Contador:
Enviada em: 17/10/20

Capítulo Único

França, Setembro 2019

Ao receber a notícia da morte do amigo, , perdeu o chão. O que significava a morte?
A morte é um desses enigmas para os quais é impossível organizar uma resposta definitiva. Aceitar e assimilar a ideia de um final absoluto não é fácil. Por isso se trata de um conceito que provoca medo, apreensão ou curiosidade, em qualquer caso. Embora saibamos pouco sobre ela, trata-se de uma experiência pela qual todos vamos passar inevitavelmente algum dia.
As primeiras respostas relacionadas à morte foram proporcionadas pela religião. Talvez a morte seja exatamente uma dessas razões pelas quais as religiões nascem e se mantêm ao longo do tempo. Muitas delas aceitam a existência de um espírito que transcende a vida biológica e que está em um mundo paralelo, o qual é invisível, imperceptível, mas que está lá, esperando por nós.
A ciência também tentou decifrar esse enigma. Embora existam muitos cientistas que possuem crenças religiosas, formalmente a ciência trata o homem como um ser puramente biológico, cuja única existência não vai além das batidas do coração. A física quântica explorou outras perspectivas, como a dos universos paralelos, mas até agora tudo não passa de hipóteses.
A ciência progrediu na compreensão de todos os processos físicos e psíquicos que envolvem a morte. Exatamente para ampliar a compreensão desses aspectos, foi realizado um estudo nos Estados Unidos e os resultados foram muito interessantes.
Esse era o significado técnico, o que de fato importava para era o sentimento de perder alguém.
A dor provocada pela morte de alguém afeta-nos de forma diferente. Primeiro podemos sentir que o nosso mundo se despedaçou – as coisas que fazemos, as pessoas que vemos e os lugares aonde vamos podem parecer-nos estranhos e não familiares. Pequenas coisas podem lembrar-nos imediatamente da pessoa que morreu e pode ser difícil conseguirmos pensar noutra coisa. Pode parecer que deixamos de ter controle sobre a nossa vida e essa sensação, embora normal, é assustadora.
A raiva junto com um sentimento de injustiça também podem ser comuns quando alguém morre – “por que aquela pessoa?! Não é justo!”. Podemos perguntar-nos “por que é que isto me aconteceu?” e sentirmos raiva do mundo ou mesmo da pessoa que morreu. Ou simplesmente zangados, no geral.
Embora a tristeza seja a emoção mais associada à dor de perder alguém, ela pode tomar várias formas. Podemos sentir que alguma coisa falta na nossa vida e era exatamente assim que o jovem piloto francês sentia-se, faltava um pedaço quase como uma parte do próprio corpo e sem pensar meia vez ele trocaria o que fosse pela vida do amigo.
O piloto sentiu os braços da namorada rodearem seus ombros, ela não havia dito nenhuma palavra desde que chegaram ao velório, respeitou o momento de dor em que ele se encontrava e ele a amava tanto por entender que não queria conversar e mesmo assim se manteve presente, lhe confortando com sua doce presença.
Quando levantou o braço direito para tocar a mulher, Inés Dubois, namorada de Anthoine se aproximou. levantou os olhos para a loira que trajava um vestido preto e tinha óculos escuros sobre o rosto em uma tentativa inútil de tapar o rastro de lágrimas dos olhos.
Logo atrás dela vinha e Beatrice Portinari, ele não entendia aqueles dois, era apaixonado por Bea e a mulher parecia não se importar, mas não saiu do lado do amigo durante todo o incidente e naquele momento lhe entregava um macaron, lançando-o um olhar mortal quando o mesmo negou, ele não tinha comido muito e sequer tinha fome. , porém, sorriu e lhe abraçou, finalmente comendo o que ela oferecia, a mecânica deu um sorriso ladino antes de se livras dos braços de .
se levantou da mureta que estava sentado, limpando da calça escura, o vestígio de grama que se aglomeraram ali no tempo em que esteve sentado, o ajudou passando as mãos sobre seus cabelos, eliminando as folhas que pairavam sobre ele.
Ele já tinha dito como amava aquela moça?
A namorada foi a primeira a abraçar Inés, enquanto e trocaram um abraço cumplice e logo depois beijou Bea no rosto. Quando Inés soltou , tomou Bea nos braços abraçando-a também;

- Obrigada por virem, Tonio teria ficado feliz – Ela ajustou os óculos no rosto e passou as mãos no cabelo antes de tomá-la em seus braços finos. – Ele amava muito vocês. – Encarou os dois pilotos, fazendo se juntar aos dois no abraço. – Amo vocês meninos.
- Você precisa de algo? O que nós podemos fazer por você?
Inés ouviu a voz de e virou-se para olhá-la, a morena estava parada ao lado de Bea.
- Agradeçam pelo fato de e ainda estarem aqui. - Seu sorriso era saudoso e nostálgico, qualquer pessoa que ouvisse, mesmo sem saber o que tinha acontecido, notavam o peso do sentimento em suas palavras. - Agradeçam todos os dias que eles finalizarem a corrida vivos e vocês poderem os abraçar, mesmo que cheguem em ultimo e estejam com raiva e tristes, abrace-os e agradeçam a Deus por estarem vivos.

Lágrimas desciam pelo rosto dela e a mesma não foi capaz de segurar e também não queria, estava vivendo a emoção de suas palavras, e ela tinha acabado de perder o amor de sua vida, tinha motivos para chorar e também total propriedade para aconselhar as mulheres á sua frente.

- Eu me arrependo dos abraços que não dei em Tonio quando ele não ia bem nas corridas. – Continuou e nesse momento se aproximou da namorada, abraçando-a. – Aproveitem meninas, é uma dádiva ter quem a gente ama vivo no final do dia. – Deu um sorriso e olhou Bea tentando se desvencilhar dos braços de , que insistia em abraça-la. – Mesmo que a gente não admita que ame.
- Eu não admito, pois não amo. Não precisa me jogar indiretas. - Bea fez uma careta inconformada com as palavras de Inés, porém parou de lutar contra os braços do monegasco.
- Não tem problema, meu sentimento é grande o suficiente por nós dois. - Disparou risonho, mesmo estando com olhos tristes, ele jamais deixava de sorrir.
- Não abusa corredor, nada de sentimentos. Já disse mil vezes.
- Gente pelo amor de Deus! – Exclamou .– A Inés está falado palavras bonitas, toda emocionada e até assim vocês brigam? – O loiro ficava irritado com o suposto casal, Bea queria sempre brigar por tudo e sempre sorria e dizia que estava tudo bem, mas aquele não era o momento para discussões bobas.
- Amor, deixe os dois em paz. – beliscou a cintura do namorado, chamando sua atenção. – Ninguém fica se metendo nas nossas brigas. Deixa a Bea cacetar o Charlie, eu adoro ver. – rolou os olhos indignada.
- Segura a onda casal.

Inés sorriu olhando os quatro, dois casais – mesmo que Bea negasse – Anthoine amaria ver os amigos sendo felizes, ela estava comtemplado algo que o amado jamais poderia ver.
Mais uma lágrima escorreu de seus olhos, e a mesma fungou secando, com o barulho a atenção de todos voltaram-se para ela.

- Anthoine te amava muito. – disse. – Sempre foi um idiota apaixonado.
- Olha quem fala. – apontou e deu de ombros, todos sabiam que ele era mesmo um idiota apaixonado. – Todo cadelinha da Bea.
- Não nego.
- Qualquer coisa que precisar, fale comigo. – tomou as duas mãos da amiga para si. - Eu vou cuidar de você, Tonio me mataria se não fizesse isso.

Inés assentiu agradecida.

- Por mais louco que seja, a gente ainda se ama, só não estamos mais juntos. A gente ainda se ama, só estamos em caminhos diferentes, sozinhos. A gente ainda se ama, só que agora, sem dormir juntos, sem trocar experiências, sem ensinar e aprender um com o outro. Aprendemos bastante juntos, mas nem tudo chega ao fim porque a gente quer. Às vezes é só porque tem que acabar – Ela murmurou olhando para o céu. - Sei que ele está olhando por mim, e vai me ajudar a seguir.

deixou uma lágrima escapar com as palavras da amiga, dentro de si pedia ao amigo que lhe mandasse forças também, precisava dela para seguir caminhando.


Itália, Setembro 2020

apertou a descarga e viu toda a imundice indo embora, mais um vômito. A segunda vez somente naquele dia, quase não comia e o que comia não parava em seu estômago, poderia classificar como desagradável, mas isso não seria suficiente, era mil vezes pior, o gosto amargo em sua boca não saia por nada e só de olhar as comidas expostas na mesa em sua frente lhe davam mais vontade ainda de vomitar.
Mas que merda estava acontecendo?
Era culpa da pizza da noite anterior, ela não queria comer e quase foi obrigada por quando o mesmo lhe enfiou goela abaixo um pedaço, com o consentimento de seu namorado, estava rindo enquanto Charlie a empurrava o alimento. Na verdade já estava ciente que era a amante, já que a namorada oficial de era eles se amavam na alegria e tristeza, se defendiam até a morte, estavam juntos em todo momento. Era um matrimonio perfeito.
Sua vontade era de amarrar os dois juntos e vomitar sobre eles, para liberar a raiva que corria em suas veias dos dois pilotos. Ela soltou todo o ar pela boca e tratou de escovar bem os dentes e bocejar o liquido com aroma de menta que estava disponível para ajudar na limpeza, conferiu sua imagem no espelho e após ter certeza que estava tudo bem, saiu do banheiro.
Ajeitou suas coisas na bolsa, pegou o celular vendo 12 mensagens de , querendo saber onde estava e o que estava acontecendo, ela sorriu sozinha ao constatar a preocupação do namorado.
Ela apressou os passo para chegar correndo a garagem da AlphaTauri, sorriu e cumprimentou algumas pessoas e logo estava na frente no namorado, que se preparava para entrar no cockpit e ao colocar os olhos na namorada respirou aliviado.

- Amor, estava esperando meu beijo de boa sorte. – O loiro resmungou vendo a moça jogar os braços ao redor de seu pescoço, enquanto o mesmo lhe abraçava a cintura.
- Boa sorte meu amor, por favor, tenha cuidado. – Ela estalou seus lábios sobre os do francês. – Eu te amo.
- Também te amo, Mon chéri.

A morena se afastou deixando o namorado se ajeitar para o inicio da corrida, cumprimentou os funcionários que via pelo caminho com um sorriso fraco nos lábios, logo se acomodou em seu lugar de sempre e colocou os fones para ver a corrida.
Quando viu as luzes se apagarem, fechou os olhos e segurou a correntinha no pescoço, orando em pensamento pela proteção do amado.

A largada em Monza foi boa para Lewis Hamilton, ótima para Carlos Sainz, excepcional para Lando Norris e horrorosa para Valtteri Bottas. O líder do campeonato não teve dificuldades para seguir na liderança, enquanto o finlandês enfrentou uma primeira volta para esquecer. Sem rendimento, Valtteri perdeu posições para Sainz, Norris — que pulou de sexto para terceiro — Sergio Pérez e até , caindo de segundo para sexto.
Bottas alegou, em conversa com a Mercedes, que havia sofrido “um furo no pneu ou algo do tipo”, mas a equipe respondeu que não havia nada de errado. Quem também teve uma largada ruim foi Max Verstappen, que caiu de quinto para sétimo ao ter sido superado por Norris e . E Kevin Magnussen, da Haas, que já estava no pelotão intermediário, despencou para a última posição.
Sebastian Vettel, que havia largado em 17º, enfrentava problemas logo no começo e tinha dificuldades para andar até no ritmo da Williams. George Russell lutava por posição com o tetracampeão na reta dos boxes quando a Ferrari SF1000 apresentou problemas nos freios, o que levou Seb a passar reto na chicane da primeira curva. Logo em seguida, o dono do carro #5 recolheu para os boxes e abandonou. Já fazia o que era possível e vinha em 13º, sua posição original de largada. Calvário sem fim para a Ferrari ao longo do seu GP 999 na história na Fórmula 1.
Lá na frente, Hamilton liderava com sobras e 6s3 de frente para Sainz na volta 11. Norris era o terceiro, 0s8 à frente de Pérez. A McLaren colocava seus dois carros em corrida no top-3 pela primeira vez desde o GP da Inglaterra de 2014. Por sua vez, Bottas, em sexto, lutava para se aproximar de e tentar acionar a asa móvel para fazer a ultrapassagem, mas sua performance era irreconhecível. Outro que enfrentava problemas era Alexander Albon. Na zona intermediária da corrida, somente em 14º, o anglo-tailandês foi punido pela direção de prova em 5s por não dar espaço à Haas de Romain Grosjean.
Bottas não conseguia chegar em e voltava a reclamar no rádio. “Não posso correr com essas configurações de motor. É uma piada”.
O safety-car foi acionado na volta 20 depois que Magnussen encostou seu carro na área gramada de escape na saída da curva Parabólica. Com a bandeira amarela, a Mercedes de imediato chamou Hamilton para aos boxes para fazer a troca dos pneus macios pelos médios. Só que o pit-lane estava fechado para entrada naquele momento.
O incidente passou a ser investigado pelos comissários, enquanto a direção de prova anunciava que só depois, na volta 23, é que o pit-lane estava aberto. Foi aí que praticamente todos os outros pilotos entraram para fazer suas respectivas paradas.
Naquele momento, mudou tudo em Monza. Hamilton reassumiu a liderança, enquanto Stroll, que não havia feito a parada, estava na segunda posição. , já depois de fazer o pit-stop, vinha em terceiro, à frente de Antonio Giovinazzi, que também estava sob investigação, e pasme, , que havia feito antes do safety-car seu pit-stop.
Sainz, que chegou até a ocupar a liderança com o pit-stop de Hamilton, despencou para a sétima colocação, que enquanto Norris vinha em oitavo. Prejuízo maior, contudo, sofreu Pérez, que desabou de quarto para 15º.
Na volta 25, quase na primeira metade da corrida, sofreu um acidente fortíssimo ao perder o controle da sua Ferrari na saída da curva Parabólica. Por muita, muita sorte, o monegasco não sofreu nenhuma lesão e saiu normalmente do carro. Às 14h54, a direção de prova teve de acionar a bandeira vermelha para remover o carro e ajustar a barreira de proteção completamente danificada.

Quando viu o carro de voltar para o box, retirou rapidamente o fone, desceu do banco em que estava sentada e com passos apressados ultrapassou todas as pessoas que cruzavam seu caminho impedindo-a de chegar ao destino. Quando viu bater naquele muro, por míseros milésimos sentiu o ar faltar em seus pulmões e todas as palavras de Inés há um ano seu cérebro trouxe a tona.

“Agradeçam todos os dias que eles finalizarem vivos e vocês poderem os abraçar após, mesmo que cheguem em ultimo e estejam com raiva e tristes, abrace-os e agradeçam a Deus por estarem vivos.”

Tudo que a francesa conseguia pensar era colocar seus braços sobre , sentir seu corpo junto ao dele, o medo que algo pudesse acontecer desestabilizava o emocional da moça, doía só de pensar em perdê-lo. Essa era a parte de namorar um piloto de fórmula um que ninguém contava. O desespero em um acidente ocorrer, pedia todos os dias para que não se envolvesse em nenhum acidente e que chegasse em casa com vida, toda vez que o via colocar aquele capacete e entrar no carro o sangue gelava , em seu peito aquele nó que a anatomia chamava de coração, se comprimia como se uma mão invisível a apertasse a mínima possibilidade de perder aquele homem a matava.
E foi com esse pensamento e os olhos ensopados de água que ela abraçou o namorado com força, sorriu ao sentir os beijos dela por todo seu rosto e soube que ela estava preocupada pela situação, já que a morena não escondia seu medo.

- Estou bem amor. – Olhou em seus olhos com ternura. – Eu estou bem. – Repetiu para assegurar que ela entendeu.
- Quando vi o Charlie bater, meu coração acelerou. – Suspirou.
- Já tem noticias dele? Como ele está? – O tom de preocupação o tomou por completo, se lembrando do ultimo acidente em que um de seus amigos este envolvido, não estava preparado para perder mais nenhum amigo.
- Sim, ele foi ao centro médico, mas está tudo bem, foi só um susto. – Ele lhe tocou nos ombros e pôde sentir quando a musculatura dele relaxou.
- , precisamos ajeitar a estratégia. – Um dos funcionários interrompeu a conversa do casal e assentiu sabendo que não podia mais permanecer ali.
- Boa sorte, você vai brilhar. Eu te amo.
- Te vejo na linha de chegada. – piscou para a namorada e logo voltou aos seus afazeres para que junto com seu engenheiro e toda a equipe conseguirem montar uma estratégia de chegar ao pódio.

Durante a paralisação, a direção de prova anunciou as punições impostas a Hamilton e Giovinazzi: stop-and-go de 10s. Norris também passou a ser investigado depois que os comissários observaram que o piloto entrou lento demais no pit-lane, mas o inglês escapou da punição.
Mudava tudo para a sequência do GP da Itália. Com Hamilton na liderança, mas tendo de pagar a punição durante a corrida, Stroll teria a chance de assumir a ponta. O canadense ainda não tinha feito seu pit-stop, e o regulamento permite que um piloto pode trocar pneus durante a bandeira vermelha.
Após 30 minutos de paralisação, os 17 pilotos que ainda estavam no grid alinhavam para fazer a largada parada, como reza o regulamento. Hamilton partiu lado a lado com Stroll, era o terceiro, Giovinazzi em quarto, Räikkönen em quinto e Sainz na sexta posição.
Hamilton arrancou na frente, como é o normal. E Stroll, que mostrava ter até chances de vitória, foi muito mal na segunda largada e caiu para quinto lugar. Na volta 29, o hexacampeão foi aos boxes para cumprir a punição e caiu para 17º e último, partindo assim para fazer o que se desenhava como uma incrível corrida de recuperação. Enquanto isso, acredite, assumiu a liderança com a AlphaTauri, seguido por Räikkönen e Giovinazzi, que ainda tinha de pagar seu stop-and-go.
Na volta 31, era a vez de uma das estrelas do grid, Verstappen, encerrar sua jornada em Monza, completando o fim de semana mais difícil da temporada. Já a Mercedes buscava se recuperar: Bottas era o sexto e pressionava a McLaren de Norris, enquanto Hamilton vinha em 15º e fazia seguidas voltas mais rápidas para tentar o impossível.
O mundo acompanhava uma corrida com prognóstico completamente imprevisível. , com a AlphaTauri, liderava na volta 34. Valente, Sainz não desistia e, depois de ultrapassar por fora, na chicane da curva 1, passou um aguerrido Räikkönen para assumir a segunda posição. O ‘Homem de Gelo’ também não teve ritmo para segurar a ‘Mercedes rosa’ de Stroll, novo terceiro colocado, sendo superado também por Norris, Bottas e .
Nas voltas seguintes, Sainz reduzia aos poucos a diferença para , mas o francês se segurava na liderança, enquanto Stroll não parecia ser uma ameaça ao espanhol. Hamilton, em 12º lugar, chegava perto da zona de pontos e tinha à sua frente a Williams de Nicholas Latifi e a Racing Point de Pérez.
Com seis voltas para o fim, Sainz estava 1s5 atrás de . Com enorme valentia, o piloto da AlphaTauri conseguia se manter na ponta mesmo com enorme pressão sofrida pela McLaren do espanhol. Carlos encurtou muito a vantagem nas duas últimas voltas, conseguiu até acionar o DRS para tentar a ultrapassagem.

- , última volta. – O francês foi avisado pelo rádio e naquele momento a única coisa que se passava em sua mente era: Anthoine.

As imagens de tudo que passaram juntos era como um filme em sua memória, cada risada que compartilharam, as brincadeiras e rivalidades nas pistas abaixo da Fórmula 1. Ele ainda se lembrava dos traços no rosto do amigo e não queria esquecer o mínimo que fosse, como os óculos encaixavam de maneira perfeita em seu rosto magro ou o como o sorriso era largo e gentil em todos os momentos, às vezes ainda era capaz de escutar o timbre de sua voz ao sentar no simulador do carro e sua gargalhada escandalosa quando fazia besteira.
Era tudo sobre Anthoine, cada decisão que tomava em sua vida, cada movimento e cada vez que entrava nas pistas, era sua maneira de homenagear o amigo que fora tirado tão cedo de sua vida e era mais vez por Tonio que ele venceria aquela corrida.
Quando reduziu para entrar na ultima curva, entre o lograr de lágrimas que tumultuavam seus olhos foi capaz de visualizar a bandeira quadriculada e quem a balançava era Anthoine Hubert.

- Essa é para você, meu amigo.

E então acelerou, , de forma inacreditável, venceu pela primeira vez na Fórmula 1.
Quando desceu do carro não tinha mais uma gota de sanidade em seu corpo. As lágrimas já rolavam por seu rosto e todos os músculos pareciam tremer, olhou para o céu ensolarado da Itália e sorriu com a brisa que passou por seu físico, a sensação da presença do amigo inundou seu corpo e foi quase capaz se sentir seu abraço.
O primeiro que o cumprimentou foi Romain Grosjean e no instante seguinte seu corpo foi amassado pelo de , como em todas às vezes trocaram um abraço cheio de cumplicidade;

- Ele está orgulhoso de você! – resmungou antes de se afastar, ele sabia que Tonio estava mesmo orgulhoso dele.

Dali em diante, poucas coisas seria capaz de se lembrar era tudo muito intenso e forte de fato havia muita adrenalina correndo em suas veias e os mínimos detalhes seu cérebro trataria de apagar já que seu consciente não estava dando conta de absorver o que acontecia em seu redor, mas a imagem dos olhos lacrimejados de Belié com os braços abertos lhe esperando, fora sem qualquer duvida a mais linda que já viu.
A morena redeou seus braços no pescoço do piloto o sentindo abraçar sua cintura, tirando- a do chão para rodá-la pelo ar. A gargalhada dela ecoou seus tímpanos como a mais bela música já composta no planeta.

- Parabéns meu amor! Você conseguiu.
- Ele estava lá comigo, eu senti o Tonio. Tipo de verdade amor, eu senti ele mesmo. Ele estava lá comigo, foi surreal. – Ele se embolava nas palavras tentando explicar o que sentia.
- Eu sei que estava. – A moça enquadrou o rosto de com ambas as mãos fazendo o piloto focaliza-la. – Onde quer que o Tonio esteja, nesse momento ele está aplaudindo sua vitória de pé completamente orgulhoso.

xxx

- Você está um pouco estranha. - Comentou Antonella antes de tomar um gole de sua cerveja. Todos já estavam na França na casa de os amigos e familiares do piloto estavam comemorando a primeira vitória do francês na fórmula um.
- Eu estou um pouco enjoada. - ajeitou a tiara no cabelo, sem perceber que Bea, Inés e Antonella a encaravam com o cenho franzido. - O que foi?
- Há quanto tempo você está tendo enjoos? - Questionou Bea, o que fez com que a morena entendesse onde elas queriam chegar.
- Não comecem com isso, vocês sabem que eu tenho o estômago fraco. Esses dias foram muito estressantes, o que provocou esses enjoos e a azia.
- Azia? - Inés questionou, recebendo apenas um aceno como resposta. - Ok. Você está enjoada e com azia. E para não estar desconfiando da mesma coisa que nós, suponhamos que sua menstruação está em dia, certo?
- É, humm... - Acabou travando, tornando a pensar, uma vez que notou que não poderia acabar com aquele questionamento da maneira que desejava.

Antonella mordeu o lábio inferior tentando não rir, mas a careta na face de acabou por desencadear uma gargalhada de sua parte. E em poucos segundos as outras também estava rindo. Aquilo irritou a francesa que ameaçou se levantar, completamente irritada. No final fora isso mesmo que ela fez, mas não fora bem uma escolha. Suas amigas disseram que resolveriam aquela questão.
não fez maiores questionamentos. Aceitou de bom grado, uma vez que não tinha o menor interesse de continuar passando por um interrogatório. Mas mal sabia ela que teria que passar por algo.
Tão em breve.
Demorou alguns minutos e só.
A campainha estrondou o ambiente.

- Amor? – gritou da porta do apartamento. – Chegou algo da farmácia para você? Acho que é um teste de gra...

Antonella cruzou o espaço na velocidade da luz chegar até o marido e lhe tapar a boca, ele era mesmo um escandaloso que iria ferrar com tudo.

- Ele ia dizer gravidez? – assobiou com seu copo de cerveja em mãos. – Será que teremos um bebê em breve?
- Não amor. – Ela rangeu os dentes. – Isso é remédio para azia, a Beatrice está bebendo muito e não pode passar mal, amanha é um dia importante para ela e Charlie.
- É verdade, amanha é importante. Mas eu sei ler Anto, não ache que sou burro.
- Amor, são remédios para azia da Bea. E acabou. – Constatou nervosa. – Agora me pegue mais uma cerveja, por favor. – Lhe entregou a garrafa vazia, dando as contas para o marido.
- Isso mesmo me trate como um burro de carga, e essa mulher ainda tem coragem de dizer que me ama. – Resmungou para si mesmo, antes de ir buscar mais cerveja.

se remexeu desconfiada e sentiu seus braços serem puxados por Inés que a guiava pelos cômodos do apartamento.

- O que vocês fizeram? - Perguntou assim que adentrou ao quarto de . Antes que pudesse responder, Antonella e Bea entraram no quarto. – O que vocês fizeram? – Repetiu a pergunta nervosa.
- Liguei pra farmácia mais próxima e pedi que entregassem aqui. – Antonella respondeu. – Ninguém ia saber se o meu marido não fosse um bocudo. – A cantora abriu a sacola, retirando três tipos de testes de gravidez.
- Isso não tem a menor necessidade. Eu não estou grávida. - negou, sentindo uma tontura forte.
- Talvez seja só nervosismo mesmo, de qualquer forma os testes já estão aqui. É só fazê-los e tirar essa dúvida. - Foi à vez de Inés se pronunciar.

E ela fez, contra sua vontade, mas fez.
E os resultados vieram cinco minutos depois.
Dois pontinhos vermelhos.
Ela olhou uma, duas, três, quatro vezes e eles permaneciam ali.

- Meu Deus! Eu estou grávida, mas como? - Colocou as mãos na face, completamente atordoada.
- Normalmente acontece quando um casal tem relações sexuais e o homem goza dentro sem camisinha. A não ser que...
- Quieta Beatrice. Respeita meu nervosismo. - Respirou fundo, se amparando no mármore. Olhou-se mais uma vez no espelho, sem acreditar que os testes deram todos positivos. - Eu estou muito grávida. E eu vou matar o , assim que a festa acabar, talvez depois da comemoração, ou... merda.

Uma alegria imensa invadiu o coração dela, uma alegria sem explicação. Algo tão surreal que não entendia. No mesmo instante que ela começou a chorar, sorrisos abertos brotaram de seu rosto.
As amigas se olharam, segurando-se para não começarem a gargalhar do desespero de . Ela se embolava nas palavras visivelmente desesperada. Sua vida mudaria de cabeça para baixo e agora o jovem casal teria muitas responsabilidades, entretanto, era incrível.
Quando deu por si, ela já estava olhando diretamente para a barriga. A mente viajou para bem longe, onde exatamente sua família se completou. Engraçado, a imagem de um menino lhe veio à mente. Talvez fosse apenas uma besteira, ou um pressentimento. Tanto faz. O que possuía total relevância é que seu coração saltava do peito e amor transbordou dentro de si.

XXX

- Graças a Deus, o último. - disse fechando a porta depois que os últimos convidados foram embora, carregando uma Antonella bêbada após disputar shots de tequila com Beatrice. Ela ainda não havia aprendido que ninguém deveria disputar tequilas com Bea, ela era uma esponja de tequila.

O piloto olhou para namorada que estava sentada no sofá com a cabeça encostada na mão e o cotovelo no sofá.

- Verdade. - Ela disse o medindo de cima em baixo, enquanto ele tirava a jaqueta.
- Que foi? - Perguntou com os braços abertos e um olhar de curiosidade assim que percebeu o olhar de o medindo por completo.
- Você é perfeito tanto por fora quanto por dentro. - Disse finalmente e sorriu caminhando para perto dela, sentando ao seu lado.
- A melhor coisa do mundo é encontrar uma pessoa que goste de você com seus defeitos, erros e fraquezas e ainda diz que você é perfeito. - disse alisando o rosto da menina com o polegar direito, a morena estava estremecida e com o coração saltando do peito.
- Mesmo se for para ser feliz com alguém, tem que ser com você. Senão, não existe felicidade. - respondeu sorrindo segurando as duas mãos do loiro e beijando-as.
- Sabe não é egoísmo, mas eu quero você, unicamente, exclusivamente só pra mim. Eu te amo. - Disse sorrindo, nunca tinha se sentindo com nenhuma garota igual se sentia com . Ela o fazia perceber que a vida e o amor são de quem quer vivê-los.
- Você já me tem. Também te amo – O sorriso e os olhos do garoto deixavam transparecer toda a malícia daquele momento, enquanto ele aproximava o rosto do dela, quebrando qualquer distância que houvesse entre os dois no momento em que deixou que sua boca encontrasse a dela. As mãos de automaticamente foram de encontro aos cabelos dele, ao mesmo tempo em que ele a segurava próxima a si pela cintura, sem querer deixá-la se afastar. mordeu o lábio dela de leve, quebrando o beijo quando sentiu suas mãos o tocando por baixo da camiseta, arrepiando-o.

Puxou o ar com força, tentando voltar a respirar no ritmo normal e baixou o rosto até alcançar o pescoço da garota, traçando um caminho de leves beijos até alcançar seu ouvido, soltando a respiração pesada ali de propósito, sabendo que a arrepiaria.

- Vamos subir, amor. - sussurrou, deixando os lábios tocarem a pele dela enquanto falava.

Ouviu quando concordou em um murmúrio, a garota puxou a mão dele com um pouco mais de força, chamando sua atenção para si mesma e apontando com a cabeça em direção às escadas quando os olhos de pousaram sobre ela. Um novo sorriso malicioso apareceu em seu rosto quando ele iniciou a subida, levando consigo. Abriu a segunda porta do corredor e entrou, prensando-a contra a porta após fechá-la e girando a chave enquanto voltava a beijá-la. Sentiu as mãos de espalmadas em seu peito, empurrando-o devagar na direção da cama e sorriu entre o beijo; Deixou o corpo cair sobre o colchão, sorrindo enquanto observava a garota tirar lentamente cada uma das sandálias que usava, praticamente o torturando com cada movimento. Esticou um dos braços para puxá-la de vez para cima da cama quando ela ameaçou dar um passo para trás, provocando-o ainda mais. se deixou cair sobre ele, sentindo as mãos apressadas de tatearem suas costas até encontrarem o zíper de seu vestido e sorriu com os lábios contra o pescoço dele, levando as mãos até a barra da camiseta que ele usava e a levantando devagar. Uma a uma, as peças de roupa que usavam foram se amontoando no chão, ao lado da cama.
Quando eles estavam juntos tudo era diferente, eles se trancavam em um mundinho só deles, onde nada e nem ninguém entrasse no meio. Onde todos os sonhos eram reais. Onde cada lembrança ia ficar guardada em um lugar seguro: O coração.

XXX

Um barulho soou pela casa e largou a louça na pia no mesmo instante. Saiu correndo em direção ao segundo andar, pulando dois degraus por vez para aumentar a velocidade que chegaria até a namorada.
Com o coração acelerado e a respiração ofegante, adentrou o closet e varreu o cômodo com o olhar, procurando qualquer indício de perigo ou até mesmo sangue ou qualquer outro fluido.
Nada.
Até que chegou ao banheiro e encontrou com a cabeça debruçada na pia ela segurava com força o material da pia parecendo se equilibrar para ao cair.

- Amor, você esta bem? – Questionou preocupado, tocando o braço da namorada.
- Vem, vamos conversar. – Foi o que ela disse e seus olhos tinham uma angústia enorme. torceu os lábios, sua postura se tornando firme no instante seguinte.
- Você não vai terminar comigo, não é? Porque terminar comigo em Paris seria uma maldade absurda. – Desatou a falar, arrancando um franzir de cenho de . – É por causa das minhas roupas? Meu cabelo? Eu posso cortar, disse que estou horrível, devia ter escutado aquele babaca.
- . – revirou os olhos, segurando os lábios do namorado por entre os dedos e o obrigando a se calar. – Eu não vou terminar com você, seu idiota.
- Ok. Posso parar de surtar.
- Ainda é cedo para dizer isso.- Ela murmurou.

arqueou as sobrancelhas para ela em questionamento. Quando não obteve uma resposta, aproximou seus rostos e selou seus lábios com carinho, tentando passar segurança.

- Fala comigo. - Pediu, enquanto acariciava a cintura dela por baixo da camiseta que era dele.

A moça adentrou o quarto sendo seguida pelo namorado, buscou a bolsa no canto da cama, abriu com calma e respirou fundo antes de entregar o papel para o piloto. o desdobrou apressado e seu olhar percorreu o conteúdo onde apenas uma palavra chamou sua atenção e seu coração parou por alguns instantes, voltando a bater rápido quando puxou o ar para os pulmões com força, dando um passo para trás e voltando a encarar , apenas para voltar os olhos para o teste de gravidez em sua mão e retornar os olhos arregalados e assustados até a namorada.

- Eu vou ser pai? Você tá falando sério? Ah meu Deus, amor. - a abraçou com força tirando-a do chão.
- É sério, amor, tem um bebê dentro de mim.
- AAAHHHHHHH - Gritou exagerado, aos olhos da moça era visível a felicidade do namorado. - Isso é bom demais para ser verdade, eu vou ser pai de um bebê de verdade, meu Deus. Você já o sente? Posso pegar na sua barriga? Ah meu Deus, eu preciso contar para meus pais, para todo mundo. Vamos logo tirar uma foto e publicar? Vou arrumar o cabelo. - continuava falando alto e andando de um lado para o outro dentro do banheiro.
- Amor. - A mulher chamou tocando os ombros dele. - Se acalma, ok?

observou o rosto sereno da mulher que amava, ela tinha algumas lágrimas nos olhos e um sorriso bobo na face e sem conseguir computar, ele a beijou.
Ter uma família era tudo que ele mais desejava.

- Eu te amo.
- Eu também te amo. - Ela ainda mantinha seus lábios nos dele.
- Amor, já podemos ver o sexo? Quero escolher os nomes logo e pensar no chá de bebê, o que acha?
- Eu estou de doze semanas , ainda não é possível fazer muita coisa.
- Espera, mas como? A gente não se cuidava? - Por um instante o piloto francês pareceu dar lugar a sua razão e pensou no fato óbvio sobre bebês. iria abrir a boca para responder, porém o namorado não permitiu. - Ah não importa, o que importa mesmo é que vou ser pai. Eu vou ser pai, isso é insano. Eu vou ligar para minha mãe agora.

balançou a cabeça negativamente, era mesmo um cara de sentimentos e essa reação não era nada menos do que o esperado, depois que a emoção dela passasse e as coisas ficassem mais calmas, eles conversariam como funcionaria dali em diante. caminhou até a porta do quarto no intuito de procurar o celular pela casa, mas antes que saísse parou no lugar estático, piscou os olhos algumas vezes e sentiu lágrimas molharem seus olhos, girou nos calcanhares com o coração a mil, a namorada ainda estava no mesmo lugar que deixou e mais uma vez voltou até ela, beijando-a novamente de surpresa.

- Eu estou pronto e quero isso, . - Suspirou contra os lábios dela, abrindo os olhos e encarando-a com intensidade. Queria que ela visse a sinceridade em seu olhar. - Quero tudo com você e se o destino acha que essa é a hora para nós, então estou pronto.
- Eu amo você. - sorriu e aquilo foi resposta o suficiente para saber que tudo daria certo.
- Eu também amo você. – Também sorriu, descendo a mão para o ventre da namorada e acariciando a barriga.
- Vamos ter um bebê, - Ela alargou seu sorriso e assentiu.
- Vamos iniciar nossa família. - Disse por fim e o abraçou pelo pescoço, voltando a unir seus lábios. Ela estava em casa, os braços de eram seu lar. E ali era extremamente feliz e sabia que esse bebê completaria esse fato.

XXX

acordou e tateou a cama do seu lado e percebeu que estava vazia. Rapidamente sentou na cama e correu os olhos pelo quarto não encontrando ninguém, olhou no chão e viu suas roupas espalhadas por todo lado, sorriu lembrando da noite anterior. Mágica como todas as outras. Pegou a bermuda e vestiu por cima da cueca e foi atrás da namorada.

- Você deveria parar de levantar e sumir, gosto tanto de te ver quando eu acordo. - Ele se jogou em cima da mulher no sofá, sussurrando aquelas palavras em seu ouvido. Sorriu involuntariamente.
- Você que acorda tarde demais!
- Você que acorda cedo demais! – Ele tocou suas coxas.
- Tá pesado hoje! – escutou rindo em seu ouvido e logo o corpo dele estava por cima do seu e as mãos tocaram na barriga.
- Oi, pequenino. - Murmurou - Papai te ama. Como você está? - deu um sorriso fraco, colocando as próprias mãos sobre a cabeça do loiro, apoiando totalmente o gesto.
- Com fome.
- Eu faço o almoço hoje então. – Sorriu o olhando nos olhos, depois de finalmente conseguir virar de frente. Os olhos. Aqueles malditos olhos a faziam querer gritar para o mundo todo como ele era incrível. – Vou alimentar vocês.

Ela achava engraçado como que em dois dias, tinha adotado o plural, enquanto ela mesma não usava, sabia que com o tempo iria de adaptar com nós, no lugar de eu.

- Você é tão linda. - disse serio, a olhando nos olhos. sentiu um arrepio que nunca tinha sentido. - Você é absurdamente linda. - Os olhos ainda estavam em contato. Aquele apartamento. Aquelas sextas. Aqueles cafés que viravam almoços, que viravam jantares, que viravam dormidas em sua casa, que viravam outros cafés. Naquela rotina simples que os fazia tão feliz. sabia seus segredos. Ele respeitava as escolhas dela. Ele a olhava nos olhos. Aqueles olhos. nunca precisou dizer uma palavra.

Semanas depois

estava sentada no sofá, as pernas encolhidas sobre ele, os braços cruzados em frente ao peito e no rosto, uma expressão emburrada.
estava ao lado dela, um sorriso brincando em seus lábios, mas ele fez questão de escondê-lo quando a mulher o encarou. Os hormônios da gravidez a deixavam muito mais sentimental e ele não queria irritá-la ainda mais.

- Meu amor... Desse jeito nunca vamos chegar a nomes definitivos. - Ele disse, aproximando-se dela e passando um braço por seu ombro, mantendo-a perto de si. – Talvez não seria melhor descobrimos o sexo do bebê.
- Não, . Eu quero que seja surpresa. – Estava nervosa, mais uma vez o namorado falava sobre descobrirem logo o sexo do bebê, no ponto de vista dele seria tudo muito mais fácil de organizar.
- Está bem princesa! – beijou o dorso da mão da namorada.
- Eu não vou deixar você chamar meu bebe por esses nomes horrorosos. – Reclamou chorosa.
- Então vamos pensar nos nomes de meninos, já que o de menina está complicado. - O piloto sugeriu em uma tentativa de mudar o rumo da conversa.
- Nós nem precisamos pensar nisso, já está óbvio a escolha do nome masculino assim como os padrinhos desse bebê.
- Espera, você pensou na mesma coisa que eu? Para o nome e os padrinhos? – Arqueou a sobrancelha confuso, ele e a namorada tinham uma conexão surreal se entendiam com o olhar e se comunicavam sem palavras muitas vezes, mas naquele momento até o mesmo ficou estático, será mesmo que tinham pensando nas mesmas pessoas?
- Óbvio que sim. Anthoine e Inés.

abraçou mais a namorada, beijando sua testa com um sorriso lindo no rosto, de fato aquela mulher era a de sua vida, mesmo sem explanar qualquer desejo sobre fazer a homenagem aos amigos, ela já sabia. Ela sempre sabia tudo sobre ele.

- Agora o nome de menina vamos continuar falando. Eu gosto de Claire, gosto de Fleur.... São muitos nomes e eu quero ter eles prontos na hora que o bebê nascer.
- ... Temos tempo pra decidir isso ainda. – respirava fundo. Achava até engraçado a forma como ela agia desde que a gravidez começara a chegar próxima dos últimos meses, mas também se cansava. - Podemos ter essa conversa outro dia, quando ele ou ela finalmente nascer.
- Está bem - A moça assentiu.

viu que ela continuava com a cara fechada e deixou seus lábios encontrarem a pele do pescoço da mulher, arrepiando-a. Sorriu, sem se afastar, e sussurrou.

- Por favor, podemos deixar isso pra depois? - Como em tantas outras situações entre eles, não precisou que ela respondesse com palavras.

O sorriso que começava a aparecer nos lábios de era suficiente para lhe dizer que a pequena discussão havia acabado e mais uma vez, nada havia sido decidido. Ele não se importaria se no final, tivesse que ceder. Qualquer nome seria ótimo pelo simples fato da criança ter nascido da união dos dois

XXX

Quando abriu a porta de sua casa, antes que pudesse raciocinar, os braços finos de Inés já estavam ao redor de sua cintura, seu rosto magro coberto por uma cascata de cabelos loiros se chocou contra seu tórax em um abraço apertado. Com todo carinho do mundo, o piloto passou o braço direito pelos ombros da amiga, fechando a porta de casa com a outra mão, sabia que pelo tanto que Inés o apertava, era sinal que estava precisando de consolo, a conhecia há tempo demais para identificar seus gestos. Os soluços audíveis da mulher só vieram para comprovar o que fantasiava em sua cabeça e sentiu-se triste com as lágrimas que corriam por seu rosto, sabia o quanto a amiga lutou com as lágrimas nos últimos tempos, o quanto ela era forte e não demostrava tudo que sentia, ela engolia a bagunça de traumas e dores que vivia permanentemente em seu peito.

- Hey super-girl. - Levou seus dedos ao couro cabeludo dela, afagando as madeixas - Vai ficar tudo bem, estou aqui com você.

Conforme ele mexia em seu cabelo, mais ela chorava, cuspindo tudo que seu inconsciente reprimia dia após dia, como quando se tampa o ralo de uma pia, para que encha de algo e ela alcança seu limite e transborda, assim que ela se sentia, transbordando com seus próprios sentimentos e se afogando com o desejo de continuar sufocando-os.

- Estou bem. - Empurrou os braços do amigo, passando as costas das mãos pelo rosto, eliminando todo rastro de lágrima que existia. - Estou bem. - Repetiu e teve certeza que a confirmação não foi para ele. - Desculpe por isso.
- Às vezes acho que você se esquece de que eu sou . - O menino sorriu com os braços em frente ao peito. - E que não precisa fingir para mim.
Inés deu um leve empurrão no peito do amigo caminhando para dentro de seu apartamento e jogou-se no sofá;
- Me traga algo alcoólico.

cruzou a enorme sala em direção ao bar, tirou dois copos de vidro do porta copos pegou uma garrafa de conhaque e o controle do Home-teather voltando para sala. Inés tinha o braço esquerdo cobrindo os olhos, as pernas estavam jogadas para fora do móvel em sinal de relaxamento. Ele acompanhou a amiga sentando-se ao seu lado, destampou a garrafa e serviu uma dose generosa nos copos, colocou uma play-list qualquer para tocar e relaxou o corpo.

- Toma. - Sem tirar a mão do rosto a mulher tomou o copo em mãos. - Você quer falar? - No tempo que viveu ao lado dela aprendeu a respeitar suas limitações Inés perdeu coisas demais na vida e com tanta dor e sofrimento se fechou um pouco, não tinha mais o costume de falar sobre o que sentia. Ela respirou fundo e balançou a cabeça negativamente, provou a bebida em seu copo, endireitando o corpo no sofá buscando em sua própria mente força para não desanimar agora, já fazia tanto tempo e ela já havia entendido que não tinha como Tonio voltar, mas isso não impedia o fato de ter dias que seu coração lhe pregava peças e clamava de saudades do francês.

Já tinha tempo que não doía daquela forma, sua dor estava estancada como em uma sutura, mas na noite anterior, quando bateu os olhos em uma foto dos dois, tudo desmoronou. As lembranças do ocorrido, a maneira como tudo aconteceu, as palavras ditas no velório, as lágrimas ao abraçar os amigos, ela odiava lembrar-se daquele dia fatídico.
Ela queria deletar aquele dia da existência.

- Você fala com ele? - Ouviu a própria voz embargada dizer, o suspiro pesado do homem ao seu lado fez seu corpo estremecer, não era fácil para nenhum dos dois.
- Todos os dias. - Tomou o conhaque com os olhos fechados. - Eu sinto ele comigo em todos os momentos do meus dia, me pego conversando com ele e do nada percebo que ele não está aqui. - Riu fraco. – E depois da gravidez da , aumentou muito.
- Eu vi uma foto nossa hoje, minha e do Tonio. - desviou os olhos de seu copo para a loira ao seu lado, fazia tempo que não escutava aquele nome fora de seus pensamentos. – Eu quase desidratei de tanto chorar a falta que ele me faz.
- Eu também me sinto assim. – girou o corpo para olhar a amiga, que prestava atenção nas unhas pintadas de vermelho. – Eu vou ter um filho e ele não está aqui para ver isso, ou para ser padrinho do meu bebê.
Inés bufou.
- Eu nunca terei filhos com ele, . - O homem sorriu ao escutar o apelido, Inés nesse momento enchia seu copo até a borda e mostrou a garrafa para ele que respondeu lhe estendendo o copo, para que fosse preenchido. – Eu sempre sonhei em ter um filho com Tonie. Vivíamos falando e planejando como seria nossa família. - Encolheu os ombros totalmente indefesa. – Eu gostaria de poder mudar tudo, gostaria de pode fazer algo. – Inés encarava o copo totalmente concentrada. - Sinto falta dos olhos dele me encarando pela manhã, e de ouvir a risada escandalosa dele quando ganha algo, eu queria... Eu só queria... - Ela foi incapaz de terminar a pronuncia, seu rosto foi tomado mais uma vez por lágrimas, incapaz de se controlar permitiu mais uma vez expor tudo que sentia.
- Eu sei. - abraçou-a, trazendo-a para seu peito. – Eu também sinto saudades todo dia.
- Eu gostaria de ver o Tonio sendo padrinho de seu bebê. - A loira sorriu mais uma vez com a imagem do ex- piloto segurando a criança de nos braços, era a coisa mais linda.
- Já que o Tonio não esta aqui, você é a pessoa para fazer isso. Eu não teria coragem de dar meu bebê para outra pessoa apadrinhar. – O momento em que fechou a boca foi o mesmo escolhido por para girar a maçaneta, abrir a porta e entrar no apartamento do namorado, no exato segundo em que uma Inés embasbacada criava forças para abrir a boca.
- Eu vou ser a madrinha o seu bebê?
- Eu não acredito nisso . – esbravejou colocando as sacolas que segurava no chão, o símbolo de lojas de bebê dizia o que continha nas embalagens. A morena que estava com uma barriga redonda e linda se aproximou dos amigos, seu semblante era nublado. – Eu preparei uma enorme surpresa, comprei presentes, preparei um jantar, para só então contar a Inés que ela iria ser madrinha e você me solta isso assim? Estragando completamente o que planejei.

O piloto francês arregalou os olhos se dando conta do que tinha feito, parecia em ponto de ebulição, se fosse um desenho animado estaria com fumaças saindo das orelhas, antes de falar pensou no que iria dizer já que nos estágios finais da gravidez a namorada andava com os hormônios a flor da pele.

- Amor. - Ele chamou calmo. - Eu fiquei emocionado com a conversa.
- Isso não é motivo! – Ela exclamou alto e essa foi deixa para Inés levantar.
- Eu vou pegar mais álcool, quando domar a fera, me chama. – Com um sorriso sapeca Inés levantou do sofá fazendo o mesmo caminho que minutos atrás, entretanto, antes que pudesse chegar ao bar, uma fotografia sobre uma das prateleiras de troféus confiscou sua atenção.

, ela e Anthoine.
Era uma foto antiga. Foi tirada alguns anos antes e eles estavam indo jantar para comemorar ter iniciado sua primeira temporada na Fórmula 1. O sorriso de Tonio estava gigante, completamente orgulhoso do amigo mesmo que ainda não fosse a sua vez, Tonio também acreditava que sua hora chegaria. E se tinha algo que entristecia o coração de Inés era o fato dele não ter tido o tempo necessário para fazer isso.
Mas apesar dos sonhos profissionais terem sido interrompidos com a morte prematura do francês, havia algo que Anthoine sempre teve e sempre se vangloriou de ter: amigos, família e amor.
Para Inés, amar Anthoine foi a maior dádiva que conseguiu ter na vida. E era grata todos os dias pelo privilégio que poucos seres humanos tinham. E por isso voltou seu olhar para o jovem casal atrás de si, tinha conseguido acalmar a namorada por estragar a surpresa que foi preparada e agora estava ajoelhado com os lábios amassados na enorme barriga de oito meses de e murmurava palavras bonitas para o bebê.
Inés se emocionou com a cena e voltou a encarar a fotografia emoldurada, na foto os braços de Anthoine estavam sobre sua cintura e o sorriso em seu rosto era tão pleno que fez Inés se arrepiar por completo com a lembrança.
Havia pessoas que lutavam a vida inteira para encontrar o amor, Inés Dubois com apenas 22 anos foi capaz de viver o mais lindo e intenso dos amores, ela era mesmo uma mulher de sorte.


Maio de 2021, França.

O dia estava maravilhoso, ensolarado e com uma brisa agradável vindo do norte, que não permitia que o calor se transformasse em um incômodo; era tão lindo que chegava a ser um insulto à humanidade, tamanha a perfeição que eles não sabiam valorizar.
Conforme ia caminhando pelos túmulos do St Cheron Cemetery percebeu a namorada apertar sua mão com mais força fazendo- o parar.
tinha um belo sorriso nos lábios, os cabelos estavam mais curtos que antes, ela dizia ser coisa da maternidade o que achava um absurdo já que ela ficava linda de qualquer jeito e não precisava arrumar desculpas para o feito.

- O que foi?
- Eu vou esperar vocês no carro. – Ela pontuou vendo o filho se mexer nos braços pai. – É um momento de vocês.

Ela deu mais um sorriso, beijando os lábios do loiro e a cabeça do bebê que procurava uma posição confortável no colo do progenitor.

- Eu te amo e nós seremos rápidos.
- Leve o tempo que precisar. - girou nos calcanhares voltando para o carro estacionado na sombra e após ter a certeza que a mulher estava segura, o piloto seguiu o caminho que ele sabia de cor, mesmo que detestasse isso.

Ele respirou fundo tentando controlar sua respiração errônea para que o ser pequeno não sentisse toda a emoção que aquele momento parecia, mas mesmo com toda força do mundo não impediu que as lágrimas rolassem no mesmo instante em que avistou a lápide do amigo.
Um sentimento de saudade abraçou seu corpo e por um momento foi incapaz de continuar a caminhada, respirou fundo por mais incontáveis segundos e ajeitou o filho nos braços, fazendo o pequeno o olhar, as íris claras assim como as suas brilhavam com a intensidade do sol e o bebê esboçou um sorriso, como se incentivasse o pai a terminar a caminhada.
E assim o homem o fez e poucos passos depois estava diante do túmulo de Anthoine Hubert.
agachou de cócoras e ficou observando a lápide de mármore branca, onde os nomes de seu amigo e as palavras ‘filho amado’ estavam escritos com uma letra escura, destacando-se. Ele posicionou o bebê com a barriga de frente para o túmulo apoiando o corpo do filho em seu próprio peito.

- Oi Tonio. - Ele disse baixinho, esperava se sentir idiota falando com o nada, mas era exatamente o oposto disso, era quase como se sentisse que eles estavam escutando. - Eu sinto sua falta e me desculpe não vir antes, as coisas estavam uma loucura. - Permitiu-se um riso triste. - Mas hoje eu vim te apresentar meu filho. – Ele apertou as bochechas do bebê lhe fazendo um carinho, – Filho esse é o tio Tonio, ele foi um grande amigo do papai e eu sinto falta dele todos os dias e sei que se ele estivesse aqui seria um tio muito melhor que o Charlie. – Sorriu mais uma vez ao se lembrar das brincadeiras idiotas que ele e faziam com sua criança. – E Tonio, esse é meu presente. O Nome dele é Anthoine em sua homenagem e quem sabe assim ele tenha luz como você tinha. - Houve uma breve pausa e ele colocou a mão no mármore frio, bem entre o nome dele. – Olhe por nós amigo, o mundo precisa de sua luz. Espero um dia te encontrar novamente e te contar pessoalmente todas as loucuras da minha vida e eu vou te abraçar muito forte Tonio, e matar minha saudade de você. Até lá meu amigo, fique em paz. Eu amo você.

Suspirou e fechando os olhos com as lágrimas que marcavam sua face controlou sua respiração, mas antes de se colocar de pé observou o filho que tinha o olhar vidrado em um ponto do cemitério e que sorria abertamente. procurou com os olhos o que o Anthoine via que o estava fazendo sorrir, mas não encontrou nada. Não havia nada ali, porém o bebê não parava de sorrir.
E então uma brisa gelada passou pelo local, a mesma que o brindou na primeira vitória da fórmula 1. Com o vento vieram muitas flores para emoldurar o tumulo do ex- piloto deixado o ambiente mais bonito e bem frequentado, dentro os diversos modelos que pintavam o ambiente um em especial chamou a atenção de , era uma Gérbera, exatamente a preferida de Hubert, foi com um buquê recheado delas que pediu Inés em namoro.
Quando a pequena flor rosa pousou sobre o nome esculpido no mármore, sorriu, pois ali ele teve mais uma constatação que seu amigo estava olhando por ele e agora também por seu filho.
O pequeno Anthoine tinha um anjo da guarda especial e que cuidaria de todos os detalhes de sua vida.

- Obrigada por cuidar de nós Tonio, você sempre fez isso muito bem. Eu te amo, irmão!

E assim, ajeitou o corpo do filho e colocou-se de pé voltando a caminhar para onde seu carro estava estacionado, a cada passo que dava sentia que não estava só.
Nunca esteve e jamais estaria.



FIM



Nota da autora: Oi lindas do meu coração, como estão? Mais uma das delicias da F1 por aqui, eu meu apaixonei por essa short que surgiu no meio da corrida de Monza da Itália nesse ano mesmo e já tem um espaço enorme em meu coração.
Quero dedicar essa fanfic para minha linda Larissa Carrião que foi a maior apoiadora dessa história. E também agradecer a participação da Antonella e da PP de Merci Pour Les Voitures e Rapides que vieram nos prestigiar com sua presença linda.






Outras Fanfics:
The Last Ride

Nota da Scripter:Que coisa mais linda e emocionante, arrepiei.
Essa fanfic é de total responsabilidade da autora, apenas faço o script. Qualquer erro, somente no e-mail.


comments powered by Disqus