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Última atualização: 23/07/2020

Prólogo

QUATRO DE AGOSTO DE DOIS MIL E DEZOITO, MOUNTAIN VIEW, CA

Pessoas não paravam de chegar ao Shoreline Amphitheatre quando o evento já estava prestes a começar. Muitas meninas vinham ás pressas acompanhadas dos pais, grupos de adolescentes se perdiam na multidão e vários deles tinham celulares nos ouvidos a fim de tentarem se encontrar e falharem.
Eu já sabia desde o começo que estaria lidando com um anfiteatro lotado e agradeci em silêncio ao crachá exclusivo em meu pescoço, que me permitia ir e vir como bem entendesse sem precisar passar pela massa excessiva de fãs. A revista dedicada ao universo musical onde eu era colunista havia conseguido uma entrevista exclusiva com o cantor após o show. Não pude deixar de me sentir animada, uma vez que secretamente ainda tinha um discreto crush pelo artista.
Eu já não era mais grande fã de Niall Horan que fui um dia, mas estaria mentindo se dissesse que não acompanhei o mesmo (com fervor) na tão distante época de One Direction. Acontece que seis anos haviam se passado desde o último show em que o vi no palco, e muitas coisas haviam mudado: faculdade, sair da casa dos pais, mudar de cidade, me formar. Eu já não era a mesma que havia se apaixonado por cinco adolescentes bobos há quase dez anos atrás. Então não cheguei a acompanhar a carreira solo de nenhum dele e apesar de ainda sentir um certo carinho por eles, principalmente por Niall, minha vinda até esse show era extremamente profissional.
O objetivo era fazer uma matéria sobre o primeiro tour mundial de Niall Horan como cantor solo. Muitas pessoas no nosso setor estavam empolgadas com os acessos que a revista receberia, mas não sabia ao certo se compartilhava dessa opinião. Escrevia uma coluna voltada para o público adolescente, mas as revistas adolescentes pararam de fazer sucesso uns anos atrás. E, mesmo que ninguém tivesse me avisado, eu sabia que essa matéria era tão somente uma tentativa de salvar o quadro teen que a revista possuía antes de fechá-lo para sempre. E com isso ia embora também o meu emprego.
Estava fazendo cerca de vinte e três graus, e pelo menos desde o meio dia o sol estava mais ameno e o clima mais frio. Já eram quase oito da noite e o sol estava começando a ir embora, quando o palco se acendeu e eu soube que o show iria começar. De onde estava sentada, peguei meu bloco de anotações e me pus a escrever todas as minhas observações, desde a artista que abriu o show, o tempo que Niall levou para substituí-la no palco, o show de pirotecnia, as imagens que se passava nos telões, qualidade do som e empolgação dos fãs.
Entretanto, sem que eu sequer percebesse, quando Niall começou os acordes de This Town, eu cantei junto. A música toda. E como notei no fim do show, depois dessa música esqueci completamente de todas as minhas anotações, ouvindo todas as músicas de Niall Horan me perguntando porque eu nunca havia tido o interesse de ouvi-las antes. Deixei que todas as canções embalassem a adolescente que existia dentro de mim, olhando para a multidão de fãs e lembrando de quando tinha dezoito anos e sonhava em estar exatamente onde estava agora: prestes a conversar com Niall cara a cara.
Uma hora e meia depois, e ao som de muitas lamentações, Niall deixou o palco. A minha recomendação foi essa: quando o cantor se despedir dos fãs, avise o segurança imediatamente. Pelo que entendi, ele teria um show próximo a Los Angeles ainda amanhã.
Guardei meus pertences e ajeitei meus óculos, tentando forçar minha face a transparecer a menor quantidade de emoção que me fosse possível.
- Com licença. – Chamei o segurança da ala em que me encontrava, mostrando meu crachá a ele. – Meu nome é , venho em nome da PlayList¹ para a entrevista.
O segurança analisou meu crachá e sussurrou um código através de seu walk talk.
- Um momento, senhorita .
Aguardei pelo que pareceu uns cinco minutos, até que a porta abriu e outro segurança igualmente uniformizado apareceu pela porta.
- Paul irá te acompanhar até o camarim. – Disse o primeiro segurança. Concordei com a cabeça, seguindo o segundo segurança porta adentro.
Andei com toda a dignidade que me restava até o camarim de Niall Horan, como pude verificar a placa na entrada. O segurança deu três batidas, que foram atendidas prontamente por uma mulher robusta de cabelos escuros.
- Deve ser da revista! Entre, por favor.
A primeira visão que tive do camarim foi que ele parecia bem confortável, mas nada luxuoso. Havia uma mesa com algumas frutas, um sofá bem normal, um tapete peludo e uma arara com as roupas que ele usou durante o show. Havia também duas poltronas no fundo, para onde a mulher, que depois de ler o crachá dela descobri que se chamava Lucy, estava me levando. E bem na poltrona da direita estava Niall James Horan, com seus cabelos levemente bagunçados, o suéter deixado de lado, os olhos azuis cansados, mas o sorriso brincando em seus lábios com uma expressão satisfeita. Estava bebendo água, mas abaixou-se para pousar a garrafa no chão quando me viu, e se levantou vindo em minha direção.
- Seja bem-vinda... – Começou, deixando a frase no ar.
- . , prazer. – Terminei, apertando a mão que ele levantou, à guisa de um cumprimento.
- Niall. Acho que já sabia disso. – Falou, em tom de brincadeira.
- Tenho certeza que já ouvi em algum lugar, mas pode reforçar minha memória?
Niall riu, com aquela risada tão única dele.
- Slow, slow hands, like sweat dripping down our dirty laundry. – Respondeu, cantando a última música da setlist de hoje.
- No, no chance – Cantei por fim os versos que me lembrei, fazendo ele rir um pouco mais.
- Temos uma fã me entrevistando aqui? – Perguntou, me deixando bem sem graça. Era o que tentei evitar o tempo todo, queria passar mesmo uma imagem profissional. Mas Niall não pareceu se importar.
- Estou mais para... one direction? – Tentei, vendo o sorriso vacilar em seu rosto. – Não se preocupe, não farei nenhuma pergunta relacionada.
Eu sabia o quanto ele não gostava de tocar no assunto, então talvez não fosse mesmo uma boa ideia. O rapaz ficou um pouco mais aliviado.
- Bom, que bom, porque eu não iria responder nenhuma, de qualquer jeito.
Dessa vez quem riu fui eu mesma.
- Certo, hm, se importa se eu ligar o gravador? Vai ser melhor para transcrever depois.
- Não, pode ir em frente.
Ele me acompanhou até a poltrona, para nos acomodarmos. Pelo contrato eu tinha quarenta minutos de entrevista sem interrupção, e tinha perdido pelo menos cinco com gracinhas. Lucy, a mulher que estava ali conosco havia saído da sala, uma vez que a entrevista era exclusiva de verdade, então estávamos somente Niall e eu naquele camarim. Peguei o gravador, meu bloco de anotações e as perguntas que iria fazer. Liguei o pequeno aparelho, colocando no braço da poltrona.
- Hora de abrir se coração, Horan. – Falei brincando. – Bom, como está sendo essa turnê para você desde que começou sua carreira solo?
- Você disse que não iria fazer perguntas relacionadas.
- Não mencionei a banda. – Lembrei, dando de ombros. – A entrevista é totalmente focada na sua carreira solo.
Niall suspirou.
- Certo. Eu costumava gostar muito da bagunça pelo caminho, ter gente sempre por perto também era divertido. Mas parece que agora que estou mais maduro prefiro ficar sozinho. Então a turnês está bem divertida, as fãs são sempre muito gentis, e sou sempre muito bem recepcionado.
- Dos países que visitou até agora, onde teve a experiência mais inusitada? – Perguntei, checando a lista. Niall riu, provavelmente se lembrando de uma piada interna.
- Japão, eu diria. É sempre diferente visitar um país oriental.
- Deseja compartilhar a piada?
Ele riu ainda mais.
- Vamos deixar para a próxima, .
Eu também ri, apesar de não fazer a menor ideia da graça.
- E quando está nesses países, como o Japão que é tão longe, como lida com a saudade de casa?
- Bom, a saudade de casa é algo com o qual tenho que lidar há mais de oito anos, então não faz muita diferença. Sinto muitas saudades da minha família, mas tentamos o máximo manter-nos perto um do outro. – Ele fez uma pausa, aparentemente refletindo. – Temos planos de nos ver em breve, o que me deixa feliz.
- Prefere morar na Irlanda, Londres ou nos Estados Unidos?
- Apesar da saudade, prefiro morar em Los Angeles. É mais fácil para mim por conta do trabalho e eu não gosto de pegar avião o tempo todo. Minha vida é o oposto do que era antes. Eu vivo entre Londres e Los Angeles. No ano passado, acho que passei menos de seis dias na Irlanda, o que é louco. Passei os dezesseis primeiros anos da minha vida lá e agora eu mal passo uma semana².
- Isso é incrível. Acho que nunca nem saí da Califórnia. – Deixei escapar, devido minha grande admiração.
- Você mora aqui?
- Não, moro em São Francisco.
Niall se encostou na poltrona.
- Quantos anos você tem?
- Hm, acho que sou eu quem estou fazendo a entrevista, engraçadinho. – Ele riu, mas se recompôs. – Certo, se tivesse que escolher entre Sign Of The Times, de Harry Styles, Strip That Down, de Liam Payne, e Just Hold On, de Louis Tomlinson com Steve Aoki, qual escolheria?
- !
- Eu não mencionei a banda! – Frisei, segurando o riso. Além de que ele aparentemente gostou da pergunta. E pensou muito sobre ela.
- Hm, vou escolher Just Hold On. Eu realmente amei a de Louis. É muito, muito boa.³
A entrevista seguiu sem problemas. Conversar com Niall era muito fácil e confortável, me fez esquecer completamente que eu estava conversando com um popstar. Ele também pareceu bem à vontade, provavelmente porque não fiz qualquer outra pergunta que se remetesse a banda. Vinte minutos depois, a cabeça de Lucy surgiu na porta do camarim, que foi aberta.
- , espero que tenham conseguido terminar. O tempo da entrevista acabou, e Niall precisa pegar um avião para o norte em duas horas.
Suspirei, desligando meu gravador.
- Sim, tudo certo, tenho material o suficiente para uma boa matéria! Peço para te entregarem uma, se quiser.
Niall concordou.
- Essa eu vou querer ver.
- Essa? – Questionei. Ele deu de ombros.
- Não costumo ler as minhas próprias entrevistas. Acho até um pouco narcisista querer me ver em uma revista.
- Sorte sua que desliguei meu gravador. Iria perder muitos patrocínios. E eu ficaria milionária pelo furo.
Ele apenas riu. Niall era uma pessoa um tanto engraçada. Era muito divertido e gostava de dar respostas espertinhas. Eu não era lá uma grande expert, mas tinha quase certeza que ele tinha flertado comigo vez ou outra. Tenho um gravador como prova!
Nos levantamos da poltrona ao mesmo tempo, onde me espreguicei de uma maneira sutil devido a todo tempo que passei sentada.
- Obrigada pela entrevista, Niall Horan! Adorei saber mais sobre você, tenho certeza que nossos leitores também amarão!
Ele esticou a mão, que eu apertei.
- Eu quem agradeço, . Deixou minha noite muito menos tediosa. Foi bem divertido. – Sorri para ele.
Ao contrário do que pensei, conversar com Niall Horan reacendeu a chama adolescente dentro de mim que sempre foi louca por ele. Perguntei-me em que momento da minha vida perdi essa conexão com ele e fiquei triste quando não consegui me lembrar. A adolescente que eu fui me deixara muitas lembranças tão lindas e ingênuas e me partiu o coração ter a consciência de que por mais que a admiração fosse real, eu não sentia mais aquele amor platônico por Niall Horan.
- Eu também gostei muito. A de dois mil e doze está pirando agora, só para você saber.
- Não precisa ficar com saudades. Tenho a impressão que ainda nos veremos no futuro.
Dei uma gargalha.
- Então até a próxima, Niall Horan.
- Até a próxima, . – Repetiu.
Dei um último sorriso, pegando minhas coisas e deixando o jovem cantor para trás.

¹ PlayList é um nome fictício criado por mim, exclusivamente para essa história. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
² Trecho de entrevista retirado do site: https://www.eonline.com/br/news/883643/niall-horan-conta-o-que-ele-nao-gosta-de-ser-perguntado-sobre-suas-musicas
³ Trecho de entrevista retirado do site: https://www.eonline.com/br/news/872958/niall-horan-conta-qual-musica-solo-dos-integrantes-do-1d-ele-gosta-mais


Capítulo 1

DEZENOVE DE SETEMBRO DE DOIS MIL E DEZOITO, SÃO FRANCISCO, CA

Estava finalizando minha matéria sobre Billie Eilish, quando Rachel Palm estacionou ao lado da minha baía.
- Posso saber porque Niall Horan te enviou uma encomenda? – Questionou minha amiga, me entregando um envelope.
Endireitei-me na cadeira, alarmada, e abri o envelope, que tinha o tamanho de uma folha A4 e pesava um pouco. Havia uma foto do próprio Niall sorridente ao lado de uma revista. Demorei dez segundos para notar que ele segurava a capa da própria PlayList, apontando para ele mesmo e com o dedo indicava a entrevista que eu fizera com ele no começo do mês passado. Meu nome aparecia logo embaixo, em uma nota colada com fita adesiva.

Olá, ! Amei a entrevista e quero que saiba que comprei a revista, eu comprei! Estou te enviando uma cópia autografada porque sei que no fundo você queria uma.
Ah, me segue no instagram para eu poder ver seu ig e te seguir de volta, procurei por e não te achei: @niallhoran (Como se você não soubesse)

Abri o pacote e lá estava a nossa revista comprada por ele e autografada. “Para toda a equipe da PlayList, em especial para . Obrigado pelo carinho!”. Rachel tomara a nota da minha mão, junto com a revista, e estava rindo há uns cinco minutos, descrente.
- Não acredito nisso, ! Você nem é tão legal assim!
A Rachel era uma ótima pessoa, só para deixar claro. Peguei a nota da mão dela, guardando fora de sua vista dentro de um dos meus cadernos.
- Você não tem nada para revisar, não? – Perguntei, fazendo um gesto com a mão para ela sair.
- Não precisa ficar nervosa, só vim dar os parabéns pelo seu bom trabalho que fez Niall Horan pagar trinta dólares por um exemplar da revista. – Comentou, colocando a revista em cima da minha mesa.
- Exatamente, eu só fiz um bom trabalho, só isso. – Resmunguei, pegando meu celular.
- Sei, sei... – Comentou, ainda parada. Por cima do ombro conseguia perceber que Rachel ainda estava observando atenta eu desbloquear meu celular com o polegar.
- Sei que está esperando eu seguir ele no instagram, mas não vou fazer isso. – Resmunguei. – Porque eu já sigo.
Rachel riu, mas me deixou em paz indo em direção a própria mesa. Essa garota não fazia bem para minha sanidade mental e emocional.
A matéria de Niall havia saído no começo desse mês e devido ao meu bom trabalho, realmente conseguimos salvar o quadro teen da Playlist. Desde então estava me dedicando para artistas adolescentes em ascensão, como Billie Eilish, e tinha quase esquecido completamente de minha agradável conversa com Niall Horan.
A verdade é que não esqueci, e pronto. Quando cheguei em casa naquele dia, procurei Niall no Spotify e ouvi todo o álbum, em looping, infinitas vezes e resisti ao impulso adolescente e idiota de ir até Los Angeles somente para assistir o próximo show. Não estava em meus planos ficar obcecada por uma celebridade, realmente não estava.
Óbvio que quando Rachel parou de me espiar eu rapidamente deixei de seguir Niall e segui novamente, pelo menos umas três vezes. Faria mais vezes, mas notei que parecia bem desesperada.
Ele não me seguiu de volta, claro, e eu sei disso porque fiquei de plantão no meu celular pelo resto do dia. Não tinha nada quando saí do trabalho e nem quando cheguei em casa. Antes de jantar verifiquei meu celular novamente e ainda nenhuma notificação fora do normal. Suspirei, sem saber ao certo porque me sentia tão triste. Provavelmente porque era a única chance de nos falarmos de novo e não tínhamos nenhuma forma de termos contato. O que leva de volta a questão do: o que Niall Horan poderia querer comigo, a zé ninguém de São Francisco?
Foi quando coloquei meu prato na pia que a notificação tão esperada chegou.

@niallhoran começou a seguir você
@niallhoran
Hey, ! Segui umas vinte garotas com esse nome hoje, mas pelo menos te achei lol Estou tentando te achar faz um tempão.

Ok, então Niall Horan tinha me enviado uma mensagem. Li e reli o user umas cinquenta vezes, mas por mais que eu estivesse aguardando desde o começo do dia, esse tipo de situação ainda era muito, muito irreal. Não importava o quanto eu olhasse, o símbolo de conta verificada continuou por lá.
As fanfics que lia sobre fã e ídolo sempre muito me iludiram conforme eu crescia, mas eu gostava de pensar que era uma garota bem pé no chão. Sabia como as coisas acabariam antes que ficassem sérias demais, e deve ser esse o motivo pelo qual minha vida amorosa era uma droga. Não era a louca dos signos, apesar de querer muito culpar meu ascendente com o sol entrando não sei aonde para explicar o motivo de ser tão fracassada no amor. Vinte e quatro anos nas costas e nem mesmo um único namorado para apresentar para a família. Bom, claro que tinha outras prioridades agora, como minha carreira. Adorava a coluna teen e amava mais ainda a PlayList, mas queria muito escrever sobre coisas mais sérias do que música pop. Queria escrever sobre fome, sobre política, sobre pobreza e problemas do mundo. Quando eu estivesse bem consolidada na minha carreira, conseguiria pensar em flertes.
O que me levava de volta a Niall Horan e a mensagem que ele tinha enviado. Quer dizer, ele me procurou, e daí? Aposto que ele tinha feito vários amigos dessa forma. Aposto como ele realmente só me achou levemente divertida. Eu poderia me contentar com o fato de que ele só queria me conhecer melhor e ser meu amigo, o dia da entrevista foi a tanto tempo que duvidava ter sido o que levou ele a me procurar. Decidi responder à mensagem.

@
Hey! Ah eu te garanto que essas vinte garotas não se importaram nenhum pouco!

@niallhoran
Espero que tenha razão. Odeio incomodar
@niallhoran
E desculpa a demora, estou saindo de um show nesse exato momento. Vi sua notificação, mas estava um pouco ocupado.

@
Não precisa se desculpar. Deve estar cansado, podemos nos falar outro dia.

Queria fingir para mim mesma que não estava feliz por ele ter se lembrado de mim, mesmo naquela rotina maluca dele, mas me contive. Sentei-me no sofá para conversar com ele, empolgada como se estivesse de novo com dezessete anos. Tentei não surtar, mas não é todo dia que você se pega conversando pelo instagram com meu ídolo de longa data. Mesmo que não conheça tão bem seus trabalhos mais recentes e sequer pensasse nele tanto assim antes de assistir aquele show.

@niallhoran
Não faz mal, sério. Gostei de conversar com você aquele dia.

@
Está me procurando só porque gostou de conversar comigo aquele dia?

@niallhoran
Estou te procurando
desde aquele dia. Não deu certo hahaha Imaginei que minha única chance fosse mandando uma revista direto para sua editora. O correio atrasou muito essa conversa!

@
Hahaha atrasou? E caramba, que moral. Eu te sigo no instagram desde 2011

@niallhoran
Ah, eu não ia te achar nunca. Tentei procurar olhando
todos os meus seguidores.

@
Ok
, agora estou me achando de verdade!

Se passaram cinco minutos sem que houvesse respostas dele. Olhei no relógio, eram onze e quarenta. Relativamente cedo para mim, mas talvez ele estivesse cansado. Devo dizer que a aproximação dele e seu interesse por mim mexeram comigo, mas não sabia dizer o que em mim havia chamado tanto sua atenção.
Vinte minutos mais tarde, meu celular vibrou.


@niallhoran
Desculpa a demora de novo. Estava me arrumando aqui no hotel.

@
Ainda falta muito para acabar a turnê?

@niallhoran
Apenas mais três dias de shows e acaba. Mas as férias só começam mesmo na próxima terça.

@
Achei que seu último show fosse domingo.

@niallhoran
Bom, a questão é que fui convidado para gravar o SoundTrack SanFrancisco¹ na segunda. E já que estarei em São Francisco de qualquer jeito, queria saber se a gente podia se ver

Um barulho seco ecoando no chão da minha sala informava que havia deixado meu celular cair. Não era possível que ele fosse tão direto assim no flerte. Quer dizer, ele nem me conhecia direito, e nosso último encontro havia sido há mais de um mês atrás. E pelo menos que eu me lembre, todas as versões do Niall que eu via na internet era de um garoto tímido, e ele nunca apresentou uma namorada sequer para a mídia. Pois é, como já dizia o ditado: quem come quieto, come sempre. Acho que ele percebeu que eu tinha ficado perplexa, porque chegou outra mensagem.

@niallhoran
Retificando: sair comigo como amigos. Sabe, me mostrar a cidade, os pontos turísticos mais escondidos, coisas assim. Só queria aproveitar minhas férias sem precisar pegar um avião tão cedo.

Bom, agora estava quase tudo mais ou menos esclarecido. Ele havia mesmo comentado que não curtia pegar avião tanto assim. Seria esse o único motivo? Mesmo?

@
Seria muito legal guiar Niall Horan pela minha cidadezinha. Só me chamar no dia que você estiver livre :D


Não conversamos muito depois disso. Ele falou um pouco sobre o SoundTrack e eu aproveitei a deixa para informar que nunca perdia uma única entrevista, como a amante de música que era. Alguns minutos depois Niall aparentemente usou uma desculpa qualquer para terminar a conversa e eu apenas curti a última mensagem que ele enviado, não me permitindo ficar feliz com a sugestão de me encontrar com ele.
Apesar de ser realmente bem pé no chão, eu era mestre em criar histórias de coisas que jamais aconteceriam na minha cabeça. E quantas dessas histórias já não envolveram Niall Horan? O simples fato de ele ter perdido seu precioso tempo me procurado já me deixava tonta.
Respirando fundo, lavei a louça que se formara em minha pia desde a noite anterior e varri o chão do apartamento. Ele era bem pequeno, tinha apenas quatro cômodos, mas o prédio era moderno, bem localizado e o valor do aluguel também era ótimo. Arrumei minha cama, guardei umas roupas espalhadas, por fim, e coloquei meu pijama, pronta para ir dormir. O relógio apontava que era quase uma da manhã, e eu ainda teria que acordar cedo no dia seguinte.
Não queria pensar muito no que poderia acontecer na próxima semana, e repeti para mim umas mil vezes que ele mesmo disse que queria me encontrar como amigo. Avistei o gravador da entrevista em minha cama de cabeceira, lugar onde ele tem estado desde aquele dia.
Inconscientemente e antes que pudesse me parar, dormi ouvindo a voz de Niall Horan através do gravador.

¹ SoudTrack SanFrancisco é um nome fictício de Talk Show criado por mim, exclusivamente para essa história. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.


Capítulo 2

O mar estava calmo e era um dia claro e sem nuvens no céu, o que por um lado era ruim, pois quase sempre significava um sol ardente. Mas logo depois já relevei a informação, pensando em como o dia parecia bonito visto do píer. Para alguém que morava em São Francisco há uns bons dois anos, me considerava bastante especialista nos pontos turísticos da cidade porque eu basicamente fugia de todos. Era até legal sair com meus amigos no começo da faculdade, mas eu era mais do tipo antissocial, então não vinha muito para São Francisco na época, ficava mais em Berkeley. Por isso nunca me ocorreu visitar a Prisão Federal de Alcatraz antes, mas aqui estava eu, aguardando no Píer 33, sentada em um banco de metal que queimava um pouco por causa do contato com o sol.
Ao meu lado uma mulher antipática ficava toda hora perguntando ao homem que estava com ela se ia demorar muito. Pude observar que assim que questionou pela vigésima vez, uma família de chineses olhou para trás, e um homem particularmente bravo e baixinho a encarou com repreensão. A mulher cruzou os braços e virou para o outro lado, enfurecida, mas pelo menos parou de perguntar. Agradeci em silêncio ao homem miúdo e olhei para o relógio.
A saga da mulher irritante me fez lembrar que Niall estava atrasado. Ele disse que chegaria pontualmente no horário de embarque do ferry, mas só faltavam quinze minutos para a partida e sem nenhum sinal dele. Fiquei com pena de mim mesma antecipadamente, nada pior que levar um bolo. De um cara famoso.
Depois do fiasco que foi nossa primeira conversa, com todo o episódio do mal-entendido, ele pareceu interessado de verdade em renovar nossa precoce amizade. Conversamos com muita facilidade sobre tudo: casa, família, carreira, planos, sonhos. Nenhum dos dois tocou no assunto de namoro, então supus que ele estava passando por algo. Mesmo depois que começou os boatos entre ele e Hailee Steinfeld no começo do ano, Niall não havia afirmado e nem desmentido a relação, o que tornava tudo mais confuso, já que ela estava promovendo um filme e ele estava em turnê há seis meses. Não teriam tempo para namorar, teriam?
Minhas conversas secretas no Instagram com um popstar não passaram batidas, é claro. Durante o resto da semana Rachel ficou me enchendo incansavelmente, sobre como eu era sortuda e como estava com inveja de mim. Precisei dizer a ela incontáveis vezes que Niall e eu éramos apenas amigos. Não, na verdade nem amigos, pelo menos não ainda.
O barco atracou no píer, o que me preocupou. Mais cinco minutos e Niall não poderia mais embarcar. Quando estava quase mandando uma mensagem por conta da demora, vi Horan atravessando correndo a The Embarcadero e vindo em minha direção. Ele estava com um suéter azul claro, óculos escuros e um boné cinza. Ainda estava muito longe para que ele me visse, mas veio andando em direção ao ferry e quando chegou no final do tablado conseguiu me encontrar.
- Você sabe que ainda dá para saber que é você, certo? – Perguntei quando ele chegou até mim. Ele olhou para o próprio disfarce, tirando os óculos e os pendurando na gola do suéter.
- Oi, . – Cumprimentou, me dando um beijo no rosto. – É, eu sei. Mas não sou mais assediado como era antes. As pessoas só apontam, é muito difícil ser abordado hoje em dia. Acho que têm vergonha.
Dei uma risada irônica, porque pelo menos todas as pessoas que eu conhecia não teriam vergonha.
- Será?
Ele olhou para as pessoas ao nosso redor.
- Bom, mesmo assim, a maioria dessas pessoas devem ter mais de quarenta anos. Tenho certeza que nem me conhecem.
E ele estava coberto de razão, é claro. Cerca de cem por cento de todo o nosso grupo nos ignorou completamente, porque de fato éramos os mais jovens ali, com exceção das crianças chinesas.
- Aliás, quando saímos?
- Nesse exato momento. Você está atrasado – Lembrei.
Niall deu de ombros, mostrando as horas no celular.
- Eu disse que estaria aqui pontualmente. Olha, dez e vinte e oito. Ainda cheguei com dois minutos de antecedência. – Gabou-se, rindo da própria piada em seguida.
Andamos lado a lado em direção ao interior do ferry. Pela sua demora não havia mais nenhum assento, mas não liguei muito, até onde eu sabia a viagem de barco era bem curta. Apoiamo-nos nas barras que se encontravam na lateral da embarcação, com uma vista para o norte. Depois de cinco minutos conseguimos ver a Golden Gate Bridge e Niall me olhou um pouco tonto.
- Está enjoado? – Perguntei, sem estar preocupada de verdade. Acho que ele percebeu que só estava curtindo com a cara dele.
- Não. Por que, engraçadinha?
- Só parece que não curte muito barcos.
- Bom, nunca andei em muitos.
- É, nem eu.
No começo foi esquisito porque só tínhamos começado a conversar há pouco tempo, mas depois eu fui me soltando e conversávamos como se fôssemos amigos há muitos anos. Ele me contou sobre a infância, o desejo de produzir o próximo álbum e sobre sua família. Hesitei em perguntar algo sobre seus pais e seu irmão temendo que fosse um ponto delicado para ele, mas o assunto fluiu bem. Aproveitei para dizer que era filha única de pais superprotetores e desisti de pedir irmãos aos treze anos. Em todo caso, Niall alimentou a maior parte da conversa, o que foi ótimo, porque eu mesma não tinha uma vida tão interessante quanto a dele. Foi quando finalmente fez a pergunta que ambos estávamos tentando evitar. Provavelmente porque ela era tão inevitável.
- E aí, você tem namorado?
Senti que ruborizei, apesar de não ter nenhum motivo para isso. Olhei para baixo, mordendo os lábios.
- Podem descer, com cuidado. Os guias estão espalhados pela ilha, e naquele portal poderão visualizar os horários de saída dos ferries. Podem sair em qualquer ferry até às 18h. Precisam pegar uma fila. A ilha é aberta e as atrações são livres. Tenham um excelente dia. – Bradou um guia uniformizado que estava na margem da ilha.
Respirei fundo, me achando o máximo por ter me livrado de responder à pergunta.
- E agora, para onde vamos? – Perguntou Niall.
- Sou tão turista nessa ilha quanto você, Niall. – Avistei um grande grupo subindo a ilha, e decidi ir na direção oposta que era rumo às docas, para onde um grupo menor se dirigiu. – Vamos por ali.
- Então, namorados? – Insistiu ele, depois de um tempo andando.
Eu não ia escapar, pelo visto.
- Bem, durante a adolescência passava mais tempo estudando do que saindo. E na faculdade eu era... exatamente da mesma forma. Então eu meio que nunca tive um namorado. – Confessei, para minha própria surpresa. Eu poderia ter fingido ter uma vida interessante pelo menos.
- Poderia dizer o mesmo sobre mim.
Revirei os olhos, tropeçando em uma pedra no caminho.
- Só que seria mentira. Sua vida é pública, esqueceu?
Niall deu uma sonora gargalhada.
- Se achar um único tweet, uma única postagem onde eu mesmo disse que tenho uma namorada, aí podemos continuar essa conversa.
- Amy Green?
- Você era fã de One Direction, tinha esquecido. – Comentou, ainda sorrindo. – Não chegou nem perto.
- Hailee Steinfeld? – Tentei.
O sorriso em seu rosto murchou.
- Eu acho que gostava dela, mas a gente não namorava. – Comentou, um pouco triste. – Problemas na agenda, sabe como é. Mas, ei, você não conseguiu provar!
Dei risada.
- É, parece que não.
Encontramos um outro guia nas docas que nos daria um passeio guiado pela floresta, onde ele nos contaria a biografia de alguns presos famosos que estiveram reclusos na ilha. Sendo bem sincera parei de prestar atenção depois de uns minutos. Niall parecia ter mais coisas a dizer, e por mais que não quisesse ser desrespeitosa atrapalhando a explicação do guia, era até seguro conversar em voz baixa porque estávamos um pouco afastados do grupo.
- De verdade, eu não tive nenhuma namorada que eu amasse, amor do tipo que faz a gente pensar em casar e ter filhos.
Suspirou, e a sinceridade em sua voz acabou comigo.
- Deve ser muito ruim cantar e escrever sobre algo que você não sente de verdade.
- Nem tanto, . Eu só preciso fingir que sinto. É isso que um artista faz.
- Então você é um bom artista.
Horan sorriu, se virando de frente para mim.
- Gosto de pensar que sim. – Disse, debochando do meu elogio.
- É sério. No seu show, eu... não sei explicar. Quando você cantou This Town eu parei tudo que estava fazendo para te ouvir cantando. Você expressa um sentimento através da música que emociona de verdade, Niall. – Falei, mordendo os beiços involuntariamente. Era algo que fazia sempre que ficava nervosa, o que me irritava muito. Niall deu um sorriso mínimo, aparentemente constrangido com o elogio.
- Foi a primeira vez que ouviu This Town?
- Não... eu tinha ouvido falar dessa música nova e gostei dela. O resto do álbum só descobri que existia no dia que a minha chefe disse que eu faria uma entrevista.
- Outch.
Dei risada.
- Mas se serve de consolo, eu já sei de cor todas as suas músicas. Você, bem...
- Eu o quê?
Hesitei por um momento.
- Você era o meu favorito. Na banda.
- , você sabe mesmo como fazer um homem feliz. Quase todas preferem o Zayn e ele nem está mais na banda!
- Se for te consolar mais ainda, eu não gosto do Zayn.
Niall riu, e eu ri logo em seguida. Ouvimos o resto da explicação do guarda florestal, que sem que eu percebesse acabou nos levando para onde eu queria evitar ir: a prisão propriamente dita. Ficava no topo da ilha, e não pude deixar de pensar que de uma maneira trágica os presos que aqui ficaram ainda tiveram a dádiva de poder olhar uma linda vista. Pelo menos tanto quanto fosse possível, já que a cela não tinha janelas, algo que reparei somente quando entrei. Eu estava realmente prestando atenção, ali haviam muitos fatos interessantes, mas Niall estava apreensivo, olhava para trás toda hora e parecia estar sendo perseguido por alguém.
- Niall Horan está... com medo? – Perguntei, rindo quando percebi qual era o problema.
- Lugar... interessante para se visitar. Estava pensando em um parque ou algo assim. Sabe, ao ar livre. Não é muito pesado essa... energia negativa ou sei lá? – Perguntou, segurando os ombros, como se sentisse frio. Deixei escapar um riso pelo nariz.
- Se a energia está assim tão negativa, quer sair daqui?
- Bom, eu certamente não te impediria se quisesse ir embora, . – Disse, como se eu estivesse com medo.
O sotaque irlandês fofo foi ficando mais forte à medida que nos aproximávamos do centro do edifício.
- O problema não é a energia negativa, é?
Niall pareceu rendido.
- Eu sou meio... claustrofóbico – Admitiu, um pouco envergonhado.
Eu estava mesmo interessada no tour, mas Niall parecia tenso de verdade, então decidi que o passeio foi uma péssima ideia e resolvi nos tirar dali. Ele agradeceu com um sorriso engraçadinho e colocou seus óculos de sol quando saímos do prédio de novo.
- Eu não vou dizer que não gostei, mas sei lá, da próxima vez a gente podia tomar um sorvete, de repente.
Visitar uma prisão fazia parte do meu plano somos só amigos. Provavelmente foi por essa razão que estávamos onde estávamos, qualquer coisa que impedisse uma aproximação romântica. Como sempre frisei, o crescimento profissional era meu foco no momento, sempre escolheria minha carreira. Eu ainda era bem nova e por mais que a aproximação de um astro em ascensão – ainda mais um astro em ascensão que eu um dia fui fã – mexesse muito com minha cabeça, não tinha nenhuma condição de começar um relacionamento agora. A confusão em minha mente se formou no dia da entrevista. Alguma coisa fez com que Niall decidisse que eu valia a pena e eu precisava saber o que era.
Para nossa total sorte, a fila estava bem pequena e o próximo ferry chegaria em quinze minutos. A viagem da volta foi mil vezes melhor que a da ida, conversamos e rimos muito; depois de prometer não postar em nenhuma rede social, Niall deixou eu tirar fotos dele enquanto o vento batia em seus cabelos, levantando os fios para todos os lados, uma vez que estava sem o seu boné.
- Está parecendo um Golden Retriever. – Comentei rindo, depois de bater a décima foto dele com a língua para fora. Niall riu quando viu o resultado, e saímos da embarcação após atracarem novamente no píer 33. Uma mulher também uniformizada estava na porta distribuindo panfletos para que pudéssemos avaliar nosso passeio.
- Me dê um – Disse Niall, chegando próximo ao stand da mulher e destampando uma caneta que havia ali. Tirou os óculos escuros e escreveu algumas coisas. – Nome? – leu no formulário, conforme escrevia. – Niall Horan. Idade? Quinze anos.
- Quinze?
- Não posso admitir minha verdadeira idade porque – ergueu o papelzinho onde tinha as informações que escreveu e leu – Como foi a sua experiência? Terrivelmente assustadora, não recomendo o passeio para menores de trinta anos.
- Como se alguém não fosse jogar Niall Horan no Google para verificar a sua idade.
- As pessoas geralmente têm mais o que fazer, . Ele estava certo, então não insisti. Saímos do píer 33, de onde andamos em direção à avenida por um tempo. Niall viu alguma coisa que o fez sorrir e pediu:
- Fica aqui, já volto.
Aguardei em frente a uma Starbucks por quinze minutos até o retorno do meu mais novo amigo, quando o avistei com duas casquinhas enormes de chocolate.
- Por favor, diz que gosta de chocolate? É universal. – Declarou, me entregando a minha.
- Eu gosto. – Não era meu sabor preferido, mas eu realmente gostava.
Guardei o celular que tinha usado para me distrair até seu retorno no meu bolso e nos acomodamos em um dos muitos banquinhos que tinha no píer 33 para comermos a casquinha. Era quase uma da tarde de um domingo, as ruas estavam mais vazias do que de costume e eu ainda estava um pouco tonta por ter ao meu lado Niall Horan comendo uma casquinha de chocolate barata.
- Por que tentou me achar? – Perguntei, em um momento. Ele demorou um pouco para responder.
- Eu te achei legal. Teve muitas oportunidades de me perguntar sobre a banda, mas não fez isso. Você... você realmente quer me conhecer. É curiosa, mas no bom sentido. Acho que faz parte do papel de jornalista. – Riu. – Você também é baixinha, engraçada e gentil. Como minha mãe.
Dei risada, fazendo uma careta.
- Está me comparando com a sua mãe? E eu não sou baixinha, tenho mais de um metro e sessenta.
- Ei, a comparação foi um elogio! – Eu sorri. – E quanto a sua altura, bom, você é mais baixa que eu.
- Mas não muito.
- Em comparação as outras coisas, a altura não importa, na verdade. – Ele disse, envergonhado.
- Sabe, você também é uma pessoa diferente do que pensei que seria. – Ri, lambendo meu dedo onde havia escorrido sorvete. – Tem tanto do Niall que inventei na minha cabeça que não é verdade.
- Tipo o quê?
- Tipo você é um bunda mole.
- A energia lá era mesmo muito péssima, . E eu tenho uma fobia. – Repetiu, pausadamente, com o sotaque irlandês um pouco mais forte.
Jamais pensaria que ele era assim tão sensível, e por um motivo essa informação me deixou mais leve, como se fosse apenas a partir daquele momento que percebi que ele era mesmo gente como a gente.
- Ok, desculpe. – Disse, sinceramente. Terminei minha casquinha antes de falar novamente – Posso fazer uma pergunta?
- Eu vou gostar dessa pergunta?
Pensei por um momento.
- Talvez não muito.
- Bom, acho que não existe nada que você me pergunte que eu não possa relevar.
- O que houve entre você e a Hailee?
- Que Hailee? – Como previsto, seus olhos azuis se fixaram nos meus ardentemente, em uma falha tentativa de se fazer de idiota.
- Hailee Steinfeld? Morena, alta, linda para caramba, aquela atriz que fe...
- Ok, ok, eu sei quem é Hailee. – Interrompeu, sorrindo de um modo um pouco triste. – , sei que hoje fomos totalmente sinceros um com o outro, mas gostaria de... não falar sobre ela. Pelo menos não hoje.
Eu compreendia. Claro que sim. Mas o fato de ele não querer falar sobre Hailee Steinfeld só confirmava no mínimo que alguma coisa aconteceu entre eles, e por mais que não quisesse nada com Niall agora, não sabia se estava pronta para me envolver na vida dele sabendo que existia um rolo.
- Tudo bem, Niall. Respeito isso. – Garanti, com um sorriso. – Espero que com o tempo veja em mim uma amiga com quem pode contar.
Ele também sorriu, aquele sorriso que a fã dentro de mim tanto amava.
- Obrigado.
Niall terminou o próprio sorvete e depois de limpar as mãos nas calças, se levantou, estendo as mãos para mim. Aceitei a ajuda, me levantando do banco.
- Gostaria de te ver amanhã. – Disse, sem rodeios. Sorri, pensando na melhor maneira de reclinar o convite sem chateá-lo.
- Amanhã é segunda, vou trabalhar.
- Depois do trabalho, então.
- Tenho certeza que estarei cansada. – Informei, com uma falsa cara de pesar.
Niall riu, colocando as mãos no bolso.
- Eu não acredito que estará. – Disse apenas.
Decidimos encerrar o passeio e nos despedimos ali mesmo, já que o hotel dele e o meu prédio ficavam em direções opostas. Vi o cantor sumindo pela grande avenida, virando-me na direção contrária, onde um uber me encontraria. Durante todo o meu percurso para casa filtrei tudo que Niall me contou sobre sua vida e a conclusão que cheguei foi que eu queria de verdade conhecê-lo melhor. Desejei que ele insistisse para nos encontrarmos amanhã, e a resposta veio minutos depois de tal desejo.

@niallhoran
Tudo resolvido, . Achei um lugar ao ar livre dessa vez.
@niallhoran
Vou te buscar no trabalho. Use uma roupa confortável amanhã.

Capítulo betado pela Letty. Qualquer problema nesse capítulo, entre em contato por e-mail.




Continua...



Nota da autora: Olá, meninas! Bem-vindas de volta a São Francisco! E aí, o que acharam do capítulo? Nosso casal ainda está se conhecendo. A pp está um pouco acanhada com a aproximação do popstar e Niall aparentemente esconde um casinho. ACEITO TEORIAS!
E fiquem de olho porque rolam boatos que a próxima att será dupla, hein! Para quem quiser acompanhar, tenho um grupo no facebook, aviso sobre as atts por lá:


Um beijo para todas e obrigada!




Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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