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Última atualização: 02/11/2020

Capítulo 1

Eu não sabia dizer quantas horas de viagem havia completado, mas tudo o que eu queria era chegar ao meu destino. Primeiro avião, depois ônibus e finalmente estávamos dentro de um carro seguindo em direção a casa dos meus avós. 
Era a minha primeira vez naquele lugar, a mata e a estrada de terra trazia uma sensação de paz e tranquilidade, tudo o que eu não tinha na cidade. Já conhecia os meus avós, porque eles sempre iam até a minha casa. O restante da família, que não era grande, também iam sempre que podiam. Devido a isso, quando o meu pai planejava viajar, ele desistia por saber que era muito mais fácil eles irem até nós, já que ele sempre estava ocupado demais com o trabalho.
E por trabalhar tanto, meu pai decidiu que iríamos para a casa dos meus avós em suas próximas férias, ficando na cidade ele estaria de alguma forma ligado ao trabalho e ele necessitava de um descanso de verdade. Foi essa a chance que eu tive de conhecer a fazenda.
— Chegamos! — Ouvi a voz do meu pai, assim que vi uma enorme porteira de madeira em minha frente.
Desci do carro, para observar tudo mais de perto. Aquele lugar trazia consigo uma paz que eu não conseguia descobrir de onde ela vinha, não sei dizer se era devido a falta da correria da cidade, o verde do mato ou o barulho dos passarinhos. Naquele momento eu entendi porque os meus avós eram sempre tão bem-humorados e saudáveis, eles viviam em um paraíso aqui na Terra.
, até que enfim você veio! — Minha avó comentou assim que me viu, vindo em minha direção me abraçar. 
— Saudades da senhora, vó. — Comentei depois de soltá-la. — Cadê o meu avô? — Perguntei enquanto ela cumprimentava os meus pais.
— Eu já ia perguntar por ele, está cuidado dos animais? — Meu pai completou, lembrando que meu avô não parava quieto, apesar da idade.
— Ele foi na cidade, achou que vocês chegariam mais tarde, mas ele não deve demorar. Vem, vamos tomar um café.
Uma mesa que ficava no centro da cozinha estava toda arrumada, nos esperando com todos os tipos de bolos e biscoitos.
— Bom dia. — Uma outra voz surgiu na sala me fazendo virar e encontrar com um sorridente.
era o meu primo e sempre fomos muito próximos, mesmo com a distância e ficando anos sem encontrá-lo, a tecnologia fazia com que a distância fosse um simples detalhe entre nós.
! — Levantei e fui em sua direção para abraçá-lo, eu estava morrendo de saudades.
, até que enfim você veio visitar os pobres. — Disse retribuindo o abraço na mesma intensidade.
Minha mãe, assim como eu, era filha única e meu pai tinha apenas um irmão, logo, e a sua irmã eram os únicos primos que eu tinha.
— Deixa de drama. — Brinquei. 
Ele cumprimentou o restante do pessoal, minutos depois o meu avô chegou com o meu tio e todos se juntaram a nós fazendo com que o café da manhã durasse mais de duas horas devido às conversas que não acabavam.
Logo depois, comecei a andar com pela fazenda para conhecer o local enquanto conversávamos, estar perto dele fazia com que eu sentisse como se nunca estivéssemos distante um do outro.
— Esse lugar é lindo, , o oposto daquela confusão da cidade. — Comentei, enquanto me sentava na cerca para descansar. O sol forte começava a atrapalhar a caminhada.
— Eu amo essa vida, . Viver no mato, cuidar dos animais, tomar banho de cachoeira... Eu definitivamente não conseguiria ficar longe disso tudo por tanto tempo. — Comentou enquanto sentava-se ao meu lado.
— Então esses serão os nossos programas de férias? — Perguntei, sabendo que tudo ali seria completamente diferente do que eu estava acostumada na cidade.
— Só se você quiser, mas garanto que temos coisas bem melhores para fazer. — Disse depois de me lançar um sorriso cheio de significados.
— Tipo? — Questionei na intenção de matar a minha curiosidade.
— Aqui por perto tem alguns lugares incríveis que eu vou te levar para conhecer, podemos andar a cavalo, visitar os lagos e comer as comidas típicas daqui. Sem contar que na cidade está acontecendo várias festas e festivais, inclusive vou em uma hoje a noite e você está convidada. — Ele explicou, acabando com a minha ideia de que as minhas férias seriam entediantes.
— Uau! E eu achando que as minhas férias seriam horríveis. — Pensei alto fazendo gargalhar.
— Tá achando que o povo da roça não sabe se divertir? — Ele fingiu um tom de voz ofendido, nada convincente. — Mas e aí, posso contar com a sua presença? 
— Claro, eu não perderia por nada. — Pisquei para o meu primo que apenas sorriu em resposta.
Olhei para o relógio e ainda eram onze horas da manhã, o tempo parecia passar mais devagar naquele lugar. respondia uma mensagem em seu celular enquanto eu observava todas aquelas árvores, balançando conforme o vento. Tudo era novidade para quem cresceu trancada dentro de um apartamento que ficava dentro de um condomínio localizado no meio de uma cidade caótica. Eu tinha a sensação de que havia acabado de ser liberta e estava conhecendo o mundo agora. Talvez eu nunca me acostumaria a morar em um lugar daquele jeito por estar acostumada com a loucura da cidade, tudo era tranquilo demais, mas certamente funcionaria como refúgio quando a cidade começasse a incomodar. Eu havia acabado de chegar, mas tinha a sensação de que aquela seria a primeira viagem de muitas.
— E agora? O que a gente faz? — Perguntei, seria apenas um mês ali e eu queria aproveitar cada segundo.
— Tenho que ir na casa de um amigo, que fica próxima daqui, quer ir comigo? Quando a gente voltar, provavelmente vai ser no horário do almoço.
— Claro, com você eu topo tudo, .
— Olha, se estivesse no seu lugar, eu não diria isso, você não conhece o primo que tem. — Brincou enquanto descia da cerca e se posicionava para me ajudar a descer.
— O mesmo vale pra você. — Pisquei antes de pular e ficar de pé. — Vamos?
— Vamos!
Voltamos na fazenda para o pegar o seu carro. Ele disse que era bem próximo, mas, devido ao sol, estava sem coragem para ir andando.
? — Ouvi alguém me chamar assim que eu entrei na fazenda. — Meu Deus, como você cresceu.
Antes mesmo que eu pudesse responder alguma coisa, minha tia Lili me abraçou, um abraço cheio de saudades e carinho.
— Cresci nada, tia, ainda sou bem baixinha. — Brinquei arrancando risada de todos que estavam ali.
, você está linda. — , minha prima mais velha comentou, indo me abraçar também.
— Olha quem fala, que saudades de você. Faz quantos anos que eu não te vejo?
— Acho que uns quatro. Mas que bom que você veio, espero que goste daqui. — respondeu sorridente.
— Mas é claro que ela vai gostar, hoje mesmo já temos uma festa pra ir. — comentou antes mesmo que eu falasse alguma coisa.
— Minha filha, cuidado com o , esse menino só pensa em festa e mulheres. — Meu avô, Teodoro, comentou enquanto segurava a risada.
— E eu estou errado, vovô? Só estou seguindo os seus ensinamentos. — Respondeu convencido fazendo o meu vô sorrir depois de negar com a cabeça.
— Isso é tudo que eu preciso, vô. — Falei antes que o meu avô e a minha tia entrassem na casa.
— Festas e mulheres, ? — brincou quando minha tia e meu avô se afastaram.
— Festas, as mulheres eu deixo para o . — Respondi fazendo os demais gargalharem.
— Você namora? — Ela questionou curiosa.
— Não mais, estou livre e disposta a curtir. — Falei mais para mim mesma do que pra ela.
— Olha, o tem uns amigos lindos e solteiros. Alguns não prestam como ele, mas para uma noite só não faz mal.
, fique quieta porque você é uma mulher comprometida e eu sou muito ciumento, não quero ver ninguém de graça com a minha prima. — Me abraçou como se estivesse me protegendo.
— Muito gentil da sua parte, mas eu sei me cuidar. — Brinquei e vi a cara de sério que ele tentava manter se desfazendo.
Avisamos que iríamos sair e apenas os nossos avós disseram para não nos atrasarmos para o almoço.
— O que você está indo fazer mesmo? — Perguntei a , quando já estávamos na estrada.
— Vou confirmar com o meu amigo da festa.
— E você não podia ligar? 
— Estávamos sem fazer nada, . Aproveitei e te trouxe para dar uma volta.
Fomos até a casa do amigo de , mas ele não estava, isso nos fez voltar para casa no mesmo instante. Era incrível como e eu tínhamos uma intimidade enorme mesmo com toda a distância. Talvez por não ter irmãos ou talvez pelo laço familiar, eu sentia ele sempre próximo de mim.
, a festa hoje é do quê? — Perguntei para poder decidir qual roupa eu iria usar a noite, tudo o que eu não queria era fazer feio.
— Nada específico, quase todo final de semana tem festa na casa de um dos meninos do futebol, hoje é na casa do Mark, o goleiro.
— Ansiosa para essa festa.
— Você vai gostar, eu acho.

O dia na fazenda demorou passar, como eu imaginava. O restante da tarde foi agradável e na companhia de pessoas que eram especiais. avisou que iríamos sair às oito da noite me fazendo ir para o banho antes mesmo das seis.
Resolvi usar um vestido preto justo que deixava os ombros a mostra e um salto da mesma cor, eu era completamente apaixonada por roupas pretas. Deixei meus cabelos soltos, fiz apenas alguns cachos nas pontas e finalizei a produção com uma maquiagem mais escura.
Dificilmente eu me arrumava daquele jeito, sempre gostei do básico, da boa e velha calça jeans. Porém eu não sabia como era a festa, nem como os convidados se arrumavam e, bom, eu não queria passar vergonha. Terminei de me arrumar dentro do horário e fiquei no quarto checando se faltava alguma coisa enquanto esperava .
? — Meu primo me chamou depois de bater à porta.
Só nós dois estávamos acordados, tinha ido pra casa do namorado, meus avós e os meus tios já estavam dormindo e os meus pais também foram dormir mais cedo devido ao cansaço da viagem.
— Pode entrar, . — Respondi enquanto colocava o brinco que eu havia esquecido.
— Uau, do jeito que você está linda, vou ter que virar seu segurança e não vou nem curtir a festa. — brincou me fazendo rir.
— Exagerado. — Dei risada enquanto saia da frente do espelho.
— Tá linda, . Podemos ir? — Ele perguntou enquanto se aproveitava do espelho para arrumar o cabelo.
— Obrigada, você também está um gato. Vamos sim, só vou pegar a minha bolsa.
— Para de tentar me seduzir, eu sou seu primo. — Ele brincou novamente enquanto saíamos do quarto.
— Poxa, achei que você era mais fácil. — Fingi estar decepcionada, mas não consegui segurar a risada.
A cidade não era longe e em menos de vinte minutos nós já estávamos na casa onde seria a festa. Era uma mansão enorme que já estava lotada e havia jovens por todo os lugares ao redor dela. Algumas pessoas bebiam, outras se pegavam e a maioria dançava a música que o DJ tocava.
Parecia que todos ali conheciam o meu primo e todas as pessoas que nos cumprimentavam me olhavam com um olhar questionador, como se estivessem tentando me reconhecer.
— Você conhece todo mundo. — Comentei enquanto ele me segurava pela mão e me guiava no meio daquelas pessoas.
— Eu saio muito, , não perco uma festa. — Ele me explicou.
Continuamos andando pelo local, estava procurando alguém e eu nem perguntei quem era já que não conhecia ninguém além dele e não conseguiria ajudar. Vi um grupo com três meninos e uma menina acenando para e andamos em direção a eles. Conclui que eram aquelas pessoas que estava procurando. 
— Boa noite, pessoal. — Ele falou cumprimentando cada um de uma vez. — Ah, essa é a , minha prima. , esse é o , , o e a . — Apresentou enquanto apontava para cada um.
— É um prazer. — Respondi sorridente.
disse que é a sua primeira vez aqui. — comentou e eu afirmei com a cabeça. — Espero que goste, . — Ele completou enquanto abraçava pela cintura.
— Já estou gostando. Ah, podem me chamar de , eu prefiro. — Corrigi lembrando o quanto amava o meu apelido.
começou a conversar com eles assuntos aleatórios, no qual eu também participava quando podia, até me puxar para um papo de meninas. Descobri que ela era namorada do a alguns meses e que o quarteto era muito amigos, tanto que ela não ousava a competir com ele.
— Eu preciso de mais álcool no meu organismo. — comentou enquanto amassava uma lata de cerveja vazia.
— Eu também, vamos lá na cozinha pegar. — disse, logo em seguida sua fala foi direcionada pra mim. — Você bebe, ?
— Bebo sim. — Sorri ao lembrar o gosto e o efeito da bebida.
— Quer uma cerveja? — Ele perguntou.
— Por favor.
— Seu primo a gente nem pergunta porque já sabemos a resposta. Vamos pegar as cervejas e já voltamos. — conclui antes de seguir
Estávamos na sala da casa e aquele lugar parecia encher cada vez mais, a música extremamente alta embalava as pessoas na pista de dança que tinha ali e era quase impossível ficar totalmente imóvel.
Não demorou muito para que os rapazes voltassem trazendo uma cerveja pra cada.
— A cozinha está quase virando um motel. — disse fazendo os outros rirem. — Tinha um casal que estava quase entrando no freezer, outro se agarrando em cima da pia, sem contar no barulho que vinha da dispensa, certeza que tinha uma suruba rolando ali. Eu nunca vi tanta putaria na minha vida.
Era impossível não rir da forma como ele contava, mesmo sentindo um pouco de exagero da sua parte. Olhei para que era quem estava em minha frente e quem estava com , mentalmente eu me questionava se tudo aquilo era verdade e ele pareceu ler os meus pensamentos.
— Só é mentira a parte que ele disse que nunca viu tanta putaria assim, a gente sabe o que ele faz de madrugada. — dedurou o amigo que lhe mostrou o dedo do meio enquanto o restante gargalhava.
— Mas é sério, era quase um vídeo do xvídeos ao vivo e olha que eu tenho conhecimento suficiente para comparar. — continuou, era divertido a forma como ele falava e como deixava tudo mais engraçado.
— Respeita a minha prima. — fingiu estar sério enquanto empurrava , sem intenção de machucar.
Respondi antes mesmo que pudesse soltar alguma piadinha. Recebendo sorrisos de todos e um olhar surpreso do meu primo.
— Não precisa agir como se eu fosse uma menina inocente, primo. — Pisquei pra ele, imaginando que assuntos daquele tipo eram comum entre eles.
— Eu já gosto mais da sua prima do que de você. — mostrou a língua para depois de falar.
— Eu prefiro me iludir que você é inocente sim. — Meu primo deu de ombros. — Quanto a você, , já estou acostumado com o seu ódio gratuito. — Fez um bico nada convincente.
Começamos a beber e dançar, fazendo alguns comentários vez ou outra e eu já me sentia próxima de todos. de fato era o mais engraçado, pra tudo ele tinha uma piadinha pronta ou algum comentário que podia ser evitado. era o mais tímido e o mais calado, não falava muito mas sempre ria das brincadeiras dos demais. Já , e ficavam entre os dois.
Depois de um tempo, duas loiras passaram no meio de onde estávamos, mesmo com um bom espaço vazio ao nosso redor que elas poderiam passar tranquilamente. Fora , todos os outros rapazes olharam pra elas e eu segurei o riso enquanto pensava o quanto os homens falhavam no quesito ser discretos.
— Eu e vamos ter que ir ali, mas daqui a pouco a gente volta. — disse me fazendo entender tudo: eles iam encontrar aquelas garotas e elas só passaram ali para chamar a atenção dos rapazes.
— A gente sabe bem aonde os dois irão. — pensou alto fazendo concordar com a cabeça. 
, você se importa? — me olhou preocupado.
— Claro que não, eu fico aqui com o pessoal. — Sorri para , que retribui e saiu puxando para a direção onde as meninas estavam.
, vamos buscar mais cervejas? — me chamou enquanto e conversavam sobre algo que eu não conseguia ouvir devido ao barulho.
— Claro. — Respondi antes de começarmos a andar no meio do pessoal.
— Gostando da festa? — Ela perguntou depois de me entregar duas latas de cerveja.
— Muito. — Respondi antes de seguir , que também segurava duas latas, de volta para onde estávamos.
— Não deve ser igual as festas que você frequenta.
E quando eu ia responder dizendo que não tinha tanta diferença assim, avistei a imagem animada da minha prima, caminhando em nossa direção.
— Até que enfim achei vocês. — Falou enquanto abraçava os quatro ali presentes.
— Chegou quem faltava! — comentou animado ao ver .
Entreguei a lata de cerveja para , ao perceber que já havia entregado a outra para e me posicionei ao lado de para conversar com ela.
— Não sabia que você vinha. — Falei um pouco mais alto, devido ao barulho do local.
— Nem eu, mas o meu namorado está cheio de trabalho pra fazer e eu estava sem sono. Como eu sabia que ele não iria me dar atenção e com certeza, eu também não daria nada essa noite, resolvi vir para festa para não atrapalhar o meu pãozinho de queijo.
— E tudo bem pra ele você vir para a festa sozinha?
— Se não estivesse tudo bem certamente ele não seria mais o meu namorado, prima. — Piscou pra mim e roubou a lata que estava em minha mão, bebeu um pouco e me entregou de volta em seguida. — E você, já beijou quantos?
— Pelas minhas contas, um total de zero bocas.
— Que absurdo, vou resolver isso agora. — Varreu o local com o olhar enquanto pensava. — é uma delicia, porém já o vi com meu irmão acompanhados próximos a entrada da casa. é quieto demais e também já namora a . — naquele momento falava um pouco mais baixo para que só eu ouvisse. — Já o é lindo, educado, beija bem e está solteiro. Pronto, os seus problemas estão resolvidos e do triozinho ele é o mais gostoso, te garanto.
— Você já pegou os três? - Perguntei demonstrando surpresa com aquela informação.
— E mais uma dúzia dos outros caras que estão nessa festa. Cidade pequena, , não tem muita opção. — Explicou enquanto eu dava risada da sua cara que estava cômica.
— Prima, você não existe.
— Mas e aí, vai dar uns beijinhos no ou vai ficar segurando vela pro e pra a noite toda? Eu vou embora daqui a pouco e não conte com o meu irmão aqui tão cedo.
Olhei para , que conversava com o casal, analisando com mais calma o rapaz: realmente ele era um rapaz muito bonito e alguém que me atraía. Voltei a olhar para , que me entendeu antes mesmo que eu dissesse alguma palavra.
, meu amor, vamos ali buscar mais bebidas? — Agarrou o rapaz pelo braço, antes mesmo que ele respondesse. — , você me espera aqui, eu já volto. — Avisou antes de sair com ao seu lado.



Capítulo 2

Depois que os dois saíram, e voltaram a falar comigo, provavelmente era uma forma de fazer com que eu não me sentisse sozinha. Voltamos ao assunto de festas que eu comecei a conversar com quando fomos pegar as bebidas, ela queria saber se eu saia muito e principalmente como eram as festas que eu costumava frequentar. Poucos minutos depois minha prima voltou para onde estávamos com aquele jeito extrovertido de sempre, porém, sem a companhia de .
— Vou ajudar vocês tirando a empata foda da minha prima daqui, preciso conversar algumas coisinhas com ela. – avisou ao casal enquanto se apoiava em um de meus braços.
– Ela não está atrapalhando. – respondeu rindo, talvez já estivesse acostumado com o jeito da minha prima.
– Ótimo, mas eu ainda preciso conversar algumas coisinhas com ela. Vem, . – Me puxou e começou a andar no meio da multidão.
Pelo barulho da música e das conversas paralelas que rolavam entre as pessoas, ficava impossível eu tentar qualquer diálogo com a minha prima, certamente ela não entenderia nada. Foi pensando nisso que eu preferi poupar as palavras e esperei chegarmos aonde quer que ela estava me levando para então questionar o que ela estava aprontando.
, falei com o e ele também está interessado em você. – Ela começou a falar quando paramos na porta dos fundos, do lado de dentro. Apesar da pouca luz, olhando para fora eu vi que próximo dali tinha uma piscina e algumas pessoas ao redor dela. – Ele está sentado ao lado da piscina, está te esperando.
– Prima, o que você disse exatamente? – Corei só de pensar no que poderia ter falado.
– Nada demais. Perguntei se ele estava com alguém hoje e ele disse que não, então eu falei que você achou ele bem interessante e ele disse que te achou linda. Então eu disse que ia te chamar para que vocês pudessem conversar e aqui estamos. – Ela sorriu de um jeito que me fez ter certeza que ela havia falado algo mais, porém eu preferi não perguntar. – Agora vai lá, já fiz minha boa ação da noite e vou embora, quando quiser ir para casa, chama o . Se por acaso ele sumir, embora eu ache que ele não faria isso com você, me liga que eu venho te buscar.
– Sim, senhora. – Brinquei e abracei a minha prima. – Tchau, meu amor.
– Tchau, . Aproveita e me conte tudo depois, por favor.
Balancei a cabeça confirmando e assim que saiu da minha frente eu respirei fundo e andei em direção a piscina. De longe avistei , ele estava sentado sozinho e uma lata de cerveja vazia, que estava em suas mãos, tinha toda a sua atenção naquele momento.
– Oi. – Falei assim que estava bem próxima dele apenas para que notasse a minha presença ali.
– Oi, , senta aqui. – Ele sorriu e colocou suas pernas para o lado de fora da espreguiçadeira que estava, para que sobrasse espaço para eu me sentar também. – Quer que eu vá pegar uma bebida para você? – Quis saber depois de deixar de lado a lata vazia que estava com ele e me encarar, percebendo que eu não segurava nada.
A distância entre nós era suficiente para que um conseguisse facilmente olhar para outro. era bonito, muito bonito. Seus cabelo combinava com o seu jeito e seu olhar parecia intenso demais para que qualquer pessoa conseguisse encará-lo por muito tempo sem se sentir incomodada. Em seus lábios ele mantinha um sorriso quase tímido, embora eu tivesse a sensação de que, assim como eu, ele estava a vontade para estar ali.
– Depois eu pego alguma coisa, não precisa se preocupar. – Neguei educadamente para que ele não precisasse ter nenhum trabalho comigo.
– Imagina, vou lá na cozinha pegar cervejas, tudo bem? Estou com sede, a sua prima acabou com a minha. – Eu ri junto com ele daquela confissão e acenei de forma positiva com a cabeça, respondendo a pergunta anterior. – Me espera aqui, não demoro.
Assim que ele sumiu do meu campo de visão, eu comecei a reparar tudo ao meu redor. Não tinha muitas pessoas como dentro da casa, mas aquela parte externa estava bem movimentada. Do lado de fora a música não chegava em um volume tão alto, dessa forma o som não atrapalhava nenhuma das conversas que aconteciam ali. Não demorou para que voltasse, com duas cervejas em mãos. Acompanhei a sua caminhada até mim com o olhar e sorri, retribuindo o sorriso que ele lançou em minha direção. Quando ele já estava bem próximo, eu me ajeitei no assento que dividiríamos e joguei meus cabelos para trás, já que um vento não muito forte havia começado, bagunçando os fios.
– Sua cerveja. – Ele parou em minha frente e apontou a lata em minha direção.
– Obrigada! – Agradeci enquanto ele se sentava ao meu lado e eu me virava em direção a ele.
– Sua prima é uma figura. – Ele riu parecendo lembrar de algo.
– Estou com medo de perguntar o que ela conversou com você. – Neguei com a cabeça, já imaginando o que ela poderia ter falado.
– Na verdade ela disse que você me achou interessante e que me mataria se eu te deixasse sozinha. – Me contou com humor enquanto eu o ouvia atentamente.
– Então você está aqui por causa de uma ameaça. – Brinquei focando na última parte dita, já que a nossa conversa era leve.
– Pode ter certeza que não. – Ele piscou e sorriu de canto, tampando os lábios com a lata assim que tomou um pouco da bebida.
A verdade era que eu queria beijá-lo. E eu teria feito isso se estivesse bêbada, geralmente quando o álcool entra no meu corpo eu esqueço da pouca timidez que eu tenho e das consequências dos meus atos. Mas naquele momento eu estava sóbria, eu tinha consciência de tudo o que estava acontecendo e por isso eu não fiz nada para quebrar o silêncio que se instalou após a resposta de .
– Vai ficar muito tempo aqui? – Ele perguntou, mudando de assunto.
– Sim, vou ficar um mês. – Respondi de imediato, demonstrando o tamanho da minha animação com as férias.
– Da para aproveitar bastante. – Disse quase como se tivesse sugerindo algo.
– É o que eu pretendo.
Ficamos calados por um certo tempo, bebendo as nossas cervejas e observando o que as pessoas faziam ao nosso redor. Enquanto isso, o vento que havia iniciado continuou e eu me encolhi sentindo um pouco de frio. Olhei para e vi que ele observava todas as minhas ações, sorri de canto sem precisar explicar o que estava acontecendo para que ele entendesse.
– Vem cá. – Ele me chamou, segurando minha mão pela primeira vez naquela noite. Puxou com delicadeza o meu corpo para perto do seu, sentando-me entre suas pernas e me abraçando logo em seguida. – Já que não tenho uma blusa para te emprestar eu te esquento. – Falou gentilmente antes de beijar o meu cabelo.
– Obrigada. – Agradeci enquanto me encaixava em seus braços.
Ele manteve os seus lábios em meu cabelo, enquanto suas mãos faziam um carinho em meus braços para me esquentar. E aquilo de fato estava funcionando bem. Os silêncios que se instalavam entre nós agora não era constrangedores e naquela hora, só a aproximação e o contato físico já estava sendo o suficiente.
– Você tá cheirosa. – Ele falou pouco tempo depois.
– Você também.
Levantei o meu tronco apenas para olhá-lo enquanto respondia e assim que terminei de falar e fiz a menção de voltar a me aconchegar em seus braços ele segurou o meu queixo, fazendo com que eu parasse os meus movimentos de imediato.
Tudo o que eu vi antes de fechar os olhos foi um sorriso brotar nos lábios de , que segundos depois, estava colado nos meus. me deu um selinho demorado, como se estivesse estudando o território ou aguardando alguma atitude minha para continuar. Assim que repousei uma de minhas mãos em sua perna, fazendo um carinho na parte coberta pelo jeans, ele entendeu aquilo como incentivo e me beijou com vontade. Nossos lábios se abriram fazendo com que as línguas se encontrassem, o contato mais íntimo fez com que eu agarrasse os seus ombros no mesmo momento em que ele segurava com um pouco mais de força a minha cintura.
Eu sabia que não estávamos sozinhos e que provavelmente muita gente estava nos assistindo. Mas eu simplesmente não conseguia e nem queria parar de beijar . Eu tinha acabado de conhecer o rapaz e a primeira impressão que ela havia me passado era de ser uma pessoa mais reservada, mas assim que nos beijamos eu quis saber aonde ele guardava todo aquele charme e excitação. Mesmo sem ter beijado e , eu sabia que estava certa. Impossível os outros dois serem mais gostosos que .
Não sei dizer quanto tempo passou e muito menos tudo o que aconteceu, mas assim que nossos lábios se afastaram pela primeira vez, eu percebi que eu estava sentada no colo dele e que o meu vestido estava alguns dedos acima de onde deveria estar.
me olhou e sorriu de forma culpada, colocando meus cabelos atrás da orelha e puxando para baixo o vestido que ele mesmo havia tirado do lugar.
– Quer ir para outro lugar? – Perguntou com a voz mais baixa e deixou um beijo em minha bochecha.
Olhei para onde ele encarava anteriormente e vi que algumas pessoas conversavam mas sempre olhavam em nossa direção, como se não quisessem perder um segundo round do que eles presenciaram anteriormente. Senti vergonha ao cogitar aquilo e concordei com a ideia de de sair dali.
– Quero sim. – Respondi e ele se levantou.
Tomei o restante da cerveja de uma só vez ao ver fazer o mesmo, jogamos as latas vazias nos lixos que estavam próximos dali e logo em seguida ele segurou minha mão me guiando para dentro da casa. Algumas pessoas nos olhavam de forma curiosa, vez ou outra parava para cumprimentar alguém e eu apenas sorria quando o cumprimento era direcionado a mim. Não vi meu primo e nenhum de seus amigos durante todo o caminho até a saída principal. Naquele espaço também tinha algumas pessoas, a diferença era que a quantidade era menor e não era tão bem iluminado. Ele parecia conhecer muito bem o lugar, ao me guiar até uma parte escura do muro da casa. Nós conseguimos ver as outras pessoas que estavam na luz, mas certamente elas não nos veriam.
– Enfim sós. – Ele disse, e apesar de não enxergar eu sabia que ele estava sorrindo só pelo seu tom de voz, antes de me beijar.
Seus lábios dançavam com os meus numa sintonia perfeita enquanto suas mãos continuavam percorrendo todo o meu corpo com vontade. Apesar do desejo de ambos, respeitava os meus sinais quando eu colocava limites em seus toques, embora a minha vontade fosse mandar todos os limites para o espaço. Não teria um problema nenhum se eu quisesse terminar a minha noite na cama de , não era como se eu nunca tivesse feito aquilo. Mas naquela noite, embora a minha vontade dissesse o contrário, eu escolhi apenas curtir a noite ali mesmo, sem ir para a cama com um dos amigos do meu primo.
Eu não sabia dizer quanto tempo havia passado, talvez muitos minutos e quem sabe até horas. Já havíamos aproveitado a noite e conversado de tudo um pouco enquanto estávamos abraçados. Abracei e ficamos em silêncio, ouvindo a música que tocava na rádio e observando o que as pessoas que estavam na área iluminada estavam fazendo.
O celular dele vibrou em seu bolso e eu me afastei um pouco apenas para que ele pegasse o aparelho, voltando a me encostar em seu corpo no segundo seguinte. Ele havia recebido uma mensagem e riu ao ler o conteúdo, depois disso levou o celular e em minha direção para que eu também pudesse ler o que ele havia recebido.

“Você e a minha prima estão juntos?
Os dois sumiram e ela não me atende.
Me avisa, por favor.”


– Seu primo deve estar preocupado com você. – comentou antes de pegar o aparelho que eu estava entregando para ele. – Pode me passar seu número, ?
– Posso sim. – Respondi e anotei o numero, só depois ele guardou o telefone. – Acho que vou procurar pelo meu primo.
– Eu vou com você, mas antes me dá outro beijo? – Ele pediu e obviamente eu não neguei, beijando o rapaz novamente, depois de tantas outras vezes naquela mesma noite.
Eu não sei dizer porque fiquei um pouco sem jeito quando segurou a minha mão e começou andar em direção a casa. Não disse nada, mas comecei a pensar no que poderia falar e se ele era do tipo daqueles homens que ficavam com ciúmes dos seus amigos se envolverem com alguém próximo a eles. Eu era maior de idade, solteira, responsável e sabia que mesmo me tratando como uma irmã, meu primo não tinha que interferir nas minhas decisões. Porém, e eram amigos, eu havia acabado de chegar e tudo o que eu não queria era causar problemas entre eles.
Todas as minhas preocupações e questionamentos desapareceram quando encontrei meu primo com os seus amigos, no mesmo lugar em que estávamos no início da festa. Ele nos olhou e reparou a minha mão junta com a de , logo depois lançou um sorriso em nossa direção, como se já soubesse que estávamos juntos, os seus amigos fizeram o mesmo.
– Bem que eu te falei que a sua prima tinha caído nos encantos do , ninguém resiste. – brincou assim que nos juntamos a eles e eu fui abraçada por por trás.
– Ou ele pode ter caído nos encantos da minha prima, esqueceu que ela tem meu sangue? – disse convencido e eu revirei os olhos enquanto ria.
– O que de fato aconteceu vocês jamais saberão. – brincou e eu sorri concordando. – Vou pegar uma cerveja para gente. – Falou em meu ouvido vendo que o pessoal já estava em outro assunto.
– Tudo bem, vou te esperar aqui. – Respondi e depositei um selinho em seus lábios.
– Eu vi isso, . – Meu primo fingiu um tom de voz bravo, que não convenceu ninguém. – Me recuso a saber que você beija na boca.
– Você não acha que eu fiquei esse tempo todo conversando, né? – Arqueei a sobrancelha enquanto esperava a resposta que não veio.
– Já disse que sua prima é maravilhosa? – comentou em meio a gargalhada. – Você também estava beijando na boca, não tem moral para falar nada.
– Se fosse só na boca... – pareceu pensar alto fazendo o meu primo engasgar com a sua cerveja, enquanto a minha risada era acompanhada pela de e de .
– Ninguém precisa saber que vocês transaram, porra. – Ouvi dizer, me deixando surpresa por vê-lo falando palavrão.
– Mas eu não disse que transamos. – tentou corrigir mesmo sabendo que era tarde demais.
– Como se fosse necessário. – falou e bagunçou o cabelo de .
Eu estava achando incrível estar no meio dos amigos de . Todos eles, sem exceção, eram divertidos e me trataram superbem. Se a primeira impressão era a que ficava, eu não poderia ter tido impressão melhor daquele grupo. Eu havia acabado de chegar, mas esperava encontrá-los mais vezes durantes as minha férias, certeza que meus dias seriam divertidíssimos se eu estivesse na companhia deles.
– Não tinha mais cerveja. – avisou e me entregou um dos dois copos que ele segurava. – Então eu misturei algumas bebidas quentes que tinha lá e não ficou ruim não.
Bebi um pouco e de imediato senti o gosto forte da vodka, embora eu não soubesse ao certo o que mais tinha ali, a mistura tinha ficado bem interessante. Era forte, mas tinha um gosto muito bom, quase doce, o que fazia com que beber aquilo não fosse um sacrifício. Eu gostava de beber, mais do que pode ser considerável sociável. Foram poucas as vezes em que fiquei bêbada ao ponto de passar mal, eu gostava mesmo era da sensação de leveza do álcool.
– Ficou muito bom. – Elogiei ao ver que ele me observava atentamente enquanto eu experimentava.
assentiu com a cabeça e compartilhamos a nossa bebida com o restante do grupo, avisamos também que não tinha mais cervejas. começou a conversar algo com e eu fiquei observando e provocarem o meu primo, sentindo-se extremamente felizes ao fazer isso. Eles tinham um relação saudável e uma liberdade para conversar sobre tudo. Apesar de todas as brincadeiras, os quatro garotos eram meninos especiais e certamente era super feliz ao lado deles.
– Se a cerveja acabou, significa que já está na hora de ir embora. – concluiu antes de olhar em minha direção. – Vamos, ?
– Vamos. – Respondi e ele assentiu com a cabeça, indo se despedir de , e .
– Quer carona? – Ele perguntou a quando chegou perto do amigo.
– Não precisa, e eu estou de carro e ainda vou ficar mais um pouco. – Respondeu e o meu primo assentiu.
Me despedi do casal e de e quando ia me despedir de , ele começou a andar ao meu lado, me direcionando para a saída, seguindo meu primo que estava a frente. Chegando no portão, vi que um pouco mais distante parado de costas para nós, provavelmente esperando que eu me despedisse de . Sorri e beijei seus lábios novamente, sem muita urgência, apenas para me despedir. Ele me deu selinho e um abraço forte antes de afastar os nossos corpos que estavam juntos.
– Tchau, , foi um prazer te conhecer. – Disse e eu sorri em reposta. – A gente se vê por ai.
– Claro! Tchau, . – Respondi e o beijei novamente antes de ir até o meu primo e voltar para dentro da casa.
Ao perceber a minha presença, olhou para trás e sorriu, me abraçou assim que fiquei do seu lado, demonstrando o carinho que sempre tivera comigo.
– Gostou da festa? – Ele perguntou enquanto andávamos em direção ao carro que estava em uma rua próxima.
– Muito. – Ao ver que ele não ia falar mais nada eu continuei. – Achei que ficaria com ciúmes de mim ou do seu amigo.
– Jamais, . – Ele riu antes de responder. – Você e ele são livres para fazer o que quiser, direitos iguais. E nem se eu pudesse eu iria interferir nas suas escolhas. – Parou quando ia abrir a porta e eu o olhei por cima do carro, já que estava do outro lado. – E que fique entre nós, você ficou com uma das melhores pessoas que conheço. Eu amo aquele menino.
Sorri achando lindo aquela declaração, sem conseguir formular nenhuma resposta. Entrei no carro em silêncio enquanto na minha mente uma voz me dizia que eu não poderia ter um primo melhor.



Capítulo 3

Talvez pelo cansaço da viagem juntamente com uma noite em claro, eu tive muita dificuldade de acordar naquele dia pós festa. Dormi era uma das coisas que eu mais gostava de fazer, principalmente depois de um dia anterior cansativo e ao mesmo tempo proveitoso. Estava nos meus planos dormir o dia inteiro se não tivesse me gritado, mesmo estando do lado de fora do quarto parecia que ele estava a centímetros de distância de mim. Abri a porta sem me importar com a minha cara que devia estar péssima, encontrando o meu primo bem humorado e de banho tomado.
– Já estava desistindo de te acordar. – Ele disse assim que me viu.
– Podia ter entrado, a porta estava destrancada. – Respondi enquanto me jogava novamente na cama.
– Jamais, não vou invadir a sua privacidade. – Sorri para ele em agradecimento, mesmo o achando exagerado. – Só insisti porque já está tarde, você deve estar com fome.
– Eu estou faminta!
– Também queria te fazer um convite, combinei com o pessoal de acampar hoje a noite, o que você acha?
– Acho ótimo. – Me animei com a ideia. – Sempre quis acampar.
– Ótimo, . Então se arruma e come alguma coisa, já está quase anoitecendo e não vamos sair muito tarde daqui. – Pediu gentilmente, beijou o topo da minha cabeça e saiu do quarto depois que eu assenti positivamente.
Tomei um banho, me arrumei e fui até a cozinha comer alguma coisa, assim como o meu primo pediu. Fiquei alguns minutos conversando com meus avós, meus tios e os meus pais até que me chamasse para sair. Descobri que apenas os amigos que eu conheci na noite passada estavam inclusos naquele programa e que não iria porque estava em uma festa com a família do namorado.
Segui os conselhos de e optei por uma roupa mais confortável e que me protegesse dos possíveis insetos que poderiam aparecer. Passamos na cidade apenas para comprar comidas e bebidas e logo estávamos na estrada de terra, andando no meio do mato para uma direção que eu não sabia explicar qual era, se fosse necessário.
, esqueci de te falar que eu só tenho uma barraca, tudo bem você dormir comigo? – perguntou enquanto mantinha a sua atenção na estrada.
– Claro, , não tem problema. – Concordei, afinal, era quase como um irmão para mim.
– Juro que eu não ronco. – Brincou me fazendo gargalhar.
O lugar onde seria o acampamento tinha o chão coberto por grama, lembrava um campo de futebol só que em um tamanho bem menor. Ao redor muitas árvores completavam o lugar. Diferente do céu da minha cidade, lá eu conseguia ver perfeitamente uma enorme quantidade de estrelas e uma lua que contribuía com a iluminação da noite, que refletia o seu brilho nas águas do lago que ficava a poucos metros dali. Apenas não senti medo de estar no meio do mato depois de ter deduzido que os demais já conheciam bem aquele lugar e acampavam lá com frequência. , e foram os que chegaram primeiro, os três já estavam ocupados com algumas coisas quando cheguei com . Enquanto os meninos terminavam de montar as suas barracas e riam de qualquer coisa que conversavam, ela preparava uma pequena fogueira bem próximo dali.
– Cheguei com cervejas. – avisou, indo atrás das caixas de isopor que estava no porta-malas, antes mesmo de cumprimentar os amigos.
– Você é foda, cara! – elogiou, parecia mais animado com a bebida do que com a presença do amigo.
– Boa noite! – Eu cumprimentei os três, que responderem em uníssono. Abracei o casal e fui até , que também me abraçou e beijou na bochecha.
– Você está bem? – Perguntou baixinho apenas para que eu escutasse.
– Sim e você? – Respondi querendo continuar a conversa, sem sequer perceber que ainda estávamos abraçados e que já havia passado tempo demais para que aquele fosse apenas um abraço de cumprimento.
– Eu estou ótimo. – Ele disse e eu me soltei, fazendo com que nós dois voltássemos a nossa atenção para o restante do pessoal.
Sempre achei estranho quando encontrava alguém, logo após ficar com essa pessoa. Ficava sem saber o que fazer, como cumprimentar, ou sobre o que falar. não tinha me ligado, me mandado uma mensagem ou qualquer outra coisa, mas aquele abraço dele parecia ter algo a mais. Não tinha segundas intenções, mas me fazia lembrar do que aconteceu na noite anterior, e aquilo de certa forma era bom, pelo menos eu achava.
deve estar chegando. – avisou ao abrir uma cerveja. – Ele me mandou uma mensagem agora a pouco avisando que não ia demorar.
– Conhecendo bem o amigo que tenho, isso quer dizer que ele nem saiu de casa ainda. – comentou com humor, contagiando todos nós.
Com ajuda dos outros três, rapidamente montamos a barraca que dividiria comigo, logo depois começamos a beber envolta da fogueira e comer as besteiras que compramos antes de encontrá-los. , , e começaram a me contar as histórias de outros acampamentos, me fazendo ter certeza de que estar ao lado deles era ter a diversão garantida. Todos eles tinham a alma jovem e não escondia o quanto gostavam de aproveitar a vida, o mais bonito de tudo era que o grupo gostava de viver todas aquelas emoções juntos.
Alguns minutos depois chegou, se desculpou pela demora e não escondia o seu semblante extremamente alegre. Conhecendo bem o rapaz, os amigos deduziram que ele demorou porque estava com alguém antes de ir para o acampamento, fato que o mesmo não negou.
– Eu só não trouxe ela para acampar com a gente porque estou sem a minha barraca. – Ele comentou confirmando o que ninguém ali tinha dúvidas.
– E mais uma vez eu serei obrigado a dividir a minha com você. – deduziu e viu assentir concordando.
– Sinta-se privilegiado por dormir mais uma vez ao meu lado. – Brincou e viu o amigo mostrar o dedo do meio em resposta. – A minha barraca está na casa dos meus pais, só lembro dela no dia do acampamento, ai nunca consigo passar lá para pegar.
– Vocês acampam com que frequência? – Eu quis saber ao entender que programas como aquele já havia acontecido muitas outras vezes.
– Pelo menos uma vez por mês. – quem respondeu. – Se fôssemos famosos, diria que esse momento é o nosso day off. – Gargalhou contagiando os demais. – Amamos fugir um pouco da nossa rotina e estar em contato com a natureza.
– Eu faria o mesmo se morasse em um lugar assim.
– Você pode acampar no terraço do seu prédio. – Ouvi o meu primo dizer e neguei com a cabeça, apesar de estar rindo assim como os outros.
Por um momento eu comecei a pensar no quanto eles se sentiam livres por viverem ali. Na cidade em que morava, eu nunca teria oportunidade de fazer um programa como aquele. Eu tinha liberdade, opções, mas também tinha algumas restrições. Na minha cidade era como se fosse sempre mais do mesmo, enquanto para eles, mesmo se não fosse a primeira vez, tudo parecia uma novidade. Aquilo me fazia questionar porquê demorei tanto para conhecer a fazenda, certamente minhas férias passadas seriam muito bem aproveitadas naquele lugar.
– Você nunca acampou, ? – me perguntou enquanto servia todos com mais cervejas.
– Nunca, mas sempre tive vontade.
– Voltaremos aqui antes de você ir embora. – me garantiu e eu sorri em agradecimento.
Continuamos a comer, beber e a conversar. Quando os assuntos pareciam ter acabado eles desenterravam as lembranças de algum momento engraçado que viveram, animando a todos que estavam presentes. Passamos por uma sessão de piadas, onde as pessoas que contavam eram mais engraçadas do que as próprias piadas em si. E de alguma forma eu já me sentia parte daquele grupo.
Algum tempo depois, , já um pouco alterado pela bebida, decidiu fazer uma brincadeira de adultos, assim como ele mesmo nomeou, para animar ainda mais aquela noite entre amigos.
– Vamos brincar de verdade ou desafio? – Ele sugeriu e viu todos concordarem, inclusive eu. – Gosto assim, de gente que topa tudo.
Já estávamos sentados em roda, mas envolta da fogueira, mudamos de lugar apenas para que pudéssemos ter um espaço para girar a garrafa. Ao meu lado direito estava , a minha esquerda estava . Ao lado dele estava , depois e fechando o pequeno círculo estava .
– Vamos começar leve ou está liberado pegar pesado? – perguntou e eu deduzi que talvez fosse comum brincadeiras como aquelas entre eles.
– Tudo liberado. – quem respondeu antes que girasse a garrafa vazia de cerveja que ele estava segurando.
– O assunto é sexo. – , o mais bêbado do grupo concluiu. – Você se importa, ?
– Claro que não. – Respondi e na mesma hora ele girou a garrafa.
Após girar algumas vezes pelo chão a garrafa parou apontando para mim e para , eu faria a pergunta e ele responderia.
– Verdade ou desafio? – Perguntei enquanto já pensava nas possíveis perguntas e desafios.
– Verdade, porque acabamos de começar.
– Qual foi a coisa mais estranha que você já fez na cama e não faria de novo? – Perguntei e logo vi gargalhar como se lembrasse de algo.
– Tentamos brincar com leite condensado, mas não deu certo, não recomendo. – Ele respondeu fazendo todos os outros gargalharem.
– Faz uma bagunça que brocha qualquer um. – comentou e negou com a cabeça.
Como a garrafa estava próxima de , foi ele quem girou, ela parou apontando para e para , o primeiro seria quem faria a pergunta para o segundo.
– Verdade ou desafio?
– Verdade. – logo respondeu com um sorrisinho nos lábios.
– Você já brochou? – questionou, talvez estivesse embriagado demais para pensar em uma pergunta mais criativa.
– Já sim. – Ele disse sem receio algum. – Quando aconteceu sempre tinha algo a mais, ou estava com algum problema pessoal, não estava muito no clima ou com muito álcool no organismo.
– Então é algo que acontece com frequência? – fingiu um interesse na história e viu o amigo mostrar o dedo do meio em sua direção enquanto ria da situação.
– Consigo contar as vezes nos dedos de uma mão só, e se fosse mais eu também falaria sem nenhum problema.
A brincadeira continuou e todos responderam perguntas relacionadas a vida sexual. Entre elas eu tive que responder a idade que eu tinha quando tive a minha primeira vez, meu fetiche mais estranho e a pior transa, nada que eu me importei em falar na frente do meu primo e de seus amigos. Quando eram entre eles, por terem mais intimidade e anos de amizades, o nível de perguntas aumentava cada vez mais. Alguns desafios também foram propostos, entre eles: danças, secar garrafas de cervejas e dar selinho no amigo, coisas que eram possíveis de serem cumpridas naquele momento. Decidimos em conjunto finalizar aquela brincadeira com uma última rodada. A garrafa parou de girar deixando claro que era a vez de perguntar novamente a .
– Desafio. – respondeu antes mesmo da pergunta, talvez por ser a última.
– Desafio você a dar um beijão na aqui na frente de todo mundo.
olhou em minha direção, enquanto os demais riam da situação. Era como se ele estivesse esperando alguma reação minha para opinar sobre o desafio proposto pelo amigo. Dei de ombros e sorri, deixando claro que estava tudo bem e que não tinha problema algum em cumprir aquele desafio. Ele se aproximou, embora já estivéssemos um do lado do outro, me olhou mais uma vez como se quisesse me perguntar, de fato, se tudo bem ele me beijar.
Antes mesmo ele pudesse dizer algo eu o beijei, depositando um selinho longo em seus lábios. Logo as suas mãos seguraram a minha cintura com um pouco mais de força, enquanto a sua língua pediu passagem para aprofundar o beijo. Enquanto eu me envolvia com os lábios de , os outros quatro que estavam presentes gritavam como se estivessem comemorando um gol do seu time de futebol favorito, graças a quantidade de álcool que tinha no corpo de cada um.
– Certeza que esse beijo vai entrar para o livro dos recordes como o mais longo que já existiu. – Ouvi dizer e só então me afastei de , antes disso ainda consegui sentir ele rindo sobre os meus lábios. Por um momento esquecemos da brincadeira e de que tinha mais gente ali.
Fomos presenteados com piadinhas de todos que ali estavam, mas aquilo não me afetava, muito pelo contrário, era divertido estar entre eles. Como havia acabado a brincadeira nós voltamos a nos sentar ao redor da fogueira, a diferença era que agora eu tinha o meu corpo abraçado por .
tem cara de que beija bem. – falou quando um pequeno silêncio se instalou, fazendo todo mundo gargalhar devido ao estado em que ele se encontrava. – Acho que em algum momento da vida eu ainda vou querer beijar esse menino.
– Quem sabe um dia eu realizo o seu sonho. – brincou e viu jogar beijos no ar.
– Ele beija bem, , eu recomendo. – Provoquei e senti rir contra o meu pescoço.
Depois de muita insistência dos amigos, parou de beber e foi para a barraca dormir. me contou que o próximo nível de embriaguez era onde ele começaria a chorar por nada e que ninguém merecia aguentar um chorando. Pouco tempo depois ela e também foram dormir, me deixando apenas na companhia de e de .
– Eu até trocaria de barraca e deixaria vocês dois dormirem juntos se o não estivesse tão bêbado. – explicou, deixando claro que naquela situação em que o amigo se encontrava, ele preferia dormir comigo.
– Não precisa se preocupar com isso, , mesmo. – Respondi já que não fui para o acampamento com a intenção de dormir com .
– Eu durmo com ele, cara, tá no meu currículo a minha habilidade em cuidar de bêbados.
Nós três rimos pela piada e ainda trocamos mais algumas palavras com antes que ele também fosse dormir, me deixando apenas com na fogueira.
– Você é o que sempre fica mais sóbrio? – Quebrei o silêncio que se instalou entre nós, mas que de forma alguma incomodava.
– Na maioria das vezes sim. Só fico muito bêbado quando misturo muitas bebidas, coisa que eu não faço com frequência. – Ele explicou enquanto mantinha o seu olhar na fogueira.
– Eu também não costumo ficar muito louca só com cerveja, sou dura na queda.
Começamos a rir pelo o que eu havia falado e no mesmo instante nossos olhares se encontraram. Apesar da pouca luz do local, eu conseguia ver o brilho dos olhos de , que sorriam junto com ele. Sem dizer nada ele afastou os cabelos que cobria uma boa parte do meu rosto antes de me beijar.
Sabendo que não tinha mais ninguém ali além de nós dois, eu me sentei em seu colo para aprofundar o beijo. Suas mãos tomaram a liberdade de passear pelo meu corpo, conforme ia aumentando a intensidade do beijo. Controlei a minha vontade de tirar a blusa de ao lembrar de onde estávamos, se estivéssemos em outro lugar eu não responderia por mim. Por já sentir como seu corpo estava reagindo embaixo de mim, certamente não estava muito diferente de como me sentia e do que eu desejava.
– Em pensar que o meu primo ia ceder a barraca dele... – Eu deixei no ar, sem precisar completar a frase para que entendesse.
– Eu vou matar o amanhã. – Ele brincou me fazendo gargalhar enquanto me abraçava. – Teremos uma outra oportunidade?
– Podemos combinar alguma coisa sim. – Respondi sentindo uma enorme vontade de continuar o que estávamos fazendo.
– Marcamos alguma coisa então. – Concluiu antes de me beijar mais uma vez. – Tá com sono?
– Um pouco. – Disse e vi um semblante triste fingido nascer no rosto de . – Acho que aguento ficar acordada mais uns dez minutinhos.
– Dez minutinhos dão para fazer muita coisa. – Deduziu antes de me beijar novamente.
tomou os meus lábios com mais urgência, como se fosse a última vez que ele me beijaria. Sua língua em contato com a minha fazia o meu corpo todo estremecer. Suas mãos sabiam os lugares exatos para tocar, acariciar e apertar. Em meus pensamentos algo me dizia que transar ali não seria um problema e pela forma que tudo estava acontecendo, parecia estar pensando o mesmo. Eu já estava cogitando colocar a ideia em prática ao sentir as mãos de por baixo da minha roupa quando escutei um barulho que fez com que nós dois paralisássemos as nossas ações.
? Você lembra quando meu cachorrinho morreu afogado? – Um chorando e extremamente bêbado surgiu próximos de nós, ele não conseguia sequer prestar atenção no que estava acontecendo.
– Hora de ativar o modo babá de bêbado. – Ele revirou os olhos me fazendo rir antes de sair do seu colo e me levantar para que ele fizesse o mesmo.
Ele despediu me dando um selinho, antes de conduzir de volta para a barraca, não era muito seguro deixar o rapaz próximo da fogueira na situação em que ele se encontrava.
Fui para a minha barraca e me deitei ao lado de , sentindo o sono chegar. Enquanto eu não adormecia algo me dizia que aquela noite de seria longa, mas infelizmente não seria na minha companhia.

Esse casal é puro fogo, genteee, que cenão foi essa? Fiquei com vontade de dar um soco no por ter interrompido o meu casal hah! Ansiosa pelo próximo! <3


Capítulo 4

O meu sono daquela noite não foi o melhor da minha vida, mas mesmo assim eu não conseguia reclamar de nada, aqueles primeiros dias de viagem estavam saindo melhor que o esperado. Depois de um bom tempo eu acordei, meu primo ainda estava completamente desacordado do meu lado, procurei meu celular no meio da minha bagunça e percebi que estava quase amanhecendo. Talvez pelas bebidas da noite anterior eu estava sentindo muita sede, sem contar que o sol ainda não tinha saído, mas, mesmo assim, o ar abafado deixava a barraca extremamente quente.
Sabendo que não conseguiria mais dormir naquele momento eu fui para fora, encontrei uma garrafinha de água em meio as cervejas que sobraram e bebi todo o líquido de uma só vez. Olhei o lago próximo dali e senti vontade de me aproximar dele, apesar de ser um lugar estranho eu não conseguia sentir medo de nada. Enquanto caminhava eu ouvi um baralho atrás de mim, observei andar em minha direção, apesar da cara de sono ela mantinha um semblante alegre em seu rosto.
– Bom dia, . – Ela me cumprimentou quando ficou mais perto de mim. – Ainda bem que você já acordou, não aguentava mais ouvir o roncar do meu lado, mas não queria ficar aqui fora sozinha, então eu ouvi alguns passos e deduzi que alguém tinha acordado.
– Dormi quase o dia inteiro ontem, acho que por isso eu acordei tão cedo.
Demos mais alguns passos e quando já estávamos na beira do lago se sentou no chão coberto por grama, fiz o mesmo e sentei ao seu lado. Não demoraria nada para que o sol aparecesse, o céu já perdia o seu tom escuro para um mais alaranjado. Ficamos em silêncio apenas admirando tudo ao nosso redor, talvez para fosse algo natural, mas todos aqueles momentos estavam sendo novidades em minha vida. Alguns passarinhos sobrevoavam perto de nós, fazendo um barulho que só alguém muito mal humorado poderia reclamar.
– Eu amo esse lugar, . – começou a falar, como se tivesse lido os meus pensamentos. – Amo essa tranquilidade, esse sossego... Não troco por nada.
– Eu amei conhecer aqui e todos vocês também, de verdade, não quero nem pensar em quando as minhas férias acabar. – Confessei para ela que pareceu me entender de imediato, em pouco tempo eu já tinha um carinho por cada um deles.
Sem dúvidas era o mais especial. Além de ser meu primo ele era um amigo que se fazia presente mesmo com toda a distância que nos separava. Vivíamos trocando mensagens, passávamos horas e horas em ligações e sempre tentávamos estar próximos um do outro de alguma forma. Eu conhecia o meu primo bem o suficiente para saber que ele só manteria ao seu lado pessoas que eram extremamente especiais, e eu não tinha dúvidas que as pessoas que faziam parte daquele grupo eram.
– Pode ter certeza que vamos fazer de tudo para que os seus dias aqui sejam inesquecíveis. Somos cachaceiros, mas também somos ótimas companhias. – Ela riu e eu acompanhei.
Começamos a conversar sobre férias passadas, eu contava o que eu costumava fazer nas minhas e confessava tudo o que eles já aprontaram juntos. Não me surpreendeu em saber que nas piores situações a minha prima estava presente. Descobri que apenas separou as coisas depois que começou a namorar, de forma alguma ela havia mudado com os amigos, mas sabia dos seus limites. Seu namorado era completamente diferente dela e para que a relação desse certo, os dois abriram mão do que julgava ser necessário. também me contou que nunca viu tão feliz como ela estava agora com esse rapaz, e apesar da amiga fazer falta em alguns momentos, no fim o que mais importava era a felicidade dela.
Um bom tempo depois, quando o sol já havia saído e já era possível observar tudo ao nosso redor, levantou e acordou todos os outros que ainda estavam dormindo. Aos poucos todos eles foram se aproximando e se sentando próximo de onde eu e estávamos.
– Prometo que nunca mais eu bebo. – disse depois que todos cumprimentaram uns aos outros. – O inferno deve ser uma ressaca eterna, porque isso não é de Deus não.
– Tenho a impressão de já ter ouvido isso antes. – comentou como se pensasse alto, fazendo com que todos os outros ali presentes gargalhassem.
– Você é um empata foda, , o veio para cá cheio de planos e teve que passar a noite cuidando de você. – Meu primo olhou em minha direção assim que terminou de falar, deixando claro o que ele tinha acabado de dizer.
Eu já estava tão à vontade ao lado deles que aquele comentário não fez com que me sentisse desconfortável ou sem graça na frente de ou de seus amigos. Eu o vi assentir quando e olhou e fiz o mesmo quando o seu olhar acabou focando em mim, apenas para confirmar. Logo depois o meu olhar encontrou o de , que mantinha um semblante bem humorado que acabou me contagiando também. Embora eu quisesse muito ter passado a noite com ele, o fato de não ter acontecido não fazia com que a nossa noite anterior perdesse a graça, só o fato de estar com todos eles ali já fez com que aquele acampamento valesse a pena. E no fundo algo me dizia que e eu teríamos uma outra oportunidade para continuar o que tínhamos começado ali, e eu poderia muito bem esperar por aquilo.
– Juro que não foi a minha intenção. – Ele se desculpou olhando em minha direção e também para .
– Tá tudo bem, , foi hilário te ver bêbado. – Eu respondi e os demais concordaram.
Começamos a lembrar dos acontecimentos da noite anterior, das brincadeiras que rolaram e do estado em que tinha ficado. aproveitou o momento para contar também como foi a sua noite, depois que todos os outros foram dormir. Disse que chorou, sorriu, brigou com ele e fez algumas declarações, tudo isso em menos de uma hora. E que depois o amigo embriagado começou a contar alguns de seus segredos que , como bom amigo, jamais iria expor na roda de amigos.
– Só não prometo que não vou mais cuidar de você porque, apesar do trabalho, você me faz rir demais quando está bêbado.
– E eu só não vou cumprir a promessa que fiz porque é mais importante fazer o feliz.
Continuamos conversando ali próximo do lago, naquele mesmo lugar nós também fizemos a primeira refeição do dia. Fui surpreendida quando vi o tanto de comida que todos eles levaram, claramente não era só em bebida que aqueles jovens pensavam. Depois do nosso café da manhã sem álcool, sugeriu que nadássemos no lago, todos concordaram mesmo que ninguém tivesse levado roupa de banho. O fato de eu estar apenas com a minha roupa intima não fez com que eu me sentisse mal perto deles. Era surreal a sensação que tinha como se não tivesse os conhecido há tão pouco tempo.
A água do lago era bem limpa, o fundo dele era composto por incontáveis pedrinhas. Como já estava bem calor, a temperatura mais baixa da água não incomodou nenhum de nós. Não sei dizer por quanto tempo ficamos lá dentro nadando, brincando e conversando, mas quando percebi já havia saído da água e voltado novamente com um copo grande cheio de uma mistura de algumas bebidas que eu não me importei em descobrir qual era.
– Para quem odeia ressaca até que você está indo rápido demais. – Meu primo comentou assim que se aproximou de nós, servindo a todas com a mistura feita por ele.
– Eu não vou sentir mais ressaca se nunca mais eu ficar sóbrio. – Ele respondeu em tom de brincadeira, fazendo com que todos ali presentes gargalhassem.
– Posso saber o que é isso pelo menos? – perguntou antes mesmo de provar a bebida que ele havia recebido.
Embora eu quisesse saber também, acabei experimentando assim que o copo descartável que eu estava segurando foi cheio por . Apenas agradeci antes de provar, apesar de ser forte e de eu não conseguir decifrar o que de fato tinha ali dentro, eu sabia que não teria dificuldade em beber aquele e vários outros copos daquela mesma bebida.
– Todas as bebidas quentes que sobraram, a cerveja esquentou e eu precisava de algo para repor as nossas energias.
– Ninguém morrendo é o que importa. – , que também já estava bebendo, concluiu encerrando aquele assunto.
As bebidas estranhas de continuaram a aparecer e as conversas não se cessavam por nenhum momento sequer. Eu estava um pouco aérea observando a natureza ao nosso redor quando senti alguém se aproximar. Olhei para o lado e vi já bem próximo de mim, ele tinha um sorriso tímido em seus lábios e olhava de uma forma diferente para mim.
– Vai fazer alguma coisa amanhã, ? – Ele perguntou de uma forma que só eu ouvisse, já que todos os outros estavam entretidos em outra conversa.
– Até onde eu sei não, só se o meu primo inventar alguma coisa de última hora.
– Quer jantar comigo amanhã? – De imediato eu sorri com o convite, por perceber a minha pequena animação ele continuou a falar antes mesmo que eu respondesse alguma coisa. – Posso passar na fazenda lá pelas 19:00 para te pegar, prometo que a gente não demora.
– Combinado, eu vou adorar sair com você. – Respondi em meio a um sorriso, e vi assentir.
Antes mesmo que ele pudesse dizer mais alguma coisa, perguntou algo a ele, fazendo com que participasse daquela conversa. Trocando apenas um olhar enquanto ele respondia o meu primo. Embora a nossa rápida conversa tivesse sido interrompida, o fato de ele ter segurado minha mão embaixo d’agua e continuado assim por bastante tempo, já dizia muito.





Continua...



Nota da autora: Oi, meus amores. Espero que tenham gostado do capítulo, não deixem de comentar o que acharam da atualização. Beijos!



Nota da beta: Ai, ansiosa para esse encontro! <3

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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