The vices of Fate

Última atualização:31/05/2020

Capítulo 1 - As Marauders

- ABRE ESSA PORTA - Rick gritava praticamente espancando a porta, a garota do outro lado ainda estava semi apagada, ela soltou um grunhido e cobriu os olhos para impedir que o sol os tocassem, sua cabeça doía como se tivesse rachado em duas e sua boca estava tão seca que parecia que nunca havia bebido água.
/ - VOCÊ TEM SESSÃO DE AUTÓGRAFOS EM DUAS HORAS, GAROTA. - A menção da sessão fez com que ela bufasse, mas a incentivou a se mexer, com muita calma tirou a coberta de seus olhos e grunhiu com a claridade, jogando-se pro lado para pegar os óculos escuros que estavam no chão, foi quando percebeu que a quantidade de roupas jogadas no chão não coincidia com a quantidade de pessoas que deveriam estar no quarto.
- Bom dia - sussurrou ao seu lado, passando a mão com leveza em suas costas despidas, soltou um suspiro de alívio, pondo os óculos e encarando a menina.
- Por um segundo eu pensei que…
- E GATES SE NÃO ESTIVEREM PRONTAS DAQUI 30 MINUTOS É MELHOR COMEÇAREM A PROCURAR OUTRO EMPRESÁRIO - O homem deu uma última batida violenta na porta e então parou.
se sentou direito na cama, pondo os pés em sua pantufa de tubarão e se levantando com cuidado, encaminhando-se para o banheiro, passando por cima da bagunça que estava aquele quarto, garrafas de cerveja e Vodka estavam jogadas por aí, assim como as roupas das duas garotas e alguns pinos vazios. seguiu a garota. contemplava seu rosto no espelho, seus olhos verde-mar se destacavam com sua pele branca e o cabelo ruivo, junto com as sardas que seguiam por seu nariz e bochecha, se não a conhecessem, a julgaria a garota mais inocente e fofa do universo, mas como eu disse, apenas se não a conhecessem.
- Temos que ir logo - disse séria, pegando a bolsinha de maquiagem em cima da pia e começando a aplicar a base, revirou os olhos e pegou seu batom marrom favorito, ela não passava maquiagem sem necessidade, muito menos as 9 da manhã. - As meninas vão nos matar, de novo.
- Elas já se acostumaram - A ruiva deu de ombros terminando de aplicar a máscara de cílios e indo para sua mala, pegando a primeira roupa que lhe parecera bonita e confortável, assim que terminara de se trocar voltou do banheiro, devidamente maquiada e vestindo um roupão, diferente da ruiva, era extremamente cuidadosa com o que fazia.
- Minha roupa pra hoje está no meu quarto, te vejo lá embaixo - Piscou, desaparecendo pela porta.
-.-
- A gente devia matar vocês - disse irritada quando finalmente chegou onde as outras três garotas estavam reunidas.
- Não tem que fazer isso, , nunca nos atrasamos.
- Mas faz a gente querer morrer de tanta ansiedade - bufou fazendo um rabo de cavalo, era o que ela fazia quando estava estressada, apenas a abraçou.
- Só mais um dia - Sussurrou no ouvido da loira, a frase praticamente fez com que todo o estresse de todo mundo ali desaparecesse, um suspiro de alívio saiu de todos.
- Já faz um ano que estamos em turnê…
- E amanhã vamos estar lindas e tranquilas em casa.
- Cada uma na sua, Graças ao bom Rá - Rick comemorou a ideia de ficar três meses sem ter que aguentar as quatro garotas no mesmo ambiente. - Agora vamos, vocês tem autógrafos e um show pra fechar a Tour - Disse empurrando as meninas pra fora enquanto o seguranças colocavam as malas na Van, claro que antes tiveram que passar por uma multidão histérica, que fez com que as meninas perdessem mais meia hora dando autógrafos e tirando fotos, elas seguiam a filosofia da maioria dos artistas, seus fãs eram seu sucesso, era por causa deles que estavam ali, por isso faziam questão de fazer sessões de autógrafos antes de todos os shows e sempre davam atenção pros fãs nas entradas dos hotéis, etc. Quando finalmente conseguiram chegar no estádio que abrigaria o show mais tarde a fila de acampados era enorme, e a de pessoas esperando por autógrafos era maior ainda.
- Vamos conseguir sair daqui só depois do show, né? - deu uma última olhada na fila antes de entrarem, o palco já estava montado e a bancada onde ficariam para os autógrafos estava na entrada principal, os seguranças em seus postos. Abriram logo o portão e um a um começaram a entrar, , , e sempre sorridentes atenderam um a um com calma, tirando fotos e autografando Cd’s, camisetas, posters, faixas, livros, tudo que era possível que elas autografasse, quando terminaram já faltava três horas para o show, e não haviam atendido a todos, logo foram retiradas dali para a passagem de som, figurino, maquiagem, mal haviam conseguido conversar de verdade.
- Você não disse para onde vai, - comentou enquanto ajustava o microfone para mais próximo de sua boca.
- Brasil, faz seis meses que não vejo a Maggie, tá na hora de voltar pra casa - A morena respondeu arrumando a saia de couro, e então a encarou - Não disse pra onde vai também.
- Bradford… - A ruiva soltou um suspiro doloroso - Como disse, tá na hora de voltar pra casa…
- Ah - A garota soltou um grunhido de pesar, abraçando a amiga.
“COM VOCÊS, THE MARAUDERS” Pablo gritou na parte de cima do palco e as duas se ajeitaram, prontas para serem levadas pra cima junto com a cortina de fumaça, o show foi intenso e muito bom, parecia que sentiam a emoção de ficarem um tempo sem fazer aquilo, estavam verdadeiramente eufóricas, e a platéia também, com a ansiedade de ficarem três meses sem notícias de um único show das meninas, quando finalmente o show chegou ao fim elas não pareciam nem ter percebido, a ficha só pareceu cair quando já estavam muito próximas do aeroporto.
- Londres, Cabo Frio, Friburgo e Seatle - Rick entregou as passagens pra cada uma, junto com seus passaportes.
- Então é isso - encarou sua passagem para Friburgo - Todas vamos voltar às origens esse ano.
- Vai ser só por um tempinho - sorriu amarelo encarando sua passagem para Seatle - Daqui três meses vamos estar muito bem ambientadas na nossa casa em Londres.
- Vai ser divertido voltar pro Brasil, as fãs são muuuuito calorosas.
- Elas deveriam ser contratadas pelo FBI - Rick comentou irritado, sempre que tentavam levar as garotas por uma rota diferente, elas acabavam descobrindo.
- Já temos a Maggie para isso - revirou os olhos, sua sobrinha tinha 12 anos e fazia questão de contar pro mundo tudo sobre ela, a todo momento, e tirar fotos, muitas fotos.
- Então vamos - , que estava quieta encarando sua passagem desde o início da conversa, se levantou de supetão, abrindo a porta da Van, fazendo uma enxurrada de flashes voar para cima delas, elas sorriram e se abraçaram, sem conseguirem se despedir direito, então pouco a pouco foram saindo com seus seguranças, cada uma para o seu portão de embarque. O que será que o destino vem aguardando para essas moças?


Capítulo 2 - Eu não sou mais a garotinha fofa do interior.

A viagem de estava calma, ela havia passado a maior parte do tempo lendo as revistas de bordo, estava na primeira classe do avião e as poltronas eram viradas de frente umas para as outras, por isso a garota estava fadada a ouvir toda a conversa sobre jujubas brancas e champanhe do homem sentado à sua frente junto com um garotinho.
- Você é a Evergreen - O homem disse finalmente, quando a criança já tinha dormido.
- E você é Tom Fletcher - A garota respondeu rindo, baixando sua revista e olhando para ele - E esse deve ser o Buzz - apontou com a cabeça para a criança que dormia na poltrona ao lado.
- Temos uma Groupie aqui? - O homem brincou e apenas virou a revista para ele, onde falava sobre as férias do recém divorciado com seu filho, Buzz Michelangelo Fletcher pelo frio de Moscou - Ah, temos uma leitora aqui? - Ele falou com a mesma entonação da primeira frase fazendo rir.
- Aproveitando as férias?
- Bastante. - Ele olhou em seu relógio. - Termina em quatro semanas, e Você? Aproveitando o primeiro dia de folga depois um ano de shows?
- Temos um Groupie aqui? - A garota brincou, mas Tom pegou outra revista do seu lado e mostrou a capa, era uma foto das quatro garotas com uma frase bem grande dizendo “Marauders entram em férias depois de um ano de shows” - Culpada - Respondeu rindo.
- O que te leva a Friburgo?
- É onde meus pais estão enterrados - Tom cuspiu o champanhe assustado com a naturalidade que a menina havia dito.
- Meus pêsames.
- Ah, não se preocupe, eu era muito nova quando eles foram embora. - Ela sorriu, mas dava para ver em seus olhos o peso de suas palavras. - As meninas decidiram que era tempo de voltar a nossas raízes, vão passar os próximos três meses na casa dos pais, então eu decidi visitar os meus.
- E o que vai fazer depois? - Ela deu de ombros, realmente não fazia ideia do que iria fazer, viajar para bem longe de Friburgo, provavelmente, talvez ir visitar as meninas, ela não tinha ideia.
- Pode ir com a gente - A vozinha calma de Buzz assustou os dois, ele na verdade estava quietinho observando a conversa, não estava dormindo. e Tom riram envergonhados.
- Quer que ela viaje com a gente, Buzz? - O homem pegou o filho no colo e ele instantaneamente começou a fazer que sim com a cabeça.
- Ela é minha favorita, papai. - Sussurrou só pro homem, que riu e respondeu um “Minha também” de volta.
- Bom, parece que você tá intimada então. - O homem disse sério, riu e fez que não com a cabeça.
- Eu não quero estragar as férias em família de vocês dois - Respondeu e Buzz saltou do colo do pai e foi pro colo da loira.
- Então em vez de você ficar com a gente, a gente fica com você. Aí nós que vamos estar estragando as suas férias. - O garotinho disse de um jeito tão fofo que sentiu o coração dela derreter, ela abraçou o pequeno, que se ajeitou no colo dela.
- Parece que você tem um Groupie - Tom riu vendo Buzz quase pegar no sono.
Eles esperaram o garoto entrar em sono profundo e então começaram a conversar direito sobre o assunto. No final decidiram que ficariam quatro dias em Friburgo para prestar as homenagens aos pais da garota e para que ela visitasse os irmãos, e então seguiriam o destino para o próximo lugar que Buzz escolhesse, e se tudo desse certo acompanharia eles até Tom voltar para a agenda.
E deu.
desembarcou sozinha no aeroporto, seus familiares não estavam ali para a esperar e nem os fãs, já que não tinham ideia de onde ela estaria, seu coração estava cada vez mais apertado por estar ali, mas ela tinha que estar, né? Afinal, era seu aniversário. A ruiva caminhou calmamente para fora do aeroporto sem ser parada por ninguém e foi até a estação.
- Tá tudo bem, , tá tudo bem. - Ela repetiu para si mesma vendo sua imagem pelo reflexo da janela, ao chegar em sua cabine. - Encare os seus fantasmas, elas disseram, é o que você vai fazer.
Após as 3 horas necessárias para chegar até Bradford, a ansiedade de estar mais perto do passado a estava consumindo, ela não tinha ideia do que faria, mas ao menos tentaria…
Quando chegou na casa de seus pais demorou um tempo até conseguir apertar a campainha, antes disso ficou 10 minutos em frente à porta esperando o que falar, mas nada a tinha preparado para o que estava por vir. Assim que apertou a campainha sua irmã mais nova abriu a porta, e sua cara de assombro por ver ali passou rápido para felicidade e a menina a abraçou com força.
- Ãhn, Milla? - A menina perguntou assustada, mas a garota não respondeu, apenas puxou a irmã para dentro
- Mamãe, a tá aqui - A ruivinha gritou e logo pode-se ouvir um estrondo de porta, e seus pais desceram a escadaria correndo para abraçar a filha.
- O que aconteceu com vocês? - A mulher perguntou sem entender, não conseguindo conter o sorriso.
- Sentimos sua falta meu amor - O homem sorriu pegando-a pelo pulso e levando até a cozinha. - Sua mãe fez aquele bolo que você gosta, quer?
- Claro. - Ela sorriu e se sentou numa cadeira. - Então… não me odeiam mais?
- O que ficou no passado, está no passado. - Milla disse pegando um pedaço do bolo.
- A gente deixa esse lance de te odiar pro Dougie - A mãe da garota disse dando um prato para ela. - Ele está na casa da Debra, falando nisso, veio visitar o novo bebê.
- Eu vou lá.
- Não é uma boa ideia, querida. - Sr. disse sério. - A Jazzie também está aqui…
- Eu preciso falar com ele, pai. - A menina disse séria, tirando seu casaco e dando para Milla, saindo dali direto para o carro.
Não demorou muito até a garota chegar na casa de Debra e Trevor. E novamente ela estava ali, parada na frente da porta sem coragem de apertar a campainha, foi quando ela teve uma ideia e fez uma ligação, que não demorou para ser atendida.
? O que você quer?”
- Rick, me obriga a tocar uma campainha.
“Como assim?”
- Olha, eu tô num daqueles momentos decisivos da vida que eu sempre fujo, e eu não consigo dar o próximo passo sozinha, então por favor, me obriga a tocar a maldita campainha. - Por um segundo a garota conseguiu visualizar o sorriso de compreensão que Rick sempre dava nesses momentos.
OU VOCÊ APERTA ESSA PORCARIA DE CAMPAINHA AGORA OU VAI SE ARREPENDER PELO RESTO DA SUA VIDA”
- Mais…
“MAIS NADA, FAZ O QUE EU TÔ MANDANDO”
- Tá bom, Richard - Ela disse irritada e tocou a campainha - Pronto feliz? Eu apertei a maldita campainha. - E desligou bem a tempo de ver Debra abrir a porta.
- - A expressão da mulher foi de surpresa, felicidade e por fim a compreensão assim que Jazzie apareceu ao seu lado. - vou deixar vocês sozinhas. - Disse se retirando rapidamente.
- Não - A mais nova disse fechando a porta, forçando a colocar o pé pra impedir.
- Por favor, Jazzie, eu preciso falar com ele - Disse baixo, sabia que a garota a ouviria, a loira abriu a porta com calma, e encarou com muita seriedade.
- Não vou deixar você aparecer aqui depois de anos e achar que pode resolver tudo com o seu sorriso de menininha fofa do interior. - A morena disse brusca, mas sorriu e segurou as mãos dela.
- Eu posso ser qualquer coisa agora, menos a garotinha fofa do interior. – Respondeu séria. - Eu preciso falar com ele, Jazz, e você tem feito um ótimo trabalho protegendo ele de mim por 8 longos anos, mas já tá na hora de parar.
- Tudo aconteceu por sua culpa. - Ela ouviu Dougie falar atrás dela e se virou, ele estava ali, parado no meio do Jardim com as mãos nos bolsos e um olhar muito irritado.
- Eu sei - Ela respondeu e se aproximou dois passos.
- Você era a pessoa que mais importava no mundo pra mim, . - Ele levantou mais a voz, dando mais um passo.
- Eu sei…
- Você me destruiu por dentro, e se destruiu. - A voz dele estava mais alta ainda, e ela quase conseguia ver lágrimas em seus olhos ao mesmo tempo que uma solitária escapou dos próprios.
- Eu sei, e eu carrego este fardo comigo desde aquele dia. - Ela deu o último passo, estavam frente a frente agora. - Me desculpa por fazer isso com você, se decidir que nunca mais quer me ver eu prometo que só apareço em público com um saco de papelão na cabeça a partir de Agora, mas…
Ela não conseguiu terminar, pois ele a abraçou, ficou perdida um tempo, tentando entender o que estava acontecendo, mas finalmente se rendeu ao abraço.
- Não tem nada pior que sentir sua falta. - Ele sussurrou e o resto das lágrimas que relutavam em sair dos olhos da menina finalmente começaram a cair.
- Eu preciso de Você, Dougie… Eu me perdi. - Ela sussurrou o abraçando mais forte - Não sei como voltar…
- Eu vou te ajudar.
desembarcou sozinha no aeroporto particular de sua família, onde um carro a esperava junto de Katherine, assistente pessoal da garota desde os seus 10 anos de idade.
- Olha só se não é a megera. - a saudou vendo os empregados colocando as malas na limusine. - Onde meu pai está?
- Trabalhando, Srta. Gates, mas ele garantiu que vai estar no seu jantar de boas-vindas, é claro.
- E quantas pessoas foram convidadas? - Um dos empregados abriu a porta do carro para a garota, que agradeceu e se sentou, esperando a resposta de Katherine.
- Só os parentes e amigos mais próximos, eu garanto.
- Cinqüenta então?
- Setenta e seis - A mulher disse já esperando a bronca e a olhou com cara de quem estava prestes a matá-la, mas respirou fundo sussurrando algumas palavras em outra língua e se acalmou.
- Jen e Rory vão estar lá pelo menos? - Perguntou tão roboticamente que parecia que iria entrar em colapso se a mulher dissesse não, Katherine pareceu perceber, pois seus olhos arregalaram de medo.
- C-cla-Claro Srta. Gates, posso garantir. Um jatinho irá buscar a Srta. Jhennifer em Cambridge agora mesmo. - Disse apavorada digitando no tablet sem parar.
- Ela voltou para Harvard então? - Perguntou sem dar muita atenção, mexendo no celular.
- Mestrado senhorita. - A mulher confirmou e o carro parou em fim, respirou fundo e encarou Katherine como se suplicasse pela morte.
- Deseje-me sorte - Pediu olhando para sua mãe, que aguardava ansiosa em frente à casa.
- Quebre a perna - A mulher desejou e conseguiu sorrir, saindo do carro.
- , você está aí! - Melinda soltou um guincho de alegria e abraçou a filha como uma Python pronta para quebrar os ossos de suas presas. - Mamãe. - A menina saudou sem muita emoção, tentando retribuir o abraço. - Como foi o ano?
- Um bilhão mais ricos querida. - A mulher comemorou e revirou os olhos.
- Bom saber que fizeram algo prestativo. - Disse irônica com a voz carregada de amargura.
- Rory está em Stanford e Jen em Harvard não poderia pedir mais. - O sorriso da mulher continuava inabalável, encarou Katherine que acabava de entrar, pedindo socorro com o olhar.
- Acredito que depois de uma viagem de dez horas deveria descansar, Sra. Gates - A mulher disse sorrindo, soltou um suspiro de alívio.
- Vou estar no meu quarto - A garota disse seria e começou a subir o mais rápido que conseguiu, fechando a porta rapidamente e então suspirou aliviada, encostando com as costas na porta e se arrastando até se sentar.
Ela encarou seu quarto por alguns segundos antes de voltar a si. As bandeirinhas e itens decorativos do MIT ainda estavam por ali, canecas, agasalhos, a bandeira da faculdade, o quarto todo estava exatamente do jeito que a garota havia deixado quando saiu de casa para cantar. Depois de terminar seu primeiro mestrado aos 17 anos de idade a garota percebeu o quanto estava desperdiçando a sua vida (Seus irmãos ainda não haviam percebido isso) e saiu de casa atrás de um rumo, até encontrar aquelas outras três louquinhas cinco anos antes. Depois de quase uma hora encarando aquele ambiente finalmente levantou e abriu a janela, encarando a vista direto para o lago, a única coisa que lhe trazia paz naquele lugar. - Podemos redecorar se quiser, princesa… - A voz de sua mãe saiu fraquinha, virou para a encarar, a senhora sorriu com os olhinhos lacrimejando e entrou, pegando um moletom do MIT que estava em cima da cadeira do computador, o acariciando - Sei que esse não faz mais seu estilo.
- Eu tenho minha casa, mamãe - A voz da garota saiu suave, poucas vezes ela havia visto sua mãe sem aquele sorriso radiante e olhar carinhoso que a deixava louca – Esse quarto é tipo um museu de como eu era, é bom pra vocês se lembrarem?
- Eu sei que você pode não acreditar, mas você é o nosso orgulho, , tanto como sucessora do seu pai quanto cantora Pop… Você tem potencial para os dois.
- Obrigada mamã...
- Mas… É óbvio que dói ver nossa prodígio seguir por um caminho tão superestimado – A mulher interrompeu com o sorriso voltando e o olhar carinhoso, suspirou desapontada. - Ah, aquele seu amigo, Harry está na cidade e foi convidado para o seu jantar. - E saiu sem dar chance da garota contestar.

Jen
“Aguenta mais cinco horas aí sem mim?”
1:54 p.m
"Acho que vou enlouquecer antes 😵"
1:55 p.m

A mensagem de sua irmã chegou bem na hora que deitou, ela respirou fundo se martirizando por ter seguido a ideia das meninas e voltado pra casa, deixando a calmaria lhe tomar, apagando.

-.-

- Acorda! - A morena voltou a vida com Rory e Jhen pulando em cima dela.
- Ah meu Zeus, finalmente um pouco de sanidade nessa casa. - A garota comemorou abraçando os dois.
- É mas jajá não vai ter mais - Rory riu - Você tem que se arrumar pro seu jantar – Disse irônico, Jen e reviraram os olhos ao mesmo tempo, se jogando na cama.
- Nãão - Disseram juntas e riram Depois, era extremamente comum fazerem isso, desde pequenas, falavam que era conexão de gêmeas, mas as meninas só acreditavam que passavam muito tempo juntas. Mas quando entrou na faculdade com 13 anos enquanto Jhen ainda nem tinha iniciado o ginásio e mesmo assim esse fenômeno persistiu, elas passaram a acreditar um pouquinho nisso.
- Anda meninas, quanto mais rápido decidirem participar desses eventos mais rápido os convidados vão embora - O garoto disse pegando as duas pelo braço e tirando-as da cama. As duas bufaram mas aceitaram indo se arrumar.

-.-

- Acha que ele vem mesmo? - A morena perguntou olhando firme para a irmã, seu coração apertado.
- Ele não ia perder a chance de te ver, Loli.
- Mas para ele me ver é só pesquisar meu nome no Google - Seu olhar buscava o de todas as pessoas no salão, esperando encontrar os olhos azuis mais lindos que conhecera.
- Ele tem filhos agora…
- Sim, e também é divorciado.
- Senhorita Gates!
- Sim? - Kate e Jen perguntaram ao mesmo tempo, virando seu olhar para quem chamara.
- Mil perdões, mas é com Jhennifer que eu quero falar. - Uma senhora com o mesmo porte da rainha da Inglaterra agarrou Jhen pelas mãos e saiu a puxando murmurando algo sobre Harvard e os netos, Jen olhou para com pesar antes de desaparecer pelo salão sendo puxada pela senhora. sentiu seu coração gelar por estar ali sozinha, procurou por Rory mas seu pai o havia pego e agora eles conversavam sobre a empresa, ela não viu outra opção a não ser sair dali, correu o mais rápido que pode para o lago e tirou os sapatos, deixando a água tocar seus pés e as lágrimas da frustração caírem.
- Sabia que ia acabar te encontrando aqui. - O sotaque britânico inconfundível de Harry fez a garota sorrir, ela se virou para encontrar o Moreno, e ele estava surpreendentemente mais perto do que o imaginado.
- Hazz - Ela levantou e o abraçou - Não sabia que viria.
- Não perderia por nada a chance de te encontrar, pequena.
- Eu senti sua falta - Ela o abraçou mais apertado.
- Duvido que teve a chance de pensar em saudade nesse último ano. - Ele riu enquanto os dois se sentavam pondo os pés no lago.
- Como está Kit e Lola?
- Eles estão bem, estão com a Izzy enquanto eu resolvo algumas coisas do trabalho aqui perto.
- E quando você volta?
- Dia 22 de dezembro - O homem tirou umas pedras do bolso e começou a jogar no lago.
- Danny não vai terminar a tour dele dia 23?
- Vai sim - Ele sorriu e a encarou - Vai comigo.
- Não posso, Harry, o combinado foram três meses em casa, com a família…
- Era para ser você - O homem a interrompeu, a encarando sério.
- Eu o que?
- A mãe do Kit e da Lola… A minha familia, - Ele jogou o resto das pedras e segurou as mãos da garota. - Você sabe que era pra ser você.
- Você me traiu com ela, Judd
- afastou suas mãos.
- E me arrependo todos os dias da minha vida - Ele respirou fundo, e a encarou profundamente - Você é o amor da minha vida.
- E você o meu… - Ela sorriu com tristeza e o abraçou. - Mas a gente não pode ficar juntos, não depois de tudo.
- Eu ainda vou reconquistar sua confiança, pequena - Ele sorriu e retribuiu o abraço - Você vai ver…
- Vai ficar atrás de mim o tempo todo? - perguntou olhando para Jack, o segurança dela.
- Ordens do Rick, as fãs brasileiras são loucas - O homem disse passando a mão em uma cicatriz no braço, a garota soltou um riso suave pelo nariz.
- Eu sou uma fã brasileira, Jack.
- Mas não é um groupie, é um alvo para as Groupies.
- Ele é bem vindo em casa, , a gente se preocupa com a sua segurança tanto quanto eles - A mãe da garota disse se aproximando dos dois, que esperavam as malas chegarem pela esteira.
- Mamãe - A garota sorriu a abraçando, seu pai vinha logo atrás - Cadê a Meggie?
- Vai nos encontrar em casa. - O Homem disse sério.
- Aconteceu alguma coisa?
- Você vai ver, querida. Vamos?
Jack foi abrindo caminho pelas Fãs que estavam do lado de fora, sorria e dava autógrafos periodicamente para algumas fãs, agradeceu por não fazerem idéia de onde era sua casa, em um condomínio bem fechado, no bairro Portinho.
- Tia - Meggie gritou de felicidade ao ver a mulher passar pela porta, que assim que viu a menina teve uma crise de choro, seu coração se partiu ao ver a pequena numa cadeira de rodas motorizada cor-de-rosa, olhou de Bárbara para Augusto buscando ajuda, mas eles a olharam com o mesmo olhar, a morena limpou algumas lágrimas e se ajoelhou ao lado da sobrinha, chorando.
- O que foi titia?
- Nada minha linda, a titia só tá feliz em te ver - disse tentando parar de chorar, fazia cinco meses que seu irmão se recusava a mandar fotos de Maggie, cinco meses que não conseguia falar com a sobrinha, e agora ela sabia o motivo.
- Não precisa chorar por eu não andar - A menininha disse sorrindo, limpando as lágrimas da mulher, isso a fez desabar mais ainda, como ficou tanto tempo aceitando não ter notícias da pequena?
- Quer me contar como aconteceu? - perguntou olhando diretamente para o irmão, que jazia feito estátua ao lado da escada, parecia pedra de tão imóvel, ele apenas olhava para a mulher, sem reação.
- Foi um acidente, - Bárbara interveio, se abaixando ao lado da filha com os olhos marejados. - Na ginástica… ela caiu de muito alto… errou o colchão.
- Que lugar é esse que não tinha Tatame? - A morena perguntou indignada, se levantando.
- Da altura que ela caiu… o Tatame não segurou o impacto - Augusto se pronuncio finalmente - Foi um rompimento em uma das vértebras principais…
- Então ela não vai mais andar? - O Homem apenas fez que não com a cabeça, não aguentou.
- Titia… Tá tudo bem - A pequena continuava sorrindo, se aproximou com a cadeira pra poder se inclinar e abraçar a mulher, que não conseguia se conter, a garota era Ginasta desde os dois anos, uma das mais brilhantes das competidoras da sua idade, o sonho dela era virar dançarina das Marauders, viajar com e as outras pelo mundo nas Turnês, ela simplesmente não conseguia absorver o impacto disso tudo tão de repente, ela abraçou a garota com toda a força que seu estado lhe permitia e ficou ali por um tempo, até conseguir se recompor.

-.-

O tempo foi passando e, com ele, as próximas duas semanas. se dedicou a saber o que havia acontecido com Maggie, visitou todos os médicos da menina e quando não estava fazendo isso, estava com Maggie fazendo tudo que a pequena quisesse.
- Não dá, Megan, nem a sua tia consegue fazer isso, ela teria que ser mágica – Bárbara dizia em tom sério para a filha, estava chegando da cafeteria, com um monte de sacolas nas mãos.
- O que nem eu consigo fazer? - Perguntou deixando tudo em cima da mesa enquanto Jack chegava com mais sacolas.
- O Show do Danny Jones, tia… É no sábado.
- E você quer ir? - A morena perguntou prontamente, pegando seu celular.
- Estão esgotados - Bárbara anunciou olhando para a cunhada, que tinha acabado de ver no site oficial do homem.
- Parece que o fandon ainda tá bem vivo aqui no Brasil - A menina riu pelo nariz, ela mesma já havia tido sua época de Galaxy Defender, mas teve o desgosto de conhecê-los como uma Marauder e eles estavam em um péssimo dia.
- Você pode fazer alguma coisa? - A menina o olhou com os olhinhos brilhando, não aguentou.
- Eu vou dar um jeito.

-.-

Rick:
"Eu realmente acreditei que não ia ter que falar com vocês por esses três meses"
15:46

"Por favorzinho 🙏"
15:46
Rick
“Eu não sei não, , o que você tá me pedindo...”
15:47

"Eu sei que você consegue 🙏🙏🙏"
15:47
Rick
“Ah, ok, eu vou falar com o empresário dele”
15:47

"Ela tem que conhecer ele, Richard"
15:48
Rick
“Ok , pode deixar, vocês vão estar lá amanhã”
15:50

- Conseguiu? - Bah perguntou nervosa, ao lado da morena, que sorriu fazendo que sim com a cabeça, largando o celular.

-.-

- Vai ser perfeito - A pequena sorria de orelha a orelha - Eu vou conhecer ELE, eu não acredito, aí ele vai se apaixonar e vamos nos casar e ter um bebezinho lindo. - riu.
- Ele era meu favorito do McFly também, mas você é uma criança e ele está no meio de um processo de divórcio, então nem pensa nisso - A morena disse séria vendo a Van chegar, empurrando a cadeira da menina até o elevadorzinho que a colocaria para dentro. Logo que chegaram foram levadas direto para o Backstage, onde um monte de gente andava de um lado para o outro desesperadas.
- É sempre assim? - A pequena perguntou maravilhada, riu.
- Quando são quatro, fica quatro vezes pior.
- Eu que o diga - Ouviram o sotaque inglês mais fofo do mundo e se viraram, o louro se aproximava com calma, Maggie parecia completamente sem palavras. - Safra - Danny a olhou intensamente, sorrindo, mas parecia com uma certa… raiva. Ele ignorou e se abaixou para falar com Maggie - E a senhorita deve ser Megan - A garota apenas fez que sim com a cabeça, o abraçando. Eles conversaram um pouco, brincaram e seis fotógrafos apareceram para tirar foto dos três.
- Publicidade? - A pequena perguntou em português para a tia, que fez que sim com a cabeça.
- É bom quando dois artistas se encontram assim, e quando a sobrinha de um deles é… Como você, os tabloides vendem mais - O homem explicou como se fosse normal.
- Jack, leva a Megan pro camarote, por favor - pediu encarando Danny, o brutamontes saiu prontamente empurrando a menina.
- O que foi? - Ele perguntou sem entender, enquanto a garota fechava a porta para que ficassem a sós.
- Dos quatro, você era o que eu menos odiava - Ela cruzou os braços irritada, o louro não aguentou o olhar de e desviou, indo para a mesa de comidas.
- Não sei do que tá falando.
- Você tá bêbado.
- Você tá louca
- Eu convivo com a , Jones, acha que eu não sei os métodos que usam pra esconder? Ela mesma deve ter te ensinado.
- E por que isso é problema seu?
- Por que você não é ela.
- EU SOU EXATAMENTE IGUAL ELA - Ele gritou, a assustando - Isso é o que vem me trazendo coragem pra fazer esses shows, é o que vem me dando força pra levantar da cama, eu perdi tudo que me importava, então pra que me importar?
- Por elas - A morena apontou para porta onde Megan havia acabado de sair – Suas fãs… Elas ainda te amam, ainda pensam que você é o garoto fofo, tímido e lesadinho, elas acreditam em você.
- Elas têm o garoto fofo e lerdo que querem ter, eu dou isso a elas, mas não me obrigue a ser esse garoto nos bastidores - O tom dele era raivoso. suspirou triste, ele realmente parecia com a agora, e ela não conseguia aceitar. Uma mulher bateu na porta avisando que faltava dois minutos para começarem, encarou Danny profundamente.
- Se não pode mais ser você mesmo, então não deveria estar aqui. Só sobrevivemos nesse ramo quando somos felizes - Disse triste, e o abraçou - Esse não é mais o seu lugar, Jones. - E então saiu, afinal, a garota ainda tinha um show inteiro para aproveitar com Megan.

-.-

- Safra? - Uma moça que parecia ser da equipe perguntou quando , Megan e Jack estavam prestes a sair.
- Quem deseja?
- Danny Jones, senhorita… Ele pediu para eu lhe chamar, disse que os dois tem muito o que conversar - A garota ficou um minuto sem reação, olhando de Maggie para Jack.
- Vai lá tia, o Jack me leva pra casa - A pequena disse sorrindo e olhou para o homem com carinha de cachorro que tinha caído do caminhão de mudança.
- É - Ele disse ainda meio incerto - Eu levo a Maggie, você merece uma noite sem que eu esteja no seu pé, sempre tem os seguranças do Sr. Jones para fazer sua proteção – E começou a sair empurrando Maggie, sem dar chance para a mais velha responder.
- Então tá - Tentou sorrir para a mulher que lhe chamava. A senhora a levou até o camarim do loiro e a deixou ali, sozinha, aproveitou para atacar a mesa de comida, pegando o pote com batatas chips e se sentou no sofá, esperando.
- Minhas favoritas - Jones choramingou entrando no local e vendo o pote já quase vazio nas mãos de .
- Não tem o direito de reclamar - A garota respondeu irritada, deixando Danny surpreso.
- Achei que não ia aceitar vir…
- Meg acha que somos amigos, Jack que vamos nos divertir, os dois praticamente me obrigaram.
- … - O homem começou, mas a morena o fuzilou com o olhar, o fazendo sentir que devia começar a escrever o testamento - Digo, … Você estava certa, Ok?
- Me chamou aqui pra dizer algo que eu já sei?
- Não… Eu te chamei pra pedir perdão.
- Perdão? - A face da garota mudou de raiva para espanto instantaneamente, Danny apenas fez que sim com a cabeça - Pelo. Que?
- Sei que também tava falando de você quando disse que eu deveria me importar por… Elas...
Houve um minuto de silêncio em que a garota parecia não ter o que responder, então o chamou para sentar ao seu lado, se virando para ele.
- Você foi uma parte muito importante da minha vida, Daniel… Você tem razão, eu era sua fã, e muito fã, acredite.
- Ah você é brasileira, eu acredito - Os dois riram.
- Mas é passad...
- Lembra da noite que nos conhecemos? - O garoto a interrompeu, se aproximando mais um pouco, pegando a mão da menina e passando os dedos levemente por suas linhas.
- No Choice Awards?
- Aqui… - A garota parou de repente, pasma, o encarando com a maior cara de espanto que um ser humano seria capaz de fazer, e de repente seu olhar mudou para tristeza.
- A turnê de 2011 - Disse baixinho, em um quase lamento - Já fazem oito anos.
- Eu fiquei olhando pra você o show todo. O Dougie notou e decidiu dar uma coisa minha pra você, você pegou minha camiseta da CBF… Imagina o meu espanto quando aquela garota reapareceu dois anos depois junto com mais três garotas mudando todos os parâmetros do POP Rock.
- Eu era só mais uma Fã de várias outras que você deve ter olhado. Por que se lembrar de mim?
- Porque nunca teve outras… - Ele riu envergonhado, a encarando profundamente. Ela buscava qualquer indício de que ele estava sob o efeito de algo, mas não tinha nada. – Eu tentei te encontrar em algum lugar depois do show, mas você não foi com as outras no Meet&Greet.
- São 156kms daqui até em casa - Ela respondeu rindo, como se justificasse.
- Não sente falta de ser normal?
- Na maior parte do tempo - Respondeu sorrindo - Caminhar na praia sem ter um brutamontes por perto, é o que eu mais sinto.
- Então vamos - O homem se levantou de supetão, a puxando para ficar em pé.
- Não dá Danny, pensa direito - Ela riu - Se qualquer um reconhecer a gente…
- São onze horas da noite, … Por favor… Não vai ter ninguém. - Danny fez carinha de pena, revirou os olhos, cedendo.
- Melhor não se acostumar.
Sair escondido foi a parte mais fácil, todos estavam tão ocupados em suas tarefas que não notaram os dois saindo pela porta lateral, todas as fãs se aglomeravam na saída de trás, onde estava preparada a Van para a saída do garoto, logo encontraram um taxista disposto a levá-los até a praia do Leblon, a garota falou com o motorista o tempo todo, tentando distraí-lo para que não olhasse para Danny. Quando finalmente chegaram foram direto para a areia e caminharam com calma até perto do mar e se sentaram.
- Qual foi seu melhor show?
- Acho que em Paris - A morena riu com a lembrança - Foi nosso primeiro show oficial no exterior.
- Mas todas vocês são de países diferentes, tem como não ser no exterior?
- Nosso grupo foi formado no Reino Unido, então é onde consideramos, mas e o seu?
- Ah… Aqui, na primeira turnê - Foi quando percebemos que éramos um sucesso mundial.. Ver milhares de fãs se amontoando só para nos ver chegar. Foi incrível – Seus olhos brilhavam em fascínio por lembrar, observava aquelas grandes esferas azuis sem conseguir tirar os olhos, era lindo.
- Vocês são incríveis - Ela sussurrou sem conseguir parar de encarar Danny.
- Vocês são mais - Ele riu pelo nariz, se aproximando um pouco mais - Você é. - o encarou, alternando seu olhar para os lábios do homem, que se aproximou um pouco mais, passando os dedos por sua bochecha, a fazendo se aproximar puxando seu queixo suavemente para um beijo calmo e apaixonado, um choque percorreu o corpo de ambos a sincronia entre os dois era perfeita, pareciam realmente feitos um para o outro. Quando se deram conta o dia estava amanhecendo.
- Eu quero uma chance… - Danny começou enquanto direcionavam-se para o hotel onde o loiro estava hospedado.
- Do Que?
- De mostrar que eu sou mais que isso… Que eu não sou como a .
- Dan...
- Meu último show é em Londres, daqui quatro semanas.
- Isso é um mês antes do que eu pretendo ir…
- Eu prometo não beber mais nada se prometer que vai estar lá - O homem se virou completamente para ficar de frente com a garota, segurando suas mãos - Não quero que o que aconteceu hoje seja só mais uma aventura, , eu quero que você seja a minha aventura.
A morena respirou fundo, seu coração derreteu de emoção ao ouvir aquelas palavras saindo da boca de Danny - Você tem muita coisa na sua vida, Jones. Isso foi só… - Ela não encontrou palavras para descrever.
- O encontro das nossas almas? - O homem riu com a própria comparação, mas continuou - Não foi só eu quem sentiu, foi? Você foi feita pra mim - Ele a puxou pela cintura para mais perto - E eu pra você.
- Claro, dois músicos que nunca têm shows nos mesmos lugares, realmente - ironizou - Não vai dar certo, Jones.
- Vai se você estiver disposta - O homem sorriu e deu um selinho na garota - Dia 23 de Dezembro, esteja lá. - E então se foi, entrando no prédio, ficou ali mais um pouco tentando entender o que havia acontecido, mas logo o carro que a levaria de volta para Cabo Frio chegou, e a garota partiu de volta para sua casa, mal esperava para contar para as garotas o que havia acontecido.


Capítulo 3 - Tortas de framboesa e verdades doloridas

acordou assustada com a proximidade e o calor que outro corpo emanava, não podia acreditar que aquilo estava acontecendo, o seu dia anterior estava totalmente claro em sua cabeça e nem conseguia imaginar como havia chego aquele ponto completamente sóbria. Ela não era uma pessoa ruim, sabia disso, só estava perdida. Sua vida havia começado a descarrilar aos 16 anos e não era sua culpa, ela também sabia disso. Dougie Poynter nem sempre havia sido sinônimo para coisas ruins em sua vida, apenas nos últimos oito anos, mas ela também havia feito dele um exemplo a se seguir, tendo superado tudo que ela não havia conseguido, e por isso estava ali, para ter um exemplo, um amigo… Estava mesmo fazendo a coisa certa?
Demorou alguns minutos para que conseguisse tomar coragem e olhar para o lado. Dougie dormia com o rosto próximo ao seu e o braço esquerdo em sua cintura, ainda vestia a roupa do dia anterior, até a touca ainda estava na sua cabeça, a ruiva tirou a mão do homem com cuidado para não acordá-lo, levantou e foi fazer sua higiene.
- Porque você faz isso com as pessoas? - Perguntou para si mesma se encarando no espelho, não conseguia reconhecer o próprio rosto e não fazia ideia sobre como deveria se sentir. Era para estar na casa dos seus pais, aproveitando o fim do outono, não deveria ter se metido nisso, mas sabia que precisava. Uma reabilitação nunca seria como ter o apoio constante de Dougie, mas não sabia mais, mesmo que tivessem sido amigos a vida toda, aqueles oito anos de separação não havia feito bem. Seu olhar desviou de seus pensamentos, direto para o enxaguante bucal onde as letras de "com álcool" gritavam para ela.
- Não. - Dougie apareceu no banheiro, assustando e pegando o recipiente antes dela.
- Mas
- Você me pediu ajuda, . - O Homem disse sério, jogando o enxaguante no lixo. - Tem que ser nos meus termos.
- Doug…
- Sem álcool, sem qualquer gota de álcool, e não vai sair de casa sem mim. - A seriedade do homem assustou , principalmente quando ele aumentou o tom. - Você tem que se empenhar, , tem que querer.
- Dou…
- É sério , não é brincadeira, eu já passei por isso e vão ser os piores meses da sua vida, você tem que querer de verd… - A ruiva o abraçou e ele parou de falar.
- Obrigada por se importar. - Ela sussurrou apertando mais o abraço, sendo respondida pelo loiro, que encaixou o queixo em sua cabeça.
- Me diz que você realmente quer, diz que posso confiar em você, diz que vai ser forte.
- Eu quero, você pode e eu vou. - Ela sorriu de leve, o encarando. - eu sei que vai ser difícil.. Eu prometo que vou fazer tudo que você disser, mas agora você tem que escovar os dentes - Ela sorriu novamente e saiu do banheiro, indo direto para a cozinha, onde começou a preparar o café.

-.-

O cheiro de panqueca de framboesa já havia chego no segundo andar da casa quando Dougie saiu do banho, depois de se secar e vestir um conjunto de moletom e sua touca já estava pronto para descer, mas por que não conseguia descer os degraus? Simplesmente estava ali, estático, os pensamentos não deixavam sua cabeça em paz, estar com a , a amiga mais verdadeira que teve na vida toda o incomodava, a ideia de que juntos chegaram ao mesmo ponto mas só ele havia conseguido sair o matava, por mais que Jazzie considerava culpa dela tudo que havia acontecido, o homem sabia que na verdade era culpa dele, havia feito bem o papel de culpada para que a sua cara continuasse limpa aos olhos da família e das fãs, foi errado o que ele fez, e com o tempo se tornou cada vez mais fácil para ele dizer que a culpa era dela, até que a mentira se tornasse a verdade para ele. Mas agora, com ela em sua frente e pedindo ajuda, ele havia percebido o quão errado havia sido. Uma multidão de Galaxy Defenders ainda faziam campanha contra as Marauders por culpa dele, era mais que a obrigação dele ajudar… Só não sabia se teria estômago para isso.
Quando chegou na cozinha cantava animada enquanto ouvia a nova música da Ariana Grande e fazia uma dancinha enquanto mexia no fogão, o homem não fez questão de acabar com o show mais cedo, apenas se encostou no batente da porta, observando a garota por mais um tempo. Não podia negar que ela estava bonita, não era mais aquela menina magricela de oito anos antes, estava encorpada, gritava saúde mesmo estando vivendo o extremo oposto disso. Era um dom da , ela e seu corpo pareciam compactuar para que ela sempre parecesse bem pro mundo.
- A gente nunca falou sobre o que aconteceu. - As palavras saíram da sua boca mais rápido do que sua mente conseguia pensar, e se arrependeu na mesma hora, a ruiva apenas sorriu para ele, pausando a música e colocou o prato de panquecas junto a mesa, onde estavam pães, geleia, creme de amendoim e algumas frutas - Sabe…
- Não vamos começar com isso, Poynter. A gente decidiu o que faríamos sobre o que aconteceu.
- Não decidimos, você só deixou o mundo te esmagar para me proteger…
- Bom, você não me impediu. - O tom da garota saiu mais normal do que o homem esperava, ele ansiava para que ela jogasse tudo o que podia na sua cara, mas começava a perceber que isso não aconteceria. - Ficou implícito, não? A gente nunca precisou falar para fechar acordos.
- Eu arruinei a sua vid…
- Eu tenho uma legião de fãs, Dougie, tenho uma marca de jóias, roupas e sapatos que esgotam em menos de uma hora toda vez que um novo produto é lançado, sou vocalista e baixista da banda de maior destaque no mundo da música atualmente, não tem como você dizer que arruinou a minha vida.
- Quantas pessoas você namorou?
- Do que isso importa?
- Diz, é só um número…
- Na vida toda ou desde a Banda?
- Na vida toda, . - olhou para ele com cara de quem não sabia onde ele queria chegar, respirou fundo e sentou na mesa, se servindo com uma panqueca.
- Dois, Poynter. - Ela sussurrou, claramente irritada, o homem não pode deixar de sorrir, agora seu argumento faria sentido além de ele conseguir fazer a garota se abrir, ele se sentou e pegou uma panqueca.
- o Steve e a Franci? - A garota apenas fez que sim com a cabeça, colocando um pedaço de panqueca na boca, olhando fielmente para seu prato.
- Terminou com ela quando tinha 16 anos, .
- Não encontrei a pessoa certa, Poynter. - Ela rosnou e ele riu, era a coisa mais fofa do mundo vê-la brava, mas ele sabia que ela estava mentindo..
- Eu tenho certeza que você encontrou muita gente, e muitos deles e delas poderiam ser a pessoa certa… Eu tenho certeza que não arruinei sua vida profissional, mas sei que você ser assim é minha culpa, você se fechou pro mundo, não teve relacionamentos, se afundou…
- Eu não consegui parar como você… - Ele conseguia sentir a dor em sua voz - O que aconteceu.. Acabou comigo, me destruiu.
- Você era só uma criança…
- Eu tinha dezessete anos, Poynter, você é só cinco anos mais velho que eu.
- Existe uma linha entre dezessete e vinte e dois, . Como podem ter te transformado na vilã?
- Foi você quem me transformou. - Ela sorriu amarelo e tomou um gole de café, os ombros do homem caíram, ele sabia que era verdade, ele tinha fãs no mundo inteiro, a mídia e a sua família simplesmente aceitaram o que ele disse quando a mulher não se defendeu, ainda não acreditava que tinha lhe jogado toda a culpa, estava bravo, só isso, não havia medido as consequências.
- Se vamos mesmo fazer isso, eu tenho que pedir desculpa, eu errei, errei muito, e você não merecia, não merecia de jeito nenhum, eu era um idiota, eu levei minha carreira acima da minha melhor amiga.. Me desculpe.
- Eu não fui atrás de você por desculpas, Dougie. - Ela se levantou e foi até ele, o abraçando. - Eu não vou conseguir passar pela rehab, você sabe, eu não falo sobre mim ou meus sentimentos para as pessoas, muito menos para um terapeuta metido a besta que pode vender tudo que conseguir para algum site de fofoca. Eu preciso de você.. Uma pessoa real, alguém que passou por isso, alguém que eu confie o bastante para me abrir. Por favor… Vamos esquecer tudo que aconteceu, vamos só… Aproveitar essa oportunidade.
- Eu só tenho uma condição.
- Qual?
- Temos que voltar para Londres.


Capítulo 4 - Peixes bêbados

acordou completamente tonta, sem entender direito como havia chego naquele quarto de hotel, Jen estava deitada no sofá completamente apagada, o vestido que usava na noite anterior estava completamente sujo de barro, assim como suas mãos e a maquiagem estava completamente borrada. Rory estava mais adiante, jogado no tapete de barriga pra baixo.
- O que aconteceu? - Harry se levantou de repente de uma pilha de caixas de pizza, assustando .
- Bom, eu acho que chamei minha mãe de déspota da Microsoft - Rory disse sem mexer sequer um músculo no chão.
- Na cara dela? - A voz de saiu fraca, a garota respirou fundo procurando o controle que fechava as cortinas.
- Não, na cara dela foi Putin de saias - O loiro finalmente se mexeu, levantando e pondo a mão na cabeça instantaneamente, estava completamente enjoado e enojado sobre a quantidade de bebida que havia entrado em sua boca no dia anterior.
riu por fora, mas por dentro já imaginava os tabloides escandalizando sobre como os herdeiros do grande império de Bill Gates haviam se comportado na noite anterior.
- Eu não acredito na quantidade de burradas que fizemos ontem - Jen finalmente havia acordado e agora olhava para a janela, assim como .
- É impressão minha ou... - As duas disseram ao mesmo tempo e se olharam de forma irritada, levantou e Jen a seguiu, parando na janela - A gente tá em Dubai?
- Dubai? - Harry levantou em um salto e correu pra janela, não conseguiu deixar de abrir a boca - E eu realmente achava que conseguia lembrar de tudo que tinha acontecido ontem.

-.-

- Tá bom, a gente vai pra casa de quem? - O loiro perguntou sentando ao lado de , que já não estava prestando atenção a algum tempo. A mulher observava a paisagem passando pelo trem, tudo que havia acontecido em sua vida desde os dezesseis anos passava rapidamente em sua cabeça.
- ? - Dougie a balançou, fazendo com que a garota finalmente o encarasse.
- Desculpa, minha cabeça não tava aqui, o que você perguntou?
- Em que casa vamos ficar?
- Moramos a dois quarteirões um do outro, Poynter. Não importa a casa, o que importa são as facilidades.
- Moramos a dois quarteirões de distância? - O homem perguntou descrente, apenas assentiu - E como eu não sabia disso?
- Talvez só não tenha percebido - A ruiva deu de ombros - Agora vamos falar das facilidades, você precisa cuidar dos seus lagartos e eu dos meus gatos.
- Não tenho lagartos.
- Como assim? - perguntou incrédula - Lagartos são a sua vida.
- Bom…
- Foi por uma menina? - O homem apenas fez que sim com a cabeça, claramente envergonhado. - Você não deveria ficar com alguém que te obriga a ser diferente do que você é - Ela segurou a mão do homem, que sorriu fraco em retorno. ficou ali por um tempo, encarando sua mão junto com a do loiro, em tempos mais simples seria fácil imaginar os dois namorando, na verdade alguns diziam que estavam fadados a isso, mas aqueles eram tempos mais simples, agora não via o homem como um bom parceiro, ela não via mais ninguém assim.
O trem chegou a estação que eles esperavam e desembarcaram com suas malas, pediram um Uber e foram direto para a casa de . Após comprovada a distância de dois quarteirões da casa de Dougie o homem se permitiu ficar chocado com morarem a tanto tempo tão próximos e ele nunca tê-la visto.
- Uau - Foi a única exclamação a sair da boca do garoto quando abriu as portas de sua casa. Era rústica e moderna ao mesmo tempo, a lareira era a peça principal do ambiente, feita de pedra polida que subia em um retângulo até o teto, que, pelos cálculos de Dougie deveria ter o tamanho de dois andares, literalmente, já que o segundo andar da casa tinha vista para a sala.
- Eu mesma idealizei a planta - sorriu orgulhosa deixando as malas na beira da escadaria, enquanto Dougie ia em direção a cozinha.
- Se formou em arquitetura? - Ele perguntou observando tudo, à primeira vista era completamente adulto e chique, mas quando você via direitinho, a casa toda era um antro da cultura geek, almofadas com frases de filmes, forminhas de Darth Vader e do Harry Potter, talheres de metal policromático, vasos de plantas em formato da cabeça do Groot.
- Uhum, UCL, fiz os cinco anos em três.
- Você sempre foi a mais inteligente da turma - O garoto riu - Foi assim que conheceu as meninas?
- Não, a se formou nos EUA quando tinha, sei lá, uns 16 anos, ela sim é inteligente. A começou em Oxford mas não terminou, e a nem tentou, ela prefere a arte livre da música - riu - Sinceramente eu também.
- Então como se conheceram?
- A bateu com o carro na moto da , parada, é claro. Foi como elas se conheceram, acabaram virando amigas e começaram a cantar, eu tava em um karaokê elas me escutaram e me chamaram, e eu encontrei a tocando no metrô - foi em direção aos armários e quando estava prestes a abrir uma das portas ela parou de repente, soltando um gemido de desespero.
- O que foi? - Dougie desviou da ilha e foi até ela, que desviou o olhar pro chão, claramente incomodada.
- Eu… tô com vergonha.
- Vergonha do que? - A mulher suspirou e abriu armário por armário, dos sete armários de parede daquela cozinha, cinco estavam cheios de bebidas dos mais variados tipos - Uau.
- Temos que nos livrar disso, né?
- A gente pode doar pra uma distribuidora - O homem e riu mas o encarou seria - Desculpa, sei que não posso brincar com isso.
- Tudo bem - Ela pegou a primeira garrafa e abriu, despejando tudo na pia.
- É assim que você quer fazer? - O homem perguntou com cautela, apenas fez que sim com a cabeça, pegando a próxima garrafa.
- Eu acho que eu preciso ver… Preciso sentir que acabou - Algumas lágrimas começaram a rolar no rosto da mulher e Dougie a abraçou, confortando-a em seu peito.
- Eu tô aqui com você, patinho, vai dar tudo certo.
Após uma hora os dois já haviam jogado toda a bebida pelo ralo, torcendo para não embebedarem por acidente algum peixinho. Dougie estava cochilando no sofá enquanto colocava a roupa suja pra lavar quando a campainha tocou, cruzou a casa o mais rápido que pôde para impedir Dougie de abrir mas quando chegou já era tarde demais, uma Georgia totalmente incrédula encarava o loiro, ela deixou as duas caixas de gato que carregava no chão e deu uns passos para trás, olhando para a casa para ter certeza que estava no lugar certo.
- O que diabos…
- Geo, oi - apareceu sorridente, empurrando Dougie para o lado - Veio trazer o Coala e a Eucalipto, obrigada - A ruiva pegou as caixas e entregou para Dougie, que ficou segurando sem saber o que fazer.
- - Geórgia conseguiu falar em um tom que não parecesse tão ansioso e entrou na casa, fechando a porta atrás de si. - O que tá acontecendo aqui?
- Ãnh…
- Ela me pediu ajuda - Dougie finalmente falou, indo em direção a mesa de centro da sala, depositando as caixas com os gatos.
- Ela pediu? - A loira olhou para completamente incrédula.
- Pedi…
- Então perdoou ele?
- É complicado…
- Georgia…
- Não fala nada, Poynter - A loira aumentou o tom, apontado para ele - Você destruiu a vida dela, você sabe como ela é, e é por sua culpa, só sua.
- Como ela sabe? - Dougie olhou para , que estava encolhida, ela odiava brigas.
- Ela é minha melhor amiga Poynter, ela não podia contar pra mim? - Geórgia continuou afrontando o garoto, que estava completamente assustado - Ah não, ela tinha que esconder, afinal não pode manchar a imagem do nosso queridinho, tadinho do Poynter.
- Eu sei que eu fui um idiota..
- Não é questão de ser idiota, Dougie - A loira arfou, cedendo e se sentando – Só promete que vai cuidar dela dessa vez…
- Eu prometo.
- Você sabe o que faz - Geórgia olhou firme para antes de abraçá-la e desaparecer pela porta.
Depois de Georgia desaparecer um silêncio ensurdecedor se instalou no local, e Dougie se encaravam, ambos incomodados, ambos querendo iniciar uma conversa que fosse ser produtiva, Dougie chegou a abrir a boca algumas vezes, recebendo os olhares mais atentos e desesperados do mundo, mas o homem não chegava a dizer algo, ele apenas suspirava enquanto seus ombros caiam. Depois de 15 minutos enlouquecedores Coala miou em sua caixa e a tensão desapareceu, suspirou aliviada, girando nos calcanhares, tirando os dois das caixinhas e levando-os até a cozinha para dar sachê e atender um telefonema de Rick. Dougie se sentou novamente no sofá, finalmente pegando seu celular pela primeira vez no dia, tinha seis chamadas perdidas, cinco de sua irmã e duas de seu empresário, além de mensagens de ambos, desesperados.

Jazzie
"Dougie, entra no Twitter agora!!!"
9 de Outubro - 10:21 p.m
"Que caralhos você tá fazendo que não visualizou ainda?"
9 de Outubro - 11:35 p.m
"Puta que pariu, Dougie, quando entrar então pesquisa "
12:04 a.m

Dougie
"Oi maninha, desculpa, vou ver o que tá rolando"
11:40 a.m
" não é aquele shipp esquecido com a ?"
11:40 a.m

Jazzie
"Dude, só pesquisa 🤦"
11:41 a.m

E foi o que Dougie fez, entrou no Twitter e pesquisou , sendo bombardeado com uma explosão de tweets, alguns daquele dia, mas a maioria do dia anterior, grande parte comentando sobre um vídeo dos dois em frente a casa de Debra, falava, ele a abraçava e ela correspondia.
- Puta merda - O loiro soltou enquanto lia a maior parte do que as fãs escreviam sobre aquilo, pelo visto o fandon das Marauders e as Galaxy Defenders haviam entrado em guerra, muitas das Marauders eram a favor do shipp e uma pequena parte contra enquanto a maioria das GDs se colocavam contra e só algumas a favor.
- A gente tem que se pronunciar - A ruiva disse se sentando ao lado do Dougie.
- Ou a gente pode só deixar pra lá e seguir a nossa vida - O loiro soltou, ele estava extremamente irritado. Amava as suas fãs, mas sabia que elas não gostavam de por sua culpa.
- Eu não posso deixar minhas fãs sem resposta, Douglas.
- Ainda com essa mania? - Ele bufou. Sempre que ela queria irritar ele sabia que era só chamá-lo de Douglas, graças ao início de sua carreira, quando todo mundo pensava que era o nome dele.
- Eu não quero histórias sendo criadas, não quero fanfics com nossos nomes…
- Porque não? - Ele a interrompeu, entrando na câmera do celular e começando a gravar sem a garota perceber - Seria tão ruim assim me ter até como um namorado fictício?
- Não seria ruim pra você, mas seria pra mim - Ela fez uma pausa pra respirar fundo – É claro que você não entende.
- Me diz, porque eu não entendo?
- Porque nem se naquele dia eu não tivesse decidido agir pra te ajudar, você teria passado pelas mesmas coisas que eu - O tom de rancor na voz da garota assustou Dougie – Você seria só mais um famoso fazendo merda, iria um ano mais cedo pra reabilitação e sua vida seguiria em frente sem nenhum problema - A garota chorava sem perceber, sua voz ficando cada vez mais embargada pela dor.
-
- Eu te tirei da direção daquele carro, Poynter, te coloquei no banco de passageiro, esperei a polícia e as ambulâncias chegarem como se eu tivesse dirigindo, pensando em você, só em você - Ela andava de um lado pro outro - Eu sofri calada, aguentei tudo que a mídia tinha pra falar de mim, aguentei tudo o que as suas fãs tinham pra falar pra mim… - Ela parou, e olhou nos olhos do loiro, as lágrimas caiam de seu rosto com peso e suas feições passaram de raiva para tristeza - Aguentei o que você falou sobre mim… Te assisti me difamar por anos contando sobre a experiência que mudou a sua vida e te fez enxergar que tinha um problema, como estar sentado no banco de passageiros no dia que eu atropelei aquele garoto mudou a sua vida…
- Pequena…
- FOI VOCÊ - Ela aumentou mais o tom - Aposto que nunca ouviu isso na vida, Poynter, mas FOI VOCÊ!
- Eu sei… E eu vou resolver isso - O homem disse pausando o vídeo e o compartilhando no Stories do Instagram, tentou impedir assim que percebeu o que estava acontecendo mas Dougie foi mais rápido.
- Porque fez isso? - Ela perguntou limpando as lágrimas, completamente incrédula.
- Para termos uma chance - Ele sorriu de leve, a abraçando - Você é a coisa mais importante no momento, e eu quero fazer as coisas certas dessa vez.
- Mas toda a repercussão…
- Eu aguento - Ele sussurrou, o abraçou mais forte, escondendo a cabeça em seu peito - A gente aguenta.
- E qual o próximo passo? - Ela se afastou um pouco, mas não o bastante pra desfazer completamente o abraço.
- Namora comigo?


Capítulo 5 - Love Is Easy

- Que? - se afastou completamente, descolando seus corpos e dando alguns passos para trás.
- Não de verdade, lógico, só o bastante pras nossas fãs e nossos amigos acreditarem.
- Mas porque?
- Acalmar os ânimos, acabar com as especulações, a vida vai ser mais fácil…
- A sua vida, de novo, Poynter - respirou fundo, se jogando no sofá e abraçando o joelho - Eu não quero começar minha reabilitação com outra mentira, não posso fazer isso.
Dougie respirou fundo, ele não havia percebido como estava sensível, provavelmente os efeitos de ficar sem o álcool estavam começando, ele a abraçou de forma que ela conseguisse se encostar nele de uma dia confortável e beijou o alto de sua cabeça.
- Então deixa eu mostrar que um relacionamento pode ser muito mais do que aquilo que você pensa, mostrar que você pode confiar em alguém além de si mesma…
- Dougie… - A ruiva tentou interromper, mas o homem não deixou.
- Não precisamos estar namorando pra isso, pequena. Eu vou te mostrar - Ele a apertou mais forte.
- Eu daria tudo por um copo de cerveja agora - Ela sussurrou, Dougie riu.
- Só seja forte.
- Eu vou ser.
Depois de algum tempo naquela posição a vida tinha que voltar a andar, Dougie fez uma série de Stories explicando tudo desde o início, se desculpando com suas fãs e com as Marauders, e principalmente com . Se prontificou para pagar judicialmente por ter deixado levar a culpa se o estado ou a família do garoto processassem eles.
se concentrou em limpar a casa, por as roupas pra lavar, arrumar o quarto em que Dougie ficaria, sempre que ele perguntava se podia ajudar ela apenas balançava a cabeça, então o garoto se concentrou em acompanhar tudo que estava rolando no Twitter e responder os meninos e seus pais, que ficaram chocados com tudo.
Quando o dia começou a escurecer pegou a chave do carro e já estava saindo quando Dougie apareceu.
- Onde você vai? - Perguntou jogando o celular em cima do sofá, ele estava vibrando muito com a chegada de várias notificações.
- Aqui só tem não perecíveis por causa da tour, preciso comprar alimentos de verdade pra poder cozinhar.
- Eu vou com você - Ele disse sorrindo e pegando o casaco.
- Mas porque? Eu só vou fazer compras, você acha um saco ir no mercado.
- Isso é verdade, mas é uma coisa claramente necessária e nós combinamos que você não vai sair sem mim - Ele abriu a porta indo em direção a garagem, apertou o controle fazendo o portão subir, mostrando os dois carros. - Uau.
- Você sempre tem essa reação? - riu indo em direção ao Jeep Wrangler amarelo passando pela Lamborghini Huracán EVO laranja, mas Dougie nem se mecheu, ficou encarando o carro de boca aberta. - Douglas.
- - O homem respondeu fascinado - Essa é a…
- Huracán EVO, uhum - Ela sorriu e mexeu na bolsa, procurando a chave e abrindo o Capô para mostrar o motor - O motor é o mesmo da Performante, mas o câmbio é de dupla embreagem, então chega a 100 kms em 2.9 segundos em vez de 3.
- Como você conseguiu? Ela só vai sair daqui uns meses - Ele a balançou como se esperasse que aquilo fosse uma miragem.
- Ah… Bom - Ela riu sem graça e fechou o capô do carro, empurrando o loiro até o Jeep e o fazendo entrar, entrando logo em seguida no banco do motorista - É que eu tenho uma.. Amizade especial com o Herbert Dies Jr.
- O filho do Diretor do Grupo Volkswagen? - A garota apenas fez que sim com a cabeça, dando partida no carro e saindo, chegaram sem problema no Waitrose mais próximo e a garota logo foi pegando um carrinho bem grande, enquanto colocava o que queria no carrinho cantarolava a música que tocava no ambiente, Dougie apenas a observava, sorrindo sem ao menos perceber.
- Douglas! - A garota falou um pouco mais alto, fazendo o loiro voltar a si, ela segurava dois tipos diferentes de leite, um de soja e outro de amêndoas - Qual dos dois?
- Não vai comprar de vaca? - Ele apontou pra parte do corredor com uma vaca de papelão muito fofa indicando o leite.
- Você é vegano - Ela riu pondo a mão na cintura, ainda segurando as caixas.
- Eu sei que eu sou, mas você não precisa ser - A garota sorriu do jeito mais fofo que ele já tinha visto e levantou as mãos para mostrar os leites novamente.
- Soja ou amêndoas?
- Amêndoas, o de soja tem muitos hormônios - Ele cedeu, e ela pegou mais duas caixas do de amêndoas, pondo no carrinho que o garoto empurrava e voltando a andar, Dougie começou a observar as coisas que já estavam no carrinho e percebeu que todos os produtos não tinham origem animal, então parou.
- Que foi? - A ruiva perguntou, ela estava segurando três caixas de vEGGs (substituto vegano para o ovo) empilhadas e colocou no carrinho.
- Não precisa comprar essas coisas veganas para mim, - O garoto suspirou e fez cara de confusa - Eu sei que você quer que eu fique feliz na sua casa, que as coisas corram bem, mas não precisa se preocupar com isso, eu não ligo de comer só arroz.
- Você é muito egocêntrico né? - Ela riu, deixando Dougie confuso - Eu sou vegana, Douglas.
- Mas você fez panquecas…
- Sim, completamente veganas - A garota cruzou os braços - Você comeu sem saber disso, você é um péssimo defensor da causa.
- Eu queria te agradar - Ele se defendeu e olhou pro que tinha dentro do carrinho novamente - Desde quando você é vegana?
- Tem três, não… Quatro anos e dois meses - Ela disse contando nos dedos - Eu sou ativista dos direitos dos animais, não posso ser ativista comendo eles e coisas produzidas por eles. Podemos voltar às compras?
- Claro - Dougie sorriu e voltou a empurrar o carrinho, estava cada vez mais encantado com , realmente não conhecia mais a que estava em sua frente, e estava sendo maravilhoso conhecê-la.
Assim que chegaram a ruiva se prontificou para fazer o jantar, macarrão com almôndegas de abobrinha e molho a bolonhesa de lentilhas, enquanto o macarrão ficava pronto ela já estava preparado o molho e as almôndegas, sempre cantarolando alguma música, quando começou a cantar Love is Easy do McFly, Dougie entrou no cômodo e ficou a ouvindo por um tempinho e decidiu gravar um vídeo para o stories, já estava no último refrão, e pegou a colher de pau que estava usando para mexer o molho, usando como microfone e faz gracinha para a câmera.
- If this is love, then love is easy. It is an easier thing to do. - Cantou rindo e Dougie virou a câmera para frontal, continuando a cantar.
- If this is love, then or love completes me, because it seems like I've been missing you - Cantou indo para onde a garota estava, enquadrando-a na câmera.
- A simple, uncomplicated equation to select you confusing. - Ela completou encarando Dougie, que não conseguia não olhar para ela.
- If this is love, love, love. It's an easier thing to do. - Os dois cantaram juntos e o tempo de vídeo acabou, com os dois se olhando profundamente. Dougie abaixou o braço e aproximou seus corpos, seus olhos passavam da boca para os olhos de , que estava na mesma situação. A garota se aproximou mais um pouco, seus lábios estavam perto quando o celular do Dougie tocou e tirou eles daquele transe, se afastou rapidamente e foi desligar o fogo enquanto Dougie saia do cômodo para falar com Jazzie.


Capítulo 6 - Uma fotógrafa salva-vidas

Uma semana se passou, uma semana de muita dificuldade. teve diversas crises e seu humor não estava sendo dos melhores, mas quando ela finalmente percebeu que aquela semana tinha chegado ao fim, entendeu que estava tudo mais fácil. Dougie estava sendo um santo, aguentava a ruiva sob qualquer circunstância, e sua experiência a ajudava a suportar aquilo. Depois do sexto dia ela já estava voltando ao normal, e eles estavam cada vez mais próximos.

- O que vamos fazer hoje? - A garota perguntou animada se sentando no sofá e pegando seu celular, as notícias sobre tudo que tinha acontecido já haviam sossegado e agora as especulações sobre eram reforçadas por Stories de Dougie e da menina, que cada vez estavam mais presentes nas redes sociais um do outro.
- Ãnh… O Tom tá na cidade, pelo visto o Buzz quis ver a Gio antes de ir pro próximo país, ele e a me chamaram pra um pub - Ele disse extremamente cauteloso, se sentando de frente para ela, em uma poltrona.
- A me chamou, mas eu não respondi, sei que não posso ir… - A garota disse meio chateada, a ideia de ir a um lugar com tanta bebida alcoólica era assustadora. - Eu não preciso ir, pequena…
- Não, você precisa sim, são nossos amigos - Ela sorriu e levantou - Eu vou ficar bem.
- Promete?
- Prometo.

Eram 8:30 quando o loiro saiu deixando uma aparentemente bem para trás, mas não demorou muito para a ruiva começar a ficar inquieta, sua cabeça não parava de martelar e os pensamentos corriam soltos diretamente para o álcool, nessa última semana o Homem não a havia deixado sozinha, sentia que aquela era a prova de fogo, e que ela não passaria. As 10 em ponto pegou suas chaves e saiu. O Bairro em que morava era afastado da cidade, sabia que andar por ali não causaria riscos, então começou a andar sem rumo, totalmente guiada pelos seus pensamentos. Após duas horas andando a garota já estava em uma zona mais comercial da cidade, os Pubs estavam lotados e as pessoas, aparentemente felizes. A ruiva parou em frente a um pub já conhecido e ficou encarando a fachada, tentando tomar coragem para entrar.

- Desculpa, você é a ? - Uma garota morena de mechas rosas se aproximou, tirando de seu transe, a ruiva sorriu doce para a mulher.
- Sou sim, é uma Paparazzi? - Perguntou com calma após perceber a câmera no pescoço da mulher.
- Não, sou só uma fã - Ela riu e pegou o celular no bolso - Se importa?
- Não, claro que não - puxou a mulher pra um abraço e fez pose pra foto - Aliás, qual seu nome?
- Fernanda Villas Boas - Ela sorriu animada, postando a foto nos stories e marcando a . - A fotógrafa brasileira que está em exposição no Tate Modern?
- Eu mesma - O sorriso de Fernanda se abriu mais ainda ao ser reconhecida. - Mas eu prefiro que me chamem de Nanda.
- Nanda - A ruiva concordou com a cabeça, sorrindo animada - Eu adorei quando ouvi falar da sua exposição, eu e o Dougie estávamos planejando ir até lá na semana que vem, quando os ânimos estiverem mais calmos.
- Ah, então vocês estão mesmo...
- NÃO - cortou a morena - Estamos apenas dividindo a casa.
- Entendi, desculpa ser enxerida - Ela respondeu envergonhada - Posso fazer umas fotos suas? Seria importante pro meu portfólio.
- Você está em exposição num dos museus de arte moderna mais famosos do mundo e quer tirar fotos minhas pro seu portfólio? - A ruiva perguntou incrédula.
- É que o que eu queria mesmo era fotografar bandas - Ela disse sincera, achou a coisa mais fofa do mundo.
- Eu posso fazer isso acontecer - Ela disse pegando a morena pelo braço e a levando para longe do bar - Qual a banda dos seus sonhos?
- Ãhn, Simple Plan, sem dúvidas - Ela disse animada - Eu sou fã deles a muitos, MUITOS anos, ia ser um sonho realizado trabalhar com eles.
- Olha, os meninos vêm para Londres mês que vem, se você ficar aqui eu consigo que você mostre seu portfólio para eles pessoalmente - A ruiva disse calma enquanto caminhava com Nanda até uma praça próxima, onde seria melhor tirar fotos.
- A exposição vai ficar aqui por mais um mês e meio - A morena sorriu e fez com que olhasse para ela - Consegue mesmo me fazer ter uma entrevista com os meninos da Simple?

A ruiva apenas concordou com a cabeça, vendo a morena ficar ainda mais animada. Elas tiraram algumas fotos na praça e conversaram bastante, Nanda era uma pessoa animada, tinha um ar ingênuo e sonhador que já havia perdido a algum tempo. Tomaram um café e ficaram conversando e tirando fotos até a mais velha receber uma ligação da irmã e ter que ir encontrá-la em um pub, Nanda convidou , mas a garota já não estava mais tão afim de beber, aquele momento com Nanda havia valido mais a pena, e estava ansiosa pra chegar em casa e esperar Dougie chegar para poder contar tudo que tinha acontecido, então preferiu pedir um táxi depois de pegar o número de Nanda pra cumprir sua promessa.

- - A voz estridente de preencheu a mente da ruiva assim que entrou em casa, olhou em volta com cuidado, Dougie estava de cara fechada e Tom a olhava com um olhar acusador que fez com que a boca do estômago de apertasse, ela não queria aquilo, sabia que eles não acreditariam nela. A loira a abraçou e pode perceber a respiração profunda da amiga, tentando sentir se ela cheirava a álcool, sempre fazia isso antes dos shows, esse simples ato fez com que a ruiva se sentisse enojada.
- Eu não bebi! - Ela disse irritada, empurrando a amiga com um cuidado bruto, voltando seu olhar para Dougie, que encarava o chão. - Eu só precisava sair daqui um pouco - Continuou se aproximando do loiro, que estava sentado em uma poltrona, ela se ajoelhou para ficar mais baixa que ele e segurou seu braço, numa tentativa falha de fazer com que ele a olhasse nos olhos - Eu juro que não bebi.
- E essa foto? - Tom mostrou no celular a foto que Nanda havia tirado das duas em frente ao pub, fez que não com a cabeça, sentindo as lágrimas começarem a chegar aos seus olhos.
- Eu… Eu comecei a andar, só andar… quando eu vi eu tava na frente do Linu's, mas eu não entrei, eu juro que não entrei.
- Você prometeu que não ia sair sem mim, , era uma das minhas condições lembra? - O loiro começou a falar, sua voz era carregada de decepção, ele agora a olhava diretamente nos olhos, e ela estava começando a preferir que ele parasse.
- Eu confesso, eu achei que eu aguentava - Ela fez uma pausa para respirar, conseguindo sentir o olhar acusador de seus amigos as suas costas. - Eu sai porque não conseguia ficar em casa, mas eu juro, juro que eu não bebi, eu queria… Mas eu não bebi.
- Você é mestre em esconder isso, como a gente vai acreditar em você? - perguntou baixinho, sabia que todos ouviriam e não precisavam mais do que isso, se sentou no chão se sentindo pequena, olhando para os três que estavam muito acima dela e percebeu que nunca convenceria eles sem provas, e ela não as tinha. Aos poucos as lágrimas começarem a cair pelo rosto da ruiva e ela abraçou seus joelhos, fixando seu olhar em um ponto fixo, para não ter mais que olhar pra nenhum deles. Depois de um tempo Dougie se sentou ao lado dela e a puxou para seu peito, a acolhendo.
- Confio em você, pequena - Ele sussurrou, beijando o topo da cabeça da mais nova.
- Eu juro que eu não bebi… Eu queria, eu queria muito - Confessou num tom baixo, virando seu corpo para abraçar Dougie de uma forma mais confortável.
- Acredito em você - Ele sussurrou novamente, a apertando mais, ele sabia a importância do apoio, desconfiança só deixaria ainda mais acuada, não faria bem pra desintoxicação, e ele realmente acreditava nela, a que ele conhecia não era a mesma que conhecia. Dougie nunca tivera contato com a que mentia e escondia pra suprir seu vício.

Eles ficaram naquela posição por um tempo, Tom e pediram pizza e os quatro comeram juntos, e embora tentassem transformar o ambiente em um local de conforto, não conseguia se sentir acolhida, preferiu comer em silêncio e apenas concordar quando dirigiam a palavra a ela.

- Acredita mesmo em mim? - A mais nova perguntou para Dougie enquanto terminava de secar os pratos, e Tom já haviam ido para o quarto de hóspedes e os dois terminavam de arrumar as coisas.
- Quando eu tava na reabilitação eu também fugi - O homem sorriu de leve se lembrando, guardando o último copo no lugar e se apoiando na bancada. - Eu corri até o bar mais próximo, mas não consegui entrar, tudo que aconteceu naquela noite.. naquele carro - Ele suspirou nervosamente, concordou com a cabeça e se aproximou um pouco mais do homem. - Eu não podia deixar isso acontecer de novo, entende?
- Não foi assim comigo - Confessou se aproximando mais de Dougie, o suficiente pra sentir o calor de seu corpo - Uma garota me pediu uma foto e eu consegui usar isso como gancho pra me afastar do pub, não sei o que eu teria feito se ela não tivesse ali…
- Você não teria entrado.
- Não tem como você saber.
- Tem sim - O loiro sorriu e passou as mãos pela cintura de , aproximando seus corpos até que não houvesse mais espaço entre os dois.
- Dougie… - arfou, apoiando suas mãos no peito do mais velho.
- Diz que não quer - Ele sussurrou no ouvido da ruiva, a sentindo arrepiar, se martirizou por dentro, voltando seu olhar para os olhos de Dougie.
- Eu não posso. - Ela sussurrou se arrependendo amargamente de dizer essas palavras - Não pode dizer que não quer? - Ele ergueu a sobrancelha sorrindo de lado, mordeu o lábio se controlando e o afastando.
- Não posso deixar isso acontecer de novo… - Disse de uma vez e assistiu a expressão de Dougie mudar completamente, o homem largou o pano de prato no balcão com um certo descaso e assentiu com a cabeça de forma irritada, sem dizer nada o garoto se virou e desapareceu pelas escadas, deixando a mais nova sozinha ali, sem conseguir conter as lágrimas das lembranças voltando novamente.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Outras Fanfics:

Finalizada

Os Elementari

Em Andamento

The Choices of Silence


Eu não escrevo nenhuma dessas fanfics, apenas scripto elas, qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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