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Última atualização: 02/11/2020

Prólogo

O SANGUE AINDA ESTAVA FRESCO em seus lábios.
O segundo golpe foi na cabeça, fazendo com que ela caísse sobre o chão frio sem nenhuma chance de defesa, o terceiro em seu rosto e dessa vez não foi um objeto que a atingiu e sim um chute, tinha certeza disso.
Cravou as unhas no chão, mas logo mãos agarraram-lhe os tornozelos puxando-a de volta, fazendo com que suas unhas quebrassem expondo a carne e lhe fazendo soltar um grito de dor insuportável. O ar já lhe faltava e sua visão estava turva, não saberia dizer se era pelos golpes que tinha recebido ou pela quantidade de lágrimas incontroláveis que saiam deles, por dor, pânico ou incredulidade.
Ele estava fervendo em raiva, dessa vez, nada do que tinha planejado seria colocado em execução. Em sua cabeça, tudo precisava ser meticulosamente pensado, suas ações funcionavam como uma engrenagem, se qualquer uma das peças saíssem do eixo, não importava mais, só o resultado final. A morte.
Eventualmente gostava dos gritos, do medo, do desespero e mais ainda, da necessidade que elas demonstravam em se conectar a ele, essa era sua parte preferida. Ao mesmo tempo em que era uma ameaça para elas, também se tornava o herói — ao menos era o que acreditava em seus pensamentos mais profundos — sendo o único que poderia salvá-las caso mudasse os planos, exceto é claro, que eles nunca mudavam.
Desferiu um golpe na cabeça da garota e a viu desmaiar instantaneamente.
Ele tinha tudo planejado — como sempre — e já vinha decifrando e seguindo cada passo dela há semanas, era uma peça importante do seu jogo e não poderia deixá-la escapar, essa pequena fração era essencial para que pudesse alcançar seu objetivo final. Sabia que ela ia de casa para escola, da escola para a igreja e da igreja para casa, onde encontrava seus pais — que ele sabia serem casados há quinze anos — e sempre jantava com eles as sete horas em ponto e dormia as dez em ponto, exceto as sextas-feiras, quando tinha uma noite com as amigas.
Sexta-feira, aquela seria sua oportunidade.
Arquitetou tudo, preparou o lugar, fez suas pesquisas. Nada poderia dar errado — ao menos era o que achava —, quando saiu de casa naquela sexta-feira chuvosa e seguiu em direção ao seu alvo de número que ele já nem lembrava mais, tinha perdido as contas, de qualquer modo, isso não importava para ele. A única coisa que necessitava, era saciar sua sede, seu vício, como um viciado.
Tudo correu exatamente como ele desejava, se não fosse por uma palavra proferida pela garota. Foi como se uma bomba o tivesse atingido, como se agora ele fosse a vítima e não ela, e para ele, era totalmente inconcebível que isso acontecesse. Com a mesma rapidez que se mantinha calmo ao cometer seus atos de brutalidade, entrou em um estado de fúria descompensado e desferiu diversos golpes naquela garota que antes tinha um papel importante em seu jogo doentio.
Porem agora, não significava nada. Era só um pedaço de carne para ele. Um peso morto.
Morto. Era assim que queria enxergá-la.
A puxou com força sem importar-se com a barulho que as folhas faziam, sabia que ali não teria ninguém, havia se certificado disso. Era um local isolado, perfeito para que pudesse executar seu plano sem que fosse incomodado, não que isso importasse agora, em sua mente, ela não merecia mais sua dedicação.
A sensação de repulsa, nojo, ódio, frustração o fizeram agir em ímpeto, sem cálculo algum.
Só se deu conta do que tinha feito quando encarou aquele corpo nu diante dele, e enquanto apertava com força o cabo da faca que pingava em sangue, um sorriso se formou em seus lábios, porque mesmo sem planejar, estava perfeito aos seus olhos. Desde a inserção da faca — no peito — daquela carne sem importância, até a saída dela já na altura do umbigo.
O êxtase foi retomado.



Capítulo 01 - Hunt you down

Baby, I’m preying on you tonight.
Hunt you down, eat you alive.
Just like animals, animals, like animals-mals.
Maybe you think that you can hide.

Animals - Maroon 5.

Colorado, Lakewood.

O BARULHO DE FOTO sendo registrada reverberava continuamente na pacata Lakewood, para ser mais exato, na 3225 S Wadsworth Boulevard L Street, uma rua tão silenciosa que era possível registrar fotos de pessoas desconhecidas sem ao menos ser notado ali, exceto pelo flash, é claro. Ele sabia que o manter ligado era arriscado, mas também entendia muito bem de pessoas e sabia que elas estavam tão absortas em seus próprios problemas, que não tinham tempo para se atentarem a esses detalhes.
Era só um flash.
Ele mirou a câmera na direção da cafeteria Olle Coffe e procurou por seu alvo; e lá estava ela, sentada em uma das mesas da entrada. Analisou aquela escolha e sabia muito bem que a tinha feito por uma única razão — a mesma que a levou até lá —, gostava de chamar atenção, e ele sabia que a encontraria bem ali. Naquela mesa.
Registrou mais uma foto.
A isca dentro da cafeteria — que nem sabia estar sendo observada — era Brooke Collins, uma garota que tinha acabado de completar dezesseis anos, sonhadora e apaixonada por livros. Tinha saído de casa naquele fim de tarde tomada por pura empolgação, certa de que iria compartilhar todas as fantasias que colocava em suas histórias com um jovem que partilhava do mesmo sentimento.
De fato, eles iriam compartilhar fantasias, mas não as dela.
Do lado de fora, ele guardou a câmera e olhou o relógio em seu pulso, estava na hora. E lá dentro a garota já estava inquieta na mesa, procurando por seu encontro a todo momento, que nunca chegava — e ele nunca chegaria —, demostrando impaciência. Sabia que dentro de poucos minutos, ela checaria as horas pela centésima vez no celular e desistiria, pegando o caminho para casa, sem saber é claro, que nunca mais voltaria para lá.
Ele andou furtivamente por entre as poucas pessoas que passavam ali e seguiu em direção ao estacionamento no fundo do local, onde os clientes costumavam deixar seus carros. Já passava das sete horas e o lugar estava vazio — como ele já suspeitava —, e nem precisou disfarçar seu próximo passo, caminhou em direção ao carro de sua isca e abaixou-se para executar sua ação.
Depois de finalizar seu trabalho embaixo do veículo, caminhou tranquilamente até a porta do passageiro e abriu com facilidade, a porta estava aberta. Mas ele já sabia disso, porque nos dias que passou observando Brooke Collins, reparou que ela tinha o imperdoável costume de deixar as portas do carro destrancadas. Pensou que seria uma pena se algum maníaco usasse isso contra ela.
Sentou-se no banco do passageiro e fez o que mais tinha prática: esperar.
Brooke olhou seu relógio mais uma vez e percebeu — finalmente —, que ele não viria. Bufou irritada, mas muito mais decepcionada e levantou-se de sua cadeira já indo em direção a porta, por onde passou rapidamente e seguiu em direção ao estacionamento atrás da cafeteria, local que tinha deixado seu carro.
Uma leve garoa caia, fazendo com que ela se encolhesse na tentativa de conter o frio. O local estava silencioso e o único barulho que ela conseguia ouvir eram os de seus sapatos batendo no concreto a cada passo que dava. Brooke parou de frente para a porta do motorista e procurou por suas chaves na bolsa, mas antes de encontrá-la encarou seu reflexo no vidro escuro do automóvel e sentiu um leve arrepio lhe percorrer a espinha, constatando-se de que mais uma vez, tinha deixado a porta aberta.
Do lado de dentro do carro ele observava tudo com calma, a maneira como a garota encarou o próprio reflexo — que até parecia estar refletindo sobre algo —, mas principalmente em como ela parecia desapontada e triste por ele não ter aparecido. A ideia de que ela queria desesperadamente encontrá-lo fez com que um sorriso se formasse em seu rosto, isso nunca mudava, apreciava a sensação de saber que elas o queriam, tanto quanto ele as queria.
— Que estranho. — Escutou Brooke dizer, assim que a porta do carro se abriu e ela partiu para dentro dele.
Sabia que a garota estava se referindo as luzes do carro que não tinham se acendido. Uma obra dele, é claro.
A porta do carro bateu no mesmo instante em que o flash da câmera que estava nas mãos dele atingiram o ambiente, fazendo com que Brooke Collins soltasse um gritinho estridente se perguntando o que seria aquilo. Logo soube, pois seus olhos encontraram os do homem que se encontrava sentado no banco do passageiro bem ao lado dela.
A adolescente se inclinou para abrir a porta, mas ele foi mais rápido, segurando-a pelo braço e debruçando-se sobre ela de modo que alcançou o botão para travar as portas. Se ela achava que tinha alguma chance de sair dali — principalmente viva —, tinha se enganado completamente, pois ele tinha cada passo pensado e calculado, erros não eram permitidos, não mais.
Cada parte do corpo da garota tremeu.
Brooke deu um salto no banco, quando uma luz se acendeu, dando uma visibilidade ainda mais sombria dos olhos que a encaravam com voracidade. O homem estudava cada detalhe dela, os olhos claros, os cabelos , o rubor no rosto e principalmente, os lábios que tremiam sem parar.
Ele elevou as mãos e levou-as em direção ao rosto da garota que permanecia imóvel, mas que a essa altura, já tinha deixado uma lágrima cair. Passou os dedos pela bochecha ruborizada da garota e fechou os olhos por um instante, aproveitando da sensação que sentir a pele dela lhe causava, tesão, repulsa, desespero...um misto de sentimentos.
Ele se inclinou, aproximando-se ainda mais da garota.
— O que você... — Brooke começou a dizer, mas ele levou as mãos aos lábios dela, silenciando-a.
O homem passou a ponta dos dedos através dos lábios da garota — que se encontravam trêmulos —, com calma e delicadeza, uma coisa que ele não tinha era pressa e gostava de apreciar cada resquício daquele momento. Viu uma lágrima sôfrega escorrer dos olhos de Brooke e levou a mão até as bochechas dela mais uma vez, secando com delicadeza a lágrima que pairava sobre a pele dela.
Sua expressão era impassível, como sempre.
Permaneceu acariciando a o rosto da garota por alguns instantes, para só depois descer as mãos com delicadeza em direção ao pescoço dela — que estremeceu com o gesto — passando a mão por toda a extensão dele. Seus olhos encaravam os de Brooke, que parecia estar vendo a morte bem diante de si, se bem que, talvez estivesse mesmo.
Ela abriu a boca para se manifestar pela terceira vez naquela noite, mas desistiu ao ver a expressão dele, que levou a outra mão ao pescoço dela usando-a para acariciar aquela área também. Não demorou muito, para que um grito sufocado passasse por entre os lábios de Brooke, ao senti-lo apertá-la, como se fosse uma simples folha de papel.

🔪 🔪 🔪


1 mês depois...

acelerou um pouco mais e respirou fundo, enquanto apertava com força o volante do carro. Ao mesmo tempo que se esforçava para prestar atenção na estrada e no caminho, tentava se convencer de que não estava nervosa por ir até aquela cidade — não só ir, na verdade —, mas viver e morar lá por um período indeterminado. Voltar para Lakewood depois de quatorze anos não estava nos seus planos, nunca esteve, mas não era como se agora tivesse escolha.
Tinha feito um juramento, e precisava honrá-lo.
Olhou para o banco ao lado e encarou seu distintivo. Ver ele bem ali ao lado, lhe fazia lembrar de que não precisava ter medo, chegando à conclusão de que nem sabia mais o que era isso há muito tempo. Desde que tinha entrado para a academia do FBI aprendeu muita coisa, e a melhor delas, foi como se defender diante de qualquer perigo e melhor ainda, a reconhecer em quem confiar, e em quem não — ao menos era o que achava.
Riu de si mesma e levou uma das mãos até o rádio. Música ajudaria a acalmar os ânimos, colocar as ideias no lugar e tentar pensar de uma forma mais positiva, talvez até tentar ver um lado bom por estar de volta depois de tanto tempo. Lakewood era um bom lugar, tinha crescido ali, passado dezesseis anos de sua vida e o que tinha acontecido era uma fatalidade. Apenas isso.
Precisava do fundo de seu coração, se convencer disso.
— Você pode fazer isso, . — Disse para si mesma, enquanto diminuía a velocidade. — Na verdade, pode fazer qualquer coisa.
Continuou seu caminho mantendo a velocidade depois de se acalmar e não demorou muito para que uma placa escrita em letras garrafais "Bem-vindo a Lakewood" aparecesse em seu campo de visão, praticamente jogando em sua cara de que agora não tinha mais volta. Encontrar os fantasmas do passado não era mais uma escolha e sim um beco sem saída, e ela partiria para cima deles sem hesitar.
Estacionou o carro de frente para a delegacia e desceu logo após desligá-lo, pensou ser melhor assim ou ficaria ali sentada repassando um milhão de coisas em sua cabeça. O lugar era bem calmo e vazio, com apenas algumas viaturas estacionadas ali e só ela em todo o espaço, proporcionando-a escutar até mesmo o barulho de seus calçados ao se chocarem com o concreto do chão.
— Agente . — anunciou com o distintivo na mão ao chegar na recepção, onde uma policial estava sentada mexendo em algumas papeladas. — Eu estou aqui para falar com o Tenente Harvey.
A policial levantou o olhar, passando-o por que se manteve com a mesma expressão de serenidade.
— Qual divisão? — Perguntou enquanto se virava para mexer no computador que estava em meio a bagunça da mesa que ela usava.
— Colorado. — respondeu prontamente.
A mulher assentiu e começou a digitar algumas coisas em seu computador. aproveitou para colocar seu distintivo novamente no pescoço e depois passou os olhos pela delegacia, reparando em como era pequena e pareciam ter poucas pessoas trabalhando ali. Sabia que a cidade era pequena, mas ao mesmo tempo não conseguia se conformar com a baixa quantidade de policiais para proteger os moradores.
Lakewood normalmente era um lugar calmo, entendia isso. Porém, isso havia sido há muito tempo, agora mais do que nunca eles precisavam de muito mais policiais e detetives para que casos como o que ela estava ali para se tornar encarregada não saíssem do controle como havia acontecido.
— Agente , parece que o tenente Harvey precisou sair para um chamado. — Rosie, como estava escrito no crachá da policial, informou. — Vou entrar em contato para saber se a senhora está autorizada a ir até lá.
apenas assentiu e esperou que a mulher fizesse a ligação, que foi rápida e apenas com respostas de confirmação ao que o homem estava falando para ela do outro lado.
— O tenente Harvey disse que a sua presença é mais do que necessária. Parece que eles encontraram mais um corpo... — A policial informou, só que dessa vez com uma tristeza evidente no olhar.
A mulher sentiu o coração acelerar e assentiu já conferindo a arma que estava no coldre preso a calça.
— Você pode me informar a localização? — pediu, enquanto conferia algo em seu celular.
Não eram nem dez horas da manhã e a cidade já iria começar o dia recebendo uma notícia como essa nos jornais. voltou a guardar o aparelho e levou os olhos até a policial que se encontrava visivelmente nervosa e notou os olhos da Rosie um pouco marejados, o que a levou a concluir que poderia ter alguma relação com a vítima.
— Rosie? — a chamou, que levou o olhar até a agente. — Você era próxima da vítima?
— Não sabemos quem é a vítima ainda... — A mulher informou. — Mas, minha irmã de dezesseis anos está desaparecida há um mês.
engoliu em seco, pois sabia que se o assassino estivesse começando a atacar pessoas próximas a policiais, isso significava que ele vinha aprimorando seus ataques e tornando-se cada vez mais impecável no que fazia.
— Eu sinto muito. — disse com toda sinceridade. — Se importa de me dar um depoimento quando eu voltar da cena?
Rosie limpou os olhos e estendeu um papel para ela, que pegou.
— Eu já passei todas as informações possíveis... — Rosie respondeu com um tom de tristeza quase tangível.
Isso não abalou em insistir, queria ter todos os detalhes possíveis que a ajudassem a pegar o responsável por tantos desaparecimentos e assassinatos.
— Eu sei que isso é difícil, Rosie. — disse firme. — Mas eu estou aqui para resolver esse caso e preciso saber de cada detalhe. Porém, se você não se sentir confortável eu vou entender.
A mulher encarou a agente, que permaneceu sustando o olhar.
— Tudo bem. — disse por fim.
— Certo. Preciso que pense em tudo o que pode me dizer, cada detalhe das semanas antecedentes ao desaparecimento. Tudo bem? — explicou. — E preciso que não me esconda nada, independente do que for. Nada do que sua irmã tenha feito é culpa dela, é muito importante que entenda isso.
— Certo, agente, vou fazer o possível. — Rosie disse com uma expressão um pouco mais tranquila do que antes.
— Obrigada pela ajuda. — disse enquanto lia o nome do lugar no papel. — E pode me chamar de .


reduziu a velocidade ao notar os carros e faixas de isolamento para cena de crime e diminuiu o volume do rádio. Durante o percurso que levou cerca de trinta minutos, ela tinha aproveitado para dar uma repassada em algumas coisas que havia passado as últimas semanas lendo sobre o caso, na tentativa de achar algo que poderia ter deixado passar.
Resultado? Nada.
Era inegável o ódio e frustração que sentia, mas não era momento para dar importância a isso. Estava ali para resolver o caso — mesmo que fosse talvez o mais difícil de toda sua carreira — e ficar batendo cabeça com coisas que não poderia mudar, só iria lhe atrasar ao invés de ajudá-la a acabar com o terror que Lakewood vinha enfrentando.
A primeira coisa que fez ao descer do carro foi tirar os óculos de sol. Caminhou tranquilamente pelo local já tomando nota de cada detalhe, primeiro reparou os repórteres — ou abutres como ela gostava de chamar — e depois seus olhos correram para os policiais que se encontravam ali tentando manter a população afastada.
A cena do crime propriamente dita parecia ser em um estacionamento que ficava atrás de uma lanchonete, para onde ela caminhou de forma um pouco mais rápida. Foi preciso um pouco de esforço e seu distintivo para afastar os curiosos ali presentes, que tentavam a todo custo ver algo, como se tivesse alguma diversão ali.
— Agente , FBI. — Informou para o policial próximo da faixa e apontou o distintivo. — Estou aqui sob ordem do tenente Harvey.
O homem passou os olhos por e fez sinal positivo, afirmando que ela estava autorizada a ultrapassar. Ela sorriu em agradecimento e se abaixou, passando rapidamente por baixo da faixa e seguindo mais a frente onde logo avistou Harvey de costas, com os cabelos negros e os ombros largos, foi fácil reconhecê-lo apesar dos anos que passaram sem se ver.
Sua atenção nele durou pouco, pois seus olhos logo começaram a captar cada detalhe na cena a sua volta. Primeiro reparou em um braço que parecia ter sido arrancando com algum tipo de navalha — fez uma anotação mental sobre isso — devido à falta de regularidade do corte, ele estava a direta dela e a cerca de um metro de onde a agente tinha acabado de parar. Depois seus olhos se voltaram para outro lugar, onde viu dois dedos a sua esquerda e um pouco a frente deles estava a cabeça de uma garota sem hematoma nenhum.
Algo naquela cena não fazia sentindo...
! — A voz de Harvey fez com que ela desviasse a atenção da cabeça decapitada no chão.
— Harvey... — Tentou conter o sorriso, mas foi quase impossível.
— Meu Deus! — Harvey falou empolgado a poucos centímetros de . — Parece que o tempo nem passou para você.
riu do comentário, gostaria de manter o humor como ele em situações como esta, mas para ela era algo impossível.
— Digo o mesmo sobre você. — Respondeu com um meio sorriso. — Então, o que temos aqui?
O homem riu. Estranhamente ainda se impressionava com o quanto a mulher diante dele era dedicada aos casos que pegava, e essa era uma das principais razões pelas quais havia solicitado ela para tomar o comando da situação.
— Parece que o nosso assassino, resolveu nos deixar alguns presentinhos. — o homem informou e seguiu para próximo do braço que havia sido arrancado. — Porém...
— Os padrões não batem. — afirmou ao abaixar-se para olhar mais de perto.
Como ela já havia constatado de longe, o corte era irregular e feito com muita violência, algo totalmente fora do padrão do assassino que eles estavam procurando. Primeiro que ele não espalhava restos mortais, apenas abandonava os corpos sem sinal de agressão física, corte ou qualquer indício de que a vítima havia sido torturada.
Por alguma razão, dessa vez ele havia escolhido uma abordagem diferente.
— E ele também não costuma deixar restos mortais... — falou, enquanto ainda olhava para o braço.
— O formato das unhas e a formação óssea indica que é uma garota por volta de dezesseis anos, no máximo dezoito. — Uma voz rouca de homem irrompeu entre os dois, que viraram para olhar. E se levantou.
Um homem alto, de cabelos escuros e com uma expressão tranquila os encarava. Ele estava de luvas, segurando uma caixa em uma das mãos escrito “Departamento de Homicídios do Colorado” e vestia uma roupa diferente das de Harvey, o que fez constatar que ele só poderia ser o perito. Principalmente, se fosse levar em consideração as informações que ele havia acabado de passar.
— Esse é... — Harvey começou a falar, mas foi interrompido pelo homem que se aproximou de .
. — Disse enquanto tirava as luvas, e ao terminar segurou a mão dela que já estava estendida para ele.
. — disse firme. — Agente especial do FBI, Colorado. E pela sua forma de se portar, suponho que também tenha sido enviado de lá.
sorriu com a observação da mulher, enquanto Harvey permanecia em silêncio.
— Baltimore, sou o médico legista enviado por eles. — Afirmou.
— Desculpa, achei que fosse o perito... — comentou, encarando a maleta na mão dele.
— Não. — negou rindo. — Harvey achou que seria uma boa ideia eu acompanhar a cena de perto e eu vim para ajudar a nossa perita, já que trabalhamos em equipe.
assentiu.
— Acho que seria uma boa ideia você conhecer a Dylan, ela pode te falar melhor sobre a cena. — Harvey sugeriu já afastando-se de e a mulher o seguiu, mas parou na metade do caminho virando-se para o legista.
— Você se importaria de me passar um relatório mais tarde, sobre todos os corpos encontrados nos últimos sessenta dias? — perguntou, encarando-o.
— Será um prazer, agente. — afirmou e assentiu em agradecimento.
Ela e Harvey seguiram mais à frente na cena de crime e ela continuou tomando nota de cada coisa, mesmo sabendo que o perito e toda a equipe responsável por coletar as evidências faria isso. gostava de repassar na cabeça dela qual mensagem o assassino estava querendo passar quando tomava atitudes inesperadas como essa, o que o tinha levado a mudar a forma como deixava os corpos para chamar a atenção das autoridades.
Parecia uma cena muito limpa, sem sangue, pegadas, fios de cabelos... nada, como se tudo ali tivesse sido muito bem planejado e arquitetado para que fosse encontrado daquela forma. O que fez um pensamento correr na cabeça da agente, de que o assassino poderia ter ido ali algumas horas antes da polícia chegar, ou que ele mesmo poderia ter ligado informando sobre o que foi deixado ali.
Para muitos poderia parecer audacioso demais, mas não para ela.
— Quantas pessoas do FBI você recrutou? — perguntou, assim que os dois pararam um pouco afastados dos restos mortais.
— Uma agente, uma perita e um médico legista. — explicou, encarando-a. — Sei que deve estar se perguntando por que escolhi pessoas de divisões diferentes.
fez um sinal positivo com a cabeça, afirmando que aquilo realmente tinha cruzado seus pensamentos.
— Nenhuma razão especial. — Deu de ombros. — Eu só pesquisei sobre vocês e eu precisava dos melhores, ... esse caso...
— Pode levar qualquer um a loucura. — Ela afirmou, enquanto o encarava. — Prometo que vou fazer o impossível para que encontremos quem está fazendo isso.
— Eu sei que vai. — Harvey afirmou com toda confiança. — Agora vem, vou te apresentar Dylan.
assentiu e logo o viu fazer sinal para uma mulher de cabelos castanhos, mais ou menos do seu tamanho e muito bonita. Não podia negar, estava feliz por ter uma mulher em sua equipe, ainda mais em um cargo tão importante como o de perito com quem ela passaria boa parte dos seus dias tentando encontrar respostas.
— Dylan, quero te apresentar a agente . — Harvey disse assim que a morena se aproximou. — Ela é a nova encarregada pelo caso, junto com . , essa é Dylan Reed.
A mulher abriu um sorriso de ponta a ponta e estendeu a mão para , que segurou e lhe retornou o mesmo sorriso.
— É um prazer. — disse ao soltar a mão da mulher. — Qual sua divisão?
— Nova York. — Dylan informou. — Vem, já tenho algumas coisas para te repassar sobre a cena, coisas que eu percebi e gostaria de uma segunda opinião.
, o está cobrindo uma outra ocorrência, mas acredito que quando voltarmos a delegacia você já consiga conhecê-lo. — Harvey informou, antes que as duas seguissem para suas obrigações.
— Desculpa, não lembro se você me falou sobre ele... — Disse um pouco sem jeito. — Você decidiu que terá dois agentes?
— Não. Ele é detetive aqui no departamento de homicídios, eu pedi permissão ao FBI para que tivesse ao menos uma pessoa da minha própria equipe a par do caso. — explicou. — Se isso não for problema para você.
— Problema nenhum. — sorriu. — Dylan, podemos ir? Temos bastante trabalho pela frente e eu espero que tenha dormido bastante, porque agora que eu cheguei aqui, não vai ter muitas oportunidades de fazer isso.
— Já gostei dela! — Dylan falou, encarando o tenente, que sorriu. — Vem, quero começar mostrando os restos mortais.

🌺 🌺 🌺

Do outro lado da cidade ele se deliciava com o caos que causava. Puxou o pedaço de carne que estava sobre a mesa e desferiu um golpe com a serra, fazendo com que o sangue jorrasse para todo o lado do jeito que ele precisava que acontecesse e deixou que o líquido escorresse para dentro do pote que estava posicionado próximo da mesa.
Enquanto o pote era preenchido ele caminhou até o outro lado do porão e sorriu ao olhar para o rosto diante dele. Os cabelos , os lábios rosados e a expressão de serenidade causavam nele muitas sensações, mas a principal delas era a excitação que percorria cada célula do seu corpo e o volume em sua calça deixou isso bem claro.
Nessas horas, ela sempre vinha em seus pensamentos...
Passou a ponta dos dedos no rosto da garota e sentiu a respiração começar a sibilar. Se não tivesse planos mais importantes, provavelmente aproveitaria a presença dela deitada bem ali, mas nada era de extrema urgência como o que tinha planejado para a tarde de hoje e por isso, afastou-se e voltou para perto da mesa onde estava antes e abaixou-se para pegar o pote do chão.
Apagou as luzes das dependências — exceto um abajur de luz florescente — e subiu as escadas sem pressa alguma, passou na cozinha para pegar as chaves do carro que ficavam penduradas sempre no mesmo lugar e ativou o alarme antes de sair. Já estava escuro do lado de fora, por isso acendeu as luzes e seguiu para o veículo de porte grande, onde entrou e arrancou com ele já saindo das dependências de sua propriedade.
Manteve a velocidade o caminho todo e não ligou o som porque precisava de silêncio total para que pudesse repassar em sua cabeça cada detalhe de seus planos. Sabia que era idiotice estar tão obcecado com isso — afinal era extremamente cuidadoso —, mas era algo muito importante e ele queria ter certeza de que tudo sairia como o planejado. Tinha esperado quatorze anos por isso, então nada poderia dar errado.
Ela precisava saber que estava em suas mãos. Ou melhor, que jamais escapou delas.
Assim que parou no farol, pegou seu celular e abriu o aplicativo que dava acesso a todas as câmeras de sua casa, rolou por algumas dependências do lugar até parar no que lhe interessava: o porão. E lá estava ela, com seus grandes olhos abertos e um misto de desespero dentro deles, algo que o fazia sentir ainda mais prazer de assisti-la tão de perto, mas, ao mesmo tempo, tão longe.
Um grito saiu através do alto-falante, e ele bloqueou o aparelho.
— Bobinha, você sabe que só eu posso te ouvir... — Sussurrou, como se ela pudesse ouvir e virou na próxima esquina, chegando ao seu destino.
O lugar era silencioso, escuro e perfeito para o que ele estava prestes a fazer. Aquela seria a primeira vez que invadiria uma casa, então havia se preparado muito para isso fazendo pesquisas e assistido diversos tipos de casos que falavam sobre invasão e quais erros invasores geralmente cometiam.
Erros esses, que ele jamais seria capaz de aceitar.
Estacionou seu carro a uma certa distância da casa e caminhou sorrateiramente nas dependências de trás do lugar, prestando atenção em cada detalhe e certificando-se de que não seria visto ou ouvido por ninguém. Em menos de dez minutos, ele já estava de frente para a porta dos fundos, que foi destravada por ele apenas usando um aplicativo em seu aparelho.
A primeira parte foi o mais fácil.
Não era amador, não cometia erros. Por isso seus pés e mãos estavam cobertos para que não deixasse nenhum rastro de digital, apenas resquícios como grama ou concreto que seriam encontrados a poucos metros dali onde era o único lugar que ele havia andado. Como sempre, pensava em tudo.
Você torna as coisas tão mais fáceis. Pensou, ao ver que a arquitetura da casa era toda de vidro.
Estava curioso para observar mais do lugar, porém sabia que era arriscado e não tinha tempo para isso. Não acendeu as luzes para não chamar atenção e caminhou para o lugar de seu interesse, enquanto conferia em seu celular se havia alguma câmera ligada através de um aplicativo de seu aparelho e constatou que todas encontravam-se desligadas.
Como ele havia previsto: fácil.
Quando abriu a porta do banheiro procurou pelo cheiro dela e respirou fundo. Porém, tudo que sentiu foi odor do mármore novo — nada além disso —, e no fundo saberia que seria assim, pois garantiu que ela se mantivesse ocupada o suficiente para que pudesse concretizar seus objetivos.
Assim que acendeu as luzes deu de cara com seu reflexo, pegou o pote com sangue e sorriu com a satisfação do que estava prestes a fazer.
Para ele, a caçada estava só começando.

encarou o quadro de pistas e bufou em frustração mais uma vez. Já estavam há horas analisando tudo aquilo, fotos da cena que ela havia visitado mais cedo e muitas outras papeladas em relação ao caso... e mesmo assim, pareciam chegar sempre ao mesmo lugar.
E estavam colecionando o total de: zero novas pistas.
— Tudo bem. — disse a si mesma ao virar-se em direção a mesa, onde Dylan estava sentada encarando a papelada. — Eu vou colher o depoimento da Rosie, quero que repasse tudo de novo. E, você sabe quando saem os resultados de DNA?
— Geralmente em uma semana, mas estou tentando acelerar isso. — Dylan informou, enquanto observava a foto de uma das vítimas que tinha acabado de pegar.
Eloisa Feldman, uma garota de dezesseis anos que havia desaparecido há dois meses no dia de seu aniversário e sido encontrada duas semanas depois em uma floresta.
— Me parte o coração... — comentou ao jogar a foto do outro lado da mesa, que chamou a atenção de .
— Eu sei, mas corações partidos não salvam ninguém. — A agente disse e caminhou em direção a porta da sala. — Então, ‘bora analisar tudo de novo.
Bateu a porta atrás de si e caminhou rapidamente por entre os corredores da delegacia. O lugar era muito menor do que o que ela estava acostumada na academia do FBI, então conseguia chegar aos lugares que queria com muito mais rapidez do que estava acostumada e percebeu que não precisaria andar praticamente correndo.
Assim que avistou a policial, fez sinal de que a esperaria em uma das salas de interrogatório e adentrou a de número cinco. Tinha uma mesa bem no centro, com duas cadeiras, uma disposta de cada lado para que pudessem ficar uma de frente para a outra na hora de obter informações.
escolheu ficar de pé, como sempre.
— Oi, Rosie. — disse assim que escutou a porta abrir e viu a mulher adentrar a sala. — Eu prefiro ficar em pé, mas você pode se sentar.
A mulher se sentou na cadeira de lado oposto ao da agente e a encarou, visivelmente não queria ser ela a começar a conversa.
— Eu prometo que vou tentar ser o mais breve possível... — disse, encarando-a e recostou-se na cadeira. — Quero que comece me falando um pouco sobre a sua irmã, tudo bem? Primeiro, quero o nome dela e gostaria de uma foto.
— Booke. — Rosie respondeu prontamente, demonstrando um certo peso ao falar. — Brooke Collins.
Após dizer o nome da irmã esforçando-se para não chorar, Rosie levou uma mão até o bolso e puxou uma foto. Poderia até ser algo estranho guardar algo assim ali, mas considerando que a garota estava desaparecida, era compreensível ter algo assim caso quisesse mostrar para alguém e pedir informações.
encarou a foto e sentiu um arrepio na espinha, mas preferiu afastar qualquer pensamento sobre isso e decidiu prosseguir.
— Você se importa se eu gravar? — perguntou e a mulher fez um sinal negativo com a cabeça.
A agente pegou o celular que estava em seu bolso e ativou o gravador, pois assim poderia repassar mais tarde o depoimento na hora de tentar montar as pistas. Não fez nenhum comentário sobre o nome da irmã de Rosie, apesar de ter achando bonito, tinha aprendido no FBI a não começar passando confiança demais. Ela não estava ali para consolar ninguém, e sim para resolver um caso.
— Agora, quero que me fale sobre a Brooke. — Pediu.
Primeiro um silêncio tomou conta da sala por alguns instantes, até que Rosie começasse a falar. A policial começou contando como a garota era cheia de energia e sonhos, depois falou sobre a paixão da irmã por livros e escrita e terminou dizendo que ela era uma menina muito dedicada e que não merecia seja lá o que tivesse acontecido com ela
Ninguém merecia. repassou em seus pensamentos.
— Como era a rotina da Brooke? — perguntou de forma despretensiosa.
Tinha a intenção de colher alguma informação importante ali. Se ela costumava passar muitas horas no computador, celular, redes sociais, se tinha muitos amigos ou até mesmo se já havia tido algum problema de namoro escondido. Tudo precisava ser considerado.
— A Brooke tinha muitos amigos, sempre os encontrava para comer alguma coisa ou para ir ao cinema. — Rosie disse com tristeza na voz. — Mas, ela também passava muito tempo sozinha, geralmente na cafeteria.
— Você sabe o nome? — questionou.
— Olle Coffe.
Era a mesma cafeteria da cena de crime onde ela havia estado mais cedo.
— Ela sempre ia nessa cafeteria? — Perguntou, se esforçando ao máximo para não deixar transparecer que já suspeitava de algo.
— Você acha que alguém pode ter atraído Brooke para lá? — Rosie perguntou já com lágrimas nos olhos.
— Não tenho como te responder isso, Rosie. — Não queria ser dura, mas era preciso. — Ela sempre ia nessa cafeteria?
— Não. — Rosie disse, desviando o olhar de . — Ela passou a ir nesta cafeteria porque disse que um amigo havia indicado para ela.
— Você conhece esse amigo? — a encarou bem nos olhos.
— Disse que era um colega do colégio, mas não me falou o nome... — Rosie disse e as lágrimas finalmente vieram. — Você ainda tem muitas perguntas?
— Só mais uma. — afirmou. — Ela passava muito tempo nas redes sociais?
Rosie respirou fundo e secou o rosto mais uma vez, mas as lágrimas insistiam em cair.
— Ela passou a ficar horas trancada no quarto em seu computador uns dois meses antes de desaparecer... — A policial sentia culpa e a detetive era capaz de ver isso. — Eu deveria ter impedido...
respirou fundo e parou de gravar, aquelas informações já eram boas o suficiente, ao menos por enquanto. Sabia que poderia colher depoimentos dos pais de Brooke, amigos, vizinhos e até mesmo visitar a escola onde ela estudava. Torturar uma irmã que estava visivelmente em luto — sem ao menos saber se a garota estava realmente morta —, não fazia parte do seu procedimento.
As duas se encararam e ela caminhou até a mesa, onde apoiou uma das pernas nela e levou uma mão sobre a da colega.
— Rosie, me escuta... — pediu, chamando a atenção da mulher que elevou o olhar até ela. — Adolescentes são imprevisíveis, as vezes as coisas fogem do nosso controle. Você entende isso?
A policial apenas fez um aceno positivo com a cabeça.
— Não é sua culpa, o desaparecimento da sua irmã. — disse isso com convicção, porque realmente acreditava não ser culpa dela. — Assim como não é culpa dela.
A mulher apenas assentiu mais uma vez, pois seus olhos estavam em lágrimas.
— Só, mais uma pergunta, Rosie. — disse, ao se dar conta de algo. — Onde está o computador da Brooke?
— Estava com ela no dia do desaparecimento, ela sempre levava para a lanchonete. — Rosie respondeu e levantou-se, já na intenção de sair dali.
Desgraçado. Era tudo que conseguia pensar sobre ele.
— Obrigada, Rosie. — A agente disse antes que a policial saísse da sala.
Ela ficou por mais uns dez minutos ali tentando repassar algumas coisas na sua cabeça e decidiu voltar para a sala de investigação. Sabia que tinha ficado o dia todo nisso, repassando as mesmas informações, escrevendo e riscando coisas que vinham em sua cabeça sobre o caso, como se estivesse andando em círculos.
sabia que esse seria o caso mais difícil de toda sua vida. Não só pela experiência do assassino, mas pela forma que estava envolvida emocionalmente com isso e pelo fato de sentir-se totalmente frustrada por ele ainda estar fazendo tantas vítimas. Mas, pior do que tudo isso junto, era não poder dizer a ninguém sobre seu passado e como tudo isso girava em torno dela.
Mais uma vez, estava sozinha nisso.
— Então, alguma novidade? — Dylan disse ao ver adentrar a sala.
— O desgraçado com certeza atraiu a garota por redes sociais — a agente informou ao jogar-se em uma cadeira, enquanto bufava em frustração.
— Então, podemos descobrir acessando o computador dela. — Dylan falou empolgada, enquanto pegava o celular. — Vou informar o Oliver, ele é o melhor do TI.
riu em escárnio.
— Qual a graça? — A perita olhou com certa irritação.
— Brooke estava com o computador no dia do desaparecimento. — disse, com toda a raiva que tinha dentro de si.
— Merda! — Reed rosnou em voz alta. — Que desgraçado!
— Eu sei... — afirmou de forma cansada. — Seria bom demais para ser verdade. E se fosse, com certeza ela não seria uma vítima do assassino que procuramos... ele não cometeria esse tipo de erro.
Disso, ela tinha certeza.
A agente se levantou e voltou a olhar o quadro de pistas, permanecendo assim por tempo suficiente para se dar conta de que o dia havia acabado para ela e que definitivamente não encontraria mais nada que pudesse ajudar.
— Uau! — disse ao olhar o relógio e constatar que já passava das dez horas da noite. — Estamos nisso há horas, acho melhor irmos para casa e repor as energias.
— Achei que eu nunca mais ia dormir — Dylan brincou.
— Calma, não quero te assustar logo de cara. — rebateu, rindo.
— Não vou reclamar, quero mesmo ir para casa. — Reed disse, já levantando-se.
riu fraco, para então dizer:
— Aproveita, porque amanhã seis horas eu quero todo mundo aqui!
— Droga. — a mulher respondeu, como se realmente estivesse brava. — Felicidade de pobre dura mesmo pouco.
A agente deu risada e pegou seu casaco e algumas pastas que gostaria de analisar em casa antes de dormir.
— Até amanhã e obrigada pelo dia de hoje. — disse e saiu da sala.
A delegacia estava ainda mais vazia do que quando ela havia saído para interrogar Rosie e algumas luzes estavam apagadas, o que a fez franzir o cenho perguntando-se quantas pessoas ficariam no plantão essa noite. Caminhou tranquilamente até o elevador e apertou o botão para descer, aproveitando para dar uma olhada no seu celular e já colocar no GPS seu endereço novo.
chegou rápido ao lado de fora e parou ao notar a escuridão. Passou os olhos através do estacionamento e respirou fundo enquanto levava a mão direita até o coldre preso a calça, só para ter certeza de que a arma estava ali, e ao ter a confirmação começou a caminhar em direção ao carro.
Bufou, frustrada, ao tentar abrir a porta e deixar todas as coisas caírem. Sabia que deveria ter levado alguma bolsa caso precisasse levar material para casa, mas como sempre odiou esse tipo de acessório, vivia carregando as coisas na mão para lá e para cá e inevitavelmente coisas como essa aconteciam.
— Bem feito, . — Amaldiçoou-se, enquanto abaixava-se e ria de si mesma.
Sentiu o coração ir parar em sua boca, quando já estava de pé e sentiu uma mão tocar seu ombro arrancando dela um gesto rápido de defesa. A agente largou tudo que estava em sua mão e sacou a arma, virando-se para mirar em quem quer que fosse que estivesse atrás de si e soltou a respiração de forma pesada ao ver que era um colega de trabalho.
Um homem de barba por fazer, cabelos castanhos e uma expressão de surpresa estava parado encarando-a com as mãos para cima em sinal de rendição.
— Detetive, você em especial deveria saber que não se aborda as pessoas assim. — repreendeu o homem, enquanto baixava a guarda.
O homem riu fraco e abaixou as mãos, estendendo-a uma delas na direção de para cumprimentá-la.
— Detetive . — disse com um sorriso no canto do rosto e apertou a mão da agente, que tinha acabado de segurá-la.
— Agente . — disse e soltou a mão dele, já abaixando-se para pegar suas coisas e viu o homem fazer o mesmo.
Os dois pegaram tudo que estava no chão e ao levantarem-se, se encararam, nenhum dos dois sabia muito bem o que dizer, mas foi o primeiro a falar.
, eu estava animado para conhecer a minha nova parceira. — O homem disse, encarando-a. — Desculpe ter faltado no nosso primeiro dia, tive algumas coisas para resolver.
— Algum caso? — perguntou de forma autoritária, afinal ela era a chefe.
— Nenhum que tenha que se preocupar agora. — Deu de ombros. — Aliás, meu primeiro nome é .
, você precisa de algo ou só gosta de abordar seus colegas de forma inapropriada? — A agente perguntou em um tom sério.
riu fraco.
— Você tinha deixado isso cair lá atrás. — Ele disse e estendeu um papel para ela. — E me desculpe, não foi minha atenção te assustar.
Era uma anotação que ela havia feito sobre o seu grande caso.
— Obrigada. — agradeceu um pouco sem jeito.
— Bom, eu vou indo. Já que fiquei fora o dia todo, vou ficar até mais tarde hoje para colocar algumas coisas em dia.
analisou o que ele havia dito, para então dizer:
— Não precisa ficar até mais tarde, mas preciso que esteja aqui amanhã bem cedo. — Explicou. — Tem algumas coisas que eu gostaria de discutir sobre o caso e nossa parceria.
Ele a encarou por alguns instantes e ela reparou que ele fazia bastante isso desde que a tinha quase matado do coração.
— Bom, eu gosto de trabalhar a noite. — explicou. — Acredito que ela sempre nos traz surpresas.
— Te vejo amanhã, então... — disse virando-se para colocar as coisas no carro e adentrou em seguida. — Detetive .
O homem nem teve tempo de dizer mais nada, a mulher bateu a porta do carro e em seguida o ligou e saiu de forma rápida deixando plantado ali observando tudo. não queria ser grossa, mas não gostava de ser abordada pelas pessoas da forma que ele havia feito, ainda mais se tratando de alguém na posição como a dele.
Qualquer policial aprende em aula de defesa, que não deve tocar em alguém antes de se anunciar. Então, para ela, era um comportamento inadmissível.
Ela decidiu ligar um pouco o rádio para relaxar da tensão do dia e colocou o celular no suporte para acompanhar o GPS. Seriam trinta minutos de distância da delegacia até a sua nova casa, só a tinha visitado uma vez que foi quando chegaram todos os moveis que havia comprado e depois disso nunca mais havia estado ali. A única coisa que sabia, era que câmeras haviam sido instaladas como ela tinha solicitado e um alarme, mesmo sendo policial, sempre gostava de estar prevenida.
O interrogatório de Rosie ainda estava em seus pensamentos. Para falar a verdade, a foto de todas aquelas garotas desaparecidas e a falta de pistas também e lhe mostravam o quão conectada ela estava ao caso e pela primeira vez no dia se deu o direito de sentir isso. Reconhecer o quanto tudo isso iria lhe afetar dali para frente.
Essas garotas eram uma parte dela, tinha certeza disso. Não sabia explicar ao certo como, mas eram.
Ao chegar ao seu destino percebeu que não teria um minuto de descanso. Tudo estava muito escuro indicando que provavelmente a casa não tinha luz e precisou usar a lanterna do seu celular para andar o percurso de sua garagem até a entrada da casa.
— Ainda bem que sou boa com senhas. — sussurrou ao digitá-la em seu celular para que o alarme fosse desativado.
O que apareceu na tela do seu celular fez seu coração gelar. Um “O ALARME JÁ ESTÁ DESATIVADO” bem grande e em negrito encontrava-se ali. Até cogitou que poderia ser a falta de luz, mas sabia que alarmes tinham algum tempo de duração a mais, alguma espécie de bateria...logo, a luz não era a causadora disso
— Você só está sendo paranoica, provavelmente não passou a senha para o caseiro quando ele esteve aqui. — Falou na tentativa de tentar se convencer disso, mesmo sabendo que as chances de isso ter acontecido eram mínimas.
Como ela já previa, sem luz ao apertar o interruptor.
A agente mentalizou que não iria se estressar com aquilo e deixou as pastas que estava carregando sobre a bancada da cozinha, para depois seguir em direção ao andar de cima da casa. Sabia que tinha escolhido morar em um lugar tranquilo, mas o silêncio era tanto que chegou até a incomodá-la de uma certa forma, porque era capaz de ouvir não só sua respiração, mas também os próprios passos.
Se fosse uma pessoa normal, sairia dali. Mas, sabia se proteger e tinha certeza de que não estava em perigo e por isso não havia com o que se preocupar e seguiu andando até chegar em seu quarto e foi até o banheiro, na intenção de tirar as roupas e tomar um banho nem que fosse gelado.
O coração parou assim que a luz do celular bateu no vidro, fazendo com que ela se aproximasse para ver o que era aquilo colado...
Um grito que saiu dos lábios de fez com que os pensamentos dela fossem interrompidos, as luzes da casa tinham acabado de voltar dando a ela a visão exata do que tinha no espelho.
— Não... — sussurrou com os lábios trêmulos.
Eram fotos e mais fotos em polaroides coladas ao espelho e tinha uma frase escrita nela em letras garrafais. Ela estava pronta para levar a mão até a arma quando uma das fotos lhe chamou atenção e a arrancou na mesma hora, olhou de perto e um suspiro pesado saiu de seus lábios.
Era Brooke Collins, a irmã de Reed. Com uma mordaça na boca e lágrimas nos olhos.
voltou a olhar para o espelho, e então, finalmente leu o que estava escrito ali.

“EU ACHEI QUE VOCÊ MERECIA UMA SURPRESA.
É BOM TER O MEU BRINQUEDINHO DE VOLTA.”

E se sentiu ainda mais apavorada, ao se dar conta de que o conteúdo usado para escrever era sangue.





Continua...



Nota da autora: Oi, lovers, tudo bem?
Meus capítulos costumam ser maiores, mas eu tive uma mudança bem grande na minha vida no último mês e resolvi reduzir um pouquinho para não atrasar muito a att. E, também achei que assim não corremos muito com as revelações ahhaahhahaahhahahaahah.
Eu gostei muuuuito desse cap e espero que tenham gostado também. Não esqueçam de deixar aquele comentário, porque assim fico sabendo o que vocês acharam e de entrar no grupinho do face ou whats.
É isso!
Até a próxima att.

Com amor, Vane! <3



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    Nota da beta: Impecável a riqueza de detalhes que você deu nessas cenas, Vanessa, amei, e nem sei por onde começar. Primeiramente, o que foi essa cena inicial de ele atraindo a pobre da Brooke, e a chegada da personagem principal cheia de atitude, amo pp poderosas e ela é assim, apesar do passado dela. E eu já amei a galera que vai trabalhar com ela, e certo detetive também hahah! E esse final? Sentiu o pavor dela também, e já imaginava que esse serial killer era o mesmo que tinha a ver com o passado dela. Ah, necessito de uma continuação! <3

    Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.


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