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Última atualização: 05/11/2019

Prólogo.

Flashback

Virou-se assustado, olhando em todas as direções;
- Fleur? – será que tinha encontrado com alguma das criaturas de Hagrid? – FLEUR? – gritou o mais alto que pode, dando meia volta e correndo para a direção que ele achava que o som tinha vindo.
Correu por mais ou menos dois minutos, mas não conseguiu escutar mais nada.
Será que ela já estava bem?
Quando se virou para uma nova trilha a esquerda, escutou um barulho alto e, ao virar-se, com a varinha em punho, viu Vítor Krum parado, entrando no mesmo caminho que ele.
- Ah, é você... – suspirou aliviado, tornando a olhar para o outro lado. Será que Krum também tinha ouvido o grito da francesa? – Escuta... – virou-se para o búlgaro, vendo-o erguer o braço com a varinha, apontando em sua direção. Diggory franziu o cenho, confuso. Que droga de brincadeira era aquela? – Que é que você está fazendo? – gritou indignado, era assim que Krum queria vencer? – Que diabo você pensa que está fazendo? – perguntou novamente, vendo-o caminhar em sua direção, o olhar fixo no lufo.
Cedrico deu um passo para trás, erguendo a varinha, mal acreditava que Krum estava mesmo pronto para atacá-lo.
- Crucio!
No instante seguinte Cedrico estava jogado ao chão, a varinha longe de suas mãos.
Se contorcia no gramado, sentindo o ar faltar em seus pulmões.
Ouvia os próprios gritos, desesperados, saindo por sua garganta.
Os pensamentos agitados em sua cabeça não o deixavam pensar com clareza, mas a falta de ar em seus pulmões começou a deixá-lo tonto, enjoado.
- Cedrico! – ouviu uma voz ao fundo de sua mente gritar, e então a dor sumiu.
Se manteve parado, arfando, o corpo trêmulo.
Não conseguia colocar-se em pé naquele instante.
Seus pensamentos ainda agitados dificultavam o entendimento da situação.
Alguém abaixou-se ao seu lado, chacoalhando-o pelos ombros.
- Cedrico! Está tudo bem? Consegue se levantar?
Aos poucos conseguiu focar o rosto de Harry Potter, o garoto o encarava preocupado.
- Diggory?
- Está... Eu... – olhou para os lados confuso, ainda sentindo certa dificuldade para respirar. – Krum... Ele, se aproximou pelas minhas costas...
Potter olhou para um ponto logo a frente, voltando a virar-se para Diggory pouco depois, o qual tentava levantar-se com certa dificuldade, estendeu a mão para ajudar o colega.
- Você ouviu a Fleur gritar?
- Acha que ele a pegou também?
- Talvez... Vamos terminar a prova e sair desse lugar!
Cedrico concordou, aceitando a mão estendida como apoio, firmando os pés no chão com certa dificuldade.
Potter virou-se, dando alguns passos para frente, após disparar faíscas vermelhas no local em que Vítor estava caído.
- O que você ach... Diggory?
Cedrico sentiu-se tonto, a cabeça girava e a falta de ar ainda presente.
Fechou os olhos, incapaz de mantê-los aberto e, tudo o que percebeu no instante seguinte, foi à escuridão dominá-lo.

Flashback off.

Diggory abriu os olhos com certa dificuldade, a claridade o incomodando momentaneamente.
Passou a língua pelos lábios secos, olhando para o próprio corpo; estava sem camisa e parte de seu braço enfaixado e com uma pasta laranja, que ele reconhecia por ter usado depois da primeira prova, quando tinha queimado parte de seu corpo.
Ao virar a cabeça para os lados, aos poucos reconheceu a Ala Hospitalar, e, mais lentamente ainda, seu cérebro pareceu lembrar-lhe o que tinha acontecido;
O Torneio Tribruxo tinha acabado. Ele tinha perdido.
Sentiu a frustração e irritação dominarem seu corpo, mas distraiu-se ao ouvir cochichos vindos de algum ponto ao lado. Virou-se para a maca próxima a porta de saída, vendo várias pessoas no local, ao olhar com mais atenção, reconheceu os Weasley e Hermione por ali, não conseguindo ver direito quem era o outro homem por ali, mas percebeu que era Potter quem estava na maca. Também não viu , o que o fez arquear a sobrancelha por um instante, questionando internamente onde a namorada poderia estar.
Pouco mais de dois minutos depois, enquanto olhava entediado para o teto, ouviu passos e virou a cabeça, vendo-a entrar no local, segurando um copo de café, enquanto vários outros flutuavam próximos a ela.
A garota olhou em sua direção, abrindo um sorriso grande ao notar que ele já estava acordado.
Esqueceu-se do feitiço e do próprio copo, correndo em sua direção para abraçá-lo, ouvindo um barulho alto quando todos os cafés tinham caído ao chão.
O pessoal olhou ao redor, assustado com o que acontecia, até verem-na sobre o lufo.
- Eu disse que era melhor se eu e Fred fossemos, mas ninguém quis me escutar! - Jorge falou em voz alta - Não derrubaríamos nada só porque o bonitão da escola está acordado!
- É, agora teremos que ir buscar do mesmo jeito! - Fred concordou - Obrigado, Black!
O casal ignorou os comentários dos gêmeos, continuando abraçados por alguns instantes, até a loira se afastar, beijando-lhe os lábios demoradamente. Diggory esqueceu-se de qualquer frustração ou pensamento derrotado que tinha até um minuto atrás, tê-la próximo era suficiente, mas quando a garota juntos suas bocas, ele sentiu como se já pudesse enfrentar mais três dragões.
- Isso foi por eu estar preocupada! - sussurrou ao afastar-se, vendo-o abrir os olhos um pouco desnorteado - E isso, é por me fazer ficar preocupada! – o estapeou no ombro que não estava machucado.
- Ouch! - exclamou a encarando, sorrindo de canto.
- É sério, Diggory. Se você não tivesse colocado seu nome no Cálice nada disso teria acontecido e você não estaria aqui. Consegue imaginar o que poderia ter acontecido se você pegasse aquela Taça? - replicou nervosa, deixando as brincadeiras de lado.
Cedrico franziu o cenho, confuso;

- Se eu tivesse chego até a Taça eu… Ganharia mil galeões? negou com a cabeça, apontando com a cabeça para a maca de Potter;
- A Taça era uma Chave de Portal, - suspirou, não sabendo como contar tudo o que tinha acontecido de forma resumida, por isso achou melhor falar apenas o principal - Você-Sabe-Quem retornou.
Diggory abriu a boca chocado, demorando alguns segundos para processar a informação.
- O que…? Como…?
- Veja só quem acordou! - ouviram uma voz aproximando-se.
- Te conto mais tarde. - avisou, logo vendo o pai parar ao seu lado.
- Espero que esteja bem disposto, ainda não tivemos nossa conversa! – Sirius sorriu, piscando para Cedrico quando este o olhou, surpreso com sua presença. – Fiquei pensando se um duelo ainda é apropriado, ou vocês são modernos demais para essas coisas? Eu tive que duelar algumas vezes quando estava estudando... – comentou pensativo, o braço cruzado e a mão esquerda coçando a barba – Nunca com o pai de alguma namoradinha, mas dá no mesmo, não é verdade? – sorriu para os dois.
sentiu o rosto esquentar e olhou para o lado contrário de Cedrico.
O garoto, por sua vez, manteve o contato visual com Sirius, embora não parecesse capaz de pensar em uma resposta, era informação demais e minutos de menos para processar tudo aquilo. Sorriu nervoso para o homem.
- Como se sente? – Black questionou quando notou que os dois adolescentes pareciam constrangidos. – Soube que foi muito bem no Torneio!
- Nem tanto assim, não é? – deu um sorriso amarelo, apontando para a parte do corpo machucada. - E também não ganhei.
Sirius abanou a mão no ar, sentando-se ao seu lado na cama.
- Mas foi o Campeão de Hogwarts, huh? E eu soube que você foi atacado pelo Krum durante a prova... – encarou-o por alguns instantes. – O que, se pensarmos bem, até que foi uma coisa boa, não? Quem sabe o que poderia ter acontecido…
Diggory concordou, ainda um tanto confuso com tudo.
- Quem sabe... – respondeu em voz baixa, com um sorriso triste nos lábios finos.
Black sorriu para o rapaz, antes de levantar-se, bagunçando rapidamente os cabelos de Cedrico, apertando-lhe o ombro em seguida.
- Descanse bem, Diggory, não gostaria de tornar a ver minha filha chorando pelos cantos, preocupada com você...
- Pai! - O que? Não era para ele saber?
Cedrico olhou para a garota, de braços cruzados, olhando séria para Sirius.
- De qualquer forma, preciso resolver algumas coisas para Dumbledore. Nos vemos em breve, Diggory!
- Foi um prazer, senhor. – apertou-lhe a mão, firmemente.
Sirius sorriu de canto.
- Aperto de mão forte, muito bem. Não tem mais com o que se preocupar, , seu namorado já está bem. Essa noite não vai precisar ficar acordada do lado dele!
abriu a boca, chocada, o rosto mais vermelho do que nunca.
- Eu te odeio! - sussurrou para o pai, vendo-o gargalhar, jogando os cabelos para trás.
- Não seja tão exagerada! – Sirius aproximou-se, abraçando-a apertado, sendo retribuído da mesma forma. – Eu também te amo. Nos vemos logo, ok?
- Mas...
- Eu prometo! – segurou-lhe nos ombros, encarando-a por alguns instantes, assumindo uma pose séria – Preciso fazer o que Dumbledore me pediu. Mantemos contato! – beijou-lhe a bochecha. – Até logo, Cedrico, conversamos mais tarde!
Acenou com a mão, escutando uma resposta breve.
Viram Sirius passar novamente pela maca na qual Harry estava, despedindo-se rapidamente do afilhado, antes de tornar a se transformar no grande cachorro negro.
Cedrico coçou a sobrancelha, sem jeito, antes de olhar para a namorada, que permanecia com o olhar na porta.
- Então... Você ficou aqui a noite toda? – perguntou em tom baixo, tentando esconder o sorriso que crescia em seus lábios.
o olhou com a sobrancelha arqueada.
- Patético, Diggory. Patético!
Cedrico novamente deu de ombros, sorrindo sem jeito para a garota.
- Eu te amo, sabia?
balançou a cabeça e olhou para o lado oposto, tentando esconder, sem muito sucesso, um sorriso tímido. Notou quando a mão do lufo envolveu a sua, apertando-a gentilmente.
- Não consegui parar de imaginar o que poderia ter acontecido com você se chegasse naquela Taça… - confessou em voz baixa. - Harry quase morreu, Ced - encarou-o por um instante, em meio a um suspiro - Entende o que eu digo?
Cedrico deixou o olhar cair sobre o grupo do outro lado, respirando fundo antes de voltar a atenção para a namorada;
- Não tem mais com o que se preocupar, . Eu estou aqui e não pretendo mais ficar longe de você. Eu juro que na próxima não colocarei meu nome!
Sorriu para o namorado, antes de inclinar-se em sua direção, beijando-lhe os lábios.

Um.

Diggory estava sentado no parapeito do corredor, olhando distraidamente para os jardins, nos quais os estudantes continuavam a conversar e se despedir dos visitantes, antes que estes fossem embora. A confusão na final do Torneio e o anúncio de Dumbledore de que Voldemort tinha retornado não parecia importante naquele momento.
Poucos alunos falavam a respeito, a maioria não parecia ter assimilado a importância daquela informação e outros tantos, talvez 90% dos estudantes, não estava realmente convencido.
Afinal, apenas Harry Potter tinha o visto, e Dumbledore só dizia que o Lorde das Trevas tinha retornado, por causa do garoto.
Mas e as provas?
Cedrico era um dos poucos que tinha acreditado na história, internamente sabia que só tinha acreditado por saber de todos os detalhes, talvez se só tivesse uma versão mal contada como os outros, também não acreditasse.
Se fosse sincero, parte do motivo de Cedrico acreditar de prontidão em tudo aquilo, mesmo antes de ter todos os detalhes, era porque acreditava.
E era porque Dumbledore acreditava, o diretor já estava tomando as devidas precauções, embora Cedrico não soubesse exatamente quais, tinha dito que o bruxo tinha dado ordens para alguns professores e para Sirius, a missão deles era de reunir alguns amigos antigos e conversarem com outras tantas pessoas.
Dumbledore preparava-se para uma Guerra que o Ministério e o próprio Ministro, nem mesmo cogitavam.
Fudge achou ridícula a simples ideia de Voldemort ter retornado.
Era um absurdo, e por isso o Ministério decidiu abafar os comentários.
Com tudo isso acontecendo, mesmo embora seu orgulho parecesse ter sofrido um grande golpe por ter perdido para Potter no Torneio, Cedrico conversou com o garoto, oferecendo algum apoio caso viesse a precisar de alguma coisa.

Assustou-se quando sentiu alguém apertar-lhe os ombros, virando-se e vendo sorrir para ele, antes de pegar impulso para sentar-se ao seu lado, cruzando as pernas. Permaneceram em silêncio por alguns instantes, olhando para o pessoal rindo nos gramados.
- O que foi? - perguntou ao perceber o sorriso contido que ela mantinha nos lábios.
deu de ombros, o sorriso crescendo aos poucos.
- Não vai me contar?
- Dora me mandou uma carta pela manhã… Talvez… Talvez meu pai passe alguns dias em casa com a gente… - encarou-o sorridente.
Cedrico piscou surpreso, sorrindo em seguida, vendo a animação da loira.
- Fantástico!
- Eu sei! - concordou com a cabeça, tornando a olhar para os colegas, o sorriso ainda presente em seu rosto.
Diggory permaneceu olhando-a por tempo indeterminado, sorrindo consigo mesmo, até ela olhar em sua direção, curiosa com seu sorriso fácil sem motivos aparentes.
- O que foi?
- Gosto de te ver sorrindo. - deu de ombros, vendo-a ficar levemente constrangida. - Você fica realmente fofa quando fica vermelha, mas não é mais tão fácil te fazer ficar com vergonha desde que começamos a sair…
- E esse é seu objetivo para hoje, Diggory? - questionou rindo fracamente, sentindo o rosto esquentar cada vez mais.
- Talvez, mas também tenho outra coisa em mente, sabe?
- Hm, e o que seria? - riu ao vê-lo ficar em pé, apoiando o braço na perna na garota, inclinando-se em sua direção.
- Vou deixar você descobrir sozinha dessa vez… - piscou antes de beijá-la.
Black riu baixinho contra os lábios do namorado, antes de passar os braços por seu pescoço, acariciando-lhe os cabelos curtos.
Cedrico chegou em casa mais sorridente do que o normal por duas razões simples:
Primeiro, tinha se despedido muito bem da namorada em uma das salas de aula vazias, para compensar os dias que não se veriam.
E, a segunda, tinha sido a primeira vez, que realmente aparatara!
A sensação era horrível, mas ao mesmo tempo era ótimo poder finalmente fazer aquilo sem precisar da ajuda dos pais por ser menor de idade. Não precisava mais de vassouras, lareiras ou do nightbus. Poderia estar em qualquer lugar que quisesse em poucos segundos.
E, obviamente, uma das vantagens de agora ser considerado maior de idade, era que poderia, por exemplo, aparatar na casa de a hora que quisesse.
Óh, aquilo era fantástico!
Já se imaginava fazendo algumas visitas noturnas para a namorada, depois, é claro, de descobrir os dias que Sirius Black estaria por perto. A última coisa que queria era o pai da garota o encontrando escondido em algum canto.
Conversava com os pais enquanto comia, contando-lhes sobre o ano turbulento e tudo o mais que se lembrava. O casal o deixava a par das novidades, que não eram muitas, dos meses que ele esteve na Escola.
- Ah, Ced, vamos viajar nessas férias! Seu pai conseguiu alguns dias de folga! - Rachel contou empolgada, olhando do marido para o filho.
Cedrico parou de mastigar, franzido o cenho.
- Viajar?
- Vamos visitar seu avós, estivemos com eles no Natal, mas como você estava em Hogwarts, prometemos que assim que retornasse das aulas iríamos para lá!
- Estão morrendo de saudades, não paravam de perguntar sobre você, querido.
O rapaz tomou um gole de suco, pensando sobre o assunto.
Até não era má ideia visitar os avós em Liverpool, mas aquilo significava que não poderia ver , e seu recente plano de visitá-la à noite, não seria colocado em prática.
- Quanto tempo?
- Umas três ou quatro semanas, talvez um pouco mais…
- Eu provavelmente voltarei para o trabalho antes, mas vocês ficarão mais dias, seus tios e primos também estão indo!
- Será ótimo poder rever todo mundo, eles não estavam no Natal. - Rachel comentou, sorrindo para o filho.
- Você pode contar sobre o Torneio, filho!
Cedrico suspirou um tanto frustrado.
- O que foi, querido?
- Eu… Tinha planejado passar alguns dias com a
Amos abanou a mão, rindo levemente.
- Vocês poderão se ver quando voltarmos, garanto que ninguém vai morrer de saudades! Além do mais, já passam o ano todo juntos!
- Mas… Um mês? Não pode ser sei lá… Umas duas semanas?
- Um mês passa tão rápido quanto duas semanas, vocês nem vão perceber!
- Talvez pra você… - reclamou apoiando o rosto na mão.
- Jovens, sempre tão dramáticos…
- Por que você não a convida, Ced? - Rachel sugeriu animada. - Tenho certeza que todos vão gostar de conhecê-la!
Cedrico sorriu com a ideia, ajeitando-se na cadeira, seria ainda melhor passar alguns dias com ela longe de Londres, sem tanta supervisão da família, mas logo desfez o sorriso;
- Ela não vai.
- Como sabe? Nem perguntou… Tenho certeza que Andrômeda confiaria de deixá-la passar alguns dias conosco…
- É claro que separaríamos os quartos… - Amos comentou, vendo o filho engasgar-se com o suco que tomava. Após poucos segundos, no qual ainda sentia o rosto queimar, e via o sorriso divertido do pai, finalizou seu raciocínio:
- Sirius vai ficar na casa dos Tonks por alguns dias, não vejo a menor possibilidade dela querer ficar longe de casa…
- Ah, mas isso vai ser muito bom para eles! - Rachel novamente sorriu, Cedrico a encarou - Ela não passa muito tempo com o pai, Ced, vai ser bom para eles. Os dois precisam disso!
- E essa viagem vai ser boa pra vocês dois também, filho. É sempre bom sentir um pouco de saudades de quem se ama, melhora a relação!
Cedrico encarou seu pai por alguns instantes, rolando os olhos e negando com a cabeça, rindo baixo.

o abraçou por vários minutos na entrada de casa, despedindo-se antes da viagem dos Diggory para Liverpool. Prometeram mandar cartas durante as semanas que estivessem separados, e, aproveitando o momento que tinham sozinhos, após certificar-se que não tinha ninguém na rua, Cedrico virou-se para beijá-la com intensidade, querendo memorizar com detalhes, para as semanas que passariam distantes.
Mal se imaginava ficando um mês longe dela, principalmente depois de terem avançado um pouco mais o contato, desde o dia da terceira prova do Torneio Tribruxo. Diggory sentia um arrepio passar por seu corpo só de lembrar-se daquele momento.
apertou-lhe os ombros, arfando leve quando o rapaz mordeu-lhe o lábio inferior, antes de ouvirem um latido alto, próximo demais;
Cedrico soltou-a no mesmo instante, virando-se assustado para os lados, sua mente fértil já imaginava Sirius apontando-lhe a varinha e azarando-o ali mesmo. Contudo, para sua sorte, não era um cão negro que estava latindo, era apenas o cachorrinho do vizinho, latindo para um pássaro que tinha pousado na cerca que separava os dois terrenos.
- Você parece nervoso…- cantarolou, segurando a risada.
- Você não pode me culpar por ter medo do seu pai. - resmungou, antes de respirar fundo, tornando a abraçá-la por alguns instantes. - Te vejo na volta!
- Sentirei saudades!


Diggory aproveitava as últimas horas que passaria com os primos, no The Cavern Club, um pub inglês bastante popular na cidade, tanto para trouxas quanto para bruxos. Se você soubesse fazer o pedido certo. Os bruxos tinham um tipo de senha, para acesso a outra parte do pub, longe dos olhos curiosos dos trouxas.
Cedrico vinha se sentindo muito bem, agora que era maior de idade, conseguia fazer várias coisas que queria há anos, e não era permitido pela lei.
Com todas as novidades e o tempo em que passou com os primos, aquele mês realmente passou mais rápido do que o esperado, mas também não era verdade a parte que seu pai insistia em repetir, dele praticamente não sentir saudades da namorada. Na verdade, parecia uma eternidade desde que tinham se visto pela última vez.
Tinham trocado algumas cartas durante aquelas semanas, mas Cedrico sempre tinha a impressão que a garota estava deixando de lhe contar alguma coisa, e ele esperava descobrir assim que a encontrasse. também não tinha dado muitos detalhes sobre Sirius, embora tivesse dito que estava vendo-o com certa frequência.
- Ora, se não é o concorrente número um de Cedrico, novamente aparecendo no jornal! - Brandon apareceu rindo, mostrando-lhes a edição do Profeta Diário. Cedrico arqueou a sobrancelha, primeiro para o riso fácil do primo - visivelmente bêbado -, segundo pela brincadeira. Se arrependeu até o último fio de cabelo por ter comentado sobre a namorada ser tão próxima a Harry.
Cedrico então pegou o jornal, dando uma olhada na primeira página; Potter tinha usado o feitiço do Patrono na frente de um trouxa.
Franziu o cenho, confuso.
No fundo sabia que deveria ter algum motivo para o garoto ter feito aquilo, embora o jornal parecesse negar veementemente, e exigisse que o Ministério tomasse uma atitude severa, já que Harry Potter, embora famoso, ainda era menor de idade.
Era até irônico ver uma matéria no folhetim, falando mal do garoto, visto que até pouco mais de um mês antes, pareciam colocar Harry como um herói; o grande Campeão de Hogwarts.
Deixou o jornal de lado, tornando a prestar atenção na conversa dos primos, enquanto tomava sua bebida. Sentia falta de passar tempo com eles, costumavam ser todos muito próximos quando mais novos, e achava que acabariam juntos em Hogwarts, mas Brandon e a gêmea, Bethany, acabaram na Escola de Bruxaria dos Estados Unidos, Ilvermorny, já que o marido de sua tia, irmã de sua mãe, era de lá. Os três sempre acabavam em pequenas discussões para decidir qual era a melhor e, mesmo negando infinitamente, os gêmeos sabiam que Hogwarts era superior, e até tinham uma pequena inveja de Cedrico, por ter sido selecionado para a Escola.
- Então, quando vamos conhecer sua garota? - Brandon tornou a questionar, esticando-se em sua cadeira e olhando ao redor.
Diggory deu de ombros, um sorriso leve no rosto.
- Quando forem à Londres posso apresentar, vão gostar dela!
- Isso se vocês ainda estiverem juntos, não é? - Brandon tornou a rir, cutucando o primo. - Depois de tantos dias, talvez ela já esteja com Potter novamente!

A garota terminava de escovar os dentes quando escutou a campainha tocando no andar de baixo. Sorriu sozinha, antes de sair do banheiro e descer as escadas, vendo Cedrico conversar com Andrômeda.
O rapaz virou-se para a escada, vendo-a descer os últimos degraus, o sorriso tomou seu rosto, assim como o dela, quando andou em sua direção, abraçando-o apertado.
- Bom, acho melhor deixar vocês dois conversarem, não? Imagino que tenham muito para colocar em dia. - Andy disse antes de virar-se em direção a cozinha - Prometo que não conto para o Sirius que os deixei sozinhos! - piscou para o casal, rindo consigo mesma.
Cedrico passou a língua pelos lábios finos, olhando ao redor.
- Seu pai está aqui?
riu negando com a cabeça, antes de puxá-lo pela mão em direção ao seu quarto.
Assim que passaram pela porta do cômodo, Diggory a puxou para um novo abraço, muito mais apertado e demorado que o anterior, tentando de alguma forma suprir o tempo que tinham ficado afastados.
- Caramba, eu realmente senti sua falta! - sussurrou contra seu ouvido, vendo-a rir baixinho.
- Eu também, mais do que achei que sentiria! Quer dizer, um mês não é assim tanto tempo, não é? - afastou-se momentaneamente dele, olhando os olhos cinzentos do namorado. Cedrico fez careta.
- Eu descobri que um mês é muito tempo!
- Mas aposto que você se divertiu com seus primos, não? - questionou sorrindo.
Diggory reparou que a garota parecia mais relaxada e animada do que se lembrava, e tinha um brilho diferente nos olhos, e também parecia incrivelmente mais linda para ele, talvez fosse o sorriso fácil ou o tempo que não a tinha visto, imaginá-la nunca era tão bom quanto tê-la ao seu lado.
Cedrico concordou com a cabeça, antes de colocar as mãos no rosto da namorada, olhando-a nos olhos por alguns instantes, movimentando os lábios para sussurrar um “senti sua falta”, em seguida curvou-se para beijá-la com toda a vontade que tinha guardado durante as últimas semanas.
Passaram incontáveis minutos aos beijos e abraços, até a garota o afastar lentamente, com os lábios vermelhos e o batimento alto, enquanto tentava normalizar a respiração.
Abriu os olhos, sorridente, vendo-o sorrir de volta, mordendo levemente o lábio inferior.
Diggory suspirou, passando a mão pelos cabelos, antes de virar-se, sentando-se na cama ao lado.
- Você não corta mais o cabelo? - questionou rindo, parando em frente ao namorado e passando os dedos pelos cabelos dele, compridos o suficiente para jogá-los para trás. - Está querendo ficar igual meu pai, é?
Cedrico riu antes de passar os braços pela cintura dela, que continuava em pé.
- Não, só não tive tempo de cortá-los ainda, resolvi ver minha garota antes, sabe? - piscou - Você, por outro lado, andou cortando esse cabelo, não? Está bem mais curto do que da última vez que te vi! - comentou puxando uma das mechas loiras.
concordou balançando a cabeça, para que ele visse melhor o corte.
- Digamos que eu não sou muito à favor de passar calor, e está absurdamente quente esse verão! Estava pensando em mudar a cor também, mas não gostei muito do resultado… - deu de ombros.
- Espera, você pintou? Como eu não tenho nenhuma foto desse acontecimento? - questionou surpreso, vendo-a negar.
- Dora se passou por mim, foi extremamente legal e assustador ao mesmo tempo!
Cedrico gargalhou, concordando.
- Não me importaria se você mudasse, mas gosto deles loiros! - piscou.
- Eu sei, também gosto… É só que… - suspirou, parecendo acanhada - Pareço muito com a minha mãe, sabe?
O lufo concordou com um aceno, sorrindo pequeno.
- Mesmo que você seja idêntica a ela, não quer dizer que seja a mesma pessoa, .
suspirou, concordando, embora ainda parecesse um tanto incerta.
- Você poderia me ajudar a escolher uma nova cor, posso pedir quando Dora chegar!
- E se eu confundir vocês duas e beijar a errada?
A loira abriu a boca inconformada;
- Passa umas semanas fora e nem lembra mais quem é sua namorada, Diggory?
O rapaz riu, negando, antes de puxá-la para mais perto, aproveitando para beijá-la mais uma vez. Com seus braços ao redor da cintura de Black, Cedrico teve extrema facilidade para fazê-la sentar-se em seu colo, passando as pernas de cada lado de seu corpo. colocou os braços ao redor de seu pescoço, acariciando-lhe a nuca e puxando seus cabelos vez ou outra, enquanto se beijavam. Até ambos se empolgarem, e Cedrico acabar caindo de costas sobre o colchão, com a garota por cima, rindo da situação que se encontravam, embora o rapaz não parecesse se importar, descendo a mão pelas costas dela, apertando-lhe a cintura.
- Chega, chega! Me conta sobre suas férias!
Cedrico fez careta ao ser afastado, demorando alguns segundos para normalizar a respiração, mas começou a contar-lhe sobre tudo o que tinha acontecido naquelas semanas, dando alguns detalhes que ele não tinha contado nas cartas que trocaram. Contou algumas situações que passou com os primos, os passeios que fez - ouvindo-a reclamar que gostaria de conhecer Liverpool, mal tinham saído de Londres durante todos aqueles anos - e o quanto os dois queriam conhecê-la e, entre uma história e outra, aproveitou para beijá-la sempre que tinha vontade.
- Mas e você? Não recebi muita coisa nas suas cartas, não é? O que você estava escondendo, Black?
abriu a boca, uma falsa surpresa em seu rosto, e então voltou a sorrir animada. Encostou-se na parede ao lado da cama, cruzando as pernas, enquanto começava a contar sobre as últimas semanas, vendo Cedrico deitado, apoiando o cotovelo na cama e a cabeça na mão;
- Bem, como eu não viajei não teve muitas novidades, não é? Fiquei em casa na maior parte do tempo… - deu de ombros, mas Diggory notou que o sorriso permaneceu em seus lábios.
- E seu pai?
- Ele ficou aqui na primeira semana, mas começou a achar muito arriscado, principalmente porque aconteceu duas vezes de Aurores aparecerem aqui, sem avisar, por sorte não deu em nada, porque ninguém sabe que ele é um Animago…
- E…?
- O que?
- Você está sorrindo demais para ter passado só uma semana com Sirius, e tenho certeza que não é por minha causa que você está assim tão feliz...
- Ei! É claro que eu fico feliz em te ver, seu bobo!
Cedrico sorriu, aproximando-se novamente para beijá-la, mas logo se afastou, aguardando a resposta da garota.
- Bem… Digamos que… - tornou a passar a mão pelos cabelos do rapaz.
- Que…?
- Digamos que… Eu esteja morando com meu pai nas últimas três semanas!
- O QUE? - questionou surpreso. - Como? Você acabou de dizer que…
- Eu seeeei! - concordou animada - Mas ele voltou pra casa da família, não é o melhor lugar do mundo, na verdade às vezes me lembra a sala do Snape… - contou com uma careta - Mas, bem, tenho meu próprio quarto e posso passar o tempo com ele!
- Isso é maravilhoso! - Cedrico sorriu para a namorada. - Como está sendo?
franziu o nariz, suspirando em seguida.
- Um pouco… Movimentado. Tem muita gente naquela casa, na maior parte do tempo a sra. Weasley quer nos fazer de Elfos… Eu não nasci pra tirar pó. Nem pra cozinhar! Você tem noção do quão ruim fica minha comida? Papai deixou pro Bicuço e nem ele comeu. Bicuço come de tudo, Ced!
- Quer dizer que um dia casarmos e dependermos de você na cozinha, vamos morrer de fome?- Diggory perguntou com a sobrancelha arqueada, gargalhou quando a viu concordar. - Ainda bem que eu me viro bem! - piscou divertido, encostando-se na parede e passando um braço por seus ombros, puxando-a para seu lado. encostou a cabeça no peito do rapaz, entrelaçando sua mão com a livre dele, brincando com seus dedos. - Mas me explica uma coisa, não entendi bem… Por quê você diz que tem tanta gente na casa? E por que a mãe do Rony está lá?
- Ai Meu Deus! Eu não te contei! - virou-se agitada, batendo com a mão na testa - Merlin! Desculpa, se bem que… Não podia ter contado por cartas… - comentou pensativa. - Enfim… Papai ofereceu a casa para ser a sede da Ordem da Fênix!
- A Ordem do quê?



Dois.

Diggory esperava, nem tão pacientemente, sentado no sofá, batucando os dedos no joelho. Olhava o relógio de cinco em cinco segundos, esperando que o tempo passasse muito mais rápido do que, de fato, estava passando.
Já era ruim o suficiente não ver a namorada sempre que queria, já que ela estava com o pai na sede da Ordem, e o lugar era secreto, então Cedrico não podia visitá-la. Não ainda. Mas ele conseguia entender essa parte e até lidou muito bem com tudo, pelo menos até duas semanas atrás, quando descobriu por uma carta dela que Harry Potter estava na sede.
No mesmo instante começou a questionar se não poderia passar no lugar, ou se ela não poderia ir até sua casa, o que seria ainda melhor já que não teriam Sirius por perto, por mais que detestasse admitir, Diggory tinha sim certo medo do homem.
O pior era que ele não a culpava por querer ficar em casa com o pai, sabia o quanto a garota sentia falta dele, nem por um momento, reclamou por ela não querer deixar o lugar. O problema era saber que Potter agora estava ao seu lado, vinte e quatro horas por dia.
Já não bastava isso em Hogwarts?
Cedrico confiava na namorada, mas não tinha tanta certeza se confiava em Harry Potter, e sabia o quanto os dois eram próximos. Tentou por diversas vezes se distrair com qualquer coisa que não envolvesse os dois juntos na mesma casa, mas parecia que toda vez que começava a pensar em outra coisa, sua mente o fazia lembrar de Black e Potter.
Tinha uma mistura de sentimentos dentro de si; frustração, ciúmes, raiva e culpa.
Sentia-se culpado por imaginar algo que provavelmente estava acontecendo apenas em sua cabeça. Sentia-se culpado por imaginar que poderia corresponder aos sentimentos de Potter, os quais Diggory nem sabia se realmente existiam.
Talvez eles só fossem bons amigos. Talvez.
Ele realmente esperava que fossem.
Cedrico sabia que gostava dele tanto quanto ele gostava dela, mas tinha medo de descobrir como ela reagiria, se um dia Potter se declarasse.
Seria possível que ela o deixaria para ficar com Harry?
Era um ciúme quase irracional, mas simplesmente não conseguia evitar, por mais que tentasse, e era isso que o fazia se sentir tão culpado. Odiava sentir-se daquele jeito.

A campainha finalmente tocou às 14h35, e o rapaz levantou com um pulo, andando até à porta, abrindo-a sorridente.
- Olá, Tonks!
A mulher estava com os cabelos azulados, compridos, presos em um rabo-de-cavalo alto, e vestia seu casaco habitual do trabalho, por cima das roupas normais.
- E aí, priminho? Ou eu deveria dizer cunhadinho? Não sei bem… Enfim…
Cedrico riu constrangido, antes de perguntar se a mulher não queria entrar, o que foi negado rapidamente.
- Na verdade estamos com um pouco de pressa, digamos que estou atrasada para uma reunião… - rolou os olhos.
Diggory concordou, apenas avisando sua mãe que estava saindo.
Os dois seguiram lado-a-lado até o meio da calçada de entrada, quando Tonks segurou no braço de Cedrico, prontos para aparatarem, já que ele nem mesmo sabia para qual local estavam indo.

O lufo ainda detestava aquela sensação, mas era algo tão rápido, que não dava muito tempo para pensar a respeito. Quando abriu os olhos, notou estar parado em frente à um pequeno parque, em uma área residencial, cheia de trouxas.
Atravessaram a rua e pararam na calçada, casas iguais estavam à frente, Diggory notou que a casa à direita tinha o número onze, e a esquerda o número treze.
Ninfadora colocou a mão no bolso do casaco, tirando um pequeno pedaço de pergaminho amassado, entregando-o para Cedrico.
- Leia rapidamente, é nossa senha! - piscou para o rapaz.

“A sede da Ordem da Fênix encontra-se no Largo Grimmauld, número doze, Londres.”

Quase no mesmo instante, no qual Dora pegou de volta o bilhete, queimando-o, Cedrico viu uma nova construção começar a se materializar, entre as casas onze e treze. Abriu a boca um tanto surpreso com aquilo.
não tinha dito que a Casa dos Black estava sob feitiços como aquele.
Os dois subiram os degraus de entrada, e Tonks abriu a porta, deixando-o entrar primeiro, seguiram por um corredor escuro e um tanto empoeirado.
- Molly ainda não fez o pessoal limpar essa parte - cochichou sorridente -, eles não param de reclamar que estão trabalhando mais que Elfo Doméstico!
Cedrico riu, lembrando-se da última carta que tinha recebido da namorada, falando sobre isso.
- Finalmente, Ninfadora!
Diggory novamente foi surpreendido ao ver Olho-Tonto-Moody parado no canto da sala, próximo de Remo Lupin. Quando Severo Snape apareceu, vindo de um corredor lateral, Cedrico achou que tinha voltado para Hogwarts mais cedo. Parte dos professores estavam ali, incluindo, Minerva McGonagall, que conversava com um bruxo negro e careca, que parecia estranhamente familiar, mas Diggory não o reconhecia.
- Boa tarde, Sr. Diggory!
O lufo reparou que talvez fosse muito óbvia sua cara de surpresa, por isso logo tratou de arrumar a postura, virando-se para a professora, que foi quem o cumprimentou, atraindo também a atenção dos demais presentes na sala.
- Boa tarde, professora.
- Cedrico!? - Lupin parecia um tanto surpreso ao vê-lo.
- Ele veio ver a ! - Tonks avisou, Diggory sentiu o rosto esquentar quando Remo arqueou a sobrancelha, olhando-o sorridente, assim como Minerva.
- Diggory, é? - Moody o olhou de cima a baixo - Você já é maior de idade, não? Ouvi boas coisas a seu respeito.
- Hm… Obrigado. - agradeceu constrangido, ainda sendo analisado pelo ex-Auror.
- Quim Schacklebolt - o homem negro adiantou-se, esticando a mão -, prazer.
- Igualmente - Cedrico respondeu apertando-lhe a mão direita -, o senhor é um Auror também, não? Quim concordou com um aceno.
- Soube que esteve muito bem no Torneio… - elogiou educadamente.
- Bom, eu não ganhei… - deu de ombros, sem graça.
- Mas foi o verdadeiro Campeão de Hogwarts! Se não tivesse acontecido tudo o que aconteceu, tenho certeza que estaria com a Taça. - Minerva argumentou, fazendo-o ficar um tanto constrangido com o elogio - Cedrico é um aluno modelo na Escola, Monitor-Chefe, se não estou errada?
O rapaz concordou animado, lembrando-se do novo cargo;
- Recebi a notícia ontem!
- Como é? Você virou Monitor-Chefe?
Diggory virou-se em tempo de ver e Hermione entrando na sala, vindas de outro cômodo.
- Alguém vai ter problemas… - Mione cantarolou rindo, olhando de soslaio para a amiga, antes de cumprimentar o rapaz.
- Eu não estou gostando dessas ameaças, Granger. - arqueou a sobrancelha, virando-se para Minerva, ao tempo que chegava ao lado do namorado - Estou começando a pensar que estão querendo me cercar, na esperança que eu pare de perder pontos pra Grifinória!
- O que não seria uma má ideia, não é mesmo? - McGonagall a olhou significativamente.
- Eu recupero no Quadribol, professora! - respondeu rindo, antes de abraçar o namorado.
Ouviram um pigarro, e ao olhar, Cedrico viu Sirius Black parado, de braços cruzados e o olhar preso no casal.
- Não é porque eu autorizei o relacionamento que eu aceito tanta demonstração de afeto, ainda mais embaixo do meu teto!
Diggory afastou-se da garota rápido demais, parecendo ligeiramente nervoso quando se adiantou para cumprimentar o homem, ouvindo uma risada ao fundo.
- Até parece, você fala mais dele do que a ! - Remo contou sorridente, fazendo o resto do pessoal olhar para Sirius surpreso.
Black abriu e fechou a boca, sem reação.
- Eu… Só disse que ele parece um bom aluno, ou não é verdade? - Virou-se para Minerva, que concordou segurando um sorriso.
Snape rolou os olhos, entediado.
- Muito bonito o momento, mas acredito que agora que Ninfadora chegou, podemos começar a reunião, não?
notou o olhar irritado que a prima direcionou ao mestre de poções, por tê-la chamado pelo nome de batismo.
- Falta o Arthur… - a mulher falou, ao notar que o Weasley mais velho não estava entre eles.
- Ele não virá, está no Ministério. - Quim avisou-a.
- Muito bem, muito bem, então vocês três podem ir subindo. - Moody apontou para as duas garotas e Cedrico, demorando o olhar no rapaz - Apesar de…
- Nem pensar. - Minerva negou com a cabeça, sabendo o que Alastor queria - Diggory é maior de idade, mas ainda está estudando.
- O que…? - o lufo questionou confuso, sem entender o que aquilo significava.
virou-se de um professor para outro.
- Vocês querem que Cedrico entre para Ordem? - questionou surpresa - Estou aqui fazem quase dois meses e ninguém me aceita, ele chegou fazem cinco minutos e já tem convite? Acho injusto!
- Ninguém vai entrar na Ordem, principalmente alguém menor de idade e irresponsável como você! - Snape respondeu friamente.
No mesmo instante Sirius deu um passo à frente, pronto para começar uma discussão.
- Vamos começar, temos muito o que resolver. Além do mais, nenhum estudante vai entrar para Ordem! - Minerva interferiu, dando um passo em direção a Sirius, olhando séria dele para Snape. E então olhou para os três adolescentes - Vocês já podem subir.

Hermione abriu a porta do segundo quarto no corredor, entrando e sendo seguida pelo casal, Cedrico logo viu Harry, Rony, Gina e os gêmeos sentados em duas camas de solteiro que tinha ali, conversando. Os cinco pararam, virando-se para a entrada, percebendo que as duas garotas não estavam mais sozinhas.
- Olá, Cedrico. - Gina foi a primeira a dizer, seguida pelos quatro garotos.
- Oi, tudo bem? - perguntou simpático, acenando para todos.
Sentou-se ao lado de , na cama a esquerda, enquanto olhava ao redor.
O quarto era um tanto escuro, as paredes tinham sinais de infiltração e parte do papel de parede estava gasto, mas ao prestar mais atenção nos móveis, Diggory teve certeza que o quarto costumava ser bastante luxuoso; e foi então que Cedrico lembrou-se do quão importante era o nome Black antes de toda a confusão com Sirius, e quão rica era a família.
Os Diggory tinham dinheiro, e o sobrenome já tinha sido importante, Eldritch Diggory, tataravô de Cedrico, chegou a ser Ministro da Magia e o primeiro a recrutar uma Comissão de Aurores na Inglaterra, também começou a questionar o uso de Azkaban como prisão, mas morreu ao pegar Varíola de Dragão, antes de chegar a alguma decisão sobre o local.
Os Diggory tinham certo respeito na comunidade bruxa, mas Cedrico sabia que não era um sobrenome tão grande quanto o sobrenome Black, e nem tão ricos.
A Família Black era extremamente conhecida, respeitada e temida por muitos. Se voltassem quase duas décadas, antes de Sirius ser preso em Azkaban, antes da Primeira Guerra Bruxa, os Black eram uma das principais famílias, junto aos Lestrange e, mais recentemente, os Malfoy, principalmente porque as três famílias mantiveram uma aliança por muitos anos, casando-se entre si para manter a linhagem e o Sangue-Puro. Mas após Voldemort ser derrotado, parte desse prestígio foi perdido, os Black não chegaram a declarar que eram a favor do Lorde das Trevas, mas a maioria sabia que eles concordavam com muitas das ideias de Riddle; Os Black não aceitavam Sangues-Ruins, desprezavam os trouxas. E, como Sirius e eram agora os últimos a carregarem o sobrenome Black, podia-se dizer que a família já não era importante como antes; embora ainda fosse um sobrenome imponente, Black agora só era ligado ao Comensal foragido, principalmente porque a maioria não sabia que era a filha de Sirius, a grande maioria não fazia ideia do que tinha acontecido com a filha dos dois Comensais seguidores de Voldemort;
Até descobrir sobre a garota, Cedrico achava que a criança tinha morrido quando os pais foram presos, assim como boa parte da população.
- Moody praticamente chamou Cedrico para a Ordem! - ela contou para o pessoal no quarto, Diggory notou todos os olhares viraram-se em sua direção.
- Como é? Por que? - os gêmeos questionaram ao mesmo tempo.
- Porque ele é maior de idade e um exemplo de estudante! - deu de ombros, olhando de canto para o namorado, que fez careta.
- Mas nós já temos 17! - Jorge reclamou indignado.
- Não é só por isso, - Mione negou, atraindo a atenção de todos - Cedrico é maior de idade, bom aluno e ótimo em feitiços, não? E foi muito bem avaliado no Torneio, principalmente se considerarmos que ele foi o Campeão pela Escola. Harry não teria participado em situações normais.
o cutucou na cintura, vendo-o sorrir de lado ao tempo que tentava segurar a risada ao ouvir os elogios de Granger.
- Cedrico pode entrar na Ordem e nós não? - Harry perguntou levemente irritado. - Desculpe, Diggory, mas… - o rapaz levantou-se, andando de um lado para o outro - Quer dizer, eles nem mesmo saberiam que Voldemort retornou se eu não tivesse dito, não é?
- Harry… - Hermione chamou, mas o amigo ignorou.
- Me deixaram no escuro o verão todo, e agora Cedrico entra na Ordem por ser maior de idade?
O lufo arqueou a sobrancelha, não gostando de como soou o que Potter tinha dito.
- Eu não vou entrar, Minerva disse que nenhum estudante vai. - avisou segurando-se para não ser rude.
- É, mas Moody ficou interessado, tenho certeza que vão te chamar quando terminar Hogwarts... - comentou pensativa, Cedrico a olhou curioso.
Sabia o que a Ordem da Fênix significava, sabia o que tinham feito durante a Primeira Guerra, sentiu-se extremamente feliz e orgulhoso de si mesmo, por Alastor Moody, um dos maiores Aurores que já existiu, considerá-lo para o grupo. Porém agora, olhando para todos naquele quarto, achava que ninguém o considerava capaz de participar de algo como aquilo. E saber que a namorada parecia hesitante com aquela possibilidade, o fez sentir-se mal por saber que ela não o considerava bom o suficiente.
Principalmente por saber que achava Harry Potter uma ótima adição para a Ordem.
Parecia que tinha voltado meses no tempo, e estavam naquela mesma conversa sobre ele colocar, ou não, seu nome no Cálice de Fogo.
Naquele instante Cedrico começava a achar que não tinha sido uma boa ideia ir até o local, talvez devesse ter ficado em sua casa.
Continuaram conversando sobre o assunto, passando para o possível motivo da reunião que acontecia no andar de baixo. notou que Cedrico estava extremamente quieto, não fazendo comentários sobre a conversa, e foi ainda mais evidente que tinha algo o incomodando, quando ele suspirou ao seu lado, parecendo impaciente.
- De qualquer forma, nem Dora nem papai estão dizendo muita coisa… - rolou os olhos, levantando-se - Se alguém tiver alguma ideia… - deixou subentendido que ela estava disponível para qualquer coisa que os ajudasse a descobrir o que acontecia. - Quer conhecer o resto da casa? - perguntou para Diggory, que a olhou após alguns segundos, concordando com um aceno e a seguindo para fora do quarto.
- Acho melhor você não conhecer o quarto dela, lembre-se de que Sirius está no andar de baixo, Cedrico! - Fred gritou antes de fecharem a porta.
- E ele é um assassino louco e perigoso! - Jorge completou, rindo junto dos demais.

Ignorando a brincadeira dos gêmeos, o primeiro, e único, lugar que levou Cedrico foi para seu quarto, o último cômodo do lado esquerdo do corredor do segundo andar.
Esperou o rapaz entrar para fechar a porta, andando até sua cama grande, sentando-se na mesma enquanto via o namorado olhando ao redor.
O quarto estava muito mais organizado do que o outro, tinha dito que passou algumas tardes junto de Sirius arrumando-, para deixá-lo um pouco mais seu.
Boa parte da decoração de seu quarto na casa dos Tonks foi transferida para lá; uma grande bandeira da Grifinória ocupava boa parte da parede lateral, ao lado da porta tinha uma escrivaninha e um grande espelho, e ao redor várias fotos coladas.
Cedrico reparou nas duas únicas com porta-retratos ali, ambas recentes;
, Sirius e Ninfadora estavam sentados no sofá da casa dos Tonks, com Andy e Ted em pé logo atrás, riam para a foto, levantando copos de alguma bebida em um brinde silencioso.
Na outra foto, Diggory lembrava-se bem dela, sua mãe tinha tirado no dia da terceira tarefa do Torneio, quando estavam juntos andando pelos terrenos de Hogwarts, Cedrico abraçava a namorada pela cintura, e ambos riam para a câmera.
Sorriu levemente ao lembrar do dia, e então suspirou, puxou a cadeira da escrivaninha, sentando-se na mesma, encarando os pés.
suspirou audivelmente, antes de cruzar as pernas;
- Não entendo, de verdade, Cedrico. Você disse que queria vir aqui, que estava com saudades e tudo o mais, e agora mal me olha na cara? - questionou com a voz baixa. Diggory travou a mandíbula, olhando para o chão escuro. - Eu posso pelo menos saber o motivo dessa vez?
- Não é como se eu quisesse ficar brigando com você…
- Mas é exatamente isso que você está fazendo agora, e eu nem sei o motivo.
Cedrico levantou-se frustrado, cruzando os braços e andando de um lado para o outro no quarto.
- Pelo mesmo motivo do ano passado, você não confia em mim.
- O QUE? - perguntou incrédula. - Quando foi que eu não confiei em você? Olha, se foi pelas suas admiradoras, eu tinha motivos, ok? Elas claramente queriam te beijar!
Diggory sorriu triste, colocando as mãos nos bolsos da calça.
- Não quero dizer no sentido de traição, . - explicou chateado, vendo-a franzir o cenho confusa - Quero dizer que você nunca me acha capaz de fazer algo, quando sugeri colocar meu nome no Cálice ano passado, o tempo todo você ficava dizendo o quanto era perigoso e que eu poderia me machucar…
- Se eu não me engano, você acabou queimado em duas tarefas, e teve Krum te azarando com uma Maldição Imperdoável, não? - arqueou a sobrancelha.
Cedrico concordou com um aceno, fechando os olhos por poucos segundos.
teve a impressão que o namorado parecia cansado, mas não soube dizer do quê. - Eu, na verdade, não sei o que te dizer. - deu de ombros, olhando para baixo, estava sendo sincero, nem ele mesmo sabia o que o incomodava tanto, não sabia definir o misto de sentimentos e pensamentos que o ocupavam.
- Se você não me disser, não tenho como saber o está acontecendo, Ced. - levantou-se, se aproximando dele.
- Eu sei… É só… - o rapaz suspirou, passando a mão pelos cabelos - Você sabe o quanto eu gosto de você, , mas a sensação que eu tenho é que você não confia em mim, que você realmente não me acha capaz de fazer as coisas…
- Que coisas?
- A Ordem, por exemplo. Eu entendo seus amigos não me acharem capaz, mas você? - ele a encarou por alguns instantes.
Aos poucos a garota parecia entender ao que ele se referia, ao tempo que parecia tirar um peso de seus ombros e a angústia do peito. Nem mesmo notou o quão aflita estava com aquela conversa, até sentir um alívio passar por seu corpo.
- É esse o problema? - ela negou com a cabeça, não podendo deixar de sorrir.
- Você acha pouco? - cruzou os braços impaciente.
- Não acho que você não seja capaz de fazer as coisas, Diggory. Tanto que foi o Campeão de Hogwarts, huh? - sorriu, passando os braços por sua cintura - Só me preocupo com você, é diferente. Não quer dizer que não te ache corajoso ou que não sei que você se sairia bem. Contudo, por alguma razão, você só quer participar de coisas perigosas, primeiro o Tribruxo, agora esse súbito interesse na Ordem…
- Você pareceu bem chateada por Olho-Tonto ter sugerido isso.
- Mas é óbvio! - reclamou impaciente, batendo o pé no chão de forma mimada - Sabe o tempo que eu estou tentando descobrir alguma coisa? Sabe o número de vezes que eu já perguntei ao meu pai o que está acontecendo e não tive resposta? E você chegou e no mesmo instante Moody já quer te recrutar? Não é por ser você, Ced, eu teria a mesma reação se fosse outra pessoa.
Diggory passou a língua pelos lábios finos, pensando sobre o assunto, finalmente passando os braços pela cintura da garota.
- Você parece aceitar muito bem se chamarem Harry para a Ordem.
- Porque se o Raio puder participar, quer dizer que eu também posso! Sou mais velha e estamos na mesma sala. Não tem muita coisa que ele saiba fazer que eu não saiba, sem contar que em noventa por cento das vezes que ele fez alguma besteira, eu estava junto. - deu de ombros, explicando seu ponto de vista - Papai é o responsável legal por Harry, então se ele deixar Potter entrar na Ordem, não existe razão para eu não entrar.
- Então por que eu tenho a sensação que você sempre está de acordo com Harry participar de qualquer coisa mais arriscada, mas quando eu digo que quero fazer algo diferente você reclama?
tornou a negar com a cabeça, um sorriso leve nos lábios.
- Você não saber o número de vezes que eu e Harry brigamos por essas coisas, não quer dizer que não aconteça, Cedrico. Potter é meu melhor amigo, me preocupo muito com ele, e me preocupo ainda mais com você, porque não consigo imaginar o que eu faria se alguma coisa te acontecesse. Harry não é meu amigo, mas não adianta eu ameaçá-lo… Ele simplesmente faz o que quer, não é? Assim como você, no final das contas.
Diggory encarou-a por alguns instantes.
- Meio que me ofende você continuar achando que eu gosto mais do Potter, ou que eu vá te trocar por ele a qualquer momento, ou que eu não confio em você ou na sua capacidade. Achei que já tínhamos passado desse ponto depois de todo esse tempo…
- Eu sei… - ele concordou, frustrado consigo mesmo e sua confusão de sentimentos e ciúme. - É só… - Cedrico virou-se para a namorada, apertando-a contra ele - Não é como se eu conseguisse evitar, sabe? Eu tento, de verdade, mas não consigo não pensar em vocês dois… Você sabe… E eu sei o quanto isso é irritante, eu confio em você , mas…
- Diggory, se eu quisesse namorar Harry Potter eu já teria dito isso faz tempo. - falou séria, encarando os olhos cinzas do rapaz - Não me importa o que as pessoas dizem dele, ou de você. Harry é meu melhor amigo e você meu namorado, eu vejo uma grande diferença nisso. E o fato de estar mais próxima dele, porque somos da mesma Casa, ou porque ele está aqui, não muda o que eu sinto por você. Consegue entender isso?
O lufo suspirou, concordando com a cabeça.
- Desculpa…
- Não precisa me pedir desculpas, Diggory, só lembra disso na próxima vez, ok? Porque não tem condições a gente ter essa mesma conversa toda semana!
Cedrico sorriu triste.
- Prometo que vou me esforçar - avisou, tornando a puxá-la pela cintura -, mas eu estava reparando… Estamos sozinhos, e eu ainda nem te beijei…
- Você é meio lento mesmo, não é? - a garota comentou envolvendo o pescoço dele com os braços, Cedrico gargalhou antes de encostar os lábios nos dela, beijando-a enquanto pressionava seu corpo contra o da namorada.

Assim que a reunião terminou e os membros da Ordem se dispersaram, a maioria deixando a casa, Black saiu da cozinha, espreguiçando-se no caminho até a sala, estranhando ao notar o silêncio que prevalecia no lugar. Ao prestar um pouco mais de atenção, percebeu que não era apenas na sala, mas a casa inteira estava naquele silêncio, suspeito demais para o número de adolescentes que estavam ali.
Subiu as escadas para o segundo andar, podendo ouvir alguns cochichos vindos do quarto no qual Harry dividia com Rony, bateu na porta antes de entrar, vendo os Weasley, Mione e o afilhado o olharem no mesmo instante.
- Já acabou a reunião?
- Como foi?
- O que decidiram?
- O que está acontecendo?
Black negou com a cabeça, divertido com a reação das crianças. - Molly provavelmente me mataria se eu contasse e… - Sirius contou rapidamente o número de pessoas dentro daquele quarto, dando por falta de duas. - Cadê…?
- Eu disse que não era uma boa ideia o Cedrico conhecer o quarto da … - Fred comentou em voz alta, negando com a cabeça, viu Sirius olhá-lo assustado antes de deixar o cômodo.
Black saiu dando passos largos pelo corredor, até chegar ao quarto da filha, abrindo à porta de supetão.
- BLACK!? O que é isso??

Três.

A garota arqueou a sobrancelha, inclinando levemente a cabeça para o lado, passando a língua pelos lábios, enquanto tentava entender o drama do pai, que continuava parado na entrada de seu quarto, com o rosto vermelho e a respiração falha, olhando dela para Cedrico, aguardando uma explicação.
Diggory olhou surpreso para o homem, e então olhou para o lado, vendo a namorada parecendo tão confusa quanto ele próprio. Tornou a olhar para Sirius, notando quando o mesmo respirou fundo, acalmando-se.
- Do que, diabos, você está falando, pai? - perguntou finalmente.
Sirius pigarreou baixo, sentindo o desespero aos poucos esvair-se, ao notar que, na verdade não tinha razão para preocupações. Olhou atentamente para os dois por alguns instantes, apenas para certificar-se de que não estavam tentando enganá-lo de alguma forma.
Contudo, Diggory estava bem longe de sua filha, sentado na ponta da cama, com as pernas compridas esticadas, e com o que parecia ser uma foto em mãos, enquanto , uma criança inocente que talvez nem devesse ter um namorado, estava com as pernas cruzadas, no meio da cama, com um livro aberto à sua frente. Não tinham rostos vermelhos, respirações falhas ou roupas amarrotadas, definitivamente, um bom sinal.
- Hm… Bem… - Sirius sentiu-se ligeiramente constrangido, sendo analisado pela filha, que manteve os olhos nele o tempo todo, encarando-o desconfiada - Fred disse que… E vocês estavam com a porta fechada… - explicou-se, colocando uma mão no bolso na calça, enquanto passava a outra pelos cabelos compridos.
Demorou alguns segundos para entenderem ao que ele se referia, mas no instante seguinte Diggory ficou vermelho, gaguejando algo difícil de compreender, mas Black poderia afirmar que ele queria dizer um eu nunca faria nada disso, senhor.
O que, é claro, não era totalmente verdade, mas Diggory torcia para que Sirius não pudesse ler seus pensamentos, principalmente os que envolviam a filha do homem.
, também ficou vermelha, mas por outro motivo.
Levantou-se andando até o mais velho, puxando-o pela mão e fechando a porta para que Cedrico não os ouvisse.
- Eu não acredito no que você estava insinuando. Você… Por Godric Gryffindor. Como é que… - falava nervosa, sem conseguir concluir as frases. A respiração acelerada, enquanto passava a mão pelos cabelos loiros - Pai… Como… Por…
- Não foi bem minha culpa… - avisou, embora não a olhasse - Quer dizer, o que eu deveria esperar? Vocês dois sozinhos, a porta fechada… Fred disse… Bem, não importa.
- Eu esperava mais de você, pai. - a garota falou séria, parando de andar em círculos e o encarando finalmente. - E achei que você esperasse mais de mim. Confiasse mais em mim.
Sirius suspirou, concordando com um aceno.
- Essa coisa de ser pai de adolescente é muito complicada, sabe? - admitiu com um sorriso pequeno. - Não sei muito bem como reagir a certas coisas… Era mais fácil cuidar de você quando era um bebezinho, quando mal sabia engatinhar, e mesmo assim não me dava um segundo de sossego, mexendo em tudo o que alcançava… - relembrou com pesar - Agora você já é uma garota crescida, com um namorado - fez careta -, um namorado maior de idade, vale lembrar. Não é que eu não confie em você, mas tem certas coisas que acontecem que ninguém me ensinou como devo reagir… Ainda mais depois de ter passado tantos anos longe, não te conheço tão bem quanto antes… É difícil aprender sozinho, sabe?
baixou a cabeça, suspirando antes de voltar a encarar o homem.
- É estranho ter toda essa preocupação. Principalmente quando você demonstra o tempo todo. Andy não era assim, ela simplesmente confiava que eu agiria bem, e caso não acontecesse ela me deixava de castigo mais tarde, mas nunca ficou falando muita coisa como você tem feito… - encolheu os ombros, sorrindo de lado - Não sei se já me acostumei com essa ideia de pai ciumento…
Sirius riu baixinho, puxando-a para um abraço apertado.
- Também não estou acostumado com minha filha namorando, mas vamos tentar resolver isso, ok? Vou tentar me controlar melhor quando ver vocês dois juntos, mas agradeceria se não ficassem sozinhos com a porta fechada. Eu já tive dezessete anos e sei exatamente como é. Confio em você, mas no momento não sei se confio tanto no Cedrico, é difícil de acreditar, mas eu já fui adolescente com uma namorada dois anos mais nova, sabe?
- Sirius Black III, eu realmente não preciso ter esse tipo de imagem na minha cabeça! - reclamou ainda abraçada com o homem, afastando-se momentaneamente apenas para encará-lo - Prefiro manter sua imagem de pai conservada!

O restante das semanas passaram com mais rapidez do que esperavam, principalmente com Sra. Weasley os forçando a continuarem a limpar a casa, de forma a torná-la mais habitável.
- Não sei pra que, a gente vai voltar pra Hogwarts, Sirius não vai se incomodar de ter alguns cômodos bagunçados… - os gêmeos reclamavam vez ou outra, assim como o restante.
As reuniões da Ordem continuavam sendo secretas, embora um detalhe ou outro tivesse escapado depois que Sirius tinha contato que Voldemort buscava uma arma secreta.
As teorias eram várias, mas ninguém estava perto de descobrir qual seria essa arma.
Não tiveram nada realmente importante acontecendo desde a audiência de Potter no Ministério, o que era um tanto entediante para os Weasley e Hermione.
Harry e , por outro lado, não reclamavam, na verdade estavam adorando poder passar todos aqueles dias com Sirius, que sempre contava alguma história sobre os tempos dos Marotos em Hogwarts, Lupin normalmente precisava interromper as narrativas, visto que eram sempre muito mais exageradas do que ele se lembrava.
Faltando poucos dias para voltarem à Escola, e a casa novamente se tornar um tanto solitária, Sirius foi, aos poucos, isolando-se do restante, passando bastante tempo com Bicuço. Fato que não passou despercebido pela filha, que sempre que conseguia escapar da limpeza, subia para o quarto e sentava-se no chão sujo de penas, ao lado do pai, enquanto viam o hipogrifo limpar as próprias asas. Nessas horas eles não conversavam muito, apenas ficavam sentados lado-a-lado, sorrindo sempre que Bicuço fazia algum barulho inusitado, e aquilo era o suficiente para ambos.
O pior momento na opinião de Black e Potter foi no dia no embarque na plataforma.
Sirius deveria ficar em casa, enquanto os outros iriam com Olho-Tonto, Tonks e mais alguns, e, após uma despedida com muitos abraços e algumas lágrimas, quando já estavam saindo do Largo Grimmauld, um grande cachorro preto começou a segui-los, querendo passar mais alguns instantes com os dois.
E, ao atravessarem o portal da plataforma 9 ¾, Almofadinhas ficou sobre as patas traseiras, abraçando-os antes que os dois embarcassem, atraindo a atenção de alguns estudantes, entre eles Draco Malfoy, que olhou desconfiado para o cachorro, antes de embarcar junto com o pessoal da Sonserina.
Cedrico apareceu após despedir-se dos pais, andando até o grupo, coçando atrás da orelha do cachorro, que latiu contente para o lufo, abanando o rabo agitado.
Assim que todos embarcaram e o trem partiu, o cachorro e o pequeno grupo de escolta, desaparataram.

Diggory passou um bom tempo na cabine de e seus amigos, conversando amigavelmente com Potter, inclusive jogando uma partida de snap explosivo com ele, e xadrez bruxo com Rony, perdendo de lavada, o que não foi surpresa para ninguém já que todos perdiam para o ruivo no jogo.
Horas depois despediu-se deles, e foi para a cabine dos amigos conversar, antes de juntar-se com o restante dos monitores (incluindo Granger, Weasley e, para surpresa dos três, Malfoy), tirando algumas dúvidas e ensinando-lhes como agir com os outros alunos.
Entre a confusão de ajudar Hagrid a separar os alunos do primeiro ano, e confirmar que todos os outros alunos pegaram as carruagens, Diggory não tornou a ver a namorada, só encontrando-a com o olhar rapidamente na mesa da Grifinória, durante o jantar de boas-vindas. A menina conversava empolgada com alguns colegas da Casa, enquanto esperavam o discurso de Dumbledore.
Cedrico parecia que não comia há dias, embora fizessem apenas algumas horas desde que tinha comido alguns pedaços de bolo que comprou com a bruxa do carrinho, sentia um buraco em seu estômago, e começou a tamborilar os dedos da mesa, esperando a comida que não vinha. Seu desespero só aumentou quando percebeu que o discurso de Dumbledore não seria curto, muito pelo contrário.
E, para surpresa de todos, a nova professora interrompeu o falatório do diretor, começando um monólogo chato que começou a dar-lhe sono, embora, no final, ele tivesse entendido ao que a mulher se referia, e não gostou nem um pouco do que ela tinha dito. Não sabia dizer o quanto de poder ela teria na Escola, mas se fosse maior do que de McGonagall a qual era Vice-Diretora, o ano seria, no mínimo, complicado.



Quatro.

Cedrico tinha terminado sua ronda, antes de seguir com sua mochila para a biblioteca, pronto para colocar algumas matérias em dia e estudar para seu NIEM’s. Tinha apenas uma semana que as aulas tinham retornado, mas já era incrivelmente exaustivo o número de matérias acúmuladas, principalmente em Poções e Transfigurações.
Suspirou frustrado ao não encontrar Black em nenhuma das mesas de estudo, e logo juntou-se aos amigos, mais ao fundo, retirando os livros grossos e pesados, enquanto puxava alguns rolos de pergaminhos, tinteiro e pena.
Sempre que ouvia um barulho na porta, olhava na direção, esperando ver a namorada entrar a qualquer momento. Apenas confirmou no relógio em seu pulso que as aulas da garota já tinham terminado há uns bons quarenta minutos, mas nem sinal dela.
Não tinham, realmente, combinado de se encontrar para estudarem, mas Cedrico tinha esperanças que acontecesse, embora parte de si achasse bom ela não estar ali;
Era difícil para ele se concentrar nos estudos quando a loira estava ao seu lado, mas notou que também era complicado prestar atenção em todas as suas anotações quando não a via. Tinha dois dias que não conseguiam conversar direito, Diggory estava mais atarefado do que o normal com suas tarefas de Monitor, agora que tinha sido promovido, e a quantidade de estudos não facilitava nenhum dos lados; tinha começado a se preparar, mais cedo do que gostava, para seus NOM’s no final do ano. E nenhum dos dois teve tempo de sequer pensar no Quadribol, embora o lufo já devesse estar se preocupando com a nova temporada.
- Cedrico, se você não fizer a lição eu não consigo copiar, sabia? - Emmett sussurrou para o amigo, vendo-o rolar os olhos no instante seguinte, rindo baixo.
- Talvez você devesse fazer hoje, e eu copiar, apenas para variar.
- Não queremos diminuir suas boas notas, não é? - sorriu enquanto Diggory negou com a cabeça, suspirando antes de voltar sua concentração para o pergaminho a sua frente.

esticou-se na cadeira, estralando os dedos após deixar a pena ao lado do pergaminho.
- Por Merlin, eu não aguento mais escrever, meus dedos doem! - reclamou antes de prender os cabelos que soltaram-se de seu coque preso com lápis.
- Poderíamos estar lá fora, aproveitando que ainda não é inverno! - Rony concordou frustrado, olhando pela janela da torre para os gramados verdes.
- Podem ir, mas quando vocês reprovarem em seus exames, não digam que eu não avisei! - Hermione murmurou, antes de voltar a prestar atenção em suas anotações.
- Alguém aqui sabe mesmo como motivar os amigos, ein? - sorriu irônica, levantando-se pouco depois.
- Não é como se funcionasse com você, é? - a amiga respondeu no mesmo tom, olhando-a rapidamente.
- Relaxa, Mione, só vou esticar as pernas um pouco. E eu já terminei o resumo de Adivinhação e a lição de Feitiços. Aproveito para ver se Harry ainda está com a cara de sapo, faz mais de duas horas que ele saiu, e eu ainda não jantei! - terminou, antes de retirar-se, podendo escutar o ruivo reclamar por também estar com fome, embora tivesse jantado mais cedo.
Black desceu as escadas até o Salão Principal, encontrando poucas pessoas jantando, não localizou nem Cedrico na mesa da Lufa-Lufa, nem Harry junto com os amigos da Grifinória, mas aproveitou para pegar um pedaço de torta de rins, ovos e bacon para comer.
- Acho que você tem estudado muito, porque isso é café-da-manhã, não jantar, Tonks! - Simas riu apontando com a cabeça para o prato da colega.
- Tão engraçado esse rapaz! - negou com a cabeça, mastigando um pouco de bacon - Vocês viram o Potter? - perguntou entre uma garfada e outra. Simas rolou os olhos, Neville e Dino negaram. - Você sabe que é bem ridículo acreditar no Profeta ao invés de acreditar em Harry e Dumbledore, não é? - comentou em voz baixa com o colega ao seu lado, tomando um gole de suco antes de virar-se para o mesmo. - Quantas vezes Potter estava errado sobre alguma coisa, e quantas ele já enfrentou Voldemort? Pense um pouco nisso antes de ficar contra ele, Simas. - terminou antes de levantar-se, não finalizando sua refeição enquanto deixava o Salão, olhava para baixo enquanto andava, distraída com o cadarço desamarrado, esbarrando em alguém ao passar pela porta.
- Harry?!
- Hm, oi. - o rapaz respondeu, rapidamente colocando as mãos dentro dos bolsos, ato que não passou despercebido pela loira, a qual arqueou a sobrancelha por alguns instantes, antes de tornar a conversar.
- Estava indo te procurar. Como foi?
- Nada demais… - deu de ombros, entrando no Salão Principal, junto com - Ela me fez repetir uma frase várias vezes…
- Qual frase? - perguntou no tempo em que os dois sentaram lado a lado na mesa da Grifinória, um tanto afastados de Simas.
- Não devo contar mentiras. - sorriu de lado, esticando a mão direita para pegar um pouco de suco de abóbora.
o olhou por alguns instantes, enquanto o colega se servia do jantar e, ao notar que ele não diria muito mais a respeito, suspirou mexendo nos cabelos, agora soltos, e sentando mais despojadamente no banco.
- Você sabe que a Angelina é a nova Capitã, certo? - perguntou retoricamente, vendo-o concordar com a cabeça. - Ela vai começar as inscrições para goleiro. - explicou olhando em volta, suspirando enquanto encarava alguns colegas que ainda jantavam. - Vamos ser massacrados, não vamos?
- Por que diz isso? - Harry perguntou com um meio sorriso, antes de levar um pedaço de bacon a boca.
- Porque é a verdade. Ninguém é tão bom quanto Wood, e soube por fontes confiáveis, que no caso sou eu mesma, - contou rindo - que McLaggen vai tentar ocupar a posição.
- E ele não é bom? Ele sempre fala que é maravilhoso no Quadribol…
- Se ele fosse tão bom já estaria no time, não concorda? Ele não entrou nem como reserva. Olivio deveria saber que ele não é tudo aquilo, espero que Angelina não cometa o erro de aceitá-lo.
Potter riu com gosto.
Não admitia isso com frequência, mas gostava quando reclamava de alguém com ele, fofocava. Principalmente porque lhe permitia pensar em outros assuntos, e esquecer momentaneamente os problemas, como naquele momento.
passou a língua pelos lábios, e virou-se na direção de Harry, ao notá-lo rir tanto.
- Gosto de ouvir sua risada, sabia? - comentou displicente, tornando a olhar para frente, pegando uma maçã do cesto, Harry sentiu as bochechas esquentarem - Fazia tempo que não te via rindo. Eu sei que tem motivos, mas… Tente relaxar mais, está mais estressado que a Mione com os NOM’s. - virou-se para olhá-lo rapidamente, sorrindo de lado - Aliás, falando em NOM’s, como eu sou muito legal, deixo você copiar minha lição. Só não deixe a Granger ver. - piscou antes de levantar-se, mordendo a maçã vermelha. - Nos vemos no Salão Comunal, Raio. - disse passando a mão pelos cabelos curtos e arrepiados do rapaz, antes de andar para a saída.

Cedrico voltava junto com os colegas do sétimo ano para o Castelo quando viu a namorada subindo as escadas.
- Hey! - chamou mais alto, subindo alguns degraus para poder alcançá-la.
Black virou-se pouco antes do lufo a encontrar no meio do segundo lance.
- Olhá só quem apareceu! - sorriu para o rapaz, que parou dois degraus abaixo. - Fui te procurar na biblioteca, mas já estava fechada… Achei que estivesse no seu Salão Comunal…
- Tive aula de Astronomia, - ergueu o braço direito, mostrando o livro que carregava. - mas e você? Não te vi o dia inteiro…
- Pois é senhor Monitor Chefe, agora que você está com mais este cargo fica difícil mesmo. - arqueou a sobrancelha, encostando-se de braços cruzados no corrimão. - Mas na verdade eu passei as horas vagas estudando. Acredita nisso?
Cedrico riu baixo, concordando com a cabeça, apontando para a maçã que a garota segurava.
- Você vai terminar isso? Estou com fome. - fez cara de sofrido, vendo-a estender a fruta pouco depois. - Já vai dormir? - perguntou enquanto mastigava.
- Não, ainda não terminei meu trabalho de DCAT. - olhou para o lado por um instante, para ter certeza que ninguém se aproximava. - O que achou da cara de sapo?
Diggory arqueou a sobrancelha, antes de sentar-se no degrau do lado oposto, encostando-se na parede e esticando as pernas, deixando seu livro de astronomia no degrau de cima.
- Achei ok. Não tivemos muitas novidades, ela chegou na sala e fez um discurso sobre os outros professores, falou sobre o Ministério e passou alguns textos para lermos. - deu de ombros. - Você pelo visto já está de implicância, não?
Black abriu a boca indignada.
- Não estou de implicância. A mulher é louca! Não vai nos deixar treinar os feitiços, disse que é desnecessário sabermos nos defender! Para que serve uma aula de Defesas se a gente não vai saber se defender? - questionou abrindo os braços, frustrada - E nos tirou cinquenta pontos.
- O que você fez? – perguntou curioso, terminando sua maçã. Conhecia a namorada bem o suficiente para saber que ela era bem capaz de perder até duzentos pontos para a Grifinória.
- Nada. - rolou os olhos, logo fazendo menção de sentar-se, de forma que Diggory puxou as pernas, dando-lhe espaço - Dessa vez não fui eu. Harry começou a falar sobre a última tarefa do Torneio, sobre Voldemort, e bem, você pode imaginar, não é?
Cedrico suspirou, concordando com a cabeça.
- Potter também não perde uma chance de arrumar problemas. Poderia simplesmente ter ignorado tudo.
o encarou por longos segundos.
- Você está mesmo defendendo a mulher? Não foi você quem me disse que esse ano seria mais difícil com ela aqui?
- Eu não estou defendendo ninguém! - negou com a cabeça - Estou dizendo que ele poderia ter evitado. Só isso.
- Você evitaria se estivessem te chamando de mentiroso? Eu sei que eu não evitaria. Poderia perder quinhentos pontos.
- Tenho certeza que sim. - riu baixo, notando que a namorada ainda parecia incomodada - Potter não está errado em tentar se defender, mas ele pode evitar alguns dos problemas, não é? Por exemplo, se ele tivesse se mantido em silêncio não teria ficado de castigo.
franziu o cenho por alguns instantes.
- Como sabe que ele estava de castigo?
- Precisei entregar alguns trabalhos na sala da Umbridge, ele estava lá quando entrei. - passou a mão pelos cabelos - Será que podemos mudar o assunto agora? Realmente não queria ficar falando sobre essas coisas no único momento que estamos juntos.
- Tudo bem… - concordou suspirando, sabia que se mantivessem a conversa acabariam brigando, e era a última coisa que ela queria naquele momento. - Quer falar sobre o que?
Diggory sorriu de lado.
- Na verdade, não estou realmente interessado em conversar nesse instante.
Viu a loira o olhar chocada, embora um sorriso tomasse os cantos de seus lábios, o que só aumentou quando o lufo aproximou-se o suficiente para encostar sua boca na dela.
- Eu só quero ver se te encontram nos amassos no meio das escadas, vai perder seu título de Monitor-Chefe! - soprou contra os lábios finos do rapaz, ouvindo-o rir baixo.
- Eu vou me arriscar dessa vez.

Com um mês que as aulas tinham retornado, a única novidade era o número de decretos criados por Dolores, que tinha sido nomeada Alta Inquisidora pelo Ministro, o que significava que a mulher tinha liberdade para fazer o que quisesse em Hogwarts, principalmente aterrorizar os alunos. As aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas continuavam tão ruins quanto na primeira semana, e tão entediantes quanto as de História da Magia, e agora Umbridge também estava encarregada de avaliar os outros professores, podendo demitir quem quisesse, se achasse necessário.
O mais impressionante em tudo aquilo era o número de pais que concordavam com aquelas atitudes do Ministério, interferindo na educação em Hogwarts.
- Edwiges?! - Potter sorriu ao ver a ave branca aproximando-se, na hora do Correio Coruja. Estava há mais de uma semana esperando uma resposta de Sirius.
terminava de ler a carta enviada pelos Tonks, quando notou sua coruja parada na mesa, com um pedaço de pergaminho amarrado em sua pata. Acariciou-lhe as penas por alguns instantes, após desamarrar a carta, e logo os dois pássaros tornaram a voar para fora do Salão, em direção ao Corujal.
- E então? - Mione perguntou em voz baixa para os dois, após notar que já tinham terminado de ler suas correspondências. - Alguma novidade sobre a Ordem?
- Aparentemente as coisas não vão bem, o que não é uma novidade. - suspirou, guardando o bilhete no bolso da capa. - Mas é melhor conversarmos sobre isso depois. - olhou por sobre o ombro, vendo a professora próxima a mesa.

No sábado, enquanto voltavam mais animados para o Salão Comunal depois de terem passado o dia estudando, mas embaixo de uma árvore próxima ao Lago Negro, ao invés de ser na Torre da Grifinória, como de costume, ou na biblioteca, o trio encontrou com Potter, já sentado em uma das poltronas próximas à lareira, enquanto lia o livro recomendado para o trabalho de História da Magia.
- Faz tempo que você voltou? Podia ter ido encontrar conosco! - Rony falou ao jogar-se no sofá, deixando os livros espalhados de qualquer jeito no chão.
- Não muito. - respondeu dando de ombros, enquanto Mione sentava-se ao lado do ruivo, e ao chão, próxima à lareira, aquecendo-se um pouco.
O inverno ainda não tinha chegado, mas já começava a esfriar e, após passar às duas últimas horas no vento gelado, era bom estar em um lugar quente para variar.
- Como foi com a Umbridge? - Hermione questionou, retirando o casaco que usava.
- Ok, nada fora do normal. - tornou a responder, ainda olhando para o livro.
- O que aconteceu com a sua mão? - perguntou de repente, encarando a mão esquerda do amigo, que parecia ter uma cicatriz grande.
- Nada. - apressou-se a dizer, mostrando a mão direita. Black arqueou a sobrancelha, um sorriso irônico nos lábios, antes de aproximar-se, puxando a outra mão de Potter.
Demorou alguns segundos para a garota entender o que era, a expressão concentrada em seu rosto fez Harry respirar fundo, tornando a negar com a cabeça quando o encarou finalmente.
- Não foi nada, sério.
- Nada? - foi Mione que começou, também olhando para a mão do colega e entendendo rapidamente o que acontecia. - Você tem de fazer queixa, contar para Dumbledore.
- Não, Hermione. Você não entende.
- A mulher está te torturando, Harry! - Rony concordou, mas Harry os ignorou, deixando o livro de lado e levantando-se. - Se seus pais soubessem disso…
- Mas eu não tenho pais, tenho Rony? - falou por sobre o ombro, fechando as mãos em punho.
- Não, não tem. - concordou, levantando-se devagar. - Mas não quer dizer que a mulher possa fazer o que quiser e você aceitar.
- Não estou aceitando nada.
- Desculpe, mas se você não quer falar sobre isso nem para os seus amigos, imagino que Umbridge alcançou o objetivo dela de te deixar isolado. Ou você acha que todas as provocações nas aulas, para te fazer parecer um louco, são sem querer? - cruzou os braços, encarando-o significativamente por alguns instantes. - Se você é ingênuo a esse ponto, sinto muito, mas eu não sou.
- está certa, Harry. Precisamos fazer alguma coisa. É muito simples.
- Não tem nada de simples nisso, Mione. - respondeu frustrado, passando a mão pelos cabelos curtos, virando-se para a janela, notando a chuva que começava a cair do lado de fora.
- Então nos explique.
- Não é preciso, - continuou, soando fria a cada palavra, porque sabia o quanto irritava ao outro quando ela fazia isso, mas era sempre um bom jeito de fazê-lo agir da maneira correta. Embora correta, talvez não fosse a melhor das palavras. - Harry está querendo provar algo; que não é um garotinho assustado o qual precisa de Dumbledore ou de qualquer pessoa para resolver seus problemas. Ou talvez ele só não esteja acostumado a ser ignorado pelo diretor. Ou por ninguém, quer dizer, é o Menino que Sobreviveu, não? - terminou irônica.
Potter virou-se com raiva, os punhos fechados, e a mandíbula travada.
- O que foi? Estou errada? Ou estou cem por cento certa? - sorriu de lado, irritando-o ainda mais.
- Você não sabe o que está dizendo.
- Talvez, mas me parece muito simples; você quer resolver tudo sozinho, porque se Dumbledore não quer falar com você, então ninguém pode te ajudar, não é? - colocou as mãos nos bolsos, parecendo extremamente casual, como se conversassem sobre a próxima partida de Quadribol. - Não sei se você se lembra, Potter, mas boa parte das vezes que você teve algum problema, um de nós, ou os três, estávamos juntos de você.
- Não é nada disso… - negou com um aceno rápido.
- Vocês ouviram isso? - Rony perguntou de repente, atraindo a atenção dos três amigos. - O que…? - virou-se para a lareira.
- Pai? - exclamou surpresa, aproximando-se apressada.
- Eu… Esqueci de avisar, - Harry suspirou - recebi um bilhete hoje… - deu um sorriso sem graça.
- Olá! - a voz rouca de Sirius preencheu a sala vazia, os quatro aproximaram-se ainda mais, após certificar-se que ninguém estava à vista. - O que está acontecendo?
- Umbridge. - Potter falou rapidamente, não dando chance de ninguém contar sobre a pequena discussão de poucos minutos - Não nos deixa usar as varinhas em aula, e já está mandando tanto quanto Dumbledore.
- Era de se imaginar… - Black suspirou - Achamos que Fudge não os quer treinados em combate…
- Em combate? - Rony perguntou confuso.
- O que eles acham que está acontecendo nessa Escola? Que estamos juntando um exército, ou…
- Exatamente. - Sirius concordou com a filha - Ele está cada dia mais louco, está achando que Dumbledore está criando um exército para invadirem o Ministério.
- Quando a gente acha que vai ter um pouco de paz… - Weasley suspirou, jogando-se novamente contra o sofá.
- E quanto a Ordem? - Harry questionou ansioso.
Sirius demorou alguns instantes para responder.
- Os outros não querem que eu diga isso à vocês, mas… As coisas não vão nada bem… - respirou fundo, concluindo sua frase em seguida - Voldemort está ficando cada vez mais poderoso, e juntando seguidores mais rápido do que conseguimos.
- Pai, você acha que Fudge ou Umbridge podem estar trabalhando com ele? Ou talvez sob algum feitiço?
- Pouco provável… Cornélio está com medo de perder seu cargo como Ministro, e Dolores… Bem, ela não é muito agradável…
- O que faremos? - Rony foi o primeiro a se manifestar, após algum tempo de silêncio.
- Bem… Voc… - o homem parou de falar abruptamente - Vem vindo alguém. Sinto muito, mas, por hora, pelo menos, parece que vocês estão sozinhos nessa.

Assim que Sirius sumiu os quatro espalharam-se pela sala, com os pensamentos a mil enquanto tentavam, de alguma forma, arrumar alguma solução para tudo aquilo.
- Umbridge quase nos faz esquecer de todos os problemas, não é? - comentou, prendendo os cabelos. - Quer dizer, quem se lembra do mundo lá fora, quando temos a cara de sapo bem aqui?
- De qualquer forma, - Hermione começou - temos que ser práticos. Não temos como ajudar nas coisas da Ordem, mas podemos fazer algo para resolver o problema mais próximo; Umbridge não está nos deixando usar magia, e não está nos ajudando a passar nos NOM’s. E se ela não quer nos ensinar, precisamos de outro professor.
- O que quer dizer? - os três perguntaram confusos.
- Precisamos de alguém que nos ajude a aprender a nos defendermos por conta própria, se o Ministério não que admitir o retorno de Você-Sabe-Quem, bem, não podemos sair ameaçando todos para que acreditem em Harry, mas podemos tomar conta de nós mesmos.
- Eu ainda não entendi… - o ruivo começou, levantando-se do sofá e aproximando-se dos outros três que estavam em pé, próximos a janela.
Granger respirou fundo, fechando os olhos por alguns instantes, antes de virar-se para Potter;
- Precisamos de alguém que já tenha experiência em batalhas, precisamos estar prontos.
- Você está dizendo o que eu acho que você está dizendo? - perguntou surpresa, quando Mione concordou com a cabeça, a garota sorriu - Eu adorei a ideia!
- Que ideia? - os dois perguntaram.
- Precisamos que você nos ensine, Harry.
- Vocês… Precisam… Que eu... O quê?

Cedrico bateu na porta de carvalho, e pouco depois pode escutar os saltos batendo contra o chão, até que à porta se abriu e Dolores Umbridge sorriu para ele, parecendo quase fofa.
- Diggory, obrigada por vir, entre, por favor. - deu espaço para o lufo, que ajeitou a alça da mochila em seu ombro, antes de sentar-se na cadeira que a mulher indicava.
- Algum problema, professora? - questionou quando a mesma sentou-se, enquanto lhe oferecia uma xícara de chá, a qual foi educadamente recusada.
- Não, exatamente… - sorriu para o aluno, colocando cinco colheres de açúcar em seu próprio chá. - Como Alta Inquisidora, é meu dever me preocupar com a educação e o bem-estar de todos os alunos de Hogwarts, como você sabe, - sorriu novamente, antes de tomar um gole do líquido claro em sua xícara de porcelana - estou ainda em um período de avaliação dos seus outros professores. - Diggory concordou, mantendo a expressão neutra. - Mas também me preocupo com alguns alunos, os que eu vejo que tem potencial, como você, Cedrico.
- Potencial?
- Oras, não se faça de rogado, querido. Você é Monitor Chefe, um aluno modelo, o melhor em seu ano, Capitão do time de Quadribol, um dos Campeões da Escola no Torneio do ano passado… - encarou-o, esperando alguma reação, a qual não veio.
Diggory era cauteloso, não faria qualquer comentário sem ter certeza do que se tratava aquele chamado.
- É óbvio que você tem potencial para ser um grande bruxo, Diggory. Seu pai é um ótimo funcionário do Ministério, e, eu estava conversando com o Ministro há poucos dias sobre isso, você tem chances de ser ainda melhor do que seu pai. Talvez chegar até mesmo ao cargo de Ministro em alguns anos, como seu tataravô. Imagino que você esteja almejando um cargo no Ministério, não é?
- Hm… Bem… Quando eu terminar os estudos, talvez…
- O que você pretende, querido? - sorriu, encorajando-o.
- Talvez… O setor de Cooperação Internacional… - respondeu um tanto sem graça, sentindo seu rosto esquentar.
- Ora, ora, já consigo te ver como chefe do setor! - juntou as mãos, olhando para algum ponto da parede com uma expressão exageradamente feliz. - Por isso acho importante termos esta conversa, Cedrico. Eu quero te ajudar a conseguir o que você deseja no futuro.
- Hm… Obrigado, eu acho… - deu um pequeno sorriso, embora soubesse que a mulher não falava isso apenas por querer ser legal. Era tão óbvio que Dolores queria algo em troca, que Cedrico sentia-se até ofendido por ela achar que poderia enganá-lo daquela forma.
- Mas, para isso, você precisa ter um currículo impecável, o que você certamente já tem, e, alguém que te indique. Você sabe, indicação hoje em dia é tudo.
- É claro…
- Por isso, estive pensando… - novamente o sorriso exagerado, Cedrico manteve uma expressão educadamente curiosa. - Eu preciso de alunos como você ao meu lado, Diggory, para mantermos a ordem e voltarmos aos bons costumes que tanto prestigiam o nome de Hogwarts.
- Entendo…
- Eu acho que você seria uma ótima escolha, é popular e influente. As pessoas escutam as suas ordens, você se sairia muito bem e, é claro, eu deixaria Fudge muito bem informado da sua colaboração.
Cedrico concordou com um aceno, olhando para as próprias mãos, enquanto escutava a mulher pigarrear antes de terminar sua frase;
- Só tem um pequeno problema, é claro.
Diggory a olhou, agora genuinamente curioso.
- Sua namorada.
- ? O que tem de errado com ela? - questionou nervoso.
Dolores sorriu, levantando-se de sua cadeira estofada e dando a volta em sua mesa, puxando a cadeira ao lado de Cedrico, sentando e encarando-o.
- Você sabe tão bem, ou até mesmo melhor do que eu, Cedrico. Sua namorada é bem… Problemática, para dizermos o mínimo.
Diggory permaneceu em silêncio, mais por não acreditar no que estava ouvindo, do que por não ter uma reação apropriada para o momento.
- Ela está sempre perdendo pontos para a Grifinória, as notas não são as melhores… está sempre no local errado com as pessoas erradas.
- A senhora quer dizer Harry Potter? - perguntou descrente. - O problema com é por ela ser amiga de Potter?
Umbridge respirou fundo, permanecendo com o sorriso, que no momento Cedrico queria poder arrancar de seu rosto, antes de negar com a cabeça.
- Não é apenas o Potter. Você deve saber… Imagino… Sobre a família dela…? O motivo de morar com os Tonks?
Cedrico concordou com um aceno, mantendo os dentes cerrados e a mandíbula travada.
- Pois bem, você não vai querer sujar seu futuro por causa de uma namoradinha da Escola, não é?



Cinco.

Diggory saiu da sala de Umbridge e seguiu direto para seu dormitório, ignorando por completo a ronda que deveria fazer, antes de terminar suas obrigações como Monitor Chefe aquela noite. Tomou um banho rápido e colocou sua calça de pijama, deitando-se pouco depois.
Não quis conversar com os colegas de quarto, e nem se importou em fingir prestar atenção no que diziam, simplesmente não ligava.
Sua cabeça parecia pesada com o tanto de coisas que a enchiam, nunca imaginou que algum de seus professores pudesse se incomodar com seu relacionamento com . Era óbvio que ele tentava passar o maior tempo possível com a garota, mas isso não atrapalhava suas obrigações como Monitor, nem como capitão do time de Quadribol, e claramente não atrapalhava suas notas, nem as dela. As notas da garota tinham aumentado consideravelmente nos últimos dois anos, e era justamente por estudarem juntos que isso acontecia;
McGonagall tinha comentado sobre isso não tinha nem uma semana: A professora de Transfiguração o elogiou por ter conseguido fazer a aluna realmente prestar atenção nas aulas, e se dedicar aos estudos, os trabalhos dela só não eram melhores que os de Hermione.
E Diggory nunca deixou suas notas baixarem, sempre manteve a mesma média alta, continuava sendo o melhor aluno de seu ano e nada tinha mudado.
Mas aquilo não parecia suficiente para Dolores Umbridge.
O que a mulher tinha sugerido era absurdo;
Cedrico não poderia terminar com a namorada, não poderia e, principalmente, não queria.
Não fazia o menor sentido em sua cabeça.
Obviamente ele desejava ter um bom emprego quando saísse de Hogwarts, ainda não tinha se esquecido do que tinha dito para pouco antes da terceira prova do Torneio Tribruxo, quando estavam sozinhos no corredor, depois de passarem algum tempo aos beijos.
Ele falava sério, realmente tinha intenção de trabalhar e ter dinheiro suficiente para quando se casassem, não que realmente estivessem pensando no assunto no momento, mas era algo para o futuro.
Diggory não imaginava como seria ter outra garota em sua vida, porque tinha a melhor de todas e era extremamente apaixonado por ela.
Não era possível que não conseguiria um emprego, um bom emprego no Ministério, por namorar a filha de Sirius Black.
Ele era o melhor aluno de Hogwarts desde seu primeiro dia na Escola!
Umbridge não deveria estar falando sério, provavelmente só quis assustá-lo.
Mas aquilo levantava outro ponto; Por quê toda essa raiva de ?
Não era possível que fosse apenas por ela ser filha de Sirius, ninguém do Ministério sabia que os dois conversavam, ou que ela tinha passado o verão na companhia do pai.
Para todos os efeitos ela tinha passado as férias com os Tonks e continuava sem qualquer contato com Sirius, imaginando que ele era um assassino foragido de Azkaban.
Seria possível que tudo aquilo era por a garota ser amiga de Potter?
Diggory sabia que Harry continuava sendo impertinente durante as aulas e continuava a ficar em detenção, mas aquilo era Potter, não .
Até onde sabia, a namorada ainda não tinha aprontado nada contra a professora, embora não gostasse dela, assim como boa parte dos alunos.
Então qual era a razão para tudo aquilo?
E quais eram as chances reais da mulher estar falando sério sobre sua relação com Black afetar um possível emprego?

Cedrico esperava encostado em uma pilastra, enquanto os alunos começavam a sair da sala de Snape, não demorando a visualizar a loira com os cabelos presos em um rabo-de-cavalo, sair acompanhada dos três amigos. Andou apressadamente até a namorada, escutando parte da conversa, na qual Granger reclamava com a amiga;
- Cinquenta pontos, você perdeu cinquenta pontos em uma única aula!
- E como isso foi minha culpa? - arqueou a sobrancelha. - Se Malfoy não tivesse começado… - Não importa, você sabia que Snape iria tirar pontos e continuou a briga!
- Tudo bem, recupero no Quadribol, relaxa!
- Esse é o problema, vocês poderiam conseguir mais pontos, não recuperar os que perderam! E nem sabem se vão ganhar! Nem goleiro à Grifinória tem!
- Mas ainda temos Harry e eu mesma, o que já significa vitória contra qualquer time! - deu de ombros, convencida. Cedrico riu baixo, atraindo a atenção do quarteto. - Hey!
- Olá, - acenou com a cabeça para os outros três - será que podemos conversar antes da sua próxima aula?
- Mas é claro! - sorriu, esperando enquanto os amigos se afastaram, Hermione virou-se falando mais alto.
- Não se atrase, ou Umbridge vai acabar tirando mais pontos!
- Tá, tá! - ergueu a mão, fazendo pouco caso.
- O que aconteceu com Snape? - Diggory questionou após dar um rápido beijo na namorada, e ambos seguirem pelo corredor.
- Briguei com Draco, e só eu perdi pontos. Como sempre.
- E por que vocês brigaram? – tornou entrelaçando suas mãos.
- Porque ele é um babaca - respirou fundo, baixando o tom de voz, parecendo um tanto alterada ao relatar -, e porque ele estava insinuando coisas sobre meu pai.
Cedrico arqueou a sobrancelha, olhando assustado para a garota.
- Que coisas?
- Eu acho que Draco o reconheceu na estação, quando fomos embarcar.
- Mas para isso ele teria que saber que Sirius é um Animago, quais as chances?
- Não sei, mas não gostei do tom que ele usou. - negou com a cabeça, apertando levemente a mão que segurava a de Cedrico.
O lufo negou com a cabeça, parando de andar e puxando a outra para olhá-lo.
- Não se preocupe, não tem chances do Draco saber de nada, ele provavelmente só estava querendo te irritar, e conseguiu, não? Até pontos você perdeu… Cinquenta! - afinou a voz, tentando soar igual Hermione, fazendo-a rir levemente.
- Enfim - deu de ombros, querendo mudar de assunto -, o que aconteceu? Você não deveria estar na biblioteca, ou algo assim?
- Quadribol, na verdade - corrigiu, precisava mesmo começar a preparar seu time se quisesse ter chances de vencer o jogo contra Corvinal -, mas precisava conversar com você antes… Quer dizer, - se enrolou, passando a mão livre pelos cabelos - eu precisava tirar uma dúvida.
- Pode falar. - disse curiosa, parando no final das escadas e o olhando.
- Você… - olhou para os lados, certificando-se que estavam sozinhos - Como está sua situação com a Umbridge?
Black franziu o cenho, estranhando a pergunta, dando de ombros em seguida.
- Eu a detesto, mas até o momento nada de novo. Não perdi pontos, se é o que você quer dizer, até agora só Snape teve essa honra! - sorriu, quase orgulhosa de seu bom desempenho. Cedrico riu de leve, negando com a cabeça. - Por que?
- Eu só… Queria ter certeza. - passou a língua pelos lábios, tornando a sorrir de lado - Umbridge me parece mais severa que Snape, é melhor você tomar cuidado nas aulas dela.
apenas confirmou com a cabeça, não parecendo se importar muito com o aviso.
E então voltaram a andar, um pouco mais apressados, pois ela já estava quase atrasada para sua próxima aula.
- Te vejo na hora do almoço? - perguntou antes de subir o último lance de escadas, separando-se do lufo.
- Com certeza! - sorriu para ela, beijando-lhe os lábios um pouco mais demoradamente, antes dela se afastar e subir correndo, esperando chegar na sala antes da professora.
Diggory sorriu de lado, antes de respirar fundo e olhar o relógio, andando para o Salão Principal, que estava parcialmente vazio, e puxar um pergaminho em branco de sua mochila, começando a elaborar táticas para sua equipe.

O restante da semana correu sem fortes emoções, embora Diggory tivesse notado que, sempre que Umbridge passava por ele, fosse nas aulas ou pelos corredores, a mulher sorrisse sugestiva, quase como se quisesse lembrar-lhe da conversa que tiveram.
Cedrico tinha pesquisado os horários da professora, e evitava andar com quando sabia que ela estaria por perto, na verdade, com o passar dos dias, a garota foi notando que cada vez menos andavam juntos pelos corredores, e só se encontravam na biblioteca para estudar, ou em alguma sala vazia depois do horário das aulas para uns amassos.
Até o momento não tinha visto nada demais naquilo, por não achar que era algo intencional, mas mudou completamente de atitude em uma tarde, quando estavam juntos e, ao ver Umbridge se aproximando, Cedrico se afastou apressado, soltando sua mão e dando bons passos para trás.
A professora passou pelo casal, sorrindo para o lufo e olhando de cima a baixo para a garota, que arqueou a sobrancelha e continuou a encarar-lhe, não parecendo minimamente abalada.
- Menos cinco pontos para a Grifinória. - a mulher disse sorrindo, anotando algo em sua prancheta e começando a se afastar.
Diggory respirou fundo e fechou os olhos, sabendo o que viria a seguir.
- Desculpe, o que foi que a senhora disse?
- Menos cinco pontos para a Grifinória, querida. - repetiu pausadamente, sorrindo.
Black sorriu de lado, concordando com um aceno.
- Eu poderia saber o motivo? Pelo que me consta, não estou fazendo nada contra as regras.
- Seu uniforme está desalinhado! - avisou, apontando para a gravata solta da aluna.
a olhou incrédula, mas Dolores apenas virou-se e continuou seguindo seu caminho, ralhando com alguns alunos mais à frente.
- Isso não pode ser sério. - reclamou enquanto a mulher se afastava, Cedrico a encarou por alguns instantes, negando com a cabeça. - Eu vou matar aquela mulher.
- Eu avisei que você deveria ter cuidado… - começou, mas ficou em silêncio ao notar o olhar que a namorada lhe lançou.
- Você está dizendo que a culpa foi minha?
- Não, eu só…
- É por isso que você não quer mais andar comigo? - cruzou os braços, desabafando irritada.
- O que…? Eu não…
- Eu já percebi, Cedrico. Você não quer ser visto em público comigo, é isso?
- É claro que não, , não diga bobagens. - negou com a cabeça.
- Então me explica, por que você se afastou quando a cara de sapo chegou? E por que você só pode encontrar comigo à noite, quando não tem ninguém por perto?
- Não sei do que você está falando. - desconversou, olhando para o lado.
Black esperou alguns segundos, mas ao notar que ele não iria dizer mais nada, descruzou os braços, dando-lhe as costas e seguindo na direção contrária.
- … Espera! Eu não… - parou de falar quando ela virou o corredor, sumindo de sua vista. - Droga! - baixou a cabeça, suspirando.

Black não falou com Cedrico no resto da tarde, e não apareceu para jantar à noite, de forma que o lufo não conseguiu se explicar com ela. Pensando bem, talvez até tivesse sido bom, nem mesmo sabia como se explicar.
O que ele poderia dizer?
Era óbvio que ele estava a evitando, não porque não gostava de andar com ela, era a melhor hora do seu dia quando estava com a namorada! Mas achou que se Umbridge não os visse juntos o tempo todo, talvez a professora não tivesse motivos para implicar com a garota.
Cedrico só não queria que ela perdesse pontos, ou acabasse em detenção por sua causa, embora continuasse sem entender o motivo do interesse da professora em seu relacionamento.
No sábado, Cedrico tentou falar com a garota durante o café, mas ela não estava no Salão quando ele chegou, e precisou se apressar, pois tinha reservado o Campo de Quadribol para treinar durante a manhã, e seu time já o esperava.
Passou quase duas horas conversando com o grupo, explicando as novas táticas que tinha bolado e motivando os jogadores como podia, aceitando sugestões sempre que alguém tinha uma nova ideia.
Quando finalmente subiram em suas vassouras, Cedrico passou um bom tempo sobrevoando o Campo, vendo a forma que estavam jogando, e como estavam aderindo às novas estratégias. Sorrindo animado com o que estava vendo durante aquelas horas.
Se treinassem com empenho, teriam grandes chances de vencer o jogo contra a Corvinal, embora o outro time fosse forte.

estava sentada entre Harry e Rony, enquanto escutavam Hermione falar para o grupo de alunos que tinha aparecido no Cabeça de Javali. No meio do discurso, Potter levantou-se dando sua versão sobre alguns casos, e negando quando a amiga disse que ele estava sendo modesto.
- É verdade que você sabe conjurar um Patrono Corpóreo? - uma das garotas perguntou, o que gerou uma rodada de perguntas sobre as habilidades de Harry.
- No terceiro ano ele afastou mais de cem Dementadores, eu vi! - contou, vendo as caras surpresas dos colegas, Harry a olhou, sorrindo agradecido. - E salvou meu pai. - sussurrou para apenas ele ouvir, fazendo-o rir baixo.
- E é por isso que estamos aqui, precisamos que alguém nos ajude a nos defender, a nos proteger de… Voldemort! - Hermione finalmente disse, respirando fundo. - Precisamos que você nos ensine, Harry.
Assim que a reunião terminou, e o grupo assinou seus nomes no pergaminho encantado por Granger, o quarteto foi voltando para Hogwarts, sem muito ânimo de continuarem em Hogsmeade, especialmente porque começava a esfriar.
- Eu ainda não entendi uma coisa, - Mione começou, chamando a atenção dos amigos, mas virou-se diretamente para - por que Cedrico não veio?
Harry rolou os olhos, dando uns passos à frente e acompanhando Rony, conversando sobre qualquer outro assunto que não fosse Diggory. Não que não gostasse do lufo, apenas… Bem, honestamente ele não gostava de Cedrico. E sabia que era algo recíproco.
- Porque eu não contei. - deu de ombros, olhando para frente e escondendo as mãos nos bolsos do casaco. Respirou fundo quando notou que a amiga continuava esperando uma resposta mais completa - Brigamos ontem antes que eu pudesse falar, e bem, se depender de mim não vou dizer tão cedo.
- E qual foi o motivo? - questionou diminuindo o passo, assim como a outra.
- Lembra o que eu falei, sobre Umbridge me descontar pontos por causa da minha gravata? - Granger concordou com um aceno - Cedrico, meio que insinuou que era minha culpa. E não foi a primeira vez, ele vive falando para eu não arranjar problemas com ela…
- Bem, isso não é exatamente um mau conselho. - Hermione começou incerta.
- É, mas ele tem evitado andar comigo, porque não quer que ela veja.
- Como é? Por que?
- Não sei, e, sinceramente, não sei se quero saber. Se ele está com medo dela, problema é dele. - reclamou, dando passos mais rápidos.
- Você deveria conversar com ele!
- Eu já sei o que ele vai me dizer, Hermione. Que não é nada disso, que eu estou louca, ou sei lá. - exasperou-se - Eu sei do que estou falando, quando eu perguntei ele desconversou, se não quis me explicar quando eu pedi, agora não quero saber.
Granger rolou os olhos, rindo leve.
- Eu não dou até amanhã à noite para vocês estarem bem!

Contrariando a expectativa de Granger, não fez as pazes com Cedrico no final de semana, na verdade nem mesmo o viu por mais de um minuto. Se esbarraram no domingo de manhã, e Cedrico até parou para dar oi, mas logo foi carregado por Emmett e o restante do time para o Campo de Quadribol, para treinarem antes do jogo na próxima semana.
O time passou boa parte do domingo treinando, antes de darem lugar para o grupo da Corvinal, que também precisava usar o campo. E quando Cedrico finalmente estava livre para procurar a namorada, ela estava na Torre da Grifinória, fazendo trabalhos e estudando, e não pode falar com ele.
A dúvida que ficou em sua cabeça por alguns minutos era se ela não podia ou não queria, mas confirmou ser a primeira quando conseguiu conversar com Hermione na hora do jantar. Embora tivesse aquela pequena porcentagem de orgulho, motivo o qual ela não estava exatamente se esforçando para conversar com ele.
Com a demora para resolverem tudo, Cedrico resolveu que precisava explanar suas dúvidas com alguém, precisava de um conselho sobre o que deveria fazer, e só conseguiu pensar em uma pessoa para fazer isso. Talvez não fosse a ideal, mas naquele momento pareceu sua primeira e única saída.
A parte ruim, é claro, era precisar de alguns dias para ter uma resposta de sua carta.
Na segunda o lufo chegou no Salão Comunal no horário do correio, logo vendo que estava entretida lendo uma carta, que, pelo sorriso em seu rosto, ele tinha certeza que vinha de Sirius. Diggory leu a carta dos pais e a guardou no bolso, querendo lembrar-se de passar no Corujal ainda aquela tarde para responder, contudo, a que esperava, ainda não tinha chego, o que não era exatamente uma surpresa, já que tinha enviado na noite anterior.
Quando estava indo para as estufas, para sua última aula do dia, encontrou os alunos do quinto ano voltando para o Castelo, sorriu ao encontrar , conversando com Neville. Cedrico desviou seu caminho, parando na frente da namorada, sorrindo para ela.
- Oi, Neville. - acenou para o outro, que respondeu um pouco sem graça. Não tinha problemas com Cedrico, mas sempre ficava um pouco intimidado quando alunos de outras Casas falavam com ele. - Podemos conversar mais tarde? - perguntou para a garota.
o olhou por alguns instantes, dando de ombros pouco depois.
- Às oito no lugar de sempre? - sussurrou em seu ouvido, quando curvou-se para beijar-lhe a bochecha. Notou que ela o olhou torto por alguns instantes, provavelmente incomodada por ele ainda querer se encontrar escondido, mas acabou por concordar.

Diggory desceu as escadas e seguiu pelo corredor à esquerda, andando tranquilo e, vez ou outra, olhando para os lados, certificando-se que não tinha ninguém por perto. Encontrou com Filch pouco depois, desejando-lhe um “boa noite” educado, antes de virar o corredor e entrar na terceira sala, vazia.
Sorriu ao perceber que já estava lá, sentada em uma cadeira mais ao canto, olhando pela janela. Bateu com a varinha na porta, tornando a trancá-la, como sempre estava antes de chegarem, e andou na direção da namorada.
- Boa noite! - sorriu, colocando as mãos nos bolsos e parando ao seu lado.
- Boa... - respondeu sem se alterar, olhando-o brevemente.
Cedrico suspirou, passando a mão pelos cabelos e, então, puxando uma cadeira, sentando-se ao seu lado.
- Sei que está chateada comigo, e eu sei que realmente parece que estou te evitando, mas…
- Se você disser que eu estou imaginando coisas, eu vou embora. - cortou, encarando-o levemente irritada. Diggory concordou com a cabeça, suspirando.
- Eu estou, - confirmou - mas não é por opção, ou porque não quero que nos vejam juntos. Sabe que eu gosto de mostrar para todo mundo que você é minha garota! - comentou a encarando, vendo-a rolar os olhos, mas um sorriso leve em seus lábios, o que era um bom sinal. - É só que a Umbridge está mesmo de olho em você, não sei o motivo, mas parece que ela procura alguma razão para te tirar pontos, ou dar detenções, assim como faz com Potter. - o encarou, a sobrancelha arqueada - Não quero que ela use nosso namoro como desculpa para uma detenção. - Suspirou, ao olhar em seus olhos, achando melhor ser totalmente honesto - E, bem… Ela me chamou para conversar há alguns dias…
- Sobre? - questionou curiosa.
- Hm… Bem, falou sobre meu histórico como estudante, e dizer que poderia conseguir um bom emprego do Ministério se tivesse a pessoa certa me indicando… Entende? - a garota concordou com um aceno, esperando a conclusão - Ela… - suspirou antes de finalizar - Disse que eu não deveria sair com você, que deveríamos terminar.
Black o olhou incrédula, sem saber o que dizer por um instante, e então travando a mandíbula.
- É por isso que está me evitando? Quer terminar?
Foi a vez de Diggory a olhar surpreso, negando no mesmo instante, parecendo chocado por ela considerar aquilo, nem mesmo tinham passado por sua cabeça terminar.
- Por Helga Hufflepuff, , é claro que não. Só não sei porque ela está tão na sua cola, achei melhor que ela não nos visse juntos o tempo todo para não correr o risco de ter problemas para você…
- Para mim ou para você? - replicou ácida.
- O que quer dizer?
- Ela está te oferecendo um bom emprego, não?
Cedrico piscou duas vezes ao entender ao que ela se referia, sentindo-se frustrado com aquilo.
- Acha mesmo que eu terminaria com você por causa da droga de um trabalho no Ministério? - a garota deu de ombros, um pouco desconfortável - Prefiro Azkavan à terminar com você.
A menina permaneceu alguns instantes em silêncio, pensando a respeito.
- Eu não sabia exatamente o que pensar, você estava me evitando sem motivos…
- Eu sei… Sinto muito - passou a mão nos cabelos, irritado com a situação toda -, mas não quero, nem por um minuto, que você pense que eu quero terminar, ou que te colocaria em segundo lugar em qualquer coisa. Eu só não sei o que fazer com tudo o que está acontecendo…
aproximou-se, entrelaçando seus dedos.
- Podemos nos ver fora dos horários, se você acha mais fácil assim.
Cedrico olhou para suas mãos juntas, apertando-a gentilmente.
- Gosto de andar com você pelo terreno, . - encarou-a - E não quero precisar ter um relacionamento escondido, mas não faço ideia do que fazer nesse momento. Você achou mesmo que eu estava querendo me afastar de propósito?
Ela deu de ombros, não respondendo de imediato.
- Não sei, você e a Hermione nunca querem quebrar as regras, a princípio imaginei que depois daquele decreto sobre manter uns trinta centímetros de distância, você estivesse com medo de se aproximar…
- Ah, por Hufflepuff! - resmungou, escutando a risada baixa da garota a sua frente - Eu largava o trabalho de Monitor sem pensar duas vezes. - piscou sorrindo de lado para a garota. - Eu prometo que vamos resolver isso, ok?
- Eu sei, confio em você.
- Será que podemos esquecer isso por um momento e nos concentrar em algo ainda mais importante?
- Que seria…?
Diggory mordeu o lábio inferior, parecendo levemente pensativo.
- Não sei, talvez aproveitar o que não aproveitamos no final de semana? Me parece uma boa ideia!
sorriu quando notou o lufo aproximando-se de seu rosto, encarando-a por alguns instantes, antes dele juntar seus lábios. Passou as mãos por seu pescoço quando Cedrico a puxou para mais perto, logo levantando-se e a puxando com ele, juntando seus corpos e não demorando para aprofundar o beijo.
Cedrico sempre aproveitava os momentos que tinha sozinho com , embora não pudesse a beijar sempre que podia nos corredores, contentava-se em andarem juntos, apenas porque sabia que poderiam se encontrar depois e ele a beijaria o quanto quisesse.
Não demorou para dar alguns passos cambaleantes até a parede mais próxima, prensando-a contra a mesma, e descendo os beijos para seu pescoço, sentindo-a ofegar, enquanto puxava seus cabelos com certa força.

Cedrico ainda tentava recuperar a respiração descompassada, enquanto ajeitava os cabelos, após a namorada sair em direção ao Salão Comunal da Grifinória. Sentia o corpo quente e certas partes mais visíveis que o normal, e foi por isso que ainda esperava para poder sair da sala e voltar para seu dormitório.
Estava ficando cada vez mais complicado para ele passar aqueles momentos com Black, eram sempre bons e rápidos demais. Queria ter mais tempo com ela, mas também ficava nervoso por sempre esperar um algo a mais.
Desde a terceira prova do Torneio Tribruxo, era sempre assim que se sentia quando ficavam sozinhos, em um lugar mais reservado. Vários beijos, muitos apertos, alguns suspiros mais longos, mas sempre paravam nisso. sempre parecia saber quando o namorado estava prestes a perder o controle, e o interrompia na hora certa, (ou errada, na opinião de Cedrico). Entretanto, ele sabia o motivo dela se afastar; entendia muito bem o que todo aquele excesso de reações significava, e ela não estava pronta para dar aquele passo.
Diggory nem mesmo reclamava, pois entendia perfeitamente, ainda era nova, por mais que não parecesse em alguns momentos, e eles namoravam a menos de um ano.
Não era porque Cedrico já tinha saído com outras garotas, que faria o mesmo com ela.
Embora quisesse, muito.
Por hora, contentava-se com os beijos mais longos.
Respirou fundo uma última vez, antes de abrir à porta e sair em direção ao seu Salão Comunal, andando rapidamente até lá, com um sorriso em seus lábios.

No outro dia pela manhã, no caminho para o Salão Principal, um aglomerado de alunos estava parado em frente ao portal, enquanto Filch pendurava mais um decreto;
82
Todos os estudantes serão submetidos a interrogatórios sobre suspeitas de atividades ilícitas.

Cedrico leu e releu o artigo, o cenho franzido enquanto tentava entender o motivo. Não fazia sentido em sua cabeça, o que ela considerava “atividades ilícitas”?
A menos que Fred e Jorge estivessem vendendo seus logros escondidos, já que tinham sido proibidos, não tinha muito mais o que a professora pudesse considerar irregular.
Cedrico sentiu quando alguém pegou em sua mão, virando-se em tempo de ver a namorada parar ao seu lado, olhando para o decreto novo, franzindo o cenho por alguns instantes, antes de arquear a sobrancelha.
- Uau, alguém está realmente preocupada com as teorias de conspiração contra o Ministério.
- Shiu! - apertou-lhe a mão, olhando para os lados.
A última coisa que precisavam era da garota sendo levada para interrogatório.
- O que? Ah, por favor, não me diga que está preocupado com essa bobagem? - abanou a mão no ar, rolando os olhos e rindo baixo. - Vamos, eu tenho aula com a Minerva, isso sim é preocupante! Sabe o tamanho do trabalho que ela pediu…? - puxou-o pela mão, entrando no saguão acompanhada de Cedrico, que riu baixo, negando com a cabeça.
Beijou-lhe a testa antes de se separarem para suas mesas, voltando a se encontrar rapidamente antes das aulas do dia iniciarem.

- Ela suspeita, não é? - Hermione comentou em voz baixa, enquanto andavam para a próxima aula.
- Ela não teria como saber… - Rony negou com um aceno, parecendo preocupado. - Será que alguém contou?
- Não, se ela tivesse alguma prova já teria nos expulsado, são apenas suspeitas. - argumentou, ajeitando a mochila em seu ombro - Mas talvez devêssemos esperar um pouco antes de fazer uma reunião…
- Não faz diferença, - Harry deu de ombros, atraindo a atenção dos amigos - ainda não encontramos um lugar bom o bastante, só teremos uma reunião depois disso.
Quando estavam cruzando a sala, Granger sentou-se rapidamente ao lado de , o que fez Potter arquear a sobrancelha, já que era sempre ele quem sentava ao lado da garota naquelas aulas. Deu de ombros dando a volta, sentando-se com Rony, na mesa a frente.
- O que foi?
- Você já contou para o Cedrico?
- Ainda não, - negou com a cabeça - esqueci de dizer ontem… Acabamos ocupados... - sorriu de canto, vendo a amiga rolar os olhos.
- Talvez seja melhor esperar um pouco, soube que ela está de olho nele.
Black virou-se para a amiga, a expressão confusa.
- Ela quer que Cedrico a ajude a monitorar a Escola e os alunos, dizem que prometeu algumas indicações para quando ele sair de Hogwarts… Sabe? Para trabalhar no Ministério…
- Como você está sabendo disso? - perguntou desconfiada, Hermione olhou para o lado, desviando o olhar - Hermione…
- Eu escutei Draco comentando com a Pansy ontem, quando estava fazendo a ronda…
A garota respirou fundo, não respondendo nada, aproveitando quando McGonagall entrou na sala poucos segundos depois, para fingir prestar atenção em seu livro.

Não demorou nem um dia para mais alguns decretos serem criados, nenhum realmente importante, ou preocupante, apenas as mesmas besteiras de sempre, na opinião de grande parte dos alunos, até que um chamou suas atenções;
98
Aqueles que desejarem se juntar a Brigada Inquisitorial para créditos extras, poderão se inscrever no escritório da Alta Inquisitora.
- Só o pessoal da Sonserina vai se inscrever… - Weasley comentou, dando a volta no aglomerado e andando até a mesa, não demorando para pegar uma grande quantia de bacon.
- Não sei, - Harry começou em voz baixa -, soube que ela tem pego pesado com alguns alunos… Talvez o pessoal que se sinta ameaçado não queira se arriscar…
- Talvez eu me inscreva. - comentou antes de tomar seu suco, os três a olharam surpresos - Seria bom, sabe? Estar infiltrada! - piscou.
- Até parece que ela vai deixar, - Potter riu - você provavelmente é a segunda pessoa que ela mais quer expulsar, logo atrás de mim!
A garota respirou fundo, deixando seu copo na mesa, virou-se com a sobrancelha arqueada.
- Então eu tenho que fazer alguma coisa, - respondeu, alterando a postura - não nasci para ficar em segundo na vida, Potter. Vou passar você na lista dela!
- Ah, pelas calças de Merlin! - Granger ralhou, rolando os olhos, enquanto os dois riam.
- Potter? Tonks? - Angelina apareceu poucos segundos depois.
Desde que assumiu como Capitã do time de Quadribol, Angelina parecia muito mais estressada que o habitual, embora ainda não estivesse no mesmo nível de Olívio.
- Estamos com problemas!
- O que aconteceu? - Harry perguntou, virando-se no banco para ficar de frente com a colega.
- Umbridge ainda não assinou a permissão do nosso time, ainda não podemos jogar.
- O que? Ela pode não liberar? O que ela disse? - perguntou exasperada.
Angelina respirou fundo, passando a mão pelos cabelos longos e negros.
- Que ainda está estudando a possibilidade, - passou a mão no rosto, nervosa - eu só queria pedir para vocês dois se comportarem. Eu sei que você tem tido problemas nas aulas dela Harry, mas, - suspirou - ela pode usar isso para não nos deixar jogar!
- Não pode ser… - negou com a cabeça.
- Eu não estou pedindo, na verdade estou mandando, ou vocês dois se comportam, ou estão fora do time, entendidos? - colocou as mãos na cintura, querendo soar imponente, mas no final da frase fez uma cara de quem poderia chorar a qualquer momento, quase desculpando-se pelo tom de voz usado.
- Sem problemas. - responderam em uníssono.
- Vocês acham que…?
- Não! - Harry cortou o ruivo - Não pode! Não pode.
- Eu uso o poder a mim investido como filha de um Comensal foragido se ela não liberar a gente pra jogar!
- Ah, pronto. Daqui a pouco vão criar a nova versão dos Marotos! - Granger rolou os olhos, rindo em seguida, junto com os amigos.

No final da aula de Herbologia, seguiram direto para o Salão Principal, querendo comer o máximo que podiam depois de duas horas num trabalho pesado, e chato, no qual reenvasaram algumas plantas venenosas.
Estavam conversando e comendo tranquilos, quando Umbridge entrou seguida de um grupo de alunos, Draco foi o primeiro que Black viu, logo atrás da professora. Rolou os olhos, voltando a virar-se para seu prato de comida, quando escutaram o pigarro da mulher.
- Eu quero apresentar a vocês - começou sorridente, olhando demoradamente para a mesa da Corvinal, Lufa-Lufa e, então Grifinória -, os primeiros integrantes da Brigada Inquisitorial! Lembrando, que quem quiser participar, é só falar comigo! - apontou para o grupo, que fez fila ao seu lado.
Meia dúzia de alunos da Sonserina, dois da Corvinal (o que já era uma surpresa), Filch, que a fez rolar os olhos, e…
- Cedrico? - a voz de Rony chegou aos seus ouvidos.
encarou o namorado por alguns instantes, notando sua cabeça baixa e a expressão séria em seu rosto. O pequeno distintivo brilhando em sua capa, logo ao lado do M de Monitor. Pareceu levar uma eternidade até Diggory erguer o rosto, olhando para os colegas e, por fim, virando para a mesa da Grifinória.
A expressão confusa da namorada logo mudou ao encará-lo nos olhos, a loira negou com a cabeça, tornando a virar-se em direção aos amigos, mas Diggory notou o olhar decepcionado. Respirou fundo, fechando os olhos por alguns segundos, antes de ouvir a voz da professora, dizendo que já podiam ir almoçar com seus colegas.
Cedrico andou diretamente para sua mesa, não querendo olhar para mais ninguém, ao sentar-se ao lado de Emmett, o lufo encarou-o por alguns instantes, a expressão tão confusa quanto de .
- Por que?
O rapaz demorou um minuto completo para respondê-lo, servindo-se antes de dar de ombros, soprando um simples;
- Crédito extra.



Seis.

sabia que tinha algo muito errado acontecendo com Cedrico, principalmente quando ele não a procurou por uma semana inteira, além de ter desviado da garota sempre que se encontravam nos corredores ou no Salão Principal. Ele apenas dava um sorriso amarelo e dizia estar ocupado, sumindo rapidamente de sua vista. Por mais que a incomodasse, não o procurou. Se Diggory queria ter segredos e, de alguma forma, concordava com o que o Ministério estava fazendo em Hogwarts, não era ela quem iria dizer alguma coisa.
Mas se fosse sincera, ela só não tinha reclamado ainda, porque não tinha conseguido conversar com o namorado. O que a deixava três vezes mais frustrada que o normal.
Resolveu dedicar-se aos estudos, voltando a pedir ajuda para Hermione sempre que precisava, e, agora que o time de Quadribol estava liberado por Umbridge, voltou a treinar com o máximo de empenho possível. Também estava ansiosa para a primeira reunião do grupo contra o Ministério, que aconteceria naquela noite, e, ao notar que Harry parecia muito mais preocupado e nervoso com a reunião, tirou o dia de estudos para ajudá-lo a se acalmar e concentrar-se em outra coisa que não fosse a aula de mais tarde.
Os dois passaram a parte da tarde que não tinham aulas sentados no gramado do terreno, tentando ignorar o vento frio que se aproximava e conversando sobre coisas banais, que não os lembrasse de Hogwarts e nenhum dos problemas relacionados ao retorno de Voldemort.

Aquilo, é claro, não passou despercebido por Diggory, que tinha acabado de enviar uma carta aos pais, quando olhou pela janela do Corujal, logo localizando os dois sentados, muito próximos, perto do Lago Negro. Sabia que tratava-se da namorada, pois os cabelos loiros e compridos da garota eram únicos na Escola, e o uniforme da Grifinória apenas confirmou. Apoiou-se no parapeito da janela, cruzando os braços e os olhando por algum tempo, queria saber o que tanto conversavam, e porque estavam tão próximos.
E, o pior, em sua opinião, é que não era a primeira vez que aquilo acontecia na semana, todas as vezes que encontrava com Black, ela parecia muito próxima de Potter. Por mais que tivesse prometido a si mesmo que não teria mais ciúmes de Harry, era algo quase impossível de se cumprir. Sabia que os dois eram amigos e respeitava, mas não via necessidade em estarem sempre tão próximos.
Ele nunca ficava tão próximo das colegas quando estavam conversando.
No fundo não achava que ela pudesse traí-lo daquela forma, mas também não era como se Diggory estivesse sendo o namorado mais presente do ano no momento, o que só aumentava seu medo da garota acabar por terminar o relacionamento, já um tanto conturbado, dos dois.
Cedrico sabia que Potter tinha muito mais em comum com ela do que ele, e os dois eram amigos desde a primeira semana em Hogwarts, eram melhores amigos. Também sabia que os dois tinham segredos demais, e, ele tinha certeza, nem Rony ou Hermione sabiam de todos.
Contudo, Diggory também sabia que Potter estava interessado em Cho Chang, tinha reparado já no final do ano anterior o quanto ele parecia nervoso quando a corvina se aproximava, e suas suspeitas foram confirmadas quando soube que o apanhador tinha a convidado para o Baile de Inverno. Diggory tinha até mesmo pensado em tentar ajudá-lo a conquistar a Chang, mas não sabia qual era a melhor forma de abordar o assunto, os dois não eram amigos, não existiam razões para Cedrico chamá-lo para conversar e falarem de Cho. Talvez ficasse muito óbvio que ele queria tirar Potter de perto de Black se o fizesse.
Na verdade, já tinha tentado puxar aquele assunto com a namorada, para saber como ela reagia a situação, e sorriu sozinho ao lembrar-se de como ela não pareceu se importar;
“- Isso é sério? Ah, não acredito que o Raio não me contou! - rolou os olhos, coincidentemente, Chang passou pelo casal, apenas alguns metros de distância - Com tanto que ele não a deixe pegar o pomo-de-ouro só porque ela é a namorada dele…
- Quer dizer que também seria errado eu falar para o Emmett deixar você fazer alguns gols? - perguntou rindo. A garota o olhou com a sobrancelha arqueada, piscando em seguida.
- Ced, meu amor, eu não preciso da ajuda do Emmett para marcar! E eu te conheço, você nunca deixaria isso acontecer; Quadribol é Quadribol, relacionamentos à parte.”
Porém, até onde Diggory sabia, Potter não tinha conseguido nada com Chang e continuava muito próximo de , mais ainda na última semana. E Cedrico sabia que tinha culpa, se não estivesse se esquivando na garota, talvez as coisas estivessem diferentes.
- Espiando sua namorada, Diggory?
Cedrico virou-se assustado, vendo Draco Malfoy na entrada do Corujal, um sorriso enviesado em seus lábios. O lufo rolou os olhos, tornando a olhar pela janela.
- Como se eu precisasse…
- Eu acho que precisa, ou não teria ciúmes sempre que a visse com Potter.
O apanhador tornou a virar-se para Draco, cruzando os braços e apoiando-se na parede, enquanto o sonserino chamava sua coruja, entregando-lhe um pergaminho pouco depois.
- Como é?
Draco deu uma risada baixa, dando de ombros.
- Eu já vi sua expressão sempre que Potter se aproxima, Diggory. Você detesta vê-lo com minha priminha.
- Você não sabe do que está falando.
- Não sei? - ironizou, virando-se para a saída - Você quem sabe, mas se fosse a minha namorada, eu faria algo a respeito.
Diggory sorriu de lado, irônico.
- Talvez eu devesse xingá-la na frente de todos, não? Parece um bom jeito de conseguir chamar a atenção de uma garota.
Malfoy o encarou por alguns instantes, chegando a abrir a boca, antes de virar-se e descer as escadas, a raiva transparecendo em seu olhar.
- Babaca… - Diggory disse baixo, antes de tornar a olhar pela janela, não encontrando ou Harry no lugar de antes, e, ao olhar o relógio, se deu conta que estava atrasado para a próxima aula, descendo correndo as escadas.

Assim que a Armada de Dumbledore terminou a primeira reunião do grupo, na Sala Precisa, todos voltaram para seus Salões Comunais, em grupos pequenos, tentando não chamar atenção.
- Foi uma boa aula, Harry, já pode candidatar-se para professor de DCAT no futuro! - piscou para o amigo, que riu negando com a cabeça.
- Eu espero ter uma carreira maior do que um ano, obrigado! - comentou enquanto andavam de volta para a Torre da Grifinória.
- Eu nunca entendi, sabem? - Rony puxou o assunto, o cenho levemente franzido. - Por que todos os professores de DCAT só permanecem um ano?
- Ninguém sabe. - Mione deu de ombros, parecendo animada depois da reunião. - Mas não era assim antes, teve um professor que ensinou por quase trinta anos antes de sair, eu li em Hogwarts Uma…
- Ok, ok, mas pensem pelo lado positivo, - cortou o pequeno discurso que os três sabiam que viria de Granger - significa que só temos que aguentar Umbridge esse ano, e no próximo ela já terá ido embora. Não pode ser tão ruim, não é?
- Poder pode, mas é um pensamento bom. - Harry concordou.
- A luz no fim do túnel! - Weasley encerrou rindo, junto com os amigos.
- Mas temos que tomar cuidado, com ela e o pessoal da Brigada… - Hermione lembrou-os - Além do mais… Eu… Eu… - parou de falar assim que alguém entrou no corredor no qual estavam. Os quatro ficaram em silêncio, e Harry escondeu o Mapa do Maroto dentro do bolso, torcendo para que não fosse Umbridge. Poucos segundos depois, os quatro respiraram um pouco mais tranquilos ao notar que era Cedrico quem tinha virado no corredor, parecendo um tanto confuso ao notar os quatro por ali.
- Hm, já passou do horário… - começou encarando-os desconfiado.
- Estávamos levando os dois de volta para a Torre. - Hermione respondeu rapidamente, apontando para Harry e . - Eu disse que já estava tarde, mas… Bem…
- Entendo. - Cedrico pareceu um pouco mais mal-humorado ao entender que Black estava, novamente, sozinha com Potter, independente do horário que fosse. - É melhor vocês dois se apressarem, se mais alguém os vir aqui fora esse horário, vão perder pontos.
- Tudo bem, obrigado. - Harry acenou com a cabeça, puxando pelo braço para que seguissem o corredor, Hermione e Rony ficaram um pouco para trás, para ajudar Cedrico com a ronda.
- Podem ir, vocês dois - comentou em voz baixa -, também já estou indo para minha Casa.
- Bem, boa noite, Cedrico! - Rony sorriu, antes de andar apressado atrás dos outros dois.
Hermione ficou parada por alguns instantes, olhando-o de canto ao notar que o mais velho parecia chateado.
- Vocês deveriam conversar - começou em voz baixa, atraindo sua atenção. -, nós dois a conhecemos bem, se você não for o primeiro a puxar o assunto, não vai falar nada e vocês vão continuar brigados.
- Não estamos brigados…
- Muito bem, vão continuar sem se falar e se ignorando. - corrigiu, os braços cruzados.
Cedrico suspirou, dando de ombros.
- Não tenho nada para dizer, eu sei qual é o problema e não posso mudá-lo. - desabafou - E vai continuar não aceitando, fim de papo.
- Eu sei que não é da minha conta, mas… - esperou até Cedrico voltar a encará-la, concordando com a cabeça e a incentivando a continuar - O que aconteceu?
Diggory bufou um tanto impaciente, passando a mão pelos cabelos e encostando-se na pilastra próxima, os braços cruzados e o olhar baixo.
- Sinceramente? Não faço ideia. Quando vi já estava com metade da escola me detestando por estar na Brigada, entre eles minha namorada. Eu só queria que esse ano acabasse logo.
Granger sorriu sem jeito, concordando com um aceno.
Identificava-se muito com Diggory em alguns pontos, em outros nem tanto, mas gostava do lufo, ele era uma boa pessoa e um bom aluno.
- É seu último ano na Escola, você precisa ir bem nos NIEM’S e créditos extras são sempre bem vindos, não?
Cedrico concordou após alguns instantes, Hermione colocou a mão em seu ombro, parecendo solidária aos seus dilemas.
- No final vai dar tudo certo, você vai ver. - começou - Mas, Diggory, de verdade, se vocês dois não conversarem logo, as coisas vão piorar e vocês vão acabar terminando. Imagino que não seja isso que você queira, estou certa?
O lufo fechou os olhos, concordando com um aceno de cabeça, enquanto suspirava.
- Obrigado, Hermione. - sorriu pequeno em sua direção - Das bruxas da sua idade você é a mais inteligente! - piscou brincando, já tendo visto aquela brincadeira algumas vezes. Granger sentiu o rosto esquentar, negando sem graça.

No sábado pela manhã, quando o Correio Coruja chegou, Diggory recebeu a resposta de sua carta enviada há quase duas semanas.

“Demorei para responder, porque não sabia se queria dar conselhos para você. Talvez eu prefira que continue afastado da minha filha, Diggory.
Por outro lado, já recebi umas três cartas de falando sobre isso, e estou começando a me incomodar.
Não tenho muito o que te dizer, imagino que você já saiba o que deve fazer, não?
Fale com ela, Cedrico. Explique o motivo de ter aceitado entrar no grupo da Umbridge.
Se você permanecer em silêncio, sem dizer que estava tentando ajudá-la, não demora muito eu serei obrigado a te azarar por fazê-la chorar.
Gosto de você, Cedrico, mas tenho minhas obrigações de pai.
Apenas converse com ela, tenho certeza que vai entender.

Sirius.”

O lufo sorriu pequeno, achando engraçado a forma do homem tentar ajudá-lo.
Gostava de saber que tinha a confiança de Sirius, e que o homem até gostava dele, mesmo que um pouco. Provavelmente as coisas mudariam se algum dia Black imaginasse o tipo de pensamentos que Cedrico tinha, mas até esse dia, o qual Diggory esperava que nunca chegasse, era bom saber que poderia conversar com o homem.
O conselho não tinha sido muito diferente do de Hermione na noite anterior, o que apenas confirmava o que ele já sabia; Ou conversavam, ou acabariam terminando, e aquilo era a última coisa que o rapaz queria.
Tinha passado parte da noite pensando no que Granger tinha dito, sobre como as coisas só piorariam se eles continuassem fingindo que nada tinha acontecido, até chegar ao ponto que a melhor saída seria o término.
Se já detestava ficar alguns dias longe dela, nem mesmo gostava de imaginar como seria se eles, de fato, terminassem.
Gostava demais da namorada para sequer considerar não tê-la ao seu lado, e, foi por tudo isso, que depois do café-da-manhã, saiu a procura da garota.

Diggory esperou no fim das escadas por vários minutos até passar por ali, já usando seu uniforme de Quadribol, levantou-se apressado, chamando-a no instante seguinte.
- Oi…
- Oi.
Os dois se encaram por vários segundos, até o lufo soltar o ar de uma única vez, parecendo frustrado consigo mesmo.
- Eu só queria te desejar boa sorte. - sorriu de lado, vendo-a concordar com um aceno.
- Obrigada.
Continuaram sem conversar, apenas se encarando até o lufo fechar os olhos, baixando a cabeça e negando algumas vezes.
Era estranho para ele não saber o que dizer, ou como agir.
Cedrico sempre sabia o que fazer em situações normais, mas nunca era tão fácil quando ela estava ao seu lado.
Já tinha imaginado aquela conversa algumas vezes, e em nenhuma pareceu tão difícil quanto estava sendo naquele momento.
No fundo nenhum dos dois sabia o que dizer, nem o que queriam ouvir.
Apenas não queriam continuar naquela situação estranha e um tanto constrangedora.
Estavam sem conversar há vários dias e quando acabavam no mesmo lugar não sabiam como agir, inventando desculpas e afastando-se apressados.
Não era assim que deveria ser, Cedrico estava em seu último ano em Hogwarts, queria aproveitar o tempo que tinha com a namorada antes de se formar, mas nada tinham saído como planejado por ele, muito pelo contrário.
Nunca pareceram tão distantes como estavam naquele ano, e, o próximo passo em sua cabeça, era o término. Algo que ele nem mesmo gostava de imaginar.
- Eu realmente não sei o que dizer… - colocou as mãos nos bolsos, ainda olhando para os próprios pés.
o olhou por alguns instantes, notando que também não sabia como agir ou o que deveria dizer, por fim resolveu fazer a única coisa impulsiva que lhe ocorreu naquele instante;
- Cedrico… - começou com a voz baixa, não sabendo se teria coragem para terminar aquela frase, não tinha pensado sobre aquilo antes, mas agora que passou por seus pensamentos, parecia quase bizarro e ela já se arrependia por ter começado.
Encarou os olhos cinzentos do lufo por alguns instantes, tentando definir o que tinha ali, mas ele só parecia extremamente chateado, e ela não fazia ideia do motivo, se era por estarem brigados, ou se era por toda a situação.
E se tivesse chegado o ponto que ele não gostava mais dela?
E se ela tivesse sido implicante o suficiente para ele deixar de querer ficar com ela?
Sentiu o peito apertar com a ideia de Cedrico já não sentir o mesmo que antes.
E se ele gostasse de outra pessoa?
Talvez ele só não tivesse coragem de encerrar tudo com ela, em consideração ao tempo que tiveram juntos.
Talvez não terminasse por medo do que Sirius poderia fazer.
Diggory poderia ter se arrependido de tê-la pedido em namoro.
Se fosse aquilo, o que ela faria?
- Vocêquerterminar? - perguntou rápida, incerta.
Respirando fundo no instante seguinte, mas parecia que todo o ar do mundo não era o suficiente naquele momento.
Cedrico a olhou confuso por longos segundos, parecendo demorar para entender o que ela tinha dito. Na verdade, ela notou que tinha dito rápido demais, e que talvez ele realmente não tivesse entendido. Mas, antes que ela pudesse fazer a pergunta novamente, Diggory pareceu um tanto surpreso, quase chocado com aquilo, abriu a boca algumas vezes, mas não disse nada. Olhou para o lado, passando a língua pelos lábios secos, tornando a virar-se para , encarando-a.
- Você quer terminar?
Encararam-se por algum tempo, ambos pensando no assunto.
O que faria se Diggory dissesse que sim? Como passaria o resto do ano encontrando com ele pelos corredores, fingindo que nada aconteceu? E se ele começasse a namorar outra garota?
Diggory tinha a mesma coisa em mente, e se ela tivesse tocado no assunto porque queria terminar com ele? E se ela começasse a namorar Harry Potter ou qualquer outro cara na Escola? E se ela terminasse com ele, porque simplesmente não gostava mais de Cedrico? O que ele faria? Nem mesmo imaginava como seria passar dias, semanas e meses, olhando para ela, sabendo que não era mais sua namorada, que não estavam mais juntos, que ela não gostava mais dele.
A falta de resposta dos dois lados os deixou ainda mais nervosos, sem saber o que se passava com o outro.
- Tonks! - Angelina chamou de repente, assustando-os - O que está fazendo? Precisamos ir, o jogo já vai começar!
- Certo… - concordou com a voz baixa, notando sua boca seca e a respiração acelerada. - Conversamos depois do jogo, ok? - pediu sem olhá-lo, não tendo coragem de encará-lo naquele instante.
Desceu os degraus que faltavam, andando apressadamente até Angelina, logo a seguindo para fora do Castelo, em direção ao campo.
Diggory soltou o ar assim que notou estar sozinho, fechando os olhos e os punhos.
Seu coração batendo acelerado contra o peito.
O que estava acontecendo ali?

A partida tinha começava há vários minutos, o jogo seguia com a Grifinória ganhando por 40 a 0 e, por mais que Cedrico tentasse se concentrar em assistir junto com os colegas, no fundo parecia que nada estava acontecendo, embora tivesse escutado várias vezes os gritos de “Weasley é nosso Rei”. Sentia-se como se ainda estivesse na escadaria, aguardando a garota com o uniforme vermelho e o número 5 brilhando nas costas, responder se queria ou não terminar o namoro.
Seu coração parecia bater pesado contra seu peito, sua vontade era gritar da arquibancada, chamar seu nome e implorar para que ela não o deixasse. Queria gritar que a amava e que não importava-se com o Ministério, nem Umbridge nem nada, porque se ela não estivesse ao seu lado, as coisas não faziam sentido.
Por que ele iria precisar de um bom emprego se ela não fosse mais sua namorada?
Diggory lembrava-se com perfeição da primeira vez que a escutou dizendo que o amava, antes da terceira prova do Torneio Tribruxo, meses antes, e de como se sentiu quando escutou aquilo. Lembrava-se tão bem quanto todas as outras vezes que tinha acontecido, assim como se lembrava de boa parte das conversas que tinham tido ao longo dos anos que se conheciam, e de como gostava de tê-la ao seu lado.
Cedrico ainda sentia-se do mesmo jeito quando a beijava, mas e se não fosse recíproco?
E se ela não se sentisse mais do mesmo jeito quando estava com ele?
Por mais que ele quisesse gritar que a amava, não tinha nada que ele pudesse fazer se ela não sentisse o mesmo.
- WOW! - Emmett gritou ao seu lado, e, automaticamente, Cedrico olhou para o céu, não demorando para ver que tinha acontecido algo grave na partida;
Um dos batedores da Sonserina tinha arremessado um balaço contra uma das artilheiras da Grifinória, acertando-a em cheio.
- Ela está bem? - Emmett tornou a dizer ao seu lado, parecendo preocupado.
Foi só aí que Diggory notou quem tinha caído.

A partida foi interrompida assim que atingiu o chão, com mais impacto do que gostaria, por não estar controlando sua vassoura. A artilheira arrastou-se pelo gramado, com a mão na cabeça, gemendo baixo enquanto os companheiros de time aterrissavam ao seu lado.
- Eu não acredito que ele fez isso! - Angelina gritava, histérica, enquanto se aproximava. - Você está bem?
- ? - a voz desesperada de Harry aproximou-se de seus ouvidos, e logo sentiu suas mãos tocarem-lhe as costas e o braço, enquanto ele tentava saber se ela estava bem.
Ao fundo escutava Madame Hooch gritar com quem quer que fosse, mas não se importava, sua cabeça doía demais para prestar atenção em qualquer outra coisa.
Parte de si questionava-se como aquilo tinha acontecido, seu orgulho estava ferido.
Como podia não ter visto um balaço vindo em sua direção?
Sabia que estava distraída naqueles minutos iniciais, por mais que tentasse prestar atenção no jogo, sua mente não parava de mostrar-lhe imagens de Cedrico Diggory, mas não achou que fosse o suficiente para cair da vassoura. Aquilo chegava a ser humilhante!
- Deixe-me ver, Potter, saia da frente! - sentiu quando uma mão gelada tocou-lhe o rosto, logo virando-a de lado. Não demorando a reconhecer Madame Pomfrey, olhando-a séria enquanto tentava ver se estava machucada.
- Tem muito sangue! - uma voz falou mais ao fundo.
Black tentou levar a mão, novamente, até a cabeça, mas foi impedida pela enfermeira.
- Sou eu quem tem que ver isso, Tonks. - ralhou a mulher.
- Como ela está? - McGonagall perguntou apreensiva, chegando afoita até o gramado.
- Preciso de alguns minutos para saber…
Após vários minutos, nos quais Pomfrey passou fazendo um curativo no corte grande em sua testa, enquanto examinava os sinais vitais da jogadora, Angelina foi a primeira a perguntar;
- Ela pode continuar a jogar?
- Eu diria que não, - a mulher começou, terminando o curativo. - Tonks precisa de…
- Eu posso jogar! - falou com a voz fraca, tentando sentar-se no gramado.
- Claramente não pode. - a mulher ralhou, empurrando-lhe o peito com força, para que voltasse a deitar.
Escutava a torcida da Sonserina gritar, parecendo rir da situação inteira, enquanto os demais colegas xingavam. Harry estava ajoelhado ao seu lado, esperando para saber como ela estava.
- Eu já estou bem… - repetiu, respirando fundo e afastando as mãos habilidosas da enfermeira.- Eu posso continuar o jogo.
- Se o corte abrir…
- Eu faço outro curativo. - virou-se para Potter, assim que sentou-se no gramado, sentindo a cabeça tornar a doer. - Pegue a droga do pomo de uma vez, Raio.
Harry riu, concordando com a cabeça, antes de levantar-se e esticar a mão, para servir de apoio para a amiga.

Cedrico pareceu impaciente por vários minutos em seu lugar nas arquibancadas, queria descer até o gramado, ver se a garota estava bem, mas não podia fazer isso. Não era seu time que estava jogando e, mesmo sendo monitor, não tinha autoridade para tanto.
Acalmou-se um pouco ao ver que estava se mexendo, tentando levantar-se, mas foi apenas quando ela ficou em pé que ele respirou aliviado, notando que ela continuaria na partida, mesmo com um curativo grande na testa e parte da cabeça enfaixada.
Angelina aproximou-se para conversar com ela, antes da garota comentar algo com Rony e Harry e, então, tornar a pegar sua vassoura.
Madame Hooch tornou a apitar depois que o campo já estava liberado e os jogadores em suas vassouras, não demorando a jogar a Goles.
Cedrico aplaudiu, comemorando entusiasmado quando a namorada marcou um gol, e comemorou da mesma forma as outra cinco vezes que ela repetiu o feito, embora tenha notado que em alguns momentos ela ficasse parada no ar, levando a mão na cabeça, parecendo cansada.
Desejou que Potter pegasse logo o pomo, para encerrarem a partida de uma vez e, felizmente, seu pedido não demorou a acontecer. Pouco mais de três minutos depois, Potter alcançou o pomo-de-ouro, agarrando-o e dando uma volta pelo campo com a mão erguida.
Assim que o jogo terminou Cedrico desceu o mais rápido que pode, não demorando a chegar no gramado, que tinha sido invadido pelo pessoal da Grifinória. Demorou alguns minutos para encontrar , aproximando-se dela assim que o fez.
Os dois se encararam por alguns instantes, e Diggory pode ver que o curativo que ela tinha já estava manchado de sangue novamente, olhando-a preocupado.
- Você está bem?
- Vou sobreviver. - sorriu de lado, dando de ombros.
Cedrico concordou com um aceno, demorando alguns instantes para se pronunciar.
- Parabéns pelo jogo, foi muito bem…
- Obrigada!
- Tonks! - McGonagall apareceu no meio da multidão - Ótimo jogo, agora você precisa ir à Ala Hospitalar e… Ah, Diggory, - a professora sorriu quando o viu -, faça o favor de acompanhá-la, sim?
- Claro, professora.
O casal seguiu em silêncio, e Cedrico segurou em sua mão quando foram passar no meio dos torcedores, para garantir que não se separariam. Sentiu seu coração bater apertado quando a mão da garota envolveu a sua, sem saber se aquela seria a última vez que aquilo aconteceria ou não.
seguiu carregando sua vassoura, a qual Cedrico ofereceu-se para levar pouco depois, antes de irem guardá-la para, só então, seguirem para dentro do Castelo.

Madame Pomfrey terminou os curativos e pediu para a garota permanecer ali aquela noite, em observação devido a pancada na cabeça, principalmente depois dela ter dito que sentia-se um tanto enjoada. Assim que a enfermeira deixou-os sozinho, Cedrico levantou-se da cadeira em que estava sentado, puxando a cortina ao redor da maca em que estava, dando-lhes um pouco mais de privacidade, tornando a sentar-se ao lado da garota pouco depois.
- Sente-se melhor?
- Com sono, na verdade, mas não posso dormir por algumas horas, então… - deu de ombros, vendo-o concordar com um aceno.
- Você deveria contar ao Sirius, ele vai gostar de saber que vocês ganharam o primeiro jogo… Mas provavelmente vai ficar preocupado com você… - lembrou-se, franzido o cenho. riu baixo ao seu lado, concordando.
- Provavelmente vai querer saber quem foi… - ponderou por alguns instantes, após tornarem a ficar em silêncio. - Ele gosta de você, sabe? - comentou em tom baixo - Meu pai…
Cedrico a encarou com a sobrancelha arqueada, um sorriso no canto dos lábios.
- Achei que ele estava esperando a melhor oportunidade para me azarar…
- Talvez. - riu, olhando-o de lado.
baixou o olhar para o lençol que a cobria, passando os dedos pelo mesmo, sentindo o tecido distraída, enquanto tentava arranjar um novo assunto.
Diggory respirou fundo, esticando a mão e pegando na mão direita da garota, apertando-a gentilmente junto a sua. Os dois passaram alguns segundos olhando para seus dedos entrelaçados, sem nada dizer, até Diggory erguer o olhar para o rosto dela, começando em tom baixo;
- Eu não quero terminar. Eu sei que não estamos muito bem, e que eu não tenho sido o melhor namorado do mundo nas últimas semanas, mas eu não quero terminar. - desabafou, encarando os olhos - As últimas semanas só não foram piores que as duas últimas horas que eu passei sem saber se você quer terminar comigo. Se você me disser que não gosta mais de mim, infelizmente não tem nada que eu possa fazer para mudar isso, mas se você me disser que quer terminar por causa dos últimos dias… … Eu sei que esse ano tem sido uma confusão, e pensamos diferente em alguns pontos, mas…
- Eu não quero terminar com você, Cedrico. Isso nunca me passou pela cabeça. - apertou-lhe a mão, sorrindo de lado - Não sei o que te fez entrar no grupo da Umbridge, realmente não acho que seja algo bom, e você está certo, estamos em lados opostos esse ano, por assim dizer, mas eu não terminaria com você por causa do Ministério, Diggory. Você é uma boa pessoa, independente do que esteja acontecendo agora.
Cedrico mordeu o lábio inferior, concordando com um aceno.
- Eu prometo que vou te explicar os meus motivos, eu só não posso fazer isso agora…
- Eu acredito em você, Cedrico.
O lufo suspirou aliviado, sorrindo antes de inclinar-se na cadeira, em direção a cama em que a namorada estava, encostando os lábios nos dela.



Sete.

Cedrico quase parecia uma nova pessoa, sentia-se mais animado do que tinha estado desde que o semestre tinha começado, embora continuasse sem pode estar com a namorada o tempo todo, o fato de saber que ela entendia sua situação ajudava bastante, e os encontros depois das aulas também eram bastante satisfatórios.
O jogo contra a Corvinal tinha sido complicado, mas conseguiram ganhar por uma diferença pequena de 20 pontos, e agora estavam logo atrás da Grifinória na busca pela Taça. Era difícil, mas não impossível.
Os estudos seguiram como sempre, deixando-lhe mais tempo do que gostava na biblioteca, fazendo todos os trabalhos necessários e estudando para as provas que estava tendo antes da pausa para o fim de ano.
Seus trabalhos extracurriculares no momento não exigiam muito, com a Brigada Inquisitorial em um número cada vez mais alto, na maior parte do tempo ele só evitava que algum aluno da Sonserina exagerasse nos castigos e pontos descontados dos colegas das outras Casas.
Quase não ouvia mais reclamações sobre Potter e Black da professora, já que os dois pareciam sempre muito comportados em aula e pelos corredores, Umbridge, é claro, suspeitava de algo e queria que Cedrico descobrisse o que eles faziam, mas o lufo não estava assim tão empenhado em passar essa informação. Era óbvio para ele que os dois estavam aprontando, mas ainda não tinha lhe contado nada, e ele suspeitava que ela nem diria, principalmente depois que Diggory lhe disse ter escutado uma conversa de Umbridge com Snape, na qual ela pedia pelo Veritasserum.
Cedrico não ficava de todo feliz com a aproximação da namorada com Harry, mas tentava demonstrar menos o ciúmes, e até estava se saindo muito bem. Claro que ficava curioso para saber o que eles faziam, e até acreditava que a professora estava certa ao achar que eles se reuniam com outros estudantes, mas não tinham perguntado para , e nem pretendia tão cedo, apenas para o caso de Umbridge usar o soro da verdade com o lufano.

tinha acabado de sair do Salão Comunal, carregando sua bagagem, pronta para voltar para sua casa durante o feriado. Cedrico estava sentado no último degrau, esperando-a para irem juntos até o trem que os levaria de volta à Londres. , ele notou, parecia mais nervosa que o normal, embora não tivesse dito nada. Diggory queria perguntar porque Harry e os Weasley tinham saído de Hogwarts no meio da noite anterior, mas ela não parecia querer comentar sobre aquilo, mantendo a expressão nervosa em seu rosto.
Estavam quase embarcando quando Dolores Umbridge a puxou pelo braço, parecendo mais histérica do que o costume;
- Você, senhorita, me diga, onde está Harry Potter?
Cedrico permaneceu ao seu lado, mantendo uma mão no ombro da namorada. sorriu de lado para a professora, aproveitando aquele pequeno momento no qual a mulher não tinha qualquer vantagem sobre a mesma; McGonagall estava à poucos metros de distância.
- No meu malão ele não está, professora. Não posso ajudar, desculpe.
A voz insolente da mais nova fez a expressão da mulher alterar-se, parecia que uma veia explodiria em seu rosto. Umbridge sorriu da mesma forma, curvando-se levemente em sua direção;
- Se eu fosse você, tomaria cuidado com o que diz, nunca se sabe quando um segredinho pode se espalhar pela escola, não é mesmo, Black?
A garota respirou fundo, não deixando-se abalar, mantendo o sorriso em seus lábios.
- Ainda bem que eu sou eu e a senhora é a senhora, não concorda? - baixou o tom de voz, dando um passo em direção a professora - Eu também teria cuidado se fosse a senhora, até parece que está ameaçando uma aluna, filha de um assassino foragido de Azkaban… Eu me pergunto o que ele faria se soubesse… - afastou-se, voltando ao tom alto e animado de antes - Boas festas, professora.
Diggory mordeu o lábio, apenas acenando com a cabeça para a mulher, segurando a risada enquanto puxava a namorada pela mão para entrarem no trem. Black virou-se uma última vez para olhar a expressão horrorizada de Umbridge, antes de embarcar.

Cedrico aproveitou que Hermione tinha saído da cabine, faltando poucos minutos para chegarem à Estação de Kings Cross, para despedir-se da namorada, já que não a veria pelas próximas duas semanas, queria que pudessem passar o Natal juntos, mas viajaria com sua família e estaria com Sirius e os Tonks.
Assim que chegaram à Estação, não demorou para avistar seus pais e Ninfadora, conversando em um canto um pouco afastados da multidão.
Abraçou os pais antes de cumprimentar Dora, e esperou enquanto sua mãe conversava com , que sempre parecia muito tímida perto de Rachel, o que o fazia rir levemente.
Despediu-se beijando-lhe a bochecha, apertando levemente sua cintura, ouvindo-a rir contra seu pescoço, antes de aparatar com os pais depois de passarem pelo portal, enquanto agarrou-se no braço da prima, para voltarem ao Largo Grimmauld.

sentiu os braços de Sirius ao seu redor assim que passou pelo corredor, não demorando nem dois segundos para corresponder ao abraço apertado do pai, contente por finalmente vê-lo depois de tantos meses afastados.
- Como está? - a voz rouca do homem perguntou baixo, antes de soltá-la.
- Melhor agora, pai! - piscou animada, sabendo o quanto ele gostava de quando ela o chamava daquela forma. Sirius passou a mão pela cabeça da filha, dando uns tapinhas parecidos com os que ela dava quando ele estava em forma de cachorro, algo como se dissesse “boa garota!”, o que a fez rir antes de virar-se para cumprimentar o restante do pessoal.
Embora quisesse visitar o Sr. Weasley, depois do ataque de Nagini, optou por ficar em casa e passar o tempo que tinha com Sirius. Conversaram bastante e ele a ajudou com alguns deveres de casa, adorando poder relembrar as épocas de Hogwarts.
- E como estão as coisas com a Umbridge? - perguntou assim que a filha espreguiçou-se, deixando a pena sobre o pergaminho aberto. deu de ombros.
- Talvez eu a tenha lembrado que você é um foragido perigoso de Azkaban… - comentou segurando um sorriso. O homem arqueou a sobrancelha, aguardando a conclusão da história - Ela estava de marcação comigo, e quis me ameaçar quando eu estava para embarcar, era óbvio que eu não deixaria por menos, não é verdade?
- O que foi que você fez?
- Ela quis dizer que se eu não cooperasse, ela poderia deixar escapar meu segredinho, - deu de ombros novamente, tomando um gole de seu suco - eu só a lembrei que você continua foragido, e que seria interessante saber qual seria sua reação se descobrisse que alguém do Ministério está me ameaçando…
Sirius baixou a cabeça, mordendo o lábio inferior e fechando os olhos por alguns instantes, no fundo queria rir, mas ao invés disso, manteve uma pose séria, suspirando antes de começar seu discurso de pai preocupado;
- Por mais que eu adore saber que você herdou essa parte de mim, você fez errado. Dolores pode mesmo espalhar na Escola que você é minha filha, e isso causaria muitos problemas…
cruzou os braços, encarando o mais velho.
- O Ministério sempre soube disso, e mesmo depois que você escapou nunca me perguntaram nada…
- Mas a maioria dos seus colegas não sabem, e é melhor manter dessa forma.
- Pai, o máximo que iria acontecer é terem medo de mim, o que eu acho ótimo para as partidas de Quadribol…
- Eu estou falando sério, .
- Eu também! - protestou, batendo com a mão na mesa. - Se o Ministério é burro de achar que você é um Comensal, o problema não é meu.
- Vai ser se toda a Escola souber que você é minha filha.
- Sirius Black III, - começou levantando-se, com as mãos na cintura - a filha sou eu e o sobrenome é meu. Se eu quem estou em Hogwarts não vejo problemas que todos descubram que meu pai é o primeiro bruxo que fugiu de Azkaban, por que você se importa? Além do mais, todo mundo que realmente me importa já sabe que sou sua filha. - deu de ombros, voltando a sentar-se, jogando os cabelos para trás. - Vão me prender por ser sua filha? Eu vou derrubar aquele Ministério todinho!
Sirius manteve-se sério por alguns instantes, abrindo um sorriso orgulhoso logo depois. Pensou em várias coisas que poderia dizer naquele momento, mas não conseguiu achar nada muito significativo, ao invés, levantou-se, dando a volta da mesa da cozinha e beijando-lhe a cabeça, antes de retirar-se por alguns instantes; não precisava vê-lo chorando.

Sr. Weasley teve alta do St. Mungus na manhã de Natal, e todos aproveitaram a ocasião para fazer um brinde em sua homenagem, entre tantos brindes que faziam aquele dia; Por Harry que tinha avisado a todos e assim salvo Arthur, por Sirius que emprestava a casa para todos e Remo por ter sido o melhor professor que já tiveram. Rony que era Monitor, pelos gêmeos que ainda não tinham recebido um berrador aquele ano, por que tinha perdido 70 pontos pela Grifinória até o momento, pela Sra. Weasley que tinha feito uma comida muito boa, pelo bruxo responsável por inventar o hidromel (embora Rony, Harry, e Gina não tivessem experimentado), por Rony que tinha ido muito bem como goleiro, e Gina como artilheira. Ao terminarem a grande rodada de brindes, finalmente começaram a almoçar, antes de trocar os presentes; Os Weasley deram seus famosos agasalhos tricotados à mão por Molly, ganhou um preto com um grande “B” dourado no meio, o qual ela achou muito apropriado e vestiu de imediato, já imaginando usá-lo quando fosse à Hogsmeade. Rony lhe deu uma barra de chocolates da Dedos de Mel, Hermione (que passava o Natal na França com os pais), lhe mandou uma nova coleção de penas, incluindo uma colorida que só era possível ver o que se escrevia após dizer um feitiço. Harry deu-lhe uma camiseta de seu time favorito de Quadribol; Ballycastle Bats. Cedrico mandou-lhe uma caixa de doces enorme, a qual ela provavelmente demoraria meses para terminar. Remo lhe deu um livro sobre Runas Antigas, que era uma de suas matérias favoritas e, finalmente, Sirius saiu por alguns minutos da sala, voltando com um pacote comprido e fino, que a filha não precisou de muitos segundos para adivinhar o que era.
- Achei injusto só ter dado uma vassoura nova para Harry, Feliz Natal!

- Vitor eu te amo, Vitor eu te amo sim! Quando estamos distantes meu coração bate só por vocêeee!
Sirius e Lupin pararam na entrada da sala, olhando aquela cena e segurando uma risada; dançando uma espécie de falsa com Fred, enquanto Jorge e Harry cantavam, fingindo reger uma orquestra. Gina gargalhava ao lado, sentada na ponta do sofá e vez ou outra juntando-se ao coro. Rony estava emburrado no canto, os braços cruzados e o rosto tão vermelho quanto seus cabelos.
- O que está acontecendo aqui? - Black perguntou disfarçando a risada.
- Estamos reencenando a história de amor de Rony Weasley e Vitor Krum! - Jorge começou a explicar, sendo atrapalhado por um grito de Fred;
- Krum bobão, Krum bobão!
- Ele é um artista! - completou juntando as mãos e suspirando, forçando uma expressão apaixonada.
O grupo começou a gargalhar, principalmente quando Rony mandou-os calar a boca, dizendo que nunca tinha dito aquilo.
- Por que essa implicância? - Remo questionou sentando-se na poltrona próxima.
- Krum quase foi nosso cunhado, - Gina comentou rindo - mas Hermione Granger foi mais rápida!
Mais risadas vieram quando a ruiva terminou o comentário, fazendo o irmão ficar tão envergonhado, que acabou levantando-se e subindo às escadas em direção ao seu quarto.
- Não deviam fazer isso... - Sirius comentou coçando a barba, olhando sério para os estudantes.
- Ele ficou assim agora, mas minutos atrás estava rindo quando estávamos imitando a ! - Harry explicou sentando-se no lugar que o amigo desocupou.
- Rony não sabe brincar! - concordou, jogando-se no sofá oposto, no qual seu pai estava.
- Eu perdi essa imitação? Quero ver! - pediu sorridente, vendo a filha rolar os olhos e negar com a cabeça.
Os gêmeos levantaram-se no mesmo instante;
- Você sabe com quem está falando? - Fred afinou a voz, colocando uma mão na cintura e arqueando a sobrancelha, sorriu de lado antes de completar - Black, herdeira do sobrenome mais nobre e importante do mundo bruxo. Filha do único bruxo que fugiu de Azkaban!
- Eu nunca disse isso! - protestou em meio à risadas.
- Por enquanto, , por enquanto.
- É, agora que você vai dizer que é uma Black, já posso te ver jogando os cabelos loiros pro lado e dizendo isso. - Jorge riu, acompanhado pelos demais.
- Não vou negar que me pareceu uma ótima ideia, só preciso da oportunidade correta! - sorriu esperta, fazendo-os rir por mais tempo.
- Remo, eu tenho uma dúvida; - Harry chamou o homem, virando-se sério para o mesmo, atraindo a atenção dos colegas - Sirius era arrogante em Hogwarts, ou adquiriu essa característica sozinha?
- Hey! - pai e filha falaram ao mesmo tempo. Lupin riu baixo, concordando com a cabeça.
- Sirius até hoje é uma das pessoas mais arrogantes que eu conheço, acho que esse detalhe está impregnado no DNA dos Black, Régulo era igual!
- Hey! - reclamaram novamente, quase parecendo ofendidos.
- Não gostei do que você está insinuando, Aluado. - o mais velho reclamou, cruzando os braços.
- Godric Gryffindor nos proteja, parece que estou vendo a ! - Jorge comentou fingindo-se chocado.
- Ah, cala a boca! - a loira reclamou dando língua.
- Brincadeiras à parte, , Jorge está certo. Você se parece muito com Sirius!
Os dois se entreolharam rapidamente, arqueando as sobrancelhas, antes de darem o mesmo sorriso de lado, tão típico de ambos.
- Olha só, quem diria que mesmo com tantos anos distante, você acabaria tendo as mesmas manias, não é? - Black sorriu para a filha, parecendo orgulhoso por notar tantas similaridades.
- Como eu disse, - Remo interrompeu sorridente - deve ser algo do DNA de vocês!

Sirius e Remo olharam surpresos quando viram Harry, e os gêmeos descendo as escadas, usando seus uniformes da Grifinória, enquanto Gina vinha mais atrás, usando uma capa preta e os cabelos presos em um coque apertado, um livro embaixo do braço e a varinha na mão. Parou no último degrau, gritando com o quarteto;
- Por que eu não estou surpresa em ver vocês dois em detenção, de novo? - questionou ríspida, na sua melhor imitação de Minerva McGonagall.
Harry, que tinha os cabelos mais armados que o normal, passou a mão pelos mesmos, tentando parecer ainda mais desleixado, exatamente como diziam que seu pai fazia;
- Não foi nossa culpa, professora, Almofadinhas…
- Hey, não venha colocar a culpa em mim, Pontas! - protestou, tornando a erguer o rosto pra professora, arrumando sua capa, mantendo a pose elegante, os cabelos curtos e pretos levemente ondulados nas pontas, o que surpreendeu Sirius o qual não sabia que a filha já tinha tamanho domínio em transfiguração.
- Professora, - Fred e Jorge começaram, passando na frente do casal, os cabelos claros da cor de Lupin, as roupas um pouco sujas e um arranhão em suas bochechas esquerdas - eu tentei pará-los, sinto muito. Fracassei no meu dever de Monitor! - baixaram a cabeça ao mesmo tempo.
Sirius e Remo não conseguiram controlar a gargalhada depois daquela frase, Black curvando-se ligeiramente, a mão na barriga.
- Quase uma viagem ao tempo! - Lupin comentou em meio a risadas.
- Eu nunca mais conto nada sobre essa época, vocês usam contra nós!
- Ainda bem que vocês pararam, já estava imaginando que teria que fingir beijar alguém! - comentou rindo, apontando a varinha para o próprio cabelo, que voltou a ser loiro e comprido, enquanto sentava-se no sofá, seguida pelos outros quatro; Gina soltou o coque, e Harry tentava baixar os cabelos curtos. Os gêmeos não pareciam se importar com os cabelos claros, deixando-os daquela forma, e apenas limpando o corte em seus rostos.
- O que quer dizer com isso? - Sirius questionou com a sobrancelha arqueada.
- Remo me contou que você beijava todo mundo, pai. - deu de ombros, sem se incomodar.
- Quem diria que Cedrico seria tão parecido com Sirius, ein? - Fred comentou pensativo.
- Como é? - o homem tornou a perguntar, parecendo confuso.
- Cedrico namorou Hogwarts inteira antes de começar a sair com a ! - o ruivo explicou-se, olhando de canto para a garota.
- Pois é, essa é a prova que ele não é perfeito! - rolou os olhos, entediada.
- Cedrico Diggory? - Black pareceu extremamente surpreso. - Aquela cara de bom moço é apenas para me enganar?
- Talvez seja esse o charme dele… - Gina comentou em voz baixa, vendo concordar com um aceno.
- Cedrico até saiu com a namorada do Harry! - Jorge relembrou, fazendo tanto Potter quanto mexerem-se desconfortáveis.
- Ela não é minha namorada…
- Mas você estava a beijando pelos corredores, logo ela é algum casinho… - Fred replicou rindo, vendo-o ficar vermelho. Depois de Rony, que continuava emburrado no quarto, Harry era sua segunda pessoa favorita para envergonhar.
- Como é que é? - Sirius encarou o afilhado, que deu de ombros. - Quem é?
- A japonesinha Chang, que deu o fora no Harry ano passado! - Jorge explicou.
- Ela não me deu o fora, só tinha outro par…
- E foi aí que o Harry chamou a para o Baile, e ela não quis ir!
- O QUE?
- Não foi nada demais, pai…
- Você chamou minha filha para um Baile, Harry Potter? - Sirius virou-se sério, encarando-o descrente. Harry olhou assustado para o padrinho, então o homem passou a encarar a filha, sentada ao lado de Potter - E por que foi que você não aceitou, ?
- Porque já tinha combinado de ir com Cedrico, - deu de ombros novamente, passando a língua pelos lábios - Harry me deixou como segunda opção, papai. Minha auto-estima foi atingida!
- Ah, cala a boca! - Potter comentou baixo, um tanto envergonhado.
- Eu não acredito no que estou vendo, você deixou minha filha como segunda opção?
- Por um instante achei que Sirius estava com ciúmes, agora tenho a sensação que ele está triste por não ter ido… - Remo comentou coçando a barba rala.
e Harry se entreolharam, começando a rir em seguida, negando com a cabeça.
- Sirius, me diz uma coisa - Fred começou, sentando mais na ponta do sofá e encarando o homem -, você e James tinham algum tipo de plano de juntar o casalzinho aqui - apontou para os dois amigos - quando eles crescessem, para juntar as famílias?
- O que?? - Black falou com a voz uma oitava mais fina, pigarreando antes de continuar, levantando-se do sofá e afastando-se em direção às escadas - É claro que não, que ideia…
Remo começou a gargalhar, enquanto os adolescentes o encaravam, um tanto confusos.
- Isso foi um sim? - perguntaram ao mesmo tempo, não tendo nenhuma resposta de Lupin.



Oito.

O retorno das aulas não foi tão bom quanto Cedrico esperava, após voltarem dos feriados, passou janeiro e fevereiro inteiro ocupado com todas as suas tarefas tanto como Monitor Chefe quanto como Capitão do time de Quadribol, além é claro, de estudar cada vez mais para os NIEM’s que se aproximavam. O resultado de tudo isso era passar cada vez menos tempo com , que também parecia sempre ocupada.
Não conseguiam passar mais do que alguns poucos minutos juntos, nos finais de semana, quando não tinham treino de Quadribol, ou matérias acumuladas para estudar. Outro ponto que, por mais que o lufo não quisesse admitir, tinha voltado a incomodá-lo, era o fato dela estar sempre junto de Harry Potter, fossem nas aulas ou nos tempos livres. Entendia que eles eram amigos e estavam no mesmo ano, mas não conseguia evitar vê-los juntos o tempo todo, principalmente depois de ouvir Fred e Jorge comentando sobre Sirius ser muito favorável ao casal Black-Potter.
O auge foi numa noite, quando estava terminando sua ronda, pronto para voltar para o Salão Comunal, e encontrou os dois saindo de uma sala no corredor, andando juntos, conversando em voz baixa, enquanto sorriam um para o outro. Diggory precisou fazer um grande esforço para não sacar sua varinha e lançar algum feitiço em Potter, ao invés, apenas postou-se na frente dos dois, impedindo-os de descerem as escadas. Os dois o olharam assustados por um instante, mas relaxaram quando viram que era Cedrico.
O lufo manteve os braços cruzados, a expressão séria, olhando de um para o outro.
- Posso saber o que fazem aqui a essa hora?
Os dois se entreolharam rapidamente, fez um sinal com a cabeça, e Harry afastou-se devagar, dando um boa noite baixo, enquanto Black aproximava-se do Monitor.
- Estou esperando uma resposta antes de descontar pontos da Grifinória.
arqueou a sobrancelha, sorrindo de lado, descrente.
- Até parece…
O lufo respirou fundo, a raiva subindo por seu ser, antes de falar em voz alta;
- Menos cinco pontos para a Grifinória. Alunos fora da cama.
Black o olhou surpresa, a boca ligeiramente aberta.
Piscou duas vezes antes de entender que Cedrico tinha, finalmente, resolvido assumir sua posição como Monitor e agora estava a castigando por quebrar as regras, ignorando o fato de serem namorados.
não chegava a culpá-lo, mas nunca imaginou que ele fosse realmente fazer aquilo um dia.
Parte de si estava um tanto desapontada.
Cruzou os braços, acenando com a cabeça, antes de dizer boa noite e começar a se afastar.
Diggory a segurou pelo braço, puxando-a para o canto da parede, não querendo correr o risco de serem pegos por outros professores;
- O que estava fazendo com Potter?
- Nada. - respondeu, sem encará-lo, enquanto soltava-se.
Cedrico respirou fundo, passando a mão pelos cabelos.
- Se bem me lembro, quando eu te chamei para sair hoje, você disse que estaria estudando a noite toda, - comentou em voz baixa - não estou vendo nenhum livro.
o encarou de sobrancelha arqueada, tornando a cruzar os braços.
- O que você está querendo insinuar?
- Insinuar? - riu irônico - Não estou mais insinuando. Fazem dias que estou procurando um tempo para ficar com você, mas você nunca pode, está sempre ocupada, sempre com Potter. E agora vejo os dois saindo rindo de uma sala, no meio da noite, depois de ter me dito que não sairia da Torre da Grifinória. O que você acha que eu estou dizendo?
Black fechou os olhos por um instante, concentrando-se em não começar a gritar no corredor, contendo a raiva por, de novo, notar a desconfiança de Cedrico;
- Eu não aguento mais, Diggory. Quantas vezes eu preciso dizer que Potter é meu amigo? Quantas vezes você vai sair me acusando por algo que eu não fiz? Se é assim tão difícil para você confiar em mim, acho melhor terminarmos por aqui. - olhou-o séria, a raiva presente em sua voz. - E só para você saber, - continuou antes de começar a afastar-se - não estávamos sozinhos, tinha mais vinte alunos com a gente, incluindo Justino e Ana que são da Lufa-Lufa. Se não acredita em mim, pode perguntar para eles. - encerrou antes de dar as costas, afastando-se rapidamente pelas escadas.
Diggory continuou encarando o lugar no qual ela estava antes, processando a ideia de que tinha acabado de terminar o namoro deles, por mais um estúpido ataque de ciúmes de Cedrico. O ano não estava sendo fácil para eles, e tiveram outras vezes que ele achou que talvez terminassem, mas nem por um instante imaginou que seria por aquilo.

Diggory não conseguiu dormir aquela noite, e nem concentrar-se nos estudos no dia seguinte. Ficava repassando mentalmente as últimas brigas que tinha dito com a garota, sempre pelo mesmo motivo.
Aproveitou o intervalo do almoço para perguntar à Ana Bolt, que tinha acabado de sentar-se na mesa da Lufa-Lufa, se ela tinha mesmo estado com na noite anterior, mas o fez de forma sútil;
- me contou que vocês estavam juntas ontem, não é?
- Ah, sim! - sorriu - Ela foi minha dupla na reunião da Armada, me ajudou com o feitiço do Patrono, estou quase conseguindo executar um corpóreo! - contou animada, antes de virar-se para começar a conversar com uma amiga.
Cedrico fechou os olhos, arrependendo-se no mesmo momento por ter, mais uma vez, a acusado de traí-lo.
Passou o resto do dia pensando em um jeito de tentar se redimir, mas não a viu em nenhum momento. Encontrou Hermione saindo da biblioteca antes do último período de aula, e ao perguntar a Granger sobre a loira, Mione apenas negou com a cabeça, dizendo que não era um bom momento para os dois conversarem. Cedrico notou o tom repreensivo em sua voz, claramente o julgando pelo o que tinha feito.

Demorou quase uma semana para finalmente conseguir conversar com a garota, que voltava de Hogsmeade com os amigos, mas aceitou vê-lo por um momento.
Caminharam juntos até o campo de Quadribol, sentando-se na arquibancada. Ficaram em silêncio por alguns minutos, olhando a neve que caia, fevereiro estava ainda mais frio que o normal.
- Eu sinto muito, de verdade. - disse finalmente, a voz baixa, olhando-a de lado.
suspirou, concordando com a cabeça.
- Eu também sinto, Cedrico, sinto porque você não confia em mim.
O lufo fechou os olhos por alguns instantes, não sabendo como responder.
No fundo aquilo era verdade e ele sabia, não tinha como negar, ao mesmo tempo que confiava em , não conseguia demonstrar aquilo, porque sempre que a via com Potter tinha certeza que algo aconteceria, que a proximidade dos dois, em algum ponto deixaria de ser apenas amizade. E, para sua triste surpresa, ele mesmo estava a afastando e jogando-a nos braços de Harry.
- Eu não quero perder você. - soprou baixo, quase em um sussurro.
demorou algum tempo para responder, mas ele a escutou fungando.
- Eu amo você, Diggory. - disse finalmente, passando a mão pelos olhos - Eu te amo, mas eu não quero continuar desse jeito. A gente passou a maior parte desse ano brigando, quando não era por causa da Umbridge, era o seu ciúmes. Eu não aguento mais.
Cedrico olhou para frente, o chão branco, coberto de neve.
- Você quer mesmo terminar, não é?
negou com um sorriso triste.
- Eu não quero, mas acho melhor se não nos falarmos por um tempo. Estamos indo por dois lados diferentes Cedrico, eu não quero atrapalhar seu caminho para um bom cargo no Ministério, mas eu não vou deixar de ser quem eu sou ou fazer o que eu quero por isso.
Diggory mordeu o lábio inferior, concordando com um aceno.
aproximou-se, o abraçando apertado e sendo correspondida da mesma forma, fungou baixo contra seu pescoço antes de levantar-se, sorrindo triste e afastando-se.
Cedrico permaneceu sentado na arquibancada, o coração apertado e uma lágrima escorrendo por seus olhos cinzas.



Nove.

Diggory continuou seguindo seus afazeres como Monitor e Capitão do time de Quadribol, além de passar algum tempo ajudando na Brigada Inquisitorial, embora fosse bem menos do que devesse, usando sempre a desculpa que precisava estudar para os NIEM’S.
Umbridge pareceu muito satisfeita quando notou que o lufano e Black não estavam mais juntos, resolvendo usar isso a seu favor; sabia que a garota, assim como Potter, estava armando alguma coisa; Eles tinham um grupo para duelos, mas Dolores ainda não tinha conseguido descobrir como ou onde funcionava. Sabendo que o casal estava separado, Diggory agora poderia ajudá-la a descobrir, era apenas uma questão de tempo.
Esperou o final da aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, para chamar o lufano antes do mesmo sair;
- Diggory, preciso que passe na minha sala após as aulas, ok? Tenho alguns assuntos que gostaria de conversar.
Cedrico concordou com um aceno, não parecendo muito animado.
A verdade era que Diggory parecia fazer tudo no automático nas últimas semanas e, quando não estava ocupado com alguma coisa, ficava na biblioteca ou em seu quarto, lendo um livro ou dormindo. Tomava cuidado para não encontrar com nos corredores, sabendo as aulas que ela tinha e como se evitarem. Depois de terem oficialmente terminado, só a encontrou duas vezes, na saída de uma das aulas de McGonagall e no Salão Principal, durante o almoço. Até as refeições eles faziam em horários diferentes, evitando-se o máximo possível. Parte de si sentia a falta da garota, queria poder conversar com ela, queria ter no mínimo sua amizade de volta, mas sabia que não seria fácil, e que não era a melhor hora para aquilo. Diggory não conseguia olhar para Black apenas como uma amiga, como tinha sido no começo. Ele não conseguia apagar de sua memória tudo o que tinha acontecido entre os dois, e os sentimentos que ainda tinha por ela. Embora estivesse se esforçando.
tinha razão quando disse que eles estavam seguindo caminhos diferentes, e que tinham cada vez menos em comum. Não parecia um problema no começo, mas talvez fosse para o futuro, mesmo sem Potter no meio.
também não estava tão animada quanto Cedrico achava, mas esforçava-se para continuar agindo normalmente e fazer o que sempre fazia. No fundo achava que era uma questão de tempo até voltar com o lufano, tinha certeza que ele ainda gostava dela tanto quanto ela gostava dele, achava que só precisavam de um tempo, que logo estariam juntos como antes. Talvez a distância ajudasse, pelo menos tinha sido isso que Hermione aconselhou. O problema para ela foi quando encontrou Cedrico conversando com outra garota, Cho Chang. Os dois estavam sentados lado-a-lado na biblioteca, conversando em voz baixa, escondeu-se entre as estantes de livros, olhando de longe os dois. Notou o sorriso fácil no rosto de Diggory e os cochichos entre eles, até a corvina pegar na mão de Cedrico.
Segurou a raiva e a vontade de chorar, dando as costas e afastando-se o mais rápido que pode da biblioteca, derrubando alguns livros no caminho, recebendo um sermão da bibliotecária, mas não parando para ouvir por mais de dois segundos, não querendo que Cedrico a visse ali.
Potter a encontrou no canto da escada, abraçada as próprias pernas enquanto olhava para o nada, perdida em pensamentos. Sentou-se ao seu lado, puxando um assunto qualquer para distraí-la.
Não precisava perguntar o que tinha acontecido, era um tanto óbvio que ela estava triste por causa de Cedrico desde o dia que terminaram. E, mesmo que tentasse negar para si mesmo, Harry não estava de todo chateado por aquilo, é claro que não gostava de ver sua melhor amiga daquele jeito, mas parte de si estava realmente contente que ela tinha, finalmente, terminado com Diggory.
Nunca gostou de ver os dois juntos, Cedrico podia até ser legal, mas não o suficiente para estar com Black, nem mesmo sabia o que ela tinha visto no lufano.
Estavam rindo juntos conforme Harry lhe contava sobre as ideias dos gêmeos para darem vomitilhas para Umbridge comer, quando Cedrico e Chang passaram no corredor, andando juntos, embora não muito próximos. Os quatro se encararam por alguns segundos, apenas acenando com a cabeça, Cho foi a única que chegou a dizer oi, correspondido apenas com um sorriso amarelo dos dois. Cedrico chegou a parar por um instante, como se fosse dizer algo, mas, ao invés, apenas acenou novamente, afastando-se acompanhado pela garota.
- Eu achei que você estava saindo com a Chang. - comentou após alguns segundos.
- É, eu também. - deu de ombros, franzido o cenho por um instante - Devo encarar isso como um recado sutil para não chamá-la para sair novamente, não é?
riu baixo, concordando.
- Nem tão sutil. O que foi que você fez?
- Eu não fiz nada, para dizer a verdade, foi a Hermione. Naquele dia que me chamou para a entrevista com a Skeeter.
A garota concordou com um aceno, lembrando-se vagamente de Potter ter dito que a corvina não pareceu muito satisfeita por ele sair no meio do encontro.
- Então ela e o Diggory estão juntos? - questionou interessado. deu de ombros.
- É o que parece, não?
- Que ótimo - disse quase irônico -, fomos os dois trocados pelos dois alunos exemplares.
- Imagino que é nossa culpa, huh? Nossa imagem não é das melhores na Escola.
- Pode ser, mas eu não trocaria nossa fama de querer destruir o Ministério por boas notas. - deu de ombros, sorrindo de lado.
- Fale mais alto, talvez Umbridge só precise de uma confissão nossa para nos mandar à Azkaban! - piscou, vendo-o rir concordando.

Quando Cedrico entrou na sala da professora, sentou-se na cadeira almofadada, tentando ignorar os miados irritantes dos gatos nas paredes, e o cheiro doce que o lugar tinha. Não escutou muito do que Umbridge começou lhe dizendo, principalmente quando ela citou o nome de . A imagem recente da garota com Potter não o deixava concentrar-se em nada mais. Eles não pareciam juntos, mas estavam perto o suficiente, rindo de alguma piada interna.
Sua vontade era de ter puxado Potter e jogando-o escada abaixo, afastando-o de sua garota. Porém, não era mais sua garota, e se as coisas continuassem daquele jeito talvez ela não voltasse a ser por muito tempo. Sentiu-se burro também ao notar o olhar dela sobre Cho, quis lhe dizer que eles não tinham nada, mas percebeu que não era necessário, eles não estavam juntos. Embora tivesse medo de que ela achasse que ele a tinha trocado rápido, seguido em frente e a esquecido.
Aquilo não era verdade.
Queria dizer que só tinha conversado com a apanhadora da Corvinal por alguns minutos, que não tinha sido nada sério. Acalmou-se por alguns minutos quando Cho disse que tinha saído com Harry, mas só até ela dizer que não tinha rendido, que o garoto a tinha deixado de lado para encontrar com Hermione.
O suspiro aliviado que escapou por seus lábios ao ouvir aquilo não podia ser descrito em palavras.
Harry estava interessado em Hermione, pelo menos foi isso que Chang entendeu.
Muito melhor, até achava que os dois combinavam. Hermione era legal, Potter não era de todo ruim. Eles eram amigos e, de fato, estavam sempre próximos também, mas Diggory não tinha notado, porque sempre ocupava-se em ver sua namorada com Harry, só aquilo era suficiente para irritar-lhe. Mas, então, se Potter e Granger estavam juntos, não tinha motivos para ter ciúmes.
Desejava que tivesse conversado com Chang antes, que ela tivesse dito aquilo dias atrás, talvez ele ainda estivesse com .
Umbridge continuava a falar e Cedrico concordava com a cabeça vez ou outra, embora não prestasse nenhuma atenção. Reconheceu as palavras Ministério, Fudge, carreira e futuro. Nenhuma delas lhe interessava no momento, queria sair daquela sala e ir encontrar com , pensar em um jeito de se desculpar e reatar o namoro, queria poder beijá-la novamente.
Aceitou quando a professora entregou-lhe uma xícara de chá, mesmo que não quisesse, apenas para fingir prestar atenção no assunto, parecer interessado.
Tomou um gole do chá e segurou a careta, era extremamente doce.
Umbridge continuou falando, levantando-se de sua cadeira por alguns instantes e rodeando a sala, Diggory aproveitou para jogar o restante do chá na planta mais próxima, o gosto exagerado do açúcar ainda presente em sua boca.
Sentiu-se estranho por alguns instantes, parecia que sua língua formigava e, quando Umbridge sentou ao seu lado, Cedrico não conseguiu pensar em nada que não fosse na voz irritante da mulher, com perguntas e mais perguntas;
- O que Black e Harry Potter estão fazendo?
- Eles têm um grupo secreto, ensinam os alunos a usarem feitiços.
- Quantos alunos?
- Não sei, mais de vinte.
- Onde eles se reúnem?
- Não sei, eu não estou no grupo, não tenho muitas informações.
- Quem mais faz parte?
- Granger, os Weasley, Cho Chang, alunos da Grifinória, Corvinal e Lufa-Lufa.
Umbridge sorriu, os olhos brilhando enquanto levantava-se.
- Uma última pergunta, Diggory. - Cedrico virou-se para olhá-la - sabe o paradeiro de Sirius Black?
- Sim, senhora. Eles conversam por cartas.
- Excelente.

Demorou vários minutos para o efeito da poção passar, e só então Diggory tomou consciência do que tinha acontecido, e do que ele tinha dito. Procurou por todo o Castelo, tentando um jeito de avisá-la do que tinha feito, ela precisava contar a Sirius que ele talvez não estivesse seguro. Agradeceu imensamente a professora não ter lhe perguntado se ele sabia o local em que Black se escondia, tinha certeza que seria uma questão de minutos até o Ministério aparecer e tornarem a levá-lo para Azkaban.
Também precisava avisar sobre a Armada, não poderiam se reunir por algum tempo, talvez Umbridge procurasse algum dos outros alunos, alguém que fizesse parte, mas Cedrico não a encontrou. Nem Potter, Weasley ou Granger.
Quando virou um corredor no terceiro andar sentiu o coração bater acelerado;
A professora estava junto com Filch, Malfoy e mais alguns alunos da Brigada, e, ao lado, Cho Chang.
- Bombarda! Uma pequena explosão foi ouvida, e então as paredes ruíram, revelando a sala secreta com um grupo grande de alunos, poucos segundos depois viu Draco puxar , arrastando-a junto com Potter para o lado, enquanto os demais alunos seguiam para outro caminho, junto com a Brigada.

Esperou do lado de fora da sala de Dumbledore até aparecer, mas mesmo depois de quase uma hora ela ainda não tinha saído, e quando o fez, junto a Potter, estavam sendo novamente arrastados pela professora. Ela o encarou por poucos segundos, antes de Umbridge a puxar pelo braço, levando-a pelo corredor.
Fudge logo apareceu, junto com Quim e mais algumas pessoas que ele não conhecia. Quim o olhou de lado, piscando sutilmente. Tão rápido quanto apareceram, saíram pelo corredor, Cedrico ainda conseguiu ouvir algo sobre o Profeta Diário e Dumbledore, mas não entendeu o que significava.
Demorou alguns minutos para encontrar a sala na qual os alunos estavam de castigo, precisando esperá-los por quase duas horas até começassem a sair. Permaneceu sentado no chão, ao lado da parede, aguardando até Black aparecer, junto do trio de amigos, a segurando pelo ombro quando passou por ele, vendo-a o olhar desconfiada por alguns instantes.
- Podemos conversar? É importante.
concordou com um aceno, afastando-se junto com o lufo pelos corredores, até entrarem em uma sala vazia, fechando a porta ao passar.
- O que aconteceu? - foi a primeira coisa que perguntou.
- Sua namorada nos entregou, foi isso que aconteceu. - respondeu em voz baixa, os braços cruzados.
- Cho não é minha namorada, não tenho absolutamente nada com ela. - aproveitou para explicar-se. deu de ombros.
- Fudge acha que queremos atacar o Ministério, e que foi tudo culpa de Dumbledore. Ele fugiu. - contou, passando as mãos pelo rosto cansado. Foi aí que Cedrico notou algo em sua mão esquerda, aproximou-se devagar, segurando a mesma junto a sua.
O sangue ainda escorria sobre os dizeres em vermelho “Ninguém é maior que o poder do Ministério”. Soltou o ar que nem tinha percebido segurar, fechando os olhos por alguns instantes.
- Eu sinto muito. - disse em voz baixa, negou com a cabeça.
- Não foi sua culpa, foi Chang quem contou.
Cedrico então mordeu o lábio inferior, encarando-a nos olhos por alguns instantes, sentindo o medo se apoderar dele para quando ela soubesse o que tinha feito. Por um segundo quis não contar, mas Sirius poderia estar em perigo agora, e seria sua culpa se o homem fosse capturado. Negou com a cabeça, um sorriso triste em seus lábios.
- Foi minha culpa. - soprou quase em um sussurro. Black arqueou a sobrancelha, a expressão confusa - Umbridge me chamou na sala dela hoje, falou sobre coisas do Ministério e me deu um chá para tomar.
- O que você tomar chá com ela tem a ver?
Diggory engoliu em seco, passando a língua pelos lábios antes de continuar;
- Ela colocou alguma coisa no chá, eu…
A expressão confusa da garota foi dando lugar a uma surpresa, e então incrédula.
- Você…?
- Eu não consegui evitar, ela me perguntou e quando eu vi já estava falando. - contou apreensivo, a voz desesperada - Me perguntou quem se reunia com vocês e onde era, eu disse que não sabia o lugar, mas falei o nome de Cho. Foi por isso que Umbridge foi até ela, talvez tenha dado a mesma poção, eu não sei.
deu as costas ao lufo, ainda escutando-o se desculpar e tentar explicar o que tinha acontecido.
- Tem mais uma coisa… - passou a mão pelos cabelos, parecendo mais nervoso. - Ela perguntou sobre Sirius.
Black gelou por dentro, prendendo a respiração.
- Ela sabe? Você contou? - perguntou em voz baixa, Diggory negou.
- Ela perguntou se você sabe onde ele se esconde, eu disse que sim. Ela vai monitorar suas cartas, todas elas.
Black respirou fundo por um instante, fechando os olhos por breves momentos, antes de tornar a encará-lo;
- Se alguma coisa acontecer com meu pai, Diggory…
- Ele vai ficar bem, você sabe como Sirius é… E, Quim faz parte, não é? Não vai deixar ninguém o pegar.
negou com um aceno, olhando-o com tanta raiva, que Diggory estava esperando que a qualquer momento ela pegasse sua varinha e o azarasse.
- Se pegarem meu pai por sua causa, eu nunca vou te perdoar.
Disse da forma mais fria que pode, antes de afastar-se a passos largos, Cedrico a chamou, tornando a pedir desculpas, tentando justificar o que tinha acontecido, mas ela não deu atenção, logo sumindo pelo corredor escuro.


Dez.

A garota passou a semana nervosa, principalmente por não conseguir se comunicar com Sirius, e avisar o que estava acontecendo. Tinha medo que uma das cartas fosse interceptada, e não poderia arriscar-se desse jeito. Harry parecia tão nervoso quanto, mas, diferente dela, não chegou a culpar Diggory por aquilo, mesmo que não gostasse tanto do lufo.
- Se ela colocou uma poção da verdade, não tinha o que ele fazer, .
- Bem, se ele não tivesse dado chance ao azar, talvez isso não tivesse acontecido! - retrucou nervosa.
A solução foi, mesmo que arriscada, tentar enviar uma carta codificada para os Tonks, aproveitando para tentar avisar que Dora também poderia estar sendo monitorada;
Olá, família de cabelos coloridos.
Tá tudo bem aqui, Umbridge insuportável como sempre, não vejo a hora de ter férias!
Infelizmente Dumbledore fugiu e agora estamos sendo todos monitorados 24 horas pela cara-de-sapo, E TORTURADOS TAMBÉM, eu juro que se eu ficar com essa cicatriz feia na minha mão eu vou divulgar isso para os outros jornais que não seja o Profeta Diário!
Acredita que ela está usando Veritaserum? Enganou Diggory e ele tomou, falou mil coisas pra ela. Eu aposto que tem alguma regra sobre isso ser ilegal! EU QUERO ELA EM AZKABAN!
No mais, tudo certo. Minhas notas estão boas, nada para se preocupar!
E o meu cachorro? Ele tem se comportado?
Queria que as férias chegassem logo, assim poderia vê-lo e levá-lo para passear.
Manda um beijo para o Almofadinhas!
Nos vemos em algumas semanas,

Beijos, amo vocês!
.

Durante as semanas que se passaram, não tiveram notícias sobre Sirius, o que significava que eles tinham entendido seu recado. Potter parecia ainda mais chateado, pois o padrinho era o único com quem se comunicava por cartas, e agora não recebia corujas de ninguém, embora, sempre lhe mostrasse um pedaço das cartas que recebia dos Tonks, as quais tinham alguma nota para Harry, escrita por Sirius.
A entrevista que Harry tinha dado para O Pasquim, para contar em detalhes a volta de Voldemort, tinham finalmente saído. E, mesmo com o Ministério tentando inviabilizar a matéria, muitos bruxos tiveram acesso a mesma, duvidando cada vez mais da palavra de Fudge e do Profeta Diário.
As pessoas estavam com medo, mas estavam aos poucos acreditando e se protegendo.
Nesse meio tempo, Cedrico fez a única coisa que ainda podia; cuidar da única parte de sua vida que ainda tinha controle. Largou de vez a Brigada Inquisitorial, tendo até mesmo começado uma discussão com Umbridge a respeito do uso de Veritaserum, conseguindo ainda o apoio de McGonagall, mas, sem Dumbledore presente, não poderiam fazer muito mais, e precisaram deixar aquilo de lado, afinal, como Dolores mesmo disse; o Ministério estava do seu lado, o poder era totalmente dela.
Dedicou-se ao Quadribol, conseguindo deixar seu time em segundo lugar no final do campeonato. O último jogo tinha sido contra a Sonserina, tendo ganho por 320 x 170. Um jogo antes, contra a Grifinória, perderam por 220 x 250, o qual já tinha sido bem esquisito, já que Potter e os gêmeos Weasley tinham sido expulsos do time, após uma briga com Draco Malfoy.
A Grifinória terminou em primeiro, com apenas 80 pontos de vantagem para a Lufa-Lufa, ao mesmo tempo que tinha ficado extremamente frustrado consigo mesmo, por não ter conseguido esperar o time ter uma vantagem maior antes de pegar o pomo, parte de si ficou feliz ao ver tão alegre, aproveitando para parabenizá-la quando se encontraram no dia seguinte;
- Obrigada. - sorriu animada. Cedrico ficou alguns instantes em dúvida se deveria abraçá-la, por isso acabou apenas esticando a mão, para um cumprimento formal, e extremamente embaraçoso. Black franziu o cenho por alguns instantes, aceitando o aperto, mas aproximando-se o suficiente para o abraçar rapidamente.
Diggory sorriu pequeno, retribuindo o gesto e terminando com um beijo em sua bochecha.
- E seu pai? - perguntou em voz baixa, tomando cuidado para ninguém escutá-los.
- Está tudo bem, ele está seguro. - respondeu no mesmo tom, suspirando em seguida. - Eu acho que te devo desculpas.
Diggory arqueou a sobrancelha, colocando as mãos no bolso da calça, negando com um aceno.
- Se eu estivesse no seu lugar, provavelmente teria feito pior do que gritar.
- Eu, sinceramente, duvido. - sorriu pequeno - E não foi sua culpa, não tinha como você saber, não é? Sei que em uma situação normal não teria dito nada. Me desculpa?
O lufo tornou a abraçá-la, por mais tempo do que da primeira vez.
- Não tenho nada para desculpar, está tudo bem.
Começaram a andar juntos pelo corredor em direção ao Salão Principal para almoçarem.
- E como estão as coisas na Brigada?
Deu de ombros.
- Não faço ideia, não estou participando.
o encarou de lado por alguns instantes, concordando com um aceno.
- Ela parou com os castigos?
- Sim, não seria bom pra ela se alguém mais visse não é? O pessoal que vai avaliar os NOM’S estão chegando essa semana…
Diggory concordou, sentindo-se satisfeito por conseguir manter uma conversa razoável com Black.
- Confiante?
- Provavelmente menos do que a Hermione, - deu de ombros - mas nada muito preocupante. E você? Os NIEM’s são essa semana também, huh?
- Tudo em ordem. - sorriu de lado - Não passei sete anos sendo o melhor aluno do meu ano, para errar agora! - piscou divertindo, vendo-a rir ao concordar.
Separaram-se assim que passaram pela porta principal, andando em direção a mesa de suas Casas, apenas acenando um para o outro. Não tinham conversado por muito tempo, nem nada realmente sério, mas o suficiente para deixar Cedrico sorrindo por toda a tarde, e muito mais bem humorada do que nos últimos dias.

A semana de NOM’s e NIEM’s como todos imaginavam, vinha sendo um tanto estressante para todos os alunos que estavam prestando os testes, mas até então nada fora do normal tinha acontecido. Black, Potter e Weasley tinham plena consciência que suas notas não seriam tão boas quanto as de Granger, mas pareciam bastante satisfeitos com seus desempenhos até o momento. A prova de Defesa Contra a Arte das Trevas tinha sido ainda melhor para e Harry do que para Hermione, que na hora de enfrentar o bicho-papão acabou gritando e correndo, desesperada.
- O que aconteceu? O que você viu? - Rony questionou curioso.
- Minerva, Minerva… - dizia entre lágrimas - Disse que eu reprovei em todos os testes!
segurou a risada, abraçando a amiga de lado, enquanto dizia estar tudo bem. Harry sorriu de lado, mas deu tapinhas em suas costas, como se quisesse a consolar. Rony, por outro lado, apenas gargalhou com a situação inteira, deixando-a ainda mais nervosa.
Cedrico entretanto, não teve qualquer problema com suas avaliações, tinha certeza que sua melhor nota seria em Transfiguração, principalmente ao ver McGonagall sorrir para ele, assim que terminou sua demonstração. Também tinha ido muito bem em Feitiços, Aritmância, Poções e Defesa Contra as Artes das Trevas, mas sentia que não tinha dado o seu melhor na prova de História da Magia, porém nada que o preocupasse muito.
A última prova para os alunos do quinto ano era de História da Magia, enquanto a de Cedrico e mais um grupo de colegas era Runas Antigas.
estava quase dormindo em cima do pergaminho, não fazia ideia do que estava escrevendo, nem mesmo se lembrava de ter estudado aquela parte sobre a Revolução dos Duendes, procurando mais a fundo, teve um rápido flashback de Hermione brigando com ela e Harry por estarem jogando snap explosivo ao invés de estudarem, o que, agora, parecia realmente uma péssima ideia.
Olhou para o lado, vendo Potter extremamente confuso, e parecendo tão sonolento quanto ela. Duas cadeiras mais à frente, viu Rony praticamente babando em seu pergaminho, por outro lado, Hermione, sentada na sua frente, estava escrevendo freneticamente, deixando-a ainda mais nervosa.
Aconteceu tudo muito rápido depois disso, em um momento estava tentando focar-se em inventar alguns nomes para não deixar a questão em branco, e no outro ouviu fortes barulhos vindos de fora da sala. Umbridge, sentada no centro do Salão Comunal, na cadeira que pertencia a Dumbledore, levantou-se hesitante quando os barulhos aumentaram.
Gritou uma ou duas vezes para os alunos tornarem a prestar atenção da prova, mas todos viraram-se quando um novo barulho, parecido com um tiro de canhão, foi ouvido.
As paredes do Salão pareciam tremer com o barulho, e quando Umbridge abriu a porta, Fred e Jorge entraram voando pela sala, soltando feitiços e jogando alguns de seus logros. Pergaminhos voaram enquanto os alunos gritavam, aplaudindo a confusão que se formava. Umbridge tentava pará-los, sem sucesso e, em determinado momento, os gêmeos lançaram uma espécie de dragão de fogo, que correu pela sala em direção a diretora.

Cedrico estava respondendo a última parte de seu teste quando começou a ouvir uma gritaria vinda do andar inferior. Explosões e mais gritos, junto com, ele estranhou por alguns instantes, palmas. Virou-se para a examinadora, que também parecia confusa com o que estava acontecendo, levantando-se para ver mais de perto. O grupo com pouco mais de vinte alunos, já que Runas Antigas era uma matéria opcional, deixou o teste de lado, olhando para a porta, e esperando alguma explicação sobre o ocorrido.
- Mas… o que?
- Olhem! - um dos alunos gritou, apontando para a janela.
Todos levantaram-se ao verem fogos de artifício explodindo no céu, e um grupo de alunos correndo para os jardins. Cedrico logo reconheceu os gêmeos Weasley com suas vassouras, vários metros do chão, enquanto jogavam mais alguns feitiços, animando os quintanistas.
Diggory procurou com o olhar, logo reconhecendo , com seus cabelos extremamente loiros, no meio da multidão, parecendo tão animada quanto os demais.
- Sem nenhum controle… - a examinadora dizia, também prestando atenção na confusão - Alvo jamais deixaria uma coisa assim acontecer… Muito bem, voltem para seus exames, vocês têm mais quarenta minutos.
Mesmo que contrariados, o grupo de alunos voltou a sentarem-se em suas mesas, tentando retomar a concentração no teste, o que era difícil, especialmente com a gritaria que continuava do lado de fora. Cedrico estava curioso para saber o que acontecia, sorriu sozinho ao pensar que isso com certeza seria o suficiente para puxar assunto com Black por, pelo menos, uma hora. Achava que estava na hora deles voltarem a serem amigos, queria ter sua companhia de volta, mesmo que não pudesse a beijar.
Voltou a olhar sua prova, muito mais animado para terminá-la logo, do que quando começou, mais de uma hora atrás.
Contudo, o plano de Diggory de, assim que terminasse sua prova, procurar e conversar sobre o que tinha acontecido, não saiu tão bem quanto o esperado; quando entregou os dois pergaminhos, sentindo-se bastante aliviado por finalmente ter terminado as provas, e um tanto nervoso ao lembrar-se de que, em menos de duas semanas, Hogwarts terminava para ele, procurou Black pelo Salão Principal, mas não a encontrou. Perguntou para alguns alunos da Grifinória, mas nenhum deles parecia tê-la visto. E os outros três amigos da loira também não estavam à vista.
Pensando que ela tivesse voltado para o Salão Comunal, Diggory voltou para o Salão da Lufa-Lufa, aproveitando para tomar um banho antes do jantar, poderia conversar com ela depois da refeição, talvez para relembrarem algumas das noites que ficaram depois do horário em alguma sala vazia, conversando sobre assuntos diversos, ou apenas aproveitando o tempo que tinham juntos. Cedrico suspirou, reparando na falta que sentia da garota, desde às conversas bobas que tinham, até os beijos que davam quando estavam completamente sozinhos.
Foi só quando o jantar estava terminando e ele ainda não tinha a visto, o que já tinha o deixado um tanto preocupado, que Diggory começou a ouvir alguns comentários;
“Eles foram pegos pela Umbridge, invadiram o escritório dela durante a confusão com os Weasley!”
“Falaram que eles estavam tentando conversar com Dumbledore”
“Foram até a Floresta Negra, e não voltaram mais”
“Longbottom, Di-Lua e a garota Weasley também foram pegos!”
socou o Malfoy!”

Quando ouviu a última frase, o que não parecia nem um pouco improvável, Diggory passou a observar a mesa da Sonserina, procurando por Draco, mas não o encontrando.
Tinha algo muito errado acontecendo, e ele não fazia ideia do que poderia ser.
Não parecia nem um pouco estranho os quatro tentarem invadir o escritório de Umbridge, mas não fazia ideia do motivo que os levaria a fazer aquilo.
Alguma coisa muito séria precisava ter acontecido para chegarem àquilo, mas o que seria?
Levantou-se de sua mesa, ignorando as demais conversas dos amigos, procurou com os olhos na mesa dos professores, mas também não encontrou Snape - já que McGonagall tinha sido levada ao St. Mungus poucos dias antes, após ser estuporada por alguns bruxos do Ministério -, talvez o professor soubesse o que estava acontecendo…
Encontrou-o em sua sala, escrevendo em um pedaço de pergaminho;
- Senhor…?
- O que quer, Diggory?
- Eu soube… Eu ouvi… - começou, não sabendo bem o que dizer - Está tudo bem?
Severo rolou os olhos, impaciente, antes de levantar-se, andando a passos largos pela própria sala, em direção a saída. Por um momento, Cedrico teve certeza que o professor o mandaria sair, principalmente quando o agarrou pelos ombros, mas ao invés, saiu junto com o lufo, descendo rapidamente as escadas.
- Potter teve uma falsa visão, acha que o Lorde das Trevas tem Black junto dele.
- O que?
- Black é irresponsável, não seria surpresa nenhuma ser capturado - resmungou -, mas desta vez foi uma falsa visão, mas é claro que arrogante como Potter é, não sabe disso, e nem considerou essa possibilidade.
- Então… Eles estão na Floresta como falaram?
- Não. - negou em tom baixo, ainda puxando-o pelo ombro - Eles estão no Ministério.
- Eles… O que?
- Foram para Londres, imagino que sete adolescentes do quarto e quinto ano sejam o suficiente para derrotar Comensais da Morte, não é mesmo? - comentou ironicamente.
- É uma emboscada!
- Me surpreende que para um aluno tão inteligente, você tenha demorado tanto para entender algo tão simples, Diggory. - Snape replicou áspero. O lufo não incomodou-se, no entanto.
Estava preocupado com o que estava acontecendo, para ligar para o professor o chamando de burro.
- Como faço para chegar até lá? - perguntou de repente. Snape o encarou. - No Ministério…?
O bruxo rolou os olhos, abrindo a porta da sala de Umbridge.
- Você não vai, a esta hora a Ordem já está lá.
- Sirius…?
- Obviamente, ele gosta de chamar atenção.
Diggory sentiu o coração acelerar, não tendo ideia do que poderia fazer para ajudar de alguma forma, uma sensação ruim dentro de seu peito. Não tinha como aquilo acabar bem, eles não podiam lutar contra Comensais da Morte, e se o próprio Voldemort aparecesse? E se, de fato, pegassem Sirius? E, pior ainda, se algo acontecesse com ?
Como tinha sido tão burro de não ter percebido que tinha algo errado antes?
Talvez se não tivesse sido idiota o suficiente durante o ano inteiro, não teria terminado com ele, e ela teria contado o que estava acontecendo antes de invadirem o escritório da diretora, ou antes de irem ao Ministério.
Nunca se perdoaria se algo acontecesse com ela, ou mesmo qualquer um dos outros, sabendo que talvez pudesse ter ajudado de alguma forma.
Snape o empurrou em direção a cadeira mais próxima, dando a volta e sentando-se na cadeira da diretora.
- O que…?
- Só nos resta esperar por notícias da Ordem.

Talvez se a perguntassem o que tinha acontecido mais tarde, não soubesse explicar.
Tinha sido tudo uma confusão de cores e feitiços, a última coisa que lembrava-se com exatidão era de ter entrado para fazer a última prova do ano, depois daquilo nada parecia fazer sentido.
Em um momento estava rindo com os amigos por causa dos gêmeos, no outro Harry tinha tido uma visão de Sirius sendo torturado.
Em um instante estavam invadindo a sala de Umbridge, e no outro ela tinha socado Draco, depois disso encontraram com Harry e Hermione saindo da Floresta Negra e, então, voavam para Londres em testrálios, o que era ainda mais estranho, já que nem mesmo conseguia ver no que estava montada.
E então a verdade veio à tona; Era tudo mentira.
Sirius nunca esteve em perigo, mas agora eles estavam cercados por Comensais da Morte.
Lembrava-se vagamente de ter gritado alguns feitiços, de ter acertado um ou outro Comensal, mas nada que fosse o suficiente para deixá-los em segurança.
Harry tinha a profecia em suas mãos, mas nenhum deles tinha um plano para escapar.
Logo estavam novamente cercados, e nada poderiam fazer sobre aquilo.
Porém, a maior surpresa daquela noite, foi quando o capuz de um dos Comensais caiu, e, assim que olhou em sua direção, a reconheceu; Victoria Lestrange Black estava parada diante de seus olhos. A mulher loira, de olhos claros a encarou por alguns instantes, não parecendo nem um pouco surpresa de encontrá-la ali, apenas indiferente.
- Mamãe e filha estão juntas, é? - Bellatrix riu ao notar as duas se encarando.
No momento seguinte estavam todos presos e sem suas varinhas, enquanto Harry parecia não ter outra escolha a não ser entregar a profecia.
E tudo tornou a acontecer muito rápido novamente, Sirius apareceu, saindo do véu logo atrás de Harry, e no momento seguinte a Ordem estava quase toda ali.
Seu pai a puxou junto com Harry para o canto, pedindo para manterem-se escondidos enquanto os adultos tomavam conta do resto. Permaneceram olhando todos os duelos que aconteciam por alguns minutos, e logo viu seu pai reparar em Victoria, do outro lado da sala, duelando com Ninfadora, e então ele tomou o lugar de Dora. O casal se encarou por alguns instantes, até Sirius sorrir irônico;
- Como está, meu amor?
Victoria sorriu da mesma forma, os olhos brilhando;
- Muito melhor do que você, querido, os anos em Azkaban não te fizeram muito bem, não é?
- Nem à você. - respondeu no mesmo tom, antes de erguer a varinha; uma luz vermelha saiu da mesma, em direção a mulher, que desviou com facilidade, antes de devolver o ataque.
assistiu sua mãe e seu pai duelarem mais do que os outros, defendendo-se e atacando em um piscar de olhos, não pareciam reparar em mais ninguém ao redor.
- Esse é o tipo mais estranho de briga de casal que eu já vi na minha vida. - Luna comentou ao seu lado.
Neville gritou quando Dumbledore apareceu, os Comensais pareceram ainda mais nervosos, incluindo Victoria, que se distraiu por um instante, sendo atingida por um feitiço estuporante lançado por Sirius no momento seguinte, caindo desacordada. Sirius olhou ao redor, vendo Dora duelando com Bellatrix, deu um passo para ajudar a sobrinha, logo reparando que algo não estava certo; Lestrange sorria como uma psicopata, o que seria normal, se o bruxo não a conhecesse tão bem, tinha algo a mais ali. E ele estava certo.
Bellatrix nocauteou Dora e virou-se para Sirius, mas não foi para ele que seu feitiço foi lançado, no último momento ela virou-se, apontando na direção de .
Sirius gritou quando notou o que acontecia, mas não foi rápido para evitar que sua filha fosse atingida. Harry ainda tentou puxá-la para o lado quando viu o raio que a atingiria, mas não foi o suficiente; a garota foi lançada vários metros no ar, caindo com um baque forte no chão, o sangue escorrendo por sua testa.
Bellatrix gargalhou, antes de esquivar-se de outros feitiços, derrubar Remo e correr escada acima, escapando de Dumbledore no caminho.
Potter encarou caída, desacordada, seu coração bateu acelerado, o medo espalhando-se por seu corpo. Seus olhos recusando-se a ver a imagem, com o medo do que aquilo poderia significar.
Sirius correu em direção a filha, ignorando todo o resto, lágrimas já inundando os olhos do homem. Potter virou-se na direção das escadas, vendo Bellatrix no topo, os demais Comensais presos ou desmaiados. Pulou por sobre Rony, que estava encolhido no caminho, pisando na mão do ruivo sem querer, antes de sair em disparada atrás de Bellatrix.
Sirius alcançou a garota, puxando-a para seus braços, tirando parte dos cabelos loiros caídos por sobre o rosto desacordado da menina. Limpou um pouco do sangue que escorria por sua testa, tentando estancá-lo, com medo de tentar sentiu o pulso da garota. Chacoalhou-a devagar nos braços, chamando seu nome, sem ter qualquer resposta.
Hermione tinha as mãos no rosto, lágrimas caindo incessantes por seus olhos, assim como de Luna e Gina. Neville e Rony olhavam para a cena sem saber o que dizer. Quim aproximou-se aflito, enquanto Moody acordava Remo e Ninfadora. Assim como o grupo de Comensais que tinha sido estuporado, amarrando-os juntos.
Victoria pareceu demorar alguns instantes para entender o que acontecia, sua cabeça latejando, seu olhar logo preso da reação assustada de todos os membros da Ordem, que encaravam Sirius Black ao canto, agachado, segurando alguém em seus braços. No segundo instante reconheceu os cabelos loiros que o ex-marido afagava;
- Ela está morta? - questionou em voz alta, sendo ignorada por todos.
- Bellatrix. - Lucius disse ao seu lado, em um sussurro audível apenas para ela.
Dumbledore deu passos largos em direção à garota, embora parte de si quisesse ir atrás de Potter, sabendo o que poderia estar acontecendo no outro andar.
Ajoelhou-se ao lado de Sirius, o homem mais pálido do que ele jamais tinha visto;
- Eu não… Eu não consigo sentir o pulso… - soprou desesperado com a voz embargada, enquanto encarava o bruxo - Ela não tem pulso… Dumbledore… Por favor…

Diggory roía as unhas, ansioso. Balançava o pé tentando conter um pouco da aflição que sentia, do nervosismo. Pareciam horas intermináveis sem qualquer notícia do que estava acontecendo, sem saber se estavam todos bem, sem saber se estava okay. Já estava escuro, era o meio da madrugada, e eles ainda não tinham notícias.
Snape parecia entediado, aproveitando para ler um livro que estava sobre a mesa, estava quase na metade quando ouviu um estalo vindo da lareira às suas costas; Severo e Cedrico viraram-se ao mesmo tempo para ver o que era, logo reconhecendo Quim falar das chamas;
- Voldemort não conseguiu a profecia. - começou com a voz grave, Diggory levantou-se de sua cadeira, se aproximando e agachando-se em frente a lareira.
- Tá todo mundo bem? - perguntou nervoso, o coração acelerado.
Quim o encarou por alguns instantes, negando com a cabeça.
- Duelamos com os Comensais, Bellatrix estava entre eles. - aguardou alguns instantes para continuar, parecendo não saber o que dizer, Diggory sentiu a mão tremer e o ar faltar-lhe.
- Perdemos alguém? - Severo questionou finalmente.
- Não sabemos ainda… foi levada ao St. Mungus, Dumbledore disse que é grave.


Onze.

Diggory batia o pé incessantemente, angustiado com a demora.
Estava sentado em uma das cadeiras disponíveis na sala de espera do hospital, junto com boa parte da Ordem da Fênix, os Weasley e Granger.
Pelo o que sabia, Sirius tinha sido arrastado pelo Ministério, ainda como o assassino foragido de Azkaban, mas Dumbledore, Quim e Olho-Tonto tentavam resolver a situação, depondo a seu favor. E Potter tinha sido obrigado a ficar e dar um novo depoimento sobre todos os acontecimentos desde a Terceira Tarefa do Torneio Tribruxo.
Ninfadora parecia tão nervosa quanto ele, a mulher roía as unhas, esperando por notícias.
Já fazia horas que estavam ali, e não tinham dito absolutamente nada sobre o estado de . Tudo o que sabia, era que a garota tinha chegado desacordada e quase sem pulso.
Passados mais alguns longos minutos, ouviram alguma vozes alteradas, e logo Sirius Black apareceu em um rompante, assustando algumas das pessoas que não sabiam que o bruxo tinha sido inocentado. Por sorte, Olho-Tonto e Dumbledore foram rápidos o suficiente para protegê-lo dos feitiços que alguns tentaram lançar sem que o homem se desse conta, preocupado em saber de sua filha.
- O que aconteceu? Como ela está? - questionou com a voz rouca, olhando para todos, esperando que alguém pudesse lhe responder.
- Ninguém sabe, Sirius, - Ninfadora começou, ficando em pé - ainda não falaram nada.
- Isso não pode ser bom, não é? Se fosse algo simples já teriam avisado. - virou-se para a enfermeira que passava, puxando-a pelo braço - Quero ver minha filha!
- Sirius, se acalme. - Dumbledore pediu com a voz baixa, pouco mais alta que um sussurro. - Não adianta você gritar, o máximo que vai conseguir é ser estuporado pela segurança. Ela vai ficar bem.
Black pensou em argumentar, mas desistiu, jogando-se em uma cadeira próxima, baixando o rosto.
Potter sentou-se ao lado dos amigos, acenando com a cabeça para Cedrico.
Diggory queria saber exatamente o que tinha acontecido, mas não achava que era o melhor momento para perguntar. Conforme o tempo passava, sentia-se mais nervoso, aflito.
Por que demoravam tanto para dizer como ela estava?
Passados alguns minutos, Sirius levantou-se impaciente, pronto para invadir o quarto em que a filha estava, para ver com seus próprios olhos o estado da garota, mas antes que seguisse pelo corredor, o bruxo responsável por apareceu, sorrindo para o grupo.
- Ela vai ficar bem, não se preocupem.
Foi quase palpável a onda de alívio, Black chegou a colocar a mão sobre o peito, parecendo tirar um peso sobre os ombros; as horas que passou depondo e as chances de voltar para Azkaban não foram nada perto do desespero de não saber como a garota estava.
- Eu já posso vê-la?
- Ela está descansando, - o homem informou, paciente - mas já está fora de perigo. Perdeu bastante sangue, e como a pancada foi forte, pode ser que esteja um pouco confusa, mas nada muito preocupante.
- Confusa como? - Tonks perguntou com o cenho franzido.
- Sem saber o que aconteceu nas últimas horas, nada sério, apenas temporário. Então, quando entrarem, não comecem a fazer mil perguntas ou passar muitas informações ao mesmo tempo, vão com calma. E é melhor não entrar todo mundo! Ela pode ficar assustada!
- Eu vou! - Sirius avisou, já seguindo pelo corredor no qual o medibruxo tinha vindo.
Cedrico sentiu-se um tanto frustrado, queria poder vê-la com seus próprios olhos, saber que estava bem, mas também imaginou a felicidade que ela sentiria quando visse o pai ao seu lado. Sorriu, antes de voltar a sentar-se na cadeira, um tanto mais relaxado por saber que pelo menos ela não corria nenhum risco. E foi então que se permitiu virar para Dora e perguntar o que tinha acontecido, como tinha acabado daquele jeito.

A loira abriu os olhos, demorando até conseguir focar sua visão em algo, notando o quarto claro no qual se encontrava. Por alguns instantes achou que estivesse na Ala Hospitalar, mas então notou que o local não era conhecido, era um quarto melhor e tinha apenas mais uma maca vazia ao seu lado direito. Sentiu o corpo doer quando mexeu-se, sua cabeça parecia pesar uma tonelada, e a dor era forte a ponto de fazê-la querer fechar os olhos e voltar a dormir o máximo possível, a claridade parecia atrapalhar ainda mais sua situação.
Respirou fundo, sentindo-se um tanto enjoada, mas, ao olhar para o lado, viu Cedrico deitado, todo torto numa cadeira que não parecia muito confortável. Diggory parecia cansado, dormia desajeitado, e ela pensou na dor que ele sentiria quando acordasse. Sorriu pequeno por saber que ele estava ali, que ele tinha se preocupado, mesmo que não estivessem juntos.
Suspirou olhando para o lado, tentando recobrar as lembranças da luta no Ministério, sem saber como tinha acabado; lembrava-se de Dumbledore aparecendo.
Harry ao seu lado, e seu pai lutando com Bellatrix.
Um arrepio passou por sua espinha e o ar pareceu faltar por alguns instantes.
Será que Sirius estava bem?
Por que não estava ali com ela?
Será que tinha sido capturado?
- Ei! - ouviu a voz baixa de Cedrico, enquanto o lufo coçava os olhos, passando a mão pelos cabelos bagunçados - Como está?
- Tudo bem, acho. - sorriu pequeno, tentando não passar-lhe o desespero que sentia. Papai está bem, papai está bem, repetia como um mantra, tentando focar-se no que Diggory falava, aos poucos tentando entender o que tinha acontecido e descobrir se estavam todos bem. O medo de perguntar em voz alta e ter uma resposta negativa era grande demais. O que faria se Sirius não estivesse bem? E se ele estivesse em Azkaban?
Cedrico, por sua vez, comentou superficialmente sobre como ela tinha ido parar no St. Mungus, alegando que não tinha todos os detalhes, por medo dela ficar nervosa ao saber como as coisas tinham se desenrolado. Diggory então puxou um novo assunto, tentando conversar sobre coisas banais, ao invés de pensarem sobre os últimos acontecimentos.
aceitou a conversa, dando continuidade na mesma, seu peito ainda parecia apertado sem saber sobre Sirius, mas o medo de confirmar que ele estava em Azkaban, era maior do que qualquer coisa naquele momento.
- Bem, talvez tenhamos uma boa notícia em Hogwarts para o próximo ano. - Cedrico começou, sorrindo pequeno, o encarou curiosa. - Umbridge não vai continuar, não depois dessa noite. Imagino que são menos chances de você perder alguns pontos!
A garota sorriu pequeno, concordando com a cabeça.
- Não sei bem, talvez tenha que me cuidar mais agora que você não vai estar mais lá para encobrir minhas fugas.
Diggory concordou sorrindo nervoso, era estranho demais pensar que não estaria na escola no próximo ano, que talvez estivesse trabalhando, ou qualquer outra coisa que bruxos formados faziam.
- Quando vai ser sua formatura?
- Hm… Daqui há duas semanas, de acordo com minhas notas…
- Como se tivesse alguma chance de você ser reprovado. - comentou tranquila, fazendo-o rir baixo. - Estarei convidada para te ver em trajes a rigor novamente?
Diggory concordou sorridente.
- Espero contar com sua ilustre presença. - piscou divertido, vendo-a concordar com um aceno.
O rapaz chegou a abrir a boca para comentar algo, mas desistiu, olhando para suas mãos com o cenho franzido.
- O que foi?
- Hm… Eu iria comentar sobre o Baile de Inverno, mas… Bem… - deu de ombros, sem graça.
concordou sem nada dizer, ainda era uma das melhores noites que tinha tido na vida, só não era melhor do que a noite que tinha encontrado Sirius pela primeira vez, na qual soube que o pai era inocente. O Baile com Cedrico vinha logo atrás, sendo tão importante quanto.
- Eu estive pensando… - pigarreou, querendo que a voz saísse mais confiante - Eu sei que as coisas estão um pouco estranhas ainda, mas… - o encarou, esperando que ele continuasse - Será que podemos voltar a ser amigos? Mesmo que não seja como antes… Quer dizer… Eu só… Eu só não gostaria de perder totalmente o contato com você…
A loira concordou, sorrindo em sua direção.
Um tanto triste por saber que o máximo que ele estava querendo era sua amizade, no fundo esperava que ele fosse propor dos dois voltarem, mas, pensando bem, talvez ele não quisesse mais, principalmente por estar quase fora de Hogwarts. Se já tinha sido difícil com eles podendo se ver quase todos os dias, nem mesmo imaginava como seria complicado agora que eles nem mais estariam juntos na Escola.
- Eu adoraria, Ced.
O lufo sorriu, antes de inclinar-se para lhe beijar a bochecha.
Não era nem de longe o que ele queria, mas era melhor do que nada.
Pensaria nos próximos passos depois que já estivesse recuperada e eles pudessem se encontrar fora do hospital.
Continuaram conversando por mais alguns instantes, até a porta abrir de supetão, e Sirius entrar ansioso. O homem focalizou sua visão na loira, acordada e conversando na cama, e o sorriso gigante em seu rosto não pode ser evitado, andou em sua direção extremamente aliviado por vê-la acordada. Tinha passado horas ao seu lado quando ainda estava dormindo, apenas para saber se ela estava bem, e queria ter esperado para quando ela acordasse, mas ainda precisou voltar para dar mais alguns depoimentos ao Ministério, já que só tinha conseguido algumas horas para visitá-la.
- Finalmente, achei que precisaria de alguma poção para você acordar!
abriu o mesmo sorriso, respirando fundo ao ver seu pai ali, antes de sentir os braços do mais velho ao seu redor, apertando-a por alguns longos minutos.
O medo sumindo de seu ser, o coração batendo tranquilo e o peito parecendo mais leve.
Sirius então se afastou, colocando as mãos em seus ombros, encarando-a sério;
- Se você ousar me deixar preocupado dessa forma outra vez, eu juro que você vai passar o resto da vida de castigo!

tinha sido liberada do St. Mungus e pode ficar em casa, ao invés de ir para Hogwarts nos últimos dias, já que nem prova nem aula ela teria. Só voltou para a Escola um dia antes do término, para a formatura de Cedrico.
Usava um vestido preto com pequenas pedrinhas brilhantes, um salto não muito alto, e os cabelos loiros presos em um penteado bonito, com algumas mechas soltas e onduladas.
Notou, assim que passou pelos corredores, os olhares de vários colegas sobre si, e, embora seu orgulho insistisse em dizer que sim, sabia que não era por seu vestido bonito que a encaravam. Todos os alunos já estavam sabendo que ela era filha de Sirius Black, o bruxo que passou anos em Azkaban, preso por um crime que não cometeu, e depois ficou 2 anos foragido, antes de ser inocentado. Parte deles ainda olhava incerta, um pouco assustada, a grande maioria olhava com curiosidade, cochichando ao seu redor sobre o assunto. Encontrou os Diggory juntos com outros pais na entrada do Salão Principal, esperando para poderem entrar para o início da cerimônia.
- , querida! Como está? - Rachel perguntou ao vê-la, abraçando-a por alguns instantes, olhando para seu rosto, procurando vestígios do acidente de dias antes.
- Estou bem, obrigada. - sorriu antes de cumprimentar Amos, os dois virando para elogiá-la, dizendo o quão bonita estava.
- Ced vai ficar feliz em te ver assim, ein? - o homem comentou brincalhão, levando uma pequena cotovelada da esposa, que lhe negou com a cabeça. Talvez tivesse esquecido que eles tinham terminado, ou talvez tivesse feito de propósito;
Amos era muito bom em fazer comentários inconvenientes às vezes.
- E Sirius? - Rachel questionou, olhando por sobre o ombro da loira, esperando encontrar o homem caminhando em direção ao pequeno grupo.
- Ah, ele não achou uma boa ideia vir, ainda tem muita gente comentando sobre ele, achou que chamaria mais atenção que os formandos… - coçou a nuca, sem graça. Os Diggory concordaram com um aceno, ao tempo que a mais velha lamentava que ele não pudesse comparecer.
Quando as grandes portas de carvalho foram abertas, o grupo, com cerca de 60 pessoas, entre pais, irmãos e amigos, seguiu em direção as cadeiras enfileiradas.
As quatro mesas compridas tinham sido retiradas, dando lugar para cadeiras individuais na frente da mesa dos professores, a qual também não estava mais presente, embora os professores todos se encontrassem por ali.
Não demorou muito para a cerimônia começar, com os diretores de cada Casa chamando os nomes dos formandos, que vinham de um corredor lateral para pegarem suas varinhas, em um sinal de que, agora, poderiam usá-las fora de Hogwarts.
Assim que os alunos da Corvinal, Grifinória e Sonserina saíram, a Professora Sprout foi mais a frente, começando a chamar os alunos da Lufa-Lufa; Cedrico, como tinha sido o único a se formar com honras, foi o último a ser chamado, pois seria ele quem encerraria a cerimônia:
- Cedrico Edmund Diggory!
O rapaz andou em direção a professora, ouvindo uma salva de palmas e os gritos animados que ele reconheceu virem de seu pai e , fazendo-o segurar a risada enquanto negava com a cabeça.
Olhou rapidamente para eles assim que a professora entregou sua varinha, agradecendo antes de apertar a mão de Dumbledore e dos demais professores. Parou ao lado do diretor para iniciar seu discurso, o qual tinha treinado algumas vezes em frente ao espelho. Sorriu na direção de , antes de pigarrear e começar em seu tom mais formal possível;
- Boa noite à todos, agradeço em nome dos meus colegas a presença de vocês hoje. - virou-se para Emmett rapidamente, o qual segurava a risada e agradecia mentalmente por não precisar fazer aquilo - Depois de sete anos finalmente estamos livres das aulas e estudos, - ouviu alguns gritos aliviados dos colegas -, infelizmente, - recomeçou encarando-os - essa era a parte fácil da nossa vida. - fez uma careta para os amigos, sendo acompanhado com lamentos e suspiros - De qualquer forma, foram sete anos de muito aprendizado e capacitação para o que nos espera daqui pra frente.
sorria conforme Diggory falava, parecendo extremamente confiante em tudo o que dizia. Quando o discurso terminou, após mais alguns minutos, ele tornou a agradecer aos convidados, antes de ser aplaudido e descer em direção aos pais, sendo abraçado pelos mesmos, antes de virar-se sorridente para a loira.
- Fico feliz que tenha vindo! - disse um pouco constrangido ao abraçá-la.
- E você achou que eu perderia a formatura do melhor aluno, capitão e monitor de Hogwarts? - piscou, vendo-o rir - Papai pediu desculpas por não poder vir, ele achou que não seria uma boa roubar a atenção da noite!
Cedrico sorriu, concordando, antes de encaminharem-se a uma das mesas pequenas que, assim que a cerimônia das varinhas tinha se encerrado, apareceram pelo salão. Todas com os nomes dos alunos que se formavam, e o número de convidados que cada um tinha.
Os quatro conversaram por algum tempo antes do jantar ser servido, e, após quase uma hora, uma música começou a tocar. Cedrico aproveitou o momento para chamar para uma dança, a qual ela aceitou na mesma hora, aproximando-se dos outros estudantes que também dançavam na pequena pista improvisada.
Ficaram em silêncio por alguns minutos, apenas dançando abraçados.
- Como estão as coisas? - puxou o assunto, virando-se para olhá-la.
- Tudo bem, quer dizer… - suspirou - Estamos bem, mas tem sempre alguém esperando para tentar ver meu pai, e nem todos parecem confiar que ele não é o assassino foragido. - Imagino que ainda vá demorar um pouco para isso mudar, mas pelo menos agora o Sirius pode sair de casa, não é?
- Sim, mas ele ainda prefere fazer isso como cachorro, diz que é mais fácil! - confessou, vendo-o rir ao saber.
- Tenho certeza que logo todo mundo esquece isso e Sirius vai andar livremente por aí! - acenou sorridente. - Acho que não comentei antes, mas você está realmente bonita hoje.
A garota corou fortemente, agradecendo em voz baixa.
Era estranho ficar tão tímida em sua presença depois de tanto tempo juntos, pareciam que estavam de volta no tempo quando não sabiam que gostavam um do outro.
Continuaram dançando, conversando sobre coisas aleatórias, mas quanto mais ficavam juntos, mais Cedrico pensava na falta que sentia dela ao seu lado, e no quanto ele tinha errado para causar a separação dos dois. E sabia que a pior parte tinha sido por seu ciúmes exagerado.
- O que foi? - perguntou quando notou o cenho franzido e o olhar baixo do lufano.
Diggory sorriu pequeno, dando de ombros.
- Sinto sua falta. - sussurrou.
parou de dançar, encarando-o por um instante.
Cedrico apenas a olhou, sem saber se tinha dito algo errado, mas no momento seguinte, a garota colocou as mãos sobre seus ombros, antes de esticar-se um pouco, juntando seus lábios.
Por uma música parecia que tudo estava bem, e, novamente, eles estavam juntos.
Ela era sua garota, no final das contas.



Doze.

Diggory ajeitou o cabelo, olhando-se no espelho, confirmando que estava bem apresentável.
Sentia o nervosismo querer dominá-lo, um frio na barriga parecido com os dias que jogava Quadribol, só que muito pior;
Era seu primeiro passo no mundo real, a partir deste dia não tinha mais Hogwarts, pontos ganhos ou aulas de Transfiguração.
Daquele momento em diante Cedrico estava em uma realidade completamente diferente dos últimos sete anos, e nem mesmo sabia se estava pronto para aquilo, no fundo temia que seu tempo na Escola não tivesse sido o suficiente.
Respirou fundo, encarando seu reflexo por alguns instantes, antes de deixar o olhar focalizar em uma foto presa no canto do espelho; tirada quase dois anos atrás, durante a Copa Mundial, na qual usava um cachecol da Irlanda, os cabelos loiros bagunçados por causa do vento, ria em sua direção.
Cedrico puxou-a com cuidado, olhando para a imagem da garota por algum tempo, era uma de suas fotos preferidas dela, lembrava-se daquele momento como se ela estivesse ao seu lado, rindo por causa de uma piada que ele tinha feito.
Suspirou antes de tornar a prendê-la no espelho, o estômago agora revirava por causa dela, e da falta que sentia de Black, a qual não via desde o dia de sua formatura, há quase seis semanas.
Tinham trocado algumas cartas durante aquele tempo, mas estava de férias com Sirius e fazia semanas que tinha deixado Londres. Não que fosse mudar muita coisa se ela estivesse por lá; Depois do beijo no dia da formatura, a loira não tocou mais no assunto, e Cedrico também não soube como voltar a falar sobre.
Acabaram apenas sorrindo sem graça e, mesmo que parte de Diggory tivesse esperanças que tudo voltasse ao normal, soube que não seria assim tão fácil quando Black, sutilmente, desviou de pegar em sua mão. Queria conversar com ela, mas não achava certo fazer aquilo por cartas, então continuava esperando que ela voltasse para casa, para ver como seria a situação dos dois.
Saiu de seu quarto, caminhando lentamente até a cozinha, pegando qualquer coisa para comer, antes de ouvir seu pai o chamando para irem ao Ministério. Sentia uma corrente de nervosismo passar por seu corpo, nem mesmo sabia o que faria no trabalho, e sentia uma pressão extra por saber que a única razão de ter conseguido aquela vaga era justamente por ser filho de Amos Diggory. Estavam apenas lhe fazendo um favor, e Cedrico não queria perder aquela chance.

Diggory passou a semana um tanto quanto entediado, mas se o perguntassem no trabalho ele sempre dizia estar satisfeito e empolgado. Na verdade, por estar nos seus primeiros dias e ainda ser recém-graduado, só o que ele fazia era revisar alguns textos e documentos que nem eram assim tão importantes no momento. Esperava que ao fazer tudo certo, pelo menos recebesse algo mais interessante para fazer, já que até então só não estava mais chato do que as aulas do Prof. Binns.
Passou a sexta-feira mais feliz, ao receber uma carta de , dizendo já estar de volta em Londres e que se ele, de fato, quisesse visitá-la, seria bem-vindo.
Quando saiu do trabalho, avisou ao pai que primeiro passaria na casa dos Black, vendo Amos arquear a sobrancelha, sorrindo de canto ao dar um tapinha em suas costas.
Aparatou pouco depois até o Largo Grimmauld, encarando as casas enquanto esperava a número 12 se materializar; mesmo não sendo mais um fugitivo, Sirius ainda mantinha a casa sob proteção, assim evitando os trouxas e vários bruxos curiosos.
Bateu na porta e esperou, ouvindo passos logo depois;
- Diggory! - sorriu ao olhá-lo, dando espaço para que o mesmo entrasse.
- Como vai? - cumprimentou-a beijando-lhe a bochecha. - Como foram as férias?
- Maravilhosas! - respondeu animada, Cedrico reparou enquanto andavam até a sala, que a garota estava bem bronzeada - Estou até triste que acabaram!
Caminharam pelo corredor em direção a cozinha, na qual Sirius parecia entretido cozinhando;
- Cedrico, quanto tempo! - sorriu para o rapaz, que se aproximou, cumprimentando-o. - Soube que começou a trabalhar?
- Sim, um pouco chato na verdade. - deu de ombros, rindo sem graça.
Explicou o que fazia para os dois, ao sentar-se envolta da mesa, tendo a atenção dividida entre sua história e Sirius reclamando que não estava dando certo a receita que Andrômeda tinha passado.
- De qualquer jeito, como foi meu pai quem conseguiu o trabalho, acho que não posso reclamar muito, não é?
- O que quer dizer? - questionou confusa.
Cedrico passou a língua pelos lábios, parecendo ainda mais sem graça;
- Estou meio que “em teste”, sabe? E só consegui isso porque meu pai tem um cargo ok no setor de Execução de Leis.
Sirius riu, negando com a cabeça, fazendo os dois o encararem confusos;
- Você deve ser bem ingênuo para acreditar nisso, Diggory. Por mais conhecido que seu pai possa ser, não foi por causa dele que você conseguiu seu emprego.
- Perdão?
Black encarou-o por um instante, sorrindo de lado;
- Minerva disse que você era um dos melhores alunos de Hogwarts, não? Se formou com honras? me disse que sua pior nota foi um “Excede Expectativa” no NIEM’s, seu currículo escolar já é melhor que mais da metade das pessoas que trabalham no Ministério. - deu de ombros, voltando a mirar a panela que fervia - Se dê um pouco mais de crédito, Diggory.
Cedrico sorriu constrangido, olhando para as próprias mãos por uns instantes;
- Agora ele ficou sem graça, pai. - cantarolou, olhando-o de lado.
O homem riu, antes de xingar alto, frustrado;
- Seja lá o que Andy faz, não é nada parecido com isso. Vou sair para comprar comida, vocês dois se comportem até eu voltar! - avisou, jogando o conteúdo da panela na pia, uma gosma esverdeada.
Cedrico arqueou a sobrancelha, olhando com certo nojo para a mistura;
- Já sei com quem você não aprendeu a cozinhar!
riu, concordando com um aceno;
- É porque você não viu ele tentando cozinhar comida espanhola, muito pior.
- Como foram as férias? - perguntou sorrindo.
- Boas, muito boas. Fomos para uma cidade de trouxas na Espanha, com uma praia muito bonita! Nos últimos dias passamos por um vilarejo bruxo de lá, papai queria comprar umas bebidas. - pensou um pouco, negando com a cabeça - Tenho quase certeza que ele saia à noite, depois que eu tinha ido dormir.
- Por que? - questionou genuinamente curioso.
- Digamos que ele pareceu bem interessado na dona do restaurante trouxa, jantávamos lá quase todas as noites.
- Seu pai teve um encontro?
- Provavelmente mais de um - fez careta -, nunca perguntei porque é o tipo de coisa que não preciso saber sobre ele. Mas não duvido que ele volte quando eu estiver em Hogwarts!
- Caramba… - franziu o cenho - Até faz sentido, quer dizer, ele não chega a ser velho, não é? Sirius tem quantos anos?
- Trinta e sete. Não me importo que ele tenha encontros, até ficaria surpresa se não tivesse, porque ele é bonitão - deu de ombros -, o problema é pensar sobre isso.
Cedrico gargalhou, concordando.
- Também não gosto muito de pensar sobre meus pais e o relacionamento deles. - fez careta.
Os dois ficaram em silêncio por um momento;
- Você não tem mais dor de cabeça? - perguntou, referindo-se ao incidente com Bellatrix há quase dois meses.
- Não, já estou pronta pra outra. - piscou, vendo-o negar com um aceno.
- Não foi a melhor das experiências te ver em uma cama de hospital… - suspirou, vendo-a rir baixo.
- Agora você sabe como eu me senti no quarto ano, durante as provas do torneio.
Cedrico olhou-a por um momento, passando a língua pelos lábios.
- Estou pensando em entrar na Ordem. - contou em voz baixa, querendo saber sua reação. - Quim falou comigo sobre isso no início da semana…
Black o encarou um pouco surpresa, sorriu leve;
- Faz sentido, Moody queria te recrutar no ano passado, não?
- É, mas isso foi antes, não? Não sei se vou conseguir ajudar tanto assim… - deu de ombros, um tanto incerto.
- Bem, é como papai disse, você deveria se dar um pouco mais de crédito, Cedrico, você era o melhor aluno em Feitiços e Transfiguração, não é?
- Não acho que seja suficiente pra isso. Foi por isso que conversei com Quim, pra saber se teria como ter algum treino extra, entende? Aprender mais coisas.
- O que ele disse?
- Que Olho-Tonto provavelmente vai querer me ensinar pessoalmente.
passou a mão pelos cabelos, jogando-os para o lado, sorriu para ele;
- Se prepare, quando a Dora estava treinando para ser Auror com ele, vivia reclamando que ele era muito severo.
Cedrico concordou rindo, aproveitando que estavam sozinhos;
- Eu queria conversar com você sobre outra coisa também, mas entendo se você não quiser.
A garota o encarou, esperando que ele continuasse:
- Eu… Bem, queria saber se… - coçou a nuca um tanto constrangido, sem saber o que dizer. Tinha treinado aquilo tantas vezes, imaginando tudo o que falaria quando estivessem juntos, mas não parecia capaz de lembrar-se de nada no momento. - Queria saber como ficamos…? Vou entender se você não quiser mais sair comigo, talvez no seu lugar eu fizesse o mesmo… - suspirou, sem coragem de encará-la, olhando para as próprias mãos em cima da mesa de carvalho - Eu só… Não queria manter isso tão estranho, sabe? Sinto sua falta, nem que seja apenas como amigos… Eu sei que tínhamos meio que acertado isso antes, mas bem… Eu queria saber se teria outra chance com você...
Olhou-a de canto, reparando que a garota também não o encarava, parecia um tanto pensativa, encarando a parede.
- Você acha que poderíamos ser amigos, Ced? Como antes? - perguntou, olhando-o por um instante. Diggory passou a língua pelos lábios, pensando por um momento.
Sorriu triste ao constatar que nunca seria igual, negando com um aceno.
- Também acho que não.
- Então… é isto, não é? - questionou, chateado - Sinto muito por isso.
franziu o cenho por um instante, confusa;
- Por ter estragado tudo.
- Bem, - coçou o nariz, olhando-o divertida em seguida - não acho que a culpa foi inteiramente sua, não é como se eu não quisesse ter te beijado, é? Quem diria que isso arruinaria qualquer chance de voltarmos a ser apenas amigos?
Diggory riu sem jeito, ainda sem conseguir olhá-la.
- Cedrico? - chamou-o após alguns instantes de silêncio, o rapaz a olhou sem saber direito o que fazer. - Você quer voltar a namorar comigo? - sorriu para ele, rindo baixo quando o viu a encarar confusa por uns instantes.
- Eu… Não entendo. Você disse que queria ser minha amiga…
- Não, eu perguntei se você achava que poderíamos ser apenas amigos, como antes. Nunca disse que era o que eu queria, era só uma dúvida. - explicou, dando de ombros.
Cedrico se sentiu estúpido ao notar o tempo que passou a encarando, demorando a entender ao que ela se referia, rindo de si mesmo pouco depois.
- Espere só até eu contar ao seu pai que foi você quem me pediu em namoro!
Os dois riram encarando-se, ambos se sentindo idiotas e, ao mesmo tempo, mais leves, por saberem que tinham mais uma chance.
- Eu sou completamente apaixonado por você, Black. - ele soprou contra seus lábios, quando aproximou-se o suficiente para beijá-la.

estava terminando de arrumar seu malão para iniciar mais um ano em Hogwarts, enquanto o pai e Cedrico esperavam na sala, conversando sobre Quadribol e alguns outros assuntos aleatórios.
- Senhor, eu estava pensando… Queria na verdade pedir um favor… - Diggory começou, fazendo Sirius arquear a sobrancelha.
- Outro além de eu permitir que namore minha filha? - viu-o rir sem graça, acenando com a cabeça - Pode dizer, Cedrico, e, pelas barbas de Merlin, quantas vezes vou precisar dizer para parar de me chamar de senhor? Já passamos dessa fase.
- Desculpe, Sirius… - recomeçou, pigarreando, um tanto envergonhado - Bem, não sei se comentou com você… - olhou-o por um instante, esperando alguma reação enquanto falava - Quim conversou comigo sobre eu entrar na Ordem, gostaria de ajudar de alguma forma, entende?
- Eu já ouvi a respeito, Ninfadora comentou comigo. Você vai começar a aprender algumas coisas com Alastor, não?
- Sim, senhor… Digo, Sirius… - suspirou, coçando a nuca - Não que ele não seja incrível, é claro, mas, bom…
- O que foi, Diggory? - o homem perguntou finalmente, vendo-o cada vez mais vermelho e sem graça. Se não estivesse tão curioso, faria alguma piada.
- Eu queria saber se poderia me treinar também? Entendo se não puder ou quiser…
- Eu? Por que?
- Bem, eu sei que você era muito bom com feitiços em Hogwarts, e ainda conseguiu virar um Animago no quinto ano, não? Independente do motivo, isso era muito avançado. E eu sei que você sabe alguns feitiços que eu nem faço ideia de como executar, ou mesmo os conheça, entende? Sem contar que foi o único a fugir de Azkaban, não?
Sirius olhou para o lado, tentando segurar o sorriso orgulhoso e um tanto arrogante, sabendo que o que o outro tinha dito era verdade, mas era ainda melhor por escutar de outra pessoa. Ainda mais ao ver que Cedrico parecia impressionado com cada feito do homem.
- Acredito que te ensinar algumas coisas seja o mínimo para retribuir a comida que você me deu há três anos, não? - comentou, não querendo soar tão amigável.
- Achei que era por isso que você estava ok comigo saindo com sua filha... - mencionou, sorrindo de lado.
- Bem isso também, mas sendo tão parecida comigo, se eu dissesse não, era capaz de vocês aparecerem casados na semana seguinte. - deu de ombros, vendo-o rir ao concordar. - Pois muito bem, Diggory, depois você me avisa os horários que terá com Olho-Tonto, ou eu converso com ele, assim também fico sabendo o que ele vai te ensinar…
Cedrico concordou satisfeito, empolgado com a possibilidade de aprender tantos feitiços novos com dois dos maiores bruxos que ele conhecia;
- Obrigado, Sirius.

Os dois andavam juntos pela estação em direção a Plataforma de embarque. Sirius tinha sido convencido a deixar de sair como cachorro, pois a garota queria poder finalmente se despedir dele decentemente antes de embarcar para a Escola, e mesmo que achasse que seria um tanto incômodo, não pode negar-lhe aquilo, também querendo ter aquele momento de pai e filha.
Atravessaram juntos o portal, enquanto conversavam, não demorou muito para Sirius começar a reparar nos olhares que recebiam, mas tentou ignorá-los, permanecendo junto à filha enquanto esperavam por Harry que chegaria junto com os Weasley.
- Finalmente, achei que tinham perdido o horário! - ouviram uma voz familiar, virando-se para o lado e encontrando Tonks, junto com Andy, Ted e Cedrico.
- O que todos vocês estão fazendo aqui?
- Encontrei com Ced no Ministério sexta e ele me falou que Sirius não viria de cachorro! - piscou divertida, cumprimentando os dois.
- Sem contar que estávamos com saudades de te trazer para embarcar! - Andy comentou, abraçando-a apertado - Quase não aparece para nos visitar!
- Tia, eu tava lá na quarta-feira! - negou com a cabeça, rindo com o drama.
- Foi o que eu falei, mas você acha que ela me escuta? - Ted rolou os olhos, sorrindo antes de abraçá-la.
- Achei que você estaria com Olho-Tonto? - Sirius questionou um tanto confuso com a presença de Diggory, tinha permitido que o casal ficasse sozinho por alguns minutos, acreditando que não se veriam na estação.
Cedrico deu de ombros, rindo culpado;
- Talvez eu esteja um pouco atrasado… - abraçou a namorada de lado, beijando-lhe a bochecha, apenas para evitar problemas futuros com o mais velho.
- Nossa, vocês realmente não vivem sem mim, não é? Veio todo mundo me dar tchau! - soltou ao olhar para o grupo, todos a encararam por alguns instantes, rolando os olhos ou negando com a cabeça.
- Mas você é bem filha do seu pai! - Andy negou rindo. Sirius deu uns tapinhas desajeitados em sua cabeça, como se acariciasse um animal de estimação;
- Criei muito bem nos últimos anos!
- Ah, os ruivos! - Dora acenou para o grupo que tinha acabado de passar pelo portal, Harry e Mione os acompanhavam. Potter foi sorridente em direção ao padrinho, apertando-o em um abraço.
- Ainda bem que chegaram, já estava pensando que eu iria sozinha pra Escola e precisaria me esforçar mais para perder pontos em nome de todos nós! - comentou, abraçando os amigos e os Weasley rapidamente.
Hermione negou com a cabeça;
- Por um segundo pensei que você iria se esforçar para dar o seu melhor...
- Oras, Mione, mas o nosso melhor é perder pontos! - Harry deu de ombros, concordando com a loira.
- Quem mais vai desafiar o Ministério se não nós? - Rony argumentou do seu canto.
- Saudades da Hermione que fundou a Armada de Dumbledore! - Gina suspirou ao seu lado, fazendo os outros rirem.
Os estudantes se despediram do grupo, com muitos abraços e recomendações para, de fato, escutarem Hermione e ficarem longe de confusões;
- É tão legal vocês ainda acharem que a gente vai se comportar… - Rony sorriu, olhando para sua mãe que fez careta.
- Sim, em cinco anos de Hogwarts invadimos a Floresta Negra, a sala do Snape e o próprio Ministério, mas no sexto ano vamos apenas estudar! - concordou, rindo enquanto negava com a cabeça.
- Quando foi que vocês invadiram a sala do Severo? - Tonks questionou surpresa.
Rony, Hermione e Harry encararam a loira com os olhos arregalados;
- Que foi? Eu não sabia que era segredo!
- Só tentem não serem expulsos, lembrem-se que só faltam dois anos, ou três no caso da Gina!- Sirius acrescentou, olhando para a mais nova, que sorriu para ele.
- E eu não vou conseguir acobertar as saídas de vocês fora do horário! - Diggory relembrou, olhando para e Harry que não eram monitores.
- Ah, mas agora que você não está mais em Hogwarts não tem porque a sair da Torre depois do horário, né ? - Gina cutucou-a com o cotovelo, vendo Sirius engasgar com a própria saliva, recebendo tapinhas nas costas dados por Ted, o qual achava a situação inteira muito divertida;
- Como é que é?
Diggory ficou roxo, mas a loira apenas encarou a mais nova, dando de ombros;
- Ginevra, se você quiser me constranger precisa mais do que insinuar que eu saia toda noite para beijar o Cedrico!
- Como é? - Black tornou, olhando de um para o outro.
- Olha, vocês vão voltar para Hogwarts, mas eu continuo vendo o Sirius toda semana, agradeceria se parassem com os comentários. - Cedrico pediu, juntando as mãos como se implorasse.
- Muito bem, é melhor vocês embarcarem antes que o bonitão aqui tenha uma morte precoce! - Dora comentou, apontando rindo para o outro.
Diggory e Tonks se davam muito bem, se viam quase todos os dias no Ministério e também andavam juntos após o trabalho, vez ou outra Dora dava algumas dicas de feitiços para ele, ajudando-o como podia. Além de saírem para beber algumas vezes, para conversarem sobre coisas banais, ou sobre o quão frustrada Ninfadora ficava sempre que Remus não entendia seus comentários, ou fingia não os entender; Até o momento Cedrico era o único que sabia sobre os sentimentos de Dora pelo mais velho, e ela gostava de ter contado, Diggory era um bom ouvinte e conselheiro.
Despediram-se mais uma vez, abraçando todos antes de embarcarem, virou para o lado de Cedrico, o qual fez menção de inclinar-se para beijá-la, mas viu Sirius parado encarando os dois de braços cruzados, por isso só suspirou e beijou-lhe a bochecha, vendo-a rir ao negar;
- Medroso. - sussurrou ao abraçá-lo apertado.
- Ele pode fingir que estava me treinando e me matar escondido, ok? - respondeu, em meio a risadas.
Antes de subir no trem, deu a volta correndo, fazendo o grupo olhá-la confuso, achando que tinha esquecido algo, mas ela apenas aproximou-se puxando Cedrico pela camiseta, beijando-lhe os lábios rapidamente.
- Tchau, Ced!
Diggory sorriu de lado, passando a mão pelos cabelos quando ela se afastou.
- Eu não fiz nada! - avisou, olhando para o pai da namorada, o qual rolou os olhos.
- Graças a Merlin vocês vão passar alguns meses separados!
Esperaram o trem partir e, assim que virou a primeira curva, despediram-se uns dos outros, antes de aparatarem para fora da estação.

Alastor Moody resmungou frustrado com o atraso do outro, reclamando ainda mais quando ele explicou que tinha ido até Kings Cross.
- O que estamos fazendo aqui é importante, Diggory, você pode beijar sua namorada mais tarde.
- Desculpe, não vai se repetir! - sorriu sem graça, embora não estivesse nem um pouco arrependido de ter ido se despedir da garota, a qual só voltaria a ver dali há várias semanas, por poucas horas, em Hogsmeade.
- Muito bem, agora que você já sabe como usar o Animus Corpus, vamos dificultar as coisas; As Maldições Imperdoáveis. Já sabe usar alguma delas?
- Apenas em teoria. - respondeu simples, quando Olho-Tonto o encarou por alguns instantes sentiu-se um tanto ingênuo e burro por não ter se preparado para aquilo. - Desculpe.
- Não precisa se desculpar, Diggory, - suspirou - em tempos normais qualquer um que tenha acabado de se formar e não trabalhe como Auror não sabe nem a teoria de boa parte desses feitiços, mas não estamos em tempos normais, não é? Muito bem, se você já sabe o teórico, vamos ver se consegue o prático. Comecemos com o Imperius.
Cedrico concordou com a cabeça, segurando a varinha enquanto esperava que Moody utilizasse algum feitiço como das outras vezes, nos quais ele pudesse praticar.
- É em mim que você deve usar essa maldição, Diggory. Não tenho como saber se está sendo eficiente de outro jeito. Muito bem, estou esperando!

Ele precisou de algumas tentativas antes de realmente conseguir acertar a mão, sentia-se mal por precisar uma Maldição em Olho-Tonto;
- Vamos lá, não se deixe apegar por aparências. E se eu fosse um Comensal da Morte? Alguém que você precisa enfeitiçar para conseguir algo importante? Vamos, Diggory!
- Império! - soprou apontando a varinha para Moody.
O homem ainda o olhava exasperado por alguns instantes, esperando o ataque que Cedrico hesitava, mas logo sua expressão alterou para uma suave, quase infantil.
O rapaz o encarou por alguns instantes, sorrindo sozinho ao reparar que finalmente tinha conseguido;
- Ahn… Dê uma pirueta! - pediu vacilando, sem saber o que fazer.
No instante seguinte Moody virou-se numa pirueta um tanto desengonçada, fazendo o mais novo rir baixo. Pensou por um momento, passando a língua pelos lábios;
- Entregue-me sua varinha.
Moody, com as mãos trêmulas, fez o que o outro pediu.
Assim que a pegou, Cedrico baixou a própria, deixando de lançar o feitiço.
O mais velho piscou, balançando a cabeça;
- Muito bem, Diggory, inteligente. - apontou para a varinha que estava nas mãos do outro. - Agora vamos para a outra parte da Maldição.
Cedrico arqueou a sobrancelha, confuso.
- Que outra parte?
- A qual é você quem está sob a Maldição e deve evitar fazer o que eu mando, - sorriu - e acredite, isso é muito mais difícil. Império!

O grupo sentou-se na sala para a primeira aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, esperando Snape terminar o monólogo de como os professores que eles tinham tido anteriormente eram ruins. O que gerou certa revolta nos alunos da Grifinória; Remus Lupin era o melhor professor que eles tinham tido, e, ao irritarem Snape com o nome do “rival”, perderam 10 pontos antes mesmo da aula começar.
- Pelo menos a gente só aguenta ele até o final do ano… - resmungou, apoiando o queixo na mão, olhando entediada para o homem.
- E não tem como ele ser pior que a Umbridge, não é? - Harry concordou ao seu lado, folhando o livro.
Snape olhou para os dois adolescentes cochichando no canto, aproveitando-se da posição para fazer comentários relacionados à Sirius; agora que não era segredo para ninguém que a garota era filha de Black, não tinha porque ele perder as oportunidades de irritá-la. Sua vingança pessoal pelos tempos de Hogwarts, já que não poderia descontar em Sirius ou James, aproveitava as duas pessoas mais próximas à eles para fazê-lo;
- Sexto ano e continuamos tendo as duas estrelas da Escola achando que podem quebrar as regras, não? Conversar enquanto um professor fala, por exemplo.
Os dois olharam para o mais velho, fechando a cara no mesmo instante e ignorando a vontade de gritar com ele.
- Imagino que agora que todos sabemos sobre Black, você se sinta a nova sensação de Hogwarts, uh? Ainda mais do que antes? - virou-se diretamente para a loira, que respirou fundo, a imagem e a voz de Hermione pareciam gritar em sua cabeça “não responda!” - É realmente surpreendente que você se pareça tanto com ele, mesmo que Sirius tenha passado tantos anos em Azkaban, não? - falava, parado próximo a mesa dos dois, que pareciam se contorcer para não responder. O restante da sala estava no mais completo silêncio, apenas encarando a cena, esperando por alguma informação que pudesse surgir e que não fosse de conhecimento público - Tão arrogante e insuportável quanto o papai.
baixou a cabeça, tremendo de raiva, os olhos fechados. Sua vontade era pegar a varinha e estuporá-lo ali mesmo. Ledo engano achar que ele não poderia ser pior que Umbridge.
- Só esperamos que, agora que veio a público sua descendência, você não aproveite do seu papai para virar uma delinquente igual à ele, embora já esteja bem próxima...
Black levantou-se de supetão, batendo com força na mesa e encarando o mais velho;
- Não fale do meu pai, professor. - cuspiu a última palavra, com tanta raiva que precisava segurar a vontade de puxar a varinha do casaco.
Pode ver pelo canto do olho Mione suplicando para ela sentar-se, enquanto Harry puxava-a pela capa, parecendo tão frustrado quanto a própria.
Snape riu enviesado, aproximando-se ainda mais da aluna;
- Ou o quê você vai fazer?
- Eu? Nada, mas nunca se sabe o que o meu pai poderá fazer, não é? Como disse, ele passou algum tempo em Azkaban, deve ser ainda mais fácil duelar com você.
A cor sumiu do rosto do mais velho, que aproximou-se tanto dela, que a loira conseguia ver seu reflexo nos olhos escuros e cheios de raiva do homem;
- Menos 50 pontos para a Grifinória, pela insubordinação. E se você não se sentar agora, será um mês de suspensão, Tonks.
Black o encarou por mais alguns segundos, em uma batalha interna se deveria ou não fazer o que ele mandou, não queria perder tantos pontos no primeiro dia de aula, mas a mínima ideia de que Snape ainda tinha algum poder contra ela a deixava ainda mais nervosa.
- Ótimo. Faça até dois! - virou-se, pegando suas coisas para deixar a sala, parando antes de passar pela porta - E não se esqueça, professor, meu sobrenome é Black.

Quando o trio passou pela entrada do Salão Principal, encontraram sentada à mesa da Grifinória, a qual ainda estava um tanto vazia.
- Eu não acredito que você perdeu cinquenta pontos em meio dia de aula! - Hermione ralhou, sentando ao seu lado, chamando atenção de alguns estudantes - Você já viu a ampulheta na entrada? É a única em negativo!
não comentou nada enquanto tomava seu suco, vendo Harry sentar-se à sua frente, sorrindo pequeno para ela.
- Você tem que pensar mais nas consequências das suas atitudes e…
- Hermione, chega. - Potter pediu em voz baixa, servindo-se de purê de batatas.
- Não, não. Não é assim que funciona. Vocês têm que parar com isso. Nem começamos o ano e já estamos devendo pontos e…
Black virou-se para a amiga, encarando-a séria por um instante, Mione olhou-a um tanto surpresa com a reação da outra, não parecia com raiva, apenas cansada e séria;
- E o que eu deveria fazer, Hermione? Deixar o Snape falar o que bem entender do meu pai? Eu posso perder mil pontos ou ser expulsa dessa Escola, mas nunca mais vou deixar nem ele nem ninguém falar absolutamente nada de ruim sobre Sirius, entendeu? - puxou sua mala que estava no chão - Uma boa tarde para vocês.
Mione continuou olhando para o local no qual a amiga estava segundos antes, um tanto sem reação com o que tinha acontecido, virando-se aos poucos em direção aos dois amigos;
- Você vai culpá-la por isso, Hermione? - Harry soltou finalmente - Tá todo mundo falando sobre ela e o Sirius desde o final do ano passado, e você vai culpá-la por estourar com o Snape quando ele estava provocando o tempo todo? - arqueou a sobrancelha para a amiga, vendo-a olhar para baixo.
- E pensar que você é a mais inteligente desse grupo… - Rony negou com a cabeça, antes de morder um pedaço de frango.


Treze.

Cedrico deixou o material sobre a mesa, pegando seu casaco e despedindo-se dos colegas, antes de deixar o escritório em direção ao elevador. Puxou a gravata que usava, afrouxando-a alguns centímetros.
- Olá, Diggory! - uma das bruxas do Departamento o cumprimentou assim que ele entrou - Já está indo para casa? - a mulher perguntou sorridente.
Scarlet era apenas três anos mais velha do que Diggory, e ele lembrava de tê-la visto algumas vezes em Hogwarts, tendo pertencido a Corvinal.
- Boa noite! - sorriu para a bruxa, educado - Não, na verdade tenho mais alguns compromissos antes de ir para casa. E você?
O sorriso da morena aumentou;
- Na verdade, estava pronta para te chamar para um drink, mas já que você tem outro compromisso, vamos deixar para outro dia.
Diggory sentiu o rosto esquentar um pouco quando a mulher piscou em sua direção, apenas acenando com a cabeça, antes de mirar a porta do elevador.
- O que você fará neste final de semana? - insistiu, vendo-o coçar a nuca, sem graça.
- Ahn.. Bem…
O elevador abriu as portas e Ninfadora entrou sorridente no mesmo, acenando para os dois;
- Como vai, priminho? Tudo certo para esse final de semana?
O outro riu, concordando aliviado;
- Sim, estava prestes a dizer para Scarlet que tenho planos com você e mais alguns amigos. - explicou-se, olhando de soslaio para a mulher - Desculpe.
A mais velha concordou, não parecendo nem um pouco abalada.
Despediu-se dos dois quando o elevador parou no térreo;
- Não se preocupe Diggory, tenho certeza que ainda teremos uma oportunidade de nos conhecermos muito melhor!
Ninfadora abriu a boca, chocada com o que ouviu, então virou-se para o outro, com a sobrancelha arqueada, enquanto andavam em direção a saída;
- Eu acho bom você não estar pensando em sair com ela, Scar é legal, mas você está namorando a minha prima.
Diggory a encarou sério por um instante;
- Até parece, estou contando os dias para encontrá-la em Hogsmeade, porque sairia com outra mulher? Ainda mais uma do Ministério. Seria no mínimo mais discreto, não?
- Ah, eu sei lá. - deu de ombros - Homem é tudo estranho, não sei se dá pra confiar muito só porque vocês parecem mais quietos que outros.
- Vocês? - sorriu de canto, vendo-a ficar sem graça.
- Você me entendeu… Enfim - deu de ombros, olhando para o lado -, é melhor não se atrasar. Te vejo amanhã, ok? Tchau, Ced!

Olho-Tonto esperou pouco paciente até Cedrico apontar a varinha para o animal, e, embora dissesse o feitiço, ambos sabiam que nada aconteceria, porque Diggory não queria matá-lo.
Bufou após a terceira tentativa do mais novo;
- O que estamos fazendo aqui? Achei que você queria aprender feitiços para defender-se e atacar. - esbravejou a poucos passos do rapaz.
- Eu quero, mas… - suspirou - Preciso treinar com um coelho?
- Não temos como saber se você vai conseguir se não treinar, não? E se aparece a oportunidade de matar o Lorde das Trevas? Vai hesitar?
- É diferente… É um coelho! Como vou matar um coelho? - repetiu, virando-se com certa frustração.
- Pense em outra coisa, ignore o animal. E se fosse um Comensal? Concentre-se Diggory. Treine sua mente. Em uma batalha você não pode pensar do que seria certo ou errado. Estamos em guerra, você tem sua varinha para se defender e muitas vezes apenas uma oportunidade para revidar; vai atacar ou deixar-se ser atacado? Prefere ver algum aliado ser morto porque hesitou?
Cedrico encarou os pés por alguns segundos, era óbvio para Alastor a briga interna que o mais novo passava; seus princípios o impediam de atingir seu potencial.
Resolveu aproveitar-se do ponto fraco do outro, precisava que Diggory parasse de pensar tanto antes de agir, ou morreria antes que pudesse tirar a varinha do bolso.
- E se fosse sua namorada em perigo, Cedrico? - começou, atraindo sua atenção - E se Black estivesse aqui, e um Comensal a atacasse? Imagino que você fosse querer salvá-la, não?
Cedrico respirou fundo, fechando os olhos, tornou a virar em direção ao coelho, sua mão tremia ligeiramente;
- Avada Kedavra.

Ele ficou quieto por alguns minutos, ouvindo o discurso de Moody e apenas concordando com a cabeça, sem ter muito o que dizer. Sentindo-se mal pelo o que tinha feito, sabia que Olho-Tonto estava certo e ele deveria parar de hesitar, não poderia pensar tanto em uma luta, mas aquilo era totalmente diferente de precisar lançar a Maldição da Morte em animais.
- Como está indo com a poção? - o mais velho questionou ao notá-lo em silêncio por tanto tempo.
Diggory abriu a boca, mostrando a folha de mandrágora que estava embaixo de sua língua há dias demais;
- Preciso de mais duas semanas para terminar.
- Já encontrou o resto das coisas?
- Sim, Sirius conseguiu tudo o que falta, só estamos esperando a época para fazer a poção.
- Excelente, será bom termos mais um Animado no grupo, principalmente um que os Comensais não conheçam, a essa altura não podemos confiar que Almofadinhas não seja de conhecimento de Voldemort.
- É verdade que os Animagos são reflexos do Patrono? - Diggory questionou após alguns instantes.
- Não necessariamente, o animal que você vira ao usar um feitiço como esse é reflexo da sua personalidade, o Patrono pode alterar-se com o passar dos anos, de acordo com o emocional do bruxo. Por que? Qual seu Patrono Corpóreo?
Cedrico suspirou, coçando a barba rala que crescia;
- Um texugo. Esperava poder virar um animal um pouco mais discreto que isso...
conversava com Potter, o qual ainda parecia incerto sobre o teste que precisaria fazer em poucos dias; achava que era muita responsabilidade ser o novo Capitão do time da Grifinória.
- Ah, para de reclamar, Raio, pelo menos agora você tem algo pra se vangloriar, outro que dizer que escapou do Voldemort três vezes.
- Eu nunca falo isso, , é você quem sempre lembra. - o outro negou com a cabeça.
- Ah, é… Mas você está perdendo sua chance. De qualquer forma - deu de ombros -, eu não acredito que a Minerva não me deixou com nenhum título importante; Não sou Monitora, não sou Capitã… - suspirou, apoiando o queixo na palma da mão - Minha popularidade pode estar ameaçada, ainda mais que Cedrico nem mesmo está aqui para sermos vistos juntos!
Harry a encarou por alguns instantes, rindo pouco depois;
- Do que está falando? Você ainda pode usar o sobrenome, não?
- É, mas já não tem mais o mesmo efeito, ainda mais que eu passo tanto tempo de castigo nas masmorras, pra quem eu vou dizer que sou filha de Sirius Black? Pras paredes?
- Como vai essa parte?
- Nada que eu não esperasse, Filch está adorando me colocar pra limpar tudo o que está empoeirado nesse Castelo, parece a mãe do Rony. - deu de ombros.
- E a Hermione? - tornou, mexendo-se no banco. - Ela parece chateada por vocês não estarem conversando…
rolou os olhos, passando a mão pelos cabelos soltos;
- Eu já disse que estou de bem com ela, é a Mione quem está agindo estranho. Ela me pediu desculpas e eu aceitei, não tem muito mais o que fazer… - olhou para o lado, vendo Gina e Rony passarem pela entrada do Salão - Ei, você acha que esse ano eles desenrolam?
- Eles quem? - perguntou confuso.
A loira negou com a cabeça, assustada com a lentidão do amigo;
- Hermione e Rony é claro, ou acha que vamos passar mais um ano com eles fingindo que não se gostam?
Harry escancarou a boca, encarando-a chocado.
- Não me diga que você não sabia? Godric Gryffindor que te proteja, Harry Potter, você é muito devagar.
- Ah, cala a boca! - resmungou, olhando para o pergaminho aberto com alguns rabiscos que nem ele entendia.
- Do que estão falando? - os dois ruivos perguntaram ao se aproximarem, sentando ao lado dos dois.
- Táticas de Quadribol! - Harry respondeu rápido, olhando de canto para a amiga, que encarava o Weasley de lado, um sorrisinho nos lábios.
- O que foi? - Gina perguntou ao ver a cara de quem aprontava da outra.
- Nada, só estava pensando comigo mesma o quanto garotos podem ser devagar, não?
- Oh, sim! - a ruiva concordou rindo - Mais lentos que qualquer Trasgo!
- Ei! - os dois reclamaram, olhando de uma para outra.
- Mas qual o motivo exato para isso? - Gina tornou, ainda divertida.
passou a língua pelos lábios, olhando de um para outro;
- Acho melhor não dizer perto deles, te conto mais tarde. - piscou, vendo-a concordar.
Harry rolou os olhos, negando com um aceno, enquanto Rony olhava de um para outro, extremamente curioso.

As duas garotas conversavam no Salão Comunal, sussurrando e até mesmo cogitando uma aposta sobre Rony e Mione, a qual apareceu pouco depois vinda da biblioteca, e estava prestes a subir direto ao dormitório, se não fosse pela loira rolar os olhos e chamá-la para se juntar a elas;
- Caramba, Granger, eu já disse que está tudo certo, vai continuar sozinha?
Hermione mordeu o lábio inferior, suspirando antes de seguir até as amigas.
- Eu só acho que ainda parecemos estranhas, entende?
- Ah, mas quem foi que te disse isso? Mione você não é estranha não, lembra que até o Krum te chamou para o Baile? - fez piada, vendo-a rir fraco. - É sério, estamos bem, ok?
- Okay! - sorriu, puxando uma cadeira e sentando junto com as duas, deixando os livros de lado - Então, sobre o que vocês estavam cochichando?
Gina começou a rir, negando;
- Tenho certeza de que você não vai querer saber.
- Como é? Por que?
sorriu de lado, aproximando-se mais da outra;
- Estávamos comentando que Harry ainda não sabia que você gosta de Rony, e vice-versa.
Granger abriu a boca, o rosto pálido, até pigarrear algumas vezes, negando com a cabeça;
- Tá vendo, nem a Mione acredita que Potter pudesse ser tão devagar! - a ruiva apontou, rindo junto com a outra, enquanto viam Hermione sem graça.
- Por que estão falando disso? E parem de falar, alguém pode escutar.
- Ah, relaxa, ninguém tá prestando atenção. E estamos falando baixo. - abanou a mão no ar - Estava falando com o Harry mais cedo e lembrei disso, não sei bem o motivo. Aí comentei com ele e o Raio ficou chocado quando eu contei!
Hermione suspirou, parecendo mais tranquila;
- Não estou muito surpresa, são todos lentos mesmo.
- Você quer alguma ajuda com isso? - Gina perguntou sorrindo, sentando mais na ponta da cadeira. - Poderíamos insinuar algo para meu irmão, porque se você ficar esperando ele fazer algo… Por Merlin, você vai ficar mais sozinha que a Lula Gigante!
- É, a gente poderia falar que você tem um encontro! Lembra como ele ficou durante o Baile? Insuportável de chato!
- Sim, coitada da Patil! - a mais nova concordou.
- Das duas, né? Porque o Harry também foi péssimo! - Mione acrescentou - Mas acho que não tem muito o que fazer…
- Ah, eu posso pensar em umas três coisas! Podemos falar, por exemplo, que você tem um admirador secreto. Assim não precisa dizer o nome de ninguém! - Gina replicou, toda animada.
- Ou, podemos fazer muito melhor do que isso! - sorriu, ao ver um grupo de garotos passar pelo quadro da Mulher Gorda.
- O que? - pediram ao mesmo tempo.
- Mione, você não falou que o Córmaco ficou todo se insinuando pra você? - sorriu para a amiga, que ficou vermelha.
- Que nojo!
- Concordo, ruiva, poderíamos encontrar alguém melhor, porém - juntou-se mais das duas, sorrindo de canto - o Córmaco vai tentar entrar no time da Grifinória como goleiro, não? Vai ser uma disputa entre ele e o Rony nos campos e fora deles. - piscou brincalhona, vendo as duas rirem, embora Mione parecesse extremamente sem graça.
- Harry vai abrir vaga para goleiro? - questionou surpresa.
- Aparentemente ele precisa abrir para todas as posições, mas eu já disse que se ele me substituir eu vou estuporá-lo e jogar o corpo no Lago Negro. - deu de ombros, Gina concordou na mesma hora.
- Ei, e a melhor parte disso tudo é que o Rony é super inseguro! Vai querer morrer quando vir o McLaggen chegando! – Weasley concordou maravilhada.
- O que acha, Mione?
Granger mordeu o lábio inferior, negando após pensar por alguns segundos;
- É melhor deixarmos tudo como está, dependendo de como forem as coisas, eu falo com vocês!
- Ah, só porque a gente já tinha planejado tudo! Eu falei para fazermos sem contar! - Ginevra bufou, jogando-se contra o encosto da cadeira.

Potter, é claro, nem mesmo considerava trocar as três artilheiras por quem quer que fosse, conhecia Kátia Bell, e Gina bem o suficiente para saber que não tinha a menor chances de montar seu time sem qualquer uma delas, contudo, para ser justo, precisava fingir que as vagas também estavam abertas.
Estranhou o número de alunos ao redor e, estressou-se bastante ao notar que mais da metade não eram nem alunos da Grifinória.
- Era só o que me faltava. - resmungou com as três meninas, as quais estavam mais próximas, negando com a cabeça.
- Tá popular, ein, Potter? - Kátia riu, vendo-o rolar os olhos.
- Eu estava quase te entregando o cargo de Capitão, - disse para , que abriu um sorriso, fazendo pose. - mas aí não teríamos time, porque o pessoal ainda tem medo do Sirius.
A loira fechou a cara, xingando-o baixo.
Quando o teste pode, finalmente, começar, Potter notou que as arquibancadas estavam cheias de alunos de outras casas, curiosos. Achava que se esperasse mais tempo Rony ganharia mais confiança, mas talvez seu plano tivesse ido por água abaixo, visto que ele ficava ainda mais nervoso na frente do pessoal.
Não foi surpresa para ninguém que Bell, Black e Weasley foram escolhidas as três artilheiras principais, ainda mais após o teste ter sido realizado e elas terem se saído extremamente bem. Os batedores não eram nem próximos de serem Fred e Jorge, mas talvez não fossem dos piores, Peakes e Coote pareciam a melhor dupla para a posição. O principal problema no momento era a vaga de goleiro, pois McLaggen estava indo tão bem quanto Rony. Pelo menos até o último lance, (no qual as três artilheiras trocavam a goles, em uma jogada normal, porém rápida), no final Gina lançou a bola nos aros e Córmaco saíu totalmente da direção da mesma, levando o gol.
Potter suspirou aliviado, apitando e encerrando o teste; agradeceu todos os presentes e parabenizou seu time, antes de marcar o primeiro treino da temporada para a próxima semana.
- Vocês não acharam extremamente estranho o Córmaco ter errado daquele jeito? - Gina comentou ao seguir junto de Harry e para o Salão Principal, Rony tinha ficado um pouco mais atrás, conversando com Simas e Dino. - Ele estava em todas as bolas!
O trio encarou o loiro, que andava logo à frente deles, parecendo um tanto chateado, até bater com tudo em uma das estátuas, derrubando-a.
- Estranho? - Black sussurrou ao passarem por ele, olhando-o por sobre o ombro - Eu diria que isso está muito mais próximo de uma azaração do que qualquer outra coisa…
- Mas quem…? - Harry começou, chegando à mesa da Grifinória, na qual Mione estava escondida atrás de um grande livro de Astronomia. - Eu não acredito... Hermione!?
- O que? - perguntou sem olhá-los, a voz baixa.
- A pessoa, quando tá apaixonada, ela perde o controle. - riu, recebendo um tapa fraco da outra, ao sentar-se ao seu lado. - Mas nunca mais faça isso quando for sobre Quadribol, se Rony falhar esse ano a culpa é sua!

Cedrico focalizou os cabelos loiros da namorada, que se aproximava do Três Vassouras, junto do trio de amigos, rindo baixo ao notar o moletom preto com o grande B dourado no meio, a abraçou apertado quando ela parou sorridente ao seu lado;
- Senti sua falta! - ouvi-a dizer próxima a sua orelha, a apertou ainda mais em seus braços.
- Também senti a sua! - respondeu, puxando-a para um beijo.
- Ah, oi? - Rony resmungou quando chegou próximo aos dois, Mione e Harry apenas gritaram de longe em cumprimento, logo entrando no bar. - Deixa só eu contar para o Sirius!
Black apenas retirou um dos braços que estava envolta do pescoço do namorado, mostrando o dedo do meio para o ruivo.
- Mau educada! - riu antes de entrar no bar, junto com os outros dois amigos, deixando o casal do lado de fora.
Separaram-se pouco depois, ainda sorrindo um para o outro, Diggory passou a abraçar de lado;
- Quer entrar aqui ou…?
- Ou?
- Não faço ideia, mas qualquer lugar que não tenha tanta gente e eu possa te beijar sem ouvir piadas sobre seu pai!
riu, concordando antes de darem as mãos e seguirem pelas ruas lotadas de estudantes, em direção a um ponto mais isolado. Quando se deram conta, estavam próximos a Casa dos Gritos, o que não era de todo ruim, pois quase nenhum estudante aparecia por aquele lado, ocupados demais no Três Vassouras ou na Dedos de Mel.
- Não é muito romântico, uh? - Cedrico comentou ao pararem, sentando-se no chão gelado, por cima de uma toalha que ele tinha levado consigo.
- Cedrico, tem três meses que não nos vemos, não estou nenhum pouco preocupada com romantismo!
O outro gargalhou concordando, antes de puxá-la para mais perto, beijando-a com vontade.
Em dado momento, após muitos beijos longos e saudosos, Diggory a puxou para seu colo, querendo mais contato com a outra.
- Esqueci de dizer, - soprou contra seus lábios, ouvindo-o murmurar - Feliz Aniversário, Ced.
- , faz mais de um mês! - ele riu fraco, tornando a beijar-lhe o pescoço, fazendo-a se arrepiar por completo.
- Mas não estávamos juntos mês passado, estávamos? Só dizer por carta é estranho.
- Não foi de todo ruim, - respondeu, passando a língua pelos próprios lábios, sentindo-a acariciar seus cabelos - porque eu não poderia te beijar mesmo, então até que foi um bom timing para você ficar de castigo!
- Ei, nunca é uma boa eu ficar de castigo com o Snape - negou, fazendo careta -, mas o que aconteceu? Não entendi por que você também não poderia vir!?
Cedrico passou a mão pelo cabelo bagunçado, enquanto ainda mantinha a outra sobre a cintura da mais nova;
- Eu disse que Sirius e Olho-Tonto estão me treinando, não?
- Sim, papai falou que é super engraçado sua cara sempre que ele te ameaça durante os treinos! - sorriu para ele, vendo-o rolar os olhos.
- Bem, aprendi algumas coisas com Moody e agora… - respirou fundo, pensando no trabalho ainda incompleto - estou tentando virar um Animago.
- Você o que? - a loira gritou assustada, afastando-se bons centímetros dele. - Como assim você estava me escondendo isso o tempo todo? Por Merlin, Diggory!
- Não estava escondendo! - defendeu-se - Só que ainda não sei se vai dar certo, é super complicado e pode demorar pra sempre agora, porque fazem quase três semanas que estou esperando uma tempestade que não acontece nunca!
- Você ficou com aquela folha o mês todinho na boca? - questionou enojada, vendo-o confirmar - Ainda bem meeeesmo que eu fiquei de castigo. Que coisa mais nojenta!
- E você acha que essa foi a pior parte? - concordou, fazendo careta - se você visse a cor da poção que eu vou precisar tomar depois… Eu nem sei porque topei fazer isso! E sabe o que é pior? - a garota arqueou a sobrancelha, negando curiosa - Eu possivelmente vou virar o reflexo do meu Patrono, que é um texugo! O que eu vou fazer como texugo?
abriu um sorriso, virando-se para o lado, colocando a mão sobre a boca, tentando abafar o som das risadas;
- Isso mesmo, ria mais do seu namorado.
- Eu não acredito que você vai ser um texugo, Cedrico! - explodiu em risadas - Que texuguinho mais gracinha, ein? - apertou-lhe as bochechas, vendo-o rolar os olhos, enfezado. - Mas você não sabia que eles são bichos sociáveis e destemidos? Além de extremamente fofos.
Cedrico arqueou a sobrancelha, encarando-a;
- Como é que você sabe disso?
Deu de ombros, sorrindo de lado;
- Foi a Mione que me disse uns anos atrás, quando estávamos falando sobre os animais de cada Casa. Eu jurava que o leão da Grifinória era o mais forte, né? Porque realmente, é, dá licença! Proteja minha Grifinória! - avisou, fazendo pose e estufando o peito, Cedrico riu com gosto - E ela falou que na verdade o texugo é tão destemido que pode matar cobras e enfrentar leões.
- Então você está dizendo que a Lufa-Lufa é a melhor casa de Hogwarts? - sorriu de lado, vendo-a negar rapidamente.
- Estou dizendo que texugos não são inúteis, calma lá! Grifinória sempre será a melhor Casa, mas admito que a Lufa-Lufa é quase tão boa quanto!
A garota abriu a boca segundos depois, rindo ao tempo que negava;
- O que foi agora?
- Mas era óbvio que você seria um texugo, não? Quer alguém mais lufano do que você, Cedrico? Caramba, a Minerva vai chorar de orgulho quando souber que você vai se transformar num animal que representa uma das Casas de Hogwarts!
O casal se despediu depois de algumas horas juntos, nas quais aproveitaram o tempo sozinhos para alguns amassos, antes de sentirem frio e fome o suficiente para obrigá-los a levantarem-se e seguirem de volta para perto das lojas, parando para comerem algo quase no final da tarde, e tomarem algumas cervejas no Três Vassouras.
- Te vejo no Natal! - Cedrico a abraçou, apertando-lhe contra si.
- Espero que chova antes disso! - sussurrou em sua orelha, vendo-o concordar antes de beijarem-se uma última vez. - Aproveita e diz oi para meu pai e os Tonks quando os encontrar! E manda um beijo pra sua mãe também, faz tempo que não falo com ela.
Cedrico riu, concordando;
- Ela não para de perguntar como você está indo na escola, se perdeu mais pontos, ficou chocada quando disse que você enfrentou o Snape.
- Pois diga que até agora só perdi aqueles no primeiro dia, estou me comportando bem esse ano!

estranhou chegar até a Torre da Grifinória sem encontrar nenhum dos amigos, mas achou que talvez eles tivessem ficado um pouco mais em Hogsmeade, por isso seguiu para ser dormitório, aproveitando para tomar um banho e esquentar-se um pouco depois de tantas horas no frio. Não que reclamasse, na verdade poderia passar a noite inteira na neve com Cedrico, e ainda assim seria pouco.
Sentia o corpo esquentar só de lembrar das horas que tinham passados juntos, por um tempo achou que estivesse daquela forma já que fazia tempo que não se viam, mas soube que não era apenas saudades quando olhou-se em um dos espelhos do banheiro, notando a marca arroxeada em seu pescoço quando tirou o cachecol, lembrando-se dos beijos do mais velho.
Respirou fundo, soltando o ar devagar.
Sabia que Cedrico estava há bastante tempo em um ponto de querer mais do que beijos, mas agradecia por ele não mencionar com ela ou pedir por algo que ela não se sentia pronta a fazer. Era uma das coisas que mais gostava no namorado, ele sabia dar-lhe espaço.
Contudo, já fazia tempo que ela sentia quando as coisas mudavam com ele, quando deixavam de ser apenas alguns amassos em salas vazias ou em suas casas durante as férias. E, por mais que às vezes permitisse que ele puxasse um pouco sua camiseta, ou a apertasse com mais força, fosse a bunda ou as coxas, sabia pará-lo antes que fizessem algo que ela talvez se arrependesse mais tarde. No fundo já começava a achar que talvez estivesse no mesmo estágio que Cedrico, ou pelo menos perto o suficiente.
Sentia o corpo esquentar sempre que pensava no namorado, e os beijos não pareciam mais ser o suficiente para matar as saudades, fosse por estarem separados nos últimos meses ou mesmo quando estavam juntos em Hogsmeade ou nas férias. Continuava a parecer que sentir falta dele.

Assim que terminou seu banho e trocou suas roupas pelo uniforme da escola, desceu as escadas, olhando rápido pelo Salão Comunal, não encontrando nenhum dos três por ali.
- Ah, finalmente! Por que demoraram tanto? - perguntou ao esbarrar com eles nas escadas.
Mione começou a relatar o que tinha acontecido com Kátia Bell, a qual tinha sido levada para o hospital após ser enfeitiçada com uma magia poderosa.
- E você acusou o Draco? - questionou por fim, sentada junto aos amigos no canto das escadas do quinto andar, nenhum deles se importou quando a escada começou a se mexer, virando em outra direção.
- É muito suspeito, não é? Toda essa história dele ser um Comensal…
- Você acha que ele é um Comensal, Harry, nós nunca concordamos e nem provamos nada. - Granger cortou, olhando-o significativamente.
- Ah, não sei… Eu até acho que o Harry pode ter razão nesta parte, embora não ache que ele tenha muita coisa que Voldemort possa se interessar - deu de ombros, pensativa -, contudo… - virou-se para o amigo - Encontrei com Draco quando estava saindo da Dedos de Mel, e pelo o que disseram, foi bem próximo desse horário que vocês encontraram a Kátia.
- Tem certeza que era ele? - Potter perguntou ansioso, suspirando quando a viu concordar com um aceno;
- Ele estava junto com o grupinho de sempre, Pansy Parkinson não perdeu a oportunidade de falar besteira, então quando eu a xinguei de volta vi Draco no canto, parecia distraído, mas estava junto com eles.
Harry passou a mão pelos cabelos, frustrado.
- Deve ter alguma coisa no meio, não faz sentido.
Mione parecia fazer um grande esforço para prestar atenção no assunto, pois já estava claro que não aguentava mais;
- Bom, não temos nenhuma prova que Draco fez qualquer coisa errada, não é? Então é melhor deixarmos isso de lado.
- E o que vamos fazer com o time da Grifinória? - Rony tornou de repente, Mione rolou os olhos, não se importando muito.
Por algum motivo, que fugia muito do entendimento de qualquer um dos outros três, Hermione nunca teve o mesmo interesse que eles em Quadribol, achava até superestimado.
- Vou ter que pegar um dos reservas, não? - Harry suspirou, coçando o nariz. - Falarei com Demelza amanhã.
- Achei que chamaria o Dino para substituir a Katia, - arqueou a sobrancelha, vendo-o negar, dizendo que Demelza parecia voar melhor - ainda bem, depois da ruiva e Bell, ela foi com quem me dei melhor nos passes, Dino jogava mais forte do que precisava na hora de passar, teve duas vezes que eu quase derrubei a Goles e aí precisei lançar de qualquer jeito para o gol...
- Foi em uma dessas que o Córmaco defendeu, não? - Weasley tornou, olhando de canto para Hermione - Ele está interessado em você, sabia, Mione?
- Patético. - a outra respondeu, virando para o lado, sentindo as bochechas esquentarem. Harry e se entreolharam, segurando a risada.

Na manhã do jogo, Black esperou Rony sair acompanhado dos dois batedores do time antes de puxar Potter para o lado;
- Você colocou mesmo a Felix no suco dele? - cochichou enquanto andavam mais devagar em direção ao campo, Harry pareceu chocado - Raio, eu sei que ele estava péssimo nos treinos, mas se for verdade e a Minerva descobrir, nunca mais vamos jogar.
- Não sei do que você está falando! - negou com a cabeça - Vamos logo, ainda temos que trocar de roupa!
Para surpresa e, talvez, um pouco de sorte, nem Draco nem Vaisey, que era o melhor artilheiro da Sonserina, jogariam a partida, o que já deixava o time inteiro mais confiante.
Assim que Madame Hooch apitou o início do jogo, lançando a Goles, os jogadores se posicionaram em campo, voando em todas as direções, Gina Weasley acabou por pegar a bola por primeiro, fazendo um lançamento rápido para Demelza, que, embora estivesse nervosa com a primeira partida, fez um ótimo passe para , que só teve o trabalho de tirar do goleiro, Urquhart, e lançar no terceiro aro, abrindo o placar.
Harry aplaudiu, vibrando assim como a torcida nas arquibancadas, olhando para o lado à procura do Pomo-de-Ouro. No meio tempo que sobrevoou o campo, Grifinória marcou mais dois gols e Rony defendeu maravilhosamente bem um lançamento da Sonserina.
A única coisa que parecia incomodar a todos os jogadores do time vermelho, eram os comentários maldosos vindos de Zacarias Smith, um aluno da Lufa-Lufa que não perdia a oportunidade de falar besteiras; após insinuar que os Weasley só estariam no time por serem amigos de Potter, e que os dois batedores não eram bons o suficiente, começou a falar sobre Black;
-... Me parece que nem os jogadores da Sonserina querem se aproximar muito da artilheira, provavelmente, assim como todos na Escola, ainda estão desconfiados com toda a história dela ser filha de Sirius Black.
Com o jogo em 90x0 para a Grifinória, não sentiu nenhum pouco de culpa quando fez sinal para Gina lançar a Goles, parando bem à frente de Zacarias, e quando a bola estava apenas alguns metros de distância, vindo rápida e forte, desviou-se, deixando-a passar e acertar em cheio o lufano.
- Opa, desculpa aí!
Pode ouvir Minerva gritar da bancada dos professores, mas não deu atenção, tornando a sobrevoar o campo enquanto Madame Hooch tornava a iniciar o jogo.
Harry, pouco depois, ficou assustado ao notar que o apanhador da Sonserina estava próximo do Pomo, voando o mais rápido que podia até o mesmo, conseguindo distrair por um instante o jogador, apenas o necessário para apanhar a bolinha dourada;
- Ganhamos! - gritou, erguendo o braço e sobrevoando o campo - Ótimo jogo, time! - parabenizou seus jogadores, quando os mesmos se aproximaram - Cadê a Gina?
- Desculpe professora, esqueci de frear! – a ruiva dizia para McGonagall, após ter colidido com Smith, o qual mexia-se bobamente entre os escombros.
- Eu juro que se ele falar mais qualquer coisa eu vou empurrá-lo da Torre de Astronomia! - cochichou para Harry, enquanto desciam juntos para o gramado.
- Festa na Torre da Grifinória!
Assim que Potter explicou o que, de fato, tinha acontecido com a bebida de Rony, a qual não tinha nem uma gota de poção da sorte, Weasley e Granger tornaram a brigar e cada um seguiu para um canto, deixando os dois amigos sem saber direito o que fazer.
aproveitou que não tinha tantos alunos tão próximos, ainda um tanto apreensivos com ela e seu pai, para comer e beber tranquila, estava já se despedindo de Harry antes de subir para tomar um banho quando os dois (e todo os alunos da Grifinória) viram Rony e Lilá Brown aos beijos;
- Eu diria que ele precisa aprender a beijar! - comentaram rindo antes dela subir para o quarto.

Embora tenham se doído por Hermione e, de fato, achassem um tanto nojenta a relação de Rony com Lilá, já que eles não pareciam ter limites e se agarravam em qualquer canto, tanto quanto Harry preferiram não se envolver, apenas escutavam o que cada um tinha a dizer, contudo, sempre que tinha uma oportunidade, Black aproveitava para fazer comentários ácidos sobre o ruivo, o qual ficava extremamente sem graça.
E, é claro, como Lilá parecia estar sempre ao redor de Weasley durante boa parte do tempo livre, os dois acabaram passando mais tempo do que gostariam na biblioteca, com Mione.
- Você não vai na festa? - Harry questionou surpreso, vendo a loira negar com um aceno;
- Primeiro eu não tenho ninguém para levar, afinal você convidou a Luna, não é? - arqueou a sobrancelha - Agora nem com você eu posso ir, não vou aparecer sozinha e nem chamar ninguém para ir comigo já que Ced não está mais aqui. E também não tenho nenhuma roupa festiva para esse ano e não vou gastar meu dinheiro comprando uma em cima da hora! E, por último, tirando vocês dois e Gina, não gosto de ninguém que está nesse clube e todo mundo fica me encarando, vocês não lembram do jantar?
- Eu achei que você gostasse de ter atenção… - Mione comentou, sorrindo de canto.
deu de ombros;
- Não desse tipo, nem posso azarar ninguém por me irritarem! Além do mais, fiquei de conversar com meu pai, então…
- Como é que você vai fazer isso? - Harry perguntou agitado.
- Você não lembra aquele espelho que ele nos deu, não? Você não acha mesmo que eu fico semanas esperando por Corujas quando posso falar com ele em dois minutos, não é?
Harry coçou a nuca, desconfortável, sentindo-se idiota por nunca ter usado o objeto, nem mesmo lembrava-se onde o tinha deixado.
- Aquilo é ilegal, sabia? - Hermione comentou com a amiga, vendo-a rolar os olhos;
- Mione, tem tanta coisa que eu faço que é ilegal que se alguém aqui, além do Snape, quisesse mesmo me expulsar, eu provavelmente nem teria entrado em Hogwarts! Ou você acha que tudo o que a gente fez durante esses anos foi ok? Menina, você fez uma poção Polissuco, lembra?
- Era diferente… - respondeu em voz baixa, tornando a olhar para seu livro.
Os dois riram da amiga, antes de Harry virar-se em sua direção;
- E com quem é que você vai para a festa?
Hermione ficou roxa, falando tão baixo que os amigos tiveram que se curvar para escutarem;
- Córmaco McLaggen.

Black e Potter despediram-se dos Granger na estação de Kings Cross, e seguiram juntos com Sirius por alguns minutos, enquanto esperavam os Weasley; Harry tinha sido convidado a passar o Natal em uma praia trouxa junto com , Sirius, os Tonks e os Diggory, mas preferiu aceitar o convite de Rony e ficar com os ruivos durante aquelas duas semanas de férias.
Sirius, embora tivesse pensado várias e várias vezes sobre deixar sua filha no mesmo local que Cedrico, usando roupas de banho, acabou por concordar que seria muito bem-vinda duas semanas na praia, fugindo do frio que fazia aquela época do ano. Contudo, como também queria passar o tempo com Harry e o afilhado não tinha se interessado em ir para praia, revezaria para ficar com os dois adolescentes.
- Até a volta, Harry! Feliz Natal!
- Nos vemos daqui há alguns dias, ok? - Sirius sorriu para o rapaz, abraçando-o antes de despedirem-se dele e dos Weasley aparatando logo depois.

Com o passar da semana e a festa de Natal sendo melhor do que o esperado, Cedrico teve que voltar ao trabalho, e Sirius aproveitou que o rapaz não estaria por perto, para passar alguns dias com Harry, sabendo que sua filha estaria protegida.
Diggory é claro, não podia mais esperar para voltar à praia, e olhava ansioso para o relógio, esperando o horário para ir embora do Ministério.
O dia tinha sido extremamente entediante, quase sem nada para fazer, batucava os dedos na mesa de mogno, esperando e olhando vez ou outra para a mala, ao canto da sala, parecendo chamá-lo, apressando-o.
Queria já estar com a namorada, que não via há cinco dias; não que fossem muita coisa, já que quase não se viam durante o ano, mas parecia pior por saber que ela estava tão perto.
Respirou fundo, inclinando a cadeira para trás, tentando passar o tempo, naquela última meia hora interminável.
Quando o relógio finalmente deu cinco e meia, Cedrico levantou-se apressado, pegando suas coisas e caminhando para fora do escritório vazio, era o único trabalhando naquele dia.
Cumprimentou algumas pessoas no elevador e nos corredores, não querendo se demorar mais que o necessário para sair do prédio. Chegou à rua movimentada, e andou apressado até uma rua secundária, segurando firme em sua mochila, aparatando pouco depois.

Assim que abriu os olhos, em frente à casa de praia em que seus pais estavam com os Tonks, Cedrico sorriu animado, andando apressado para dentro do lugar, retirando a gravata que usava no caminho. Não estava quente, afinal era inverno, mas também não estava frio como em Londres, para vestir tanta coisa.
Chegou cumprimentando os pais e os Tonks, olhando ao redor à procura da namorada, que logo descobriu estar na praia. Trocou-se o mais rápido que pode, saindo em busca de depois de comer um pedaço do bolo de chocolate de Andy; a mulher cozinhava bem demais para que ele pudesse recusar.
Cedrico sentiu a brisa vinda do mar assim que colocou os pés descalços na areia branca e fofa da praia de Great Bay, seu lugar preferido para passar as férias.
A praia era na grande parte do tempo deserta, com alguns quilômetros de areia extremamente branca e águas de tons esverdeados ou azulados, dependia muito do dia.
A floresta e o verde envolta do lugar, dificultava um pouco a chegada, então por mais que fosse bela, os trouxas não costumavam ir tanto ao lugar.
Great Bay não era só maravilhosa durante o dia, tinha a paisagem ainda mais deslumbrante durante as noites estreladas, as quais eram raras devido ao tempo tipicamente inglês, mas as poucas vezes que Diggory foi sortudo o bastante para ver o céu sem nuvens à noite, foram às noites mais belas que já teve.
Seu olhar percorreu a extensão da areia do lado direito, mas tudo o que via era a paisagem deserta do local, virou-se para o outro lado procurando algo. Procurando alguém.
Estreitou os olhos vendo um pontinho destacando-se na areia clara. Sorriu sabendo quem seria, começando a andar até lá.
Black estava deitada sobre uma toalha, parecendo entretida lendo um livro, o qual Cedrico não conseguia ver o nome, devido à distância, mas duvidava que fosse da escola. Foi aproximando-se devagar, mantendo um sorriso nos lábios com a concentração da namorada.
De repente, ela olhou para o lado, vendo-o se aproximar lentamente.
Diggory notou o sorriso que ela deu em sua direção, fazendo-o sorrir automaticamente. No instante seguinte ela corria até ele, diminuindo rapidamente a distância entre os dois.
O rapaz abriu os braços quando ela se aproximou o suficiente, sabendo o que viria a seguir; Black pulou em cima dele, apertando-o com força.
Cedrico segurou-a assim que a sentiu envolver seu pescoço com os braços, pressionando seus corpos e enterrando seu rosto contra os cabelos loiros, bagunçados dela. Girou-a no ar por alguns instantes, fazendo-a gargalhar próximo ao seu ouvido, de forma que os pelos de sua nuca arrepiaram por completo.
Por Merlin, ele nunca cansaria de escutar aquela risada!¹

¹A continuação das férias de Black & Diggory na praia pode ser lida no Especial de B&D II! O link encontrasse abaixo da N/A, junto com as outras fanfics.




Continua...



Nota da autora: Eu disse que agora voltava rápido!
#Empolguei demais com a fic e agora vai que vai! Cês acharam que eu colocaria uma cena +18 nessa fic inocente? Jamais! Porém, para quem quiser ver o que rolou entre esse casal, cenas mais quentes e impróprias que fariam Sirius Black realmente voltar para Azkaban após usar todas as Maldições Imperdoáveis em Diggory, podem ser lidas no especial de alguns anos atrás! hehehe
No mais é isso, logo menos volto com o cap 14, que já está pronto e só estamos no aguardo da nova capa da fic para enviar!
AGUARDO COMENTÁRIOS, POIS ESSE CASAL MERECE RECONHECIMENTO!
Beijos e até depois!





Outras Fanfics:
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The Life Inside Azkaban - Prólogo 2
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