The Dursley Potter Family

Última atualização: 11/05/2020

Prólogo

O Sr. e a Sra. Dursley, da Rua dos Alfeneiros, nº 4, se orgulhavam de dizer que eram perfeitamente normais, muito bem, obrigado. Eram as últimas pessoas no mundo que se esperaria que se metessem em alguma coisa estranha ou misteriosa, porque simplesmente não compactuavam com esse tipo de bobagem.
O Sr. Dursley era diretor de uma firma chamada Grunnings, fazia perfurações. Era um homem alto e corpulento quase sem pescoço, embora tivesse enormes bigodes. A Sra. Dursley era loura e tinha um pescoço quase duas vezes mais comprido que o normal, o que era muito útil porque ela passava grande parte do tempo espichando-o por cima da cerca do jardim para espiar os vizinhos. Os Dursley tinham um filhinho chamado , o , e em sua opinião não havia garoto melhor em nenhum lugar do mundo.
Os Dursley tinham tudo que queriam, mas tinham também um segredo, e seu maior receio era que alguém o descobrisse. Achavam que não iriam aguentar se alguém descobrisse a existência dos Potter.
A Sra. Potter era irmã da Sra. Dursley, mas não se viam há muitos anos. Na realidade, a Sra. Dursley fingia que não tinha irmã, porque esta e o marido imprestável eram o que havia de menos parecido possível com os Dursley.
Eles estremeciam só de pensar no que os vizinhos iriam dizer se os Potter aparecessem na rua. Os Dursley sabiam que os Potter tinham um filhinho também, mas nunca o tinham visto. O garoto era mais uma razão para manter os Potter à distância, eles não queriam que se misturasse com uma criança daquelas. Quando o Sr. e a Sra. Dursley acordaram na terça-feira monótona e cinzenta em que a nossa história começa, não havia nada no céu nublado lá fora sugerindo as coisas estranhas e misteriosas que não tardariam a acontecer por todo o país. O Sr. Dursley cantarolava ao escolher a gravata mais sem graça do mundo para ir trabalhar e a Sra. Dursley fofocava alegremente enquanto lutava para encaixar um aos berros na cadeirinha alta.
Nenhum deles reparou em uma coruja parda que passou, batendo as asas, pela janela.
Às oito e meia, o Sr. Dursley apanhou a pasta, deu um beijinho no rosto da Sra. Dursley e tentou dar um beijo de despedida em , mas não conseguiu, porque na hora estava tendo um acesso de raiva e atirava o cereal nas paredes.
— Pestinha — disse rindo contrafeito o Sr. Dursley ao sair de casa.
Entrou no carro e deu marcha ré para sair do estacionamento do número quatro.
Foi na esquina da rua que ele notou o primeiro indício de que algo estranho ocorria: um gato lia um mapa. Por um instante o Sr. Dursley não percebeu o que vira – em seguida virou rapidamente a cabeça para dar uma segunda olhada. Havia um gato de listras amarelas, sentado na esquina da Rua dos Alfeneiros, mas não havia nenhum mapa à vista. Em que estaria pensando naquela hora? Devia ter sido um efeito da luz. Ele piscou e arregalou os olhos para o gato.
O gato o encarou.
Enquanto virava a esquina e subia a rua, espiou o gato pelo espelho retrovisor. Ele agora estava lendo a placa que dizia Rua dos Alfeneiros – não, não estava olhando a placa: gatos não podiam ler mapas nem placas. O Sr. Dursley sacudiu a cabeça e tirou o gato do pensamento.
Durante o caminho para a cidade ele não pensou em mais nada exceto no grande pedido de brocas que tinha esperanças de receber naquele dia, mas ao sair da cidade, as brocas foram varridas de sua cabeça por outra coisa.
Ao parar no costumeiro engarrafamento matinal, não pôde deixar de notar que havia uma quantidade de gente estranhamente vestida andando pelas ruas. Gente com capas largas.
O Sr. Dursley não tolerava gente que andava com roupas ridículas – os trapos que se viam nos jovens!
Imaginou que aquilo fosse uma nova moda idiota. Tamborilou os dedos no volante e seu olhar recaiu em um grupinho de excêntricos parados bem perto dele. Cochichavam excitados. O Sr. Dursley se irritou ao ver que alguns deles nem eram jovens, ora, aquele homem devia ser mais velho do que ele, e usava uma capa verde-esmeralda! Que petulância! Mas então ocorreu ao Sr. Dursley que se tratava prova de alguma promoção boba – essas pessoas estavam obviamente arrecadando alguma coisa... É, devia ser isto! O tráfego avançou e alguns minutos depois o Sr. Dursley chegou ao estacionamento da Grunnings, o pensamento de volta às brocas.
O Sr. Dursley sempre sentava de costas para a parede em seu escritório no nono andar. Se não o fizesse, talvez tivesse achado mais difícil se concentrar em brocas aquela manhã. Ele não viu as corujas que voavam velozes em plena luz do dia, embora as pessoas na rua as vissem, elas apontavam e se espantavam enquanto um bando de corujas passava no alto. A maioria jamais vira uma mesmo à noite. O Sr. Dursley, porém, teve uma manhã normal sem corujas. Gritou com cinco pessoas diferentes. Deu vários telefonemas importantes e gritou mais um pouco.
Estava de excelente humor até a hora do almoço, quando pensou em esticar as pernas e atravessar a rua para comprar um pãozinho doce na padaria defronte.
Esquecera completamente as pessoas de capas até passar por um grupo delas próximo à padaria. Olhou-as com raiva ao passar. Não sabia o porquê, mas elas o deixavam nervoso.
Essas cochichavam também, mas ele não viu nenhuma latinha de coleta. Foi ao passar por elas na volta, levando uma grande rosquinha açucarada que entreouviu algumas palavras do que diziam.
—... Os Potter, é verdade, foi o que ouvi...
—... É, o filho deles, ...
O Sr. Dursley parou de repente. O medo invadiu-o. Virou a cabeça para olhar as pessoas que cochichavam como se quisesse dizer alguma coisa, mas pensou melhor.
Atravessou a rua depressa, correu para o escritório, disse rispidamente à secretária que não o incomodasse, agarrou o telefone e quase terminara de discar o número de casa quando mudou de ideia. Pôs o fone no gancho e alisou os bigodes pensando... Não, estava agindo como um idiota. Potter não era um nome tão fora do comum assim.
Tinha certeza de que havia muita gente chamada Potter com um filho chamado . Pensando bem, nem sequer tinha certeza de que o sobrinho tivesse o nome de . Jamais viu o menino. Talvez fosse Henry. Ou Henrique.
Não tinha sentido preocupar a Sra. Dursley, ela sempre ficava tão perturbada à simples menção da irmã. Não a culpava – se ele tivesse uma irmã como aquela... Mas mesmo assim aquelas pessoas de capas...
Achou bem mais difícil se concentrar nas brocas aquela tarde, e quando deixou o edifício às cinco horas, continuava tão preocupado que deu um encontrão em alguém parado ali à porta.
— Desculpe — murmurou, quando o velhinho cambaleou e quase caiu.
Levou alguns segundos até o Sr. Dursley perceber que o homem estava usando uma capa roxa. Não parecia nada aborrecido por ter sido quase jogado ao chão. Ao contrário, seu rosto se abriu em um largo sorriso e ele disse numa voz esganiçada que fez os passantes olharem:
— Não precisa pedir desculpas, caro senhor, porque nada poderia me aborrecer hoje! Alegre-se! Porque o Você-Sabe-Quem finalmente foi-se embora! Até trouxas como o senhor deviam estar comemorando um dia tão feliz!
E o velho abraçou o Sr. Dursley pela cintura e se afastou.
O Sr. Dursley ficou pregado no chão. Fora abraçado por um completo estranho. E também achava que fora chamado de trouxa, o que quer que isso quisesse dizer.  
Estava abalado. Correu para o carro e partiu para casa, esperando que estivesse imaginando coisas, o que nunca esperara que fizesse, porque não aprovava a imaginação. Quando entrou no estacionamento do número quatro, a primeira coisa que viu – e isso não melhorou o seu estado de espírito – foi o gato listrado que notara aquela manhã. Agora ele estava sentado no muro do jardim. Tinha certeza de que era o mesmo, as marcas em volta dos olhos eram as mesmas.
— Chispa! — disse o Sr. Dursley em voz alta.
O gato não se mexeu. Apenas lançou-lhe um olhar severo.
Será que isto era um comportamento normal para um gato?
Pensou o Sr. Dursley.
Continuava decidido a não comentar nada com a esposa.
A Sra. Dursley tivera um dia normal e agradável. Contou-lhe durante o jantar os problemas da senhora do lado com a filha e ainda que aprendera uma palavra nova (Nunca).
“E, por último, os observadores de pássaros em toda parte registraram que as corujas do país se comportaram de forma muito estranha hoje. Embora elas normalmente cacem à noite e raramente apareçam à luz do dia, centenas desses pássaros foram vistos hoje voando em todas as direções desde o alvorecer. Os especialistas não sabem explicar por que as corujas de repente mudaram o seu padrão de sono.”
O locutor se permitiu um sorriso.
Muito misterioso. E agora, com Jorge Mendes, o nosso boletim meteorológico. “Vai haver mais tempestades de corujas hoje à noite, Jorge?”
“Bom, Eduardo”, disse o meteorologista, “não sei lhe dizer, mas não foram só as corujas que se comportaram de modo estranho hoje, ouvintes de todo o pais têm telefonado para reclamar que em vez do aguaceiro que prometi para ontem, eles têm tido chuvas de estrelas! Talvez alguém ande festejando a noite das fogueiras uma semana mais cedo este ano! Mas posso prometer para hoje uma noite chuvosa”.
O Sr. Dursley ficou paralisado na poltrona. Estrelas cadentes em todo o país? Corujas voando durante o dia? Gente misteriosa, capas por todo lado? E um cochicho, um cochicho a respeito dos Potter...
A Sra. Dursley entrou na sala trazendo duas xícaras de chá.
Não adiantava. Teria que lhe dizer alguma coisa. Pigarreou nervoso.
— Hum, hum, Petúnia, querida, você não tem tido notícias de sua irmã ultimamente?
Conforme esperava, a Sra. Dursley pareceu chocada e aborrecida. Afinal, normalmente fingiam que ela não tinha irmã.
— Não — respondeu ela, seca. — Por quê?
— Uma notícia engraçada — murmurou o Sr. Dursley — Corujas... Estrelas cadentes e vi uma porção de gente de aparência estranha na cidade hoje...
— E daí? — cortou a Sra. Dursley.
— Bem, pensei, talvez, tivesse alguma ligação com... Sabe... O pessoal dela.
A Sra. Dursley bebericou o chá com os lábios contraídos. O Sr. Dursley ficou em dúvida se teria coragem de lhe contar que ouvira o nome “Potter”. Decidiu que não.
Em vez disso, falou com a voz mais displicente que pode:
— O filho deles, teria mais ou menos a idade do agora, não?
— Suponho que sim — respondeu a Sra. Dursley ainda seca.
— Como é mesmo o nome dele? Henrique, não é?
. Um nome feio e vulgar se quer saber minha opinião.
Ah, é — disse o Sr. Dursley, sentindo um aperto horrível no coração. — É, concordo com você. Não disse mais nenhuma palavra sobre o assunto a caminho do quarto onde foram se deitar. Enquanto a Sra. Dursley estava no banheiro, o Sr. Dursley foi devagarzinho até a janela e espiou o jardim da casa. O gato continuava lá. Observava o começo da Rua dos Alfeneiros como se esperasse alguma coisa.
Estaria imaginando coisas. Será que tudo isto teria ligação com os Potter? Se tivesse... Se aparentasse que eram aparentados como um casal de... Bem ele achava que não aguentaria.
Os Dursley se deitaram. A Sra. Dursley, adormeceu logo, mas o Sr. Dursley continuou acordado pensando no que acontecera. Seu último consolo antes de adormecer foi pensar que mesmo que os Potter estivessem envolvidos, não havia razão para se aproximarem dele e da Sra. Dursley. Os Potter sabiam muito bem o que pensavam deles e de gente de sua laia... Não via como ele e Petúnia poderiam se envolver com nada que estivesse acontecendo. O Sr. Dursley bocejou e se virou. Isso não poderia afetá-los...
Como estava enganado.
O Sr. Dursley talvez estivesse mergulhando em um sono inquieto, mas o gato no muro lá fora não mostrava sinais de sono.
Continuava sentado imóvel como uma estátua, os olhos fixos na esquina mais distante da Rua dos Alfeneiros. E nem sequer estremeceu quando uma porta de carro bateu na rua seguinte, nem mesmo quando duas corujas mergulharam do alto. Na verdade, era quase meia-noite quando o gato se mexeu.
Um homem apareceu na esquina que o gato estivera vigiando.
Apareceu tão súbita e silenciosamente que se poderia pensar que tivesse saído do chão. O rabo do gato mexeu ligeiramente e seus olhos se estreitaram.
Ninguém jamais vislumbrara nada parecido com este homem na Rua dos Alfeneiros. Era alto, magro e muito velho a julgar pelo prateado dos seus cabelos e de sua barba, suficientemente longos para prender no cinto.
Usava vestes longas, uma capa púrpura que arrastava pelo chão e botas com saltos altos e fivelas. Seus olhos azuis eram claros, luminosos e cintilantes por trás dos óculos em meia-lua e o nariz, muito comprido e torto, como se o tivesse quebrado pelo menos duas vezes. O nome dele era Alvo Dumbledore.
Alvo Dumbledore não parecia ter consciência de que acabara numa rua onde tudo, desde o seu nome às suas botas, era malvisto.
Estava ocupado apalpando a capa, procurando alguma coisa. Mas parecia ter consciência de que estava sendo vigiado, porque ergueu a cabeça de repente para o gato, que continuava a fitá-lo da outra ponta da rua. Por algum motivo, a visão do gato pareceu diverti-lo. Deu uma risadinha e murmurou:
— Eu devia ter imaginado.
Encontrou o que procurava no bolso interior da capa, parecia um isqueiro de prata. Abriu-o, ergueu-o no ar e ascendeu. O lampião de rua mais próximo apagou-se com um estalido seco. Ele fez de novo – o lampião seguinte piscou e apagou, doze vezes ele acionou o “desiluminador”, até que as únicas luzes acesas na rua eram dois pontinhos minúsculos ao longe, os olhos do gato que os vigiava. Se alguém espiasse pela janela agora, até a Sra. Dursley, de olhos de contas, não conseguira ver nada que estava acontecendo na calçada. Dumbledore tornou a guardar o “desiluminador” na capa e saiu caminhando pela rua em direção ao número quatro, onde se sentou no muro ao lado do gato. Não para olhar para o bicho, mas, passado algum tempo, dirigiu-se a ele.
— Imaginava encontrar a senhora aqui, Professora .
E virou-se para sorrir para o gato, mas este desaparecera. Ao invés dele, viu-se sorrindo para uma mulher de aspecto severo que usava óculos de lentes quadradas exatamente do formato das marcas que o gato tinha em volta dos olhos. Ela, também, usava uma capa esmeralda. Trazia os cabelos negros presos num coque apertado. E parecia decididamente irritada.
— Como soube que era eu? — perguntou.
— Minha cara professora, nunca vi um gato se sentar tão duro.
— O senhor estaria duro se tivesse passado o dia todo sentado em um muro de pedra — respondeu a Professora .
— O dia todo? Quando podia estar comemorando? Devo ter passado por mais de dez festas e banquetes a caminho daqui.
A professora fungou aborrecida.
— Ah sim, vi que todos estão comemorando — disse impaciente. — Era de esperar que fossem um pouco mais cautelosos, mas não, até os trouxas notaram que alguma coisa estava acontecendo. Deu no telejornal. — Ela indicou com a cabeça a sala às escuras dos Dursley. — Eu ouvi... Bandos de corujas... Estrelas cadentes... Ora, eles não são completamente idiotas. Não podiam deixar de notar alguma coisa. Estrelas cadentes em Kent, aposto que foi coisa de Dédalo Diggle. Ele nunca teve muito juízo.
— Você não pode culpá-los — ponderou Dumbledore educadamente. — Temos tido muito pouco o que comemorar nos últimos onze anos.
— Sei disso — retrucou a professora mal-humorada. — Mas não é razão para perdermos a cabeça. As pessoas estão sendo completamente descuidadas, saem às ruas em plena luz do dia, sem nem ao menos vestir roupa de trouxa, e espalham boatos.
De esguelha, lançou um olhar atento a Dumbledore, como se esperasse que ele dissesse alguma coisa, mas ele continuou calado, por isso ela recomeçou:
— Ia ser uma graça se, no próprio dia em que Você-Sabe-Quem parece ter finalmente ido embora, os trouxas descobrissem a nossa existência. Suponho que ele realmente tenha ido embora, não é, Dumbledore?
— Parece que não há dúvida. Temos muito o que agradecer. Aceita um sorvete de limão?
— Um o quê?
— Um sorvete de limão. É uma espécie de doce dos trouxas de que sempre gostei muito.
— Não, obrigada — disse a Professora com frieza, como se não achasse que o momento pedia sorvetes de limão. — Mesmo que Você-Sabe-Quem tenha ido embora.
— Minha cara professora, com certeza uma pessoa sensata como a senhora pode chamá-lo pelo nome. Toda essa bobagem de Você-Sabe-Quem, há onze anos venho tentando convencer as pessoas a chamá-lo pelo nome que recebeu: Voldemort — a professora franziu a testa, mas Dumbledore, que estava separando dois sorvetes de limão, pareceu não reparar. — Tudo fica tão confuso quando todos não param de dizer “Você-Sabe-Quem”. Nunca vi nenhuma razão para ter medo de dizer o nome de Voldemort.
— Sei que não vê — disse a professora parecendo meio exasperada, meio admirada. — Mas você é diferente... Todo o mundo sabe é o único de quem Você-Sabe... Ah está bem, de quem Voldemort tem medo.
— Isto é um elogio — disse Dumbledore calmamente. — Voldemort tinha poderes que nunca tive.
— Só porque você é muito... Bem... Nobre para usá-los.
— É uma sorte estar escuro. Nunca mais corei assim desde que Madame Pomfrey me disse que gostava dos meus abafadores de orelhas novos.
A Professora lançou um olhar severo a Dumbledore e disse:
— As corujas não são nada comparadas aos boatos que correm. Por que ele foi embora? O que foi que finalmente o deteve?
Aparentemente a Professora chegara ao ponto que estava ansiosa para discutir, a verdadeira razão pela qual estivera esperando o dia todo em cima de um muro frio e duro, porque nem como gato nem como mulher ela fixara antes um olhar tão penetrante em Dumbledore como agora. Era óbvio que seja o que fosse que “todos” estivessem dizendo, ela não iria acreditar até que Dumbledore confirmasse ser verdade. Dumbledore, porém, estava escolhendo mais um sorvete de limão e não respondeu.
— O que estão dizendo — continuou ela — que na noite passada Voldemort apareceu em Godric's Hollow. Foi procurar os Potter. O boato é que Lílian e James Potter estão... Estão mortos.
Dumbledore fez que sim com a cabeça. A Professora perdeu o fôlego.
— Lílian e James... Não posso acreditar... Não quero acreditar... Ah, Alvo.
Dumbledore estendeu a mão e deu-lhe um tapinha no ombro.
— Eu sei... Eu sei... — disse deprimido.
A voz da Professora tremeu ao prosseguir:
— E não é só isso, estão dizendo que ele tentou matar o filho dos Potter, . Mas... Não conseguiu. Não conseguiu matar o garotinho. Ninguém sabe o porquê nem como, mas estão dizendo que na hora que não pôde matar Potter, por alguma razão, o poder de Voldemort desapareceu e é por isso que ele foi embora.
Dumbledore concordou com a cabeça, sério.
— É verdade? — gaguejou a professora. — Depois de tudo o que ele fez... Todas as pessoas que matou... Não conseguiu matar um garotinho? É simplesmente espantoso... De tudo que poderia detê-lo... Mas, por Deus, como foi que sobreviveu?
— Só podemos imaginar — disse Dumbledore. — Talvez nunca cheguemos a saber.
A Professora pegou um lenço de renda e secou com delicadeza os olhos por baixo das lentes dos óculos. Dumbledore deu uma grande fungada ao mesmo tempo em que tirava o relógio de ouro do bolso e o examinava. Era um relógio muito estranho.
Tinha doze ponteiros, mas nenhum número, em vez deles, pequenos planetas giravam à sua volta. Mas, devia fazer sentido para Dumbledore, porque ele o repôs no bolso e disse:
— Hagrid está atrasado. A propósito, foi ele que lhe disse que eu estaria aqui, suponho.
— Foi. E suponho que você não vá me dizer por que está aqui e não em outro lugar.
— Vim trazer para tio e a tia. Eles são a única família que lhe resta.
— Você não quer dizer... não pode estar se referindo às pessoas que moram aqui — exclamou a Professora , pulando de pé e apontando para o número quatro — Dumbledore, você não pode. Estive observando a família o dia todo. Você não poderia encontrar duas pessoas menos parecidas conosco. E têm um filho, vi-o dando chutes na mãe até a rua, berrando porque queria balas. Potter não pode vir morar aqui!
— É o melhor lugar para ele — disse Dumbledore com firmeza. — Os tios poderão lhe explicar tudo quando ele for mais velho, escrevi-lhes uma carta.
— Uma carta? — repetiu a professora com a voz fraca, sentando-se novamente no muro. — Francamente Dumbledore, acha que pode explicar tudo isso em uma carta? Essas pessoas jamais vão entendê-lo! Ele vai ser famoso, uma lenda. Eu não me surpreenderia se o dia de hoje ficasse conhecido no futuro como o dia de Potter. Vão escrever livros sobre . Todas as crianças no nosso mundo vão conhecer o nome dele!
— Exatamente — disse Dumbledore, olhando muito sério por cima dos oclinhos meia-lua. — Isto seria o bastante para virar a cabeça de qualquer menino. Famoso antes mesmo de saber andar. Famoso por alguma coisa que ele nem vai se lembrar! Veja, ele não estará muito melhor se crescer longe de tudo isso, ter a capacidade de compreender?
A professora abriu a boca, mudou de ideia, engoliu em seco e então disse:
— É, é, você está certo é claro. Mas como é que o garoto vai chegar aqui, Dumbledore? — Ela olhou para a capa dele de repente como se lhe ocorresse que talvez escondesse ali.
— Hagrid vai trazê-lo.
— Você acha que é sensato confiar a Hagrid uma tarefa importante como essa?
— Eu confiaria a Hagrid minha vida — respondeu Dumbledore.
— Não estou dizendo que ele não tenha o coração no lugar — concedeu a professora de má vontade — mas você não pode fingir que ele é cuidadoso. Que tem uma tendência a... Que foi isso?
Um ronco discreto quebrara o silêncio da rua. Foi aumentando cada vez mais enquanto eles olhavam para cima e para baixo da rua à procura de um sinal de farol de carro, o ronco se transformou num trovão quando os dois olharam para o céu – e uma enorme motocicleta caiu do ar e parou na rua diante deles.
Se a motocicleta era enorme, não era nada comparada ao homem que a montava de lado. Ele era quase duas vezes mais alto do que um homem normal e pelo menos cinco vezes mais largo. Parecia simplesmente grande demais para existir e tão selvagem – emaranhados de barba e cabelos negros longos e grossos escondiam a maior parte do seu rosto, as mãos tinham o tamanho de uma lata de lixo e os pés calçados com botas de couro pareciam filhotes de golfinhos. Em seus braços imensos e musculosos ele segurava um embrulho de cobertores.
— Hagrid — exclamou Dumbledore, parecendo aliviado. — Finalmente. E onde foi que arranjou a moto?
— Pedi emprestada, Professor Dumbledore — respondeu o gigante, desmontando cuidadosamente da moto ao falar — O jovem Sirius me emprestou. Eu o trouxe, professor.
— Não teve nenhum problema?
— Não, senhor. A casa ficou quase destruída, mas consegui tirá-lo inteiro antes que os trouxas invadissem o lugar. Ele dormiu quando estivemos sobrevoando Bristol.
Dumbledore e a Professora curvaram-se para o embrulho de cobertores. Dentro, apenas visível, havia um menino, que dormia a sono solto. Sob uma mecha de cabelos muito negros caída sobre a testa eles viram um corte curioso, tinha a forma de um raio.
— Foi aí que...? — sussurrou a professora.
— Foi — confirmou Dumbledore. — Ficará com a cicatriz para sempre.
— Será que você não poderia dar um jeito, Dumbledore?
— Mesmo que pudesse, eu não o faria. As cicatrizes podem vir a ser úteis. Tenho uma acima do joelho esquerdo que é um mapa perfeito do metrô de Londres. Bem, me dê ele aqui, Hagrid, é melhor acabarmos logo com isso.
Dumbledore recebeu nos braços e virou-se para a casa dos Dursley.
— Será que eu podia... Podia me despedir dele, professor? — perguntou Hagrid.
Ele curvou a enorme cabeça descabelada para e lhe deu o que deve ter sido um beijo muito áspero e peludo. Depois, sem aviso, Hagrid soltou um uivo como o de um cachorro ferido.
— Psiu! — sibilou a Professora . — Você vai acordar os trouxas!
— Desculpe — soluçou Hagrid, puxando um enorme lenço sujo e escondendo a cara nele. — Mas nã... Nã... Não consigo suportar, Lílian e James mortos, e o coitadinho do ter de viver com os trouxas...
— É, é muito triste, mas controle-se, Hagrid, ou vão nos descobrir — sussurrou a professora, dando uma palmadinha desajeita no braço de Hagrid enquanto Dumbledore saltava a mureta de pedra e se dirigia à porta da frente.
Depositou devagarinho no batente, tirou uma carta da capa, meteu-a entre os cobertores do menino e em seguida, voltou para a companhia dos dois. Durante um minuto inteiro os três ficaram parados olhando para o embrulhinho, os ombros de Hagrid sacudiram, os olhos da Professora piscaram loucamente e a luz cintilante que sempre brilhava nos olhos de Dumbledore parecia ter-se extinguido.
— Bem — disse Dumbledore finalmente — acabou-se. Não temos mais nada a fazer aqui já podemos nos reunir aos outros para comemorar.
— É — disse Hagrid com a voz muito abafada. — Vou devolver a moto de Sirius. Boa noite, Professora , Professor Dumbledore...
Enxugando os olhos na manga da jaqueta, Hagrid montou na moto e acionou o motor com um pontapé. Com um rugido, ela levantou voo e desapareceu na noite.
— Nos veremos em breve, espero, Professora — falou Dumbledore, com um aceno da cabeça.
A Professora assou o nariz em resposta.
Dumbledore se virou e desceu a rua. Na esquina parou e puxou o desiluminador. Deu um clique e doze esferas de luz voltaram aos lampiões de modo que a Rua dos Alfeneiros de repente iluminou-se com uma claridade laranja e ele divisou o gato listrado se esquivando pela outra ponta da rua. Mal dava para enxergar o embrulhinho de cobertores no batente do número quatro.
— Boa sorte, — murmurou ele. Girou nos calcanhares e, com um movimento da capa, desapareceu.
Uma brisa arrepiou as cercas bem cuidadas da Rua dos Alfeneiros, silenciosas e quietas sob o negror do céu, o último lugar do mundo em que alguém esperaria que acontecessem coisas espantosas. Potter virou-se dentro dos cobertores sem acordar. Sua mãozinha agarrou a carta ao lado, mas ele continuou a dormir, sem saber que era especial, sem saber que era famoso, sem saber que iria acordar dentro de poucas horas com o grito da Sra. Dursley ao abrir a porta da frente para pôr as garrafas de leite do lado de fora, nem que passaria as próximas semanas levando cutucadas e beliscões do primo . Ele não podia saber que neste mesmo instante, havia pessoas se reunindo em segredo em todo o país que erguiam os copos e diziam com vozes abafadas.
— À Potter, o menino que sobreviveu.


Poucos imaginavam, mas no dia seguinte, quando o casal Dursley visse aquele menino parado em sua porta, suas vidas mudariam. A Sra. Dursley sempre odiara a irmã pela mesma ser uma bruxa e ela não, a invejando por anos, mas ao ver aquele bebê, ali tão lindo e indefeso, passaria a defende-lo com a própria vida, o pequeno Potter, enfim estava seguro...


Capítulo 1 - Estação King's Cross


A manhã daquela quarta-feira cinzenta começava calmamente, muitos ainda dormiam, outros começavam a acordar. Devia beirar às sete da manhã quando os galos começavam a cantarolar, anunciando a bela manhã que se iniciava. O bebê do lado de fora da casa dos Dursleys ainda dormia tranquilamente, ele tinha o dedo na boca e dormia feito um anjo, não havia como não se encantar por aquele bebê. Com uma de suas pequenas mãozinhas, segurava a carta que Dumbledore havia deixado aos Dursley's.
Naquela manhã, qual não foi a surpresa da Sra. Dursley ao levar o lixo para fora e ver aquele lindo bebê, parado em sua porta. Pôs-se a ler a carta e sua primeira reação não foi das melhores. Surtou! Como assim, sua irmã aberração morrera e deixara o filho dela com ela? Como Lily teve coragem? Ela não era próxima da irmã, sempre a odiou, pois, a mesma era bruxa e tinha a atenção dos pais. Até parece que criaria um filho de Lily.
Como estava enganada...
Foi só observar o bebê à sua frente, com uma cara de anjo dormindo, embrulhado no cobertor, que seu coração amolecera. Afinal, qual o problema de criar aquele bebê? Ele parecia tão fofo e indefeso! Não conseguia dizer não. Decidiu enfrentar seu orgulho e pela primeira vez na vida aceitar a magia do mundo da irmã e agora do sobrinho. O difícil seria convencer o marido.
Após meia hora discutindo com a esposa, Valter Dursley tomara uma decisão. Amava Petunia, não queria brigar com a esposa. Se ela estava apegada a e queria cria-lo, a única coisa que podia fazer era:
— Sim! Vamos criar o , seja bem-vindo a família, Dursley, Potter! - disse Valter Dursley sorrindo, pegando o bebê em seu colo, entrando com o bebê dentro de casa e fechando a porta em seguida.
Quem passou pela rua não vira o que aconteceu a seguir, após Valter deixar no sofá perto de , que estava sentado na cadeirinha, as luzes começavam a se apagar e os dois meninos sorriam um para o outro. Os Dursleys estavam assustados, quando disse sua primeira palavra:
— Gostar brincar - disse o pequenino sorrindo mostrando ainda não ter dente nenhum, fazendo os Dursley's sorrirem felizes.
— Seremos enfim uma família feliz - disse Petunia beijando o marido e se sentando ao lado do sobrinho e do filho.

***

10 anos e Dois Meses Depois...

Londres, 1 de Setembro de 1990...

Mais de dez anos haviam se passado desde então... Os Dursley's criaram com muito amor e carinho e o mesmo era como um filho para o casal. Os Dursley’s contaram a toda sua história e era impressionante a forma como os Dursley o tratavam. No início eram receosos, tinham medo de alguém descobrir a existência do menino, mas aos poucos, foram se apegando tanto a , que aceitaram o mundo magico ao qual o mesmo pertencia. Nem parecia que Petunia Dursley tinha rancor da irmã. Havia se apegado tanto a , que o considerava como seu filho e tanto ela como seu marido achavam a salvação da família. Para , se tornou como o irmão que nunca teve e sempre amara o primo, eram muito unidos. sabia que os Dursley’s não eram sua família, mas os amava por demasiado. Graças aos Dursley tivera uma família, graças a eles tivera uma vida feliz e jamais poderia lhes agradecer o suficiente. , e Pedro, um amigo em comum dos dois, brincavam animadamente na rua, estavam felizes.
— Agora é a minha vez! – disse animado começando a contar de olhos fechados e logo correndo atrás do primo. Era uma brincadeira trouxa, esconde-esconde, da qual gostava muito.
e Pedro se escondiam, enquanto os procurava. estava feliz, tinha uma ótima vida, o melhor primo do mundo, a quem era apegado e uma família maravilhosa. Claro que sentia falta dos pais, mas os Dursley’s supriam essa falta.
— MENINOS! Venham almoçar, daqui a pouco é 9h30 e temos que ir a Estação Kings Cross, já que eu e o Valter não sabemos aparatar, teremos que ir a pé mesmo – disse a Sra Dursley em um som alto. Quem a via há 10 anos atrás, jamais imaginava que ela um dia aceitaria o mundo magico de e ter um filho e um sobrinho bruxos. Valter também demorara a se acostumar, mas acabara aceitando.
Enquanto  tinha apenas 10 anos, já tinha 11 anos e iria finalmente para o seu primeiro ano na escola de magia e bruxaria de Hogwarts. Quando recebera a carta ficara tão feliz, iria para Hogwarts, a mesma escola que um dia, iria. Só lamentou ter que ficar um ano longe do primo, queria ir no mesmo dia que para Hogwarts.
e almoçaram rapidamente e logo os Dursleys levavam os meninos a Estação King’s Cross. Petunia sabia onde era, pois já tinha ido ali com a irmã, em outros tempos e outras situações. Petunia lembrava-se bem do quanto odiava Lily pela mesma ir a Hogwarts e ela não, não aceitava a magia da irmã e agora estava levando seu filho para seu primeiro ano em Hogwarts. Realmente, o mundo dá voltas, pensara a mulher.
Logo, a família já chegava a Estação Kings Cross e se despedia da família:
— Vou sentir a falta de vocês, vou sentir sua falta maninho – disse abraçando demoradamente.
— Também sentirei – disse abraçando o irmão. Ele e se chamavam de irmãos, pois se consideravam assim – Me escreva cartas! – pediu ainda abraçado ao irmão. Era tão apegado a , que não conseguia imaginar um ano sem o primo. Teve uma vez que foi viajar com a mãe e sentira tanto a sua falta que chorou por dias e só parou de chorar quando voltou. e eram como unha e carne, não viviam separados.
— Escreverei, vou sentir tanto a sua falta – disse com lágrimas nos olhos, mas atravessando a plataforma logo em seguida.
Para o moreno, estava sendo difícil. Nunca fora de fazer amigos, ou de se enturmar fácil. Tinha a , mas com era diferente. Se acostumara com a presença de , cresceu tendo como um irmão mais novo e o amava muito. Mas sem ser e Pedro, não tinha amigos. Não sabia como fazer amigos e não sabia se enturmar com as pessoas, era tímido e desastrado e sempre gerava confusões por onde passasse. Ninguém costumava gostar dele. Ele apenas se acostumara com isso. Aprendera a viver à sombra de , que era mais divertido e sociável do que ele. Mas agora iria para Hogwarts, teria que fazer amigos e ele não tinha a mínima ideia de como fazer isso.
Afastando tais pensamentos, entrou dentro do trem, a espera de um ano cheio de incertezas e catástrofes, pois onde ele passasse, ele causava uma. Logo, achou uma cabine vazia e se sentou ali. Alguns minutos depois, a porta se abriu e com ela apareciam duas pessoas, o que nenhuma das três pessoas ali presentes sabiam, é que suas vidas mudariam para todo o sempre, a partir do momento em que aquela porta fora aberta e eles se conheceram.


Capítulo 2 - e Weasley


Assim que Dursley pisara os pés dentro do trem, foi como se um nó descomunal se fizesse presente em sua barriga. Não sabia qual sensação sentia. Medo? Muito. Curiosidade do que o esperava? Talvez, ele sempre fora muito curioso. Medo de decepcionar o irmão, que esperava que ele lhe escrevesse cartas contando as aventuras que vivera em Hogwarts, sendo que ele mesmo achara que não viveria nenhuma, por causa de sua timidez? Com certeza!
Não sabia dizer o que estava sentindo, era um misto de medo, pavor, curiosidade e vontade de se provar capaz, capaz de estar em uma escola de magia. Ele nunca se achara muito bom em nada, duvidava que um dia fosse fazer amigos ou se destacar em algo, quando recebeu sua carta de Hogwarts, ficou tão feliz, se sentiu especial e privilegiado por algo que poucos tinham a honra de ser, um bruxo. Mas quando viu que teria que ser digno do nome Evans, que sua tia carregou, sua felicidade se desmontara por completo.
O trem estava cheio, ele se surpreendeu ao ver muitas cabines cheias de alunos e logo encontrou uma vazia e se sentou ali. Ficou observando a paisagem, imerso em pensamentos. Seria um longo ano, pensou. Estava começando a ficar com fome e pensou em ir procurar a mulher dos doces, que ouvira um bruxo em uma das cabines chamar, quando duas pessoas iguais com sorrisos marotos, se aproximavam:
— O que faz na nossa cabine? Você sabe o que ele faz na nossa cabine ? - perguntou um garotinho de cabelos ruivos, que aparentava ter 12 anos, de braços cruzados.
— Não , o que você faz em nossa cabine? - perguntou o outro que era idêntico a , com um sorriso maroto nos lábios.
— E-E-E-E... Ah, eu... - adquiriu uma cor avermelhada e começava a gaguejar nervoso, enquanto os dois a sua frente riam marotamente - Eu... Eu não sabia que a cabine era de vocês - falou por fim e os dois riram, marotos.
Ótimo. Eles pensam que roubei a cabine deles e que sou um tímido lunático e gago, que bela primeira impressão fui dar, disse para si mesmo, tentando disfarçar o nervosismo.
— Relaxa cara, estamos brincando - disse o que parecia ser pelo que pode perceber - Mas enfim, podemos nos sentar aqui com você? - perguntou e assentiu.
— C- Claro - disse ainda tímido. Mesmo com sua timidez constantemente atrapalhando-o e o fazendo gaguejar, acabou se enturmando com e e logo os três já viravam amigos. até desistira de ir em busca da mulher dos doces, pois estava gostando dos novos amigos, não era de fazer amigos facilmente, mas estava fazendo, o que só mostrava que aquele ano seria bom, no fim das contas.
Como estava enganado...

***

A viagem prosseguia calmamente, logo todos já chegavam a Hogwarts. Pelo que soube, e eram da Grifinória e esperava ir para a Grifinória. Não queria cair na Sonserina de jeito nenhum, segundo e não havia um bruxo que fosse da Sonserina, que não tenha virado mau e ele não queria ser um desses. Assim que adentraram em Hogwarts, se surpreendeu, o castelo era gigante. Tinha lido em Hogwarts uma história sobre isso, mas não imaginava que o castelo fosse tão grande assim.
A porta do castelo abriu-se de chofre. E apareceu uma bruxa alta de cabelos negros e veste verde-esmeralda. Tinha o rosto muito severo e pensava se devia ter medo dela.
— Alunos do primeiro ano, Professora — informou Hagrid.
— Obrigada Hagrid. Eu cuido deles daqui em diante.
, assim como muitos seguiram a professora, adentrando o castelo. Sentiu um homem de cabelos negros oleosos lhe fitando e viu de relance um homem velho de barbas lhe olhar intensamente. Corou com sua timidez e prestou atenção no que a professora falava, enquanto e sussurravam marotices que aprontariam em seu segundo ano.
— Bem-vindos a Hogwarts - disse a Profª. em um tom sério e severo - O banquete de abertura do ano letivo vai começar daqui a pouco, mas antes de se sentarem às mesas, vocês serão selecionados para suas casas. A Seleção é uma cerimônia muito importante porque, enquanto estiverem aqui, sua casa será uma espécie de família em Hogwarts. Vocês assistirão a aulas com o restante dos alunos de sua casa, dormirão no dormitório da casa e passarão o tempo livre na sala comunal. As quatro casas chamam-se Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina, cada casa tem sua história honrosa e cada uma produziu bruxas e bruxos extraordinários. Enquanto estiverem em Hogwarts os seus acertos renderão pontos para sua casa, enquanto os erros a farão perder. No fim do ano, a casa com o maior número de pontos receberá a taça da casa, uma grande honra. Espero que cada um de vocês seja motivo de orgulho para a casa à qual vier a pertencer. A Cerimônia de Seleção vai se realizar dentro de alguns minutos na presença de toda a escola. Sugiro que vocês se arrumem o melhor que puderem enquanto esperam, voltarei quando estivermos prontos para receber vocês - disse a Profª. . - Por favor, aguardem em silêncio. - acrescentou, mas não adiantou, pois logo muitos começaram a conversar entre si.
— Espero que entre na Grifinória novato - disse colocando a mão sobre o ombro de .
— Também espero - disse dando um longo suspiro.
Logo, começava a chamar todos os alunos novos para se sentarem no banquinho e colocava o chapéu seletor em suas cabeças. não podia negar, estava ansioso, tinha medo de não ir para a Grifinória e perder os únicos amigos que fez, e . Logo, chamaram seu nome:
Dursley, sentiu suas bochechas corarem ao ver tanta gente lhe fitando e caminhou rumo ao chapéu seletor, com medo e com curiosidade de saber para que casa iria.
"Interessante... O mundo dá voltas, não? Justo um Dursley aqui, o primeiro Dursley. Vejo que tem uma mente brilhante, de fato tem. Tem as qualidades de todas as casas, se tem. Mas só vejo um lugar para te colocar " disse o chapéu em sua cabeça.
"Sonserina não, Sonserina não"
murmurou mais para si mesmo.
" Sonserina não? Sinto muito, mas dessa vez não te ouvirei, você se encaixa na Sonserina, garanto que se dará bem lá" disse o chapéu na cabeça do garoto, que estava aterrorizado só de pensar em ir para a casa das cobras.
"O e o me odiarão" disse em um tom de tristeza.
"Você fará amigos novos, não se preocupe." disse o chapéu e logo acrescentou:
— SONSERINA!
A mesa da Sonserina se encheu de palmas, felizes com o novo integrante. pode olhar de soslaio para a Grifinória e ver e lhe fitando decepcionados. Chapéu maluco!, pensava . Queria tanto ter amigos e tudo o que o chapéu fez foi lhe fazer o favor de tirar duas amizades maravilhosas dele. O chapéu havia acabado com sua vida. Talvez estivesse soando um tanto dramático, mas não se sentia uma pessoa sortuda ou sociável, sentia que não iria fazer amizades tão fácil como fez com e . Além do mais, sua timidez e lado desastrado não o deixaria ter amizades fácil.
Caminhou relutante a mesa da Sonserina e sentou ao lado de um casal, uma menininha de aparentes 11 anos, que tinha lindos cabelos loiros e um garoto de cabelos negros que lhe fitava divertido:
— Oi - eles disseram animados.
— O-Oi.. - disse meio tímido e desanimado.
— Triste por ter vindo para a Sonserina? Não fique, logo você verá que essa casa é maravilhosa - disse um garoto de cabelos loiros, sorrindo solidário para o mesmo.
— Tenho minhas dúvidas... - disse sem conseguir sorrir, estava triste, havia gostado da amizade de e .

Um Mês Depois
Um mês havia se passado desde então, tentara conversar com e , mas os mesmos começaram a lhe tratar mal, falando que agora ele era um Sonserino. Tudo bem que era verdade, mas nem todos os Sonserinos eram do mal pensava . Afinal, ,  realmente eram ótimos amigos e eram todos Sonserinos. achara que ser da Sonserina era o fim do mundo, mas estava feliz, pois estava enganado e agora tinham os três melhores amigos do mundo.
Tudo bem que continuava muito tímido e não conseguia se socializar com os amigos, mas os três adoravam ele e ele os adorava. Eram ótimos amigos para ele. , e conversavam animadamente, enquanto tomavam o café da manhã no salão principal, o salão como sempre estava cheio e logo eles teriam a primeira aula, que era de Poções.
— Vocês três comam logo, logo teremos a primeira aula que é de Poções, a melhor aula se querem saber a minha opinião - disse o , como sempre em seu tom mandão e de certinho, que adorava chegar adiantado sempre.
era o mais certinho e metido a sabe-tudo e vivia mandando neles, enquanto o era mais maroto e divertido, a era engraçada e relaxada e amava contar piadas e os botar para cima quando ficavam tristes, uma ótima amiga, além de ter suas pérolas, ela também era sincera e falava o que pensava, doa a quem doer.  
— Calma , se eu bem conheço o , ele vai repetir o café... Ele é mais esfomeado que os Weasley's - disse rindo apontando para e , que comiam na mesa da Grifinória, como se o mundo estivesse acabando e aquela fosse a última refeição do mundo.
parara de se importar, parou de se rastejar a procura da amizade dos Weasley's, se eles não queriam sua amizade, não podia fazer nada.
— Pronto - disse se levantando e logo os amigos o acompanharam, rumo a mais uma aula de Poções...

***

E assim o dia se passara rapidamente, logo beirava a noite e todos já estavam em seus dormitórios. conversava animadamente com e sobre quadribol já que adorava o esporte, quando se lembrou de algo, prometera escrever a e já havia se passado um mês e não escrevera. iria lhe matar!
— Eu tenho que ir no corujal - disse , fazendo os amigos lhe fitarem de olhos arregalados.
— Mas já está tarde, você não pode , eles vão te pegar - disse em um tom sério, mas já se levantava - Mas que menino teimoso! - disse irritado, mas já saia sem prestar atenção nos resmungos do amigo.  
andava pelos corredores distraído, quando se dera conta, nunca havia ido ao corujal, não sabia onde era. Pensou se deveria voltar, mas decidiu que não, tinha que mandar uma carta a o mais rápido possível. Levou sua coruja em sua gaiola junto consigo, mas parou ao ver Filch andando pelos corredores. Filch não poderia vê-lo, se fosse pego em detenção, não sabia qual seria a reação da mãe. Então fez a única coisa que poderia encrenca-lo mais ainda, viu a sala de Filch vazia e entrou ali dentro, sabia que ele voltaria cedo ou tarde e ali seria o primeiro lugar que iria, não tinha o que fazer, iria pegar uma detenção. Foi quando encontrou nas coisas do zelador, algo interessante.
Parecia um mapa e uma capa, ambos endereçados a . Pegou a capa, vestiu-a e qual não foi sua surpresa ao perceber que estava invisível?  Mesmo sabendo que pertencia ao primo, resolveu usar, estava precisando. No próximo ano, entregaria ele mesmo a . Saiu da sala vestindo a capa e levando o mapa consigo, se surpreendera de ninguém ter achado o mapa e a capa antes. Logo, avistou e zanzando pelos corredores, com cara de quem estavam aprontando, mas os mesmos não lhe viram, pois ele usava a capa.
— Alunos fora da cama! Esperem aí -  disse Filch ao perceber os dois ruivos, que começaram a correr.
ainda os achava legais e gostava da amizade deles, mesmo eles o desprezando. Para evitar que os amigos fossem pegos, colocou eles sobre a capa surpreendendo-os:
— Você? Espera... Invisível, nós? Por que? - falava coisas sem sentido, ainda sem entender.
— Já ouviram falar de Potter? - perguntou e eles assentiram, surpresos.
— Essa capa e esse mapa são dele, ele é meu primo. Pelo que eu entendi a capa deixa a pessoa invisível e o mapa mostra Hogwarts inteira e onde as pessoas estão, tanto o mapa como a capa, não sei de quem eram a capa e o mapa, só sei que é endereçada para o  - disse simplesmente e o gêmeos sorriram marotos.
— Legal! - disseram e em coro.
— Por que nos ajudou? Te tratamos tão mal, por você ser Sonserino era para ter nos dedurado... - começou sem entender e suspirou. Quando eles iriam entender que nem todo Sonserino é mau?
— É aí que está, eu nunca quis pertencer a Sonserina e nem sou como eles, o chapéu seletor que é caduco que me colocou lá - disse fazendo uma careta e os gêmeos riram - E por que ajudei vocês? Não escolhemos os amigos que queremos fazer - completou e eles sorriram.
— Amigos? - perguntaram os gêmeos estendendo a mão para o moreno, que apertou e assentiu.
— Amigos! Aquele dia ficaria marcado para todo o sempre. E fora em um dia qualquer, fugindo de uma possível detenção, que Dursley, e Weasley viraram melhores amigos... E nada nem ninguém poderiam acabar com essa amizade.


Capítulo 3 - Festa de Dia das Bruxas

Pov

Um mês! Já fazia um mês que foi embora para Hogwarts e até agora não me mandou cartas, eu estava inconsolável. Eu amo o , ele é meu primo e meu melhor amigo, eu nunca fiquei sem falar com ele, éramos tão grudados, que a mamãe, como eu aprendi a chamar a tia Petúnia, sempre me levava com ela quando ela precisava viajar com para a casa das primas dela. Eu e o éramos como unha e carne e ele jurou que iria me escrever e até agora nada. Eu estava tão triste, não queria mais comer nada e acho que a tia Petúnia percebeu pois entrou no meu quarto, suspirando:
... Meu amor, você não pode ficar sem comer - ela disse vindo até mim e me dando um beijo na testa, com seu tom fraternal de mãe.
— Mas mamãe, o ... Ele prometeu que me escreveria cartas! - disse bravo e de braços cruzados, quando vi ela! A coruja do meu irmão e não pude deixar de evitar que um sorriso percorresse meus lábios - ! - falei animado e a mamãe riu do meu entusiasmo.
Peguei a carta da coruja e comecei a ler:

Oi ,
Como está?
Desculpe, eu sei que eu devia ter mandado essa carta antes, mas estava ocupado, você não tem noção do quanto é cansativo as aulas, eu acordo cedo, tenho muitas aulas, aí chega a noite e dá vontade de dormir. Além dos dias que tenho que estudar. Mas hoje tirei um tempo para te mandar a carta, realmente me desculpe. Bem, promete que não ficará bravo comigo se eu te contar uma coisa? Eu cai na Sonserina, o e o , meus amigos, me disseram que só bruxos maus caem nessa casa, mas eu te juro , não é verdade! Eu sou de lá e não me considero uma má pessoa, tem a , o e também, eles são da Sonserina, mas não poderiam ser pessoas melhores. Por favor , não fique bravo comigo por eu ter caído na Sonserina. Você é meu irmão e eu te amo muito. Bem, fiz novos amigos, os professores são legais, estou gostando muito de estar aqui. Para ser melhor, só faltava você, mas pelo menos, te verei no natal e você estará aqui ano que vem.
Abraços,
.


Corri até a mesa e comecei a escrever uma carta também, a Lily como chamava sua coruja, começava a me bicar impacientemente, mas logo escrevi a carta e dei para ela:
— Leve ao - pedi e ela voou, rumo a Hogwarts, onde meu primo estava.
, Pedro está ai! - disse a mamãe e logo sai correndo saltitante, na ausência do , ao menos tinha um amigo para brincar.

***

Pov Narradora

E assim quatro semanas haviam se passado e com ele chegava o dia 31 de outubro. havia ficado feliz com a carta de e ao saber que o mesmo não ficou bravo por ele ter ido a Sonserina, ficara bem mais aliviado. Desde que se tornou amigo de e , passara a se sentar com os mesmos na mesa da Grifinória. , e no início ficaram indignados e se recusavam a se sentar junto dos Grifinórios, mas ao ver que poderiam perder o amigo, passaram a se sentar juntos com na mesa da Grifinória. No início e e os três sonserinos não se entendiam, viviam brigando, mas aos poucos começaram a sair da defensiva e os seis se tornavam os melhores amigos do mundo. , , , , e eram conhecidos como os seis marotos, pois viviam aprontando juntos e eram inseparáveis. continuara escrevendo cartas a contando sobre as maravilhas de Hogwarts e sobre como estava feliz ali e sobre suas muitas detenções junto aos cinco amigos e aparentava gostar e se animar com as cartas do primo. também era o mais inteligente de seu tempo e respondia todas as perguntas dos professores, se tornando o favorito dos mesmos, tirando o posto de .
Agora se encontrava em seu quarto relendo a primeira carta que lhe mandara:

!
Saudades!
Eu entendo, só fiquei com medo... Sabe, de você ter feito novos amigos e me esquecido. Mas que bom que não esqueceu. Que ideia, porque eu ficaria bravo com você? Não entendi muito bem isso da Sonserina, mas para mim não importa qual casa você for, você sempre continuará sendo meu irmão mais velho que eu amo muito. Me escreva mais cartas,
.
 

— Lendo essa carta novamente? - perguntou rindo e assentiu.
— E-Eu nunca vou me esquecer, na época eu estava tão destruído, com medo do ficar bravo de eu ir para a Sonserina e ele não ficou - disse feliz, estava feliz, não brigaria com ele por ele cair na Sonserina.
— No fim tudo terminou bem... - disse  e assentiu - , posso te fazer uma pergunta? Porque você é tão quieto? Digo, você conversa com a gente, mas é mais caladão, nunca entendi isso.
— É só que eu nunca tive amigos, sabe? Eu tinha o e um amigo trouxa o Pedro. Mas sem ser eles eu não tinha mais ninguém, eu cresci tímido com as demais pessoas, não consigo me enturmar tão fácil, foi um milagre ser amigo de vocês e até aqui mesmo em Hogwarts, muitos me zoam por ser tão tímido - disse se referindo a alguns sonserinos, que de uns tempos para cá insistiam em fazer bullyng com ele. Quanto mais tímido fosse e menos reagisse, mas eles implicavam, quanto mais ele pedia para pararem, menos eles paravam. Recebera até algumas azarações da parte dos sonserinos e tudo porque ele era tímido. Diferente e isso assustava as pessoas.
— Tem algum sonserino te incomodando? - perguntou sério de braços cruzados. era seu melhor amigo e não podia permitir que alguém machucasse ele. Se lembrava perfeitamente do quanto era bondoso e sempre ajudava com os amigos, mesmo que por dentro, fosse ele a precisar de ajuda, sempre pensava nos amigos.
— Não, já passou - ele disse e que não pareceu acreditar, iria dizer algo, quando alguém chegou dizendo:
— Ei, vocês não vão? Todos já estão no salão de festas - disse chamando os amigos e eles logo assentiram, o acompanhando.
Aquele era dia 31 de outubro, o dia das Bruxas e como de praxe, havia uma festa todo ano. Enquanto iria com , iria com uma corvina e com uma sonserina. Assim que vira a amiga descendo as escadas, sua boca formou um " Uau " Carter estava linda!
As decorações da festa também estavam lindas, tinham abóboras gigantes e centenas de morcegos vivos voando nos corredores e havia todo o tipo de comida mágica, doces, bolos e tortas.
— Você está linda - disseram , e em coro, de boca aberta. vestia um vestido azul, um jeans curto. A garota era pequena, seu corpo ainda não havia começado a se desenvolver devido a sua idade e ela tinha o corpo de uma menina de 11 anos. Seus cabelos loiros estavam soltos, o que só a deixava mais bonita.
— Obrigada - disse sorrindo e logo pegou na mão de e caminharam rumo a pista de dança.
Estava tocando uma música trouxa e todos já começavam a dançar com seus respectivos pares, desde os alunos do primeiro ano, até os alunos do último ano. dançava meio desajeitado com , mas a mesma parecia não se importar, só a presença do amigo ali, já lhe fazia feliz. estava feliz, aquele ano havia sido tão bom para ele.
No trem, esperava que tudo fosse horrível, que ele não fizesse amigos, que não se destacasse em Hogwarts, que não se sentisse bem ali, que sua timidez o fizesse passar vergonha, mas aconteceu o oposto. Estava em Hogwarts, tinha os melhores amigos do mundo e pela primeira vez se sentia bem, Hogwarts era seu segundo lar. Claro que sentia falta de casa, dos pais e de , mas estava feliz ali. Mais do que esperava ficar. Tudo bem, que alguns sonserinos faziam de sua vida um inferno, mas poderia lidar com isso.
— Você parece distante, está pensando em que? - perguntou enquanto dançavam.
— Em como a minha vida mudou, antes eu era sozinho e tímido e nervoso no trem achando que tudo daria errado e agora tenho amigos, sou realmente feliz - ele disse sorrindo duvidoso em acreditar na própria sorte. apenas sorriu de volta.
Tudo estava tão perfeito, que chegava a pensar se não era um sonho. Mas não era, estava feliz e nada poderia estragar isso.
O que sequer imaginava é que nem tudo eram flores e ele colheria o gosto amargo logo...


Capítulo 4 -  O mundo dos Sonhos - Part I

"O mundo dos sonhos existe afinal, e devemos ter cuidado com o que somos e com a intensidade que sonhamos, pois uma vez dentro, podemos não conseguir sair "

Uma Semana Depois...

Uma semana havia se passado desde então. Dursley nunca se esqueceria daquele dia, o dia em que se divertiu com os amigos. Jamais se esqueceria do dia que dançou animadamente com Carter, como se não houvesse um amanhã, como se não houvesse preocupações. Aquele dia ficaria marcado em sua lembrança para todo o sempre. Aquele ano estava sendo realmente bom, havia feito grandes amigos, estava se saindo bem nas aulas, mas tudo isso acabaria em uma semana, dando lugar a total terror.
Uma semana se passara desde a festa do Dia das Bruxas e a vida de Dursley mudara completamente. Seus amigos pareciam ter se esquecido dele, , e se tornavam cada vez mais amigos de e e aos poucos pareciam se esquecer dele. não respondia mais suas cartas, se sentia praticamente sozinho. Sem ninguém. Mas não os culpava, quem iria querer ser amigo de alguém como ele? Quem? Ninguém. Ele era tão diferente de , tão diferente de Lily Evans, a perfeita sabe-tudo que tinha amigas e era disputada na escola. não, era gordo, era tímido, por onde passava, causava um desastre ambulante, ele era digno de pena, ou talvez nem disso. Não havia jeito, pensara que poderia ser feliz em Hogwarts, mas tudo mostrava que não.
E para piorar, alguns sonserinos faziam de sua vida um pesadelo, usando o mesmo argumento, era tímido, esquisito e por isso, deveria ser azarado todos os dias e sofrer zoações. Em uma semana, passaram a fazer de sua vida um pesadelo, tamanho pesadelo que ele só saia do quarto para ir para as aulas. E seus amigos notavam, mas não falavam nada, talvez já se cansaram dele, ou não repararam que ele estava sim. Claro, todos estavam felizes. O que ninguém sabia, é que ele não estava.
Ele entrara em seu dormitório, correndo, pois alguns sonserinos lhe perseguiam para lhe azarar novamente e ele estava cansado disso. Por sorte, não havia ninguém no dormitório, muitos ainda se encontravam jantando no salão principal e conversando animadamente. Mas ele preferia chorar em paz, chorar até adormecer. Nunca fora de chorar em público, simplesmente não conseguia, deixava para fazer isso quando já estava sozinho, sem ninguém para ver essa cena patética. Começava a chorar descontroladamente em sua cama, lembrando dos momentos felizes que viveu e depois dos momentos em que se sentira sozinho, em que se sentira abandonado pelos amigos ou por , que não lhe escrevia cartas. Aos poucos, começara a adormecer, em meio a choros, sendo levado a um mundo completamente diferente, onde ele era finalmente feliz.

***

não sabia descrever aonde estava, parecia um lugar grande e gelado, pois ele se encontrava deitando chorando, no colo de alguém. Não sabia dizer quem era a pessoa do seu lado, mas a mesma lhe transmitia conforto e paz. O lugar era enorme e parecia silencioso, de longe observou uma criatura sinistra, mas não teve medo, pois a mesma não parecia querer ataca-lo.
— Aonde estou? - perguntou um com a voz embargada, de tanto que chorou. Será que estava sonhando? Quem era aquela pessoa?
— Em seus sonhos, pequeno - disse uma voz grossa, fazendo se assustar, mas o mesmo continuou no colo da pessoa, pois estava tão bom.
— Quem é você? Como sabe quem eu sou se nunca te vi antes? - perguntou confuso.
— Diferente dos seus amigos que nem te notam mais, eu te conheço... E me sinto parecido com você, eu também nunca fui notado, até o momento em que decidi fazer as pessoas me notarem - disse o homem e percebeu que ele era jovem, tinha cabelos negros, era alto e parecia ter cerca de 17 anos. Tinha um sorriso gentil, que lhe transmitia paz. - Meu nome é Tom, Tom Riddle - disse se apresentando. - Eu posso te dar o que você precisa , me deixe ser seu amigo - pediu e pareceu pensar um pouco antes de assentir.
— Prazer, o meu nome você já sabe - disse relaxando um pouco. De início, estava na defensiva, sequer sabia quem era aquele homem, mas depois começara a relaxar, ele parecia legal e lhe trazia paz e precisava de um amigo.
— Amigos? - perguntou Tom e assentiu - Só... Só não confie nos seus amigos, eles agora gostam mais do e do e e também, você só tem a mim - disse Tom e logo acordou.
Logo, os dias se passavam rapidamente e duas semanas haviam se passado. falava todos os dias em sonhos com Tom e o mesmo sempre lhe fazia bem, estavam cada vez mais próximos e já considerava Tom seu melhor amigo. Aos poucos, se afastava dos amigos. Tom era o único em quem podia confiar, sabia disso. , , , e não eram mais seus amigos, agora eles só queriam saber uns dos outros. Não precisavam mais dele.
E assim se afastava dos amigos, que o entendiam cada vez menos, se perguntando o que fizeram para se esquivar tanto deles. Decidiram que de hoje não passava e no café da manhã o confrontariam. estava sentado sozinho, enquanto tomava seu café da manhã, com tedio na mesa da Sonserina. Sentia falta dos amigos, mas sabia que era melhor assim. Para sua sorte nenhum sonserino mexeu com ele, naquele dia.
— Posso saber o que está acontecendo com você? - perguntou engolindo todo seu orgulho e se sentando com o " amigo" na mesa da Sonserina.
— É, porque você não fala mais com a gente? - perguntou em um tom magoado.
— Por que será? - perguntou irônico, o que não fazia parte de seu jeito, era todo fofo, diferente desse novo que era frio e agora, irônico, fazendo os amigos se surpreenderem - Vocês praticamente me esqueceram, só sabem ficar falando uns com os outros... - começou , sendo interrompido pelo olhar indignado de .
— Te esquecemos? - ela ralhou furiosa - Você que tem nos evitado há duas semanas!
— Não é assim que eu vejo, desde a festa do dia das bruxas, vocês começaram a me evitar, conversando entre si e quando eu chegava, mudavam de assunto. E quando os sonserinos me batiam e me humilhavam? Onde vocês estavam? Conversando felizes! Vocês não são meus amigos, me trocaram, como se eu fosse uma segunda opção miserável, tudo bem que eu não sou grande coisa, mas... - disse deixando a frase no ar e desabafando e fazendo os amigos soltarem um suspiro. Não sabia que ele se sentia assim. que era o único que sabia como precisava de amigos e sofrera no decorrer dos anos por ter apenas e Pedro, se sentira culpado.
— Não sabíamos que se sentia assim - murmuraram e em coro mais para si mesmos.
— Ah sabiam, mas não se importaram, agora se me dão licença - disse se retirando da mesa, sendo seguido pelos amigos. Mas correu tanto, que uma hora eles pararam de correr atrás.
ficara com medo de ter sido rude demais com os amigos, mas Tom estava certo. Ele era o único que o entendia, o único que era seu amigo realmente. então fez a única coisa que veio a sua cabeça, foi até a câmara secreta e falou uma palavra na língua das cobras que Tom havia lhe ensinado, assim como onde era a passagem secreta e se deitou no chão gelado da câmara secreta de olhos fechados. O monstro ao seu lado, apenas o fitava. Não iria ataca-lo sem a ordem de seu mestre.
— Venha pequeno ... Você quer ficar para sempre conversando comigo no meu mundo? Um mundo onde você pode ser feliz e você mesmo? - ouviu ainda de olhos fechados e disse que sim - Então, abra os olhos e diga o feitiço, Encantate, pegue sua varinha e o recite, tem que ser você - disse uma voz grossa e fria. Tom parecia diferente das demais vezes na voz, mas não hesitou e pegou a varinha.
— Encantate - disse e logo um brilho negro tomou conta de seu corpo.
não sentia mais nada, seus ombros já relaxavam e ele agora dormia, tranquilamente, como se não existisse mais preocupações.
— Menino tolo, vai morrer! Quem sabe assim aprende a ser menos idiota - disse uma voz gargalhando e aos poucos um jovem, o mesmo jovem que vira em seus solhos, olhava o garoto de forma divertida enquanto gargalhava.
sequer imaginava, mas havia despertado um monstro e poderia não sair vivo para ver isso.


Capítulo 5 - O Mundo dos Sonhos e o Beijo - Part II

Pov Narradora

Já era noite quando cinco jovens se encontravam conversando preocupados, nos corredores de Hogwarts. Sabiam que não deveriam estar ali, sabiam que Filch estava vigiando e provavelmente logo viria ao seu encontro, mas eles não estavam ligando para isso no momento. Precisavam achar Dursley, seu melhor amigo. foi como uma benção na vida dos cinco jovens, os livrara de diversas encrencas e quando eles precisavam, ali estava para ajuda-los. Uma vez, estava triste pensando no pai, que nunca demonstrou que o amava, mas sempre com sua positividade, conseguira anima-lo e o convenceu de que um dia, tudo ficaria bem. ajudou cada um dos cinco, sem se importar com ele mesmo e agora era a vez deles ajudarem , que parecia perdido na escuridão que era sua vida.
Mas não sabiam onde ele estava. havia sumido o dia inteiro, não havia sinal dele, até os professores ficavam preocupados. Os cinco acharam que pudesse estar no dormitório, quando desceu para o jantar e avisou que ele não estava no dormitório, começaram a procura-lo e logo já beirava a meia a noite e nada do garoto.
Poucos imaginavam que um pouco longe dali, mas ainda no castelo, dormia tranquilamente, enquanto um jovem gargalhava, olhando divertido o garoto, desfalecido, quase morto. "Esse garoto pirralho e burro me ajudou com minha volta triunfal no fim das contas"  pensava o homem rindo. Até o momento atual era apenas uma lembrança, mas logo viveria para sempre e Potter pagaria por tudo que lhe fez.
— E agora? Onde será que ele está? - perguntou desesperada, amava o amigo e só de imaginar o que poderia ter acontecido com ele seu coração se acelerava.

Pov

Eu não sabia onde eu estava, tudo o que eu senti era que precisava da minha ajuda. Algo em meu peito doía fortemente e eu sentia as minhas forças diminuírem, era como se eu estivesse morrendo. corria perigo! Ele não me mandava cartas e nem respondia as minhas há quatro semanas, eu fiquei chateado claro, mas achei que ele pudesse estar ocupado. Mas agora com essa sensação, era como se ele realmente precisasse de mim. Eu até cheguei a tentar pedir para a tia Petunia me levar até Hogwarts esse dia, pois estava com um pressentimento ruim, mas ela não deixou.
Me senti ser levado para um lugar estranho, o chão parecia gelado e o lugar era silencioso e enorme. parecia desmaiado e parado como uma estátua, enquanto um homem ria alto, dizendo que eu iria me arrepender de ter nascido. NÃO! Será que é o Voldemort que tanto falam? O que ele fez com meu irmão?
— Querido, sei que não é uma situação agradável de se ver, mas se concentre - disse uma voz e percebi que era uma mulher, ela tinha cabelos negros e olhos azuis, parecia linda e era como se eu a conhecesse.
— Quem é você? - perguntei confuso, observando tudo a minha volta e era tudo tão surreal, mas ao mesmo tempo real e eu duvidava que fosse apenas um sonho.
— Você não deve ter medo de mim, só isso que eu posso adiantar. Estou aqui para te proteger, mas você deve ir, você tem uma missão, ajude o - disse a mulher me fitando como se soubesse tudo que iria acontecer. Mas o que eu faria? Iria para Hogwarts? Eu não sabia o que fazer - Não se preocupe, não precisa fazer nada, só escreva uma carta contando o seu sonho e mande sua coruja levar até Carter, é essencial que essa carta caia nas mãos dela! - disse a mulher séria e eu assenti.
— Mas o que devo escrever na carta? O que está acontecendo? - perguntei entre confuso e desesperado, temia que algo acontecesse a meu primo.
mexeu com a pessoa errada, não posso te dizer como, mas Voldemort quer voltar e para isso, ele usou . Se morrer, Voldemort voltará. Você deve contar para a na carta a maldição que Voldemort usou: só viverá se receber um beijo, um beijo ingênuo, sem malicia e realmente sincero, de alguém que o ama muito. O amor, ! Voldemort não sabia quando lançou o feitiço, mas o amor é a única arma que pode contra o mal, o amor é a arma que Lily Potter usou para que você sobrevivesse - disse a mulher logo desaparecendo no ar.
Ansioso e desesperado, comecei a escrever a carta e logo a minha coruja alçou voo.
Tomara que conseguisse achar essa , dependia disso...

Pov Weasley

Eu estava preocupado, havia sumido e não havia um sinal dele. No primeiro ano, era só eu e o , tínhamos amigos claro, mas quando chegou, tudo mudou. foi chegando devagar, nunca desistindo da gente e aos poucos, foi conquistando a minha amizade e a do . Ele se tornou o nosso melhor amigo e agora ele estava sumido e tudo porque não demos atenção o suficiente para ele. Eu estava me sentindo tão culpado:
- chamei o meu irmão gêmeo, que estava deitado em sua cama no silêncio, mas eu sabia que não estava dormindo - Você acha que aparecerá? - perguntei e ele suspirou.
— Espero que sim - ele murmurou numa calmaria que eu invejava, mesmo sabendo que ele estava tão preocupado quanto eu com o nosso amigo.

Pov

Eu estava preocupada com , não podia negar. Ele era o meu melhor amigo, ele me fazia sentir bem de um jeito que poucos conseguiam e agora ele havia sumido, eu não poderia estar mais preocupada. Por fim, percebi que não o acharia em lugar nenhum e resolvi ir para o meu dormitório. Quando eu estava chegando no dormitório e já ouvia minhas amigas conversando, algo veio até mim. Uma coruja, que estranho, não estou esperando nenhuma carta, pensei.
Por fim, decidi seguir minha curiosidade e a abri:

Você é a , certo? Eu sou , Potter. Não sei se você vai acreditar, mas eu tive um sonho maluco, um sonho onde Voldemort queria retornar e ele usou . No sonho, estava quase morto, estirado no chão e o homem gargalhava, acho que era Voldemort. Eu sinto que esse sonho é real e ele corre perigo, não me escreveu mais cartas, o que é estranho, porque ele sempre me escrevia. Eu vi uma mulher e no sonho ela disse que você era a única que podia fazer algo, que somente um beijo, ingênuo, sem malicia, um beijo de alguém que o ama muito poderia salva-lo. Ela me disse para te procurar, salve-o, , salve o meu primo, o meu irmão.
Potter


Li e reli a carta tentando digerir tudo. A minha razão dizia para eu deixar aquilo de lado, que era um sonho bobo, mas meu coração estava acelerado e algo me dizia que eu tinha que fazer algo. Fiz a única coisa que poderia me encrencar se Filch me pegasse, mas antes escrevi outra carta a , dizendo que tinha mandado cartas a ele, mas que não vira respostas de e que faria de tudo para salva-lo.
Após isso, corri rumo ao dormitório masculino da Sonserina e tive que tapar os olhos ao ver e praticamente nus:
— O que está fazendo aqui? Não pode vir aqui, pode ser até expulsa... - começou com seu sermão, mas eu tinha pouco tempo, não podia ficar ouvindo os sermões dele nesse momento.
— Sem sermões - ralhei irritada e ele revirou os olhos, mas se calou - corre perigo, algum de vocês dois sabem onde é a Câmara Secreta? - perguntei quase desesperada.
— Eu sei, eu li em um livro, porque? - perguntou sem entender.
está lá e vai morrer se eu não fizer algo, fica aonde? - perguntei e ele lançou um olhar para e logo eles vieram até mim.
— Nós vamos com você - disse com um sorriso maroto nos lábios.
— O que? Não nem pensar, é perigoso! - tentei avisar, mas eles estavam decididos - Ok, mas se algo acontecer com vocês, eu mato vocês! - falei irritada e eles riram.
— Percebeu a incoerência na sua fala? - perguntou rindo e eu lhe mandei um olhar assassino.
Logo que fomos em direção ao banheiro feminino, vi e virem ao meu encontro. Ótimo! Bela hora para a missão dos cinco marotos, mas corria perigo, eu não podia deixar eles correrem perigo. Após contarmos tudo a e , perguntei:
— É aqui?
— Sim, é só descer pela passagem secreta e logo estaremos lá - disse , sem perceber que eu já pegava a minha varinha.
— Ótimo - suspirei eu não queria ter que fazer isso, mas era preciso - Vocês esquecerão o porquê de estarem aqui, esquecerão que fui ao seu dormitório e esquecerão que eu vou na câmara secreta resgatar o , vocês acharão que ele continua sumido e se preocuparão com ele. OBLIVIATE! - eu falei, apontando a varinha para os cinco e logo eles pareceram acordar de uma espécie de transe.
— Gente, o que estamos fazendo no banheiro feminino? - perguntou   confuso ao olhar tudo em volta e eu não pude evitar de rir.
— Eu também queria saber, nem as minhas necessidades vocês me deixam fazer? - perguntei irritada na minha melhor atuação - SAIAM!  - gritei e eles se assustaram tanto que saíram correndo. Nunca ri tanto na minha vida!
— Eu vi o que você fez - ouvi a Murta falar, enquanto gemia.
— Nosso segredo, sim? - pedi sorrindo e desci o túnel, logo chegando na câmara secreta.
Qual não foi a minha surpresa ao ver o desmaiado, caído no chão, enquanto um jovem o fitava com um olhar divertido:
— Ora, ora, ora, o que temos aqui... - ele disse com um sorriso debochado - Não pode salva-lo, ele morrerá e eu viverei - ele disse gargalhando cruelmente.
Que nojo desse cara de cobra! Então estava certo, o sonho era verdade. Mas como sonhara com isso? Ele podia prever coisas?
— É aí que você se engana cara de cobra - eu disse e o vi me olhar furioso pelo apelido, naquela hora eu realmente achei que eu deveria ter ido para a Grifinória, porque eu fui corajosa, se fosse outra em meu lugar teria saído correndo - Você acha que sabe muito né Voldemort? Sabia que há uma pequena coisa em seu feitiço? Que com um beijo de alguém que o ama muito, pode acordar e você voltará a ser uma mera lembrança? - falei com um sorriso maroto e o vi me olhar apavorado.
Fechei os olhos ainda assustada com tudo aquilo. Pobre , ele havia passado por tudo aquilo por nossa causa, porque demos menos atenção a ele, mas eu mudaria isso. Fechei meus olhos e fiz a única coisa que eu tinha medo de fazer, me aproximei e lhe beijei na boca. Foi um beijo estranho, não posso negar, ainda mais porque o estava gelado e imóvel. Meu coração acelerou, senti borboletas atravessando minha barriga. Logo, parei o beijo, mas ele continua imóvel.
! Fala comigo, por favor - pedi entre choros, deixando as lágrimas saírem de meus olhos, não podia deixar meu melhor amigo, morrer assim em vão.
— Viu? Não adianta - Voldemort riu quando vi o mesmo se rasgar todo e um ofegante, murmurar meu nome:
—ZZIE... LI.. ! - ele disse sonolento e eu o abracei. Com todo o meu amor, com todo o meu coração, eu o abracei.
— Estou aqui, está tudo bem - falei e ele sorriu para mim. Eu seria grata eternamente ao ...

Pov

Um mês havia se passado desde aquele fatídico dia e logo chegava o natal. Tudo se encaixava nos eixos, eu pedi desculpa aos meus amigos por tudo, eu estava furioso comigo mesmo. Como pude ser bobo e acreditar em Voldemort? Como pude preocupar o , ou pior, acreditar que o havia se esquecido de mim e não respondido as minhas cartas? Como pude duvidar dos meus amigos? Eu fui tolo, mas jamais seria assim novamente. Eu havia feito as pazes com os meus amigos e logo nos tornávamos novamente os seis novos marotos da minha geração, igual aos quatro marotos que eu ainda descobriria quem eram. Continuei escrevendo cartas ao e ele ficou feliz ao ver que eu estava bem e vivo.
Como era natal, combinei de encontrar o na casa dos Weasley's, pois eu, a , , e passaríamos o natal na Toca, a minha mãe já deixou, mesmo querendo me ver, mas três dias antes da volta as aulas, eu iria para casa com o .
Eu estava jogando xadrez bruxo com o , quando , , e apareceram. As minhas malas já estavam prontas, eu tinha arrumado na noite anterior:
— Vamos? - perguntou o e eu assenti.
Logo, caminhamos rumo ao trem a espera de um natal no mínimo, normal.


Capítulo 6 - Embarque na Pataforma

Pov Narradora

Nove Meses Depois...

Nove meses haviam se passado desde então, , , , e passaram o natal na Toca, junto com e . Isso serviu para aproximar ainda mais os seis amigos, que antes já eram inseparáveis. também se divertira muito nessas férias e ficara bem amigo de , após inúmeras perguntas do menino sobre seus pais e a cicatriz que ganhara. e também lhe encheram de perguntas e ficava lhe olhando a todo instante, com um olhar e sorriso estranho. de início, sentira ciúmes das amizades de , mas sabia que o primo o amava e nada os separaria. Aquele natal seria inesquecível, os dois irmãos se divertiram muito. se tornava cada vez mais próximo dos amigos, principalmente de , com quem vivia grudado. Se bem, que ultimamente os dois andavam estranhos um com o outro, mas continuavam grandes amigos.
Na volta as aulas, se metera em algumas detenções como sempre, mas nada de anormal. E assim os meses se passavam rapidamente e já chegava perto do segundo ano de e o primeiro de em Hogwarts. estava animado, não via a hora de ir para Hogwarts, junto do primo. Havia até comprado seus materiais, sua coruja e sua varinha, por incrível que pareça, sua varinha era irmã gêmea da de Voldemort, o que o surpreendeu. Ele chegara a contar isso para , que ficou preocupado com o primo, pois não achava isso um bom sinal. havia ido passar a noite na casa dos Weasley's juntamente a seus amigos, enquanto preferiu ficar em casa e ir com a tia rumo à Estação Kings Cross. Eles se encontrariam dentro do trem ou em Hogwarts.
— Estou tão animado! Meu segundo ano em Hogwarts, vou querer me inscrever para o time de quadribol! - dizia enquanto tomava o café da manhã na Casa dos Weasley's.
Os Weasley's o acolheram tão bem, a senhora Weasley tratava como se fosse seu filho e o mesmo se sentia em casa.
— Vai querer qual posição? - perguntou curioso. já conseguia distinguir os gêmeos, sabia quando era e quando era .
— Apanhador! - disse animado.
— Pena que não será da Grifinória, acho que precisaremos de apanhadores esse ano - lamentou .
— Bom dia - disseram , e em coro. Também haviam passado a noite na Toca, por convite da própria Sra. Weasley.
— Bom dia - disseram todos.
Logo todos os Weasley's já se sentavam à mesa. demorara a conseguir interagir com os Weasley's e se acostumar com sua presença, mas após passar uma boa parte do natal com eles, já era bem amigo de todos os Weasley’s, incluindo e .
— Bom dia gente, bom dia - disse e a cumprimentou.
— Bom dia - respondeu .
Logo, todos almoçaram e aparataram, rumo a mais um ano em Hogwarts, onde muitas as coisas aconteceriam. Logo os Weasley's, , , e chegavam na Estação Kings Cross. se perguntava se conseguiria também.
Cheio de trouxas, é claro... - comentou Molly Weasley, enquanto chegavam na Estação King's Cross.
— Agora, qual é o número da plataforma? — perguntou a mãe dos meninos.
— Nove e meia — ouviu-se a voz fina de uma menininha, também de cabelos ruivos que estava segurando a mão da mulher. — Mamãe, não posso ir..? - perguntou a garotinha ruiva e teve pena da menina, já foi como ela, entusiasmada com o mundo bruxo e ainda era.
— Você ainda não tem idade, , agora fique quieta. Está bem, Percy, você vai primeiro. - disse Molly lançando um sorriso gentil ao filho.
O que parecia o menino mais velho marchou em direção às plataformas nove e dez.  observou-o desaparecer com sua mochila, ao atravessar a plataforma. Ainda se surpreendia com a magia daquele lugar e com o mundo mágico em si.
, você agora — mandou Molly.
Eu não sou , sou  - retrucou o menino. — Francamente, mulher, você diz que é nossa mãe? Não consegue ver que sou o ? — disse o garoto ruivo com o sorriso maroto e não conseguiu evitar de rir, ele sabia quem era quem e e engando a mãe estava sendo engraçado.
Desculpe, , querido.
É brincadeira, eu sou o — disse o menino, e foi. O irmão gêmeo gritou para ele se apressar, e ele deve ter atendido, porque um segundo depois, sumiu.
— Agora vai você querido - a mulher disse apontando para que foi em direção a plataforma e a atravessou, sumindo.
Agora o terceiro irmão dos Weasley estava se encaminhando rapidamente para a barreira, estava quase lá e, então, de repente, não estava mais em parte alguma.
Não muito longe dali, acompanhado dos tios, chegava a Estação Kings Cross e viu o primo atravessar a plataforma e em seguida, viu o garoto que se chamava , atravessar também. Estava com medo, nunca havia ido a Hogwarts, temia não conseguir atravessar a plataforma. Como se tivesse lendo seus pensamentos, sua tia Petúnia disse:
— É só atravessar meu amor, vá, se estiver com medo feche os olhos - disse Petúnia com seu tom doce e fraternal, tudo que o menino precisava para fechar os olhos e atravessar a plataforma e ele a atravessou.
Uma locomotiva vermelha a vapor estava parada à plataforma apinhada de gente. Um letreiro no alto informava “Expresso de Hogwarts 11 horas”.  olhou para trás e viu um arco de ferro forjado no lugar onde estivera o coletor de bilhetes com os dizeres “Plataforma 9 e ½”. Conseguira.
A fumaça da locomotiva se dispersava sobre as cabeças das pessoas que conversavam, enquanto gatos de todas as cores trançavam por entre as pernas delas. Corujas piavam umas para as outras, descontentes, sobrepondo-se à balbúrdia e ao barulho das malas pesadas que eram arrastadas.
Os primeiros vagões já estavam cheios de estudantes, uns debruçados às janelas conversando com as famílias, outros brigando por causa dos lugares. empurrou o carrinho pela plataforma procurando um lugar vago. Passou por um garoto de rosto redondo que estava dizendo:
— Vó, perdi meu sapo outra vez.
— Ah, — ele ouviu a senhora suspirar.
Um garoto com cabelos rastafári estava cercado por um pequeno grupo de meninos.
— Deixe a gente espiar, Lino, vamos.
O menino levantou a tampa de uma caixa que carregava nos braços e as pessoas em volta deram gritos e berros quando uma coisa dentro da caixa esticou para fora uma perna comprida e peluda.
continuou andando pela aglomeração até que encontrou um compartimento vago no final do trem. Primeiro pôs Edwiges para dentro e começou a empurrar e a forçar com a mala em direção à porta do trem. Tentou erguê-la pelos degraus acima, mas mal conseguiu suspender uma ponta e duas vezes deixou-a cair dolorosamente em cima do pé.
— Quer uma ajuda? - perguntou que se aproximava do primo, com , , , e em seu encalce.
— Por favor - pediu e sorriu.
, vem dar uma ajuda aqui - pediu e com a ajuda dos dois, a mala de foi colocada no compartimento. Logo, a mãe de e os chamaram e eles foram até ela para se despedir. , e se despediriam de e , avisando que iriam procurar uma cabine mais à frente.
— Você vai gostar de Hogwarts, lá é muito bom - disse e assentiu sorrindo.
Logo o trem começou a andar. viu a mãe dos garotos. observou a menina e a mãe desaparecerem quando o trem fez a curva. As casas passaram num relâmpago pela janela.
sentiu uma grande excitação. Estava ansioso para ir a Hogwarts, o primo falara maravilhas do castelo e agora ele estava ansioso para enfim, ir para Hogwarts.
A porta da cabine se abriu e o ruivinho mais moço entrou.
— Tem alguém sentado aqui? — perguntou, apontando para o assento em frente ao de e - O resto do trem está cheio.
respondeu que não, com um aceno de cabeça, e o garoto se sentou. Olhou para e e em seguida olhou depressa para fora, fingindo que não tinha olhado. reparou que ele tinha uma mancha preta no nariz.
— Oi, — os gêmeos estavam de volta.
— Escuta aqui, vamos para o meio do trem. Lino Jordan trouxe uma tarântula gigante.
— Certo — resmungou .
— disse o outro gêmeo —, nós já nos apresentamos? e Weasley. E este é o , nosso irmão. Vejo vocês mais tarde, então. - disse prestes a sair dali - você vem? - acrescentou.
— Tudo bem por você ? - perguntou dividido entre ir com os amigos ou ficar o irmão. Se pedisse, ele ficaria, fazia de tudo pelo primo.
— Sim, pode ir - disse assentindo, sabia que o primo tinha dificuldade em fazer amigos e vê-lo tão feliz com e o deixava feliz, não iria se opor as amizades do primo, mesmo que isso lhe desse ciúmes de deixar de ser o irmão preferido do mesmo - A gente se vê em Hogwarts - acrescentou e logo os três já saiam dali, deixando com .
e começaram a conversar sobre o mundo bruxo e suas famílias, achava tão interessante quanto o achava. De repente meteu a mão no bolso interno do paletó e tirou um rato cinzento e gordo que estava dormindo.
As orelhas de ficaram vermelhas. Parecia estar achando que falara demais, porque voltou a olhar para fora pela janela. Ficaram em silêncio por algum tempo, quando a mulher dos doces passou por ali e que estava morrendo de fome, a pagou:
arregalou os olhos quando trouxe tudo para a cabine e despejou no assento vazio.
— Que fome, hein?
— Morrendo de fome — respondeu , dando uma grande dentada na tortinha de abóbora.
tirara um embrulho encaroçado e abriu-o. Havia quatro sanduíches dentro. Abriu um e disse:
Ela sempre se esquece que não gosto de carne enlatada.
Troco com você por um desses — propôs , oferecendo um pastelão de carne. — Tome...
— Você não vai querer isso, é muito seco. Ela não tem muito tempo — acrescentou depressa.— Você sabe, somos cinco.
— Come... Coma um pastelão — disse .  Era uma sensação gostosa, sentar-se ali com , acabar com todas as tortas e bolos de .
Que é isso? — perguntou a , mostrando um pacote de sapos de chocolate. — Eles não são sapos de verdade, são? — Estava começando a achar que nada o surpreenderia.
— Não. Mas vê qual é a figurinha, está me faltando a Agripa.
não sabia quase nada do mundo bruxo, por serem trouxas, Petúnia e Valter não sabiam de nada do mundo bruxo, só sabia o que lhe contava, mas ainda assim, era tudo muito novo para ele.
— O quê?
— Claro que você não sabe, os sapos de chocolate têm figurinhas dentro, sabe, para colecionar, bruxas e bruxos famosos. Tenho umas quinhentas, mas não tenho a Agripa nem o Ptolomeu.
abriu o sapo de chocolate e puxou a figurinha. Era a cara de um homem. Usava óculos de meia-lua, tinha um nariz comprido e torto, cabelos esvoaçantes cor de prata, barba e bigode. Sob o retrato havia o nome Alvo Dumbledore.
— Então este é Dumbledore! — exclamou .
— Não me diga que nunca ouviu falar de Dumbledore! Quer me dar um sapo? Quem sabe eu tiro a Agripa. Obrigado.
virou o verso da figurinha e leu:

Alvo Dumbledore, atualmente diretor Hogwarts.
Considerado por muitos o maior bruxo dos tempos modernos. Dumbledore é particularmente famoso por ter derrotado Grindelwald, o bruxo das Trevas, em 1945, por ter descoberto os doze usos do sangue de dragão e por desenvolver um trabalho em alquimia em parceria com Nicolau Flamel. O Professor Dumbledore gosta de música de câmara e boliche.


virou de novo o cartão e viu, para seu espanto, que o rosto de Dumbledore havia desaparecido.
— Ele desapareceu! - se surpreendeu.
— Ora, você não pode esperar que ele fique aí o dia todo. Depois ele volta. Não, tirei a Morgana outra vez e já tenho umas seis... Você quer? Pode começar a colecionar.
Os olhos de se desviaram para a pilha de sapos de chocolate que continuavam fechados.
— Sirva-se — disse .

***

Enquanto isso, , e procuravam uma cabine vazia, mais precisamente onde Lino Jordan estava com uma tarântula gigante. Logo, o achou juntamente a , e . Era a primeira vez que os sonserinos se sentavam no trem juntos com os grifinórios, mas os grifinórios no final das contas se tornaram seus amigos, graças a , que vivia junto com e .
— Oi Lino - disseram e juntos.
— Oi Lino - o cumprimentou. Se comparado ao ano passado, quando entrou pela primeira vez em Hogwarts, estava bem menos tímido e já tinha muitos amigos. havia conhecido Lino no ano anterior, quando estava em seu primeiro ano e ambos viraram amigos.
— Oi , oi - disse Lino os cumprimentando.
— É uma tarântula gigante? - perguntou e Lino assentiu.
Logo, eles começaram a se distrair com a tarântula gigante e conversar animadamente.

***

— Sabe, no mundo dos trouxas, as pessoas ficam paradas nas fotos. - disse reparando nas mudanças do mundo trouxa e o mundo bruxo, enquanto conversava com .
— Ficam? O que, eles não se mexem? — parecia surpreso. — Que coisa esquisita!
arregalou os olhos quando Dumbledore voltou para a figurinha e lhe deu um sorrisinho. estava mais interessado em comer os sapos do que em olhar os bruxos e bruxas famosas, mas não conseguia despregar os olhos deles. Logo não tinha só Dumbledore e Morgana, como também Hengisto de Woodcroft, Alberico Grunnion, Circe, Paracelso e Merlin Por fim ele despregou os olhos da druida Cliodna que estava coçando o nariz, para abrir o saquinho de feijõezinhos de todos os sabores.
— Você vai ter que tomar cuidado com essas aí — alertou . — Quando dizem todos os sabores eles querem dizer TODOS OS SABORES. Sabe, todos os sabores comuns como chocolate, hortelã e laranja, mas também. Espinafre, fígado e bucho. achou que sentiu gosto de bicho-papão uma vez.
apanhou uma balinha verde, examinou-a atentamente e mordeu uma ponta.
— Eca! Está vendo? Couve-de-bruxelas.
Eles se divertiram comendo as balas. tirou torrada, coco, feijão cozido, morango, caril, capim, café, sardinha e chegou a reunir coragem para morder a ponta de uma bala cinzenta meio gozada que não queria pegar, e que era pimenta.
Os campos que passavam agora pela janela estavam ficando mais silvestres. As plantações tinham desaparecido. Agora havia matas, rios serpeantes e morros verde-escuros.
Ouviram uma batida à porta da cabine e o menino de rosto redondo, por quem passara na plataforma 9 e ½, entrou. Parecia choroso.
— Desculpem, mas vocês viram um sapo? Quando os dois sacudiram a cabeça, ele chorou.
— Perdi ele! Está sempre fugindo de mim!
— Ele vai aparecer — consolou .
— Vai — disse o menino infeliz. — Se você vir ele...
E saiu.
— Não sei por que ele está tão chateado — disse . — Se eu tivesse trazido um sapo ia querer perder ele o mais depressa que pudesse. Mas, trouxe Perebas, por isso nem posso falar nada.
O rato continuava a tirar sua soneca no colo de .
— Ele podia estar morto e ninguém ia saber a diferença — disse desgostoso. — Tentei mudar a cor dele para amarelo para deixar ele mais interessante, mas o feitiço não deu certo. Vou lhe mostrar. Olhe...
Remexeu na mala e tirou uma varinha muito gasta. Estava lascada em alguns pontos e havia uma coisa branca brilhando na ponta.
— O pelo do unicórnio está quase saindo. Em todo o caso...
Tinha acabado de erguer a varinha quando a porta da cabine abriu outra vez. O menino sem o sapo estava de volta, mas desta vez tinha uma garota em sua companhia. Ela já estava usando as vestes novas de Hogwarts.
Ninguém viu um sapo? perdeu o dele.
Tinha um tom de voz mandão, os cabelos castanhos muito cheios e os dentes da frente meio grandes.
— Já dissemos a ele que não vimos o sapo — respondeu , mas a menina não estava escutando, olhava para a varinha na mão dele.
— Você está fazendo mágica? Quero ver.
Sentou-se. pareceu desconcertado.
— Hum... Está bem.
Pigarreou.
— Sol margaridas, amarelo maduro, muda para amarelo esse rato velho e burro.
Ele agitou a varinha, mas nada aconteceu. Perebas continuou cinzento e completamente adormecido.
— Você tem certeza de que esse feitiço está certo? — perguntou a menina. — Bem, não é muito bom, né? Experimentei uns feitiços simples só para praticar e deram certo. Ninguém na família é bruxo, foi uma surpresa enorme quando recebi a carta, mas fiquei tão contente, é claro, quero dizer, é a melhor escola de bruxaria que existe, me disseram. Já sei de cor todos os livros que nos mandaram comprar, é claro, só espero que seja suficiente, aliás, sou Granger, e vocês quem são?
Ela disse tudo isso muito depressa.
olhou para e sentiu um grande alívio ao ver, por sua cara espantada, que ele não aprendera todos os livros de cor tampouco.
— Sou Weasley.
Potter.
— Verdade? - perguntou surpresa - Já ouvi falar de você, é claro. Tenho outros livros recomendados, e você está na História da magia moderna e em Ascensão e queda das artes das trevas e em Grandes acontecimentos do século XX.
— Estou? — admirou-se sentindo-se confuso. Tinham livros sobre ele? Por isso, as pessoas do mundo mágico se surpreendiam quando ele falava seu nome?
— Nossa, você não sabia, eu teria procurado saber tudo que pudesse se fosse comigo — disse . — Já sabem em que casa vão ficar? Andei perguntando e espero ficar na Grifinória, me parece a melhor, ouvi dizer que o próprio Dumbledore foi de lá, mas imagino que a Corvinal não seja muito ruim... Em todo o caso, acho melhor irmos procurar o sapo de . E é melhor vocês se trocarem, sabe, vamos chegar daqui a pouco. - disse em um tom mandão.
E foi-se embora, levando o menino sem sapo.
— Seja qual for a minha casa, espero que ela não esteja lá — comentou e jogou a varinha de volta na mala. — Feitiço besta. Foi o que me ensinou, aposto que sabia que não prestava.

***

, , Lino, Dino, , , e conversavam animadamente sobre seu próximo ano em Hogwarts. Os oito estavam muito animados, enquanto Lino, e iriam para seu terceiro ano, , , e iriam para seu segundo ano e Dino iria para o seu primeiro.
— Eu estou muito ansioso por esse ano, vou me inscrever no time de quadribol - comentou animado.
— E nós vamos aprontar muito esse ano, né e ? - perguntou sorrindo maroto e eles assentiram, rindo.
Realmente, esse ano iria ser diferente e incrível...
Ou ao menos era isso que eles esperavam.


Capítulo 7 - Hogwarts

e ainda conversavam animadamente, enquanto o trem continuava andando. Logo, chegariam a Hogwarts.
— Em que casa estão os seus irmãos? — perguntou .
— Grifinória. — A tristeza parecia estar se apoderando de — Mamãe e papai estiveram lá também. Não sei o que vão dizer se eu não estiver. Acho que a Corvinal não seria muito ruim, mas imagine se me puserem na Sonserina.
— É a casa em que Vol... Quero dizer Você-Sabe-Quem esteve? - perguntou curioso.
— É. — E afundou novamente no assento, parecendo deprimido.
— Sabe, acho que as pontas dos bigodes de Perebas ficaram um pouquinho mais claras — disse , tentando distrair o pensamento de Rony das casas. — Então, o que é que os seus irmãos mais velhos fazem agora que já terminaram?
estava imaginando o que fazia um bruxo depois que terminava a escola.
— Carlinhos está na Romênia estudando dragões e Gui está na África fazendo um serviço para o Gringotes. Você soube o que aconteceu com o Gringotes? O Profeta Diário só fala nisso, mas acho que morando com os trouxas você não recebe o jornal. Uns caras tentaram roubar um cofre de segurança máxima.
arregalou os olhos.
— Verdade? E o que aconteceu com eles?
— Nada, é por isso que é uma notícia tão importante. Não foram pegos. Papai disse que deve ter sido um bruxo das trevas poderoso para enganar Gringotes, mas estão achando que eles não levaram nada, isso é que é esquisito. É claro que todo o mundo fica apavorado quando uma coisa dessas acontece porque Você-Sabe-Quem pode estar por trás da coisa.
repassou as notícias mentalmente. Estava começando a sentir um arrepio de medo toda vez que Você-Sabe-Quem era mencionado. Supunha que isso fazia parte do ingresso no mundo da magia, mas tinha sido muito mais confortável dizer Voldemort sem se preocupar.
— Qual é o seu time de Quadribol? — perguntou Rony.
— Hum... Não conheço nenhum — confessou .
— O quê? — Rony parecia pasmo. — Ah, espere aí, é o melhor jogo do mundo — E saiu explicando tudo sobre as quatro bolas e as posições dos sete jogadores, descreveu jogos famosos a que fora com os irmãos e a vassoura que gostaria de comprar se tivesse dinheiro. Estava mostrando a as qualidades do jogo quando a porta da cabine se abriu mais uma vez, mas agora não era , o menino sem sapo, nem Granger. Três garotos entraram e um deles disse:
— É verdade? — perguntou um garoto de cabelos extremamente loiros — Estão dizendo no trem que Potter está nesta cabine. Então é você?
— Sou — respondeu . Observava os outros garotos. Os dois eram fortes e pareciam muito maus. Postados dos lados do menino pálido eles pareciam guarda-costas.
— Ah, este é Crabbe e este outro, Goyle — apresentou o garoto pálido displicentemente, notando o interesse de — E meu nome é Malfoy.
Rony tossiu de leve, o que poderia estar escondendo uma risadinha. Malfoy olhou para ele.
— Acha o meu nome engraçado, é? Nem preciso perguntar quem você é. Meu pai me contou que na família Weasley todos têm cabelos ruivos e sardas e mais filhos do que podem sustentar. — Virou-se para — Você não vai demorar a descobrir que algumas famílias de bruxos são bem melhores do que outras, . Você não vai querer fazer amizade com as ruins. E eu posso ajudá-lo nisso.
Ele estendeu a mão para apertar a de , mas não a apertou.
— Acho que sei dizer qual é o tipo ruim sozinho, obrigado. — disse com frieza. não ficou vermelho, mas um ligeiro rosado coloriu seu rosto pálido.
— Eu teria mais cuidado se fosse você, . — disse lentamente. — A não ser que seja mais educado, vai acabar como os seus pais. Eles também não tinham juízo. Você se mistura com gentinha como os Weasley e aquele Rúbeo e vai acabar se contaminando.
e Rony se levantaram. O rosto de Rony estava vermelho como os cabelos.
— Repete isso.
— Ah, você vai brigar com a gente, vai? — caçoou.
—  A não ser que você se retire agora — disse com uma coragem maior do que sentia, porque Crabbe e Goyle eram bem maiores do que ele ou Rony.
— Mas não estamos com vontade de nos retirar, estamos, garotos? Já comemos toda a nossa comida e parece que vocês ainda têm alguma coisa.
Goyle fez menção de apanhar os sapos de chocolate ao lado de Rony. Rony deu um pulo para frente, mas antes que encostasse em Goyle, este soltou um berro terrível.
Perebas, o rato, estava pendurado em seu dedo, os dentinhos afiados enterrados na junta de Goyle. Crabbe e recuaram enquanto Goyle rodava e rodava o braço, urrando, e quando Perebas finalmente se soltou e bateu na janela, os três desapareceram na mesma hora. Talvez achassem que havia mais ratos escondidos nos doces, ou talvez tivessem ouvido passos, porque um segundo depois, Granger entrou.
— Que foi que aconteceu? — perguntou, vendo os doces espalhados no chão e Rony apanhando Perebas pela cauda.
— Acho que apagaram ele — disse Rony a . E examinou Perebas mais atentamente. —
Não... Não acredito... Ele voltou a dormir.
E dormira mesmo.

***

Dursley observava a bela paisagem do trem andando, imerso em pensamentos, enquanto os amigos conversavam. Percebendo que o amigo estava pensativo, , e trocaram olhares. era animado, algo tinha acontecido.
— Ei cara, por que está assim? - perguntou e pareceu despertar de uma espécie de transe.
— Assim como? - perguntou se virando para os amigos. Realmente, não parecia bem.
— Sei la, quieto... Você é quieto - começou com uma careta - Mas hoje está mais ainda - acrescentou, fazendo o moreno rir, seus amigos sabiam quando havia algo errado.
— É o ... Sei lá, ele está lá sozinho na cabine, ele nunca veio para Hogwarts e eu sou irmão mais velho dele, devo protege-lo, vai que algum sonserino vai encher a cabeça dele - disse preocupado, era só uma criança e já tinha passado por tanta coisa, que ele se sentia na necessidade de protege-lo.
— Mas ele está com o Rony, não está? - perguntou e ele assentiu - Então não precisa se preocupar, ele está bem, o Rony parece legal - disse tentando tranquilizar o amigo, que parecia nervoso do mesmo jeito e ela arqueou as sobrancelhas - Não é só isso, né?
— Não, e se ele for para a Grifinória? Pior, me condenar por ir para a Sonserina? Eu queria ter ido para a Grifinória por causa disso, mas o chapéu não deixou - disse um nervoso, fazendo os amigos rirem.
— Cara calma, ele é seu irmão e te ama, independente da casa, acredite em mim, ele vai ficar bem.  - disse tentando tranquilizar o amigo e pareceu conseguir.

***

— Você já conhecia Malfoy? - perguntou curioso para Rony.
— Já ouvi falar na família dele — disse Rony sombrio. — Foram os primeiros a voltar para o nosso lado depois que Você-Sabe-Quem desapareceu. Disseram que tinham sido enfeitiçados. Papai não acredita nisso. Diz que o pai de não precisou de desculpa para se bandear para o lado das Trevas. — e virou-se para . — Podemos fazer alguma coisa por você?
— É melhor vocês se apressarem e trocarem de roupa. Acabei de ir lá na frente perguntar ao maquinista e ele me disse que estamos quase chegando. Vocês andaram brigando? Vão se meter em encrenca antes mesmo de chegarmos lá!
— Perebas andou brigando, nós não — disse Rony, fazendo cara zangada. — Você se importa de sair para podermos nos trocar?
— Está bem. Só vim para cá porque as pessoas nas outras cabines estão se comportando feito crianças, correndo pelos corredores — disse em tom choroso. — E você está com o nariz sujo, sabia?
Rony amarrou a cara quando ela se retirou. espiou pela janela. Estava escurecendo. Viu montanhas e matas sob um céu arroxeado. O trem parecia estar diminuindo a velocidade. Ele e Rony tiraram os paletós e puseram as vestes longas e pretas. A de Rony estava um pouco curta, dava para ver as calças. Uma voz ecoou pelo trem.
— Vamos chegar a Hogwarts dentro de cinco minutos. Por favor, deixem a bagagem no trem, ela será levada para a escola.
O estômago de revirou de nervoso e ele reparou que Rony parecia pálido sob as sardas. Os dois encheram os bolsos com o resto dos doces e se reuniram à garotada que apinhava os corredores.
O trem foi diminuindo a velocidade e finalmente parou. As pessoas se empurraram para chegar à porta e descer na pequena plataforma escura. estremeceu ao ar frio da noite. Então apareceu uma lâmpada balançando sobre as cabeças dos estudantes e ouviu uma voz conhecida.
— Alunos do primeiro ano! Primeiro ano aqui! Tudo bem ?
O rosto grande e peludo de Rúbeo Hagrid sorria por cima de um mar de cabeças. tinha conhecido Hagrid um dia, quando o mesmo foi até sua casa explicar como funcionava as coisas no mundo bruxo e acompanha-lo ao Beco Diagonal, já que foi criado como trouxa. havia se simpatizado muito com o gigante. Por um momento, se perguntava onde estava , mas ele devia estar junto com os alunos do segundo ano.
— Vamos, venham comigo. Mais alguém do primeiro ano?
Aos escorregões e tropeços, eles seguiram Hagrid por um caminho de aparência íngreme e estreita. Estava tão escuro em volta que achou que devia haver grandes árvores ali.
Ninguém falou muito. , o menino que vivia perdendo o sapo, fungou umas duas vezes.
— Vocês vão ter a primeira visão de Hogwarts em um segundo. — Hagrid gritou por cima do ombro —, logo depois dessa curva.
Ouviu-se um ooooh muito alto.
O caminho estreito se abrira de repente até a margem de um grande lago escuro. Encarrapitado no alto de um penhasco na margem oposta, as janelas cintilando no céu estrelado, havia um imenso castelo com muitas torres e torrinhas.
— Só quatro em cada barco! — gritou Hagrid, apontando para uma flotilha de barquinhos parados na água junto à margem. e Rony foram seguidos até o barco por e .
— Todos acomodados? — gritou Hagrid, que tinha um barco só para si. — Então... VAMOS!
E a flotilha de barquinhos largou toda ao mesmo tempo, deslizando pelo lago que era liso como um vidro. Todos estavam silenciosos, os olhos fixos no grande castelo no alto. A construção se agigantava à medida que se aproximavam do penhasco em que estava situado.
— Abaixem as cabeças! — berrou Hagrid quando os primeiros barcos chegaram ao penhasco, todos abaixaram as cabeças e os barquinhos atravessaram uma cortina de hera que ocultava uma larga abertura na face do penhasco. Foram impelidos por um túnel escuro, que parecia levá-los para debaixo do castelo, até uma espécie de cais subterrâneo, onde desembarcaram subindo em pedras e seixos.
— Ei, você ai! É o seu sapo? — perguntou Hagrid, que verificava os barcos à medida que as pessoas desembarcavam.
— Trevo! — gritou feliz, estendendo as mãos.
Então eles subiram por uma passagem aberta na rocha, acompanhando a lanterna de Hagrid e desembocaram finalmente em um gramado fofinho e úmido à sombra do castelo.
Galgaram uma escada de pedra e se aglomeraram em torno da enorme porta de carvalho.
— Estão todos aqui? Você aí, ainda está com o seu sapo?
Hagrid ergueu um punho gigantesco e bateu três vezes na porta do castelo.

***

Os alunos do segundo e terceiro ano saiam do trem e agora estavam andando nas carruagens puxadas por testrálios. Os testrálios eram invisíveis, só conseguiam vê-los, quem entende da morte. Enquanto , , e iam em uma carruagem, Lino, e iam em outra.
— Vocês conseguem vê-los? - perguntou quebrando o clima de silencio - Os testrálios? - perguntou e e negaram, enquanto assentiria - Dizem que só consegue vê-los quem entende da morte, quem morreu na sua família ? - perguntou a garota curiosa.
— Minha tia, eu não cheguei a ver sua morte - disse suspirando - Um gato que eu tive também morreu, essa morte eu cheguei a ver, mas e você? - perguntou ao se dar conta que a amiga também via testrálios.
— Minha mãe, eu a vi morrer. Quando eu tinha dois anos, ela morreu assassinada pelos comensais de Você-Sabe-Quem... Eu era bem pequenininha, mas ainda lembro, meu pai cuidou de mim desde então - disse a morena deixando as lagrimas saindo de seus olhos.
ficara surpreso, sempre fora bem reservada, quase não falava sobre a família, então era por isso. Decidiu que não deixaria nada nem ninguém fazer mal a amiga, a amava e queria protege-la de tudo e de todos.
Seguiram a viagem em silencio e logo chegavam a Hogwarts, prontos para mais um ano, onde viveriam grandes aventuras...

***

A porta abriu-se de chofre. E apareceu uma bruxa alta de cabelos negros e veste verde-esmeralda. Tinha o rosto muito e o primeiro pensamento de foi que era uma pessoa a quem não se devia aborrecer.
— Alunos do primeiro ano, Professora — informou Hagrid.
— Obrigada Hagrid. Eu cuido deles daqui em diante.
Ela escancarou a porta. O saguão era tão grande que teria cabido à casa dos Dursley inteira dentro. As paredes de pedra estavam iluminadas com archotes flamejantes como os de Gringotes, o teto era alto demais para se ver, e um a um subiram a imponente escada de mármore em frente que levava aos andares superiores.
Eles acompanharam a Professora pelo piso de lajotas de pedra. ouviu o murmúrio de centenas de vozes que vinham de uma porta à direita, o restante da escola já devia estar reunido.
Mas a Professora levou os alunos da primeira série a uma sala vazia ao lado do saguão. Eles se agruparam lá dentro, um pouco mais apertados do que o normal, olhando, nervosos, para os lados.
— Bem-vindos a Hogwarts — disse a Professora . — O banquete de abertura do ano letivo vai começar daqui a pouco, mas antes de se sentarem às mesas, vocês serão selecionados por casas. A seleção é uma cerimônia muito importante porque, enquanto estiverem aqui sua casa será uma espécie de família em Hogwarts. Vocês assistirão a aulas com o restante dos alunos de sua casa, dormirão no dormitório da casa e passarão o tempo livre na sala comunal. As quatro casas chamam-se Grifinória, Lufa-Lufa, Corvinal e Sonserina. Cada casa tem sua história honrosa e cada uma produziu bruxas e bruxos extraordinários. Enquanto estiverem em Hogwarts os seus acertos renderão pontos para sua casa, enquanto os erros a farão perder. No fim do ano, a casa com o maior número de pontos receberá a Taça da Casa, uma grande honra. Espero que cada um de vocês seja motivo de orgulho para a casa a qual vier a pertencer. A Cerimônia de Seleção vai se realizar dentro de alguns minutos na presença de toda a escola. Sugiro que vocês se arrumem o melhor que puderem enquanto esperam.
O olhar dela se demorou por um instante na capa de , que estava afivelada debaixo da orelha esquerda, e no nariz sujo de Rony, nervoso, tentou achatar os cabelos.
— Voltarei quando estivermos prontos para receber vocês — disse a Professora . — Por favor, aguardem em silêncio.
E se retirou da sala. engoliu em seco.
— Mas como é que eles selecionam a gente para as casas? — perguntou a Rony.
— Devem fazer uma espécie de teste, acho. diz que dói à cabeça, mas acho que estava brincando.
O coração de deu um pulo terrível. Um teste? Na frente da escola toda? Mas ele ainda nem conhecia mágica nenhuma, que diabo teria que fazer? Não previra nada do gênero assim logo na chegada. Olhou à volta, ansioso, e viu que os outros também pareciam apavorados.
Ninguém falava muito a não ser , que cochichava muito depressa todos os feitiços que aprendera, sem saber o que precisaria mostrar. fez força para não escutar o que ela dizia. Nunca se sentira tão nervoso. Ele manteve os olhos grudados na porta. A qualquer segundo agora a Professora voltaria e o conduziria ao seu triste fim.
Então aconteceu uma coisa que o fez pular bem uns trinta centímetros no ar, várias pessoas atrás dele gritaram.
— Que di...
Ele ofegou. E as pessoas à sua volta também. Uns vinte fantasmas passaram pela parede dos fundos. Brancos-pérola e ligeiramente transparentes, eles deslizaram pela sala conversando e entre si, mal vendo os alunos do primeiro ano. Pareciam estar discutindo. O que lembrava um fradinho gorducho ia dizendo:
— Perdoar e esquecer eu diria, vamos dar a ele uma segunda chance...
 — Meu caro Frei, já não demos a Pirraça todas as chances que ele merecia? Ele mancha a nossa reputação e, você sabe, ele nem ao menos é um fantasma. Nossa, o que é que essa garotada está fazendo aqui?
Um fantasma, que usava uma gola de rufos engomados e meiões, de repente reparou nos alunos do primeiro ano.
Ninguém respondeu.
— Alunos novos! — disse o frei Gorducho, sorrindo para eles.
— Estão esperando para ser selecionados, imagino?
Alguns garotos confirmaram com a cabeça, mudos.
— Espero ver vocês na Lufa-Lufa! — falou o frei. — A minha casa antiga, sabe?
— Vamos andando agora — disse uma voz enérgica. — A Cerimônia de Seleção vai começar.
A Professora voltara e um a um os fantasmas saíram voando pela parede oposta.
— Agora façam fila e me sigam.
Sentindo-se pouco à vontade como se suas pernas tivessem virado chumbo, entrou na fila atrás de um garoto de cabelos cor de palha e na frente de Rony, e todos saíram da sala, tornaram a atravessar o saguão e as portas duplas que levavam ao Grande Salão.
jamais imaginara um lugar tão diferente e esplêndido era iluminado por milhares de velas que flutuavam no ar sobre quatro mesas compridas, onde os demais estudantes já se encontravam sentados. As mesas estavam postas com pratos e taças douradas. No outro extremo do salão havia mais uma mesa comprida em que se sentavam os professores. A Professora levou os alunos de primeiro ano até ali, de modo que eles pararam enfileirados diante dos outros, tendo os professores às suas costas.
As centenas de rostos que os contemplavam pareciam lanternas fracas à luz trêmula das velas. Misturados aqui e ali aos estudantes, os fantasmas brilhavam como prata envolta em névoa.
Principalmente para evitar os olhares fixos neles, olhou para cima e viu um teto aveludado e negro salpicado de estrelas. Ouviu cochichar:
— É enfeitiçado para parecer o céu lá fora, li em Hogwarts, uma história.
Era difícil acreditar que havia um teto ali e que o Salão Principal simplesmente não se abria para o infinito.
baixou depressa os olhos quando a Professora silenciosamente colocou um banquinho de quatro pernas diante dos alunos do primeiro ano. Em cima do banquinho ela pôs um chapéu pontudo de bruxo. O chapéu era remendado esfiapado e sujíssimo. Talvez tivessem que tentar tirar um coelho de dentro dele.
pensou delirando, parecia apropriado, reparando que todos no salão agora olhavam para o chapéu, ele olhou também. Por alguns segundos fez-se um silêncio total. Então o chapéu se mexeu. Um rasgo junto à aba se abriu como uma boca e o chapéu começou a cantar:

Ah, vocês podem me achar pouco atraente,
Mas não me julguem só pela aparência
Engulo a mim mesmo se puderem encontrar
Um chapéu mais inteligente do que o papai aqui.
Podem guardar seus chapéus-coco bem pretos,
Suas cartolas altas de cetim brilhoso
Porque sou o Chapéu Seletor de Hogwarts.
E dou de dez a zero em qualquer outro chapéu.
Não há nada escondido em sua cabeça
Que o Chapéu Seletor não consiga ver,
Por isso é só me porem na cabeça que vou dizer
Em que casa de Hogwarts deverão ficar
Quem sabe sua morada é a Grifinória,
Casa onde habitam os corações indômitos.
Ousadia e sangue-frio e nobreza
Destacam os alunos da Grifinória dos demais,
Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar,
Onde seus moradores são justos e leais
Pacientes, sinceros, sem medo da dor,
Ou será a velha e sábia Corvinal
A casa dos que têm a mente sempre alerta,
Onde os homens de grande espírito e saber
Sempre encontrarão companheiros seus iguais,
Ou quem sabe a Sonserina será a sua casa
E ali estejam seus verdadeiros amigos,
Homens de astúcia que usam quaisquer meios
Para atingir os fins que antes colimaram.
Vamos, me experimentem! Não devem temer!
Nem se atrapalhar! Estarão em boas mãos!
Porque sou único, sou um Chapéu Pensador!


O salão inteiro prorrompeu em aplausos quando o chapéu acabou de cantar. Ele fez uma reverência para cada uma das quatro mesas e em seguida ficou muito quieto outra vez.
— Então só precisamos experimentar o chapéu! — cochichou Rony a .— Vou matar o , ele não parou de falar numa luta contra um trasgo.
deu um sorriso sem graça. É, experimentar um chapéu era bem melhor do que precisar fazer um feitiço, mas desejou que pudessem ter experimentado o chapéu sem toda aquela gente olhando. O chapéu parecia estar pedindo muito, não se sentia corajoso nem inteligente nem qualquer outra coisa naquele momento. Se ao menos o chapéu tivesse mencionado uma casa para gente que se sentia meio nervosa, quem sabe teria sido a sua casa.
A Professora então se adiantou segurando um longo rolo de pergaminho.
— Quando eu chamar seus nomes, vocês porão o chapéu e se sentarão no banquinho para a seleção. Ana Abbott!
Uma garota de rosto rosado e marias-chiquinhas louras saiu aos tropeços da fila, pôs o chapéu, que lhe afundou direto até os olhos, e se sentou. Uma pausa momentânea...
— LUFA-LUFA! — anunciou o chapéu.
A mesa à direita deu vivas e bateu palmas quando Ana foi se sentar à mesa da Lufa-Lufa. viu o fantasma do fradinho Gorducho acenar alegremente para ela.
— Susana Bones!
— LUFA-LUFA! — anunciou o chapéu outra vez, e Susana saiu depressa e foi se sentar ao lado de Ana.
— Teo Boot!
— CORVINAL!
Desta vez foi a segunda mesa à esquerda que aplaudiu, vários alunos da Corvinal se levantaram para apertar a mão de Teo quando o menino se reuniu a eles.
Mádi Brocklehurst foi para a Corvinal também, mas Lilá Brown foi a primeira a ser escolhida para a Grifinória e a mesa na extrema esquerda explodiu em vivas, viu os irmãos gêmeos de Rony assobiarem.
Mila Bulstrode se tornou uma Sonserina. Talvez fosse a imaginação de , mas depois de tudo que ouvira sobre a Sonserina, achou que eles formavam um grupo de aparência desagradável. Não queria ir para a Sonserina de jeito nenhum, amava o primo, sabia que ele era diferente dos demais Sonserinos, mas não queria ir para a mesma casa que Lord Voldemort.
— Justino Finch-Fletchlev!
— LUFA-LUFA!
Às vezes, reparou, o chapéu anunciava logo o nome da casa, mas outras levava um tempo para se decidir.
Simas Finnigan, o menino de cabelos cor de palha ao lado de na fila, passou sentado no banquinho quase um minuto, antes de o chapéu anunciar que iria para a Grifinória.
Granger!
saiu quase correndo até o banquinho e enfiou o chapéu, ansiosa.
— GRIFINÓRIA! — anunciou o chapéu. Rony gemeu.
Um pensamento horrível ocorreu a , como fazem os pensamentos horríveis quando a pessoa está nervosa. E se ele não fosse escolhido? E se ficasse ali sentado com o chapéu na cabeça cobrindo seus olhos durante um tempão, até a Professora arrancá-lo de sua cabeça e dizer que obviamente houvera um engano e era melhor ele pegar trem de volta? Quando Longbottom, o menino que não parava de perder o sapo, foi chamado, levou um tombo a caminho do banquinho. O chapéu demorou muito tempo para se decidir sobre . Quando finalmente anunciou "GRIFINÓRIA",
saiu correndo com o chapéu na cabeça, e teve de voltar em meio a uma avalanche de risadas para entregá-lo a Morag MacDougal.
Malfoy se adiantou quando chamaram seu nome e teve seu desejo realizado imediatamente, o chapéu mal tocara sua cabeça quando anunciou:
— SONSERINA!
Faltava pouca gente agora.
Moon..., Nott..., Parkinson..., depois duas gêmeas, Patil e Patil..., depois Perks, Sara... E então, finalmente...
Potter!
Quando se adiantou, correu um burburinho por todo o salão como um fogo de rastilho.
— Potter, foi o que ela disse?
— O Potter?
A última coisa que viu antes de o chapéu lhe cair sobre os olhos foi um salão cheio de gente se espichando para lhe dar uma boa olhada. Em seguida só viu a escuridão dentro do chapéu.
— Difícil. Muito difícil. Bastante coragem vejo. Uma mente nada má. Há talento, há, minha nossa, uma sede razoável de se provar. Ora isso é interessante... Então onde vou colocá-lo?
apertou as bordas do banquinho e pensou "Sonserina não, Sonserina, não".
— Sonserina não, hein? — disse a vozinha. — Tem certeza? Você poderia ser grande, sabe, está tudo aqui na sua cabeça, e a Sonserina lhe ajudaria a alcançar essa grandeza, sem dúvida nenhuma, não? Bem, se você tem certeza, ficará melhor na GRIFINÓRIA!
ouviu o chapéu anunciar a última palavra para todo o salão. Tirou o chapéu e se encaminhou trêmulo para a mesa de Grifinória. Viu e seus amigos lhe fitarem na mesa da Sonserina e sorriu para eles. Sentia tanto alívio por ter sido selecionado e ter escapado de Sonserina, que nem reparou que estava recebendo a maior ovação da cerimônia. Percy, o Monitor, se levantou e apertou sua mão com energia, enquanto os gêmeos Weasley gritavam "Ganhamos Potter! Ganhamos Potter!"  sentou-se defronte do fantasma com a gola de rufos que vira antes da cerimônia. O fantasma lhe deu uma palmadinha no braço, produzindo em a sensação horrível e repentina de que acabara de mergulhar num balde de água gelada.
Agora ele via bem a Mesa Principal. Na extremidade mais próxima sentava-se Rúbeo Hagrid, cujo olhar encontrou o seu e lhe fez um sinal de aprovação. retribuiu o seu sorriso. E ali, no centro da Mesa Principal, em um cadeirão dourado, encontrava-se Alvo Dumbledore. o reconheceu imediatamente pela figurinha que tirara no sapo de chocolate comprado no trem. Os cabelos prateados de Dumbledore eram a única coisa no salão inteiro que brilhava tanto quanto os fantasmas. viu o Professor Quirrell também, o rapaz nervoso do Caldeirão Furado. Parecia muito extravagante num grande turbante púrpura.
E agora só faltavam três pessoas para serem selecionadas. Lisa Turpin virou uma Corvinal e depois foi a vez de Rony. A essa altura ele estava branco-esverdeado. cruzou os dedos sob a mesa para dar sorte e um segundo depois o chapéu anunciou GRIFINÓRIA!
bateu palmas bem alto como os demais quando Rony se largou numa cadeira a seu lado.
— Muito bem, Rony excelente — disse Percy Weasley pomposamente por cima de na mesma hora em que Blás Zabini era mandado para a Sonserina. A Professora enrolou o pergaminho e recolheu o Chapéu Seletor.
baixou os olhos para o prato dourado e vazio diante dele.
Acabara de perceber como estava faminto. As tortinhas de abóbora pareciam ter sido comidas havia anos.
Alvo Dumbledore se levantara. Sorria radiante para os estudantes, os braços bem abertos, como se nada no mundo pudesse ter-lhe agradado mais do que vê-los todos reunidos ali.
— Sejam bem-vindos! — disse. — Sejam bem-vindos para um novo ano em Hogwarts! Antes de começarmos nosso banquete, eu gostaria de dizer umas palavrinhas: Pateta! Chorão! Desbocado! Beliscão! Obrigado.
E sentou-se. Todos bateram palmas e deram vivas. não sabia se ria ou não.
— Ele é... Um pouquinho maluco? — perguntou incerto, a Percy.
— Maluco? — disse Percy despreocupado. — ele é um gênio! O melhor bruxo do mundo! Mas é um pouquinho maluco, sim.
— Batatas, ?
O queixo de caiu. Os pratos diante dele agora estavam cheios de comida. Ele nunca vira tantas coisas que gostava de comer em uma mesa só: rosbife, galinha assada, costeletas de porco e de carneiro, pudim de carne, ervilhas, cenouras, molho, ketchup e, por alguma estranha razão, docinhos de hortelã.
— Isto está com uma cara ótima — disse o fantasma de gola de rufos observando, tristemente, cortar o rosbife.
— O senhor não pode...?
— Não como há quase quatrocentos anos — explicou o fantasma. — Não preciso, é claro, mas a pessoa sente falta. Acho que ainda não me apresentei? Cavalheiro Nicholas de Mimsy-Porpington às suas ordens. Fantasma residente da torre da Grifinória.
— Eu sei quem o senhor é! — disse Rony inesperadamente. — Meus irmãos me falaram do senhor. O senhor é, o Nick Quase Sem Cabeça.
— Eu prefiro que você me chame de cavalheiro Nicholas de Mimsy. O fantasma começou muito formal, mas o louro Simas Finnigan o interrompeu.
— Quase Sem Cabeça? Como é que alguém pode ser quase sem cabeça?
Sir Nicholas parecia muitíssimo aborrecido, como se aquela conversinha não estivesse tomando o rumo que ele queria.
— Assim — disse com irritação. E agarrou a orelha esquerda e puxou. A cabeça toda girou para fora do pescoço e caiu por cima do ombro como se estivesse presa por uma dobradiça. Era óbvio que alguém tentara decapitá-lo, mas não fizera o serviço direito.
Satisfeito com a cara de espanto dos garotos, Nick Quase Sem Cabeça empurrou a cabeça de volta ao pescoço, tossiu e disse:
— Então, novos moradores da Grifinória! Espero que nos ajudem a ganhar o campeonato das casas este ano! Grifinória nunca passou tanto tempo sem ganhar a taça. Sonserina tem ganhado nos últimos seis anos! O barão Sangrento está ficando quase insuportável. Ele é o fantasma da Sonserina.
deu uma olhada na mesa de Sonserina e viu um fantasma horroroso sentado lá, os olhos vidrados, uma cara muito magra e vestes sujas de sangue prateado. Estava ao lado de Malfoy, que, ficou contente de ver, não parecia muito satisfeito com a distribuição dos lugares.
— Como foi que ele ficou coberto de sangue? — perguntou Simas muito interessado.
— Nunca perguntei — respondeu Nick Quase Sem Cabeça, educadamente.
Depois que todos comeram tudo o que podiam, as sobras desapareceram dos pratos deixando-os limpinhos como no início.
Logo depois surgiram as sobremesas. Tijolos de sorvete de todos os sabores que se possa imaginar, tortas de maçãs, tortinhas de caramelo, bombas de chocolate, roscas fritas com geleia, bolos de frutas com calda de vinho, morangos, gelatinas pudim de arroz...
Quando se serviu das tortinhas de caramelo, a conversa se voltou para as famílias.
— Eu sou meio a meio — disse Simas. — Papai é trouxa. Mamãe não contou a ele que era bruxa até depois de casarem. Teve um choque horrível. -  Os outros riram.
— E você, ? — perguntou Rony.
— Bom, minha avó me criou e ela é bruxa, mas a família achou durante anos que eu era completamente trouxa. Meu tio-avô Algi vivia tentando me pegar desprevenido e me forçar a recorrer à magia. Ele me empurrou pela borda de um cais uma vez, eu quase me afoguei. Mas nada aconteceu até eu completar oito anos. Meu tio Algi veio tomar chá conosco e tinha me pendurado pelos calcanhares para fora de uma janela do primeiro andar, quando a minha tia-avó Enid lhe ofereceu um merengue e ele sem querer me deixou cair. Mas eu desci flutuando até o jardim e a estrada. Todos ficaram realmente satisfeitos. Minha avó chorou de tanta felicidade. E vocês deviam ter visto a cara deles quando entrei para Hogwarts. Achavam que eu não era bastante mágico para entrar, entendem. Meu tio Algi ficou tão contente que me comprou um sapo. - explicou Nevile.
Do outro lado de , Percy e conversavam sobre as aulas.
— Espero que elas comecem logo, tem tanta coisa para a gente aprender, estou muito interessada em Transfiguração, sabe, transformar uma coisa em outra, claro, dizem que é muito difícil, a pessoa começa aos poucos, fósforos em agulhas e coisas pequenas assim.
, que estava começando a se sentir aquecido e cheio de sono, olhou outra vez para a Mesa Principal. Hagrid tomava um grande gole de sua taça. A Professora conversava com o Professor Dumbledore. O Professor Quirrell, com aquele turbante ridículo, conversava com um professor de cabelos negros e oleosos, nariz de gancho e pele macilenta.
Aconteceu muito de repente. O olhar do professor de nariz de gancho passou pelo turbante de Quirrell e se fixou nos olhos de , e uma pontada aguda e quente correu pela testa de .
— Ai! — levou a mão à testa.
— Que foi? — perguntou Percy.
— N-nada.
A dor se foi com a mesma rapidez com que viera. Mais difícil foi se livrar da sensação que teve sob o olhar do professor. Uma sensação de que ele não gostava nada de .
— Quem é aquele professor que está conversando com o Professor Quirrell? — perguntou a Percy.
— Ah, você já conhece Quirrell é? Não admira que ele pareça tão nervoso, aquele é o Professor Snape. Ele ensina Poções, mas não é o que ele queria. Todo o mundo sabe que está cobiçando o cargo de Quirrell. Conhece um bocado as Artes das Trevas, o Snape.
observou o professor por algum tempo, mas Snape não voltou a olhar em sua direção.
Finalmente, as sobremesas também desapareceram, e o Professor Dumbledore ficou de pé mais uma vez. O salão silenciou.
— Hum... Só mais umas palavrinhas agora que já comemos e bebemos. Tenho alguns avisos de início de ano letivo para vocês. Os alunos do primeiro ano devem observar que é proibido andar na floresta da propriedade. E alguns dos nossos estudantes mais antigos fariam bem em se lembrar dessa proibição.
Os olhos cintilantes de Dumbledore faiscaram na direção dos gêmeos Weasley e depois em e seus amigos, não pôde evitar de sorrir maroto e trocar olhares com os gêmeos.
— O Sr. Filch o zelador, me pediu para lembrar a todos que não devem fazer mágicas no corredor durante os intervalos das aulas. Os testes de Quadribol serão realizados na segunda semana de aulas. Quem estiver interessado em entrar para o time de sua casa deverá procurar Madame Hooch. E, por último, é preciso avisar que, este ano, o corredor do terceiro andar do lado direito está proibido a todos que não quiserem ter uma morte muito dolorosa.
riu, mas foi um dos poucos que fez isso.
— Ele não está falando sério! — cochichou a Percy.
— Deve estar — respondeu Percy franzindo a testa para Dumbledore. — E estranho porque em geral ele sempre nos diz a razão porque somos proibidos de ir a algum lugar A floresta está cheia de animais selvagens, todo o mundo sabe disso. Acho que poderia ter dito aos monitores, pelo menos.
— E agora, antes de irmos para a cama, vamos cantar o hino da escola! — exclamou Dumbledore. reparou que os sorrisos dos outros professores tinham amarelado.
Dumbledore fez um pequeno aceno com a varinha como se estivesse tentando espantar uma mosca na ponta e surgiu no ar uma longa fita dourada, que esvoaçou para o alto das mesas e se enroscou como uma serpente formando palavras.
— Cada um escolha sua música preferida — convidou Dumbledore — e lá vamos nós!
E a escola entoou em altos brados:

Hogwarts, Hogwarts, Hogwarts, Hogwarts,
Nos ensine algo por favor,
Quer sejamos velhos e calvos
Quer moços de pernas raladas,
Temos às cabeças precisadas
De ideias interessantes.
Pois estão ocas e cheias de ar,
Moscas mortas e fios de cotão.
Nos ensine o que vale a pena.
Faça o melhor, faremos o resto,
Estudaremos até o cérebro se desmanchar.


Todos terminaram a música em tempos diferentes. E por fim só restaram os gêmeos Weasley cantando sozinhos, ao som de uma lenta marcha fúnebre. Dumbledore regeu os últimos versos com sua varinha e, quando eles terminaram, foi um dos que aplaudiram mais alto.
— Ah, a música — disse secando os olhos. — Uma mágica que transcende todas que trazemos aqui! E agora hora de dormir.
— Andando!
Os novos alunos de Grifinória seguiram Percy por entre os grupos que conversavam, saíram do salão principal e subiram a escadaria de mármore. As pernas de pareceram chumbo outra vez, mas só porque estava muito cansado e saciado. Estava cansado demais até para se surpreender que as pessoas nos retratos ao longo dos corredores murmurassem e apontassem quando eles passavam, ou que duas vezes Percy os tivesse conduzido por portais escondidos atrás de painéis corrediços e tapeçarias penduradas. Subiram outras tantas escadas bocejando e arrastando os pés, e começou a se perguntar quanto ainda faltava para chegar quando de repente pararam.
Um feixe de bengalas flutuava no ar à frente deles, e quando Percy avançou um passo em sua direção, começaram a assaltá-lo.
— Pirraça — cochichou Percy para os alunos do primeiro ano. — Um Poltergeist. — E falou em voz alta — Pirraça, calma.
Um som alto e grosseiro, como o ar escapando de um balão respondeu.
— Quer que eu vá procurar o barão Sangrento?
Ouviram um estalo e um homenzinho com olhos escuros e maus e a boca escancarada apareceu, flutuando de pernas cruzadas no ar, segurando as bengalas.
— Oooooooooh! — disse com uma risada malvada. — Calourinhos! Que divertido!
E mergulhou repentinamente contra eles. Todos se abaixaram.
— Vá embora, Pirraça, ou vou contar ao barão, e estou falando sério! — ameaçou Percy.
Pirraça estirou a língua e desapareceu, largando as bengalas na cabeça de .
Eles o ouviram partir zunindo, fazendo retinir os escudos de metal ao passar.
— Vocês tenham cuidado com o Pirraça — recomendou Percy, quando retomaram a caminhada. — O barão Sangrento é o único que consegue controlá-lo, ele não dá confiança aos monitores. Chegamos.
No finzinho do corredor havia um retrato de uma mulher muito gorda vestida de rosa.
— Senha? — pediu ela.
— Cabeça de Dragão — disse Percy e o retrato se inclinou para frente revelando um buraco redondo na parede. Todos passaram pelo buraco. precisou de um calço. E se viram na sala comunal da Grifinória, um aposento redondo cheio de poltronas fofas.
Percy indicou às garotas a porta do seu dormitório e, aos meninos, a porta do deles. No alto de uma escada em caracol era óbvio que estavam em uma das torres encontraram finalmente suas camas, cinco camas com reposteiros de veludo vermelho-escuro.
As malas já haviam sido trazidas. Cansados demais para falar muito, eles enfiaram os pijamas e caíram na cama.
— Comida de primeira, não foi? — comentou Rony para pelos reposteiros. — Se manda, Perebas! Ele está roendo os meus lençóis.
ia perguntar a Rony se ele provara as tortinhas de caramelo, mas adormeceu quase imediatamente.
Talvez tivesse comido demais, porque teve um sonho muito estranho. Estava usando o turbante do Professor Quirrell, que não parava de conversar com ele, dizendo que devia se mudar para Sonserina imediatamente, porque era seu destino. disse ao turbante que não queria ir para Sonserina, o turbante foi ficando cada vez mais pesado, tentou tirá-lo, mas ele começou a apertar sua cabeça até doer e aí Malfoy apareceu, rindo do esforço dele. Depois Malfoy se transformou no professor de nariz de gancho, Snape, cuja gargalhada ecoou alta e fria, houve um clarão verde e acordou, suado e trêmulo.
Mudou de posição e voltou a dormir, e quando acordou no dia seguinte, nem se lembrou que tinha sonhado.
— Ali, olha.
— Onde?
— Ao lado do garoto alto de cabelos vermelhos.
— De óculos?
— Você viu a cara dele?
— Você viu a cicatriz?
Os murmúrios acompanharam desde a hora em que ele saiu do dormitório no dia seguinte. A garotada que fazia fila do lado de fora das salas de aula ficava nas pontas dos pés para dar uma espiada, ou ia e vinha nos corredores para vê-lo duas vezes.
desejou que não fizessem isso, porque estava tentando se concentrar para encontrar o caminho para suas aulas.
Havia cento e quarenta e duas escadas em Hogwarts largas e imponentes, estreitas e precárias, umas que levavam a um lugar diferente às sextas-feiras, outras com um degrau no meio que desaparecia e a pessoa tinha que se lembrar de saltar por cima.
Além disso, havia portas que não abriam a não ser que a pessoa pedisse, por favor, ou fizesse cócegas nelas no lugar certo e portas que não eram bem portas, mas paredes sólidas que fingiam ser portas. Era também muito difícil lembrar onde ficavam as coisas, porque tudo parecia mudar frequentemente de lugar. As pessoas nos retratos saíam para se visitar e tinha certeza de que os brasões andavam.
Os fantasmas também não ajudavam nada. Era sempre um choque horrível quando um deles atravessava de repente uma porta que a pessoa estava querendo abrir. Nick Quase Sem Cabeça ficava sempre feliz de apontar a direção certa para os alunos de Grifinória, mas Pirraça, o Poltergeist representava duas portas fechadas e uma escada falsa se a pessoa o encontrasse quando estava atrasada para uma aula. Ele despejava cestas de papéis na cabeça das pessoas, puxava os tapetes de baixo de seus pés, acertava-as com pedacinhos de giz ou vinha sorrateiro por trás, invisível, e agarrava-as pelo nariz e guinchava: "PEGUEI-A PELA BICANA!” Pior que o Poltergeist, se é que era possível, era o zelador, Argos Filch. e Rony conseguiram conquistar sua má vontade logo na primeira manhã, Filch encontrou-os tentando forçar caminho por uma porta que, por azar, era a entrada para o corredor proibido no terceiro andar. Ele não quis acreditar que estavam perdidos, pois tinha certeza de que estavam tentando arrombá-la de propósito e ameaçava trancá-los nas masmorras, quando foram salvos pelo Professor Quirrell, que ia passando.
Filch tinha uma gata chamada Madame Nor-r-r-a, como quem ronrona, um bicho magro, cor de poeira, com olhos saltados como lâmpadas, iguais aos de Filch. Ela patrulhava os corredores sozinha, se alguém desobedecesse a uma regra em sua presença, pusesse o dedão do pé fora da linha, ela corria a buscar Filch, que aparecia, asmático, em dois segundos. Filch conhecia as passagens secretas da escola melhor do que ninguém (exceto talvez os gêmeos Weasley e ) e podia surgir de repente como um fantasma. Os estudantes a detestavam e a ambição mais desejada de muitos era dar um bom pontapé em Madame Nor-r-ra.
Além disso, quando a pessoa conseguia encontrar o caminho das salas, havia as aulas em si. Mágica era muito mais do que sacudir a varinha e dizer meia dúzia de palavras engraçadas, como logo descobriu.
Tinham de estudar o céu da noite pelo telescópio toda quarta-feira à meia-noite e aprender os nomes das diferentes estrelas e os movimentos dos planetas. Três vezes por semana iam para as estufas de plantas atrás do castelo para estudar herbologia, com uma bruxa baixa e gorda chamada Professora Sprout, com quem aprendiam como cuidar de todas as plantas e fungos estranhos e descobriam para que eram usados.
Sem falar, a aula mais chata era a de História da Mágica, a única matéria ensinada por um fantasma. O Professor Binns era realmente muito velho quando adormeceu diante da lareira na sala dos professores e levantou na manhã seguinte para dar aulas, deixando o corpo para trás. Binns falava sem parar enquanto eles anotavam nomes e datas e acabavam confundindo Emerico, o Mau, com Urico, o Esquisitão.
O Professor Flitwick, que ensinava Feitiços, era um bruxo miudinho que tinha de subir numa pilha de livros para enxergar por cima da mesa. No começo da primeira aula ele pegou a pauta e quando chegou ao nome de soltou um gritinho excitado e caiu da pilha, desaparecendo de vista.
Já a Professora era diferente. estava certo quando pensou que ela não era professora para aluno nenhum aborrecer, severa e inteligente, fez um sermão no instante em que eles se sentaram para a primeira aula.
— A Transfiguração é uma das mágicas mais complexas e perigosas que vão aprender em Hogwarts. Quem fizer bobagens na minha aula vai sair e não vai voltar mais. Estão avisados. — Transformou, então, a mesa em porco e de volta em mesa.
Todos ficaram muito impressionados e ansiosos para começar, mas logo perceberam que não iam transformar os móveis em animais ainda por muito tempo. Depois de fazerem anotações complicadas, receberam um fósforo e começaram a tentar transformá-lo em agulha. No fim da aula, somente Granger produzira algum efeito no fósforo, a Professora mostrou a classe como o fósforo ficara todo prateado e pontiagudo e deu um raro sorriso à aluna, que um dia seria conhecida, como a aluna mais inteligente e sabe-tudo de sua época...


Capítulo 8 - Aula de Voo - Part I

A matéria que todos estavam realmente aguardando com ansiedade era a de Defesa Contra as Artes das Trevas, mas as aulas de Quirrell foram uma piada. Sua sala cheirava fortemente a alho que todos diziam que era para espantar um vampiro que ele encontrara na Romênia e temia que viesse atacá-lo a qualquer dia.
Seu turbante contou ele, fora presente de um príncipe africano como agradecimento por tê-lo livrado de um zumbi incômodo, mas os alunos não tinham muita certeza se acreditavam na história. Primeiro porque, quando Simas Finnigan pediu ansioso para Quirrell contar como liquidara o zumbi, Quirrell ficou vermelho e começou a falar do tempo, segundo porque eles repararam que havia um cheiro engraçado em volta do turbante, e os gêmeos Weasley insistiam que devia estar cheio de alho também, de modo que Quirrell estava protegido em qualquer lugar.
Sexta-feira foi um dia importante para e Rony, Eles finalmente conseguiram encontrar o caminho para o salão principal e tomar o café da manhã sem se perder nem uma vez.
— O que temos hoje? — perguntou a Rony enquanto punha açúcar no mingau de aveia.
— Poções duplas com o pessoal da Sonserina. Snape é diretor da Sonserina. Dizem que sempre os protege. Vamos ver se é verdade.
— Gostaria que nos protegesse. — A Professora era diretora da Grifinória, mas isso não a impedira de dar aos seus alunos uma montanha de dever de casa no dia anterior.
Naquele instante chegou o correio. agora já se acostumara com isso, mas levara um susto na primeira manhã quando centenas de corujas entraram de repente no salão principal durante o café da manhã, circulando as mesas até verem seus donos e deixarem cair as cartas e pacotes no colo deles.
Edwiges trazia volta e meia cartas dos tios para , que perguntavam como estava sendo Hogwarts. Às vezes a coruja também entrava para beliscar sua orelha e comer um pedacinho de torrada antes de ir dormir no corujal com as outras corujas da escola. Esta manhã, porém, ela esvoaçou entre a geleia e o açucareiro e deixou cair um bilhete no prato de . Ele o abriu imediatamente. Mas dessa vez não era uma carta dos Dursley.

“Prezado ” — dizia, numa letra muito garranchosa. — “Sei que tem as tardes de sexta-feira livre, então será que não gostaria de vir tomar uma xícara de chá comigo por volta das três horas? Quero saber como foi a sua primeira semana. Mande-me uma resposta pela Edwiges... Hagrid”.

pediu emprestada a pena de Rony e escreveu:

“Sim, gostaria, vejo você mais tarde” no verso do bilhete e despachou Edwiges outra vez. Foi uma sorte que tivesse o convite de Hagrid com que se alegrar, porque a aula de Poções seria a pior coisa que lhe acontecera até ali.
Enquanto isso, Dursley tomava o café da manhã, enquanto conversava na mesa da Sonserina com os amigos. Os dias haviam se passado em uma enorme correria e ele mal tivera tempo de conversar com , , ou até mesmo . Já fazia alguns dias que estava em Hogwarts e percebeu que o que mais temia acontecera. e ele se afastaram. Temia que o irmão não fosse mais ser seu amigo por ele pertencer a Sonserina.
Concordava que alguns sonserinos eram realmente maus. Muitos ainda faziam bullyng com ele por ser tímido e Malfoy agora liderava esse grupo lhe chamando de sangue-ruim e as vezes o azarava, sofria um verdadeiro pesadelo, mas na maioria das vezes, , e o defendiam e detestavam o pequeno Malfoy.
decidiu que daquela manhã não passaria, tinha que conversar com mesmo sobre a capa e o mapa do maroto, iria aproveitar a oportunidade.
— O que você tanto olha na mesa do ? - perguntou percebendo que de uns dias para cá o amigo estava diferente, mais triste.
— Eu tenho que falar com o - ele disse e assentiu.
Logo caminhou a mesa da Grifinória e chamou , surpreendendo e Rony e os primeiranistas. Os demais grifinórios que conheciam e a amizade dele com e , apenas acenaram para ele, sorrindo.
— Oi oi - disse , fazendo lhe olhar surpresa. Então ele era amigo dos Weasley's. Um sonserino amigo de grifinórios? " pensou surpresa. - Oi .
— Oi - disseram os três em coro.
, posso falar um minuto com você? - perguntou e ele assentiu - Venha comigo por favor! - acrescentou e o acompanhou, surpreso.
Sentia falta de , mas com as aulas e agora sua amizade com Rony, mal conversava com o primo e irmão, mas faria de tudo para mudar isso. Logo, acompanhara o primo as masmorras da Sonserina e já estavam no dormitório masculino da Sonserina, que estava vazio, pois muitos tomavam seu café da manhã no salão principal. Vendo que esperava que ele falasse algo, começou:
— Eu não lembro quando você nasceu - começou e ouvia tudo atentamente - Mas eu lembro o que você era e ainda é para mim. Você sabe , eu sempre fui tímido, eu era um desastre ambulante, lembra quando o Pedro tentou fazer amizade comigo? Ele se deu bem com você de cara, agora comigo... Quanto mais ele tentava se aproximar, mais tímido eu era e mais eu o afastava. Para ele, eu demonstrava que não queria amizade, que era quieto e não falaria com ele, mas por dentro eu queria a amizade dele... Ele demorou tanto a se acostumar comigo. - lembrou e riu.
Claro que se lembrava, nunca foi de fazer amizades facilmente, era reservado e não conseguia ser ele mesmo com os outros, somente conhecia o irmão, somente o consolava quando ele estava triste, somente nunca desistira do irmão. Antes de ir para Hogwarts, perdera muitos amigos pelo seu jeito de ser e isso o traumatizou para sempre, o fazendo confiar muito pouco em si mesmo.
— Claro que eu lembro, mas onde você quer chegar? - perguntou curioso.
— Com você não, eu cresci com você, segundo minha mãe assim que você chegou em casa, eu demonstrei um sinal de magia. Você se tornou meu melhor amigo , o meu irmão. Você sabe como eu odeio chorar em público, mas sempre chorava na sua frente, porque com você eu sou eu mesmo. Você é o meu melhor amigo, o meu irmão e eu sou feliz de ter te conhecido. Nos afastamos desde que vim para Hogwarts mas eu quero mudar isso, éramos tão próximos. Você me odeia por eu ser da Sonserina? - perguntou receoso e inseguro, temia perder o amor do primo.
— Eu vou ser sincero, agora que conheço as casas, eu preferia você na Grifinória e eu acho os sonserinos maus, mas , com exceção de você e seus amigos, porque pessoas melhores que vocês não há. Eu nunca ficaria bravo por você ser da Sonserina, que tipo de irmão eu seria? Não precisa se preocupar, eu sempre vou te amar. Sei que nos afastamos, mas é porque essas aulas estão uma loucura - disse indo abraçar o primo.
Ficaram ali abraços por alguns segundos, apenas eles. Fazia algum tempo que não tinham um momento só de irmãos.
— Agora vamos voltar, antes que deem por nossa falta, mas antes tome, a capa e o mapa do maroto, eles lhe serão uteis - disse entregando a capa e o mapa a , que assentiu e logo cada um ia para sua mesa, na Grifinória e na Sonserina. pôde perceber lhe cutucando e a fitou:
— O Dursley é seu primo? E mesmo sendo da Sonserina, tem amizade com os Weasley's? e me contaram - disse surpresa, não sabia que os sonserinos poderiam ser legais.
— Sim, ele é meu primo e é diferente dos demais Sonserinos - respondeu dando de ombros e a garota o fitou admirada, antes de terminar de comer.
A aula de Poções foi em uma das masmorras. Era mais frio ali do que na parte social do castelo e teria dado arrepios mesmo sem os animais embalsamados flutuando em frascos de vidro nas paredes à volta.
Snape, como Flitwick, começou a aula fazendo a chamada e, como Flitwick, ele parou no nome de ...
— Ah, sim — disse baixinho. — Potter. A nossa nova celebridade.
Malfoy e seus amigos Crabbe e Goyle deram risadinhas escondendo a boca com as mãos. Snape terminou a chamada e encarou a classe. Seus olhos eram negros como os de Hagrid, mas não tinham o calor dos de Hagrid. Eram frios e vazios e lembravam túneis escuros.
— Vocês estão aqui para aprender a ciência sutil e a arte exata do preparo de poções — começou. Falava pouco acima de um sussurro, mas eles não perderam nenhuma palavra. Como a Professora , Snape tinha o dom de manter uma classe silenciosa sem esforço. — Como aqui não fazemos gestos tolos, muitos de vocês podem pensar que isto não é mágica. Não espero que vocês realmente entendam a beleza de um caldeirão cozinhando em fogo lento, com a fumaça a tremeluzir, o delicado poder dos líquidos que fluem pelas veias humanas e enfeitiçam a mente, confundem os sentidos... posso ensinar-lhes a engarrafar fama, a cozinhar glórias, até a zumbificar se não forem o bando de cabeças-ocas que geralmente me mandam ensinar.
Mais silêncio seguiu-se a esse pequeno discurso. e Rony se entreolharam com as sobrancelhas erguidas Granger estava sentada na beiradinha da carteira e parecia desesperada para começar a provar que não era uma cabeça-oca.
— Potter! — disse Snape de repente. — O que eu obteria se adicionasse raiz de asfódelo em pó a uma infusão de losna?
“Raiz de quê em pó a uma infusão do quê”? olhou para Rony, que parecia tão embatucado quanto ele, a mão de se ergueu no ar.
— Não sei não senhor — disse .
A boca de Snape se contorceu num riso de desdém.
—Tsk, tsk, a fama pelo visto não é tudo.
E não deu atenção a mão de .
— Vamos tentar outra vez, Potter. Se eu lhe pedisse, onde você iria buscar bezoar?
esticava sua mão no ar o mais alto que pôde sem se levantar da carteira, mas não tinha a menor ideia do que fosse bezoar. Tentou não olhar para Malfoy, Crabbe e Goyle, que se sacudiam de tanto rir.
— Não sei não senhor.
— Achou que não precisava abrir os livros antes de vir, hein, Potter?
fez força para continuar olhando diretamente para aqueles olhos frios. Folheara os livros na casa dos Dursley, mas será que Snape esperava que ele se lembrasse de tudo que vira em
Mil ervas e fungos mágicos?
Snape continuava a desprezar a mão trêmula de .
— Qual é a diferença Potter, entre acônito liconico e acônito lapelo?
Ao ouvir isso se levantou, a mão esquerda em direção ao teto da masmorra.
— Não sei — disse em voz baixa. — Mas acho que sabe, porque o senhor não pergunta a ela?
Alguns garotos riram, os olhos de encontraram os de Simas e este deu uma piscadela. Snape, porém não gostou.
— Sente-se — disse com rispidez a . — Para sua informação Potter, asfódelo e losna produzem uma poção para adormecer tão forte que é conhecida como a Poção dos Mortos Vivos. O bezoar é uma pedra tirada do estômago da cabra e pode salvá-lo da maioria dos venenos. Quanto aos dois acônitos são plantas do mesmo gênero botânico. Então? Por que não estão copiando o que estou dizendo?
Ouviu-se um ruído repentino de gente apanhando penas e pergaminhos. E acima desse ruído a voz de Snape:
— E vou descontar um ponto da Grifinória por sua impertinência, Potter.
As coisas não melhoraram para os alunos da Grifinória na continuação da aula de Poções. Snape separou-os aos pares e mandou-os misturar uma poção simples para curar furúnculos. Caminhava imponente com sua longa capa negra, observando-os pesar urtigas secas e pilar presas de cobras, criticando quase todos, exceto , de quem parecia gostar.
Tinha acabado de dizer a todos que olhassem a maneira perfeita com que cozinhara as lesmas quando um silvo alto e nuvens de fumaça ocre e verde invadiram a masmorra. conseguira derreter o caldeirão de Simas transformando-o numa bolha retorcida e a poção dos dois estava vazando pelo chão de pedra, fazendo furos nos sapatos dos garotos. Em segundos, a classe toda estava trepada nos banquinhos enquanto , que se encharcara de poção quando o caldeirão derreteu, tinha os braços e as pernas cobertos de furúnculos vermelhos que o faziam gemer de dor.
— Menino idiota! — vociferou Snape, limpando a poção derramada com um aceno de sua varinha. — Suponho que tenham adicionado as cerdas de porco-espinho antes de tirar o caldeirão do fogo?
choramingou quando os furúnculos começaram a pipocar em seu nariz.
— Levem-no para a ala hospitalar — Snape ordenou a Simas.
Em seguida voltou-se zangado para e Rony, que estavam trabalhando ao lado de .
— Você, Potter, por que não disse a ele para não adicionar as cerdas? Achou que você pareceria melhor se ele errasse, não foi? Mais um ponto que você perdeu para Grifinória.
A injustiça foi tão grande que abriu a boca para argumentar, mas Rony deu-lhe um pontapé por trás do caldeirão.
— Não force a barra — cochichou. — Ouvi dizer que Snape pode ser muito indigesto.
Quando subiam as escadas para sair da masmorra uma hora depois, os pensamentos se sucediam velozes na cabeça de , que se sentia deprimido. Perdera dois pontos para Grifinória na primeira semana, por que Snape o odiava tanto? — Ânimo — disse Rony — Snape está sempre tirando pontos de e . Posso ir com você a casa de Rúbeo?
As cinco para as três eles saíram do castelo e atravessaram a propriedade. Hagrid morava numa casinha de madeira na orla da floresta proibida. Um par de galochas estava à porta da casa.
Quando bateu à porta eles ouviram uma correria frenética e latidos ferozes. Depois, a voz de Hagrid dizendo:
— Para trás, Canino para trás.
A cara barbuda de Hagrid apareceu na fresta quando a porta se abriu.
— Espere aí. Para trás, Canino.
Ele os fez entrar, lutando para segurar com firmeza a coleira de um enorme cão de caçar javalis.
Havia apenas um aposento na casa. Presuntos e faisões pendiam do teto, uma chaleira de cobre fervia ao fogão e a um canto havia uma cama maciça coberta com uma colcha de retalhos.
— Estejam à vontade — falou Hagrid, soltando Canino, que pulou imediatamente para cima de Rony e começou a lamber-lhe a orelha. Como Hagrid, parecia óbvio que Canino não era tão feroz quanto se esperava.
— Este é o Rony — disse a Hagrid, que fora despejar água fervendo num grande bule de chá e arrumar biscoitos num prato.
— Mais um Weasley, hein? — exclamou Hagrid vendo as sardas de Rony — Passei metade da vida expulsando seus irmãos da floresta.
Os biscoitos quase quebraram os dentes deles, mas e Rony fingiram gostar e contaram a Hagrid como tinham sido as primeiras aulas. Canino descansou a cabeça no colo de e cobriu as vestes dele de baba.
e Rony ficaram contentes de ouvir Hagrid chamar Filch de guitarra velha.
— Quanto àquela gata, Madame Nor-r-ra, às vezes eu tenho vontade de apresentar o Canino a ela. Sabe que todas as vezes que vou até a escola ela me segue por toda parte? Não consigo me livrar da gata. É Filch que a manda fazer isso.
contou a Hagrid a aula de Snape. Hagrid, como Rony, disse a que não se preocupasse, que Snape não gostava praticamente de nenhum aluno.
— Mas ele parecia que realmente me odiava.
— Bobagem! Por que o odiaria?
Mas não pôde deixar de pensar que Hagrid evitou encará-lo quando disse isso.
— Como vai seu irmão Carlinhos? — perguntou Hagrid a Rony. — Eu gostava muito dele. Tinha muito jeito com animais.
se perguntou se Hagrid teria mudado de assunto de propósito. Enquanto Rony contava tudo sobre o trabalho de Carlinhos com dragões, apanhou um pedaço de papel que estava na mesa sob o abafador de chá. Era uma notícia recortada do Profeta Diário

O CASO GRINGOTES
Prosseguem as investigações sobre o arrombamento de Gringotes, ocorrido em 31 de julho, que se acredita ter sido trabalho de bruxos e bruxas das Trevas desconhecido.
Os duendes de Gringotes insistiam hoje que nada foi roubado.
O cofre aberto na realidade fora esvaziado mais cedo naquele dia.
"Mas não vamos dizer o que havia dentro, para que ninguém se meta, se tiver juízo", disse um porta-voz esta tarde.


lembrou-se que Rony lhe contata no trem que alguém tentara roubar Gringotes, mas não mencionara a data.
— Rúbeo! — exclamou . — Aquele arrombamento de Gringotes aconteceu no dia do meu aniversário! Talvez estivesse acontecendo enquanto a gente estava lá! - Como os Dursley não sabia como funcionava o dinheiro bruxo, Hagrid acompanhara pela primeira vez em Gringrotes no dia do aniversario de .
Não havia a menor dúvida, desta vez, Hagrid decididamente evitara encarar . Resmungou alguma coisa e lhe ofereceu mais um biscoito. releu a notícia ”O cofre aberto na realidade fora esvaziado mais cedo naquele dia”. Hagrid esvaziara o cofre setecentos e treze, se é que se podia chamar esvaziar alguém levar aquele pacotinho encalombado. Seria aquilo que os ladrões estavam procurando?
Quando e Rony voltaram ao castelo para jantar, tinham os bolsos pesados com os biscoitos que a educação os impedira de recusar. pensou que nenhuma das aulas a que assistira até ali tinha lhe dado tanto o que pensar quanto o chá com Rúbeo Hagrid. Será que Hagrid tinha apanhado o pacote bem na hora? Onde estava o pacote agora? Será que ele sabia alguma coisa de Snape que não queria contar a ?
Imerso em pensamentos, nem percebeu quando e seus amigos se juntaram a e na mesa da Grifinória durante o jantar. ainda estava surpresa, pois se era difícil entender um sonserino amigo de um grifinório, imagina um sonserino sentando na mesa da Grifinória? E pelo visto não foi a única a se surpreender, pois viu Malfoy, olhar para a mesa da Grifinória a cena com uma cara de quem viu e não gostou.
— Oi , , e - disseram e em coro.
— Olá - responderam ele.
— Ouvi dizer que a aula de Poções não foi muito boa, o que aconteceu ? - perguntou preocupado.
— O Snape simplesmente parecia que me odiava, implicou comigo a aula inteira - disse e suspirou. Snape era assim, só gostava dos sonserinos - Aliás, porque você não estava com a Sonserina? - perguntou sem entender o sumiço do primo e seus amigos nas aulas.
— É que eu sou do segundo ano e para o segundo ano as aulas são em horários diferentes do que os do primeiro - explicou e assentiu.
Eles passaram o resto do jantar conversando, enquanto conversava algo com Rony sobre a invasão a Gringotes, e seus amigos iniciavam uma conversa animada com e e e , por serem parecidíssimos iniciaram uma conversa sobre as aulas.

***

jamais achara que odiaria um garoto, como odiava Malfoy, o mesmo o tirava do serio. Os alunos do primeiro ano da Grifinória, porém, só tinham uma aula com os da Sonserina, a de Poções, por isso não precisavam aturar muito tempo. Ou pelo menos, não precisavam até ver um aviso pregado no salão comunal de Grifinória que fez todos gemerem. As aulas de voo começariam na quinta-feira e os alunos das duas casas aprenderiam juntos.
— Típico — disse desanimado. — É o que eu sempre quis, fazer papel de palhaço montado numa vassoura na frente do .
Ele estivera ansioso para aprender a voar, mais do que qualquer outra coisa.
— Você não sabe se vai fazer papel de palhaço — disse Rony sensato — Em todo o caso, sei que vive falando que é bom em Quadribol, mas aposto que é conversa fiada.
sem dúvida falava muito de voos. Queixava-se em voz alta que os alunos do primeiro ano nunca entravam para o time de Quadribol e se gabava em longas histórias, que sempre pareciam terminar com ele escapando por um triz dos trouxas de helicóptero. Mas ele não era o único pelo que Simas Finnigan contava, ele passara a maior parte da infância voando pelo campo montado numa vassoura. Até Rony contava para quem quisesse ouvir sobre a vez em que ele quase batera numa asa delta montado na velha vassoura de Carlinhos.
Todos os garotos de famílias de bruxos falavam o tempo todo de Quadribol. Rony já tivera uma grande discussão sobre futebol com Dino , que também usava o dormitório deles. Rony não via nada excitante em um jogo em que ninguém podia voar e só tinha uma bola. surpreendera Rony cutucando o pôster em que Dino aparecia com o time de futebol de West Ham, tentando fazer os jogadores se mexerem.
nunca andara de vassoura na vida, porque a avó nunca o deixara chegar perto de uma. No fundo, achava que ela estava certíssima, porque conseguira sofrer um número impressionante de acidentes mesmo com os dois pés no chão.
Granger estava quase tão nervosa quanto com a ideia de voar. Isto não era coisa que se aprendesse de cor em um livro, não que ela não tivesse tentado. No café da manhã de quinta-feira, deu um cansaço neles falando sobre macetes de voo que lera em um livro da biblioteca chamado Quadribol através dos séculos. praticamente se pendurava em cada palavra que ela dizia, desesperado para aprender qualquer coisa que o ajudasse a se segurar na vassoura mais tarde, mas todos os outros ficaram muito felizes quando a conferência de foi interrompida pela chegada do correio.
não recebera nenhuma carta desde o bilhete de Hagrid, uma coisa que não demorara nada a notar, é claro. A coruja de estava sempre lhe trazendo de casa pacotes de doces, que ele abria fazendo farol na mesa da Sonserina.
Uma coruja de curral trouxe para um pacotinho da avó.
Ele o abriu excitado e mostrou a todos uma bolinha de vidro do tamanho de uma bola de gude grande, que parecia cheia de fumaça branca.
— É um Lembrol! — explicou ele. — Vovó sabe que sou esquecido. Isto serve para avisar que a gente esqueceu de fazer alguma coisa. Olhe, aperte assim e ele fica vermelho, ah... — E ficou sem graça, porque o Lembrol de repente emitiu uma luz escarlate.
—... Você esqueceu alguma coisa...
estava tentando se lembrar do que esquecera quando , que ia passando pela mesa da Grifinória, arrancou o Lembrol de sua mão.
e Rony puseram-se imediatamente de pé. Andavam querendo um motivo para brigar com , mas a Professora , que era capaz de identificar uma confusão mais depressa do que qualquer outro professor da escola, num segundo estava lá.
— Que é que está acontecendo?
tirou o meu Lembrol, professora.
Mal-humorado, mais do que depressa largou o Lembrol na mesa.
— Só estava olhando — falou, e saiu de fininho com Crabbe e Goyle na esteira.
Às três e meia, aquela tarde, , Rony e os outros garotos da Grifinória desceram correndo as escadas que levavam para fora do castelo para a primeira aula de vôo. Era um dia claro, com uma brisa fresca e a grama ondeava pelas encostas sob seus pés ao caminharem em direção a um gramado plano que havia do lado oposto à floresta proibida, cujas árvores balançavam sinistramente a distância.
Os garotos da Sonserina já estavam lá, bem como as vinte vassouras arrumadas em fileiras no chão. ouvira e Weasley se queixarem das vassouras da escola, dizendo que havia umas que começavam a vibrar quando voavam muito alto, ou sempre repuxavam ligeiramente para a esquerda.
A professora, Madame Hooch, chegou. Tinhas cabelos curtos e grisalhos e olhos amarelos como os de um falcão.
— Vamos, o que é que estão esperando? — perguntou com rispidez. — Cada um ao lado de uma vassoura. Vamos, andem logo.
olhou para a vassoura. Era velha e tinha algumas palhas espetadas para fora em ângulos estranhos.
— Estiquem a mão direita sobre a vassoura — mandou Madame Hooch diante deles — e digam "Em pé!”.
— EM PÉ! — gritaram todos.
A vassoura de pulou imediatamente para sua mão, mas foi uma das poucas que fez isso.
A de Granger simplesmente se virou no chão e a de nem se mexeu.
Talvez as vassouras como os cavalos, percebessem quando a pessoa estava com medo, pensou , havia um tremor na voz de , que dizia com demasiada clareza que ele queria manter os pés no chão.
Madame Hooch, em seguida, mostrou-lhes como montar as vassouras sem escorregar pela outra extremidade, e passou pelas fileiras de alunos corrigindo a maneira de segurá-la. e Rony ficaram contentes quando ela disse a que ele segurava a vassoura errado havia anos.
— Agora, quando eu apitar, dêem um impulso forte com os pés — disse a professora. — Mantenham as vassouras firmes, saiam alguns centímetros do chão e voltem a descer curvando o corpo um pouco para frente. Quando eu apitar... Três... Dois...
Mas , nervoso, assustado, e com medo que a vassoura o largasse no chão, deu um impulso forte antes mesmo de o apito tocar os lábios de Madame Hooch...


Capítulo 9 - Apanhador

, nervoso, assustado, e com medo que a vassoura o largasse no chão, deu um impulso forte antes mesmo de o apito tocar os lábios de Madame Hooch.
— Volte, menino! — gritou ela, mas subiu como uma rolha que sai sob pressão da garrafa, quatro metros, seis metros.
viu a cara de branca de medo espiando para o chão enquanto ganhava altura, viu-o exclamar, escorregar de lado para fora da vassoura e...
— BUM! — um baque surdo, um ruído de fratura e caindo na grama, estatelado.
Sua vassoura continuou a subir cada vez mais alto e começou a flutuar sem pressa em direção à floresta proibida e desapareceu de vista.
Madame Hooch se debruçou sobre , o rosto tão branco quanto o dele.
— Pulso quebrado — ouviu-a murmurar — Vamos, menino, levante-se.
Virou-se para o restante da classe.
— Nenhum de vocês vai se mexer enquanto levo este menino ao hospital! Deixem as vassouras onde estão ou vão ser expulsos de Hogwarts antes de poderem dizer "Quadribol". Vamos, querido.
, o rosto manchado de lágrimas, segurando o pulso, saiu mancando em companhia de Madame Hooch, que o abraçava pelos ombros.
Assim que se distanciaram e ficaram fora do campo de audição da classe, caiu na gargalhada.
— Vocês viram a cara dele, o panaca?
Os outros alunos da Sonserina fizeram coro.
— Cala a boca, — retrucou Parvati Patil.
— Uuuu, defendendo o ? — disse Parkinson, uma aluna da Sonserina de feições duras — Nunca pensei que você gostasse de manteiguinhas derretidas, Parvati.
— Olhe! — disse , atirando-se para frente e recolhendo alguma coisa na grama. — É aquela porcaria que a avó do mandou.
Lembrol cintilou ao sol quando o garoto o ergueu.
— Me dá isso aqui, — falou em voz baixa. Todos pararam de conversar para espiar, soltou uma risadinha malvada.
— Acho que vou deixá-la em algum lugar para apanhar, que tal em cima de uma árvore?
— Me dá isso aqui — berrou , mas montara na vassoura e saíra voando. Ele não mentira, sabia voar bem, e planando ao nível dos ramos mais altos de um carvalho desafiou: — Venha buscar, Potter!
agarrou a vassoura.
— Não! — gritou Granger — Madame Hooch disse para a gente não se mexer. Vocês vão nos meter numa enrascada.
não lhe deu atenção. O sangue palpitava em suas orelhas. Ele montou a vassoura, deu um impulso com força e subiu, subiu alto, o ar passou veloz pelo seu cabelo e suas vestes se agitaram com força para trás e numa onda de feroz alegria ele percebeu que encontrara alguma coisa que era capaz de fazer sem ninguém lhe ensinar. Isto era fácil, era maravilhoso.
Puxou a vassoura para o alto para subir ainda mais e ouviu gritos e exclamações das garotas lá no chão e um viva de admiração do . Virou a vassoura com um gesto brusco ficando de frente para , que planava no ar. O garoto estava abobalhado.
— Me dá isso aqui — mandou — ou vou derrubar você dessa vassoura!
— Ah é? — retrucou , tentando caçoar, mas parecendo preocupado.
de alguma maneira sabia o que fazer. Curvou-se para frente, segurou a vassoura com firmeza com as duas mãos e ela disparou na direção de como uma lança. só conseguiu escapar por um triz. fez uma curva fechada e manteve a vassoura firme. Algumas pessoas no chão aplaudiam.
— Aqui não tem Crabbe nem Goyle para salvarem sua pele, — berrou .
O mesmo pensamento parecia ter ocorrido a .
— Apanhe se puder, então! — gritou, e atirou a bolinha de cristal no ar e voltou para o chão.
viu, como se fosse em câmara lenta, a bolinha subir no ar e começar a cair. Ele se curvou para frente e apontou o cabo da vassoura para baixo, no instante seguinte estava ganhando velocidade num mergulho quase vertical, apostando corrida com a bolinha. O vento assobiava em suas orelhas, misturado aos gritos das pessoas que olhavam, ele esticou a mão a uns trinta centímetros do solo agarrou-a, bem em tempo de levar a vassoura à posição vertical, e caiu suavemente na grama com o Lembrol salvo e seguro na mão.
POTTER!
Ele perdeu a animação mais depressa do que quando mergulhara. A Professora vinha correndo em direção à turma.
Ele se levantou tremendo.
— Nunca... Em todo o tempo que estou em Hogwarts... — A Professora quase perdeu a fala de espanto e seus óculos cintilavam sem parar. —... Como é que você se atreve... Podia ter partido o pescoço...
— Não foi culpa dele, professora...
— Calada, Srta. Patil..
— Mas ...
— Chega, Sr. Weasley, Potter me acompanhe, agora.
viu as caras vitoriosas de , Crabbe e Goyle ao sair acompanhando, espantado, a Professora , que seguiu para o castelo. Ia ser expulso, sabia. Queria dizer alguma coisa para se defender, mas parecia ter acontecido alguma coisa com a sua voz.
A Professora caminhava decidida, sem nem olhar para trás ele tinha que correr para acompanhar seu passo. Agora se enrascara.
Não tinha durado nem duas semanas. Estaria fazendo as malas dali a dez minutos. Que iriam dizer os Dursley quando ele aparecesse à porta da casa?
Subiram os degraus da entrada, subiram a escadaria de mármore, e a Professora continuava a não dizer nada.
Escancarava portas e marchava pelos corredores com trotando infeliz atrás dela. Talvez ela o levasse a Dumbledore.
Pensou em Hagrid, aluno expulso a quem tinham permitido continuar na escola como guarda-caça. Talvez virasse assistente de Hagrid. Seu estômago revirava só de pensar, observando e os outros se tornarem bruxos enquanto ele andava pela propriedade carregando a bolsa de Hagrid.
A Professora parou à porta de uma sala de aula. Abriu a porta e meteu a cabeça para dentro.
— Com licença, Professor Flitwick, posso pedir o Wood emprestado por um instante?
“Wood?” pensou , intrigado, Wood seria alguma coisa que ela ia usar para castigá-lo?
Mas Wood afinal era uma pessoa, um menino forte do quinto ano, que saiu da sala de Flitwick parecendo confuso.
— Vocês dois me sigam — disse a Professora , e continuaram todos pelo corredor, Wood examinando com curiosidade.
— Entrem.
A Professora indicou uma sala de aula que estava vazia exceto por Pirraça, que se ocupava em escrever palavrões no quadro-negro.
— Fora, Pirraça! — ordenou ela. Pirraça atirou o giz em uma cesta, produzindo um eco metálico e alto e saiu xingando. A Professora bateu a porta atrás dele e virou-se para encarar os dois garotos.
Potter, este é Olívio Wood. Olívio... Encontrei um apanhador para você.
A expressão de Olívio mudou de confusão para prazer.
— Está falando sério, professora?
— Seríssimo — resumiu a Professora . — O menino tem um talento natural. Nunca vi nada parecido. Foi a primeira vez que montou numa vassoura, ?
confirmou com a cabeça. Não tinha a menor ideia do que estava acontecendo, mas parecia que não estava sendo expulso, e começou a recuperar um pouco da sensibilidade nas pernas.
— Ele apanhou aquela coisa com a mão depois de um mergulho de mais de 15 metros — a Professora contou a Wood.
— Não sofreu um único arranhão. Nem Carlinhos Weasley seria capaz de fazer igual.
Olívio parecia agora alguém cujos sonhos tinham virado realidade, todos ao mesmo tempo.
— Você já assistiu a um jogo de Quadribol, Potter? — perguntou excitado.
— Wood é o capitão do time da Grifinória — explicou a Professora .
— E tem o físico perfeito para um apanhador — acrescentou Olívio agora andando a volta de , examinando-o. — Leve, veloz, vamos ter de arranjar uma vassoura decente para ele, professora, uma Nimbus 2000 ou uma Cleansweep-7, na minha opinião.

***

Enquanto isso, alguns alunos do segundo ano se encontravam fazendo testes para o time de quadribol. , e esperavam ansiosamente a sua vez de fazerem os testes. e iriam fazer o teste para artilheiros e para apanhador.
— Boa sorte para vocês dois - disse sorrindo para os amigos.
— Obrigado - eles agradeceram - Boa sorte para você também!

***

— Vou conversar com o professor Dumbledore e ver se podemos contornar o regulamento para o primeiro ano. Deus sabe que precisamos de um time melhor do que o do ano passado. Esmagado naquele último jogo contra os sonserinos. Mal consegui encarar Snape no rosto durante semanas...
A Professora espiou com severidade por cima dos óculos.
— Quero ouvir falar que você está treinando com vontade, Potter, ou posso mudar de ideia quanto ao castigo que merece.
Então, inesperadamente, ela sorriu.
— Seu pai teria ficado orgulhoso. Era um excelente jogador de Quadribol.
Você está brincando.
Era hora do jantar. acabara de contar a o que acontecera quando deixara os jardins da propriedade com a Professora . tinha um pedaço de bife e pastelão de rins a meio caminho da boca, mas esqueceu o que estava fazendo.
— Apanhador? — exclamou. — Mas os alunos do primeiro ano nunca jogam, você vai ser o jogador da casa mais novo do último...
— Século — completou , enfiando o pastelão na boca.
Sentia-se particularmente faminto depois da agitação da tarde.
— Olívio me disse.
estava tão admirado, tão impressionado, que ficou ali sentado de boca aberta para .
— Vou começar a treinar na próxima semana — anunciou .
— Só não conte a ninguém, Olívio quer fazer segredo.
e Weasley entraram nesse momento no salão, viram e foram depressa falar com ele.
— Grande lance — falou em voz baixa. — Olívio nos contou. — Estamos no time também... Batedores.
— Sabe de uma coisa, tenho certeza de que vamos ganhar a taça de Quadribol deste ano — disse . — Não ganhamos desde que Carlinhos terminou a escola, mas o time deste ano vai ser brilhante. Você deve ser bom, , Olívio estava quase dando pulinhos quando nos contou.
logo vinha com seus amigos se sentar ao lado de e , e já estavam começando a se acostumar com isso.
— Parabéns , virou o novo apanhador do século - disse feliz - Também serei apanhador, só que da Sonserina. A conseguiu para artilheira - disse , vendo fitar com um bico e riu.
— Parabéns também , pelo visto jogaremos um contra o outro - disse .
— Temos de ir, Lino Jordan acha que encontrou uma nova passagem secreta para sair da escola. - disse - Vocês vem? - apontou para , , e .
— Sim, até mais - disse   sorrindo para o primo e saindo dali.
, , , e  mal tinham desaparecido quando alguém menos bem-vindo apareceu: , ladeado por Crabbe e Goyle.
— Comendo a última refeição, ? Quando vai pegar o trem de volta para a terra dos trouxas?
— Você está bem mais corajoso agora que voltou ao chão e está acompanhado por seus amiguinhos — disse tranquilo. Não havia nada "inho" em Crabbe nem em Goyle, mas como a mesa principal estava repleta de professores, os garotos só podiam estalar as juntas e fazer cara feia.
— Enfrento você a qualquer hora sozinho — disse . — Hoje à noite, se você quiser. Duelo de bruxos. Só varinhas, sem contato. Que foi? Nunca ouviu falar de duelo de bruxos, suponho?
— Claro que já — respondeu virando-se. Vou ser o padrinho dele, quem vai ser o seu?
mirou Crabbe e Goyle medindo-os.
— Crabbe, meia-noite está bem? Nos encontramos na sala de troféus, está sempre destrancada.
Quando foi embora, e se entreolharam.
— O que é um duelo de bruxos? — perguntou . — E o que você quis dizer quando se ofereceu para ser meu padrinho?
— Bom, o padrinho fica lá para tomar o seu lugar se você morrer — disse com displicência, começando finalmente a comer o pastelão frio. Surpreendido com a expressão no rosto de , acrescentou bem depressa:
— Mas as pessoas só morrem em duelos de verdade, sabe, com bruxos de verdade. O máximo que você e conseguirão fazer será atirar fagulhas um no outro. Nenhum dos dois conhece magia suficiente para fazer estragos. Mas aposto que ele esperava que você recusasse.
— E se eu agitar minha varinha e nada acontecer?
— Jogue a varinha fora e meta-lhe um soco na cara — sugeriu .
— Com licença.
Os dois ergueram os olhos. Era Granger.
— Será que uma pessoa não pode comer sossegada neste lugar? — exclamou .
não ligou para ele e se dirigiu a .
— Não pude deixar de ouvir o que você e estavam dizendo...
— Aposto que podia — resmungou .
— E você não deve andar pela escola à noite, pense nos pontos que vai perder para a Grifinória se for pego, vai ser muito egoísmo da sua parte.
— É, para falar a verdade, não é da sua conta — respondeu .
— Tchau — disse .
Em todo o caso, não era o que se poderia chamar de um final perfeito para o dia, pensou , muito mais tarde, deitado na cama sem dormir, percebendo Dino e Simas adormecerem. não voltara do hospital.
passou a noite toda lhe dando conselhos do tipo "Se ele tentar lançar um feitiço, é melhor você tirar o corpo fora, porque não consigo me lembrar como se fecha o corpo".
Havia uma boa chance de serem pegos por Filch ou por Madame Nor-r-ra, principalmente porque havia esquecido a capa da invisibilidade em seu dormitório, e sentiu que estava abusando da sorte, desrespeitando mais um regulamento da escola no mesmo dia. Por outro lado, a cara de deboche de não parava de lhe aparecer no escuro. Essa era sua grande oportunidade de vencer cara a cara. Não podia perdê-la.
— Onze e trinta — cochichou finalmente, é melhor irmos.
Eles vestiram os robes, apanharam as varinhas e atravessaram sorrateiros o quarto da torre, desceram a escada em espiral e entraram na sala comunal da Grifinória. Algumas brasas ainda rutilavam na lareira, transformando todas as poltronas em sombras corcundas. Tinham quase chegado à abertura no retrato quando uma voz falou da poltrona mais próxima.
— Não posso acreditar que você vai fazer isso, .
Uma lâmpada se acendeu. Era Granger, de robe cor-de-rosa e cara fechada.
— Você! — exclamou furioso. — Volte para a cama!
— Quase contei ao seu irmão — retorquiu . — Percy, ele é monitor, ia acabar com essa história.
não conseguiu acreditar que alguém pudesse ser tão metido.
 — Vamos — chamou . Afastou o retrato da Mulher Gorda com um empurrão e passou pela abertura.
não ia desistir com tanta facilidade. Seguiu pela abertura do retrato, sibilando para os dois como um ganso raivoso.
— Vocês não se importam com a Grifinória, vocês só se importam com vocês mesmos, eu não quero que a Sonserina ganhe a Taça da Casa e vocês vão perder todos os pontos que ganhei com a Professora por saber a Troca de Feitiços.
— Vai embora.
— Tudo bem, mas eu preveni vocês, lembrem-se do que eu disse quando estiverem amanhã no trem voltando para casa, vocês são tão...
Mas o que eram, eles não chegaram a saber. se virara para o retrato da Mulher Gorda para tornar a entrar e se viu diante de um quadro vazio. A Mulher Gorda tinha saído para fazer uma visita noturna e ficou trancada do lado de fora da torre da Grifinória.
— Agora o que é que eu vou fazer? — perguntou com a voz esganiçada.
— O problema é seu — disse . — Nós temos de ir, se não vamos nos atrasar.
Nem tinham chegado ao fim do corredor quando os alcançou.
— Vou com vocês.
— Não vai, não.
— Vocês acham que vou ficar parada aqui, esperando o Filch me pegar? Se ele encontrar os três, conto a verdade, que eu estava tentando impedir vocês de saírem e vocês podem confirmar.
— Mas que cara-de-pau — disse bem alto.
— Calem a boca, vocês dois — disse bruscamente. — Ouvi uma coisa.
Era como se alguém estivesse farejando.
— Madame Nor-r-ra? — murmurou , apertando os olhos para enxergar no escuro.
Não era Madame Nor-r-ra. Era . Estava enroscado no chão, dormindo a sono solto, mas acordou repentinamente assustado quando eles se aproximaram.
— Graças a Deus que vocês me encontraram! Estou aqui há horas, não consegui me lembrar da nova senha para entrar no quarto.
— Fale baixo, . A senha é "focinho de porco", mas não vai lhe adiantar nada agora, a Mulher Gorda saiu.
— Como está o braço? — perguntou .
— Ótimo — disse mostrando. — Madame Pomfrey consertou-o na hora.
— Que bom, olhe, , temos que estar em um lugar, vemos você depois.
— Não me deixem aqui! — pediu pondo-se de pé. — Não quero ficar sozinho, o barão Sangrento já passou por aqui duas vezes.
consultou o relógio e em seguida fez uma cara furiosa para e .
— Se formos pegos por causa de vocês, não vou sossegar até aprender aquela Poção do Morto-Vivo que Quirrell falou e vou usá-la contra vocês.
abriu a boca, talvez para dizer a exatamente como usar o Feitiço do Morto-Vivo, mas mandou-a ficar quieta e fez sinal para prosseguirem.
Passaram quase voando pelos corredores listrados pelo luar que entrava pelas grades das janelas altas. A cada curva esperava topar com Filch ou com Madame Nor-r-ra, mas tiveram sorte.
Subiram correndo uma escada até o terceiro andar e, nas pontas dos pés, dirigiram-se à sala dos troféus.
e Crabbe ainda não tinham chegado. As vitrines de cristal onde estavam guardados os troféus refulgiam quando tocadas pelo luar. Taças, escudos, pratos e estátuas piscavam no escuro com lampejos prateados e dourados. Eles caminharam rente às paredes, mantendo os olhos nas portas de cada lado da sala.
tirou a varinha da caixa para o caso de aparecer de repente e começar a duelar.
Os minutos passaram vagarosos.
— Ele está atrasado, quem sabe se acovardou — sussurrou. Então uma batida na sala ao lado os sobressaltou, acabara de erguer a varinha quando ouviram alguém falar e não era .
— Vá farejando, minha querida, eles podem estar escondidos em algum canto.
Era Filch falando com Madame Nor-r-ra. Horrorizado, fez sinais frenéticos para os outros três o seguirem o mais depressa possível, e fugiram silenciosos em direção à porta mais distante da voz de Filch. As vestes de mal tinham acabado de passar a curva quando ouviram Filch entrar na sala dos troféus.
— Eles estão por aqui — ouviram-no resmungar —, provavelmente escondidos.
— Por aqui! — disse , apenas mexendo a boca, para os outros e, petrificados, eles começaram a descer uma longa galeria cheia de armaduras. Podiam ouvir Filch se aproximando. de repente, soltou um guincho assustado e saiu correndo. Tropeçou, agarrou pela cintura e os dois desabaram em cima de uma armadura.
A queda e o estrépito foram suficientes para acordar o castelo inteiro.
— CORRAM! — gritou e os quatro desembestaram pela galeria, sem virar a cabeça para ver se Filch os seguia. Fizeram a curva firmando-se no alisar da porta e saíram galopando por um corredor atrás do outro, na liderança, sem a menor ideia de onde estavam nem que direção tomava. Atravessaram uma tapeçaria, rasgando-a e encontraram uma passagem secreta, precipitaram-se por ela e foram sair perto da sala de aula de Feitiços, que sabiam estar a quilômetros da sala dos troféus.
— Acho que o despistamos — ofegou , apoiando-se na parede fria e enxugando a testa. estava dobrado em dois, chiava e falava desconexamente.
— Eu... Disse... A vocês — falou sem fôlego, agarrando o bordado no peito. — Eu... Disse... A vocês.
— Temos de voltar à torre de Grifinória — lembrou —, o mais rápido possível.
enganou você — disse a . — Já percebeu isso, não? Não ia enfrentar você. Filch sabia que alguém ia estar na sala dos troféus. deve ter contado a ele.
achou que ela provavelmente tinha razão, mas não ia dar o braço a torcer.
— Vamos.
Não ia ser tão simples. Não tinham caminhado nem dez passos quando ouviram o barulho de uma maçaneta e alguma coisa disparou da sala de aula à frente deles.
Era Pirraça. Avistou os garotos e soltou um guincho de prazer.
— Cale a boca, Pirraça, por favor, você vai fazer a gente ser expulso.
Pirraça soltou uma gargalhada.
— Passeando por aí à meia-noite, aluninhos? Tsc, tsc. Que feinhos, vão ser apanhadinhos.
— Não se você não nos denunciar, Pirraça, por favor.
— Devia contar ao Filch, devia — disse Pirraça bem comportado, mas seus olhos cintilaram de maldade. — É para o seu próprio bem, sabem?
— Saia da frente — disse com rispidez, baixando o braço em Pirraça. Foi um grande erro.
— ALUNOS FORA DA CAMA! — berrou Pirraça. — ALUNOS FORA DA CAMA NO CORREDOR DO FEITIÇO!
Passando por baixo de Pirraça eles saíram desembalados até o final do corredor onde depararam com uma porta... Fechada.
— Acabou-se! — gemeu , empurrando inutilmente a porta — Estamos ferrados! É o fim!
Ouviram passos, Filch correndo a toda em direção aos gritos de Pirraça.
— Ah, sai da frente — resmungou aborrecida.
Agarrando a varinha de , bateu na fechadura e murmurou:
— Alorromora!
A fechadura deu um estalo e a porta se abriu, eles se atropelaram por ela, fecharam-na e apuraram os ouvidos, à escuta.
— Para que lado eles foram, Pirraça? — era Filch perguntando. — Depressa, me diga. 
— Peça "por favor".
— Não me enrole, Pirraça, vamos, para que lado eles foram?
— Não digo nada se você não pedir "por favor" — disse Pirraça na cantilena irritante com que falava.
— Está bem, “por favor”.
— NADA! Nada haaa! Eu disse a você que não dizia nada se você não pedisse por favor! Ha ha! Haaaaaa! — E ouviram Pirraça voar rápido para longe e Filch xingar com raiva.
— Ele acha que a porta está trancada! — falou. — Acho que escapamos. Sai para lá, ! — puxava a manga do robe de fazia um minuto. — Que foi?
se virou e viu, muito claramente, o que foi. Por um instante teve a certeza de que entrara num pesadelo, era demais depois de tudo o que já acontecera.
Não estavam numa sala, conforme ele supusera. Achavam-se num corredor. O corredor proibido do terceiro andar. E agora sabiam por que era proibido.
Estavam encarando os olhos de um cachorro monstruoso, um cachorro que ocupava todo o espaço entre o teto e o piso. Tinha três cabeças. Três pares de olhos que giravam enlouquecidos. Três narizes, que franziam e estremeciam farejando-os. Três bocas babosas, a saliva escorrendo em cordões viscosos das presas amarelas.
Estava muito firme, os olhos a observá-los, e sabia que a única razão por que ainda estavam vivos era que o seu repentino aparecimento apanhara o cachorro de surpresa, mas ele já estava se recuperando e depressa, não havia dúvida quanto ao significado daqueles rosnados de ensurdecer.
tateou a procura da maçaneta. Entre Filch e a morte, ficava com o Filch.
Retrocederam. bateu a porta e eles correram, quase voaram pelo corredor, Filch devia ter tido pressa para procurá-los em outro lugar porque não o viram em parte alguma, mas nem se importaram. A única coisa que queriam era abrir a maior distância possível entre eles e o monstro. Não pararam de correr até chegarem ao retrato da Mulher Gorda no sétimo andar.
— Onde foi que vocês andaram? — perguntou ela, olhando para os robes que caiam soltos dos ombros e os rostos vermelhos e suados.
— Não interessa. Focinho de porco, focinho de porco — ofegou , e o quadro girou para frente. Eles entraram de qualquer jeito na sala comunal e desmontaram, trêmulos, nas poltronas.
Levou algum tempo até um deles falar alguma coisa. , então, parecia que nunca mais voltaria a falar.
— Que é que vocês acham que eles estão querendo, com uma coisa daquelas trancada numa escola? — perguntou finalmente. — Se existe um cachorro que precisa de exercícios é aquele.
tinha recuperado tanto o fôlego quanto o mau humor.
— Vocês não usam os olhos, vocês todos, usam? — perguntou com rispidez. — Vocês não viram em cima do que ele estava?
— No chão? — arriscou . — Eu não fiquei olhando para as patas, estava ocupado demais com as cabeças.
— Não, não estou falando do chão. Ele estava em cima de um alçapão. É claro que está guardando alguma coisa.
Ela se levantou olhando feio para ele.
— Espero que estejam satisfeitos com o que fizeram. Podíamos ter sido mortos, ou pior, expulsos. Agora, se vocês não se importam, eu vou me deitar.
ficou olhando para ela, de boca aberta.
— Não, não nos importamos. Qualquer um pensaria que nós a arrastamos conosco, não é mesmo?
Mas tinha dado a algo em que pensar quando voltou para a cama. O cachorro estava guardando alguma coisa...
Que era que Hagrid tinha dito? Gringotes era o lugar mais seguro do mundo quando se queria esconder alguma coisa, com exceção talvez de Hogwarts.
Parecia que descobrira onde o pacotinho encalombado do cofre setecentos e treze tinha ido parar.

Continua...


Nota do Autor: Sem nota.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Para saber quando essa fanfic vai atualizar, acompanhe aqui.


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