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Última atualização: 18/10/2020

One

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May, 25th, 2018.

Estar em um lugar querido é muito bom para a mente e para o coração. Estou em tour há alguns meses, onde amei passar por lugares novos e também revisitar cidades que já tinha ido quando estava em tour com a One Direction. Porém, passar nesses lugares com a minha tour, cantando músicas do meu álbum e vendo todas aquelas pessoas ali por mim e pelas minhas canções é surreal.
Eu estou vivendo um sonho e espero nunca acordar.

Eu estou em turnê com a Live On Tour desde Setembro de 2017, onde fiz alguns shows em Teatros para ver a aceitação do público com o CD e essa nova fase da minha vida, e resposta foi muito bem vinda, pois os shows de Setembro a Dezembro foram incríveis e inesquecíveis, agora eu estou em uma fase maior da turnê onde eu me apresento em arenas para mais de 15/20 mil pessoas por show.

A turnê de 2018 começou em Março e já estávamos rodando mundo afora há mais de 2 meses. Eu sinto falta do sossego de casa e sinto falta da minha família, porém não existe nada melhor do que sair rodando o mundo apresentando o que eu amo fazer: Cantar.
Eu nasci pra isso e não poderia me sentir mais feliz por estar indo cada noite para um local diferente para apresentar minha música e ver milhares de pessoas cantando o que eu escrevi e o que eu presenciei.
Eu me sinto o cara mais sortudo desse mundo por ter pessoas incríveis ao meu lado, não digo apenas de minhas fãs que estão comigo para onde eu vá, também falo das pessoas que me acompanham na turnê.
Minha equipe é incrível! Eles me tratam muito bem e eu finalmente posso vestir, falar, cantar e compor sobre o que eu quiser. Tinham algumas restrições quando participava da One Direction e isso acabava deixando nós 5 um pouco restritos a fazer certas coisas, depois que a banda acabou, eu assinei um contrato com a empresa onde meu amigo e agora empresário Jeffrey Azoff iria cuidar da minha carreira, ele está fazendo um ótimo trabalho diga-se de passagem, nunca me senti tão bem e animado por poder trabalhar assim.

A turnê estava incrível, eu usava um suit a cada dia de minha escolha, cantava as mesmas músicas porém sempre aquela energia do público era diferente, e a cada dia eu ficava mais ansioso pra saber como cada país e cidade iria ficar ao me ver e ouvir as músicas.

Meu ego agradece.

Estávamos no meu período favorito da turnê, américa latina. Eu esperei muito para isso e fiz questão de por na agenda para voltar aos lugares onde fui tão bem recebido com a One Direction.
A energia das latinas é surreal.

Tinha acabado de me apresentar no Chile e já estava embarcando para os shows do Brasil onde iríamos fazer dois, um show seria Domingo no Rio de Janeiro e o outro seria na Terça-Feira em São Paulo.
Eu estava ansioso.

— Você tem certeza que você não quer ficar no Chile e ter uma noite bem dormida? Podemos ir amanhã à tarde para o Rio de Janeiro, não tem problema. – Meu empresário e melhor amigo disse ao me ver sentando no camarim depois de um show sensacional no Chile já de roupa trocada.
— Não Jeff, eu tô bem. Eu quero ir logo para o Brasil. Quero chegar lá cedo para poder aproveitar o sol brasileiro. – Eu disse sorrindo e fechando os olhos já me imaginando na beira da piscina do luxuoso hotel que iria me hospedar pegando um delicioso sol com meus amigos e colegas de trabalho.

Jeff sorriu balançando a cabeça negativamente, ele sabia que eu não iria mudar de opinião. Quanto mais cedo chegar no Brasil para mim é melhor, eu amo aquele lugar e mal vejo a hora de voltar. Não é à toa que tenho uma tatuagem em homenagem aquele lugar fantástico.

Me levantei e ajeitei minhas coisas rumo ao carro que estava me esperando no estacionamento da arena.
Meu celular tocou no caminho e eu prontamente peguei para atender. Era minha irmã, provavelmente queria rir da minha cara sobre algo do show.
Ela é adorável.

— Veio rir de quê agora? – Eu disse já dentro do carro indo rumo ao aeroporto já que todas minhas coisas já estavam arrumadas no porta mala. As vezes é bom ter pessoas que façam isso por você.
Ih, tá bravinho, é? Não ia rir de nada não. – Gemma disse segurando o riso, cerrei os olhos mesmo sabendo que ela não poderia ver. Ela mente muito mal. — Ok, talvez eu já tenha rido e só vim comentar com meu irmão favorito.

Eu sabia.

— O que eu fiz dessa vez? – Eu disse já imaginando o que viria, naquele show eu acabei levando um leve tombo em Kiwi.
É, eu sei, eu não levo jeito pra nada.

Gemma começou a contar a história que tinha visto no Twitter me fazendo rir junto.
Conversamos por alguns minutos até eu chegar no aeroporto e nos despedimos.

Sinto saudades da minha família, queria que elas me acompanhassem em todos os shows da turnê. O colo de uma mãe e de uma irmã as vezes faz falta, pena que nada é perfeito.

Suspirei fundo andando pelo aeroporto e tentando tirar qualquer resquício de tristeza dentro de mim. Daqui algumas horas eu estarei no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, lá não é lugar para tristezas.
Sorri malicioso ficando mais animado do que eu já estava com a viagem.
Me surpreenda, Brasil.

~~~~x~~~~


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May, 26th, 2018.


"Dear Diary, Exatos 7 anos 6 meses 40 dias 8 horas 10 minutos e 12 segundos que eu espero por esse dia. Não me leve a mal, não sou um tipo de doida que conta os minutos e segundos para tal acontecimento, na verdade eu não faço ideia de quanto tempo eu espero por isso.
Pra ser mais exata, desde 2011 eu sou fã, e desde o momento que eu me declarei fã de que espero pelo o que irá acontecer daqui 1 dia.

Dizem que amor de fã é o sentimento mais puro e lindo que existe em toda face da terra, é aquele amor singelo e carinhoso onde você ama uma pessoa sem querer nada em troca, chora por apenas escutar a voz dela ou até mesmo ver uma foto.
Se orgulha por algum prêmio ou até mesmo pela tal pessoa ajudar em alguma causa nobre. Fica feliz por suas conquistas e fica triste pelas suas tristezas.
Fã tem aquele sentimento onde você sabe que não importa onde for, ela estará ali até mesmo do outro lado da tela de seu celular ou notebook te apoiando, gritando, chorando e te amando. Alguns dizem que quem é fã de alguém que acompanha tal artista via rede social é "louca" ou "não tem o que fazer da vida" só por estar perdendo tempo dando atenção para uma pessoa que nas palavras deles "nem sabe que você existe".
Realmente, algumas fãs sofrem por essa palavra ser verdade, muitas não têm a sorte de encontrar o artista que tanto ama andando pelas ruas ou até mesmo ir em alguns shows. Muitas fãs não tem a sorte de serem seguidas em redes sociais e serem respondidas pelo seu cantor ou ator favorito. Muita delas sofrem pela distância e choram baixinho em seu travesseiro pensando como seria se tudo fosse diferente, como seria se conhecesse aquela pessoa que tanto mudou sua vida e a fez de alguma maneira melhor com alguma música.
Eu confesso que sou uma delas, eu sou totalmente encantada e apaixonada pelo cantor britânico desde o início da banda em que ele fazia parte, a famosa "One Direction".
Desde os meus 13 anos de idade eu acompanho a carreira de e sou uma das fãs que sorri ao ver uma foto, chora ao ver algum vídeo, sofre ao ver ele abraçado com uma fã desejando imensamente ser ela no lugar, grita ao vê-lo cantar e se orgulha ao ouvir uma nova canção.
Esse amor que eu sinto foi uma das melhores coisas que já aconteceram na minha vida. Ele foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida.
Sabemos que a frase é clichê porém não tem como não dizer.
mudou minha vida, se sou uma pessoa melhor hoje, é por conta dele.
Como já disse antes, conheci o aos meus 13 anos de idade e foi ao ver o clipe "What Makes You Beautiful" tocando na TV de casa, não irei dizer que foi aquele tipo de "amor à primeira vista" que todos dizem e que muitas outras fãs também o conheceram desse jeito, mas muitos compactuam com a mesma história que a minha.
O conheci naquele clipe, achei a música legal e divertida porém deixei por isso mesmo, mas pelo fato de que One Direction virou a sensação do momento no Brasil, era impossível não ver aqueles 5 garotos na televisão o tempo todo, a gente acaba-se obrigando a gostar por ser só disso que sua escola, amigos e TV falavam sobre, e foi assim que fui conhecendo mais sobre ele.
Primeiro foi seu nome, depois fui ouvir mais sobre a banda e percebi o quão ele cantava bem e tinha um talento diferente que realmente despertou minha atenção de alguma forma.
Ao passar dos meses e anos era impossível não ouvir One Direction em meu quarto ou não falar sobre eles na escola ou não pesquisar coisas na internet sobre os garotos. Eu finalmente tinha virado mais uma daquelas adolescentes loucas por One Direction porém mais precisa por .
Eu gostava da banda, achava eles juntos um máximo e que as vozes ficavam muito boas juntas, mas eu sempre percebia um "a mais" no , eu gostava mais de seus solos nas músicas, gostava como o seu cabelo era grande e bonito, adorava a cor de seus olhos, achava suas roupas engraçadas, me divertia ao ouvir o garoto falar em alguma entrevista e também sorria ao vê-lo sorrir.
Foi aí que eu percebi que eu era uma fã de e não da One Direction.
Eu tive uma adolescência normal como todas as que têm esse "presente de Deus" de ser fã de alguém. Ir para a escola e ser conhecida como fã de "fulano" é até engraçado, porém você acaba crescendo e se torna um tipo de vergonha.
Hoje eu tenho 20 anos de idade e adivinhem só? Ainda sou fã do mesmo garoto que me apaixonei quando tinha 13 anos, e onde estou? Isso mesmo, estou na cidade onde o garoto que despertou minha atenção anos atrás irá se apresentar amanhã em uma das maiores arenas da cidade.

7 anos se passaram e meu amor pelo continuou intacto, até maior para ser mais preciso. Acompanhei toda a carreira dele via internet e posso me dizer uma fã raiz do cantor que tem fã clube, amigas que conheceu através da rede social onde tem o seu fã clube e também uma das fundadoras de ser uma Solo.
Sim, ele finalmente voou para a carreira solo fora da One Direction e para mim que sempre sonhei com isso, não poderia ficar mais feliz com o ato. Hoje temos 1 álbum solo com 10 músicas incríveis e especiais escolhidas por ele que simplesmente são repeat em meu celular. Eu sou uma daquelas fãs corujas que não conseguem achar nenhum defeito no ídolo e que tudo que ele escolha para cantar, vestir ou até mesmo tweetar, eu aplaudiria de pé. Não importa quanto tempo passe, ele sempre terá todo meu amor, mesmo que nunca saiba disso.

Estou ansiosa para amanhã, Diário.
Fico feliz de ter um lugar para compartilhar minhas loucuras e ansiedades.
Obrigada, mãe, por esse presente."

Fechei meu diário, o deixei em cima da cama e comecei a arrumar minhas roupas que trouxe para esses dias que passarei aqui no Rio de Janeiro no armário da casa que eu e minhas amigas alugamos.

Eu estava concentrada em meus pensamentos pois ainda não dava para acreditar que depois de anos pensando e esperando por esse momento ele finalmente iria acontecer.
estava fazendo turnê pelo mundo para cantar os sucessos de seu debut álbum chamado " " e com isso, tive a sorte dele botar o Brasil em sua agenda.

Eu me lembro até hoje o dia que comprei o ingresso virtualmente com minhas amigas. Estávamos todas via Skype apreensivas com a venda dos ingressos e com medo de esgotar os mesmos. Não consegui dormir a noite inteira esperando por aquele momento, tive crise de ansiedade junto com minhas amigas porém depois de alguns instantes tentando, eu tinha conseguido. Nós tínhamos conseguido.
Depois de tanto esforço para guardar todas minhas economias esperando por aquele dia, eu finalmente estava com um ingresso para ver se apresentando pela primeira vez e iria compartilhar aquele momento ao lado das minhas amigas virtuais que conheci através dele, eu não poderia estar mais feliz.

Batalhei muito para estar no Rio de Janeiro neste momento, não moro tão perto então quando comprei os ingressos em Junho de 2017, tentei fazer de tudo para conseguir um estágio em minha área ou trabalhar de qualquer outra coisa para juntar dinheiro e viajar para vê-lo.

Minha mãe não poderia me ajudar neste quesito pois eu sabia que nem se eu pedisse, ela iria me dar dinheiro para fazer o que ela sempre me pediu: Não ficar longe dela nem que seja por 4 dias.
Porém eu consegui, arranjei um estágio onde recebia apenas 600 reais por mês mas foi daquele dinheiro que consegui juntar para pagar as passagens de avião, ajudar na hospedagem do apartamento que aluguei com minhas amigas para aquele final de semana e também para ajudar nas despesas com comida e transporte.
Eu realmente não poderia estar mais feliz, o medo de que algo acontecesse e desse errado naquele momento era surreal, digamos que não sou muito boa no quesito sorte.

— Está pronta ou você vai continuar mais uma hora olhando pro armário sorrindo? – bateu em meu ombro me despertando e fazendo-a olhar com os olhos arregalados.
— Que susto, garota! Você tá aí desde quando? Não sabe bater? – Disse me levantando e calçando minha bota favorita.
— Aí me perdoa porém já está todo mundo te esperando para almoçarmos e você não aparecia, vim te chamar já que você se perde no mundo da lua toda vez que fica sozinha. No que você tanto pensa? – disse me olhando parada no batente da porta de olhos cerrados. Eu apenas sorri e dei ombros.

Minhas amigas sabem como eu sou em relação ao pois elas sentem o mesmo, todas que estão no apartamento comigo sentem o mesmo que eu, porém elas também sabem que eu sou a mais apaixonada para não dizer desesperada por ele.

Não sou o tipo de fã louca e obcecada, longe disso. Porém, talvez eu seja aquele tipo de fã mais emocionada que realmente chora ao ouvir a voz, que realmente chora ao ver uma foto e que se desespera se algo acontecer.
Eu tenho 20 anos nas costas e as emoções que sentia quando tinha os meus 14/15 anos não mudaram.
Minhas amigas também são assim porém são mais controladas. Pelo fato de sofrer por ansiedade, eu sofro muito se algo acontece e elas se preocupam comigo.

Elas fizeram uma aposta ontem à noite para saber quanto tempo de show eu iria durar até desmaiar.
Pra quê inimigas quando tenho elas como amigas?

Eu e saímos do quarto onde eu irei ficar esses dias hospedada e fomos para a sala onde as outras meninas estavam.
Estamos em 7 ao total.
Eu, , , , Lorena, Iara e Louie. Temos um grupo onde nos conhecemos via Twitter, ao total somos em 18 porém algumas irão para o show de São Paulo, outras moram no Rio então iremos encontrá-las na fila, e outras infelizmente não irão poder ir em nenhum dos shows por morarem longe e não terem dinheiro para arcar com tudo. Apenas , e Iara de nós todas irão para os dois shows. e Lorena ainda estavam pensando se iam. Queria muito ir para o show de São Paulo porém não consegui os ingressos e também não tinha dinheiro para arcar com as passagens assim como as outras. Pedi de aniversário para minha mãe já que o meu foi dia 19, exatamente uma semana antes de vir para cá porém infelizmente não consegui.

Conseguimos nos reunir e alugamos um apartamento que fica em frente a Jeunesse Arena, onde será o show amanhã. Tivemos sorte de conseguir pois o show esgotou com 5 minutos ao abrir as vendas dos ingressos então consequentemente, muitos lugares por ali estariam cheio de fãs como nós apenas esperando o dia posterior a este.

— Finalmente, né? Você se perdeu naquele quarto ou o quê? – Iara disse ao me ver chegando na sala junto com . Revirei os olhos e sentei no sofá ao seu lado.
— Ela só estava lá como de costume, olhando pro nada com sorriso besta no rosto. – disse sentando do outro lado do sofá, olhei para ela com os olhos cerrados.

Minhas amigas me odeiam.

— Eu aposto a corrida do uber que ela estava pensando no . – gritou do banheiro. Minhas amigas riram.
— Será que dá pra gente ir ou vocês irão continuar fazendo teorias com o que se passava na minha cabeça? – Eu disse me levantando e indo até a porta escutando minhas amigas soltando risadas e soltando piadinhas para me provocar enquanto eu chamava o elevador.

É, elas me odeiam.

~~~~x~~~~


Fomos almoçar e depois aproveitamos a tarde para passear pelos pontos turísticos do Rio de Janeiro. Tudo estava saindo como planejado: Conseguimos os ingressos, as passagens e hospedagens. Até agora nada estava dando errado e eu estava com um pé atrás com isso. Eu nem acreditava ainda que tudo estava acontecendo. Não sou o tipo de pessoa mais azarada do mundo, porém também eu não sou a mais sortuda, estava com medo de a qualquer momento, ter alguma notícia de que o show foi cancelado ou adiado, estava tudo muito tranquilo e isso estava começando a me assustar.
Comecei a respirar pesado por conta de meus pensamentos e começar a tremer de leve, percebeu meu estado e prontamente foi ao meu lado checar como eu estava.
Elas sabem como eu sou e que sofro de ansiedade e todas estavam preocupadas comigo pois sabiam que a qualquer momento eu poderia entrar em crise por alguma coisa, isso sempre acontece e não queria dar trabalho para ninguém.

— Você tem certeza que está bem? Você está tremendo. Quer voltar pro apartamento? – disse me olhando preocupada enquanto segurava minhas mãos que estavam tremendo. Respirei fundo tentando não ter um ataque de ansiedade no meio do shopping. Estávamos todas sentadas em uma mesa na praça de alimentação perto do lugar que estávamos hospedadas. Todas as minhas amigas estavam me olhando com pena e preocupadas pelo o que estavam me vendo passar.
— Olha, eu não sou a melhor pessoa pra te dar um conselho sobre isso pois também estou nervosa para amanhã, finalmente iremos realizar nossos sonhos e mais do que ninguém você merece isso, . Não sofra por antecipação por algo que ainda nem aconteceu, eu sei que você está assim por conta do show, estamos todas nervosas também, porém você precisa se acalmar, vai dar tudo certo. – Louie me olhou com ternura e me abraçou de lado, balancei a cabeça positivamente respirando fundo e dizendo mentalmente que estava tudo ok. Louie é a mais velha de nós com 23 anos, ela sempre teve esta áurea maternal e sempre cuidou muito bem de todas nós, mesmo virtualmente. Louie sempre sabe o que dizer e sempre é na hora certa.

Passaram-se alguns minutos e eu já estava com minha respiração normal e sem tremedeiras, sorriu, me olhou orgulhosa e beijou minhas mãos. Recebi um olhar encorajador de todas as minhas amigas.
É muito bom poder contar com pessoas que não irão te julgar por conta disso pois ela sabe exatamente pelo o que você passa.
Se eu tivesse uma crise dessa ao lado de pessoas da minha faculdade ou trabalho, eu iria ser chamada de louca e criança por estar sofrendo por "besteira".

— Vamos comer? Estou com fome. O que vocês acham de todas irmos de KFC? – disse e se levantou. Todas concordaram e para me distrair, eu fui com ela para a fila buscar o lanche de todas.
me abraçou de lado e fomos andando enquanto ela tentava me distrair.
— Você tá melhor? – Minha amiga disse me olhando de soslaio enquanto eu pegava o cardápio. Dei de ombros e sorri sem mostrar os dentes. Eu estava bem melhor, a crise tinha passado mas o medo continuava.
— Acho que sim. Desculpa preocupar vocês com isso, eu exagero às vezes. – Ri sem graça enquanto olhava pra ela. me olhou com ternura e botou uma de suas mãos em meu rosto fazendo-me olhar em seus olhos.
, nós somos suas amigas e iremos nos preocupar com você não importa a circunstância, sabemos que não é fácil pra você tudo isso, mas você precisa botar na sua cabecinha que não vai dar nada errado e que está tudo ok! O show vai ser incrível, vamos surtar, gritar, chorar, pular MUITO amanhã. – disse sorrindo abertamente enquanto dava pulinhos entre suas frases me fazendo achar graça. A abracei e fizemos nossos pedidos.
Ela é incrível, tenho muita sorte de ter amigas como elas.

Estávamos esperando nossos pedidos se aprontarem enquanto conversávamos distraídas e escutamos o barulho do celular de onde ela prontamente pegou para verificar. Ao fazer isso abria e fechava a boca como se estivesse em choque com algo e eu prontamente alertei todos meus sentidos tentando imaginar o que era.
Não parecia nada bom.

— Algum problema? – Tentei chamar sua atenção já que ela não falava nada e só olhava para o celular e para mim intercaladamente. — , o que houve? Você tá começando a me deixar nervosa. – Ao ouvir minha fala, minha amiga arregalou os olhos e pegou em meus braços tentando falar algo porém parece que alguma coisa a lhe impedia. Eu estava começando a ficar desesperada, o que de tão grave tinha acontecido para deixá-la assim?
— Amiga, por favor não surta, tá bom? – disse me deixando mais nervosa do que eu já estava, o que tinha acontecido? Por quê estava falando desse jeito? Minhas mãos começaram a tremer, ao ver isso prontamente me tirou dali e se sentou comigo em uma das mesas próximas de onde estávamos tentando me acalmar. Eu nem sabia o que tinha acontecido e já estava passando mal. — Desculpa , eu não quis te deixar nervosa. Bebe essa água, vai te fazer bem. – me ofereceu uma garrafa de água que eu prontamente peguei. Estava tentando respirar fundo, porém a dor que estava sentindo em meu coração não passava, eu sentia que era algo que iria me afetar, caso contrário não tinha ficado tão nervosa ao ver meu estado tentando saber o que tinha ocorrido.
Minhas amigas vieram ao nosso encontro e Iara me abraçou de lado me olhando com pena.

— O que aconteceu? Por quê vocês não me contam? – Eu disse um pouco alto tentando me levantar porém Iara não deixou.
— Não é nada demais, ainda estamos esperando a notícia pra saber se é verdade, pode não ser nada demais amiga, estamos apenas não tentando te apavorar. – disse sentando em minha frente e pegando em minhas mãos. Todos elas sabiam menos eu, isso estava me deixando mais nervosa ainda, algo tinha acontecido com o show, eu tinha certeza.
— Por favor, me contem! Ficar assim vai ser pior pra mim. – Eu disse chorosa tentando segurar as lágrimas.
, você está sabendo que está acontecendo algumas coisas no Brasil por falta de gasolina e produtos, certo? – Lorena se pronunciou. Balancei a cabeça positivamente. Estávamos enfrentando uma pequena greve de caminhoneiros esses dias que estava afetando certas coisas e deixando alguns postos de gasolina e supermercados sem produtos. — Então, uma pessoa que sempre fica à frente disso de shows e afins tweetou agora pouco que um show que irá acontecer esse final de semana será cancelado mas ele não especificou qual era. – Lorena disse cautelosa tentando dar a notícia da melhor forma. Meu coração parou. O show do iria acontecer amanhã. Não, isso não pode estar acontecendo. Eu esperei muito por isso, nós esperamos muito por isso, não pode ser assim.
— Ele provavelmente deve estar tentando ganhar audiência, por isso não disse ainda qual era, ele fala algumas coisas malucas às vezes, provavelmente deve tá falando de algum outro show, não precisamente o do , tá bom? Por favor, tenta se acalmar. – Louie disse se ajoelhando ao meu lado. Olhei para todas minhas amigas naquele instante tentando respirar fundo. Elas estavam preocupadas assim como eu, porém diferente de mim, elas estavam preocupadas com meu estado e não com o show em questão.
Baixei a cabeça e tentei me acalmar e rezar para o melhor. Eu estava fazendo minhas amigas se preocuparem com duas coisas ao mesmo tempo: Comigo e com o show, não posso deixar isso continuar.

Me afastei de Iara que ainda me abraçava recebendo um olhar confuso das minhas amigas. Respirei fundo mais uma vez fechando os olhos o que resultou algumas lágrimas caindo em meu rosto.
— Vou ao banheiro. – Disse já me afastando de todas elas, eu precisava de um tempo sozinha pra tentar botar na minha cabeça que tudo ia ficar bem e que não iria acontecer nada.
— Eu vou com você. – disse tentando me alcançar.
— Não preci... – Eu disse tentando demonstrar que estava bem e me interviu.
— Precisa sim, eu sei o que você está fazendo e eu não vou deixar. , somos suas amigas e queremos seu bem, não tem problema nenhum em demonstrar fraqueza. A gente se preocupa com você e isso não vai mudar, eu vou com você e fim de papo. – Ela disse já me puxando para o banheiro onde eu apenas fechei os olhos deixando minha amiga me puxar.

Entrei e lavei meu rosto tentando me acalmar, minha amiga ficou ao meu lado o tempo inteiro apenas para ter a certeza que eu não iria desmontar naquele banheiro sozinha. Ri fraco achando adorável a sua preocupação e dedicação em nossa amizade.
Já disse o quão sortuda tenho de ter ela e as outras em minha vida?

Peguei desprevenida e a abracei forte tentando passar naquele abraço todo o meu agradecimento por cuidar tão bem de mim e não me deixar sofrer sozinha. Ela me abraçou de volta passando suas mãos pelas minhas costas como um leve carinho. Estávamos no mesmo barco naquilo, não tem motivos de ficar triste. Se realmente for cancelado não tem nada que eu possa fazer, apenas tenho que agradecer por ter lutado para estar ali ao lado de amigas tão incríveis como as minhas, aquilo já tinha sido meu ponto alto de minha viagem.

entrou no banheiro afobada dando pulinhos juntamente com Lorena e nos assustando.
— VOCÊS NÃO VÃO ACREDITAR! – Disse enquanto me abraçava. O que tinha acontecido dessa vez?
— O que houve? Ele confirmou? Por quê vocês estão felizes assim? Ele ainda vem? – encheu as garotas de perguntas demonstrando estar mais nervosa que eu. Sorri de leve achando fofo seu jeito. Ela estava com mais medo que eu, porém tentava não demonstrar para me passar segurança.
— O show que o carinha estava falando NÃO era do , era sobre um festival que iria acontecer aqui no Rio amanhã! O show do está confirmadíssimo. – Lorena disse sorrindo abertamente enquanto batia palmas. Essa notícia tirou um peso de meu coração e soltei o ar como se faziam horas que eu não respirava. Me apoiei na pia do banheiro em questão enquanto botava a mão no coração deixando um suspiro aliviado sair dentro de mim.
Lorena, , e que estavam no banheiro comigo me puxaram para um abraço em grupo.
— O sonho continua! – disse sorrindo abertamente enquanto nos abraçávamos. Iara e Louie que estavam do lado de fora entraram e viram nosso abraço em grupo.
— Ei! Nem chamam a gente? – Louie disse tentando passar uma cara de emburrada tentando entrar em nosso abraço em grupo.

Eu realmente tenho as melhores amigas desse mundo.


Two

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May, 27th, 2018.

"Dear Diary, finalmente chegou o grande dia. O dia que eu estava almejando dentre todos esses anos. O dia que eu sonhei pelo menos 5 vezes entre esses últimos 7 dias. O dia que me fez estar aqui no Rio de Janeiro neste momento. O dia do show. O dia de vê-lo pela primeira vez. Sabe, eu poderia até ter ido ao aeroporto tentar vê-lo por lá porém não tive coragem, acho uma falta de privacidade e ele iria chegar pelas 3 da manhã totalmente cansado no sábado e eu não queria ser uma das que gritaria para deixá-lo com dor de cabeça. O medo de ser uma das que pode tirar a paz e o conforto de me assusta. Eu não tenho coragem de ir em aeroporto e hotel para vê-lo, apenas se eu fosse convidada (O que nunca aconteceria) porque é o único lugar que ele deveria ter paz já que não estaria cantando ou dando entrevistas. Minhas amigas tentaram me convencer para ir mas eu não tive coragem, então como eu não fui, acabaram que nenhuma delas foram. Confesso que me senti um pouco culpada por ter tirado essa oportunidade delas, eu disse que estava tudo bem ficar sozinha no apartamento porém elas foram desistindo uma por uma e agora está tudo bem. está no Rio desde ontem, sábado. Desde que ele chegou eu realmente não conseguira pensar em outra coisa a não ser eu e ele no mesmo estado, na mesma cidade, exatamente 20 minutos de distância um do outro. Eu apenas tive que me contentar com as fotos dele sem camisa que alguns fãs sortudos postaram.
Ele realmente está lindo. Eu realmente irei vê-lo em algumas horas.

Eu estou ansiosa, espero chegar hoje à noite com muita coisa pra lhe contar, diário. Irei ter o momento da minha vida com meu melhor amigo. Até logo."
Fechei meu diário e deitei novamente. Não consegui pregar os olhos aquela noite por nada nesse mundo. Escutei o álbum do duas vezes e nada do sono vir, talvez tenha me deixado mais elétrica ainda pois fiquei imaginando aquelas músicas ao vivo. Já tinha visto inúmeros vídeos delas no Youtube pois ele já estava em turnê alguns meses mas eu sei que não será nada comparado porque ele estará na minha frente.
Todas minhas amigas estavam dormindo, inclusive que dividia o quarto comigo, estava em um sono de dar inveja agora. Tudo que eu pude fazer naquele instante foi escrever em meu diário e ficar nas redes sociais para passar o tempo, por mim eu já estaria na fila da Jeunesse neste momento para garantir o melhor lugar.
Exatamente 5 horas em ponto eu levantei e fui a primeira a tomar banho. Marcamos de sair do apartamento às 6 horas da manhã para irmos para a fila. Sim, 6 horas da manhã. Não é considerado loucura se já tem gente na fila acampada desde Janeiro, estamos ok.
Tomei meu banho com mil pensamentos rondando minha cabeça. Tentei criar todos os cenários possível de como seria quando eu o olhasse pela primeira vez. Será que eu realmente desmaiaria como minhas amigas falaram? Será que eu iria chorar ao olhar para ele? Será que eu iria sentir alguma coisa? Acho que irei descobrir apenas às 20h de hoje.
Terminei meu banho e vesti o conjunto que tinha separado para o show de hoje. Short jeans preto, tênis simples branco e a minha blusa com a letra de Woman. Sim, eu tenho blusas do .
Eu tinha ganho esta específica de uma das minhas amigas virtuais, a Kamilla. Recebi a mesma pelo correios alguns dias depois de meu aniversário e eu fiquei simplesmente encantada. A blusa foi feita por ela especialmente para mim e tinha o refrão da música. Ela tem um talento nato para design e artes e tenho muito orgulho dela, brincamos direto que ela ainda irá trabalhar para o fazendo a merch do cantor, assim como ela e minhas amigas dizem sempre que eu também irei trabalhar com ele fazendo seu marketing. Eu e Kami não moramos no mesmo estado, somos amigas virtuais assim como as outras que estavam naquele recinto junto comigo, ela só não estava aqui pois teve que escolher o show de São Paulo entre os dois da turnê pois precisava visitar um tio doente no estado. Queria muito poder vê-la pessoalmente porém eu entendi totalmente, quem sabe na próxima turnê.
Como fui a primeira a me arrumar, passei no quarto das meninas para acordá-las percebendo que a maioria já encontravam-se elétricas por conta de hoje. Não era só eu que estava surtando mentalmente.
— Você está bem? — disse parada no batente da porta da cozinha. Eu estava fazendo o café para que todas conseguissem se arrumar a tempo. — Mais do que ótima! E você? — Sorri e a entreguei uma xícara de café enquanto eu pegava meu achocolatado. — Eu estou ótima, não consegui dormir muito essa noite de nervosismo mas estou até que bem. — Olhei para e tombei minha cabeça para o lado sorrindo. Ela estava mais nervosa que eu. Todas nós estávamos do mesmo jeito, o dia tinha finalmente chego. — Não se preocupe amiga, vai dar tudo certo. — Eu disse com uma confiança que eu não sabia de onde tinha tirado. Ontem á noite eu estava tendo uma crise de ansiedade por conta do show e hoje estou aqui, aconselhando alguém a não surtar. me olhou achando graça por eu estar a aconselhando sobre uma coisa onde eu não tenho domínio: Calma.
Fomos para a sala onde as meninas encontravam-se todas arrumadas e batendo um papo animado sobre o show. Depois de 15 minutos, todas saímos do apartamento e fomos andando até a Jeunesse arena. A fila já estava grande e o sol ainda estava nascendo. Sentamos ao lado da grade e nos entreolhamos, estávamos juntas e iríamos ter um dia incrível batendo papo e esperando o momento do show.
It's really happening.

~~~~x~~~~


Faltavam apenas 3 minutos para o show começar e já estávamos dentro da arena. Não estava nada fácil lidar com aquele calor e falta de ar por estarmos todas sendo esmagadas por milhares de pessoas porém estávamos ok. Minhas amigas de 5 em 5 segundos me perguntavam se eu estava bem, se eu não queria água ou se conseguia respirar. Eu apenas achava graça pela preocupação exagerada de todas porque por incrível que pareça, eu estava bem até demais. Eu estava muito ansiosa, não irei mentir, porém estava ansiosa para vê-lo, não iria perder minha chance desmaiando agora ou até em outro momento do show. Quero curtir tudo até o final.
As luzes se apagaram e eu me arrepiei da cabeça aos pés. Todos entraram em surtos porque iria começar. segurou na minha mão e olhei para ela e minhas amigas neste momento abrindo um sorriso imenso e ansioso. Respirei fundo e olhei novamente para frente.

(Coloque Only Angel - Harry Styles para tocar.)

A intro de Only Angel começou a tocar.
Ao ouvir a intro de uma das minhas músicas favoritas e ver os integrantes que tocavam junto com o entrando no palco foi surreal.

It was an angel I really saw an angel

A intro continuou.
Eu estava tentando não surtar. Estava tentando segurar a emoção mas tudo foi por água abaixo quando ele entrou.
Meu coração quase saiu pela boca.
Ele estava ali, bem na minha frente.
começou a mandar beijos para todo mundo na maior animação e começou a cantar.

Open up your eyes, shut your mouth and see
That I'm still the only one who's been in love with me I'll guess
I'll be getting you stuck in between my teeth
And there's nothing I can do about it.

Ele é lindo demais, como pode?

Broke a finger knocking on your bedroom door
I got splinters in my knuckles crawling across the floor
Couldn't take you home to mother in a skirt that short
But I think that's what I like about it

começou a cantar animadamente fazendo dancinhas e eu comecei a surtar.

She's an angel Only angel
She's an angel
My only angel

Eu não conseguia mais ver ninguém ao meu lado, tudo que eu fazia era pular e cantar Only Angel com todo meu coração enquanto eu o olhava se divertir no palco.
Ele nasceu pra fazer isso.
Ele nasceu para estar ali.

I must admit I thought I'd like to make you mine
As I went about my business through the warning signs
End up meeting in the hallway every single time
And there's nothing we can do about it
Told it to her brother and she told it to me
That she's gonna be angel, just you wait and see
When it turns out she's a devil in between the sheets
And there's nothing she can do about it Hey, hey!

Eu realmente escolhi amar a pessoa certa, ele é incrível demais.

She's an angel
Only angel
She's an angel
My only angel
She's an angel
Only angel
She's an angel
My only angel
She's an angel
Only angel
She's an angel
My only angel
She's an angel
Only angel
She's an angel
My-my-my only angel

Depois de mais algum tempo cantando, finalizou a música e ficou parado apenas ouvindo os gritos de milhares de pessoas que estavam naquela arena aumentando seu ego cada vez mais, eu era uma delas.
Boa noite, Rio! disse em português e eu desabei de chorar como uma criança, sua voz estava tão perto, ELE estava tão perto. Isso está sendo surreal demais! Eu estava sonhando? Por favor, se eu estiver, nunca me acorde! — Eu me chamo ! — Mais gritos. — Thanks for having me! – Eu sorri o olhando e lhe joguei beijo. Olhei para as minhas amigas e elas estavam no mesmo estado que eu, gritando e chorando. Nosso momento chegou.

Após algumas músicas eu já estava bem mais calma e estava curtindo muito o show, a presença do em cima de um palco é inexplicável! Você consegue perceber o quanto ele ama fazer o que faz só pelo sorriso sincero que dá ao falar ou até mesmo a emoção que ele passa cantando cada palavrinha que compôs. Ele é incrível! Eu já disse isso?
Depois de ter gravado vários vídeos e tirado várias fotos, eu peguei meu celular e prontamente liguei para uma das minhas melhores amigas, Elli. Infelizmente ela não pode estar conosco na viagem pois ela não conseguiu dinheiro e nem a permissão dos pais para viajar, tentamos conversar com os pais dela porém infelizmente eles não autorizaram. Eu prometi a minha amiga que quando começasse tocar Sweet Creature eu ligaria para ela e foi o que eu fiz.
Elli atendeu a ligação já chorosa e eu virei a câmera para mim apenas para lhe dar um oi e mostrar as meninas que acenaram e sorriram para ela felizes. Virei a câmera novamente para o e a deixei na ligação por bastante tempo, ela merece muito e queria muito que ela estivesse ali conosco.
já estava tocando Anna em seu violão e eu não conseguia acreditar que ele era realmente real. Ele não tinha absolutamente defeito nenhum! Canta bem, toca bem, compõe bem, é educado, gentil, engraçado, humilde e entre outros milhões de qualidades. Será que ele tinha algum defeito? Minha amiga começou a gritar ao ouvir Anna e a deixei curtindo o show.
A próxima que iria tocar era Sign of The Times e em todos os shows tinha um ritual de acender as lanternas de nossos celulares para acompanhar a música. Estava tentando fazer minha amiga me ouvir mesmo com todo esse barulho dizendo que precisava desligar pois Sign of The Times iria começar eu percebi o tentando conversar com alguém da plateia.
Se você tem uma lanterna em seu telefone, está é a hora de levantá-la. disse em inglês porém não dei muita atenção no momento pois estava tentando falar com a Elli para que ela entendesse que eu iria desligar para fazer o que ele estava pedindo pois já sabia como funcionava, até que o vi parado em minha frente tentando chamar a minha atenção. — Essa aí, a terceira... Você tem uma lanterna ou só um telefone? disse me olhando de um jeito debochado, pois eu basicamente era a única que não tinha ligado a lanterna. No momento eu achei que não era comigo, pois tinha várias pessoas ao meu redor e talvez alguém também estava sem a lanterna ligada, porém eu percebi que era comigo quando apertou meu braço e gritou. — ELE ESTÁ FALANDO COM VOCÊ , ELE ESTÁ FALANDO COM VOCÊ! — Algumas pessoas ao ouví-lo, riram pela fala debochada dele, eu tive apenas alguns segundos para raciocinar enquanto ele me olhava com um sorriso cínico. Não sei de onde tirei coragem para ligar a lanterna de meu telefone e levantar a mão falando um simples “Sorry” enquanto sorria sem graça. Todos ao meu redor me olhavam, inclusive todos da banda também. voltou seu olhar pra frente e voltou a interagir com o público mais alguns segundos antes de começar a cantar.
Eu estava estática, ele realmente fez isso? Ele realmente falou comigo? Eu recebi uma bronca de Fucking ? Isso realmente aconteceu?
Eu não conseguia reagir, minha música favorita estava tocando no momento e tudo que eu fiz foi continuar olhando pra ele com uma cara de assustada enquanto ele continuava cantando. Por alguns segundos eu jurei que ele retribuiu meu olhar e piscou para mim sorrindo de lado cantando até que depois de alguns instantes ele franziu o cenho como se estivesse... Preocupado? O que estaria o preocupando?
Tentei piscar por algumas vezes para ver se isso realmente estava acontecendo e engoli em seco. Ele continuou me olhando de um jeito estranho, como se estivesse confuso com minha reação. A questão era: Por quê? Ele tem várias fãs chorosas aos pés dele todos os dias e estaria preocupado pois eu estava estática naquele momento o olhando? Será que minha maquiagem ainda estava toda borrada do meu choro e eu estava que nem uma palhaça naquele momento?
— Você tá assustando o , ! — disse em meu ouvido um pouco alto para que eu escutasse me despertando de meus pensamentos. Eu a olhei e arregalei os olhos e ela riu da minha reação. Ela deu um tchau para o que retribuiu prontamente enquanto ainda cantava deixando minha amiga pulando de alergia. voltou seu olhar pra mim como se estivesse se questionando do porquê eu estar daquele jeito, parada e sem reação. Eu não estava cantando, não estava sorrindo e não estava pulando que nem as outras. Eu estava apenas parada o olhando e senti uma lágrima descer de meu rosto. Ao notar isso, levei uma de minhas mãos para o meu rosto tentando limpá-la e voltei meu olhar para o para ver se ele ainda me olhava e tive a confirmação quando apertou meus braços e gritou em meu ouvido. — ELE NÃO PARA DE TE OLHAR, ELE NÃO PARA DE TE OLHAR! — estava chorando de alegria em meu lado e me deu um abraço ainda pulando, eu ri e o olhei novamente. Ele continuava me olhando e riu da reação da .
O que estava acontecendo?
soltou o microfone do pedestal enquanto ainda cantava, estava interagindo com o público acenando e mandando beijos para todos ali até que ele parou em minha frente novamente levando todos que estavam ao meu redor a loucura. Eu continuei sem reação.
Estava em uma parte da música onde ele não cantava então ele tentou interagir comigo sem falar no microfone. "Are you okay?" Foi o que consegui ler de seus lábios rosados enquanto ele se curvava em minha frente, botava uma mão em seu joelho e a outra fazia um joinha com as mãos.
Minhas amigas foram a loucura.
Eu apenas consegui sorri fraco pra ele, balancei a cabeça positivamente e imitei o joinha que ele estava fazendo antes o certificando que estava tudo bem comigo. Ele riu leve e foi para outra parte do palco. Soltei o ar que não fazia ideia que estava prendendo e olhei para que estava gritando coisas que eu não conseguia entender. Isso realmente aconteceu? Na verdade, o que diabos tinha acontecido ali? se preocupou com meu estado ao ponto de vir em minha frente se certificar se eu estava bem. Ele realmente tirou segundos de seu tempo para vir até mim se certificar disso.
Eu sorri abertamente e o olhei com gratidão e ternura deixando mais lágrimas escapar abarrotando minha visão que era aquele anjo em cima daquele palco. My only angel.

~~~~x~~~~


Eu estava sem reação. Ainda não fazia ideia de como eu tinha saído da arena e já estava no apartamento ao lado de minhas amigas. Simplesmente tive um mini choque e estava fazendo tudo de maneira robótica pois apenas me lembro de lances rápidos depois que tinha terminado o show.
Ah, o show! Sorri involuntariamente ao lembrar do show. Foram as melhores horas da minha vida e eu já estava com saudades de tudo que aconteceu ali. Ainda não conseguia acreditar que ele falou e se preocupou comigo.
Minhas amigas estão surtando desde que o show acabou pois além dele ter falado comigo, ainda fez questão de interagir com todas elas.
Ele mandou tchau pra várias vezes; Riu das maluquices da quando ela cantava ou pulava; Fez sinal de paz para Louie; Posou para várias fotos exclusivas que Lorena estava tirando dele; Sorriu várias vezes para Iara; Mandou beijo para : E me olhou inúmeras vezes no show, se preocupou comigo, me deu bronca no meio do show na frente de todo mundo e ainda foi falar comigo para saber se eu estava bem.
É, eu realmente não faço ideia do que aconteceu ali, só sei dizer que eu estava imensamente feliz por todo o reconhecimento que eu e minhas amigas tivemos. Nos esforçamos muito para estar ali e aquele tipo de recompensa foi melhor do que esperávamos.
Me despertei de meus devaneios quando pulou para sentar em meu lado no sofá me assustando. Ela apenas deu um sorriso pedindo desculpas e botou a cabeça em minha perna e comecei a lhe fazer cafuné. Todas estavam em uma conversa super animada fazendo inúmeros comentários sobre o show enquanto estávamos na sala de estar comendo pizza, eu era a única que estava calada olhando para o nada.
Pelo fato delas me conhecerem muito bem, elas sabem que eu ainda estava tentando digerir tudo o que tinha acontecido e estavam me dando o espaço necessário para poder desabafar ou até mesmo chorar no colo delas. Desde que o show terminou, eu não abri a boca para nada, apenas me deixei levar pelo puxão que fazia em meu braço esquerdo e fazia em meu braço direito, porque se dependesse de mim, eu ficaria olhando para aquele palco pelo resto de minha vida.
— E quando ele brincou com aquelas bolas fazendo malabarismo? Tem algo que esse homem não saiba fazer? — disse enquanto comia seu pedaço de pizza. Suspirei. Realmente, ele não tem defeitos. — Ele deve ter algum defeito, não é possível! A gente apenas não sabe ou sabemos e por sermos cadelinha de , a gente finge que nem vê, e se vê, fingimos que é qualidade ao invés de defeito. – Lorena disse indignada como se tivesse lido meus pensamentos. — Ele tem um pé feio, isso já é um defeito. — Louie disse arrancando risadas de todas. Ri fraco e balancei a cabeça negativamente. — Ah, não vamos esquecer que ele tem um péssimo gosto para namoradas, né? Taylor Swift? Really? disse debochando. — Ei! – Eu, , Louie e falamos ao mesmo tempo arrancando mais risada das garotas. Nós quatro somos fãs de carteirinha da americana e fomos apaixonadas por Haylor enquanto durou. 1989 melhor álbum, não tem discussões. Temos até um grupo com apenas nós quatro onde às vezes choramos de saudades do casal que não existe mais.
Enquanto as meninas voltaram a bater um papo animado, eu fui verificar minhas redes sociais e responder as mensagens de minha mãe que provavelmente já deveria ter me mandado umas quinhentas perguntando como eu estava e como tinha sido o show. Entrei em meu Whatsapp e estranhei o tanto de mensagens que tinha ali. Eu não tinha tantas amizades pessoalmente e eram poucas pessoas que eu deixava realmente entrar na minha vida e ter meu número. Como a conversa de minha mãe era a primeira por estar fixada no aplicativo, abri as 8 mensagens que ela tinha mandado. Até que não foram tantas.

Mãe ❤
“Oi filha, tudo bem?” 20:00
“Eu sei que vc já deve estar curtindo o show agora mas só queria saber como vc está.” 20:05
“Filha me manda uma foto bem linda do bjs.” 20:10

Ri com a mensagem. Minha mãe acabou criando um carinho muito especial pelo por conta de tudo que ele representa pra mim e cantava as músicas dele (mesmo sem saber inglês) pela casa enquanto lavava louça ou fazia qualquer outra atividade. Eu tinha comprado um boné oficial do para ela, tenho certeza que ela iria adorar como fangirl que é dele.

“Espero que vc esteja curtindo muito o show vc merece muito te amo.” 20:20
“Filha me diz se os olhos dele são verdes que nem nas fotos tbm.” 20:21
“Filha me responde.” 20:25
“Seu irmão tá aqui em casa e ele me mostrou seus stories filha ele tá lindo e vc ficou muito perto.” 20:30
“Parabéns, filha, vc merece muito, lambe ele por mim.” 20:31

Ri alto com a última mensagem de minha mãe, ela é impagável. Decidi não respondê-la e prontamente liguei para ela fazendo uma video chamada, eu sabia que ela iria querer ver minha cara para saber se não estava muito "inchada" de tanto chorar. Levantei do sofá com resmungos de e fui para a varanda do apartamento.
— Oi, Mãe! — Sorri acenando para ela. Não tem nem 4 dias que estava longe de casa e eu já estava com saudades. — Filha, graças a Deus você apareceu! Eu já estava ficando preocupada! – Minha mãe disse e botou a mão no coração me repreendendo. Ri alto e sentei em um dos bancos que estavam posto na varanda para conversar com ela melhor. – Como foi o show? Quero ver as fotos! — Ah mãe, o show foi incrível. — Suspirei sorrindo lembrando de todas as sensações que passei naquela arena com ele. — O é um amor de pessoa e foi muito carinhoso com todo mundo ali, ele sabe fazer um show como ninguém! — Sorri olhando para a câmera vendo-a retribuir o gesto. — Oi, tia! Você viu que o falou com a . — apareceu na varanda botando sua cara para que minha mãe a visse, fazendo-a abrir a boca surpresa. — Como assim falou com você? — Dei uma breve explicação para minha mãe do que aconteceu a fazendo rir da minha cara junto com . — Você teve que ir para outro estado pra levar bronca justamente da pessoa que você foi ver, ? Até ele? riu alto quando minha mãe se pronunciou depois de ouvir meu relato de fã x ídolo. Tentei fazer cara de emburrada mas ri depois sabendo que eu tive essa sorte. Conversei mais alguns minutos com ela e depois desliguei a ligação voltando para sala com em meu encalço. Decidi verificar as outras mensagens em meu telefone enquanto comia uma fatia de pizza.

Elli. ❣
“Amiga, por que você desligou na minha cara?” 21:10
“COMO ASSIM ELE FALOU COM VOCÊ?” 22:25
“OLHA O GRUPO E CONTA ESSA HISTÓRIA DIREITO!!!!” 22:27

Percebi que todas as mensagens que estava recebendo é porque a história que me deu bronca no meio do show tinha se espalhado pois minhas amigas que estavam comigo lá, falaram no grupo que temos.
Entrei nele e tinha muitas mensagens que estava com preguiça de ler, porém uma me chamou atenção.

Defense Squad. (É HOJE)
❤: Sério gente, foi um SURTO só quando o falou com a , vocês sabem como ela é né????? ficou paralisada lá que nem robô e depois e depois veio falar com ela pra saber se ela tava bem foi muito lindo ❤ 22:25
❤: O mais engraçado foi a olhando com uma cara de nada pro e ele ficou????? wtf???? 22:25
Júlia ❤: Eu acabei gravando o momento que ele falou com ela!!! Eu tava vendo meus vídeos agora e achei o vídeo. @ olha isso! 22:26

Depois da mensagem da Julia, tinha um vídeo anexado do e foi exatamente do momento em que ele falou comigo me dando aquela bela bronca por não estar com a lanterna acesa. Julia faz parte de nosso grupo e ela só não ficou no apartamento hospedada conosco pois ela morava aqui no Rio e não tinha necessidade de gastar dinheiro atoa, então a encontramos na fila. O vídeo foi gravado um pouco afastada de onde eu estava pois Julia não quis ficar com a gente na grade reclamando de muito aperto, então ela tinha se afastado um pouco, ficando mais perto do palco B. Entretanto, o vídeo dava para ver exatamente o de cima do palco A falando com alguém, não dava para ver quem é mas aquele vídeo já estava de bom tamanho e iria guardá-lo para sempre. Meu momento com o .
Enviei um áudio para as meninas dando a minha explicação e versão da história e fui verificar meu Twitter para saber se tinha postado alguma coisa. Eu disse que era fã raiz. Ao verificar meu Twitter, vi que em minhas mentions tinham apenas minhas amigas me parabenizando e algumas zoando sobre a bronca que o ídolo em questão fez horas atrás.

"Louie. TODAY!: @beoul: E o que não conseguia parar de olhar a @stgirl? De tanto ele ficar olhando pra ela, pra chamar a atenção dela, ele teve que fazer uma piadinha no MEIO do show! Tô de olho! @_ #LiveOnTourRiodeJaneiro"

". TODAY: @hescurlies: Eu to muuuuuuito feliz pela @stgirl pois ela merece muuuuuuiito tudo o que teve no show de hoje! Minha amiga é incrível e eu vi com meus próprios olhos o todo preocupadinho com ela 🤧 sofro!"

" saw !: @appreciate: O show foi INCRÍVEL GENTE! O falou com TODAS NÓS e ELE AINDA DEU BRONCA NA @stgirl NO MEIO DO SHOW!!!"

Sorri com as mentions e fui vendo as outras mensagens que tinham de mutuals. Para brincar entrando na onda com o fandom e com minhas amigas, eu decidi pegar o vídeo que Julia me mandou do momento que tive com o e fiz um thread em meu Twitter.

". Today! @stgirl: o negócio do comigo foi o seguinte: Em Sign of The Times ele pediu pra todo mundo ligar as lanternas/flash e eu tava tentando fazer vídeo chamada com a Elli e tava desligada e ele simplesmente disse "Ei VOCÊ! Não tem lanterna ou é só um TELEFONE?"

Ri do meu próprio tweet e continuei, no próximo anexei o vídeo.

. Today! @stgirl: AQUI O VÍDEO DO ME DANDO ESPORRO "TEM LANTERNA OU É SÓ UM TELEFONE?" #LiveOnTourRiodeJaneiro

Ri alto com meu último tweet. É óbvio que eu sabia que o não tinha falado aquilo para tentar brigar comigo de verdade e que foi pura brincadeira, coisa que ele faz com as fãs direto e até PIOR. Me senti honrada por ter sido chamada atenção por .

". Today! @stgirl: Até o me dá bronca e me odeia, Deus realmente tem seus favoritos. ): #LiveOnTourRiodeJaneiro"

Tweetei mais uma vez sendo irônica pois eu sabia que todos iriam imaginar o "tom" irônico em meu tweet pois eu estava muito feliz com tudo que tinha acontecido. Se chegasse em mim querendo me dar um tapa na cara, eu agradeceria.
Continuei mais alguns instantes naquela rede social que tenho tanto carinho e voltei a dar atenção para as minhas amigas que já comentavam sobre meus tweets recentes.
~~~~x~~~~

Ficamos mais algumas horas conversando e eu estava me sentindo totalmente leve e feliz com tudo, mesmo sendo zoada de vez em quando pelas minhas amigas quando o assunto que aconteceu com o voltava. Vimos que já passava das 3 da manhã e decidimos nos deitar pois ainda tínhamos o dia de amanhã para aproveitar a cidade maravilhosa antes de voltar para a realidade cruel.
Eu realmente não queria voltar.
Tomei um banho quente e vesti meus pijamas, ao deitar na minha cama eu vi que meu celular estava recebendo muitas notificações de uma rede social específica: Twitter. Ao abrir a rede social, percebi que o meu tweet com o "acontecimento" sobre o show viralizou, em menos de 2 horas o mesmo já estava com 1.040 retweets, 2.459 likes e mais de 200 reply’s. Abri a boca em choque pois eu, mesmo sendo conhecida no fandom por ser uma das fãs antigas do cantor, não era famosa ao ponto de ter tudo isso de retweets e favoritos em um único tweet.
"Meu deus, será?"
A primeira coisa que pensei quando comecei a procurar o usuário @_ em alguma dessas interações. Bufando impaciente quando não achei. Fui em seu perfil e verifiquei suas últimas atividades tanto de resposta quanto de likes e não tinha nada. Infelizmente não fui notada essa vez. Percebi depois que aquela movimentação toda foi porque o maior portal de notícias sobre a carreira de tinha dado retweet em meu tweet, o que o fez viralizar, assim como todos os meus últimos tweets onde eu tinha falado mais sobre e também postado algumas fotos lindas que eu tinha feito com meu celular, fazendo aumentar consideravelmente o número de seguidores e interações.
Fiquei extremamente feliz com isso pois eu sempre gostei do portal por elas serem muito educadas e profissionais naquela conta mesmo não tendo a obrigação de fazer nada do que elas fazem ali 24h por dia. Era tudo por ele.
Depois de ver o motivo da minha fama repentina, comentei com a que já estava deitada na cama debaixo também mexendo em seu celular. — Eu vi enquanto você tava no banho, mas esqueci de te avisar quando você chegou. — viu de leve. — O bom é que elas têm contato direto com o Jeff, vai que ele olha seu tweet e te convida pra trabalhar com ele? — Olhei para rindo. — Por que diabos o Jeffrey iria querer trabalhar comigo só por conta de um simples vídeo dele tendo uma interação com uma fã sendo que isso acontece em todos os shows? — Disse arqueando a sobrancelha. deu ombros ainda sem me olhar. — Sei lá amiga, só queria você trabalhando logo com ele para que você tenha acesso aos bastidores e a gente consiga ir para ficar cheirando o cangote do . — Ri alto e joguei um travesseiro em minha amiga. Ela é impossível.
Voltei para o meu celular e verifiquei que além das +20 mentions que eu tinha, também percebi que tinha 3 novas mensagens em minhas DM'S no aplicativo. Antes clicar no botão onde me levava a verificar o que tinha, eu não consegui dar atenção a elas ao verificar uma nova notificação chegando no aplicativo em azul com letras brancas.

" sent you a message."
QUÊ?


Three

.

May, 27th, 2018.



Eu me encontrava inquieto, culpado e nervoso. Talvez eu tinha feito uma grande besteira e machucado uma fã, isso estava me corroendo por dentro. Eu sempre faço tudo que está ao meu alcance e ao da minha paciência para tentar ser o mais carinhoso e respeitoso com minhas fãs. O máximo que eu posso fazer por elas, eu faço. Eu sempre deixo de aproveitar coisas de meu lazer para atendê-las em todos os cantos que eu vou e sempre faço isso de bom grado e com um grande sorriso no rosto. Claro que não é grande coisa comparado a todo o carinho que eu recebo durante esses anos, mas eu tento fazer o possível pra tentar agradá-las, porém sinto que falhei hoje e a culpa está me corroendo por dentro.
No show de hoje, eu fiz várias brincadeiras com várias fãs que estavam presente, porém teve uma fã específica que chamou a minha atenção, não só pela beleza, mas também pelo jeito que ela estava em meu show. Eu notei a garota durante a apresentação da minha terceira música e a vi com um sorriso maior que o mundo ali na plateia, o que me deixou muito feliz. Eu sempre estava olhando para ela durante algumas músicas e via a leveza com que ela levava tudo, pois estava atenta a todos os detalhes, mas ao mesmo tempo parecia estar muito dispersa, como se estivesse flutuando nas nuvens.
Eu achei ela uma graça.
A garota cantava as músicas, pulava, gritava e chorava, porém ela sempre estava me olhando com um sorriso lindo, cheio de ternura, como se fosse uma mãe muito orgulhosa vendo seu filho se apresentar no teatro da escola.
Quando eu ia cantar Sign of the Times, vi que ela estava entretida com seu celular, como se estivesse falando com alguém. Como ela tem esta audácia de atender telefone no meio do show? Meu lado narcisista, que já estava acostumado ter os olhos claros e brilhosos da garota totalmente voltados para mim, não gostou nenhum pouco da falta de atenção naquele período e fez uma brincadeira com ela, que eu me arrependi amargamente segundos depois.
Não tinha sido nada demais e todos que escutaram riram, eu apenas perguntei se a garota tinha lanterna em seu celular, já que era a única, praticamente, que estava com a mesma desligada. Apenas disse aquilo para tentar chamar sua atenção e bater um papo com a garota, para poder perguntar seu nome e ver se conseguia achar a garota depois em alguma rede social. Sim, eu faço isso com minhas fãs, pois gosto de saber das coisas que elas postam para aumentar ainda mais meu ego. Com a garota em questão eu não iria fazer diferente, queria saber seu nome para pesquisar sobre ela e ver o que ela postava, e também tinha uma parte de mim que queria isso para poder ver fotos da brasileira.
Ao fazer a brincadeira debochada com ela, senti que ela não gostou, pois ficou assustada e paralisada ao me ver falando com ela. No primeiro momento, achei que ela estivesse apenas com aquele impacto que as fãs tem de "Ai meu Deus, ele tá falando comigo!" mas quando ela apenas se desculpou pelo ocorrido com um sorriso envergonhado, ligou as lanternas e seguiu o show séria, apenas me olhando sem cantar nada, todos os nervos do meu corpo entraram em atenção e senti que tinha feito uma grande burrada.
A garota, que antes estava sorrindo e chorando de felicidade, agora estava me olhando com seus grandes olhos brilhantes trêmulos e com um bico formado em sua boca desenhada, como se estivesse prestes a desabar, e não parecia ser de um jeito bom.
No mesmo instante eu me preocupei e quase parei de cantar para pedir desculpas a ela.
Ao ter uma brecha na música sem precisar cantar, fui até a garota e perguntei se ela estava ok. Suas amigas não repararam o jeito que ela estava, pois estavam ocupadas demais, gritando por eu estar perto delas, dei atenção rapidamente para as amigas e me voltei para a garota de cabelos longos à minha frente, eu estava agoniado por não ter ainda nenhuma reação dela. Olhei para sua amiga que estava ao seu lado com uma expressão preocupada, intercalando o olhar entre a garota chorosa e ela, para que visse o que estava acontecendo. Ao perceber, a mesma prontamente chacoalhou a amiga, para tentar arrancar algum tipo de expressão dela e falou algo em seu ouvido que não soube interpretar.
A garota com os olhos brilhantes apenas sorriu para mim e devolveu o joinha com as mãos que eu tinha feito segundos antes e baixou a cabeça, voltando segundos depois seu olhar para mim. Senti que seu sorriso não era magoado ou triste, apenas envergonhado e isso me deixou um pouco mais aliviado e voltei para minha ocupação principal, cantar.
De vez em quando meu olhar caía na garota e eu via ela se soltando cada vez mais, chegando a cantar e sorrir novamente de leve pra mim, me deixando bem melhor.
Porém, ela não tinha voltado com a mesma animação do início do show, o que me deixou intrigado.
Ao terminar aquele show incrível e inesquecível, fui diretamente para o camarim, porém, ainda sentindo aquele leve aperto no coração pelo ocorrido com a garota. Queria poder pedir desculpas e saber como ela realmente estava e perguntar se estava chateada ou brava comigo pelo meu comentário. As vezes eu não sei ficar com a boca fechada.
Bufei bravo, passando as mãos no cabelo, puxando levemente os fios enquanto apoiava os cotovelos em cima de meus joelhos.
Jeffrey chegou em meu camarim, vendo meu estado.

— O que aconteceu? — Jeff sentou ao meu lado, botando suas mãos em meu ombro, tentando chamar minha atenção. Apenas o olhei breve e deixei minha cabeça descansar no sofá que estava.
— Acho que fiz merda e magoei uma fã que estava na plateia. — Fechei os olhos suspirando e os abri logo em seguida, o olhando confuso ao ouvir rindo do que lhe confessei.
— Você está dizendo da garota da lanterna? — Assenti. — , por favor! Você faz isso com as fãs direto! Já levou fãs pro palco, brincou com os nomes delas, já falou e fez coisa pior com as fãs e elas sabem desse seu jeito. Por quê você acha que justo essa iria ficar magoada? Foi uma brincadeira tão inofensiva.
— Não sei, cara, ela tava tão feliz e sorridente antes, foi só eu abrir minha boca que ela ficou com aquele olhar sério e com um bico tão triste, como se eu tivesse xingado a 5ª geração dela. — Jeffrey riu alto. — Só queria poder pedir desculpas, sabe? Ela parecia ser uma boa garota. — Suspirei.— Eu percebi o jeito como as amigas dela olhavam para ela, como se estivessem felizes por ela estar curtindo o show. — Sorri de leve ao lembrar da felicidade explícita no rosto de suas amigas ao olhar para a garota. — Não sei, só queria poder me explicar para não deixar um mal entendido. — Jeff assentiu e apertou meus ombros.
— E como você vai fazer isso? — Dei ombros, não fazia ideia. — Você tem nome dela? — Neguei. — E como você pretende achar a garota? — Ele me olhou, arqueando a sobrancelha. Levantei, suspirando cansado.
— Não sei, tá legal? — Alterei um pouco a voz. — Eu não sei quem ela é, se ela é daqui ou não, e não faço ideia de como achar. Até passou pela minha cabeça fazer um tweet público pedindo desculpas para a "garota da lanterna", mas eu não sei se ela vai ver porque não sei se ela tem Twitter, não faço ideia de quem ela seja e nem sei se ela é realmente fã, pode ser só uma admiradora que tava ali no show e não me acompanha em lugar nenhum. — Disparei de falar e voltei a sentar e olhei para o meu amigo com uma expressão derrotada.
Ele percebeu que isso realmente tinha me afetado e bateu leve em minhas costas tentando me confortar.
— Você mesmo acabou de dizer que viu as amigas a olhando como se estivessem felizes por ela estar lá, também disse que ela estava toda feliz e chorando antes de te ver. Admiradoras que não acompanham em lugar nenhum não são assim e você sabe, talvez a garota seja fã de verdade, quem sabe você não dá a sorte de achá-la no Twitter, huh? Já procurou? — Neguei. – Então vamos fazer assim: Você vai tomar um banho, trocar de roupa e aí iremos para o hotel comer alguma coisa e eu te ajudo a procurar ela nas redes sociais, beleza? A hashtag do show de hoje está entre os assuntos mais comentados do Twitter, elas sempre comentam sobre o show e acho difícil deixarem passar esse acontecimento. — Jeff riu leve e o acompanhei. — Provavelmente irão falar algo sobre e vamos procurar. Quem sabe não achamos ela de primeira, huh? Agora ajeita essa cara e vamos! — Levantei junto com Jeff e fui tomar um banho e trocar de roupa antes de irmos. Talvez ele tenha razão, e eu estava torcendo para que ele estivesse.
Senti um pedaço do meu coração aquecer com a esperança de achar a rede social da garota de olhos brilhantes e cabelos longos. Sorri ao lembrar do quanto ela era bonita. Seus olhos passavam toda a emoção que ela sentia ao me ver cantando em cima do palco, parecia que eu a conhecia há anos, pois conseguia sentir exatamente o que a garota estava tentando passar com seus olhos presos em mim. Ela estava vulnerável ao me ver ali e totalmente aberta, como se estivesse pronta para que eu a decifrasse.
Um arrepio percorreu pelo meu corpo.
Por favor, que eu consiga achar essa garota.

~~~~


Eu e Jeff estávamos deitados em minha cama temporária daquele luxuoso hotel enquanto jantávamos. Ele tinha oferecido irmos para algum restaurante, mas eu estava cansado demais para ir em algum lugar que não fosse aquela cama onde me encontrava no momento. Tínhamos combinado de procurar pela garota depois de nosso jantar, por isso, nunca tinha comido tão rápido na minha vida.
Jeffrey viu minha agonia e riu de leve, balançando a cabeça negativamente, como se entendesse o motivo da minha pressa. Meu amigo e empresário não verbalizou nada e apenas pegou seu celular que estava na escrivaninha ao seu lado, pegando em seguida seu notebook, que estava em seus pés, o pondo em seu colo.
Me aproximei dele e prontamente peguei meu celular, entrando na mesma rede social que o meu amigo encontrava-se agora: Twitter.

Entrei nas minhas mentions, onde sempre estava lotado de interações de meus fãs. Eu sempre quis poder tirar um tempo para tentar responder um a um, mas eu sabia que aquilo era impossível. Eu tenho mais de 30 milhões de seguidores. Fico triste quando respondo uma pessoa e alguém comenta que está triste por eu não ter respondido ela, ao invés da outra que tinha ganho minha reply.
Infelizmente, eu me sinto culpado por essas coisas e acabo não respondendo ninguém para não deixar ninguém triste comigo.
Procurei vídeos e fotos em minhas mentions que se referisse ao acontecimento de mais cedo, mas não achei nada. Tinham várias pessoas comentando sobre o show, sobre o malabarismo que fiz em cima do palco, sobre minha roupa, sobre a quantidade de pessoas que tinham ido, sobre o barulho que elas fazem -brasileira tem uma garganta impressionante para gritar, meu ego agradeceu muito, mas não achei nada sobre a garota da lanterna.
Será que eu vou achá-la no meio de tudo isso de gente?
O fio de esperança que tinha acendido dentro de mim mais cedo, estava se esvaindo cada vez mais.
Olhei para Jeff, vendo se ele tinha algum resultado e percebi que nada. Meu empresário tinha sua atenção voltada para a tela de seu notebook e, até onde pude ver, estava rolando os tweets na hashtag sobre o show de hoje.
Ficamos mais 30 minutos procurando em hashtags e em minhas mentions para ver se achávamos e nada.

— Desisto. — Jeff me olhou derrotado, ao fechar o seu notebook, deixando-o em cima da escrivaninha junto com seu celular. Assenti levemente, me deitando novamente na cama. Não iria encontrá-la no meio de toda essa gente, era loucura.
— Obrigada por tentar mesmo assim, de verdade mesmo. — Disse para meu amigo, retribuindo as leves batidas nas costas que ele tinha me dado mais cedo. Ele sorriu para mim sem mostrar seus dentes, com um olhar onde senti sua compaixão, junto com um leve pedido de desculpas por não ter conseguido achar a brasileira de olhos brilhantes a quem eu tanto queria pedir perdão.

Conversamos rapidamente e logo Jeff saiu de meu quarto, indo para o seu, descansar. Iríamos ficar no Rio até amanhã antes de anoitecer, para depois irmos para São Paulo. O segundo show seria só na terça-feira, então não fiz questão de ir tão rápido para outra cidade já que iria ficar nela até quinta-feira.
Confesso que prefiro o Rio por conta das praias, mas também gosto de São Paulo mesmo sendo a segunda vez lá dentre todos esses anos.
Tomei outro banho, pois estava bastante calor no Rio esta noite, botei apenas uma cueca boxer e deitei na cama. Meus pensamentos novamente retornaram à brasileira de olhos brilhantes.
Como será que ela estava?
Meu coração deu um leve aperto.
Espero que ela não esteja chateada comigo como Jeff disse mais cedo, talvez ela realmente seja fã de verdade e sabe que eu sempre faço essas brincadeiras nos shows.
Hum, se ela é realmente for fã, será que ela é daquelas que vai em vários shows seguidos? Sorri involuntariamente, rezando para encontrar a garota em São Paulo, na grade do local onde irei me apresentar, me olhando daquele jeito... único.
Sim, talvez seja a palavra que consiga expressar o que senti enquanto ela me olhava.
Eu me senti único, diferente... como se eu fosse a pessoa mais importante na vida daquela garota e ela realmente estivesse feliz e orgulhosa de me ver naquele palco. Talvez ela possa ser daquelas fãs que me acompanha desde o início e está feliz ao me ver decolando uma carreira solo.
Sorri novamente ao imaginá-la me dando suporte via redes sociais ou até dentro de seu quarto enquanto escutava minhas canções.
Qual seria a música favorita dela?
Pelo jeito que ela chorou em From the Dining Table e Just a Little Bit Of Your Heart, talvez seja alguma dessas.
Será que ela é daquelas que sente o que eu sinto ao cantar?
Provavelmente.
Eu pelo menos sentia o jeito dela naquela plateia.
Aqueles olhos.
Suspirei derrotado. Não acredito que não irei conseguir tirar essa garota da minha cabeça.
Espero que pelo menos eu consiga escrever uma canção, que nem fiz com Townes, para ver se consigo amenizar tudo dentro de mim.

Olhei para meu celular e vi o horário. 2:30 da madrugada e eu não estava com sono, muito pelo contrário, eu me sentia agitado.
Abri novamente meu celular e entrei em minhas mensagens, vendo as fotos selecionadas que minha fotógrafa e amiga tinha me mandado do show de hoje.
Estavam todas incríveis.
Selecionei minha favorita e fui minhas redes sociais para postar.
Depois de todo o show, eu sempre postava no Twitter e Instagram uma foto escolhida com o nome da cidade e país onde foi o show, como se fosse um modo de agradecimento pela experiência.
A foto escolhida era minha sozinho, ainda no camarim me arrumando. Eu tinha gostado bastante da foto e postei nas duas redes sociais, deixando o Facebook para que Jeffrey lidasse depois.
Em segundos a foto viralizou, recebendo milhares de curtidas no Instagram e milhares de retweets no Twitter.
Olhei minha timeline no Twitter como sempre fazia e vi vários elogios sobre a foto que as fãs que eu seguia de volta me fizeram. Sorri ao ler.
Ao verificar outros, um tweet me chamou atenção, ele estava em português então eu prontamente apertei nele e o traduzi com o tradutor próprio que o Twitter oferecia.

"Mariana. TOMORROW! ❣️: @iliveontour: Eu tô tão feliz pela , de verdade mesmo! Quem a conhece sabe a garota incrível que ela é e esse contato mínimo que ela teve com o foi muito merecido. Agora só falta o abraço. 🤧"


Meus instintos se aguçaram e fiquei imaginando sobre quem ela estava falando, pois hoje eu interagi com várias pessoas além da brasileira de olhos brilhantes. Mas, poxa, como eu queria que essa fosse ela...
O nome combina com a áurea leve que a garota passou horas atrás.
Vi que o tweet de minha fã Mariana tinha comentários também em português e, como minha curiosidade estava sem controle hoje, abri o outro tweet também o traduzindo.

" saw harry! 💛:@aprecciateharry: @iliveontour Nem me fala, amiga! 🤧 A tá toda felizinha aqui no apartamento, sorrindo para as paredes e toda pensativa que eu só falto querer pular em cima dela e não parar de abraçá-la."


Sorri ao imaginar a cena.
Mesmo que essa não seja a minha garota de olhos brilhantes, eu estou feliz por ter causado esta felicidade grande em alguém desse jeito. Eu amo ler esses relatos pós show, pois me sinto mais gratificado do que sou ao interagir com elas no show.
Fiquei com minha curiosidade maior, por querer saber quem seria essa .
Se já não bastasse a minha garota de olhos brilhantes, agora teria uma outra pessoa para dividir minha atenção.
Eu só estava piorando mais ainda a situação.
Espera... eu disse minha garota?
Franzi as sobrancelhas confuso com meus próprios pensamentos. Por que eu estava me referindo à garota daquele jeito?
Sei que ela é minha fã, mas ela não é minha, por mais que a ideia não seja tão ruim e que eu não fosse reclamar se ela se declarasse ser.
Balancei a cabeça tentando afastar este último pensamento e me voltei para os tweets das brasileiras conversando entre si. Pelo o que percebi, as duas são muito amigas dessa , que está super feliz com nosso mini contato no show e estava sorrindo para as paredes, como disse a .
Entrei no perfil de Mariana para verificar se achava algo sobre a tal . Hoje eu estava realmente curioso.
Desci seus tweets a procura de algo que denunciasse a presença da outra brasileira que era tão falada pela sua amiga e não achei.
Voltei a conversa entre as duas e entrei no perfil de que também era amiga da e desci seus tweets verificando vários em português, mas um em específico que estava em inglês, me mencionando, chamou minha atenção.

" saw harry!: @aprecciateharry: Você P R E C I S A seguir logo essa garota!!!! @_! O mínimo depois dessa bronca no meio do show, coitada! #LiveOnTourRiodeJaneiro"


No tweet onde me mencionava, ela estava citando um outro tweet, onde tinha um vídeo meu anexado. As palavras do mesmo estavam em português, porém, o que me arrepiou da cabeça aos pés não foi o vídeo, que nem sequer abri, e sim o nome da pessoa que ela estava citando o tweet.
Seu nome era .
Achei a garota de quem e Mariana estavam falando.
Sorri abertamente para meu celular e entrei no tweet de , para ver sobre o que se tratava.

Espera aí, a no tweet anterior tinha dito sobre alguma "bronca" que eu dei na ?
Não pode ser, pode?
Por alguns instantes, senti o ar faltar de meu peito. Sentei na cama e dei play no vídeo, sem nem antes traduzir o que se dizia no vídeo de .

Meu Deus.


O vídeo era sobre o meu momento exato com a brasileira de olhos brilhantes!

O vídeo era eu chamando atenção dela, falando sobre a lanterna!

Mariana e estavam falando sobre a minha garota de olhos brilhantes!

Minha garota de olhos brilhantes era a !


Ri alto em meu quarto de hotel, totalmente aliviado por ter conseguido achar minha garota. Eu não acreditava que isso estava acontecendo.
Entrei em seu perfil e sorri novamente ao ver que seu Twitter era dedicado a mim.
Ela tinha fã clube para mim, assim como suas amigas.
Vi seu user e achei uma graça: @girl.
E eu estava aqui, me repreendendo de chamá-la de minha garota e ela mesma já tinha se autodeclarado minha, exatamente como eu tinha pensado.
Seria destino?

.

Você não vai acreditar em quem eu acabei de achar no twitter, quem tem fã clube pra MIM.🤩” 2:55

“Cara, eu achei a MINHA garota de olhos brilhantes.” 2:55

“Jeff, eu ACHEI ELA.” 2:55

Com minhas mensagens, eu anexei na conversa o print que tinha tirado do perfil da garota, enviando-o.
A garota de olhos brilhantes agora tem um nome que combina totalmente com ela: . Eu simplesmente amei seu nome ou apelido e nem consigo acreditar que a encontrei.
Não querendo mais perder tempo, a segui e rapidamente fui em suas DM's, enviando o que estava pensando em falar caso a encontrasse, desde que tinha feito aquela besteira.

“Oi, tudo bem? Aqui é o e eu queria falar com você por alguns instantes para poder te pedir desculpas pelo ocorrido mais cedo no show. A brincadeira que eu tirei com você sobre o seu celular, perguntando se tinha lanterna, não foi na intenção de te machucar ou algo do tipo e espero que você entenda isso. Não sei se você sabe, mas eu sempre brinco com as fãs durante meus shows, como uma forma de descontrair e deixar todas vocês mais próximas de mim.
Eu tinha te notado no show antes e quis interagir com você de alguma forma, e falando sobre a lanterna foi a maneira que eu achei para fazer tal ato. Eu peço desculpas do fundo do meu coração se o que eu disse te chateou de alguma maneira. Não foi minha intenção. ):
Espero que você entenda meu lado e o que eu puder fazer para me desculpar, me diga que eu farei! Eu lhe segui agora, espero que não tenha problema. E caso tenha, me avise que eu paro de lhe seguir.
Só quis vir aqui me explicar para você, pois eu estava com isso em mim desde que o show terminou e não iria conseguir dormir em paz. Ainda bem que te achei! Gostei muito de te ver dançando e pulando no show e espero te ver amanhã no de São Paulo também.
Me perdoe o texto gigante, mas é que estou me sentindo realmente culpado.
Espero que você me perdoe.
All the love. – .”
. 3:02.


Li e reli a mensagem para saber se estava boa, me sentindo um adolescente de 15 anos chamando uma garota pra sair. Minhas mãos estavam suando frio e tudo aquilo pareceu bem melhor na minha cabeça. Agora que eu escrevi, me senti um completo estúpido e não sabia o que iria fazer caso ela me xingasse.
Mordi meu lábio inferior, indeciso se mandava ou não, até receber uma mensagem de retorno do Jeff.

Best Boy.❣️

“AEEEEEE PORRA! Finalmente!!!!!”
3:05

“Ainda bem que você achou ela, porque eu não ia aguentar ter que lidar com tua chatice amanhã, resmungando sobre ela novamente.” 3:05

“Manda logo mensagem pra ela, segue ela ou dá algum ingresso pra ver se tira essa agonia de ti e pronto!
Agora vou dormir, gato, tô morto e você deveria ir também. FUI
.” 3:06

Suspirei fundo e decidi não respondê-lo. Voltei para a DM em questão e fechei meus olhos ao apertar para enviar.
Agora já era, já tinha ido.
Espero que ela não me odeie e me deixe continuar seguindo-a.
Em meus pensamentos sonhadores, eu conseguia ver um universo paralelo onde eu e a garota de olhos brilhantes, mais conhecida como , éramos amigos ou muito mais que isso.
Decidi sair de sua DM, para não parecer tão desesperado, e entrei novamente em seu perfil, para ver seus tweets e conhecer mais sobre a garota que despertou minha atenção.

Depois de rolar vários e vários tweets , a maioria tendo que traduzir. Eu percebi que a garota parece ser uma pessoa realmente leve consigo mesma e tem amigas incríveis que também tem fã clubes para mim. A brasileira tinha dado vários retweets em tweets onde parabenizaram pelo ocorrido de mais cedo e outros a zoavam pelo que tinha acontecido, chamando-a de azarada.
Fiz careta ao ler aquilo. Não queria que ela visse isso como azar, não foi o que quis passar.

Depois de algum tempo ainda sem resposta da garota, eu já estava completamente viciado em seu perfil de Twitter e já estava vendo tweets de quase 1 mês atrás.
Descobri que fez aniversário semana passada e ganhou a blusa que estava usando no show de hoje de uma amiga que também era minha fã. Descobri também que ela não é daqui do Rio e viajou apenas para me ver.
Meu coração se aqueceu ao saber disso.
Ela viajou para me ver.
Veio de tão longe por minha causa.
Descobri também que ela está em um apartamento com várias amigas suas, que são minhas fãs e imaginei que era uma delas.
Fiz careta novamente ao ver que já sabia bastante sobre a vida da brasileira que eu nem fazia ideia se me odiava ou não.
Eu estava rezando para os céus que não.
Por favor, .
Não me odeie.


Four

.

May, 28th, 2018.


“Dear Diary, eu tenho tanta coisa pra te contar.
A primeira coisa que eu queria te dizer é que o show aconteceu ontem e foi simplesmente incrível! Eu ia escrever para você ainda ontem, porém foram muitos acontecimentos que eu acabei te deixando em segundo plano.
Ainda estou tentando digerir o dia inesquecível de ontem, mas, mesmo sem conseguir, eu precisei vir aqui com você para desabafar um pouco, pois se eu abrir a boca para falar mais alguma coisa, eu acho que desabo de chorar.
Não, eu não estou triste.
Eu estou tremendo de felicidade.
O show foi simplesmente incrível e teve vários momentos trocados entre eu e . Ele realmente é tudo que falam: Engraçado, carinhoso, gentil, se preocupa com as fãs, canta e bem e é lindo demais.
Ontem eu fui uma das sortudas da noite por ter tido um mínimo de contato com ele e me sinto muito grata por tudo.
Ele falou comigo e com minhas amigas, dá pra acreditar?
Sei que não.
Bom, eu queria vir aqui pra falar mais uma coisa que está me deixando com o coração apertado e leve ao mesmo tempo.
fez uma leve brincadeira comigo no show de ontem e eu não sei como, mas acabei o deixando preocupado com minha reação de "resposta" da brincadeira e ainda estou sem saber o que dizer.
Acredita que ele mandou uma mensagem em meu Twitter com um texto IMENSO me pedindo DESCULPAS?
O tirou uma parte do tempo dele para me procurar naquela rede social -não faço ideia de como me achou-; entrou em meu perfil; ME SEGUIU; tirou tempo para ESCREVER um TEXTO para mim e enviou!
Ele se preocupou comigo o suficiente para fazer todas essas coisas e tudo o que ele quer é meu PERDÃO por uma leve brincadeira, onde eu não fiquei ofendida e muito menos machucada. Na verdade eu fiquei completamente feliz por ele ter feito tal ato e ter me escolhido para isso.
Meu coração dói de pensar que eu deixei de alguma maneira triste ou com algum sentimento ruim de culpa, porém, ao mesmo tempo, meu coração fica leve e feliz de saber que ele é tão incrível que achou que eu ficaria magoada por aquilo.
Ele é realmente um anjo.
Recebi a mensagem dele era mais de 3 horas da manhã e fiquei até as 4:30 da manhã chorando no colo das minhas amigas, enquanto tentava imaginar o que responder para tentar mostrar minha gratidão por tal ato.
São 9 horas da manhã e eu dormi por exato duas horas nessa madrugada.
Eu ainda não o respondi por não saber o que dizer.
Eu não consigo verbalizar o que ele fez.
Ainda não consigo acreditar.
Eu estou dando vácuo em fucking !
Diário, o que eu faço?”


Eu estava sentada em minha cama escrevendo em meu diário, enquanto minhas amigas falavam de mim na cozinha. Eu conseguia escutar os comentários delas daqui, mesmo elas tentando serem as mais discretas possíveis.

Ela tá escrevendo naquele diário desde que acordou. — Ouvi a voz da com um tom preocupado. — Ela não fala comigo desde que eu acordei. – Minha amiga continuou.

Eu não falo com ninguém desde que o me mandou a mensagem, tudo que eu fiz ao receber foi entrar em crise com respiração fraca e choro estrondoso que acabou assustando e as outras minhas amigas que estavam nos quartos ao lado.
Foi assustador.


Flashback

Li aquela DM umas três vezes seguidas e ainda não conseguia acreditar que ele tinha feito aquilo.
Por que ele fez isso?
Sentei na cama, ainda olhando abismada para meu celular, e comecei a tremer. Olhei para e ela encontrava-se dormindo. Comecei a ter falta de ar e um soluço escapou de minha garganta, quando não consegui mais lutar contra as lágrimas que caíam sobre minhas bochechas. Levei minha mão até minha boca para não acordar com meu choro, porém falhei miseravelmente pois não estava conseguindo controlar tal ato.
Eu não conseguia mais respirar.

? O que aconteceu? Por quê você tá chorando? — saiu de sua cama desesperada e se sentou ao meu lado, me abraçando forte. Não consegui responder, apenas a apertei forte em nosso abraço. — , por favor, fala comigo, talvez eu possa te ajudar. — Minha amiga disse, desmanchando nosso abraço, e pegou em meu rosto, tentando limpar as lágrimas que não paravam de cair. Balancei a cabeça negativamente e tentei falar algo, mas eu não encontrava voz. Apenas olhei para meu celular onde a DM estava aberta e voltei meu olhar para ela.

ainda não estava entendendo e gritou para as minhas amigas que encontravam-se nos outros quartos.
Eu não queria preocupar mais ninguém, porém não consegui nem impedir seu ato antes de ser feito, eu estava em estado de choque.

— O que aconteceu? — apareceu em nossa porta segundos depois, acompanhada de todas as minhas outras amigas e todas tentaram sentar em minha cama, para saber o que aconteceu comigo para estar naquele estado desesperado.
— Eu não sei o que houve, eu acordei com ela já chorando desse jeito, ela não consegue nem falar direito. — disse alterando um pouco a voz, por puro desespero comigo. foi em meu encontro e sentou do outro lado da cama, pegando em minha mão que estava apoiada em meu celular.
, é por causa do show? Sua ficha tá caindo só agora? — disse, me olhando com preocupação e ternura.
Era por conta disso?
Também tinha esse motivo, porém não era só isso.
Por que eu não conseguia falar nada?
— AI MEU DEUS! — gritou em nosso lado, botando a mão na boca. — O seguiu a ! O Daily acabou de postar o print, por isso ela tá chorando, gente! — continuou e abraçou a Lorena que estava ao seu lado.

Todas as minhas amigas soltaram gritos de felicidade e prontamente pegaram seus celulares para ver o tweet feito pelo portal de notícias do .
e me abraçaram ao mesmo tempo e todas me deram parabéns. Minhas amigas estavam felizes por mim e eu não conseguia parar de chorar. Esse também era um dos motivos pelo qual eu me encontrava chorando, porém não conseguia dizer nada. Eu simplesmente não encontrava palavras e isso estava me acabando.
Minhas amigas viram que eu não parava de chorar e me encontrava cada vez pior, então Louie sentou ao lado de e pegou em minhas mãos.

, sabemos que você está assim pelo o que aconteceu tanto no show quanto agora e a gente precisa de você ainda viva para que você dê retweet em todos nossos tweets para que o siga a gente também, ok? — Louie brincou, me arrancando um sorriso fraco ao olhar para ela e minhas amigas riram leve. — Estamos muito felizes por você, porque você sempre foi dedicada por ele e merece isso e muito mais, porém agora queremos que você feche os olhos, respire fundo e mantenha a calma. Não vai adiantar nada ficar desesperada desse jeito agora. Ele te seguiu e te notou, amiga! Fique feliz por isso. — Louie apertou minhas mãos e me olhou com ternura. Balancei minha cabeça positivamente e fiz o que ela tinha dito.

Depois de alguns minutos repetindo os processos de inspirar o ar e soltar de leve, eu fui me acalmando e recebi um sorriso de todas presente em meu quarto.
Quando consegui me mover, eu olhei para meu celular que já encontrava-se com a luz desligada e um o choro novamente tentou tomar conta de mim, deixando minha visão turva ao lembrar o que irei encontrar ao desbloqueá-lo.
Sabendo disso, peguei meu celular, o desbloqueei e dei na mão de . Ela me olhou confusa com meu ato e abriu a boca surpresa com o que encontrou ali.
A DM que tinha me enviado.
Minhas amigas se aproximaram curiosas com o meu ato e todas deram mini gritos ao ver e ler o que estava escrito. Voltei a chorar, fazendo ao meu lado chorar também. Nós duas nos abraçamos e choramos baixinho.
Depois de alguns segundos, senti vários braços ao meu redor, fazendo um abraço em grupo.
Agora elas sabiam o motivo pelo qual eu estava tão desesperada antes e entenderam.

— Amiga, que texto lindo! Eu não acredito que ele se preocupou com você o suficiente para te achar no Twitter e te enviar isso. — disse, deixando uma lágrima cair. A olhei e concordei.
— Eu sei que eu ja disse isso várias vezes, mas você sabe que merece muito e que estamos muito felizes por você, né? — Louie disse sorrindo e a abracei.

Ficamos mais alguns instantes ali e eu ainda não tinha conseguido falar absolutamente nada. Minhas amigas ficaram lendo e relendo aquela DM várias vezes, até todas se dispersarem para seus respectivos quartos quando viram que eu estava melhor e o choro tinha cessado.
tinha ficado comigo no quarto, junto com , e disse que iria dormir com a gente hoje. Não neguei, pois isso iria me ajudar a não ter mais nenhuma crise.

— Quando você vai responder ele? — disse baixinho e me virei para encará-la. Dei ombros. — , você vai dar vácuo no ? Que má! — Ela riu me fazendo rir junto.

End of the flashback.



Pois é, ainda não tinha o respondido desde aquele momento.
Saí do quarto com meu celular em mãos e fui para a sala de estar, onde minhas amigas estavam tomando café e elas pararam de falar assim que me viram.

— Bom dia! Café? — Lorena disse, ao me sentar em seu lado e neguei com a cabeça, fazendo careta. Me servi com o achocolatado que estava na outra garrafa térmica.
Sentia o olhar de todas as minhas amigas em mim, atentas a cada movimento que eu fazia.
Suspirei alto e olhei para elas.
— Ainda não o respondi, se é isso que vocês querem saber. — Respondi, pegando pão de queijo do prato à minha frente e comendo em seguida. Ouvi resmungos delas e ri fraco.
Eu sabia que era isso que elas estavam se perguntando.
— Por quê? Apenas responda dizendo que tá tudo bem! Isso é maldade, . — Iara se pronunciou.
Ela tem razão. Ele tinha falado comigo e eu ainda não tinha o respondido, talvez ele estivesse realmente preocupado e eu estava dando mais abertura para ele pensar o pior.
— Tem razão. Eu vou responder, só preciso me preparar mentalmente para saber o que vou falar. — Suspirei, imaginando o que eu iria dizer. Eu não queria dizer "não tem problema, beijos" e deixar por isso mesmo. Tinha que mostrar que eu realmente não estava triste e chateada e que eu estava feliz pelo retorno dele. Queria poder tirar qualquer tipo de sentimento ruim de dentro dele, nem que fosse transferindo-o para mim.
Imaginar com algum tipo de tristeza e sentimento mal por minha causa me deixava assustada.

Depois de terminar meu café da manhã, fui para a varanda, sob o olhar de minhas amigas.
Sentei em um dos bancos que tinha ali e olhei para a paisagem.
Vou sentir tanta falta desse lugar que meu coração já está dolorido com a partida.
Peguei meu celular e comecei a escrever.
Era agora.

“Oi! Eu estou bem e você?
Eu, primeiramente, queria te pedir as mais sinceras desculpas pela demora para responder sua mensagem.
Bom, eu confesso que estou muito surpresa com seu texto e suas desculpas, pois não tinha nenhum motivo para isso, de verdade mesmo. , em momento nenhum, em todo o tempo que você esteve em cima daquele palco, você me deixou triste, magoada, chateada ou qualquer outra coisa que esteja pensando. Muito pelo contrário, eu fiquei muito feliz, orgulhosa e tive o momento da minha vida naquela arena. Eu sempre sonhei no dia que iria te ver em um show e isso aconteceu ontem e estou muito feliz por tudo isso.
Não ache que estou com raiva ou chateada com você pelo ocorrido da lanterna, por favor! Se você tinha essa dúvida dentro de você, espero que ela tenha se esclarecido agora, pois, em momento nenhum, eu sequer pensei em ficar chateada.
Sinto muito se te passei essa impressão ontem, eu apenas fiquei assustada por você ter me escolhido para conversar entre tantas pessoas que estavam ali, com o mesmo propósito que eu.
Eu não estou chateada, estou honrada.
Muito obrigada por ontem e por tudo que você já fez por mim, sem nem imaginar.
Eu sinto muito orgulho de você e espero que saiba disso.
Eu sei como você lida com as fãs nos shows e eu acho adorável. A gente realmente se sente próxima de você, como se fôssemos suas amigas.
Fico feliz por ter sido uma das escolhidas ontem.
Obrigada por ter se preocupado o suficiente para ter me procurado e ter me enviado esta mensagem. Isso só mostra a pessoa incrível que você é.
Te vejo na próxima turnê, .
All the love. – .”
. 9:25


Enviei a mensagem e reli para saber se estava realmente boa, e achei que estava. Tentei o máximo não surtar e o tratei com uma normalidade que não sei se teria pessoalmente.
Me levantei, sentei no sofá ao lado de Iara e mostrei para ela a minha resposta.

— Boa garota! Doeu? Não doeu. — Iara disse, me arrancando uma risada. — Agora só esperar a resposta dele. — Paralisei. Ele iria responder?

Ao ver minha reação, ela riu e me olhou com uma sobrancelha arqueada. — O que foi? Você acha mesmo que ele não iria responder? Amiga, ele deve ter feito sei lá o que pra te achar ali, o mínimo que ele vai fazer é te mandar uma DM de volta pelo menos com um emoji de coração.
— E você trate de responder com outro emoji, pois ninguém deixa no vácuo. — Lorena disse enquanto sentava no chão da sala.
— A o deixou por todo esse tempo. — disse rindo e atraindo risada de todas as presentes.
— Eu fico imaginando o com tudo isso, sabe? Ele é todo desesperado. Será que ele ficou nervoso ao ponto de ficar "meu deus eu dei bronca em uma fã no meio do show, bloody hell."— disse e ri alto.
Elas não existem.

Ouvi o barulho do meu celular e meu coração acelerou.
Antes de pegar para ver o que era, Iara o pegou de minha mão e começou a ler o que estava escrito.

“Eu estou ótimo e aliviado com sua resposta. Confesso que fiquei realmente tenso achando que você estava me odiando ou algo do tipo. Meu ego não está acostumado com esse tipo de coisa.
Muito obrigada pelas palavras, você não imagina o quanto fico feliz ao ler isso, vindo de uma pessoa como você.
Dei uma olhada em seu perfil ontem e vi o quanto você parece mesmo gostar de mim e do meu trabalho e fico extremamente honrado por tudo isso.
Queria poder te agradecer pessoalmente! Você vai no show de amanhã?"
. 9:46


— AI MEU DEUS, ! — Iara deu vários pulos pela sala, enquanto eu tentava pegar meu celular para ler o que ela tinha acabado de verbalizar alto.
Não é possível que ele realmente tinha falado aquelas coisas, certo?
Ele não queria me ver pessoalmente, certo?

ERRADO.

Li a mensagem várias vezes, ainda não acreditando no que estava escrito.
Minhas amigas estavam mais uma vez gritando e surtando por mim.
Meu deus, o que eu iria responder agora?

— Pelo amor que você tem por mim, NÃO demora a responder ele! Pede ingresso para ir amanhã, ! — disse, me segurando pelos braços e eu arregalei os olhos. Eu não poderia fazer isso, mesmo querendo muito vê-lo novamente.
— Tá doida? Não vou fazer isso, apenas vou dizer pra ele que não irei no show e irei agradecer por tudo e pronto. — Eu disse e me sentei novamente no sofá, encostando minha cabeça no mesmo.
Louie veio a meu encontro e segurou minhas duas mãos.
, não liga pra elas e faz o que você acredita que seja certo. — Louie disse e escutamos alguns "Ei!" vindo das meninas. Rimos fraco. — Eu sei que toda essa interação que está acontecendo entre você e o está te assustando, porém não deixa isso te abater, tudo bem? Aproveita o que você puder, pois merece muito e eu estou muito feliz por você! — Louie sorriu e pegou em meu rosto, a abracei forte e agradeci pelas palavras.
Ela realmente parecia mãe de todas nós. Sempre sabe o que dizer e na hora certa.
Eu amo demais minhas amigas e vou sentir falta de todas quando for embora hoje à noite.
Olhei para todas e senti uma alegria imensa ao sentir o olhar orgulhoso delas para mim.
Elas estão comigo pra sempre e eu tenho as melhores amigas desse mundo.





May, 28th, 2018.


Diferente de como eu estava horas atrás, agora eu me sentia leve e de bom humor.
Finalmente a garota de olhos brilhantes tinha me respondido e tirado toda aquela tensão dos meus ombros, deixando claro que não estava magoada ou triste comigo de forma alguma e quis deixar explícito que ela estava muito feliz e orgulhosa de mim, o que me resultou no meu bom humor de hoje.
A minha vontade era perguntar onde ela estava agora e fazê-la uma visita só para poder olhar para aqueles olhos novamente.
Eu sei que seria loucura e que Jeffrey nunca iria me autorizar a fazer tal ato, então eu estava agora ansioso pela resposta da garota.
Acabei dizendo para ela que queria vê-la pessoalmente com a desculpa de pedir perdão, porém eu apenas queria conversar com ela sem milhares de pessoas ao seu redor.
Seu rosto não saía da minha cabeça de tão delicada e vulnerável que ela se encontrava naquele show. Eu apenas queria abraçá-la e guardá-la em minha mochila, para ela nunca mais ir embora.
Estava torcendo ansiosamente para que ela falasse que ia ao show de amanhã, para poder chamá-la para o backstage.

— Iai? Ela vai amanhã? — Mitch, guitarrista de minha banda e amigo, disse enquanto tomava seu café.

Todos já estavam sabendo sobre minha garota de olhos brilhantes, pois Jeff fez questão de me zoar na frente de todo mundo, porque, algumas horas atrás, eu ainda estava tenso por não ter tido resposta da brasileira.
Acabei tendo que explicar o ocorrido para todos e também disse sobre o convite, feito via mensagem, para vê-la amanhã.

— Ainda não sei. — Suspirei. — Espero que ela seja dessas que vai em vários shows... se ela já viajou até aqui para me ver, acho mais fácil ir também no de São Paulo, né? — Fiz uma pergunta retórica, enquanto bebia meu café. Eu esperava imensamente que sim.
Por favor, . Seja assim.
— E se ela não for, o que você vai fazer? Convidar ela para vir até aqui? — Sarah, baterista de minha banda riu, debochando do que eu tinha dito, arrancando risada de todos que estavam na mesa.
Senti meus instintos se despertarem quando Sarah disse isso, não era uma má ideia.
— Qual é, Sarah! Agora ele vai querer convidar a garota pra vir até aqui. — Jeff bufou e Sarah riu, dando ombros. Olhei para meu empresário com um olhar caído, pedindo permissão para fazer isso. — , não! Você já está falando com a garota e é suficiente. Pra quê isso?
— Eu quero pedir desculpas pessoalmente, mate! — Eu disse com uma voz piedosa e juntei minhas mãos na frente de meu rosto, pedindo permissão. — Por favor, ela parece ser ótima pessoa, não vai fazer nenhum tipo de escândalo, nem nada, eu me responsabilizo por tudo.
— Não sei, não, . — Jeff disse baixo, porém já cedendo o que eu estava oferecendo. Eu sabia que ele iria deixar, pois confiava em mim e tinha certeza que eu não iria deixar nada demais acontecer. Meu empresário bufou, concordando com a cabeça depois de me ouvir vários minutos insistindo e eu dei um grito animado, arrancando risada de todos na mesa. — Ela pode vir, porém sozinha! — Ele disse apontando o dedo em minha direção. Revirei os olhos.
— Difícil, cara, eu lembro dela na plateia e ela estava com várias amigas lá, elas pareciam ser muito próximas. — Adam, que também fazia parte de minha banda se pronunciou e eu concordei com ele.
parecia ser próxima demais das amigas e talvez ela não queira passar por aquela "experiência" de me ver sozinha.
Eu não me importaria, pois as amigas delas foram muito simpáticas e por conta delas que eu achei a .
Fiz uma nota mental para poder agradecer Mariana e depois.
Meu celular apitou e era uma mensagem nova de .
Sorri involuntariamente, enquanto abria a mensagem com pressa.

“Ah, eu fico muito honrada pelo seu convite, porém, infelizmente, não irei ao show de amanhã. Eu não moro aqui no Rio e tive que viajar para poder vir ao show, e por conta disso, eu só pude escolher um deles, pois além dos ingressos terem esgotados, não tinha dinheiro suficiente na época para ir.
Mas eu fico muito feliz pelo seu convite, tenho umas amigas que vão no show de amanhã e elas irão ficar felizes demais ao ver você, tenho certeza. 💗”
. 10:24


Meu coração murchou. Queria tanto poder vê-la novamente naquela plateia cantando minhas músicas e sorrindo para mim daquele jeito... único.

“Entendo. ): Queria muito que você fosse para aproveitar mais um show.”
. 10:25

“Já que você não vai no show de amanhã, o que você acha de vir aqui no hotel para que eu possa te agradecer pessoalmente? Você pode trazer suas amigas também, irei ficar feliz em rever todas vocês.”
. 10:25


Enviei a mensagem e fiquei esperando a resposta com a sua DM aberta. Eu não parecia desesperado, certo? Eu apenas queria poder vê-la novamente e poder abraçá-la dessa vez, não era nada demais.

Depois de alguns minutos ainda esperando a resposta, decidi subir para meu quarto e trocar de roupa, pois ainda tinha aquela manhã e tarde para curtir o sol do Rio de Janeiro.
Troquei e peguei uma toalha e meu óculos escuro e saí do quarto, partindo para a área privativa da piscina onde sabia que iria encontrar meus amigos e colegas de trabalho.
Sentei em uma espreguiçadeira e respirei o ar daquele lugar sorrindo.
Se eu pudesse, morava nessa cidade.

— Ela te respondeu? Preciso logo verificar para ajustar algum lugar do hotel para vocês conversarem melhor. — Jeff disse, sentando ao meu lado e me assustando. Arregalei os olhos e botei a mão no coração, dando um tapa leve em seu braço com a mão livre.
— Vai assustar outro, Azoff. Bloody hell. — Eu disse me sentando e arrancando um riso alto dele.
— Ih, tava nas nuvens, era? Pensando na tua “garota de olhos brilhantes”? — Ele fez aspas com a mão, enquanto fazia uma voz fina ao falar. Foi uma péssima ideia ter falado para ele o apelido carinhoso que tinha dado para a garota.
Ri com ele e balancei minha cabeça negativamente.
Não tenho como mentir, pois aquilo era mais pura verdade.
— Eu a convidei para vir aqui e disse para trazer as amigas, mas ela ainda não me deu resposta. — Fiz uma careta. — Espero que ela aceite. — Suspirei e me deitei novamente.
— Eu também espero, porque senão quem vai ter que te aguentar quando formos embora vai ser eu, e eu não estou afim de ficar ouvindo você enchendo o saco no meu ouvido sobre essa garota. — Jeff disse me apontando o dedo.
Tirei os óculos escuro e o olhei com uma sobrancelha arqueada.
— Relaxa, mate. Nem que eu tenha que ir atrás dela agora, eu vejo essa garota antes de ir. — Disse confiante. Jeffrey riu, se levantando enquanto falava algo que não consegui compreender, pois todos meu sentidos se voltaram para a mensagem que eu tinha recebido da brasileira. Meu celular não tem as mensagens do aplicativo ativadas, pois recebo muitas coisas, mas, por ter conta verificada, eu deixei o perfil da garota em prioridade e toda vez que ela enviava algo, eu recebia em minha central de notificações.

“Eu fico muito honrada pelo seu convite, de verdade mesmo, mas eu não quero lhe incomodar de maneira alguma.
Não se sinta pressionado ou obrigado a me ver só pelo o que aconteceu ontem. Eu já lhe disse que está tudo bem e que foi um mal entendido. Não precisa tirar nenhum minuto do seu lazer para poder fazer isso. 💛”
. 10:55


Ah
, se ela soubesse que eu não paro de pensar nela desde que saí daquele palco, ela não iria dizer isso.
Estava longe de ser algum tipo de obrigação de fã x ídolo.

... (Posso te chamar assim?)
Em momento nenhum passou as palavras "obrigação" e "pressão" pela minha cabeça ao te fazer este convite. Eu estou lhe convidando para vir aqui por vontade própria. Eu quero que você venha para poder falar com você e suas amigas pessoalmente e bater um papo tranquilo! Não estou me sentindo pressionado pelo o que houve, muito pelo contrário, eu quero apenas agradecer vocês pessoalmente pelo carinho. Eu ficaria imensamente feliz se você e suas amigas viessem me ver no hotel em que estou hospedado, porém não irei lhe obrigar. Saiba que o convite está de pé e queria muito que vocês viessem ao meu encontro! (:”
. 11:00


Suspirei, passando a mão pelos meus cabelos, ajeitando os fios que estavam caindo pelos meus olhos. Não queria pressioná-la a vir, porém queria muito que ela viesse.
O que eu faria agora?
Tentei passar o máximo de tranquilidade na mensagem, dizendo que eu estava convidando-a porque queria e quase disse sobre meu breve desespero para encontrá-la ontem.

“Você tem certeza disso, ? A última coisa que eu quero é te incomodar neste momento. Você tem uma vida agitada e eu sei que daqui a pouco você já está indo para São Paulo e tem apenas poucas horas para descansar.”
. 11:05

“Ah, você pode me chamar de , sim. Afinal, é meu apelido, haha! Posso te chamar de ?”
. 11:05


Ri fraco com sua última mensagem e meu peito se aqueceu. Ela era adorável.
Eu já sentia um grande carinho pela garota, mesmo tendo tido pouco contato com ela.
Sentia que poderia desabafar com ela e não seria julgado.
Queria poder falar com ela o tempo todo e saber sobre toda sua vida.

, se eu estou lhe convidando é porque eu quero que aconteça. Eu faço questão! Que tal todos almoçarmos juntos? Se você não tiver planos agora, venha para o hotel junto com suas amigas e todos almoçamos por aqui mesmo. O que você acha?”
. 11:06


Será que fui precipitado a chamando para almoçar? Eu queria vê-la o quanto antes, nada melhor que já chamá-la para a próxima refeição a ser feita.

“PS: Meu nome é , então você pode me chamar assim; infelizmente não tenho um apelido bonito como seu. Aliás, se é seu apelido, qual seria seu nome?”
. 11:07


Se o apelido dela já é bonito, imagina o nome. Tem algo nela que não seja?
Balancei a cabeça tentando afastar este pensamento e repeti inúmeras vezes “ela é só uma fã”, para ver se entrava em meu cérebro antes que eu fizesse alguma besteira e a afaste por algum comentário.

“Almoçar com você? Nossa, eu não estava esperando por essa.
Eu falei com minhas amigas e eu nem preciso lhe dizer a resposta, não é? Elas ficaram muito felizes pelo convite e estão correndo pela casa, gritando por terem sido convidadas para almoçar com você. 😂
Bom, se é o que você deseja e é de sua vontade própria, então não vejo porquê.
Me diga o horário que a gente possa estar indo ao seu encontro.”
. 11:15

“PS: Te digo meu nome pessoalmente.”
. 11:15


Sorri com suas mensagens, imaginando suas amigas realmente correndo pela casa por conta do convite e sentindo uma leve excitação por saber seu nome.
Espera, ela aceitou?
Levantei rápido e corri até Jeffrey para lhe avisar.

Mate, ela aceitou! ELA ACEITOU! — Sorri enquanto me jogava em cima dele, que estava deitado na espreguiçadeira. Jeff me tirou de cima dele, resmungando e quase me deixando cair no chão. — Preciso que você reserve uma mesa para gente almoçar, beleza? — Disse olhando com um sorriso piedoso e esperançoso para meu empresário.
— Você chamou ela pra almoçar com você? Ficou louco, ? — Jeff alterou a voz e não me deixei abater.
— Ah, qual, Azoff! Eu vou estar aqui apenas por poucas horas e quanto mais tempo eu tiver, é melhor! Eu prometo que não vou mais falar sobre ela quando fomos para São Paulo. — Ele me olhou arqueando as sobrancelhas, pois ele sabia que era uma mentira deslavada.
Eu não iria parar de falar nela tão cedo.
— Fazer o quê, né? Você já convidou e não tem mais jeito. Reservar mesa para quantas pessoas? — Jeff suspirou derrotado, aceitando, e eu sorri e o abracei forte.
— Irei verificar isso com ela agora. Valeu, mate! Eu sabia que podia contar com você. — Sorri abertamente enquanto me separei de nosso abraço e ele apenas abanou a mão, voltando a deitar.
Decidi mandar mensagem para a brasileira, acertando todos os detalhes.

“Você não sabe a minha felicidade de saber que você aceitou.
Eu estou ansioso para conhecer todas vocês, pode dizer isso para elas também!
O que você acha de estarem aqui 1 p.m? É o tempo que vocês possam se arrumar e vir até o hotel. Eu irei lhe passar a localização.
Eu só preciso saber quantas pessoas estão com você poder ajustar a reserva e almoçarmos todos juntos. (:
. 11:20

PS: Ansioso para saber seu nome.”
. 11:20


Decidido a não ficar mais na piscina, fui direto para meu quarto me arrumar.
Eu nem acredito que irei vê-la hoje e ainda por cima almoçar com ela.

“Fico feliz que você está feliz.
Eu sei que já disse isso antes, mas eu estou muito honrada por essa atenção e carinho todo. Todas nós estamos.”
. 11:22

"O horário está ótimo e não precisa mandar localização, sabemos o hotel que você está. (Não que eu seja algum tipo de stalker, mas é meio difícil não saber disso, tendo em vista que a notícia pelo Twitter se espalha rápido).
E estamos em 7, contando comigo! Tem algum problema?"
. 11:23


Sorri, achando adorável o jeito dela se explicar por saber onde eu estava.
Não me importei por ela saber, tem várias fãs agora na porta do hotel me esperando.
Em todo lugar que vou, elas sempre estão por lá. Mesmo eu dizendo que não é necessário e com medo de acontecer algo com todas, elas nunca me escutam.

“Eu que me sinto honrado por todo o carinho, .
Não se preocupe com isso, eu já imaginava que você sabia!
Não tem problema nenhum, inclusive achei até que seriam mais.
Eu estarei te esperando aqui no horário marcado.
Espero que esteja com fome.
Até mais tarde, .
.”
. 11:25


O sorriso não saia de meu rosto.
Faltavam apenas poucas horas para ver aqueles olhos brilhantes novamente e eu estava feliz por tudo que está acontecendo.

Espero que de tudo isso, cresça uma grande amizade.
Sinto que sou especial em sua vida e isso me deixa realmente honrado.
Mal ela sabe que virou especial em minha vida também.


Five

.

May, 28th, 2018.



Eu não fazia ideia de como estava em pé nesse momento, esperando pelo Uber. Todas as minhas amigas estavam ansiosas e ainda chorosas pelo o que ia acontecer dali alguns minutos.
Eu tive que tomar um calmante antes, pois não conseguia parar de chorar.
Isso não estava acontecendo.
não tinha chamado a gente para ALMOÇAR com ele, não é?
Até agora eu ainda acho que alguém o hackeou e está fazendo um tipo de pegadinha comigo, porque tudo estava muito bom para ser verdade.
Além do show incrível de ontem, eu ainda tive a honra de ser seguida pelo e ter a oportunidade de trocar, não uma, não duas, mas VÁRIAS mensagens com ele durante a manhã de hoje.
estava sendo incrível comigo e com minhas amigas. Ele nos convidou mais cedo para almoçar com ele, pois simplesmente queria nos agradecer por todo o carinho e dedicação que temos por ele. Entre tantas pessoas que estavam naquele show, ele convidou a gente para almoçar. Eu sei que ele estava fazendo isso para se "desculpar" pelo mal entendido de ontem, e eu disse que não precisava, mas ele insistiu.
Não tem como dizer não para , certo?
Certo.
Eu não disse não, pois quando pensei em recusar as minhas amigas quase me mataram.
Não que eu não quisesse passar uma tarde com o , conversando sobre vários assuntos que sempre quis, porém em minha cabeça iríamos chegar lá, tiraríamos uma foto em grupo e ele ia para um canto e a gente para o outro. Claro que mesmo com isso, iríamos ficar felizes, porém a ideia de incomodar ele ainda me atormenta.


Flashback.


— VOCÊ VAI ACEITAR, SIM! — Iara gritou em meu ouvido e apenas revirei os olhos enquanto cruzava os braços. — , essa é a chance que todas temos de poder falar com o pessoalmente, você vai tirar isso da gente? — Continuou falando e sua voz foi alterando de nervosa para embargada. Ah, não.
— Eu sei que você está nervosa com tudo e com medo, mas a Iara tem razão, . É uma oportunidade única para todas nós, inclusive para você! Por que você não se permite? — disse com cautela e eu suspirei.
— Amiga, mesmo que a gente passe só uns 5 minutos com o em algum canto daquele hotel já irá valer a pena, você mesma sempre diz isso, porque logo agora que você tem a chance, e por mérito SEU, você vai dizer não? Ele que tá te convidando, amiga! Você não tá indo de intrusa. – Louie se pronunciou.

Elas estão cobertas de razão.
Eu não estava me permitindo isso pois estava com medo de estragar minha única oportunidade de vê-lo mais de perto, fazendo alguma besteira, mas também já estava estragando a delas, e eu não poderia fazer isso com nenhuma ali.
Suspirei novamente e me levantei do sofá indo para a cozinha.

— Me desculpa, gente, eu sei que surtei, mas eu vou dizer que sim. — Ouvi gritos animados vindo de minhas amigas. — Vocês merecem e não vou tirar isso de vocês. — Sorri fraco e peguei uma garrafa de água para ver se eu conseguia me acalmar.
... não queremos que você faça isso pela gente, amiga. Ele convidou você e a gente só foi convidada por sua causa! Não iremos para um lugar onde você não queira ir, apenas para fazer nossa vontade. Sabemos que é o , porém a nossa amizade é muito mais importante. Faça o que você tiver que fazer, ok? — disse sorrindo. Todas as minhas amigas, que tinham me seguido até a cozinha, concordaram com a fala anterior.

Eu realmente tenho as melhores amigas do mundo. Elas deixariam de conhecer o por minha causa, mesmo sendo a oportunidade da vida delas. Meu coração aqueceu de tanto amor e eu as abracei forte.

— Gente, me desculpa pelo mini surto anterior. — Disse saindo do abraço com e olhando para todas minhas amigas presentes naquela cozinha. — É a chance da minha vida, assim como a de vocês. Eu sei que a convidada fui eu e que eu tô desse jeito, mas vocês me conhecem. — Sorri envergonhada. — Eu amo o mais do que qualquer coisa e eu sempre sonhei com isso, mas eu nunca achei que tudo iria acontecer ao mesmo tempo, sabe? — Dei ombros. — Ainda não consegui digerir o show e aí veio o follow e veio as mensagens e agora veio esse convite... — Suspirei me encostando na pia da cozinha. — Eu não consigo nem imaginar como vai ser minha reação ao vê-lo a dois passos de mim, e eu tenho medo de estragar tudo com meu choro estrondoso ou até mesmo desmaiar ali. — Desabafei. — Eu só... queria parar de me auto sabotar, entendem? — Disse para minhas amigas, vendo todas balançarem a cabeça positivamente. — Eu sei que vocês me entendem e sabem o motivo do meu surto. Pra mim, eu sinto que não mereço nada disso que está acontecendo comigo, mas ao mesmo tempo amo, pois eu me sinto tão feliz, tão orgulhosa e tão feliz por vocês, porque vocês sim merecem cada coisinha que aconteceu tanto ontem quanto hoje. — Sorri para todas. — Eu quero ir, eu quero MUITO ir, mais do que qualquer outra coisa que eu já fiz na minha vida! Eu quero ir, quero abraçá-lo, conversar com ele, almoçar com ele e vê-lo sorrir sobre algum comentário bobo. Quero tentar tirar uma risada dele, quero vê-lo olhar novamente pra mim, eu quero muito ir e viver isso com vocês. — Senti uma lágrima escorrendo pela minha bochecha e senti um aperto em meu ombro. Me virei e olhei para , que estava em meu lado e encontrava-se chorando também. Prontamente a abracei forte e senti outros braços nos envolvendo.

Eu amava os abraços em grupo que fazíamos.
Eu me sentia muito segura com elas.
Elas eram meu porto seguro.

— Agora vamos parar com choro que eu tenho que responder um certo cantor aí sobre um convite para almoçar. — Ri e peguei meu celular, respondendo a mensagem de . — Pronto! Agora só esperar ele responder para saber como vai ser. — Sorri e vi os olhares ansiosos das 6 garotas paradas à minha frente. — Vocês podem surtar, gente, não tem problema. — Disse e prontamente minhas amigas começaram a pular pela casa. Ri com a reação delas e me senti feliz por, de alguma maneira, estar proporcionando isso para elas.
— Puta que pariu, eu tô preste a almoçar com e não tenho roupa pra ISSO! — Lorena gritou do quarto e rimos alto. Elas não existem.

Mas espera, o que EU vou vestir?
Arregalei os olhos e corri para minha mala, para ver se tinha alguma roupa boa pra esse encontro.
Meu Deus, eu não trouxe roupa pra isso também, e agora?
Comecei a ficar nervosa e andar de um lado para o outro, pensando em algum tipo de roupa que se encaixava com o momento.
entrou no quarto às pressas, mal me olhando, e indo para sua mala, provavelmente também se preocupando com a roupa. Suspirou pesado, sentando na cama.
Sentei ao seu lado e apertei seu ombro chamando sua atenção.

— Você está bem? — Disse e tentei atrair seu olhar pra mim. apenas balançou sua cabeça negativamente e soluçou. — O que houve? — A abracei de lado me preocupando. encostou a cabeça em meu ombro retribuindo o abraço.
— Eu sei que eu deveria te dar suporte em tudo isso, mas eu tô com medo. — Ela disse com a voz tremendo.
— Medo de quê?
— Medo de tudo o que eu sempre imaginei quando fosse encontrar o não acontecer, sabe? Medo de tudo aquilo que eu imagino dele seja mentira e eu tenha algum tipo de decepção, sei lá. — disse dando ombros. Ri fraco e virei para ela.
— Meu amor, primeiro que você não precisa ser forte só por minha causa. Você é uma fã e tá no mesmo barco que eu, a diferença é que eu sofro com ansiedade e você não, mas isso não te impede de sofrer igual. Segundo que eu sou suspeita para falar, mas você viu como foi o show ontem? O quão ele foi atencioso com todas nós? Você viu o quanto ele foi um amor mandando aquelas mensagens? A simplicidade dele ao nos convidar para almoçar? Ele quer agradecer por tudo, você acredita nisso? — Disse e ela concordou, apenas balançando a cabeça positivamente. — Então, amiga! Até agora tudo o que o fez foi mostrar exatamente o que achamos dele e não acho que iremos nos decepcionar. Agora que você falou sobre isso, todo o medo e agonia que eu estava sentindo estão se esvaindo. Tudo o que ele fez até agora foi mostrar a pessoa sensacional que ele é, não só com a gente, mas com todos ao seu redor. Eu tenho certeza que iremos chegar lá e seremos muito bem tratadas. Caso você tenha tanto medo de se machucar com o que pode acontecer, tente abaixar suas expectativas então sobre esse almoço, e aí quando saímos de lá, você vai ver que vai ser bem mais do que você esperava, pode ser? — Eu disse e a abracei novamente, vendo-a suspirar aliviada. — Agora vamos nos arrumar para encontrar um cantorzinho aí. — Rimos do meu comentário e voltamos a procurar nossas roupas.
Espero que dê tudo certo.”

End of the flashback.



Suspirei pela terceira vez em menos de 1 minuto. Eu estava começando a ficar mais nervosa a cada minuto, enquanto nos aproximávamos daquele hotel. Estávamos em dois carros, pois não conseguimos um onde coubesse nós 7.
No carro onde eu estava, e Lorena iam no banco de trás, conversando sobre coisas que eu não estava prestando atenção e ia calada apenas olhando para janela. Eu estava no banco da frente, mexendo em meu celular tentando me distrair.

Depois de tanta dúvida, a roupa escolhida por mim foi uma calça jeans de cintura alta preta, um long cropped com tecido grosso branco sem desenhos e minha bota de cano alto preta. Meu look rendeu vários elogios de minhas amigas.
Todas estavam lindas também.

O Uber parou em frente ao hotel, descemos todas juntas e ficamos paradas lá na frente esperando o carro das outras meninas chegar.
Tinha algumas fãs no local; contei e acho que em cerca de 15 fãs estavam por ali esperando qualquer tipo de interação do . Se elas soubessem que estávamos ali pelo garoto, provavelmente seríamos comidas vivas.

Depois de mais alguns minutos, Louie, Iara e chegaram com um sorriso maior que o rosto e fomos para a entrada do hotel.
Tinham alguns seguranças ali impedindo a passagem de quem não fosse para se hospedar no mesmo.
E agora?

— Manda mensagem pro , . Acho que não irão deixar a gente entrar. — me cutucou como se tivesse lido meus pensamentos. Concordei e peguei meu celular para enviar mensagem para ele.

“Oi, ! Estamos na porta do hotel e tem vários seguranças e acho que não irão deixar a gente entrar, tem várias outras fãs aqui e não queríamos chamar atenção maior que a necessária.
E agora?”
. 12:55


Enviei a mensagem para e mostrei a mensagem para minhas amigas.

Meu celular apitou logo em seguida e rapidamente fui ver a mensagem.
Meu coração já se acostumou a receber mensagens da pessoa que eu sempre quis receber, estranho?
Muito.

“Hey! Que bom que você já chegou. (: Irei mandar alguém ir aí lhe buscar, ok? Não se preocupe. Apenas dê seu nome para um dos seguranças e diga que você veio almoçar com Jeffrey Azoff para não precisar falar no meu nome, já que você não quer chamar atenção das fãs que estão no lado de fora.
Estou lhe esperando na sala ao lado da recepção. (:
.”
. 12:57


Sorri com a mensagem. Por que ele tem que ser tão fofo assim? Meu coração só cresce de amor por esse homem a cada dia mais.
Eu estou a passos de abraçá-lo pela primeira vez, isso é muito pra mim.

Suspirei e fui ao encontro do segurança fazer o que tinha me dito.
— Boa tarde! Tudo bom? — Disse para o segurança que nem olhou em minha cara. — Eu e minhas amigas viemos almoçar com Jeffrey Azoff. Ele já está à nossa espera. — Continuei e disse o nome de Jeff um pouco mais baixo para que as fãs que estavam ali por perto não escutarem. É tão estranho estar dizendo que irei almoçar com um dos caras que foi minha inspiração para fazer o curso que estou fazendo na faculdade.
É tudo demais pra mim.

Percebi que o moço apenas me olhou e falou algo em seu rádio e voltou o olhar para frente. Fiquei sem entender nada. Olhei para as minhas amigas que estavam apreensivas atrás de mim.
Antes de contestar com o segurança, um cara alto e muito branco veio para perto da gente. Ele me deu um pequeno sorriso puxando o segurança grandão a minha frente para trocar algumas palavras.
Depois de menos de 1 minuto, o homem alto fez um sinal para que eu o acompanhasse. Provavelmente ele era da equipe de e estava ali para nos buscar.
Olhei para as minhas amigas e sorri nervosa, tentando conseguir algum tipo de apoio delas, pois não queria entrar ali e desmaiar na frente de , porém elas estavam piores que eu.

Entramos no hotel e o homem em minha frente puxou de leve minha mão para uma sala perto da portaria, a sala que provavelmente tinha falado mais cedo.

— Boa tarde para todas! — Sorriu. Respondemos com um “Boa tarde” verbalizado por mim e minhas amigas e o vimos sorrir. O homem em minha frente falava português, então ele deveria ser contratado do hotel ao invés de ser da equipe do , não tinham brasileiros na equipe pelo o que sabíamos. — Bom, eu me chamo Rodrigo e eu trabalho aqui no hotel. — Sabia. — O senhor pediu para buscar vocês lá na portaria e ele está naquela sala esperando por vocês. — Sorriu e arrancou um suspiro ansioso de todas nós. — Eu queria apenas saber quem é antes. — Eu que estava em sua frente, levantei de leve meu braço sinalizando que era eu.
Rodrigo abriu um sorriso enorme para mim que tentei retribuir com um do mesmo tamanho, porém falhando miseravelmente com o meu nervosismo. — Olá, ! me pediu para falar com você antes sobre o que você e suas amigas preferem almoçar, para logo irmos adiantando tudo enquanto vocês conversam. — Abri a boca surpresa.
Meu Deus?
Ele nos convida para almoçar e ainda temos que ESCOLHER o que queremos?
Por mim, se tivesse apenas uma água com bolacha ali de almoço eu já estaria feliz da vida.
— Eu não faço ideia, por mim tanto faz. Algumas de minhas amigas são vegetarianas então não comem carne, mas acho que fora isso, não temos nenhum tipo de objeção com nada, né? — Olhei para as minhas amigas que concordaram com minha fala. Voltei a olhar para o Rodrigo que apenas balançou a cabeça, assentindo. — Você pode ficar livre pra escolher algo ou o mesmo.
— Por ele também tanto faz, por isso que ele queria que eu falasse com você para saber o que você gostaria. — Sorriu com ternura. Apenas dei ombros pois realmente não sabia o que dizer.
— Eu não tenho preferência de nada, de verdade mesmo. Para mim qualquer coisa está bom. — Sorri envergonhada para Rodrigo. Ele me olhou sorrindo e apertou meu ombro de leve.
— Então irei verificar um almoço delicioso para vocês, tudo bem? Vocês podem entrar na sala que o Senhor já está à espera! — Rodrigo se despediu da gente com um aceno e saiu nos deixando paradas em frente à porta onde estávamos, a um passo de vê-lo.

Meu coração não parava de saltar dentro de mim. Minhas mãos estavam começando a suar e parecia que eu estava prestes a saber do resultado de alguma prova importante.
Respirei fundo, fechando os olhos e virei para as minhas amigas. Sorri para elas e apertou minha mão me encorajando.
Virei novamente para a porta e abri.

Puta que pariu.

estava sentado em uma poltrona branca perto da janela de vidro, de onde os raios de sol batiam em seu rosto deixando-o com um ar angelical. Ele estava segurando um violão, tocando alguns acordes. Ao perceber o movimento da porta, ele levantou seu olhar, caindo sobre mim que fui a primeira a entrar na sala. abriu um sorriso maior que seu rosto e veio andando em nossa direção.

Puta que pariu.

Hey! disse animado abrindo os braços para mim. — Quero dizer... Olá! corrigiu sua fala para o cumprimento em português e fez uma reverência para nós que ainda estávamos embasbacadas com tanta beleza. Ele voltou a abrir seus braços me olhando com seus olhos , engoli em seco antes de sorrir de volta, não aguentando mais segurar a felicidade que crescia a cada segundo em meu peito.
Ele estava ali, na minha frente e querendo me abraçar.
Avancei em sua direção e o abracei.

Puta. Que. Pariu.

passou seus braços em minha cintura me puxando para mais perto, querendo um maior contato possível entre nossos corpos. Passei meus braços em seus ombros e atraquei uma de minhas mãos em sua nuca. Tive que ficar nas pontas de meus dedos do pé para abraçá-lo mesmo estando com uma bota de salto um pouco alto.
Aproximei minha cabeça da curva de seu pescoço não aguentando a curiosidade para saber que cheiro ele tinha e Meu Deus ele era cheiroso DEMAIS!
Ele tinha um cheiro de morango misturado com menta e flores. Eu não sei como cheguei a essa conclusão, mas acho que meu olfato nunca me agradeceu tanto como agora. também fez o mesmo comigo; ele estava com o seu rosto entre a curva de meu pescoço e meus cabelos. Ao senti-lo inalando meu cheiro, meu corpo inteiro se arrepiou denunciando minha fraqueza por ele, porém não me deixei abater e apenas o apertei mais em meu abraço, fazendo-o me apertar de volta. Eu poderia morar naquele abraço.

— Eu estou muito feliz que você veio, . — disse em meu ouvido e me apertou mais ainda em nosso abraço, dessa vez me balançando de leve.
— Eu que agradeço pelo convite, . — Eu disse também em seu ouvido e o senti suspirar de leve em meu ouvido, me causando outro arrepio. Se ele não estivesse me segurando, eu tinha caído naquela hora mesmo.

Fechei os olhos e aproveitei mais alguns segundos naquele abraço. Eu estava tão confortável ali, nem parecia que eu tinha esperado quase 8 anos para aquele ato e eu sei que nunca iria me cansar daquilo.
Mesmo sem ter a mínima vontade de me afastar, eu o fiz, depois de ouvir uma pequena fungada atrás de mim. Por uns leves segundos, eu tinha esquecido que tinha mais gente ali e que eram as minhas amigas.
O olhei sorrindo e prontamente sorriu de volta para mim, piscando levemente.

Puta que pariu, , não faz isso comigo.

Respirei fundo tentando parar de babar no homem a minha frente e me virei para poder apresentar minhas amigas a ele.

, eu quero que você conheça as minhas amigas. Acho que você deve lembrar de algumas do show de ontem. — O olhei e ele concordou com minha fala sorrindo para todas à nossa frente. Minhas amigas estavam quase tendo um colapso nervoso ali e eu ri fraco por isso, achando tudo adorável. — A que já está chorando é a , ela estava no meu lado ontem. — Disse e ele riu pois começou a acenar exageradamente para ele enquanto fungava. abriu os braços e chamou a para ir até ele. O choro de apenas aumentou e a abraçou da mesma forma que eu, a diferença é que ele botou sua bochecha em cima da cabeça de e lhe deu um abraço de urso. Sorri com a cena, quase lacrimejando.

Depois de alguns instantes, soltou e foi para meu lado, já que eu tinha me afastado alguns passos para ver a cena. Apertei a mão da minha amiga, passando força. Olhei para minhas amigas que ainda não tinham sido apresentadas e apontei para Louie.
— Essa é a Louie, é a mãe do grupo. — Ri fraco. sorriu e abriu a boca surpreso, com seus olhos brilhando.
— Você é mãe? Você parece ser tão novinha! Cadê o bebê? — Rimos alto com sua fala.
— Eu não sou mãe! — Louie riu para o abraçando. — Ela quis dizer que eu sou a mãe de todas do grupo, de um jeito carinhoso, por eu ser a mais velha entre todas. — fez um “ahhh” e riu.

Depois de mais alguns abraços, apresentações e muito choro, chegou a vez da , que era a última a ser apresentada.
— E por último, mas não menos importante, esta é a . — Sorri e apontou para ela com os olhos arregalados indo seu encontro gritando “É VOCÊ!”, deixando todas que estavam na sala -inclusive - confusas e chocadas com a reação de para garota à nossa frente.
riu e a abraçou carinhosamente.
— Foi por sua causa que eu achei a ! — disse me deixando surpresa. arregalou os olhos e franziu a sobrancelha, totalmente confusa com o que estava acontecendo. Ele percebeu a sua confusão e abraçou minha amiga de lado a levando para perto de todas nós. — Ontem eu fiquei chateado com o que aconteceu, vocês já devem estar sabendo disso pelas mensagens que venho trocando com a , certo? — Assentimos. — Eu tentei procurar você, , pelo Twitter inteiro. — me olhou e apontou para mim. Sorri envergonhada. — Eu só consegui te achar pois vi uma conversa de uma fã minha chamada Mariana que eu acho que é sua amiga, pois ela estava falando de você. — Assenti. Mariana também faz parte do nosso grupo, porém ela mora em São Paulo. — Aí quando eu entrei no tweet dela, eu vi você. — Apontou para que ainda estava abraçada com ele. — Conversando com ela e aí eu entrei em seu perfil e vi o tweet onde você citava o de , com o vídeo que tinham gravado nosso. — Todas fizemos “ahh” ao mesmo tempo, compreendendo como tinha me achado e também como conhecia . — Eu iria até te mandar mensagem depois, mas eu esqueci, sinto muito. — Olhou para que estava ainda em choque com toda aquela aproximação com o ídolo e apenas conseguiu esboçar um sorriso envergonhado. voltou seu olhar para mim. — Bom, apresentações feitas. Eu não disse isso antes, mas meu nome é , muito prazer. — Ele disse e rimos de sua apresentação, pois ele sabia que todas sabíamos quem ele era.

Olhei para que estava me olhando, também rindo de sua fala. Ele tombou a cabeça para o lado parando de rir gradativamente enquanto ainda me olhava. Eu tenho certeza que minhas bochechas estavam rosadas neste instante.
O olhar de é penetrante.
É como se ele quisesse entrar dentro de você para saber o que passa em seu coração. É algo intimidador, porém, ao mesmo tempo, era algo leve e que ele não fazia por mal.
Sorri sem mostrar os dentes para ele e pisquei algumas vezes para ver se aquilo realmente estava acontecendo em minha frente.
Alguma de minhas amigas pigarreou e me acordou do transe. Olhei para , que me olhava com os olhos cerrados e sorriso malicioso.
O que tinha acontecido?

— Bom, já que estamos todos familiarizados uns com os outros e viramos todos amigos, o que acham de já irmos almoçar? Eu estou morto de fome. — se pronunciou e fez careta pegando em sua barriga. Achei aquele ato adorável, ele pareceu uma criança de 10 anos de idade ansioso para a comida da mãe no almoço.
Todas concordamos e fomos andando até a porta. Ele foi nos guiando até o elevador, onde logo entramos.
estava no meu lado no elevador e abaixou sua cabeça para chamar minha atenção.
— Você está bem? — Disse baixinho sorrindo fraco.
Eu já disse que ele é adorável?
— Estou sim, e você? — Respondi e ele assentiu com a cabeça, sorrindo. Seu sorriso me passava uma paz absurda que eu apenas sentia com ele. Era surreal saber que aquele sorriso, que já me ajudou várias vezes, era finalmente e exclusivamente dedicado a mim neste momento. Estava me sentindo extremamente sortuda e feliz.
O silêncio confortável no elevador foi quebrado com o barulho do dele abrindo suas portas.
Chegamos no último andar do prédio onde também ficava o restaurante e uau.
Saímos do elevador e foi na frente para nos guiar pelo caminho. Ao chegar na recepção, deu apenas um sorriso para a recepcionista que abriu outro imenso ao ver o cantor. Conseguia ver seu nervosismo para falar com ele daqui.
Te entendo, girl.

adentrou no restaurante e depois se virou, puxando meu pulso para que a gente acompanhasse seus passos.
Sua mão era enorme comparada à minha, eu conseguia sentir a sua quase dando duas voltas em meu pulso, enquanto ele o apertava levemente ao andar. Senti que era muito macia, o que me deu uma imensa vontade de entrelaçar meus dedos nos seus e fazê-las carinho com meu polegar.
Em seus dedos também se encontravam vários anéis que o deixava mais charmoso ainda.
Nada nele fica feio.
Depois de mais alguns instantes andando e de acenando para algumas pessoas que estavam no restaurante, subimos uma escada que dava para um lugar privativo, diferente do andar de baixo, pois tinha uma mesa enorme onde encontravam-se cerca de 6 pessoas nela conversando animadamente. Tinham mais 8 lugares disponíveis, provavelmente seriam os nossos.

Meu Deus, a banda do estava ALI.

Puta que pariu, aquele era o Jeffrey?


Respirei fundo tentando me acalmar e não dar uma de surtada por Jeffrey Azoff agora. Consegui ser tranquila na frente do e NÃO chorei, não vai ser agora que irei dar pití de fã.

parou na mesa comigo ao seu lado e deu boa tarde para todos e fez uma breve apresentação de todas, nos me deixando por último.

— ... E essa é a . – Sorri envergonhado para todos que estavam na mesa e ouvi vários “Hey!” animados vindo de todos.
Notei Jeffrey me olhando e sorri para ele.
— A famosa ! Fico muito feliz em conhecê-la. — Jeff se levantou apenas para pegar em minha mão e franzi a sobrancelha confusa para ele. Eu? Famosa? O que estava acontecendo?
Senti rir fraco ao meu lado e olhei para ele, depois do leve cumprimento que fiz em Azoff.
— Eu meio que falei de você pra ele, sobre querer pedir desculpas pra você por tudo etc. — disse e coçou sua nuca envergonhado. Sorri e assenti de leve, entendendo o motivo de estar conhecida por o cara que eu mais admirava profissionalmente.

Depois de alguns “Olá's”, sentamos na mesa junto com todos e a comida começou a ser servida.
Ao meu lado direito estava , que tinha se sentado na cabeceira da mesa, ao meu lado esquerdo estava e a minha frente, do outro lado da mesa, estava Jeffrey. Sim, a minha frente.

Eu não vou conseguir sair daqui viva. Eu juro.

Ao lado de Jeff estavam Mitch, Adam e Sarah, respectivamente, que já conhecíamos da banda de e mais duas pessoas que depois nos apresentou como Sophia, sua assistente pessoal e Charlotte, de quem lembrei do show de ontem. Clare, pianista da banda de , não pode vir para os shows na América Latina, pois estava doente, então Charlotte estava sendo sua substituta.

Depois de alguns minutos, todos estávamos conversando como se fôssemos velhos conhecidos. A vibe que eles passavam para gente era simplesmente surreal. Em momento nenhum ninguém que estava naquela mesa tratou as meninas e eu como se fôssemos apenas fãs, fomos tratadas como pessoas normais e até amigas do cantor. Eu me senti muito grata e sortuda por estar vivenciando aquilo ao lado das minhas melhores amigas. Queria que todas as outras estivessem aqui também.
Suspirei e meu coração doeu ao lembrar do restante de minhas amigas que não estavam ali, não tínhamos falado nada em nosso grupo para não criar expectativas demais nelas, porém agora tudo o que eu queria era compartilhar com todas o que estava acontecendo e mostrar para todas quem estava naquela mesa.

— Você está bem? — disse baixinho, chamando minha atenção. — Você fez uma carinha triste do nada. Alguém falou algo que você não gostou? — Olhei para o homem ao meu lado e o vi com um semblante preocupado. estava com uma de suas mãos em minha costa enquanto fazia um carinho leve nelas. Me arrepiei involuntariamente.
Eu sou muito fraca quando o assunto é mãos e .
— Sim, eu estou bem, não precisa se preocupar. — Sorri fraco. — Eu só acabei lembrando de uma coisa e não foi nada demais.
— Quer compartilhar? Às vezes faz bem. — disse e botou seu cotovelo na mesa, enquanto segurava seu rosto com uma expressão incrivelmente fofa que me fez sorrir.
— Não é nada demais, . Eu só lembrei do restante das minhas amigas que não estão aqui, foi só isso. — Abanei a mão e dei ombros demonstrando que realmente não era nada demais.
— E por que você não as chamou? — disse e arqueou uma sobrancelha. Ri fraco.
— Porque algumas nem foram em seu show e outras estão em São Paulo. A que mora aqui no Rio é do interior e tentamos falar com ela antes de vir, mas ela não atendeu. — Expliquei para o britânico ao meu lado, que parecia realmente interessado no assunto.
— Poxa, que pena. — Assenti. — Podemos fazer assim então: A gente almoça e aí mais tarde eu faço algum tipo de vídeo ou mando uma mensagem para todas. O que você acha? — Sorri instantaneamente. Elas iriam ficar super felizes com esse tipo de contato com o e assenti novamente enquanto sorria.
— Obrigada, . Você vai fazer o dia dessas garotas.
— Não precisa agradecer. É o mínimo que eu posso fazer. — Sorriu e pegou minha mão que se encontrava em cima da mesa e apertou.

Olhei para o ato e sorri junto. Senti um carinho leve feito pelo seu polegar e meu coração se aqueceu com o gesto. Preciso me segurar para não começar a chorar aqui.
virou para a mesa e entrou em uma conversa animada com Jeffrey, mas sua mão ainda estava em cima da minha fazendo o carinho com seu polegar. Paralisei. Não queria que ele parasse de fazer caso eu me mexesse. Tenho certeza que eu estava com minhas bochechas rosadas, pois sentia a quentura vindo delas.
Minha outra mão estava ao lado de meu corpo e senti um aperto nessa também. Virei para e vi a garota me olhando com um sorriso imenso no rosto, apenas devolvi seu sorriso e olhei para as minhas outras amigas.
, e Lorena estavam em uma conversa super animada com Sarah.
Iara e Louie estavam rindo de algo que Charlotte e Sophia falaram.
Mitch e Adam engataram uma conversa sobre o próximo jogo de um time que não fazia ideia de qual era.
Jeffrey e conversavam sobre o próximo show que iria ser amanhã e eu e estávamos olhando tudo aquilo sem acreditar que realmente estava acontecendo.

Depois de mais alguns minutos, infelizmente soltou minha mão para que continuasse a comer e eu fiz o mesmo. Imediatamente minha mão ficou gelada, querendo de volta o contato da sua. Sorri para mim mesma tentando entender o que de fato tinha acontecido naquele momento.


Enquanto comia, eu conversava com e Adam e senti um olhar intenso em meu rosto. Olhei de soslaio para que estava mexendo em seu celular e virou para frente, rindo de algo que Sarah disse. Virei e percebi que o dono daquele olhar intenso era Jeffrey.
O empresário de analisava cada pedaço de meu rosto, o que me deixou um pouco constrangida, porém tentei disfarçar. Ele nem tinha percebido que eu o olhava, então arqueei a sobrancelha tentando imaginar o motivo daquele estudo todo em mim.
— Desculpe a pergunta imprópria, você não precisa responder se quiser, mas... quantos anos você tem? — Jeffrey disse para mim e senti que quase todos da mesa pararam de conversar para escutar minha resposta.
— Eu fiz 20 anos semana passada. — Sorri sem mostrar os dentes e baixei a cabeça envergonhada.
— Foi seu aniversário? Que dia? – Adam se pronunciou chamando minha atenção.
— Foi dia 19, no domingo. — Disse para o homem e ele apenas respondeu com um “ah sim.”
— Você parece ser bem mais nova que sua idade. — Jeff disse voltando a me analisar.
Arqueei a sobrancelha e o olhei surpresa. Não estava entendendo aquele interrogatório todo.
— Jeffrey... — disse para seu empresário chamando sua atenção. Jeff apenas levantou as mãos e deu ombros.
— Foi mal, mate. Não quis parecer invasivo, apenas estava curioso, pois achei que ela tinha lá para seus 15 anos de idade, por conta da carinha dela. — Riu fraco. Tombei minha cabeça para o lado e fiz careta.
— Eu pareço ser tão nova assim? — Disse e olhei para o que sorriu e também fez careta.
— Mais ou menos. Seu rosto é bem angelical então você parece ser mais nova do que aparenta, porém a roupa que você usa consegue te dar um ar mais adulto, acho que por conta do salto, não sei, você é estilosa. — disse enquanto sorria e dava de ombros.
Uau, tinha reparado no meu look e me chamado de estilosa, sendo que ele é um dos ícones fashionistas da nova geração.
Assenti para o homem ao meu lado e voltei meu olhar para seu empresário que concordava com o que tinha dito.
Minha garganta coçou para saber o motivo daquela pergunta, mas antes de fazer isso, ouvimos Sarah chamando a atenção de minhas amigas e também a minha.
— Meninas, vocês vão amanhã, não é? — Sarah sorriu enquanto nos olhava. Retribuí seu sorriso achando uma graça o jeito ansioso que ela tinha falado, como se realmente quisesse nossa presença lá.
— Eu, Iara e já estamos com tudo comprado e iremos. Algumas ainda estão se decidindo e outras não irão. — disse para Sarah sorrindo.
— Quem de vocês ainda está se decidindo? — Adam disse. e Lorena levantaram as mãos. Eu fiquei quieta e senti o olhar de em mim, porém não me mexi e continuei acompanhando a conversa.
— Eu não acredito que você não vai. — Mitch se pronunciou para mim pela primeira vez naquela mesa, me fazendo arregalar os olhos de leve surpresa pela sua fala. De todas as coisas que eu sabia sobre o e sua banda, todos falavam que o Mitch sempre era o mais fechado e vê-lo dirigindo a palavra para mim foi algo inusitado.
— Não irei. Eu não consegui ingresso na época e também tem as questões de passagens e hospedagens, o que não deu pra cobrir com meu salário de estagiária. — Ri fraco.
— Você quer ir? — Ouvi a voz rouca do perto de mim e virei para ele.
— Querer eu quero, porém não posso. — Disse baixinho e me encostei na cadeira tentando criar um tipo de distância entre e eu, pois ele estava perto demais e minha sanidade estava se esvaindo a cada sorriso que ele dava.
— Por que não pode? — Jeffrey disse cruzando os braços.
— Porque eu não tenho ingresso e já comprei minha passagem de volta pra minha cidade. — O respondi também cruzando os braços.
— Ingresso não é problema e você sabe disso. — disse arqueando sua sobrancelha enquanto soltava um sorriso de canto. — E sobre passagem, você não tem como alterar a sua para ir depois?
— Ter até tem, mas o show não é aqui no Rio de novo, é em São Paulo, outra cidade! Para ir para lá precisaria de locomoção.
— Eu sei disso, . — riu leve. — Mas eu falei isso para você não se preocupar e apenas tentar mudar a data da passagem que você comprou, o resto deixa com a gente. — O olhei como se ele fosse um tipo de alienígena na minha frente. Ele não estava me oferecendo isso, estava? — Vocês todas podem ir com a gente, vai ser muito legal. Eu faço questão. — continuou e botou a mão no coração enquanto sorria para minhas amigas. Ele voltou seu olhar para mim e eu ainda o olhava espantada com o convite. — Por favor, aceita. Você vai poder viajar com a gente e ainda vai poder ver suas amigas que moram em São Paulo. — sorriu para mim e pegou em minha mão novamente, enquanto a apertava de leve. Automaticamente senti o calor que emanava em suas mãos me dando uma tranquilidade imensa.
Como ele fazia isso?
— Eu não quero incomodar ninguém, . Não precisa se preocupar com isso, você já fez muito por mim. Se as meninas quiserem ir, pra mim já está de bom tamanho. — Sorri sem mostrar os dentes e ele fez uma leve careta que na verdade era adorável.
— Quantas vezes vou precisar lhe falar que você não me incomoda? Antes que você diga isso de novo, eu não estou te convidando apenas por "obrigação" ou "pressão". — Ele soltou minha mão apenas para fazer aspas com suas duas mãos e logo voltou de encontro à minha. — Eu estou convidando você e também suas amigas para que a gente possa ter mais tempo todos juntos e vocês ainda irão poder ver suas outras amigas e curtir mais um show meu. Por favor, me deixa fazer isso, é o mínimo que eu posso fazer por vocês. - Suspirei e olhei para as minhas amigas. Percebi que todas estavam com um sorriso encorajador apenas esperando que eu aceitasse. Mordi o lábio inferior e olhei para os outros que estavam na mesa, vi que apenas esperavam minha resposta.
Ruborizei imediatamente e voltei meu olhar para o que estava ansioso com minha resposta.
— Eu posso pensar um pouquinho? Eu quero muito ir, mas tem muita coisa pra verificar, a passagem, o surto de minha mãe, as provas na minha faculdade etc. — assentiu e sorriu abertamente.
— Claro, não quero te pressionar de maneira nenhuma a fazer isso. Você pode pensar e antes de você ir embora, você me dá a resposta, tudo bem? — Assenti para ele e o vi sorrir novamente.
pegou em meu rosto e fez um carinho leve em minha bochecha. Senti a palma quente de sua mão entrar em contato com meu rosto e fechei imediatamente os olhos, para aproveitar ele contato que durou apenas alguns segundos.
— Eu não queria ser invasivo de novo, mas você faz faculdade de quê? — Jeff disse e eu ri com o cuidado que ele teve em sua voz ao fazer essa pergunta. Quando ele tinha perguntado sobre minha idade, achei estranho o seu jeito e fiquei um pouco desconfortável, porém eu apenas percebi que ele é curioso e não tinha maldade nenhuma em sua fala.
— Você não está sendo, Jeffrey. Não se preocupe. Eu faço faculdade de Administração. — Sorri abertamente para ele.
Jeffrey abriu a boca surpreso e vi seus olhos brilhando.
— Eu não acredito! Que bacana, . Você já sabe qual carreira vai seguir ao se formar? — Perguntou interessado. Enchi meu peito de ar e me ajeitei na cadeira para falar. Antes de abrir a boca para dizer algo, ouvi um "ah não" de alguma de minhas amigas e as outras riram. — O que houve? — Jeff perguntou confuso.
— É que você fez a pior pergunta para ser feita pra , ela vai te alugar pelo mínimo meia hora agora. — disse e todos riram, inclusive . Minhas bochechas ficaram rosadas novamente e eu apenas abaixei minha cabeça, botando minhas mãos em meu rosto enquanto balançava minha cabeça, desacreditada com a vergonha que estava passando naquele recinto.
— Você pode falar, . Agora até eu fiquei curioso para saber. — disse sorrindo, me encorajando para falar. Me ajeitei na cadeira novamente enquanto mexia em minha sobremesa.
— Bom, a área que eu quero seguir é Marketing. — Sorri abertamente e vi os olhos de e Jeffrey brilharem ao me ouvir. — Sou apaixonada pela área e quero poder seguir carreira fazendo algo com Marketing digital, musical ou pessoal.
— Isso é incrível, ! Mas por que você escolheu Marketing? Tem algo em específico que te chamou atenção? — Jeff perguntou e eu assenti.
— A área por si só é incrível. — Jeff assentiu. — Eu sou apaixonada por cada pedaço do Marketing e eu queria poder seguir nessa carreira para poder de alguma forma fazer o bem, sabe? — Sentia que meus olhos estavam brilhando. Eu amava falar sobre isso e ainda estar falando com Jeffrey fucking Azoff era surreal. — Muita gente acha que marketing é só algo onde você faz aquela divulgação e às vezes usa certas coisas "ruins" para fazer isso sobre algum tipo de marca e até mesmo cantor. — Apontei para que me olhava interessado e sorrindo. — Marketing é muito mais que divulgação e outdoors. Você pode usar a área para fazer muitas coisas boas, inclusive passar mensagens importantes nela e eu queria poder fazer isso. — Dei de ombros.
Jeff e concordaram com minha fala e senti o sorriso se aumentar mais ainda para mim.
— Deu pra sentir daqui sua paixão pela área, você vai ser uma profissional incrível, eu não tenho dúvidas disso. — disse e tombei minha cabeça de leve para o lado enquanto sorria o agradecendo.
— E quando você se forma? — Mitch disse, chamando minha atenção que estava toda voltada para o sorriso do britânico ao meu lado.
— Eu me formo esse ano. — O respondi e todos abriram a boca surpresos com o que eu disse.
— Desculpe, mas quê? Você só tem 20 anos. — Sarah disse e ri de sua fala.
— Pois é, Sarah. é nossa garota prodígio. A mais inteligente do grupo. – me abraçou de lado e sorri para as duas.
— Se você vai se formar esse ano, você entrou com quantos anos na faculdade? São quantos aqui? Um ano? — Adam disse. Eu e minhas amigas rimos.
— Eu entrei com 16 anos, são quatro anos de faculdade. — Sorri para Adam e todos ficaram surpresos.
— Meu Deus, você é a garota prodígio dessa mesa. — Jeff disse arregalando de leve os olhos. Ri alto e neguei com a cabeça.
— O prodígio tá bem aqui. — Apontei para que negou com a cabeça sorrindo.
— A inteligente aqui é você. — Apontou para mim. — Eu não faço ideia como é entrar em uma faculdade tão novo assim. Deve ser muito difícil.
… — Chamei sua atenção sorrindo. — Você cursou a faculdade mais difícil que é a faculdade da vida. — Toquei de leve em seu braço. — Você saiu de casa com apenas 16 anos e foi conhecer o mundo sem seus pais por perto. Eu apenas entrei em uma faculdade, mas voltava para casa todos os dias. Não tem nem comparação com o que eu vivi e com o que você viveu e vive. Na faculdade eu enfrentei e ainda enfrento uma pressão de professores e familiares por ser a mais nova ali e também sofri um leve tipo de preconceito no começo por estar em um ambiente que quando eu tinha 16 anos, tinham pessoas com 20 anos para cima na minha sala, mas nada se compara com o que você sofreu no início. — Olhei para ele sorrindo e me olhava com uma intensidade inexplicável. — Eu podia chorar no colo da minha mãe quando alguém me tratava mal ou podia chorar no ônibus na volta pra casa, mas se você fizesse isso, sua cara estaria estampada no jornal no dia seguinte. Eu não faço ideia de como isso tenha sido pra você. — Apertei de leve seu braço tentando passar suporte. pegou em minha mão, que estava em seu braço e entrelaçou nossos dedos, me olhando agradecido. Todos estavam em silêncio na mesa enquanto nos olhávamos.
— Muito obrigada pelas palavras, . Você não faz ideia do quão foi bom ouvir isso. — Sorriu agradecido para mim e dei de ombros retribuindo seu sorriso.
— Não foi nada, . Eu não disse isso pra puxar seu saco ou algo do tipo, apenas disse, pois sei que você foi muito julgado no início por ser mais novo, mesmo que eu tenha sido também, eu imagino que não foi nada comparado com o que você sofreu. Eu fico muito orgulhosa de te acompanhar todos esses anos e ver a pessoa que você se tornou. — Disse para e senti meus olhos se enchendo de lágrimas.
Droga, eu não poderia chorar na frente de todo mundo logo agora. Senti a mão de , que ainda estava entrelaçada com as minhas, criar um aperto leve e me puxou para um abraço ainda sentado.
— Eu te conheço faz pouco tempo, mas já consigo sentir a garota incrível que você é. Obrigada por tudo, de verdade mesmo. — disse em meu ouvido e beijou a curva de meu pescoço enquanto fazia carinho em meu cabelo. Lutei contra as lágrimas pois não queria desabar logo ali.
Ouvimos uns "awn" e alguns "lindos" vindo dos que estavam na mesa junto com a gente e nos soltamos rindo.
Limpei o canto de meus olhos ainda rindo e olhei para as minhas amigas que também se encontravam chorosas.
Damn it, guys! Agora eu tô emotivo. – Adam fingiu uma voz embargada e rimos de sua atuação.

Eu já sentia carinho por todos que estavam naquela mesa, principalmente por um cantor que continuava me olhando desde que nos soltamos há poucos minutos atrás.

~~~~x~~~~

A conversa estava muito animada e já estávamos naquele ambiente havia quase duas horas. O tempo passou tão rápido que nem tínhamos percebido.
Os primeiros a se despedirem foram Sarah e Mitch que declararam cansaço. Depois de mais alguns minutos Adam também saiu a mesa, dizendo que iria ligar para sua família. Charlotte e Sophia também se despediram dizendo que iriam tentar dormir antes do vôo.
Ficamos na mesma apenas eu, minhas amigas, e Jeffrey.

Mate, aquela sala de jogos aqui ainda está reservada para gente? – disse chamando atenção de Jeff que apenas assentiu. — O que você acha de levarmos as meninas para lá? – Jeff concordou se levantando. – O que vocês acham? — disse também se levantando e minhas amigas concordaram. Apenas dei ombros sorrindo. — Então vamos. — sorriu, abraçou pelos ombros e fez Louie ir parar ao seu lado com as mãos em seus braços. Ele voltou seu olhar para mim e sorri agradecida. estava dando a mesma atenção que dava para mim para as minhas amigas, isso me deixou feliz demais.

Seguimos para o elevador e ele apertou o andar para seguirmos pra tal sala de jogos. Como não dava todos no elevador. Jeff foi em outro pois não iria para a sala de jogos e que qualquer coisa era para avisar a ele. apenas assentiu fechando a porta do elevador.

Chegamos rapidamente no andar e dessa vez abraçou e Iara pelos ombros e seguiu rumo a sala de jogos. Ri fraco com o jeito dele querer fazer todas ali se sentirem bem.
Ele estava fazendo seu papel direitinho.

Entramos na sala e fiquei surpresa ao ver tanta coisa junta em um só lugar.
O local era imenso e tinha vários jogos espalhados por ali. Tinha mesa de ping-pong, boliche, um espaço enorme para dançar Just Dance, que chamou logo a atenção de minhas amigas, e vários outros jogos, tanto de tabuleiro quanto de eletrônicos.
A sala também continha vários puffs macios espalhados por ela e uma porta enorme de vidro que você conseguia ver o Rio de Janeiro quase todo dali de cima. A porta dava para uma pequena sacada onde você conseguia respirar o ar da praia de Copacabana.
Sorri com o ambiente agradável e logo me sentei em um dos puffs presentes no local, vendo minhas amigas se espalhando pela sala de jogos.

, e Lorena estavam tentando ligar o Just Dance e apenas conseguiram com a ajuda de .
Louie e Iara foram para a mesa de ping-pong e foi ligar o Playstation, pois estava louca para jogar Guitar Hero.
Apenas fiquei ali olhando minhas amigas com um imenso sorriso no rosto até que senti alguém sentar ao meu lado. Era .

— Não vai jogar nada? — disse assim que sentou ao meu lado. Fiz uma careta e neguei com a cabeça encostando meu corpo no puff e ficando mais confortável para olhar para o mais velho em ao meu lado.
— Não sei se você sabe aquela frase: Azar no jogo...
— Azar no jogo e sorte no amor? — me interrompeu e riu.
— Sim, mas no meu caso eu tenho azar nos dois. Azar no jogo e azar no amor. — Ri. — Sou péssima em qualquer tipo de jogo existente. — Olhei para ele que me olhava surpreso.
— Você não tem namorado?
— Não tenho não. — Fiz careta.
Uau, agora você me surpreendeu. — disse se encostando no seu puff e fazendo a mesma posição que eu.
— Como assim te surpreendi? Você achava que eu tinha namorado? — Disse confusa. Não entendi onde ele queria chegar.
— Eu achava que você tinha sim... — Assentiu sem me olhar. — Sei lá o motivo, só acho que você é muito bonita para estar solteira. — disse e pela primeira vez hoje o vi com as bochechas rosadas. Ri alto com seu comentário e voltei meu olhar para o cantor.
— Obrigada pelo elogio, mas não, eu não tenho namorado. Não apareceu ninguém até agora que mereça minha devida atenção. Eu não tenho nem tempo pra isso. — Brinquei. me olhou sorrindo de lado e se aproximou.
Aí meu Deus.
— Os homens não se jogam em cima de você quando descobrem que você é solteira? — Enquanto ele falava, eu sentia a vergonha e cautela explícita em sua fala. me achava bonita e achava que eu tinha uma fila de homens atrás de mim sendo que não era nada disso. Mal ele sabia que eu não me achava bonita do jeito que estava alegando.
— Eles não se jogam, não, pois ninguém vem nem conversar comigo sobre. — Ri. — Não sou uma modelo da Victoria's Secrets, . — Brinquei e fez careta com meu comentário.
— Eu sei que você não é, você é melhor que isso.

Puta que pariu.

Com a pouca sanidade que eu tinha dentro de mim, tentei rir de seu comentário, porém apenas saiu um sorriso fraco e envergonhado. Senti minhas bochechas arderem com o olhar intenso que me lançava.
Por que ele tinha que ser assim?
Senti se aproximar mais e paralisei. Meus sentidos apenas voltaram a funcionar quando ouvi gritos de minhas amigas e me afastei, sentando de volta no puff.
Ouvi um suspiro fraco de que imitou meu gesto. Minhas amigas estavam comemorando a vitória delas no Just Dance e respirei aliviada. Achei que elas tinham visto esse mini surto que minha mente teve, ao achar, por algum segundo, que iria acontecer algo entre eu e . Ele só estava sendo cavalheiro comigo e sabia que apenas tinha dito aquelas coisas para me sentir bem. Agradeci mentalmente por isso, porém minha respiração acelerou um pouco ao lembrar a proximidade que o rosto de estava no meu.
, vem jogar com a gente. Vem você também, ! — disse pulando animada e fiz careta, me jogando novamente no puff. Senti rir ao meu lado e levantar. — Obriga ela, . — continuou.
— Vem, . — disse sorrindo enquanto tentava puxar minha mão. Apenas abri um olho e fiz careta novamente.
— Ah não, vão lá que eu sou a juíza de vocês. Lorena, bota Kiss You pro dançar. — Ri ao ver o britânico em minha frente abrir a boca indignado com meu pedido. Pisquei e joguei um beijo no ar para ele que riu e balançou a cabeça negativamente. Minhas amigas gritaram animadas e puxou o pelo braço para perto do Just Dance.
Ele estava animado com a dança, mas ao mesmo tempo envergonhado. e Iara se juntaram com as outras também para dançar e Louie sentou ao meu lado.
— Crianças... — Louie disse brincando e ri alto.

não conseguia dançar de tanto que estava rindo junto com as meninas e peguei meu celular para gravar aquele momento. Eu não iria postar em nenhum lugar, porém queria que eu e minhas amigas tivéssemos uma recordação como esta.
Comecei a gravar e não aguentei e ri das palhaçadas de todos ali, viu que eu estava gravando e abraçou pelos ombros e começou a dançar e cantar junto com ela, fazendo minha amiga rir alto.
O jeito como ele tratava minhas amigas era surreal, eu estava extremamente feliz com toda aquele carinho, pois conseguíamos sentir que ele não estava fazendo nada forçado e sim na mais pura vontade.

Ele é incrível.

A música terminou e voltou a sentar ao meu lado. O britânico estava suado e respirava cansado.
— Tá sedentário, é? Foi só uma música. — Louie disse e ri alto, fazendo nos olhar com olhos semi-cerrados.
— Eu já estou velho demais pra essas coisas. — Disse e fechou os olhos, ainda respirando com dificuldade.
— Velho? Por favor, você é só uns 4 anos mais velho que a gente e da Louie apenas 1 ano. Isso é velhice? — Eu disse enquanto me encostava no puff para olhá-lo.
apenas deu ombros enquanto ria.
Louie levantou quando a chamou e ficamos apenas eu e novamente ali. Meu coração voltou a acelerar quando ele abriu os olhos e me olhou intensamente. Ele começou a analisar cada parte de meu rosto que nem Jeff tinha feito mais cedo.
Não fiz nenhum comentário sobre e também comecei a analisá-lo.
Tentei guardar todos os detalhes possíveis de seu rosto à minha mente, não fazia ideia de quando seria a próxima vez que eu o veria caso não fosse para São Paulo junto com eles.
estava incrivelmente lindo hoje, calça jeans preta justa, blusa florida com 3 botões abertos e uma bota em seus pés da cor de sua calça.
Seus cabelos estavam bagunçados e apenas tinha um óculos escuro neles, dando um ar de bad boy. Sorri e pousou seus olhos em minha boca e depois voltou seus olhos para meus.

— Você já se decidiu? — me perguntou com a voz incrivelmente rouca e eu franzi as sobrancelhas em confusão. Do que ele tava falando? — Sobre ir pra São Paulo com a gente, . — Sorriu.
— Ah, isso. — Ri fraco. — Ainda não, . — Suspirei. — Eu quero muito ir, mas... — Suspirei novamente.
— Mas? — me incentivou a continuar minha fala.
— Mas eu não sei se posso. — Fiz careta.
Eu não queria tirar essa oportunidade de minhas amigas e eu sabia que elas só estavam esperando minha resposta. Eu também sabia que se eu não fosse, elas não iriam querer ir e não queria isso, mas também estava com um medo enorme de criar expectativas em algo que eu não fazia ideia do que era.
Por que eu não me permitia?
Suspirei novamente encostando minha cabeça de volta no puff.
— Olha, eu não quero te obrigar a nada, longe disso. — disse. — Mas eu queria muito que você fosse comigo. — Sorriu. — Em relação a passagens já disse para você não se preocupar que você vai com a gente e não é gasto nenhum pagar isso pra você e para suas amigas. — Continuou. — Hospedagem também é por nossa conta e você não vai gastar com nada. O que tá te impedindo?
— Você quer a verdade? — Perguntei e ele assentiu. — Não faço ideia. — Ri fraco.
— Você mesma não tá se permitindo isso, sabe-se lá o motivo. Eu não estou te convidando por obrigação , eu já te falei isso. — se ajustou no puff e pegou em minhas duas mãos. — Pense nisso como um presente de aniversário, que tal? — Ele sorriu abertamente com a ideia que teve e ri fraco.
— Tudo bem, mas eu ainda estou com umas dúvidas e preciso falar com meus professores para ver se posso fazer as provas depois e irei falar com a minha mãe, ok? — Assenti e apertei suas mãos de volta. abriu a boca surpreso.
— Isso é um sim? — Ele sorriu abertamente.
— Não, , eu disse que ainda vou ver. — Disse apontando em sua direção pedindo calma.
— Tudo bem, eu aguardo você ver sobre isso, mas pra mim parece ser um sim. — Ele sorriu convencido e apenas balancei a cabeça negativamente, rindo.

~~~~x~~~~

Já se passavam das 16 horas e ainda estávamos na sala de jogos. Depois de muita insistência de , fui jogar ping-pong com ele. Criamos uma batalha entre x The girls, onde ele estava ganhando TODAS.

Até nisso ele tem que ser bom?

Estávamos havia algum tempo jogando. Eu tinha perdido e a disputa estava entre e Louie, onde o distraiu e ele acabou perdendo a bola.
Rimos alto e comemoramos a primeira derrota do britânico.
Hey! Isso não valeu, foi trapaça! — disse indignado enquanto eu apenas ria e depois saiu perto da mesa de ping-pong, onde começou a jogar com Louie.
sentou em uma das cadeiras perto da mesa de comidas e começou a comer um sanduíche que o hotel tinha trago para a gente degustar como lanche da tarde. Tinha frutas, sanduíches e várias outras coisas gostosas.
Eu estava me sentindo muito mimada desse jeito.
Meu celular começou a tocar e , que estava mais perto dele, o pegou para mim.
, é uma tal de Elli. — Ele disse olhando a tela de meu celular. Eu e minhas amigas não tínhamos dado notícias desde quando chegamos no hotel. Nenhuma das outras sabiam o que estava acontecendo e provavelmente Elli estava preocupada. Fui para seu lado e sorri ao ver que era uma vídeo chamada.
— Você quer atender? Ela é sua fã também, era com ela que eu estava falando na hora do show. — Ri ao lembrar da mini bronca de e ele sorriu apertando para atender a chamada.
Olááá! disse em português enquanto acenava exageradamente para a câmera. Eu e as meninas ficamos na frente do segurando o riso. Não iria demorar muito para Elli começar a gritar naquela tela pequena.
, isso não tem graça! O que é isso? — Escutei a voz de Elli e ri. fez cara confusa pois não tinha entendido o que Elli tinha dito já que ela tinha falado em português.
— Eu não faço ideia do que você disse mas... olá! Meu nome é ! — Sorriu e voltou a acenar.
??? É você mesmo? — Eu não aguentei e comecei a rir alto. — , me explica o que tá acontecendo! — Elli gritou no telefone e fui para o lado de para que ela me visse.
— Amiga, não surta, beleza? Mas é o , sim, seja simpática e diga oi pro menino. — Eu disse para Elli em português. Minha amiga paralisou no outro lado da tela e senti rindo em meu lado e o olhei sorrindo.
Meu Deus, eu ainda não consigo acreditar que é você, . — Elli disse com a voz embargada em inglês e provavelmente ia começar a chorar.
— Sim, sou eu. Estou passando um ótimo dia ao lado de suas amigas. — virou a câmera para as meninas e todas deram um olá para a outra garota dentro da tela, que ainda estava estática.

Depois de alguns minutos Elli já estava mais calma e expliquei para ela o que estava acontecendo e o motivo de estarmos juntas com o , tudo em português, e depois ela e engataram uma conversa animada. As meninas foram para nosso lado e começamos participar da conversa junto com eles.
Eu estava muito feliz pela Elli, pois ela não conseguiu ir ao show e agora ela estava tendo uma vídeo chamada com o cara que ela mais admira nesse mundo.
— Agora se vocês me permitem, irei bater um papo privado com minha nova amiga, Elli. — Ele levantou da cadeira e foi para a varanda onde fechou a porta e deixou todas nós confusas com o seu ato.
— O que diabos ele tá fazendo? — disse olhando para pela porta de vidro.
Conseguíamos ver ele de onde estávamos e gesticulava animado com a mão enquanto olhava para tela de meu telefone conversando com minha amiga.
Eu não fazia ideia do que ele estava aprontando.

Depois de alguns minutos ele voltou com um sorriso enorme e convencido no rosto. Eu estava com os olhos cerrados, desconfiada, quando ele me devolveu meu celular. Antes de o contestar eu ouvi um grito vindo de meu telefone.
Eu não ACREDITO que você tá recusando um convite feito pelo , JULY! — Elli disse e eu arregalei os olhos. Ela estava brava demais.
Olhei para o garoto em minha frente indignada e ele estava me olhando com uma cara inocente. Filho da mãe.
— Elli... — Suspirei e tentei explicar para minha amiga. Não acredito que ele tinha feito isso.
, NÃO! — Elli disse e suspirei novamente. — Você não vai deixar essa chance escapar, está me ouvindo? Será que eu vou ter fugir dos meus pais e pegar o primeiro avião pro Rio de Janeiro pra ter que te bater? — Continuou. Minhas amigas riram e eu apenas revirei os olhos. — Amiga, olha pra mim. — Sua voz estava mais calma, então fiz o que ela pediu. — O próprio quer que VOCÊ vá viajar com ELE e você não quer ir?
— Elli, não é bem assim... — Tentei explicar.
É sim e eu sei exatamente o que você está fazendo! Para de se privar! Você precisa ir, amiga. É a oportunidade da sua vida, por favor não faz isso com você. — Elli finalizou e me sentei de volta na cadeira. Passei a mão pelo rosto e respirei fundo. Olhei para e ele estava com um olhar piedoso. Minha amiga falava em português, porém eu sabia que ele imaginava sobre o motivo dela estar me brigando.
Ela tinha razão.
Preciso parar de me privar de ter coisas boas em minha vida e aquilo era único.
— Tudo bem. — Suspirei.
— Você vai? — Elli disse sorrindo dando gritinhos animados. Assenti. — , ela disse sim! — Minha amiga gritou para em inglês e ele sorriu abertamente, vindo ao meu lado e me dando um beijo molhado na bochecha.
— Obrigada pela ajuda, Elli. — disse me abraçando. — Queria que você estivesse aqui também.
Eu também queria estar aí com vocês, mas na próxima tour eu vou cobrar o convite, viu? — Elli disse apontando para pela tela do celular e ele fez continência.

É… Parece que eu e minhas amigas iremos para São Paulo com .


Six

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May, 28th, 2018.



Quando eu senti que esse final de semana seria o melhor da minha vida, eu realmente não imaginava que seria desse jeito. Tudo está acontecendo tão rápido, mas ao mesmo tempo está acontecendo tudo da maneira tão certa!
Eu nunca imaginei em toda a minha vida que estaria no aeroporto neste momento ao lado de para embarcarmos juntos para São Paulo.
Era minha primeira vez em São Paulo e seria ao lado dele e por causa dele.

Depois de muita insistência, olhares piedosos, vindos do cantor e de minhas amigas, puxões de orelhas feitos, via telefone, pela Elli, frases convencedoras feitas por mim para minha mãe e meus professores, eu tinha finalmente aceito o convite para entrar nessa jornada maluca com minhas amigas e ele.
, e Iara provavelmente já se encontravam em São Paulo neste momento, pois o voo delas saiu 1 hora mais cedo que o nosso já que elas estavam com tudo comprado, pois, mesmo que a gente não tivesse conhecido o no Rio, elas já iriam para o show do mesmo jeito; só que claro, não imaginavam que iriam chegar São Paulo e ir direto para um hotel luxuoso onde o fez questão de arrumar quartos para gente.
As meninas iam ficar na casa de uma prima da que morava por lá e a casa era um pouco afastada do local do show, então teve a brilhante ideia de também convidá-las para se juntarem a nós no hotel, já que nem nosso transporte e hospedagem ele deixou a gente pagar.
é maluco e eu comprovei isso neste final de semana.

Estávamos eu, , Lorena, Louie sentadas nas poltronas de uma sala reservada que o aeroporto cedeu para e sua equipe, e o britânico estava sentado no chão a minha frente, dedilhando as cordas de seu violão.
olhava para algum ponto a nossa frente e se perdia em pensamentos enquanto tocava. Eu estava achando aquela cena extremamente linda e me sentia honrada de poder estar vendo isso pessoalmente pela primeira vez. Ele estava compondo alguma nova canção e isso me deixava orgulhosa como sempre. tocava seu violão enquanto tentava criar uma melodia nova, e de sua boca, eu conseguia escutar tentar criar palavras que ficassem boas o suficiente para aquela nova canção. Mesmo de costas para mim, minha visão dele era o paraíso.
Tombei minha cabeça para o lado enquanto tentava observar seu rosto sereno e seus olhos que ainda estavam perdidos por aí.
Eu já disse que ele é adorável? Minha vontade era de abraçá-lo neste momento e nunca mais soltar.

provavelmente sentiu minha análise nele e botou seu queixo em seu ombro, me olhando.
Sorri mais ainda. se aproximou mais de mim ainda de costas e se encostou em minhas pernas, botando a sua cabeça um pouco mais acima de meus joelhos. Minha vontade era de passar as mãos em seu cabelo para um cafuné, porém me contive, não sabia até onde eu poderia ir com ele. Não queria que achasse que estou me achando íntima o suficiente para ser invasiva. Meu maior medo era dar a imagem errada de mim para ele e decepcioná-lo com qualquer coisa que pensa ou acha de mim em sua mente.
Eu sei, sou estranha.

fechou os olhos e sorriu. Sorri instantaneamente.
— Cansado? — Disse baixinho enquanto analisava cada detalhe angelical de seu rosto. apenas assentiu enquanto tentava ajeitar sua cabeça em meu colo.
Minhas mãos estavam ao lado de meu corpo e coçavam cada vez mais para botar elas em seus cabelos.
abriu seus olhos e fixou seu olhar em mim tentando passar algum tipo de mensagem que eu não fazia ideia de qual era. Tombei minha cabeça para o lado, novamente tentando imaginar o que ele estava tentando transmitir com seus olhos e intensos em meu rosto.

era uma pessoa difícil de decifrar, você nunca faz ideia do que ele está pensando, querendo fazer ou até mesmo dizendo algumas vezes. Enquanto eu sou um livro aberto, ele é um livro fechado e com cadeado. tenta passar toda sua emoção em suas músicas e acho que por isso ele é um compositor incrível, você consegue sentir exatamente ali enquanto ele canta, já que, ao olhar para ele ou tentar entendê-lo sem ser nas canções, você fica totalmente confusa.
é, sim, uma pessoa incrível e é exatamente tudo o que eu imaginava dele, mas ao passar o dia todo de hoje ao seu lado, eu vi que ele é muito mais do que todos acham. Ele é totalmente subestimado por suas ações e jeitos pela mídia, você consegue perceber que ele é bem mais do que aparenta.

Tem muito mais de que o mundo não conhece e eu estava louca para descobrir.

Pisquei algumas vezes voltando à realidade, depois de ter fugido com meus pensamentos naqueles olhos , e sorri para o garoto arqueando a sobrancelha.
— Por que você tá me olhando desse jeito? — Disse e sorri fazendo uma leve careta. Eu conseguia sentir entrando dentro de mim para querer saber o que se passava dentro da minha cabeça.
— No que você estava pensando? — Em você. Pensei. Queria ter respondido isso, porém apenas dei ombros. Ele voltou a me olhar com seus olhos semi-cerrados, enquanto tombava sua cabeça para me analisar melhor. — Sabe o que eu queria agora? — Suspirou. Neguei com a cabeça. — Dormir. — Sorri enquanto achava o britânico a minha frente a coisa mais linda que eu já tinha visto em toda minha vida. E ele era.
— Então tenta dormir, ainda temos uns 30 minutos antes de entrar no avião.
— Eu não quero dormir agora. — Franzi meu cenho mostrando confusão. tirou sua cabeça de minhas pernas e se virou de frente pra mim, botando suas duas mãos ao lado de meu corpo e segurou de leve minha cintura, fazendo me arrepiar. me olhou com intensidade e continuou sua fala. — Eu estou com sono e queria dormir, porém não irei fazer isso agora. Quanto mais tempo eu dormir, menos tempo vou poder passar com você. — Ele não tinha dito isso.
Abri a boca tentando falar alguma coisa, mas não consegui verbalizar nada. Minha cara estava em total espanto com sua fala anterior. Provavelmente ele estava me achando uma louca pela minha reação, pois fez levemente uma careta e se levantou.
O segui com meu olhar enquanto ele apenas ia até o outro lado da sala e pegava um travesseiro que estava ao lado de Jeffrey. Ainda estava sem reação, olhei para minhas amigas e todas cochilavam. Pelo visto ninguém tinha escutado aquela leve confissão que fizera para mim. O seu rosto estava corado ao voltar para perto de mim, talvez nem ele queria que eu escutasse. Respirei fundo tentando não dar uma de louca e pular em seu pescoço naquele momento. Eu precisava me controlar, mas a cada segundo que eu passava ao seu lado, tudo o que eu menos tinha era controle.

se jogou no sofá vago ao meu lado, enquanto eu estava ainda estava sentada em uma poltrona preta; o sofá era grande e cabia umas 3 pessoas deitadas ali. Todos estavam confortáveis nos outros sofás e poltronas e o único que estava no chão antes era , já que o sofá que agora ele se encontrava esparramado estava ocupado com algumas pessoas de sua equipe, que agora já estavam vagando pelo aeroporto apenas esperando o horário do vôo.
Ele estava sentado no chão pois preferiu dar prioridade para o descanso de sua equipe do que priorizar o seu. A cada dia me surpreendo mais com esse garoto.

Suspirei novamente e me deixei analisá-lo de onde estava. não devolvia meu olhar pois estava deitado no sofá olhando para o teto. Sentia que algo estava acontecendo em sua cabeça, pois conseguia ouvir as engrenagens de seu cérebro daqui. Ele estava em uma batalha interna contra seus pensamentos. Será que é pelo o que ele tinha me confessado minutos atrás? Respirei fundo tomando coragem que eu não sabia que existia dentro de mim e levantei de onde estava, indo ao seu encontro. Olhei-o, pedindo permissão para sentar, e ele apenas devolveu o olhar sorrindo e assentindo de leve.
Me sentei ao seu lado, enquanto ele ainda estava deitado. Apoiei meus cotovelos em minhas pernas e botei minha cabeça em minhas mãos enquanto o olhava. suspirou fundo e se ajeitou no sofá, ficando de lado para me olhar melhor.

— Posso te fazer uma pergunta que está batucando em minha cabeça faz algumas horas? — Ele disse enquanto brincava com os fios soltos de minha calça. Assenti. — Por que eu? — Perguntou baixinho enquanto vagava seu olhar pela sala de espera. Sua voz saiu tão fraca que se eu não estivesse tão perto dele, nem tinha escutado. Senti agitado e ansioso por sua pergunta. Ele continuava a olhar cada canto desta sala menos a mim.
Franzi o cenho não entendendo seu questionamento. Várias perguntas tinham me passado pela cabeça, mas nunca isso.
— Como assim, ? Em que sentido você está falando? — Devolvi o tom baixinho enquanto me aproximava mais dele. O mais velho apenas suspirou e olhou para o teto.
— Entre 5 garotos da banda, você me escolheu. Por quê? — Arqueei as sobrancelhas surpresa com sua voz tão emotiva por causa de sua pergunta. Ele finalmente devolveu meu olhar e consegui sentir o vulnerável de suas canções, ali na minha frente. não estava querendo se fechar, muito pelo contrário, conseguia sentir o cadeado de seu livro fechado, abrindo-se lentamente para mim, me deixando entrar. Ele me conheceu em menos de 24 horas atrás e estava se abrindo pra mim. estava me deixando ver mais do que ele mostrava para todos, justamente como eu sempre quis, deitada em minha cama enquanto via alguma foto do garoto ou via alguma entrevista dele.
Suspirei sorrindo.
— Por quê eu? — Devolvi sua pergunta. Era algo também que eu estava me perguntando desde que o vi em cima daquele palco, me olhando e se preocupando comigo.
Por que ele quis me olhar?
Por que ele se preocupou comigo?
Por que ele quis tirar uma brincadeira comigo?
Por que ele me mandou mensagem?
Por quê procuro por mim?
Por quê está me deixando entrar?

— Primeiro responde minha pergunta. — Disse. — Depois eu respondo tudo o que você quiser saber. — Era uma proposta tentadora. Nesses 8 anos o idolatrando, eu tinha muitas perguntas que nunca foram respondidas por ninguém, mas naquele momento nem eu conseguia responder a sua.
Como se explica o amor?
— Eu não faço ideia de como te responder isso, não é algo que planejei ou me obriguei para que acontecesse. — Suspirei enquanto vagava meu olhar pela sala. me olhava de uma maneira indescritível. Agora era eu que não conseguia encarar suas íris tão intensa para mim. — Eu apenas me identifiquei com você, eu acho. Eu não faço ideia de quando virei sua fã, não tenho a data anotada, até porque não é assim que acontece. — Ri fraco. — Eu apenas gostei de você. — Tomei coragem e voltei meu olhar para ele que me encarava exatamente como eu imaginava: com seu olhar intenso em mim. — Gostei de sua voz, gostei do seu sorriso, gostei do jeito que você trata as pessoas, gostei de como você era diferente dos outros meninos... Não me pergunte o que seria essa "diferença" entre vocês. — Fiz aspas. — Eu apenas sentia. Eu passei alguns meses tentando fingir que não me importava com você e não gostava das músicas. — Ri ao lembrar da adolescente em mim de 13 anos que tentava negar a todo custo que estava completamente apaixonada pelo carinha que estava na minha frente agora. — Mas acho que quando é pra ser, não tem hora, não tem lugar, não tem quem faça você desistir, a gente não tem como lutar contra. Então eu parei de negar que gostava de você e acabei aceitando e virei admiradora da banda, porém eu era apenas sua fã. — Finalizei. me olhou surpresa.
— Você não era fã de todos? — Neguei com a cabeça. — Achei que você tinha virado fã solo quando a banda terminou.
Ri fraco.
— Posso te confessar uma coisa? — Perguntei baixinho enquanto me aproximava mais dele. assentiu e se ajeitou no sofá ficando meio deitado, meio sentado, com seus cotovelos apoiado no sofá e seu tronco perto de mim fazendo nossos corpos e rostos ficarem mais próximos. — Eu nunca fui uma directioner. Eu acompanhava a banda por sua causa e dei graças a Deus quando terminou. — Ri ao ver a expressão de . Ele estava com a boca aberta me olhando. — Não me leve a mal, a banda era muito boa, as músicas eram bacanas e tudo, mas eu não aguentava mais te ver em um lugar onde eu sabia que você poderia ser muito mais que aquilo, entende? Eu sempre te achei o mais talentoso dali, você realmente sempre foi "mais" dos que outros meninos, tanto em relação a gosto quanto, até, em suas roupas, . Você sempre foi muito mais e eu só queria que o mundo inteiro visse isso também. Talvez esse tenha sido seu diferencial crucial para mim na época. Eu sempre soube que, quando a banda acabasse, você teria o mundo em suas mãos, e olha agora. — Levantei meus braços, apontando para o lugar onde estávamos. — Estamos no aeroporto enquanto esperamos o voo que irá te levar para outra cidade, onde você irá cantar em sua turnê mundial. — já se encontrava sentado à minha frente, com as pernas ainda esticadas no sofá e seu tronco encostado no braço do mesmo, com um olhar embasbacado para mim. Seus olhos intensos percorriam por todo meu rosto enquanto sua respiração estava estranhamente acelerada.— Eu apenas torcia por você, sempre soube que a banda te fazia muito bem e eu amava ver seus solos nela, mas eu não aguentava mais esperar chegar a hora de ver uma música com mais de 3 minutos só com sua voz. Acho que a espera valeu a pena. – Sorri sem graça. respirou fundo e me puxou para um abraço apertado. Mesmo surpresa com seu ato, passei meus braços em seu pescoço e ele me puxou para mais perto ainda, quase me fazendo sentar em seu colo. Seus braços estavam em minha cintura em um aperto forte, enquanto seu rosto estava cravado em meu pescoço. inspirava mais meu cheiro a cada segundo que se passava, me deixando mais inebriada com seus gestos. Me aproveitei da situação e fiz um leve carinho em seus cabelos, enquanto entranhava meus dedos em seus fios sedosos e passava minhas unhas em sua nuca de leve. Suspirei leve perto de sua orelha, enquanto aproveitava seu cheiro delicioso. se arrepiou com meu gesto e me apertou ainda no abraço, como se quisesse fundir nossos corpos.
Por mim, que fizesse, eu estava completamente entregue a qualquer coisa que o homem d minha frente fosse fazer. Se alguém me matasse agora, eu não me importaria, pelo menos iria morrer nos braços dele.
Anos e anos sonhando com isso e eu jamais imaginei que seria tão bom.

Por favor, nunca me tirem daqui.


Infelizmente meu pedido não foi realizado, já que depois de alguns minutos - que para mim pareceram apenas segundos - ouvimos um leve pigarreio que chamou nossa atenção. se desvencilhou de nosso abraço com uma certa dificuldade, como se não quisesse sair dali, assim como eu. Amei saber que o sentimento era mútuo e que aquele abraço fez tão bem a ele quanto a mim.
Eu me sentia extremamente grata com essa troca de contato entre ele e eu. Já não estava mais acostumada com tantos sentimentos e algo dentro de mim, me dizia que isso só era o começo. Nunca imaginei que queria tanto que algo em meu interior estivesse certo.

me segurou de leve pelos ombros, assentiu a cabeça para algo que estava atrás de mim e eu segui seu olhar. Jeff estava com a sobrancelha arqueada, olhando para nós dois, com um leve sorriso brincando em seu rosto. Antes de tentar entender o que Jeff estava querendo passar com aquele sorriso, botou uma de suas mãos em minha bochecha, tomando toda minha atenção para seu gesto simples. O olhei e ele estava com um sorriso de canto indecifrável.
estava com o cenho franzido em uma outra batalha interna dentro de sua cabeça. Sua respiração voltou a acelerar e sentia em seu olhar uma leve pitada de agradecimento e mais alguma coisa que me deixou confusa, pois não estava conseguindo decifrá-lo novamente, seu rosto estava igual mais cedo em meu colo.
fez carinho em minha bochecha com seu polegar e beijou minha testa. Minhas pálpebras tremeram de leve ao que fechei meus olhos, enquanto sentia seus lábios quentes e molhados em minha testa, tentando demonstrar toda sua gratidão pelo o que eu tinha falado alguns minutos atrás. Suspirei enquanto aproveitava aquela sensação nova em mim.
— Antes de me responder, você me perguntou também por que eu tinha te escolhido... — disse enquanto botava sua mão, que antes estava em minha bochecha, em meu queixo, me fazendo abrir os olhos para olhá-lo. O britânico a minha frente respirou fundo e botou sua outra mão em meu rosto, me impossibilitando de olhar para qualquer lugar, não que eu quisesse fazer tal ato; eu não conseguia me mexer, muito menos não olhá-lo. se aproximava cada vez de meu rosto, me deixando com todos meus sentidos totalmente em alerta com seu próximo passo. Isso não estava acontecendo. — A razão de ter te escolhido foi exatamente por todas as coisas que você falou agora. — Ele respirou fundo, fechou os olhos e franziu o cenho. Senti que ele está tentando achar palavras para explicar tudo. — Eu não sei como, mas ao te olhar ali naquela plateia, eu consegui sentir todo seu carinho por mim. Eu consegui me sentir amado, respeitado e senti que estava te dando orgulho de alguma forma e isso me chamou atenção. — Ele abriu os olhos e sorriu enquanto tombava sua cabeça para o lado e se afastava de leve para analisar cada canto de meu rosto. Se fosse qualquer outra pessoa me olhando e me analisando do jeito que fazia, eu sairia correndo. Não sou o tipo de pessoa muito confiante com sua aparência e nunca consigo sustentar o olhar com alguém por mais de 3 segundos, mas algo em me fazia crer que ele não me julgaria pela minha aparência, muito pelo contrário, ele me fazia, de algum modo, sentir que gostava do que via.— Ali, naquela plateia, ao olhar pra você, eu consegui sentir as coisas que você tentava me passar, que eu nunca tinha sentido antes. Acho que por isso eu tive toda essa necessidade de te procurar depois, não só pra te pedir desculpas pelo o que aconteceu, mas também porque eu queria sentir aquilo de novo. Queria te olhar novamente e me ver ali, em seus olhos. Queria poder te demonstrar a gratidão que senti ao devolver seu olhar. Eu espero que daqui pra frente cresça algo muito bonito entre nós, . Não sei você, mas eu não quero te deixar livre de mim depois dessa viagem. Se você me permitir e quiser, eu quero você em minha vida por muito tempo. — Suspirou enquanto sorria aliviado, como se tivesse preparado aquele discurso por horas. Eu estava sem palavras com o que ele tinha falado. se sentiu feliz por minha causa. Ele me queria em sua vida.
Consegui imaginar e eu dali uns meses, fazendo facetime enquanto falávamos acontecimentos do dia ou mandando mensagem um para o outro, desabafando sobre algo.
Meu coração se aqueceu instantaneamente.
Era tudo que eu queria.
Era tudo que eu sempre sonhei.
Minha respiração estava acelerada e eu ainda o olhava sem saber o que dizer, minha boca estava levemente aberta e ele me olhava ansioso esperando minha resposta.
Suspirei fechando os olhos.
... — Comecei falando, porém fui interrompida pelo barulho da porta.
— Começou a chamada pro avião, vamos entrar primeiro e depois irão liberar para o público. Iremos ficar afastados de todos então provavelmente não seremos perturbados por ninguém. — Jeff se pronunciou e começou a acordar a banda. Voltei meu olhar para e ele ainda me olhava da mesma maneira. Apenas sorri leve enquanto me levantava. Senti seu olhar confuso para mim enquanto imitava meu gesto. Antes que ele abrisse a boca para me questionar, eu o cortei.
— Eu tenho uma resposta sobre o que você disse. — Ri fraco. — Vamos conversar sobre tudo isso depois, tudo bem? Agora eu preciso acordar às meninas. — Me dei liberdade para ficar nas pontas de meus dedos dos pés e lhe dei um breve beijo na bochecha. Antes fazer meu ato, já sentia as mãos fortes de em minha cintura, apenas aguardando meu gesto, e ao fazê-lo, senti elas me apertarem de leve e se afrouxaram logo após eu voltar para a minha posição anterior. Foi um gesto simples, porém, para mim, que não podia nem chegar 10 metros dele, significou muito.
Será que vou conseguir sair viva dessa viagem?

.


Eu não sei onde eu estava com a cabeça. Convidar uma fã para almoçar, me visitar no hotel, passar a tarde comigo, convidá-la para viajar comigo para outra cidade e ainda dizer que a queria em minha vida, tudo isso em menos de 24 horas? Eu realmente não sei onde estava com a cabeça. O pior de tudo era que eu estava adorando.
Estava adorando tê-la ali. Estava adorando ouvir o som de sua risada. Estava adorando vê-la sorrir. Estava adorando olhar em seus lindos e brilhantes olhos .
Estava adorando .

Tudo isso em menos de 24 horas.

Se um mês atrás, alguém chegasse e me falasse tudo o que eu acabei de fazer entre ontem e hoje, eu iria rir da cara da pessoa e interná-la em um manicômio. Eu, que sempre fiz o possível para deixar minha vida pessoal privada, eu, que nunca quis passar a linha de fã e ídolo, mesmo respeitando e amando cada uma delas, agora estava ali, com 4 garotas que estavam em meu show ontem -chorando por mim naquela arena- ao meu lado neste exato momento, esperando a porta do avião abrir para embarcarmos enquanto as outras 3, encontravam-se em São Paulo a caminho do quarto de hotel que eu fiz questão de reservar para elas.
O pior de tudo era que eu realmente estava adorando tudo aquilo.
A que mais me encantou, e não é segredo para ninguém, foi a , o que ainda me intriga desde que a olhei pela primeira vez. Tudo o que eu falei para a garota na sala de espera era a mais pura verdade, porém o medo de estar apressando as coisas entre a gente, me deixava assustado e sentia que ela estava também. Eu acabei deixando aquilo escapar cedo demais da minha boca, infelizmente; quando percebi já era tarde e deixei rolar. Eu sempre fui fechado em relação a inúmeras coisas, sempre tentei manter tudo que era pessoal longe de minha carreira profissional, mas eu estava me abrindo pra ela. Ela me fazia querer fazer isso, sem nem esforço. Não era novidade para mim que a garota gostava de mim como cantor, porém o que me deixou surpreso foi ela gostar também de mim como pessoa.
Ela gostava realmente de mim pelo o que eu era, não era apenas pelas minhas músicas, meu estilo de me vestir ou pela minha beleza. Ela realmente gostava de mim por ser quem eu era. Isso estava me deixando louco, pois a cada segundo que eu passava ao seu lado, queria que ela gostasse mais e mais de mim. Queria que visse em mim tudo o que eu escondi em todos esses anos. Queria que a garota de olhos brilhantes visse o que eu sempre quis revelar para alguém. Queria que ela me adorasse do jeito que eu estava adorando ela. Queria que ela me deixasse adorá-la do jeito que eu queria. Meus instintos diziam que ela deixaria, mesmo, porém gostaria ouvir de sua boca.

“...você sempre foi muito mais e eu só queria que o mundo inteiro visse isso também…”

As palavras de ecoavam em minha cabeça repetidamente. O discurso que a garota me deu ao deixar minha insegurança falar mais alto, foi uma das melhores coisas que eu já ouvi de alguém. Vê-la na minha frente, com um sorriso nostálgico no rosto, seus olhos derramando orgulho e felicidade ao poder verbalizar tudo aquilo, deixava meu peito aquecido.
Tudo que eu disse para a garota depois foi uma das coisas mais sinceras que eu disse durante os últimos tempos. Eu realmente a queria em minha vida e, se dependesse de mim, ela não sairia nunca.
Suspirei fundo e fechei os olhos, sorrindo ao ouvir sua risada ao meu lado.
estava conversando com em português, não fazia ideia do que era, mas ao ouvir sua risada, imaginei ser algo extremamente engraçado. Vê-la falando português era lindo, acho que achei um novo hobbie.

Entramos no avião e fomos para a parte privativa onde iríamos nos instalar para aquela hora de voo. Tentei fazer a brasileira sentar ao meu lado, mas Jeff não deixou, o que está resultando em meu leve mal humor neste instante.
Apenas queira aproveitar cada segundo ao lado dela, não fazia ideia de quando a veria novamente e pensar nisso, me assustava.
Eu já sabia que se iniciássemos algum tipo de amizade, seria difícil ver a garota sempre, pois eu moro do outro lado do continente. Com os shows, compromissos e a distância, provavelmente iria vê-la umas 3 vezes ao ano, ou menos. Eu sabia que não seria nada fácil, porém eu estava disposto a tentar, tudo para tê-la ao meu lado nem que seja por uma tela de telefone.
Espero que ela esteja disposta a encarar tudo isso também, pois caso ela aceitasse, vinham algumas consequências junto que acho que ela imaginava qual seriam.
Ainda não conversamos sobre isso, pois estava tudo muito recente e eu sou precipitado demais nas coisas, mas realmente não queria apavorá-la.

O avião já estava no ar, então tirei meu cinto e relaxei meu corpo. Jeff passou por mim ao voltar do banheiro e sentou ao meu lado na poltrona da janela. Pedi para ficar na poltrona ao lado do corretor por um motivo.
E aquele motivo estava sentando novamente em sua poltrona, do outro lado do corredor, neste exato momento. Ela tinha levantado apenas para pegar seus fones de ouvido em sua mochila.
— Se você babar mais, sua roupa vai ficar toda molhada e fedida. — Jeff disse ao me ver realmente secando . Olhei para ele e rolei os olhos.
— Eu não estou babando, não enche o saco. — Ajeitei minha poltrona e apertei o botão para deitá-la de leve. Iria tentar tirar um cochilo antes de chegar em São Paulo.
— Ah, claro, sou eu que não tiro os olhos da garota desde que ela chegou, né? Sou eu que tava quase beijando a garota lá na sala antes de virmos pra cá, né? — Jeff disse debochando. Rolei os olhos novamente.
Mate, não é nada disso que você está pensando. Não vou te mentir que, sim, eu gostei muito dela e gostei demais de conhecê-la, mas só quero que sejamos amigos. E eu não estava quase beijando-a, estávamos em um momento emotivo onde eu disse algumas coisas e ela também. — Cruzei os braços. Jeff também se ajeitou em sua poltrona e me olhou.
— Que tipo de coisa? — Suspirei.
— Quando a gente chegar, eu te falo, não quero que ninguém ouça. — Disse baixinho e ele concordou.
Meu amigo apenas virou para a janela tentando dormir e me deixando quase falando sozinho.

Depois de um bom tempo tentando pregar os olhos para dormir, bufei e virei para o outro lado tentando achar uma posição confortável, eu só não contava com a cena a seguir:
O avião encontrava-se tranquilamente silencioso, alguns estavam se agasalhando para dormir e outros já encontravam-se babando em suas devidas poltronas. A garota que tomou conta dos meus pensamentos nessas últimas horas estava tentando tirar seu moletom deixando sua barriga à mostra.
Arregalei de leve os olhos e senti tudo em câmera lenta.
Suas amigas estavam provavelmente dormindo e tentava chamar ao seu lado, mas a garota estava de fone e não a escutava. Ela estava enrolada em seu moletom e a blusa fina. Seus braços estavam presos e ela não estava conseguindo tirar o moletom em questão, deixando-a em uma situação que em minha cabeça era... adorável.
Pisquei algumas vezes tentando assimilar tudo e prontamente me estiquei para perto da garota e puxei sua blusa para baixo, me impedindo de ter uma visão tanto quanto satisfatória. Graças aos meus braços longos e a distância pouca que tínhamos, consegui ajudá-la naquela tarefa que parecia árdua para a brasileira. Percebi que realmente era quando ela conseguiu finalmente tirar seu moletom e me olhou com suas bochechas rosadas, seu cabelo bagunçado e um sorriso sem graça pairava em seu rosto enquanto respirava cansada.
Sorri imediatamente para aquela cena.

Eu já disse que ela era adorável?

Uhm, obrigada. Não faço ideia como fui me complicar com isso. — disse me olhando e fazendo careta. Ajeitou seus cabelos enquanto ainda me olhava. Tudo o que fiz foi retornar seu sorriso e ri fraco ao tombar minha cabeça para o lado, enquanto ainda a admirava. Antes de falar alguma coisa para a garota a minha frente, fui interrompido por uma das aeromoças. Ela estava com um sorriso cheio de significados para mim e se abaixou um pouco para chamar minha atenção, mostrando seu decote enorme. Engoli em seco.
Ela era muito bonita, com seus cabelos loiros perfeitamente alinhados, sua boca com um batom vermelho forte e seus olhos pequenos cheio de máscara de cílios.
— Senhor , o senhor deseja alguma coisa? — A aeromoça, que não fazia ideia de qual era seu nome, disse para mim com uma voz extremamente baixa e rouca enquanto aquele sorriso cheio de malícia não saía de sua boca. Eu já sabia o que ela queria, provavelmente era uma das aeromoças que conhecem artistas entre os voos que faziam e, ao dar essa cantada suja e barata, o levava para algum canto mais reservado do avião querendo alguns minutos de prazer.
Eu estava na seca havia algumas semanas, tinha terminado um namoro de longa data já fazia 1 mês e meio, porém não me deixava abater e sempre tentava procurar alguém pelos países que frequentei com a tour para poder ter uma noite. Eu não sou o tipo que gosto de usar mulheres para meu prazer, longe de mim, minha mãe me criou muito bem para não ser desrespeitoso com ninguém, porém, por conta da minha vida agitada, as mulheres que eu acabava tendo uma noite, sabiam exatamente como isso acabaria e as vezes eu me deixava levar por esse lado da fama.
Mas, naquele momento, tudo o que eu fiz foi sorrir fraco para a aeromoça e negar com a cabeça, tentando ser o mais simpático possível.
— Não preciso de nada, obrigado por perguntar. — Disse e peguei em meu celular, para que a mulher à minha frente entendesse que eu não estava afim. Senti ela suspirar de leve enquanto tentava recompor sua postura e sair de meu lado. Isso acontecia entre um voo e outro, mas nunca quis me arriscar a transar com alguém em um avião, ainda mais com uma aeromoça. Vontade sim, fazer nunca. Muito menos aceitar isso na frente de .
Ri fraco e balancei a cabeça negativamente enquanto largava meu celular em meu colo. Voltei a olhar para a garota que estava ao meu lado e a vi com um olhar perdido onde a aeromoça estava antes. Seu boca estava levemente aberta, sua respiração estava fraca e seu olhar estava caído, como se estivesse espantada e triste com o que tinha presenciado. Meus instintos se aguçaram imediatamente ao sentir a garota devolver meu olhar e depositar seus olhos tristes em mim. Franzi a sobrancelha preocupado com seu comportamento.
Pela primeira vez durante aquele breve tempo juntos, não consegui entender o que se passava com ela.
Ao perceber que eu lhe olhava com a confusão estampada em mim, parece se despertar de seus pensamentos e apenas sorriu fraco enquanto se ajeitava na poltrona.
— Está tudo bem? — Disse e tentei alcançar suas mãos que estavam caídas ao lado de sua poltrona. não ofereceu resistência ao sentir meu toque em suas pequenas e macias mãos.
— Está sim, eu... só fiquei surpresa com aquilo. — Sorriu fraco e balançou a cabeça como se tentasse tirar algo de seus pensamentos. Antes de perguntar o porquê, ela olhou para um ponto a nossa frente e tentou desvencilhar sua mão de meu toque e eu me surpreendi com seu ato, mas logo entendi o motivo.
A aeromoça de minutos atrás estava olhando para nossas mãos juntas com um olhar nada bom. Voltei meu rosto para e apertei nossas mãos tentando chamar sua atenção, a garota me olhou com a respiração falha e senti suas mãos tremerem de leve nas minhas. Seu olhar não conseguiu sustentar o meu por muito tempo e tentou novamente desvencilhar nossas mãos de leve, enquanto eu a sentia nervosa.
Ela estava com medo.
Ela não queria que a aeromoça pensasse que eu não tinha dado atenção para mulher por conta dela. Suspirei pesado e tentei chamar sua atenção novamente, dessa vez entrelaçando nossos dedos.
, não precisa ficar assim. — Eu disse baixinho enquanto me levantava e me agachava ao seu lado no corredor, para ficar mais perto dela. — Isso, infelizmente, acontece direto, eu já estou acostumado. — A brasileira devolveu meu olhar e seus olhos expressavam nervosismo. — Eu sei que deve ser estranho pra você essa situação, pois você não está acostumada comigo e nem com minha vida assim tão de perto, mas pelo fato de ter uma vida pública, isso acontece sempre e eu não me afeto mais. — Tentei explicar de uma maneira que não fosse soberba ou querendo me mostrar. O que a garota pensava de mim, nessas últimas horas, estavam valendo mais do que qualquer coisa.
— Isso acontece sempre? — Seus olhos brilhantes ainda caídos voltaram-se para mim enquanto voltava a entrelaçar seus dedos nos meus, que agora encontravam-se em seu colo, me dando uma leve tranquilidade. Apenas assenti com a cabeça. Ela suspirou. — Ela é bonita. — Suspirou novamente. — Combina com você. — Ela abaixou a cabeça e seu olhar caiu em nossas mãos.
estava insegura com a situação.
Minha respiração acelerou ao perceber que a garota estava com medo, pois estava insegura com a mulher a nossa frente. No que ela estava pensando? Será que ela se sentiu diminuída pelo ato da aeromoça? Meu coração se apertou dentro de mim ao pensar nisso. Suspirei novamente tentando tirar todo aquele sentimento ruim da garota à minha frente.
Se ela soubesse que ela foi o motivo de nem ter olhado para a aeromoça, não falaria isso.
— Você acha? — Arqueei uma de minhas sobrancelhas. Ela assentiu. — Eu não achei, não gosto de pessoas assim. Ela deve ser uma ótima pessoa, mas não me encantou. — Sorri para a garota tentando passar o que eu estava pensando em meus olhos e em meu sorriso. Você me encantou, não ela. Queria poder dizer isso em voz alta, mas aquele medo de assustá-la por estar indo rápido demais tomou conta de mim novamente.— Acho que você não conhece tanto meu tipo quanto acha. — Brinquei e pisquei para ela, tentando descontrair. Ouvi sua risada fraca e seu olhar voltando a ser leve e sereno. Suspirei aliviado.
— Me poupe, né? Você é imprevisível em várias coisas, mas em namoradas não. Ela precisa ser loira e às vezes você muda pra morena, mas é raro, nariz empinado e modelo. Caso não seja modelo, provavelmente alguém com um corpo de uma. — Olhei para ela assustado com sua análise. Eu era assim? Ela estava com suas sobrancelhas arqueadas, esperando minha resposta, e um sorriso convencido no rosto.
— Essa era o antigo e previsível . — E não menti. Eu provavelmente era do jeito que ela tinha descrito.
— Antigo? — Riu. — Você está namorando uma modelo, . — Arqueei minha sobrancelha novamente com sua fala.
Ela não sabia do meu término com Camille. Eu e Rowe éramos um casal reservado, justamente por não gostar da minha vida pessoal na boca de todo mundo, mesmo tendo várias coisas vazadas por aí. Porém o que deveria ter vazado para a garota à minha frente saber, não tinha. Sorri para ela enquanto balançava minha cabeça negativamente.
— Você não soube pelo visto. — Ela me olhou com a confusão pura estampada em seus olhos. — Eu e Camille terminamos algumas semanas atrás. — Disse baixinho para a garota ao meu lado e ela arregalou os olhos totalmente surpresa com minha fala.
, eu sinto muito, não fazia ideia. — Senti o aperto em minha mão, que ainda continuava entrelaçada com a sua, aumentar e sorri. Em seu rosto, conseguia ver suas bochechas coradas com o que minha breve confissão e seu olhar franzido com uma mistura de pena e vergonha para mim. O que me chamou mais atenção foram seus lábios, ela os mordia, como se quisesse sentir a dor por ter aberto a boca para falar sobre aquilo, como se tivesse me machucado. Achei adorável seu ato e extremamente sexy.
Achei adorável pois ela tinha medo de me machucar e achei sexy pois bom… ela era linda.
— Está tudo bem, não precisa se desculpar. A notícia ainda não se espalhou, mas não vai demorar muito, ela provavelmente vai aparecer falando ou mostrando o novo namorado a qualquer momento. — E era verdade. Camille tinha terminado comigo, pois alegou estar apaixonada por outro. Sim, eu fui trocado. Em suas palavras, a minha ausência a fez criar sentimentos por outra pessoa que estava sempre ali por ela. Não podia a culpar, eu sabia que não era perfeito e meu trabalho me impedia de vê-la todos os dias. Foi duro demais tudo aquilo e doeu, sim, ainda mais depois de ter recebido a notícia no dia de um show que iria fazer. Ela viajou o continente para apenas dizer que estava apaixonado por outro. Realmente, doeu pra caralho na semana, mas agora estou bem, escrevi canções sobre e deixei meus sentimentos ali como sempre fazia.

Voltei meu olhar para e a vi lutando contra seus pensamentos, provavelmente com o que eu tinha dito. Imagino que ela queria saber como aconteceu o término, mas não iria perguntar pois não queria ser invasiva. Fico imaginando se ela gostava de mim e Camille juntos, já que sabia da existência da modelo.
Antes de poder falar algo para ela, ouvimos a voz do piloto dizendo que já iríamos pousar. Infelizmente tive que me desvencilhar de suas mãos quentes e voltei para minha poltrona, afivelando meu cinto. Acordei Jeff enquanto acordava ao seu lado.

~~~~x~~~~

Depois de mais alguns longos minutos, finalmente pousamos e tivemos que aguardar todos saírem primeiro do avião para podermos ir também. Eu estava morrendo de sono, pois minha vontade de ter dormido que nem todos naquele avião, não foi concedida ao ficar conversando com , porém não teria situação melhor, valeu a pena perder aquela hora de sono e sentia que a garota achava o mesmo que eu.

Já em pé e em fila para sair do avião, a equipe toda parecia estar renovada com o leve sono que tiraram ali e conversavam animados. Os únicos que pareciam cansados eram eu e a garota que estava à minha frente, agora bocejando.
Peguei em seus ombros e apertei de leve, ao vê-la bocejar pela terceira vez em menos de 5 minutos. Como ela era mais baixa que eu, apenas levantou a cabeça encostando-a um pouco acima de meu peito, enquanto olhava em meu rosto. Sorri.
— Cansada? — Suspirou assentindo. — Quando chegarmos no hotel você vai poder descansar. — Me dei a liberdade e botei a mão em sua cintura fazendo um carinho de leve, enquanto beijava o topo de sua cabeça. A ouvi suspirar novamente na minha frente. Queria tirar minha mão de sua cintura para que ela não se sentisse desconfortável com o ato, mas minha mão não me obedeceu e continuou ali enquanto andávamos devagar pelo pequeno corredor do avião. Depois de alguns segundos, tirei a mão de seu corpo sem querer concretizar aquele ato, apenas por medo do que ela iria pensar.
Suspirei fundo e fechei meus olhos. Eu não gostava de querer fazer algo e estar com esse medo todo em mim, ainda não sabia qual próximo passo dar em relação a e isso realmente me deixava apreensivo. Não queria pisar em ovos, mas também não queria que ela se decepcionasse comigo de alguma forma.

Depois de alguns segundos me despertei de meus pensamentos quando senti um corpo pequeno se aninhando ao meu. Estávamos todos parados esperando o sinal para descer do avião e se encostou em mim, descansando sua cabeça em meu peito novamente. Meu coração se aqueceu com aquele breve ato e me dei novamente a liberdade de colocar a mão de leve em sua cintura novamente, apenas para ver sua reação. estava de olhos fechados, demonstrando puro cansaço por conta da viagem, e, ao pôr minhas duas mãos em sua cintura abraçando-a, senti que sua respiração apenas acelerou de leve mas ela não se mexeu ou reprimiu o ato, me deixando extremamente aliviado e feliz com sua resposta.
Infelizmente tivemos que andar e como ela estava de olhos fechados, apertei de leve sua cintura para que ela entendesse o recado e abrisse os olhos, para que pudesse voltar a andar e assim ela o fez.

Já estávamos na saída do avião, e mesmo assim continuei com uma mão em sua cintura, enquanto a outra ia agradecendo e apertando de leve a mão de todos os funcionários que estavam ali. Ao chegar na aeromoça de mais cedo, tirou minha mão de seu corpo para que a mulher à nossa frente não visse. Não concordando com seu ato, levei meu braço para seu corpo a abraçando de leve por trás, deixando-a perto de mim e com a outra mão, me despedi da aeromoça que estava com um olhar surpreso e com uma pitada de desprezo para a garota à minha frente, não gostando de minha intimidade com ela. começou a respirar acelerado e senti suas mãos agarrando meu braço que estava ao redor de seu corpo, beijei o topo de sua cabeça e fiz um carinho leve para demonstrar que estava tudo bem, vendo-a relaxar depois de alguns segundos.

Descemos as escadas do avião em direção à van que nos esperava, com meu corpo ainda estava abraçado ao dela, porém agora eu a abraçava pelos ombros.
— Você é maluco. — disse enquanto eu ria. — Ela pode colocar na internet que você tem uma nova namorada ou amante por aí, sabia? — Apenas sorri e dei ombros. Eu não me importava com isso, e, se ela fizesse, eu seria honrado de dizerem que estava namorando uma garota incrível como ela.

Entramos na van onde todos já se encontravam agasalhados e outros até dormindo novamente. Esse pessoal é rápido e extremamente preguiçoso.
— O que diabos foi aquilo lá no avião? — Meu amigo e empresário disse chamando nossa atenção. Dessa vez, tinha sentado ao lado da janela, eu me sentei ao seu lado ficando entre ela e Jeffrey.
— Do que você está falando? — Qual parte seria? Aconteceu tanta coisa.
— Com a aeromoça, .
— Ah, ela deu em cima de mim mais cedo e eu a recusei, aí ela me viu conversando com antes e ficou nos olhando de um jeito estranho e foi o que resultou agora na saída que você viu. — Dei de ombros. Jeff me olhou rindo indignado.
— Você não presta, sabia? — Dei de ombros novamente sorrindo. Sabia.
Senti rindo da fala de Jeff e a olhei. Ela estava de olhos fechados, mas estava escutando a conversa toda. Sua cabeça estava perto de meu ombro e eu a cutuquei de leve, fazendo-a abrir apenas um olho e me encarar.
Adorável era a palavra que passava pela minha cabeça sempre que a via fazer alguma coisa.
Eu prontamente abri meu braço que estava ao seu lado, indicando que deitasse em meu peito para descansar. sorriu e se aninhou em mim. Meu coração aqueceu novamente e eu a abracei, ouvindo sua respiração fraca embaixo de mim e sentindo seu calor.
Botei minha cabeça em cima da sua e fechei meus olhos aproveitando aquele ato de carinho feito por nós dois. Eu realmente estava criando um afeto muito grande por ela e eu sabia que estava sendo rápido demais, porém eu não conseguia mais me afastar, muito menos não querer que tudo isso acontecesse.
Pois eu queria.
Só Deus sabe o quanto.


Seven

.

May, 28th, 2018.

Levantar ou dormir?
Ficar nessa deliciosa cama ou se arrumar para encontrar com suas amigas e novos amigos no hall do hotel?
Aproveitar o som desta deliciosa chuva que batia nas janelas, do escuro quarto em questão, ou tomar um banho bem gelado para espantar a preguiça?
É... meu lado sedentário talvez falasse mais alto, se não fosse a mensagem recebida em meu celular que me fizera entrar neste grande conflito.

.
“Já estamos todos reunidos aqui no hall do hotel e fui avisado de que você não iria desfrutar de nossa digníssima presença... Posso saber por quê?” 20:01

Sim, me mandou mensagem em meu Whatsapp.
Sim, agora eu tinha o contato de fucking .
Louco? Não. Assustador.

Depois da breve viagem que fizemos de avião, chegamos ao hotel em menos de 20 minutos e fomos direto para nossos quartos. Como somos em 7 meninas, os quartos eram bem amplos e nos dividimos em dois grupos. , Iara, , que já tinham chego antes de nós, se instalaram no quarto ao lado e no quarto onde eu estava, ficamos e eu em uma cama, Lorena e Louie na outra. O quarto era enorme, tinha 2 camas de casal hiper confortáveis e um banheiro que até tinha uma banheira. Mesmo que eu juntasse todo o pobre salário de estagiária que já recebi esses meses, nunca iria conseguir pagar uma noite neste hotel.
Eu estava me sentindo muito mimada por tudo isso.
Não preciso nem dizer que minhas amigas estavam amando todo esse privilégio, certo? Eu me encontrava sozinha neste gigante quarto, enquanto todas estavam se divertindo pelos cantos deste luxuoso hotel, explorando-o com os nossos novos amigos.

Louie tinha me acordado alguns minutos mais cedo, dizendo que Sarah tinha passado em nosso quarto informando que iriam descer para jantar e depois iam para o bar do hotel, e nos convidaram para se juntar a eles. Obviamente que todas falaram que sim.
Bom... menos eu.
Não tem como me julgar, faziam quatro dias que eu não sabia o que era dormir direito e só consegui sentir isso quando deitei minhas costas nesta irresistível cama; não consegui dormir antes de viajar para o Rio, pois estava ansiosa para viagem; não consegui dormir ao chegar no Rio, pois estava ansiosa para o show; não consegui dormir na noite posterior ao show por todos os acontecimentos. Então, como só dei conta disso ao chegar aqui, simplesmente apaguei nessa cama.
Recusei prontamente o convite inventando uma dor de cabeça e já estava conseguindo sentir meu sono voltando, quando recebi a mensagem de , que fez criar o dilema acima em minha cabeça.
Afinal, era . Ele queria que eu fosse para estar com todos ou queria minha companhia? Ele queria me ver ou será que estava dizendo aquilo para ser educado? Nunca saberia dizer. Mesmo com todos as demonstrações de afetos de , nessas horas surreais que estamos passando juntos, um lado meu, que é completamente inseguro, diz que ele faz tudo isso apenas por sentir pena. Às vezes esse lado fala mais alto e acabo me achando não merecedora de nada, o que é um saco. Deixei esse meu lado aparecer no avião ao conversar com e consegui ver que ele sentiu o que se passava; viu minha insegurança em relação à aeromoça e não fez piadinha sobre, muito menos me questionou, o que me deixou um tanto intrigada, pois o senti extremamente nervoso tentando me explicar e mostrar que estava tudo bem. Por que será que ele fez tudo aquilo? Por que será que está fazendo tudo isso? São tantas perguntas e nenhuma resposta. A cada segundo que passa, o dilema em minha cabeça aumenta mais e mais e isso me assusta. Meu maior medo nesse instante é estar imaginando algo totalmente errado do que pode estar acontecendo e me machucar. No futuro, isso era tudo o que eu menos queria, me machucar.

“Hey! Me desculpa. ): É que a cama deste hotel me fez um convite muito melhor e eu acabei aceitando.” 20:03

Respondi e ri fraco comigo mesma. Espero que ele não ache que eu estou fugindo dele ou algo do tipo, mas essa cama...

Meus pensamentos foram interrompidos com batidas leves na porta, provavelmente era alguma das meninas querendo me levar lá para baixo. Levantei rolando os olhos, imaginando a desculpa que eu daria para alguma delas. O que eu não imaginava era ver um anjo escorado no batente da porta, com uma de suas sobrancelhas arqueadas e um sorriso de canto irresistível, enquanto seus braços fortes estavam cruzados acima de seu peitoral malhado.
Puta merda.

— Então você me trocou pela sua cama. Bom saber — disse, e me olhou, enquanto via meu rosto totalmente espantado ao vê-lo parado naquela porta. Meu estado estava deplorável: Cabelos bagunçados, short de dormir e um moletom que inclusive fazia parte de sua merch. O que eu faço agora? O deixo entrar? Bater a porta na cara dele não era uma opção. Pensa rápido, .
... o que tá fazendo aqui? — disse, enquanto tentava de leve arrumar meus cabelos. Eu não fazia ideia de como meu rosto estava, provavelmente ainda estava inchado e com indícios do sono que tirei alguns minutos atrás. Pela primeira vez, estava sem maquiagem na frente dele. Meu Deus, eu estava sem maquiagem na frente dele. Por que ele não está correndo de mim? Eu estava deplorável. E por que ele está me olhando tão intensamente? Como se... gostasse do que via?! Não, impossível. Minha cabeça está querendo me martirizar, só pode.
— Eu vim te resgatar. As meninas me falaram que tentaram te levar e você não quis ir. Antes mesmo de você me responder à mensagem, eu já estava a caminho. Posso entrar? — coçou a nuca e eu percebi o quão burra estava sendo ao deixá-lo desconfortável em frente à porta do quarto. Apenas assenti, sorrindo envergonhada e dando passagem para ele entrar. analisou o quarto e sentou na beira da cama que eu estava minutos atrás. — Realmente, a cama é confortável — ele disse, enquanto dava leves pulinhos na cama, ainda sentado nela. Ri e fui para seu lado.
— Agora você sabe o quanto foi difícil sair dela — disse, e me deitei nela, rindo de leve. Mesmo deitada, senti as costas do enrijecerem e arquearem de leve, enquanto ele olhava para mim. Segui seu olhar e ele encarava as minhas coxas, alternando seu olhar para a parte agora exposta de minha barriga, que ficou livre ao me deitar na cama. Ruborizei no mesmo instante e abaixei meus braços, fazendo a parte exposta de meu corpo voltar a se cobrir com o movimento. desviou seu olhar imediatamente para qualquer canto daquele quarto. Ele ainda continuava tenso e isso despertou minha curiosidade.

Sempre soube que era um homem muito respeitador com as mulheres. Ele foi criado por uma mãe incrível que mesmo não a conhecendo pessoalmente, sabia o quão boa foi sua criação para com o garoto ao meu lado, só por ver o quão bem ele tratava as pessoas.
Senti que estava com sua respiração levemente acelerada e seu corpo estava totalmente tenso. Suas mãos não paravam quietas em seu colo e isso chamou minha atenção mais ainda, enquanto o analisava. estava se martirizando em pensamentos por ter me olhando daquela maneira, como se fosse proibido e errado?
Me vi querendo ser olhada daquele jeito por ele novamente, porém também sabia que era errado. Afinal, eu era uma fã e ele era meu ídolo, certo? Mesmo que já tivéssemos criado um vínculo nessas últimas horas, seria só amizade, certo?
Deus, por que eu queria estar errada?

Respirei fundo e me sentei novamente, enquanto botava minhas pernas em cima da cama, em posição borboleta. Ao me ver sentando, me olhou diretamente nos olhos de um jeito que, se eu estivesse em pé, provavelmente teria ido ao chão. Eu não fazia ideia do que estava acontecendo e do porquê ele me olhava daquele jeito, porém eu gostava; eu estava adorando. Eu estava me sentindo... desejada? Não sei se seria a palavra certa para usar nesta ocasião. Nunca ninguém tinha me olhado do jeito que vem me olhando desde ontem e isso me intriga. Sempre soube que ele despertava sensações em mim, só não fazia ideia de que seriam assim e tão fortes desse jeito.
Nenhum de nós dois estava pronto para quebrar aquele silêncio que, mesmo com a situação de antes, estava extremamente confortável; apenas uma leve tensão sobrecarregava o ar. Se ele fosse outro, eu teria ligado o foda-se e estaria agarrando-o neste exato momento. O problema é que ele era ele. Era . Não fazia sentido nenhum, certo?
Deus, eu estava ficando louca.

Decidi para o meu próprio bem dar um fim naquilo e, infelizmente não era do jeito que eu queria. Mas, se ele continuasse me olhando daquele jeito por mais alguns segundos, eu não iria me responsabilizar pelos meus atos. Também sou filha de Deus.
— Você veio pra me convencer, mas ainda não ouvi seus argumentos. — me olhou surpreso, ao perceber que eu tinha falado algo. Ele estava perdido em pensamentos e senti que nem mesmo ele sabia o porquê de estar ali.
Uhm, bom... tem comida, bebida, suas amigas e... eu. Será que são argumentos suficientes? — disse, e sorriu extremamente fofo, com seus olhos piscando lentamente como se quisesse me hipnotizar.
E conseguiu.
Suspirei fundo.
— Tudo bem, você me convenceu — fingi uma voz tediosa e me levantei. Parei à sua frente e a tensão no corpo de , que tinha sumido poucos minutos atrás, voltou, ao me ver parada ali. Me segurei para não rir de seu gesto. — Vou tomar um banho, você vai me esperar ou vai descer?
— O que você preferir — disse, enquanto aquele olhar voltava. Não faz isso comigo.
Suspirei fundo, tentando me controlar e apenas dei de ombros, fingindo que por mim tanto fazia, porém rezando mentalmente para que ele me esperasse. Peguei minha mala para ver algo para usar naquela noite fria em São Paulo.
Uhm, então eu vou ficar, ok? No caso de você me dar o bolo e voltar a dormir. — Comemorei mentalmente, enquanto assentia rindo para o garoto e ia para o banheiro.

Entrei debaixo do chuveiro e os dilemas em minha cabeça voltaram.
As atitudes do me assustavam de certa maneira que não sabia o que fazer. Não era algo ruim, mas era algo novo pra mim, e o mais estranho disso era que não era novo apenas por ser fazendo, mas sim novo por serem sensações nunca sentidas por mim antes também. O meu medo era que eu sabia que estava me enganando com tudo aquilo. Eu estava me iludindo e criando uma imagem de que sabia que não era real. Não podia ser real, afinal, era ... por Deus! Por que ele me olharia com desejo? Ele era um dos homens mais bonitos que eu já vi em toda minha vida. Não digo isso por ser fã dele e ter sentimentos, mas o cara era lindo pra caralho e já foi eleito um dos homens mais bonitos do planeta.
É mole?
Eu era só uma garota totalmente estranha que tinha despertado a atenção dele no show por ser chorosa demais. Era isso que eu era para ele. Eu era uma fã que estava virando... amiga. Não podia mais dizer que era apenas uma fã, pois o que ele tinha me dito mais cedo no aeroporto ainda vagava pela minha mente e me deixava com o coração aquecido até demais.

"... Se você me permitir e quiser, eu quero você em minha vida por muito tempo."


tinha dito aquela frase em tão claro e bom som que não me fizera duvidar do que ele tinha dito, pois eu senti que tinha verbalizado aquilo com todo seu coração. realmente tinha gostado de mim e me queria em sua vida. Mas tudo era como amiga. Claro, o que mais eu poderia imaginar? Que ele iria dizer que estava apaixonado por mim em menos de um dia, só por ter me olhado diferente? Por Deus, eu era maluca! Não fazia ideia do motivo pelo qual meus pensamentos estavam me dando esta ideia, de que ele me olhava querendo algo de mim. Não fazia sentido nenhum!
Eu não sou o tipo de pessoa que é expert nessas coisas, sempre fui muito centrada nos meus estudos; isso é notável só pelo fato de ter entrado na faculdade com 16 anos e nunca ter namorado uma vez sequer na vida.
Sim, nunca namorei.
Sim, ainda sou virgem.
Fui criada em uma família tradicional e tudo o que a minha mãe não teve em sua adolescência e com meu irmão mais velho, ela quis para minha vida. Enquanto ele tinha largado a faculdade aos 17 anos, porque só queria saber de festas e bebidas, eu, aos meus 17, já estava no 2° ano da faculdade e no último ano do meu curso de inglês. Enquanto ele, aos 19 anos, já engravidou minha cunhada, eu, aos 19, tinha ganho um presente da minha faculdade como melhor aluna.
Não é como se meu irmão fosse a decepção da minha mãe, longe disso, ela foi dura com ele na época, como tinha que ser, mas hoje é amável e extremamente carinhosa com meus dois sobrinhos. Meu irmão se arrepende até hoje pelos atos na adolescência e minha mãe, ao saber disso, sempre fez o possível para que eu não fizesse o mesmo; o que, obviamente, eu não faria justamente por ser o oposto de meu irmão. Claro que eu não sou uma pura samaritana que odeia festas ou nunca ficou com ninguém, eu bebo quando estou com vontade, mas entre festas e Netflix, acho que dá pra saber a resposta.

Depois de uns 30 minutos, saí do banheiro arrumada e devidamente maquiada. Estava me sentindo confortável com minha escolha de roupa e meu conforto aumentou ao ver me olhando de cima para baixo como se gostasse do que via.
Eu estava com uma calça jeans clara de cintura alta, que valorizava muito bem meu quadril e coxas e que continha alguns rasgos nos joelhos, uma blusa de mangas compridas rosa, que deixava meus ombros à mostra, e uma jaqueta em mãos, caso fizesse mais frio. No meu rosto, apenas fiz uma maquiagem básica, dando ênfase nos meus olhos com um delineado de gatinho fino e um batom vinho levemente forte em meus lábios.
estava com as costas encostadas na cabeceira da cama enquanto assistia algo na TV; provavelmente não aguentou mais esperar pela minha demora e teve que se distrair com algo. Sua boca abria e fechava levemente enquanto ele ainda me olhava e senti minhas bochechas corando com seu ato. Botei uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha e fui ao seu lado, para pegar minha bota de cano alto preta.

— Você está linda — se pronunciou, enquanto acompanhava todos meus movimentos. Senti meu rosto queimar mais ainda com seu elogio.
— Obrigada, você também está. — E ele realmente estava. O mais velho usava uma calça jeans preta, que parecia ser levemente apertada, uma camiseta branca com alguns dizeres que não saberia o que era, pois sua jaqueta preta estava um pouco fechada por conta do frio, e uma bota marrom que eu já o tinha visto usando em várias fotos pela internet. Ele realmente estava lindo. Na verdade, quando ele não estava? — Vamos? — Precisava sair daquele quarto, pois estava prestes a ter um ataque ou atacar alguém.
O olhei e sorri de leve, me levantando enquanto estendia a mão para ele. prontamente pegou em minha mão, devolvendo meu sorriso e depositou um beijo leve nas costas de minha mão, me fazendo respirar fundo.

Eu não sei se vou conseguir sobreviver a essa viagem.

Por Deus, ele vai me deixar louca.


.


Por Deus, ela vai me deixar louco.

Eu já tinha reparado na beleza da garota antes, obviamente, porém a cada minuto ela parecia mais e mais bonita.
É surreal perceber o quanto ela fica linda com a cara inchada de sono, com cabelos bagunçados e também o quanto fica linda ao estar toda arrumada e de maquiagem.
Mas o seu natural... ela sem maquiagem era absurdamente adorável. Sim, até agora eu não consegui achar outra palavra para descrevê-la melhor que essa.
é tão absurdamente adorável que me assusta.
Tudo o que ela fazia e falava estava sendo absurdamente adorável aos meus olhos. Eu estava criando um apreço enorme por ela e me jogando de cabeça nessa pseudo-relação que estávamos criando, que não estava nem aí se teriam consequências depois. Por mim, parecia que valia a pena. De alguma forma, ela fazia valer, e eu só a conhecia por apenas 24 horas, o que fazia tudo ficar mais assustador ainda. Nem a minha última namorada, com quem passei quase 2 anos, tinha me feito sentir coisas que fez nesse período curtíssimo de tempo.

Quando suas amigas chegaram sem a garota ao hall do hotel, eu imediatamente me preocupei e, antes de perguntar onde ela estava, Louie, uma de suas amigas, me disse que ela quis ficar na cama, alegando dor de cabeça, e eu desanimei instantaneamente, pois queria vê-la. Queria conversar com a garota e já sentia falta de seus lindos e brilhantes olhos .
Sim, era estranho tudo o que eu estava sentindo. Eu já disse isso?

Ao sentir meu desapontamento pela garota não estar lá, Louie me deu a ideia de tentar convencê-la a nos encontrar e enviei uma mensagem tentando algum mísero tipo de resposta dela; o que quando não veio em segundos, me fez me levantar de onde eu estava e ir ao seu encontro. Patético, eu sei. Eu estava sendo ridículo querendo atenção de alguém desse jeito. Eu, , que poderia ter qualquer um aos meus pés, estava querendo atenção de uma única pessoa.
E ao chegar ao seu quarto e vê-la ali, tão natural e usando um moletom que é da minha linha de roupa, eu perdi qualquer tipo de raciocínio feito por mim no período que estive longe dela nessas últimas horas. Por um segundo, parado naquela porta, eu quis beijá-la.
Quis tê-la em meus braços e quis tacar o foda-se para todas as consequências que viriam depois desse meu ato. Eu sabia que, se eu fizesse isso, as coisas entre a gente seriam totalmente diferentes, eu poderia perdê-la assim que eu fosse embora de São Paulo e não sei se estava disposto a correr esse risco. Porém, eu também sabia que, caso eu a beijasse nesse momento, talvez as coisas entre a gente melhorassem mais ainda.
Será que valia a pena fazer isso agora?
Eu posso esperar mais um pouco, certo?
Eu posso esperar até saber quando a veria novamente, não é?
Eu sei que, se fizesse isso, a garota não iria largar tudo e todos por minha causa, muito menos iria acompanhar a minha turnê daqui para frente para ficar ao meu lado. Eu não sou burro e tenho o pé no chão. Foi uma luta para conseguir convencê-la a nos acompanhar no show da cidade vizinha, imagina o que teria que fazer para ela ir ao resto da turnê. Nesse curto período de tempo que estou convivendo com a garota, pude ver o quanto ela é uma mulher incrível. Sim, mulher. Eu sei a diferença de idade que existe entre nós dois e sei que ela está apenas com seus recém 20 anos de idade, mas mesmo com a pouca idade e o rosto angelical, eu consigo ver em uma mulher incrível, que irá se tornar uma profissional foda. Ela já consegue ser independente e ter suas próprias opiniões e acho isso sensacional. Por mais que sinta algo por mim, em relação à minha vida profissional, eu sei que ela jamais faria algo apenas para me agradar, se não fosse algo que ela quisesse também. tem seu jeito de pensar e uma personalidade forte. Mesmo sendo tímida e ficando corada a cada olhar meu, ou com algo que digo a ela, consigo ver seu olhar decidido em certas coisas, sinto que a brasileira dá a cara a tapa para defender o que acredita e não tem medo do que os outros irão pensar em relação a isso, e eu estou achando sensacional, além de ser uma amiga incrível e leal. Ela é uma menina-mulher que não tem medo de dizer o que pensa, mas não aguenta receber um elogio. Se sente insegura por se achar menos bonita que outra mulher, mas é confiante o suficiente para enlouquecer qualquer homem neste bar.
E isso despertou minha total atenção.

Nos encontrávamos no bar do hotel, depois de termos jantado, em uma área VIP que Sophia, minha assistente pessoal, tinha reservado para a gente. O bar se encontrava cheio, com música alta e muitas pessoas dançando. Era como se fosse uma balada no térreo daquele lugar. Brasileiro realmente gosta de festa e faz uma aonde for.
Como estávamos afastados de todo aquele público, por estarmos em um local acima deles, eu conseguia ver várias pessoas dançando e se divertindo ao som das músicas em português que tocavam. Eu não estava entendendo nada da letra, mas conseguia me mexer e curtir do mesmo jeito, era instantâneo. Desde que chegamos, eu estava no mesmo lugar, olhando o pessoal se divertindo lá embaixo, totalmente perdido em meus dilemas sobre a garota brasileira de olhos brilhantes, desde que chegamos ao hall do hotel. Minha cabeça estava trabalhando a mil pelo que aconteceu em seu quarto alguns minutos atrás.

— Vai ficar parado aí olhando pro pessoal lá embaixo ou vai dançar? — veio ao meu encontro, me despertando de meus pensamentos. Eu estava um pouco afastado de todos, sozinho. Por um segundo, tinha esquecido de tudo e todos ao meu redor... bom, quase de todos.
Fiquei de costas para as pessoas lá embaixo e vaguei meu olhar sobre o pessoal à minha frente. A garota que ainda continuava em meus pensamentos estava nesse momento rindo de algo que Jeff tinha dito para ela em seu ouvido.

Espera.
Quê?
Qual é, Jeffrey?
Entre tantas outras você vai justo nela?

Olhei para , que tinha visto para onde meu olhar tinha seguido, e senti a garota se divertindo com meu nervosismo.
— Não se preocupe com isso, admira muito o Jeffrey por conta de tudo o que ele faz em relação à carreira dele, ele foi uma das inspirações dela ao escolher seu curso — disse, ao me ver ainda analisando os dois. Então seu nome era ? Droga, aposto que Jeffrey já sabia disso, pois adorava chamar as pessoas pelo nome em vez de chamar pelo apelido.
Algo em meu peito não quis aceitar a fala de . Senti aquela agonia crescendo mais e mais. Meu lado narcisista não queria que ela dividisse a atenção que deveria ser minha com mais ninguém. Acho que eu deveria ter ficado com ela trancado naquele quarto ao invés de termos descido, não foi uma escolha sábia trazê-la para cá onde ela estava tendo a atenção de qualquer homem desse lugar.
Sim, eu estava com ciúmes.
Não tem como me julgar, ela realmente estava linda.
Quando chegamos ao bar, a atenção toda foi para nós dois. A de algumas mulheres caiu sobre mim e a dos homens caiu sobre ela. não fazia ideia disso, provocava a todos sem nem querer. Ela era desse jeito naturalmente.

Não respondi à garota ao meu lado e apenas respirei fundo, cruzando meus braços. Jeff terminou com Glenne semana passada e eu sabia que estava querendo achar alguma diversão por aí, só não imaginava que a diversão que ele queria seria justamente ela. Ele não faria isso comigo, faria?
Bom, Jeffrey não pensa muito quando ele e Glenne brigam e sempre quer tirar a dor dele de alguma forma, mesmo que caia sobre alguém.
Meus sentidos ficaram todos em alerta quando o vi botar a sua mão na cintura de .
Ok, ele está indo longe demais.

Antes que eu pudesse fazer algo, já estava na frente deles e tirou de lá, o que me fez soltar o ar que não sabia que estava prendendo, me deixando aliviado por um momento. Vi abraçando de lado e a levando para o banheiro feminino.
Acho que estava devendo uma para a garota.
Percebi que estava andando quando tinha parado a poucos passos do cara que eu chamava de melhor amigo. O cargo dele ficaria livre se ele continuasse com isso.
— O que você pensa que está fazendo? — Voltei a cruzar meus braços enquanto tentava passar toda minha raiva e insatisfação em minha voz.
— Sobre o que você está falando? — Jeff se ajeitou no sofá onde estava, me dando espaço para sentar no lugar que a minha garota estava poucos segundos atrás. Minha raiva aumentou ao lembrar das mãos dele indo parar em sua cintura. Fechei meus olhos, respirando fundo para não estrangular meu amigo ali.
— Por que você estava dando em cima da , Jeffrey? Tanta mulher bonita por aí e você vai logo dar em cima dela, sério isso? Ela é minha fã! — Tentei usar a desculpa do fã com ele, pois não precisava saber dos meus reais motivos. Esperava que desse certo.
— Ah, por favor! — Jeffrey se levantou rolando os olhos e ficou em minha frente. — Só você acha que pode falar com a garota? Estávamos apenas conversando! Enquanto você dava uma de analisador do local, eu vi a garota sozinha aqui e vim conversar com ela, o problema não é meu se você não sabe como agir perto dela. — Como ele tinha coragem de falar isso? Beleza que às vezes eu travo e não sei o que dizer, mas isso não é maneira que se fale. — E não usa essa desculpa de fã não, comigo não rola. — Droga.
— Não importa, Azoff, você sabe exatamente o motivo pelo qual ela está aqui, você não tem direito de dar em cima dela desse jeito, você é meu amigo, porra! — retruquei, indignado. Eu sabia que não poderia exigir tanto de Jeffrey agora e muito menos marcar território com desse jeito, não éramos namorados e muito menos ficamos ainda, mas eu não pude deixar que isso acontecesse, ele era meu amigo, ele sabia o que estava acontecendo entre eu e ela, ele não podia fazer isso.
— Olha, eu sei que você tá mal por conta de Glenne e eu entendo. — Respirei fundo, tentando controlar minha raiva. Meu amigo estava ferido por causa do término e não estava pensando direito. — Mas eu te peço que pense direito no que vai fazer. Você e a Glenne vivem terminando e voltando, vocês foram feitos para ficarem juntos e não acho que isso de ficar com qualquer uma aqui no Brasil vai te ajudar a esquecê-la, muito pelo contrário, você vai ficar mais culpado ainda, então, como seu melhor amigo, eu peço para que você pense bem antes de fazer qualquer coisa.
— Por favor, não vem com esse papo sobre a Glenne e dizendo que é meu amigo, pois você só está falando essas coisas para que eu não agarre sua nova preciosidade. — Jeff voltou a se sentar no sofá enquanto dizia. Sua voz mostrava todo o desprezo que sentiu ao ouvir minha fala anterior. Seu cenho estava franzido enquanto ele focava seu olhar para o teto. Me senti péssimo. Meu melhor amigo estava mal e sofrendo e eu só conseguia pensar na garota que estava com ele. Se fosse outra ali, talvez eu nem tinha intervindo.
Merda, eu era um péssimo amigo.

Respirei fundo, deixando a culpa se apossar de mim e me sentei em seu lado.
— Cara, sinto muito por tudo isso. Eu achei que você e a Glen iriam voltar logo, sabe? Vocês sempre fazem isso e não achei que seria tão sério assim. — Botei a mão em seu ombro e apertei forte, tentando passar algum tipo de conforto para meu amigo. Jeff apenas suspirou pesado, fechando os olhos enquanto passava a mão em seu rosto. — Você já tentou falar com ela?
— Já, cara, ela não me atende — suspirou. — Tô sentindo que agora foi de vez. — Suspirou novamente e jogou sua cabeça no encosto do sofá, fechando os olhos. — Não sei se consigo viver sem ela, mate. Eu não sei.
E eu sabia disso. Jeffrey e Glenne eram o tipo de casal que você não consegue ver separados, pois não os imagina com outra pessoa. Eles terminam de vez em quando por coisas bobas, mas em um ou dois dias estão de volta declarando amor para os ventos. Porém, dessa vez, parecia ser sério, estavam uma semana sem se falar, e mesmo Jeff não demonstrando isso sóbrio, eu sabia que estava acabando com ele. Meu amigo era um livro fechado que nem eu e às vezes nem se abria para mim.
— Vai dar tudo certo. Depois do show do México, vamos ter esse tempo em casa e você vai poder vê-la e vai tentar conversar com ela, não se preocupe. Ela te ama, mate. Eu e você sabemos disso. — Dei batidinhas em suas costas enquanto ele assentia. Jeff me puxou para um breve abraço, demonstrando gratidão pela minha fala.
— Desculpa pela , cara. É que eu não tinha reparado ainda o quanto ela é interessante — suspirou, sorrindo sem graça para mim. — Na verdade, eu já tinha reparado hoje mais cedo — riu fraco. Fiz careta. — Eu sei que não tenho chance nenhuma com ela por sua causa, mas eu quis testar pra ver o que conseguia. Ela me parece muito gente boa. Mesmo sendo errado, seria bacana estar com ela esses dias.
— Como assim por minha causa? — Arqueei a sobrancelha. Tentei ignorar a parte que ele estava reparando o quanto ela era interessante e que queria ficar com ela naqueles dias em nossa passagem pelo Brasil, pois o meu ciúmes poderia aumentar mais, e me foquei na parte do "não tenho chance nenhuma com ela por sua causa." O que ele queria dizer com isso?
— Fala sério, né, ? É muito óbvio que a garota é doida por você. Enquanto eu tentava pôr todo meu charme pra cima dela, ela estava te olhando daqui de 5 em 5 segundos para ver qual seria seu próximo passo. Acho que, se você estalar os dedos, a garota vem correndo pra você. Nenhum cara aqui tem chances com ela, a não ser você. — Eu não sei explicar a volta que meu coração deu ao ouvir isso. Será que era verdade ou ele tinha visto coisas? Afinal, Jeff estava bêbado, então eu não poderia confiar na palavra de um bêbado, não é? Se bem que alguns dizem que eles são mais verdadeiros que alguém sóbrio.
Senti minha respiração acelerar com sua confissão.
Eu deveria tentar?
Será que era verdade?
O que eu tinha que fazer para testar isso?
Será que valia a pena?
E se ela me rejeitasse?
Droga, eu não ia conseguir ser rejeitado por ela.
Tantas perguntas e nenhuma coragem para agir.
Fechei meus olhos, tentando acalmar meu coração, mas meu olhar foi atraído para um ponto daquele lugar onde a calma que estava tentando ter se esvaiu totalmente quando ouvi uma nova música começar.

(Coloque Blinding Lights - The Weeknd para tocar)

Vi sendo carregada por suas amigas até a pista de dança. Ela se deu por vencida e começou a dar tímidos passos de dança enquanto ria para . Adorável. Respirei fundo enquanto olhava para ela. Seria a primeira vez que iria vê-la dançar de tão perto assim, ontem foi no meu show enquanto milhares de pessoas estavam ao seu lado.
Ela estava com um sorriso imenso no rosto e começou a cantar a música.

Yeah
I been tryna call
(Eu tenho tentado te ligar)
I been on my own for long enough
(Eu estou sozinho há tempo demais)
Maybe you can show me how to love, maybe
(Talvez você possa me mostrar como amar, talvez)

Seu olhar caiu sobre mim e paralisei.

I'm going through withdrawals
(Estou passando por abstinências)
You don't even have to do too much
(Você nem precisa fazer muito)
You can turn me on with just a touch, baby
(Você pode me excitar apenas com um toque, amor)

estava dançando com e enquanto passava suas mãos pelo seu corpo.

I look around and
(Eu olho ao redor e)
Sin city's cold and empty (oh)
(A cidade do pecado está fria e vazia, oh)
No one's around to judge me (oh)
(Não há ninguém por perto para me julgar, oh)
I can't see clearly when you're gone
(Não consigo ver direito quando você vai embora)

Eu estava sem palavras.

Ela estava cantando para mim?

I said, ooh, I'm blinded by the lights
(Eu disse, ooh, as luzes me cegaram)
No, I can't sleep until I feel your touch
(Não, eu não posso dormir até sentir seu toque)
I said, ooh, I'm drowning in the night
(Eu disse, ooh, estou me afogando na noite)
Oh, when I'm like this, you're the one I trust
(Oh, quando eu estou assim, você é o único(a) que eu confio)
Hey, hey, hey.

Minha respiração estava acelerada e sentia todo meu corpo responder àquela canção. dançava e cantava enquanto olhava para mim. Passava suas mãos por todo seu corpo repetidamente enquanto me fazia desejar ser aqueles dois pares pequenos de mãos.
Mãos sortudas dos infernos.


I'm running out of time
(Estou ficando sem tempo)
'Cause I can see the Sun light up the sky
(Porque eu já posso ver o sol iluminar o céu)
So I hit the road in overdrive, baby, oh
(Então eu peguei a estrada em alta velocidade, amor, oh)
The city's cold and empty (oh)
(A cidade está fria e vazia, oh)
No one's around to judge me (oh)
(Não há ninguém para me julgar, oh)
I can't see clearly when you're gone
(Eu não consigo ver direito quando você vai embora)

Ela estava cantando e dançando para mim.
Eu já falei isso?

I said, ooh, I'm blinded by the lights
(Eu disse, oh, as luzes me cegaram)
No, I can't sleep until I feel your touch
(Não, eu não posso dormir até sentir seu toque)

Eu não consegui me segurar e já estava caminhando em direção à garota. Eu podia jurar que senti seu sorriso vacilar ao me ver indo em sua direção, pois talvez não me esperasse fazer tal ato, mas continuou com ele hipnotizante enquanto carregava meu olhar. Ela não desviou dessa vez.
Ela não corou dessa vez.
Ela queria aquilo, tanto quanto eu.

I said, ooh, I'm drowning in the night
(Eu disse, ooh, eu estou me afogando na noite)
Oh, when I'm like this, you're the one I trust
(Oh, quando eu estou assim, você é o(a) único(a) que eu confio)

Botei minhas mãos em sua cintura e continuou dançando e mexendo seus quadris, sentia olhares de todos presentes ali na gente, mas eu não me importava, não quando ela dançava desse jeito para mim.
Dessa vez, quem começou a cantar foi eu.

I'm just walking by to let you know
(by to let you know)
(Eu estou passando para te avisar)
(Para te avisar)
I can never say it on the phone
(say it on the phone)
(Eu nunca consigo dizer isso pelo telefone) (Dizer isso por telefone)
Will never let you go this time (ooh)
(Eu não te deixarei partir dessa vez, ooh)
I said, ooh, I'm blinded by the lights
(Eu disse ooh, as luzes me cegaram)
No, I can't sleep until I feel your touch
(Não, eu não posso dormir até sentir seu toque)
Hey, hey, hey

entendeu o que quis passar na música e me abraçou pelos ombros com um sorriso enorme no rosto, me fazendo abrir outro também. Ela estava ali reagindo aos meus toques em sua cintura enquanto me olhava intensamente com seus lindos olhos brilhantes totalmente focados em mim.

Hey, hey, hey

Ela sabia das dificuldades. Ela sabia o que podíamos ter com toda essa loucura. Ela era ciente das consequências, mas ela me queria, tanto quanto eu a queria.
Seria loucura? Por Deus, que fosse então.
Me chamem de louco, me prendam agora se isso for errado. Eu estava totalmente cego como diz a música e as luzes que me cegaram foram os brilhos dos olhos dela.

I said, ooh, I'm blinded by the lights
(Eu disse, ooh, as luzes me cegaram)
No, I can't sleep until I feel your touch
(Não, eu não posso dormir até sentir seu toque)

A música terminou eu não consegui desviar meu olhar dela. Tinha alguma coisa nessa garota que me prendia totalmente e eu não fazia ideia do que era, mas eu estava amando isso. Queria sentir essas sensações pelo resto de minha vida.

Subi uma de minhas mãos que estavam em seu quadril para seu rosto e fiz um leve carinho em sua bochecha, fazendo-a fechar os olhos enquanto grunhi baixo de satisfação com meu ato. Minha respiração acelerou e meu corpo arrepiou só de ouvi-la suspirar.
Meu Deus, ela ainda vai me matar.
Aproximei nossos corpos e senti uma de suas mãos se instalar em meus cabelos, puxando alguns fios enquanto meu corpo inteiro tremia de excitação. Eu já conseguia sentir o desconforto em minhas calças desde que ela começou a dançar e cada pedaço de meu corpo implorava por ela ali e agora.
Avancei em sua direção e encostei nossas testas, sentindo-a olhar intensamente em meus olhos.
— Assim não tem auto controle que funcione, garota — disse, e apertei mais sua cintura. Ouvi rir fraco e suspirar fundo. Tudo o que consegui ver em suas íris foram desejo, fogo e determinação. Ela estava mesmo disposta a jogar tudo pro alto e aproveitar o ali e agora que nem eu.
Eu estava disposto a fazer isso, mas acho que Deus não me tem como seu favorito filho agora e senti alguém cutucar meu ombro, nos interrompendo. Respirei fundo para não mandar quem quer que fosse para a puta que pariu. Olhei para a pessoa inoportuna ao meu lado e vi Mitch me olhando com as sobrancelhas arqueadas.
— Desculpa interromper vocês, mas, , uma de suas amigas está passando mal no banheiro e, , preciso falar com você — Mitch disse, sério, enquanto intercalava o olhar entre eu e . O corpo da brasileira prontamente ficou tenso com a fala de Mitch e ela começou a respirar nervosa.
— O que houve? Qual delas? — disse, avançando em sua direção, o empata-beijo apenas estendeu o braço para a garota, pedindo calma.
Mitch não era uma das pessoas mais falantes que conheço e muito menos o que mostrava emoções. Entre todos que poderiam dar o aviso sobre aquilo, quem veio foi ele e não fazia ideia do porquê. estava com seis amigas e apenas uma delas passando mal, eu tinha certeza de que não tinham nos avisado antes justamente por elas terem tomado conta disso, e como nos encontrávamos antes, prestes a nos agarrar, ninguém seria doido de interromper. Bom, nem todos. Mitch veio e nos interrompeu, pois ele não queria que acontecesse. Nunca achei que iria ficar bravo com meu amigo daquele jeito. Por que ele tinha feito isso?
Antes que eu perguntasse para o garoto em minha frente, que continuava com a sobrancelha arqueada para mim, senti as mãos de em meu braço e foi aí que percebi que ainda a segurava, não deixando a garota ir de encontro a suas amigas.
— Eu... Preciso ver qual delas está passando mal. — A timidez de voltou e suas bochechas coraram. Apenas assenti e sorri fraco enquanto a soltava. Acompanhei a garota indo até o banheiro pelo olhar.
Ao ver que ela sumiu da minha vista, respirei fundo e olhei novamente para Mitch, que estava de braços cruzados e sobrancelhas ainda arqueadas. Imitei seu gesto, tentando passar que aquilo não me assustava. O que realmente era verdade, apenas estava curioso para saber seus motivos.

, o que você pensa que está fazendo? — Mitch me disse, em um tom baixo tentando me repreender.
— Eu estava em um ótimo momento até você me atrapalhar, Rowland. Por quê? — Imitei seu tom e semicerrei meus olhos.
— A garota é sua fã, . Sabe se lá quando você vai vê-la novamente, isso se for ter algum contato depois dessa viagem. O que você sente é totalmente diferente do que ela sente, isso pode significar muito mais pra ela do que pra você, mate. Você demonstrou realmente estar interessado nela, mas está tão interessado ao ponto de machucá-la assim? — Mitch disse, em um tom desapontado. Eu não estava querendo machucá-la, isso seria a última coisa que eu faria. Ele não sabia das minhas conversas com , ele não sabia de nada.
— Eu não iria machucá-la, Rowland. Eu realmente gostei dela — respondi, em um tom irritado.
— Ah, não iria? Então você iria beijá-la agora e aí? Vocês só vão passar esses dois dias juntos, , mas e depois? Ela ia voltar pra vida dela e você ia continuar sendo o fodástico Mister conhecendo o mundo, ou eu estou errado? — Mitch não fazia ideia do que estava falando. Balancei minha cabeça negativamente, indignado com as coisas que ele estava dizendo. Era um absurdo falar como se a brasileira não estivesse tendo um significado na minha vida. — , você sabe que eu estou certo — Rowland suspirou e botou as mãos em meus ombros, me fazendo olhá-lo. — Sim, ela é linda. Sim, ela é especial. Você acha que eu não vejo isso? Está na sua cara e no jeito que você olha para ela, mate. Você está gostando dela sim, , só um cego não consegue ver isso — riu fraco. — Você procurou a garota por rede social, se humilhou ao ponto de mandar mensagens e quase implorou para vê-la de novo, está pagando uma viagem para ela e para as amigas só para que ela fique perto de você. Não é qualquer um que faz isso, só que ela é diferente das outras, . Não a trate como uma qualquer porque você sabe que ela não é. Ela não irá ficar com você por todas essas coisas que você está fazendo, achei que você já tinha percebido isso.
— Eu jamais faria isso com ela, Mitch. Jamais! — disse, em um tom desesperado, arregalando os olhos. Eu nunca a trataria dessa forma.
— Se você continuar com isso que estava fazendo antes de eu chegar e atrapalhar vocês, você vai estar tratando-a como uma qualquer, quer queira ou não. Você iria ficar com ela esses dias e iriam ficar meses sem se ver, mesmo que tenham contato, você sabe que não iria ser a mesma coisa. Por que não tenta conhecê-la melhor antes de arruinar essa coisa bonita que está crescendo entre vocês? Sabia que isso pode ser no futuro algo muito bonito e promissor? — Eu odiava pensar nisso, mas Mitch tinha razão, eu não poderia fazer isso com ela. Toda a excitação em mim estava se esvaindo e consegui pensar direito.
Meu Deus, o que eu estava fazendo? Eu sabia que mudaria algo entre nós caso algo acontecesse ali, só não imaginava que seria ruim, pois não queria que fosse. Eu queria ela em minha vida e talvez ela não ficasse se isso continuasse. não era uma qualquer, não podia tratá-la desse jeito. Céus, não podia fazer com que ela se sentisse como qualquer uma, pois ela não era. Meu Deus, ela não era!
Eu preferia passar vontade hoje e o resto desses dias do que perder contato com a garota no futuro. Podia valer a pena sentir seu gosto, sentir seu beijo, ser extremamente feliz nesses dois dias tendo a garota em minha cama, mas me imaginar sem ela na minha vida agora seria estranho, por mais louco que fosse. Eu sei que a conheci ontem, porém aquele sentimento de que eu a conhecia faz séculos continuava em mim e não queria, na verdade, não conseguia deixá-la ir. Me chame de egoísta, se for o caso, eu não ligo, mas eu queria a garota em minha vida dali para frente, e não estava disposto a perder isso logo agora.

Respirei fundo e assenti, contrariado. Não era o que eu queria fazer no momento, mas eu precisava aceitar. Fui para o bar pegar algo para beber, se eu não fosse ter o que queria esta noite, pelo menos eu tinha que afogar as minhas vontades no álcool.

~~~~~x~~~~~

Eu estava sentado com Jeff, Mitch e Adam no sofá, conversando animadamente enquanto as meninas estavam do outro lado também conversando. Não sei o que aconteceu, mas a gente se dividiu entre homens para um lado e mulheres para o outro. Desde o acontecimento na pista de dança, eu e não conseguimos ter um momento sozinho para conversar sobre aquilo. Tudo o que tivemos até agora foi uma troca de olhares. Sentia que a garota queria me falar algo e estava agoniada para fazer aquilo, mas não tinha coragem o suficiente para me chamar e conversar. Eu queria fazer isso, mas a vergonha falava mais alto. Estava me sentindo culpado e agoniado por ter passado uma imagem diferente para ela. Eu queria que ela soubesse que sim, eu a desejava, mas não podia jogar tudo para o alto com ela, merecia muito mais que isso.
Éramos dois covardes cheios de vontade e com muitas coisas para falar, mas sem ter como agir.
Me doía pensar que talvez eu tivesse que voltar a pisar em ovos com ela. A nossa cena na pista de dança já virou assunto na roda dos meninos e já estava sabendo que foi assunto na roda das meninas também. Adam tinha me falado que, quando foi para o banheiro ver como Lorena estava, as meninas a encurralaram na parede para saber o que tinha acontecido. Adam disse que ouviu Sarah falando com Louie e acabou deixando isso escapar enquanto eles perguntavam para mim o que tinha acontecido. Assim como , eu também fiquei sem resposta. Eu não sabia o que tinha ocorrido. Afinal, nos conhecemos a pouco tempo, não é?
O que me intriga nessa relação que estava criando com é que ela me despertou sensações que, se fosse qualquer outra mulher ali, eu não tinha me importado e ela já estaria na minha cama mesmo respeitando todas. Mas Mitch tinha razão, eu fiz tanto pela garota nesse curto período de tempo que eu nunca iria fazer por nenhuma outra. Eu sei que Mitch me repreendeu justamente sobre isso, afinal, o fato de ter a visto em meu show, ter convidado a garota e suas amigas para almoçar comigo e para viajar comigo muda totalmente o rumo da conversa. Se eu tivesse a achado bonita e apenas a desejava, eu poderia muito bem ter mandado mensagem para ela vir para o hotel sozinha, sem as amigas. Eu iria querer um momento a sós com ela, não é mesmo? Então por que chamar as amigas? Por que passar um dia inteiro com ela e com as garotas sendo tão cuidadoso com todas? Por serem minhas fãs? Pode até ser, mas eu sei que existe algo a mais nisso, eu mesmo não sei o que está rolando dentro de mim e isso me apavora. Eu queria que ela gostasse de mim. Queria que as amigas gostassem de mim para falar bem de mim para a garota. Senti um carinho enorme por cada uma ali de imediato. Queria mostrar para que eu me importava com ela e suas amigas. Queria que ela me adorasse do jeito que estava a adorando. Eu sei que repito isso sempre, mas por tudo que é mais sagrado, eu só queria fazer isso.
Me apavora saber que, pela primeira vez, eu não estou no controle do que vai rolar a seguir. Eu sempre fui muito metódico em meus relacionamentos e sempre sabia como agir e como fazer, mesmo me entregando as vezes de cabeça em alguns. Sempre sabia meu próximo passo, pois ou era chamar a garota para sair, dar algum presente, ou levá-la para jantar, até chegar ao momento de mostrar uma canção ou fazer uma canção para a garota.
Mas com ? Eu não fazia ideia.
E se ela me chamasse para conversar e falasse que não queria mais me ver?
E se ela viesse conversar dizendo que não gostou do que eu tinha feito?
E se ela viesse me dizer que estava, sim, gostando de mim?
Eu seria capaz de recusá-la mesmo não querendo fazer isso?
Eu deveria chamá-la para ir a mais shows? Talvez assistir o último show da turnê.
Deveria chamá-la para conhecer minha família? Será que minha mãe iria gostar de conhecê-la?
Ah não... Acho que já estou indo longe demais.
Se a minha mãe soubesse o que estava acontecendo entre nós dois, ela iria pegar o primeiro avião para o Brasil apenas para conhecê-la.

, sinto muito pelo o que eu fiz mais cedo. Eu apenas achei que era o certo no momento. — Mitch botou a mão em meu ombro, tentando chamar minha atenção. Mais uma vez, tinha me perdido em pensamentos enquanto a olhava. Isso estava sendo mais comum do que o normal. Ela realmente estava muito bonita hoje.
Suspirei.
— Está tudo bem, você fez o certo e tem razão. Eu não faria tudo o que fiz até agora por qualquer outra garota, então não deveria tratá-la como uma qualquer, pois ela não é. — Fechei meus olhos e respirei fundo. — Eu tô assustado, mate. Isso nunca aconteceu antes. Por que eu estou fazendo tudo isso? — O olhei desesperado. Mitch me olhou com ternura e apertou meus ombros, sorrindo de leve.
— Você está gostando dela, meu caro amigo. Isso é normal, você não está sabendo como agir e o que falar porque está acontecendo rápido demais. Se ela fosse uma pessoa que a partir de hoje frequentasse seu círculo de amizade e que você poderia ver todos os dias ou pelo menos duas, três vezes por semana, eu seria o primeiro a fazer de tudo para vocês dois ficarem juntos, só que a situação é outra. A vida de vocês dois é totalmente diferente uma da outra e não tem como ignorar isso. Eu sei que você não quer ficar só aos beijos e amassos com ela, mas se você fizesse isso agora, se você passasse esses dois dias com ela, você iria passar meses sentindo falta da garota; você iria passar meses se machucando e se martirizando por não tê-la por perto… Você acabou de sair de um relacionamento. Mesmo sabendo que não está a usando para esquecer Camille, você iria sofrer novamente, e mesmo sabendo também que teríamos ótimas canções, não posso deixar você passar por isso — riu fraco. — Sua dor se transforma na minha. Você merece muito mais, . Eu sei que ela pode te oferecer exatamente o que você precisa, só não acho que seja agora.
Meu queixo estava no chão. Mitch nunca fora o cara que fazia esse tipo de discurso emotivo. Mesmo namorando Sarah, tudo o que eu já ouvi o homem em minha frente falando foi um "eu te amo" tímido para a garota. O jeito que ele observou o meu com me fez entender muito mais do que eu imaginava de nossa situação.
Pisquei os olhos, tentando voltar à realidade e engoli em seco, tentando assimilar o discurso de Mitch.
— Cara, eu... — Tentei achar palavras para respondê-lo, mas não achei. Eu estava assustado com tudo aquilo.
— Eu sei, , eu sei que você está sentindo algo pela garota, eu sei que você estava e está com medo por tudo isso. Na verdade, todos conseguem ver, menos você e ela. Você sempre foi como eu, fechado com suas emoções, mas ao conhecê-la, você se abriu totalmente e eu consigo ver dentro de você nesse exato momento.
“Você conseguiu encontrar uma garota totalmente aberta com seus sentimentos e te assustou por ela ter despertado coisas em você nunca sentidas antes em tão pouco tempo. Eu consigo ver nos olhos dela o quanto você é importante pra ela, o quanto você significa na vida da garota, mas eu sinto te dizer, irmão, ela não vai largar tudo pra te acompanhar, ela não vai largar tudo pra viver esse romance com você só porque você viu em algum filme que deu certo. Acho que já deu para perceber o quão decidida ela é em certas coisas, não é?” — Assenti. E era verdade, ela tinha uma personalidade muito forte mesmo sendo muito tímida. — Então, como você acha que seria esse relacionamento de vocês? Porque eu sei que você não iria desistir dela quando fosse embora, você iria ficar nisso a distância? — suspirei e encostei minha cabeça no encosto do sofá. Ele estava coberto de razão. Ela estava virando importante na minha vida e mesmo tendo todo esse desejo sobre ela, iríamos ficar apenas dois dias juntos, não iríamos começar um relacionamento a distância com apenas dois dias, seria ridículo. Como iríamos ficar depois? Tudo iria realmente desandar e poderia até perder contato com ela e não é o que eu quero.
— Eu não quero perder contato com ela — desabafei. — Quero ela em minha vida, entende? — Assentiu. — Não quero que as coisas fiquem ruins entre a gente.
— Iriam ficar se você tivesse beijado ela naquela hora, você não acha? — Assenti, contrariado. Droga, o que deu em Mitch para estar tão inspirado assim?
— O que você acha que eu tenho que fazer? — O olhei suplicando por ajuda.
— Vocês podem conversar sobre isso e você pode deixar as cartas na mesa. Pode dizer que tem algo mudando em você mesmo com pouco tempo e você diz que quer ela em sua vida e que não quer estragar as coisas entre vocês, mas que está, sim, começando a gostar dela.
— Você acha que daria certo? E se ela fugir ou algo do tipo? — me desesperei. — Não, Mitch, não posso dizer isso pra ela.
, ela sente o mesmo, confia em mim. A diferença é que ela já gosta de você já faz algum tempo e te conhece já tem anos, você a conheceu agora, então ela sabe que precisa de um tempo. Você pode dizer que quer a amizade dela, e caso vocês consigam se ver de novo em um período maior de tempo, e se for da vontade dos dois, vocês podem tentar algo. Em minha opinião, seria a melhor coisa a se fazer, dois dias é pouco demais.
— Você tem razão. No aeroporto mais cedo eu acabei deixando escapar para ela que eu queria a amizade dela, e que se fosse também de sua vontade, queria ela em minha vida por muito tempo — confessei para Mitch.
— Então mate, já está tudo certo! Você já disse que quer ela em sua vida e provavelmente ela também quer, vocês podem curtir esses dois dias que ainda restam tentando conhecer mais um sobre o outro e aí, quando formos embora, você mantém contato com ela até quando puder. Depois, se for da vontade dos dois, você pode chamá-la para ir a algum show de novo, quem sabe passar a semana com a gente. Eu sei que você realmente não vai deixá-la em paz depois de tudo isso e irão ficar amigos. Mesmo que não fique, Sarah amou conhecê-la, então acho que, de alguma forma, iremos vê-la de novo.
— Eu já até pensei em apresentá-la para a minha mãe — Confessei, baixinho, e Mitch riu alto.
— Sua mãe iria adorar conhecê-la, ela já sabe dela? — neguei. — Quando você contar, se prepara para ver as duas conversando por horas pelo telefone — ele riu e eu o acompanhei. Minha mãe iria querer virar melhor amiga de , a garota era incrível e tenho certeza de que minha mãe iria amá-la.
— Obrigado pelos conselhos. Nunca achei que você seria tão útil assim — brinquei. Mitch me deu um soco de leve no ombro e nos abraçamos rápido.
— De nada, cara, eu tô sentindo que vou ser padrinho desse casamento — Mitch riu ao me ver fazendo careta. Ok, ele talvez tenha ido longe demais.
— Padrinho de qual casamento? — Sarah veio ao nosso encontro e sentou no colo de Mitch, fazendo-o sorrir bobo para ela. Eles eram uma graça juntos. Droga, eu só queria isso para mim também.
Meus olhos se desviaram dos dois e foram para a garota em minha frente, que me olhava sorrindo fraco. estava com suas bochechas coradas e mãos inquietas. Ela ainda estava nervosa sobre o nosso breve acontecimento de mais cedo, assim como eu. Eu daria de tudo para saber o que se passava naquela linda cabecinha. Será que ela estava como eu? Será que o que tinha acontecido na pista de dança tinha lhe afetado?
A afirmação de minhas perguntas veio quando ela sentou ao meu lado no sofá quando Jeff a ofereceu o lugar. Todas se sentaram por ali e engataram uma conversa animada que nem eu e estávamos afim de participar. Olhei para ela e a senti nervosa, como se estivesse ansiosa e agoniada para fazer alguma coisa. Meu corpo congelou quando senti a respiração da garota acelerar ao olhar para um ponto abaixo de meu corpo e esfregar suas coxas umas nas outras.
Mesmo estando com uma calça preta, era um pouco notável o... pequeno volume em minhas calças se alguém conseguisse prestar atenção, e bom, ela estava. O porquê? Não fazia ideia, mas eu adorei ter a atenção da garota para esta parte de mim que aclamava por ela.

Não, , se controla!

Lembra das coisas que o Mitch disse, você não pode fazer isso com ela, não pode!
Deus, por que a respiração dela está cada vez mais acelerada? Por que ela continua olhando para minhas calças? Puta merda, assim não tem como aguentar.
Minha respiração se igualou a dela e sentia todo o corpo da garota tenso que nem o meu, o aperto que ela dava em suas coxas agora me dizia que ela estava tão necessitada como eu.
Céus, ela estava necessitada por minha causa? Desculpa, Mitch, eu queria mesmo levar em consideração o que você me falou, mas não tô conseguindo enquanto ela está desse jeito.

, você está bem? Quer um copo de água? — chamou a atenção de e consequentemente a minha. Um lado de mim estava aliviado por ter mais uma interrupção, pois não saberia o que fazer se ela continuasse me olhando naquele lugar daquele jeito, mas outra parte pervertida de mim estava triste, pois estava gostando de ter a atenção dela em um lugar que queria possuí-la.
Se controla, !
— Eu estou sim, por quê? — respondeu, tentando controlar sua voz para não transmitir a pura rouquidão que estava. Puta merda.
— Você está arrancando todos os fios de sua calça rasgada. — E era verdade. estava com uma linda calça jeans que possuía alguns rasgos e neles tinha alguns fios da calça dando um charme nela. Os fios de sua peça jeans estavam quase todos arrancados, as mãos de estavam vermelhas pela força que fazia. Olhei surpreso para a garota, que estava vermelha que nem um pimentão. Eu sabia o motivo que ela estava assim. Seria mentira minha se eu falasse que não senti meu ego inflado depois disso.
— Ah isso… Eu estou bem, só estava pensando em algumas coisas. — assentiu. — Nada importante. – Outch. Sei que ela tinha falado aquilo para não dizer o real motivo, mas doeu um pouco.
— Você está tomando seus remédios, não é? — Espera. O quê? Que remédios seriam esses?
— Sim, eu estou. Não se preocupe — respondeu, baixinho, mas ela percebeu que eu estava escutando e seu corpo ficou mais tenso do que estava.
Uhm, que remédios? — Não me aguentei e perguntei. Será que ela tinha algum problema grave? apenas me olhou nervosa e não conseguia falar nada. Antes que eu pudesse perguntar de novo, Louie tinha a chamado para ir ao banheiro a ajudar em alguma coisa e a garota respirou aliviada por não ter que conversar aquilo comigo, o que estranhei instantaneamente. Seria tão ruim assim para não me contar? Antes dela ir, cochichou algo no ouvido de , que apenas assentiu me deixando mais intrigado ainda. — , você pode me dizer qual remédios seriam esses? — Senti fazer uma careta de leve e olhei para a garota ao meu lado, suplicando por resposta. Ela apenas respirou fundo e assentiu.
sofre de ansiedade e precisa tomar remédios pra isso. As crises começaram quando ela perdeu o avô, mas eram crises pequenas que a mãe dela não deu muita importância na época. Quando ela entrou na faculdade, aos 16, as crises aumentaram por não suportar tanta pressão e começou a se consultar com uma psicóloga que acabou receitando os remédios — respondeu, baixinho, como se não pudesse falar sobre.
Meu coração apertou. tinha falado mais cedo sobre a dificuldade que foi quando entrou na faculdade, só não imaginava que tinha sido tão ruim assim para ter que tomar remédios para ficar melhor. Imaginar a garota chorando e tendo crises de ansiedade me deixou apavorado, ato que não passou despercebido por .
, a está bem. — Pegou em minhas mãos, me fazendo olhá-la nos olhos. — É que somos preocupadas demais com ela e ficamos no pé dela sobre isso. Teve um tempo que ela tinha parado de tomar os remédios alegando estar bem, mas as crises pioraram, só soubemos disso semanas depois, quando ela tinha simplesmente sumido de todas as redes sociais sem dar notícia nenhuma e estávamos preocupadas com ela. — desviou seu olhar de mim e vagou pelo local como se estivesse afogada em lembranças. — tinha o contato de um amigo próximo dela e fomos contatá-lo para saber o que tinha acontecido, e ele nos disse que ela tinha... — Suspirou. — Que ela tinha parado no hospital por uma crise.
Minha respiração ficou falha e meu corpo todo tremeu com a possibilidade de imaginar a garota em uma cama de hospital, fragilizada.
— Ele disse que ela tinha parado de tomar os remédios e não tinha dito para ninguém, aí aconteceram umas brigas na faculdade onde uma vaca da sala dela tinha a chamado de incompetente por ser mais nova, como se idade falasse algo. — Bufou. estava realmente brava ao relembrar de tudo aquilo. Ela tomou as dores de sua amiga e por um segundo, meu coração se aqueceu por saber que tinha amigas tão incríveis como a garota em meu lado. — Foi ridículo, sabe? Ela nunca gostou da e ela já tinha falado dessa nojenta pra gente, mas foi a gota d'água. Aquela mulher falou várias coisas ridículas para ela, o que a fizeram mal e foi parar no hospital na época. Ela ficou só um dia de observação, mas o médico a impediu da garota pegar em seu celular para tentar relaxar, e isso acabou deixando a gente sem notícias. — Sorriu de leve. — Quando viemos para essa viagem, todas nós sabíamos do jeito de e sempre fomos muito preocupadas com ela porque... — parou de falar e abaixou seu olhar para nossas mãos.
— Por que o quê, ? Você pode me falar, por favor! — supliquei.
— Ah, ... — suspirou, fechando os olhos. — sempre foi muito mais apaixonada por você do que todas nós. — Senti minha respiração sumir com sua fala. — Ela sempre foi muito de mostrar tudo o que sente, sabe? Não sei se você percebeu isso. é como se fosse um...
— Livro aberto — assenti, completando sua frase.
— Isso! é um livro aberto cheio de emoções, dores, dramas e sensações. Ela sempre foi a que mais sentia tudo de todas nós. é do tipo de pessoa que quando sente, ela sente muito. Mas quando ela não sente, ela não sente absolutamente nada. As coisas com ela sobre foram muito ou pouco. 8 ou 80, entende? — Assenti. E como entendia. — Não vou mentir que estávamos preocupadas com ela por conta dessa aproximação toda de vocês dois, como eu te disse, ela sempre foi a que mais sentiu algo por você entre todas nós, então estávamos com medo dela passar mal durante a viagem. Ela é muito insegura em relação a várias coisas. — Sua fala me lembrou de quando a vi tremer por conta da aeromoça, era isso então? — Estávamos com medo - e ainda estamos - dela criar algum tipo de insegurança na cabeça dela em relação a você e passar mal, mas até agora ela está se mostrando bem até demais o que nos deu um certo alívio. Ela não tem crise desde ontem de madrugada. — me olhou com ternura e abriu um sorriso mostrando todos seus dentes.
— Qual foi o motivo da crise dela de ontem? — Me preocupei.
— Eu acho que já te contei demais, . Isso é algo muito pessoal dela, mas eu garanto que, se você a perguntar, ela irá lhe contar tudo, já que você é o principal salvador para que ela fique bem. — apertou minhas mãos.
— Você está dizendo que eu tenho algo a ver com isso?
— Mas você tem tudo a ver com isso, ! A só melhorou das crises dela quando ela te conheceu. Desde os 13 anos dela, você tem sido como se fosse uma válvula de escape da garota e se ela está bem hoje, é por sua causa.
Eu não conseguia descrever a mistura de emoções que estava sentindo ao ouvir tudo aquilo. Eu a ajudei sem nem a conhecer?
— Eu sei que pra você é tudo novo isso, mas você é uma pessoa incrível, . Você não só a ajudou, mas ajudou todas nós em vários momentos de nossas vidas. Se você for perguntar pra cada uma de nós sobre o que eu estou falando, iremos ter pelo menos umas três ou quatro situações em que estávamos mal e quem tirou a gente dessa foi você. — A olhei embasbacado, eu não conseguia demonstrar nada além de surpresa. apertou minhas mãos. — Eu sou sua fã, , mas você não faz ideia da felicidade que senti ao ver você perto de , ao ver vocês dois conversando e rindo um para o outro.
— Ela é especial, — suspirei. — Muito especial. — A garota tombou sua cabeça para o lado e sorriu.
— Eu sei, e você é especial para ela também. Seja lá o que estiver passando em seu coração no momento, só te peço que não a machuque, ok? — apertou minhas duas mãos. — Eu sei que todas estamos aqui por conta dela, a gente consegue ver em seu olhar o quanto chamou sua atenção e não te julgamos por isso, muito pelo contrário. , eu queria te agradecer por tudo o que está fazendo por ela e por nós também. Ver minha amiga feliz depois de tanta coisa que aconteceu em sua vida é um alívio. — Senti os olhos de brilharem e a puxei para um abraço. Eu estava grato por aquela conversa e sabia exatamente o que fazer no momento.
Quando eu disse que queria em minha vida, eu realmente não estava brincando.

Deus que me ajude agora.

Não tem mais jeito, eu vou me entregar nisso de corpo e alma.

Espero que ela esteja preparada para ouvir algumas canções feitas sobre ela por aí.


Eight

(n/a: O capítulo a seguir contém algumas cenas que talvez possam ser fortes para alguns, a PP sobre uma crise de ansiedade um tanto forte. Aviso a todos que foi necessário para o desenvolvimento da história. Caso queiram pular, irei entender, porém é de extrema importância para a história dos protagonistas).


.


May, 29th, 2018.


Era difícil poder decifrar exatamente o que estava se passando dentro de mim. Acho que não tem palavra exata para descrever o misto de sensações que eu estava sentindo naquele momento. Era confusão, tristeza, desejo, felicidade e decepção, tudo ao mesmo tempo. Talvez a única palavra que consiga chegar perto disso tudo seria a palavra confusão.
Sim, eu estou confusa com tudo.
Confusa, pois não sabia o que pensar. Confusa, pois não sabia o que fazer. Confusa, pois não entendia o que se passava. Confusa, pois não fazia ideia do que fazer em relação ao . Confusa, pois não sabia se me afastava ou se o agarrava. Confusa, pois, para mim, que sempre teve a vida planejada a cada passo que eu dava, estava sem saber o que fazer pela primeira vez em todos aqueles anos.
Eu sempre fui muito boa em guardar meus sentimentos, mesmo sendo uma pessoa muito transparente. Tive que amadurecer à força em certos casos e o que ainda me deixou manter essa minha essência sempre foi a coisa que eu achava a mais bela do mundo e sempre tive vontade de saber como era: O amor.
Ah, o amor.
O amor que te faz abrir um imenso sorriso apenas de imaginar a pessoa amada.
Aquele amor que te faz tremer as pernas.
Aquele amor que faz seu coração acelerar só de ouvir, pensar ou ver a pessoa amada.
Aquele amor que te muda e move montanhas.
Aquele amor que eu sempre quis sentir.
Eu estava à procura disso e era uma amante incurável do amor.

Eu simplesmente amava ver filmes bobos e clichês onde sempre ficam felizes para sempre no final. Adorava ler livros clichês onde o mocinho sempre faz de tudo pela mocinha e no final tudo dava certo. Gostava de ir para qualquer canto da minha cidade e ficar em lugares estratégicos onde eu sabia que iriam passar vários casais felizes e de mãos dadas, apenas aproveitando a companhia um do outro.
Eu queria aquilo para mim. Eu estava à espera daquilo e não estava apressada, pois estava apenas com 20 anos recém completos, e mesmo sendo essa amante do amor e nunca ter namorado, acabei deixando essa minha paixão de lado para poder focar no que mais importava na minha vida no momento: A minha carreira.

Eu não me arrependo em momento nenhum de ter me fechado 100% no colégio e faculdade para relacionamentos. Eu sabia que se começasse a me envolver com alguém, por ser tão amante do amor como era, iria me distrair e meus objetivos iriam ficar de lado e eu jamais poderia decepcionar a mim e minha mãe daquele jeito. Ela merecia uma vida melhor e eu sabia que era a única que poderia dar isso para ela.
Minha mãe sofreu muito na mão de vários homens, principalmente na mão de meu pai e queria poder dar o melhor mundo a ela.
Eu não poderia me deixar distrair por mais uma coisa, por mais alguém.
Era engraçado o jeito que eu acreditava tão piedosamente no amor, mas tive que ver minha mãe sofrendo do mesmo por vários e vários anos. O que ainda me faz acreditar que o amor realmente existe são meus avós. Mesmo com a morte de meu avô, alguns anos atrás, minha avó ainda o ama mais do que qualquer coisa nesse mundo e foram apenas separados pela morte. Queria poder ter isso, esse amor que te faz sonhar acordada e sorrir pelas paredes. Não lembro como eles eram, pois, infelizmente, meu avô morreu quando eu tinha apenas 9 anos, mas o pouco que eu lembro dos dois me faz acreditar fortemente que o final feliz existe de certo modo.

Em todos esses anos, a única coisa que foi minha distração para almejar meus objetivos sempre fora a mesma que era meu refúgio nos tempos mais difíceis. Na verdade, eu até agradeço a ele por isso, pois, justamente por depositar tudo o que gritava dentro de mim para ele, eu acabei esquecendo de qualquer outro garoto perto de mim porque eu sabia que ninguém chegaria aos pés de em minha vida. Minhas exigências sobre um garoto eram simplesmente inalcançáveis, pois tudo o que eu queria em alguém apenas ele tinha e eu sabia que ninguém poderia substituí-lo.
Tudo o que eu sentia dentro de mim, que gritava para sair, que urrava para ser de alguém, foi todo transmitido para ele e, em todos esses anos que eu o conheço, meu amor sempre fora dele mesmo não fazendo ideia de quem eu era.

Só que agora tudo mudou.
sabia quem eu era.
me queria em sua vida.
quase me beijou.

Não tenho como usar minhas exigências dizendo que ele não chegaria aos pés de ou não poderia comparar com ele, pois ele é o .

Deus, o que eu faço agora?

Céus, eu estou tão confusa. Meu coração aperta em meu peito só de imaginar os anos que passei pensando neste momento. Por que então, quando finalmente está para acontecer, eu estou assim, me sentindo... Triste? Eu deveria estar feliz, certo?
Sempre foi ele e por que eu estava me sentindo desse jeito? Eu deveria estar subindo paredes de felicidade, pois queria me beijar. Se Mitch não tivesse atrapalhado, e eu teríamos ficado e neste momento estaríamos fazendo só Deus sabe o quê.
Por que meu coração então está doendo por imaginar isso?
Era o que eu sempre quis, certo?
Então por que cada parte do meu corpo me dizia o quanto eu estava errada?
Por que eu estava com uma vontade absurda de chorar?
Céus, são tantas perguntas que eu sei que nunca terei respostas.

Estou me sentindo estranha por conta de tudo isso.
Estou me sentindo triste, pois eu sabia que aquilo significava muito mais para mim do que para ele.
Eu estou me sentindo desejada, pois, pela primeira vez, eu sentia alguém olhando daquele jeito para mim e foi bom. Muito bom.
Estou me sentindo feliz, pois fui desejada por ele e estou me sentindo decepcionada, pois eu não achei que seria apenas mais uma na vida de .
Eu sabia que se aquilo fosse para frente, se eu tivesse beijado horas atrás, tudo isso terminaria quando ele fosse embora. Ele iria seguir sua vida e daqui uma semana nem iria mais lembrar de meu nome, enquanto eu iria ficar sofrendo pelos cantos, relembrando cada momento passado nessa viagem e o vendo em cada lugar que eu passasse. Claro que eu já irei fazer isso com beijo ou sem beijo, pois essa viagem já está marcada em mim, mas iria e vai significar muito mais para mim e para minhas amigas do que para ele.
A minha decepção nessa história está no andamento de tudo isso.

sempre mostrou ser um cavalheiro com as mulheres e muito respeitoso, o que sempre foi muito admirado por mim. Por mais que seja o mínimo que um cara possa fazer e ser com uma mulher, o jeito como ele mostra é para ser admirado. Desde quando começou a conversar comigo via Twitter, ele foi um demasiado cavalheiro, tudo que eu imaginava de seu jeito sensível e educado estava ali e confirmei tudo quando o conheci pessoalmente. foi um príncipe comigo e com minhas amigas, se mostrando ser exatamente o que sempre mostrou ser, tanto nas entrevistas quanto nos shows. Mas agora, analisando tudo, me faz pensar que talvez ele tenha feito tudo aquilo para tentar algo comigo e isso me deixa mais decepcionada do que brava.

Toda essa preocupação, os olhares e convites feitos por ele foram todos para tentar me levar para cama? Será que ele era desse jeito ou eu estou pensando todas essas besteiras para me sabotar mais uma vez e correr de vez daqui?
Dói imaginar que tudo tenha sido uma farsa apenas para ser a próxima em sua cama. Ele não faria isso, faria?
Talvez eu não conheça como imaginei que conhecia, afinal, sempre o vi por vídeos e fotos na internet e pessoalmente apenas o conhecia 1 dia. Talvez eu tenha criado uma imagem de em minha cabeça que não era real, não podia culpá-lo por eu ter feito isso. Talvez todas as coisas que falavam dele eram mentira. Talvez ele não era mesmo como eu achava que era. Talvez realmente fosse tudo uma farsa.
Ah, tantos talvez.
que estava com medo antes de conhecê-lo e quem tinha ficado decepcionada tinha sido eu.

Céus, como eu queria estar errada.

Como eu queria que nada disso que eu estava pensando fosse verdade. Como eu queria que tudo não tivesse passado de um mal entendido. Como eu queria ter visto os sinais errados. Como eu queria que aquilo não passasse de um sonho.
Eu não estava pronta para me desapegar de . Eu não estava em condições de deixar tudo o que sentia para trás por conta de uma decepção.
Não estava preparada para deixá-lo.
significava muito mais em minha vida do que muita gente.

O medo se instalou em mim ao pensar em todas essas coisas terríveis. , que fora minha fuga nos meus piores dias. , que fora a pessoa que eu sempre sonhei em conhecer. , que sempre fora meu orgulho em relação a tudo que fazia, tinha sido daquele jeito comigo? Ele não poderia ter mentido sobre tudo apenas para querer se enfiar em minhas pernas, não é? Sempre senti tanta verdade em seu olhar. O jeito que ele falou comigo no aeroporto horas atrás tinha sido tudo parte do seu charme?

Meu Deus, como eu estou confusa e repetitiva! Argh.

Eu me encontrava andando de um lado para o outro na varanda de meu quarto, enquanto uma batalha interna estava acontecendo em minha cabeça. Um lado de mim dizia que eu estava sendo paranoica sem razão e que tudo que eu estava pensando era a mais pura besteira, mas, ao mesmo tempo, outro lado de mim continuava insistindo em todas essas perguntas malucas e plantando inúmeras outras a cada segundo.
Eu estava a ponto de explodir e sabia que a única maneira para parar tudo aquilo seria chamar para conversar e tirar todas essas dúvidas. Mas com qual coragem? E o que eu diria?
", eu sou só mais uma pra você ou não?"
", você só quer me levar pra cama, né?"
", você sabia que eu sou virgem? Quer mesmo tirar a virgindade de uma fã? Pensa bem, garotão!"

Argh
, como eu sou ridícula! Eu não tenho direito de cobrar absolutamente nada dele, nos conhecemos tem pouco tempo e eu não quero de maneira nenhuma me mostrar invasiva ou abusada.

Mas se bem que… Eu tinha dançado olhando para ele.

Meu Deus, eu tinha dançado olhando para ele.

Puta. Que. Pariu.

Eu tinha feito a merda toda. Eu tinha deixado o álcool me levar e desliguei o foda-se no momento. Eu fiz vir até mim.
Eu fiz tudo aquilo.
Quem deveria estar me cobrando algo no momento deveria ser ele e não eu.
O que será que ele estava pensando de mim? Será que estava achando que eu estava tentando tirar proveito disso tudo? E se ele achar que eu apenas aceitei a viagem para seduzi-lo? E se ele estiver achando que eu não passo de uma maluca? Será que foi por isso que ele me evitou depois que Mitch o chamou?

Agora quem estava ocupando cada parte de meu corpo era a culpa. Eu não estava mais brava e, sim, culpada, nervosa e com medo. Mais do que nunca, eu deveria conversar com e mostrar que não era nada disso que ele estava pensando, mesmo não fazendo ideia do que se passava naquela cabeça linda. Eu tinha que mostrar para ele que mesmo querendo aquela dança e aquele beijo, eu não tinha ido para aquela viagem para isso. É, é isso.
Certo?
Deus, Eu. Não. Sei.

Resmunguei alto e me escorei no parapeito da varanda de meu quarto. A confusão em minha cabeça estava maior naquele momento. Eu literalmente não tinha ideia do que fazer. Já fazia quase meia hora que eu tinha dado uma desculpa esfarrapada para as meninas, alegando que minha dor de cabeça tinha voltado e que iria subir. Desde o momento em que eu estava no sofá com e , eu tentei sair de sua visão e tentei não pensar naquilo tudo, o que se tornava impossível, pois minhas amigas faziam questão de lembrar a cada segundo o que tinha acontecido. Na visão delas, eu era a garota mais sortuda do mundo, pois quase beijei e, na fala delas, ele não parava de me olhar, o que me deixava nervosa a cada passo meu, então tive que inventar essa desculpa ridícula e agora estava na varanda do quarto que estou hospedada, quase criando um buraco no chão a cada passo que eu dava de um lado para o outro, enquanto minha cabeça estava em guerra.

Suspirei alto e fechei meus olhos, tentando respirar fundo para me acalmar. Eu estava começando a sentir o tremor de minhas mãos aumentando e meus olhos se enchendo de água. Eu não tinha condições de ter uma crise de ansiedade logo agora e sozinha. Tentei fugir da festa para que isso não acontecesse lá e só percebi agora que foi pior ter vindo para cá e sozinha.
— Respira, . Respira. Você não vai ter uma crise logo agora — disse, para mim mesma, rangendo os dentes e tentando respirar e soltar o ar enquanto contava de 1 até 10. O pior de tudo é que eu nem poderia recorrer à minha fuga de sempre, pois o próprio estava criando isso junto às minhas inseguranças ridículas.
Sentia o ar faltar de meus pulmões e a queimação de meus olhos aumentarem, não conseguindo evitar o soluço preso em minha garganta. Mesmo com as mãos trêmulas, tentei tampar minha boca para evitar chorar alto e grunhi tentando espantar o choro, mesmo estando na varanda, não queria que ninguém me ouvisse ou me visse desse jeito deplorável.
Eu odiava ter crises desse jeito. Toda vez que eu criava alguma paranoia em minha cabeça, eu sempre ficava desesperada demais e, quando via, já estava pensando o pior e chorando até não aguentar. Por mais que eu odiasse admitir isso, eu precisava de ajuda e sabia exatamente de quem seria.

Limpei as lágrimas que não paravam de cair de meus olhos e fui para o quarto atrás de meu celular. Eu não conseguia escrever mensagem nenhuma e sabia que, se ligasse, ela iria se preocupar ao ouvir minha voz, mas eu não conseguia pensar direito, eu só precisava de ajuda.
? atendeu no primeiro toque e sua voz soou fraca por conta do barulho da boate, eu não consegui responder de imediato. — , o que houve? Você está me deixando preocupada! — Ela voltou a falar e eu apenas deixei um soluço escapar de minha boca sem querer. — Você está chorando? Meu Deus, o que aconteceu? Você está no quarto? Eu estou indo aí. — A voz de soou extremamente preocupada e me culpei no mesmo instante por tê-la deixado assim, porém não consegui ver outra alternativa. — Aguenta aí, eu já estou indo. — Apenas ouvi a respiração acelerada de pelo telefone enquanto ela andava pela boate, provavelmente tentando sair de lá.
Ei, o que houve? Por que você tá com essa cara? Está tudo bem? Cadê a ? — Ouvi a voz do no outro lado da linha e meu corpo se arrepiou inteiro.
— Por favor, , não conta pra ele o que tá acontecendo. Tenta despistar, por favor. Não quero ele preocupado comigo. — Minha voz saiu totalmente rápida e desesperada enquanto soluçava.
Eu não ia suportar se me visse ou soubesse de como eu estava e como ele se sentiria sabendo que isso tudo está acontecendo por nossa causa. Sim, nossa. Eu sabia que ele não era o único culpado nisso, pois eu tinha culpa tão quanto e me odiava por isso. Meu choro aumentou mais ainda e percebeu, não consegui entender o que ela fez para despistar , mas, segundos depois, ouvi o som do botão do elevador. tentava me falar coisas reconfortantes pelo telefone, mas eu sentia sua voz mais desesperada que a minha, eu não estava mais tentando segurar os soluços e estava com uma parte de meu corpo debruçada na cama enquanto estava sentada no chão do quarto.
Eu odiava me sentir assim. Odiava me sentir inútil, incapaz, derrotada. Odiava precisar de alguém. Odiava precisar de ajuda.
Mas eu não tinha para onde correr, meus remédios acabaram essa tarde e eu não tinha contado para ninguém, mesmo sabendo o quão fácil seria ter uma crise com toda essa ansiedade de estar perto de , mas depois de ter passado uma manhã e tarde incrível com ele e não ter tido nenhuma crise ou início de uma, eu achei que ficaria bem, afinal, não tinha nada melhor do que ficar ao lado de quem era seu refúgio, não é?
Bom, eu não contava com tudo isso.

Apoiei minha cabeça em cima da cama enquanto minhas unhas passavam por todo meu braço, tentando me livrar daquela dor em meu coração enquanto deixava todo o choro entalado em minha garganta sair. Eu sabia que se tentasse parar de chorar agora, não iria adiantar, pois eu não tinha forças.
Antes de voltar com meu inferno interno, senti passos fortes pelo corredor e apareceu na porta do quarto segundos depois, com a respiração acelerada e com o rosto torcido em preocupação e desespero. Ela veio correndo em minha direção e segurou em meus braços enquanto tentava me levantar do chão. Eu simplesmente não tinha forças para nada.
— Amiga, o que aconteceu? Por favor, fala comigo — disse, com sua voz embargada, enquanto tentava me sentar na cama e eu apenas neguei com a cabeça, pois não conseguia verbalizar absolutamente nada.
Minha amiga apenas me abraçou e o mínimo que eu estava segurando dentro de mim desabei ao sentir seus braços me envolvendo. O choro se tornou mais alto e os soluços não paravam de sair de minha garganta, a deixando dolorida. não disse nada e apenas me abraçou forte enquanto fazia um carinho em minhas costas, tentando de alguma forma tirar aquilo de dentro de mim. Ela me deixou chorando em seu ombro por incontáveis minutos e só depois que percebi que chorava baixinho. Minhas amigas odiavam me ver assim e eu odiava estar assim. Céus, como eu odiava.
— Fala comigo, por favor — disse, baixinho e fungou enquanto tentava segurar minhas mãos que continuavam tremendo. Apenas a olhei e me odiei mais ainda ao ver a agonia e dor estampada em seus olhos por minha causa. Antes de tentar falar alguma coisa, ouvi vários passos e vozes vindo pelo corredor, uma em específica me desesperou: estava ali.
Se ele me visse naquele estado, eu não saberia como agir. não sabia de todas as minhas crises, eu pedi mais cedo para lhe contar um pouco sobre o motivo de tomar os remédios, mas eu não precisava de mais uma pessoa sentindo pena de mim. Demorei muito tempo para falar para minhas amigas, não ia aguentar ter mais um olhar preocupado e de pena para mim.

viu que minha respiração ficou mais acelerada ainda e arregalou os olhos ao ver minhas mãos tremendo como nunca, entrelaçadas às suas.
— Por favor, não deixa ele entrar, ele não pode me ver assim. Por favor, por favor, não deixa ele entrar. Por favor, eu não quero ver ele, por favor. Ele vai se preocupar demais, ele vai ficar muito preocupado. Por favor, eu não quero que ele se preocupe assim comigo, não quero machucar ele — disse, desesperada enquanto fechava os olhos e balançava a minha cabeça em negação.
— Calma, , eu tô aqui. Não se preocupa, ele não vai entrar. — me deu um abraço rápido e foi para a porta ao mesmo tempo em que ela se abriu, revelando e todas as minhas amigas ali. Apenas deu tempo de me virar de costas para que ninguém visse meu estado e tampei minha boca para evitar que alguém ouvisse meus soluços caso eu voltasse a desabar.

— O que aconteceu? disse que te viu saindo do bar desesperada enquanto falava no telefone, ficamos preocupadas. — Ouvi a voz de preocupada.
— Está tudo bem, eu só precisei tomar conta de algumas coisas. Vocês vão ficar ou vão descer? — disse, e dava para sentir claramente em sua voz o quanto ela estava agoniada com isso. Tentava respirar fundo para conter meu choro.
, você está bem? — Foi a vez de falar e meu corpo ficou tenso ao sentir a voz dele preocupada para mim. Ele não poderia me ver daquele jeito.
— Ela está bem, , só precisa descansar. Vamos dar isso para ela, sim? — disse, e apenas ouvi passos, imaginei ela o levando até a porta.
— Não me parece que está tudo bem, eu só queria conversar com ela, por favor. — Ouvi a voz de um pouco mais distante, totalmente desesperada e agoniada, provavelmente já se encontrava no corredor do hotel, tentando convencer para falar comigo. Meu coração apertou ao tentar imaginar a feição preocupada de nesse momento. Estava tentando ouvir ao máximo a conversa de , e agora Louie, que tinha se metido por algum motivo, mas fui interrompida ao sentir braços me envolvendo.
— O que aconteceu? Por que você está chorando? — disse, enquanto me abraçava forte e apenas devolvi seu abraço. Infelizmente, um soluço escapou de minha garganta enquanto escondia minha cabeça seus ombros e segundos depois os dois lados da cama se afundaram e senti as vozes de Iara e ao meu lado tentando saber também o que aconteceu, porém não conseguia falar absolutamente nada, apenas chorar. Como explicar para elas o que estava acontecendo sem parecer a pessoa mais idiota da face da terra? Como explicar a loucura que está minha cabeça? Seria impossível.

se desvencilhou de nosso abraço e se agachou em meu lado, tentando limpar minhas lágrimas. e Louie ainda estavam lá fora tentando impedir a passagem de para dentro do quarto, ele deve ter notado que o restante das meninas estava ao meu redor e apenas ouvir ele dizer "Me deixa falar com ela, por favor" antes de alguma delas fechar a porta para que ele não visse o que acontecia aqui dentro.
— Onde está seu remédio, você tomou? — Iara se pronunciou, e olhei para ela, que estava ao lado de , em minha frente, e apenas neguei com a cabeça. — Onde está que eu pego para você. — Continuou, falando enquanto rodava o quarto tentando achar minha mala. Apenas suspirei tentando encontrar forças para falar.
— Acabou... — disse, e senti minhas cordas vocais arderem com o esforço que fiz para falar enquanto soluços ainda saíam de dentro de mim.
— Eu vi que em frente ao hotel tem uma farmácia, vamos lá comprar para você — Lorena disse, enquanto já se levantava, apenas puxei seu braço e neguei com a cabeça. Já eram quase 3 horas da manhã, jamais iria deixar minhas amigas saírem tarde desse jeito e se arriscarem por lugares que não conhecem por minha causa.
— Por favor... não... Eu... tô bem.
— Você não está bem e não tem mais por que mentir. Você sabe que não pode ficar sem seus remédios, . Olha o que tá acontecendo — disse, me repreendendo, mas ao mesmo tempo conseguia sentir a calma e preocupação em seu olhar e apenas a olhei enquanto ainda tentava ter ar para meus pulmões.
Deus me ajude a passar pela noite de hoje.


.


Eu nunca tinha sentido tanta preocupação por alguém como estou sentindo neste momento. Todos os meus instintos me diziam para invadir aquele quarto e ver o que diabos estava acontecendo, mas, infelizmente, tinha ótimas seguranças, com ótimos argumentos e que não me deixavam passar. Mesmo elas falando que estava tudo bem e que ela apenas não estava disposta a conversar, eu jurei ter escutado um soluço de choro vindo do quarto e vi também o momento em que e as meninas foram para perto de , tentando confortá-la por algo. Se alguma coisa aconteceu, eu precisava saber. Eu queria conversar com ela, queria poder estar ao lado dela. Só o fato de pensar que ela estava mal por algo, me deixava desesperado. Eu não conseguia imaginar mal e chorando. O que seria capaz de tirar os brilhos daqueles olhos?

— Se nada aconteceu, então me deixa entrar para ver como ela está, eu só preciso disso, por favor — disse, pela milésima vez, para as duas em minha frente. e Louie estavam com os braços cruzados, em frente à porta, impedindo minha passagem.
Desde a hora em que Louie chamou ela para conversar, eu não conseguia achar e sentia que estava acontecendo alguma coisa. Tentei encontrá-la em todo o canto daquele lugar, até no banheiro feminino eu entrei para ver se a encontrava e nada. Imaginei que ela teria subido realmente para o seu quarto, mas o que me intrigou foi ela ter me evitado desde o nosso "momento na pista de dança", como se eu fosse um estranho qualquer. Desde então, estou tentando falar com ela para que a gente possa conversar, não queria que ela pensasse coisas erradas de mim e queria muito ainda aproveitar esses dois dias que nos faltam aqui no Brasil juntos. Eu realmente estava disposto a conversar e falar tudo o que estava em minha cabeça e em meu coração no momento. As palavras de Mitch ainda dançavam dentro de mim e eu sabia que era a coisa certa a ser feita. também tinha me falado coisas reveladoras e que eu precisava também conversar com sobre, tínhamos muito mesmo sobre o que conversar.
Aquela agonia que estava sentindo desde seu sumiço aumentou mais ainda quando vi correndo desesperada enquanto falava com alguém em seu telefone, o medo e a preocupação eram aparentes em seu rosto e tudo me remeteu a . A primeira coisa que se passou em minha cabeça foi a garota. Tentei falar com , mas ela me despistou, o que me deixou mais intrigado ainda. Não satisfeito com o ocorrido, chamei as amigas dela e falei sobre o que tinha acontecido, todas se alarmaram imediatamente e me acompanharam até o quarto das meninas, onde agora elas não me deixavam entrar.
Se não estavam deixando, é porque certamente algo tinha acontecido com a garota que tomava conta dos meus pensamentos e agora de toda a minha preocupação, e elas não queriam me falar.
, ela está bem e só precisa descansar, sim? O álcool não fez muito bem para ela, só foi isso — Louie disse, tentando passar uma imagem calma, mas eu conseguia ver a agonia estampada em seu olhar. A garota foi a que mais se preocupou quando eu fui falar com elas no bar. Ela não tinha visto como estava, mas eu vi quando e Louie trocaram um olhar intenso antes de tentarem me impedir de entrar. estava com a expressão cansada e seu rosto estava um pouco inchado, como se tivesse chorado poucos minutos atrás. Ela tentava passar também a imagem de calma, mas o pavor estava estampado em seus olhos, principalmente quando ela botava a orelha na porta levemente para saber o que acontecia lá dentro.
Antes de tentar rebater mais uma vez os argumentos das duas, Lorena e Iara abriram a porta com expressões tão preocupadas quanto as duas que estavam em minha frente. Viram que eu estava ali e prontamente fecharam a porta ao verem que eu tentava me desviar das duas para ver o que acontecia lá dentro.

— O que está acontecendo? — Bufei e disse para as duas, enquanto cerrava os dentes. Lorena e Iara olharam para e Louie como se quisessem ajuda e eu apenas revirei os olhos enquanto cruzava os braços. — Vocês também? Se algo está se passando, eu posso ajudar, sabia?
— Eu não acho que você vá conseguir ajudar desta vez, — Lorena disse, com a voz embargada e seu olhar demonstrava puro nervosismo. A fala da garota me deixou extremamente preocupado e mais desesperado para saber o que se passava.
— Por favor, o que ela tem? Me diz — disse, em súplica e segurei Lorena pelos braços. — Me deixa ajudar — suspirei. — Ela tá em crise, não é? — disse, cauteloso.
A garota arregalou os olhos e olhou para as amigas, procurando ajuda, as outras estavam tão surpresas quanto ela. Soltei seus braços e passei as mãos pelo meu rosto enquanto respirava fundo e comecei a andar de um lado para o outro.
Merda, estava em crise de ansiedade mais uma vez e agora bem perto de mim.
— Como você sabe que ela sofre de crises de ansiedade? Ela te contou? – disse.
— Não, eu meio que fiz me contar mais cedo — suspirei novamente enquanto fechava os olhos. — Ela me disse que as crises tinham parado e que o show tinha ajudado, não é? O que houve agora? — Me assustei com o tom desesperado em minha voz por um segundo. tinha me dito que a viagem estava a ajudando, o que diabos aconteceu para que ela piorasse assim?
— A gente não sabe ainda, ela não quis dizer, mas eu preciso ir à farmácia aqui na frente do hotel — Lorena disse, enquanto intercalava seu olhar preocupado entre nós quatro. — A crise dela tá piorando, ela não para de chorar e está com dificuldade de respirar por conta disso – continuou dizendo, enquanto deixava o ar que não fazia ideia de que estava segurando dentro de si. — Os remédios dela acabaram e não vejo essa crise melhorando, a gente já tentou de tudo e parece que só piora. — Lorena continuou desabafando com a gente e eu sentia a cada minuto o ar de meus pulmões sumir.
Lorena já sabia que eu estava a par das crises então não viu motivos para esconder as coisas também de mim, as meninas nem tentaram impedir e imagino que seja pelo mesmo motivo. O alívio de saber o que estava acontecendo veio, mas ao mesmo tempo ele saiu para dar ar ao nervosismo e desespero que tomou conta de cada parte de mim. Tentei avançar novamente para a porta e elas me impedirem mais uma vez. Eu sabia que, se fizesse mais forças, mesmo elas sendo quatro ali, não teriam chances, mas não quis forçar nenhuma delas a nada, mesmo querendo mais que tudo entrar naquele quarto.
Tentei me acalmar e respirei fundo ao ver as quatro em minha frente agoniadas com o estado da amiga. Não iria adiantar nada ficarmos desesperados ao mesmo tempo, a cada segundo que passava, poderia ser pior.
— Vamos fazer assim: Meninas, desçam e vejam se a farmácia aqui da frente realmente está aberta, se não tiver, vão à recepção e peçam algum tipo de calmante que talvez possa ajudar ela de alguma forma, qualquer coisa agora vai ser bom. Peçam para algum funcionário do hotel ir com vocês até a farmácia, é perigoso andar sozinha esses horários em qualquer lugar, mesmo sendo aqui na frente. — Lorena e Iara apenas balançaram a cabeça concordando e foram correndo até o elevador. Antes de irem, peguei minha carteira e dei vários reais nas mãos de Iara, deixando-a chocada com tantas notas. Mesmo não gastando quase nada em minhas viagens, eu sempre deixava notas de cada país que eu passava em minha carteira para emergências, e bom, ainda bem que tinha feito isso.
Antes de contestarem o tanto de notas que foi entregue nas mãos delas, a porta do elevador se fechou. Voltei meu olhar para as duas que estavam na porta do quarto, porém encontrei apenas Louie ali. provavelmente deve ter entrado no quarto para ver como a amiga estava.

Respirei fundo novamente enquanto tentava controlar minha respiração e andava de um lado para o outro novamente, tentando pensar em algo útil para fazer parado na frente daquela porta.
... Vai descansar, você tem um grande show amanhã e...
— Não! Louie, não me peça para tirar o pé daqui porque eu não vou — a interrompi, apontando um dedo para ela antes que ela terminasse aquela frase. Eu jamais iria sair dali sem saber que estava bem. — Você pode não me deixar entrar, mas eu não vou sair daqui enquanto eu ver com meus próprios olhos que ela já está bem. — Tentei conter o tremor em minha voz e falhei miseravelmente.
Louie apenas fechou os olhos, suspirou cansada e me puxou para um abraço. Estávamos no mesmo barco ali, os dois estavam preocupados com a garota e não fazíamos ideia de como ela estava, já que Louie não tinha pisado no quarto desde que entramos.
— Por favor, me deixa ver como ela está — disse, baixinho enquanto apertava mais Louie em meu abraço. — Por favor.
— Eu não acho que ela iria querer que você a visse assim, . é muito cabeça dura, foi uma dificuldade imensa para ela finalmente contar pra gente. Ela odeia saber que as pessoas sentem pena dela ou que ela precisa de ajuda. Eu estou até surpresa dela ter ligado para a pedindo socorro. – Louie suspirou e desvencilhou do abraço, me olhando chorosa. — Eu não acho que ela iria querer logo você a olhando dessa forma também, sabe? — Concordei com a cabeça e suspirei pela milésima vez naquela noite. Não estava sendo fácil esperar por notícias daquele jeito, então foi aí que tive uma ideia.
Peguei meu celular e procurei seu contato. Quando finalmente achei, botei a ligação em viva voz, com um olhar confuso da garota em minha frente. Assim que a ligação foi aceita, me pus a falar antes que desligasse.
— Por favor, não desliga e apenas me escuta — falei, rápido, antes que a ligação caísse.
, ela não vai falar com você agora. — Reconheci a voz de , cansada, do outro lado da linha. Imaginei que ela estava em outro cômodo do quarto, pois eu escutava algumas vozes, porém distantes, assim como escutava aqui de fora.
— Ela não precisa falar nada, só bota ela pra me ouvir, por favor. Eu só preciso falar com ela e, se eu falar tudo o que estiver pra falar agora, e mesmo assim ela não quiser me ver, eu vou embora. Eu juro — disse, e rezei para os céus que me entendesse. Olhei para Louie com expectativa enquanto esperava a resposta de . Tudo que ouvi foi um suspiro da menina e passos, a ligação ficou muda de repente e imaginei que ela tinha desligado, mas talvez botou apenas em espera para que eu não escutasse o choro de . Meu coração doeu mais ainda e a vontade de arrebentar a porta daquele quarto estava maior.
— Pode falar, . — Ouvi a voz de e respirei aliviado, provavelmente deve ter concordado e isso me deu um pouco de paz, mas ao ouvir ela fungando pelo outro lado da linha, provavelmente tentando segurar o choro e falhando, meu coração encolheu mais ainda e fiquei mais nervoso do que eu já estava.
... Eu não faço ideia do que aconteceu, mas... Eu só queria que você soubesse que eu estou aqui por você, tudo bem? — Tentei passar uma calma inexistente na minha voz para a garota em questão. Ela saber que eu estava tão nervoso quanto não melhorava em nada. — Eu e suas amigas estamos aqui por você — suspirei e me aproximei da porta. Louie não tentou me impedir. — Eu... Eu só queria poder te ajudar de alguma forma... Me deixa te ajudar, por favor, me deixa te ajudar — suspirei novamente, enquanto tentava conter as emoções dentro de mim. — me disse que eu era uma das pessoas que te ajudava com as crises, não é? Então, me deixa entrar e te ajudar. — Ouvi um soluço vindo de dentro do quarto e fechei os olhos. Apoiei minha cabeça na porta enquanto ainda falava. — Me deixa entrar e... E eu prometo que vou tentar te ajudar de alguma forma. Eu tô aqui por você, tá? — Outro soluço. — Eu... Droga, , por favor, por favor. — Minha voz saiu arrastada e baixa enquanto ainda estava com a cabeça apoiada na porta. — Você quer que eu diga o quê? Você quer que eu cante alguma coisa? Você quer ouvir alguma história? Eu conto pra você. Eu canto pra você. Eu faço qualquer coisa por você, apenas... Apenas me deixa te ajudar. Está me matando ficar aqui fora sem saber o que fazer ou sem saber como você está. — Minha voz estava embargada e eu nem tentei disfarçar aquilo. Eu me encontrava quase chorando por uma garota que conheci ontem e não me importava. Tudo o que eu queria naquele momento era entrar por aquela porta, pegar a garota em meus braços e mostrar que eu estava ali e que tudo ia ficar bem. Eu não estava mais me importando com porra nenhuma, eu só queria saber como ela estava.

A linha ficou muda por alguns instantes e tudo o que eu conseguia ouvir era uns soluços baixos e fungadas, provavelmente vindo das meninas que estavam no quarto, até que ela finalmente se pronunciou.
— Eu... Eu não quero que você me veja assim — disse, e não sei de onde tive forças para impedir a vontade de derrubar aquela porta mais uma vez.
— Eu não me importo, linda. Me deixa te ajudar, por favor. Amigos são para isso, não é? Se sou seu amigo que nem suas amigas, por que não posso te ajudar também? — Me peguei dizendo aquela frase, porém ao mesmo tempo não gostando muito da palavra "amigo". Eu queria que aquilo acontecesse, mas ao mesmo tempo um lado de mim dizia que eu queria muito mais que ser apenas amigo dela, porém agora não era momento para refletir isso. — Eu só quero estar aí por você... Eu não estou com pena de você ou algo do tipo... Só me deixa te ajudar. Abre a porta, por favor.
Quando terminei a frase, a ligação ficou muda e segundos depois a ligação caiu. Olhei para Louie, que ainda se encontrava ao meu lado, e a encarei desesperado. A garota já encontrava-se chorando e não escondia mais a preocupação.
Antes que eu pudesse ligar de novo ou falar algo, a porta se abriu para nós dois e avancei em direção à cama onde se encontrava com e ao seu lado.
Eu estava aliviado por ela finalmente ter me escutado e ter aceitado minha ajuda, porém ao mesmo tempo eu estava extremamente nervoso, preocupado, agoniado e desesperado. Eu queria fazer algo, mas não fazia ideia do quê. Eu só sabia que iria fazer tudo o que estivesse ao meu alcance e tudo que ela me pedisse.
Apressei meus passos e fui até a garota, que se encontrava ainda de costas para a porta. Parei em sua frente e me agachei, finalmente a olhando e me assustando com o que via.
encontrava-se com o rosto lavado em lágrimas e sua maquiagem estava simplesmente acabada pelo seu estado. Seu olhar caído e desesperado agora pairavam sobre mim. O medo, culpa e desespero neles eram aparentes e ela não tentava esconder nada. O pedido de ajuda não precisou ser verbalizado por ela por telefone ou naquele momento, eu conseguia ver em seus olhos como ela estava.
Mas, o que mais me assustou foi ao descer os olhos para seus braços e ver como estavam. Ela não estava mais com a blusa de mangas compridas de antes, tinha a substituído por uma regata leve e seus braços estavam completamente marcados por arranhões. Alguns lugares, estavam completamente vermelhos, como se a garota tivesse estado em uma briga com outra mulher e tivesse levado a pior, só que a outra mulher ali era ela mesma. Ela se arranhou, provavelmente por conta da crise que estava tendo e uma vontade absurda de chorar me atingiu novamente.
Tudo o que eu queria era protegê-la e tirar toda a dor que ela estava sentindo e transferir para mim. Nunca imaginei que alguém que eu conhecesse em tão pouco tempo iria significar tanto em minha vida quanto pessoas que estavam há meses e anos.

Eu não consegui falar nada e apenas a puxei para um abraço forte, enquanto uma de minhas mãos fazia carinho em seus cabelos, a outra envolvia seu corpo e tentava a deixar colada em meu tronco o quanto pudesse. Por eu ser mais alto, me ajoelhei no chão e fiquei quase em sua altura. teve a facilidade de me abraçar de volta e esconder o rosto lavado em lágrimas em meu pescoço. A garota realmente estava mal e qualquer um conseguia ver isso. Suas mãos tremiam ao lado de meu corpo e eu ficava cada segundo mais preocupado.
Tentei me desvencilhar de nosso abraço, apenas para tentar pegar em suas mãos, mas, ao sentir nosso leve afastamento, agarrou minhas costas com suas mãos, me puxando novamente para o abraço e me apertando como se implorasse para que eu não a soltasse, e assim o fiz.
Passei incontáveis minutos apenas abraçando e dizendo palavras reconfortantes para a garota enquanto ainda a abraçava na mesma posição e beijava toda a extensão do seu ombro e pescoço até seu maxilar várias vezes enquanto falava. Uma de minhas mãos não tinha saído de seus cabelos, ainda fazendo um carinho e a outra estava em suas costas, também acariciando-as de leve. Eu quis tentar passar para a garota naquele momento que eu não iria sair de seu lado por nada naquele mundo. Eu tentava dizer para ela o quanto ela era linda e especial. O quanto ela era importante na vida de cada uma de suas amigas e o quanto eu estava feliz por tê-la ali. Eu disse várias coisas que nem mesmo já me recordo, porém sei que todas foram de coração e sinceras. Queria que a garota se sentisse de alguma forma bem com minhas palavras.
Sweet Creature, had another talk about where it’s is going wrong… (Doce criatura, tivemos outra conversa sobre onde estamos errando…) — Comecei a cantar, baixinho em seu ouvido, uma de minhas músicas enquanto a balançava de leve. — But we’re still young, we don’t know where we’re going but we know where we belong… (Mas ainda somos jovens, não sabemos para onde estamos indo, mas sabemos onde pertencemos…).

Na metade da música, percebi que não soluçava mais e só fungava de leve em meu pescoço. Sua respiração estava menos acelerada e suas mãos não tremiam mais em minhas costas, o que me deu uma felicidade tremenda por ter ajudado de alguma forma.
— Sabe, eu não escrevi essa música para você, mas de agora em diante, ela vai lembrar muito, my new sweet creature. — Confessei, baixinho em seu ouvido. Abri meus olhos, que até então estavam fechados desde que tinha me ajoelhado ali, e olhei para as garotas que estavam no alcance de minha vista, dando de cara com e Louie com semblantes espantados. Assim como eu, elas perceberam que o choro de tinha cessado e que, de alguma forma, aquilo tinha sido com minha ajuda.
Sweet creature, sweet creature, when I run out of road, you bring me home… (Doce criatura, doce criatura, quando chego ao fim da linha, você me levar para casa…) — Voltei a cantar a música e, assim que terminou, as mãos da garota não tremiam mais e sua respiração estava leve e tranquila em meu pescoço, me dando pequenos arrepios, mas não me incomodando de maneira nenhuma.
— Se sente melhor? — me pronunciei, enquanto ainda fazia carinho em suas costas e cabelos. Apenas senti concordando com a cabeça com leve "uhum" fraco e sonolento que saiu de sua boca, me causando outro leve arrepio.
Me afastei novamente da garota e dessa vez ela não me impediu.
Levei uma de minhas mãos para seu queixo e a outra foi para seu rosto para tentar tirar os rastros intermináveis de lágrimas derramadas pela garota. Mesmo o seu soluço tendo parado, a garota ainda derramava uma lágrima ou outra, mas não era tão preocupante como seu estado de minutos atrás, o que me deixava bem mais tranquilo.
Beijei sua testa e fechou os olhos e deixou um sorriso leve escapar de seus lábios.
Ao abri-los, senti a minha garota de olhos brilhantes voltar novamente e meu coração se aqueceu. Sorri satisfeito por ter a ajudado de alguma forma e acariciei sua bochecha.
— Você não sabe a felicidade que estou ao ver que você está melhor — sorri abertamente e beijei de novo sua testa. — O que você acha de descansar agora? — disse, enquanto me levantava, mas sem tirar os olhos dela. Vi o cenho de franzir levemente enquanto ela parecia tentar buscar palavras para falar sobre algo. — Eu posso ficar, se você quiser. — Sentei ao seu lado, antes ocupado por , e suavizou sua postura e sorriu assentindo.

Meu coração revirou dentro de mim. Mesmo me sentindo um adolescente de 12 anos, eu estava feliz por saber que sua agonia de segundos atrás era porque ela queria que eu ficasse ali. Eu me senti querido e útil.
— O que você acha de tomar um banho agora? — Louie veio para nosso lado e pegou em uma das mãos de , a olhando com um olhar maternal. A garota olhou de Louie para mim e eu apenas a incentivei com um aceno para que ela soubesse que eu estaria ali quando ela voltasse. apenas assentiu com a cabeça e suspirou antes de levantar com ajuda da amiga. Louie já estava com as coisas de na mão, então foram direto para o banheiro.

Me ajeitei na cama e encostei as minhas costas na cabeceira, enquanto tirava minha bota e respirava aliviado. Olhei brevemente para as três garotas que ainda se encontravam no quarto e todas me olhavam com espanto e agradecimento misturado.
— O que foi? — disse, arqueando a sobrancelha.
— Incrível o jeito como você sempre consegue fazer isso — se pronunciou, e concordou com ela.
— Como assim? — Não estava entendendo o que ela queria dizer.
passando por uma das piores crises que já teve e foi só ela ouvir sua voz que tudo passou. — Dessa vez foi a que disse, e eu apenas ri sem graça e fiz uma careta de leve. Cocei minha barba mal feita, olhei para as garotas novamente e tudo o que conseguia ver em seus semblantes agora era a pura gratidão e divertimento sobre tudo.
— Que bom, né? Fico feliz de poder ajudar de alguma forma.
— Você sempre vai ajudar, , mesmo de longe. Fico feliz de saber que ela tem você para ajudá-la com isso — disse, novamente, e eu assenti sorrindo.
Se depender de mim, sempre que a garota precisar de minha ajuda, a partir de agora, eu irei fazer o possível e impossível para ajudá-la. Eu não quero ver naquele estado nunca mais.

Depois de alguns minutos, Louie saiu do banheiro, deixando sozinha para tomar seu banho. Mesmo ainda preocupado com o estado da garota, a amiga alegou que ela estava bem melhor e podia muito bem fazer isso sozinha, acabei concordando e tentando aliviar a tensão dos últimos minutos de meu corpo. A preocupação e nervosismo ainda continuavam lá, porém agora eram bem menores do que antes.

Lorena e Iara chegaram da farmácia com várias sacolas de remédios e também com besteiras para que se alimentassem.
Mesmo conhecendo todas há pouco tempo, eu já tinha criado um afeto muito grande por cada uma delas e a cada momento me sentia parte do grupo, por mais estranho que tudo isso seja.
— Você já pode ir se quiser, . A gente te manda uma mensagem depois avisando como ela está — se pronunciou. Prontamente, neguei com a cabeça e cruzei meus braços.
— Eu só vou sair daqui quando ela já estiver melhor e dormindo — disse, firme e todas me olhavam com divertimento. — O que foi? — Todas apenas deram de ombros enquanto soltavam risadinhas.
Antes que eu pudesse falar algo de novo, saiu do banheiro e mesmo sem estar mais com sua crise, dava para ver em seu rosto o quanto ela ainda estava mal com tudo o que tinha acontecido.
Eu não fazia ideia do que tinha ocorrido para ocasionar a crise e isso ainda me preocupava. As meninas tinham falado que era pela falta de remédio que tinha acabado mais cedo, porém nenhuma crise começa sem motivo aparente. Meu coração murchou ao ver todo aquele brilho em seu olhar totalmente apagado novamente.
estava com vergonha por tudo o que tinha acontecido e não conseguia olhar na cara de nenhum de nós.
Suspirei e me levantei, puxando-a de leve até a cama. Agradeci mentalmente quando ela não relutou e foi comigo para a cama.
— Se sente melhor? — disse, para a amiga. apenas concordou com a cabeça enquanto seu olhar estava em seu colo. Suspirei novamente e olhei para as meninas, pedindo em meu olhar um pouco de privacidade para conversar com ela, o que prontamente foi entendido pelas seis garotas ali.
— A gente vai tomar um banho e se ajeitar para dormir, ok? — foi para perto de e se agachou em sua frente. A garota apenas concordou com a cabeça de novo e não olhava para nenhuma delas. — Vamos deixar você a sós com o um pouco, tudo bem? Vamos usar o outro quarto para tomar banho, tá? – pegou no queixo de apenas erguendo de leve para ter alguma reação dela e tudo o que a garota fez foi novamente assentir com a cabeça e suspirar baixinho.
Todas as amigas dela foram até a garota e se despediram, nos deixando a sós no quarto.

Suspirei e me ajeitei novamente na cama, enquanto descansava meu tronco na cabeceira da mesma, puxei de leve para deitar ao meu lado, sem protesto nenhum da garota. Assim que nos ajeitamos, prontamente passou um de seus braços ao meu redor e me abraçou de lado, eu prontamente a abracei de volta e voltei a fazer um carinho em seus cabelos. Olhei para a garota e a vi dando um sorriso de leve ao receber meu carinho, fechando os olhos. Sorri também.
Era incrível como pequenos gestos que ela fazia me faziam tão bem. Tudo aquilo era tão novo e surreal que me assustava, mas eu gostava. E muito.
— Me desculpa — se pronunciou, e sua voz estava baixa e rouca como se fosse um esforço falar algo. Apenas a apertei em nosso abraço.
— Não tem que se desculpar por nada, você não teve culpa. — Beijei o topo de sua cabeça. — Fico feliz em ter ajudado.
— Você sempre me ajuda — riu fraco. — Eu só não queria que você me visse naquele estado — suspirou. — Não é fácil pra mim ver as pessoas que eu gosto se preocupando desse jeito comigo.
— Você não tem que se preocupar com isso, . Eu vou te ajudar no que for possível, eu prometo. — E eu realmente iria. No que ela precisasse.
— Não quero que sinta pena de mim — disse, e tentou se desvencilhar de nosso abraço, a puxei novamente para mais perto.
— Eu não estou com pena de você, muito pelo contrário. Você não sabe o quão forte você é e não precisa de ninguém sentindo pena de você. O problema é que você guarda tudo isso pra si e não pode mais ser assim. Às vezes conversar faz bem e eu sei que suas amigas te ajudam com isso, mas quanto mais ajuda você tiver, será melhor. Não precisa sentir vergonha de mim, jamais. Eu nunca vou te julgar ou sentir pena de você — confessei, para a garota enquanto falava baixinho em seu ouvido. — Se eu sempre te ajudei de alguma forma, mesmo estando longe, me deixa sempre fazer isso agora que temos contato. Eu prometo fazer o que tiver em meu alcance pra te ajudar, eu só quero que você se cuide e não esconda mais nada de mim, tudo bem? — disse, e apenas assentiu enquanto ainda me abraçava.
— Obrigada — suspirou. — Por tudo.
— Você não precisa me agradecer, mas eu quero que me prometa uma coisa. — apenas murmurou, me incentivando a continuar. Conseguia sentir o braço dela pesar em cima de mim, dando sinais de que já estava quase dormindo. — Eu quero que você me prometa que na próxima vez que você estiver com indícios de crise ou qualquer início de alguma coisa, você vai me mandar uma mensagem ou me ligar. Não importa o horário ou onde esteja, você promete? — disse, e ficou em silêncio por alguns instantes e eu não quis pressioná-la de imediato. Imagino que para ela não seria nada fácil aceitar ajuda depois de hoje. — Por favor. — Voltei a falar, enquanto beijava novamente o topo de sua cabeça depois de vários minutos em silêncio. apenas suspirou e levantou seu corpo de leve para me olhar.
— Eu não quero te...
, não. — A interrompi e botei minha não em seu queixo, fazendo-a olhar para mim. — Você não incomoda e muito menos vai me atrapalhar, eu já te falei isso várias vezes. — Levei minhas duas mãos para seu rosto e fiz um carinho de leve em sua bochecha. — Eu não estou fazendo isso por obrigação, me promete, por favor.
se sentou na cama, ficou na mesma posição que eu e suspirou. Arqueei uma sobrancelha, pedindo uma resposta e ela apenas revirou os olhos e assentiu com a cabeça. A abracei de lado, sorrindo abertamente e beijei sua bochecha, tirando um riso fraco da garota e a abraçando novamente.
— Você quer conversar sobre o que aconteceu? — Arrisquei dizer. — Se não quiser, não tem problema nenhum. Só quero que saiba que você pode me contar absolutamente tudo que você quiser, ok?
— Eu sei disso e obrigada, mas acho que minha cabeça está confusa e sonolenta demais agora para formular frases e dizer tudo que está em minha mente nesse momento. — Sorriu fraco.
— Não tem problema. Quando você estiver pronta para falar e se quiser, é só falar comigo ou com suas amigas, jamais guarde tudo dentro de si. É muito bom poder desabafar e tirar essa agonia de dentro de você. Talvez te faça bem. — A encorajei.
Você me faz bem, disse, baixinho, com uma voz totalmente sonolenta e se o quarto não estivesse silencioso com apenas nossas vozes e nossas respirações, eu não teria escutado e meu coração não estaria revirando em meu peito nesse momento. A abracei novamente, beijei o topo de sua cabeça e a senti totalmente mole ao meu lado, com a respiração tranquila.
Você também me faz, . Você também.

A tensão no ar tinha se esvaído totalmente e agora já estava bem mais tranquilo, nem parecia que tinha rolado todo aquele clima ruim minutos atrás. já se encontrava quase dormindo quando algumas de suas amigas vieram para o quarto. Contra meu gosto e por insistência delas, saí de lá, indo para o meu.

Mesmo sem ter entrado no assunto com , eu só queria poder entender o motivo de tudo aquilo que tinha se passado, assim como queria entender também o que se passava dentro de mim.
Nada daquilo era normal. Nada de tudo o que eu estava sentindo ou pensando era normal. Será que era certo? Por que diabos eu estava desse jeito? Por Deus, eu tenho 24 anos de idade e sou mundialmente famoso, por que eu estava me importando tanto com uma garota quatro anos mais nova que eu e que tinha conhecido há menos de 48 horas?

Depois dessa, o que mais vai acontecer até essa viagem acabar?


Nine

.

May, 29th, 2018.


Oi, Diário. Desculpa não ter escrito nada ontem à noite, mas é que eu não sabia o que dizer para explicar a bagunça que está minha vida nesse momento. Eu não sei o que está passando pela minha cabeça, diário. Sinto que minha vida deu uma reviravolta completa em 24 horas e que estou em um universo paralelo vivendo a vida de uma pessoa totalmente diferente.
Lembra quando eu falei que o tinha me mandado mensagem?
Nossa, você não faz ideia das coisas que aconteceram desde então.
Em 24 horas aconteceu mais coisas do que aconteceram nesses últimos 20 recente anos de minha vida. Eu irei tentar fazer um breve resumo para você:

Eu e conversamos;
Ele convidou minhas amigas e eu para almoçar;
Ele me convenceu a ir para São Paulo com ele e as minhas amigas;
confessou para mim que me quer em sua vida;
Fomos para São Paulo todos juntos;
Fomos para a balada do hotel com e sua equipe;
Eu dancei com o ;
Eu quase beijei o ;
Eu surtei por ter dançado e quase beijado o ;
Eu tive uma crise por ter dançado e quase beijado o e tive que pedir ajuda para ;
viu que eu estava tendo uma crise e ficou desesperado;
me tirou da crise;
cantou para mim;
Eu confessei a que ele me faz bem enquanto estava quase dormindo;
disse que eu o faço bem também;
Dormi agarrada em ;
E o dia amanheceu.

O resumo ficou bom ou você precisa de mais para ver a reviravolta que aconteceu em minha vida?
Em que mundo eu iria imaginar que um dia isso poderia acontecer?
Em que universo eu poderia imaginar que iria me ver tendo uma crise e iria cantar para mim?
Em que geração eu poderia sonhar em ser amiga do ?

Bom, está acontecendo. Eu não sei como, mas está. Juro que já me belisquei várias vezes pra ver se acordava dessa loucura, mas tudo o que eu consegui foi um roxo em meu braço.
A noite de ontem foi muito confusa, mas também reveladora. Eu tive uma das minhas piores crises por pura insegurança e paranoia. Criei coisas em minha cabeça que eu não deveria nem pensar, imaginei situações totalmente irreais e tive uma revelação grande que foi o que me fez dormir em paz e acordar muito bem hoje.

Não importa o que aconteça, não importa onde eu esteja, com quem eu esteja ou como seja: estará lá por mim. Eu sei que parece bobo e que talvez ele tenha falado da boca para fora apenas para me acalmar, mas, sabe quando você sente verdade na fala e no olhar da pessoa? Então, absolutamente tudo que eu sinto, ouço e vejo do , eu consigo saber que é real e que ele não está mentindo ou fingindo em absolutamente nada. É simplesmente ele ali. Ele é daquele jeito. Ele é real. Ele é verdadeiro.

Tudo o que me disse essa madrugada foi real e eu sinto dentro de mim que foi apenas uma das inúmeras conversas que teremos, assim também como foi uma das inúmeras revelações que eu tive.
Eu estava com tanto medo e pavor por algo tão besta, que acabei criando essas maluquices em minha cabeça, como se o fosse um tipo de pessoa que iria rir ou me julgar pelos meus sentimentos ou ações, mas eu tinha esquecido completamente da pessoa incrível que ele é e sempre foi.

me viu ter a pior crise que eu tive em quatro anos e ao invés dele se afastar por me achar uma maluca, ele foi a pessoa que me tirou do estado que eu estava. disse que queria me ajudar, que estaria ali para mim.
Ele cantou para mim, dá para acreditar?
Nem eu consigo. Ainda sinto arrepios em minha nuca ao lembrar da voz calma e serena de cantando Sweet Creature em meu ouvido e dizendo que essa música agora irá lembrá-lo de mim.
mais uma vez foi meu salvador, e dessa vez não foi por uma tela de computador ou na playlist de meu telefone.
Aquilo foi tudo real, ele realmente estava ali. Estava ali por mim.
Ele me fez prometer que não importa o que acontecesse, quando eu pensasse em ter uma crise de novo, eu iria falar com ele.
Ele realmente estava se importando tanto assim comigo, sabia? Meu coração se aquece ao saber que a pessoa que eu mais admiro nesse mundo, está criando algum tipo de afeto por mim do mesmo jeito que eu tenho por ele, e eu sei e sinto dentro de mim que ele não está fazendo por obrigação.
Eu finalmente consegui por em minha cabeça que ele está fazendo tudo isso porque quer. me quer em sua vida e eu não irei criar objeções nenhuma para isso.
Eu cansei de ser a insegura que não consegue ter nada de bom em sua vida. Eu quase me privei dessa viagem incrível por conta dela. Espero que agora ela pare de aparecer o tempo todo e me deixe ser feliz.
Ser feliz com ele. Com minhas amigas. Com meus objetivos.
Eu quero ser amiga do .
Eu quero aproveitar essa viagem da melhor maneira possível.
Eu quero estar ao lado dele e de minhas amigas.
Eu quero deixar todos os sentimentos ruins de lado e aproveitar São Paulo do melhor jeito possível.

Ai, Diário, eu acho que finalmente eu posso ser extremamente feliz se eu quiser.
E o melhor de tudo: Eu quero.
E eu vou.

Até mais tarde.
Eu tenho um café da manhã muito especial com meus amigos.”


Fechei meu diário o deixando na escrivaninha ao lado da cama e voltei a deitar. Minhas amigas ainda estavam conversando sobre coisas aleatórias enquanto terminavam de se arrumar.
Mesmo tendo dormido menos de 6 horas essa noite, acabei acordando muito disposta para o dia de hoje. Além de ser o dia do outro show, tudo seria diferente pois não iremos ter que ficar em fila para pegar um bom lugar já que iremos para o local com a banda. Com o .

Eu estou muito ansiosa para o show mesmo sabendo a setlist de trás para frente e ter vivido isso quase 2 dias atrás, mas eu sabia que seria algo totalmente novo e diferente. Além de estarmos tendo uma experiência completamente nova, agora podemos nos considerar amigas do cantor em questão. Não iremos como fãs, e sim como amigas.
Meu coração está muito aquecido nesse momento, fez questão de convidar minhas amigas e eu para assistir a passagem de som, acompanhar tudo de pertinho, então eu acordei feliz, elétrica; fui a primeira a acordar e me arrumar antes de todas, por isso voltei a me jogar na cama a espera delas.

Eu ainda não entrei no assunto “crise da madrugada” com nenhuma delas e também todas estão fingindo que nada aconteceu para não me pressionar, mas eu já captei os olhares de e para cima de mim perguntando o motivo de eu estar tão “diferente” do que eu estava horas atrás. E bom, o motivo é uma pessoa de olhos que tem a voz mais linda do mundo.

Já se passava das 9 horas da manhã e Sophia, assistente do , tinha vindo em nosso quarto alguns minutos atrás dizendo que era para irmos ao refeitório do hotel, pois todos estariam lá para tomarmos café juntos.
Eu ainda não tinha falado com o hoje e nem vi quando ele saiu do quarto essa madrugada, apenas senti um incômodo estranho depois de algum tempo quando não senti mais o calor de seu corpo perto de mim.
É, não posso me dar a esse luxo de me acostumar, não terei para me fazer dormir todos os dias.
Infelizmente.

Depois que vi todas arrumadas e prontas, abri a porta indo na frente.
— Nossa, pra quê a pressa? — disse com um tom brincalhão e ouvi risadinha de minhas amigas ao me verem apertando o botão do elevador com um pouco de força.
— Ansiosa para ver um certo alguém, ? — disse. Eu não estava ansiosa para ver ninguém, apenas estava com fome. Era isso, apenas fome.
— Há há, morri de rir. Eu estou morta de fome já que vocês demoraram séculos para se arrumarem como se fossem para um desfile e não tomar café. — Digo com a cara fechada. Eu sabia que elas estavam brincando, mas não gostei de ter deixado tão óbvio assim em minha cara o motivo da minha ansiedade para descer, mesmo estando também com muita fome.
As meninas apenas riram e engataram uma conversa sobre o show e nossas amigas que moram em São Paulo.
Elas já sabiam que estávamos em solo paulista e já tínhamos marcado o encontro com elas. Ouvi falar que tinha conversado com Jeffrey para que as meninas assistissem o show com a gente e eu estava muito ansiosa para conhecer todas pessoalmente e ver a reação delas ao conhecer .
Fiz uma nota mental para agradecer a Jeff depois.

O elevador parou, saímos dele e demos de cara com o enorme refeitório deste luxuoso hotel. Eu olhava embasbacada para tudo, pois nunca imaginei estar em um lugar tão bonito como aquele.
Entramos no local e já conseguimos ver pela porta transparente de vidro a algazarra que aquele lugar se encontrava por conta de todos os presentes.
Assim como no almoço de ontem, parecia que estava tudo reservado para e sua equipe, pois todos estavam juntos em uma só mesa gigante que ocupava um espaço enorme daquele lugar.
Assim que entramos, Sarah prontamente nos avistou e soltou um “Hey!” animado, fazendo as mais de 20 pessoas na mesa a imitarem.
Nos aproximamos da mesa e vimos que tinha 7 lugares disponíveis um ao lado do outro e imaginei que seriam os nossos. Vi bastante rostos desconhecidos e apenas devolvi o “Hey” acenando com a mão e sorrindo sem graça.
Senti uma mão macia segurar meu pulso e prontamente procurei o dono dela achando um par de olhos e brilhantes em minha direção.
Era .
Bom dia! — Ele disse em português, animado, se levantando da cadeira e me dando um abraço rápido, mas com tempo suficiente para inspirar seu cheiro único. Senti alguns pigarreios ao nosso lado e me soltei de .
— Bom dia. — Respondi a ele também em português e o britânico abriu um sorriso imenso onde deu para ver suas covinhas. Ele realmente não fica feio em momento nenhum. estava ainda com resquícios de sono, pois conseguia ver seus olhos semi-fechados por conta do mesmo e leve olheiras embaixo de seus olhos, assim como seu cabelo todo bagunçado como se realmente tivesse acordado naquele instante, mas para mim ele não poderia estar mais bonito; talvez bem mais do que se estivesse usando algum terno da Gucci.
— Será que o casal pode se desgrudar por um segundo? Também quero falar com a . — Jeff disse e arregalei os olhos surpresa com sua fala. apenas revirou os olhos, me soltando e rindo sem graça, pois todos riram com a fala do empresário a minha frente.
— Não somos um casal. — Disse baixo para Jeff enquanto ele me abraçava e beijava minha têmpora. Ele riu.
Ainda não. — Ele apenas disse isso e piscou para mim enquanto voltava a se sentar. Fiquei estática, ainda em pé absorvendo o que Jeffrey tinha dito segundos atrás, enquanto estava abraçando minhas amigas e dando um bom dia para todas assim como fez comigo.
Assim que os abraços terminaram, fui puxada por pelo braço para finalmente pegarmos algo para comer.
— O que foi aquilo com Jeff? — disse enquanto eu pegava algumas coisas e botava no prato.
— Eu não faço ideia. Ele acha que e eu iremos virar um casal, você acredita? — Disse para ela e peguei um achocolatado, um pão com queijo e presunto já cortado.
— Acredito. — Minha amiga responde e ri, me fazendo abrir a boca indignada com sua resposta. Ao ver meu estado, ela apenas ri de novo e dá de ombros.

Será que agora, pelo o que aconteceu ontem, irão achar que terá algo entre e eu? Será que ele tinha falado algo para Jeff ter interpretado aquele abraço de outro jeito? Algo dentro de mim se aqueceu ao saber que posso ter sido pauta de assunto entre ele e seu melhor amigo, porém espero que não tenha sido de um jeito ruim.
Balancei a cabeça para me despertar desses meus pensamentos inseguros e fui sentar na mesa com todos.
estava mais uma vez na cabeceira da mesa, conversando animadamente com Adam e Mitch, e tinha apenas dois lugares vazios, já que as meninas já se encontravam sentadas e apenas eu e que tínhamos ficado por último nos servindo. Um era ao lado dele, que seria o primeiro assento, assim como no almoço de ontem, e o outro era ao lado do primeiro, no segundo assento.
Imaginei que quisesse sentar dessa vez ao lado de , pois vi seu olhar indeciso para ele e fui em rumo ao segundo assento. Eu quero muito que minhas amigas tenham a mesma experiência que eu nesta viagem e não quero que nenhuma delas fique chateada comigo por estar me dando mais atenção ou algo do tipo, em momento nenhum foi minha intenção.
Por conta disso, sentei no segundo assento ao lado de Louie e olhei para frente vendo Adam e Jeff me olhando confusos. Franzi o cenho não entendendo os olhares confusos e senti o olhar de e em mim. Minha amiga me olhava com os lábios em linha reta e sua testa franzida, já me olhava quase igual a Jeff e Adam, a diferença é que senti de leve em seu olhar algo mais parecido como… mágoa?
Tombei a cabeça para o lado totalmente confusa com os olhares e o encarei de volta, mas desviou o olhar rapidamente e voltou a comer.
Ok, o que tinha acontecido aqui?

— Então, ansiosas para o show de hoje? — Ouvi a voz de Charlotte e tentei prestar atenção na conversa.
Todas as minhas amigas já estavam batendo papo com todos da equipe do , até mesmo com os que não estavam no almoço de ontem e agradeci mentalmente por elas terem se encaixado tão bem nisso tudo. Fico muito feliz ao ver todas leves e conversando animadamente.
— Estamos bastante, mesmo que a gente tenha visto vocês tocando no Domingo, mas vai ser muito legal. — respondeu por todas nós. Não fiz nenhum comentário em cima e apenas balancei a cabeça concordando com a fala de minha amiga. Elas já entraram em outro assunto e a faladeira estava tão grande na mesa que não estava conseguindo acompanhar, tudo o que eu fiz foi tentar comer calada enquanto ouvia a conversa de todos.

~~~x~~~

estava extremamente calado na mesa e isso estava me agoniando. Por mais que eu estivesse também, toda vez que alguém falava com ele ou tirava uma brincadeira, eu conseguia sentir que ele respondia apenas por educação e tentava dar um sorriso forçado. Esse não parecia ser o animado de quando chegamos e eu estava começando a ficar preocupada com seu jeito. No café da manhã inteiro eu sentia olhares furtivos para mim de , Jeff, Adam e até de Mitch, como se estivessem me perguntando ou até mesmo me questionando de algo e isso estava me deixando com os nervos à flor da pele.

Quando terminamos de comer, ainda ficamos mais algum tempo na mesa e os únicos calados ali eram eu e .
Eu por não saber o que falar e por estar daquele jeito.
— Vamos para a piscina agora. Vocês estão afim? — Adam disse para todas nós.
— E a passagem de som? — Ouvi dizer enquanto me levantava e não tirava os olhos de .
Estava decidida que iria perguntá-lo o que se passava. Acho que já temos intimidade o suficiente para isso depois de ontem.
— É só a tarde, temos a manhã livre agora. — Adam respondeu e todas aceitaram seu convite.
Fomos andando em direção ao elevador e dei uma leve corrida para ficar ao lado de .
— Você está bem? — Disse para ele ao pegar em seu pulso para chamar sua atenção. Ele nem tinha percebido minha presença ao seu lado e percebi isso quando o vi se sobressaltar ao sentir meu toque.
— Sim. — Respondeu baixo enquanto olhava para minha mão envolta em seu pulso. Não senti verdade em sua voz pela primeira vez naquela viagem e logo soltei seu braço ao ver a maneira que ele olhava, como se estivesse queimando minha mão apenas com seu olhar.
Senti um leve aperto em meu peito e não sabia o porquê, então apenas assenti de leve e cruzei os braços enquanto esperávamos pelo elevador. Senti suspirar ao meu lado e levar uma de suas mãos para o cabelo.
Os três elevadores que tinham ali se abriram ao mesmo instante e entrei em um com minhas amigas e alguns da equipe de enquanto ele entrava em outro com Jeff e a banda. Antes da porta se fechar, vi no olhar de uma expressão de dor e isso me deixou ainda mais confusa e preocupada.
O que diabos está acontecendo?
— Você está bem? Você mal falou lá na mesa... Ainda é por causa de ontem? Sarah até me perguntou se você estava se sentindo bem. — Louie me perguntou em português e fiquei agradecida por ninguém da equipe de falar nossa língua nesse momento. Apenas assenti com a cabeça.
— Não tem nada a ver com ontem e eu estou bem, acho que é meu humor matinal. — Sorri sem graça. Não quis dividir o que estava pensando de , pois não sabia se elas tinham reparado.
— Mas você estava toda elétrica antes de sair do quarto. — Iara disse me olhando preocupada, apenas dei de ombros e fui a primeira a sair do elevador assim que ele chegou em nosso andar. Demos tchau para o pessoal da equipe que ficou no elevador e todas entramos no quarto onde eu estava com alguma delas. Me joguei na cama sem nem tirar meus sapatos.
— Eu não quis falar nada no elevador mesmo sabendo que eles não entendiam português, mas… Vocês viram também que o estava calado? — Lorena disse e levantei meu tronco sentando na cama e senti o olhar de todas em mim.
— O que foi? — Perguntei enquanto tirava meus sapatos e comecei a procurar um par de biquínis em minha mala. Vai ser bom ter essa manhã na piscina para desestressar qualquer coisa que tenha ficado de ontem e até mesmo de hoje de manhã de mim.
— Você sabe de algo? — Iara perguntou. Apenas neguei com a cabeça. — Por que você não sentou ao lado dele? — Ergui meu olhar para ela e franzi o cenho confusa não entendendo o motivo de seu questionamento.
— Eu não sentei porque quem estava lá era a , ué. — Apontei para a mesma que estava sentada na outra cama com um semblante preocupado.
— Eu apenas sentei lá porque você sentou no outro lugar vago primeiro. — Ela respondeu. Dei de ombros.
— Sim. Mas o que tem a ver tudo isso, gente? É só um lugar. — Me levantei indo para o banheiro. — Não faz diferença quem sentou ao lado de quem. Vocês merecem estar perto dele quanto eu.
— Sabemos disso, mas talvez faça diferença para ele. — Louie disse e parei no meio do caminho e virei para elas. Será? Não era possível.
— Por que faria diferença se eu sentei ou não ao lado de sendo que todas nós viramos amigas dele? — Perguntei indignada.
Não fazia sentido nenhum e eu me recuso a deixar qualquer parte minha sentir culpa por conta disso.
— Ah, , é só um pensamento, amiga. Ele parece gostar bastante de você. — Lorena disse. Meu coração acelerou com sua fala.
— De vocês também. — Retruquei.
— Mas não tanto quanto ele gosta de você. — Foi a vez de falar. Não senti um pingo de ressentimento em sua voz e tudo o que ela fez foi me lançar um olhar terno abrindo um leve sorriso.
Tentei abrir a boca para falar algo, mas não conseguia encontrar palavras nenhuma. Meu coração estava acelerado ainda e saber que minhas amigas achavam que gostava mais de mim do que delas, me deixava feliz, mas culpada ao mesmo tempo. Eu realmente não quero que elas se sintam tristes ou deixadas de lado. Eu jamais irei permitir.
, está tudo bem. — veio para meu lado. — Você é o motivo de estarmos aqui, esqueceu? Sabemos que você vai ser e já é a favorita do e está tudo bem! Estamos felizes por você, meu amor. Não precisa ficar com medo ou preocupada por achar que estamos sendo “deixadas de lado.” — Ela disse como se estivesse lendo meus pensamentos.
— Eu só quero que vocês tenham a mesma experiência que eu. — Confessei o que estava dentro de mim enquanto olho para baixo.
— Já estamos tendo. — Louie disse enquanto se sentava.
Apenas sorri e olhei para todas que pareciam também concordar com a fala de Louie e . Assenti e fui para o banheiro me trocar.

Isso tudo ainda está estranho demais. Mesmo tendo o consentimento delas, não posso crer que isso tenha sido o motivo para que tenha ficado chateado, mas ao mesmo tempo meu coração aquece e solto um leve sorriso ao imaginar que ele apenas me queria perto de si para conversar comigo. Irei tirar essa história a limpo enquanto estivermos na piscina, não quero nenhum clima ruim ou a volta dos olhares magoados vindo de .

Saí do banheiro e depois de mais alguns minutos já estávamos prontas, então fomos até a área da piscina onde estava o pessoal. Eu tinha escolhido um biquíni azul que dava um contraste muito bonito com minha pele e botei um short curto em cima e um cropped branco quase transparente. Meus cabelos estavam presos em um coque alto e eu estava de óculos escuro para tampar as olheiras em meu rosto. Minhas amigas estavam do mesmo jeito que eu, com exceção de Lorena que está apenas de saída de banho em volta de sua cintura fina.
Seu corpo é tão bonito que dá inveja. Inveja do bem, claro.

Ao chegarmos na área da piscina, ficamos um pouco perdidas, pois essa, diferente dos outros lugares, não estava fechada apenas para a equipe de e tinha bastante gente andando de um lado para o outro, mas nada preocupante. Fomos nos aproximando mais do local e vimos Adam e Mitch dentro da piscina e apenas acenamos para os dois que prontamente devolveram o aceno sorrindo. Localizamos o pessoal, mas apenas alguns estavam ali.

Varri o local com meu olhar tentando encontrar uma certa pessoa e tal ato foi percebido por Jeff.
— Ele não quis descer. — Meu coração murchou. estava realmente mal, então?
— Ele disse o motivo? — Perguntei a Jeffrey enquanto tentava não transparecer minha preocupação e nervosismo.
Ele apenas negou com a cabeça enquanto dava de ombros. Assenti e me sentei ao seu lado em uma das cadeiras vagas.
— Você deveria falar com ele.
— Ah, se ele não quis descer talvez queira ficar sozinho. — Disse e abaixei o olhar.
Por mais que eu quisesse muito falar com agora, não queria incomodá-lo.
— Eu garanto para você que talvez você seja a única pessoa que ele queira ver nesse instante. — Jeff disse me encorajando. O olhei e ele estava com a sobrancelha arqueada e um leve sorriso de canto.
— Você acha?
— Eu tenho certeza. O quarto dele é o 1601, no décimo sexto andar. Pode ir lá e diz que eu mesmo que falei para você. — Jeffrey disse inflando o peito como se estivesse orgulhoso por tal fala. Apenas ri e me levantei, mesmo ainda estando insegura com isso.
Eu realmente não queria atrapalhá-lo, mas prometi a mim mesma que não iria deixar minha insegurança falar mais alto que o meu coração, então deixei a leve esperança em meu peito, que se acendeu com a fala Jeffrey, falar por mim. — Você pode me agradecer depois. — Ele respondeu quando viu que eu ia dizer algo. Apenas assenti e saí rumo ao quarto de .
Não irei fugir dessa vez, apenas quero aproveitar o máximo de tempo com ele. Se o próprio melhor amigo dele disse isso, quem sou eu para me privar se eu também quero?
Bom, era agora ou nunca.

.

May, 29th, 2018.

Estou andando de um lado para o outro pelo meu imenso quarto deste hotel desde que entrei aqui. Onde eu estava com a cabeça, afinal? O que deu em mim para imaginar que depois de ontem as coisas entre e eu iriam subir de nível?! Eu realmente não passo de um filho da puta iludido mesmo. Tenho que botar na minha cabeça que nunca ela vai ser que nem as outras garotas e isso já deveria estar bem claro para mim, na verdade, até estava, mas tinha que ser em todos os sentidos.
Eu estava pensando no quê? Que ela iria me abraçar, sentar ao meu lado no café da manhã, andar de mãos dadas comigo na frente de todo mundo só porque tivemos um momento mais “íntimo” essa madrugada? Eu tenho quantos anos, doze?
Eu estou bravo comigo mesmo por pensar nesse tipo de coisa. Não tenho direito nenhum de ficar bravo, chateado e muito menos triste com a garota só por ela não ter sentado ao meu lado. Desde quando eu fiquei tão patético assim? Meu Deus, o que essa garota está despertando em mim? Se for para me fazer ser uma pessoa sempre insegura desse jeito ao lado dela, espero que isso passe logo, pois não irei aguentar.
A garota não é absolutamente nada minha além de minha fã e agora amiga. Eu preciso pôr em minha cabeça que ela não vai deixar de ser do jeito que é por minha causa, muito menos que irá ficar 24 horas ao meu lado, por mais que eu quisesse muito, já que a cada minuto que passa, a viagem vai chegando ao fim.
Infelizmente.

Argh, só de pensar nisso meu coração murcha e o incômodo dentro de mim só aumenta. Enquanto eles estão na piscina se divertindo, e provavelmente com ela lá, eu estou dentro deste quarto me martirizando por uma coisa tão besta que provavelmente não seria feito nem por uma criança.
Como será que ela está?
Por conta da minha paranoia mais cedo, eu nem consegui falar direito com ela e a vi calada assim como eu na mesa, o que me deixou preocupado, mas meu orgulho não me deixou abrir a boca para perguntar antes, e agora me arrependo amargamente. Será que ela estava melhor desta madrugada? Será que tinha dormido bem? Será que sentiu minha falta quando eu saí da cama?

Bufei e soltei um leve resmungo ao me jogar em minha cama enquanto os pensamentos estavam a mil na minha cabeça.
Eu preciso falar com ela para tirar tudo isso a limpo de vez. Não temos tempo a perder com besteiras e inseguranças. Já basta ela ser insegura com certas coisas, se eu também for, será pior para nós dois.
Levantei e troquei de roupa, pondo uma sunga e algo mais leve para descer e ir para a piscina com todos.
Ao abrir a porta me surpreendi com a pessoa que estava a minha frente, preste a bater:
era .

Ela estava absurdamente linda com um óculos escuro preso no topo da cabeça e um conjunto leve que combinou muito com ela.
Confesso que estava muito surpreso ao vê-la ali, mas fiquei extremamente feliz ao saber que ela viu que eu não estava na piscina e veio me procurar.
— Oi, eu já ia bater. — disse sem graça. Eu já disse hoje que ela é adorável?
— Eu percebi. — Disse e me arrependi no instante seguinte ao ver seus olhos levemente arregalados e seu rosto corando. Eu não quis soar grosseiro, mas talvez tenha dado essa impressão. Merda, merda e merda. — Digo… o que faz aqui? Está tudo bem com você? — Respondi tentando amenizar o clima por conta da estúpida resposta anterior, mas talvez não tenha surtido tanto efeito, pois nós dois estávamos nervosos.
Cruzei meus braços e me encostei no batente da porta.
— Está sim. Hum, Jeff me disse para vir aqui… — Suspirou. — Ele… ele disse que... — Suspirou novamente e fechou os olhos. Franzi a testa ao perceber que ela realmente estava nervosa. Descruzei meus braços e fui de encontro com suas mãos.
— O que houve? — Digo preocupado. Segurei suas duas mãos e dei um aperto leve tentando passar algum tipo de coragem a ela.
— Me diga você. — disse baixinho com o olhar caído. Franzi a testa confuso.
— Como assim? — A puxei para dentro do quarto e agradeci mentalmente quando ela não teve nenhuma objeção. Soltei uma de suas mãos apenas para fechar a porta e a levei até a cama onde nós dois sentamos.
— O que houve, ? Você está estranho. — Ela disse com a voz extremamente baixa e eu mal consegui ouvir.
não me olhava e percebi que talvez estava sendo difícil para ela fazer tal questionamento. Suspirei e a abracei de lado enquanto beijava o topo de sua cabeça.
— Me desculpe. — A apertei tentando trazer para mais perto de mim possível. Ela apenas se curvou encaixando seu tronco no meu enquanto eu a envolvia com meus braços.
Seu cheiro é indescritível. Nunca irei cansar de senti-lo. Acho que encontrei meu novo cheiro favorito. Eu estou muito fodido. — Eu não quis que você ficasse preocupada comigo, eu só… eu só fui um burro ao deixar certas coisas falarem mais alto dentro de mim e isso resultou naquilo no café da manhã. — A respondi enquanto ainda a abraçava e acariciava seus cabelos macios. Eles cheiravam a frutas cítricas.
— O que você deixou falar mais alto?
— A minha insegurança.
— Estava inseguro com o quê? — perguntou baixinho. Suspirei fechando os olhos.
Com você. — Confessei.
Não tenho como omitir algo desse estilo. O que ela quiser saber a partir de hoje, eu irei dizer. Como disse antes, eu não irei deixar essa insegurança atrapalhar essa viagem.
— Por que está inseguro comigo? Eu fiz algo? — Senti sua voz nervosa e preocupada. desfez nosso abraço e tentou respostas em meu olhar. Apenas sorri e beijei sua testa.
— Não, linda, você não fez nada, o culpado sou eu. — Respondi.
— Por quê?
— Porque eu sou um bobo. — Ri de leve e a vi sorrir. Seu sorriso aqueceu meu coração e botei uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. fechou os olhos e sorriu novamente com meu ato. Sorri junto.
Não tem mais nada que eu possa fazer em relação ao que estou deixando crescer dentro de mim. Em tão pouco tempo, começou significar em minha vida muito mais do que pessoas que já estão anos comigo, e mesmo que isso me assuste para um caralho, eu não vejo pessoa melhor para me fazer ter esse tipo de sentimento.
— Você não é um bobo, .
— Eu sou sim. Deixei inseguranças ridículas me impossibilitarem de ter um ótimo café da manhã com você e suas amigas, só porque eu não parava de pensar o que tinha feito para você não sentar ao meu lado, e fiquei revendo tudo o que tinha feito desde ontem no seu quarto até você sentar na cadeira ao lado de suas amigas, em minha cabeça. Então sim, eu sou um bobo e patético. — Ri fraco e vi arregalar os olhos surpresa com minha confissão.
— Então você estava daquele jeito só porque eu não sentei ao seu lado? — Sua voz saiu fina. Fiz careta, pois eu realmente não queria que ela me achasse um idiota.
Já estou arrependido de ter contado para ela, não quero que ela me ache um babaca ou fique com raiva de mim por conta disso.
— Sim, e eu sinto muito por isso, apenas quando eu cheguei no quarto que eu vi a burrada que fiz. Não tem motivos, você pode sentar onde quiser e não é obrigada a nada.
— Realmente você é um bobo. — Outch. — Mas eu também sou. — Fiz careta confusa e ela riu. — , você não precisa se sentir desse jeito só por conta de um lugar. Eu apenas deixei sentar lá, pois eu não queria que minhas amigas achassem que só eu tenho “prioridades” com você. — Fez aspas com as mãos. — Eu quero que elas se sintam bem com você e não se sintam excluídas por achar que você só dá atenção pra mim etc. — Foi sua vez de fazer careta. Sorri com o ato e entrelacei nossas mãos. — Eu sei que foi bobo da minha parte também e inclusive as meninas falaram sobre isso antes de sair do quarto, me questionando o motivo de não ter sentado ao seu lado. — Riu novamente. — No ver delas, você “gosta mais de mim.” — Fez aspas novamente. — E está tudo bem para elas. — E gosto mesmo. Todos já sabem disso, parece que só você que não, . Pensei.
— Você não precisa se sentir assim, linda. Eu gosto das suas amigas por igual, só que você e eu temos uma relação melhor pelo fato de que tudo está acontecendo, foi por eu ter falado no palco com você. — Rimos e ela provavelmente deveria estar lembrando da mesma cena que eu, de quando eu dei uma leve bronca nela. — E tá tudo bem, acho que sempre iremos ter um favorito ou uma favorita no grupo. Você foi a minha. — Disse a ela e seu sorriso iluminou o quarto.
— Você foi o meu também. — Abri um sorriso igual ao seu e a abracei novamente.

Ficamos um bom tempo abraçados e nenhum de nós dois queria se desvencilhar, pois estávamos em uma posição extremamente reconfortante, assim como o silêncio agradável que pairava no ar, mas senti uma vontade imensa de falar algo que está dentro de mim desde ontem.
? — A chamei baixinho. Depois de alguns minutos, eu realmente imaginei que ela estivesse dormindo.
— Sim?
— Posso te confessar uma coisa? — Perguntei nervoso.
— Claro. — Respondeu. Ela tentou se soltar do abraço, mas não deixei, provavelmente queria me olhar enquanto eu falava, mas a vergonha já estava explícita em meu rosto inteiro e não queria que ela me visse assim, já bastava a confissão.
— Eu… — Suspirei e a apertei mais em nosso abraço. — Eu sinto que estou me apegando demais a você em tão pouco tempo e acho que a cada segundo que passamos juntos, isso só aumenta. — Confessei e fechei os olhos com medo de sua reação.
Eu não sei o que me deu para falar isso para ela. Eu não queria que ela se assustasse ou fugisse, mas eu precisava tirar isso de dentro de mim e meu coração agradeceu ao se sentir mais leve com o que foi dito.
Senti o corpo de ficar tenso com minha confissão e sua respiração levemente acelerada e fiquei nervoso.
Caralho, caralho, caralho.
Onde eu estava com a cabeça? Por que diabos eu fui falar isso?
— Me desculpa. Eu não sei o que me deu. — A soltei e levantei da cama enquanto xingava minha quinta geração. Puta merda, ! Qual é o seu problema? Já não bastava o chilique idiota de mais cedo e agora isso? Você gosta de ser pisado mesmo, não é?
… — me chamou, mas eu estava de costa para ela e não tinha coragem de virar. Ouvi seu suspiro e senti suas mãos acariciando minhas costas. — . — Me chamou novamente. Ergui a cabeça e virei de leve para ela, ainda sem olhá-la. Eu não estava com essa coragem. me segurou pelo pulso e me levou a cama novamente, assim como eu tinha feito com ela mais cedo. — Você não precisa se desculpar pelo o que disse. — Disse baixinho e com cautela. — Está tudo bem. — Senti sorrir com sua fala e ela acariciou minhas mãos tentando me acalmar. Tomei coragem e a olhei. estava corada e seu olhos estavam mais brilhantes que nunca, o que me lembrou o dia do show no Rio, já que foi por aqueles olhos que eu me encantei. Sorri.
— Eu só não quero te assustar. — Confessei.
— Você não está me assustando. Eu entendo completamente.
— Entende? — Perguntei. apenas assentiu. — Como?
Porque eu sinto o mesmo. confessou em tom baixo e meu coração se revirou dentro de mim. Soltei o ar aliviado, o qual não fazia ideia que estava prendendo.
Saber que ela sentia o mesmo que eu me deixava extremamente feliz, pois eu não estava nessa sozinho. Ela estava se apegando também a mim, do mesmo jeito que eu estava, e isso me deixava bem mais tranquilo.
— Sente mesmo? — Perguntei ainda sem acreditar.
— Sim. Na verdade, eu sempre me senti assim em relação a você, . Só que agora é diferente porque tudo é pessoalmente e real, então é algo novo para mim. — Sorri sem graça e ela me acompanhou. — Você acha que eu surtei ontem por quê? — Perguntou e abriu um leve sorriso, arqueando a sobrancelha. Franzi a testa com sua fala.
O que tinha sido? E o que tem a ver com… Ah não.
Arregalei os olhos e apertei suas mãos.
— Você teve uma crise por estar se apegando a mim? Você teve uma crise por MINHA causa? — Perguntei um pouco alto. Me preocupei no mesmo instante.
Como assim? Não, não posso acreditar.
— Calma, está tudo bem.
— Não, . Como está tudo bem? Suas amigas falaram que foi uma das piores crises que você já teve e agora você me fala que foi por minha causa? — Respondi indignado e preocupado.
Eu não conseguia acreditar que ela estava mal e chorando ontem por conta disso. Meu coração estava doendo e tudo o que eu queria era voltar essa madrugada e aniquilar qualquer tipo de dor que ela sofreu.
, está tudo bem agora. — disse rindo e pegou em meu rosto com suas pequenas mãos. — Sim, ontem eu surtei por conta de tudo isso, mas é porque eu sempre crio certas paranoias desnecessárias em minha cabeça e deixo a insegurança falar mais alto. Infelizmente ontem foi um desses dias e não consegui me controlar, mas está tudo bem agora, você me ajudou, lembra? — disse tombando sua cabeça para o lado, sorrindo adoravelmente.
O aperto em meu peito diminuiu um pouco, mas a preocupação ainda estava ali. Suspirei e tirei uma de suas mãos de meu rosto e entrelacei com a minha.
— Você quer me contar exatamente o que aconteceu? — Digo com cautela. assentiu.
— Eu meio que surtei quando… — Suspirou e desviou seu olhar. — Quando dançamos juntos e a gente quase… Você sabe. — Assenti. Sim, eu sabia exatamente do que ela estava falando, pois, a cena de nós dois quase nos beijando ontem não saía de minha cabeça. Eu quase senti seu gosto. , foco. — Então eu fiquei meio paranoica porque fiquei com medo de você achar que eu estava querendo me aproveitar de você por ter dançado ou algo do tipo, sendo que você disse no aeroporto que me queria em sua vida daqui por diante… Enfim, foi mais ou menos isso. — Deu de ombros. Suspirei e fiz um carinho de leve em seu rosto.
, você não tem motivos nenhum para ficar assim. Eu fui até você, esqueceu? — Arqueei a sobrancelha. — E isso jamais passou pela minha cabeça. Confesso que estou um pouco surpreso, pois isso passou pela minha. — Agora foi a vez de arquear a sua sobrancelha. — Eu que fiquei com medo de você achar que eu tinha feito tudo isso para levar você para cama ou algo assim, não queria que você achasse que eu estava te tratando como qualquer uma, pois você não é e nunca vai ser. — Botei minhas duas mãos em seu rosto, assim como ela tinha feito comigo minutos atrás. — Eu sei que isso tudo está sendo uma loucura, mas você não faz ideia do alívio que eu sinto ao saber que não estou nessa sozinho. — Sorri. — Eu sei que a gente se conhece pessoalmente tem muito pouco tempo, mas o que eu te disse agora pouco e no aeroporto, foi a mais pura verdade. Eu estou me apegando a você e quero você sim em minha vida se você me permitir. Não quero que ache que estou fazendo tudo isso para querer algo sexual em troca, longe de mim, linda. — Suspirei e sorriu assentindo. — Já que estamos sendo sinceros, eu irei te dizer que eu quis muito te beijar ontem e eu só não dei continuidade com isso pois Mitch nos atrapalhou e me disse umas coisas que me trouxeram a realidade. — Confessei e corou.
— Que tipo de coisa? — Perguntou baixinho enquanto brincava com os meus dedos entrelaçados nos seus.
Deixei a vergonha de lado e contei tudo a ela tudo sobre o discurso que Mitch tinha feito ontem. não me interrompeu em momento nenhum e tudo o que fazia era assentir e desviar o olhar de vez em quando, sem graça por certas coisas.
Eu estava me sentindo extremamente aliviado por estarmos tendo essa conversa. Meu coração estava leve e tranquilo, pois eu não queria de maneira alguma que algo mudasse entre a gente, e sinto que essa conversa me fez crer que o clima entre nós dois vai só melhorar a partir de agora.

Depois de bastante tempo conversando e rindo sobre coisas aleatórias, recebi uma mensagem de Jeff preocupado, perguntando se estava tudo bem, e decidimos descer para encontrar o pessoal, mesmo contra minha vontade. Por mim, eu ficaria naquele quarto com ela, comendo alguma besteira e assistindo qualquer coisa na televisão. Esse programa parecia bem mais divertido do que pegar sol, mas decidimos descer para não preocupar ninguém. Contanto que eu estivesse com ela, não estava me importando muito.
Descemos e fomos para área da piscina. Nossos amigos estavam todos rindo animadamente ao redor de uma mesa. Sorri de leve ao ver a cena, pois todos estavam se sentindo muito bem, como se fossem amigos de séculos e isso me deixou feliz. Ao chegarmos perto deles, fomos recebidos com gritos animados que atraíram a atenção da maioria das pessoas ao redor da piscina. sorriu sem graça e se sentou em uma das espreguiçadeiras que tinha no local, ao lado de , e eu sentei na outra que estava ao seu lado, mas onde estava Jeffrey.
— Tudo bem? — Meu amigo e empresário perguntou. Assenti sorrindo. — Fiz bem em mandar ela ir lá, não foi? — Sorriu e me deu um leve soco no ombro. Assenti novamente e ri.
— Obrigada, mate. Fez muito bem mesmo. — Suspirei. — Nós conversamos e botamos os “pingos nos i’s” — Fiz aspas.
— Sobre o que conversaram?
— Ah, muita coisa. Eu decidi que não irei esconder mais nada e irei me entregar de cabeça nisso e ela também. — Jeff apenas assentia enquanto me escutava.
Fiz um breve resumo para ele sobre minha conversa com no quarto.
— Você sabe que eu fico assustado também por você, mas muito feliz, não é? — Disse Jeff.
— Fica? — Arqueei a sobrancelha.
Mate, eu nunca te vi assim com mulher nenhuma e olha que eu já vi você namorando muitas. — Ri e fiz careta. — Eu sei que você está ainda com medo por conta de tudo está sendo repentino e eu estou com medo por você também, pois não quero que você quebre a cara, mas… — Suspirou. — Sei lá, ela parece diferente, não é?
— Sim, e muito. — Olhei para que estava em uma conversa animada com e Louie e suspirei.
— No começo vai ser difícil por conta da distância, mas eu não sei, sinto que algo muito bonito vai acontecer entre vocês dois. — Deu de ombros.
— Você não faz ideia do quanto eu quero que você esteja certo. — Olhei para meu amigo e me deitei na espreguiçadeira.
— E eu vou estar. — Piscou para mim. — E ah, você pode me agradecer depois por isso. — Jeff disse e levantou, tirando a roupa, ficando apenas de sunga.
— Disso o quê? — Abaixei meus óculos escuros apenas para que ele visse meus olhos desconfiados. Jeffrey apenas riu e foi para lado das meninas.
O que ele está aprontando?
— Vocês vão ficar só conversando e não vão aproveitar essa piscina? — Ouvi Azoff dizer para as meninas. Neguei com a cabeça em repreensão.
Ele é maluco.
— Ah, qual é! Vamos. — Ouvi novamente Jeff e levantei meu tronco me sentando na espreguiçadeira para saber o que ele estava fazendo. Vi Azoff levantando e a puxando para piscina junto com . me olhou e fez careta como um pedido claro de “socorro”. Ri e fui ao seu resgate.
— Me ajuda. — disse ao me ver indo ao seu encontro.
— O que houve? — Perguntei.
— A gente quer ir para a piscina, mas como sempre a é a única a negar tudo. — Lorena disse bufando. Ri achando fofo sua braveza desnecessária.
— Eu só não quero molhar o cabelo. — Disse .
— Ah, faça-me o favor. Existe secador para isso. — Foi a vez de contestar.
— Por acaso você vai secar essa coisa enorme para mim? — apontou para seu cabelo que estava preso em um coque.
tem um cabelo imenso que bate abaixo de seu quadril. Entendo o motivo dela não querer molhá-lo, deve dar trabalho demais para secar.
— Tá bom, eu seco para você. Satisfeita? — disse. olhou para mim e dei de ombros.
— Vai, eu vou com vocês. — Disse e Lorena bateu palmas que nem uma criança de 5 anos me fazendo rir novamente dela. apenas assentiu e bufou antes de tirar suas sandálias e erguer seu cropped.
Graças a Deus eu estava de óculos escuro, pois meus olhos estavam arregalados agora.
foi tirando seu cropped, o deixando em cima da espreguiçadeira, e em seguida seu short, me fazendo engasgar com a saliva.
De repente o ar começou a faltar e senti algo dentro de mim pulsar. Não consegui me conter e a analisei das cabeças aos pés e puta que pariu, ela é linda demais.
Senti uma mão apertando em meu ombro, me tirando da hipnose que tinha ficado ao olhar apenas de biquíni.
— Terra chamando . — Olhei para o lado mesmo sem vontade e vi Jeffrey, que estava rindo de mim. — Tá tudo bem ou precisa de alguns minutos no banheiro? — Riu mais alto.
— Vai se foder, Azoff. — Disse baixinho e suspirei tentando me acalmar.
Balancei minha cabeça tentando parar de olhá-la de um jeito desesperado. Não quero que ela veja como estou e se sinta desconfortável. Avançamos um passo grande mais cedo, não quero andar dois para trás agora.
Fiquei imaginando mais uma vez como seria se tivéssemos nos beijado ontem... será que teríamos avançado para algo mais íntimo?
Não, , não!
Você não vai entrar? — Ouvi a voz de e me sobressaltei.
Hum, sim… vou. — Pigarreei e tentei ficar calmo. Merda, estou parecendo um adolescente.
— Então tira a roupa. — disse e arregalei os olhos.
— O quê? — Disse quase gritando. Vi que minha reação foi um pouco exagerada quando arqueou a sobrancelha, Jeffrey e riram ao meu lado. — Quer dizer… claro. — Balancei a cabeça e fui tirando meu short e regata, ficando apenas de sunga como meu empresário tinha feito e deixei minhas roupas ao lado das de na espreguiçadeira.
Voltei para seu lado e senti os olhares de para meu corpo e tentei esconder o sorriso.
Ela estava me analisando do mesmo jeito que eu estava poucos minutos atrás e meu lado narcisista adorou vê-la olhando para mim.
Foi a vez de pigarrear e ir andando até a borda da piscina junto com suas amigas e deixei o sorriso escapar de minha boca.
— Ok, agora você já pode me agradecer. — Disse Jeffrey. Apenas o olhei e ri fraco, enquanto dava um leve soco em seu braço.
Entrei na piscina e estava com suas amigas conversando algo em português. Assim que chegamos perto, as meninas se afastaram da gente, deixando uma corada e eu para trás. Arqueei a sobrancelha em confusão e cruzei os braços.
— O que eu perdi? — Ri fraco.
— Não sei, elas são malucas. — Riu junto comigo enquanto se afundava um pouco na água apenas deixando sua cabeça para fora. Assenti. — Suas tatuagens são muito bonitas. — disse e arregalou os olhos de leve como se não quisesse ter falado isso.
— Muito obrigada, eu gosto muito delas também. — Sorri para tranquilizá-la.
— Ainda dói quando você faz? — Perguntou e neguei com a cabeça.
— Depois da quinta eu nem senti mais a dor. — Respondi e assentiu.

Ficamos na piscina conversando e descobri que também tem muita vontade de fazer tatuagem e disse que quase tinha tatuado “Treat People With Kindness” no braço, o que me deixou bem feliz e intrigado, pois gostaria de vê-la com essa tatuagem.
A cada minuto que passa, fico mais feliz e bem ao seu lado e isso me deixa tranquilo. Não quero pensar que daqui um dia e meio terei que dizer adeus a ela.
Fico imaginando como seria se morasse em Londres ou até mesmo em Los Angeles. Iríamos nos ver pelo menos 4 vezes no mês, mas morando no Brasil, talvez a gente se veja 2 vezes no ano no máximo.
Por que as coisas não poderiam ser mais fáceis?
Será que um dia irão ficar?
Deus, por favor diz que sim.


Ten

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May, 29th, 2018.

“Sabe quando você sente um aperto no coração simplesmente do nada e não faz ideia do que está acontecendo com você? Eu estou assim neste momento. O mais engraçado é que as coisas estão ótimas, perfeitas na verdade.
Eu tive um momento bem difícil essa madrugada, com uma das piores crises de ansiedade que eu pude ter, porém tudo se resolveu assim que botei meus olhos em outros esverdeados emanando paz, tranquilidade e a calma que eu precisava naquele momento. Toda a agonia, tristeza e nervosismo se esvaiu ao olhar para aquele rosto angelical que sempre fora meu refúgio para tudo. sempre fora a pessoa que me ajudava a sair daquele buraco chamado ansiedade, e não falhou ao fazer isso pessoalmente dessa vez.

Depois da conversa que e eu tivemos mais cedo em seu quarto, estou me sentindo muito bem e aliviada. Ele e eu conseguimos conversar sobre tudo o que nos incomodava e sobre o que sentíamos. Estamos no mesmo barco nisso e eu não poderia estar mais feliz. Sempre imaginei um dia me tornar próxima a ele, apenas não fazia ideia de que seria tão bom e confortante.
Estávamos nos entregando nisso de corpo e alma e eu sei que dentro de mim, mesmo que passe anos e anos, ele sempre vai ser o escolhido, como se meu coração fosse dele desde sempre.
Será que é errado me sentir assim? Será que eu deveria me poupar de futuras dores de cabeça? Talvez sim, talvez não… O futuro é incerto, mas, Diário, você acredita em destino? Você acredita que duas pessoas estão desde o começo de suas vidas destinadas a se encontrarem no momento certo e na hora certa? Antes eu não acreditava, mesmo sendo bem sonhadora em algumas coisas - em outras eu sempre fui muito cética, porém desde que o vi pela primeira vez, estou deixando isso de lado e acreditando que destino existe e ele realmente funciona, afinal, eu o encontrei.

Não importa se meu destino com ele for para sermos namorados, amigos ou até colegas. Contanto que eu possa viver de alguma forma na vida dele para mim tudo bem, tudo o que eu mais quero é poder ver a felicidade dele mais de perto e isso já está de bom tamanho.
A viagem está chegando ao fim e estou tentando não pensar muito pois talvez esse aperto ruim que estou sentindo em meu coração possa aumentar mais e mais. Eu não queria ir embora, Diário.
Eu não queria deixá-lo.
Eu queria que esse sonho fosse para sempre.
Me dá uma luz?”


Depois de horas e horas pensando no que escrever, finalmente consegui botar algumas coisas em meu diário. Era engraçado que, por estar ao lado de , eu não conseguia escrever absolutamente nada, mesmo com vários acontecimentos em menos de 24 horas. É como se o meu refúgio para a escrita, que eu adquiri como hobbie e também como ajuda para minha ansiedade, se esvaísse de mim por ter algo bem melhor ao meu lado: Ele.
Ri leve de meus próprios pensamentos e fechei meu diário ao ver Jeff se aproximando. Sorri para o mesmo quando o vi sentando ao meu lado no chão.

Estávamos no local onde iria se apresentar hoje à noite e eu estava nas nuvens. Sempre quis trabalhar com shows também e ver de perto como tudo estava sendo montado era surreal.
Eu me encontrava no chão pois me sentei meio da pista premium, onde mais tarde teria inúmeras fãs apaixonadas pelo britânico que estava poucos há passos de mim, enquanto prestava atenção nele tocando e cantando, fazendo sua passagem de som.
— Está gostando? — Jeff disse quebrando o silêncio que tinha se instalado entre a gente. Eu me encontrava sozinha sentada pois minhas amigas encontravam-se espalhadas pela a arena dançando, cantando e às vezes até em cima do palco com o ; e o mesmo mantinha-se com um sorriso imenso em seu rosto, brincando com todas ali. Meu coração ficava feliz e dava vários pulos ao ver ele interagindo com cada uma delas. Digamos que eu me sentia uma mãe orgulhosa de suas filhas.
— Sim, bastante. Eu nunca tinha visto como era esse preparo de um show antes e nem uma passagem de som. — Sorri e apontei para e sua banda mais à frente. — Eu sempre gostei muito dessa vibe, acho que foi uma das razões para querer me especializar em marketing musical.
— Saiba que se você escolher essa carreira, tem todo meu apoio. — Sorriu. — Quem sabe não lhe levo para trabalhar comigo em Londres ou Los Angeles? Eu tenho certeza que uma pessoa aí iria ficar extremamente feliz com isso.
Abri minha boca espantada com o que Jeffrey tinha acabado de dizer. Uma das minhas maiores inspirações profissionalmente dizendo que queria um dia trabalhar comigo?
Meu Deus, o que estava acontecendo?
— Não faz isso comigo, Jeff, meu coração é frágil. — Disse e ele riu alto, me abraçando de lado.
— Eu estou falando a verdade, . Eu consigo ver através de seu olhar o quanto você é apaixonada pelo seu curso. A conversa que tivemos no almoço e no bar de ontem à noite me confirmaram isso. Teria o maior prazer de trabalhar com você quando se formar.
— Espero que lembre disso no final deste ano. — Brinquei.
— Quer apostar? — Jeff disse e arqueou sua sobrancelha. Apenas ri e balancei a cabeça, pois estava desacreditada daquela conversa. Era muito bom para ser verdade.
Senti um olhar intenso vindo de algum canto desta arena e prontamente procurei o dono. Logo o achei em cima do palco com lindos glóbulos e brilhantes. Sorri com ternura para e pisquei, o que fez desmanchar a leve carranca que ele tinha em seu rosto, fazendo-o sorrir para mim e piscou de volta, fazendo meu sorriso aumentar.
— É muito bom ver vocês dois assim. Ele merece alguém à altura dele. — Ouvi a voz de Jeff me despertando e me fazendo olhar para ele com o cenho franzido.
— Não temos a mesma altura. — Brinquei. — Ele é bem mais alto que eu.
— Você sabe o que eu estou querendo dizer. — Riu.
— Na verdade não. Você sabe que não estamos juntos, apenas nos conhecendo e somos amigos. — Disse e fiz uma leve careta. Não sei o motivo, mas falar a palavra “amigo” me referindo ao é estranho.
, você e o passaram da fase de amigos, mesmo que ele tenha conhecido você praticamente ontem. — Riu novamente. — O que eu estou querendo dizer é que eu nunca o vi tão feliz desse jeito, e imagino que você também. Consigo ver nesses seus lindos olhinhos o quanto você gosta dele e isso me deixa aliviado até. — Franzi o cenho em confusão ao ouvir sua fala.
Jeff suspirou de leve antes de pôr um de seus braços ao redor de meus ombros e voltou a falar. — pode ser esse cara “fechado” que todos dizem — Fez aspas. — Porém eu nunca vi uma pessoa amar tanto e entrar de cabeça em todos os seus relacionamentos como ele. dá a cara a tapa e se entrega realmente à paixão. Em todos esses anos sendo amigo e empresário dele, já o vi quebrar a cara e sofrer inúmeras vezes, o que não foi nada legal. — Meu coração se apertou ao ouvir isso. Saber que sofreu tanto por conta de relacionamentos passados me deixa triste. A última pessoa que eu queria ver sofrer nesse mundo era ele. — Saber que ele te encontrou e ver o quão você está no mesmo barco que ele me deixa tranquilo. se fechou de uns tempos para cá em certas coisas e isso sempre me deixou preocupado, porém eu nunca o vi tão livre e aberto desde quando ele me apresentou você. — Sorriu e pegou em uma de minhas mãos. — Eu consegui ver meu melhor amigo sorrir verdadeiramente depois de tanto tropeço e graças a você, . Espero que isso continue mesmo vocês distantes a partir de amanhã. Só te peço para aguentar por vocês dois essa distância que uma hora vai valer a pena, ok? — Jeff disse e beijou minha têmpora. Ouvi tudo em silêncio e estava dividida com a felicidade de saber que ele estava daquele jeito por minha causa e com a leve tristeza que bateu ao lembrar que iremos nos afastar amanhã, quando cada um entrar em aviões diferentes.
— Como você sabe que vai valer a pena? — Perguntei baixinho enquanto olhava para que estava rindo alto de algo que tinha dito. Sorri ao ver os dois tão próximos.
— Eu apenas sei. Você confia em mim? — Jeff arqueou a sobrancelha.
Mesmo o conhecendo há tão pouco tempo, eu confiava no homem ao meu lado de olhos fechados. Assim como , Jeff me passava uma segurança inexplicável e isso me deixava feliz. Apenas assenti e ele sorriu.
— Então relaxa que vai dar tudo certo. Você vai ver. — Ele disse levantando e me estendendo o braço para fazer o mesmo, assim o fiz.
Eu confiava nele e de alguma forma, já sabia que o que ele estava querendo dizer, era verdade. Vai valer a pena. Na verdade, já está valendo só por estar aqui.

~~~~~x~~~~~

Passear pelo backstage é muito bom. Eu estava tendo acesso a lugares que eu nunca imaginei entrar. Por exemplo, ver como eram arrumados os instrumentos, palco e afins. Eu me encontrava rodando por trás dos bastidores já fazia meia hora e acabei me perdendo do pessoal, pois alguns minutos atrás me distraí ao ver vários homens da equipe do arrumando a merch para vender no local.
Garota, você não pode ficar aqui, pois o local é apenas de funcionários. — Um rapaz alto, loiro e muito bonito atraiu minha atenção. Ele estava com a blusa de staff da tour do , então deduzi que seria um de seus funcionários que ainda não conhecia. — Olá? Você não fala inglês? — Franzi o cenho mostrando minha confusão, mas depois de alguns minutos percebi que eu estava parada secando o homem sem nem disfarçar. Minhas bochechas coraram imediatamente e tentei reverter meu estado.
— Sim, eu falo. Me perdoe, não sabia que era só para funcionários, eu só estava conhecendo o local. — Sorri sem graça e foi a vez do carinha bonitinho me olhar dos pés à cabeça.
— Tudo bem, mas se você está com entrada liberada pelos bastidores, então creio que tem algum conhecido por aqui ou vai fazer parte da equipe? — Foi a vez dele sorrir e suas covinhas quase me deixaram de pernas bambas. Não me leve a mal, mas toda essa confusão com está me deixando mais necessitada que o normal.
— Sim, conheço pessoas da equipe e não, infelizmente não faço parte. Eu apenas estava andando e acabei me perdendo.
— Tudo bem. Quer que eu te ajude com algo? Estou ao seu dispor, princesa. — Disse o homem bonitinho ao botar as mãos em minha cintura.
Arqueei a sobrancelha com a audácia do garoto.
— Não precisa, eu me viro sozinha. — Me virei para voltar o caminho e broxei totalmente com esse cara. Custava ele ser menos babaca?
— Ah qual é, volta aqui, princesa. — O irritante segurou em meu braço me impedindo de andar e botou de novo suas mãos em minha cintura novamente. Antes que eu pudesse falar algo ou tentar me soltar, um outro homem veio em nossa direção.
— Andrew, você ficou maluco? Ela é a garota do Sr. ! Se ele ver você assim com ela, ele vai te por pra rua e você nunca mais vai arranjar um emprego decente. — O outro homem se pronunciou e imediatamente o cara cujo nome era Andrew, me soltou arregalando os olhos.
— Meu Deus, me desculpa! Eu não sabia que você era a garota dele, por favor, me perdoe! — Andrew dizia desesperado enquanto era arrastado pelo seu amigo e fiquei sem entender nada. — Por favor, não conta para ou Sr. Azoff sobre isso ou eu vou acabar perdendo meu emprego, por favor, por favor. — Arregalei os olhos ao ver o seu desespero aumentando a cada segundo que se passava e dei um passo pra trás.
— Tudo bem. Mas por que esse medo todo? não iria te demitir só porque você estava falando comigo, mesmo que você tenha sido bem importuno.
— Você é a garota do , criança. O que é dele jamais pode ser bem tocado por outros. Peço desculpas em nome de Andrew e eu irei fazer o possível para ele ficar longe de você. Eu sei que ele pode ser muito para frente quando quer. — O homem respondeu pelo seu amigo e continuou puxando-o e me deixou sozinha totalmente confusa com o que tinha acontecido poucos segundos atrás.
Garota do ?
O que ele quis dizer com “O que é dele jamais pode ser tocado por outros”?
Não gostei nenhum pouco de ter sido tratada como um mero objeto.


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May, 29th, 2018.


tinha sumido já fazia algum tempo e estava começando a ficar preocupado. Eu imaginava que ela iria querer passear pelo local, pois me disse horas atrás que estava muito ansiosa para conhecer os bastidores de um show, então a deixei livre para vagar por onde ela quisesse, só não contava que seria sozinha.
Depois de mais alguns minutos, entrou em meu camarim com uma cara nada boa, o que me deixou em alerta.
Quando eu fazia a passagem de som, ela conversava com Jeffrey e confesso que senti ciúmes da cena. Era muito estranho ver a garota que estou me... envolvendo, tão próxima de meu melhor amigo, mesmo sabendo dentro de mim que Jeff nunca iria se atrever a dar em cima dela novamente, mesmo depois de tudo que contei a ele.
O que será que tinha ocorrido nesses 30 minutos?

— Até que enfim! Eu já estava querendo ligar pra polícia. — Falei brincando. revirou os olhos com meu exagero e sorriu.
— É sério, . Se você demorasse mais alguns segundos ele realmente ia ligar. — riu me fazendo rir junto com ela.
A garota sentou em uma das poltronas que tinha ali, tentando relaxar. Sentia que estava com algo incomodando-a. Em nenhum momento, ela me olhou desde que entrou na sala.
— Eu acabei me perdendo pelos corredores, nada demais. — Deu de ombros.
Todos voltaram a conversar e fechou os olhos e bufou duas vezes em menos 1 minuto. Ela estava muito brava com algo, conseguia ver sua cabeça trabalhando a mil e me preocupei no mesmo instante.
— Você está bem? — Perguntei sentando na perna de sua poltrona. se ajeitou na mesma se preparando para responder.
, você falou alguma coisa de mim para sua equipe? — Eu falo de você para todo mundo que eu vejo pela frente, pois você não sai da minha cabeça. Pensei.
— É claro, . Todos conhecem você e as meninas, a maioria tomou café da manhã com a gente, você não lembra? — Tentei amenizar a situação.
Não poderia realmente responder o que se passava dentro de mim. Nossa relação tinha melhorado mil vezes depois da conversa de mais cedo, não queria piorar as coisas.
— Lembro, mas não é desse jeito que eu estou querendo dizer… — Do que diabos ela está falando?
Golden, o que houve? — Perguntei enquanto segurava suas mãos.
Pela primeira vez desde que entrou no camarim, olhou em meus olhos e suspirou. O apelido que estava em minha cabeça desde ontem acabou saindo de minha boca sem querer. Espero que ela não se importe, mas chamá-la de golden ao invés de olhos brilhantes fica melhor quando é da boca pra fora.
— Você disse para alguém que sou “sua garota”? — Falou baixinho.
Se eu não estivesse com o tronco perto dela para tentar ver cada pedacinho de seu rosto angelical, eu não teria escutado. Fiquei tenso com sua pergunta no mesmo instante e esqueci tudo sobre o apelido. Merda, merda, merda. O que ela descobriu?
Merda, merda, mil vezes MERDA.
— O que você ouviu? — Suspirei passando a mão pelos meus cabelos em puro nervosismo. Minha equipe toda já está sabendo sobre a garota ao meu lado, pois não quis esconder para ninguém que estava com ela e suas amigas aqui, e disse para Jeffrey deixar bem claro para todos que absolutamente ninguém poderia mexer com . Eu sei que acabei passando um ar possessivo e que infelizmente ela não é minha namorada, mas quis que ele falasse para todos o meu envolvimento com a brasileira. Não queria que o episódio de anos atrás ocorresse novamente.
— Eu estava andando pelos corredores e um cara da sua equipe conversou comigo e depois de alguns instantes, outro rapaz, que também trabalha para você, disse quem eu era para ele e falou que não podia falar comigo, pois eu era a “Garota do ” e que “o que é dele não é para ser tocado pelos outros.” — Fez aspas com as mãos. Senti que ela tinha ficado nervosa em alguns instantes, como se tivesse deixado algo de fora da conversa. Espera aí, alguém mexeu com ela?
— Ele tocou em você? Quem foi? — Falei e acabei aumentando meu tom de voz quando me levantei para procurar o responsável.
Ela não, por favor.
— Ei, se acalma! Está tudo bem. — me puxou para sentar ao seu lado e não relutei. — Eu só fiquei na dúvida por ele ter falado de mim assim com tanta posse e certeza. Então me diga: você falou algo? — A garota disse com cautela enquanto juntava nossas mãos para me fazer um carinho agradável. Ela percebeu que eu tinha ficado nervoso e quis me acalmar, o que conseguiu. me passava uma paz inexplicável e acho que nunca iria conseguir ficar bravo ao lado dela.
Respirei fundo e decidi contar a verdade.
— Meio que Jeffrey falou para a equipe sobre você e suas amigas.
— Isso eu já entendi... mas e o “Garota do ?” Por que ele se referiu assim ao falar de mim? — Fiz careta. Não queria que ela soubesse disso, pois a vergonha que tenho sobre esse assunto já é grande o bastante.
— Antes de contar, eu preciso que você saiba que não quis te deixar chateada com nada, ok? Foi apenas um assunto que surgiu e Jeff acabou falando com todos da equipe, o que resultou esse “nome” pra você. — Fiz aspas. assentiu e respirei fundo novamente. — Alguns anos atrás, quando ainda estava em tour com a One Direction, eu acabei me envolvendo com uma garota que não era famosa. — Comecei a contar a humilhante história e olhei para que estava prestando atenção em cada palavra. — Ela era uma ótima garota e eu pedi para vir me visitar nos bastidores da tour antes do show… — Suspirei. — Ela foi dar uma volta que nem você fez agora e demorou bastante, mais do que você, e eu fui procurar por ela… e aí eu a achei em uma das salas espalhadas pelo estádio transando com uma pessoa da minha equipe. — Cocei a nuca. arregalou os olhos e se levantou, ficando na minha frente. Antes que ela pudesse falar algo, eu continuei. — Eu sei que você não é ela. Eu sei que você não faria isso e também sei que não temos nada e que você não é minha propriedade. — Abaixei a cabeça com vergonha desse assunto. Não era nada legal lembrar. — Mas eu contei para Jeffrey na época e, quando começou a turnê, ele começou a falar e apresentar as garotas que eu estava me envolvendo para a equipe como modo de “segurança” para que não acontecesse de novo. — Ri de leve e a olhei. — Eu sei que somos só amigos, mas acho que ele acabou falando para a equipe toda ontem quando você confirmou que iria me ver no hotel, como forma de precaução. — Segurei em suas mãos tentando chamar sua atenção. estava parada em minha frente quase sem respirar. — Eu sinto muito mesmo. Eu sei que isso foi ridículo e extremamente imaturo. Sinto muito. Por tudo. Por favor, fala alguma coisa. — Implorei. — Eu vou pedir para Jeffrey convocar uma reunião com todos para não referir a você desse jeito. Eu sinto muito mesmo. — Tentei me levantar para encontrar meu amigo e empresário, mas fui impedido pelas mãos macias de .
… não precisa. — Disse a garota enquanto sorria de leve. — Confesso que fiquei muito surpresa com tudo isso, mas não acho necessário você falar alguma coisa, deixa como está. — Deu de ombros.
— Tem certeza? Você não ficou chateada? — Perguntei e a puxei para mais perto de mim. se levantou e se posicionou entre minhas pernas enquanto passava seus braços ao redor de meu pescoço. Botei minhas mãos em sua cintura e relaxei com o contato.
Qualquer pessoa que visse nós dois neste momento, pensaria que somos namorados e até eu por alguns segundos quis acreditar já estávamos nessa fase.
estava extremamente linda como sempre, usando uma merch de minha coleção que eu a tinha presenteado mais cedo. Seus olhos brilhantes não desviavam dos meus, assim como seus lábios estavam mais convidativos que nunca.
Céus, quanto eu queria beijá-la neste momento não estava escrito.
, eu não estou chateada, mas confesso que não gostei da possessividade que aconteceu aqui. — disse e fez careta.
— Eu sei, me perdoa! — Implorei e a abracei. — Prometo que isso não vai mais acontecer, eu juro. — Disse em seu ouvido enquanto a abraçava, o que a fez rir de leve e me beijar no ombro. Suspirei com o carinho.
— Sinto muito pelo o que aconteceu antes, mas , eu não sou ela. — Segurou os dois lados de meu rosto sorrindo com ternura.
— Eu sei. Me desculpa por isso. — Afaguei seus lindos cabelos castanhos e beijei sua testa.
Graças a Deus você não é ela.
Ninguém vai ser que nem você.


~~~~ x ~~~~

O show estava incrível. As brasileiras são muito amorosas e isso me deixava mais animado e agitado a cada segundo que passava.
Já estava na metade do show e a arena ia a loucura a cada passo meu. Estar no palco, com suas próprias canções, fazendo o que amo, ainda é surreal para mim.
Mesmo com todo o cansaço das viagens e a rotina apertada, eu amo o que faço e não troco por nada. Saber que milhares de pessoas estão neste lugar para me ver, sendo que tem mais de um milhão de coisas para fazer nesta terça-feira, me deixa extremamente grato, pois elas me escolheram.
Confesso que minha animação também é por conta de uma garota linda de olhos brilhantes que está na plateia nesse momento.
e suas amigas não pararam de cantar, pular e dançar desde o começo do show. Fiz questão de deixá-las em um local confortável, onde tivessem toda a visão do palco e que eu conseguisse identificá-las daqui de cima também.
Meu coração não estava cabendo dentro de mim ao sentir todo amor que estava recebendo, não só dela e de suas amigas, mas também de cada um que estava ali junto comigo.

Algo se acendeu em minha mente e quis pôr em prática antes da próxima música.

— Eu tenho uma surpresa para vocês. — Gritos. — Irei cantar uma música agora que é muito especial para mim e não está na setlist, mas eu queria cantar ela para vocês hoje. — Mais gritos. Olhei para a minha banda que estavam confusos com tudo. Apenas pedi para não se preocuparem, falei qual seria a música e pedi a ajuda de Mitch, pois iria ser apenas eu com violão e ele com a guitarra. — Bom, essa música diz muito o que estou sentindo nesse momento. — Olhei para que estava com o cenho franzido em confusão. — Muitas coisas estão diferentes em mim e queria pôr para fora em uma canção, como sempre faço. Eu escrevi essa música anos atrás e nunca cantei ela ao vivo. Acho que o momento certo chegou. — Várias pessoas gritaram imaginando qual seria. — Ela se chama “Don’t Let Me Go.” — Mais e mais gritos.
Respirei fundo e voltei meu olhar para que estava com a boca aberta, totalmente surpresa com minh fala.
Sim, eu iria dedicar a ela.

Nunca achei que ficaria tão nervoso ao cantar uma simples música, porém estava quase mijando nas calças.
Sempre tive vontade de cantar essa música ao vivo, porém achava que a “fase” que vivi com ela já tinha passado.
Bom, até agora.

(Coloque Don’t Let Me Go - Harry Styles para tocar)

Fechei meus olhos e comecei a cantar.

Now you're standing there right in front of me
(Agora você está em pé bem ali na minha frente)
I hold on, it's getting harder to breathe
(Eu aguento, está ficando difícil de respirar)

Olhei para ela e já encontrava-se de olhos marejados. Pelo fato dela ser fã antiga, imaginei que ela sabia sobre a música e estava certo.

All of a sudden, these lights are blinding me
(De repente, essas luzes estão me cegando)
I never noticed how bright they would be
(Eu nunca percebi o quão brilhante elas seriam)

I saw in the corner, there was a photograph
(Eu vi no canto, há uma fotografia)
No doubt in my mind, it's a picture of you
(Não há dúvida em minha mente que é uma foto sua)

Fechei meus olhos e deixei meus sentimentos me dominarem.

It lies there alone in its bed of broken glass
(Está deitada lá sozinha em sua cama de vidro quebrada)

This bed was never made for two
(A cama nunca feita para dois)

I'll keep my eyes wide open
(Eu vou manter meus olhos bem abertos)
I'll keep my arms wide open
(Eu vou manter meus braços bem abertos)

Don't let me
(Não me deixe)
Don't let me
(Não me deixe)
Don't let me go
(Não me deixe ir)
'Cause I'm tired of feeling alone
(Porque estou cansado de me sentir sozinho)
Don't let me
(Não me deixe)
Don't let me go
(Não me deixe ir)
'Cause I'm tired of feeling alone
(Porque estou cansado de me sentir sozinho)

I promised one day that I would bring you back a star
(Eu prometi que um dia eu te traria de volta uma estrela)

Olhei para e ela se encontrava em lágrimas junto com suas amigas.

I caught one and it burned a hole in my hand, oh
(Eu peguei uma e ela queimou um buraco na minha mão, oh)
Seems like these days I watch you from afar
(Parece que esses dias eu te observo de longe)
Just trying to make you understand
(Só tentando fazer você entender)
I'll keep my eyes wide open
(Eu vou manter meus olhos bem abertos)

Don't let me
(Não me deixe)
Don't let me
(Não me deixe)
Don't let me go
(Não me deixe ir)
'Cause I'm tired of feeling alone
(Porque eu estou cansado de me sentir sozinho)
Don't let me
(Não me deixe)
Don't let me go
(Não me deixe ir)

Virei de costas em meu solo do violão e respirei fundo. Olhei para Mitch e ele fez um sinal positivo com a cabeça, me ajudando a tocar.
Essa música era pra ela e agora sempre vai ser.
Eu estou indo embora amanhã e não queria. Não queria que ela me deixasse.
Não queria que ela me deixasse ir.

É complicado você se apegar tão rápido, pois você não sabe o que te espera daqui pra frente. Em 48 horas eu estou totalmente entregue a uma garota com o mundo diferente do meu, com jeitos, aparência, falas e gostos diferentes do meu.
O que eu posso fazer? O que eu deveria fazer? Se é certo eu não sei, mas eu não consigo me fechar mais, não consigo não demonstrar. Que Deus me ajude, mas…


Don't let me
(Não me deixe)
Don't let me go
(Não me deixe ir)
'Cause I'm tired of sleeping alone
(Porque estou cansado de dormir sozinho)

Seria cedo demais para dizer que talvez eu esteja me apaixonando?


.

May, 29th, 2020.

O show tinha se encerrado alguns minutos atrás. As meninas e eu estávamos ainda na plateia esperando as fãs saírem para não dar muita bandeira que iríamos voltar pro backstage.
Ainda estava sem acreditar o que tinha acontecido naquele palco.
Ele cantou “Don't Let Me Go” para MIM? Essa música sempre foi o amor de todas as fãs antigas e o nosso sonho era ver ele cantando ao vivo e, finalmente conseguimos, em um show no Brasil, onde eu estava com minhas amigas, era meio que uma dedicação para mim? Eu não conseguia acreditar.
A música tem uma letra linda e bem emotiva, e eu ainda estou tentando entender qual motivo de tê-la cantado me olhando. O que ele quis dizer? Para não deixá-lo ir embora? Que ele estava também se envolvendo?
Argh, preciso tirar essa história a limpo senão eu enlouqueço.

Finalmente deixamos a pista premium e fomos para o camarim, onde estaria. Desde que ele estava em cima daquele palco, as meninas não paravam de me zoar com coisas do tipo: “ele tá muito caidinho por você”, “olha o jeito que ele te olha, fala sério!” “depois dessa, você ainda acredita que é apenas amizade?” e entre outras. Eu estava tentando não responder ou apenas ia conforme a zoação, pois se eu começasse a pensar demais sobre isso, talvez iria enlouquecer.
Iremos embora amanhã, e dessa vez será de verdade mesmo pois ele também irá. Não terá outro show no Brasil, não terá outra viagem.
Seria o fim?
— Como está o coração? — Louie disse enquanto andávamos até o camarim. Como sempre, eu era a única que estava quieta e debatendo comigo mesma os meus pensamentos mais sórdidos.
— Acelerado como sempre. — Fiz careta. — Isso me assusta, amiga. É tudo muito forte e está acontecendo rápido demais. Tenho medo de me decepcionar, e eu sei que a queda não vai ser nada boa. — Confessei.
— Ah, meu amor, a vida é assim mesmo, mas acho que você não precisa se preocupar com isso. — Louie me abraçou de lado e botei minha cabeça em seu ombro em busca de conforto. — Dá pra ver nos olhinhos de que ele está como você, então relaxa.
— Vamos embora amanhã, amiga, sabe se lá quando iremos nos ver de novo?! Na próxima tour? — Digo com pesar.
Até ele voltar ao Brasil, vai demorar muito. Eu já estou sofrendo com antecipação por algo que nem terminou ainda. Simplesmente odeio isso.
Louie não me respondeu e apenas riu de leve, beijando minha testa.
Entramos no camarim e fomos recebidas por , Jeff e sua banda que estavam espalhadas pela sala.
Cruzei meu olhar com o de e meu coração já estava totalmente descontrolado dentro de meu peito. Ele tinha sua atenção toda voltada para mim, mesmo com mais de quinze pessoas naquela sala.
Fui andando em sua direção enquanto ele vinha na minha ao mesmo tempo. Minha respiração encontrava-se acelerada.
Incrível como só ele tem esse efeito em mim.
— Oi. — disse envergonhado e coçou sua barba que estava começando a crescer.
— Oi. — Respondi baixinho.
— O que você achou do show? — Perguntou.
— Incrível, de verdade. — Sorri orgulhosa.
— Superou suas expectativas?
Você sempre supera. — Respondi no automático e corei. abriu um sorriso aberto e me puxou para um abraço apertado.
Eu nunca iria cansar de sentir seu cheiro. O jeito que tem certas coisas que apenas ele me faz sentir, ou que apenas ele tem, é surreal e único ao mesmo tempo.
é como se fosse o pior e melhor tipo de droga existente, mas confesso que estava louca para me jogar nisso até dizer chega.
— Eu fico muito feliz que você esteja aqui hoje. Obrigada por ter aceito embarcar nessa comigo, é muito importante para mim ter seu apoio. — Disse baixinho em meu ouvido. Meu coração se aqueceu com sua voz rouca pós show.
— Não precisa agradecer, . Eu que tenho que dizer obrigada por tudo o que está acontecendo desde Domingo. Está sendo uma experiência única e graças a você. — Fiz carinho em suas costas, em agradecimento, e me apertou mais ainda no abraço. Passei uma de minhas mãos em seu cabelo como um leve cafuné. — Aliás, eu adorei a música.
— Cantei especialmente para você. Espero que a mensagem tenha sido passada.
— Ela foi sim, não se preocupe. — Não soube contabilizar se ficamos apenas por alguns minutos ou horas nos abraçando até nos interromperem com um pigarreio. Se fosse por mim, não o largava nunca mais.
— Então, vocês vão ficar nessa para sempre? — Mitch se pronunciou. Larguei e corei ao ver todos olhando para nós dois. Odiava ser os centros das atenções.
Nem eu e nem respondemos por pura vergonha e logo todos engataram um novo assunto onde fizeram questão de inserir o cantor e eu. Sentei ao seu lado e prontamente botou seu braço em meus ombros enquanto o outro, passava pelos de .
— Amanhã é nosso último dia aqui no Brasil, não quero ir emboraaaaaaa! — Sarah disse e se jogou no colo de Mitch, atraindo risada da maioria.
— Quem vai se atrever ir aos shows do México? — Adam falou olhando para gente.
— Ih, acho que já deu minha cota de shows, daqui a pouco minha mãe vem me buscar pelos cabelos. — brincou.
Jeff olhou para mim e arqueou sua sobrancelha como se estivesse esperando pela minha resposta. Franzi o cenho e neguei sorrindo. Ir do Rio para São Paulo era até ok, mas ir para outro PAÍS? Por mais que a vontade fosse grande, infelizmente não dá.
— Não! — Disse para Jeffrey ao ver que ele iria abrir sua grande boca, provavelmente sobre eu ir para o México, o que resultou em uma risada estrondosa vindo do empresário.
— O que eu perdi? — Perguntou .
— Nada. Jeff que ia falar besteira. — Respondi.
— Te convidar para ir ao México com a gente é besteira? — Perguntou Azoff com um olhar travesso. Semicerrei meus olhos para o empresário bufando. Isso seria mais uma pauta para discussão, que provavelmente minhas amigas, por esse convite, iriam tentar me convencer a ir, assim como o britânico ao meu lado. O mesmo se ajeitou no sofá para olhar em meu rosto atentamente. Se ele me olhasse com um ar piedoso mais uma vez, eu não sei o que faria.
— Você… gostaria de ir com a gente? — Disse com cautela me olhando com ansiedade. Aí não.
— Meu bem
, se fosse por mim eu iria em todos os shows até o final da turnê, mas a vida não é um conto de fadas e eu tenho um trabalho, casa e faculdade para terminar. Não é tudo tão simples. — Disse tristonha. apenas assentiu cabisbaixo tentando deixar para lá. Ele sabe da nossa situação envolvendo o “mundo lá fora”, porém vi que tinha ficado chateado com minha resposta. — Você sabe que não tem motivos para ficar triste comigo, não é? Se eu não tivesse a faculdade, eu sinceramente embarcava nessa com vocês, mas eu preciso me formar no final deste ano. Quem sabe na próxima turnê, uh? Eu juro que acompanho ela do início ao fim. — Respondi e entrelacei nossos dedos, tentando mostrar que estava tudo ok e que não tinha motivos para tristeza ou aborrecimento nenhum.
— Eu sei disso, mas eu realmente queira ficar com você por mais uns dias. — Fez careta.
— Acredite, eu também. — O abracei de lado e deitei minha cabeça em seu peito, onde consegui ouvir as batidas aceleradas de seu coração. Sorri.
— Bom, que tal então todas no último show da turnê? — Adam se pronunciou. — É apenas em Julho, então dá para vocês se programarem direitinho, não é? — Minhas amigas se animaram com a ideia, fazendo se animar também. Fiquei em silêncio pois… era uma boa ideia? Bom, eu estaria de férias da faculdade, o que era um ponto a favor, mas será que estou disposta a passar por tudo isso novamente?
? — despertou meus pensamentos. A olhei, a incentivando a continuar. Percebi que todos esperavam minha resposta sobre o assunto. Desviei o olhar para e o mesmo estava com toda sua atenção e ansiedade, esperando-a.
— Ah… eu não sei… — Cocei a nuca. — Que tal um… talvez? — Respondi com dúvida. suavizou seu olhar e beijou minha testa.
— Por enquanto está de bom tamanho. — Todos comemoraram e me autorizei a sorrir com a ideia.
— O último show será onde? — perguntou.
— Bom, se vocês realmente querem ir, então se preparem para conhecer Los Angeles. — Jeff respondeu e sorriu abertamente, atraindo gritos animados de todos.

Puta merda.
Eu estava disposta a largar tudo mais uma vez e passar um final de semana em LA para ver ele?
É… pelo visto sim.

~~~~x~~~~

Quando eu mais preciso do sono, ele simplesmente desaparece, me deixando a mercê dos meus pensamentos mais malucos. Justo agora que eu deveria ter uma ótima noite de sono, para que conseguisse levantar bem cedo amanhã e aproveitar nosso último dia de estadia em solo Paulista, eu me sentia agitada e com raiva de mim mesma.
encontrava-se roncando ao meu lado e nem ligar a TV para me distrair, eu podia. Até mesmo escutar música para dormir não estava surtindo efeito. Sim, eu durmo escutando música. Não sei, talvez seja a euforia do show que ainda estava dentro de mim, a tristeza por estar indo embora daqui algumas horas ou até mesmo os olhos esverdeados de um certo alguém que está a alguns andares de mim.

Respirei fundo e peguei meu celular para mexer em alguma rede social que conseguisse me distrair.
Respondi mensagens de minhas amigas perguntando como foi o show e mensagens de minha mãe que pedia a cada 5 segundos para que enviasse uma foto de para ela.
A própria me fez fazer o gravar um vídeo para ela mandando beijo, é mole? Ainda bem que ele é cavalheiro e está acostumado com essas coisas, pois foi vergonhoso ter que pedir ao isso. O britânico ficou super feliz ao saber que minha mãe o adorava, e ainda fez questão de ligar para ela ao invés de apenas um vídeo, (in)felizmente ela não atendeu.
Quando eu a comuniquei sobre o convite de , ela ficou muito feliz por mim, pois sabe o quanto eu gosto dele e não teve nenhuma relutância em concordar com minha estadia em São Paulo, contanto que isso não me atrapalhasse na faculdade. Minha mãe sempre entendeu esse meu amor todo pelo e criou um apreço enorme por ele ao ver o bem que o cantor me fazia, principalmente quando soube que garoto me ajudava com minhas crises mesmo de longe.

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“Acordada essa hora, mocinha?” 00:05

Falando nele…

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“Infelizmente sim, estava em um show de um cantor aí e acabei ficando agitada demais para dormir…” 00:06

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“Uau, esse cantor deveria ser ótimo então para tirar seu sono desse jeito.”00:06

Sorri com a mensagem.
Era engraçado ver o jeito que ele entendia quando eu estava brincando ou falando sério. Até por mensagem era bom conversar com ele. Talvez o tempo que a gente passe um longe um do outro e conversando apenas por telefone funcione se o meu coração for se aquecer assim toda vez que eu ver seu nome na tela.

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“Ah, mais ou menos. Já vi melhores.” 00:08

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“HÁ! Engracadinha.” 00:08
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“Já que você está sem sono e eu também, o que acha de passarmos essa insônia juntos?”

Será? Bom, sim eu estava com insônia, e sim, seria ótimo vê-lo, mas como faríamos isso? Aqui no quarto não dava e estava fazendo frio lá fora…

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O que tem em mente?” 00:09

Não irei negar que o convite me atraiu e estava ansiosa para saber o que ele tinha pensado. Poder passar alguns minutos sozinha com o seria bom, mas ao mesmo tempo me deixava nervosa.
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“Venha para meu quarto. Você tem 10 minutos senão eu começo sem você. ;)”00:09

Quarto dele? Começar o quê sem mim? Aí, Deus…

Levantei da cama tentando não acordar ninguém e fui ao banheiro ver meu estado. Ajeitei os fios bagunçados e fiz careta ao ver resquícios do dia cansativo que tivemos, porém não iria passar maquiagem uma hora dessas; infelizmente já tinha me visto em um estado pior.
Como eu estava de moletom e calça do mesmo modelo, decidi não trocar de roupa já que provavelmente iríamos ficar em seu quarto. Peguei meu celular e o cartão para fechar o quarto e fui em direção ao seu.

Em apenas 8 minutos, eu já estava batendo fraco na porta de sua suíte.
— Bom saber que você é pontual. — Brincou. Apenas mostrei língua e entrei no quarto.
— Então… o que você ia começar sem mim?
— Uau! Você só veio por que ficou curiosa? — Perguntou enquanto se jogava em sua cama. Dei de ombros e sentei do outro lado. — Bom saber que você gosta da minha presença. Revirei os olhos.
— Ai, , sem drama. — Ri e ele riu junto. — Você sabe que não é isso.
— Eu sei, golden. Não se preocupe. — disse ainda rindo e se levantou para buscar uma sacola de doces e salgadinhos que estava na poltrona à nossa frente, mudando o canal da TV para um de clipes.

Espera aí…

(Coloque Softly - Clairo para tocar bem baixinho se quiser.)

— Você disse o quê?
— Apenas disse para você não se preocupar. — Respondeu confuso enquanto voltava e se sentava encostando as costas na cabeceira da cama.
— Não é isso… você me chamou de golden. — Disse tentando não demonstrar minha felicidade ao saber que ele tinha me dado um apelido… carinhoso?
Ao perceber que eu tinha escutado o tal apelido, prontamente arqueou as costas em pura tensão e estranhei.
— Ah, você ouviu desta vez… — Fez careta.
— Como assim? Teve outra?
— Sim, eu te chamei mais cedo de golden e você não falou nada, achei que não tinha se importado. — Deu de ombros claramente envergonhado. Eu estava achando muito fofo o jeito que estava agora. Para alguém que transmite um ar misterioso e intimidador quase o tempo todo, esse de agora estava bem diferente do que muitos costumam ver e estava adorando isso.
— Não tinha prestado atenção antes… mas por que o apelido? Sou parecida com o cachorro dessa raça? — Franzi a testa em confusão.
— NÃO! — Riu alto. — Eu nem pensei nisso, , eu juro! O apelido veio por outra coisa. — Coçou a nuca e suspirou. — Eu apenas tinha te chamado assim em pensamento e meio que saiu sem querer agora… sinto muito. — realmente encontrava-se envergonhado com a situação e era engraçado. Não estava em seus planos falar isso em voz alta pelo visto.
— Não precisa pedir desculpas — Ri. — Apenas me diga o motivo do apelido e tá tudo bem. — deitou na cama gemendo baixinho e se cobriu inteiro, demonstrando que realmente estava envergonhado. Achei graça de seu comportamento e tentei tirar o cobertor de cima dele.
, não precisa ter vergonha de mim.
— Não é vergonha de você, . É de mim mesmo. Eu sou patético. — Respondeu abafado.
— Para com isso. — Tentei lhe tirar do edredom mais uma vez. — Apenas me conta, eu juro que não vou rir.
— Você promete? — Perguntou baixinho igual uma criança de 5 anos. Não aguentei e ri de sua atitude novamente. — Viu só? Você já está rindo!
, para de drama e fala logo! — Puxei o cobertor pela terceira vez e tive finalmente tive êxito. — Se você me contar, eu lhe falo algo que nunca te disse sobre você. — Obtive sua atenção e o garoto se sentou novamente ao meu lado, respirando fundo ainda de olhos fechados.
— Bom… quando eu te vi no show pela primeira vez a sua beleza chamou minha atenção de primeira. Como eu te falei ontem no aeroporto, o jeito que você me olhava era único e eu me sentia amado e especial de alguma forma. — falava baixinho enquanto nem se atrevia a me olhar e apenas brincava com suas mãos. Meu coração já estava na boca ouvindo sua confissão. — No mesmo momento em que saí do show, atordoado por achar que tinha te deixado chateada, você foi dona dos meus pensamentos e eu ficava repetindo para mim mesmo que… — Respirou fundo e finalmente me olhou — Eu ficava repetindo em minha mente o quão lindo seus olhos eram e te dei um apelido de “a garota dos olhos brilhantes” por não saber seu nome, e ao te conhecer eu vi que esse apelido realmente fazia jus a você. Então comecei a te chamar de Golden, tentando encurtar o apelido antigo pelo fato de você ser tão viva, espirituosa, amorosa e seus olhos serem tão... brilhantes que me lembravam algo assim… Eu sei que é bobo e eu nem deveria ter falado isso, mas acabou saindo. Eu prometo não te chamar mais desse jeito se você não quiser. — Ele me encarava agoniado e sem respirar direito e eu… Bom, eu estava em um colapso imenso com dúvida do que fazer a seguir. Não sabia se eu ria, corria, o abraçava ou o agarrava.
tinha botado um apelido em mim pois eu o lembrava algo… Brilhante.
Sinceramente a vontade de chorar apareceu e eu não me contive. Meus olhos encontravam-se marejados e tive que me segurar muito forte para não chorar copiosamente em sua frente. Nunca tinha tido um apelido dessa forma, apenas o do meu nome. Receber um apelido vindo especialmente dele era muito importante para mim, ainda mais um tão lindo que nem esse.
, eu… — Respirei fundo. — Eu amei. — Sorri.
— Sério? Você não está chateada? — Perguntou em dúvida, porém com resquícios de alívio em seu olhar. Apenas neguei a cabeça e sorri abertamente. Vi soltar todo o ar que parecia estar prendendo e me puxou para um abraço de lado bem apertado.
— Eu achei o apelido muito fofo, de verdade mesmo. Nunca alguém tinha feito isso por mim. — O soltei apenas para olhar em seu rosto angelical. botou uma de suas mãos em meu rosto e fez carinho em minha bochecha limpando a lágrima que tinha escapado.
— Bom saber que fui o primeiro. — Sorriu.
— Você é meu primeiro em muitas coisas, . — Confessei baixinho enquanto aproveitava sua mão macia e quente em meu rosto.
— Gostaria de continuar sendo assim. — Respondeu baixinho.
Eu também.
Abri meus olhos e me deparei com uma chuva de sentimentos nos seus. Via em seu olhar tudo que estava sentindo dentro de mim: Medo, dúvida, carinho, ansiedade e desejo. Arfei ao me sentir totalmente refletida em seu olhar e perceber o quão ele estava aberto e vulnerável naquele momento, me deixando ver simplesmente tudo dentro de si.
intercalou seu olhar entre minha boca e meus olhos e se aproximou mais ainda. Meu coração estava totalmente descontrolado dentro de mim, não duvidava que ele estava conseguindo ouvir as suas batidas.
Isso realmente iria acontecer?
Eu estava preparada para aquilo?
O que isso diria de nós?
Respirei fundo e conseguia sentir seu hálito de menta, o que me fez salivar ansiosa para sentir seu gosto. fechou os olhos e abaixou a cabeça suspirando e me fazendo o olhar em confusão.
— Você não faz ideia do quanto eu queria poder te beijar agora, . — botou as duas mãos em meu rosto me trazendo para mais perto e quase me fazendo sentar em seu colo. — Porém eu não sei quando nos veremos novamente… — Respirou fundo novamente, me olhando com determinação e puro desejo. Conseguia sentir a dor por trás de sua voz. — Então irei guardar toda essa vontade que está dentro de mim para nosso próximo encontro e espero que você faça o mesmo, porque na próxima, não vai ter Mitch, não vai ter Jeff e não vai ter senso suficiente que me faça te largar. — terminou sua fala ofegante enquanto ainda olhava para minha boca. Eu estava da mesma forma. Ofegante e com um puta desejo do homem em minha frente. Mas no momento eu apenas conseguia sentir… Gratidão? Entendia exatamente o que ele quis dizer com tudo isso. quis nos poupar de sofrer mais ainda por conta de um beijo, já que iremos ficar bastante tempo sem nos ver, e prometeu que na próxima, por termos mais contato, conversa e mais intimidade até lá, não tem o que faça ele me soltar e eu também penso o mesmo.
Mesmo envergonhada com tudo, eu apenas consegui sorri agradecida e recebi um beijo na testa.
Para tirar toda a tensão do ar, logo mudou de assunto, perguntando o que eu queria assistir e assim ficamos até eu pegar no sono em seu quarto mesmo.

~~~~x~~~~

Como se tivesse se passado apenas alguns minutos, abri meus olhos como se um caminhão tivesse passado em cima de mim e tentei me virar para dormir mais alguns minutos, porém fui impossibilitada por um par de braços fortes me envolvendo.
estava me segurando como se eu fosse fugir a qualquer momento dali. Um de seus braços estava em minhas costas e descansava ao lado de meu braço, e o outro estava em cima de mim. O seu dono encontrava-se com o rosto colado ao meu e ressonando bem baixinho.
Foi impossível conter o sorriso ao ver o quão sereno ele é dormindo. Literalmente um anjo.
Por pena de acordá-lo, continuei na mesma posição, olhando para seu lindo rosto sem me cansar daquilo. Estava a poucas horas de pegar meu voo e talvez o veria de novo apenas em 2 meses, o que era muito. A tristeza rapidamente bateu em mim, fazendo meu coração apertar.
Eu não iria mais poder ter aqueles olhos tão intensos em mim o tempo todo.
Não poderei mais ter ele ao meu lado sempre que eu quisesse.
Não poderei mais ter minhas amigas e nem os novos amigos que fiz ao meu lado.
Muita coisa iria se acabar assim que eu entrasse naquele avião e talvez ainda não estivesse pronta, mas não tinha nada para fazer, a não ser aceitar e agradecer que eu tive os seus olhos intensos em mim o tempo todo. Eu o tive ao meu lado sempre que eu quisesse. Eu tive minhas amigas ali e conheci outras pessoas que talvez eu leve comigo daqui em diante.
Sou muito grata por cada coisinha que aconteceu desde que pisei o pé no Rio, até mesmo as coisas ruins, pois se aconteceu foi por um motivo e talvez esse motivo seja o mesmo que está se mexendo nesse momento, dando indícios que está para despertar. Porém, tudo o que ele fez foi me apertar mais contra si e botar seu nariz em minha têmpora, como se precisasse de mais possível contato comigo possível.
Suspirei boba com a cena e sorri. Aproveitei aquele carinho todo e voltei a fechar os olhos.

~~~~x~~~~

Estava aproveitando a vista linda que o quarto de tinha enquanto o esperava sair do banho e descer para tomar café com todos.
Depois de mais alguns minutos de espera, apareceu apenas com uma toalha amarrada em sua cintura e seu corpo musculoso todo molhado.
— Vá se trocar, temos apenas dez minutos para descer. — Disse a ele enquanto tentava desviar o olhar de seu esbelto corpo, porém era impossível e algo me puxava para aquela visão dos deuses.
— Eu irei, mas queria que soubesse que estou chateado com você. — Disse se aproximando e ficando de joelho entre minhas pernas me fazendo arfar com a visão.
— Por-por quê? — Gaguejei. Ele apenas sorriu enquanto botava uma mecha de meu cabelo em minha orelha.
— Passei esse tempo todo no banho pois achei que uma certa pessoa iria me fazer uma visita… Poxa, … Você me magoa assim, sabia? — Sua voz estava rouca, deixando essa cena mais sexy possível.
Minha calcinha encontrava-se totalmente encharcada desde que ele entrou nesta varanda. Ter aquilo apenas por pensamento já era excitante, agora ver tudo em minha frente e podendo tocar, era demais.
— Eu não sabia que você estava me esperando. — Respondi baixinho. se aproximou e começou a beijar meu pescoço me fazendo arfar.
— Pois deveria saber... — Falou em meu ouvido enquanto uma de suas mãos estava em minha nuca, deixando meu pescoço totalmente expostos para suas carícias e a outra adentrava de leve entre minhas pernas, me fazendo tremer em excitação. — Estou completamente duro por você, linda, desde o dia que eu te vi… é só você pedir e eu sou todo seu. Eu posso te fazer gritar como nunca ninguém fez. Posso fazer essa agonia de nós dois passar. Posso te levar para o paraíso em dois tempos… eu só preciso que você se permita. É só você dizer sim.
— Eu… — SIM! MIL VEZES SIM! MERDA, SIM! — Eu… — Por que eu não conseguia falar nada? MERDA, É SIM!
? ? Golden, acorda. —
Acordar? Mas eu estou acordada!

Em um piscar de olhos a cena de de toalha na varanda, foi substituída pela cena de nos mesmos trajes sentado ao meu lado na cama. Eu estava apenas com um olho aberto, enquanto o outro se recusava, por estar adorando o carinho feito pelo homem em minha frente, que inclusive estava REALMENTE de toalha ao meu lado.
Puta merda.
Me despertei novamente e me sentei na cama.
— Bom dia. — falou animado. Apenas balancei a cabeça respondendo seu bom dia, enquanto coçava os olhos tentando espantar o sono. Ele riu de meu estado e me deu um beijo na testa. — Desculpa acordar você, mas suas amigas não param de ligar para seu celular e não vai demorar nem 5 minutos para alguma delas bater na porta atrás de você.
— Você não atendeu? — Perguntei e minha voz estava rouca de sono. Fiz careta e me joguei novamente na cama ainda o olhando.
— Não. Eu estava no banho e apenas escutava o celular tocar, quando saí do banheiro já tinha parado e aí fui ver que era o seu e tinha milhares de chamadas perdidas de praticamente todas elas, principalmente de . — Riu de leve. — Tem mensagens também e eu iria responder, porém não sei sua senha então estava esperando ela ligar novamente antes de te acordar, mas acho que desistiram e agora estão ligando para a polícia ou batendo de porta em porta nesse hotel atrás de você. — Brincou. Rimos junto. Não duvidava que isso poderia acontecer.
Acabei falhando ao sair do quarto no meio da madrugada sem deixar nenhum tipo de aviso a nenhuma delas. Também iria me preocupar se fosse o contrário.
ainda estava de toalha em minha frente… Deus, você me odeia?

Peguei meu celular para responder as mensagens preocupadas de minhas amigas e tentar tirar o olhar do homem a minha frente, mas ouvi um baque na porta.
foi até lá e viu no olho mágico quem era e segurou o riso. O olhei confusa.
— São elas? — Perguntei. Assentiu. — Deixa que eu abro.
— Não se preocupa, faço questão. — Riu.
, você tá só de toalha! — Sussurrei para que elas não escutassem.
— Eu sei. — Piscou. Ele abriu a porta com um enorme sorriso no rosto e prendi o riso. Elas iriam surtar.
, você sabe onde tá a… AÍ MEU DEUS! — Fechei os olhos e tentei achar um buraco para me esconder da vergonha. — VOCÊS DORMIRAM JUNTOS! — gritava da porta do quarto. Ah não.
— Eu sabia, eu sabia, eu sabia! Iara, você me deve 50 reais. — Me levantei indignada com o que tinha escutado falar.
— Vocês apostaram sobre isso? — Perguntei alterada. ainda estava de toalha ao lado da porta, olhando para nós com diversão. Fui para seu lado e cruzei os braços, tentando passar o quão brava estava naquele momento.
— Mais ou menos, … é que ela não achava que vocês iam ficar juntos já nessa viagem, mas sim em Los Angeles… — tentou se explicar. Abri a boca surpresa e riu alto.
— Vocês sabiam disso? — Perguntei para minhas outras amigas e todas concordaram envergonhadas.
— Aí, amiga, me perdoa mas era meio óbvio que vocês iam ficar juntos, né? — Foi a vez de falar algo.
— Para o governo de vocês, eu apenas DORMI aqui e não rolou nada do que vocês estão pensando. — Bufei e entrei no quarto novamente, pegando minhas coisas e calçando minha pantufa.
— Ei, onde você vai? — Antes de sair do quarto, me puxou pela cintura me impedindo de sair.
— Vou tomar um banho e ter uma boa conversa com essas seis. — riu negando com a cabeça e se aproximou para dar um beijo em meu rosto.
— Te espero lá embaixo? — Perguntou baixinho enquanto entrelaçava uma de nossas mãos. Senti o olhar de todas as minhas amigas em nós dois e o quanto elas estavam tentando nem respirar perto da gente para não atrapalhar. Não consegui respondê-lo verbalmente, então apenas assenti com a cabeça e devolvi o beijo em seu rosto, fazendo-o sorrir. se despediu das meninas e saí do quarto suspirando e com um sorriso bobo nos lábios.
Ao abrir os olhos, senti todas me olhando marotas querendo respostas.
— Não! Nossa conversa será outra e lá no quarto. — Todas reclamaram pois estavam loucas para saber o que tinha acontecido.

Depois de um banho maravilhoso, várias broncas feitas por mim em seis meninas curiosas e muita fofoca sobre a madrugada passada, descemos para tomar um divertido café da manhã novamente ao lado da equipe. Todos encontravam-se pelos cantos do refeitório e dessa vez não deixei insegurança nenhuma me atrapalhar e sentei ao lado de , o que o fez abrir um sorriso imenso, me fazendo abrir um também.
O clima estava absurdamente agradável, então depois do café, fomos aproveitar o tempinho que ainda tínhamos na piscina do hotel.
Mais uma vez, aquele ambiente estava repleto de pessoas incríveis, risonhas e especiais para mim. Nos divertimos loucamente na piscina e tomando sol nas espreguiçadeiras. O mais surreal de tudo, era que em momento nenhum saia de meu lado e isso me dava um conforto absurdo, pois ele estava tentando, assim como eu, aproveitar cada segundo comigo, o que fez meu coração dar inúmeras reviravoltas em mim.
A saudades estava na porta, porém a felicidade estava na casa toda.
Eu iria sentir sua falta, mas estava completamente feliz pois sabia que isso não acabaria aqui.

~~~x~~~

— Promete me ligar ou me mandar mensagem assim que pousar? — repetia a mesma coisa pela terceira vez enquanto ainda estava me abraçando. Achei graça de seu desespero e beijei seu pescoço, fazendo-o suspirar. Simplesmente amava saber que eu o causava o mesmo efeito que ele me fazia sentir.
— Eu já disse que sim. O mesmo serve para você, tudo bem? — Assentiu. — Vou sentir sua falta. — Fiz bico e me imitou. O abracei pela quinta vez em menos de dez minutos.
— Vamos, , tem outras pessoas na fila para abraçar ela também. — Adam nos interrompeu. Meu voo era o primeiro a sair e eu precisava estar na fila de embarque em 20 minutos. Larguei e fui abraçar Adam.
Iria sentir saudades de cada um ali e esperava poder continuar essa amizade mesmo a distância.
— Tenta ir em Julho, por favorzinho. — Foi a vez de Sarah me abraçar.
— Irei fazer o possível. — Respondi. Nos afastamos e o próximo foi Mitch, que foi muito gentil comigo esses dias, principalmente sobre minha relação com .
— Confesso que já estou com saudades. — Foi a vez de Jeff.
— Confesso que eu também. — Rimos. — Cuida dele, tá bom?
— É o meu trabalho. Se cuida também. — Nos afastamos. — Segura firme que logo logo você vai estar nos braços dele novamente.
Assim espero. Pensei, porém apenas assenti e dei uma última olhada em todos antes de pegar minha mochila. Já tinha me despedido de minhas amigas e todas me olhavam chorosas. Percebi que não tinha derramado uma lágrima sequer ainda e me orgulhei por isso.
Olhei para mais uma vez e fui ao seu encontro para mais um abraço.
— Tchau, meu bem. — Disse em português.
— Tchau, Golden. — Respondeu beijando minha testa.
Me afastei sem olhar para trás dessa vez.

Agora era definitivo, realmente chegou ao fim, porém de uma coisa eu tinha certeza: minha relação com o estava apenas começando, e confesso que mal poderia esperar para saber qual seria o desfecho de nossa história.


Continua...



Nota da autora: Oi, gente!
Bom, eu não tenho muito o que falar, mas eu espero que vocês estejam gostando da minha história. É minha primeira fanfic no site e está sendo basicamente um sonho escrever para um site, onde eu leio desde do início da minha adolescência. Essa fanfic está sendo muito especial para mim, pois tem muito de mim nela, o jeito que a PP é sou eu todinha, então eu estou me jogando de cabeça nesse personagem e tentando fazer uma história para vocês.
Sabe a bronca que o PP deu na PP? ACONTECEU COMIGO! Isso mesmo, eu fui no show do Harry em 2018, na Jeunesse, e aconteceu a mesma coisa que retratei para vocês, que inclusive foi de onde surgiu a ideia de escrever TOTL! Espero que a história esteja prendendo vocês e estou muito ansiosa para vocês descobrirem o desfecho da mesma nos próximos capítulos. Criei esse grupo no Facebook e espero todas vocês lá! Irei por vários spoilers e bastante coisas legais para interagirmos.
Ah, tentem sempre comentar algo aqui, para eu saber o que estão gostando e até mesmo se tem algo incomodando vocês ou alguma sugestão, para eu saber se tô no caminho certo, por favorzinho!
Um beijo e até a próxima!



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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