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Última atualização: 22/01/2020

Prólogo

Kappa Tau Gamma, janeiro de 2016.

Quando Greco aceitou o convite de seu melhor amigo naquela noite, ele não imaginava a tamanha confusão que se meteu. Agachado pela segunda vez frente ao vaso sanitário, nunca se sentiu tão patético quanto naquele momento. O garoto xingava mentalmente todas as vezes que sentia seu estômago revirar e podia jurar que a música que tocava lá embaixo, ainda era uma droga. Depois de mais uma investida contra o vaso, o moreno se sentou com as costas escoradas na box do chuveiro imaginando, é claro que, aquele banheiro seria seu melhor amigo de agora em diante.
, como os íntimos o chamavam, já havia tentado amenizar aquela situação com diversos truques. Tomara água e comeu tabletes de chocolate e mesmo assim seu estômago estava determinado em puni-lo por tanto álcool que ele havia ingerido. E o motivo? Bem, ele tinha nome e sobrenome. .
, em mais uma tentativa particularmente inútil de ignorar a atração que sentia pela garota, disputou com Cameron para ver quem bebia mais cerveja. Ideia de bosta, ele sabia. Mas mesmo com todas as advertências de seu cérebro, o garoto permaneceu aceitando aquela maldita aposta. Quando o garoto levantou-se para destrancar a porta e ir a procura do cara que o metera nessa, outra náusea se fez presente e lá estava ele novamente agachado sobre o vaso. Um momento após, se encontrava de olhos cerrados apoiando seu braço e sua cabeça no box.

— Você está bem? - uma voz que preencheu o banheiro da Kappa Tau fez todas as entranhas de tremerem. Essa não. O garoto não tinha saída e voltou a xingar mentalmente, mas não antes de perceber que a autora daquela voz, estava agachada ao seu lado. olhou para cima e para sua surpresa, a garota o reconhecera. — ?! - murmurou assustada. por sua vez só conseguiu sorrir fraco. — Mas que diabos você fez? - agora ela estava visivelmente irritada e o garoto permanecia quieto amargurado com seus próprios sentimentos, que mais tarde os julgaria como patéticos. Manipulado por aqueles olhos, contou tudo sobre a aposta para ela.

Ao ouvir aquilo, a garota ficou vermelha como tomate. piscou algumas vezes ao se lembrar de quantas vezes já a vira assim, irritada. A garota se levantou murmurando coisas como “você tinha que fazer isso”, “tinha que provar algo”, “por que diabos aceitou a aposta”, “o velho Greco com suas velhas manias”... e então apoiou sua bolsa na pia a procura de remédio para enjoo. O garoto a observava atento toda aquela cena, ela por sua vez nem parecia notar o olhar que ele lhe dava. Ela pegou um copo qualquer de bebida apoiado sobre o espelho, o limpou com água da pia e depois o encheu pela metade entregando junto ao remédio para .

— Tome - falou sem rodeios e o garoto assentiu. — Agora venha aqui - levantou-se com dificuldade mas ainda sim obedeceu a garota, temendo ser petrificado por seu olhar caso não o fizesse. Era sempre assim, ele era especialista em quebrar as regras e ela era a especialista em dizer “eu te avisei.
— Eu ainda não sei o porquê ainda me preocupo com você - abaixou a cabeça do garoto para que ficasse abaixo da torneira. Ele tinha uma leva resposta para o que ela falara, mas preferiu permanecer quieto e evitar qualquer tipo de conflito. — É sério. Você só pode ter bosta na cabeça - ligou a torneira e instantaneamente ele sentiu a água gelada, mas o que fez estremecer não foi aquilo. Foi sentir a mão da garota passando água por sua nuca. Qualquer toque que ele ousasse sentir dela, fazia um turbilhão de sentimentos reacenderem. Depois que a garota terminou o que tinha de fazer, virou-se e se sentindo um pouco melhor, se escorou na pia ficando frente a frente com ela. E agora, os dois estavam visivelmente constrangidos e cheios de palavras para soltarem. Mas daí, o quarterback apareceu.
— Ei! Você está aí - a garota virou dando de cara com Tyler escorado na porta. — Estive te procurando até agora - falou sem deixar de dar uma olhada significativa a . — Boa sorte da próxima, cara - por um momento, achou que a estrela de universidade falava da garota, até que se lembrou que Tyler está presente no showzinho com cerveja. acenou com a cabeça. — Vamos? - o loiro falou diretamente para a namorada que se afastou do outro garoto.
— Se cuide, - falou antes dela e do grandalhão saírem rumo a festa. Quando achou que a garota estava suficientemente longe, murmurou “Se cuida também, ”. E outro encontro com o vaso aconteceu.

(...)




Capítulo 1

estava particularmente ansiosa naquela manhã. Segurava a carta de aceitação firme sobre o peito. Dentro do carro, sua mãe olhava constantemente para trás para compartilhar a alegria juntamente de sua filha. Seu pai por outro lado, por mais que não quisesse admitir, tinha o peito apertado só de imaginar sua filhinha tão longe de casa. Mas lá estava ele afinal, estacionando seu carro junto ao campus de Stanford, a universidade que sua garotinha sempre quis entrar. A garota se despediu de seus pais e de malas em mãos, foi em direção a sala de reitoria. não fazia o tipo de garota que se candidatava para alguma fraternidade. Preferia o velho e bom conforto de um dormitório no campus, com uma colega de quarto maluca qualquer.
Depois de dar uma analisada em seus pertences, retirou de seu bolso um papel e deu uma boa analisada. subia o que lhe pareceu um infinito lance de escadas até o andar indicado pelo mapa. Mas mesmo assim, ainda não havia encontrado a sala de reitoria. Para ajudar, suas malas estavam começando a pesar. Havia seguido as instruções corretas do papel que lhe foi entregue e mesmo assim, sentia estar completamente perdida. Olhou para a direita e ainda não conseguia encontrar a sala do reitor. Como não era nada paciente, aquela situação toda a estava deixando desconfortável e quando estava prestes a xingar, seu celular começou a vibrar. Pegou o aparelho e analisou a mensagem que havia chego. Enquanto a garota digitava uma resposta para sua mãe, omitindo é claro a parte de estar perdida, mal percebeu a porta do banheiro masculino se abrir.

— Já estou andando em círculos faz 20 minutos. VINTE MINUTOS! - a voz masculina preencheu o local assustando a garota. parou de digitar e percebeu que um garoto moreno havia saído do banheiro, carregando uma mala e uma mochila. E ele falava ao telefone. — Eu sei.... não… a porcaria está errada… - o garoto andava em círculos visivelmente irritado. Quanto a garota, ela apenas observava atenta às palavras ditas por ele. Não queria ser intrometida, é claro, mas algo lhe dizia que aquilo seria importante. Quando ouviu a palavra “reitoria”, piscou duas vezes e se aproximou do garoto.
— Ei - chamou e olhos confusos se direcionaram a ela. — Eu escutei sua conversa…- o menino arqueou a sobrancelha.
— Você sempre é bisbilhoteira? - ele falou sério e a garota abriu a boca pronta para dar meia volta. — Calma, estou brincando com você - falou rindo, mas ela ainda o olhava sério. — Sou . Greco - estendeu a mão
- falou sem rodeios apertando a mão do garoto com uma mão, enquanto segurava o mapa na livre.
— Então… você estava ouvindo minha conversa porquê... - ele se escorou no armário.
— Você falou sobre a reitoria - deu de ombros. — E se eu bem compreendi, você também está com problemas para encontrar a sala - falou decidida.
— Ah, é isso - Chris deu de ombros e em seguida pegou o mapa da garota e o seu. não deixou de notar o jeito despreocupado de . Analisava os mapas atentamente e ela se interessava cada vez mais para saber o que tanto ele olhava. — É - disse pegando a garota de surpresa. — Me parece que são iguais - arqueou a sobrancelha e devolveu o papel a garota. — E era pra sala ser ali - apontou para o final do corredor.
— Está vazia - colocou a mão na cintura como se aquilo fosse óbvio. — Eu já fui até lá.
— Eu também já fui, gênio - deu a língua e o olhou como se ele fosse o cara mais maluco que conhecia. — Acho que mudaram de lugar…
— Aposto que não - a garota interrompeu. voltou a observar o jeito intrometido dela e por mais estranho que fosse, ele gostava daquilo. — Permaneço achando que o mapa está errado - ela estava convicta.
— Então vamos apostar - abriu um sorriso.
— Está maluco? Apostar o que? - cruzou os braços
— Se essa estivermos no lugar errado por causa do mapa, eu devo a você uma cerveja - falou. — E, se estivermos no lugar certo e a sala tiver mudado… - ela olhava atenta. — Você me deve um encontro, para tomarmos uma cerveja - foi direto ao ponto e olhou surpreendida. Raramente conheceu pessoas tão convictas quanto ela. Ou tão cara de pau. E assim, certa de que ganharia a aposta, estendeu a mão para o garoto.
— Feito - apertaram as mãos.
— Perfeito! - sorriu largo e tirou a mochila das costas.
— O que você está fazendo? - perguntou observando.
— Sentando - sentou-se escorado no armário e a garota arqueou a sobrancelha. — O que é? Como você espera que a gente descubra quem está certo? - permanecia calada. — Nossa opção é, ou saímos cegamente procurando a sala ou… esperamos até alguém mais aparecer - cruzou os braços. — Eu particularmente prefiro a segunda opção. Meus pés estão me matando - balançou os pés e a garota deu de ombros sentando.
— Você tem certeza disso? - perguntou. — Porque se ninguém chegar, provavelmente vamos passar a noite aqui - olhou para o garoto.
— Que sorte temos então - falou abrindo a mochila. — Já que temos isso - tirou um saco de bolachas da mochila. — Isso - agora tirou salgadinhos e água. — E isso - apontou para o banheiro. — De fome e bexiga cheia, não vamos morrer - sorriu largo e a os dois gargalharam.

Depois de alguns minutos, mais calouros perdidos se aproximaram do local e agora com uma quantidade significativa de adolescentes, e ficavam cada vez mais ansiosos para saber quem venceria a aposta. Logo mais, um piquenique coletivo se estendeu ao corredor não mais tão deserto de Stanford. Para a sorte da calourada, alguns minutos mais tarde um garoto negro, alto, de olhos claros apareceu ofegante ao corredor. Todos os calouros prestaram atenção.

— Oi, eu sou Ethan - falou parando para respirar. — Desculpem a demora. Eu vou levar vocês para a sala do reitor Richard - a calourada se apressou para levantar enquanto Ethan colocava um aviso na porta da “tal sala” de reitoria. olhou para e levantou-se indo em direção ao outro garoto. se apressou para segui-lo. Quando leram juntos o aviso, tudo fazia sentido. “Devido a uma inundação ocorrida na noite de ontem na sala de reitoria, medidas de realocação tiveram que ser tomadas. Os mapas aos quais todos os acadêmicos possuem estão desatualizados, haja visto que os mesmos foram entregues juntamente a carta de aceitação da universidade, fato este ocorrido antes do incidente com a sala. Pedimos desculpas pelo transtorno e brevemente tudo será resolvido. Lembrando que a nova sala encontra-se dois andares acima. Att, a coordenação do campus.”. E assim o mistério da sala foi revelado. Ethan então levou os garotos até a nova sala e quando os alunos chegaram à sala de espera da reitoria, virou-se para com um sorriso largo..
— Você me deve um encontro - piscou e as bochechas da garota ficaram vermelhas.

E daquele dia, duas coisas aconteceram sem que soubesse. A primeira era, que ele havia acabado de conhecer seu melhor amigo e segunda, era que a menina nada tímida e bonita que havia conhecido, seria sua colega de classe e o amor da sua vida.

(...)


andava cansado pelos os corredores de Stanford. Desde que alojou na fraternidade Beta Alpha Xi, a maioria de seus finais de semana eram intensos e aquele não havia sido diferente. O resultado? Uma dor de cabeça persistente. O garoto chegou ao refeitório pegando um generoso copo de café, direcionou-se até seu armário e pegando todo o material necessário, foi de encontro a sala da primeira aula do dia. Anatomia I.
Adentrou na sala e agradeceu mentalmente por ter chego em tempo. Sentou na sua carteira habitual, ao lado de Ethan. Seu parceiro de turma e também, seu irmão de fraternidade.
Falando em Ethan, algumas semanas desde seu primeiro encontro com haviam se passado. Desde aquele dia, percebeu que seria fácil se identificar com o garoto.

— Como passou a noite? - Ethan perguntou quando notou a afeição péssima do amigo. rolou os olhos.
— Nem vem - advertiu. — Aquilo foi exagerado até para mim.
— Devia ter pensado nisso antes de propor aquele joguinho - tomou um gole de sua água. estava prestes a responder o amigo, quando Ethan apontou para a porta da sala. — E aqui temos algo mais confuso que você. Me conte de novo, como você não conseguiu sair com a garota?
— Vai a merda - revirou os olhos.

era uma garota decidida e um tanto quanto competitiva. Raramente perdia desafios, contudo, quando aceitou a aposta com - deve confessar - que ela jamais imaginou que perderia. Mas afinal, era apenas uma cerveja, não era? E o que havia de mal naquilo?

A resposta era simples… desde o primeiro momento que a garota botou os olhos em , ela tinha uma certeza, ele era problema. Talvez fosse o jeito descontraído que tinha, ou talvez aquele sorriso de quem adora quebrar regras. O quem sabe, aquele olhar? O maldito olhar que a prendera. certamente seria uma distração a , e realmente não precisava de distrações. Então, assim que saiu da sala de reitoria, desapareceu das vistas do garoto. Afinal, quais as chances deles se encontrarem em um campus tão grande?
Isso foi total e completamente quebrado quando a garota entrou na sala de sua primeira aula de anatomia. A garota deu de cara com quem ela menos queria. E agora ela estava ali, depois de dias olhando para os mesmo olhos que pareciam tê-la azarado, desde o primeiro dia em que os vira. Quando viu que havia sido pega, virou rapidamente para frente, ficando vermelha como de costume. O garoto arqueou a sobrancelha e estava prestes a se levantar e ir até a garota, mas foi interrompido quando o professor apareceu.

— Bom dia! - apressou-se para a mesa. — Por favor, tomem seus lugares depressa, pois hoje teremos uma atividade diferenciada.

O professor de anatomia era um senhor baixinho, rechonchudo, mas extremamente inteligente. Vestia sempre jeans, camisa clara e um jaleco em cima de tudo. Aquela era a terceira semana de aula, e nas outras, tudo o que o professor fez foi se apresentar e fazer pequenos testes de conhecimento com os alunos. Seu estilo didático era diferenciado, porém não deixava de ser eficaz.

— Creio que hoje poderei passar a vocês o tema de nosso trabalho trimestral - sentou-se em sua cadeira. — Primeiramente, peço que cada um de vocês me entregue um pequeno papel contendo o seu nome. E, depois preciso de um voluntário para me ajudar.

Em instantes a classe inteira se agilizava pegando papel e caneta. e sua dupla - e também colega de quarto - , já haviam se levantado e entregando os papéis ao professor. Voltando a sentar, não deixaram de expor a curiosidade de saber o motivo daquele papéis.

— Pra que você acha que ele pediu isso? - voltou-se para amiga que deu de ombros.
— Fazer algum tipo de sorteio, eu acho - respondeu sem muita vontade.
— Pode ser - escorou o cotovelo na mesa e colocou o queixo sobre a mão. — Mas ainda acho que o motivo é mais complexo - frisou.
— Vamos descobrir agora - apontou com a cabeça para o professor que aparentava ter recebido todos os nomes.
— Muito, muito bem - começou. — Já que temos todos os nomes, preciso só de um voluntário. Alguém se candidata?. - automaticamente, levantou a mão. , que observava de longe sabia que aquilo era o mais normal possível, já que nos últimos dias o que mais a garota fazia, era levantar a mão em classe. Sendo para expor opinião, responder alguma pergunta ou oferecer ajuda.

Observou levantar e ir até ao encontro do professor. Era patético ele encara-la tanto, mas ele devia confessar que ela era tão bonita de costas quanto era de frente. E o jeito intrometido dela, chamava sua atenção. ouviu as instruções do professor, e este entregou-lhe um saquinho de plástico, pegando outro para si. arqueou a sobrancelha quando viu o professor pegar os papeis que estavam sobre a mesa e dividir um pouco para ele e um pouco para a garota.

— O que iremos fazer é simples - virou-se para a turma. — Vou pegar um papel contendo o nome de um de vocês nesse plástico - mostrou aos alunos. — E pegará outro no dela. Os nomes sorteados farão dupla para o trabalho - olhou para e um grande “wow” foi dado pela turma. Ninguém gostava de trocar as duplas. Sabendo disso e conhecendo seus jovens, o professor tornou a falar:
— Eu sei, eu sei. Ninguém gosta da ideia - sentou-se sobre a mesa. — Mas podem ter certeza que vocês irão me entender. Esse é o melhor jeito de fazer vocês, saírem de sua zona de conforto – continuou. — De qualquer maneira, vocês vão me agradecer depois, tenho certeza. Vamos lá.

Os alunos sossegaram e aceitaram a ideia do professor - ou pelo menos fingiram -. Ele pegou o primeiro papelzinho e falou o nome alto e claro. A primeira dupla foi composta por Ethan e um garoto chamado Théo. Depois foi a vez Lucas Parker, outro colega de fraternidade de que fez par com um garota coreana chamada Jin Ae. ficou com uma garota loira de outra fraternidade. Mais uma meia dúzia de grupos foram formados, quando o professor tornou a falar o nome que tanto aguardava. . A garota sorriu para o professor e agilmente desdobrou outro papelzinho. O que aconteceu depois, nenhum dos dois poderia ter previsto.

Greco - a garota sussurrou, enquanto o garoto era observado atentamente por Ethan e .




Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Outras Fanfics:
A história nunca contada de como me apaixonei por uma estrela

Nota de Beta: Gostei desse começo, Gabi. E estou ansiosa pra saber como esse trabalho em dupla vai funcionar. Aguardo ansiosa pelos novos capítulos.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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