CAPÍTULOS: [Prólogo][01][02][03][04]





We Didn't Know






Última atualização: 19/10/2017

Prólogo


Me diga que estes não são sinais de amor. Me diga que olhar para nossas conversas com um sorriso idiota não quer dizer nada. Me diga que esperar suas mensagens todo dia pela manhã já virou um simples costume. Me diga que é totalmente normal estremecer ao ver seu nome como notificação no celular. Me diga que estes sinais não são de amor. Repete quantas vezes necessárias. Fala no meu ouvido: "Sua amizade é muito importante pra mim", e aí, todas aquelas suposições de um amor carnal e sentimental vão embora, e aí eu só vejo você. Fala que está tudo bem. Fala e assim eu não vejo mais ninguém. Eu não vou me apaixonar, não de novo. Cometer o mesmo erro duas vezes é burrice. Então repete só mais uma vez, que estes não são sinais de amor. Mas e se você não disser, eu largo tudo que tenho e vou para os teus braços.

Capítulo 01


Deveria ser definitivamente proibido ter faculdade aos sábados, eu definitivamente não suportava mais acordar cedo, mas tudo bem. Sétimo período de Psicologia, teorias, aulas práticas, estágios.

- Você pode, por favor, prestar atenção em mim?
- Estou refletindo sobre o quão triste minha vida é.
- Você é definitivamente doida.
- E você é obrigado a aguentar.

Estava sentada na mesa da lanchonete da UFMG com , que analisava as loiras peitudas que passavam pela gente. Essa era outra coisa que devia ser proibida. Não, eu não estou dizendo sobre o fato delas serem peitudas, ou usarem blusas que deixasse isso de fato aparecer, o meu problema era o olhar descaradamente na minha frente, levando em consideração o meu ciúmes por esse idiota. De fato não eram somente ciúmes que eu sentia por ele, mas isso não era algo a ser retratado agora.
Dei um leve empurrão no idiota que babava em alguma idiota por aí e ele me olhou assustado.

- E logo eu é que preciso lhe dar atenção?
- Ela era gata.
- Eu sou e você não vê os marmanjos me encarando.
- Ah, mas vejo sim!
- Cale a boca, .
- , que tal arrumar um namorado?
- Já falamos disso.
- Você seria menos rabugenta.
- Eu não quero um namorado.
- Você não tem interesse em ninguém? - Ele perguntou me olhando com o semblante desconfiado, eu iria responder: "sim, em você", mas é claro que não!
- Não, tenho interesse na minha faculdade.
- Acho que todo estresse é falta de algo.
- Você precisa entender que nem tudo é relacionamento, sexo e balada. As pessoas tem interesses em terminar a faculdade, pós-graduação, trabalho e viagens.
- E na minha amizade.
- Nem eu sei por que ainda sou sua amiga, agora tenho aula e não aguento mais ouvir sobre Gestalt terapia.

De fato eu não aguentava mais, eu amava o que estava cursando e não tinha sido fácil conseguir uma vaga na Universidade Federal de Minas Gerais, exigiu anos de estudos, cursinho, redações e noites em claro.

- Até mais tarde, hoje é seu dia de fazer o jantar! - Eu disse e lancei uma piscadela o vendo girar os olhos, na verdade, não era o dia dele, só que diante de tanto cansaço e trabalhos que eu tinha pra fazer, eu ia deixar isso com ele mesmo. Eu e morávamos juntos desde que decidimos nos mudar pra cá pra fazer faculdade. Éramos de Carbonita e a faculdade mais concorrida em Minas Gerais, era, de fato, a UFMG. É obvio que de inicio minha mãe surtou, a mãe dele sempre dizia algo como "vão e sigam seus sonhos" e agora eu estava aqui em Belo Horizonte, dividindo um apartamento com , enquanto cursávamos nossa faculdade, eu em Psicologia e ele em Engenharia Civil.
Atravessei os corredores da faculdade pedindo perdão pelo atraso ao entrar na sala, eu sempre me perdia ali, mesmo depois de tanto tempo.
O professor Gilberto falava algo sobre a perenidade de boas lembranças e o quão isso era interessante. De fato, de acordo com ele e algumas pesquisas, nós, os seres humanos, temos tendência em guardar boas lembranças.

- Pelo método de loci, as memórias são "dispostas" ao longo de uma rota, como o caminho para o trabalho ou faculdade - ou até mesmo dentro da própria casa. A técnica funciona da seguinte forma: você estabelece dez pontos no caminho por onde passa, como a porta da frente, a varanda, a cozinha, a sala de estar e, em seguida, associa cada lembrança a uma dessas marcações, o tipo de coisa que você gostaria de lembrar quando passa por algum momento difícil, mas deixando de lado a teoria, quero agora que pratiquem. Utilizem sua boa memória durante bons 10 minutos e se lembrem de coisas boas, momentos com alguém que nunca saíram da mente de vocês. Fechem os olhos, escutem musicas, façam o que for preciso e me digam como foram tais experiências depois.


Flashback - 2010 - 14:34

- Fala sério, ! Você precisa beijar.
- Desde quando isso é necessidade?
- Desde que você tem 15 anos recém-completos, sua festa é hoje à noite e você nunca beijou ninguém.
- Eu não quero beijar ninguém hoje, tem que ter confiança pra isso e você não entende.
- , é claro que eu entendo, mas o príncipe encantado não existe. Se existe alguém na qual você tem uma mínima atração, você fica e pronto.
- Não tenho atração por ninguém.
- Nem em mim? - Ele disse e eu arregalei os olhos, será que ele havia lido meus pensamentos?
- N-não.
- Então tudo bem. - Ele me lançou um olhar desconfiado e eu continuei guardando as coisas na bolsa pra ir para o salão.

2010 - 23:50

- A valsa vai começar, você tá pronta? - enfiou a cabeça na porta do meu pseudocamarim.
- Eu sonhei tanto com essa festa.
- Eu sei, . Vai ser tudo perfeito! - Ele sorriu e ficou de frente pra mim vestido de príncipe, já que ele era meu par de 15 anos.
- Eu espero que seja.
- E bom, eu estive pensando...
- Você pensa? - Eu gargalhei e lhe dei um tapa no braço.
- Ha-ha-ha, engraçadinha, mas voltando ao assunto, você me disse mais cedo que seu primeiro beijo tinha que ser com alguém que você tivesse confiança e eu sei que agora você deve estar me olhando com os olhos esbugalhado e vermelha, que só Deus, e que, provavelmente vai me dar um tapa, mas eu sou a pessoa que você mais confia do sexo masculino e bom.. Eu já pensei em como seria beijar você e se você quiser eu posso.. claro se você puder também. - Ele disse em um impulso só e eu sorri sem conseguir esconder de como ele estava perdido. - Vo-você quer?

Eu apenas assenti e ele ficou me olhando.

- Mas se você não me beijar, vai dar a hora da valsa e eu vou te dar um tapa.
- Você tem certeza que não vai me ignorar e sumir depois?
- Somos melhores amigos, . Vai em frente. - E naquele momento ele pousou a mão sobre minha bochecha fazendo um carinho com o polegar e sorriu se aproximando depositando um selinho leve e pedindo passagem pra aprofundar. E naquele momento eu só conseguia pensar em por que eu não tinha feito aquilo ainda. E no quanto eu tinha gostado de ser dele. De , meu melhor amigo.


//Flashback


Entrei no apartamento vendo um barulho de música soar na cozinha e caminhei até lá encontrando de t-shirt preta e calça de moletom.

- O que está fazendo?
- Jantar.
- E que animação é essa?
- Hoje é sábado, bebê. - E você vai ficar em casa e eu também. O que chega de fato à pergunta: que animação é essa?
- Você é tão deprimente quando quer, .
- Isso lá é brincadeira? Pessoas com depressão tem um distúrbio afetivo.
- Não venha ser psicóloga essa hora. - Ele disse e eu girei os olhos. - Vá trocar de roupa, nós vamos jantar e depois vamos ver Jane The Virgin.
- Você está estranho.
- Por que fiz um programa amigável pra dois amigos?
- Por estar tentando me agradar.
- Já que você não quer aproveitar das melhores coisas da vida, eu me adapto a você, às vezes.
- O que são as melhores coisas da vida, senhor sabichão?
- Sexo, beijo, namoro, transa, foda...
- Você é desprezível.
- E você, sem graça.
- Não sou sem graça e você é nojento.
- Eu sou gostoso.
- Ah, vá se ferrar.
- E você também.
- Eu também vou me ferrar?
- Não, você é gostosa. - Ele disse e gargalhou ao ver minha cara em seguida. Que caralho era aquele? Não é que eu não pensasse isso dele, e de mim também, é claro. Mas ele dizendo aquilo em alto e bom tom não podia ser algo bom, ele estava me provocando?
- Eu sou gostosa?
- Sim, bastante.
- E desde quando você chegou a essa conclusão?
- Desde sempre, mas nos últimos tempos você tem ficado bem... Mais madura, se é que me entende.
- Eu prefiro não entender. - Eu ergui a sobrancelha e subi as escadas indo me trocar. Eu sentia cheiro de merda. sempre era problema.

Capítulo 02


Acordar completamente em cima de não era algo que acontece com frequência. Os braços dele apertavam minha cintura de alguma forma e eu sabia que ele estava sonhando. Abaixei a cabeça de novo e notei que estava exatamente com o rosto no pescoço dele e inspirei o cheiro que estava ali e voilà!, perfume masculino, ou mais precisamente, o perfume dele. Me mexi tentando sair do aperto que ele tinha sobre minha cintura e em resposta recebi um ligeiro abraço. Meu Deus, ele realmente não sabia o que fazia. Segunda tentativa. Me mexi de novo tentando me erguer e não sei se assustei pela voz rouca dele no meu ouvido ou pelo o que ele disse.

- Não sai agora, eu nunca dormi tão bem. - Adeus ar. Ele tinha dito aquilo mesmo? Eu preferia não parar pra conferir e apenas murmurei um "uhum" e encaixei o rosto no seu pescoço de novo, e ouvi um riso baixo. Aquilo era definitivamente estranho. E adormeci novamente.


...


Me assustei quando ouvi meu celular tocando no canto do sofá e peguei o aparelho ainda em cima dele pra atender.

- Que foi e por que me incomodar essa hora? - Eu quis sussurrar, mas ele se mexeu revelando que estava acordando e abriu os olhos.
- Nossa, você é uma ótima amiga.
- e seus dramas, agora é serio.
- Eu queria saber se por acaso vamos aproveitar o domingo hoje.
- E quem cursa Universidade Federal aproveita algum dia da semana?
- , você é broxante.
- Broxante, eu? - Eu disse e vi dizer em voz baixa 'não é, não' e gargalhei.
- Sim, você é. Eu vou me enforcar em livros já que minha melhor amiga me largou e não me ama mais. - Ele apertou um pouco mais minha cintura e me olhava sério por tempo demais.
- E- eu vou ficar em casa hoje.
- Gaguejou por quê? - Proximidade demais, olhares demais.
- Na-nada. Eu vou desligar, .
- Te odeio. - Ela disse e desligou me fazendo soltar o celular e soltei um bom dia ao tentar me levantar, mas antes ouvi:
- Ótimo dia acordando assim. - E foi inevitável não corar. Que merda ele estava fazendo com meu estômago? E cabeça? E todo o resto?


...


Quase meia hora depois eu voltei pra sala trocada de roupa pra tomar um café digno e encontrei um me encarando.

- Não vai tomar café?
- Não estou com fome.
- Você tá bem?
- Eu, sim, você está?
- E teria por que não estar?
- Me diga você...
- Eu estou ótima.
- Dormiu bem?
- Ahn... Sim, e você?
- Nunca dormi tão bem. - É... Ok... Isso está estranho demais.
- Vou sair pra tomar café na rua, você vai?
- Tenho uns artigos pra fazer.
- Tudo bem então, até depois. - Lancei um beijo e peguei as chaves saindo pelas ruas de Belo Horizonte. Se tinha outra coisa que eu precisava, era de um carro. Fui rumo ao apartamento de , que não era longe daqui, eu tinha uma amiga carente e dramática, um amigo estranho demais e uma cabeça totalmente dissimulada.


...


- Olha quem apareceu.
- Você me viu antes de ontem, dramática.
- Na faculdade, já fomos mais presentes do que isso.
- É, as coisas já foram diferentes. - Eu soltei um suspiro e me joguei no sofá dela.
- Não quebra meu sofá e esse suspiro foi?...
- Foi nada.
- Você está pensando no de novo?
- Não é de novo, dessa vez tenho motivos...
- Opa, o que foi que eu perdi?
- A gente dormiu junto, mas não dormimos de dormir, ai foi dormir, mas não de...
- Calma aí, girl.
- Eu e ele só dormimos juntos no sofá e hoje de manhã quando eu fui me levantar, ele não deixou, e hoje ficou me encarando de um jeito estranho relatando sobre nunca ter dormido tão bem. Eu acho que ele está sofrendo de algum transtorno. Ou o cérebro deve estar mandando informações incorretas pra ele. Isso passa, ele precisa de um psicólogo.
- Ou ele precisa de você.
- Você está com distúrbios também, cale a boca.
- Olha aqui, sua louca da Psicologia. Ele precisa é de você, de beijar você, de fazer aquilo com você.
- E isso aconteceu incrivelmente do nada?
- Pelo o que você já me disse, ele foi seu primeiro beijo e depois disso já se beijaram algumas vezes, não é?
- Eu estava bêbada, pessoas bêbadas fazem coisas que não deviam.
- E você sempre quis ele, .
- Eu sei, mas ele, não.
- Mas agora quer.
- Ah, cale a boca e me dê algo de comer.
- Sempre um doce.
- Como um limão.

Eu e nos conhecemos exatamente no meu primeiro dia na Universidade.


Flashback - 2014.


- Mas que inferno, precisava de uma Faculdade ser tão grande?
- Você nunca vai se acostumar.
- Eu sinceramente me perco mais aqui do que em toda minha cidade natal.
- E você morava onde?
- Em Carbonit.. espera, quem é você? - Eu ergui a sobrancelha me perguntando como eu falava com alguém desconhecido assim.
- Sou , universitária em Medicina, 23 anos e você, garota perdida?
- , Universitária em Psicologia, ou devo ser se conseguir chegar até lá.
- Você consegue, alias esse é o prédio. - Eu só consegui rir em alivio. - Me empresta seu celular?
- Você é animada assim sempre?
- Ah, então, me dá sua mão logo. - Eu a entreguei minha mão e ela anotou um número em caneta na minha mão, fazendo cócegas. - Até mais, . Você vai precisar de amizades, só me ligar.


//Flashback


E literalmente eu precisei de amizades durante todo esse tempo, inclusive agora com toda essa situação com .
Não é algo complicado de entender, eu tenho sentimentos por ele, mas não amizade. Quer dizer, não só amizade. É, além disso, e não tem pouco tempo que ando nutrindo esse sentimento. É desde a adolescência e por pior que pareça ou clichê demais, ele me vê como uma mera amiga, ou via. Já que nos últimos dias isso tem soado estranho.
Chequei o celular pela vigésima vez desde que cheguei à casa da e vi que eram 00:40.
Eu precisava ir embora e ignorar essa ligeira situação de que algo iria mudar agora, nunca mudou. Tomei minha bolsa, trancando o apartamento com a chave de e a pondo no esconderijo, já que ela tinha saído pra algo com os amigos da faculdade.


...


Abri a porta do apartamento e encontrei as luzes apagadas, menos mal. Isso seria menos constrangedor.
Seria menos constrangedor se a televisão não estivesse ligada e estivesse sentado ali. Por que diabos ele estava sentado ali num sábado à noite?
Fechei a porta atrás de mim e caminhei em silêncio até a cozinha acendendo a luz.
Silêncio.

- Por que não saiu hoje? - Eu perguntei quebrando o silêncio.
- Nada. - Respostas curtas. Ótimo. Não falei mais nada e apaguei a luz da cozinha indo pro quarto, mas antes ouvi uma pergunta e não tive certeza se era pra eu ter ouvido ou não.
- E você pelo visto saiu, não é? - Eu podia ter dito que fiquei na casa da minha melhor amiga pensando no que aconteceu, podia dizer que ela não estava em casa e fiquei lá sozinha. Podia dizer diversas coisas, mas por um surto de pensamento.
- Sim, estou seguindo seu conselho, acho que preciso de alguém. - E não fiquei na sala pra ouvir resposta, caminhei para o quarto pegando meu pijama e indo me trocar.

Minutos à frente no espelho seriam necessários pra entender de onde eu havia tirado aquela desculpa e o porquê eu falaria isso com ele? E desde quando ele iria esboçar algum tipo de reação em relação a isso.
Roupa trocada.
Pensamentos quase organizados.
Calmaria do meu quarto.
Tudo estaria perfeito se não fosse a porcaria do meu melhor amigo escorado no batente da minha porta com os braços cruzados sobre a falta de blusa e a bermuda que usava. Que diabos ele pretendia?

- Tá fazendo o que aqui? — Perguntei aguardando alguma piada de costume ou sei lá, mas como resposta, só recebi o olhar dele sobre mim. - , não vou perguntar outra vez, eu estou cansada.
- A noite foi cansativa? — Ele questionou erguendo a sobrancelha e se aproximando
- Bastante proveitosa. — Eu respondi no mesmo tom e erguendo a sobrancelha também.
- Preferiu procurar diversão na rua?
- É o único lugar onde eu acharia. — Sem que eu notasse, nós já estávamos mais perto do que o recomendável, com semblantes diferentes do que deviam.
- É um pouco insanidade dizer isso, não acha?
- Quem me daria diversão dentro desse cubículo de apartamento? — Senti a risada de sarcasmo que ele deu se aproximando mais de mim e chegando com a boca próxima ao meu ouvido.
- Não sei, pense você e me diga. Quem lhe daria diversão? — E piscou pra mim saindo em seguida dali e me deixando em completo êxtase.

Que merda havia acontecido?

Capítulo 03


De fato, minhas manhãs se tornaram perturbadoras desde que começou a agir de forma diferente comigo. Eram olhares medindo de cima a baixo. Eram sorrisos sacanas, piadas e até havia começado a me tratar de forma diferente. Só que eu de fato só sabia disso porque ouvi a comentar comigo trezentas vezes, já que no assunto de tensão sexual eu me tornava pouco experiente, ou talvez muito inexperiente, se eu sabia algo, era graças a minha adolescência na dashboard do Tumblr. Ou seja, com vinte e dois anos nas costas, me sentia uma adolescente inocente.
Merda.

- Saiu sem mim por quê? - Ouvi a voz rouca na qual eu tanto tenho fugido.
- Ahn... Eu tinha que passar na biblioteca da faculdade.
- Eu sai dez minutos depois, .
- Mas você sempre se atrasa, sabe como é.
- Isso está parecendo outra coisa...
- Não sonha, .
- Eu não estou sonhando, na verdade, sonho mesmo foi o que eu tive essa madrugada.
- E o que você sonhou?
- Não queira saber.
- Aposto que foi com uma das "garotas" que você pega - Levantei as mãos fazendo sinal de aspas.
- Essa eu ainda não peguei, até porquê não quero só pegar, mas foi com uma garota, sim. Quer saber meu sonho?
- Ahn.... Não, obrigada!
- e sua inocência.
- Que eu pretendo manter por muito tempo.
- Será?

- Você anda perturbado nos últimos dias, quer uma consulta?
- Particular?
- É ué.
- Lá em casa?
- Óbvio, .
- No quarto?
- Ahn? - Eu não havia notado os olhares maliciosos lançados, que diabos meu melhor amigo estava sentindo? Eu realmente não estava tendo noção nenhuma de um motivo para tais brincadeiras. Não havia lógica para que depois de tanto tempo morando juntos, e de todas as coisas que rolaram, ele demonstrasse algum tipo de interesse em mim. Não era possível esse sentimento se tornar recíproco depois de anos. não se apaixonaria por mim. Não sabia descrever se pelo fato de sermos melhores amigos, ou de depois de tanto tempo o sentimento ou desejo, sabe-se lá o que ele sentiria aparecer assim.
- Ah, . Um dia você se toca.

Ele disse e saiu andando, eu realmente não entendia. Mas de fato não era o que me preocupava agora, eu tinha que resolver outras mil coisas. Mas aula, era a ultima coisa na qual eu me sentia bem pra frequentar agora.
Voltei pelo mesmo caminho poucos minutos depois e adentrei o apartamento que eu dividia com . Aquele lugar que de início parecia tão aconchegante, parecia pequeno demais para as vontades que eu andava sentindo, para os olhares que andava me dando, juntamente com indiretas. Eu não sabia como corresponder, não que eu fosse a burra no quesito sexual. Eu só não era ativa, na verdade, nunca havia sido. Beijos pouco quentes ou talvez um amasso fora o máximo que eu conseguia ter alcançado. Só que, todos eles, ou eu estava bêbada ou eu fingia não lembrar, mas parecia lembrar muito bem daquilo. E estava disposto a me fazer lembrar. O que, de fato, eu não sabia se era bom, ou terrível.

Flashback - Três anos atrás.

Ou mais especificamente, primeira festa da Universidade.
Não se é novidades as tais resenhas, festas, sociais e etc quando se entra em uma Faculdade, típicas também são os bodyshoots, bebidas em excesso, pegação e piscina.
O que não foi diferente nessa festa.
Depois de várias doses de bebida, eu não sabia distinguir o que era cerveja ou guaraná antarctica, mas de fato, eu realmente queria saber o que tanto olhava. Provavelmente, era álcool demais no sangue.
Mas, como o clichê de todos os livros em que eu lia, nós não dançamos juntos e rolou um clima resultando em pegação.
A festa acabou, nós fomos embora, sem palavra alguma.
Eu entrei para o apartamento me trocando e me joguei no sofá. E aí o problema começou.
Quando encontrei um me olhando com sorriso de canto e passeando os olhos por onde não devia. Quando tremia da cabeça aos pés ao sentir o meu melhor amigo se aproximar e sem palavras, ou quem sabe, uma justificativa, ele se jogou pra cima de mim me beijando e em um segundo estávamos nos olhando e no outro ele se encontrava encima de mim sem depositar seu peso, mas me beijando sem cessar, até lhe faltar ar e direcionar a boca para meu pescoço. Eu sabia que devia parar, ou pelo menos meu psicológico sabia, mas mandar esse sinal para o corpo e o coração me parecia um pouco difícil no momento. Eu soltei um gemido baixo pela forma na qual ele sugou a pele macia do meu pescoço e então eu parecia ter despertado algo que eu não tinha certeza do que era. Ele parou qualquer reação e me encarou. Com as pupilas dilatadas e a mão ainda apertando minha cintura, ele soltou um riso nasalado e fez tudo do que eu menos esperava, investiu como se estivéssemos transando, só que de roupa e aquilo tinha sido o fim. Não gemi baixo, na verdade, eu mal sabia se era um gemido, ou suspiro. Mas aquilo fez um levantar atordoado e eu tentar entender o que diabos de errado eu havia feito

- Eu ainda vou ficar maluco.
- Eu fiz algo de errado?
- Não, . Esse é o problema, estava certo demais. - E saiu atordoado demais dali.

Fim do Flashback

Essa frase bombardeou minha mente por meses, até eu aceitar que era apenas bebida no sangue, já que, ele não demonstrou mais nada do tipo, até os presentes dias. Que estavam sendo extremamente confusos. E novamente as palavras ecoavam na minha mente, me fazendo perguntas ao psicológico.
"Por que ele gostaria de mim?"
"O que em mim chamaria sua atenção?"
"Por que eu?"

- Um chocolate por seus pensamentos. - Merda!
- O que faz aqui agora?
- Por que foi embora da faculdade?
- Sem cabeça
- Tem acontecido algo?
- Eu é quem te pergunto, tem?
- Comigo não, . Tudo está perfeito. - Comigo não, ele sofria de transtornos bipolares, eu sabia. - Poderia parar de me analisar?
- Não estou analisando você, .
- Só me olhando e tentando descobrir o porquê de tudo que eu fiz nos últimos dias.

Merda.

Capítulo 04


We’re not, no, we’re not friends.
Nor have we ever been
We just try to keep those secrets in the light
But if they find out, will it all go wrong
And heaven knows, no one wants it to

Não era possível que ele percebesse assim tão de cara que eu estava pensando sobre tal assunto. Se bem que era possível, sim. Só que isso deveria vir de mim. Entender o que andava passando na mente dele que mudou a forma de conviver comigo e de agir de uma hora para outra. Não que eu não estivesse gostando, eu só estava confusa. E eu detestava não saber o que acontecia. Eu queria saber de onde ele tirou todo aquele interesse.

- E agora está pensando de novo.
- Para de pensar no que eu ‘tô pensando.
- Você pensa demais.
- Eu estava apenas analisando meu psicológico.
- Analise o meu.
- E você gosta de ir ao psicólogo?
- Quando a psicóloga é você, sim.
- , me diz de onde você anda tirando isso.
- Eu disse que queria ser analisado e você não quer me atender.
- Tudo bem, . Vou pegar meu caderninho e me trocar, essa calça jeans está me incomodando.
- Fique sem. – Ele disse e segurou o riso ao ver a cara que eu fiz. – Não está mais aqui quem disse. Estou esperando, Doutora.

Fechei os olhos pensando no que aquela “consulta” iria dar. Mesmo que fosse algo informal, eu tinha medo do que andava passando-se na cabeça dele. Eu sempre entendi perfeitamente . Até as últimas semanas, nas quais ele cismava estar interessado na minha vida amorosa e sexual. Tirei a roupa que estava, colocando a calça de moletom e a camiseta e prendi o cabelo, pegando meu caderninho e a caneta rosa na escrivaninha. O óculos provavelmente ganharia alguma piadinha na mente impura de , mas eu precisava. Já que lente era difícil demais de se usar quando você é lerda.
Desci as escadas e tinha trocado de roupa também, vestia agora uma t-shirt preta e a calça de moletom cinza. Tinha tirado o boné e o cabelo tinha bagunçado, deixando a típica aparência do “cara desleixado, mas lindo”, que encontramos na maioria dos livros românticos de hoje em dia. O que eu praguejava eternamente é que ele estava mesmo lindo. Sentou-se no sofá ao me vê e relaxou as costas soltando um suspiro.

- Estou pronto.
- Tudo bem, vamos lá. Vá com calma, pois você é meu primeiro paciente.
- Ok.
- Comece me dizendo, qual o seu nome?
- .
- Quantos anos você tem, ?
- 25, e pode me chamar por algum apelido.
- Pode ser somente ?
- Pode me chamar do que quiser.
- Seja civilizado, por favor.
- Mente poluída, eu só disse pra escolher do que me chamava.
- Você não tem jeito, me fale qual o teu problema?
- Quer mesmo saber?
- Sou sua psicóloga, esqueça da amiga e foque na psicóloga.
- Ok, vamos lá. Eu tenho vários problemas, mas há algumas semanas, algo em especifico tem me incomodado.
- O que seria, ?
- Sentimentos estranhos e desejos confusos. – Eu gelei, literalmente. Não sabia o que dizer, mas prossegui com a “sessão”.
- Que tipo de sentimentos?
- Eu não sei explicar, mas é algo que me faz querer ficar perto o tempo todo e abraçá-la e beijá-la o tempo todo, sabe? – Eu estava confusa.
- E os desejos se enquadram nisso?
- Definitivamente, ela anda aflorando desejos bem insanos. Todos os dias, o tempo todo.
- E ela sabe disso?
- Acabei de contar. – Foi literalmente o segundo mais longo da minha vida. Eu não sabia o que dizer, nem como agir.
- Vou ao banheiro.
- , volta aqui.
- Banheiro, .
- Você pode simplesmente dizer algo a respeito disso?
- Eu preciso pensar.

Ao invés de ir ao banheiro, subi para o quarto e tranquei a porta. Isso parecia confuso demais, estranho demais. Ele tinha acabado de assumir um tipo de sentimento e desejo por mim e eu não tinha o que falar, ou fazer. Depois de anos, nos quais eu senti todas essas coisas, pensando não serem recíprocas. Ele surge com isso do nada e simplesmente me diz assim?
Claro que, de fato, é melhor ele ter dito. Mas não aqui, não agora. Eu me senti uma adolescente imatura por ter fugido. Um cara gostoso que era meu melhor amigo havia acabado de dizer aquelas coisas e eu fugi. Me joguei na cama e fechei os olhos rodando de um lado para o outro.
Sono não seria possível tão rápido. Então liguei a Netflix e coloquei Friends. S8EP12
Eu amava friends, ou tinha começado a amar depois de Yasmin insistir cem vezes para que eu visse a bendita série.

...

Parecia que tudo voltava ao ponto inicial. O episódio estava quase no fim e revelou o inicio do “lance” Joey e Rachel, que de fato eu shippei.
Eu desliguei a série e abri o Spotify em busca de uma música descente e Friends do Ed Sheeran no aleatório começou. Graças a minha preguiça ao pagar o Premmium do aplicativo. Não pude deixar de prestar atenção na letra da musica.

So I could take the back road
But your eyes will lead me straight back home
And if you know me, like I know you
You should love me, you should know

Abri a porta do quadro disposta a conversar com , mas encontrei apenas o silêncio na sala.

- ? – Chamei, mas não obtive resposta. Caminhei até a cozinha e nada dele, abri a porta do quarto e nada ali também. – Droga. – Praguejei pra mim mesma e sai dali subindo para o quarto novamente. Eu tinha perdido uma das chances da minha vida. E eu me odiava por isso.

Narração em terceira pessoa

dirigiu até a orla da lagoa que obtinha perto de onde eles moravam e sentou-se no banco que tinha ali. Precisava de silêncio. Tinha acabado de falar a sobre os sentimentos que vinham lhe assombrando e a garota simplesmente havia fugido. O orgulho o fez sair do apartamento para pensar e a garota tinha ido o procurar pelo apartamento a fim de tentar ver no que daria. O desencontro tinha sido terrível. sabia que ia ter que voltar. Era uma segunda-feira e ele queria apenas encher a cara, sem ligar para as consequências possíveis e foi isso que ele fez. Atravessou para o bar mais perto dali. Pedindo o drink mais forte dali. Como já passavam das dez da noite, deitou-se indo dormir. Não havia mais o que fazer, pelo menos, não por ora.

Pov .

O sono que foi tão difícil de alcançar e foi quebrado quando eram ao menos quatro da madrugada e meu telefone tocou. Eu tinha aula amanhã e eu queria apenas descansar, mas ao ver o rosto de sorrindo enquanto eu dava um beijo na bochecha dele sendo estampado na tela do celular e o nome dele piscava ao som de Jorge e Mateus, o toque do meu telefone, arregalei os olhos atendendo.

- Onde você está, ?
- Em um bar. – Porra!
- Em uma segunda-feira?
- Você pode vir me buscar? Eu bebi demais e não tenho condições de dirigir, mas pelo menos consegui ter consciência de te ligar.
- Que bar você tá?
- Do lado JK.
- Merda, . Estou indo – Desliguei colocando a blusa de moletom dele que estava no sofá e pedi um Uber para o bar e voltaria dirigindo o carro dele. O motorista não demorou 2 minutos e me deixou lá em questão de 10 minutos.

Desci do carro e encontrei escorado no próprio carro com uma cara de... bêbado?

- Não podia deixar para encher a cara no sábado?
- Não podia ter me respondido? – Podia ter ficado sem essa, .
- Eu estou aqui pra te buscar, . Vamos pra casa.
- Essa blusa é minha.
- Eu sei que é.
- Gostei dela em você.
- Clichê.
- Será que nada do que eu disser você pode considerar?
- , entra no carro. – Eu disse entrando no motorista e o vi bufar e entrar no banco de trás e deitar-se lá. Eu merecia.

Dirigi pelos dez minutos e o dormiu nos dez também.

- Você está cheirando a Whisky. – Nenhuma resposta. - , levanta. Nós chegamos.
- Me deixa dormir.
- Eu vou para o quarto e vou deixar você aí.
- Igual fez quando eu disse que sentia coisas por você?
- Você não sabe o que disse, está bêbado.
- Eu estou bêbado, mas ainda sou .
- , levanta e vamos.
- Fujona. – Ele disse e andou pra dentro de casa. Ele ao menos sabia andar sozinho. Tranquei a porta de casa e suspirei ao vê-lo entrar no próprio quarto. Era melhor distância por hoje. Entrei para meu próprio quarto e apaguei a luz novamente, escorando à porta.

Cinco minutos depois e nada de sono voltar.
Dez minutos e vontade nenhuma de dormir.
Quinze minutos e a porta abriu, revelando um com cara de cachorro sem dono completamente bêbado.

- O que faz aqui?
- Não sei.
- Deita aqui, .

Ele não hesitou ou discutiu, simplesmente deitou na beirada da cama de barriga para cima. Eu me virei para o canto e respirei fundo.
Era estranho saber que partilhávamos de algum tipo de sentimento que não fosse amizade. A respiração dele parecia cada vez mais pesada. Ele levantou a coberta e cobriu-se chegando mais perto de mim e me abraçando pela cintura. Já tínhamos dormido assim, mas hoje parecia diferente. Hoje era diferente. Respirou e inspirou sobre meu cabelo antes de tirá-lo do meu pescoço e escondeu o rosto ali ficando quieto. Ele não dormia e eu também não. Mas nenhum dos dois saia dali e daquela posição.

Friends just sleep in another bed
And friends don’t treat me like you do
Well, I know that there’s a limit to everything
But my friends won’t love me like you
No, my friends won’t love me like you

- Era verdade? – Eu não consegui não perguntar.
- Era.
- E agora?
- Agora você simplesmente me abraça e dorme. Deixa o resto para depois.
- Mas nós somos amigos, .
- Meus amigos não me amam como você me ama.

Continua...



Nota da autora: (19/10/2017) Girls, att é curtinha, mas eu estava totalmente sem tempo. Obrigadaaa por lerem.
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