar. Você acha que eu ainda gosto dela?
Minha mãe deu uma risada.
- Meu bem, você começou a gostar da com uns 11 anos. – Eu ia falar, mas ela me interrompeu – Você queria sair com elas, só falava nela. Talvez você só tenha se dado conta disso com 14 ou 16. Mas essa paixonite aí começou bem antes.
- Tá, mãe, mas e agora? Você acha que eu ainda gosto dela? Eu tô realmente meio esquisito. Ela só me mandou uma mensagem idiota e eu estou há 24 horas igual a um louco. Isso não acontece normalmente, sabe?
- Harry, querido, talvez seja só a empolgação do momento. Talvez entrar em contato com ela tenha apenas “reativado” essas memórias românticas. E talvez por você estar meio isolado de tudo isso, numa turnê, sem ninguém especial na sua vida, aparentemente, você ache que está gostando dela.
- Você acha que eu estou pensando demais nisso?
- Com certeza, sabe como você vai ter certeza? – respondi que não. – Quando vocês se verem pessoalmente. Se você ainda gostar dela, vai perceber. E se você não perceber, eu percebo por você. Afinal, vocês vão se ver aqui em casa na sua folga, não é mesmo?
Senti meu coração acelerar.
- Só de pensar nisso, já fico nervoso, mãe.
- Talvez você ainda goste dela, meu bem. E que mal há nisso? Vocês podem muito bem conversar. Eu ia adorar ter a de nora. Você sabe o tanto que eu adoro aquela tortinha de morango que ela fazia.
Virei os olhos e dei uma risada.
- Mãe, ela tem namorado. E mesmo que não tivesse, pode não querer nada comigo.
- Você é mais bonito que o namorado dela, tenho certeza. Muito mais inteligente e cheiroso também.
- Mãe. Você nem conhece o cara.
- Mas eu conheço você. Ora essa, ninguém é mais lindo do que o meu bebê. Tenho certeza que ela consideraria namorar com você. Eu me lembro que ela não era louca.
- Mãe! – continuei rindo.
- Trago apenas verdades, meu filho. – Notei Mitch e Sarah voltando, de mãos dadas, para o carro.
- Tá, mãe, o pessoal está voltando para o carro. Acho que já vamos para o aeroporto.
- Muito bem, querido, boa viagem, e me mande as fotos que você prometeu, sim?
- Vou mandar, mãe, obrigado pela conversa, te amo!
- Te amo, meu bebê.
Desliguei o telefone um pouco mais calmo. Minha mãe era muito boba. Eu com certeza não teria chances com . Resolvi não pensar demais nisso e voltei minha atenção ao pequeno casal diante de mim.
- Quer dizer que vocês são um item agora? – apontei para as mãos dadas. Os dois deram uma risada. Mitch apenas levantou os ombros e Sarah disse um “sei lá, estamos nos divertindo”.
Achei fofo.
- O que vão dizer os tabloides, Mitch? – falei para ele me fingindo de traído. – Que você me trocou por Sarah. Eu, Harry Styles. – fiz uma pose de diva.
Os dois deram mais risadas e seguimos de carro para o aeroporto, ficaríamos pelo menos uns 45 minutos no lobby. Mas não tínhamos mais tempo de ir a lugar algum sem nos atrasarmos.


Capítulo 4

’s POV.

Fiquei encarando meu celular por alguns minutos. Eu tinha acabado de trocar mensagens com Harry Styles. Sei que eu já conhecia ele antes, e até já dei uns beijos nele. Mas isso fazia tanto tempo. E ele havia mudado tanto. Agora era famoso e importante. Sem falar que ele estava muito lindo. Não tinha como dizer o contrário. Harry sempre foi bonito, mas ele tinha aquela carinha de criança que apronta. Agora ele é um adulto com cara de safado. Meu Deus. Estou aqui chamando ele de safado na minha mente.
- Você me ouviu, ? - Mark me chamou, pelo visto, pela segunda vez.
- Ah, me desculpe, eu me perdi. - Parei de divagar e voltei minha atenção para o meu editor chefe.
- Quem diabos estava falando com você nesse celular? Nunca vi alguém ficar tão compenetrada numa conversa. - Ele disse sem tirar os olhos da coluna que estava lendo.
- Ah, ninguém importante, era só um velho amigo perguntando sobre minha mudança.
- Hum, pois trate de conversar com seus amigos em outro horário. Essa coluna está boa, fale com o pessoal da fotografia para anexar as imagens e já pode mandar para minha sala quando estiver finalizado. Sairá na edição desta semana.
- Tá certo. - Peguei de volta o papel das mãos de Mark e fui andando até o elevador. O editorial de fotografia ficava no sexto andar. Enquanto aguardava o elevador, comecei a ler novamente nossa troca de mensagens. Ele perguntou se eu estava namorando. O que isso quer dizer? Será que ele acha que eu entrei em contato porque quero alguma coisa com ele? Eu ainda estava pensando em mil motivos para Harry querer saber se eu tinha um namorado quando meu celular vibrou. Senti um frio na minha barriga, pensando que podia ser alguma mensagem dele. Mas era uma mensagem de Chad, meu namorado, que aparentemente eu esqueci nos últimos dois dias.

"Está tudo bem? Você não me mandou mensagens ou ligou desde que desembarcou em Londres. Não me chame de dramático. Mas eu estava acostumado com mais atenção quando você morava por aqui."

Em outras situações, eu acharia bonitinha ou até mesmo fofa essa mensagem. Leria em tom de brincadeira. Mas depois da nossa briga antes da mudança não conseguia ler nenhuma mensagem do mesmo jeito que não em tom acusatório.

"Claro que está tudo bem, me desculpe por não ter te ligado, mas as coisas estão meio bagunçadas por aqui. Mudança e trabalho. Sabe como é, te ligo hoje de noite, pode ser?"

Tentei manter a compostura. Afinal eu gostava dele, apesar de tudo. Quem sabe depois de conversarmos de noite, poderíamos voltar ao normal.

"Tudo bem, espero sua ligação ou você quer que eu te ligue?"

"Eu te ligo, por volta das nove, pode ser?"

"ok, xx"


Não respondi nada, porque tinha chegado na sala dos fotógrafos. Fui até a mesa de Samantha. Ela era umas das fotógrafas que me dava um pouco mais de atenção. Afinal este era apenas o meu segundo dia de trabalho, nem todo mundo falava comigo.
- Oi, ! - ela me cumprimentou. - Tudo certo?
- Já te falei várias vezes para me chamar de , Samantha!
- Quando você começar a me chamar de Sam, eu paro. - ela deu um sorriso. - Como posso te ajudar?
- Preciso das fotos para essa coluna - entreguei o papel para ela - Mark está esperando apenas isso para finalizar e enviar para a edição final.
- Deixa comigo. - Ela começou a ler a matéria para verificar quais fotos devem ser anexadas. - E então, como está a Gems? Curtindo muito as férias?
- Quando eu saí de casa, ela estava dormindo profundamente. Acredito que isso seja equivalente a curtição extrema para ela. - Samantha anotou alguns nomes e colocou a coluna numa pilha com a etiqueta "enviar para formatação".
- Pronto, logo ela vai pra mesa do Mark. Seu trabalho está feito. Você vai almoçar por aqui hoje?
- Sim, mas ainda tenho que explorar a redondeza, tem algum lugar bom e barato? Ou é melhor eu já pedir um delivery?
- Tem sim, hoje vamos comer no Joey´s. Vem com a gente! É bom que você já conhece mais um pessoal.
- Legal, que horas vocês saem?
- Por volta das 12:15, te dou um toque e vamos, pode ser?
- Fechado.
Voltei para meu cubículo e resolvi mandar uma mensagem para Gemma.

"E aí, já acordou?"

"Acordei alguns minutos depois que você saiu. Meu irmão fez o favor de me levantar com uma ligação. Ele queria ter certeza de que você era você mesmo."

"Ah, foi por isso que quando ele me respondeu, já sabia que íamos morar juntas?"

"Sim, como foi a conversa com ele? Ele falou igual uma pessoa normal com você?"

Achei a pergunta meio esquisita.

"Na medida do possível sim. Perguntou como eu estava e essas coisas."

"Que bom, posso manter minha fé nele então"

"Ah, ele perguntou se eu estava namorando. Achei meio aleatório, mas o Harry é meio aleatório. Ele continua assim, pelo visto. haha"

"Ele perguntou se você estava namorando do nada?"

Essa resposta dela fez minha barriga gelar novamente, realmente não tinha sido uma pergunta que se faça aleatoriamente. Ou tinha. Ai meu Deus.

"Não foi bem assim. Ele perguntou com certeza de que eu estava namorando. Falou 'qual o nome do seu namorado?' Você falou para ele do meu namorado?"

"você tem namorado?"

"Tenho ué, o Chad."

"Você não me falou nada de Chad nenhum! Quero saber tudo, ele mora em Manchester?"

"Sim, mais tarde te conto sobre ele. Mas se você não falou para ele. Como ele poderia saber?"

"Vai ver ele jogou um verde e você caiu."

"Mas por que ele estaria interessado nisso? Não faz sentido."

Gemma demorou para responder, pude ver ela digitando e apagando o texto algumas vezes até que recebi sua resposta.

", você ainda pode achar que meu irmãozinho é um bebê inocente. Mas eu sei bem que ele não pergunta esse tipo de coisa sem motivo. Ele estava genuinamente curioso acerca do seu status de relacionamento porque ele quer alguma coisa ou apenas para ter certeza que você o superou. Ele é incrível e eu amo aquela peste. Mas ele é bem narcisista. Vai ver ele pensou que você fosse ficar esse tempo todo sozinha lamentando por não estar com ele. haha"

"Hum, faz sentido."

"Se você quiser deixar ele meio curioso pergunta se ELE está solteiro. Te garanto que assim a gente descobre se era só narcisismo ou ele ainda tem alguma queda por você."

"Ele não tem uma queda por mim. Ele nem sabe mais como eu estou. Não tem como ele ter uma queda por mim."

"Lendo essa mensagem parece que você tem uma queda pelo meu irmãozinho, haha"

"Você está delirando, Gemma. Eu tenho um namorado."

"Meu bem, eu tenho um namorado também e isso não me impede de achar o Chris Pratt um gostoso e ter uma queda monstro por ele. Vai dizer que você não acha que o Harry belo e garboso?"
"Belo e garboso? hahaha"

"Eu não vou usar a mesma nomenclatura que usaria para definir Chris Pratt para falar do meu irmão."

"Você é uma idiota, igual seu irmão"

"Você não respondeu minha pergunta."

"Sim, eu acho seu irmão belo e garboso."

"Bingo. Se ele te desse mole, você pegaria, não pegaria?"

"Chega disso. Não quero mais falar sobre isso. Hoje de noite te conto do Chad, estamos meio brigados, se prepare para a conversa, haha. Vá aproveitar suas férias e pare de pegar no meu pé."

"Eu sei que você pegaria, umas oito milhões de pessoas pegariam. E você está nessa estatística."

Simplesmente ignorei a mensagem. Eu sei que com certeza ia querer em qualquer outra situação. Mas eu sou uma pessoa bastante racional, que não age por instintos selvagens. Tenho um namorado, logo não ia fazer nada. Mas se eu não tivesse namorando pensaria várias vezes antes de tentar alguma coisa com Harry. Primeiro, ele é irmão da minha melhor amiga, mas isso não me impediu antes. Mas naquela época ele me idolatrava, eu era a amiga da irmã mais velha, isso devia ser algum status para adolescentes, naquela época eu era muita areia pro caminhão dele. Mas agora? Depois da fama? Ele pode e definitivamente pega todas as modelos possíveis e imagináveis. Harry Styles definitivamente é muita areia para meu caminhão.
Eu devo ter ficado encarando a tela do meu computador por pelo menos uns 20 minutos sem fazer nada apenas pensando no que eu deveria ou não fazer. Apesar de toda minha racionalidade um pedacinho de mim ainda queria entender por que ele se interessava pelo meu status. Resolvi que mais tarde mandaria a mensagem que Gemma sugeriu, junto com ela de preferência, para que ela me ajudasse com a possível resposta.
Meu telefone tocou, era Sam me avisando que estava na hora do almoço. Juntei minhas coisas e joguei na bolsa. Corri até o elevador e sai para almoçar com o pessoal da revista.

XXX


Saí do trabalho às 17:00h em ponto e resolvi passear pela cidade, e talvez comprar algumas coisas novas para meu novo quarto. Perdi totalmente a noção do tempo dentro da Primark e só cheguei em casa às dez da noite. Tinha perdido o horário combinado de ligar para Chad.
Quando entrei em casa, Gemma estava na sala com uma toalha na cabeça comendo chips e vendo Sexta Feira Muito Louca.
- Meu Deus do céu, você está vendo esse filme jurássico? – já cheguei fazendo piada.
- Temos que relembrar a vida de Lindsay Lohan antes das loucuras do cabelo platinado. Quer ver comigo?
- Até gostaria, mas eu tenho uma ligação horrível para fazer pro meu namorado agora.
- Horrível porque?
- Bem, vou tentar ser objetiva – falei sentando no sofá, enquanto ela abaixava o volume da televisão. – No dia que eu recebi o convite para trabalhar fixo na revista fiquei super empolgada e fui contar para ele.
Gemma se manteve calada, comendo seus salgadinhos, me encarando como seu eu fosse o novo filme.
- Ele primeiramente ficou muito feliz por mim, mas entendeu que a vaga era à distância. Quando eu comecei a explicar que seria uma vaga na sede da editora ele começou a surtar.
Gemma levantou apenas uma das sobrancelhas, fazendo uma cara séria meio engraçada, o que me fez dar uma pequena risada.
- Para de fazer essa cara, eu tô tentando contar a história aqui. – Joguei a almofada na cara dela.
- Que cara? Eu só estou ouvindo, foi um movimento involuntário, não jogue coisas em mim. - E jogou de volta a almofada na minha cara.
- Tá, tá... Então, ele começou a surtar, falando que eu não podia mudar para Londres, que devíamos ficar juntos, que esse trabalho era inferior ao que eu estava atualmente e que se eu viesse para cá, nosso relacionamento estaria fadado ao fracasso por minha culpa.
- Nossa, mas ele está sendo um babaca. – Ela colocou mais salgadinhos na boca – Se ele não te apoia nisso, é complicado manter um relacionamento à distância, não acha?
Apenas suspirei.
- Você gosta dele, né? Tentem conversar numa boa, . Quem sabe ele não começa a entender melhor o seu lado?
- Me deseje sorte. – falei e caminhei para o meu quarto.
Ouvi um “boa sorte” de boca cheia dela antes de fechar a porta.
Eu ainda não havia tirado minhas coisas da mala para colocar no armário, resolvi abrir tudo e tirar pelo menos alguns vestidos que ficariam amassados para sempre se permanecessem mais dias na mala.
Ao abrir o armário notei umas três peças de roupa de Harry penduradas, e me senti como uma intrusa no quarto. Coloquei meus vestidos ao lado das roupas dele, mas não tirei de lá. Ia pedir para que Gemma as guardasse depois.
Sentei na minha cama, respirei fundo enquanto buscava o telefone de Chad nos meus contatos favoritos. Apertei para chamar ainda pensando duas vezes.
- Lembrou que tem namorado, é? – ele atendeu fazendo piada, o que derrubou o meu humor para zero.
- Eu estava trabalhando e depois precisei comprar umas roupas de cama, não precisa falar assim. – nem sequer disse alô, já que ele também não o fez.
- Eu te avisei que seria assim, aos poucos você ia me ignorar por conta desse trabalho novo e dessa mudança. – ele decidiu retomar a briga que havíamos começado ainda em Manchester.
- Não estou acreditando que você vai voltar nessa briga, novamente. Eu não aguento mais brigar sobre isso, Chad.
Ele suspirou fundo e eu me mantive calada, bufando e segurando um choro. Tudo que eu queria era desligar o telefone naquele segundo.
- Desculpa, - ele quebrou o silêncio – mas eu estou sentindo muito a sua falta, . Não consigo imaginar ficar a semana inteira sem te ver.
- Eu nem sequer tive um momento para sentir sua falta, Chad. Pois toda hora que eu penso em falar com você, essa briga começa de novo.
- Não sei o que falar, , eu ainda não concordo com essa sua mudança. Nós deveríamos ficar juntos.
- Você é muito egoísta, Chad. Eu te convidei para vir morar aqui comigo. E qual foi sua resposta?
- Isso não tem nada a ver, .
- Claro que tem, Chad, você não quis mudar para cá por conta da SUA carreira, mas tudo bem EU desistir da MINHA por sua causa, certo?
- Você mudou para Londres para escrever fofoca num jornal, isso de longe é um crescimento na sua carreira.
Eu senti gosto de sangue na minha boca nesse momento. Fiquei com tanta raiva desse comentário que acabei mordendo minha língua. Trabalhar nesse jornal em Londres sempre foi parte dos meus planos e ele sempre soube disso. Mesmo que seja na coluna de fofocas. Eu preciso conhecer as pessoas e fazer um bom trabalho para chegar aonde eu quero, mas era necessário esse primeiro passo.
- Quer saber, Chad? Eu acho que a gente precisa dar um tempo nisso, obviamente não está dando certo, não é mesmo?
- O que você quer dizer com isso?
- Temos que dar um tempo, Chad. – Comecei a perder minha voz, eu havia começado a chorar de raiva. – Não quero ficar brigando com você assim, sempre que nos falamos é apenas briga.
- Eu não quero terminar com você, . Pelo amor de Deus, isso está tomando proporções malucas. Eu te amo, e você sabe disso.
- Eu sei, e eu também te amo. Mas isso está insustentável. Eu não consigo esperar por uma mensagem. Sempre que eu vejo seu número já penso na forma como você vai me atacar por ter escolhido esse caminho para trilhar a minha carreira.
- Não tem por quê a gente terminar no meio dessa briga. Temos que nos ver pessoalmente e conversarmos sério. Eu estou nervoso e você também, mas pelo menos da minha parte, mais da metade disso é apenas saudades suas.
- Vamos fazer o seguinte, vamos nos dar um tempo por duas semanas. E depois nos vemos pessoalmente e decidimos o que vai ser desse relacionamento.
- Eu não quero dar um tempo. Você está em Londres, rodeada de gente interessante, o que te impede de se interessar por alguém?
- Pelo amor de Deus. Você acha que eu sou sua propriedade? Que se eu ficar duas semanas “sem ser sua”, eu vou começar a transar com todos os caras que me rodeiam?
- Eu não quis dizer isso. Você está exagerando. Pelo amor de Deus digo eu.
- Duas semanas, e nos veremos, posso ir até aí ou você vem para cá e conversamos. Acho que precisamos disso para aliviar essa tensão.
Ele permaneceu calado por uns minutos.
- Não vou conseguir te convencer de forma nenhuma, não é?
- Não. Eu preciso focar na minha mudança e não vou conseguir fazer isso com a minha cabeça girando em torno dessa briga. – Engoli o choro e fui firme.
- Não tenho mais nada para falar então. – disse bravo. – Daqui a duas semanas eu vou até Londres e te mando uma mensagem para nos encontrarmos. Até lá.
- Até. – falei e ele desligou o telefone.
Comecei a chorar igual a uma idiota, Gemma provavelmente ouviu um pouco da ligação já que no final eu estava praticamente berrando minhas palavras em meio ao choro. Ela bateu na porta e pediu para entrar. Quando abriu a porta me viu chorando na cama e veio me abraçar.
- Ele não te merece, nem conheço ele, mas se ele está te fazendo chorar assim ele definitivamente não te merece.
- Nós estamos dando um tempo. – falei limpando minhas lágrimas e sentando de frente para ela. – Duas semanas para vermos se vamos ou não seguir adiante com essa relação.
- Vai dar tudo certo, se vocês decidirem ficar juntos ou terminar, eu estarei aqui para te apoiar, ok? – ela me entregou um lenço que puxou de dentro da gaveta do criado mudo. – Mas não desista da sua carreira, ok?
- Obrigada, Gems.
- Que tal você vir comigo para a casa da minha mãe na semana que vem? Passamos uns dias lá, e você tira esse Chad da sua cabeça. Uns dias só de meninas.
- Vou pensar, Gems, não quero ser uma nuvem depressiva na semana feliz de vocês.
- Deixa de bobagem. Vem, vamos ver vídeos de gatinhos na internet, isso sempre me anima quando estou triste.
Dei uma risada fraca e levantei da cama para segui-la até a sala. Ainda bem que eu tinha Gemma aqui. Talvez sozinha não tivesse forças para continuar e acabasse cedendo à Chad.


Capítulo 5

Harry’s POV.

Após o show em Sydney, o tempo parecia voar. Foram sete shows em menos de duas semanas. Eu havia acabado de sair do show de Osaka, no Japão. Depois desse, tinha apenas Tóquio. E então, teria uma semana de folga antes de embarcar para América do Sul. Logo após o show em Bangkok, eu havia conversado com minha mãe sobre a possibilidade de visitá-la durante a folga, estava com saudade. Ela deu a ideia de chamar Gemma e ficarmos todos juntos na casa dela na semana. Assim todos poderiam se ver. Ao chegar no hotel deitei na cama e olhei para o teto. Pensei na possibilidade de convidar para ficar com a gente nessa semana, mas não sabia se ela aceitaria, quem sabe não estaria ocupada com trabalho, ou fosse visitar o namorado?
Resolvi ligar para minha mãe.
- Alô?
- Oi querido, como estão as coisas? Você chega amanhã?
- Oi mãe, amanhã ainda tenho show em Tóquio. Mas logo após o show vou direto para o aeroporto e já embarco para Londres.
- Que ótimo, meu bem! Estou morrendo de saudades.
- Uma dúvida. Vamos ficar na minha casa, na Gemma ou vamos para Holmes na sua casa?
- Pensei em irmos para o interior, você fica mais à vontade, não acha?
- O que você achar melhor, mãezinha. Eu só quero te ver e curtir uma preguiça.
- Vamos para Holmes então, eu já estava combinando com as meninas de irmos para lá essa semana, vou ver se adiamos para te encontrar.
- A vai estar lá nessa semana?
- Então, se você não quiser, não. Ela e a Gemma estavam combinando de viajar para lá para termos um momento de menininhas, aparentemente, e o namorado brigaram e ela está meio mal.
- Deixe de ser fofoqueira, mãe. – falei rindo, mas feliz pela informação. – Convide ela para ir nessa semana sim, mas não diga que eu estarei lá.
- Por que não?
- Para que ela não desista de ir. Se ela se incomodar comigo lá, eu posso ir embora ou pedir para alguém levá-la em casa. Mas gostaria de poder vê-la.
- Entendo, vou ver o que eu consigo fazer, meu amor. Vou falar com a Gemma, para que ela não fale que você está vindo, porque ontem conversei com ela sobre isso. Vou logo ligar antes que seja tarde demais.
- Tá certo mãe. Até depois de amanhã, te amo!
Desliguei o telefone e me deitei. Em dois dias eu veria e resolvo se surto de vez ou volto ao normal.

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O show em Tóquio tinha sido incrível. O Japão foi sensacional, se eu não estivesse esperando tanto pela minha folga, com certeza passaria um ou dois dias por aqui. Cheguei no hotel apenas para tomar banho e trocar de roupas, iria embarcar para Londres em duas horas. Tomei uma rápida ducha e coloquei uma roupa confortável para o avião. Desci para a entrada do hotel onde o meu carro já me esperava. Resolvi ligar para Gemma, eram uma da manhã aqui, então ainda estava cedo em Londres. Não iria atrapalhar em nada.
- E aí rapaz? Tá vindo?
- Olá, estou à caminho do aeroporto, mamãe falou com você?
- Falou sim, eu achei ótima a ideia de irmos todos para Holmes.
- E a ?
Gemma deu uma risada.
- Eu sabia que você não tinha ligado para saber como eu estou.
- Ela sabe que eu vou? – ignorei a alfinetada.
- Não, Harry, ela ainda não sabe de nada. Mas é melhor que ela não saiba mesmo, ela tá meio chateada com o namorado ainda, e acho que se souber que você vai estar lá vai ficar de frescura, achando que vai atrapalhar sua folga com a "nuvem depressiva" dela.
- Nuvem depressiva?
- É assim que ela tem se autodenominado. Estamos precisando animar ela de verdade. - O que foi que aconteceu para ela brigar com esse namorado?
- Ah, o cara é um imbecil, egoísta que não merece a namorada que tem. Ele inventou essa briga apenas porque ela quer seguir a carreira dela.
- Isso não faz sentido. Me explica direito, Gems.
- É assim, ele quer que ela foque no que ele acha que é pertinente, e isso tem que acontecer aonde ele estiver, basicamente. Ele é um otário.
- Mas eles terminaram? - um pequeno sorriso esperançoso se formou no meu rosto. Sem motivo aparente.
- Eles estão dando um tempo. Vão conversar no final da semana que vem.
- Ok, então o que você acha de fazermos uma pequena festa amanhã, só com nossos amigos, quem sabe ela não se anima um pouco?
- Boa ideia. Vou falar com a mamãe. Você chega que horas?
- São 12 horas de voo, que horas são aí agora?
- São cinco e meia da tarde.
- Então eu chego por volta das cinco e meia da manhã. Vou em casa, pego umas roupas, passo na mamãe e parto para Holmes. Devemos chegar lá por volta das oito ou nove da manhã.
- Perfeito, nós saímos daqui às cinco da tarde e encontramos vocês umas sete da noite, já na festa, fechado?
- Fechado!
- Boa viagem, maninho.
- Até amanhã, Gems, te amo, sua besta.

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A viagem foi muito cansativa, dormi pouco durante o trajeto inteiro, foram basicamente duas horas dormindo e dez horas pensando em como seria encontrar novamente. E o pior, numa situação de merda, já que ela estava triste por ter quase terminado com o namorado. Passei o vôo inteiro pensando se eu poderia ser uma distração para ela, se eu queria ou não ser uma distração. Que saco. Odeio ficar surtando por isso. Tomara que quando eu a ver, isso passe. Não estou mais aguentando.
Assim que pisei em solo britânico olhei meu celular e percebi que tinham mensagens de alguns "contatinhos" que estavam pensando em me ver nessa folga. Eu surtei tanto, que até havia esquecido as promessas bêbadas que eu havia feito por aí. Resolvi dispensar todos, via mensagem, porque não estava com cabeça para ver ou falar com ninguém. Eu precisava saber o que diabos eu estava sentindo pela minha paixão adolescente antes de voltar a vida de contatinhos de turnê.

Graças a Mike já havia um carro me esperando na porta do aeroporto com instruções de me levar até a minha casa. Eram 6 horas da manhã e eu estava destruído, não poderia dirigir naquela condição. Ao entrar no carro, perguntei se o motorista tinha disponibilidade de nos levar até Holmes, senão, chamaria outro carro. O senhor Hill era extremamente simpático, disse que não havia problema algum e perguntou se ele deveria cobrar isso na mesma conta ou seriam contas diferentes. Eu não fazia ideia, então respondi que seriam contas diferentes para que não houvesse erro. Vai que o Mike resolve não pagar o pobre senhor por que eu mudei o trajeto sem avisar?
Chegamos na minha casa e eu pedi para que ele entrasse e me esperasse na sala.
- O senhor aceita um café? Ou qualquer outra coisa? Acabei de chegar de viagem, provavelmente não tenho nada para comer por aqui, mas o senhor pode ficar à vontade para mexer na geladeira. - Falei subindo as escadas a caminho do meu quarto. - Não vou demorar.
- Muito obrigado, já tomei café da manhã, vou aguardar aqui mesmo. – E se manteve sentado no sofá duro como pedra. Dei uma risada, ele me lembrou um pouco o Robin. Não sei se era o jeito de falar ou algo na aparência dele. Mas eu senti uma vontade de ser amigo dele no mesmo instante.
Demorei por volta de dez minutos, quando voltei, encontrei o Sr. Hill me aguardando no mesmo local.
- Desculpe a demora, agora vamos passar na casa da minha mãe e seguiremos a viagem. O senhor tem certeza que eu não posso fazer nada pelo senhor?
- Olha, Sr. Styles, não me leve a mal. – ele disse olhando para baixo – mas o senhor não era ou é um cantor famoso de alguma banda que meninas gostam?
Dei uma risada.
- Sim, eu sou cantor, eu fazia parte de uma banda chamada One Direction, mas atualmente estou em carreira solo. – expliquei.
- Isso mesmo, será que seria muito abuso da minha parte pedir um autógrafo para minha filha? Eu não sei ao certo quem é o favorito dela, mas sei que ela gostava muito dessa banda do senhor. – Ele ainda se mantinha sentado do mesmo jeito no sofá, duro como pedra. E não conseguia me encarar. Achei graça da situação. Fui até o bloco de notas que ficava ao lado do meu telefone e puxei um pedaço de papel e uma caneta.
- Abuso nenhum, qual o nome da sua filha?
- Caroline, muito obrigado, ela vai ficar louca quando souber que o senhor andou no nosso carro.
Fiz o autógrafo e entreguei para ele.
- Ótimo, se o senhor quiser tirar uma onda com ela poderíamos tirar uma foto juntos. Falei apontando para o celular dele. E pode me chamar apenas de Harry, não tenho idade e nem experiência para ser senhor. – Dei um sorriso gentil.
Ele entregou o celular na minha mão e fizemos uma selfie juntos.
Voltamos para o carro conversando sobre música, Sr. Hill adorava Pink Floyd e várias outras bandas “da época de ouro do rock britânico”, nas palavras dele. Enquanto nós dirigimos para a casa de minha mãe, ele pediu para ouvir alguma música minha para ver se aprovava. Coloquei Sign of the Times para tocar e ele começou a curtir a música comigo.
- Olha, Harry. – Sr. Hill, que agora eu chamava apenas de Rick, já estava mais à vontade para conversar comigo. – Suas músicas antigas da banda que minha filha gosta não eram muito meu estilo, não. Mas essas aqui, eu ouviria o dia inteiro. Você é muito talentoso.
- Rick, você é muito gentil, mas como eu vou saber que você não está falando isso apenas porque está aqui no carro comigo?
- Eu não tenho papas na língua não, Harry. Teria pedido para tirar após a primeira música se eu não tivesse gostado. E talvez nem tivesse mais te dado papo. – Ele deu uma risada gostosa. E foi aí que eu percebi, ele tinha sorriso e personalidade muito parecidos com Robin. Talvez por isso eu estivesse tão à vontade com ele.
- Chegamos. – disse parando em frente à casa da minha mãe.
Pude avistar minha mãe abrindo o portão com uma pequena mala de mão. Desci do carro para ajudá-la. E também para abraçá-la. Minha mãe me apertou forte como se eu fosse sair correndo se ela não fizesse força.
- Que saudade. - falou ainda enquanto me abraçava.
Peguei as bagagens e me dirigi até o porta malas, enquanto ela entrava no carro.
Quando eu entrei ela já havia feito amizade com Rick, em menos de um minuto, essa é minha mãe. E já tinha conseguido convencê-lo a colocar um cd do ABBA para tocar. Seguimos viagem com minha querida mãe berrando Dancing Queen nos meus ouvidos.
No caminho, fiz algumas ligações e convidei o pessoal da banda para conhecer minha mãe e fazermos um pequeno jantar, assim teria desculpa para fazer algum evento mínimo que pudesse animar um pouco . Minha mãe faria um jantar com todas as nossas comidas favoritas da infância. E eu já tinha providenciado até um karaokê, igual aos jantares que costumávamos ter quando éramos um bando de adolescentes remelentos. Seria uma noite de nostalgia/não lembre do seu futuro ex-namorado/olhe para mim. Eu estava extremamente ansioso para reencontrá-la e descobrir o que diabos eu estava sentindo.


Capítulo 6

’s POV.

Minha noite foi péssima. Tive muita dificuldade para dormir pensando na conversa com Chad. Ele havia quebrado meu coração desde a primeira briga. Nunca imaginei que ele, entre todas as pessoas do mundo, não me apoiaria. Eu até entendo o fato de ele ficar mal por eu me mudar, acredito que seria assim se fosse o contrário também. Mas eu gosto de pensar que eu não jogaria no lixo dois anos de namoro e parceria por uma mudança. Uma viagem de três horas. Estamos a apenas 3 horas de distância um do outro. Não é uma coisa inviável. Desde que eu comentei sobre essa possibilidade, ele sempre se mostrou intransigente. Nem sequer tentar uma vaga em Londres ele quis. Suspirei fundo e resolvi que era hora de encarar o mundo novamente. Levantei da cama fui até o banheiro escovar meus dentes quando ouvi uma batida na porta.
- Posso entrar? - Gemma disse já entrando e sentando na cama do quarto.
Abri a porta do banheiro com a escova na boca cheia de espuma e fiz um joinha.
- Então, tudo preparado para nossa semana em Holmes? Eu liguei para o Mark e disse que se ele te liberasse a gente podia fazer uma entrevista exclusiva com o Harry sobre a turnê.
Cuspi a pasta na pia e me voltei para ela.
- E como você pretende entrevistar o Harry e ter fotos do Japão?
Gemma deu um sorrisinho bobo.
- Você já conhece os benefícios e as vantagens do mundo moderno? Já ouviu falar de internet? Telefone? Skype?
Apenas rolei os olhos.
- E fotos exclusivas como teremos?
- , pelo amor de Deus, ele tem uma fotógrafa incrível na tour. Ela deve topar fotografar algumas coisas e receber para que sejam publicadas sem problema algum.
- Mas por que diabos ele me deixaria ir até Holmes se vamos entrevistá-lo via Skype?
- Olha , se você não quiser ir, me avisa logo, que coisa, eu já me resolvi com o Mark, falei que o Harry estaria lá.
- Você está mentindo para o seu chefe. - Fiz cara de falsa moralista.
Gemma pegou uma toalha limpa que estava dobrada na escrivaninha, fez uma bola e jogou na minha cara.
- Arrume suas coisas, passo na editora às 17:00 em ponto. Então não enrole. Bata o ponto e saia correndo antes que alguém te peça algo.
Dei uma risada leve.
- Você tem certeza de que eu não vou atrapalhar? Eu não estou no meu melhor momento. E talvez eu até chore.
- Tudo bem, estamos acostumadas com choro nas noites das meninas. Até porque quase sempre, pensamos no Robin quando estamos juntas.
Até aquele momento eu nem sequer tinha me lembrado disso. Eu senti uma vontade imensa de chorar. Fui até Gemma e dei um abraço forte nela.
- Eu aqui, idiota, sofrendo por uma bobagem, e vocês perderam o Robin há um ano apenas e estão firme e fortes. Meu Deus Gems, eu vou desabar quando encontrar sua mãe sem ele.
- No início foi muito difícil mesmo. Mas eu acredito que seria muito egoísmo da nossa parte querer que ele continuasse sofrendo e com dores só porque queríamos ele por perto.
Gemma começou a ficar emocionada, e percebi ela tentando segurar um choro. De repente ela deu um grito para abafar.
- Mas que coisa! Não vamos chorar agora, esteja pronta, hoje 17:00 horas. Quero você na porta do prédio, entendido? - ela apontou o dedo no meu nariz, como uma louca autoritária.
- Tá, tá, mas que coisa! - falei jogando a toalha de volta nela.

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O dia foi bastante estressante. Mark não conseguia se conter de felicidade com a entrevista exclusiva.
- , eu quero tudo que você conseguir tirar deles. Gemma nunca falaria algo pessoal porque eles são irmãos. - Ele gesticulava muito ao falar - mas você não é da família, lembre-se você é uma repórter infiltrada. Descubra se ele está realmente de rolo com aquela modelo loira!
- Mark, por que te importa isso? Não seria mais legal uma reportagem sobre a turnê?
- Todo mundo fala sobre a turnê, mas uma confirmação de um namoro é outra coisa.
Suspirei fundo. Eu não iria confirmar nenhum namoro do Harry para revistas. Mas fingi concordar com o Mark, estou há pouco tempo trabalhando aqui, não vou contrariar o chefe que está me liberando por uma semana inteira, após 10 dias de trabalho, não é mesmo?
- Mas e se ele realmente não estiver namorando, eu faço o que?
- Descubra algo interessante para falar, coisas pessoais, o dia a dia dele, ou pelo menos arranje alguma foto boa o suficiente. Faça algo acontecer, se você não tiver uma boa matéria no final da semana eu vou descontar esses dias todos das suas férias!
Mark continuava falando alguma coisa sobre o que eu deveria perguntar para Harry. Enquanto eu comecei a lembrar de como era nosso dia a dia quando éramos mais novos.

{Flashback}

- Gemma, de onde tá vindo esse barulho?
- Ah, o Harry ganhou um karaokê portátil. - Ela disse virando os olhos - foi divertido nos primeiros dias, mas ele não para de cantar. Então colocamos no quarto dele. Pelo menos agora está abafado.
- Nossa, coitado.
- Coitada de mim. Não consigo sequer ouvir meus pensamentos! – Gemma fez uma cara irritada quando ouviu o início de outra música - Mas não é possível. - Ela saiu correndo para o quarto do irmão. Fui atrás para não ficar sozinha.
- Harry! - ela gritou abrindo a porta. - Chega! Eu quero um minuto de paz.
Entrei no quarto atrás dela. Harry estava cantando imitando o vocalista do Stereophonics. Estava hilário. Ele não saiu do personagem quando entramos de supetão. E continuou cantando fazendo uma voz idiota para deixar Gemma mais nervosa.
- Por que você faz isso comigo?
- Gemma, relaxa, deixa o menino ter infância.
- Harry, por que você não vai pra casa de alguém e deixa a gente em paz essa tarde?
Harry terminou a música, desligou o karaokê e deitou na cama.
- Cansei de cantar. Pode seguir com sua vida, Gems.
Gemma bufava.
- Deixa esse chato aí, , vamos escolher logo o filme agora que conseguimos silêncio.
Fiquei rindo da situação. Gemma e Harry sempre foram bem unidos. Mas eles brigavam por coisas muito bestas, às vezes.
- Se vocês me convidarem eu faço pipoca!
- Não, obrigada. - Gemma falou.
- Ei, eu quero pipoca, pode vir Harry.
- ! Ele vai atrapalhar.
- Ah, vai nada, deixa de frescura. Você pode escolher o filme, que tal?
Ela ponderou por um momento.
- Tá, mas faz bastante pipoca, vou escolher o filme. , busca os travesseiros.
- Pego no seu quarto, Gems?
- Pode pegar no meu também, acho que no quarto da Gemma só tem um. Eu tenho três.
- Por que você precisa de três travesseiros, Harry?
- Porque ele dorme abraçadinho com eles igual a um bebê.
Foi a vez de Harry rolar os olhos. Mas ele não respondeu nada. Apenas foi para a cozinha.

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Nem deu a metade do filme Harry, já estava dormindo no meu colo. Era o que sempre acontecia. Ele deitava no meu colo, reclamando que estava precisando esticar as pernas e eu fazia cafuné na cabeça dele. Era sempre assim. Acho que ele sempre dormia por conta do cafuné. Mas eu não resistia, o cabelo dele sempre foi ótimo de passar a mão. Como esse remelento pode ter um cabelo tão macio? Até usar os shampoos dele eu tentei uma vez, mas não funcionou.
Gemma ainda estava compenetrada no enredo do filme. E eu acabei adormecendo logo em seguida. Acordei com Anne nos chamando para jantar. Nem mesmo Gemma tinha aguentado o filme, e se encontrava jogada para o outro lado do sofá, nos apertando no outro canto.
- Não sei porquê eu vejo filme com vocês. Sempre dormem! – Ela falou, acordando e fingindo que tinha visto o filme até o fim.
Dei uma risada, ignorando o sermão de Gemma e cutuquei Harry, que estava me espremendo num meio abraço.
- Acorda, vamos jantar!
- Você é sempre tão cheirosa. É melhor de abraçar que meus travesseiros.
- Harry, deixe de ser saidinho.
- Eu estou apenas relatando um fato.
Apenas levantei rolando os olhos. Ao chegarmos à mesa, Anne tinha passado num restaurante mexicano no caminho para casa e comprado vários tacos. Sentamos à mesa e Harry começou a fazer piadas de como eu era cheirosa para Anne e Gemma. Que entraram na onda de me deixar com vergonha.

{Fim do flashback}


O sentimento de nostalgia estava preenchendo todo meu pensamento, até que eu finalmente acordei do meu transe.
- ? - Mark chamou minha atenção, aparentemente pela segunda vez - Você está prestando atenção?
- Sim, estava pensando em como fazer ele contar tudo isso pra gente.
- Ótimo, conto com você! A matéria irá para a revista Another Man. Me avise se precisar que eu envie fotógrafos.
- Ok.
Respirei fundo quando ele finalmente saiu da minha sala. Faltavam apenas 15 minutos para eu sair e fugir para o interior com Gemma. Pensei no que eu poderia escrever sobre o Harry na matéria, e me peguei pensando “será que ele realmente está de rolo com alguma modelo?”. Sem nem perceber passei 15 minutos lendo todas as fofocas acerca de qualquer possível relacionamento do Styles. Só parei ao notar que Gemma estava me ligando. Já era 17:05!
Desci correndo e fui ao encontro de Gemma, mas ainda pensava em todas as modelos que ele provavelmente costuma sair. Eu nunca teria chance com ele. Não que eu quisesse ter chance, mas definitivamente eu não teria. Ele não era mais aquele menino que arrumava desculpa para deitar no meu colo e me chamar de cheirosa. Agora eu que teria que inventar desculpas. Mas eu não queria inventar desculpas, certo? Minha cabeça começou a doer.
Cheguei até o carro e Gemma estava gesticulando a mão e batendo veementemente um dos dedos no seu relógio de pulso.
Dei uma risada e abri a porta.
- Você está muito atrasada, !
- Me desculpe, Mark ficou me enchendo o saco, ele quer que eu arranque do Harry se ele está namorando ou não com alguma modelo loira, sei lá.
Gemma deu uma pequena risada.
- Harry não está namorando com nenhuma loira, pelo menos não até o momento.
- Essa parece ser uma fofoca recorrente. - brinquei enquanto colocava o cinto de segurança.
- Que tal você aproveitar e perguntar pra ele? Afinal, ele te perguntou se você estava namorando, né? Você tem esse álibi. Talvez ele te conte algo que não contou para nós.
Olhei para ela e apenas balancei negativamente a cabeça. Gemma ainda estava com o carro estacionado e acabou pegando meu celular na bolsa enquanto eu colocava meus óculos escuros dentro da case. Ela deu uma risada boba e me devolveu o celular, com a tela nas mensagens:

“Ei Harry, Gemma inventou uma desculpa para que eu pudesse ser liberada no trabalho e ter uma pequena folga. Enfim, ela prometeu pro meu chefe que você daria uma entrevista exclusiva. Meu chefe quer saber, quem é a loira misteriosa? Me ajude a ter uma semana de folga, sim? x”
Olhei descrente para o celular.
- Eu não acredito que você enviou isso! - eu ainda encarava a mensagem - isso não é o WhatsApp, eu não posso apagar!
Enquanto eu surtava ela estava mexendo no celular dela como se nada tivesse ocorrido.
- Deixa de drama, nós duas queremos saber dessa loira aí. - Guardou o celular, ligou o carro e deu início a nossa viagem.
Eu continuei olhando para o celular na minha mão sem saber como reagir. Quando pensei em novas formas de xingar Gemma meu celular vibrou. Harry tinha me respondido:

“Loira? Você diz a Tess ou a Camille? Haha. Até onde eu sei essas são minhas últimas namoradas de acordo com os tablóides. Qual a cor do seu cabelo?”

Fiquei uns dois minutos encarando a mensagem sem entender nada. Li em voz alta para Gemma que só deu uma risada alta. E me incentivou a responder logo.
- Eu não sei o que responder!
- Responde a cor do seu cabelo, ora bolas.
- Porque?
- Eu quero saber aonde ele quer chegar, responde logo.
Rolei os olhos e resolvi satisfazer minha motorista.

“Você não lembra mais a cor dos meus cabelos?”

“Até onde eu sei as pessoas têm a leve tendência de modificar sua aparência com o passar dos anos, eu mesmo cortei meu cabelo que estava bem longo, diga-se de passagem. Você pode até ter raspado a cabeça.”

“Eu não raspei minha cabeça”

“Então retorno para minha pergunta anterior, qual a cor dos seus cabelos, atualmente? Ou você ainda continua com os cabelos castanhos que refletem um tom acobreado quando bate o sol?”
Li em voz alta para que Gemma continuasse participando.
- Meu deus, ele não vale nada! Responde que ele não vale nada. Pelo amor de Deus pega meu celular e me deixa gritar que ele não vale nada num áudio.
- Cala a boca. - eu dei uma risada, estava gostando de ter esse pequeno momento com Harry. Tinha até me feito esquecer um pouco do Chad. Me senti novamente nostálgica.

“Então você lembra da cor do meu cabelo.”

“Certamente. Ele mudou ou não?”

“Não mudou, por que você está tão interessado no meu cabelo?”

“Não estou interessado no seu cabelo, não sei se você sabe, mas o meu cabelo cresce bem sozinho.”

“Porque diabos estamos falando de cabelo?”

“Ah sim, você queria saber quem era a loira. Então, se a gente se ver algum dia desses e sair para qualquer ambiente público, você vai virar a minha namorada dos cabelos castanhos com reflexos acobreados no sol. Eu saí com elas uma vez, não namorei nenhuma delas.”

“Entendi. Mas você definitivamente saiu com elas para um encontro, não é mesmo?”

“Você realmente soa como uma repórter, esse ‘não é mesmo’ foi bem intimidador.”

“Eu sou uma repórter.”

“É verdade, sim, eu saí com elas para um encontro, não ao mesmo tempo, diga-se de passagem. Mas você não pode publicar isso.”

“Poxa vida, eu conseguiria tantas coisas, Mark ficaria super feliz com essas descobertas.”

“Elas negam até o fim do mundo terem saído comigo, então quem sou eu para falar algo? Quem sabe você não pode cobrir um dia inteiro na minha vida, eu deixo você publicar tudo desde que você não invente coisas para o seu chefe.”

“Prometido. Mas você está longe, como faríamos?”

“Você já conhece as maravilhas do mundo moderno?”

“Sua irmã me falou a mesma coisa hoje mais cedo.”

“Bem, nossa mãe é muito moderna e antenada nas tecnologias. A gente aprendeu com ela. De qualquer forma, eu tenho uma exigência para essa entrevista acontecer.”

“Eu não tenho como cumprir exigências. Se for muito complexa acho melhor eu voltar para o trabalho na segunda”

“Não é complexa.”

“O que seria?”

“Eu te digo mais tarde, vou ter que resolver umas coisas agora. xx H.”

“Você podia ter falado o que era ao invés de escrever essa mensagem, sabia?”

“Eu sabia. xx”
Rolei os olhos enquanto Gemma dava pulinhos de empolgação enquanto dirigia.
- Por que você está tão empolgada, Gemma?
- Ah, por nada, estou feliz de ir para casa e você ir comigo. É como nos velhos tempos. - Só que dessa vez sem o Harry cantando Stereophonics imitando o Kelly Jones.
Gemma deu uma risada muito alta.
- Meu Deus! Ele fazia isso mesmo naquela bostinha de máquina de karaokê.
Continuamos rindo e relembrando histórias da nossa infância e as três horas de viagem passaram voando. Quando percebi que já estávamos em Holmes, senti a nostalgia chegar ao topo.
Passamos em frente à minha antiga casa. Atualmente meus pais estavam morando em Portsmouth, uma cidade mais ao sul, que tinha um ótimo outlet, diga-se de passagem. Eles mudaram para lá pouco depois de eu me mudar para Manchester. Eles dizem que não, mas eu sei que foi porque minha irmã passou na universidade lá. Eles não conseguem ficar longe dela.
Andamos mais um pouco, até que Gemma parou em frente à casa dela. As luzes estavam acesas e haviam uns dois carros estacionados do lado de fora.
- Minha mãe preparou um jantar pra gente, com alguns amigos, relaxe que é todo mundo de casa, ok?
- Eu não estava nervosa até você falar isso. - Fiz piada e nos dirigimos para a porta de entrada carregando nossas malas.
Gemma tocou a campainha, pois não estava com suas chaves. Acho que todo o sangue do meu corpo evaporou quando vi quem abriu a porta.


Capítulo 7

Harry ‘s POV.

Eu estava deitado na cama, completamente vestido para uma festa que só começaria dentro de três horas. Tudo isso era ansiedade. A todo minuto pegava meu celular e olhava a hora. Até que do nada recebi um SMS esquisito da . Ela queria saber quem era a mulher loira que estava comigo. Ainda estava meio confuso quando menos de um minuto depois Gemma me manda um SMS.

“Fui eu, o SMS da . Responde aí. Eu sei que você queria uma desculpa para falar com ela. De nada. xx G.”

Dei uma risada. Gemma me conhece tão bem.
Fiquei alguns minutos compenetrado conversando com ela por SMS, até que minha mãe apareceu no quarto.
- Que sorriso é esse? Tá falando com quem, hein?
Olhei para o lado ainda com meu sorriso bobo no rosto. Mandei uma última mensagem para . E levantei da cama.
- . - Puxei minha mãe pra um abraço. - Estou me sentido com 14 anos. - Dei uma risada ainda no abraço. - Eu vou estragar tudo hoje de noite, mãe.
- Por que você estragaria tudo? Você está muito obcecado, meu bem. Se acalme, ela nem sequer sabe que você estará aqui.
- Sim, isso que me deixa nervoso. E se ela não quiser ficar aqui por isso? Será que não deveríamos avisar?
- Pare de drama. Você é sempre muito dramático. Vamos descer, o Mitch acabou de chegar com aquela mocinha simpática que toca na sua banda também.
- Sarah.
- Isso mesmo, vá lá conversar com seus amigos enquanto eu termino o jantar. Teremos macarronada hoje!
Desci até a sala. Sarah e Mitch estavam sentados no sofá.
- Sejam bem-vindos à Holmes! O que acharam?
- Adorável. - Sarah respondeu me olhando da cabeça aos pés. - Você está muito arrumado.
- Não estou não. - Olhei pra baixo - Eu uso essas roupas no dia a dia.
- Usa coisa nenhuma. Você usa camisetas, bermudas, fica nu, fica descalço. Porque você está tão arrumado?
- Eu não estou arrumado. Só estou com roupas pretas.
- Você está usando roupas de entrevista. Era para estarmos arrumados assim? Achei que esse jantar era só para família. Sem imprensa.
Mitch levantou do sofá e começou a analisar minhas roupas. Eu usava com uma camisa de botão preta, uma calça, também preta e minha botas.
- Vou testar uma coisa. Mitch falou enquanto tirava uma jaqueta de couro preta que ele estava usando por cima de uma camiseta do Pink Floyd e colocando sobre meus ombros.
- É, você está a um terno de distância de um tapete vermelho. Quem vem para esse jantar? Você está tentando impressionar alguém.
Eu ainda olhava abismado para eles quando minha mãe entrou na sala e na conversa:
- Ah, vocês não estão sabendo? - ela deu uma risadinha - ele se arrumou todo para a . Ela está vindo com a Gemma.
- Mãe! - olhei pra ela fazendo uma careta.
- O que? É óbvio que você está querendo impressionar a , meu bem. Não precisa disso. Ela não tem como escapar do seu charme. - E deu uma piscada para os dois.
Dei um tapa na minha testa e me joguei no sofá. Minha mãe sempre consegue me envergonhar na frente dos outros.
- Ah, está vindo para cá? - Sarah fez uma cara de animação. - Estou louca para conhecer essa menina. Harry não calou a boca sobre ela durante os últimos dias.
- Nossa, ele falou tanto dela que todo mundo está criando expectativas. - Mitch respondeu pegando a jaqueta dele de volta.
- Não mais do que ele, eu garanto! - minha mãe voltou a atenção pra mim.
- Quero só ver quando ela chegar aqui. Ele vai surtar de vez ou pensar porquê fiquei tão obcecado, não era nada demais.
Mitch, Sarah e minha mãe continuaram conversando por mais um tempo pegando no meu pé. Finalmente mudaram de assunto e conversamos sobre o Japão e sobre a Clare falando japonês no último show. Não percebi o tempo passar até que eu ouvi o barulho do carro estacionando. Me levantei com o coração batendo mais rápido do que eu esperava. Ouvi a campainha e fui até a porta. Era agora ou nunca.
Quando eu abri a porta olhei para Gemma cheia de malas nas mãos. E olhei para ela. continuava a mesma, um pouco menor do que eu me lembrava. Talvez eu tenha crescido. Os cabelos dela estavam com um corte diferente, mas ela ainda tinha a mesma aparência. O que me fez voltar a ter 16 anos em questões de segundos. Para controlar minha baderna emocional resolvi agarrar a Gemma.
- Surpresa! - falei e puxei Gemma para um abraço. - Que saudade de você!
- Você é um idiota. Não era para ter vindo abrir a porta. Você era a surpresa! Pega minhas malas, por favor?
Ignorei a fala de Gemma e suas malas, respirei fundo e me dirigi à . Que estava parada do mesmo jeito na porta. Ela estava congelada, da mesma forma que algumas fãs ficavam ao me ver pela primeira vez. Dei um meio sorriso. Será que ela também estava sentido o que eu senti? Ou foi apenas o baque de me ver depois da fama?
- Oi, tudo bom? Posso te dar um abraço? - falei me aproximando aos poucos.
- Vocês são uns idiotas, Styles! - ela acordou do transe - Como você não me fala que ele estaria aqui, Gemma? - Gemma apenas ria da situação, ela foi a única que percebeu o tanto que eu estava nervoso - E você, falando comigo por sms... - ela apontou o dedo pra mim. - é claro que você pode me abraçar. Seu idiota!
Dei um abraço apertado nela. O cheiro do perfume dela não era o mesmo. Mas continuava tão bom quanto eu esperava.
- Você sempre muito cheirosa, não é mesmo? - ela me olhou balançando a cabeça negativamente e sorrindo.
- Olha quem fala! Você vai sair daqui para uma sessão de fotos? Quem usa blusa de botão em casa? - ela entrou em casa junto com Gemma, que apenas apontou as malas no chão e pediu para que eu pegasse.
Mitch ouviu ela falar sobre a minha roupa já se aproximou para conhecê-la. Enquanto eu carregava tudo para dentro sozinho. continuava espontânea como sempre e pareceu não ficar intimidada comigo, como outras pessoas ficavam. Ela estava se comportando como sempre.
- Estávamos justamente conversando sobre isso mais cedo. Ele está ridiculamente bem vestido para uma ocasião familiar. - Ele estendeu a mão direita para . - Meu nome é Mitch.
- Muito prazer, , mas todo mundo me chama de . - Ela estendeu a mão para apertar a dele. - Mas era de se esperar né? Harry sempre faz essas coisas. Lembra quando ele juntou quatro meses de salário da padaria para comprar aquela jaqueta ridícula, Gems?
- Sim! Caríssima e ele parecia um palhaço. Usava ela diariamente. - Soltei as malas perto da escada e fui me defender.
- Aquela jaqueta que vocês chamam de “ridícula” por acaso era uma Tom Ford original, ok? Comprei ela numa promoção incrível. Ela me deixava ótimo. E eu não usava diariamente. Só em ocasiões especiais.
- Claro, maninho, andar pelas ruas de Holmes e seguir a gente era sempre uma ocasião especial.
deu risada concordado e continuou conversando com Gemma e Mitch. Peguei as malas delas e falei que deixaria tudo no quarto da Gemma. Subi as escadas e Sarah veio atrás de mim trazendo uma pequena bolsa que eu havia deixado para trás. Percebi que era só uma desculpa para ela poder falar comigo.
- E então? - ela me encarou assim que chegamos ao quarto de Gemma.
- E então o que?
- Você gosta dela ou não? O que você sentiu?
- Nostalgia. Borboletas no estômago. Sei lá, ainda não sei ao certo. Mas eu estou gostando de ver ela novamente. Eu tinha me esquecido o tanto que ela me conhece. Ela não está me tratando diferente do que costumava. E muita gente faz isso quando me reencontra.
- Ela cresceu com vocês?
- Cresceu com a Gemma, eu me meti no meio, na maioria das vezes. - Dei uma risada. - Vamos descer, agora é hora de karaokê!
Cheguei lá embaixo e estava abraçada chorando com minha mãe. Resolvi não chegar perto, elas estavam falando do Robin, com toda certeza. Sentei ao lado do Mitch e ouvi a campainha tocando. Jeff e Clare estavam chegando. Eles eram os últimos convidados pra chegar, o restante não poderia vir. Depois que eles chegaram e a "festa" começou, acabei não conversando mais direito com , ela estava muito compenetrada falando com Gemma e minha mãe. Aparentemente sobre o namorado/ex dela. Resolvi deixar ela ficar à vontade, mas eu me peguei encarando-a várias vezes durante a noite. Ela me olhou bem menos vezes. Pelo menos que eu tenha notado, geralmente sou bom em notar quem me olha.
Sarah e Mitch passaram a noite do lado dela de conversinha. Eu fiquei revezando entre Gemma, mãe, Jeff e Clare. Até na hora que começamos a brincar com o karaokê. Não me senti confiante para fazer piadas com ela da mesma forma que estava fazendo com os outros. E percebi que ela também estava receosa. Talvez no dia seguinte poderíamos conversar com mais tranquilidade. Mas o plano de fazê-la não pensar no ex até o momento parecia funcionar.
Mais tarde eu estava na mesa com minha mãe e notei conversando com Clare e Sarah, muito animada e sorridente. Elas estavam escolhendo o que iriam cantar no karaokê.
- Estou muito feliz com todos vocês aqui hoje. - Minha mãe falou enquanto eu ainda encarava sorrindo as quatro escolhendo “Spice Up Your life” das Spice Girls em meio a pulinhos empolgados. - Ela continua a mesma menina doce de sempre.
- Que bom, ainda não tive oportunidade de conversar com ela. - Voltei minha atenção para minha mãe por um momento, elas estavam procurando a música na internet para cantar.
- Sabe, filho, esse namorado dela é muito maluco. Não vejo como pode dar certo. Mas ela gosta muito dele.
- Ah é? E porque você está me falando isso, mamãezinha? - dei uma risadinha - Você quer me desencalhar a qualquer custo, não é mesmo?!
- Não estou falando por isso. Apesar de achar que ela seria uma ótima nora. Eu não ia precisar pensar em como conversar com ela. Diferente das outras.
Apenas rolei os olhos e aproximei minha cadeira da dela para poder abraçá-la de lado enquanto víamos as meninas iniciando a música. , como sempre, animada e agitada, era o contrário de Gemma, que sempre foi tímida, sempre roubava a cena. Gemma sofria muito quando eu e íamos no karaokê. Sempre tínhamos duetos e coreografias bobas, porém elaboradas. Elas tinham começado a música, e faziam a coreografia da canção. Eu acompanhava a dança das quatro e ria com a animação excessiva de todas elas. , que era a que mais tinha motivos para estar triste da casa, era a mais animada. Meu plano estava realmente dando certo. Ela estava se divertindo ao invés de pensar no namorado tosco.
- Mas você acha que a gente daria certo, mãe? - perguntei sincero. - Ou seria igual a esse namoro dela?
- Eu acho que sim. Mas vocês teriam que se gostar muito. Você não deve fazer nada se não tiver certeza do que quer. é a melhor amiga da Gemma. Pode dar muito errado se você quiser só brincar. - Ela me olhou séria.
- Entendi. Você sabe que eu não faria nada assim, não é? - falei e ela apenas concordou com um aceno na cabeça. As meninas dançavam e faziam graça com Mitch e Jeff que estavam sentados por perto. O que me deixou levemente com inveja. - Gemma me falou que o problema do namorado é com a mudança para Londres, é isso? - voltei ao assunto anterior, percebi que minha mãe estava bastante protetiva sobre . Imagino que ela tenha falado mais coisas sobre o cara para minha mãe nessa conversa.
- Sim, o rapaz até falou que ela estava dando passos para trás na carreira dela. Nenhum pouco animador.
- Mas ela mudou mesmo assim. Isso mostra que ela é bem decidida. - Dei um sorriso e pisquei um dos olhos quando ela olhou para nós durante a música. Era a primeira interação direta desde que nos falamos quando ela chegou. Ela deu um tchau para nós.
- Sim, mas ela está bem triste com tudo isso. Acho que quando vocês forem conversar, você pode colocar um pouco mais de perspectiva para ela.
- Perspectiva de que?
- Vida. Amor. Essas coisas. Você fala bem. Explica para ela com seu jeitinho que ela pode sim largar desse rapaz e continuar feliz. - Ela apertou nosso abraço. - Você sempre foi bom com seus amigos para essas coisas, talvez consiga ajudá-la.
Fiquei calado e aproveitei mais um pouco o abraço e colo da minha mãe. Até que Gemma puxou minha mãe para dançar com elas como a quinta integrante do grupo. Sentei no sofá com os rapazes e ficamos rindo da performance.
Quando acabou a música, Gemma sugeriu que elas cantassem outra coisa, Clare sugeriu uma música do One Direction, eu apenas ri e fiquei olhando a situação de longe.
- Vamos cantar No Control. É uma música que a gente pode inventar coreografia facilmente. - Clare falou rindo e tomando mais um gole da sua taça de vinho.
olhou para mim diretamente nesse momento.
- Me desculpa, Harry. - Olhei para ela confuso e ela continuou - Eu não conheço as músicas do One Direction. - deu uma risadinha - Mas eu sei cantar umas partes de Drag me Down e What Makes You Beautiful. - Ela fez dois joinhas, que eu respondi com uma risada alta.
- Não fico ofendido não, tá tudo bem! Você não é obrigada a saber as músicas.
- Mas se te deixa melhor eu sei todas as músicas do seu CD solo. - falou confiante - Bem mais meu estilo. - Ela levantou o ombro e deu um sorriso de lado. Acho que eu devo ter ficado até vermelho nesse momento, porque Mitch me deu um cutucão. E me fez olhar para o lado assustado.
já tinha voltado para as meninas e elas estavam ensinando para ela quais seriam as partes da música que ela deveria cantar. No final das contas, elas cantaram What Makes You Beautiful, e cantou as minhas partes, surpreendentemente bem. Ela tinha uma voz boa, que foi inclusive elogiada por Clare, que é professora de canto. Mitch constantemente me cutucava e me fazia parar de encarar . Eu devia estar parecendo um idiota. Quando ela começou a cantar Medicine com Sarah e Clare, Gemma estava comendo e resolveu apenas assistir.
Graças a Deus ela evitou me olhar durante a música. Quando ela cantou "I had a few, got drunk on you and now I’m wasted", eu quase caí para trás no sofá, ainda mais porque ela cantou a segunda parte da música e adicionou o que as minhas fãs falam nos shows "And when I sleep I’m gonna dream of how you… Tasted". Parecia algum tipo de tortura. Eu sequer conseguia fazer contato visual com ela. Mitch somente ria sentado do meu lado. Gemma estava quase cuspindo macarrão de tanto que ria de mim. , por outro lado, sequer notou minha loucura mental. Ela cantava e dançava de olhos fechados com Clare.
Mitch resolveu que eu deveria cantar depois, e que ele escolheria a música. Quando elas acabaram, levantei do sofá e anunciei que era minha vez. Elas sentaram, e Mitch escolheu a música Wild Thoughts da Rihanna. Dei um sorriso para ele e comecei a cantar. Cantei a música para Mitch, e brinquei com Sarah. Mas não tive coragem de sequer olhar para durante. Eu estava incrivelmente tímido/covarde. Gemma continuava rindo da minha cara de idiota.
A noite passou rápido, quando me dei conta já eram 01:00 da manhã, e nossos convidados estavam se despedindo. Todas as minhas tentativas de me aproximar dela para uma conversa falharam miseravelmente, não por falta de oportunidade, foi falta de coragem mesmo. Gemma e me deram abraços de boa noite e subiram as escadas. Minha mãe subiu em seguida. Eu não estava com sono, troquei de roupa, colocando meu pijama, e resolvi ir para o quintal. Nós tínhamos feito uma piscina no último verão. Peguei umas das cadeiras de sol e virei de costas para a água, nós sempre tivemos essas cadeiras, mesmo quando não tínhamos piscina. Era sempre familiar deitar nelas, aproveitei para olhar o céu enquanto pensava e elaborava o que eu tinha sentido ao ver novamente. Não acho que eu esteja apaixonado, mas eu definitivamente estava sentindo alguma coisa. Eu sabia que não era apenas nostalgia. Mas não conseguia comparar o que estava sentido hoje à nenhum sentimento palpável. Era oficial, eu perdi de vez a cabeça. Obrigada por isso, .
Não sei quanto tempo se passou, mas acabei adormecendo deitado na cadeira. Acordei com um barulho de violão atrás de mim. Olhei com cuidado e percebi concentrada mexendo no meu violão e anotando coisas num caderno surrado. Dei um pequeno sorriso. Ela estava escrevendo alguma música, pelo visto. Eu sempre soube que ela escrevia poemas muito bons, inclusive, ela me ajudou a escrever uma música da época da escola para uma peça de teatro. A música ficou ótima, minha performance por outro lado foi terrível. Fiquei por alguns minutos olhando-a de longe e admirando sua existência. Meu Deus do céu. O que diabos eu estou fazendo com a minha vida? Resolvi levantar da cadeira e falar com ela. Ela não notou minha aproximação até que cheguei realmente perto dela.


Capítulo 8

’s POV.

Eu estava sem sono nenhum. Deitada na cama ao lado de Gemma, que estava a um passo de começar a roncar. Fiquei pensando no que havia acontecido na noite de hoje. Passei a noite me divertindo com todo mundo. Mas evitei Harry a todo custo. E o que eu mais queria era ter falado com ele. Notei ele me olhando algumas vezes durante a noite. Talvez ele estivesse receoso de se aproximar para conversar, achando que eu ia surtar como fiz quando ele abriu a porta. Resolvi levantar da cama. Desci para a sala. Ao chegar lá me deparei com a máquina de karaokê e lembrei das nossas brincadeiras quando mais novos. Essa noite toda estava muito nostálgica. Eu me sentia em casa. Harry estava completamente maravilhoso. Não havia como negar. Ele estava mais confiante, menos vulnerável e bem mais esperto. Dava para perceber o motivo de tanta gente se apaixonar por ele. Eu gostaria de ter conversado com ele melhor. Será que ele ainda era como costumava ser? Comecei a ficar mais confusa. Sempre que eu fico assim, minha solução é colocar tudo no papel. Escrever poemas ou pequenas canções. Sempre fiz isso, desde uns 14 anos de idade. Uma vez, inclusive ajudei Harry com uma música que ele tinha que escrever para a escola. Dei um sorriso ao lembrar desses momentos. Lembro que quando ele devia ter uns 14 ou 15 anos de idade, me deu um poema de aniversário. Escondido, foi quando ele se declarou para mim. Não me lembro mais o que dizia, mas ele conseguiu ganhar um beijo meu naquele dia. E foi quando eu comecei a me deixar levar por um menino de 15 anos. Balancei a cabeça e peguei meu caderno na bolsa que estava pendurada perto da porta. Sentei no sofá e comecei a rabiscar algumas ideias. Olhei para o lado e me deparei com um violão. Tentei dedilhar algumas notas e pensei que seria melhor ir para o quintal. Alguém poderia acordar se eu ficasse tocando violão na sala.
Cheguei no quintal e haviam duas espreguiçadeiras. Uma delas estava do outro lado da piscina de costas para água, e a outra estava próxima à porta. Sentei nessa por estar mais perto e continuei escrevendo e dedilhando algumas coisas.
“Todo mundo ama as coisas que você faz
Desde o jeito que você fala
Até o jeito que você se move
Todo mundo aqui está te observando
Porque você dá sensação de lar
Você é como um sonho que virou realidade”
Olhei para o caderno e tentei pensar num ritmo para esse pequeno trecho que eu havia escrito. Estava muito concentrada até que acordei do transe com alguém falando comigo.
- Você sempre pega as coisas dos outros sem pedir? - Harry com uma calça de pijama xadrez verde, uma blusa branca e um cabelo extremamente bagunçado apareceu do meu lado.
- Meu Deus, que susto! - falei e ligeiramente peguei meu caderno e fechei no meu colo.
- O que você está fazendo?
- Nada. - Tirei o violão do meu colo e dei espaço para ele sentar na espreguiçadeira.
- Você estava escrevendo uma música? - ele pegou o violão do chão e começou a dedilhar as mesmas notas que eu havia tocado há pouco. - Posso ajudar?
Eu senti meu rosto ficar quente, provavelmente estava completamente vermelha. Não você não pode me ajudar. Eu meio que estou escrevendo uma música sobre você ou sobre a gente? Fiquei calada pensando essas mil coisas enquanto ele ainda me encarava. Os olhos dele brilhavam com o reflexo da lua na piscina. Meu Deus, quando foi que ele ficou tão maravilhoso assim?
- Não é bem uma música. É mais um poema que eu acho que pode vir a ser uma música. Não sei. - Comecei a falar rápido e ele continuou me encarando em silêncio. Prestando atenção no que eu dizia enquanto continuava dedilhando ritmos diferentes. - Mas eu não consigo mostrar pra ninguém nada que eu escrevo. Principalmente se estiver pela metade.
- Eu entendo. - Ele falou calmamente colocando o violão para o lado e deitando ao meu lado. - Mas eu posso ouvir quando ficar pronta? Prometo não contar para ninguém. Você sempre fez poemas bons.
Eu estava sentada no canto e ele deitado ao meu lado olhando para cima. Continuei sentada como pedra.
- Se eu gostar, eu te mostro.
- Eu quero ouvir mesmo se você não gostar.
- Não sei se consigo.
- Essa pode ser minha condição para dar sua entrevista. - Ele deu um sorriso esperto. Olhei para ele com cara de derrotada.
- Tá bem. Quando eu terminar mostro para você. Mas ninguém pode saber, combinado?
- Será o nosso segredo! - ele afastou um pouco para o lado. - Você não quer deitar?
- Não, estou bem sentada. - Não tinha coragem pra deitar lado dele.
- Tá certo. - Ele levantou um pouco o apoio da cadeira e continuou deitado, porém agora estava um pouco mais levantado para poder me olhar mais diretamente. - Então, não conseguimos conversar direito hoje. Como você está?
- Bem. - Respondi automaticamente.
- Você não parece bem. Gemma me contou mais ou menos sobre o seu namorado. Você quer falar sobre isso?
Desde que chegamos eu havia falado sobre o Chad somente com Anne, e depois disso não pensei mais nele a noite inteira. Até aquele momento.
- Não quero te aborrecer com isso.
- Me aborreça, eu estou sem sono mesmo. Eu já sei que minha mãe não gostou muito dele. O que já deixa a imagem dele 50% manchada comigo. - ele deu um sorriso pequeno. - E como eu sei que você está mal com tudo o que está acontecendo, entra mais uns 20% de problemas pra ele.
- Então você já não gosta dele 70%?
- Isso mesmo. Estou apenas aguardando seu veredito para chegar no 100% ou voltar ao 0.
Dei um meio sorriso. Eu não tinha escapatória.
- Bem, é meio idiota. Mas nossa briga agora está em torno da minha mudança. Ele não aceitou muito bem.
- Você conversou com ele sobre essa vaga e a mudança antes?
- Sim, desde o ano passado eu falo para ele que gostaria de me candidatar pra ela. Mas ele sempre se opôs. Acho que ele gostaria que eu continuasse na mesma empresa que ele.
Harry continuou calado ouvindo a história. Ele me encarava prestando muita atenção, parei de olhar para ele para conseguir me concentrar.
- Acho bobagem essa briga. Nós tínhamos planos de morar juntos até o final deste ano. Mas ele não quer largar Manchester. Acho que o maior problema é que ele traçou vários planos para a nossa vida, mas esqueceu de me consultar.
Harry estava sério ouvindo a história. Fiquei calada por alguns segundos e ele resolveu falar.
- Ele deve gostar muito de você, não é?
- Não sei. Quando a gente gosta de alguém fica feliz por suas conquistas, não acha?
- Sim, isso é primordial. - Ele começou - Mas eu entendo o lado dele, não apoio, mas entendo.
- Me explique então, porque eu não entendi até agora.
- Talvez ele achasse que você estava feliz aonde estava, que seus planos para Londres não envolvessem residência fixa e mudança para lá. E que os planos que vocês fizeram estavam de pé. Talvez ele tenha se enganado acerca do que você queria por não te ouvir direito?
- Talvez eu não tenha sido tão enfática acerca da minha vontade de ir para Londres desde o início. Mas quando a oportunidade surgiu, eu sentei e falei com ele meses antes. Até para que ele pudesse tentar algo por lá.
- Mas será que ele não está satisfeito com o que ele tem lá?
- Ele nunca falou isso.
- Esse deve ser o problema então. Ambos têm ideias diferentes para o futuro. E nenhum conversou de verdade com o outro. Às vezes precisamos fazer escolhas difíceis.
- Você acha que eu tenho que escolher entre ele ou a minha carreira?
- Não acho nada. Eu acho que vocês devem conversar. Pode ser que estejam dispostos a tentar. Mas alguém vai ter que abrir mão de algo.
- Você já passou por isso, Harry?
- Sim. - Ele deu um pequeno sorriso - Com você.
- Comigo? - olhei confusa - Como assim comigo?
- Eu estava completamente apaixonado por você quando fui para o X Factor. E apesar de você achar que não, eu precisei decidir. Se eu queria desistir de tudo e ficar com você ou se eu deveria te ouvir e seguir em frente.
- Você fez a escolha certa. - falei dando um sorriso - Olha pra você agora!
- É, mas eu só consegui fazer essa escolha porque você me apoiou. Se você tivesse pedido para eu ficar talvez eu não tivesse me entregado à oportunidade. - Ele sentou e me olhou no fundo dos olhos. O que me fez parar de sentir as pernas por alguns segundos. - Por que você falou aquilo para mim?
Fiquei alguns segundos pensando, e ainda meio paralisada com o olhar dele. Até que consegui responder.
- Eu também gostava de você. E tudo que eu queria era que você fosse feliz. Mesmo que isso significasse te perder.
Eu nunca tinha falado aquilo em voz alta. Depois que as palavras saíram da minha boca, eu senti meu rosto corar.
- Eu entendo o sentimento dele. Mas acredito que se ele gostasse de você, da mesma forma que você gostou de mim, ele te apoiaria.
Senti minha garganta fechar. E não consegui segurar o meu choro. Harry me abraçou forte.
- Vai ficar tudo bem. Você gosta dele, não é? Quem sabe se vocês conversarem francamente, não consigam contornar isso?
- Harry, você acha que eu deveria terminar com ele?
- Eu acho que você tem que fazer o que for melhor para você. - Ele continuava me abraçando. - A única coisa que eu posso te garantir é que eu estarei aqui por você. Para o que precisar.
Eu afastei o abraço ainda com lágrimas descendo por minhas bochechas. Harry puxou a manga longa de sua camisa e usou para secar. Me deu um beijo na testa e segurou meu rosto bem de frente para o dele.
- Eu posso parecer meio maluco ao falar isso, até porque a gente não se vê por quase uma década, mas eu me importo demais com você, . Você é como se fosse da minha família. Estou muito feliz de você ter voltado para nossas vidas. E te garanto, agora você não escapa mais! Vai ter que me aturar para sempre.
Continuei calada, mas com um pequeno sorriso. Ele soltou meu rosto e segurou minhas mãos ao perceber que eu estava começando a ficar com frio.
- Eu também estou feliz de ter reencontrado vocês.
- Presta atenção. - ele falou apertando forte a minha mão. - Se você precisar de mim, eu estarei aqui. Ok? Estarei sempre a um SMS de distância. - E deu um sorriso bobo para me animar.
- Se você precisar de mim, eu também estarei aqui para você.
Harry me abraçou mais uma vez, dessa vez mais para me aquecer.
- Eu sei que sim. - Ele falou no abraço. - Vamos entrar, você vai congelar aqui e eu não tenho nenhum casaco para te emprestar.
Soltei o abraço.
- Peraí. - levantei correndo da espreguiçadeira, fui até a sala e peguei o cobertor que eu havia trazido comigo. - Pronto, podemos ficar mais um pouco aqui fora agora! - disse sorrindo. - Quero aproveitar um pouco mais essa noite. Ainda estou sem sono.
Harry deu um sorriso, pegou o cobertor da minha mão e jogou por cima de nós dois. Ele me encaixou no seu colo e ficou fazendo carinho na minha cabeça. Passamos o resto da noite relembrando momentos da nossa infância, até que chegamos ao nosso pequeno romance.
- Sabia que foi aqui nesse mesmo quintal que eu escrevi aquele poema para você?
- Não sabia.
- Nesse mesmo dia eu escrevi uma meia música, mas foi em outro lugar. A música eu só terminei na banda. Ela está inclusive em um dos nossos CDS.
- Sério? - olhei para ele de lado. - Eu conheço, será?
- Pouco provável, já que você não ouvia One Direction. - ele deu uma risada gostosa. - Me diga quais músicas você conhece.
- Hum… conheço What Makes You Beautiful.
- Não é essa. Próxima tentativa.
- Conheço… - parei um tempo para pensar - No Control, porque vocês cantaram no carpool karaokê. E eu sou fã do James. Aí eu vi.
- Não é essa.
- Conheço Perfect. Mas essa é da Taylor né? - falei rindo.
- Não é essa. - Ele continuava sorrindo com a boca fechada.
- Eu conheço aquela que o James produziu também. Que você tá fantasiado de nerd. E dançam. Não sei o nome.
- Não é essa. Acho que você não conhece mesmo. Você só conhece alguns singles.
- É o que tocava na rádio, né. - falei fazendo piada.
- É uma música mais lenta. Não sei se ela tocava nas rádios. Mas as fãs sempre gostaram. - Lenta? Não sei mesmo.
- O nome da música é If I could Fly. Conhece?
- Não conheço.
- Imaginei. Eu escrevi algumas partes dela no mesmo dia que escrevi o poema para você.
- Então é para mim a música? Posso me sentir importante?
- Você é importante! - ele apertou um pouco nosso abraço. - Você quer ouvir?
- Sim! - quando fui pegar meu celular para procurar a música na internet percebi que ele havia levantado e pegado o violão do chão. - Você vai tocar pra mim?
- Claro. Era para ser um presente pra você mesmo. Depois que eu terminar a música eu te falo o que eu escrevi para você e o que foi escrito depois, ok?
Apenas acenei com a cabeça. Harry começou a tocar o violão e a cantar a música.
Eu nunca tinha ouvido Harry cantar ao vivo depois de ficar conhecido. A voz dele tinha mudado tanto desde a adolescência. Ele cantava bem quando mais novo, mas a voz dele estava muito melhor agora. Eu realmente nunca tinha ouvido aquela música antes. Como assim ele escreveu aquilo para mim? Eu estava em outro planeta ouvindo-o cantar. Ele fechou os olhos enquanto cantava e abria apenas para olhar para o violão em alguns momentos. Percebi que de alguma forma ele estava nervoso por estar cantando. Talvez na metade da música, tivesse desistido da ideia. Mas cantou até o final.
- Que coisa mais linda, Harry.
Ele colocou o violão para o lado.
- As partes que eu escrevi para você foram essas, me empresta seu caderno? Prometo não olhar suas anotações.
Entreguei o caderno e ele começou a escrever. Depois de um tempo me devolveu o caderno.
“De: Harry
Para:
Presente de aniversário 2010, nunca entregue porque eu resolvi entrar numa boyband.
Desculpe.
'Preste atenção, espero que você ouça porque eu baixei minha guarda
Agora estou completamente indefeso

Apenas para seus olhos, eu mostrarei meu coração
Para quando você está sozinha e esquece quem você é
Eu sinto falta de metade de mim quando estamos separados
Agora você me conhece, apenas para seus olhos
Apenas para os seus olhos

Eu posso sentir seu coração dentro do meu, eu sinto isso, eu sinto isso
Eu tenho saído da minha cabeça, eu sinto isso, eu sinto isso
Saiba que estou apenas perdendo tempo e eu espero que você não fuja de mim.'
Todo o resto da canção foi escrita depois de eu estar muito tempo sem te ver e com outras pessoas me ajudando, então ela não é toda sua, mas essa parte específica sempre será somente e totalmente sua.
Feliz aniversários e Natais atrasados.
H.”
Olhei para o caderno e quase comecei a chorar de novo.
- Por que você faz isso comigo?
Ele deu apenas um sorrisão e me abraçou de lado.
- Porque eu gosto de você, ué. Vamos dormir, já está tarde. - Ele me ajudou a levantar e me deixou na porta do quarto da Gemma. - Até amanhã, .
- Até amanhã, obrigada pela conversa e pela música. - Dei um beijo na bochecha dele e fui para dentro do quarto. Mas a última coisa que eu pensava era em dormir. Maldito Styles. Me faz entender o meu namorado e termina a noite fazendo isso comigo. Gemma estava certa. Ele não vale nada mesmo.
Entrei com cuidado no quarto para não acordar Gemma. Eu estava fechando a porta vagarosamente com muita cautela para não fazer barulho. Assim que eu soltei a fechadura a luz do quarto acendeu.
- Muito bem. - Gemma estava sentada na cama me encarando, ainda com a mão no interruptor. - Abra o bico.
Olhei para ela assustada e comecei a rir.
- Abrir o bico sobre o que?
Não se faça de desentendida, senhorita, eu acordei não te encontrei na cama e como eu sou - uma ótima amiga me preocupei que você estivesse sofrendo sozinha na sala.
Fiquei calada, Gemma continuou com uma voz sarcástica.
- Cheguei na sala já me preparando para te consolar e vejo você e o meu irmãozinho abraçados numa espreguiçadeira. - Ela começou a sorrir - Abra o bico!
Continuei rindo.
- Bem, eu estava sozinha na espreguiçadeira pensando na vida, até que o seu irmãozinho veio puxar papo comigo.
- Chegue logo na parte do abraço na espreguiçadeira, por favor.
- Te acalma, não estávamos fazendo nada demais. Ele apenas conversou comigo sobre o Chad. E me fez entender um pouco que o meu namorado pode estar sentindo nessa minha mudança. Eu acabei chorando no meio da conversa e ele me abraçou. Foi isso.
- Nossa, você mente que nem sente, . Pelo amor de Deus, todo mundo da casa ouviu ele tocando If I Could Fly para você. Vocês se beijaram e tão de rolo secreto de novo? Não me deixe de fora disso. - Gemma estava muito agitada.
- Não nos beijamos. Eu até poderia se eu quisesse - tirei onda e Gemma deixou seu queixo cair com a minha audácia. - Estou dando um tempo com o Chad, então não seria uma traição ao certo. - continuei brincando.
- Fala sério!
- Tá, vou explicar.
Ela continuou calada e balançou a cabeça para me apressar a contar.
- Em 2009, no meu aniversário, Harry me deu um poema de presente, onde ele meio que se declarava para mim, naquele dia foi a primeira vez que eu dei um beijo nele.
- Ele te fez um poema de amor? Ele é um ridículo. Adorável, mas ridículo.
- Pois é, estávamos falando sobre isso e ele me falou que nesse mesmo dia ele havia começado a escrever um música que seria meu presente no ano seguinte. Mas ele não finalizou a música e acabou indo para o X Factor no ano seguinte.

Peguei meu caderno e mostrei anotação que Harry tinha feito. Gemma pegou e leu tudo.
- Meu Deus! - Gemma deu um tapa na testa dela, largou o caderno. - Eu acabei de entender o 'você devia saber'! Como eu sou uma idiota!
Fiquei calada encarando Gemma.
- Harry não é de fazer essas coisas e dar nome aos bois, sabe? Mas eu sei de uma coisa sobre essa música em específico.
- O que?
- Ele nunca me diz para quem ele escreveu nenhuma música. Sempre fala que era apenas um sentimento ou uma ideia do além. Mas essa música, no dia que ele me mostrou pronta ele me falou que era para uma pessoa que ele realmente havia amado. - ela deu uma pausa - Quando eu perguntei quem era, ele só disse 'você devia saber'.
- Você acha que ele falou sério? Ele não estava só se aproveitando do momento?
- Olha, conheço bem o meu irmão, ele com certeza se aproveitou do momento. Mas eu garanto que essa música é para você. Se não fossem, ele não falaria isso. Ele é esperto, mas não é mentiroso.
Peguei meu caderno de volta e olhei novamente a página escrita.
- E outra, - Gemma continuou - Você tem um papel escrito e assinado de próprio punho dele falando que a música é sua. Você pode comprovar até num tribunal. - ela começou a rir. - Você ainda gosta do Harry, ?
- Não sei o que eu sinto pelo Harry. - falei sincera - é uma mistura de nostalgia e surpresa, ele mudou muito, mas só para melhor.
- Sim.
- Mas eu tenho o Chad, que eu sei que amo, ou acho que amo. - Eu estava começando a duvidar dos meus sentimentos. - Eu costumava adorar falar do Chad e estar com ele. Mas ultimamente tem sido difícil. E te garanto que ter um popstar gato cantando para você de madrugada, não ajuda a manter a cabeça no lugar.
Gemma deu uma risada e começou a arrumar o travesseiro dela.
- Sabe, , eu não gostaria de estar no seu lugar. Mas uma coisa é certa, se você conseguir melhorar as coisas com o Chad, eu vou te apoiar 100%. Você precisa pensar em você, e não neles.
- Ah, sabedoria plena de Gemma Styles.
- Estarei aqui a noite toda! - ela deu um sorriso.
- Vamos dormir, quem sabe eu não receba algum sinal divino durante o sono? Ou quem sabe algum ser superior não faz o Chad voltar a ser a pessoa que eu me apaixonei?
- Vamos torcer! - Gemma disse apagando a luz do quarto. - Boa noite, .
- Boa noite Gems.


Capítulo 9

Harry’s POV.
Depois que deixei na porta do quarto de Gemma, voltei para a piscina com meu celular e fones de ouvido. Eu não estava conseguindo dormir de jeito nenhum. Acredito que seja o jetlag do Japão ainda fazendo efeito. De qualquer forma, além disso, também tinha . Depois dessa conversa com ela percebi que estava me deixando levar por um sentimento que há tempos não sentia. Conversar com era natural. Eu parecia saber dizer exatamente o que ela queria ouvir. Meu plano original era chegar aqui, conversar com ela e perceber que eu estava exagerando nas expectativas. Mas desde que eu olhei novamente para ela, não consigo. A todo momento crio novas expectativas em cima de expectativas anteriores. Respirei fundo e coloquei meus fones na orelha. Fui para minhas músicas e coloquei no aleatório. Vamos ver se o universo me ajuda a resolver minha confusão mental por meio de canções. Dei uma risada percebendo o tanto que eu soava cada vez mais idiota desde que descobri que estava de volta na vida da Gemma, e consequentemente na minha.
Quando eu ouvi o primeiro acorde da música já comecei a rir. O universo só pode estar de brincadeira comigo.


“Eu poderia ficar acordado
Só pra te ouvir respirar
Te ver sorrir enquanto dorme
Enquanto está longe e sonhando
Eu poderia passar a minha vida
Nesta doce rendição
Eu poderia ficar perdido neste momento pra sempre
Cada instante que passo com você
É um momento que eu valorizo”


Steven Tyler, o meu correspondente do universo, cantava I Don’t Wanna Miss a Thing. Dei apenas um sorriso, o universo realmente estava me mandando um sinal? Resolvi fechar os olhos e cantar o resto da música enquanto pensava em , inevitavelmente.

“Eu não quero fechar meus olhos
Eu não quero adormecer
Porque eu estaria te deixando, amor
E eu não quero perder nada
Porque mesmo que eu sonhe com você
O sonho mais doce não serviria
Eu estaria te deixando, amor
E eu não quero perder nada”

Quando a música acabou e resolvi ir para o meu quarto. Em poucas horas iria amanhecer, e minha mãe provavelmente ficaria brava se soubesse que eu passei a noite no frio.

xxx


Consegui dormir por algumas horas. Acordei com o barulho da minha mãe preparando o café da manhã cantando Daytripper de uma forma desordenada na cozinha. Me levantei e fui ao seu encontro.
− Dormiu bem, mãezinha? - dei um abraço nela por trás e um beijo estalado na sua bochecha.
− Dormi sim, meu bem, e você?
− Ah, eu dormi pouco, acho que ainda estou no horário do Japão. Acho que vou ter sono de tarde. - Peguei alguns copos e comecei a colocar a mesa da cozinha.
− Se você continuar dormindo de tarde nunca vai organizar esse sono. A América do Sul tem um fuso horário diferente também. Se você ficar dormindo aqui de tarde não vai acordar lá.
− É, mas lá eu estarei trabalhando. Várias pessoas vão me fazer entrar na linha. Mas essa semaninha aqui eu posso dormir o tanto que eu quiser.
Continuei colocando a mesa e conversando com minha mãe sobre o dia a dia na turnê e não percebi Gemma chegando.
− Bom dia! - ela estava um sorrisinho no rosto de quem sabe de alguma coisa.
− Bom dia, flor do dia. - Puxei ela para um abraço. Eu realmente sentia falta dessas duas no meu dia a dia.
− Tá feliz demais hoje de manhã, pra quem não dormiu nada de noite, não?
− Claro que estou feliz, estou com vocês, não é?
Minha mãe fez um “oh” veio me dar um beijo na bochecha e passou a mão na minha cabeça fazendo carinho.
− Deixa de besteira. Você está com saudades da gente, blá blá blá. O que foi que o senhor fez com a naquela espreguiçadeira logo ali? Conta pra mamãe, seu safado!
− Eu não fiz nada! - olhei para minha mãe que me encarou fazendo cara de espantada. - Não fiz nada mãe! A gente só conversou.
− Você tocou até música pra ela, seu canalha. - Gemma começou a ajudar a colocar a mesa. Enquanto ria.
− Eu conversei com ela, como a mamãe pediu. - Levantei meus ombros.
− Realmente pedi, mas explica essa história de música?
− Como você sabe da música, Gemma? Ela te contou?
− Eu ouvi com minhas próprias orelhinhas. Não sei se você percebeu, mas a janela do meu quarto fica bem em cima de onde você estava...- ela sentou - dando em cima da minha melhor amiga comprometida descaradamente.
− Eu não estava dando em cima dela. Apenas cantei uma música que eu fiz pra ela quando ainda tinha uns 15 anos. Estávamos relembrando. – dei um sorrisinho torto.
Minha mãe resolveu pegar no meu pé junto com Gemma.
− Meu amor, você precisa esperar ela pelo menos terminar com o namorado atual pra fazer essas coisas. Mas eu apoio que você continue tentando. é um ótimo partido.
− Isso, sem dúvida nenhuma, é verdade. - Gemma começou. - Mas não invente de enrolar minha amiga que eu te mato.
Dei uma risada e deixei as duas pegarem no meu pé. Elas já estavam fazendo planos para meu casamento. Minha mãe fez questão de falar que eu não poderia usar nenhum terno estampado na cerimônia.
− Mas eu fico tão bem com estampas, mãe!
Nesse momento chegou na cozinha, nos deu bom dia.
− Diga para elas, , eu fico bem com ternos estampados, não fico? - passei com minhas torradas com abacate por ela e sentei na mesa.
Ela não estava entendendo nada, mas respondeu mesmo assim.
− Fica, aonde você quer ir estampado?
− No meu casamento. Imagina um Gucci florido? - fiz piada enquanto minha mãe fez uma cara de ofendida.
− Você não pode chamar mais atenção do que a noiva, Harry. - Gemma falou.
− Vocês estão planejando o casamento do Harry?
− Elas fazem esse tipo de coisa. - falei puxando uma cadeira para ela sentar ao meu lado.
− E você vai casar com quem?
− Essa posição ainda está vaga, mas se você quiser se candidatar estou com inscrições abertas. - Dei um sorriso de lado e pisquei para ela. Que ficou vermelha no mesmo instante.
− Você é muito bobo. - Ela pegou um pedaço de pão e começou a passar manteiga tentando disfarçar as bochechas rosadas. - Mas vou concordar com elas, você não pode usar estampa no seu casamento.
− Vou tirar uns pontos da sua classificação de minha noiva por isso. - falei mordendo minha torrada e sujando meu rosto. Gemma riu e jogou um guardanapo na minha cara.
− E quem disse que eu quero essas pontuações?
− Olha só? Me desdenhando? Você ganha pontos por isso.
rolou os olhos e resolveu que, se não podia me vencer, iria se juntar a mim.
− Então, vamos combinar o seguinte, você pode usar terno estampado no nosso casamento, desde que eu não precise te mostrar a música.
− Você é esperta. Ganhou mais pontos, acho que até o final da semana eu vou ter que ir atrás de um anel para você.
− Se eu não for a madrinha desse casamento, eu mato vocês dois. - Gemma falou, provavelmente para me fazer parar de encarar .
Continuamos fazendo piadas durante todo o café da manhã. Quando terminamos de comer, Michal, namorado de Gemma, chegou. Ele não pôde vir na noite anterior devido à uma reunião de trabalho.
Gemma levantou da cadeira para poder apresentar a Michal pessoalmente. Eles só haviam conversado por FaceTime umas duas vezes. Gemma e Michal têm agendas bem ocupadas. Mas ainda assim conseguem fazer o relacionamento deles funcionar.
Ele sentou na mesa para comer alguma coisa, quando eu percebi encarando o celular e ficando pálida. Ela pediu licença e saiu da cozinha para atender uma ligação. Nesse momento eu queria me transformar numa mosca e segui-la para saber o que tinha deixado ela tão assustada. Gemma percebeu que eu estava preocupado.
− Eu olhei a tela, é o Chad. - Ela me falou baixinho, para que ninguém notasse. Michal e minha mãe estavam conversando sobre abacates quando eu resolvi inventar uma desculpa qualquer para tentar ver como estava.
− Com licença, vou tomar um banho para ver se o sono do Japão passa. Já, já estou de volta.
Subi as escadas correndo e comecei a andar mais devagar ao passar pelo quarto de Gemma.
“Você não deveria ter me ligado para falar isso” ouvi falar com a voz meio chorosa.
“Eu não precisava saber disso. Nós estamos separados essa semana, não é? Aproveite sua vida, então. Não quero saber de nada. Vamos conversar na semana que vem. Tchau.” Ela desligou o telefone e começou a chorar ainda mais. Fiquei receoso de entrar, mas eu não aguentei. Bati na porta do quarto, que estava entreaberta.
− Posso entrar?
Ela sentou na cama limpando as lágrimas. E acenou positivamente com a cabeça.
− O que aconteceu? Você quer falar sobre isso?
Ela respirava fundo para tentar controlar o choro. E balançou negativamente a cabeça. Eu estava de pé de frente para ela, que estava sentada na cama ainda tentando controlar o choro com sua respiração pausada. Peguei um copo de água que estava no criado mudo de Gemma, fui até o banheiro e joguei a água velha fora e enchi o copo com água de uma jarra que estava na escrivaninha.
− Toma, vai te fazer sentir melhor.
Ela ainda estava calada, tomou a água e conseguiu se acalmar mais.
− O que aconteceu? Eu posso te ajudar de alguma forma?
− Chad… - ela respirou fundo e bebeu mais um gole de água - ele me ligou.
− Certo, isso é ruim porque...?
− Porque ele me ligou para pedir desculpas.
− Mas isso é ótimo, porque você está chorando?
− Me pedir desculpas porque ele dormiu com a Madison.
Fiquei sem reação. Por alguns segundos e ela continuou.
− Me ligou para dizer que me ama, que foi um erro, que a culpa era minha por ter inventado essa semana separados.
− Ele falou que a culpa era sua?! - esse cara estava cada vez pior para mim. Como diabos se envolveu com um cara assim?
− Sim. Eu o mandei se foder primeiro. E depois relembrei que ele pode fazer o que quiser essa semana. Não estamos juntos. Mas que eu não precisava saber. - Ela bebeu água novamente tentando engolir o choro.
− Já sei, ele falou que se você não soubesse, ele se sentiria um mentiroso, que de alguma forma você descobriria e ele preferia que você soubesse por ele?
− Precisamente.
− Caralho, nós homens somos muito previsíveis.
apenas levantou os ombros. Eu me ajoelhei na frente dela e a puxei para um abraço apertado.
− Eu sinto muito. Você merece muito mais do que isso, .
− Ele estava tão preocupado comigo morando sozinha em Londres e todos os homens que eu iria transar que esqueceu de cuidar dele. - ela deu uma risada de desdém - ele pediu desculpas por ter sido ‘seduzido’.
− Ele é um merda. Espero que você conte ponto negativos para ele agora.
− Pontos negativos? - ela falou confusa.
− Sim, para ele não virar seu noivo.
Ela deu uma risada quando entendeu que eu estava continuando a piada do café da manhã.
− Você é muito bobo!
− Pelo menos agora você está sorrindo! Não quero você triste.
− Me desculpe. - Ela falou.
− Não tem nada pra desculpar, se eu encontrar com esse Chad, eu vou dar um murro na cara dele.
− E você lá tem jeito para dar murro nas pessoas, Styles?
− Eu treino boxe, se liga! - levantei e comecei a mostrar meus movimentos.
− Nossa, que elegância. - Ela fez piada.
− Não se deixe levar pela minha beleza. Eu treino todos os dias na turnê. Garanto que consigo apagar um jornalista com meu murro.
Ela deu mais uma risada.
− Obrigada por ser um idiota, Styles.
− Vamos sair hoje de noite, vou terminar de te animar, pode ser?
− Tá bem, mas por favor pare de pular e dar murros no ar. Eu não quero ter uma crise de choro de riso!
Olhei para ela com cara de ofendido. Fiz ela levantar da cama e voltar para a conversa com o pessoal. Pelo menos assim ela esqueceria um pouco sobre o babaca do namorado dela.


Capítulo 10

’s POV.

Eu ainda estava sem entender porque Chad dormiria com alguém sem mais nem menos. E porque diabos ele me ligaria na manhã seguinte. OK, ele percebeu o erro e me ligou, isso é nobre ou manipulador? Tinham apenas 8 dias desde que demos nosso tempo e ele já estava transando com outras mulheres. Eu jogava minhas coisas com raiva na mala enquanto pensava muito rápido. Gemma olhou de lado, estávamos arrumando minhas coisas pra eu me mudar para o quarto de hóspedes. Michal tinha chegado e eu não seria a empata foda do casal.
- Você está bem? - Eu ainda não havia falado para Gemma do telefonema com Chad.
- Não estou. - Sentei no chão. Que saco, eu estava parecendo uma louca, toda hora queria chorar. Gemma sentou ao meu lado e passou o braço por cima do meu ombro.
- Tudo bem você chorar, sabia? Não é como se tudo estivesse bem com você. Eu notei que o Chad te ligou hoje cedo. E eu sei que o Harry conseguiu te animar de alguma forma. Mas se você quiser me falar, eu posso tentar te ajudar.
Respirei fundo e relembrei a conversa que tive pela manhã com Chad.
{flashback}
- Alô, Chad, aconteceu alguma coisa? - atendi preocupada, afinal tínhamos combinado não conversarmos até o final dessa semana. Ouvi um suspiro forte do outro lado da linha.
- É tão bom ouvir a sua voz, . Eu estou sentindo muito a sua falta. - Meu coração apertou. Eu também sentia a falta dele. Essa situação toda era uma merda. - Mas eu acho que o que vou te falar agora vai fazer você me odiar.
- Do que você está falando, Chad? – senti meu coração começar a bater mais rápido.
Primeiro de tudo, eu quero que você saiba que eu te amo.
Fiquei calada, mas meu corpo começou a perder os sentidos. Minhas mãos estavam formigando, meu estômago começou a embrulhar e ficar frio. Comecei a sentir um princípio de dor de barriga. Sempre que fico nervosa, perco controle de todas minhas funções vitais.
- O que aconteceu, Chad, me fala logo. - Comecei a sentir meu coração bater ainda mais forte. Eu estava à beira de um colapso nervoso.
- Ontem à noite eu estava muito mal, sentindo sua falta. - Ele pausava a fala de tempos em tempos, como se estivesse esperando que eu gritasse. - Saí com o pessoal da faculdade, e acabamos enchendo a cara.
Eu continuava calada.
- Quando resolvemos voltar para casa, Madison chegou na nossa mesa e ficou conversando comigo e os caras. Todos foram embora e eu fiquei sozinho com ela.
Fechei os olhos esperando que ele não falasse nada depois disso. Ou que ele falasse que eles tinham se machucado. Ou que alguém entrou com um carro pela janela do pub. Tudo, menos o que eu já sabia que ele iria falar.
- Eu não sei como chegamos a isso, mas eu acabei dormindo com ela.
Eu pude sentir meu coração quebrar. Meu peito se aqueceu e eu perdi o controle das minhas pernas. Sentei na cama, ainda calada, apenas sentindo as lágrimas descerem pelo meu rosto. Respirei fundo.
- Porque você está me falando isso? Eu não precisava ouvir isso agora. Muito menos desta forma. Você está fazendo isso só para me machucar? Está tão bravo com a minha mudança assim?
Pude ouvir ele chorando do outro lado da linha.
- Não quero te machucar. Eu só queria que você soubesse por mim, e não por terceiros. Eu estou muito arrependido, isso não teria acontecido se você estivesse aqui.
- Você está colocando a culpa do seu impulso sexual de merda em mim? Você não consegue ficar duas semanas sem transar que a culpa é minha? Vai se foder, Chad.
- Me desculpa, eu me expressei errado, você tem todo direito de estar com raiva. Eu te entendo. Mas por favor, me entenda, eu te amo.
- O caralho, Chad, se me amasse não teria sequer iniciado essa briga de merda que está criando toda essa situação. Isso tudo é sua culpa.
- Não. Se você nunca tivesse se mudado… - ele começou a falar, mas eu já estava chorando, nervosa e sem paciência, interrompi antes que ele completasse a sentença.
- Você não precisava ter me ligado para falar isso! - quase gritei, me controlei apenas por saber que preocuparia demais as pessoas no andar de baixo. - Eu não precisava saber disso. Nós ainda estamos separados essa semana, não é? Aproveite sua vida então. Não quero saber de nada. Vamos conversar depois. Tchau.
Nem sequer dei tempo para que ele pudesse falar mais alguma coisa. Desliguei o telefone e me sentei na cama chorando.
{fim do flashback}
Eu estava novamente chorando por relembrar tudo que aconteceu ao contar. Gemma me abraçou de lado.
- Ele não sabe te dar valor, .
- Mas será que ele não está certo, Gems? - falei limpando minhas lágrimas com as costas das mãos.
- Certo em quê?
- Se eu não tivesse me mudado? Não acha que as coisas estariam bem?
- Eu acho que se você não tivesse mudado, talvez descobriria tarde demais quem é o verdadeiro Chad.
- Eu não sei mais o que achar. - Respirei fundo parando de chorar - Eu quero terminar com ele. Mas não sei se devo. Será que não estou agindo de forma precipitada? Nós nem sequer estamos juntos essa semana. Estamos dando um tempo, então ele pode fazer o que bem entender, não?
- Olha, isso vai depender de uma coisa primordial, você está do lado da Rachel ou do Ross?
- Han? Falei confusa.
- Friends, , acorda pra vida. Ross fala que eles estavam dando um tempo, então era ok transar com outra pessoa. Rachel não concorda.
- Mas em Friends foi diferente, ele fez isso em menos de 24 horas. Já estamos na segunda semana.
- Mas eles estavam ou não dando um tempo?
- Eu não consigo ficar do lado do Ross nessa.
- Então porque você ficaria do lado do Chad? Ele é o Ross nessa situação.
Dei um meio sorriso. Styles e suas artimanhas para me fazer mudar o pensamento.
- Seu irmão aprende com você essas coisas, né?
- Acho que eu que aprendi com ele isso. Harry sempre foi bom em animar as pessoas com coisas bestas ou comparações idiotas. Teve uma época que ele até queria ser psicólogo. Imagina! – ela deu uma risada.
- Ele me chamou para jantar hoje de noite. Será que eu vou?
- Ué, porque não? Meu irmão geralmente leva a gente para lugares legais e paga tudo, se aproveite disso para se animar. - Ela levantou do chão e me estendeu as mãos. - Vem, vamos levar suas coisas para o seu quarto privativo agora. Infelizmente, a cama de lá não é tão boa quanto a minha. Mas você vai superar.
Levantei e fui com ela até o quarto de hóspedes levando minhas malas e um travesseiro enquanto ria.
xxx

Harry sumiu pelo resto do dia. Tivemos um dia bem de meninas, Anne estava sendo minha mãe durante esse momento. Até falar mal do Chad ela falou para me animar. Tudo isso enquanto tomávamos champanhe.
Quando notei a hora já eram sete da noite, nem sinal de Harry. Será que ele havia esquecido do nosso jantar? Eu estava pegando meu celular para mandar uma mensagem para saber se estava de pé ou eu deveria me arrumar quando meu telefone vibrou na minha mão.

"Oi :)"

Era um sms de Harry.

"Oi, eu já ia te mandar uma mensagem, estava com o celular na mão."

"Que bom, já está se arrumando?"

“Na verdade, não, estava vendo TV com sua mãe aqui."

"Pois então, vá se arrumar, às 20:00 nós saímos."

"Ok."

Subi e tomei um banho rápido. Depois comecei a pensar, o que será que eu devo vestir? Eu estava ficando realmente nervosa. Não vi o Harry o dia inteiro, e não sabia o que ele estava tramando, muito menos como ele se vestiria. Parecia um encontro real. Comecei a ficar nervosa. Respirei fundo e olhei minha mala. Não havia nada de grandioso. Então, eu não tinha muito para onde correr. Coloquei minha calça jeans skinny, ela tinha dois furos enormes nos joelhos. O que para mim deixava a calça melhor ainda. Mas se ele tivesse planejado algo chique, eu estaria enrolada. Se bem que não tem nada chique aqui em Holmes. Adoro minha cidade natal, mas convenhamos, aqui é basicamente setor rural. Coloquei uma blusa de seda branca com alças finas e sequei o meu cabelo. Eu estava me maquiando quando Gemma bateu na porta e entrou no meu quarto.
- E aí, o que você acha? - levantei e dei uma volta. - Eu não trouxe nenhum salto, então vou usar o meu vans preto. Porque a outra opção é um chinelo. - E dei uma risada e levantei os ombros.
- Você está ótima, tem algum casaco? Está meio frio lá fora. - Gemma falou mexendo na minha mala, como se fosse minha mãe.
- Eu só trouxe o meu casaco da Gap, que não funciona com essa roupa.
- Peraí, acho que tenho um perfeito. - Gemma saiu do quarto, enquanto eu finalizava minha maquiagem e colocava meus sapatos.
Assim que terminei de amarrar o meu cadarço ela apareceu segurando uma jaqueta preta de couro com detalhes internos florais bem intensos, era uma jaqueta muito bonita. Na hora que ela me entregou eu notei o emblema da Gucci.
- Isso é uma jaqueta da Gucci? - falei segurando a jaqueta como se fosse um bebê. - Eu não posso usar isso aqui. Se eu estragar são três meses do meu salário para te devolver.
- Deixa de ser idiota. - Ela tomou a jaqueta da minha mão e colocou sobre meus ombros - olha como completou o look!
Me olhei no espelho, e realmente estava demais.
- Qualquer jaqueta preta faz esse efeito, você não tem nenhuma da Primark aí não? - fiz piada.
- Eu só tenho essa. E se você falar uma coisa dessas na frente do Harry, se prepare para uma hora de sermão sobre caimento e curvas corretas.
- Tá bem. Vou usar, mas porque você me obrigou, se eu estragar essa jaqueta a culpa é sua!
- Se você conseguir estragar essa jaqueta num jantar a gente fala como garoto propaganda da marca para ele dar nosso dinheiro de volta.
Comecei a rir. Estava pronta. Agora era só encontrar o Harry.
- Harry está pronto?
- Acho que sim, vamos descer?
Anne estava na sala conversando com Harry quando eu desci com Gemma.
- Como você está linda, meu bem! - Anne levantou e me deu um abraço - Aproveitem bastante a noite, qualquer coisa me ligue!
Harry levantou do sofá e me deu um sorriso matador. Ele estava usando roupas que ficaram normais em qualquer pessoa. Mas nele pareciam acentuar toda sua beleza. Ou talvez o champanhe da tarde ainda esteja fazendo efeito. Ele usava uma calça branca, que parecia ser ter sido costurada no corpo dele pela forma que ela servia tão bem, a mesma blusa preta de botão que ele usou no dia que eu cheguei, dessa vez alguns botões estavam abertos, eu conseguia ver uma parte de suas tatuagens e um colar prateado de cruz. Ele estava colocando uma jaqueta que ia até metade de suas coxas naquele momento. Estava lindo, sem se esforçar. Maldito. Deu um beijo na bochecha da mãe dele.
- Não nos esperem acordadas. - fez piada e estendeu o braço pra mim - Vamos lá?
Dei uma risada, mas foi de nervoso mesmo, olhei para trás, Gemma e Anne olhavam para nós como se fossemos filhotes de cachorro. Dei um tchauzinho e saímos porta a fora. Do lado de fora havia um Audi R8 parado na garagem ao lado da Range Rover que Gemma dirigiu até aqui. Eu não sabia que era o carro do Harry, até ele abrir a porta para que eu pudesse entrar. Entrei e fiquei pensando, como esse carro veio parar aqui? Harry não veio com um motorista?
- O que foi? - ele disse sorrindo me vendo confusa dentro do carro.
- Esse carro estava aqui antes? Achei que a gente ia no carro que a Gemma trouxe.
- Não estava. Pedi para trazerem. Gemma vai levar de volta para Londres com você na volta. Minha mãe vai ficar com a Range.
Fiquei calada. Nos últimos dois dias eu tinha me esquecido que agora Harry era milionário.
- Eu tinha achado que Gemma tinha alugado o carro.
- Ah, não, a Range Rover foi um dos primeiros carros que eu comprei. Era do Robin. Minha mãe gosta de andar nele e eu não me desfiz dele quando comprei esse porque ele é especial para gente… - ele deu uma pausa ao falar - Gemma veio com ele porque sabia que minha mãe não ia querer voltar para Londres no Audi.
- Entendi. - falei e continuei calada. Estava me sentindo meio fora do meu ambiente naquele carro.
- Você está bem? - ele perguntou depois que eu fiquei calada novamente.
- Estou bem, não estou acostumada com você dirigindo. - falei sincera - E nem com esses carros esportivos.
- Quando eu estiver de férias, vou te levar para Los Angeles, aí você pode andar nos meus carros velhos.
- Quantos carros você tem, Harry?
- Eu tenho 3 aqui na Inglaterra e dois em Los Angeles. Mas os de lá são modelos antigos. Gosto muito de carros com mais história. Costumo alugar vários diferentes nos Estados Unidos, só para dar uma volta.
- Você é muito esquisito, Styles.
Ele levantou os ombros. E manteve seus olhos na rua. Rapidamente estávamos no nosso destino.
- Chegamos! - Ele estacionou o carro. - Espera aí, que eu vou abrir a porta para você. - Dei uma risada e esperei - Pronto, senhorita, pode descer. - Ele estendeu novamente o braço.
- Você é um palhaço mesmo!
Chegamos ao The Cobbles Tearoom Courtyard, e imediatamente reconheci o local. Harry percebeu que eu havia reconhecido e deu um sorriso pequeno.
- Lembra daqui? - ele segurou minha mão para me guiar até a entrada. - Sim, viemos aqui no nosso encontro secreto. - dei uma risada - Nós tomamos chá e dividimos um café da manhã. Ele deu outro sorriso pequeno, dessa vez notei sua covinha aparecendo. Chegamos até a porta e uma senhora muito simpática veio nos receber.
- Boa noite, Harry! - Ele deu um abraço com apenas uma das mãos, a outra ele mantinha segura na minha. - Essa é a ? - Ela me cumprimentou da mesma forma.
- Sim, senhora. - Ele deu um sorriso - Conseguiu separar a nossa mesa?
- Certamente, querido, vamos lá. - Ela dava passinho curtos, e nos levou vagarosamente para uma mesa pequena que ficava isolada num jardim interno. - Aqui vocês estarão seguros. - Ela deu um sorrisinho. - Logo mando alguém aqui com o cardápio. Aproveitem a noite.
Essa tinha sido exatamente a mesma mesa que ficamos da outra vez. Harry realmente pensou em tudo.
Alguns minutos depois o garçom chegou, fizemos nossos pedidos e Harry pediu um vinho. Estávamos estranhamente calados. Harry me encarava, mas não dizia nada. Apesar de estarmos calados, eu não me sentia desconfortável. Estava olhando todos os detalhes do restaurante. Que era um lugar bem charmoso, e com uma carta de chás enorme. Eu nunca tinha vindo no jantar aqui. Só no café da manhã.
- Você lembrava o nome daqui? - Cortei o silêncio ainda olhando ao nosso redor.
- Sim, eu sempre venho aqui tomar café da manhã pelo menos uma vez quando estou em Holmes. - Ele tomou um gole do vinho que havia chegado.
- Eu não me lembrava. - Harry ainda me encarava. - Por que você está me olhando assim?
- Você está muito bonita. - ele disse despretensiosamente - Não consigo evitar. Me desculpe.
Eu estava tentando formular alguma resposta quando nosso jantar chegou. Começamos a comer.
- Isso está muito bom - ele disse apontando para o prato dele - Você deveria ter pegado um igual ao meu.
- O meu também está bem gostoso.
- Ah é? Deixe-me ver. - ele simplesmente colocou o garfo dele dentro do meu prato e roubou um camarão inteiro do meu risoto! Que por acaso eu havia colocado no canto para aproveitar bem depois.
- Você roubou meu camarão! - Eu falei brava e ele apenas riu de boca cheia.
- Quer de volta? - ele abriu a boca
- Não, seu nojento! - peguei meu garfo e roubei um pouco do macarrão dele. - Nossa, que saco, meu camarão devia estar bem melhor. - Coloquei na boca. Ainda balançando negativamente a cabeça. Ele deu um sorriso e chamou o garçom. Mostrou algo no cardápio e voltou a me olhar.
- Deixe de drama. - Ele continuou sorrindo. - Me conta, como está sendo trabalhar na editora? Eu sei que Gemma adora. Mas quero saber de você, está cumprindo suas expectativas?
- Por enquanto eu ainda estou me adaptando. Mas estou gostando sim.
- Eu sei que você não quer fazer carreira nessa parte de músicas e celebridades, você quer fazer o que?
- Quero trabalhar com reportagens investigativas, política essas coisas. - Harry apenas concordava com a cabeça. Eu comecei a rir quando ele colocou mais macarrão que devia na boca. - Você tá parecendo um esquilo com toda essa comida na boca. - Ele apenas balançou a cabeça e continuou mastigando. Eu estava prestes a reclamar mais uma vez do camarão roubado, quando o garçom chegou à mesa com uma porção de camarões.
- Muito obrigado! - Harry falou para o garçom. Então ele pegou um camarão e jogou dentro do meu prato - Pronto, seja feliz.
Comecei a rir novamente.
- Eu não acredito que você pediu uma porção inteira de camarões só porque eu reclamei que você comeu o meu.
- O objetivo desta noite é te animar. Se o preço for um camarão, tá fácil. - Ele riu e pegou um camarão da porção para comer.
Continuamos a noite rindo, Harry pediu uma sobremesa enorme para nós dois. Ele comeu mais da metade dela sozinho. No final do jantar eu nem sequer me lembrava do Chad. Harry sabe envolver alguém numa conversa. Ele passou a noite perguntando tudo da minha vida. Me senti num daqueles perfis de revista adolescente. Acho que ele me fez responder tudo que já perguntaram para ele.
- Qual sua cor favorita?
- Roxo.
- O que costuma chamar sua atenção em encontros? - ele deu uma piscada e começou a rir. - Ok, acabaram minhas perguntas.
- Percebi que você estava fazendo um perfil de revista comigo.
- Você não respondeu a última.
- Na pessoa ou no encontro em si?
- Pode ser os dois.
- Hum. - comecei a pensar. - Geralmente a primeira coisa que eu reparo em qualquer pessoa é o sorriso. E se os olhos sorriem junto.
- Como assim os olhos sorriem junto?
- Por exemplo, tem gente que quando sorri, não demonstra felicidade.
- Meus olhos sorriem junto? - ele falou e deu um sorrisão - E aí?
- Sim, seus olhos sorriem junto. - Dei uma risada - Você sempre sorriu com os olhos, acho que é por isso que eu sempre reparei isso em outras pessoas, Gemma também sorri assim.
- Entendi. Então, o que você repara é o sorriso?
- Sim, e os olhos. - Falei encarando os dele e percebi pela primeira vez na noite ele corar.
- E em encontros? - Ele estava vermelho, mas não se deixou abalar.
- Bem, eu nunca pensei em nada. Mas eu gosto de coisas pessoais.
- Entendi. - Ele chamou o garçom e pediu a conta - Você quer mais alguma coisa ou eu posso fechar?
- Ah, quero não, obrigada. - Achei esquisito ele de repente ficar apressado. - Nós já vamos embora?
- Sim, vou te levar num lugar ainda. - Ele pagou a conta e agradeceu ao garçom.
Nos levantamos e Harry foi novamente até a senhora que nos recebeu. Deu um abraço nela e agradeceu pela mesa. Saímos e fomos direto até o carro.
- Eu adoro Holmes. - Harry falou assim que sentamos no carro. Fiquei calada e olhei para ele. - Nenhuma câmera saindo do restaurante. Posso andar normalmente.
- Ninguém mexe com você aqui?
- Às vezes no centro se eu estiver à pé, sempre aparece alguém. Mas em geral, aqui as pessoas estão acostumadas a me ver.
- É engraçado, eu não consigo te ver como o cara famoso que você é. Você é tão normal.
- Bem, se prepare psicologicamente, porque se você for para algum lugar comigo em outra cidade sempre vai ter alguém tentando me fotografar. - Ele deu partida no carro. - E eu sou normal, te falei isso desde que a gente começou a conversar por sms, lembra?
Apenas revirei os olhos. Harry começou a dirigir por uma estrada estranha.
- Aonde estamos indo?
- No meu esconderijo.
- Esconderijo? Você tem um esconderijo?
- Sim, desde criança esse é o meu lugar. - Chegamos no meio do nada. E eu continuei sem entender.
Harry saiu do carro, abriu o porta malas e tirou um cobertor imenso e grosso. Pegou minha mão e me puxou para dentro de uma clareira rodeada de flores coloridas. Esticou o cobertor no chão e disse para eu ficar à vontade. Me sentei no chão e Harry tirou seu casaco, enrolou como um travesseiro e deitou com a cabeça olhando para o céu.
- Olha, - ele apontou para cima - aqui dá para ver as estrelas como em nenhum outro lugar do mundo.
Olhei para cima. E estava realmente muito bonito de se ver. Deitei ao lado dele e fiquei olhando para as estrelas.
- Vou te mostrar a experiência completa! - Ele puxou seus fones de ouvido do bolso, me entregou um e me deu o celular dele - Coloca sua música favorita.
- Eu não sei qual é a minha música favorita.
- Vou colocar uma então, enquanto você pensa. - Ele colocou para tocar Breathe do Pink Floyd.
- Essa música é muito boa, faz tempo que eu não escuto. - Harry deu um sorriso e pegou meu celular. Puxou meu dedo e destravou a tela. - O que você vai fazer?
- Vou te fazer uma “mix tape” em forma de playlist no Spotify. - E começou a selecionar músicas. Depois de alguns minutos, ele me devolveu o celular. - Pronto, essas são algumas das minhas músicas favoritas. Acho que você vai gostar.
Ele salvou a playlist como "Harry's Mix Tape". Pausei a música que estava tocando e pedi para ele colocar a playlist que havia feito para mim.
- A primeira música já ouvimos, então eu vou passar. - E então, ele deu play na segunda da lista. Can't Help falling in Love, do Elvis. Ele colocou o fone que tinha na orelha e começou a olhar as estrelas.
Fiquei olhando para o céu e ouvindo a música. Eu estava tão perdida em pensamentos que apenas voltei ao momento quando Harry segurou a minha mão, enquanto ouvíamos Elvis cantando:

"Eu deveria ficar?
Seria um pecado?
Se eu não consigo evitar me apaixonar por você?
Como um rio que corre, certamente para o mar
Querida, é assim....
Algumas coisas estão destinadas a acontecer
Pegue minha mão, tome minha vida inteira também
Porque eu não consigo evitar me apaixonar por você"

Olhei para o lado, Harry estava de olhos fechados cantarolando a música, bem concentrado. Ainda segurando minha mão.

"Porque eu não consigo evitar me apaixonar por você"

A música acabou e eu pude ouvir a voz de Paul McCartney cantando Heart Of The Country. Harry abriu os olhos, mas continuou olhando para cima enquanto cantava. Eu já não conseguia olhar para outro lugar senão ele. E admirar o ritual que ele tinha com esse local. As músicas que ele havia escolhido eram todas muito boas. Quando a última acabou, ele virou o rosto para mim. E deu um sorriso.
- Sua vez. - Ele novamente me entregou o celular - Coloca alguma coisa para gente ouvir. Não precisa ser uma playlist inteira. Só algo que você goste de ouvir e ache que eu vá gostar.
Peguei o celular dele e encarei o Spotify por alguns minutos. Até que escolhi uma música. Something, dos Beatles. Harry fechou os olhos e começou a cantar junto novamente. Eu coloquei essa música porque eu realmente gostava dela. E ela parecia se encaixar com o momento atual. Ele cantou toda a primeira parte da música de olhos fechados, até que depois do primeiro solo ele virou de frente para mim.


"Em algum lugar em seu sorriso, ela sabe
Que não preciso de nenhum outro amor
Algo em seu estilo me mostra eu não quero deixá-la agora
Você sabe o quanto eu acredito
Você me pergunta se meu amor vai crescer
Eu não sei, eu não sei
Acompanhe de perto e você verá
Eu não sei, eu não sei"

Durante o segundo solo, Harry me olhou muito intensamente. Eu fechei meus olhos e ouvi ele cantar junto com a música.

"Alguma coisa em seu jeito de saber
E tudo o que tenho que fazer é pensar nela
Algo naquilo que ela me mostra
Eu não quero deixá-la agora
Você sabe o quanto eu acredito"


A música acabou, ele continuou me olhando profundamente e se aproximou de mim. Acabei com o pouco espaço que tínhamos entre nós e encostei nossos lábios. Sem pensar duas vezes, Harry me puxou para perto de si, acabando com qualquer espaço que pudesse haver entre nós. Parecia que estávamos colocando para fora todos os anos de amor acumulado. Ele me abraçava tão intensamente que parecia não acreditar que eu realmente estava ali. Eu estava com medo de acordar e perceber que toda essa noite não passou de um sonho. Por alguns minutos não existia nada que importasse ao meu redor. Só eu e ele.


Capítulo 11

Harry’s POV.

Passei a noite em claro pensando no beijo. Foi muito melhor do que eu podia imaginar. Eu sentia todo o meu corpo formigar só de lembrar. O cheiro dela ainda estava na minha roupa e eu não tinha forças para tirar minha blusa, queria continuar revivendo aquele momento. O que essa menina está fazendo comigo? Comecei a rir igual a um idiota. Será que eu realmente estava me apaixonando por ela, de novo? Ou isso seria apenas coisa do momento? Fechei meus olhos e comecei a tentar fazer uma autoanálise rápida. Não faz nem um mês que voltou para minha vida. Não consigo pensar em nenhum dia desde a mensagem que eu não tenha pensado nela. Antes eu tinha dúvidas. Mas quando olhei ela na porta da minha casa, meu coração bateu mais forte. Caralho. Ela ainda está confusa com o namorado de merda dela. Será que ela ficaria comigo se eles terminarem? Só de pensar na possibilidade dela não terminar com ele eu já fico nervoso. Pelo amor de Deus, tenho apenas mais dois dias antes de voltar para a turnê. Deveria estar preocupado com a viagem, mas só penso em . Rolei os olhos, coloquei meus fones de ouvido e apertei o play no aleatório. Harry de amanhã de manhã vai ter que lidar com esses sentimentos. Enfiei minha cara no travesseiro e deixei Us and Them do Pink Floyd embalar meu sono.

xxx

De manhã, levantei um pouco mais tarde. Quando cheguei até a cozinha, já tinha saído, de acordo com Gemma, para resolver algumas coisas para a entrevista que eu deveria dar e alguns pepinos que Mark havia encaminhado.
- Como foi ontem? - Gemma resolveu puxar conversa depois de algum tempo calada.
- Foi bom. - falei tentando segurar um sorriso. Que só fez me entregar mais.
- Que cara é essa? - ela estava ficando animada. - Desembucha!
Minha mãe já estava sentada na mesa, me encarando da mesma forma que a minha irmã. Passei a mão no rosto e puxei meu cabelo para trás.
- Desembucha! - ela repetiu.
- Bem, nós fomos jantar lá no teahouse, sabe?
As duas ficaram caladas e continuaram me encarando. Eu mereço mesmo. Rolei os olhos e continuei a história.
- Eu comi macarrão, ela comeu risoto de camarão. Depois a gente conversou sobre música lá no campo.
- Só isso? - ela me olhou desconfiada - para de enrolar a gente, pula para o que aconteceu.
Fiquei calado e levantei a sobrancelha. Gemma sabia. Ou não sabia? Era difícil ler sua expressão. Ela sempre faz cara que sabe de tudo. Mesmo quando não sabe de nada.
- O que aconteceu? Você sabe de algo mais? - usei minhas técnicas de mudança de assunto como um mestre. Só que não.
Ela continuou me encarando e eu de volta. Até que minha mãe perdeu a paciência.
- Me conte logo o que aconteceu antes que eu grite!
Dei uma risada alta da minha mãe. Ela estava agoniada, elas pareciam querer ouvir que eu tinha pedido em casamento na noite anterior.
- Não aconteceu nada demais. - falei tentando não me comprometer. Não sei se ia querer que minha mãe soubesse de alguma coisa. - Nós jantamos, passeamos pela cidade de carro, fomos até o campo e ouvimos música. - Mordi um pedaço bem grande de torrada. - Foi lá que eu a pedi em casamento, é isso que vocês querem ouvir? - falei de boca cheia.
As duas rolaram os olhos ao mesmo tempo, ambas sem paciência para minhas piadas.
- Vocês conversaram sobre o Chad? - minha mãe perguntou. - Ela estava bem triste pelo acontecido. A gente quer saber se ela contou algo mais ou se ela finalmente decidiu terminar com o imbecil.
- Mãe! - me fingi de ofendido - Você chamando alguém que não conhece de imbecil? O que aconteceu com “se não tiver nada de bom para falar de alguém, fique calado?”.
- Harry, querido, não seja bobo. - Ela sorriu - Ele é um imbecil, quem faz aquilo com a ? - Então ela me olhou ameaçadora - Não se atreva a brincar com que eu te coloco de castigo!
Dei uma risada e tomei um gole de chá.
- Não, falamos sobre tudo, menos ele.
- Ela estava mais animada hoje. Mas ainda não 100%. - Minha mãe levantou. - Acho que ela deve gostar do rapaz e está tentando não mostrar para gente que está sofrendo.
Apenas olhei para minha mãe e não falei mais nada. É verdade. estava num relacionamento longo, com um cara que ela definitivamente deve amar. E só porque eles brigaram feio, não quer dizer que o amor acabou. E não é porque eu consegui envolver ela por uma noite que ela magicamente superou tudo e quer ficar comigo. Senti minha cabeça dar uma pontada. Acho que vou ter que abrir o jogo para Gemma. Ou falar com alguém de fora. Levantei da mesa, ajudei minha mãe com a louça e depois subi para meu quarto falando que estava com a cabeça doendo. Minha mãe me mandou beber água e descansar um pouco.
Quando cheguei no meu quarto não consegui me conter. Peguei meu celular e resolvi mandar um SMS para .

“Olá, dormiu bem?”

Ela não me respondeu. Deve estar ocupada. Ou estaria me ignorando? Não tem porque ela me ignorar. Ela que me beijou. Fechei meus olhos. Estava com vontade de gritar. Resolvi que ficar sozinho no meu quarto olhando para o teto e inventando teorias bizarras não iria ajudar. Só ia alimentar uma possível crise de ansiedade. Depois de um tempo, fui até o quarto de Gemma e bati na porta. Michal abriu.
- Oi Harry! - ele estava com o computador ligado na escrivaninha, devia estar trabalhando e eu atrapalhei.
- Ah, me desculpa atrapalhar, eu estou procurando a Gemma.
- Ela está na sala. Disse que me ver trabalhar atrapalha as férias dela. - Ele riu.
- Gemma é maluca mesmo. Vou lá então, bom trabalho! - me virei e desci as escadas.
Gemma estava assistindo O Diabo Veste Prada. Sentei do lado dela e não falei nada. Apenas fiquei assistindo o filme por um tempo. Estávamos na metade do filme e não conseguia mais me concentrar. Eu estava ficando maluco. Porque diabos ela não me respondeu até agora? Pode parecer presunção da minha parte. Mas eu nunca era ignorado, principalmente por garotas. Tudo bem que ainda não tinha sentido o peso da minha importância, ela ainda me via como o menininho do interior. Por Deus, sou muito egocêntrico. Talvez fosse bom ela me dar um gelo. Pelo visto, estou mesmo precisando. Peguei uma almofada e me deitei no colo de Gemma. Que não colocou a mão na minha cabeça, como sempre fazia. CARALHO, PARA DE PENSAR NELA. Suspirei fundo.
- Tá tudo bem? - Gemma perguntou depois de ouvir meu suspiro.
- Sei lá. - falei sincero.
- Aconteceu alguma coisa ontem, não aconteceu? - Ela falou sem pausar o filme. - geralmente diabo veste prada costuma prender sua atenção...
- Eu… - pausei a fala, ela ainda me encarava, minhas pausas não eram dramáticas, eu sempre falo devagar, então não fazia diferença para ninguém. - Vamos conversar em outro lugar? Não quero que a mamãe me mate.
Gemma arregalou os olhos, acredito que milhões de teorias passando por sua cabeça.
- Você não pediu pra ela casar com você de verdade, né? - ela parecia genuinamente preocupada.
Dei uma risada. E me sentei no sofá.
- Você acha que eu sou maluco?
- Eu acho. - Ela riu comigo. - Você faz piadas loucas o tempo todo, vai que resolveu brincar com isso?
- Não pedi ela em casamento. - falei me levantando - Vamos tomar um sorvete?
- Vamos andando?
- Pode ser. - Subi as escadas para colocar um sapato, touca e achar meus óculos. Geralmente quando saio andando, costumo esconder meu cabelo. É o que geralmente me entrega. Coloquei um moletom preto e meu vans.
Desci e Gemma estava basicamente igual a mim. Moletom, jeans e vans. Até rimos da coincidência. Saímos caminhando e ela puxou o assunto.
- Tá, o que aconteceu ontem? estava esquisita hoje de manhã. E depois que Mark ligou pedindo algumas coisas, ela parecia aliviada de ter desculpa para sumir por umas horas.
Respirei fundo.
- Ontem a gente acabou se beijando. - Me encolhi um pouco, achando que Gemma ia me dar um tapa com a cara que ela fez.
- Como assim? Harry! Porque vocês se beijaram?
- Eu não sei. Simplesmente aconteceu. Nós estávamos deitados ouvindo música e ela ficou me olhando. Eu não resisti. Mas eu não tomei a iniciativa.
- Ah, mas você ficou olhando pra ela com esses seus olhões, meu Deus, eu até imagino. Você encarando-a de volta.
- Mas ela estava me encarando também. - Me defendi - A noite toda foi diferente. Ela me envolveu da mesma forma que eu envolvi ela. Sei lá. Só sei que nos beijamos.
- Tá e como foi?
Olhei para ela sem entender.
- O que você sentiu? Foi igual a outro beijo qualquer? Você não entende nada. Que coisa!
- Não sei o que eu senti. Mas não foi igual a nada. Foi melhor. Sei lá, não sei me expressar. - Dei um gritinho de nervoso. Estávamos passando por um parque e eu resolvi sentar no balanço. - Esse parque é novo? Não me lembro dele.
- Não muda de assunto. - Gemma estava de pé na minha frente no balanço - Esse parque não é novo. Tem foto sua pequeno aqui. A sorveteria inclusive fica ali. - Ela apontou o outro lado da rua.
Suspirei novamente.
- Você acha que estou ficando maluco?
- Você não está ficando maluco. Vamos por partes. O que você sente por ela, nesse momento?
- Acho que algum tipo de obsessão. - Dei uma risada. - Não consigo parar de pensar nela. Tudo que eu faço me lembra dela.
- Ok, talvez você esteja um pouco obcecado. - Ela sentou no balanço ao lado - Talvez você esteja começando a gostar dela também.
Apenas suspirei e comecei a balançar levemente.
- Mas eu acho que você não pode ficar com ela agora. - Gemma continuou. - Tem muita coisa acontecendo. Ela pode até voltar com o Chad.
- O cara a traiu! - falei nervoso - Por que ela voltaria com ele?
- Harry, - Gemma falou com uma paciência que eu jamais havia visto. - ela está namorando com esse rapaz já tem uns dois ou três anos, não me lembro ao certo. E essa “traição” foi dentro de um período de “pausa”. - Eu já estava preparando para argumentar quando ela continuou falando e não me deu espaço. - Também não concordo com isso. Mas te beijou, ela também está errada nesse ponto. Mas como ela mesma me falou mais cedo, os dois estão dando um tempo.
Continuei olhando para baixo. Tudo que Gemma falava fazia sentido racionalmente. Mas eu não queria dar o braço a torcer. Meu cérebro apenas guardou a informação “dando um tempo”. Eu poderia tentar alguma coisa. Deus do céu. Não tenho limites.
- Ela não pode voltar com ele.
- Você é muito mimado. - Gemma levantou do balanço. - Se você realmente gosta dela, vai querer que ela seja feliz, mesmo que não seja com você.
- Eu não quero que ela fique com esse babaca.
- Ela quem não deve querer. É nosso trabalho como amigos ajudá-la e apoiá-la.
Revirei os olhos com a ênfase que ela deu em amigos.
- Deixa a ter o momento dela, se ela resolver não ficar com o cara, você pode ter alguma chance, mas agora acho que não vale a pena.
Apenas balancei a cabeça positivamente. Nesse mesmo instante meu celular vibrou. Era ela respondendo a minha mensagem.

“Dormi muito bem, obrigada pela noite de ontem.”

Dei um sorriso. E senti metade do peso do mundo sair das minhas costas. Ela não estava me ignorando.
- Gem, - levantei o olhar do celular e olhei para minha irmã - você acha que ela gosta de mim?
- Olha, não sei. Mas eu acho que ela está muito nostálgica. Talvez vocês dois estejam. Você deveria era estar se preparando para a entrevista de amanhã ao invés de ficar pensando na .
- Ok, vou me preparar para a entrevista. - Dei um sorriso de lado.
- Eu conheço essa cara. Se comporte, Harry.
- Vou me comportar. - Me levantei e puxei Gemma pela mão até o outro lado da rua onde ficava a sorveteria.

Xxx


chegou em casa tarde, minha mãe já estava dormindo. Eu estava sentado na sala assistindo Gemma e Michal jogando videogame, quando ela sentou do meu lado e pegou um pouco da pipoca que eu comia. Olhei de lado para ela dando um meio sorriso. Ela ignorou minha cara e continuou roubando minha pipoca.
- Você quer meu balde inteiro? - falei sarcasticamente, finalmente a encarando desde o beijo.
- Oh, muito obrigada. - ela pegou meu balde de pipoca e colocou no colo dela. Dando um sorriso bobo.
- Era uma piada! Eu não vou te dar meu balde! - peguei de volta rapidamente. - Mas eu deixo você continuar comendo comigo. Sou bonzinho. – pisquei o olho e dei um sorriso para ela.
apenas sorriu e continuou pegando minha pipoca.
- O que estamos assistindo? - ela me perguntou, se aproximando levemente da minha orelha, ao tentar alcançar o balde de pipoca que eu havia afastado dela. Isso fez meu corpo inteiro se arrepiar.
- Michal perder miseravelmente para Gemma em todos os níveis possíveis.
Gemma havia ganhado mais uma vez. Eles estavam jogando Mário Kart. Michal ria junto conosco enquanto Gemma fazia sua dança da vitória. Após a dança, os dois falaram que iriam dormir. Todos nós levantamos falando o mesmo. seguiu comigo para a cozinha. Eu fui levar meu balde vazio e ela me ajudou trazendo os copos.
- Como foi seu dia? - falei colocando as coisas na pia da cozinha. - Conseguiu resolver tudo?
- Consegui sim. - Ela deu um sorriso e me entregou os copos. - Já até preparei minhas perguntas para você.
- Que bom! - eu estava louco para falar com ela do beijo. Mas não sabia como puxar o assunto. Sei que Gemma falou para deixar pra lá. Mas eu precisava saber o que ela estava pensando. Comecei a lavar os copos para tentar ganhar tempo. Ainda bem que Gemma não estava por ali, ela iria perceber que eu estava enrolando. Eu não lavava louça sem ameaças.
- Sim, foi bom trabalhar hoje. Consegui parar de pensar na loucura que está minha vida. - ela deu uma risadinha fraca e sentou numa das cadeiras da cozinha e me assistiu terminar de lavar os quatro copos. Percebi que aquela poderia ser minha deixa.
- Eu queria me desculpar por ontem.
- Desculpar por que?
- Pelo beijo. Eu não deveria ter te beijado, . – Joguei o pano de prato na pia e me sentei de frente para ela. - Você está num momento vulnerável. Eu meio que me aproveitei disso, me desculpe.
- A culpa não foi inteiramente sua. - Percebi ela desviando o olhar - Fui eu quem tomei a iniciativa.
- Você ainda sente alguma coisa por mim? - eu sabia que não podia perguntar isso. Mas não consegui me aguentar.
- Eu estou muito confusa, Harry. - Ela me olhou no fundo dos olhos. - Não acho justo te puxar para o meio dessa confusão louca. Você já tem muita coisa com o que se preocupar, afinal você tem uma turnê para continuar, não posso te envolver numa história que me remete ao ensino médio de tão dramática e infantil.
- Você sempre faz isso, não é? - aproximei minha cadeira da dela.
- Isso o que? - ela me olhou confusa.
- Tenta me proteger de alguma forma. A primeira vez foi no X Factor. Agora isso. Por que você faz isso?
- Eu não quero te arrastar para drama?
- Não parece ser só isso. Você gosta de mim? Vamos fingir que não exista Chuck nenhum.
- O nome dele é Chad…
- Que seja. – fiz uma careta - se não existisse Chad. O que você sentiria?
- Eu não sei, Harry. Chad existe e é uma grande parte da minha vida. - Ela suspirou fundo - Mas ter você de volta na minha vida com certeza me deixou bem mais confusa.
Dei um sorriso, era exatamente o que eu queria ouvir. Eu tinha alguma chance. Pequena. Mas ela existia.
- Sabe, eu sou um cara bem dramático. - falei ainda olhando nos olhos dela. - não me importaria se você quisesse me puxar para o seu drama. Talvez eu até gostasse.
deu uma risada, mas percebi que ela estava nervosa. Me aproximei dela novamente, como na noite anterior. Ela ainda me encarava sem saber o que fazer.
- Eu gosto de você, Harry, e não quero que você sofra. - Ela falou bem próxima de mim.
- Agora eu já sou um rapaz grandinho. Você não precisa me proteger. - Me aproximei o máximo que podia, sem encostar os meus lábios no dela. Mas eu podia sentir o calor deles muito próximo. - Vocês estão dando um tempo, não é? Então eu posso fazer isso, certo? – me aproximei ainda mais dela.
Ela apenas acenou a cabeça positivamente. Parecia hipnotizada com minha voz. Não quebramos o contato visual por nenhum segundo. Acho até que esquecemos de piscar por alguns segundos.
- Harry, - ela fechou os olhos - eu acho que não devíamos...
Antes que ela pudesse completar a frase, acabei com o milímetro de espaço que nos separava e dei um beijo nela. E como na noite anterior, eu senti meu corpo inteiro relaxar. Beijar era como algum tipo de droga. O perfume dela me consumia. Eu aprofundei nosso beijo. colocou a mão na minha nuca e puxou levemente meus cabelos. Então quebrou nosso beijou abruptamente.
- Harry! - ela respirou fundo. Eu continuava apenas a encarando. - Eu tenho que ir dormir. Boa noite. - Ela se afastou completamente de mim e saiu rápido em direção as escadas.
Eu me apoiei na pia. Precisava de mais beijos dela. Em algum momento eu iria conseguir ficar satisfeito e começar a trabalhar numa possível forma de superar isso. Certo?

xxx


Na manhã seguinte acordei com batendo na porta do meu quarto.
- Bom dia, senhor Styles! - ela entrou no meu quarto sem pedir nem licença. Eu ainda estava enrolado no meu cobertor. - Vamos levantando, o fotógrafo deve estar chegando de Londres em alguns instantes, temos algumas horas contadas com ele. Lá embaixo tem algumas roupas separadas, mas você pode levar coisas suas também. Vamos logo tomar café. - Ela falava tudo isso enquanto andava pelo quarto, abria minhas cortinas e puxava meu cobertor.
- Hey! - protestei ao ter meu cobertor quentinho arrancado - Eu poderia estar nu aqui.
Ela me ignorou solenemente, repetiu que eu devia descer para tomar café e que se demorasse, ela ia falar como eu era preguiçoso na matéria. Da mesma forma que entrou ela sumiu do meu quarto. Me deixando acordado e olhando para o teto. Resolvi levantar de uma vez, tomei um banho e desci de cabelos molhados para tomar café.
Ao chegar na cozinha, Michal estava preparando panquecas. E eu podia ver Gemma e decidindo as possíveis locações das minhas fotos.
- Posso ajudar? Ou eu sou um mero coadjuvante nessa história?
- Você é o personagem principal - Gemma falou sem olhar na minha cara. - Deixa de drama, come e vem pra cá ajudar a gente.
- Cadê a mamãe?
- Ela foi na casa da Sra. Harris.
- Achei que ela ia participar dessa bagunça.
- Na verdade, ninguém vai. - falou. - Nós já, já, vamos sair. Vai ser só você. Gemma vai escrever uma pequena crônica para a matéria. Mas o restante é só você.
Olhei para ela e apenas acenei a cabeça positivamente.
- Sou todo seu hoje. - dei uma piscadinha. Michal deu uma risada discreta. E Gemma jogou a tampa do suco dela na minha cara.
- Ei! - gritou com Gemma - Não estraga a cara dele antes das fotos.
- Tá bem. Quando ele voltar, eu vou dar um jeito nessa cara dele.
- Eu ainda tenho uma tour pela frente. Não me deixe de olho roxo.
Gemma jogou um papel amassado em mim.
- Chega, vocês dois! - estava rindo e me puxou pelo braço. - Vem, vamos logo antes que o fotógrafo chegue e você não esteja pronto.
Chegamos na sala e ela pediu que eu separasse algumas roupas que eu tivesse gostado. Tinham várias roupas muito legais.
- Gostei de tudo. - falei rindo ainda mexendo nas roupas. - Você que escolheu?
- Sim. - Ela falou segurando uma prancheta e anotando algumas coisas enquanto eu ainda olhava as roupas. - Mas eu tive ajuda de duas estilistas da editora que pré-selecionaram tudo. Eu só escolhi algumas que achei que você gostaria entre as seleções.
- Já começou a entrevista? - falei segurando uma jaqueta vermelha que me lembrava os Beatles.
- Ainda não. - Ela riu e continuou escrevendo na prancheta dela. - Mas eu já estou anotando coisas para a matéria em si.
- Entendi. - falei experimentando a jaqueta. - O que você acha?
Ela fez apenas um sinal joia. Dei um sorriso. Continuei olhando as roupas até que a campainha tocou. Era a equipe fotográfica. Maquiadora, cabeleireira e tudo mais. A equipe me ajudou a terminar de escolher as roupas e então fomos todos embora para os locais que e Gemma tinham programado para as fotografias. O fotógrafo era um cara não muito velho. Seu nome era Ryan. Ele era americano, e era a primeira vez dele numa cidade do interior da Inglaterra. Conversamos um pouco e então começamos as fotos. Depois de algumas horas, finalmente surge novamente e me chama para sentar numa mesa um pouco afastada enquanto o pessoal modificava algumas coisas para as próximas fotos. Ryan queria tirar algumas no fim da tarde. Então tínhamos que esperar um tempo.
Ela tinha separado algumas frutas para mim e estava bebendo um suco de laranja. Não tínhamos comido nada desde o almoço rápido que fizemos durante outro rápido intervalo. Sessões de fotografia sempre consomem muito tempo.
- E então, como está indo? - perguntei para ela enquanto descascava uma banana.
- Está indo tudo muito bem, você está cansado?
- Estou acostumado. - falei de boca cheia. - Quando você vai me entrevistar?
- Agora! - ela ligou o celular e me mostrou um gravador - Pode ser?
Acenei positivamente a cabeça enquanto engolia minha banana. ligou o gravador e começou:
- O que você costuma fazer para tentar escapar do seu dia a dia de fama?
- Na maior parte do tempo, eu realmente só vou para casa. Tenho sorte da minha mãe ainda morar no lugar onde eu cresci, então este é um dos lugares em que sinto que mais consigo desaparecer, se é disso que estou precisando. Eu volto muitas vezes para Holmes e ando pelos mesmos campos e isso é uma daquelas coisas que não vão mudar nunca, não importa o que aconteça. É bom ter coisas como essas que não são diferentes de quando eu tinha dez anos. Eu tenho muita sorte de ainda ter essa base remanescente.
- Você costuma estar rodeado de fãs, você acha que essa loucura pode te afastar da realidade?
- Se você consegue dar um passo para fora dessa loucura e apreciá-la pelo fato de que é extraordinária, enxergá-la como essa coisa incrível por um segundo, está ótimo. Mas se você começar a pensar que a vida é assim, é aí que perde a sensibilidade. É bom ter pessoas que podem te falar quando você é um idiota e quando está errado. Acho que isso é tão importante quanto ter pessoas te encorajando, às vezes. Ir para casa é provavelmente sempre a melhor solução.
- Quando você saiu da banda e foi seguir carreira solo, como ficou o seu lado criativo? Obviamente tem um grande reconhecimento sobre quem você era quando estava no grupo, mas você achou muito difícil pensar que “será certo se eu fizer algo diferente?” Como você lidou com essa primeira experiência criativa?
Encarei ela por alguns segundos. Aquela tinha sido uma boa pergunta. Pensei mais um pouco até formular uma resposta satisfatória. estava fazendo perguntas diferentes das que eu estava acostumado a responder normalmente. A entrevista parecia apenas uma conversa entre amigos.
- Então, você acabou de fazer um filme. Eu ouvi falar que você passava o dia inteiro filmando em água fria congelante.
- Sim! Mas foi divertido, apesar disso.
- Como você decidiu fazer o filme?
- Eu atuei na escola, você lembra? É algo que eu sempre quis explorar, mas eu estava ocupado com a banda, então eu nunca senti que tinha tempo para fazer isso do jeito certo. Quando nós decidimos dar um tempo, eu pensei que poderia ver se isso daria certo. Foi um desafio, mas é bom estar fora da minha zona de conforto.
Continuamos conversando e eu tinha inclusive me esquecido que estava tudo sendo gravado.
- Eu sei que você é muito reservado, como você se adaptou à sua falta de privacidade, depois da fama?
- Eu acho que há uma ou duas formas diferentes de abordar isso. Algumas pessoas não deixam que isso as incomodem de forma alguma. Outras pessoas dirão que a falta de privacidade é um dos lados da questão, e que você tem que aceitar isso da forma como é. Eu simplesmente gosto de sair tranquilamente com amigos e família. Eu não acho que eu sou estranho em relação à isso, eu simplesmente gosto de passar o tempo com amigos. É isso o que é normal para mim. Talvez por isso me vejam como muito reservado.
- Você sente que vai se casar?
- Esse assunto veio simplesmente do nada. - Dei uma risada.
- Bom, essa é a nossa conversa. É exatamente como qualquer uma das conversas que nós temos. - ela sorriu. - Foi sua mãe que pediu que eu perguntasse isso.
- Na verdade, foi bem sutil, vindo de você. Estou meio decepcionado, pra ser sincero. Jamais pensei que você cederia perguntas para minha mãe.
- Bem, não se preocupe com isso. Eu não me importo se você está decepcionado comigo.. - Ela pegou uma maçã para comer. - Responda à pergunta da sua mãe, por favor.
- Ah. Bom, eu acho que sim. Provavelmente.
- Você pensa em ter uma família ou não é algo que passa pela sua cabeça?
- Eu mal posso esperar por um dia em que isso seja realidade para mim, eu espero ter isso em minha vida. Eu sinto que você aproveita mais as experiências quando você está com pessoas com as quais você realmente quer estar e com as quais você realmente se importa.
- Você parece ser uma pessoa bem espiritual para mim, tipo, um espiritual hippie. Como você se vê nessa questão religiosa?
- Estou feliz por você ter dito isso, eu sinto como se todo mundo que diz “eu sou espiritual” soasse meio babaca. Mas sim, eu definitivamente me considero mais espiritual do que religioso. Eu não sou super preso à certas regras, mas eu acho que é ingênuo dizer que nada existe e que não há nada acima de nós ou mais poderoso que nós. Eu acho que isso é um pensamento um pouco estreito.
- Você é uma dessas pessoas que acham que tudo acontece por um motivo?
- Eu definitivamente acredito em carma. Eu acho que dizer que “tudo acontece por um motivo” é difícil, porque tem um monte de merda acontecendo no mundo que é tão injusta. Então é difícil olhar para essas coisas e pensar “Bom, tudo acontece por um motivo”. Mas eu definitivamente acredito que existe alguma coisa. Que não somos só nós. Porque, sabe, é meio louco pensar que somos só nós. Eu não estou dizendo que eu acredito em alienígenas, mas você sabe o que eu quero dizer.
- Eu entendo. - ela disse rindo.
- Veja nós dois por exemplo. Nos reencontramos depois de tanto tempo? Isso só pode ser algum arranjo cósmico. - Dei uma risada.
- Eu não vou publicar isso. - Ela começou a rir e eu também.
- A melhor parte de ser entrevistado por você é que eu não preciso me policiar.
- Como assim?
- Eu sei que mesmo que eu fale umas bobagens aqui ou brinque com situações, você não vai distorcer para ganhar uma manchete.
Ela apenas deu um sorriso.
- Pronto. Acabaram minhas perguntas.
- Já? - olhei para o meu relógio e vi que tínhamos passado uma hora e meia conversando. Estava quase na hora de voltar para as fotos com Ryan. - Mas você nem perguntou sobre a loira que tem saído comigo.
- Ah é? - ela desligou o gravador do celular, mas continuou me olhando. - Então me fale da loira, por favor. Isso vai dar uma boa chamada na capa da revista.
- Não tem nenhuma loira. - falei pegando mais uma banana. - Eu estou de olho em outra menina agora, ela tem os cabelos castanhos, e às vezes no sol tem uns reflexos meio acobreados. Ela é meio chatinha às vezes.
- Ainda bem que eu não gravei isso, seu louco! - ela me deu um tapa de leve no braço.
- A escolha é sua. - Mordi minha banana - Lembre-se: hoje eu sou todo seu. Você pode fazer o que quiser comigo. - Dei uma piscadinha. levantou meio corada e se dirigiu até Ryan, sem olhar para trás. Eu fiquei apenas sorrindo enquanto terminava de comer.
Fui até onde os dois estavam e me aproximei de Ryan segurando meu celular na mão.
- Já está na hora? - perguntei para ele. ainda olhava algumas das fotos tiradas mais cedo.
- Quase. Mais uns 15 minutos e podemos continuar. - Ryan falou.
- Posso pedir para você tirar uma foto minha com ela aqui no meu celular enquanto isso, por favor?
ouviu a minha conversa e me encarou.
- Sem problemas. - Ryan falou e se aproximou de mim para pegar o telefone.
- Não, senhor. - entrou na minha frente. - Eu não vou tirar fotos com você.
Ignorei e entreguei o meu celular para Ryan.
- Faça seu trabalho, Ryan! - e me virei para . Que resolveu sair correndo.
Corri atrás dela e consegui alcançá-la. Ryan conseguiu tirar várias fotos com meu celular. Ele perguntou no meio da bagunça se poderia tirar fotos nossas juntos na câmera dele. estava totalmente derrotada e aceitou por fim posar para quatro fotos, contadas. Nenhuma a mais. Quando terminamos a bagunça estava na hora que Ryan tanto queria me fotografar. finalmente conseguiu fugir dos meus braços e ficou olhando de longe enquanto eu caminhava pelo campo aberto e Ryan tirava todas as fotos que ele queria.
No final da sessão, estava do outro lado do campo finalizando algo com o restante da equipe enquanto eu conversava com Ryan, que devolveu meu celular e me chamou até o seu computador. Ele puxou um pendrive de dentro de uma mochila e baixou as fotos que eu estava com . Colocou todos os arquivos que ela aparecia comigo na pasta e depois apagou do computador e da máquina.
- Seu segredo está a salvo comigo. - Ele falou e me entregou o pen drive com as fotos. Dando uma leve piscada com o olho.
- Obrigado. - falei, dei um abraço agradecendo pelas fotos, pelo ótimo trabalho no dia e guardei o pen drive no meu bolso.


Capítulo 12

’s POV.

Voltamos para casa no carro da empresa. Harry estava visivelmente cansado. A distância do campo onde estávamos até a casa dele, deve ter levado apenas uns 10 minutos, mas ele dormiu o caminho inteiro.
- Harry? - chamei ele com calma. - Nós chegamos na sua casa.
Ele acenou positivamente a cabeça, ainda de óculos escuros, apesar de já estar escuro lá fora. Agradeceu a todos no carro e entrou em casa. Eu ainda fiquei mais um tempo lá fora, assinando recibos e liberando o restante de equipe. Quando finalmente entrei em casa, Anne estava segurando o telefone na orelha com o ombro e me deu um sorriso.
- Estamos pedindo pizzas, vamos assistir um filme na Netflix? - Dei um sorriso de volta como resposta positiva enquanto ela falava com o restaurante. - Vá tomar seu banho e desça, Harry já subiu para fazer o mesmo.
Anne continuava a mesma mãezona de sempre. Imaginei Harry entrando cansado e ela falando exatamente a mesma coisa para ele. Subi as escadas e fui até o quarto de hóspedes, que ficava logo depois do de Harry. Ele havia deixado a porta meio aberta, dei uma espiada lá dentro sem nem perceber. Consegui ouvir ele tomando banho ao fundo. E o pouco que eu vi do quarto continuava igual a oito anos atrás. Continuei meu caminho antes que alguém notasse minha curiosidade. Tranquei minha porta e entrei no banho. Quando a água quente bateu em minhas costas, comecei a tentar processar tudo que estava acontecendo nesse último mês.
As coisas estavam ocorrendo ao mesmo tempo. Primeiro a oportunidade de trabalhar na Comag. Uma das melhores editoras no Reino Unido. Eu tinha trabalhado bastante como freelancer para conseguir uma oportunidade de entrevista. Conseguir a vaga foi sensacional. Mas desde que iniciei esse processo, percebi que Chad estava diferente. Ele nunca aceitou o meu desejo de trabalhar em uma grande editora. Chad sempre foi meio revolucionário, gosta de edições independentes e trabalho autoral. Eu sempre deixei claro que meu objetivo era conseguir chegar na BBC algum dia. Ele sempre achou isso besteira, talvez não acreditasse no meu potencial? Respirei fundo e comecei a lavar meus cabelos. No dia que eu aceitei a vaga, preparei um jantar de comemoração e fiz o convite para ele mudar comigo para Londres. O trabalho dele sempre foi remoto, então não iria ser algo tão complexo. Mas a reação dele foi totalmente ao contrário.
{Flashback}
- Nossa! - ele chegou em casa e se deparou com a mesa toda arrumada. - Quando você me chamou para jantar, não achei que seria tão especial! - deixou o computador dele no sofá e veio me dar um beijo e um abraço - Você está linda! Hoje é alguma data especial e eu esqueci? - Ele me olhou assustado - Tenho que me desculpar?
- Não. - dei uma risada ainda nos seus braços- - Hoje eu recebi a resposta, Chad!
- Resposta do que?
- Do RH da Comag!
Ele ficou sério e continuou me encarando.
- Eu consegui! - Falei abrindo um sorriso enorme - Consegui a vaga!
- Parabéns! - Ele veio me abraçar. - O que você vai fazer?
- Bem, consegui uma vaga para trabalhar no cargo flutuante. Vou escrever matérias relacionadas ao cenário musical e artistas para algumas das revistas da editora.
Chad fez uma cara de confuso e continuou calado.
- Eu sei que meu foco é de notícias mundiais, mas eu acredito que será um bom começo.
Ele continuava calado.
- Bem, tem uma coisa, - comecei a falar um pouco nervosa, notando o silêncio da parte dele. - A minha vaga é de residente. Ou seja, eu preciso me mudar para Londres, pois vou fazer parte da equipe da sede. – Falei tudo de uma vez angustiada com o silêncio. Chad continuava me olhando sem falar nada. - Eu queria saber se você gostaria de mudar para Londres comigo.
Ele me encarou por alguns minutos até que finalmente começou a falar.
- Londres? Você não havia falado que estava se candidatando para uma vaga regional?
- Sim, mas surgiu essa oportunidade…
- E você já aceitou? - ele cortou minha fala.
- Aceitei.
- Não sequer pensou em conversar comigo sobre isso?
- Eu achei que você iria gostar da notícia.
- Eu não posso mudar para Londres, . - Ele sentou na cadeira - Você sabe que eu tenho meus vínculos aqui. E estou quase conseguindo a vaga para dar aulas na universidade. Não posso me mudar. Você também não deveria.
- Mas essa é uma ótima oportunidade, Chad. - comecei - é o caminho para o meu sonho. A Comag faz parte da rede BBC.
- Eu achava que eu fazia parte dos seus planos. Mas pelo visto não.
- Chad. Não é assim. Claro que você faz parte, porque eu te convidaria para morar comigo se não fosse?
- Se eu fizesse parte dos seus sonhos, você teria pelo menos conversado comigo sobre essa proposta. E eu teria feito você entender que isso não vai dar em lugar nenhum.
- O que você quer dizer com isso?
- Que essa vaga é para um trabalho muito inferior ao que você faz aqui.
Fiquei calada, eu não estava acreditando no que ele estava falando.
- Você vai mudar para Londres, estragar nosso relacionamento, somente para escrever fofoca em revistas?
- Eu não estou te entendendo, Chad. Você estava me apoiando durante todo o processo.
- Eu não sabia que você iria se submeter a isso.
- Não vou ficar aqui, Chad. E se você quiser manter um relacionamento comigo vai ter que aceitar que eu não vou fazer o que você quer.
- Eu não quero que você faça o que eu quero. Quero que você entenda que você está colocando tudo que construímos a perder. Por conta de fofocas.
Eu já não conseguia falar nada. Levantei da cadeira e tirei o meu prato da mesa, sem nem ao menos tocar na comida.
- Aonde você vai? Essa é a sua casa. - Ele perguntou ainda sentado na cadeira ao me ver colocar um casaco.
- Isso mostra o tanto que eu estou nervosa. Vou para qualquer lugar. Só não quero olhar para você por agora.

{Fim do flashback}
Desde aquele dia, nada mais foi igual. Ele me pediu desculpas, falou que deveríamos tentar, mas eu sentia um ressentimento da parte dele. Sempre colocando a culpa em mim por nos separarmos. Até mesmo no dia que nos falamos no telefone e eu resolvi dar um tempo. Será que ele reclamava de mim para Madison? Será que minha mudança foi a desculpa que ele precisava para poder transar com ela?
Desliguei o chuveiro, enrolei a toalha na minha cabeça, saí do banheiro e entrei no quarto. Agora, além disso, eu tinha Harry. Ainda parece surreal. Reencontrar Gemma no primeiro dia de emprego pareceu um sinal divino de que eu estava no caminho certo. Voltar para a vida dos Styles foi como recuperar uma parte perdida da minha. Mas eu nunca sonharia que Harry ainda teria algum tipo de sentimento por mim. Ou será que não tem? Não sei o que eu sinto por ele e não entendo o que ele sente por mim. O cara tem modelos aos pés dele, porque está perdendo o tempo dele flertando comigo? Talvez seja apenas a situação. Nós dois, Holmes Chapel, não tinha como não acontecer, certo? Logo ele vai voltar para a vida real dele, com fãs e paparazzi e eu voltarei a minha insignificância, provavelmente meio deprimida porque vou ter que lidar com Chad. Mas estava bom para o meu ego ter um popstar dando em cima de mim, principalmente durante uma briga e uma “traição”. Porque diabos Chad dormiria com Madison? Ninguém faz isso do nada. Eles deviam estar flertando ou tendo algum envolvimento desde antes, será que era questão de tempo até ele me largar para ficar com ela? Respirei fundo. A única certeza que eu tenho é de que no final das contas eu iria acabar sozinha mesmo. Sem Chad, porque ele obviamente vai querer ficar com a Madison, que mora em Manchester e transa com ele com facilidade, e sem Harry, porque convenhamos, ele é um artista famoso. Balancei a cabeça e resolvi me vestir e descer antes que comecem o filme sem mim. Minha cabeça estava em parafuso.
Cheguei na sala e Harry ainda não havia descido. Anne estava com o controle na mão procurando possíveis filmes. Me sentei no sofá ainda com a cabeça nas nuvens, pensando em como seria a minha vida se eu não tivesse encontrado os Styles novamente. Hoje eu estaria num apart hotel, chorando porque Chad estava transando com Madison. Acho que não vou conseguir superar isso tão cedo. Eu estava com os olhos fechados tentando me concentrar em não pensar mais nisso. Estava à beira do choro, até que senti mãos quentes pegando no meu pé.
- Tira o pé do meu pedaço. - Harry chegou e puxou minhas pernas para cima pelo tornozelo. Eu estava sentada, então não caí. Mas me assustei, afinal eu estava em outro planeta.
- Te acalma. Não precisa me puxar! - falei rindo. Tirei meu pé do sofá e sentei de forma adequada, com eles no chão.
- Ótimo! - ele falou pegando uma almofada e colocou os pés dele no meu colo.
- Folgado! - falei, ele fez cara de ofendido, mas manteve os pés no meu colo.
Quando ele ia abrir a boca para falar algo, ouvimos a campainha tocar, era o entregador de pizza. Harry levantou do sofá e foi buscar a entrega. Nesse momento Anne, sentou ao meu lado no sofá para pedir ajuda com uma configuração no celular dela. Eu estava concentrada ajudando, quando Harry voltou para a sala segurando duas caixas de pizza e uma garrafa de vinho.
- Mãe, esse é o meu lugar! - ele falou colocando tudo na mesa de centro. Gemma e Michal foram até a cozinha buscar taças para o vinho.
- Eu já estou saindo, se acalme. - Ela levantou rindo e foi de volta para o sofá dela.
- Agora sim! - Ele sentou novamente ao meu lado, dessa vez sem colocar os pés em cima de mim.
Gemma chegou com as taças e serviu todos. Harry, ainda sentado do meu lado, me fez brindar com ele antes de tomar o primeiro gole. Anne escolheu o filme e todos ficaram quietos depois que Michal apagou a luz. Lá para a metade do filme Harry pegou a almofada e colocou no meu colo, como ele sempre costumou fazer, na mesma hora que ele deitou eu comecei a passar a mão no cabelo dele. Foi automático, quando me dei conta já estava com a mão submersa em seus cabelos. Harry estava deitado do mesmo jeito já tinha um bom tempo. Eu continuei passando meus dedos pelo seu cabelo, que estava curto, porém continuava fazendo pequenos cachos. Eu estava analisando todo o corte do cabelo dele com minhas mãos, quando passei com a mão perto de sua nuca, senti ele dando um longo suspiro, então senti ele colocar a mão direita por debaixo da almofada que estava no meu colo. Harry apertou ligeiramente minha coxa. Eu já não sabia mais o nome de nenhum personagem do filme. Harry desceu a mão vagarosamente até o meu joelho, senti todo meu corpo arrepiar. Já estava quase puxando o cabelo dele, quando ele levantou abruptamente. Gemma tinha pausado o filme para ir ao banheiro. Ele levantou junto dizendo que precisava de uma cerveja. Notei que não sentia mais minhas pernas de tão nervosa que fiquei com o toque de Harry. Estiquei minhas pernas no sofá e me deitei. Anne dormia profundamente no outro sofá. Porque ele faz isso comigo? Eu estava de olhos fechados quando Gemma e Harry voltaram, ele apagou a luz, ela deu o play no filme. Ainda estava deitada no sofá, então não havia espaço para ele. Mas isso não o impediu de nada. Harry deitou, literalmente, em cima de mim e me encarou de perto.
- Me dá um espacinho? - ele olhava no fundo dos meus olhos. - Pode ficar deitada, só preciso de um pedacinho de nada. - Harry estava com uma cara de safado terrível. Eu não conseguia manter o contato visual. Foquei em tentar não olhar para a boca dele também.
Me afastei o suficiente para ele conseguir deitar atrás de mim. Harry se encaixou no pouco espaço que eu havia dado e me abraçou para ficar mais confortável e acabar de vez com qualquer possibilidade de sanidade mental em mim. Já não me lembrava nem qual era o nome do filme. Harry estava respirando vagarosamente, sempre que ele exalava o ar, eu sentia meu pescoço formigar. A boca dele estava a poucos centímetros do meu pescoço. Tudo que eu conseguia pensar era em como eu queria que ele mordesse meu pescoço. Bem ali, na frente de todo mundo. Fechei meus olhos e tentei controlar minha respiração. Harry percebeu minha batalha interna e fez o favor de sussurrar no meu ouvido.
- Se você quiser, meu quarto vai estar aberto hoje, você é bem-vinda lá. - E deu uma pequena mordida no meu pescoço. Eu arregalei os olhos, graças à Deus todos estavam bem concentrados no filme e não estavam percebendo o que ele estava fazendo, ou como eu estava reagindo. Resolvi levantar do sofá de repente. Gemma me encarou no mesmo instante.
- Vou na cozinha buscar um copo de água, não precisa parar o filme. – falei e saí basicamente correndo da sala. Olhei de canto para o sofá e Harry estava me encarando com um sorriso que só pode ser descrito como sacana.
Quando voltei para a sala Harry estava sentado comendo uma fatia de pizza e segurando sua cerveja. Sentei novamente ao seu lado, assim que terminou de comer ele deitou novamente no meu colo, mas dessa vez ele estava concentrado no filme. Permanecemos do mesmo jeito até o final do filme. Quando o filme acabou, falei que estava muito cansada e dei boa noite a todos. Gemma estava fazendo piadas com Anne por ela ter dormido durante todo o filme. Harry aproveitou a minha desculpa e disse que também iria dormir, o dia tinha sido muito cansativo. Subimos as escadas juntos. Ele parou em frente ao quarto dele, encostou o ombro na porta e ficou me encarando enquanto me dirigia até o de hóspedes.
- Minha porta vai ficar aberta. - Ele disse mais uma vez e deu uma gargalhada com a minha cara. - Boa noite, . – Harry deu uma piscadinha e entrou no quarto dele.
Entrei no quarto, me joguei na cama e fiquei encarando o teto. Harry era um safado. Ele sabia que eu estava confusa, mas não deixava de pegar no meu pé. O pior de tudo, é que esse imbecil é um gostoso de merda. Caralho, eu estou realmente considerando ir até lá. Fechei meus olhos e dei uma risada, não sou melhor do que o Chad. Se eu estou considerando continuar dando beijos em Harry, quem sou eu para julgar uma transa bêbada com Madison? Talvez eu até devesse ir lá, imagina que resposta eu teria. “Você transou com a Madison e eu com Harry Styles. Estamos quites, mas eu estou melhor”. Deus do céu. Será que eu sequer consideraria qualquer coisa com o Harry se o Chad não tivesse sido um idiota? Eu não sei mais nem o que pensar. Coloquei meu pijama, apaguei a luz e voltei para a cama. Tentei voltar nos pensamentos bons do meu relacionamento com Chad. Mas minha cabeça sempre voltava até Madison. Será que ela sempre tentou algo com ele? Não foi algo aleatório. Eles deviam flertar com alguma regularidade. Ela não iria num bar com eles e conseguiria transar do nada. Senti um frio na barriga, lá estava ela, minha doce ansiedade. Meu coração começou a bater mais rápido. Respirei fundo, não adiantava de nada ficar fazendo suposições de como as coisas teriam acontecido, elas já aconteceram e não importa como. Pelo menos ele abriu o jogo, talvez mais para me machucar do que qualquer outra coisa. Como ele se sentirá quando eu disser que beijei Harry? Duas vezes. E tinha vontade de beijar mais? Socorro. Eu não posso julgar o Chad, ou talvez eu deva. Harry tem uma história comigo, é mais fácil de me envolver. Madison não tem nenhuma história com Chad. Só é uma garota esperta que soube o momento exato de conversar com o imbecil do meu namorado. Se ele me ama tanto assim, porque diabos se deixou seduzir? Será que eu também não amo ele? Estou me deixando seduzir pelo Styles? Mas isso não era difícil, devem existir um milhão de pessoas que se deixariam seduzir por Harry, será que eu devia aproveitar a oportunidade? Comecei a rir igual uma idiota.
Resolvi levantar para tomar um leite ou uma água. Eu precisava recuperar minha sanidade mental e desistir de entrar no quarto ao lado. Já eram quase duas da manhã. O tempo voa quando a gente entra em surto, não é? Ao sair notei a porta de Harry encostada, luz apagada. Dei uma risada, não vou entrar. Desci as escadas ainda rindo das minhas ideias, será que se a luz estivesse acesa ele notaria que eu saí do quarto e viria mexer comigo? Talvez meu inconsciente estivesse esperando por isso. Eu podia receber algum sinal divino me dizendo se eu deveria ou não entrar no quarto dele. Balancei a cabeça e entrei na cozinha sem acender a luz. Ainda com a cabeça imersa em pensamentos obscenos envolvendo Harry.
- Também está sem sono? - Harry deu um sorriso de lado, ele estava apenas de boxer tomando chá. Eu esqueci até como respirar. Primeiro de susto e depois choque. Desde que cheguei aqui, não tinha visto Harry sem camisa. Por Deus, quando foi que ele ganhou esse corpo? Eu ainda estava encarando as suas tatuagens quando ele levantou e buscou uma xícara para que eu pudesse tomar com ele. Ele colocou o chá na xícara, eu ainda congelada. - Ajuda a dormir. - Colocou na bancada na minha frente.
Sentei no banco e acenei positivamente a cabeça. Tentando não fazer contato visual. Caralho, seria esse um sinal dos anjos me avisando que eu deveria sim agarrar ele? Harry estava do outro lado da ilha, de frente para mim e começou a me encarar. Comecei a tomar o meu chá e não conseguia tirar os meus olhos dele. Como diabos ele faz isso só olhando? Estava escuro, mas eu podia ver seus olhos refletindo a pouca luz da rua que entrava pelas janelas. Meu Deus, porque ele é tão bonito? Eu tinha parado de tomar o chá e ele deu um leve sorriso. Eu sorri de volta, como reflexo. Harry consegue realmente hipnotizar as pessoas, não é possível. Eu consegui perceber ele hesitando por um milésimo de segundo. Mas no seguinte, ele já estava debruçado por cima da ilha da cozinha me puxando para um beijo. Fui pega de surpresa, mas me deixei levar. O beijo dele era delicioso, tinha uma sensação de urgência. Tudo o que eu conseguia pensar era em como eu queria continuar beijando-o. Todas minhas preocupações foram embora. Ele tinha um leve cheiro de baunilha, misturado com couro. Eu estava ficando louca. Harry sentou em cima do balcão e me puxou mais para perto. De repente ele quebrou nosso beijo.
- Você quer que eu pare? - que pergunta idiota. Claro que não. Pensei enquanto olhava para ele ainda sentado na ilha.
- Você vai derrubar isso no chão. - Falei e ele deu uma risada.
- Não seja por isso. - Ele desceu do balcão, me colocou sentada e se encaixou no meu corpo. Passou os lábios pelo meu pescoço e foi até minha orelha sussurrar.
- Se você quiser eu vou embora para o meu quarto e te deixo em paz. Mas eu não consigo resistir. Enquanto você estiver na minha frente, eu não vou conseguir me controlar.
Fechei meus olhos e respirei fundo. Foda-se. Chad me traiu. E eu tenho um cara lindo me querendo, do futuro terá que lidar com minha decisão impulsiva. Puxei Harry para outro beijo. Coloquei minhas pernas ao redor de suas costas, forçando o corpo dele junto ao meu. Harry deu uma leve risada e me olhou no fundo dos olhos novamente.
- Como você faz isso comigo? - Ele balançou a cabeça negativamente e mordeu levemente o meu lábio. - Vamos sair daqui antes que alguém apareça. - Ele disse me dando um selinho.
Desci da ilha e subimos até o quarto dele, dessa vez ele trancou a porta, com duas voltas. Apenas dei uma risada quando ele se virou e me pegou novamente no colo, já colando nossas bocas e me levando até a cama.


Capítulo 13

Harry’s POV.

Entrei no meu quarto deixando a porta apenas encostada. Eu sabia que ela não viria aqui, mas a porta meio aberta me deixava sorridente. Vai que ela realmente aparecesse? Deitei na cama sorrindo com a possibilidade e peguei o meu celular. Desde o início da semana eu ignorava o número de mensagens que só aumentava no contador. Resolvi finalmente ler todas.
"Oi Harry, encaminhei no seu e-mail sua passagem para Argentina, você pode checar se recebeu? De qualquer forma amanhã no fim do dia um motorista irá te encontrar. Você tem que comparecer na Gucci na manhã seguinte para verificar algumas coisas para o próximo ensaio. Seu vôo será no final da tarde. Esteja pronto. x Mike"
Respondi a mensagem dele apenas com emoticon de jóia.
Eu tinha outras mensagens de Mike, meu assistente/social media, perguntando acerca de algumas fotos que poderiam ou não ir para minha conta do Instagram. Respondi falando que confiava nas escolhas dele. Eu geralmente escolho tudo para minhas redes sociais, mas estava sem paciência hoje. Essa pequena semana de folga havia me tirado do ritmo. Principalmente pela presença de .
Continuei respondendo todas as mensagens e e-mail relacionados à trabalho. Quando estava quase terminando, notei uma mensagem de Emily Spencer. Eu tinha me esquecido da Emily. Quando cheguei em Londres, dispensei todo mundo que consegui lembrar. Mas esqueci dela.
"Oi Babe, uma pena não conseguirmos nos ver em Londres. Mas eu entendo que você deve ter escolhido um tempo com a família. De qualquer forma acho que vou conseguir ir ao show de NYC como combinado! Te vejo lá. Quem sabe eu não uso aquela lingerie azul que você tanto gostou? haha x Em."
Como foi que eu esqueci da Emily? Dei uma risada, tudo bem que eu sempre soube que nosso "relacionamento" se baseia somente em sexo casual. Mas ainda assim. Esqueci completamente dela por pelo menos um mês. Eu estava ocupado sendo um adolescente de 14 anos. Ouvi um barulho do lado de fora. Seria ? Aguardei um pouco, nada. Provavelmente só alguém indo beber água. Respondi a mensagem de Emily falando que estaria ansioso para vê-la em New York. Eu não tinha motivos para dispensá-la agora. Afinal, ainda tem o namorado. Não posso achar que ela vai largar tudo para ficar comigo e, mesmo que ela largue o namorado, isso não significa que logo em seguida ela vai correr para os meus braços e exigir um relacionamento sério comigo. Emily era discreta, boa de cama e nenhum pouco ciumenta, nós dois sabíamos bem dividir sexo de amor. O que mais eu precisava?
Terminei de responder as poucas outras mensagens que restavam do trabalho e salvei algumas fotos que Helen havia me encaminhado. Fui até a galeria olhar tudo e por acaso cheguei até as fotos que Ryan havia tirado. Comecei a sorrir como um bobo olhando as fotos. correndo de mim. Eu agarrando-a pela cintura. Lembrei das fotos do pen drive e fui até a mesa ligar o computador. Enquanto ele iniciava, peguei o pen drive. Comecei a olhar as fotos tão logo o sistema abriu. Ryan era um fotógrafo ótimo, nossas fotos estavam todas incríveis. Ele tinha tirado umas 20 fotos. Não tinham sido apenas aquelas que posou. Tinham algumas fotos dela me entrevistando, nossa troca de olhares, eu comendo banana e falando de boca cheia. Tinha sido um registro e tanto daquela tarde. Uma das fotos foi durante o ensaio final. Eu estou deitado na grama, mas a câmera dele está focando nela. estava sorrindo me olhando, de uma forma doce, senti meu corpo aquecer ao olhar o sorriso dela. Respirei fundo novamente. Essa menina tem poderes incríveis sobre mim. Não é possível que eu realmente esteja considerando me apaixonar por ela de novo. Mas não era como se eu tivesse alguma escolha sobre isso. Me encaminhei a foto por e-mail, fechei o computador e retornei para minha cama. Salvei a foto no meu álbum do celular, coloquei meus fones de ouvido e dei play em Dark Side Of the Moon. Fiquei os 42 minutos de duração do cd deitado de olhos fechados, cantando junto com as músicas e pensando se poderia ser capaz de ter alguma coisa com . Ao final da última música estava claro para mim que eu estava alimentando uma obsessão maluca. Mas eu não conseguia evitar. Toda vez que eu estava na presença dela, o menino de 14 anos apaixonado falava mais alto. Tentei dormir, mas eu continuava pensando nela. Será que se os planetas se alinharem, ela ficasse solteira e superasse o tal namorado, nós conseguiríamos ter alguma coisa? Será que ela entraria nessa minha vida louca? Estaria disposta? Meu Deus, eu estava mesmo considerando namorar com e assumir para a imprensa? Ok. Já chega, vou fazer um chá para dormir. Chega de loucuras por hoje. Desci do jeito que eu estava, apenas de boxer e fui tomar um chá. Com certeza ia me ajudar a dormir.
Eu estava na cozinha há alguns minutos tomando um chá e olhando a luz do poste entrar pela janela sentado no banco alto em frente a ilha da cozinha. Eu tinha feito mais chá do que precisava. Me levantei ainda segurando minha xícara e ouvi um barulho nas escadas. Dei a volta no balcão e fiquei olhando surpreso descer as escadas balançando a cabeça negativamente enquanto fechava os olhos e suspirava. Ela parecia estar tentando esquecer de alguma coisa. Não acendeu a luz e não notou minha presença até que eu falei com ela. Dei um leve sorriso ao perceber o choque dela ao me ver ali. E percebi ela olhando todo o meu corpo e analisando todas minhas tatuagens expostas. Ela me achou gostoso, ri de leve. Ofereci chá e coloquei na minha frente uma xícara para ela. Se ela tivesse chegado dez segundos depois, eu provavelmente já teria jogado tudo fora, o universo parecia conspirar para nós. Ela me encarava e eu a encarava de volta. Tudo que eu queria era subir naquela ilha e dar um beijo nela. Caralho. Dei outro sorriso, ainda olhando profundamente para ela. Eu não consegui desviar o olhar. Ela sorriu de volta. Na minha cabeça aquilo era um convite. Dei um passo para frente e olhei a ilha que me atrapalhava. Pensei em dar a volta, mas eu já estava quase lá. Simplesmente subi na ilha e puxei para um beijo. Eu esperava que ela me empurrasse ou quebrasse o beijo. Mas ela continuou. Será que ela tinha ido até o meu quarto? Só de pensar nessa possibilidade eu sentia um tesão subindo por todo meu corpo. Eu precisava dela. Já estava sentado em cima do balcão beijando-a quando minha consciência me fez quebrar o beijo. Eu não podia transar com ela na cozinha. E se alguém viesse aqui? Mas eu queria demais. Deus sabe como eu estava com vontade de arrancar o pijama bobo de gatos de bigode dela. Perguntei se ela queria que eu parasse, ela não respondeu, fez uma piada dizendo que eu iria quebrar a ilha. No mesmo instante desci, peguei ela pela cintura, coloquei sentada na ilha e me encaixei entre suas pernas abertas. Eu mordia o seu pescoço levemente enquanto absorvia todo o seu cheiro. Meu coração batia mais forte do que nunca. Segui beijando levemente seu pescoço até chegar à sua orelha e sussurrar extremamente sincero:
- Se você quiser eu vou embora para o meu quarto e te deixo em paz. Mas eu não consigo resistir. Enquanto você estiver na minha frente eu não vou conseguir me controlar.
Ela hesitou por um instante e então me puxou para outro beijo. Dessa vez ela apertou as pernas na minha cintura. Eu já não conseguia mais pensar em silêncio:
- Como você faz isso comigo? - só essa pequena pegação na cozinha conseguia me deixar louco. Se ela me pedisse para fugir com ela nesse momento era capaz de eu aceitar apenas pela adrenalina que ela estava me fazendo sentir. Mordi o lábio dela e chamei para o meu quarto. Dessa vez ela não hesitou.

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Eram cinco da manhã quando eu acordei com sede. estava abraçada no meu travesseiro e dormia pesado. O cheiro do perfume dela continuava forte. Levantei, bebi um gole da água que deixei no criado mudo. Dei um sorriso olhando-a dormir. Era oficial, eu estava apaixonado mesmo. Como ela conseguiu me conquistar em uma semana, ainda era uma incógnita. Me deitei novamente na cama, tirei delicadamente o travesseiro de seus braços e me aproximei. se mexeu levemente, semi acordada, me abraçou e respirou fundo, voltando a adormecer no mesmo instante. Dei um beijo na testa dela. Eu me sentia em casa, mais do que nunca. Desejei que a noite nunca acabasse, principalmente porque no dia seguinte eu teria que ir embora. Lembrei que ir embora significava voltar para turnê e voltar para a vida de contatos aleatórios, voltar para pessoas como Emily. Ela não era uma pessoa ruim, nem as outras pessoas que eu me relacionava. Mas eu não sentia o que estou sentindo agora. Abracei um pouco mais forte e desejei ter mais dias com ela antes de voltar para a realidade. Nesse instante tudo que eu queria era poder ficar assim para sempre. Acabei adormecendo abraçado com ela.

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Acordei, ainda abraçados, meu braço esquerdo totalmente dormente. Mas eu não me importei, eu não queria que ela acordasse, queria continuar mais algum tempo ali, abraçado com ela, como se mais nada importasse. Caralho quando foi que eu virei essa pessoa? Eu achava que era mentira quando as pessoas falavam desse tipo de sentimento. Talvez minha obsessão estivesse ajudando a ficar mais intenso. Enfim. Eu estava novamente idiota como quando tinha 14 anos. se mexeu e começou a despertar.
- Bom dia - falei baixinho dando um beijo na testa dela - dormiu bem? - sorri de lado.
- Bom dia! - ela se afastou do meu abraço e deu uma espreguiçada. Até que ela me encarou e arregalou os olhos de um jeito engraçado.
Dei uma risada grande. Ela parecia ter se dado conta só agora que estava comigo. No mesmo instante senti ciúmes, será que ela achou que estava com o namorado? Aquele idiota sortudo de merda. Quantas vezes será que ela já não acordou assim, nos braços dele? E ao invés da cara de susto deu um beijo apaixonado nele?
- Tá tudo bem? - me sentei apoiado na cabeceira. Ela ainda me encarava sentada na cama.
- Ai, meu Deus. - Ela bateu com a mão na testa. - A gente não devia! Meu Deus, que horas são? Vão ver a gente no mesmo quarto. Como eu vou olhar na cara da sua mãe?!
- Te acalma, menina! - continuei rindo. - Ainda tá cedo. E eu sempre posso sair na frente e ver se alguém está por perto.
- Harry, porque você não me impediu?
- Te impedir? Eu queria mais do que você. - dei outra risada - Inclusive, posso até adiar a turnê se você quiser repetir a dose.
- Para de brincadeira! - Ela levantou só de calcinha e foi procurar o pijama dela. usava uma blusa de botão branca minha, que colocou ontem de noite porque estava com frio, mas o pijama estava ‘muito longe’. Extremamente sexy. - Cadê meu pijama, Harry?
- Não sei. Ontem de noite você o jogou em qualquer lugar. Eu estava ocupado olhando pra você e não vi. - Provoquei. O pijama dela estava numa cadeira ao lado de onde ela estava procurando desesperada.
- Harry, para com isso e me ajuda.
- Te ajudo se você vier aqui me dar mais um beijo.
Ela me encarou, deu uma risada e continuou procurando o pijama. Quando ela finalmente achou, resolveu se vestir. Eu fiquei encarando-a como um animal. Quando ela tirou a blusa e senti uma vontade enorme de pular em cima dela e repetir tudo que fizemos na noite anterior. Levantei da cama e me aproximei por trás.
- Para de me provocar, . - falei já com a boca em seu pescoço. Senti o braço dela arrepiar.
- Harry, você quem está me provocando. - Ela falou tentando manter a postura. Eu continuei dando beijos no pescoço dela e na nuca.
- Estou, me desculpe. Vou deitar. - Me afastei dela e voltei para a cama.
Ela ficou desapontada, ou pelo menos pareceu. Dei um sorriso e fiquei encarando-a profundamente. Ela colocou o pijama e voltou para o meu lado na cama, mas estava com o semblante diferente do meu, que era de felicidade extrema.
- Porque você faz isso comigo? - perguntou com a voz chorosa. Eu notei que ela realmente estava à beira do choro. E fiquei preocupado. Puxei ela para um abraço.
- Me desculpe, eu não consigo evitar, você desperta em mim um adolescente apaixonado, mas agora eu já sei como usar minhas armas ao meu favor.
Ela deu uma leve risada e limpou uma lágrima.
- Eu queria não estar tão louca e confusa. Queria conseguir aproveitar isso aqui. Mas tudo que eu penso é em como eu acabei de trair meu namorado. Mesmo que estejamos dando um tempo.
- Você gosta muito dele, não é? - soltei nosso abraço e encarei . Limpei uma última lágrima que ainda estava em seu rosto com o meu polegar.
- Eu amo ou amava ele, Harry. Antes de me mudar para Londres nós estávamos muito bem. Com planos de morar juntos no final do ano. - Ela suspirou fundo.
- Entendo. - falei tentando não demonstrar meu recém adquirido ciúme.
- Chad sempre foi um cara bom. Me tratava com respeito, me amava e me apoiava. Eu ainda não entendi porque ele surtou tanto com a mudança.
- Eu acho que consigo entender o lado dele.
- Consegue?
- Sim, agora mais do que nunca. - falei apertando a mão dela. - Se eu fosse seu namorado e você falasse que iria me deixar para trás, também surtaria.
- Mas eu convidei ele para vir comigo, Harry.
- Sim, e ele foi um idiota de não ter aceitado. Se você me pedir agora para ficar aqui o dia todo, eu fico.
- Deixa de ser bobo, Styles. - ela riu de verdade agora. - Já você volta para suas modelos e esquece de mim.
Levantei uma sobrancelha e continuei encarando.
- Eu não saio só com modelos.
- Ah, é, você gosta de cantores também, né? - ela riu. E eu rolei os olhos.
- , - olhei para ela - você sente alguma coisa por mim?
- Sendo completamente sincera, sim. Mas não sei o que é, e nem como lidar com isso.
- Acho que estamos na mesma. - Levantei minhas sobrancelhas para ela. - Você quer manter isso em segredo?
- Você diz o que aconteceu ontem ou nossos sentimentos confusos?
- Os dois.
- Acho que é o mais sensato, me desculpe por te arrastar para o meio desse drama adolescente.
- Acho que eu sou um grande culpado para a piora desse drama. Então te devo desculpas também.
- Você tem culpa de quê?
- De deliberadamente continuar te provocando mesmo sabendo o tanto que você está sofrendo. Eu sou um egoísta babaca às vezes.
- Tudo bem, eu vou gostar de jogar na cara do Chad que transei com um cara mundialmente famoso. - Ela deu uma risada com a minha cara de falso ofendido.
- Tá certo, será nosso segredo. - Segurei a mão dela - Eu tô aqui pra te ajudar no que for preciso, ok?
- Ok! - ela deu um sorriso.
- Eu estou falando sério. Se você precisar de qualquer coisa, estarei sempre à um vôo de distância.
- Tá certo, eu também posso te ajudar se você precisar, mas não consigo estar à um vôo de distância. - ela fez piada. - Você pode me ligar como uma pessoa normal que não tem dinheiro para viajar do nada…
- Se eu precisar de você, posso mandar um avião te buscar? - pisquei o olho, ela apenas riu mais um pouco.
- Você vai embora hoje, né?
- Sim, no final da tarde.
- Então veja logo se tem alguém no corredor. Eu tenho que te entregar uma coisa, mas está no meu quarto.
Levantei da cama abri minha porta e vi que todos continuavam deitados. Avisei para , que correu desesperada até a porta ao lado. Eu continuei rindo parado na porta do meu quarto. Ela entrou no quarto dela. Demorou alguns minutos até que eu não me contive de curiosidade e fui até a porta, que estava aberta. Ela estava escrevendo alguma coisa no seu caderno. Arrancou uma folha dobrou e me entregou.
- Pronto, eu prometi que você poderia ler a poesia/música. Mas não lê na minha frente.
- Posso ficar ou tenho que te devolver?
- Pode ficar.
- Vou ler no avião. - Ela deu um sorriso tímido.
- Tá bem. Mas não reclame se for uma merda. Você que inventou de ler.
Segurei o papel dobrado, me aproximei dela e roubei um selinho. Ela era adorável, talvez por isso eu estivesse nessa condição. Todas as pessoas que interagiam comigo atualmente tentavam me ganhar com imagem, status ou dinheiro. Eu não gostava e nem precisava de mais disso, já bastava o que eu tinha. era a personificação dos meus desejos anônimos.
- Último beijo, prometo não roubar mais nenhum.
Ela sorriu, me puxou pelo pescoço e me deu um beijo de verdade. Depois simplesmente virou e entrou no quarto, me deixando sozinho no corredor. Retornei para o meu quarto e guardei o papel dobrado dentro da minha carteira. Eu ia precisar de muito tempo, cerveja e loucuras para tentar superar essa menina. E o problema é que não sei se eu estava disposto a tentar.


Continua...



Nota da autora: Olá gente, capitulo mais curtinho, hoje tudo que eu quero falar aqui hoje envolve spoilers... Então vou ficar calada e só agradecer novamente todo mundo que tá comentando e acompanhando a fic. Vocês são maravilhosas. Muito obrigada! <3 Sinais do Tempo playlist;
Mix Stape do Harry



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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