FFOBS - Suddenly Love I: Met This Girl, por Angel B.

Finalizada em: 10/11/2019

Capítulo Único

I met his girls, and then we were laughing and joking with each other


— Só você mesmo para me convencer a dar uma volta no parque com esse sol quente.
estava passeando no parque com Dodger, seu cachorro e melhor amigo. Normalmente os passeios se davam logo no início da manhã, ou ao final da tarde, quando o sol não estava tão forte e quando não havia tanta gente fazendo o mesmo. Mas naquele dia, Dodger havia decidido que seria uma boa ideia dar uma caminhada, em meio a centenas de pessoas, e sob o sol das quatro horas da tarde de um domingo.
— Eu sei que você estava meio entediado em casa, mas nós poderíamos ter feito qualquer outra coisa.
Em resposta à conversa que estava tendo, Dodger deu um latido que acabou não chamando a atenção de ninguém no parque, afinal, Dodger não era o único cachorro ali, e não era o único humano que fazia todas as vontades do seu animal de estimação.
não soube ao certo como aconteceu, mas, de alguma forma, Dodger se soltou da coleira. E quando percebeu isso, como o bom cachorro que era, Dodger saiu correndo, livre, entre as pessoas, balançando o rabinho, parecendo se divertir muito naquele pequeno ato de rebeldia.
— Dodger!
tentou correr atrás dele, mas aquilo apenas serviu de estímulo para que o cachorro acelerasse sua corrida.
Acompanhado de seu fiel boné — na tentativa ridícula de não ser reconhecido — e inseparável óculos escuros — que, além de o deixarem disfarçado, protegiam seus óculos claros sensíveis à luz do sol — ficou preocupado, com medo de não encontrar mais o seu cachorro. Levou as mãos à cabeça, começando a pensar que talvez nunca mais encontrasse Dodger em meio àquele monte de crianças correndo de um lado para o outro, idosos caminhando calmamente, famílias fazendo piqueniques e outros animais de estimação que corriam em volta das pessoas.
Em um momento de desespero, pensou em pedir ajuda para um dos seguranças do parque. Talvez tivesse acesso às câmeras de segurança e, como em um perfeito filme investigativo, procuraria pelo seu amigo. Mas isso acabou não sendo necessário. A apenas alguns metros de onde estava parado, Dodger brincava com uma moça, embaixo de uma árvore.
Perfeitamente confortável com a sua nova amiga, Dodger deixou que ela fizesse carinho na sua barriga, apenas para, logo em seguida, beber da água que a garota oferecia para ele.
pôde ouvir o seu suspiro de alívio. Passou a mão no rosto, em parte para se acalmar, em parte para secar o suor, e se aproximou, meio envergonhado, da nova amiga do seu cachorro.
— Bom garoto… Ei, onde está o seu dono? — pôde ouvir a garota perguntar. — Você deveria ter pedido água para ele se estava com tanta sede…
A garota fez mais um carinho na cabeça do cachorro, ainda dando água na boca dele.
— Acho que devemos ir procurá-lo.
estava próximo o bastante para ouvir toda a conversa da estranha com Dodger. E, por esse motivo, ele pigarreou levemente, apenas para chamar a atenção deles.
— Com licença. Olá, eu vou o dono de Dodger.
Dodger, que até então estava muito distraído com os carinhos da estranha, rapidamente se aproximou do dono, balançando o rabinho e fazendo festa como se não se vissem há muito tempo, completamente alheio à corrida perigosa que teve minutos atrás.
Mesmo ainda preocupado, e desgostoso com o susto que levara, não resistiu ao cumprimento de Dodger, e abaixou-se para fazer carinho nele.
— É, agora você vem pedir carinho, né? Nós vamos ter uma conversa quando chegarmos em casa. — ele disse sério, mesmo que estivesse completamente aliviado por ter reencontrado Dodger.
Por um momento quase se esqueceu de que havia uma estranha ali, com a atenção inteiramente voltada para eles. Ainda meio envergonhado com a situação, não só envolvendo Dodger, mas também por ter sido reconhecido — as pessoas costumavam ter reações imprevisíveis quando o reconheciam na rua, despertando aquele tipo de olhar curioso — ele se aproximou da garota, estendeu a mão a ela e se apresentou.
.
Ele queria agradecê-la por ter encontrado Dodger ou, talvez, por não ter fugido quando Dodger a encontrou, e por ter cuidado dele.
— Prazer, . Meu nome é , mas pode me chamar de .
apertou a mão estendida dele, ainda sentada no chão, apenas desencostando as costas do tronco da árvore.
— Bonito nome. — ele comentou. — Você tem um sotaque diferente… Você é daqui mesmo?
— Se com “daqui” você quer dizer dos Estados Unidos não. Eu sou do Brasil, mas estou morando aqui há seis anos, a trabalho, sabe.
Ela respondeu enquanto voltava à posição relaxada de antes, as costas apoiadas no tronco atrás de si, as pernas cruzadas na frente do corpo.
— Acho que não estou fazendo um trabalho bem feito, já que nem mesmo consegui aprender a disfarçar o meu sotaque estrangeiro. — disse em tom de brincadeira.
a acompanhou na risada.
— Não se preocupe com isso. O seu inglês e o seu sotaque são ótimos, eu apenas quis fazer um comentário para puxar assunto.
estreitou os olhos e tombou o pescoço para o lado, deixando outro sorriso tomar seus lábios.
percebeu o que havia dito. Novamente ele ficou com vergonha, dessa vez por ter admitido que queria puxar conversa com a estranha — que já não mais tão estranha assim.
quase sentiu as bochechas corarem, quase. Ao ver o quão encabulado estava, apenas deu uma risadinha para relaxar o clima, puxando, ela mesma, uma conversa com ele.
— Eu sou chef de cozinha. — explicou. — Tenho um restaurante. Trabalho todos os dias dando orientações para os meus funcionários, e conversando com os meus clientes.
não escondeu a surpresa.
— Você tem um restaurante aqui?
riu com o tom de voz desacreditado dele. Era comum que as pessoas reagissem assim, afinal, não era muito comum encontrar por aí chefs mulheres, donas de restaurantes.
— Sim. Minha irmã mais velha já morava aqui há algum tempo, já que o marido dela foi transferido pela empresa em que trabalhava. — contou. — E minha irmã, que sempre gostou de fazer doces e coisas que entopem as veias do coração, abriu um café aqui no bairro, onde ela faz doces maravilhosos. E, bem, já que Luciana passou a morar fora do país, eu encontrei a oportunidade perfeita para fazer o intercâmbio dos sonhos e aprender técnicas culinárias diferentes das oferecidas no meu país.
tinha a atenção inteiramente voltada para ela. Estava impressionado com a simplicidade com que ela falava, como se fossem velhos conhecidos, e não dois estranhos que acabaram se conhecendo por causa da fuga de Dodger. Além disso, estava interessadíssimo na história dela.
Como não tinha sido interrompida, continuou sua história.
— A minha sorte foi ter recebido uma proposta para trabalhar em um restaurante, quando ainda estava cursando faculdade. Digo que foi sorte porque não é todo mundo que tem a chance de trabalhar com o que amar e ganhar tão bem quanto eu ganhava na época.
— Ah, então você trabalha nesse restaurante. — ele concluiu.
— Não, não. Eu trabalhei em um restaurante no início da minha carreira. Mas hoje eu tenho o meu próprio restaurante.
realmente estava impressionado com a história dela, e suas sobrancelhas erguidas eram prova disso.
— Isso é incrível! Realmente impressionante.
sorriu verdadeiramente, agradecendo pelo elogio.
se perguntou o motivo de estar dando aquele momento de informação para um completo desconhecido. Quer dizer, ele não era tão desconhecido assim, afinal, ela já havia perdido as contas de quantas vezes o assistira na tela do cinema. Mas apesar de conhecer o seu trabalho como ator, ela não o conhecia como pessoa, tampouco eram próximos o bastante para ela tratá-lo com tamanha intimidade a ponto de revelar a história da sua vida em poucos minutos.
, por outro lado, já não estava mais agachado. Acomodou-se na grama e, como , cruzou as pernas na forma de índio, ainda fazendo carinho em Dodger, que balançava a perninha mostrando agrado na carícia que recebia do dono. se pegou muito interessado na história que contava, e já não tinha mais pressa de ir embora.
Foi inevitável se questionar se aquela garota não o reconheceu. Apesar de não ter o maior dos egos, dificilmente ele tivera momentos em que conhecia pessoas que não sabiam quem ele era. De qualquer forma, o reconhecendo ou não, agradecia o fato de não ter direcionado a conversa para ele, já que isso o deixou muito mais confortável para se sentar e continuar ouvindo aquela garota estranha/não tão estranha assim.
Como foi que cheguei até aqui?
Era fato de que a situação em que ele se encontrava era, no mínimo, inusitada e completamente inesperada.
E então ele olhou para baixo, onde Dodger estava deitado confortavelmente, tendo a cabeça acariciada por e a barriga por .
E diante do silêncio, percebeu que era a vez dele de continuar aquela conversa.
— É realmente muito legal ver uma pessoa tão jovem tendo um negócio próprio e fazendo sucesso com isso.
— Obrigada. Especialmente a parte em que você me chama de jovem. — ela disse rindo. — Você deveria conhecer o meu restaurante um dia. As más línguas dizem que a chef é realmente muito boa.
deu uma boa risada.
— Será que ela me recomendaria o prato do dia?
— Ah, com certeza. O prato do dia é sempre a melhor escolha, afinal, é a sugestão da chef.
— Bom saber disso. Me passe o endereço desse restaurante, e eu garanto que irei passar por lá para conferir se a fama dessa chef procede.
Foi a vez de rir. Quando saiu, mais cedo, para caminhar, ela não imaginava que iria acabar conhecendo . Sim, ela sabia bem, muito bem, quem ele era. Não poderia imaginar que ficaria sentada na grama com ele, embaixo de uma árvore, falando sobre a sua vida e o seu restaurante que nem era tão famoso assim. Mas lá estava ela.
A vida apronta cada surpresa…, pensou.
O céu estava sem nuvens, e o sol brilhava mais forte que nunca. Dali onde eles estavam, o cheiro de grama molhada predominava qualquer outra fragrância, graças ao chafariz que espirrava água ali perto. O som das conversas distantes se misturavam com os gritos das crianças e os latidos dos cachorros. Estava um belo dia para ir ao parque, Dodger havia feito uma boa escolha.
, que observava uma família abrir um grande guarda-sol sobre eles, voltou sua atenção para . Para sua surpresa, o rapaz também a olhava. Ainda com a cabeça encostada no tronca da árvore, ela perguntou calmamente:
— E o que está fazendo andando no parque em um domingo à tarde?
Ele deu um sorrisinho fraco.
— Ah, então você sabe quem eu sou.
Não foi uma pergunta.
— É meio difícil não saber quem você é quando você tem tantos filmes na Netflix.
Ele riu do comentário, balançando a cabeça em sinal de concordância.
— Aliás, posso afirmar, com certeza, de que eu sou a responsável por grande parte do seu salário, afinal, já comprei muitos ingressos para filmes seus. Ah, eu já comprei até mesmo o DVD do !
riu daquilo e fechou os olhos com força.
— De tantos filmes que você poderia comprar, foi comprar logo desse? — perguntou fazendo uma careta.
Aquele não havia sido o seu melhor trabalho… Nem de longe.
riu alto daquilo.
— Já assisti tantas vezes, que tenho quase todas as falas decoradas. — disse com humor. — É um dos melhores filmes de heróis. Nunca deixe que a crítica especializada e entendedora de cinema e arte diga o contrário.
seguiu rindo das coisas que dizia, simplesmente porque era gostoso rir com ela. era uma pessoa muito engraçada e simpática, e pensou que não gostaria de estar passando a sua tarde de domingo de outra forma, se não conversando com ela.
E foi com essa certeza em mente, que eles nem mesmo viram o tempo passar. Quando se deram conta, conversavam como velhos conhecidos sobre assunto triviais, tais como uma mudança repentina do tempo, ou sobre a segurança falha daquela vizinhança.
— Espera, então existe mais de um tipo de tomate? — ele estava realmente surpreso.
— É claro que sim! — ela respondeu como se fosse a coisa mais óbvia de todas. — E se você não souber escolher bem, jamais conseguirá fazer uma verdadeira macarronada ao molho bolonhesa.
parecia realmente se divertir com as coisas que ele falava. observou como ela ria das suas piadas e dos seus comentários espontâneos, e ele apenas esperava que não se arrependesse, mais tarde, das bobagens que ele dissera. Pela primeira vez, o rapaz não estava medindo suas palavras. Apenas se permitiu conversar livremente com uma desconhecida, que mais parecia ser uma velha amiga que o conhecia há muito, muito tempo.
E então eles estavam rindo e brincando um com o outro, e parecia realmente feliz em ter conhecido essa garota que não fugiu quando o reconheceu, nem o tratou diferente por ser quem ele é. havia lhe dado nada aquém de uma boa tarde regada com bom humor.
E foi por esse motivo que, quando percebeu que o sol começou a diminuir no céu, ele não quis ir embora. Não quando ainda havia tanta coisa para eles conversarem.
— O que você acha de irmos até um café aqui perto? Podemos comer alguma coisa e pedir uma bebida.
não soube de onde aquela proposta veio, mas ele jamais se arrependeria disso.
— É uma boa ideia. Estou morrendo de sede, e Dodger tomou toda a minha água. — ela disse rindo.
se desculpou em nome de Dodger.
— Cachorro mal. — falou brincando. Dodger se encontrava deitado nas pernas do dono. — Estou brincando, você não é mal. Você é perfeito, companheiro.
fez carinho em Dodger, o qual nem se deu ao trabalho de abrir os olhos, nem mesmo quando também passou a mão nele.
— Você não é mal. O seu dono que é um desnaturado por te levar para passear nem levar água junto.
ergueu as palmas das mãos na frente do corpo.
— Culpado.
Ele fez menção de se levantar, acordando Dodger. Bocejando, o cachorro se espreguiçou, enquanto o dono ficava em pé e alongava os braços e a coluna. Segurando firmemente a coleira nas mãos, virou-se para o amigo:
— Por favor, não fuja dessa vez.
riu daquilo. Para se levantar, ela precisou se apoiar na árvore. O rapaz rapidamente lhe estendeu a mão, oferecendo ajuda, a qual ela não recusou.
— Acho que é mesmo uma boa ideia tomarmos alguma coisa… Preciso repor o líquido que perdi com a caminhada.
não segurou a risada.
— Não me lembro de vê-la caminhando. Você ficou a tarde toda sentada aí na sombra.
Com uma cara de falsa ofendida, se defendeu:
— Eu estou com o pé machucado, ok? E é por isso que eu acabei tirando um tempinho para descansar embaixo da árvore. Você é que veio depois e sentou aí e ficou puxando papo comigo… A culpa é sua que eu não tenha caminhado muito.
— Ah, então agora a culpa é minha?
— Sim, é toda sua, . Não se faça de inocente.
Entrando na brincadeira, deu de ombros, como se disse “isso não é problema meu”. Em resposta, a garota começou a rir.
— Você deveria assumir as suas responsabilidades. — falou em tom sério.
Foi a vez de fazer cara de ofendido, a qual não durou muito. Era difícil ele manter a expressão séria quando estava com , percebeu. O bom humor da garota era contagiante.
— E será que você vai conseguir andar dois quarteirões até chegarmos ao café?
— Mas é claro que sim! E mesmo que eu não conseguisse, eu faria um esforço se isso significasse que ter cookies no final.
Para provar o que havia dito, caminhou ao lado de e Dodger, ainda que desse seus passos mais devagar do que eles, mancando vez ou outra, o que não passou despercebido pelo rapaz.
— Sabe, você não precisa continuar fingindo estar machucada. — ele disse com humor. — Você não é uma atriz tão boa assim e, acredite, eu sei do que estou falando.
E como se para provar o que ele falava, apontou para si mesmo, como se disse “olha com quem você está falando”.
respondeu à provocação com uma risada.
— Eu não estou fingindo! Eu realmente caí no restaurante três semanas atrás, quando estava indo embora, porque não vi que um dos funcionários havia deixado um saco de lixo bem em frente à porta dos fundos do restante.
riu alto.
— Você está brincando, não é?
— Não. De todas as formas que eu poderia ter me machucado, de todas as incríveis aventuras que eu poderia ter vivido para ter caído e machucado o meu tornozelo, esse foi o real motivo pelo qual precisei ficar de repouso por duas semanas, usando uma botinha infernal que eu não desejo nem para o meu pior inimigo.
estava se divertindo tanto que jogou a cabeça para trás ao rir.
— Você é mesmo surpreendente. — ele não sabia de onde aquela frase tinha saído.
— Obrigada pelo elogio. E, por incrível que pareça, eu também me acho surpreendente, especialmente quando acabo me metendo nesse tipo de confusão.
Ao virarem a última esquina, e se depararam com o café que o rapaz falara mais cedo. Buscaram uma das mesas mais afastadas, mas perto da janela, com vista para a rua.
— Você vai adorar o lugar. — disse à . — É um dos poucos lugares que permitem a entrada de cachorros. Dodger adora vir aqui.
Como se respondesse ao comentário do dono, o cachorro deu um latido. Respirando pesadamente e com a língua de fora, Dodger deitou ao lado de , enquanto o rapaz pedia uma água para seu companheiro.
— Na verdade, pode trazer duas. Também estou com sede. — ele disse para o atendente. — E quero também um cookie para cachorro, por favor. — e quando o garçom se afastou, ele explicou à garota: — Aqui é o único café que vende comida própria para cachorro. O cookie de frango é o preferido de Dodger, não é, amigão?
E em resposta ao dono, Dodger lambeu os lábios.
sorriu frente àquilo, fazendo carinho na cabeça do cachorro.
A companhia da mulher era agradável, se sentia confortável com ela, como se ele pudesse ser ele mesmo, sem restrições, sem pisar em ovos.
As bebidas não demoraram para chegar. O garçom logo serviu , entregou o suco natural que havia pedido, e encheu de água a vasilha de Dodger.
— Obrigada, Raul. — agradeceu ao atendente. — Pode me trazer dois cookies de chocolate, por favor?
— Hm… Eu vou querer uma fatia da torta de limão, e um café simples. Obrigado.
E assim que o atendente se afastou, explicou a sua escolha.
— Nunca é cedo demais, ou tarde demais, para se pedir uma boa dose de cafeína.
balançou a cabeça em positivo.
— Pessoas viciadas em cafeína raramente negam um pouco mais de cafeína. E você, meu caro, soa como um perfeito viciado em café.
soltou uma risada alta.
— Culpado. — admitiu. — Minha rotina me fez aprender que o café é o meu melhor amigo, e companheiro para todas as horas. Uma boa dose de cafeína nunca me decepcionou.
Foi a vez de rir.
Workaholic — falou cantando.
— Novamente, não posso negar. Por outro lado, não tem como fugir disso… A rotina das gravações é realmente pesada.
concordou com a cabeça.
— Não consigo imaginar o quão difícil deva ser interpretar vários personagens, decorar vários e vários textos… Mas iria adorar pode usar uma roupa diferente todos os dias.
achou graça do comentário dela.
— Decorar textos não é a parte mais difícil, sabe. Você não imagina o quão duro é ter que acordar cedo todos os dias e, pior, ter que dormir tarde da noite.
— Realmente, eu não faço ideia do que é dormir tarde todas as noites. Quer dizer, não é como se eu fosse chef de um restaurante que recebe clientes às dez horas da noite para jantar. — ela disse em tom de brincadeira. — Não, não. Eu não sei o que é dormir muito tarde para, no dia seguinte, acordar super cedo.
— Dez horas da noite? — ele perguntou desacreditado.
concordou com a cabeça.
— Pois é… Eu não sei como as pessoas conseguem ficar sem jantar por tanto tempo… Às dez da noite eu já estou fazendo o lanchinho após o jantar.
e estavam se divertindo, quando os cookies chegaram. A mulher agradeceu a Raul, o garçom, novamente, o que acabou fazendo com que questionasse de onde ela o conhecia.
— O nome de Raul está escrito no crachá dele. — respondeu simplesmente, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
fechou os olhos por um instante. O crachá, é claro!
— Já vim aqui tantas vezes, e nunca me preocupei em chamar o garçom pelo nome. — ele admitiu meio envergonhado. — E você, na primeira vez que vem, já reparou no nome dele e foi mil vezes mais educada do que eu.
sorriu com o tom juvenil que costumava usar. A sinceridade no rapaz a encantou logo quando começaram a conversar, ainda no parque, sentados sob a árvore. E a cada minuto que continuavam trocando palavras, ela tinha mais certeza de que era uma pessoa incrível, muito mais incrível do que qualquer um poderia imaginar.
— Bem, além do nome no crachá de Raul, talvez eu também o conheça por ser uma grande frequentadora desse café. — ela disse erguendo as sobrancelhas.
franziu a testa. Ele estava confuso.
riu da reação dele.
Caramba, mesmo confuso você consegue ser lindo, , pensou.
— Lembra quando eu disse que a minha irmã tem um café?
balançou a cabeça, em sinal positivo, ainda com a testa franzida, ainda com a expressão confusa no rosto.
nada mais disse, apenas ergueu as sobrancelhas novamente, como se disse “vamos, você é capaz de entender por conta própria”. demorou ainda alguns segundos para ligar os pontos, mas finalmente tirou a expressão desentendida do rosto.
— Aaaah! Esse é o café da sua irmã!
— Na mosca!
riu da confusão que fizera segundos atrás, sendo acompanhado por .
— Caramba, e eu pensando que estava te levando a um encontro em um lugar que você não conhecia.
E foi nesse momento que percebeu o que ele havia acabado de falar. O calor das bochechas foi quase instantâneo. Ele estava se sentindo tão confortável, tão a vontade, que nem parou para pensar no que estava prestes a falar.
também ficou corada. E sentindo a voz presa na garganta, ela perguntou:
— Estamos em um encontro?
Era para a pergunta ter saído em tom de brincadeira, descontraído. Ela não queria que eles ficassem envergonhados, mas a pergunta acabou saindo meio gaguejada.
precisou limpar a garganta antes de responder.
— Bem, nós nos conhecemos hoje e eu te chamei para sair. Você aceitou, e agora estamos sentados um de frente para o outro, como se estivéssemos em um encontro a três…
Graças a deus conseguiu colocar um pouco de humor na sua voz. Por mais que ele estivesse falando sério — quer dizer, nós estamos em uma espécie de encontro, não é?, pensou — ele tentou fazer piada da situação, torcendo para que o clima não ficasse estranho.
tombou o pescoço para o lado, pensativa. Com a mão no queixo, respondeu séria:
— Confesso que esperava que o meu primeiro encontro com fosse um pouco mais romântico. — e então fazendo uma careta, ela completou — Quer dizer, ir ao café da sua irmã mais velha, tendo tantas pessoas conhecidas me olhando e prontas para fofocar sobre o meu dia para a minha irmã, não é o encontro mais romântico de todos.
tinha um sorrisinho nos lábios, e aquilo foi o bastante para que o clima voltasse a ser leve como antes. As brincadeiras estavam de volta e a seriedade tinha ido embora. Eles estavam confortáveis de novo.
— Ahá! Então você admite que sonhou em ter encontros românticos comigo. — falou presunçoso, ainda mantendo o humor da fala.
Ela riu antes de responder.
— Não foi bem isso que eu disse. Mas se você está insinuando que isso é um encontro, sinto lhe dizer, mas você deveria ter se esforçado um pouco mais, senhor .
— Vou levar isso em consideração. — da próxima vez, pensou. Mas, por sorte, ele conseguiu manter o pensamento apenas dentro da sua mente, dessa vez.
Alguns minutos depois, disse que iria ao banheiro. Levantou-se, deu alguns passos, mas voltou logo em seguida.
— Ei, você não está permitido a comer os meus cookies, hein?
riu da brincadeira e, apenas para provocá-la, respondeu:
— Não posso garantir que eles estarão em cima da mesa quando você voltar.
estreitou os olhos.
— Estou de olhos em você. — e como se para provar o que ela dizia, colocou os dedos em frente os olhos e então os apontou para ele.
a viu se afastar, em direção ao fundo do café, onde os banheiros ficavam. A garota cumprimentou mais uma ou duas pessoas que trabalhavam ali, e então sumiu atrás da porta. Ele virou a cabeça para baixo, para onde Dodger o olhava.
— Quem diria que a sua fuga iria resultar nisso, hein, amigão?
Dodger não latiu, mas respondeu àquilo com um grunhido. E como se tivesse entendido perfeitamente bem o que o cachorro havia lhe dito, continuou a conversa:
— É, eu também gostei dela.
Dessa vez Dodger letiu.
— Sim, sim, eu sei… O que você acha? Devo chamá-la para sair de novo?
Dodger tombou a cabeça para o lado.
— Eu sei que isso não é realmente um encontro, mas mesmo assim…
O cachorro soltou um som muito parecido com uma bufada tediosa, e voltou a deitar no chão.
— O que você quer dizer com isso? Acha que é muito cedo?
Sem obter outra resposta do seu amigo, voltou a olhar para frente. tinha um rosto bonito e um nome encantador e, por um momento, se pegou desejando que seus amigos não a vissem. Pelo menos não ainda. Podia ser um pensamento bobo, mas , que era dos homens mais sexies do mundo, por dois ou três anos consecutivos, ainda era um garoto inseguro por dentro.
Se Mackie ou Seb ouvirem isso, eles nunca vão me deixar esquecer…, pensou rindo dele mesmo.
O quão ridículo e imaturo estava sendo?
Não é como se ele tivesse doze anos e corresse o risco dos seus amigos roubarem a sua namoradinha da escola. Mas, por um momento, quis manter sua recente amizade com como o seu segredo, apenas para poder curtir o momento antes que ela fosse conhecida pelos seus amigos. Queria poder ter a chance de aproveitar mais daqueles momentos descontraídos com ela, e aproveitar, o quanto pudesse, daquele sentimento jovial que lhe tomava todas as vezes que estava com ele. queria guardar do mundo, não queria contar para seus amigos ou sua família, sobre a garota incrível que ele havia conhecido no parque, debaixo de uma árvore. Pelo menos não agora, não quando não sabia qual seria o futuro da relação deles. Se é que existe uma relação entre nós…
Seus pensamentos confusos e suas perguntas sem respostas foram embora no momento em que entrou no recinto. Porque foi naquele momento que sentiu seu coração fazer boom.
Como se a mulher tivesse saído de um dos filmes de comédia romântica, que ele fez no início da carreira, fez uma caminhada perfeitamente alinhada, tendo seus cabelos balançando em meio a um vento que não existia dentro do café. E mesmo que a mulher andasse meio mancando, imaginou que nunca havia visto uma imagem tão linda quanto aquela.
E então teve certeza de que ele nunca tivera uma chance, porque no momento em que viu pela primeira vez, conversando com Dodger, enquanto lhe dava água nas mãos, ele soube que ela havia entrado no seu coração.
Eu estou ferrado.
Pensar na mera possibilidade de nunca mais se verem, de nunca mais compartilharem bons momentos como aquela tarde, e dele nunca mais se sentir tão bem, apenas por estar perto de , foi o que fez afastar todo e qualquer pensamento que pudesse atrapalhar o resto do seu “encontro” com ela. Queria aproveitar cada momento, cada palavra trocada, aproveitar cada risada descontraída.
E por não querer dar adeus a ela e, junto dela, o excelente dia que estava tendo, ofereceu levá-la para casa no final da tarde, quando já começava a anoitecer.
Ele não pôde esconder, contudo, a sua surpresa ao ouvir a resposta da mulher.
— Acho melhor não.
— Por que diz isso?
— Não sei se isso seria bom para mim. — ela respondeu mordendo o lábio no final. precisou se esforçar para continuar prestando atenção no que ela falava. — Digo, nós acabamos de ter um encontro-não-encontro no café da minha irmã, e eu tenho certeza que os funcionários já contaram para ela que a caçula da família passou a tarde com um rapaz.
não entendia onde ela estava querendo chegar com aquela conversa, mas continuou ouvindo.
— Então eu sei que, assim que eu chegar em casa, minha irmã vai estar me esperando com mil e uma perguntas. E, para ser sincera, eu não sei como responder às mil e uma perguntas dela. — estava encabulada e prova disso era o fato de não parava de mexer as mãos ao falar. — Então acho que seria melhor se você não me acompanhasse, assim minha irmã não vai ter a desculpa perfeita para ter mil e duas perguntas.
estava odiando cada uma das suas palavras. Soava como uma desculpa para não passar mais tempo com , mas a verdade é que ela sabia o que a esperava em casa. Acho que já passou da hora de arrumar um apartamento só para mim.
Ainda confuso, perguntou:
— Que tipo de mil e uma perguntas você teria que responder à sua irmã?
— Eu não faço ideia! — ela respondeu rindo. — Até porque não faço ideia do que foi que tivemos hoje.
estava sendo sincera. Quer dizer, ela teve uma tarde excelente ao lado de , e não se arrependia em nenhum minuto passado ao lado dele. Mas não sabia, ao certo, como chamar aquilo. Encontro de amigos? Eles não eram amigos. Seria realmente engraçado explicar isso à irmã.
Que nada, Luciana, ele é apenas um cara que eu conheci no parque, e aí, sem perguntar se podia, sentou-se ao meu lado, ficamos conversando sobre tudo e sobre nada, e então ele me chamou para tomar um café. Nada demais mesmo. Ah, se vou encontrá-lo de novo? Não sei. Não falamos sobre isso. Vou tomar um banho agora, ok? Estou cheirando grama.
— Só sei que foi realmente divertido. E eu gostei muito, de verdade, de conhecê-lo. Conversar com você foi a melhor parte da minha semana, e eu nem falo isso porque você é famoso e vou adorar contar para as minhas amigas que eu conheci .
tinha tom de brincadeira na voz, mas não deixou de falar sério nenhum instante. E percebendo isso, arriscou:
— Bem, talvez eu possa te ajudar a responder algumas dessas mil e uma perguntas que a sua irmã vai te fazer. Nós poderíamos… Sei lá, sair.
Ele estava nervoso? Nervoso por chamar uma garota para sair? Qual é, , você pode fazer melhor do que isso.
— Prometo me esforçar para levá-la a um encontro melhor do que no café da sua irmã.
não respondeu de imediato. Ao contrário, a garota estreitou os olhos e colocou a mão embaixo do queixo, fingindo pensar na proposta, como se analisasse suas opções.
La Señorita, sexta-feita, às oito da noite. — ela respondeu firme. — Encontre-me lá, e eu garanto que você não vai se decepcionar.
Foi a vez de nada responder frente à fala dela.
— Pensei que eu fosse levar você a um encontro.
E com um sorrisinho de lado, respondeu:
— Quem sabe, se você conseguir me impressionar no dia em que eu te levar para jantar, talvez eu deixe você me levar a um encontro.
E com essa última frase, se despediu dele com uma piscadinha, indo embora, mas não sem antes se despedir de Dodger, e prometer levá-lo para passear no parque caso o dono dele se recusasse.


Fim?



Nota da autora: GALAXY DEFENDER STAR FOREVER! ❤️
Pensei cá com os meus botões... Por que não participar de um especial do McFLY, escolher uma música do McFLY e escrever uma fanfic com, ninguém mais, ninguém menos, que Chris Evans?! Digo, por que não unir duas perfeições em uma só fanfic, não é mesmo? HAHAHAHA Espero que tenham gostado! Não se esqueçam de deixar um comentário cheio de amor, de lerem a continuação e de recomendarem a fanfic para as amigas. ❤️
Beijos de luz
Angel





Outras Fanfics:
Longfic:
Ainda Lembro de VocêIt’s Always Been You

Shortfics:
21 MonthsAinda Lembro de NósBabá TemporáriaBeautifuly DeliciousBecause of the WarCafé com ChocolateElementalO Conto da SereiaO Garoto do MetrôRumorShe Was PrettySorry SorryWelcome to a new wordWhen We Met

Ficstapes:
05. Paradise 06. Every Road 07. Face 10. What If I 12. Epilogue: Young Forever 15. Does Your Mother Know

MVs:
MV: Change MV: Run & Run MV: Hola Hola

Angel, eu tô apaixonada ♥ Eu realmente sou muito romântica incurável, não tem jeito. Acho que eu deposito todas as minhas expectativas de relacionamentos nas fanfics mesmo. Parabéns amiga, tô amando! PS: Quarteto Fantástico não é ruim, poxa! Adoro o Johnny!
Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus