Última atualização: 08/09/2018
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Prologue

Montreal, Canada.

Já não bastava a vida de estudante ser difícil o suficiente, e não estavam nem um pouco satisfeitas com os últimos acontecimentos, que por incrível que parecesse, ou não, era culpa de apenas uma pessoa. .

- Cretino! Vagabundo! – xingou irada quando viu o homem cruzar um dos pátios da universidade com seu costumeiro porte despreocupado.
- Filho da puta! – completou o leque de xingamentos e cruzou os braços na altura do peito, os apertando bem contra o corpo antes que tomasse distância e se vingasse dele com uma voadora. – Olha! Achando que é o rei do mundo. Vai colocar a gente ladeira a baixo, isso sim. – a mulher rolou os olhos e bufou.
- Manda em porra nenhuma. Isso é um pau mandado. – a garota inflamou com todo o seu orgulho ferido querendo dar uns bons tapas nele, mesmo que soubesse o rumo que a agressão iria tomar. – Ele é a puta! Não a mãe dele. Ela não tem culpa do filho péssimo que tem!
- Então foi o novo cara que quis vir e abriu as pernas? – arqueou uma de suas sobrancelhas bem delineadas e em segundos viu a amiga cair em uma crise de riso, não que fosse muito difícil daquilo acontecer, mas ao menos as duas estavam se divertindo juntas em xingar o dinossauro bonitão. – Eu sabia! – ela deu um tapa na perna como se aquilo deixassem suas convicções ainda maiores e ouviu mais algumas risadas, acabando por rir junto.
- Quase isso. – apontou pra ela com o indicador. – Na verdade, ele abriu as pernas pra ver se o vinha. – a mulher respirou fundo, mas viu seu autocontrole ir por água abaixo quando ficou ainda mais indignada com a notícia, voltando a rir.
- Eu vou matar o . Matar! – disse entredentes explicitando sua raiva mais profunda. – Quem ele acha que é para se meter na Administração? O departamento nem é dele! Ele é da genética. Genética! – a garota se encontrava inquieta e indignada com o fato de um dos professores que era a sua maior referência acadêmica, ter sido aposentado e substituído. – Ele não conhece um departamento que não seja o dele!
- Ele é pró-reitor dessa bodega. – rolou os olhos e suspirou. – E eu sei que o departamento não é o dele, mas já foi coordenador do departamento de enfermagem. – a mulher mordeu a boca bem desgostosa. – Ele é biólogo, mestre em genética e doutor em farmacologia ligada a genética. – ela destrinchou quase todo o currículo do homem e se não soubesse que a amiga tinha um grand canion pelo cara, acharia estranho ela estar dizendo aquilo. Na verdade, por que estava com tanta raiva de sem um motivo aparente?
- Não importa o que ele é, ou deixa de ser. – a morena de cabelos lisos rolou os olhos de forma teatral. – Tirar o Marshall? Sinceramente. O cara tem bosta na cabeça, o novo cara não vai dar conta. – ela declarou convicta, principalmente quando pensava em todos os anos de academia e experiência que um dos mais velhos professores dali, possuía.
- O professor novo. – mordeu levemente a boca decidida a começar a soltar algumas informações pra que entendesse onde ela queria chegar. – Ele não é tão ruim assim. E o Marshall tá bem debilitado já, . Eu sei que ele é um puta professor, mas estava com uns problemas de saúde. O é um ótimo professor.
- Ah, é? E você conhece ele, por acaso? – a outra soltou de forma ácida, sem acreditar que estava mudando de lado. não dava nada a ela, afinal de contas.
- ? – a pergunta saiu mais cuidadosa do que receosa e antes que afirmasse, continuou: – Há mais de dois anos. – ela deu um sorriso culpado vendo a amiga abrir a boca em um perfeito O, completamente indignado e bravo, bem bravo. – Desculpa por isso! – a garota se encolheu sabendo que tomaria alguns gritos.
- É o quê, ? – perguntou injuriada com a história. – Você me deixou nesse desespero conhecendo o cara há mais de dois anos? Sinceramente. – ela soltou uma risada incrédula e passou as mãos pelos cabelos lisos que iam até pouco abaixo do ombro. – Eu não vou nem perguntar como diabos você conhece esse encosto! – a garota suspirou nervosa. – ! – a estudante de ADM ralhou mais uma vez como se aquilo ainda fosse adiantar alguma coisa.
- Você nunca ia aceitar o fato que o Marshall vai deixar a universidade! – disse sabendo que era a mais pura verdade. – Tendo dedo do ou não! Poderia ser o melhor professor do mundo, você ia continuar condenando meu marido por autorizar o aposento! – ela deixou que o posto de em sua vida escapasse sem receio algum, mas a amiga continuava com uma careta horrorosa pro lado dela e por certo nem percebera que a estudante de enfermagem tinha chamado o pró-reitor de marido.
- Claro que eu não ia aceitar! – soltou esganiçada, abrindo de leve os braços, indignada com aquela palhaçada toda. – Claro que eu ia condená-lo. Ele é o culpado!
- Não exatamente! – a mais velha saiu em defesa.
- Ele podia, ao menos, ter esperado o semestre acabar, poxa! – ela soltou indignada e suspirou pra completar sua ira. – Não era complicado! Nem um pouco!
- Ao menos vai ter substituto. – deu de ombros, checando qualquer coisa no celular e quando levantou a cabeça, viu o olhar fulminante de sobre si.
- Que eu não faço a mínima ideia de quem é! – deixou bem claro, indignada com a defesa da amiga pra cima dos dois. Tudo bem que ela era louca por , mas aquilo já era demais.
- Turma de Harvard, melhor amigo do desde os 15. – a mulher começou listar parecendo não dar tanta atenção pra indignação da amiga. – Tem uns três livros sobre Negociação e adora falar difícil perto de mim porque eu não entendo nada dessas coisas de ADM. – ela meneou a mão. – Mas aí desconto com termo médico. – deu de ombros e estourou de vez, possessa por não estar sabendo tudo que estava acontecendo e principalmente sobre o fato de que estava lhe escondendo algo grande, muito grande.
- Qual a droga do seu problema, ? Sério! O que eu te fiz? – ela perguntou completamente esganiçada e indignada, vendo a mulher arregalar os olhos. – Você tá ganhando quanto daquele cretino do pra ficar tanto do lado dele e essa birosca de professor novo? De onde você conhece tanto esses dois idiotas? Agora vem outro que acha que é dono do mundo e você vai realmente ficar do lado dele? Jura?
- Não, droga! – rebateu impaciente com a droga do “ouvido seletivo” da amiga, não bastava ela ouvir apenas o que lhe convinha quando a estudante de enfermagem mais tentava lhe contar algo importante, e ainda tinha que dar ataque? – E não, esse acha que pode catar a universidade toda! – ela suspirou irritada. – Não cai no charme dele, ou você finda como eu na minha atual situação com o . Irada porque o filho da puta do marido não quer viajar pra Cancún pra comemorar os dois anos de casamento! – a garota frisou bem as três palavras na intenção ver se finalmente entendia o que ela estava tentando contar.
- Vai pra Cancún! Vai pra Cancún e afoga o ! – xingou indignada e logo após virou pra amiga de uma vez, com os olhos inteiramente arregalados, enquanto apontava pra , pálida e sem saber o que dizer depois daquilo. – Espera...
- Eu achei que você não fosse se dar conta nunca! – soltou um suspiro longo e exausto, mesmo que no fundo quisesse rir da cara que a amiga estava e de alívio, por finalmente ter contado a alguém.
- Você é casada com ele? – a pergunta saiu extremamente baixa e incrédula.
- Se casado significa que a gente dorme junto, mesmo nos dias que queremos nos matar. Pois bem, estamos casados há quase dois anos! – a mulher disse meio derrotada e até culpada por não ter dito há mais tempo.
- Eu não estou acreditando. Eu juro que não! – respondeu batendo um dos pés freneticamente no chão, enquanto olhava muito bem pra cara da amiga. suspirou alto e tomou fôlego para pedir desculpas, com a cara mais culpada do que um cachorro que havia comido o tapete. – Não! – a estudante de administração cortou. – Você devia ter me contado, poxa! Eu não ia te julgar, condenar nem nada, que droga, ! Se vocês se amam, você sabe que eu ia apoiar e ia fazer de tudo pra te ajudar. Por que esconder de mim, logo eu? – a pergunta saiu um tanto decepcionada, fazendo com que levasse as mãos à cabeça em uma frustração esboçada por um barulho de choro.
- Eu sei! – ela fez um bico gigante, completamente arrependido. – Só que é tão complicado, ! Ele é pró-reitor, eu sou uma simples aluna, eu sou nada perto de tudo que é! – soltou o ar pela boca em um longo suspiro. – É a pior coisa não poder demonstrar nada em público, sem falar da merda do ciúme habitante em mim. – riu baixo. – Sério, você não sabe o que eu sofro sendo esposa desse cretino gostoso que arrasta olhares por onde passa, minha vontade é ir lá e dar na cara de todas!
- Credo, ! Informação demais. – a outra fez cara de nojo e as duas riram alto, deixando mais leve o assunto.
- Eu confio em você e você sabe, . Mas quando eu te conheci, eu já namorava com há um ano, uma semana depois eu fui pedida em casamento na loucura e quando eu me dei conta, eu estava casada. – ela deu de ombros, esboçando um sorriso bobo e nostálgico, sendo abraçada de repente pela amiga, a abraçando de volta. – Foi o mais puro medo! – suspirou ainda amedrontada por não saber exatamente como iria assumir aquilo e a amiga sorriu confiante pra ela.
- Eu entendo, tudo bem, ? Eu juro que entendo. – disse passando toda a segurança e sinceridade que pode, mostrando mais uma vez que sim, estaria do lado dela e não era algo como aquilo que iria destruir a amizade das duas, embora ela ainda estivesse um pouco chateada. – É tudo muito complicado. Ele é alguém bem importante aqui e tem a política da universidade, falta pouquinho pra formar, segura que dá certo. – as duas riram. – Prometo que seu segredo está bem guardado comigo, mas com uma condição. – a garota disse com um sorriso travesso e o indicador levantado.
- Qual? – perguntou rindo.
- Quando você engravidar eu quero ser madrinha, só pra cobrar o tempo que eu não sabia do relacionamento de vocês. – a garota ditou e a abraçou de uma vez, quase a esmagando fazendo as duas rirem.
- Se isso acontecer, você já é! – ela piscou com um sorriso largo beijando a bochecha da amiga.
- Awn! Quero! – soltou um gritinho animado e as duas riram. – Escuta, sabe que eu vou ser quase uma assistente do novo professor, não sabe? Ele sabe que colocou a melhor amiga da esposa dele no covil da cobra, não sabe? – a mulher perguntou em um tom ameaçador sobre a personalidade do tal professor que segundo , estava disposto a catar a universidade toda. – Pois colocou! Se acontecer qualquer coisa, eu coloco até seu marido na roda! – ela completou a ameaça e riu alto.
- Não se preocupa, até onde me conta, o não dá tanta bola pra aluna assim. Prefere não se meter em confusão. – a mais velha deu de ombros ainda rindo.
- Ótimo! Porque quem não quer sou eu! – foi firme, bem convicta daquilo.
- Por favor, fica longe dele! – pediu quase que encarecidamente por conhecer bem a fama do amigo. – não tem o menor futuro pra você, amiga. Ele é meu amigo, eu amo o , ele é um amigo muito foda. Mas não dá futuro pra mulher nenhuma. – ela completou o pedido.
- Eu não vou ficar com o cara, ! – rolou os olhos com os pedidos desesperados de . Ela não era criança e não ia se meter com um cara péssimo só por causa de sexo.
- Eu também não ia ficar com o , ! – abriu um sorriso esperto. – Mas já dei pra ele várias vezes, inclusive nós estamos casados, morando na mesma casa e ele quer filho! – a mulher deu de ombros rindo e rolou os olhos mais uma vez.
- Você acabou de dizer que o cara é tarado! Eu vou fugir dele, mulher. – a garota disse como se ralhasse a amiga e riu alto.
- Você? Você tá na mesma vibe que ele, mas eu suspeito que ainda vai pegar e iludir o velho. – a mulher riu e rolou os olhos, depois lhe deu um tapa sustento no braço vendo a casada reclamar com um resmungo e uma careta. – Ai!
- Eu não vou fazer isso! – a estudante de Administração respondeu indignada.
- Não ilude o Nerd gato, obrigada! – reforçou ainda mais o pedido, vendo abrir um sorriso curioso. Então o cara era bonito?
- Nerd gato? – ela perguntou curiosa, com um sorriso esperto nos lábios, ao mesmo tempo em que fez uma grande cara de bunda.
- Baixa o fogo no rabo! – foi repreendida pela amiga que lhe deu um tapa no braço. – Ele não é pra você, . não presta! – apontou com o indicador, mostrando bem que sabia do que estava falando.
- Se ele for bonito já é alguma coisa. – a garota deu de ombros com um sorriso travesso e mesmo que soubesse que se meter com professor não era a melhor escolha, ela só queria pirraçar com a amiga. – Só olhar, . Olhar!
- Você olha, depois tá suada na cama dele. – a garota foi curta e grossa vendo a amiga abrir a boca em um perfeito O. – O quê? Experiência própria!
- Menos , não vai acontecer! – a mulher rolou os olhos e soltou um suspiro frustrado, fazendo a amiga levantar as mãos em rendição quando soltava uma risada baixa. Ao menos o cara poderia ser realmente bonito e não um velho tarado que ainda se portava como um garotão, coisa que estava quase convicta, só pelo nome do indivíduo. – Ninguém vai fazer isso. Força de vontade!
- Força de vontade? – perguntou em puro deboche, já entre suas gargalhadas escandalosas. – Não tem força de vontade quando o cara é uns 15 anos mais velho e manja de todas as putarias existentes. O charme é outro, o descaramento também. É complicado ter força de vontade quando ele te olha só faltando morder pra arrancar o pedaço. – a mulher deixou bem claro, enquanto a amiga só faltava encostar a boca no chão. – Mas é incrível, não vou negar!
- Você não tá ajudando, safada! – soltou uma risada morta. – Merda! Como é pra não querer desse jeito?
- Me calei! – levantou as mãos em rendição. – Mas infelizmente você vai querer, por mais que diga que ele não quer nada com aluna. Não boto muita fé em vocês dois não. – a garota riu alto e ganhou um tapa no ombro em puro protesto. – Mas pula fora, enquanto for tempo.
- Eu não vou dar nem confiança, se você quer saber. – declarou bem convicta daquilo, fazendo a amiga rir mais um pouco. – Não é como se você fosse o maior exemplo, . A fama do teu marido não é das melhores aqui.
- Mas eu larguei dele, o homem que enlouqueceu e foi atrás de mim na casa dos meus pais. – disse alarmada e viu a boca da amiga ir ao chão, impressionada com tal atitude. – E isso é o de menos, parece que saiu de algum filme, porque não tem a mínima condição. Claro que vez ou outra eu só tenho vontade de matar. Mas é como dizem, se você nao tem vontade de matar, não é o amor da sua vida. – ela deu de ombros rindo e ouviu um gritinho fofo e animado da amiga, o típico “awn”. – Para com isso! – a garota soltou uma risada nervosa.
- Que fofos! – ela continuou declarando seu apreço pelo que a amiga tinha dito, mesmo que da forma mais exagerada e riu, negando com um aceno de cabeça meio envergonhado.
- Sério que você vai fazer isso sempre? – a garota riu baixo e sacudiu a cabeça de leve. – Nós somos casados, não namoradinhos.
- Não sempre, só mais algumas vezes! – as duas riram e deu de ombros, convencida de que uma hora acostumaria com a história toda, sabendo que quando ela finalmente achasse alguém, a amiga também iria agir da mesma forma. – E não finge que você não vai fazer o mesmo quando for eu. – ela apontou fazendo abrir um leve sorriso de deboche.
- Quando for você, eu solto fogos! – a outra piscou e ganhou um tapa no braço em protesto, rindo alto da indignação da amiga. – Que coração duro!
- Credo, ! Que exagero. – reclamou horrorizada com as palavras dela e as duas riram. – Não é assim!
- É assim sim! – a casada disse rindo e foi empurrada de lado, soltando uma risada. – Quando o Danny chega? – perguntou pelo irmão da amiga e abriu um sorriso gigante por saber que muito breve veria o irmão.
- Hoje à noite! – ela soltou um gritinho animado e a outra fez uma dancinha comemorativa.
- Que saudade do amor da minha vida! – a estudante de enfermagem colocou uma das mãos no peito dando ênfase ao que dizia de uma forma mais do que dramática.
- Joel não aprova essa frase! – brincou sobre o cunhado e meneou a mão como se não fosse importante a aprovação do namorado de Daniel. – E quer saber? O é que não vai gostar dela mesmo! – ela cutucou e viu a amiga rir alto.
- vai é rir se ouvir isso. – a garota disse rindo. – A gente tem uma confiança muito grande um no outro, apenas de um ciúme aqui, outro acolá.
- Ah, , ciúme é normal. – deu de ombros a vendo afirmar fervorosamente. – Mas e aí, mesmo pub de sempre amanhã? – a estudante de administração sugeriu sobre o fim da semana e chegada do irmão e viu a amiga brilhar em animação.
- Nosso pub! – fez uma dancinha. – Vamos ver se encontramos um lenhador gostoso pra quebrar esse coração de pedra no machado. – ela assegurou e ouviu uma risada larga da amiga, sabendo que a ideia tinha agradado e muito.
- Adoro! – a mais nova abriu um sorriso maldoso. – Me divertir com os errados, enquanto não acho o certo. – ela disse rindo e riu junto pela reação da amiga. – Danny pegou a sorte na questão amorosa da família. Eu já me conformei. – fez uma careta de desgosto e suspirou se sacudindo para tirar aqueles pensamentos da cabeça.
- Sai com essa negatividade pra lá! – fez careta e viu a amiga rir. – Quer ir almoçar no restaurante aqui perto? Certeza que essa hora tá lá, ele está com a consciência pesada e paga nosso almoço. – a garota deu um sorriso meigo, construído em maldade, fazendo rir alto e prontamente juntar as coisas que estavam perto dela, assim como a outra fez.
- O meu também? – perguntou interessada e a Mrs. riu alto.
- O seu e o meu! – piscou.
- Olha que esse casamento tá interessante! – fez uma dancinha, sendo acompanhada pela amiga.
- Meu casamento é interessante. – a garota soltou uma piscadela, com um sorriso completamente malicioso, enquanto as duas se direcionavam pra fora do pátio da universidade.
- Menos detalhes, obrigada. – a outra riu e puxou-a pelo braço. – Vem, quero conversar com seu marido sobre o tal cara novo. – ela fez uma careta esnobe causando algumas risadas. – Inclusive vai me contando tudo desde quando você começou beijar , porque se tem uma coisa que eu estou, é curiosa.

As duas riram e seguiram pra fora do pequeno campus na intenção de chegar logo ao restaurante e encontrar por lá, enquanto contava tudo que tinha passado a amiga e como ainda tinha medo de superar algumas coisas, principalmente tornar o relacionamento público.



Chapter 1

As duas entraram no restaurante simples, iluminado e bem aconchegante que ficava nas imediações da faculdade, onde tanto professores, quanto alunos costumavam frequentar pela ótima qualidade da comida e do ambiente, e logo viram mais recluso ao fundo do local, o pró-reitor gostosão, mais conhecido para como , o marido de .

- Olha lá! – Ela apontou com um sorriso grande. – Bem não está achando as palavras no CodyCross*. – As duas riram sacudindo a cabeça. – Semana passada nós viramos a noite jogando e, que fique bem claro, eu quem respondi maioria.
- Olha, disso eu não duvido nada! – riu alto por saber da enorme capacidade de memória da amiga, o que quando não lhe irritava, salvava parte dos seus compromissos, principalmente porque a futura administradora não tinha uma memória muito eficaz. – O professor não sabe jogar CodyCross? Fajuto! – A garota condenou com uma careta e soltou uma risada baixa, porém espontânea.
- Vem! – A mais velha sacudiu a cabeça e puxou a amiga pela mão para onde o marido estava.

chegou a mesa onde o marido estava sentado e parecia concentrado no tal joguinho. A mulher riu e logo ele levantou a cabeça, olhando para as duas e sorrindo da forma mais larga para a esposa. Será que ela tinha diminuído a raiva?

- Oi, amor. – A garota abaixou a postura o beijando de leve, enquanto se perguntava como raios eles tinham conseguido esconder tanto tempo o relacionamento, já que nem se seguravam com os cumprimentos em público.
- Oi, anjo. – levantou da cadeira, colocando o celular em cima da mesa e sorriu alegremente para a amiga da esposa, sabendo que aquela era . – Você é a tão falada , certo? – O homem perguntou com um fio de risada estendendo a mão para ela.
- Sim, sou eu! – A estudante de administração disse com um sorriso e apertou a mão dele. – E espero que bem falada. – Ela riu para a amiga.
- Muito! – assegurou. – Então , esse é , o meu marido. – Ela apontou para o homem, com um sorriso orgulhoso de si até. – Amor, essa é a e ela quer a sua cabeça em uma bandeja. – A mulher piscou para ele e logo as duas deram o mesmo sorriso meigo, porém diabólico. – Viemos almoçar com você!
- Posso saber por que você quer me matar? – perguntou um tanto confuso, mas mesmo assim, riu de leve, abraçando de lado e beijando-a na cabeça.
- Porque você se meteu onde não devia! – A mais nova acusou com um arquear de sobrancelha e viu o homem lhe olhar bem incrédulo.
- Você tirou o Marshall dela. – disse sem focar muito nas ameaças de morte e pegou uma bolachinha na cestinha em cima da mesa. – Senta, ! – Ela indicou a cadeira com o dedo e sentou na que estava perto de si em seguida, vendo fazer o mesmo, ficando exatamente ao lado dela.
- Eu me meti onde não devia? – perguntou olhando pra com um ar de riso, enquanto estava meio largado na cadeira e com o braço acomodado na perna de .
- Como a disse, você tirou o Marshall de mim! – juntou as mãos e abriu um sorriso forçado, se era para enfrentar o cara e saber para qual buraco ele estava levando a administração, ela iria.
- Eu não tirei o Marshall de você. – soou extremamente ultrajado, mesmo que a sua vontade fosse de rir pela insistência e irritação da garota.
- Ah tirou, amor! – riu dando razão a amiga, sentindo o leve aperto na perna que significava que tinha entendido, só queria ver até onde a irritação da garota ia.
- Claro que tirou! – esganiçou com os olhos arregalados, até mais irritada pela postura bem despreocupada dele. – Você não tem nada a ver com Administração, é da Genética! – Ela declarou enquanto sacudia de leve, um pedaço de bolacha na mão.
- Eu sei que sou Biólogo. – riu baixo, mas continuou contestando a garota. – Mas como pró-reitor tenho algumas obrigações com todos os cursos. Era questão de aposento, mulher!
- E sem motivo! – rolou os olhos e colocou o pedaço de bolacha na boca, mastigando rápido, tentando descontar sua frustração ali.
- Sem motivo? – Ele projetou levemente o corpo para frente. – O cara fundou teu curso, ele precisava se aposentar!
- Aposento uma pinoia! – A garota contestou e no mesmo momento suspirou. ia botar a boca no trombone. – Você queria colocar seu amiguinho. – Ela usou de ironia na frase, vermelha de raiva, principalmente por parecer nem ao menos levar em consideração a recusa dela. Tudo bem que não ia fazer lá tanta diferença, mas já era um avanço.

O Professor vincou um pouco as sobrancelhas e confuso em tentar entender como sabia daquela informação, ele olhou para a esposa, que levantou as mãos em rendição, ao mesmo tempo que chutava de leve a perna da amiga embaixo da mesa como se tentasse repreendê-la e ganhou um olhar fuzilante dela.

- Eu não ia esconder mais nada! – declarou.
- Eu não queria colocar o . – O pró-reitor esganiçou de um jeito que parecia até doente da garganta. – Ele veio como substituto por que eu estava apavorado em não deixar o seu curso desfalcado depois que o próprio Marshall pediu aposento por idade! – O suspiro saiu seguindo de uma careta descontente.
- Olha, não é porque você é marido da minha melhor amiga, que eu vou aceitar isso não. Pode esquecer. – fez um gesto com as mãos dando ênfase ao que tinha dito e riu alto com a briguinha idiota dos dois.
- Não tem o que aceitar, já está feito. – O homem deu de ombros, rolando os olhos com a petulância dela e pegou uma das bolachinhas.
- ! – A mulher clamou, indignada por não estar sendo ouvida e ameaçando a viuvez da quase enfermeira, só com um olhar. Afinal, não tinha mais o que ser feito.
- Não, não vai, eu não posso ficar viúva! – cruzou as pernas por debaixo da mesa, mais convicta do que nunca.

respirou fundo e passou as mãos pelo rosto, tentando se acalmar, ou cometeria um homicídio. Enquanto parecia bem ocupado mostrando qualquer coisa da bolacha que fazia rir e negar com a cabeça.

- Ele é bom? – A pergunta saiu de uma vez e os olhares foram virados para ela.
- Você conhece o sobrenome ? – Ele perguntou rindo.
- Óbvio! – O gritinho de estava dividido entre esganiçado e animado. – Da Administração todo mundo conhece esse sobrenome. É O sobrenome da nova geração da Administração, . – Ela arregalou levemente os olhos, o vendo rir e passar a mão pela barba muito bem arrumada.
- Pois pronto, o cara vai ser o seu próximo coordenador! – Ele deu de ombros e pegou mais uma bolachinha na cesta. – Em carne, osso e cérebro! – O homem piscou. – Já decidiu o que quer, anjo?
- O de sempre! – respondeu com um sorriso.

Enquanto encontrava-se estacada na cadeira sem saber o que falar, ou perguntar, ou ao menos retrucar sobre a informação de que , O , seria seu professor, coordenador e tutor de monitoria. Ela já podia querer morrer?

- O cara que é orientando do Professor Ury? – A pergunta saiu mais uma vez sem mais nem menos, fazendo esboçar um sorriso fechado por puro orgulho do amigo. – O Professor William Ury que atuou nas negociações com as Farc na Colômbia? O próximo coordenador é tipo, orientando dele?
- E quase me fez sofrer um infarto, porque queria se meter nas negociações. – soltou um fio de risada e passou a mão no rosto. Em contrapartida não riu de nada, a mulher estava apavorada por saber que tinha sido vencida e desarmada com uma pequena frase. Aquele era um panaca mesmo.
- Ah... legal. – O resmungo saiu baixo quando ela mais queria gritar e menos dar o braço a torcer.
- Ai, , coitada da menina! – riu e cutucou o marido com o ombro. – É só o , . Você não vai dar nada por ele quando ver a primeira vez. Nem parece que é professor, vai por mim! – A mulher riu baixo, convicta de que o amigo não era nada do que a estudante de Administração estava fantasiando.
- Está com fome? Ou ainda com raiva de mim? – O homem perguntou rindo e mesmo que ainda fosse simpático, sempre tinha a alfinetada na garota irritada. – Você não o conhece? – perguntou curioso e viu a garota negar freneticamente.
- Só de nome, nada mais. Gente, como assim? – A garota parecia atônita com o que tinha acabado de falar. – E os dois. E ainda nervosa! – Ela respondeu .
- Ele não parece que tem a cabeça que tem. Parece um doido. O nerd gato, te disse! – A quase enfermeira sacudiu de leve a cabeça e chamou o garçom com um aceno contido. – Vai querer massa, ?
- Podemos pedir a que pedimos sempre? – perguntou prestativo e viu a melhor amiga da esposa afirmar com um sorriso.
- Claro!
- Três Fettuccines, dois Carbonara e... – olhou pra esperando que ela ditasse o seu gosto, quando o rapaz com um avental preto laçado na cintura chegou perto da mesa com um bloquinho em mãos, pronto para anotar o pedido.
- Um ao molho de quatro queijos. – A moça assentiu para o garçom, que copiou rapidamente e logo se despediu com um aceno de cabeça.
- Eu não sei como você consegue. – riu baixo. – Eu não largo a carne nem a pau. Deus do céu, eu sei que não é bom, mas eu não consigo.
- Você? Largar a carne? Você é uma onça, anjo. – O homem debochou fazendo rir alto e fazer a maior cara de ultraje, lhe dando um tapa no ombro. – Ai! – Ele se encolheu rindo.
- A minha saúde melhorou horrores depois que eu virei vegetariana. Sério, é uma mudança que vale muito a pena, dá uma guinada na sua saúde! – movimentou a mão como se ela fosse um avião que estivesse decolando e os três riram. – Então, , a me contou uma coisa sobre ele que eu fiquei meio nervosa. – deu um sorriso de gases e rolou os olhos.
- Poxa, amor. Você foi falar isso? – O homem fez uma careta desgostosa pela tal fama que o amigo tinha e sua esposa só ajudava a difamar. rolou os olhos e deu de ombros confirmando.
- Falei mesmo, porque para ser bem sincera, eu não confio nessa fama do .
- Bom, como você bem sabe, , minha linda esposa é uma exagerada. – O homem apontou para , que ao invés de retrucar, fez uma pose confirmando e os três riram. – Ele não é nenhum louco desenfreado, não. Só não encontrou a pessoa certa ainda, e infelizmente não para em um relacionamento. – deu de ombros e viu a moça afirmar bem entendida do assunto, afinal, ela não estava muito diferente na vida. – Ele não costuma fazer esse tipo coisa dentro do ambiente de trabalho, é chato com regras, relaxa.
- Isso não é problema. – assegurou, sabendo muito bem que ela não fazia nada que não quisesse. – Não quero mesmo!
- E você não está errada. – A afirmação saiu em conjunto por parte do casal. – Eu vou te dar um conselho. – O pró-reitor endireitou a postura como se ele fosse um velho sábio e viu a garota afirmar bem ansiosa. – Cola nele e suga o que você puder! E eu garanto que você vai ter aproveitado muito bem seus últimos semestres, é muito aberto a ensinar e tem muito boa relação com os alunos. Então aproveita enquanto você pode, é uma chance única! – o Mr. arregalou bem os olhos, dando mais ênfase a sua fala, vendo abrir um sorriso imenso que ia até as orelhas.
- Pode deixar! Eu vou! O cara é da Harvard Business School! A melhor do mundo! – Ela soltou um gritinho animadíssima e ouviu a amiga rir alto da sua postura. – Não ri, vaca! É Harvard!
- Meu marido é de Harvard também! – disse com um descaso bem proposital, rindo alto do espanto da amiga que só tinha ficado maior ao fim da frase dela.
- O QUÊ? – o grito de saiu esganiçado demais e imediatamente a garota tapou a boca, sabendo que tinha exagerado. – Você veio de Harvard? – Ela arregalou os olhos.
- Sim! – soltou uma gargalhada espontânea. – Mas eu garanto que a minha vida não poderia estar melhor do que agora. – O homem sorriu pra com o maior encanto do mundo, enlaçando a mão a dela descansada na própria coxa e ganhou um beijinho na bochecha. – É só mais uma faculdade como qualquer outra. – sorriu de forma leve e bufou indignada.
- Eu não acredito que você é de Harvard! – A morena de cabelo liso esganiçou mais uma vez, bem indignada com o descaso dele e ouviu risadas.
- Eu sou pró-reitor por algum motivo! – deu de ombros sabendo que poderia muito bem apanhar da baixinha que era irritada demais.
- Não tinha idade suficiente para assumir a reitoria. – piscou para a amiga sabendo que aquilo só ia agravar o surto dela e bufou saturada.
- Você não assumiu a reitoria só pela idade? – A pergunta saiu mais desafinada que o normal, deixando bem preocupada com a possível saúde da voz da amiga.
- Eu tinha 36, acho. – vincou um pouco as sobrancelhas, olhando pra como se perguntasse e a mulher afirmou. – Você não vai entender agora. Eu e o também éramos deslumbrados na idade de vocês. – Ele riu. – Mas eu prefiro minha vida agora.
- Se o professor me disser que Harvard é só mais uma Universidade, eu juro, vocês perdem um amigo e o mundo um gênio. – esticou o indicador mostrando bem sua convicção. – Porque eu mato! – A ameaça saiu firme e causou mais algumas risadas. – , eu estou muito, muito irritada e decepcionada contigo! – Ela parecia uma mãe raivosa com sua criança bagunceira e a outra arregalou de leve os olhos sem entender.
- O que raios eu fiz?
- Casou com ele! – soltou um gritinho. – E ainda demorou séculos para me contar!
- E qual o problema nisso? – entrou na discussão bem indignado para a postura de um quase quarentão.
- Harvard, fofo. – jogou sua frase cheia de ironia e ainda soltou uma piscadinha ao final e vendo que ria, continuou: – Seu marido é foda, tapada!
- Vocês são dois desnecessários! – riu, negando de leve com um aceno de cabeça.
- E tem outra coisa que não entendi... – A solteira descansou o queixo na mão.
- O que você não entendeu? – cruzou uma perna por cima da outra embaixo da mesa e coçou a barba.
- me disse que vocês são amigos desde os 15. – A garota arrumou um guardanapo em cima da mesa. – Mas, 15 anos seus ou dele? – Ela perguntou bem convicta de que o professor era bem mais velho que , que por mais que fosse novo, não era tão novo assim.
- 15 anos dele. – O homem riu baixo. – Ele é mais novo que eu um ano, mas a gente sempre regulou no colégio.
- Sério, eu não vou conseguir falar perto desse homem! – disse meio desesperada fazendo os rirem. – Juro, eu vou entrar muda e sair calada! – Ela movimentou as mãos, dando um ultimato.
- Claro que não vai! – contestou por conhecer bem o amigo e saber que ele não era aquele monstro todo com o rei na barriga. Às vezes era humilde até demais. – Aposto que fora da universidade você nem conhece ele se ver a primeira vez. – A mulher disse convicta e afirmou com um sorriso.
- Ele é legal, eu garanto. Implica horrores com a , pior que ela e o Tayler. – O homem disse com um ar de riso e viu a esposa rolar os olhos.

suspirou e se ajeitou na cadeira como se estivesse se recompondo.

- Tudo bem, eu vou acreditar em vocês. – Ela sacudiu o indicador e viu o casal afirmar bem pleno. – Se ele não for legal eu reclamo na pró-reitoria!
- Pode reclamar que a gente dá um jeito de substituir! – riu e esticou a mão para high five com a garota, gesto que ela completou sorrindo.
- Vocês são bonitinhos! – fez a típica carinha de emoji e ouviu as risadas largas dos dois.
- Arranjou a amiga certa, anjo. – O homem levantou a mão para mais um high five com a nova amiga e os três riram quando a estudante de administração inflou o peito.
- Ah, qual é? Olha que fofinhos de mãos dadas, parecem meus avós! – A mulher piscou os olhos de forma exagerada.
- Seus avós? – colocou a mão no peito, fingindo estar ofendida com a comparação, enquanto só conseguia rir.
- Claro! é quase da idade deles mesmo. – Ela abriu um sorriso superior que fez o homem engolir as risadas, abrindo a boca em um perfeito O.
- Eu tenho 38 anos! – Ele esganiçou tentando se defender da acusação que ele estava velho demais.
- Como eu disse! – abriu um sorriso de pura pirraça. – Velho!
- Eu vou te deixar com fome! – reclamou se esticando levemente na cadeira para olhar para trás. – O garçom, cancela o pedido dela! – Ele fingiu gritar, mas o volume da voz não passava da conversa social que eles tinham.
- Você não faria isso, porque eu sou melhor amiga da . – A garota abriu um sorriso meigo e a outra riu com os argumentos dela. – E ela não vai me deixar com fome. Sem ser mão de vaca! – Ela ralhou e rolou os olhos. – Inclusive, sacanagem negar Cancún! – começou seu discurso que tinha como finalidade defender a viagem da amiga, mas foi interrompida com o garçom chegando com os pratos.
- Opa, nossa comida! – a cortou do assunto antes que aquilo lhe enchesse o juízo mais uma vez e os três se acomodaram melhor para provar um dos melhores macarrões da região.

*Joguinho de palavras cruzadas para celular.
-x-x-x-

- Droga, Daniel vai me matar! – exclamou um tanto alarmada, mexendo nervosamente nos cabelos após pegar o celular da bolsa caramelo e constatar que estava atrasada, bem atrasada para buscar o irmão no aeroporto.
Bufou, xingando internamente a professora de Comércio Exterior, que aquele dia parecia não querer liberar os alunos por nada no mundo. Não bastava a matéria ser complicada, cheia de leis e regulamentos que precisavam ser memorizados, ainda era lecionada por aquela bruxa ruiva vinda diretamente do inferno. A estudante de Administração desceu rapidamente as escadas de acesso à universidade e percorreu a passos largos a extensão do estacionamento, até chegar ao seu carro. Acionou o alarme para abrir as portas do sedan cinza chumbo e entrou no lado do motorista, ligando o rádio em uma estação de rádio qualquer para manobrar até a saída das dependências da universidade e assim tomar as ruas rumo ao aeroporto.
Já perto dos limites territoriais da cidade, engatou a terceira marcha do carro, sabendo que ali tinha uma brecha para que ela ultrapassasse os outros carros e pudesse se redimir um pouco com o irmão pelo atraso. A mulher atolou o pé no acelerador e quando finalmente conseguiu ultrapassar os três carros de cores escuras que estavam em sua frente, se viu completamente fechada à beira da rotatória que dava na avenida para o aeroporto, fazendo com que a sua única opção fosse brecar o carro de uma vez para que não sofresse um acidente e dali fosse direto para o hospital, deixando Danny a ver navios. A garota respirou fundo quando conseguiu se manter antes da faixa limite, mas sentiu o corpo balançar de uma vez para frente e soube que tinham batido na sua traseira. O que contradizia totalmente a convicção de quem bate atrás era o errado, já que a errada ali era ela. respirou fundo mais uma vez e saiu do carro, ainda que a contragosto. Não tinha jeito, teria que resolver o problema.

- VOCÊ É DOIDA? – Mal a garota saiu do carro e já escutou o grito estridente do motorista do carro que havia batido na traseira do seu, enquanto ele dirigia-se até o local da batida para verificar o que tinha acontecido.
- EU? EU NÃO FIZ NADA! A FAIXA ERA MINHA! – sabia que tinha tido grande parte da culpa no acontecido, mas sim, a faixa era dela, e ela não cederia tão facilmente.

O cara, que vestia calça e casaco de moletom por cima de uma camisa branca, tirou os óculos de grau e passou as mãos no rosto apertando os olhos, enquanto suspirava frustrado. Ele sacudiu de leve a cabeça e depois voltou a colocá-los, analisando os arranhões na lataria, mantendo ainda, a testa vincada. A garota fez o mesmo que o motorista esquentadinho e foi averiguar a situação, constatando que não era das melhores. Não estava tão estragado, mas com certeza necessitaria conserto. Foi ali que ela soltou um muxoxo frustrado.

- Ai, droga. Meu carro! OLHA O QUE VOCÊ FEZ!
- OH CLARO! VOCÊ NÃO FEZ NADA! – O homem gritou mais uma vez, com a voz carregada de ironia. – O seu carro? E o meu carro? Você brecou de uma vez, querida! Brecou de uma vez! – O estranho lunático gritava enquanto parecia querer abrir um buraco no asfalto, de tanto caminhar de um lado para o outro com pisadas pesadas.
- POR QUE A DROGA DO SINAL FECHOU, IDIOTA! – rebateu, completamente nervosa. Já não bastava o a bruxa da Carrie não liberando a classe para o fim da aula, o que ocasionou o atraso e consequentemente a batida no carro, à garota ainda tinha que aguentar aquele chato – bonito para caramba, mas chato na mesma proporção – dar chilique por causa dos arranhões em seu automóvel.
- VOCÊ NÃO ME OFENDA! – O cara arregalou os olhos perfeitamente azuis ao ouvir o xingamento. Seu rosto estava tão vermelho que ele parecia poder explodir a qualquer momento pela a raiva que sentia. – E SE A MOÇA NÃO ESTIVESSE FEITO UMA DOIDA NA FAIXA, NÃO IA PRECISAR BRECAR!
- FOI VOCÊ QUE BATEU. – A estudante se agarrou mais uma vez ao seu argumento.
- POR QUE VOCÊ ESTAVA FEITO UMA LOUCA NA PISTA! – O homem dos olhos azuis quase transparentes quando colocados contra o sol, rebateu, apontando freneticamente para a garota a sua frente. – Sinceramente, isso que dá entregar um carro a uma criança!
- VOCÊ ME CHAMOU DO QUÊ? – esganiçou tanto que seu tom de voz quase poderia ser compreendido apenas por baleias. Mas o homem parecia não dar ouvidos ao surto da garota, já que voltara a caminhar de um lado para o outro, quase arrancando os cabelos de tão forte que os puxava, demonstrando claramente o seu estado de nervosismo.
- Sinceramente, era só o que me faltava! Passei o dia com a bunda pregada em um banco para agora bater o carro por causa de uma menina apressada. Meu dia de sorte, com certeza! Eu vou matar aquele idiota! – Além de chato, o cara era doido de pedra? E realmente estava falando sozinho?
- Eu estava totalmente dentro dos limites de velocidade, querido. – A moça rebateu, com um sorrisinho cínico nos lábios. – E eu posso pedir para ele te matar antes? – Ela foi irônica, referindo-se a frase anterior do homem e quase riu com a expressão em seu rosto, e o olhar que ele a lançou. Parecia querer voar para cima dela a qualquer segundo.
- Ótimo, ótimo mesmo, eu estou sendo peitado por uma criança! Eu que estava dentro dos limites de velocidade! – Apontou para o próprio peito. – A princesa que fez o favor de se meter na minha faixa sem ao menos pedir passagem!
- A FAIXA ERA MINHA! Você é cego por acaso? E eu NÃO sou criança! – Havia duas coisas que deixavam irada. Uma delas era desacreditarem de suas palavras, e a outra era ser chamada de criança. O tal estranho tinha conseguido ativar as duas em uma só frase.
- Tudo bem, senhora! – Ele usou de ironia, enquanto ria incrédulo e com deboche da frase da garota. – Mas quer saber? Não tenho tempo para ficar discutindo com uma criança, tenho mais o que fazer. Ótimas boas-vindas a essa cidade dos infernos.
- Ninguém reclama se você der a ré e for embora! – limitou-se a responder, rolando os olhos.
- Ninguém reclama se você aprender a dirigir, também! Inclusive, ligar o pisca alerta não vai fazer sua mãozinha delicada cair. – Agora era que sentia a mão coçar para atacar de socos aqueles dentes perfeitamente desalinhados que o homem possuía. – Pode ir embora agora, cada um paga o próprio conserto. Passar bem! – O homem declarou, respirando fundo e em seguida entrando novamente em sua Range Rover.
- Até nunca mais! – ouviu a garota gritar a despedida um pouco antes de ela entrar em seu próprio carro e sorriu forçado, acenando. Cara de pau? Era uma de suas especialidades.
- Por que tão brava se bonita, por que tão bonita se brava? – O homem balançou a cabeça, procurando afastar aquele pensamento. – Droga, não pensa nisso, tapado! É uma criança! – Riu de si mesmo e vendo que a garota já tinha partido, ligou novamente seu carro e rumou em direção ao apartamento que a partir de agora ele chamaria de lar.

-x-x-x-


Alguns minutos mais tarde, chegou ao aeroporto, logo vendo que realmente aquele não era seu dia de sorte. O lugar estava simplesmente lotado! Andou mais alguns metros até se dar por vencida, desistindo de encontrar uma vaga perto da porta dupla do local. Bufou frustrada e estacionou ao final da fila de táxis, desfivelou o cinto e saiu do carro para buscar o irmão. Mesmo entre aquele mar de pessoas, ela não demorou a encontrá-lo. Também pudera, Daniel era um verdadeiro homão! Moreno, alto, portador de olhos verdes maravilhosos e um sorriso encantador. abriu o maior sorriso do mundo e saiu correndo ao encontro dele. A saudade era tanta que tornava impossível ser descrita em palavras!


- DAN! – A garota gritou, atraindo a atenção do advogado trabalhista que virou o rosto para encará-la com os olhos arregalados. Como ela já estava bem perto, tudo que Daniel pode fazer foi abrir os braços e, após sentir o impacto do corpo da irmã mais nova contra o seu, a esmagar em um abraço de urso, totalmente protetor e cheio de saudade.
- Ah, meu Deus! ! – Dan quase gritou, abraçando a irmã com força e a tirando do chão, enquanto a sacodia, fazendo com que a garota risse. retribuiu o abraço com quase toda a força que tinha, literalmente esmagando o mais velho em seus braços. – Como está minha caçulinha?
- Bem! E o melhor irmão mais velho? - A garota alargou o sorriso e beijou a bochecha do irmão.
- Maravilhosamente bem! – Danny piscou e fez pose, fazendo rir alto. – Cadê o carro? – O homem perguntou, já pegando a mala preta que havia trago consigo.
- Atrás da fila de táxi. – respondeu com uma careta, apontando com o dedo para a direção onde estava o automóvel. Daniel afirmou com a cabeça, ajeitando a mala em uma mão e, com a outra, puxou a cintura da irmã para abraçar ela de lado.
- O Joe te mandou um beijo, disse que quer vir para cá o mais rápido possível! – abriu mais o sorriso ao ouvir o irmão falar sobre o namorado. Que saudade que ela estava de Joe! Ele com toda a certeza já era totalmente considerado como membro da família .
- Saudade do Joey! Diz para ele vir logo! – respondeu, apertando um pouco mais o irmão no abraço, como se com esse gesto estivesse abraçando ele e o cunhado de uma vez só.
- Digo, digo sim. Até eu já estou com saudade. – Daniel sorriu do modo mais largo do mundo e seus olhos brilhavam.

Ele era realmente muito apaixonado pelo namorado e isso era mais do que visível a todos que conheciam o casal. repetiu o sorriso do irmão de forma instantânea. Nada a fazia mais feliz do que ver o irmão feliz e dividindo a vida com alguém tão legal, divertido e gente boa quanto Joe.

- Liguei o telefone e tinha cinco mensagens para saber se eu tinha chegado, se você tinha vindo me buscar e essas coisas. – O homem abriu um sorriso bobo.
- Joe sendo Joe. – riu da atitude do cunhado. O criminalista era assim com todos, super protetor. E quando o assunto era Daniel, o protecionismo aumentava muito. – E olha esse menino apaixonado, gente! – A garota zoou, fazendo o irmão rir alto.
- Para de me zoar, pirralha! Eu ainda vou te ver arriado os quatro pneus! – O advogado implicou, como se estivesse profetizando alguma coisa, com ar e porte sério, fazendo a mais nova rolar os olhos, como se o irmão estivesse falando a maior bobagem de todas.
- Esse dia está cada vez mais longe, Dan. Cada dia mais longe. – suspirou, um pouco frustrada. Seu histórico de relacionamento não era lá dos melhores e a garota já começava a seriamente achar que tinha o dedo mais pobre de todo o universo.
- Que nada, daqui uns dias está noiva! – Danny soltou a gracinha, rindo e arregalou os olhos ligeiramente, para em seguida os rolar de forma teatral, recebendo logo um tapa brincalhão na coxa. – Mas me diz... Quebrou o seu relógio? – Perguntou em relação ao atraso da irmã, já que não se tratava de algo que acontecia frequentemente com ela.
- Antes fosse. – A garota respondeu, rolando os olhos, já irritada ao lembrar-se do acontecido mais cedo. – Sabe o carma? Pois é, ele age na minha vida.
- E o que aconteceu? – Daniel perguntou rindo alto, pois sabia o quanto a irmã podia ser dramática quando queria, erguendo as malas para colocá-las no porta-malas do carro.

Ele acomodou-as no carpete acolchoado e fechou a porta. Porém, quando estava pronto para dirigir-se ao lado aposto ao do motorista, que seria ocupado por , notou as danificações na lataria do automóvel e franziu a testa. A havia batido o carro e não contado a ele? Teria sido esse o motivo da demora? Olhou para a irmã em busca de respostas e a viu bufar.
- Primeiro fiquei presa na aula da bruxa ruiva que parecia não querer liberar a gente por nada nesse mundo, juro, essa mulher é um dementador que suga a nossa vontade de viver! E depois isso, um idiota bateu no meu carro! – Reclamou frustrada com a situação.
- Como assim, ? Você anotou a placa do irresponsável? Nós, eu na verdade, preciso resolver isso! – Daniel gesticulava, bastante nervoso. Era só o que faltava, tinha acabado de chegar à cidade e já tinha que lidar com um problema. Que sorte a dele!
- Ei, ei, ei, desativa o modo homem! – riu, tentando ao máximo diminuir a irritação do irmão. Depois fez uma careta de culpa. – De certo modo, a culpa também foi minha.
- Eu sou homem, tonta! Apenas não curto mulheres. – Daniel explicou o óbvio, enquanto ria. Respirou fundo para prosseguir o assunto que realmente importava no momento. A batida do carro. – Mas me diz o que aconteceu?
- Há controvérsias! - implicou, rindo, sobre o fato de Daniel ser homem e ele apenas rolou os olhos enquanto ria e esperava a irmã explicar o que tinha acontecido minutos antes.
- Eu estava na minha pista, e o panaca estava nela, eu brequei e ele bateu na traseira do meu carro. Me xingou horrores, mas eu revidei. – fez a maior carinha de anjo possível, desencadeando a gargalhada alta do irmão.
- Isso é tão maduro! – Daniel implicou, recebendo uma careta em resposta. Depois, adotou uma expressão séria, típica do advogado competente que era. – Ele não te agrediu, né?
- Não, Dan. - respondeu com uma careta. Ela jamais deixaria homem algum a agredir, mesmo que verbalmente, que era ao que a pergunta se referia.
- Ótimo, ou ele ia conhecer a minha fúria. – O advogado cruzou os braços, sério.
- Fúria da purpurina? – A garota implicou, soltando a gargalhada. Daniel era linha dura no tribunal, mas isso não se repetia fora das salas de audiência. Claro que ele defendia a todos que amava da forma mais ferrenha que conseguia, principalmente a irmã mais nova, mas definitivamente ele não fazia o tipo brigador. – Abaixa o fogo, cada um vai pagar o seu conserto e pronto, resolvido!
- Claro, deixá-lo cego de tanto glitter! – Daniel entrou no clima, fazendo a pose mais afetada que conseguia e fazendo ficar vermelha de tanto rir. – Novo ou velho?
- Mais ou menos. Nem novo, nem velho. - fechou um olho em uma careta pensativa o fazendo rir.
- Hm, reparou no cara, é? – Danny zoou e, ao ver a mais nova apenas dar de ombros em resposta, arregalou os olhos. – OPA, OPA! Bonito? Me conta isso direito!
- Bonito é pouco, Daniel, bem pouco... DEUS, QUE HOMEM ERA AQUELE? Pena que era panaca, pena mesmo. – tinha a mão no peito, na pose mais dramática do mundo.
- Você estava secando o cara no meio da discussão? Pelo amor de Deus, mulher, que carência! – Daniel esganiçou, rindo alto da atitude da garota. Ele queria ter visto aquilo, com certeza o renderia boas gargalhadas quando lembrasse futuramente.
- Até você faria o mesmo, Daniel, até você! Não julga a irmãzinha! E entra no carro, quero ir para a casa! – fingiu repreender o irmão apontando para o peito dele, que levantou as mãos em rendição e fez o que ela tinha pedido.
- Não estou julgando! É apenas a realidade! – O irmão mais velho dos riu.

Se tinha uma pessoa nessa vida que ele conhecia, essa pessoa era . Por isso sim, ele tinha plena certeza de que a irmã tinha reparado em todos os atributos físicos do tal motorista maluco. E outra certeza era de que ele queria ter sido uma mosquinha naquele momento e ter visto o cara. Ah, como queria, Joe que o perdoasse!

- Se eu não estivesse tão brava e atrasada, eu juro que pedia foto! Vou nem mentir. – Os dois riram alto da declaração da garota, justamente pelo fato de saberem que ela teria coragem de fazer isso.
- Então era lindo!! – Daniel riu alto, ainda mais depois de ver concordar com a maior cara de sofrimento do mundo, logo depois colocando o carro na estrada, em direção ao apartamento que os dois dividiriam.

Cessadas as risadas, Daniel suspirou se ajeitando no banco, antes de entrar no assunto que ele sabia ser difícil para a irmã, mas o qual ele queria saber mais detalhes, pois quando ela mencionou, estava tão nervosa que não havia explicado direito, deixando o irmão um pouco preocupado.

- , me conta essa história de que o Marshall foi demitido? – O tom de voz dele era quase de pesar, pois sabia o quanto aquele professor significava para sua irmã.
- Nem me fala do Marshall!! Que depressão, Dan. Que depressão! – A mais nova suspirou com a maior cara de choro possível!

Ela estava bem triste com toda a questão da saída do seu professor preferido faltando tão pouco para que sua formatura acontecesse. Sim, era questão de aposento, algo tão normal e que, além de ser direito, era merecimento por tantos anos de dedicação do professor para com a Universidade McGill. Mas mesmo sabendo de tudo isso, não deixava de ficar triste, pois via no professor Marshall um quase pai, o pai que ela havia deixado do outro lado do oceano.

- Mas por que isso? Aquele cara era o melhor professor daquela universidade! Sinceramente, é um desperdício. – Apesar de não ser da Administração, Daniel o conhecia bem, por ter trabalhado em alguns projetos que o professor coordenava durante seu tempo de graduação.

- Tudo culpa do ! Tudo culpa do tirano metido a galã! – A estudante bufou, completamente descontente com o rumo que sua vida acadêmica ia tomar.

Não importava que ele era marido da sua melhor amiga, não esqueceria do que tinha feito tão cedo e nem o perdoaria tão fácil assim. Ele não devia ter se metido no que não era assunto dele! Ok, tecnicamente era assunto dele, já que o cara é pró-reitor, mas não importa! Não era assunto dele e pronto!

- Para! Ele é gato! – Às vezes Daniel poderia ser um pouco menos gay, o mundo agradeceria. – Vale nada, mas é gato. Aliás, já se assumiu? – O advogado trabalhista sempre achou que Pierre fosse gay, e geralmente seu radar não falhava. Mas dessa vez tinha falhado. E falhado com maestria! mordeu a boca, indecisa sobre contar ou não contar o que havia descoberto mais cedo naquele dia.
- O quê? Me conta! – Daniel perguntou um tanto confuso com a expressão no rosto da irmã mais nova.
- Babado fortíssimo!! - declarou de forma divertida, aguçando a curiosidade do irmão, que se encontrava virado no banco a encarando com os olhos levemente arregalados, mostrando que sua atenção estava totalmente presa no que a garota tinha para falar. – Mas você não pode falar para ninguém, entendeu? Ninguém! Nem para o Joe!
- Não conto, prometo! Não conto para ninguém! – Daniel cruzou os dedos e os beijou, em um claro gesto de que ele prometia não contar para ninguém o que quer que tinha para dizer. – Não me esconde a fofoca, pirralha! – Fingiu ralhar com a mais nova. Quem visse de fora, jamais diria que Daniel era gay, e quando falava, também era difícil de identificar. Eram poucas às vezes em que Daniel se mostrava um pouco mais “colorido”, por isso que quando o fazia, era muito divertido! – Você o pegou!
- QUÊ? Não! Meu Deus, claro que não! – Camila esganiçou, arregalando os olhos e fazendo cara de nojo. Ficar com ? Ou com qualquer outro professor? Não, não era uma coisa que ela achava que conseguiria fazer.
- Pegou ele com outro!? – O advogado tentou mais uma vez, vendo a irmã negar, o deixando ainda mais confuso e ansioso para saber o desfecho daquilo tudo. – Então me conta, mulher!
- é casado. Com uma mulher. Conhecida, inclusive. - respondeu com ar de mistério, sabendo que o irmão devia estar mais do que atento às suas palavras.
- OPA! OPA! OPA! Quem é a sortuda? – Daniel riu, maquinando em sua as possíveis opções de Senhora . Mas nem por um momento imaginou que seria o nome que saiu dos lábios da irmã, que ela falou baixo, como se estivesse contando um segredo. E de certa forma, era mesmo.
- Carvalho.
- É O QUÊ? VACA! – Daniel esganiçou tanto que quase perdeu a voz, com os olhos extremamente arregalados e o corpo projetado para frente, quase em cima de que ria descontroladamente.
- Não grita! – A garota pediu rindo e olhando para fora da janela, checando se ninguém estava os observando. Se alguém visse o descontrole de Daniel, poderia pensar algo diferente do que realmente a situação significava.
- Como não grita? Ela nunca contou nada! Sinceramente, você devia dar na cara dela! Como essa vaca é casada com ele e nem para contar, nem convidar para a festa! – Daniel estava indignado? Sim, Daniel estava indignado. – Sinceramente, preciso ter uma conversa séria com . Bem séria.
- A bicha está revoltada, Montréal! - zoou, fazendo Daniel quase se mijar de tanto rir. – Ela contou nem a mim. Eu, Dan, eu! E já faz meses!
- OI! MESES? – Arregalou os olhos, em choque e viu a irmã afirmar com um aceno de cabeça. Essa história não estava certa. Não fazia sentido estar casada há meses e não ter contado para a melhor amiga. Simplesmente não fazia sentido. – É ISSO QUE EU ESTOU DIZENDO! Tipo, vocês são amigas há eras, não faz sentido!
- Eu entendo, sabe? Ela teve medo. Poxa, ele é quase dono da Universidade! - declarou depois de um suspiro. Claro que ela tinha ficado chateada com a amiga, mas a entendida, pois provavelmente faria o mesmo se a situação fosse inversa. Daniel riu alto da forma exagerada como a irmã se referia ao marido de .
- Medo de quê? Por que ter medo sendo primeira dama da McGill? – Dan perguntou de modo despreocupado, como se a situação em que a amiga se encontrava fosse a mais rotineira e fácil de ser resolvida do mundo.
- Ele é professor! - esganiçou, chocada. Será que Daniel não tinha conhecimento da política da universidade que proibia relacionamento entre professores e alunos? – Sabe o que eu ia fazer se ficasse com um professor? Morrer!
- Deixa de ser exagerada! Ia morrer nada, precisa muito mais para causar a morte de alguém! Por que você não experimenta? – Dan sorriu de lado, um sorriso bem safado e que fez a garota rir alto.
- Porque o é o único dinossauro bonito! - brincou, fazendo um biquinho. Mas era verdade, o pró-reitor era o único professor bonitão que aquela universidade tinha, o que era uma pena, realmente uma pena. E ainda casado, para a tristeza da metade do corpo discente da McGill e para a alegria da vaca sortuda da .
- Dinossauro? Vocês não têm jeito! – Daniel riu, jogando a cabeça para trás. – Quem vai substituir o Marshall?
- Um amigo do . – respondeu com voz desgostosa e a maior cara de choro possível. – Você não pode processar a universidade para eles recontratarem o Marshall?
- Infelizmente, não. Eu sei que você gosta dele, mas pelo que você me disse, é questão de aposento. Nesses casos não tem o que fazer, é direito da pessoa e dever legal. – Daniel explicou, com um bico que foi repetido pela mais nova. – Mas calma, deixa ele chegar e aí você vê como ele é.
- Eu já não gosto dele! - respondeu aumentando o bico, parecendo uma criança mimada. Daniel riu e bagunçou os cabelos da irmã mais nova.
- Você não pode desgostar das pessoas sem nem conhecer. Se for tão bonito quanto o amigo, você faz que nem a esperta da !
- Daniel, para com isso! Não vai acontecer! E ele não vai ser bonito! - decretou, com convicção. Ele não seria bonito, de jeito nenhum, o mundo não poderia estar tão contra ela!
- Tudo bem, tudo bem! Eu ainda acho que ele pode ser, pelo menos, legal, mas você quem sabe o que pensar. Já sabe alguma coisa sobre o cara? Vamos falar mal do substituto! – Daniel riu, sendo acompanhado pela gargalhada estrondosa da irmã.
- Vamos! Vamos! - sorriu animada. – A me deu quase a ficha do cara.
- OPA! Sinceramente, adorei esse novo posto da . – Daniel brincou, se referindo ao fato de que a quase enfermeira tinha ‘informações privilegiadas’ sobre a universidade apenas pelo fato de ser casada com alguém que possuía grande influência por lá. – Me conta! Me conta!
- Deixa eu ver.... Bom, é amigo do , se chama e é graduado, pós graduado, tem mestrado, doutorado e Deus mais sabe o quê por Harvard...
- O QUÊ? O cara veio da Harvard Bussiness School e você está reclamando? Sinceramente, garota, para com isso, fica feio! – O advogado trabalhista ralhou, de certo como indignado com a posição da irmã. Ela tinha muito que aprender com o novo professor e era nisso que ela devia focar.
- Me deixa, eu estou em luto! - usou de drama, fazendo o mais velho rir, mesmo não querendo. – E essa é a única qualidade dele. Pelo que a disse, ele é safado!
- Fica longe desse homem, ! Por favor, eu quero você a salvo! – Daniel pediu, com um tom bastante apreensivo. Ele já tinha visto muitas coisas ruins acontecerem nos seus anos de advocacia, principalmente desde que havia começado a namorar Joe, que contava casos realmente horríveis e a última coisa que Daniel queria era que algo de ruim acontecesse com sua irmãzinha.
- Pode deixar, maninho. Vou me manter afastada dele. – garantiu, sorrindo feliz pela sorte que tinha em ter um irmão como Daniel e os dois apertaram as mãos, selando o acordo de que o novo coordenador de Administração seria mantido longe tanto quanto possível.
- Quer passar um algum lugar para comer? – Daniel perguntou, sentindo o estômago roncar. As comidas de avião definitivamente não eram boas.
- Pizza Hut! – A garota decretou que os irmãos iriam a uma das pizzarias mais famosas de todo o mundo e o advogado não pensou por um momento em discordar da opção dada. Com isso, os dois seguiram ao restaurante mais próximo.
- Deus, eu te amo por isso! – Daniel riu, referindo-se ao fato de a irmã sempre se dispor a comer besteiras, sem fazer cara feia e a hora que fosse.
- Também te amo, maninho! - riu, esticando para dar um beijo estalado na bochecha do irmão mais velho.
- Meu Deus, como é bom estar em casa! – O advogado se espreguiçou, jogando-se confortavelmente no banco do carro. – Que saudade de você! Melhor coisa é estar com você, maninha! – O sorriso do mais velho era enorme, parecendo brilhar e foi repetido igualzinho no rosto da mais nova.
- Melhor coisa é te ter aqui! - declarou, totalmente sincera. Parou no sinal e se jogou para cima do irmão, o esmagando em um abraço de urso e sentindo-o fazer o mesmo, bem protetor. Não importava quantos anos se passassem, para Daniel sempre seria sua menininha e ele sempre a protegeria. Beijou o rosto dela ao ver o sinal abrir e ela retomou o foco nas ruas de Montréal.
- Mas me conta, nada de caras na sua vida? Ficou com alguém? Saiu? Nada? – Daniel perguntou interessado. Contrariando totalmente o papel de irmão mais velho, ele não se incomodava com caras aparecendo na vida da irmã, tudo que ele queria era que ela fosse feliz. Muito feliz!
- Claro que sim, Dan. - riu, rolando os olhos. – Mas nada demais. Só nasceram três homens decentes. Um foi para mamãe, outro pra e outro para você.
- Credo, ! Para de ser pessimista! – Daniel ralhou e apenas deu de ombros, o fazendo suspirar.
- Eu não vou mentir, quando ele aparecer, vai ser o pior de todos, daqueles que você sabe que não vale uma moedinha, e te fazer duvidar se é aquilo mesmo que você quer para a sua vida. Mas sabe a confirmação? Ela vai vir quando você perceber ele mudando para se encaixar perfeitamente na sua vida!
- Dan vidente! - zoou, bem duvidosa a respeito das palavras proferidas pelo mais velho. Ela duvidava muito que isso fosse acontecer algum dia. De verdade, não aconteceria.
- Dan experiente, isso sim! – O homem respondeu convicto. – Eu sei que é assim, por que foi justamente o que aconteceu comigo. Eu era o sem jeito, mas eu precisei mudar. Eu mudei porque isso que o amor faz, ele muda a gente.
- Vocês são o casal perfeito! Sério mesmo, meta de vida! - sorriu, completamente feliz com o relacionamento lindo que o irmão havia construído, mesmo depois de todas os obstáculos que ele encontraram no caminho. Daniel riu, concordando e virou o rosto para encarar , colocando um enorme sorriso no rosto para anunciar o que vinha pensando já fazia algumas semanas.
- Ah, esqueci de comentar. Vou pedir o Joe em casamento.

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saiu do quarto amassando o cabelo cacheado entre os dedos e suspirou ao sentir o cheiro gostoso de comida que vinha da cozinha, um aroma bem diferente do que ela já tinha sentido dentro daquela casa, o que denunciava ainda mais duas coisas. Uma: estava se arriscando a uma receita nova. Ou duas: ele estava querendo se desculpar pela pseudodiscussão da noite passada, que se classificava mais como uma conversa pé no chão, em que ela não tinha gostado muito de ouvir.
A mulher sentou em um dos bancos que contornava a ilha da cozinha e escorou o rosto na mão, procurando qualquer coisa a dizer para assim iniciar a conversa. Não era como se ela fosse assumir com todas as letras que estava errada, até porque além de ser cabeça dura, ela era mulher. E quando as mulheres davam o braço a torcer? A garota suspirou observando o marido tatuado entretido com as panelas, que, com certeza, esperava qualquer sinal dela na conversa.
O segundo suspiro saiu meio cansado e por fim, ela abriu a boca.

- Tá sem cueca? – A pergunta era realmente curiosa, ao não ver qualquer sinal de marcas no samba canção e riu alto.
- Quer conferir? – O sorriso safado no rosto do homem ia de orelha a orelha e foi à vez de ela rir, porém com uma grande ponta de maldade.
- Quero! – Logo a risada se transformou em um sorriso meigo no rosto de .
- À vontade! – deu uma piscadela e virou a bunda pro lado da esposa a fazendo rir alto, logo se esticando por cima da ilha, apertando a bunda dele. Os dois riram juntos. – E aí? Qual o veredicto?
- Sem cueca! – mordeu a boca e aproveitando a oportunidade, deu uma palmada com força, fazendo o marido olhá-la com a mão na boca como se estivesse abismado com tal postura. Ela sacudiu de leve a cabeça e voltou a escorar o rosto na mão, focada em apreciar o mais velho.
- Comprei as coisas que você pediu. – Ele disse mexendo o molho em uma das panelas.
- Obrigada! – A garota deu um sorriso agradecido e pulou do banco, dando rapidamente a volta da ilha e o abraçando pelas costas, com força. Era ali que começava seu pedido de desculpas. Ele deu uma risada baixa e meio contrariada, pelo fato de ela não estar tão errada assim, depois o homem apertou os braços sobre os dela, como se a fizesse o abraçar mais. – Comprou a cera?
- Sim, deixei no banheiro. – Ele inclinou a cabeça para trás tentando olhá-la e os dois riram baixo, quando acomodou o rosto nas costas dele, quase fazendo de travesseiro vertical.
- Queria começar as sessões a laser. – Ela fez um bico gigante que se assemelharia ao de uma criança mimada e o homem passou a mão no rosto, afinal, ele não queria, de novo, entrar no assunto do dinheiro. – Tudo bem, eu me aguento.
- Não faz isso, eu me sinto o pior marido do mundo. – pediu um tanto inconformado em não poder fazer tudo que a esposa queria, depois beijou-a na testa.
- Desculpa pela confusão toda. Eu não queria parecer uma garota louca e fútil, mas é Cancún! – Ela fez uma cara de choro exagerada e o viu rir, depois o beijou no ombro, fazendo o homem sorrir, mesmo que negasse com um aceno.
- Era seu direito, anjo. – Ele puxou de leve uma das mãos de , dando um leve beijo no dorso.
- Eu odeio ter que ficar te pedindo dinheiro para qualquer coisa, mas eu estou sem bolsa. – A garota suspirou frustrada, assim como ele. – Eu não tenho outra escolha, não posso cobrar nada do meu pai.
- Claro que não, sem pedir nada ao seu pai! – mordeu a boca e sentiu mais um beijo carinhoso no ombro. – Eu odeio te negar qualquer coisa, anjo. Mas você está vendo como está complicado. Eu só quero que você me entenda, apenas isso. – O homem suspirou, sendo abraçado com mais força por ela.
- Eu sei que nossas despesas são altas, tudo bem? – Ela disse mansinha, ainda distribuindo leves beijinhos pelo ombro dele. – Eu não sou tão vaca a esse ponto, eu sei que é complicado sim. Você financiou toda sua graduação em Harvard e graças aos céus está terminando de pagar, como também sei que o financiamento suga as tripas.

soltou uma risada morta e soltando os braços dela do abraço, virou de frente para a esposa, a encarando enquanto segurava de forma firme e delicada, as suas mãos.

- Você não é uma vaca, anjo. Nada disso! – O homem levou as mãos dela até os lábios, beijando-as levemente. – Prometo que assim que aliviar, eu te dou o que você quiser! Qualquer coisa. Te levo para qualquer lugar, vamos dar a volta ao mundo! – Os dois riram. soltou as mãos dela e rapidamente acariciou o rosto da mulher, lhe dando um leve beijo sugado.
- Eu não quero nada não, amor. – deu um sorriso meio constrangido e sentiu um beijo na testa. – Ter você é o que mais me importa. – Os dois riram e a mulher fez uma careta. – Ou melhor... – Ela arregalou levemente os olhos. – Tem o meu silicone, mas isso depois a gente conversa. E viajar pelo mundo é tentador..., mas não, apenas o silicone. – A mulher apertou os olhos, negando com um aceno frenético, fazendo rir alto.
- Nessa conversa eu acredito! – O homem disse entre risadas e ganhou um tapa no ombro. – E você vai ter seu silicone, só que no momento, não está dando para nada muito fora do planejamento. – Ele enrugou o nariz, fazendo uma careta desgostosa. – Mas antes que você abra a boca para falar qualquer besteira. Não! Eu quero você estudando, eu trabalho, então minha obrigação dar o que você quer e precisa. – piscou e foi questão de segundos até ser agarrado pelo pescoço em um abraço apaixonado, acompanhado de vários beijinhos repetidos divididos entre a boca e as bochechas, o deixando completamente bobo.
- Já é uma benção minha bolsa ter sido integral. – se espreguiçou e encostou na ilha da cozinha vendo seu marido abrir um sorriso largo, completamente orgulhoso.
- Minha mulher é foda! – Ele roubou um beijo a fazendo rir.
- Sua mulher é doida! – A garota rodou o indicador ao redor da própria orelha. – Isso que ela é! – Os dois riram, quando o homem deu de ombros, como se não confirmasse ou negasse a frase.
- Melhor pessoa! – se escorou perpendicularmente à ilha da cozinha, com o corpo encostado ao dela.
- Sem pagar pau! – declarou rindo e na sequência, abriu um sorriso largo para ele.

abriu um sorriso largo e até certo ponto, libertino, encostou a mão grande no braço dela e aos poucos foi deslizando-a pelo abdome da esposa, assim como o corpo que se colava ainda mais ao dela, deixando a mulher arrepiada. olhou para ele com uma grande interrogação na cara, em querer saber se era mesmo sério aquilo e os dois riram alto, antes do pró-reitor enfiar o rosto no pescoço dela de supetão, a fazendo arfar com o movimento brusco do seu corpo ser puxado contra o dele.

- Não sei viver sem pagar pau para você! – O homem disse baixo bem ao pé do ouvido da esposa, fazendo a mulher se eriçar inteira e morder a boca com força. Ele riu sacana e apertou o corpo dela com as mãos, enquanto beijava com força, o pescoço da estudante de enfermagem.
- ! – soltou um gritinho de protesto pelo marido quase vampiro, que, infelizmente, deixaria marcas em seu pescoço com aqueles beijos.
- Hm? – Ele resmungou ainda concentrado em beijar o pescoço dela, deixando a mulher atarantada, mas que no fundo, no fundo, não queria que ele parasse. O professor soltou uma risada baixa e maldosa, migrando os beijos molhados para os ombros da esposa, que agarrou os cabelos dele ao sentir os dentes do marido arrastarem gostosamente a alça fina da camiseta que ela usava, pela pele que tinha um emaranhado simpático de alguns desenhos.
- Isso é maldade! – A mulher disse esganiçada e deu um tapa no ombro dele, se distanciando com dois passos largos, antes que fosse tarde demais quando a mão dele subisse para o busto.
- Anjo! – arregalou os olhos, estando com os braços abertos sem entender mais nada.
- Para! – Ela ordenou com o indicador esticado, mas findou rindo e o fazendo rir junto. – Para com isso, vamos conversar que nem gente! – A mulher suspirou colocando a mão no peito. – Deus do céu. – riu alto mais uma vez.
- Nós estamos conversando que nem gente. – Ele fez um bico inconformado e pegou a colher de pau, mexendo rapidamente o macarrão que cozinhava.
- Você está querendo me colocar nessa bancada, é diferente! – A garota esganiçada apontou para o tampo de mármore e o viu rir em completa concordância.
- Mas é óbvio que eu quero! – O homem declarou com os olhos levemente arregalados e rolou os dela. – Oh, mulher malvada! – reclamou e deu uma palmada na bunda dela, rindo quando viu a mulher se injuriar.
- Eu não sou malvada! – A garota reclamou fingindo ofensa, enquanto desferia alguns tapas no ombro dele, o fazendo rir mais. – E casamento não se resume a sexo. – empinou o nariz, exatamente na hora em que ele arqueou uma das grossas sobrancelhas como se duvidasse dela e a mulher deu de ombros, fazendo os dois rirem. Logo a risada dele se transformou em um largo sorriso encantado. – O que foi? – A quase enfermeira mordeu o lábio inferior, já sabendo do que se tratava.
- Você merece muitos beijos. – estendeu a mão para ela, que segurou e foi puxada de encontro ao corpo dele.
- Deixa disso! – A palavra saiu em meio a uma risada, enquanto a garota estava agarrada a ele, com um sorriso maior ainda. – Eu tinha que contar a ela, tirei um elefante rosa e gordo das costas. – abriu ainda mais o sorriso que já se esticava nas orelhas.
- Eu ainda não acredito que você contou, anjo. – O homem acariciou o rosto dela com uma das mãos e beijou ternamente a mulher. – Eu fiquei tão feliz, tão, mas tão feliz. – riu baixo, fazendo carinho no nariz da esposa com o seu e suspirou em contentamento, mantendo os olhos fechados. – E ela pareceu entender bem, ao menos só demonstrou raiva de mim. – Os dois riram alto.
- Ela entendeu bem. Me xingou, mas entendeu. – A mulher deu de ombros.
- Vocês duas não têm limite. – negou com um aceno de cabeça, ainda com o esboço de um sorriso nos lábios. – tá muito ferrado, meu Deus. Muito!
- , eu quero ele longe da minha amiga! – arregalou os olhos, mostrando ao marido que o papo era sério. – Longe! – Ela apontou da forma mais ameaçadora e viu o marmanjo 15 anos mais velho empalidecer.
- E como eu vou fazer isso? – esganiçou como se voltasse a ter 15 e ainda estivesse no processo de troca de voz, mais conhecido como puberdade.
- Se vira! – Ela deu de ombros, enquanto prendia a risada, sabendo que aquilo ia aumentar mais o desespero dele.
- ! – O esganiço foi maior e ela mordeu a boca, prendendo a gargalhada. – Eles não vão transar. mantém distância de aluna, você sabe como ele é todo cri-cri com regras!
- Eles dois são dois safados e eu não quero minha amiga sofrendo por caras desnecessários. – A mulher rolou os olhos.
- Eles vão conviver, é mais fácil surgir uma amizade por causa da monitoria. Relaxa! – O homem beijou na testa. – E o não é tão ruim assim.
- O nerd gato não é nada ruim, ele é maravilhoso. Mas o mulherengo filho da puta, sim! – Ela suspirou aumentando sua cara de desgosto e os dois riram. – Ele deveria mostrar mais esse lado maravilhoso para as pessoas.
- Eles não vão ter qualquer envolvimento sexual, anjo. – repetiu mais uma vez, convicto de que o amigo não iria querer qualquer tipo de confusão que envolvesse quebrar regras, desde sempre tinha sido daquele jeito e não era de uma hora para outra que ia mudar.
- Tá bom. – respondeu bem desacreditada e andou para perto do fogão, mexendo nas panelas, vendo o que tinha de tão cheiroso para aquela noite.
- Um pouco de fé nele, tudo bem? – O homem riu se escorando com os cotovelos na ilha e mordeu levemente a boca, esboçando um sorriso safado ao ver a roupa tão curta da esposa.
- Eu tenho fé que um dia ele acha a tampa dele. – riu, ouvindo o marido rir junto. – Nossa, amor, essa massa está com uma cara muito boa.
- Um dia quem sabe. – deu de ombros sobre o amigo arranjar alguém na vida. – Está mesmo, boa demais. – Ele abriu ainda mais o sorriso lascivo ao vê-la se esticar para ver as panelas e o short mostrar mais da bunda.
- Eu espero que logo. – rebateu em relação a e mexeu o molho com a colher de pau, em seguida dando um toque com ela melada na palma da mão. – Nossa, que delícia. – Ela disse ao provar do molho branco.
- Delícia mesmo! – O homem franziu levemente o cenho.
- Você comeu? – A garota perguntou meio confusa, ainda mexendo nas panelas.
- Algumas vezes. – mordeu a boca, prendendo uma leve risada, ainda se referindo a mulher e a viu endireitar a postura.
- Sério?
- Sério! – Ele segurou ainda mais a risada.
- Achei que era a primeira vez que você fazia. Como é o nome? – olhou confusa para ele, vendo a postura largada do homem que abrigava um sorriso de canto bem sem vergonha nos lábios rosados.
- Só se você tiver falando da comida. – Ele deu de ombros e a viu arregalar levemente os olhos por ter entendido, logo soltando uma risada espontânea.
- Nossa, amor! – A garota ainda rindo, colocou a mão no peito como se estivesse ofendida, o que nem de longe era verdade, já que ela sabia que era tão sem vergonha quanto ele. – Eu na inocência falando da comida e você com indecência.
- Muito prazer, . – Ele piscou todo galante, pegando a mão dela de forma delicada e depositando um beijo no dorso.
- . – A mulher piscou o fazendo rir e puxá-la contra o corpo, a beijando lentamente. Ela subiu as mãos pelas costas dele como se o apertasse ainda mais contra o próprio corpo, em busca de mais contato, mais calor e mais atrito ao ser prensada levemente na bancada.
- Vou pegar os pratos e você pega as taças. – passou lentamente o nariz no dela, ouvindo a mulher suspirar como se não suportasse o ar nos pulmões. – Hoje é dia de vinho. – Ele a mordeu levemente no lábio e piscou, sentindo a mulher dar uma amolecida.
- Eu já disse que eu te amo hoje? – Ela mordeu a própria boca e o ouviu rir alto. – Vou pegar as velas, nosso jantar hoje vai ser melhor do que em qualquer restaurante. – piscou e o viu pôr a mão no peito bem teatralmente.
- Eu também te amo, amor da minha vida. – Ele abriu um sorriso gigante e a beijou da forma mais apaixonada, fazendo a mulher sorrir bobamente. – Quem precisa de restaurante com uma mulher criativa dessas? – A pergunta saiu sem demora e a mulher fez uma pose.
- Restaurante é para os fracos, meu bem! – fez uma dancinha comemorativa, que foi acompanhada por e logo os dois se mexeram para pôr a mesa e de fato iniciar o jantar à luz de velas que, de uma forma ou de outra, era um pedido de desculpas dos dois lados.

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entrou no apartamento tão grande quanto uma casa popular naquela região, possesso pela recepção calorosa, mas nada agradável que teve logo na entrada da cidade, e ao ouvir o silêncio e a calmaria de estar sozinho, respirou fundo por, finalmente, estar em casa. Literalmente em casa, no Canadá, perto da família, dos amigos, perto de quem realmente lhe importava. Ele deixou a mochila levemente jogada em uma das poltronas, agradecendo por ao menos ter tido a ajuda dos para mandar limpar o apartamento antes que ele chegasse. O homem tirou o boné da cabeça e passou a mão pelos cabelos os bagunçando, coçou os olhos por debaixo dos óculos e seguiu na direção do pequeno corredor que dava para a suíte principal.
Primeiro ele tomaria um banho, daí pediria uma pizza e só depois ligaria avisando que tinha chegado, inclusive ao amigo da onça que o tinha trazido para aquele inferno. E as malas? Bom, elas poderiam esperar até a manhã seguinte para serem tiradas do carro. O se despiu ainda no quarto, deixando todas as roupas e metade do peso e do cansaço pra trás, mas logo adentrou o grande e cheiroso banheiro que seria seu dali em diante, na intenção de relaxar uma hora debaixo do chuveiro, pegou uma das toalhas enroladas em espiral em cima da bancada da pia e viu um bilhetinho cair.

“Seja bem-vindo, !
Espero que tenha gostado da arrumação do apartamento. Tentamos deixar a seu gosto!
e , Xx

Ps: Deixamos vários números importantes pregados na porta da geladeira!”

- Muito obrigado, , mas ainda quero matar seu marido. – Ele disse para o bilhete como se a garota pudesse ouvir e riu alto. – Espero que vocês tenham classificado alguma pizzaria como um número importante.

O homem coçou o peito olhando seu reflexo no enorme espelho que era quase do tamanho da bancada e percebeu o quanto estava acabado da viagem, e como se isso não bastasse, ainda tinha conseguido um prejuízo de, no mínimo, uns 300 dólares por causa de uma garota louca. Ótimas boas-vindas a cidade! Ele esfregou os olhos mais uma vez e suspirou se enfiando no box no segundo seguinte.
Depois de quase meia hora de um banho mais do que relaxante, o professor saiu do banheiro com apenas a toalha enrolada na cintura sentindo seu corpo consideravelmente mais leve e mais descansado, sabendo que apenas uma massagem deixaria tudo perfeito. Ele se deslocou até a sala, procurando o celular dentro da mochila, passou pela cozinha para ver os tais números, se dando conta de que o número da Pizzaria mais próxima não era um contato de emergência.

- Fajutos! – ralhou sobre a originalidade do sobrenome dos amigos e riu, sabendo que teria que pedir alguma coisa pelo aplicativo mesmo.

Ao voltar para o quarto, pedindo uma pizza de pepperoni no caminho, ele se jogou na grande cama de casal e procurou imediatamente a conversa com , era hora de xingá-lo até a morte e marcar o Hockey, onde seria sua vingança.

- Você é um amigo da onça! – O homem começou o áudio. – Quero deixar bem claro que minha recepção nessa cidade dos infernos não foi das melhores, eu mal pisei aqui e já vou ter que gastar, no mínimo, 300 dólares por que uma doida brecou me fazendo bater na traseira dela. Então eu acho muito bom você aproveitar sua última noite com pinto, , porque amanhã eu vou te capar, caralho! – suspirou passando a mão pelos cabelos molhados. – Eu vou te destroçar no Hockey! – Ele ameaçou, mesmo sabendo que sabia muito pouco das regras do jogo, mas joelheiras e um bastão já era o bastante para dar uma surra em , por mais que o amigo fosse fascinado pelo esporte e jogasse bem mais que ele. – Você não merece a mulher que tem, porra. Inclusive, agradece a Taty por ter ajudado com o apartamento. Até amanhã. – O áudio foi finalizado e o professor sabia que era hora de ligar para mãe.
Ele esperou o celular chamar três vezes e logo ouviu o som doce da voz de Lorraine.

- Oi querido! Como foi a viagem? Deu certo com o apartamento? Chegou bem? – Ela disparou uma enxurrada de perguntas o fazendo rir e se sentir o calouro chegando em Boston outra vez.
- Oi, mamãe! – Ele começou a responder as perguntas e a ouviu rir aliviada por ouvir sua voz. – A viagem foi um pouco cansativa, mas sim, deu tudo certo. Com o apartamento, também, os me ajudaram e eu só estou com um pouco de fome. – se largou um pouco mais na cama. – Acabei de tomar banho e liguei para te avisar.
- Se você não tivesse me avisado com dois dias de antecedência, eu tinha ido aí te fazer uma comida que presta, porque eu sei que você pediu uma pizza, ou qualquer coisa. – A mulher bufou como se reprovasse os hábitos alimentares do filho.
- Eu sei, eu sei, mas eu não sou mais uma criancinha, dona Lor! – O professor argumentou, mesmo que abrigasse um sorriso grato e bonito no rosto. – Eu só não queria que a senhora se preocupasse, agora vai ficar mais fácil, estamos bem pertinho um do outro.
- Você sempre vai ser minha criancinha, . E não tem mais desculpas para não vir aqui. – Ela disse astuta e ele soltou uma risada se dando por vencido. – Essa semana vou te ver e avaliar suas condições de vida. Já fez compras?
- Espero a sua maravilhosa visita, inclusive, estou com muita saudade! – Ele declarou com todo o seu coração, sabendo que a mãe tinha sorrido. – E não, mãe! Eu cheguei hoje, calma. Essa semana eu vou fazer as compras, prometo!
- Eu já disse que você precisa de uma mulher para pôr ordem na sua vida. – Ela bufou um tanto inconformada e o homem riu baixo ouvindo o interfone tocar.
- Não vamos entrar nesse assunto, mãe. Por favor. – Ele disse sentando na cama e ajeitando a toalha enrolada na cintura. – Minha pizza chegou, vou comer e dormir, depois nos falamos. Tudo bem
- Tudo bem, . Durma bem. Te amo! – A mulher disse e mandou um beijo, estalando o barulho com a boca.
- Você também, mãe! Mande um abraço e um beijo para o papai. Eu também amo vocês! – repetiu o barulho de beijo e logo eles desligaram o telefone.
O homem levantou da cama, se espreguiçou segurando a toalha para ela não cair de vez e foi atrás da carteira para pagar seu jantar.



Chapter 2

pegou a mala com todos os equipamentos, que iam de taco até as caneleiras, que ele usava pra jogar Hockey no gelo e fez uma careta ao sentir a lombar dar uma fisgada. Ah, ele ia matar pelo coro que tinha tomado, e como ia! O safado do amigo nem saber jogar sabia, mas tinha aproveitado do gelo escorregadio e da raiva pra derrubá-lo com violência sempre que achava necessário. Mas era muito filho da puta mesmo.
O homem sustentou o peso da mala de um lado e bateu a tampa do porta-malas da Land Cruiser 2018, vermelha escura, saindo da garagem na intenção de entrar logo em casa. Ele procurou o controle do portão no bolso da bolsa e depois que acionou, acenou para o vizinho novo que tinha chegado ali há duas semanas.

- Anjo! – o professor chamou assim que fechou a porta de casa, colocando a mochila em cima do sofá, se livrando do peso e se esticou.
- Oi, amor! – ele ouviu a resposta dela e se esticou um pouco mais, tentando se livrar da dor, mas nada que uma boa massagem da futura enfermeira não resolvesse. Aquela mulher sabia bem o que era fazer uma massagem e agradecia todos os dias a Deus por isso.
- Onde? – ele perguntou rindo, já caminhando para o quarto dos dois. Será que dava tempo de pegar ela ainda saindo do banho, ou já tinha saído?
- No quarto! – a voz estava lá, mas ela não. O homem fez uma careta confusa ao procurar por e não achar, deduzindo que ou estava no banheiro, ou no closet, já que as duas luzes estavam acesas e embora a vontade dele fosse de procurá-la, o cansaço incomodava mais. – Como foi lá? – ela perguntou mais uma vez.
- Péssimo! está endiabrado. – fez uma careta se livrando dos tênis e da camisa e mesmo que fosse levar ralhada por deixar espalhado no chão do quarto, era engraçado ver brava. – Eu estou quebrado! Quebrado! – o professor reclamou e se jogou na cama de casal ficando jogado por lá.
- Não, não, não! – a reclamação saiu indignada da boca da mulher, fazendo se mexer de lado para vê-la direito.

Ela estava arrumada? ia sair? De onde tinha surgido aquele vestido preto? fez uma careta confusa sem entender direito o porquê de toda a arrumação, já que os dois não tinham combinado de sair e se o jantar com seria no dia seguinte, na casa deles, inclusive. Nem aquilo explicava toda a arrumação da mulher, que estava dividida entre rir e querer matar o marido, segurando as sandálias de salto na mão.
- Sai da cama! Você tá suado, levanta daí! – sentou na borda da cama pra calçar as sandálias.
- Não consigo! Dói! – ele fez uma cara de choro exagerada e enrugou o nariz em uma careta. – Eu troco a roupa de cama. – suspirou a fazendo rir.
- O que ele fez com você? – a estudante sacudiu a cabeça de leve e levantou ajeitando o tubinho preto de gola alta no corpo.
- Tentou me matar! – o pró-reitor arregalou de leve os olhos dando convicção ao que dizia, mas imediatamente fez uma careta desconfiada. – Onde você vai?
- Os irmãos me ligaram. Rolêzinho de leve. – a mulher rebolou de leve fazendo o marido rir e riu junto. – Mas você deveria ir para o banho, querido. – ela foi na intenção de dar um tapa no pé dele, mas recuou com cara de nojo ao ver que estava de meia. Os dois riram alto. – te bateu muito? – perguntou com dó.
- Muito! E nem jogar hockey aquele tratante sabe! – o homem fez uma careta a vendo rir mais. – O que a raiva faz com uma pessoa, por Deus!
- Não dá pra acreditar que você apanhou do Nerd! – quem mandava naquela casa riu alto, principalmente da careta desgostosa dele. – Quer que eu fique? – ela fechou um dos olhos em uma careta.
- De jeito nenhum precisa ficar, eu vou sobreviver. – ele piscou a fazendo sorrir largamente, depois mandou beijo. – Ainda bem que a cidade é grande e ele nunca mais vai encontrar a garota, ou eu tinha que seriamente pensar em me mudar pro Alasca! – arregalou mais uma vez os olhos.
- Era uma opção! Mas eu não ia pro Alasca, não. – negou a todo fervor. – Amor, você um marra de homem desse tamanho apanhando do ! – ela gargalhou com a ideia de ter o marido apanhando do melhor amigo. – E você sabe a força que tem!
- Eu não apanhei do nerd! Foi do demônio que se apossou dele. – se esticou na cama e suspirou. – Noruega? Tanto faz, só precisa ser longe! – o homem deu mais uma opção.
- Gosto da Inglaterra! – a mulher mordeu a boca pensativa e os dois riram. – Não quer mesmo que eu fique? Eu ligo avisando que não dá pra mim hoje.
- Certeza absoluta! – ele sorriu encorajando – Vai sair com gente da sua idade, pra variar. – piscou a vendo a rolar os olhos com a insistência dele.
- Como estou? – deu uma rodadinha como se fosse uma modelo e parou com a mão na cintura.
- Linda! – homem abriu um sorriso bobo, com os olhos mais brilhantes. – Cuidado com os desocupados. – entortou de leve a boca a fazendo rir alto.
- Tomarei. Aliança afasta qualquer engraçadinho. – a mulher mostrou a mão esquerda com o anel grosso e brilhante, o professor sorriu mais. – Só que eu quero mais elogios! – ela abriu os braços. – Mais! Tá fraco, quero me sentir uma deusa! – ela fechou os olhos com uma pose bem plena que o fez rir alto e logo pigarrear.
- Maravilhosa! – ele gritou de olhos fechados tentando dar mais ênfase ao elogio. – Gostosa pra caralho! Aliás, de onde surgiu esse vestido? Mulher, que espetáculo! – colocou a mão no peito e soltou uma risada satisfeita.
- AGORA SIM! – a garota comemorou com um gritinho. – Obrigada, meu ego tá lá em cima! – tentou medir com a mão e o viu rir, depois chamá-la com um aceno e a mulher negou rindo, não ia correr o risco de ser agarrada pelo marido suado. – E esse vestido? Presente da minha sogra! – a mulher piscou.
- Mães não deviam tentar matar os filhos. Vou ter que conversar sério com a dona Louise sobre isso, porque definitivamente foi uma pancada na minha cara! – ele disse sofrido a fazendo rir.
- Eu adorei o vestido! – ela olhou para o próprio corpo.
- E você acha que eu não? Minha mãe tem bom gosto! Olha pra você, caramba, mulher! – suspirou a fazendo rir alto. – Vem cá!
- Não quer mesmo ir? – ela mordeu a boca, andando devagar até ele e viu o marido negar de leve com a cabeça, ainda que continuasse a chamando com a mão.
- Obrigado, mas hoje não, anjo. Estou bem, aqui! – riu baixo assim que a esposa sentou na borda da cama do lado dele.
- Quando eu chegar te faço uma massagem. Pode ser? – ela sorriu e piscou pra ele, o vendo abrir um sorriso satisfeito. – Tem remédio pra dor muscular no armário. Não chego muito tarde.

perguntou ainda preocupada com a situação do marido e ele riu largamente, depois puxou o rosto dela de forma delicada, dando um beijinho sugado que fez a mulher morder a boca um pouco afetada pelo gesto.
- Vai lá se divertir com seus amigos. – piscou e deu um beijo sugado no queixo dela, fazendo a mulher suspirar.
- Isso é maldade. – ela soltou uma risada morta, se deixando levar pelo jeito que a língua dele se movimentava beijando sua mandíbula e logo estaria no pescoço, a fazendo deixar o ar dos pulmões escapar entre os lábios, em um vacilo que a fez ser derrubada na cama em questão de segundos, se dando conta apenas quando lhe prendia ao colchão estando entre suas pernas quase dobradas na cintura dele. – Amor! – o gritinho saiu esganiçado, enquanto ela sentia os beijos seguirem molhados em seu pescoço. – Você disse que queria que eu fosse.
- Agora eu estou começando a querer mudar de ideia. – o pró-reitor mordeu a orelha dela, que junto ao aperto na cintura a fez arfar, arrepiando por inteiro, enquanto apertava os ombros dele. – Quero te prender aqui e te despir inteira. – levantou o vestido dela pra cima do quadril e ouviu a esposa soltar um grunhido de protesto ao pressionar o corpo ao dela.
Logo o interfone tocou, a fazendo voltar a realidade.
- Os irmãos ! Eles vieram me buscar. – a mulher riu da frustração de bem estampada na cara, principalmente porque o homem sabia que ela precisava sair com os amigos. – Me solta! – os dois riram.
- Céus, eu não sei se mato, ou agradeço aos irmãos . – o homem riu e se apoiou na cama pra levantar, sentou e esticou a mão pra na intenção de ajudar e ela prontamente segurou, sendo levantada.
- Vamos, você precisa conhecer o Danny! – ela soltou um gritinho animado, levantando da cama e ouviu o marido rir encantado. – Ele vai morrer quando souber e me xingar horrores, isso se a não já disse. – ajeitou o vestido preto no corpo e sentiu uma apertada de leve na bunda. – Ai!
- Gostosa! – piscou e viu a mulher rolar os olhos.
- Vem logo. – ela chamou saindo do quarto e ouviu a risada morta do homem.
- Estou indo, anjo, estou indo! – o homem se esticou e levantou se arrastando, ouvindo-a reclamar que ele tinha que ir logo antes que os três se atrasassem, o fazendo rir com euforia da mulher ao ver os dois amigos.
- Danny! – o gritinho eufórico dela foi completado quando a garota o abraçou pelo pescoço como se não o visse há décadas.
- ! – o homem disse com a mesma animação, apertando a amiga no abraço, pouco ligando pra se estava gostando daquilo ou não. – Que saudade! Você sumiu, sua vaca! – os três riram.
- Ela casou, é diferente. – disse no deboche e ganhou uma cutucada da amiga. – ! – ela acenou de longe para o possível mais novo amigo e o homem acenou de volta, já chegando perto da porta.
- Ei, , tudo certo? – ele perguntou, rindo das brincadeiras da esposa e do amigo. – Daniel, certo?
- Sim, sim! – o mais velho irmão dos sorriu esticando a mão quando esmagou a amiga em um abraço. – Daniel.
- Prazer, ! – o outro sorriu e apertou a mão dele como cumprimento.
- Meu marido! – a mulher disse com um sorriso imenso, ainda abraçada com a amiga. – Pra você que não conhece, Daniel . – ela mostrou o homem quebrado depois de um jogo errado de hockey. – , meu marido!
- Amostrada que só ela! – o advogado praguejou fazendo os três rirem alto. – Vamos?
- Sim, claro! – a estudante de enfermagem disse em um sobressalto e soltou , na intenção de se despedir do marido. – Tchau, não volto muito tarde. – ela riu e foi abraçada pela cintura com um dos braços dele.
- Tudo bem, não se preocupa com isso! – piscou e deu um beijinho leve na mulher, sendo apertado com força no abraço e depois solto. – Boa noite pra vocês! – o professor disse com um sorriso animado.
- Boa, amor! Até mais tarde! – roubou mais um beijo e, finalmente, soltou o homem de verdade, sendo arrastada pelos amigos pra bem longe da porta, ou eles não aproveitariam a noite.
- Divirtam-se! – gritou rindo com a postura dos três e ouviu risadas combinadas a resmungos de agradecimento.

Ele passou a mão no cabelo e soltou um suspiro ao fechar a porta, começando a se arrepender de ter recusado a proposta da massagem de , mas riu baixo ao saber que ela precisava sim sair e se divertir com os amigos, como ele fazia quando tinha aquela idade, principalmente quando o homem carregava o peso de ter tirado a juventude dela, mesmo que a mulher sempre argumentasse que não, aquilo nem de longe tinha acontecido. se esticou e seguiu para o banheiro na intenção de tomar um banho quente e cair na cama.

-x-x-x-

, Daniel e entraram no Ray’s Bar, um pub bastante conhecido na cidade, chegando até mesmo a ganhar prêmios de reconhecimento em revistas de tiragem local, rindo de uma brincadeira qualquer feita pelo irmão da estudante de administração e dos caras já bêbados que faziam brincadeirinhas idiotas, mas achando que estavam arrasando. Os três seguiram para o balcão do local, de design típico dos tradicionais pubs ingleses e produzido em madeira escura. Atrás do móvel ficavam expostas as bebidas, dos mais variados tipos. sentou no canto esquerdo, enquanto ocupou o canto direito, deixando o único homem do grupo sentando entre elas. Depois de alguns momentos de conversa, os três amigos optaram por começar a noite de forma mais leve, por isso cada um pediu uma garrafinha de cerveja para o barman que já mostrava suas habilidades preparando os drinks requisitados a quem quisesse ver.

-, você tem certeza que o não é gay? Tipo, absoluta? – Dan perguntou curioso, depois de dar um pequeno gole em sua bebida, fazendo a irmã quase engasgar por prender a risada e o encarar os olhos arregalados.
- É o quê, Daniel? – A futura enfermeira perguntou, indignada com a pergunta do amigo. O marido dela, gay? De jeito nenhum!
- Gay! – O advogado linha dura com os patrões que não respeitavam os direitos de seus empregados insistiu em sua pergunta, bastante convicto. – Eu tinha certeza que ele era!
- Claro que ele não é! – esganiçou, deixando sua voz em um fio, soando altamente chocada e arrancando risadas altas dos irmãos . – Eu lá tenho vocação para mulher mal comida? – A morena dos cabelos cacheados transformou sua feição em uma careta. – Eu sei que dá uma pinta gigante nas paradinhas em pé, mas não! Ou se era, deixou de ser! – deu de ombros, em uma postura bem convencida, fazendo Daniel e rirem alto.
- Que desperdício, senhor! – Daniel soltou um gritinho que poderia ser classificado como afetado e colocou a mão no peito, como se estivesse profundamente triste com o fato de o pró-reitor e dinossauro gato da genética não compartilhar de sua orientação sexual. Mas, na verdade, era tudo brincadeira, o advogado estava muito feliz em ver sua amiga tão feliz ao lado de um cara que parecia ser tão legal e tratar de forma tão apaixonada, segundo o que havia descrito a ele.
- Para, bicha! Você é comprometido! – desferiu um tapa fraco no ombro de Danny, e realmente poderia se pensar que ela estava realmente brava com o amigo, se não fosse o rosto vermelho causado pelas risadas que a garota soltava.
- Comprometido sim, cego não! – O homem piscou, com uma cara extremamente safada e exagerada, e deu de ombros, bebendo mais um pequeno gole de sua cerveja.
- Eu também achei que fosse! – A Mrs. riu sobre o fato de ela também ter acreditado na possibilidade de ser gay antes de eles se conhecerem de fato. – Por isso procurei para orientar meu projeto, assim eu não ia ser alvo de assedio.
- E terminou casada com o cara. – Os irmãos responderam juntos. riu, balançando a cabeça em negação. Depois colocou um sorriso bobo no rosto. Definitivamente, era uma das melhores coisas que tinham aparecido em sua vida.
- Todo mundo no mundo tem a ideia de que o é gay, convenhamos.- declarou, extremamente convicta, como se estivesse falando que o céu é azul.
- Coitado do meu marido sensível e incompreendido! – riu, defendendo o jeito do marido de agir e se portar.
- Ele é biólogo, não escritor, te fecha. – rebateu, rolando os olhos.
- Vai te catar! – esticou-se para cutucar a amiga no braço, como se a estivesse empurrando, mas apenas conseguiu que a outra caísse na gargalhada. - Uma pena ele não querer vir. – A estudante de enfermagem fez um biquinho.
- Negativo, meu noivo não está aqui, eu que não ia segurar vela. – Daniel rebateu, se ajeitando no banco e esperando o grito que com certeza viria pelo que ele tinha acabado de jogar na conversa.
- Você não ia segurar vela! – rolou os olhos, para em seguida os arregalar, aliás, quase fazendo eles pularem de seu rosto. - COMO ASSIM NOIVO, DANIEL? Até meses atrás eu ouvi muito a palavra namorado. Mas noivo? SOCORRO!
- Socorro nada, bicha! – Daniel riu alto do ataque histérico da amiga, mas no fundo se encontrava muito feliz de finalmente ter contado sobre a decisão importante que tinha tomado para uma das pessoas mais importantes de sua vida.
- Socorro sim! Ele me jogou a bomba assim, do nada! Eu quase bato o carro que já estava batido! – respondeu, esganiçada. Danny riu alto e abraçou de lado, a sacodindo de leve e fazendo com que a irmã soltasse uma gargalhada estrondosa, que se eles estivessem em outro ambiente, seria motivo de vergonha para a garota.
- Isso não se faz, Daniel! – riu, nem ao menos conseguindo fingir uma bronca no mais velhos dos irmãos .
- Se faz sim! E a emoção? Tem que ter! – Daniel riu, dando de ombros e abraçou a irmã de lado, que o encarou e deu uma rolada de olhos tão grande que com certeza a garota tinha visto seu cérebro e o chamou de desnecessário com a maior cara de tédio possível.
- Mas, , me diz! Quem foi o estressadinho do trânsito? – perguntou para a amiga, mostrando um interesse que na verdade ela não tinha, já que ela sabia perfeitamente bem de quem se tratava. E que ironia do destino, hein? Logo ? A estudante de enfermagem estava preocupada e ansiosa com os próximos acontecimentos na mesma proporção.
- Um panaca que se achou o dono da droga da verdade! – exclamou brava. Só de lembrar do acontecido, ela já sentia o rosto esquentar de raiva.
- Shi, ele atiçou a raiva dela! – zoou. – Era bonito pelo menos? – A pergunta foi o que bastou para bufar e soltar um muxoxo frustrado e colocar uma expressão quase de choro no rosto.
- Infelizmente! Sério, virou carma na minha vida já!
- Você e sua sorte! – riu alto, zoando a histórica e conhecida falta de sorte em relacionamentos da melhor amiga.
- Coisa linda, né? Até me emociona! – ironizou a sua condição, rindo, e balançou a cabeça em negação. Era melhor não pensar nisso, nada mudaria mesmo. – Mas deixa, foca no Daniel e no Joe!
- Foca no OTP! – As duas moças trocaram um high five, enquanto Daniel ria alto. A quase enfermeira girou o corpo em direção ao homem do grupo, para o encarar com os olhos bem brilhantes.
- Vocês estão noivos! – soltou um gritinho fino, batendo as mãos, bastante empolgada com a notícia do casamento de Daniel e Joe Smith.
- Estamos! – Daniel sorriu largamente, mas depois colocou uma feição sapeca no rosto. - Só que ele ainda não sabe.
- Isso vai ser nenhum problema, irmãozinho, vocês são o melhor casal do mundo! Ele vai aceitar antes mesmo de você terminar de pedir! – A mais nova dos riu, esticando-se para depositar um beijo estalado no rosto do irmão.
- Espero que sim, . Ainda mais agora que a gente está organizando os papeis para adoção.
- É O QUÊ, DANIEL BENJAMIN ? – As duas garotas gritaram, arregalando os olhos de forma que poderia até mesmo ser considerada perigosa para a saúde ocular das duas. E para completar, projetou o corpo para frente, ficando quase em cima do irmão e o encarava em completo choque, como se o homem tivesse acabado de dizer que era um alienígena ou algo parecido.
- Ops? – Daniel riu e depois respirou fundo, colocando um sorriso gigante no rosto, pronto para contar o que ele e o futuro marido vinham planejando há alguns meses. – Pois é, isso mesmo. Nós já morávamos juntos em Atlanta, ele vai vir daqui uns dias para cá e quando o meu caso aqui acabar, a gente volta para casa. A gente se ama, sabe que quer ficar juntos o Joe ama crianças e eu estou aprendendo a gostar também. Então... por que não?
- AH, MEU DEUS, EU VOU SER TIA! EU VOU SER TIA! – exclamou, transbordando animação, enquanto fazia uma pequena dancinha no banco alto onde estava sentada. Daniel riu alto e esmagou a irmã em um abraço de urso.
- Vai sim, maninha! Tia ! – Dan respondeu, visivelmente emocionado. Como advogado, ele tinha plena certeza de que o processo seria bastante longo e burocrático, mas o rapaz não via a hora de ser pai, de ser chamado de pai. Com certeza a maior alegria da vida do casal estava a caminho!
- Agora mais do que nunca esse casamento precisa sair logo! – soltou um gritinho animado e empolgado. - Já planejou alguma coisa? – A moça perguntou, após dar um gole em sua bebida.
- Tudo que eu penso, não está à altura! – Daniel suspirou, frustrado por não ter ainda encontrado uma forma de dizer ao namorado que queria passar o resto da vida com ele.
- Grita no meio da rua! Faz um movimento! Escreve na pista! Grava um vídeo pra MTV! – parecia extremamente empolgada com as opções, ainda mais empolgada do que se o pedido fosse para ela mesma. Talvez fosse pelo fato de o pedido que fez ter sido bastante intimista. Romântico sim, pois essa era uma das características mais fortes em , mas simples. – Porque o meu pedido foi lindo, porém abafado.
- Eu duvido que a MTV ia passar e eu não estou afim de ser preso ou internado na ala psiquiátrica de um hospital por gritar no meio da rua! – Daniel riu, balançando a cabeça em negação. As ideias não eram ruins, de forma alguma, mas ele não se via fazendo nenhuma daquelas coisas que havia sugerido. – Conta! Conta! Conta! O que o Mr. fez?
- Não tem o que contar! – riu. - A mãe dele queria ver o diabo e não queria ver minha cara. E depois de um almoço dos dois que eu usei do bom senso e nem apareci. me chega em casa com um par de alianças.
- é romântico? Uau, por essa eu não esperava! – Daniel arregalou os olhos, bem impressionado com o que havia falado. Era bem visível que não fazia o tipo ogro, mas se mostrar tão atencioso era uma novidade. Uma ótima novidade, diga-se de passagem.
- Romântico? Meu amor, aquele homem consegue ser mais apaixonado do que meu pai pela minha mãe! Segunda prova de loucura foi ele aparecer na casa dos meus pais na chuva para dizer que não ia fugir. Primeiro dia de casamento ele encheu a cama de pétalas de rosa e por aí vai. – sorriu largo, lembrando de o quanto ela se considerava sortuda por ter um homem tão incrível quanto fazendo todas aquelas coisas lindas por ela, para mostrar a importância dela em sua vida. sem sombra de dúvidas era um em um milhão.
- Deus! Coisa linda! Preciso de umas dicas com esse homem, sério! – Daniel quase gritou, com as mãos no peito e os olhos tão brilhantes que quase se podiam ver corações saindo deles.
- Às ordens! Meu marido é muito maravilhoso mesmo. – fez pose, rindo. – Mas volta para o seu casamento. Não gostou de nenhuma sugestão? – Ela riu e viu Daniel dar de ombros, depois rir com uma careta engraçada. – Tudo bem, vamos ver.... um flashmob* pode ser legal. deu de ombros. - No estacionamento de algum lugar.
- MEU DEUS! – Daniel gritou, do nada, com os olhos completamente arregalados. Era isso! Era simplesmente perfeito!
- QUE FOI? – se assustou, colocando a mão no peito, com o coração batendo acelerado.
- Você é genial, sabia? Total! Um flashmob é a opção perfeita! É simplesmente muito a nossa cara! – Daniel gritou, completamente feliz. Muito feliz! Ele segurou o rosto de com as duas mãos e beijou sua bochecha, mostrando o quanto estava agradecido pela ideia ótima que a amiga havia lhe dado. A futura enfermeira gritou, feliz por sua ideia ter sido bem recebida pelo homem.
- Então teremos um flashmob lindo! – A garota comemorou, fazendo uma breve dancinha animada.
- Essa conversa só comprova minha teoria: os homens decentes do mundo foram para nossa mãe, para o Danny e para . Acabou a cota. – exclamou, como se tivesse feito com descoberta incrível, mas muito óbvia.
- Daniel, bate nela que você está mais perto? – pediu, rolando os olhos, se mostrando cansada com a negatividade de . Ok, o azar dela para relacionamentos era grande? Com certeza, mas injustiça achar que o destino era o único responsável.
- Ninguém tem culpa se você está procurando nos lugares errados, 2! – Dan declarou, como se ele fosse à voz da razão, o guru casamenteiro do mundo.
- Exatamente! É difícil achar homem que queria mais do que sexo em festa! – reforçou.
- Então me diz qual o lugar certo, 1. – riu, completamente convencida de que não tinha mais jeito, o cara certo para ela não existia.
- E eu vou saber? Cada um tem o seu. O meu foi um escritório de advocacia, o da foi a Universidade.... O seu pode ser até no meio da rua. – Daniel riu, dando de ombros e depois colocou a mão em cima do ombro da irmã e suspirou. - Na hora certa ele vai chegar, ! É sempre diferente para todo mundo!
- Existiram três homens decentes no mundo.... – recomeçou sua “teoria”, mas logo sua fala foi cortada por .
- Nós dois ainda vamos fazer você engolir tudo isso! – A garota apontou para si e depois para Daniel. – O cara vai aparecer! Confia em mim!
- Você é enfermeira e a bicha aí é advogado, ninguém é engenheiro para construir um robô! – debochou, piscando um olho.
- Você não precisa de um robô. Precisa de um safado exclusivo, apenas! – decretou, como se estivesse falando a coisa mais normal do mundo.
- Doida! – gritou, rindo alto da fala proferida pela amiga. Ela só podia estar louca. Doidinha!
- Realista! – O uníssono de e Daniel se fez presente. E para reforçar a veracidade das palavras, os dois apontaram para a estudante de administração, que deu de ombros e levantou as mãos em rendição.
- Mas e o seu casamento, moça? – Daniel perguntou para rindo, procurando uma forma de acabar com o assunto que aumentava a teimosia de sua irmã em 300%, pegando um petisco que havia pedido ao barman e o comendo.
- Não fala de gasto perto de mim. – fez careta desgostosa, roubando um amendoim do pratinho do amigo. – Acho que só depois da faculdade.
- E isso é quando? – O advogado trabalhista perguntou, bebendo um gole do drink. Ele sabia que sua irmã era um pouco mais velha que , mas não se recordava exatamente quanto tempo.
- Em dois anos. – fez careta, levantando dois dedos. – Não sei. já me enche o saco por filho, se essa criança vem, demora mais o casamento.
- PADRINHO! MADRINHA! – Os irmãos gritaram de uma fez, fazendo se assustar por um momento, mas logo gargalhar alto.
- Eu não tenho vocação para mãe. Baixa o fogo! Está bom demais meu casamento como está. Obrigada!
- Então padrinhos de casamento! , você nos deve isso! É o mínimo. – Daniel apontou para , fingindo ainda estar chateado com o fato de a melhor amiga de ter escondido seu relacionamento com pró-reitor durante tanto tempo.
- Eu aceito ser madrinha do que vier. – deu de ombros, puxando o prato de petiscos para perto, procurando algo que não fizesse parte do grupo das castanhas. Tudo que ela não precisava no momento para atacar sua alergia alimentar.
- Vão ser! Minhas daminhas de honra! – Os três riram. chamou o barman com um aceno de mão. Quando ele se aproximou, a mulher pediu três tequilas e distribuiu os copinhos enchidos com o líquido até a borda para os amigos. A estudante de enfermagem ergueu o próprio copinho, propondo um brinde. – Aos meus padrinhos!
- Vão só ter que dividir o palco com o . Mas eu resolvo com o ! – confirmou, ouvindo bufar audivelmente. rolou os olhos claros. Até quando ia durar essa implicância de com ?
- Esse cara vai me perseguir até no seu casamento, ? – rolou os olhos e viu a melhor amiga fazer a maior cara de ‘ops’ existente. – Ops nada. Sacanagem isso aí, viu? – Ela rolou os olhos, teatralmente.
- O que você quer que eu faça? – bufou. – - Ele é melhor migo do Pie há mais tempo que minha vida! Ele é tipo, meu cunhado!
- Gente, o homem é um fóssil então! – riu, zoando o fato de o marido da amiga ser bem mais velho que a própria.
- EI! Meu marido não é velho! – esganiçou. – Ele tem 38 e tem 37!
- Não são exatamente novos! – ponderou e meneou a mão, como se aquilo não importasse.
- Posso ser sincera? Prefiro velho! tem mais vigor que certos novinhos e ainda é um príncipe!
- Concordo completamente, os mais velhos são melhores! – Daniel declarou, convicto. E bom, ele entende bem da questão, visto que Joe é uns bons seis ou sete anos mais velho.
- Então partiu achar um coroa? – riu, zoando. Ela não se via com um homem mais velho, nunca tinha tido essa experiência na vida e não tinha certeza se aquilo era para ela.
- Acha um coroa, garanto que você vai adorar os detalhes, todos eles! – sorriu travessa, com a maior cara de safada possível.
- Sem detalhes, por favor! Obrigada! – fez careta, estando com o rosto quase verde. Isso lá era assunto para ser compartilhado, ?
Assim que falou, um dos atendentes do bar se aproximou do trio, trazendo três drinks em uma bandeja de metal.
- Boa noite. Os rapazes daquela mesa pediram para entregar. – O moço informou bem simpático, apontando para uma mesa mais no fundo do bar e distribuindo as bebidas entre o trio de amigos. Eles agradeceram com sorrisos educados e simpáticos.
- Que mesa foi mesmo? – perguntou, bebendo um gole do drink de cor vermelha e com sabor morango com um toque de limão e se virando discretamente na cadeira, para localizar exatamente qual era a mesa da qual o atendente falou e também os responsáveis pelo singelo presente.
- Aqueles lindinhos! – apontou discretamente para uma mesa bem ao fundo do bar, onde estavam três caras. Um moreno, um loiro e um ruivo, que ao verem a garota os observando, sorriram educados e acenaram.
- Opa! Bem bonitinhos mesmo! – concordou, rindo e fez o irmão rir alto.
- São todos seus! – Daniel cutucou a irmã, rindo. Ele tinha achado os caras interessantes? Tinha. No passado ele não pensaria duas vezes antes de investir na noite? Com certeza. Mas isso era passado e agora ele não conseguia pensar em outra coisa que não fosse passar o resto de sua vida com o futuro noivo.
- Qual vocês acham? – perguntou a opinião dos amigos, que sempre se mostravam certeiras, ao mesmo tempo em que analisava discretamente as opções para aquela noite que tinha tudo para ser muito boa e que estava apenas começando.
- O loiro tem cara de que é legal e provavelmente vai te deixar em casa depois. – Daniel pontuou e apontou para o irmão, como se quisesse dizer que aquele era um ponto muito importante. E realmente era, ela não voltaria sozinha para casa no meio da madrugada. De jeito nenhum! – Mas não gostei da cara do moreno, muito mal-encarado.
- O ruivo está de olho no Dan! – riu, fazendo os outros dois olhares para o homem que claramente só faltava engolir o advogado com os olhos. - O de olhos claros é gato! Pode ser. – A futura enfermeira avaliou, concordando com o cara que Daniel apontou ser a melhor opção para a irmã.
- Vai lá, mas mantém esse celular ligado, me liga qualquer coisa. – Daniel pediu sério. A proteção que ele tinha com a irmã era bem forte e não mudaria nunca.
- Sempre, maninho! Qualquer coisa você coloca a polícia atrás de mim – brincou, rindo e piscou. Mas por trás da brincadeira, todos sabiam que ela falava sério. Qualquer coisa, ela recorreria ao irmão na hora, sem pensar duas vezes.
- Eu mesmo vou! – Daniel garantiu, fazendo a irmã rir.
- Melhor irmão! – A quase administradora riu, apertando as bochechas do irmão na brincadeira.
- Construam uma estátua para mim! – Daniel exclamou, na maior pose convencido de todos os tempos.
- Convencido! – acusou, rindo.
- Realista! – Daniel rebateu, também rindo, e beijou a cabeça da irmã.
- Ok, vou lá! Beijos, até depois. Me desejem sorte! – se despediu, mandando beijos alados para o irmão e para a melhor amiga e recebendo a mesma despedida e desejos de boa sorte. Antes de se afastar completamente, ouviu pedir mais uma rodada de petiscos ao barman e convidar Daniel e Joe para a calourada organizada pela Enfermagem que aconteceria dali alguns dias.

* São aglomerações instantâneas de pessoas em certo lugar para realizar uma ação inusitada previamente combinada, estas se dispersando tão rapidamente quanto se reuniram.


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acordou e espreguiçando sentiu um corpo a mais na cama. Fez uma careta e quando estava pronta pra empurrar Daniel, ela lembrou que não tinha dormido em casa, na verdade, sequer ela tinha dormido aquela noite. A mulher riu de forma inaudível, sacudindo a cabeça e suspirou sentindo seu corpo entrar em um estado de relaxamento. A estudante de administração virou de lado e deu de cara com costas largas, mas que de certa forma, pertenciam a um cara mais franzino. Como era mesmo o nome dele? Bob? Tobby? Cody? Não, não, nada daquilo, era Jace! Um cara de olhos encantadores e que sabia muito bem o que fazer pra ocupar uma noite. Ah, merda! Noite? Ela estava mais do que ferrada, já não bastava acordar na cama do cara, ela ainda precisava cair na real de que não tinha dormido em casa. Daniel iria lhe matar a golpes de faca.
Imediatamente a mulher levantou da cama, sem ligar muito pra se ia acordar o mais novo amigo ou não. Procurou pelas roupas no chão do quarto grande e começou vestir a calça pulando pra enfiar a perna no lugar certo. A mulher chutou um pequeno pacote de camisinha sem querer e mais uma vez se deu conta da importância de nunca transar sem proteção e do quanto já tinha sido questionada o porquê de não usar um anticoncepcional. Não era mais fácil? Com certeza, mas bem menos seguro. Não era apenas uma gravidez que ela queria evitar, certas doenças também. Então se era pra viver com qualidade, que transasse usando camisinha e se o cara recusasse, quem perdia o sexo era ele.

-? – ela ouviu a voz rouca do loiro e deu um sorriso de gases.
- Jace... – ela respondeu vestindo a blusa e pegando os saltos no chão, se preparou pra responder a pergunta silenciosa dele sobre a pressa dela. – Eu não ia dormir fora de casa, mas deu errado.
- Você precisa ir? – o rapaz perguntou em um tom divertido, também procurando as próprias roupas no chão.
- Exatamente! – ela riu junto enquanto calçava os saltos. – Mas foi um prazer te conhecer, Jace. – piscou.
- Da mesma forma, . Posso pedir seu telefone? – o homem perguntou interessado em mais noites daquelas e a viu fazer uma careta pensativa. – Digo, pra quem sabe tomar uma cerveja vez ou outra. – ele deu de ombros.
- Claro! – a morena deu um sorriso sedutor, abaixou perto do criado mudo e rabiscou rapidamente o número em um pedaço de papel. – Até outra hora, Jace.
- Até! Quer que eu te leve? – ele ofereceu carona, enquanto abotoava a calça, sendo simpático com quem tinha feito sua noite tão animada.
- Ah, não, não precisa. Pego um táxi. – a garota sorriu e saiu pela porta do quarto, observando mais uma vez o quão bonita era a casa do rapaz. Na verdade, ele também era bem bonito e sabia muito bem como agradar uma mulher. Quem sabe não seria interessante repetir mais algumas vezes uma noite daquelas? Ela não reclamaria nenhum pingo, desde que ele não se apagasse.

passou pela porta da frente e a fechou com cuidado em seguida, ele com certeza parecia morar sozinho e aquele só era mais um atrativo pra que mais encontros acontecessem. Ela saiu pelo pequeno caminho de ladrilhos até a calçada plana do bairro residencial e tirou o celular do bolso, ligando de imediato pra Daniel, pouco se importando se ele estava em seu décimo terceiro sono, ou não, enquanto descia a rua pra ficar melhor do irmão ir lhe buscar.

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O domingo havia começado se arrastando e depois de passar o dia todo enfurnados no quarto, se espreguiçou em meio aos protestos de para que ela permanecesse na cama, e levantou pra tomar um banho, tentando melhorar sua remanescente ressaca que havia incomodado bastante durante o período da manhã. Mas depois de conseguir se sentir nova outra vez com a água fria, ela o empurrou para debaixo do chuveiro, afinal iria jantar com eles e logo chegaria pra completar a bagunça.
enxugou o cabelo com uma das toalhas dispostas no suporte e após enrolar outra na cintura, se arrastou pra dentro do quarto, sentando na cama como se esperasse pela coragem, ou que o banho fizesse o mesmo efeito que tinha feito em . O pró-reitor sentou na borda da cama um pouco largado e sorriu ao ouvir o barulho dos cantarolados da esposa que parecia bem entretida dentro do closet.

- Melhorou da tontura? – perguntou passando a mão no cabelo molhado do banho.
- Melhorei! – falou do closet em um tom mais alto. – Findei bebendo um pouco demais com o Daniel ontem. – ela disse e o marido riu baixo, sacudindo de leve a cabeça.
- Vocês só aprontam. – o homem se escorou nos braços, que estavam um pouco esticados pra trás e apoiados na cama, vendo a mulher dar de ombros, entrando em seu campo de visão ao mesmo tempo em que despertava nele um sorriso.
- Acho que te devo uma massagem de ontem. Cheguei um pouco zoada do pub. – balançou o tubo de hidratante e viu o sorriso do marido se alargar ainda mais.
- Um pouco? – o homem jogou a cabeça pra trás em uma gargalhada. – Você estava toda soltinha. – mordeu a boca esboçando sua maior expressão de safadeza e ouviu a risada dela.
- Eu lembro bem o que eu fiz, ! – a frase saiu divertida e consciente. – E eu sou solta! – apontou balançando de leve o quadril e os dois riram.
- Ainda bem. Graças a Deus! Sério, valeu aí, Deus, mandou a mulher certa! Grau de safadeza certo! – o professor ergueu as mãos pro teto, ganhando um leve tapa no ombro em protesto.
- Idiota! – ela riu e arrancou uma risada dele. suspirou tentando relaxar o corpo e repousou uma das mãos na cintura da esposa.
- Sério, anjo, eu amo esse seu jeito. Céus, mulher, você é tão maravilhosa que eu nem consigo definir em palavras. – ele sorriu feito um bobo.

Ela mordeu a boca, prendendo um sorriso completamente libertino e depois de jogar o tubo de hidratante na cama, se apoiou nos ombros do marido, sentando vagarosamente no colo dele, construída em uma provocação que o fez suspirar audivelmente, só pela insinuação do que estava por vir. abriu um sorriso travesso e logo enfiou o rosto no pescoço dele, começando a beija-lo ladinamente, enquanto subia as unhas pelos braços do marido, sentindo tanto o próprio corpo, como o corpo do pró-reitor reagir, à medida que ele apertava com força o corpo dela com as mãos.

- Anjo, meu coração é fraco. – ele grunhiu sofrido pelas mordidas que seu pescoço estava recebendo.
-Não é não, tá bombeando o sangue direitinho. – mordeu o ombro dele e rebolou vagarosamente, ouvindo o marido gemer e seu corpo arrepiar até o ultimo fio de cabelo com o som grosso e sofrido.

O rosto de foi segurado com as duas mãos dela, e antes que o homem pudesse ser beijado, as batidas ininterruptas na porta da casa, que acompanhados de um celular filho da puta que tocava como se não houvesse amanhã e o interfone, os fizeram suspirar frustrados.
- A gente combinou com alguém? – perguntou, enquanto descia as mãos pela cintura dela.
- Não sei... – o suspiro de foi quase suplicante. – Acho que pode ser o . – a mulher passou a mão no rosto, fazendo o marido parar de repente.
- É aquele tapado! – o homem passou a mão na cara, deixando o corpo cair de uma vez na cama como se estivesse exausto, quando na verdade, ele estava frustrado.
- É o ! – a estudante de enfermagem soltou um gritinho animado, como se o melhor amigo do marido fosse uma espécie de irmão mais velho e logo deu um beijinho em , pulando fora do colo dele em seguida.

viu a mulher correr pra fora do quarto em uma velocidade imensa, assim como a felicidade de rever um amigo de longa data e bufou passando a mão na cara. Ele não sabia se agradecia por os dois se darem tão bem, ou se matava por interromper um momento crucial. Ele levantou o corpo, se escorando nos cotovelos e ao olhar pra sua situação bem visível entre as pernas, se jogou mais uma vez na cama.

- Filho da puta! – passou a mão no cabelo e em um lapso, lembrou que estava só com uma camisa sua. – ANJO! – ele chamou um pouco desesperado. – Você está só de blusa! – o homem completou na hora em que ela entrou as gargalhadas no quarto.
- Percebi no meio do caminho! – a garota riu, correndo pro closet pra vestir um short. – Vai lá abrir pro !
- Não tem outro jeito mesmo. – ele rolou os olhos e levantou da cama, ajeitando a toalha na cintura, pouco ligando se ia dar na cara o que ele estava fazendo.
- Ah não, amor, para com isso. Foi você quem chamou ele pra vir. – disse rindo do entojo do marido.
- Eu sei, anjo. – o homem passou a mão no cabelo. – Eu vou lá abrir a porta! – ele apontou e saiu a passos rápidos pra fora do quarto, enquanto ouvia o padrão das batidas do amigo na porta. – JÁ VAI! – gritou na intenção de fazê-lo parar com aquilo, o que só causou o contrário.

O homem abriu a porta de uma vez, encontrando o amigo com uma expressão de criança travessa, daquelas que tocavam a campainha e corriam bairro a fora pra não ser pego, um sorriso inocente que não enganava a ninguém, mas que foi mudado por pra uma sobrancelha arqueada, ao ver a situação do amigo e logo uma gargalhada.

- Ri mesmo, safado! – xingou rindo e cumprimentou o amigo com um aperto de mão, antes de ouvir o grito animado da esposa.
- ! – abraçou o amigo que há tempos não via e ele a abraçou de volta com a mesma intensidade.
- ! Que saudade de você, menina! – riu sacudindo a garota e beijou a cabeça dela como se fosse sua irmã caçula, vendo o amigo sorrir satisfeito.
- Entra! – ela convidou, animada. – Vai vestir uma roupa, amor. Vou colocar a pizza no forno!

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Depois do jantar regado a inúmeros assuntos e conversas, aleatórios e alheios a qualquer coisa que se referisse à universidade, os três haviam deixado a louça na pia e se acomodado pela sala, enquanto os meninos disputavam uma partida pra lá de acirrada no videogame, enquanto sentados ao chão e se dividia entre conversar com pelo WhatsApp e encorajá-los no jogo.
- , toma o controle do teu marido e vem jogar. – intimou fazendo uma curva com o corpo como se aquilo fosse melhorar o jogo e a mulher riu. – Ele joga que nem mariquinha!
- Nossa, amor. Eu não deixava! – ela alfinetou como se incitasse a discórdia e riu ao ver a cara indignada de que claramente estava perdendo e com certeza perderia aquela partida, a não ser que um milagre acontecesse.
- Mariquinha é a mãe, ! – o casado xingou de cara feia e assim como o amigo, inclinou o corpo para o lado durante a curva. – Eu estou pegando leve com você, porque você recém chegou!
- Eu te quebrei inteiro no hockey! – o nerd em questão rolou os olhos como se aquilo fosse argumento o bastante pra mostrar que era um frouxo e os dois ouviram a risada de .
- Você é um filho da mãe, . Coitado do meu marido! – ela cutucou o amigo com o pé o homem se encolheu, como se, se esquivasse da agressão.
- Todo putinho porque uma menina te peitou! – soltou uma gargalhada gigantesca, vendo o professor ao seu lado bufar.
- Vai à merda! – o xingamento saiu prontamente e junto com um empurrão, fez o carro de no jogo quase sair da pista.
- Isso é trapaça, caralho! – gritou indignado.
- A garota era tão menina quanto . E ela te peita todo santo dia! – revidou o xingamento.
- Eu nunca tive problema com isso! Você quem é o complexado. – apontou ainda concentrado no jogo. – Aposto que se ela estivesse aqui agora, ganhava de você fácil no videogame.
- Ela ia ser uma adversária a altura! Sinceramente, cadê suas bolas? Na gaveta da ? Deixa de ser frouxo, ! – o solteiro rolou os olhos e ganhou um cutucão na cabeça, vendo a cara indignada de pelo palavreado dele. – Desculpa!
- Você bem queria uma gaveta pra guardar as suas, tapado! – o outro revidou, embora piorasse ainda mais o seu estado de pau mandado na concepção do amigo. – E pode escrever que isso vai voltar contra você!
- Claro. Estou vendo que vai mesmo! – o homem concentrou nos minutos finais do jogo e logo largou o controle pulando com os punhos erguidos. – GANHEI! EU GANHEI! – gritava como se tivesse ganhado na loteria e revirou os olhos como se dissesse que o amigo era criança, depois levantou o rosto ganhando um beijo da esposa. – Qual o problema de vocês? Eu chego e vejo que claramente atrapalhei alguma coisa, aí agora é nesse grude, se larguem! – fez uma falsa careta de nojo e o casal riu.
- Invejoso! – enrugou o nariz em uma careta, o fazendo rir e beijou a testa do marido que mantinha um sorriso frouxo nos lábios.
- Você não sabe como isso é bom. – fechou os olhos da forma mais terna e encostou a cabeça no joelho da garota. – Senta e aquieta o fogo, .
- O fogo aqui não aquieta não, amigo. – a frase saiu carregada de malícia e o casal rolou os olhos. – Mas me diz uma coisa, como é o corpo docente da universidade? Muita mulher gostosa? – a pergunta foi solta sem o menor filtro, fazendo enrugar o rosto em uma careta. Não que não soubesse do passado dele, mas era desconfortável falar aquele tipo de coisa perto dela.
- Eu sou casado, ! – o esganiço de era algo que só fazia os outros dois rirem. Não era como se ele não olhasse pra ninguém.
- O que não exclui teu passado sujo! – o homem rolou os olhos.
- Fica longe da Carrie ou eu deserdo você! – ameaçou, apontando pra ele e viu o praticamente cunhado vincar as sobrancelhas sem entender a quem ela se referia.
- Sim! – soltou um grito desesperado, concordando com a esposa. – Essa é cilada. Das grandes. E é do seu departamento.
- Cilada como? – fez uma careta confusa.
- O demônio! Pior que carrapato. – o pró-reitor fez uma careta e simulou um arrepio fazendo o amigo gargalhar.
- Ela grudou no até depois da gente casar. Mas graças a Deus, não mandou mais mensagem pra você, não foi, amor? – a mulher perguntou fazendo carinho no cabelo dele e o homem quase ronronou pelo cafuné.
- Quase pedi ordem de restrição! Eu juro que estava vendo a hora dela ferrar meu casamento! – o homem fez uma careta.
- Caraca, foi sério assim? – vincou as sobrancelhas, visivelmente preocupado com a situação.
- Foi, mas graças a Deus passou. – ele ergueu as mãos pro teto. – Só fica longe. É a única ruiva do seu departamento. Nem olha! E também tem a política contra relacionamento entre membros do corpo docente também.
- Eu quero é distância! – o professor fez careta. – Bem diferente de você, safado! Passou o rodo no departamento e ainda casou com uma aluna! Sua aluna! – o amigo acusou e o casal deu de ombros, rindo com a falsa indignação.
- Nunca fui bom de seguir regras, você é o certinho nesse ponto. Apesar de ser torto no resto todo. – declarou bem convicto e seu melhor amigo desde os 15 anos, rolou os olhos como se discordasse.
- Eu não sou torto, só estou muito bem como estou. – fechou os olhos, dando ênfase a sua frase e colocou a mão no peito, mas logo se deu conta que ele era um caso sem jeito mesmo. – Ok, eu sou um merda. Eu sei disso!
- Você é um merda! – riu alto.
- Eu sou um merda! – completou a gargalhada.
- Vocês são dois desnecessários. – rolou os olhos. – não é um merda, só precisa achar um rumo na vida! – ela deu de ombros.
- Bondade sua, ! – o homem riu. – Mas me diz, , eu vou ter algum monitor de disciplina? Me sinto perdido pegando o bonde andando. – ele perguntou um pouco preocupado e a única coisa que ouviu foi a gargalhada estrondosa do amigo.
- Você tá ferrado pra caralho! – continuava a gargalhar.
- Não tem monitor? – a pergunta saiu apavorada em meio ao esganiço.
- Tem sim monitor. Mas ela quer ver o demônio e não quer te ver. – a gargalhada do amigo da onça só ficou maior e lhe deu um tapa na cabeça como se o repreendesse, mesmo que estivesse rindo tanto quanto o marido.
- Mas o que foi que eu fiz pra ela? – a pergunta do nerd saiu mais esganiçada ainda.
- Nada! Ela só gostava muito do Marshall, muito mesmo! – controlou as risadas. – Mas ela também odeia o , então vocês estão no mesmo barco. – a mulher apontou de um homem para o outro, enquanto o marido não conseguia parar de rir e o praticamente cunhado parecia empalidecido.
- Merda, eu já vou entrar sendo odiado! O que eu faço agora? Capaz de ela mandar me matar. – riu desesperado.
- Eu não garanto sua vida até o fim do semestre, ela é mandona e desaforada. Você vai morrer! – passou a mão no rosto, tentando não rir tanto.
- Vocês dois parem! A é maravilhosa sim, não é minha culpa se vocês são dois desnecessários. – ralhou cutucando os dois.
- Ótimo, você conhece! – o mais novo entre os dois homens disse em um desespero contido.
- Minha melhor amiga! – a garota estufou o peito, causando em uma expressão de choro bem fingida
- Quem é o frouxo agora? – o pró-reitor alfinetou o amigo de longa data.
- Vai à merda, . – o outro ralhou. – Espero que ela seja ao menos apresentável e organizada. Organizada principalmente, ou eu embaralho todo e fode o resto do semestre e eu sou chato sim. – o homem suspirou realmente preocupado com sua futura monitora e coçou a cabeça.
- Ela é organizada até demais. – informou convicto pelo que a esposa costumava falar. – E tá toda fascinada porque você veio da Harvard Business School, mas o ódio ainda prevalece! – o homem deu de ombros.
- Por causa de Harvard? – riu divertido. – Sério?
- Muito sério! – riu. – E ao que parece, muito boa aluna, isso você tá tranquilo.
- Isso é ótimo, dá pra passar muita coisa pra ela e eu pretendo deixar meu legado na universidade. – o homem disse convicto e abriu um sorriso que começava a se tornar satisfeito. – E por mais que ela não goste de mim, respeito acima de tudo.
- Eu sei que tá dando uma de fofoqueira e fazendo a caveira da pra você, mas ela é muito gente boa. – explicou ao amigo o vendo afirmar interessado.
- Você vai gostar dela, cara. – tentou confortar o amigo.
- Eu só espero respeito mesmo. – se escorou no estofado, ainda sentado no chão.
- Isso terá! – o pró-reitor disse convicto, mas logo fez uma careta. – Eu acho. Ela é desbocada.
- Desbocada? Estou pagando pra ver! – a gargalhada do foi estridente, enquanto o homem pegava novamente o controle do console pra escolher mais um jogo e manter sua fama de campeão. – Minha monitora é doida?
- Maluca! – os responderam em coro, fazendo os três na sala rirem.
- também não é certa e as duas são amigas! – o homem riu trocando o jogo pra Donckey Kong e se animou ao ver qual seria o jogo da vez, porque se tinha uma coisa que ela era, era apaixonada pela cultura dos anos 80.
- Touché! – riu sendo afastado assim que a mulher se esgueirou pegando o controle do player 2.
- Pronto pra perder? – ela arqueou uma das sobrancelhas em pura ameaça. – Porque eu vou te destroçar, !
- MINHA BELA ESPOSA, SENHORES E SENHORAS! – o grito de irrompeu o silêncio que era pra ser ameaçador e as gargalhadas foram soltas.
- MEU AMIGO PAGA PAU, SENHORAS E SENHORES! – devolveu como ofensa, mas que só fez o amigo rir e logo se dirigiu a : – E eu vou acabar com você, !
- Cara, eu não contaria muito com isso, ela vem treinando! – defendeu a esposa.
- Eu nasci jogando Donckey Kong! – rolou os olhos ao se justificar.
- Eu cresci amando a cultura dos anos 80. – rebateu, expondo ainda mais as diferenças de idade e época na qual eles tinham passado e aquilo fez com que algumas risadas fossem soltas. – Quem perder, lava a louça! – a mulher decretou e logo em seguida começaram jogar como se aquela fosse a aposta do século.

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arrumou a roupa no corpo e passou as mãos pelos cabelos para soltar os fios castanhos que chegavam até a altura de seus ombros e suspirou, buscando adiar ao máximo a entrada naquela sala que a garota conhecia tão bem. A sala da coordenação do Curso de Administração. O motivo de tanto nervosismo? Bom, o motivo tinha nome e sobrenome: . Ele havia se apresentado na aquela manhã e tinha ficado praticamente todo o tempo grudado no , o que agradecia muito. Claro que já havia o visto algumas vezes caminhando pelos corredores da universidade, mas todas elas foram de longe e não deu muita importância ao recém-chegado, indo contra ao que parecia ser a totalidade da população frequentadora da McGill.
Saber o que o cara era ‘cria de Harvard’ tinha mexido com ela? Com certeza, porém nada que a fizesse mudar de opinião sobre ele, afinal, ainda não aceitava a aposentadoria do antigo professor e muito menos a chegada do novo. Ele devia estar lá, Marshall deveria e isso era tudo que a moça sabia. Mas agora não tinha mais jeito, ela estava há poucos segundos de ter que se apresentar para o novo professor. Obviamente ela não se sentia preparada para isso, mas já tinha procrastinado demais, por isso, respirou fundo, colocando um pequeno sorriso no rosto e deu uma batidinha na porta anunciando sua entrada.

- Com licença, professor! – se pronunciou entrando na sala cuidadosamente e viu o professor em pé em frente à sua mesa, de costas para ela, mexendo em alguns papéis espalhadas pela mesa de madeira escura.
- Ah, a monitora! Srta. , certo? – se virou, recepcionando a aluna que agora seria sua assistente.


A Universidade McGill tinha uma política de um dos alunos, os candidatos sempre eram monitores das principais disciplinas do componente curricular do curso, para auxiliar o coordenador no que fosse preciso, e sinceramente, já tinha adorado isso, seria uma mão na roda durante seu processo de adaptação ao novo trabalho. trabalhou com Marshall em quase todo o tempo de sua graduação, então não havia motivos para sua substituição com a chegada de .
- Exatamente! – A garota confirmou, sorrindo fechado e pensando que não poderia estar mais certa quando disse que não se parecia em nada com um professor com que elas estavam acostumadas.

Não apenas o fato de que ele parecia muito mais jovem do que a maioria dos seus professores, - o que com certeza ele era, já que ele se encaixava mais faixa etária de , até um ou dois anos mais novo, se ela se lembrava bem – nem as roupas um pouco mais despojadas, mas sim o fato de que o cara parecia recém-saído de um editorial da Vogue Magazine. sempre ouviu falar que as pessoas, ao nascerem, precisavam escolher se queriam ser bonitas ou inteligentes. Bom, aparentemente essa regra não se aplicava à . Aliás, com certeza não.
- Se quiser sentar, eu já falo com você. – apontou para a poltrona estofada de cor clara que sabia ser bem confortável, visto que já havia a utilizado várias e várias vezes ao longo de seus mais de quatro anos de graduação em Administração.

sorriu agradecida e sentou-se na cadeira e ficou esperando o professor terminar seus afazeres. Alguns minutos depois, virou-se na direção de , com um sorriso fechado e estendeu a mão para cumprimentar a garota.
- . Muito prazer! – respondeu o cumprimento, também sorrindo. – No que você pode me ajudar? só me jogou aqui no meio da universidade, eu estou bem perdido. – Os dois riram.

Para isso parecia realmente o tipo de coisa que faria, ele não parecia o tipo de pessoa que ensinava alguém a fazer seu trabalho, especialmente se a pessoa pode muito bem descobrir como se faz o trabalho ou se ela vai ter ajuda no que for necessário. E, bom, se encaixa nos dois postos.

- Planilhas, cronogramas, organização dos seus horários.... O que precisar! – A garota respondeu solícita, sorrindo largamente.

Na verdade, ela sentia bastante orgulho do trabalho que prestava no auxílio ao coordenador do seu curso, Marshall a elogiara várias vezes e a moça não poderia se sentir mais feliz. Ela só esperava que com a situação fosse a mesma, ou pelo menos muito parecida.

- As planilhas e cronogramas eu aceito, preciso ver como é o sistema usado aqui. – assentiu. – Mas os meus horários... não quero que você se ocupe com isso, é muito abuso. E não diga que não! – apontou para a aluna rindo, vendo que ela já estava pronta para retrucar, dizendo que não seria abuso, ela poderia muito bem fazer isso. riu da atitude do novo professor e deu de ombros. – Ah, outra coisa, eu quero de um meio que eu possa te contatar de forma rápida.
- Meu contato está naquele quadro branco. – apontou para o quadro pendurado na parede do lado esquerdo da mesa do coordenador, que ocupava quase metade da parede e continha os telefones dos colaboradores da Universidade que trabalhavam diretamente com o curso de administração, juntamente com o de e dos demais monitores das disciplinas componentes da grade curricular.
- Isso! Está vendo como eu estou perdido? – bateu na própria testa rindo por sua lerdeza, levando a acompanhá-lo nas risadas. Ela meneou a mão e caminhou até uma estante da mesma cor da mesa, onde continham algumas pastas, cada uma de cada cor. vincou a sobrancelha. O que será que era aquilo?
- Cada uma dessas pastas é um ano. Primeiro, segundo, terceiro e quarto. – foi apontando para cada uma delas, conforme ia mostrando, tendo o olhar atento de em si. Depois, a estudante de administração seguiu para o outro canto da sala, onde havia um armário alto, também escuro. – Nesse armário, você vai encontrar pastas de todas as disciplinas que vai lecionar. – a garota sorriu e arregalou os olhos.
- Por Deus, garota! Você caiu do céu! Você salvou minha primeira semana de trabalho aqui, ! Salvou! – O professor exclamou, bem impressionado, rindo meio morto. riu alto, porém bem satisfeita por seu professor ter ficado satisfeito com o modo de organização que ela havia planejado. – Minha chegada nessa cidade foi completamente louca!
- Por quê? – a pergunta saiu curiosa, quando a garota voltou a sentar-se na poltrona em frente à mesa de .
- Quase me meti em um acidente na sexta, tentei matar no sábado, mas infelizmente não consegui. – Os dois riram alto, mas depois a garota arregalou os olhos, dando-se conta de que o professor tinha mencionado um quase acidente.
- Acidente?
- Uma doida invadiu a faixa sem dar sinal! – exclamou, rolando os olhos. Assim que as palavras saíram de sua boca, foi como se tivesse dado um estalo em sua cabeça. Não podia, simplesmente não podia! Mas pelo visto, podia, já que a garota a sua frente o encarava branca, com os olhos bem arregalados e parecendo querer fugir dali a qualquer momento. – Eu não acredito! Deus, que mundo pequeno! – O homem soltou a risada alta, ele ria realmente bem alto, seus ombros fechavam a sacodir pelo volume dos risos. Isso pareceu relaxar , que começou a acompanhá-lo nas risadas.
- Eu que não acredito! – retrucou com a voz em um tom meio esganiçado. – Tem coisas que definitivamente só acontecem comigo! – A garota escondeu o rosto com as mãos, procurando tentar diminuir o volume de suas risadas.
- Você parece mais calma! – debochou, lembrando de como a garota não tinha aceitado os gritos sem respostas bem a altura.
- E você menos neurótico! – devolveu o ‘elogio’, fazendo os dois caírem novamente na risada. suspirou, passando as mãos pelo rosto.
- Peço desculpas pelo meu comportamento, eu estava bem estressado. Odeio trânsito em horário de pico, estava dirigindo há horas e queria chegar logo em casa.
- Eu também peço desculpas, reconheço que exagerei bastante. – riu morta, mas sendo bem sincera. assentiu e meneou a mão, como se quisesse dizer que aquilo já tinha ficado no passado. afirmou, com fez uma pequena careta. – O episódio de sexta não vai me prejudicar, né?
- Quê? Não! Esquece isso! Nem lembra que aconteceu! – sorriu fechado, porém bastante convicto.
- Tudo bem! Obrigada, professor ! – sorriu, bastante aliviada. Tudo que ela não precisava era ser perseguida pelo novo professor.
- , . ! – corrigiu, sinalizando que era assim que gostaria de ser chamado daqui para frente. Eles passariam muito tempo juntos a partir de agora, nada mais justo do que se tratarem pelo primeiro nome.
- Tudo bem, ! – corrigiu a denominação, rindo.
- Ótimo! Bem melhor assim! - sorriu grande, se mostrando bastante satisfeito com o novo cumprimento. – A propósito, obrigado pela ajuda com as pastas!
- Imagina! Sempre que precisar, pode me chamar! – ofereceu. afirmou, rindo.
- Pode deixar, eu vou chamar! – A aluna afirmou e em seguida se despediram, já que precisava voltar para a aula.

Talvez a convivência não seria tão complicada, afinal de contas, pensou antes de voltar ao trabalho. Ele queria se colocar a par de tudo o mais rápido possível!



Chapter 3

andava pelos corredores da universidade da forma mais lenta que conseguia. Seu ânimo para aulas naquele dia era bastante baixo, na verdade, era nulo. E ela também não queria encontrar , sabia que precisava, mas se pudesse atrasar, ela iria. Passando por um dos pátios internos da McGill, viu saindo da sala de aula e apertou o passo, pulando na amiga, que levou um susto com a repentina chegada da estudante de enfermagem, o que já era algo comum.

- Bom dia, monitora! – cumprimentou, zoando com o posto que ocupava há mais de dois anos e que agora beneficiaria o melhor amigo do seu marido.
- Bom dia, pró-reitora! – devolveu a zoação, usando o cargo do marido de dentro da universidade como alvo.
- Eu mal estou conseguindo findar com a faculdade. – riu, dando de ombros. - Já conheceu o ?
- Já. Fui antes da última aula. – A estudante de administração informou, ajeitando a bolsa onde carregava os materiais de aula no ombro.
- E aí??? O que você achou dele? – perguntou, ansiosa para saber informações daquele que, para ela, poderia muito bem ser considerado o encontro do ano.
- Ele estava totalmente perdido! – riu, lembrando de o quanto o novo professor parecia mais perdido do que cego em tiroteio entre tantos papéis, pastas e arquivos para dar conta de conhecer e memorizar onde estavam. - Xingou seu marido, por deixa-lo totalmente perdido! – A estudante de administração zombou do marido da melhor amiga.
- Os dois são desnecessários! – riu, rolando os olhos. - Passaram a noite se xingando ontem.
- Como assim? – perguntou, curiosa e confusa.
- Jogando videogame e se xingando de frouxo! - rolou os olhos mais uma vez, como se estivesse saturada daquela presepada que o marido e o amigo tinham feito na noite passada.
Aquela informação foi o que bastou para fazer com que risse alto. A cena de dois homens daquele tamanho e naquela idade, professores renomados cada um em sua área, brigando durante uma partida no videogame como se fossem ainda adolescentes de 15 anos era hilária. Simplesmente hilária.
- Dois velhos parecendo crianças! – exteriorizou o pensamento de , fazendo a estudante de administração concordar e as duas riram. - Mas, mais alguma coisa sobre o nerd? Ele foi legal com você, né? – A quase enfermeira perguntou, mesmo tendo quase certeza total da resposta. Não era o perfil do homem ser rude ou mal-educado com alguém que ele mal conhecia.
- Foi! Fica tranquila, ele foi bem legal. – garantiu, fazendo respirar aliviada. – Mas você não vai acreditar no carma da minha vida! Ele é o cara da briga no trânsito! – A garota quase gritou, esganiçada. - O mesmo ser humano! Quais são as chances de isso acontecer!
- Muito baixas, mas aconteceu com vocês! – riu da postura da amiga, depois suspirou. - Olha você vai me matar, mas eu meio que sabia? – A estudante de enfermagem confessou, com uma pequena careta de ‘ops?’ e se encolheu só esperando o tapa que receberia quando viu a amiga arregalar os olhos, bem surpresa com o que tinha acabado de ouvir sair da boca da sua melhor amiga.
- Você sabia, sua tapada? – A mais velha naquela amizade, esganiçou bem chocada com tudo aquilo e deu um tapa no ombro da outra.
- Sabia! – riu, mas fez careta ao tomar o tapa. – Ai! Não me bate! – Reclamou.
- Eu vou matar você! – Outro tapa. - ! – ralhou, desferindo outro tapa no ombro de .
- AI! Eu estou sendo agredida! – reclamou de novo, se encolhendo para fugir dos tapas ardidos que distribuía. A moça não era lá muito alta, apesar de estar um pouco acima da média de altura da maioria das mulheres que conhecia, mas com certeza, definitivamente ela tinha mão pesada quando queria.
- Por que você não me falou, louca? – exclamou, nervosa e até mesmo quase um pouco ofendida. - Você me deixou pagar mico de graça!
- Eu não deixei você pagar mico! Você pagou sozinha. Eu só fiquei sabendo depois! – se justificou, dando de ombros, mostrando que não, ela não tinha feito nada de errado. – E outra, se eu dissesse você já ia com o pé atrás! – Ela apontou para a amiga, que não retrucou, pois sabia provavelmente seria isso mesmo que ela faria.

Era possível até mesmo que ela não fosse à sala do coordenador aquele dia, de tanto que procrastinaria para retardar que o momento acontecesse. E também colocaria mais essa informação na lista de “motivos para pegar ranço de ” que ela planejava criar. Até agora o único item era a substituição de Marshall, o que já valia muito para . Ok, era bem possível que ele realmente não tivesse culpa do que tinha acontecido.

- Eu devia me ofender, sabia? Você me deixou ir lá conhecer o cara sem saber de nada! – rolou os olhos, com um tom de clara falsa indignação em sua voz. – Mas como depois? Quando você ficou sabendo? – A estudante de administração perguntou, confusa a respeito de quem poderia ter falado aquilo para ela.
- me disse! – respondeu rindo, bem despreocupada. – Foi pra você conhecer o meu amigo, e não o idiota do trânsito. – A mulher foi sincera. Ela realmente queria que conhecesse o verdadeiro .
- Ele também sabia? – quase gritou, com a voz bem esganiçada. – Eu devia te matar! – A estudante de administração cruzou os braços na altura do peito, se fingindo de brava, fazendo a melhor amiga rir alto e a abraçar de lado, como se ela fosse uma criança emburrada.
- Sem ficar bravinha. Quer um pirulito? – zoou, mexendo no lábio da amiga, sabendo que ela sentia cócegas na região e logo cederia e acabaria rindo. E foi o que aconteceu. empurrou rindo, mas logo a abraçou de novo. – Na verdade o só conhece o lado do , eu conheço os dois lados. E você me ama demais pra isso! – declarou, com uma postura totalmente convencida, fazendo a amiga rolar os olhos, mas depois rir dando de ombros.
- Eu quase morri do coração quando ele me reconheceu! – esganiçou, lembrando do quanto seu coração acelerou quando o professor a reconheceu e consequentemente ela percebeu que ele era o dono do carro em que ela havia batido (apesar de ela afirmar com todas as forças que a culpa era inteiramente dele, e seria assim para sempre) com quem ela havia tido uma briga alguns dias atrás.
- Ele deve ter tomado um baita susto! – riu. Se ela bem conhecia o melhor amigo do marido, sabia que ele devia ter se assustado bastante quando viu quem era . Ainda mais sabendo que ela não estava exatamente dando pulos de alegria com a sua presença na McGill, ainda que reconhecesse enormemente a importância de para a atualidade e futuro da Administração.
- Eu achei que o cara ia desmaiar! Juro, ele estava pálido! – As duas riram, relembrando a cena e a imaginando. Ela queria ser uma mosquinha para ver a reação de naquele momento. E como seria quando ele contasse para , porque era certo que aquilo aconteceria. Se já não tivesse acontecido. - Mas você estava certa... ele não parece um professor. – A mais velha confessou, com a expressão de ‘ops’ maior do mundo.
- Gato pra caramba, né? – soltou um gritinho empolgado. Essa com certeza poderia ser classificada como a parte em toda essa conversa que mais a interessava.
- Infelizmente! – rolou os olhos, fingindo uma frustração imensa. - Bem mais que o seu marido, aliás. – Ela zoou a amiga.
- Na verdade, nem tão mais bonito que o , meu amor ainda está no topo das minhas preferências, mas eles regulam bem na beleza. Eles são muito diferentes, não tem como comparar, mas é uma surra de beleza! Quero nem ver como vai ser agora com esses dois zanzando aqui dentro. – A cacheada rolou os olhos, saturada pelas coisas que ela já ouvia de metade do corpo discente a respeito do seu marido ser o dinossauro mais bonito de toda a Universidade. E suspeitava que os burburinhos aumentariam em proporções astronômicas de agora em diante, agora seria ele e o melhor amigo arrancando suspiros pelos corredores.
- Gritos e agonia! – exclamou, bem plena.
Ela conhecia muito bem grande parte das alunas da McGill, principalmente suas colegas de curso, então ela sabia que sim, todas cairiam matando para cima de feito um bando de urubus quando se veem na frente de uma carniça, não que ela estivesse comparando um com o outro, de forma alguma. Mas o que deixava a garota mais tranquila era o fato do casal ter dito que, apesar de pegar tudo que tivesse peitos e cruzasse seu caminho, alunas ele respeitava, então não seria um grande problema se ele continuasse a cumprir a regra que ele mesmo tinha imposto para si.
- Vão gritar e dar agonia bem longe do meu marido, obrigada! – rolou os olhos, já sentindo raiva de todas as sirigaitas que já tinham ou ainda dariam em cima do seu marido, no passado, presente e futuro. riu alto da postura da amiga. era uma das pessoas mais ciumentas que ela conhecia, fosse em relacionamentos amorosos, fosse com as amizades. – A única diferença entre eles é o tesão. Não rola tesão com , a gente é quase como dois irmãos pentelhos. – deu de ombros e soltou uma risada bem despreocupada, no mesmo momento em que a amiga arregalava os olhos, chocada com o que tinha acabado de sair da boca de .
- Mulher, quem falou em tesão, pelo amor de Deus? – soltou um meio grito completamente esganiçado, combinado a uma careta que causou uma crise de risos forte da estudante de enfermagem, ela quase berrava de tanto rir.
- Por que eu ainda acho que vocês dois vão se pegar? – cruzou os braços e estreitou os olhos, como se estivesse tendo algum tipo de visão do futuro ou algo parecido e tivesse plena certeza de que o que ela estava falando, aconteceria de verdade.
- Porque você é louca! Completamente louca! – rebateu, com os olhos ainda mais arregalados, se isso fosse possível, e de uma forma tão engraçada pelo susto e pela necessidade de mostrar convicção em suas palavras que fez morder o lábio inferior, para impedir que uma risada escapasse.
- Uhum, tá. – disse, mas seu tom de voz denunciava claramente que ela não acreditava nem um pouco nas palavras da amiga, o que causou um tapa estalado em seu ombro e a cara desgostosa emburrada de . se encolheu, mas continuou rindo como se nada tivesse acontecido e ela não tivesse falado nada demais.
- Não vai acontecer, pelo amor de Deus! – reclamou indignada pela falta de confiança da amiga nela, mesmo que aquilo fosse fruto de puro fingimento, e bufou.
- Tá, tá, não vai acontecer. – ainda estava bem desacreditada, mas resolveu deixar o assunto para depois e seguir para outro que também era de seu interesse e envolvia a amiga bem diretamente. – O Jace te ligou? – Perguntou, a respeito do carinha com quem a amiga tinha deixado o pub no domingo à noite e viu ela afirmar.
- Já, mas não marcamos nada – Deu de ombros.
- Ele parece ser legal. Já pensou que se você quiser pode dar certo? – ponderou, e mais uma vez afirmou. Sim, ele era legal, atencioso e bem respeitador, mas... Não parecia o certo. Se essa pessoa realmente existisse, claro.
- Eu sei que ele parece legal. Mas não sei, preciso avaliar. – A quase administradora suspirou.
- UI! Ela vai avaliar, Canadá! Mas é muito chique essa minha amiga! – zoou e tomou um tapa fraco da amiga, que rolava os olhos de um jeito bem teatral, mas ao mesmo tempo ria.
- Tapada! Mas me diz, por que você matou aula, primeira dama? – perguntou, lembrando que não tinha visto na universidade aquela manhã, então com certeza ela tinha faltado os primeiros períodos.
- Secar o cabelo! – riu. - Aí esqueceu até as calças em casa, sinceramente, eu não sei onde anda a cabeça daquele homem... Então eu trouxe a carteira e o computador. – Mostrou os pertences do marido, que estavam dentro de sua mochila.
- Você faltou aula pra secar o cabelo? – perguntou morta, bem morta com a postura da amiga, ao mesmo tempo em que, ria e era seguida pela outra nos risos. , no mínimo, estava doido para colocar o FBI atrás da esposa. – Ele correu de lá pra cá com a manhã toda mesmo, parecia atucanado. Faz sentido ter esquecido essas coisas em casa.
- Eles vieram juntos, estou com o carro. – explicou. - Hoje era aula do eu sinceramente não estava afim de olhar pra cara dele, enquanto ele acha que vai orientar meu TCC. – A casada rolou os olhos.

Era tão difícil assim entender que ela não queria que ele orientasse o seu trabalho simplesmente pelo fato de eles terem um relacionamento que passava o de professor-aluna? O casamento existe, não importa se ele é público ou não. Ele existe!

- Você mora com ele, mulher! – pontuou, achando estranho que < tinha faltado aula para não encontrar e ele ter a chance de falar com ela a respeito do Trabalho de Conclusão de Curso, mas eles moravam juntos, então não tinha muito para onde fugir, uma hora ele retomaria o assunto.
- Mas em casa ele é meu marido! Não tem a cara de professor. – deu de ombros, como se sua explicação fizesse o maior sentido do mundo. vincou as sobrancelhas, bem perdida.
- Não dá pra separar um do outro! – A estudante de administração retrucou, bem convicta, e arrancando uma risada da amiga.
- Olha, amiga, eu juro como dá! Muito bem separado. Em casa ele é um, aqui ele tentar ser outro.
- Duas caras! – zoou e as duas riram.
- Pra onde você tá indo agora? – perguntou, vendo que a amiga carregava apenas sua mochila, o que denunciava que ela estava saindo da Universidade.
- Almoçar com o Dan! – se animou, sorrindo largamente. A melhor coisa que havia lhe acontecido nos últimos tempos era a vinda do irmão para morar com ela. Seriam apenas alguns meses, mas já bastava para a deixar bastante feliz.
- Meu brotp mais lindo do universo! – soltou um gritinho animado, fazendo a amiga rir. - Ainda volta pra universidade?
- Meia tarde tenho aula com a bruxa, então ainda não sei te responder. – rolou os olhos. Carrie Thompson era um assunto que não agradava nenhuma das duas amigas.
- Gente, aquela mulher é uma vaca! Mata aula dela, você não é obrigada! – rolou os olhos, pensando que, se ela pudesse e não fosse crime, mataria não só a aula da ruiva oxigenada do departamento de Administração, mas como ela própria.
- Eu não sou obrigada! – concordou e as duas trocaram um high five, como se estivessem selando o acordo de que a mais velha faltaria a próxima aula, o que ela não se opunha de forma alguma.
- Mas deixa eu ir lá, tentar achar o antes que ele tenha uma síncope. Vou ver se consigo acalmar a fera, porque matei aula dele. – riu, se arrumando para seguir em direção à sala da reitoria, que era ocupada pelo Professor Stevensen, o reitor, e por , mais conhecido como o pró-reitor dinossauro gato da McGill. – Manda um beijo pro Dan!
- Mando sim, pode deixar! Boa sorte! – desejou, já caminhando para fora das dependências da universidade e mandou um beijo alado para , recebendo outro de volta como resposta.

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A mulher entrou na antessala que ficava no prédio da reitoria e introduzia o gabinete do Reitor e do Pró-reitor, encontrando a secretária também compartilhada pelos dois, e que adorava uma fofoca. Não que não gostasse de saber o que se passava dentro daquele lugar, mas a senhora de pouco mais de 60 anos, era conhecida por ter uma das línguas mais soltas dentro do Campus. A estudante de enfermagem, sorriu para Jade e sentou um pouco largada em uma das poltronas na salinha de espera, colocando o computador e os pertences do marido no colo.
- Bom dia. O está aí? – A quase enfermeira perguntou sacudindo um pouco o cabelo, que naquele dia, tinha saído melhor que o esperado depois do uso do secador.
- Bom dia. – a mulher abriu um sorriso padrão. – O Mr. está ocupado. Só com ele? – ela acomodou as mãos na frente da sua pequena mesa, curiosa em saber porque estava ali.
- Sabe se ele vai demorar? – A esposa do professor de genética, perguntou ignorando totalmente a pergunta que ela sabia ser de curiosidade.
- Ele não informou. – Jade sorriu novamente e voltou sua atenção para o computador, mesmo que estivesse se roendo de curiosidade em saber por que a aluna estava ali a procura do . Principalmente quando na universidade inteira rodava a conversa que os dois tinham um caso, principalmente quando o homem era casado. – O que você quer com o Mr. ?

abriu um sorriso de canto bem malvado e cruzou as pernas, olhando bem pra cara da velha fofoqueira. Finalizando sua cena ao jogar o cabelo de lado com um gesto, quase soltando uma risada irônica.

- Entregar as coisas que ele deixou lá em casa, hoje de manhã. – A mulher prendeu levemente um dos lábios em meio aos dentes, esperando a reação da senhora a sua frente. Jade soltou uma risada de deboche com a conversa da garota, inclinada a continuar com sua descrença.

- Ele deixou coisas na sua casa? – ela soltou uma risada de deboche, mais inspirada a baixar a bola de .
- Sim, na minha casa. – sorriu, balançando a perna cruzada. – Nossa que demora. – a garota suspirou, um tanto frustrada de estar ouvindo aquele tipo de coisa e moveu o olhar para porta de madeira escura, onde tinha uma placa metálica com o nome completo e a função de naquele lugar. – Quem está aí com ele?
- Uma professora do curso de administração. A Srta Thompson. – A morena olhou para a garota por cima dos óculos, vendo um vinco se formar nas grossas sobrancelhas da estudante.
- A Carrie? – Foi tudo que saiu da boca de , quando a mulher mais sentia seu sangue começar a ferver. O que diabos aquela cretina queria enfurnada na sala do seu marido? A Mrs. respirou fundo, tentando mentalizar que não era nada demais, apenas trabalho.
- Isso, Carrie Thompson. Ela está conversando com o Mr. já faz um tempo. – O cinismo saiu cortante, fazendo sentir o gosto amargo na boca, pelo ódio, além de sua perna começar balançar freneticamente como se não tivesse controle.

A mulher fez um bico desgostoso pela informação da discórdia e suspirou, sabendo que cada segundo demoraria uma hora para passar, só em imaginar que a mulher que tanto tinha infernizado seu casamento, estava naquela sala, justo com seu marido. bateu as unhas no braço da cadeira, ainda impaciente e logo a porta da sala foi aberta em um supetão, revelando uma mulher raivosa.

- Você é um tremendo idiota, . – A ruiva xingou extremamente irritada com a postura do colega de trabalho, apontando o dedo em riste pra ele.
- Sempre feliz em ajudar, Thompson! – O homem abriu um dos sorrisos mais irônicos que possuía, segurando a porta da sala aberta. Carrie bufou com ódio do e virou a cara, saindo da antessala pisando duro.

O homem suspirou, passando a mão no cabelo, saturado com tanta asneira que tinha saído da boca da mulher e se preparou para voltar ao trabalho, abrindo um sorriso involuntário ao ver quem estava bem sentada em uma das poltronas lhe encarando.

- – A afirmação pareceu mais animada do que deveria, fazendo-a sorrir e apontar para as coisas em seu colo.
- ! – Ela tentou imitar o tom dele, mas riu ao fim da frase.
- Meu computador! – O homem sacudiu a cabeça como se repreendesse sua memória péssima, combinada a pressa e ainda com a porta escancarada, apontou para dentro da sala, deixando a recepcionista boquiaberta. – Vem, entra!

A estudante levantou da poltrona, ajeitando as coisas do marido em mãos, logo piscando com deboche para Jade. Ela não era uma pessoa ruim, mas sabia muito bem empinar o nariz quando bem entendia. entrou na grande sala, muito bem dividida e com uma decoração que ela já tinha mexido inúmeras vezes, ouvindo o barulho da porta ao ser fechada.

- Seu computador, a carteira e o HD. – ela mordeu a boca ao colocar os pertences do pró-reitor em cima da mesa de madeira, o vendo caminhar devagar para detrás do móvel.
- Obrigado, ! – tentou soar simpático, mesmo que estivesse chateado pela aula que ela havia faltado e a mulher fez uma careta, sabendo que tinha, talvez, ferrado um pouco para seu lado.

Ela mordeu a boca, meio impaciente com o cheiro forte, remanescente do perfume de Carrie, sabendo que não deveria perguntar, mas ia. cruzou os braços, olhando bem para o marido a sua frente, que parecia mais preocupado em desvendar os motivos dela em ter faltado aula, do que falar sobre a ruiva complicada.

- O que essa mulher queria? – A pergunta saiu de uma vez, fazendo o professor suspirar cansado.
- Ela veio me encher o saco, porque o ficou com uma matéria dela. – O homem meneou a mão, mostrando que aquilo não tinha lá muita importância. – E eu disse que por titulação, a matéria é do , não tem pra onde correr. Ele é mais bem preparado até pela universidade. Mas nada demais, ela ainda vai infernizar o resto dos alunos com as outras.
- Ela arranja motivo pra te encher à paciência e me matar de raiva. – a mulher rolou os olhos e mesmo sem ver, riu baixo, saturado com o problema todo. Era algo superado, certo? – Não dá pra comparar, eu sei que ela é uma das professoras mais bem tituladas dessa birosca, mas o é um puta professor. – deu de ombros, sendo apoiada em suas convicções por um aceno de cabeça do marido. – Sinceramente. Aquela velha fofoqueira disse que era ela aqui e chega subiu um amargo na boca. – A garota fez careta.

O homem suspirou, coçou a barba, mostrando impaciência e se apoiou na mesa com as duas mãos, colocando quase uma em cada ponta da madeira escura. Ele encarou a esposa, bem curioso, arriscando até indignado pela falta dela em sua aula e a mulher desviou o olhar para qualquer canto da sala, sabia que estava em posição de reclamar e ele ia. Também tendo consciência de que a vontade de arrancar a roupa dele ali mesmo, assim que ele começasse, ia ser grande.

- Posso saber por qual motivo, você faltou minha aula? Era importante! – O que ele havia dito só tinha confirmado ainda mais o pensamento dela. Ele estava puto.
- Se eu falar a verdade, você vai ficar mais puto ainda. – Ela continuou o encarando com todo o seu atrevimento e logo sentou em uma das poltronas, cruzando as pernas. – E apresentação do plano e modelo dos projetos, eu já vi. – deu de ombros, jogando o cabelo para o lado, com um balançar de cabeça, sabendo que estava deixando o marido possesso pelo descaso dela. – O meu está pronto.
- Puto eu já estou, pode dizer. – olhou bem sério pra ela e a mulher mordeu de leve a boca. Como ele ficava tão irresistível com raiva? – E não importa se você já conhece, ou se seu projeto está quase pronto. Era importante que você viesse! – ele bufou.
- Já foi, . – rolou os olhos com as reclamações. – Eu não estava com saco pra assistir aula hoje. Sem falar que depois, você ainda vinha com a conversa de novo, sobre orientar meu projeto e isso eu não quero. – A mulher o olhou por cima dos óculos de grau e quase o viu explodir de tão vermelho.
- Não foi, . – Ele soltou indignado pelo jeito que ela rebatia o deixando quase sem chão. – Não é assim! Você não pode simplesmente não vir na aula, droga. Você é minha esposa! – O homem gritou de uma forma mais grossa que o normal, finalmente conseguindo deixá-la indignada.
- Grita mais! – Ela vincou as sobrancelhas, possessa com a atitude dele. – A universidade toda não ouviu!
- Você sabe que por mim, a universidade toda já sabia! – O pró-reitor desencostou da mesa, passou as mãos pelos cabelos levemente bagunçados e em um suspiro, enfiou as mãos nos bolsos frontais da calça.
- MAS EU NÃO SOU VOCÊ! - levantou da cadeira de uma vez, projetando o corpo pra frente da forma mais instintiva e o viu arregalar os olhos, meio encolhido pelo ataque dela. – Sinceramente, . Você sabe muito bem, que eu falto aula quando bem entendo e isso não faz a porra do meu rendimento cair. – Ela sacudiu o dedo indicador, olhando bem pra cara do marido. – Você só está ofendido porque era a sua aula!
- Também! – O esganiço foi maior. – Também foi por que era a minha aula, mas não apenas isso! E não é assim que as coisas funcionam, ! Não é quando você quer! Nós dois temos responsabilidades aqui dentro. – O homem apertou ainda mais os braços contra o peito, vincando as sobrancelhas e viu a expressão dela se encher ainda mais de fúria.
- E eu estou cumprindo as minhas, . Você está fazendo parecer que eu sou a maior das irresponsáveis por que eu matei a sua aula. – foi a vez de se apoiar na mesa, encarando bem o idiota do marido a sua frente. – Brigar agora não vai adiantar muita coisa e você sabe muito bem que eu odeio que me regulem em qualquer merda. – estreitou os olhos.
- Eu não estou regulando! – rebateu, sentindo sua cabeça esquentar. – Eu fiquei preocupado também, droga! Eu saí de casa e você estava bem. Por que droga você não veio? – O olhar dele era realmente preocupado e a mulher suspirou, coçando a cabeça. Certo que ela tinha culpa? Claro, mas aquele discurso de estava fazendo-a cogitar a ideia de que ter faltado aula era um crime.
- Eu não sou criança! – não fraquejou na postura. – E eu não vim pra aula porque eu não quis! Por que eu estava secando meu cabelo. – A mulher começou enumerar nos dedos, fazendo um teatro fora do comum. – Por que eu não tenho mais saco pra assistir aula. Eu não tenho um super motivo. Eu só não queria assistir aula. – Ela abriu os braços, completando ainda mais seu drama e o viu abrir a boca completamente indignado e até desacreditado com o que tinha acabado de ouvir. Era certeza que ele tinha parado no momento em que tinha escutado “Secar o cabelo”. Aquilo realmente não era possível.
- Eu não acredito que você não veio, porque estava secando o cabelo! – esganiçou.

O homem piscou tentado assimilar a veracidade do assunto e olhou para o teto do gabinete, dividido entre brigar ainda mais com ela, ou fingir que aquela conversa nunca tinha acontecido. Desde quando faltava aula pra secar o cabelo?

- Olha como ele está lindo! – A garota deu um pulinho que fez seus cachos se mexerem naturalmente e o professor estacar. Ela não estava dizendo aquilo, não estava mesmo. O que ele tinha feito ao universo? – Eu lavei e queria secar, daí eu pensei: “O não vai se importar que eu perca uma mísera aula dele, ele sabe que eu estou em um estado crítico de fim de semestre, ele vai me entender." – tentou contornar a situação e fez um bico logo em seguida, sabendo que amoleceria o coração do marido. Afinal, quando aquilo não acontecia?
- se importa, quando não é avisado, . – Ele disse entredentes e só se deu conta de que a frase havia saído em terceira pessoa, quando a mulher soltou uma de suas gargalhadas mais espontâneas, daquelas de encher os ouvidos e o fazer gargalhar junto.
- Que droga foi essa? – A estudante de enfermagem perguntou tentando parar de rir, enquanto cobria o rosto com uma das mãos.
- Eu até falei em terceira pessoa. Deus do céu! – O homem coçou a barba, olhando encantado o jeito que ela ria. Os dois suspiraram sentindo o peso da quase discussão sair junto com o ar.
- Você já me fez matar aula e não deu esse escândalo todo. – pontuou muito bem, mexendo os braços de forma exagerada e o viu rir.
- A questão é que, naquele momento, eu sabia! – usou de seu porte convencido, quase estufando o peito e a mulher rolou os olhos, voltando a se jogar em uma das poltronas, levantando a perna para cruzar a outra um pouco demais, e consequentemente fazendo o marido suspirar só por ter prestado atenção no ato. – Merda, você é malvada. – Ele parecia sofrer com a postura dela, causando na quase enfermeira, uma gargalhada espontânea.
- Deus, o que eu faço com esse homem? – A pergunta saiu direcionada ao teto, enquanto ela erguia as mãos.
- Avisa quando for faltar aula, já tá de bom tamanho! – decidiu alfinetar mais uma vez e sentou de lado na mesa escura, observando como ficava mais linda, ainda que com uma expressão tediosa.
- Tudo bem, amor. Você quer ser avisado? – A mulher perguntou pronta pra dar seu bote e o viu rir e afirmar. – Pois vamos começar de agora. Você não chega nem perto do meu projeto. – Ela soltou a bomba que o fez abrir a boca em incredulidade. – Não adianta choramingar, prometer mundos e fundos. E sexo não vai resolver. Eu quero a Anya o a Rory pra me orientar. Fique longe! – decretou com um sorriso superior.
- Uma coisa não tem nada a ver com a outra. – desconversou, querendo mostrar que estava certo, mas arqueou uma das sobrancelhas. – E você tem aula agora!
- Não desvia, Charles. – Ela pôs pra fora toda sua pose de chefe da família. – Você sabe muito bem do que eu sou capaz. E minha aula é em uma hora. – Ela mordeu a parte interna da boca, ao mesmo tempo em que mexia a perna mostrando bem sua pose despreocupada. a encarou, sem acreditar realmente naquilo, se ele queria orientá-la, era o que ele ia fazer. – Não me faça perder a merda da paciência, ou você vai ver o capeta na sua frente! – A mulher de pavio curto, ameaçou com o dedo em riste.
- Não estou fazendo nada, anjo. – abriu um sorriso cínico que a fez respirar fundo, dividida entre dar nele e dar pra ele.
- Promete! – se recompôs, falando com os dentes cerrados e a única coisa que viu, foi o marido negar com um aceno de cabeça. – Pode tirar a droga do cavalo da chuva, ou ele morre de Pneumonia! – ela já parecia irritada demais pelo sorriso idiota dele que entregava que o faria bem o contrário. – Não se atreva a enfiar seu nome naquele papel. Eu vou fazer um escândalo. Você vai conhecer um lado meu que está muito bem adormecido. – A última ameaça foi lançada com a maior veracidade que a mulher conseguia expressar.
- Tudo bem, amor. – O professor riu baixo, achando até bonitinho ela toda zangada e lhe ameaçando.

levantou da poltrona com o nariz empinado e lançou um olhar severo ao marido, jogando o cabelo para o lado logo em seguida, pronta para dar o fora do recinto antes que cometesse um assassinato. Mas era muito cara de pau mesmo, o .

- Tchau pra você! – virou de uma vez, fazendo o vestido balançar e passou a mão pela bunda pra ajeitar o tecido da roupa e consequentemente, provocar o marido.
- Meu beijo! – pediu mordendo de leve a boca e a mulher o olhou por cima do ombro.
- Pede pra o projeto que você tanto quer. – Ela deu de ombros e ouviu a risada larga do homem, que lhe estendeu a mão, sabendo que ela seguraria.
- O projeto não beija bem como você. – O homem piscou, mantendo um sorriso safado e levantou um pouco a mão, indicando que ela segurasse. – Vem cá, vem? – pediu ainda sentado na mesa.
- Você é um cretino! – xingou já segurando a mão grande do marido e sendo guiada para o lado da mesa onde ele estava. – Eu deveria ir embora depois desse escândalo.
- Sorte a minha que você não vai. – Ele piscou, adicionando a sua postura um sorriso travesso que a fez respirar fundo, mesmo que discretamente. O professor fez a esposa rodar em torno do próprio corpo, aproveitando pra ver o quão maravilhosa ela estava com aquele vestido e acomodou as mãos na cintura dela, trazendo a mulher para o meio de suas pernas, assim ficava mais fácil beijar.
- Você é muito convencido. – disse mordendo o lábio inferior e subindo as mãos por cima da camisa escura que ele usava.
- E você me ama. – a abraçou com força pela cintura, colando ainda mais o corpo dos dois e fazendo-a rir brevemente.
- Talvez um pouquinho. – A mulher fechou um dos olhos, brincando com o botão aberto na camisa dele.

O homem sorriu da forma mais larga e em um movimento rápido, roubou um beijinho que a fez segurar o rosto dele com as duas mãos e finalmente lhe beijar exatamente como costumavam fazer. Era o fogo, à vontade, o fato de estarem naquela situação escondidos, tudo transformava o mais bobo dos beijos no mais excitante para os dois. Evidenciando bem o ditado popular que relatava que o que era proibido, era mais gostoso. apertou a esposa ainda mais contra o corpo, sentindo os dedos dela escorregaram por seus cabelos em um carinho gostoso, mas enlouquecedor por ser ela quem fazia.
O suspiro saiu frustrado dos dois, sabendo que não poderiam passar tempo demais trancados naquele gabinete e o homem respirou fundo, sentindo vários beijinhos serem distribuídos entre sua boca e queixo.

- Eu vou te prender aqui, anjo. – Ele riu abobado pelo carinho e sem esperar muito enfiou o rosto no pescoço dela, procurando aconchego.
- Eu perdia facinho a aula da tarde! – Ela riu fazendo carinho no cabelo dele e antes que reclamasse, continuou a falar: – Tua secretária tá achando que a gente tem um caso. – Os dois riram.
- Você não deve ter aliviado.
- Ah não, meu cabelo ficou legal. Eu estou de bem com a vida, rebati mesmo! – disse com o peito inflado e o homem riu alto, roubando mais um beijinho dela.
- Você é linda, só ficou mais ainda. Valeu a pena faltar aula. – piscou e abriu a boca em incredulidade.
- Repete, porque eu não ouvi! Valeu a pena o quê? – O gritinho saiu cheio de deboche, fazendo o homem rir alto.
- Faltar aula. Mas só dessa vez, mulher! – Ele riu com a animação dela em receber os elogios e ganhou mais um beijo.
- Eu sempre tenho ótimos motivos pra não olhar pra cara de professor! – A mulher fechou os olhos, dando ênfase a sua fala, perdendo de ver a expressão indignada do marido.
- Eu nem vou levar pro pessoal! – reclamou a fazendo rir.
- Espero que não leve! – Ela segurou o rosto do professor lhe dando um beijinho. – Mas estou indo, te amo! – Outro beijo.
-Também te amo! – Ele abriu um sorriso imenso ao saber que era tão amado, quanto amava aquela mulher e a beijou mais uma vez como despedida.
- Vê se não esquece as coisas aqui.
- Não vou, anjo! – O homem riu baixo, ainda segurando uma das mãos dela à medida que a mulher se afastava. – Mais um! – Ele fez bico e como pedido, ganhou mais um beijo.
riu e assim que se despediu, saiu da sala como se estivesse em um desfile com um ventilador a sua frente balançando seu cabelo. Ah sim, ela estava se sentindo esplêndida e não era qualquer fofoqueira de plantão que tiraria o seu barato.

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estava mexendo nos papéis indicados por , como sendo os do terceiro semestre do curso de administração, turma que seria a primeira para a qual ele daria aula na nova universidade, quando ouviu uma batida na porta de sua sala. Antes que pudesse informar para a pessoa que poderia entrar, viu a cabeça do melhor amigo aparecer em seu campo de visão.
- Hey, coordenador! – cumprimentou rindo, zoando o novo posto de trabalho do melhor amigo de longa data. Como eles não precisavam desse tipo de coisa, nem esperou um convite de para entrar na sala de uma vez, como se o gabinete fosse dele mesmo.
- Que foi. Veio ver se eu não fugi? – zoou. - Ei! Deixa de ser folgado! – O coordenador reclamou ao ver o amigo se esparramar no pequeno sofá escuro que a sala continha, perfeitamente acomodado como se estivesse no sofá da sala de estar da própria casa que ele dividia com a esposa.
- Exatamente! Não posso deixar o recém contratado fugir. – O pró-reitor brincou, fingindo que não escutou a reclamação do amigo sobre estar deitado no sofá da sala alheia em pleno horário de trabalho. Ou pelo menos fingindo que não era com ele que reclamou.
- Mas eu devia, eu devia fugir. Correr daqui pra bem longe! Porque você é um tremendo bundão, me deixando aqui ficando louco sem saber de porra nenhuma. – ralhou, ofendido com o fato que praticamente o deixou sozinho para desvendar todo o trabalho que ficaria sob sua responsabilidade e todos os aspectos que envolviam a universidade como um todo. Belo amigo! Belo amigo!
- Para de ser dramático! Você sobrevive! – rebateu a reclamação, fazendo rolar os olhos teatralmente.
- Já viu eu não sobreviver em qualquer lugar?
- Então pronto. Não tô aqui pra te ensinar a trabalhar, meu caro, pra isso você tem monitora. Aliás, já conheceu? – perguntou, coçando a barba, levemente preocupado. estava lá, aparentemente inteiro e são e salvo, e a sala se encontrava organizada como deveria ser, tirando os papéis que se debruçava. Isso significava que estava tudo bem, tudo em ordem. Pelo menos por enquanto.
- Já e foi ela quem me salvou! Se não fosse ela eu não sabia nem o que eu estava fazendo aqui, porque você é muito mal-agradecido. Um amigo da onça! – alfinetou, mas em seguida seu rosto adquiriu uma feição levemente assustada, com os olhos um pouco maiores do que seu tamanho normal. – Mas... Caralho, , meu coração foi no chão!
- O que aconteceu dessa vez? – perguntou, alarmado. Será possível que e já tivessem discutido? Meu Deus, ninguém ali era mais criança, não havia motivos para que agissem dessa forma.
- Minha monitora é a lunática de sexta feira. Eu não poderia ter mais sorte! – O professor de administração soltou de uma vez, como se arrancasse um curativo e arregalou os olhos, sentindo o sangue parecer deixar seu corpo, deixando o peito e as mãos gelados.
Que porra era aquela? Montréal tinha milhares, milhões de habitantes, como diabos justamente aqueles dois se encontraram no pior momento possível? A vida, às vezes, realmente era uma vadia sem coração e a situação tinha tudo para dar bem mais errado do que parecia, tudo mesmo. O pró-reitor só esperava estar errado quanto a isso.
- É o quê? – perguntou com um fio de voz, rezando para todas as divindades que conhecia, e até para as que desconhecia, para de que alguma forma, ele tivesse ouvido errado o que o amigo tinha acabado de falar, ou tudo se tratasse apenas de uma brincadeira de enorme mau gosto. Quase impossível que isso fosse uma verdade, mas é como dizem: a esperança é a única que morre.
- A garota que é minha monitora e que eu não gravei o nome... É a louca que eu bati no carro na sexta! – voltou a explicar, com a voz em um tom de voz mais esganiçado que o normal.
- Puta merda! Caralho, demite! Troca. Troca, ! – praticamente arrancava os cabelos já de preocupação. Não, isso não podia estar acontecendo, não estava acontecendo!
- Não! – rejeitou a ideia do amigo prontamente, mudando a voz pelo esganiço. - Você tá ficando louco? Se eu fizer isso minha vida acadêmica está bem fodida! Ela sabe de tudo aqui dentro e pra eu pensar em trocar, eu preciso aprender primeiro!
- É cilada! – O pró-reitor insistiu, fingindo não ter ouvido nada que tinha dito. - Ela tem ranço de você por causa do Marshall e vocês brigaram já. E sobrou pra mim! Eu não quero me mudar pra Inglaterra!
- Não é cilada se tem respeito e isso ela mostrou à primeira vista! – explicou, rolando os olhos diante do drama que o amigo estava fazendo. Não era como se ele e fossem se pegar nos tapas ou se matar, por Deus! – Por que merda você vai pra Inglaterra? – Quase se podia ver um ponto de interrogação bem no meio do rosto do coordenador de administração, ele se encontrava bem perdido, totalmente perdido. Que droga tinha fumado naquele dia?
- Por causa de vocês! Vocês brigaram e a droga de um espírito jogador de hockey se apossou de você! – bufou, irritado com a situação. O pró-reitor tinha certeza que uma hora ou outra professor e aluna iam se estranhar e sobraria para quem? Isso mesmo, é a resposta correta.
- Qual o seu problema? – gargalhava de rir, tanto que, em pouco tempo, com certeza seu rosto ficaria vermelho, pelo volume de risadas. com certeza não estava mais batendo bem da cabeça, não havia outra explicação para tamanho surto. - Era só o que me faltava! Um amigo louco!
- Não ri! – ralhou, contrariado. - Culpa sua!
- Bati mesmo! E vou bater se precisar de novo! – O deu de ombros, como se dizendo que o que ele tinha feito era nada demais. - Eu precisava descontar em alguém, então foi você.
- Vai bater merda nenhuma! – rebateu. - Não briguem, eu tô mandando! – Apontou para o amigo, achando que dessa forma o mais novo acataria seu pedido.
- Eu não vou brigar com ninguém. E você não manda em merda nenhuma! – riu zombeteiro, demonstrando claramente que não, não mandava em nada.
- Mando! Na Universidade você me obedece! – O pró-reitor insistiu, falando de seu cargo como se com ele, ele tivesse autoridade sobre todas as coisas que aconteciam na Universidade. E essa era uma verdade, mas infelizmente para , para tudo aquilo valia de nada. Absolutamente nada.
- Você não manda em porra nenhuma, pau mandado! Você acha que manda! – O coordenador jogou as verdades na cara do pró-reitor, que rolou os olhos, mas depois de baixou a pose, acompanhando o amigo nas risadas, tendo que concordar com ele.
Era claro para quem quisesse ver que ele realmente não mandava em muita coisa, principalmente em casa, onde era que comandava tudo, o deixando apenas com a última palavra: “Sim, senhora!”. Quanto à relação de com a monitora, era esperar para ver o que o tempo diria e torcer para que tudo desse certo.
- Onde você vai pagar meu almoço? – mudou completamente de assunto, já organizando em pilhas os papéis que estavam em sua mesa, os quais lia antes da chegada de . Era meio dia já e o trabalho não iria fugir, poderia esperar até à tarde.
- Já tá criando asinha. – bufou rolando os olhos. Era muito folgado mesmo esse . Muito folgado.
- Eu sou seu amigo e acima de tudo, sou um professor novo, mereço melhores boas-vindas! Deixa de ser mão de vaca! – continuou com seu posicionamento, parecendo até um advogado defendendo uma causa extremamente importante para seu cliente.
- Tá bom, pedinte. Vamos almoçar. Hoje eu pago. Só hoje! – deu-se, mas só por saber que o discurso continuaria até que ele finalmente cedesse.
- Como te quer sendo mão fechada desse jeito? Sua obrigação pagar o almoço do melhor amigo!
- Quer o almoço ou não? Se quer, boca fechada! – rebateu estressado, depois de ouvir o nome de . A mulher tinha faltado aula, uma aula realmente importante, a sua aula. E até onde ele sabia, sem motivo aparente. - Vamos, . – se levantou, tentando induzir o amigo a fazer o mesmo, o que surtiu efeito algum, já que permanecia sentado em sua cadeira, analisando o amigo de testa vincada como se ele tivesse virado uma espécie de alienígena ou algo parecido.
- O que ela fez? – perguntou na lata, rindo e sabia que ele falava de . Os dois amigos se conheciam bem demais e sabiam ler perfeitamente as expressões e atitudes um do outro. Os dois se conheciam mais do que se fossem irmãos de sangue, pois eram irmãos da vida.
- Não veio na aula. – suspirou, esperando a gargalhada escandalosa no amigo, que não demorou mais do que um segundo para preencher o cômodo.
- Sua mulher não quer olhar pra sua cara! Ela matou sua aula e te matou de brinde! – se encontrava aos berros, rindo escandalosamente e com a cabeça apoiada na mesa, tentando abafar um pouco o volume das risadas e esconder a vermelhidão que tomava conta de seu rosto por causa do riso.
- Mulher é um bicho esquisito, cara. Um dia você vai entender. A coisa, meu caro, é complicada. – a voz da razão , explicou, como se fosse o mais entendido do mundo na questão ‘mulher’.
- Cara, eu não acredito que ela te afrontou desse jeito! – soltou um grito esganiçado, que, combinado às risadas, contagiaram e o acompanhar na ação.
- Nem eu acredito, , nem eu. – riu morto, depois de ele acalmar a crise de riso que tinha apossado de si. – Mas vem, vamos almoçar, cara. – O professor de genética chamou o amigo, que afirmou com a cabeça.
- Vamos. Vamos almoçar! – se levantou e seguiu até o amigo, que o esperava de braços abertos. Os dois se abraçaram de lado, deixando evidente a amizade forte que nutriam um pelo outro e deixaram a sala rumando para o restaurante, para degustarem o almoço que ficaria por conta do pró-reitor.

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entrou no restaurante Frittata, um dos restaurantes mais conhecidos da cidade, já procurando o irmão pelas mesas de madeira rústica. O local combinava perfeitamente beleza e aconchego: ambiente clean, com paredes e móveis claros, (com exceção das luminárias e dos sofás que eram usados em algumas mesas de um canto mais reservado do restaurante – esses sendo de uma cor que beirava o cinza chumbo e o marrom) bem iluminado, arejado, com janelas grandes e cozinha aberta, para que os clientes tivessem a oportunidade de assistir à preparação de seus pratos enquanto eles aconteciam. Alguns momentos depois, avistou os cabelos loiro escuros do irmão, que estava concentrado mexendo em alguma coisa no celular, talvez conversando com algum cliente ou tratando de alguma reunião que aconteceria mais tarde naquele dia.

- Hola, Hermano! – A garota cumprimentou, usando a língua nativa. Abaixou a postura para dar um beijo na bochecha do irmão, que retribuiu com um abraço de lado e um beijo rápido na bochecha da irmã. - Demorei muito? – Ela perguntou, ocupando a cadeira em frente a Daniel.
- Hola! – Daniel devolveu o cumprimento, rindo. - Não, não. – Ele meneou a mão. - Cheguei pouco depois da sua mensagem!
- Que bom. – A mais nova esticou a mão para pegar um pãozinho da pequena cesta em cima da mesa, que servia como tira-gosto até que as comidas chegassem e mordeu um pedacinho. - Você vai se encher antes do almoço chegar! – Daniel deu um tapa na mão da irmã, afastando a mão dela para longe da cestinha.
- Me deixa ser gorda, obrigada. – riu, dando de ombros, na pose mais convencida do mundo, zoando a cara indignada do irmão.
- Você não engorda de ruim! Eu se sentir o cheiro da comida, engordo! – O advogado reclamou, rolando os olhos de forma teatral.
- Só pra quem pode, meu bem! – A estudante piscou, mandando o um beijo alado para o irmão mais velho, que possuía uma carranca feia em suas feições.
- Magrela!
- Gordo!
- Queria poder comer essa mesa e não aparecer uma pochete! – riu da postura extremamente desgostosa e indignada do advogado trabalhista, comendo mais um pãozinho para abafar as risadas. - Mas me diz como foi sua aula, mulher!
- A aula foi à mesma coisa de sempre. Mas o carma, ele age na minha vida! – riu alto, balançando a cabeça negativamente.
- Essa história de carma de novo? – Daniel rolou os olhos, cansado do assunto que a irmã insistia em continuar quase que diariamente, como se fosse um disco quebrado. - O que foi? Achou o Jace no meio da universidade?
- Se fosse o Jace estava bom, encontrei foi o estressadinho do trânsito! – Daniel engasgou com o gole de água que tomava, quando processou a informação recém repassada pela irmã. Depois de algumas tossidas e respiradas fundas, o advogado se recuperou e, antes de continuar a conversa com , olhou de um lado para o outro do restaurante, procurando algum indicio de alguém ter visto o seu pequeno surto e ele ter passado algum tipo de vexame.
- Você o quê? – O homem esganiçou, com os olhos arregalados.
- O cara do trânsito é . – declarou plena, porém morta, causando outro engasgo no irmão mais velho, que se encontrava branco, bastante surpreso.
- O ? Dos artigos? Tipo, sua meta como administradora? – Daniel apontou freneticamente para a irmã, completamente morto, como se o professor em questão estivesse lá no lugar de .
- Cria de Harvard e que vai ser meu professor e coordenador do curso de administração. Esse mesmo. – confirmou, rindo morta da coincidência extrema que estava acontecendo em sua vida no momento.
- Você é uma vaca sortuda! Pelo amor de Deus, suga o cérebro desse homem! – Daniel exclamou bem convicto, quase mandando que a irmã fizesse o que ele estava falando e causando uma enxurrada de risos na mais nova.
- Pode deixar! – A garota piscou, rindo e pegando mais um pãozinho. - Mas me diz, como foi o seu dia?
- Falei com o Joe mais cedo! – O homem abriu um sorriso largo e apaixonado ao falar do, se tudo corresse como o esperado, futuro marido. - E ele tá muito ansioso com a adoção. Já foi no orfanato hoje, disse que a Mandy mandou beijo pra mim. – O homem sorriu encantado, ao mencionar o nome da garotinha que ele e Joe planejavam adotar.
- Ai, eu vou chorar! – exclamou extremamente animada, com corações quase podendo ser vistos saltando de seus olhos. - Me conta! Me conta tudo sobre ela, como tá o processo da adoção. Eu quero saber tudo!
- Olha como ela é. Coisinha mais linda desse mundo! – Daniel disse, bastante empolgado, procurando no celular a foto que ele queria mostrar para a irmã, que já tinha arrastado a cadeira em que estava sentada, para o lado do irmão.
- Daniel do céu, olha essa menina! Estou apaixonada! – quase gritou, complemente derretida pela figurinha loirinha de cabelos cacheados lindos que sorria grande com o rosto sujo de um creme marrom que a estudante de administração identificou como sendo sorvete de chocolate.
- Essa foto foi no dia que a gente queria ir tomar sorvete. Mas não podíamos sair de lá. Aí levamos o sorvete pra todo mundo. – Daniel explicou, não tirando os olhos do rosto da quase-futura filha.
- O processo tá um pouco complicado, sabe? – O homem sorriu fechado. - Acho que por sermos um casal homossexual ainda tem uma certa resistência, mas eu e o Joe estamos fazendo tudo certinho pra conseguir adotar! A união estável tá ajudando bastante. A Amanda é uma criança maravilhosa! Ela adora música, e ama brincar de bonecas, disse que não tem uma cor preferida e tem tantos, mas tantos amiguinhos! – Daniel finalizou, quase brilhando, e no mesmo momento sentiu braços circundarem seu pescoço e um beijo ser depositado em sua bochecha. - Amanda! Que nome mais maravilhoso, Dan! – elogiou, muito feliz com o encantamento que o irmão demonstrava pela garotinha. Daniel havia nascido para ser pai e isso agora era uma certeza concreta.
- SIM! Eu me encantei quando ela começou a soletrar pra gente, depois da primeira visita. Fui o caminho pra casa chorando e o Joe rindo de mim! – Daniel riu, passando a mão no rosto. Aquele tinha sido o melhor dia de sua vida até o momento. Aliás, todos os dias ao lado da pequena Amanda eram maravilhosos e o advogado estava ansioso demais para que isso virasse rotina diária logo.
- Você é muito manteiga derretida, irmão. – A garota zoou, mas apertou um pouco mais o irmão no abraço e depositou um beijo em sua bochecha. - Já estou vendo vocês quererem adotar mais.
- Planejamos uns três! – Daniel declarou, pleno, como se estivesse falando que o céu é azul.
- Vocês planejam Largar a advocacia pra abrir uma creche? – zoou, ouvindo a gargalhada do irmão.
- É um plano! – O irmão mais velho dos riu. – Você vai ser a professora, papai vai ser o segurança pra não deixar as crianças saírem correndo e mamãe é quem vai nos alimentar! – O advogado continuou com seus planos mirabolantes, causando uma crise de riso na irmã. Daniel era louco, completamente louco. Mas sabe o pior? já estava comprando a ideia, ela iria adorar ser tia de toda aquela galerinha e Dan e Joe seriam ótimos pais. - Deixa eu mandar uma foto pro Joe! – O advogado pediu. - Ele está morrendo de saudade!
- Que saudade do meu irmão americano! Vamos, vamos! Tira. – abraçou o irmão de lado e logo o flash foi disparado.
- Aquele tratante disse que só podia vir depois! – Daniel fez um bico e riu.
- Awn, ele tá com saudade do maridinho! – A estudante zoou, apertando de leve o bico do mais velho, que acabou rindo.
- Desde o dia que eu cheguei! – Daniel declarou convicto, com a mão no peito.
- Desde antes de você sair. – A irmã corrigiu, com uma convicção maior ainda e Daniel não pode deixar de concordar.
- Você não poderia estar mais certa! – Os irmãos riram.
- Olha! Veio foto! – apontou para o celular do irmão, que se encontrava com a tela iluminada e deu um sinal sonoro, indicando a chegada de uma nova mensagem no WhatsApp. Daniel pegou o aparelho prontamente e abriu o aplicativo, vendo que era uma mensagem do namorado. Mais especificamente uma foto. Foto que fez os olhos do advogado trabalhista se encherem de lágrimas emocionadas. abraçou o irmão, com um sorriso gigante olhando para a foto de Joe e Amanda almoçando juntos em um restaurante em Atlanta.
- Eu vou matar esse safado! – Um Daniel completamente emocionado de nariz e olhos vermelhos, ameaçou. Mas o sorriso enorme no rosto e o tom de voz denunciavam que a ameaça era a mais furada do mundo. - Matar esse safado! Como ele aproveita que eu estou fora e foi almoçar com a Mandy!
- Você não pode matar o seu marido! – riu da ameaça fajuta.
- Mas eu quero! Pergunta se não tem vontade! – Daniel exclamou, apontando para a irmã.
- até eu tenho vontade, avalie a . – deu de ombros, como se tivesse dito a coisa mais normal do mundo, causando uma gargalhada no irmão mais velho.
- Você tem vontade de matar o marido da outra, Senhor!
- Tenho! – reafirmou convicta. Daniel riu negando com a cabeça, como se quisesse dizer que a irmã era louca e em seguida voltou à atenção para a foto que, para ele, já era considerada como a mais linda do mundo.
- Ele não podia ter feito isso sem mim! Mas a foto vai pro bloqueio! – Daniel declarou, logo executando a ação prometida.
- A foto vai pra um banner, se duvidar – zoou, fazendo o irmão dar de ombros e rir. A ideia era boa, realmente boa!
- Sabe de uma coisa bem louca? – O advogado riu. – Eu realmente estou considerando a ideia do Flashmob pra pedir o Joe em casamento, no aeroporto até! Só que eu preciso recrutar pessoas e não sei como fazer isso. Eu estou tão pilhado que já sei até a música. – Daniel disparou o monte de informações, parecendo uma metralhadora giratória e fazendo rir alto.
- Eu estava contando o flashmob como certo já, você não tira isso de mim, moço! Eu fiz aula de dança desde que nasci por um motivo! – deu um tapinha no ombro do irmão, rindo.
- Você vai criar a coreografia, mulher! – Daniel declarou, e soltou um gritinho empolgado, esmagando o irmão em um abraço apertado, quase sufocante.
- Conhece Something Just Like This? Porque vai ser ela.
- Eu amo essa música, Jesus do céu! A coreografia tá toda pronta na minha cabeça já. Vai ser lindo! – estava extremamente empolgada, elétrica, parecendo uma criança depois de comer doses maiores que as recomendadas de açúcar.
- OBRIGADO PELA IRMÃ CERTA, DEUS! – Daniel agradeceu, olhando para o teto do restaurante, como se fosse o céu e ele estivesse falando com Deus. - Eu vou chorar mais do que dançar, mas eu estou nem aí! Agora estou ansioso!
- Isso é mais do que certo. – declarou convicta, sobre fato de que Daniel iria chorar um oceano inteiro. - O Joe vai estacar e depois gritar, me escuta.
- Eu espero que ele grite um SIM! Bem estrondoso na minha cara! – Daniel sorriu, feliz e ansioso para pedir o namorado em casamento logo.
- Ah, mas isso ele vai. Com certeza! Se não fizer, eu desisto dele! – riu, com a mais completa convicção.
- E eu também! – Daniel riu, mais convicto ainda, esmagando a irmã e beijando sua bochecha. - A gente tem que se juntar pra planejar isso aí direitinho, mas tem que ser com a Mrs. , ou ela mata a gente. – riu. Ela conhecia a amiga muito bem, deixá-la fora da preparação para o ‘evento do ano, nas palavras dela, era o motivo certo para o estopim da Terceira Guerra Mundial. - Amanhã à noite. Filme, pipoca, vinho e o planejamento do casamento do ano! – Nesse momento as comidas chegaram e voltou ao seu lugar, em frente ao irmão.
- Sabe outra coisa que eu acho? Que você deveria dar uma investida. – Daniel apontou para um ponto ao lado de . A garota virou o corpo discretamente e viu o Chef de cozinha do Fritatta conversando com um dos colaboradores do restaurante. rolou os olhos e riu.
- Ou já é comprometido ou é gay. – A garota afirmou convicta, o que fez Daniel rolar os olhos e suspirar, saturado.
- Por que raios você sempre acha isso? Meu sensor não apitou, gay ele não é! O que custa! Ele é lindo e parece ser simpático!
- Justamente por isso! – esganiçou. - Deve ser casado e com 3 filhos.
- Claro que não! Você é uma chata! – Daniel negou veementemente. - Eu ainda acho que ele é solteiro!
- Se é solteiro, é embuste.
- Cansei de querer te arranjar! – Daniel suspirou, cansado e levantou as mãos em rendição. era mais teimosa que uma mula!
- Obrigada! – A mulher piscou, zoeira. - Me deixa solteira, presta mais.
- Queria te ver namorando com um cara decente! Mas quem sabe um dia! – Daniel riu, finalizando o assunto.
- Vamos comer, que ainda tenho que voltar pra Universidade pra ter aula com o capeta. – rolou os olhos, ação que foi repetida pelo irmão, por ele saber exatamente de quem a irmã falava: Carrie Thompson, o demônio da McGill.
- Essa mulher me consome. Veio do inferno! – Ele rolou os olhos. - Queria arrancar aquela peruca ridícula com as minhas próprias mãos! Nossa que mulher mal-amada!
- Acho melhor a gente parar de falar sobre ela, Dan, não quero uma indigestão por causa daquela vaca. – riu, sendo seguida pelo irmão.
- Super concordo com você! Vamos manter nosso almoço leve! – O advogado sugeriu, e a estudante concordou com a cabeça.
- A comida daqui é muito boa. Simples, mas bem aconchegante, assim como o lugar. – Daniel elogiou, depois de comer um pouco do pedaço da lasanha que dividia com a irmã. - Preciso trazer o Joe aqui!
- Concordo com você! Eu adoro aqui, sempre que dá, eu venho! – riu, sabendo que agora, com o irmão na cidade, ela frequentaria o Frittata com uma frequência bem maior do que a atual. – Jantar de noivado! Vamos vir comemorar o noivado aqui! – sugeriu, animada com a possibilidade. Daniel sorriu afirmando, já visualizando a cena em sua cabeça, com uma riqueza de detalhes grande. O melhor dia de sua vida, com certeza, sem a menor sombra de dúvidas.

-x-x-x-

Já fazia alguns dias que estava dentro daquela universidade, já havia conhecido grande parte do corpo docente e simpatizado com grande parte dele. O homem sabia que aquele era apenas o início da jornada, mas só em já se sentir em casa, aliviava bastante o que ainda estava por vir. O terminou de escrever a décima lâmina de slides que utilizaria para ministrar a aula de Gestão de Pessoas no nono semestre, que iniciaria dali mais ou menos 40 minutos, e suspirou, passando as mãos pelos cabelos que pareciam mudar de tonalidade conforme o dia a luminosidade que entrava em contato com eles, mesma coisa acontecia com os olhos do homem, quando em contato com o sol, eles se tornavam bem claros.
O professor releu a lâmina e notou que não havia feito referência a um livro que ele gostava de utilizar em suas aulas quando o assunto era Liderança. O livro trazia cinco regras simples e claras sobre como liderar sua empresa da melhor forma possível. utilizava este livro desde que havia sido presenteado com o mesmo pelo próprio autor, quando este foi fazer uma palestra em Harvard há mais ou mais três anos. E foi aí, por causa da influência de um dos expoentes na área de Recursos Humanos que decidiu que gostaria de lecionar aquela que foi sua matéria preferida no tempo de graduação.
pegou a mochila, que se encontrava depositada em cima do sofá de sua sala, para alcançar o livro em questão e conferir se tinha feito uma observação correta em seu material para a aula de logo mais. Porém, ao colocar a mão dentro do pano de cor vinho, sentiu seus dedos encostarem em várias coisas, mas nenhuma delas era o livro. Fez careta e praticamente enfiou a cara dentro da mochila procurando o dito cujo apenas para constatar que sim, ele fora tapado o suficiente para deixar o livro em cima de sua cama. O professor bufou, amaldiçoando sua falta desatenção momentânea. Mas não tinha mais o que fazer, buscar o livro em casa não era uma opção, não daria tempo de voltar em tempo da aula. Girou a cadeira e fez uma busca rápida pelo sistema virtual da biblioteca da universidade e por sorte encontrou o livro que precisava. Apoiou as duas mãos na base de madeira escura da sua mesa de trabalho e empurrou a cadeira em que estava sentado para trás.
Levantou e, depois de organizar melhor os livros depositados em sua mesa, – TOC de administrador, deixar tudo organizado – saiu da sala da coordenação. O professor sorriu para algumas pessoas que já tinha visto naquele dia, cumprimentos outras que foram apresentadas a ele por mais cedo naquele dia e de repente parou estacado no meio do corredor, sentido o desespero tomar conta de seu corpo. Ele simplesmente não fazia a menor ideia de para onde deveria ir, não tinha ideia de onde diabos ficava a bendita biblioteca. Aliás, praticamente nenhum lugar dali era conhecido por ele. Tudo culpa do !
suspirou e começou a olhar para os lados, pensando o que poderia fazer para sair da enrascada em que se encontrava, procurando alguém que pudesse lhe ajudar, qualquer pessoa. Por sorte, não demorou muito tempo para encontrar seu bote de salvação. Alguns metros mais a frente, sentados conversando e rindo de algum assunto que o professor fazia a mínima ideia de qual era, estava um grupo de alunos. soltou um suspiro aliviado e voltou a caminhar, seguindo em direção ao banco onde os alunos se encontravam sentados. Poucos metros depois, o corpo de chocou-se com outro, que o professor nem tinha visto se aproximando, tão distraído que ele estava para chegar ao grupo de alunos que salvariam sua aula e seu dia. Assim que os corpos se chocaram, viu livros caindo no chão e prontamente se abaixou para ajudar a pessoa a apanhá-los.

- Desculpa! – Os dois disseram ao mesmo tempo e foi aí que percebeu se tratar de uma voz feminina, ele arriscaria até dizer que parecia ser uma voz conhecida. O professor terminou de empilhar os livros – que notou serem de administração, aumentando ainda mais seu alívio – e foi subindo os olhos pelo corpo da figura a sua frente: sapatilha preta, calça jeans clara, blusa estilo ciganinha vermelha, sorriso agradecido e, agora, um coque bagunçado, estava o bote de salvação de .
- Minha monitora! – O homem cumprimentou, animado até demais com o encontro inesperado. riu baixo da animação exagerada que o professor transmitia. - Desculpa, eu não memorizei seu nome. – Ele riu e entregou os livros para a garota, que agradeceu e os abraçou contra o peito, como se quisesse os proteger de alguma coisa. Ou talvez se tratava apenas de uma mania mesmo, não sabia dizer, mas talvez a resposta viesse com o tempo.
- . Meu nome é , professor . – A aluna relembrou.
- Isso! . . . – O professor repetiu algumas vezes, em um exercício de memorização que era frequente quando ele conhecia pessoas novas. – E é . Eu me sinto um velho sendo chamado de professor , é a mesma coisa de me chamar de senhor. – O homem fez uma careta e depois riu. - Eu sei que meu nome não ajuda, mas ao menos só eu sou um jovem idoso! – O homem se auto-zoou rindo, fazendo com que a outra o acompanhasse nas risadas.
- Tudo bem, ! – concordou, sorrindo fechado e recebendo um sorriso bonito como resposta.
- Tá ocupada? – mordeu a boca, com uma pequena careta. Mas aliviou sua postura quando viu negar.
- Não, eu ia pra cantina. Precisa de alguma coisa? – A estudante administração perguntou solicita, ajeitando os livros, que agora teimavam em escorregar, em seus braços.
- Eu preciso de ajuda! – confessou, com um toque de desespero bem presente na voz. - Me jogaram nesse labirinto sem qualquer GPS. Eu não sei mais nem de onde eu vim se você quer saber! Estou mais perdido que o Luke depois de saber que o Dart era pai dele. – O coordenador de administração soltou de uma vez, soltando as frases como se fosse uma metralhadora giratória e só percebeu isso quando ouviu a risada da aluna. Ele arregalou os olhos. – Oh, merda! Eu não sou louco, eu juro!
- Eu fui avisada do seu nível nerd, relaxa. – o tranquilizou, rindo. tinha contado o quão nerd era e como esse provavelmente tinha um dos maiores motivos de ela e o melhor amigo do marido terem se dado tão bem em tão pouco tempo. A amizade foi praticamente instantânea. - fez minha caveira, mas ela não fica atrás não. – jogou na cara, como se lesse os pensamentos da aluna e ela riu, não podendo deixar de concordar.
- Eu queria saber onde é a biblioteca desse lugar, porque me jogou aqui de paraquedas, nem pra me dar um mapa aquele tratante serve. Nem o endereço ele me mandou! – bufou, fingindo estar muito irritado com o aparente descaso do melhor amigo em ajudá-lo com a adaptação ao novo trabalho.
- Tem um mapa no site da Universidade. – soltou de uma vez, piscando para o professor na maior zoeira existente no mundo. rolou os olhos teatralmente.
- Não faz mal, seu trabalho de monitora é me ajudar. – Apontou. – Vamos. Seu lanche espera! – O homem fingiu empurrar a aluna para que ela andasse logo, causando risos na moça e sendo acompanhada pelo mais velho.
- Posso pegar um café? Senão eu viro a lunática de sexta, juro! – pediu rindo, em uma clara brincadeira. acenou positivamente.
- Vamos, eu também preciso de um. Café nunca é demais, você aproveita e vai me mostrando alguns lugares daqui, sinto que não vou poder te usar de guia sempre. – cruzou os braços, atento aos lugares pelos quais os dois cruzavam no caminho em direção a cafeteria da universidade, tentando memorizar o máximo possível do caminho que com certeza seria muito frequentado por ele, principalmente se a bebida possuísse um gosto de seu agrado.
- Realmente não, eu sou bastante ocupada, sabe? – fez uma pose bem exagerada, zoando o professor sobre o fato de que não teria muito tempo disponível para ajudar com as questões relativas a monitoria.
- Vish, ocupada assim? – fingiu se preocupar, colocando a mão sobre a boca, como se estivesse chocado com a aparente confissão da aluna.
- Bastante! – Ela confirmou astuta e os dois riram.
- A cantina tá perto? Tô sonhando com o café! – sentiu a boca aguar. Sua mãe o zoava há anos, dizendo que o internaria em uma clínica de reabilitação para viciados em café.
- Aqui! – mostrou, apontando para a fachada da unidade da Tim Hortons que a McGill havia terceirizado alguns anos atrás e que era um ponto de encontro perfeito para alunos e professores.
- Dois cafés, por favor. – pediu para o atendente, após ele e se acomodarem nas cadeiras com mesinhas do local. Em poucos minutos os dois já degustavam a deliciosa bebida, que virava a melhor amiga dos alunos em tempos de semana de prova.
- O café daqui é bom! – elogiou, após tomar um gole do café e inspirar seu aroma, como se fosse um especialista no assunto.
- É sim! Faculdade me viciou em café! – riu. Era realmente verdade. No início da graduação, ela odiava a bebida, hoje em dia, já bem próximo da formatura, tratava-se de sua fiel escudeira das madrugadas.
- Pelo visto vou ficar ainda pior! – riu. - Eu sou louco por café. Fiz uma viagem uma vez só por causa do café.
- Sério? Que legal! – se entusiasmou, amante de viagens como era. concordou, começando a contar alguns momentos da viagem que havia feito pelos países considerados grandes produtores de café, ou importantes ao longo da história da bebida.
- Mas me diz. A fez uma ótima propaganda sua, que era organizada, compromissada e esforçada. Me diz, por que escolheu a área? – perguntou com um sorriso fechado, após bebericar um pequeno gole do café.
- Inicialmente fui influenciada pelo meu irmão. Ele é advogado, então eu queria algo parecido. Coincidentemente, ele foi pra área trabalhista, então ele pode me prender! – zoou, fazendo rir alto e chamar a atenção de algumas pessoas. O homem se encolheu na cadeira, concentrado em sua bebida. riu, antes de prosseguir contando sua história com a administração. - Mas no quinto semestre, acho, fui estagiar em uma pequena empresa. E lá eu me senti A administradora. Eles tinham bastante problema com colaboradores também. E foi ali que eu encontrei o amor da minha vida! – sorriu grande, feliz ao lembrar de como tinha se sentido importante ajudando os donos da pequena empresa nas questões referentes a administração do empreendimento e contagiando a sorrir também. Ele sempre adorava ver um aluno se empolgar com o curso e com a perspectiva de um bom futuro profissional.
- É muito bom fazer algo que a gente se sente bem e gosta. – concordou. - Comigo foi um pouco parecido, eu queria engenharia, acordei pra administração um pouco mais tarde que você, mas quando eu acordei, entrei com os pés e com as mãos.
- Engenharia de produção? – tomou o ultimo gole do café e jogou o copo plástico no cesto de lixo seco postado perto da mesa onde o casal estava.
- Mecânica! – falou de uma vez, soltando uma gargalhada ao ver a mulher arregalar os olhos, surpresa com o que ele tinha acabado de contar.
- Mecânica? – parecia abismada. Como diabos um cara que queria cursar Engenharia Mecânica acabou se tornando um dos maiores nomes da atualidade no campo da Administração? Simplesmente fazia nenhum sentido!
- Moleque do juízo frouxo. Já faz 84 anos. – O professor riu alto, querendo dizer que fazia muito, muito tempo que ele tinha sido um universitário. E bom, fazia mesmo. Uns bons 20 anos. – Mas vamos? Eu realmente preciso passar na biblioteca antes da aula. – fez uma carinha de ‘ops’. O homem deu o último gole na bebida e jogou o copo plástico no lixo, juntando o dele ao de .
- Claro, claro. Vamos! – sorriu fraco e levantou da cadeira, saindo da cafeteria com em seu encalço.
- Qual o amor da sua vida dentro da ADM, senhorita? – perguntou interessado com um sorriso bonito, voltando ao assunto que havia sido iniciado na cafeteria.
- Recursos humanos!
- Prazer, o seu professor de RH! – estendeu a mão bem zoeiro e gargalhou ao ver sua aluna arregalar os olhos levemente e estacar no meio do corredor do segundo piso.
- Não acredito! - Ela esganiçou, meio perdida.
- Pode acreditar! – riu. - É bom saber que você gosta de RH, posso te passar muita coisa que eu tenho. Se você quiser, claro!
- Quero, claro! Obrigada, ! sorriu agradecida, recebendo um sorriso satisfeito de volta do professor.
- E pós-graduação, o que pretende? – colocou as duas mãos nos bolsos frontais da calça preta social que vestia. O homem mais uma vez dividia-se entre ouvir o que falava e prestar atenção no caminho, tentando memorizá-lo ao máximo, absorvendo o maior de referências possível.
- Um MBA em gestão de pessoas, muito provavelmente, se tudo der certo. – riu, colocando uma mecha do cabelo médio atrás da orelha.
- Consegue mole! Faço questão de ajudar no que eu puder, na jornada! – se ofereceu, sorrindo largamente para a aluna.

Uma das coisas mais gratificantes para ele era contribuir de alguma forma maior para o futuro daqueles acadêmicos em que ele enxergava empenho e potencial na mesma proporção. E , mesmo com o pouco tempo de convivência, se é que os últimos dias podiam ser considerados como convivência, com certeza já demonstrava se encaixar no perfil buscado pelo professor.
- Obrigada, ! De verdade! – sorriu extremamente agradecida. Um dos maiores ícones da Administração querendo ajudá-la? Ela nem seria louca de recusar. - Mas me diz: que livro você quer? – A garota perguntou, após entrarem na biblioteca e estarem se dirigindo para um canto que acreditava estarem alocados os livros de Administração.
- O Código da Liderança: 5 Regras para Liderar, do Dave Ulrich, é um livro muito bom! – O homem falou convicto e concordou, o direcionando para a estante que continha os livros referentes ao tema Liderança. - Se você não usou ainda, recomendo! O Ury escreveu um capítulo pra ele. – soltou a informação sobre o professor que poderia ser considerado como um dos mais importantes de Harvard e que tinha sido orientador por toda a caminhada acadêmica de .
- Você é orientando dele, né? – perguntou interessada, mesmo que já soubesse a resposta, ajudando o professor a procurar o livro que ele precisava.
- Sim, sim! – sorriu, um sorriso muito bonito, na verdade. Cheio de admiração e gratidão, que era o que ele sentia por William Ury, um verdadeiro pai para em seus tempos de juventude em Boston. - O que tem mais aqui por perto que você possa me dizer? Tem um restaurante bom aqui por perto? – O professor perguntou, encontrando o livro e o retirando da prateleira.
- Tem um restaurante ótimo na outra rua! – apontou para fora da janela, como se estivesse apontando para o estabelecimento em questão.
- Ótimo. Ótimo. Vou procurar por ele. – O homem garantiu, já se direcionando para a mesa da bibliotecária. - Precisa de registro? Eu não tive tempo pra parte burocrática ainda!
- Coloca no meu nome – A aluna ofereceu, já pegando o livro das mãos do professor e entregando para a responsável pela biblioteca da universidade fazer o registro.
- Muito obrigado! Eu prometo que logo te deixo livre. – riu, pensando que já era um alívio ter como sua monitora. A situação, com certeza, tenderia a ser bem pior se ele estivesse sozinho para resolver tudo e lidar com o processo de adaptação.
- Claro, não tem problema! – garantiu, entregando o livro de volta nas mãos do professor, que sorriu agradecido. – Qual turma você tem aula agora?
- A turma da aula é a 45. Você me mostra onde é também? Eu sei que eu estou abusando, mas você tá me salvando aqui! – riu, com careta meio sem graça por estar pedindo tantas coisas para a monitora, mas ouviu a risada da garota.
- Levo, eu estou indo pra lá mesmo. – Ela deu de ombros.
- Sua turma! – se animou. Era bom saber que teria uma figura conhecida naquela sala. -Espero que eles sejam tão espirituosos como você!
- Talvez sim, talvez não. – voltou a dar de ombros, rindo enigmática. E expressão de se tornou uma careta desgostosa fingida.
- Não gostei muito de ouvir isso. Mas eu conquisto a turma! – Foi a vez de o homem dar de ombros, como se aquilo fosse fácil de conseguir.
- Boa sorte! – A aluna desejou, no maior deboche do mundo, prendeu o lábio inferior entre os dentes para não deixar a risada escapar.
- Obrigado! – foi sincero e os dois riram.

acenou para que o professor a seguisse e eles rumaram para a sala de aula, para a aula de uma das matérias preferidas de , e que ela esperava que continuasse sendo.


Chapter 4

suspirou, focando seus olhos na pasta transparente tipo arquivo que continha os Procedimentos Operacionais Padrão, mais conhecidos pela sigla POP, e tão comuns para os administradores, e fez uma careta desgostosa. Atualizar tudo aquilo era chato demais! Claro que ele não iria fazer tudo aquilo sozinho, mas até o momento, sua monitora não havia chegado. Aliás, onde diabos tinha se metido? O professor bufou, passando a mão no rosto para espantar um pouco do cansaço daquele dia tão atribulado e abriu dois botões da camisa xadrez de tons de amarelo queimado e marrom e digitou algumas instruções no notebook que estava em seu colo. Ouviu uma leve batida na porta de madeira escura que permitia entradas e saídas a sala e, antes que tivesse tempo para autorizar a entrada da pessoa que batia, viu a cabeça da monitora adentrar o cômodo.

- Boa noite! Desculpa o atraso – cumprimentou com um sorriso meio culpado no rosto, amarrando o cabelo com um elástico em um rabo de cavalo baixo.
- Hey! – cumprimentou com um sorriso bonito, porém fechado. - Boa noite! Tudo bem, não esquenta com isso. Já comecei aqui pra agilizar o trabalho! Já atualizei três. – O professor informou, fazendo a aluna afirmar. pegou o próprio computador e sentou ao lado do professor para começar o trabalho, mas não antes de reparar em uma coisa. Esse cheiro vinha dele? Como era possível o homem ter ficado todo o dia no trabalho e ainda estar cheiroso daquele jeito? Não era possível!
- Não sei se você gosta, mas comprei um sanduíche, eu sei que você tá aqui desde a manhã! – se justificou, apontando para a mesa que continha um prato com sanduíches de pasta de amendoim e geleia, que fizeram a garota salivar na hora. Será que disse alguma coisa sobre o fato de não comer carne (e de sanduíche de pasta de amendoim com geleia ser o preferido da garota) ou tinha apenas sido uma coincidência das grandes e o professor tinha acertado em cheio na escolha?
- Obrigada! – agradeceu, se esticando para pegar uma metade de sanduíche, ao mesmo tempo em que equilibrava o notebook no colo para que não acontecesse um desastre. - Tô mesmo, hoje literalmente eu não fui pra casa!
- Come sossegada, mulher! – riu da pressa que a aluna parecia ter para engolir tudo de uma vez e começar logo o trabalho. - Vamos dividir os pops? Assim termina mais rápido. Vou passar pro pendrive enquanto você come.
- Claro! Pode dividir! Quer meu pen drive? – ofereceu, engolindo o último pedaço de sanduíche e pensando que uma limonada cairia bem para o momento, mas ela estava cansada para ir até a cantina, e suco de limão a deixava com sono, tudo que ela não precisava para o momento, então ficaria para outra hora. acenou positivamente em relação a pergunta de . A aluna tirou o pen drive e entregou para o professor, que agradeceu com um aceno de cabeça. conectou o dispositivo ao computador e começou o processo de envio dos arquivos.
- Qualquer dúvida é só me gritar! – devolveu o dispositivo para a aluna que o conectou em seu próprio aparelho para abrir os arquivos e iniciar a atualização dos POPs.
- Tudo bem, professor ! – zoou, justamente por saber que o professor não gostava de ser chamado daquela maneira e segurou a risada ao ver a cara de ofendido do mais velho, que tinha o rosto torcido em uma careta.
- Sem professor . Eu já disse, ! Meu nome já é de velho. Professor eu me sinto com 60 anos. – reclamou, bufando e fazendo a outra gargalhar. - Mas e aí, concluinte? No que você se meteu além da monitoria? – O professor perguntou interessado, ainda que focado no trabalho que precisava ser feito.
- No poço da Samara! – soltou de uma vez, como se estivesse falando sobre o tempo, ou alguma outra coisa bem banal do dia-a-dia. gargalhou alto, quase se engasgando com o pedaço de sanduíche que tinha na boca.
- Tá atolada, mulher? Ainda pegou atividade extracurricular? – O professor riu baixo, digitando algumas informações no notebook.
- O que seria da vida sem atividade curricular? – deu de ombros rindo, causando nova crise de riso em . Aquela garota ela louca, não poderia ter outra explicação! – Sou metida demais, não sei parar quieta.
- Ta faltando hora pra colar grau, né? – arqueou as sobrancelhas, em uma postura fingidamente acusadora. riu e negou com um aceno de cabeça.
- Pior que não. Eu sou metida mesmo. Não sei parar quieta. – A monitora deu de ombros, e riu baixo.
- Ainda bem que se atentou a isso. Um semestre pra colar grau e eu atrás de certificado. queria me matar! – riu, e coçou a barba. O tinha quase enlouquecido e o levando junto pro ralo, reclamando todo o tempo da irresponsabilidade do amigo em não guardar os certificados das atividades extracurriculares que tinha participado, sabendo que precisaria daquilo para colar grau. Mas tudo tinha dado, não tinha? Então não precisava tanta preocupação.
- Mas e o TCC, a quantas andam? Eu sei que é uma fase complicada e não quero tomar seu tempo pra discutir. – foi sincero, dividindo sua atenção entre a aluna e a atualização do POP que estava trabalhando no momento. Ouviu suspirar e, pela visão periférica, fazer uma careta desgostosa. Involuntariamente, a careta se replicou no rosto do professor.
- Eu só tô um pouco perdida sobre o que fazer a partir de agora. Meu antigo orientador era o Marshall, e como ele saiu da McGill, tá tudo meio perdido, não encontrei substituto ainda. – soltou uma risada totalmente sem humor e deu de ombros, mesmo que sua vontade fosse chorar. A careta no rosto de aumentou e ele mordeu a boca, preocupado. De certa forma aquilo era culpa dele. Não tão diretamente, e ele não tinha feito por mal, mas ainda sim era culpa dele.
- Sim, eu fiquei sabendo por alto. Não achei que fosse te prejudicar. – O professor soltou o ar de uma vez, realmente sentido. A época de TCC já era complicada e atribulada por natureza, sem orientador tudo tornava-se ainda pior. arregalou levemente os olhos e negou com a cabeça, olhando para o professor.
- Não! Não, ! Não prejudicou. O Marshall precisava aposentar. – A garota deu de ombros, tentando manter uma pose calma e parecer madura, mas não deu certo, pois a gargalhada de preencheu o ambiente.
- Olha, não foi isso que chegou aos meus ouvidos! – zombou o fato de ter dito que só faltava querer a cabeça do professor de Negociação em uma bandeja de prata, antes mesmo de ele pisar nas dependências do seu novo local de trabalho.
- Shiu, eu tô tentando superar a raiva! – riu, como se fosse nada demais e uma nova crise de riso por parte de pode ser ouvido. - Ainda tá escrito na testa do 'traidor'. Ainda tá! Mas eu tô tentando superar.
- Ele é um traidor mesmo! Concordo com você! – O deu corda para os xingamentos de em relação ao seu melhor amigo. Afinal, zoar , ainda que ele não estivesse perto para se fingir de ofendido, era sempre divertido. – Mas e eu? Sou o quê? – abriu um sorriso quase maldoso de lado, que se alargou quando a aluna engoliu em seco, parecendo desconcertada com a pergunta. - Segue a vida! – Ela tentou desviar, visivelmente envergonhada. negou, ainda que achasse engraçado aquela reação de . Ele sentia que aquilo não se repetiria muitas vezes nos próximos meses.
- Ah, não. Preciso saber o que a minha mais nova orientanda pensa de mim. Não acha que é injusto ficar às cegas? – soltou a proposta de uma vez, mas totalmente despretensioso, como se estivesse falando do tempo, tentando adivinhar se naquele dia choveria ou faria sol.

Mas, com certeza, a mensagem não chegou assim para , visto que ela imediatamente corrigiu a postura e olhou para de uma vez, piscando repetidas vezes, parecendo até mesmo um pouco assustada.

- Era o mínimo que eu podia fazer. Não quer? – mordeu a boca, preocupado com a resposta de , mas se permitiu relaxar e abrir um sorriso quando viu a garota sorrir e acenar positivamente sobre a proposta.
- Quero! Obrigada, ! – agradeceu, com os olhos brilhando tanto que quase não era mais necessário deixar a luz ligada para iluminar o ambiente, mesmo sendo já noite. poderia não saber, ou não ter se dado conta, mas ele havia acabado de salvar o final da vida acadêmica de na McGill. E a garota tinha uma leve impressão de que não seria tão ruim fazer o Trabalho de Conclusão de Curso daqui para frente, já que sim, ela seria orientada por um dos melhores professores e estudiosos de Administração da atualidade.
- , seu novo orientador! – O homem riu, esticando a mão para um cumprimento, que foi prontamente completado. Era perceptível a alegria de sua aluna e aquilo o contagiava, o deixava muito feliz. era esforçada e focada, com certeza não traria muitos problemas, muito pelo contrário, pelo que ele tinha escutado dos outros professores. - Só que você precisa me deixar a par de tudo sobre seu projeto, como está a coleta e tudo direitinho, pra eu poder te ajudar!
- Claro! Eu passo no seu e-mail! – garantiu, não conseguindo desmanchar o sorriso no rosto. Não que ela estivesse tentando muito
- Whatsapp também ajuda. Eu não checo toda hora o e-mail! – sugeriu. Geralmente era assim, as orientações eram feitas quase todas pelo aplicativo de mensagens. Santa tecnologia!
- Tudo bem! Obrigada! – agradeceu mais uma vez e meneou a mão, como que para dizer um ‘não precisa agradecer’.
- E a papelada. Como eu resolvo isso? – O professor riu, meio morto. Ele ainda não conhecia todos os procedimentos da universidade e também não tinha outro orientando, então não sabia como resolver aquela formalidade.
- É através de um formulário com a reitoria. – A aluna informou, pegando mais uma metade de sanduíche. - Com o ? Eu resolvo mole. – Ele meneou a mão mais uma vez, totalmente despreocupado e os dois riram.
- Mas os pops, moça! Vamos continuar? – concordou, ajeitando a postura e o computador no colo.
- Vamos aos pops! – A aluna balançou os braços, como se estivesse dançando animadamente e levando o professor a rir alto.
- Peguei uns livros. – Ele apontou para a mesa, onde estavam cinco livros relativamente grossos. - Eu funciono a moda antiga. – Ele riu, sendo seguido por uma que não parecia muito motivada com a idade de utilizar os livros.
- Tuuudo bem! Pops a moda antiga! – Ela fingiu animação e soltou uma risada alta e espontânea, bem espontânea. definitivamente, sem sombra de dúvidas, era louca!
- Só você pra me fazer rir essa hora da noite preso na universidade. – Ele secou uma lágrima teimosa que caiu por causa do volume de risos.
- A coisa fica mais fácil se a gente rir! – deu de ombros, com um sorriso no rosto.
- Rir é o melhor remédio! – concordou, rindo mais um pouco.
- Filosófico! – A monitora zoou rindo e o professor riu, negando com a cabeça.
- Vivido! É diferente! – Corrigiu. - Embora eu seja novo, mas eu já vivi bastante!
- Sair de casa é a melhor experiência! – soltou um suspiro, mas feliz. Realmente, se mudar da Espanha para o Canadá tinha sido a experiência mais enriquecedora de toda sua vida. Ela havia crescido e aprendido muito!
- Olha, eu não sei onde você morava, mas sim. É uma experiência incrível. – concordou, sorrindo.

Os anos em Boston tinham sido os melhores de sua vida, ainda que estivesse tão longe da família. Quando o homem acabou de falar, seu celular tocou. Ele olhou rapidamente para o visor, checando quem estava ligando e levantou, pedindo licença e foi para outro canto da sala. Mesmo não prestando atenção, conseguiu ouvir por alto a conversa. Era uma mulher, marcando um encontro ou algo assim com . Alguns minutos depois, ele voltou, guardando o telefone novamente no bolso da calça e sentou, colocando o notebook no colo.

- Vamos ver se terminamos antes das 21? – Ele pediu, se referindo aos POPs, nos quais trabalhava concentrado, concordou com um aceno de cabeça. - Eu te deixo em casa se você não tiver como ir.
- Eu posso ir de Uber, sem problema. – propôs, o que foi logo rejeitado pelo homem.
- Eu tô te prendendo aqui, carona é o mínimo. – Ele riu.
- Tudo bem! Mas só se não for incomodar. – mordeu o lábio e negou mais uma vez.
- Não vai! – Ele sorriu bonito, transparecendo sinceridade. então concordou e eles voltaram ao trabalho, que durou até exatamente o horário estipulado.

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A respiração parecia faltar como se ele estivesse imerso há horas embaixo d’agua, desesperado por uma mísera bolha de ar que fosse, enquanto o homem se via diante de um altar, em uma igreja lotada de familiares, amigos e o que quer mais que fosse naquele circo. não queria acreditar no que via, só poderia ser o maior dos pesadelos. Nem naquela vida, nem nunca ele iria casar e sim, já estava decretado! O homem beliscou o próprio braço, percebendo que estava de paletó e arregalou ainda mais os olhos, quando ouviu a macha nupcial começar tocar. Todos os tais convidados levantaram dos bancos para prestigiar a entrada do diabo da noiva e o professor começou respirar ainda mais curto, querendo mesmo cair da cama naquela merda de sonho tão real.
O respirou fundo na intenção de correr o mais rápido possível dali e acordou de uma vez, mais atordoado do que no próprio sonho. O homem parecia ter acabado de sair de uma piscina, tamanha era a força que ele tentava respirar e ficou ainda pior, ao dar de cara com um corpo feminino, incrivelmente cheio de curvas ao seu lado. Merda! Merda! Merda! Aquilo só poderia ser brincadeira. Ele passou as mãos pelos cabelos, desesperado em saber o que caralhos era aquilo e sem pestanejar, pegou o celular no criado mudo. O Relógio marcava quase quatro da manhã e mesmo que ele soubesse que não era a melhor opção, acordar era a mais sensata.
discou o número rápido do amigo e esperou três vezes na linha até o telefone ser atendido por um homem puto.

- Eu acho bom você estar morrendo, ou bem perto disso! – a ralhada do mais velho saiu cortando, mas nada que tirasse o desespero do outro.
- ? – ele perguntou assim que ouviu o melhor amigo terminar, ainda meio assustado com os cabelos escuros espalhados em sua cama.
- O que foi, ?
- Eu estou casado? – a pergunta do saiu inteiramente desesperada e amedrontada, enquanto ele não sabia realmente se tudo tinha sido um sonho sem fundamento, ou uma lembrança. Olhando mais uma vez para o corpo quase descoberto ao seu lado, realmente tentado a acordar a mulher e fazer a pergunta mais idiota que alguém poderia fazer.
- Ah, vai à merda! Você sabe que horas são, caralho? – o homem xingou indignado por ser perturbado àquela hora da madrugada. Ele só poderia estar bêbado. – Para de encher a porra da cara em plena semana!
- Não importa, ! – soltou um grito meio esganiçado e viu a mulher, ainda desconhecida, se mexer em sua cama como se mostrasse que estava prestes a acordar pelo grito dele. – Me diz logo! Para de ser escroto e me responde, basta um sim ou um não.
- Eu sou escroto? – outro grito esganiçado fez o professor de administração fechar os olhos com força. – Jura, ? Você me liga no meio da noite, perguntando algo completamente sem sentido, porque provavelmente está bêbado e eu quem sou escroto?
- Eu não estou bêbado! – a afirmação saiu esganiçada e indignada. Era só o que faltava, o pinguço maior, duvidando da sua sobriedade.
- Pois é o que parece. Me ligar perguntando se está casado? Qual o seu problema?
- Eu não tenho culpa, porra! Eu sonhei que estava me casando e acordei no desespero. – ele disse meio esganiçado e ouviu a gargalhada do amigo, ao mesmo tempo em que o casado se calava de uma vez. Certo era pra não acordar , ou por algum tapa que tinha tomado. – Daí, pra completar a minha desgraça, encontro uma gostosa na minha cama que eu não faço a mínima ideia de quem seja! – o sussurro saiu esganiçado e o suspiro sem demora.
- E você espera que eu saiba? – riu mais uma vez, porém mais abafado. – Eu sei quem é a gostosa que está na minha cama. Porque ela é minha esposa! Vai dormir, . E me deixa em paz.
- Belo amigo...
- Tchau, ! o cortou, sem nem ao menos esperar o resto da frase e desligou a chamada sem qualquer vergonha.
- Ah, filho da puta. – o professor xingou e respirou fundo, agradecendo aos seus que a mulher ainda dormia calmamente.

Ele levantou da cama, vestiu a cueca que estava no chão e se espreguiçou, na intenção de ir até o banheiro. Assim ele poderia ao menos ver de novo o rosto da tal mulher, sem ter que acordá-la, ou parecer um louco com amnésia. Calculadamente, andou até a porta do banheiro da suíte, interessado em enxergar o rosto da morena que parecia tão serena dormindo, e como um clique, todas as lembranças vieram à tona. As taças de vinho, os beijos, os amassos, o jeito que ela fazia questão de beijar o pescoço dele, enquanto ainda estavam sentados no sofá. Tudo tinha voltado como uma grande enxurrada e só ali, ele pode respirar fundo e satisfeito, sabendo que sua noite tinha sim, valido a pena.
Celine era o nome dela, mulher que ele pretendia chamar mais vezes, sempre que não tivesse nada melhor pra fazer.

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saiu do quarto levando consigo tudo que precisaria para passar o dia na universidade, ainda que estivesse bem incomodado pela demora de , que sequer tinha trocado de roupa aquela manhã. Ele entrou na cozinha vendo a esposa bem sentada em um dos bancos, enquanto tomava café e respirou fundo, pedindo paciência.

- , vamos! – ele arregalou levemente os olhos e a viu o olhar com uma interrogação na testa. – Mulher, você demora uma vida!
- Senta e come! – enrugou o nariz em uma careta como se fizesse pirraça, vendo o marido rir. – De manhã eu não sou ninguém. – ela fez um bico, ganhando beijo e viu o pró-reitor colocar café em uma xícara.
- Anjo, você tá de pijama ainda! – ele fez uma careta, tomando um gole do café quente.
- Eu troco rápido. – bocejou, enfiando um pedaço de pão com requeijão na boca. – Ninguém vai perceber se você atrasar.
- Você? – o homem perguntou incrédulo e soltou uma gargalhada. – E eu tenho reunião com o reitor hoje, anjo. – ligou o sinal de internet do celular.
- Hades! – a garota xingou, fazendo uma careta e os dois riram alto.
- Mulher, agiliza! – ele apressou mais uma vez e a viu rolar os olhos. sabia que tinha ódio de ser pressionada pra que fizesse algo mais rápido, e mesmo assim fazia pra vê-la irritada.
- Não me olha igual seu sogro! – ela reclamou rolando os olhos. – E não me apressa. Deus do céu, isso me dá nos nervos!
- Eu estou olhando como alguém que sabe que você é uma tartaruga de manhã! – piscou com um sorriso divertido e beijou a cabeça da mulher, ao se esticar por cima da ilha.
- Eu não tenho culpa se você é muito bem resolvido com seus horários, Mr. ! – rebateu no mais puro deboche, vendo o marido arquear as sobrancelhas.
- Aprende com o marido! – o homem piscou pra ela e mandou um beijo alado.
- Meu corpo não tem essa disciplina, nem adianta! – a mulher riu de leve, mas logo passou a mão pelos cabelos, esboçando uma careta desgostosa. – Odeio cólica, quando essa praga não desce. – ela resmungou suspirando e o marido fez uma careta junto.
- Praga? A menstruação? – a pergunta saiu meio confusa e respirou fundo, antes de afirmar com outra careta ainda maior.
- É... Eu estou sentindo cólica, mas tem uma semana que ela só ameaça. – a mulher se esticou ainda sentada e sacudiu o cabelo cacheado. fez uma careta e tomou um gole do café, vendo-a levantar do banco. – Pior que eu estou me sentindo enorme.
- Isso é normal! – rolou os olhos de fé forma discreta. Ele realmente não via onde parecia tão enorme quando ela dizia estar. E inchaço era normal no período menstrual.
- Acho que deu erro no comprimido esse mês. – ela enrugou o nariz, mastigando um último pedaço de pão. – Amor, eu vou voltar pro injetável. – a declaração saiu fazendo o homem rir alto.
- Erro? – ele sacudiu a cabeça rindo divertido.
- É, a vida tá meio conturbada! – ela riu junto.
- Você tá é grávida! – o pró-reitor sacudiu o dedo pro nada, vendo uma careta horrenda se formar na cara da esposa.
- SAI, ! – ela soltou um grito esganiçado, protegendo a barriga e o fez gargalhar com a postura dela.
- O quê? – a pergunta saiu cheia de deboche.
- Eu penso em um bebê e já começo me coçar! – simulou um arrepio que fez o marido rir mais ainda.
- Porra, ! – o homem riu ainda mais.
- Vira essa boca pra lá! Isso é comida! – a estudante de enfermagem esticou a barriga o máximo que podia, segurando ela com a mão, como se fosse uma grávida. – Oito semanas!
- Eu acho que são nove, hein? – ele passou a mão no rosto, ainda rindo com a palhaçada dela.
- Se for menino é Breakfast, se for menina é Brunch! – fez pose, alisando ainda mais a barriga, enquanto via o marido vermelho de tanto rir. – Você é muito idiota pra rir. Deus do céu. – a mulher riu junto.
- Ótimos nomes! Mas eu quero um casal de gêmeos. – deu uma piscadela, fazendo fazer o sinal da cruz.
- Casal de gêmeos é sacanagem! – ela reclamou.
- É nada. Quero. – a resposta veio despreocupada, a medida que o homem tomava seu café tranquilamente, sem ver a careta indignada dela. Ele só podia estar louco.
- Nós já conversamos sobre isso, . – a mulher suspirou e o viu levantar as mãos em rendição. – Você vai ter que arranjar uma barriga de aluguel.
- Eu nada, quem vai engravidar é você. – ele piscou.
- É sério, . – a mulher alertou sobre o atraso da menstruação e sobre a conversa “filhos”. – Vou ver se consigo uma consulta com a Eduarda essa semana. – mencionou sobre a ginecologista que frequentava desde que tinha começado namorar com e o homem afirmou com um aceno de cabeça.
- Ela vai confirmar a gravidez. – o homem ainda brincava com o assunto e ela rolou os olhos, bufando com aquela insistência chata. – Eu falo sério, anjo! – riu baixo.
- E eu também. – ela deu o ultimato, se preparando pra fazer o drama enumerando nos dedos. – Minha menstruação está atrasada em uma semana, minha cartela do anticoncepcional está incompleta e você adora esquecer de usar camisinha. – a mulher suspirou e logo seu marido percebeu que era sério de verdade.

arregalou levemente os olhos só com a possibilidade de gravidez. Sim, ele queria filhos, se possível dois. Mas a situação atual da família não era a melhor pra receber uma criança, na loucura de fim de curso e ele também focando no trabalho. Como os dois iriam fazer se ela estivesse realmente grávida? O homem respirou fundo, sem prestar atenção ao que ela dizia e apenas afirmou com um aceno de cabeça, assim que viu a mulher seguir no corredor que dava para o quarto. Ele passou a mão na cabeça, pedindo a todos os anjos e santos que conhecia por acompanhar, mesmo que de fora, a religião da esposa e prometendo que nunca mais esqueceria de usar camisinha, arrependido por todas as vezes que já tinha feito aquilo.
O pró-reitor suspirou já meio preocupado e logo a viu sair do quarto já toda pronta, cumprindo a promessa que se arrumaria rápido.

- Vamos? – parou entre as pernas dele, repousando os braços nos ombros do marido, ganhando um beijinho casto no braço e um sorriso fechado. – O que foi? – ela fez careta e o viu negar com um aceno de cabeça, a beijando levemente. – Você está pálido, amor, com cara de quem aprontou e se arrependeu. – a garota fez uma careta e ele riu morto. O sentimento era quase aquele mesmo.
- Eu? Nada, anjo. – ele recebeu um beijo na testa. – Só pensando na reunião mesmo. – o homem suspirou, mostrando realmente sua preocupação e foi abraçado com força, um abraço gostoso, cheio de cuidado e amor, que o fez suspirar e se deixar esmagar por ela.
- É só consulta de rotina. – ela disse baixinho, sentindo seu corpo ser esmagado com mais força ainda.
- Eu sei, anjo. Não se preocupa comigo, só estou um pouco preocupado com a reunião, mesmo. – esboçou um sorriso fechado, acariciando o rosto dela com carinho e viu sua esposa sorrir um tanto apaixonada. – Eu vou precisar ficar até mais tarde hoje. Você fica com o carro, pode ser?
- Pode sim. – ela beijou a palma da mão dele, fazendo o homem suspirar aliviado por saber que era tão amado quanto a amava. – Vai mesmo ficar até mais tarde? – fez uma careta. Os dois riram baixo.
- Vou, mas eu prometo que não chego muito tarde.
- Me liga e eu te busco. – ela o beijou de leve, sendo abraçada com força pela cintura.

O pró-reitor acenou com a cabeça bem indefinidamente, sem deixar que aquilo negasse ou aceitasse o pedido dela. Eles tinham que economizar se ela estivesse mesmo grávida e era bom começar pelo combustível que parecia subir o preço todo santo dia. levantou do banco e em um impulso, a abraçou com força, enfiando o rosto no pescoço da esposa, como se procurasse aconchego.

- Te amo. – ele sussurrou rente ao ouvido dela, sentindo ser abraçado com ainda mais força.
- Eu também te amo, meu anjo. – devolveu a jura de amor e beijou a cabeça dele, completando um dos gestos mais verdadeiros entre os dois.

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e estavam na cantina da universidade durante o intervalo das aulas mais chatas da humanidade dos cursos de graduação, Saúde e Cidadania para a quase enfermeira e Mercado de Capitais para a futura administradora. Mas tudo estava bem, já que bebia seu maravilhoso e adorado café de todos os dias, acompanhado de um croissant de queijo, enquanto bebia um suco de uva acompanhado de um hambúrguer com batatas fritas, que ela classificava como a oitava maravilha do mundo.

- Como tá a orientação com o ? – perguntou, se referindo a monitoria que a amiga trabalhava.
- Tá tudo bem. Ontem a gente ficou até às 21h atualizando pops. – bebeu um gole da bebida quente e tirou um pedaço do lanche com a mão, jogando-o na boca.
- Atualizando pop, né? – Tatyelle riu, desacreditada. - Eu também atualizava muito pop com o ! – o deboche em seu tom de voz era tão evidente que fez quase engasgar, entrando em uma crise forte de risos. A futura administradora jogou um guardanapo na amiga, que desviou rindo. - O quê? Foram três meses pra atualizar a planilha do laboratório! – A quase enfermeira deu de ombros, como se dizendo que aquilo era nada demais.
- Vocês atualizavam outro tipo bem diferente de pop. – A mais velha naquela amizade provocou, se referindo aos vários momentos em que certamente e se pegaram no laboratório que ele era o responsável. E ela esperava do fundo do coração que tivesse sido apenas lá, pelo menos era mais escondido. A cacheada deu de ombros, levantando o copo de suco até em frente aos lábios para esconder o sorriso ladino e malicioso.
- Oh, Gloria! E ainda hoje a gente atualiza! – A garota soltou um gritinho, fazendo a outra rir. - Mas hoje, o safado do meu marido quer me orientar e eu matar ele! – A quase enfermeira suspirou, coçando a cabeça, meio desgostosa.
- Deixa o moço orientar, menina! – riu. negou veementemente com a cabeça, com uma careta enorme.
- Quero longe dos meus projetos. Sério, só da briga! E ainda não termina do jeito bom! – A careta desgostosa aumentou quando ela se referiu ao fato de que, quando o motivo da briga era relacionado à faculdade, o tão conhecido pelos casais do mundo, ‘sexo de reconciliação’, simplesmente não era uma opção a ser considerada, muito pelo contrário, diga-se de passagem. - É só que não funciona comigo se ele inventa de pagar de meu professor. Mas vai de cada pessoa. – assentiu, entendendo o que a amiga quis dizer.

Era mesmo bem complicado, sem contar que não era a coisa mais certa a se fazer no mundo, podia acabar prejudicando ambos se algo viesse a dar errado. Mas se Deus quisesse, tudo ficaria bem. mexeu o líquido marrom claro com a pequena colher de plástico que era ofertada como auxilio de ajuda para esfriar o café, deu uma leve assoprada no líquido e riu baixo, lembrando de um acontecimento da noite passada.
- Esse tipo de POP, o foi atualizar depois. – A estudante de administração soltou de uma vez, dando um sorriso de lado que com certeza poderia ser classificado como maldoso e atraiu a atenção de , que arregalou os olhos.
- Não acredito que ele saiu depois! – A estudante de enfermagem reclamou, bufando e mordeu mais um pedaço de seu lanche, como se estivesse com raiva do amigo. - Me dá uma raiva dele às vezes, sinceramente. Eu vivo dizendo pra ele acalmar essa periquita e tentar namorar que nem gente. – Ela suspirou, parecendo cansada da postura do melhor amigo do seu marido. Qual era a dificuldade de tentar achar uma mulher legal e tentar ter um relacionamento sério? Nenhuma!
- Deixa o cara, gente! Se ele quer pegar várias, o problema é dele. – deu de ombros, despreocupada. bufou contrariada.

era a versão feminina exata de quando o assunto era desapego em relacionamento. Ela iria se preocupar com os dois a partir de agora, isso era uma certeza, ainda mais por não saber se toda aquela semelhança viria para o bem ou para o mal. Mas esperava imensamente que fosse para o bem. Quem sabe eles não se ajudam a encontrar as pessoas certas um para o outro? O universo poderia começar a cooperar a favor daqueles dois já, obrigada.

- Mas e o seu projeto, como ficou? Falta tão pouco. - suspirou com uma careta desgostosa sobre o Trabalho de Conclusão de Curso da amiga. Ficar sem orientador na reta final do trabalho era uma coisa que a futura enfermeira jamais ia querer até mesmo para um inimigo. Dava arrepios ruins na espinha apenas pensar em uma tragédia daquelas. - Desculpa por isso! – Ela disse sinceramente, comendo uma das batatinhas remanescentes no prato. riu e meneou com a mão, como que dizendo para a outra deixar de bobagem.
- Não me peça desculpa pelo que você não tem culpa! – A quase administradora tentou acalmar a outra.
- Mas o tem! – A casada esganiçou. Ela sabia que o seu marido tinha sido responsável pela aposentadoria de Marshall. Mesmo que indireta e sem a menor intenção de prejudicar ninguém, principalmente a melhor amiga da esposa, tinha sido ele a autorizar o desligamento do professor.
- Com o eu me resolvo! – garantiu, com uma postura bem plena, fazendo rir alto. – Além do mais, já tá resolvido! – arregalou os olhos, surpresa, feliz e bastante aliviada com a novidade da amiga.
- ME CONTA! Se livrou da vaca? – fez uma careta ao se referir a Carrie Thompson, ou o demônio ruivo, como as duas gostavam de chamar. A professora do departamento de administração era o maior ranço acadêmico das duas amigas, ainda que por motivos diferentes.
- Consegui! Me livrei da vaca, graças à Jesus! – comemorou com as mãos para cima, sendo acompanhada pela melhor amiga, que quase gritou de felicidade. - Temos novo orientador, e parece bom, viu? – A formanda de administração sorriu de lado, sabendo que aquilo capturaria a atenção de e a faria pensar um monte de coisas sem o menor cabimento, criar várias teorias mirabolantes naquela cabecinha doida.
- Eita! Bom como, viada? – agiu exatamente como previa, já que sustentava um sorrio safado no canto dos lábios.
- Bom, ué. Inteligente e tudo. – A mais velha desviou dando de ombros bem despreocupadamente. – Bonito e gostoso também. – Ela completou baixo, fazendo quase subir na pequena mesinha, com os olhos arregalados.
- SOCORRO, PRODUÇÃO! – A estudante de enfermagem soltou um meio grito esganiçado. – Me conta, quem é?
- Alexander soltou de uma vez, como se estivesse falando sobre o tempo e engasgou com a própria saliva, tendo os olhos levemente arregalados. O quê?
- Oi? – ela praticamente gritou rindo. Rindo alto. - Mentira! Você saiu com ele ontem? ! Safada! – Ela não conseguia parar de rir, já estava até vermelha pelo volume das risadas. O que só piorou ao ver a expressão de , que se dividia entre surpresa e indignação.
- Eu não saí com o ! Tá louca? De onde você tirou isso, criatura de Deus? – A futura administradora esganiçou, indignada. Ela e saindo juntos daquela forma? Era a coisa mais sem sentido do mundo!
- Olha, olha, eu não duvido nada! Vocês são dois sem jeito! – apontou, convicta, fazendo rolar os olhos teatralmente. – Mas agora é sério, suga o cérebro dele de canudinho! Aproveita o que puder aproveitar dele, aproveita que ele tá disponível pra te ajudar. Só aproveita e ele vai te levar longe pra caralho!
- Pode deixar que o que eu conseguir aprender com ele, eu vou! Principalmente por ele gostar de RH também – A espanhola garantiu convicta. Ela sabia perfeitamente a importância do nome de para a administração nos dias atuais e se aproveitaria disso ao máximo. Tentaria que ajudasse ao máximo alavancar sua futura carreira profissional.
- SEU MBA! – soltou um gritinho animado, lembrando da pós-graduação em Recursos Humanos que a amiga tinha comentado que sonhava em fazer. O objetivo maior de era Harvard e era egresso daquela universidade e tinha até mesmo trabalhado lá. A futura enfermeira sabia perfeitamente que a melhor amiga era inteligente e não aceitaria algo de mão beijada, mas contatos nunca eram demais, mesma havia dito essa frase certa vez.
- Meu MBA! - repetiu o gritinho. - Eu contei que queria fazer, ele disse que me ajuda no que eu precisar. – Ela contou, completa e totalmente feliz, com o sorriso nas orelhas. Ela, definitivamente estava no céu!
- Gente! Olha que maravilha! – A Mrs. gritou mais uma vez, animada que quase sentia que poderia explodir a qualquer momento. - Já te vejo comandando uma multinacional! Vai ser lindo!
- Muito maravilhoso! – concordou, com os olhos brilhantes como os diamantes mais valiosos e caros que se tinha conhecimento.
- Minha amiga! – riu, fazendo graça.
- Sua amiga! – retribui, rindo na mesma proporção.

Entre as risadas, olhou para o lado e um sorriso maldoso se apossou de seus lábios. Oh sim, aquilo seria interessante. Muito interessante.

- Migs, quer ver o dinossauro perdido? – A casada apontou para uma mesa um pouco distante da que elas estavam. , e outros dois professores conversam concentrados.
- Sempre! – riu, já imaginando a presepada que se formaria diante de seus olhos. iria provocar, se perder e ela rir. Rir muito!
- Olhe e aprenda! – A Mrs. levantou com um sorriso maldoso nos lábios e ajeitou a blusa de alças no corpo, principalmente os seios e soltou uma risada malvada, fazendo a amiga gargalhar com a pose dela. Piscou para a amiga e se dirigiu para a mesa dos professores, brincar um pouquinho com o marido.
- Matando o marido: fase 1! – ela piscou, fazendo rir ainda mais.

Pobre pró-reitor que tinha uma esposa daquela como aliada. A mulher respirou fundo e com seu formulário em mãos, parou bem perto da mesa onde estava com mais três amigos, dentre eles, .
- Bom dia, professores! – ela esboçou um sorriso simpático, ganhando alguns em troca uma careta completamente confusa do marido, que acabara de olhar pra cima. Dando de cara com a silhueta da esposa contra o sol.
- Bom dia! – o coro dos homens na mesa veio simpático e cheio de sorrisos, enquanto mal olhava pra , tentando não rir na cara dura.
- Então, professor . – a mulher mordeu levemente a boca, na intenção de provocá-lo, conseguindo a devida atenção. – Queria tirar uma dúvida com o senhor, posso? – o bico se fez presente e o homem quase engasgou com a próxima saliva. Patético, ele era patético!
- Pode. Pode, claro! – o homem se recompôs antes que pudesse perder a dignidade pela engasgada e respirou fundo.
- Posso sentar? – ela perguntou com os olhos pidões e o homem piscou os dele sem entender muito onde ela queria chegar.
- Claro! Fique à vontade! – puxou uma das cadeiras ao lado dele, dando total liberdade a mulher para que ela sentasse. A garota sorriu agradecida e sentou cruzando as pernas uma por cima da outra, o que automaticamente puxou a atenção do marido. Por que merda ela tinha que ter pernas tão lindas e ainda adorar short curto? Ele não sabia se era sortudo ou ferrado com aquele mulherão todo.
- O formulário, professor. Não minha perna. – ele não acreditou no que tinha saído da boca dela, até ouvir a frase totalmente maldosa. arregalou os olhos e sem prestar atenção em mais nada, sentindo apenas seu rosto esquentar por completo, olhou pra cima, dando uma atenção absurda ao teto do lugar. Merda, o que ela tinha contra ele?
Em contrapartida, os outros três homens na mesa se dividam entre prender a risada e ficarem chocados com a cara de pau da garota. enfiou um pedaço de torrada na boca, evitando de rir alto daquela palhaçada. Com certeza, a sorte de era bem duvidosa com uma mulher daquelas.
- Então, eu estou com um pouco de dificuldade em preencher os dados metodológicos. – parecia incrivelmente séria, enquanto esticava o formulário na frente dele. Quando o marido soltou um pigarro, voltando ao seu estado mais são, ou o mais perto daquilo.
- Sim. Qual a dúvida?
- Eu preciso realmente preencher, quando eu não tenho certeza? – ela suspirou um tanto frustrada, quase encostando o ombro ao dele. – Eu já pensei em várias vertentes metodológicas e o Sujeito do Discurso Coletivo é meu candidato mais forte. – riu divertida, enquanto fazia cara de entendimento, mesmo quando se concentrava em manter o olhar fixo em algum lugar que não fosse no decote da camiseta que a esposa usava. – E realmente, preencher sem saber ao certo não é uma opção. – a estudante de enfermagem suspirou um tanto frustrada.

O que era bem contrário a atividade de uma de suas mãos, que já havia tomado o caminho da coxa do marido por debaixo da mesa, fazendo o homem arregalar levemente os olhos, ao mesmo tempo em que prendia a respiração. Por Deus, o que aquela mulher tinha? pigarreou mais uma vez, na ilusão de que aquilo a fizesse parar e se endireitou na cadeira. Ele procurou a linha de raciocínio outra vez se situando na conversa, ainda que a mão nervosa dela o fizesse quase suspirar frustrado por não poder guiá-la como ele bem entendia.
- Então... ahn, . Você tem algum orientador em vista? – ele se apoiou com os braços na pequena mesa e piscou algumas vezes, já sentindo os dedos dela dedilharem a parte interna da sua coxa. Merda! – Por que, são questões a serem resolvidas com o orientador.
- Duas na verdade, Anya e Rory. – ela deu um sorriso animado e até inocente. – Elas são incríveis quando o assunto é assistência de enfermagem e, com certeza, eu não quero outra pessoa. – foi curta e grossa, o fazendo bufar discretamente. Ainda que ele soubesse que ela não querer sua orientação, era o menor dos seus problemas naquele exato momento. – Contando que o senhor disse que precisamos entregar o formulário preenchido. Alguma sugestão do que eu possa fazer? – a mulher mordeu a boca, logo após encerrar seu tom visivelmente malicioso para a última pergunta.
- Às vezes é bom ter uma outra perspectiva. Com alguém de outra área até mesmo. – o pró-reitor mordeu vagarosamente a boca, abrindo levemente as pernas e dando mais acesso a mão dela que lhe fazia um carinho tão gostoso na coxa. Ah, aquela mulher iria lhe matar. – O que você está inclinada a fazer? – a pergunta saiu maldosa, controlada o bastante para que ele não desse tanto na cara na frente dos três amigos. Merda, os três estavam ali.
- Não. Não quero. – cortou bem o assunto de trocar a orientação. – Ou uma, ou outra. – ela segurou o sorriso inocente, enquanto sua mão subia vagarosamente pela coxa do marido, quase o fazendo revirar os olhos. – Mas o que estou inclinada a fazer? Muita coisa. – a risada saiu quando o professor mordeu a boca, umedecendo os lábios em seguida pra disfarçar. – Talvez ampliar um pouco o projeto e subir de nível! – a mulher sorriu largamente e subiu de uma vez a mão, levando-a até a virilha dele, apertando levemente, gesto que fez fechar as pernas de uma vez no reflexo. O homem logo se endireitou na cadeira atarantado com o que tinha acabado de acontecer. – Mestrado quem sabe? – deu de ombros.
- Mestrado em qual área? – passou as mãos pelos cabelos, tentando manter a conversa e quase suspirou aliviado ao ver as mãos dela voltarem pra cima da mesa. – Eu sei que eu sou um mero biólogo, mas posso ajudar em tudo que você precisar.
- Tudo? – encostou o rosto em uma das mãos e viu um sorriso maldoso surgir nos lábios dele, assim que o marido afirmou com um aceno. – E eu sou apaixonada por duas áreas: Genética e Estomaterapia*. Não sei ao certo qual seguir, até porque meu TCC é na Genética.
- Nossa! Duas áreas completamente distintas. – fingiu não saber de todo aquele monólogo de cada dia e a mulher riu afirmando.
- Pois é, mas estou bem equilibrada nas duas. Academicamente falando. – ela sorriu, remexendo a aliança em seu anelar esquerdo. Mania de quem já usava anel há muito tempo. – Quem sabe eu não escolho uma se o incentivo for bom.
- Se a senhorita me perguntar, sempre vou puxar pro meu lado! – se deixou largar mais sobre a mesa, usando propositalmente o pronome de tratamento errado, só para ouvi-la corrigi-lo.
- Senhora! – o corrigiu com um sorriso maior do que a própria cara, rodando, mais uma vez, a aliança no dedo e arrancando alguns olhares assustados dos amigos do marido, menos de que estava sem acreditar no cinismo dos dois. – Eu sou casada.
- Casada? – o homem perguntou com uma confusão bem fajuta. – Quem diria. Tão nova!
- Pois é. Mas o marido vale a pena. – ela abriu um sorriso apaixonado, que quase o fez derreter encantado.
- Aposto que ele se esforça! – piscou como se a encorajasse e os dois riram. – Com certeza ele não quis perder a oportunidade.
- Nós dois nos esforçamos. – ela balançou a cabeça em afirmação. – Não sei se o senhor é casado, mas casamento é algo complicado de se levar, por mais que seja incrível.
- Concordo! – o professor do curso de física disse em um sobressalto, fazendo os amigos rirem. – Casamento é complicado! – ele completou a fala, recebendo um aponte em afirmação do amigo, que logo levantou a mão mostrando a grossa aliança que compartilhava com a mulher em questão.
- Concordo com você, . Apesar de complicado, é maravilhoso. Eu não trocaria minha esposa por nada nesse mundo, ela me fez um homem melhor. – o pró-reitor piscou e tentou não abrir um sorriso largo que alcançasse suas orelhas. Céus, aquele homem não parava de testar seu coração?
- Mulher de sorte! – cantou o marido, percebendo que sequer olhava pros dois, prendendo uma risada alta.
- Pelo contrário, sorte tenho eu! – ele riu de leve, vendo que ela se matava pra não abrir um dos seus sorrisos mais lindos. Sorriso que ele sempre conseguia, quando se declarava. – Ah, o formulário não é algo fechado. Se mudar algum aspecto do trabalho mais pra frente, fica tranquila. Pode mudar, é tudo adaptável. – piscou, sabendo que tinha ganhado, por assim dizer e a viu afirmar com um aceno contido pela desviada dele. – Daí ou você entrega na coordenação ou no gabinete. Tanto faz. – o homem deu de ombros.
- Ok. – ela prendeu uma risada por ele frisar sua própria sala como opção. – Vou ver onde fica melhor pra mim. – a estudante de enfermagem levantou da cadeira com um sorriso agradecido. – Obrigada por seu tempo e desculpa interromper. – a frase foi direcionada aos quatro homens.
- Imagina, o que precisar é só me procurar. – o foi simpático e moveu a mão de leve, fazendo um carinho na perna da esposa.
- Pode deixar! – ela sorriu. – Tchau, professores!
- Tchau! – o coro saiu sincronizado e cheio de sorrisos, fazendo a estudante dar as costas e deixar a mesa, voltando para onde a amiga estava e parecia ver um show de humor, pelo modo que estava rindo.
suspirou de forma audível, se recostando na cadeira de madeira, enquanto ouvia uma leva de risadas dos amigos para o lado dele e lhe dava tapinhas de conforto nas costas. não tinha o senso do limite? Aquela mulher ia, seriamente, ferrar ainda mais com o juízo dele. O homem ainda impactado, tirou o celular do bolso traseiro e escutando as conversas condenatórias dos amigos sobre ele já ter tido um caso com , mas sem dar a mínima. Mandou uma mensagem pra ela.

: Você é louca?
: Meu Deus, !
Anjo: Por você 😘

Ele sacudiu a cabeça, ainda incrédulo com a cara de pau dela e foi acordado por uma pergunta de um dos amigos.
- Você realmente, nunca teve absolutamente nada com ela?
- Eu sou casado, Michael. – ele passou a mão pelos cabelos. – E você conhece a política da universidade. – suspirou mais uma vez.
- , . – o deboche veio sem demora e decidiu intervir, ainda que fosse chamar o amigo de pau mandado.
- não pega nem gripe, se a patroa não autoriza. – o professor de administração disse rindo e fez o melhor amigo apontar pra ele avidamente, tentando se livrar das desconfianças. – Conheço a fera que botou ordem nesse aqui, portanto ele não pisa na bola. Mas vamos, o projeto. – ele bateu de leve com os dedos na mesa. – Preciso de recurso pra tocar esse curso pra frente.

Foi a frase necessária pra que as conversas se concentrassem novamente em como trazer recursos suficientes para todos ali, enquanto ainda tentava digerir a sanidade mental que faltava aos montes em sua mulher.

*É uma área dentro da enfermagem que trabalha com feridas e incontinências.



Chapter 5

Os dias passavam rapidamente e junto com eles, a amizade entre e só crescia ainda mais. A aproximação tinha sido sim inevitável, devido a tanto tempo junto pelos corredores e salas daquela universidade, mas o fato de eles possuírem quase o mesmo espírito jovem tinha juntado ainda mais os dois. Tudo que o professor de administração queria era que sua monitora não fosse uma puxa-saco e isso era tudo que não era, a moça odiava rasgar seda para professor e talvez, só talvez, esse tenha sido mais um motivo para que eles se tornassem mais amigos do que aluna e orientador.
E quando amigos adultos se juntavam, dava em Happy hour. Exatamente o que o casal pretendia naquela noite, jantarzinho com as duas pessoas mais importantes e chegadas na vida deles, quem estava ali acompanhando tudo de perto em meio aos tempos turbulentos e mais calmos. Afinal, para celebrar a vida não precisava de muito, apenas um punhado de amendoins chineses e umas boas doses de álcool.
- , cadê esses dois que não chegam? – praguejou exausta pela demora de e . Os dois tinham se perdido no meio do mercado? – Eu quero beber! – A enfermeira riu, enquanto procurava uma música animada.
- Tem vinho na adega, embaixo da ilha! – A cacheada riu e começou se balançar com Something Just Like This que tocava no sistema de som da casa. – Deus, como eu amo essa música! – Ela soltou um gritinho de olhos fechados.
A estudante de administração riu, mas concordava demais sobre a música ser incrível. E se balançando assim como a futura enfermeira, caminhou até a cozinha da casa na intenção de procurar algo que fizesse seu sistema nervoso pifar. Ela abriu a pequena porta de vidro e logo se animou ao ver a quantidade de bebida que tinha ali. Se ela já achava que a amiga era pinguça, depois da visão só teve ainda mais certeza, os eram sim dois cachaceiros e como ainda tinham fígado, ninguém sabia. pegou uma das garrafas mais antigas, partindo do pressuposto de que vinho, quanto mais velho, mais gostoso e a colocou em cima da bancada.
- E esse chocolate, amiga? – A pergunta saiu acompanhada de uma pequena careta.
- Em cima da bancada? – perguntou, indo na direção da amiga e a viu afirmar com um aceno. – Minha mãe mandou pro . – a mulher riu, sendo acompanhada pela amiga. – Aí o chegou e ele nem teve tempo de comer.
- Hm, parece bem bom. – a morena de cabelos lisos fez a maior cara de criança sapeca e sem qualquer cerimônia, afinal ela já era de casa, como o casal insistia em pontuar, pegou um dos quadradinhos marrons que preenchiam uma caixa de, no mínimo, 20 centímetros.
- Não come! – arregalou de leve os olhos, quando a amiga já tinha enfiado um dos chocolates na boca. – É do , tapada! – o grito saiu aos esganiços, fazendo se assustar com a ralhada sem sentido da mais nova. Mas logo a dupla dinâmica entrar em uma crise de riso mais sem sentido ainda. – é um saco com esse chocolate, ele quem tem que abrir a caixa, ele quem tem que comer primeiro. Deus, que porre! – ela tentou explicar, ainda rindo bastante e a única coisa que recebeu em troca, foi mais uma gargalhada.
- É sério que você chama o seu marido de ? – Foi a única coisa que captou em meio a toda a explicação, caindo em uma crise de risos mais uma vez e vendo o rosto da amiga ficar vermelho. envergonhada era novidade, uma grande novidade.
- Merda! – a outra xingou, apertando o nariz na junção dos olhos e logo voltou a rir, o que lhe condenava totalmente. – Saiu uma vez e eu não consigo mais parar! E ele gosta... – ela cobriu o rosto com uma das mãos, ainda rindo com a situação.
- Sinceramente, o que esse homem fez com você, amiga? – a pergunta saiu fingidamente indignada por parte de , quando ela logo tratou de abrir a garrafa. – Que coisa brega, só vinho pra eu afogar as mágoas depois de ouvir . – ela simulou um arrepio.
- Vai te catar! – xingou rindo e sentiu a boca salivar ao sentir o cheiro da bebida. Mas nada de álcool para ela, enquanto não tirasse a limpo a história da gravidez. – Eu não vou beber hoje. – a mulher mordeu a boca quando a taça cheia foi empurrada na sua direção, com a maior cara culpada que alguém poderia esboçar. Sabia que aquilo seria suficiente para começar a entender o que estava acontecendo e mesmo que no fundo ela tivesse medo, queria contar para a amiga o que estava tirando suas noites de sono.
A espanhola vincou as sobrancelhas e sem pensar duas vezes, soltou a garrafa na bancada, colocando o dorso da mão na testa de , em um gesto de pura zoeira para saber se ela estava com febre ou ficando louca. Desde quando aquela pinguça negava vinho? Tipo, era vinho! A cara de já gritava vinho e ela estava, realmente, negando um cálice da sua bebida favorita? Ali tinha coisa e iria sim descobrir, na verdadem ela já tinha uma pontinha em seu coração que gritava algo como “ela está te escondendo alguma coisa”.
- Desembucha! – a palavra saiu quase como uma ordem. – Você não tem febre e o dia tá lindo demais pra uma invasão zumbi! sem vinho só pode estar doente, ou esperando o apocalipse. – a garota respirou fundo fingindo estar exausta e logo percebeu que ainda faltava uma alternativa em suas suposições. Era remota? Claro que era, mas era a que mais claramente gritava dentro da sua cabeça. E só ficou ainda mais evidente quando a cacheada esboçou um sorriso mais do que culpado. Não era possível! estava grávida? Oi?
soltou um grito ainda confuso entre indignação, repressão e felicidade, fazendo a amiga arregalar os olhos claros, sem saber exatamente o que significava aquilo. A estudante de administração sacudiu as mãos, como se aquilo fizesse sua fala sair e a amiga soltou um grunhido frustrado, tapando o rosto com as mãos.
- Eu ACHO, okay? – fez a maior cara de choro que conseguia e prontamente foi abraçada pela amiga. Um abraço de conforto que a fez aumentar ainda mais a cara de choro. – Não é certeza! – a mulher esganiçou mais uma vez.
- Puta merda, ! – a outra xingou ainda sem acreditar no que estava acontecendo. – Por que você não me disse?
- Eu estou querendo acreditar que não! – a estudante de enfermagem soltou um grunhido frustrado. – Mas minha menstruação tá atrasada, eu e não somos um exemplo de sexo seguro e meus peitos estão enormes. – ela fez engolir em seco e respirar fundo sem saber exatamente o que dizer. Se , que era praticamente uma enfermeira, achava que estava grávida, quem era a estudante de administração para dizer que não?
- Por que você não faz um teste de farmácia? – mordeu a boca meio receosa com a proposta e viu o rosto da amiga mudar todo em uma careta. – O sabe?
- Sim, o sabe. – ela fez uma careta. – Mais ou menos, eu não alimentei esperanças nele, embora eu ache que ele já saiba até o nome da criança. – as duas riram. – Mas eu realmente não quero saber se estou grávida ou não, então sem teste até essa peste de menstruação descer, ou a barriga crescer. – o suspiro sofrido se fez presente e a abraçou com mais força, recebendo um abraço do mesmo jeito em troca.
- Vai dar tudo certo, ! Você vai ver. – ela beijou a bochecha da garota apavorada e foi abraçada com mais força.
- Vai sim! – a mulher soltou o ar dos pulmões, voltando a sua normalidade. – Só não comenta com o velho, ou ele vai criar mais esperanças ainda, só porque eu te disse.
- Tudo bem! – a mais velha bateu continência. – Sem alimentar as esperanças do velho por um neto! – ela zoou mais uma vez a idade do amigo e viu abrir a boca bem indignada.
- Vaca! – ela gritou em meio as risadas e soube que estava tudo bem.
- Chegamos com o carregamento de cerveja! – o grito do nerd gato ressoou por toda a casa, fazendo as mulheres rirem ainda mais. – Hoje você vai dar banho no , ! Hoje teu marido vai dormir arriado. – voltou a debochar do amigo.
- Vai à merda, ! – revidou, também rindo e junto com o amigo, colocou as sacolas em cima da bancada. – Oi, anjo! – o pró-reitor abriu um sorriso apaixonado e deu um selinho na esposa, a fazendo sorrir exatamente do mesmo jeito.
abraçou de lado como bons e velhos amigos, completando o cumprimento quando a beijou na bochecha. Ainda que os dois rissem da cara de bobos do casal. Aqueles dois moravam juntos desde sempre e ainda ficavam naquele grude? Não era possível!
- Homem apaixonado é foda, viu? – alfinetou quando foi o cumprimentar e depois do abraço, sentiu a mão do homem bagunçar seu cabelo todo, o jogando na frente do rosto. – ! – ela soltou um grito esganiçado. riu alto, enquanto recebia um abraço apertado de .
- Boa! – o levantou a mão pra high five com o pró-reitor, vendo abrir a boca indignada após tirar o cabelo do rosto.
- Dá o troco! – e incitaram ao mesmo tempo.
- Calados, gêmeos! – riu e logo começou tirar as coisas das sacolas. O queijo, os temperos e os legumes para fazer dois tipos diferentes de molho: um à bolonhesa para quem gostasse e outro de queijo com especiarias, para que fugia de qualquer carne existente no mundo.
- Gêmeos? – soltou uma risada larga, mas confusa com o jeito que o homem tinha classificado a esposa e o melhor amigo. estava doido? e eram completamente diferentes para serem gêmeos.
- Gêmeos de alma! – riu junto, saindo de perto do álcool, antes que lhe desse uma vontade absurda de beber e começou ajudar o marido a organizar as panelas. – Eu sou o , 14 anos mais novo e com peitos. – ela piscou, vendo o amigo sorrir meigo para a orientada como se dissesse “acredita nela”.
- Que nada, você é mais gostosa! – soltou mais uma das suas sacadas de mestre. A estudante de enfermagem soltou a panela e deu uma volta em volta do próprio corpo, parando com uma mão na cintura em uma pose bem convencida.
- Por Deus, . – o xingamento saiu conjunto dos desapegados em questão, mas só fez o casal rir.
- Mas de verdade, eu e a temos gostos bem parecidos. – voltou a pontuar, tomando um longo gole da sua cerveja. Ele tentava explicar a o porquê de tal comparação e ela parecia bem interessada no assunto.
- O é um deles? – a estudante de administração perguntou prendendo uma gargalhada e recebeu três olhares indignados.
- Claro que não, esse aí eu passo! – fingiu um arrepio de nojo e recebeu o dedo do meio do melhor amigo. – Tenha modos! – ele colocou a mão no peito como se tivesse se ofendido, causando mais risadas naquela cozinha. riu, balançando a cabeça negativamente e rodou a aba do boné pra trás. Encheu uma das panelas com água e a pôs no fogo.
- Cozinha a massa pra mim, anjo? A sua fica soltinha. – o mais velho piscou e beijou a bochecha dela, recebendo um sorriso bonito em troca. Depois pegou uma das longnecks no balcão e abriu com a ajuda da camisa. – Não vai beber, ? – ele estendeu a garrafinha.
- Hoje eu estou no vinho! – a garota piscou e levantou a taça, os dois aproveitaram o gesto e brindaram a bebida, fazendo a mulher rir.
- não vai beber? – soltou uma risada leve, mas estranhando a mulher do amigo sem estar agarrada ao álcool. Ela abriu um sorriso travesso e arqueou uma das sobrancelhas, na intenção de tapear o nerd.
- Beber só mais tarde, meu caro amigo! – piscou e riu para completar a cena, que nem de longe enganava .
- Eita que mais tarde promete! – gritou levantando a garrafinha e arrancou risadas dos amigos, junto com um aceno negativo da esposa.
- Menos informação, por favor! – soltou um grito de repreensão pelo teor sexual velado da conversa e desbloqueou a tela do celular na intenção de ver por que vibrava. Droga! Daniel iria sair e ela não sabia como iria pra casa. A mulher fez uma careta.
- O que foi? – a pergunta saiu conjunta e fez a morena olha pra cima na surpresa, percebendo que sua careta não tinha passado despercebida.
- Nada! – riu de leve. – Daniel vai sair, não tem como vir me buscar. Mas eu pego um Uber. – ela tomou mais um gole de vinho, convicta e conformada a pegar um Uber.
- Eu estou de carro, te levo! – sorriu pra garota, oferecendo uma carona a ela. A garota sorriu agradecida, confirmando que queria sim a carona. – E se você não comer do macarrão, o cara vai ficar magoado. – o professor apontou para o amigo, que fez um bico e levantou a garrafinha. Eles riram.
sacudiu de leve a cabeça, em um gesto bem discreto. Ela sabia que mais cedo ou mais tarde, os dois iriam se envolver, era questão de tempo até o desejo falar mais alto.
- Tudo certo, não queremos o velho chorando, não é mesmo? – a mais cara de pau dos irmãos, cutucou o pró-reitor e o homem rolou os olhos. Rebater sobre sua idade não ia resolver muita coisa, o mais fácil era aceitar o xingamento. – Eu fico! – ela deu um sorriso convencido.
- Fica e come, depois chega em casa dizendo que não comeu. Ninguém sai daqui com fome. – o pró-reitor balançou a garrafinha como se ela fizesse suas palavras ficarem mais fortes. Os quatro riram e negou com um aceno de cabeça, só ele sabia o quanto gostava dos dotes culinários do amigo, afinal filar a boia de graça vez ou outra era uma mão na roda. E ainda mais quando a comida era boa.
- Tá bom, pai! – o zoou na maior cara dura, colocando em pauta novamente a idade do homem, fazendo e rirem alto com o xingamento.
- Olha que pela idade poderia ser mesmo! – o administrador mais zoeiro que eles conheciam entrou na onda de brincadeiras, fazendo rir mais. O que não era lá novidade, a mulher era o ser humano mais fraco para rir existente.
- Sem falar que eu comi teus chocolates, passou um pouco a fome. – meneou a mão como se aquilo não fosse nada demais e arregalou os olhos em um desespero contido. Como assim ela tinha comido os chocolates dele?
- Você fez o quê, pirralha? – o homem esganiçou quase mudando a voz, o que só deixou os outros dois mais imersos ainda na risada.
- O que você ouviu! – aumentou a cara de anjo e a de morte. Não era possível que tinha deixado aquilo acontecer.
- ... – o professor fez uma manha gigante ao olhar pra esposa e a mulher só conseguiu rir mais. Um homem daquele tamanho, partindo para o bico, era, no mínimo, engraçado. – Por que você deixou?
- Eu não vi! – a garota tentou explicar, mesmo que ainda risse. – Eu não podia puxar a comida da boca dela. – a obviedade na voz da Mrs. era clara, mas só fez o homem aumentar o bico.
- Eu comi um! – frisou o filho único que tinha ido boca dela abaixo. – E tua mulher quase me mata! 'Era do !' – a garota imitou o fatídico apelido, fazendo perceber que ele havia ficado mais do que ridículo na voz da amiga. Ele não era tão ruim assim, era?
- Sério? – o cozinheiro da vez quase gritou, bem feliz em saber que não tinha perdido todos os seus preciosos chocolates.
- Foi! Foi isso sim. – a quase enfermeira tentou parecer o menos envergonhada possível.
- Eu achei que seria morta! – a dramática atacou mais uma vez, fazendo rir alto e empurrá-la de leve com o ombro. Em contrapartida, estreitou os olhos com o drama da amiga. Sinceramente? Ela merecia um Oscar.
- Claro que seria morta! – o outro dramático reforçou, fazendo soltar uma gargalhada escandalosa. Era sério mesmo que o amigo estava se trocando com ? – Minha sogra me mandou de outro estado! – o homem voltou a esganiçar.
- Você é exagerada! – apontou para a estudante de administração e a mulher fez pose. – E você também! – ela repetiu o gesto com o marido, vendo o mais velho lhe mandar um beijo.
- Claro que não é exagero! – a garota voltou a ponderar. – Para de TPM, . – a mais nova imitou o desastroso apelido com a voz mais nojenta que conseguiu. como reação tapou o rosto com uma das mãos tentando não rir daquilo, mas ao ponto de falhar por ouvir rindo como se não houvesse amanhã.
- é sacanagem! – o homem continuou a debochar do amigo, que instantaneamente corou as enormes bochechas. Merda! realmente não precisava ter dito aquilo a .
- Não me chama assim! – reclamou como se fosse um pedido desesperado, parecendo uma criança chorosa.
- Supera, ! – a garota implicou mais uma vez com o amigo, fazendo o homem bufar.
A quase enfermeira olhou pro nerd e percebendo que ele tinha feito a mesma coisa, os dois entraram em uma crise de riso escandalosa mais uma vez. e iam se matar com tanto xingamento.
- , para. Sério! – tentou parar a amiga mais zoeira que tinha, o que só fez a mulher rir alto.
- Ninguém mandou você esganiçar esse incrível apelido! – mandou um beijo de deboche, ganhando um empurrão no ombro pela esposa exemplar do grupo.
- É tosco sim, . Desculpa! – o reforçou as convicções, fazendo o casal rolar os olhos.
- falando, a história é completamente outra! – rolou os olhos, mas logo abriu um sorriso maldoso que condenava praticamente tudo que eles tinham feito até a presente data.
- Entendi. Credo! – torceu o rosto em uma careta de nojo, que fez o pró-reitor rir alto e tomar um tapa ardido no ombro.
- Ai, anjo!
- A comida, ! Foca na comida. – ela apontou para a panela no fogo e o viu rir mais uma vez, bebendo o restante da cerveja que estava na garrafinha.
Algumas risadas se fizeram presentes, mas logo o assunto tomou outro rumo dentro daquela cozinha, mostrando que os quatro eram sim um bom grupo. Muito provavelmente aqueles encontros se repetiriam por mais e mais dias.

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- E aqui, como vou? Sigo reto? Dobro em alguma rua? – perguntou concentrado no trânsito, mas com ainda um resquício de riso na voz, remanescente da última crise de riso por causa da imitação esdrúxula feita por , do esganiço de por conta dos chocolates do marido. Aliás, que apelido mais ridículo era aquele? ? Sério, ? E ele ainda gostar! Mais do que certo que ele seria zoado para sempre por causa disso. Para sempre!
- Segue reto mais algumas quadras. – A mais nova indicou com o dedo e o motorista da rodada seguiu pelo caminho mostrado. - Vou contratar o pra ser meu cozinheiro particular. – A espanhola soltou um longo suspiro meio sofrido, como se sonhasse com a divina massa preparada por naquela noite, levando a rir alto.
- A dor ensina a gemer. Ele não cozinhava nada! – O professor condenou o melhor amigo, como se eles ainda fossem nada mais do que moleques de 15 anos, depois de aprontar mais uma de suas loucuras. - Quando a gente tem que se virar sozinho, as coisas melhoram. Se eu pudesse, eu comia lá todo dia.
- Aprendeu muito bem! – falou se referindo aos dotes culinários do marido da melhor amiga e não pode fazer nada além de concordar. realmente sabia se virar muito bem na cozinha, e só ele sabia o quanto se aproveitava disso do meio para o fim da graduação dos dois e depois quando o amigo ia visitá-lo em Boston. - Aceito carona! – A garota se auto convidou, rindo com o dedo levantado.
- Passo e te pego! – O homem ofereceu rindo, esticando a mão para high five, que foi logo completado por , selando aquele acordo informal de atacar a geladeira dos sempre que a oportunidade surgisse. - Você mora sozinha, ? – mudou drasticamente de assunto, prestando atenção no caminho que percorria, enquanto dirigia só com uma mão pelas ruas de Montréal.
- Morava. Agora não mais. Definitivamente não mais. – A estudante de administração riu baixo.
Apesar de já ter acostumado a morar sozinha desde que tinha começado a faculdade, era bom ter o irmão morando com ela por alguns meses, até que o caso em que ele estava trabalhando se encerrasse e ele voltasse para Atlanta. Era muito bom ter o melhor amigo assim pertinho outra vez, Dan definitivamente a entendia como ninguém!
- Ah não? Legal, legal. Mora com amigos? – O mais velho tentou parecer casual, como se estivesse fazendo uma pergunta do tipo ‘será que chove amanhã?’, mas seu tom de voz declarava perfeitamente que sim, ele estava especulando a vida da aluna.
E se ele estava tão interessado, nada mais justo do que dar as informações que ele queria, não é mesmo?
- Pode-se dizer que sim, ele é meu amigo. – deu a meia resposta e desviou o rosto para a janela, fingindo estar muito interessada no mar de luzes que iluminavam a cidade nos locais em que o carro passava. Mas na verdade, a intenção era realmente outra bem diferente, era para esconder o sorriso maldoso que se formava no rosto dela. A demônia de saia lápis, como tinha carinhosamente lhe apelidado, tinha certeza que aquela resposta iria aguçar ainda mais a curiosidade do professor. E tinha sido justamente por isso que a havia dado.
- Namorado? – Dito e feito. O homem soltou a pergunta em uma rapidez e naturalidade tão grandes que riu alto, vendo suas expectativas sendo realizadas de forma tão concreta. realmente não tinha tentado nenhum pouco esconder a curiosidade que brotava em si. E ele não admitiria nem para si mesmo, mas torcia para que a resposta fosse negativa.
- Irmão. – Tudo que a garota ouviu depois de responder, foi a gargalhada de . Era alta, muito alta, como se estivesse constrangido pela pergunta sobre o grau de afinidade entre e Daniel. E talvez até levemente... aliviado?
- Vocês brigam muito? – O professor perguntou rindo, enquanto virava o volante do automóvel para entrar na rua indicada por , como parte do caminho para chegar em sua casa.
- Nada! Eu brigo é com o Joe! Ele rouba meu irmão! – A quase administradora riu, zoando a relação com o cunhado.
Sim, eles tinham umas discussões vez ou outra, uma briga aqui e lá. Mas qual irmão não tinha isso? Porque sim, ela considerava o namorado do irmão como parte da família, desde quando o mais velho dos contou sobre o interesse no cara dos olhos castanhos mais hipnotizantes do mundo. Mas palavras de Daniel, claro, não nas de . Ela não concordava com aquilo de forma nenhuma. Ok, talvez um pouquinho. Ela tinha que reconhecer que Joe tinha um par de olhos bem bonitos.
- Namorados? – O homem tornou a perguntar, dando sinal indicando que ultrapassaria o carro em sua frente.
- Quase noivo. Daqui uns dias! – sorriu grande, aliás, ela abriu um sorriso gigante, o maior do mundo, e iluminado. Muito possivelmente seria assim que ela agiria toda vez que alguém mencionasse sobre o casamento com ela, que estava muito feliz pelo irmão mais velho, indiscutivelmente feliz!
- Caralho, sério? – O homem arregalou um pouco os olhos, abismado. – Ele vai ter essa coragem?
- Eles são os do mundo gay! – A mais nova esganiçou com os olhos arregalados, reafirmando sua frase. Como se aquela simples colocação fosse suficiente para explicar toda a situação. E para ela, realmente era mais do que suficiente. Convenhamos, os eram o OTP supremo do mundo!!! riu pelo esganiço da orientanda.
- Então eu concordo com você, concordo que tem que casar mesmo. – O professor foi sincero. Ele realmente achava que os amigos faziam um casal muito bonito. E ele realmente esperava que esse casamento oficial saísse logo. Sim, ele achava uma loucura casar com uma aluna, mas isso já estava feito entre os dois no final das contas, então nada mais justo que oficializar de vez!
- Então você é a solteira da família? – O homem jogou a pergunta de uma vez, como se tivesse se atentado ao fato apenas naquele momento, o que nem de longe era verdade. Ele só não queria cortar a conversa.
- Solteiríssima! – A mais nova declarou com uma pose exagerada e viu um sorriso travesso ser lançado em sua direção.
- Aposto que está sozinha por escolha, afinal você é linda. – O nerd gato elogiou sinceramente, mas ainda portando o sorriso travesso no rosto. A aluna riu baixo.
- Na verdade, é falta de opção. – Ela deu de ombros, despreocupada. - Mas obrigada pelo elogio! – O sorriso era fechado, parecendo até mesmo tímido, o que era novidade para , mas realmente sincero. Muito sincero! negou, como que dizendo que ele não concordava nem um pingo com que tinha acabado de falar.
- Ah, conta outra! Você é linda, interessante e inteligente. Me surpreendi com você. – O professor declarou, com uma sinceridade imensa presente no tom de voz, mas mesmo assim a orientanda rolou os olhos. - Claro que sim! Aqueles dois safados fizeram sua caveira, achei que fosse ser insuportável lidar com você.
- Me conta! – arregalou os olhos e se ajeitou outra vez no banco, de repente interessada no que aquele casal que ela chamava de amigos tinha falado para o novo professor. Com certeza eles tinham exagerado. Com a maior certeza do mundo!
riu da reação exagerada da orientanda, mas já que ela queria tanto saber, ele iria contar.
- Que você queria minha cabeça. Que ia me matar se eu pisasse na bola. Eu esperei um demônio de saia. Mas me surpreendi em conhecer você. Garota incrível! – Ele piscou, com um sorriso de lado, que fez a moça dar uma leve tremida. Mas era o frio. Ok, o dia estava até relativamente quente, mas só podia ser isso. Com certeza era.
- Nisso eles estavam certos! – A moça declarou, plena, encarando as unhas como se elas fossem as coisas mais interessantes que ela conhecia no mundo. Pela visão periférica, deu para ver a boca do professor virar um perfeito O. Ele realmente parecia bravo e indignado para quem o visse de fora. Mas quem o conhecia sabia que aquela postura era a mais pura e genuína zoeira. - Mas eu fiquei com pena do futuro da Administração e poupei sua vida. – suspirou, como que ela tivesse feito um grande feito para a humanidade e merecesse ser reconhecida por isso.
- Obrigado! A administração agradece! – agradeceu irônico e os dois caíram na risada.
- Mas eu também me surpreendi com você, sabe? – soltou de uma vez, surpreendendo o professor com aquilo. – Você não é aquilo que eu imaginava. Você nem parece professor! – A futura administradora exclamou meio esganiçada, fazendo rir alto.
- Não pareço professor? – Ele colocou a mão no peito, como se estivesse indignado, enquanto estacionava o carro em frente ao prédio onde e o irmão moravam.
- Sinceramente? Não! – Os dois riram alto, uma risada larga construída em muita espontaneidade. – Você é engraçado demais pra ser professor!
- Professores com nova didática são pessoas normais. Engraçados! – O mais velho explicou, adotando sua conhecida postura de professor.
- Gosto da nova didática! – soltou de uma vez, mas como se estivesse falando nada e notou um sorriso lascivo brotar no rosto de . realmente gostava de pessoas inteligentes que entendiam pelas entrelinhas, como era o caso de agora.
- É ótimo saber disso! – Ele piscou.
- Eu disse a didática, não o professor – A demônia de saia lápis rebateu, com um sorriso de lado no rosto. negou com a cabeça, rindo.
- A didática depende muito de cada professor. Eu sou conhecido pela minha! – O homem piscou e ambos sabiam muito bem que nem de longe ele se referia a didática de sala de aula. Era um tipo de didática totalmente diferente e preferida pelos dois.
- Ótimo para você! – A espanhola deu um joinha, como se não tivesse entendido as segundas, terceiras e quartas intenções por parte de e os dois acabaram rindo.
- Seu irmão trabalha com o quê? – O professor retornou do nada ao assunto anterior, que tinha como pauta e sua família.
- Advogado.
- Bom saber quando precisar de um! – O nerd gato mais metido de todos os tempos se pronunciou.
- O namorado dele que é da área criminal. – A formanda de administração mais abusada das galáxias zoou, fazendo o professor gargalhar. - Se você tiver uma empresa e estiver ruim, aí você procurar o espanhol!
- Mas você é muito abusada mesmo! – O professor tentou ralhar, mas o rosto vermelho pelas risadas denunciava claramente que aquilo não daria certo e que ele tinha entendido que aquilo não passava de uma brincadeira. deu de ombros rindo e piscou.
- Minha didática! – A moça fez uma pose exagerada. riu, concordando, enquanto batucava de leve no volante do carro.
- Você é espanhola? – O professor perguntou com uma certa careta, mas um sorriso nos lábios.
- Nascida e criada em Madrid! – A garota sorriu, muito orgulhosa de suas origens. Ela simplesmente amava a Espanha e amava ser de lá.
- Uou! – se entusiasmou. - Cidade maravilhosa! Pais maravilhoso! E idioma excitante. – A última frase foi proferida com o cara olhando diretamente para a garota, fazendo ela se perder por alguns segundos e depois sorrir meio tímida. Aquilo tinha sido uma cantada, certo? Definitivamente era.
- Próxima vez que eu for, eu te ligo pra me socorrer! - O homem se ofereceu para o cargo de ajudado pela orientanda.
- Se eu puder contribuir, saiba que estou as ordens! – Ela riu, mas a resposta foi sincera. Se ele precisasse, ela o ajudaria, principalmente envolvendo a sua tão amada e idolatrada Espanha. Nesse momento, percebeu que o carro não se encontrava mais em movimento. Ela olhou para fora da janela do carro e arregalou os olhos ao notar o seu prédio. Ela nem mesmo tinha notado que eles tinham chegado!
- Meu Deus, chegamos e eu não percebi! – A garota se alarmou. - Muito obrigada pela carona, ! Daniel também agradece! – Ela riu, se referindo ao fato de que o irmão foi poupado de ir buscá-la na casa dos .
- Sempre que precisar! Não ia deixar você vir de todo jeito. E mande felicidades ao casal! – O professor sorriu e balançou a cabeça, garantindo que repassaria as felicitações para o casal em questão.
- Ah, uma última coisa. Temos que marcar uma orientação pra você me mostrar as últimas coisas que fez. – assentiu, repassando mentalmente sua agenda da semana, procurando um dia livre para marcar o compromisso.
- Quinta depois das 15h tô livre! – A orientanda informou e foi a vez de o homem lembrar de seus compromissos agendados para a semana, na intenção de ver se o horário estava livre, ou se teria que tentar fazer uma mudança de horários.
- Não tá mais, tem um encontro comigo! – O orientador brincou e piscou. Os dois riram.
assentiu e abriu a porta do sedan, mas antes disso, virou na direção do homem e o abraçou, logo sentindo ser abraçada por ele. Um abraço que transmitia a amizade que eles tinham formado nos últimos dias, uma amizade que crescia a cada dia mais.
Depois de se afastar do abraço, segurou o rosto de com uma mão e projetou o corpo um pouco para a frente, depositando um beijo na bochecha dela. Um beijo forte, bem marcado, mas ao mesmo com certo cuidado e leveza. Um beijo que fez a mais nova tremer, ainda mais com os olhos brilhantes do homem perto dela, combinado a um sorriso de tirar o fôlego. Definitivamente, aquela combinação devia ser proibida por algum tipo de lei federal. Alô, Trudeau!
- Boa noite! – desejou, dando a, pelas contas de , a décima piscadela da noite.
- Boa noite. – retribuiu com a voz um pouco baixa, ainda um pouco impactada com o que tinha acabado de acontecer - Até segunda!
- Até segunda! – O homem acenou. A garota retribuiu a despedida e saiu do carro. Acenou mais uma vez para o homem e seguiu para dentro do prédio. esperou até que a porta do prédio residencial fosse fechada para ligar novamente o carro e seguir para a sua própria casa.

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Era quinta-feira e como combinado alguns dias atrás, era dia de orientação, por isso orientador e orientada estavam na cafeteria Second Cup, sentados lado a lado e rodeados por livros. Já que o professor era Old School, e mesmo adepto a tecnologia, gostava de ter o apoio da pesquisa em papel para suas produções acadêmicas. O que estava no livro, indiscutivelmente estava certo, enquanto a internet poderia fornecer respostas erradas, se não fossem muito bem checadas as fontes. Eles discutiam alguns detalhes do Trabalho de Conclusão de Curso de , que tinha como tema Espiritualidade no Trabalho. Apesar do nome, Espiritualidade no Trabalho nada tinha a ver com religião, mas sim com ver o ser humano a partir dos seus sentimentos, suas necessidades, suas expectativas em relação a si próprio e ao trabalho. A estudante de administração se encontrava bastante satisfeita com os resultados que vinha obtendo com o trabalho, estando muito feliz e agradecida por toda a ajuda que estava a dando. Marshall era um excelente professor e tinha a orientado muito bem até quando pode, mas a cria de Harvard, como tinha secretamente apelidado o professor, veio com um olhar quase que completamente novo sobre o tema, muito mais atual e inovador, o que deixava a garota realmente empolgada para continuar com a construção do trabalho final da graduação.
tomou um pequeno gole do seu café, que era do tipo Expresso, arrumou a postura na cadeira em que estava sentado e se pôs a observar o ambiente escolhido pela morena para o encontro daquele dia. Além de ser uma cafeteria, combinava o conceito quase de uma livraria, pois contava com um espaço que lembrava uma sala de leitura, com sofás vermelhos para duas ou três pessoas e também cadeiras acolchoadas, que priorizavam acima de tudo o conforto. Aumentando a vibe livraria, duas paredes eram cobertas por prateleiras com os mais variados títulos literários. O professor tinha duas certezas em mente: a de que tinha acertado em cheio na escolha e a de que a frequentaria o local mais vezes, até arriscava-se a dizer que se tornaria um cliente cativo.
- Como você descobriu esse lugar? – perguntou interessado, terminando de varrer os olhos pelo estabelecimento que de acordo com uma rápida pesquisa feita quando os dois chegaram, era considerado um dos restaurantes mais movimentados da cidade. O que eles não podiam discordar, já que tinha sido difícil conseguir mesa. E, algumas horas depois, continuava com um número bastante grande de clientes em suas dependências. – Não conhecia a franquia. - Ele mordeu a boca, captando a atenção de , que estava concentrada, digitando algumas palavras em seu notebook. A futura administradora riu.
- Eu e o meu irmão semana passada, queríamos um lugar legal pra tomar um café e conversar sobre algumas coisas. Aí ele pesquisou na internet e achou esse aqui. Viemos, gostamos e é isso. – resumiu o dia em que o irmão estava tão nervoso e empolgado, ao mesmo tempo, com o planejamento do pedido de casamento do qual ele seria protagonista e que aconteceria em poucos dias. Que decidiu que não poderia continuar conversando sobre aquilo em casa, ele e a irmã precisavam sair. Foi aí que ele pegou o celular e em alguns minutos depois, descobriu a cafeteria em questão. – Gostou? – Ela questionou interessada no veredicto do acompanhante, ainda mais depois de o ver analisando o local com tanto cuidado, como feito alguns momentos atrás.
- São uma dupla boa pra encontrar lugar bom! – O mais velho elogiou rindo. – Eu adorei, sinceramente, acho que me mudo pra cá nas reuniões extra da universidade! – A garota riu, concordando com a ideia de tornar aquele o espaço oficial para as reuniões extra universidade, e procurando motivos para descolar um convite para tais situações.
- Dupla boa pra tudo, você quis dizer. – zoou, em uma postura extremamente convencida, que resultou em precisando morder o lábio inferior para prender uma risada alta, gesto que não era exatamente o mais aconselhável para se executar em uma livraria como a que estavam.
O que também não poderia ser considerado como aconselhável, eram os pensamentos que rondavam a cabeça de assim que ela notou o gesto que havia feito e que captaram de forma efetiva a atenção da morena. A boca do homem não poderia ser descrita com os adjetivos usuais usados para qualificar aquela especifica parte do corpo humano, mas sem dúvidas era bonita, muito bonita. E convidativa. A garota foi despertada do pequeno transe em que tinha se envolvido pela voz do homem em questão. Ela balançou a cabeça minimamente, como se daquela forma fosse afastar os pensamentos indevidos. O que diabos tinha acontecido? Ela não podia, de forma alguma, ter aquele tipo de pensamento, era completamente sem fundamento!
- Que mulher convencida! – zoou rindo, empurrando a irmã mais nova dos de leve com o ombro, a fazendo rir.
- Realista! – A morena dos cabelos lisos rebateu em uma postura plena, rindo das palavras dele, já recuperada do quase surto de safadeza que tinha se apossado dela alguns minutos antes. Não que ela não tivesse realmente essa opinião, claro que tinha e não podia negar, mas também não poderia externalizá-los.
O professor de administração a acompanhou na risada, enquanto esticava as pernas por debaixo da mesa de madeira escura, na busca por um alongamento, que permitisse aliviar um pouco a situação devido ao tempo em que se encontrava sentado.
- Como tá ai? – Ele jogou o corpo em pouco para o lado e se apoiou no descanso de braço da cadeira da orientanda, buscando uma melhor visão da tela no computador de , onde ela trabalhava nas alterações necessárias em seu trabalho.
- Tudo bem, tá saindo! – exclamou feliz e com os olhos parecendo brilhar, o que fez sorrir involuntariamente.
Uma das coisas mais legais era ver seus alunos se dedicarem aos seus trabalhos acadêmicos, buscando entregar um bom resultado. E nesse aspecto, o professor tinha certeza que ela poderia ficar muito orgulhosa de si mesma, pois estava fazendo um digno de uma nota alta por parte da banca avaliativa, que aconteceria dentro de não muito tempo.
- Quer ler? – A aluna inquiriu, para saber se o professor estava conseguindo ler o que ela havia escrito para, caso necessário, apontar contribuições necessárias. Ele negou.
- Da pra ver aqui! – O nerd gato, apelido que havia inventado para ele, sorriu. Mas mesmo com a recusa do homem, posicionou o notebook de um jeito mais em diagonal e arrastou um pouco a própria cadeira para ficar mais perto do professor.
Tão perto que tinha a impressão de que podia sentir o calor do corpo da moça. E toda essa proximidade não fez bem para a cabeça do mais velho, que, assim como já tinha acontecido com , foi traído pelos próprios olhos, que foram imediatamente atraídos para o corpo dela. O homem analisou, ainda que discretamente, toda a extensão do corpo da jovem, caindo na tentação de analisar o busto mesmo que discretamente, sabendo exatamente que aquela não era postura para ele. Mas por que raios ela tinha que usar um decote tão fechado que o deixava tão curioso? fechou os olhos com força e quando os abriu, percebeu que a garota tinha coxas muito bonitas e que haviam ficado ainda mais dentro do Jeans. Aquela foi a sua vez de precisar afastar pensamentos nada pertinentes, nem para a ocasião, nem para a relação que os dois mantinham. O homem sorriu, um sorriso que com certeza poderia ser muito bem descrito na opinião de , que no momento prestava atenção nas manchinhas da íris do acompanhante mais do que qualquer outra coisa.
- Caralho, você conseguiu uma bibliografia muito boa! – O nome mais promissor para o futuro da administração elogiou sinceramente, fazendo a aluna, que era de forma unânime considerada umas das melhores de sua turma rir e sorrir ao mesmo tempo, dividida entre o constrangimento e a felicidade pelo elogio.
- Fucei a internet toda. Acho que me tornei uma hacker. – A quase administradora brincou, na maior pose convencida do mundo, fazendo o rir alto da cara lavada de sua monitora.
- Acostumada nas produções cientificas, Srtª . – Ele entrou na brincadeira, cutucando a moça de leve com o ombro.
- Com certeza, Professor ! – rebateu a brincadeira, jogando o cabelo para o lado, ainda no papel de convencida. Os dois riram.
- O que você não conseguir, fala comigo que eu dou um jeito. – O professor voltou a postura séria e ofereceu a ajuda de forma sincera.
Se tinha uma coisa que o homem tinha aprendido durante o seu tempo de graduação em Harvard, e nos mais de 10 anos em que atuava como professor, era onde pesquisar as melhores fontes para as suas produções cientificas. Inclusive, ele ainda tinha acesso a base de dados utilizada em Harvard o que servia de grande ajuda, por contar com muitas produções atuais. E era sempre gratificante ajudar os outros nas horas em que eles precisavam, ainda mais quando eram da sua área de interesse, como era o caso do RH.
- Pode deixar! Com certeza eu vou ligar qualquer hora desesperada, bem ‘SCRIPT>document.write(Seb), encontra um autor bom que fale sobre tal assunto, por favor! Está sendo impossível achar!’. – falou em um tom de voz diferente, como se simulasse ela mesma em um momento qualquer de desespero protagonizado pela faculdade. Os quais, infelizmente, eram mais frequentes do que ela gostava de admitir.
riu, negando com a cabeça e, em um impulso, projetou o corpo um pouco mais para a frente e beijou a bochecha de . Mas, o que era para ser um beijo rápido, virou uma coisa mais demorada quando os lábios de entraram em contato com a pele macia do rosto da moça. O que, combinado ao perfume cítrico que já vinha afetando o juízo do mais velho desde cedo, tornava-se em uma combinação perigosa. Bem perigosa, diga-se de passagem. Mas como se apenas isso não bastasse, ele ainda conseguiu sentir o corpo de levemente tenso, deixando que fosse quase obrigatória uma pequena ‘brincadeira’. Era impulso, o mais puro impulso que o fazia querer brincar com ela, como se fosse um gato e o novelo de lã. Era mais ridículo ainda o fato de homem se sentir tão atraído ao proibido e perigoso, mas era como diziam, o proibido sempre era mais gostoso. Ele fez um leve carinho com o nariz pelo rosto da garota, bem leve mesmo, quase imperceptível, mas efetivo. E logo afastou de leve o cabelo dela, expondo o pescoço da futura administradora, que, na opinião do nerd gato, era bem convidativo. Ele baixou um pouco a cabeça, quase enfiando o próprio rosto na curvatura do pescoço da garota e viu a região arrepiar de leve com o toque.
- Perfume gostoso. - O homem elogiou em um tom de voz excessivamente baixo, mas ainda perfeitamente audível, cheio das intenções, usado realmente para provocar.
- Obrigada. – agradeceu e ao mesmo tempo se amaldiçoou pela voz ter saído tão tremida e perceptivelmente afetada pelas ações do homem.
Mas droga, quem a podia julgar ou culpar? era indiscutivelmente gostoso pra caramba, tanto vestido formalmente para desempenhar suas funções dentro da universidade, quanto vestido da forma mais informal possível, com a sua vasta coleção de camisetas de estampas nerds. Quem diabos ficava sexy com uma camiseta que tinha o Super Homem cagando desenhada? era a resposta. Aquele demônio que estava se divertindo ao vê-la total perdida com suas provocações, que eram constituídos de risadas baixas (que mais pareciam uma simples vibração de voz), nariz roçando quase sem sentir pela bochecha e beijinhos na mesma. Beijos que, por muito pouco, não alcançavam o pescoço, o que afetava a mais nova, muito mais do que ela iria provavelmente admitir. Não que fosse realmente necessário, já que seu corpo traíra dava todas as dicas, que aproveitava da forma mais efetiva possível.
- Adoro ver mulheres assim. – Ele começou, com um timbre de voz totalmente diferente do habitual, deixando claro quais eram as suas intenções.
- Assim como? – A morena questionou, já totalmente deixando de tecer ralhadas internas referentes a sua postura naquela situação e focando toda a sua concentração em, ao menos continuar respirando. Já que suas pernas tinham, quase que completamente, virado gelatina e adquirido um Parkinson vergonhoso, de tanto que tremiam. dava graças a Deus e a todas as divindades que conhecia por estar sentada, ou era certeza que ela já estaria no chão há uns bons minutos.
- Independentes, donas de si e principalmente inteligentes. Se tornam uma mistura perigosa, quando elas ainda são mais bonitas do que a maioria. – O professor sussurrou no ouvido da mais nova, usando mais uma vez de provocação, combinando o tom de voz baixo e firme a beijos demorados, que tomavam toda a extensão da bochecha esquerda de e terminavam na mandíbula.
era, sem sombra de dúvidas, sem a menor margem para discordância, um grande filho da puta desalmado. Mas que sabia bem o que fazer para que uma mulher se perdesse totalmente em pouco tempo. Sabia bem demais, e isso poderia contar como uma qualidade ou um grande defeito, dependendo do ponto de vista.
- Você não deveria fazer isso comigo, . – o administrador mais safado de todos os tempos, decidiu que era um bom momento de mudar a tática de provocação e subiu a mão da maneira mais lenta que conseguia pelo braço de , a deixando com os pelos do braço mais ouriçados do que de um próprio ouriço e mais arrepiada do que se estivesse dentro de um iglu no Alasca. Ele continuou a subir a mão em um toque tão vagaroso e gostoso, passando pelo pescoço e parando no rosto, o qual segurou com uma das mãos e após virá-lo de leve, o segurar com as duas mãos. Combinando segurança e firmeza de uma forma sem igual, mantendo os olhos de fixos nos dele. Não que a moça tivesse a mais remota intenção de quebrar o contato visual. Essa nem de longe era uma verdade, os olhos azuis do homem eram interessantes e chamativos demais para permitir que isso acontecesse.
- Isso o que, ? – reuniu toda a sua força de vontade para responder firme, com um ponta de ironia na voz, mostrando que não era apenas ele que sabia brincar e que ela não estava tão afetada por suas ações. Muito embora estivesse, mas isso ele não precisava saber. Aparentemente, a postura da mais nova tinha surtido algum efeito, pois soltou uma risada sacana e depois sorriu ladino, projetando o corpo para a frente, ficando a poucos centímetros de .
- Me fazer querer te beijar. – Ele provocou mais ainda, fingindo que ia beijar, para depois recuar logo em seguida, deixando a morena querendo morrer por ter criado expectativas, ainda que involuntariamente, e acabado frustrada quando não ocorreu. Que droga era aquela? Ela não podia querer beijar o seu professor. Mas por que era tão difícil não querer? – Quando infelizmente, é o que eu menos posso. Apesar de que, sem dúvidas, eu quero bastante. - o homem aproximou mais uma vez a boca da dela, sabendo que estava deixando-a mais ansiosa do que qualquer outra coisa e constatando aquilo quando a viu abrir a boca levemente. Ele mordeu de leve os lábios, se praguejando por estar fazendo aquilo e sua situação só piorou quando a viu prender um suspiro.
- Eu não posso ser responsabilizada pelo que você quer, . – respondeu, fingindo a maior inocência do mundo, coisa que provavelmente todo mundo tinha plena consciência de que nem de longe ela era.
- Ah você é. – insinuou, encostando a boca na de , muito de leve, um gesto construído na mais pura provocação. – É quando sua boca parece gostosa demais pra ficar aí parada. – O homem manteve a posição por menos de dois segundos e fechou os olhos com força e suspirou, finalmente se dando conta da loucura que estava prestes a cometer.
Que merda tinha sido aquela? Ele tinha realmente quase beijado , mesmo sabendo que aquela era a última coisa que ele poderia fazer? Que merda, ! Ele respirou fundo e depositou um beijo apertado na bochecha da garota, afastando-se em seguida. Era melhor ele se afastar de uma vez, antes que a impulsividade voltasse a tomar conta e a merda fosse das grandes. ficou alguns momentos confusa sobre o repentino afastamento, mas logo se deu conta que a ficha dele sobre o quanto aquela situação era errada, tinha caído. Ela também respirou fundo, buscando colocar os pensamentos em ordem e sorriu fechado, recebendo o mesmo em resposta.
- Você sabe como seguir com a discussão, certo? – O professor mudou de assunto, voltando a posição original, mantendo uma distância segura da garota.
- Sei, sei sim. – Ela assegurou. – Vou seguir com as entrevistas e apontar os pontos de concordância e discordância. – concordou com um aceno de cabeça, como se dissesse que aquele era realmente o próximo passo a ser dado na realização do trabalho.
- Podemos encerrar por hoje? Qualquer coisa você entra em contato. Pode ser? – perguntou, batendo o pé freneticamente no chão e tentando a todo custo não olhar muito na direção da garota.
Ele só não tinha certeza se era por vergonha do que tinha quase acontecido, ou por medo de que a vontade voltasse, talvez ainda com mais intensidade, assim que colocasse os olhos nela. Ele levantou de uma vez, já começando a organizar suas coisas, perceptivelmente nervoso.
- Claro. – deu um sorriso fechado, também não arriscando manter muito contato visual. – Obrigada por ter vindo! – Ela foi sincera. Afinal, ela sabia melhor do que ninguém a quantidade de trabalho que ele tinha para realizar dentro da faculdade e ainda assim tinha reservado uma tarde quase toda para ajudá-la.
- Eu não podia deixar de vir. – sorriu. – Ah, vamos deixar esse assunto entre a gente. Pode ser, ? – Pediu, referindo-se ao quase beijo, mesmo que não tinha expressado a informação em palavras.
- Com certeza. Não se preocupa. – foi convicta, buscando passar para o homem que ela não tinha a mínima intenção de levar aquilo adiante, principalmente se fosse, de alguma forma, capaz de prejudicá-lo.
- Obrigado! – agradeceu sincero, até mesmo um pouco mais aliviado. Colocou a mochila nas costas, ajustando a altura para que ficasse confortável.
- Quer que chame um taxi? Eu tenho um de confiança. – A garota ofereceu preocupada, já que o homem se encontrava perceptivelmente nervoso, como se pudesse vomitar a qualquer momento. Ou chorar. Talvez as duas opções fossem possíveis. Ele negou com um aceno de cabeça.
- Eu vim de carro. – Explicou, com uma risada meio morta e mostrou a chave do carro, que se encontrava na mão direita. A morena afirmou, não querendo prolongar muito a conversa para não piorar o estado em que se encontravam. – Tchau, até depois! - Ele sorriu fechado, acenou rapidamente e saiu mais rápido ainda, procurando ar puro que pudesse colocar a respiração e os pensamentos de volta no lugar.

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virou de lado, como se aquilo fosse ajudar para que seu carro no videogame virasse mais rápido. Ele olhou levemente para o lado e viu o amigo fazendo o mesmo, soltando uma risada estrondosa, que poderia ser classificada mais como desespero do que divertimento. O coordenador da administração respirou fundo, sem saber exatamente como diria ao amigo o que tinha acontecido há pouco tempo e mordeu a boca. Merda! O melhor era dizer de uma vez, como se estivesse tirando um curativo.
- Eu fiz merda. E das grandes! – o soltou a primeira bomba, causando apenas uma risada de deboche em .
- Quando você não faz merda, ? – o pró-reitor continuou a inclinar junto com as curvas do circuito. tomou fôlego e pouco se importando com seu carro que sairia da pista virtual, ou não. Voltou a responder:
- Posso ser processado por assédio. – foi o que precisou para que pausasse o jogo.
O homem estava apavorado com o que o melhor amigo tinha dito. estava de brincadeira, só poderia estar. O mais velho virou o corpo completamente, com os olhos arregalados quase em pânico pela pequena frase que poderia destruir toda a carreira brilhante de .
- Posso perder meu emprego e minha carreira ir abaixo. – o nerd gato fez um gesto de declínio com a mão, quando a sua cara de paisagem e o olhar vago, mais pediam por um socorro imediato. Ele cobriu o rosto com as mãos, desesperado com a situação e soltou um grunhido frustrado.
- ? – o chamado do saiu assustado. – O que você fez?
O homem respirou fundo e passou a mão pelos cabelos, na intenção de que aquilo resolvesse seu problema.
- Tentei beijar minha orientanda. – a frase saiu rápida e destruidora. Ele estava de olhos fechados e mordia a boca, na intenção de que a culpa escapasse assim como o ar que enchia seus pulmões. Desde quando ele fazia aquele tipo de coisa?
- Ah tá, menos mal. Você me assustou, caramba! – coçou a barba, em um alivio momentâneo por ter ouvido errada a frase do amigo. Mas ao mesmo tempo em que digeriu tudo, o homem parou de uma vez e arregalou os olhos, sem acreditar na merda que o melhor amigo tinha feito. Ele estava louco?
- Exatamente. – mirou o chão.
- Espera em pouco... VOCÊ FEZ O QUÊ? – o esganiço de fez toda a situação mudar e o mais novo ficar ainda mais apavorado com a situação, devolvendo o grito nervoso.
- A MESMA COISA QUE VOCÊ, IDIOTA! – sacudiu os braços na agonia, mas parou ao perceber que não levaria muito longe. – Mas eu parei! – ele ressaltou como se aquilo o livrasse de toda a culpa de quase ter beijado . – Parei porque não dava!
- VOCÊ TEM BOSTA NA CABEÇA, IDIOTA? – o gritou parecia desafinado demais.
- ÓTIMO, O SUJO FALANDO DO MAL LAVADO! – o alterou a voz e rolou os olhos. Quem era para julgá-lo naquela hora? – Maravilhoso!
- ! É a ! – só a menção do nome da estudante, fez o professor sentir sua cabeça querer explodir.
- NÃO FALA O NOME DELA. Piora em 500%, o meu estado!
- E como você não quer que eu fale o nome dela? – a pergunta do pró-reitor veio mais do que esganiçada, fazendo a cara de choro do outro aumentar.
- Ela não me afastou, ! – os olhos azuis de só faltavam sair fora de orbita, enquanto o homem tentava deixar tudo mais consistente a medida que mexia as mãos. – Eu preferia que ela tivesse dado um tapa na minha cara! Mas adivinha? Ela não fez isso! Ela não fez qualquer movimento que me repelisse!
- Ela não te afastou? – o pró-reitor estava prestes a vomitar no tapete da sala. O que merda estava acontecendo ali? Aquela história estava muito mal contada para o gosto dele. – Ah, filho da puta! – o homem xingou o amigo.
- EU SOU O FILHO DA PUTA? – a pergunta saiu mais do que esganiçada da boca do . O homem não acreditava que estava sendo xingado, por quem menos tinha moral para lhe xingar ali. – Olha pra você, desgraçado. Eu sou tão filho da puta quanto você, amigão! – ele bufou desesperado, enfiando os dedos nos cabelos lisos. – E não, ela não me afastou! Por que você acha que eu estou nervoso? – sentia a comida querer voltar com tudo por seu esôfago. Merda! Ficar tão nervoso era uma verdadeira merda. O mais novo tomou fôlego e fechou os olhos com força. – Um tapa bem dado na minha cara tinha me feito acordar pra desistir de querer beijar ela, mas eu garanto que a situação tá bem diferente! – ele coçou a nuca, ganhando um tapinha de conforto no ombro.
- Me explica o que merda aconteceu? – suspirou em solidariedade pelo amigo, sabendo que nem mais do que o desespero que ele sentia, o perigo de dar merda futuramente era maior. – Eu não vou te julgar, . Eu só quero saber pra poder te ajudar. – ele mordeu a boca mais apreensivo.
- Você acha que eu sei? – a pergunta saiu baixa, combinada ao olhar suplicante do professor de administração. – Se eu soubesse o que merda deu em mim, eu tinha evitado de certeza. – suspirou apavorado.
- Não assim, cara. Mas tem que ter uma explicação. – o casado voltou a insistir, batendo os dedos no chão por estar nervoso.
- A gente estava em um café no centro, para resolver umas pendências do TCC dela. – ele mordeu a boca de leve. – E eu não sei o que deu em mim... Encostei perto pra ver um negócio no computador dela e só foi. – o professor esfregou os olhos por baixo dos óculos, sujando toda a lente. – A mulher é cheirosa pra caralho. – a expressão de desespero se fez presente, causando em uma das crises de riso mais espontâneas. – Ri da minha cara, idiota! – o homem xingou, mas findou rindo junto com o amigo. – Eu estou tão fodido, até o ultimo fio de cabelo! – se deixou largar, escorando o corpo no sofá.
- Que merda! – o continuava rindo do amigo, da situação que ele tinha se metido e pela cara de cachorro arrependido. – Mas era cheirosa mesmo? – a pergunta veio desafiadora, fazendo o soltar uma risada desesperada.
- Você não tem nem ideia! – o nerd passou a mão pelos cabelos, os puxando, como se aquilo fosse tirar todas as lembranças de sua cabeça.
- ? – o pró-reitor mordeu a boca. – Você realmente beijou ela? Porque, mesmo não achando que a seja capaz de te prejudicar de alguma forma, sempre pode acontecer.
- E você acha que minha agonia é quê? – o suspiro saiu pesado. – E eu não beijei, . Eu não beijei. Mas eu deixei bem claro que eu queria isso. – coçou a cabeça, fazendo o amigo enrugar a testa em uma careta que gritava “isso não é bom”.
- Você disse que queria beijar ela? – perguntou aos esganiços.
- Pulou da minha boca! – o outro abriu os braços, tentando fazer parecer que tinha sido o mais puro impulso. O que era bem verdade. – Quase junto com a língua! Você sabe que eu sou impulsivo. – o homem suspirou frustrado.
- Claro que eu sei. Como sei!
- Eu sabia que ia me foder qualquer hora! – se largou mais escorado ao sofá. Em que ponto da vida ele tinha errado para mudar o caminho daquele jeito? – Eu preciso conversar com ela e resolver isso. – o professor passou a mão pelo rosto. – Não tem como viver nesse clima de tensão com minha orientanda.
- Isso, concordo. Vocês precisam conversar. – apontou bem para o amigo e ainda receoso, olhou pra ele bem curioso. – Você ainda quer beijar ela? – a pergunta saiu treinada para pesar na consciência e a única coisa que o pró-reitor recebeu foi um olhar atravessado e completamente autocondenatório. – Merda, ! – ele coçou a barba já meio impaciente. – Ela não recuou nadinha?
- Não, . não recuou nadinha. – por Deus, ele estava surdo? Era tão complicado entender a dimensão do desastre? – sim? Porque ai o problema era você. – a chance de zoar o amigo não passou despercebida, o fazendo rir alto e ganhar um tapa em repreensão. – Ai cacete! – ele se encolheu.
- , foco! – soltou um grito esganiçado, não querendo entrar naquele assunto que envolvia o começo com de novo.
- Eu já foquei! Eu já disse que vou resolver com ela na conversa, nós somos adultos e precisamos conversar. – o homem tentou explicar mais uma vez ao amigo. – Mas sério, eu vou me manter longe. Encrenca com mulher endiabrada não dá!
- Exatamente. Conselho de amigo! – apontou pro homem. – Me escuta uma vez na vida! – ele riu mais aliviado pela declaração do mais novo e se permitiu escorar ao estofado.
- Vou escutar, nada de encrenca! – fez o mesmo.
- Vai dar pra continuar na orientação? – o pró-reitor parecia preocupado com o rumo que as coisas tomariam após aquilo ter acontecido.
- Vai, vai sim. Sem qualquer problema. – o professor deu de ombros. – Qualquer coisa se ela não quiser mais, ou não se sentir confortável com isso, eu te aviso. – ele anunciou e viu o amigo afirmar, voltando a pegar o controle no chão. Depois deu um tampinha grato nas costas do pró-reitor. – Diferentemente de você.
soltou uma risada irônica e estreitou os olhos com o afronte do amigo.
- Porque eu sabia que você iria surtar. Como de fato surtou! – o casado tentou, mais uma vez, explicar toda a situação. Mesmo que soubesse que o amigo iria tirar sua paciência para o resto da vida por ter escondido aquilo. – E é diferente, porque se der merda, quem vai lidar com isso dentro da universidade, sou eu! – ele apontou pro peito.
- Mas você não me contou, idiota! – o mais novo ralhou meio indignado. – Isso não se faz! Imagina se eu tivesse aparecido com mulher na sua casa. – esganiçou só de pensar que poderia ter dado a maior merda do século e a única coisa que ele iria despertar em era o famigerado ranço. – me matava e te matava de brinde. E a culpa nem ia ser minha!
- Eu não queria ouvir a mulher que eu sou apaixonado ser chamada de criança. – o Mr. foi sincero e o amigo rolou os olhos, mesmo sabendo que estava redondamente enganado na história de considerar garotas mais novas como crianças. – E sobre matar você, isso é com a , não comigo. – ele deu de ombros e riu.
- Mas adora ouvir ela chamando seu melhor amigo de babaca. – o incitou, vendo um sorriso de deboche surgir nos lábios do amigo.
- Porque é a verdade! – foi óbvio em suas convicções e se encolheu antes do tapa ardido, que fez os dois homens rirem. – O que eu não sabia, era que em alguns anos você ia querer beijar uma criança, que coincidentemente é melhor amiga da minha mulher. – ele alfinetou e rolou os olhos azuis.
- Você é sempre idiota assim, ou tá brabinho? – o professor de RH usou de todo o seu sarcasmo para cima de , fazendo o homem rir alto. Mas o que ele poderia fazer se era conhecido como ‘King of Sarcasm’? Não era à toa que tinha ganhado o apelido dos amigos. Se o sarcasmo poderia ser incorporado as frases, ele seria e com muito prazer.
respirou fundo e mordeu a boca, de repente a dúvida tinha lhe atingido. Se tinha 23 anos e era melhor amiga de , quantos anos a esposa do amigo tinha? Uns 26?
- A tem o quê? Uns 26? – ele indagou sobre a idade, tendo a certeza que a futura enfermeira não teria menos que aquilo. Não era possível que tivesse, até porque de criança, não tinha mais nem a cara.
- 23. – a voz de saiu mais baixa que o normal e se impediu de arregalar os olhos. Não era possível!
- Só isso? – a careta do outro foi involuntária. – Achei que era mais.
- Tá vendo como ela não é criança? – o defensor da esposa ressaltou de um jeito natural, apenas pra que o amigo refletisse sobre aquilo, ainda que os dois mirassem o tapete colorido no chão.
- Eu nunca chamei a de criança... Diretamente. – o deu de ombros, envergonhado pelo que já tinha pensado da sua gêmea.
- Mas pensou! – apontou com o indicador e empurrou o amigo, o fazendo rir alto, depois abraçou com um dos braços.
- Pensei que você tava ficando louco! Não que esteja são. – o solteiro girou o dedo ao redor da orelha, mostrando que o amigo estava louco. Os dois riram alto. – E a história da gravidez, cara? – a pergunta saiu curiosa e mesmo sem querer, abriu um dos seus sorrisos mais iluminados. Por Deus, ele sabia que estava sendo trouxa por se iludir tanto, mas droga, ser pai era um dos seus maiores sonhos.
- não quer ver um teste de gravidez nem de ouro na frente dela. – o homem suspirou enfiando as mãos nos cabelos. – Eu já tentei, mas ela não quer.
- Então deixa livre. – apertou no abraço de lado. – Se ela achar que tem a necessidade de fazer, ela vai. Só calma, vocês são novos ainda, dá pra ter umas duas ou três crianças. – ele deu de ombros e ganhou uma olhada atravessada.
- Isso, se eu conseguir convencer de ao menos uma. – o olhar apavorado do pró-reitor era tão engraçado que não aguentou as gargalhadas. – Não ri não. Você é padrinho, tem que dar, no mínimo, o quarto da criança! – declarou bem convicto e fez o amigo engasgar com a saliva, pelo susto de dar o quarto do possível afilhado. mordeu a boca e soltou a gargalhada pelo ataque do amigo, enquanto desviava das agressões carinhosas do nerd gato.

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fez careta ao ouvir a música que estrondava no sistema de som e riu alto quando viu a cara de choro de . Não era possível que ela estava sofrendo por a banda em hiatos. Life’s a bitch, and McFLY too.
- O que deu em você hoje? – a estudante de administração prendeu uma risada entre os dentes e ouviu o suspiro frustrado da amiga.
- Acordei pra sofrer por bandinhas. – a quase enfermeira disse teatral e as duas riram alto. – Hoje sai a música nova do Danny, já estou me aquecendo pra sofrer por aquele homem. – ela colocou a mão no peito e findou gargalhando junto com .
- E o sabe disso? – a espanhola indagou ainda presa entre risadas e um gole e outro do vinho, no qual ela bebia de forma solitária.
- Meu amor, meu marido está doutrinado em McFLY. E está conformadíssimo com meus crushes famosos! – ela pôs a mão no peito, como se aquilo desse mais ênfase ao que dizia e fez uma careta enrugando o nariz. – Mentira, ele torce o nariz com o Simple Plan.
tentou conter a gargalhada, mas foi inútil ao imaginar , o pró-reitor da McGill, com ciúme de caras que não eram metade do que ele representava para .
- Você não tem filtro, ! – as duas riram. – Deve sair cada barbaridade da sua boca, que o coitado do deve ficar transtornado. – ela usou de um deboche imensurável pra dizer aquilo e arrancou uma careta descontente da casada.
- Vocês nunca vão parar com isso? – ela bufou pelo apelido carinhoso que, infelizmente, tinha pulado de sua boca nos dias anteriores. – Esquece que eu disse isso algum dia.
- Não dá! – soltou mais uma gargalhada larga. – Vocês são cafonas demais! – a garota incitou, procurando uma brecha que coubesse toda a confusão que havia acontecido e envolvido .
- Nós nos amamos, é diferente! – comeu uma das bolachinhas salgadas com patê, não prestando atenção na expressão apreensiva de .
- ? – a pergunta saiu com um fio de voz. A mulher apenas resmungou em resposta, olhando para a amiga de longa data, incentivando que ela continuasse. – Como foi pra você começar a ficar com o ?
A casada fez uma careta bem confusa com a pergunta. De onde tinha tirado aquilo? Sério que ela iria zoar até não poder mais com a história dos dois?
- Como assim? – a estudante de enfermagem soou confusa, vendo a amiga morder a boca. Opa, ela estava nervosa? Alguma coisa tinha acontecido! – Como foi? Eu não estou entendendo, tá apaixonada por alguém? – fez uma careta horrenda com a última pergunta, negando copiosamente pra ela. Apaixonada ela? No máximo, ela estava com vontade de provar o beijo do cara, nada mais que isso.
- Credo, ! – a careta continuou, fazendo a outra rir. – Eu quero saber se o recuou ou foi de boa! – ela deu de ombros, sendo a vez da casada de fazer careta. Uma que se transformou em uma gargalhada nostálgica.
- Ele me agarrou no meio do laboratório. – ela foi simples e direta, vendo a boca da amiga ir ao chão. – Depois disso eu achei que fosse ser desligada de lá, mas foi bem o contrário. é doido! – rodou o dedo ao redor da orelha, exemplificando as atitudes do marido.
- Você só virou pró-reitora mesmo. – riu sobre o rumo da vida da amiga e ela fez uma careta. – Mas tipo, ele nunca tinha tentado te beijar antes? – a estudante mordeu a boca mais uma vez, como se aquilo fosse fazer seu nervosismo ir embora na mesma rapidez que chegara. negou com a cabeça.
- Eu, sinceramente, achei que ele nem me via assim até realmente ser beijada. – a mulher tentou morder um sorriso mais apaixonado. – E embora eu já tivesse pegado ele olhando pra minha bunda mais vezes do que eu consigo contar, achei que era só mais um professor idiota dentro do campus. – ela deu de ombros e as duas riram alto.
- Discreto, não é mesmo? – zoou, fazendo as duas negarem com um aceno de cabeça.
- Continua não sendo até hoje... – meneou a mão, mas quase sentiu seu coração despencar ao ouvir a frase seguinte da amiga.
- , eu quase fui beijada. – a quase administradora soltou a frase como se ela não fizesse qualquer diferença para o mundo.
- Oi? – a outra arregalou os olhos, ansiosa em saber quem era o carinha da vez. E ela esperava que fosse decente. – Por quem? Me conta! – a pose de fofoqueira da casada era fora do comum.
- Mas você tem que me prometer não contar pra ninguém! – instigou como se a melhor amiga fosse uma criança e a viu afirmar freneticamente. – Nem pra você mesma! – ela reforçou vendo beijar os dedos em cruz. Aquela sim era uma promessa válida!
- Ninguém vai saber e eu não vou lembrar disso! – a mulher riu com a própria frase e esperou que a bomba fosse solta. – Prometo que eu não conto pra ninguém, nem pro ! – a frase saiu eufórica e fez a rir um pouco morta. – Pode confiar!
Como se aquilo fosse preciso ressaltar. A amizade das duas era construída em confiança, muita confiança, mesmo que a quase enfermeira tivesse pisado na bola sobre contar do casamento. Era complicado lidar com algo daquele tamanho, principalmente quando o medo de dar errado era enorme. As duas suspiraram, suspiros diferentes, mesmo que no fundo fossem construídos em ansiedade.
- Tá... – começou, sem saber exatamente como continuaria com aquilo ao ver os olhos redondos e curiosos de . – Eu estava na orientação, aí fui mostrar um resultado e... não sei bem o que aconteceu, eu só sei que quase rolou! – foi tudo que ela precisou dizer para que o alívio se instalasse em seu peito e a amiga entendesse tudo.
- fez o quê? – o esganiço indignado por parte da casada foi algo grotesco e fechou os olhos com força. Por que era tão complicado ouvir o nome dele e associar a figura ao ato?
- Calma! Calma! Calma! Sem ficar brava com o amigo! – a demônia de saia lápis, como costumava chamar, tentou apaziguar a situação com uma risada, mas logo percebendo que não seria assim tão fácil. Mas poxa, , qual era o problema de se sentir atraída por um professor gato?
- Ah filho da Puta! – o xingamento veio sem demora, quando a única coisa que a mulher do pró-reitor queria era esganar o . Não se dando conta de que a parte mais interessada ali, estava pouco ligando para a culpa do homem. – O que ele tem na cabeça? Merda?
- , calma! – tentou mais uma vez, com uma vontade imensa de rir por ver a amiga tão brava com algo tão pequeno. Não era como se ela fosse prejudicar o cara por algo que, de uma forma inconsciente, também tinha passado a querer. – Eu não vou prejudicá-lo, fica tranquila! – ela quase sacudiu a amiga pelos ombros.
- Não é calma! E eu sei que não. Na verdade, eu acho que não... – suspirou um tanto apavorada. Não é como se fosse deixar aquilo barato, a não ser que... – Espera! – ela arregalou os olhos, incrédula com suas próprias suposições. – Ah safada. Você gostou! – o grito veio cheio da malandragem, fazendo a de cabelos lisos soltar uma gargalhada mais do que espontânea e dar de ombros.
- Dois safados. Vocês se merecem! – meneou a mão, entrando nas risadas. – Vai um professor pro seu longo currículo, não é danada?
- Eu não recuei, então eu não tenho do que reclamar, né? – o sorriso malvado no rosto da fez a Mrs. rolar os olhos, mas findar rindo. Claro, ela sempre soube que não duraria muito tempo.
- É, lembrei! – despejou tédio na voz. – Você quer pegar o cara. Ai que tapada! – ela deu um tapa no braço de , ouvindo a melhor amiga rir alto, divertida e sem negar ou afirmar a situação. Afinal, era um belo caminho da perdição e não seria nada ruim provar um pouco dele.
- Não me agride! – a estudante de administração se encolheu pelo tapa e prendeu a risada. – Eu não quero pegar ninguém, coisa! E credo, eu não sou safada. Você não conhece o conceito de quase? Não aconteceu nada! – a mulher assegurou e a outra apenas afirmou com um meio aceno.
- O conceito de quase pra mim é igual a um: Não falta muito pra acontecer! – apontou rindo e pegou mais uns cubos de queijo no prato. – Eu não sei o que faço com vocês dois, sinceramente!
- O que eu fiz dessa vez? – a inocência fingida da espanhola fez a amiga rolar os olhos.
- Quase beijou o tapado do nerd! – esganiçou, fazendo a amiga rir. – Olha, eu realmente não me responsabilizo pelo que acontecer. Mas, por favor, se forem transar, transem igual dois amigos! – a casada tentou alertar e só conseguiu ouvir mais uma risada larga.
- Quem falou em transar, pelo amor de Jesus? – soltou um esganiço meio apavorado com a conversa. O que diabos já estava imaginando naquela cabecinha sem jeito? – A gente nem chegou a se beijar, criatura! – a garota sacudiu a cabeça e riu baixo.
- Eu conheço vocês dois, bem demais! – a casada sacudiu o indicador em riste, quando mais estava com vontade de rir. Nem ali, nem em lugar nenhum ela parecia tanto uma mãe preocupada, mas era bom ver a amiga tentando se justificar. abriu um sorriso maldoso e umedeceu a boca.
- Mas agora eu fiquei curiosa. Como dois amigos transam? Assim, só por curiosidade.
- Aí você vai ter que descobrir sozinha. – soltou uma risada divertida. – Porque quando eu comecei transar com o , tudo que a gente não era, era amigo! – as duas riram. – Só, por favor, se cuida!
- Então você quer que eu descubra? – a espanhola perguntou com um sorriso endiabrado e rolou os olhos.
- Ai, Taty, eu não vou dar nem bola pra ele. – a quase enfermeira tentou imitar a amiga. riu alto mais uma vez. Era fofa e engraçada a preocupação de em relação a ela.
- Eu não dei. Foi ele! – a abriu os braços como se aquilo a livrasse de todos os seus pecados e esboçou ainda mais a careta de tédio.
- Vocês vão findar é dando um pro outro! – a mulher proferiu, fazendo-as rirem alto. Mesmo que uma careta pelo palavreado surgisse no rosto de .
- , olha os modos! – ela pôs a mão no peito. – Não vai acontecer!
- Tá vendo, sua Capeta? – a outra xingou meio desesperada. O quão errado poderia dar se os dois transassem? – Você quer dar pra ele, demônia!
- Vocês não disseram que ele não fica com aluna? Então pronto! – ela deu de ombros e tomou mais um pouco do vinho.
- Ele quase te beijou, ! – esclareceu mais uma vez o acontecido. – E o disse isso, eu nunca disse nada!
- , meu amor, ele é professor há mais de 10 anos. Você acha mesmo que essa foi a primeira vez que aconteceu? Que ele nunca sentiu vontade de ficar com uma aluna? É humanamente impossível que eu tenha sido a primeira. Ainda mais ele sendo do jeito que é. – suspirou bem convicta do que dizia, mal sabendo ela que sim, aquela era a primeira vez na qual o proibido parecia ser muito mais atraente para ele. A outra coçou a cabeça, refletindo sobre as palavras da amiga e vendo que sim, ela tinha razão.
- Eu só tenho medo que isso afete as minhas relações fraternas. – a mulher tentou se explicar e as duas riram. – Mas se você garante que não, tanto faz. Se quiser beijar, beija! E se quiser transar com ele, transa. Eu sou ninguém pra impedir. Seja feliz! – ela abriu os braços, fazendo um teatro gigante e ganhou um abraço apertado da amiga.
sabia que não ia muito tempo até os dois ficarem de vez e tentar impedir não ia dar qualquer resultado. Então o melhor era apoiar e ver a vontade dos dois passar.
- Awn olha ela, que fofa! – apertou ainda mais a amiga entre os braços, sendo abraçada com força de volta.
- Eu sou fofíssima! – a quase enfermeira fechou os olhos em uma careta bem convencida e as duas riram alto. – Só me promete que nada de transar sem camisinha. – ela esticou o indicador. – Não seja eu!
- Prometido, mãe! – a espanhola zoou a preocupação da amiga e a viu estreitar os olhos. Mas que merda era aquela? só poderia estar de brincadeira para assustá-la daquela maneira, quando as coisas mais pendiam pro lado da maternidade. – Desculpa! – a soltou um grito esganiçado e as duas findaram rindo. – Não é porque é , o bambambam da administração, que será diferente, colega! – a moça piscou e gargalhou, sabendo que não tinha escapatória, os dois acabariam na cama um do outro. – Essa sua risada me dá arrepios. – o gesto foi simulado.
- Tanto faz. – a Mrs. meneou a mão rindo e levantou do banco, sentindo uma enorme vontade de comer batatas lhe atingir. – Vamos fritar batatas?
- Opa, sim! – soltou um gritinho, não se importando nenhum pouco de o assunto anterior ter sido trocado pelas preciosas batatas que ficariam mais gostosas acompanhadas de algum molho vegetariano.

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respirou fundo pela centésima vez naquele dia, segundo suas contas e passou as mãos no rosto. Ele nunca achou que fosse realmente possível, mas ele estava suando frio de nervoso. A situação em que ele tinha se colocado por causa de sua incrível impulsividade era péssima, com certeza uma das piores em que ele já tinha se posto em toda a sua vida e definitivamente a mais complicada de se resolver. Mas isso precisava ser feito o mais rápido possível, antes que a coisa se alastrasse e ficasse ainda pior, por isso o homem tratou de pedir logo o endereço onde fazia estágio, para . Dando a desculpa de que precisava entregar alguns documentos da monitoria para a orientanda. Porém, o que mais deixava o professor com vontade de enfiar a cabeça na privada e dar descarga era o fato de que, mesmo sabendo que o que ele tinha feito era extremamente errado e que poderia ferrar toda sua carreira e tudo que ele batalhou tanto para conquistar, mas mesmo assim ele não se arrependia. Não se arrependia mesmo. Inclusive o medo era querer de novo, assim que a visse. O homem suspirou, apoiando os cotovelos nos joelhos e escondeu o rosto nas mãos, sentindo o coração querer saltar pela boca.
- ? – O homem ouviu a voz feminina soar um pouco baixa e em um tom que demonstrava confusão e surpresa.
Sim, certamente surpresa era uma boa palavra para definir o estado em que a garota estava por encontrar seu professor àquela hora, no local em que ela estagiava. levantou de uma vez, ao ouvir a voz da mais nova. Vamos, , coragem. A merda já tinha sido feita, o jeito agora era encarar de frente a situação e torcer para o que o melhor acontecesse.
- Posso falar com você? – perguntou de uma vez, enfiando as mãos nos bolsos, em uma tentativa de não demonstrar tanto nervosismo quanto realmente sentia no momento. Mas aparentemente sua tentativa falhou, pois só pareceu ainda mais confusa.
- Claro! – Ela concordou rápido, olhando bem para o mais velho, tentando identificar alguma coisa que pudesse indicar o motivo de ele ter aparecido de forma tão repentina. - Aconteceu alguma coisa? – Perguntou de uma vez, assustada. suspirou e coçou a cabeça, meio sem saber o que fazer. Não queria deixá-la assustada, mas definitivamente, ele não podia falar lá, no hall de entrada de uma empresa de eventos.
- Você tem um tempo pra um café? – O professor perguntou, mais calmo.
A garota parou por um momento, talvez pensando se poderia deixar o trabalho naquele momento, talvez ainda preocupada com o que pudesse estar acontecendo, ou talvez pensando que o homem tinha ficado louco de vez. Mas por fim, concordou com a cabeça, indicando que sim, eles poderiam sair para conversar.
- Claro! Claro! Eu tenho tempo agora – A garota respondeu, com a voz em um tom que claramente, ela estava se controlando para não encher o professor de perguntas sobre o que diabos estava acontecendo ali. E o pior era que sabia que muito provavelmente não teria todas as respostas. Nem ele mesmo entendia. Que loucura era aquela querer (e tentar!) beijar a sua aluna? Sua orientanda? E pior... AINDA QUERER! Ele só podia estar ficando louco. Sim, era isso, louco! - Vamos? – ouviu a voz de e balançou a cabeça, acordando do transe em que tinha se imerso e depois acenou positivamente com a cabeça para a aluna, que apontava com o indicador para a porta de entrada e saída do prédio, como se estivesse mostrando o caminho que os dois deveriam seguir.
- Vamos! – O professor sorriu fechado e saiu para fora das dependências da empresa no encalço da mais nova e sentindo o estômago querer começar a virar, conforme se aproximava o momento que provavelmente decidiria sua vida daqui para frente. O que ele não sabia era se era bom ou ruim.
- Eu vi uma cafeteria bem boa aqui perto. - apontou para esquina. Realmente, no caminho, reparou que ali tinha uma cafeteria de porte pequeno, que parecia calma, o que ele considerava como perfeito para a conversa que se desenrolaria em poucos minutos. Se tudo desse errado, pelo menos seria com pouca plateia.
- Sim, ela é realmente boa. O café de lá é bom – A, provável, mais viciada em café do corpo discente da McGill riu baixo e foi seguida pelo seu exato espelho no corpo docente, ou , para os menos íntimos.
- Eu ainda estou descobrindo essas coisas aqui em Montreal! – O mais velho riu baixo, ainda com as mãos enterradas nos bolsos da calça jeans de lavagem escura que ele usava naquele dia e encarando as pedrinhas da calçada, como se aquilo fosse a coisa mais interessante que ele tinha para fazer no momento. Talvez isso fosse verdade, já que a sua única certeza que ele tinha no momento, era de que ele pretendia olhar para quando eles já estivessem dentro da cafeteria. Com algum pouco de cafeína no organismo, de preferência.
- Já eu provavelmente conheço todas as cafeterias dessa cidade! – A garota se vangloriou, fazendo pose exagerada, como se ela fosse alguma pessoa famosa ou influente, a quem as pessoas acompanhavam para seguir tendências.
riu fofo, achando graça da postura brincalhona e solta da mais nova. Foi naquele momento que ele decidiu que, se a vontade de ficar com voltasse, ele não cederia, ele não podia ceder. Obviamente pelo trabalho, se aquela situação voltasse a acontecer, poderia ferrar muito para o seu lado. – não que ele já estivesse salvo da situação passada, o que definitivamente não era a situação, já que ele tinha resolvido nada com até o presente momento, mas deu pra entender, não deu?
- Acho que vou precisar de um mapa. – O professor brincou e ouviu um ‘pode deixar!’, que ele não sabia se era verdade ou brincadeira.
Mas caso fosse verdade, ele não recusaria. Era nem louco para isso! Alguns passos depois, pararam em frente a cafeteria, que realmente não estava muito cheia, na verdade apenas poucas mesas estavam ocupadas, para alivio de . Ele abriu a porta do estabelecimento, ouvindo o típico sininho que ficava nas portas desses ambientes e deixou caminho para que entrasse primeiro, fazendo jus ao cavalheiro que seus pais sempre procuraram criar. A garota sorriu agradecida e entrou, se pondo a procurar uma mesa para os dois, o que não levou muito tempo. Logo a garota apontou para uma mesa vazia mais ou menos na metade do espaço da cafeteria e rumaram para lá.
Após realizarem os pedidos, optou por pedir um Ristoretto, enquanto escolheu um Machiatto Caramelo, se pôs a observar o local com atenção. Era um local bem bonito, simples, mas bonito. Parecia muito com aquelas lanchonetes de filmes antigos que vemos na televisão, com um balcão grande que cobria toda uma parede do local, essa que se encontrava cheia de quadros de fotos em preto e branco e canecas de café penduradas, fazendo a decoração e cobrindo quase completamente a cor clara da parede. O chão do lugar também lembrava as ditas lanchonetes, já que era de um vinílico quadriculado. A única coisa que diferenciava um local do outro era a mesa. Essas eram menores, de ripas de madeira e dobráveis. Pareciam bem práticas e ocupavam pouco espaço quando fechadas. fez uma anotação mental de procurar uma daquelas para comprar para o seu apartamento. Quando ele terminou de observar o local, os pedidos ainda não tinham chegado e ele não se sentia seguro para começar o assunto, permaneceu calado e batendo os dedos na madeira da mesa, impaciente.
- Tá tudo bem? – perguntou, com a sobrancelha levemente vincada, deixando claro, bem claro de que sim, ela estava bem preocupada com a forma esquisita que o homem estava agindo.
Ele abriu a boca, mas não teve tempo de falar nada, porque na hora os pedidos chegaram. Temporariamente salvo pelo gongo, ! Mas foi temporariamente mesmo, pois o olhar que a mais nova o lançou quando o garçom se afastou, deixou expresso que ela não deixaria o assunto passar facilmente. Ela nunca deixava, estava começando a se acostumar com isso, inclusive. Dando-se por vencido, ele suspirou e negou com a cabeça.
- Não tá nada bem! Nem um pouco. – O homem saltou de uma vez, as palavras saindo em um jato de sua boca. Mas tinha que ser assim, ou ele não conseguiria falar o que tinha para falar. E nem os olhos arregalados e assustados de o impediriam de continuar. Ele mordeu a boca e soltou o ar. - A nossa situação não ta das melhores. – Quando ele terminou de falar, finalmente se deu conta do que aquilo tudo se tratava: o quase beijo! Ele estava com medo do que poderia acontecer em consequência do ocorrido. dividia-se em prender a risada e ter pena do homem a sua frente, ele estava visivelmente nervoso e preocupado.
- ? – A garota chamou baixo, mas em tom suficiente para que ele pudesse escutar mesmo com o barulho da música ambiente. Ouviu ele respirar fundo e a encarar de modo firme, mas os olhos transbordando preocupação. - Tá tudo bem. – falou convicta, mas ele riu sem humor, descrente.
- Não tá, . Não ta nada bem, eu fui impulsivo e causei tudo isso, foi realmente minha culpa. Eu não sei onde isso vai dar, mas eu nunca quis te ofender. Nunca, eu juro, nem por um momento. Nós passamos uma boa parte do dia juntos e a última coisa que eu quero, é que nossa relação seja afetada. – disparou a falar, atropelando as palavras e tornando muito difícil que as palavras fossem compreendidas. Tanto que quando finalmente conseguiu, tudo que mais queria era rir. Mas o que era fez foi colocar uma expressão séria no rosto, mostrando que iria dizer uma coisa muito importante.
- Ok, a gente tá fora da McGill, então você não é meu professor e eu posso falar. , de boa, cala a boca! – parou por alguns momentos, com a boca meio aberta, embasbacado com o que tinha acabado de ouvir, era muita petulância no corpo de uma mulher nem tão alta assim. Assim que terminou de processar a frase e constatar que tinha realmente o mandado calar a boca, começou a rir. Alto. Com direito a ombros sacudindo e tudo. O volume de risadas era tanto que a garota acabou por rir junto com ele. - Você tá muito cagado, por Deus! – A estudante esganiçou, não conseguindo parar de rir nem por um segundo, enquanto o nerd gato se encontrava na mesma situação, mas com o rosto encostado na mesa para abafar um pouco, ou eles acabariam expulsos de lá por perturbação.
- Você pode acabar com a minha vida, mulher, queria que eu estivesse como? – O homem riu bem morto. Essa era a maior verdade existente na vida.
tinha a faca e o queijo na mão, se ela quisesse, se ela dissesse apenas uma palavra para a pessoa certa, ou errada, dependendo do ponto de vista, estaria altamente perdido. Somente pensar nisso já fazia seu estômago revirar e mostrar para o mundo o conteúdo do almoço do dia do nerd gato. suspirou e se ajeitou na cadeira, procurando a posição mais confortável e depois projetou o corpo levemente para frente, encarando os olhos azuis do mais velho.
- Posso, mas não vou, não tem porquê! – falou segura, uma segurança muito grande, enorme, que não deixa margem para qualquer mínima dúvida. E foi isso que fez soltar o ar dos pulmões, chegando a abaixar os ombros, aliviado. Mas espera, seria mesmo tão fácil?
- Eu não sei se acredito por ter sido tão fácil assim. – O professor riu zombeteiro, sendo acompanhado para garota.
- Eu tô com pena, você tá muito cagado. – riu alto da brincadeira de , negando com a cabeça.
Ele tentou ralhar ainda que entre risos, mandando-a calar a boca, mas a garota era tão petulante que, não só não se abalou, como devolveu a ‘gentileza’, o mandando calar a boca pela segunda vez dentro daqueles poucos minutos. respirou algumas vezes para cessar os risos e recobrou a seriedade, encarando outra vez seu professor.
- , me escuta, ok? – pediu calma e assentiu, passando a mão no rosto enquanto ainda ria. A garota suspirou. - Eu poderia ter me afastado, eu poderia ter te afastado, eu poderia ter ido embora na hora, eu poderia até ter gritado. E acredita, se eu visse necessidade, eu faria sem pensar duas vezes. Mas eu não fiz nada disso! Então não, você não tem o que se preocupar. Pelo menos pra mim, tá tudo bem.
- Jura? – O homem sentiu uma sensação tão boa, ele se sentiu leve depois de ouvir aquelas palavras, uma sensação de alívio muito grande, era impossível traduzir em palavras.
Ele segurou a mão da garota com força, tentando demonstrar o quão agradecido ele estava por não ter levado toda aquela situação tão a sério, pelo menos não a ponto de prejudicar tanto a carreira profissional do professor quanto a amizade que eles tinham construído ao longo do tempo. Porque sim, já a considerava uma ótima amiga, e tinha a impressão de que era recíproco. Pelo menos ele esperava que sim.
- Juro! Fica tranquilo! – sorriu, um sorriso grande e bonito, que fez sorrir involuntariamente em resposta. Ela ficava bonita quando sorria daquele jeito sincero, muito bonita, inclusive, na humilde opinião do homem. Droga, , é sua aluna e amiga, e você ainda passou um nervoso do caramba por tentar beijar ela, não dá para ficar reparando no sorriso da garota, cara. Vai, foco. Foco na conversa!
- Então tá tudo certo entre a gente? – perguntou para garantir, com uma caretinha apreensiva, o que fez a mais nova rir. assentiu, apertando um pouco a mão de , como se para garantir que ela estava sendo sincera. Para ela realmente não havia motivos para fazer um grande caso do que tinha acontecido, afinal, nada de fato tinha se concretizado. O professor de administração sorriu mais uma vez, o sorriso que quem conhecia bem dizia ser o seu verdadeiro, que evidenciava os caninos. – Ah, e desculpa ter te procurado no meio do estágio, mas eu não estava conseguindo pensar direito. – O nerd gato riu meio morto.
Aquilo tinha sido mais uma demonstração de sua impulsividade aflorada, mas pelo menos dessa vez tinha sido para o bem e dado o resultado melhor do que o esperado, com certeza. A quase administradora meneou a mão, como se dissesse que aquilo não tinha importância.
- Ah, tudo bem. Pode vir mais vezes, assim tenho uma folga! – Ela brincou, fazendo o cara rir alto, quase soltar um berro bem no meio da cafeteria. Aquela garota era um verdadeiro demônio quando se tratava de petulância, Deus do céu!
- Olha a cara lisa dela querendo fugir do trabalho! Não foi assim que eu te conheci, ! – O professor fingiu censurar, como se eles estivessem dentro da sala de aula, mas era a mais pura e sincera, por isso foi a vez de rir.
- Eu trabalho muito, pra sua informação! – Ela exclamou, se fingindo de ofendida. O que nem o possível, ou talvez, provável bebê acreditava.
- Mas fica querendo fugir do estágio! – O mais velho voltou a acusar, fazendo a moça rir e dar de ombros.
- Se você tivesse o meu estágio, você também ia querer fugir! – Ela fez uma careta para confirmar o que estava dizendo.
Ela não sabia muita coisa sobre como sua carreira profissional seria, nem o tipo de profissional que ela seria. Mas de uma coisa ela tinha certeza, certeza mais do que absoluta, ela não seria como o dono da empresa em que estagiava, de forma alguma. O homem deixava tudo nas costas dos colaboradores. E ainda era um grande machista. O que para uma feminista como , era algo nada bom. Uma combinação bem perigosa. Ela se esperava fechar ao fim do estágio sem grandes problemas.
- Ainda bem que eu não tenho! – zoou como se fosse uma criança implicando com o amiguinho, soltando a frase de forma calma e simples, como se estivesse falando sobre o tempo e prendeu a risada mordendo o lábio inferior quando viu a boca de se tornar um perfeito ‘O’ e a garota se esticar sobre a mesa para desferir um tapa fraco e completamente fingido em seu ombro.
- Vai embora! – A mais nova da família apontou para a porta do estabelecimento, como se realmente estivesse o expulsando do local, o que contrastava e muito com suas risadas.
- Obrigado por se oferecer pra pagar meu café! – O homem levantou da cadeira e pegou o celular que tinha deixado em cima da mesa ao chegar mais cedo naquele dia, parecendo realmente estar pronto para ir embora. O que, se ela não soubesse que era uma brincadeira dele, seria o que bastava para deixar completamente indignada.
- Não se atreva. Você que convidou! – A garota usou de toda a sua falsa indignação e apenas recebeu um dar de ombros como resposta. Ah, era um grande filho da puta. Que a Mrs. a desculpasse, mas era.
- Mas você me mandou embora! – Ele relembrou, como se aquela falsa ordem tivesse o menor resquício de verdade.
- Paga e aí vai! – exclamou totalmente plena e ouviu prender a risada.
- Você quem paga, seja uma dama! – ironizou, mas riu quando ouviu dizer que aquilo não combinava com ela e dar de ombros. O professor de RH por fim se deu por vencido, sacudiu a cabeça rindo e se dirigiu para o balcão da cafeteria, onde ficava o caixa. Esperou que a atendente o informasse o valor e entregou dinheiro suficiente para pagar a conta e ainda deixar um segundo café para já pago.
- Tem mais um café aí te esperando. – informou apontando para o balcão, o que foi combinado a uma risada e uma piscadela. assentiu e sorriu agradecida. – Mas eu vou indo, tenho uma montanha de coisa pra resolver. – Ele sorriu fechado, parando em pé bem perto da aluna, que entendeu o recado e se também se levantou.
Ela arregalou levemente os olhos, devido ao que acabara de passar por sua cabeça. O Flashmob! não sabia se entendia alguma coisa de dança ao se ao menos gostava, mas seria um momento engraçado e importante, e eles eram amigos, então não custava convidar, certo?
- Posso te fazer um convite? – Ela mordeu a boca, meio receosa. Apesar de confuso, acenou com a cabeça, a incentivando a continuar a falar. – Como eu te falei outro dia, meu irmão vai pedir o namorado em casamento. O pedido vai ser durante um Flashmob, no domingo que vem, no estacionamento do aeroporto. Vou eu, ele, a ... Até o vai! E mais um monte de gente, claro. – riu ao ouvir o nome do melhor amigo ser mencionado. Com certeza tinha sido que o tinha arrastado para aquilo. Embora toda a ideia parecesse interessante. Meio maluca, claro, mas interessante. – Então, se você quiser ir, tá convidado. Vai ser divertido! – mordeu a boca mais uma vez, afinal ela não sabia o que o mais velho pensaria daquilo. O homem arregalou os olhos, surpreso por ter sido convidado, já que ele não conhecia os noivos. Mas aparentemente conhecer a irmã de um deles, já carimbava passaporte para o evento.
- Uau! Obrigado. Obrigado mesmo pelo convite, ! – Ele respondeu com um sorriso sincero. – Eu não entendo muito de dança e essas coisas. – Riu. – Mas se você acha que não tem problema, eu aceito. Estarei lá prestigiando o casal com certeza! – soltou um gritinho comemorativo empolgado, fazendo o homem rir e entender que era ela quem estava à frente de toda a organização do pedido de casamento do irmão. Bom, pelo menos nesse quesito nada daria errado, essa era uma verdade muito grande, conhecendo os traços da administradora que já demostrava ser.
- Mas agora infelizmente preciso ir, tenho umas coisas para resolver. – O professor sorriu fechado e concordou.
Ele deu um passo à frente e a envolveu em um meio abraço, apoiando a mão no fim da coluna da moça e completando gesto com um beijo firme na bochecha dela, deixando-a se praguejando por ter arrepiado com aquele bendito ato. Mas custava ele apenas abraçar normalmente? Não custava nada. Só que não, tinha que aparecer com suas mãos firmes, as apoiando nela para um simples abraço de despedida. Era algo diferente, era quase como se fosse um gesto de um amigo mais saidinho que os outros.
O sorriu uma última vez após soltá-la e acenou, deixando o estabelecimento logo em seguida. Além de uma meio trêmula.


Chapter 6

Daniel apertou a mão do namorado – e, se tudo desse certo, noivo, em alguns instantes – com um pouco mais de força enquanto os dois caminhavam pelo saguão do Aeroporto Internacional Pierre Trudeau, como se quisesse realmente acreditar que Joe estava ali de verdade e que aquilo não era um dos sonhos que ele vinha tendo nos últimos dias, onde o pedido que estava prestes a se tornar realidade, acontecia, o fazendo acordar com o coração acelerado pelo nervosismo. beijou a mão do outro delicadamente, chamando sua atenção. Os dois sorriram exatamente do mesmo jeito, como se fossem espelhados. Sorrisos que de fato não necessitavam qualquer tipo de explicação, os sentimentos estavam ali expostos para quem quisesse ver.
- Eu tava com tanta saudade! – O espanhol declarou com a maior sinceridade existente no mundo e quase podia sentir seus olhos brilhando, como acontecia toda vez que ele colocava os olhos no americano mais especial de sua vida.
- Eu também. Muita! – Joe concordou no mesmo nível de felicidade, ele praticamente fazia cosplay daquele emoji que tem corações nos olhos. A paixão, o amor que nutriam um pelo outro era lindo, emocionava qualquer com que os conhecesse.
- Nossa, eu achei que você não vinha mais. – Daniel confessou, deitando a cabeça no ombro do amado e sentiu-se sendo abraçado de lado pelo mais velho.
- Eu não deixaria de vir, de forma alguma, amor! – Joe beijou a cabeça do namorado e apertou um pouco mais Daniel no abraço, onde ele se aninhou mais, quase como se quisesse se fundir ao criminalista.
- E a Mandy? Como nossa menininha tá? – Daniel questionou, a respeito da garotinha que o casal estava em processo de adoção e a qual eles não podiam ver a hora de ter nos braços definitivamente, de uma vez por todas. Para sempre. O ser humaninho que os fez entender o que significava amor à primeira vista, àquela que vinha para transformar a vida de todos do jeito mais intenso e incrível possível. - A está louca com tudo, já deve ter juntado dinheiro pra uma loja toda de roupa pra pequena! – Daniel riu, lembrando da empolgação da irmã com a sobrinha que estava para chegar.
Ela estava tão empolgada que até mesmo parecia que ela seria mãe, deixando Danny dividido entre felicidade e apreensão pelos possíveis futuros sobrinhos. Joe acompanhou o namorado nas risadas e girou o dedo indicador ao redor da orelha, como se quisesse dizer que a cunhada era louca, e levou uma empurrada leve de lado de um Daniel aos risos.
- Tá ótima! Incrível! Ela é linda, Dan. Tão linda! – O advogado criminalista mais durão de Atlanta, se derreteu. Era incrível o que um serzinho de olhos grandes e verdes, roupas fofas e bochechas rosadas fazia com um homem. Bastava uma gargalhada e ela já ganhava qualquer coisa que quisesse, como se ela fosse uma advogada muito melhor que os futuros pais juntos. A melhor advogada do mundo!
- Eu sinto tanta falta dela, Joe! Por que Atlanta é tão longe? – O advogado trabalhista fez manha. Ele sabia que a sua estada em Montreal era por pouco tempo, os casos que estava defendendo logo se encerrariam, e ele tinha a irmã na cidade, estava sendo muito bom passar um tempo de qualidade com a mais nova, ele sentia falta disso. Mas também sentia falta da cidade que ele escolheu para chamar de lar, o lar que ele tinha escolhido para constituir sua família.
- Eu me faço essa pergunta desde que você veio pra cá! – Joe suspirou. Apenas ele sabia a falta que Daniel fazia em seus dias, eles estavam há bastante tempo juntos e já tinham estabelecido uma rotina que funcionava para os dois, e que estava sendo adaptada para suportar também a nova integrante da família. Então, quando falta peça, tudo simplesmente se torna completamente diferente. - Mas pensa que daqui um tempo a gente tá de volta pra lá, com a nossa filhinha! – Daniel alargou o sorriso diante daquelas palavras e apertou o provável futuro noivo no abraço.
- Eu quero poder trazê-la aqui logo, levar na Espanha! Andar pra todo lugar com a Mandy do lado! – Daniel exclamou empolgado, bastante empolgado com o que estava por vir nos próximos tempos, fazendo o criminalista rir, achando linda a empolgação do outro.
- Calma, amor! Agora tá muito mais perto do que longe. – Joe o tranquilizou, mas não conseguindo esconder a própria felicidade. Só faltava a garotinha para completar a família!
- Eu só espero, amor. Eu só espero! – Daniel suspirou, vendo que já estavam chegando a porta do aeroporto, e isso significava que o momento que certamente mudaria toda a sua vida, se aproximava.
- Eu também! – Joe concordou alegre, não notando o estado de nervos que começava a se apossar do corpo do namorado. O mais velho sentia que poderia vomitar a qualquer momento, mas rezava para que isso não ocorresse de fato.
- Mas vem, tenho muita coisa pra te contar. – O advogado trabalhista puxava o criminalista pela mão, enquanto os dois atingiam a área demarcada como o estacionamento privado do aeroporto. - O carro tá ali! – O espanhol apontou para o esportivo, estacionados a alguns metros de distância dali.
Logo os primeiros acordes da batida de Something Just Like This, música da dupla de DJs estadunidenses The Chainsmokers em parceria com a banda inglesa Coldplay, puderam ser ouvidos, fazendo o coração do bater como se estivesse em alguma festa de música eletrônica ou dentro das dependências onde aconteciam os desfiles de uma escola de samba, pelo nervosismo. O momento tinha chegado, era a hora do ‘agora ou nunca’, não tinha como voltar atrás. O espanhol sentiu o coração disparar e as mãos gelarem, mas não podia dar bandeira, não podia demonstrar o nervosismo, ou ele corria o sério risco de colocar tudo a perder. O quase noivo era muito observador, característica que tinha ficado ainda mais visível por causa da profissão, então era certeza que, dependendo do comportamento de Daniel, Joel desconfiaria, então restou ao advogado trabalhista respirar fundo e torcer para o melhor.
- Essa música é maravilhosa, né? – Daniel disfarçou, balançando a cabeça ao ritmo da música animada que tocava, buscando dar a impressão de que aquele dia era um dia normal, o que nem de longe era o caso. Pelo menos não para eles.
- Muito! – O americano concordou animado. Joe era um grande apreciador de músicas agitadas, animadas e dançantes, fazendo daquela uma escolha perfeita para a ocasião. - Não sabia que agora tocava música no aeroporto – Ele riu confuso, tentando se lembrar de alguma vez isso ter acontecido nas vezes em que tinha vindo para a cidade visitar a cunhada, mas não encontrou nada na memória.
- Ué, nem eu! – Daniel desconversou, soltando uma risadinha. Ai, ai, se ao menos Joe imaginasse o que era aquilo!
O espanhol soltou do abraço e apertou o botão que abria o porta malas do carro, dando a entender que colocaria as malas lá dentro. No mesmo momento, um rapaz de moletom vermelho e calça jeans de lavagem escura, que aparentava ter mais ou menos a mesma idade do casal, começou a dançar em algum lugar relativamente perto de onde eles estavam, e capturando de imediato a atenção de Joe, como Daniel imaginava desde o começo que aconteceria. Não muito tempo depois, já não era mais apenas o rapaz dançarino, e sim um grupo de pessoas dançando de forma sincronizada uma coreografia bem elaborada. Aquilo sem dúvidas era um Flashmob! Um perfeitamente animado Flashmob!
- Dan, olha que legal, um Flashmob! Qual será o motivo? – O americano perguntou animado para o namorado, mas não obteve resposta. Virou a cabeça, pronto para repetir a pergunta, acreditando que não tinha sido ouvido pelo outro por causa do som alto, mas vincou a sobrancelha com o que viu, ou melhor, com o que não viu. Daniel. Daniel não estava ali. - DAN? Amor? – O homem chamou mais algumas vezes, bastante confuso com o paradeiro do namorado. Onde diabos aquele doido tinha se metido?
Enquanto passava os olhos pelo local, tentando encontrar Daniel, encontrou algo que fez sua confusão aumentar, junto com seus olhos, que se arregalaram. No meio do bolo de gente, estava, dançando com a técnica adquirida naqueles anos de aulas, uma morena de cabelos lisos e sorriso grande que ele conhecia muito bem, bem até demais.
- ? – Joe chamou pelo apelido da cunhada meio morrendo e sentindo que o estômago embrulhava cada vez mais a medida em que a ficha ia caindo. Aquele Flashmob era para ele! - Que porra é essa, gente? - Ele começou a rir de nervoso, vendo aquele mar de gente dançando ao seu redor, dando cada vez mais certeza de seus pensamentos.
Rostos conhecidos, outros nem tanto, – ele sabia que já tinha os visto em algum lugar, mas o momento não permitia que sua cabeça raciocinasse para resgatar tais informações – e a maioria eram desconhecidos. Mas todos estavam ali por sua causa. Todos sabiam o motivo, menos ele!
- Daniel, me explica o que tá acontecendo – O criminalista pediu, completamente impactado, assim que tornou a ver o namorado bem no meio da bagunça toda, sentindo o coração querer sair do peito, diante daquela cena mais do que inusitada.
Daniel executando passos de dança mais elaborados que ele acreditou que veria na vida de maneira bastante correta e bonita, como se ele tivesse ensaiado bastante para aquilo, – como de fato tinha – junto de um sorriso lindo e gigante que portava no rosto. Era oficial, o mais velho tinha armado aquela loucura toda e chamado o povo para se juntar a ele. O motivo? Joe ainda não fazia ideia, mas estava ansioso para descobrir.
A música se encerrou, e então todos os participantes da dança se organizaram e deram alguns passos para trás, deixando em destaque apenas um Daniel tão risonho quanto ofegante.
- Amor...? – Joe deixou a frase, que seria mais um pedido de explicação, morrer, quando o grupo levantou uma faixa que respondia o motivo de toda aquela mobilização estar acontecendo, que deixara o americano de olhos arregalados, sentindo todo o corpo tremer e tendo a certeza de que sua vida mudaria para sempre. Naquela grande faixa branca, em letras vermelhas, estava um pedido simples, mas ao mesmo tempo muito poderoso. Um pedido de casamento.
- Daniel! Puta merda! Caralho! – Joe xingou, completamente impactado por tudo aquilo e algumas risadas puderam ser ouvidas. Entre elas, reconheceu a da cunhada. Outra bastante evidente, ainda que desconhecida dele, acreditava pertencer ao homem de olhos azuis e sorriso que evidenciava os caninos que estava ao lado dela.
- É o seguinte. - Daniel pigarreou e riu morto, atraindo a atenção de todos, principalmente Joel, para si. - Eu não pensei, eu não pensei e repensei e muito menos imaginei qual seria a sua resposta, eu fui no impulso. Eu queria fazer esse pedido há tanto tempo, mas eu não tinha coragem. Eu sei que parece até piada, mas é verdade. – O espanhol riu baixo, sentindo e o nervosismo diminuir e aumentar ao mesmo tempo, se isso era possível, e respirou fundo, continuando com o discurso totalmente espontâneo. - Você deu um sentido incrivelmente maravilhoso a minha vida, você me mostrou o que era o amor, o que era ficar por alguém, o que era ficar com alguém. – Os dois sorriram exatamente da mesma forma, um sorriso apaixonado. - Lembra como eu era? Lembra a primeira vez que eu dei em cima de você e você ficou vermelho dos pés a cabeça? Eu respirei fundo e voltei uma casa. – Foi a vez de Joel rir. Ele lembrava exatamente da primeira investida de Daniel, sete anos atrás. Ele tinha soltado uma cantada na cara dura. Coisa que para ele era super normal, ele estava acostumado, bem diferente de Joe. Aquilo tudo era muito novo para ele. - A gente descobriu tanta coisa junto, paciência inclusive foi uma delas. Você já é minha família e por mais que não precise de uma aliança pra isso, eu quero. Eu quero que você seja meu com uma aliança no dedo. No cartório, de papel passado, pra daqui uns dias a gente ir casar no religioso lá na Espanha ou nos Estados Unidos, como você preferir. Eu só quero você do meu lado pro resto da vida! Te amo! – Daniel terminou o discurso com um sorriso gigante nos lábios e meio segundo depois sentiu dois braços ao redor de seu pescoço e os lábios de Joe tomarem os seus em um beijo apaixonado, enquanto os outros gritavam animados.
- Eu também! Eu também te amo muito, Daniel! Muito, muito, muito! – Joel depositou uma série de beijinhos por toda extensão do rosto de um Daniel que exalava felicidade.
- ELE ACEITOU! – O espanhol berrou e uma nova leva de gritos, dessa vez comemorativos, se fez presente.
- Aceitei? – Joel zoou, abraçando o noivo de lado com força e sentindo a própria cintura ser envolvida pelo braço esquerdo de Daniel.
- Claro que aceitou! Desse beijo eu engravidei! – A zoeira foi devolvida, com um Daniel brincalhão fingindo se abanar.
- Seremos pais de dois? Quero! – O advogado criminalista se animou, rindo e beijou a bochecha do pertencente a área trabalhista do Direito.
- PAIS DE DOIS! – Daniel soltou gritinhos empolgados, fazendo os dois rirem daquelas brincadeiras que eram tão frequentes entre eles e que faziam o relacionamento fluir da forma prazerosa como fluía nos últimos anos.
- Ai! Esqueci a aliança! – O espanhol bateu com a mão na testa, finalmente lembrando daquele pequeno “detalhe” tão importante e fundamental em pedidos de casamento.
- Completamente a sua cara, querido! – O americano zoou a falta de memória do futuro marido, coisa que aliás, parecia ser de fato uma herança da família , já que era a pessoa mais esquecida da face da Terra. Daniel pegou a caixinha preta do bolso da camisa clara e abriu, retirando de lá um dos arquinhos prateados, aquele que iria para o dedo de Joel. O grupo de dançarinos mais lindo do mundo saudou as alianças com uma salva de palmas, fazendo o casal rir em contentamento e expectativa.
- Da o dedinho! – Daniel pediu, com o anel em mãos.
- Qual dedo? – Joe perguntou meio nervoso. Agora tudo definitivamente era real. Ele iria casar!!! - Eu lá sei qual é o dedo de aliança? Eu tô nervoso, ! – Ele fingiu ralhar. Daniel gargalhou, feliz por ver que ele não era o único acreditando estar prestes a vomitar ali.
- O dedo esquerdo, ! – Daniel devolveu a ralhada fingida, causando risos de toda a galera presente.
- Iiiiiih que já colocou o sobrenome! – Joe brincou, com um sorriso que fazia seus olhos quase se fecharem completamente. Era muito bom, finalmente, entrar oficialmente para aquela família que o tinha acolhido tão bem, de braços abertos.
- SOU RÁPIDO! – Daniel se gabou, fazendo pose e agarrando risadas generalizadas. Joe segurou o rosto do amado com as duas mãos e deu um beijinho leve, logo estendendo a mão para que Daniel colocasse a aliança e depositasse em beijo no local.
- A GENTE CASOU! - Joel gritou, levantando a mão bem alto e mostrando para todos o anel que reluzia em seu dedo.
- NOS CASAMOS! – Daniel também comemorou e, em seguida, puxou o marido para um abraço apertado, que deixava claro os sentimentos mais do que puros e reais que sentiam um pelo outro.

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viu a turma esboçar o semblante mais cansado do que ele em dias que demorava horrores a chegar em casa e decidiu que era hora de dar um desconto. Já tinha falado demais sobre metodologias, pesquisas qualitativas e quantitativas, busca de dados e qualquer outra coisa que fizesse alusão ao tão temido TCC. Além de que, os alunos já tinham sido divididos por orientador e aquele dia, era o dia de revelar as parcerias que permaneceriam pelos dois próximos semestres. Então os orientadores que se dessem ao trabalho de explicar o resto a eles.
O pró-reitor abriu a área de trabalho do computador e pouco se importava se estava sendo projetada uma imagem da sua esposa de costas, ou não. Aquela tinha sido uma viagem feita pelos dois pra uma das praias mais bonitas de Vancouver, e enquanto parecia entretida com as conchinhas roxas no chão, tinha capturado o momento, mantendo um largo sorriso no rosto ao ver a tão singela felicidade dela.
Logo, a pasta com o conteúdo motivacional foi aberta, cobrindo a foto da mulher e expondo o que realmente tinha importância ali.
- Eu vou passar esse documentário pra vocês. – disse selecionando o vídeo de pouco mais de 30 minutos, sabendo que aquilo ia fazer os alunos dispersarem a atenção. Mas ele pouco se importava, queria mais era um tempinho no escuro com . – É curto! – o professor assegurou rindo, ao ver a cara de desgosto da turma. – Meia hora, ninguém morre. – o pró-reitor rebateu, ouvindo a turma rir e sentiu o celular vibrar no bolso da calça.
Ele coçou de leve a cabeça e ao checar o que era, apenas por iluminar a tela, se deparou com uma das mensagens mais afrontosas que já tinha recebido da esposa naqueles três anos de relacionamento.
Anjo: Adoraria sentar em você, agora...
Era a única coisa que mostrava na primeira chamada da mensagem que o deixou boquiaberto. Com as bochechas rubras e o corpo quente. Mas que merda! Ela não cansava de lhe deixar constrangido em meio aos outros?
- Mr. ? – ouviu o chamado de um dos alunos, no qual ele não conseguiu identificar quem era, lhe tirar do constrangimento interno.
- Oi? Ah sim. – o homem passou a mão na testa, sabendo que ela estava louca pra soltar uma gargalhada. Tudo bem, , era troco que você queria? Pois era troco que você ia ter. – Srtª Ehol, pode apagar a luz pra mim?
- Claro, Mr. . – a garota sorriu prontamente e apagou a luz da sala assim que o vídeo começou a rodar.
Era um documentário sobre a importância da enfermagem em qualquer área que ela atuasse, seguindo a linha de vídeo motivacional para seus alunos prestes a se formar. E por mais que não fosse enfermeiro, ele tinha uma quase enfermeira em casa.
Ele andou pela lateral da sala até o fundo do cômodo, onde parecia bem entretida com o clarão do projetor data show, contrastando totalmente com as atitudes de demônio que ela tinha mostrado a pouco.
abriu um sorriso espontâneo ao vê-la tão concentrada e sentou perto da esposa como se não tivesse intenção alguma. O homem cruzou as pernas e se escorou na carteira bem largado, vendo um sorriso divertido no rosto da esposa que ainda olhava pra lousa branca. soltou um fio de risada, repousando o braço nas costas da carteira que ela estava sentada e viu na penumbra, a mulher lhe olhar com a sobrancelha arqueada, como se perguntasse o que era aquilo. Ele deu de ombros de uma forma bem indefinida.
O mais velho aproximou a boca da orelha dela, vendo a esposa arrepiar só com a proximidade e completou o ato com um sussurro bem safado.
- Senta no meu colo. – o pedido saiu bem baixo, a fazendo quase quebrar o pescoço para olhar bem pra cara dele, enquanto sentia seu corpo acender só com aquela pequena frase maliciosa. Era certo, aquele homem só poderia estar louco. Como ele pedia uma droga daquela com a sala lotada de gente vendo qualquer merda que passava no quadro?
- Oi? – ela se atreveu a perguntar, achando que não tinha escutado direito e na mesma hora, sentiu a mão dele repousar em seu joelho. A mulher entreabriu a boca, soltando parte do ar que segurava e umedeceu os lábios secos. era um belo filho da puta.
- Eu pedi pra você sentar no meu colo, anjo. – o homem soltou uma risada baixa e anasalada bem no ouvido dela, fazendo todos os pelos do corpo da quase enfermeira, se eriçarem. – Só uma sentadinha. – o Mr. alisou a coxa nua por baixo do vestido, ouvindo-a suspirar com força.
-! – o esganiço de saiu aos sussurros quando ela colocou a mão por cima da do marido, na intenção de parar o marido safado. – Eu não vou sentar no seu colo! – os olhos arregalados combinavam lindamente com o grito quase sem voz.
- Por que não? Você mandou uma mensagem dizendo que adoraria sentar em mim. Fico imaginando o que essa bunda gostosa pode fazer. – mordeu-a na orelha, a vendo se encolher, gesto que arrancou um sorriso satisfeito dele. A estudante arregalou os olhos, incrédula com aquela pouca vergonha e apertou a mão dele com força, em um ato indefinido sobre estar gostando daquilo ou não. – Imagina no escuro? Deve ser mais gostoso ainda. - o safado em questão levou os dedos vagarosos pela parte interna da coxa da mulher, a fazendo e ouvindo-a suspirar em agonia, ainda tentando segurar a mão dele. – Ninguém vai ver, é só sentar, anjo. - ele voltou a sussurrar, massageando a coxa da esposa e a ouviu suspirar alto, sem se importar se a sala ouviria seu suspiro suplicante ou não.
sentiu a mão dele adentrar ainda mais o vestido, arrastando uma tensão e um arrepio gostoso por onde ia e prendeu a respiração pra não ser pega no flagra soltando qualquer som indevido. Imediatamente a mulher cruzou uma perna por cima da outra, na intenção de fazê-lo parar com aquilo. Era quase um “Basta! Fechei minhas pernas, aqui você não tem vez”.
- Para com isso! - ela soltou todo o ar de seus pulmões que nem sabia estar preso e deu uma olhada mortal para o marido. Ele apenas mordeu a boca, misturando a um sorriso sacana e apertou com força a coxa dela, fazendo se segurar e morder a boca pra não xingar.
- Não acredito que você vai fazer isso comigo, anjo. - fez um bico inconformado. - Aquele dia quando eu abri mais as pernas pra você brincar com essa mãozinha maravilhosa. Você vai fechar as suas hoje? – a pergunta saiu rente ao ouvido dela, fazendo o corpo inteiro da mulher se eriçar e ela arregalar os olhos.
- Filho da puta. – a xingada saiu meio desesperada, quando se encolheu sentindo uma boca nervosa morder sua orelha. Ele soltou uma risada sacana perto do ouvido dela e a mulher suspirou frustrada, sabendo que toda a sua força em detê-lo estava se esvaindo, assim como a vergonha na cara, que era bem pouca.
E ainda querendo que acontecesse um incêndio no prédio, quase igual a como acontecia no corpo dela, afrouxou as pernas do cruzado. Sabendo que a partir dali, a única coisa que ela desejava era sorte. Sorte pra não ser presa junto com o marido por atentado ao pudor. Ele arrastou de leve o nariz no pescoço dela, assim como a mão que adentrava cada vez mais no vestido da mais nova, chegando pertinho da suposta área proibida em lugares públicos. sentiu a mão trêmula dela repousar sobre sua perna, tendo certeza que era um aviso de: "Se você passar dos limites, eu grito!"
O suspiro da mulher saiu forte, enquanto ela praguejava a existência daquela merda de vídeo dos infernos, rezando pra ele acabar logo e assim se ver livre da situação. Ele deu uma apertadinha brincalhona na perna dela, bem perto da calcinha até e de repente o fio de luz da sala apagou, o fazendo se amaldiçoar por ter colocado a merda do vídeo errado, enquanto agradecia a existência da providência divina.
se afastou rápido e deu um beijo carinhoso na bochecha da esposa, contrastando totalmente com a sua postura safada anterior. Mas casamento era aquilo, uma faca de dois gumes, onde o respeito e a sacanagem andavam de mãos dadas. Ele levantou da cadeira e ajeitou a calça social no corpo, acalmando e escondendo quem tinha acordado e voltou para seu posto na sala, deixando uma mulher tremida pra trás.
Assim que a luz foi acesa, os alunos já se ajeitavam pra dar o fora dali, esperando apenas pela tão preciosa lista de orientação que era plena responsabilidade do professor de metodologia.
- Mr. e a lista? - a pergunta ansiosa se sobressaiu e o homem riu de leve.
- Eu trouxe, Srta. McCall. Antes de sair, eu deixo em cima do birô. – abriu um sorriso esperto e, até certo ponto, macabro. Qual era o professor que não gostava de zoar com seus alunos? - Calma! - o homem riu alto com a impaciência deles em esperar. Na verdade, ele só queria ganhar tempo e correr corredor a fora, antes que descobrisse quem iria ser seu orientador naquela reta final de faculdade.
A estudante de enfermagem respirou fundo, se praguejando por todas as maldades que já tinha feito com ele dentro daquela universidade e após acalmar os ânimos, viu uma das suas colegas mais chegadas lhe chamando pra ver a tão esperada lista. levantou de uma vez recolhendo suas coisas e mais ansiosa do que nunca, se aproximou da mesa, ávida em saber quem iria lhe orientar no TCC. Ela, assim como a colega, procurou ansiosa pelo nome das duas, enquanto a casada esperava que Anya ou Rory, qualquer uma das duas, tivesse acatado o posto para sua orientação. Aí ela não precisava de mais nada naquela universidade, simplesmente nada!
Não esperava principalmente, encontrar o nome completo do marido rente ao seu e de seu projeto. Mas era o quê? Ele só podia ter merda na cabeça pra se meter em seus assuntos mesmo depois de tantas ameaças. Ah, mas ele ia pagar e muito bem pago! A mulher rangeu os dentes, irada com aquela falta de respeito. Ela não sabia se era a mais pura raiva em ser contrariada, o tesão acendido há pouco dentro daquela sala, ou a certeza de que seus hormônios estavam completamente desregulados com a droga da história da gravidez. A única coisa que ela sabia é que iria morrer lento e dolorosamente.
- É o quê?! – o grito indignado recebeu um olhar confuso de Kendra.
- O que foi?
- Eu vou matar, ! – a voz embravecida só deu lugar ao jeito que ela andava pra fora daquela sala, como se pudesse afundar o chão a qualquer momento, encontrando seu marido bem despreocupado no corredor. Ele só poderia estar fora de si.
estava com um sorriso frouxo no rosto enquanto via qualquer mensagem no celular e bem inflado por ter contrariado sua baixinha mais brava de forma tão descarada. E não, não era pela quase pegação na sala, ele estava estufado só em pensar que tinha metido o nome na orientação do projeto de , mesmo que ameaçado de morte.
Era errado? Oh se era, mas se tinha uma coisa que o pró-reitor daquela universidade gostava, era de burlar certas regras, sendo um belo exemplo o relacionamento escondido há três anos. Ele respirou feliz e meteu as mãos nos bolsos frontais da calça social, pensando no que faria pra acalmar sua fera em casa. Jantar à luz de velas regado a declarações e quem sabe um vinho depois, o que acabaria com os dois suados e cansados na king size. Planos completamente desfeitos quando o homem ouviu o grito indignado chamando seu nome.
- !
Ok, tinha fodido.
Ele respirou fundo mais uma vez e colocando seu melhor sorriso no rosto, virou como se a voz de um anjo o chamasse.
- Sim? – a cara de pau só o fez confirmar a teoria de que queria seu fígado muito bem passado em uma bandeja. era sim um maravilhoso marido, compreensivo, carinhoso, romântico, mas que também adorava ver sua esposa brava. Era excitante.
O professor viu sua mulher inflar o peito em uma postura ameaçadora, mas só o deixou mais confuso em como ela conseguia deixar os peitos maiores e mais vistos fazendo aquilo. FOCO, . Ela quer seu fígado numa bandeja e quem sabe o pinto também.
Ela soltou uma risada bem irônica e indignada com o teatro dele, não pensando duas vezes até começar a pisar fundo indo até ele. Se queria umas boas palmadas, ele iria ter, nem que ela tivesse que correr atrás dele pra isso. Ah sim, ela iria mostrar bem o lugar dele naquela joça.
- Que droga é essa? – a mulher de estatura um pouco mais alta para o de costume, sacudiu as mãos indignada com a cara de palerma do marido. Não era possível que ele ia fingir que não sabia de nada. – Eu não coloquei você como opção de professor! – o esganiço saiu quase como os olhos de órbita.
- Eu coloquei. – ele foi sucinto, só não mais do que a vontade dela de rodar a mão na cara dele.
Céus, ele sabia que não deveria incitá-la no meio do corredor e muito menos gostar de vê-la irritada, sabia que o melhor era chamar para conversar na pró-reitoria, mas por que raios era tão bom deixá-la possessa?
- É a minha área. – o complemento saiu tão simples quando o movimento de descaso dos ombros dele. Merda! E que ombros!
respirou fundo e passou a mão na cara antes que matasse aquele filho de uma bela puta, que fazia a ilustre questão de lhe roubar a paciência. cruzou os braços na altura do peito, encarando a mulher e sabendo que a deixaria perdida com o gesto, de quebra, ficando ainda mais incomodado com o jeito que a tal Kendra lhe encarava. Será que ela não poderia sumir dali e deixá-lo brigar em paz com a sua esposa?
- Não é a sua área! – gritou com os olhos arregalados. – É assistência de enfermagem, ! – ela carregou toda a sua raiva e ressentimento no sobrenome dele, que futuramente seria seu, sem entender por que raios ele parecia tão calmo. Era uma briga, que merda! Cadê ele gritando e fodendo ainda mais a situação?
- Assistência de enfermagem a pacientes com patologias genéticas. – ele suspirou meio exausto e apertou os olhos. – Como eu disse, minha área. – o pró-reitor disse sentindo sua paciência se esvair e por mais que quisesse brigar, manter a calma e deixá-la gritar era a melhor escolha.
- Você não entende nada de assistência! – a indignação mais do que presente fez a mulher desafinar. – ! – a repreensão saiu dura. – Você me prometeu que não ia se meter nisso! – que era pra ser um apelo, saiu mais como uma ralhada fazendo o homem bufar irritado.
- Mas entendo de genética, e é uma bela parte do trabalho! – incitou já bem irritado com a recusa dela, vendo Kendra tomar fôlego pra se pronunciar. Que ela não falasse merda.
- , qual o problema de ele querer te orientar? – Kendra se meteu na conversa, fazendo se tocar que ela ainda estava ali. A mulher rolou os olhos e bufou.
- Eu posso te orientar, < – ele assegurou bem e em contrapartida, se limitou a rolar os olhos. Quem via achava que ele mandava em alguma coisa. Uhum, tá bem!
- Mas eu não quero! Você vai falar com outro professor, ! – a estudante de enfermagem usou toda a sua acidez acumulada, falando mais alto do que ele. – Eu não vou desenvolver qualquer trabalho que seja com você.
- Não! Eu vou te orientar! – foi tão incisivo quanto, despertando ainda mais a fúria dela.
- Qual o problema de ser orientada por ele, ? – Kendra perguntou completamente indignada, praticamente atacando a colega e a outra rolou os olhos. Era óbvio que as fãs do estavam espalhadas pelo campus. – Ele quer te orientar. Será que é tão complicado entender que ele quer te orientar? – a voz carregada de malícia fez o estômago do casal revirar e olhar pra trás como se fosse a personagem principal de O Exorcista. – Olha o homem. Pelo amor de Deus, eu nem contestava! – a outra olhou dos pés à cabeça com uma das suas expressões mais safadas e sem perceber, despertou a fúria mais profunda em . O que merda ela achava que estava fazendo olhando para o seu marido daquele jeito?
- Cala a boca, Kendra! – o grito saiu grotesco. – E você não vai me orientar, ! – ela sacudiu o dedo na direção dele, pouco se importando se estava sendo grossa ou não.
- ! – o homem a repreendeu pela falta de educação. – E eu vou te orientar, garota! – o disse já sem paciência pra tanta briguinha sem sentido. Se ele queria orientá-la, ele iria.
- Não vai. Eu não quero! – a mulher estufou o peito, o fazendo entender que não seria tão simples como imaginava e que muito menos o jantar à luz de velas, resolveria qualquer coisa.
- Mas eu quero! – os dois pareciam crianças pirracentas naquela discussão tão idiota.
- Meu Deus, para de ser idiota, garota. Aceita logo isso! – Kendra se meteu mais uma vez, piorando e muito o estado de ira de , enquanto a quase enfermeira queria que a colega queimasse no fogo do inferno e a deixasse brigar em paz. – Será que é tão complicado? Você não quer, eu quero!
- Eu sou casada! – gritou indignada, mostrando a grossa aliança que ocupava seu dedo esquerdo. – E você não quer nada! Absolutamente nada! Então cala a porra da boca e não se mete no assunto!
- Quem você pensa que é, pra falar comigo desse jeito? – Kendra estufou o peito, desconhecendo o surto de e no impulso, causou uma das reações mais desastrosas que e aquela universidade já tinham visto.
- ESPOSA DELE! TÁ BOM PRA VOCÊ? – ela sentia como se um peso enorme tivesse se esvaído do seu corpo, ao abrir os braços para intimidar a amiga da onça que lhe importunava. – E faça um favor pra sociedade, pare de dar em cima do meu marido! – a rolada de olhos saiu mais irônica do que de costume e assim que olhou para o homem a sua frente, fez com que ele sentisse o sangue fugir do seu corpo, principalmente com o jeito que a tal Kendra olhava pros dois. – E você sabe que não pode me orientar, . Nem que você queira! – a mulher suspirou já saturada de todo aquele assunto.
- Agora eu não posso. Agora que ela sabe que você é minha esposa, eu não posso mesmo. – fixou o olhar na esposa, vendo o quanto ela estava pálida depois de ter se dado conta do que tinha dito. O homem respirou fundo tentando não deixar aquilo lhe afetar tanto, principalmente porque ele precisava dar apoio a ela dali pra frente. – Calma, anjo. Já foi! – ele tentou acalmá-la, mesmo sabendo que a das últimas semanas entraria em uma crise de choro por aquilo.
- Merda! Seu emprego. – o sussurro dela saiu cheio de medo, quando a mulher estava mais preocupada em ter ferrado toda a carreira do marido. suspirou e passou a mão pelos cabelos, levar a situação na boa era o melhor a se fazer no momento. Se acalmar e conversar com o reitor. – Desculpa, desculpa, desculpa. – o pedido amedrontado só faltou quebrar o coração dele, quando o homem sanou o pequeno espaço entre os dois e a abraçou da forma mais protetora que existia no mundo, apertando o corpo da esposa contra o seu e mantendo a boca encostada aos cabelos dela.
- Não vai acontecer nada, calma. – ele fez carinho no cabelo dela, ainda sentindo o corpo da esposa querer sacolejar e sabendo que vinha choro. – Nada, anjo. Eu prometo que nada vai acontecer com a gente. – o professor disse baixinho, sentindo seu corpo ser abraçado com mais força por ela.
- Eu acabei com seu emprego. Desculpa, amor. Desculpa. – a mulher sentiu as lágrimas quentes descerem por suas bochechas, enquanto o nó dolorido se dissipava em sua garganta e ele a beijou com força na testa. – É tudo culpa dela, ela estava comendo meu juízo. – a justificativa saiu atropelada no choro. – Olha o que eu fiz!
- Você não fez nada, anjo! – o homem pediu baixo, segurando o rosto dela com as duas mãos. – Olha pra mim. Não é sua culpa, não é o fim do mundo. Eu não vou perder meu emprego e nossa vida vai continuar melhor do que estava, tudo bem? – perguntou com os olhos atentos e deu um selinho casto na esposa.
- Eu acabei com tudo que você deu duro pra conseguir. – o bico voltou a se formar nos lábios dela e o professor suspirou.
- Você é tudo que eu tenho de mais precioso, você é a minha família e enquanto nós estivermos juntos eu não vou perder nada, absolutamente nada. Entendeu? – o pró-reitor falou incrivelmente sério e ganhou um abraço apertado, cheio de amor e gratidão, abraçando a esposa exatamente do mesmo jeito e a fazendo entender que nada iria separar os dois.
- Olha o que eu fiz com você. – o grunhido saiu frustrado, mas até certo ponto engraçado.
- Me fez feliz? Porque se foi isso, muito obrigado. – ele se declarou mais uma vez e finalmente a ouviu rir ainda enfiada em seu peito. – E nós vamos assumir o nosso casamento, não tem coisa melhor!
- Promete que não vai acontecer nada de ruim com você?
- Prometo! – acariciou o rosto dela, mantendo um sorriso gigante. – Nada vai acontecer a nenhum de nós. A gente vai conversar com a reitoria, explicar e vai dar tudo certo! – o olhar seguro veio junto com um beijo mais do que carinhoso na testa. respirou fundo, passou as mãos nos cabelos e tomou porte. – Confia em mim?
- Eu não devia, por que você fez essa putaria com meu projeto! – cerrou os dentes e estapeou o ombro do marido, o ouvindo gargalhar e lhe beijar no nariz. – Mas eu vou confiar em você. – ela tocou o peito dele com o indicador.
- Eu queria te orientar, poxa! – a reclamação veio engraçada ao ponto de fazê-la rir mais espontânea.
- Você sabe que não pode! Sabe no que deu na época do projeto de extensão!
- Tá, tá bom, mulher! – o pró-reitor segurou a mão da esposa com força e beijou-a no dorso, sorrindo encantado com ela. – Mas olha, aconteceu uma coisa ótima. Nós vamos assumir! – o sorriso nos lábios dele parecia genuíno, brilhante e seguro. O que de forma inconsciente, a fez sorrir junto, exatamente da mesma forma.
- Por livre e espontânea pressão. – ergueu o punho como se aquela fosse a conquista do século, o fazendo rir alto com o teatro dela. – Você sabe, eu não queria problemas pra você.
- Não foi pressão, por mim já tinha contado. – o homem beijou-a na testa e ouviu a esposa suspirar um tanto frustrada.
- Pelo menos vou parar de ir a pé pra casa e parar de fingir que você é apenas mais um professor gato nesse campus.
- Pelo menos agora eu posso falar com quem eu sou casado! – o professor piscou todo galante e sem pensar muito, lhe deu um beijinho amoroso.
- Somos dois. Ficam me olhando como se eu fosse um E.T. quando eu digo que sou casada. – a mulher fez uma careta e os dois riram. suspirou e deu um beijo firme na bochecha dela, abraçando a esposa de lado.
- Vem, nós temos um casamento pra assumir. – ele piscou fazendo o estômago de revirar completamente dentro do seu corpo.
Os dois seguiram pelo corredor com as mãos mais coladas do que já tinha acontecido um dia, enquanto soltava frases desconexas em relação ao assunto que deixava mais claro o quanto ela estava apavorada com o acontecido, ao passo que seu marido fazia de tudo uma comédia, tentando deixar o assunto bobo pra que ela risse e esquecesse um pouco do medo.

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passou a mão pelos cabelos que já começavam a ficar grisalhos e arrastou a manga da camisa até o comprimento ¾, parando em frente à porta do colega com quem dividia a diretoria da McGill, Henry Roberts, o reitor. Respirou fundo. Tinha chegado a hora. Hora de assumir, integralmente, de uma vez por todas, sua realidade dos últimos três anos. E lidar com as consequências provenientes da escolha – mais do que certa, na opinião dele – tomada.
- Roberts? Podemos conversar um momento? – perguntou, colocando inicialmente apenas a cabeça no lado de dentro da sala que era igual a sua.
- ! – Mr. Roberts saudou, com um tom de animação na voz. - Claro, entre! O que houve? Conseguiu resolver os problemas com as contratações? – O reitor se referiu as contratações para os programas de pós-graduação que estavam por conta de fechar.
- Consegui, tá tudo certo com as contratações. – assentiu, sentando na cadeira de madeira estofada pela cor representativa do escudo da Universidade e suspirou, antes de continuar. - O assunto é outro. De ordem pessoal.
- Pessoal? - A feição de Henry tornou em uma que expressava alerta no mesmo momento em que as palavras de foram processadas por seu cérebro. - Se sente, por favor. Não vai nos deixar, não é? Não diga que vai, você é um dos pilares dessa universidade.
era o profissional mais novo a conquistar o cargo de pró-reitor em toda a história da Universidade McGill, e apenas por motivos de não possuir idade suficiente para se tornar reitor, então era clara a sua importância para a instituição. riu morto, garantindo que aquela não era sua intenção, fazendo o reitor suavizar a expressão para algo muito mais aliviado. Pelo menos por algum tempo. Até o pró-reitor suspirar novamente, sabendo que tinha chegado o momento de colocar tudo às claras.
- Roberts... eu sou casado. – Mesmo sabendo que aquela não era toda a verdade ainda, já era um certo alívio.
- Todos nós sabemos disso. – Roberts riu, claramente não entendendo a gravidade das palavras ditas pelo colega de trabalho. E daí que era casado? Não havia nada mais normal do que isso. Certo? – O seu relacionamento não impactou em nada o desenvolvimento da universidade, nem o seu desempenho até o presente momento, então não estou entendendo onde você quer chegar com isso. É saudável ter uma família. Eu tenho netos! – O homem sorriu orgulhoso da linda família que tinha construído ao longo dos seus mais de vinte anos de casamento. Para ele, família era a base de tudo, e o fazia muito feliz que o amigo tivesse encontrado essa felicidade também.
- Eu sou casado com uma das nossas alunas. – falou de uma vez, como se estivesse arrancando um band-aid, sentindo como se o peso do mundo estivesse sendo tirado de suas costas com aquela confissão, enquanto Roberts fechava os olhos com força e os abria novamente, vincando a sobrancelha e parecendo em um misto de choque e confusão, o que fez o mais novo perceber que as explicações precisam continuar. E ele precisava ser o mais sincero possível. - Eu sou casado há três anos com uma das alunas da McGill. Eu sei que não é permitido, mas aconteceu. E eu estou aqui agora te explicando porque uma situação aconteceu e eu queria que a história viesse ao seu conhecimento através de mim, por que assim eu posso controlar.
- , por favor me diga que essa garota é maior de 21 anos. – O reitor perguntou, aflito. A situação obviamente era interna, e deveria ser resolvida dessa maneira, mas era preciso que ambos tivessem consciência que poderia sair do controle, então sim, a repercussão do caso, era um tópico importante em questão.
- Agora? Sim. Quando a gente começou a se envolver, não. – adotou a postura ‘super sincero, fazendo o mais velho quase ter um ataque cardíaco. Que merda tinha acontecido com o ? Uma aluna, praticamente menor de idade? Aquilo era loucura, loucura das grandes. Por fim Henry suspirou. O que estava feito, estava feito.
- Ok, , você mencionou uma situação...? O que foi que aconteceu? Eu preciso que você seja muito franco comigo! – soltou uma risada completamente morta. Era agora que o pior seria revelado. Ele só esperava que Roberts não quisesse a sua cabeça em uma bandeja também, porque isso já seria propriedade de
- Eu forcei a barra colocando meu nome como orientador dela no TCC, mesmo sabendo que ela não queria e que eu não podia. Ela ficou nervosa, me xingou e acabou assumindo o nosso relacionamento meio que alto demais pra um corredor lotado de gente. – tentou minimizar a situação com uma risada, que não foi acompanhada pelo mais velho. Na verdade, ele realmente parecia querer a cabeça do pró-reitor em uma bandeja. Possivelmente o restante dos órgãos internos também.
- Ela é aluna de graduação, ? – O reitor esganiçou, totalmente impactado, e suspirou, escorando-se da cadeira, com a expressão quase dizendo que ele estava pedindo paciência aos seus para não sacodir o homem a sua frente. se encolheu, como se aquilo impedisse qualquer ataque que pudesse vir.
- Eu sei! Eu sei que isso é completamente proibido aqui na McGill, Roberts, acredite em mim. Mas aconteceu – O mais novo tentou se justificar, apavorado. Ele entendia que não era a postura mais adequada do mundo, mas poxa, ele não teve escolha! Tinha acontecido, e não tinha mais nada que ele pudesse fazer a respeito.
- Você sabe por que existe essa política? – A pergunta do reitor foi praticamente retórica, pois ele logo continuou sua fala. - Pra salvaguardar a imagem de vocês, dos nossos alunos e da universidade. Você é casado e não sei como, conseguiu esconder até o último minuto, mas existem pessoas maldosas que gostam de expor os outros. – O mais velho explicou, como se fosse um pai elucidando uma situação muito complexa para o seu filho pequeno. afirmou, ainda bem encolhido, vendo o colega de trabalho suspirar antes de continuar. - Agora vejamos bem a sua situação. É casado com uma aluna de graduação há três anos, ela deve ter por volta de 22 anos...
- 23. – o ferrado em questão interrompeu a fala do colega apenas para ganhar um olhar fuzilante em seguida.
-... está com problemas no projeto monográfico porque o senhor se meteu sem a mínima necessidade...
-... E que vai ser mãe. – O pró-reitor completou, ainda que muito baixo, praticamente procurando uma rota de fuga, querendo sair de lá o mais rápido possível. Roberts o encarou com os olhos bastante arregalados, incrédulos, e como se dissessem “desisto dessa vida”.
- Você perdeu o juízo, ? A garota nem terminou a faculdade ainda e vocês vão ter um filho? – Henry ralhou, nervoso. - Puta merda, eu não sabia que você era louco desse tanto! O que droga eu faço com você, ? – Colocou a mão no rosto, exausto.
- Eu sei, Roberts! Eu sei! – esganiçou, passando as mãos nos cabelos, quase a ponto de os arrancar. - Eu sei que aos olhos da lei ou qualquer coisa dessas, eu cometi um erro. Mas eu não vejo o meu relacionamento com a minha esposa como um erro, e sim como a coisa mais certa que eu fiz na vida! – O pró-reitor foi sincero, o mais sincero que poderia ser na vida, e viu o amigo o encarar com um olhar de incredulidade fingida que o faria rir se a situação fosse outra. Ele suspirou fundo e continuou, sério e com o maior tom de sinceridade presente na voz. - Se você achar mais prudente eu deixar a McGill, tudo bem, é uma decisão que eu vou acatar. Por que eu aviso, dela eu não abro mão por proposta alguma!
- Calma, príncipe encantado. – O reitor zoou, fazendo rir alto. - Ninguém quer que você acabe seu relacionamento. É algo de vocês que não interessa a mim. Então calma! - respirou aliviado, mesmo sabendo que não seria tão fácil. Henry precisava tomar algumas medidas, e estava disposto a aceitar, especialmente agora que ele sabia que não aconteceria nada de ruim com a esposa. - Eu poderia demitir você ou dar a transferência dela, mas não estamos na idade da pedra, eu acho que tudo pode ser resolvido com conversa. Não é um relacionamento recente, ela tá acabando a faculdade e você vai ser pai, não dá pra perder um emprego agora nessa fase crítica. Portanto, vamos fazer um trato.
- Fazemos. Diga aí, Robbie! – zoou, rindo, já bem aliviado. Ele e Henry eram amigos, então não importava qual seria o trato, eles seguiram.
- Não força! Eu te boto pra fora daqui a ponta pé e deixo ela. – O mais velho fingiu ralhar e os dois acabaram rindo. - Eu não quero demonstrações de afeto exagerada dentro dessa universidade. Querem agir como casados? Ajam como casados, não como namorados adolescentes que nasceram grudados. Eu quero maturidade e não quero problema pra minha cabeça. – O mais velho citou cada palavra com seriedade e cuidado. Ele não zelava apenas pelo bem-estar da universidade, ele também se preocupava muito com , era quase como um irmão mais novo. fingiu pensar por um momento e depois fez uma careta.
- O que você classifica como exagerado? – prendeu a risada, fazendo o reitor rolar os olhos, saturado.
- Você mais do que ninguém, sabe muito bem do que eu estou falando, . Então trate de usar sua salinha para fins estritamente profissionais. – Roberts zoou o amigo, os fazendo rir, mas depois voltou a adotar uma postura séria. – Eu estou falando sério, , se você pisar na bola eu vou ser obrigado a tomar decisões mais drásticas. – O pró-reitor sabia que Roberts queria apenas resguardar a universidade de qualquer dano maior, então ele prontamente concordou com o pedido do colega de trabalho e amigo.
- Tudo bem, Roberts. Nós vamos manter a discrição, prometo. Você tem minha palavra! – A segurança nas palavras de , fez Henry respirar aliviado.
- Obrigado. Minha dor de cabeça agradece. – Eles riram. – Eu tenho uma última pergunta. Quem é a aluna?
- Carvalho. Do 8° de enfermagem. – soltou de uma vez, com a carinha mais culpada e ao mesmo tempo lisa do mundo, fazendo o reitor deitar a cabeça na madeira da mesa, rindo incrédulo. era louco. Louco!
- Justo uma das nossas melhores alunas? – Henry quase ralhou, com cara de desgosto. - Você sabe a concorrência de uma bolsa integral?
- Sei! E eu sou um marido muito orgulhoso! – sorriu, um sorriso que chegava até as orelhas e mostrava claramente aquilo que ele tinha acabado de dizer, o orgulho que sentia por era imenso e inegável.
- Olha o que essa mulher fez com você. – Roberts riu. - A propósito, parabéns pela criança! Felicidades a vocês dois. – Ele esticou a mão, cumprimentando o amigo bastante feliz.
- Me fez um homem decente! Obrigado, Roberts! Muito obrigado! – O sorriso do pró-reitor era radiante e grande, que chegava ao ponto de praticamente fechar os olhos.
- E diga a moça que ela fez certo em não querer você orientando. – Henry zoou, fazendo o amigo rolar os olhos, saturado, mas depois rir.
- Isso é preconceito! Mas pode deixar, vou dizer! – garantiu aos risos, levantando-se para deixar o local e vendo o reitor fazer o mesmo.
- Pós conceito! – Eles riram novamente. - Agora tchau!
- Tchau, Robbie! – acenou e saiu da sala, ouvindo o mais velho o ralhar pelo apelidinho infame.

-x-


O casal já estava fora da reitoria, enquanto morria de ansiedade para saber o que tinha acontecido lá dentro e fazia o maior jogo duro, sério, como se a conversa tivesse sido péssima. Naquele momento ela queria dar uma boa bifa no marido, que ao invés de lhe dar atenção, mexia no celular como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo.
O pró-reitor respirou fundo e após enviar uma pequena mensagem pra , pedindo que ela acompanhasse até em casa e fizesse companhia a ela durante o turno, ele voltou a atenção para a esposa mais do que curiosa. O homem arregalou os olhos e soltou.
- A cara da senhorinha curiosa foi o melhor de tudo. – a gargalhada estrondosa foi solta e a mulher abriu a boca em um perfeito O, indignada com ele, mesmo que acabasse por rir junto.
- Você não presta! – bateu no ombro dele como protesto e os dois riram. O homem suspirou aliviado e a abraçou de lado como se os dois fossem dois namoradinhos, enquanto iam para o estacionamento do campus. – A ansiedade me consome, você não deveria fazer isso comigo. Vai me matar! – ela tornou a reclamar pelo silêncio e se limitou a rir e cumprimentar alguns professores que passavam por ali, beijando a cabeça da esposa enjoada logo em seguida.
- Ele só me pediu pra evitar qualquer demonstração de afeto exagerada, mas fora isso riu e nos desejou felicidades. – a declaração saiu tão simples que fez duvidar daquilo até o último fio de cabelo.
- É o quê? Nos desejou felicidades? – a cabeça da mulher voltou a encher de fúria. Como ele tinha audácia de desejar felicidades depois que ela escondia um casamento por anos? – Como ele me fez ficar com medo, frustrada e escondendo o meu casamento, pra no fim dizer apenas um “Evitem qualquer demonstração de afeto exagerada”? Ah, tenha a santa paciência!
A mulher furiosa fez menção de voltar para onde eles estavam e foi segurada pelo marido que gargalhava. Só pra ficar furiosa com algo bom e inesperado.
- Vamos ver se ele vai nos desejar felicidades agora. – a baixinha parecia o diabo da Tasmânia disposta a destruir tudo que viesse em sua frente foi abraçada pelo marido que não parava de rir. – Ele não pode fazer isso, olha o que a gente se privou por causa dessa droga de política idiota! me solte! – a ordem veio autoritária, conseguindo apenas que ele a virasse de frente para o seu corpo. – Eu estou falando sério!
- Você fica linda toda irritadinha assim. – mordeu a boca com um sorriso debochado, encantado e muito safado, beijando a esposa em seguida.
Ele estava pouco ligando para a quantidade de gente que tinha naquele estacionamento gigante, ele queria mais era estampar em um Outdoor com quem era casado. E se tinha uma forma de calar a boca daquele povo, era beijando sua esposa quando todo mundo pudesse ver.

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desceu as escadas da universidade apressadamente, equilibrando a bolsa-mochila no ombro esquerdo, enquanto segurava os livros de Economia, de Pesquisa de Marketing e de Organização, Sistemas e Métodos, na mão direita, junto ao corpo. Já próxima do portão de entrada e saída da McGill, escutou uma voz chamando por seu nome. A garota parou no mesmo momento onde estava e passou a procurar a voz da qual o chamado pertencia e logo encontrando correndo ao seu encontro.
- Aqui! – Ele acenou, chegando perto.
- Hey, ! – Ela sorriu, respondendo ao pseudo cumprimento.
- Graças a Deus alguém conhecido. Você tá sabendo dos boatos que estão rodando a universidade? – O homem perguntou, meio apavorado com o acontecimento que tinha chegado ao seu conhecimento.
Primeiro, o tapado que ele chamava de melhor amigo, tinha se metido a colocar o próprio nome como orientador de TCC da esposa – mesmo ele sabendo que não era possível que isso acontecesse por causa da relação (ainda que praticamente secreta) que eles mantinham. Além de que tinha dito e repetido muitas vezes que ela não queria, sob hipótese alguma, que o marido a orientasse, mesmo ele rebatando todas as vezes que era a área dele, ainda que indiretamente. - Honestamente, tinha a cabeça na bunda, não era possível! A culpa por ter explodido no meio do corredor, era dele, certeza. E como se isso não bastasse, para piorar toda a situação, o casal parecia ter virado poeira. O tinha revirado a universidade de cima a baixo, mas eles simplesmente não estavam em lugar algum!
- Sobre os ? - perguntou com uma caretinha e depois de acenar positivamente, ela suspirou. - Infelizmente não é boato, a explodiu no meio do corredor. – A estudante de administração confirmou o ocorrido, deixando com os olhos arregalados e sentindo o coração bater nas orelhas, bem assustado com o rumo que aquela história teria e como ela afetaria dois dos seus melhores amigos.
- Que merda! – O homem bagunçou os cabelos, bem nervoso, e pôs as mãos na cintura, esperando não abrir um buraco no chão do estacionamento da universidade, por conta de estar caminhando de um lado para o outro. - Como ela tá? Você a viu? E o ? Me conta como foi! Eu tô perdido, preocupado e quero ajudar!
- Calma! Calma! Tá tudo bem. – A garota tentou tranquilizar o mais velho. - Depois do que aconteceu, eles foram pra reitoria e o abriu o jogo. Aí ele me pediu pra levar ela pra casa, pra não dar mais margem pra conversa, sabe? – Ele afirmou com a cabeça. - Porque ela tá nervosa. Mesmo depois da conversa com o reitor, ela ainda acha que pode prejudicar ele, entende? – fez uma careta.
Era horrível ver a amiga daquele jeito, tão nervosa, com medo de ter colocado tudo a perder. Mesmo sabendo que esse não seria o caso, não era fácil lidar com o fato de que um pequeno instante de descontrole, tinha revelado tudo aquilo que e vinham escondendo há três anos. suspirou.
- não tá pensando nisso, ele só pensa no bem-estar dela e nada mais. – O homem foi convicto.
Era mais do que claro para todos que os conheciam, que era uma das pessoas mais importantes na vida de . Ela tinha trazido cores novas para a vida dele, emoções e sentimentos que até então ele não era muito familiarizado e que tinham transformado sua vida de forma incrível e quase inacreditável. realmente tinha se tornando um novo homem depois de encontrar a esposa. Por isso era claro que, por mais que ele gostasse no trabalho e tivesse se empenhado bastante para chegar onde estava, isso nunca ficaria na frente de uma certa moça de cabelos cacheados e olhos claros.
- Eu sei! Ele só quer o melhor pra ela. – sorriu grande. - Mas preocupa do mesmo jeito. Ele é pró-reitor dessa bagaça! – Ela esganiçou, rindo.
- E manda em nada! – O professor rebateu rindo, como se estivesse rindo da cara do amigo. - Mas eu entendo a preocupação, tô bem preocupado com os dois agora. Eu não quero que nada de ruim aconteça, é um casamento muito bonito pra se abalar com pouca coisa, sabe? – suspirou. A última coisa que ele queria era que acontecesse algo de ruim com e . Eles tinham construído um relacionamento muito bonito para que tivesse um fim.
- Eles não vão se abalar! – exclamou convicta. - Você vai ver, agora eles ficam mais fortes do que nunca, escreve o que tô dizendo. – O acenou com a cabeça, como se dissesse ‘que Deus te ouça!’
- Ele passou a tarde em casa? Eu procurei por todo buraco e não achei. – O homem suspirou vendo negar, deixando claro que ainda estava enfiado em algum canto da universidade. Provavelmente esperando a poeira baixar, ou o número de alunos diminuir, assim dava menos chance para burburinhos.
- Ele deve estar querendo ficar sozinho. Mas não se preocupa, na hora certa ele procura o irmão – foi sincera, recebendo um imenso sorriso como resposta. Realmente, assim que estivesse pronto, umas das primeiras pessoas a quem procuraria, era . Isso era mais certo do que qualquer coisa existente. Eles eram muito mais do que amigos, ou mesmo melhores amigos. Eles eram realmente praticamente irmãos.
- Sabe dizer no que deu a conversa com o reitor? – O mais velho voltou a perguntar preocupado.
- Ele só pediu pra não terem demonstração de afeto exageradas no campus. – respirou aliviado. Isso era bom, muito bom. Dos males, aquele com certeza era o menor, já que eles não demostravam de forma alguma o relacionamento mesmo até então. Mas era fato que aqueles dois tinham mais sorte do que juízo, muito mais. A coisa poderia ter sido muito pior, mas graças a Deus não tinha sido, tudo daria certo!
- Obrigado, , de verdade! - passou a mão no braço de , bem agradecido. - Obrigado por esclarecer pra mim!
- Eu precisava conversar com alguém mesmo, então me ajudou também – A garota sorriu sinceramente e piscou, fazendo o mais velho sorrir.
- Mas vou te deixar ir, o dia deve ter sido pesado pra você também. – Ele sorriu e parou por um momento, depois mordeu a boca. - Ou melhor, quer ir beber alguma coisa? Um chopp pra tirar o peso da cabeça. Aposto que você deve ter ficado com metade das angústias dela em cima de você. – riu, concordando. Realmente, foi com ela que desabafou todas as suas angústias e medos durante toda aquela tarde que passaram juntas e foi impossível não se deixar abater e se preocupar pela situação dos amigos.
- Amiga é pra isso, não é mesmo? – deu de ombros e sorriu concordando. Amigos eram para as boas e, principalmente para as ruins. Apenas assim você tem plena certeza de quem é verdadeiro e vai estar com você até o fim, não importando o que aconteça.
- Topa? É por minha conta. E bem longe daqui! – voltou a sugerir o que, para ele, era uma proposta totalmente irrecusável. Uma cerveja bem gelada era sempre uma boa pedida, principalmente diante de situações que mexem com os ânimos e emoções.
- Beber de graça depois do dia de hoje? Topo demais! – soltou de uma vez, com uma sinceridade sem tamanho, fazendo rir. Aliás, rir não, gargalhar. Uma gargalhada alta, bem espontânea e boa de ouvir. era louca, completamente louca, mas ele não podia deixar de concordar por nem mesmo um segundo. Aquele era o melhor fechamento para aquele dia.
- Só me deixa mandar uma mensagem pro . – pediu e sacou o celular do bolso da calça jeans de lavagem escura que o professor vestia naquele dia e quebrava completamente a formalidade da parte de cima da vestimenta, que era formada por paletó preto e suéter cinza escuro.

: Acho que você deveria ir pra casa. A precisa de você e você sabe que precisa mais dela do que o contrário. Engole o medo e vai encarar a nova fase da sua vida. Eu estou aqui pra o que você precisar, você sabe, mas no momento vocês precisam um do outro. Fica bem, irmão. Te amo!

- Vamos? – O professor perguntou, recolocando o celular no bolso.
- Vamos! – concordou e sorriu, recebendo o mesmo em resposta. então apontou para o outro lado do estacionamento, onde estava o seu carro, e guiou a mais nova para lá, de onde rumaram para o pub preferido do mais velho, onde ele foi tantas vezes com o melhor amigo na adolescência.

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suspirou aliviada por estar bem aconchegada ao peito do marido, enquanto recebia um cafuné gostoso na raiz dos cabelos. sabia bem que cafuné em cabelo cacheado só se fazia na raiz, até porque se ele inventasse de passar a mão separando os cachos, levaria ralhada de uma baixinha furiosa. Depois de receber a mensagem do , o varou direto pra casa sem pensar em mais nada que não fosse dar apoio e conforto a esposa. Sabendo que uma vez na vida, estava certo sobre aconselhar relacionamentos.
- ? – o chamando da estudante saiu baixo e ainda um pouco amedrontado.
- Oi, anjo. – a voz dele saiu divertida e o homem a beijou na cabeça.
- O que o reitor disse de verdade? Não precisa mentir pra mim. Você passou a tarde sumido. A gente vai ter que sair da cidade? – a mulher parecia uma metralhadora giratória, fazendo o marido rir alto com o desespero sem sentido dela, enquanto a apertava com força contra o corpo. – Não ri de mim, safado! – a garota confusa o estapeou nos ombros, fazendo o homem rir mais ainda.
- Mas foi engraçado! Sair da cidade? Claro que não! – a gargalhada saiu estrondosa, tirando dele metade do peso daquele dia duro e o fazendo entender mais uma vez porque amava tanto aquela mulher, mesmo que apanhasse dela vez ou outra. – Ai! Para de me bater!
- Não! Você me assustou. – começou a rir, distribuindo alguns tapas pelos braços do marido e o vendo se encolher e proteger da mão pesada dela. – Eu estou com medo, me sentindo uma das piores vadias e você rindo de mim? – ela disse entredentes, mesmo que estivesse prendendo uma das suas gargalhadas mais espontâneas e logo viu engolir as risadas. – O quê? – a mulher perguntou assustada. – Eu bati na sua cara?
- Não. Eu quero saber porque você falou aquilo. – a voz do pró-reitor estava séria, assim como o olhar que encarava a esposa. Em que mundo era uma vadia? Ela só poderia estar louca.
A estudante de enfermagem suspirou e coçou a cabeça, mordendo a boca em seguida.
- Eu estou com medo, . Não é algo que vai se dissipar de hoje para amanhã. – ela deu de ombros, fazendo desenhos aleatórios no peito dele por cima da camisa e com as pontas dos dedos, mesmo que desviasse o olhar. O mais velho abriu um sorriso encantado e sem esperar mais, a puxou para um abraço apertado.
- Está tudo bem, anjo. Eu não vou deixar ninguém falar qualquer coisa sobre você, eu prometo! – a segurança veio bem a calhar naquele momento, fazendo-a se sentir ainda mais amada.
- Não é nem isso, o povo fala o que quer, pouco me importa. – ela deu de ombros, afogada nos braços dele e os dois riram. – Só estou com medo de ter ferrado a sua vida.
- Ferrado? – uma grande interrogação se formou na cara dele. – Meu amor, você fez exatamente o contrário. Você apareceu e salvou a minha vida! – disse com um tom óbvio e gostoso de ouvir, olhando para o teto do quarto ainda que segurasse a mulher de sua vida junto ao seu peito. A quase enfermeira riu um pouco desesperada e sentiu seu rosto ser segurado com delicadeza. – , você lembra o que o Roberts disse?
- Não! – ela foi óbvia como se dissesse: “Eu não estava junto, demônio”.
- Ele só pediu pra gente cuidar com as demonstrações de afeto dentro da Universidade. Se fosse rolar demissão, já tinha acontecido. – ele beijou a cabeça dela.
- Eu sei lá o que o Hades vai querer. – a pequena frase foi suficiente para uma crise de riso nos dois.
- Que a gente não se pegue na Universidade. Maldade, o Henry é gente boa. – tentou defender, mesmo que só risse ainda mais que ela. Ouvindo a mulher rir a plenos pulmões, sabendo que sim, tudo estava voltando ao normal.
- Se ele sonha o que já aconteceu! – disse sentindo as lágrimas pelas risadas descerem no canto dos olhos.
- Shiiiiiu! – o professor pressionou o indicador contra os lábios dela. – Não grita isso no corredor, tá? Por aí acho que não tem escapatória! Demitido e talvez preso. – a gargalhada saiu sem pudor, assim como o tapa dela em repreensão.
- Vai te catar! – enxugou o rosto. – Quem vai presa sou eu por ter se aproveitado da situação no meio da lanchonete da faculdade. ALGUÉM ME PARA! Meu Deus. – a mulher cobriu o rosto fingindo estar envergonhada. – Ou melhor, você quase me mata hoje na hora da aula, safado! – ela desferiu mais um tapa que o fez rir. – Minha vida acadêmica indo abaixo e eu rindo porque passei a mão no meu marido no meio do campus!
- A gente não tem jeito! – o homem passou a mão pelos cabelos sentindo o corpo relaxar. – E não tem nada indo abaixo!
- Preciso de uma semana de segurança pra saber se eu vou terminar a faculdade ou trancar o curso e vender minha arte na praia! – a garota enrugou o nariz só em pensar na possibilidade.
- Nem querendo você vai fazer isso. Eu trabalho! – a frase saiu ofendida e a mulher fez a maior cara de ops.
- Por enquanto! – e suas sacadas irônicas. Se ela não era gêmea de , ele não sabia quem era. Como raios duas pessoas tão extremas eram tão parecidas? – Olha onde você foi amarrar seu burro, pró-reitor!
- Eu sou biólogo, dá pra ser outra coisa além de professor. – fingiu uma exagerada ofensa, fazendo a mulher rir alto.
- Você sabe fazer outra coisa além de lecionar? – a pergunta veio atingindo fundo na cabeça do mais velho, que fez uma careta horrenda.
- Não exatamente! – foi o suficiente para eles rirem mais um pouco, mesmo que contidos. – Mas você sabe que, por mim, o nosso casamento já tinha vindo à tona. – disse após um longo suspiro, ainda que na boa intenção, mas que atingiu bem diferente a mulher.
- Eu sei que a culpa foi minha, não precisa repetir isso sempre que possível. – o ataque veio como rebote quando sentou na cama, olhando bem pra cara dele e fazendo o marido não entender porque droga o humor dela tinha mudado tão depressa. Aquilo era TPM ou gravidez? – Eu só tenho 23 anos, então tenho bastante a perder se não pensar direito nas coisas, eu errei, mas queria acertar. Enfim, tanto faz por que agora deu merda, ficar remoendo essa história, de que por você a gente já tinha assumido, não vai resolver. Eu quero saber o que a gente vai fazer agora. – ela deu seu ultimato o deixando meio assustado com o ataque, embora tenha se limitado a respirar fundo e abraçá-la uma outra vez como se a mulher fosse a solução de todos os seus problemas.
- Desculpa, eu não falei por mal. Eu entendo perfeitamente os seus motivos, amor. Entendo e aceito perfeitamente! – a sinceridade expressada era tanta que fez a sua esposa lhe abraçar tão apertado quanto, sabendo que as desculpas tinham sido aceitas. – Não foi com intenção ruim que eu falei isso. Me desculpa?
- Claro que sim, só, por favor, não toca mais nesse assunto. – o pedido saiu baixo, a fazendo ganhar um beijo entre os cabelos. – O que vamos fazer agora?
- Agir que nem casado, ué. – o homem fingiu não entender e ela riu baixo. – Andar de mãos dadas, beijinho de cumprimento, apresentar a esposa, enaltecer a esposa, babar na esposa. Olha, tenho muita coisa em mente.
- QUE LINDINHO MEU MARIDO! – soltou um gritinho esganiçado, espremendo as bochechas do homem entre as mãos, enquanto ele ria alto. – QUE BOCHECHUDO MAIS LINDINHO, MEU DEUS! ALGUÉM ME AJUDA!
agarrou a esposa com mais força e encheu a mulher de beijos, vendo-a se contorcer entre seus braços como se sentisse cócegas.
- Preciso ir ao banheiro, me solta! – a mulher soltou um gritinho esganiçado, tentando se soltar e ele riu alto.
- Ok! – beijou-a de leve e por fim soltou a esposa, enquanto via a mulher com pouco mais de 23 anos, correr para o banheiro da suíte.
Ele respirou fundo sentindo o corpo relaxar e a cama lhe abraçar no aconchego. Algumas pessoas mais velhas diziam que haviam males que vinham para o bem e começava entender a suposição. O dia tinha sido péssimo, o pior que ele poderia imaginar, mas finalmente as coisas estavam melhorando. O professor descansou os braços embaixo da cabeça e soltou um longo suspiro.
- UMA NOTÍCIA BOA NO DIA CATASTRÓFICO! – o grito estrondoso da quase enfermeira quase o fez pular de susto, mas ansioso em saber porque ela estava tão animada.
- O QUE FOI?
- EU NÃO ESTOU GRÁVIDA! – soltou mais um gritinho de onde estava e de repente, viu todo o seu futuro incrivelmente planejado, desmoronar na frente dos seus olhos.
- Não? – a dúvida saiu tão baixa da boca dele que o homem mal conseguiu entender a própria palavra, sentindo a frustração e a tristeza lhe afogar. Ele sabia que não deveria ter criado qualquer esperança sobre sua mulher estar grávida, mas havia sido inevitável quando seu maior sonho era o de ser pai.
- A MENSTRUAÇÃO DESCEU! MEU DEUS, NUNCA ESTIVE TÃO FELIZ EM VER ESSE TROÇO!



Continua...




Notas das autoras:
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Nota da beta: Meu Deus, que atualização, amigos! Primeiro de tudo, que cena mais lindinha foi o pedido de casamento do Daniel e Joel, aiii aqueceu o coração. E os pp2? Pqp, quase entrei na tela pra segurar a língua da pp2, apesar de já ter visto essa cena, peguei a referência hahhahah, mano, que doidinha essa pp2, e o pp2, amo esse jeitinho dele. E confesso que fiquei trsitinha com a mesntruação da PP hahahahah. Enfiiim, continue porque eu bem quero ver os pp1 no pub tomando umas brejas kkkkk

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.




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