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Última atualização: 19/09/2020

1.

O sol tinha nascido há pouco tempo no horizonte quando dois estampidos puderam ser ouvidos por toda a rua, o que fez alguns cachorros próximos latirem, mas não foi o suficiente para acordar os Trouxas.
Os Black seguiram juntos até a terceira casa à direita, encarando-se por um instante antes de passarem pela porta azul. Olharam ao redor, notando o silêncio do local, mas logo escutaram passos apressados vindos do segundo andar da casa. Andrômeda chegou às escadas, descendo afoita e olhando para os lados, sorrindo assim que seus olhos pararam em Sirius e , abraçando-os ao mesmo tempo;
— Ouvi a notícia de que Você-Sabe-Quem está morto tem poucos minutos, naquela rádio clandestina! — Disse aliviada, olhando de um para o outro — Parecem cansados! Vamos, sentem-se, vou fazer um lanche para vocês, devem estar famintos! Como estão todos? Por que Ninfadora não está com vocês? Ficou para ajudar no Ministério?
— Andrômeda… — Sirius começou com a voz baixa.
— Daqui há pouco Teddy acorda de novo, ela precisa estar aqui para amamentá-lo — a mulher dizia distraída, andando de um lado para o outro na cozinha, pegando canecas para um chá.
— Andrômeda! — O homem repetiu, segurando-a pelos ombros, abriu a boca, mas sentiu-se incapaz de proferir aquelas palavras.
— O que aconteceu? Dora está bem? — Questionou no mesmo instante, colocando as mãos sobre o peito - Sirius… — Tornou nervosa ao notar a demora por uma explicação, logo sentindo os olhos marejarem — Onde está Ninfadora? Onde está minha filha?
aproximou-se de cabeça baixa, puxando a varinha da prima do bolso, deixando-a sobre a mesa da cozinha, incapaz de segurar as lágrimas que voltaram a seus olhos.
Andrômeda gritou desesperada ao reconhecer a varinha da filha, negando com a cabeça, aos prantos, enquanto era abraçada por Sirius;
— Não! Não! Minha filha! Não! Sirius?! — Gritava histérica, incapaz de controlar-se — Ninfadora! Não!
Sirius a abraçava com força, a mulher tremia em seus braços, soluçando conforme o choro aumentava. Logo ouviram o choro de Teddy vindo do andar de cima, e virou-se em direção ao segundo andar, incapaz de olhar para a mais velha e ver o sofrimento estampado em seu rosto.
— Eu sinto muito… — Sirius murmurava para a mulher com a voz rouca.
— O que aconteceu? — Questionou desamparada, encarando-o por um instante, os olhos vermelhos.
— Bellatrix, — respondeu em voz baixa, olhando-a nos olhos — Bellatrix e Rodolfo atacaram os dois…
— Dois…? — Questionou confusa, o cenho franzido por um instante, parecendo então dar-se conta de que faltava mais uma pessoa com eles — Remo…?
Sirius concordou com um aceno, vendo-a fechar os olhos, desacreditada. Levou-a até o sofá, antes de buscar um copo d’água, permanecendo ao seu lado durante todo o tempo, abraçando-a.
— O que vai ser de Teddy agora, Sirius? — Virou-se para olhá-lo, chorando ainda mais ao lembrar-se do neto - Sem mãe e pai? Eles estavam tão felizes… Como vou criá-lo, Sirius?
— Vocês não estarão sozinhos, Andrômeda. Estaremos aqui o tempo todo!

olhava o garotinho em seu colo, parecendo distraído ao brincar com os cabelos soltos da mulher, não parecendo incomodar-se com o fato de estarem sujos e um tanto molhados. Teddy havia acordado assustado com os gritos, mas logo acalmou-se, permanecendo quietinho em seu colo, fazendo barulhos vez ou outra, ou colocando a mãozinha na boca, olhando para a mulher que estava com ele e, vez ou outra, em direção à porta, como se esperasse que mais alguém entrasse para vê-lo.
Black respirou fundo, fungando para evitar voltar a chorar enquanto estava com ele, mas sentiu um aperto no peito ao pensar que Dora não estaria mais ali, e Teddy cresceria sem a mãe e o pai, assim como ela;
— Seus pais são os melhores do mundo, sabia? — Disse baixinho, atraindo sua atenção por alguns instantes - Eles te amavam muito, Teddy, foi por isso que a Dora foi para Hogwarts, porque ela e o Remo queriam garantir que você não sofreria por causa do Riddle, ok? Seu pai foi um dos melhores professores que eu tive, sabia disso? Ele era realmente incrível! E sua mãe é uma das pessoas mais maravilhosas do mundo todo! Ela sempre me ajudava com tudo, até acordava à noite para dormir comigo quando chovia muito forte, porque sabia que eu tinha medo de trovão. E sempre me mandava chocolates da Dedos de Mel quando estava em Hogwarts. Você vai ser tão incrível quanto seus pais, tenho certeza disso! E eu nunca vou deixar você sozinho, ok? Eu sempre estarei do seu lado, assim como a Dora esteve do meu, eu prometo para você!

Cedrico afastou-se de sua mãe após incontáveis minutos sendo abraçado pela mesma, que não parava de chorar contra seu peito; feliz pelo filho estar a salvo, contente por Voldemort estar morto e, ao mesmo tempo, triste ao saber de todos aqueles que tinham perdido suas vidas durante a Batalha.
— Imagino que Shacklebolt organizará todo o funeral, não é mesmo? — Amos questionou sentado no sofá, tão triste quanto a mulher e, ao mesmo tempo, sentindo-se mal por não ter ajudado como podia na luta, nem mesmo sabendo que tudo aquilo havia acontecido antes de Cedrico contar-lhes.
— Sim, mas o Conselho deve se reunir primeiro para escolher um novo Ministro da Magia, não? — Respondeu, ainda dando palmadinhas nas costas de Rachel, que aos poucos se acalmava — Quem mais poderia concorrer ao cargo além de Quim?
O mais velho ponderou, passando a mão pela barba rala;
— Consigo pensar em mais um ou dois nomes, mas Shacklebolt deve ser escolhido como Ministro ao menos temporariamente, principalmente por ter participado de toda a luta contra Você-Sabe-Quem. Já havia rumores de que ele seria escolhido após Fudge renunciar…
— Tenho certeza de que ele fará um trabalho maravilhoso, — a mulher fungou, finalmente afastando-se do filho, antes de virar-se em direção a cozinha, pensando em preparar algo para ele comer — Kingsley sempre foi um ótimo funcionário e um excelente bruxo para o Ministério, não é?
— Sim, sempre muito humilde também, e, claro, devemos lembrar que se não fosse por ele, você teria tido problemas maiores nos últimos meses, não? — Amos apontou para o mais novo, lembrando-se da invasão do Ministério.
Cedrico concordou, sorrindo sem graça ao sentar-se ao lado do pai no sofá da sala.
— Espero que agora que tudo acabou eu possa recuperar meu emprego… — Comentou, cruzando os braços atrás da cabeça, sentindo o corpo todo dolorido ao recostar-se melhor. — Vou precisar de algum dinheiro… — Fez uma careta leve, vendo Amos rir baixo;
— Sua namorada não é rica, filho? Trabalhar pra quê? — Perguntou divertido.
— Quero que Sirius pense que sou responsável até casarmos, depois disso vou largar o emprego e viver às custas dela! — respondeu no mesmo tom, piscando para o mais velho.
— Falando em Sirius e , — Rachel comentou sorrindo ao voltar para a sala com uma bandeja com sanduíches e suco — como eles estão com tudo o que aconteceu com Ninfadora e Remo?
— Nada bem, — suspirou, agradecendo pela comida antes de pegar o sanduíche de carne feito pela mulher — não pude conversar muito com depois da batalha, mas não vai ser nada fácil contarem para Andrômeda, não é?
— Por Merlin, — Rachel concordou, colocando a mão sobre o peito e negando com a cabeça — vou fazer uma visita amanhã, mas não imagino como ela possa estar: perder o marido, filha e genro em menos de um ano!
— E duas irmãs também. — Cedrico relembrou, terminando de engolir — Embora não estivessem próximas, as coisas devem ser diferentes agora que sabemos sobre Victoria, não sei qual deles vai estar pior com tudo isso…
— Victoria Lestrange? O que aconteceu? — Amos questionou curioso ao ouvir o nome da mulher.
— Na verdade ela era inocente igual ao Sirius, bem, talvez não inocente, mas tudo o que ela fez foi tentando proteger a família. Morreu tentando derrotar Voldemort como todos nós, e só soube disso horas antes…
— Pelas barbas de Merlin! — Amos exclamou chocado com a reviravolta, passando a mão pelos cabelos curtos. — Caramba, essa família não tem um momento de sossego?
— Sirius sabia sobre isso? — Rachel perguntou tão surpresa quanto o marido.
— Aparentemente sim, não sei bem como foi que descobriu, mas ao que tudo indica, foi Victoria quem o ajudou a escapar de Azkaban, e os dois vinham se comunicando desde que ela fugiu da prisão junto com os outros Comensais…
— Em que foi que você se meteu, Ced? — O homem comentou, encarando-o por um instante ao negar com a cabeça — Como deve estar a cabeça dessa garota com tudo isso? Os pais em Azkaban, para depois de anos descobrir que os dois não eram Comensais, e depois perder a mãe e prima na mesma noite?
— E matar a tia… — Acrescentou, suspirando ao lembrar-se do momento, virando-se para os pais — Ninfadora foi morta por Bellatrix, a matou depois...
— Eu acho… — Rachel começou em voz baixa, parecendo cada vez mais chocada com o que escutava — Acho que você deveria tomar um banho, descansar um pouco e então visitá-la, vai precisar de você e do seu apoio!
— Sei que sim, — concordou, levantando-se do sofá, pronto para um banho — mas só amanhã. vai ficar com Andrômeda essa noite.

Sirius tornou a abraçar a prima antes de despedirem-se, beijou a testa da filha e aparatou de volta para casa. Parou no galpão de Bicuço, jogando-lhe duas doninhas para comer e acariciando-lhe a cabeça por alguns minutos, antes do cansaço vencê-lo por completo e seguir para a casa. Foi direto para seu quarto tomar um banho e trocar de roupa, não se permitindo nem por um instante pensar em tudo o que havia acontecido nas últimas horas. Precisava aliviar um pouco os pensamentos e o coração de toda aquela dor, embora não fosse uma tarefa fácil.
Sirius já descia as escadas, vestindo uma roupa mais velha e confortável, quando ouviu o estampido alto no quintal. Andou até a porta ao ver pela janela da sala o afilhado atravessando o terreno, carregando apenas uma mochila pequena, parecendo tão cansado quanto ele próprio.
O garoto sorriu assim que o viu parado à porta, abrindo os braços para dar-lhe as boas-vindas, após tantos meses distantes;
— Bem vindo à sua nova casa, Harry Potter! — Disse ao abraçá-lo apertado, sendo correspondido da mesma forma.
— Nem sei como agradecer, Sirius! — Respondeu em voz baixa, sentindo-se genuinamente feliz ao pensar que finalmente era bem vindo no lugar que passaria a morar.
— Tente não me dar tanto trabalho ou preocupação nos próximos meses, será o suficiente. — Pediu sorrindo, dando-lhe espaço para entrar e mostrando-o a casa: — A cozinha é por ali, sinta-se à vontade para atacar a geladeira e os armários, apesar de que preciso comprar mais comida essa semana… Talvez faça isso amanhã. — Coçou a barba, distraído.
— Você tem uma televisão? — Surpreendeu-se ao ver o objeto na sala de estar.
Sirius o encarou com a sobrancelha arqueada;
— Não é porque a maioria dos bruxos evitam os trouxas que eu não aproveite algumas coisas úteis que eles inventaram, televisão e pizza sendo duas delas.
Harry riu, concordando com a cabeça, enquanto o mais velho apontava para o outro canto após a sala;
— Temos um banheiro aqui embaixo e no andar de cima, — começou a subir as escadas, sendo seguido pelo mais novo — você e vão dividir esse aqui, boa sorte, ela passa horas no banho. — Avisou, olhando-o por sobre o ombro. — Meu quarto é o no final do corredor, este claramente é de — apontou para a porta pintada de roxo, cor a qual ambos sabiam ser a preferida da loira — e esse é o seu. Ainda tem algumas roupas de Diggory espalhadas, mas eu não sou contra você jogar tudo fora se quiser. Podemos fingir que foi um acidente! — Piscou, vendo-o rir ao negar.
— Jogar fora? Eu vou é pegar para mim, estou carregando duas camisas a meses! — Contou, fazendo uma careta antes de entrar no cômodo.
— Podemos resolver isso também. — Acrescentou, parando de braços cruzados na porta, enquanto o afilhado deixava a mochila sobre a cama e olhava ao redor. — Não decoramos muito além do básico, porque achamos melhor você mesmo montá-lo como preferir, — começou, aproximando-se de uma caixa mais ao canto — mas imaginei que você gostaria de ver isso aqui primeiro!
O homem deixou a caixa de papelão em cima da cama, ao lado do garoto, antes de colocar a mão em seu ombro, apertando-o gentilmente;
— Espero que você goste de morar aqui, Harry, e que seja feliz como merece — sorriu — Depois é melhor você tomar banho e comer alguma coisa, deve estar faminto, não? E descanse, você está acabado! — Piscou, virando-se para sair do quarto.
— Cadê a ?
— Vai dormir na casa dos Tonks, deve voltar em alguns dias. — Explicou, sorrindo pequeno antes de sair, fechando a porta atrás de si.
Harry tornou a olhar ao redor, sorrindo sozinho ao pensar que tinha um quarto só pra ele, após todos aqueles anos. As paredes eram todas brancas, a cama de casal ficava de frente a uma janela que dava visão para o grande terreno verde ao redor da casa. Ao canto um armário de quatro portas, a qual ele abriu para deixar suas coisas: uma camiseta azul, um par de jeans e seu pijama que consistia em uma bermuda velha e uma camisa branca com alguns furos. Tirou a jaqueta que vestia, deixando-a de canto, sabendo que precisaria lavá-la antes de guardar. Na segunda porta do armário notou algumas roupas bem dobradas, que deveriam pertencer a Cedrico.
Tirou os tênis deixando-os de lado, e então voltou a sentar-se na cama, abrindo curioso a caixa que Sirius havia deixado ali, imaginando ser algum presente de boas-vindas.
Entretanto, ao abri-la, notou um livro de Transfigurações usado, folheando-o curioso, e então viu o nome escrito ao canto da primeira página: James Potter.
Sorriu sozinho ao notar a caligrafia do pai, passando para as páginas seguintes, anotações aleatórias sobre feitiços ou desenhos de pomos-de-ouro.
Deixou o livro de canto e tornou a olhar a caixa, pegando um punhado de fotos antigas que estavam ali; A primeira delas, cortada, conseguia ver James, Lily, Sirius e Remo, todos mais jovens, ainda usando as vestes de Hogwarts em frente ao Lago Negro. Na seguinte, James segurava e Sirius carregava Harry, os amigos rindo para a foto enquanto as duas crianças se encaravam, não parecendo tão animadas quanto os pais com a interação. Sentiu as lágrimas começarem a escorrer por seu rosto ao ver a fotos dos pais o segurando no que deveria ser seu aniversário de um ano; O pequeno Harry estava no colo do pai, batia palmas animado para a vela no bolo que sua mãe segurava. Na última imagem, um homem mais velho de óculos o segurava sorrindo e James abraçava a mulher ao lado; Harry passou algum tempo olhando para o casal, notando alguns traços similares aos avós.
Por fim, ao olhar mais uma vez dentro da caixa, puxou uma camisa comprida, parecida com seu uniforme de Quadribol, embora mais gasta e um tanto desbotada, o número 7 e o nome POTTER na parte de trás ainda eram visíveis. Harry sorriu, deitando-se na cama de barriga para cima enquanto encarava a foto dos pais.

A loira olhou para os braços machucados enquanto a água quente caia sobre seu corpo, fez uma careta leve ao reparar que em alguns pontos os machucados estavam mais doloridos e profundos que outros, olhou a água avermelhada que descia pelo ralo antes de virar-se para pegar um pouco de shampoo. Demorou incontáveis minutos para conseguir tirar a camada grossa de sangue seco de seus cabelos embolados, para finalmente passar um pouco de condicionador e então limpar o restante dos cortes que havia sobre si com o sangue coagulado.
Secou-se ainda dentro do box antes de enrolar a toalha nos cabelos compridos, e então vestiu um pijama que havia deixado na casa dos tios. Andou o mais silenciosamente que pôde pelo corredor, imaginando que a tia havia voltado a descansar, devido ao horário, mas notou a luz acesa no quarto de Andrômeda, pensou por um momento antes de caminhar até lá, batendo na porta e abrindo um fresto, logo vendo a tia a olhar sorrindo triste, sentada na cama com as mãos sobre o colo;
— Não consigo dormir! — Confessou baixinho, passando a mão pelo rosto molhado.
concordou com um aceno, sentando ao seu lado na cama e passando o braço por seus ombros, a mais velha suspirou, encostando a cabeça entre o ombro e pescoço da sobrinha, chorando em silêncio, vez ou outra fungando.
— Você sabe que sempre vai ser minha família e que não está sozinha, né tia? — Perguntou baixo, apertando-lhe o ombro em consolo, sentindo as próprias lágrimas rolarem — Independente do que tenha acontecido nos últimos anos eu sempre considerei você e Ted como meus pais desde o começo. Eu sei que não é a mesma coisa, mas eu vou sempre estar do seu lado, do mesmo jeito que vocês estiveram do meu.
— Sei que sim, ! — A mais velha sorriu triste, passando as mãos pelo rosto, antes de suspirar e encara a mais nova, olhando para os pequenos cortes em seu rosto e braços — Tem certeza que está bem? Talvez devêssemos fazer curativos...
— Não se preocupe, — negou com um aceno — não foi nada grave.
Andrômeda a abraçou por incontáveis minutos, antes de levantar-se da cama puxando uma cadeira mais afastada, colocando-a na frente da loira;
— Sente-se, — pediu ao tempo que procurava por uma escova de cabelos, voltando e tirando a toalha dos cabelos compridos da mais nova, secando-os por alguns instantes antes de se sentar na cama, começando a penteá-los — fazem alguns anos que não precisa mais da minha ajuda com isso, não é? Lembra quando você era pequena e não queria cortar os cabelos porque achava que eles não cresceriam de volta? Foi só quando você viu que eu havia cortado e, com o tempo, os meus voltaram ao tamanho anterior, que você me deixou cortar os seus. Quase um ano depois! Estavam enormes!
A garota riu, sentindo as mãos habilidosas da mais velha separar mechas de seu cabelo para desembaraçá-lo aos poucos.
— Você tentou me enganar cortando o da Dora, mas ela mudava sempre que queria! — Comentou, lembrando-se do momento.
— Sim, você passou dias chorando quando descobriu que não poderia mudar as cores ou o tamanho do seu como ela fazia… — Sorriu tristemente com a memória.
— Você lembra da vez que ela se escondeu para vocês acharem que tinha fugido?
— Oh, é claro que sim! Passei horas desesperada, para depois descobrir que ela estava escondida embaixo da sua cama o tempo todo! E você nem mesmo para nos dizer, começou a chorar dizendo que estava com saudades dela… — Negou com a cabeça, relembrando do momento — Vocês duas eram impossíveis! — Sorriu sozinha.
As duas mulheres ficaram em silêncio por alguns minutos, apenas ouvindo o barulho da escova passando pelos cabelos da mais nova, até Andy terminar e deixar o objeto na cama, logo começando a separar algumas mechas para fazer uma trança.
— Obrigada por ter ficado querida, — disse pouco mais alto que em um sussurro — não sei como farei sozinha nessa casa, apenas com Teddy.
— Vocês poderiam morar com a gente, tia, você ouviu o que meu pai disse…
— Não, não — negou com um aceno, embora ela não pudesse ver — não poderia sair daqui, principalmente agora.
— Eu volto para cá então, te ajudo a cuidar do bebê e você não fica sozinha. — Sugeriu, olhando-a por sobre o ombro.
— Você deve ficar com seu pai, , depois de tanto tempo, vocês dois merecem uma vida sossegada.
— Papai não vai se importar tia, além do mais, agora que tudo acabou, não temos mais com o que nos preocupar, posso visitá-lo todos os dias!
— Ou você pode fazer o contrário: morar com seu pai e vir nos visitar sempre que quiser! Além do mais, eu não posso ficar responsável por você e seu namorado, — comentou, rindo baixo — Sirius ficaria louco se soubesse que eu não me importo com Cedrico dormindo aqui!

Andrômeda abriu a porta vendo Rachel e o filho parados, a mais velha logo se adiantou a abraçando apertado, sendo correspondida da mesma forma pela amiga;
— Eu sinto tanto, Andy! Não consigo nem imaginar… — Disse baixo, consolando-a como podia.
— Obrigada. — Respondeu sorrindo triste, virando-se para Cedrico, o qual carregava uma torta feita pela mãe, passando-a para o braço esquerdo antes de curvar-se ligeiramente sobre a mulher, abraçando-a sem jeito. — Fico feliz que esteja bem, querido!
— Eu sinto muito de verdade…— Beijou-lhe a bochecha, escutando-a fungar baixo, agradecendo.
A mulher pegou a forma com a torta, agradecendo novamente a gentileza, virando-se para o rapaz;
está no quarto com Teddy, pode subir!
Diggory sorriu pequeno, vendo as duas mulheres andarem em direção a cozinha, antes de virar-se para as escadas, subindo de dois em dois degraus. Viu a namorada em pé, balançando o garotinho que mexia-se agitado em seus braços;
— Ei!
sorriu, virando o rosto em sua direção quando ele aproximou-se o suficiente, beijando-lhe por alguns segundos, e então mexendo com o bebê, segurando-lhe a mão e apertando-a gentilmente.
— Quer ajuda?
— Por favor! Faz pelo menos uns trinta minutos que estou com ele no colo e nada de se acalmar, Andy deixou a mamadeira pouco antes de vocês chegarem, mas ele não pegou.
Cedrico concordou, pegando com cuidado o pequeno Teddy em seus braços, balançando-o um pouco desajeitado por alguns minutos, até que o garotinho, aos poucos, se acalmou.
— Inacreditável! — A loira negou com a cabeça, cruzando os braços.
Diggory riu baixo, sentando-se na cama, ainda balançando-o devagar. o entregou a mamadeira e, pouco depois, a criança abriu a boca aceitando de bom grado o leite que lhe era dado.
— Parabéns, Cedrico, está contratado! — Sorriu, virando-se pelo quarto a procura de um prendedor de cabelo, ao tempo que o namorado encostava-se na parede, ficando mais confortável.
— Vai ficar aqui mais alguns dias? — Questionou ao vê-la amarrar os cabelos loiros em um coque frouxo.
— Sim, falei que poderia voltar a morar aqui, pelo menos por um tempo — contou, procurando por outra camisa no armário, já que a que estava usando estava com um pouco de vômito do bebê —, mas Andy não quis, então vou ficar por pelo menos estas primeiras duas semanas, garantir que os dois estejam bem.
Ele concordou com um aceno, vez ou outra olhando para o garotinho, garantindo que ele estava bem e não se afogaria com o leite, enquanto a namorada trocava de blusa, aproveitando para assobiar, apenas para vê-la rolar os olhos, rindo sem graça. Cedrico tornou a olhar para seu rosto por alguns instantes, notando o quão cansada ela parecia;
— Conseguiu dormir?
— Quase nada, durante o dia fiquei conversando com Andy, e depois Teddy acordou e demorou a voltar a dormir. Quando realmente consegui dormir eram quase seis horas, dormia e acordava de tempos em tempos, e você?
— Muito menos do que eu esperava pelo cansaço que estou sentindo, — confessou — se quiser pode tentar dormir mais um pouco, eu fico com ele.
— Não, tudo bem, não estou com sono agora, só cansada. — Deu de ombros, finalmente sentando-se ao seu lado na cama, cruzando as pernas e olhando de Cedrico para o afilhado.
Permaneceram admirando o bebê em silêncio por alguns minutos, até que ele terminou a mamadeira e Diggory o segurou em pé, dando duas palmadinhas em suas costas até que ele arrotasse.
— Como é que você sabe tanto sobre crianças?
— Tenho primos menores — deu de ombros —, além de ter visto Ninfadora fazendo isso algumas vezes.
concordou com a cabeça, sorrindo triste ao pensar na prima. Cedrico a encarou de canto, passando a língua pelos lábios antes de tornar a perguntar em voz baixa;
— Como você está?
— Bem, só cansada — respondeu de imediato, sem nem mesmo olhá-lo.
, — suspirou — você sabe o que quero dizer.
Cedrico esperou pacientemente até que a namorada começasse a falar, aproveitando para mexer o bebê em seu colo, balançando-o com cuidado tentando fazê-lo dormir.
Black encostou-se na cabeceira da cama, olhando para as próprias mãos enquanto pensava em como colocar o que sentia em palavras; havia uma confusão enorme entre seu coração e cabeça.
— Estou feliz que tudo acabou finalmente, — começou em voz baixa, sem olhá-lo, mas sabendo que Diggory a encarava — obviamente triste por todos que perdemos, não só na batalha, mas durante todos esses anos. Também estou mal pela Dora, gostava de todos, mas ela é a que mais me faz falta. Os Tonks foram tudo o que eu tive como família por treze anos, não sei o que fazer agora que Dora e Ted não estão mais aqui… — A voz saiu falha e o nó em sua garganta apareceu, ainda maior que das outras vezes, sentia como se aos poucos sufocasse com tudo aquilo.
Cedrico estendeu a mão, envolvendo a da loira e apertando-lhe gentilmente, tentando transmitir algum conforto. olhou para suas mãos juntas por alguns instantes, antes de virar-se para ele;
— Não sei, Ced, eu sinto que estou triste, mas não sei… — Suspirou, fechando os olhos por alguns segundos — Dora era a pessoa que eu tive mais próxima por anos, e eu mal consigo chorar pela morte dela… Passei horas conversando com a Andy, mas não parecia certo, é como se eu não estivesse triste o suficiente…
Diggory negou com a cabeça, passando a língua pelos lábios;
— Você não pode comparar a forma que sente a perda de alguém com outra pessoa, você pode só reagir a isso de forma diferente, não significa que não está triste. Ou talvez só demore um pouco mais para realmente assimilar tudo isso.
— Mesmo assim Cedrico, algumas vezes eu acho que estou mais aliviada de tudo ter acabado do que realmente triste…
— É claro que você está aliviada, , todos estamos. Voldemort está morto, Comensais estão sendo presos. Não precisa se sentir mal por isso, não quer dizer que você sofre menos a perda de Ninfadora e todos os outros por também se sentir feliz por tudo ter terminado.
Black suspirou, concordando devagar e tornando a olhar para suas mãos, mordendo o lábio inferior.
— O que foi?
— Bellatrix, — começou olhando-o por alguns segundos antes de continuar — eu sei que de fora pode parecer que foi uma decisão lógica tê-la matado, estávamos em uma guerra, talvez ela tivesse matado várias outras pessoas, — disse lentamente — mas eu não consigo me sentir culpada por ter feito aquilo. Não digo nem pela parte de termos o mesmo sangue, porque não éramos próximas e foi ela quem matou Dora, mas por de fato ter matado outra pessoa. Achei que me sentiria mal por isso, sabe? Mas não sinto nada. Na hora até me senti aliviada… E eu tenho plena consciência que só o fiz para me vingar, porque não estava pensando na batalha nem em ninguém mais...
Cedrico sorriu pequeno, concordando;
— Sinceramente, eu me senti extremamente feliz e aliviado quando isso aconteceu. — Deu de ombros, tornando a passar a língua pelos lábios antes de se explicar — Me senti horrível por saber que não podia te ajudar naquele momento, e saber que ela esteve tão próxima de te matar acabou comigo, — sentiu a própria voz quebrar — porque eu senti que falhei com você, em não poder te ajudar. E pensar que algo poderia realmente ter acontecido com você… — Negou com um sorriso triste.
A garota aproximou-se, beijando-lhe a bochecha, antes de encostar-se ao seu lado, colocando a cabeça sobre seu ombro, fazendo carinho na cabeça do afilhado;
— Mesmo que algo tivesse acontecido, não teria como você evitar, Ced, nós dois sabíamos disso quando resolvemos entrar na Ordem, não é? Teriam coisas que ficariam fora de nosso controle; eu me senti péssima todas as vezes que você se machucou em alguma missão, por saber que não estava com você…
Cedrico concordou, beijando-lhe o topo da cabeça;
— Pelo menos nossa cota de hospital e missões está completa, não?
A garota riu fraco, e então continuaram a olhar Teddy, sonolento, fechando os olhos lentamente.
— Você não precisa se preocupar por nada disso, , — o rapaz começou a dizer após alguns minutos de silêncio — faz todo o sentido você sofrer mais pela perda da Ninfadora, e sua confusão de sentimentos não é nada tão fora do comum; você tem que se dar um tempo, em algum momento isso tudo vai passar, você vai sofrer o que precisa pelas perdas que teve, e também vai seguir em frente quando estiver pronta pra isso. — Cedrico sorriu pequeno para a namorada, mirando seus olhos cinzentos nos — Você não é uma má pessoa por sentir tudo isso, .
— Espero que não… — Concordou em voz baixa, vendo o afilhado dormir nos braços do outro.
Diggory pensou por um instante, mordendo o lábio inferior antes de fazer a próxima pergunta que tinha em mente;
— Você e Sirius conversaram sobre Victoria?
— Ainda não, — negou com a cabeça — não tivemos tempo ainda, ele só explicou o que aconteceu na batalha para Andy, mas não deu muitos detalhes… Estavam de fato se comunicando o tempo todo, mas não explicou como tudo aconteceu, vamos conversar quando eu voltar para casa…
— Você está bem? — Tornou instantes depois, prestando atenção em suas reações. coçou o nariz, mexendo a cabeça e tornando encostar-se em seu ombro.
— Não sei ao certo o que sentir disso tudo, fico triste pelo o que ela passou, mas não é como se estivesse chorando, sabe? Não éramos próximas, nunca me importei com ela, então é apenas estranho…
— Imagino que seja, mesmo. — Concordou baixo, sorrindo de canto para ela em seguida — Sabe que se precisar de algo, estou aqui, não?
— Sempre! — Sorriu, beijando-lhe a bochecha, Diggory fez careta:
— Errou o lugar, era aqui — fez um bico, vendo-a rir ao negar, apontando com a cabeça para o afilhado;
— Temos uma criança presente, talvez mais tarde. — Piscou, vendo-o rir baixo.
aproveitou que o garotinho estava dormindo, ficando em pé e pegando-o com cuidado, para levá-lo de volta a seu berço, deixando-o deitado e esperando alguns minutos para garantir que ele não acordaria. Quando voltou a seu quarto, encontrou Diggory esparramado por sua cama, os tênis jogados de qualquer jeito no chão, seus olhos fechados, respirando tranquilo.
Black parou no batente da porta, os braços cruzados, sorriu de canto enquanto o olhava, reparando em alguns machucados que ele tinha espalhados por seus braços, além de um corte no supercílio e outro em seu queixo. Notou as marcas do incidente de pouco mais de um mês antes, ainda visíveis e um tanto avermelhadas, mas muito melhores do que nos primeiros dias.
— Vai ficar me olhando por quanto tempo? — Questionou, ainda de olhos fechados, embora um sorriso pequeno estivesse presente em seus lábios finos.
— Sei lá, pra sempre. — Respondeu baixo, ouvindo a risada rouca do namorado, aproximando-se instantes depois e sentando-se ao seu lado — Como é que você continua bonito desse jeito?
Diggory abriu os olhos, arqueando a sobrancelha;
— Olha só quem fala… — Respondeu baixo, sorrindo de canto. Ela negou por um instante.
— Estou falando sério, Ced, mesmo todo machucado você ainda é o cara mais lindo que eu já vi na vida!
Cedrico riu sem graça, sentindo as bochechas esquentarem:
— Fico feliz que continue pensando isso após todo esse tempo juntos, estaria com problemas se você pensasse o contrário — respondeu em voz baixa, inclinando-se alguns centímetros ao colocar os cotovelos sobre a cama, elevando o tronco — , mas você realmente não deve se olhar no espelho com muita frequência, não é? — Questionou sorrindo — Mesmo quando estava com metade do corpo coberto de sangue, estava incrível como sempre. Ainda que esteja cansada e com olheiras, continua sendo a garota mais linda e, sinceramente, gostosa, que eu já conheci. Como foi que eu dei sorte de você me dar uma segunda chance? Não sei, mas graças a Merlin que me quis de volta.
Diggory viu a garota corar fortemente, tentando segurar a risada ao desviar o olhar do dele:
— É irreal você achar que eu sou a pessoa mais bonita dessa relação quando você é simplesmente perfeita em todos os sentidos.
Black fez uma careta negando veementemente:
— Sabe que isso não está nem perto de ser verdade, Cedrico.
— Pra mim é, mas eu sou apaixonado por você, então é diferente… — Respondeu pensativo, passando a língua pelos lábios, ouvindo-a rir baixo. — Definitivamente os beijos e o sexo são bem satisfatórios.
Satisfatórios? — A outra questionou com a sobrancelha arqueada — Me respeita, Diggory, satisfatório vai ser o soco que eu vou dar nessa sua cara, seu palhaço.
Cedrico começou a rir mais alto, não conseguindo se conter da reação exagerada da mais nova;
— Estou brincando, meu amor, os beijos são sempre a melhor parte do meu dia, — piscou — e, bem, fico triste de não conseguir me esconder no seu quarto mais vezes, porque o sexo é realmente uma loucura!
— Ai, cala boca, Diggory! — negou com a cabeça, segurando a risada, o rosto ainda mais vermelho do que antes.
— Uhmm, com licença, — Andrômeda apareceu na porta, olhando para o lado, claramente segurando a vontade de rir da conversa que havia escutado — se vocês quiserem descer para comer, está tudo pronto…
— Obrigada, tia! — Respondeu por sobre o ombro, sorrindo pequeno.
— Não se preocupem, não escutei nada, Sirius não vai saber de nada por mim! — Avisou, olhando o rapaz por um instante, antes de sair do quarto.
Cedrico Diggory continuou a encarar a porta, estático. A cor sumiu de seu rosto por um momento, para em seguida tomar uma cor vermelha, conforme ele processava a informação do que a mulher havia acabado de ouvir.
— Eu nunca mais piso nessa casa. — Sussurrou, completamente sem graça.
— Não se preocupe, ela já sabia. — avisou, dando risadinhas — Definitivamente não precisava te escutar falando sobre, mas diferente de papai ela não acha que estamos só andando de mãos dadas.
— Ela… — Começou, encarando-a confuso por alguns segundos — Você contou?
— Não tive escolha, não é como se ela e Dora não tivessem notado que ficamos horas sozinhos na praia e depois voltamos aos risos para casa, não é?
— Pelas barbas de Merlin, como você nunca me falou isso? Caramba, você acha que meus pais também sabem?
— Ficaria surpresa se não soubessem. — Deu de ombros, embora também se sentisse um tanto constrangida.
— Vai lá e pega um pedaço de bolo pra mim, não vou sair desse quarto tão cedo… Nunca mais vou olhar pra Andy, por Merlin… Todo esse tempo… — Negou apreensivo, ainda desacreditado que outras pessoas soubessem sobre aquilo. — E se seu pai também souber?
— Ced, quais as chances do meu pai não ser a pessoa mais inconveniente do mundo quando descobrir?

desceu as escadas sozinhas, visto que o namorado parecia constrangido demais para encarar qualquer uma das mulheres, principalmente considerando que Andrômeda talvez contasse para Rachel e sobre o que havia escutado. Black não considerou a segunda opção por confiar na tia, sabia que a mais velha seria discreta, assim como foi quando a sobrinha contou sobre o que tinha acontecido entre o casal.
A garota sorriu sem graça quando viu a mãe de Cedrico sentada no sofá, tomando uma xícara de chá. Sra. Diggory sorriu tão sem jeito quando a outra, mas se levantou segundos depois, aproximando-se para abraçá-la, um tanto constrangida;
— Eu sinto muito, — começou a dizer em voz baixa, afastando-se alguns centímetros da loira para encará-la nos olhos —, por tudo o que aconteceu, por todos os que você perdeu e, também, porque sei que errei com você vezes demais por me preocupar com meu filho. Espero que possa me perdoar algum dia, e que saiba que por mais que não tenha sido a melhor das pessoas com você, nunca te quis mal. E, por mais estranho que pareça, também sempre fiz muito gosto do namoro de vocês, tenho certeza que Ced não poderia achar uma pessoa melhor.
Black concordou, ainda um tanto sem jeito;
— Não se preocupe, entendi todas as vezes seu posicionamento. Talvez tivesse feito o mesmo se estivesse no seu lugar.
— Estamos bem? — Quis garantir, sorrindo mais confiante, vendo-a acenar positivamente.
— Com certeza.
A mulher tornou a abraçá-la, com um pouco mais de força, sendo correspondida da mesma maneira.
sentiu-se genuinamente feliz com aquilo, gostava de Rachel e, definitivamente, não gostaria de estar brigada com a mãe do namorado, principalmente por saber que o relacionamento dela com o filho era tão bom quanto o que a loira tinha com Andrômeda.
— E cadê o Cedrico? — Andy arqueou a sobrancelha, olhando para as escadas, como se esperasse que ele estivesse descendo atrasado.
— Disse que está muito cansado para descer, vai tentar dormir um pouco — a mais nova a encarou por alguns instantes, vendo-a concordar, ao entender o motivo.

abriu à porta, vendo Kingsley Schaklebolt parado do lado de fora, parecendo ainda mais cansado desde que o tinha visto, após a batalha. Sorriu leve para o homem, dando espaço para que entrasse na casa;
— Como está, Quim? Já passou a ser Ministro? — Perguntou, abraçando-o por alguns instantes.
O homem negou com a cabeça, piscando lentamente.
— No momento temos coisas mais importantes para fazer antes de pensarmos nisso. O próprio Conselho achou melhor esperar alguns dias antes de decidirmos qualquer coisa.
— Pode ser que esteja na hora de você descansar também, não é? — Comentou, vendo-o suspirar ao concordar.
— Infelizmente isso também terá que esperar. Andrômeda está? — Pediu, enquanto sentava-se no sofá.
— Só um minuto, está colocando Teddy para dormir. — Explicou, sentando-se ao seu lado. — Como estão as coisas?
— Melhor do que estavam nos últimos meses, mas ainda temos trabalho pela frente. Comensais foragidos, Trouxas que precisamos apagar a memória e coisas do tipo… E por aqui? Fiquei um pouco surpreso de não te ver na casa de Sirius, passei lá mais cedo.
— Ah, achei melhor passar uns dias por aqui antes de voltar — Deu de ombros, sorrindo pequeno.
Quim concordou com um aceno, levantou-se quando viu Andrômeda descendo as escadas, adiantando-se para abraçá-la.
— Eu sinto muito, qualquer coisa que vocês precisem…
— Eu sei, muito obrigada.
Andrômeda não queria mais chorar na frente dos outros, gostaria de passar uma imagem forte. Gostaria de ser tão corajosa quanto a filha, achava que Ninfadora merecia isso de sua parte, mas era sempre mais difícil à noite, quando se deitava e os pensamentos dominavam sua cabeça. Durante o dia conseguia se distrair com o neto e seus afazeres, mas quando se deitava, ficava sozinha com suas memórias.
— Parece cansado, Quim, talvez seja hora de você tirar uns dias de folga, não? — Tornou quando se sentaram, o homem sorriu pequeno.
— Como falei para , isso vai ter que esperar um pouco mais. — Suspirou, assumindo em seguida sua pose profissional, a voz profunda e calma de sempre — É por isso que estou aqui, Andrômeda. O Conselho aceitou a proposta de um funeral em Hogwarts. Será uma forma de relembrarmos a todos que perderam suas vidas da Batalha e tentarmos, de alguma forma, homenageá-los. Preciso saber se você está de acordo, se podemos incluir Tonks e Remo nessas homenagens.
A mulher sorriu triste, assentindo.
— Não vejo lugar melhor para fazerem isso — começou, fungando — de quem foi a ideia?
Schaklebolt sorriu pequeno, modesto.
— Por que não estou surpresa? Muito obrigada, Quim. Até mesmo por ter vindo até aqui, outros teriam mandado uma coruja...
— Outros não lutaram ao lado de Ninfadora e Remo. Era o mínimo que eu poderia fazer. — Explicou, com a voz calma — O funeral será na próxima sexta-feira, quando completarmos sete dias desde a Batalha, começará às onze horas.
— Obrigada, Kingsley!
— Todo mundo aceitou? — questionou quando o bruxo tornou a levantar-se.
— Sim, tivemos um pequeno problema para conversar com os pais de Colin Creevy, mas eles também aceitaram, apenas pediram para levar o corpo para o velório da própria família no sábado.
— Será apenas para os familiares? — Andrômeda perguntou quando aproximaram-se da porta, Quim negou.
— Será aberto para todos que quiserem prestar suas homenagens, assim como foi o de Dumbledore, pois todos são tão importantes para nosso mundo quanto ele.


2.

O decorrer da semana na casa dos Tonks e, na grande maioria das casas bruxas, não foi muito agitada. A maioria das famílias voltava aos poucos as suas rotinas, aliviados pela derrota de Lorde Voldemort e mais confiantes em um futuro melhor para toda a comunidade. Aquelas que haviam perdido algum parente ou amigo, no entanto, embora felizes com o final daquela Guerra, ainda sentiam o luto recente.
O Profeta Diário e outros jornais estampavam em suas capas algumas notícias mais importantes e recentes; A Queda do Lorde das Trevas, a História de Harry Potter, a Indicação de Kingsley Schaklebolt como Primeiro Ministro Interino e, nos últimos dois dias, as Homenagens da Batalha de Hogwarts.
Andrômeda, é claro, continuava chorando sempre que pensava na filha, marido e genro, por isso tratava de ocupar a cabeça com o neto. Mesmo que fosse trabalhoso cuidar do pequeno Teddy, preferia quando tinha a desculpa de seu choro para ficar acordada no meio da noite, embora também conversasse bastante com a sobrinha durante aqueles dias. Algumas amigas a visitavam para oferecer palavras de conforto, mas sempre parecia pior para a mulher lembrar-se de que aquilo não era apenas um sonho ruim ou que Dora não estava apenas no trabalho. Mesmo inconscientemente acabava olhando o relógio próximo às 5 horas, esperando que a mulher chegasse do Ministério, tagarelando como sempre.
Sirius e Harry também haviam passado na casa duas vezes durante a semana, o mais novo para conhecer o afilhado e dizer o quanto sentia pelas perdas de Andy, garantindo que poderia ajudar com qualquer coisa que precisassem, inclusive dinheiro. Cedrico, apesar de ser bem vindo e saber que não precisava se preocupar com a mais velha contando sobre suas visitas a Sirius, preferiu ficar alguns dias longe depois da mulher ter escutado aquela conversa um tanto constrangedora. No terceiro dia ele apareceu para ajudar, tendo até mesmo feito compras para facilitar a vida das duas que estavam focadas no bebê. Andrômeda de certa forma preferia quando o rapaz estava visitando, ou quando tinha Sirius ou mesmo Harry Potter, embora sua presença não fosse tão comum no seu dia a dia, qualquer coisa que a distraísse dos últimos acontecimentos e a ajudasse a se manter ocupada; fosse com conversas ou cozinhando.
se sentia ainda mais cansada do que no dia após a Batalha, ainda não conseguia dormir por horas seguidas e se sentia culpada por vários acontecimentos, apesar de saber que não eram necessariamente sua culpa. Também queria conversar com o pai sobre Victoria e entender por completo toda a história das Horcruxes, mas achava que tudo aquilo poderia esperar; sua prioridade naquele momento era saber que sua tia e afilhado estavam bem.
Havia feito uma promessa de que os ajudaria da mesma forma que os Tonks sempre a ajudaram e protegeram, qualquer outra coisa que não envolvesse Andrômeda e Teddy naquele momento teria que esperar.


Na sexta-feira a campainha tocou pela segunda vez aquela manhã, às 10h30 Cedrico apareceu usando vestes sociais escuras. Assim como Sirius e Harry, já sentados no sofá enquanto esperavam as duas mulheres descerem. Sirius brincava com Teddy, que sempre parecia desconfiado ao olhar para o homem nos primeiros minutos, mas logo depois começava a sorrir, mexendo-se agitado sempre que tentava pegar seu cabelo ou barba.
Quando tia e sobrinha apareceram, também usando roupas escuras, os homens levantaram-se, prontos para saírem; Cedrico, e Harry aparataram em Hogsmeade, caminhando os metros que faltavam até os terrenos de Hogwarts, enquanto Sirius e Andrômeda usaram Pó de Flu por causa do bebê, chegando pela lareira da sala do Diretor, assim como vários outros bruxos.
A circulação de pessoas por toda Hogsmeade e Hogwarts estava muito maior que o normal, bruxos vindos de vários lugares da Inglaterra, e alguns de outros países, vinham prestar suas homenagens. E, entre eles, muitos Nascidos-Trouxas acompanhados de seus pais e outros familiares, porque o Ministério resolveu abrir uma exceção aquele dia; Trouxas poderiam se misturar com os bruxos, visitar Hogsmeade e Hogwarts pois, assim como os bruxos, muitos deles também haviam sofrido nos últimos anos, fossem com os filhos bruxos ou no dia-a-dia dos Trouxas.
Era estranho para todos os bruxos que já conheciam o Castelo verem a Escola com tantas paredes e torres caídas, destruída após a Batalha. Hogwarts só começaria a ser reconstruída após as homenagens em um sinal de que, mesmo com tudo o que havia acontecido, os bruxos teriam um recomeço, assim como a própria Escola.
A comunidade bruxa se reergueria, maior e melhor do que nunca, pois Kingsley estava determinado a aproveitar seu tempo de Ministro Interino para começar vários projetos que deveriam ter continuidade.
Embora precisassem manter o sigilo como forma de proteção, ele se empenharia em acabar de uma vez por todas com todo o preconceito dos bruxos Sangue-Puros com os Nascidos-Trouxas, além, é claro, de esforçar-se para melhorar as condições em Azkaban, retirando os Dementadores da prisão, e também melhorar as condições de julgamentos, para evitarem o máximo possível novos casos como Sirius Black, principalmente nos próximos dois anos, sabendo que teriam muito trabalho com os Comensais da Morte que sobreviveram.


O trio andou lado a lado pelos terrenos de Hogwarts, em direção à frente do Lago Negro, local no qual estariam realizando as homenagens. O dia estava claro, com poucas nuvens no céu, o sol já estava alto, mas a brisa gelada amenizava o calor que as roupas escuras causavam. Sirius e Andrômeda, a qual segurava o pequeno Teddy, estavam em pé, junto aos Diggory e Hagrid, próximos às fileiras de cadeiras brancas, de frente a um tablado, com um grande mural ao redor, com fotos e nomes de todos os bruxos, Centauros, Duendes e Elfos que haviam perdido a vida.
Andavam lentamente até eles quando viram os Weasley sentados em cadeiras mais ao canto. Rony e Gina andaram até eles assim que o viram chegando, o ruivo tocou no ombro de Hermione, que estava sentada ao lado dos pais.
Conversaram por alguns minutos, ninguém parecendo no clima para piadas ou conversas descontraídas;
— E seus pais? — perguntou ao olhá-los de longe.
— Ah, estão um pouco confusos com tudo — Hermione suspirou, passando a mão pelos cabelos —, mas entenderam meus motivos. Só preciso levá-los ao St. Mungus mais algumas vezes, para garantir que eles estão bem com todos esses feitiços da memória.
— Foi difícil para encontrá-los? — Harry tornou, sabendo que a amiga passou dias na Austrália, a procura dos pais.
— Menos do que eu imaginava — confessou, sorrindo pequeno —, imaginei que não conseguiria chegar em tempo, mas nosso voo chegou em Londres há algumas horas.
— E você os trouxe direto para cá? — Cedrico tornou surpreso, olhando a movimentação ao redor.
— Não, passamos no St. Mungus antes — avisou, passando as mãos pelo rosto, cansada — mas achei que seria bom para eles também virem aqui, sabe? Sempre ficaram curiosos com Hogwarts…
— E como foi quando eles descobriram que vocês dois estão juntos? — sorriu, apontando da amiga para Rony, que avermelhou no mesmo segundo, olhando para o outro lado.
— Eles ainda não sabem — Mione sussurrou, o rosto corado — achei melhor esperar um pouco, muita informação ao mesmo tempo.
— Eu acho que você deveria ter dito antes — Gina palpitou, atraindo a atenção dos amigos —, que qualquer coisa você apagava a memória deles de novo!
— Há.Há. — Rony riu irônico para a irmã, logo puxando outro assunto, tentando distrair-se por mais alguns minutos.
Cedrico apertou o ombro da namorada por um momento, apontando com a cabeça para o outro lado do terreno, ao ver seu melhor amigo andando de braços dados com uma ex-colega de sala, uma sonserina com quem ele vivia de implicância;
— É isso que eu chamo de reviravolta — sussurrou, sorrindo pequeno — jamais imaginei que Winter fosse dar uma chance ao Monty.
— Eu pensei que eles se detestavam — a loira comentou, olhando-os conversarem com Rogério Daves e mais uma corvina da sala de Gina. a reconheceu da Batalha, lembrando-se de que a menina duelou ao seu lado por alguns minutos contra os Comensais.
— Acho que é verdade o que dizem — Cedrico deu de ombros —, é uma linha tênue entre amor e ódio.
— E como estão as coisas com o Sirius? — Gina perguntou ao casal.
— Não o vi com muita frequência essa semana — explicou —, passei os últimos dias com a Andy.
— Pelo menos quer dizer que você não precisa se preocupar tanto antes de darem uns beijos, não é? — Mione sorriu, vendo-os rirem baixo ao concordar. Harry arqueou a sobrancelha;
— Não esqueça que eu posso falar pro Sirius sobre isso — apontou para eles.
— Aham, e eu aproveito e conto certas coisas sobre os últimos sete anos. — Black retrucou, vendo-o rir pequeno e negar com a cabeça;
— Estava só brincando, calma.


Quim subiu no tablado de madeira, pegando um pequeno megafone e olhando ao redor. Não muito depois as conversas cessaram por completo e todos se sentaram.
— Não temos palavras para expressar a dor presente desse último ano, em especial nos últimos sete dias — começou a dizer, com sua voz calma — com o número de vidas que perdemos, sendo elas mágicas ou não. Todos aqueles que perdemos farão uma imensa falta para nós; pais e mães, filhos e filhas, irmãos e irmãs, amigos… Muitos dos Trouxas que morreram não estavam envolvidos, nem mesmo sabiam sobre nosso mundo. Os bruxos e criaturas mágicas que perdemos, todos sacrificaram-se por algo maior, sabendo que talvez não tivéssemos uma nova chance de encerrar o domínio de Voldemort e seus Comensais. — Quim respirou fundo, tentando manter a compostura, embora fosse difícil, ainda mais ouvindo o choro que não demorou a chegar aos seus ouvidos. — Nenhum deles morreu em vão, nenhum sacrifício foi à toa. Nós seguiremos em frente, sabendo que foi por todos nós que eles se sacrificaram, para que nós pudéssemos continuar em um mundo melhor. — Pigarreou, olhando para baixo por alguns instantes antes de continuar — Com tudo isso, mais uma vez ficamos com a lição de que o mais importante não é o nosso sangue ou a quantia de ouro no Gringotes, mas o caminho que decidimos seguir, os amigos e familiares que temos ao nosso lado, pessoas que amamos e que nos amam, independentemente de qualquer situação.
Schaklebolt continuou seu discurso por mais de vinte minutos, por vezes precisando parar, a voz falhando aos poucos.
— Sei que alguns dos nomes que estão aqui talvez não façam sentido para todos — continuou, tendo ouvido comentários sobre Severo Snape e Victoria Lestrange —, mas garanto que nenhum está em vão. Todos sacrificaram-se de alguma forma por nosso mundo, por seus amigos e familiares. Amanhã teremos uma edição especial em todos os jornais, com os nomes de todos aqueles que perderam suas vidas, contando um pouco de quem eram. — O homem respirou fundo, tentando manter a voz forte, antes de tornar a olhar para todos à sua frente — Que a Batalha de Hogwarts seja lembrada como o dia em que todos nos unimos para derrotarmos as Artes das Trevas, e que fique como um aviso para o futuro; Nós sempre estaremos aqui para defender nosso mundo, para defender nossos amigos e todos aqueles que amamos. E que o dia de hoje seja marcado como nosso recomeço; A Escola, que é o maior símbolo do nosso mundo, estará aberta no dia Primeiro de Setembro para mais um ano letivo. E como Alvo Dumbledore dizia: Hogwarts estará sempre aqui para ajudar à todos que dela precisarem! E assim seguiremos, juntos, mais unidos e fortes do que nunca.
Quando Kingsley terminou seu discurso, todos os presentes se levantaram, batendo palmas por um minuto completo.
Os Elfos Domésticos de Hogwarts também estavam presentes, e também quiseram homenagear os amigos que haviam morrido durante a Batalha, estalando os dedos três vezes e fazendo assim luzes coloridas aparecerem.
Instantes depois uma chuva de flechas caiu dos céus, vindas da orla da Floresta Proibida, de onde os Centauros permaneceram, prestando uma homenagem silenciosa.

Poucas pessoas haviam ido embora, a maioria permanecendo após as homenagens feitas por todos, conversando uns com os outros. havia acabado de deixar Teddy com Harry quando notou uma figura mais afastada, olhando tudo de longe. Passou a língua pelos lábios, antes de andar naquela direção.
Draco Malfoy viu a prima andando até ele, colocando as mãos no bolso da calça e olhando-a por alguns segundos, desconfiado, até que ela sorriu pequeno;
— Por que está aqui, sozinho?
— Não sabia se era uma boa ideia — disse baixo, olhando para o lago —, mas achei que seria certo vir.
— Ninguém iria te azarar por vir prestar condolências, Draco.
— Será? — Tornou, encarando-a com a sobrancelha erguida — Meu pai era um Comensal, assim como eu e minha mãe.
— Mas todos vimos o que você fez durante a Batalha, acredite, algo assim se espalha rápido. — Avisou, passando a mão pelos cabelos antes de voltar a olhá-lo — Por que fez aquilo? Se tivesse dado errado poderia estar morto.
Draco deu de ombros, encarando os sapatos;
— Sua voz irritante ficou martelando na minha cabeça — confessou —, se eu quisesse realmente resolver a situação da minha família, não poderia continuar me escondendo. — Suspirou, olhando-a de lado — Imagino que não seja tão nobre quanto os outros, mas…
— Não é sobre ser nobre, Draco — a garota o cortou — é sobre fazer a coisa certa, e foi isso o que você fez. Todos temos nossos motivos; seus pais são sua família e você se importava com eles, independente de terem sido Comensais. — Passou a língua pelos lábios, acrescentando em seguida — Embora eu realmente tivesse vontade de bater em você e no seu pai algumas vezes.
Malfoy rolou os olhos, passando a mão pelos cabelos loiros;
— Como se isso fosse de agora — a encarou, contrariado —, você nunca perdeu uma chance de tentar me azarar, .
— Tinha meus motivos, não tinha? — Piscou — E não é como se você não se aproveitasse para tentar me fazer ser expulsa, principalmente quando Snape estava por perto.
Draco sorriu pequeno, concordando com um aceno ao suspirar;
— Quem diria que esses seriam os menores dos nossos problemas.
concordou, olhando para o castelo.
— E seus pais?
— Minha mãe pensou em vir, mas depois achou melhor não. Meu pai vai passar por um julgamento, mas é provável que fique uns meses em Azkaban.
— Você também vai precisar? — Perguntou, vendo-o negar com um único aceno.
— Tive que falar com o Ministério essa semana, mas por hora é só.
— Espero que fique tudo bem — Disse sincera, encarando-o nos olhos.
Malfoy suspirou, pensando por um instante antes de estender a mão;
— Obrigado.
— Por? — Perguntou confusa, embora tivesse aceito o aperto.
— Sei lá, tentar me ajudar mesmo quando eu não merecia. — Deu de ombros, constrangido.
A loira sorriu para o primo, concordando;
— No fundo você não é tão insuportável quanto aparenta, Draco. Só precisa andar com as pessoas certas.
O loiro sorriu de lado, dizendo irônico;
— Pior você que mesmo com quem anda continua sendo chatinha assim.
A prima riu, dando de ombros;
— Tem certas coisas que não mudam mesmo.

achou que após a cerimônia em homenagem a Batalha de Hogwarts os dias passaram mais rápidos; Talvez fosse a sensação de encerramento que todos repetiam sem parar nos jornais e ao conversarem uns com os outros, porque, teoricamente, tudo havia tido um final e todos poderiam começar a seguir em frente.
Na prática, é claro, as coisas não eram tão fáceis; Andy continuava sofrendo tanto quanto no primeiro dia, e foi por isso que a loira resolveu passar o mês todo com ela, sabendo que seria bom para ambas.
Sirius, embora sentisse falta da filha dentro de casa, entendia seus motivos e ele mesmo visitava Andrômeda com frequência, para distraí-la, ajudar com Teddy, comprar comida ou levar roupas para . A única coisa que o incomodava naquilo tudo era saber que não tinha controle das horas que Cedrico passava junto de sua filha, e menos ainda se ele estava ou não dormindo na casa, mesmo que o casal sempre garantisse que não.
Com o passar dos dias, foi junto de Harry para o Beco Diagonal e para lojas dos Trouxas, comprando algumas roupas e outras coisas que o afilhado precisava, conversaram bastante no decorrer das semanas, tanto para Potter se inteirar do que havia acontecido durante os meses que esteve longe, quanto para explicar tudo que Sirius não sabia sobre as conversas que havia tido com Dumbledore desde seu quinto ano em Hogwarts.
Harry finalmente estava começando a se sentir feliz, ainda sentia o peso de tudo o que havia acontecido nos últimos meses, mas ao mesmo tempo parecia chegar ao ponto em que poderia aproveitar a vida que tinha, algo que parecia lhe ter sido negado por anos.
Se sentia realmente bem-vindo na casa de Sirius, uma casa em que, pela primeira vez na vida, também poderia chamar de sua. O padrinho gostava de contar sobre momentos diferentes que havia passado junto a James e Remo, e todas as vezes que Potter precisou se desculpar com Lily, na esperança que, em algum momento, a ruiva resolvesse dar uma chance a ele. Contou sobre como o amigo estava nervoso no primeiro encontro deles e de como esteve perto de atrasar mais do que Lily no dia do casamento. Harry gostava de ouvir aquelas histórias, o fazia imaginar o quanto seus pais haviam sido felizes e no quando James era apaixonado por sua mãe.
Quando voltou para casa, após passar semanas com Andrômeda, os três ficaram acordados até o dia amanhecer, conversando sobre diversos assuntos, incluindo várias das vezes que os dois amigos haviam quebrados as regras em Hogwarts, o que fazia Sirius gargalhar, dizendo o quão orgulhoso estava dos dois.
Aquele havia sido o primeiro dia em meses na qual todos se sentiram em paz, como se tirassem um peso dos ombros e do peito, por algumas horas pareceram esquecer tudo o que estava fora daquela sala, qualquer problema que precisavam resolver, poderia esperar.
E foi entre uma conversa e outra, enquanto estavam rindo, que Harry confirmou algo que já suspeitava; Só enxergava como sua melhor amiga, mais próximo até de uma irmã. Sentia por ela o mesmo sentimento de afeto que tinha por Hermione, embora, no fundo, achasse que preferia um pouco mais a loira por serem mais parecidos. Sabia que tinha realmente se apaixonado em algum momento dos últimos anos, e só percebeu de verdade o que era no quarto ano, não era por menos que sentia tanta raiva de Cedrico naquela época, e até achava que havia sido importante pra ele passar por aquilo, achava que tinha amadurecido um bom tanto após a conversa que tiveram no Três Vassouras, no qual revelou seus sentimentos, e que a amizade dos dois até mesmo fortaleceu depois daquilo. Contudo, estava ainda mais satisfeito ao saber que tinha realmente superado o amor não correspondido dela, o que significava que poderia, oficialmente, seguir em frente, e até mesmo já sabia quem gostaria de chamar para sair, só esperava que tivesse mais sorte com Gina.

Um dos momentos mais complicados para Sirius e , após o funeral, havia acontecido poucos dias após o retorno dela para casa, aproveitando que Harry tinha ido visitar os Weasley para finalmente conversarem sobre Victoria.
Antes de mesmo começar a explicar tudo o que havia acontecido, Sirius pegou uma caixa azul que tinha guardada em seu quarto, pedindo para que ela abrisse.
retirou de dentro um medalhão de ouro, com um pingente em forma de coração. Ao abrí-lo, reparou em duas fotos já gastas, na primeira seu pai, muito mais novo, sorria ao piscar. Na segunda, viu a si mesma quando era apenas um bebê, mexendo-se inquieta, olhando para os lados.
— Kingsley soube que você ainda não tinha pego o que Dumbledore havia te deixado no testamento. — Explicou em voz baixa, sentado na poltrona, encarando a mais nova.
— Por que estava com ele?
— Porque ele sempre soube de tudo. — Suspirou, passando a mão pelos cabelos — Victoria achou que se algo desse errado, em algum momento você precisaria saber da verdade, Dumbledore poderia te explicar o que aconteceu.
— Ele sempre soube o motivo dela? — Perguntou surpresa, vendo o mais velho acenar com a cabeça.
— Victoria é o melhor exemplo de: o inferno está cheio de boas intenções. Ela sabia que havia errado no começo, e não teria como voltar atrás, tentou nos proteger e, principalmente, te proteger, como pode. Claramente não foi a melhor das ideias a forma que ela escolheu, mas no final funcionou; você cresceu bem e está viva.
Bem é uma palavra forte. — Replicou, umedecendo os lábios.
Sirius concordou;
— Talvez não tão bem quanto seria se tivesse nós dois ao seu lado, e, sinceramente, não posso imaginar como foi quando você descobriu que estávamos em Azkaban, mas pelo menos você passou todo esse tempo com os Tonks, teve uma família para te apoiar e te educar. Poderia ter sido bem pior, .
— Sei que sim — concordou, suspirando — poderia ter acabado com os Malfoy…
Sirius riu baixinho;
— Foi Narcisa quem sugeriu à Victoria a se passar por uma Comensal, embora eu tenha certeza de que ela não imaginou que sua mãe fosse continuar agindo como agiu após todos esses anos.
— Eles também sabiam? — Tornou com o cenho franzido, sentindo como se todos soubessem tudo sobre sua família, menos ela mesma.
— Acredito que só Narcisa.
concordou, ainda segurando o medalhão em mãos, pensativa;
— Como você soube?
Black respirou fundo, olhando para as mãos por um momento;
— Quando Victoria foi levada à Azkaban, semanas após eu ter sido preso, só o que eu queria saber era se você estava bem. Passei boa parte dos anos em que fiquei preso em silêncio na minha cela, evitando ao máximo prestar atenção no que os Comensais diziam. Todo dia, um funcionário do Ministério aparecia para nos levar comida e, quando necessário, cobertores ou agasalhos para o frio, não que fossem o suficiente — acrescentou — de qualquer forma, Victoria estava em uma cela próxima à minha, vez ou outra ela tentava conversar comigo, mas não se arriscava a dizer muito, porque outros Comensais estavam ao redor. — Contava em voz baixa, embora odiasse se lembrar do tempo em que passou preso, sabia que era importante que sua filha entendesse tudo o que havia acontecido — Sua mãe era uma mulher muito bonita, você deve ter reparado — Dizia, escolhendo com cuidado as palavras —, e era bem comunicável, facilmente ganhava a atenção das pessoas ao seu redor. Foi em uma dessas vezes que ela conseguiu que esse funcionário do Ministério me entregasse uma carta. Passei meses com ela escondida embaixo do meu colchão — riu sem humor —, considerei jogá-la fora inúmeras vezes, mas nunca tive coragem, queria saber o que havia acontecido, em que momento ela tinha mudado tanto e como eu nunca percebi. Meu maior problema desde que sua mãe chegou em Azkaban foi meu ego, não suportava o fato de ter sido manipulado daquela forma.
Fez uma pausa, esfregando o rosto com as mãos, parecendo exausto, antes de continuar;
— Em algum momento resolvi finalmente deixar meu orgulho de lado e ler aquela carta. Victoria dizia que havia, de fato, passado informações de dentro da Ordem, mesmo sabendo que não deveria. Ela sempre teve uma necessidade de ser aceita pelas irmãs — explicou, olhando para a filha —, Bellatrix e Narcisa nunca superam a decisão dela de se casar comigo, e Victoria não aguentava mais ser ignorada pela família que ela tanto prezava. Sinceramente, hoje eu penso que foi realmente algum tipo de milagre termos nos casado e você ter nascido — sorriu pequeno —, porque se não tivéssemos sido impulsivos para casar tão rápido, nada teria acontecido. Acho que casar comigo foi o único ato de rebeldia que Victoria conseguiu realizar, ela gostava de mim, é claro — adicionou rápido ao ver a expressão chocada no rosto da loira —, mas não acho que fosse o suficiente para pensar em termos uma família… De qualquer forma, — continuou, passando a língua pelos lábios — foi por isso que ela começou a passar informações da Ordem. Primeiro coisas pequenas, que ela não achava terem muita importante. Mas o Lorde sabia que poderia conseguir algo a mais dela, Victoria era a Comensal que ele precisava; casada com um membro da Ordem, com acesso fácil ao Dumbledore e a maioria dos segredos que tínhamos. — Respirou fundo, coçando a barba antes de continuar — Em algum momento Voldemort a convidou pessoalmente para ser uma Comensal, e, como você deve imaginar, esse não é o tipo de convite que se pode recusar. Victoria sabia que se recusasse estaria com problemas e, não só ela, nós dois também.
permanecia em silêncio, deixando seu cérebro processar lentamente todas aquelas informações, vez ou outra olhando para seu pai, quase como se quisesse confirmar que o que escutava era verdade.
— Voldemort prometeu-lhe que, se aceitasse, não precisaria se preocupar conosco, nós dois estaríamos protegidos, pois os Comensais teriam ordens de não me machucar. Imagino que aquilo foi um baque para Bellatrix, talvez você se lembre — disse, um tanto irônico — nós nunca nos demos muito bem. Sempre quisemos matar um ao outro. — Sirius riu rouco, lembrando-se de conversas e duelos passados que havia tido com a mulher — De qualquer forma, Victoria aceitou porque não tinha mais o que fazer. Pelo menos ela achou que não, talvez se tivesse me dito em tempo o que estava acontecendo poderíamos ter nos escondido, assim como James e Lily. — Suspirou, antes de tornar a encarar os olhos da filha — Em determinado momento, todos sabíamos que ele estava atrás dos Potter, mas não sabíamos exatamente o motivo, apenas que ele queria matar Harry. Eram poucos de nós que sabíamos sobre a casa em Godric’s Hollow e, quando fizemos o feitiço, decidimos apenas entre James e eu trocarmos, ao invés de eu ser o fiel, o que é claro, imaginamos ser óbvio para Voldemort, resolvemos colocar Rabicho. — Fungou baixo ao lembrar-se, passando a mão pelos olhos — Parecia o plano perfeito, mas Victoria já estava passando muito mais informações para ele. Foi ela quem contou ao Lorde das Trevas que Rabicho era o novo Fiel do Segredo.
encarou o pai por incontáveis minutos, a boca aberta. Sentiu o coração apertar ao saber daquilo, sua mãe havia entregado os pais de Harry à Voldemort.
— É claro que Voldemort não teve muito trabalho para persuadir Rabicho, meia dúzia de palavras e ele se vendeu como o rato que era. — Respirou fundo, a voz falhando por um momento — Depois que tudo aconteceu, Victoria sabia que não tinha realmente acabado. Antes de querer matar Harry, Voldemort tinha outro segredo, já estava fazendo todas suas Hocruxes sem que ninguém mais soubesse. — Sirius parou por um momento, sentindo a garganta seca — Régulo foi o primeiro a descobrir sobre isso, ele também sabia que Victoria estava passando informações para tentar te manter em segurança, os dois eram muito amigos. — Disse, sentindo-se estranho ao lembrar do irmão mais novo, o qual, por anos, nem mesmo sabia o que havia acontecido — Contou tudo para Victoria antes de tentar destruir uma delas, sabendo que talvez não voltasse. Depois que eu fui preso, sua mãe sabia que era uma questão de tempo até ela acabar em Azkaban, foi quando contou tudo o que sabia ao Dumbledore, sabendo que em algum momento Voldemort retornaria. Foi por isso que deixou com ele esse medalhão — apontou com a cabeça para a jóia nas mãos da filha — para que no momento certo você soubesse de tudo o que aconteceu.
olhou para baixo, sem saber o que pensar com tudo aquilo.
— Harry já sabe que foi ela…?
— Já. — Concordou — Eu contei alguns dias atrás, não dei muitos detalhes, mas ele sabe, sim. Não se preocupe, ele não nos culpa por nada disso. E, é claro, ficou com raiva ao saber, mas também ficou preocupado ao pensar em como você reagiria quando descobrisse.
A loira acenou, olhando pela janela por alguns instantes, com o cenho franzido.
— Eu não espero que você entenda ou perdoe tudo o que sua mãe fez, ela sabia que estava errada. Eu mesmo não à desculpei por tudo, só espero que você perceba que, por mais errado que tenha sido as decisões que ela tomou, no fundo ela achou que era por um bom motivo.
o encarou por um momento, negando com a cabeça;
— Não melhora em nada saber que ela fez tudo isso por minha causa, pai.
— Eu sei que não — suspirou, passando a mão pelos cabelos —, mas agora você sabe da verdade e dos motivos dela. Já é meio caminho para seguir em frente, não?


Sirius abriu à porta, dando de cara com Cedrico parado do outro lado, com um sorriso educado. Suspirou, negando com a cabeça antes de dar espaço para o loiro;
— Eu deveria saber que de volta significava sua presença constante na casa.
Diggory riu, colocando as mãos nos bolsos;
— Depois de tudo o que passamos, Sirius? Já até morei aqui!
O moreno arqueou a sobrancelha, encarando-o por alguns segundos:
— Podem se passar dez anos e nem assim você vai ter minha aprovação total, Cedrico. — Cruzou os braços, respirando fundo no instante seguinte, dando-se por vencido — Contudo, hoje até estou feliz que você tenha dado as caras.
— Aconteceu alguma coisa? — Perguntou curioso, olhando ao redor a procura da namorada.
— Eu contei sobre Victoria, — explicou, olhando por um momento em direção ao segundo andar, passando a mão pelos cabelos — não acho que ela vá aceitar tão bem o que aconteceu. Pelo menos não agora.
Cedrico concordou com um aceno, travando a mandíbula. Sentiu a curiosidade dominar seu corpo e quase perguntou ao homem o que havia acontecido, mas imaginou que não seria o melhor momento para aquilo, também sabendo o quão difícil deveria ser para Sirius.
— Você está bem? — Questionou ao encará-lo, o cenho franzido.
Black sorriu pequeno, acenando com a cabeça;
— Já tive meu tempo para assimilar tudo. Pode subir — disse, subindo ele mesmo as escadas, em direção ao próprio quarto —, e hoje nem mesmo vou cobrar a porta aberta.
Cedrico o seguiu para o segundo andar, bufando;
— É claro que não, ela provavelmente está chorando. Que golpe baixo! — Resmungou, vendo-o rir baixo ao concordar, sumindo pelo corredor. O rapaz bateu na porta da namorada, escutando-a responder segundos depois.
Diggory entrou no quarto seguindo diretamente para o lado dela na cama, ao vê-la encolhida, abraçada ao travesseiro.
— Vai ficar tudo bem, — sussurrou, tirando os sapatos e deitando-se junto a ela, abrindo os braços para que se aconchegasse contra seu peito, abraçando-a apertado instantes depois. — Vai ficar tudo bem, meu amor.



3.

Com o passar das semanas, aos poucos, as coisas voltavam ao normal para os bruxos. O Ministério da Magia voltava a trabalhar integralmente e, com isso, o Departamento de Execução de Leis da Magia e todas as suas subcategorias tinham o triplo de trabalho; Os Aurores ainda caçavam e prendiam Comensais foragidos, os bruxos do Controle do Uso Indevido de Magia e do Controle de Mal uso dos Artefatos Trouxas ainda estavam abarrotados de casos para examinarem e, o pessoal da parte de Julgamentos ainda precisavam catalogar todas as provas e testemunhos contra os bruxos que, por hora, estavam em Azkaban antes dos julgamentos começarem.
Trabalhos que ainda demorariam muitos meses para serem finalizados e, com isso, não foi surpresa para ninguém o número excessivo de horas extras que os funcionários de todo o departamento estavam fazendo.
Muitos bruxos que haviam perdido o emprego ou fugido para salvarem suas vidas durante o último ano retornaram para seus cargos, dentre eles, Cedrico Diggory, que ficou extremamente feliz ao receber sua carta de readmissão, voltando ao trabalho duas semanas após o funeral em Hogwarts.

A Escola, conforme informado pelo Profeta Diário, havia começado a ser reconstruída e, mesmo que não estivesse totalmente pronta em setembro seria reaberta. Com isso, levantou-se a possibilidade dos quatro amigos que não haviam finalizado seus estudos, retornarem para Hogwarts, já que Minerva McGonagall era a nova diretora e estava oferecendo essa chance a eles.
Hermione, conforme esperado por todos, aceitou no mesmo instante, enviando sua resposta na mesma Coruja. Também não foi um choque para ninguém quando Harry e Rony agradeceram o convite, mas negaram alegando já terem passado da fase de estudos. era a única que não tinha decidido o que faria, em partes porque estava acostumada a ficar com a família e o namorado, além de achar que ajudaria mais se ficasse para ajudar com Teddy, parte porque não se imaginava voltando para a Escola depois de tudo, apesar de saber que aquela seria a opção mais fácil: estudaria mais alguns meses para completar seus estudos, faria os NIEM’S, se formaria com uma média razoável e ainda, possivelmente, seria a Capitã do time de Quadribol da Grifinória - o que a fazia realmente considerar retornar para o castelo. E, o ponto principal, daria a ela mais tempo para planejar seu futuro, já que era a única sem ideia do que faria desde que Voldemort havia sido derrotado;
Harry e Rony já estavam inscritos no curso de Auror que começaria após o verão e Hermione tentaria algum cargo importante no Ministério, embora estivesse dividida entre dois ou três departamentos que achava interessante.
Black era a única que não tinha ideia do que fazer da vida, nunca planejou muito o passo pós-Hogwarts porque sempre pareceu muito distante.
Agora que já não tinha mais Comensais da Morte ou Voldemort para se preocupar, voltou a se sentir completamente perdida com a ideia de uma vida adulta. Ainda se considerava até bem imatura para já precisar pensar em uma profissão para a vida toda.
Nem mesmo sabia quais seriam suas principais qualidades para buscar algo;
Gostava de Quadribol e sabia jogar muito bem, mas seria boa o suficiente para tentar uma carreira profissional?
Sempre foi muito bem nas aulas de Transfiguração, mesmo que não se esforçasse tanto quanto Hermione, e o mesmo valia para Defesa Contra as Artes das Trevas e Feitiços.
Considerou juntar-se aos dois amigos e também tentar virar uma Auror, com certeza teria alguma vantagem após o último ano participando da Ordem da Fênix e duelando contra os Comensais, mas era aquilo mesmo que queria para si?
Em que momento deveria ter parado e decidido o que fazer da vida?
No quinto ano, quando McGonagall perguntou quais eram seus planos, disse a primeira coisa que veio à cabeça; Quadribol.
Quando mais nova achou que seria a melhor coisa que poderia fazer. Jogar profissionalmente sempre pareceu um sonho difícil, porém possível, mas agora já não tinha a mesma certeza.
Também pensou no Ministério da Magia, pegou vários folhetos com informações sobre diferentes departamentos, mas nenhum fez seus olhos brilharem; não sabia se gostaria de passar a vida trabalhando em um escritório, seguindo ordens.
Conversou sobre aquilo com Sirius, mas achou que foi uma péssima ideia;
, eu passei doze anos preso. — Respondeu, negando com a cabeça sem nem mesmo tirar os olhos do jornal — E antes disso minha preocupação era azarar alguns Comensais e chamar algumas garotas para sair, não necessariamente nessa ordem. — Deu de ombros, olhando-a por um instante — Provavelmente teria tentado fazer carreira como Auror, agora já estou cansado demais para qualquer coisa e, felizmente, tenho dinheiro o suficiente no Gringotes para não me preocupar com nada disso.
A segunda pessoa com quem tentou conversar a respeito foi Harry, que estava sentado embaixo de uma árvore, aproveitando o fim de tarde tranquilo enquanto via Bicuço em um canto, atrás de uma toupeira;
— Eu nunca pensei em muita coisa — disse com o cenho franzido —, Quadribol por alguns anos e depois passei a querer ser um Auror. Claramente tenho vantagem no segundo! — Piscou, rindo pequeno. — Como é que você nunca pensou em nada além de Quadribol?
deu de ombros;
— Sempre achei que fosse boa o suficiente para pensar apenas em jogar profissionalmente.
Considerou que o namorado fosse a melhor opção, afinal, além de mais velho Cedrico sempre foi muito centrado nos estudos e preocupado com seu futuro, não perdendo tempo para perguntar à ele assim que o loiro entrou em seu quarto aquela noite, jogando-se em sua cama;
— Sei lá, … Sempre soube que queria algo no Ministério — passou a língua pelos lábios —, mas também não queria nada muito monótono. Achei que o Departamento de Cooperação Internacional poderia me fornecer algumas viagens também, e eu sempre quis conhecer outros lugares… Pareceu uma boa ideia, ainda mais depois que organizaram o Torneio Tribruxo…
— E você simplesmente soube? — Questionou frustrada.
Cedrico negou, rindo pequeno;
— Passei dois anos procurando mais informações para saber se era aquilo mesmo, mas, sinceramente, depois desse último ano, embora eu continue gostando do meu trabalho, tenho achado a coisa mais entediante possível… — Resmungou, passando a mão pelos cabelos.
— Não quer tentar outra coisa?
Diggory meneou a cabeça, sorrindo pequeno;
— É só uma fase, me conheço o suficiente para saber que daqui há dois meses isso vai passar e se eu trocar de área vou me arrepender.
Black bufou, jogando-se na cama, ao seu lado e olhando para o teto, nervosa.
— Como é que eu sou a única pessoa que não sabe o que fazer da vida?
— Tenho certeza que não é a única — riu, apertando-lhe a mão — só está confusa. Precisa decidir agora o que fazer?
— Basicamente, só tenho mais alguns dias para responder a Minerva, e se resolver voltar para Hogwarts tenho que comprar todo meu material e uniforme… As aulas voltam em três semanas — suspirou, passando as mãos pelo rosto, cansada.
Diggory fez um barulho com a boca, começando a dizer em voz baixa;
— Se voltar para a Escola ganha mais um ano antes de precisar tomar alguma decisão…
— Eu sei, pensei muito nisso, mas não sei se quero mesmo voltar a estudar.
— Só que você tá esquecendo uma coisa, — continuou, passando a língua pelos lábios antes de olhá-la de lado — se for tentar qualquer coisa no Ministério vai precisar prestar seus NIEM’s e tem que estudar pra isso.
A loira bufou, sentando-se na cama e cruzando as pernas, negando com um aceno;
— Isso é um absurdo. Os Weasley não fizeram!
— Mas os gêmeos abriram um negócio próprio — respondeu, passando a mão por suas costas, tentando acalmá-la com o carinho —, a menos que seja essa sua ideia…
— E eu abriria uma loja do quê, Cedrico? — O olhou por sobre o ombro, vendo-o dar de ombros.
— Poderia trabalhar em alguma, não? Tem várias lojas no Beco Diagonal… Ganhar experiência até descobrir o que quer fazer… Até nas Gemialidades mesmo, aposto que eles não se importariam de te contratar!
o olhou por um segundo, levantando as sobrancelhas e considerando aquela ideia, não parecia ruim.
— E se eu não gostar de nada? E se passarem dez anos e eu ainda não souber?
Diggory riu baixo;
— Não tem um prazo para você descobrir, pode ser que realmente só saiba com certeza daqui há dez anos, ou que trabalhe em várias coisas até achar algo que se identifica. Não tem nada de errado nisso.
— Fácil pra você que já sabe o que quer… — Resmungou, tornando a jogar-se contra o travesseiro. Cedrico aproveitou a proximidade para curvar-se levemente sobre ela, beijando-lhe a bochecha;
— A menos que realmente considere voltar para Hogwarts, não precisa de tanta pressa para decidir, , pode pensar com calma… — disse baixo, beijando-lhe o queixo.
— Sei que sim — respondeu, virando-se e voltando a ficar em pé, andando pelo quarto, não reparando no olhar desapontado nos olhos cinzentos do outro — Mas quero ter algo para me distrair, sabe? Ocupar a cabeça, qualquer coisa.
O loiro soltou o ar lentamente, passando os braços por trás da cabeça;
— Por que não faz uma lista? Poderia colocar suas qualidades e coisas que quer para sua vida, e aí tentamos ver algo que se encaixe em ambas as colunas.
— O problema é esse, Ced, eu não sei o que eu quero. — Respondeu derrotada, sentando-se no canto da cama e olhando para baixo.
Diggory arqueou a sobrancelha, quase ofendido com a resposta, porque sabia que independentemente de qualquer coisa ele queria passar a vida ao lado da namorada: era a única certeza que ele tinha para absolutamente tudo. Contudo, apenas se levantou, ignorando a pontadinha em seu peito, sabendo que ela estava nervosa demais com a situação toda, agachando-se em sua frente;
— Comece aos poucos: no que você é boa? Do que você gosta? Quais são seus hobbies? O que você planeja fazer nos próximos cinco anos?
— Eu diria que a resposta de três das quatro perguntas são a mesma: Quadribol.
— E qual a resposta da quarta? — Perguntou rindo.
deu de ombros, pensando por um tempo;
— Não é exatamente um plano, mas gostaria de viajar um pouco, conhecer algum outro país, preferencialmente com você — o olhou por um segundo, vendo-o sorrir de lado — e sei lá, em cinco anos... Definitivamente já ter encontrado algo que eu queira trabalhar… Talvez ter meu próprio dinheiro, embora papai não fosse me negar o dele… — Riu fraco. Diggory concordou, aproveitando para sentar ao seu lado. — Como você se vê em cinco anos, Ced? — Questionou curiosa, olhando-o de lado.
O loiro passou a mão pelos cabelos, pensando por um instante;
— Primeiro, com um salário maior do que eu tenho agora — começou, fazendo uma careta e escutando-a rir —, definitivamente morando sozinho — então a olhou de canto — ou melhor dizendo, morando com você, talvez…
levantou as sobrancelhas, fazendo a maior cara de chocada que pode.
— Sei lá, — suspirou — com uma independência maior, quem sabe viajando nas férias para lugares novos? — Deu de ombros, parecendo um tanto incerto.
— Bom, acho que já está a meio caminho de conseguir tudo isso, não?
— Tá se oferecendo para morar comigo, é? — Perguntou brincalhão, a loira deu um soco leve em seu braço.
— E perder a vida boa que meu pai me dá? — Negou de imediato.
Diggory passou a língua pelos lábios;
— É, mas não tem sido muito vantajoso para nós — arqueou a sobrancelha — zero privacidade.
— Não foi você quem disse que começaria a escalar a janela?
Cedrico a olhou por um momento, sem saber se ela estava falando sério ou não.
Dias antes, quando Sirius entrou no quarto e os viu aos beijos, deu um sermão de quase dez minutos sobre como Diggory estava quebrando a confiança que lhe era dada. Pouco depois Cedrico fez uma brincadeira com a namorada, dizendo que começaria a escalar a janela após o homem ir dormir, assim ele nunca mais o veria lá e pensaria que era a melhor pessoa do mundo para ter ao lado. Naquele momento a loira apenas sorriu pequeno, sem se importar muito.
Na verdade, aquele tinha sido o primeiro “amasso” que haviam dado em semanas, porque estava cada vez mais distante, fosse por ainda estar mal com os acontecimentos ou por estar sempre ajudando Andrômeda com Teddy, e, nos últimos dois dias, toda a preocupação sobre o futuro que, até então, Black não havia considerado.
Embora estivesse um tanto chateado com o distanciamento, Cedrico não falava nada sobre porque tentava entender o lado da garota, mesmo que sentisse falta de estar com ela. Não era como se ele fosse virar e falar “e aí, vamos transar?” quando a namorada chorava boa parte da semana, e o tempo que passavam juntos era basicamente voltado para o loiro garantir que em algum momento tudo passaria e ela ficaria bem.
Com tudo isso, o comentário dela o pegou desprevenido, porque não sabia se era apenas uma brincadeira ou se tinha algum fundo de verdade.
Diggory apenas sorriu pequeno, piscando em sua direção;
— É só dizer o dia, gata!
riu baixo e então se levantou, puxando um pedaço de pergaminho, pena e tinta para escrever sua carta e enviá-la para Minerva. Não escreveu muito, Cedrico reparou, e então o olhou da cadeira em que estava sentada, franzindo o cenho;
— Acha que eu teria chances de conseguir jogar se tentasse?
— Profissionalmente? — Perguntou segundos depois, ao entender o que ela dizia. concordou com um aceno, o olhando incerta — Pelo o que eu vi em Hogwarts, com certeza. Mas você está há tempos sem jogar Quadribol, precisaria treinar bastante.
— Hm… E se eu passasse esses meses treinando? — Começou em voz baixa, falando conforme a ideia surgia em sua mente — Os testes para as Harpias são sempre em janeiro e julho. Posso treinar até lá e, nesse meio tempo, consigo ajudar Andy com o Teddy. O que acha?
— Não vai mesmo voltar para a escola?
— Não, Teddy precisa de mim agora, não posso deixar minha tia sozinha com ele. Além do mais, nem teria muita graça, era capaz da Hermione me arrastar o ano todo para a biblioteca, ainda mais sem você, Harry e Rony para passar o tempo… — Suspirou, negando com um aceno. Diggory riu baixo.
— E os NIEM’s?
— Não preciso deles para Quadribol, Ced. Se não der certo, me preocupo com isso daqui um ano!



— E aí, Harry, você já chamou a Gina para um encontro ou não? — Diggory perguntou ao ver o garoto entrar na casa, sentando-se ao lado dos dois no sofá e vendo o que eles assistiam na televisão.
— Mas você não sabe ficar quieta mesmo, ein, ? — Reclamou ao virar-se para a loira, que ergueu as sobrancelhas, dando de ombros. — Sua fofoqueira.
— Não é como se eu tivesse contado ao Rony — respondeu —, além do mais eu não guardo segredos do Ced.
— Então ele já sabe que no quinto ano você pensou em s… — Interrompeu-se ao reparar no olhar que a outra lhe lançou.
— Quer uma morte precoce, Potter?
— O que foi que ela pensou? — Cedrico perguntou curioso, inclinando-se para olhar melhor o moreno — Pode terminar essa frase!
— Fica quieto aí, Diggory — Black replicou — E você, fica na sua, Cicatriz.
— E toda a história de não ter segredos? — Harry debochou arqueando a sobrancelha.
— Isso é do sexto ano pra frente, quando voltamos, o que aconteceu antes disso não faz diferença!
— Você estava interessada em alguém, não é? — Cedrico tornou, vendo-a rolar os olhos, antes de virar-se para Harry;
— E então, já chamou a Gina para sair ou nada? Não se esqueça que ela volta para Hogwarts em uma semana!
Potter olhou para a televisão, tentando ignorar o casal ao lado;
— Fala logo, Harry, não é como se a gente fosse espalhar pra todo mundo. Nem para o papai eu falei! Só para o Ced, e ele não fala muito com os Weasley, não se preocupe.
— Na verdade eu falo bastante com o Gui — respondeu baixo, vendo Potter o olhar assustado — mas diferente de , eu sei guardar segredos, não se preocupe.
— Ah, ótimo. Nunca mais te conto nada! — Resmungou, cruzando os braços — O que foi? — Perguntou ao ver a expressão sem graça do amigo.
— Ela recusou? — Cedrico questionou surpreso.
— Não! — Negou rápido, pigarreando em seguida — Não deu para a gente conversar muito, porque Rony está sempre perto…
— Por Merlin, nem agora que ele está com a Mione tá dando paz? — negou com um aceno — Weasley sempre foi inconveniente mesmo…
Potter riu baixo, ainda com o rosto vermelho.
— E por que você está tão constrangido se nem conseguiu chamá-la para sair? — Diggory tornou a perguntar.
Harry respirou fundo, soltando baixo;
— A gente se beijou algumas vezes.
— Vocês o que? — gritou, completamente chocada com a informação — E você nem me contou, Harry Potter?
Diggory gargalhou;
— Parece que Rony estar por perto não é, de fato, um empecilho!
— Não é bem assim — Potter respondeu, olhando para as mãos.
— Como foi que isso aconteceu e… — interrompeu-se ao ouvir um barulho na maçaneta da porta, sabendo que seu pai havia retornado.
— Não vão falar nada pra ele — O moreno pediu rapidamente — O que menos preciso agora é Sirius fazendo piadas o tempo todo!
— Hmm… — Cedrico coçou o queixo, passando o braço pelos ombros da namorada ao voltar a recostar-se no sofá — Mas não era nada mal pra gente se ele começasse a implicar com você…
— Nem pense!
— Diggory, você voltou a morar aqui, por acaso? — Sirius perguntou ao entrar na casa com duas caixas de pizza, vendo o loiro sentado no sofá, junto de , com Harry mais ao canto, esparramado com as pernas esticadas na mesa de centro.
— Isso é um convite? — Perguntou sorridente, o mais velho rolou os olhos, segurando a vontade de respondê-lo como queria, sabendo que talvez reclamasse.
— Nem nos seus sonhos, Cedrico, nem nos seus sonhos. — Disse, andando para a cozinha e logo sendo seguido pelos três, que se dividiram em pegar pratos, talheres e copos, além de pegarem um suco.
Após alguns minutos de silêncio, enquanto aproveitavam a comida, Harry virou-se para o padrinho, mastigando devagar;
— O que você tanto faz em Londres, Sirius?
O homem continuou a comer, dando de ombros em seguida;
— Tenho muito assuntos pendentes para resolver…
— Aham, e aquela Trouxa francesa não tem nada a ver com isso, né? — provocou, sorrindo pequeno.
Sirius a encarou por alguns instantes, passando a língua pelos lábios;
— Mas você não sabe mesmo ficar de boca fechada, não é?
— Eu quase preferia quando essa garota estava trancada no quarto sem falar com ninguém! — Potter concordou, não se esquecendo de que a loira também havia falado para Cedrico sobre seu interesse em Gina.
— Ei! — Reclamou, jogando uma azeitona no rapaz, que estava sentado em frente a ela.
— E aí, como estão as coisas? Já falou com ela? — Cedrico perguntou para Sirius, subitamente interessado no desenrolar daquele relacionamento; se o homem estivesse ocupado com a própria namorada, talvez não se importasse tanto com o loiro passando horas a mais com .
Black rolou os olhos, colocando mais um pedaço de pizza na boca;
— Vocês três não tem mais o que fazer? — Tornou, ao notar o olhar deles em sua direção.
— Eu não! — respondeu rápido, apoiando o rosto na mão fechada sobre a mesa — Qual é, pai, quero conhecer sua namorada!
— Já estou considerando te mandar morar com Andrômeda de novo — respondeu, antes de tomar um gole de sua bebida — e não estou namorando ninguém.
— Por que? — Harry perguntou rápido — Precisa de dicas para conquistá-la?
— E desde quando você entende de namoro? — A loira replicou debochada — Se bem me lembro, você foi péssimo com a Cho! — Sorriu de canto ao notar o amigo avermelhar. Cedrico tomou um gole de seu suco para disfarçar a vontade de rir.
— Eu iria dizer do Diggory — respondeu baixo, apontando-o com a cabeça —, ele com certeza é o que melhor entende, até consegue enganar o Sirius.
— Como é? — Black ergueu o tom de voz, travando a mandíbula.
O loiro terminou de engolir antes de virar-se para o mais novo;
— Primeiro, quem está te provocando é a , eu não tenho nada com isso, então não joga nas minhas costas, Potter — então olhou para Sirius, com sua melhor cara de inocente — Fazem dias que mal nos vemos e só ficamos na sala, com você ou Harry junto, lembra?
O homem o encarou por mais alguns instantes, antes de respirar fundo, voltando sua atenção para o prato.
— Realmente, estou até surpreso, embora feliz.
Cedrico sorriu debochado ao olhar para Harry, vendo-o rolar os olhos.
— Mas sério, pai, — retomou — o que aconteceu? Achei que você queria sair com ela de novo, não?
Sirius respirou fundo, levando seu copo de suco a boca e tomando um longo gole antes de voltar a falar, achando o assunto muito delicado para um sábado à noite.
— Como você mesmo disse, Genevieve é Trouxa, não sei se vale à pena eu voltar a procurá-la. Primeiro passei meses sem aparecer, e dei uma desculpa fraca para isso. E, de qualquer forma, não sei se seria um relacionamento bem-sucedido.
— Mas você não pensa em contar para ela? — Diggory começou confuso. — Se você realmente gosta dela, teria que contar, não é?
— O problema é justamente esse, — concordou, passando a mão pelos cabelos compridos — não podemos expor nosso mundo para os Trouxas.
— Mesmo se vocês realmente ficarem juntos? — Harry perguntou surpreso, vendo-o concordar. — Mas não faz sentido nenhum! Como alguém conseguiria esconder e…
— A maioria dos bruxos faz isso, — Sirius o interrompeu — quando tem filhos só contam quando está na hora deles irem para Hogwarts, é lei. Não podemos expor nosso mundo aos Trouxas, são pequenas as exceções.
— Pai, mas você ouviu o discurso do Quim, ele falou que vai tentar mudar algumas coisas, talvez isso seja uma dessas coisas; além do mais, você só contaria para ela, não é? Se ela surtar você poderia apagar a memória, ninguém mais saberia. — Sugeriu, vendo-o menear a cabeça — Além do mais, mesmo se for contra as regras, não é como se fossem te mandar para Azkaban por contar à sua namorada que é um bruxo!
Sirius concordou a contragosto, sorrindo minimamente;
— Alguma vantagem eu teria que ter depois de tudo — disse baixo.
— Você deveria falar com ela, — Cedrico sorriu confiante quando o mais velho o olhou — convide-a para um jantar, retome o namoro e depois você pensa em um jeito de contar.
— Sim, mesmo porque, não vai conseguir esconder muito tempo se ela começar a frequentar a casa! — concordou.
— Não seja medroso, Sirius! — Harry encerrou, rindo da cara de desagrado que o padrinho fez.
— Já sei! — A loira sorriu, virando-se animada para o pai — A convide para vir aqui!
— Você está louca? — Sirius negou no mesmo segundo, balançando a cabeça.
— Está com vergonha de nós? — replicou, estreitando o olhar — Como é que eu tive que apresentar meu namorado, Harry provavelmente fará o mesmo, e você passa impune sem a gente aprovar nada?
— Teoricamente você não me apresentou ninguém — respondeu arqueando a sobrancelha — eu já o conhecia, não foi? — Apontou com a cabeça para Cedrico, que sorriu sem graça ao lembrar-se da época em que o homem fingia ser um cachorro. Era sempre embaraçoso pensar em tudo aquilo, por isso Diggory normalmente preferia fingir que havia sido uma alucinação.
— Que seja! O mínimo é trazê-la aqui em casa para que possamos conhecê-la!


Cedrico afastou-se de poucos segundos depois, ao ouvir Sirius pigarreando ao entrar na sala, olhando o casal se despedindo na porta.
— Tchau, Sirius! — Sorriu amarelo para o homem, que apenas acenou com a cabeça, logo subindo as escadas. — Te vejo depois! — Disse ao voltar a atenção para a namorada, roubando-lhe mais um beijo antes de se afastar, mas a loira o puxou pela mão antes que ele se virasse, beijando-lhe a bochecha e sussurrando próximo ao seu ouvido;
— A janela está aberta, Diggory.
Cedrico mordeu o lábio, tentando evitar o sorriso largo que se espalhava por seu rosto.
— Uns quarenta minutos? — Perguntou baixo, vendo-a concordar, antes de fechar a porta.
subiu as escadas, entrando em seu quarto e pegando suas coisas antes de ir para o banho, sentindo-se um tanto mais tranquila. Ainda tinha aquela sensação estranha no peito, como uma ferida que não cicatrizava.
Já haviam se passado quase 4 meses desde a Batalha de Hogwarts, mas continuava com aquele incômodo dentro de si. Aos poucos parecia começar a acostumar-se com ele, achando que talvez nunca mais se livrasse daquele sentimento, no fundo se perguntava se mais alguém sentia aquilo, mas não iria puxar aquele assunto com ninguém. Todos tentavam voltar ao normal, não seria ela quem traria aquilo de volta, era algo particular de cada um e não queria ser a responsável por fazer qualquer pessoa se sentir mal. Havia conversado mais algumas vezes com Andrômeda, que, aos poucos, também parecia se acostumar com o vazio, embora Teddy ocupasse muito de seu tempo.
Respirou fundo ao ligar o chuveiro, sentindo a água quente cair por sobre sua cabeça e corpo, pensou por alguns instantes se havia tomado a decisão certa ao convidar o namorado para passar à noite com ela, tinha sido algo impulsivo, apenas queria passar mais um tempo com Cedrico.
Parte de si sabia que não estava sendo a melhor das namoradas, mas também sabia que ele entendia e não a cobraria. Talvez fosse aquele um dos motivos de amá-lo tanto; Diggory sempre entendia o momento que cada um passava, era muito empático. Por isso não dizia nada, passou semanas apenas consolando-a sempre que precisava, e até quando ela não dizia nada ele estava lá, abraçando-a e garantindo que tudo ficaria bem.
Sorriu sozinha ao lembrar-se da conversa de semanas antes, na qual ele disse que esperava morar com ela em algum momento. desejava o mesmo, queria passar a vida toda ao seu lado. Ao pensar nisso soube que tinha feito a coisa certa ao chamá-lo, mesmo que tivesse sido impensado.
Desligou o chuveiro ao ouvir uma batida na porta e Harry gritar que também queria tomar banho, fazendo-a rolar os olhos. Colocou seu pijama e saiu, minutos depois, secando os cabelos. Potter apareceu no corredor com uma toalha sobre o ombro, soltando um “finalmente” antes de entrar no cômodo. A loira ainda parou para desejar boa noite a Sirius, que vinha subindo as escadas com um copo d’água e beijou-lhe a testa, antes de seguir para o final do corredor. entrou em seu quarto, acendendo a luz e virando-se para pendurar a toalha atrás da porta, antes de pentear os cabelos compridos, os quais já precisavam de um corte há algumas semanas, antes de voltar-se para a cama, jogando-se sobre a mesma e encarando o teto.
Ouviu Harry sair do banho minutos depois, dando duas batidinhas em sua porta como sempre fazia ao passar, antes de trancar-se no próprio quarto.
Bocejou instantes depois sentindo-se sonolenta, franziu o cenho ao olhar o relógio, considerando se Diggory talvez tivesse desistido e ido para a própria casa. Resmungou baixo, apagando a luz e virando-se na cama, pronta para dormir.
Quando já estava quase pegando no sono, ouviu uma movimentação e, pouco depois, pode ouvir a voz baixa do loiro;
— Ué, já está dormindo?
— Por que demorou tanto? — Disse no mesmo tom, vendo apenas a luz que saia da ponta da varinha que Cedrico segurava iluminar o quarto, enquanto ele fechava a janela.
— Estava esperando Sirius e Harry apagarem as luzes, queria garantir que não apareceriam aqui de surpresa. — Dizia, retirando os sapatos antes de subir na cama, deitando-se ao seu lado — Você está cheirando a morangos! — Riu ao mexer em seus cabelos úmidos.
— Troquei o shampoo — respondeu, sorrindo ao notar ele aproximar seus rostos.
— Já vai dormir?
— Talvez mais tarde! — Sussurrou, antes de juntar seus lábios aos dele, passando os braços por seu pescoço ao sentir as mãos grandes do rapaz apertarem sua cintura, juntando seus corpos.
Foi em meio aquele primeiro beijo, e todos os outros que vieram depois, que soube que, por mais que tivessem dias mais difíceis do que outros, estava na hora dela também seguir em frente, e ter Cedrico ao seu lado fazia tudo parecer mais possível. Diggory era como seu sol particular; sempre iluminava seus dias após uma noite tempestuosa.




Continua...



Nota da autora: Voltei rapidíssimo aqui, embora seja um capítulo difícil, porque tinha que passar o tempo pra gente começar a ser feliz na fic, mas ao mesmo tempo não podia ignorar tudo o que a Black tava sofrendo. Espero que vocês estejam gostando de acompanhar essa nova fase, chegou a hora de achar emprego, pagar contar e criar responsabilidades, porque essa fase chega para trouxas e bruxos também!
Não esqueça de comentar sobre o que tá achando e sugestões também, eu arrumei o roteiro todinho da fic essa semana, mas nunca se sabe, né?
Beijão

PS: Para acompanhar o facebook e instagram com algumas novidades e, possivelmente, spoilers dessa e de outras fics, os links estão abaixo!



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