Black & Diggory II

Última atualização: Agosto/2017

Prólogo


Flashback


Virou-se assustado, olhando em todas as direções;
- Fleur? – será que tinha encontrado com alguma das criaturas de Hagrid? – FLEUR? – gritou o mais alto que pode, dando meia volta e correndo para a direção que ele achava que o som viera.
Correu por mais ou menos dois minutos, mas não conseguia escutar mais nada.
Será que ela já estava bem?
Escutou um novo barulho quando se virou para uma nova trilha, a esquerda, e ao virar-se, com a varinha em punho, viu Vitor Krum parado, entrando no mesmo caminho que ele.
- Ah, é você... – suspirou aliviado, tornando a olhar para o outro lado. Será que Krum também escutara o grito de Fleur? – Escuta... – virou-se para o búlgaro, vendo-o erguer o braço com a varinha, apontando em sua direção. Diggory franziu o cenho, confuso. Que droga de brincadeira era aquela? – Que é que você está fazendo? – gritou indignado, era assim que Vitor queria vencer? – Que diabo você pensa que está fazendo? – perguntou novamente, vendo Krum caminhar em sua direção, o olhar fixo no lufo.
Cedrico deu um passo para trás, erguendo a varinha, mal acreditava que Krum estava mesmo pronto para ataca-lo.
- Crucio!
No instante seguinte Cedrico estava jogado ao chão, a varinha longe de suas mãos.
Se contorcia no gramado, sentindo o ar faltar em seus pulmões. Ouvia os próprios gritos saindo por sua garganta, desesperados. Os pensamentos agitados em sua cabeça não o deixavam pensar com clareza, mas a falta de ar em seus pulmões começou a deixa-lo tonto, enjoado.
- Cedrico! – ouviu uma voz ao fundo de sua mente gritar, e então a dor fora embora.
Se manteve parado, arfando, o corpo trêmulo. Não conseguiria colocar-se em pé naquele instante.
Seus pensamentos ainda agitados, dificultavam o entendimento da situação.
Alguém abaixara-se ao seu lado, chacoalhando-o pelos ombros.
- Cedrico! Está tudo bem? Consegue se levantar?
Aos poucos conseguiu focar o rosto de Harry Potter, olhando-o preocupado.
- Diggory?
- Está... Eu... – olhou para os lados confuso, ainda sentindo certa dificuldade para respirar. – Krum... Ele, se aproximou pelas minhas costas...
Potter olhou para um ponto logo a frente, voltando a virar-se para Diggory, levantou-se estendendo a mão para o colega.
- Você ouviu a Fleur gritar?
- Acha que ele a pegou também?
- Talvez... Vamos terminar a prova e sair desse lugar!
Cedrico concordou, aceitando a mão estendida como apoio, firmando os pés no chão e colocando-se em pé.
Potter virou-se, dando alguns passos para frente, após disparar faíscas vermelhas no local em que Vitor estava caído.
- O que você ach... Diggory?
Cedrico sentiu-se tonto, a cabeça girava e a falta de ar voltando a atingi-lo. Fechou os olhos, incapaz de mantê-los aberto e, tudo o que percebera no instante seguinte, fora à escuridão dominá-lo.

Flashback off.

Diggory abriu os olhos com certa dificuldade, a claridade o incomodando momentaneamente.
Passou a língua pelos lábios secos, olhou para o próprio corpo, estava sem camisa e parte de seu braço enfaixado. Ao virar a cabeça para os lados, aos poucos reconheceu a Ala Hospitalar, e, mais lentamente ainda, seu cérebro pareceu lembrar-lhe o que acontecera;
O Torneio Tribruxo acabara. Ele tinha perdido.
Sentiu a frustração e irritação dominar seu corpo, mas distraiu-se ao ouvir cochichos vindos de algum ponto ao lado.
Virou-se para a maca próxima a porta de saída, vendo várias pessoas no local, estava entre elas.
Parecia bem, embora mesmo com a distância, parecesse preocupada. Mantinha os braços cruzados e a cabeça levemente inclinada para o lado. Quase podia apostar que ela estava com o cenho franzido, enquanto escutava alguém falar.
Encarou-lhe por algum tempo, chateado.
Por que ela não estava ao seu lado?
Será que não se preocupava com ele?
Foi apenas quando Hermione Granger deu um passo para o lado, que Diggory viu quem estava naquela maca; Harry Potter.
Cedrico rolou os olhos, a raiva dominando-o.
Ele certamente ganhara o Torneio, e, obviamente, estava ali para parabeniza-lo.
Empolgada com a vitória de Potter.
Admirando-o por toda a sua coragem, enquanto Cedrico tinha desmaiado no meio da prova.
Brilhante.

Madame Pomfrey apareceu pouco depois, reclamando sobre o número de pessoas ao redor da cama de Potter. Diggory rolou os olhos, virando-se para o outro lado.
- Hey! – ouviu a voz da namorada, pouco depois, quando ela parou ao seu lado, sorridente. – Como se sente?
Meneou a cabeça, sem nada responder.
arqueou a sobrancelha, olhando-o por alguns instantes. Deu a volta na maca, ficando de frente para o lufo.
- Estávamos todos preocupados! Sua mãe não quis deixar a Escola até você acordar, mas Madame Pomfrey garantiu que você estava bem...
- Uhum...
A garota esticou o braço, tocando-lhe a mão, mas Diggory não aceitou.
Puxou a mão com certa rispidez.
- Qual é o problema agora? – perguntou nervosa, cruzando os braços.
- Vai lá comemorar com seu amigo, vai.
abriu a boca para respondê-lo, mas ao invés disso encarou-o por alguns instantes, antes de virar-se, pronta para deixa-lo sozinho.
- Veja só quem acordou! Espero que esteja bem disposto, ainda não tivemos nossa conversa! – Sirius apareceu sorrindo, piscando para Cedrico quando este o olhou, surpreso com sua presença. – Fiquei pensando se um duelo ainda é apropriado, ou vocês são modernos demais para essas coisas? Eu tive que duelar algumas vezes quando estava estudando... – comentou pensativo, o braço cruzado e a mão esquerda coçando a barba – Nunca com o pai de alguma namoradinha, mas dá no mesmo, não é verdade? – sorriu para os dois.
sentiu o rosto esquentar e olhou para o lado contrário de Cedrico. O garoto, por sua vez, manteve o contato visual com Sirius, embora não parecesse capaz de pensar em uma resposta. Sorriu nervoso para o homem.
- Como se sente? – perguntou finalmente, quando notou que os dois pareciam constrangidos. – Soube que foi muito bem no Torneio!
- Nem tanto assim, não é? Eu não ganhei... – deu um sorriso amarelo. Sirius abanou a mão no ar, sentando-se ao seu lado na cama.
- Mas foi o Campeão de Hogwarts, huh? E eu soube que você foi atacado pelo Krum durante a prova... – encarou-o por alguns instantes. – Quem sabe o que teria acontecido se ele não tivesse usado uma Maldição Imperdoável?
Diggory concordou, dando de ombros.
- Quem sabe... – respondeu em voz baixa.
Black sorriu para o rapaz, antes de levantar-se, bagunçando rapidamente os cabelos de Cedrico, apertando-lhe o ombro em seguida.
- Descanse bem, Diggory, não gostaria de tornar a ver minha filha chorando pelos cantos, preocupada com você...
- Pai!
- O que? Não era pra ele saber?
Cedrico olhou rapidamente pra garota, de braços cruzados, olhando séria para Sirius. Sentiu-se um pouco mais animado.
- De qualquer forma, preciso resolver algumas coisas para Dumbledore. Nos vemos em breve, Cedrico!
- Foi um prazer, senhor. – apertou-lhe a mão, firmemente.
Sirius sorriu de canto.
- Aperto de mão forte, vejo que não tem mais com o que se preocupar, . Seu namorado já está bem! Essa noite não vai precisar ficar acordada do lado dele!
abriu a boca, chocada. O rosto mais vermelho do que nunca.
- Eu te odeio! - sussurrou para o pai, vendo-o gargalhar, jogando os cabelos para trás.
- Não seja tão exagerada! – Sirius aproximou-se, abraçando-a apertado, sendo retribuído da mesma forma. – Eu também te amo. Nos vemos logo, ok?
- Mas...
- Eu prometo! – segurou-lhe nos ombros, encarando-a por alguns instantes, assumindo a pose séria – Preciso fazer o que Dumbledore me pediu. Mantemos contato! – beijou-lhe a bochecha. – Até mais, Diggory.
Acenou com a mão, escutando-o responde-lo. Viram Sirius passar novamente pela maca na qual Harry estava, despedindo-se rapidamente do afilhado, antes de tornar a se transformar no grande cachorro negro.
Cedrico coçou a sobrancelha, sem jeito, antes de olhar para a namorada, que permanecera com o olhar na porta.
- Então... Você ficou aqui a noite toda? – perguntou em tom baixo, tentando esconder o sorriso que crescia em seus lábios.
o olhou com a sobrancelha arqueada.
- Patético, Diggory. Patético!
Cedrico novamente deu de ombros, sorrindo sem jeito para a garota.
- Eu te amo, sabia?
balançou a cabeça e olhou para o lado oposto, tentando esconder, sem muito sucesso, um sorriso tímido. Notou quando a mão do lufo envolveu a sua, apertando-a gentilmente.
- Você é um completo idiota, Cedrico, – olhou-o séria por alguns instantes, antes de aproximar-se – mas eu te amo.
Sorriu para o namorado, antes de inclinar-se em sua direção, beijando-lhe nos lábios.


Capítulo 1

Diggory estava sentado no parapeito do corredor, olhando distraidamente para os jardins, nos quais os estudantes continuavam a conversar e se despedir dos visitantes, antes que estes fossem embora. A confusão na final do Torneio e o anúncio de Dumbledore de que Voldemort tinha retornado, não parecia importante naquele momento. Poucos alunos falavam a respeito, a maioria não parecia ter assimilado a importância daquela informação e outros tanto, talvez 90% dos estudantes, não estava realmente convencido.
Afinal, apenas Harry Potter tinha o visto, e Dumbledore só dizia que o Lorde das Trevas tinha retornado, por causa do garoto.
Mas e as provas?
Cedrico era um dos poucos que tinham acreditado na história, quando soube exatamente o que aconteceu. E, embora seu orgulho parecesse ter sofrido um grande golpe por ter perdido para Potter, Diggory conversou com o garoto, oferecendo algum apoio caso viesse a precisar de alguma coisa.
Se fosse sincero, parte do motivo de Cedrico acreditar de prontidão em tudo aquilo, era porque acreditava. Era porque Dumbledore acreditava. E o diretor já estava tomando as devidas precauções, embora Cedrico não soubesse exatamente quais, contara que ele dera ordem para alguns professores e para Sirius, de reunirem alguns amigos antigos e conversarem com outras tantas pessoas.
Dumbledore preparava-se para uma Guerra que o Ministério e o próprio Ministro, negaram a existência. Fudge achou ridícula a simples ideia de Voldemort ter retornado.
Era um absurdo, e por isso o Ministério decidiu abafar os comentários.

Assustou-se quando sentiu alguém apertar-lhe os ombros, virando-se de lado e vendo sorrir para ele, antes de pegar impulso para sentar-se ao seu lado, cruzando as pernas.
Permaneceram em silêncio por alguns instantes, olhando para o pessoal rindo nos gramados.
- O que foi? - perguntou ao perceber o sorriso contido que ela mantinha nos lábios.
deu de ombros, o sorriso crescendo aos poucos.
- Não vai me contar?
- Talvez… Dora me mandou uma carta pela manhã… Talvez meu pai passe alguns dias em casa com a gente… - encarou-o sorridente.
Cedrico piscou surpreso, sorrindo em seguida, vendo a animação da garota.
- Fantástico!
- Eu sei! - concordou com a cabeça, tornando a olhar para os colegas, o sorriso ainda presente em seu rosto.
Diggory permaneceu olhando-a por tempo indeterminado, sorrindo consigo mesmo. virou-se, arqueando a sobrancelha.
- O que foi?
- Gosto de te ver sorrindo. - deu de ombros, vendo-a ficar levemente constrangida. - Você fica realmente fofa quando fica vermelha, mas não é muito fácil te fazer ficar com vergonha…
- E esse é seu objetivo para hoje, Diggory? - questionou rindo fracamente, sentindo o rosto esquentar cada vez mais.
- Talvez, mas também tenho outra coisa em mente, sabe?
- Hm, e o que seria? - riu ao vê-lo aproximar-se, apoiando o braço na perna na garota, inclinando-se em sua direção.
- Vou deixar você descobrir sozinha dessa vez… - piscou antes de beijá-la.
Black riu baixinho contra os lábios do namorado, antes de passar os braços por seu pescoço, acariciando-lhe os cabelos.


Cedrico chegou em casa mais sorridente do que o normal, por duas razões simples:
Se despediu muito bem da namorada em um dos vagões do trem, antes de chegarem à Londres, para compensar os dias que não se veriam.
E, aquela fora a primeira vez que realmente aparatara! A sensação era horrível, mas ao mesmo tempo era ótimo poder finalmente fazer aquilo sem precisar de ajuda ou algo do tipo, sem precisar de vassouras, lareiras ou do nightbus.
Sem contar as vantagens de agora ser liberado para poder fazer aquilo. Poderia, por exemplo, aparatar na casa de a hora que quisesse! Óh, aquilo era fantástico!
Deixou seu malão no canto do quarto, antes de descer para jantar junto dos pais, só naquele momento notou o quão faminto estava.
Conversava com os pais enquanto comia, contando-lhes sobre o ano turbulento e tudo o mais que se lembrava. O casal deixava-o a par das novidades, que não eram muitas, dos meses que ele estivera na Escola.
- Ah, Ced, vamos viajar nessas férias! Seu pai conseguiu alguns dias de folga! - Rachel contou empolgada, olhando do marido para o filho.
Cedrico parou de mastigar, franzido o cenho.
- Viajar?
- Vamos visitar seu avós, estivemos com eles no Natal, mas como você estava em Hogwarts, prometemos que assim que retornasse das aulas iríamos para lá! – Amos respondeu enquanto colocava mais comida em seu prato.
- Estão morrendo de saudades, não paravam de perguntar sobre você, querido.
O rapaz tomou um gole de suco, pensando sobre o assunto. Até não era má ideia visitar os avós em Liverpool, mas aquilo significava que não poderia ver .
- Quanto tempo?
- Umas três ou quatro semanas, talvez um pouco mais…
- Eu provavelmente voltarei para o trabalho antes, mas vocês ficarão mais dias, seus tios e primos também estão indo!
- Será ótimo poder rever todo mundo!
- Você pode contar sobre o Torneio, filho!
Cedrico suspirou um tanto frustrado.
- O que foi, querido?
- Eu… Tinha planejado passar alguns dias com a
Amos abanou a mão, rindo levemente.
- Vocês poderão se ver quando voltarmos, garanto que ninguém vai morrer de saudades! Além do mais, já passam o ano todo juntos!
- Mas… Um mês? Não pode ser, sei lá… Umas duas semanas?
- Um mês passa tão rápido quanto duas semanas, vocês nem vão perceber!
- Talvez pra você… - reclamou baixo, apoiando o rosto na mão.
- Jovens, sempre tão dramáticos…
- Por que você não a convida, Ced? - Rachel questionou sorridente. - Tenho certeza que todos vão gostar de conhecê-la!
Cedrico sorriu com a ideia, ajeitando-se na cadeira, mas o sorriso logo se desfez, transformando-se em uma careta.
- Ela com certeza não vai.
- Como sabe? Se nem perguntou?
- Parece que Sirius vai ficar na casa dos Tonks por alguns dias, não vejo a menor possibilidade dela querer ficar longe de casa…
- Ah, mas isso vai ser muito bom para eles! - Rachel novamente sorriu, Cedrico a encarou - Ela não passa muito tempo com o pai, filho, vai ser bom para eles.
- E essa viagem vai ser boa pra vocês dois também, Ced. É sempre bom sentir um pouco de saudades de quem se ama, melhora a relação!
Cedrico encarou seu pai por alguns instantes, rolando os olhos e negando com a cabeça.

Semanas depois...

Diggory aproveitava as últimas horas que passaria com os primos no The Cavern Club, um pub inglês bastante popular na cidade, tanto para trouxas quanto para bruxos. Se você soubesse fazer o pedido certo. Os bruxos tinham um tipo de senha para acesso a outra parte do pub, longe dos olhos curiosos dos trouxas.
De fato, aquele mês realmente passou mais rápido do que o esperado, mas também não era verdade que ele quase não sentiria saudades da namorada. Na verdade, parecia uma eternidade desde que tinham se visto pela última vez;
Cedrico passara rapidamente na casa da namorada para se despedir, não tendo tempo de prolongar a despedida tanto quanto gostaria.
Tinham trocado algumas cartas durante aquelas semanas, mas Cedrico sempre tinha a impressão que a garota estava deixando de lhe contar alguma coisa, e ele esperava descobrir assim que a encontrasse. também não dera muitos detalhes sobre Sirius, embora tivesse dito que estava vendo-o com certa frequencia.
- Ora, se não é o concorrente número um do Cedrico, novamente aparecendo no jornal! - Brandon apareceu rindo, mostrando-lhes a edição do Profeta Diário.
Cedrico arqueou a sobrancelha, primeiro para o riso fácil do primo - visivelmente bêbado -, segundo pela brincadeira. Se arrependeu até o último fio de cabelo por ter comentado sobre a namorada ser tão próxima a Harry.
Cedrico então pegou o jornal, dando uma olhada na primeira página; Potter usara o feitiço do Patrono na frente de um trouxa.
Arqueou a sobrancelha, confuso. No fundo sabia que deveria ter algum motivo para o garoto ter feito aquilo, embora o jornal parecesse negar veementemente, e exigia que o Ministério tomasse uma atitude severa, já que Harry Potter, embora famoso, ainda era menor de idade. Era até irônico ver uma matéria no folhetim, falando mal do garoto, visto que apenas alguns meses atrás pareciam colocar Harry como um herói; o grande Campeão de Hogwarts.
Deixou o jornal de lado, tornando a prestar atenção na conversa dos primos enquanto tomava sua bebida. Sentia falta de passar tempo com eles, costumavam ser todos muito próximos quando mais novos, e achava que acabariam juntos em Hogwarts, mas Brandon e a gêmea, Bethany, acabaram na Escola de Bruxaria dos Estados Unidos, Ilvernorny, já que o marido de sua tia, irmã de sua mãe, era de lá. Os três sempre acabavam em pequenas discussões para decidir qual seria a melhor e, mesmo negando infinitamente, os gêmeos sabiam que Hogwarts era melhor, e até tinham uma pequena inveja de Cedrico por ter sido selecionado para a Escola.
- Então, quando vamos conhecer sua garota? - Brandon tornou a questionar, esticando-se em sua cadeira e olhando ao redor.
Diggory deu de ombros, um sorriso leve no rosto.
- Quando forem à Londres posso apresentar, vão gostar dela!


Londres…


A garota terminava de escovar os dentes, quando escutou a campainha tocando no andar de baixo. Sorriu sozinha, antes de sair do banheiro e descer as escadas, vendo Cedrico conversar com Andrômeda.
O rapaz virou-se para a escada, vendo-a descer os últimos degraus, o sorriso tomou seu rosto, assim como o dela, quando a garota andou em sua direção, abraçando-o apertado.
- Bom, acho melhor deixar vocês dois conversarem, não? Imagino que tenham muito para colocar em dia! - Andy disse antes de virar-se em direção a cozinha - Prometo que não conto para o Sirius! - piscou para o casal, rindo consigo mesma.
Cedrico passou a língua pelos lábios finos, olhando ao redor.
- Seu pai está aqui?
riu negando com a cabeça, antes de puxá-lo pela mão em direção ao seu quarto.
Assim que passaram pela porta do cômodo, Diggory a puxou para um novo abraço, muito mais apertado e demorado que o anterior, tentando de alguma forma, suprir o tempo que não a vira.
- Caramba, eu realmente senti sua falta! - sussurrou contra seu ouvido, vendo-a rir baixinho.
- Eu também, mais do que achei que sentiria! Quer dizer, um mês não é assim tanto tempo, não é? - afastou-se momentaneamente dele, olhando os olhos cinzas do namorado. Cedrico fez careta.
- Eu descobri que um mês é muito tempo!
- Mas aposto que você se divertiu com seus primos, não? - questionou sorrindo.
Diggory reparou que a garota parecia mais relaxada e animada do que se lembrava, e tinha um brilho diferente nos olhos, e também parecia incrivelmente mais linda para ele, talvez fosse o sorriso fácil em seus lábios.
Cedrico concordou com a cabeça, antes de colocar as mãos no rosto da namorada, olhando-a nos olhos por alguns instantes, movimentando os lábios para sussurrar um “senti sua falta”, em seguida curvou-se para beijá-la com toda a vontade que tinha guardado durante as últimas semanas.
Passaram incontáveis minutos aos beijos e abraços, até a garota o afastar lentamente, com os lábios vermelhos e o batimento alto, enquanto tentava normalizar a respiração.
Abriu os olhos, sorridente, vendo-o sorrir de volta, mordendo levemente o lábio inferior. Diggory suspirou, passando a mão pelos cabelos, antes de virar-se, sentando-se na cama da garota.
- Você não corta mais o cabelo? - questionou rindo, parando em frente ao namorado e passando os dedos pelos cabelos loiros dele, compridos o suficiente para jogá-los para trás. - Está querendo ficar igual meu pai, é?
Cedrico riu antes de passar os braços pela cintura dela, que permanecera em pé.
- Não, só não tive tempo de cortá-los ainda, resolvi ver minha garota antes, sabe? - piscou - Você, por outro lado, andou cortando esse cabelo loiro, não? Está bem mais curto do que da última vez que te vi! - comentou puxando uma das mechas loiras.
concordou balançando a cabeça, para que ele visse melhor o corte.
- Digamos que eu não sou muito á favor de passar calor, e está absurdamente quente esse verão!
Diggory concordou veementemente, antes de puxá-la para mais perto, aproveitando para beijá-la mais uma vez. Com seus braços ao redor da cintura de Black, Cedrico teve extrema facilidade para fazê-la sentar-se em seu colo, passando as pernas de cada lado de seu corpo. colocou os braços ao redor de seu pescoço, acariciando-lhe a nuca e puxando seus cabelos vez ou outra, enquanto se beijavam. Até ambos se empolgarem, e Cedrico acabar caindo de costas sobre o colchão, com a garota por cima, rindo da situação que se encontravam, embora o rapaz não parecesse se importar, descendo a mão pelas costas da garota, apertando-lhe a cintura.
- Chega, chega! Me conta sobre suas férias!
Cedrico fez careta ao ser afastado, demorando alguns segundos para normalizar a respiração, mas começou a contar-lhe sobre tudo o que acontecera naquelas semanas, dando alguns detalhes que ele não tinha contado nas cartas que trocaram. Contou algumas situações que passara com os primos, e o quanto os dois queriam conhecê-la e, entre uma história e outra, aproveitou para beijá-la sempre que tinha vontade.
- Mas e você? Não recebi muita coisa nas suas cartas, não é? Estava me escondendo alguma coisa, Black?
abriu a boca, uma falsa surpresa em seu rosto, e então voltou a sorrir animada.
Encostou-se na parede ao lado da cama, cruzando as pernas, enquanto começava a contar sobre as últimas semanas, vendo Cedrico deitado, apoiando o cotovelo na cama e a cabeça na mão;
- Bem, como eu não viajei não teve muitas novidades, não é? Fiquei em casa na maior parte do tempo… - deu de ombros, mas Diggory notou o sorriso permaneceu em seus lábios.
- E seu pai?
- Ele ficou aqui na primeira semana, mas começou a achar muito arriscado, principalmente porque aconteceu duas vezes de Aurores aparecerem aqui, sem avisar, por sorte não deu em nada…
- E…?
- O que?
- Você está sorrindo demais para quem passou só uma semana com seu pai, e tenho certeza que não é por minha causa que você está assim tão feliz...!
- Hey! É claro que eu fico feliz em te ver, seu bobo!
Cedrico sorriu, aproximando-se novamente para beijá-la, mas logo se afastou, aguardando a resposta da garota.
- Bem… Digamos que… - tornou a passar a mão pelos cabelos do rapaz.
- Que…?
- Digamos que… Eu tenha morado com meu pai nas últimas três semanas!
- O QUE? - questionou surpreso. - Como? Você acabou de dizer que…
- Eu seeeei! - concordou animada - Mas ele voltou pra casa da família, não é o melhor lugar do mundo, na verdade às vezes me lembra a sala do Snape… - contou com uma careta - Mas, bem, tenho meu próprio quarto e posso passar o tempo com ele!
- Isso é maravilhoso! - Cedrico sorriu para a namorada. - Como está sendo?
franziu o nariz, suspirando em seguida.
- Um pouco… Movimentado. Tem muita gente naquela casa, na maior parte do tempo Senhora Weasley quer nos fazer de Elfos… Eu não nasci pra tirar pó, Ced. Nem pra cozinhar! Você tem noção do quão ruim fica minha comida? Papai deixou tudo pro Bicuço e nem ele comeu! Bicuço come de tudo, Ced!
- Quer dizer que se eu tivesse a ideia de casarmos e que eu fosse depender de você na cozinha, eu iria morrer de fome? - Diggory perguntou com a sobrancelha arqueada, gargalhou quando a viu concordar. - Ainda bem que eu me viro bem! - piscou divertido, encostando-se na parede e passando um braço por seus ombros, puxando-a para seu lado. encostou a cabeça no no peito do rapaz, entrelaçando sua mão com a livre dele, brincando com seus dedos. - Mas me explica uma coisa, não entendi bem… Por quê você diz que tem tanta gente na casa? E por quê a mãe do Rony está lá?
- Ai Meu Deus! Eu não te contei! - virou-se agitada, batendo com a mão na testa - Merlin! Desculpa, se bem que… Não podia ter contado por cartas… - comentou pensativa. - Enfim… Papai ofereceu a casa para ser a sede da Ordem da Fênix!
- A Ordem do quê?


Capítulo 2

Diggory esperava, nem tão pacientemente, sentado no sofá, batucando os dedos no joelho. Olhava o relógio de cinco em cinco segundos, esperando que o tempo passasse muito mais rápido do que, de fato, estava passando.
Já era ruim o suficiente não ver a namorada sempre que queria, já que ela estava com o pai na sede da Ordem, e o lugar era secreto, então Cedrico não podia visitá-la. Não ainda. Mas ele conseguia entender essa parte e até lidou muito bem com tudo, pelo menos até duas semanas atrás, quando descobriu por uma carta dela que Harry Potter estava na sede.
No mesmo instante começou a questionar se não poderia passar no lugar, ou se ela não poderia ir até sua casa. O pior era que ele não a culpava por querer ficar em casa com Sirius, sabia o quanto a garota sentia falta do pai e, nem por um momento, reclamou por ela não querer deixar o lugar. Mas o problema era saber que Potter estava ao seu lado, vinte e quatro horas por dia.
Cedrico confiava na namorada, mas não tinha tanta certeza se confiava em Harry Potter, e sabia o quanto os dois eram próximos. Tentou por diversas vezes se distrair com qualquer coisa que não envolvesse os dois juntos na mesma casa, mas parecia que toda vez que começava a pensar em outra coisa, sua mente o fazia lembrar de Black e Potter.
Tinha uma mistura de sentimentos dentro de si; frustração, ciúmes, raiva e culpa.
Sentia-se culpado por imaginar algo que provavelmente estava acontecendo apenas em sua cabeça. Sentia-se culpado por imaginar que poderia corresponder aos sentimentos de Potter, os quais Diggory nem sabia se realmente existiam. Talvez eles só fossem bons amigos.
Talvez.
Ele realmente esperava que fossem.
Cedrico sabia que gostava dele tanto quanto ele gostava dela, mas tinha medo de descobrir como ela reagiria, se um dia Potter se declarasse.
Seria possível que ela o deixaria para ficar com Harry?
Era um ciúme quase irracional, mas simplesmente não conseguia evitar, por mais que tentasse.

A campainha finalmente tocou às 14h35, e o rapaz levantou com um pulo, andando até à porta, abrindo-a sorridente.
- Olá, Tonks!
A mulher estava com os cabelos azulados, compridos, presos em um rabo-de-cavalo alto, e vestia seu casaco habitual do trabalho, por cima das roupas normais.
- E aí, priminho? Ou eu deveria dizer cunhadinho? Não sei bem… Enfim…
Cedrico riu constrangido, antes de perguntar se a mulher não queria entrar, o que fora negado rapidamente.
- Na verdade estamos com um pouco de pressa, digamos que estou atrasada para uma reunião… - rolou os olhos.
Diggory concordou, apenas avisando sua mãe que estava saindo. Os dois seguiram lado-a-lado até o meio da calçada de entrada, quando Tonks segurou no braço de Cedrico, prontos para aparatarem.

O lufo ainda detestava aquela sensação, mas era algo tão rápido, que não dava muito tempo para pensar a respeito. Quando abriu os olhos, notou estar parado em frente a um pequeno parque, em uma rua residencial, cheia de trouxas. Atravessaram a rua e pararam na calçada, casas iguais estavam à frente, Diggory notou que a casa à esquerda tinha o número onze, e a esquerda o número treze.
Ninfadora colocou a mão no bolso do casaco, tirando um pequeno pedaço de pergaminho amassado, entregando-o para Cedrico.
- Leia rápidamente, é nossa senha! - piscou para o rapaz.

“A sede da Ordem da Fênix encontra-se no largo Grimmauld, número doze, Londres.”

Quase no mesmo instante, no qual Dora pegou de volta o bilhete, queimando-o, Cedrico viu uma nova construção começar a se materializar, entre as casas onze e treze. Abriu a boca um tanto surpreso com aquilo. não tinha dito que a Casa dos Black estava sob feitiços como aquele.
Os dois subiram os degraus de entrada, e Tonks abriu a porta, deixando-o entrar primeiro, seguiram por um corredor escuro e um tanto empoeirado.
- Molly ainda não fez o pessoal limpar essa parte - cochichou sorridente -, eles não param de reclamar que estão trabalhando mais que Elfo Doméstico!
Cedrico riu, lembrando-se das cartas que recebera da namorada, falando sobre isso.
- Finalmente, Ninfadora!
Diggory novamente foi surpreendido, vendo Olho-Tonto-Moody parado no canto da sala, próximo de Remo Lupin. Quando Severo Snape apareceu, vinda de um corredor lateral, Cedrico achou que tinha voltado para Hogwarts mais cedo. Parte dos professores estavam ali, incluindo, Minerva McGonagall, que conversava com um bruxo negro e careca, que parecia estranhamente familiar, mas Diggory não o reconhecia.
- Boa tarde, Diggory!
O lufo reparou que talvez fosse muito óbvia sua cara de surpresa, por isso logo tratou de arrumar a postura, virando-se para a professora, que fora quem o cumprimentara, atraindo também a atenção dos demais presentes na sala.
- Boa tarde, professora.
- Cedrico!? - Lupin parecia um tanto surpreso ao vê-lo.
- Ele veio ver a ! - Tonks avisou, Diggory sentiu o rosto esquentar quando Remo arqueou a sobrancelha, olhando-o sorridente, assim como Minerva.
- Diggory, é? - Moody o olhou de cima a baixo - Você já é maior de idade, não? Ouvi boas coisas a seu respeito.
- Hm… Obrigado. - agradeceu constrangido, ainda sendo analisado pelo ex-Auror.
- Quim Schacklebolt - o homem negro adiantou-se, esticando a mão -, prazer.
- Igualmente - Cedrico respondeu apertando-lhe a mão -, o senhor é um Auror também, não?
Quim concordou com um aceno.
- Soube que esteve muito bem no Torneio, no último ano…
- Bom, eu não ganhei… - deu de ombros, sem graça.
- Mas foi o Campeão de Hogwarts! - Minerva lembrou-o. - Cedrico é um aluno modelo na Escola, Monitor-Chefe, se não estou errada?
O rapaz concordou sorridente.
- Recebi a notícia ontem!
- Como é? Você virou Monitor-Chefe?
Diggory virou-se em tempo de ver e Hermione entrando na sala, vindas de outro cômodo.
- Alguém vai ter problemas… - Mione cantarolou rindo, olhando de soslaio para a amiga, antes de cumprimentar o rapaz.
- Eu não estou gostando dessas ameaças, Granger. - arqueou a sobrancelha, virando-se para Minerva, ao tempo que chegava ao lado do namorado - Estou começando a pensar que estão querendo me cercar, na esperança que eu pare de perder pontos pra Grifinória!
- O que não seria uma má ideia, não é mesmo? - McGonagall a olhou significativamente.
- Eu recupero no Quadribol, professora! - respondeu rindo, antes de abraçar o namorado.
Ouviram um pigarro, e ao olhar, Cedrico viu Sirius Black parado, de braços cruzados e o olhar preso no casal.
- Não é porque eu autorizei o relacionamento que eu aceito tanta demonstração de afeto, ainda mais embaixo do meu teto!
Diggory afastou-se da garota rapidamente, parecendo ligeiramente nervoso quando se adiantou para cumprimentar o homem, ouvindo uma risada ao fundo.
- Até parece, você fala mais dele do que a ! - Remo contou sorridente, fazendo o resto do pessoal olhar para Sirius surpreso.
Black abriu e fechou a boca, sem reação.
- Eu… Só disse que ele parece um bom aluno, ou não é verdade? - Virou-se para Minerva, que concordou segurando um sorriso.
Snape rolou os olhos, entediado.
- Muito bonito o momento, mas acredito que agora que Ninfadora chegou, podemos começar a reunião, não?
notou o olhar irritado que a prima direcionou ao mestre de poções, por tê-la chamado pelo nome de batismo.
- Falta o Arthur… - a mulher falou, ao notar que o Weasley mais velho não estava entre eles.
- Ele não virá, está no Ministério! - Quim avisou-a.
- Muito bem, muito bem, então vocês três podem ir subindo. - Moody apontou para as duas garotas e Cedrico, demorando o olhar no rapaz - Apesar de…
- Nem pensar. - Minerva negou com a cabeça, sabendo o que Alastor queria - Diggory é maior de idade, mas ainda está estudando.
- O que…? - o lufo questionou confuso, sem entender o que aquilo significava.
virou-se de um professor para outro.
- Vocês querem que Cedrico entre para Ordem? - questionou surpresa - Estou aqui fazem quase dois meses e ninguém me aceita, ele chegou fazem cinco minutos e já tem convite? Acho injusto!
- Ninguém vai entrar na Ordem, Black, principalmente alguém menor de idade e irresponsável como você! - Snape respondeu friamente.
No mesmo instante Sirius deu um passo à frente, pronto para começar uma discussão.
- Vamos começar, temos muito o que resolver. Além do mais, nenhum estudante vai entrar para Ordem! - Minerva interferiu, dando um passo em direção a Sirius, olhando séria dele para Snape. E então olhou para os três adolescentes - Vocês já podem subir.

Hermione abriu a porta do segundo quarto no corredor, entrando e sendo seguida pelo casal, Cedrico logo viu Harry, Rony, Gina e os gêmeos sentados em duas camas de solteiro que tinham ali, conversando. Os cinco pararam, virando-se para a entrada, percebendo que as duas garotas não estavam mais sozinhas.
- Olá, Cedrico. - Gina foi a primeira a dizer, seguida pelos quatro garotos.
- Oi, tudo bem? - perguntou simpático, acenando para todos.
Sentou-se ao lado de , na cama a esquerda, enquanto olhava ao redor.
O quarto era um tanto escuro, as paredes tinham sinais de infiltração e parte do papel de parede estava gasto, mas ao prestar mais atenção nos móveis, Diggory teve certeza que o quarto costumava ser bastante luxuoso; e foi então que Cedrico lembrou-se o quão importante era o nome Black, antes de toda a confusão com Sirius, e quão rica era a família.
Os Diggory tinham dinheiro, o sobrenome era importante, Eldritch Diggory, tataravô de Cedrico, chegou a ser Ministro da Magia e o primeiro a recrutar uma Comissão de Aurores na Inglaterra, também começara a questionar o uso de Azkaban como prisão, mas morreu ao pegar Varíola de Dragão, antes de chegar a alguma decisão sobre o local. Os Diggory tinham certo respeito na comunidade bruxa, mas Cedrico sabia que não era tão grande quanto o sobrenome Black, e nem tão ricos.
A Família Black era extremamente conhecida, respeitada e temida por muitos, se voltassem quase duas décadas, antes de Sirius ser preso em Azkaban, antes da Primeira Guerra Bruxa, os Black eram uma das principais famílias, junto aos Lestrange e Malfoy, principalmente porque as três famílias mantiveram uma aliança por muitos anos, casando-se entre si para manter a linhagem e o Sangue-Puro. Mas após Voldemort ser derrotado, parte desse prestígio foi perdido, os Black não chegaram a declarar que eram à favor do Lorde das Trevas, mas a maioria sabia que eles concordavam com muitas das ideias de Riddle; Os Black não aceitavam Sangues-Ruins, desprezavam os trouxas. E como Sirius e eram agora os últimos a carregarem o sobrenome Black, podia-se dizer que a família já não era importante como antes, embora ainda fosse um sobrenome imponente, Black agora só era ligado ao Comensal foragido, principalmente porque não eram todos que sabiam que era a filha de Sirius, a maioria não sabia o que tinha acontecido com a filha dos dois Comensais da Morte, seguidores de Voldemort.
Até descobrir sobre a garota, Cedrico achava que a criança tinha morrido quando os pais foram presos.
- Moody praticamente chamou Cedrico para a Ordem! - a garota contou para o pessoal no quarto, Diggory notou todos os olhares viraram-se em sua direção.
- Como é? Por que? - os gêmeos questionaram ao mesmo tempo.
- Porque ele é maior de idade e um exemplo de estudante! - deu de ombros, olhando de canto para o namorado, que fez careta.
- Mas nós já temos 17! - Jorge reclamou indignado.
- Não é só por isso, - Mione negou, atraindo a atenção de todos - Cedrico é maior de idade, bom aluno e ótimo em feitiços, não? Foi bem avaliado no Torneio!
cutucou-o na cintura, fazendo-o sorrir de lado.
- Cedrico pode entrar na Ordem e nós não? - Harry perguntou levemente irritado. - Desculpe, Diggory, mas… - o rapaz levantou-se, andando de um lado para o outro - Quer dizer, eles nem mesmo saberiam que Voldemort retornou se eu não tivesse dito, não é?
- Harry… - Hermione chamou, mas o amigo ignorou.
- Me deixaram no escuro o verão todo, e agora Cedrico entra na Ordem por ser maior de idade?
O lufo arqueou a sobrancelha, não gostando de como soou o que Potter dissera.
- Eu não vou entrar. Minerva disse que nenhum estudante vai. - avisou em tom rude.
- É, mas Moody ficou interessado, tenho certeza que vão te chamar quando terminar Hogwarts... - comentou pensativa, Cedrico a olhou curioso.
Sabia o que a Ordem da Fênix significava, sabia o que tinham feito durante a Primeira Guerra, sentiu-se extremamente feliz e orgulhoso de si mesmo, por Alastor Moody, um dos maiores Aurores que já existira, considerá-lo para o grupo. Porém agora, olhando para todos naquele quarto, achava que ninguém o considerava capaz de participar de algo como aquilo. E saber que a namorada parecia hesitante com aquela possibilidade, o fez sentir-se mal por saber que ela não o considerava bom o suficiente. Principalmente por saber que ela considerava Harry Potter uma ótima adição para a Ordem.
Naquele instante Cedrico começava a achar que não fora uma boa ideia ir até o local, talvez devesse ter ficado em sua casa.
Continuaram conversando sobre o assunto, passando para o possível motivo da reunião que acontecia no andar de baixo. notara que Cedrico estava extremamente quieto, não fazendo comentários sobre a conversa, e fora ainda mais evidente que tinha algo o incomodando, quando ele suspirou ao seu lado, parecendo impaciente.
- De qualquer forma, nem Dora nem papai estão dizendo muita coisa… - rolou os olhos, levantando-se - Se alguém tiver alguma ideia… - deixou subentendido que ela estava disponível para qualquer coisa que os ajudasse a descobrir o que acontecia. - Quer conhecer o resto da casa? - perguntou para Diggory, que a olhou após alguns segundos, concordando com um aceno e a seguindo para fora do quarto.
- Acho melhor você não conhecer o quarto dela, lembre-se que Sirius está no andar de baixo, Cedrico! - Fred gritou antes de fecharem a porta.
- E ele é um assassino louco e perigoso! - Jorge completou, rindo junto dos demais.

Ignorando a brincadeira dos gêmeos, o primeiro lugar que levou Cedrico foi para seu quarto, o último cômodo do lado esquerdo do corredor do segundo andar. Esperou o rapaz entrar para fechar a porta, andando até sua cama grande, sentando-se na mesma enquanto via o namorado olhando ao redor.
O quarto estava muito mais organizado do que o outro, lhe dissera que passara algumas tardes junto de Sirius o organizando, para deixá-lo um pouco mais seu.
Boa parte da decoração de seu quarto na casa dos Tonks foi transferido para lá; uma grande bandeira da Grifinória ocupava boa parte da parede lateral, na parede ao lado da porta tinha uma escrivaninha e um grande espelho, e ao redor várias fotos coladas. Cedrico reparou nas duas únicas com porta-retratos ali, ambas recentes; , Sirius e Dora estavam sentados no sofá da casa dos Tonks, com Andy e Ted em pé logo atrás, riam para a foto e, Cedrico notou, seguravam alguns copos provavelmente de cerveja ou alguma outra bebida.
Na outra foto, Diggory lembrava-se bem dela, sua mãe tirara no dia da terceira tarefa do Torneio, quando estavam juntos andando pelos terrenos de Hogwarts, Cedrico abraçava a namorada pela cintura, e ambos riam para a câmera.
Sorriu levemente ao lembrar do dia, e então suspirou, puxou a cadeira da escrivaninha, sentando-se na mesma e olhou para a garota. suspirou audivelmente, antes de cruzar as pernas;
- Não entendo, de verdade, Cedrico. Você disse que queria vir aqui, que estava com saudades e tudo o mais, e agora mal me olha na cara? - questionou com a voz baixa. Diggory travou a mandíbula, olhando para o chão escuro. - Eu posso pelo menos saber o motivo dessa vez?
- Não é como se eu quisesse ficar brigado com você…
- Mas é exatamente isso que você está fazendo agora, e eu nem sei o por que.
Cedrico levantou-se frustrado, cruzando os braços e andando de um lado para o outro no quarto.
- Pelo mesmo motivo do ano passado, você não confia em mim.
- O QUE? - perguntou incrédula. - Quando foi que eu não confiei em você?
Diggory sorriu triste, colocando as mãos na calça.
- Não quero dizer no sentido de traição, . - explicou chateado, vendo-a franzir o cenho confusa - Quero dizer que você nunca me acha capaz de fazer algo, quando sugeri colocar meu nome no Cálice ano passado, o tempo todo você ficava dizendo o quanto era perigoso e que eu poderia me machucar…
- Se eu não me engano, você acabou queimado em duas tarefas, e teve Krum te azarando com uma Maldição Imperdoável, não? - arqueou a sobrancelha.
Cedrico concordou com um aceno, fechando os olhos por poucos segundos. teve a impressão que o namorado parecia cansado, mas não soube dizer do quê.
- Eu, na verdade, não sei o que te dizer. - deu de ombros, olhando para baixo, estava sendo sincero, nem ele mesmo sabia o que o incomodava tanto, não sabia definir o misto de sentimentos e pensamentos que o ocupavam.
- Se você não me disser, não tenho como saber o que está acontecendo, Cedrico.
- Eu sei… É só… - o rapaz suspirou, passando a mão pelos cabelos - Você sabe o quanto eu gosto de você, , mas a sensação que eu tenho é que você não confia em mim, que você realmente não me acha capaz de fazer as coisas…
- Que coisas?
- A Ordem, por exemplo. Eu entendo seus amigos não me acharem capaz, mas você? - ele a encarou por alguns instantes.
Aos poucos a garota parecia entender ao que ele se referia, ao tempo que parecia tirar um peso de seus ombros e a angústia do peito. Nem mesmo notou o quão aflita estava com aquela conversa, até sentir um alívio passar por seu corpo.
- É esse o problema? - ela negou com a cabeça, não podendo deixar de sorrir.
- Você acha pouco? - cruzou os braços impaciente.
- Não acho que você não seja capaz de fazer as coisas, Diggory. Tanto que foi o Campeão de Hogwarts, huh? - sorriu levantando-se e andando até ele - Só me preocupo com você, é diferente. Não quer dizer que não te ache corajoso ou que você não se sairia bem. Mas, por alguma razão, você só quer participar de coisas perigosas, primeiro o Tribruxo, agora esse súbito interesse na Ordem…
- Você pareceu bem chateada por Olho-Tonto ter sugerido isso.
- Mas é óbvio! - reclamou impaciente, batendo o pé no chão de forma mimada - Sabe o tempo que eu estou tentando descobrir alguma coisa? Sabe o número de vezes que eu já perguntei ao meu pai o que está acontecendo e não tive resposta? E você chegou e no mesmo instante Moody já quer te recrutar? Não é por ser você, Ced, eu teria a mesma reação se fosse outra pessoa.
Diggory passou a língua pelos lábios finos, pensando sobre o assunto.
- Você parece aceitar muito bem se chamarem Harry para a Ordem.
- Porque se o Raio puder participar, quer dizer que eu também posso! Temos a mesma idade e estamos na mesma sala. Não tem muita coisa que ele saiba fazer que eu não saiba, sem contar que, noventa por cento das vezes que ele fez alguma besteira, eu estava junto. - deu de ombros, explicando seu ponto de vista - Papai é o responsável legal por Harry, então se ele deixar Potter entrar na Ordem, não existe razão para eu não entrar!
- Então por que eu tenho a sensação que você sempre está de acordo com Harry participar de qualquer coisa mais arriscada, mas quando eu digo que quero fazer algo diferente você reclama?
tornou a negar com a cabeça, um sorriso leve nos lábios.
- Você não saber o número de vezes que eu e Harry brigamos por essas coisas, não quer dizer que não aconteça, Cedrico. Potter é meu melhor amigo, me preocupo com ele assim como com você. Mas ele não é meu namorado, então não adianta eu ameaçá-lo…
Diggory encarou-a por alguns instantes, olhando para o lado enquanto aproximava-se dele.
- Meio que me ofende você continuar achando que eu gosto mais do Potter, ou que eu não confio em você ou na sua capacidade.
- Eu sei… - ele concordou, frustrado consigo mesmo e sua confusão de sentimentos e ciúme.
- E só para constar, sobre o fato de Moody ter ficado interessado em te chamar para a Ordem, me deixa bem orgulhosa, porque mostra que você é realmente um ótimo bruxo, Diggory, mas também sei o quanto é perigoso... E é por isso que eu não gostei cem por cento dessa ideia, não porque você não seria um bom membro, ou porque eu ache que Harry é melhor do que você!
- Eu só… - Cedrico virou-se para a namorada, passando os braços por sua cintura - Não é como se eu conseguisse evitar, sabe? Eu tento, de verdade, mas não consigo não pensar em vocês dois… Você sabe… E eu sei o quanto isso é irritante, eu confio em você , mas…
- Diggory, se eu quisesse namorar Harry Potter eu já teria te dito isso faz tempo. - falou séria, encarando os olhos cinzas do rapaz - Não me importa o que as pessoas dizem dele, ou de você. Harry é meu melhor amigo e você meu namorado, e eu vejo uma grande diferença nisso. E o fato de estar mais próxima dele, porque somos da mesma Casa, ou porque ele está aqui, não muda o que eu sinto por você. Consegue entender isso?
O lufo suspirou, concordando com a cabeça.
- Desculpa…
- Não precisa me pedir desculpas, Diggory, só lembra disso na próxima vez, ok?
Cedrico sorriu acenando com a cabeça.
- Vou me esforçar - piscou divertido, puxando-a pela cintura -, mas eu estava reparando… Estamos sozinhos, e eu ainda nem te beijei…
- Você é meio lento mesmo, não é? - a garota comentou envolvendo o pescoço dele com os braços, Cedrico gargalhou antes de encostar os lábios nos dela, beijando-a enquanto pressionava seu corpo contra o da namorada.

Assim que a reunião terminou e os membros da Ordem se dispersaram, a maioria deixando a casa, Black saiu da cozinha, espreguiçando-se no caminho até a sala, estranhando ao notar o silêncio que prevalecia no lugar. Ao prestar um pouco mais de atenção, percebeu que não era apenas na sala, mas na casa inteira que estava aquele silêncio, suspeito demais para o número de pessoas que estavam ali.
Subiu as escadas para o segundo andar, podendo ouvir alguns cochichos vindos do quarto no qual Harry dividia com Rony, bateu na porta antes de entrar, vendo os Weasley, Mione e o afilhado o olharem no mesmo instante.
- Já acabou a reunião?
- Como foi?
- O que decidiram?
- O que está acontecendo?
Black negou com a cabeça, divertido com a reação das crianças.
- Molly provavelmente me mataria se eu contasse e… - Sirius contou rapidamente o número de pessoas no lugar, dando por falta de duas. - Cadê…?
- Eu disse que não era uma boa ideia o Cedrico conhecer o quarto da … - Fred comentou em voz alta, negando com a cabeça, viu Sirius olhá-lo assustado antes de deixar o cômodo.
Black saiu dando passos largos pelo corredor, até chegar ao quarto da filha, abrindo à porta de supetão.
- BLACK!? O que é isso??


Capítulo 3

A garota arqueou a sobrancelha, inclinando levemente a cabeça para o lado, passando a língua pelos lábios, enquanto tentava entender o drama do pai, que continuava parado na entrada de seu quarto, com o rosto vermelho e a respiração falha, olhando dela para Cedrico, aguardando uma explicação.
Cedrico olhou surpreso para o homem, e então olhou para o lado, vendo a namorada parecendo tão confusa quanto ele próprio. Tornou a olhar para Sirius, notando quando o mesmo respirou fundo, acalmando-se levemente.
- Do que, diabos, você está falando, pai? - a garota perguntou finalmente.
Sirius pigarreou baixo, sentindo o desespero aos poucos esvair-se, ao notar que, na verdade não tinha razão para preocupações. Olhou atentamente para os dois por alguns instantes, apenas para certificar-se de que não estavam tentando enganá-lo de alguma forma.
Mas Diggory estava bem longe de sua filha, sentando na ponta da cama, com as pernas compridas esticadas, e com o que parecia ser uma foto em mãos, enquanto sua filha, uma criança inocente que talvez nem mesmo devesse ter um namorado, estava com as pernas cruzadas, no meio da cama, com um livro aberto à sua frente. Não tinham rostos vermelhos, respirações falhas ou roupas amarrotadas, definitivamente, um bom sinal.
- Hm… Bem… - Sirius sentiu-se ligeiramente constrangido, sendo analisado pela filha, que manteve os braços cruzados o tempo todo, encarando-o desconfiada - Fred disse que… E vocês estavam com a porta fechada… - explicou-se, colocando uma mão no bolso na calça, enquanto passava a outra pelos cabelos compridos. Demorou alguns segundos para entenderem ao que ele se referia, mas no instante seguinte Diggory ficou vermelho, gaguejando algo que fora difícil de compreender, mas Black poderia afirmar que ele queria dizer um eu nunca faria nada, senhor.
, também ficou vermelha, mas por outro motivo. Levantou-se andando até o mais velho, puxando-o pela mão e fechando a porta para que Cedrico não os ouvisse.
- Eu não acredito no que você estava insinuando. Você… Por Merlim. Como é que… - falava nervosa, sem conseguir concluir as frases. A respiração acelerada, enquanto passava a mão pelos cabelos loiros - Pai… Como… Por…
- Não foi bem minha culpa… - avisou, embora não a olhasse - Quer dizer, o que eu deveria esperar? Vocês dois sozinhos, a porta fechada… Fred disse… Bem, não importa.
- Eu esperava mais de você, pai. - a garota falou séria, parando de andar em círculos e o encarando finalmente. - E achei que você esperasse mais de mim. Confiasse mais em mim.
Sirius suspirou, concordando com um aceno.
- Essa coisa de ser pai de adolescente é muito complicada, sabe? - admitiu com um sorriso pequeno. - Não sei muito bem como reagir a certas coisas… Era mais fácil cuidar de você quando era um bebezinho, quando mal sabia engatinhar, e mesmo assim não me dava um segundo de sossego, mexendo em tudo o que alcançava… - relembrou com pesar - Agora você já é uma garota crescida, com um namorado - fez careta -, um namorado maior de idade, vale lembrar. Não é que eu não confie em você, mas tem certas coisas que acontecem que ninguém me ensinou como devo reagir… Ainda mais depois de ter passado tantos anos longe, não te conheço tão bem quanto antes… É difícil aprender sozinho, sabe?
baixou a cabeça, suspirando antes de voltar a encarar o homem.
- É estranho ter toda essa preocupação, sabe? Principalmente quando você demonstra o tempo todo. Andy não era assim, ela simplesmente confiava que eu agiria bem, e caso não acontecesse ela me deixava de castigo mais tarde, mas nunca ficou falando muita coisa como você tem feito… - encolheu os ombros, sorrindo de lado - Não sei se já me acostumei direito com essa ideia de pai presente, principalmente um ciumento
Sirius riu baixinho, puxando-a para um abraço apertado.
- Também não estou acostumado com minha filha namorando, mas vamos tentar resolver isso, ok? Vou tentar me controlar melhor quando ver vocês dois juntos, mas agradeceria se não ficassem sozinhos com a porta fechada. Eu já tive dezessete anos e sei exatamente como é. O meu medo é que Diggory seja parecido com o que eu era...
- Eu realmente não preciso ter esse tipo de imagem na minha cabeça, sabe? - reclamou ainda abraçada com o homem, afastando-se momentaneamente apenas para encará-lo - Prefiro manter sua imagem de pai conservada!


O restante das semanas passaram com mais rapidez do que esperavam, principalmente com Sra. Weasley os forçando a continuarem a limpar a casa, de forma a torná-la mais habitável.
- Não sei pra que, a gente vai voltar pra Hogwarts, Sirius não vai se incomodar de ter alguns cômodos bagunçados… - os gêmeos reclamavam vez ou outra, assim como o restante.
As reuniões da Ordem continuavam sendo secretas, embora um detalhe ou outro tivesse escapado depois que Sirius contara que Voldemort buscava uma arma secreta. As teorias eram várias, mas ninguém estava perto de descobrir qual seria essa arma.
Não tiveram nada realmente importante acontecendo desde a audiência de Potter no Ministério, o que era um tanto entediante para os Weasley e Hermione, mas Harry e não reclamavam, na verdade estavam adorando poder passar todos aqueles dias com Sirius, que sempre contava alguma história sobre os tempos dos Marotos em Hogwarts, Luin normalmente precisava interromper as narrativas, visto que eram sempre muito mais exageradas do que ele se lembrava.
Faltando poucos dias para voltarem à Escola, e a casa novamente se tornar um tanto solitária, Sirius foi, aos poucos, isolando-se do restante, passando bastante tempo com Bicuço. Fato que não passou despercebido pela filha, que sempre que conseguia escapar da limpeza, subia para o quarto e sentava-se no chão sujo de penas, ao lado do pai, enquanto viam o hipogrifo limpar as próprias asas. Nessas horas eles não conversavam muito, apenas ficavam sentados lado-a-lado, sorrindo sempre que Bicuço fazia algum barulho inusitado.
O pior momento na opinião dos Black e Potter foi no dia no embarque na plataforma. Sirius deveria ficar em casa, enquanto os outros iriam com Olho-Tonto, Dora e mais alguns, e, após uma despedida com muitos abraços e algumas lágrimas, quando já estavam saindo do Largo Grimmauld, um grande cachorro preto começou a seguí-los, querendo passar mais alguns instantes com os dois. E, ao atravessarem o portal da plataforma 9 ¾, Almofadinhas ficou sobre as patas traseiras, abraçando-os antes que os dois embarcassem, atraindo a atenção de alguns estudantes, entre eles Draco Malfoy, que olhara desconfiado para o cachorro, antes de embarcar junto com o pessoal da Sonserina.
Cedrico apareceu após despedir-se dos pais, andando até o grupo e passando a mão na cabeça do cachorro, que lambeu sua mão esquerda.
Assim que todos embarcaram e o trem partiu, o cachorro e o pequeno grupo de escolta, desaparataram.


Diggory passou um bom tempo na cabine de e seus amigos, conversando amigavelmente com Potter, inclusive jogando uma partida de snap explosivo com ele, e xadrez bruxo com Rony, perdendo de lavada, o que não foi surpresa para ninguém, já que todos perdiam para o ruivo no jogo. Horas depois despediu-se deles, e foi para a cabine dos amigos conversar, antes de juntar-se com o restante dos monitores (incluindo Granger, Weasley e, para surpresa dos três, Malfoy), tirando algumas dúvidas e ensinando-lhes como agir com os outros alunos. Entre a confusão de ajudar Hagrid a separar os alunos do primeiro ano, e confirmar que todos os outros alunos pegaram carruagens, Diggory não tornou a ver a namorada, só encontrando-a com o olhar rapidamente na mesa da Grifinória, durante o jantar de boas-vindas. A menina conversava empolgada com alguns colegas da Casa, enquanto esperavam o discurso de Dumbledore.
Cedrico parecia que não comia há dias, embora fizessem apenas algumas horas desde que comera alguns pedaços de bolo que comprara com a bruxa do carrinho, sentia um buraco em seu estômago, e começou a tamborilar os dedos da mesa, esperando a comida que não vinha. Seu desespero só aumentou quando percebeu que o discurso de Dumbledore não seria curto, muito pelo contrário. E, para surpresa de todos, a nova professora interrompeu o discurso do diretor, começando um monólogo chato que começou a dar-lhe sono, embora, no final, ele tivesse entendido ao que a mulher se referia, e não gostou nem um pouco do que ela dissera.
Não sabia dizer o quanto de poder ela teria na Escola, mas se fosse maior do que de McGonagall, o ano seria difícil.


Capítulo 4

Cedrico tinha terminado sua ronda, antes de seguir com sua mochila para a biblioteca, pronto para colocar algumas matérias em dia e estudar para seu NIEM’s. Tinha apenas uma semana que as aulas tinham retornado, mas já era incrivelmente exaustivo o número de matérias acumuladas, principalmente em Poções e Transfigurações.
Suspirou frustrado ao não encontrar Black em nenhuma das mesas de estudo, e logo juntou-se aos amigos, mais ao fundo, retirando os livros grossos e pesados, enquanto puxava alguns rolos de pergaminhos, tinteiro e pena.
Sempre que ouvia um barulho na porta, olhava na direção, esperando ver a namorada entrar a qualquer momento. Apenas confirmou no relógio em seu pulso que as aulas da garota já tinham terminado há uns bons quarenta minutos, mas nem sinal dela. Não tinham, realmente, combinado de se encontrarem para estudarem, mas Cedrico tinha esperanças que acontecesse, embora parte de si achasse bom ela não estar ali. Era difícil para ele se concentrar nos estudos quando a loira estava ao seu lado, mas notou que também era complicado prestar atenção em todas as suas anotações, quando não a via.
Tinha dois dias que não conseguiam conversar direito, Diggory estava mais atarefado do que o normal com suas tarefas de Monitor, agora que foi promovido, e a quantidade de estudos não facilitava nenhum dos lados; tinha começado a se preparar, mais cedo do que gostava, para seus NOM’s no final do ano. E nenhum dos dois teve tempo de sequer pensar no Quadribol, embora o lufo já devesse estar se preocupando com a nova temporada.
- Cedrico, se você não fizer a lição eu não consigo copiar, sabia? - Emmett sussurrou para o amigo, vendo-o rolar os olhos no instante seguinte.
- Talvez você devesse fazer hoje, e eu copiar, apenas para variar.
- Não queremos diminuir suas boas notas, não é? - riu baixo enquanto Diggory negou com a cabeça, suspirando antes de voltar sua concentração para o pergaminho a sua frente.

esticou-se na cadeira, estralando os dedos após deixar a pena ao lado do pergaminho.
- Por Merlin, eu não aguento mais escrever, meus dedos doem! - reclamou antes de prender os cabelos que soltaram-se de seu coque preso com lápis.
- Poderíamos estar lá fora, aproveitando que ainda não é inverno! - Rony concordou frustrado, olhando pela janela da torre para os gramados verdes.
- Podem ir, mas quando vocês reprovarem em seus exames, não digam que eu não avisei! - Hermione murmurou, antes de voltar a prestar atenção em suas anotações.
- Alguém aqui sabe mesmo como motivar os amigos, ein? - sorriu irônica, levantando-se pouco depois.
- Não é como se funcionasse com você, é? - a amiga respondeu no mesmo tom, olhando-a rapidamente.
- Relaxa, Mione, só vou esticar as pernas um pouco. E eu já terminei o resumo de Adivinhação e a lição de Feitiços. Aproveito para ver se Harry ainda está com a cara de sapo, faz mais de duas horas que ele saiu, e eu ainda não jantei! - terminou, antes de retirar-se, podendo escutar o ruivo reclamar por também estar com fome, embora tivesse jantado mais cedo.
Black desceu as escadas até o Salão Principal, encontrando poucas pessoas jantando, não localizou nem Cedrico na mesa da Lufa-Lufa, nem Harry junto com os amigos da Grifinória, mas aproveitou para pegar um pedaço de torta de rins, ovos e bacon para comer.
- Acho que você tem estudado muito, porque isso é café-da-manhã, não jantar, Tonks! - Simas riu apontando com a cabeça para o prato da colega.
- Tão engraçado esse rapaz! - negou com a cabeça, mastigando um pouco de bacon - Vocês viram o Potter? - perguntou entre uma garfada e outra. Simas rolou os olhos, Neville e Dino negaram. - Você sabe que é bem ridículo acreditar no Profeta ao invés de acreditar em Harry e Dumbledore, não é? - comentou em voz baixa com o colega ao seu lado, tomando um gole de suco antes de virar-se para o mesmo. - Quantas vezes Potter estava errado sobre alguma coisa, e quantas ele já enfrentou Voldemort? Pense um pouco nisso antes de ficar contra ele, Simas. - terminou antes de levantar-se, não finalizando sua refeição enquanto deixava o Salão, olhava para baixo enquanto andava, esbarrando em alguém ao passar pela porta.
- Harry?!
- Hm, oi. - o rapaz respondeu, rapidamente colocando as mãos dentro dos bolsos, ato que não passou despercebido pela loira, a qual arqueou a sobrancelha por alguns instantes, antes de tornar a conversar.
- Estava indo te procurar. Como foi?
- Nada demais… - deu de ombros, entrando no Salão Principal, junto com - Ela me fez repetir uma frase várias vezes…
- Qual frase? - perguntou no tempo em que os dois sentaram lado a lado na mesa da Grifinória, um tanto afastados de Simas.
- Não devo contar mentiras. - sorriu de lado, esticando a mão esquerda para pegar um pouco de suco de abóbora.
Sam o olhou por alguns instantes, enquanto o colega se servia do jantar e, ao notar que ele não diria muito mais a respeito, suspirou mexendo nos cabelos, agora soltos, e sentando mais despojadamente no banco.
- Você sabe que a Angelina é a nova Capitã, certo? - perguntou retoricamente, vendo-o concordar com a cabeça. - Ela vai começar as inscrições para goleiro. - explicou olhando em volta, suspirando enquanto encarava alguns colegas que ainda jantavam. - Vamos ser massacrados, não vamos?
- Por que diz isso? - Harry perguntou com um meio sorriso, antes de levar um pedaço de bacon à boca.
- Porque é a verdade. Ninguém é tão bom quanto Wood, e, soube por fontes confiáveis que no caso sou eu mesma, - contou rindo - que McLaggen vai tentar ocupar a posição.
- E ele não é bom? Ele sempre fala que é maravilhoso no Quadribol…
- Se ele fosse tão bom já estaria no time, não concorda? Ele não entrou nem como reserva. Olivio deveria saber que ele não é tudo aquilo, espero que Angelina não cometa o erro de aceitá-lo.
Potter riu, com gosto. Não admitia isso com frequência, mas gostava quando reclamava de alguém com ele, fofocava. Principalmente porque lhe permitia pensar em outros assuntos, e esquecer momentaneamente os problemas, como naquele momento.
passou a língua pelos lábios, ao notar o amigo rir tanto.
- Gosto de ouvir sua risada, sabia? - comentou displicente, tornando a olhar para frente, pegando uma maçã do cesto, Harry sentiu as bochechas esquentarem - Fazia tempo que não te via rindo. Eu sei que tem motivos, mas… Tente relaxar mais, está mais estressado que a Mione com os NOM’s. - virou-se para olhá-lo rapidamente, sorrindo de lado - Aliás, falando em NOM’s, como eu sou muito legal, deixo você copiar minha lição. Só não deixe a Granger ver. - piscou antes de levantar-se, mordendo a maçã vermelha que pegara. - Nos vemos no Salão Comunal, Potter. - disse passando a mão pelos cabelos curtos e arrepiados do rapaz, antes de andar para a saída.

Cedrico voltava junto com os colegas do sétimo ano para o Castelo quando viu a namorada subindo as escadas.
- Hey! - chamou mais alto, subindo alguns degraus para poder alcançá-la. Black virou-se pouco antes do lufo a encontrar no meio do segundo lance.
- Olhá só quem apareceu! - sorriu para o rapaz, que parou dois degraus abaixo. - Fui te procurar na biblioteca, mas já estava fechada… Achei que estivesse no seu Salão Comunal…
- Tive aula de Astronomia, - ergueu o braço direito, mostrando o livro que carregava. - mas e você? Não te vi o dia inteiro…
- Pois é senhor Monitor Chefe, agora que você está com mais este cargo fica difícil mesmo. - arqueou a sobrancelha, encostando-se de braços cruzados no corrimão. - Mas na verdade eu passei as horas vagas estudando. Acredita nisso?
Cedrico riu baixo, concordando com a cabeça, apontando para a maçã que a garota segurava. - Você vai terminar isso? Estou com fome. - fez cara de sofrido, vendo-a estender a fruta pouco depois. - Já vai dormir? - perguntou enquanto mastigava.
- Não, ainda não terminei meu trabalho de DCAT. - olhou para o lado por um instante, para ter certeza que ninguém se aproximava. - O que achou da cara de sapo?
Diggory arqueou a sobrancelha, antes de sentar-se no degrau do lado oposto, encostando-se na parede e esticando as pernas, deixando seu livro de astronomia no degrau de cima.
- Achei ok. Não tivemos muitas novidades, ela chegou na sala fez um discurso sobre os outros professores, falou sobre o Ministério e passou alguns textos para lermos. - deu de ombros. - Você pelo visto já está de implicância, não?
Black abriu a boca indignada.
- Não estou de implicância. A mulher é louca. Não vai nos deixar treinar os feitiços, disse que é desnecessário sabermos nos defender e, - sorriu irônica - nos tirou cinquenta pontos.
- O que você fez? - questionou terminando sua maçã. Conhecia a namorada bem o suficiente para saber que ela era bem capaz de perder até duzentos pontos para a Grifinória.
- Nada. - rolou os olhos, logo fazendo menção de sentar-se, de forma que Diggory puxou as pernas, dando-lhe espaço - Dessa vez não fui eu. Mas Harry começou a falar sobre a última tarefa do Torneio, sobre Voldemort, e bem, você pode imaginar, não é?
Cedrico suspirou, concordando com a cabeça.
- Potter também não perde uma chance de arrumar problemas. Poderia simplesmente ter ignorado tudo.
o encarou por longos segundos.
- Você está mesmo defendendo aquela mulher? Não foi você quem me disse que esse ano seria mais difícil com ela aqui?
- Eu não estou defendendo ninguém! - negou com a cabeça - Estou dizendo que ele poderia ter evitado. Só isso.
- Você evitaria se estivessem te chamando de mentiroso? Eu sei que eu não evitaria. Poderia perder quinhentos pontos.
- Tenho certeza que sim. - riu baixo, notando que a namorada ainda parecia incomodada - Potter não está errado em tentar se defender, mas ele pode evitar alguns dos problemas não é? Por exemplo, se ele tivesse se mantido em silêncio não teria ficado de castigo.
franziu o cenho por alguns instantes.
- Como sabe que ele estava de castigo?
- Precisei entregar alguns trabalhos na sala da Umbridge, ele estava lá quando entrei. - passou a mão pelos cabelos - Será que podemos mudar o assunto agora? Realmente não queria ficar falando sobre essas coisas no único momento que estamos juntos.
- Tudo bem… - concordou suspirando, sabia que se mantivessem a conversa acabariam brigando, e era a última coisa que ela queria naquele momento. - Quer falar sobre o que? Diggory sorriu de lado.
- Na verdade, não estou realmente interessado em conversar nesse instante.
Viu a loira o olhar chocada, embora um sorriso tomasse os cantos de seus lábios, o que só aumentou quando o lufo aproximou-se o suficiente para encostarem os lábios.

Com um mês que as aulas tinham retornado, a única novidade era o número de decretos criados por Dolores, que tinha sido nomeada Alta Inquisidora pelo Ministro, o que significava que a mulher tinha liberdade para fazer o que quisesse em Hogwarts, principalmente aterrorizar os alunos. As aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas continuavam tão ruins quanto na primeira semana, e agora Umbridge também estava encarregada de avaliar os outros professores, podendo demitir quem quisesse, se achasse necessário.
O mais impressionante em tudo aquilo era o número de pais que concordavam com aquelas atitudes do Ministério, interferindo na educação em Hogwarts.
- Edwiges?! - Potter sorriu ao ver a ave branca aproximando-se, na hora do Correio Coruja. Estava há mais de uma semana esperando uma resposta de Sirius.
terminava de ler a carta enviada pelos Tonks, quando notou sua coruja parada na mesa, com um pedaço de pergaminho amarrado em sua pata. Acariciou-lhe as penas por alguns instantes, após desamarrar a carta, e logo os dois pássaros tornaram a voar para fora do Salão, em direção ao Corujal.
- E então? - Mione perguntou em voz baixa para os dois, após notar que já tinham terminado de ler suas correspondências. - Alguma novidade sobre a Ordem?
- Aparentemente as coisas não vão bem, o que não é uma novidade. - suspirou, guardando o bilhete no bolso da capa. - Mas é melhor conversarmos sobre isso depois. - olhou por sobre o ombro, vendo à professora próxima a mesa.

No sábado, enquanto voltavam mais animados para o Salão Comunal depois de terem passado o dia estudando, mas embaixo de uma árvore próxima ao Lago Negro, ao invés de ser na Torre da Grifinória, como de costume, ou na biblioteca, o trio encontrou com Potter, já sentado em uma das poltronas próximas à lareira, enquanto lia o livro recomendado para o trabalho de História da Magia.
- Faz tempo que você voltou? Podia ter ido encontrar conosco! - Rony falou ao jogar-se no sofá, deixando os livros espalhados de qualquer jeito no chão.
- Não muito. - respondeu dando de ombros, enquanto Mione sentava-se ao lado do ruivo, e ao chão, próxima à lareira, aquecendo-se um pouco.
O inverno ainda não tinha chego, mas já começava a esfriar e, após passar às duas últimas horas no vento gelado, era bom estar em um lugar quente para variar.
- Como foi com a Umbridge? - Hermione questionou, retirando o casaco que usava.
- Ok, nada fora do normal. - tornou a responder, ainda olhando para o livro em mãos.
- O que aconteceu com a sua mão? - falou de repente, encarando a mão direita do amigo, que parecia ter uma cicatriz grande.
- Nada. - apressou-se a dizer, mostrando a mão esquerda.
Black arqueou a sobrancelha, um sorriso irônico nos lábios, antes de aproximar-se, puxando a mão direita de Potter, o qual sentiu o coração parar por um instante, enquanto continuava segurando sua mão junto da dela.
Demorou alguns segundos para a garota entender o que era, a expressão concentrada em seu rosto fez Harry respirar fundo, tornando a negar com a cabeça quando o encarou finalmente.
- Não foi nada, sério.
- Nada? - foi Mione que começou, também olhando para a mão do colega e entendendo rapidamente o que acontecia. - Você tem fazer queixa, contar para Dumbledore.
- Não, Hermione. Você não entende.
- A mulher está te torturando, Harry! - Rony concordou, mas Harry os ignorou, deixando o livro de lado e levantando-se. - Se seus pais soubessem disso…
- Mas eu não tenho pais, tenho Rony? - falou por sobre o ombro, fechando as mãos em punho.
- Não, não tem. - concordou, levantando-se devagar. - Mas não quer dizer que a mulher pode fazer o que quiser e você aceitar.
- Não estou aceitando nada.
- Desculpe, mas se você não quer falar sobre isso nem para os seus amigos, imagino que Umbridge alcançou o objetivo dela de te deixar isolado. Ou você acha que todas as provocações nas aulas, para te fazer parecer um louco, são sem querer? - cruzou os braços, encarando-o significativamente por alguns instantes. - Se você é ingênuo a esse ponto, sinto muito, mas eu não sou.
- está certa, Harry. Precisamos fazer alguma coisa. É muito simples.
- Não tem nada de simples nisso, Mione. - respondeu frustrado, passando a mão pelos cabelos curtos, virando-se para a janela, notando a chuva que começava a cair do lado de fora.
- Então me explique.
- Não é preciso, - continuou, soando fria a cada palavra, porque sabia o quanto irritava ao outro quando ela fazia isso, mas era sempre um bom jeito de fazê-lo agir de maneira correta. Embora correta, talvez não fosse a melhor das palavras. - Harry está querendo provar algo. Que não é um garotinho assustado que precisa de Dumbledore ou de qualquer pessoa para resolver seus problemas. Ou talvez ele só não esteja acostumado a ser ignorado pelo diretor. Ou por ninguém, quer dizer, é o Menino que Sobreviveu, não? - terminou irônica.
Potter virou-se com raiva, os punhos fechados, e a mandíbula travada.
- O que foi? Estou errada? Ou estou cem por cento certa? - sorriu de lado, irritando-o ainda mais.
- Você não sabe o que está dizendo.
- Talvez, mas me parece muito simples; você quer resolver tudo sozinho, porque se Dumbledore não quer faltar com você, então ninguém pode te ajudar, não é? - colocou as mãos nos bolsos, parecendo extremamente casual, como se conversassem sobre a próxima partida de Quadribol. - Não sei se você se lembra Potter, mas boa parte das vezes que você teve algum problema, um de nós, ou os três, estávamos juntos de você.
- Não é nada disso… - negou com um aceno rápido.
- Vocês ouviram isso? - Rony perguntou de repente, atraindo a atenção dos três amigos. - O que…? - virou-se para a lareira.
- Pai? - exclamou surpresa, aproximando-se apressada.
- Eu… Esqueci de avisar, - Harry suspirou - recebi um bilhete hoje… - deu um sorriso sem graça.
- Olá! - a voz rouca de Sirius preencheu a sala vazia, os quatro aproximaram-se ainda mais, após certificar-se que ninguém estava à vista. - O que está acontecendo?
- Umbridge. - Potter falou rapidamente, não dando chance de ninguém contar sobre a pequena discussão de poucos minutos - Não nos deixa usar as varinhas em aula, e já está mandando tanto quanto Dumbledore.
- Era de se imaginar… - Black suspirou - Achamos que Fudge não os quer treinados em combate…
- Em combate? - Rony perguntou confuso.
- O que eles acham que está acontecendo nessa Escola? Que estamos juntando um exército, ou…
- Exatamente. - Sirius concordou com a filha - Ele está cada dia mais louco, está achando que Dumbledore está criando um exército para invadirem o Ministério.
- Quando a gente acha que vai ter um pouco de paz… - Weasley suspirou, jogando-se novamente contra o sofá.
- E quanto a Ordem? - Harry questionou ansioso.
Sirius demorou alguns instantes para responder.
- Os outros não querem que eu diga isso à vocês, mas… As coisas não vão nada bem… - respirou fundo, concluindo sua frase em seguida - Voldemort está ficando cada vez mais poderoso, e juntando seguidores mais rápido do que conseguimos.
- Pai, você acha que Fudge ou Umbridge podem estar trabalhando com ele? Ou talvez sob algum feitiço?
- Pouco provável… Cornélio está com medo de perder seu cargo como Ministro, e Dolores… Bem, ela não é muito agradável…
- O que faremos? - Weasley foi o primeiro a se manifestar, após algum tempo de silêncio.
- Bem… Voc… - o homem parou de falar abruptamente - Vem vindo alguém. Sinto muito, mas, por hora, pelo menos, parece que vocês estão sozinhos nessa.

Assim que Sirius sumiu os quatro espalharam-se pela sala, com os pensamentos a mil enquanto tentavam, de alguma forma, arrumar alguma solução para tudo aquilo.
- Umbridge quase nos faz esquecer de todos os problemas, não é? - comentou, prendendo os cabelos. - Quer dizer, quem se lembra do mundo lá fora, quando temos a cara de sapo bem aqui?
- De qualquer forma, - Hermione começou - temos que ser práticos. Não temos como ajudar nas coisas da Ordem, mas podemos fazer algo para resolver o problema mais próximo; Umbridge não está nos deixando usar magia, e não está nos ajudando a passar nos NOM’s. E se ela não quer nos ensinar, precisamos de outro professor.
- O que quer dizer? - os três perguntaram confusos.
- Precisamos de alguém que nos ajude a aprender a nos defendermos por conta própria, se o Ministério não que admitir o retorno de Você-Sabe-Quem, bem, não podemos sair ameaçando todos para que acreditem em Harry, mas podemos tomar conta de nós mesmos.
- Eu ainda não entendi… - o ruivo começou, levantando-se do sofá e aproximando-se dos outros três que estavam em pé, próximos a janela.
Granger respirou fundo, fechando os olhos por alguns instantes, antes de virar-se para Potter;
- Precisamos de alguém que já tenha experiência em batalhas, precisamos estar prontos.
- Você está dizendo o que eu acho que você está dizendo? - perguntou surpresa, quando Mione concordou com a cabeça, a garota sorriu - Eu adorei a ideia!
- Que ideia? - os dois perguntaram.
- Precisamos que você nos ensine, Harry.
- Vocês… Precisam… Que eu o quê?

Cedrico bateu na porta de carvalho, e pouco depois pode escutar os saltos batendo contra o chão, até que à porta se abriu e Dolores Umbridge sorriu para ele, parecendo quase fofa.
- Diggory, obrigada por vir, entre, por favor. - deu espaço para o lufo, que ajeitou a alça da mochila em seu ombro, antes de sentar-se na cadeira que a mulher indicava.
- Algum problema, professora? - questionou quando a mesma sentou-se finalmente, enquanto lhe oferecia uma xícara de chá.
- Não, exatamente… - sorriu para o aluno, colocando cinco colheres de açúcar em seu próprio chá. - Como Alta Inquisidora, é meu dever me preocupar com a educação e o bem estar de todos os alunos de Hogwarts, como você sabe, - sorriu novamente, antes de tomar um gole do líquido claro em sua xícara de porcelana - estou ainda em um período de avaliação dos seus outros professores. - Diggory concordou, mantendo a expressão neutra. - Mas também me preocupo com alguns alunos, os que eu vejo que tem potencial, como você, Cedrico.
- Potencial?
- Oras, não se faça de rogado, querido. Você é Monitor Chefe, um aluno modelo, o melhor em seu ano, Capitão do time de Quadribol, um dos Campeões da Escola no Torneio do ano passado… - encarou-o, esperando alguma reação, a qual não veio.
Diggory era cauteloso, não faria qualquer comentário sem ter certeza do que se tratava aquele chamado.
- É óbvio que você tem potencial para ser um grande bruxo, Diggory. Seu pai é um ótimo funcionário do Ministério, e, eu estava conversando com o Ministro há poucos dias sobre isso, você tem chances de ser ainda melhor do que seu pai. Talvez chegar até mesmo ao cargo de Ministro em alguns anos, como seu tataravô. Imagino que você esteja almejando um cargo no Ministério, não é?
- Hm… Bem… Quando eu terminar os estudos, talvez…
- O que você pretende, querido? - sorriu, encorajando-o.
- Talvez… O setor de Cooperação Internacional… - respondeu um tanto sem graça, sentindo seu rosto esquentar.
- Ora, ora, já consigo te ver como chefe do setor! - juntou as mãos, olhando para algum ponto da parede com uma expressão exageradamente feliz. - Por isso acho importante termos esta conversa, Cedrico. Eu quero te ajudar a conseguir o que você deseja no futuro.
- Hm… Obrigado, eu acho… - deu um pequeno sorriso, embora soubesse que a mulher não falava isso apenas por querer ser legal. Era tão óbvio que Dolores queria algo em troca, que Cedrico sentia-se até ofendido por ela achar que poderia enganá-lo daquela forma.
- Mas, para isso, você precisa ter um currículo impecável, o que você certamente já tem, e, alguém que te indique. Você sabe, indicação hoje em dia é tudo.
- É claro…
- Por isso, estive pensando… - novamente o sorriso exagerado, Cedrico manteve uma expressão educadamente curiosa. - Eu preciso de alunos como você ao meu lado, Diggory, para mantermos a ordem e voltarmos aos bons costumes que tanto prestigiam o nome de Hogwarts.
- Entendo…
- Eu acho que você seria uma ótima pessoa, é popular e influente. As pessoas escutam as suas ordens, você se sairia muito bem e, é claro, eu deixaria Fudge muito bem informado da sua colaboração.
Cedrico concordou com um aceno, olhando para as próprias mãos, enquanto escutava a mulher pigarrear antes de terminar sua frase;
- Só tem um pequeno problema, é claro. – deu uma risadinha fina.
Diggory a olhou, agora genuinamente curioso.
- Sua namorada.
- ? O que tem de errado nela? - questionou nervoso.
Dolores sorriu, levantando-se de sua cadeira estofada e dando a volta em sua mesa, puxando a cadeira ao lado de Cedrico, e sentando-se, encarando-o.
- Você sabe tão bem, ou até mesmo melhor do que eu, Cedrico. Sua namorada é bem… Problemática, para dizermos o mínimo.
Diggory permaneceu em silêncio, mais por não acreditar no que estava ouvindo, do que por não ter uma reação apropriada para o momento.
- Ela está sempre perdendo pontos para a Grifinória, as notas dela não são as melhores… está sempre no local errado com as pessoas erradas.
- A senhora quer dizer Harry Potter? - perguntou descrente. - O problema com a é ela ser amiga de Potter?
Umbridge respirou fundo, permanecendo com o sorriso, que no momento Cedrico queria poder arrancar de seu rosto, antes de negar com a cabeça.
- Não é apenas o Potter. Você deve saber… Imagino… Sobre a família dela…? O motivo de ela morar com os Tonks?
Cedrico concordou com um aceno, mantendo os dentes cerrados e a mandíbula travada.
- Pois bem, você não vai querer sujar seu futuro por causa de uma namoradinha da Escola, não é?


Capítulo 5

Diggory saiu da sala de Umbridge e seguiu direto para seu dormitório, ignorando por completo
a ronda que deveria fazer, antes de terminar suas obrigações como Monitor Chefe aquela noite. Tomou um banho rápido e colocou sua calça de pijama, deitando-se pouco depois. Não quis conversar com os colegas de quarto, e nem se importou em fingir prestar atenção no que diziam, simplesmente não se importava.
Sua cabeça parecia pesada com o tanto de coisas que a enchiam, nunca imaginou que algum de seus professores pudesse se incomodar com seu relacionamento com .
Era óbvio que ele tentava passar o maior tempo possível com a garota, mas isso não atrapalhava suas obrigações como Monitor, nem como capitão do time de Quadribol, e claramente não atrapalhava suas notas, nem as dela. As notas da garota tinham aumentado consideravelmente nos últimos dois anos, e era justamente por estudarem juntos que isso acontecia; McGonagall tinha comentado sobre isso não tinha nem uma semana, a professora de Transfiguração o elogio por ter conseguido fazer a aluna realmente prestar atenção nas aulas, e se dedicar aos estudos, os trabalhos dela só não eram melhores que os de Hermione.
E Diggory nunca deixou suas notas baixarem, sempre manteve a mesma média alta, continuava sendo o melhor aluno de seu ano e nada tinha mudado.
Mas aquilo não parecia suficiente para Dolores Umbridge.
O que a mulher tinha sugerido era absurdo;
Cedrico não poderia terminar com a namorada, não poderia e não queria.
Não fazia o menor sentido em sua cabeça.
Obviamente ele desejava ter um bom emprego quando saísse de Hogwarts, ainda não tinha se esquecido do que tinha dito para pouco antes da terceira prova do Torneio Tribruxo, quando estavam sozinhos no corredor, depois de passarem algum tempo de amassos.
Ele falava sério, realmente tinha intenção de trabalhar e ter dinheiro suficiente para quando se casassem, não que realmente estivessem pensando no assunto no momento, mas era algo para o futuro.
Diggory não imaginava como seria ter outra garota em sua vida, porque tinha a melhor de todas e era extremamente apaixonado por ela.
Não era possível que não conseguiria um emprego, um bom emprego no Ministério, por namorar a filha de Sirius Black. Ele era o melhor aluno de Hogwarts desde seu primeiro dia na Escola!
Umbridge não deveria estar falando sério, provavelmente só quis assustá-lo.
Mas aquilo levantava outro ponto; Por qu toda essa raiva de ?
Não era possível que fosse apenas por ela ser filha de Sirius, ninguém do Ministério sabia que os dois conversavam, ou que ela tinha passado o verão na companhia do pai. Para todos os efeitos ela tinha passado as férias com os Tonks e continuava sem qualquer contato com Sirius, imaginando que ele era um assassino foragido de Azkaban.
Seria possível que tudo aquilo era por a garota ser amiga de Potter?
Diggory sabia que Harry continuava sendo impertinente durante as aulas, e continuava a ficar em detenção, mas aquilo era Potter, não .
Até onde sabia, a namorada ainda não tinha aprontado nada contra a professora, embora não gostasse dela, assim como boa parte dos alunos.
Então qual era a razão para tudo aquilo?
E, principalmente, quais eram as chances da mulher estar falando sério sobre sua relação com Black afetar seu futuro fora da Escola?

Cedrico esperava encostado em uma pilastra, enquanto os alunos começavam a sair da sala de Snape, não demorando a visualizar a loira de cabelos presos em um rabo-de-cavalo, sair acompanhada dos três amigos. Andou apressadamente até a namorada, escutando parte da conversa, na qual Granger reclamava com a amiga;
- Cinquenta pontos, você perdeu cinquenta pontos em uma única aula!
- E como isso foi minha culpa? - arqueou a sobrancelha. - Se Malfoy não tivesse começado…
- Não importa, você sabia que Snape iria tirar pontos e continuou a briga!
- Tudo bem, recupero no Quadribol, relaxa!
- Esse é o problema, vocês poderiam conseguir mais pontos, não recuperar os que perderam! E nem sabem se vão ganhar! Nem goleiro à Grifinória tem!
- Mas ainda temos Harry e eu mesma, o que já significa vitória! - deu de ombros, convencida.
Cedrico riu baixo, atraindo a atenção do quarteto. - Hey!
- Olá, - acenou com a cabeça para os outros três - será que podemos conversar antes da sua próxima aula?
- Mas é claro! - sorriu, esperando enquanto os amigos se afastaram, Hermione virou-se falando mais alto.
- Não se atrase, ou Umbridge vai acabar tirando mais pontos!
- Tá, tá! - ergueu a mão, fazendo pouco caso.
- O que aconteceu com Snape? - Diggory questionou após dar um rápido beijo na namorada, e ambos seguirem pelo corredor.
- Briguei com Draco, e só eu perdi pontos. Achei errado!
- E por que vocês brigaram? - questionou entrelaçando suas mãos.
- Porque ele é um babaca - respirou fundo, baixando o tom de voz, parecendo um tanto alterada ao relatar -, e porque ele estava insinuando coisas sobre meu pai.
Cedrico arqueou a sobrancelha, olhando assustado para a garota.
- Que coisas?
- Eu acho que Draco o reconheceu na estação, quando fomos embarcar.
- Mas para isso ele teria que saber que Sirius é um Animago, quais as chances?
- Não sei, mas não gostei do tom que ele usou. - negou com a cabeça, apertando levemente a mão que segurava a de Cedrico.
O lufo negou com a cabeça, parando de andar e puxando a outra para olhá-lo.
- Não se preocupe, não tem chances do Draco saber de nada, ele provavelmente só estava querendo te irritar, e conseguiu, não? Até pontos você perdeu… Cinquenta! - afinou a voz, tentando soar igual Hermione, fazendo-a rir levemente.
- Enfim - abanou a mão no ar, querendo mudar de assunto -, o que aconteceu? Você não deveria estar na biblioteca, ou algo assim?
- Quadribol, na verdade - deu de ombros, precisava mesmo começar a preparar seu time, se quisesse ter chances de vencer o jogo contra Corvinal -, mas precisava conversar com você antes… Quer dizer, - se enrolou, passando a mão livre pelos cabelos - eu precisava tirar uma dúvida.
- Pode falar. - disse curiosa, parando no final das escadas e o olhando.
- Você… - olhou para os lados, certificando-se que estavam sozinhos - Como está sua situação com a Umbridge?
Black franziu o cenho, estranhando a pergunta, dando de ombros em seguida.
- Eu a detesto, mas até o momento nada de novo. Não perdi pontos, se é o que você quer dizer, até o momento só fiz isso com Snape! - sorriu, quase orgulhosa de seu bom desempenho. Cedrico riu de leve, negando com a cabeça. - Por que?
- Eu só… Queria ter certeza. - passou a língua pelos lábios, tornando a sorrir de lado - Umbridge me parece mais severa que Snape, é melhor você tomar cuidado nas aulas dela.
apenas confirmou com a cabeça, não parecendo se importar muito com o aviso, e então voltaram a andar, um pouco mais apressados, pois ela já estava quase atrasada para sua próxima aula.
- Te vejo na hora do almoço? - perguntou antes de subir o último lance de escadas, separando-se do lufo.
- Com certeza! - sorriu para ela, beijando-lhe os lábios um pouco mais demoradamente, antes dela se afastar e subir correndo, esperando chegar à sala antes da professora.
Diggory sorriu de lado, antes de respirar fundo e olhar o relógio, andando para o Salão Principal, que estava parcialmente vazio, e puxar um pergaminho em branco de sua mochila, começando a elaborar táticas para sua equipe.

O restante da semana correu sem fortes emoções, embora Diggory tivesse notado que, sempre que Umbridge passava por ele, fosse durante as aulas ou pelos corredores, a mulher sorrisse sugestiva, quase como se quisesse lembrar-lhe da conversa que tiveram.
Cedrico tinha pesquisado os horários da professora, e evitava andar com quando sabia que ela estaria por perto, na verdade, com o passar dos dias, a garota foi notando que cada vez menos andavam juntos pelos corredores, e só se encontravam na biblioteca para estudar, ou em alguma sala vazia depois do horário das aulas. Até o momento não tinha visto nada demais naquilo, por não achar que era algo intencional, mas mudou completamente de atitude em uma tarde, quando estavam juntos e, ao ver Umbridge se aproximando, Cedrico se afastou apressado, soltando sua mão e dando bons passos para trás.
A professora passou pelo casal, sorrindo para o lufo e olhando de cima a baixo para a garota, que arqueou a sobrancelha e continuou a encarar-lhe, não parecendo minimamente abalada.
- Menos cinco pontos para a Grifinória. - a mulher disse sorrindo, anotando algo em sua prancheta e começando a se afastar.
Diggory respirou fundo e fechou os olhos, sabendo o que viria a seguir.
- Desculpe, o que foi que a senhora disse?
- Menos cinco pontos para a Grifinória. - repetiu pausadamente, sorrindo.
Black sorriu de lado, concordando com um aceno.
- Eu poderia saber o motivo? Pelo que me consta, não estou fazendo nada contra as regras.
- Seu uniforme está desalinhado! - avisou, apontando para a gravata solta da aluna.
a olhou incrédula, mas Dolores apenas virou-se e continuou seguindo seu caminho, ralhando com alguns alunos mais a frente.
- Isso não pode ser sério. - reclamou enquanto a mulher se afastava, Cedrico a encarou por alguns instantes, negando com a cabeça.
- Eu avisei que você deveria ter cuidado… - começou, mas ficou em silêncio ao notar o olhar que a namorada lhe lançou.
- Você está dizendo que a culpa foi minha?
- Não, eu só…
- É por isso que você não quer mais andar comigo? - cruzou os braços, falando irritada.
- O que…? Eu não…
- Eu já percebi, Cedrico. Você não quer ser visto em público comigo, é isso?
- É claro que não, , não diga bobagens. - negou com a cabeça.
- Então me explica, por que você se afastou quando a cara de sapo chegou? E por que você só pode encontrar comigo à noite, quando não tem ninguém por perto?
- Não sei do que você está falando. - negou com a cabeça, olhando para o lado.
esperou alguns segundos, mas ao notar que ele não iria dizer mais nada, descruzou os braços, dando-lhe as costas e seguindo na direção contrária.
- … Espera! Eu não… - parou de falar quando a garota virou o corredor, sumindo de sua vista. - Droga! - baixou a cabeça, suspirando.

Black não falou com Cedrico no resto da tarde, e não apareceu para jantar à noite, de forma que o lufo não conseguiu se explicar com ela. Pensando bem, talvez até tivesse sido bom, nem mesmo sabia como se explicar. O que ele poderia dizer?
Era óbvio que ele estava a evitando, não porque não gostava de andar com ela, por Merlin, era a melhor hora do seu dia quando estava com a namorada! Mas achou que se Umbridge não os visse juntos o tempo todo, talvez a professora não tivesse motivos para implicar com a garota. Cedrico só não queria que ela perdesse pontos, ou acabasse em detenção por sua causa, embora continuasse sem entender o motivo do interesse da professora em seu relacionamento.
No sábado, Cedrico tentou falar com a namorada durante o café, mas ela não estava no Salão quando ele chegou, e precisou se apressar, pois tinha reservado o Campo de Quadribol para treinar durante a manhã, e seu time já o esperava.
Passou quase duas horas conversando com o grupo, explicando as novas táticas que tinha bolado e motivando os jogadores como podia, aceitando sugestões sempre que alguém tinha uma nova ideia.
Quando finalmente subiram em suas vassouras, Cedrico passou um bom tempo sobrevoando o Campo, vendo a forma que estavam jogando, e como estavam aderindo às novas estratégias. Sorrindo animado com o que estava vendo durante aquelas horas. Se treinassem com empenho, teriam grandes chances de vencer o jogo contra a Corvinal, embora o outro time fosse forte.

estava sentada entre Harry e Rony, enquanto escutavam Hermione falar para o grupo de alunos que tinha aparecido no Cabeça de Javali.
- É verdade que você sabe conjurar um Patrono Corpóreo? - uma das garotas perguntou, o que gerou uma rodada de perguntas sobre as habilidades de Harry.
- No terceiro ano ele afastou mais de cem Dementadores, eu vi! - contou, vendo as caras surpresas dos colegas, Harry a olhou, sorrindo agradecido.
Mas Potter levantou-se, negando com a cabeça e dando sua versão sobre alguns casos, e negando quando a amiga disse que ele estava sendo modesto.
- E é por isso que estamos aqui, precisamos que alguém nos ajude a nos defender, a nos proteger de… Voldemort! - Hermione disse respirando fundo. - Precisamos que você nos ensine, Harry.
Assim que a reunião terminou, e o grupo assinou seus nomes no pergaminho encantado por Granger, o quarteto foi voltando para Hogwarts, sem muito ânimo de continuarem em Hogsmeade, especialmente porque começava a esfriar.
- Eu ainda não entendi uma coisa, - Mione começou, chamando a atenção dos amigos, mas virou-se diretamente para - por quê Cedrico não veio?
Harry rolou os olhos, dando uns passos à frente e acompanhando Rony, conversando sobre qualquer outro assunto que não fosse Diggory.
Não que não gostasse do lufo, apenas… Bem, ele realmente não gostava de Cedrico, apenas o aturava em respeito à amiga.
- Porque eu não contei. - deu de ombros, olhando para frente e escondendo as mãos nos bolsos do casaco. Respirou fundo quando notou que a amiga continuava esperando uma resposta mais completa - Brigamos ontem antes que eu pudesse avisar, e bem, se depender de mim não vou contar tão cedo.
- E qual foi o motivo? - questionou diminuindo o passo, assim como a loira.
- Lembra o que eu falei, sobre Umbridge me descontar pontos por causa da minha gravata? - a outra concordou com um aceno - Cedrico, meio que insinuou que era minha culpa. E não foi a primeira vez, ele vive falando para eu não arranjar problemas com ela…
- Bem, isso não é exatamente um mau conselho. - Hermione começou incerta.
- É, mas ele tem evitado andar comigo, porque não quer que ela veja.
- Como é? Por que?
- Não sei, e, sinceramente, não sei se quero saber. Se ele está com medo dela, problema é dele. - reclamou, dando passos mais rápidos.
- Você deveria conversar com ele!
- Eu já sei o que ele vai me dizer, Hermione. Que não é nada disso, que eu estou louca, ou sei lá. - exasperou-se - Eu sei do que estou falando, quando eu perguntei ele desconversou, se não quis me explicar quando eu pedi, agora não quero saber.
Granger rolou os olhos, rindo leve.
- Eu não dou até amanhã à noite para vocês estarem bem!

Contrariando a expectativa de Granger, não fez as pazes com Cedrico no final de semana, na verdade nem mesmo o viu por mais de um minuto. Se esbarraram no domingo de manhã, e Cedrico até parou para dar oi, mas logo foi carregado por Emmett e o restante do time para o Campo de Quadribol, para treinarem antes do jogo na próxima semana.
O time passou boa parte do domingo treinando, antes de darem lugar para o grupo da Corvinal, que também precisava treinar.
E quando Cedrico finalmente estava livre e foi procurar a namorada, ela estava na Torre da Grifinória, fazendo trabalhos e estudando, e não pode falar com ele.
A dúvida que ficou em sua cabeça por alguns minutos era se ela não podia ou não queria, mas confirmou ser a primeira quando conseguiu conversar com Hermione na hora do jantar. Embora tivesse aquela pequena porcentagem de orgulho, motivo o qual ela não estava exatamente se esforçando para conversar com ele.
Na segunda Cedrico chegou ao Salão Comunal no horário do correio, logo vendo que estava entretida lendo uma carta, que, pelo sorriso em seu rosto, ele tinha certeza que vinha de Sirius. Diggory leu o que recebeu dos pais e guardou no bolso, querendo lembrar-se de passar no Corujal ainda aquela tarde para responder.
Quando estava indo para as estufas, para sua última aula do dia, encontrou os alunos do quinto ano voltando para o Castelo, sorriu ao encontrar , conversando com Neville. Cedrico desviou seu caminho, parando na frente da namorada, sorrindo para ela.
- Oi, Neville. - acenou para o outro, que respondeu um pouco sem graça. Não tinha problemas com Cedrico, mas sempre ficava um pouco intimidado quando alunos de outras Casas falavam com ele. - Podemos conversar mais tarde? - perguntou para a garota.
o olhou por alguns instantes, dando de ombros pouco depois.
- Às oito no lugar de sempre? - sussurrou em seu ouvido, quando se curvou para beijar-lhe a bochecha. Notou que ela o olhou torto por alguns instantes, provavelmente incomodada por ele ainda querer se encontrar escondido, mas acabou por concordar.

Diggory desceu as escadas e seguiu pelo corredor à esquerda, andando tranquilo e, vez ou outra, olhando para os lados, certificando-se que não tinha ninguém por perto. Encontrou com Filch pouco depois, desejando-lhe um “boa noite” educado, antes de virar o corredor e entrar na terceira sala, vazia.
Sorriu ao perceber que já estava lá, sentada em uma cadeira mais ao canto, olhando pela janela. Bateu com a varinha na porta, tornando a trancá-la, como sempre estava antes de chegarem, e andou na direção da namorada.
- Boa noite! - sorriu, colocando as mãos nos bolsos e parando ao seu lado.
- Boa... - respondeu sem se alterar, olhando-o brevemente.
Cedrico suspirou, passando a mão pelos cabelos e, então, puxando uma cadeira, sentando-se ao seu lado.
- Sei que está chateada comigo, e eu sei que realmente parece que estou te evitando, mas…
- Se você disser que eu estou imaginando coisas, eu vou embora. - cortou, encarando-o levemente irritada. Diggory concordou com a cabeça, suspirando.
- Eu estou, - confirmou - mas não é porque eu gosto, ou porque não quero que nos vejam juntos. Sabe que eu gosto de mostrar para todo mundo que você é minha garota! - comentou a encarando, vendo-a rolar os olhos, mas um sorriso leve em seus lábios. - É só que a Umbridge está mesmo de olho em você, não sei o motivo, mas parece que ela procura alguma razão para te tirar pontos, ou dar detenções, assim como faz com Potter. - o encarou, a sobrancelha arqueada - Não quero que ela use nosso namoro como desculpa para uma detenção.
A menina permaneceu alguns instantes em silêncio, pensando a respeito.
- Era só isso?
- O que mais seria? - perguntou curioso. - Você não achou que eu estava querendo me afastar de propósito, não é?
Ela deu de ombros, não respondendo de imediato.
- Não sei, você e a Hermione nunca querem quebrar as regras, imaginei que depois daquele decreto sobre manter uns trinta centímetros de distância, você estivesse com medo de se aproximar…
- Ah, pelo amor de deus! - resmungou, escutando a risada baixa da garota a sua frente - Agora, será que podemos esquecer isso, momentaneamente, e nos concentrar em algo mais importante?
- Que seria…? - perguntou sorrindo de lado.
Diggory mordeu o lábio inferior, parecendo levemente pensativo.
- Não sei, talvez aproveitar o que não aproveitamos no final de semana? Me parece uma boa ideia!
sorriu quando notou o lufo aproximando-se de seu rosto, encarando-a por alguns instantes, antes dele juntar seus lábios. Passou as mãos por seu pescoço quando Cedrico a puxou para mais perto, logo se levantando e a puxando com ele, juntando seus corpos e não demorando a aprofundar o beijo.
Cedrico sempre aproveitava os momentos que tinha sozinho com , embora não pudesse a beijar sempre que podia nos corredores, contentava-se em andarem juntos, apenas porque sabia que poderiam se encontrar depois e ele a beijaria o quanto quisesse.
Não demorou para dar alguns passos cambaleantes até a parede mais próxima, prensando-a contra a mesma, e descendo os beijos para seu pescoço, sentindo-a ofegar, enquanto puxava seus cabelos com certa força.

Cedrico ainda tentava recuperar a respiração descompassada, enquanto ajeitava os cabelos, após a namorada sair em direção ao Salão Comunal da Grifinória. Sentia o corpo quente e certas partes mais visíveis que o normal, e foi por isso que ainda esperava para poder sair da sala e voltar para seu dormitório.
Estava ficando cada vez mais complicado para ele passar aqueles momentos com Black, eram sempre bons e rápidos demais. Queria ter mais tempo com ela, mas ao mesmo tempo ficava nervoso por sempre esperar um algo a mais.
Desde a terceira prova do Torneio Tribruxo, era sempre assim que se sentia quando ficavam sozinhos, em um lugar mais reservado; Vários beijos, muitos apertos, alguns suspiros mais longos, mas sempre paravam nisso.
sempre parecia saber quando o namorado estava prestes a perder o controle, e o interrompia na hora certa, (ou errada, na opinião de Cedrico). Mas ao mesmo tempo ele sabia o motivo dela se afastar, sabia muito bem o que todo aquele excesso de reações significava, e ela não estava pronta para aquele passo.
Diggory nem mesmo reclamava, pois entendia perfeitamente, ainda era nova, por mais que não parecesse em alguns momentos, e eles namoravam a menos de um ano. Não era porque Cedrico já tinha saído com outras garotas, que faria o mesmo com ela. Embora quisesse, muito.
Por hora, contentava-se com os beijos mais longos.
Respirou fundo uma última vez, antes de abrir à porta e sair em direção ao seu Salão Comunal, andando rapidamente até lá, com um sorriso em seus lábios.

No outro dia pela manhã, no caminho para o Salão Principal, um aglomerado de alunos estava parado em frente ao portal, enquanto Filch pendurava mais um decreto;
82 - Todos os estudantes serão submetidos a interrogatórios sobre suspeitas de atividades ilícitas

Cedrico leu e releu o artigo, o cenho franzido enquanto tentava entender o motivo.
Não fazia sentido em sua cabeça, o que ela considerava “atividades ilícitas”? A menos que Fred e Jorge Weasley estivessem vendendo seus logros escondidos, já que tinham sido proibidos, não tinha muito mais o que a professora pudesse considerar irregular.
Cedrico sentiu quando alguém pegou em sua mão, virando-se em tempo de ver a namorada parar ao seu lado, olhando para o decreto novo, franzindo o cenho por alguns instantes, antes de arquear a sobrancelha.
- Uau, alguém está realmente preocupada com as teorias de conspiração contra o Ministério.
- Shiu! - apertou-lhe a mão, olhando para os lados.
A última coisa que precisavam era da garota sendo levada para interrogatório.
- O que? Ah, por favor, não me diga que está preocupado com essa bobagem? - abanou a mão no ar, rolando os olhos e rindo baixo. - Vamos, eu tenho aula com a Minerva, isso sim é preocupante! Sabe o tamanho do trabalho que ela pediu…? - puxou-o pela mão, entrando no saguão acompanhada de Cedrico, que riu baixo, negando com a cabeça.
Beijou-lhe a testa antes de se separarem para suas mesas, voltando a se encontrar rapidamente antes das aulas do dia iniciarem.

- Ela suspeita, não é? - Hermione comentou em voz baixa, enquanto andavam para a próxima aula.
- Ela não teria como saber… - Rony negou com um aceno, parecendo preocupado. - Será que alguém contou?
- Não, se ela tivesse alguma prova já teria nos expulsado, são apenas suspeitas. - argumentou, ajeitando a mochila em seu ombro - Mas talvez devêssemos esperar um pouco antes de fazer uma reunião…
- Não faz diferença, - Harry deu de ombros, atraindo a atenção dos amigos - ainda não encontramos um lugar bom o bastante, só teremos uma reunião depois disso.
Quando estavam cruzando a sala, Granger sentou-se rapidamente ao lado de , o que fez Potter arquear a sobrancelha, já que era sempre ele quem sentava ao lado da garota. Deu de ombros dando a volta, e sentando-se com Rony, na mesa a frente.
- O que foi?
- Você já contou para o Cedrico?
- Ainda não, - negou com a cabeça - esqueci de dizer ontem…
- Talvez seja melhor esperar um pouco, soube que ela está de olho nele.
Black virou-se para a amiga, a expressão confusa.
- Ela quer que Cedrico a ajude a monitorar a Escola e os alunos, dizem que prometeu algumas indicações para quando ele sair de Hogwarts… Sabe? Para trabalhar no Ministério…
- Quem disse isso? - perguntou desconfiada, Hermione olhou para o lado, desviando o olhar - Hermione…
- Eu escutei Draco comentando com a Pansy ontem, quando estava fazendo a ronda…
A garota respirou fundo, não respondendo nada já que Flitwick entrou na sala poucos segundos depois.

Não demorou nem um dia para mais alguns decretos serem criados, nenhum realmente importante, ou preocupante, apenas as mesmas besteiras de sempre, na opinião de grande parte dos alunos, até que um chamou suas atenções;
98 - Aqueles que desejarem se juntar a Brigada Inquisitorial para créditos extras, poderão se inscrever no escritório da Alta Inquisitora.

- Só o pessoal da Sonserina vai se inscrever… - Weasley comentou, dando a volta no aglomerado e andando até a mesa, não demorando para pegar uma grande quantia de bacon.
- Não sei, - Harry começou em voz baixa -, soube que ela tem pego pesado com alguns alunos… Talvez o pessoal que se sinta ameaçado não queira se arriscar…
- Talvez eu me inscreva! - comentou antes de tomar seu suco, os três a olharam surpresos - Seria bom, sabe? Estar infiltrada! - piscou.
- Até parece que ela vai deixar, - Potter riu - você provavelmente é a segunda pessoa que ela mais quer expulsar, logo atrás de mim!
A garota respirou fundo, deixando seu copo na mesa, virou-se com a sobrancelha arqueada.
- Então eu tenho que fazer alguma coisa, - respondeu, alterando a postura - não nasci para ficar em segundo na vida, Potter. Vou passar você na lista dela!
- Ah, pelas calças de Merlin! - Granger ralhou, rolando os olhos.
- Potter? Tonks? - Angelina apareceu pouco depois, os três ainda riam da pequena brincadeira, enquanto Hermione lia um livro.
Desde que assumiu como Capitã do time de Quadribol, Angelina parecia muito mais estressada que o habitual, embora ainda não estivesse no mesmo nível de Olívio.
- Estamos com problemas!
- O que aconteceu? - Harry perguntou, virando-se no banco para ficar de frente com a colega.
- Umbridge ainda não assinou a permissão do nosso time, ainda não podemos jogar.
- O que? Ela não pode não liberar! O que ela disse? - perguntou exasperada.
Angelina respirou fundo, passando a mão pelos cabelos longos e negros.
- Que ainda está estudando a possibilidade, - passou a mão no rosto, nervosa - eu só queria pedir para vocês dois se comportarem. Eu sei que você tem tido problemas nas aulas dela Harry, mas, - suspirou - ela pode usar isso para não nos deixar jogar!
- Não pode ser… - negou com a cabeça.
- Eu não estou pedindo, na verdade estou mandando, ou vocês dois se comportam, ou estão fora do time, entendidos? - colocou as mãos na cintura, querendo soar imponente, mas no final da frase fez uma cara de quem poderia chorar a qualquer momento, quase se desculpando pelo tom de voz usado.
- Sem problemas. - responderam em uníssono.
- Vocês acham que…?
- Não! - Harry cortou o ruivo - Não pode! Não pode.

No final da aula de História da Magia, seguiram direto para o Salão Principal, querendo comer o máximo que podiam depois de duas horas num trabalho pesado, e chato, no qual reenvasaram algumas plantas venenosas.
Estavam conversando e comendo tranquilos, quando Umbridge entrou seguida de um grupo de alunos, Draco foi o primeiro que Black viu, logo atrás da professora. Rolou os olhos, voltando a virar-se para seu prato de comida, quando escutaram o pigarro da mulher.
- Eu quero apresentar a vocês - começou sorridente, olhando demoradamente para a mesa da Grifinória, Lufa-Lufa e, então Corvinal -, os primeiros integrantes da Brigada Inquisitorial! Lembrando, que quem quiser participar, é só falar comigo! - apontou para o grupo, que fez fila ao seu lado.
Meia dúzia de alunos da Sonserina, dois da Corvinal (o que já era uma surpresa), Filch, que a fez rolar os olhos, e…
- Cedrico? - a voz de Rony chegou aos seus ouvidos.
encarou o namorado por alguns instantes, notando sua cabeça baixa e a expressão séria em seu rosto. O pequeno distintivo brilhando em sua capa, logo ao lado do M de Monitor. Pareceu levar uma eternidade, até Diggory erguer o rosto, olhando para os colegas e, por fim, virando para a mesa da Grifinória.
A expressão confusa da namorada logo mudou ao encará-lo nos olhos, a loira negou com a cabeça, tornando a virar-se em direção aos amigos, mas Diggory notou o olhar decepcionado, respirou fundo, fechando os olhos por alguns segundos, antes de ouvir a voz da professora, dizendo que já podiam ir almoçar com seus colegas.
Cedrico andou diretamente para sua mesa, não querendo olhar para mais ninguém, ao sentar-se ao lado de Emmett, o amigo encarou-o por alguns instantes, a expressão tão confusa quanto de .
- Por que?
O rapaz demorou um minuto completo para respondê-lo, servindo-se antes de dar de ombros, sobrando um simples;
- Crédito extra.


Capítulo 6

sabia que tinha algo muito errado acontecendo com Cedrico, principalmente quando ele não a procurou por uma semana inteira, além de ter desviado da garota sempre que se encontravam nos corredores ou no Salão Principal. Ele apenas dava um sorriso amarelo e dizia estar ocupado, sumindo rapidamente de sua vista. Por mais que a incomodasse, não o procurou. Se Diggory queria ter segredos e, de alguma forma, concordava com o que o Ministério estava fazendo em Hogwarts, não era ela quem iria dizer alguma coisa.
Mas se fosse sincera, ela só não tinha reclamado ainda, porque não tinha conseguido conversar com o namorado. O que a deixava três vezes mais frustrada que o normal. Resolveu dedicar-se aos estudos, voltando a pedir ajuda para Hermione sempre que precisava, e, agora que o time de Quadribol estava liberado por Umbridge, voltou a treinar com o máximo de empenho possível. Também estava ansiosa para a primeira reunião do grupo contra o Ministério, que aconteceria naquela noite, e, ao notar que Harry parecia muito mais preocupado e nervoso com a reunião, tirou o dia de estudos para ajudá-lo a se acalmar e concentrar-se em outra coisa que não fosse a aula de mais tarde.
Os dois passaram a parte da tarde que não tinham aulas sentados no gramado do terreno, tentando ignorar o vento frio que se aproximava e conversando sobre coisas banais, que não os lembrasse de Hogwarts e nenhum dos problemas relacionados ao retorno de Voldemort.

Aquilo, é claro, não passou despercebido por Diggory, que tinha acabado de enviar uma carta aos pais, quando olhou pela janela do Corujal, logo localizando os dois sentados, muito próximos, perto do Lago Negro. Sabia que tratava-se da namorada, pois os cabelos loiros e compridos da garota eram únicos na Escola, e o uniforme da Grifinória apenas confirmou.
Apoiou-se no parapeito da janela, cruzando os braços e os olhando por algum tempo, queria saber o que tanto conversavam, e porque estavam tão próximos. E, o pior, em sua opinião, é que não era a primeira vez que aquilo acontecia na semana, todas as vezes que encontrava com Black, ela parecia muito próxima de Potter. Por mais que tivesse prometido a si mesmo que não teria mais ciúmes de Harry Potter, era algo quase impossível de se cumprir. Sabia que os dois eram amigos e respeitava, mas não via necessidade em estarem sempre tão próximos.
No fundo não achava que ela pudesse traí-lo daquela forma, mas também não era como se Diggory estivesse sendo o namorado mais presente do ano no momento, o que só aumentava seu medo da garota acabar por terminar o relacionamento dos dois.
Cedrico sabia que Potter tinha muito mais em comum com ela do que ele, e os dois eram amigos desde a primeira semana em Hogwarts, eram melhores amigos. Também sabia que os dois tinham segredos demais, e, ele tinha certeza, nem Rony ou Hermione sabiam de todos.
Mas Diggory também sabia que Potter estava interessado em Cho Chang, tinha reparado já no final do ano anterior o quanto ele parecia nervoso quando a corvina se aproximava, e suas suspeitas foram confirmadas quando soube que o apanhador tinha a convidado para o Baile de Inverno. Diggory tinha até mesmo pensado em tentar ajudá-lo a conquistar a Chang, mas não sabia qual era a melhor forma de abordar o assunto, os dois não eram amigos, não existiam razões para Cedrico chamá-lo para conversar e falarem de Cho. Talvez ficasse muito óbvio que ele queria tirar Potter de perto de Black se o fizesse.
Na verdade, já tinha tentado puxar aquele assunto com a namorada, para saber como ela reagia a situação, e sorriu sozinho ao lembrar-se de como ela não pareceu se importar;
“- Isso é sério? Ah, não acredito que o Raio não me contou! - rolou os olhos, coincidentemente, Chang passou pelo casal, apenas alguns metros de distância - Com tanto que ele não a deixe pegar o pomo-de-ouro só porque ela é a namorada dele…
- Quer dizer que também seria errado eu falar para o Emmett deixar você fazer alguns gols? - perguntou rindo. A garota o olhou com a sobrancelha arqueada, piscando em seguida.
- Ced, meu amor, eu não preciso da ajuda do Emmett para marcar! E eu te conheço, você nunca deixaria isso acontecer; Quadribol é Quadribol, relacionamentos à parte.”
Porém, até onde Diggory sabia, Potter não tinha conseguido nada com Chang e continuava muito próximo de , mais ainda na última semana. E Cedrico sabia que tinha culpa, se não estivesse se esquivando na namorada, talvez as coisas estivessem diferentes.
- Espiando sua namorada, Diggory?
Cedrico virou-se assustado, vendo Draco Malfoy na entrada do Corujal, um sorriso enviesado em seus lábios. O lufo rolou os olhos, tornando a olhar pela janela.
- Como se eu precisasse…
- Eu acho que precisa, ou não teria ciúmes sempre que a vê com Potter.
O apanhador tornou a virar-se para Draco, cruzando os braços e apoiando-se na parede, enquanto o sonserino chamava sua coruja, entregando-lhe um pergaminho pouco depois.
- Como é?
Draco deu uma risada baixa, dando de ombros.
- Eu já vi sua expressão sempre que Potter se aproxima, Diggory. Você detesta vê-lo com minha priminha.
- Você não sabe do que está falando.
- Não sei? - ironizou, virando-se para a saída - Você quem sabe, mas se fosse a minha namorada, eu faria algo a respeito.
Diggory sorriu de lado, maldoso.
- Talvez eu devesse xingá-la na frente de todos, não? Parece um bom jeito de conseguir chamar a atenção de uma garota.
Malfoy o encarou por alguns instantes, chegando a abrir a boca, antes de virar-se e descer as escadas, a raiva transparecendo em seu olhar.
- Babaca… - Diggory disse baixo, antes de tornar a olhar pela janela, não encontrando ou Harry no lugar de antes, e, ao olhar o relógio, se deu conta que estava atrasado para a próxima aula, descendo correndo as escadas.

Assim que a Armada de Dumbledore terminou a primeira reunião do grupo, na Sala Precisa, todos voltaram para seus Salões Comunais, em grupos pequenos, tentando não chamar atenção.
- Foi uma boa aula, Harry, já pode candidatar-se para professor de DCAT no futuro! - piscou para o amigo, que riu negando com a cabeça.
- Eu espero ter uma carreira maior do que um ano, obrigado! - comentou enquanto andavam de volta para a Torre da Grifinória.
- Eu nunca entendi, sabem? - Rony puxou o assunto, o cenho levemente franzido. - Por que todos os professores de DCAT só permanecem um ano?
- Ninguém sabe. - Mione deu de ombros, parecendo animada depois da reunião. - Mas não era assim antes, teve um professor que ensinou por quase trinta anos antes de sair, eu li em Hogwarts Uma…
- Ok, ok, mas pensem pelo lado positivo, - cortou o pequeno discurso que os três sabiam que viria de Granger - significa que só temos que aguentar Umbridge esse ano, e no próximo ela já terá ido embora. Não pode ser tão ruim, não é?
- Poder pode, mas é um pensamento bom. - Harry concordou.
- A luz no fim do túnel! - Weasley encerrou rindo, junto com os amigos.
- Mas temos que tomar cuidado, com ela e o pessoal da Brigada… - Hermione lembrou-os - Além do mais… Eu… Eu… - parou de falar assim que alguém entrou no corredor no qual estavam.
Os quatro ficaram em silêncio, e Harry escondeu o Mapa do Maroto dentro do bolso, torcendo para que não fosse Umbridge. Poucos segundos depois, os quatro respiraram um pouco mais tranquilos ao notar que era Cedrico quem tinha virado no corredor, parecendo um tanto confuso ao notar os quatro por ali.
- Hm, já passou no horário… - começou encarando-os desconfiado.
- Estávamos levando os dois de volta para a Torre. - Hermione respondeu rapidamente, apontando para Harry e . - Eu disse que já estava tarde, mas… Bem…
- Entendo. - Cedrico pareceu um pouco mais mal-humorado ao entender que Black estava, novamente, sozinha com Potter, independente do horário que fosse. - É melhor vocês dois se apressarem, se mais alguém os vir aqui fora esse horário, vão perder pontos.
- Tudo bem, obrigado. - Harry acenou com a cabeça, puxando pelo braço para que seguissem o corredor, Hermione e Rony ficaram um pouco para trás, para ajudar Cedrico com a ronda.
- Podem ir, vocês dois - comentou em voz baixa -, também já estou indo para minha Casa.
- Bem, boa noite, Cedrico! - Rony sorriu, antes de andar apressado atrás dos outros dois. Hermione ficou parada por alguns instantes, olhando-o de canto ao notar que o mais velho parecia chateado.
- Vocês deveriam conversar - começou em voz baixa, atraindo sua atenção. -, nós dois a conhecemos bem, se você não for o primeiro a puxar o assunto, não vai falar nada e vocês vão continuar brigados.
- Não estamos brigados…
- Muito bem, vão continuar sem se falar e se ignorando. - corrigiu, os braços cruzados.
Cedrico suspirou, dando de ombros.
- Não tenho nada para dizer, eu sei qual é o problema e não posso mudá-lo. - desabafou finalmente - E vai continuar não aceitando, fim de papo.
- Eu sei que não é da minha conta, mas… - esperou até Cedrico voltar a encará-la, concordando com a cabeça e incentivando-a a continuar - O que aconteceu?
Diggory bufou um tanto impaciente, passando a mão pelos cabelos e encostando-se na pilastra próxima.
- Sinceramente? Não faço ideia. Quando vi já estava com metade da escola me detestando por estar na Brigada, entre eles minha namorada. Eu só queria que esse ano acabasse logo.
Granger sorriu sem jeito, concordando com um aceno. Identificava-se muito com Diggory em alguns pontos, em outros nem tanto, mas gostava do lufo, ele era uma boa pessoa e um bom aluno.
- É seu último ano na Escola, você precisa ir bem nos NIEM’S e créditos extras são sempre bem vindos, não?
Cedrico concordou após alguns instantes, Hermione colocou a mão em seu ombro, parecendo solidária aos seus dilemas.
- No final vai dar tudo certo, você vai ver.

No sábado, Diggory esperou no fim das escadas por vários minutos, até passar por ali, já usando seu uniforme de Quadribol, levantou-se apressado, chamando-a no instante seguinte.
- Oi…
- Oi.
Os dois se encaram por vários segundos, até o lufo soltar o ar de uma única vez, parecendo frustrado consigo mesmo.
- Eu só queria te desejar boa sorte. - sorriu de lado, vendo-a concordar com um aceno.
- Obrigada.
Continuaram sem conversar, apenas se encarando até o lufo fechar os olhos, baixando a cabeça e negando algumas vezes. Era estranho para ele não saber o que dizer, ou como agir.
Cedrico sempre sabia o que fazer, já tinha imaginado aquela conversa algumas vezes, e em nenhuma pareceu tão difícil quanto estava sendo naquele momento.
No fundo nenhum dos dois sabia o que dizer, nem o que queriam ouvir. Apenas não queriam continuar naquela situação estranha e um tanto constrangedora. Estavam sem conversar há vários dias, e quando acabavam no mesmo lugar não sabiam como agir, inventando desculpas e afastando-se apressados. Não era assim que deveria ser, Cedrico estava em seu último ano em Hogwarts, queria aproveitar o tempo que tinha com a namorada, mas não tinha nada saindo como planejado por ele, muito pelo contrário. Nunca pareceram tão distantes como estavam naquele ano, e, o próximo passo em sua cabeça, era o término. Algo que ele nem mesmo gostava de cogitar.
- Eu realmente não sei o que dizer… - colocou as mãos nos bolsos, ainda olhando para os próprios pés.
o olhou por alguns instantes, notando que também não sabia como agir ou o que deveria dizer, por fim resolveu fazer a única coisa impulsiva que lhe ocorreu naquele instante;
- Cedrico… - começou com a voz baixa, não sabendo se teria coragem para terminar aquela frase, não tinha pensado sobre aquilo antes, mas agora que passou por seus pensamentos, parecia quase bizarro e ela já se arrependia por ter começado.
Encarou os olhos cinzentos do lufo por alguns instantes, tentando definir o que tinha ali, mas ele só parecia extremamente chateado, e ela não fazia ideia do motivo, se era por estarem brigados, ou se era por toda a situação.
- Você quer terminar...? - perguntou rapidamente. Respirando fundo no instante seguinte, mas parecia que todo o ar do mundo não era o suficiente naquele momento.
Cedrico a olhou confuso por alguns longos segundos, parecendo demorar para entender o que ela tinha dito, na verdade ela notou que tinha dito rápido demais, e que talvez ele realmente não tivesse entendido o que ela disse. Mas, antes que ela voltasse a abrir a boca para perguntar novamente, Diggory pareceu um tanto surpreso, abrindo a boca por alguns instantes e não dizendo nada. Olhou para o lado, passando a língua pelos lábios secos, tornando a virar-se para ela, e encarando-a.
- Você quer terminar?
Encararam-se por algum tempo, ambos pensando no assunto.
E se Cedrico quisesse terminar com ela? O que faria? O que iria dizer? Como passaria o resto do ano encontrando com ele pelos corredores, fingindo que nada aconteceu? E se ele começasse a namorar outra garota?
Diggory tinha a mesma coisa em mente, e se ela tivesse tocado no assunto porque queria terminar com ele? E se ela começasse a namorar Harry Potter? Ou qualquer outro cara na Escola? E se ela terminasse com ele, porque simplesmente não gostava mais de Cedrico? O que ele faria? Nem mesmo imaginava como seria passar dias, semanas e meses, olhando para ela, sabendo que não era mais sua namorada, que não estavam mais juntos.
A falta de resposta dos dois lados os deixou ainda mais nervosos, sem saber o que se passava com o outro.
- Tonks! - Angelina chamou de repente, assustando-os - O que está fazendo? Precisamos ir, o jogo já vai começar!
- Certo… - concordou com a voz baixa, notando sua boca seca e a respiração acelerada. - Conversamos depois do jogo, ok? - pediu sem olhá-lo, não tendo coragem de encará-lo naquele instante.
Desceu os degraus que faltavam, andando apressadamente até Angelina, logo a seguindo para fora do Castelo, em direção ao campo.
Diggory soltou o ar assim que notou estar sozinho, fechando os olhos e os punhos. Seu coração batendo acelerado contra seu peito.
O que estava acontecendo ali?

A partida tinha começava há vários minutos, o jogo seguia com a Grifinória ganhando por 40 à 0 e, por mais que Cedrico tentasse se concentrar em assistir junto com os colegas, no fundo parecia que nada estava acontecendo, embora tivesse escutado várias vezes os gritos de “Weasley é nosso Rei”. Sentia-se como se ainda estivesse na escadaria, aguardando a garota com o uniforme vermelho e o número 5 brilhando nas costas, responder se queria ou não terminar o namoro.
Seu coração parecia bater pesado contra seu peito, sua vontade era gritar da arquibancada, chamar seu nome e implorar para que ela não o deixasse. Queria gritar que a amava e que não importava-se com o Ministério, nem Umbridge nem nada, porque se ela não estivesse ao seu lado, as coisas não faziam sentido. Por que ele iria precisar de um bom emprego se sua garota não era mais sua garota?
Diggory lembrava-se com perfeição da primeira vez que a escutou dizendo que o amava, antes da terceira prova do Torneio Tribruxo, meses antes, e de como se sentiu quando escutou aquilo. Lembrava-se tão bem quando todas as outras vezes que tinha acontecido, assim como se lembrava de boa parte das conversas que tinham tido ao longo dos anos que se conheciam, e de como gostava de tê-la ao seu lado. Cedrico ainda sentia-se do mesmo jeito quando a beijava, mas e se não fosse recíproco? E se ela não se sentisse mais do mesmo jeito quando estava com ele? Por mais que ele gritasse, não tinha nada que ele pudesse fazer para garantir que ela voltasse a amá-lo.
- WOW! - Emmett gritou ao seu lado, e, automaticamente, Cedrico olhou para o céu, não demorando para ver que tinha acontecido algo na partida;
Um dos batedores da Sonserina tinha arremessado um balaço contra uma das artilheiras da Grifinória, acertando-a em cheio.
- Ela está bem? - Emmett tornou a dizer ao seu lado, parecendo preocupado. Foi só aí que Diggory notou quem tinha caído.

A partida foi interrompida assim que atingiu o chão, com mais impacto do que gostaria, por não estar controlando sua vassoura. A artilheira arrastou-se pelo gramado, com a mão na cabeça, gemendo baixo enquanto os companheiros de time aterrissaram ao seu lado.
- Eu não acredito que ele fez isso! - Angelina gritava, histérica, enquanto se aproximava. - Você está bem?
- ? - a voz desesperada de Harry aproximou-se de seus ouvidos, e logo sentiu suas mãos tocaram-lhe as costas e o braço, enquanto ele tentava saber se ela estava bem.
Ao fundo escutava Madame Hooch gritar com quem quer que fosse, mas não se importava, sua cabeça doía demais para prestar atenção em qualquer outra coisa.
No fundo perguntava-se como aquilo tinha acontecido, seu orgulho estava ferido.
Como podia não ter visto um balaço vindo em sua direção?
Sabia que estava distraída naqueles minutos iniciais, por mais que tentasse prestar atenção no jogo, sua mente não parava de mostrar-lhe imagens de Cedrico Diggory, mas não achou que fosse o suficiente para cair da vassoura. Aquilo chegava a ser humilhante!
- Deixe-me ver, Potter, saia da frente! - sentiu quando uma mão gelada tocou-lhe o rosto, logo virando-a de lado. Não demorando a reconhecer Madame Pomfrey, olhando-a séria enquanto tentava ver se estava machucada.
- Tem muito sangue! - uma voz falou mais ao fundo.
Black tentou levar a mão, novamente, até a cabeça, mas foi impedida pela enfermeira.
- Sou eu quem tem que ver isso, Tonks. - ralhou a mulher.
- Como ela está? - McGonagall perguntou apreensiva, chegando afoita até o gramado.
- Preciso de alguns minutos para saber…
- Ela pode continuar a jogar? - Angelina questionou após vários minutos, nos quais Pomfrey passou fazendo um curativo no corte em sua testa, enquanto examinava os sinais vitais da jogadora.
- Eu diria que não, - a mulher começou, terminando o curativo. - Tonks precisa de…
- Eu posso jogar! - falou com a voz fraca, tentando sentar-se no gramado.
- Claramente não pode. - a mulher ralhou, empurrando-lhe o peito com força, para que voltasse a deitar.
Escutava a torcida da Sonserina gritar, parecendo rir da situação inteira, enquanto os demais colegas xingavam. Harry estava ajoelhado ao seu lado, esperando para saber como ela estava.
- Eu já estou bem… - repetiu, respirando fundo e afastando as mãos habilidosas da enfermeira. - Eu posso continuar o jogo.
- Se o corte abrir…
- Eu faço outro curativo. - virou-se para Potter, assim que sentou-se no gramado, sentindo a cabeça tornar a doer. - Pegue a droga do pomo de uma vez, Raio.
Harry riu, concordando com a cabeça, antes de levantar-se e esticar a mão, para servir de apoio para a amiga.

Cedrico pareceu impaciente por vários minutos em seu lugar nas arquibancadas, queria descer até o gramado, ver se a garota estava bem, mas não podia fazer isso. Não era dos times que estavam jogando e, mesmo sendo monitor, não tinha autoridade para tanto. Acalmou-se um pouco ao ver que estava se mexendo, tentando levantar-se. Mas foi apenas quando ela ficou em pé que ele respirou aliviado, notando que ela continuaria na partida, mesmo com um curativo grande na testa e parte da cabeça enfaixada.
Angelina aproximou-se para conversar com ela, antes da garota comentar algo com Rony e Harry e, então, tornar a pegar sua vassoura.
Madame Hooch tornou a apitar depois que o campo já estava liberado e os jogadores em suas vassouras, não demorando a jogar a Goles.
Cedrico aplaudiu, comemorando entusiasmado quando a namorada marcou um gol, e comemorou da mesma forma as outra cinco vezes que ela repetiu o feito, embora tenha notado que em alguns momentos ela ficasse parada no ar, levando a mão na cabeça vez ou outra.
Desejou que Potter pegasse logo o pomo de ouro, para encerrarem a partida de uma vez e, felizmente, seu pedido não demorou a acontecer. Menos de três minutos depois, Potter alcançou o pomo-de-ouro, agarrando-o de dando uma volta pelo campo com a mão erguida. Assim que o jogo terminou, Cedrico desceu o mais rápido que pode, não demorando a chegar no gramado, que tinha sido invadido pelo pessoal da Grifinória. Demorou alguns minutos para encontrar , aproximando-se dela assim que o fez.
Os dois se encararam por alguns instantes, e Diggory pode ver que o curativo que ela tinha já estava manchado de sangue novamente, olhando-a preocupado.
- Você está bem?
- Vou sobreviver. - sorriu de lado, dando de ombros.
Cedrico concordou com um aceno, demorando alguns instantes para se pronunciar.
- Parabéns pelo jogo, foi muito bem…
- Obrigada!
- Tonks! - McGonagall apareceu no meio da multidão - Ótimo jogo, agora você precisa ir à Ala Hospitalar e… Ah, Diggory, - a professora sorriu quando o viu -, faça o favor de acompanhá-la, sim?
- Claro, professora.
O casal seguiu em silêncio, e Cedrico segurou em sua mão quando foram passar no meio dos torcedores, para garantir que não se separariam. Sentiu seu coração bater apertado quando a mão da garota envolveu a sua, sem saber se aquela seria a última vez que aquilo aconteceria, ou não.
seguiu carregando sua vassoura, a qual Cedrico ofereceu-se para carregar pouco depois, e acabaram indo guardá-la antes de seguir para o Castelo.

Madame Pomfrey terminou os curativos e pediu para a garota permanecer ali aquela noite, em observação devido a pancada na cabeça, principalmente depois dela ter dito que sentia-se um tanto enjoada. Assim que a enfermeira deixou-os sozinho, Cedrico levantou-se da cadeira em que estava sentado, puxando a cortina ao redor da maca em que estava, dando-lhes um pouco mais de privacidade, tornando a sentar-se ao lado da garota pouco depois.
- Sente-se melhor?
- Com sono, na verdade, mas não posso dormir por algumas horas, então… - deu de ombros, vendo-o concordar com um aceno.
- Você deveria contar ao Sirius, ele vai gostar de saber que vocês ganharam o primeiro jogo… Mas provavelmente vai ficar preocupado com você… - lembrou-se, franzido o cenho. riu baixo ao seu lado, concordando.
- Provavelmente vai querer saber quem foi… - ponderou por alguns instantes, após tornarem a ficar em silêncio. - Ele gosta de você, sabe? - comentou em tom baixo - Papai…
Cedrico a encarou com a sobrancelha arqueada, um sorriso no canto dos lábios.
- Achei que ele estava esperando a melhor oportunidade para me azarar…
- Talvez. - riu, olhando-o de lado.
baixou o olhar para o lençol que a cobria, passando os dedos pelo menos, sentindo o tecido distraída, enquanto tentava arranjar um novo assunto.
Diggory respirou fundo, esticando a mão e pegando na mão direita da garota, apertando-a gentilmente junto a sua. Os dois passaram alguns segundos olhando para seus dedos entrelaçados, sem nada dizer, até Diggory erguer o olhar para o rosto dela, começando em tom baixo;
- Eu não quero terminar. Eu sei que não estamos muito bem, e que eu não tenho sido o melhor namorado do mundo nas últimas semanas, mas eu não quero terminar. - desabafou, encarando os olhos - Os últimos quinze dias só não foram piores que as duas últimas horas, que eu passei sem saber se você quer terminar comigo. Se você me disser que não gosta mais de mim, infelizmente não tem nada que eu possa fazer para mudar isso, mas se você me disser que quer terminar por causa dos últimos dias… … Eu sei que esse ano tem sido uma confusão, e pensamos diferente em alguns pontos, mas…
- Eu não quero terminar com você, Cedrico. Isso nunca me passou pela cabeça. - apertou-lhe a mão, sorrindo de lado - Não sei o que te fez entrar no grupo da Umbridge, realmente não acho que seja certo, e você está certo, estamos em lados opostos, mas eu não terminaria com você por causa do Ministério, Diggory. Você é uma boa pessoa, independente do que esteja acontecendo esse ano.
Cedrico mordeu o lábio inferior, concordando com um aceno.
- Eu prometo que vou te explicar os meus motivos, eu só não posso fazer isso agora…
- Eu acredito em você, Cedrico.
O lufo suspirou aliviado, sorrindo antes de inclinar-se na cadeira, em direção a cama em que a namorada estava, encostando os lábios nos dela.


Capítulo 7

Cedrico quase parecia uma nova pessoa, sentia-se mais animado do que estivera desde que o semestre tinha começado, embora continuasse sem pode estar com a namorada o tempo todo, o fato de saber que ela entendia sua situação ajudava bastante, e os encontros depois das aulas também eram bastante satisfatórios.
O jogo contra a Corvinal tinha sido complicado, mas conseguiram ganhar por uma diferença pequena de 20 pontos, e agora estavam logo atrás da Grifinória na busca pela Taça. Era difícil, mas não impossível.
Os estudos seguiram como sempre, deixando-lhe mais tempo do que gostava na biblioteca, fazendo todos os trabalhos necessários e estudando para as provas que estava tendo antes da pausa para o fim de ano.
Seus trabalhos extracurriculares no momento não exigiam muito, com a Brigada Inquisitorial em um número cada vez mais alto, na maior parte do tempo ele só evitava que algum aluno da Sonserina exagerasse nos castigos e pontos descontados dos colegas das outras Casas.
Quase não ouvia mais reclamações sobre Potter e Black da professora, já que os dois pareciam sempre muito comportados em aula e pelos corredores, Umbridge, é claro, suspeitava de algo e queria que Cedrico descobrisse o que eles faziam, mas o lufo não estava assim tão empenhado em passar essa informação. Era óbvio para ele que os dois estavam aprontando, mas ainda não tinha lhe contado nada, e ele suspeitava que ela nem diria, principalmente depois que Diggory lhe disse ter escutado uma conversa de Umbridge com Snape, na qual ela pedia pelo Veritasserum. Cedrico não ficava de todo feliz com a aproximação da namorada com Harry, mas tentava demonstrar menos o ciúmes, e até estava se saindo muito bem. Claro que ficava curioso para saber o que eles faziam, e até acreditava que a professora estava certa ao achar que eles se reuniam com outros estudantes, mas não perguntava para , e nem pretendia tão cedo, apenas para o caso de Umbridge usar o soro da verdade com o lufano.

tinha acabado de sair do Salão Comunal, carregando sua bagagem, pronta para voltar para sua casa durante o feriado. Cedrico estava sentado no último degrau, esperando-a para irem juntos até o trem que os levaria de volta à Londres. , ele notou, parecia mais nervosa que o normal, embora não tivesse dito nada. Diggory queria perguntar por que Harry e os Weasley tinham saído de Hogwarts no meio da noite anterior, mas ela não parecia querer comentar sobre aquilo, mantendo a expressão nervosa em seu rosto.
Estavam quase embarcando, quando Dolores Umbridge a puxou pelo braço, parecendo mais histérica do que o costume;
- Você, senhorita, me diga, onde está Harry Potter?
Cedrico permaneceu ao seu lado, mantendo uma mão no ombro da namorada. sorriu de lado para a professora, aproveitando aquele pequeno momento no qual a mulher não tinha qualquer vantagem sobre a mesma; McGonagall estava à poucos metros de distância.
- No meu malão ele não está, professora. Não posso ajudar, desculpe.
A voz insolente da mais nova fez a expressão da mulher alterar-se, parecia que uma veia explodiria em seu rosto. Umbridge sorriu da mesma forma, curvando-se levemente em sua direção;
- Se eu fosse você, tomaria cuidado com o que diz, nunca se sabe quando um segredinho pode-se espalhar pela escola, não é mesmo, Black?
A garota respirou fundo, não deixando-se abalar, mantendo o sorriso em seus lábios.
- Ainda bem que eu sou eu e a senhora a senhora, não concorda? - baixou o tom de voz, dando um passo em direção à professora - Eu também teria cuidado se fosse a senhora, até parece que está ameaçando uma aluna, filha de um assassino foragido de Azkaban… Eu me pergunto o que ele faria se soubesse… - afastou-se, voltando ao tom alto e animado de antes - Boas festas, professora.
Diggory mordeu o lábio, apenas acenando com a cabeça para a mulher, segurando a risada enquanto puxava a namorada pela mão para entrarem no trem. Black virou-se uma última vez para olhar a expressão horrorizada de Umbridge, antes de embarcar.

Cedrico aproveitou que Hermione tinha saído da cabine, faltando poucos minutos para chegarem à Estação de Kings Cross, para despedir-se da namorada, já que não a veria pelas próximas duas semanas, queria que pudessem passar o Natal juntos, mas viajaria com sua família e estaria com Sirius e os Tonks.
Assim que chegaram à Estação, não demorou à avistar seus pais e Ninfadora, conversando em um canto um pouco afastados da multidão.
Abraçou os pais antes de cumprimentar Dora, e esperou enquanto sua mãe conversava com , que sempre parecia muito tímida perto de Rachel, o que o fazia rir levemente.
Despediu-se beijando-lhe a bochecha, antes de aparatar com os pais depois de passarem pelo portal, enquanto agarrou-se no braço da prima, para voltarem ao Largo Grimmauld.

sentiu os braços de Sirius ao seu redor, assim que passou pelo corredor, não demorando nem dois segundos para corresponder ao abraço apertado do pai, contente por finalmente vê-lo depois de tantos meses afastados.
- Como está? - a voz rouca do homem perguntou baixo, antes de soltá-la.
- Melhor agora, pai! - piscou animada, sabendo o quanto ele gostava de quando ela o chamava daquela forma. Sirius passou a mão pela cabeça da filha, dando uns tapinhas parecidos com os que ela dava quando ele estava em forma de cachorro, algo como se quisesse dizer “boa garota!”. O que a fez rir antes de virar-se para cumprimentar o restante do pessoal.

Embora quisesse visitar o Sr. Weasley, depois do ataque de Nagini, optou por ficar em casa e passar o tempo que tinha com Sirius. Conversaram bastante e ele a ajudou com alguns deveres de casa, adorando poder relembrar as épocas de Hogwarts.
- E como estão as coisas com a Umbridge? - perguntou assim que a filha espreguiçou-se, deixando a pena sobre o pergaminho aberto. deu de ombros.
- Talvez eu a tenha lembrado que você é um foragido perigoso de Azkaban… - comentou segurando um sorriso. O homem arqueou a sobrancelha, aguardando a conclusão da história - Ela estava de marcação comigo, e quis me ameaçar quando eu estava para embarcar, era óbvio que eu não deixaria por menos, não é verdade?
- O que foi que você fez?
- Ela quis dizer que se eu não cooperasse, ela poderia deixar escapar meu segredinho, - deu de ombros novamente, tomando um gole de seu suco - eu só a lembrei que você continua foragido, e que seria interessante saber qual seria sua reação se descobrisse que alguém do Ministério está me ameaçando…
Sirius baixou a cabeça, mordendo o lábio inferior e fechando os olhos por alguns instantes, no fundo queria rir, mas ao invés disso, manteve uma pose séria, suspirando antes de começar seu discurso de pai preocupado;
- Por mais que eu adore saber que você herdou essa parte de mim, você fez errado. Dolores pode mesmo espalhar na Escola que você é minha filha, e isso causaria muitos problemas…
cruzou os braços, encarando o mais velho.
- O Ministério sempre soube disso, e mesmo depois que você escapou nunca me perguntaram nada…
- Mas a maioria dos seus colegas não sabem, e é melhor manter dessa forma.
- Pai, o máximo que iria acontecer é terem medo de mim, o que eu acho ótimo para as partidas de Quadribol…
- Eu estou falando sério, .
- Eu também! - protestou, batendo com a mão na mesa. - Se o Ministério é burro de achar que você é um Comensal, o problema não é meu.
- Vai ser se toda a Escola souber que você é minha filha.
- Sirius Black III, - começou levantando-se, com as mãos na cintura - a filha sou eu e o sobrenome é meu. Se eu quem estou em Hogwarts não vejo problemas que todos descubram que meu pai é o primeiro bruxo que fugiu de Azkaban, por que você se importa? Além do mais, todo mundo que realmente me importa já sabe que sou sua filha. - deu de ombros, voltando a sentar-se, jogando os cabelos para trás.
Sirius manteve-se sério por alguns instantes, abrindo um sorriso orgulhoso logo depois. Pensou em várias coisas que poderia dizer naquele momento, mas não conseguiu achar nada muito significativo, ao invés, levantou-se, dando a volta da mesa da cozinha e beijando-lhe a cabeça, antes de retirar-se por alguns instantes; não precisava vê-lo chorando.

Sr. Weasley teve alta do St. Mungos na manhã de Natal, e todos aproveitaram a ocasião para fazer um brinde em sua homenagem, entre tantos brindes que faziam aquele dia;
Por Harry que tinha avisado a todos e assim salvo Arthur, por Sirius que emprestava a casa para todos e Remo por ter sido o melhor professor que já tiveram. Rony que era Monitor, pelos gêmeos que ainda não tinham recebido um berrador aquele ano, por que só tinha perdido 70 pontos pela Grifinória até o momento, pela Sra. Weasley que tinha feito uma comida muito boa, pelo bruxo responsável por inventar o hidromel (embora Rony, Harry, e Gina não tivessem experimentado), por Rony que tinha ido muito bem como goleiro, e Gina como artilheira. Ao terminarem a grande rodada de brindes, finalmente começaram a almoçar, antes de trocar os presentes;
Os Weasley deram seus famosos agasalhos, tricotados à mão por Molly, ganhou um preto com um grande “B” dourado no meio, o qual ela achou muito apropriado. Rony lhe deu alguns chocolates da Dedos de Mel, Hermione (que passava o Natal na França com os pais), lhe mandou uma nova coleção de penas, incluindo uma colorida que só era possível ver o que se escrevia após dizer um feitiço. Cedrico mandou-lhe uma caixa de chocolates enorme, a qual ela provavelmente demoraria meses para terminar. Harry deu-lhe uma camiseta de seu time favorito de Quadribol; Ballycastle Bats. Também ganhou um livro sobre Runas Antigas, que era uma das matérias favoritas de e, finalmente, Sirius saiu por alguns minutos da sala, voltando com um pacote comprido e fino, que a filha não precisou de muitos segundos para adivinhar o que era.
- Feliz Natal!

- Vitor eu te amo, Vitor eu te amo sim! Quando estamos distantes meu coração bate só por vocêeee!
Sirius e Lupin pararam na entrada da sala, olhando aquela cena e segurando uma risada; dançando uma espécie de falsa com Fred, enquanto George e Harry cantavam, fingindo reger uma orquestra. Gina gargalhava ao lado, sentada na ponta do sofá e vez ou outra se juntando ao coro. Rony estava emburrado no sofá, os braços cruzados e o rosto tão vermelho quanto seus cabelos.
- O que está acontecendo aqui? - Black perguntou disfarçando a risada.
- Estamos reencenando a história de amor de Rony Weasley e Vitor Krum! - George começou a explicar, sendo atrapalhado por um grito de Fred;
- Krum bobão, Krum bobão!
- Ele é um artista! - completou juntando as mãos e suspirando, forçando uma expressão apaixonada.
O grupo começou a gargalhar, principalmente quando Rony mandou-os calar a boca, dizendo que nunca tinha dito aquilo.
- Por que essa implicância? - Remo questionou sentando-se na poltrona próxima.
- Krum quase foi nosso cunhado, - Gina comentou rindo - mas Hermione Granger foi mais rápida!
Mais risadas vieram quando a ruiva terminou o comentário, fazendo o irmão ficar tão envergonhado, que acabou levantando-se e subindo às escadas em direção ao seu quarto.
- Não deviam fazer isso... - Sirius comentou coçando a barba, olhando sério para os estudantes.
- Ele ficou assim agora, mas minutos atrás estava rindo quando estávamos imitando a ! - Harry explicou sentando-se no lugar que o amigo desocupou.
- Rony não sabe brincar! - concordou, jogando-se no sofá oposto, no qual seu pai estava.
- Eu perdi essa imitação? Quero ver! - Sirius pediu sorridente, vendo a filha rolar os olhos e negar com a cabeça.
Os gêmeos levantaram-se no mesmo instante;
- Você sabe com quem está falando? - Fred afinou a voz, colocando uma mão na cintura e arqueando a sobrancelha, sorriu de lado antes de completar - Black, herdeira do sobrenome mais nobre e importante do mundo bruxo.
- Eu nunca disse isso! - protestou em meio às risadas.
- Por enquanto, , por enquanto.
- É, agora que você vai dizer que é uma Black, já posso te ver jogando os cabelos loiros pro lado e dizendo isso. - George riu, acompanhado pelos demais.
- Não vou negar que me pareceu uma ótima ideia, só preciso da oportunidade correta! - sorriu esperta, fazendo-os rir por mais tempo.
- Remo, eu tenho uma dúvida; - Harry chamou o homem, virando-se sério para o mesmo, atraindo a atenção dos colegas - Sirius era arrogante em Hogwarts, ou adquiriu essa característica sozinha?
- Hey! - pai e filha falaram ao mesmo tempo. Lupin riu baixo, concordando com a cabeça.
- Sirius até hoje é uma das pessoas mais arrogantes que eu conheço, acho que esse detalhe está impregnado no DNA dos Black, Régulo era igual!
- Hey! - reclamaram novamente, quase parecendo ofendidos.
- Não gostei do que você está insinuando, Aluado. - o mais velho reclamou, cruzando os braços.
- Por Merlin, parece que estou vendo a ! - George comentou fingindo-se de chocado.
- Ah, cala a boca!
- Brincadeiras à parte, , George está certo. Você se parece muito com Sirius!
Os dois se entreolharam rapidamente, arqueando as sobrancelhas, antes de darem o mesmo sorriso de lado, tão típico de ambos.
- Olha só, quem diria que mesmo com tantos anos distante, você acabaria tendo as mesmas manias, não é? - Black sorriu para a filha, parecendo orgulhoso por notar tantas similaridades.
- Como eu disse, - Remo interrompeu sorridente - deve ser algo do DNA de vocês!

Sirius e Remo olharam surpresos quando viram Harry, e os gêmeos descendo as escadas, usando seus uniformes da Grifinória, enquanto Gina vinha mais atrás, usando uma capa preta e os cabelos presos em um coque apertado, um livro embaixo do braço e a varinha na mão. Parou no último degrau, gritando com o quarteto;
- Por que eu não estou surpresa em ver vocês dois em detenção, de novo? - questionou ríspida, na sua melhor imitação de Minerva McGonagall.
Harry, que tinha os cabelos mais armados que o normal, passou a mão pelos mesmos, tentando parecer ainda mais desleixado, exatamente como diziam que seu pai fazia;
- Não foi nossa culpa, professora, Almofadinhas…
- Hey, não venha colocar a culpa em mim, Pontas! - protestou, tornando a erguer o rosto pra professora, arrumando sua capa e mantendo a pose elegante, os cabelos curtos e pretos, levemente ondulados, o que surpreendeu Sirius, que não sabia que a filha já tinha tamanho domínio em transfiguração.
- Professora, - Fred e George começaram, passando na frente do casal, os cabelos claros da cor de Lupin, as roupas um pouco sujas e um arranhão em suas bochechas esquerdas - eu tentei pará-los, sinto muito. Fracassei no meu dever de Monitor! - baixaram a cabeça ao mesmo tempo.
Sirius e Remo não conseguiram controlar a gargalhada depois daquela frase, Black curvando-se ligeiramente, a mão na barriga.
- Quase uma viagem ao tempo! - Lupin comentou em meio a risadas.
- Eu nunca mais conto nada sobre essa época, vocês usam contra nós!
- Ainda bem que vocês pararam, já estava imaginando que teria que fingir beijar alguém! - comentou rindo, apontando a varinha para o próprio cabelo, que voltou a ser loiro e comprido, enquanto sentava-se no sofá, seguida pelos outros quatro; Gina soltava os cabelos presos, Harry tentava baixar os cabelos curtos e os gêmeos não pareciam se importar com os cabelos claros, deixando-os daquela forma, e apenas limpando o corte em seus rostos.
- O que quer dizer com isso? - Sirius questionou com a sobrancelha arqueada.
- Remo me contou que você beijava todo mundo, pai. - deu de ombros, sem se incomodar.
- Quem diria que Sirius seria tão parecido com o Cedrico, ein? - Fred comentou pensativo.
- Como é? - Sirius tornou a perguntar, parecendo confuso.
- Cedrico namorou Hogwarts inteira antes de começar a sair com a ! - o ruivo explicou-se, olhando de canto para a garota.
- Pois é, esse é o tipo de coisa que ninguém precisa relembrar, obrigada. - rolou os olhos, entediada.
- Cedrico Diggory? - Black pareceu extremamente surpreso. - Aquela cara de bom moço é apenas para me enganar?
- Talvez seja esse o charme dele… - Gina comentou em voz baixa, vendo concordar com um aceno.
- Cedrico até saiu com a namorada do Harry! - George relembrou, fazendo tanto Potter quanto mexerem-se desconfortáveis.
- Ela não é minha namorada…
- Mas você estava beijando-a pelos corredores, logo ela é algum casinho… - Fred replicou rindo, vendo-o ficar vermelho. Depois de Rony, Harry era sua segunda pessoa favorita para envergonhar.
- Como é que é? - Sirius encarou o afilhado, que deu de ombros. - Quem é?
- A japonesinha Chang, que deu o fora no Harry ano passado! - George explicou.
- Ela não me deu o fora, só tinha outro par…
- E foi aí que o Harry chamou a para o Baile, e ela não quis ir!
- O QUE?
- Não foi nada demais, pai…
- Você chamou minha filha para um Baile, Harry Potter? - Sirius virou-se sério, encarando-o descrente. Harry olhou assustado para o padrinho, então o homem passou a encarar a filha, sentada ao lado de Potter - E por que foi que você não aceitou, ?
- Porque já tinha combinado de ir com Cedrico, - deu de ombros novamente, passando a língua pelos lábios - Harry me deixou como última opção, papai. Minha autoestima foi atingida!
- Ah, cala a boca! - Potter comentou baixo, um tanto envergonhado.
- Eu não acredito no que estou vendo, você deixou minha filha como segunda opção?
- Por um instante achei que Sirius estava com ciúmes, agora tenho a sensação que ele está triste por não ter ido… - Remo comentou coçando a barba rala.
e Harry se entreolharam, começando a rir em seguida, negando com a cabeça.
- Sirius, me diz uma coisa - Fred começou, sentando mais na ponta do sofá e encarando o homem -, você e James tinham algum tipo de plano de juntar o casalzinho aqui - apontou para os dois amigos - quando eles crescessem, para juntar as famílias?
- O que?? - Black falou com a voz uma oitava mais fina, pigarreando antes de continuar, levantando-se do sofá e afastando-se em direção às escadas - É claro que não, que ideia…
Remo começou a gargalhar, enquanto os adolescentes o encaravam, um tanto confusos.
- Isso foi um sim? - perguntaram ao mesmo tempo, não tendo nenhuma resposta de Lupin.


Capítulo 8

O retorno das aulas não foi tão bom quanto Cedrico esperava, após voltarem dos feriados, passou janeiro inteiro ocupado com todas as suas tarefas tanto como Monitor Chefe quanto como Capitão do time de Quadribol, além é claro, de estudar cada vez mais para os NIEM’s que se aproximavam. O resultado de tudo isso, era passar cada vez menos tempo com , que também parecia sempre ocupada.
Não conseguiam passar mais do que alguns poucos minutos juntos, nos finais de semana, quando não tinham treino de Quadribol, ou matérias acumuladas para estudar. Outro ponto que, por mais que o lufo não quisesse admitir, tinha voltado a incomodá-lo, era o fato dela estar sempre junto de Harry Potter, fossem nas aulas ou nos tempos livres.
Entendia que eles eram amigos e estavam no mesmo ano, mas não conseguia evitar vê-los juntos o tempo todo.
O auge foi numa noite, quando estava terminando sua ronda, pronto para voltar para o Salão Comunal, e encontrou os dois saindo de uma sala no corredor, andando juntos, conversando em voz baixa, enquanto sorriam um para o outro. Diggory precisou fazer um grande esforço para não sacar sua varinha e lançar algum feitiço em Potter, ao invés, apenas postou-se na frente dos dois, impedindo-os de descerem as escadas. Os dois o olharam assustados por um instante, mas relaxaram quando viram que era Cedrico.
O lufo manteve os braços cruzados, a expressão séria, olhando de um para o outro.
- Posso saber o que fazem aqui a está hora?
Os dois se entreolharam rapidamente, fez um sinal com a cabeça, e Harry afastou-se devagar, dando um boa noite baixo, enquanto Black aproximava-se do Monitor.
- Estou esperando uma resposta antes de descontar pontos da Grifinória.
arqueou a sobrancelha, sorrindo de lado, descrente.
- Até parece…
O lufo respirou fundo, a raiva subindo por seu ser, antes de falar em voz alta;
- Menos dez pontos para a Grifinória. Aluno fora da cama.
Black o olhou surpresa, a boca ligeiramente aberta. Piscou duas vezes antes de entender que Cedrico tinha, finalmente, resolvido assumir sua posição como Monitor e agora estava a castigando por quebrar as regras, ignorando o fato de serem namorados.
não chegava a culpá-lo por aquilo, mas nunca imaginou que ele fosse realmente fazer aquilo um dia. Parte de si estava um tanto desapontada. Cruzou os braços, acenando com a cabeça, antes de dizer boa noite e começar a se afastar. Diggory a segurou pelo braço, puxando-a para o canto da parede, não querendo correr o risco de serem pegos por outros professores;
- O que estava fazendo com Potter?
- Nada. - respondeu, sem encará-lo, enquanto soltava-se. Cedrico respirou fundo, passando a mão pelos cabelos.
- Se bem me lembro, quando eu te chamei para sair hoje, você disse que estaria estudando a noite toda, - comentou em voz baixa - não estou vendo nenhum livro.
o encarou de sobrancelha arqueada, tornando a cruzar os braços.
- O que você está querendo insinuar?
- Insinuar? - riu irônico - Não estou mais insinuando, fazem dias que estou procurando um tempo para ficar com você, mas você nunca pode, está sempre ocupada, sempre com Potter. E agora vejo os dois saindo rindo de uma sala, no meio da noite, depois de ter me dito que não sairia da Torre da Grifinória. O que você acha que eu dizendo?
Black fechou os olhos por um instante, concentrando-se em não começar a gritar no corredor, contendo a raiva por, de novo, notar a desconfiança de Cedrico;
- Eu não aguento mais, Diggory. Quantas vezes eu preciso dizer que Potter é meu amigo? Quantas vezes você vai sair me acusando por algo que eu não fiz? Se é assim tão difícil pra você confiar em mim, acho melhor terminarmos por aqui. - olhou-o séria, a raiva presente em sua voz. - E só para você saber, - continuou antes de começar a afastar-se - não estávamos sozinhos, tinha mais vinte alunos com a gente, incluindo Justino e Ana que são da Lufa-Lufa, se não acredita em mim, pode perguntar para eles. - encerrou antes de dar as costas, afastando-se rapidamente pelas escadas.
Diggory continuou encarando o lugar no qual ela estava antes, processando a ideia de que tinha acabado de terminar o namoro deles, por mais um ataque de ciúmes de Cedrico.

Diggory não conseguiu dormir aquela noite, e nem concentrar-se nos estudos no dia seguinte. Ficava repassando mentalmente as últimas brigas que tinha dito com a garota, sempre pelo mesmo motivo.
Aproveitou o intervalo do almoço para perguntar à Ana Bolt, que tinha acabado de sentar-se na mesa da Lufa-Lufa, se ela tinha mesmo estado com na noite anterior, mas o fez de forma sútil;
- me contou que vocês estavam juntas ontem, não é?
- Ah, sim! - sorriu - Ela foi minha dupla na reunião da Armada, me ajudou com o feitiço do Patrono, estou quase conseguindo executar um corpóreo! - contou animada, antes de virar-se para começar com uma amiga.
Cedrico fechou os olhos, arrependendo-se no mesmo momento por ter, mais uma vez, a acusado de traí-lo.
Passou o resto do dia pensando em um jeito de tentar se redimir, mas não a viu em nenhum momento. Encontrou Hermione saindo da biblioteca antes do último período de aula, e ao perguntar a Granger sobre a loira, Mione apenas negou com a cabeça, dizendo que não era um bom momento para os dois conversarem. Cedrico notou o tom repreensivo em sua voz, claramente o julgando pelo o que tinha feito.

Demorou quase uma semana para finalmente conseguir conversar com a garota, que voltava de Hogsmeade com os amigos, mas aceitou conversar com o lufo.
Caminharam juntos até o campo de Quadribol, sentando-se na arquibancada, ficaram em silêncio por alguns minutos, olhando a neve que caia, fevereiro estava ainda mais frio que o normal.
- Eu sinto muito, de verdade. - disse finalmente, a voz baixa, olhando-a de lado.
suspirou, concordando com a cabeça.
- Eu também sinto, Cedrico, sinto porque você não confia em mim.
Cedrico fechou os olhos por alguns instantes, não sabendo como responder. No fundo aquilo era verdade e ele sabia, não tinha como negar.
- Eu não quero perder você. - soprou baixo, quase em um sussurro.
demorou algum tempo para responder, mas ele a escutou fungando.
- Eu amo você, Diggory. - disse finalmente, passando a mão pelos olhos - Eu te amo, mas eu não quero continuar desse jeito. A gente passou a maior parte desse ano brigando, quando não era por causa da Umbridge, era o seu ciúmes. Eu não aguento mais.
Cedrico olhou para frente, o chão branco, coberto de neve.
- Você quer mesmo terminar, não é?
negou com um sorriso triste.
- Eu não quero, mas acho melhor se não nos falarmos por um tempo. Estamos indo por dois caminhos diferentes Cedrico, eu não quero atrapalhar seu caminho para um bom cargo no Ministério, mas eu não vou deixar de ser quem eu sou ou fazer o que eu quero por isso. Diggory mordeu o lábio inferior, concordando com um aceno.

aproximou-se, abraçando-o apertado e sendo correspondida da mesma forma, antes de levantar-se, afastando-se.


Capítulo 9

Diggory continuou seguindo seus afazeres como Monitor e Capitão do time de Quadribol, além de passar algum tempo ajudando na Brigada Inquisitorial, embora fosse bem menos do que devesse, usando sempre a desculpa que precisava estudar para os NIEM’S. Umbridge pareceu muito satisfeita quando notou que o lufano e Black não estavam mais juntos, resolvendo usar isso a seu favor; sabia que a garota, assim como Potter, estava armando alguma coisa. Eles tinham um grupo para duelos, mas Dolores ainda não tinha conseguido descobrir como ou onde funcionava. Sabendo que o casal estava separado, Diggory agora poderia ajudá-la a descobrir, era apenas uma questão de tempo.
Esperou o final da aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, para chamar o lufano, antes do mesmo sair para sua próxima aula;
- Diggory, preciso que passe na minha sala após as aulas, ok? Tenho alguns assuntos que gostaria de conversar.
Cedrico concordou com um aceno, não parecendo muito animado.
A verdade era que Diggory parecia fazer tudo no automático nas últimas semanas e, quando não estava ocupado com alguma coisa, ficava na biblioteca ou em seu quarto, lendo um livro ou dormindo. Tomava cuidado para não encontrar com nos corredores, sabendo as aulas que ela tinha e como se evitarem. Depois de terem oficialmente terminado, só a encontrou duas vezes, na saída de uma das aulas de McGonagall e no Salão Principal, durante o almoço. Até as refeições eles faziam em horários diferentes, evitando-se o máximo possível.
Parte de si sentia a falta da garota, queria poder conversar com ela, queria ter no mínimo sua amizade de volta, mas sabia que não seria fácil, e que não era a melhor hora para aquilo.
Diggory não conseguia olhar para Black apenas uma amiga, como tinha sido no começo. Ele não conseguia apagar de sua memória tudo o que tinha acontecido entre os dois, e os sentimentos que ainda tinha por ela. Embora estivesse se esforçando.
tinha razão quando disse que eles estavam seguindo caminhos diferentes, e que tinham cada vez menos em comum. Não parecia um problema no começo, mas talvez fosse para o futuro, mesmo sem Potter no meio.
também não estava tão animada quanto Cedrico achava, mas esforçava-se para continuar agindo normalmente e fazer o que sempre fazia. No fundo achava que era uma questão de tempo até voltar com o lufano, tinha certeza que ele ainda gostava dela tanto quanto ela gostava dele, achava que só precisavam de um tempo, que logo estariam juntos como antes. Talvez a distância ajudasse, pelo menos tinha sido isso que Hermione aconselhou.
O problema para ela foi quando encontrou Cedrico conversando com outra garota, Cho Chang.
Os dois estavam sentados lado-a-lado na biblioteca, conversando em voz baixa, escondeu-se entre as estantes de livros, olhando de longe os dois. Notou o sorriso fácil no rosto de Diggory e os cochichos entre eles, até a corvina pegar na mão de Cedrico.
Segurou a raiva e a vontade de chorar, dando as costas e afastando-se o mais rapidamente que pode da biblioteca, derrubando alguns livros no caminho, recebendo um rápido sermão da bibliotecária, mas não parando para ouvir por mais de dois segundos, não querendo que Cedrico a visse ali.
Potter a encontrou no canto da escada, abraçada as próprias pernas enquanto olhava para o nada, perdida em pensamentos. Sentou-se ao seu lado, puxando um assunto qualquer para distraí-la, não precisava perguntar o que tinha acontecido, era um tanto óbvio que ela estava triste por causa de Cedrico desde o dia que terminaram. E, mesmo que tentasse negar para si mesmo, Harry não estava de todo chateado por aquilo, é claro que não gostava de ver sua melhor amiga daquele jeito, mas parte de si estava realmente contente que ela tinha, finalmente, terminado com Diggory. Nunca gostou de ver os dois juntos, Cedrico podia até ser legal, mas não o suficiente para estar com Black, nem mesmo sabia o que ela tinha visto no lufano. Estavam rindo juntos conforme Harry lhe contava sobre as ideias dos gêmeos para darem vomitilhas para Umbridge comer, quando Cedrico e Chang passaram no corredor, andando juntos, embora não muito próximos. Os quatro se encararam por alguns segundos, apenas acenando com a cabeça, Cho foi à única que chegou a dizer oi, correspondido apenas com um sorriso amarelo dos dois. Cedrico chegou a parar por um instante, como se fosse dizer algo, mas, ao invés, apenas acenou novamente, afastando-se acompanhado pela garota.
- Eu achei que você estava saindo com a Chang. - comentou após alguns segundos.
- É, eu também. - deu de ombros, franzido o cenho por um instante - Devo encarar isso como um recado sutil de não chamá-la para sair novamente, não é?
riu baixo, concordando.
- Aparentemente, sim. O que foi que você fez?
- Eu não fiz nada, para dizer a verdade, foi a Hermione. Naquele dia que me chamou para a entrevista com a Skeeter.
A garota concordou com um aceno, lembrando-se vagamente de Potter ter dito que a corvina não pareceu muito satisfeita por ele sair no meio do encontro.
- Então ela e o Diggory estão juntos? - questionou interessado. deu de ombros.
- É o que parece, não?
- Que ótimo - disse quase irônico -, fomos os dois trocados pelos dois alunos exemplares.
- Imagino que é nossa culpa, huh? Nossa imagem não é das melhores na Escola.
- Pode ser, mas eu não trocaria nossa fama de querer destruir o Ministério por boas notas! - deu de ombros, sorrindo de lado.
- Fale mais alto, talvez Umbridge só precise de uma confissão nossa para nos mandar à Azkaban! - piscou, vendo-o rir concordar.

Quando Cedrico entrou na sala da professora, sentou-se na cadeira almofadada, tentando ignorar os miados irritantes dos gatos nas paredes, e o cheiro doce que o lugar tinha. Não escutou muito do que Umbridge começou lhe dizendo, principalmente quando ela citou o nome de . A imagem recente da garota com Potter não o deixava concentrar-se em nada mais.
Eles não pareciam juntos, mas estavam perto o suficiente, rindo de alguma piada interna. Sua vontade era de ter puxado Potter e jogando-o escada abaixo, afastando-o de sua garota. Mas não era mais sua, e se as coisas continuassem daquele jeito talvez ela não voltasse a ser por muito tempo. Sentiu-se burro também ao notar o olhar dela sobre Cho, quis lhe dizer que eles não tinham nada, mas percebeu que não era necessário, eles não estavam juntos. Embora tivesse medo de que ela achasse que ele a tinha trocado rápido, seguido em frente e a esquecido. Aquilo não era verdade. Queria dizer que só tinha conversado com a apanhadora da Corvinal por alguns minutos, que não tinha sido nada sério. Acalmou-se por alguns minutos quando Cho disse que tinha saído com Harry, mas só até ela dizer que não tinha rendido, que o garoto a tinha deixado de lado para encontrar com Hermione. O suspiro aliviado que escapou por seus lábios ao ouvir aquilo não podia ser descrito em palavras.
Harry estava interessado em Hermione, pelo menos foi isso que Chang entendeu. Muito melhor, até achava que os dois combinavam. Hermione era legal, Potter não era de todo ruim. Eles eram amigos e, de fato, estavam sempre próximos também, mas Diggory não tinha notado, porque sempre ocupava-se em ver sua namorada com Harry, só aquilo era suficiente para irritar-lhe. Mas, então, se Potter e Granger estavam juntos, não tinha motivos para ter ciúmes.
Desejava que tivesse conversado com Chang antes, que ela tivesse dito aquilo dias atrás, talvez ele ainda estivesse com se soubesse disso antes.
Umbridge continuava a falar e Cedrico concordava com a cabeça vez ou outra, embora não prestasse nenhuma atenção. Reconheceu as palavras Ministério, Fudge, carreira e futuro. Nenhuma delas lhe interessava no momento, queria sair daquela sala e ir encontrar com , pensar em um jeito de se desculpar e voltar o namoro, queria poder beijá-la novamente. Aceitou quando a professora entregou-lhe uma xícara de chá, mesmo que não quisesse, apenas para fingir prestar atenção no assunto, parecer interessado.
Tomou um gole do chá e segurou a careta, era extremamente doce.
Umbridge continuou falando, levantando-se de sua cadeira por alguns instantes e rodeando a sala, Diggory aproveitou para jogar o restante do chá na planta mais próxima, o gosto exagerado do açúcar ainda presente em sua boca.
Sentiu-se estranho por alguns instantes, parecia que sua língua formigava e, quando Umbridge sentou ao seu lado, Diggory não conseguiu pensar em nada que não fosse na voz irritante da mulher, com perguntas e mais perguntas;
- O que Black e Harry Potter estão fazendo?
- Eles têm um grupo secreto, Potter ensina os alunos a usarem feitiços.
- Quantos alunos?
- Não sei, mais de vinte.
- Onde eles se reúnem?
- Não sei, eu não estou no grupo, não tenho muitas informações.
- Quem mais faz parte?
- Granger, os Weasley, Cho Chang, alunos da Grifinória, Corvinal e Lufa-Lufa.
Umbridge sorriu, os olhos brilhando enquanto levantava-se.
- Uma última pergunta, Diggory. - Cedrico virou-se para olhá-la - sabe o paradeiro de Sirius Black?
- Sim, senhora. Eles conversam por cartas.
- Excelente.

Demorou vários minutos para o efeito da poção passar, e só então Diggory tomou consciência do que tinha acontecido, e do que ele tinha dito. Procurou por todo o Castelo, tentando um jeito de avisá-la do que tinha feito, ela precisava avisar Sirius que ele talvez não estivesse seguro. Agradeceu imensamente a professora não ter lhe perguntado se ele sabia o local em que Black se escondia, tinha certeza que seria uma questão de minutos até o Ministério aparecer e tornarem a levá-lo para Azkaban. Também precisava avisar sobre a Armada, não poderiam se reunir por algum tempo, talvez Umbridge procurasse algum dos outros alunos, alguém que fizesse parte, mas Cedrico não a encontrou. Nem Potter, Weasley ou Granger.
Quando virou um corredor no terceiro andar sentiu o coração bater acelerado;
A professora estava junto com Filch, Malfoy e mais alguns alunos da Brigada, e, ao lado, Cho Chang.
- Bombarda!
Uma pequena explosão foi ouvida, e então as paredes ruíram, revelando a sala secreta com um grupo grande de alunos, poucos segundos depois viu Draco puxar , arrastando-a junto com Potter para o lado, enquanto os demais alunos seguiam para outro caminho, junto com a Brigada.

Esperou do lado de fora da sala de Dumbledore até aparecer, mas mesmo depois de quase uma hora ela ainda não tinha saído, e quando o fez, junto a Potter, estavam sendo novamente arrastados pela professora. Ela o encarou por poucos segundos, antes de Umbridge a puxar pelo braço, arrastando-a pelo corredor.
Fudge logo apareceu, junto com Quim e mais algumas pessoas que ele não conhecia. Quim o olhou de lado, piscando sutilmente. Tão rápido quanto apareceram, saíram pelo corredor, Cedrico ainda conseguiu ouvir algo sobre o Profeta Diário e Dumbledore, mas não entendeu o que significava.
Demorou alguns minutos para encontrar a sala na qual os alunos estavam de castigo, precisando esperá-los por quase duas horas até começarem a sair, ficou do lado da parede, aguardando até Black aparecer, junto do trio de amigos, a segurou pelo ombro quando passou por ele, vendo-a o olhar desconfiada por alguns instantes.
- Podemos conversar? É importante.
concordou com aceno, afastando-se junto com o lufo pelos corredores, até entrarem em uma sala vazia, fechando a porta ao passar.
- O que aconteceu? - foi a primeira coisa que perguntou.
- Chang nos entregou, foi isso que aconteceu. - respondeu em voz baixa, os braços cruzados. - Fudge acha que queremos atacar o Ministério, e que foi tudo culpa de Dumbledore. Ele fugiu. - contou, passando as mãos pelo rosto cansado. Foi aí que Cedrico notou algo, em sua mão esquerda, aproximou-se devagar, segurando a mesma junto a sua.
O sangue ainda escorria sobre os dizerem em vermelho “Ninguém é maior que o poder do Ministério”.
Soltou o ar que nem tinha percebido segurar, fechando os olhos por alguns instantes.
- Eu sinto muito. - disse em voz baixa, negou com a cabeça.
- Não foi sua culpa, foi Chang quem contou.
Cedrico então mordeu o lábio inferior, encarando-a nos olhos por alguns instantes, sentindo o medo se apoderar dele, quando ela soubesse o que tinha feito. Por um segundo quis não contar, mas Sirius poderia estar em perigo agora, e seria sua culpa se o homem fosse capturado. Negou com a cabeça, um sorriso triste em seus lábios.
- Foi minha culpa. - soprou quase em um sussurro. Black arqueou a sobrancelha, a expressão confusa - Umbridge me chamou na sala dela hoje, falou sobre coisas do Ministério e me deu um chá para tomar.
- O que você tomar chá com ela tem a ver?
Diggory engoliu em seco, passando a língua pelos lábios antes de continuar;
- Ela colocou alguma coisa no chá, eu…
A expressão confusa da garota foi dando lugar a uma surpresa, e então incrédula.
- Você…?
- Eu não consegui evitar, ela me perguntou e quando eu vi já estava falando. - contou apreensivo, a voz desesperada - Me perguntou quem se reunia com vocês e onde era, eu disse que não sabia o lugar, mas falei o nome de Cho. Foi por isso que Umbridge foi até ela, talvez tenha dado a mesma poção, eu não sei.
deu as costas ao lufo, ainda escutando-o se desculpar e tentar explicar o que tinha acontecido.
- Tem mais uma coisa… - passou a mão pelos cabelos, parecendo mais nervoso. - Ela perguntou sobre Sirius.
Black gelou por dentro, prendendo a respiração.
- Ela sabe? Você contou? - perguntou em voz baixa, Diggory negou.
- Ela perguntou se você sabe onde ele se esconde, eu disse que sim. Ela vai monitorar suas cartas, todas elas.
Black respirou fundo por um instante, fechando os olhos por breves momentos, antes de tornar a encará-lo;
- Se alguma coisa acontecer com meu pai, Diggory…
- Ele vai ficar bem, você sabe como Sirius é… E, Quim faz parte, não é? Não vai deixar ninguém o pegar.
negou com um aceno, olhando-o com tanta raiva, que Diggory estava esperando que a qualquer momento pegasse sua varinha e o azarasse.
- Se pegarem meu pai por sua causa, eu nunca vou te perdoar.
Disse antes de afastar-se a passos largos, Cedrico a chamou, tornando a pedir desculpas, tentando justificar o que tinha acontecido, mas ela não deu atenção, logo sumindo pelo corredor escuro.


Capítulo 10

A garota passou a semana nervosa, principalmente por não conseguir se comunicar com Sirius, e avisar o que estava acontecendo. Tinha medo que uma das cartas fosse interceptada, e não poderia arriscar-se desse jeito. Harry parecia tão nervoso quanto, mas, diferente dela, não chegou a culpar Diggory por aquilo, mesmo que não gostasse do lufo.
- Se ela colocou uma poção da verdade, não tinha o que ele fazer, .
- Bem, se ele não tivesse dado chance ao azar, talvez isso não tivesse acontecido! - retrucou nervosa.
A solução foi, mesmo que arriscada, tentar enviar uma carta codificada para os Tonks, aproveitando para tentar avisar que Dora também poderia estar sendo monitorada;

Olá, família de cabelos coloridos.

Tá tudo bem aqui, Umbridge insuportável como sempre, não vejo a hora de ter férias!
Infelizmente Dumbledore fugiu e agora estamos sendo todos monitorados 24 horas pela cara-de-sapo, E TORTURADOS TAMBÉM, eu juro que se eu ficar com essa cicatriz feia na minha mão eu vou divulgar isso para os outros jornais que não seja o Profeta Diário!
Acredita que ela está usando Veritaserum? Enganou Diggory e ele tomou, falou mil coisas pra ela. Eu aposto que tem alguma regra sobre isso ser ilegal! EU QUERO ELA EM AZKABAN!
No mais, tudo certo. Minhas notas estão boas, nada para se preocupar!
E o meu cachorro? Ele tem se comportado?
Queria que as férias chegassem logo, assim poderia vê-lo e levá-lo para passear.
Manda um beijo para o Almofadinhas!
Nos vemos em algumas semanas,

Beijos, amo vocês!
.

Durante as semanas que se passaram, não tiveram notícias sobre Sirius, o que significava que eles tinham entendido seu recado. Potter parecia ainda mais chateado, pois o padrinho era o único com quem se comunicava por cartas, e agora não recebia corujas de ninguém, embora, sempre lhe mostrasse um pedaço das cartas que recebia dos Tonks, a qual sempre tinha alguma nota para Harry, escrita por Sirius.
Hermione teve a brilhante ideia de usar Rita Skeeter e o jornal do pai de Luna, O Pasquim, para divulgar uma entrevista exclusiva, na qual Harry contava sobre a volta de Voldemort. E, mesmo com o Ministério tentando inviabilizar a matéria, muitos bruxos tiveram acesso à mesma, duvidando cada vez mais da palavra de Fudge e do Profeta Diário.
As pessoas estavam com medo, mas estavam, aos poucos, acreditando e se protegendo.
Nesse meio tempo, Cedrico fez a única coisa que ainda podia; cuidar da única parte de sua vida que ainda tinha controle. Largou de vez a Brigada Inquisitorial, tendo até mesmo começado uma discussão com Umbridge, a respeito do uso de Veritaserum, tendo ainda o apoio de McGonagall, mas, sem Dumbledore presente, não poderiam fazer muito mais, e precisaram deixar aquilo de lado, afinal, como Dolores mesmo disse; o Ministério estava do seu lado, o poder era totalmente dela.
Dedicou-se ao Quadribol, conseguindo deixar seu time em segundo lugar no final do campeonato. O último jogo tinha sido contra a Corvinal, tendo ganhado por 320 x 170. Um jogo antes, contra a Grifinória, perderam por 220 x 250, o qual já tinha sido bem esquisito, já que Potter e os gêmeos Weasley tinham sido expulsos do time, após uma briga com Draco Malfoy.
A Grifinória terminou em primeiro, com apenas 80 pontos de vantagem para a Lufa-Lufa, ao mesmo tempo que tinha ficado extremamente frustrado consigo mesmo, por não ter conseguido esperar o time ter uma vantagem maior antes de pegar o pomo, parte de si ficou feliz ao ver tão feliz, aproveitando para parabenizá-la quando se encontraram no dia seguinte;
- Obrigada. - sorriu animada. Cedrico ficou alguns instantes em dúvida se deveria abraçá-la, por isso acabou apenas esticando a mão, para um cumprimento formal, e extremamente embaraçoso. Black franziu o cenho por alguns instantes, aceitando o aperto, mas aproximando-se o suficiente para abraçá-lo rapidamente. Diggory sorriu pequeno, retribuindo o gesto e terminando com um beijo em sua bochecha.
- E seu pai? - perguntou em voz baixa, tomando cuidado para ninguém escutá-los.
- Está tudo bem, ele está seguro. - respondeu no mesmo tom, suspirando em seguida. - Eu acho que te devo desculpas.
Diggory arqueou a sobrancelha, colocando as mãos no bolso da calça, negando com um aceno.
- Se eu estivesse no seu lugar, provavelmente teria feito pior do que gritar.
- Eu, sinceramente, duvido. - sorriu pequeno - E não foi sua culpa, não tinha como você saber, não é? Sei que em uma situação normal não teria dito nada. Me desculpa?
O lufo tornou a abraçá-la, por mais tempo do que da primeira vez.
- Não tenho nada para desculpar, está tudo bem.
Começaram a andar juntos pelo corredor em direção ao Salão Principal, para almoçarem.
- E como estão as coisas na Brigada?
Deu de ombros.
- Não faço ideia, não estou participando.
o encarou de lado por alguns instantes, concordando com um aceno.
- Ela parou com os castigos?
- Sim, não seria bom pra ela se alguém mais visse não é? O pessoal que vai avaliar os NOM’S estão chegando essa semana…
Diggory concordou, sentindo-se satisfeito por conseguir manter uma conversa razoável com Black.
- Confiante?
- Provavelmente menos do que a Hermione, - deu de ombros - mas nada muito preocupante. E você? Os NIEM’s são essa semana também, huh?
- Tudo em ordem. - sorriu de lado - Não passei sete anos sendo o melhor aluno do meu ano, para errar agora! - piscou divertindo, vendo-a rir ao concordar.
Separaram-se assim que passaram pela porta principal, andando em direção à mesa de suas Casas, apenas acenando um para o outro. Não tinham conversado por muito tempo, nem nada realmente sério, mas o suficiente para deixar Cedrico sorrindo o dia inteiro, e muito mais bem humorada do que nas últimas semanas.

A semana de NOM’s e NIEM’s como todos imaginavam, vinha sendo um tanto estressante para todos os alunos que estavam prestando os testes, mas até então nada fora do normal tinha acontecido. Black, Potter e Weasley tinham plena consciência que suas notas não seriam tão boas quanto às de Granger, mas pareciam bastante satisfeitos com seus desempenhos até o momento. A prova de Defesa Contra a Arte das Trevas tinha sido ainda melhor para e Harry do que para Hermione, que na hora de enfrentar o bicho-papão acabou gritando e correndo, desesperada.
- O que aconteceu? O que você viu? - Rony questionou curioso.
- Minerva, Minerva… - dizia entre lágrimas - Disse que eu reprovei em todos os testes!
segurou a risada, abraçando a amiga de lado, enquanto dizia estar tudo bem. Harry sorriu de lado, mas deu tapinhas em suas costas, como se quisesse a consolar. Rony, por outro lado, apenas gargalhou com a situação inteira, deixando-a ainda mais nervosa.
Cedrico entretanto, não teve qualquer problema com suas avaliações, tinha certeza que sua melhor nota seria em Transfiguração, principalmente ao ver McGonagall sorrir para ele, assim que terminou sua demonstração. Também tinha ido muito bem em Feitiços, Aritmancia, Poções e Defesa Contra as Artes das Trevas, mas sentia que não tinha dado o seu melhor na prova de História da Magia, porém nada que o preocupasse muito.
A última prova para os alunos do quinto ano era de História da Magia, enquanto a de Cedrico e mais um grupo de colegas era Runas Antigas.
estava quase dormindo em cima do pergaminho, não fazia ideia do que estava escrevendo, nem mesmo se lembrava de ter estudado aquela parte sobre a Revolução dos Duendes, procurando mais a fundo, teve um rápido flashback de Hermione brigando com ela e Harry por estarem jogando snap explosivo ao invés de estudarem, o que, agora, parecia realmente uma péssima ideia.
Olhou para o lado, vendo Potter tão confuso quanto ela, e parecendo tão sonolento quanto.
Duas cadeiras mais a frente, viu Rony praticamente babando em seu pergaminho, por outro lado, Hermione, sentada na sua frente, estava escrevendo freneticamente, deixando-a ainda mais nervosa.
Aconteceu tudo muito rápido depois disso, em um momento estava tentando focar-se em inventar alguns nomes para não deixar a questão em branco, e no outro ouviu fortes barulhos vindos de fora da sala. Umbridge, sentada no centro do Salão Comunal, na cadeira que pertencia a Dumbledore, levantou-se hesitante quando os barulhos aumentaram.
Gritou uma ou duas vezes para os alunos tornarem a prestar atenção da prova, mas todos viraram-se quando um novo barulho, parecido com um tiro de canhão, foi ouvido. As paredes do Salão pareciam tremer com o barulho, e quando Umbridge abriu a porta, Fred e Jorge entraram voando pela sala, soltando feitiços e jogando alguns de seus logros. Pergaminhos voaram enquanto os alunos gritavam, aplaudindo a confusão que se formava.
Umbridge tentava pará-los, sem sucesso e, em determinado momento, os gêmeos lançaram uma espécie de dragão de fogos, que correu pela sala em direção a diretora.

Cedrico estava respondendo a última parte de seu teste quando começou a ouvir uma gritaria vinda do andar inferior. Explosões e mais gritos, junto com, ele estranhou por alguns instantes, palmas. Virou-se para a examinadora, que também parecia confusa com o que estava acontecendo, levantando-se para ver mais de perto. O grupo com pouco mais de vinte alunos, já que Runas Antigas era uma matéria opcional, deixou o teste de lado, olhando para a porta, e esperando alguma explicação sobre o ocorrido.
- Mas… o que?
- Olhem! - um dos alunos gritou, apontando para a janela.
Todos levantaram-se ao verem fogos de artifício explodindo no céu, e um grupo de alunos correndo para os jardins. Cedrico logo reconheceu os gêmeos Weasley com suas vassouras, vários metros do chão, enquanto jogavam mais alguns feitiços, animando os quintanistas.
Diggory procurou com o olhar, logo reconhecendo , com seus cabelos extremamente loiros, no meio da multidão, parecendo tão animada quanto os demais.
- Sem nenhum controle… - a examinadora dizia, também prestando atenção na confusão - Alvo jamais deixaria uma coisa assim acontecer… Muito bem, voltem para seus exames, vocês têm mais quarenta minutos.
Mesmo que contrariados, o grupo de alunos voltou a sentarem-se em suas mesas, tentando retomar a concentração no teste, o que era difícil, especialmente com a gritaria que continuava do lado de fora. Cedrico estava curioso para saber o que acontecia, sorriu sozinho ao pensar que isso com certeza seria o suficiente para puxar assunto com Black por, pelo menos, uma hora. Voltou a olhar sua prova, muito mais animado para terminá-la logo, do que quando começou, mais de uma hora atrás.
Mas o plano de Diggory de, assim que terminasse sua prova, procurar e conversar sobre o que tinha acontecido, não saiu tão bem quanto o esperado; quando entregou os dois pergaminhos, sentindo-se bastante aliviado por finalmente ter terminado as provas, e um tanto nervoso ao lembrar-se de que, em menos de duas semanas, Hogwarts terminava para ele, procurou Black pelo Salão Principal, mas não a encontrou. Perguntou para alguns alunos da Grifinória, mas nenhum deles parecia tê-la visto. E os outros três amigos da loira também não estavam à vista.
Pensando que ela tivesse voltado para o Salão Comunal, Diggory voltou para o Salão da Lufa-Lufa, aproveitando para tomar um banho antes do jantar, poderia conversar com ela depois da refeição, talvez para relembrarem algumas das noites que ficaram depois do horário em alguma sala vazia, conversando sobre assuntos diversos, ou apenas aproveitando o tempo que tinham juntos. Cedrico suspirou, reparando na falta que sentia da garota, desde as conversas bobas que tinham, até os beijos que davam quando estavam completamente sozinhos.
Foi só quando o jantar estava terminando e ele ainda não tinha à visto, o que já tinha o deixado um tanto preocupado, que Diggory começou a ouvir alguns comentários;
“Eles foram pegos pela Umbridge, invadiram o escritório dela durante a confusão com os Weasley!”
“Falaram que eles estavam tentando conversar com Dumbledore”
“Foram até a Floresta Negra, e não voltaram mais”
“Longbottom, Di-Lua e a garota Weasley também foram pegos!”
socou o Malfoy!”

Quando ouviu a última frase, o que não parecia nem um pouco improvável, Diggory passou a observar a mesa da Sonserina, procurando por Draco, mas não o encontrando.
Tinha algo muito errado acontecendo, e ele não fazia ideia do que poderia ser.
Não parecia nem um pouco estranho os quatro tentarem invadir o escritório de Umbridge, mas não fazia ideia do motivo que os levaria a fazer aquilo. Alguma coisa muito séria precisava ter acontecido para chegarem àquilo, mas o que seria?
Levantou-se de sua mesa, ignorando as demais conversas dos amigos, procurou com os olhos na mesa dos professores, mas também não encontrou Snape, talvez o professor soubesse o que estava acontecendo…
Encontrou-o em sua sala, escrevendo em um pedaço de pergaminho;
- Senhor…?
- O que quer, Diggory?
- Eu soube… Eu ouvi… - começou, não sabendo bem o que dizer - Está tudo bem?
Severo rolou os olhos, impaciente, antes de levantar-se, andando a passos largos pela própria sala, em direção a saída. Por um momento, Cedrico teve certeza que o professor o mandaria sair, principalmente quando o agarrou pelos ombros, mas ao invés, saiu junto com o lufo, descendo rapidamente as escadas.
- Potter teve uma falsa visão, acha que o Lorde das Trevas tem Black junto dele.
- O que?
- Black é irresponsável, não seria surpresa nenhuma ser capturado - resmungou -, mas desta vez foi uma falsa visão, é claro, que arrogante como Potter é, não sabe disso, e nem considerou essa possibilidade.
- Então… Eles estão na Floresta?
- Não. - negou em tom baixo, ainda puxando-o pelo ombro - Eles estão no Ministério.
- Eles… O que?
- Foram para Londres, imagino que sete adolescentes do quarto e quinto ano sejam o suficiente para derrotar Comensais da Morte, não é mesmo? - comentou ironicamente.
- É uma emboscada.
- Me surpreende que para um aluno tão inteligente, você tenha demorado tanto para entender algo tão simples, Diggory. - Snape replicou áspero. O lufo não se incomodou, no entanto.
Estava deveras preocupado com o que estava acontecendo, para ligar para o professor o chamando de burro.
- Como faço para chegar até lá? - perguntou de repente. Snape o encarou. - No Ministério…?
O bruxo rolou os olhos, abrindo a porta da sala de Umbridge.
- Você não vai, a está hora a Ordem já está lá.
- Sirius…?
- Obviamente, ele gosta de chamar atenção.
Diggory sentiu o peito acelerar, não tendo ideia do que poderia fazer para ajudar de alguma forma, uma sensação ruim dentro de seu peito. Não tinha como aquilo acabar bem, eles não podiam lutar contra Comensais da Morte, e se o próprio Voldemort aparecesse? E se, de fato, pegassem Sirius? E, pior ainda, se algo acontecesse com ?
Como tinha sido tão burro de não ter percebido que tinha algo errado antes?
Talvez se não tivesse sido idiota o suficiente durante o ano inteiro, não teria terminado com ele, e ela teria contado o que estava acontecendo antes de invadirem o escritório da diretora, ou antes de irem ao Ministério.
Nunca se perdoaria se algo acontecesse com ela, ou mesmo qualquer um dos outros, sabendo que talvez pudesse ter ajudado de alguma forma.
Snape o empurrou em direção a cadeira mais próxima, dando a volta e sentando-se na cadeira da diretora.
- O que…?
- Só nos resta esperar por notícias da Ordem.

Talvez se a perguntassem o que tinha acontecido mais tarde, não soubesse explicar.
Tinha sido tudo uma confusão de cores e feitiços, a última coisa que se lembrava com exatidão era de ter entrado para fazer a última prova do ano, depois daquilo nada parecia fazer sentido.
Em um momento estava rindo com os amigos por causa dos gêmeos, no outro Harry tinha tido uma visão de Sirius sendo torturado. Em um instante estavam invadindo a sala de Umbridge, e no outro ela tinha socado Draco, depois disso encontraram com Harry e Hermione saindo da Floresta Negra e, então, voavam para Londres em testrálios, o que era ainda mais estranho, já que nem mesmo conseguia ver no que estava montada.
E então a verdade veio à tona; Era tudo mentira.
Sirius nunca correu perigo, mas agora eles estavam cercados por Comensais da Morte.
Lembrava-se vagamente de ter gritado alguns feitiços, de ter acertado um ou outro Comensal, mas nada que fosse o suficiente para deixá-los em segurança.
Harry tinha a profecia em suas mãos, mas nenhum deles tinha um plano para escapar.
Logo estavam novamente cercados, e nada poderiam fazer sobre aquilo.
Porém, a maior surpresa daquela noite, foi quando o capuz de um dos Comensais caiu, e, assim que olhou em sua direção, a reconheceu; Victoria Lestrange Black, estava parada diante de seus olhos. A mulher loira, de olhos claros a encarou por alguns instantes, não parecendo nem um pouco surpresa de encontrá-la ali, apenas indiferente.
- Mamãe e filha estão juntas, é? - Bellatrix riu ao notar as duas se encarando.
No momento seguinte estavam todos presos e sem suas varinhas, enquanto Harry parecia não ter outra escolha a não ser entregar a profecia.
E tudo tornou a acontecer muito rápido novamente, Sirius apareceu, saindo do véu logo atrás de Harry, e no momento seguinte a Ordem estava quase toda ali.
Seu pai puxou Harry e a si mesma para o canto, pedindo para manterem-se escondidos enquanto os adultos tomavam conta do resto.
Permaneceram olhando todos os duelos que aconteciam por alguns minutos, e logo viu seu pai reparar em Victoria, do outro lado da sala, duelando com Ninfadora, e então ele tomou o lugar de Dora, que virou-se para lutar com Bellatrix.
O casal se encarou por alguns instantes, até Sirius sorrir irônico;
- Como está, meu amor?
Victoria sorriu da mesma forma, os olhos brilhando;
- Muito melhor do que você, querido, os anos em Azkaban não te fizeram muito bem, não é?
- Nem à você. - respondeu no mesmo tom, antes de erguer a varinha; uma luz vermelha saiu da mesma, em direção à mulher, que desviou com facilidade, antes de devolver o ataque.
assistiu sua mãe e seu pai duelarem mais do que os outros, defendendo-se e atacando em um piscar de olhos, não pareciam reparar em mais ninguém ao redor.
- Esse é o tipo mais estranho de briga de casal que eu já vi na minha vida. - Luna comentou ao seu lado.
Neville gritou quando Dumbledore apareceu, os Comensais pareceram ainda mais nervosos, incluindo Victoria, que se distraiu por um instante, sendo atingida por um feitiço estuporante lançado por Sirius no momento seguinte, caindo desacordada.
Sirius olhou ao redor, vendo Dora duelando com Bellatrix, deu um passo para ajudar a sobrinha, logo reparando que algo não estava certo;
Lestrange sorria como uma psicopata, o que seria normal, se o bruxo não a conhecesse tão bem, tinha algo a mais ali. E ele tinha razão.
Bellatrix nocauteou Dora e virou-se para Sirius, mas não foi para ele que seu feitiço foi lançado, no último momento ela girou, apontando na direção de .
Sirius gritou quando notou o que acontecia, mas não foi rápido o suficiente para evitar que sua filha fosse atingida.
] Harry ainda tentou puxá-la para o lado quando viu o raio que vinha em sua direção, mas não adiantou; a garota foi lançada vários metros no ar, caindo com um baque forte no chão, o sangue escorrendo por sua testa.
Bellatrix gargalhou, antes de esquivar-se de outros feitiços, derrubar Remo e correr escada acima, escapando de Dumbledore no caminho.
Potter encarou caída, desacordada, seu coração bateu acelerado, o medo espalhando-se por seu corpo. Seus olhos recusando-se a ver a imagem, com medo do que aquilo poderia significar.
Sirius correu em direção à filha, ignorando todo o resto, lágrimas já inundando os olhos do homem.
Potter virou-se na direção das escadas, vendo Bellatrix no topo, os demais Comensais presos ou desmaiados. Pulou por sobre Rony, que estava encolhido no caminho, pisando na mão do ruivo sem querer, antes de sair em disparada atrás de Bellatrix.
Sirius alcançou a garota, puxando-a para seus braços, tirando parte dos cabelos loiros caídos por sobre o rosto desacordado da garota. Limpou um pouco do sangue que escorria por sua testa, tentando estancá-lo, com medo de tentar sentiu o pulso da garota.
Chacoalhou-a devagar nos braços, chamando seu nome, sem ter qualquer resposta.
Hermione tinha as mãos no rosto, lágrimas caindo incessantes por seus olhos, assim como de Luna e Gina. Neville e Rony olhavam para a cena sem saber o que dizer. Quim aproximou-se aflito, enquanto Moody acordava Remo e Ninfadora. Assim como o grupo de Comensais que tinha sido estuporado, amarrando-os juntos.
Victoria pareceu demorar alguns instantes para entender o que acontecia, sua cabeça latejando, seu olhar logo preso da reação assustada de todos os membros da Ordem, que encaravam Sirius Black ao canto, agachado, segurando alguém em seus braços. No segundo instante reconheceu os cabelos loiros que o ex-marido afagava;
- Ela está morta? - questionou em voz alta, sendo ignorada por todos.
- Bellatrix. - Lucius disse ao seu lado, em um sussurro audível apenas para ela.
Dumbledore deu passos largos em direção à garota, embora parte de si quisesse ir atrás de Potter, sabendo o que poderia estar acontecendo no outro andar.
Ajoelhou-se ao lado de Sirius, o homem mais pálido do que ele jamais tinha o visto;
- Eu não… Eu não consigo sentir o pulso… - soprou desesperado, a voz embargada, enquanto encarava o bruxo - Ela não tem pulso… Dumbledore… Por favor…

Digorry roía as unhas, ansioso. Balançava o pé tentando conter um pouco da aflição que sentia, do nervosismo. Pareciam horas intermináveis, sem qualquer notícia do que estava acontecendo, sem saber se estavam todos bem, sem saber se estava okay. Já estava escuro, era o meio da madrugada, e eles ainda não tinham notícias.
Snape parecia entediado, aproveitando para ler um livro que estava sobre a mesa, estava quase na metade quando ouviu um estalo vindo da lareira às suas costas; Severo e Cedrico viraram-se ao mesmo tempo para ver o que era, logo reconhecendo Quim falar das chamas; - Voldemort não conseguiu a profecia. - começou com a voz grave, Diggory levantou-se de sua cadeira, aproximando-se e agachando-se em frente à lareira.
- Tá todo mundo bem? - perguntou nervoso, o coração acelerado.
Quim o encarou por alguns instantes, negando com a cabeça.
- Duelamos com os Comensais, Bellatrix estava entre eles. - aguardou alguns instantes para continuar, parecendo não saber o que dizer, Diggory sentiu a mão tremer e o ar faltar-lhe.
- Perdemos alguém? - Severo questionou finalmente.
- Não sabemos ainda… foi levada ao St. Mungus, Dumbledore disse que é grave.




Continua...



Nota da autora: 23/09
LEMBRETE ETERNO: Essa versão não é relacionada aos fatos de UNH, ok? É 100% alternativo em um mundo em que Cedrico-Capitão-Monitor-Exemplo de Estudante-Diggory, vive! O que já é, por si só, um mundo lindo, ne non?

Já pensou, se na versão alternativa, quem morre é a filha do Sirius? HAHAHAHAHAH
Xx Reh





Outras Fanfics:
The Black's Family Story - Prólogo 1
A Life Inside Azkaban - Prólogo 2
The Death Eater's Child - Prólogo 3
The Family's Wrong Side / Extra de UNH
Uma Nova História
Uma Nova História II
Black & Diggory
Black & Diggory II
Backstage
Keeping Up With Harry Morris
New Frontier
Blue x Gunner
Up In Some Hotel Room / The Maine
You Make Me Feel Like (Like what) / The Maine
New Frontier/Especial
Uma Nova História II/Especial
Black&Diggory II/Especial
01. Nuestro Amor
Bônus: Lay me Down
07.Ghost - Spin Off Backstage
06.Galway Girl
07.Greedy


comments powered by Disqus