Contador:
Última atualização: 27/11/2020

Ano 5

estava tendo dificuldade para processar a relação do grito da garota da Beauxbatons ao fato de Harry Potter finalmente ter saído do labirinto, até ver o corpo embaixo do garoto. O grifinório se agarrava ao corpo de Cedrico Diggory enquanto Dumbledore se apressava em retirá-lo e entender o que tinha acontecido. Nas arquibancadas era possível ouvir os gritos de Amos Diggory tentando chegar ao centro do campo enquanto os outros alunos estavam assustados demais para qualquer reação.
— Ele voltou — Harry gritava em meio a soluços — Voldemort voltou. Cedrico me pediu para trazer seu corpo de volta, eu não podia deixá-lo.
— Você-Sabe-Quem voltou? — murmúrios começaram a surgir pelas arquibancadas. Alguns rostos preocupados, outros incrédulos. Ninguém estava pronto para outra possível guerra.
— Ele voltou — sussurrou baixinho para que apenas ela pudesse ouvir. Se Potter estivesse certo e Você-Sabe-Quem realmente tivesse retornado, sua vida nunca mais seria a mesma.

Quando criança sempre ouviu histórias sobre os grandes feitos de seu pai e queria ser como ele. Antonio Dolohov o justiceiro. O servo fiel que ficou ao lado de quem acreditava estar certo e fez de tudo para que este alcançasse o poder. Um bruxo magnífico, poderoso e que injustamente foi preso por homens maus e separado de sua família. Adorava ouvir de sua mãe que algum dia seu mestre retornaria e seu pai estaria livre. Poderia cuidar delas novamente. E de como era dever de continuar lutando por aquilo que sua família prezava.
Por muito tempo viu aquele que não deve ser nomeado como um tipo de divindade. A única pessoa que seria capaz de resolver os seus problemas e trazer seu pai de volta. Cresceu com crianças que assim como ela tinham dinheiro e fome de poder. Que foram ensinadas a desprezar qualquer um que fosse mais fraco. Ninguém com menos status merecia sua atenção.
Se lembrava perfeitamente de seu primeiro dia em Hogwarts. McGonagall com o chapéu em mãos chamou o primeiro nome da lista.
— Isis Dolohov.
caminhou confiante até o banquinho e encarou todos os outros alunos no salão. Sabia a qual casa pertencia antes mesmo do chapéu seletor anunciar, não tinha como ser diferente.
— Você alcançará grandes coisas — o chapéu sussurrou dentro de sua cabeça. — Claro que vou — ela revirou os olhos — Não preciso que me digam o óbvio. Era possível um chapéu bufar?
— Sonserina — ele gritou para todo o salão.
A garota sorriu confiante e se dirigiu a mesa onde todos os alunos vestiam verde. Foi recebida sob aplausos e batidinhas nas costas por vários bruxos conhecidos. Ela estava em casa.

Pareu uma eternidade até que alguma coisa minimamente interessante aconteceu. Estava conversando com Draco Malfoy quando um menino desajeitado de sentou no banco.
— Lufa Lufa ou Grifinória? — ela perguntou.
— Lufa Lufa, com certeza — Draco riu maldoso.
O chapéu não demorou a se decidir.
— Grifinória!
Segundos depois o salão inteiro explodiu em gargalhadas. O garoto tinha ficado tão nervoso que ao se dirigir para a mesa selecionada esqueceu de tirar o chapéu e teve que voltar para entregá-lo para o próximo estudante.
— Grifinórios deveriam ser corajosos — zombou do menino — Esse ai parece ter medo até de um chapéu velho.
— Você sabe que esse negócio de coragem é uma distração para o quão estúpidos eles são — Malfoy rebateu.
— Esse não é o mesmo menino que estava chorando por causa de um sapo?
— Ele mesmo, e agora conseguiu ser ainda mais patético.
Dolohov sentiu uma dor estranha no estômago ao passar o olhar pela mesa da Grifinória e reparar que o menino do chapéu estava quieto de cabeça baixa enquanto todos os outros grifinórios conversavam.

Procurava sempre pensar no quanto tinha mudado ao longo do tempo. Não era mais a garotinha que ficava falando mal dos outros alunos junto com Malfoy. Discutiram muito no último ano porque simplesmente não aceitava mais o jeito que o garoto tratava as outras pessoas, não parecia que algum dia ele mudaria. Mas os dois garotos também não se desgrudavam, eram a coisa mais familiar que tinham. Não importava o quanto estivessem irritados um com o outro, se um dos dois precisasse, o outro estaria ali. Mas Dolohov jamais negaria que adorava ver o garoto mal humorado.
Os dias após o final do torneio tribruxo foram difíceis. Esperava ansiosamente uma carta de sua mãe confirmando os boatos de que Você-Sabe-Quem tinha retornado. Não que geralmente ela recebesse alguma correspondência, mas acreditava que pelo menos em um assunto como esse ela seria notificada. O clima na Sonserina também não estava dos melhores. Vários alunos estavam se gabando que finalmente as coisas voltariam ao normal, ao que era para ser. Mas a maioria estava com medo. Todos tinham ouvido dos horrores durante a primeira guerra bruxa e sobre os misteriosos desaparecimentos dos bruxos que ousaram se opor ao Lorde das Trevas. Tinham medo do que poderia acontecer com seu retorno. Draco se gabava que seriam ótimas férias cheias de reuniões secretas para a volta do bruxo das trevas ao poder. tinha certeza de que ele não sabia o que aquilo realmente significava.
Foi a viagem de trem mais longa dos últimos anos. Dolohov estava na cabine junto com Malfoy, Crabbe, Goyle e Parkinson que chegaram logo depois da garota. Fazia uma hora que tinham partido de Hogsmeade e ela já não aguentava mais o ambiente hostil. Se levantou propositalmente pisando em Pansy e se dirigiu para fora da cabine.
— Onde você vai? — Draco segurou seu pulso, a impedindo de sair.
— Agora é proibido dar uma volta pelo trem? Me solta, Malfoy.
— Eu só to perguntando o que te faz sair assim.
— Acredito que perguntas estúpidas — puxou o braço com força — Sabia que estupidez me deixa enjoada, Draco? Vou tomar um ar.
O bruxo bufou batendo a porta da cabine com força. riu fraco, era extremamente cansativo ter que lidar com ele. E temia que Draco estivesse certo. Tinha a terrível sensação de que passariam um tempo muito ruim juntos nessas férias.

Caminhava distraída quando esbarrou em alguém pelo corredor.
— Desculpa — falou sem olhar em quem tinha batido.
Foi a resposta gaguejada de “tudo bem” em uma voz estranhamente familiar que fez a garota parar e olhar em quem tinha esbarrado.
— Longbottom — ela sorriu. Pela cara do garoto a sua frente, seu sorriso tinha sido mal interpretado.
— Dolohov — sussurrou.
— Eu estava mesmo querendo falar com você — ela deu um passo para a frente, fazendo com que o grifinório recuasse o dobro do espaço — Mas por algum motivo eu não tenho te encontrado sozinho pelos corredores do castelo.
Neville sabia muito bem o motivo. Faziam meses que evitava o máximo possível encontrar com Dolohov, que parecia que o perseguia desde uma das aulas de Moody. Tinha sido muito difícil ver a maldição cruciatus pessoalmente e não precisava de ninguém o caçoando por isso. E não entendia o porquê da insistência da garota, mas sempre que a via se aproximando se dirigia o mais rápido possível a uma roda de grifinórios, ou ao banheiro masculino, qualquer lugar em que ela não conseguisse o encurralar. Mas agora no trem ele não tinha para onde ir, sua cabine estava longe e ele não queria simplesmente se enfiar em uma cabine cheia de desconhecidos.
Uma pequena onda de coragem passou por Longbottom que resolveu enfrentar a menina.
— O que você quer?
— Queria dizer que eu sei — não, ela não podia dizer que sabia — Que eu imagino — corrigiu — Como deve ter sido difícil para você nos últimos dias. As maldições imperdoáveis não deveriam ser tratadas daquela maneira na frente dos alunos, quase que com adoração. Ainda mais pelo estrago que elas são capazes de fazer, não? — sorriu fraco.
Neville assentiu.
— Enfim, você foi corajoso. Parabéns.
— Obrigado, eu acho.
— Vai lutar pelo lado certo — ela murmurou se retirando.
Hermione Granger apareceu no exato momento em que tinha passado para o próximo vagão.
— Aconteceu alguma coisa? Parece assustado.
— O que diabos acabou de acontecer?


Quando o trem chegou na plataforma Dolohov foi uma das primeiras a desembarcar. Queria chegar logo em casa e tomar um banho quente para ver se parava de pensar um pouco. Estava andando em direção aos Malfoy quando ouviu uma voz familiar chamando seu nome.
— Mãe?
— Querida, me espere — a mulher andava o mais rápido que seus saltos permitiam.
— O que faz aqui?
— Isso é jeito de tratar sua mãe?
— Esperava outra reação? Você nunca me buscou na plataforma. Desde meus onze anos tem me despachado para Lucius e Narcisa a cada início de semestre. E eles me deixam em casa no começo de cada férias.
— Mas agora as coisas mudaram, queridinha — passou o braço pelos ombros da filha — As coisas mudaram para nós duas.

Quase uma semana depois as coisas na mansão Dolohov se tornaram praticamente insuportáveis. passava a maior parte do tempo trancada em seu quarto para não precisar interagir com os novos convidados que passavam o dia inteiro perambulando no andar de baixo. Já tinha até encontrado Draco sentado em sua cama em um dia que saiu por dez minutos para comer alguma coisa, tinha certeza que o garoto estava se escondendo de seus pais. Conversaram um pouco e o loiro acabou adormecendo, o que fez se perguntar se ele estava conseguindo dormir em sua casa.
— Vou para o beco diagonal — sua mãe estava conversando com alguns comensais e praticamente não deu atenção. O que considerou ótimo.
— Claro, querida. Azare uns trouxas para mim.
A menina concordou e saiu o mais rápido que pode, sempre olhando para trás para ter certeza de que não estava sendo seguida. Depois de caminhar uma distância segura e ter certeza de que estava sozinha, dobrou a primeira esquina que viu e vestiu uma capa surrada que carregava nos bolsos. Era a maneira mais segura de chegar a seu destino.

Dois anos antes quando foi parar no St Mungus pela primeira vez, conheceu uma das enfermeiras, a senhorita Carter. Dolohov tinha saído correndo de casa em um surto de desespero. Não aguentava mais conviver naquele lugar frio e solitário, não aguentava mais sua mãe contando as histórias de seu pai que ficavam cada vez piores e principalmente a estranha chama de esperança que tinha se acendido na senhora Dolohov depois que Sirius Black fugiu de Azkaban. Se um homem como aquele tinha tido a capacidade de escapar, em breve seu marido também escaparia.
Ter seu pai de volta tinha sido por muito tempo o sonho de , mas as coisas mudaram em Hogwarts. Conheceu muita gente legal fora do seu círculo de amigos de infância e estava começando a perceber que seus amigos não eram tão legais assim. E nem a sua família. Porque faziam tanto mal para pessoas boas? Que nunca tinham feito nada de errado? Começava a entender que homens maus não tinham levado seu pai para longe, mas que ele era o homem mau e estava apenas colhendo os frutos de seus erros. Mas tudo isso era muito para uma garota de 13 anos processar. Enquanto pensava em tudo que a incomodava, andou tanto que acabou chegando no hospital de St. Mungus.
— Quem é você? — a voz vinha da lateral do prédio. Uma moça, não devia ter mais de 20 anos, estava encostada na parede — O que faz aqui?
— Meu nome é — falou baixo. Não era o ideal ficar espalhando seu sobrenome por aí — Eu... Na verdade não sei direito o que eu to fazendo aqui.
— Prazer — estendeu a mão — Sou Amélia Carter. Trabalho como enfermeira aqui.
— E porque não está do lado de dentro?
— Perspicaz — sorriu — É um serviço que exige muito de mim. Tem pessoas que chegam muito machucadas e as vezes eu preciso sair e respirar antes de fazer o que precisa ser feito. Me conta, porque você parece tão triste?
— As coisas estavam ruins lá em casa, ai eu resolvi sair um pouco.
— Veio ao lugar certo! Porque você não entra comigo? Sempre que eu tenho algum problema o St Mungus me lembra que existem pessoas com problemas bem maiores que os meus.

E foi assim que conheceu Amélia e começou a visitar o St Mungus sempre que podia. Levou um tempo até que confiasse plenamente na mulher e contasse seu sobrenome. Ambas decidiram que se fosse para continuar a visitar o hospital, era mais seguro que não revelasse seu sobrenome e mudasse seus trajes para não ser seguida por algum dos amigos de sua mãe. Foi quando adotou o sobrenome de Amélia no hospital e ganhou a sua capa.
— Está bem surrada — Amélia tinha trazido uma das capas velhas de sua família — Eu acho que deve servir bem. Ninguém espera que uma Dolohov se vista assim.
— É perfeita — sorriu — Mas minha mãe nunca permitiria que eu levasse para casa e carregar uma bolsa seria suspeito demais. Eu nunca ando com bolsas.
— E é por isso que eu preciso que você tire sua calça — Carter gargalhou ao ver a cara da menina — Vou encantar os bolsos com o feitiço indetectável de extensão. Quando eu terminar você vai conseguir guardar umas vinte capas dessas nos bolsos e ninguém vai perceber.
começou então a sempre sair para a direção contrária ao hospital e quando tinha certeza de que não tinha sido seguida por ninguém vestia a capa e seguia pelo caminho correto. Há dois anos não imaginava como essas precauções seriam necessárias.
Aprendeu muito em suas visitas. Ingredientes de poções que sozinhos já curavam muitas coisas, poções mais simples que sempre que podia Carter dava um ou dois frascos pequenos para guardar em seus bolsos. já possuía um pequeno estoque de curas mágicas em casa e esperava nunca precisar usar, embora soubesse perfeitamente como funcionavam. E principalmente os feitiços de cura, depois de dois anos já dominava boa parte deles.
Um dia, andando entre os pacientes que tinham sido feridos por comensais da morte, encontrou algo que lhe chamou a atenção. Um sobrenome extremamente familiar.
— Senhorita Carter — chamou — Pode vir aqui um minuto?
— Aconteceu alguma coisa?
— Quem são Frank e Alice Longbottom?
— Achei que demorou para perguntar deles — sorriu fraco — Frank e Alice foram muito corajosos, sabe? Isso aconteceu logo depois a queda de Você-Sabe-Quem. Dizem que os comensais acreditavam que ele estava apenas escondido e que Dumbledore sabia onde. Então um dia eles encontraram Frank e Alice e os torturaram com a maldição cruciatus, esperando obter uma resposta. Os Longbottom eram muito fiéis a Dumbledore e mesmo não sabendo nada sobre, não tentaram se defender dizendo que não sabiam. Bellatrix Lestrange conseguiu fazê-los chegarem a seu limite. Eles enlouqueceram, querida.
Os olhos de se encheram de lágrimas. Ela se lembrava de um Longbottom em Hogwarts. O menino que ela e Draco Malfoy costumavam incomodar sempre que podiam.
— Por acaso eles tiveram filhos?
— Um menino, deve ter a sua idade. Vem sempre com a avó visitar os pais, já era para vocês terem se encontrado aqui. A avó dele você já deve ter visto. Uma senhora com um chapéu engraçado.
se lembrava dela. Sempre com chapéus extravagantes e uma bolsa enorme, a mulher parecia um pouco brava. Dolohov agora entendia o porquê.
— Eu conheço o filho deles, Neville — contou — Eu posso não ter sido muito legal com ele nos últimos anos. Ele é meio bobão, sabe? Desastrado, sempre se mete em confusão. Deve ser difícil pra ele.
— Você tem que ver como ele olha para a mãe. Eu não posso imaginar o que é crescer assim. Ela não o reconhece, . Ela reconhece algumas das enfermeiras, mas não o próprio filho. Acho que agora o garoto já aceitou, mas nos meus primeiros anos aqui ele se sentava ao lado da cama e chorava, repetindo baixinho que era seu filho. E que sentia muito não ser tão corajoso quanto eles.
— Eu preciso de um favor — falou olhando para os senhores Longbottom. Frank dormia parecendo sereno e Alice tomava um chá que uma das enfermeiras tinha acabado de entregar — Quando Neville vier com a avó, você precisa me avisar para me esconder. Ele não vai gostar de me encontrar aqui.
— Ele é um bom menino, não precisa se esconder.
— Ele é — sorriu — Mas eu não tenho sido uma boa garota com ele.
e Neville já tinham estado ao mesmo tempo no hospital várias vezes desde então. Mas Dolohov sempre corria para algum outro andar no momento em que Carter a avisava. Ninguém em Hogwarts parecia saber o que tinha acontecido a seus pais, então deveria ser um assunto muito delicado para o garoto, ele não precisava saber que sabia.

Era quase uma hora de caminhada até o St Mungus e finalmente tinha chegado. As lembranças de seus primeiros dias rodeavam sua cabeça e não sabia porque tinha vindo o caminho inteiro pensando em Neville e seus pais. Sua mãe pedir para azarar alguns trouxas deve ter mexido com ela.
— Senhorita Carter — uma das enfermeiras se dirigiu até — Quanto tempo!
— Andei meio ocupada — sorriu apertando a mão da mulher — Mas como sempre vim o mais rápido que pude para vê-las. Amélia está?
— Terceiro andar, querida.
Dolohov agradeceu e subiu até o terceiro andar. Amélia veio correndo em sua direção.
— a abraçou — Eu estava tão preocupada, você nunca demorou tanto para voltar ao hospital. Aconteceu alguma coisa?
— Está cada vez mais complicado sair de casa — bufou — Acredito que saiba que Você-Sabe-Quem retornou?
A enfermeira abaixou a cabeça e assentiu. Tinha passado parte da infância em meio a guerra e desde a adolescência trabalhando com os feridos. Sabia o horror que sua volta significava.
— Minha casa está um caos. Minha mãe está toda animada com as novas possibilidades. Malfoy, Pettigrew, Avery, Macnair, todos eles não saem lá de casa. Ou estão na nossa sala de estar ou na mansão dos Malfoy. Eu não sei quanto mais eu posso aguentar de tudo isso. E só passou uma semana.
— Já falei várias vezes que pode morar comigo, se quiser.
— E você sabe que eu adoraria. E também sabe que eu colocaria todos da sua família em perigo. Seus pais, seus irmãos. Os comensais me iriam me caçar por todo o continente até entregarem nossas cabeças em uma bandeja aos meus pais. Carter concordou. Ela sabia o perigo que seria manter a menina por perto. Mas ela era tão jovem para sofrer tanto.
— Seu pai saiu de Azkaban?
— Não. Ainda não. Ontem Lucius comentou com a minha mãe que eles estavam entrando em um acordo com os dementadores. Se isso realmente acontecer vai ser só questão de tempo.
— E ai…
— E aí eu vou estar extremamente ferrada.

Várias horas depois quando estava indo embora, encontrou Neville e sua avó no saguão. Foi realmente exaustivo passar os últimos dois anos fugindo do garoto, mas não era agora que ela ia se deixar ser vista. Saiu correndo pelos corredores e vestiu sua capa ali mesmo. Quando passou pela senhora Longbottom e seu neto, manteve a cabeça baixa para não ser reconhecida.
Neville conversava com sua avó quando viu alguém vestido em uma capa vindo em sua direção. Algo ali parecia extremamente familiar, então a seguiu com os olhos até que saísse do hospital. Tinha certeza que já tinha visto aqueles sapatos antes, só não lembrava onde.
Ao chegar em casa, a visão de sua sala de estar fez querer vomitar. Ele estava ali. O próprio. Com seus olhos vermelhos e pele pálida era ainda pior do que conseguia imaginar. Desde o torneio tribruxo, desejava que as palavras de Potter fossem mentira e que ele não tivesse retornado. Limpou rápido todos seus pensamentos pois sabia que ele era capaz de lê-los e tentou disfarçadamente andar até as escadas para se esconder em seu quarto, mas sua mãe a chamou assim que a viu.
querida — chamou — Temos visita, venha.
Não sabia como reagir. Queria correr e se esconder em qualquer lugar que fosse, aceitar a proposta de Amélia ou fugir para as Américas. Mas acreditava que nenhuma dessas seria uma boa escolha. Então fez o que sua mãe lhe ensinou de melhor nos últimos anos. Limpou novamente seus pensamentos, se dirigiu até Voldemort e fingiu.
— Meu Lorde — fez uma referência — É um prazer finalmente conhecê-lo.
A tentativa de sorriso do bruxo era a pior coisa que a garota já tinha visto na vida, então escolheu pensar em pufosos de estimação. Peludinhos e de todas as cores existentes.
— Graciosa como a mãe — sua voz parecia o guizo de dez cobras, o que fez os pelos da nuca da garota se arrepiarem — E poderosa como o pai, imagino?
— É o que dizem — tentou sorrir.
— Então você será muito útil, Dolohov.
Sua mãe dava pulinhos de alegria. murmurou qualquer coisa sobre ter sido um longo dia e estar com dor de cabeça, pediu licença e se retirou. Não conseguiu dormir e resolveu sair pela janela de casa na manhã seguinte, para evitar perguntas. Correu o mais rápido possível para o hospital procurando por Carter. A bruxa demorou a chegar e quando encontrou a garota estava abaixada ao lado dos Longbottom chorando baixinho.
— O que aconteceu? — Amélia a abraçou, deixando que chorasse em seus braços — Sua mãe fez alguma coisa com você? Ela te machucou?
— Eu o vi — chorava — Ele estava lá em casa. Ele é horrível. Eu precisei fingir, eu…
— Você precisa aprender oclumência.

Nas semanas seguintes evitou ir para o hospital e começou a treinar em casa. Quando menor sua mãe conhecia um pouco de legilimência, então aos poucos foi aprendendo a limpar sua mente. Mas sabia que não seria o suficiente para se proteger de Voldemort.

— Ele consegue ler mentes, mamãe?
A senhora Dolohov estava sentada nos pés da cama da menina, contando algumas histórias para a garotinha dormir.
— Sabe sim. Ele consegue saber tudinho o que você tá pensando.
— E como ele faz isso?
— Olha, eu só sei fazer um pouco, nada comparado ao grande Lorde das trevas. Mas pense em alguma coisa e vou adivinhar.
O primeiro pensamento de foi que ela faria qualquer coisa para comer uma pilha de panquecas.
— Isso não é hora para panquecas — sua mãe disse severa — Pense em algo melhor.
Então ela pensou. Pensou em Hogwarts, como seria quando finalmente pudesse ir para a escola e passar o dia todo com seu único amigo, Draco.
— Isso sim é um bom pensamento. Vocês dois vão aprender muitas coisas em Hogwarts. Serão muito poderosos para poder servir adequadamente ao grande Lorde.
Naquela noite foi dormir muito feliz.
Mas com o tempo, saber que sua mãe era capaz de saber o que ela pensava começou a deixá-la incomodada. Começou a se sentir insegura dentro de sua própria mente, não gostava da ideia de não ter privacidade em seus próprios pensamentos. Então aos poucos foi aprendendo a esvaziar sua cabeça, limpar seus pensamentos ou pensar rápido em outra coisa.

Amélia tinha emprestado uns livros que ensinavam o processo de limpar sua mente por completo e quando conseguisse voltar para o hospital as duas treinariam a substituição desses pensamentos. Se quisesse sobreviver, Voldemort não poderia saber que era temido, deveria pensar que a garota o adorava acima de qualquer coisa. E ela só poderia fingir se ele acreditasse que era o que ela realmente pensava.
Voldemort aparecia na cada dos Dolohov uma vez a cada quatro dias e já não tinha mais desculpas para inventar. Mas estava se saindo bem melhor do que antes. Foi tão difícil conseguir se livrar de todos os comensais que vagavam por sua casa que a garota só conseguiu voltar ao St Mungus quando faltavam apenas duas semanas para voltar a Hogwarts.
— Finalmente — Carter sorriu correndo para abraçá-la. Estava começando a ficar cansada dessa recepção exagerada — Que bom que está aqui, pensei que podia ter acontecido alguma coisa.
— Eu estou bem, juro — riu — Só está bem difícil sair de casa. Eu ia escrever, mas alguma coisa me diz que nenhuma coruja que sair daquele lugar vai permanecer em segredo.
— Eu entendo, querida. Mas agora que está aqui não podemos perder mais tempo, você está pronta?
— Estou. Vamos treinar.
As garotas se dirigiram ao porão do hospital. O ambiente era frio, úmido e cheio de frascos de poções. Era começo de semana e dificilmente alguém desceria até ali, normalmente algumas enfermeiras autorizadas desciam nas sextas para repor os estoques de poções.
— Vamos começar pelo simples, eu tento ler a sua mente e você bloqueia os pensamentos.
— Nisso você sabe que eu sou boa.
— E você sabe que eu não tenho metade do poder dele. Não basta ser boa, você precisa ser extraordinária.
— Eu vou ser.
Carter ficou quase duas horas tentando ler a mente da menina, que escondia seus pensamentos com perfeição.
— Eu to muito orgulhosa! É difícil alguém com quinze anos ser capaz de se bloquear assim.
— Não é como se eu não tivesse um grande incentivo — riu fraco — Vamos tentar a segunda parte? Se ele tentar ler minha mente e não encontrar nada vai saber que tem algo errado.
— Você leu os livros, certo? — a menina assentiu — Então você tem uma boa base. Vamos começar daí. Imagine uma caixinha em sua mente. Agora guarde todos seus pensamentos dentro dela. Pronto? Agora imagine uma folha de papel e escreva tudo o que você quer que ele saiba. Vamos lá?
pensou em coisas absurdas. Imaginou vezes em que tinha azarado trouxas, o que nunca aconteceu, mas em sua mente tudo estava muito bem detalhado. Criou uma falsa adoração por Voldemort que esperava que ele acreditasse.
, é ótimo você conseguir criar essas memórias — elogiou — Mas você também precisa mantê-las. Tem que aprender a não se distrair comigo, principalmente porque esse feitiço pode ser feito de forma não verbal e você nem saber. Não é esse o seu medo? — Dolohov assentiu — Então vamos. Mantenha as memórias em sua mente.
Quando terminaram, suava. Tinha conseguido manter as memórias por quase duas horas até se distrair e liberar seus pensamentos.
— Tente não ficar todo esse tempo perto dele e ficará bem.
— Eu vou treinar mais. Todos os dias. Eu vou ficar boa nisso.
— Você vai querida, ainda mais com essa determinação toda — riu.
assentiu juntando suas coisas.
— Já está na hora de ir?
— Já passou da hora, na verdade. Mas eu queria dar um oi para os pacientes primeiro. Não acho que conseguirei voltar antes da volta do ano letivo.

A garota subiu e caminhou junto das macas. Executava um feitiço de vez em quando para pequenos reparos. Um nariz quebrado que se arrumava, uma marca roxa que sumia. Um ou dois ossos fora do lugar. Estava na maca ao lado dos senhores Longbottom quando viu Amélia a olhar desesperada, apontando para algo a suas costas. Quando se virou, Neville a olhava assustado.
O grifinório tinha ido com sua avó visitar seus pais. A senhora dizia que era a última vez que os veriam antes que ele fosse para Hogwarts, mas ele sabia que iria convencê-la a visitá-los novamente alguns dias antes de ir para King’s Cross. Estava quase chegando perto de seus pais quando viu uma garota extremamente familiar abaixada na maca ao lado, conversando com um dos pacientes.
— O que foi, Neville? — sua avó perguntou. O garoto parecia pálido.
— Temos que voltar — sussurrou — Ela não pode nos ver aqui.
— O que?
— Aquela garota — apontou para que tinha acabado de olhar para os dois, igualmente assustada.
?
— Você a conhece?
— Sim, Carter. Ela sempre está aqui, às vezes até traz chá para Frank e Alice.
— Carter?
— Ora Neville. Chega de perguntas estúpidas e vá cumprimentar seus pais.

resolveu esperar Neville ir falar com os pais para sair despercebida, mas isso não aconteceu. Assim que tentou se retirar o menino foi atrás dela.
— Dolohov — chamou.
Em meio ao desespero, correu ao encontro do garoto para fechar sua boca. Enfiou a mão nos seus lábios e o puxou para um canto menos movimentado da enfermaria, olhando desesperadamente ao redor para descobrir se mais alguém tinha ouvido.
— Enlouqueceu, Longbottom?
— O que foi?
— Não pode sair chamando as pessoas pelo sobrenome assim.
— Então é por isso que minha avó te chamou de Carter.
— É o sobrenome da Amélia, uma das enfermeiras.
— Porque não usa o próprio nome?
— Olha ao seu redor, garoto — bufou — Meio óbvio, não acha?
— Eu lembro do nosso primeiro dia em Hogwarts. Quando a professora Minerva te chamou, ela te chamou de Isis, certo? — ela assentiu — Porque você também não usa seu primeiro nome?
Pensou se deveria desabafar com o menino. Não tinham intimidade, na verdade mal se conheciam, não era hora para ficar reclamando do seu pai ou do restante da sua família. Mas era com Neville que estava conversando, que mal ele poderia fazer?
— Sabe, meu nome não é Isis atoa. Meu pai achou que seria um bom nome. Isis, a filha primogênita de Geb e Nut. Os primeiros deuses egípcios — explicou ao ver a confusão do garoto — Esposa do grande Osíris e irmã de Seth. Mãe de Hórus. Ísis era a mulher perfeita. A esposa perfeita, dócil, leal. A mãe daquele que conseguiu derrotar Seth. Era plenamente parte da realeza. Era tudo o que ele queria pra mim. Uma filha leal. Uma serva fiel ao lorde das trevas. E futuramente a esposa perfeita de algum comensal qualquer para trazer mais uma geração de seguidores a Você-Sabe-Quem.
Neville engoliu em seco.
— Isis Dolohov soa bem, não? — ela continuou — No fundo eu só levo o nome da minha avó porque minha mãe insistiu muito. E minha mãe só começou a me chamar por ele depois que meu pai foi preso, acho que para tentar superar sua ausência. Mas pra mim tanto faz. Acho que no fundo meu pai não pensou direito ao escolher Isis. Porque tudo o que ele via quando escutava as antigas histórias egípcias era como os homens eram grandes e em como Isis estava ali para servi-los. Isis foi mais que isso. Ela cuidava de quem quer que fosse: ricos ou pobres, homens ou mulheres. Ela defendia o que achava que era certo. E acima de tudo eu me agarro todos os dias ao significado do nome. “Nasci de mim mesma, não venho de ninguém”. Sem querer Dolohov acabou me dando aquilo que eu mais precisava, um lembrete constante de que não sou como ele.
Um sorriso engraçado estava no rosto do menino, nunca tinha visto um sorriso daqueles no garoto.
— O que foi?
— Você não é tão ruim quanto eu pensava.
— Agradeço.
Ele assentiu.
— Posso perguntar mais alguma coisa?
— Claro.
— A quanto tempo sabe — fez uma pausa para respirar — dos meus pais?
— Uns dois anos
— E porque nunca contou pra ninguém?
— Que direito eu tenho de contar para alguém?
Neville parecia surpreso. A garota andava com Malfoy desde o primeiro dia letivo e o atormentou boa parte deles. Tinha começado a tratá-lo um pouco melhor a quase dois anos e pode se dizer que ela foi praticamente gentil com ele no trem. Seria por pena?
— Obrigado, acho.
— Não é vergonha nenhuma ter pais que resistiram assim até o final como eles, Longbottom. Alice e Frank são grandes heróis. Seria uma honra ser filha de alguém assim.
— Dolohov, porque você vem até aqui?
— Um jovem de muitas perguntas — riu — A primeira vez foi totalmente por engano. Eu tinha saído sem rumo e acabei aqui. Encontrei com a Amélia do lado de fora e levei um susto — gargalhou lembrando da cena — E ela me convidou para entrar. Depois disso eu tenho vindo sempre que posso. Eu gosto especialmente da ala dos que foram atacados pelo comensais — apontou com a cabeça a direção dos pais do menino — Sinto como se fosse minha culpa, sabe? Meu pai e seus colegas fizeram isso com essas pessoas. É quase uma dívida histórica.
Ele sorriu, jamais imaginaria que ela se sentisse assim.
— Você não é o seu pai. Nem de longe.
— Para alguém que eu perturbei por tanto tempo, até que você não tem guardado muita mágoa.
— Talvez sejam águas passadas.
— Bom, eu preciso ir. Já estou a tempo demais fora de casa.
Longbottom assentiu enquanto a menina andava até a saída. Abraçou Amélia, vestiu sua capa e andou rápido até em casa. No caminho, não podia deixar de pensar no tempo que tinha passado com o garoto. Quase não podia acreditar que tinham tido um tempo legal assim justo com Longbottom. Voltou pra casa mais animada para suportar os últimos dias antes do expresso. No dia de ir para King’s Cross, foi obrigada a ir junto com os Malfoy o que particularmente irritou bastante a garota. Mas estar em Hogwarts, longe de tudo, já era mais do que o suficiente por enquanto.

Se passaram alguns dias no novo ano letivo até que esbarrasse com Neville de novo.
— Porque Harry mentiria? — Neville gritava — Você viu que Cedrico morreu.
— Ninguém sabe porque o Cedrico morreu — Simas rebatia — Porque ele simplesmente não fala sobre isso.
— Dumbledore acredita no Harry.
— Dumbledore está velho e falaria qualquer coisa para dar credibilidade ao Potter. — Você não tem o direito de acusar Dumbledore desse jeito.
— Você está cego, Neville. O que você ganha com essa devoção exagerada a esses dois?
— Porque justo o Harry mentiria sobre uma coisa dessas? Os pais dele foram mortos por Você-Sabe-Quem.
— Por atenção! Ter ganhado o torneio tribruxo não foi o suficiente. Vai ver ele mesmo matou o Diggory.
— Eu não acredito que realmente pense assim, que o Harry faria uma coisa dessas — Neville fervia de raiva, não acreditava que um dos seus amigos era capaz de dizer tantas coisas ruins — Eu não sei o que aconteceu com você nessas férias, Simas, você enlouqueceu.
Saiu enfurecido em direção aos jardins do castelo e se sentou embaixo de uma árvore. Estava tão nervoso por ter brigado com Simas que não percebeu que tinha companhia. estava sentada quase que ao seu lado, lendo um livro sobre grandes bruxos desfazedores de feitiços.
— Você está certo — ela falou sem retirar seus olhos do livro — Harry e Dumbledore também, ele retornou.
Neville a olhou assustado.
— Você ouviu?
— Eu e metade de Hogwarts.
— E você teve contato com Você-Sabe-Quem?
— O verão inteiro, infelizmente. Ele apareceu em casa várias vezes durante as férias para algumas reuniões, ouvi que ele tem negociado com dementadores. Eu não duvido se em pouco tempo tiver uma fuga em massa em Azkaban.
— Porque não me contou no hospital?
— E você ia fazer o que?
O menino bufou.
, você precisa contar isso pra alguém.
— E não estou contando?
— Você precisa contar isso pra todo mundo.
— Não… Você não sabe como é.
Neville estava desacreditado. Ele não sabia como era? Praticamente não conviveu com seus pais por causa de Voldemort e agora ninguém acredita que ele retornou. As pessoas estão cegas, reféns do próprio medo e muita gente pode morrer por negligência. Quantas crianças, assim como ele, vão crescer sem seus pais?
— Você não tem o direito de dizer que eu não sei como é.
— Longbottom — suspirou — Você não entende o que é viver cercada por comensais a sua vida inteira. Eu cresci com essas pessoas. Cresci ouvindo sobre os feitos de Voldemort e do meu pai. Todos esperam alguma coisa de mim, esperam que eu esteja ao seu lado quando ele retornar. E agora ele retornou. Você faz alguma ideia de como eu me sinto? — ela abaixou a voz — Como as férias de verão foram insuportáveis? Que foi extremamente difícil ir ao hospital aquele dia porque eu estou sendo constantemente vigiada?
— Então porque ta me contando agora?
— Realmente não é um dos meus melhores momentos. E ter Você-Sabe-Quem o tempo todo no meu pé também não me deixa muito feliz.
Uma raiva enorme se apoderou do menino. Achava injusto Simas e os outros garotos não acreditarem em Harry quando Dolohov acabou de confirmar que era tudo verdade e muito pior do que ele imaginava. Também achava injusto que ela precisasse encontrar com Voldemort dentro de sua casa contra a sua vontade. Mas o pior era que uma parte de sua mente tinha medo de que gostasse do poder e resolvesse se aliar ao bruxo, exatamente o que ela foi criada para ser. E foi essa parte que se descontrolou e explodiu em cima da menina.
— Então não tá gostando de ser a queridinha dos comensais? De ter seu papai de volta? Não me parece tão ruim ter o herói da sua infância aparecendo de surpresa em sua casa.
Se arrependeu das palavras assim que saíram de sua boca.
— Neville Longbottom, você é um grande idiota.
se levantou e saiu o mais rápido que pôde em direção ao salão comunal sonserino. Entendia que Neville estava com raiva, mas não esperava que justo ele a acusasse daquele jeito.
Nos jardins, o garoto se jogou na grama, frustrado com o que tinha feito. Não queria ter falado daquele jeito com Dolohov, mas sempre acabava na defensiva quando ela estava por perto. Porque ela tinha contado tudo aquilo para ele?

Dois anos atrás quando Sirius Black tentou invadir o salão comunal da Grifinória, ele atacou o retrato da mulher gorda. Ela ficou tão assustada que por um tempo Sir Cadogan precisou guardar o salão. O cavaleiro era tão maluco que trocava as senhas de entrada exageradamente e Neville não conseguia acompanhá-las. Um dia então, pensou que seria uma boa ideia anotar todas em um papel para não ficar trancado para fora.
Como esperado não foi uma boa ideia e Black conseguiu acesso a torre. McGonagall ficou furiosa e proibiu que ele tivesse as senhas, então Longbottom precisava sempre esperar que algum aluno chegasse para abrir o salão para ele. Perdeu as contas de quantas vezes dormiu do lado de fora da torre esperando por algum aluno que não apareceu. Mas essa não tinha sido nem de longe a pior parte. Dois dias depois da invasão de Sirius sua avó lhe mandou um berrador durante o café da manhã. Quando o berrador explodiu o garoto correu o mais rápido possível para fora do salão, mas tinha certeza que todos eram capazes de ouvir. Conseguia ouvir as risadas respondendo aos gritos de sua avó.
— Você é uma vergonha para a família Longbottom — berrava — Seu pai teria vergonha. Ele nunca faria uma coisa dessas, ele se sacrificou por você. Você não se parece em nada com ele…
Cada palavra era um soco no estômago. Não se lembrava da última vez em que se sentiu tão mal.
Na mesa da Sonserina, estava incomodada com as risadas. Já tinha visto a avó do garoto uma vez no hospital e associar aqueles gritos a senhora Longbottom a deixava apavorada. Além disso sabia o que era ser constantemente comparada com o pai e se sentir culpada por não alcançar seus feitos. A diferença é que não queria ser como seu pai. Mas para o grifinório era diferente, sabia que o sonho do garoto era pelo menos se parecer um pouco com eles.

Draco encurralou Neville assim que saíram da aula de feitiços. Crabbe, Goyle e Dolohov estavam com ele.
— Então seus pais estão com vergonha de tê-lo como filho, Longbottom?
Neville gaguejou. A cor de seu rosto estava quase atingindo o tom de suas vestes. Na mesma hora, se lembrou de Amélia contando que o garoto se sentava ao lado dos pais repetindo que queria ser corajoso como eles. Resolveu intervir antes que Malfoy fizesse ele se sentir pior.
— Disso você entende, não é Draco? Minha mãe contou que seu pai não ficou muito feliz de ter que comprar todo o time de quadribol no ano passado para que você pudesse jogar.
— Calada, Dolohov.
— Deveria ser mais como o Potter, sabia? Lucius ficaria mais satisfeito.
— Já falei para se calar — Malfoy berrou — Vamos embora daqui.
O sonserino saiu pisando forte, arrastando Crabbe e Goyle com ele. Neville ficou olhando para pensando se deveria agradecer, mas antes de ter uma chance ela o olhou de cima a baixo e saiu andando na direção oposta a de Draco.
Quando Dolohov e Malfoy se encontraram, Draco estava furioso.
— Como você pode me tratar daquele jeito na frente do Longbottom?
— Você não tem o direito de tratá-lo daquele jeito. Pararia se eu pedisse?
— Claro que não.
— Então foi o único jeito — a garota murmurou, subindo para o quarto.

Neville se sentou ainda mais frustrado do que antes. Com seu jeito torto, já fazia um tempo que o defendia das provocações de Malfoy, principalmente quando ele não conseguia se defender sozinho. Ele chegou a pensar que algumas coisas poderiam mudar depois da conversa que tiveram nas férias, mas agora tinha estragado tudo. Precisava se desculpar com a sonserina.

Se antes Neville evitava com todas as forças se encontrar com , agora era a garota que evitava o grifinório. Passava mais tempo do que o costume no salão comunal sonserino e nos momentos em que realmente precisava encontrar outras pessoas ficava perto de Draco. Sabia que Longbottom jamais a chamaria se estivesse com eles. Se concentrou então em usar todo esse tempo livre para praticar oclumência e pensar em falsas memórias para agradar o Lorde das Trevas.
Neville tentou por muito tempo se desculpar. Explicar que só falou aquelas coisas porque estava com raiva e que no fundo entendia que sair por ai falando que Voldemort tinha retornado traria graves consequências para ela. Se já estava ruim para Harry, que era o cara que o derrotou pela primeira vez, como seria para a garota que teoricamente deveria segui-lo? Se um dos comensais fez aquilo com seus pais, não queria imaginar o que fariam com um traidor.
O semestre letivo passou rápido. A nova professora de defesa contra as artes das trevas era completamente inútil e negava o retorno de Voldemort. Em uma das primeiras aulas, Potter questionou sobre o que fariam se encontrassem com Voldemort e não tivessem aprendido nada nas aulas de defesa, mas Umbridge surtou e o mandou para detenção. achou a pergunta muito interessante, embora que pelas poucas vezes em que tinha encontrado o bruxo das trevas, não acreditava que aulas do quinto ano poderiam ajudar.
Dolohov praticou oclumência no trem desde que saíram de Hogsmeade até chegarem em Kings Cross. Estava ficando muito boa, agora conseguia até manter as lembranças mesmo conversando com outras pessoas ao mesmo tempo. Acreditava que se pensasse muito nas memórias, eventualmente passaria a acreditar que eram reais e não teria tanta dificuldade em mantê-las na mente.
Quando chegaram em Kings Cross foi novamente uma das últimas a sair do trem. Como de costume, sua mãe não a estava esperando, mas duas pessoas vinham rapidamente a seu encontro: Lucius e Neville. Andando mais rápido, Lucius Malfoy pegou o braço da garota e a arrastou para junto de Narcisa e Draco. Pelo o que parecia, ele tinha voltado a ser sua babá.
Como não conseguiu falar com na estação, Neville aguardava ansiosamente o dia de ir ao St Mungus para encontrar a garota. Se ela realmente frequentava muito o hospital, as chances de se encontrarem eram grandes. Ficou pensando em como o pai de Draco a tinha arrastado pela estação um pouco antes de conseguir alcançá-la. E principalmente sobre o que teria feito se encontrasse os dois conversando. Não queria imaginar o que Dolohov estava vivendo.

Felizmente para , sua mãe não deu muita importância para o natal naquele ano. Na verdade ela nunca se importou com o natal, a menina acreditava que ela não se importava com nada, mas o alívio desse ano ser como todos os outros fez Dolohov quase dar pulinhos. A ideia de ter que passar o natal com os outros comensais rondava sua mente e pensar em dividir um peru de natal com Voldemort não a agradava nem um pouco.
— Deseja mais purê, meu senhor?
— Por acaso vocês colocaram leite da Nagini na receita? Daria um toque especial.
— E um pedaço do peru?
— O peru veio de uma longa linhagem de sangues puros?
Credo!
Outra coisa que também agradava a menina, era o fato de que as férias de natal eram curtas e ela logo voltaria para Hogwarts. Mas sua felicidade durou pouco. Alguns dias depois acordou com um jornal em cima de sua cama e um barulho alto de pessoas conversando no andar de baixo. Era comum que alguns comensais aparecessem, mas parecia que o número tinha se triplicado.
Nem precisou abrir o jornal para saber do que se tratava. Conseguia ver claramente uma foto de azkaban na capa. Voldemort tinha conseguido. Os comensais estavam livres.
Se preparou psicologicamente para descer as escadas, sabia que encontraria seu pai assim que saísse do quarto. Também suspeitava que poderia encontrar um bruxo indesejado, então tratou de esconder seus pensamentos e deixar a tona apenas seu lado mais obscuro.
Respirou fundo algumas vezes e abriu a porta.
— Ísis, querida — Antonio Dolohov se adiantou até a filha — Você está enorme e linda!
se assustou com o carinho repentino, não imaginou que seu contato com o pai passaria de um aceno.
— Tem servido ao nosso Lorde como é de sua obrigação?
Então aí estava, o lado obcecado que tanto ouviu falar nos últimos anos.
— Tenho seguido cada um de seus passos — sorriu para o pai, passando rapidamente os olhos pela sala até encontrar Voldemort em um canto a observando — Não é, meu Lorde? — fez uma reverência graciosa.
Antonio sorriu, todos seus sonhos estavam se realizando. Tinha saído de Azkaban, reencontrado seu mestre e sua filha daria início a uma nova geração de comensais. Não poderia estar mais feliz.
— E como estão as coisas em Hogwarts?
— Uma parte está bem ruim. O ministério colocou uma funcionária lunática para dar aulas e defesa contra as artes das trevas se tornou ainda mais chata. Até sugeri para alguns colegas que usássemos ela de cobaia para termos uma verdadeira aula de arte das trevas — tentou as pressas implantar essa memória, que provavelmente ficou um pouco mal feita. Torceu para ser o suficiente.
— Essa é a minha menina!
— Também andamos brincando com alguns alunos da grifinória, sabe como é. Mas fica muito difícil com aquele velho do Dumbledore nos enchendo o saco o tempo todo — que Dumbledore a perdoasse.
Um ruído veio da direção de Voldemort, interpretou como uma risada.
— Dumbledore gosta de atrapalhar alunos com potencial — sibilou.
Se ele achava que ela tinha potencial, ou tinha feito algo muito certo ou muito errado.
concordou e voltou a falar sobre qualquer coisa. Sangues ruins blá blá blá, tortura blá blá blá, grifinória má blá blá blá. Assim que considerou que era o suficiente pediu para se retirar, mas seu pai negou.
— Não se sai do cômodo antes de seu mestre, o que sua mãe andou te ensinando enquanto estive fora?
Tentou esconder a decepção. Se seria obrigada a ficar no mesmo cômodo que Você-Sabe-Quem ela precisaria de uma estratégia melhor do que ficar inventando coisas sem sentido que o agradasse. Para sua sorte, ou não, logo Lucius chegou com o resto da família e ela se retirou para conversar com Draco. O garoto seria uma ótima distração visto tudo o que estava acontecendo.
As férias que eram para ser poucos dias, passou com a mesma velocidade em que se passa um ano. Quando o dia de voltar para Hogwarts chegou, ao invés de reclamar por ter que ir com os Malfoy, agradeceu por não precisar ir com seu pai. Quando chegasse em Hogwarts tudo ficaria bem de novo.

Neville levou vários dias procurando Dolohov até finalmente encontrá-la no castelo. Estava começando a desenvolver a teoria de que a garota só era encontrada se quisesse.
— Neville apareceu do nada ao seu lado no corredor — Como estão as coisas com seu pai de volta? — sussurrou baixinho.
— Eu não to com paciência pra isso agora — começou a andar mais rápido, mas Longbottom segurou seu braço e a puxou para um canto afastado dos outros alunos.
— Eu tô perguntando de verdade. Vi como Lucius te tratou na estação quando entramos de férias e quando perguntei por você no St. Mungus Amélia me disse que você não aparecia desde a última vez que nos encontramos. Queria saber se as coisas melhoraram ou pioraram com ele por perto.
respirou fundo.
— Pioraram. Ele ta feliz de estar de volta e não me deixa em paz nem por um segundo. Acho que ele e Você-Sabe-Quem andaram falando de mim, porque parece que ele tá orgulhoso. Antes eu só dava alguma desculpa e ia para meu quarto, minha mãe não se importava. Agora preciso estar por perto o tempo todo e é muito estressante — desabafou — Fora que Lucius continua sendo minha babá, já que por ser um fugitivo ele não pode ser visto em público.
Neville colocou a mão em seu ombro, apertando levemente.
— Sinto muito.
encarou a mão do garoto, estranhando a proximidade. Balançou a cabeça concordando e saiu de perto o mais rápido que pode, indo para o salão comunal da Sonserina. O salão estava praticamente vazio, então se jogou em um sofá e começou a organizar os pensamentos. Sentia saudade de Amélia, era sua amiga mais próxima. Queria muito ter conseguido passar no hospital mas com toda a bagunça em Azkaban achou que seria mais seguro não sair de casa. Sabia que a mulher devia estar preocupada, principalmente com todas as notícias que estavam saindo sobre a fuga de Dolohov e outros comensais. Carter também deveria estar um pouco curiosa sobre o interesse de Longbottom na amiga.
— Neville — sussurrou.
Mandar e receber cartas era perigoso demais, pois se Draco desconfiasse ela teria que se explicar. Talvez até colocasse Amélia em perigo. Mas se Neville fosse ao corujal e depois recebesse uma carta, não teria problema nenhum. Dolohov foi até seu quarto, procurou papel e uma pena e rabiscou rapidamente antes que chegasse alguém.

Querida Carter,

Acho que encontrei um jeito para nos correspondermos mas só pode ser usado em caso de extrema necessidade. Por favor me avise se está tudo bem com você e sua família, qualquer coisa posso encontrar uma maneira de ajudá-los.
Suponho que imagine o porque eu não apareci nas últimas férias e principalmente porque eu estou te enviando a mensagem desse jeito, mas estou sendo cada vez mais controlada e mais do que nunca todo cuidado é pouco. De um lado, Você-Sabe-Quem está fazendo planos para um grande retorno e do outro o Ministério da Magia está começando a intervir em Hogwarts, a professora de DCAT está supervisionando algumas aulas. O que eu particularmente acho muito irritante, visto que já estou sendo supervisionada por pessoas demais. Mas fora isso eu estou bem, não estou machucada.
E eu sei o que está te deixando intrigada nos últimos dias. Não somos amigos, mal conversamos e só estou pedindo esse favor a ele porque não encontrei outra alternativa. Um beijo, responda essa carta para ele assim que puder.

D.

saiu correndo atrás de Longbottom para pedir que fosse ao corujal. Precisava que a carta fosse entregue o mais rápido possível. Depois de muito procurar, o encontrou sozinho em uma das estufas de herbologia.
— Ei… Eu preciso de um favor.
— O que foi?
— Você disse que conversou com Carter, certo?
Neville assentiu.
— Tem como você colocar seu nome nesse envelope e enviar para ela como se fosse seu? Eu faria isso mas se eu mandasse com a minha coruja ela poderia ser interceptada por comensais e mesmo que eu mandasse por outra coruja, se o Draco ficasse sabendo e achasse suspeito eu teria que responder mais perguntas do que eu posso imaginar. E eu preciso muito falar com a Amélia porque…
— interrompeu — Não precisa se explicar. Vou pegar uma pena pra escrever e ir direto para o corujal. Te entrego a carta quando ela responder. Suponho que vai ser endereçada para mim, não?
— Espero.
— Então não precisa se preocupar.


Desde então, todos os dias se sentou de frente para a mesa da Grifinória nos cafés da manhã. Neville não negaria que estava gostando da atenção. Por algum motivo gostava de saber que a garota não tirava os olhos dele e no fundo torcia para a carta demorar a chegar.
Uma semana depois uma coruja cinzenta pousou em frente a Longbottom com uma carta no bico. O garoto acariciou as penas da ave e disfarçadamente colocou a carta nas vestes, olhando para . Teriam aula juntos depois do café e ela poderia pegar a carta.
Neville chegou primeiro para a aula de poções, se sentando no meio da sala. chegou minutos depois, com a sala mais cheia, e resolveu sentar no fundo. Quando Longbottom escorregou a carta por debaixo dos pergaminhos para que Dolohov facilmente a derrubasse no bolso das vestes, ela olhou bem para ele e decidiu não pegar. Precisava perguntar uma coisa importante e não dava para fazer aquilo agora.
Só tinha pensado nessa questão recentemente, andou observando que o grifinório estava mais quieto que o normal. Só depois de um tempo ela percebeu o que estava acontecendo. Dos quatro comensais que torturaram seus pais, um tinha morrido e os outros três tinham acabado de escapar de Azkaban. Não conseguia nem imaginar como isso estava sendo para Neville. E se sentiu ainda pior quando percebeu que mesmo passando por tudo aquilo, onde sua mente deveria estar um caos, ele ainda se preocupava em saber como que as coisas estavam com ela e seu pai.
Demoraram a se ver de novo naquele dia, já era noite quando conseguiu encontrar Neville sozinho em um lugar pouco movimentado. Chamou o garoto e se esconderam atrás de uma das estátuas do corredor, uma bruxa caolha que tinha espaço o suficiente para dois adolescentes se esconderem sem serem vistos.
— Porque não pegou a carta na aula?
— Eu queria falar com você, não teríamos a oportunidade se você já tivesse me entregado a carta.
Neville considerou. Realmente só encontrou Dolohov porque passou o dia a procurando, demorariam a se encontrar novamente se não fosse pela carta.
— O que foi?
— Você leu a lista de nomes do profeta diário dos comensais que escaparam — não tinha sido uma pergunta, mas mesmo assim Longbottom assentiu — E sabe que Belatriz, Rodolfo e Rabastan fugiram.
A cor sumiu do rosto do garoto. Harry, Rony, Hermione e Gina tinham descoberto sobre seus pais nas férias de natal e desde então tentaram diversas vezes conversar sobre a fuga dos comensais. Não estava se saindo muito bem com as desculpas por não querer falar disso, mas os amigos compreenderam que ele não queria tocar no assunto. Mas ouvir perguntar era diferente. Ela provavelmente tinha tomado café da manhã com os três algumas vezes.
— Não precisa responder. Mas eu queria perguntar como você está com isso.
Mesmo que Neville quisesse responder, provavelmente não poderia. Sentia que não conseguiria falar nada pelos próximos anos. Em um impulso, Dolohov pressionou seu corpo sobre o corpo do menino, o envolvendo em um abraço apertado. Não tinha sido sua intenção, nem tinha pensado direito no que estava fazendo. Mas acabou quebrando todas as barreiras que Longbottom tinha construído. Ele respirou fundo sentindo o cheiro do cabelo da menina.
— Sinceramente eu não sei como estou me sentindo — desabafou — Eu estou muito assustado. Com medo de que venham atrás de mim ou da minha avó. Não estive tão preocupado com ela desde que Trelawney sugeriu que ela poderia não estar bem — os dois riram fraco — Mas eu estou com raiva. Eu quero vingança e sinto que é a oportunidade que eu precisava para fazer esses três pagarem pelo o que fizeram. Eu só preciso ficar mais forte.
o soltou, mas passou a mão em seu rosto antes de falar.
— Você é um grande bruxo, Neville. Só que só está se descobrindo agora. Você se esforça mais do que qualquer um aqui e tudo o que te aconteceu até agora só serviu para mostrar que você foi forte o suficiente para chegar até onde chegou. Além de que você tem amigos para te ajudar a passar por isso. Sei que eles vão te ouvir quando estiver pronto para falar.
Longbottom assentiu, sem conseguir pensar no que responder.
— Preciso ir. Obrigada pela carta — deu um beijo de despedida na bochecha do garoto e voltou quase correndo para seu salão comunal.
Estava ansiosa demais para saber o que Carter tinha a dizer. Quando chegou em seu quarto, uma de suas colegas já tinha dormido e as outras duas ainda não tinham chegado, então tentou fazer o menor barulho possível ao abrir o envelope.

Querida D.,

Eu não vou nem comentar sobre pra quem eu to mandando essa carta, mas você me deve muitas explicações. Na verdade eu vou comentar sim, mas mais pra baixo. Fica o questionamento: você fugiu dele por dois anos pra isso?
Foi bem esquisito receber uma carta escrita por Neville Longbottom, confesso. Eu nem consegui pensar em um motivo plausível antes de abrir e reconhecer sua caligrafia. Mas realmente foi uma solução inteligente.
Por aqui está tudo bem, estamos tentando levar a vida normalmente. Não sei se você tem alguma noção do que está acontecendo aqui fora mas o jornal trouxa já começou a noticiar alguns desaparecimentos. E sabemos o que significa.
Todas as enfermeiras no hospital estão muito preocupadas, o St Mungus não tem estrutura para cuidar de todos os pacientes que foram feridos por comensais na primeira guerra e ainda possíveis pacientes de uma próxima guerra.
Estava pensando esses dias e acho que uma capa surrada não vai ser mais o suficiente para que consiga andar em segurança, mas estou preparando um negócio que vai ser bem útil se precisar sair por alguma emergência. Assim que ficar pronto eu mando para o Longbottom.
E falando em Longbottom… Eu achei bem estranho ele vir perguntar de você para mim. Na verdade foi bem engraçado, ele chegou perguntando pela senhorita Carter e encontrou a senhorita Carter errada. Explicou meio por cima que tinha sido babaca e queria se desculpar, mas que você o estava evitando. Seria Neville Longbottom capaz de ser babaca com alguém? Você conseguiu mesmo tirar aquele garoto super fofo do sério? Eu estou surpresa. E aí um tempo depois você me manda uma carta por ele. Parece que vocês se acertaram, não? Que tipo de relação é essa? Eu sei que você não vai me responder mas eu tenho pensado sobre isso e gostaria que pensasse também. Me pareceu que ele quer se aproximar de você. Eu sei que você me contou várias vezes que tentou se aproximar e ele só se afastava, mas agora você tá entendendo que está acontecendo exatamente o contrário? Deixa o garoto se aproximar, . Ele parece gostar mesmo de você.
Sinto sua falta, se cuida.
AC.

riu baixo. Sabia que Amélia nunca deixaria passar essa história do Neville. Mas do jeito que as coisas estavam, era a pior época possível para se aproximar de alguém, principalmente de alguém como ele.

Nos dias seguintes, as coisas em Hogwarts definitivamente desandaram. Por algum motivo o ministro da magia surtou e colocou Umbridge como alta inquisidora da escola. O que significava que ela fazia o que quisesse lá dentro. Mandava e desmandava. Até que ela resolveu criar uma brigada inquisitorial. Deu poder aos alunos mais desprezíveis da escola e obviamente Dolohov estava entre deles. Não ficou nem um pouco surpresa de ter sido convidada. Podia ter sido o peso de seu sobrenome ou Draco pode tê-la indicado. O fato foi que a garota precisou pensar por uns dois dias antes de resolver aceitar. Seria útil, afinal.
Longbottom se manteve bem ocupado. Com a interferência de Umbridge em Hogwarts, precisava estudar ainda mais se queria de fato aprender alguma coisa. Mas não era o único que estavam com problemas, todos estavam estudando em dobro porque sabiam que por mais que as aulas fossem o suficiente para encerrar o ano letivo, se eles quisessem uma carreira quando saíssem de Hogwarts as matérias do quinto ano seriam fundamentais. Encontrava em algumas aulas. Queria perguntar porque ela resolveu entrar para a brigada inquisitorial. Porque ela desfilava com aquele distintivo para todos os lados como um soldado da Dolores. Mas a garota não olhava em sua direção. Foi quando Hermione convocou uma reunião para falar que não estavam sendo educados adequadamente que Neville reparou que estava pensando demais em Dolohov. Durante todo o tempo, não parou de pensar em como a garota seria uma ótima aquisição para a Armada de Dumbledore e que simplesmente não fazia sentido ela ter se aliado a Umbridge. E nos próximos dias perceberia que não pararia de pensar nela em vários momentos.

— Umbridge te mandou ficar de guarda no lugar do Filch essa noite. Se ver alguém saindo é para chamá-la imediatamente — Draco se jogou ao seu lado no sofá — E pode usar a magia que quiser para fazê-los ficarem quietos — sussurrou.
— Eu sei cuidar deles, Malfoy — a garota colocou uma mecha teimosa atrás da orelha e respirou fundo — A noite toda?
— Só até o toque de recolher.
— Então te vejo mais tarde — levantou e saiu em direção ao sétimo andar.
Quando chegou, Filch estava dormindo encostado em uma das paredes e não tinha nenhum sinal da Madame Nora, deveria ter saído para caçar algum rato.
— Filch — deu algumas batidinhas no ombro do homem — Meu turno, pode ir.
O zelador não se deu ao trabalho de responder, saiu resmungando sobre desrespeito e jovens abusados.
— Na próxima eu acordo ele com um balde de água fria — revirou os olhos.
Dolohov puxou uma cadeira, sentou e pegou um livro que tinha trazido para o tempo passar mais rápido. Quase três horas depois estava no capítulo final, mas precisou parar de ler quando uma porta se abriu a aproximadamente três metros da sonserina. não se mexeu, estava ali porque foi mandada mas não faria nada a respeito. Se suas suspeitas estivessem certas, Neville estaria dentro daquela sala. Qualquer outra pessoa que os encontrasse deixaria o garoto em perigo, mas ultimamente a menina vinha sentindo uma vontade estranha de protegê-lo.
Gina voltou rapidamente para dentro da sala para avisar os que ainda não tinham saído. Encontrou Neville, Harry e Luna conversando.
— Tem uma garota lá fora.
— Que? Quem? — Harry olhou assustado. Sabia a alguns dias que Filch os espiava, mas se Umbridge começasse a mandar outras pessoas eles precisariam arrumar outro lugar para treinar.
— Aquela filhote de comensal — Gina bufou — A Dolohov.
Neville olhou feio para a Weasley, que ficou sem entender. Resistiu a vontade de sair correndo atrás da garota, respirou fundo e se virou para seus amigos.
— Eu vou falar com ela — Longbottom caminhou firmemente para a porta — Enquanto isso saiam daqui.
— Você conhece ela? — Luna perguntou.
Neville assentiu e saiu pela porta.

Quando viu o grifinório vindo em sua direção, fechou seu livro e começou a caminhar para o lado oposto. Sentia que devia explicações que não queria dar. Não queria falar que entrou em uma organização ruim porque achou que seria a melhor forma de boicotá-la. Explicar que estando do lado de dentro, conheceria todos os pontos fracos e os exploraria do melhor jeito possível. Nem sequer olhava para Neville desde que entrou na brigada pois sabia exatamente como ele a olharia de volta.
Percebendo que a menina o evitaria mais uma vez, Longbottom correu e segurou seu braço.
— O que você tá fazendo?
— Porque você ta me evitando?
— Neville…
— Vamos — uma das mechas do cabelo da menina estava em seu rosto, ele a devolveu para a orelha — Pode conversar comigo.
— Você está decepcionado? — as palavras saíram de sua boca antes que conseguisse se conter.
— De jeito nenhum. Eu só estou confuso. Porque você entrou para a brigada? Porque está aqui?
— Estou aqui porque a Umbridge me colocou nesse turno.
— Você não precisa enviar um relatório?
— Ninguém saiu enquanto eu estava aqui.
— Mas você sabe que saiu. Porque não fez nada? Não deveria avisá-la?
— Não é problema meu — deu as costas para Neville e voltou a caminhar.
— gritou — Porque você entrou?
Mas não obteve resposta. Dolohov só tornou a olhar para trás quando chegou em frente a entrada do salão comunal sonserino, nas masmorras. Estava sozinha.

O boato de que alguns alunos tinham se juntado para praticar feitiços se espalhou pela sala comunal da sonserina, mas ninguém sabia ao certo qual o propósito de todo esse treino. chegou a ouvir alguém dizer que queriam dominar o castelo e instaurar uma ditadura grifinória. Pensou em intervir e dizer que tinham pessoas de outras casas, mas achou melhor não se meter.
Umbridge também estava mais desconfiada. Mesmo depois de Dolohov reportar que ninguém tinha passado enquanto estava de plantão, a mulher justificou que talvez o grupo não tinha se encontrado aquele dia. Estranhou a convocação tarde da noite alguns dias depois. A inquisidora queria todos os membros da brigada em sua sala. achou que era um sinal ruim, mas foi avisada tão tarde que não teve tempo de encontrar Longbottom e contar suas preocupações. Pouco antes de chegar, encontrou Umbridge e toda a brigada no corredor anterior o da sua sala. O estômago da garota gelou ao ver alguns alunos espiarem o corredor seguinte, tinha uma péssima sensação sobre quem estava ali.
— Invadiram a minha sala novamente. Vamos dar uma lição nesses moleques insolentes!
Quando virou o corredor, Luna, Gina e Neville estavam parados de guarda em frente a porta da sala da diretora. Umbridge e Draco entraram de uma vez, deixando os outros para trás. Os garotos da armada tentaram resistir, mas estavam em menor número. Um a um foram imobilizados e empurrados para dentro da sala. Dolohov se adiantou para Neville, torceu seus braços em suas costas e sussurrou em seu ouvido.
— Confie em mim.
Longbottom não sabia o que pensar. Ela não tinha explicado porque tinha entrado na brigada, não falava com ele a semanas e quando a abordou no corredor ela apenas disse três frases e saiu. Mas ainda assim, uma voz no fundo de sua mente dizia que deveria confiar na garota, então apenas assentiu.
Umbridge gritava com Harry, acreditava que ele estava se comunicando com Dumbledore. Era ridículo, se Dumbledore quisesse falar com alguém ele não precisaria de uma lareira. Enquanto isso, Draco se gabava sobre como tinha sido esperto por não cair na distração de Potter. reprimiu a vontade de revirar os olhos. Como Malfoy sabia ser insuportável quando queria.
Dolohov pegou a gravata que Longbottom estava usando e a amarrou frouxa em torno de sua boca, todos os outros estavam sendo amordaçados. Hermione não parecia estar muito bem, ela estava dentro da sala com Harry quando chegaram e Emília Bulstrode a empurrava com força contra a parede, parecia extremamente pessoal.
— Você está muito confortável — Dolohov sussurrou — Resista igual aos outros.
Neville começou a tentar chutar a garota, se debatendo para todos os lados possíveis. era mais forte do que ele imaginava, seu aperto era firme em torno de seus braços.
— Confisquem suas varinhas — Umbridge ordenou.
A garota sonserina colocou a mão sobre o cabo da varinha de Longbottom, mas ao invés de pegá-la, a escondeu por baixo de seu suéter. Virou o menino de frente para Dolores, de modo que ela não pudesse ver que a varinha continuava no mesmo lugar.
Minutos depois Draco voltou a sala com o professor Snape, nem tinha percebido que ele tinha saído. Umbridge reclamava que a Veritaserum tinha acabado e Severo rebatia que ela tinha usado todo seu estoque. Se ela fosse mais esperta e capaz de usar a legilimência não teria esse problema. Snape saiu aborrecido, batendo a porta.
— A maldição cruciatus vai soltar sua língua — Umbridge colocou a varinha embaixo do queixo do garoto.
— O ministro não gostaria que você desrespeitasse a lei, professora — Hermione gritou desesperada.
— O que Cornélio não sabe não lhe tira pedaço — rebateu.
— Harry — Hermione tremia — Temos que contar para ela.
— Nem pensar —Potter gritou.
Umbridge retirou a varinha de perto do garoto.
— Contar o que?
— Ela vai te obrigar de qualquer jeito — começou a chorar baixinho.
— Fale, menina. Ou quem vai experimentar a maldição será você.
Neville se contorcia a cada menção de cruciatus. Sem que ninguém percebesse, segurou sua mão, a acariciando de leve. Por uns instantes parou de prestar atenção no que acontecia à sua volta, se concentrando apenas no toque da sua mão nas mãos do garoto. O coração de Longbottom batia acelerado. Ao sentir a mão de Dolohov na sua se esqueceu de Umbridge, Harry e até mesmo da maldição cruciatus. Tudo o que ele conseguia pensar era que a menina tinha tido a iniciativa de segurar sua mão e o confortar, sem que ele dissesse uma palavra. Talvez ela também lembrasse de seus pais ou dos outros pacientes no St. Mungus. O que realmente importava é que nunca tinha se sentido tão próximo de alguém desse jeito.
— Muito bem, querida. Então vamos nós duas e o Potter, está bem?
— Eles vão sair — a boca da menina tão perto de sua orelha causava arrepios na nuca do garoto — Você precisa agir rápido. Sabe a azaração de impedimento? — ele assentiu — Você precisa lançá-la contra mim e contra o Draco o mais rápido que puder. Os outros vão te seguir.
Neville negou, não ia azarar a menina.
— Não posso apenas te deixar fugir. Faça isso por nós dois.
Longbottom queria dizer que tinha que ter outro jeito, que não podia fazer isso contra ela, que não precisava ser o primeiro a fugir e um dos outros poderia fazê-lo. Nem sequer sabia se conseguiria lançar o feitiço duas vezes tão rápido. Como se soubesse o que ele estava pensando, a menina passou delicadamente a mão por suas costas.
— Confio em você. Seja rápido.
Neville se virou e empurrou Dolohov com força contra a parede. O impacto do empurrão foi bem menor do que seria se ele tivesse lançado o feitiço, mas mesmo assim seu coração apertou ao ver a menina jogada no chão. Aproveitou o choque dos outros para se lançar contra Malfoy.
— Impedimenta — gritou.
Draco voou para a parede oposta e desmaiou. Uma sessão de expelliarmus e feitiços estuporantes foi ouvida antes que todos os integrantes da brigada inquisitorial estivessem desacordados. Rony, Gina e Luna saíram correndo para se encontrarem com Harry e Hermione, mas Neville ficou para trás. Se abaixou na frente de e acariciou seu rosto.
— Me desculpe — sussurrou — E torça por mim, a noite não vai ser fácil.
Acordaram quase uma hora depois com os gritos de Filch e concordaram em não comentar o que tinha acontecido dentro da sala.

Neville, Luna, Gina, Harry, Rony e Hermione voaram de testrálios até a entrada de visitantes do Ministério da Magia. Começaram a explorar o prédio do ministério e se depararam com uma sala que continha 12 portas. Cada vez que eles saiam de uma das portas a sala girava, se tornando impossível saber de qual eles tinham acabado de sair. Hermione então teve a ideia de marcar as portas que tinham entrado com um grande x, assim não se confundiriam. E foi assim que um tempo depois chegaram em uma sala cheia de pequenas esferas de vidro, era a sala que estava na visão de Potter.
— Ele deve estar aqui — Harry andava pelas prateleiras — A qualquer momento vamos encontrá-lo.
Por mais que andassem, tudo continuava um grande silêncio.
— Harry? — Hermione chamou — Acho que ele não está aqui.
Neville olhava para todos os lados na tentativa de ver alguma coisa que não fossem esferas de vidro, mas a sala parecia estar vazia.
— Harry? — Rony chamou.
— O que foi?
— Tem seu nome escrito nessa aqui.
— Como assim? — o menino se adiantou até uma das esferas, onde estava escrito “Lorde das Trevas e Harry Potter” — Meu nome…
Potter se adiantou e pegou o objeto e o girou em suas mãos. Todos estavam curiosos esperando acontecer alguma coisa, mas nada. A fumaça dentro da esfera girava normalmente e a sala continuava igual quando tinham entrado. Então, todos ouviram uma voz às suas costas.
— Muito bem, Potter. Agora se vire e me entregue isso.
Uma dúzia de vultos escuros apareceu ao redor dos meninos, os cercando. Seus olhos brilhavam pelas fendas em seus capuz e suas varinhas estavam apontadas para o quinteto.
— Onde está Sirius? — Harry perguntou.
— Já está na hora de você aprender a diferença entre sonho e realidade, Potter.
Neville olhava para todos os lados a fim de encontrar uma saída. Ele tremia de medo de morrer ali mesmo, pelas mãos dos comensais da morte. Harry conversava com eles mas ele não conseguia mais prestar atenção, só conseguia pensar nas coisas que queria fazer antes de morrer.
Hermione estava colada a Harry e parecia que eles conversavam. Os comensais pareciam não notar e ninguém conseguia ouvir do que se tratava. Um tempo depois, Luna sussurrou baixinho em seu ouvido.
— Explodir as prateleiras quando Harry disser, avisa a Gina.
O menino se virou e sussurrou a mensagem o mais baixo possível para Gina, que assentiu e se dirigiu a Rony. Todos estavam preparados esperando o comando.
— Então o Lorde mandou vocês fazerem o trabalho sujo dele? — Potter perguntou para quem parecia ser Lucius Malfoy.
— Muito bom, Potter. Mas o Lorde das trevas sabe que…
— Agora! — Harry gritou.
Neville apontou a varinha para a prateleira mais próxima e gritou “Reducto!” mirando depois na prateleira seguinte. Estava para explodir a terceira prateleira quando Harry mandou que corressem. Correu atrás de Harry e Hermione até uma sala, quando fecharam a porta perceberam que Luna, Rony e Gina não estavam com eles. Tentou ao máximo voltar a respiração ao normal, quando estava quase conseguindo achou ter ouvido vozes.
— Escutem — sussurrou.
Lucio Malfoy estava falando algo. Todos fizeram o máximo de silêncio para ouvir. — Vamos nos dividir para fazer a busca, sejam gentis com Potter até conseguirmos a profecia. Os outros vocês podem matar.
— O que faremos? — Hermione sussurrou.
Neville tinha voltado a tremer. Ouviu Lucio falar Belatriz, Rodolfo e Dolohov, três pessoas que ele definitivamente não queria encontrar de modo algum. E se morresse por Belatriz e Rodolfo? Ou se eles o fizessem enlouquecer como fizeram com seus pais? Eles saberiam que ele é filho de Frank e Alice? E se fosse morto pelo pai de ?
— Vamos nos afastar da porta — Harry quebrou sua linha de raciocínio e puxou levemente seu suéter, para que saísse de perto da porta. Já estavam relativamente longe quando a porta se abriu e o trio se jogou embaixo de umas escrivaninhas que tinham na parede oposta.
— Está vazia — alguém disse.
— Olhe embaixo das escrivaninhas — a outra pessoa respondeu.
Antes que qualquer um dos dois pudessem se abaixar, Harry gritou “Estupefaça”. Mas infelizmente só um dos comensais foi derrubado, o outro mirou a varinha para Hermione.
— Avada…
Harry se jogou no comensal, o fazendo perder a pontaria. Ele podia ter matado Hermione. Neville não deixaria nenhum deles morrer. Na ansiedade de ajudar Harry, se levantou com tudo derrubando a escrivaninha onde estava escondido. Apontou a varinha para os dois e gritou.
— Expelliarmus!
As duas varinhas saíram voando para o outro lado da sala e Harry e o comensal saíram correndo para apanhá-las. Neville estava decidido a impedir o comensal e correu atrás dos dois.
— Saia do caminho, Harry — gritou.
Quando Harry pegou sua varinha e se jogou para o lado, Neville mirou no peito do comensal a sua frente.
— Estupefaça!
Mas o feitiço passou direto por cima da cabeça do homem e derrubou várias ampulhetas em uma prateleira a frente.
O comensal recuperou sua varinha e estava mirando em Potter, quando um jato vermelho o atingiu. Hermione tinha os alcançado e o estuporado. Ao invés de cair no chão, o homem bateu no vidro e sua cabeça ficou presa. Nesse momento sua cabeça começou a se encolher e perder a barba, como a cabeça de um neném. Neville olhava horrorizado.
— Gente? Olhem…
— É o tempo — Hermione comentou — O tempo…
Antes que pudessem fazer qualquer coisa ouviram a voz de Rony e saíram em sua direção. Mas então Hermione gritou. O comensal tinha conseguido tirar a cabeça e estava completamente estranho. O corpo grande contrastava com a minúscula cabeça de bebê sobre seu pescoço. Resolveram deixar o comensal para lá e saíram correndo. Estavam quase saindo quando mais comensais entraram pela porta.
— Impedimenta! — gritaram.
Longbottom sentiu uma dor em seu peito quando foi atirado para trás das escrivaninhas. Perdeu a consciência momentaneamente. Quando acordou, viu um dos comensais fazer um gesto com a varinha e um fogo roxo cortou o peito da garota a fazendo cair. Tentou se arrastar para perto da amiga, quando sentiu o comensal chutar seu rosto. Ouviu um creck seguido de uma dor lancinante em sua face. Tinha certeza que seu nariz tinha quebrado. Se encolheu e colocou a mão no nariz, a fim de tentar amenizar a dor. Quando conseguiu olhar para o lado, viu sua varinha partida em dois. Sua avó o mataria, era a varinha de seu pai. Mas pior do que isso, viu que o comensal que o chutava tinha tirado a máscara e o reconheceu imediatamente. Meses atrás ele tinha estampado uma das edições do profeta diário por escapar de azkaban. Antonio Dolohov.
Era como se eletricidade atingisse seu corpo. Não pode evitar compará-lo com a garota sonserina. O homem não era feio, se considerassem que ele tinha passado os últimos quatorze anos em Azkaban ele estava até que bem conservado. O nariz grande e torto era completamente diferente do nariz fino e delicado da garota, mas conseguia ver quando olhava para os olhos do homem. No geral ela não tinha muitas semelhanças com o pai, o que o garoto agradeceu mentalmente.
Voltou a prestar atenção no que acontecia a seu redor. Seu nariz e boca sangravam insistentemente e Dolohov ameaçava Harry. Juntou todas as suas forças para falar.
— Faça o que fizer, Harry. Não entregue a profecia.
Harry aproveitou uma distração de Dolohov para gritar.
— Petrificus Totalus!
Os membros do homem se grudaram em seu tronco e ele caiu para frente, incapaz de se mexer.
— O que ele fez com ela? — se arrastou para perto de Hermione, tentando falar com o nariz inchado.
— Eu não sei.
Longbottom pegou o braço da garota e tentou medir sua pulsação. Um sorriso de alívio percorreu o rosto do menino, o coração estava batendo.
— Ela está viva? — Harry perguntou.
— Está, eu acho que está.
— Estamos perto da saída. Pegue o elevador, leve Hermione e busque ajuda.
— E o que você vai fazer?
— Procurar os outros.
— Então vou com você.
— Mas e a Hermione?
— Eu carrego ela e você luta.
Harry assentiu enquanto Neville levantava e colocava o braço de Granger sobre seus ombros.
— Fique com a varinha dela caso precise se defender.
Chegaram na sala com as doze portas, mas as cruzes que Hermione fizera tinha se apagado. Antes que pudessem decidir em qual porta entrariam, Luna, Rony e Luna saíram por uma delas. Luna era quem parecia melhor entre os três. Rony tinha sido atingido por um comensal e ria frouxamente. Gina assim que atravessou a porta e avistou os outros amigos, se deixou cair na parede mais próxima, abraçada a seu tornozelo. Se estivesse ali, Neville pensou, poderia curá-lo. Mas se estivesse ali, o que teria acontecido quando encontrasse seu pai? Teriam discutido? Ele a atacaria? Não conseguia imaginar colocar a garota nessa posição.
Harry apoiou Rony e começou a pensar em qual porta escolheria quando três comensais entraram liderados por Belatriz Lestrange.
— Eu os encontrei — a mulher gritou.
Correram por várias salas com a intenção de escaparem dos comensais, mas chegou um ponto em que não conseguiram mais fugir e foram encurralados. Após uma onda de feitiços estuporantes Harry saiu correndo e os comensais foram atrás. Era o único além de Harry que ainda conseguia lutar, então se certificou que todos estavam bem na medida do possível e segurou firme a varinha de Hermione. Imaginou se conseguiria ajudar Harry ou se seria um fardo, então pensou no que lhe disse na sala de Umbridge. “Confio em você” a menina sussurrou em seu ouvido. Pensar nisso dava uma coragem para Longbottom que ele não sabia que tinha. Pensou em seus pais no hospital. Era sua chance de vingá-los.
Quando estava quase chegando até Harry, ouviu a voz de Lucio Malfoy.
— Acha que está em posição de barganhar? Olhe em volta, Potter. Há dez de nós e você está sozinho.
— Ele não está sozinho — Neville gritou descendo mancando os degraus da escada — Ele tem a mim.
— Neville, não — Harry gritou.
— Estupef — tentou gritar, mas um dos comensais o agarrou pelas costas.
Começou a se debater enquanto os outros comensais riam.
— Neville Longbottom, não é? — Lucio disse - Sua avó está acostumada a perder membros da família para nós, sua morte não será uma surpresa muito grande. Belatriz passou a língua entre os lábios sorrindo.
— Longbottom? — riu — Tive o prazer de conhecer seus pais.
— Sei que teve — rangeu os dentes. Sua vontade era de ir até lá e arrancar o sorriso de seu rosto. Se debateu tão forte que o comensal que estava o segurando reclamou.
— Alguém estupora esse garoto?
— Não — Belatriz riu novamente — Vamos ver se o garoto é capaz de aguentar o mesmo tempo que seus pais, sem enlouquecer. A não ser que Potter nos entregue a profecia, é claro.
— Não entregue, Harry — gritou vendo Belatriz se aproximar — Não entregue! Belatriz ergueu sua varinha.
— Crucio!
Neville gritou. Gritou mais do que acharia que seria possível, sentia que todo seu corpo iria explodir. Faltava ar em seus pulmões, sua cabeça ardia e seu corpo se contraia involuntariamente. Queria resistir, queria ser forte. Mas só conseguia pensar em quanta dor estava sentindo. Então chorou. Deixou que as lágrimas escorressem molhando sua camisa. Sentiu que o comensal o soltou quando bateu no chão, mas não conseguiu esboçar nenhuma reação. Belatriz ergueu novamente a varinha, quebrando o feitiço. Longbottom parou de gritar, mas agora soluçava sem forças para levantar. Quando conseguiu se mover avistou o professor Lupin e outras pessoas que não conhecia, lutando contra os comensais. Começou a se arrastar para longe quando Harry veio em sua direção.
— Você está ok?
Neville ainda tremia.
— Sim.
Um comensal alcançou Harry e tentou tomar a profecia. Neville não estava em condições de lançar algum feitiço, mas estava perto o suficiente para enfiar a varinha de Hermione no olho do comensal, e assim fez.
O comensal urrou de dor, dando tempo para Harry estuporá-lo.
— Obrigado.
Neville assentiu.
Harry o pegou pelas vestes e levantou. Passou os braços do garoto pelo seu ombro e pediu para que guardasse a profecia nos bolsos de suas vestes. Dolohov vinha em sua direção com a varinha em punho.
— Tarantallegra — Dolohov gritou com a varinha apontada para Longbottom. Suas pernas saíram de controle e começaram a dançar velozmente, o fazendo perder o equilíbrio. Se Harry não estivesse o segurado teria caído. Um dos adultos que tinham chegado lançou o feitiço petrificus totalus em Dolohov o fazendo cair e Harry puxou Neville escada acima. Potter o puxou com tanta força que suas vestes rasgaram, fazendo a esfera da profecia cair. Harry se abaixou para pegá-la mas as pernas cambaleantes de Neville a chutaram escada abaixo, fazendo a profecia cair degrau por degrau até quebrar ao encontrar o chão. O garoto sentiu um vazio no estômago.
— Me desculpa — pediu desesperado — Eu não queria, não tinha a intenção, me desculpa Harry.
Potter não estava com uma cara boa, mas gritou que não fazia mal e continuou arrastando Neville pela escada. Ao olhar para cima, uma chama de esperança se acendeu em seu peito.
— Dumbledore — exclamou.
— Que?
— Dumbledore — apontou para o homem parado no topo da escada.
Dumbledore desceu correndo passando pelo menino, demorou até chegar na base da escada para que os comensais os notassem. O diretor usou um feitiço que pegou cada um dos comensais e os juntou no centro da sala. Somente um dos comensais continuava lutando: Belatriz.
O homem que lutava com ela desviou do primeiro raio lançado e gritou divertido que ela sabia fazer melhor do que isso, parecia estar gostando da luta. Mas o raio seguinte fez com que uma cara de choque atingisse seu rosto, embora o sorriso continuasse lá. A cena aconteceu praticamente em câmera lenta. Harry soltou Neville e correu para o homem enquanto ele caia no véu que estava a suas costas. Harry gritou correndo para o véu, mas o professor Lupin o segurava pelas costas, parecia prestes a chorar. Os dois gritavam, mas Neville não conseguia entender o que tinha acontecido. Então desceu os degraus devagar até se encontrar com Harry.
— Sinto muito — olhou para o amigo — Aquele homem era seu amigo?
Potter assentiu. Lupin apontou a varinha para as pernas de Longbottom fazendo-as pararem de se mover.
— Vamos procurar os outros — o professor sugeriu — Onde eles estão, Neville?
— Lá em cima — respondeu apontando para o topo da escada — Acho que todos estão bem.
Começaram a caminhar até que Harry saiu correndo atrás de Belatriz. Lupin gritou para que parasse e começou a correr atrás do garoto, parando ao ver Dumbledore indo na direção. Se Dumbledore estivesse junto, Harry ficaria bem. Remo então foi com Neville até os outros alunos.
Encontrou Rony preso em tentáculos, que teve dificuldade em quebrar. Gina e Luna estavam encolhidas em um canto e Hermione estava desacordada. O coração do homem apertou, jamais gostaria de ver seus alunos em uma situação como aquela, eram muito novos para enfrentar batalhas nesse nível. Fez um contra feitiço para Rony, que ainda ria e foi até Gina.
— O que aconteceu, querida?
— Acho que quebrei meu tornozelo — choramingou.
— Está tudo bem — o homem sorriu — Posso dar um jeito nisso.
Apontou a varinha para o tornozelo da menina e em alguns segundos cada pedacinho de osso voltou para o lugar. Agora só faltava Hermione.
— O que aconteceu com ela?
— Dolohov usou um feitiço que saiu um fogo roxo.
— Isso vai ter que ficar por conta da Madame Pomfrey. Vocês conseguem segurá-la por uma chave de portal?
Os meninos assentiram.
— Neville, você tá bem machucado e eu tenho que voltar para a batalha, eu vou enviar todos vocês para a enfermaria para a madame Pomfrey dar uma olhada, está bem?
— Sim, tudo bem.
— Então todos peguem a chave do portal e fique bem — ele sorriu — Vejo vocês qualquer dia.
A chave começou a girar e os garotos rodopiaram no ar. Quando seus pés tocaram no solo, estavam na enfermaria. Foram recebidos com um grito de susto da enfermeira da escola.

Depois de mais de uma hora que tinham saído da sala de Umbridge, começou a ficar inquieta. Andou por quase todos os corredores da escola atrás de Longbottom mas não o encontrou. Então resolveu ir até a enfermaria conversar com a Madame Pomfrey. O lugar sempre a acalmava, a fazia lembrar de Carter e do St Mungus. A fazia se sentir útil. Deu três batidas na porta antes de entrar. Encontrou madame Pomfrey mexendo nos medicamentos no fundo da sala.
— Quer ajuda?
— Dolohov — a mulher sorriu — Aconteceu alguma coisa?
— Estou um pouco ansiosa, pensei se poderia ficar aqui.
— Pode ficar em uma das macas, se quiser. Eu já estou terminando de organizar o estoque.
assentiu e se dirigiu a última maca da enfermaria, a mais distante. Se deitou e ficou pensando se o garoto estava bem, se estava seguro. Tinha a impressão de que ele tinha falado que a noite seria difícil, mas não se lembrava nem quando e nem porque. Em algum momento enquanto pensava a menina caiu no sono. Acordou com um estalo no meio da enfermaria e viu Neville, Luna, Hermione, Rony e Gina. Nenhum estava com uma aparência muito boa, mas com exceção de Hermione que estava desacordada, Neville parecia pior. O coração da garota apertou. Sua cara estava toda ensanguentada, seu nariz claramente quebrado e havia cortes por todo seu corpo.
A enfermeira correu para ajudá-los, colocando Hermione em uma maca e pedindo para que os outros se deitassem também. Dolohov puxou a cortina para que ninguém a visse, mas apurou os ouvidos.
— O que aconteceu com ela? — a senhora perguntou se referindo a Hermione.
— Um comensal lançou um feitiço de um fogo roxo no peito dela e ai ela desmaiou — Neville falou.
— Magia negra — ela murmurou baixinho — Vou ver o que posso fazer.
A mulher foi até o estoque e começou a procurar entre suas poções algo que pudesse ajudar. Então se lembrou de e olhou para a maca onde a garota tinha deitado. Dolohov a olhava encolhida e pediu para que a mulher não a denunciasse. Papoula considerou se a ideia era ruim, mas resolveu acatar seu pedido. Deveria ter suas razões.
Fez uma solução misturando três poções diferentes e um pouco de bezoar, esperava que fosse o suficiente para manter a garota estável. Então se dirigiu para Rony, Luna e Gina e os examinou rapidamente.
— Vocês parecem bem.
— O professor Lupin nos curou — Gina exclamou.
Dolohov não podia ver, mas acreditava que Pomfrey sorria. Sabia que a mulher admirava o professor.
— E ele fez um ótimo trabalho. Vocês três podem ir — eles deram tchau e se retiraram — Agora Longbottom, espere eu pegar a minha varinha para dar um jeito nisso ai.
Neville não respondeu. Estava surpreso demais por ver vindo do outro lado do cômodo. A garota tinha resolvido aparecer depois que os outros meninos saíram. Se apenas Neville estava acordado, não tinha perigo nenhum.
— Eu posso ajudar, Papoula. Você pode ir descansar.
— De jeito nenhum! Você é uma estudante, não deve trabalhar na enfermaria. Inclusive já deveria estar em seu salão comunal, mas permiti que ficasse.
— Exatamente. Está tarde, eu estou sem sono e sem nada para fazer. Você pelo contrário está praticamente caindo em pé.
— Isso não é jeito de falar, Dolohov — repreendeu.
— Por favor — praticamente implorou — Sabe que eu sei o que fazer.
— Ah é? E então?
— Longbottom está fácil. É só usar um Episkey no nariz e a poção limpa ferida nos cortes. Depois deixar em observação pela noite para ver se nenhum corte foi profundo o suficiente para perfurar algum órgão. Se ele tiver hemorragia interna eu faço o Vive Mortis para a hemorragia não avançar e corro para te chamar porque eu ainda não aprendi a reverter isso — deu de ombros.
— Vive Mortis? É uma magia muito avançada para o quinto ano.
revirou os olhos.
— Porque você está falando como se não soubesse que eu passo o maior tempo que consigo no St Mungus? Carter me ensinou muita coisa.
— Tudo bem e sobre a Granger ali?
Dolohov se aproximou da garota a olhando bem.
— Nunca vi nada parecido. Imagino que você tenha dado bezoar para ela?
A enfermeira assentiu.
— Então eu ministraria pequenas doses de Wiggenweld a cada duas horas.
A mulher respirou cansada, ela tinha um bom ponto.
— O que você acha, Longbottom?
— Acho que tudo bem, madame Pomfrey.
— Então eu volto em 3h para vê-los. Qualquer coisa me chame Dolohov.
A menina assentiu.
— Pode descansar, vou cuidar bem dos dois.


esperou até madame Pomfrey sair para correr até Neville. Passou a mão pelo rosto do menino, tendo cuidado para não chegar perto do nariz ou alguma outra área muito machucada. Ele fechou os olhos para aproveitar o carinho.
— O que aconteceu? — ela perguntou baixinho.
Neville pensou se realmente deveria contar. Deveria falar que seu pai estava com eles na batalha? Que tinha chutado seu rosto e quebrado sua varinha? Que ele e os outros quase mataram seus amigos? Que um homem tinha morrido? Pensou que sim e não. Não mentiria para a garota, mas omitiria as piores partes.
— O Harry estava tendo sonhos com o ministério da magia em que precisava salvar alguém, então nós fomos com ele — sua voz saia anasalada pelo nariz quebrado — Mas quando chegamos lá…
— Espere — a menina interrompeu — Me deixa cuidar de você e depois você conta. O mais gentilmente possível, colocou seus ossos do nariz de volta ao lugar. Depois embebedou um algodão com a poção limpa feridas e passou em corte por corte, parando para observar a pele do garoto. Achava Neville um garoto bonito, não era excepcional mas era bonito. Só que nos últimos tempos estava vendo algo nele que não conseguia explicar. Não sabia o que tinha mudado, mas de bonito ele tinha ido para extremamente atraente. A única coisa que mudaria no garoto, se pudesse, seria o corte do cabelo. De resto, não tinha o que reclamar.
Terminou com o menino e foi dar a primeira dose de Wiggenweld para Granger. esperava que ela dormisse a noite toda. Ficou um tempo entre Hermione e o estoque de materiais, pois não sabia se estava pronta para ouvir o que Neville tinha para contar. Só uma pessoa poderia ter feito uma emboscada para Potter e se realmente fosse, seu pai estaria no meio.
Quando finalmente criou coragem, foi até a maca de Longbottom e se sentou ao seu lado.
— Vai fundo, pode contar.
Ele assentiu e começou a falar.
— Quando chegamos era uma armadilha para o Harry pegar uma esfera de vidro. Eu não sei direito porque Harry que tinha que pegar, mas quando ele pegou surgiram vários comensais e começaram a negociar. Basicamente nós fugimos o tempo todo porque estávamos em menor número. No processo a Hermione foi atacada e desmaiou, Gina quebrou o tornozelo e Rony foi atingido por uma maldição que deixou ele meio maluco.
segurou a mão de Longbottom.
— E quebraram seu nariz.
Neville não queria citar Dolohov, então procurou mudar de assunto.
— Depois o Harry correu sozinho e eu fui atrás dele. Ele estava sozinho contra todos os comensais — tremeu involuntariamente — Ai quando eu cheguei eles me pegaram e a Belatriz — interrompeu. Quase contou sobre a maldição cruciatus. Definitivamente não queria que soubesse.
— Belatriz? — tinha estranhado a interrupção e um arrepio percorreu seu corpo ao perceber o que a mulher tinha feito.
Sentiu seu peito arder de raiva, era como se pudesse ouvir a risada debochada da mulher. detestou Belatriz desde a primeira vez que a viu, principalmente porque já sabia o que ela tinha feito a Frank e Alice. A mulher também não gostava dela, sentia algum tipo de ciúme doentio do jeito que Voldemort a tratava. Mas atingir Neville era demais. Como ela tinha tido coragem de olhar para o garoto e fazer a mesma coisa que fizera anos antes com seus pais? Se ela só conseguia pensar em vingança, não conseguia imaginar como Neville se sentia.
O garoto estava calado. Não queria responder.
— Não imagino como você pode estar se sentindo.
— Nem eu — ele tentou sorrir, mas não conseguiu.
— Neville, se ela lançou a maldição cruciatus contra você…
, eu não disse que…
— E não precisa. Foi isso, não foi?
O grifinório abaixou a cabeça, não era capaz de encará-la. também não fez nada, sabia que precisava esperar o menino se sentir confortável para falar quando quisesse. Jamais iria pressioná-lo. Levaram alguns minutos de silêncio antes que ele resolvesse quebrar o silêncio.
— Não quero que sinta pena de mim.
— Eu não sinto.
— Não?
— Neville, vocês eram só dois e eles eram muitos. São bruxos formados nas artes das trevas enquanto você e Potter ainda estão no quinto ano. Sinceramente, foi muito vocês dois terem sobrevivido.
— Eu podia ter lutado mais.
— Você fez o que pôde.
Neville parou para olhá-la. Se antes tinha achado seus olhos semelhantes aos do pai, naquele momento não poderiam estar mais diferentes. Embora apresentassem a mesma intensidade, os olhos de possuíam um brilho que jamais poderiam ser encontrados nos de Antonio. Então Neville parou de pensar. Não pensou em Hogwarts, nem em seus amigos. Esqueceu a batalha no ministério, esqueceu Belatriz e Antonio Dolohov. A única coisa que minimamente rodeava sua cabeça eram as coisas que tinha pensado que queria fazer antes de morrer. Então decidiu tirar uma delas da lista. Em uma onda de coragem puxou Dolohov e colocou seus lábios nos dela. Sentia que não conseguia respirar, seu peito doía de um jeito bom e tudo o que importava é que ela estava ali com ele e que ele finalmente a estava beijando. Ele a estava beijando… a verdade o atingiu, fazendo-o cortar o beijo. Ele tinha acabado de tomar iniciativa e beijado uma garota? Se sentiu enjoado, sem saber o que falar.
estava chocada. Nunca tinha pensado em beijar o menino, mas se tivesse jamais imaginaria que ele tomaria a iniciativa. Também não poderia imaginar, nem em seus melhores sonhos, que o beijo seria tão bom.
— Me desculpa — Neville gaguejou — me desculpa eu…
A garota sorriu levemente.
— Cala a boca, Longbottom — sussurrou, o puxando para mais um beijo.


Na manhã seguinte quando madame Pomfrey chegou na enfermaria Hermione ainda estava adormecida, mas com uma aparência muito melhor. A algumas macas de distância Neville dormia, tinha colocado uma cadeira ao seu lado e dormia desconfortavelmente encolhida. Mas os garotos estavam de mãos dadas com expressões igualmente serenas em seu rosto. Papoula agora entendia porque fez tanta questão de ficar e cuidar dos pacientes. Ficou feliz de ter deixado que a menina ficasse, pela primeira vez em tantos anos ela finalmente estava andando com as pessoas certas.
Hermione se mexia na maca ao lado, prestes a acordar. Madame Pomfrey então resolveu acordar Dolohov. Não ia fingir que não tinha percebido que ela se escondeu quando os meninos chegaram e que só saiu quando Longbottom era o único que podia vê-la. Então imaginava que a menina podia não querer que Granger a visse ali. Balançou o ombro da garota chamando seu nome.
— O que foi? — murmurou ainda de olhos fechados.
— A senhorita Granger está quase acordando.
— Fico feliz — se virou na cadeira e voltou a dormir.
Papoula riu, a menina não deveria estar dormindo mais do que duas horas.
— Então tudo bem ela te ver aqui?
Dolohov não respondeu.
— Tudo bem ela te ver de mãos dadas com o Longbottom?
levantou com um pulo. Momentaneamente tinha se esquecido da noite passada e nem imaginava que estava de mãos dadas com o garoto. Estava saindo da enfermaria quando imaginou que Neville podia não interpretar bem acordar e ela não estar por perto.
— Papoula? — chamou — Você pode, bem, explicar porque eu tive que ir?
A mulher assentiu e foi direto para o salão principal tomar café da manhã. Estava sorridente, sentia que as coisas estavam se acertando.

Ver Malfoy tão mal humorado alegrou ainda mais o dia da menina. O garoto xingava Potter por todos os nomes possíveis pelo “o que ele tinha feito com seu pai”. Dolohov achava a relação de Draco com Lucius muito estranha. Lucius não parecia tratar bem o filho, enquanto Draco era meio meu pai isso, meu pai aquilo, meu pai vai ficar sabendo de sei lá o que. Era uma dependência bem esquisita.
Neville saiu da enfermaria três dias depois, no último dia do semestre. Dolohov tinha passado todos os dias para vê-lo mas ainda não tinham conversado sobre os beijos. E estava tudo bem, não tinham o que falar um para o outro. A viagem de volta para Londres foi muito mais tranquila do que a ida para Hogwarts, visto que Draco, Crabbe e Goyle estavam quietos e mal humorados na cabine. Draco estava tão irritado que bateu a porta na cara de Pansy, não a deixando entrar. estava achando tudo muito divertido. Em Kings Cross saiu ao lado dos Malfoy e ao chegar em casa, foi recebida com os abraços de um pai relativamente machucado. Se Você-sabe-quem continuasse perdendo, as coisas não seriam tão ruins.



Ano 6

Ano 6

desceu de pijama para o café da manhã. Já fazia quase uma semana que tinham voltado de Hogwarts mas ainda não tinha se acostumado a ficar em casa. Voldemort estava na sala conversando com Avery e a garota se perguntava se ele tinha substituído a mansão dos Malfoy pela mansão dos Dolohov depois que Lucius foi preso. Pelo canto do olho viu que seu pai a observava atentamente, então respirou fundo e se dirigiu até Voldemort.
— Bom dia, meu Lorde — fez uma reverência — Deseja algo? Em que posso servi-lo?
— Sente-se, Dolohov.
— Sim, senhor.
— Me diga, Dolohov. Ficou sabendo o que aconteceu na batalha do ministério?
— Fiquei sabendo por cima, meu senhor.
— Ainda não tivemos tempo de conversar sobre isso — Antonio justificou se aproximando da filha — Mas eu iria repassar para Ísis todos os detalhes.
evitou revirar os olhos, seu pai tinha a péssima mania de chamá-la de Isis.
— Isso já deveria ter sido feito — Antonio encolheu perante a voz do bruxo — Dolohov?
— Sim — os dois responderam.
— Isis Dolohov.
— Sim, meu Lorde.
— Pelo o que ficou sabendo da batalha, qual sua opinião?
A menina pensou bem antes de responder. Tentou não pensar em Neville ou em Potter, pelo menos não de um jeito bom. Sabia que estava sendo testada e achava estranho demais Voldemort perguntar para uma garota qualquer o que ela achava, ainda mais que ele não era o tipo de bruxo que pedia opiniões. Mas era a sua chance de fazer algo que já vinha pensando a um tempo.
— Com todo o respeito, meu Lorde — falou devagar — Eu acredito que seus próprios seguidores o estão prejudicando.
Antonio olhou assustado para a filha, mas Voldemort parecia satisfeito.
— Continue.
— Tem uma em especial, eu gostaria de ressaltar. Como alguém se diz tão fiel se ao invés de colocar seus esforços em Potter fica envolvida em uma briguinha besta de família? E depois foge? Quão difícil deve ser pegar uma bola de vidro de um garoto de quinze anos? Eles não são bruxos das trevas? E adultos, ainda por cima.
Era arriscado. Seu pai estava aterrorizado ao lado da menina, temendo se ela faria alguma coisa que acabaria o prejudicando, mesmo porque ele estava na batalha. Mas foi ainda mais fundo, tentou não deixar a raiva por Lestrange transparecer.
— Ouvi dizer que ela tentou torturar um dos alunos e até nisso conseguiu falhar. Falhou em fazer o idiota do Potter sentir compaixão e ele sente compaixão até por elfos domésticos. Sinceramente, meu Lorde. É esse o tipo de gente que quer ter ao seu lado?
— Pode se retirar, Dolohov. A chamarei se quiser mais alguma coisa.
— Claro, meu Lorde. E se não se importam — se dirigiu também ao seu pai — Gostaria de sair para um pouco de diversão.
Tentou pensar em crianças trouxas sendo torturadas e em praticar duas das maldições imperdoáveis, achava que se Voldemort resolvesse ler sua mente isso seria o suficiente. E parecia que sim, pois novamente o homem parecia satisfeito.
— Acho que não tem problema — Antonio considerou — Só não volte muito tarde.
A menina assentiu, pegou uma tortilha de abóbora na cozinha, passou em seu quarto para trocar de roupa e saiu pelos fundos.

Andou por meia hora antes de se certificar que não estava sendo seguida. Na realidade não tinha como ter certeza, mas não via ninguém suspeito por perto. Se enfiou em uma travessa vazia e tirou a capa do bolso, a colocando rapidamente. Quando mais a usava, mais desgastada ficava. Dolohov sabia que chegaria o dia em que precisaria de uma nova, mas também sabia que não conseguiria se desfazer dessa. A capa significava tantas coisas que ela mal poderia enumerar. Mas mais do que tudo, esperava o dia em que poderia chegar no hospital apenas como .
Foi recepcionada com abraços na recepção. E junto com eles, muitas perguntas sobre o porquê estava tão sumida. Explicou que seu pai estava doente e tinha passado as últimas férias cuidando dele, o que encheu as outras enfermeiras de preocupação. Não era bem o efeito que queria causar, não sentiriam toda essa compaixão se soubessem que seu pai era Antonio Dolohov e seus únicos machucados era pela consequência de tentar bater em adolescentes.
Estava procurando por Carter no segundo andar quando esbarrou com Augusta e Neville Longbottom.
— Senhorita Carter — Augusta cumprimentou — Que bom vê-la.
— Bom dia, Senhora Longbottom — Dolohov sorriu — Já faz um tempo mesmo. Olá Neville.
— Oi .
— Estão indo ver Frank e Alice ou já estão indo embora?
— Acabamos de chegar — Neville respondeu rápido, embolando as palavras — Você tá indo embora?
queria rir.
— Não, estou chegando também.
— Então depois nos encontramos de novo — Augusta voltou a andar.
Neville encarava a menina sem saber se deveria falar alguma coisa ou não, estava a beira de explodir em gargalhadas.
— Te vejo em meia hora — sussurrou — Preciso encontrar Amélia antes.

Por ironia, ou não, depois de andar todo o hospital atrás da amiga, Amélia estava conversando com Frank e Alice quando Dolohov a encontrou. Augusta e Neville estavam ao seu lado, o menino com um sorriso travesso nos lábios.
— Amélia abraçou a menina — Estávamos falando de você.
— Ah é? — cruzou os braços arqueando as sobrancelhas.
— É, Neville me contou que você estava me procurando. Então resolvi esperar aqui com eles.
— É bom que assim eu te acho mais rápido — riu sem graça — A senhora Winglebert pediu para nos encontrarmos no primeiro andar, vamos?
— Vamos sim, com licença.
Estavam no elevador quando Carter pensou nas palavras de . Gargalhou olhando incrédula para a garota.
— O que foi?
— Senhora Winglebert, hein?
Dolohov gargalhou.
— Ela mesma.
— E quem seria a senhora Winglebert?
— Qualquer pessoa que te levasse o mais longe possível dos Longbottom antes que você me fizesse passar vergonha — deu de ombros.
— Então tem motivos para eu te fazer passar vergonha? — olhou sugestiva.
— Só te conto quando chegarmos a senhora Winglebert — piscou para a mais velha — E algo me diz que ela vai pedir para irmos ao porão.

Desceram as escadas e se certificaram de que estavam sozinhas. puxou duas cadeiras para o canto mais afastado da sala e tirou alguns doces do bolso. Se sentou em uma e indicou que Amélia sentasse na outra.
— Eu queria ser mais delicada, mas o que você ta fazendo aqui?
— Imagina se não quisesse — Dolohov revirou os olhos — Eu não estava mais aguentando ficar em casa.
— Mas como você conseguiu sair? Você-Sabe-Quem não está lá?
— Mais em casa do que nos Malfoy, infelizmente. Eu consegui sair porque minha oclumência é muito boa e ele acha que eu vou sair para praticar maldições imperdoáveis — a menina coçou o queixo considerando — Ou é muito ruim e ele só está esperando saber onde eu vou para me matar e matar todo mundo que estiver comigo — riu fraco — Eu realmente espero que seja a primeira opção.
— Eu também — Amélia tentou rir mas não conseguiu, não gostava da ideia da menina se arriscar tanto. Não sabia se era pior ela se voltar contra sua casa ou passar os dias aprisionada lá dentro.
— Não vai me perguntar o que você mais está curiosa? — enrolou os cabelos em um coque frouxo e colocou as mechas rebeldes atrás da orelha. Sorria maliciosa na direção de Carter.
— O que? — Amélia respondeu saindo de seus devaneios.
— Se você não quer saber, por mim tudo bem.
A enfermeira ainda levou um tempo para perceber o que queria dizer, sorrindo tão maliciosamente quanto a primeira.
— Então você tem o que me contar sobre o Longbottom? Hm? Você não respondeu o que eu perguntei na carta.
— Na verdade nós nos afastamos depois daquilo. A doida da Umbridge montou um clubinho de garotos malvados e me chamou, então eu entrei — deu de ombros — Principalmente porque eu achei que de dentro eu poderia ajudar minimizando os danos que Malfoy e os outros causariam.
Amélia assentiu e esperou que ela continuasse. Hogwarts sempre era uma caixinha de surpresas, mas baseado nos relatos de as coisas pareciam piores nos últimos anos.
Dolohov contou rapidamente o que tinha acontecido na escola nos últimos tempos, da brigada inquisitorial a batalha do ministério. Carter ouvia atentamente.
— O que aconteceu depois?
— Neville ficou bem machucado e quando chegou na enfermaria eu estava lá, já era de madrugada e a Papoula me deixou cuidar dele. Então enquanto ele me contava o que aconteceu, ele deixou escapar que a Lestrange — seus olhos encheram de lágrimas — Aquela víbora medíocre teve coragem de — estava com tanta raiva que não conseguiu continuar sem engasgar — Ela utilizou a maldição nele, Amy.
Amélia levou a mão a boca, seu rosto coberto de choque. Tinha visto aquele menino ir sempre que podia visitar os pais, sentar ao lado da mãe e guardar com carinho o papel de chiclete que ela o entregava, sem falta, em todas as visitas. Viu Neville crescer e aceitar o fato de que não importava o tempo, seus pais não se lembrariam dele. E tudo por causa de uma pessoa. Não uma causa natural, mas alguém que por pura maldade tirou seus pais dele. E agora o garoto não tinha só ficado frente a frente com as pessoas que causaram seu maior sofrimento, mas sentiu exatamente o que seus pais sentiram antes de enlouquecer.
Carter fez a única coisa que conseguiu. Se inclinou sobre a abraçando apertado. Desejava também poder abraçar Neville, mas sabia que não podia simplesmente sair distribuindo abraços para alguém que não tinha intimidade. Dolohov se aconchegou nos braços da amiga.
— Eu levei um tempo para perceber, porque ele não disse com todas as letras, sabe? E quando eu percebi e perguntei ele negou. Bom, mais ou menos. Acho que ele não queria mentir, porque ele acabou ficando um tempo em silêncio e depois dizendo que não queria que eu sentisse pena.
Carter balançou a cabeça negando.
— É, eu sei. Eu disse que não sentia e que eu já achava muito eles terem saído vivos de uma batalha contra bruxos das trevas. E aí ele me beijou — ela riu.
— ELE O QUE? — gritou — Primeiro você faz o garoto mais doce do mundo ser babaca e depois ele toma iniciativa para te beijar? O que você fez com esse garoto?
— Beijei ele de volta — sorriu marota.
— Então vocês estão?
— Não estamos nada. Foi só um momento, eu acho.
— Você gosta dele.
— Eu não…
— Gosta sim! Só você não vê o quanto mudou desde que começou a prestar mais atenção no Longbottom.
Dolohov ficou vermelha. Sabia que Amélia não estava toda errada, passou a rever muitas de suas atitudes depois de achar injusto todas as brincadeiras que ela e seus amigos faziam com o menino. Mas também não achava que gostava dele só por causa disso.
— Carter chamou — Falando sério agora… Você encontra com os Lestrange todos os dias. Me prometa que você não vai fazer nada contra Bellatrix. Ela é perigosa, você não sabe do que ela é capaz.
— Eu não posso.
o que você não pode é…
— Eu não posso — cortou — Porque eu já fiz.
— O que?
— Eu passei alguns dias pensando no que eu poderia fazer, mas a oportunidade apareceu hoje de manhã. Você-Sabe-Quem me perguntou o que eu achava sobre a batalha. Então eu disse para ele que achava que seus comensais o prejudicava.
— Você fez o que?
— Eu disse que se a Lestrange estivesse mais preocupada em fazer o que lhe foi mandado ao invés de se divertir, teria conseguido a profecia. Acho que ele realmente considerou, sabe? Os boatos são de que ele não exista em punir alguém por um erro mínimo, independente de quem seja. Então dei uma exagerada.
— Isso foi muito perigoso.
— Eu sei. Mas quero que ele confie em mim. Eu posso ter mais controle, eu posso conseguir proteger você e sua família. E posso proteger o Neville.
— Não vamos ficar seguros se você se colocar em perigo.
se sentou de frente para a amiga e segurou sua mão.
— Eu vou cuidar da gente. Prometo.
— Você é só uma criança, não tem a responsabilidade de cuidar de mais ninguém.
Dolohov riu.
— Criança não, adolescente.

Ficaram conversando por mais um tempo até achar que Neville já tinha passado um tempo bom com os pais. Não se sentiria confortável se o menino fosse visitá-los e ao invés disso passasse mais tempo com ela do que com eles. Andou devagar até o começo do andar e ficou observando os movimentos do garoto. Augusta estava distante, conversando com uma das enfermeiras, para dar a ele um pouco de privacidade. Neville estava sentado entre as camas dos pais e segurava suas mãos. Baixinho, contava alguma coisa para apenas os dois ouvirem. Se perguntava se ele estaria contando da batalha do ministério ou sobre a maldição cruciatus.

— Tem essa garota — Neville falou baixinho para os pais. Eram as pessoas para quem ele mais queria contar sobre . Queria que eles a conhecessem do jeito que deviam, quem sabe passar uma tarde juntos. Eles a adorariam, ele sentia. — Vocês iam gostar dela. Já a conhecem, sabe? As vezes ela cuida de vocês, traz algumas coisas. Eu também já a conheço a bastante tempo, mas nunca fomos amigos. Ela era uma das crianças que riam de mim quando eu era mais novo e isso não era legal. Mas depois de um tempo eu percebi que fazia tempo que ela não ria mais de mim e ainda brigava com os amigos quando eles faziam. Do jeito dela, claro, ela sempre foi muito sarcástica. Ela é muito inteligente. Acho que até já andou colocando ingredientes no meu caldeirão de poções para o professor Snape não ficar tão bravo comigo — riu fraco.
Longbottom olhou para o lado e viu que o observava. Sorriu para ela e pediu que esperasse um pouco. Ainda tinha o que falar.
— É a garota mais bonita que eu já conheci — falou enquanto olhava para ela — E a mais corajosa. Ela é filha de um comensal, Antonio Dolohov. Mas ela não tem nada do pai. É gentil e preocupada, embora não queira que as outras pessoas saibam disso. E eu a beijei — um sorriso involuntário tomou conta de seu rosto — Vocês não acreditam, não é? Nem eu.
Alice sorria para o filho, mesmo sem entender o que estava falando. Frank brincava distraído com os dedos do garoto. Neville se sentia bem.
— E ela me beijou de volta e cuidou dos meus machucados. Eu tô feliz. Ela me incentivou quando achei que eu não podia e não sentiu pena de mim quando qualquer outra pessoa sentiria.
Alice entregou um papelzinho para Neville, que o guardou com carinho no bolso.
— Obrigado mãe, obrigado pai — depositou um beijo na mão de cada um — Eu volto logo.
E então se dirigiu a garota com um sorriso no rosto.

— Que felicidade é essa, Longbottom? — ela riu.
— Tenho meus motivos — sorriu travesso — E aí, para onde vamos?
— Tem um lugar que eu quero que você conheça.
Os meninos desceram de elevador até a recepção e de lá começaram a descer as escadas. Dolohov não pode deixar de reparar que Neville parecia diferente, como se tivesse um brilho a mais. Se lembrava perfeitamente da primeira vez em que tinha visto esse brilho em Longbottom.

— Nós empatamos — Draco colocou o máximo possível de rancor na voz.
Tinham se dedicado em ganhar pontos o ano letivo inteiro, a serem excelentes em todas as matérias e seguir as regras para que a Sonserina ganhasse a taça das casas. E eles quase ganharam. Estavam 160 pontos a frente da Grifinória quando com alguns pontos de última hora, a casa conseguiu empatar.
— Eles quebram metade das regras do castelo e ainda tem o direito de empatar com a gente? — bufou — Isso é muito injusto.
— O que acontece se continuarmos empatados? — Draco perguntou para Marcus Flint.
— Isso nunca aconteceu antes — o sonserino tremia de raiva.
— É preciso ter coragem para enfrentar os inimigos, e ainda mais para enfrentar os amigos — Dumbledore continuou — E é por isso que eu concedo a Neville Longbottom dez pontos para a Grifinória.
— O QUE? — gritou — Para aquele explosivim? Ele nem consegue subir em uma vassoura sem cair para o outro lado.
Outros alunos da Sonserina proferiram ofensas para os alunos da Grifinória, mas ninguém ouviu. A mesa do leão tinha explodido em gritos de felicidade. Neville recebia tapinhas nas costas e apertos de mão de todos os seus colegas, nunca tinha sido tão elogiado em sua vida. O que sua avó diria quando soubesse que recebeu os pontos decisivos para que a Grifinória ganhasse a taça das casas? Ficaria muito orgulhosa.
Dolohov olhou emburrada para a mesa vencedora. Passou o olhar sobre cada rosto animado mas parou em um em especial. Longbottom estava vermelho e sorria animadamente enquanto outros alunos o cumprimentavam, estava tão contente que aparentava estar brilhando. Voltou o olhar para sua mesa e continuou a reclamar com os outros estudantes, simplesmente não era justo.

sorriu com a lembrança. Não se orgulhava de como tinha agido com a vitória da Grifinória, claro que se acontecesse de novo ela ainda não ficaria feliz, ainda não achava justa essa distribuição de pontos de última hora. Mas pensando em como Longbottom sorria, a garota desejou que ele se sentisse assim todos os dias. Merecia ser feliz mais do que qualquer pessoa que conhecia. Quando chegaram ao porão do hospital Neville parecia encantado.
— Wow!
Olhava para todos os lugares possíveis observando as imensas prateleiras cheias de frascos etiquetados.
— Vocês usam tudo isso?
— Sim — a garota riu — E temos bruxos que fazem poções especialmente para serem usadas no St. Mungus, além das remessas que compramos dos fornecedores. Fora tudo o que eu fui acumulando para meu estoque pessoal ao longo dos anos.
— E isso é permitido? — olhou travesso para a garota.
— Acredito que não — ela riu — Mas a Amélia foi guardando os pouquinhos de poção que ficavam nos frascos que seriam jogados fora. Em quase três anos deu uma quantidade muito boa.
— Já precisou usar alguma?
— Nada além de cortes. Espero não precisar.
Neville assentiu, mas ambos sabiam que talvez o dia de utilizá-las estivesse próximo. Andaram mais um pouco até chegarem no fim do cômodo, onde as cadeiras que tinha puxado continuavam no mesmo lugar. Os garotos se sentaram e ficaram em silêncio. Estavam confortáveis com a presença um do outro, mas em cerca de dez minutos tudo começou a ficar constrangedor. Neville não sabia o que poderia ou não dizer. Até que ponto dizia o que sentia para alguém que tinha acabado de beijar? Sabia que qualquer coisa poderia ser o suficiente para assustá-la. Mas queria saber se ela tinha sentido o mesmo que ele, se também sentia essa necessidade de ter o outro por perto, se assim como ele estava fazendo força para não beijá-lo nesse momento.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, sentiu segurar sua mão.
— Oi — ela riu.
Ele riu de volta.
— Ta sendo mais constrangedor do que eu imaginava — o grifinório passou a mão livre pelos cabelos.
— Então andou imaginando esse momento, Longbottom? — ela gargalhou.
Não sabia porque se tornava corajoso quando ela estava por perto, mas fazia coisas que não se imaginava fazendo em nenhuma outra ocasião. Olhou no fundo dos olhos da garota e esboçou um sorriso.
— Tenho imaginado todos os dias como seria quando conseguisse ficar sozinho com você de novo.
— E quando pensava nisso, o que você fazia?
— Eu te perguntava se — fez uma pausa — Se algum dia você gostaria de me beijar de novo.
Dolohov riu. Também tinha imaginado como seria quando conseguissem ficar sozinhos novamente e em nenhuma das vezes tinha conseguido falar alguma coisa. Mas nesse momento não conseguia parar de pensar no que Amélia tinha dito sobre dar para ver que ela gosta do garoto. Claro que gosta, sabe disso, tinha criado uma profunda admiração por ele. Mas será que seria mais do que isso? Nunca tinha realmente parado para pensar no que sentia.
— E o que eu respondia? — ela se ajeitou na cadeira, observando cada movimento do garoto.
Neville riu.
— Nunca cheguei nessa parte.
— Se você perguntar, pode descobrir.
?
— Sim?
— Você gostaria de me beijar de novo?
Dolohov assentiu o puxando para perto, os dois sentiam borboletas no estômago.
— Neville eu…
— Não precisa falar nada — ele sorriu — Tudo está bem do jeito que tá.
— Certeza?
— Tenho sim.

Se encontraram muitas vezes no hospital naqueles meses. Dolohov usava de desculpa que sairia para alguma maldade e Neville pedia insistentemente para que pudesse ir ver seus pais. até tinha ouvido Augusta comentar que Longbottom nunca quis tanto ver seus pais como ultimamente, a mulher se preocupava se estaria acontecendo alguma coisa.
Em uma das visitas Amélia chamou para o porão e a entregou um pacote.
— Eu escrevi na carta que eu te mandaria algo para conseguir andar na rua com mais facilidade, mas tive problemas na produção e precisei que fazer duas vezes. O frasco tem o feitiço indetectável de extensão, então tem muito mais líquido do que parece.
cheirou o conteúdo, se o gosto fosse tão ruim quanto o cheiro, não seria capaz de ingeri-lo.
— O que é isso?
— Poção Polissuco. Coloquei meus fios de cabelo ai dentro.
fez uma careta.
— Nojento, eu sei. Mas você vai poder se passar por mim por algum tempo quando precisar.
— Muito obrigada, Amy. Vai ser muito útil.
— Tome cuidado, sim?
Dolohov assentiu.

Uma semana antes de embarcar no expresso, foi ao beco diagonal comprar seu material para o próximo ano letivo. Embora negasse veemente, seu pai resolveu acompanhá-la. Antonio se disfarçou e acompanhou a garota em cada loja que precisou ir. Incrivelmente, ninguém o reconheceu.
Estavam saindo da Floreios e Borrões quando Neville a avistou. O garoto vinha em sua direção quando parou pelo olhar aterrorizado de . A menina apontava desesperadamente para seu pai, para que o garoto o reconhecesse. Mas foi pela cicatriz perto do pulso do homem que o menino entendeu o que a garota quis dizer, o coração pulando uma batida.
Antonio reconheceu o garoto que vinha em sua direção como uma das crianças que estava no ministério e se incomodou quando percebeu que ele deu meia volta, provavelmente porque tinha percebido que o homem o encarava. Se resolvesse denunciar para alguém, ele poderia voltar para Azkaban.
— Aquele garoto — sibilou.
— O que tem?
— Ele me reconheceu.
— E como que ele te reconheceria, pai?
— Ele estava no ministério, Isis.
precisava pensar rápido. Se seu pai reconhecia Neville, o garoto não estava seguro. Então fez a única coisa que lhe veio à mente.
— Eu acho que você pode esquecer isso. Eu conheço aquele garoto, ele é tão estúpido que nem vai pensar na possibilidade de te dedurar para alguém.
O homem pareceu considerar.
— Agora que eu terminei de comprar tudo da lista, tem uma coisa que eu realmente queria fazer — continuou tentando atrair a sua atenção — Porque não vamos a travessa do tranco? Draco sempre vai até lá com o Lucius e eu queria ir com o meu pai também, quem sabe comprar algumas coisas legais.
Passaram o resto da tarde passeando pela travessa, mas no final não quis comprar nada. Quando voltaram para casa, Dolohov parecia ter esquecido o encontro com o menino Longbottom.

No dia do embarque todos os comensais estavam reunidos na mansão de Dolohov para uma reunião com o Lorde das Trevas. Já estava quase na hora de saírem então precisava avisar o pai que estava de saída. caminhou lentamente para a sala onde faziam a reunião e bateu na porta. Pararam de falar assim que viram a garota, mas ela pode ouvir as palavras missão e Draco. Bellatrix encarava a garota com ódio. reparou que estava mais magra do que o costume e tremia levemente, além do fato de que era a primeira vez que a bruxa aparecia desde que Dolohov conversou com Voldemort e a menina não conseguia parar de imaginar o que o homem deveria ter feito com ela.
Após a aprovação de Voldemort a garota se retirou, mas Antonio se levantou logo em seguida, dizendo que ele que levaria a filha até o trem. Dolohov não queria que o pai a acompanhasse na plataforma, argumentou que desde criança ela ia junto com os Malfoy e que aparecer com outras pessoas poderia resultar em perguntas que não saberia responder, mas Dolohov estava irredutível. O homem apenas concordou em ficar em casa quando Voldemort ordenou que não saísse pois precisaria de seus serviços. Seja o que fosse, estava aliviada.
No caminho para a plataforma, o clima entre os Malfoy estava diferente. Draco parecia amedrontado e Narcisa ficou tensa por todo o trajeto. Encostou levemente seu ombro no do menino e franziu as sobrancelhas, perguntando discretamente se tudo estava bem. Ele se limitou a olhá-la e apertar os lábios, encostando novamente seus ombros.
Como em todos os anos, chegaram cedo e escolheram uma cabine vazia. Crabbe e Goyle não demoraram a chegar, jogando suas coisas de qualquer jeito no guarda bagagens.
— Ia matar se vocês dois fossem um pouco mais educados? — revirou os olhos — Pelo menos arrumem suas malas.
Os dois garotos riram, balançando a cabeça.
— Façam o que ela pediu — Draco murmurou — Ninguém quer essas coisas caindo no meio da viagem.
Dolohov arqueou as sobrancelhas. Nesse tipo de situação os dois sabiam que tinham que lutar suas próprias lutas. Defendê-la contra as birras de Crabbe e Goyle não era algo recorrente.
Desde pequenos Malfoy e Dolohov eram muito companheiros, tomando sempre as dores um dos outros. Mas só quando as coisas ficavam mais complicadas. perdeu as contas de quantas vezes assumiu a culpa por coisas que não tinha feito para que Lucius não punisse o garoto por cada erro mínimo. E quando Draco também a defendia sempre que acreditava ser necessário. Mas pequenas discussões nunca tinham sido interferidas, pelo menos não até agora. Alguma coisa muito séria estava acontecendo com Draco e por algum motivo ela não sabia o que era.
O sino do trem soou levemente e ele começou a andar. Até aquele momento Pansy Parkinson não tinha aparecido na cabine, provavelmente ainda chateada por ter sido expulsa na viagem anterior. Mas quase uma hora depois, outra pessoa apareceu. Um homem baixo, barrigudo e careca surgiu na porta. Seus olhos verdes correram o compartimento, analisando os quatro estudantes.
— Eu sou o professor Slughorn — se apresentou — E vocês são?
— Draco Malfoy.
Dolohov.
— Somos Crabbe e Goyle — os garotos falaram juntos.
— Interessante — o professor levou uma das mãos ao bigode o torcendo levemente — Muito interessante. Senhorita Dolohov, por acaso você tem algum parentesco com Antonio Dolohov?
— Filha.
— Muito interessante. Lecionei poções para seu pai em minha primeira vez como professor em Hogwarts. Ah sim — exibiu um sorriso — Antonio, um grande aluno. Muito ambicioso. Uma pena que escolheu o lado errado.
A garota estreitou os olhos, o que ele estava querendo com toda aquela conversa fiada?
— A senhorita poderia me acompanhar em um almoço com alguns outros alunos? Ficaria encantado em saber como tem se saído em poções nos últimos anos.
Embora o homem parecesse completamente pirado, ficou curiosa sobre onde aquilo a levaria, então resolveu aceitar o convite.
— Claro — a garota se levantou para sair da cabine.
— Draco chamou — Tem uma coisa que eu queria falar com você.
Dolohov olhou para o sonserino. Parecia mais pálido do que o normal e suas olheiras estavam escuras, parecia que não dormia a séculos. Será que era sobre a missão que ouviu os comensais comentar?
Hesitou, olhando momentaneamente para Draco. Ele realmente parecia mal e não valia a pena deixar o garoto sozinho nessa situação para satisfazer sua curiosidade. A voz de Slughorn cortou seus pensamentos enquanto o homem a puxava levemente pelo braço pelo corredor.
— Tenho certeza que vocês podem conversar quando chegarem a Hogwarts. Vamos, os outros estão esperando.
— No salão comunal depois do banquete, tudo bem? — ela perguntou, olhando para trás.
Malfoy concordou. Tinha tentado buscar um conselho com a garota as férias inteiras, mas em nenhum dia tinha a encontrado em casa.

— Eu sempre fui muito interessado pelos meus alunos — Slughorn não tinha parado de falar nem por um segundo desde que saíram da cabine — Ainda mais os excepcionais.
— Ah é? — a garota apenas perguntava entediada. Seus pensamentos ainda estava na cabine, junto com Malfoy.
— Ah sim, eu tinha até fundado um clube onde apenas os alunos com potencial elevado participavam. Seu pai fez parte do clube, ele era um grande bruxo.
— Um grande bruxo das trevas, o senhor quer dizer.
sentiu o professor avermelhar.
— Sim, claro — enxugou as gotículas de suor que se formaram em sua testa — É realmente uma pena ver tanto potencial desperdiçado.
Dolohov riu baixo, era a pessoa mais sem noção que tinha conhecido em sua vida.
— E eu gostaria que a senhorita conhecesse o clube, me falasse sobre os membros que estou pensando em escolher e quem sabe participar conosco das festas e reuniões.
— Isso é um convite?
— É o que parece.
— E porque o senhor supõe que sou uma pessoa com — fez aspas com os dedos — “potencial elevado”?
— Eu tenho um bom pressentimento quanto a isso — o homem riu — E pelo pouco tempo que conversamos, pude perceber que no mínimo a senhorita é muito astuta.
— É o que dizem — sorriu.
Estava para perguntar em quais outros alunos o homem estava pensando em convidar quando viu uma pequena bolinha verde coaxar.
— Trevor — se adiantou para pegar o sapo — Ele te perdeu de novo, não foi?
— A senhorita gosta de sapos? — Slughorn parecia enjoado.
— Aprendi a apreciá-los a alguns anos — acariciou a pequena criatura — Esse aqui é de um conhecido meu. Vou cuidar dele até conseguir devolver para o dono.
— E quem seria o dono? — perguntou curioso.
— Neville Longbottom.
— Longbottom? Como…
— Alice e Frank Longbottom? — riu — O filho.
Horácio estava admirado.
— E a senhorita sabe onde eu posso encontrá-lo?
— Provavelmente em alguma das últimas cabines do terceiro vagão, ele sempre se senta junto com o Potter.
— Potter? — o homem parecia prestes a ter um infarto — Harry Potter? Longbottom e Potter são amigos?
— Mundo pequeno, não? — a garota riu entrando na cabine indicada pelo professor. Encontrou Blásio Zabine, Córmaco McLaggen, Marcus Belby e Gina Weasley. Ao ver Gina, colocou Trevor rapidamente nos bolsos de seu sobretudo, torcendo para que fizesse silêncio. Slughorn apresentou a garota para todos que estavam ali e saiu. Provavelmente para caçar Potter e Longbottom para esse almoço bizarro. Tudo ficou um completo silêncio na cabine.
— Mais alguém achou que ele é completamente maluco? — resolveu quebrar o clima de tensão.
Zabine deu risada e Córmaco concordou. A Weasley a olhava de cara feia, pelo visto a garota ainda não tinha superado o pequeno incidente na sala da Umbridge no semestre anterior. Novamente um silêncio constrangedor se instalou, mas Dolohov resolveu não fazer nada a respeito. Se ninguém queria conversar, não tinha nada que ela pudesse fazer. Zabini às vezes fazia alguns comentários, mas direcionado apenas a ela. Então continuaram a conversar animadamente até a porta abrir novamente.
Horácio não demorou a voltar com os dois garotos, ambos parecendo ligeiramente desconfortáveis. Os apresentou para todos que estavam na cabine e pediu para que se sentassem. Potter não parava de encarar com a mesma cara de Gina, pelo visto mais de uma pessoa não tinha conseguido superar os acontecimentos do semestre passado. Depois os rancorosos eram os sonserinos.
— Isso é muito agradável — Slughorn comentou — Uma ótima oportunidade de conhecer meus futuros alunos. Aqui, trouxe o nosso almoço para hoje. Pelo o que me lembro a comida do carrinho não é exatamente o ideal para um homem com a minha idade.
Começou então a servir faisão para os estudantes e puxar assunto. Dolohov tinha acabado de perceber que exceto Gina, todos ali tinham parentes famosos, e Slughorn parecia muito interessado em saber se ainda mantinham contato com esses. Perguntou para Zabini se ainda via seu tio e quando esse respondeu que não, o professor começou a tratá-lo com uma frieza impressionante. Perguntou para McLaggen como estava sua mãe e a saúde de seu atual marido - os sete anteriores tinham morrido misteriosamente, deixando pilhas de dinheiro para a bruxa - e em seguida se concentrou em Neville.
A primeira coisa que fez foi perguntar sobre seus pais. Os outros alunos olharam curiosos. Com exceção de , Harry e Gina, ninguém sabia o que tinha acontecido com os pais do garoto na primeira guerra. Neville tentou desconversar, mas Horácio sabia ser insistente. Foram dez minutos embaraçosos até que o homem se dirigisse a outra pessoa.
— Ah sim, senhorita Dolohov — a garota se segurou para não revirar os olhos, sentia o que viria a seguir — Saiu no jornal que seu pai conseguiu escapar de Azkaban no ano passado — todos olhavam atentamente para a garota — E que escapou novamente dos aurores na luta do ministério. Ah sim, um grande feito — falou orgulhoso e murmurou “uma pena” mais algumas vezes. arqueou as sobrancelhas — Você mantém contato com seu pai depois de sua fuga?
O silêncio foi tanto que a garota praticamente podia ouvir a respiração do sapo adormecido em seu bolso. Dolohov riu.
— Que assunto mais agradável para um almoço no trem.
Neville tentou conter uma risada tossindo. Horácio riu.
— Claro, claro. Que indelicadeza a minha. E sua mãe? Está bem?
— Tão bem quanto uma dedicada esposa poderia estar — respondeu sarcástica, colocando um pedaço de faisão na boca.
Slughorn não se deixou abalar. Continuou falando sobre o tempo de seus pais na escola até se cansar e começar a perguntar pelos pais de Potter. Pareceu uma eternidade até que começou a escurecer e o homem os liberou para voltarem a suas cabines.
— Não tinha notado que as luzes estavam acesas — o homem sorriu — É melhor voltarem para suas cabines e trocarem de roupa, já estamos quase chegando. Nos encontraremos novamente qualquer dia em Hogwarts.
Neville foi o primeiro a sair, fazendo passar por cima de todos os outros garotos para alcançá-lo sozinho. Não parou ao chegar ao seu lado, mas falou em uma altura que só ele poderia ouvir.
— Daqui meia hora no primeiro vagão.
Seguiu para sua cabine sem saber se Neville tinha ouvido ou não.
Draco estava tão concentrado conversando com Crabbe e Goyle que não percebeu a presença da menina. Já não parecia mais tão doente quanto antes. pegou seu uniforme e correu para o banheiro o vestindo rapidamente. Depois voltou para guardar sua roupa anterior e se dirigiu para o primeiro vagão do trem. Trevor não tinha se mexido ao ser trocado do sobretudo para a capa do uniforme. O que diria para Neville se o sapo tivesse morrido?
Ao chegar no vagão, o grifinório estava sentado no chão a esperando. Dolohov riu.
— Não fazem nem vinte minutos que saímos.
— Eu me troco rápido — ele gargalhou — E eu estava curioso para saber o que você queria comigo.
— Eu encontrei uma coisinha que achei que você poderia querer de volta — falou tirando o sapo do bolso.
— Trevor — gritou — Eu procurei ele por toda parte.
O sapo acordou ao ouvir a voz do dono. respirou aliviada.
— E provavelmente não encontrou porque ele tava comigo — ela riu — Encontrei quando o doido do Slughorn foi me buscar na cabine.
— Ele é realmente pirado.
— Sinto muito por ele ter falado dos seus pais.
— Igualmente — riu fraco — Não é todo dia que te perguntam se você está abrigando um fugitivo.
— E o jeito que ele elogiava meu pai? Ignorando todas as coisas ruins que ele fez. Esse homem é um absurdo.
Ao falarem de Antonio, Neville se lembrou de seu encontro com o comensal no beco diagonal.
— passou as mãos no cabelo, mostrando seu nervosismo — Seu pai me reconheceu no beco diagonal, não foi?
A menina assentiu.
— Ele ficou com medo que você o denunciasse.
— Eu não…
— Eu sei.
O apito do trem soou. Tinham chegado em Hogsmeade. As cabines estavam começando a serem desocupadas e olhares curiosos se voltavam para Dolohov e Longbottom. deu uma última olhada para o garoto antes de procurar seus colegas sonserinos.
O banquete de início do ano letivo, em como todos os outros anos, estava excelente. A garota comeu até se sentir sonolenta e voltou para o salão comunal, se jogando no sofá para esperar Malfoy. Mas o garoto não apareceu. Chegou a cochilar enquanto o esperava, se irritando profundamente quando percebeu que o garoto de fato não viria. Onde ele tinha se enfiado praticamente de madrugada?

Para o sexto ano, precisaria escolher as matérias que lhe proporcionariam uma chance em sua futura profissão. Vinha pensando no que gostaria de trabalhar quando saísse de Hogwarts e não tinha dúvidas de que continuaria no St Mungus. Portanto fazia poucas matérias junto com Neville, se encontravam apenas em defesa contra as artes das trevas, herbologia e feitiços. Também tinham mais tempo livre, embora recebessem tarefas mais difíceis e demoradas. Foi durante a primeira aula de feitiços que sentiu Longbottom colocar um bilhete em seu bolso. O abriu rapidamente.
“Depois do almoço. Sala vazia, 3° andar”
Estava ansiosa por esse encontro, pois estava curiosa para saber o que o garoto tinha a dizer. Normalmente era ela quem pedia para se encontrarem.
Demorou para conseguir sair da aula e correu para almoçar o mais rápido possível. Quando chegou no terceiro andar, Neville a esperava em frente a uma das salas com um sorriso maroto no rosto. Dolohov não pode evitar de sorrir junto.
— Agora você marca encontrinhos?
— Não podia deixar que você fosse a única nisso — abriu a porta e indicou que a sonserina entrasse, se certificando que ninguém estava vendo. Entrou logo atrás e trancou a porta.
— Colloportus.
— Varinha nova?
— Não deu para arrumar a antiga, então minha avó me levou ao Olivaras para comprar uma nova. Ela me escolheu — ele sorriu.
Dolohov riu. A sensação de ser escolhido por uma varinha é incrível, você se sente como se uma pertencesse a outra. Infelizmente Neville só sentiu aos 16 anos o que a maioria dos bruxos sente aos 11. Longbottom se sentou no chão e indicou que a garota se sentasse ao seu lado. Mas se deitou, apoiando a cabeça em seu colo.
— E então?
— Estava com saudades — o rosto do garoto começou a tomar a cor de suas vestes — E também tinha uma coisa que eu queria te contar.
— O que foi?
— A professora Minerva me elogiou no outro dia.
sorria. Sabia o quanto deve ter sido importante para o garoto receber essa aprovação.
— Isso é incrível! — acariciou a perna do garoto — Como foi?
— Bom, eu tinha pedido para fazer transfiguração.
— Transfiguração? Mas você não gosta de transfiguração.
— Minha avó.
— Ah…
— Então, aí ela disse a mesma coisa que você e eu também respondi o mesmo. E ela disse que a minha avó deveria se orgulhar do neto que tem, ainda mais depois do que aconteceu no ministério — Neville sorria orgulhoso.
— E a professora Minerva sempre tem razão.
Neville assentiu.
— Depois ela ainda disse que mandaria uma carta para minha avó falando que ela deveria lembrar que não era porque ela não tinha conseguido os NOMs em feitiços que a matéria era inútil — riu — Eu nem sabia que ela não tinha conseguido passar em feitiços.
— E eu imagino que seus pais foram extraordinários em feitiços — Dolohov apontou — Eles eram grandes aurores.
Neville não tinha pensado naquilo. Se sentiu ainda mais feliz.
— Fora que é uma das poucas matérias em que eu posso te ver.
— Só vejo vantagens.
Ficaram um pouco em silêncio apenas curtindo a presença um do outro.
?
— Hm?
— Harry acha que ele deu alguma tarefa ao Draco.
— Eu também acho — deu de ombros — Mas não sei o que é. Nessas tarefas especiais a única pessoa que sabe é quem é designado. Talvez sua família. Mas Narcisa não comentou nada com a minha mãe.
— Porque o Draco?
— Dois motivos — contou nos dedos — Um, ele não confia no Malfoy e quer ver se ele realmente é leal. Porque além de encher o saco de todo mundo ele nunca fez nada realmente mau. E dois, para punir Lucius por ser um covarde e negar seu envolvimento com as trevas.
Longbottom mexia no cabelo da menina enquanto considerava tudo o que ela contou. Tinha uma última pergunta que queria fazer, mas sinceramente tinha medo da resposta ou da reação de Dolohov.
gentilmente puxou seu rosto, fazendo com que olhasse para ela.
— Tá tudo bem, pode falar.
— Oi?
— Te chamei três vezes e você continuou olhando sério para a frente — sorriu — Então você tá pensando em alguma coisa, mas não sabe se deve falar.
— É uma pergunta, na verdade.
— Sou toda ouvidos.
— Você-Sabe-Quem confia em você?
respirou profundamente antes de responder.
— Sim.
— Porque?
— Novamente por dois motivos. Primeiro pelo meu pai. Ele acredita que por ser filha de seu seguidor mais antigo e fiel, e por fiel entende-se que foi para a prisão por ele, eu vou adorá-lo. Como se adorá-lo fosse uma herança de família ou coisa assim. E segundo que eu sou bem má, sabia? Estou o tempo todo pensando em como o mundo vai ser maravilhoso quando restarem apenas sangues puros. Já torturei algumas crianças trouxas também — Neville olhava assustado — Inclusive uma vez te pendurei de cabeça para baixo em um lustre só para te fazer chorar — Dolohov riu.
Neville arregalou os olhos, assustado, até se lembrar de um pequeno detalhe.
— Espera, isso nunca aconteceu.
— Mas ele pensa que sim.
— Como?
— Quando era pequena eu descobri que ele era muito bom em ler mentes, na verdade minha mãe também consegue fazer isso. Não fiquei nem um pouco à vontade com essas informações então pratiquei oclumência por muito tempo até ficar boa. Aí eu comecei a inserir umas memórias assim para agradá-lo e ficar mais segura. Tem coisas na vida que eu preciso esconder — encostou levemente seus lábios nos lábios do garoto — E achei que seria mais seguro para nós se ele achasse que está sendo perseguido por mim. Vai que algum dia eu precise dar a desculpa de que vou te torturar para termos um pouco de privacidade? — piscou.
Dolohov — Neville a beijou — Você me assusta.

A quantidade de alunos nas turmas de herbologia diminuiu drasticamente desde que a disciplina deixou de ser obrigatória. Agora, a classe era composta por doze alunos entre as quatro casas e estava adorando a ideia de ter uma classe vazia, pois teria mais liberdade e material. Embora ficasse um pouco preocupada que a professora Sprout poderia ficar chateada pela sala não estar preenchida.
— Ah, que beleza! Bem vindos a Herbologia do sexto ano, vamos nos divertir muito — a mulher sorria, fazendo sorrir junto. Como alguém poderia não gostar dessa mulher? — Vejo que temos um número par esse ano, é ótimo para o que eu gostaria de tentar. Vejam, sobra material o suficiente para poderem trabalhar individualmente, mas eu gostaria de tentar algo novo. Acho que o trabalho em grupo favorece muito mais o aprendizado, então vocês vão trabalhar em duplas por todo o ano letivo.
Dolohov bufou. Não era boa trabalhando com outras pessoas além de Malfoy, que não fazia a disciplina nesse ano. Olhou em volta da sala para ver quem deveria escolher, seu olhar encontrando com o de Neville. Adoraria trabalhar com o garoto, mas ambos sabiam que não poderiam simplesmente ir até o outro sem nenhuma explicação muito boa, que não conseguiriam inventar. Avistou então os outros sonserinos cursando a disciplina. Dois garotos que sorriam para ela na esperança de não ter que se misturar com outras casas. Dolohov sorriu de volta, escolher alguém dentro da Sonserina parecia uma ótima ideia.
Neville tinha ficado animado com a ideia de trabalhar em grupo, principalmente porque poderia passar mais tempo junto com , mas só até a verdade de que não poderiam simplesmente pedir para fazerem juntos o acertar. Dolohov parecia preocupada sobre ter que trabalhar com outra pessoa. Queria ir até ela e dizer que não tinha com o que se preocupar, que era impossível alguém não gostar de ter sua companhia. Seus olhares se encontraram por alguns segundos em que o garoto tentou passar tudo o que queria dizer, mas Dolohov desviou e olhou para dois garotos a sua esquerda. Já tinha visto que os garotos estavam olhando e sorrindo para a garota, provavelmente satisfeitos de encontrá-la na turma, mas ela dar atenção era completamente diferente. Neville fechou a mão com força, tentando controlar a súbita crise de ciúmes. Nunca tinha sentido nada assim.
— Mas eu vou escolher as duplas — Pomona continuou — Alguma coisa completamente fora de suas zonas de conforto.
O estômago de gelou, provavelmente não seria nenhum dos sonserinos.
— Wright e Green — Um dos garotos sonserinos caminhou até uma garota loira da Lufa Lufa.
— Jackson e Edwards — continuou, apontando para duas meninas que já estavam uma ao lado da outra — Dolohov e Longbottom.
Todos olharam surpresos para a professora, tinham conhecimento que no ano anterior os garotos entraram em confronto com a Armada de Dumbledore e a Brigada Inquisitorial. Mas madame Sprout pareceu não perceber, continuou separando o resto da turma. Dolohov deu de ombros e se dirigiu até Neville, que tentava esconder o sorriso. Olhou para os dois sonserinos que acabaram completamente separados, e os garotos o encaravam de um jeito estranho. Não se importou.
— Então parece que vou ter que te aturar, Dolohov?
A menina sorriu irônica.
— Pelo menos eu acabei com um nerd.
Os outros garotos riram quando Neville fechou a cara. Também queria rir, mas gostava de toda essa encenação.
Hoje nós vamos reenvasar Ditamnos, tomem cuidado pois eles são muito sensíveis. Cada um deve fazer o seu, mas as duplas devem socializar e se ajudar. A página 105 de mil ervas e fungos mágicos trazem todas as instruções que vocês precisam.
abriu o livro e começou a procurar a página, enquanto Neville foi buscar tudo o que precisavam para reenvasar as mudas. Voltou carregando tudo de uma vez e despejando em cima da mesa.
— Nós vamos mesmo precisar de tudo isso?
— Item por item.
— Tomem cuidado para não estourar as bolhas da muda, se o pus relar em vocês queimará o lugar instantaneamente — a professora avisou.
— Muito simpático esse fungo — riu.
— Eu sei que você está sendo irônica, mas eu realmente acho.
A garota deu de ombros.
— Nós usamos muito ele no st. Mungus. É muito bom com cortes e algumas outras coisas.
— Então nessa relação eu trago as curiosidades morfológicas e você as medicinais?
— Pra mim está perfeito.
A professora Sprout passava de dupla em dupla para saber como andava o progresso.
— Eu entendo que vocês estão tendo dificuldades para se entender com seus colegas, mas com o tempo a interação melhorará! — a mulher observava Wright e Green discutirem por causa de qual o melhor tamanho de vaso, Green tinha pequenas queimaduras nas mãos — Eu acho — completou baixinho.
riu, a ideia de juntar os alunos podia até parecer boa a longo prazo, mas no momento era a pior coisa que a professora poderia ter pensado. Todas as duplas tinham passado mais tempo brigando do que realmente fazendo alguma coisa. Só Dolohov e Longbottom pareciam ter feito algum progresso.
— Eu tinha a sensação de que seriam uma ótima dupla — Pomona falou baixo para os garotos — Muito bem. Cinco pontos para a Sonserina e cinco pontos para a Grifinória.
— Obrigada professora — sorriu.
Terminaram antes de todos os alunos, ainda faltando um tempo para que a aula acabasse. Já que o Ditamno tinha sido perfeitamente inserido no vaso novo, os garotos se ocuparam em limpar a mesa e guardar todos os materiais que sobraram. Neville tinha razão, tinham usado um pouco de cada coisa.
— Lição para a próxima aula — Sprout anunciou — Um pergaminho com as considerações da aula de hoje. É para ser feito em dupla, saberei se não fizerem. Longbottom e Dolohov estão dispensados, fizeram um ótimo trabalho.
Assentiram, juntaram seus materiais e saíram da sala.
— Quem diria que herbologia nos daria uma desculpa tão boa para ficarmos juntos — riu.
— Sabe que eu sempre acreditei que era a melhor matéria de Hogwarts?
— Você só fala isso porque é excelente. É muito mais complicado do que parece.
— De fato. Mas eu não vou deixar você se machucar, porque sei o que fazer.
— E se você se machucar, eu curo.
Andaram mais um pouco até perto do pátio, conseguia ver Malfoy a encarando de longe, então esperou chegar o mais perto possível do Sonserino para que ele ouvisse.
— Então, nos encontramos na biblioteca depois da janta para nos livrarmos logo desse trabalho idiota?
Neville deu de ombros e saiu andando para o lado contrário. Dolohov bufou se juntando a Malfoy.
— Trabalho? — o loiro perguntou, franzindo as sobrancelhas. — A Sprout resolveu juntar todos os alunos da classe em duplas — fez uma pausa dramática — E ela escolheu as duplas. Vou ter que trabalhar com Longbottom pelo resto do ano.
— Eu não acredito que ela te colocou com ele — Draco bufou — Tem que ter alguma coisa que você possa fazer.
— Eu tentei — não queria ter que mentir para ele. Mas Draco nunca entenderia — Mas está tudo bem, pelo menos ele é bom e eu não vou precisar me esforçar na matéria.
— Sabe que vai ter que passar muito tempo com ele, não?
— É um grande preço a pagar.
Conversaram por mais um tempo, até se lembrar de um detalhe importante.
— Hoje são os testes para o time de quadribol, não? Como está se sentindo?
— Como um vencedor! Dolohov gargalhou.
— Esse é o meu garoto — sorriu — É o seu terceiro ano no time, não tem porque se preocupar.
— Sei disso, mas seria bom te ter lá torcendo por mim — o garoto deu de ombros.
— E quando que você precisa de mim que eu não estou lá?

Naquela tarde jantaram mais cedo já que tinha trabalho a fazer. Se sentou de frente para a mesa da Grifinória, esperando Longbottom se levantar para sair atrás do garoto.
— Se acabar matando ele, esconde bem o corpo para não ser expulsa — Draco riu, piscando para a amiga.
Dolohov gargalhou, se perguntando se o garoto estaria falando sério.
— Draco está preocupado que eu não aguente passar tanto tempo com você e acabe te matando — riu se aproximando do garoto — Me deu até uma dica do que fazer se isso acontecesse.
Mas Neville não respondeu. Caminharam em silêncio até a biblioteca, que estava vazia, ainda assim buscaram a mesa mais afastada para se sentarem.
— Ei, o que foi? — perguntou, colocando sua mão sobre a mão do garoto.
— Me desculpa — Neville bufou, soprando a franja para longe do olho — É uma coisa besta. Só que aconteceram algumas coisas hoje que me deixaram um pouco inseguro.
— Pode conversar comigo.
— Você vai achar que é besteira.
— Essa é a imagem que você tem de mim?
— Não é isso — ele riu fraco — Eu mesmo acho que é besteira.
— Vamos leãozinho - sorriu para o garoto, utilizando o apelido pela primeira vez. Aquilo amoleceu o coração do garoto ainda mais — Pode me falar qualquer coisa que quiser.
— Ok — respirou fundo — Foi o jeito que aqueles dois caras da sonserina te olhavam na aula.
Dolohov tentou não rir, embora tinha certeza que estava ficando vermelha pelo esforço.
— Então é ciúmes?
— Me fez pensar que você poderia estar com o garoto que quisesse.
— E eu estou. É com você que eu quero estar, Neville.
O garoto sorriu.
— Desculpa , só é difícil para mim imaginar que uma garota como você quer ficar com um cara como eu.
A garota respirou fundo, pensando no que deveria falar em seguir.
— Eu vou te contar um segredo — tirou a mão da do menino, caso alguém entrasse no meio da história — Mas isso tem que ficar entre nós dois até morrermos. Arruinaria minha imagem de sonserina durona.
— Sua imagem de sonserina durona já foi arruinada para mim!
— E é só por isso que vai ficar sabendo disso. Há dois anos atrás eu estava querendo me aproximar um pouco de você, achava que seria uma boa pessoa para se ter por perto. Mas você insistia em me evitar — riu fraco — E aí quando chegou o baile de inverno, Malfoy e eu combinamos de ir juntos.

estava sentada no sofá lendo um pergaminho, quando Draco se jogou ao seu lado. Levantou momentaneamente a cabeça na direção do amigo, sorriu e tornou a baixá-la. Sabia o que viria a seguir.
— E aí, vai no baile de inverno comigo? — perguntou.
— Claro — a menina respondeu.
Draco assentiu, encostando a cabeça em seu ombro. Ter que dividir a Hogwarts com outras duas escolas estava tirando sua paciência.
— Quantos convites recebeu até agora? — falou novamente, na intenção de puxar assunto.
— Três — ela riu — Dois da Durmstrang e um de alguém da sonserina que eu não faço ideia quem seja. Falei que não podia, porque já tinha alguém em mente — piscou para o garoto — E você?
— Três também — sorriu — Uma Beauxbatons, uma corvina e Pansy.
— Mandou muito bem! — ergueu a mão para um high five — O que você disse pra tirar a Pansy do seu pé?
Draco gargalhou.
— Que eu ia com você, obviamente. Você não tem noção do quanto ela te odeia.
— Ela me odeia desde que entramos aqui, mas isso não é problema meu. Você falou pra ela que ia comigo antes de me convidar? E se eu falasse não?
— Você falou para os outros que estava com alguém em mente.
— Mas eu não disse quem!
— Não tente se enganar, Dolohov — ele riu, jogando seu corpo contra o dela, recebendo cócegas em troca.

estava muito empolgada com o baile e quando chegou o dia não conseguia pensar em outra coisa. Não recusava uma oportunidade de se maquiar e colocar um vestido bonito. Começou a se arrumar cedo, principalmente porque sabia que as garotas iam começar a se estapear pelo banheiro mais tarde.
Deixou seu cabelo solto e com as pontas onduladas para proporcionar movimento. Seu vestido era minimalista. De alças e decote em V, verde escuro e colado ao corpo, possuía uma fenda que começava na metade de sua coxa. Optou uma sandália prata com salto fino e começou a colocar os acessórios. Sempre acreditou que menos era mais, então suas jóias eram tão delicadas quanto o resto do look. Um colar fino com pingente de cobra, brincos longos e um pequeno bracelete, todos feitos de prata. Estava extremamente satisfeita com o que via no espelho. Quando saiu do banheiro para fazer sua maquiagem, as outras meninas do quarto já tinham começado a se arrumar. Estavam lindas.
Passou o tempo restante antes do baile se maquiando e conversando com as meninas. Era em momentos divertidos como esse que ela se sentia muito acolhida em Hogwarts, o castelo era seu lar.
— Está quase na hora — Taylor anunciou — Todas estão preparadas para descer?
— Podem ir na frente — Dolohov riu — Ainda preciso dar os últimos retoques.
A garota terminou de se arrumar e esperou que as outras garotas se dirigissem até a porta, queria ser a última a descer. Das seis, apenas Taylor e iriam com sonserinos, então as outras garotas foram direto para o grande salão encontrar com seus pares. Draco estava ao lado da escada que levava aos dormitórios femininos quando desceu.
— Wow — falaram juntos.
Dolohov não se lembrava de ter visto o garoto tão bonito antes. Draco também tinha optado pela simplicidade: blazer e calça pretos, colete, camisa e gravata borboleta brancos. Malfoy estendeu o braço para que segurasse e saíram juntos para o salão.
Todos os olhares se voltaram para a dupla.
— Você não está nada mal, Malfoy — riu.
— Você também está linda, Dolohov — ele piscou.
— Eu sei. Todas as garotas do salão estão olhando para você.
Draco virou de frente para a garota e puxou sua mão depositando um beijo.
— Mas para o azar delas eu já estou acompanhado.
A garota segurou o sorriso, revirando os olhos.
— Se elas soubessem o quanto você não presta, se concentrariam em outra pessoa. Tem muitos outros caras charmosos por aqui.
Draco gargalhou.
— Então eu sou charmoso?
— Grande coisa, o Diggory ali também é — apontou com a cabeça para o lufano, que dançava com Cho Chang.
— É, o Diggory não está tão ruim hoje. Deve ser por toda a aura de campeão.
— Então você está querendo dizer que o Potter parece bem? — deu um sorriso maroto.
Draco cerrou os olhos, reprimindo uma resposta muito mal educada.
— Não abusa — puxou Dolohov em direção a pista de dança — Vem, vamos dançar.

correu os olhos pelo salão e encontrou Neville dançando animadamente com Gina Weasley. Não sabia porque, mas se sentia frustrada.
— Patético — murmurou.
— O que? — Draco olhou para onde a garota olhava e riu — Um ótimo casal, não acha? Dois perdedores juntos.
— Ofender as pessoas não vai fazer você se sentir melhor.
—- Não seja hipócrita, . Você acabou de dizer que eles eram patéticos.
Apenas um momento de fraqueza, pensou.
— Não foi bem o que eu quis dizer — deu de ombros — Só acho que aquela garota não tem idade para estar aqui. Longbottom poderia ter vindo com outra pessoa.
— E você acha que ele poderia? — Draco riu.
— Claro, porque não?
Não conseguiu tirar os olhos do casal o resto da noite, Longbottom parecia feliz e Dolohov não conseguia entender porque se sentia tão irritada. Talvez porque pareceu tão fácil para Gina estar perto dele, enquanto ela mal conseguia encontrá-lo pelos corredores sem que ele saísse correndo. Então, naquela noite focou só em Draco.

— E eu fiquei com ciúme de vocês dois — a garota ria — E a gente nem tinha nada.
— Agora eu me sinto um pouco melhor — Neville sorriu — Obrigada .
— Por ser completamente maluca?
— Por fazer eu me sentir seguro — deu de ombros — Eu só queria que não precisássemos ficar nos encontrando escondidos desse jeito. Queria andar de mãos dadas com você pelo castelo e contar pra todo mundo que estamos, hã — passou a mão pelo cabelo — juntos.
— Eu também queria que as coisas fossem diferentes, mas é muito arriscado. Ficar do meu lado te tornaria um alvo direto — abaixou a cabeça — Fora que seus amigos nunca me aceitariam.
— Isso não é verdade.
— Não finja que não viu como Harry e Gina me olhavam no almoço com o Slughorn.
— É que você pode ter causado uns problemas com a brigada.
arqueou as sobrancelhas.
— Ah causei?
— Na verdade não. Mas você quer que eles pensem que sim.
— Porque para o nosso bem, eu não posso ser associada a nenhum de vocês.
Neville sorriu levemente.
— Seus amigos também não gostam de mim.
— Isso é meio injusto — riu balançando a cabeça — A Amélia te adora. O Draco não gosta, mas ele não gosta de ninguém além dele mesmo.
— Ele gosta de você.
— É, ele gosta de mim — concordou — O fato é que com os meus amigos você já tem 50% de aprovação.
Longbottom abaixou a cabeça novamente, milhares de coisas passando por sua cabeça.
— Tenho passado tantas noites acordado, pensando em como seria se todo mundo soubesse — ele pegou a mão de — Eu sonhei tanto tempo com alguém como você que é difícil manter tudo em segredo.
— Vem aqui — Dolohov se sentou atrás de uma das prateleiras, onde mesmo que alguém entrasse no cômodo, não poderia vê-los.
Neville se sentou ao seu lado, a puxando para um beijo.
— É só tudo isso acabar — ela depositou pequenos beijos em seu pescoço — Acredito em Potter, sei que ele vai resolver tudo. E não vamos mais precisar nos esconder.
— Guerra idiota — o grifinório revirou os olhos.
— E enquanto isso — continuou — Não tem porque você se sentir mal. Eu só tenho olhos para um cara. E gosto dele exatamente como ele é.
— Eu não sou o mais forte, nem o mais corajoso. Nem posso fazer nada para te ajudar. Mas eu prometo que vou fazer tudo o que puder para que fique bem.
— Você é o que me mantém sã — deitou no ombro do garoto, sentindo seu perfume — E eu não poderia querer ninguém melhor.

Ficaram na biblioteca até perto do horário de recolher, quando decidiram que no dia seguinte se encontrariam para fazer a tarefa, e cada um seguiu para seu dormitório. estava quase chegando nas masmorras quando encontrou uma criaturinha conhecida.
— Dobby?
— Senhorita Doholov — o elfo fez uma referência.
— O que faz aqui? Eu não te vejo desde que Lucius disse que te libertou.
— O professor Dumbledore contratou Dobby para trabalhar nas cozinhas — sorriu — Dobby agora está sempre em Hogwarts e ganha galeões por isso. E Dobby compra roupas para Dobby usar.
— Ah Dobby — colocou a mão em seu ombro, sentia saudade do elfo dos Malfoy — Quando eu era criança, não fui muito boa com você.
— A pequena brincava com Dobby.
— Mas nunca fiz nada para impedir que fosse castigado.
— A pequena também seria castigada se fizesse.
Dolohov considerou, Lucius não era um homem fácil. Mas ainda assim queria recompensar o elfo de alguma forma. Foi quando teve uma ideia, se Dobby gostava tanto assim de roupas…
— Dobby, você pode esperar aqui? Tem uma coisa que eu quero pegar.
O elfo assentiu e a garota saiu correndo até seu quarto. Revirou o malão até encontrar o que queria e voltou o mais rápido possível para junto do elfo.
— Eu quero te dar um presente — se ajoelhou para ficar na mesma altura — É o meu cachecol novo da Sonserina. Achei que ficaria bom em você — colocou o cachecol em volta do pescoço do elfo — Pode ficar um pouco grande mas…
Dobby estava eufórico.
— É perfeito — o elfo sorriu — Muito obrigado senhorita Dolohov.
— Agora você é um elfo sonserino — ela riu — Eu posso te dar um abraço?
— A senhorita quer abraçar Dobby?
— E podemos ser amigos a partir de hoje, se quiser.
— Dobby quer.
Foi a primeira vez que viu um elfo com um pouco de humanidade. Seu pai morreria se soubesse.
— A senhorita está diferente por causa do amigo do senhor Harry Potter?
— Amigo do Potter?
— Dobby viu a senhorita com o amigo de Harry Potter uma vez — ele a encarou — Dobby não queria espiar, mas Dobby viu que era a senhorita Dolohov e Dobby queria saber como a senhorita estava. Dobby ouviu vocês juntos.
gargalhou.
— E o que você acha dele, Dobby?
— Amigo de Harry Potter é amigo de Dobby, senhorita.
— Faz bem, o Harry é ótimo em escolher amigos.
Se despediu do elfo e voltou para o salão comunal, pensando em suas palavras.

Slughorn convidava para jantares frequentes junto com outros alunos. Percebeu que Harry Potter nunca estava disponível e achava engraçado como Córmaco conseguia incomodar Hermione com seu papo furado. Mas sentia falta de Neville nos jantares, não era a mesma coisa sem ele. Fora que Slughorn tinha vários contatos interessantes que seriam muito importantes quando saíssem da escola.
Então no final de um desses jantares, resolveu abordar o professor.
— Professor Slughorn?
— Sim, minha querida.
— O senhor não tem mais convidado Longbottom para o clube?
— Ah sim, percebi que ele não tem os mesmos talentos dos pais. Estou certo?
— Está sim — ela sorriu — Ele não tem os talentos de Frank e Alice, tem os seus próprios. Acredito que seria uma ótima aquisição ao clube.
— E que talentos seriam esses?
— Pergunte para a madame Sprout.

Tempos depois, perto do natal, a garota encontrou um convite enrolado sobre sua cama. Dizia que Slughorn daria uma festa com os membros antigos do clube e gostaria de sua presença.
Então quando o dia 20 chegou, decidiu que iria ao baile sozinha. Mal tinha falado com Draco nos últimos dias, embora o garoto estivesse muito estranho. Pensou até em convidar outro aluno da Sonserina, mas não valia a pena aguentar uma noite de conversas desinteressantes sendo que ficava muito bem sozinha. E depois da conversa com Neville na biblioteca, sabia da péssima ideia que seria aparecer com qualquer outro cara que não fosse Malfoy.
Andou calmamente até a sala de Slughorn, ficando bem surpresa com o quão luxuosa estava para a noite. Tinham mais pessoas do que ela poderia imaginar e conseguia identificar vários rostos que apareciam de vez em quando no profeta diário e em algumas revistas bruxas. Como se estivesse de espreita, ouviu Slughorn chamá-la assim que colocou os pés do lado de dentro.
— Ah, você chegou! — o homem gritou. Talvez estivesse meio alterado? — Venha, preciso te apresentar aos outros convidados.
— É um prazer estar aqui, professor — respondeu. E estava realmente sendo sincera. Com tanta coisa acontecendo em Hogwarts e em sua vida, ficava feliz em saber que tinha onde relaxar e pensar em outras coisas. Conversar com pessoas influentes e tomar Whisky de fogo era tudo o que ela poderia desejar.
Conversou com cantores, autores e grandes empresários bruxos. Como o esperado, todos tinham uma reação estranha ao ouvir seu sobrenome, mas mudavam suas expressões após Horácio explicar - todas as vezes - que ela não tinha a personalidade do pai. sorria educadamente, embora pensasse que seu pai também não parecia um psicopata quando tinha sua idade.
Neville já tinha chegado na festa e conversava animadamente com Gina Weasley. Corou levemente ao ver que o observava, provavelmente se lembrando do que ela tinha contado sobre o Baile de Inverno, mas Dolohov se limitou a sorrir e acenar para Longbottom. Queria saber se ele já tinha conversado com alguém que não fosse outro aluno da Grifinória, mas isso já estava fora de seu alcance. Mal acreditava que tinha conseguido convencer Slughorn de convidá-lo para a festa. O máximo que poderia fazer agora era discretamente mencionar o garoto em conversas casuais e torcer para que alguém ali se interessasse nele.
Ver Hermione colada em McLaggen a fez suprimir uma gargalhada enquanto conversava com Eldred Worple sobre sua última obra. Tinha lido vários de seus livros e sabia o que aquele contato poderia oferecer, mas observar o grifinório correndo atrás da garota tinha se tornado muito mais interessante no momento.
Olhou brevemente pela sala, quando viu Harry Potter junto a Luna Lovegood. sinceramente achava um desperdício os dois ficarem parados no canto do salão enquanto tinha tanta gente importante para conversar. Se não estava enganada, o pai de Luna tinha um jornal. E qualquer pessoa naquele salão poderia dar um pouco mais de credibilidade para o tablóide do bruxo. Mas aparentemente, nenhum deles estava interessado em conseguir indicações para suas vidas pós Hogwarts. De fato, não poderia culpar Potter por tanto desinteresse, naquele momento o escolhido tinha mais com o que se preocupar.
Tudo parecia muito bem, Luna havia falado alguma coisa que fez Harry engasgar e uma meia dúzia de bruxos torcer o nariz, quando Dolohov percebeu que Filch vinha arrastando um garoto salão a dentro.
— Draco?!
— Professor Slughorn — o zelador de aproximou, enquanto o garoto se contorcia tentando se soltar — Encontrei esse estudante se esgueirando em um dos corredores. Ele diz que foi convidado para sua festa, isso é verdade?
Slughorn franziu a testa, analisando a situação. Antes que tivesse a chance de proferir qualquer palavra, se aproximou sorridente com duas taças de champagne. Mal podia acreditar na sorte que teve pelo garçom ter passado bem naquela hora.
— Finalmente você chegou — falou enquanto entregava uma das taças na mão do loiro — Achei que ia me dar um bolo.
— Eu jamais faria isso — Malfoy limpou a garganta, forçando um sorriso — O Filch que me atrasou — respondeu com desprezo.
— A senhorita convidou Malfoy como acompanhante? — o professor de poções perguntou, com as sobrancelhas arqueadas — Pensei que tinha vindo sozinha.
— E eu vim — riu de leve, buscando uma explicação — Porque o Draco aqui é mais vaidoso do que eu — respondeu baixo, para que apenas o homem ouvisse — E eu me cansei da demora e resolvi vir na frente. Sabe como é, nunca deixe um Dolohov esperando.
— Mas mesmo com nossos desencontros, é difícil encontrar Dolohov e Draco Malfoy separados — o garoto argumentou, estendendo o braço para a amiga segurar — Meu avô mencionou uma vez que o senhor foi o melhor preparador de poções que ele já conheceu — se virou para o professor — E é uma honra poder desfrutar em uma festa com tão maravilhoso anfitrião.
E era isso, o ego de Slughorn tinha sido inflado. O homem começou a conversar animadamente sobre o avô de Draco e como tinham se conhecido. teria adorado participar da conversa se a aparição repentina de Malfoy não a tivesse intrigado.
— Eu acho incrível como laços do passado podem se manter tão duradouros — disse com um sorriso no rosto — Agora professor, se o senhor não se importa, tem algumas pessoas que eu gostaria que o Draco conhecesse.
O homem assentiu enquanto os dois adolescentes se distanciaram para a ponta oposta do salão. A varanda estava vazia, então ficaram alguns minutos por ali aproveitando a vista dos terrenos de Hogwarts e o champagne que permanecia gelado.
— Agora você pode me falar o que ta fazendo aqui? — a garota questionou, tomando o último gole da taça.
— Eu realmente não quero falar sobre isso, .
— Se quisesse entrar na festa era só ter me avisado, sabia que eu viria.
— Eu não queria estar nessa festa idiota — o garoto revirou os olhos, mexendo os braços de forma agitada — E eu não quero te envolver nisso.
— Me envolver em que, Draco? — a sonserina cruzou os braços, franzindo as sobrancelhas — O que raios você estava tentando fazer?
— Eu vou resolver isso para a gente.
Dolohov abriu a boca para questionar quando Snape surgiu em suas costas, querendo falar com Draco. Não queria deixá-lo sozinho com ele, principalmente sabendo o quão frequente o professor estava nas reuniões com os comensais, mas o garoto sinalizou que estava tudo bem e seguiu atrás de Severo. não tinha certeza, mas achava ter ouvido o loiro sussurrar que a protegeria.

A cada ano que passava, as férias de Natal ficavam mais complicadas. Draco tinha desaparecido completamente no dia de embarcar para casa, de um jeito que Dolohov nem sabia se o garoto tinha resolvido ficar no castelo ou não. Mas ao desembarcar na plataforma, Malfoy a esperava junto de sua mãe.
— Onde você se meteu — sussurrou para que Narcisa não ouvisse, recebendo uma piscada ao invés de uma resposta — Draco, você me deve explicações depois da festa.
Em um movimento ensaiado para parecer cortês, o loiro se virou de frente para ela, fingindo checar se seu malão estava bem preso no carrinho e formou as palavras com a boca, sem emitir som algum.
“No Natal”
Mas no Natal, nenhum dos Malfoy apareceu na casa de Dolohov. Seu pai também não estava em lugar nenhum e para uma muito aliviada, novamente foi só ela e sua mãe.
No dia 27/12 acordou cedo na tentativa de ir ao St Mungus o mais breve possível, mas antes que pudesse se esgueirar para fora de casa, ouviu seu pai chamar seu nome. Dolohov estava conversando com Rodolfo Lestrange e queria que a filha participasse da conversa e se fizesse presente dentre os comensais. Sentou interessada, prestando atenção em cada palavra que eles falavam na tentativa de algo que pudesse ajudar na guerra. Mas eram estratégias que talvez fossem usadas após a grande ascensão de Lorde Voldemort e precisava estar focada no presente, para essa ascensão não acontecer. Claro que acreditava em Potter, como já tinha falado, mas era sempre bom estar prevenida no que pudesse ajudar.
Só pela tarde conseguiu colocar a capa no bolso traseiro da calça, dar uma desculpa qualquer e sair o mais rápido possível para que conseguisse passar no hospital. Virou o beco como de costume e colocou a capa surrada, sentindo seu aroma a invadir. Era como se vivesse em dois mundos completamente distintos e gostava muito mais desse.
Estava caminhando tranquilamente, mas com o passo apertado, afim de chegar o mais rápido possível, quando ouviu alguém chamar seu sobrenome. E não precisava se virar para saber de onde era aquela voz.
Seu pai.
Se abaixou institivamente para fingir amarrar o coturno enquanto ouvia o homem chegar cada vez mais perto. Xingou mentalmente por ainda não ter sua licença de aparatação, pois desapareceria dali naquele instante. E em um momento de necessidade, sentiu a garrafa de polissuco que Amélia havia lhe dado, pesar no bolso da capa.
Mais do que depressa tomou dois goles, temendo a duração do efeito e guardou novamente na capa. Sentiu uma vontade imensa de vomitar, mas sabia que a segurança de sua amiga dependia daquela poção. Travou a garganta para que o líquido descesse e sentiu sua pele mudar, com Dolohov já atrás de si. Quando finalmente amarrou o coturno que tinha desamarrado para parecer mais realista, se levantou torcendo para não parecer mais com ela mesma.
— Senhor? — falou inocente, vendo a cara de confusão que o homem apresentava. Ele precisou de alguns segundos para se recuperar.
— Achei que fosse outra pessoa — franziu as sobrancelhas, voltando a carranca de sempre — E o que está fazendo que ainda não saiu da minha frente?
– que agora se parecia com Amélia – assentiu e abaixou a cabeça, voltando a andar ainda mais rápido na direção que ia. Alguns quarteirões depois, já praticamente ao lado do hospital, deixou sair uma risada de alivio pelo plano desesperado ter funcionado.
Puxou o capuz da capa para cobrir mais ainda o rosto e entrou no prédio de cabeça baixa. Entrava todo tipo de gente esquisita lá mesmo, não se dariam o trabalho de perguntar. O que não poderia eram ver duas Amélias andando no mesmo lugar.
Era difícil procurar a enfermeira apenas olhando para os pés das pessoas, então jogou o cabelo na cara parecendo ainda mais esquisita e seguiu suas buscas, a encontrando no quarto andar.
— Amélia — sussurrou ao chegar ao seu lado, levantando o rosto para que só ela pudesse ver.
Carter levou um susto ao ouvir sua própria voz a chamando e seu rosto empalideceu ao se deparar com um alguém idêntico a ela. Levou mais tempo do que achava necessário para entender o que estava acontecendo e arregalou ainda mais os olhos.
— Ah, é você — concluiu por fim, dando uma última checada na paciente antes de se virar por inteiro.
— E o que você esperava? Uma irmã gêmea idêntica?
A piada pairou sobre elas, mas nenhuma fez questão de rir.
— O que você está fazendo aqui?
— Eu não consegui não vir, saber como estão as coisas — ia continuar a contar, mas achou que não era o local adequado para um monólogo — Não é melhor irmos para o porão?
A mais velha assentiu, a seguindo de perto. Desceram os lances de escada e se ajeitaram no porão que estava bem mais vazio do que de costume. Agora que tinha parado para reparar, Amélia também parecia mais cansada.
— O que aconteceu com o estoque de poções?
A mulher suspirou, antes de responder.
— Para ser bem sincera, muito dos bruxos que trabalhavam para nós morreram ou precisaram fugir. A guerra começou antes do que esperávamos.
Dolohov sentiu o coração apertar. Queria fazer alguma coisa para ajudar e por mais que fosse uma exímia preparadora de poções, não conseguiria preparar nada sem levantar suspeitas.
— Eu posso devolver as que eu tenho.
— De jeito nenhum — Carter a olhou de um jeito que as duas sabiam o que significava, ela precisaria das poções em breve — E além do mais — continuou como se tivesse falado em voz alta — Não quero que volte ao hospital — levantou a mão ao ver a garota protestar — Não é mais seguro, ainda mais para você. Fiquei feliz que você usou a poção para vir em segurança mas... — parou de falar ao ver que a amiga tinha ficado levemente pálida — Espera. Você não resolveu vir assim porque era mais seguro.
Ela negou.
— O que aconteceu?
mordeu o lábio pensando em como contaria aquilo sem que Amélia surtasse ou lhe desse uma bronca. Mas não tinha algum jeito menos pior. Decidiu que contaria de uma vez.
— Eu vim do mesmo jeito de sempre. Dolohov antes do beco e Carter de capa depois do beco. Mas não esperava encontrar com o meu pai e ele reconhecer a parte .
Amélia abriu a boca, mas não emitiu som algum. Pediu que a garota continuasse.
— Eu tinha me esquecido da poção, para ser sincera — erusbereceu conhecendo aquele olhar — Eu fingi estar amarrando o sapato para ganhar tempo, quando senti ela pesar no bolso da capa. E aí estou aqui.
Se Carter parecia cansada quando elas desceram ao porão, agora parecia ter envelhecido dez anos em minutos, uma ruga de preocupação pairando em sua face.
— Eu não vou parecer velha assim quando beber a poção de novo, né? — fez graça, recebendo uma carranca em resposta.
— Isso não é engraçado, Dolohov. Você precisa ser cuidadosa. O que eu vou fazer se você se machucar?
— Cuidar de mim?
Ela balançou a cabeça em negação.
— Você se machucar não deve ser uma opção.
Mas a sonserina não estava mais prestando atenção. Em sua última frase, lembrou das palavras de Draco na festa: “Eu vou resolver isso para a gente”. Sabia que mesmo sem que ela soubesse, ele estava cuidando dela. Então detalhou todas as conversas e atitudes de Malfoy para a amiga, que escutou com muito cuidado.
— Você parece estar sob mais perigo do que imagina, se Draco está precisando cuidar de você.
Teria saído como uma piada se as duas não estivessem tão preocupadas. Conversaram por mais um tempo antes de ir embora. Seu corpo já tinha voltado ao normal e apenas deu uma passada rápida por Frank e Alice antes de seguir para casa. Olhou mais uma vez para o hospital, já longe, e soltou um longo suspiro. Não sabia quando conseguiria voltar, se conseguiria voltar algum dia, mas esperava que todos ficassem bem.
Já tinha voltado para Hogwarts e omitido o incidente do pai para Neville. Estavam em sua mesa na biblioteca, fingindo fazer um trabalho de Herbologia que já estava pronto há duas semanas, enquanto ignoravam todo o resto do mundo.
Estavam muito focados um no outro, quando Neville soltou um suspiro de frustração, fazendo Dolohov arquear as sobrancelhas.
— O que foi? — sussurrou.
Ele já tinha aprendido que por mais bobo que achasse que fosse, ela não sossegaria até que seus pensamentos fossem ditos em voz alta.
— Queria poder ir em um encontro com você — corou, a fazendo sorrir. Um passeio na neve, uma cerveja amanteigada...
podia imaginar aquilo. Os dois andando de mãos dadas por Hogsmeade do jeito que já tinham imaginado tantas vezes. Bigodes da espuma de cerveja amanteigada e depois talvez um passeio pela vila, conversando coisas bobas. Era inacreditável como eles eram privados das coisas mais simples. Com um estalo, as imagens em sua mente mudaram e agora ela via Amélia andando sorridente com o garoto, uma ideia começando a surgir.
— Neville, o que você acha de sair com uma mulher mais velha?
Explicou a ideia para o garoto. Tomaria a poção polissuco e poderiam sair de verdade. Poderiam estranhar Longbottom sair com alguém, mas não tanto quanto achariam estranho se o visse se divertindo com . Faziam questão de dizer para todos o quanto era insuportável terem que passar tanto tempo juntos, embora há alguns dias, sem conseguir mais esconder, Neville havia desabafado todas as suas frustrações com Luna Lovegood. Que como imaginava, tinha sido super compreensiva. Ela sempre era.
se sentia mal em esconder as coisas de Draco, ainda mais com o quanto o garoto parecia estar se empenhando em não sei o que. Se convencia todos os dias de que era a coisa certa a fazer por enquanto, que contaria quando tudo isso acabasse e que ele não aprovaria, mas entenderia e apoiaria do jeito dele. Ou seja, que não tentaria azarar o Neville.

Naquele fim de semana já iriam para Hogsmeade e foi nisso que Dolohov se agarrou durante o resto da semana. Os dias se arrastaram lentamente até que se arrumou animada, com roupas levemente maiores já que não vestiam exatamente o mesmo número e tomou a poção assim que chegou em Hogsmeade e conseguiu se separar dos outros alunos. Com o corpo de Amélia, foi procurar Neville.
Tinham combinado de se encontrar no Três Vassouras e assim que a garota encontrou, ele já a estava esperando. Neville não podia negar que era tudo bem estranho. Por mais que soubesse que era quem estava ali, não conseguia se livrar da sensação incômoda de que realmente estava com Amélia. Sentia que estava, a traindo? Balançou a cabeça em negação, o pensamento era ridículo.
— Oi leãozinho — ela piscou falando baixo, fazendo todas as preocupações de Longbottom desaparecerem. Por dentro, ainda era a sua garota que estava ali e era isso que importava.
— Oi sonserina — ele devolveu no mesmo tom, a fazendo sorrir.
Pediram duas cervejas e conversaram animadamente, sentindo todos os olhares virados em sua direção. Dolohov riu, pensando em qual seria a reação se todos soubessem quem realmente estava ali, mas era tão maravilhoso finalmente estar em um encontro com o cara que ela gostava que nada mais importava.
Depois de quase duas horas onde tinham colocado quase todos os assuntos em dia e falado sobre suas bandas favoritas, livros e doces, resolveram passar na dedos de mel. Compraram quantos doces conseguiram carregar e andaram até um morro levemente distante do vilarejo, onde se sentaram no pé de uma árvore para comer. Conseguiam ver Hogsmeade inteira, mas ninguém se dava ao trabalho de olhar em sua direção.
— Deveríamos fazer isso mais vezes — Neville constatou, com a boca cheia de chocolate.
— Ta gostando de sair com a Amy, hum? — Dolohov gargalhou, o vendo corar.
— Só se for você aí dentro.
se aproximou lentamente, bagunçando o cabelo do garoto a sua frente, que em um impulso puxou-a para seu colo, beijando seu pescoço. Um arrepio percorreu as costas da sonserina, que selou seus lábios a fim de manter a concentração. Não era o melhor lugar para perder o controle. Trocaram carícias até o sol começar a se pôr e a poção polissuco perder o efeito, desceram em momentos diferentes e rumaram para o castelo, ambos com sorrisos idênticos no rosto. Meses se passaram, até conseguirem repetir o encontro. Estavam felizes em terem conseguido uma maneira de ficar juntos.

Já era tarde e o salão comunal sonserino estava vazio. A vela que tinha acendido para fazer seu dever de poções estava quase terminando, mas a garota ainda não estava com sono o suficiente para subir para o seu dormitório. Olhou para as janelas imaginando se as criaturas do lago negro estariam dormindo, pois tudo estava completamente escuro. Levou o que sobrou da vela para uma mesa ao lado de um dos sofás e sentou encarando as sombras que a chama fazia na parede.
A porta para o corredor rangeu, indicando que alguém tinha acabado de entrar, mas a menina não conseguia ver quem era. Seja quem for, caminhava lentamente e parecia estar chorando. Dolohov se assustou quando viu uma silhueta alta com cabelos prateados vindo em sua direção.
Conhecia Malfoy desde sempre e podia contar nos dedos a quantidade de vezes que o viu chorando. Mesmo quando mais novo, Lucius sempre o ensinou que não deveria deixar que outras pessoas vissem suas fraquezas. Se precisasse arriscar, diria que foi a pessoa que mais o viu chorar na vida.
— Draco? — falou baixinho para não assustar o garoto.
Mas não fez muito efeito, ele pulou ao ouvir chamarem seu nome.
— Ah, . É você.
— Vem cá — colocou a mão no sofá, indicando que se sentasse ao seu lado — Conversa comigo.
Draco parecia acabado. Estava mais magro que o normal e seu rosto parecia sem vida. Dolohov tinha certeza que tinha alguma coisa a ver com a missão que tinha ouvido os comensais comentarem. Malfoy se jogou no sofá, colocando a cabeça no colo da garota.
— Folgado — brincou, mas não foi o suficiente para arrancar qualquer menção a um sorriso.
Embora parecendo confortável, o garoto não fez nenhum sinal de que falaria alguma coisa, então resolveu começar.
— Você não apareceu depois do banquete.
— Depois do banquete?
— No primeiro de setembro.
— Ah… eu precisei fazer outra coisa — estava com a voz embargada.
— O que aconteceu, hein?
— Eu queria te contar, precisava da sua ajuda — suspirou — Mas conversar com Crabbe e Goyle me deixou confiante, pensei que conseguiria sozinho e que não precisaria te envolver nessa encrenca toda.
passou as mãos no cabelo do sonserino com cuidado, queria demonstrar que estava ali para ele independente do que acontecesse.
— A quanto tempo conhecemos Crabbe e Goyle?
O menino pareceu considerar.
— Bastante, nós crescemos juntos — respondeu cauteloso. Não sabia onde ela queria chegar com aquilo, mas sabia que tinha um propósito. Sempre tinha.
— E quantas vezes eles realmente te ajudaram em alguma coisa?
Draco não respondeu.
— Eu sei que você gosta de andar com eles porque eles seguem todas as suas ordens. E principalmente porque eles te idolatram como se você fosse algum tipo de herói. Mas você não precisa de alguém que fique passando a mão na sua cabeça o tempo todo, Draco. Você precisa de alguém que te mostre quando você tá errado e que te ajude a melhorar. Não alguém que fique botando pilha que você consegue fazer qualquer coisa e depois te deixe lidar sozinho com os seus problemas.
Malfoy sabia que a garota tinha um bom ponto, mas nunca admitiria que estava errado. Preferiu escutar em silêncio do que falar qualquer coisa que a deixasse brava. Naquele momento só queria ter alguém para quem recorrer. Ficaram um tempo em silêncio até que resolveu voltar a falar.
— Lembra o que sempre ouvíamos quando éramos crianças?
— Eu odeio você?
Dolohov riu.
— Geralmente sua mãe dizia depois disso.
Draco riu com a lembrança. Quando menores, sempre que sua mãe pegava os dois brigando ela sentava calmamente com as duas crianças e explicava que uma família não deveria brigar. A mãe de nunca ligou para o que as crianças faziam, só gritava o tempo todo para não quebrarem nada valioso, e Lucius pelo contrário, nunca nem se deu ao trabalho de gritar alguma coisa para os dois. O menino se perguntava como seria se Antonio estivesse por perto nessas horas. O dia que comentou com , ela respondeu que ele daria uma varinha para cada e os mandariam duelar até a morte. Provavelmente seria mesmo.
— Crianças, vocês são uma família — Draco imitou a voz de Narcisa — Não podem ficar brigando desse jeito — fez uma pausa dramática — Ao invés disso, deveriam gastar essa energia cuidando um do outro.
Os dois gargalharam, tinha sido uma ótima interpretação.
— E nós sempre cuidamos, não é?
Draco assentiu.
— Sei que nos afastamos nesses últimos anos porque nos tornamos pessoas diferentes, gosto de pensar que melhorei — riu — mas ao invés de te puxar comigo eu te deixei sozinho com aqueles dois brutamontes. Eu sinto muito, Draco. Eu poderia ter agido melhor, eu poderia ter feito mais por você. Mas prometo que não vou mais te deixar sozinho.
Era o que ele queria ouvir desde o início, que não estava sozinho. Sua mãe tinha tentado confortá-lo antes de ir para Hogwarts, mas estava se sentindo mais solitário do que nunca nos últimos tempos, embora só tivesse percebido isso quando mesmo após muitas visitas a mansão dos Dolohov, não tinha encontrado . No fundo ela sempre esteve disponível quando ele precisou. Não a encontrá-la tinha sido um soco no estômago que nunca imaginou que levaria.
— Nunca fomos uma família muito boa — o menino tinha parado de chorar, mas seus olhos continuavam muito vermelhos — Porque nunca soubemos como uma família deve ser. Mas vamos resolver isso como sempre fizemos, ta? Juntos.
Draco se sentou e olhou bem para a garota. Juntos, tinham recebido a melhor criação que o dinheiro poderia comprar, e por mais que não tivessem os pais mais amorosos ou mesmo sangue, tinham um ao outro.
— Ele me deu uma missão — começou.
— Eu sei. Ouvi os comensais comentando quando fui chamar seu pai.
Draco assentiu.
— Ele disse que mataria meus pais se eu não conseguisse, que me mataria também. E...
O sonserino tremia ao lembrar da expressão do lorde das trevas enquanto conversava com ele. — E?
— E que mataria você. Não posso deixar que ele te machuque.
— Está tudo bem — a menina colocou suas mãos sobre as dele — Vamos resolver a tarefa e tudo vai ficar bem.
— Não — negou com a cabeça — Você não entende. Você não pode me ajudar.
— Claro que eu posso. Não precisa fazer sozinho.
, não acho que eu vá conseguir fazer de algum jeito. Eu já tentei. Eu mandei uma garrafa de hidromel mas…
Hidromel? Porque a tarefa envolveria presentear alguém? A não ser que…
— Draco — respirou fundo — O que exatamente ele mandou você fazer?
Malfoy suspirou novamente, abaixando a cabeça.
— Ele me mandou matar Dumbledore — falou fraco.
O ar faltou nos pulmões de Dolohov. Draco não poderia nem se quisesse, não era capaz de matar alguém. Agora começava a entender porque o garoto parecia tão desnutrido. E principalmente o tempo em que tinha guardado aquilo para si.
— Você não pode contar para ninguém — Malfoy falou desesperado pelo silêncio da garota — Por favor, isso poderia…
— Eu vou dar um jeito nisso. Vou pensar em alguma coisa. Eu só preciso de tempo para processar toda essa informação. E principalmente, precisa prometer que não vai se preocupar comigo.
— Como eu não vou me preocupar se você é tudo o que eu tenho? Você é minha irmã, minha melhor amiga...
— E vou continuar sendo quando tudo isso acabar.
...
— Não se preocupe. Não vou te deixar sozinho nessa.

Acordou no meio da noite com Draco tremendo ao seu lado. Tinham adormecido enquanto conversavam e aparentemente o sonserino estava tendo um pesadelo, já que murmurava que não podia, que não queria, e pedia para alguém parar. Se todas as noites estavam sendo assim, ela entendia a má aparência do amigo.
Apertou-o contra seu corpo o mais forte que conseguiu, tentando acalmá-lo, e chamou seu nome baixinho para que acordasse devagar. Mas o loiro acordou em um sobressalto, olhando para os lados. Quando percebeu que estava com , relaxou os ombros.
— Tem tido esses pesadelos com que frequência? — ela perguntou, se sentando para encará-lo.
— Só quando eu durmo — respondeu sem graça.
Dolohov se levantou e pegou um cobertor que alguém tinha deixado por ali. Se deitou novamente e chamou Draco para fazer o mesmo, puxando a coberta sobre os dois. Em poucos minutos Malfoy adormeceu novamente, sentindo os braços da amiga envolvendo sua cintura. Fazia tempo que não se sentia tão seguro. não conseguiu dormir.
Quando os primeiros raios de sol começaram a atravessar o lago negro, estava cheia de dor nas costas. Levantou devagar e ajeitou Malfoy no sofá para que não acordasse. Tinha prometido que não contaria para ninguém sua missão, mas não poderia resolver todo aquele problema sozinha. E só tinha uma pessoa que poderia ajudá-los naquele momento. Correu para trocar de roupa e desceu para o salão principal. O salão estava relativamente vazio, mas a professora McGonagall estava sentada na mesa dos professores terminando de tomar seu café da manhã.
— Professora — a garota chegou correndo — Eu preciso ver o professor Dumbledore.
— Isso não são horas, Dolohov. Sente-se e vá tomar seu café.
— Professora a senhora não entende, eu preciso mesmo ver o professor.
— Dolohov você não vai incomodar o diretor uma hora dessas.
— Mas — precisou fazer uma pausa, tamanha sua indignação — É questão de vida ou morte.
— Você sabe que horas são? Nada é tão sério que precise tirar o diretor da cama — tomou um gole de chá.
— Ah é sim — cruzou os braços — Voldemort tem um plano terrível que ele precisa ter conhecimento agora!
A mulher arregalou os olhos, em seguida ajeitando os óculos e analisando a garota. Parecia aterrorizada e não tinha porque mentir. Minerva suspirou e terminou de tomar seu chá, o resto do café da manhã teria que esperar.
— Vamos — limpou a boca com um guardanapo e se levantou — Esse sim é um bom motivo para tirar Dumbledore da cama.
Saíram depressa em direção a sala do diretor. A professora falou a senha bem baixo para que Dolohov não ouvisse - o que a fez revirar os olhos - e uma escada surgiu. Depois de muitos degraus se depararam com uma grande porta dourada. McGonagall pediu para que a menina esperasse do lado de fora e entrou para chamar o diretor.
esperava que no mínimo o homem aparecesse com grandes ceroulas douradas, mas alguns minutos depois ele apareceu na porta com um grande robe roxo e sua longa barba prata perfeitamente penteada. Se tinha algum feitiço para se arrumar tão rápido, gostaria de conhecê-lo.
Seu coração apertou ao ver o diretor, tinha que fazer alguma coisa para salvá-lo. Não poderia deixar que Voldemort acabasse com a vida do homem mais extraordinário que Dolohov já tinha conhecido. Admirava Dumbledore mais do que qualquer outro bruxo no mundo, talvez só perdesse para Amélia.
— Dolohov — o homem chamou — Pode entrar.
olhava atentamente para Minerva, não queria contar tudo para o diretor com ela por perto. Mas Dumbledore parecia saber.
— Professora, por favor pode nos deixar a sós?
Minerva assentiu se retirando.
— Sente-se, .
— Sim professor.
— Minerva comentou que a senhorita tinha um assunto urgente para tratar.
A garota respirou fundo e desandou a falar, simplesmente não conseguia parar. Segurou a informação por mais tempo do que achou que poderia e agora só queria descarregar tudo em cima de alguém.
— Eu ouvi os comensais falando sobre uma missão com o Draco e aí ele estava estranho o caminho todo do trem e pediu pra falar comigo mas o Slughorn me chamou e depois o Draco não apareceu mais e ele continuava estranho ai ontem ele apareceu chorando e…
— Senhorita — Dumbledore esboçou um sorriso — Devagar.
A garota respirou fundo e resolveu ir direto ao ponto.
— Voldemort mandou Draco te matar e se ele não fizer isso ele vai matá-lo e levar toda sua família de brinde.
— Sim.
— Então… espera — cerrou os olhos — Sim? O senhor já sabia?
— Tenho conhecimento desse plano a algum tempo.
Aquelas palavras causaram um alívio que ela não tinha imaginado sentir.
— Mas então o senhor já está fazendo alguma coisa sobre isso, certo?
— A senhorita me mataria se estivesse no lugar do Malfoy?
Dolohov considerou a situação. Poderia fugir com Draco para algum lugar distante até toda a guerra acabar, acreditava que Potter venceria. Se tudo desse errado, provavelmente poderiam se isolar e viver como trouxa pelo resto da vida. Com o tempo, Malfoy se acostumaria. E o que importava é que estariam bem. Sobre seus pais, eles que lidassem com as consequências de seus atos.
Olhou para o homem pronta para negar, mas ele pediu para que ela esperasse.
— E por Longbottom? Você me mataria?
Abriu e fechou a boca sem saber o que falar.
— Como?
— É gracioso, embora muito ingênuo, a senhorita achar que eu não sei o que acontece dentro de minha escola.
— Eu…
Dumbledore riu.
— A vida de um velho como eu não vale mais do que a de um garoto de dezesseis anos.
— Vidas não podem ser medidas, professor.
— Há três anos eu vi que você estava começando a se aproximar de Neville e achei que seria uma ideia desastrosa. A filha de um comensal como Antonio se envolvendo com um Longbottom? E se você seguisse os passos de seu pai? E se mesmo sem segui-lo, quem sabe quais perigos você poderia apresentar ao garoto?
abaixou a cabeça, o professor estava falando tudo o que passava na cabeça da garota a meses.
— Mas a cada dia que passa você me surpreende mais. Primeiro seu papel na brigada inquisitorial. Ah sim, eu fiquei sabendo disso. Fiquei sabendo, inclusive, que só conseguiram escapar da sala da Umbridge porque tiveram uma ajudinha. Depois você vem ao meu escritório me contar que estão planejando contra mim, e eu aprecio sua lealdade. Você amadureceu muito nos últimos anos, acreditar que vidas não podem serem medidas é a maior prova disso. Mas agora, olhe para minha mão.
Dumbledore puxou a manga do robe, mostrando sua mão. Dolohov se assustou quando a viu. Estava completamente preta e a cor ia se arrastando braço acima.
— O que é isso?
— Uma maldição causada por um anel que comecei usar a um tempo. Isso vai me matar de um jeito ou de outro, pequena .
— Mas então…
— Então não tem diferença para mim ser morto ou esperar que a maldição o faça.
— Mas o Draco não é capaz de matá-lo. Ele não é assim, não é capaz de chegar e diretamente matar alguém.
— Também acredito que Malfoy não é capaz de tirar a vida de alguém, por isso o professor Snape já tomou as devidas precauções.
Dolohov novamente não sabia o que dizer. Sempre via Snape nas reuniões e agora o diretor estava dizendo que ele ia resolver o problema de Draco? Teria Dumbledore mandado Snape matá-lo?
— De que lado o professor Snape está? Ele sempre está nas reuniões dos comensais mas agora do jeito que você falou parece que…
— Ele está do lado que ele precisa estar.
tinha achado um pouco rude.
— Diretor...
— Severo mencionou que Voldemort anda bem interessado em você e suponho que saiba disso. Já que aparentemente ele acredita que você foi uma garota terrível nos últimos tempos.
— Eu…
— Você se desenvolveu como uma excelente oclumente. Snape também percebeu disso ao ouvir os relatos, então ele pode ter dado uma aumentada em sua história.
riu levemente, balançando a cabeça.
— Isso está saindo do controle.
— Você faz o que acha certo e eu aprecio isso — Dumbledore sorriu — Sinto que será muito útil para Hogwarts.
— Obrigada professor — fez uma pausa — Posso fazer mais uma pergunta?
— Claro.
— Devo confiar no professor Snape?
— Vocês têm muito em comum.
— Isso é um sim?
— Ele deve confiar na senhorita?
— Depende de que lado ele está.
— Então imagino que a resposta também seja essa.
sorriu. Sentiria falta de ter o diretor por perto. Dumbledore passava uma aura de segurança que Hogwarts não encontraria em nenhum outro lugar.
— Senhorita Dolohov?
— Sim?
— Não conte para ninguém sobre a conversa que tivemos, principalmente para Malfoy ou Longbottom. Colocaria todos em um perigo maior do que eu posso interferir. No dia em que tudo deverá acontecer, espere Draco e o professor Snape perto dos jardins do castelo. Eles vão aparatar para a mansão Malfoy e você deve estar junto, pois será a primeira procurada aqui dentro. Está me entendendo? Eles vão atrás de você, não pode estar aqui quando eu partir.
— Sentirei sua falta, professor.
— Eu não poderia desejar que Hogwarts tivesse estudantes melhores.
Assim que a garota saiu, Alvo se sentou em sua mesa e começou a escrever, chamando a professora Minerva minutos depois e lhe entregando uma carta.
— Não a abra ainda. Saberá quando o momento chegar e infelizmente será em breve. O conteúdo deverá ser compartilhado com os membros da Ordem da Fênix original, não deixe que nenhum dos estudantes saiba.
A mulher assentiu e saiu rapidamente para fazer aquilo que o homem pediu.

Com o ano letivo chegando ao fim, começou a ficar mais distraída. Sabia que o grande dia estava chegando e a ideia do que estava para acontecer a atormentava diariamente.
? — Neville perguntou.
Estavam fazendo um dos últimos trabalhos de Herbologia do ano, mas a garota não tinha ouvido nem uma palavra do que Longbottom tinha falado.
— Desculpa, o que foi?
— O que está acontecendo?
— Nada, está tudo bem — forçou um sorriso e começou a escrever no pergaminho a sua frente. Mas Neville não deixaria o assunto acabar ali.
— Você voltou a ser bem próxima do Malfoy nos últimos dias.
— Ele precisa de mim.
Longbottom se mexeu na cadeira, visivelmente desconfortável.
— É que vocês são tão diferentes — argumentou — E fazia tanto tempo que vocês não passavam um tempo juntos.
riu, balançando a cabeça.
— Não, Draco e eu somos exatamente a mesma pessoa. Só conheci pessoas melhores ao longo da vida.
— Claro que não, ele não chega nem perto de ser como você.
Dolohov não queria ter aquela conversa agora, mas sabia que chegaria o dia em que precisaria explicar para Neville que Draco não era essencialmente uma pessoa ruim, só tinha tido as experiências erradas. E se tinha a intenção de manter os dois em sua vida, ele precisava entender isso.
— Por mais que crescemos juntos — começou, suspirando — Eu não sofri nem um terço da pressão que o Lucius colocou em cima dele, mesmo que o próprio Draco tenha me passado parte disso depois. Mas Narcisa me tratava como uma filha. Se minha mãe fosse mais apegada e meu pai não tivesse ido para Azkaban, eu não seria diferente do Draco. Eu não teria a liberdade que tive para sair correndo um dia e encontrar a Amélia e o St Mungus, nem para continuar indo com o passar dos anos, e nunca teria conhecido a parte ruim da história dos comensais.
Neville abriu a boca para dizer que não existia uma parte boa dos comensais, mas não queria discutir. Sabia que ela tinha uma perspectiva que ele nunca entenderia. Ao invés disso, perguntou outra coisa.
— Você gosta mesmo dele, né?
— O Draco é tudo pra mim. Nós podemos brigar muito mas fazemos de tudo um pelo outro. E ele faria o mesmo por mim se… — se interrompeu, se repreendendo por quase ter feito exatamente o que Dumbledore mandou que não fizesse.
— Se?
— Se eu precisasse.
Várias coisas passaram pela cabeça de Longbottom, que rapidamente descobriu o que tava acontecendo.
— Você sabe qual a missão, não sabe?
Revirou os olhos, não queria mentir.
— Sei.
— E então?
— Eu não posso contar.
— Como que você não pode contar um plano de Você-Sabe-Quem? Que provavelmente é muito ruim e vai colocar alguém em perigo! — exclamou furioso. pediu para que abaixasse a voz, então respirou fundo para se controlar.
— É muito ruim e vai colocar alguém em perigo — ela concordou, sem saber o que dizer.
Neville se sentiu traído. Desde que começou a confiar em Dolohov, fez isso plenamente. Não podia acreditar que ela esconderia uma informação tão importante.
— Você não pode fazer isso pra defender o Draco.
— Eu sinto muito, Neville — respondeu com os olhos marejados — Eu contaria se pudesse.
— Eu não acredito nisso — o garoto passou as mãos pelos cabelos, nervoso — Pensei que não tivéssemos segredos.
— Você está sendo injusto — tentou segurar a mão do grifinório, mas ele já não estava mais ali. Neville saiu da biblioteca com tanta raiva que não via mais nada pela sua frente. Andou até o salão comunal sonserino pensando em confrontar Malfoy, mas voltou para o próprio salão ao perceber que encontraria novamente se não saísse rápido dali, e não queria vê-la naquele momento. Quando chegou, se deixou cair no sofá mais próximo, tampando o rosto com as mãos.
Ainda na biblioteca, tentava esconder as lágrimas que insistiam em cair. Estava perdendo mais coisas que poderia suportar, mas naquele momento, se quisesse sobreviver deveria ser o forte. Pensaria nessas coisas depois.

Dolohov e Malfoy se encaravam apreensivos, batendo os pés no chão em um ritmo semelhante. Os comensais tinham avisado que aquela seria a noite, então durante o jantar, nenhum dos dois estava com fome. Tinham combinado um horário para tudo acontecer, mas sabia que Dumbledore já deveria estar na torre esperando o garoto. Então quando a hora chegou, Draco e Dolohov saíram juntos do grande salão, de braços dados e se separaram perto das escadas.
— Vai ficar tudo bem — a garota o abraçou — Você vai ficar bem.
— Eu não vou conseguir.
— Mas tudo vai dar certo, eu sei disso.
— E como sabe?
queria contar tudo o que tinha conversado com Dumbledore, mas não era porque o homem estava para morrer que ela desobedeceria uma de suas ordens.
— Eu acredito. Queria poder ir com você.
— Não te quero lá.
— Sei disso. Te encontro logo depois, tudo bem?
— Eu já volto — Draco falou, segurando suas mãos e as apertando com força, tentando buscar um pouco de coragem.
— Eu vou estar esperando.

voltou para o salão comunal e colocou sua calça com o feitiço indetectável de extensão. Suas coisas ficariam em Hogwarts então tinha que pegar o que era mais importante para si. Guardou nos bolsos tudo o que achava que poderia precisar, inclusive a poção polissuco. Sentia seu corpo suar e passava as mãos nervosamente pelo cabelo; a aquela altura, os comensais já deveriam ter chegado ao castelo.
Sentiu o coração apertar ao pensar em Neville. Se tivesse um conflito ele certamente estaria envolvido e ela queria mais do que qualquer coisa ajudá-lo. Então teve uma ideia. Pegou seu cachecol antigo e enrolou algumas pequenas poções de cura que ele talvez precisasse. Saiu o mais rápido possível, se despedindo do resto de suas coisas e se esgueirou até a cozinha.
— Dobby? — chamou por entre os elfos, não obtendo resposta — Por favor, Dobby.
— Senhorita? — o elfo apareceu. Estava com as toucas características, mas agora junto a elas também tinha um cachecol da sonserina.
— Ah meu elfo sonserino — Dolohov se abaixou para um abraço — Eu preciso que você me faça um favor, estou deixando Hogwarts.
— Deixando Hogwarts, senhorita?
— Ah Dobby, uma coisa horrível vai acontecer essa noite. Me prometa que vai se cuidar, sim? — o elfo assentiu — Você poderia colocar esse embrulho no malão do senhor Longbottom?
— Dobby coloca agora.
— Muito obrigada, Dobby. Tome cuidado, nada de atos heróicos.
— Dobby vai ver a senhorita de novo?
— Volto em setembro, prometo.
Então se esgueirou para os jardins do castelo e se sentou na sombra, esperando.

Demorou bastante para que eles aparecessem. Snape vinha correndo arrastando Draco pela capa.
— Preciso encontrar a — o menino arfava enquanto corria — Eu prometi, a
— Continua correndo — Snape murmurou com os dentes cerrados, puxando-o com mais força.
Dolohov levantou em um salto e correu até eles, buscando a mão de Draco que se assustou com o gesto.
— Que bom que está aqui — ele apertou, finalmente se deixando ser puxado.
— Menos conversa e mais velocidade — o professor os empurrou para o lado, desviando de um jato — Merda, mais rápido vocês dois. Corram para fora do terreno e aparatem para a mansão.
Só então a sonserina percebeu que estavam sendo seguidos, e pior, sendo atacados. Hagrid se aproximava lançando feitiços contra o trio, enquanto Potter vinha atrás o mais rápido que podia. Aleto e Amico vinham atrás, o que deixava a garota preocupada. Correu o mais rápido que pôde, na intenção de tirar Harry de perto dos irmãos de comensais. Se Potter os seguisse, talvez ficasse mais seguro.
— Corram — Snape gritou, parando para discutir com o grifinório.
parou para olhar para a dupla, se certificando de que nada acontecesse a Harry. Se sentiu tentada a voltar e ajudá-lo, mas a mão de Malfoy sobre seu ombro a acordou, fazendo com que voltasse a correr.
— Eu aparato — ela gritou para que o amigo ouvisse, o vendo assentir. Os dois sabiam que ele não tinha condições de aparatar para lugar algum, nem sua própria casa.
Assim que saíram do terreno de Hogwarts, segurou mais forte a mão de Draco e se imaginou nos arredores da mansão, sentindo algo puxá-la.
Apareceram novamente na esquina da casa, cambaleantes mas inteiros. Continuaram a correr até entrar no quintal, sentindo seus joelhos falhar e desabar nos jardins. Os dois garotos se procuraram, se envolvendo em um abraço. Choraram baixinho por um tempo, mas logo precisaram se levantar e colocar um sorriso forçado nos lábios. Os outros comensais estavam para chegar e eles precisavam manter as aparências.



Continua...



Nota da autora: Eu nem acredito que finalmente consegui atualizar HAHAHAHAH Eu amo essa fanfic e estou muito satisfeita com o rumo que ela está tomando. Muito obrigada por ter lido!! <3 Se quiser saber mais sobre essa fanfic, segue as redes sociais aí embaixo!





Outras Fanfics:

Fanfic de Julie and The Phantoms
Shortfic:
I don’t wanna let you go
Longfic:
Before I die

Fanfics de Harry Potter
Versão dos Marotos para a noite em que Voldemort foi derrotado by Moony, Padfoot & Prongs
31 de Outubro de 1981, Parte 1
31 de Outubro de 1981, Parte 2
31 de Outubro de 1981, Parte 3
31 de Outubro de 1981, Parte 4

Potterverso em que Voldemort não matou os Potter by Padfoot & Prongs
Sometimes Red, But Always Yellow
Diagon Alley Secrets
The Way to the World Cup
Dinner in Godric’s Hollow
Summer in Godric's Hollow

After Slug Christmas Party

Evie&Harry Christmas

The One-Eyed Witch Passage

The Night Cedric Diggory Broke the Rules

Potterverso em que todos os Marotos tem Filhos by Moony
The Moony's Way

Feat das melhores alunas de Hogwarts: Evie Darling, Samantha Black e Sophie Winter by Moony, Padfoot & Prongs
Kisses in the 3rd Room
Kisses in Hogwarts
Kisses in the Yule Ball
Happy Birthday, Samantha
Outras oneshots & shortfics dentro do universo de HP by Moony, Padfoot & Prongs:
Before All
My Blood - Parte 1

My Blood - Parte 2

My Blood - Parte 3

Playing with the Moon
Sweet Fire
Sweet Fire: The Date
The First Date Of Lily Evans and James Potter
The Prisoner's Muggle
Under the Stars

Longfics by Dih, Isa P. & Reh:
Black & Diggory
Uma Nova História
Uma Nova História II
Black & Diggory II
Black & Diggory III
After All
Orchideous
Between the order and the death eaters


comments powered by Disqus