Última atualização: 01/09/2020

Ano 5

estava tendo dificuldade para processar a relação do grito da garota da Beauxbatons ao fato de Harry Potter finalmente ter saído do labirinto, até ver o corpo embaixo do garoto. O grifinório se agarrava ao corpo de Cedrico Diggory enquanto Dumbledore se apressava em retirá-lo e entender o que tinha acontecido. Nas arquibancadas era possível ouvir os gritos de Amos Diggory tentando chegar ao centro do campo enquanto os outros alunos estavam assustados demais para qualquer reação.
— Ele voltou — Harry gritava em meio a soluços — Voldemort voltou. Cedrico me pediu para trazer seu corpo de volta, eu não podia deixá-lo.
— Você-Sabe-Quem voltou? — murmúrios começaram a surgir pelas arquibancadas. Alguns rostos preocupados, outros incrédulos. Ninguém estava pronto para outra possível guerra.
— Ele voltou — sussurrou baixinho para que apenas ela pudesse ouvir. Se Potter estivesse certo e Você-Sabe-Quem realmente tivesse retornado, sua vida nunca mais seria a mesma.

Quando criança sempre ouviu histórias sobre os grandes feitos de seu pai e queria ser como ele. Antonio Dolohov o justiceiro. O servo fiel que ficou ao lado de quem acreditava estar certo e fez de tudo para que este alcançasse o poder. Um bruxo magnífico, poderoso e que injustamente foi preso por homens maus e separado de sua família. Adorava ouvir de sua mãe que algum dia seu mestre retornaria e seu pai estaria livre. Poderia cuidar delas novamente. E de como era dever de continuar lutando por aquilo que sua família prezava.
Por muito tempo viu aquele que não deve ser nomeado como um tipo de divindade. A única pessoa que seria capaz de resolver os seus problemas e trazer seu pai de volta. Cresceu com crianças que assim como ela tinham dinheiro e fome de poder. Que foram ensinadas a desprezar qualquer um que fosse mais fraco. Ninguém com menos status merecia sua atenção.
Se lembrava perfeitamente de seu primeiro dia em Hogwarts. McGonagall com o chapéu em mãos chamou o primeiro nome da lista.
— Isis Dolohov.
caminhou confiante até o banquinho e encarou todos os outros alunos no salão. Sabia a qual casa pertencia antes mesmo do chapéu seletor anunciar, não tinha como ser diferente.
— Você alcançará grandes coisas — o chapéu sussurrou dentro de sua cabeça. — Claro que vou — ela revirou os olhos — Não preciso que me digam o óbvio. Era possível um chapéu bufar?
— Sonserina — ele gritou para todo o salão.
A garota sorriu confiante e se dirigiu a mesa onde todos os alunos vestiam verde. Foi recebida sob aplausos e batidinhas nas costas por vários bruxos conhecidos. Ela estava em casa.

Pareu uma eternidade até que alguma coisa minimamente interessante aconteceu. Estava conversando com Draco Malfoy quando um menino desajeitado de sentou no banco.
— Lufa Lufa ou Grifinória? — ela perguntou.
— Lufa Lufa, com certeza — Draco riu maldoso.
O chapéu não demorou a se decidir.
— Grifinória!
Segundos depois o salão inteiro explodiu em gargalhadas. O garoto tinha ficado tão nervoso que ao se dirigir para a mesa selecionada esqueceu de tirar o chapéu e teve que voltar para entregá-lo para o próximo estudante.
— Grifinórios deveriam ser corajosos — zombou do menino — Esse ai parece ter medo até de um chapéu velho.
— Você sabe que esse negócio de coragem é uma distração para o quão estúpidos eles são — Malfoy rebateu.
— Esse não é o mesmo menino que estava chorando por causa de um sapo?
— Ele mesmo, e agora conseguiu ser ainda mais patético.
Dolohov sentiu uma dor estranha no estômago ao passar o olhar pela mesa da Grifinória e reparar que o menino do chapéu estava quieto de cabeça baixa enquanto todos os outros grifinórios conversavam.

Procurava sempre pensar no quanto tinha mudado ao longo do tempo. Não era mais a garotinha que ficava falando mal dos outros alunos junto com Malfoy. Discutiram muito no último ano porque simplesmente não aceitava mais o jeito que o garoto tratava as outras pessoas, não parecia que algum dia ele mudaria. Mas os dois garotos também não se desgrudavam, eram a coisa mais familiar que tinham. Não importava o quanto estivessem irritados um com o outro, se um dos dois precisasse, o outro estaria ali. Mas Dolohov jamais negaria que adorava ver o garoto mal humorado.
Os dias após o final do torneio tribruxo foram difíceis. Esperava ansiosamente uma carta de sua mãe confirmando os boatos de que Você-Sabe-Quem tinha retornado. Não que geralmente ela recebesse alguma correspondência, mas acreditava que pelo menos em um assunto como esse ela seria notificada. O clima na Sonserina também não estava dos melhores. Vários alunos estavam se gabando que finalmente as coisas voltariam ao normal, ao que era para ser. Mas a maioria estava com medo. Todos tinham ouvido dos horrores durante a primeira guerra bruxa e sobre os misteriosos desaparecimentos dos bruxos que ousaram se opor ao Lorde das Trevas. Tinham medo do que poderia acontecer com seu retorno. Draco se gabava que seriam ótimas férias cheias de reuniões secretas para a volta do bruxo das trevas ao poder. tinha certeza de que ele não sabia o que aquilo realmente significava.
Foi a viagem de trem mais longa dos últimos anos. Dolohov estava na cabine junto com Malfoy, Crabbe, Goyle e Parkinson que chegaram logo depois da garota. Fazia uma hora que tinham partido de Hogsmeade e ela já não aguentava mais o ambiente hostil. Se levantou propositalmente pisando em Pansy e se dirigiu para fora da cabine.
— Onde você vai? — Draco segurou seu pulso, a impedindo de sair.
— Agora é proibido dar uma volta pelo trem? Me solta, Malfoy.
— Eu só to perguntando o que te faz sair assim.
— Acredito que perguntas estúpidas — puxou o braço com força — Sabia que estupidez me deixa enjoada, Draco? Vou tomar um ar.
O bruxo bufou batendo a porta da cabine com força. riu fraco, era extremamente cansativo ter que lidar com ele. E temia que Draco estivesse certo. Tinha a terrível sensação de que passariam um tempo muito ruim juntos nessas férias.

Caminhava distraída quando esbarrou em alguém pelo corredor.
— Desculpa — falou sem olhar em quem tinha batido.
Foi a resposta gaguejada de “tudo bem” em uma voz estranhamente familiar que fez a garota parar e olhar em quem tinha esbarrado.
— Longbottom — ela sorriu. Pela cara do garoto a sua frente, seu sorriso tinha sido mal interpretado.
— Dolohov — sussurrou.
— Eu estava mesmo querendo falar com você — ela deu um passo para a frente, fazendo com que o grifinório recuasse o dobro do espaço — Mas por algum motivo eu não tenho te encontrado sozinho pelos corredores do castelo.
Neville sabia muito bem o motivo. Faziam meses que evitava o máximo possível encontrar com Dolohov, que parecia que o perseguia desde uma das aulas de Moody. Tinha sido muito difícil ver a maldição cruciatus pessoalmente e não precisava de ninguém o caçoando por isso. E não entendia o porquê da insistência da garota, mas sempre que a via se aproximando se dirigia o mais rápido possível a uma roda de grifinórios, ou ao banheiro masculino, qualquer lugar em que ela não conseguisse o encurralar. Mas agora no trem ele não tinha para onde ir, sua cabine estava longe e ele não queria simplesmente se enfiar em uma cabine cheia de desconhecidos.
Uma pequena onda de coragem passou por Longbottom que resolveu enfrentar a menina.
— O que você quer?
— Queria dizer que eu sei — não, ela não podia dizer que sabia — Que eu imagino — corrigiu — Como deve ter sido difícil para você nos últimos dias. As maldições imperdoáveis não deveriam ser tratadas daquela maneira na frente dos alunos, quase que com adoração. Ainda mais pelo estrago que elas são capazes de fazer, não? — sorriu fraco.
Neville assentiu.
— Enfim, você foi corajoso. Parabéns.
— Obrigado, eu acho.
— Vai lutar pelo lado certo — ela murmurou se retirando.
Hermione Granger apareceu no exato momento em que tinha passado para o próximo vagão.
— Aconteceu alguma coisa? Parece assustado.
— O que diabos acabou de acontecer?


Quando o trem chegou na plataforma Dolohov foi uma das primeiras a desembarcar. Queria chegar logo em casa e tomar um banho quente para ver se parava de pensar um pouco. Estava andando em direção aos Malfoy quando ouviu uma voz familiar chamando seu nome.
— Mãe?
— Querida, me espere — a mulher andava o mais rápido que seus saltos permitiam.
— O que faz aqui?
— Isso é jeito de tratar sua mãe?
— Esperava outra reação? Você nunca me buscou na plataforma. Desde meus onze anos tem me despachado para Lucius e Narcisa a cada início de semestre. E eles me deixam em casa no começo de cada férias.
— Mas agora as coisas mudaram, queridinha — passou o braço pelos ombros da filha — As coisas mudaram para nós duas.

Quase uma semana depois as coisas na mansão Dolohov se tornaram praticamente insuportáveis. passava a maior parte do tempo trancada em seu quarto para não precisar interagir com os novos convidados que passavam o dia inteiro perambulando no andar de baixo. Já tinha até encontrado Draco sentado em sua cama em um dia que saiu por dez minutos para comer alguma coisa, tinha certeza que o garoto estava se escondendo de seus pais. Conversaram um pouco e o loiro acabou adormecendo, o que fez se perguntar se ele estava conseguindo dormir em sua casa.
— Vou para o beco diagonal — sua mãe estava conversando com alguns comensais e praticamente não deu atenção. O que considerou ótimo.
— Claro, querida. Azare uns trouxas para mim.
A menina concordou e saiu o mais rápido que pode, sempre olhando para trás para ter certeza de que não estava sendo seguida. Depois de caminhar uma distância segura e ter certeza de que estava sozinha, dobrou a primeira esquina que viu e vestiu uma capa surrada que carregava nos bolsos. Era a maneira mais segura de chegar a seu destino.

Dois anos antes quando foi parar no St Mungus pela primeira vez, conheceu uma das enfermeiras, a senhorita Carter. Dolohov tinha saído correndo de casa em um surto de desespero. Não aguentava mais conviver naquele lugar frio e solitário, não aguentava mais sua mãe contando as histórias de seu pai que ficavam cada vez piores e principalmente a estranha chama de esperança que tinha se acendido na senhora Dolohov depois que Sirius Black fugiu de Azkaban. Se um homem como aquele tinha tido a capacidade de escapar, em breve seu marido também escaparia.
Ter seu pai de volta tinha sido por muito tempo o sonho de , mas as coisas mudaram em Hogwarts. Conheceu muita gente legal fora do seu círculo de amigos de infância e estava começando a perceber que seus amigos não eram tão legais assim. E nem a sua família. Porque faziam tanto mal para pessoas boas? Que nunca tinham feito nada de errado? Começava a entender que homens maus não tinham levado seu pai para longe, mas que ele era o homem mau e estava apenas colhendo os frutos de seus erros. Mas tudo isso era muito para uma garota de 13 anos processar. Enquanto pensava em tudo que a incomodava, andou tanto que acabou chegando no hospital de St. Mungus.
— Quem é você? — a voz vinha da lateral do prédio. Uma moça, não devia ter mais de 20 anos, estava encostada na parede — O que faz aqui?
— Meu nome é — falou baixo. Não era o ideal ficar espalhando seu sobrenome por aí — Eu... Na verdade não sei direito o que eu to fazendo aqui.
— Prazer — estendeu a mão — Sou Amélia Carter. Trabalho como enfermeira aqui.
— E porque não está do lado de dentro?
— Perspicaz — sorriu — É um serviço que exige muito de mim. Tem pessoas que chegam muito machucadas e as vezes eu preciso sair e respirar antes de fazer o que precisa ser feito. Me conta, porque você parece tão triste?
— As coisas estavam ruins lá em casa, ai eu resolvi sair um pouco.
— Veio ao lugar certo! Porque você não entra comigo? Sempre que eu tenho algum problema o St Mungus me lembra que existem pessoas com problemas bem maiores que os meus.

E foi assim que conheceu Amélia e começou a visitar o St Mungus sempre que podia. Levou um tempo até que confiasse plenamente na mulher e contasse seu sobrenome. Ambas decidiram que se fosse para continuar a visitar o hospital, era mais seguro que não revelasse seu sobrenome e mudasse seus trajes para não ser seguida por algum dos amigos de sua mãe. Foi quando adotou o sobrenome de Amélia no hospital e ganhou a sua capa.
— Está bem surrada — Amélia tinha trazido uma das capas velhas de sua família — Eu acho que deve servir bem. Ninguém espera que uma Dolohov se vista assim.
— É perfeita — sorriu — Mas minha mãe nunca permitiria que eu levasse para casa e carregar uma bolsa seria suspeito demais. Eu nunca ando com bolsas.
— E é por isso que eu preciso que você tire sua calça — Carter gargalhou ao ver a cara da menina — Vou encantar os bolsos com o feitiço indetectável de extensão. Quando eu terminar você vai conseguir guardar umas vinte capas dessas nos bolsos e ninguém vai perceber.
começou então a sempre sair para a direção contrária ao hospital e quando tinha certeza de que não tinha sido seguida por ninguém vestia a capa e seguia pelo caminho correto. Há dois anos não imaginava como essas precauções seriam necessárias.
Aprendeu muito em suas visitas. Ingredientes de poções que sozinhos já curavam muitas coisas, poções mais simples que sempre que podia Carter dava um ou dois frascos pequenos para guardar em seus bolsos. já possuía um pequeno estoque de curas mágicas em casa e esperava nunca precisar usar, embora soubesse perfeitamente como funcionavam. E principalmente os feitiços de cura, depois de dois anos já dominava boa parte deles.
Um dia, andando entre os pacientes que tinham sido feridos por comensais da morte, encontrou algo que lhe chamou a atenção. Um sobrenome extremamente familiar.
— Senhorita Carter — chamou — Pode vir aqui um minuto?
— Aconteceu alguma coisa?
— Quem são Frank e Alice Longbottom?
— Achei que demorou para perguntar deles — sorriu fraco — Frank e Alice foram muito corajosos, sabe? Isso aconteceu logo depois a queda de Você-Sabe-Quem. Dizem que os comensais acreditavam que ele estava apenas escondido e que Dumbledore sabia onde. Então um dia eles encontraram Frank e Alice e os torturaram com a maldição cruciatus, esperando obter uma resposta. Os Longbottom eram muito fiéis a Dumbledore e mesmo não sabendo nada sobre, não tentaram se defender dizendo que não sabiam. Bellatrix Lestrange conseguiu fazê-los chegarem a seu limite. Eles enlouqueceram, querida.
Os olhos de se encheram de lágrimas. Ela se lembrava de um Longbottom em Hogwarts. O menino que ela e Draco Malfoy costumavam incomodar sempre que podiam.
— Por acaso eles tiveram filhos?
— Um menino, deve ter a sua idade. Vem sempre com a avó visitar os pais, já era para vocês terem se encontrado aqui. A avó dele você já deve ter visto. Uma senhora com um chapéu engraçado.
se lembrava dela. Sempre com chapéus extravagantes e uma bolsa enorme, a mulher parecia um pouco brava. Dolohov agora entendia o porquê.
— Eu conheço o filho deles, Neville — contou — Eu posso não ter sido muito legal com ele nos últimos anos. Ele é meio bobão, sabe? Desastrado, sempre se mete em confusão. Deve ser difícil pra ele.
— Você tem que ver como ele olha para a mãe. Eu não posso imaginar o que é crescer assim. Ela não o reconhece, . Ela reconhece algumas das enfermeiras, mas não o próprio filho. Acho que agora o garoto já aceitou, mas nos meus primeiros anos aqui ele se sentava ao lado da cama e chorava, repetindo baixinho que era seu filho. E que sentia muito não ser tão corajoso quanto eles.
— Eu preciso de um favor — falou olhando para os senhores Longbottom. Frank dormia parecendo sereno e Alice tomava um chá que uma das enfermeiras tinha acabado de entregar — Quando Neville vier com a avó, você precisa me avisar para me esconder. Ele não vai gostar de me encontrar aqui.
— Ele é um bom menino, não precisa se esconder.
— Ele é — sorriu — Mas eu não tenho sido uma boa garota com ele.
e Neville já tinham estado ao mesmo tempo no hospital várias vezes desde então. Mas Dolohov sempre corria para algum outro andar no momento em que Carter a avisava. Ninguém em Hogwarts parecia saber o que tinha acontecido a seus pais, então deveria ser um assunto muito delicado para o garoto, ele não precisava saber que sabia.

Era quase uma hora de caminhada até o St Mungus e finalmente tinha chegado. As lembranças de seus primeiros dias rodeavam sua cabeça e não sabia porque tinha vindo o caminho inteiro pensando em Neville e seus pais. Sua mãe pedir para azarar alguns trouxas deve ter mexido com ela.
— Senhorita Carter — uma das enfermeiras se dirigiu até — Quanto tempo!
— Andei meio ocupada — sorriu apertando a mão da mulher — Mas como sempre vim o mais rápido que pude para vê-las. Amélia está?
— Terceiro andar, querida.
Dolohov agradeceu e subiu até o terceiro andar. Amélia veio correndo em sua direção.
— a abraçou — Eu estava tão preocupada, você nunca demorou tanto para voltar ao hospital. Aconteceu alguma coisa?
— Está cada vez mais complicado sair de casa — bufou — Acredito que saiba que Você-Sabe-Quem retornou?
A enfermeira abaixou a cabeça e assentiu. Tinha passado parte da infância em meio a guerra e desde a adolescência trabalhando com os feridos. Sabia o horror que sua volta significava.
— Minha casa está um caos. Minha mãe está toda animada com as novas possibilidades. Malfoy, Pettigrew, Avery, Macnair, todos eles não saem lá de casa. Ou estão na nossa sala de estar ou na mansão dos Malfoy. Eu não sei quanto mais eu posso aguentar de tudo isso. E só passou uma semana.
— Já falei várias vezes que pode morar comigo, se quiser.
— E você sabe que eu adoraria. E também sabe que eu colocaria todos da sua família em perigo. Seus pais, seus irmãos. Os comensais me iriam me caçar por todo o continente até entregarem nossas cabeças em uma bandeja aos meus pais. Carter concordou. Ela sabia o perigo que seria manter a menina por perto. Mas ela era tão jovem para sofrer tanto.
— Seu pai saiu de Azkaban?
— Não. Ainda não. Ontem Lucius comentou com a minha mãe que eles estavam entrando em um acordo com os dementadores. Se isso realmente acontecer vai ser só questão de tempo.
— E ai…
— E aí eu vou estar extremamente ferrada.

Várias horas depois quando estava indo embora, encontrou Neville e sua avó no saguão. Foi realmente exaustivo passar os últimos dois anos fugindo do garoto, mas não era agora que ela ia se deixar ser vista. Saiu correndo pelos corredores e vestiu sua capa ali mesmo. Quando passou pela senhora Longbottom e seu neto, manteve a cabeça baixa para não ser reconhecida.
Neville conversava com sua avó quando viu alguém vestido em uma capa vindo em sua direção. Algo ali parecia extremamente familiar, então a seguiu com os olhos até que saísse do hospital. Tinha certeza que já tinha visto aqueles sapatos antes, só não lembrava onde.
Ao chegar em casa, a visão de sua sala de estar fez querer vomitar. Ele estava ali. O próprio. Com seus olhos vermelhos e pele pálida era ainda pior do que conseguia imaginar. Desde o torneio tribruxo, desejava que as palavras de Potter fossem mentira e que ele não tivesse retornado. Limpou rápido todos seus pensamentos pois sabia que ele era capaz de lê-los e tentou disfarçadamente andar até as escadas para se esconder em seu quarto, mas sua mãe a chamou assim que a viu.
querida — chamou — Temos visita, venha.
Não sabia como reagir. Queria correr e se esconder em qualquer lugar que fosse, aceitar a proposta de Amélia ou fugir para as Américas. Mas acreditava que nenhuma dessas seria uma boa escolha. Então fez o que sua mãe lhe ensinou de melhor nos últimos anos. Limpou novamente seus pensamentos, se dirigiu até Voldemort e fingiu.
— Meu Lorde — fez uma referência — É um prazer finalmente conhecê-lo.
A tentativa de sorriso do bruxo era a pior coisa que a garota já tinha visto na vida, então escolheu pensar em pufosos de estimação. Peludinhos e de todas as cores existentes.
— Graciosa como a mãe — sua voz parecia o guizo de dez cobras, o que fez os pelos da nuca da garota se arrepiarem — E poderosa como o pai, imagino?
— É o que dizem — tentou sorrir.
— Então você será muito útil, Dolohov.
Sua mãe dava pulinhos de alegria. murmurou qualquer coisa sobre ter sido um longo dia e estar com dor de cabeça, pediu licença e se retirou. Não conseguiu dormir e resolveu sair pela janela de casa na manhã seguinte, para evitar perguntas. Correu o mais rápido possível para o hospital procurando por Carter. A bruxa demorou a chegar e quando encontrou a garota estava abaixada ao lado dos Longbottom chorando baixinho.
— O que aconteceu? — Amélia a abraçou, deixando que chorasse em seus braços — Sua mãe fez alguma coisa com você? Ela te machucou?
— Eu o vi — chorava — Ele estava lá em casa. Ele é horrível. Eu precisei fingir, eu…
— Você precisa aprender oclumência.

Nas semanas seguintes evitou ir para o hospital e começou a treinar em casa. Quando menor sua mãe conhecia um pouco de legilimência, então aos poucos foi aprendendo a limpar sua mente. Mas sabia que não seria o suficiente para se proteger de Voldemort.

— Ele consegue ler mentes, mamãe?
A senhora Dolohov estava sentada nos pés da cama da menina, contando algumas histórias para a garotinha dormir.
— Sabe sim. Ele consegue saber tudinho o que você tá pensando.
— E como ele faz isso?
— Olha, eu só sei fazer um pouco, nada comparado ao grande Lorde das trevas. Mas pense em alguma coisa e vou adivinhar.
O primeiro pensamento de foi que ela faria qualquer coisa para comer uma pilha de panquecas.
— Isso não é hora para panquecas — sua mãe disse severa — Pense em algo melhor.
Então ela pensou. Pensou em Hogwarts, como seria quando finalmente pudesse ir para a escola e passar o dia todo com seu único amigo, Draco.
— Isso sim é um bom pensamento. Vocês dois vão aprender muitas coisas em Hogwarts. Serão muito poderosos para poder servir adequadamente ao grande Lorde.
Naquela noite foi dormir muito feliz.
Mas com o tempo, saber que sua mãe era capaz de saber o que ela pensava começou a deixá-la incomodada. Começou a se sentir insegura dentro de sua própria mente, não gostava da ideia de não ter privacidade em seus próprios pensamentos. Então aos poucos foi aprendendo a esvaziar sua cabeça, limpar seus pensamentos ou pensar rápido em outra coisa.

Amélia tinha emprestado uns livros que ensinavam o processo de limpar sua mente por completo e quando conseguisse voltar para o hospital as duas treinariam a substituição desses pensamentos. Se quisesse sobreviver, Voldemort não poderia saber que era temido, deveria pensar que a garota o adorava acima de qualquer coisa. E ela só poderia fingir se ele acreditasse que era o que ela realmente pensava.
Voldemort aparecia na cada dos Dolohov uma vez a cada quatro dias e já não tinha mais desculpas para inventar. Mas estava se saindo bem melhor do que antes. Foi tão difícil conseguir se livrar de todos os comensais que vagavam por sua casa que a garota só conseguiu voltar ao St Mungus quando faltavam apenas duas semanas para voltar a Hogwarts.
— Finalmente — Carter sorriu correndo para abraçá-la. Estava começando a ficar cansada dessa recepção exagerada — Que bom que está aqui, pensei que podia ter acontecido alguma coisa.
— Eu estou bem, juro — riu — Só está bem difícil sair de casa. Eu ia escrever, mas alguma coisa me diz que nenhuma coruja que sair daquele lugar vai permanecer em segredo.
— Eu entendo, querida. Mas agora que está aqui não podemos perder mais tempo, você está pronta?
— Estou. Vamos treinar.
As garotas se dirigiram ao porão do hospital. O ambiente era frio, úmido e cheio de frascos de poções. Era começo de semana e dificilmente alguém desceria até ali, normalmente algumas enfermeiras autorizadas desciam nas sextas para repor os estoques de poções.
— Vamos começar pelo simples, eu tento ler a sua mente e você bloqueia os pensamentos.
— Nisso você sabe que eu sou boa.
— E você sabe que eu não tenho metade do poder dele. Não basta ser boa, você precisa ser extraordinária.
— Eu vou ser.
Carter ficou quase duas horas tentando ler a mente da menina, que escondia seus pensamentos com perfeição.
— Eu to muito orgulhosa! É difícil alguém com quinze anos ser capaz de se bloquear assim.
— Não é como se eu não tivesse um grande incentivo — riu fraco — Vamos tentar a segunda parte? Se ele tentar ler minha mente e não encontrar nada vai saber que tem algo errado.
— Você leu os livros, certo? — a menina assentiu — Então você tem uma boa base. Vamos começar daí. Imagine uma caixinha em sua mente. Agora guarde todos seus pensamentos dentro dela. Pronto? Agora imagine uma folha de papel e escreva tudo o que você quer que ele saiba. Vamos lá?
pensou em coisas absurdas. Imaginou vezes em que tinha azarado trouxas, o que nunca aconteceu, mas em sua mente tudo estava muito bem detalhado. Criou uma falsa adoração por Voldemort que esperava que ele acreditasse.
, é ótimo você conseguir criar essas memórias — elogiou — Mas você também precisa mantê-las. Tem que aprender a não se distrair comigo, principalmente porque esse feitiço pode ser feito de forma não verbal e você nem saber. Não é esse o seu medo? — Dolohov assentiu — Então vamos. Mantenha as memórias em sua mente.
Quando terminaram, suava. Tinha conseguido manter as memórias por quase duas horas até se distrair e liberar seus pensamentos.
— Tente não ficar todo esse tempo perto dele e ficará bem.
— Eu vou treinar mais. Todos os dias. Eu vou ficar boa nisso.
— Você vai querida, ainda mais com essa determinação toda — riu.
assentiu juntando suas coisas.
— Já está na hora de ir?
— Já passou da hora, na verdade. Mas eu queria dar um oi para os pacientes primeiro. Não acho que conseguirei voltar antes da volta do ano letivo.

A garota subiu e caminhou junto das macas. Executava um feitiço de vez em quando para pequenos reparos. Um nariz quebrado que se arrumava, uma marca roxa que sumia. Um ou dois ossos fora do lugar. Estava na maca ao lado dos senhores Longbottom quando viu Amélia a olhar desesperada, apontando para algo a suas costas. Quando se virou, Neville a olhava assustado.
O grifinório tinha ido com sua avó visitar seus pais. A senhora dizia que era a última vez que os veriam antes que ele fosse para Hogwarts, mas ele sabia que iria convencê-la a visitá-los novamente alguns dias antes de ir para King’s Cross. Estava quase chegando perto de seus pais quando viu uma garota extremamente familiar abaixada na maca ao lado, conversando com um dos pacientes.
— O que foi, Neville? — sua avó perguntou. O garoto parecia pálido.
— Temos que voltar — sussurrou — Ela não pode nos ver aqui.
— O que?
— Aquela garota — apontou para que tinha acabado de olhar para os dois, igualmente assustada.
?
— Você a conhece?
— Sim, Carter. Ela sempre está aqui, às vezes até traz chá para Frank e Alice.
— Carter?
— Ora Neville. Chega de perguntas estúpidas e vá cumprimentar seus pais.

resolveu esperar Neville ir falar com os pais para sair despercebida, mas isso não aconteceu. Assim que tentou se retirar o menino foi atrás dela.
— Dolohov — chamou.
Em meio ao desespero, correu ao encontro do garoto para fechar sua boca. Enfiou a mão nos seus lábios e o puxou para um canto menos movimentado da enfermaria, olhando desesperadamente ao redor para descobrir se mais alguém tinha ouvido.
— Enlouqueceu, Longbottom?
— O que foi?
— Não pode sair chamando as pessoas pelo sobrenome assim.
— Então é por isso que minha avó te chamou de Carter.
— É o sobrenome da Amélia, uma das enfermeiras.
— Porque não usa o próprio nome?
— Olha ao seu redor, garoto — bufou — Meio óbvio, não acha?
— Eu lembro do nosso primeiro dia em Hogwarts. Quando a professora Minerva te chamou, ela te chamou de Isis, certo? — ela assentiu — Porque você também não usa seu primeiro nome?
Pensou se deveria desabafar com o menino. Não tinham intimidade, na verdade mal se conheciam, não era hora para ficar reclamando do seu pai ou do restante da sua família. Mas era com Neville que estava conversando, que mal ele poderia fazer?
— Sabe, meu nome não é Isis atoa. Meu pai achou que seria um bom nome. Isis, a filha primogênita de Geb e Nut. Os primeiros deuses egípcios — explicou ao ver a confusão do garoto — Esposa do grande Osíris e irmã de Seth. Mãe de Hórus. Ísis era a mulher perfeita. A esposa perfeita, dócil, leal. A mãe daquele que conseguiu derrotar Seth. Era plenamente parte da realeza. Era tudo o que ele queria pra mim. Uma filha leal. Uma serva fiel ao lorde das trevas. E futuramente a esposa perfeita de algum comensal qualquer para trazer mais uma geração de seguidores a Você-Sabe-Quem.
Neville engoliu em seco.
— Isis Dolohov soa bem, não? — ela continuou — No fundo eu só levo o nome da minha avó porque minha mãe insistiu muito. E minha mãe só começou a me chamar por ele depois que meu pai foi preso, acho que para tentar superar sua ausência. Mas pra mim tanto faz. Acho que no fundo meu pai não pensou direito ao escolher Isis. Porque tudo o que ele via quando escutava as antigas histórias egípcias era como os homens eram grandes e em como Isis estava ali para servi-los. Isis foi mais que isso. Ela cuidava de quem quer que fosse: ricos ou pobres, homens ou mulheres. Ela defendia o que achava que era certo. E acima de tudo eu me agarro todos os dias ao significado do nome. “Nasci de mim mesma, não venho de ninguém”. Sem querer Dolohov acabou me dando aquilo que eu mais precisava, um lembrete constante de que não sou como ele.
Um sorriso engraçado estava no rosto do menino, nunca tinha visto um sorriso daqueles no garoto.
— O que foi?
— Você não é tão ruim quanto eu pensava.
— Agradeço.
Ele assentiu.
— Posso perguntar mais alguma coisa?
— Claro.
— A quanto tempo sabe — fez uma pausa para respirar — dos meus pais?
— Uns dois anos
— E porque nunca contou pra ninguém?
— Que direito eu tenho de contar para alguém?
Neville parecia surpreso. A garota andava com Malfoy desde o primeiro dia letivo e o atormentou boa parte deles. Tinha começado a tratá-lo um pouco melhor a quase dois anos e pode se dizer que ela foi praticamente gentil com ele no trem. Seria por pena?
— Obrigado, acho.
— Não é vergonha nenhuma ter pais que resistiram assim até o final como eles, Longbottom. Alice e Frank são grandes heróis. Seria uma honra ser filha de alguém assim.
— Dolohov, porque você vem até aqui?
— Um jovem de muitas perguntas — riu — A primeira vez foi totalmente por engano. Eu tinha saído sem rumo e acabei aqui. Encontrei com a Amélia do lado de fora e levei um susto — gargalhou lembrando da cena — E ela me convidou para entrar. Depois disso eu tenho vindo sempre que posso. Eu gosto especialmente da ala dos que foram atacados pelo comensais — apontou com a cabeça a direção dos pais do menino — Sinto como se fosse minha culpa, sabe? Meu pai e seus colegas fizeram isso com essas pessoas. É quase uma dívida histórica.
Ele sorriu, jamais imaginaria que ela se sentisse assim.
— Você não é o seu pai. Nem de longe.
— Para alguém que eu perturbei por tanto tempo, até que você não tem guardado muita mágoa.
— Talvez sejam águas passadas.
— Bom, eu preciso ir. Já estou a tempo demais fora de casa.
Longbottom assentiu enquanto a menina andava até a saída. Abraçou Amélia, vestiu sua capa e andou rápido até em casa. No caminho, não podia deixar de pensar no tempo que tinha passado com o garoto. Quase não podia acreditar que tinham tido um tempo legal assim justo com Longbottom. Voltou pra casa mais animada para suportar os últimos dias antes do expresso. No dia de ir para King’s Cross, foi obrigada a ir junto com os Malfoy o que particularmente irritou bastante a garota. Mas estar em Hogwarts, longe de tudo, já era mais do que o suficiente por enquanto.

Se passaram alguns dias no novo ano letivo até que esbarrasse com Neville de novo.
— Porque Harry mentiria? — Neville gritava — Você viu que Cedrico morreu.
— Ninguém sabe porque o Cedrico morreu — Simas rebatia — Porque ele simplesmente não fala sobre isso.
— Dumbledore acredita no Harry.
— Dumbledore está velho e falaria qualquer coisa para dar credibilidade ao Potter. — Você não tem o direito de acusar Dumbledore desse jeito.
— Você está cego, Neville. O que você ganha com essa devoção exagerada a esses dois?
— Porque justo o Harry mentiria sobre uma coisa dessas? Os pais dele foram mortos por Você-Sabe-Quem.
— Por atenção! Ter ganhado o torneio tribruxo não foi o suficiente. Vai ver ele mesmo matou o Diggory.
— Eu não acredito que realmente pense assim, que o Harry faria uma coisa dessas — Neville fervia de raiva, não acreditava que um dos seus amigos era capaz de dizer tantas coisas ruins — Eu não sei o que aconteceu com você nessas férias, Simas, você enlouqueceu.
Saiu enfurecido em direção aos jardins do castelo e se sentou embaixo de uma árvore. Estava tão nervoso por ter brigado com Simas que não percebeu que tinha companhia. estava sentada quase que ao seu lado, lendo um livro sobre grandes bruxos desfazedores de feitiços.
— Você está certo — ela falou sem retirar seus olhos do livro — Harry e Dumbledore também, ele retornou.
Neville a olhou assustado.
— Você ouviu?
— Eu e metade de Hogwarts.
— E você teve contato com Você-Sabe-Quem?
— O verão inteiro, infelizmente. Ele apareceu em casa várias vezes durante as férias para algumas reuniões, ouvi que ele tem negociado com dementadores. Eu não duvido se em pouco tempo tiver uma fuga em massa em Azkaban.
— Porque não me contou no hospital?
— E você ia fazer o que?
O menino bufou.
, você precisa contar isso pra alguém.
— E não estou contando?
— Você precisa contar isso pra todo mundo.
— Não… Você não sabe como é.
Neville estava desacreditado. Ele não sabia como era? Praticamente não conviveu com seus pais por causa de Voldemort e agora ninguém acredita que ele retornou. As pessoas estão cegas, reféns do próprio medo e muita gente pode morrer por negligência. Quantas crianças, assim como ele, vão crescer sem seus pais?
— Você não tem o direito de dizer que eu não sei como é.
— Longbottom — suspirou — Você não entende o que é viver cercada por comensais a sua vida inteira. Eu cresci com essas pessoas. Cresci ouvindo sobre os feitos de Voldemort e do meu pai. Todos esperam alguma coisa de mim, esperam que eu esteja ao seu lado quando ele retornar. E agora ele retornou. Você faz alguma ideia de como eu me sinto? — ela abaixou a voz — Como as férias de verão foram insuportáveis? Que foi extremamente difícil ir ao hospital aquele dia porque eu estou sendo constantemente vigiada?
— Então porque ta me contando agora?
— Realmente não é um dos meus melhores momentos. E ter Você-Sabe-Quem o tempo todo no meu pé também não me deixa muito feliz.
Uma raiva enorme se apoderou do menino. Achava injusto Simas e os outros garotos não acreditarem em Harry quando Dolohov acabou de confirmar que era tudo verdade e muito pior do que ele imaginava. Também achava injusto que ela precisasse encontrar com Voldemort dentro de sua casa contra a sua vontade. Mas o pior era que uma parte de sua mente tinha medo de que gostasse do poder e resolvesse se aliar ao bruxo, exatamente o que ela foi criada para ser. E foi essa parte que se descontrolou e explodiu em cima da menina.
— Então não tá gostando de ser a queridinha dos comensais? De ter seu papai de volta? Não me parece tão ruim ter o herói da sua infância aparecendo de surpresa em sua casa.
Se arrependeu das palavras assim que saíram de sua boca.
— Neville Longbottom, você é um grande idiota.
se levantou e saiu o mais rápido que pôde em direção ao salão comunal sonserino. Entendia que Neville estava com raiva, mas não esperava que justo ele a acusasse daquele jeito.
Nos jardins, o garoto se jogou na grama, frustrado com o que tinha feito. Não queria ter falado daquele jeito com Dolohov, mas sempre acabava na defensiva quando ela estava por perto. Porque ela tinha contado tudo aquilo para ele?

Dois anos atrás quando Sirius Black tentou invadir o salão comunal da Grifinória, ele atacou o retrato da mulher gorda. Ela ficou tão assustada que por um tempo Sir Cadogan precisou guardar o salão. O cavaleiro era tão maluco que trocava as senhas de entrada exageradamente e Neville não conseguia acompanhá-las. Um dia então, pensou que seria uma boa ideia anotar todas em um papel para não ficar trancado para fora.
Como esperado não foi uma boa ideia e Black conseguiu acesso a torre. McGonagall ficou furiosa e proibiu que ele tivesse as senhas, então Longbottom precisava sempre esperar que algum aluno chegasse para abrir o salão para ele. Perdeu as contas de quantas vezes dormiu do lado de fora da torre esperando por algum aluno que não apareceu. Mas essa não tinha sido nem de longe a pior parte. Dois dias depois da invasão de Sirius sua avó lhe mandou um berrador durante o café da manhã. Quando o berrador explodiu o garoto correu o mais rápido possível para fora do salão, mas tinha certeza que todos eram capazes de ouvir. Conseguia ouvir as risadas respondendo aos gritos de sua avó.
— Você é uma vergonha para a família Longbottom — berrava — Seu pai teria vergonha. Ele nunca faria uma coisa dessas, ele se sacrificou por você. Você não se parece em nada com ele…
Cada palavra era um soco no estômago. Não se lembrava da última vez em que se sentiu tão mal.
Na mesa da Sonserina, estava incomodada com as risadas. Já tinha visto a avó do garoto uma vez no hospital e associar aqueles gritos a senhora Longbottom a deixava apavorada. Além disso sabia o que era ser constantemente comparada com o pai e se sentir culpada por não alcançar seus feitos. A diferença é que não queria ser como seu pai. Mas para o grifinório era diferente, sabia que o sonho do garoto era pelo menos se parecer um pouco com eles.

Draco encurralou Neville assim que saíram da aula de feitiços. Crabbe, Goyle e Dolohov estavam com ele.
— Então seus pais estão com vergonha de tê-lo como filho, Longbottom?
Neville gaguejou. A cor de seu rosto estava quase atingindo o tom de suas vestes. Na mesma hora, se lembrou de Amélia contando que o garoto se sentava ao lado dos pais repetindo que queria ser corajoso como eles. Resolveu intervir antes que Malfoy fizesse ele se sentir pior.
— Disso você entende, não é Draco? Minha mãe contou que seu pai não ficou muito feliz de ter que comprar todo o time de quadribol no ano passado para que você pudesse jogar.
— Calada, Dolohov.
— Deveria ser mais como o Potter, sabia? Lucius ficaria mais satisfeito.
— Já falei para se calar — Malfoy berrou — Vamos embora daqui.
O sonserino saiu pisando forte, arrastando Crabbe e Goyle com ele. Neville ficou olhando para pensando se deveria agradecer, mas antes de ter uma chance ela o olhou de cima a baixo e saiu andando na direção oposta a de Draco.
Quando Dolohov e Malfoy se encontraram, Draco estava furioso.
— Como você pode me tratar daquele jeito na frente do Longbottom?
— Você não tem o direito de tratá-lo daquele jeito. Pararia se eu pedisse?
— Claro que não.
— Então foi o único jeito — a garota murmurou, subindo para o quarto.

Neville se sentou ainda mais frustrado do que antes. Com seu jeito torto, já fazia um tempo que o defendia das provocações de Malfoy, principalmente quando ele não conseguia se defender sozinho. Ele chegou a pensar que algumas coisas poderiam mudar depois da conversa que tiveram nas férias, mas agora tinha estragado tudo. Precisava se desculpar com a sonserina.

Se antes Neville evitava com todas as forças se encontrar com , agora era a garota que evitava o grifinório. Passava mais tempo do que o costume no salão comunal sonserino e nos momentos em que realmente precisava encontrar outras pessoas ficava perto de Draco. Sabia que Longbottom jamais a chamaria se estivesse com eles. Se concentrou então em usar todo esse tempo livre para praticar oclumência e pensar em falsas memórias para agradar o Lorde das Trevas.
Neville tentou por muito tempo se desculpar. Explicar que só falou aquelas coisas porque estava com raiva e que no fundo entendia que sair por ai falando que Voldemort tinha retornado traria graves consequências para ela. Se já estava ruim para Harry, que era o cara que o derrotou pela primeira vez, como seria para a garota que teoricamente deveria segui-lo? Se um dos comensais fez aquilo com seus pais, não queria imaginar o que fariam com um traidor.
O semestre letivo passou rápido. A nova professora de defesa contra as artes das trevas era completamente inútil e negava o retorno de Voldemort. Em uma das primeiras aulas, Potter questionou sobre o que fariam se encontrassem com Voldemort e não tivessem aprendido nada nas aulas de defesa, mas Umbridge surtou e o mandou para detenção. achou a pergunta muito interessante, embora que pelas poucas vezes em que tinha encontrado o bruxo das trevas, não acreditava que aulas do quinto ano poderiam ajudar.
Dolohov praticou oclumência no trem desde que saíram de Hogsmeade até chegarem em Kings Cross. Estava ficando muito boa, agora conseguia até manter as lembranças mesmo conversando com outras pessoas ao mesmo tempo. Acreditava que se pensasse muito nas memórias, eventualmente passaria a acreditar que eram reais e não teria tanta dificuldade em mantê-las na mente.
Quando chegaram em Kings Cross foi novamente uma das últimas a sair do trem. Como de costume, sua mãe não a estava esperando, mas duas pessoas vinham rapidamente a seu encontro: Lucius e Neville. Andando mais rápido, Lucius Malfoy pegou o braço da garota e a arrastou para junto de Narcisa e Draco. Pelo o que parecia, ele tinha voltado a ser sua babá.
Como não conseguiu falar com na estação, Neville aguardava ansiosamente o dia de ir ao St Mungus para encontrar a garota. Se ela realmente frequentava muito o hospital, as chances de se encontrarem eram grandes. Ficou pensando em como o pai de Draco a tinha arrastado pela estação um pouco antes de conseguir alcançá-la. E principalmente sobre o que teria feito se encontrasse os dois conversando. Não queria imaginar o que Dolohov estava vivendo.

Felizmente para , sua mãe não deu muita importância para o natal naquele ano. Na verdade ela nunca se importou com o natal, a menina acreditava que ela não se importava com nada, mas o alívio desse ano ser como todos os outros fez Dolohov quase dar pulinhos. A ideia de ter que passar o natal com os outros comensais rondava sua mente e pensar em dividir um peru de natal com Voldemort não a agradava nem um pouco.
— Deseja mais purê, meu senhor?
— Por acaso vocês colocaram leite da Nagini na receita? Daria um toque especial.
— E um pedaço do peru?
— O peru veio de uma longa linhagem de sangues puros?
Credo!
Outra coisa que também agradava a menina, era o fato de que as férias de natal eram curtas e ela logo voltaria para Hogwarts. Mas sua felicidade durou pouco. Alguns dias depois acordou com um jornal em cima de sua cama e um barulho alto de pessoas conversando no andar de baixo. Era comum que alguns comensais aparecessem, mas parecia que o número tinha se triplicado.
Nem precisou abrir o jornal para saber do que se tratava. Conseguia ver claramente uma foto de azkaban na capa. Voldemort tinha conseguido. Os comensais estavam livres.
Se preparou psicologicamente para descer as escadas, sabia que encontraria seu pai assim que saísse do quarto. Também suspeitava que poderia encontrar um bruxo indesejado, então tratou de esconder seus pensamentos e deixar a tona apenas seu lado mais obscuro.
Respirou fundo algumas vezes e abriu a porta.
— Ísis, querida — Antonio Dolohov se adiantou até a filha — Você está enorme e linda!
se assustou com o carinho repentino, não imaginou que seu contato com o pai passaria de um aceno.
— Tem servido ao nosso Lorde como é de sua obrigação?
Então aí estava, o lado obcecado que tanto ouviu falar nos últimos anos.
— Tenho seguido cada um de seus passos — sorriu para o pai, passando rapidamente os olhos pela sala até encontrar Voldemort em um canto a observando — Não é, meu Lorde? — fez uma reverência graciosa.
Antonio sorriu, todos seus sonhos estavam se realizando. Tinha saído de Azkaban, reencontrado seu mestre e sua filha daria início a uma nova geração de comensais. Não poderia estar mais feliz.
— E como estão as coisas em Hogwarts?
— Uma parte está bem ruim. O ministério colocou uma funcionária lunática para dar aulas e defesa contra as artes das trevas se tornou ainda mais chata. Até sugeri para alguns colegas que usássemos ela de cobaia para termos uma verdadeira aula de arte das trevas — tentou as pressas implantar essa memória, que provavelmente ficou um pouco mal feita. Torceu para ser o suficiente.
— Essa é a minha menina!
— Também andamos brincando com alguns alunos da grifinória, sabe como é. Mas fica muito difícil com aquele velho do Dumbledore nos enchendo o saco o tempo todo — que Dumbledore a perdoasse.
Um ruído veio da direção de Voldemort, interpretou como uma risada.
— Dumbledore gosta de atrapalhar alunos com potencial — sibilou.
Se ele achava que ela tinha potencial, ou tinha feito algo muito certo ou muito errado.
concordou e voltou a falar sobre qualquer coisa. Sangues ruins blá blá blá, tortura blá blá blá, grifinória má blá blá blá. Assim que considerou que era o suficiente pediu para se retirar, mas seu pai negou.
— Não se sai do cômodo antes de seu mestre, o que sua mãe andou te ensinando enquanto estive fora?
Tentou esconder a decepção. Se seria obrigada a ficar no mesmo cômodo que Você-Sabe-Quem ela precisaria de uma estratégia melhor do que ficar inventando coisas sem sentido que o agradasse. Para sua sorte, ou não, logo Lucius chegou com o resto da família e ela se retirou para conversar com Draco. O garoto seria uma ótima distração visto tudo o que estava acontecendo.
As férias que eram para ser poucos dias, passou com a mesma velocidade em que se passa um ano. Quando o dia de voltar para Hogwarts chegou, ao invés de reclamar por ter que ir com os Malfoy, agradeceu por não precisar ir com seu pai. Quando chegasse em Hogwarts tudo ficaria bem de novo.

Neville levou vários dias procurando Dolohov até finalmente encontrá-la no castelo. Estava começando a desenvolver a teoria de que a garota só era encontrada se quisesse.
— Neville apareceu do nada ao seu lado no corredor — Como estão as coisas com seu pai de volta? — sussurrou baixinho.
— Eu não to com paciência pra isso agora — começou a andar mais rápido, mas Longbottom segurou seu braço e a puxou para um canto afastado dos outros alunos.
— Eu tô perguntando de verdade. Vi como Lucius te tratou na estação quando entramos de férias e quando perguntei por você no St. Mungus Amélia me disse que você não aparecia desde a última vez que nos encontramos. Queria saber se as coisas melhoraram ou pioraram com ele por perto.
respirou fundo.
— Pioraram. Ele ta feliz de estar de volta e não me deixa em paz nem por um segundo. Acho que ele e Você-Sabe-Quem andaram falando de mim, porque parece que ele tá orgulhoso. Antes eu só dava alguma desculpa e ia para meu quarto, minha mãe não se importava. Agora preciso estar por perto o tempo todo e é muito estressante — desabafou — Fora que Lucius continua sendo minha babá, já que por ser um fugitivo ele não pode ser visto em público.
Neville colocou a mão em seu ombro, apertando levemente.
— Sinto muito.
encarou a mão do garoto, estranhando a proximidade. Balançou a cabeça concordando e saiu de perto o mais rápido que pode, indo para o salão comunal da Sonserina. O salão estava praticamente vazio, então se jogou em um sofá e começou a organizar os pensamentos. Sentia saudade de Amélia, era sua amiga mais próxima. Queria muito ter conseguido passar no hospital mas com toda a bagunça em Azkaban achou que seria mais seguro não sair de casa. Sabia que a mulher devia estar preocupada, principalmente com todas as notícias que estavam saindo sobre a fuga de Dolohov e outros comensais. Carter também deveria estar um pouco curiosa sobre o interesse de Longbottom na amiga.
— Neville — sussurrou.
Mandar e receber cartas era perigoso demais, pois se Draco desconfiasse ela teria que se explicar. Talvez até colocasse Amélia em perigo. Mas se Neville fosse ao corujal e depois recebesse uma carta, não teria problema nenhum. Dolohov foi até seu quarto, procurou papel e uma pena e rabiscou rapidamente antes que chegasse alguém.

Querida Carter,

Acho que encontrei um jeito para nos correspondermos mas só pode ser usado em caso de extrema necessidade. Por favor me avise se está tudo bem com você e sua família, qualquer coisa posso encontrar uma maneira de ajudá-los.
Suponho que imagine o porque eu não apareci nas últimas férias e principalmente porque eu estou te enviando a mensagem desse jeito, mas estou sendo cada vez mais controlada e mais do que nunca todo cuidado é pouco. De um lado, Você-Sabe-Quem está fazendo planos para um grande retorno e do outro o Ministério da Magia está começando a intervir em Hogwarts, a professora de DCAT está supervisionando algumas aulas. O que eu particularmente acho muito irritante, visto que já estou sendo supervisionada por pessoas demais. Mas fora isso eu estou bem, não estou machucada.
E eu sei o que está te deixando intrigada nos últimos dias. Não somos amigos, mal conversamos e só estou pedindo esse favor a ele porque não encontrei outra alternativa. Um beijo, responda essa carta para ele assim que puder.

D.

saiu correndo atrás de Longbottom para pedir que fosse ao corujal. Precisava que a carta fosse entregue o mais rápido possível. Depois de muito procurar, o encontrou sozinho em uma das estufas de herbologia.
— Ei… Eu preciso de um favor.
— O que foi?
— Você disse que conversou com Carter, certo?
Neville assentiu.
— Tem como você colocar seu nome nesse envelope e enviar para ela como se fosse seu? Eu faria isso mas se eu mandasse com a minha coruja ela poderia ser interceptada por comensais e mesmo que eu mandasse por outra coruja, se o Draco ficasse sabendo e achasse suspeito eu teria que responder mais perguntas do que eu posso imaginar. E eu preciso muito falar com a Amélia porque…
— interrompeu — Não precisa se explicar. Vou pegar uma pena pra escrever e ir direto para o corujal. Te entrego a carta quando ela responder. Suponho que vai ser endereçada para mim, não?
— Espero.
— Então não precisa se preocupar.


Desde então, todos os dias se sentou de frente para a mesa da Grifinória nos cafés da manhã. Neville não negaria que estava gostando da atenção. Por algum motivo gostava de saber que a garota não tirava os olhos dele e no fundo torcia para a carta demorar a chegar.
Uma semana depois uma coruja cinzenta pousou em frente a Longbottom com uma carta no bico. O garoto acariciou as penas da ave e disfarçadamente colocou a carta nas vestes, olhando para . Teriam aula juntos depois do café e ela poderia pegar a carta.
Neville chegou primeiro para a aula de poções, se sentando no meio da sala. chegou minutos depois, com a sala mais cheia, e resolveu sentar no fundo. Quando Longbottom escorregou a carta por debaixo dos pergaminhos para que Dolohov facilmente a derrubasse no bolso das vestes, ela olhou bem para ele e decidiu não pegar. Precisava perguntar uma coisa importante e não dava para fazer aquilo agora.
Só tinha pensado nessa questão recentemente, andou observando que o grifinório estava mais quieto que o normal. Só depois de um tempo ela percebeu o que estava acontecendo. Dos quatro comensais que torturaram seus pais, um tinha morrido e os outros três tinham acabado de escapar de Azkaban. Não conseguia nem imaginar como isso estava sendo para Neville. E se sentiu ainda pior quando percebeu que mesmo passando por tudo aquilo, onde sua mente deveria estar um caos, ele ainda se preocupava em saber como que as coisas estavam com ela e seu pai.
Demoraram a se ver de novo naquele dia, já era noite quando conseguiu encontrar Neville sozinho em um lugar pouco movimentado. Chamou o garoto e se esconderam atrás de uma das estátuas do corredor, uma bruxa caolha que tinha espaço o suficiente para dois adolescentes se esconderem sem serem vistos.
— Porque não pegou a carta na aula?
— Eu queria falar com você, não teríamos a oportunidade se você já tivesse me entregado a carta.
Neville considerou. Realmente só encontrou Dolohov porque passou o dia a procurando, demorariam a se encontrar novamente se não fosse pela carta.
— O que foi?
— Você leu a lista de nomes do profeta diário dos comensais que escaparam — não tinha sido uma pergunta, mas mesmo assim Longbottom assentiu — E sabe que Belatriz, Rodolfo e Rabastan fugiram.
A cor sumiu do rosto do garoto. Harry, Rony, Hermione e Gina tinham descoberto sobre seus pais nas férias de natal e desde então tentaram diversas vezes conversar sobre a fuga dos comensais. Não estava se saindo muito bem com as desculpas por não querer falar disso, mas os amigos compreenderam que ele não queria tocar no assunto. Mas ouvir perguntar era diferente. Ela provavelmente tinha tomado café da manhã com os três algumas vezes.
— Não precisa responder. Mas eu queria perguntar como você está com isso.
Mesmo que Neville quisesse responder, provavelmente não poderia. Sentia que não conseguiria falar nada pelos próximos anos. Em um impulso, Dolohov pressionou seu corpo sobre o corpo do menino, o envolvendo em um abraço apertado. Não tinha sido sua intenção, nem tinha pensado direito no que estava fazendo. Mas acabou quebrando todas as barreiras que Longbottom tinha construído. Ele respirou fundo sentindo o cheiro do cabelo da menina.
— Sinceramente eu não sei como estou me sentindo — desabafou — Eu estou muito assustado. Com medo de que venham atrás de mim ou da minha avó. Não estive tão preocupado com ela desde que Trelawney sugeriu que ela poderia não estar bem — os dois riram fraco — Mas eu estou com raiva. Eu quero vingança e sinto que é a oportunidade que eu precisava para fazer esses três pagarem pelo o que fizeram. Eu só preciso ficar mais forte.
o soltou, mas passou a mão em seu rosto antes de falar.
— Você é um grande bruxo, Neville. Só que só está se descobrindo agora. Você se esforça mais do que qualquer um aqui e tudo o que te aconteceu até agora só serviu para mostrar que você foi forte o suficiente para chegar até onde chegou. Além de que você tem amigos para te ajudar a passar por isso. Sei que eles vão te ouvir quando estiver pronto para falar.
Longbottom assentiu, sem conseguir pensar no que responder.
— Preciso ir. Obrigada pela carta — deu um beijo de despedida na bochecha do garoto e voltou quase correndo para seu salão comunal.
Estava ansiosa demais para saber o que Carter tinha a dizer. Quando chegou em seu quarto, uma de suas colegas já tinha dormido e as outras duas ainda não tinham chegado, então tentou fazer o menor barulho possível ao abrir o envelope.

Querida D.,

Eu não vou nem comentar sobre pra quem eu to mandando essa carta, mas você me deve muitas explicações. Na verdade eu vou comentar sim, mas mais pra baixo. Fica o questionamento: você fugiu dele por dois anos pra isso?
Foi bem esquisito receber uma carta escrita por Neville Longbottom, confesso. Eu nem consegui pensar em um motivo plausível antes de abrir e reconhecer sua caligrafia. Mas realmente foi uma solução inteligente.
Por aqui está tudo bem, estamos tentando levar a vida normalmente. Não sei se você tem alguma noção do que está acontecendo aqui fora mas o jornal trouxa já começou a noticiar alguns desaparecimentos. E sabemos o que significa.
Todas as enfermeiras no hospital estão muito preocupadas, o St Mungus não tem estrutura para cuidar de todos os pacientes que foram feridos por comensais na primeira guerra e ainda possíveis pacientes de uma próxima guerra.
Estava pensando esses dias e acho que uma capa surrada não vai ser mais o suficiente para que consiga andar em segurança, mas estou preparando um negócio que vai ser bem útil se precisar sair por alguma emergência. Assim que ficar pronto eu mando para o Longbottom.
E falando em Longbottom… Eu achei bem estranho ele vir perguntar de você para mim. Na verdade foi bem engraçado, ele chegou perguntando pela senhorita Carter e encontrou a senhorita Carter errada. Explicou meio por cima que tinha sido babaca e queria se desculpar, mas que você o estava evitando. Seria Neville Longbottom capaz de ser babaca com alguém? Você conseguiu mesmo tirar aquele garoto super fofo do sério? Eu estou surpresa. E aí um tempo depois você me manda uma carta por ele. Parece que vocês se acertaram, não? Que tipo de relação é essa? Eu sei que você não vai me responder mas eu tenho pensado sobre isso e gostaria que pensasse também. Me pareceu que ele quer se aproximar de você. Eu sei que você me contou várias vezes que tentou se aproximar e ele só se afastava, mas agora você tá entendendo que está acontecendo exatamente o contrário? Deixa o garoto se aproximar, . Ele parece gostar mesmo de você.
Sinto sua falta, se cuida.
AC.

riu baixo. Sabia que Amélia nunca deixaria passar essa história do Neville. Mas do jeito que as coisas estavam, era a pior época possível para se aproximar de alguém, principalmente de alguém como ele.

Nos dias seguintes, as coisas em Hogwarts definitivamente desandaram. Por algum motivo o ministro da magia surtou e colocou Umbridge como alta inquisidora da escola. O que significava que ela fazia o que quisesse lá dentro. Mandava e desmandava. Até que ela resolveu criar uma brigada inquisitorial. Deu poder aos alunos mais desprezíveis da escola e obviamente Dolohov estava entre deles. Não ficou nem um pouco surpresa de ter sido convidada. Podia ter sido o peso de seu sobrenome ou Draco pode tê-la indicado. O fato foi que a garota precisou pensar por uns dois dias antes de resolver aceitar. Seria útil, afinal.
Longbottom se manteve bem ocupado. Com a interferência de Umbridge em Hogwarts, precisava estudar ainda mais se queria de fato aprender alguma coisa. Mas não era o único que estavam com problemas, todos estavam estudando em dobro porque sabiam que por mais que as aulas fossem o suficiente para encerrar o ano letivo, se eles quisessem uma carreira quando saíssem de Hogwarts as matérias do quinto ano seriam fundamentais. Encontrava em algumas aulas. Queria perguntar porque ela resolveu entrar para a brigada inquisitorial. Porque ela desfilava com aquele distintivo para todos os lados como um soldado da Dolores. Mas a garota não olhava em sua direção. Foi quando Hermione convocou uma reunião para falar que não estavam sendo educados adequadamente que Neville reparou que estava pensando demais em Dolohov. Durante todo o tempo, não parou de pensar em como a garota seria uma ótima aquisição para a Armada de Dumbledore e que simplesmente não fazia sentido ela ter se aliado a Umbridge. E nos próximos dias perceberia que não pararia de pensar nela em vários momentos.

— Umbridge te mandou ficar de guarda no lugar do Filch essa noite. Se ver alguém saindo é para chamá-la imediatamente — Draco se jogou ao seu lado no sofá — E pode usar a magia que quiser para fazê-los ficarem quietos — sussurrou.
— Eu sei cuidar deles, Malfoy — a garota colocou uma mecha teimosa atrás da orelha e respirou fundo — A noite toda?
— Só até o toque de recolher.
— Então te vejo mais tarde — levantou e saiu em direção ao sétimo andar.
Quando chegou, Filch estava dormindo encostado em uma das paredes e não tinha nenhum sinal da Madame Nora, deveria ter saído para caçar algum rato.
— Filch — deu algumas batidinhas no ombro do homem — Meu turno, pode ir.
O zelador não se deu ao trabalho de responder, saiu resmungando sobre desrespeito e jovens abusados.
— Na próxima eu acordo ele com um balde de água fria — revirou os olhos.
Dolohov puxou uma cadeira, sentou e pegou um livro que tinha trazido para o tempo passar mais rápido. Quase três horas depois estava no capítulo final, mas precisou parar de ler quando uma porta se abriu a aproximadamente três metros da sonserina. não se mexeu, estava ali porque foi mandada mas não faria nada a respeito. Se suas suspeitas estivessem certas, Neville estaria dentro daquela sala. Qualquer outra pessoa que os encontrasse deixaria o garoto em perigo, mas ultimamente a menina vinha sentindo uma vontade estranha de protegê-lo.
Gina voltou rapidamente para dentro da sala para avisar os que ainda não tinham saído. Encontrou Neville, Harry e Luna conversando.
— Tem uma garota lá fora.
— Que? Quem? — Harry olhou assustado. Sabia a alguns dias que Filch os espiava, mas se Umbridge começasse a mandar outras pessoas eles precisariam arrumar outro lugar para treinar.
— Aquela filhote de comensal — Gina bufou — A Dolohov.
Neville olhou feio para a Weasley, que ficou sem entender. Resistiu a vontade de sair correndo atrás da garota, respirou fundo e se virou para seus amigos.
— Eu vou falar com ela — Longbottom caminhou firmemente para a porta — Enquanto isso saiam daqui.
— Você conhece ela? — Luna perguntou.
Neville assentiu e saiu pela porta.

Quando viu o grifinório vindo em sua direção, fechou seu livro e começou a caminhar para o lado oposto. Sentia que devia explicações que não queria dar. Não queria falar que entrou em uma organização ruim porque achou que seria a melhor forma de boicotá-la. Explicar que estando do lado de dentro, conheceria todos os pontos fracos e os exploraria do melhor jeito possível. Nem sequer olhava para Neville desde que entrou na brigada pois sabia exatamente como ele a olharia de volta.
Percebendo que a menina o evitaria mais uma vez, Longbottom correu e segurou seu braço.
— O que você tá fazendo?
— Porque você ta me evitando?
— Neville…
— Vamos — uma das mechas do cabelo da menina estava em seu rosto, ele a devolveu para a orelha — Pode conversar comigo.
— Você está decepcionado? — as palavras saíram de sua boca antes que conseguisse se conter.
— De jeito nenhum. Eu só estou confuso. Porque você entrou para a brigada? Porque está aqui?
— Estou aqui porque a Umbridge me colocou nesse turno.
— Você não precisa enviar um relatório?
— Ninguém saiu enquanto eu estava aqui.
— Mas você sabe que saiu. Porque não fez nada? Não deveria avisá-la?
— Não é problema meu — deu as costas para Neville e voltou a caminhar.
— gritou — Porque você entrou?
Mas não obteve resposta. Dolohov só tornou a olhar para trás quando chegou em frente a entrada do salão comunal sonserino, nas masmorras. Estava sozinha.

O boato de que alguns alunos tinham se juntado para praticar feitiços se espalhou pela sala comunal da sonserina, mas ninguém sabia ao certo qual o propósito de todo esse treino. chegou a ouvir alguém dizer que queriam dominar o castelo e instaurar uma ditadura grifinória. Pensou em intervir e dizer que tinham pessoas de outras casas, mas achou melhor não se meter.
Umbridge também estava mais desconfiada. Mesmo depois de Dolohov reportar que ninguém tinha passado enquanto estava de plantão, a mulher justificou que talvez o grupo não tinha se encontrado aquele dia. Estranhou a convocação tarde da noite alguns dias depois. A inquisidora queria todos os membros da brigada em sua sala. achou que era um sinal ruim, mas foi avisada tão tarde que não teve tempo de encontrar Longbottom e contar suas preocupações. Pouco antes de chegar, encontrou Umbridge e toda a brigada no corredor anterior o da sua sala. O estômago da garota gelou ao ver alguns alunos espiarem o corredor seguinte, tinha uma péssima sensação sobre quem estava ali.
— Invadiram a minha sala novamente. Vamos dar uma lição nesses moleques insolentes!
Quando virou o corredor, Luna, Gina e Neville estavam parados de guarda em frente a porta da sala da diretora. Umbridge e Draco entraram de uma vez, deixando os outros para trás. Os garotos da armada tentaram resistir, mas estavam em menor número. Um a um foram imobilizados e empurrados para dentro da sala. Dolohov se adiantou para Neville, torceu seus braços em suas costas e sussurrou em seu ouvido.
— Confie em mim.
Longbottom não sabia o que pensar. Ela não tinha explicado porque tinha entrado na brigada, não falava com ele a semanas e quando a abordou no corredor ela apenas disse três frases e saiu. Mas ainda assim, uma voz no fundo de sua mente dizia que deveria confiar na garota, então apenas assentiu.
Umbridge gritava com Harry, acreditava que ele estava se comunicando com Dumbledore. Era ridículo, se Dumbledore quisesse falar com alguém ele não precisaria de uma lareira. Enquanto isso, Draco se gabava sobre como tinha sido esperto por não cair na distração de Potter. reprimiu a vontade de revirar os olhos. Como Malfoy sabia ser insuportável quando queria.
Dolohov pegou a gravata que Longbottom estava usando e a amarrou frouxa em torno de sua boca, todos os outros estavam sendo amordaçados. Hermione não parecia estar muito bem, ela estava dentro da sala com Harry quando chegaram e Emília Bulstrode a empurrava com força contra a parede, parecia extremamente pessoal.
— Você está muito confortável — Dolohov sussurrou — Resista igual aos outros.
Neville começou a tentar chutar a garota, se debatendo para todos os lados possíveis. era mais forte do que ele imaginava, seu aperto era firme em torno de seus braços.
— Confisquem suas varinhas — Umbridge ordenou.
A garota sonserina colocou a mão sobre o cabo da varinha de Longbottom, mas ao invés de pegá-la, a escondeu por baixo de seu suéter. Virou o menino de frente para Dolores, de modo que ela não pudesse ver que a varinha continuava no mesmo lugar.
Minutos depois Draco voltou a sala com o professor Snape, nem tinha percebido que ele tinha saído. Umbridge reclamava que a Veritaserum tinha acabado e Severo rebatia que ela tinha usado todo seu estoque. Se ela fosse mais esperta e capaz de usar a legilimência não teria esse problema. Snape saiu aborrecido, batendo a porta.
— A maldição cruciatus vai soltar sua língua — Umbridge colocou a varinha embaixo do queixo do garoto.
— O ministro não gostaria que você desrespeitasse a lei, professora — Hermione gritou desesperada.
— O que Cornélio não sabe não lhe tira pedaço — rebateu.
— Harry — Hermione tremia — Temos que contar para ela.
— Nem pensar —Potter gritou.
Umbridge retirou a varinha de perto do garoto.
— Contar o que?
— Ela vai te obrigar de qualquer jeito — começou a chorar baixinho.
— Fale, menina. Ou quem vai experimentar a maldição será você.
Neville se contorcia a cada menção de cruciatus. Sem que ninguém percebesse, segurou sua mão, a acariciando de leve. Por uns instantes parou de prestar atenção no que acontecia à sua volta, se concentrando apenas no toque da sua mão nas mãos do garoto. O coração de Longbottom batia acelerado. Ao sentir a mão de Dolohov na sua se esqueceu de Umbridge, Harry e até mesmo da maldição cruciatus. Tudo o que ele conseguia pensar era que a menina tinha tido a iniciativa de segurar sua mão e o confortar, sem que ele dissesse uma palavra. Talvez ela também lembrasse de seus pais ou dos outros pacientes no St. Mungus. O que realmente importava é que nunca tinha se sentido tão próximo de alguém desse jeito.
— Muito bem, querida. Então vamos nós duas e o Potter, está bem?
— Eles vão sair — a boca da menina tão perto de sua orelha causava arrepios na nuca do garoto — Você precisa agir rápido. Sabe a azaração de impedimento? — ele assentiu — Você precisa lançá-la contra mim e contra o Draco o mais rápido que puder. Os outros vão te seguir.
Neville negou, não ia azarar a menina.
— Não posso apenas te deixar fugir. Faça isso por nós dois.
Longbottom queria dizer que tinha que ter outro jeito, que não podia fazer isso contra ela, que não precisava ser o primeiro a fugir e um dos outros poderia fazê-lo. Nem sequer sabia se conseguiria lançar o feitiço duas vezes tão rápido. Como se soubesse o que ele estava pensando, a menina passou delicadamente a mão por suas costas.
— Confio em você. Seja rápido.
Neville se virou e empurrou Dolohov com força contra a parede. O impacto do empurrão foi bem menor do que seria se ele tivesse lançado o feitiço, mas mesmo assim seu coração apertou ao ver a menina jogada no chão. Aproveitou o choque dos outros para se lançar contra Malfoy.
— Impedimenta — gritou.
Draco voou para a parede oposta e desmaiou. Uma sessão de expelliarmus e feitiços estuporantes foi ouvida antes que todos os integrantes da brigada inquisitorial estivessem desacordados. Rony, Gina e Luna saíram correndo para se encontrarem com Harry e Hermione, mas Neville ficou para trás. Se abaixou na frente de e acariciou seu rosto.
— Me desculpe — sussurrou — E torça por mim, a noite não vai ser fácil.
Acordaram quase uma hora depois com os gritos de Filch e concordaram em não comentar o que tinha acontecido dentro da sala.

Neville, Luna, Gina, Harry, Rony e Hermione voaram de testrálios até a entrada de visitantes do Ministério da Magia. Começaram a explorar o prédio do ministério e se depararam com uma sala que continha 12 portas. Cada vez que eles saiam de uma das portas a sala girava, se tornando impossível saber de qual eles tinham acabado de sair. Hermione então teve a ideia de marcar as portas que tinham entrado com um grande x, assim não se confundiriam. E foi assim que um tempo depois chegaram em uma sala cheia de pequenas esferas de vidro, era a sala que estava na visão de Potter.
— Ele deve estar aqui — Harry andava pelas prateleiras — A qualquer momento vamos encontrá-lo.
Por mais que andassem, tudo continuava um grande silêncio.
— Harry? — Hermione chamou — Acho que ele não está aqui.
Neville olhava para todos os lados na tentativa de ver alguma coisa que não fossem esferas de vidro, mas a sala parecia estar vazia.
— Harry? — Rony chamou.
— O que foi?
— Tem seu nome escrito nessa aqui.
— Como assim? — o menino se adiantou até uma das esferas, onde estava escrito “Lorde das Trevas e Harry Potter” — Meu nome…
Potter se adiantou e pegou o objeto e o girou em suas mãos. Todos estavam curiosos esperando acontecer alguma coisa, mas nada. A fumaça dentro da esfera girava normalmente e a sala continuava igual quando tinham entrado. Então, todos ouviram uma voz às suas costas.
— Muito bem, Potter. Agora se vire e me entregue isso.
Uma dúzia de vultos escuros apareceu ao redor dos meninos, os cercando. Seus olhos brilhavam pelas fendas em seus capuz e suas varinhas estavam apontadas para o quinteto.
— Onde está Sirius? — Harry perguntou.
— Já está na hora de você aprender a diferença entre sonho e realidade, Potter.
Neville olhava para todos os lados a fim de encontrar uma saída. Ele tremia de medo de morrer ali mesmo, pelas mãos dos comensais da morte. Harry conversava com eles mas ele não conseguia mais prestar atenção, só conseguia pensar nas coisas que queria fazer antes de morrer.
Hermione estava colada a Harry e parecia que eles conversavam. Os comensais pareciam não notar e ninguém conseguia ouvir do que se tratava. Um tempo depois, Luna sussurrou baixinho em seu ouvido.
— Explodir as prateleiras quando Harry disser, avisa a Gina.
O menino se virou e sussurrou a mensagem o mais baixo possível para Gina, que assentiu e se dirigiu a Rony. Todos estavam preparados esperando o comando.
— Então o Lorde mandou vocês fazerem o trabalho sujo dele? — Potter perguntou para quem parecia ser Lucius Malfoy.
— Muito bom, Potter. Mas o Lorde das trevas sabe que…
— Agora! — Harry gritou.
Neville apontou a varinha para a prateleira mais próxima e gritou “Reducto!” mirando depois na prateleira seguinte. Estava para explodir a terceira prateleira quando Harry mandou que corressem. Correu atrás de Harry e Hermione até uma sala, quando fecharam a porta perceberam que Luna, Rony e Gina não estavam com eles. Tentou ao máximo voltar a respiração ao normal, quando estava quase conseguindo achou ter ouvido vozes.
— Escutem — sussurrou.
Lucio Malfoy estava falando algo. Todos fizeram o máximo de silêncio para ouvir. — Vamos nos dividir para fazer a busca, sejam gentis com Potter até conseguirmos a profecia. Os outros vocês podem matar.
— O que faremos? — Hermione sussurrou.
Neville tinha voltado a tremer. Ouviu Lucio falar Belatriz, Rodolfo e Dolohov, três pessoas que ele definitivamente não queria encontrar de modo algum. E se morresse por Belatriz e Rodolfo? Ou se eles o fizessem enlouquecer como fizeram com seus pais? Eles saberiam que ele é filho de Frank e Alice? E se fosse morto pelo pai de ?
— Vamos nos afastar da porta — Harry quebrou sua linha de raciocínio e puxou levemente seu suéter, para que saísse de perto da porta. Já estavam relativamente longe quando a porta se abriu e o trio se jogou embaixo de umas escrivaninhas que tinham na parede oposta.
— Está vazia — alguém disse.
— Olhe embaixo das escrivaninhas — a outra pessoa respondeu.
Antes que qualquer um dos dois pudessem se abaixar, Harry gritou “Estupefaça”. Mas infelizmente só um dos comensais foi derrubado, o outro mirou a varinha para Hermione.
— Avada…
Harry se jogou no comensal, o fazendo perder a pontaria. Ele podia ter matado Hermione. Neville não deixaria nenhum deles morrer. Na ansiedade de ajudar Harry, se levantou com tudo derrubando a escrivaninha onde estava escondido. Apontou a varinha para os dois e gritou.
— Expelliarmus!
As duas varinhas saíram voando para o outro lado da sala e Harry e o comensal saíram correndo para apanhá-las. Neville estava decidido a impedir o comensal e correu atrás dos dois.
— Saia do caminho, Harry — gritou.
Quando Harry pegou sua varinha e se jogou para o lado, Neville mirou no peito do comensal a sua frente.
— Estupefaça!
Mas o feitiço passou direto por cima da cabeça do homem e derrubou várias ampulhetas em uma prateleira a frente.
O comensal recuperou sua varinha e estava mirando em Potter, quando um jato vermelho o atingiu. Hermione tinha os alcançado e o estuporado. Ao invés de cair no chão, o homem bateu no vidro e sua cabeça ficou presa. Nesse momento sua cabeça começou a se encolher e perder a barba, como a cabeça de um neném. Neville olhava horrorizado.
— Gente? Olhem…
— É o tempo — Hermione comentou — O tempo…
Antes que pudessem fazer qualquer coisa ouviram a voz de Rony e saíram em sua direção. Mas então Hermione gritou. O comensal tinha conseguido tirar a cabeça e estava completamente estranho. O corpo grande contrastava com a minúscula cabeça de bebê sobre seu pescoço. Resolveram deixar o comensal para lá e saíram correndo. Estavam quase saindo quando mais comensais entraram pela porta.
— Impedimenta! — gritaram.
Longbottom sentiu uma dor em seu peito quando foi atirado para trás das escrivaninhas. Perdeu a consciência momentaneamente. Quando acordou, viu um dos comensais fazer um gesto com a varinha e um fogo roxo cortou o peito da garota a fazendo cair. Tentou se arrastar para perto da amiga, quando sentiu o comensal chutar seu rosto. Ouviu um creck seguido de uma dor lancinante em sua face. Tinha certeza que seu nariz tinha quebrado. Se encolheu e colocou a mão no nariz, a fim de tentar amenizar a dor. Quando conseguiu olhar para o lado, viu sua varinha partida em dois. Sua avó o mataria, era a varinha de seu pai. Mas pior do que isso, viu que o comensal que o chutava tinha tirado a máscara e o reconheceu imediatamente. Meses atrás ele tinha estampado uma das edições do profeta diário por escapar de azkaban. Antonio Dolohov.
Era como se eletricidade atingisse seu corpo. Não pode evitar compará-lo com a garota sonserina. O homem não era feio, se considerassem que ele tinha passado os últimos quatorze anos em Azkaban ele estava até que bem conservado. O nariz grande e torto era completamente diferente do nariz fino e delicado da garota, mas conseguia ver quando olhava para os olhos do homem. No geral ela não tinha muitas semelhanças com o pai, o que o garoto agradeceu mentalmente.
Voltou a prestar atenção no que acontecia a seu redor. Seu nariz e boca sangravam insistentemente e Dolohov ameaçava Harry. Juntou todas as suas forças para falar.
— Faça o que fizer, Harry. Não entregue a profecia.
Harry aproveitou uma distração de Dolohov para gritar.
— Petrificus Totalus!
Os membros do homem se grudaram em seu tronco e ele caiu para frente, incapaz de se mexer.
— O que ele fez com ela? — se arrastou para perto de Hermione, tentando falar com o nariz inchado.
— Eu não sei.
Longbottom pegou o braço da garota e tentou medir sua pulsação. Um sorriso de alívio percorreu o rosto do menino, o coração estava batendo.
— Ela está viva? — Harry perguntou.
— Está, eu acho que está.
— Estamos perto da saída. Pegue o elevador, leve Hermione e busque ajuda.
— E o que você vai fazer?
— Procurar os outros.
— Então vou com você.
— Mas e a Hermione?
— Eu carrego ela e você luta.
Harry assentiu enquanto Neville levantava e colocava o braço de Granger sobre seus ombros.
— Fique com a varinha dela caso precise se defender.
Chegaram na sala com as doze portas, mas as cruzes que Hermione fizera tinha se apagado. Antes que pudessem decidir em qual porta entrariam, Luna, Rony e Luna saíram por uma delas. Luna era quem parecia melhor entre os três. Rony tinha sido atingido por um comensal e ria frouxamente. Gina assim que atravessou a porta e avistou os outros amigos, se deixou cair na parede mais próxima, abraçada a seu tornozelo. Se estivesse ali, Neville pensou, poderia curá-lo. Mas se estivesse ali, o que teria acontecido quando encontrasse seu pai? Teriam discutido? Ele a atacaria? Não conseguia imaginar colocar a garota nessa posição.
Harry apoiou Rony e começou a pensar em qual porta escolheria quando três comensais entraram liderados por Belatriz Lestrange.
— Eu os encontrei — a mulher gritou.
Correram por várias salas com a intenção de escaparem dos comensais, mas chegou um ponto em que não conseguiram mais fugir e foram encurralados. Após uma onda de feitiços estuporantes Harry saiu correndo e os comensais foram atrás. Era o único além de Harry que ainda conseguia lutar, então se certificou que todos estavam bem na medida do possível e segurou firme a varinha de Hermione. Imaginou se conseguiria ajudar Harry ou se seria um fardo, então pensou no que lhe disse na sala de Umbridge. “Confio em você” a menina sussurrou em seu ouvido. Pensar nisso dava uma coragem para Longbottom que ele não sabia que tinha. Pensou em seus pais no hospital. Era sua chance de vingá-los.
Quando estava quase chegando até Harry, ouviu a voz de Lucio Malfoy.
— Acha que está em posição de barganhar? Olhe em volta, Potter. Há dez de nós e você está sozinho.
— Ele não está sozinho — Neville gritou descendo mancando os degraus da escada — Ele tem a mim.
— Neville, não — Harry gritou.
— Estupef — tentou gritar, mas um dos comensais o agarrou pelas costas.
Começou a se debater enquanto os outros comensais riam.
— Neville Longbottom, não é? — Lucio disse - Sua avó está acostumada a perder membros da família para nós, sua morte não será uma surpresa muito grande. Belatriz passou a língua entre os lábios sorrindo.
— Longbottom? — riu — Tive o prazer de conhecer seus pais.
— Sei que teve — rangeu os dentes. Sua vontade era de ir até lá e arrancar o sorriso de seu rosto. Se debateu tão forte que o comensal que estava o segurando reclamou.
— Alguém estupora esse garoto?
— Não — Belatriz riu novamente — Vamos ver se o garoto é capaz de aguentar o mesmo tempo que seus pais, sem enlouquecer. A não ser que Potter nos entregue a profecia, é claro.
— Não entregue, Harry — gritou vendo Belatriz se aproximar — Não entregue! Belatriz ergueu sua varinha.
— Crucio!
Neville gritou. Gritou mais do que acharia que seria possível, sentia que todo seu corpo iria explodir. Faltava ar em seus pulmões, sua cabeça ardia e seu corpo se contraia involuntariamente. Queria resistir, queria ser forte. Mas só conseguia pensar em quanta dor estava sentindo. Então chorou. Deixou que as lágrimas escorressem molhando sua camisa. Sentiu que o comensal o soltou quando bateu no chão, mas não conseguiu esboçar nenhuma reação. Belatriz ergueu novamente a varinha, quebrando o feitiço. Longbottom parou de gritar, mas agora soluçava sem forças para levantar. Quando conseguiu se mover avistou o professor Lupin e outras pessoas que não conhecia, lutando contra os comensais. Começou a se arrastar para longe quando Harry veio em sua direção.
— Você está ok?
Neville ainda tremia.
— Sim.
Um comensal alcançou Harry e tentou tomar a profecia. Neville não estava em condições de lançar algum feitiço, mas estava perto o suficiente para enfiar a varinha de Hermione no olho do comensal, e assim fez.
O comensal urrou de dor, dando tempo para Harry estuporá-lo.
— Obrigado.
Neville assentiu.
Harry o pegou pelas vestes e levantou. Passou os braços do garoto pelo seu ombro e pediu para que guardasse a profecia nos bolsos de suas vestes. Dolohov vinha em sua direção com a varinha em punho.
— Tarantallegra — Dolohov gritou com a varinha apontada para Longbottom. Suas pernas saíram de controle e começaram a dançar velozmente, o fazendo perder o equilíbrio. Se Harry não estivesse o segurado teria caído. Um dos adultos que tinham chegado lançou o feitiço petrificus totalus em Dolohov o fazendo cair e Harry puxou Neville escada acima. Potter o puxou com tanta força que suas vestes rasgaram, fazendo a esfera da profecia cair. Harry se abaixou para pegá-la mas as pernas cambaleantes de Neville a chutaram escada abaixo, fazendo a profecia cair degrau por degrau até quebrar ao encontrar o chão. O garoto sentiu um vazio no estômago.
— Me desculpa — pediu desesperado — Eu não queria, não tinha a intenção, me desculpa Harry.
Potter não estava com uma cara boa, mas gritou que não fazia mal e continuou arrastando Neville pela escada. Ao olhar para cima, uma chama de esperança se acendeu em seu peito.
— Dumbledore — exclamou.
— Que?
— Dumbledore — apontou para o homem parado no topo da escada.
Dumbledore desceu correndo passando pelo menino, demorou até chegar na base da escada para que os comensais os notassem. O diretor usou um feitiço que pegou cada um dos comensais e os juntou no centro da sala. Somente um dos comensais continuava lutando: Belatriz.
O homem que lutava com ela desviou do primeiro raio lançado e gritou divertido que ela sabia fazer melhor do que isso, parecia estar gostando da luta. Mas o raio seguinte fez com que uma cara de choque atingisse seu rosto, embora o sorriso continuasse lá. A cena aconteceu praticamente em câmera lenta. Harry soltou Neville e correu para o homem enquanto ele caia no véu que estava a suas costas. Harry gritou correndo para o véu, mas o professor Lupin o segurava pelas costas, parecia prestes a chorar. Os dois gritavam, mas Neville não conseguia entender o que tinha acontecido. Então desceu os degraus devagar até se encontrar com Harry.
— Sinto muito — olhou para o amigo — Aquele homem era seu amigo?
Potter assentiu. Lupin apontou a varinha para as pernas de Longbottom fazendo-as pararem de se mover.
— Vamos procurar os outros — o professor sugeriu — Onde eles estão, Neville?
— Lá em cima — respondeu apontando para o topo da escada — Acho que todos estão bem.
Começaram a caminhar até que Harry saiu correndo atrás de Belatriz. Lupin gritou para que parasse e começou a correr atrás do garoto, parando ao ver Dumbledore indo na direção. Se Dumbledore estivesse junto, Harry ficaria bem. Remo então foi com Neville até os outros alunos.
Encontrou Rony preso em tentáculos, que teve dificuldade em quebrar. Gina e Luna estavam encolhidas em um canto e Hermione estava desacordada. O coração do homem apertou, jamais gostaria de ver seus alunos em uma situação como aquela, eram muito novos para enfrentar batalhas nesse nível. Fez um contra feitiço para Rony, que ainda ria e foi até Gina.
— O que aconteceu, querida?
— Acho que quebrei meu tornozelo — choramingou.
— Está tudo bem — o homem sorriu — Posso dar um jeito nisso.
Apontou a varinha para o tornozelo da menina e em alguns segundos cada pedacinho de osso voltou para o lugar. Agora só faltava Hermione.
— O que aconteceu com ela?
— Dolohov usou um feitiço que saiu um fogo roxo.
— Isso vai ter que ficar por conta da Madame Pomfrey. Vocês conseguem segurá-la por uma chave de portal?
Os meninos assentiram.
— Neville, você tá bem machucado e eu tenho que voltar para a batalha, eu vou enviar todos vocês para a enfermaria para a madame Pomfrey dar uma olhada, está bem?
— Sim, tudo bem.
— Então todos peguem a chave do portal e fique bem — ele sorriu — Vejo vocês qualquer dia.
A chave começou a girar e os garotos rodopiaram no ar. Quando seus pés tocaram no solo, estavam na enfermaria. Foram recebidos com um grito de susto da enfermeira da escola.

Depois de mais de uma hora que tinham saído da sala de Umbridge, começou a ficar inquieta. Andou por quase todos os corredores da escola atrás de Longbottom mas não o encontrou. Então resolveu ir até a enfermaria conversar com a Madame Pomfrey. O lugar sempre a acalmava, a fazia lembrar de Carter e do St Mungus. A fazia se sentir útil. Deu três batidas na porta antes de entrar. Encontrou madame Pomfrey mexendo nos medicamentos no fundo da sala.
— Quer ajuda?
— Dolohov — a mulher sorriu — Aconteceu alguma coisa?
— Estou um pouco ansiosa, pensei se poderia ficar aqui.
— Pode ficar em uma das macas, se quiser. Eu já estou terminando de organizar o estoque.
assentiu e se dirigiu a última maca da enfermaria, a mais distante. Se deitou e ficou pensando se o garoto estava bem, se estava seguro. Tinha a impressão de que ele tinha falado que a noite seria difícil, mas não se lembrava nem quando e nem porque. Em algum momento enquanto pensava a menina caiu no sono. Acordou com um estalo no meio da enfermaria e viu Neville, Luna, Hermione, Rony e Gina. Nenhum estava com uma aparência muito boa, mas com exceção de Hermione que estava desacordada, Neville parecia pior. O coração da garota apertou. Sua cara estava toda ensanguentada, seu nariz claramente quebrado e havia cortes por todo seu corpo.
A enfermeira correu para ajudá-los, colocando Hermione em uma maca e pedindo para que os outros se deitassem também. Dolohov puxou a cortina para que ninguém a visse, mas apurou os ouvidos.
— O que aconteceu com ela? — a senhora perguntou se referindo a Hermione.
— Um comensal lançou um feitiço de um fogo roxo no peito dela e ai ela desmaiou — Neville falou.
— Magia negra — ela murmurou baixinho — Vou ver o que posso fazer.
A mulher foi até o estoque e começou a procurar entre suas poções algo que pudesse ajudar. Então se lembrou de e olhou para a maca onde a garota tinha deitado. Dolohov a olhava encolhida e pediu para que a mulher não a denunciasse. Papoula considerou se a ideia era ruim, mas resolveu acatar seu pedido. Deveria ter suas razões.
Fez uma solução misturando três poções diferentes e um pouco de bezoar, esperava que fosse o suficiente para manter a garota estável. Então se dirigiu para Rony, Luna e Gina e os examinou rapidamente.
— Vocês parecem bem.
— O professor Lupin nos curou — Gina exclamou.
Dolohov não podia ver, mas acreditava que Pomfrey sorria. Sabia que a mulher admirava o professor.
— E ele fez um ótimo trabalho. Vocês três podem ir — eles deram tchau e se retiraram — Agora Longbottom, espere eu pegar a minha varinha para dar um jeito nisso ai.
Neville não respondeu. Estava surpreso demais por ver vindo do outro lado do cômodo. A garota tinha resolvido aparecer depois que os outros meninos saíram. Se apenas Neville estava acordado, não tinha perigo nenhum.
— Eu posso ajudar, Papoula. Você pode ir descansar.
— De jeito nenhum! Você é uma estudante, não deve trabalhar na enfermaria. Inclusive já deveria estar em seu salão comunal, mas permiti que ficasse.
— Exatamente. Está tarde, eu estou sem sono e sem nada para fazer. Você pelo contrário está praticamente caindo em pé.
— Isso não é jeito de falar, Dolohov — repreendeu.
— Por favor — praticamente implorou — Sabe que eu sei o que fazer.
— Ah é? E então?
— Longbottom está fácil. É só usar um Episkey no nariz e a poção limpa ferida nos cortes. Depois deixar em observação pela noite para ver se nenhum corte foi profundo o suficiente para perfurar algum órgão. Se ele tiver hemorragia interna eu faço o Vive Mortis para a hemorragia não avançar e corro para te chamar porque eu ainda não aprendi a reverter isso — deu de ombros.
— Vive Mortis? É uma magia muito avançada para o quinto ano.
revirou os olhos.
— Porque você está falando como se não soubesse que eu passo o maior tempo que consigo no St Mungus? Carter me ensinou muita coisa.
— Tudo bem e sobre a Granger ali?
Dolohov se aproximou da garota a olhando bem.
— Nunca vi nada parecido. Imagino que você tenha dado bezoar para ela?
A enfermeira assentiu.
— Então eu ministraria pequenas doses de Wiggenweld a cada duas horas.
A mulher respirou cansada, ela tinha um bom ponto.
— O que você acha, Longbottom?
— Acho que tudo bem, madame Pomfrey.
— Então eu volto em 3h para vê-los. Qualquer coisa me chame Dolohov.
A menina assentiu.
— Pode descansar, vou cuidar bem dos dois.


esperou até madame Pomfrey sair para correr até Neville. Passou a mão pelo rosto do menino, tendo cuidado para não chegar perto do nariz ou alguma outra área muito machucada. Ele fechou os olhos para aproveitar o carinho.
— O que aconteceu? — ela perguntou baixinho.
Neville pensou se realmente deveria contar. Deveria falar que seu pai estava com eles na batalha? Que tinha chutado seu rosto e quebrado sua varinha? Que ele e os outros quase mataram seus amigos? Que um homem tinha morrido? Pensou que sim e não. Não mentiria para a garota, mas omitiria as piores partes.
— O Harry estava tendo sonhos com o ministério da magia em que precisava salvar alguém, então nós fomos com ele — sua voz saia anasalada pelo nariz quebrado — Mas quando chegamos lá…
— Espere — a menina interrompeu — Me deixa cuidar de você e depois você conta. O mais gentilmente possível, colocou seus ossos do nariz de volta ao lugar. Depois embebedou um algodão com a poção limpa feridas e passou em corte por corte, parando para observar a pele do garoto. Achava Neville um garoto bonito, não era excepcional mas era bonito. Só que nos últimos tempos estava vendo algo nele que não conseguia explicar. Não sabia o que tinha mudado, mas de bonito ele tinha ido para extremamente atraente. A única coisa que mudaria no garoto, se pudesse, seria o corte do cabelo. De resto, não tinha o que reclamar.
Terminou com o menino e foi dar a primeira dose de Wiggenweld para Granger. esperava que ela dormisse a noite toda. Ficou um tempo entre Hermione e o estoque de materiais, pois não sabia se estava pronta para ouvir o que Neville tinha para contar. Só uma pessoa poderia ter feito uma emboscada para Potter e se realmente fosse, seu pai estaria no meio.
Quando finalmente criou coragem, foi até a maca de Longbottom e se sentou ao seu lado.
— Vai fundo, pode contar.
Ele assentiu e começou a falar.
— Quando chegamos era uma armadilha para o Harry pegar uma esfera de vidro. Eu não sei direito porque Harry que tinha que pegar, mas quando ele pegou surgiram vários comensais e começaram a negociar. Basicamente nós fugimos o tempo todo porque estávamos em menor número. No processo a Hermione foi atacada e desmaiou, Gina quebrou o tornozelo e Rony foi atingido por uma maldição que deixou ele meio maluco.
segurou a mão de Longbottom.
— E quebraram seu nariz.
Neville não queria citar Dolohov, então procurou mudar de assunto.
— Depois o Harry correu sozinho e eu fui atrás dele. Ele estava sozinho contra todos os comensais — tremeu involuntariamente — Ai quando eu cheguei eles me pegaram e a Belatriz — interrompeu. Quase contou sobre a maldição cruciatus. Definitivamente não queria que soubesse.
— Belatriz? — tinha estranhado a interrupção e um arrepio percorreu seu corpo ao perceber o que a mulher tinha feito.
Sentiu seu peito arder de raiva, era como se pudesse ouvir a risada debochada da mulher. detestou Belatriz desde a primeira vez que a viu, principalmente porque já sabia o que ela tinha feito a Frank e Alice. A mulher também não gostava dela, sentia algum tipo de ciúme doentio do jeito que Voldemort a tratava. Mas atingir Neville era demais. Como ela tinha tido coragem de olhar para o garoto e fazer a mesma coisa que fizera anos antes com seus pais? Se ela só conseguia pensar em vingança, não conseguia imaginar como Neville se sentia.
O garoto estava calado. Não queria responder.
— Não imagino como você pode estar se sentindo.
— Nem eu — ele tentou sorrir, mas não conseguiu.
— Neville, se ela lançou a maldição cruciatus contra você…
, eu não disse que…
— E não precisa. Foi isso, não foi?
O grifinório abaixou a cabeça, não era capaz de encará-la. também não fez nada, sabia que precisava esperar o menino se sentir confortável para falar quando quisesse. Jamais iria pressioná-lo. Levaram alguns minutos de silêncio antes que ele resolvesse quebrar o silêncio.
— Não quero que sinta pena de mim.
— Eu não sinto.
— Não?
— Neville, vocês eram só dois e eles eram muitos. São bruxos formados nas artes das trevas enquanto você e Potter ainda estão no quinto ano. Sinceramente, foi muito vocês dois terem sobrevivido.
— Eu podia ter lutado mais.
— Você fez o que pôde.
Neville parou para olhá-la. Se antes tinha achado seus olhos semelhantes aos do pai, naquele momento não poderiam estar mais diferentes. Embora apresentassem a mesma intensidade, os olhos de possuíam um brilho que jamais poderiam ser encontrados nos de Antonio. Então Neville parou de pensar. Não pensou em Hogwarts, nem em seus amigos. Esqueceu a batalha no ministério, esqueceu Belatriz e Antonio Dolohov. A única coisa que minimamente rodeava sua cabeça eram as coisas que tinha pensado que queria fazer antes de morrer. Então decidiu tirar uma delas da lista. Em uma onda de coragem puxou Dolohov e colocou seus lábios nos dela. Sentia que não conseguia respirar, seu peito doía de um jeito bom e tudo o que importava é que ela estava ali com ele e que ele finalmente a estava beijando. Ele a estava beijando… a verdade o atingiu, fazendo-o cortar o beijo. Ele tinha acabado de tomar iniciativa e beijado uma garota? Se sentiu enjoado, sem saber o que falar.
estava chocada. Nunca tinha pensado em beijar o menino, mas se tivesse jamais imaginaria que ele tomaria a iniciativa. Também não poderia imaginar, nem em seus melhores sonhos, que o beijo seria tão bom.
— Me desculpa — Neville gaguejou — me desculpa eu…
A garota sorriu levemente.
— Cala a boca, Longbottom — sussurrou, o puxando para mais um beijo.


Na manhã seguinte quando madame Pomfrey chegou na enfermaria Hermione ainda estava adormecida, mas com uma aparência muito melhor. A algumas macas de distância Neville dormia, tinha colocado uma cadeira ao seu lado e dormia desconfortavelmente encolhida. Mas os garotos estavam de mãos dadas com expressões igualmente serenas em seu rosto. Papoula agora entendia porque fez tanta questão de ficar e cuidar dos pacientes. Ficou feliz de ter deixado que a menina ficasse, pela primeira vez em tantos anos ela finalmente estava andando com as pessoas certas.
Hermione se mexia na maca ao lado, prestes a acordar. Madame Pomfrey então resolveu acordar Dolohov. Não ia fingir que não tinha percebido que ela se escondeu quando os meninos chegaram e que só saiu quando Longbottom era o único que podia vê-la. Então imaginava que a menina podia não querer que Granger a visse ali. Balançou o ombro da garota chamando seu nome.
— O que foi? — murmurou ainda de olhos fechados.
— A senhorita Granger está quase acordando.
— Fico feliz — se virou na cadeira e voltou a dormir.
Papoula riu, a menina não deveria estar dormindo mais do que duas horas.
— Então tudo bem ela te ver aqui?
Dolohov não respondeu.
— Tudo bem ela te ver de mãos dadas com o Longbottom?
levantou com um pulo. Momentaneamente tinha se esquecido da noite passada e nem imaginava que estava de mãos dadas com o garoto. Estava saindo da enfermaria quando imaginou que Neville podia não interpretar bem acordar e ela não estar por perto.
— Papoula? — chamou — Você pode, bem, explicar porque eu tive que ir?
A mulher assentiu e foi direto para o salão principal tomar café da manhã. Estava sorridente, sentia que as coisas estavam se acertando.

Ver Malfoy tão mal humorado alegrou ainda mais o dia da menina. O garoto xingava Potter por todos os nomes possíveis pelo “o que ele tinha feito com seu pai”. Dolohov achava a relação de Draco com Lucius muito estranha. Lucius não parecia tratar bem o filho, enquanto Draco era meio meu pai isso, meu pai aquilo, meu pai vai ficar sabendo de sei lá o que. Era uma dependência bem esquisita.
Neville saiu da enfermaria três dias depois, no último dia do semestre. Dolohov tinha passado todos os dias para vê-lo mas ainda não tinham conversado sobre os beijos. E estava tudo bem, não tinham o que falar um para o outro. A viagem de volta para Londres foi muito mais tranquila do que a ida para Hogwarts, visto que Draco, Crabbe e Goyle estavam quietos e mal humorados na cabine. Draco estava tão irritado que bateu a porta na cara de Pansy, não a deixando entrar. estava achando tudo muito divertido. Em Kings Cross saiu ao lado dos Malfoy e ao chegar em casa, foi recebida com os abraços de um pai relativamente machucado. Se Você-sabe-quem continuasse perdendo, as coisas não seriam tão ruins.



Continua...



Nota da autora: Todo o amor do mundo para Neville Longbottom!!





Outras Fanfics de Harry Potter (em ordem cronológica)
Versão dos Marotos para a noite em que Voldemort foi derrotado by Moony, Padfoot & Prongs
31 de Outubro de 1981, Parte 1
31 de Outubro de 1981, Parte 2
31 de Outubro de 1981, Parte 3
31 de Outubro de 1981, Parte 4

Potterverso em que Voldemort não matou os Potter by Padfoot & Prongs
Sometimes Red, But Always Yellow
Diagon Alley Secrets
The Way to the World Cup
Dinner in Godric’s Hollow
Summer in Godric's Hollow

After Slug Christmas Party

Evie&Harry Christmas

The One-Eyed Witch Passage

The Night Cedric Diggory Broke the Rules

Potterverso em que todos os Marotos tem Filhos by Moony
The Moony's Way

Feat das melhores alunas de Hogwarts: Evie Darling, Samantha Black e Sophie Winter by Moony, Padfoot & Prongs
Kisses in the 3rd Room
Kisses in Hogwarts
Kisses in the Yule Ball
Happy Birthday, Samantha
Outras oneshots & shortfics dentro do universo de HP by Moony, Padfoot & Prongs:
Before All
My Blood - Parte 1

My Blood - Parte 2

My Blood - Parte 3

Playing with the Moon
Sweet Fire
Sweet Fire: The Date
The First Date Of Lily Evans and James Potter
The Prisoner's Muggle
Under the Stars

Longfics by Dih, Isa P. & Reh:
Black & Diggory
Uma Nova História
Uma Nova História II
Black & Diggory II
Black & Diggory III
After All
Orchideous
Between the order and the death eaters


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