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Última atualização: 04/10/2020

Prólogo

AGOSTO 2014,

Blevins

Querida ,
Parabéns! O comitê de admissão se une a mim na parte mais gratificante do meu trabalho oferecendo-lhe uma entrada na Universidade de Stanford e convidando-a a participar da nossa turma de 2014.
Você se destacou e ficamos impressionados e inspirados por sua paixão, determinação e realizações.
Agradecemos e comemoramos tudo pelo que você trabalhou com as boas novas que esta carta traz. Em Stanford, você se junta a uma comunidade diversificada, alegre e colaborativa do campus, com uma determinação compartilhada de mudar o mundo.”

Já sabia de cor e salteado as palavras que honravam a minha carta de admissão na faculdade dos meus sonhos, a mesma permanecia em cima de uma das minhas malas já prontas ao lado da porta do quarto, enquanto terminava de dobrar mais algumas peças de roupa para terminar a última mala, minha mãe resolveu dar o ar da graça aparecendo no quarto juntando o seu corpo ao batente da porta.
— Filha, você deveria escutar os conselhos da sua mãe. – referiu-se a ela mesma em terceira pessoa, pedindo pela milésima vez no dia para não fazer algo que eu fosse me arrepender. – Não leve tudo a ferro e fogo, voce sabe que o ama.
Respirei fundo, dobrando coincidentemente um vestido floral no qual vestia na última vez que o vi, fazendo o meu coração bater mais rápido com tal lembrança.
— Não posso deixar que o amor atrapalhe meus sonhos – respondi o que já havia dito das outras vezes, como se fosse um mantra.
— O amor não está atrapalhando o meu sonho – Chelsea disse ao passar pelo corredor indo em direção ao seu quarto fazendo uma parada no caminho, ela tinha uma pilha de roupa em mãos. — E ele é o mesmo que o seu. – disse ao lado de nossa mãe.
— Pra você é fácil – rebato, mesmo sem argumentos.
— É claro, eu não complico as coisas.
Touché, poderia ter ficado sem essa.
Chelsea sorri satisfeita com o meu silencio em resposta.
— Qual é a desculpa agora? – foi a vez do nosso pai juntar-se a conversa aparecendo atrás das duas mulheres.
— Você não podia ficar do meu lado? – reviro os olhos, irritada.
— Como pode ser tão cabeça dura minha filha? – perguntou.
— Blá-blá...
— O rapaz te ama, de quantas maneiras mais ele precisa te demonstrar isso?
— Quer que eu fale novas maneiras, para você contar a ele? – debochei.
— Bom, antes de começar deixe-me pegar o celular para gravar um áudio para que ele possa ouvir – papai debochou de volta, nem preciso dizer que era algo de família.
— O amor não atrapalha nada é a melhor coisa que existe. – minha mãe entornou o assunto.
— Vocês querem que eu faça o quê? – suspiro pesado parando de dobrar uma camiseta branca a jogando de qualquer jeito dentro da mala, sentando-se na beirada da cama com os braços cruzados. — Já está tudo acabado. É muito provável que ele esteja em alguma festa por ai beijando a primeira modelo que aparecer em sua frente.
— Não fale besteira, sabe que ele não é assim – minha irmã o defendeu.
Meus pais se entreolharam, provavelmente cansados das minhas respostas tão ofensivas ao meu ex namorado que eles tanto amavam.
— Vou voltar a preparar o jantar – meu pai disse fingindo jogar uma toalha saindo do quarto. — Ela é igualzinha a você – gritou de uma distância segura para que nenhum objeto acabasse voando em sua cabeça.
— É nesse momento que agradeço por ter puxado o nosso pai – Chelsea riu ao entrar no quarto despejando sua pilha de roupas em minha cama sentando-se do meu lado.
— Por ser igualzinha a mim – minha mãe senta do meu outro lado pegando em minha mão – Sei que vai fazer o que é certo, não vai deixar o amor de lado. Lembre-se minha filha, isso e o que nos transborda, sem o amor, nos tornamos apenas um vazio.
Naquele momento na segurança das pessoas mais importantes da minha vida, meu coração pulsou mais rápido, fazendo com que eu apertasse a mão da minha mãe lhe puxando para um forte abraço, Chelsea também participou, passando a mão em meus cabelos.
Era extremamente difícil expressar meus sentimentos, sentia-me muitas vezes vulnerável, não queria que ninguém soubesse, que ninguém contasse a ele, queria poder apaga-lo da minha memória e seguir em frente, mas a quem eu estava querendo enganar?
— Eu o amo, mamãe – confesse em um tom de voz quase inaudível.


Capítulo Um - 2009



SETEMBRO

You and me were raised in the same part of town



Era inevitável a solidão.
Era a pessoa mais invisível daquele colégio, todos me ignoravam, não queriam juntar-se a mim nos grupos para fazer trabalho, mesmo tirando notas altas, não era o tipo de nerd que era paparicado. Ninguém queria ser meu amigo, ou estar próximo de mim e o pior de tudo era que eu não fazia ideia do porquê tamanha crueldade. Mas tudo isso parecia mudar.
Quando ela, apareceu.
Chovia sem trégua em e ela chegou atrasada em seu primeiro dia, molhando toda a sala de aula, suas botas estava em sopa igualmente a toda a sua roupa que formavam uma poça de água no chão.
O professor de história, o Sr. Ortiz lhe lançou o seu famoso olhar de reprovação que todos nós já conhecíamos a mandando para a direção de imediato recebendo uma resposta inusitada que fez com que a turma toda ficasse chocada com tamanha audácia da novata.
— Perdão, mas eu acabei de vir da direção e estou cansada demais para ficar perambulando molhada pelos corredores deste colégio, enquanto podia muito bem-estar assistindo aula sem perder a matéria do primeiro dia.
Como se tivesse enfiado uma faca no pescoço do Sr. Ortiz, ele engoliu a seco olhando para toda a sala para ver quem seria o corajoso de rir daquela cena, antes de apenas manda-la entrar com um gesto com a mão.
Sorrindo satisfeita, ela andou de cabeça erguida até o fundo da sala sentando-se em uma das carteiras livres.
Em seu primeiro dia ela conseguiu se tornar a garota mais sensacional de toda a turma.
— Sr. , leia o texto da página 42. – Sr. Ortiz ordenou batendo a mão em minha carteira.

***

Para o meu azar, a chuva continuou durante todo o intervalo, me impossibilitando de passar o período no jardim que tanto gostava. Acabei sentando na mesa mais afastada das demais no refeitório, onde pude observá-la entrando sendo seguida por uma garota idêntica a ela, porém me parecia ser mais nova.
Fiquei imaginando quando a sorte sorriria para mim, fazendo com que fosse pelo menos notado por uma garota como aquela.

***

Quando a aula chegou ao fim tivemos a sorte da chuva ter nos dado a trégua que tanto torcíamos pra poder corrermos de volta aos nosso lares. Então eu caminhava tranquilamente em direção ao ponto de ônibus quando fui surpreendido pela nova garota... E a sua amiga.
— Ei, você! – Ela me chamou com um toque em meu ombro.
— Pois, não? – respondo desligando a música dos fones de ouvido.
Ela era ainda mais linda olhando de perto.
— Você pode achar loucura – ela começou a dizer meio sem graça.
— É claro que isso é loucura – a sua amiga disse revirando os olhos.
— Quieta – a repreendeu. – A minha intuição disse a mim que eu deveria lhe seguir, pois estaria indo ao ponto de ônibus.
Olhei para ambos desconfiado, mas apontei para o ponto de ônibus a poucos metros a nossa frente.
— Sim, eu o vi, mas... – ela fez uma pausa pegando um papel em seu bolso da jaqueta jeans, era um papel que continha seus horários de aula. – Poderia me dizer se é o ponto desse ônibus aqui.
Estreitei os olhos pegando o papel com gentileza de suas mãos e o meu coração bateu mais rápido ao ver que pegaríamos o mesmo ônibus.
Meu Deus do céu, pela primeira vez na vida a sorte resolveu sorrir para mim.
— Esse é o meu ônibus – respondo em baixo tom devolvendo o seu papel – E esse é o ponto dele.
— Podemos esperar com você? – perguntou antes que eu pudesse dar um passo à frente. – Desculpe, sei que deve estar achando isso muito estranho...
— Não vou esperar. – digo vendo seus olhos perderem o brilho esperançoso que continham e a mais nova bufar, mas logo concerto a situação. – Por que o ônibus já está vindo – novamente aponto para onde bem ao fundo posso vê-lo. — Vamos?
A novata abre um sorriso de orelha a orelha ao olhar para trás e ver o ônibus.
— Claro – ela responde andando ao meu lado até a cobertura do ponto de ônibus. — Com todo esse medo de não perder o ônibus eu acabei nem ao menos me apresentando, sou Blevins – estendeu a mão que estava coberta por uma luva preta com detalhes em roxo, aquilo me mostrava que ela não era muito acostumada com o frio da cidade. — Essa é a minha irmã mais nova...
Chelsea – a mais nova diz seu nome sorrindo.
— E-er eu sei seu nome – comento mordendo os lábios – Você é a garota que calou a boca do nosso professor de história.
— Oh meu Deus – ela levou as mãos ao rosto na tentativa de cobri-lo. — Dia ruim. Hora ruim. – justificou-se.
— Eu posso imaginar – concordo com a cabeça. — Afinal de contas, me chamo . – estendo a mão em sua direção. — . – ela então aperta minha mão olhando no fundo dos meus olhos. — É um prazer conhece-las e Chelsea.
– repetiu – Nome de artista.
— Quem sabe um dia – dou risada, enquanto o ônibus para em nossa frente abrindo as portas. — Primeiro as damas.
sorri me puxando pela mão para dentro do ônibus.
Eu não sabia em qual parada as duas garotas iam descer, mas não pareciam muito interessadas em saber também, pois me perguntava sobre toda a cidade e sobre o nosso colégio.
— Você sabe quando tem que descer? – perguntei não aguentando-me de curiosidade.
— Sim, no ponto final do outro lado da cidade – disse olhando para fora da janela.
— Nós moramos no fim do mundo – diz Chelsea do banco da frente.
— Não acredito – digo surpreso, a sorte não parava de me surpreender. — Moramos do mesmo lado da cidade.
— Não brinca? – disse ela sem acreditar da mesma maneira que eu. – Minha intuição estava certa.
— Se costuma seguir sua intuição muitas vezes, pode confiar que está em boas mãos.
desviou o olhar de fora, em minha direção olhando novamente em meus olhos, intimidando-me ao parecer observar cada detalhe que podia, desceu seus olhos em direção aos meus lábios me instigando a fazer o mesmo e ver um sorriso forma-se de forma tímida.
— Sei muito bem que posso confiar.
Seguimos viagem conversando sobre as pessoas inusitadas que subiam e desciam do ônibus tentando adivinhar suas profissões baseadas em suas roupas, isso fez passar boa parte do tempo até chegarmos no ponto final.
Bastou eu colocar o pé no chão para começar a ser atingido por gotas de chuva que formavam uma fina garoa. Estendi a mão para ajudar descer ela aceitou, mas Chelsea apenas pulou molhando a barra da minha calça com agua suja.
— Chelsea olha só o que você fez – a mais velha disse repreendendo a mais nova ao descer do ônibus.
— Oh meu Deus me desculpa – ela disse ao me puxar para baixo da cobertura do ponto. — Não era essa intenção.
— Não tem problemas, vamos embora antes que essa chuva piore... – e antes que eu ao menos terminasse de falar a chuva começou a ficar mais forte.
A sorte cansou de sorrir.
Bufei revirando os olhos, não podia acreditar que teria que tomar aquela chuva.
— Pelo visto estamos presos aqui – Chelsea subiu em cima do banco para fugir da chuva.
— Vou ligar para o meu pai ele vem buscar a gente.
— A gente? – perguntei sem entender.
— É. Eu não vou te deixar aqui no meio dessa tempestade, né ? – negou com a cabeça pegando o celular e ligando para o seu pai.
O pai de demorou poucos minutos para chegar estacionando o mais próximo que podia abrindo a porta da caminhonete pedindo para que a garota pulasse logo para dentro do veículo.
deu prioridade para a irmã mais nova que correu rapidamente pulando para dentro da cabine juntando-se bem perto de seu pai que reclamou que ficaria todo molhado, logo após juntou-se aos dois.
— Vem – ela gritou me chamando
— Vem e fecha a porta garoto – o pai dela gritou também olhando para trás certificando-se que não vinha algum ônibus.
Eu corri passando para dentro da caminhonete batendo a porta com mais força do que necessário, olhei para o pai de de canto de olho para ver se ele tinha ficado bravo, mas ele não parecia se importar com isso dirigindo tranquilamente de volta à sua casa.

***

O nervosismo que estava passando em estar dentro da casa da garota que eu havia passado a manha toda imaginando se algum dia me daria bola, apavorava-me a ponto de me fazer tremer e nem era por estar congelando com as roupas molhadas.
Estava sentado na cadeira da cozinha que fora colocada ao lado da porta, a mãe de pediu para que eu tirasse o tênis o deixando na varanda para que não sujasse o interior da casa, minhas meias na cor azul escura com desenhos de dinossauro não tinham sido uma boa escolha pela manha
Em minha defesa, eram bem quentes.
O pai de voltou a prestar atenção na série que assistia na sala, me deixando sozinho com a sua esposa que preparava algo para comermos.
Após ter tomado banho e estar quente em roupas secas, voltou a cozinha sorrindo para mim com um conjunto de calça e moletom em mãos.
— Para você – estendeu em minha direção sorrindo – Vá se trocar, se não vai acabar quebrando os dentes de tanto que os bate.
— N-não, não precisa, eu estou bem, já vou embora. – dispenso as roupas que provavelmente deveriam ser do seu pai, aquilo já era intimidade demais para um dia.
— Ele deve estar pensando que são do seu pai – a mãe dela disse fazendo com que eu arregale os olhos, ela tinha lido a minha mente?
— Não são do meu pai – riu sem humor – São minhas, gosto de moletom grandes, mas a calça o tamanho veio errado e acabei ficando com preguiça de trocar pela internet é muita burocracia então uso apenas para dormir. – explicou-se dando de ombros. – Agora vai se trocar .
disse em tom autoritário, concordei com a cabeça pegando as peças de roupa da sua mão, ela me indicou a onde ficava o banheiro. Troquei-me rapidamente percebendo que a calça acabou ficando certa em meu corpo juntamente com o moletom que na garota costumaria a ficar largo.
— Está muito lindo , com todo respeito – a mãe dela elogiou-me assim que voltei a cozinha, me deixando um pouco constrangido. — Sente-se já está ficando pronto.
— Seco e quente também – completou assim que sentei ao seu lado.
— Onde está Chelsea? – o pai perguntou olhando apenas para nos dois sentados à mesa.
— Pediu para que eu avisasse que está sem fome e que prefere descansar um pouco – contou .
— Deve ter sido um dia e tanto, essa garota nunca dormiu de tarde nem quando era bebe – o pai disse impressionado com a caçula.
— Isso acontece uma vez em cada ano – riu da irmã.
— Quem diria que vocês teriam um primeiro dia de aula tão agitado, querida – a mãe dela comentou enquanto ela ainda permanecia com os olhos vidrados aos meus.
Eu poderia me acostumar em ser tão observado dessa maneira.
— Eu estou amando o meu primeiro dia. – disse ao apoiar o rosto em sua mão sorrindo para mim.


OUTUBRO

Feels like this could be forever right now

A chegada de ao colégio, trouxe fim a minha solidão, mesmo no começo onde todos tentavam afastá-la de mim tentando mudar suas ideias dizendo que sou um perdedor, ela ficou ao meu lado fazendo-me ser mais aceito pelos outros alunos que começavam a interagir mais comigo.
Enquanto os garotos mais velhos caiam matando em cima.
Ela era decidida o suficiente para conseguir enrolá-los, fazendo o seu grupinho de amigas rirem de suas histórias com eles.
Não sei como descrevê-la, sua personalidade era tão forte ao lado de outras pessoas que a tornavam invencível, mas ao meu lado era tão frágil fazendo eu ter a vontade de cuidá-la a todo minuto.
Era domingo, estávamos na varanda da sua casa, enquanto afinava o violão ela ria de alguma coisa na revista que estava lendo, dividia a sua atenção entre a revista e o labrador Hope que descansava recebendo carinho da dona.
Chelsea infelizmente não pode se juntar a nós, tinha reprovado em matemática e tinha que estudar para uma prova muito importante que iria fazer no dia seguinte.
Limpei a garganta para atrair sua atenção, sentou-se com as pernas cruzadas olhando-me atentamente.
Comecei a dedilhar as notas no violão respirando fundo para começar a cantar.
A música que havia escolhido para lhe apresentar, era Obviously, do McFLY, ela me contou quer era sua banda favorita e mural no seu quarto mostrava que ela era apaixonada por Dougie Poynter.
Recently I've been hopelessly reaching – abri os olhos podendo ver um sorrindo formando em seus lábios, o que me deixou mais à vontade. — Out for this girl, who's out of this world... Believe me!
Enquanto cantava, observava a beleza de como nunca tinha feito antes – ou já – seus cabelos estavam presos alguns fios em um “coquinho” como ela mesmo chamava no topo da sua cabeça deixando o resto dos fios soltos até quase o fim da sua espinha soltos, suas bochechas tinham um tom avermelhado ao natural que constatavam perfeitamente com a cor dos seus olhos eram do verde mais lindo que já existiu, sua boca tinham um tom rosado que nunca vi em nenhuma outra garota.
– ela disse assim que parei de tocar – Você canta perfeitamente bem, eu estou surpresa demais, porque nunca cantou para mim antes?
— Acho que nunca tocamos nesse assunto – dei de ombros, na verdade já tínhamos tocado nesse assunto, mas eu não me sentia confiante o suficiente para cantar na frente dela, ela poderia me ridicularizar e dizer que sou péssimo, por exemplo.
— Você é incrível – elogiou-me novamente. – Já pensou em se inscrever em algum programa de talentos?
— Bom, isso é o que eu queria te contar – passo a mão entre os fios de cabelo enquanto ela me olhava aguardando ansiosamente eu falar — Estou pensando em me inscrever no The X Factor ano que vem.
demorou por alguns segundos a capitar as informações, antes de levantar-se assustando o próprio cachorro ao sentar do meu lado abraçando-me como conseguia.
— Lembra o que eu disse pra você no primeiro dia que nos conhecemos? – perguntou baixinho em meu ouvido, fazendo um arrepio percorrer meu corpo.
— N-não me lembro, o que você disse? – pergunto nervoso ao vê-la se afastar, porém não muito, ficando a centímetros do meu rosto olhando em meus olhos.
— Eu disse – fez uma pausa – Que você tem nome de artista.
— Lembro disso – sorriu sem graça desviando o olhar. — Ter nome não significa nada.
— Então lembre-se bem do que vou dizer para você agora. — ela segura meu rosto com sua mão quente. — Você vai ser um artista. Você vai ser famoso. Você vai ganhar esse mundo todo só pra você .
Emocionado com suas palavras abracei com força, era bom ter uma pessoa que acreditava em mim além da minha própria família e eu varia com que ela sentisse orgulhosa de mim futuramente.

NOVEMBRO

— Tem certeza que não estou patético? – perguntei a minha mãe pela milésima vez.
Hoje era o aniversário de . Queria lhe fazer uma surpresa no colégio, mas não fazia muita ideia do que poderia ou não fazer, acabei pedindo ajuda a minha única melhor e confidente amiga; minha mãe.
Ela deu a incrível ideia que me arrumasse extremamente bem. Então lá estava eu com as roupas novas que provavelmente eu usaria novamente só no Natal.
Comprou o maior buque de rosas vermelhas da floricultura com os melhores chocolates que acabou custando quase toda a minha mesada.
— Não , você não está patético, ela vai amar. – minha mãe dizia animada segurando-me pelas bochechas. – Agora chega de drama, te dou uma carona até a casa dela – disse balançando as chaves do carro.
Apressei-me jogando a mochila sobre os ombros seguindo a mais velha batendo a porta em seguida. Como e eu morávamos próximos, o caminho até sua casa não durou cerca de dez minutos, mas mesmo assim eu soava frio e meus batimentos cardíacos estavam à milhão.
Quando minha mãe estacionou o carro um pouco longe da sua casa, olhei pra ela claramente perguntando o que eu faria em seguida. Ela apenas destravou o carro abrindo a porta me empurrando para fora.
Andei em passos trêmulos até a varanda da casa de apertando a campainha sem mais delongas.
— O delivery da farmácia foi a melhor coisa que invente... ! – a mãe de disse ao me olhar – Wow – arregalou os olhos ao ver o buque de rosas. — Entre meu querido, entre.
— Acho que você estava esperando a farmácia, mas estou mais para floricultura – dou risada extremamente sem graça.
— Oh meu querido. – abraçou-se dando um beijo em meu rosto. – Ela vai amar.
— Amor, olha o que achei perto do estabulo para enfeitar a bandeja... – o pai adentrava pela porta da cozinha com flores da cor lilás em mãos. – Deixa pra lá. – deixou as flores sobre o balcão da cozinha retirando o sobretudo preto que usava. –Bom dia , acertou em cheio na escolha.
É-er, obrigado, desculpe estragar a sua ideia – peço desculpa ainda morrendo de vergonha.
— Relaxa. Ainda sou o homem mais importante da vida dela, isso basta.
— Ciumento – a mãe revirou os olhos indo em sua direção e o abraçando. — Você quer colocar aqui na mesa? – perguntou-me.
— Vou espera-la descer, minha mãe está esperando no carro para nos dar carona.
— Oh ela não te contou? – perguntou arqueando a sobrancelha. – Ela pegou um resfriado, teve febre a noite toda, não pode ir ao colégio hoje.
— Ela não contou – respondi cabisbaixo. – Posso subir para vê-la?
— Claro, aproveita e chame a Chelsea para mim. – pediu ao me ver subindo as escadas.
— Porta aberta . – o pai gritou em um tom de voz bravo.
Apenas ri balançando a cabeça, acho que no fundo os pais dela confiavam em mim sabendo que as minhas intenções eram as melhores. Dei duas batidinhas no quarto de Chelsea a chamando para descer antes de parar em frente a porta de entre aberta a olhando dormir toda enrolada em baixo das cobertas.
— Bom dia Bela Adormecida – disse empurrando a porta devagar, ela abria os olhos aos poucos para acostumar com a claridade e os arregalou ao ver o tamanho do meu buquê de rosas.
Palmas para minha mãe, era aquela reação que eu queria.
– ela disse rouca de tudo. –S-são p-ra para mim? – gaguejou.
— Para a aniversariante do dia. – explico entregando em suas mãos – Feliz aniversário.
— Oh meu Deus. Eu nunca tinha ganho flores em toda a minha vida. – comentou ao olhar as rosas com seus olhos brilhando, mesmo doente ela continuava linda.
— E chocolates? – lhe entrego a caixa de chocolates, ela deixa o buquê ao seu lado na cama pegando a caixa em suas mãos.
eu não acredito – comentou boquiaberta. – Você é perfeito – elogiou-me. — Eu queria muito poder abraça-lo para agradecer o carinho que você tem por...
E antes que ela completasse sua frase, aproximei-me sentando ao seu lado da cama abraçando-a, ela estava mais quente que o normal, devido ao seu estado febril, ela soltou a caixa de chocolates me abraçando de volta.
— Você é louco? – perguntou assim que me afastei, ainda permanecendo sentado ao seu lado.
— Por quê?
— Pode acabar ficando doente . Fique longe. – me deu um leve empurrão pelo ombro fazendo-me rir.
— Não ligo pra isso. – dei de ombros — O importante é a sua surpresa.
ficou sem resposta sorrindo para mim.
— Pode ter certeza que eu amei receber flores e chocolate – constatou – Você é incrível – passou a mão em meus cabelos, sorri olhando para minhas próprias mãos, não sabia muito bem o que dizer naquele momento.
— Prometo que todo ano terá uma surpresa diferente no seu aniversário – faço uma promessa repentina que veio em minha mente, ela abre um enorme sorriso enquanto entrelaço nossos dedos da mão.
— Assim vou ficar mal-acostumada – murmurou em resposta.
— Talvez você fique... mas agora eu já prometi. – dei de ombros.
— De dedinho? – apontou para os nossos dedos entrelaçados.
— De dedinho – avanço com meu corpo em direção ao seu encostando nossas cabeças, equilibro-me com a outra mão do outro lado do seu corpo.
. – o pai de grita meu nome do corredor fazendo-me arregalar os olhos e ela rir.
— É melhor eu ir antes que ele me mate – afasto-me da garota que cruza os braços pedindo com os olhos brilhantes para que eu fique, ela parecia estar fazendo cinco anos. — Eu volto para comer um pedaço de bolo.
— Sabia que tinha alguma segunda intenção por trás dessa surpresa – zombou pegando a caixa de chocolates enquanto saio. — esses são os meus preferidos! – posso ouvir mesmo rouca ela gritar enquanto fecho a porta do quarto.
A missão de fazê-la feliz no dia do seu aniversário estava concluída com sucesso.


Capítulo 2

AGOSTO

As audições para o The X Factor começam na frente dos produtores alguns meses antes do programa ir ao ar. Estas audições são realizadas em várias cidades do Reino Unido e na Irlanda normalmente atraem multidões. Não são televisionadas por ser uma grande quantidade de pessoas, mas no decorrer do programa são mostradas várias imagens ao público. Os candidatos esperam no local indicado por algumas horas e tem uma breve audição por um integrante da produção.
Após participar do processo com os produtores é a vez de se apresentar na frente dos jurados.
Eu tinha sido um dos escolhidos nesse processo para me apresentar em frente aos jurados. Os testes na frente dos jurados são considerados a melhor parte do programa. Cada participante sobe ao palco para uma performance com uma canção de sua preferência.
Após a apresentação os jurados falam o que acharam da performance e se o candidato está qualificado para continuar no programa.
Se a maioria dos jurados falarem “sim” o candidato passa para a próxima fase.
E foi exatamente o que havia acontecido comigo mais um sim para o meu sonho.
Os concorrentes são selecionados na fase audição e ainda precisam se apresentar na fase chamada Bootcamp, nessa fase os jurados selecionam 64 participantes para a 'Six Chair Challenge” e começam a formar as categorias (Garotas, Garotos, Acima de 25 e Grupos), após a seleção os participantes vão para a fase seguinte chamada “Casa dos Jurados”.
Foi nessa fase que eu recebi o meu primeiro e poderoso não.
Não havia sido escolhido para ir para a próxima fase e aquilo me abalou muito, não queria ir embora.
Mas Simon parecia não querer que eu fosse embora também, convocando-me com mais quatro garotos que tinham sido eliminados na mesma etapa, ficamos ansiosos e curiosos para saber o que Simon tinha em mente, quando ele nos disse que poderíamos formar uma banda e continuar na competição.
Todos nós aceitamos sem pensar duas vezes, estando de volta ao jogo.



DEZEMBRO
It will never change me and you
Blevins
Admirava a forma como encantou toda a minha família com tão pouco tempo que tinha a nossa amizade.
Seu jeito tímido conquistou minha mãe que o mimava carinhosamente com suas comidas favoritas, sua inteligência conquistou o meu pai, por ser aberto a qualquer tipo de assunto o surpreendendo. Meus avós, conquistou com a lealdade, eles sabiam que estava em boas mãos de um garoto incrível.
Chelsea o considerava como um melhor amigo.
Desde que ele foi para o The X Factor, formando uma banda com mais quatro integrantes conquistaram o público de uma tal forma que os fazia crescer cada vez mais, já era certo que haviam vencido o programa.
Depois de uma belíssima apresentação da música Torn da Natalie Imbruglia, aguardávamos o resultado completamente ansiosos. Meus pais ajudavam-me a votar constantemente durante o intervalo do programa comentando em como
destacava-se no palco e que realmente tinha nascido para isso.
Mas...
O resultado não saiu como esperávamos e infelizmente a sua banda acabou ficando em terceiro lugar surpreendendo o público que achou que o primeiro lugar já era deles.
Em casa, todos ficavam desapontados, subiram para seus quartos me deixando sozinha na sala assistindo a algum filme clichê que passava em um outro canal. Com o celular em mãos eu só pensava em ligar para e consolá-lo com a perda.
Ele tinha ido tão longe e faltou tão pouco para o sonho torna-se realidade.
Meu coração apertava-se só de pensar em sua dor, não me deixando aguentar mais um minuto sem ouvir o som da sua voz pela ligação, liguei com os olhos fechados sem saber o que iria dizer quando ele atendesse o imaginando em minha frente pronto para recebe-lo em meus braços.
Mas para a minha surpresa, a ligação caiu na caixa postal, acordando-me dos meus devaneios junto com meus planos, entrei na nossa conversa do Whatsapp esperando por uma resposta, ele permanecia online digitando-me uma mensagem, mas depois de um tempo, parou de digitar, desaparecendo o seu online logo em seguida.
Respirei fundo entendendo perfeitamente o que estava acontecendo naquele momento, acabei jogando o celular de lado no sofá subindo correndo para o meu quarto.
***
Eu achava que com o fim do programa voltaria para sua vida normal fora dos holofotes, mas aquilo era apenas um pensamento bobo que pairava em minha mente.
Ele estava ocupando demais dando entrevistas em rádios, fazendo pocket shows em shoppings e galerias.
Hoje era o nosso baile de inverno do segundo ano.
havia me convidado para ser seu par antes de ir para o programa.
E inutilmente acabei o enchendo de mensagens e ligações para ter notícias de seu paradeiro.
Queria saber se ele voltaria a nossa cidade, ou se ao menos ele sabia que o baile era hoje.
Como de costume aos finais de anos, a irmã da minha mãe tinha chego de viagem a alguns dias para passar o tempo com seus pais, mas não podíamos dizer que era época de festa, quando o meu avó tinha complicações no seu quadro depressivo e a psoríase da minha vó espalhava-se por todo seu corpo novamente.
Estava sentada perto da janela tentando enxergar o campo em minha frente que era coberto por neblina, quando o celular vibrou ao meu lado fazendo-me olhar rapidamente com uma ponta de esperança.
Era uma mensagem de uma amiga.
Vamos ao baile? Acho que o Kenneth não vai se importar em ser par de duas.”
Sorri com a sua importância, ela queria que fosse ao baile com ela e o seu namorado.
Apenas agradeci o convite dizendo que não estava passando muito bem, com um pouco de dor de cabeça para ir ao baile.
“A sua dor de cabeça passou dando entrevista na televisão agora de pouco.”
Zombou falando de uma entrevista da banda de , mordi os lábios deixando o celular de lado sem respondê-la.
Chelsea já tinha me falado de tal entrevista que estava assistindo ao se arrumar para o baile.
A minha irmã mais nova iria ao baile e eu não.
Parte de mim sabia que ele não iria voltar, mas a minha intuição queria acreditar no contrário e aquilo estava acabando comigo.
— Filha... – minha mãe apontou na porta do quarto dando algumas batidinhas.
— Entra – disse sem desviar os olhos da janela, não queria encará-la e correr o risco de acabar chorando por alguém que já se foi.
— Nada dele respon...
— Nada. – a interrompi respondendo à pergunta que eu já sabia muito bem qual era.
— Vim avisar que o jantar está quase pronto, pra você ir descendo...
— Mãe – a olho na porta do quarto, ela solta um meio sorriso tentando me confortar. — Não precisa me esperar para comer.
— Se quiser posso trazer aqui para você.
— Não precisa se incomodar, estou sem fome – nego respirando fundo. — Vou ficar por aqui mesmo e descansar.
— Tudo bem meu amor. – foi o que ela respondeu antes de encostar a porta me deixando novamente a sozinha.
***

Estávamos em um jantar de negócios tratando sobre o contrato com a gravadora Syco para produzir nosso primeiro álbum, quando as mensagens e ligações de não paravam de fazer meu celular vibrar atraindo a atenção de todos, até Simon tomar a decisão de tirar o aparelho de minhas mãos o desligando e guardando para que eu estivesse cem por cento presente naquela reunião.
Era complicado demais prestar tanta atenção sendo que minha mente e coração permanecia em , pensando unicamente em e o quanto ela deveria estar chateada comigo por ter sumido por vários dias sem ao menos me explicar, tudo piorava ao saber que hoje era o dia do nosso baile de inverno do colégio.
Como eu poderia pensar em um baile de inverno no qual eu nunca cheguei a ir em todos esses anos ao estar na frente de pessoas importantes capazes de mudar a minha vida para sempre?
Poderia levar a bailes muito melhores que um mero baile de inverno de um colégio onde todos me detestavam dentro de uma quadra poliesportiva ridícula que cheirava a suor e madeira velha.
Mesmo não ter dado a mínima para o que o contratante dizia, quando passou em minha direção o papel e caneta para assinar o nosso contrato, não pensei duas vezes confiante no que estava fazendo.
Tudo estava prestes a mudar.
Depois da reunião e ter recuperado o meu celular, Simon nos deu um final de semana inteiro de folga para podermos descansar, começaríamos a trabalhar no novo álbum já em janeiro então esse seria nosso primeiro final de semana de férias enquanto ele encaixaria outros dias em nossa corrida agenda.
***
O primeiro pedido que fiz a minha mãe assim que voltei a foi para que ela me levasse à casa de , eu precisava vê-la e contar para ela em primeira mão a novidade que já estava mudando completamente a minha vida.
Era estranho o fato de a garota não atender as minhas ligações e não responder as minhas mensagens que tinha enviado a muito tempo antes de chegar à cidade.
Chelsea apenas me respondia o básico, alegando estar muito ocupada.
Era nítido que estava me evitando por causa do baile.
Mas talvez, ela estivesse me evitando para que eu não soubesse que ela acabou aceitando o convite de algum cara mais velho...
Dei de ombros ignorando tais pensamentos, caso ela não queira me receber, eu ainda era o querido por toda a sua família.
— Quer que eu te espere querido? – minha mãe perguntou ao parar o carro.
— Não – neguei – Obrigado, eu acho que vou demorar, qualquer coisa eu te ligo ou pego um taxi.
— Peça um taxi – pediu – Tem que acostumar que não é todo lugar que pode estar sozinho, existe pessoas muito ruins neste mundo...
— Eu te amo mãe, até mais tarde – lhe mando um beijo antes de fechar a porta do carro correndo pelo gramado da casa de , estranhei o fato de ter mais um carro na garagem trazendo-me uma sensação um pouco diferente do habitual.
Tinha tanta confiança para participar de um programa de televisão, mas ainda me tremia por inteiro quando o assunto era Blevins.
Subi as escadas da varanda, olhando para cada detalhe que senti saudades antes de apertar a companhia que anunciava minha chegada.
Para minha surpresa, quem acabou me atendendo foi seu pai, com os olhos marejados de lagrimas, quando ele olhou para trás, pude ver no primeiro degrau da escada olhando para mim aos prantos, enquanto sua mãe também chorava assustada.
Antes que pudesse dizer algo, subiu correndo para seu quarto batendo a porta tão forte que se pode ouvir o barulho da onde eu estava.
Péssima hora.
— Entre, . – foi o que ele disse sem animo algum.
— Acho melhor eu voltar em uma outra hora Sr....
— Não – foi a vez da mãe dizer – Acho que você chegou em uma boa hora para nos ajudar.
Dou um meio sorriso ainda sem graça por ter chegado em uma hora tão inoportuna entrando na casa seguindo em direção ao sofá.
A conversa que tenho com os pais de me deixa com um sentimento de culpa gritante em minhas mãos. Quando ela mais precisava de mim tendo que lidar com os dois avos doentes, algumas reprovas que fariam com que ela passasse as férias estudando para recuperar para não ter perigo de até mesmo perder o ano, procurava emprego para começar a trabalhar o mais rápido possível, pois sua mãe havia sido demitida não tendo dinheiro suficiente para manter a casa.
Onde eu estava no momento em que ela mais precisou?
Pedi licença a eles, para que com todo respeito pudesse subir ao quarto de sua filha, eles concederam, ainda confiavam em mim mesmo depois de ter ficado tanto tempo longe.
Dei duas batidas na porta tomando a liberdade para abri-la sem esperar uma desculpa esfarrapada de para que eu fosse embora.
Ela levantou a cabeça que estava enfiada entre os travesseiros, me olhando com os olhos vermelhos, entrei encostando a porta, meus olhos pairaram primeiramente em seu painel de fotos em cima da escrivaninha, queria saber se ainda tinha a nossa foto e para minha surpresa, acabei encontrando uma página de revista com a foto da minha banda.
Sorri inevitavelmente antes de olhá-la agora sentada na casa olhando para as próprias mãos, sentei-me ao seu lado.
Não sabia como iniciar uma conversa depois de tanto tempo sem nós falarmos, mas imaginei que um abraço seria um bom começo, por isso segurei sua mão fazendo com que ela me olhasse pedindo por favor que aquilo acontecesse, então a puxei para os meus braços em um abraço apertado que precisávamos para recarregar nossas energias.
— Eu senti tanto a sua falta – murmurei em seu ouvido. — Desculpa o sumiço eu...
— Não quero ouvir suas desculpas – interrompeu-se ao separar de meus braços. — Só quero que fique aqui comigo.
Concordei com a cabeça beijando levemente o seu rosto, ela ajeitou-se na cama deitando-se ao seu lado ficando assim um de frente para o outro.
me observava como se quisesse recuperar todo o tempo perdido que ficou sem poder olhar-se analisando cada ponto do meu rosto, vez outra ela passava a mão entre meus fios de cabelo, eu repetia o mesmo gesto com ela até que a visse calma pela briga de mais cedo.
— Você voltou – ela murmurou como se não acreditasse.
— Voltei – confirmei com um sorriso. – Cheio de novidades para te contar.
— Comece me passando o número do seu novo amigo . – disse em tom de brincadeira me fazendo revirar os olhos.
— Já quer me trocar? – perguntei fingindo falsa indignação.
— Não – negou com a cabeça – Jamais , jamais.
— É bom saber que sempre que voltar para vou poder ter você só para mim.
— C-como assim “sempre que voltar”? – repetiu minhas palavras sentando-se na cama.
— Bom, essa é a primeira surpresa – sentou-se também ao seu lado. — A One Direction acaba de assinar contrato com a gravadora Syco.
demora alguns segundos para processar a informação tendo quase a mesma reação que a minha própria mãe.
— P-parabéns, eu fico muito feliz por você e pela banda , sério. – me parabeniza ainda em choque abraçando-me novamente.
— Vamos começar a gravar nosso primeiro álbum em janeiro em Los Angeles. – contei a segunda novidade da noite. — Isso não é um máximo?
— Claro que é um máximo. Los Angeles , Los Angeles – concordou animada. — Estou tão orgulhosa.
— E sabe quem é que vai compor nossas músicas? – lá vinha a terceira novidade.
— Quem? – perguntou curiosa mordendo os lábios.
Ed Sheeran e Tom Fletcher... Conhece ?
— Não brinca! Já sabe que vai ter que pedir para que ele grave um vídeo mandando um oi para mim – disse ao me cutucar e eu concordei com a cabeça, era obvio que eu pediria isso ao Tom, ela nao precisava nem ao menos pedir. — O que eu te disse ? – perguntou.
— O quê? Quando?
— Na varanda. – lembrou-me. — Quando me contou que ia para o programa.
— Que eu seria famoso – murmurei olhando para minhas próprias mãos, ainda não caia a minha ficha que o sonho estava finalmente se tornando realidade.
Tudo que eu mais sonhei em todos esses anos.
— Agora você é famoso.
— Ainda sou o mesmo.
— Tem sua própria banda – completou.
— Mas ainda continuo sendo todo seu. – digo sem pensar e a olho com medo de ter sido interpretado errado, ao invés disso, agarrou-me mais uma vez em um abraço aproximando-se do meu ouvido.
— E eu sou sua fã número um.
Acabei passando a noite na casa dos Blevins, por incrível que pareça os pais de não ligaram muito que eu dormisse em seu quarto. Ficamos conversando sobre tudo que nos aconteceu durante os últimos meses, lhe contei os bastidores do programa e como tudo acontecia, ela me contava sobre as provas e como os garotos caiam matando em cima dela depois que eu parti.
Ela acabou dormindo por primeiro, deitada em meu peito abraçando-me como podia, passava a mão em seus cabelos lentamente sentindo o perfume doce dos fios.
Eu tinha sentido tantas saudades da minha garota.
A distância seria algo bem difícil que nós teríamos que aprender a lidar, mas nada que ligações por vídeo chamada no Skype, não nos ajudassem a matar a saudade após um longo dia trabalho.
Eu estava disposto a manter contato com , custe o que custar.

Blevins
Observava sumir de vista entre o campo cavalgando com Chelsea em um dos cavalos do meu avó, ele havia combinado com a sua mãe que passaria o dia todo comigo pedindo encarecidamente que ela viesse lhe buscar no fim da tarde, quando ele precisaria partir arrumar suas malas para viajar por conta dos compromissos da banda.
Então durante o dia, eu o dividia com Chelsea que me dava o tempo exato para controlar a vontade de beijá-lo pedindo para ficar comigo sem nunca mais ter que partir, mas aquilo era apenas um pensamento egoísta e totalmente infantil.
Eu diria que até mesmo um pensamento carente ao pensar que eu beijaria o meu melhor amigo.
nunca deixaria que isso acontecesse.
Ele agora beijaria mulheres famosas que poderia lhe dar algo a mais...
— Querida fecha a boca – meu pai disse ao parar com o cavalo branco do qual mais gostava em minha frente. – Pode acabar escorregando na poça de babá que vai formar aí no chão.
Fechei a boca de imediato olhando para os meus próprios pés.
— Pai! – o repreendi lhe olhando brava ao cruzar os braços.
— Chega de drama, boba – estendeu-me a mão. – Vamos apostar corrida com aqueles dois molengas!
— Só se for agora – segurei em sua mão ele me impulsionou para que eu subisse atrás dele o segurando pela cintura antes que saísse correndo com o cavalo ao encontro dos dois.
Após a corrida acabou dando a lógica, eu e o meu pai acabamos ganhando de e Chelsea que colocaram a culpa da perda no melhor cavalo do meu vô, para o meu pai era até piada ouvir aquilo.
Com o celular em mãos, Chelsea acabou recebendo uma ligação da nossa mãe dizendo que o almoço já estava quase pronto para que a gente voltasse logo para casa.
— O que acham de mais uma corrida? – meu pai deu a ideia.
— Acabamos de guardar os cavalos – disse apontando para os mesmos.
— Aqui tem mais dois – apontou para ele e que olhou já entendendo o que ele queria dizer. — Quem vai comigo?
— EU – eu e Chelsea dissemos uníssono, mas a mais nova acabou sendo mais rápida ao pular nas costas do nosso pai.
Olhei para que riu ao virar-se de costas para mim para que eu pudesse montá-lo.
— No três – Chelsea começou. – Um.
— Dois – contei também.
— Três – nos quatro dissemos juntos ao sair correndo gritando em meio ao campo, obviamente meu pai foi muito mais rápido deixando eu e para trás até o mesmo tropeçar nos próprios pés nós fazendo cair na grama úmida.
! – gritei após cair em suas costas rolando pela grama.
O mesmo levantou-se rapidamente rindo ao vir me ajudar a levantar.
— Desculpe. Não é minha culpa que você é pesada – defendeu-se apontando para a casa onde meu pai e Chelsea haviam ganho a segunda corrida do dia.
— Além de me fazer perder. Está me chamando de gorda? – fico em pé colocando as mãos na cintura.
, você é maravilhosa – revirou os olhos pegando em minha mão. – Venha, vamos andando se não sua mãe vai ficar uma fera com a gente.
— Duvido muito. Ela ama você – bufei com ciúmes andando ao seu lado.
— Não tenho culpa de ser o melhor e único – deu de ombros convencido.
—Já que vai embora posso apresentar a ela muitos outros – rebati fazendo me olhar um pouco ofendido ficando em silencio.
Droga, droga, droga, aquela não era a intenção.
Seguimos o caminho todo em silencio.
— Qual deles você é mais próximo? – puxei assunto enquanto estávamos chegando à varanda.
Talvez falar sobre a sua banda melhore o clima entre nós.
Nos sentamos no banco de madeira com nossos dedos ainda entrelaçados.
— Quando nos juntaram no programa a gente vai se conhecendo melhor a cada dia que se passa, mas acho que o tem mais um pensamento igual ao meu. Eu gosto dele.
— Minha intuição certa novamente – digo rindo. – Comentei com a minha mãe uma vez durante um programa que você deveria ser mais amigo desse do que os outros.
— Não adianta colocar sua intuição no meio para me fazer mudar de ideia para lhe passar o número dele mocinha – disse desentrelaçando nossos dedos.
— N-não falei com segundas intenções – gaguejei com medo de que mais uma vez ele interpretasse o que havia dito de maneira errada.
— Eu sei que não. – com a mão livre colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.
— Acho bom mesmo – disse começando a me emburrar em ter que me justificar a todo momento.
— Mas estou no direito de sentir ciúmes da minha garota. – deu de ombros passando o braço por cima dos meus ombros.
Naquele momento fez o meu coração bater mais rápido, o olhei rapidamente ele parecia tranquilo com o termo que acabou de usar para se referir a mim.
Tínhamos o sentimento ciúmes junto com o termo de posse minha na mesma frase.
Arqueei a sobrancelha antes de perguntar.
— Sua garota? – perguntei fingindo normalidade, mas por dentro a sala de comando do meu cérebro estava em chamas.
Qual é ?
Começou a ficar famoso e já acha que pode ganhar qualquer garota com seus galanteios baratos, começando por mim?
Logo eu, que a momentos atrás pensava em como poderia te beijar...
Antes que ele pudesse responder, minha vó bateu no vidro da porta nos chamando para almoçar.
— Vamos almoçar – levantou-se num pulo estendendo a mão na minha direção.
Durante o almoço, enquanto conversava com os meus pais, nossa troca de olhares era intensa de uma forma que nunca tinha acontecido antes, talvez a saudade estivesse tentando aflorar sentimentos que nunca poderiam acontecer.
Não entre a gente.
Após o almoço resolvemos assistir ao primeiro filme da saga Crepúsculo para passarmos mais tempo juntos, o clima estranho entre nós tinha ido embora, porém a nossa proximidade foi rompida por Chelsea querendo atenção deitada no colo de de maneira inconveniente que me deixava morrendo de raiva, meus pais percebiam o que eu estava passando porém, não se intrometiam.
No meio do filme, acabou passando o seu braço por cima dos meus ombros, levei minha mão a sua cabeça passando os dedos entre os fios de seu cabelo, senti o meu coração acelerado com nossa proximidade.
O que será que se passava na cabeça dele?
Meus devaneios foram por agua a baixo quando o seu celular vibrou sobre a mesa de centro da sala, como Chelsea dormia em seu colo, afastei-me para pegar o celular vendo na tela que era uma ligação de sua mãe, ele deu um meio sorriso ao atender, já sabia sobre o que se tratava, ela estava vindo lhe buscar.
Deixei que despedisse dos meus pais e dos meus avos sem pressa alguma o esperando no lado de fora na varanda com Chelsea que estava enrolada em uma coberta vermelha bocejando ao esperá-lo.
Quando o carro de sua mãe apontou em meio ao campo vindo em nossa direção a mais nova descer as escadas para poder cumprimentá-la.
saiu de dentro de casa seguido pelos meus pais, deu um meio sorrindo ao vim ao meu encontro abraçando-me com força transmitindo todo o seu amor e carinho, respirei fundo com o coração pulsando tão rápido como se tivesse corrido uma maratona.
— Por favor – ele murmurou em meu ouvido. – Não chore.
... – murmurei da mesma forma.
— Se você chorar, eu não vou aguentar, vamos ficar aqui os dois chorando.
— Então não vamos chorar – disse abrindo os olhos encarando meus pais que nos observavam. — Não é motivo de tristeza, você está indo em busca do seu sonho.
— Obrigado por ter me encorajado . – agradeceu-me beijando o meu rosto. – Eu vou voltar, por você.
— Eu sei – dou um meio sorriso ao nos separarmos. - Eu estarei aqui, para você.
Encarei nos olhos, como fiz no primeiro dia em que nos conhecemos, ele ainda era aquele garoto tímido que ficava sem jeito com o meu olhar, ele com as bochechas coradas, beijou a minha testa antes de partir.
Acenei para mãe de que conversava com Chelsea, ela deu a volta no carro o abraçando e assim que ele entrou no veículo e sua mãe saiu.
Acabei sentindo que ela acabou levando uma parte de mim embora.


TERCEIRO CAPITULO — 2011

JANEIRO

And I'll be here for you

Estava junto aos outros rapazes da banda no estúdio, já era tarde da noite, tínhamos gravado umas quatro faixas para o nosso primeiro álbum.
A quinta faixa em minhas mãos se chamava Everthing About You, era inevitável não lembrar de .
— Cara, tem noção que essa música fala sobre um momento bem quente? – disse com o papel da letra em mãos. – Pelo que me contou sobre você e a , não me parece a história de vocês dois – riu negando com a cabeça.
Eu tinha parado de ouvi-lo ao perceber que ele estava chamando a minha garota apenas pelo apelido, ele se achava intimo dela agora?
— Vocês já se beijaram? – perguntou intrometendo-se no assunto.
— Não – disso cabisbaixo. – Tenho medo de estragar a amizade.
— Isso não é desculpa, disse ao dar um peteleco na minha cabeça. —Pensa comigo, você agora é famoso que garota não vai querer te beijar?
— Eu não quero parecer um babaca – revirei os olhos. Será que ninguém conseguia me entender?
— Você tem uma grande vantagem sendo amigo de toda a família – comenta.
— Verdade – apontou para – Pede ajuda aos pais dela.
— Por que não pergunta a irmã mais nova? – ponderou.
— Hum... É que eu acho que a Chelsea tem uma queda por mim – digo meio incerto sentindo minhas bochechas corarem. – Ela grudou muito em mim da última vez a ficou se mordendo de ciúmes.
— Tem mais quatro integrantes aqui para ela ter uma queda – apontou para eles – Quem sabe ela não goste do ? – apontou para o mesmo que gravava o seu solo na música.
— Não é muito o “tipo” dela – ri o olhando gravar. —Acho que o faz mais o tipo dela – comento pensativo nunca tinha me perguntado qual era o estilo de garoto que as minhas amigas gostavam.
E se eu não fosse o tipo de ?
Ela mencionou o várias vezes naquele final de semana.
E se ele fosse o tipo dela?
— Claro que ele faz – concordou – Olhe para essa carinha de bebê recém-nascido.
— Fomos feitos um para o outro baby suavizou a voz piscando os olhos. — Me leve junto quando voltar para a sua cidade e eu cuido desse penhasco.
— Penhasco? – nos perguntamos.
— Não vai ser só uma queda que ela vai ter por mim – piscou para nós ao andar para dentro do estúdio.
— Suma daqui – começou a tossir sentando-se no sofá – O seu ego está me sufocando , sua daqui.
Estar com os rapazes, me fazia sentir alguém completo, eu tinha amigos ao meu lado, que se importavam comigo, perguntavam se eu estava bem, como tinha dormido de noite, quando mexia no meu Twitter, tinha fãs lá me mandando mensagens de carinho a todo momento, não só para mim, para a toda banda isso era maravilhoso.
Aquele triste e solitário tinha ficado para trás.


***
FEVEREIRO

Blevins
— Chelsea vamos logo – gritei a minha irmã da ponta da escada enquanto girava as chaves do meu novo presente em mãos.
No natal, meu avó havia me dado de presente minha tão sonhada carteira de habilitação, passei janeiro inteira estudando a matéria teórica e treinando com o carro do papai aos fins de semana para finalmente ter o meu próprio carro.
Adeus ônibus!
Mas isso não significava que poderíamos desleixar com os nossos horários.
— Chelsea agor...
— Calma – gritou descendo as escadas – Eu estava acompanhando as notícias no Twitter.
Revirei os olhos, com as notícias do Twitter, ela queria dizer que estava de olho nas notícias sobre o One Direction, sendo mais especifica: notícias sobre o no nosso amigo .
— Não é mais fácil mandar uma mensagem para ele se quiser saber se ele está bem? – pergunto a coisa mais óbvia do mundo pegando minha mochila ao lado do sofá seguindo para fora da casa. – Tchau mãe.
— Eu sei que ele está bem. Mas gosto de acompanhá-lo pelo Twitter, já te mostrei meu fã clube?
— Já. – reviro os olhos. —Milhões de vezes só essa semana.
— Sabia que ele está na Suécia? E tem fãs por lá? – minha irmã mostrou uma foto de com seu saindo de um carro entrando em um estúdio.
— Ele tem fã por todo mundo, eu acho – dou de ombros entrando no carro, colocando a minha mochila no colo de Chelsea assim que ela entra em seguida.
— O bom do fã clube e que ninguém sabe quem eu sou e posso ler o que podem falar da gente, quando começarem a flagrar o conosco. – Chelsea comentou animada me fazendo arquear a sobrancelha em sua direção.
— Por que falariam da gente? – pergunto mordendo os lábios. —Somos normais.
— Somos amigas do antes da fama, isso já basta. É normal as fãs procurarem saber sobre nós. – explicou começando a tagarelar mais ainda sobre suas novas amizades virtuais e como tudo funcionava nesse “novo mundo”.
A conversa durou a viagem toda até o colégio, onde Chelsea parou de falar ao perceber que tinha chego e que precisava procurar suas amigas para saber como ia a situações delas com seus respectivos paqueras.
Ao adentrar o prédio, segui em direção ao meu armário, mas antes que pudesse abri-lo vi minha amiga Juniper Willa correr em minha direção.
— Aaaa que saudades de você – Juniper agarrou-me em seus braços me chacoalhando de um lado para o outro. —Você sumiu!
— Juni a gente se viu no sábado, hoje já e segunda tecnicamente passamos apenas um dia sem nos ver – a abraço de volta rindo.
— Não seja insensível comigo. Estou de TPM e quero carinho – fez bico ao me soltar fingindo estar brava me fazendo rir mais ainda da sua cara.
— Desculpa Darling –disse encostando no meu armário de braços cruzados olhando Mabel aproximar-se.
Juniper Willa e Mabel Stone entraram no colégio no final do ano passado e para a sorte das duas, eu estava no lugar certo e na hora certa para ajuda-las a procurar a secretaria atrás de seus horários de aula, mais sorte ainda foi o fato de quase todas as nossas aulas coincidirem nos tornando melhores amigas no momento em que eu mais precisava.
O momento em que partiu atrás de seu sonho.
Juniper era morena e podia ser considera a garota do clipe “Five Colors In Her Hair” do McFLY. Quando nos conhecemos seus cabelos tinham várias mechas coloridas, mas hoje em dia a garota usa apenas duas, azul e rosa na parte detrás do cabelo que normalmente aparece quando ela os coloca para frente dos ombros ou quando está preso em um lindo rabo de cavalo. Seus olhos eram castanhos escuros e sua maquiagem composta por mascaras de cílios e lápis de olho na linha d’agua passava a impressão de uma Juniper encrenqueira e explosiva, mas na verdade ela era a garota mais doce que já havia conhecido.
Já Mabel Stone parecia que havia saído de um conto de fadas. Seus cabelos eram castanhos claros mas não chegavam a ser um loiro. Ela tinha sardas pelo rosto, mas não era fã número um delas. Seus olhos eram esverdeados em um tom bem claro. Usava roupa em tons claros, gostava de passar horas e horas vendo tutoriais de maquiagem, seu temperamento muito diferente do de Juniper era explosivo e ai de quem se atrevesse a irritá-la.
— Eu daria um órgão para estar em Nova York. – Mabel disse encostando-se ao armário ao meu lado. Esqueci de mencionar, Mabel era americana, ou melhor, “nova iorquina”. Quando sua mãe casou-se com seu padrasto inglês, quis voltar para sua cidade natal com a nova família. —Atrasando-me para a aula, porque o tempo voou enquanto estava fazendo minha caminhada matinal regada por muito SOL no Central Park. – frisou bem o “Sol” alegando sentir saudades do calor.
— Normalmente as pessoas vendem ou doam um rim, porque um só dá conta do recado – Juniper comentou.
— Porém, se você tiver futuramente complicações no seu único rim é um belo de um problema. – completo olhando para Mabel que revira os olhos.
— Prefiro continuar por aqui nessa “maravilhosa e aconchegante” cidade – fez aspas com os dedos fazendo eu e Juniper rir.
— Sabia escolha amiga – Juniper abraçou a amiga pelos ombros.
Desencostei do armário conferindo meus horários no bloco de notas do celular, ao abri-lo uma chuva de cartinhas caíram aos meus pés.
— Wow – as duas disseram ao se afastar. —O que é isso? – Juniper perguntou.
Abaixei-me pegando uma das cartas com envelope rosa olhando de quem era aquela carta.
“De: Megan K.
Para: com todo o meu amor e carinho.”
Suspirei olhando para as demais cartas, vendo que todas sem exceção eram para o .
— Não posso acreditar – murmurei negando com a cabeça ao começar a recolher uma por uma das diversas cartas com remetentes diferentes.
— Na verdade, já era de se imaginar, olhe para o armário dele – Mabel apontou para o armário do no final do corredor.
Olhei para o mesmo, com o seu nome pichado ao centro com corretivo branco envolta de um enorme coração vermelho com o nome dos demais integrantes da banda, fotos e cartinhas saindo pelas frestas. Em cima do armário alguns cartazes rosas dobrados.
— Achar o seu não deve ter sido difícil – Juniper abaixou para me ajudar a recolher as cartas. —Sua irmã vai pirar quando ver isso.
Estava distraída demais recolhendo tudo e com o pensamento longe para notar aproximação de alguém.
— Eu estava sentado do outro lado do corredor, prestes a tomar coragem para vir pedir à vocês uma informação quando vi que são populares demais para meros mortais novatos... – estranhei ao ouvir aquela voz até então desconhecida, levantando-me com rapidez para olhá-lo, mas acabei batendo a cabeça no armário que havia deixado aberto o que me fez cair sentada de bunda no chão espalhando todas as cartas novamente.
Droga!
— Otária – Mabel abaixou-me para me ajudar a levantar e o estranho também não pensou duas vezes antes de me puxar para cima. —Toma cuidado!
— Mabel – Juniper a repreendeu lhe dando uma cotovelada continuando a juntar tudo do chão. —Modos.
Eu disse que Mabel não era um anjo como aparentava ser.
— Você está bem? – o estranho perguntou assim que levei a mão a cabeça. – Relaxa, aparentemente não ouve nenhum corte. Você vai sobreviver. – ele era alto então conseguia ver perfeitamente o galo formando em minha cabeça.
— Obrigado pelo seu diagnóstico médico – não consigo disfarçar o deboche em minha voz.
— Sempre que precisar estou as ordens – estendeu-me a mão. – Sou Noah Clifford novo aluno do segundo ano. – sorriu esperando que eu apertasse sua mão.
Clifford – ponderei alguns segundos o deixando apreensivo. – Pelo seu tamanho deve ser o dono do Gigante Cão Vermelho. – zombei apertando sua mão. – Sou Blevins.
— Pelo visto é a garota que tem mais admiradores secretos do colégio – zombou-me de volta, ele estava muito afiado para um novato.
— Bem que ela queria ser essa garota, mas essas cartas não são para ela – Juniper levantou-se com cuidado após recolher tudo colocando de volta ao meu armário, pegando meus livros sem que derrubasse tudo de novo me entregando.
—O que seria da minha vida sem você? - lhe agradeci abrindo a minha mochila para colocar os livros, sentindo ainda a minha cabeça latejar.
Noah apenas arqueou as sobrancelhas sem entender o que estava acontecendo ali.
—A proposito você não perguntou mas sou Juniper Willa, sem piadinhas como...- Juniper começou a se apresentar mas foi interrompida.
Willa Wonka? – Noah foi mais rápido nos fazendo rir ao apertarem as mãos.
—Engraçadinho – Juniper fechou a cara afastando-se do garoto.
—E você quem é? – perguntou apontando para Mabel.
—Quem disse que eu quero que você saiba o meu nome? – lhe respondeu de maneira grossa – Você é apenas um aluno novo, se ponha no seu lugar. - na mesma hora Noah abaixou a mão sorrindo sem graça dando um passo para trás. —A proposito me chamo Mabel Stone – a garota estendeu a mão para o mesmo nos fazendo segurar a risada após olhar a cara de pânico que ele fazia.
—Filha perdida de qual Rolling Stones? – não perdeu a chance de zombá-la enquanto apertavam as mãos.
—Sabe que nenhum deles tem Stone como sobrenome não é? – Juniper perguntou, era uma das bandas favoritas dela.
Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood, Charlie Watts. – disse o nome de cada um dos integrantes da banda de moda pensativa – Sim, eu sei disso. – concluiu olhando para Juniper.
Olhei para as duas que também estavam intrigadas com o novo aluno em nossa frente. Da onde aquele garoto havia saído?
—Alguma de vocês poderia me ajudar a encontrar a secretaria? – Noah perguntou levando a mão aos seus cabelos.
Antes que alguma de nós pudesse responder o sinal tocou fazendo com que todos seguissem até suas salas.
—Seria muita gentileza da minha parte, porém eu tenho aula de história e o professor me odeia. Passo – Mabel explica dando passos para trás. – Vejo vocês no intervalo. – disse antes de sair correndo.
—Bom, você deu sorte. Quando fui novata quem foi minha guia turística foi a maravilhosa aqui – Juniper disse apontando para mim, que fiquei involuntariamente com as bochechas coradas. – Quem pode te ajudar é ela, porque tenho que correr para o laboratório de ciências do outro lado do prédio.
—Minha heroína – Noah levou a mão ao peito me olhando com um sorriso nos lábios.
—Vamos, eu te ajudo – o chamei não dando tanta importância para a minha primeira aula do dia, era considerada a melhor aluna na matéria de Literatura.

***

– Chelsea me gritou do topo da escada, parei de andar a vendo descer entre os demais alunos balançando o celular em mãos. – Juniper me contou que encheram o seu armário de cartinhas, é verdade?
Olhei para Noah o aluno novo, um pouco sem graça ao concordar com a cabeça olhando para a minha irmã.
—Chelsea seja educada – peço para que ela cumprimente o garoto.
—Oi. Eu sou Chelsea a melhor e única irmã que a tem e você quem é? – pergunta ao estender uma das mãos para o mesmo falando de cabeça baixa olhando para o celular.
Nego com a cabeça tirando o aparelho de suas mãos e ela me encara emburrada ainda com a mão estendida para Noah.
—Sou Noah – ele lhe apresenta dando um leve aperto na mão da garota. – Então sobre as cartinhas é verdade que sua irmã tem admiradores?
—Não são pra ela – Chelsea riu – São todas do .
—Quem é ? – Noah perguntou nos olhando.
—Você não sabe quem é o ? – Chelsea perguntou sem entender.
—É o primeiro dia de aula dele – expliquei para minha irmã, acenando para Mabel que tinha acabado de sair da sua sala.
é um dos integrantes da One Direction.
—Aquela banda da última edição do The X Factor? – Noah perguntou arqueando a sobrancelha.
—Essa banda mesmo – comentei procurando Juniper entre os alunos.
—Minha irmã gostou muito da banda dele. – Noah comenta olhando para onde eu estava olhando.
—Ele é nosso amigo. – Chelsea contou animada a novidade ao garoto. —E eu quero conhecer a sua irmã.
—Vocês não fazem ideia com quem eu acabei de esbarrar – Juniper disse ao chegar por trás de mim me assustando – Calma ai coração.
—Que susto Juni, com quem você esbarrou? – perguntei levando a mão ao coração fazendo Noah e minha irmã rirem.
—Com a nossa queridíssima professora de Biologia e ela quer que a gente apresente aquele nosso trabalho de recuperação HOJE.
—O que tá’ pegando? – Mabel perguntou ao se juntar a nós.
Tá’ pegando é que vocês três estão ferradas em Biologia e eu vou indo nessa –Chelsea disse me dando um beijo no rosto antes de se juntar a suas amigas que saiam da sala ao nosso lado.
—Mentira que a professora lembrou daquele trabalho? – Mabel perguntou batendo a mão na própria testa.
—E agora? O que vamos fazer? – foi a vez de Juniper perguntar encostando-se ao armário ao lado de Noah. – Tem sorte de ser seu primeiro dia!
—Alguma de vocês trouxe o notebook? – perguntei e as duas negaram com a cabeça – Ótimo. Estamos ferradas.
—Eu trouxe – Noah levantou a mão. – Se precisar usar, posso lhe emprestar.
—Mas e o arquivo do trabalho? – Mabel lembrou apreensiva. —Não adianta nada o notebook do novato sem o arquivo.
—Posso pedir para a minha mãe enviar – peguei o celular enviando rapidamente uma mensagem para a minha mãe para saber se ela estava ocupada.
a sua mãe vai saber enviar tudo que precisamos? – Juniper perguntou mordendo os lábios, minha mãe não era a expert e odiava mexer em notebook por achar tudo minúsculo.
—Nada que uma ligação por Skype não resolva, vamos – puxei as duas garotas pela mão para sairmos do prédio indo estudar no jardim, Juni puxou Noah que iria nos emprestar o notebook.

***

A prófase é a primeira fase da mitose e da meiose, onde os cromossomos se condensam, os nucléolos e a carioteca se desfazem, dispersando seus componentes no citoplasma. – Juniper começou a apresentação explicando para a toda sala, a garota olhou para Mabel que estava sentada em frente ao notebook pedindo para que ela passasse o próximo slide que eu iria ler.
Mitose – respiro fundo olhando para os demais alunos, odiava apresentações. —O início da formação do fuso e da condensação dos cromossomos duplicados na interfase são marcos da primeira fase da mitose. A formação do fuso é acompanhada pela fragmentação de muitas organelas...
O slide foi interrompido por uma notificação do Skype que fez Juniper arregalar os olhos para Mabel que não entendeu ao tentar olhar para o painel do que para o próprio notebook.
—Quem está ligando para vocês a uma hora dessas? – a professora interrompeu-me perguntando olhando para Mabel.
Fiquei sem entender olhando para o slide atrás de mim que estava sendo atrapalhado pelo Skype.
—Oh Meu Deus, desculpe-me professora, deve ser minha mãe...
—Não é sua mãe. – Mabel negou ao abrir o programa de ligações. – É o .
? – a professora perguntou de imediato e eu concordei com a cabeça. – Trate de atende-lo, anda, anda – ordenou e Mabel atendeu a ligação sem pensar duas vezes, me puxando para aparecer na câmera.
Bom dia Sunshine disse assim que atendi a ligação.
Não foi o seu bom dia rotineiro que fez com que a turma toda gritasse, mas sim o fato de estar acompanhado de e .
Olá acenou. —Prazer em conhece-la virtualmente.
Digo o mesmo Srta. Blevins – foi a vez de acenar.
O nervosismo acabou tomando conta de mim, não pelo fato de ter me ligado junto a seus amigos, mas sim por estar em frente aos meu colegas de classe no meio de uma apresentação importantíssima.
—A ligação travou? Olá está me ouvindo? – começou a perguntar.
N-não. Está tudo n-ormal. Olá . Olá , prazer conhecê-los também. – aceno de maneira meio robótica em frente a câmera.
Você está no colégio? perguntou ao aproximar-se fazendo as garotas da sala segurarem para não gritar.
—S-sim, estou no meio de uma apresentação. – comento para que entenda que não é um bom horário.
Qual matéria? – e a vez de perguntar fazendo caretas para a câmera fazendo Mabel rir.
Juniper olha para a professora que sentou-se ao lado de nossas colegas para apreciar a beleza dos rapazes.
—Biologia. – Juniper respondeu mais rápido do que eu. – Poderiam mandar um beijo para a nossa professora Ivana? – perguntou olhando para a mesma que arregalou os olhos.
Beijo professora Ivana – os três disseram uníssono. – E a melhor professora de biologia que já tive a elogiou.
—Meu melhor ALUNO – a professora gritou abraçando as alunas se gabando por ter ganho beijo.
Sei que não liguei em uma boa hora, mas tenho uma surpresa para você contou animado.
—Acho que a surpresa vai ter que esperar um pouquinho...
—NÃO – Ivana correu até nos me empurrando para aparecer na chamada de vídeo. – Seja lá qual for essa surpresa. Fique à vontade querido.
Então... esperou para que a professora se afastasse para voltar a dizer. —Já que está liberado, aqui vai a surpresa .
ajeitou o notebook em cima de uma mesinha que focava em um sofá preto com algumas roupas penduradas, e ficaram de um lado enquanto ao centro sentou-se com um violão no colo ninguém mais ninguém menos que THOMAS FUCKING FLETCHER e ao seu lado e que acenou tentando não roubar a cena daquele momento.
—Meu Deus – arregalei os olhos levando a mão na boca ao ver Tom Fletcher ao lado de . Mabel entendendo o meu histerismo liberou a cadeira para que eu pudesse me sentar antes que tivesse um ataque, ou desmaiasse.
Olá – Tom disse com seu tom de voz grave. me disse que você é uma grande fã do McFLY e como estamos aqui no estúdio gravando e resolvemos fazer uma pequena pausa para comer. Nós pensamos “por que não ligar fazer uma surpresa para ela?”
Me derreti no momento que ouvi o meu nome sendo proferido por Tom Fletcher. Não podia negar o meu corpo arrepiado por inteiro, Mabel e Juniper já estavam sentadas no chão assistindo aos rapazes pelo telão junto a toda a turma.
Então aqui vai, uma versão de ¼ de McFLY e quase todo o One Direction...
O não vai participar porque não sai do banheiro.. gritou fazendo a sala toda rir.
Essa aqui é All About You, especialmente para você. – Tom disse apontando para câmera, como se estivesse apontando para mim.
Um, dois, três... fez a contagem regressiva antes deles começarem a cantar.
Enquanto ambos cantavam do outro lado da tela, eram muito bem acompanhados por toda turma incluindo a nossa professora que parecia estar em um show de tanta empolgação que demonstrava.
Quando a música chegou ao fim, aproximou-se do notebook com um sorriso mais lindo que já na vida em seus lábios.
Espero do fundo do meu coração que tenha gostado dessa surpresa , te amo até mais tarde. – mandou um beijo no ar antes de encerrar a ligação.
Com o final da ligação o sinal anunciando o final da nossa aula de biologia também tocou, olhei para Mabel e Juniper que respiraram aliviadas assim como eu.
Rapidamente a sala foi se esvaziando até sobrar somente nos três.
, você ouviu o que ele disse? – Juniper perguntou ainda em choque.
— “Supresa”? – disse sem entender, desligando o meu Skype para devolver o notebook a Noah.
—Não , não se faça de boba – Mabel me deu um peteleco na cabeça.
—Ele disse que te ama. – Juniper disse fazendo o meu coração gelar.
Como assim havia dito que me amava?


Capítulo 4

I loved you first…


Desliguei a vídeo chamada por Skype com , abaixando a tela do notebook em seguida olhando para os meus amigos – SIM, eu já podia considerar Tom Fletcher como meu amigo de tanto tempo que já estávamos passando junto aprendendo sobre composições – eles pareciam estar bem surpresos com alguma coisa.
—Obrigado Tom, por fazer essa surpresa à ela. – o agradeci todo sorridente.
—Não sabia que você ia se declarar sendo tão direto assim – Tom comentou rindo levantando-se para devolver o violão para dentro do estúdio.
—Como assim? – arqueei a sobrancelha sem entender olhando para e que se entreolharam negando com a cabeça.
—Cara você nem percebeu, mas antes de desligar falou “eu te amo” para a . – comentou enquanto segurava o riso.
O meu coração gelou-se por um segundo como se alguém tivesse ameaçado me jogar do último andar de algum prédio.
—E-e-eu falei que amava ela? – perguntei sentindo a minha pressão cair.
—Você falou exatamente assim – apontou para que me imitasse.
“Espero do fundo do meu coração que tenha gostado dessa surpresa , te amo até mais tarde.” – fez a pior imitação possível fazendo todos rirem.
—O que tá pegando? – perguntou ao voltar do banheiro.
—Fizemos uma ligação via Skype com a amiga do , e ele disse que a ama, nada demais. – comentou dando de ombros.
—Ele finalmente assumiu os sentimentos? – riu. – Boa !
Apenas sentei-me no sofá e fiquei pensando em como a minha amizade com ficaria após isso, ela se abalaria ou será que ela nem chegou ao ouvir?
Ela estava dentro de uma sala de aula, talvez ninguém tivesse ouvido... Como também havia uma sala inteira de testemunhas sobre o que eu disse antes de desligar.
Eu era péssimo, suspirei fundo.
—Relaxa , confia – sentou-se ao meu lado batendo a mão na minha coxa. –É reciproco.
—E se não for reciproco , o que eu faço? – perguntei temendo sua resposta.
—Aí se não for recíproco a gente assume o nosso romance para o mundo – falou vindo para cima tentando me beijar fazendo-me rir.

Blevins
Juniper e Mabel contavam de forma animada para Chelsea o que aconteceu na aula de Biologia enquanto apresentávamos o nosso trabalho, Noah parecia bem entediado ao ouvir sobre o assunto preferindo dar atenção a uma flor que pegou em um arbusto no caminho e tirava algumas folhas presas no caule.
, o falou que te ama e você simplesmente não disse nada? – Chelsea perguntou extremamente indignada.
—Não, ele desligou logo em seguida pois ia voltar a gravar – respondi dando de ombros. –O que queriam que eu fizesse?
—Talvez ter dito “eu também”? – Chelsea disse parecendo obvio olhando para os dois lados antes de atravessar a rua com as demais.
—Foi muito inesperado, sem contar que ela ainda estava em choque com Tom Fletcher. – Mabel comentou lembrando da chamada. —Pegou até a gente de surpresa.
—Vamos concordar que não é todo dia que o seu mcguy favorito canta para você via Skype. –Juniper continuou a me salvar. —Pegou até a gente de surpresa.
Revirei os olhos com toda aquela conversa parando em frente ao carro desligando o alarme colocando minha mochila no banco detrás.
—Não vão querer mesmo carona? – perguntei as minhas duas amigas mudando de assunto.
, vamos deixar para começar a entregar currículos amanhã... Faz tanto tempo que a gente não almoça com a Juni e a Mabel. – Chelsea pediu fazendo bico.
—Prometemos a mamãe que começaríamos hoje – a lembrei antes de olhar para Juniper esperando sua resposta.
—Não precisa. A minha mãe vai vir nos buscar – Juniper contou pegando o celular para ligar provavelmente para a Sra. Willa.
—Tudo bem – concordei olhando para Noah. —Quer uma carona novato?
—Não... Prometi a minha mãe que iria sobreviver ao meu primeiro dia de aula. – disse segurando para não rir quando entendi a referência do que ele quis dizer.
—Ei, para a sua informação eu sou uma ótima motorista OK? Retiro a carona. – lhe dei um fraco tapa em seu braço o fazendo rir, Chelsea revirou os olhos andando para o outro lado entrando no carro.
—Estou brincando... Foi muito gentil da sua parte, mas vou almoçar com os meus pais, ele já deve estar saindo do escrito vindo me buscar. – Noah disse olhando para os lados, vendo que Juniper e Mabel andavam até a esquina onde a mãe dela tinha estacionado.
—Tudo bem então – abri a porta do carro prestes a entrar.
... – Noah me chamou. – Isto é para você. – apontou para a flor em sua mão. – Sei que não é um integrante do McFLY, mas é apenas a minha singela forma de dizer obrigado por ter me ajudado no primeiro dia de aula.
Fiquei boquiaberta pegando a pequena flor de sua mão, ele sorriu mostrando as suas covinhas antes de afastar-se saindo andando sem me deixar ao menos agradecer o presente.
—Uma flor? – Chelsea perguntou assim que entrei no carro. —Por que ele te deu uma flor?
—Em agradecimento por ter apresentado todo o colégio para ele e o ajudado – respondi colocando minha mochila no banco detrás e a flor no console do carro.
—Você gostou dele? – perguntou colocando o cinto.
—Não – neguei colocando o meu – Quer dizer, gostei ele é um cara bem legal... – dei a partida no carro o ligando para sair da vaga prestando bastante atenção.
—Humm, isso significa que vai ficar com ele? – insistiu em saber.
—Chelsea ele apenas foi gentil me agradecendo, amanhã vou ver se pago um lanche pra ele já que me ajudou com o trabalho de Biologia. – dei de ombros saindo da vaga sem dificuldades.
—Você não paga lanche nem para mim – dramatizou – Vai pagar lanche para um novato?
—Você ganha dinheiro paga o lanche o papai ainda te dá uns trocados a mais de vez em quando, para de ser tão dramática e ciumenta. – rebati seu drama e a vi corar, provavelmente não imaginava que eu soubesse sobre o dinheiro a mais com o papai.
—Estou economizando o máximo que eu posso para a nossa faculdade – confessou dando um meio sorriso.
—Tenho feito o mesmo – compartilhei com a mais nova.
, você acha que vamos conseguir? Juntar o dinheiro necessário para a faculdade? – Chelsea perguntou fazendo o clima ficar tenso.
—Eu acredito que vamos conseguir, tenho apenas esse ano todo para juntar vai ficar meio apertado para mim se eu conseguir um emprego vou tentar um extra de final de semana, agora você ainda tem mais esse ano e o próximo, tudo vai dar certo Chelsea.
—Logo deixaremos essa cidade e vamos desbravar as terras americanas aos arredores de Stanford. – Chelsea suspirou sonhando acordada com a nossa faculdade dos sonhos. – Juntas? – estendeu a mão em minha direção.
Sorri parando no semáforo olhando para sua mão e a segurando com força.
—Juntas, Chelsea, sempre juntas!

***

MARÇO
Eu e Chelsea passamos um mês entregando currículos por toda a cidade, sem contar algumas lojas da cidade vizinha que estavam contratando, seria a maior loucura ser aceita em alguma daquelas lojas, mas para ajudar a nossa família todo sacrifício seria valido.
Felizmente nossas respostam foram atendidas muito mais rápido do que o esperado, nos trazendo as melhores vagas de emprego possíveis.
A Central Library tinha uma vaga a ser preenchida para ser atendente, fazendo fichas dos livros que eram alugados e depois os devolvendo ao seu devido lugar na prateleira, o horário era perfeito, pois começava após o colégio e podendo voltar para casa antes do anoitecer.
Apaixonei-me tanto pelo meu emprego, que até mesmo o meu uniforme parecia ter sido feito sob medida para mim, usava uma camisa de mangas longas branca com um suéter marrom claro por cima que ao peito tinha o logo da biblioteca com o meu nome bordado logo em baixo em branco, estava livre para usar qualquer jeans que eu quisesse, afinal todos combinavam com o meu lindo uniforme.
Já Chelsea, conseguiu um emprego que ela denominava dos sonhos no Cine World o cinema local, conseguiu flexibilizar o seu horário para coincidir com o meu e podia fazer horas extras aos finais de semana se preferisse. Ela trabalharia no atendimento vendendo as entradas e se fosse preciso ajudaria no atendimento da bomboniere.
Minha irmã acabou não dando muita sorte com o seu uniforme, já que precisava sem sempre completo com uma calça que dizia ela pinicava muito da cor azul marinho, junto com uma camisa branca social e um colete vermelho e uma bela gravata borboleta na cor vermelho sangue. Ela se sentia totalmente estranha, mas ainda sim estava feliz por ter sido aceita logo de cara.
Mandei foto para vestindo o meu uniforme de trabalho antes de começar mais um turno feliz por estar finalmente conversando com ele e recebendo um pouco de atenção entre seus intervalos de ensaios.
Nós estávamos sem nos falar, sua agenda estava lotada por conta dos pockets shows da turnê do The X Factor, ele chegou a passar pela nossa cidade com sua banda porem devido à má organização do evento e o pouco tempo que tinham para viajar rápido para outra cidade nem ao menos conseguimos nos ver, estava ocupada demais montando um trabalho do colégio e ele tinha outras prioridades agora.
Ele respondeu a minha foto minutos depois com uma simples mensagem:
“Legal ;)”
Fazendo-me bufar arrependendo de te mandado aquela foto para ele, afinal porque ele iria me ver sendo que deveria ter mil modelos aos seus pês?
Como já dizia o McFLY em sua música e adaptando melhor para a minha situação “Ele estava obviamente fora do meu alcance”.
Mas Noah parecia estar tão perto que me preenchia o sentimento do vazio deixado por , encaminhei a mesma foto para ele tendo a resposta que fez um sorriso brotar em meus lábios.
Tão linda que vou ser obrigado a relevar essa foto e colar na porta do meu armário...”
A chegada de Noah tinha alegrado cada vez mais a minha vida e os motivos eram óbvios, nos conhecíamos fazia um mês ele acabou se dando bem com Juniper e Mabel, para minha sorte até Chelsea o aceitava se divertindo com suas piadas ao passar o intervalo conosco.
Enturmou-se rapidamente ao entrar para o time de baseball, mas isso não diminuía sua atenção conosco, as primeiras pessoas que o acolheram no colégio.
Tudo estava caminhando perfeitamente bem, tirando as complicações em casa, as brigas frequentes dos meus pais por conta do pavor em perder meu avô os apavorava de certa forma que transparecia no dia a dia. Chelsea e eu tentávamos amenizar o clima esbanjando uma boa energia ao falar dos nossos trabalhos e notas altas no colégio, mas sabíamos que no fundo que eles estavam cansados.
– Chelsea deu duas batidinhas na porta – Poderia me ajudar? – perguntou apontando para sua gravata borboleta em mãos, ela me parecia bem desanimada.
—Claro – a chamei para entrar sentando-se na beirada da cama, a mais nova sentou-se ao meu lado. – Você está bem? – perguntei enquanto ajeitava a gravata em seu pescoço.
—Estou bem, mas a mamãe estava brigando com o papai por ligação de novo e dessa vez o vovô ouviu que era sobre ele e acabou trancando-se no quarto – Chelsea contou o que havia acontecido – Não estamos o culpando por estar doente e sim preocupados com sua saúde, mas ele não entende e ficou falando que queria poder morrer logo parar de dar tanto trabalho.
Engoli a seco imaginando a dor que nossa mãe deveria estar sentindo naquele momento, não era seu pai, mas considerava o sogro como uma pessoa importante que a acolheu na família desde o primeiro dia quando ela e o papai ainda eram jovens demais.
—Chelsea não podemos levar a sério tudo que ele diz, a doença dele faz com que ele diga coisas que realmente nos machuque justamente para que a gente desista de tentar ajuda-lo – tento amenizar a sua tristeza explicando o que acontecia. – Logo a vovó conversa com ele e tudo fica bem.
—As feridas da vovó estamos piorando também o remédio não tem dado resultado – Chelsea disse tentando não deixar que as lagrimas caiam virando o rosto para cima.
—Você sabe que os medicamentos vão fazer as feridas pioraram antes de melhorar, esse é processo já o vimos antes – levantei-me da cama ao explicar. – Tudo vai ficar bem não se preocupe, temos que ser fortes e tentar transmitir isso aos nossos pais.
—E se não melhorar ? – perguntou olhando-se no espelho vendo a gravata em seu pescoço.
—Nós daremos um jeito, agora é melhor irmos se não vamos nos atrasar – peguei minha bolsa colocando sobre o ombro e a chamando com a mão.
Era a imagem que eu queria passar a eles, que estávamos bem e fortes para o que fosse acontecer, mesmo que no fim a gente desabasse, meu coração estava aflito, mas demonstrar era sinal de fraqueza, algo que aquela família não precisava de mais.

***


A X Factor Live Tour é uma pequena tour que ocorre após a conclusão de cada temporada do X Factor, onde os finalistas e outros competidores visitam diversas cidades por todo o Reino Unido e também a Irlanda apresentando as mesmas músicas do programa.
Tínhamos acabado mais uma semana de shows, estava torcendo por uma folga para poder voltar para casa, acabar com toda a saudade dos meus familiares e ter um tempo com , se ela ainda quisesse saber de mim já que a cada dia que se passava nossa amizade parecia estar por um fio conversávamos cada dia menos.
Ela tinha me enviado uma foto vestindo o uniforme do seu trabalho e totalmente distraído apenas respondi a foto com um “legal” quem responde uma foto dessa maneira?
Estava feliz que ela e a irmã tinham conseguido um emprego, era um grande passo para realizarem o sonhos de ambas que queriam ir para Stanford assim que estivessem formadas no colegial.
—Rapazes, preparamos o estúdio ao lado para que vocês possam conceder algumas entrevistas – disse o nosso assessor apontando para que a gente trocasse de estúdio. – Serão perguntas sobre o novo álbum da banda e liberei também para que perguntem sobre um pouco da sua vida pessoal fica a critério de vocês responder ou não na hora.
Todos nós apenas concordamos seguindo para a o outro estúdio continuando a nossa conversa, vimos um fundo em branco com o nome da banda e alguns bancos ficando três de nós na frente e dois atrás, sentei-me no banco detrás e ao meu lado se sentou, na frente na minha frente, ao centro e na outra ponta.
A primeira entrevistadora chegou e nos cumprimentou um por um timidamente, sentou-se na cadeira em nossa frente ajeitando seus papeis que provavelmente continha as perguntas que iria nos fazer.
—Olá rapazes, me chamo Emily Tyler sou jornalista da revista Vips Girls e tenho algumas perguntas para fazer a vocês sobre o novo álbum.
Dissemos em coro “Oi Emily” o que fez ela corar timidamente, nem se tivéssemos combinado sairia daquela forma, ela sorriu para nós enquanto o seu ajudante arrumava a câmera.
Enquanto não começamos foi gentil ao tagarelar com a mulher para cortar todo aquele clima de tensão que pairava sobre o ar, acabei me distraindo ao responder algumas mensagens de texto da minha mãe para contar que ainda não voltaria para casa tão cedo como imaginava e só fui me dar conta que estávamos prestes a começar quando a jornalista chamou minha atenção.
—Tudo bem ? – a jornalista disse suavemente atraindo a minha atenção me deixando sem graça, guardei o celular rapidamente sorrindo em sua direção.
—Oh, claro tudo bem – respondi respirando fundo fazendo rir balançando a cabeça. —Tudo pronto?
Assim que o câmera deu um sinal para começarmos, Emily apresentou-se e deixou que cada um de nós falássemos nossos nomes logo em seguida, explicou a origem da nossa banda antes de começar sua série de perguntas sobre a produção do nosso primeiro álbum, perguntou sobre a rotina de gravações, quem faziam as composições e se podíamos dizer algo em primeira mão o que infelizmente não pode acontecer se não cortariam os nossos rins, quando a entrevista foi chegando ao fim veio então as temidas perguntas.
—Sabemos que vocês são muito jovens – Emily então relevou a idade de cada um de nós. – E mesmo com essa pouca idade me parecem ser tão responsáveis e confiantes, como tem sido lidar com a fama?
—Tínhamos consciência que isso fazia parte do nosso sonho, estamos lidando com tranquilidade... – comecei a dizer olhando para os rapazes.
—Tudo bem que as vezes é estranho digitar seu nome no Google e ver seu rosto estampado em diversos sites, mas até agora está sendo incrível. – comentou contando o que fez depois de sermos eliminados do X Factor.
—Sabemos que não vai ser assim sempre um mar de rosas, mas temos que lidar com isso – deu de ombros completando .
—Com toda essa correria, vocês conseguem reservar um tempo para os relacionamentos? – Emily perguntou querendo saber da nossa vida amorosa.
—Acho que no momento isto não é muito bem o nosso foco – respondeu passando a mão entre os cabelos.
—Diga isso por você – rebateu fazendo com que todos o olhassem. – Nosso amigão aqui está comprometido. – agarrou-me pelos ombros o que fez com que eu arregalasse os olhos olhando para os demais.
—É nós dois estamos comprometidos um com o outro – zombei tentando levar na brincadeira. —É brincadeira dele.
—Sério? Você tem uma namorada ? É com ela que estava conversando antes de começarmos? – Emily questionou.
—Não – neguei com a cabeça.
—Sim – me contradisse o que me fez pisar em seu pé com força.
—Antes de começarmos eu estava apenas respondendo algumas mensagens da minha mãe – justifiquei-me lançando um olhar bravo para . —Nada demais.
—Quem mais de vocês também está namorando? – Emily me ignorou totalmente mudando o foco da sua pergunta para os outros rapazes.
E é obvio que os outros apenas confirmaram estar solteiros e as perguntas seguintes seguiram como “O que uma garota precisa ter para conquista-los?”, “O mais lhe chama a atenção em uma garota?”, “Mais velha ou mais nova?”.
—Para finalizar, gostaria de mandar algum recado para sua namorada?
A jornalista perguntou fazendo gargalhar ao meu lado.
—Eu mando beijos, porque somos amigos – mandou beijos para a minha “namorada”. —Não seja tímido !
Apenas sorri nervosamente mandando um beijo sem dizer absolutamente uma palavra a mais olhando para o como fosse mata-lo assim que ficássemos sozinhos.
Depois de se despedir e antes de entrar o próximo jornalista, emburrei que caiu do seu banco quase levando junto que estava sentado na sua frente.
—Eu estou namorando? Qual é o seu problema? – perguntei bravo cruzando os braços.
—Qual é cara? Agora a sabe que vocês estão juntos nem precisa gastar tempo com pedido de namoro – caiu na gargalhada fazendo os três olharem para ele.
—Tenho que concordar que foi uma boa tática – fez um hi-5 com .
—Não – discordou – Foi péssimo, ela vai achar que ele tem realmente uma namorada e a conheceu nesse meio tempo longe.
—Olha as chances de você ter acabado com o possível relacionamento do com a pode ser quase de cem por cento, ! – também foi sensato ficando do meu lado.
sentou-se no chão parando de rir, pensativo por alguns instantes.
—Eu realmente não tinha pensando nisso – disse passando a mão pelos cabelos ao levantar-se voltando a sentar do meu lado. —Foi mal cara! Agora que eu pensei melhor no que tinha feito.
—Ah jura que você não pensou? Eu nem reparei – revirei os olhos sem acreditar no que estava acontecendo e o pior de tudo, eu não poderia pedir ajuda a ninguém da produção, eles com certeza brigariam feio com por mentir desnecessariamente em uma entrevista. – E agora o que eu faço?
Nossa maquiadora entrou no estúdio junto com sua assistente para retocar a nossa maquiagem, Lou foi retocar a base de e sua assistente fez o mesmo comigo.
—Torce para que ela não veja essa matéria – disse mordendo os lábios e os demais negaram com a cabeça era impossível ela não ver.
—Impossível, assim que sair a Chelsea vai mostrar para ela – lembrou-se da irmã mais nova de .
—O que está pegando? – Lou perguntou curiosa para .
—Acabei de destruir um relacionamento – foi sincero. —Ou um possível, sei lá.
—E como você fez isso? – a assistente perguntou.
—Ele acabou de dizer nessa primeira entrevista que o tem uma namorada. – contou assim que Lou passou a maquiá-lo.
—E assim que a paixonite dele a ver, vai com certeza entender tudo errado – completou quando a assistente o maquiou antes de pois ele tinha ido ao banheiro.
—Você pode dizer que foi tudo apenas um mal entendido – Lou optou por uma solução. – Mas também depende de como a revista vai editar essa notícia.
—Ou seja, estou ferrado? – disse temendo o pior.
Lou sorriu sem graça pedindo licença antes de sair do estúdio dando espaço a outra equipe montar seu equipamento para mais uma entrevista.
Lancei um olhar bravo para que apenas sorriu sem graça voltando a sua atenção para o celular.


Continua...



Nota da autora: Qual será a reação da pp ao saber que o pp tem uma possível “namorada”? Não sei não, mas acho que esse amigo do pp acabou complicando as coisas para o lado do nosso queridinho! Ou pode ter sido um empurrão? O que vocês acham?



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Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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