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Última atualização: 26/06/2022

Prólogo

“O mundo bruxo sofrerá com uma nova ameaça. Gêmeos nascidos na data mística do nono mês, nascidos entre rios e mares, ultrapassando continentes em um lugar não tão valorizado. Somente eles poderão salvar a comunidade bruxa, pois possuirão um poder que a nova ameaça desconhece…”


Os burburinhos começaram a rondar os corredores da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. E também pudera, todos os professores andavam apressados rumo à sala da diretora McGonagall, chamando a atenção dos alunos curiosos que estranharam a situação.
A notícia de que três alunos novos iriam entrar no meio do ano letivo e que Hermione Granger, ministra da magia, e Harry Potter, chefe do departamento de execução das leis da magia do ministério, estavam pelo castelo, já era de conhecimento de todos. Um clima estranho pairava no ar da escola mais segura do mundo e todos estavam curiosos para entender o porquê.
Marius, o zelador emburrado que era o terror dos alunos, odiava quando ficavam inquietos e falantes, seu trabalho sempre era triplicado quando algo que despertava os ânimos acontecia. A porta do Salão Principal estava abarrotada de bruxos dos mais variados anos, todos queriam entrar primeiro para conseguir os melhores lugares nas mesas de suas respectivas casas. Depois de muito trabalho para que tudo ficasse na mais perfeita ordem, os cochichos recomeçaram quando os professores se posicionaram na Mesa Principal acompanhados de ninguém mais, ninguém menos que Harry Potter e Hermione Granger.
Mas todos se aquietaram quando a enorme porta do Salão Principal se abriu, revelando a Diretora McGonagall, que carregava o Chapéu Seletor, sendo seguida por três pessoas que ninguém nunca tinha visto antes. Eles andavam um ao lado do outro, com as cabeças erguidas, sem nem olhar para o restante dos alunos que os encaravam sedentos por informações.
Eram os alunos novos.
O mais alto, e que estava do lado direito, possuía olhos azuis que pareciam não demonstrar nenhuma emoção por estar ali. Seus cabelos castanho-claros meio aloirados caiam até a metade da sua testa e combinavam com sua barba devidamente aparada. Ele estava com o uniforme padrão da escola, com a exceção de uma capa marrom que estava em seus ombros, parecia ser parte da roupa da Durmstrang. O rapaz do lado esquerdo era quase da mesma altura que o primeiro. Usava óculos redondos, tinha o cabelo loiro penteado perfeitamente em um topete, com alguns fios teimosos que insistiam em cair na sua testa. Seu uniforme era padrão e perfeitamente passado. Seu jeito de andar e a forma que segurava a mão da mulher que estava ao meio passavam a impressão de que ele era sério e protetor.
Mas, entre os dois homens, a menina se destacava. Sua pele era negra e ao mesmo tempo bronzeada, seus cabelos eram cacheados e pretos, que lembravam a noite. E tudo isso fazia o contraste perfeito com seus olhos azuis, traço este que era igual nos três. Ela usava o uniforme de forma incompleta, somente a blusa branca dobrada até os cotovelos, que revelava seu braço direito coberto por tatuagens com traços finos e únicos. O jeito que ela andava, mesmo de mãos dadas com o loiro, e mantinha seu olhar fixo no centro do Salão Principal transpirava confusão. Ela era o tipo certo de que daria trabalho na escola.
A professora Minerva colocou o Chapéu Seletor em um banquinho bem à frente da mesa dos professores e se dirigiu para o pódio esculpido com uma coruja na frente da cadeira da diretora. Os três novatos ficaram parados em linha reta à sua frente.
— Boa noite, alunos. Antes que possamos jantar, apresento-lhes os novos alunos de Hogwarts. — Minerva direcionou seu olhar para eles. — Sejam bem-vindos e saibam que Hogwarts é a escola de bruxaria mais segura do mundo.
Parecia uma mensagem subliminar que somente eles entendiam, assim como Harry e Hermione, que se entreolharam na mesa principal.
— O Chapéu Seletor definirá onde vocês irão pertencer.
E sem mais delongas, o artefato se pôs a cantar:

Não há nada escondido em sua cabeça
que o Chapéu Seletor não consiga ver
Por isso é só me porem na cabeça que vou dizer
Em que casa de Hogwarts deverão ficar.
Quem sabe sua morada é a Grifinória,
Casa onde habitam os corações indômitos.
Ousadia e sangue frio e nobreza
Destacam os alunos da Grifinória dos demais;
Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar,
Onde seus moradores são justos e leais
Pacientes, sinceros, sem medo da dor;
Ou será a velha e sábia Corvinal
A casa dos que tem a mente sempre alerta
Onde os homens de grande espírito e saber
Sempre encontrarão companheiros seus iguais.
Ou quem sabe a Sonserina será a sua casa
E ali fará seus verdadeiros amigos
Homens de astúcia que usam quaisquer meios
Para atingir os fins que antes colimaram.
Mas este ano farei mais que escolher
Ouçam atentamente a minha canção:
Embora condenado a separá-los
Preocupa-me o erro de sempre assim agir
Preciso cumprir a obrigação, sei
Preciso quarta-los a cada ano
Mas questiono se selecionar
Não poderá trazer o fim que receio.
Ah, conheço os perigos, os sinais
Mostra-nos a história que tudo lembra,
Pois nosso mundo corre perigo
Que vêm inimigos externos, mortais
E precisamos unir em seu seio
Ou ruiremos de dentro para fora
Avisei a todos, preveni a todos…
Daremos agora início à seleção.


— Cada ano esse Chapéu fica mais doido. — Uma voz masculina foi ouvida na mesa da Grifinória, fazendo risadas se espalharem pelo local.
— Silêncio, . — McGonagall ordenou e rapidamente o silêncio voltou. — .
O rapaz mais alto sentou no banco e a diretora colocou o Chapéu em sua cabeça.
— Eu vejo raiva em seu coração, mas também vejo medo… pelas barbas de Merlin… — apenas podia escutar. — Você será da Sonserina! — Bradou para todos.
Gritos vindos da mesa verde e prata explodiram pelo salão. A diretora retirou o chapéu de e ele, finalmente, direcionou um aceno para a mesa e sentou-se ao lado de um rapaz de cabelos negros.
.
O loiro soltou a mão da menina que permaneceu intacta, sem demonstrar nenhum tipo de emoção. O Chapéu foi colocado em sua cabeça e o artefato se pôs a pensar.
— Você vai ser extraordinário, se daria muito bem na Grifinória… você tem correspondência com a terra, não tem medo da dor nem do trabalho árduo. É paciente e leal. Aprenderia muito na Grifinória… Mas consigo ver seu coração. — O rapaz se remexeu no banco, nem ele sabia o que se passava em seu coração naquele momento. — Você será da Lufa-lufa!
ajeitou os óculos, sorriu em direção à negra que esperava sua vez, e seguiu em direção à mesa amarela e preta, que o aplaudia e gritava por conta do novo membro.
.
Os burburinhos pelas mesas voltaram, o recém lufano e ela eram irmãos. sentou no banco, Minerva nem chegou a encaixar o Chapéu Seletor em sua cabeça, prontamente ele gritou:
Sonserina!
Fazendo com que os professores se entreolhassem e Hermione e Harry encarassem a menina. Essa que os encarou de volta, dando um leve sorriso de canto.
A escolha era única e tinha sido feita.


Capítulo 1

, e foram acordados cedo pelos diretores de suas respectivas casas, Edmund Zabini e Emma Summerbee, e encaminhados para o escritório da diretora. O escritório ficava no terceiro andar e sua entrada era guardada por uma gárgula de pedra.
— Será que ela fala? — perguntou em um sussurro quase inaudível, fazendo rir baixo.
— Raramente, , mas fala. — Zabini respondeu e os três se entreolharam como se estivessem se perguntando como ele tinha escutado.
— Bola de pelo. — Summerbee disse a senha e gárgula se afastou, revelando uma enorme escadaria de pedra em espiral.
Os três pularam nas escadas após os diretores e foram levados para uma antecâmara, onde ficava um andar acima da torre, que possuía uma enorme porta de carvalho, exibindo a aldrava de latão polido de um grifo. Eles entraram no escritório amplo e muito bem iluminado por diversas janelas; era também muito bem decorado.
admirava os quadros dos antigos diretores de Hogwarts, parando em frente ao de Alvo Dumbledore, enquanto estava entretida com a quantidade gigantesca de livros que ocupavam as estantes do lugar. Já encontrava-se fascinado pela fênix ao lado da mesa de Minerva. Ele era perdidamente apaixonado por criaturas mágicas, mas quando colocou os olhos no animal sentiu algo diferente. Parecia que ele conhecia aquele grande pássaro escarlate do tamanho de um cisne, com sua plumagem vermelha e dourada, com bico e garras douradas e olhos verdes. Muito verdes. Normalmente fênixes tinham olhos negros. E como se o conhecesse, a criatura se pôs a cantar.
— Finalmente vocês se reencontraram — Minerva disse e a olhou sem entender. — Spykes é o nome dela. A fênix foi dada ao seu pai quando você e nasceram pelo melhor amigo dele, Rolf Scamander. Vocês irão conhecê-lo, é professor de Trato de Criaturas Mágicas. Mas o importante é que você, , é o verdadeiro dono dela. Spykes veio parar em Hogwarts porque seu pai não tinha como domesticá-la e você era uma criança.
sorriu e andou calmamente até a fênix, que baixou a cabeça para que ele pudesse acariciar sua cabeça.
— Sua varinha tem uma pena de Spykes. Vocês já estavam predestinados a ficarem juntos.
— Mas como isso é possível? Eu...
— Tem certas coisas que são destino, . E a amizade de Scamander e seu pai ainda é muito forte.
Antes que eles pudessem fazer ainda mais perguntas, Minerva pediu para que se sentassem nas três poltronas aveludadas que surgiram à frente de sua mesa.
— Precisamos conversar sobre as matérias que vocês irão estudar aqui em Hogwarts. Eu já tenho todo o histórico escolar de vocês, CASTELOBRUXO e Durmstrang mandaram ontem para que pudéssemos analisar. Os diretores ficaram responsáveis por verificar cada ementa escolar e é a mesma entre as escolas, então não terão problemas quanto a falta de conteúdo. Mas quanto às notas... — soltou um pigarro, coçando a cabeça em seguida.
era conhecido em Durmstrang por ter um raciocínio bastante rápido para números e poções, mas deixava a desejar bastante nas outras disciplinas. Não era falta de inteligência, mas sim preguiça. Ele achava certas disciplinas incrivelmente desinteressantes e deixava de estudar para elas, levando-o a ter algumas reprovações em seu currículo.
— Vamos analisar se você irá precisar de reforço, , não se preocupe. — Zabini explicou e deu um sorriso amarelo. Torceu internamente para que não o jogassem em aulas demais.
, ao contrário do primo, possuía um boletim escolar exemplar. Desde o primeiro ano, oscilava somente entre ótimo e excede as expectativas. Em CASTELOBRUXO focavam bastante em Herbologia e o rapaz era uma espécie de prodígio na matéria, o professor Neville Longbottom ficaria feliz de tê-lo em suas aulas.
variava entre O, E e Aceitável, mas tinha destaque notável e admirável em Transfiguração, fazendo com que a Diretora Minerva tivesse o desejo de dar aulas extras à aluna. Não era sempre que uma possível pupila aparecia pelo castelo.
— Vocês ainda têm o desejo de fazer Música dos Trouxas como matéria extra?
— Sim! — e responderam em uníssono, rapidamente.
A música era a paixão deles e eles sorriram um para o outro ao descobrir que tinham aquilo em comum. Os dois, mesmo sendo primos, não mantinham contato frequente.
, você fará Estudos Avançados em Feitiços, confere? — Zabini perguntou ao lembrar que a negra fazia a matéria na antiga escola.
— Sim, senhor. Tenho muito apreço por feitiços e transfiguração. — Minerva sorriu ao escutar da própria menina que ela gostava da disciplina.
poderia ser um talento nato. Das bruxas daquela idade, somente Hermione Granger tinha apreço pelas matérias mais difíceis da escola.
— No sexto ano vocês têm mais períodos livres, — avisou a diretora — portanto recomendo que os usem para estudar bastante.
Então Minerva entregou um pergaminho para cada um onde constavam os seus horários em Hogwarts. iria fazer, além das disciplinas obrigatórias, Runas Antigas, Adivinhação, Estudos Avançados em Feitiços e Transfiguração. tinha em seu horário Trato das Criaturas Mágicas, Estudos Avançados em Herbologia, Poções, Alquimia e Música dos Trouxas. Por fim, iria estudar Aritmancia, Estudos Avançados em Poções e Música dos Trouxas.
— Voltaremos a falar mais vezes sobre os horários de vocês no decorrer do ano e das situações...
— Isso tem relação com Hermione Granger e Harry Potter estarem sentados na mesa dos professores? — perguntou, interrompendo a diretora.
— Iremos tratar sobre isso em outro momento, Senhorita . Agora vocês têm aulas de feitiços, e é melhor correrem se não quiserem se atrasar para a aula do professor Malfoy.
Os três levantaram-se rapidamente e saíram da sala, guardando seus pergaminhos nos bolsos. O pai dos já tinha comentado sobre Malfoy no período em que estudou em Hogwarts e tremeu só de imaginar o professor, ao contrário de sua irmã que estava animada para conhecer o melhor mestre de feitiços depois de Severo Snape. Já só desejava não ser reprovado mais uma vez naquela disciplina infernal.
— Escadas malucas. — reclamou quando pisaram na escada que iria até o andar da sala de feitiços e ela começou a se mexer.
— Em Durmstrang não tinha tantas escadas assim.
— Essa escola é toda maluca, eu não sei como papai estudou aqui, de verdade.
— Eu já acho ela fascinante. — disse com um pequeno sorriso no canto dos lábios.
Desde o momento que conheceu Spykes, a fênix, ele ficou decidido em tentar descobrir o que mais o castelo tinha para lhe oferecer. Sabia que ali ele teria aula com os melhores dos melhores, e ver Potter e Granger na recepção deles era uma prova daquilo.

*


A sala de aula de feitiços ficava localizada no segundo andar, no lado Oeste. Na sala existiam quatro mesas grandes e compridas construídas com madeira de Bubinga, o tipo mais caro no mundo trouxa, que ficavam localizadas nos lados do lugar, deixando um enorme espaço bem no meio. Quando os primos chegaram, a turma já estava devidamente sentada e o professor Malfoy escrevia no quadro negro.
Antes que pudessem se acomodar, o homem virou.
— Bem-vindos um, dois e . Espero que o atraso não seja comum na minha aula.
o olhou com os olhos arregalados e sentiu um frio na espinha, ele claramente tinha receios com o professor. o imitou baixinho e sentou rapidamente, com os primos sentando ao seu lado em seguida.
— Já que todos estão devidamente acomodados, estávamos falando sobre feitiços não-verbais de desarmes em duelos. Espero que a senhorita não decepcione os ensinamentos que teve na sua antiga escola. — Draco andou até o meio da sala e fez sinal para que a novata levantasse. — Você irá participar de uma demonstração com a senhorita Clemment.
A aluna da Grifinória levantou com o ar de superioridade que exalava na sala inteira. balançou a cabeça negativamente quando Clemment encarou da cabeça aos pés.
— Se cumprimentem, — guiou e as duas obedeceram, fazendo a reverência. — Ergam suas varinhas — ambas brandiram as varinhas, permanecia sem esboçar nenhuma reação enquanto a outra estava com um sorriso debochado nos lábios — e no três, duelem.
— Vamos ver o quanto você aguenta, novatinha cheia de si.
As duas se deram as costas e deram cinco passos, Draco começou sua contagem e no três, viraram prontas para duelar. Antes mesmo que Clemment pudesse completar seu feitiço, bradou rapidamente e com uma segurança que Draco Malfoy só tinha visto em poucos alunos, inclusive nele mesmo.
Estupefaça. — O feitiço pensado por foi tão potente que arremessou Clemment para o final da sala, a fazendo bater contra o quadro e cair desacordada.
Draco correu para ver se a aluna estava bem, enquanto diversos elogios puderam ser escutados pelos alunos da Sonserina. soltou uma risada alta, tal qual o menino, também sonserino, com os antebraços cobertos por tatuagens. Esse que cruzou os braços e encarou a negra, impressionado. Os outros alunos olhavam assustados, era a primeira aula sobre desarmamento não-verbal e a novata tinha conseguido ser excelente. olhava a irmã orgulhoso, ele sabia que ela não iria deixar a provocação passar batido.
— Vou levá-la para a enfermaria. Cinco pontos para a Sonserina pelo feitiço ministrado perfeitamente e menos 10 pelas risadas, senhores e .
respirou fundo e voltou a sentar entre o irmão e o primo, mas sentiu-se incomodada com o rapaz que não parava de encará-la do outro lado da mesa.
— Tá olhando o quê? Perdeu alguma coisa aqui?
Bravinha. — Disse provocador, dando um sorriso cínico e desejou fazê-lo engolir a sua varinha.


Capítulo 2

O Salão Principal na hora do desjejum estava bastante agitado. As corujas chegavam com as correspondências e encomendas dos alunos de todas as casas, os estudantes conversavam animados com seus colegas sobre o que fariam no dia e até mesmo aproveitavam para discutir as respostas das lições da primeira aula. E na mesa da Corvinal não era diferente.
Os Corvinos conversavam sobre suas respectivas matérias, quadribol e abriam suas cartas, com exceção de , que enquanto devorava um pedaço de bolo de morango, estava concentrado em afinar seu violão.
adorava as quintas-feiras porque era o dia da semana que tinha três períodos da sua matéria preferida, Música dos Trouxas, e também porque dividia sala com seus melhores amigos, e . Era estranho que um Corvino fosse tão próximo assim de um Sonserino e Grifinório, mas eles eram.
E se davam muitíssimo bem.
colocou um grande pedaço de pudim na boca e levantou-se às pressas da mesa da Grifinória, indo em direção a , que parecia estar mais entretido com a leitura da revista de quadribol universitário do que com comer toda a refeição que estava à sua frente.
— Vamos, . — puxou o menino o fazendo quase cair do banco, batendo com suas pernas em quem estava ao seu lado.
— Meu Deus, homem, pra que essa pressa?
— Falta 10 minutos para a aula, bonitão, e não sei se você lembra, mas a sala fica na merda do sétimo andar.
deixou os ombros caírem. Só de lembrar que teria que subir tantas escadas e que mal tinha comido, seu corpo já começava a querer falhar de tanta preguiça. gritou o nome de no meio do Salão e o Corvino levantou-se rapidamente antes que o amigo gritasse novamente. Dos três, era o que falava mais alto, e naturalmente, sempre chamava atenção por gritar em momentos em que não deveria, como na noite em que os novatos chegaram e ele chamou o Chapéu Seletor de doido.
tinha um jeito único de ser.
— Vocês conseguiram afinar o violão? — perguntou assim que se juntou aos dois.
— Não consegui também, a única parte ruim dessa aula é que não podemos usar magia. — reclamou ao lembrar que passou a noite tentando afinar o violão, sem sucesso. — Somos bruxos e não podemos usar magia. Isso nem faz sentido.
— Na verdade, faz. A aula é Música dos Trouxas, não bruxos. — pontuou fazendo com que revirasse os olhos.
— Ainda bem que isso é um problema de vocês, o professor River só me passou tarefa de afinação de voz.
— Ninguém perguntou, .
— Ninguém mesmo. — completou, dando um tapa no pescoço de .
A tarefa de afinação de voz era muito melhor do que a de afinar instrumentos. era o único deles que veio de família trouxa e tinha muito mais costume com instrumentos musicais que os dois, mais até que que tinha só a mãe trouxa, mas fora criado no mundo bruxo.
— Ei! — Os três viraram para trás ao escutarem uma voz nada conhecida. — Vocês estão indo para a aula de Música dos Trouxas?
E então se deram conta que eram os meninos novos que tinham chegado na terça-feira. e .
— Sim! No sétimo andar, infelizmente. — respondeu. — Você é da Sonserina, né?
— Aham! Nós dois fazemos essa aula por sinal. É longe assim sempre? — Perguntou ao chegarem no sexto andar.
— Sempre. — fez uma careta e os meninos riram.
Toda aula reclamava por subir tantas escadas, ele realmente detestava.
— Por sinal, sou !
— E eu sou o . — O loiro falou pela primeira vez, ainda olhando para o violão que carregava.
adorava tocar e estava triste por não ter trazido o seu consigo para Hogwarts.
— Vocês tocam? — perguntou ao perceber o olhar do Lufano para o instrumento.
— Eu toco violão e , piano. Somos primos, aliás!
— Será que você consegue afinar nossos violões? — perguntou e sorriu, mas coçou a cabeça parecendo estar confuso.
Violões? Mas cadê o seu?
— Puta que pariu. — xingou, batendo a mão na testa.
havia esquecido o violão em seu dormitório que ficava do outro lado do castelo.
— Você vai ter que descer e ir buscar, cara. — soltou uma gargalhada, fazendo os outros rirem.
— Nem que me paguem mil galeões eu desço sete andares e atravesso o castelo para pegar essa porcaria. — Disse ao pisar no sétimo andar, a sala era ao final do corredor. puxou a varinha de suas vestes e bradou: — Accio violão.
E em menos de um minuto, para a tranquilidade do Sonserino, e dos amigos que não iam escutar as suas reclamações, o violão estava flutuando pela escadaria do sétimo andar.
— Agora sim.
— Olha, demos sorte, o professor ainda não chegou. — sentou no lado esquerdo onde estava acostumado a sentar.
Os cinco sentaram juntos, um pouco afastados do restante da classe que tinha apenas mais dez pessoas, e antes que os meninos pudessem pedir, estendeu a mão para que pudesse lhe dar o violão.
— Não tem muito mistério. — Disse paciente e começou a afinar o instrumento do mais novo colega. — Ensino depois!
E rapidamente terminou com o violão de , pegando o de em seguida.
— Como você consegue tocar? — Perguntou com a sobrancelha arqueada. Desafinado era pouco para aquele violão.
— Eu sempre pego o do .
— Então tá explicado porque o meu some toda vez e eu tenho que ficar fazendo feitiço para achar. — Disse com uma leve indignação em seu tom de voz, como se tivesse resolvido um mistério quase impossível.
— Feitiço? Quem está fazendo feitiço? — A voz do professor Teodorico Tremlett invadiu a sala e rapidamente passou o violão para , torcendo para que ele não tivesse prestado atenção.
— Ninguém, professor!
— Eu acho bom mesmo. Aliás, temos caras novas na nossa turma! e , vocês podem se apresentar?
— Oi! Eu sou o , sempre gostei de música pelo que me lembre e meu padrinho acabou me presenteando com um violão... — foi o primeiro a se apresentar, mas quando começou a falar do padrinho, parou.
Aquela era a única memória que tinha do padrinho e ele só tinha a notícia que o homem trabalhava em Hogwarts, mas não fazia ideia do sumiço. Nem se tinha relação com seus pais. Seus pais. A cabeça do loiro começou a trabalhar mais rápido do que ele conseguia organizar seus pensamentos, nem se deu conta que a classe o encarava como se estivessem esperando ele terminar sua fala.
— Sou o ! E a gente é da mesma família. — , ao perceber que tinha algo de errado com o primo, levantou-se, atraindo a atenção da turma para si. — Eu sempre estive na companhia de música também. Tive que aprender sozinho porque meus pais nunca foram ligados no mundo Trouxa, então até hoje não sabem bem o porquê de eu tocar o que toco. — Deu de ombros e arrancou risadas da turma — Eu toco violão, guitarra e piano. E acho que canto um pouco também.
— Uma família musical! Excelente, meninos, podem se sentar! Vejo que vocês já se enturmaram e isso é ótimo, vai ajudar bastante nas próximas atividades.
— Atividades, já? — perguntou no mesmo momento em que todos ficaram quietos, atraindo olhares não tão amigáveis do professor.
— Sim, , atividades. E vamos começar pelo Baile de Inverno.
Os burburinhos na sala começaram e os cinco se entreolharam apreensivos. Os que gostavam do Baile não queriam perder de jeito nenhum a noite da festa; os que não gostavam, não queriam perder a noite livre que poderiam ficar de bobeira pelo castelo, sem ter alguém enchendo a paciência para irem para os dormitórios ou saírem do pátio principal. Na Noite do Baile de Inverno, todos ganhavam.
— Mas profe…
— Todos vocês irão se apresentar na noite do baile. Vocês formarão grupos musicais! , e , vocês já estão perto de e , fiquem juntos. O restante de vocês pode se dividir, em trios ou grupos. A missão de vocês é compor uma música e apresentar na noite do Baile de Inverno, para toda a escola.
Os meninos estavam esperando tudo, menos aquilo. Mas os cinco estavam mais do que ansiosos para começar a trabalhar em equipe.
— Precisamos de um nome.
— E você de uma direção na sua vida, . Cale a boca e preste atenção. — retrucou, pela primeira vez estava totalmente focado na aula de Música dos Trouxas, a ideia de se apresentar em público lhe parecia incrível.
— ONE DIRECTION! Vamos nos chamar One Direction! — gritou, fazendo com que até mesmo o professor parasse a explicação da atividade.
— One Direction? Me soa bem, . Vocês já começaram bem.
Teodorico elogiou o grupo e todos olharam surpresos para , que tinha um sorriso em seu rosto como se tivesse acabado de ganhar a Taça das Casas.
*

A aula terminou e todos saíram animados com a nova atividade do professor Tremlett, mas sabia que algo tinha acontecido com o primo no início da aula.
— Você está bem, cara? — Perguntou baixo quando se afastaram dos outros três.
— Eu acho que preciso conhecer meu padrinho. Ele vai ter a resposta.
— Rolf Scamander?
— Sim! Acho que ele tem a resposta para as coisas que tem acontecido na nossa vida, na minha, sua, .
— Droga! — reclamou, fazendo todos pararem de andar. — Não vou ter aula de Trato de Criaturas Mágicas por três semanas.
— E você tá reclamando? — perguntou. — Como alguém poderia reclamar de conseguir dispensa de aula?
— Eu tiro notas boas nessa aula, não é, ? — O amigo somente fez sinal de positivo com a cabeça. — Professor Scamander me adora. Sei lá se alguém vai substituir ele.
— Professor Rolf Scamander não vai mais nos dar aula? Eu faço essa matéria também! — se intrometeu.
— Não sei, acabei de receber o aviso aqui no meu horário. — Bradou o pergaminho enfeitiçado que tinha o aviso que as aulas estavam canceladas. — Não sei se vão substituí-lo.
— Eu espero que ele volte logo.
— Eu também! Você vai adorar conhecê-lo.
sorriu. Ele realmente adoraria conhecer o seu padrinho. O que não via há muito tempo.

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estava deitada no enorme sofá do Salão Comunal da Sonserina, que ficava localizado nas masmorras da escola. A negra gostava bastante da longa sala que provavelmente ficava abaixo do Lago de Hogwarts, com suas paredes de pedra rústica, de cujo teto pendiam correntes com luzes redondas e esverdeadas. O canto preferido de ali era aquele confortável sofá de couro que ficava bem na frente de uma enorme lareira que aquecia o ambiente inteiro.
Mas, mesmo com todo aquele ambiente confortável, luxuoso e impecável, sentia falta do Brasil. Do sol que pegava em todos os horários livres que tinha, as praias que frequentava nos feriados e férias com sua família. sentia falta de seus pais. E ela sabia que só tinha uma pessoa que poderia culpar por não ter mais nada daquilo.
— Ei, baixinha, como foi o primeiro dia? — perguntou ao empurrar a perna da prima para que pudesse sentar no sofá.
— Tirando a vontade de socar umas cinquenta vezes aquela insolente da Grifinória, foi um dia bom.
— Você, com vontade de socar alguém? Ninguém imaginou isso — provocou e recebeu um olhar nada amigável da prima, mas ainda assim mandou um beijo no ar para ela. — Quem é essa sua nova amiga?
— Aquela tal de Clemment, céus, quem ela pensa que é? Metida a sabichona, ficou comentando que ontem me deixou ganhar o duelo. Ela é maluca? Eu ganharia dela sem nem precisar pensar direito no feitiço.
— Nós sabemos disso, .
— Não é óbvio? — Perguntou demonstrando toda a sua irritação com a nova colega de classe.
— Ela não estava esperando ontem, e aquilo foi incrível! — elogiou verdadeiramente e a prima sorriu. — Você tem praticado aquele feitiço, não é?
— Não tanto quanto estava praticando quadribol. E agora, porque estou presa nesse castelo longe de casa, não posso mais praticar.
— Mas , você pode entrar no time de quadribol daqui e treinar.
— Você acha que eu devo?
— Eu posso falar com o menino que…
— Então quer dizer que a bravinha joga quadribol, é? — interrompeu e sentou ao lado do novo amigo, fazendo bufar, cheia de raiva.
— Aposto que jogo melhor que você. Aliás, quem é você?
soltou uma risada provocativa, levantou e estendeu a mão para a brasileira.
— Prazer, bravinha. , batedor e capitão do time. Bem vinda à Sonserina, aliás.
deu uma piscadela para e saiu do Salão em direção ao dormitório, deixando a negra, pela primeira vez, sem fala.
— Como eu ia dizendo, eu poderia falar com o menino que conheci hoje para você entrar no time, mas ele meio que já se apresentou. — coçou a cabeça e o encarou.
— Esse babaca é seu amigo? Desde quando?
— Hm… hoje? A gente faz a mesma aula, música dos trouxas.
— E ele ainda é músico? — perguntou indignada.
Como aquele arrogante poderia fazer tanta coisa e será que era bom em todas elas? Ele não tinha cara de ser nada excelente, pensou a negra.
— Ele é um cara legal, baixinha. Você vai conhecer ele melhor depois.
— Eu não quero conhecer melhor, . Não quero mesmo. — Foi convicta, mas o primo deixou escapar uma risada.
encarou o primo e voltou a ler seu livro. Fingir que estava lendo, na verdade, pois dentro de sua cabeça só passava o último diálogo que tinha tido com . Ninguém nunca a tinha deixado sem fala, nem mesmo quando era criança. sempre tinha tido uma resposta na ponta da língua para todas as situações, o que a colocava em problemas muitas vezes. Ela nunca era pega de surpresa.
Aquela tinha sido a primeira vez. Graças a , o menino que ela não queria conhecer melhor.


Capítulo 3

gritou. Gritou tão alto que nas masmorras mais distantes do CasteloBruxo pôde ser ouvida. Aquilo tudo que tinha acabado de escutar não era real. Não podia ser real. não podia fazer mais nada. E então, caiu. De joelhos, olhou suplicante para o irmão e gritou mais uma vez. Mas daquela vez parecia que ninguém a podia escutar”.


Lua se espantou com a companheira de dormitório gritando e murmurando palavras indecifráveis. Seu coração apertou quando se aproximou da cama e viu a menina, recém chegada ao castelo, daquele jeito. Parecia que estava ardendo em febre, seu rosto estava molhado e a testa pegando fogo.
? — Chamou-a pelo nome e a negra acordou em um pulo, com os olhos arregalados e as mãos prontas, como se fosse se defender. — Ei, calma! Relaxe.
— Hm... Desculpe. Eu me espantei. — Esfregou os olhos e sentou-se. — Você é Lua, não é?
— Sim! Eu fiquei preocupada, você estava gritando…
— Gritando? — a interrompeu. — Hm, devo ter tido um pesadelo… Mas obrigada por se preocupar e me acordar! Evitou que as outras escutassem e começassem a falar que sou maluca. — Lua riu e balançou a cabeça negativamente.
— Você ainda é um mistério para o pessoal daqui, mas estamos contentes em ter você e seu primo na Sonserina.
— Bem melhor que na Grifinória, não é mesmo?
— Você já pegou o espírito da coisa. — Lua respondeu, se despedindo, e voltou para sua cama.
esfregou os olhos mais uma vez, respirou fundo como seu irmão havia ensinado e se arrumou na cama para tentar dormir novamente.
Ela só esperava que aquele episódio não fosse frequente. Seria terrível perceberem que tinha algo de errado com ela.

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Mesmo estando a poucos dias na escola, os primos - já tinham seus lugares preferidos no castelo, onde gostavam de ficar sentados e jogar conversa fora. O preferido de era o Pátio do Meio, também conhecido como o Pátio da Transfiguração. O lugar tinha um enorme gramado e era completamente aberto, além de ter uma árvore secular gigantesca, cuja sombra era um dos locais mais disputados entre os estudantes no intervalo das aulas.
— Esse clima de sol me lembra o Brasil. — disse e a irmã o encarou, parecendo irritada.
— Você só pode estar maluco.
— Qual é, … deixe de ser reclamona um pouco e observe mais o lugar. Não é tão ruim. — O loiro insistiu e bufou, fazendo o primo rir da pequena discussão entre os irmãos .
— A verdade é que fico irritada com essa falta de informação. Quantos dias já passaram e o que dão para nós? Nada! Fico me perguntando o que estão tentando fazer para capturar quem...
, — a interrompeu — você precisa ocupar sua cabecinha com outras coisas, fazer coisas que fazia normalmente, sabe?
— Como se tudo estivesse normal nessa merda. — resmungou mas assim que percebeu que os três tinham companhia, se calou.
— Oi! — cumprimentou os amigos mas ficou encarando por um longo tempo, assim como .
Algo estava diferente na menina. encarava os dois sem entender o porquê deles estarem a olhando por tanto tempo, como se estivessem confusos.
— Você é a , não é? — , enfim, perguntou coçando a cabeça.
— Sim! — Respondeu ainda mantendo a expressão confusa.
— Claro, ! A gente não estava te reconhecendo por causa do cabelo. Quando você mudou? — perguntou ao se sentar de frente para a menina e sentou ao seu lado.
— Ah, o cabelo! — soltou uma risada.
— A gente já até se acostumou, ela muda toda semana. — disse e tocou nos cabelos com uma expressão convencida.
— Depende do meu humor! — Brincou.
, que quando chegou na escola estava com o cabelo cacheado, agora possuía boxbraids curtíssimas e finas, penteadas perfeitamente para trás. Desde mais nova, conseguiu criar com maestria seu primeiro feitiço de transfiguração no próprio corpo. Desde então, conseguia mudar o cabelo como e quando quisesse.
— Ei, você joga quadribol, não é? — perguntou a , que concordou com a cabeça. — Que horas é o treino da Sonserina, você sabe?
— É agora. O nosso é só no final do dia. Você também joga?
— Eu não, ela sim. — e a olharam surpresos. — Vamos lá, !
relutou por poucos segundos, mas cedeu. Só ela sabia o quanto sentia falta de quadribol, o esporte a desestressava e fazia muito bem para sua mente. Era seu equilíbrio.
Os cinco saíram correndo em direção ao campo, que ficava localizado na parte da frente de Hogwarts, ao lado da Floresta Proibida. Assim que chegaram, por sorte, encontraram o time da Sonserina conversando no campo. Eles estavam escutando as instruções do capitão , mas pararam assim que se deram conta que estavam acompanhados.
— Virou bagunça? — Komark, o apanhador do time, perguntou, mas foi ignorado por que se dirigiu a .
— Como faço para entrar no time? — Foi direta, fazendo os cochichos entre o time começarem, e cruzou os braços.
— Boa tarde, bravinha. — revirou os olhos. — A seleção já aconteceu…
— Ah, pare! — O interrompeu — Você ainda nem me viu jogar. E eu não estava aqui quando a seleção aconteceu.
— Qual sua posição? Goleira, batedora…
— Apanhadora. — Komark soltou uma risada e o fuzilou com o olhar. — Tá rindo de quê, hein? Aposto que sou melhor que você.
Ninguém esperava por aquela resposta da novata, nem mesmo , que estava surpreso com a firmeza e segurança da negra. Ele ficou ainda mais tentado para ver até onde ela iria.
— Então vamos fazer assim, bravinha, se pegar a pomo antes de Komark, você tá no time.
— Vai perder fácil. — O apanhador titular provocou.
— Isso não é justo, . — interrompeu — nem tem vassoura.
— Fique quieto, Corvinal. — Komark retrucou, recebendo um olhar nada amigável do capitão do time.
Mas antes pudesse responder, puxou a varinha de seu uniforme e bradou “Accio Firebolt”. Em segundos, sua vassoura já estava em sua mão direita.
— Podemos começar?

🧹


não iria dizer em voz alta, mas estava impressionado com a tamanha agilidade de . Fazia cinco minutos que ele tinha soltado a pomo de ouro e os batedores reservas, só para o desafio ficar mais difícil, estavam trocando balaços que por vezes passavam muito perto dos dois apanhadores.
optou por voar em círculos nos primeiros dois minutos para que pudesse se familiarizar com o campo em que nunca tinha jogado. Apesar de não ser muito diferente do que tinha no CASTELOBRUXO, as dimensões eram perfeitamente oficiais, ela precisava se acostumar com o clima novo assim como os ventos. Mas bastou passar os cinco primeiros minutos que já estava familiarizada e com uma estratégia montada em sua mente. Quadribol era algo que sabia jogar.
Assim que visualizou a minúscula pomo, seguiu sua estratégia e voou alto, mergulhando em seguida, atraindo Komark para seu encalço. Percebendo que o adversário estava a seguindo, sorriu, se desviando do chão e escutando o barulho do sonserino colidindo.
— Incrível. — deixou escapar mas foi abafado pelos gritos da pequena torcida de e pelo burburinho do time titular da Sonserina que também estava na arquibancada.
— Simplesmente a Finta de Wronski! Como ela teve coragem? — perguntou e depois gritou o nome de quando ela apanhou a pomo.
— É a marca registrada dela. — respondeu aplaudindo a gêmea.
A Finta de Wronski era uma tática diversionista, com o intuito de confundir o apanhador adversário fazendo com que ele, por estar perseguindo muito rápido, não tivesse tempo de sair do mergulho, batendo diretamente no chão, sendo uma manobra arriscada que mesmo após anos era difícil um apanhador realizar com tamanha maestria.
Por Viktor Krum, ela conseguiu! — Isaac Morley exclamou surpreso quando desceu da vassoura e foi para a beira de campo. — Cara, ela tem que estar no time.
nem respondeu para o goleiro sonserino, desceu da arquibancada, com todos os outros ao seu encalço, em direção a . estava com o pomo nas mãos, a vassoura em pé do seu lado direito e um sorriso nos lábios.
— Acho melhor você ver como seu apanhador está. — disse para . Ela estava fazendo referência a Komark que tinha sido levado para a enfermaria por dois companheiros de time, ele estava desacordado. soltou uma risada ao invés de responder a provocação, deixando-a confusa.
— Como você está, bravinha? — o encarou assustada, pela segunda vez ela estava sem resposta para . Ela odiava aquilo estar se tornando comum. — O pomo e a vaga são suas. Bem-vinda ao time, .
Aquela tinha sido a primeira vez que a havia chamado pelo nome e não por Bravinha. permaneceu sem saber o que responder para o homem e se amaldiçoou mentalmente por estar o encarando com uma cara de surpresa ao invés de falar alguma coisa.
não pensou duas vezes antes de dar as costas e sair do campo, desde que tinha colocado os olhos na menina no dia da entrada dela em Hogwarts, ele soube que ela iria mexer com a cabeça dele, ela era o tipo certo de garota que evitava se envolver por saber que era muito mais encrenqueira que ele. Por aquele motivo, não perdia a chance de provocar e sempre a deixava sem resposta. Era engraçado ver a mente da garota ficar saindo fumaça enquanto tentava elaborar algo para retrucar, mas sempre era pega de surpresa. Antes ela do que eu, pensou ao continuar caminhando em direção ao castelo.
— Terra chamando . — estalou seus dedos na frente da prima, que piscou várias vezes antes de voltar sua atenção para ele.
— Eu consegui! — Disse, abraçando o primo.
— Essa é minha irmãzinha! — , orgulhoso, abraçou a gêmea.
— Bem-vinda ao time, ! — Isaac foi o primeiro do time titular da Sonserina a cumprimentar a negra.
— Obrigada, de verdade!
— A gente vai falando com você sobre treinos e outras coisas. Te encontramos no Salão Comunal mais tarde?
— Com certeza! — respondeu e acenou para o time, que a cumprimentaram entusiasmados antes de saírem atrás de Morley.
Depois de ter voado pela primeira vez desde que chegou na escola, estava feliz. Ela adorava a sensação de voar, dos ventos em seus cabelos e dos gritos da torcida quando ela inventava de fazer alguma manobra.
No CASTELOBRUXO, sua professora de voo tinha certeza que ela era um prodígio, desde cedo a familiaridade e facilidade com a vassoura era notável. foi a aluna mais nova de toda a história da escola brasileira a entrar no time principal, assim como fora a primeira a ter a honra de participar de dois treinos da seleção brasileira de quadribol. era conhecida por ser discípula de Viktor Krum.
Viktor era seu ídolo e mestre, com quem tinha tido a grande felicidade de encontrar, graças à influência de seus pais, algumas vezes e até mesmo escutar dicas preciosas.
gostava de pensar que tinha nascido para jogar quadribol.
— Com quem você aprendeu a fazer aquela finta, hein? — perguntou, não se aguentando de curiosidade.
Apesar de ser goleiro, adorava as manobras que os apanhadores realizavam.
— Sim, ! Pelas barbas de Merlim, foi impecável! — elogiou e sorriu. Se tinha uma coisa que adorava era ser elogiada por conta de quadribol.
— Com Viktor! — Respondeu e os dois pararam de andar, a encarando com os olhos arregalados.
— Viktor? Viktor Krum? O Campeão Búlgaro? — perguntou surpreso.
— Sim! Em 2014, após a copa no Brasil.
— Como vocês se conhecem? Será que você consegue um autógrafo para nós? — perguntou, ainda surpreso.
— Viktor é um grande amigo do nosso pai. — respondeu antes da irmã. — Durante a copa no Brasil ele ficou em nossa casa, ficava igual maluca no quintal treinando com ele.
— Ele estudava em Durmstrang também. — Foi a vez de falar. — Vez ou outra ele aparecia em alguns jogos de quadribol da escola, mas nunca me interessei…
— De besta! — o interrompeu, arrancando risadas dos meninos. — Onde já se viu? Ter Krum quase como técnico e não jogar quadribol!
— Isso eu deixo para você, prima. — Respondeu e a menina soltou uma risada.
O dia tinha sido surpreendente para . Pela primeira vez desde que tinha chego em Hogwarts, sentiu como se ali pudesse ser a sua nova casa.


Capítulo 4

🐍

e Lua saíram depressa da aula de Adivinhação. As duas esperavam que Sybill Trelawney não se importasse, já que o pai de , em uma de suas várias histórias sobre Hogwarts, já havia comentado que a professora era um tanto quanto sentimental.
— Eu vou direto para a concentração.
— Você não vai nem comer? — Lua perguntou à amiga.
A japonesa, Lua Higaki, desde que tinha ajudado a brasileira quando ela teve um pesadelo durante a noite, tinha sido surpreendente com . Elas se aproximaram rapidamente e estavam construindo uma linda amizade.
deve levar. — Lua a encarou com um sorriso malicioso e fingiu não perceber, mudando logo de assunto. — Preciso encontrar com o time! Te vejo no jogo?
— Com certeza! — Higaki respondeu e correu para encontrar com seu time.
Já iria fazer três semanas que , seu irmão e primo, haviam sido transferidos para Hogwarts. Os primeiros dias foram mais difíceis do que esperava. Ela estava relutando bastante para aceitar a ideia da mudança, que não era apenas de escola. Sua vida inteira tinha mudado. Mas, com o passar dos dias na escola mais protegida do mundo, estava, enfim, entrando nos eixos. Muito daquilo era por conta do Quadribol.
Os treinos aconteciam três vezes por semana ao final da tarde, quando a noite já ameaçava cair. Os treinos tomavam a maior parte do tempo de na escola, pela qual tinha começado a criar um carinho especial.
Menos pelas suas cento e quarenta e duas escadas. odiava as escadas de Hogwarts que mudavam de lugar quase o tempo inteiro, a fazendo sempre ir para algum lugar diferente do que ela havia planejado. Para completar, tinha até mesmo uma em que o degrau do meio desaparecia e ela tinha que lembrar de saltar por cima. Era uma dor de cabeça que ela não gostava nenhum pouco de ter. Escadas malucas, completamente malucas, pensava todos os dias ao subir e descer por elas.
Mas tirando as escadas, reclamava bem menos de Hogwarts. A mais nova da família já se acostumara com a rotina das aulas e sua preferida até o momento era Feitiços Avançados, com o professor Draco Malfoy. Desde que fizera a aluna da Grifinória atravessar a sala voando, percebeu um cuidado diferente do professor. Malfoy era sempre solícito, apesar de ser bastante rígido e exigente, mas gostava. Ela sentia que o homem queria o seu bem, evitando que a negra entrasse em conflitos desnecessários para a sua estadia na escola. Malfoy era bem diferente das histórias que seu pai contava sobre sua época de estudante em Hogwarts.
sorriu ao lembrar do pai, mas sentiu seu peito apertar. Antes que uma lágrima teimosa pudesse cair, acelerou o passo em direção à concentração do time, no anexo do campo, próximo aos vestiários.
O seu primeiro jogo pela Sonserina iria acontecer naquela tarde e mal podia esperar para montar em sua Firebolt em uma partida oficial.

🧹


Naquela tarde, se a Sonserina ganhasse dos grifinórios, manteria o segundo lugar no campeonato das casas, ficando apenas 20 pontos atrás da Grifinória, a maior rival daquele ano no quadribol. era um goleiro que dava dor de cabeça em todos os jogos, ele sempre fazia com que os adversários trabalhassem bastante. era quase imbatível no gol, um dos melhores goleiros que a Grifinória tivera em anos.
O relógio já batia 14 horas e a escola inteira parecia ocupar as altas arquibancadas do campo de Hogwarts. e já estavam equipados com binóculos, para não perderem nenhum lance da mais nova da família , assim como , que nunca faltava a um jogo, sempre ia torcer para os dois amigos e agora, também por .
, que já estava no vestiário concentrada com o time, colocou as vestes verdes de quadribol da Sonserina, e não conseguiu não pensar em seu pai. Julian foi um excelente artilheiro em seus anos de colégio e foi o responsável por saber tudo o que sabia de quadribol. Mesmo ele sendo um grifinório na época que estudou em Hogwarts, desejava que o homem estivesse orgulhoso dela. A negra deixou uma lágrima teimosa escapar, mas limpou rapidamente para que ninguém mais percebesse.
— É esse o jogo! Quero que deem tudo de si em campo e eu tenho certeza que vocês irão dar! — disse confiante. — Temos alguém que eles não conhecem e não sabem do que é capaz. — Olhou em direção a , que sorriu em forma de agradecimento.
— Vamos! É a hora de ganharmos e ficarmos ainda mais perto de ganharmos o campeonato! — Isaac disse e o time gritou, concordando.
— Vamos mostrar para eles quem é a Sonserina.
sentiu-se corajosa ao escutar as últimas palavras de , ela realmente queria vencer e mostrar tudo o que sabia e havia treinado naquelas duas semanas. queria provar porque tinha conquistado a vaga de apanhadora mesmo sendo nova na escola.
O time se preparou em fila dupla na saída do vestiário e os dois últimos eram e . A Sonserina entrou logo após da Grifinória, por debaixo de gritos entusiasmados de sua enorme torcida, que estavam com bandeirolas tremulantes, faixas e balões mágicos em que estavam desenhados o rosto dos jogadores, que mudavam em looping, o tempo inteiro.
— Quero um jogo limpo! — A professora de voo alertou. — Montem as vassouras.
E com o silvo forte do apito, as quinze vassouras estavam no ar.
O jogo estava 20x0 para Grifinória, quando acertou um balaço potente na nuca do artilheiro rival, fazendo com que a posse da goles voltasse a ser do time sonserino. Isaac, com excelência, já estava à frente das balizas e daquela vez não conseguiu chegar a tempo para defender.
Muito acima deles, estava sobrevoando em círculos procurando pelo pomo, assim ela conseguia se adaptar ao ritmo do jogo e acompanhar a estratégia montada por .
— Fique fora do caminho até avistar o pomo, não entre em perigo aqui embaixo sem necessidade. — disse após comemorar em loops quando a Sonserina marcou pela segunda vez, fazendo o jogo empatar.
nem retrucou, sabia que só estava sendo protetor e tinha razão. A qualquer momento um balaço poderia lhe acertar sem necessidade. Antes que pudesse voltar para sua posição, um balaço passou perigosamente rente a sua cabeça, mas antes mesmo dela se esquivar, foi rebatido com violência por .
— Vá acertar sua mãe! — Gritou, com raiva, para o adversário que acabara de acertar com o balaço que deveria ter atingido .
agradeceu o homem com um sorriso e voltou a sua posição. Em sua segunda volta, seus olhos, como se pudessem enxergar em câmera lenta, perceberam o pequeno e brilhante pomo subir no ar e logo voar para baixo. curvou-se para a frente rapidamente e apontou o cabo da Firebolt para baixo, acompanhando a pequena bolinha. estava em um mergulho quase vertical apostando corrida com o pomo, fazendo com que a torcida da Sonserina gritasse enlouquecida enquanto os ventos assobiavam em seus ouvidos. não deixou espaço para o apanhador da Grifinória a acompanhar, ela era muito mais rápida e equilibrada que ele. A uns 40 centímetros do solo, esticou a mão esquerda e agarrou com habilidade, voltando rapidamente a guiar a vassoura na vertical completa, caindo suavemente no campo com o pomo estendido.
A Sonserina tinha acabado de ganhar o jogo contra a Grifinória por cento e setenta a quarenta. Graças a , aquele tinha sido o jogo mais rápido da casa em anos.
— Ganhamos! Ganhamos! — gritou depois de praticamente se jogar da vassoura e correr em direção a .
, animado, suspendeu a negra em um abraço e logo os dois foram engolidos pelo restante do time. E em poucos minutos, a torcida da Sonserina estava carregando o time em direção ao salão comunal para comemorar a brilhante vitória.
Enquanto era carregada pelos colegas, acompanhados de gritos, palmas, bandeirolas e faixas, , pela primeira vez, sentiu como se Hogwarts fosse seu lar.
E ela adorou ter aquele sentimento dentro de si.


Capítulo 5

As viagens de fim de semana eram as mais aguardadas pelos alunos de todas as casas de Hogwarts, mas nenhuma estava sendo tão aguardada quanto a visitação daquele sábado, principalmente para os alunos da Sonserina. Os Sonserinos ainda estavam animados pela vitória em cima da grande rival no quadribol no dia anterior e estavam eufóricos para comemorar em Hogsmeade.
A aldeia de Hogsmeade era o único vilarejo completamente bruxo da Grã-Bretanha, o que a fazia ser o ponto de encontro ideal para todos os bruxos, pois eles não precisavam fingir ou esconder sua magia. Eram totalmente livres para ser quem realmente eram.
A negra estava ansiosa para a visita. Ela já tinha visitado Hogsmeade quando era criança, acompanhada de seus pais em uma das viagens em família para visitar a família inglesa. Ela adorava o fato de sempre estar nevando no pequeno vilarejo, assim como gostava de passear pela Rua Principal e observar atentamente todas as lojas que conseguia enxergar. Ela gostava do lugar por ter boas lembranças e por ter sido ali o primeiro lugar em que tinha comprado uma vassoura com seu pai. Seu amado pai, de quem sentia falta durante todos os dias desde que havia chegado a Hogwarts. Lugar que tinha certeza que o pai deveria ter aproveitado cada segundo.
limpou uma lágrima teimosa antes que alguém percebesse e começasse com os questionamentos, tudo o que ela não queria era responder perguntas que nem ela mesma tinha respostas.
— Hey! — chamou a irmã. — Vamos logo ao Três Vassouras antes que lote, você não quer ir conosco?
— Conosco quem, hein?
— Eu e os meninos da aula de Música. Por sinal, você poderia até gostar de passar um tempo com eles.
— Com aquele insuportável do ? Já basta os treinos de Quadribol que temos na semana…
! — A negra escutou a voz de Lua e agradeceu pela amiga a ter encontrado antes que o irmão a arrastasse para o seu grupinho de músicos. — Você ainda não foi ao Três Vassouras desde que chegou, né?
— Ah não, Lua...
— Ela ainda não foi, Lua. — disse contente, adorava quando a irmã era pega de surpresa e acabava tendo suas vontades negadas. — Vamos todos juntos. Os meninos já estão nos esperando.
— Os meninos, você quer dizer…
— É Higaki, ele quer dizer aquele mesmo. — Lua e entreolharam-se tentando esconder uma risada.
Era, no mínimo, cômico ver tentar manter distância de e nunca ter êxito na sua missão. Eles sempre acabavam por perto um do outro mesmo que aquilo resultasse em farpas sendo trocadas pelos dois a cada minuto.

🍻


O Três Vassouras era um pub/pousada do jeito que os bruxos britânicos gostavam, sendo considerado o melhor da região. Era sempre cheio, mas ao mesmo tempo limpo e acolhedor.
Assim que entraram no lugar, pôde perceber as mesas de madeira super rústicas e o teto bem alto, do jeito que ainda estava em sua memória quando veio rapidamente com o pai pela última vez. Pelo que lembrava, ele tinha alguma encomenda para pegar com Madame Rosmerta. Algo que nunca saberia de fato o que era.
— Ótimo que nem vamos precisar ficar na fila! — avisou ao apontar para a mesa em que os amigos se encontravam, que já estava lotada de Cervejas Amanteigadas.
— Pelo menos para isso ele serve. — murmurou e acompanhou o irmão, sentando-se na cadeira vaga ao lado de , que por puro azar ficava de frente para .
— Trouxe duas companhias! — avisou abrindo os braços, apontando para Lua e . — Acho que elas podem ajudar a gente.
— Oi! Acho que o único que não conheço é você. — Lua apontou para , que sorriu sem graça.
— O único novato na mesa depois dos meus primos.
— Isso! Sonserina também, né? Bem-vindo à maior.
— Nem começa, Higaki. — respondeu fazendo careta.
,
— Sim, bonitos, no que vocês querem ajuda? não para de falar nessa atividade de música.
— Basicamente vamos ter que cantar no Baile de Inverno.
— Vocês? Mas vocês nunca tocaram juntos antes…
— Exatamente, mente brilhante. Por isso a gente precisa de ajuda. — provocou, mas apenas respirou fundo. Ela não iria cair naquela provocação barata. Era muito cedo ainda.
se segurou para não rir da pequena cena dos dois Sonserinos. conhecia muito bem o amigo, afinal estavam juntos desde o primeiro ano, e sabia que era apenas questão de tempo para que algo a mais surgisse entre os dois. perturbava sempre que podia porque estava interessado na negra e aquela era a sua forma burra de demonstrar.
pegou a partitura, que estava pela metade, das mãos de e observou por longos minutos, atraindo olhares curiosos dos cinco e também de Lua, que não fazia ideia do que a amiga poderia fazer.
— Pena. — Foi a única coisa que disse e estendeu a sua para a negra sem pensar duas vezes.
— O que você tá rabiscando aí? Pelas barbas de Merlin! — O irmão quase foi ao desespero quando começou a rabiscar.
— Não fica melhor assim? — Perguntou, colocando a partitura no meio da mesa para que todos pudessem olhar.
Os cinco estavam com um brilho nos olhos quando diziam que poderiam pagar todas as cervejas amanteigadas que quisesse.
Eles, com toda a certeza, passariam o passeio inteiro sem arrastar o pé do Três Vassouras, para a tristeza das pessoas que queriam apenas uma vaga.

🏰


Os seis voltaram para Hogwarts ao badalar das cinco da tarde. Estavam risonhos e falantes, sempre era o que mais falava alto, mas ali disputava facilmente com e .
estava sentindo-se feliz. A companhia dos amigos de seu irmão, que agora também eram seus, lhe fazia muito bem. Ela não pensava em coisas ruins e em voltar para o Brasil. Ter Lua Higaki também ao seu lado ajudava, era bom ter uma parceira que pudesse contar.
separou-se do grupo para ir à biblioteca apanhar um livro para a lição de Runas que teria que entregar no dia seguinte e deixou para a última hora, mas afirmou que encontraria com eles na hora do jantar.
E assim a negra o fez. conectou seus airpods enfeitiçados e passou uma hora na biblioteca perdida entre os mais variados livros sobre o assunto. Pegou o que achou que lhe teria mais serventia e saiu em direção ao Jardim Principal. Se distraiu quando um caiu de sua orelha e, ao voltar a atenção para o aparelho de música, esbarrou em alguém.
Era Clemment, a insolente da Grifinória.
— Seus pais não te deram educação, não? — Perguntou colocando as mãos na cintura, de frente para .
piscou algumas vezes, parecia não acreditar no que a loira estava lhe perguntando.
— O que você disse?
— Que seus pais não te educaram. Que tipo de pais são esses que…
Antes que Clemment pudesse continuar, puxou sua varinha e colocou em seu pescoço. Louise Clemment congelou com os olhos arregalados enquanto emanava ódio. Ninguém falava daquele jeito de seus pais.
— Eu vou…
Mas antes que pudesse concretizar a ameaça e fazer algo que se arrependesse, sentiu seu corpo ser arrastado dali pela cintura. Rapidamente bradou a varinha para o responsável daquilo.
— O que você está fazendo? Me solte.
— Não enquanto você não se acalmar. — respondeu e percebeu que não adiantaria brigar. não iria mudar de opinião.
— Essa insolente precisa aprender uma lição.
— E ela irá, mas não agora e nem aqui. Qual é, , você sabe que é melhor que isso.
respirou fundo e levantou os braços em rendição, sendo solta por .
— Obrigada, . Eu realmente teria perdido a cabeça.
— Não precisa agradecer, afinal, você iria ser suspensa. Acabaria com Clemment em segundos, aí quem iria apanhar no próximo jogo?
soltou uma risada que foi acompanhada por . Os dois se sentaram ao pé da árvore e, antes que pudesse perguntar alguma coisa, estendeu um lado do airpod para ele.
nunca dividia seus fones com ninguém, mas naquele momento não se importou em nada de dividi-los com .
— Coloque no ouvido, talvez isso ajude na finalização da tarefa de vocês.
E então McFly, a banda trouxa preferida de , começou a tocar, fazendo com que os dois ficassem ali até o jantar começar.
— Eles são realmente bons! — elogiou assim que devolveu o fone para a negra, e passaram pelas portas enormes do Salão Principal.
Caminharam juntos até onde os amigos estavam e, assim que a viram, seu irmão, com ar preocupado, perguntou:
— Por que estão falando por aí que você quase arrancou a cabeça de Louise Clemment?
— Não foi bem assim.
— Foi quase assim. — provocou, arrancando uma risada da negra.
, ao observar a cena, soube que sempre tinha razão.




Continua...



Nota da autora: Espero que vocês gostem desse capítulo, senti muita falta de escrever essa história! ♥️
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