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Última atualização: 03/04/2021

Prólogo

Hogwarts, 24 de junho de 1995.

A banda tocava animada, os alunos de Hogwarts ainda conversavam empolgados, esperando o desfecho da prova, sabiam que estava entre Cedrico Diggory e Harry Potter, agora era apenas uma questão de tempo para descobrirem quem venceria: Lufa-Lufa ou Grifinória.
estava em pé na arquibancada, ao lado dos colegas lufanos, aguardava ansiosa o retorno de Cedrico, independente de vencer ou não o torneio, precisava falar com ele. Sabia que se o loiro voltasse com a Taça Tribruxo as coisas seriam mais difíceis, pois todos os amigos de Casa se juntariam para comemorar com ele, mas não se importava. Sabia que ele ficaria feliz em ganhar e, acima de tudo, aquilo era o que mais queria: ver Cedrico Diggory feliz.
Os minutos foram passando, após o retorno de Vitor Krum, todos achavam que em menos de dez minutos tudo teria terminado, mas já fazia quase uma hora que os professores apareceram com o búlgaro e, mesmo assim, nada de Diggory ou Potter. Por fim, quando já estavam todos começando a reclamar da demora, um estampido foi ouvido e os dois garotos caíram juntos no meio do campo. As arquibancadas explodiram em festa, comemorando a vitória de Hogwarts, afinal os dois voltaram juntos, era um empate entre os dois Campeões. olhava para a direção do gramado na qual os colegas estavam, notando Potter abaixado sobre Cedrico, o qual não se mexia. Preocupou-se de imediato, imaginando que Diggory talvez estivesse machucado, logo viu Dumbledore aproximar-se deles, segundos depois o grito angustiado de Fleur Delacour sobreveio toda a bagunça. Aos poucos, todos ficaram em silêncio, olhando confusos para a cena.
Amos Diggory correu até o filho, e seu grito desesperado pode ser escutado por todos. Os cochichos assustados começaram a passar de boca em boca até, pouco depois, chegaram em :

Cedrico Diggory estava morto.

Londres, 25 de junho de 1995, 05h30 am.

Amos Diggory passou horas junto de sua esposa, sentindo a perda de seu único filho, seu menino. Cedrico era tão novo, tinha um futuro inteiro pela frente.
Parecia um pesadelo do qual não conseguia acordar.
Não poderia aceitar que nunca mais veria seu filho, não poderia estar com ele.
Cedrico não poderia estar morto, não aceitaria aquilo.
De que adiantava ser um bruxo se nenhuma magia poderia trazê-lo de volta?
O homem bateu na porta de carvalho, decidido a resolver a situação de alguma forma, não importava qual, mas não perderia seu garoto, não daquele jeito.
Ouviu passos vindos do lado de dentro da casa e, pouco depois, a porta foi aberta.
O anfitrião o encarou confuso por um instante, não esperava receber alguém tão cedo, menos ainda um bruxo. Notou os olhos inchados e vermelhos do velho amigo, mas antes mesmo que pudesse perguntar o que estava errado, ouviu o pedido desesperado de Diggory;
— Preciso da sua ajuda, por favor. Você é o único que pode me ajudar, Carlisle.


Capítulo 1

Ministério da Magia, 29 de julho de 1996.

Dumbledore sorriu cordialmente para Rufo Scrimgeour quando o Ministro abriu a porta de sua sala. Sentou-se na cadeira em frente à mesa do bruxo, aceitando de bom grado a caidinha oferecida pelo moreno.
— Ao que devo sua visita inesperada, Alvo? Resolveu aceitar minha proposta? — Perguntou genuinamente curioso e interessado, recostando-se em sua cadeira e juntando as pontas dos dedos.
— Não é nada sobre o Ministério ou sobre Lorde Voldemort, não nesse momento. — O mais velho devolveu o olhar, de forma calma, os óculos de meia lua deslizando alguns centímetros por seu longo nariz torto, até que o diretor o ajeitou — Preciso pedir um favor, pois não tenho o poder de realizá-lo, não sem sua ajuda.
Rufo remexeu-se, ainda um tanto curioso, acenando com a cabeça para que prosseguisse.
— Deve lembrar-se de Cedrico Diggory…
— O garoto que morreu no torneio, sim, me lembro. Uma perda lastimável…
— De fato, Cedrico era um estudante dedicado, uma grande perda… — Concordou com a voz baixa, parecendo triste ao lembrar-se do acontecido.
— O que ele tem a ver com seu pedido?
— Cedrico tinha muitos amigos em Hogwarts, muitos ainda sofrem com sua morte, foi um choque para todos… — Começou a explicar de forma branda, tentando exemplificar o problema que tinha em mãos — Um desses alunos, é a Srta. Jones, era muito próxima dele e ficou muitíssimo abalada com sua morte.
O Ministro apenas concordou com a cabeça, sem saber como poderia ajudar em um caso como aquele, mas nada disse, esperando que Dumbledore concluísse seu raciocínio.
— Veja bem, Ministro, — Alvo inclinou-se alguns centímetros, respirando fundo antes de continuar, Rufo notou o quão cansado ele parecia — o problema é que, no caso da Srta. Jones, essa tristeza vem atrapalhando seu bom desempenho. Era uma boa aluna com notas muito boas, neste último ano letivo soube pelos professores que sua participação em sala de aula estava cada vez menor e suas notas caíram absurdamente. Pomona, diretora da Lufa-Lufa, me entregou essa semana o resultado dos NOM’S de , as notas não poderiam ser piores, o que é uma surpresa visto o quão inteligente a menina é.
— E você quer que eu dê um jeito para que suas notas passem despercebidas em seu currículo? — Arriscou incerto, o cenho franzido.
Alvo negou com um aceno, sorrindo triste;
— Conversei com os pais dela, é Nascida-Trouxa — explicou, vendo-o concordar —, um casal muito simpático, estavam muito felizes e empolgados por terem uma bruxa na família, mas, é claro, eles também notaram o desânimo e a tristeza da filha, com isso, — suspirou, passando a língua pelos lábios finos antes de terminar — me pediram para não voltar a Hogwarts no próximo ano letivo. Acham que seria melhor para ela se a garota se afastasse de tudo o que possa lembrar-lhe de Cedrico Diggory, pelo menos por algum tempo até que se recupere.
Rufo o encarou por alguns instantes, antes de arquear a sobrancelha grossa;
— Se você quiser abrir essa exceção ou não, é uma decisão apenas sua. O Ministério não vai intervir em Hogwarts, não de novo.
Alvo sorriu calmo, acenando com a cabeça;
— Eu já dei minha permissão e, se ela quiser retornar no próximo ano, sua vaga será mantida.
— Então para que precisa de mim?
— Os pais dela querem viajar, acham que seria uma boa ideia começar do zero em outra cidade, eles querem ir para a América, Estados Unidos, para ser mais preciso.
Rufo passou a mão pelos cabelos, finalmente entendendo qual era o favor que o diretor precisava.
— Por quanto tempo?
— Não faço ideia, imagino que pelo menos um ano.
— Vou pedir para o Departamento de Cooperação Internacional entrar em contato com a MACUSA e explicar a situação, pedir para que fiquem de olho no uso de magia.
— Eu agradeço imensamente, Ministro! — Alvo sorriu educado, levantando-se e estendendo a mão para um cumprimento antes de retirar-se — Imagino que esteja muito ocupado e não tomarei mais seu tempo.
— Alvo — Scrimgeour chamou antes que o homem saísse —, espero que você pense mais uma vez sobre minha proposta, como pode ver, estou cooperando para que os alunos em Hogwarts não sejam atingidos com tudo o que estamos passando, conto com sua colaboração para que o Ministério tenha a mesma ajuda de sua parte.
Alvo Dumbledore sorriu para o moreno, saindo da sala sem dizer mais nenhuma palavra.

Forks, 28 de agosto de 1996.

desceu do carro junto de seus pais, carregando a gaiola de sua coruja parda, olhando para o sobrado que morariam pelos próximos meses.
Respirou fundo e olhou ao redor, notando a quantidade de verde que tinha envolta da casa, assim como em boa parte da pequena cidade. Não era aquilo que tinha imaginado quando seus pais disseram que estariam se mudando para os Estados Unidos, de todas as cidades que poderiam ir, jamais pensou que terminariam em uma na qual a população era de, aproximadamente, 4 mil pessoas. A diferença com Bolton era enorme, não existiam prédios, shoppings ou mesmo cinema naquele lugar, e apenas uma escola. Como seus pais resolveram sair de um local com quase 200 mil habitantes para Forks ela talvez nunca entendesse, mas sabia que, de alguma forma, acharam que seria o melhor para ela, e por isso era grata por todo o apoio.
Sorriu pequeno na direção dos dois, que a esperavam próximos a entrada da casa, e seguiu com sua coruja até eles. Pelo menos a casa não era tão diferente da que tinham em Bolton, pensou por um momento, olhando ao redor.
Ao passar pela porta viu a sala de estar, pouco menor do que a da Inglaterra, porém espaçosa, talvez pela falta de móveis, não saberia dizer. No andar debaixo ainda tinha a cozinha que era separada da sala de jantar por uma bancada americana e também um banheiro. Faltavam muitos móveis, tendo apenas o básico até o momento, sua mãe estava encarregada de comprar o que faltava durante os próximos dias e deveria ajudá-la a decorar. No outro andar estavam os três quartos, sendo uma suíte na qual seus pais estavam e mais dois quartos de tamanho mediano, um deles serviria como escritório para sua mãe já que ela trabalhava de casa, mas pode escolher anteriormente qual dos dois preferia, optando por um que a vista dava para a floresta atrás da casa, ao invés da rua, além de ser o mais próximo do banheiro.
Entrou no cômodo e deixou sua coruja sobre a cama, escutando-a piar entediada, estava há horas demais presa e queria esticar as asas. suspirou, aproximando-se da janela e olhando ao redor; deveria ter cuidado com a magia, mas ninguém havia dito nada sobre manter sua ave trancada. Abriu a gaiola e deixou que ela saísse por algum tempo, o pássaro era esperto e poderia encontrar seu caminho de volta, afinal, para quem fazia viagens de Hogwarts até Bolton, Forks não deveria ser um problema. Voltou a descer as escadas para ajudar os pais a descarregarem o carro, pegando suas coisas e subindo de volta para seu quarto, começando a organizar o que podia. No momento só tinha sua cama e um armário, então só mexeu na sua mala com roupas, cansando-se poucos minutos depois de começar a atividade. Odiava desfazer as malas e aquilo era, sem dúvidas, uma das coisas que mais sentiria falta de usar magia, agora precisaria fazer tudo ela mesma, sem qualquer auxílio de sua varinha, a qual estava guardada no fundo de uma mala.
Desceu após terminar de organizar seu quarto e aproveitar para tomar um banho quente, chegando na cozinha e vendo seu pai sair pela porta, indo atrás de algo para jantarem enquanto as duas terminavam de limpar o cômodo.
— Não vejo a hora de ter tudo organizado, — Olivia dizia, tirando o pó de um dos armários — mas vamos precisar comprar quase tudo, vamos demorar dias para escolher!
— Vamos demorar dias para encontrar um lugar, isso sim — respondeu de seu canto, passando a mão pela testa após ter passado pano no chão da cozinha — ou você viu alguma loja nesta cidade?
A mulher gargalhou, concordando;
— Sinceramente? Forks não era o primeiro lugar da nossa lista, — virou-se para explicar à filha o motivo da escolha — mas meu editor também achou que seria uma boa ideia uma cidade pequena, disse que pode me ajudar com o bloqueio em que estou.
concordou com um aceno, dando de ombros;
— Talvez você só devesse mudar o roteiro, assim suas ideias voltam…
— Eu também gostaria — confessou, sorrindo pequeno —, mas preciso de mais um livro antes de mudar o gênero, infelizmente não é tão fácil quanto gostaríamos.
— Se você diz…
Voltaram a ficar em silêncio por alguns minutos, terminando a limpeza da cozinha e, por fim sentando-se no chão da sala, olhando o espaço que tinham para decorar. Olivia apontava para os cantos, dizendo o que achava que combinaria, , vez ou outra, discordava, dando outras sugestões. No fim, sua mãe fez uma lista com tudo o que precisavam de essencial, o restante poderiam olhar com mais calma.
Minutos depois Daniel entrou pela porta, carregando uma caixa de pizza e uma garrafa de refrigerante. Comeram no chão da sala mesmo, já que não tinham cadeiras ou mesa, conversando sobre a mudança e tudo o que precisavam fazer nos próximos dias.
Aos poucos, sentia que aquele poderia ser o recomeço que precisava para esquecer-se do que tinha acontecido com Cedrico Diggory ou, ao menos, diminuir a dor que sentia com sua perda. De qualquer forma, sabia que seus pais estariam ao seu lado em todos os momentos e, naquele momento, ela não poderia pedir nada melhor.


Capítulo 2

Forks High School, 02 de setembro de 1996.

— Vai dar tudo certo, tenho certeza! — A mulher disse, confiante ao ver a filha respirar fundo antes de descer do carro. fez uma careta, mas concordou com um aceno, despedindo-se com um meio sorriso.
Ajeitou a alça da mochila no ombro e olhou ao redor, muitos alunos andavam pelo local, vários chegando nos próprios carros ou no ônibus da escola. Respirou fundo mais uma vez e começou a andar em direção ao prédio de tijolos vermelhos, sem olhar para ninguém em particular, embora visse alguns olhares em sua direção.
Em uma cidade daquele tamanho não deveria ser uma surpresa que ela estivesse se destacando por ser a nova aluna, mas aquilo não facilitava as coisas.
Pediu ajuda para um rapaz ruivo, perguntando o caminho para a secretaria da escola, e então seguiu o caminho indicado para buscar seus horários.
As primeiras aulas do dia não tiveram nenhuma surpresa, fora o fato de precisar se apresentar em todas;
“Meu nome é e me mudei para cá com meus pais.
Eu morava em Bolton, uma cidade próxima a Manchester.
Estudei por alguns anos em um internato na Inglaterra.
Sim, Forks é bem diferente, mas ainda não tive tempo de ver muitas coisas.
Sim, estou gostando daqui.”

Os alunos, embora curiosos com a mudança para Forks, eram até bem simpáticos e prestativos, ajudando-a a encontrar o caminho para as aulas. Os professores também não eram ruins, mas, é claro, as aulas agora pareciam extremamente entediantes e sentiu falta de Hogwarts e de seus amigos.
Sentia falta do seu Salão Comunal e dos treinos de Quadribol. Até diria que sentia falta das aulas de Poções, mas então pensou que a saudades ainda não era tão grande.
Distraiu-se por alguns minutos da aula de história, pensando em como estariam as coisas na Escola agora que o Ministério assumia o retorno do Lorde das Trevas, porém, num instante depois decidiu que não pensaria mais em nada daquilo, pelo menos não por um tempo; Lembrar-se de Hogwarts e de tudo o que tinha lá também a fazia lembrar do que perdeu e não queria ficar triste de novo.
Sabia que seus pais estavam tentando de tudo para animá-la, e não queria desapontá-los.
Respirou fundo e tornou a olhar para o professor, tentando prestar atenção no que ele falava, mas descobriu que as aulas do Prof. Smith não eram assim tão diferentes das aulas de História da Magia do Prof. Binns, e logo se viu desenhando em seu caderno, garantindo a si mesma que leria aquele capítulo quando chegasse em casa.

Quando o sinal tocou, levantou-se junto com os outros colegas, acenando para um ou outro que olhava sorrindo em sua direção. Deixou suas coisas no armário, precisando de alguns instantes para conseguir abrí-lo, e depois seguiu para o refeitório.
Olhou em dúvida para as mesas cheias, sem saber se deveria simplesmente sentar-se com algum grupinho ou, talvez, sair para comer sozinha, até ver duas mãos acenando em sua direção, reconhecendo da aula de geografia uma das garotas que estava na mesa.
Andou até o pequeno grupo e sorriu em agradecimento, sentando-se ao lado da garota que havia acenado.
— Ei, novata! — A brincou, estendendo a mão — Eu sou Jéssica Stanley!
— E eu sou Angela Weber, muito prazer!
, igualmente — sorriu pequeno, cumprimentando-a com um aperto de mão.
— Então você morava na Inglaterra, é? — Jéssica questionou curiosa, olhando-a ansiosa — Como veio parar em Forks?
tomou um gole de seu suco antes de responder, pensando com calma do que diria;
— Bem, meus pais queriam mudar os ares e, hm, minhas notas não estavam as melhores na escola, então, para resumir, acabamos em Forks.
— Mas por quê Forks? — Jéssica insistiu — Quer dizer, vocês poderiam ir para outra cidade maior, não?
— Sim, sim, — concordou olhando de canto para a , notando que não talvez não tivesse sido a melhor das ideias sentar-se ali, pois Jéssica não parecia o tipo de pessoa que aceitava meias respostas — minha mãe é escritora e está tendo um problema com seu novo livro, como se passa em um lugar pequeno, o editor disse que seria uma boa ideia viver em uma cidade como a do livro, então, bem, aqui estamos.
— Nossa, sua mãe é escritora, que legal! — Angela sorriu — Algum livro que a gente já tenha lido?
The Sun Might Return e True Happiness…
— Acho que não conheço esses — disse sem graça, quase como se pedisse desculpas, abanou a mão, mostrando que estava tudo bem —, vou ver se encontro na livraria de Port Angeles na próxima vez que for à cidade!
— Não precisa — riu, agradecida por mudarem de assunto —, talvez não seja o tipo de leitura que você goste e…
— Como era no internato? — Jéssica tornou a perguntar, sem importar-se em interromper a conversa. — Era muito rígido?
— Bem, tinham várias regras, mas era bem legal, sim…
— E por quê suas notas baixaram?
— Jéssica! — Angela ralhou, acertando-lhe um tapa no braço pela indiscrição.
— Eu… Hm… Tive alguns problemas no último ano e acabei deixando de prestar atenção nas aulas, com isso minhas notas caíram… — Deu de ombros, virando-se para o lado para fugir do assunto, já pensando se seria o suficiente dizer que estava indo ao banheiro.
Notou então um grupo de alunos entrando no refeitório; todos tinham a pele extremamente branca e, embora não se parecessem muito fisicamente, os olhos eram todos no mesmo tom de dourado. Percebeu pelas risadas das duas garotas que deveria estar olhando há tempo demais aqueles quatro alunos, mas não conseguia evitar, eram todos lindos.
— Esses são os Cullen — Jéssica disse baixo, segurando a risada —, a de cabelos curtos é Alice, o que está com ela é Jasper. O moreno musculoso é o Emmett e a com ele é a Rosalie.
— Como podem todos serem tão bonitos? — perguntou sem conseguir se conter, olhando um tanto surpresa para as duas colegas, que riram ao concordar.
— Eles foram todos adotados pelo médico da cidade, o Dr. Carlisle, que, sinceramente, também é maravilhoso! — Jéssica continuou, atraindo mais uma vez a atenção da garota. — Mas eles estão todos juntos, juntos. Como casais! — Explicou ao ver a expressão confusa de , a qual pareceu surpresa por um instante. — Parece errado, não é?
— Mas eles não são irmãos de verdade — Angela contrapôs.
— É, mas moram todos juntos como irmãos, não é? De qualquer forma, não me importaria de ser adotada pelo Dr. Cullen, vai que ele me junta com o Edward? — Riu, negando com um aceno.
olhou para os outros quatro, em uma mesa mais ao fundo, conversando entre si, antes de voltar o olhar para Jéssica;
— Quem é Edward?
A esticou-se alguns centímetros, passando os olhos pelo local atrás do quinto Cullen, logo apontando com a cabeça para a entrada do refeitório, por onde ele vinha;
Aquele é Edward Cullen, como pode ver, o mais bonito de todos! — Apontou com a cabeça — Mas nem adianta ter esperanças, eles são todos muito fechados, aparentemente nenhuma garota de Forks é boa o bastante para ele! — Completou, mordaz.
virou-se na direção do último Cullen, o qual andava para próximo dos irmãos, não conseguiu dar uma boa olhada, pois ele estava de lado, com a cabeça meio baixa. Frustrou-se por um instante, voltando a virar para as colegas;
— Parece que não vai ser agora que eu vou descobrir se ele é tudo isso que você diz mesmo, — riu baixinho — ele está olhando para o outro lado!
— Acredite, você vai ter outras oportunidades — Angela sorriu —, ele está no nosso ano, você deve ter alguma aula com ele e…
— Vê se agora você consegue! — Jéssica cortou novamente, apontando com a cabeça ao ver que Edward havia sentado na cadeira que dava de frente para a mesa delas.
não conseguiu conter a curiosidade, virando-se no mesmo segundo para olhá-lo, mantendo o sorriso no rosto, principalmente por ter gostado de Jéssica ter mudado sua atenção para fofocas sobre os Cullen, ao invés de continuar o interrogatório sobre sua vida.
Foi quando seus olhos encontraram o do garoto que sentiu como se tivesse em uma partida de Quadribol e acabasse de levar um balaço no estômago.
Piscou repentinamente, sentindo o ar faltar em seus pulmões e a boca se abrir em total surpresa. Não poderia ser verdade, aquilo não era possível.
Não! Não! Não!” Gritava em sua mente, a respiração falha. “Pare de olhar! Você está louca!
Virou-se rapidamente para frente, encarando a bandeja com a comida intocada, sentia as mãos tremerem e o coração bater acelerado.
— O que foi? Você está bem? — Angela questionou preocupada.
— Parece que viu um fantasma! — Jéssica também perguntou, curiosa. — O que foi?
— Eu… Eu… — Balbuciou, fechando os olhos por um instante — Banheiro!
Disse, levantando-se apressada e quase correndo pelo refeitório em direção a saída, sem olhar para ninguém, esbarrou em um garoto ao passar pela porta, mas nem mesmo virou-se para se desculpar, precisava sair dali o mais rápido possível.
Fechou-se no banheiro, abrindo a torneira e juntando o máximo de água possível em suas mãos, antes de jogar no rosto.
Repetiu o gesto inúmeras vezes e então encarou seu reflexo no espelho; estava pálida, a expressão de pânico ainda presente em seus olhos.
Respirou fundo de olhos fechados, tentando acalmar-se, mas o coração continuava batendo acelerado, as mãos tremiam.
— Você está louca! — Disse para si mesma ao voltar a encarar seu reflexo — Está alucinando! É claro que não é ele. Cedrico está morto. Se controle!
Respirou fundo mais algumas vezes, jogando água em seu rosto uma última vez antes de secá-lo com a toalha de papel que tinha por ali.
Abriu e fechou os olhos, forçando um sorriso em seus lábios antes de virar-se para sair.
— O que aconteceu? — Foi a primeira coisa que ouviu ao passar pela porta, dando de cara com Angela e Jéssica do lado de fora.
— Eu só — pigarreou —, não sei, acho que minha pressão baixou um pouco. Mas já estou bem! — Sorriu pequeno.
Jéssica riu, negando com um aceno;
— Tudo bem que Edward é bonito mesmo, mas baixar a pressão?


Ao andar para a última aula do dia, já se sentia mais calma. Havia passado o quarto e quinto período todo pensando que estava doida, é claro que havia se confundido.
Edward talvez lembrasse um pouco Cedrico, mas não tanto quanto ela imaginou.
Tinha certeza que havia sido coisa de sua cabeça e, agora, sua preocupação era que a achassem louca.
— Grande primeiro dia! — Sussurrou para si mesma antes de entrar na aula de biologia.
Mais uma vez precisou se apresentar, dessa vez, porém, apenas para o professor, que teve o bom senso de imaginar que os outros colegas já a tinham visto pela escola.
— Muito bem, , — o professor Molina sorriu, levantando-se de sua cadeira e olhando ao redor — pode se sentar ali — apontou para o canto —, junto de Edward.
fechou os olhos por um instante, sentindo o corpo todo tremer antes de virar-se na direção de Cullen, o qual, ela notou, olhava com certa curiosidade em sua direção.
Provavelmente está pensando que você é louca. E nem deve ser o único.

Andou até seu lugar com a cabeça baixa, tentando manter a calma e, principalmente, evitar o contato direto com seus olhos.
É só não olhar pra ele e vai ficar tudo bem, são só alguns minutos.

O professor começou a explicar o conteúdo do dia e tentou manter seu foco totalmente nas imagens do livro a sua frente, ignorando as mãos trêmulas e o coração acelerado, vez ou outra olhando para o relógio preso à parede, contando os minutos para a aula acabar.
Edward manteve-se em silêncio ao seu lado, embora mantivesse um olhar levemente intrigado em sua direção, sem entender qual poderia ser o problema dela com ele.
Havia reparado mais cedo o desespero em seus olhos, ficando extremamente curioso com o nervosismo dela. E, é claro, não foi o único que reparou; Emmett até mesmo perguntou se ele tinha feito algo para a garota, mas ele nem mesmo a conhecia.
Por um instante sentiu o medo que, de alguma forma, ela soubesse o que ele era, mas aquilo era impossível. Deveria ter alguma outra explicação, qualquer que fosse.
E Edward descobriria, de uma forma ou de outra.
Quando o sinal para encerrar as aulas finalmente tocou, foi uma das primeiras a se levantar, saindo apressada da sala, sem importar-se com o que pensariam, só precisava ficar longe dele.
Andou até o estacionamento da escola, sentindo as gotas geladas de chuva caírem, mas não se importava com a chuva: Poderia ter um furacão em Forks naquele momento e, ainda assim, iria correndo, se necessário, para longe daquele lugar.
Respirou fundo ao ver o carro de sua mãe dobrando a esquina, não demorando a entrar no mesmo quando ela parou em sua frente, ao tempo que os outros alunos começavam a sair.
— Está tudo bem, querida? Como foi o primeiro dia?
mordeu o lábio inferior, olhando pela janela.
Não poderia dizer em voz alta que tinha um garoto em sua sala que era idêntico a Cedrico Diggory, seus pais achariam que ela estava louca. Ela mesma começava a achar aquilo.
Havia saído de Hogwarts para esquecer-se de Diggory e, mesmo naquele fim de mundo que era Forks, ela não só pensava nele como agora o via andando por sua escola.
— Foi tudo bem, só estou com um pouco de dor de cabeça, não é nada demais. — Virou-se para a mulher, forçando um sorriso em seu rosto — Conseguiu comprar os móveis?
— Comprei um sofá incrível! — Contou sorridente, antes de voltar a dirigir, olhando para a filha — Você e seu pai vão adorar, principalmente com a televisão enorme!
— Papai vai ficar feliz se a tv a cabo passar o campeonato inglês, isso sim — Brincou, escutando a risada da mulher quando a mesma deu partida no carro.
respirou fundo, olhando pela janela do carro os alunos espalhados pelo estacionamento, até seus olhos caírem sobre um Volvo prata, no qual Edward Cullen estava encostado, olhando em sua direção.


Capítulo 3

Edward estava deitado em sua cama, encarando o teto branco de seu quarto, os pensamentos agitados; Não conseguia entender o motivo daquela garota ter ficado tão nervosa ao encará-lo. Estava acostumado com os alunos virando-se para olhá-lo na escola, especialmente as garotas, ou mesmo cochichando sobre ele e sua família, mas nunca ninguém pareceu tão assustado ao vê-lo, geralmente pareciam felizes:
Achava aquilo um tanto bobo, contudo sabia o motivo dele e sua família parecerem tão atrativos, e era justamente por aquilo que jamais esperaria uma reação tão contrária. E, o pior de tudo, em sua opinião, era não conseguir entender o motivo.
Frustrou-se durante a aula de biologia ao perceber que ela não pensava na razão para querer evitá-lo, apenas que não deveria encará-lo e que Edward provavelmente a achava louca.
Bem, ela não estava de toda errada.
E, de fato, não era o único que tinha achado aquilo estranho, vários colegas estavam comentando sobre a reação dela no refeitório. Tentou até mesmo escutar o que Jéssica e Angela comentavam sobre a novata, mas as duas também não sabiam o motivo. E, se Jéssica Stanley não sabia de uma fofoca, ninguém mais saberia.
Ouviu uma batida na porta antes de Alice entrar em seu quarto, olhando-o divertida com os braços cruzados;
— Está preocupado.
Edward negou com um aceno;
— Estou frustrado. — Corrigiu, suspirando antes de olhá-la. — O que quer?
— Resolvi te ajudar — disse ao andar até sua cama, sentando-se ao seu lado —, Jasper também concordou.
— Como? — Arqueou a sobrancelha, levemente curioso.
Se ele não conseguia ouvir o que tinha de errado, não imaginava como os dois poderiam se sair melhor. A menos que Alice conseguisse ver qual era o problema. Mas achava que Jasper seria o que menos poderia ajudá-lo, o loiro apenas sentiria o que Edward já sabia: desespero, nervosismo e qualquer outro sentimento relativo.
— Te ensinando a se aproximar sem assustá-la! — Deu de ombros, sorrindo como se fosse a ideia mais brilhante que alguém poderia ter.
Edward riu nasalado, negando com um aceno ao sentar-se;
— Talvez não tenha reparado, mas ela saiu correndo quando me viu. A garota não quer olhar pra mim, como acha que eu poderia me aproximar?
— Ela não me parece o tipo de pessoa que seria mal educada, se você conversar com ela tenho certeza de que não vai sair correndo, mas se você continuar apenas a encarando de longe, desconfiado, é claro que só vai assustá-la mais ainda.
— Mas o ponto é justamente esse — resmungou, olhando para o lado —, como é que eu posso assustá-la sem nem ter feito nada? Acha que ela pode saber alguma coisa sobre nós? — Arriscou, olhando-a de canto.
Alice negou com um único aceno, não parecendo nenhum pouco preocupada com aquilo.
— Se fosse esse o caso, ela teria corrido quando nos viu, mas só ficou nervosa quando olhou pra você, então é pessoal. De qualquer forma, — deu uma risadinha, fazendo o mais novo franzir o cenho — tenho certeza que vocês ainda serão muito próximos. Eu já vi.
Edward travou a mandíbula, levantando-se da cama, encarando a floresta e a chuva pela janela.
— O que foi que você viu?
— Vocês dois conversando e rindo, nada demais — deu de ombros, mas ele notou em seu tom de voz que a mulher estava hesitante — Apenas se aproxime como se fosse um amigo, mas não pergunte muito, ela não é o tipo de pessoa que gosta de ser interrogada.
— Sei que não — concordou com um aceno, olhando-a sobre o ombro —, ela pareceu desesperada quando o professor de biologia começou a perguntar sobre sua vida na Inglaterra.
— Pois bem, você já tem uma vantagem sobre ela, não é? — Piscou, vendo-o concordar a contragosto. — Agora vamos, hora do jantar.

🦇🧹🦇

colocava algumas coisas em seu quarto, decorando e deixando-o mais do seu gosto pensando que, talvez assim, pudesse se sentir mais próxima de si mesma e de tudo o que a lembrava de coisas boas.
Pintou uma das paredes de preto, deixando todas as outras com a cor branca, e nessa mesma parede pendurou algumas fotos (apenas as tiradas com câmeras normais, para não correr nenhum risco de expor seu mundo), algumas junto com seus pais e com alguns colegas de Hogwarts. Pendurou também uma flâmula da Lufa-Lufa, afinal, uma bandeira com um texugo no meio não queria dizer muita coisa para os Trouxas.
Colou alguns pôsteres de sua banda e filmes favoritos e, por último pensou se deveria ou não colocar uma foto que tinha com o time de Quadribol, mas optou por deixar dentro de uma caixa em seu guarda-roupa, junto com várias outras fotos que tinha de seus anos em Hogwarts. Passou algum tempo olhando para aquelas imagens, principalmente a que tinha com Cedrico, da noite em que ele tinha sido escolhido Campeão do Torneio Tribruxo e fizeram uma festa no Salão Comunal. Os dois estavam abraçados, olhando sorridentes para a câmera, lembrava-se de como seu coração batia acelerado naquele dia, porque foi Diggory quem se aproximou dela para a foto, passando o braço por sua cintura.
Parecia que tinha sido ontem, lembrava de ter sentido o rosto esquentar e até mesmo ter escutado alguma piada sobre isso, mas, para sua sorte, achavam que ela apenas tinha bebido muita cerveja amanteigada.
Fechou os olhos por um momento, segurando a vontade de chorar ao lembrar-se de Cedrico. Deixou a foto junto com as outras e as guardou, virando-se para pegar sua mochila, talvez fosse bom para ela estudar e ignorar o restante dos problemas.

Ouviu um barulho no lado de fora da casa, levantando-se da cama e olhando pela janela. Encarou a floresta por alguns instantes, mas não viu nem ouviu mais nada, imaginando que talvez fosse apenas um gato ou algum outro bicho. Considerou se deveria fechar a janela para evitar que, fosse o que fosse, entrasse em seu quarto, mas sua coruja havia saído para caçar. Suspirou deixando a mesma entreaberta e voltando para sua cama. Já passava das onze horas, seus pais estavam dormindo e estava tudo quieto, mas ela não conseguia. Sua cabeça estava sempre agitada demais para aquilo.
Suspirou, virando-se para o lado e alcançando um frasco de remédio, tirando uma pílula de Zolpidem de dentro, engoliu-a e então esperou que o sono viesse. Pouco depois franziu o cenho, considerando se era ou não uma boa ideia continuar tomando aquele remédio, afinal, um dos sintomas era alucinações.
E se tivesse alucinado na escola? Aquilo explicaria tudo.
Fechou os olhos por um instante, respirando fundo antes de levantar-se mais uma vez, pegando o frasco de remédios e andando até o banheiro, logo jogando os comprimidos que restavam na privada e dando descarga pouco depois. Mordeu o lábio inferior, sem saber se havia, de fato, tomado a melhor decisão ao fazer aquilo, mas não poderia arriscar-se, estava em Forks para esquecer-se, não relembrar por meio de alucinações.
Voltou para seu quarto, cobrindo-se assim que deitou na cama, virando-se do lado e esperando o sono vir, sabendo que não deveria demorar mais do que alguns minutos.

Edward aguardou sentado no telhado até não ouvir mais nenhum barulho vindo do quarto da garota. Ficou quase cinquenta minutos parado na mesma posição, olhando a copa das árvores na floresta mais à frente, sentindo a brisa da noite bater em seu rosto, mexendo em seus cabelos curtos, antes de levantar-se. Pendurou-se no batente da janela, abrindo com cuidado o vidro, o suficiente para que pudesse entrar.
Viu a garota adormecida em sua cama, parecendo relaxada, e então tomou cuidado para não pisar em nada quando pendurou-se pela janela, segurando-se com facilidade para não cair ou fazer qualquer barulho.
Virou-se olhando ao redor, retirando uma pequena lanterna de seu bolso para examinar melhor o quarto; Emmett havia dito que a melhor forma de se aproximar de alguém era saber seus gostos, para ver o que poderiam ter em comum e assim puxar assunto, mas, Edward pensou, talvez o moreno não tivesse dizendo para ele invadir o quarto da garota durante à noite. Contudo, ele estava entediado e as horas não passavam rápido o suficiente.
Viu os livros e cadernos sobre a mesa de canto, em frente à janela, junto com um abajur. Ao lado, um poleiro e uma gaiola, o que ele estranhou ao notar que não havia nenhum pássaro, talvez o bicho estivesse morto ou ela tivesse a intenção de comprar um. Tinha uma estante com alguns livros ao lado, aproximou-se passando os olhos por eles para ver se tinha algum título conhecido, mas nada ali chamou realmente sua atenção, porém notou que a maioria deles eram biografias ou livros de suspense. Aparentemente, era fã de Stephen King, Agatha Christie e James Patterson. Talvez Edward devesse ler algum deles para puxar assunto, pensou ao olhar novamente alguns títulos.
Parou de frente com uma parede com fotos, vendo o que deveriam ser seus pais e algumas fotos na Inglaterra, até parar em algumas em que ela estava com amigos. Usava uma capa preta com detalhes em amarelo e um símbolo que ele não reconhecia, mas acreditou ser do internato em que a garota estudava, ela parecia feliz nas fotos. Em uma delas, estava com mais dois amigos de frente para um lago grande, que parecia congelado. Imaginou que o lugar deveria ser grande e bonito, e, então, pensou o que teria levado aquela família a morar em Forks.
Por que seus pais a tirariam de um internato para colocá-la em uma escola americana sem qualquer atrativo? Um internato daqueles não deveria ser barato, além da educação provavelmente ser uma das melhores. Não fazia muito sentido para ele uma mudança dessas.
Notou uma pequena bandeira presa a parede, também com as cores amarelo e preto, com o desenho de um texugo no meio;
Hufflepuff. — Leu em voz baixa, achando a palavra estranha e, ao mesmo tempo, engraçada.
Viu também alguns pôsteres colados: da banda Rolling Stones e dos filmes Jurassic Park e Tubarão. No canto tinha ainda um pequeno adesivo de um time de futebol de Bolton. Edward virou-se por sobre o ombro ao ouvir uma pequena movimentação, mas a garota só estava mudando de posição, virando-se para o outro lado.
Ouviu um bater de asas e uma coruja entrou voando pela janela.
O rapaz parou por um momento, olhando curioso para o animal, imaginando se a ave havia entrado por engano, mas pouco depois, a coruja parda ajeitou-se no poleiro, encarando-o com os olhos grandes e brilhantes. Edward não se mexeu, achando estranho alguém ter uma coruja de estimação, mas não teve tempo para pensar direito sobre o assunto, pois, ao reparar que o rapaz não era conhecido, a ave começou a piar; um som alto e estridente preencheu o quarto e, pouco depois, a garota se remexeu na cama. Cullen só teve tempo de abrir a porta de seu quarto e descer rapidamente as escadas, não conseguiria sair pela janela com a coruja bloqueando sua passagem.
Edward ouviu passos e uma porta ser aberta, logo pode escutar uma voz masculina perguntar o que estava acontecendo;
— Não sei, talvez tenha se assustado com alguma coisa… — Ouviu responder em voz baixa. Continuou parado próximo as escadas, esperando que voltassem a dormir para sair sem qualquer problema. Demorou alguns minutos para a coruja se acalmar e, mais alguns para os pais de voltarem para cama.
Edward ouviu passos pelo corredor e andou apressado até o canto da sala, agachando-se atrás do sofá para garantir que, mesmo se acendesse as luzes, não o veria.
A garota desceu as escadas em silêncio, mas Edward ouvia o quão agitada ela estava.
— Ótimo, agora nunca mais vou dormir — resmungou baixo, andando até a cozinha e pegando um copo com água. O rapaz esperava que a garota voltasse logo para seu quarto, assim poderia sair, já sabia que tinha sido uma péssima ideia ir até lá. Talvez se fosse rápido o suficiente ela nem mesmo o veria saindo, mas não queria arriscar-se sem ser necessário. E não era como se ele tivesse muitas atividades para depois que saísse; esperaria amanhecer para poder ir para a escola e aquilo era tudo.
Para seu completo desagrado, não pareceu muito interessada em voltar a dormir, andando até a sala e deitando-se no sofá, ligando a televisão pouco depois. Edward suspirou, fechando os olhos por um instante ao sentar-se no chão, encostando-se na parte de trás do sofá e esperando. Ouvia os barulhos vindos do aparelho, mesmo que em um volume baixo, e, vez ou outra, resmungava sobre a programação, até parar em um filme qualquer que estava passando.
Quase uma hora depois, o rapaz notou que ela não estava mais se mexendo e sua respiração estava baixa o suficiente para ele acreditar que ela, finalmente, havia adormecido. Mexeu-se o mais silenciosamente que pôde, levantando-se o suficiente para confirmar que a garota tinha dormido, toda torta, no sofá.
Pensou por um instante no que estava prestes a fazer, era arriscado e ela poderia acordar, vê-lo ali a qualquer momento. Suspirou mais uma vez antes de aproximar-se, nem mesmo entendia o que estava fazendo, mas desligou o aparelho e pegou-a no colo, sem qualquer dificuldade. Andou lentamente em direção a seu quarto, deitando-a na cama pouco depois, quando estava pronto para sair, abriu os olhos por alguns segundos e ele parou no mesmo lugar, sem saber o que fazer e torcendo para que a inglesa voltasse a dormir, com sorte pensaria que era apenas um sonho.
— Cedrico… — Sussurrou sonolenta, virando-se para o outro lado, voltando a fechar os olhos.
Edward a encarou, o cenho franzido. Por fim, deu as costas, olhando com certa raiva para a coruja adormecida ao canto, antes de escalar a janela, pulando para fora da casa segundos depois.

🦇🧹🦇

seguiu para as duas aulas de biologia já sentindo o nervosismo dominar-lhe, mas repetia a si mesma que não era nada demais, era apenas coisa da sua cabeça e estava sendo boba por ficar tão agitada.
Ao entrar na sala, alguns alunos já estavam por lá, dentre eles Edward Cullen, o qual abria seu livro, parecendo um tanto entediado.
Respirou fundo e caminhou até seu lugar, ao lado do rapaz, dando um sorriso mínimo quando ele olhou em sua direção, apenas para não parecer ainda mais mal-educada e doida do que no dia anterior. Sentou-se ao seu lado sem dizer nada, abrindo sua mochila e pegando seu material, tomando cuidado para não olhar em sua direção.
— Não consegui me apresentar ontem — ouviu a voz suave dele dizer —, você saiu rápido… — mordeu o lábio inferior, respirando fundo antes de virar-se para encará-lo — Sou Edward Cullen.
o encarou por alguns segundos, aproveitando para olhar bem suas feições. Seu rosto era idêntico ao de Cedrico e aquilo fez seu coração bater acelerado, porém haviam pequenas diferenças, sutis, mas que ela percebeu ao encará-lo; Os olhos dele não eram acinzentados, e sim de um tom dourado, sua pele era muito pálida e seus cabelos mais escuros. Seu rosto parecia quase moldado, sem qualquer imperfeição visível.
Não que Cedrico tivesse alguma marca, e mesmo se tivesse não se importaria, porque para ela Diggory era lindo de qualquer forma, mas Edward parecia estranhamente perfeito, no sentido literal da palavra.
— É agora que você me diz seu nome — ele soprou, rindo após alguns instantes, e então reparou que o encarava por tempo demais, sorrindo sem graça;
. — Respondeu em voz baixa, tornando a olhar para seu livro.
Edward concordou com um aceno, olhando-a de lado;
— Você é da Inglaterra, não?
— Sim, morava em Bolton, uma cidade próxima de Manchester… — Disse baixo, achando melhor não voltar a encará-lo, para evitar de parecer ainda mais estranha.
Edward abriu a boca para perguntar mais, mas o professor entrou na sala, e ele lembrou-se rapidamente que ela não parecia gostar de falar tanto sobre sua vida na Inglaterra, além, é claro, dele já saber de tudo o que ela tinha dito sobre o assunto.
Ficaram em silêncio, prestando atenção no Sr. Molina, vez ou outra Edward olhava na direção da que fazia um enorme esforço para concentrar-se na matéria e evitava olhá-lo de volta.
Ao final das duas aulas, recolheram suas coisas e caminharam para fora da sala, Edward logo atrás, ela reparou.
— Por que vocês mudaram para os Estados Unidos, ao invés de mudarem de cidade na Inglaterra? — Perguntou curioso, vendo-a suspirar antes de responder, dando de ombros.
— Meus pais quiseram vir pra cá, meu pai morou em Seattle por alguns anos…
— E Forks…? — Insistiu, ao seu lado, parando junto dela próximo ao armário, enquanto ela deixava seu material.
— Sinceramente, não faço ideia. Minha mãe quis vir pra uma cidade pequena, meu pai concordou, era fácil para ele arrumar emprego e aqui estamos.
O rapaz assentiu, pensativo;
— Com o que seu pai trabalha?
— Ele é contador, conseguiu emprego em Port Angeles.
Edward mais uma vez concordou, interessado;
— Você estudava em um internato, não? Por que não ficou lá?
ficou em silêncio, olhando para dentro do seu armário.
— Não precisa responder se você não quiser — apressou-se a dizer —, só fiquei curioso. — Sorriu pequeno em sua direção quando ela o encarou.
— Tive uns problemas na escola, foi parte do motivo de nos mudarmos.
— Você foi expulsa? — Perguntou surpreso, vendo-a rir baixo ao negar.
— Não, mas minhas notas caíram bastante… — Deu de ombros, voltando a andar com ele a seguindo. — E você? Jéssica disse que você e sua família se mudaram há pouco tempo pra cá…
Cullen a encarou por alguns instantes, sorrindo pequeno;
— Estavam falando sobre mim?
A garota ficou vermelha, negando rapidamente.
— Ela só estava me mostrando sobre a escola e falando de todo mundo — respondeu sem graça, escutando-o rir nasalado.
— Tudo bem, antes de você chegar o assunto era a minha família mesmo, agora parece que você pegou o posto de novata — piscou, vendo-a sorrir pequeno. — Meu pai é médico e conseguiu um cargo no hospital de Forks, acabamos todos vindo para não nos separarmos… — Deu de ombros.
— E vocês moravam aqui perto?
— No Canadá, acabamos nos mudando bastante devido ao trabalho do meu pai...
concordou andando até o refeitório, sendo seguida de perto por ele, ao passarem pelas portas, notou alguns olhares em sua direção e, então, percebeu que era devido seu acompanhante; Jéssica e Angela tinham dito que os Cullen não conversavam com ninguém, e, ao pensar nisso, achou estranho que Edward estivesse falando com ela.
— Vou conversar com meus irmãos, nos vemos depois — acenou educado, afastando-se. suspirou, pegando algo para comer antes de sentar-se à mesa com Angela e Jéssica, não demorando para ser bombardeada com perguntas sobre sua conversa com Edward Cullen. Garantiu que não era nada demais, assim como todo mundo, o rapaz só estava curioso na mudança para uma cidade pequena, e, após convencer Jéssica de que aquilo era tudo, começaram a conversar sobre outros assuntos.

🦇🧹🦇

O decorrer da semana não teve grandes novidades, fora o fato de precisar estudar um pouco mais para acompanhar a matéria, já que faziam alguns anos que não estudava nada daquilo. Sentava-se todos os dias com Jéssica e Angela, e, aos poucos, acostumava-se com o jeito curioso da . Conversou com mais alguns colegas durante algumas aulas e, vez ou outra, falou com Edward, notando que ele perguntava cada vez menos sobre como eram as coisas na Inglaterra e focava-se em perguntar se estava gostando de Forks e outras coisas que ela fazia em seu tempo livre.
Ainda achava estranho conversar com ele, mesmo que tentasse se convencer que Edward era uma pessoa completamente diferente, sempre que olhava em sua direção sentia o coração pesar e uma súbita vontade de chorar.
Obviamente aquilo não passou despercebido por Edward, e, embora estivesse curioso, o rapaz não perguntava nada sobre o assunto, preferindo seguir o conselho de Alice sobre aproximar-se primeiro antes de fazer perguntas pessoais.
rapidamente começou a se destacar nas aulas de Educação Física, afinal amava esportes em geral. Na aula de handebol marcou mais gols do que qualquer outra colega, sendo convidada para participar dos treinos do time, o que aceitou sem pensar duas vezes, seria bom se distrair com outras atividades.
No começo da terceira semana de aula, os alunos receberam trabalhos para fazerem com suas duplas, o que resultou em precisando encontrar Edward após as aulas.
A garota tentou adiar o máximo possível, pois, embora estivesse começando a acostumar-se com sua presença diária, não queria passar mais do que as horas necessárias ao seu lado. Porém, quanto mais adiasse, mais nervosa ficaria, resolvendo por terminar com tudo logo de uma vez e livrar-se daquele problema;
— Edward, você está livre na sexta-feira? — Perguntou ao encontrá-lo no término das aulas, acenando com a cabeça para seus irmãos que estavam juntos.
— Hm, sim… — Concordou, confuso por um instante.
— Podemos fazer o trabalho na minha casa depois das aulas, ok?
— Ah, sim. — Sorriu pequeno — Já estava achando que você queria que eu fizesse sozinho e colocasse seu nome! — Brincou, vendo-a rir sem graça.
— Certo, certo, aqui o meu endereço... — Entregou-lhe um pedaço de papel, despedindo-se com um aceno e caminhando apressada para o estacionamento, mas podendo ouvir a voz de Emmett enquanto saia;
— Por um momento achei que ela estava te chamando para um encontro!
— Ah, cala boca! — Edward respondeu, socando-lhe no ombro.


Na sexta-feira à tarde, encarava o relógio preso na parede da cozinha, sentada na bancada, roendo a unha com o nervosismo. Ao mesmo tempo que torcia para Edward não aparecer, esperava que ele chegasse logo, pois quanto antes chegasse, mais rápido iria embora.
— Se precisar de algo estarei no escritório — Olivia disse ao pegar uma garrafinha de água e algumas frutas —, tenho que terminar esse roteiro logo para entregar, — suspirou, passando a mão pelos cabelos longos — não aguento mais toda essa pressão!
— Pelo menos seu livro está saindo, não é? — sorriu, tentando animá-la.
— Ah, sim, o tanto de cenas que eu já apaguei durante essas semanas… — Respirou fundo, negando com a cabeça. — Mas vai dar tudo certo! Se você e seu amigo sentirem fome, tem chocolates e salgadinhos no armário! — Apontou, vendo-a concordar com a cabeça. — E, por favor, não destruam a casa!
rolou os olhos ao ver a mulher subir as escadas, dando risadinhas.
Às quatro horas em ponto a campainha tocou, sentiu seu estômago afundar, mas respirou fundo e levantou-se para atender a porta, tentando parecer o mais amigável possível.
— Olá! — Sorriu pequeno, dando espaço para que ele entrasse na casa. Edward a cumprimentou com um aceno, esperando que ela mostrasse o caminho para segui-la. — Prefere aqui ou no meu quarto? Acho que aqui tem um pouco mais de espaço… — Apontou para a bancada, vendo-o concordar, sentando-se em uma das banquetas e pegando o material de sua mochila. — Quer alguma coisa para beber ou para comer?
— Não, tudo bem, — sorriu pequeno — acabei de comer.
concordou, sentando no lado contrário dele, assim os dois teriam espaço para suas anotações e livros.
Separaram a matéria que cada um faria, vez ou outra comentando algo sobre o que poderiam acrescentar ou cortar do trabalho. manteve-se concentrada em sua atividade, apenas falando ou olhando para Edward quando necessário e, no fundo, torcendo para que terminassem logo.
Cullen, por outro lado, sempre que podia parava para perguntar alguma coisa, ou fazer algum comentário que ela se obrigava a responder, mesmo que fossem de coisas pequenas. Volta e meia parava de escrever e a encarava por algum tempo, como se esperasse que ela fosse devolver o olhar, mas estava focada em continuar olhando para os livros, resumindo como podia e já preparando alguns cartões para apresentarem o trabalho em alguns dias.
Edward se deu por vencido e continuou sua parte em silêncio, ainda um tanto pensativo em como poderia descobrir o que tinha de errado com a garota e por quê parecia que ela o odiava. No fundo nem sabia o motivo de se interessar na resposta, mas seguia curioso da mesma forma.
Terminaram perto das sete horas, tendo conversado apenas o necessário durante as horas que passaram juntos. ofereceu comida e bebida mais duas vezes durante aquele tempo, mas Edward negou, agradecendo.
Por fim, quando já estava ajeitando suas coisas para ir embora, a encarou por algum tempo, decidindo se deveria ou não fazer a pergunta que rondava sua cabeça há semanas.
— O que foi? — A questionou ao notar que ele a encarava de forma quase invasiva.
— Eu tenho uma pergunta — disse por fim, passando a língua pelos lábios —, mas não sei se você vai me responder.
— Pergunte e eu te digo se respondo ou não!
Edward sorriu de canto, inclinando-se sobre a bancada de granito, cruzando os braços e encarando-a de perto;
— Por que você não gosta de mim?
abriu e fechou a boca, negando com um aceno.
— Não sei do que está falando — respondeu baixo, voltando a fechar seu livro, sem tornar a olhá-lo.
— Você mal me olha quando eu falo com você. Eu te fiz alguma coisa? — Perguntou com a voz baixa, atento a suas reações e, principalmente, pensamentos.
— Não, é claro que não.
— Então por que você saiu correndo quando me viu no primeiro dia?
— Eu não saí correndo por sua causa! — Respondeu ao encará-lo, logo desviando o olhar.
— Ah, não foi? E por que está sempre nervosa quando eu estou perto? — Insistiu, mantendo o sorriso brincalhão em seus lábios finos.
suspirou, negando com um aceno.
— Eu prefiro não falar sobre isso, mas não significa que eu te odeie ou algo do tipo.
— Bem, amor e ódio são bem próximos, se você não me odeia, age assim por que me ama?
A garota o encarou com a boca aberta, totalmente desacreditada com o que escutava. Edward riu, negando com um aceno;
— Estou só brincando, mas gostaria de saber o motivo de tanta hostilidade! Se eu fiz alguma coisa, sinto muito.
— Não, você não fez nada — respirou fundo, fechando os olhos por um instante. Qual a pior coisa que pode acontecer se você contar? Ele não vai te achar mais doida do que agora, pensou ao morder o lábio inferior, olhando-o por alguns instantes antes de começar a responder. — Você me lembra alguém que eu conheço, que eu conhecia.
Edward franziu o cenho, mantendo-se em silêncio enquanto esperava que ela explicasse melhor, quando notou que não o faria, insistiu mais uma vez:
— E qual o problema?
sorriu triste, sentindo os olhos marejarem;
— O maior motivo de eu e minha família termos vindo para Forks foi para que eu pudesse esquecer essa pessoa, pode imaginar como é difícil estudar com você?
— Sou assim tão parecido com ele? — Indagou surpreso, vendo-a concordar com um aceno.
— São poucas as diferenças, a maior delas são seus olhos, mas sempre que eu olho pra você penso nele.
Edward concordou com um aceno, ficando em silêncio por alguns segundos antes de continuar;
— Ele morreu? — Questionou baixinho, vendo-a concordar com um aceno, passando a mão pelos olhos — Eu sinto muito.
— Está tudo bem — disse baixo —, sinto muito ter dado a impressão que eu te odeio ou qualquer outra coisa.
— Não se preocupe com isso agora — falou, movendo-se pouco depois na banqueta, parecendo incapaz de controlar sua curiosidade —, o que aconteceu com ele?
deu de ombros, respirando fundo antes de responder;
— Lugar errado, hora errada.
Cullen a encarou, concordando devagar, embora continuasse curioso, aquilo não era bem uma resposta.
— Ele era seu namorado? — Perguntou por fim, vendo-a rir nasalado, o rosto corado.
— Cedrico Diggory? Nunca. — Ela sorriu triste ao falar do rapaz, olhando para o nada — Nós éramos bons amigos, ele era o cara mais legal da minha escola, todo mundo gostava dele. Ele era incrível, sabe? A melhor pessoa que eu já conheci.
— E você gostava dele, não é? — Disse, mais como uma afirmação do que como uma pergunta, o encarou pouco depois — Não estaria sofrendo desse jeito se não gostasse dele.
mordeu o lábio inferior, concordando com um aceno lento;
— Eu iria contar pra ele, — confessou baixinho, era a primeira vez que dizia aquilo para alguém — já tinha decidido que precisava contar para Cedrico que gostava dele, mesmo sabendo que não era recíproco, eu sabia que ele gostava de outra garota, mas queria que ele soubesse do mesmo jeito...
Edward ficou em silêncio quando ela terminou de falar, sem saber realmente o que dizer, mas notando o quão triste ela havia ficado e, por um momento, se sentiu mal por ter iniciado a conversa.
— Quando foi que ele…? — Deixou a pergunta em aberto, olhando-a de canto.
— Junho do ano passado, no final do ano letivo…
— Na sua escola? — Surpreendeu-se, hesitou antes de responder, apenas concordando com um aceno, sem completar a informação. — Eu realmente sinto muito.
— É… Eu também…
— Você prefere que eu não fale mais com você? Posso mudar meu horário, assim não teremos aulas juntos. — Ofereceu tendo a certeza de que ela aceitaria, mas para sua surpresa, o encarou com o olhar triste, negando com um aceno.
— Não, tudo bem. Eu vim para Forks para deixar tudo isso para trás. E vou te encontrar na escola do mesmo jeito, é melhor pelo menos saber os lugares do que ser de surpresa! — Sorriu pequeno, vendo-o concordar com a cabeça.
— Bem, o dia que quiser brigar comigo para fingir que era seu namorado…
— Ele não era meu namorado!
— … Fico à disposição! — Concluiu, rindo baixo. — Acho melhor eu ir agora — avisou, terminando de pegar suas coisas e se levantando —, te vejo segunda-feira!
— Até segunda, Edward.


Capítulo 4

Com o passar do tempo, percebeu que ficava mais fácil conversar com Edward agora que ele entendia parte do motivo que havia levado-a para Forks. Ele podia não saber seu segredo, mas pelo menos entendia a dificuldade que ela tinha com relação a novas amizades e, principalmente, ficar tão perto dele.
gostava de tê-lo por perto, mesmo que ainda demorasse alguns segundos para desassociá-lo de Diggory, pelo menos no primeiro momento que o via na escola, pois Edward não fazia perguntas que pudessem lembrá-la da Inglaterra ou de Cedrico. Ele perguntava muito, mas sobre assuntos variados e, em geral, de coisas que ela gostava. A pequena proximidade dos dois não passava despercebida, é claro. Edward Cullen não falava com quase ninguém na escola, apenas quando necessário, mas parecia gostar de conversar com a novata. Pelo menos uma vez por semana, precisava garantir a Jéssica que não tinha nada entre os dois, estavam apenas conversando coisas banais e, não, eles não eram namorados. Não estavam nem perto de saírem juntos.
Após uma segunda vez que Edward visitou sua casa, garantindo que seria melhor os dois estudarem bem a matéria que deveriam apresentar em frente de toda a sala e garantiria boa parte da nota deles, sua presença começou a ficar mais frequente, independente de terem algo para estudarem ou não.
Primeiro começou com ele pedindo um livro emprestado e indo até sua casa para buscá-lo, logo ele já entrava para assistirem algum filme juntos. Coincidentemente, nas vezes que ele aparecia, sempre de surpresa, seus pais nunca estavam em casa, ou sua mãe estava trancada em seu escritório tentando escrever o livro que precisava. até preferia dessa forma, seus pais não chegaram a conhecer Cedrico, então não notariam a semelhança, mas os dois, embora fossem muito amigáveis, eram sempre estranhos quando a filha estava perto de algum garoto, e ela gostaria de evitar passar mais vergonha na frente do colega.

No começo de dezembro, em um sábado que Olivia e Daniel saíram para jantar em Port Angeles e resolveu ficar em casa, estava saindo do banho já vestindo seu pijama quando a campainha tocou e, pouco depois encontrou Edward parado do lado de fora, com um filme em mãos e um sorriso no rosto;
— Você disse que também não tinha planos para hoje — começou a explicar ao tempo que ela dava espaço para que ele entrasse —, achei que poderíamos ver um filme!
concordou, lendo o resumo do filme ao andarem juntos para a sala, Edward já sentando-se em um canto do sofá e esticando as pernas sobre a mesinha de centro, o que fez a garota arquear a sobrancelha ao notar o quão confortável ele já se sentia em sua casa, mas não comentou nada.
Já tinham assistido quase vinte minutos de Impacto Profundo, quando ouviram a campainha tocar uma segunda fez. Edward estreitou os olhos por um instante, relaxando pouco depois, enquanto caminhava apressada até a porta, pegando o dinheiro separado em cima da bancada para pagar a pizza que havia pedido antes do outro chegar.
O rapaz pausou o filme e ficou esperando, levantando-se quando o entregador foi embora e caminhando até a bancada que separava a sala de jantar da cozinha, sentando-se em uma das banquetas;
— Espero que goste de calabresa, não sabia que você vinha… — Avisou, retirando dois pratos do armário, Edward negou com um aceno.
— Infelizmente, não — a garota o encarou surpresa —, além do mais eu já comi antes de vir, obrigado.
— Quem é que não gosta de pizza de calabresa? — Negou com um aceno tirando um pedaço para ela mesma, já que Edward negou quando ela insistiu. Virou-se para pegar uma bebida na geladeira e esticou-se alguns centímetros para o armário, tentando alcançar um copo — Sabe, reparei que você nunca come quando vem aqui, não está achando que… Opa! — Apressou-se a tentar pegar o copo antes que o mesmo caísse no chão, mas ao bater na bancada ele quebrou, cortando-lhe a palma da mão esquerda — Droga! — Resmungou ao sentir o sangue começar a escorrer e o corte arder — Vou limpar isso e… Você está bem?
Edward estava de olhos fechados, ainda sentado na bancada, parecendo se contorcer. Por um momento ela achou que ele estava machucado, tamanha sua expressão de dor. deu um passo em sua direção, apoiando a mão esquerda sobre a direita, para evitar que o sangue caísse no chão da cozinha. Foi quando ela se aproximou que Edward abriu os olhos, os mesmos haviam mudado de cor, estavam escuros, quase pretos, e ele olhava diretamente para sua mão machucada, parecia tentar manter o controle, mas no segundo seguinte notou presas afiadas aparecerem em seus dentes, enquanto ele mexia-se tentando refrear seus instintos.
Sem pensar duas vezes, a garota correu em direção às escadas, subindo de dois em dois degraus sem nem mesmo olhar para trás. Já estava no corredor, próxima ao seu quarto, quando ouviu o barulho da banqueta caindo; Edward estava atrás dela.
Abriu apressada seu armário, puxando a caixa preta e derrubando-a no chão, no instante em que alcançou sua varinha, Edward entrou pela porta;
Estupefaça!
O rapaz bateu com força contra a parede do corredor, caindo desacordado.
sentiu o corpo todo tremer ao entender o que estava acontecendo em sua casa; Edward Cullen era um vampiro, como ela não havia percebido aquilo antes? Bem, talvez porque ela não estivesse acostumada com outros seres mágicos, o máximo que teve contato foi com Duendes em Gringotes e os Elfos Domésticos em Hogwarts, além do Prof. Lupin que era um lobisomem, embora nunca o tivesse visto transformado. Vampiros estavam longe do seu dia a dia, nem mesmo imaginava que um dia poderia esbarrar com um deles. E, menos ainda, que um deles seria idêntico a Cedrico Diggory!
Andou apressada até o banheiro para fazer um curativo na mão machucada enquanto tentava colocar os pensamentos em ordem.
Era óbvio que ele se lembraria do que viu quando acordasse, saberia que ela era uma bruxa e poderia expor ela e seu mundo. Bem, talvez ele soubesse sobre bruxos da mesma forma que ela sabia sobre vampiros, mas não poderia arriscar que ele contasse para alguém que ela era uma bruxa!
Mas se ele o fizesse ela contaria que ele e a família eram vampiros, ela teria aquela carta na manga contra ele! Porém… E se os Cullen resolvessem matá-la? E se resolvessem atacar seus pais que nem tinham nada a ver com aquilo?
Desesperou-se ao voltar para seu quarto, com uma pequena atadura ao redor da mão esquerda, pensando no que poderia fazer para sair daquela situação, andando de um lado para o outro;
É claro que o Ministério da Magia já sabia que ela tinha usado feitiço! ainda não tinha completado seus dezessete anos, era questão de minutos para receber uma coruja, talvez até a presença de alguém da MACUSA.
O único pedido de Alvo Dumbledore havia sido dela manter discrição e não usar magia, principalmente antes de completar a maioridade. O que o diretor diria se soubesse que ela havia quebrado aquela regra? Eles não poderiam mandá-la para Azkaban, ou qualquer prisão parecida que existisse nos Estados Unidos, ela estava apenas se defendendo; Edward iria matá-la!
Então encarou o vampiro desacordado no corredor; talvez devesse apagar sua memória, assim ele não saberia o que aconteceu.
Eles já sabem que eu usei um feitiço, estaria resolvendo o problema!, pensou, tornando a andar pelo quarto, segurando sua varinha com a mão direita, pensando na melhor saída para a situação. Assim não correria o risco de me expor, ele não saberia de nada, eu não precisaria me mudar com meus pais, tudo continuaria normal! Mordeu o lábio inferior, negando com um aceno. Mas eu nunca usei esse feitiço, e se der errado? E se eu apagar todas as memórias dele?
sentia o coração bater acelerado, o medo das consequências daquele simples feitiço pareciam assustá-la tanto quanto o quase ataque de minutos antes.
Você precisa se decidir, ! Se vai apagar as memórias dele, têm que ser agora!
— Não!
Virou-se ao ouvir a voz de Edward, que tentava levantar-se com certa dificuldade, as costelas e boa parte do corpo dolorido. esticou a mão com a varinha em sua direção, todo o nervosismo havia passado agora que sabia que ele poderia tentar atacá-la uma segunda vez. Manteve-se séria, pensando em vários feitiços que poderia usar se ele desse um passo em sua direção;
— Eu não — Edward dizia confuso, esticou as mãos, querendo mostrar que estava tudo bem, que ele não iria atacá-la —, eu sinto muito. Não consegui controlar! — Disse nervoso, passando a mão pelos cabelos — Eu não costumo atacar pessoas, mas às vezes não consigo controlar. Foi muito de repente! Eu sinto muito, não queria machucá-la!
— Se você der um passo… — Ameaçou, mantendo a varinha apontada em sua direção, Edward negou com um aceno.
— Eu não vou contar para ninguém sobre você e sua família, posso fingir que nada disso aconteceu se você não falar sobre nós! Não posso fazer todo mundo mudar de novo por um erro meu! Eu sou o mais novo, não quero fazer minha família toda sair de Forks tão cedo porque eu cometi um erro. Por favor, ! Eu juro que eu não vou contar para ninguém sobre você e seus pais, nem mesmo para minha família. Ninguém mais vai saber!
negou com um aceno, não conseguindo conter-se;
— Meus pais não tem nada a ver com isso — disse baixo, vendo-o franzir o cenho — eles são Trouxas...
— O que…?
— Pessoas que não tem magia, meus pais não são bruxos.
Edward pareceu ainda mais confuso e impressionado;
— Como você é se seus pais não são bruxos? Não sabia que isso era possível…
— Não vem ao caso agora — negou, ainda apontando a varinha em sua direção, pronta para petrificá-lo se necessário —, como posso confiar no que você está dizendo? Como saberei que você e sua família não vão nos matar?
— Você está brincando? — Edward riu nervoso, apontando com a cabeça para o pedaço de madeira que ela segurava — Você me nocauteou com isso aí, como eu saberei que você não vai tentar nos atacar? Ou contar para outros bruxos sobre nós?
o encarou com os olhos estreitos por alguns instantes, não tinha como saber se o que ele dizia era verdade… Se eu pelo menos tivesse um pouco de Polissuco comigo… Talvez eu deva apagar a memória dele, apenas para garantir…
— Não precisa! — Edward tornou a dizer, ansioso — Eu juro que não vou dizer nada, não precisa apagar minha memória, não!
franziu o cenho, confusa por um momento, logo entendendo o que acontecia;
— Você é um legilimens?
Edward a encarou por alguns segundos;
— Eu sou um... Vampiro…!?
rolou os olhos, baixando minimamente a mão com a varinha:
— Quer dizer que você lê mentes! Você pode fazer isso?
— Ah, — Edward sorriu pequeno, concordando com um aceno — você também consegue?
— É claro que não! — Arfou, sentindo-se ainda pior ao saber que ele conseguia ler seus pensamentos durante todo aquele tempo. — Como você consegue?
O rapaz deu de ombros, arriscando um passo em sua direção;
— Alguns de nós nascem com algum poder diferente, eu posso ler mentes, Emmett é extremamente forte, Alice pode ver o futuro e Jasper consegue sentir o que outras pessoas sentem e, se quiser, manipular os sentimentos também… — Contou, vendo-a encará-lo surpresa. — Mas eu não vou dizer nada, não precisa apagar minha mente, tenho tanto a perder quanto você, não é? — Insistiu, vendo-a menear a cabeça após algum tempo, concordando a contragosto — Será que você poderia abaixar isso agora? — Apontou para a varinha que ainda estava apontada para ele, vendo-a suspirar antes de baixar a mão, ainda um tanto hesitante. — Quem diria que Forks, com seus menos de quatro mil habitantes, teriam uma bruxa e sete vampiros em seu território? — Brincou, vendo-a rir por um segundo, negando com a cabeça.
— Quem diria qu… — Interrompeu-se ao ouvir um barulho em sua janela, respirando fundo antes de abri-la e deixar a coruja desconhecida entrar em seu quarto. Edward encarou a cena um tanto curioso. A ave deixou um cartão vermelho cair e, pouco depois, o mesmo se abriu sozinho, elevando-se alguns centímetros até ficar na altura de ;

"Cara Srta. , chegou ao conhecimento da MACUSA a utilização de um feitiço estuporante vindo do seu endereço às 22h23.
Sabemos que você é a única bruxa registrada na cidade de Forks e, mais ainda, que é menor de idade.
Estamos de olho em sua situação e na utilização de magia, principalmente se for na frente de algum No-maj.
Caso você torne a realizar um feitiço sendo menor de idade, será intimada a comparecer a um julgamento no Congresso Mágico dos Estados Unidos da América, podendo ser punida por suas ações e, inclusive, expulsa da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
Esperamos que esteja bem.

Atenciosamente,
Jason Dynne.
Chefe da Seção de Controle de Uso Indevido da Magia."

Segundos depois o cartão rasgou-se, pegando fogo em seguida.
— Uou. — Edward soltou de repente, ainda olhando as cinzas do cartão, caídas ao chão — Isso foi tão legal! Provavelmente não pra você — acrescentou ao ver a fazer uma careta —, mas foi legal!
suspirou, passando a mão pelos cabelos soltos antes de voltar a encará-lo;
— Não faz sentido… Eu usei na sua frente, como eles não mencionaram isso?
— O que quer dizer?
— Eles só mandaram um aviso por eu ter usado magia, não por ter feito na sua frente e…
— Na minha frente? — Edward ergueu as sobrancelhas — Você usou em mim!
— Porque você quis me matar! — Devolveu rápido, vendo-o sorrir sem graça, desculpando-se mais uma vez — De qualquer jeito, eles deveriam ter mencionado que eu fiz um feitiço na sua frente…
O rapaz a encarou por um instante, dando de ombros;
— Talvez eles não saibam que eu estou aqui, como eles controlam os humanos que você tem na frente? Talvez eles não possam ver vampiros!
— Faz sentido… — concordou devagar, ainda pensativa ao sentar-se no canto de sua cama.
Edward tentou ver se ela pensava em algo sobre ele, mas no momento ela parecia apenas nervosa com a carta que recebeu, pensando em tudo o que haviam dito.
— Bem, acho melhor eu ir pra casa… — Disse baixo, vendo-a encará-lo após alguns segundos, concordando com um aceno. — Então temos um acordo, não é? Eu não falo nada, nem você!
concordou com um aceno, embora ainda parecesse desconfiada.
— Tudo bem, não vou falar nada.
Edward aproximou-se da janela, abrindo-a e logo tratando de escalá-la;
— O que está fazendo? — A garota questionou surpresa — Pode usar a porta!
— Seus pais estão chegando — avisou, sorrindo de lado —, talvez não seja uma boa hora para me encontrarem aqui! Te vejo segunda, .
— Até… — Soprou, vendo-o pular do segundo andar.
Aproximou-se pouco depois para vê-lo sair, mas Edward já havia sumido e, ao olhar para o lado, reconheceu o carro dos seus pais se aproximando na rua escura.


Capítulo 5

Na segunda-feira pela manhã, terminou de pegar suas coisas e abriu a porta de casa, escutando sua mãe tagarelar sobre o que faria para o jantar. Assim que saiu viu um volvo prata estacionado na rua, e Edward sentado no banco do motorista, usando um óculos de sol escuro e acenando para ela;
— O que você faz aqui? — Perguntou ao aproximar-se alguns passos.
— Achei que você poderia querer uma carona… — Deu de ombros, acenando com a mão para a mulher de cabelos curtos que os olhava da porta, a qual sorriu ao dar um tchauzinho.
— E seus irmãos? — Tornou confusa, notando que os outros não estavam com ele.
— Eles foram com o carro do Emmett — deu de ombros, apontando para o lado do passageiro — vai entrar ou prefere que eu insista?
suspirou, concordando com um aceno e virando-se para sua mãe para despedir-se.
— Se comporte, ! — A mulher disse ao ver a filha entrando no carro, dando risadinhas. Edward sorriu de lado, vendo colocar o cinto.
— O que foi?
— Sua mãe acha que estamos saindo e está indo ligar para seu pai! — Contou, risonho. sentiu o rosto esquentar e olhou pela janela. — Não se preocupe, não é só sua mãe, Emmett acha o mesmo.
A garota virou-se assustada para ele quando Edward deu partida;
— Você disse algo para eles?
— Não, apenas que somos amigos porque temos bastante em comum — piscou, vendo-a rolar os olhos, sorrindo pequeno. — Mas isso é legal, não? — Arriscou, olhando em sua direção — Quer dizer, agora nós dois sabemos sobre o outro, não precisamos fingir.
— Pode ser… — Concordou com um pequeno aceno, estreitando os olhos pouco depois — Mas só para você saber, eu estou com minha varinha, e não me importo de passar por um julgamento com a MACUSA se precisar usá-la!
Edward gargalhou, concordando com um aceno:
— Eu sei que sim, você pensou nela antes de entrar no carro. Só entrou porque sabe que pode me atacar!
— Você precisa parar de fazer isso! — Resmungou, sentindo o rosto corar.
— Vou me esforçar! — Piscou, estacionando o carro.
olhou ao redor, confusa.
— A que velocidade você veio? São dez minutos da minha casa até aqui, não passaram nem cinco!
— É isso ou você se distraiu com a minha companhia e não viu o tempo passar! — Brincou, escutando-a xingá-lo antes de descer do carro.
Ao descerem e começarem a andar juntos, reparou nos olhares que estavam recebendo. Os colegas nem mesmo pareciam disfarçar ao virarem-se para encará-los. Sentiu o rosto todo esquentar e uma vontade enorme de sair correndo.
Edward sorriu ao seu lado, negando com a cabeça.
— O que foi? — Perguntou baixo, olhando-o de canto.
— Parece que tem mais gente achando que estamos saindo — contou, passando os olhos rapidamente ao redor e apontando discretamente para alguns alunos.
— Você também consegue ouvir o que eles estão falando? Mesmo com essa distância?
Cullen apenas confirmou com um aceno, vendo-a bufar irritada.
— Você é insuportável! — Resmungou, andando mais à frente e deixando-o rindo no estacionamento.


passou o dia ouvindo comentários sobre seu relacionamento com Edward Cullen, o qual ela negava todas as vezes que lhe perguntavam algo. Tentava ser enfática, mas ninguém parecia levar a sério sua resposta, por fim, mesmo contrariada, limitou-se a ficar em silêncio e fingir que não escutava.
No refeitório, como sempre, Edward ficou ao lado dos irmãos. reparou mais de uma vez, que eles pareciam revezar para olhar em sua direção, cuidando de cada passo que ela dava, o que a irritou profundamente, principalmente quando viu Emmett nem mesmo disfarçar quando olhou em sua direção.
Respirou fundo, levantando-se irritada e andando até os cinco, o que, mais uma vez, atraiu a atenção de boa parte dos colegas, além da curiosidade do quinteto.
— Preciso falar com você, agora. — Disse encarando Edward, que ergueu as sobrancelhas, seguindo-a para fora do refeitório.
— Ih, ela já está mandando nele! — Emmett disse baixo, apenas para os irmãos, mas Edward ouviu e lançou-lhe um olhar mal-humorado.
— O que foi? — Perguntou assim que se afastaram o suficiente.
— Você contou! — Acusou, apontando o dedo em sua direção.
— Contei o quê? — Tornou confuso, tentando descobrir o que passava em sua cabeça, mas os pensamentos dela eram uma confusão, parecia pensar em diferentes cenários para algo que ele não entendia muito bem.
— Sobre mim!
— O que? É claro que não! — Negou rápido, mas a garota não acreditou, rindo debochada em sua direção.
— Então, por qual motivo seus irmãos não param de me encarar? Emmett nem mesmo disfarça! É óbvio que você contou pra eles! Estou falando sério, Edward, se algo acontecer eu…
— Eu não contei nada! — Repetiu, puxando-a pelo braço mais ao lado, pois começava a falar mais alto e tinham alunos saindo do refeitório — Não é por isso que eles estão te olhando! Só estão curiosos.
— E por que mais estariam curiosos se você não tivesse aberto essa boca enorme? — Falou ao encará-lo enfurecida, Edward notou o perigo quando percebeu a garota colocando a mão dentro da jaqueta que usava, segurando-a apressado antes que ela alcançasse sua varinha.
— Não é nada disso, eu juro! — A olhou nos olhos, explicando em voz baixa — Eles estão curiosos porque eu estou falando com você, só isso. Não tem nada a ver com o que você é! Alice teve uma visão e falou pra todo mundo, agora estão querendo saber o que você tem de diferente pra eu ter me aproximado!
estreitou os olhos, desconfiada, mas relaxando após alguns segundos.
— Que visão?
Edward demorou um pouco para responder, parecendo sem graça;
— Que estávamos juntos lá em casa, com toda minha família, não era nada demais — apressou-se a dizer, não querendo ser interpretado errado —, mas agora ela espera que em algum momento você vá nos visitar. Os outros estão curiosos em saber como isso poderia acontecer sem eu contar o que nós somos. Isso é tudo!
virou-se para o lado, vendo alguns colegas passando pelo corredor.
— Acho bom que seja mesmo — falou sem olhá-lo —, se você contar sobre mim eu falo no mesmo instante sobre todos vocês!
Edward suspirou, passando a mão pelos cabelos ao vê-la se afastando pelo corredor.
— Que bruxinha difícil! — Resmungou, negando com um aceno antes de voltar para perto de seus irmãos.

🦇🧹🦇

Ao final das aulas seguiu para o estacionamento, imaginando que precisaria ir a pé para casa, pois duvidava que sua mãe fosse buscá-la, provavelmente imaginando que voltaria com Edward e, é claro, depois da pequena ameaça no corredor, duvidava que o rapaz fosse levá-la de volta pra casa. Por isso, assim que se despediu de Angela, seguiu andando pela rua, resmungando sobre o quanto detestava andar e como seria tudo mais fácil se pudesse simplesmente aparatar em sua casa, mas nem tinha passado no exame ainda. Já tinha andado quase três quadras, cantarolando baixinho uma música que gostava, quando ouviu uma buzina, virando-se em tempo de ver o Volvo prata de Edward parando ao seu lado;
— Não prefere uma carona? — Perguntou ao baixar o vidro do motorista, negou com um aceno, sentindo o rosto esquentar.
— Não, tudo bem, vou andando… — Apontou com a cabeça, voltando a dar mais alguns passos, Edward a seguiu no carro, mantendo um sorriso nos lábios ao ouvir qual era o problema.
— Vamos lá, já estou aqui mesmo — insistiu, passando a língua pelos lábios — e tenho uma proposta pra te fazer!
o encarou curiosa, mas Edward apontou para o lado do carona.
— Precisa entrar para descobrir!
— Você acha que eu sou idiota? — Arqueou a sobrancelha — Quem garante que você não está me enrolando para me matar?
O vampiro riu, negando com um aceno:
— Você tem que parar com isso, além do mais, você tem como se defender, não é? — Apontou com o dedo para seu bolso. — E, sinceramente, se eu quisesse te matar, já teria tido outras oportunidades.
— E você ainda quer que eu confie em você — rolou os olhos, mas deu a volta, aceitando a carona e, só por garantia, tirando sua varinha do bolso e mantendo-a firme em suas mãos.
Edward sorriu pequeno, antes de dar a volta e acelerar o carro, indo por um caminho desconhecido por ela.
— Com certeza agora que eu vou confiar em você — debochou minutos depois, quando o viu estacionar em frente a uma floresta fechada.
— Só pensei que seria melhor irmos para uma área que nenhum humano pudesse nos ver, assim garantimos que ninguém descubra sobre nós! — Avisou, descendo do carro e esperando que ela fizesse o mesmo. saiu um tanto hesitante, ainda segurando sua varinha, se ele tentasse qualquer coisa faria mais do que simplesmente estuporá-lo.
Caminharam lado a lado pela floresta, ouvindo apenas seus passos sobre as folhas secas e o barulho do vento nas árvores. Pouco depois chegaram em uma clareira e Edward sorriu ao sentar-se em uma pedra próxima, vendo-a encará-lo confusa.
— Sei que, se não for pra me atacar, você não pode usar magia — disse rindo, apontando para a varinha —, mas poderia me falar sobre seu mundo, não é? Fiquei curioso sobre esse Ministério e sua escola… Era uma escola de magia mesmo? O que você aprendia?
piscou duas vezes, ele havia a levado até lá para conversar? Poderiam ter ido para um lugar mais confortável que o meio de uma floresta, contudo, segundos depois, pensou em com quem estava, obviamente chamaria a atenção se fossem para um lugar público e, mais ainda, com o assunto que começavam. No final precisava admitir que aquela tinha sido uma boa ideia.
— Você pergunta demais — fez careta, olhando ao redor e então sentando-se sobre um tronco caído — e eu aprendia um pouco de tudo, como fazer feitiços, poções e transfigurar objetos, — contou, sorrindo pequeno ao lembrar-se das aulas — aprendi a ler as estrelas e como isso pode influenciar em alguma poção, também sei sobre runas antigas, como identificar os sinais e o que eles significam… Trato de criaturas mágicas e defesa contra artes das trevas, e, é claro, como voar em uma vassoura e jogar Quadribol!
— Não sabia que existia uma escola para bruxos — disse impressionado, mais curioso ainda sobre tudo —, tem muitos alunos? Digo, existem muitos bruxos?
concordou, começando a contar um pouco de tudo sobre Hogwarts e o Ministério, vendo-o cada vez mais impressionado. Achou engraçado contar aquilo para ele, talvez fosse por lembrá-la tanto de Cedrico, mesmo que apenas fisicamente, porque Edward era bem diferente em sua forma de falar e agir.
Cedrico sempre tinha sido mais reservado, embora fosse muito próximo dos amigos e conversasse de tudo com eles, mas sempre com seu jeito calmo e centrado. Edward, entretanto, era o oposto: é claro que ele também não gostava de chamar atenção, mas parecia muito mais insistente e extrovertido, pelo menos com ela.
Ficaram um bom tempo conversando, , aos poucos, foi se sentindo mais à vontade para compartilhar sobre seu mundo com Edward e ficou feliz ao fazê-lo, parecia tirar parte do peso que tinha em seu coração sempre que se lembrava de Hogwarts e dos amigos que deixou, momentaneamente, para trás. Cullen perguntou sobre tudo o que lhe veio à cabeça: sobre aulas, feitiços e até mesmo a comida. Perguntou sobre algumas criaturas mágicas também, desconhecendo a grande maioria que ela citava e, por fim, perguntou como foi que ela descobriu que era bruxa se sua família não era;
— Ah, foi quando eu completei onze anos, a vice-diretora foi nos visitar e nos explicou, primeiro achamos que era uma brincadeira, é claro — riu, lembrando-se do dia —, mas aí umas coisas que ela dizia faziam bem sentido e, por fim, recebi minha carta de Hogwarts e embarquei em setembro. Não existe nada melhor do que a primeira noite em Hogwarts, aquele lugar é fantástico!
Edward sorriu ao ouvir cada palavra, podendo ver em sua mente algumas das lembranças do que ela falava, achando tudo ainda mais maravilhoso. No fundo ficou com inveja por não existir um lugar como aquele para vampiros, e então negou com a cabeça ao pensar na possibilidade: o que ele aprenderia? A caçar um ser humano?
levantou o rosto quando sentiu uma gota de chuva cair em sua cabeça, não demorando para sentir mais algumas, o cheiro de terra molhada logo se fez presente e, naquele instante, se sentiu mais em paz do que já estivera em meses. Sorrindo sozinha ao pensar naquilo.
— Acho melhor irmos — Edward disse ao notar as gotas baterem contra sua pele, a concordou com um aceno e pouco depois os dois caminharam juntos de volta para o carro.
— Mas você não me contou sobre você e sua família — observou ao entrar no veículo, encarando-o com curiosidade.
— Quem sabe amanhã? — Piscou — Assim você passa mais um dia pensando se deve, ou não, confiar em mim.
— Eu posso confiar em você e mesmo assim estar pronta para me defender se for necessário! — Avisou, colocando o cinto e tornando a olhar pela janela, não notando o sorriso nos lábios bem desenhados de Edward.

Infelizmente, durante o restante da semana não pode ficar sozinha com Edward e descobrir mais sobre os Cullen, ele faltou por três dias e sua mãe tornou a levá-la para a escola, depois teve que ajudá-la com algumas coisas de casa e estudar para as provas de final de ano que se aproximavam e, no único dia que teve livre acabou optando por ir com Jéssica e Angela para Port Angeles assistir um filme no cinema. Nem por um momento se arrependeu daquela escolha: A tarde com as meninas tinha sido muito divertida, passearam pela cidade, assistiram ao filme e depois pararam para comer em um restaurante que, como as duas garantiram, tinha uma comida ótima.
Contudo, uma pontinha em seu peito não pareceu um tanto chateada com a ausência de Edward, o que pareceu surpreendê-la ao reparar.
No domingo, após o almoço, trancou-se em seu quarto para estudar para as provas que teria na próxima semana, revisando algumas matérias e fazendo pequenas anotações.
Estava concentrada em suas anotações sobre fórmulas de química quando ouviu um barulho e, ao olhar para frente, deu de cara com Edward pendurado em sua janela;
— Oi!
foi para trás com o susto, empurrando a cadeira e quase caindo no chão, o grito só não saiu estridente por sua garganta, porque por um instante pareceu perder o fôlego.
— Desculpe, não quis assustar — disse rápido, segurando o riso ao entrar, sentando-se no canto de sua cama.
— Se isso fosse verdade, teria usado a porta! — Rebateu mal humorada, colocando a mão sobre o peito para tentar acalmar-se.
— Seus pais estão na sala, achei que seria melhor evitarmos alguma conversa estranha, sua mãe ainda acha que estamos saindo, não é?
— Eu já disse que não estamos — apressou-se a dizer, sentindo o rosto corar.
— Não significa que ela tenha acreditado! — Piscou, segurando o riso ao vê-la sem graça.
— O que você quer? — Perguntou logo, tentando mudar o assunto, ao tempo que voltava a olhar para seu livro.
— Te chamar para dar uma volta, estava entediado e não te vi a semana toda.
— Você não estuda? — Virou-se para olhá-lo, apontando para os cadernos.
Edward riu, negando com um aceno.
— Não preciso, só faço para não ficar completamente entediado.
— Imagino que podendo ouvir os pensamentos das pessoas não precise mesmo — comentou, olhando-o de canto —, mas diferente de você, eu preciso.
Edward jogou-se em sua cama, colocando as mãos atrás da cabeça e encarando o teto.
— Tudo bem, eu espero você terminar.
virou-se para olhá-lo, encontrando-o com os olhos fechados, relaxando.
— Você vai dormir? — Perguntou sem conseguir se conter.
Ele riu, negando com um aceno;
— Vampiros não dormem.
— Não? — Surpreendeu-se, pensando rapidamente sobre o que sabia sobre eles, mas não tinha muitas informações, nunca tinha sido o foco de suas aulas de Defesas Contra as Artes das Trevas, e naquele momento perguntou-se o motivo para aquilo, talvez por não serem tão comuns aos bruxos quanto as outras criaturas mágicas.
— Não — repetiu, olhando-a com apenas um olho aberto —, mas finjo muito bem.
suspirou, voltando a prestar atenção na matéria e ignorando com certa facilidade a presença do outro. Talvez fosse por ele estar em silêncio, sem nem mesmo se mover na cama, ou porque a garota precisava mesmo entender aquelas fórmulas, mas após alguns minutos, esqueceu-se da presença de Edward em seu quarto e, uma hora depois, quando espreguiçou-se, pronta para levantar e pegar algo para comer, tornou a assustar-se ao vê-lo deitado em sua cama, ainda de olhos fechados, na mesma posição de antes.
Encarou-o com a sobrancelha arqueada, esperando que ele fizesse algo ao ver que ela já havia terminado, mas ele continuou na mesma posição.
— Achei que vampiros não dormissem — disse baixo, esperando que ele respondesse, mas nada aconteceu. Levantou-se saindo em silêncio do quarto, apenas por garantia, afinal Edward poderia estar brincando quando disse que eles não dormiam, desceu as escadas em direção a cozinha à procura de algo para comer. Pegou um pacote de bolacha e uma garrafinha de suco, acenando para seus pais, que estavam distraídos com um filme, logo voltando para seu quarto. Edward continuava do mesmo jeito.
comeu e deixou o restante de lado, tomando seu suco e olhando pela janela a chuva fraca que caía do lado de fora. Preocupou-se um pouco com sua coruja que ainda não havia voltado de seu passeio, mas sabia que ela estava bem e não demoraria para voltar para casa. Virou-se uma terceira vez para Edward, já um tanto incomodada com ele dormindo em sua cama, sem saber se ele realmente dormia ou não. Encarou-o por incontáveis minutos, pensando em diversas coisas aleatórias, em uma tentativa de fazê-lo se mexer, ou mesmo rir, mas ele continuava imóvel. O pior de tudo foi pensar que aquela posição era desconfortável, mas quem era ela para saber como um vampiro dormia? No fundo ainda achava que eles pudessem virar morcegos e dormir de cabeça para baixo, ou em um caixão num quarto escuro, protegendo-se do sol.
Após algum tempo o olhando e vendo que nada do que fazia adiantava, considerou que ele realmente estava dormindo, aproveitando para prestar atenção em suas feições e como era bonito. Edward talvez fosse o cara mais lindo que já tinha visto em toda sua vida, mas de uma forma que parecia perfeito demais para sequer ser real.
— Se eu pudesse, tenho certeza que estaria corado agora — falou baixinho, com um sorriso de cantos nos lábios. sentiu o corpo todo esquentar de vergonha, odiando-se por ter acreditado que ele estava dormindo e não poderia escutá-la.
— E você acha que eu vou confiar em você — respondeu rápido a primeira coisa que veio à mente —, não perde uma chance de me enganar!
— Estava só te dando liberdade — explicou, sentando-se na cama, ainda com o sorriso nos lábios finos —, achei que assim seria mais fácil pra você fazer suas coisas sem eu te atrapalhar. — apenas negou com a cabeça, suspirando — Agora que você já terminou tudo o que tinha pra fazer, o que acha de darmos uma volta?
— Mas está chovendo — choramingou, apontando com a mão para a janela.
— É só uma garoa, coloca uma blusa e pronto.
— Você pode viver pra sempre e não ficar doente, mas eu ainda posso pegar uma pneumonia! — Dramatizou.
— Não se preocupe, meu pai é médico. Se precisar consigo uma consulta para você! — Brincou, segurando a risada ao vê-la rolar os olhos e suspirar, pegando um moletom com toca em seu armário e vestindo-o.
— Cadê seu carro? — Perguntou ao olhar pela janela e não encontrar o Volvo na rua.
— Vim a pé — deu de ombros —, achei que seria suspeito meu carro na sua rua sendo que seus pais não sabem que eu estou aqui.
concordou, vendo-o escalar a janela.
— Espera! — Chamou antes que ele saísse — Então não vamos longe?
— Não — ele sorriu, apontando com a cabeça para a floresta —, ficaremos no quintal da sua casa!
— Que mania de gostar de ficar no meio do mato! — Resmungou, descendo as escadas para avisar aos pais que estaria indo andar um pouco.

🦇🧹🦇

Edward estava esperando-a do lado de fora, parado próximo à rua. aproximou-se colocando o capuz e, em seguida, as mãos no bolso do moletom, sentindo um arrepio devido à brisa fria. Achava uma péssima ideia sair de casa em uma tarde de domingo chuvosa, mas resolveu dar-lhe uma chance, principalmente porque ainda estava curiosa sobre os Cullen.
Caminharam em silêncio por alguns metros, Edward olhou ao redor antes de entrarem pela floresta, a garota olhando para baixo para tentar não tropeçar ou escorregar no chão molhado, fora seu medo de pisar em alguma cobra ou algo do tipo.
— Você conhece todas as árvores de Forks, é? — Perguntou após alguns minutos, vendo-o rir divertido, negando com um aceno.
— Normalmente eu fico perto de casa — explicou, e então lembrou que não sabia onde ele morava —, assim temos mais privacidade, só saímos mais distante para caçar.
— Quando você diz caçar…?
— Animais, normalmente cervos — contou, olhando-a de canto para ver sua reação —, não matamos humanos.
— Hm… — Concordou, ainda olhando por onde pisava — Mas vocês caçam com armas?
Edward gargalhou, negando. se sentiu boba por fazer aquela pergunta.
— Não precisamos de armas, somos rápidos o suficiente para caçá-los sem precisar de qualquer outra coisa que não seja nossas mãos e dentes!
Mais uma vez a garota acenou com a cabeça, seguindo-o pela floresta em silêncio.
— Reparei que você veio sem sua varinha — Edward comentou, sorrindo de canto. parou no mesmo segundo, olhando-o assustada. — Eu já disse que não quero te matar, lembra? — Apressou-se a dizer — Acabei de te dizer que não mato humanos, por que mataria uma bruxa?
— Não é isso — negou com um aceno —, imagino que se você quisesse já teria feito isso enquanto eu durmo ou algo assim, aparentemente é muito fácil para você invadir meu quarto!
Edward sorriu culpado, olhando-a sem graça;
— Então…?
— Me preocupei com a possibilidade de me machucar outra vez. — Explicou, olhando para trás e considerando se deveria voltar para buscar o objeto.
— Não se preocupe, posso me controlar, normalmente sou muito bom nisso. Só fui pego desprevenido pelo cheiro bom do seu sangue e… — Parou quando a viu encarando-o com uma careta, e então percebeu que estava falando mais do que deveria. — Enfim, vai ficar tudo bem! Além do mais, da última vez fiquei dolorido por dias, definitivamente vou me cuidar para não ser enfeitiçado de novo!
concordou com um aceno, segurando a risada, voltando a segui-lo por entre as árvores.
— Bom, você já sabe que eu posso fazer feitiços e aparatar…
— O que é isso mesmo? — Tornou a perguntar, não reconhecendo a palavra usada.
— Posso me transportar de um lugar para outro sem uma vassoura ou qualquer coisa do tipo…
— Ah, sim — sorriu —, isso é bem legal!
— Nem tanto — fez careta — a sensação é horrível.
— Mas você já consegue? Pensei que tinha que passar por aquele teste…?
— Oficialmente não posso, mas uma vez precisei aparatar para conseguir chegar na Copa Mundial de Quadribol, nunca fiquei tão enjoada! — Relembrou, vendo-o rir baixinho. — Mas, de qualquer jeito, o que você pode fazer? Além, é claro, de ler meus pensamentos?
— Não são só os seus e não faço de propósito, não consigo controlar — avisou, parando de andar e ficando de frente para a garota —, como eu disse, alguns de nós temos alguma habilidade, mas não todos. O que é comum é sermos muito ágeis e fortes, embora Emmett seja mais forte do que a média!
— Quer dizer que você é forte? — Questionou surpresa, vendo-o arquear a sobrancelha — Não me leve a mal, mas você não tem muito físico de quem é forte… É até bem magrelinho — Pontuou, vendo-o fazer uma careta.
Edward olhou ao redor, vendo uma pedra enorme mais ao canto, aproximando-se e levantando-a sem qualquer esforço. Sorriu sozinho ao ver a expressão chocada da .
— Eu também poderia levantar, e nem mesmo precisaria tocá-la!
— Só depois do seu aniversário — ele lembrou rindo junto dela.
— Certo, e o que mais? — Tornou curiosa, vendo-o tornar a deixar a pedra no mesmo lugar.
Edward sorriu largo e encarou-o desconfiada quando ele estendeu a mão em sua direção.
— Confia em mim o suficiente para isso?
encarou a mão do rapaz, suspirando antes de apertá-la.
— Eu provavelmente deveria dizer não…
— Apenas se você tiver medo de altura! — Piscou, rindo antes de puxá-la para suas costas.
assustou-se em um primeiro momento com o movimento repentino, mas logo segurou-se com mais força ao notar que Edward começava a correr, mas não era uma corrida normal, ele estava indo muito rápido. Pouco depois ele pulou de um canto para outro, começando a subir em uma árvore alta no fundo da floresta, segurou-se com ainda mais força, com medo de cair.
— Você está me enforcando — ele avisou com a voz fraca, sentindo os braços da garota apertando-o no pescoço.
— Como se isso fosse te matar — respondeu baixo, olhando assustada para a altura em que estavam.
Edward riu fraco, parando pouco depois no topo da árvore, esperando que ela descesse de suas costas. grudou-se no tronco ao lado, cuidando para não pisar fora dos galhos e arriscar uma queda de mais de trinta metros.
— Quando eu perguntei o que você poderia fazer — soprou baixo, normalizando a respiração —, não precisava me puxar para cima de uma árvore!
— Achei que seria mais fácil explicar na prática! — Riu, pendurando-se em um dos galhos ao lado e sentando-se, olhando ao redor. repetiu o gesto, ainda um tanto insegura por saber que não teria nada que pudesse fazer se caísse daquela altura, não sem sua varinha ou uma vassoura. Então manteve-se próxima ao tronco, segurando-se como podia ao sentar-se, tentando não se mexer muito, mas aproveitando a paisagem.
— Dá pra ver Forks toda daqui?! — Questionou surpresa, vendo-o concordar.
— Não que tenha muito para se ver — brincou, escutando-a rir baixo. — A escola é aquele prédio — apontou para um canto à direita. — E para lá fica a praia…
— La Push? — arriscou — Jéssica quer ir pra lá no próximo final de semana.
Edward a olhou de canto, passando a língua pelos lábios antes de perguntar baixinho:
— Você vai?
— Tá brincando? — A garota riu ao negar — Com esse clima maravilhoso? — Ironizou. Cullen sorriu de canto, concordando com um aceno, parecendo um tanto aliviado, embora não tivesse reparado. Edward considerou contar o que sabia, mas achou que, por hora, uma bruxa e sete vampiros eram o suficiente.
Passaram mais alguns minutos em silêncio, apenas sentindo o vento e as pequenas gotas de chuva baterem contra seus rostos, embora não chegasse a incomodar.
— Achei que você ficaria com medo da altura — Edward confessou baixo, vendo-a gargalhar.
— Eu te disse que jogava Quadribol, não foi? — Respondeu, inclinando-se alguns centímetros para conseguir olhá-lo sem o tronco da árvore atrapalhar.
— Disse, mas não me explicou o que é — lembrou.
— O melhor esporte do mundo! — Garantiu sorridente. — São sete jogadores em cada time, todos usando vassouras. Eu era artilheira, quem fazia os gols — explicou devagar, vendo-o concordar —, são três por time, temos também um goleiro, dois batedores e um apanhador — dizia, contando sobre cada posição e as regras. O rapaz sorriu da animação dela, considerando que, de fato, deveria ser um esporte divertido de jogar ou, pelo menos, assistir.
— Você trouxe sua vassoura? — Perguntou quando ela terminou, levantando-se para se aproximar, vendo-a concordar com um aceno.
— Como se eu fosse louca de me separar da minha Nimbus! Por que?
— Estava pensando, quem seria mais rápido: eu correndo ou você voando?
— Quer apostar qualquer dia?
— Agora foi você quem leu a minha mente! — Brincou, vendo-a rir.
— Bom, se você estiver pronto para perder para mim, é só dizer o dia e o horário! — Sorriu convencida, Edward era rápido, mas nem ele seria páreo para sua vassoura.
— Agora isso está ficando interessante! — Inclinou-se, segurando em um galho acima deles e agachando-se na sua frente — Quer apostar o que?
— Pode ser qualquer coisa, é você quem vai ter que pagar mesmo!
— Você é muito convencida, — riu, aproximando-se mais alguns centímetros e a encarando de perto — vou pensar em algo legal pra quando você perder!
— Talvez nos seus sonhos! — Respondeu da mesma forma, então notando a proximidade de seus rostos.
— É o que vamos ver, bruxinha! — Soprou baixo, antes de acabar com a distância entre os dois, juntando seus lábios por alguns segundos, em uma pressão mínima.
Edward afastou-se pouco depois, sem saber o que dizer e, menos ainda, o motivo de ter tomado tal atitude. Se encaram sem reação, sentiu um formigamento nos lábios e o coração bater acelerado, e, em um impulso que não soube de onde veio, juntou seus lábios aos dele mais uma vez.


Capítulo 6

entrou em casa de cabeça baixa, sentindo o rosto extremamente quente. Parou quando seus pais a chamaram, antes que pudesse subir as escadas, respondendo-os sem olhá-los, garantindo que não estava com fome para jantar aquele horário, mas que depois comeria alguma coisa. Subiu direto para seu quarto, pegando sua toalha e algumas roupas para ir para o banho.
Deixou a água quente cair sobre sua cabeça e corpo, pensando sobre o que tinha acontecido. Sobre o que tinha feito.
Nem mesmo sabia o motivo de tê-lo beijado. Edward era legal e, aos poucos, começava a realmente confiar nele, achava que era por eles serem diferentes. Não eram humanos comuns e, embora não imaginasse que fosse algo certo uma bruxa com um vampiro, ainda parecia mais fácil manter uma amizade com ele já que, em partes, ele a entendia melhor do que qualquer outra pessoa naquela cidade poderia. Mas nem aquilo deveria ser suficiente para beijá-lo.
Edward Cullen era lindo e, provavelmente, aquilo teria sido um fator importante para a atração momentânea, mas achava que boa parte do seu impulso foi por ele ainda lembrá-la de Cedrico, e aquilo era ainda mais errado!
Quando terminou seu banho, voltou para o quarto com a toalha enrolada em seus cabelos molhados, sentando-se em sua cama e olhando para o nada. Mordeu o lábio inferior ao pensar no beijo de minutos antes; havia sido bom e ela tinha gostado bastante, contudo, não sabia o que Edward havia achado. Ele tinha correspondido, é claro, até com bastante avidez, pensou, mas não significava que ele também tivesse gostado
Imaginou que Cullen também pudesse estar no mesmo dilema: Talvez tivesse a beijado por ela ser a primeira pessoa com quem falava, a única fora de sua família com quem ele poderia ser ele mesmo sem qualquer problema.
E se fosse isso mesmo, bem, então os dois tinham se beijado pelo motivo errado.
não podia querer sair com Edward pensando em Cedrico, e ele não poderia querer sair com ela porque era a única pessoa com quem ele falava.
Eles não se gostavam, não daquela forma.

Edward travou a mandíbula, o cenho franzido enquanto pensava no que havia escutado. Talvez ela tivesse razão, ele nem mesmo sabia o que havia passado em sua cabeça para tentar beijá-la e, menos ainda, para corresponder quando ela o fez.
Era tão irreal para ele quanto para ela.
Considerou que era “menos pior” ele estar interessado por ter, finalmente, alguém com quem conversar, do que ela querendo beijá-lo enquanto pensava em outro cara. talvez tivesse feito aquilo imaginando que era Cedrico quem beijava.
E, então, por uma razão que lhe parecia ainda desconhecida, sentiu uma raiva enorme do bruxo, mesmo sabendo que já estava morto. Esperou no telhado até não ouvir mais nenhum barulho vindo do quarto da garota, esperando-a dormir para, mais uma vez, entrar no cômodo.
Andou em silêncio, abrindo gavetas e depois o armário, encontrando o que procurava. Pegou a caixa na qual sabia que ela deixava suas coisas sobre o mundo bruxo e andou até a mesa na frente da janela, acendendo o abajur para olhar as fotos que estavam ali dentro. Primeiramente surpreendeu-se ao notar que as pessoas nas imagens se mexiam, parando admirado ao encarar uma de usando o uniforme da escola, rindo para a câmera, após alguns instantes, começou a olhar as outras. Pulou as que não via Cedrico, embora olhasse por alguns segundos a expressão da garota em cada foto.
Queria saber o quão parecido Diggory era com ele, não poderia ser tanto quanto afirmava, mas não demorou para ter sua resposta, logo encontrando as imagens em que ele aparecia e, não precisou de mais do que um segundo para saber que era ele quem procurava. Cedrico Diggory era idêntico a Edward, a maior diferença que podia ver era o corte de cabelo. Encarou a imagem por incontáveis minutos, analisando cada detalhe do bruxo, respirando fundo antes de continuar.
Na primeira, os dois estavam juntos com mais alguns alunos, usando vestes amarelas e segurando vassouras, estava de braços dados com Cedrico e uma outra colega, rindo para a foto, assim como os outros, embora Diggory olhasse dela para a câmera.
A segunda estavam só os dois, sentados lado a lado no que parecia ser um bar, a garota tomava sua bebida e o rapaz tinha o braço por cima de seus ombros, beijando-lhe a bochecha antes de rir para a câmera. Edward rolou os olhos, passando para a terceira; mais uma foto com os amigos, na qual Cedrico e estavam lado a lado, a garota olhava sorrindo para ele. Havia ainda uma em que os dois estavam arrumados, ela usava um vestido bonito e ele uma capa parecida com um smoking, de braços dados e sorridentes, como todas as outras imagens. A última que viu, mais uma vez estavam sozinhos, Cedrico estava sentando e estava em pé atrás dele, apertando as bochechas do rapaz enquanto fazia uma careta para a foto, Cedrico gargalhava.
Edward respirou fundo, jogando tudo dentro da caixa, menos a primeira foto em que estava sozinha, rindo e acenando para a câmera, antes de guardar tudo de volta no armário, saindo apressado de seu quarto quando ouviu passos vindos do cômodo ao lado.

🦇🧹🦇


estava terminando de se arrumar quando olhou para a janela de seu quarto, encontrando o volvo prata parado na rua. Respirou fundo, fechando os olhos por um instante, antes de descer e encarar Edward depois do dia anterior. Não sabia exatamente o que dizer, embora tivesse passado um bom tempo pensando a respeito, preferia evitar encontrá-lo por um tempo, mas não parecia que ele se importava com a situação constrangedora na qual ficaram. Será que ele estava pensando que continuariam a se beijar pelas florestas?
Despediu-se de sua mãe, a qual deu uma piscadela em sua direção ao ver o carro do rapaz, soltando risadinhas que a filha fez questão de ignorar naquele momento, embora sentisse o rosto esquentar.
— Você sabe que não precisa vir me buscar todo dia, não é? — Começou assim que entrou no carro, colocando o cinto de segurança.
— Bom dia pra você também! — Ironizou, acenando com a mão para a mulher que os espiava pela janela, antes de ligar o carro — E já te disse que não me importo.
A inglesa notou o bom humor presente na voz dele, mas nada comentou sobre o assunto, nem mesmo pensou. Apenas olhou pela janela, vendo as ruas molhadas pela chuva fraca que caía. Edward, ela reparou, parecia dirigir mais devagar naquela manhã e, ao perceber aquilo, sentiu o estômago revirar.
— Não vai falar comigo nunca mais? — Ele perguntou com a voz calma quando estavam a poucos metros da escola. concordou com um aceno, olhando-o de canto;
— Estou preocupada com as provas de hoje, só isso.
Cullen nada disse, mantendo-se em silêncio até pararem no estacionamento e, antes que a garota destravasse o carro para descer, segurou-a pela mão;
— Então, quando você já tiver feito suas provas conversamos melhor, ok?
o olhou hesitante, concordando em seguida, sentindo o coração bater acelerado. Saiu rapidamente do carro, sem olhar para trás. Edward bufou, passando a mão pelos cabelos, antes de pegar suas coisas e seguir para aula.


As horas pareceram passar devagar até a hora de biologia, na qual o rapaz foi para seu lugar rapidamente, sendo um dos primeiros a entrar na sala, esperando que chegasse antes do professor, mas é claro que ela se atrasou. Entrou quando o Sr. Molina já estava começando a entregar as provas, mal olhando para Edward quando se sentou ao seu lado.
Cullen não precisou de muito para terminar o teste, sabia boa parte da matéria e, o que não sabia, não tinha dificuldades em descobrir a resposta, aproveitando de sua habilidade com os colegas. Observou a ao seu lado, batucando na mesa enquanto pensava nas respostas, bufando sempre que tinha dificuldades para lembrar-se do conteúdo. Terminou quase no final da aula, revisando rapidamente e tentando pontuar o que tinha certeza e o que achava que estava errado. Entregou a prova quando o professor parou ao seu lado, respirando fundo ao guardar seu material;
— Você errou a 8 e a 12. — Ouviu Edward cochichar ao seu lado, virando-se para olhá-lo — A resposta da 12 era a c.
— Como você…? — Começou, mas então rolou os olhos, negando com um aceno — Eu deveria falar que você está colando!
— E como iria provar isso? — Questionou divertido, escutando-a xingá-lo baixinho quando o sinal tocou. Os dois seguiram juntos até o estacionamento sorrindo vez ou outra para algum colega ou, no caso de Edward, seus irmãos; estranhou quando Alice aproximou-se sorridente, abraçando-a por um instante, como se fossem velhas amigas. O Cullen mais novo pigarreou antes que a irmã falasse algo que não deveria, fazendo Emmett rir divertido. Rosalie e Jasper apenas acenaram com a cabeça para a garota, sorrindo minimamente.
— Então, Edward já te convidou para nos visitar? — Alice ignorou os olhares do irmão, mantendo o sorriso animado ao encarar a mais nova.
— Não, não convidei. tem muita coisa pra fazer, vamos indo! — A puxou rapidamente para o estacionamento, nem mesmo dando tempo da dizer qualquer coisa.
— Sinta-se convidada! — Foi a vez de Emmett dizer em voz alta, fazendo Edward grunhir frustrado.
esperou até estarem a alguns metros da escola para perguntar qual era o problema, notando quando o rapaz mexeu-se inquieto, olhando para a rua pouco movimentada.
Permaneceu em silêncio por quase dois minutos, até escutá-la bufar, irritada com a falta de resposta.
— Eles sabem sobre ontem. — Disse baixo, olhando-a de canto.
abriu a boca, completamente em choque:
— Você contou? — Perguntou descrente, vendo-o negar de imediato, logo parando o carro próximo a mesma floresta que tinham ido dias atrás, distante o suficiente para não serem vistos por ninguém da cidade.
— É claro que eu não contei — respondeu ao descer do veículo, sendo seguido pela garota.
— Então? — Insistiu enquanto Edward andava mais à frente.
— Ela viu. — Soltou, parando de supetão em sua frente, fazendo com que trombasse com ele quando virou-se para encará-la. — Alice teve uma de suas visões dias atrás e não me disse nada, ontem quando cheguei em casa ela veio falar comigo e o Emmett escutou, depois contou pra todo mundo.
A garota sentiu o rosto inteiro esquentar ao imaginar que todos os Cullen sabiam sobre o beijo do dia anterior, o beijo que eles mesmos nem tinham conversado sobre. — Por que você não desmentiu? — Tornou, olhando para baixo.
— Porque não adiantaria, além do mais, Jasper pode sentir a emoção dos outros, lembra?
franziu o cenho, encarando-o com a sobrancelha arqueada, curiosa;
— E o que ele sentiu?
Edward abriu e fechou a boca, olhando para o lado e negando com a cabeça, antes de voltar a andar, esperando que ela o acompanhasse.
— Cullen?
O rapaz sentou-se em um tronco de árvore caído, dando de ombros ao olhá-la hesitante;
— Que eu estava confuso e agitado.
concordou, passando a língua pelos lábios antes de sentar-se ao seu lado, sem olhá-lo. Permaneceram em silêncio por alguns instantes, sem saber o que dizer a seguir.
— Não é por que a gente se beijou que não podemos mais conversar, certo? — Edward foi o primeiro a dizer, olhando-a de canto — Quer dizer, não precisa ficar estranho de novo…
— Não, não precisa. — Concordou, suspirando antes de voltar o olhar para ele — Mas não é uma coisa que deveríamos repetir.
Manteram o olhar fixo um no outro, até que Cullen negou com um aceno;
— Não é porque você é apaixonada por seu ex-namorado que…
— Ele não era meu namorado! — Cortou, vendo-o rolar os olhos.
— O que eu quero dizer… — Recomeçou, passando a língua pelos lábios finos, um pouco hesitante antes de continuar — É que não me importo. Não ligo se for por causa dele que você quer sair comigo.
— Eu não disse que quero sair com você! — rebateu, Edward sorriu de canto.
— Eu sei que você estava pensando em mim enquanto falava com a Jessica e a Angela no intervalo.
— Você é insuportável, sabia disso? — Resmungou constrangida, desviando o olhar. O vampiro apenas riu.
— Eu também pensei em você — confessou segundos depois, atraindo novamente a atenção da . — Não me importo se é por causa dele.
negou com um aceno, parecendo incerta.
— Você só pode estar falando sério…
Cullen deu de ombros, repetindo baixo;
— Não me importo. Não é como se uma desilusão amorosa fosse me matar ou algo do tipo.
— Agora você está caidinho por mim, é? — Brincou, sentindo as bochechas esquentarem.
— Bem, não diria que estou apaixonado — confessou, franzindo o cenho por um instante —, mas acho que é o mais perto disso que já estive.
riu, negando com um aceno;
— Você só está impressionado porque eu sei o que você é.
— E eu sei sobre você — concordou, ainda encarando-a com cuidado — e acho que isso também me chamou atenção. Mas não é só por sermos diferentes dos outros. E eu sei que você também sente algo diferente, você pensou nisso algumas vezes desde ontem.
— Você agora está monitorando todos os meus pensamentos, é? — Questionou incomodada, Edward negou.
— Já disse que não controlo, você quem pensa nisso quando me vê pelos corredores. Não pode me culpar por escutar!
grunhiu contrariada, tornando a desviar o olhar e, inevitavelmente, pensando no assunto. Fechando os olhos e suspirando ao ouvi-lo rir ao seu lado.
— É uma pena que o Emmett já tenha a Rosalie, com certeza seria mais fácil lidar com ele.
Edward gargalhou alto. virou-se, mantendo um sorriso leve nos lábios ao ouvir o som de sua risada.
— Tenho certeza que a Rosalie também é mais fácil de lidar do que você, bruxinha! — Piscou, mantendo o tom risonho.
Os dois tornaram a se encarar, ainda sorrindo um para o outro, até Edward passar a língua pelos lábios, inclinando-se alguns centímetros na direção dela;
— Melhora se eu te contar quando estou pensando em você? — Perguntou, sentiu as famosas borboletas voarem por todo seu estômago, concordando com a voz fraca. — Ótimo, estou pensando que gostaria de te beijar nesse momento, posso?
E, sem nem mesmo esperar pela resposta da , juntou seus lábios aos dela mais uma vez, gostando ainda mais da sensação do que no dia anterior, ignorando por completo qualquer complicação que aquilo poderia gerar no futuro.
🦇🧹🦇

Com o passar das semanas, embora nenhum deles admitisse em voz alta, ambos estavam com um humor muito melhor e gostando cada vez mais de passar o tempo juntos.
, com o tempo, percebeu que pensava cada vez menos em Cedrico quando estava com Edward. E, embora soubesse que, ao menos no início, havia gostado de se aproximar dele por lembrá-la de Diggory, já não tinha mais tanta certeza se era aquele o motivo de continuar querendo vê-lo e, menos ainda, beijando-o.
Daniel e Olivia já sabiam sobre o “relacionamento”, mesmo com garantindo que Edward não era seu namorado. Os Cullen também sabiam e, embora a continuasse andando com suas amigas na escola, não era raro as vezes que algum dos irmãos do rapaz a paravam para conversar ou, no caso de Alice, para um abraço sem qualquer motivo específico, apenas porque ela teve vontade.
Jéssica, que agora estava saindo com Mike, sempre que podia a bombardeava de perguntas sobre Edward e os Cullen e, vez ou outra, questionava como a havia conseguido chamar a atenção do rapaz.
O vampiro, é claro, precisou contar para sua família que a garota já sabia sobre eles e, num primeiro momento, todos ficaram preocupados com aquilo; Tanto por Edward estar se envolvendo com uma humana, quanto pela possibilidade dela contar para outras pessoas. O loiro garantiu que ela não diria nada a ninguém, mas não comentou sobre ela mesma ter o mesmo medo de exposição que eles tinham.
Pouco menos de uma semana após o choque inicial ter passado por parte de Carlisle e Esme, os pais de Edward faziam questão de conhecerem a garota, mas Edward sempre dava uma desculpa diferente para evitar aquele encontro. E, da mesma forma, continuava a ignorar os pedidos de seus pais para conhecerem o mais novo dos Cullen formalmente. Os dois adolescentes não se sentiam prontos para aquilo; sabia que seria inevitável a família do rapaz descobrir sobre ela, e, mesmo sabendo que eles também não diriam nada, não achava estar pronta para revelar aquilo para tantas pessoas. Já Edward não tinha certeza de como os pais da garota reagiriam se descobrissem que ele era um vampiro, podiam ser bem “cabeça aberta” com a filha sendo uma bruxa, mas talvez não estivessem prontos para saber sobre uma família de vampiros na cidade.

No Natal, embora não tivessem passado juntos, trocaram presentes no dia 23, depois os Cullen saíram de Forks para caçar e retornaram apenas no dia 2 de janeiro.
E, junto com o ano novo, veio o aniversário de e, com seus 17 anos completos, a garota já tinha liberdade de usar sua varinha sempre que desejasse; Daniel e Olivia ficaram maravilhados ao finalmente verem-na realizando feitiços, não importava se era uma simples levitação de algum objeto ou limpar a casa com um aceno de varinha, gargalhavam animados sempre que aquilo acontecia.
A também estava feliz, parecia que estava mais próximo de seu mundo, mesmo com toda aquela distância de Hogwarts e a saudade que sentia dos amigos. Aproveitou que já poderia fazer feitiços sem desrespeitar as leis para treinar alguns novos do livro do sexto ano, o qual havia comprado no Beco Diagonal antes de viajarem para Forks, mesmo sabendo que não iria retornar para a escola naquele ano.
Edward pareceu tão maravilhado quanto os na primeira vez que a viu executar um feitiço, mais ainda por não ter sido direcionado a ele; executou um Patrono Corpóreo, apenas por ser seu feitiço favorito, e o loiro achou incrível ver um Corgi azulado correndo pela floresta. E, embora também não tenha gostado muito da sensação, achou muito prático aparatar de um canto para outro em questão de segundos.
Agora os dois estudavam uma forma de jogarem Quadribol juntos, adaptando algumas regras para que, ao invés de voar, Edward corresse pelo campo. Contudo, ambos sabiam que para poderem jogar, independentemente das regras, precisariam de mais pessoas e, então, só poderiam tentar quando a família dele soubesse sobre a garota.

🦇🧹🦇

O rapaz esperou até às 23h, horário que os pais de costumavam dormir, para bater duas vezes na janela de seu quarto, entrando poucos segundos depois pela mesma.
— Talvez esteja na hora de você ser apresentado para a porta! — A garota caçoou ao vê-lo, antes de Edward fazer um leve carinho em sua coruja, aproximando-se pouco depois e se sentando no canto da cama, enquanto a fechava o livro que lia, deixando-o sobre o criado-mudo.
— Não acho que seus pais gostariam de saber que eu frequento seu quarto — respondeu divertido —, mas, falando em apresentações, os meus querem te conhecer e já não aceitam mais as desculpas que eu inventei.
suspirou, concordando com um aceno;
— Meus pais ficarão desapontados se eu conhecer Carlisle e Esme antes dos meus pais te conhecerem. E lembre-se que é provável que meu pai queira te ameaçar!
Edward riu baixo, concordando com um aceno, enquanto tirava os sapatos.
— Meu problema com eles é se descobrirem o que eu sou, talvez não aceitem tão bem quanto aceitaram a filha sendo uma bruxa.
— Eu sei… Também pensei nisso.
— Sabe o que é o mais estranho disso tudo? — Questionou ao esparramar-se ao seu lado na cama — Meses atrás você não queria ficar perto de mim por lembrar do seu quase namoradinho — resmungou fazendo uma careta —, agora já estamos pensando em tudo o que pode dar errado quando conhecermos seus pais.
— Não tenho culpa se sou tão irresistível para você ter insistido tanto — devolveu com um sorriso debochado.
— Insistido? — Edward tornou com a sobrancelha arqueada — Foi você quem me agarrou aquele dia na árvore! Quase caímos porque você me atacou!
— Você quem me beijou primeiro!
— Por dois segundos — relembrou, sorrindo de canto —, nem sei se poderia ser considerado um beijo. Depois foi você quem veio pra cima de mim!
— Ah, cala a boca! — Virou-se para o lado, cruzando os braços, sentindo o rosto esquentar.
Edward deu uma risadinha, sussurrando próximo ao seu ouvido;
— Nunca disse que não gostei de ter sido correspondido.
rolou os olhos, sorrindo pequeno quando sentiu os lábios dele sobre seu pescoço, enquanto sua mão envolvia sua cintura, apertando-a gentilmente. Mordeu o lábio inferior ao senti-lo mordiscar levemente a região, soprando em voz baixa;
— Eu realmente gosto do seu perfume, sabia?
— Do perfume ou do meu sangue? Você já disse que me atacou por isso. — Virou-se para encará-lo, escutando-o rir nasalado;
— O que você quer que eu diga? Não tenho culpa se você é tão… Irresistível! — Respondeu, usando o mesmo adjetivo que ela, antes de curvar-se poucos centímetros, juntando seus lábios aos dela.

— Você já vai dormir? — Questionou ao vê-la puxar a coberta, aconchegando-se melhor na cama.
— Infelizmente nem todo mundo tem a habilidade de passar a vida toda acordado, sabe? — Respondeu baixo, já fechando os olhos — E você deveria agradecer por eu nem mesmo te expulsar do meu quarto. É estranhíssimo você ficar aqui quando eu estou dormindo.
Edward riu baixo, levantando-se para escolher um livro na estante para ler durante aquela noite;
— Não é como se eu ficasse te observando dormir ou algo do tipo…
— Era só o que faltava… — Abriu os olhos, sonolenta, encarando-o de costas.
— Só estranhei você estar conseguindo dormir melhor, achei que iria voltar a tomar o remédio, não foi por isso que comprou? — Perguntou, virando-se com um livro em mãos, ao voltar a aproximar-se. deu de ombros;
— Bom, como você não é exatamente uma alucinação, não teria problema eu tomá-lo de vez em quando, mas não tenho precisado. E como você sabe disso?
O rapaz sorriu culpado ao voltar a deitar-se ao seu lado;
— Posso, ou não, ter dado uma olhada ao redor enquanto você dormia. Mas foi no começo, não faço mais isso! — Respondeu rapidamente, antes que ela se irritasse.
— Você é inacreditável! — Resmungou, virando-se em direção a parede e tornando a fechar os olhos, nem mesmo se dando ao trabalho de reclamar.
— Não se preocupe, quando você for na minha casa pode vasculhar o que quiser, assim ficamos quites! — Brincou, ligando o abajur ao lado antes de começar a ler — Nem mesmo um beijo de boa noite? Que mal-educada.
— Shiu, estou tentando dormir!

Capítulo 7

No final da tarde de sábado, estava ajudando Daniel com o jantar, temperando a carne para os hambúrgueres caseiros, enquanto ele lavava e cortava alface, tomate e picles. Olivia cantarolava na sala, arrumando os lugares na mesa, enquanto pai e filha conversavam sobre o jogo de futebol de horas antes, no qual Bolton ganhou do Newcastle. Ouviram a campainha tocar e a mulher logo foi abrir a porta, ignorando os olhares curiosos dos outros dois;
— Tá esperando alguém? — perguntou ao mais velho, antes de começar a separar a carne, fazendo os hambúrgueres.
— Só se for o cara da antena, mas não acho que ele apareceria no final de semana...
Ouviram a voz de Olivia, cumprimentando alguém e, dois segundos depois, sentiu o coração parar ao reconhecer a voz de Edward, virando-se assustada, ao tempo que sua mãe o puxava para dentro da casa.
— O que você está fazendo aqui? — Foi a primeira coisa que disse quando seus olhares se encontraram, percebendo-o tão constrangido quanto ela própria.
— Isso são modos? — Daniel acertou-lhe de leve com o pano de pratos, secando as mãos e dando alguns passos na direção do rapaz, esticando o braço para um aperto de mãos — Daniel , é um prazer finalmente conhecê-lo.
— Edward Cullen, digo o mesmo, senhor. — Respondeu, sorrindo levemente para o homem.
— O que você ‘tá fazendo aqui? — repetiu a pergunta, olhando de Edward para Olivia.
— Eu o convidei, oras. Você estava demorando demais para trazê-lo!
— Como? — Tornou com a voz falha, encarando sua mãe com o cenho franzido. A mulher abanou a mão no ar;
— Tive que ir buscar a receita para os remédios do seu pai, não? Acabei encontrando com o pai de Edward no hospital, pedi para que passasse o recado, já que você mesma não fazia o convite. Inclusive — colocou as mãos na cintura, olhando da filha para o rapaz —, Carlisle me disse que você também anda fugindo desse encontro com os Cullen.
— Na minha época, vocês nem poderiam trocar olhares sem os pais estarem sabendo! — Daniel resmungou, negando com um aceno antes de voltar sua atenção para a comida.
— Não seja exagerado, querido — Liv riu, logo virando-se mais uma vez para o convidado — Sinta-se à vontade, querido. Gostaria de beber alguma coisa?
— Não, não, obrigado — sorriu educado, sentando-se na banqueta ao lado, trocando um olhar ansioso com .
— Você come quantos hambúrgueres, Edward? — Daniel perguntou, olhando por sobre o ombro para o rapaz — , a comida não se faz sozinha se você não se mexer!
— Edward não come carne! — A loira soltou rapidamente, logo atraindo a atenção dos três — Ele não pode comer hambúrguer, é vegetariano. Tá vendo mãe, o que acontece quando você convida as pessoas para jantar sem saber o que elas comem? Agora não temos nada para servir e ele não pode comer. — Disse tudo rapidamente, mal respirando entre as frases.
Olivia e Daniel viraram-se para o rapaz, parecendo um tanto desconcertados;
— Você é vegetariano mesmo ou só não come carne vermelha? Porque temos peixe… — Daniel comentou, pensativo, apontando para a geladeira — Podemos fazer assado se você quiser ou… — olhou para a esposa, sem saber quais opções poderiam ter se ele realmente não comesse carne e, naquele momento, concordou com a filha de que a mulher havia se apressado.
— Posso sair para comprar alguma coisa — Liv começou, pensando em todas as receitas rápidas que conhecia que não usava carne.
— Não, não — Edward disse sem graça, sorrindo nervoso — eu como carne sim, estava só brincando.
— Tem certeza? — O casal perguntou ao mesmo tempo, vendo-o confirmar com um aceno.
— Claro, não se preocupem. Hambúrguer parece ótimo!
Olivia então virou-se para a filha, com as mãos na cintura;
— Que brincadeira sem graça, ! Quer nos matar do coração?
— Mas o Ed…
— Um é suficiente, senhor — o rapaz cortou, antes que a loira inventasse outra desculpa —, acabei comendo há pouco tempo, meu pai só me avisou quando chegou em casa sobre o convite — explicou-se, sorrindo de canto.
— Muito bem, mas se você não voltar a fazer não teremos nada, vai lá, , impressione seu namorado! — Daniel brincou, vendo-a rolar os olhos, negando com a cabeça antes de voltar a mexer na carne.
— Posso ajudar em algo? — O rapaz ofereceu prestativo, logo vendo os três negarem.
— De forma alguma, você é o convidado, pelo menos hoje pode ficar sentado aí enquanto arrumamos tudo. Nas próximas visitas pedimos para você lavar a louça! — Liv disse brincalhona, antes de terminar de ajeitar a mesa na sala.
sentiu o rosto esquentar sempre que escutava seu pai e mãe fazerem alguma “brincadeira de pais”, no geral soltando alguma piadinha para constrangê-la, sabendo que conseguiam com maestria.
Poucos minutos depois, foram todos para os fundos da casa, e enquanto Daniel assava os hambúrgueres na churrasqueira, a conversa começou a fluir com tranquilidade, perguntavam bastante sobre o que ele gostava, se era bom em alguma matéria, se gostava de esportes e o que fazia no tempo livre. Edward respondia tudo com calma, sorrindo e fazendo ele mesmo alguma piada que achava oportuna. A garota pensou que ele pelo menos tinha alguma vantagem na situação, já que conseguia ler o pensamento dos dois.
Quando a comida estava finalmente pronta, o rapaz foi em direção a cozinha para ajudar a garota com as bebidas, aproveitando que os pais dela estavam no jardim;
— Não acredito que você veio para um jantar! — Ela disse apressada, olhando nervosa para ele.
— Não tinha como eu não vir sem me explicar!
— A gente inventava uma desculpa depois, dizia que você estava doente ou algo assim.
Edward negou, passando a mão pelos cabelos.
— Achei que seria pior não aparecer, meu pai disse que sua mãe estava animada com a ideia.
— É claro que estava! — A outra suspirou, logo voltando o olhar em sua direção, um tanto preocupada — O que acontece se você comer?
Edward deu de ombros;
— Vou acabar vomitando depois — respondeu, um tanto pensativo —, não sei direito, não é como se eu tivesse tentado comer nesses últimos dois anos. — Piscou, tentando brincar com a situação.
franziu o cenho, inclinando a cabeça para o lado;
— Nos últimos dois anos? Você tentou antes disso?
Foi a vez dele franzir o cenho, negando em seguida;
— Antes disso eu era um humano, comia como qualquer outro...
— O que? — Perguntou afobada, baixando o tom de voz quando ouviu seus pais conversando na sala — Faz dois anos que você é um vampiro?
— Eu não te contei isso?
— É claro que não, você nunca respondeu nenhuma das minhas perguntas. Achava que você tinha mudado pra cá nos últimos dois anos, não que havia sido transformado há dois anos!
— Eu…
— Está na mesa! Vamos logo antes que esfrie! — Liv chamou, Edward puxou a garrafa de refrigerante, enquanto carregava os guardanapos.
— Depois conversamos sobre isso.
— É o que você sempre diz! — Resmungou, seguindo-o para o outro cômodo.

Edward sentou-se de frente para , fingindo tomar um gole de sua bebida ao trocar um olhar ansioso com ela. Segurou desajeitado o sanduíche e, ao ver que era o único que ainda não estava comendo, deu uma mordida, mastigando devagar a comida. A garota o encarou apreensiva, esperando que ele saísse correndo pela casa, tentando cuspir o que havia acabado de ingerir, no entanto, para sua surpresa, Edward engoliu, sorrindo de lado antes de dizer;
— Está muito bom, nem acredito que foi você quem fez!
— Há-há.
— Eu te disse que era uma boa ideia aprender a cozinhar — Liv olhou para a filha, sentada ao seu lado — Conquistamos os homens pelo estômago! Foi assim com o seu pai.
— Realmente, — Daniel concordou após tomar um gole de Coca-Cola — foi só depois que eu descobri que não era o suficiente porque você tem manias demais...
— Daniel! — A mulher ralhou, escutando-o gargalhar.
— Ih, mas eu já sei que ela é chatinha desde já — Edward brincou, olhando de para o homem — devo fugir?
Daniel fingiu pensar, sorrindo de canto;
— Se você conseguir, corra bem rápido, e mesmo assim pode não ser o suficiente!
— Valeu, pai! — Fez joinha com a mão, olhando-o com um sorriso irônico.
— Está vendo o que eu aguento com seu pai? — Liv virou para a filha mais uma vez — Se prepare, porque você não deve conseguir algo muito melhor. Se não for Edward, vai ser outro. — Respondeu no mesmo tom, vendo-a concordar com um aceno enquanto os outros a olharam quase ofendidos com o que ouviram.
— Não entendi o que você quis dizer! — Daniel se pronunciou, arqueando a sobrancelha para a esposa.
— Como assim “se não for o Edward”? — O rapaz perguntou — Venho para um jantar e já estão falando sobre outros pretendentes? Logo quando eu achei que estava indo bem!
Daniel riu, dando um tapinha nos ombros dele;
— Nunca estará bem o suficiente, lembre-se sempre disso!

🦇🧹🦇


Era quase uma hora da manhã quando Edward entrou pela janela, após Daniel e Olivia terem, finalmente, dormido. Arqueou a sobrancelha ao ver enrolada nas cobertas, os olhos fechados e a respiração tranquila. Aproximou-se hesitante, sem saber se ela já estava dormindo ou apenas tentando.
— Demorou bastante, ein? — Escutou a voz baixa da garota, sorrindo de canto ao sentar-se ao seu lado, retirando os sapatos antes de deitar-se na cama.
— Seu pai estava acordado, não queria correr o risco dele me ver aqui, logo agora que ele gosta de mim!
— Como você sabe? Ele ainda não disse nada…
— Escutei ele conversando com a sua mãe — piscou, sorrindo largamente ao vê-la negar com um aceno.
— Que vontade de falar sobre você ser um vampiro, só para perder essa vantagem de ouvir o que todo mundo fala e pensa!
Edward riu baixo, ficando de frente com a garota;
— Eu já disse que posso te contar o que eu penso, não? E tenho feito isso sempre que você me pergunta! — Argumentou, vendo-a menear a cabeça, ainda parecendo sonolenta, puxando a coberta até próximo a sua cabeça. — Já vai dormir?
— Talvez… Ei, — abriu os olhos de repente — você passou mal depois de comer?
O rapaz fez uma careta, concordando com um aceno;
— Não foi ruim a parte de comer... senti o cheiro, mas não o gosto…
— Quer dizer que você mentiu quando falou que estava bom? — Arqueou a sobrancelha, vendo-o sorrir de lado.
— O cheiro estava muito bom — respondeu, apoiando a cabeça em seu braço cruzado embaixo do travesseiro —, só foi uma sensação estranha comer sem sentir o gosto. Mas só precisei vomitar, não é como se eu estivesse morrendo…
concordou com um aceno, aproveitando a proximidade para passar o braço pela cintura do namorado, ajeitando-se contra seu peito e respirando fundo, sentindo o perfume amadeirado dele, logo sentindo o braço de Edward ao redor de si.
Permaneceram em silêncio por alguns minutos, a respiração dela estava tão calma e ritmada que o vampiro acreditou que já estivesse dormindo, até mesmo surpreendendo-se quando ouviu sua voz, sonolenta, sussurrar;
— Você ainda não me falou sobre quando virou vampiro.
Cullen passou a língua pelos lábios finos, afastando-se poucos centímetros para encará-la;
— O que quer saber?
— Tudo! — Respondeu rápido, logo passando a mão sobre os olhos para que o sono passasse e pudesse prestar mais atenção no que ele diria. Edward sorriu pequeno.
— Não sei se posso te contar tudo, pelo menos não com muitos detalhes, não lembro de muita coisa…
— Como assim? — O encarou confusa, o cenho franzido.
Edward rolou na cama, encarando o teto e cruzando os braços atrás de sua cabeça.
— Só sei o que Carlisle me contou: sofri um acidente de carro há quase três anos, ele era médico no hospital em que me internaram, eu estava quase morrendo quando ele me encontrou. Não sei o motivo, ele disse que nem ele mesmo entendeu direito, mas resolveu me dar uma nova chance e, bem, quando acordei, já estava desse jeito.
sentou-se na cama, cruzando os braços e o encarando com cuidado.
— E seus pais? Sua família?
— Eles não sobreviveram. Parece que estávamos fazendo uma viagem e um caminhão bateu em nós, o carro capotou e meus pais morreram.
— Eu sinto muito… — Soprou baixinho, Edward deu um sorriso triste.
— Não é como se eu lembrasse deles, não é?
— Como você não se lembra de nada?
— Carlisle disse que bati forte a cabeça, por isso estava em coma. Se eu tivesse sobrevivido ao acidente, não lembraria de nada. E, bem, mesmo ele me transformando, não tinha como recuperar minhas memórias…
concordou com um aceno, querendo fazer várias perguntas, mas sem encontrar um jeito de fazê-las, Edward apenas riu fraco, escutando seus pensamentos.
— Não sei, — respondeu ao olhá-la, a garota arqueou as sobrancelhas por um instante — não sei se queria que ele tivesse me transformado e não foi fácil me adaptar. Foi tudo bem confuso nos primeiros dias, mas não lembro como aconteceu. Já acordei assim, Carlisle me falou sobre o acidente e meus pais e, junto com os outros, me ensinou tudo o que eu precisava. Depois de alguns meses nos mudamos para Forks e estamos aqui desde então.
A garota acenou mais uma vez, pensando em tudo o que escutava, sentindo-se triste por saber sobre a família de Edward e, mais ainda, por saber que ele nem mesmo teve uma escolha, contudo, ao mesmo tempo, estava feliz por tê-lo ali. Então outra pergunta veio à sua mente e, mesmo que não quisesse dizer em voz alta, sabia que ele já tinha escutado;
— Você já…? — Interrompeu-se, mordendo o lábio inferior.
— Se eu já matei? — Perguntou baixinho, vendo-a concordar. Edward demorou a responder, apenas acenando com a cabeça instantes depois. — Foi logo nos primeiros dias, Carlisle conseguiu algumas bolsas de sangue no hospital que trabalhava, de doações, sabe? Mas não foi o suficiente, um dia eu só… Fugi. — Calou-se pouco depois, não querendo recordar-se.
voltou a aproximar-se, deitando-se ao seu lado e passando um braço por sua cintura, sabendo o quanto aquilo deveria ser difícil para ele.
— Quando foi que aconteceu?
— Que eu morri?
— Você não morreu... — Replicou, fazendo uma careta ao pensar sobre a palavra.
— Tecnicamente, sim. — Explicou, virando-se para olhá-la — Nunca pensou sobre isso? Estou vivo como um vampiro, mas para isso acontecer eu precisei morrer.
— Que belo zumbi! — Brincou, sorrindo fraco, escutando-o rir nasalado.
— Dia 24 de junho. Daqui há pouco fazem três anos.
fez um barulho com a boca, tornando a afastar-se e encará-lo, sentindo o coração bater acelerado. Edward franziu o cenho, não conseguindo entender seus pensamentos agitados.
— O que foi?
— Vinte e quatro de junho de 95?
Cullen concordou com um aceno, fechou os olhos, respirando fundo enquanto tentava pensar com clareza, levantando-se da cama e andando pelo quarto, tentando acalmar-se para soar pelo menos um pouco coerente.
— O que foi?
— Eu sei o que você vai dizer, — começou, encarando-o pouco depois — mas é, no mínimo, coincidência demais.
— Do que está falando? — Questionou mais uma vez, sentando-se na cama.
— Edward… Cedrico Diggory morreu dia 24 de junho de 95.
O rapaz a olhou surpreso, as sobrancelhas levantadas e a boca ligeiramente aberta.
Se encararam por alguns instantes, até que ele negasse, segurando a risada;
— Você não está sugerindo…?
— Eu não sei o que eu estou sugerindo! — Respondeu ansiosa — Mas você não acha estranho? Cedrico morreu no dia em que você foi transformado! Vocês dois são idênticos! E você nem mesmo se lembra da sua vida antes de ser um vampiro?
Edward tornou a negar, embora concordasse que aquilo tudo era realmente ainda mais estranho do que a "coincidência" de ser parecido com o bruxo.
— Você disse que ele morreu, não foi? Morreu mesmo? — Começou, vendo-a parar de andar pelo quarto, concordando com um aceno. Edward se levantou, caminhando até ela e colocando as mãos sobre seus ombros — Tem certeza?
— Sim, todos vimos. — respondeu em voz baixa, desviando o olhar do dele — Cedrico foi morto na terceira prova. Harry Potter voltou com o corpo dele, foi uma cena horrível...
Cullen passou a língua pelos lábios, sorrindo minimamente;
— Sua teoria acaba aí: Não é possível transformar alguém depois que essa pessoa já está morta. Admito que é tudo muito estranho, mas se você realmente viu o corpo dele, não tem como sermos a mesma pessoa, .
respirou fundo, concordando com um aceno, mas não parecia realmente convencida. Tinha certeza que havia algo a mais naquela história, não podia ser só uma coincidência;
— E se ele fosse seu irmão? Uma coisa seria vocês dois serem parecidos, mas Edward, vocês dois são idênticos! — Exclamou nervosa, virando-se para mexer em suas coisas e retirando uma caixa preta do armário, o rapaz deu um passo para trás, sabendo o que ela faria; — Está vendo? — Mostrou-lhe a foto em que ela estava com Cedrico em um bar, sorrindo enquanto bebiam — Não é só uma semelhança, Edward!
— Eu tenho certeza que se eu tivesse um irmão, Carlisle teria mencionado! E Diggory tinha pais, não?
— Tinha… — Concordou, momentaneamente sem argumentos, olhando triste para a foto em suas mãos.
Edward sentiu uma pontada em seu peito ao ver a tristeza estampada em sua feição, travando a mandíbula.
— Eu sei que você queria que isso fosse diferente — começou baixo, estudando suas reações —, mas Diggory está morto, .
A garota o encarou por um instante;
— E você acha que eu não sei disso? — Exasperou-se, falando mais alto. — Acha que eu não sei? Eu vi o corpo dele, Edward.
Cullen deu um passo em sua direção, esticando o braço para alcançá-la;
— Eu sei, eu só…
— Você acha que eu gosto que vocês sejam idênticos? — Tornou, afastando-se irritada.
— Shiu, você vai acordar seus pais! — Avisou, olhando por sobre o ombro, prestando atenção em qualquer movimentação vinda do outro quarto.
— Eu acho melhor você ir embora agora. — Respondeu, cruzando os braços.
Edward a encarou descrente.
— Está falando sério? — Questionou, começando a irritar-se, vendo-a concordar com um aceno, ainda segurando a foto em suas mãos. Edward sentiu o ciúme irradiar de seu corpo, controlando-se para não gritar — Ótimo. Talvez você estivesse certa quando disse que isso não poderia funcionar — apontou de um para o outro —, é mesmo impossível você estar com outra pessoa quando até hoje não conseguiu superar seu ex-namoradinho. — Andou furioso em direção a janela, escalando-a pronto para sair, mas olhando-a debochado por sobre o ombro — Mas deveria lembrar que, como você mesma disse, mesmo quando ele estava vivo, Cedrico gostava de outra garota.
respirou fundo, segurando a vontade de xingá-lo ou de atacá-lo com sua varinha, andando até a janela e trancando-a, se dependesse dela, Edward nunca mais pisaria em sua casa, menos ainda em seu quarto.



Continua...



Nota da autora: O QUE SERIA DAS FANFICS SEM UM DRAMINHA NÉ? Mais TRÊS capítulos e a ced aka ed finaliza, ansiosas?
Beijão!

PS: Deu erro na hora de comentar na fic? Clica AQUI.



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