Última atualização: 12/04/2019

Introdução

O mundo agora não é o mesmo. Humanos são mais do que seres que nascem, crescem, se reproduzem e morrem. Nossa espécie está se regenerando, voltando a sua origem e isso pode nos levar até a perfeição. A tão sonhada perfeição.
No começo, quando o primeiro bebê regenerado nasceu, todos ficaram surpresos. Ele tinha os olhos perolados sem pupila distinta. Acharam que fosse cego. Mas aí, quando começou a crescer, perceberam que ele era especial. Seus olhos podiam ver mais do que um humano normal conseguiria.
Após aquele acontecimento, mais crianças começaram a nascer diferentes. Por duzentos anos os regenerados se espalharam pelo globo levando consigo suas habilidades extraordinárias. Cada vez mais surgiam pessoas assim e isso deixou os humanos comuns temerosos. E se fossem uma ameaça? E se eles quisessem assumir o controle de tudo?
Por conta disso, o governo decidiu estudá-los. E eles não se opuseram. Não até saberem o que acontecia dentro das paredes dos laboratórios. Para saber como seus genes funcionavam, os cientistas precisaram ir fundo. Recorreram a métodos que se assemelhavam a torturas. Choques, pancadas, dias sem comer ou beber água. Tudo para descobrirem quem eram aquelas pessoas.
E eles descobriram. Os regenerados, como foram chamados, eram o caminho para a perfeição. Suas células estavam voltando à origem, estavam voltando ao tempo em que os humanos vieram a existir. Suas habilidades especiais só aumentariam até chegarem ao ponto onde a pessoa seria perfeita.
Mas ainda havia muito mais para se descobrir. No entanto, os regenerados passaram a se esconder. Eles não estavam mais dispostos a serem maltratados. Assim, passaram a viver entre nós, sem demonstrar do que eram capazes.
Mesmo entre eles próprios houveram divisões. Foram impostas classes de acordo ao grau de regeneração das células de cada indivíduo.
A Classe Alta ou Classe Excelsis, tem o DNA regenerado acima de 70%. Eles são raros e vivem escondidos, pois seus poderes são muito evidentes. Costumam se achar superiores e por isso se casam e se reproduzem apenas entre si.
A Classe Média ou Classe Mediocris, tem o DNA regenerado entre 50 e 69%. São os mais fáceis de ser encontrados, pois além de suas habilidades não serem tão elevadas quanto as dos humanos da classe alta, eles não se escondem. Também, são os que mais nascem e isso os torna a classe mais comum entre os humanos.
A Classe Baixa ou Classe Humili, tem o DNA regenerado abaixo de 50%. Sua quantidade é bem maior do que a da classe alta, mas menor do que a da classe média. Mesmo assim, é difícil encontrá-los, pois eles se escondem. Eles têm medo de ser pegos, já que não tem tantas habilidades para resistir. São pessoas desconfiadas, mas estão dispostos a ajudar, se necessário.
Ao perceberem onde tudo isso poderia levar, o governo mundial resolveu buscar regenerados. Talvez novos estudos fossem capazes de transmitir o gene da perfeição para as outras pessoas. No entanto, sempre existem pessoas que pensam apenas em si mesmas e no poder que podem ter e elas também estavam buscando os especiais.
Em meio a toda essa mudança, onde todos estão em busca de poder ou de tempo, os mais inesperados sentimentos poderão surgir. Num mundo onde o caos é iminente, esses sentimentos podem pôr fim às grandes dificuldades que estão às portas ou podem ser a faísca para que uma rebelião se inicie.
Os regenerados estão cada vez mais próximos da perfeição. Mas talvez isso não seja o que a humanidade verdadeiramente precise.



Capítulo 1: Destino

Diferente dos outros dias, aquela noite estava quente. O vento não soprava de forma alguma e aquilo deixava uma sensação esquisita no corpo. Especialmente para a garota que corria pelos becos escuros da pequena cidade.
Suna.
Ela havia fugido de sua cidade natal e agora estava ali, num lugar que não conhecia, apenas para se esconder. Tinha combinado com um amigo que se encontrariam ali, mas as coisas não estavam saindo como o combinado. Diferente dos outros de sua classe, eles tomava cuidado para não se expor, mas não parecia adiantar muita coisa. A garota continuava a correr e sentia o suor escorrer pelo pescoço e pelas costas, mas não podia parar. Havia se arriscado demais ao tentar proteger um desconhecido e agora estava sendo caçada.
Ouviu um ruído atrás de si e já sabendo do que se tratava, tratou de correr mais rápido. Mas ela não aguentava mais. Suas pernas doíam e não conseguia mais respirar. Foi quando avistou um beco e entrou. No entanto, assim que o fez, se xingou mentalmente. Não havia saída.
- Droga, o que eu faço agora? – sussurrou pra si mesma.
Ao ouvir o som das correntes mais uma vez, arregalou os olhos e recorreu a única solução que conseguia imaginar. Afastou-se um pouco e correu na direção do muro alto, dando impulso para cima, na intenção de agarrar a borda dele. Por um tris ela conseguiu e sorriu com isso.
Quando pensou em pular para o outro lado, sentiu algo frio se enrolar ao seu tornozelo e mordeu os lábios, pois sabia exatamente do que se tratava. Tentou se soltar da corrente, mas foi em vão. Quem a segurava, a puxou com toda força, fazendo a garota despencar de onde estava.
Ao sentir o impacto do seu corpo com o chão duro, urrou de dor e fechou os olhos com força. Desesperada, tentou se sentar e conseguiu após muito esforço. Segurou a corrente e tentou retirá-la de sua perna, mas foi puxada mais uma vez. Enquanto era arrastada, sentiu as costas deslizarem pelo asfalto grosso e pela dor, teve certeza de que havia se machucado feio.
Após alguns segundos, a pessoa parou de puxá-la e se aproximou. A garota teve dificuldades de enxergá-la, pois além de a escuridão dominar tudo, seus olhos estavam embaçados pelas lágrimas.
- Uma . – o homem disse e analisou a jovem. – Finalmente um controlador de mentes.
A garota não respondeu. Estava paralisada de medo, pois sabia onde tudo aquilo acabaria. Sabia que seria levada para um laboratório para ser estudada. Todos os músculos do seu corpo começaram a tremer quando sentiu a pressão da corrente em seu tornozelo novamente. Mas ele não a puxou.
- Não se preocupe, garota. – o caçador falou. – Só queremos saber do que você é capaz, não vai doer. Bem, talvez só um pouquinho. Ou talvez muito.
Então ele riu. Riu de uma forma que a deixou mais amedrontada ainda. Num impulso, ela se levantou e tentou correr, mas não foi sua melhor decisão. O estranho a puxou de vez, fazendo-a cair. E ele estava irritado. Aquela menina era muito insistente, a tinha seguido desde a entrada da cidade quando a viu ajudar uma criança.
- Você está tomando meu tempo. – ele rosnou, mas parou ao sentir algo atrás de seu corpo.
O caçador se virou e se assustou ao encontrar uma parede gigante de areia. Com certeza se tratava do poder de outro regenerado. Antes que pudesse se proteger ou se esquivar, a areia o envolveu e o começou a esmagá-lo.
A garota não entendeu o que se passava. Se ajoelhou com dificuldade e no segundo que olhou para cima, viu o corpo do homem que a seguiu ser esmagado por areia. Abriu a boca chocada quando o sangue voou por todos os lados, sujando também sua roupa e seu rosto.
Apesar do pânico que lhe atingiu, sem forças, caiu de lado e continuou olhando para frente. Foi quando ouviu passos se aproximando. Dessa vez não tentou fugir, se quisessem pegá-la que a pegassem. A pessoa que vinha, se ajoelhou em sua frente e sem dizer nada passou seus braços pelo corpo delicado dela, a erguendo.
Ainda em silêncio, ele começou a caminhar para fora do beco com a garota nos braços. Ela também não falou, afinal não conseguiria nem se quisesse. Apenas fechou os olhos e perdeu a consciência.

~o~

O loiro abriu os olhos e percebeu que ainda era madrugada. Tudo estava escuro e apenas a luz da lua clareava um pouco o quarto onde se encontrava. Olhou para o lado e encontrou as duas amigas dormindo juntas na outra cama. Era a terceira vez naquele mês que fugiam.
Faziam parte da classe baixa e não tinham tantas habilidades para se protegerem. Além disso, era como se os caçadores estivessem cada vez mais em busca de regenerados.
Ao perceber que não voltaria a dormir, se sentou e colocou os pés pra fora da cama. Levantou-se e, tentando não fazer barulho, caminhou até a porta do quarto da pousada onde estavam. No meio do percurso, porém, tropeçou numa mochila que estava no chão e cambaleou até se segurar numa parede. Aquela agitação toda acordou uma das garotas.
- Naruto, o que está fazendo acordado há essa hora? – ela murmurou. - Está querendo acordar todo mundo?
- Foi mal, . – ele riu sem graça – Só estava sem sono.
- Sem sono? – ela suspirou e se levantou, indo até o amigo. – É por causa da , não é?
- Ela não deveria ter se metido. – ele se sentou em sua cama e a garota o acompanhou. – Deveria ter continuado escondida como mandamos.
- Naruto, ela sabe se proteger assim como nós. – ela falou e passou a mãos nos cabelos. – Não precisa se preocupar.
- Ela tanto sabe se defender, que foi ferida por aquele caçador idiota. – o loiro falou entredentes. – Se eu não tivesse chegado...
- Mas ela está bem agora. – ela o lembrou.
Os dois olharam para a garota deitada na cama. Havia um grande curativo improvisado no seu braço direito que havia sido ferido por uma corrente, mas ela não parecia se incomodar. Dormia tranquilamente e parte dos cabelos lhe caiam sobre o rosto.
- Graças a você. – ele sorriu para a amiga ao seu lado.
- Eu só fiz o que consegui, mas a cicatriz vai ter que sarar sozinha. – a garota observou. – Meus poderes de cura ainda não são tão bons.
- São suficientes. – o loiro disse, mas depois passou a mão na barriga ao sentir o estômago roncar. – Estou com fome.
- Não temos nada aqui. – mordeu os lábios.
- Eu dou um jeito nisso. – ele sorriu.
Naruto se levantou e fez um movimento com as mãos, colocando dois dedos em posição vertical na frente dos dois dedos da outra mão que estavam em posição horizontal. No segundo seguinte um clone seu apareceu.
- Fique com as garotas, vou buscar algo pra comermos. – ele disse ao clone.
- Sim. – o clone respondeu.
- Tome cuidado, Naruto. – falou. – Os caçadores de Konoha estão mais agressivos do que nunca.
- Eu vou ficar bem. – ele piscou e saiu em seguida pela janela que havia no local.
suspirou fundo e voltou para sua cama, se deitando ao lado de . Olhou para a amiga que parecia dormir bem, mas sabia que aquilo poderia acabar a qualquer momento.
Os regenerados estavam sendo procurados independentemente a qual classe pertenciam ou que habilidades possuíam e isso a assustava. Fechou os olhos tentando dormir outra vez, mas temia pelo amigo. Naruto sabia se cuidar, mas estava sozinho.
Olhou para o clone sentando na cama distraído e sorriu. Com certeza o amigo voltaria logo. Se aconchegando ao lado da outro, fechou os olhos e logo cochilou. Porém, se assustou quando ouviu um ruído familiar. Sentou-se de supetão e confirmou o que pensava. O clone não estava mais lá. Apenas uma fina fumaça jazia em seu lugar.
Arregalou os olhos, pois aquilo só podia significar uma coisa. Naruto estava encrencado.


~o~

Faltava pouco para amanhecer e a garota de olhos perolados aguardava ansiosa por aquele momento. Gostava de observar o nascer do sol, pois era como se nada mais importasse. Sentia-se mais leve, como se o peso de ser o que era fosse retirado de suas costas.
Estava sentada no parapeito do telhado da casa onde morava e fechou os olhos ao sentir a brisa fria açoitar sua face. Foi quando ouviu uma voz lhe chamar.
- ?! – a garota se virou lentamente.
- Olá, Neji! – cumprimentou gentilmente o primo.
- Está esperando o sol nascer? – ele perguntou, se sentando ao seu lado.
- Como sabe disso? – ela corou e olhou para frente.
- Sempre vejo você passar pela frente do meu quarto a essa hora. – ele explicou. – Não deve ser por outro motivo, não é mesmo?
- Você está certo. – ela confirmou timidamente. – Mas também gosto de pensar na vida.
- Pensar na vida? – ele a encarou.
- É. – ela fez o mesmo. – Sabe, às vezes eu me pergunto se eu poderia ter sido outra pessoa. E, se fosse, como seria minha vida.
- E por que pensa assim? – o garoto quis saber.
- Por conta disso. – ela apontou para os próprios olhos. – Por que justo comigo?
- Ninguém sabe, . – Neji ergueu os ombros. – As pessoas apenas começaram a nascer diferentes, com habilidades e poderes, e nós ganhamos o byakugan. É estranho, eu sei. Mas pode ser útil.
- Útil? Útil pra quê, Neji? – ela mordeu os lábios. – Não podemos usar o byakugan a menos que seja para beneficiar alguém da classe alta.
- É verdade. – ele suspirou.
- E isso nem é o pior. – a garota baixou o rosto.
- Não, não é. – ele tocou seu ombro – Mas é melhor deixarmos essas coisas pra lá e assistirmos esse espetáculo.
Neji apontou para o céu, onde o sol começava a aparecer. sorriu alegremente ao notar os primeiros raios de sol. Em seu interior, no entanto, havia um conflito. Ela não queria ser quem era. Nunca quis. Mas estava presa àquela vida. Afinal, era apenas o seu destino se cumprindo.



Capítulo 2: Sombras do Passado

As ruas de Konoha estavam vazias. Ainda era madrugada e uma fina neblina deixava tudo embaçado, então não haveria motivos para alguém estar perambulando pela cidade àquela hora. Pelo menos não para pessoas normais.
O jovem de cabelos negros e pele alva como a neve caminhava sem rumo, apenas para tentar pensar em algo que não se resumisse à sua vida. Seus olhos escuros corriam discretamente por todos os cantos e conseguiam perceber tudo, viam até mesmo quando algum rato rastejava silenciosamente para dentro de uma lata de lixo.
Após andar mais alguns metros, resolveu subir num telhado. Sem muito esforço o fez e ajoelhou-se, podendo ver tudo lá de cima. Ao sentir a brisa fria da noite açoitar seu rosto, fechou os olhos por alguns instantes. Ao fazê-lo, as lembranças voltaram.
Recordou-se do tempo em que era feliz, quando tinha uma família e se sentia amado. Pode até mesmo sentir os braços de sua mãe o envolver num abraço carinhoso. Sentiu a mão de seu pai afagar seus cabelos, bagunçando-os. Se lembrou que todos eles estavam lá ao seu lado. Mas não estavam mais.
Todos eles estavam mortos. Estavam mortos por sua culpa. Ele era um regenerado, tinha o DNA modificado em mais de 70% e queriam estudá-lo, mas seus pais não permitiram. Isso lhes custou a vida e o Uchiha nunca se perdoaria.
Puxou o ar para os pulmões assim que mais uma imagem veio à sua mente.
Dessa vez era ele, alguém talvez tão culpado quanto si mesmo pelo que havia acontecido. Aqueles olhos negros profundos e o sorriso gentil não o enganavam mais. Jurou que iria encontrá-lo e o faria pagar. Seu objetivo agora era apenas um. Matar seu irmão, aquele que havia se recusado a ajudar seus pais.
Ainda pensativo, abriu os olhos automaticamente ao ouvir passos embaixo de onde estava. Diferentemente de antes, seus orbes estavam vermelhos com três marcas pretas em volta de sua pupila central. Aquilo o faria ver os movimentos de algum caçador com precisão ou até antecipá-los, mesmo com toda aquela escuridão. Inclinou-se um pouco para frente e esperou, pronto para atacar, se preciso. Franziu a testa, no entanto, assim que viu um garoto que parecia ter a sua idade, parar em frente ao lugar que ele percebeu ser um pequeno mercado.
Após olhar para os lados, o garoto loiro fez um movimento com as mãos e uma cópia sua apareceu. O moreno, que o observava de cima, revirou os olhos ao reconhecer o grau de regeneração dele. 48%, o que o tornava da classe baixa. Deveria estar procurando o que comer. Mesmo assim ele ficou curioso e decidiu assistir ao que aconteceria.
Viu o garoto dizer algo ao clone e depois se aproximar da porta de vidro, pegando um pequeno objeto no bolso de sua calça e abaixando-se perto da fechadura. O Uchiha notou que era um grampo e balançou a cabeça negativamente. Aquilo era o melhor que aquele Humili poderia fazer? Arrombar uma porta com um simples grampo? Era, definitivamente, ridículo.
O processo não demorou muito e logo o loiro a abriu. Olhou tudo em volta mais uma vez e adentrou o local ainda receoso. O outro aguardou mais um pouco enquanto o suposto ladrão continuava dentro do estabelecimento.
Quando se cansou de ficar ali, o Uchiha se levantou. Não perderia mais seu tempo. Antes que desse o primeiro passo, porém, viu algo estranho e semicerrou os olhos para enxergar melhor através da neblina que tinha aumentado. Só então teve certeza do que se tratava. Um caçador se aproximava sorrateiramente do garoto lá embaixo.

~o~

Era a terceira vez que parava para descansar. Sua perna estava machucada e o esforço que fazia não ajudava muito. Mesmo assim, tentava chegar a toda velocidade no lugar onde sabia que ela estaria. Sua melhor amiga, e a única que havia sobrevivido dentre aqueles que conhecia, o esperava.
Mordeu os lábios ao sentir uma pontada no local atingido e se obrigou a se sentar. Não estava muito longe do seu destino. Dali podia ver a entrada da pequena cidade de areia e se perguntou se a garota estaria bem. Ela havia saído um dia antes para não levantarem suspeitas e ele foi no dia seguinte. Por falta de sorte, encontrou um caçador no meio do caminho e precisou lutar. Conseguiu desacordá-lo e fugiu, mas antes teve seu tornozelo machucado por uma daquelas malditas correntes.
Ajeitou o curativo que ele mesmo havia feito e resolveu continuar. Levantou-se lentamente e caminhou, já que não conseguia mais correr. Após alguns metros, percebeu que o vento que antes soprava brando, havia aumentado consideravelmente. Colocou os braços em frente ao rosto como proteção quando areia começou a voar por todos os lados.
- Mas que droga! – ele resmungou. – Uma tempestade de areia justo agora?
Olhou mais uma vez em volta e algo o deixou confuso. Apenas a areia perto de si dançava, mas nos metros ao redor ela continuava parada. Tentou sair do alcance do vento, mas era como se algo o prendesse ali. Começou a ouvir um zunido forte vindo de cima, o que o fez olhar para lá. Surpreendeu-se ao encontrar um redemoinho e este descia em sua direção.
Tudo ainda estava escuro, mas ele pode enxergar muito bem uma silhueta através da areia. Era mulher e uma de suas mãos estava erguida na direção da ventania. Uma regenerada. O moreno só gostaria de saber o que ela queria.
- O que quer comigo? – ele perguntou alto por conta do barulho que o vento fazia.
- O que faz aqui em Suna? – a voz autoritária questionou. – Não sabe que nós não queremos regenerados invadindo nosso espaço?
- Nós quem? – ele quis saber.
- Nós, os que queremos paz. – a garota respondeu.
- E por acaso alguém aqui falou em guerra? – ele retaliou. – Além disso, como sabe que sou um regenerado?
Não houve resposta e para o garoto aquilo era um mau sinal. Aquela mulher era muito poderosa e poderia acabar com ele num piscar de olhos, especialmente pelo fato de ter sido pego desprevenido. Se abaixou e apoiou uma das mãos no chão. Tentaria pará-la e quem sabe evitaria chamar atenção de algum caçador.
Se concentrou e logo pode ver sua sombra se arrastar até onde a garota estava. Instantes depois, o redemoinho começou a diminuir e ele sorriu. Ela estava presa.
- Mas... o que é isso? – agora a voz dela estava assustada. – Eu não consigo me mexer.
- Esse é o efeito de ser capturado pela minha sombra. – ele disse enquanto via a areia baixar.
Então ele pode ver bem quem havia feito todo aquele estrago. Tratava-se de uma jovem loira, com olhos verdes escuros. Seu semblante era assustado e irritado ao mesmo tempo, o que fez o moreno revirar os olhos.
- Foi você que fez isso? – ela se surpreendeu. – Vamos, me solte!
- Só depois que prometer que vai me ajudar. – ele caminhou até ela, a obrigando a fazer o mesmo.
- E por eu faria isso? – ela franziu o cenho.
- Por que posso continuar te prendendo aqui até quando eu bem entender. – ele sorriu vitorioso. – Além disso, não é nada de mais.
- Fale. – ela rosnou após um bom tempo.
- Preciso que me ajude a encontrar minha amiga. – ele pediu. – Ela veio se esconder aqui e já deve ter chegado.
- Outra regenerada? – a loira falou com desdém. – Ao menos posso saber o nome dela?
- . – ele falou. – Esse é o nome dela.
- . – ela murmurou. – Uma controladora de mentes.
- Sim. – ele confirmou. – E então?
A garota o encarou com um sorriso de canto, o que o deixou um pouco desconfiado. Aproximou-se mais um pouco e quando estava a alguns centímetros de distância, ele a olhou nos olhos.
- Você sabe de alguma coisa, não é mesmo? – ele a fitava fixamente.
- Primeiro, me solte. – ela exigiu. – Depois conversamos.
Ele hesitou, pois não sabia se podia confiar naquela garota que parecia gostar de mandar em tudo e todos. Mesmo assim, a segurança de era mais importante. Prometeu aos pais da loira que a protegeria, independente do que acontecesse.
Fez com que sua sombra recuasse enquanto continuava a encará-la. Finalmente, não estavam mais conectados e ela moveu os braços pare ter certeza disso.
- Pronto. – ele disse. – Fiz o que pediu, agora é sua vez de me ajudar.
- Mais devagar, garotão. – ela riu e se afastou dois passos. – Antes me diga o seu nome.
- E pra que precisa do meu nome? – ele bufou contrariado.
- Apenas diga. – ela cruzou os braços.
- Shikamaru. – ele falou num tom tedioso. – Nara Shikamaru.
- É um prazer, Shikamaru. – ela disse, mas sua voz tinha um tom de deboche. – Eu sou .
- Tudo bem, . – ele enfatizou o nome dela. – Será que agora podemos voltar ao que interessa?
- Como quiser. – ela riu abafado. – Me siga.
Sem esperar uma resposta, saiu na frente. Shikamaru a olhou se distanciar e revirou os olhos, a seguindo em seguida. Para ele garotas eram muito problemáticas. E aquela parecia ser das piores.



Capítulo 3: A Luz do Sol

pulou a janela sem fazer barulho, pois não queria acordar a amiga que dormia profundamente. Sabia onde o Naruto tinha ido, então seguiu pela escuridão até chegar ao centro de Konoha. A cidade não era muito grande, então não teve dificuldades.
Olhou para o céu e percebeu que logo o sol nasceria, então teria que encontrar o Uzumaki rápido. Discretamente olhou em volta, mas não o viu, por isso andou mais um pouco.
- Droga, Naruto, onde você se meteu? – a garota resmungou baixo.
De onde estava, podia observar um dos pequenos mercados que o garoto costumava invadir. Nunca aprovou aquele ato e estava ciente que ele também não se orgulhava de praticá-lo, mas ela sabia que Naruto jamais deixaria que elas passassem necessidade, assim aceitava a ajuda do amigo sem protestar.
Franziu a testa confusa, pois era ali que ele deveria estar. Resolveu se aproximar, achando tudo aquilo estranho. Analisou a fechadura e percebeu que tinha sido aberta, mas não havia sinal de ninguém. Para onde será que ele tinha ido? Suspirou longamente, quase se arrependendo da ideia de ter saído e deixado sozinha.
Antes que pudesse voltar, viu algo no chão que atraiu sua atenção. Abaixou-se e observou, soltando um riso abafado em seguida.
- Lámen. – ela balançou a cabeça negativamente. – Só o Naruto pra fazer uma coisa dessas.
se levantou e seguiu a trilha de massa pronta que havia sido deixada pelo amigo. Ela tinha certeza disso, pois ninguém mais entraria num lugar para roubar lámen. Provavelmente ele tinha deixado alguma embalagem se abrir acidentalmente e não havia percebido. A única coisa que a intrigava era o fato de a trilha seguir para longe de onde eles estavam passando a noite. Caminhou atenta até que percebeu para onde estava indo.
A trilha apontava para fora de Konoha.
- Naruto... – sussurrou preocupada.
Dessa vez fez questão de acelerar os passos, pois os primeiros raios de sol já apontavam no céu. Passou pelos portões da cidade e já estava ofegante. Foi quando avistou o amigo de longe. Mas antes que pudesse sentir-se aliviada, viu mais alguém e este se aproximava por trás dele.
Arregalou os olhos quando viu as correntes saltarem de dentro da capa preta e reprimiu um grito alto com as mãos quando viu um delas se enrolar no pescoço de Naruto, o lançando com força ao chão.

~o~

A loira tentou abrir os olhos assim que vozes alteradas a despertaram. Mas era tão difícil fazer com que suas pálpebras a obedecessem. Mesmo assim, insistiu até que finalmente conseguiu.
Sua visão ainda estava sem foco, mas pôde notar que estava num quarto. Apalpou a coisa macia que sentia abaixo de si e confirmou ser um colchão. Gostaria apenas de saber como tinha chegado ali. Se ela se lembrava bem, estava em Suna, fugindo de um caçador.
Tentou se mover assim que as vozes ficaram mais altas, mas aquilo lhe causou dor, arrancando um gemido involuntário de seus lábios. No mesmo segundo, as pessoas que discutiam lá fora, se calaram e a teve receio de que aquilo significasse algo ruim.
Logo, a porta que estava entreaberta foi escancarada e ela viu quem menos esperava naquele instante, adentrar o lugar.
- ?! – a voz do garoto estava alarmada.
- Shikamaru... – ela tentou se sentar, mas sentiu o corpo dolorido e gemeu novamente.
- Não se esforce. – ele correu até ela e a impediu de continuar. – disse que você não está bem.
- ? – ela questionou, enquanto o amigo a obrigava a se deitar. – Shikamaru, onde estamos?
- Estamos em Suna, como tínhamos combinado. – ele falou num tom óbvio.
- Disso eu sei. – a loira disse olhando em volta. – Quero saber que lugar é esse?
- Você não se lembra de como chegou aqui? – ele franziu a testa.
- Eu só me lembro de ter tentado fugir de um caçador... – ela parou de falar e arregalou os olhos. - Mas ele foi morto por uma... Parede de areia.
- Uma parede de areia? – o Nara franziu o cenho. – , como assim, areia?
- A areia o esmagou até que ele estivesse morto. – ela continuava com os olhos arregalados. – E depois...
Então os flashs daquela noite voltaram à sua mente. Ela se lembrou das correntes envolvendo seu tornozelo, de pensar ter sido encurralada, de quando aquela areia apareceu do nada e matou o caçador que a perseguia, fazendo sangue jorrar por todos os lados, inclusive nela. Analisou seu corpo, passando as mãos no rosto em seguida, percebendo que estava limpa agora. Apenas sua roupa tinha algumas manchas vermelhas e escuras.
- , e depois o quê? - Shikamaru insistiu.
- Depois um homem apareceu e me pegou. – ela fitou o teto. – E aí...
Outra vez mais cenas invadiram sua cabeça. Dessa vez a loira se viu deitada na mesma cama que se encontrava agora, mas não conseguia ao menos se mover. Abriu as pálpebras lentamente ao sentir algo úmido tocar seu rosto, talvez um pano molhado, e se deparou com profundos olhos verdes que a fitavam fixamente. Depois, voltou a perder a consciência.
- Foi ele que me trouxe pra cá. – ela murmurou para si mesma.
- Como? – o garoto ao seu lado perguntou.
- O homem da areia. – ela falou mais alto dessa vez. - Foi ele que me trouxe para cá, Shikamaru!
- Homem da areia? – o moreno suspirou fundo sem entender uma só palavra. – Será que poderia ser menos problemática e me explicar isso direito?
Antes que a pudesse se pronunciar mais uma vez, passos foram ouvidos e os dois amigos olharam automaticamente para a porta. A garota loira de olhos verdes parou ao lado da cama e apoiou uma mão na cintura fina, sustentando um olhar enigmático.
- ? – Shikamaru franziu o cenho.
- Eu sei de quem ela está falando. – ela disse.
- Sabe? – disse surpresa.
- Sabe? – Shikamaru fez uma careta.
- Claro que sei. – a garota revirou os olhos. – Como acha que o ajudei a encontrar sua amiga?
- E ele... – a estava receosa. – Ele está aqui?
- E por que isso a interessaria? – a outra falou com desdém.
- Por que eu queria... – virou o rosto, levemente envergonhada. - Queria agradecer.
- Agradecer? – a loira riu abafado. – Pelo quê?
- Por que não deixa de ser tão problemática, ? – Shikamaru semicerrou os olhos para a garota, – Custa responder o que a perguntou?
- Até que não. – ela riu outra vez, – Apenas não sei pra que isso. Aposto que o Gaara não vai querer perder seu tempo com toda essa ladainha.
- E como pode ter tanta certeza? – o homem questionou.
- Por que ele é meu irmão e o conheço suficientemente bem para afirmar que ele não gosta muito das pessoas. – ela respondeu, cruzando os braços.
- Então por que ele me salvou? – quis saber.
- Isso, minha cara, é algo que eu também gostaria de saber. – sorriu de canto.
Em seguida a loira deu as costas aos dois e se retirou do quarto. Shikamaru encarou a que ainda estava deitada e notou algo estranho em sua expressão. Ela estava confusa, mas sabia que sua amiga não costumava duvidar de nada. era o tipo de pessoa que confiava e acreditava em qualquer um e pelo que parecia, as ações daquele homem mexeram com seus sentimentos de alguma maneira.
- Você está bem? – ele perguntou.
- Não faz sentido. – ela fitou o nada. – Shikamaru, ele me salvou. Esse tal de Gaara da areia me salvou.

~o~

Naruto estava escondido atrás de uma das grandes árvores que ficavam fora dos muros de Konoha. No momento em que saiu daquela mercearia, percebeu que alguém o observava. Com certeza era um caçador e ele fez questão de trazê-lo para lá. Tratou até mesmo de desfazer o clone que deixou com as amigas para que mais ninguém seguisse os rastros do seu DNA e as encontrassem.
Ergueu-se um pouco para observar melhor seu clone que caminhava pela trilha com alguns pacotes de lámen nas mãos. Num certo momento, quando ainda caminhava para longe do centro da cidade, se infiltrou na escuridão de um beco e trocou de posto com ele. Agora observava o caçador aproximar-se já com uma corrente na mão. Sorriu ao pensar em como ele ainda não havia notado a diferença.
- Idiota. – murmurou com um sorriso.
Surpreendeu-se, porém, quando viu o homem que usava um capuz, lançar a corrente que cintilava por ter sido exposta aos primeiros raios de sol. Ela enrolou-se no pescoço do outro Naruto, o fazendo ir com força ao chão. Era agora. Ele precisava atacá-lo enquanto ainda estava distraído.
Fez um esforço para manter o clone ainda ativo e preparou-se para sair de lá, mas sentiu todo seu corpo paralisar assim que viu um vulto cor de rosa correr na direção do caçador. A garota o acertou com um soco que o fez ser lançado longe.
- FIQUE LONGE DELE, SEU DESGRAÇADO! – ela gritou a plenos pulmões.
Respirando pesado, manteve-se com os punhos cerrados e olhar semicerrado, sem deixar de encarar o caçador um segundo sequer. Após o baque, lentamente, ele se levantou e a mirou impressionado.
- Você é forte. – ele disse e limpou o filete de sangue que escorria pelo canto da boca – Com certeza daria uma ótima cobaia.
- Nos deixe em paz! – ela rosnou. – Ou vou ter que obrigá-lo a sumir de minha frente.
- Apenas imagine, regenerada. – o homem riu pelo nariz. – Pessoas perfeitas e com super força. Seria o ápice da perfeição, pois essa é uma das qualidades mais desejadas pelos humanos.
- E daí? - ela cuspiu as palavras. – Eu não quero saber o que o seu governo tem em mente pra todos aqueles idiotas lá fora.
- Isso é uma pena. – ele balançou a cabeça negativamente. – Você poderia apreciar a imortalidade e como foi capaz de contribuir para ela.
- Cale-se! – ela berrou outra vez, se preparando para atacar novamente, mas se distraiu assim que o clone ao seu lado desapareceu. – Mas... O quê?
A rosada se distraiu ao ver apenas a fumaça do clone que antes achava ser seu amigo e não percebeu a corrente vir em sua direção. Só despertou quando ouviu uma voz familiar chamar seu nome.
- , CUIDADO! – Naruto gritou e correu até a ela.
A garota entendeu o recado do amigo e se virou até o caçador a tempo de ver o metal prateado vindo em sua direção, mas não conseguiu se desviar, pois a corrente já estava muito próxima. Por instinto, fechou os olhos e levou os braços à frente do rosto num sinal de proteção. Esperou o toque frio envolvê-la, entretanto, esse não veio.
Confusa, abriu os olhos, mas logo precisou apertá-los por conta da claridade que a incomodou. Pensou ser a luz do sol, mas aquele brilho era diferente. Olhou melhor e viu um homem parado à sua frente. Ele tinha os cabelos negros espetados, mas não foi isso que a fez abrir a boca surpresa. Algo semelhante a um grande raio originava-se de sua mão esquerda e impedia que a corrente continuasse seu percurso.

~o~

O sol finalmente havia acabado de nascer e por sua intensidade, o dia seria quente. Isso, porém, não era algo novo. Pelo menos não ali em Suna, onde todos já estavam acostumados com o clima semelhante ao de um deserto.
O garoto ruivo fitou o céu e precisou semicerrar os orbes esverdeados por conta da claridade. Nunca havia gostado do dia, muito menos da luz do sol. Para ele a noite era bem mais acolhedora com todo aquele silêncio que ela oferecia. Havia dias em que ele perdia a noção do tempo por observar a lua a as estrelas.
Da sacada onde se encontrava olhou para a rua abaixo de si e torceu o nariz. Pessoas, humanos comuns, caminhavam de um lado para o outro, entretidas com suas vidas. Como ele odiava cada uma delas. Mesmo sem conhecê-las, sabia que a real ameaça não eram os regenerados e sim as pessoas sem poderes. Eram elas que buscavam alcançar a perfeição por meio daqueles que tinham o DNA diferente.
Ergueu o rosto ao ouvir passos atrás de si, mas não se virou, pois sabia exatamente quem era. Apenas esperou que a irmã falasse.
- Gaara, a garota acordou. – disse.
- E daí? – sua voz saiu fria.
- E daí, que você mesmo pediu que eu o avisasse. – ela revirou os olhos. – Além disso, ela gostaria de falar com você.
Só naquele instante é que Gaara olhou para por cima do ombro. A loira continuava lá, a alguns metros, com uma mão na cintura. Mesmo longe, ela conseguiu notar a frieza nos olhos do outro. Seu irmão não era alguém fácil de lidar, ela sabia. Ele vivia apenas em prol dos próprios desejos. E era por esse motivo que ela gostaria de saber por que Gaara havia salvado a .
- Gaara, o que você está tramando? – ela se aproximou dois passos.
- Gostaria de me explicar sua pergunta? – ele virou metade do corpo para ela. – Pois eu não a entendi muito bem.
- Você sabe sobre o que estou falando. – cruzou os braços. – Vamos, me diga. Por que salvou a ?
- Tenha certeza de que isso não lhe diz respeito. – ele foi grosso, mas a loira não se abalou.
- A única coisa de que tenho certeza é que você não a salvou por compaixão, eu o conheço muito bem, irmãozinho. – ela ergueu as sobrancelhas. – E mesmo que não me diga o motivo de tudo isso, uma hora ou outra vou acabar descobrindo. Afinal, aposto que precisará de minha ajuda.
- Saiba que está enganada. – ele lhe deu as costas e apoiou os cotovelos no parapeito. – Nunca precisei de sua ajuda, agora não será diferente.
fuzilou o outro com o olhar e só não foi para cima de Gaara, pois sabia que ele não hesitaria em machucá-la. Ainda assim, odiava a forma com o irmão tratava as pessoas a sua volta. Ele era frio e arrogante, nunca admitindo que precisava de ninguém. Mas ela sabia o real motivo do ruivo ser assim. Sabia pelo menos de algo que o afetava até hoje e não pensou duas vezes antes de provocar sua ferida.
- Você acha que não precisa de ninguém e é por conta dessa sua arrogância que deixou Kankuro ser capturado. – ela dizia lentamente, mas estava irritada. – Sabe, Gaara. Acho que se você fosse tão bom como diz ser, talvez nosso irmão ainda estivesse vivo.
Depois de cuspir as palavras, se retirou do lugar a passos largos, deixando um ruivo furioso para trás. Gaara virou-se na direção por onde ela havia passado e teve vontade de obrigar a irmã a retirar tudo o que disse. Entretanto, controlou-se e tentou ignorar mais uma de tantas estocadas que, desde aquele dia, machucavam seu peito.



Capítulo 4: Boa Sorte

Assim que os raios de sol que entravam pela janela entreaberta tocaram o rosto da garota que dormia profundamente, ela incomodou-se e despertou. Virou para o lado oposto à luz, mas gemeu assim que sentiu uma pontada no braço direito.
A dor repentina a fez virar-se de volta e ela finalmente abriu os olhos castanhos. Esperou encontrar a amiga dormindo ao seu lado, mas ela não estava lá. Sentou-se no colchão e fitou a cama ao lado onde seu outro amigo dormia e também não o encontrou.
- Aonde vocês foram? – ela murmurou desconfiada
Não encontrá-los fez com que se levantasse sem se importar com o machucado que ganhara de um caçador da última vez que tiveram de fugir. Torceu o nariz ao se lembrar daquele dia. Naruto e haviam dito que ela ficasse longe, pois eles dariam um jeito em tudo. Ela, no entanto, não ficaria parada vendo-os resolver o problema sozinhos.
Entrou na luta e derrubou o caçador com um grande bastão de metal que conseguiu produzir a partir de uma barra de ferro. Mas não foi suficiente, pois ele envolveu seu braço com uma daquelas malditas correntes, e, para livrá-la, Naruto precisou criar uma esfera espiral de pura energia, acertando-o em cheio. Ela gostaria muito de saber como o Uzumaki, que fazia parte da classe baixa, conseguia controlar o DNA a ponto de manipulá-lo e criar algo tão poderoso.
Caminhou até as suas coisas em busca de algo que pudesse calçar e no caminho se deparou com um pequeno bilhete sobre sua mochila. Passou os olhos pela caligrafia bem feita enquanto lia em voz alta o que a pequena folha dizia.
- , fui atrás do Naruto, pois acho que ele se meteu em encrenca de novo. Mas não se preocupe e não venha atrás de nós, voltamos logo. – sua voz continuava baixa - Assinado, .
A revirou os olhos e largou o bilhete que foi até o chão. Ela odiava quando eles tentavam protegê-la. Mesmo que seus poderes fossem pouco desenvolvidos, ela conseguia se virar.
- Me desculpe, mas terei que desobedecer a suas ordens, . – ela sorriu de canto.
Resolveu sair em busca deles, pois sabia que pelo fato de Konoha ser uma cidade pequena, logo os encontraria. Ao menos era o que esperava. Trancou a porta do quarto e guardou a chave no bolso da calça. Assim como os amigos haviam feito anteriormente, saiu pela janela, deixando-a encostada.

~o~

Shikamaru observava as nuvens. No entanto, diferente das outras pessoas que buscavam formas nelas, para ele nuvens eram apenas nuvens. Era como se encará-las o ajudasse a relaxar. Algo tão simples conseguia fazê-lo esquecer-se dos seus problemas, pelo menos por alguns instantes.
Estava na varanda da grande sala onde os dois irmãos Gaara e moravam. A área, que se assemelhava a um jardim, era separada do cômodo por uma porta de vidro. Puxou o ar para os pulmões, pois realmente gostaria de saber como regenerados poderiam ter uma vida tão boa. Era como se eles vivessem livres. Não tinham medo de demonstrar seus poderes. Na realidade, não pareciam temer nada.
Enquanto ainda estava lá, ouviu passos atrás de si e olhou por cima dos ombros, encontrando a loira de Suna. Ela apoiava uma mão na cintura e o encarava com uma expressão curiosa. O Nara apenas revirou os olhos.
- O que tanta faz aí? – ela perguntou ao perceber que ele não diria nada.
- Só estou pensando. – ele respondeu a contragosto.
- E você é sempre tão tedioso assim? – ela perguntou com um sorrisinho provocante.
- Só na maioria das vezes. – ele respondeu sem muito interesse.
- Nossa... – a garota ergueu as sobrancelhas.
- Quer perguntar alguma coisa? – ele finalmente se virou até ela.
- Na verdade não. – balançou os ombros.
- Então o quê? – ele cruzou os braços.
- Eu já disse que não quero saber nada. – ela revirou os olhos – Mas como a casa é minha, acho que posso ficar onde eu quiser.
- É claro que pode. – Shikamaru disse.
lhe lançou um sorriso de canto e depois caminhou até um banco que havia na varanda, ao lado de várias flores. Shikamaru recostou-se ao lado da ombreira da porta, voltando a observar as nuvens. O silêncio instalou-se e nenhum dos dois se atrevia a dizer nada.
Ao sentir-se entediada, começou a brincar com algumas flores. Enquanto controlava o vento, ela fazia com que as pétalas se soltassem e girassem num círculo entre suas mãos.
Aqueles movimentos atraíram a atenção de Shikamaru. Discretamente, ele fitou a garota, mas assim que a loira fez com que as pétalas formassem um tipo de coroa em sua testa, o Nara a fitou diretamente. Foi então que ele percebeu como aquela mulher que demonstrava ser bem problemática era notavelmente bela.
- O que foi? – franziu o cenho ao perceber que Shikamaru a encarava.
- Nada. – ele desviou o rosto constrangido.
A loira pensou em dizer algo, pois já havia percebido que ele não gostava quando ela o provocava. Porém, antes que se pronunciasse, viu o irmão passar pela sala e subir as escadas, indo onde o quarto da estava.
- Ele vai mesmo falar com ela? – ela falou incrédula.
- O que há de mais? – o garoto questionou.
- Nada. – ela riu pelo nariz – Desejo apenas boa sorte para sua amiga.

~o~

A rosada continuava a encarar as costas do homem de forma assustada. Seus olhos verdes correram até o raio que ele segurava e este parecia ser pura energia, como a esfera espiral que Naruto fazia. No entanto, o som que aquele raio emitia se assemelhava ao canto de mil pássaros.
O garoto de cabelos negros semicerrou os olhos vermelhos assim que sentiu a pressão da corrente em seu pulso. Ele sabia que o caçador tinha a intenção de puxá-lo, então fez com que o raio que provinha de sua mão esquerda se estendesse por todo o metal. Ao perceber a energia se aproximando, o caçador foi obrigado a desfazer o laço que prendia o braço do outro.
- Ora, ora, ora! Vejam só o que temos aqui. – o caçador esboçou um sorriso de canto – Uchiha Sasuke, um dos últimos de sua família. É uma honra!
- Tenho certeza que sim. - Sasuke debochou.
abriu a boca pela surpresa. Como assim, aquele homem era um Uchiha? Aquela era uma das famílias de regenerados mais conhecidas que existiam. Eles, assim como os Hyuuga, foram os primeiros a possuir membros com os genes diferentes. Entretanto, algo fez com que os Uchiha fossem exterminados e apenas alguns restaram. Deparar-se com um deles era uma raridade. Ao menos foi o que a tinha ouvido.
- ! – de repente uma voz chamou a atenção de todos os presentes – , VOCÊ ESTÁ BEM?
A garota olhou na direção da voz, encontrando o amigo. Ao vê-lo, sentiu um alivio indescritível, pois agora sabia que ele estava bem. O loiro logo parou ao seu lado e a analisou meticulosamente, buscando qualquer vestígio de machucados nela.
- Naruto, eu estou bem. – ela disse.
- Tem certeza? – ele perguntou, mas ela não pôde responder.
- Mais um regenerado? – a voz do caçador se fez ouvir e ele parecia satisfeito – Acho que minha recompensa será melhor do que o que eu imaginava.
- Será que não percebe que está em desvantagem? – a garota disse – Somos três contra um.
- E qual o problema? – o homem fez com que outra corrente saltasse de sua mão livre – Não vão me dizer que estão com medo.
- Eu vou te mostrar quem está com medo. – Naruto rosnou.
- Naruto, não! – gritou.
O Uzumaki, porém, não a escutou e fez um clone de si. Os dois saíram correndo juntos, passando ao lado do Uchiha que apenas observava. Por um segundo, os olhos azuis e vermelhos se cruzaram, mas Naruto logo desviou e continuou indo na direção do caçador.
cerrou os punhos e criou coragem para se aproximar do homem à sua frente. Ao parar ao seu lado, conseguiu atrair seu olhar, mas teria preferido que ele continuasse como antes. Aqueles orbes vermelhos a fitaram de uma forma tão intensa que ela sentiu suas pernas bambearem. Era como se ele quisesse ler sua alma.
- Não vai fazer nada? – ela perguntou, tentando ignorar aquela primeira sensação.
- E por que eu deveria? – o Uchiha quis saber.
- Se não vai ajudar, o que faz aqui então? – dessa vez ela irritou-se.
- Nada que interesse a nenhum de vocês. – ele foi rude.
- Desculpe-me, senhor da gentileza, mas não tenho tempo para suas doces palavras. – a desdenhou – Agora, se me dá licença, tenho mais o que fazer.
A essas palavras, a garota deu as costas ao garoto, fitando a cena à frente. Viu o momento que o clone de Naruto tentou acertar um chute no caçador, mas o homem conseguiu desviar-se, contra-atacando com um soco, o que fez o clone desfazer-se em fumaça.
Naruto tentou acertar mais alguns golpes no outro, mas este parecia ser bem treinado. Era um caçador dos melhores e talvez por esta razão não se importava em enfrentar todos eles de uma só vez. O garoto tentou mais uma vez e se abaixou, passando a perna sob os pés do caçador, a fim de derrubá-lo. Entretanto, ele percebeu sua intenção e pulou. Ao mesmo tempo o golpeou com um chute enquanto ainda estava no ar, fazendo-o cair estendido no chão.
- EI, IDIOTA, SEGURA ESSA! – uma voz raivosa berrou.
O caçador levantou os olhos a tempo de ver o mesmo vulto rosa de antes vir em sua direção. Dessa vez, porém, pôde se desviar do punho fechado dela. Em consequência, o potente soco acertou o chão, criando uma cratera não muito profunda nele. ergue seu corpo e o procurou, o localizando entre eles e o Uchiha. Era como se ele fosse o alvo mais importante.
Deixando-os de lado, o homem com a capa negra correu na direção de Sasuke e lançou sua corrente com o objetivo de enlaçá-lo, mas o garoto se desviou, dando um salto mortal para trás. Ele semicerrou seus olhos vermelhos e ativou mais uma vez o raio em sua mão. Se aquele imbecil queria jogar, ele iria jogar. Afinal, era bom se divertir um pouco de vez em quando.
correu até Naruto e o ajudou a se levantar. Foi então que aquele som de cantos de pássaros novamente chamou sua atenção. Ela olhou rapidamente para os dois mais afastados e viu o Uchiha segurando seu raio novamente. Ele era muito poderoso pelo que demonstrava.
- Quem é esse cara? – de repente Naruto perguntou.
- Eu não sei. – ela respondeu – Apenas ouvi o caçador dizer que ele é um Uchiha.
- Um Uchiha? – o Uzumaki se surpreendeu – Eles ainda existem?
- Pelo que parece, sim. – a rosada disse tão intrigada quanto o amigo.
Assim que percebeu que o caçador aumentou o tamanho das correntes prateadas, Sasuke expandiu a intensidade do seu raio. O som que ele emitia se tornou mais alto e a luz mais brilhante.
- O que está esperando? – ele perguntou com desdém – Estou aqui, por que não vem me pegar?
- Como quiser. – o homem de capa riu.
O caçador correu até e tentou alguns socos e chutes, mas o outro se desviava de todos eles sem problemas. Era como se ele previsse cada movimento seu. Decidiu usar a corrente, lançando-a a altura do pescoço dele. O Uchiha, porém, previu aquele movimento com seus olhos e segurou o metal frio com força. Rapidamente, fez o raio percorrê-lo até a outra extremidade. Dessa vez ele teve êxito.
O caçador foi ao chão se contorcendo por conta da descarga elétrica e Sasuke aproveitou-se do momento para por fim àquela situação que, em sua opinião, havia se tornado desnecessária. Caminhou até o homem que jazia quase desacordado no chão e ergueu sua mão com o objetivo de golpeá-lo fatalmente com seu raio.
Antes que pudesse fazê-lo, percebeu uma movimentação atrás de si e virou-se até lá, tendo apenas tempo para erguer seu braço, bloqueando o chute de Naruto. O loiro logo voltou a ficar ereto, mas sua expressão não era muito amigável.
- O que pensa que está fazendo? – o Uzumaki disse entredentes.
- Eu pergunto o mesmo. – Sasuke o encarou.
- Você ia matá-lo? – o outro perguntou.
- É o único jeito de fazer com que deixem de nos perseguir. – o Uchiha respondeu apenas.
- Mas é claro que não! – o loiro berrou – Você por acaso é louco?
- Se conhece uma forma melhor é só dizer. – o moreno disse intensificando o raio ainda mais – Até lá, continuarei com meus métodos.
Virou-se até o homem no chão, pronto para acabar com aquilo, mas surpreendeu-se ao encontrar a garota de cabelos rosa entre eles. Ela estava com os punhos cerrados e com as pernas afastadas, um pouco inclinada para frente, pronta para atacar. Sasuke franziu o cenho.
- Se quiser machucá-lo, terá que passar por mim primeiro. – a rosada disse entredentes



Capítulo 5: Eternamente

A estava cansada de ficar deitada. Para ela, permanecer tanto tempo inerte era algo realmente desconfortável. se enquadrava no grupo de pessoas dinâmicas, que não se agradavam com o comodismo, mas sim com a ação. Sempre fora assim desde bem pequena. Era como se uma chama estivesse acesa dentro de si.
A loira sentou-se e colocou os pés para fora da cama, pronta para se levantar, mas no exato momento ouviu a maçaneta da porta ser girada e olhou automaticamente para lá. Esperou ansiosamente para saber quem estaria ali, mas logo seu sentimento foi sanado quando a pessoa finalmente abriu a porta, colocando metade do corpo para dentro.
Os olhos azuis e os esverdeados encontraram-se e a garota sentiu todos os seus membros tremerem com tal contato. Tentou dizer algo, entretanto, assim que viu o ruivo adentrar o recinto, desistiu. Seus olhares, porém, continuaram fixados um ao outro.
Gaara caminhou lentamente até aquela mulher que, em seu palpite, era uma das mais belas que já vira. No entanto, atributos como aquele não costumavam cativá-lo a menos que a pessoa que o possuísse demonstrasse ser alguém nobre, com outras boas qualidades.
Parou a uma distância considerável e cruzou os braços, analisando a expressão corporal dela. Pôde notar que a garota o encarava como todas as outras pessoas. Ela tinha medo. Percebeu isso por conta de sua primeira reação assim que ele entrou. A tentara dizer algo, mas hesitou assim que ele começou a vir até ela. A maneira como estava acuada, com os braços sobre as pernas e os ombros encolhidos, demonstravam o sentimento de temor. Porém, o Sabaku já estava acostumado.
Entretanto, havia algo mais. Algo em seu olhar. Alguma coisa que Gaara não conseguia decifrar. Assemelhava-se a um brilho que de certa forma o intrigou. Instintivamente, se aproximou mais alguns passos, o que fez a garota arregalar os orbes azuis. O rapaz parou, decidindo mentalmente que não deveria aproximar-se mais. Pensou no que dizer, mas para falar a verdade, ele não sabia ao menos o que fazia ali.
- Você é ? – sua pergunta saiu mais como um questionamento.
- Sim... – a garota respondeu num sussurro, desviando olhar.
Por um segundo, a conexão direta entre eles foi cortada e o ruivo incomodou-se minimamente, pois notou que isso apenas se deu por conta de sua abordagem nada amistosa. Soltou um suspiro discreto e fitou o teto, já que tentava entender por que se importava em não ser rude.
- Minha irmã disse que você queria falar comigo. – ele tentou mais uma vez.
- Sim, eu queria. – a loira continuou de cabeça baixa.
- E então? – sua voz voltou a soar fria.
mordeu os lábios ao mesmo tempo em que se atreveu a fitar o homem à sua frente outra vez. Ele aguardava uma resposta, mas ela não sabia o que dizer. Ele era intimidador, mas ela não esperava menos de alguém que a salvou de uma forma tão insólita.
- Eu só... Só queria agradecer. – a finalmente falou.
- Agradecer? – ele a encarou fixamente. – Pelo que, mais especificamente?
- Como pelo quê? – a garota soltou um risinho nervoso. – Por ter me salvado daquele caçador.
- Acredita mesmo que a salvei, ? – ele perguntou, mas parecia mais um questionamento a si próprio.
- Acredito. – ela disse com mais firmeza dessa vez.
Sem pensar, levantou-se e caminhou até estar a alguns passos de distância de Gaara. Ele permaneceu parado, apenas observando quão graciosa era sua forma de andar. Ela encarou-o nos olhos, levantando um pouco a cabeça para isso. Criou coragem e finalmente disse o que queria.
- Acredito sim que tenha salvado a minha vida, apenas não sei por qual motivo. – sua voz saiu determinada, como de costume. – Mesmo assim, queria dizer que sou muito grata. Tenha certeza de que eu nunca vou me esquecer do que fez e que, de agora em diante, terei uma dívida com você. Eternamente.

~o~

continuava parada entre o caçador e o Uchiha. Ela sabia que aquele homem tinha tentando caçá-los, mas matar não era a resposta para aquele problema. Matar não era a resposta para nada.
- Vou pedir de forma educada que saia de minha frente. – Sasuke disse num tom ameaçador.
- Infelizmente, não poderei atender seu pedido. – a rosada respondeu num tom debochado.
Por mais incrível que fosse, ela não sentia medo dele. Aqueles olhos vermelhos não eram suficientes para intimidá-la, muito menos aquele raio ruidoso que provinha de sua mão. Ele poderia ser quem quer que fosse, mas ela havia aprendido a valorizar-se. Sabia qual era sua capacidade e não abaixaria a cabeça para qualquer um.
- Vejo que você não está muito a fim de conversa. – o Uchiha sorriu de canto. – Para sua sorte, eu também não estou. Mas creio que isso não será bom para alguém como você.  
- Como assim, alguém como eu? – ela franziu a testa.
- Uma Humili. – ele disse com desdém. – Fraca e inútil, assim como todos de sua classe.
- Ei, cara, como pode dizer que qualquer um de nós é fraco? – a voz de Naruto encheu o ambiente. – Afinal, como sabe que somos da classe baixa?
- Por que eu posso ver. – Sasuke respondeu. – Meus olhos conseguem diferenciar os diferentes graus de regeneração de DNA e posso afirmar que vocês estão abaixo de cinquenta por cento.
- E daí? – o loiro fez uma careta. – O que isso tem a ver com nossa força e muito menos com quem somos?
- É meio difícil para que pessoas como você entendam. – o moreno soltou um suspiro.
- Já chega! – interrompeu a conversa. – Eu não aguento mais ouvir uma palavra que sai de sua boca, Uchiha. Se se acha tão bom por que não vem aqui e mostra o que sabe fazer?
- ?! – Naruto chamou a amiga, surpreso.
- Seria melhor se saísse do meu caminho. – Sasuke disse apenas.
A rosnou enfurecida por conta do descaso que aquele homem demonstrava. Era como se ele se considerasse melhor do que todos os presentes ali pelo simples fato de fazer parte da classeExcelsis. Semicerrou os olhos e ergueu um dos punhos na direção dele. Não seria humilhada daquela forma por alguém que agia como superior pelo simples fato de pertencer à classe alta de regenerados.
- Você. – ela apontou o punho para ele enquanto falava. – É melhor sumir daqui ou serei obrigada a mandá-lo para o espaço.
- Já disseram o quanto você é irritante? – Sasuke soltou um riso anasalado.
- Tem cinco segundos pra isso. – ela falou. – Quatro...
- Você está mesmo falando sério? – ele desativou seu raio.
- Três... – ela continuou a contagem.
- Cara, é melhor você ir. – Naruto aconselhou.
- Dois... – a disse mais lentamente.
- Acho que isso será interessante. – Sasuke sorriu sem mostrar os dentes.
- Um! – ela terminou. – Perdeu sua chance, Uchiha.
Sem esperar, a rosada lançou-se na direção do rapaz pronta para acertá-lo com um dos seus potentes socos. Este, porém, apenas se desviou para a direita, fazendo-a golpear o ar. surpreendeu-se com a rapidez dele e mais ainda quando Sasuke parou atrás de suas costas. Estavam tão próximos que sentiu o calor que emanava de sua pele e suas pernas bambearam como da primeira vez.  
- Se você conseguir me acertar, eu vou embora e deixo o caçador em paz. – o moreno disse. – Se não conseguir, vou matá-lo.
- O quê? – ela não se atreveu a mover-se.
- Melhor. – ele sorriu de forma maldosa. – Você vai matá-lo.
Ao ouvir aquelas palavras, esbugalhou os orbes esmeraldinos. Aquele homem estava falando sério? Fitou o amigo que estava mais a frente e percebeu que ele estava tão assustado quanto ela.
- O que me diz... – a voz de Sasuke soou mais uma vez com o mesmo tom de desprezo. – Humili?   
A garota tentou desconsiderar aquele desconforto e cerrou os punhos, fechando os olhos com força. Algo a dizia que aqueles olhos viam mais do que a estrutura dos seus genes. Mas, ela poderia muito bem pegá-lo, era só uma questão de atenção.
Naruto percebeu que aceitaria o desafio no momento em que ela abriu os olhos. Havia ali a determinação que era típica de sua amiga. No entanto, ele estava preocupado. Aquele Uchiha era realmente poderoso e era bem provável que ela não conseguisse vencer ou ao menos acertá-lo. Com isso, achou melhor intervir antes que a rosada pudesse se machucar.
- , eu vou. – o Uzumaki disse.
- Como? – ela franziu o cenho.
- Eu luto em seu lugar. – ele deu dois passos. – Não quero que nada aconteça com voc...
- Nada disso. – ela o interrompeu. – Ele desafiou a mim, então eu vou lutar.
- Por que não escuta seu amigo, rosada? – Sasuke falou. – Acho que ele pode ter mais chances.
- , meu nome é . – ela disse entredentes. – E acho melhor se preparar, Uchiha Sasuke. Quanto a você, Naruto, não interfira.
O loiro abriu a boca por conta da surpresa, mas decidiu não contrariá-la. sabia ser sinistra quando queria. Ainda sim, ficaria observando e pararia tudo se percebesse que ela não conseguiria. Naruto passou os olhos de para Sasuke e viu que ele continuava atrás da garota. O Uchiha parecia esperto, mas a rosada também era.
- Tudo bem. – Naruto sorriu. – Boa sorte então, Uchiha!

~o~

As ruas de Konoha ainda estavam vazias, pois não se passavam de seis da manhã. tentava ser discreta enquanto buscava seus amigos. A se afastava cada vez mais do lugar onde haviam passado a noite, mas por sua distração não percebeu isso.
Depois de um bom tempo caminhando, resolveu sentar-se num dos bancos que havia no pequeno jardim da cidade. Sentiu a brisa tocar sua pele, então fechou os olhos para apreciar aquele momento. Ao abri-los, fitou o céu azul com algumas nuvens cor de neve. Sentiu uma imensa paz invadir seu ser e desejou com todas as forças estar com sua família. Porém, havia um problema. Ela ao menos sabia quem eles eram.
Sempre foi uma garota solitária e viveu boa parte de sua infância num orfanato. No entanto, quando seus poderes se manifestaram, ela foi considerada uma ameaça para as outras crianças e então, eles deixaram que o governo decidisse qual seria seu destino. A pequena Mitsahi, porém, sabia o que lhe aguardava e então decidiu fugir em vez de sofrer em prol da perfeição. Falando seriamente, ela não se importava nem um pouco com toda aquela tolice. A única coisa que desejava era que as pessoas voltassem a viver em paz. Que ela e seus amigos pudessem andar pelas ruas, livres.
Suspirou fundo ao se lembrar dos anos difíceis que passou sozinha até que os encontrou. Naruto e . Eles também haviam fugido, mas diferente dela, eles tinham famílias. Foram levados a força, mas conseguiram escapar dos caçadores que os levariam para serem estudados. Os três uniram-se e agora eram companheiros leais, prontos para qualquer dificuldade.
- Onde vocês estão? – a voz da morena saiu preocupada.
Voltou a fechar os olhos, mas logo decidiu continuar sua busca. Antes que pudesse se levantar, porém, sentiu uma fisgada em seu pescoço e passou os dedos finos no local que achou ser o certo. Retirou algo de sua nuca e se surpreendeu ao constatar que o objeto se parecia a um pequeno dardo.
- Mas o quê? – ela franziu a testa e soltou o objeto, fazendo-o ir de encontro a grama verde.
Levantou-se de supetão, mas sentiu sua visão embaçar e levou as mãos aos olhos, esfregando-os com vigor. Aquilo foi em vão, pois continuava a perder cada vez mais o foco das coisas ao seu redor. Tentou sair dali, mas ao dar o primeiro passo, caiu de joelhos.
- O que está acontecendo comigo? – A se perguntou quase entrando em desespero. – Eu não consigo me mexer.
- Esse é o efeito do veneno, querida. – de repente ela ouviu uma voz feminina à sua frente. – Mas não se preocupe, a queremos viva.
ergueu a cabeça, encontrando não uma, mas duas pessoas. Sua visão, porém, estava realmente comprometida e a única coisa que conseguiu distinguir foi a cor dos cabelos do estranho que caminhou em sua direção. Vermelhos. Longos e esvoaçantes, assim como as chamas de fogo.
- Você tinha razão. – o outro mais atrás disse.
- Eu disse que a senti aqui. – a dona dos cabelos vermelhos respondeu. – E quando eu digo que sinto um regenerado, não me engano.  
No segundo seguinte, sentiu todo seu corpo ceder e caiu. Ouviu-os dizer mais alguma coisa, mas sua mente não decifrou o quê. Num minuto estava acordada, porém, logo sentiu suas pálpebras pesarem e perdeu a consciência. A última coisa que conseguiu pensar foi nos amigos e em como eles faziam de tudo para protegê-la.
E em sua mente, as palavras que permaneciam eram apenas: “Me desculpem”.      



Capítulo 6: Dignidade

Shikamaru estava preocupado, especialmente depois da forma como havia desejado boa sorte para . O que havia naquele tal de Gaara para que precisassem ser tão cautelosos?
Ainda estava no jardim da grande casa, porém, sua vontade era subir as escadas que levavam aos quartos para ter certeza de que sua amiga estava bem. Mesmo com aquele desejo, continuou ali, pois sabia que seria uma grande falta de decoro agir daquela maneira.
já não estava mais lá, o que de certa forma, o deixou mais à vontade. Aquela garota era muito problemática, em sua opinião. Sabia exatamente como irritá-lo e, definitivamente, era perturbador. Ninguém, a não ser a própria , conseguia tal feito com tanta facilidade.
Sentou-se no banco onde a loira havia estado segundos atrás e escorou os cotovelos nos joelhos. Precisava pensar numa forma de sair logo dali. Por mais que aquele lugar se assemelhasse a uma fortaleza, onde aqueles irmãos viviam sem medo de qualquer coisa, com certeza eles não seriam bem-vindos.
- Shikamaru. – de repente alguém falou, chamando a atenção do garoto.
O Nara olhou na direção da porta de vidro que separava o jardim da sala, surpreendendo-se ao encontrar . Ela permanecia parada olhando para ele, enquanto segurava a porta com uma das mãos.
- Quando chegou aqui? – ele quis saber, ainda surpreso.
- Deveria estar mais atento. – ela sorriu de forma provocante – E se fosse um caçador?
- Duvido que algum deles consiga entrar aqui. – ele revirou os olhos – Essa casa é praticamente uma fortaleza.     
- Quanto exagero... – a loira riu levemente.
- O que vocês fazem para viverem assim, tão abertamente? – o moreno quis saber.
- E quem disse que vivemos abertamente? – ela apoiou uma mão na cintura e se aproximou.
- Vocês moram praticamente no meio da cidade e numa casa tão grande, além de usarem seus poderes sem qualquer receio. – ele ressaltou – É impossível não serem detectados.  
- Talvez nossos DNAs não sejam tão perceptíveis. – ela balançou os ombros.
- Muito improvável. – ele falou convicto – No mínimo, vocês são da classe média, então não há como passarem despercebidos. Ainda mais, com poderes tão... explícitos.
- Explícitos? – ergueu as sobrancelhas. - Você é sempre tão intrometido?
- Eu não chamaria de intromissão. – ele sorriu de canto – Gosto apenas de observar as pessoas.
- Que seja. – ela bufou.
Ficaram um bom tempo encarando-se, até que a garota se lembrou o que a trazia ali. Afastou-se dois passos e pigarreou, olhando para os próprios pés. Para ela, aquele homem era muito observador e isso era algo que a incomodava profundamente.
- Eu vim saber se não quer tomar um banho ou coisa assim. – sua voz saiu mais receosa do que gostaria, então tratou de se recompor – Você não está com uma cara muito boa.
- Como é? – ele franziu o cenho.
- Você entendeu. – ela estalou a língua – E é melhor responder logo, não estou com muita paciência.
- Problemática... – ele suspirou, mas continuou ao perceber a expressão nada amigável da garota – Tudo bem, pode ser.
Sem dizer nada, deu as costas a Shikamaru e começou a caminhar para longe dele, o deixando confuso. Ao perceber que não era seguida, parou e virou metade do corpo de volta, o encontrando no mesmo lugar.
- Vamos. – ela disse num tom irritado.
- Claro. – ele suspirou e a seguiu.
Enquanto caminhavam, ele ia mais atrás com o olhar fixo as costas dela. O andar firme e confiante de foi capaz de prender sua atenção, mas não por muito tempo. Logo seus olhos o traíram e desviaram para o quadril da loira. Ao perceber que aquele ato era um passe livre para pensamentos impróprios, balançou a cabeça para os lados e tentou se concentrar.

~o~

Sasuke permanecia atrás da garota de cabelos róseos. podia sentir o calor que emanava de seu corpo, mas continuou ali, com os punhos cerrados. Nenhum dos dois havia se atrevido a mover-se, esperando a iniciativa do outro.
- Isso está realmente muito chato. – de repente Naruto se fez ouvir – Quando vão começar?
- Naruto, por que não fica quieto? – a amiga o olhou feio.
- Eu sei que os dois querem ganhar, mas é só uma luta. – o loiro insistiu – Além disso, temos de voltar. A vai nos matar.
- ... – a sussurrou ao lembrar-se da outra.
Resolveu que o Uzumaki estava correto. Eles não tinham todo o tempo que desejavam, ninguém tinha, nem mesmo os regenerados. Esse era o motivo de serem caçados, afinal. O governo buscava a imortalidade e para eles seu segredo estava nos genes modificados.
preparou-se para atacar, erguendo seu punho direito. Tal movimento fez o Uchiha semicerrar os olhos vermelhos, para que pudesse saber onde ela tentaria acertar. Sorriu ao conseguir decifrá-la. Seu rosto era o alvo principal. Quando ela virou-se subitamente, ele apenas desviou a cabeça na direção contrária do golpe.
- Bem direta. – Sasuke debochou.
Sem surpreender-se, a garota apenas tentou outra vez. Ergueu outro punho e o socou. Outra vez Sasuke desviou-se. Ele era veloz. Mas ela também era. Num movimento rápido, ela tentou acertar-lhe um chute. Dessa vez ele segurou seu tornozelo com firmeza, impedindo-a de se afastar.
A rosada fez uma careta, mas não se deixou abalar. Forçou a perna e o obrigou a soltá-la. Sasuke admirou-se com a força que aquela garota franzina demostrava, mas não deixou que suas expressões transparecessem isso. Ao vê-la se aproximar outra vez, notou que se defender não seria suficiente. Desviou-se do novo soco e tentou acertá-la. Ao perceber que seu golpe a atingiria em cheio, sorriu.
Para sua surpresa, segurou seu punho fechado com a mão e o forçou para trás. O olhar determinado dela era diferente de qualquer outro que já vira. Sasuke tentou outra vez, mas a garota o largou e desviou. Ele franziu o cenho irritado.
- O que houve, Uchiha? – a provocou – Já está cansando?
- Por quê? – ele retaliou – Você está?
Ela riu. Sasuke incomodou-se com aquela atitude e ativou o raio em sua mão esquerda. Sorriu desdenhoso ao constatar o olhar amedrontado de . O que não durou muito. A garota logo tratou de recompor-se. Ele não a acertaria.
Correram um na direção do outro e Sasuke tentava acertá-la. fazia o mesmo. Após algum tempo de tentativas frustradas, o Uchiha finalmente detectou uma brecha na defesa dela. Aproveitou-se disso e mirou a energia no abdômen da rosada. Quando estava a centímetros, percebeu algo como temor nos olhos dela e inconscientemente, desativou o raio, acertando-a apenas com o punho fechado.
Apesar disso, a pancada foi suficiente para fazer com que fosse lançada a certa distância. O pequeno corpo arrastou-se pelo chão por alguns segundos e ela teve a certeza de nunca ter sentindo uma dor tão grande.
- ! – Naruto gritou alarmado.
Ela não respondeu. Apenas viu Sasuke se aproximar e se apoiou nos cotovelos, erguendo-se um pouco. Quando estava perto dos seus pés, ele parou e soltou um riso anasalado. Ela o fuzilou com o olhar.
- Acho que terminamos aqui. – o moreno falou – Acima de tudo, obrigado pelo passatempo. Apesar de ter sido um pouco monótono.
cerrou o maxilar. Se aquele imbecil tinha pressuposto que a luta havia chegado ao fim, estava enganado. Ela, , não desistiria tão fácil. Quando o viu dar-lhe as costas, levantou-se mesmo com dificuldade.
- Ei! – ela berrou – Aonde pensa que vai?
Sasuke parou e virou-se para ela com as sobrancelhas erguidas. Aquela irritante ainda queria mais.
- Está fugindo da briga, é isso? – ela tentou provocá-lo.
- Se eu quiser, posso acabar com você agora mesmo. – ele disse com desprezo – Mas eliminar aquele caçador é mais importante.
- Não vire as costas pra mim! – ela continuou alterada – Uchiha!
Ele não deu importância para a garota e continuou a caminhar na direção do calçador ainda desacordado. Quando estava a poucos metros dele, sentiu uma movimentação atrás de si e voltou-se para lá. Foi o suficiente para desviar-se de .
- Por acaso está surdo? – ela falou entredentes.
- Pelo jeito, é você quem está. – ele rebateu.
A garota insistiu. Correu até ele com agilidade e tentou acertar-lhe com força. Em vão. Agora que sabia do que ela era capaz, Sasuke não a subestimaria. Com destreza, o rapaz conseguiu acertar o mesmo lugar de antes, mas com menos intensidade. apenas envergou-se para frente pela dor, mas foi suficiente para desorientá-la. Quando ele se afastou, ela caiu de joelhos.
- Acho que agora já chega. – ele falou num tom calmo.
Deu as costas mais uma vez para ela e andou até o caçador. Estava irritado. Aquela garota o havia dado mais trabalho do que gostaria, mas havia algo mais. Era aquela determinação em seu olhar. O denodo neste era como faíscas e elas o atingiram em cheio. Como alguém poderia ser tão persistente?
Ergueu seu braço e logo o som de mil pássaros pôde ser ouvido. Precisava acabar logo com aquilo e sumir. Apegou-se tanto a este plano que não percebeu o momento que alguém se postou entre ele o caçador. A única coisa que captou foram os olhos azuis arregalarem-se graças a carga elétrica recebida.
 
~o~

A brisa soprava suave, mas era suficiente para fazer com que as folhas das árvores oscilassem de um lado para o outro. No entanto, para as garotas que treinavam exaustivamente dentro daquele dojo, não havia diferença. Os longos cabelos escuros esvoaçavam-se a cada novo golpe e se prendiam nas testas e laterais dos rostos delicados por conta do suor produzido pelo esforço.
sabia que aquele treinamento fazia parte das regras de sua família, mas nunca teve o desejo de sair dos limites do seu território. Para aquela jovem, a vida fora dos portões não tinha nada para lhe oferecer. Não se achava forte o bastante para aventurar-se pelo mundo, especialmente quando regenerados eram tão procurados. Ainda assim, tinha uma pequena curiosidade de saber como eram as coisas além do pouco que conhecia. 
Seu interesse nos humanos comuns era tanto, que cada vez que seu primo voltava de alguma missão da qual havia sido encarregado pelo líder deles, fazia-lhe perguntas. Neji era paciente e mesmo que soubesse que teria o seu momento, onde realizaria as mesmas tarefas, contava-lhe muito.
Mesmo com todas as informações recebidas do primo e também com o que ouvia pelos corredores do território, a Hyuuga reconhecia que havia mais. Muito mais. Apenas aquele receio, o sentimento de covardia a faziam recuar. A moça tinha medo de não ser forte o suficiente.
Enquanto ainda treinava, distraiu-se com seus pensamentos e baixou a guarda por alguns segundos. O suficiente para que sua irmã a atacasse. Por pouco, a mais nova não a acertou com o a palma da mão aberta. Um golpe típico dos Hyuuga. No último segundo, desviou o corpo para o lado direito e bateu com sua palma no braço da outra, desorientando sua mão, que acertou o ar.
- ! – a irmã chamou sua atenção – Onde está com a cabeça?
- Me desculpe, Hanabi. – a mais velha sorriu sem mostrar os dentes – Apenas me distraí um pouco.
- Você nunca se distrai. – a mais nova ergueu as sobrancelhas - Em que estava pensando para me deixar chegar tão perto?
- Não é nada. – ela suspirou.
- Está bem então. – Hanabi não acreditou em suas palavras mais preferiu não insistir – Vamos continuar?
- Claro! – sorriu.
As duas colocaram-se novamente em posição de combate, porém, logo ouviram uma batida discreta na porta. Endireitaram-se e falou que a pessoa entrasse. Instantes depois, viram a luz do sol adentrar o local, assim como a brisa que vinha de fora. Puderam ver um dos membros da família Hyuuga e este pediu para falar com a mais velha.
- Sim. – ela o acompanhou ao ar livre.
- -sama. – o jovem se dirigiu a ela respeitosamente – Hiashi-sama solicita sua presença.
- Minha presença? – ela se assustou por alguns segundos – Posso saber por qual motivo?
- Me desculpe, senhorita. – ele balançou a cabeça negativamente – Foi a única instrução que recebi.
- Tudo bem. – ela mordeu os lábios discretamente - Diga que estou indo.
- Com licença. – ele disse e então se retirou.
A Hyuuga permaneceu alguns instantes tentando compreender o que se passava, mas nada vinha à sua mente. Será que havia feito algo de errado? Mas ela vinha seguindo todas as regras, sem exceções. Seriamente, ela sempre as seguiu.
Respirou fundo e caminhou em direção à sala onde seu pai estaria. Para a jovem, ser a filha do líder dos Hyuuga era uma peso a mais, já que todos sempre esperavam o melhor dela. Sua irmã era mais nova, então não exigiam tanto da pequena. Ainda assim, elas eram o centro de toda a família.
Quando finalmente chegou, bateu à porta e esperou a permissão para entrar, que logo foi concedida. adentrou a grande sala e viu Hiashi sentando atrás de uma mesa talhada em mogno. O móvel estava repleto de papéis e o homem analisava alguns deles, até que finalmente ergueu o olhar para a filha.
- Pai. – ela se aproximou – Me disseram que o senhor gostaria de falar comigo.
- Sim, gostaria. – ele conformou.
- Foi por conta de algo que eu fiz? – a garota apressou-se em se defender – Pois posso afirmar que...
- Não se preocupe, . – a voz firme a interrompeu – Sei que está longe de descumprir qualquer regra. Esperaria isso de Hanabi, quem sabe, mas não de você.
- Então qual o motivo de solicitar minha presença? – a Hyuuga tentou ignorar a pontada de raiva que sentiu ao ouvir o pai se referir a sua irmã como uma desordeira.
- , você está ciente de que será a nova líder da família, não está? – ele perguntou e ela apenas balançou a cabeça – É apenas questão de tempo para que assuma meu lugar.
- Eu sei, pai. – a garota baixou o rosto.
- Antes, porém, preciso saber se está realmente preparada. – Hiashi falou.
- Preparada? – ergueu os olhos.
- Você precisa ser digna de algo tão importante. – o Hyuuga levantou-se – Espero que entenda.
- Sim, eu entendo. – ela desviou o olhar.
- Vou designá-la em uma missão. – ele disse e a garota o fitou assustada.
- M-missão? – sua voz vacilou.
– Será a sua primeira, sei bem. Mas pedirei que Neji a acompanhe. – ele continuou – Assim terei certeza de seu êxito.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, pode-se ouvir uma nova batida na porta. Hiashi disse que a pessoa entrasse, como se já a esperasse e logo a garota reconheceu o primo. Soltou o ar lentamente, pois sempre que estava com Neji, se sentia mais à vontade.
- Hiashi-sama, mandou me chamar? – Neji se aproximou, lançando um pequeno sorriso para a prima, que o retribuiu.
- Sim. – o mais velho falou – Tenho uma nova missão para vocês.
- Para nós? – ele franziu o cenho, mas logo entendeu o que se passava – também irá?
- Exatamente. – Hiashi confirmou – Preciso que seu progresso seja manifesto para finalmente considerá-la apta.
- E para onde devemos ir? – ele tentou desviar o foco da conversa, pois sabia que não se agradava dele.
- Vocês irão para Konoha. – ele disse – Ela está dentro de nossa área de busca e não fica muito longe daqui.
- O que há de tão importante lá? – Neji questionou.
- Ultimamente, muitos regenerados estão se refugiando nessa cidadezinha, mas há um em especial. – ele explicou – Nossos informantes confirmaram que há um Uchiha em Konoha?
- Um Uchiha? – se surpreendeu.
- Um dos últimos. – Neji ressaltou.
- E vocês sabem o que isso significa. – ele continuou – Fomos removidos da lista de regenerados procurados pelo governo. Mas, para isso, precisamos caçar outros regenerados e entregá-los a eles para seus estudos. Isso acontece todos os anos. Se capturarmos esse Uchiha, no entanto, nosso prazo se estenderá, pois ele é muito valioso. Assim como nós, é um Excelsis.
- Então nossa missão é trazer o Uchiha. – Neji disse – Quando?
- Se preparem, pois vocês saem amanhã. – Hiashi decretou – A distância será de no máximo um dia graças a nossa localização. Ainda assim, preciso que sejam diligentes, nosso prazo está quase no fim.
- Sim, senhor. – os dois mais novos responderam em uníssono.
Eram disciplinados, como todos os membros daquela família. Uma família fria e distante que buscava apenas sobressair-se entre as outras e que passava por cima de qualquer valor moral para conseguir o desejado. Faziam parte da classe alta, mas não mediram esforços para se aliar ao governo. Esse foi o motivo de seu progresso. Diferente dos Uchiha, que pela recusa de cooperação, foram exterminados.
Quando os dois finalmente se retiraram, passaram a caminhar lado a lado. , porém, tinha os pensamentos longe. Apenas de pensar que sairia do território, sentia as pernas tremerem. Seu coração palpitava mais rapidamente e o único pensamento que tinha era o de que fracassaria.



Capítulo 7: Inimigos ou Aliados

estava bem próxima àquele homem e podia sentir o calor que fluía do seu corpo. Ainda o encarava nos olhos, mas sentiu um arrepio na espinha quando o ruivo semicerrou seu olhar, como se quisesse analisá-la.
Instintivamente afastou-se dois passos e engoliu seco. Sabia que havia sido bem direta em sua afirmação de que Gaara havia salvado sua vida, no entanto, era o que seu coração dizia. Todos os motivos apontavam para um ato de compaixão mesmo que tivesse confirmado o contrário.
- Eu só queria entender. – de repente a loira falou
- Como? – o outro confundiu-se com a questão
- Por que me salvou? – ela perguntou – Naquela noite, como conseguiu me encontrar?
- Eu costumo andar pela cidade. – ele respondeu, mesmo sentindo-se incomodado ao fazê-lo
- À noite? – espantou-se – Mas e os caçadores?
- Eles não são problema. – Gaara desviou o rosto, mas assim que a se moveu, ele voltou a encará-la
- Nunca tinha visto regenerados que não se preocupavam em ser pegos. – ela se sentou na cama – Durante toda a minha vida, minha família se protegeu, assim como as famílias dos outros que eu conhecia. É estranho ouvi-lo dizer que eles não são problema.
- Alguns de nós simplesmente sabem como lidar com eles. – o Sabaku cruzou os braços.
- E como você lida com eles, Gaara do deserto? – ela ressaltou seu nome – Por que, pelo que vejo, parece ser bem fácil.
- Pode acreditar, . – ele a imitou – Não é nem um pouco.
A garota o fitou totalmente confusa. Gaara havia dito que não era tão simples lidar com os caçadores, mas seu tom de voz despreocupado e sua expressão calma, diziam exatamente o oposto. Tentou não levar isso em conta, pois ele havia feito mais do que deveria por ela, então se levantou. Teria de partir. Shikamaru deveria estar à sua espera.
- Talvez eu nunca saiba os seus motivos. Talvez nem mesmo você saiba. – sorriu ligeiramente. – Mas, possivelmente, um dia possamos descobrir.
- Um dia? – ele questionou.
- Eu tenho que ir. – ela falou. – Shikamaru deve estar me esperando.
Ao ouvir suas palavras, o ruivo descruzou os braços e foi até ela. surpreendeu-se, mas continuou parada.
- Antes de ir, acho que deveria cuidar desse ferimento. – ele apontou para seu tornozelo machucado pela corrente – Não sei se conseguirá continuar sua jornada assim. Além disso, seu amigo também parece estar ferido.
- Shikamaru está ferido? – ela sobressaltou-se. - Que droga...
- Se quiserem... – o rapaz não sabia que palavras usar – Podem se recuperar aqui.
- Sério? – sorriu mais abertamente.
- Sim. – ele disse depois de alguns instantes.
Sem avisar, a garota se aproximou do ruivo e o abraçou. Ficou nas pontas dos pés e envolveu seu pescoço delicadamente. Foi por impulso, porém, ela não se arrependeu daquele gesto. Era a mínima forma de agradecimento diante do que ele havia feito.
- Obrigada! – a loira agradeceu.
Ao sentir os braços finos em volta do seu pescoço, Gaara assustou-se. Nunca ninguém o havia tocado de forma tão afetuosa. Mesmo assim, não teve forças para rechaçá-la. Apenas permaneceu estático, até que ela finalmente se afastou. estava com as bochechas coradas, especialmente pela forma como ele a encarava. Parecia atônito.
- Vou pedir que a ajude. – foi tudo o que o Sabaku disse antes de se retirar.

~o~

- NARUTO! – o grito encheu o ambiente.
Assim que chegou aos ouvidos do Uchiha, este pôde perceber que o brado provinha de . Tentou ignorá-la e apertou os olhos para encarar aquele idiota que recebia a carga do seu raio. Que tipo de retardado se colocava na linha de ataque e para livrar um inimigo?
Não queria precisar ter matado aquele loiro idiota, pois parecia que a garota precisava dele, mas não tinha culpa se Naruto era um intrometido. Viu o garoto fechar os olhos aos poucos e soltou um suspiro. Finalmente, poderia fazer o que desejava.
Quando pensou em retirar sua mão do peito de Naruto, lugar onde havia golpeado, sentiu que algo a segurava ali. Franziu o cenho, mas logo surpreendeu-se ao fitar o Uzumaki.
- Mas o quê... – sua voz saiu mais baixa que o normal.
Era a mão de Naruto que o prendia, e ele o fazia com força. Logo, o loiro ergueu seu rosto e Sasuke notou seus olhos. Não estavam mais azuis. Em vez disso, marcas laranjas estavam ao redor deles. Suas íris tornaram-se amarelas e as pupilas ganharam a forma horizontal.
Mais uma vez o Uchiha tentou afastar-se, entretanto, Naruto também se movimentou. Ainda segurando o pulso de Sasuke, o acertou com a mão livre. O soco foi certeiro ao acertar o rosto do outro, que cambaleou ao ter seu braço libertado. Logo, porém, este se recompôs e assumiu uma posição de guarda.
- Quem é você? – a pergunta saiu mais como um questionamento.
- Acho que já ouviu meu nome. – o outro rosnou.
- Sabe o que quero dizer. – Sasuke irritou-se. – Como pode ter sobrevivido ao meu ataque? Nunca ninguém conseguiu sair ileso, que dirá continuar vivo.
- Acho que podemos tentar descobrir. – Naruto esboçou um sorriso provocador.
O Uzumaki então lançou-se contra o Uchiha. Este tentou esquivar-se, porém, foi pego por um chute do loiro. A pancada veio bem mais forte do que da primeira vez e Sasuke não conseguiu segurar-se, sendo laçando a certa distância. Levantou-se rapidamente ao perceber mais um ataque vindo em sua direção e, por pouco, conseguiu desviar-se.
À distância, analisou Naruto com seu sharingan e percebeu algo diferente. O DNA regenerado dele estava movimentando-se rapidamente por suas células. Era estranho e assustador.
- Você é tão estranho quanto idiota. – Sasuke soltou um riso desdenhoso.
- É exatamente o que pensei sobre você. – Naruto retaliou, continuando. – Por que não vaza, cara? Você já zoou o suficiente aqui, não acha?
- Sério? – o moreno continuava a analisar o outro.
- Você tentou matar aquele caçador e machucou a . – Naruto citou, - Acho que é o suficiente.
- E o que vai com respeito a isso? – Sasuke o provocou
- Eu poderia acabar contigo, mas tenho uma proposta melhor. – Naruto disse. – Você pode ir embora agora.
- Realmente, você é um idiota. – Sasuke riu levemente.
- Então, vamos ter que fazer do jeito difícil. – O Uzumaki bateu o punho direito na palma da mão esquerda.
Naruto correu na direção de Sasuke, preparado para desferir no outro uma sequência de golpes. O Uchiha imitou seu gesto e foi até ele, originando um novo raio de energia que provinha de sua mão esquerda. Quando estavam a alguns metros um do outro, no entanto, foram obrigados a parar assim que ouviram um estrondo vir do outro lado do campo, partindo o solo entre eles. Olharam estupefatos para a direção de onde começava a rachadura, encontrando a com o punho apoiado no chão.
- Já chega! – ela ordenou com o tom de voz ameaçador. – Parem com essa idiotice agora!
- Mas, ... – Naruto tentou falar, mas foi interrompido.
- Sem mas, Naruto. – a rosada voltou a ficar ereta. – Estamos agindo como idiotas, se ainda não perceberam. Deveríamos estar unidos, não nos atacando como se fôssemos inimigos.  
- E por que eu me uniria a pessoas como vocês? – Sasuke soltou.
- Por que, assim como qualquer um, precisará de ajuda. Nem que seja uma única vez. – o encarou fixamente. – Não é só por que faz parte da classe alta que está imune. Não importa o quão bom seja, eles o pegarão algum dia. Na verdade, é exatamente por ser tão raro que eles virão atrás de você, Uchiha.
- Acha que não sei disso? – Sasuke cruzou os braços.
- E ainda assim continua sozinho. – a balançou a cabeça negativamente. – É mais arrogante do que demonstra.
Sasuke semicerrou os olhos ao presenciar a petulância daquela garota. Não teve tempo para respondê-la, porém, pois ouviu um baque surdo à sua frente e olhou quase que automaticamente para lá, encontrando Naruto sentado no chão.
O Uzumaki estava exausto. Usar aquele poder consumia muito suas forças, mesmo que desse a ele um aumento considerável em suas habilidades. Era por esse motivo que só o utilizava quando enfrentava inimigos realmente poderosos. E esse era exatamente o caso. Uchiha Sasuke era o que o garoto definiria como “osso duro de roer”.
- Naruto! – mais uma vez a rosada chamou pelo amigo, correndo até ele.
Ao aproximar-se do loiro, abaixou-se ao seu lado e o examinou minuciosamente. Logo encontrou o que queria. A blusa preta dele estava manchada de vermelho na área do peito, mesmo que a cor escura fizesse com que isso passasse despercebido.
- Vou precisar que tire a camisa. – ela disse – Tenho que curar esse machucado antes que perca mais sangue.
- Tudo bem. – ele concordou.
Sasuke observou a cena sem entender o que se passava. Continuou parado enquanto Naruto se despia e viu a garota aproximar-se do amigo, erguendo a palma aberta perto do lugar atingido. Instantes depois, uma luminosidade esverdeada apareceu ao redor da pequena mão. Ao passo que ela a movimentava levemente, o corte que parecia ser profundo ia fechando-se. Só então o Uchiha percebeu o que fazia.
A mesma garota que destruiu metade do solo onde pisavam com seus potentes socos, curava aquela ferida. A mesma mão que quase o golpeou certeiramente, recuperava com todo o esmero a pele machucada do loiro. Definitivamente, aqueles dois eram mais do que ele poderia ter imaginado.

~o~

Assim que despertou, tentou abrir os olhos, mas foi em vão. Sua cabeça pesava e seus músculos estavam dormentes, impedindo a garota de realizar qualquer movimento. Percebeu, porém que estava apoiada nos ombros de alguém e que a pessoa a segurava pelas pernas.
Suas mãos e pés estavam amarrados e em sua boca havia um tampão de tecido, talvez para impedir que ela clamasse por ajuda. Pelo balançar dos seus corpos, concluiu que este caminhava.
- Vamos parar aqui. – de repente a pessoa que a levava disse.
- Claro que não! – a voz da mesma mulher de antes pôde ser ouvida um pouco mais afastada – Temos que chegar logo.
- Karin, sou eu quem está carregando essa garota. – o outro, que percebeu ser um homem, disse – Não vou caminhar mais nem um metro sem descansar.
- O mestre Orochiramu não vai gostar nem um pouco se demorarmos. – a garota ressaltou.
- Só vamos demorar se estivermos cansados. – ele insistiu. – Se pararmos agora, poderemos viajar mais rápido depois.
- Tudo bem. – ruiva suspirou. – Mas só algumas horas.
- Obrigado. – o outro riu levemente
- Às vezes você é tão insuportável, Suigetsu. – Karin falou irritada.
continuou a fingir que dormia e sentiu o rapaz parar, abaixando-se em seguida. Com calma, depositou o corpo da perto do tronco de uma árvore e a ajeitou, para que permanecesse sentada.
- Vou procurar água. – Suigetsu disse – Toma conta dela.
- Vê se não se perde. – Karin soltou.
- Claro... – o outro soltou um suspiro, mas riu em seguida.
Karin viu Suigetsu afastar-se e quando o perdeu de vista, voltou seus olhos vermelhos para a garota às suas costas. Ela dormia por conta do veneno sedativo e não acordaria tão cedo. Resolveu aproveitar o momento para descansar. Já que haviam parado, não haveria nada de mais nisso.    
 
~o~

As horas se passavam rapidamente e aquilo fazia com que se sentisse cada vez mais apavorada. Pela primeira vez sairia do território de sua família e para realizar sua primeira missão.
Todos os Hyuuga quando atingiam a maioridade eram encarregados de alguma missão em benefício da família. Todos os membros poderiam cooperar para que eles continuassem a viver em segurança.
Era isso que a perolada buscava afixar em sua mente. Era apenas o seu dever, estaria cumprindo seu destino, assim como todos os outros. Precisava mostrar que era digna de ser a nova líder. Ao menos era isso que sempre ouvira desde bem pequena. Além do mais, teria seu primo para auxiliá-la durante todo o percurso. Não havia por que se preocupar.
A garota estava sentada em sua cama, guardando os últimos pertences que levaria consigo numa mochila escura, quando ouviu uma batida discreta na porta do seu quarto. Levantou-se sem pressa e foi até lá, atendê-la. Ao abri-la, viu quem já esperava.
- Neji. – sorriu.
- Já está pronta? – ele perguntou após retribuir o gesto. – Precisamos ir.
- Sim. – ela deu espaço para que ele entrasse. – Vou apenas calçar meus sapatos.
Neji adentrou o recinto, retirando a mochila preta das costas e esperou a prima terminar de se arrumar. Enquanto a via calçar as botas de cano baixo, aproximou-se, sentando ao seu lado.
- Tem certeza que está pronta? – ele perguntou de repente.
- Como assim? – a mais nova parou de amarrar o cadarço e o fitou.
- Você sabe, . – ele esclareceu a questão – Essa missão é diferente das outras que qualquer um de nós já fizemos. Estamos falando de um Uchiha, um Excelsis. Eles podem ser tão ou mais poderosos que nós.
- Eu sei disso. – a garota voltou ao cadarço. – Mas não precisamos nos preocupar, afinal nós somos dois e ele é um.
- Mesmo assim. – Neji insistiu. – Quero que tome cuidado e não faça nada sem mim. Entendido?
- Tudo bem. – soltou um suspiro imperceptível.
Após mais alguns instantes, a Hyuuga finalmente terminou, levantando-se em seguida. Seu primo a imitou e, após ela pegar sua mochila, eles saíram do quarto. Caminharam lado a lado em direção à saída do território.
Assim que viu os grandes portões, a Hyuuga prendeu a respiração. Parou alguns instantes assim que ele foi aberto para que passassem, mas quando Neji avançou, ela não fez o mesmo. Isso chamou a atenção do rapaz, que olhou para trás confuso.
- ?! – Neji franziu o cenho. – Você está bem?
A moça pensou em dizer que não, que gostaria de voltar para dentro e ficar com sua irmã mais nova, porém, ao fitar os dois homens que seguravam os portões para que passassem, notou que eles a analisavam. Todos sabiam que ela seria a nova líder e queriam poder confiar que ela os manteria seguros. Por conta disso, ergueu o rosto e respirou fundo, buscando toda a coragem necessária para seguir em frente.
- Está tudo bem. – ela disse da forma mais firme possível.
Com passos firmes a garota finalmente passou pelos portões, saindo do território de sua família. No segundo que cruzou o limite e se juntou ao primo, uma brisa acoitou sua face, fazendo com que seus cabelos se esvoaçassem e então ela fechou os olhos. Os abriu rapidamente, no entanto e encarou o outro à sua frente. Sorriu.
- Vamos. – disse. – Precisamos voltar o mais rápido possível.
Sem esperar que Neji lhe respondesse, ela iniciou sua caminhada pela floresta que os levaria a Konoha. O Hyuuga mais velho apenas a acompanhou com o olhar, pois estava atônito. O que havia acontecido com ? Onde aquela garotinha medrosa de sempre havia encontrado tanta coragem?
Balançou a cabeça negativamente e riu abafado. Pelo menos agora ela estava determinada. Correu até a prima e quando estava ao seu lado, esta lançou um sorriso terno. O rapaz sorriu de canto.
Juntos, começaram a trilhar o caminho que os levaria até cidade de Konoha. Lá encontrariam o Uchiha e o trariam de volta. Não haviam complicações, tudo daria certo se eles seguissem tudo ao pé da letra.
 
~o~

- Você pode ficar aqui por enquanto. – disse assim que adentrou o quarto.
Shikamaru examinou cada canto do lugar distraidamente e só depois de alguns instantes é que percebeu que a loira havia falado com ele. Olhou para ela, que o encarava com o cenho franzido.
- Tá legal. – o moreno disse apenas.
- O que houve? – a Sabaku apoiou uma mão na cintura.
- Por quê? – ele quis saber.
- Por que você parece mais lesado que o normal. – ela soltou.
O Nara pensou em respondê-la, mas no último segundo recordou-se que estava na casa daquela problemática, então ela poderia muito bem expulsá-lo a hora que quisesse. Não por conta dele, é claro, mais ainda queria que recebesse mais cuidados antes de partirem.
- Vou buscar uma toalha pra você. – disse e fez menção de sair, porém, voltou no meio do caminho – Vai querer alguma roupa ou coisa assim?
- Não quero incomodar. – Shikamaru respondeu.
- Por incrível que pareça, vocês não estão incomodando. – a loira riu levemente. – Acredite.
- Não sabe como é bom ouvir isso. – o outro ironizou.
- É claro. – ela não pareceu se irritar. – E então, vai querer as roupas ou não?
- Já que não sou um incômodo tão grande, vou aceitar essa gentileza de sua parte. – Shikamaru sorriu de canto ao usar aquelas palavras provocadoras.
- Eu já volto. – disse apenas, mas sua vontade de rir não passou despercebida pelo rapaz.
Ao ver a loira sair pela porta, o Nara pôde observar melhor o lugar. Era um quarto grande, assim como o quarto onde se encontrava. Ao lembrar-se da amiga, a preocupação retornou. Será que já havia conversado com aquele esquisito, aquele tal de Gaara?
Resolveu concluir que ela estava bem, afinal ele estava ali para protegê-la, como tinha prometido aos seus pais que faria. Caminhou até estar em frente ao espelho de corpo inteiro e retirou a camisa que já usava há alguns dias. Realmente, precisava de roupas novas. Olhou para seu tronco e detectou algumas marcas por ali. Passou a mão no peitoral definido e gemeu involuntariamente ao passar os dedos sobre um corte mais profundo. Distraiu-se, porém, ao ver pelo reflexo de ao adentrar o quarto.   
- Eu trouxe essas aqui, será que... – a garota parou de falar assim que notou a situação do outro. – Você está sem... está machucado.
- Encontrei um caçador no caminho entre Konoha e Suna. – ele aproximou-se.
baixou o rosto e colocou a camisa e calça que trouxera sobre a cama. Virou-se novamente para ele, mas tentou não olhá-lo nos olhos. Mesmo machucado, ela podia ver muito bem como o corpo de Shikamaru era bem desenhado. E aqueles pensamentos eram constrangedores.
- Bem, espero que sirvam. – ela disse ainda sem fitá-lo. – Vou deixá-lo sozinho.
apressou-se em retirar-se, porém, ao fazê-lo, tropeçou no tapete que ficava à beirada da cama. A garota pensou que cairia, porém, sentiu braços fortes a segurarem firmemente. Olhou para cima, assustada, e encontrou Shikamaru a encarando.
- Achei que eu fosse o lesado. – ele murmurou.
Nenhum dos dois sabia como agir. Os corpos não seguiam os comandos para se afastarem e os olhares continuavam fixados um ao outro. Continuaram assim, até que passos puderam ser ouvidos e estes se aproximavam. Por um impulso, empurrou Shikamaru com força e se distanciou. Foi o tempo exato para Gaara aparecer na porta.
- Gaara?! – espantou-se. – O que faz aqui?
- Preciso falar com você. – o Sabaku respondeu e depois olhou para Shikamaru que havia cruzado os braços, mas logo voltou a encarar a irmã. – Agora.



Capítulo 8: Liberdade

O Uchiha continuava a fitar os dois a uma pequena distância. Como uma Humili conseguia curar? Era algo poderoso demais. Sem perceber, movido por sua curiosidade, ele aproximou-se deles.
terminava de curar o corte no peito de Naruto e estava tão atenta a isso que ao menos percebeu Sasuke chegar a eles devagar. Ao subir os olhos esmeraldinos, o encontrou com os orbes negros cravados nos movimentos que fazia com as mãos. Logo, porém, ele também a fitou e a garota sentiu suas bochechas esquentarem, pois pela primeira vez desde que se conheceram, encontrou tudo menos arrogância na expressão do Uchiha.
Encabulada, voltou a mirar o amigo e viu que ele estava bem melhor. O machucado estava fechado, apenas a cicatriz ficaria, pois ela ainda não tinha a habilidade de removê-las.
- Terminei. – a rosada disse – Foi tudo que consegui fazer, mas espero que fique bem.
- , ficou ótimo! – Naruto sorriu – Agora posso ter certeza de que não vou morrer.
- Naruto! – a garota o olhou com a expressão distorcida – Isso lá é coisa que se diga?
- Foi mal. – o loiro coçou a nuca, mas logo sua atenção foi chamada pelo garoto de pé
Após perceber a cumplicidade daqueles dois amigos, Sasuke teve certeza que não havia mais o que fazer ali. Nunca poderia entender como as pessoas podiam confiar nas outras. A qualquer momento poderiam decepcionar-se. Aquele fato o incomodava tão profundamente que ao menos importou-se com o caçador ainda desmaiado e resolveu partir.
Aos primeiros passos, no entanto, ouviu alguém o chamar e parou. Continuou de costas até que a pessoa falasse.
- Você está ferido, não é mesmo?! – a voz do Uzumaki soou amigável.
- Como? – ele franziu o cenho.
- Você é bem forte, mas também te dei umas bolachas e elas ficaram bem feias, se quer saber. – o loiro riu de sua própria piada. – Mas pode curá-lo.
- E por que acha que preciso de algo que venha de vocês? – ele olhou o outro por cima do ombro.
A , que ouvia tudo mais ao longe, cerrou os punhos às palavras do Uchiha. Quem ele achava que era? Só por que ele era um Excelsis não a trataria como inferior. Não mesmo.
- E quem disse que eu curaria esse imbecil? – a garota soltou.
- ... – Naruto tentou falar, mas foi interrompido.
- Ele que se vire. – ela continuou. – Afinal, é um Uchiha. Faz parte da lendária família de regenerados e aposto que pode conseguir tudo o que bem entender. Ou estou enganada?
Sem esperar resposta, virou o rosto e começou a caminhar na direção do caçador para saber se ele tinha algum tipo de ferimento fatal. Sasuke cerrou o maxilar, mas não respondeu nada. Apenas retornou a seu caminho. Aquela garota era extremamente irritante e esperava não encontrá-la nunca mais.
Naruto apenas observou os dois se afastarem com o semblante confuso. Após alguns instantes, porém, sorriu e balançou a cabeça negativamente. Ele poderia ser um pouco lento para raciocinar, como suas duas amigas diziam, mas percebeu tudo o que aconteceu ali entre aqueles dois. Somente não disse nada, pois tinha a certeza de que o acertaria com um de seus socos destruidores caso soubesse o que se passava em sua mente.

~o~

seguiu o irmão para fora do quarto até estarem no fim do corredor onde os quartos ficavam. Cruzou os braços assim que pararam e esperou que o mais novo dissesse algo.
Gaara virou-se para a irmã e a encarou de baixo à cima. Era visível que a Sabaku estava irritada, então presumiu que interrompera algo entre ela e aquele tal de Shikamaru. No momento em que o viu, não gostou do Nara. Este parecia ser esperto. Esperto demais.
- Vai falar o que quer ou não? – a loira perdeu a paciência.
- Qual o motivo para tanta irritação? – ele devolveu outra pergunta.
- Você sabe como ser insuportável. – ela revirou os olhos.
- Acho melhor medir suas palavras. – ele cruzou os braços abaixo do peito.
observou o olhar intimidador do ruivo e engoliu seco. Gaara não estava brincando. Ele nunca dava avisos em vão, por isso decidiu que deveria parar de provocá-lo. Caso contrário, não teria motivos para se queixar se ele a machucasse.
- Você me chamou aqui para me dizer algo, então diga. – ela falou mais suavemente e o outro percebeu isso.
- Quero que faça uma coisa. – ele respondeu.
- O quê? – questionou.
- Vá até a e cuide dela. – Gaara disse apenas.
Sem mais uma palavra, o Sabaku deu as costas para a irmã mais velha e começou a caminhar na direção das escadas que o levariam ao andar inferior. Não precisaria nem gostaria de prolongar aquela conversa.
abriu a boca, pasmada. Como assim, Gaara lhe dava uma ordem como aquela? Por acaso ele achava que ela era algum tipo de babá? Pensou em ir até ele para questioná-lo sobre tal imbecilidade, mas parou no momento em que se lembrou do olhar mortal que recebera dele instantes atrás.
Cerrou os punhos e seguiu pisando duro até o quarto onde estava. Assim que adentrou o lugar, arregalou os olhos pela surpresa. A controladora de mentes estava caída no chão com as mãos na cabeça, gemendo de dor.
~o~

O céu começava a ganhar tons alaranjados. A brisa agora mais forte balançava as folhas das árvores intensamente e fazia com que os corpos expostos a ela tremessem de frio.
Os dois Hyuugas, porém, estavam devidamente agasalhados e continuavam sua jornada sem preocupar-se com os fios de seus cabelos que se esvoaçavam para todos os lados. Esse movimento, no entanto, era gracioso. Os dois, possuidores de uma grande beleza, se destacariam mesmo em meio a uma grande multidão.    
olhava para todos os cantos, fascinada com a perfeição daquele ambiente cercado de belas e grandiosas árvores. Teve vontade de subir em uma delas, mas aquilo não estava dentro dos planos da missão. Continuou ao lado de Neji até que ele parou.
- O que houve? – ela quis saber.
- Nada. – ele sorriu. – Só percebi que você achou isso tudo aqui incrível.
- Está tão evidente? – suas bochechas coraram.
- Se quer saber, da primeira vez que saí do território Hyuuga, fiquei bem mais empolgado. – ele aproximou-se dela. – A primeira coisa que fiz foi entrar numa aldeia para ver como eram as coisas por lá.
- Sério? – arregalou os olhos, surpresa. – Mas achei que isso fosse proibido. Você sabe, se desviar da rota de caça.
- E é. – Neji riu levemente. – Mas ninguém sabe que faço isso. Bem, agora só você.
- Prometo que não vou contar nada a meu pai. – ela disse.
- Sei que não. – ele tocou o queixo dela delicadamente com os dedos.
, baixou o rosto envergonhada, mas deixou que um riso leve escapasse de seus lábios. Durante todo o tempo que viveu entre os membros de sua família, nunca fora tratada como gostaria. Todos a viam apenas como a herdeira. Achava que fosse inatingível e ao menos tentavam qualquer tipo de contato. As únicas pessoas que a encaravam de maneira diferente eram sua irmã mais nova e seu primo. Hanabi e Neji a tratavam exatamente como ela era: uma garota comum.
- Sei que não estou sendo um bom exemplo ao sugerir isso, mas se quiser, pode escolher algo pra fazer antes de continuarmos. – Neji disse
- Acho melhor não. – balançou a cabeça negativamente.
- É sério. – o outro insistiu. – Não teremos tempo depois.
- É que... – a morena apertou as alças da mochila. – Eu gostaria de...
- De? – ele a incentivou a continuar.
- Gostaria de subir numa árvore. – ela respondeu baixinho.
- Não brinca? – Neji ergueu as sobrancelhas.
- É que assim eu poderia ver tudo lá de cima. – a Hyuuga baixou o olhar. – É meio sem graça, não é?!
- Na verdade, não. – o mais velho falou pensativo. – Nunca tinha pensado nisso antes.
Sem dizer mais nada, Neji segurou uma das mãos da prima e começou a conduzi-la até uma das árvores mais altas. Ao perceber isso, se deixou levar e riu livremente. Encontraram uma árvore realmente grandiosa e começaram a escalá-la com facilidade. Ao chegarem ao topo a garota soltou o ar pela boca de uma só vez. O sol começava a se pôr, dando-lhes uma visão privilegiada. Era tudo tão perfeito.
Esqueceram-se por um momento de tudo lá embaixo. Do mundo que os separava por serem diferentes, de seu governo que os poupava apenas se caçassem seus semelhantes. Neji olhou para a prima, apoiada num galho ao seu lado e sorriu. Durante todo o tempo em que saiu em missões, nunca havia encontrado uma mulher mais bela que ela. era tão sublime quanto um anjo.
Ao perceber o olhar observador do primo, também o fitou. Pela primeira vez, o sentiu tão próximo. Não que ele nunca tivesse a abraçado ou estado perto, mas agora era diferente e ela sabia disso. Para a jovem, Neji sempre fora um modelo de liberdade. Mesmo seguindo todas as regras da família, ele achava uma forma de ser independente. E ao lado dele, ela também se sentia livre.
Ao notar como a moça se sentia, o Hyuuga foi encorajado a aproximar-se. Parou com o rosto a centímetros do dela e esperou. prendeu a respiração por um segundo, mas logo decidiu que não havia motivos para hesitar. Fechou os olhos e o deixou continuar. Assim que seus lábios se tocaram gentilmente, seu coração pulsou mais velozmente.
Enquanto a brisa balançava os longos cabelos com suavidade, trazendo ainda mais encanto àquele momento, a pequena Hyuuga apenas desejou que aquele instante nunca mais se acabasse.
~o~

O sol havia começado a se pôr, mas Suigetsu ainda não havia retornado, o que havia deixado Karin verdadeiramente irritada. Eles já deveria estar de volta a sua caminhada. A ruiva levantou-se e caminhou um pouco para longe do tronco onde havia se recostado. Começou a caminhar de um lado para o outro impaciente.
- Quando esse idiota chegar aqui, vou acabar com ele. – a garota rosnou sem parar de andar.
Enquanto Karin amaldiçoava o companheiro, um pouco mais afastada a recobrava seus sentidos. Ao longo das horas o efeito do veneno começou a diminuir e ela agora conseguia mover-se. Abriu os olhos lentamente e avistou a mesma mulher de antes pisando duro na grama.
tentou ser discreta e observou onde estava. Era um tipo de floresta aberta. Notou também que logo seria noite e que assim seria bem mais difícil para que pudesse escapar. Mexeu um pouco as pernas e, assim como seus braços elas estavam amarrados. Sem deixar de contar a mordaça em sua boca.
Olhou mais uma vez para a ruiva, mas esta estava tão distraída que ao menos notou quando ela endireitou-se e gemeu. Ainda era difícil mexer seus membros por conta da dor. Ao fazê-lo, porém, ouviu um tilintar discreto e olhou para os tornozelos, encontrando correntes amarradas a eles. Aquilo fez com que um pequeno sorriso brotasse em seus lábios.    
A corrente era de metal e talvez isso a ajudasse a fugir. Quando um caçador usava suas correntes, enquanto elas estivessem conectadas ao seu corpo, causariam danos aos regenerados. No momento em que as corretes eram desconectadas, porém, o metal não poderia mais causar lesões no indivíduo. Era como se perdesse sua fonte de energia.
Para havia um motivo a mais. A garota era uma manipuladora de metais e foi assim que conseguiu se safar diversas vezes. Ainda que suas habilidades não estivessem plenamente desenvolvidas, ela sabia se virar.     
Esperou até que o incomodo de Karin a fez ir em busca de Suigetsu e concentrou-se no aço que envolvia seus pulsos e notou que ele era de ótima qualidade. Com toda certeza aqueles caçadores eram especiais. Respirou fundo e aos poucos moldou a corrente. Fez com que se transformasse numa faca de dois gumes. Começou a moldar o metal que seguravam seus pés, mas ouviu passos. Olhou para frente e suspirou aliviada, era apenas o outro caçador chegando.
Com isso, apressou-se, aproveitando do momento em que a garota enchia o amigo com os mais baixos desaforos. Ao conseguir, transformou a corrente em outra faca. Pegou as duas e tentou levantar-se. O fez tão avidamente que se esqueceu de suas limitações por conta do veneno. Uma tontura repentina a envolveu e a foi ao chão, de joelhos. Caiu com as mãos apoiadas no solo e a lâmina de uma das facas cortou a palma da mão direita, fazendo-a urrar de dor. No mesmo segundo as vozes cessaram.
- Droga... – ela murmurou com raiva de si mesma.
Ignorou o corte que sangrava muito e ergueu-se com mais calma. Foi quando viu os dois aparecerem em seu campo de visão. Aquilo a deixou desesperada e sem pensar mais em nada, começou a correr.
- ELA ESTÁ FUGINDO! – Krin gritou.
- Mas como? – Suigetsu estava totalmente confuso.
- NÃO SEI. – ela o puxou pela camisa. – A ÚNICA COISA DE QUE TENHO CERTEZA É QUE A CULPA É SUA.
- Por que ao invés de ficar me acusando, não vamos atrás dela? – o rapaz sugeriu.
A garota o soltou com raiva e eles passaram a correr atrás da . Não poderiam perder aquela regenerada, o mestre Orochimaru precisava de alguém para continuar suas pesquisas e aquela foi a primeira que encontraram.
ouviu os gritos logo atrás de si e teve a certeza de que eles a alcançariam sem dificuldades. Ela estava debilitada e não conseguia ir mais rápido. Sua respiração já era pesada e todos os seus músculos doíam. Sua cabeça latejava a ponto de parecer que iria explodir. Mesmo assim, insistiu.
- VOLTA AQUI, SUA ESTÚPIDA! – ouviu Karin berrar.
- NÓS VAMOS PEGAR VOCÊ! – dessa vez Suigetsu falou.
Aquelas palavras a deixaram em estado de pânico e, ignorando todas as dores que sentia, além do sangue que escorria por sua mão ferida, correu mais rápido. Virou na primeira curva que viu e sentiu seu corpo impactar-se com algo grande. Caiu sentada e gemeu mais uma vez.
No entanto, ao subir seu rosto esqueceu de todas as coisas que a agoniavam. Encontrou um par de orbes negros fitando-a intensamente. 





Continua...



Nota da autora: Hello, pessoas!
Muito obrigada pelos comentários e por acompanharem a fic. Caso queiram conversar e interagir, vou deixar o grupo do Face (Cliquem no ícone) pra vocês entrarem. Bjos!





Nota da beta: Ah, meu Deus, que momento mais fofo foi esse entre os primos? Ameei, amei mesmo! Quem diria que o Naruto iria perceber que rolou um clima entre o Sasuke e a hahaha! Ansiosa pelo próximo, para saber em quem a esbarrou.

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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