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Última atualização: 11/08/2020

Capítulo 1: Deus escreve certo por linhas tortas

Minha história com Harry Styles começou antes mesmo de descobrirmos que sequer tínhamos uma.

Não se tratou de um momento, uma ação, ou uma frase; não foi de uma hora para outra. Na verdade, foi uma coleção de momentos — bons e ruins —, centenas de ações — de todos ao nosso redor —, um conjunto de frases — ditas e não ditas — e anos. Longos e tortuosos anos. Gosto de pensar que não fluiu de escolhas e, sim, de coincidências, várias delas. Tantas que fariam qualquer pessoa cética passar a acreditar em destino.

Portanto, levando em consideração que todos os acontecimentos, por mínimos que pareceram ser naquela época, têm sua parcela de culpa sobre o que eu e Harry nos tornamos hoje, resolvi partir do princípio.

Logo, minha história com Harry Styles realmente começa no dia 23 de Julho de 2010.

Era um dia bonito; o sol brilhava no céu ao mesmo tempo que uma brisa fresca fazia cócegas nas folhas das árvores. Uma tarde digna do início de um romance clichê, eu diria. Mas quem me dera eu e Harry nos encaixássemos nessa definição. Se me perguntassem, eu certamente responderia que nós estamos mais para um drama pra lá de excêntrico, muito embora a primeira vez que nossos caminhos se cruzaram possuísse um grande potencial para se tornar, sim, um conto de fadas adolescente.

Seria o início de uma nova temporada do programa de televisão, The X-Factor, e eu estava em uma cadeira ali pela terceira fileira, junto com minha mãe e mais duas amigas, para assistir ao vivo a gravação das audições. Não era segredo nenhum que dona Amanda amava esses shows de talentos, pois lembrava ela da época que sonhava ser cantora e, já que não conseguiu realizar esse desejo, torcia para que os outros conseguissem. Era bonito de sua parte, eu reconhecia, só não entendia a necessidade de me arrastar junto para essa besteira. Não tinha interesse algum nesse tipo de conteúdo, achava um desperdício do meu tempo estar ali, mas minhas amigas, e Valerie, em contrapartida, estavam mais do que empolgadas com tudo aquilo e acabaram se juntando com a minha mãe para me convencer de ir.

Para ser franca, aquela não era minha primeira vez no programa. Já estive lá com minha mãe duas vezes quando era criança, mas, assim que ela percebeu que não era exatamente meu passatempo favorito, ia apenas com meu pai ou com suas amigas.

De alguma forma, minha mãe conseguiu comprar ingressos de última hora para nós quatro e bem de frente ao palco, o que melhorou minha visão para todos os apresentadores e participantes. Pode ter sido Deus, talvez destino ou qualquer outro poder maior que você acredite, mas eu tinha que estar presente ali, naqueles acentos e naquele ângulo em relação ao palco. Isso sim, foi o momento perfeito para meus olhares e sorrisos cruzarem com o de Harry.

Passei a maior parte do tempo olhando para meu celular, trocando mensagens com um colega da aula de matemática, e, toda vez que algum participante se apresentava no palco, apenas fazia expressões faciais para minha mãe e minhas amigas entenderem que eu estava prestando atenção.

Algumas caretas daqui, assentimentos e negações dali e finalmente Harry entrou. Não precisei olhá-lo, porque o que me chamou a atenção foi a música que cantou. Minha expressão para ele foi bem diferente das que fiz para todos os que tinham se apresentado até aquele momento — minha mãe e minhas amigas perceberam — mas eu não comentei nada sobre. Não sabia como definir o que senti ao vê-lo, mas posso dizer que não foi algo deste mundo. De alguma forma, eu senti algo que nunca havia sentido antes: um arrepio percorreu meu corpo, eu soltei um suspiro quando ouvi Isn’t She Lovely, e terminei com um grande sorriso no final da apresentação.

Desde então, nunca parei de pensar em Harry. Claro, como uma fã. Eu, Valerie e tínhamos virado as maiores fãs de One direction da história após aquela noite.

E essa foi a primeira vez que vi Harry Styles.


Capítulo 2: Quem tem boca vai a Roma

Um ano e meio após meu destino e de Harry finalmente terem se cruzado - o meu mais que o dele -, o vi pela segunda vez em um dia normal. Era 12 de maio de 2011, havia acabado de me despedir de e Valerie pois havíamos chegado na esquina que nós separaríamos após a aula acabar, embora morássemos relativamente perto, existia um exato ponto em que cada uma iria para um lado. Eu me lembro exatamente de como o céu estava aquele dia: nublado, garoando e sem nenhum raio de sol para melhorar meu humor, que costuma estar um pouco nervoso após uma aula de química.

Assim, caminhei até minha casa e o carro dos meus pais não estava parado em frente. Pensei que poderia ter acontecido alguma coisa de errado, porque nós três sempre almoçávamos juntos. Era nosso combinado, pois nunca conseguíamos jantar juntos por conta do meu treino de natação. Ao entrar em casa, não senti cheiro de comida e não ouvi barulho algum, o que me levou a pegar meu celular para escrever para minha mãe. No entanto, quando estava para digitar a mensagem, um pequeno papel em cima da mesa da cozinha acaba me chamando a atenção. Não demorei a pegá-lo, logo percebendo que se tratava de um bilhete dos meus pais. O bilhete dizia que eu precisava ir ao mercado e que poderia almoçar no restaurante ao lado.

Então, troquei meus tênis por chinelos mais confortáveis, peguei minha carteira e fui caminhando até o restaurante, ambos ficavam a apenas três quadras da minha casa, portanto, não demoraria para chegar.

Como eu já disse, algumas coisas precisavam acontecer para nossos destinos se cruzarem mais uma vez e foi neste dia que eu consegui uma foto com Harry Styles e Zayn Malik. Chegando a entrada do mercado, observei um grupinho de quinze meninas ou mais, gritando e com celulares em mãos. Consegui ver Zayn, entre duas meninas e eu corri até o aglomerado, na intenção de também conseguir uma foto com eles. A esse ponto, todas as adolescentes da Inglaterra já os conheciam e todas ouviam Up All Night durante dia e noite, compravam revistas e colavam pôsteres nas paredes de seus quartos.

Esperei o segurança que estava com eles organizar as meninas em uma fila única e tentei ficar por último, mas o segurança tinha me dito que os meninos precisavam ir embora e que não tinham tempo para tirar com todas as meninas, mas fiquei por perto até chegarem na última menina da fila, e foi assim que eu agradeci a Deus por ter me proporcionado uma personalidade sem vergonha alguma. Cheguei perto do segurança e falei:

— Por favor, estou sozinha! Serei a última — implorei ao segurança, o que custava ele me deixar tirar uma foto?

— Me desculpe senhorita, mas...

Antes que o homem terminasse de falar, Zayn o interrompeu:

— Está tudo bem, ela será a última e podemos ir. — Zayn, se eu pudesse ter dado um beijo naquele exato momento, eu daria!

Nessa segundo, meu coração palpitou e abri um sorriso em meu rosto. Acredito que até meus ancestrais ficaram felizes, pois um raio de luz chegou bem onde estávamos parados, deixando a foto mais perfeita do que poderia estar. Fiquei entre Harry e Zayn, sorrindo de orelha a orelha e o segurança tirou nossa foto. Dei um sorriso aos dois quando acabamos, eles acenaram com as mãos, falando obrigada e foram embora.

Harry havia encostado suas mãos em minha cintura e assim que senti, um calafrio correu por todo o meu corpo, me fazendo corar. Se não fosse o mísero raio de sol, teria parecido uma lagosta de tão vermelha.

E essa foi minha primeira foto com Harry, a primeira vez que nos tocamos e a primeira vez que trocamos sorrisos. Após meu coração se normalizar, entrei no mercado para fazer as tarefas que me pediram e, após longos quinze minutos na fila do caixa, fui embora.

Quando cheguei em casa, meus pais já tinham voltado, então mostrei-os a foto, com sorrisos no rosto e olhos brilhando. Pensei sobre a mesma durante a tarde toda, a noite toda e também no dia seguinte, e no outro...


Capítulo 3: Um dia é da caça, outro do caçador

Alguns meses já haviam se passado e a One Direction já estava conhecida por todo o mundo. Todas as garotas entre 12 e 18 anos já tinham ouvido falar sobre Harry, Zayn, Liam, Louis e Niall; algumas mais do que outras e algumas com mais sorte que as outras.

A banda já havia lançado seu primeiro clipe “What Makes You Beautiful” e, agora, “One Thing” estava por vir. Logo, a produção decidiu preparar uma surpresa para todas as fãs de Londres, proporcionando-nos a chance de participar do clipe. Na verdade, as cenas seriam gravadas na rua, então muitas pessoas apareceriam de alguma forma, mas tal promoção permitia ver os garotos ainda mais de perto e ainda ganhar uma foto com eles.

Dez meninas teriam essa sorte.

Bom, eu, Valarie e tentamos de muitas formas diferentes pensar sobre o que falaríamos, afinal, tínhamos que fazer um vídeo inventando uma dancinha para a música e ainda explicar o porquê merecíamos ganhar essa promoção. Nossas tentativas foram falhas, no final das contas, e para ser franca, acredito que nem chegamos perto de passar na seleção, pois enviamos o vídeo errado e não havia uma forma de apagar. Nós três ficamos muito desapontadas com essa situação, porque se vissem o primeiro vídeo, provavelmente, ignorariam o próximo a ser mandado.

Porém essa história não acaba assim.

Eu, como uma grande aventureira, passei uma noite com as meninas imaginando diferentes formas de participarmos do clipe, mesmo que fosse apenas em uma pequena parte. Naquele sábado, tive que cancelar meu treino de natação e, praticamente, implorei para minha mãe concordar com nosso plano. Ela me fez prometer que eu iria acompanhá-la na próxima edição do The X Factor.

O dia estava normal em Londres, pouco ensolarado, alguns graus acima de zero e ventava um pouco. Confesso que passei a noite sem dormir, então não estava com meu melhor rosto para aparecer em um clipe, mas não poderia perder essa chance. As garotas dormiram em casa e tivemos que acordar super cedo para chegarmos no local.

Passei o caminho todo olhando pela janela, pensando nas situações que poderiam ocorrer, porém, nunca imaginaria que meu dia terminaria desmaiando na frente de Harry Styles.

Chegando no local, minha mãe nos perguntou mil vezes se tínhamos certeza de que queríamos fazer aquilo, pois estava extremamente lotado e eu tinha alguns problemas com lugares cheios, misturado com ansiedade. Parece até que ela previu o que aconteceria. Não havia lugar para estacionar, quase nem para ficar em pé, mas de alguma forma, fomos parar bem próximas do camarim principal e gritou bem alto que eles estavam exatamente ao nosso lado.

Era nossa chance de conseguirmos uma foto.

Havia milhões de seguranças no local, além de fitas amarelas para indicar que as passagens eram proibidas, mas precisávamos passar por isso, caso contrário minha história com Harry não existiria. Esse momento foi o momento crucial para nossos destinos finalmente baterem de frente um com o outro.

Conversamos e ouvimos minha mãe por alguns minutos, até decidirmos que iríamos tentar passar e pedir ao menos uma foto. Dito e feito, passamos por trás de algumas árvores e chegamos em um pedacinho onde não havia ninguém olhando, tendo visão dos meninos conversando e mexendo em seus celulares. Seria o momento perfeito.

Logo, eu, Valerie e demos as mãos e corremos em direção a eles, decididas.

O primeiro a nos notar foi Liam, que franziu o cenho e perguntou:

— Quem são vocês?

— Somos da promoção, só queremos uma foto – mentiu na cara dura, sem nenhuma vergonha ou nervosismo, mesmo que fosse óbvio que não éramos da promoção, pois não estávamos muito arrumadas e não tínhamos nenhum crachá.

— As fotos da promoção já foram! — interviu um segurança, que havia aparecido de trás de uma placa. — Tirem elas daqui.

Antes que pudéssemos falar alguma coisa, eu já estava paralisada e não conseguia retirar minha expressão de surpresa do rosto. A única coisa que consegui ouvir foi a voz suave de Harry, dizendo:

— Fecha a boca, senão entra mosquito. — E, em coro, muitas gargalhadas femininas.

Assim que Harry terminou sua fala, levantou de onde estava sentado e parou em minha frente, acredito que talvez fosse tirar uma foto conosco, o que fez meu coração quase voar pela boca. De repente, meu estômago ardeu como nunca e pude sentir meu corpo inteiro ficando fraco.

Foi assim que desmaiei na frente de Harry Styles.

Apenas lembro de alguém me segurando, gritos de “Tia Amanda...” e de acordar poucas horas depois no hospital mais próximo dali.

Ninguém realmente soube me contar o que aconteceu naquele dia, pois todos ficaram nervosos demais para pensar em alguma coisa. Porém posso afirmar que essa foto não aconteceu e que, aquele momento ficaria marcado para sempre, não só em mim, como em Harry também.


Capítulo 4: Cavalo dado não se olha os dentes

O vento morno fazia cócegas em minhas orelhas, ao mesmo tempo que soprava meus cabelos para trás em uma bagunça de fios. Naquela tarde, logo depois do término da escola, peguei minha bicicleta e iniciei minha missão de espalhar por aí alguns panfletos sobre os filhotinhos da minha gata que precisavam de adoção. Portanto, fazia quase duas horas que rodava meu bairro, pedalando para cima e para baixo, parando apenas para pregar as folhas pelo caminho.

Andei, andei e andei mais um pouco até chegar em casa. Sentia-me cansada, porém, feliz de já ter conseguido doar quatro gatinhos, estes ainda antes de entregar os panfletos. Agora, faltavam apenas dois, pois decidimos ficar com um dos filhotes.

Assim que abri a porta de casa, senti um cheiro maravilhoso de alho e cebola fritando e imaginei que minha mãe estivesse fazendo a janta, o que me levou direto para a cozinha.

— Oi mãe, o que está fazendo? — Abracei-a pelas costas. — Esse cheiro pode matar qualquer pessoa que passar aqui em frente — falei, rindo, e ela abriu um sorriso.

— Panquecas com carne moída, o que combinamos no almoço. — Ela sorriu e acariciou meus cabelos.

— Ah, é verdade! Vai demorar muito para ficar pronto? Estou morrendo de fome — disse, colocando as duas mãos em meu estômago, e a observei negar com a cabeça.

— Daqui alguns minutos — respondeu, colocando a carne moída no fogão. — Alguma sorte com os panfletos?

— Ainda não — suspirei —, mas espero que consigamos logo. É difícil demais cuidar de três gatinhos filhotes.

Nós rimos juntas.

Sentei-me no balcão da cozinha e fiquei alguns minutos observando-a. Eu amo passar o tempo ao lado de minha mãe, ela é meu conforto diário e sinto que recarrego minhas energias só de me aproximar dela.

Meu pai ainda não havia chegado do trabalho, ele normalmente se enrolava com as papeladas e se atrasava, quase sempre chegava quando terminávamos de colocar a mesa, exatamente o que eu estava prestes a fazer. No entanto, ao me levantar, senti meu celular vibrando em meu bolso.

Eu nunca recebo chamadas, pois todos meus amigos sabem que conversar por ligação não é exatamente meu passatempo preferido, a não ser que seja necessário. Peguei meu celular e vi que era um número diferente, levando-me a pensar que seria alguém querendo adotar os gatinhos. Ou não, ou pode ser que tenha sido uma péssima ideia colocar meu celular por quatro bairros diferentes e agora alguém pode querer me sequestrar...

— Alô? — atendi ao colocar o celular no ouvido, enquanto pegava três pratos para pôr a mesa.

Oi, ? — disse uma voz feminina que não reconheci.

— Sim, sou eu. Com quem eu falo?

Meu nome é Rosa, tudo bem com você? — ela perguntou, simpática.

— Tudo sim, obrigada por perguntar. E você? — respondi e olhei para minha mãe, que me observava com uma expressão de “quem é? ”.

Tudo também. Eu gostaria de saber sobre os gatinhos, queria adotar dois, se ainda estiverem disponíveis — a mulher disse, fazendo-me sorrir de orelha a orelha.

— Estão sim! Posso levá-los até você quando quiser — prontifiquei-me, entusiasmada. Minha mãe fez um “yay” ao fundo.

Que ótimo! — ela exclamou e eu pude ouvir vários gritos de felicidade ao fundo. — Será que consegue trazer hoje ainda, mais tarde? O endereço é Vertmont st, 2345.

— Claro, daqui uma hora levo até vocês. Obrigada.

Eu e minha mãe suspiramos, aliviadas. Agora eu finalmente poderia ter uma noite de sono tranquila e em paz. Também me senti bem por ter encontrado um lar para os gatinhos, todas as vozes que consegui ouvir pareceram animadas quando eu falei que eles poderiam adotá-los. Além do mais, fiquei um pouco espantada, Vertmont fica em um bairro muito rico daqui, é até estranho pensar em levar gatinhos para lá.

Terminei de arrumar a mesa e, como eu disse, poucos segundos depois, meu pai apareceu na cozinha com sua maletinha e seu sorriso contagiante. Ele me abraçou, depois beijou minha mãe e falou que o cheiro estava maravilhoso.

Durante a janta, conversamos sobre nossos dias e nossos planos sobre o final de semana. Antes não costumávamos jantar juntos, por conta do meu treino, mas agora eu almoço na escola e jantamos em família todos os dias. Era meu momento preferido: ouvir meu pai contar sobre seu dia na empresa e minha mãe falar sobre seus alunos na faculdade. Meu pai tinha uma fábrica de meias e minha mãe era professora de história da América na faculdade e era incrível ouvir minhas duas inspirações contando sobre suas experiências diárias.

Após um jantar maravilhoso, eu e meu pai lavamos a louça e eu fui tomar um banho rápido para poder sair. Contei a ele que precisava levar os gatinhos e depois perguntei se poderia me levar até a casa de , pois tínhamos combinado de assistirmos filmes juntas.

Tomei meu banho quente, troquei-me, sequei meu cabelo e arrumei minha mochila, pois provavelmente passaria a noite na casa de .

Por algum motivo, estava ansiosa para entregar os gatinhos. Talvez tenha me apegado demais a eles. Peguei uma caixinha e os coloquei dentro, meu pai já estava me esperando para levarmos eles.

Passei o caminho todo batendo o pé no chão e roendo minhas unhas, meu estado ansioso era deplorável, não conseguia parar quieta um minuto sequer. Meu pai até brincou perguntando se eu queria um chá de camomila.

Chegando no local, olhei espantada para o meu pai, pois a casa era enorme. Era uma mansão e ficava em um bairro bem afastado. Nunca havia entrado em uma casa tão grande e, por algum motivo, ela me parecia muito familiar.

Meu pai e eu descemos do carro, totalmente maravilhados com o que víamos e, assim que fui tocar a campainha, a porta foi aberta por uma mulher baixinha, de no máximo 60 anos, com um sorriso enorme no rosto.

— Você deve ser a ! — exclamou. — Entre, por favor.

— Oi! — Sorri. — Este é o meu pai, Thomas. Com licença. — Apontei para ele, ao mesmo tempo que dava um passo adentro.

Andamos por um corredor que havia muitas guitarras e quadros pendurados. Também haviam prêmios e discos de ouro espalhados pelas prateleiras. Ficamos maravilhados com cada detalhe, até chegarmos na sala principal, onde havia meias, papeis, camisas e palhetas espalhadas por todos os cantos.

— Por favor, não reparem na bagunça, eles chegaram de viagem ontem e... — Rosa falava, mas foi interrompida por uma voz familiar.

Eu engasguei, quase soltando a caixa com os gatinhos no chão, enquanto sentia meu corpo todo se arrepiar ao ver Louis Tomlinson descendo as escadas.

— ESSES SÃO MEUS GATOS? — ele gritou, olhando para mim, e eu não conseguia responder. — Rosa, ela fala ou é muda?

— Está tudo bem, ? — Meu pai me olhou apreensivo e eu assenti. Acho que ele não reconheceu.

— Louis, comporte-se, eu não contei a ela que você e os meninos iriam adotar os gatos. — Ela o olhou, franzindo o cenho.

— Ah... — eu, finalmente, disse e meu pai gargalhou, compreendendo melhor a situação.

Olhei para frente e Harry Styles estava descendo as escadas sem camisa e sorrindo, falando com Liam que vinha logo atrás dele.

— Posso pegá-los? – Louis veio até mim. — Eles estão vacinados?

Assenti e entreguei a caixinha para Louis.

— Você é muda? — ele sussurrou e eu neguei.

Liam olhou para Harry e Niall logo desceu as escadas dando risada. Parecia que eu estava sonhando. Parecia não, eu com certeza estava. Meu pai até me deu um leve tapinha no ombro, eu precisava falar alguma coisa.

— Cara, é a menina que desmaiou na frente do Harry! — Niall exclamou, apontando diretamente para mim.

— Se eu não lembro, não aconteceu! — Sorri. — Mas sim, olá. Niall, como você se lembra disso? — perguntei, envergonhada.

— Harry ficou todo preocupado aquele dia! Você foi a primeira fã que desmaiou na frente da gente — ele respondeu, animado. — Quais as chances, né?

— É verdade, ele quase correu atrás de suas amigas. — Zayn entrou na sala. Parei por alguns segundos e coloquei a mão na cabeça, precisava ter certeza de que não estava sonhando ou delirando.

Harry estava olhando para os dois com apreensão e eu não conseguia assimilar o que estava acontecendo. Qualquer pessoa iria querer estar em meu lugar. Qualquer uma mesmo.

— Quer um chá? — Ouvi Rosa perguntar, indo em direção a cozinha.

— Não, não quero incomodar, obrigada. Acho que precisamos ir, né pai? — Sorri de lado.

— Posso bater uma foto com vocês? — Thomas pediu e eu senti meu corpo todo ficar vermelho.

— Pai... — disse, nervosa.

— Vocês podem ficar mais um pouco se quiserem. Não estão atrapalhando. — Aquela voz rouca passou por meus ouvidos como se fosse uma melodia, olhei para baixo e mordi o lábio. Qualquer um poderia notar meu desconforto e nervosismo naquela hora.

— Então Harry é seu favorito? Eu não te culpo, ele é meu favorito também, né Harold? — Louis gargalhou e deu um soquinho no braço de Harry.

— Chega! Estão deixando ela com vergonha, olhem a cor que ela está — ele se pronunciou. Fingi pegar meu telefone e começar uma conversa falsa com minha mãe, mas não deu muito certo. Meu pai só gargalhava. Louis tirou o celular da minha mão e falou para todos os meninos que eu estava tentando "fugir do momento privilegiado com os meninos mais lindos do mundo" e eu acabei me rendendo.

— Não ligue para Louis, ele não vai crescer nunca. — Rosa chegou com uma bandeja cheia de xícaras e me entregou uma logo em seguida.

— Rosa, você é uma guerreira por aguentar esses meninos — falei e todos olharam indignados para mim. — O que? Olhem a bagunça dessa sala!

Rosa deu risada e concordou.

— Pode ir embora, você não merece nossa companhia! — Louis disse, fingindo chorar.

— Louis, sempre tão dramático — Niall zombou. — Ela tem razão, nós somos uns terrores. Mas ela ainda não viu nada. — Então ele joga em mim uma camisa que estava em cima do sofá.

— Nossa, que cheiro é esse? Que perfume delicioso — eu disse, tirando a camisa que tinha caído sobre a minha cabeça.

— Droga, eu podia jurar que não estava com um cheiro agradável — Niall falou, rindo. – É do Harry, é o perfume dele.

Outro momento para voltar as bochechas vermelhas.

— Muito bom esse perfume, Harry — elogiei, entregando-lhe a camisa.

— Obrigado. — Ele sorriu, passando a mão na cabeça e pegando a peça de roupa.

— Foi muito, muito, muito bom mesmo conhecer vocês, meninos — eu sou sincera —, mas temos que ir agora. Posso tirar uma foto antes?

Eles assentem no mesmo segundo. Louis pega um gatinho e Niall pega o outro para a foto, enquanto eu entrego meu celular ao meu pai. Posiciono-me entre Harry e Louis, este que estava com um dos gatos praticamente na cara dele. Tiramos a foto e me despedi de todos, pensando que talvez essa seria a última vez que veria Harry Styles, pois minha cota de sorte da vida já havia se esgotado.

Vi Harry pegar o celular e digitar alguma coisa e, logo em seguida, meu celular apitou (leiam gritou) uma notificação. Eu simplesmente fingi que nada aconteceu e logo ouvi de novo. Também ouvi Harry dando risada e ninguém entendendo nada.

Peguei meu aparelho discretamente, vendo que ele tinha tweetado algo como "Max or Rod?", se referindo ao gatinho macho e, logo depois, "Oi, !".

Sorri, abri meu twitter e respondi.

@Jones1: Oi, Harry!

Meu celular apitou novamente.

@Harry_Styles: Como é desmaiar na frente do menino mais lindo do mundo, ?

@Jones1: Não sei, ainda não desmaiei na frente do Zayn!

— Espero que saiba que estou brincando — eu disse e Harry mostrou a língua, rindo.

— Vamos ver... — Ele se dirigiu a Zayn e bagunçou seu cabelo. — Ele parece menos bonito agora?

Olhei para o lado e todos estavam com cara de quem não estavam entendendo nada, fazendo-me rir.

— Cara, que merda é essa? — Zayn parece ficar bravo, o que só aumenta minha risada.

— Vou embora, meninos. Até algum dia. Foi um prazer enorme conhecê-los, de verdade agora. — Eu aceno e eles retribuem o gesto.

Caminhei até a porta da frente com meu pai, que conseguia enxergar o quanto eu estava eufórica. Ele sabia que esse dia seria assunto para hoje, amanhã e quem sabe para todos os próximos dias do resto da minha vida.

Agora, era a hora da reação que eu queria ter tido no momento. Entrei no carro e soltei pequenos gritos, meu pai só sabia rir.

Bom, pelo menos e eu teríamos assunto para o resto da noite...


Capítulo 5: Quem pode, pode. Quem não pode, se sacode

Dito e feito. Eu e tivemos assunto para o resto da noite de sexta-feira. Conversamos sobre One direction, sonhos, casamento, garotos e mensagens de texto. Não conseguia ficar um minuto sequer sem pensar no cheiro do perfume que havia sentido e nas palavras que foram trocadas.

O que eu não esperava era receber um follow de Harry Styles naquela mesma noite.

Por algum motivo do destino – acredite você, ou não –, Harry havia me seguido no twitter, após uma simples reply sobre qual deveria ser o nome do seu gato filhote macho.

No dia seguinte, pensei sobre chamá-lo na DM, mas a vergonha de mandar mensagem para um Rockstar era maior que meu sonho.

No entanto, graças ao destino, não foi necessário. Foi preciso apenas um tweet para que começássemos a conversar de verdade. Minha postagem foi mais do que intencional, e eu implorei aos céus para que ele visse.

@Jones1: Sexta feira a noite foi o melhor dia da minha vida.

Harry_Styles: Ah é? Por qual razão?

Para evitar qualquer problema, Harry me mandou essa mensagem pelo chat privado, assim, não precisaria se explicar para algumas milhões de fãs.

Jones1: Conheci meus cantores favoritos! Niall, Zayn, Louis e Liam, daquela banda One Direction, sabe?

Harry_Styles: Não conheço, o que eles cantam?

Jones1: Pop Rock, eles são muito famosos! Como você não os conhece?

Harry_Styles: Acho que não é muito meu estilo musical. Mas então, são quatro integrantes?

Jones1: Sim, acredita que fui na casa deles sexta feira? Quase arranquei meus cabelos, sou a primeira fã da One direction na face da terra.

Harry_Styles: Ah é?

Jones1: Sim, eu estava lá no dia em que o grupo se formou, virei a primeira fã deles! Hahaha

Harry_Styles: Vou pesquisar mais sobre, quem sabe eu gosto também, né?

Jones1: Já posso surtar agora, Styles?

Harry_Styles: Pode sim, Jones.

[...]

Domingo:

@Harry_Styles: Você dormiu, né? Acho que sim, mas eu também. Fazia tempo que não ficava até tarde conversando.

@Jones1: Ah, você é real? Jurava que tinha sonhado.

@Harry_Styles: , supera.

@Jones1: Como superar o insuperável?

@Harry_Styles: Dramática, estamos conversando há horas já.

@Harry_Styles: Enfim, você dormiu bem?

@Jones1: Sim, nossa! Igual a um urso. Tive vários sonhos loucos, quer que eu conte?

@Harry_Styles: Eu tenho escolha?

@Jones1: Na verdade, não.

[...]

Terça-feira:

@Jones1: Eu odeio matemática.

@Harry_Styles: Estou familiarizado.

@Jones1: É tão cansativa!

@Harry_Styles: Vou começar a contar as vezes que você falar isso.

@Jones1: Desculpa a demora, o twitter é muito ruim para dar notificação, nossa.

@Harry_Styles: Me passa seu número então.

@Jones1: Como vou saber se não estou conversando com um louco que hackeou o twitter de Harry Styles?

@Harry_Styles: Foto.

E, então, Harry me enviou uma foto, segurando um papel escrito: “, manda seu número”.

[...]

Quarta-feira:

J. [08:09]: Mas me fala, por que você acordou tão cedo?

Harry Styles [08:10]: Nós temos uma reunião hoje.

J. [08:10]: Não vão tirar seu celular e te deixar de castigo?

Harry Styles [08:10]: Ainda não começamos, engraçadinha. Estou aqui olhando Niall fazer malabarismo.

J. [08:11]: Sério? Quero ver.

Harry Styles [08:11]: Ok.

Chamada de vídeo de Harry Styles

J. [08:11]: Harry, estou em aula! O professor está vindo

Harry Styles [08:12]: Ops.

Harry Styles [08:15]: Te fiz perder o celular?

J. [12:45]: Não, tive que guardar. Não acredito que me ligou.

Harry Styles [13:14]: Por que?

J. [13:24]: Não é estranho ter Harry Styles ligando em seu celular?

Harry Styles [13:25]: Não acho. Minha mãe adora.

J. [13:25]: Seria apropriado... se eu não estivesse em aula.

Harry Styles [14:03]: Então posso te ligar outra hora?

J. [14:09]: Hmm... Pode?

Harry Styles [14:10]: Legal.

[...]

— Isso vai ser legen... espere por isso... — Barney diz, abrindo os braços para dar ênfase em sua próxima palavra: — Dário! — conclui, animado, fazendo Ted revirar os olhos pela milésima vez desde aquele conversa se iniciou.

Eu rio da cena que se passa na tela do meu notebook, enquanto levo mais um punhado de salgadinho à boca.

Eram umas sete da noite quando subi para o meu quarto, logo depois do jantar, e decidi assistir How I met your Mother, vulgo a melhor série do mundo. Na verdade, quando subi as escadas na pressa, quase tropeçando no meio delas, estava na expectativa de que tivesse alguma mensagem de Harry à minha espera, mas me decepcionei ao encontrar meu celular apenas com uma notificação da minha operadora. Portanto, achei que seria uma boa matar minha ansiedade assistindo a alguma série.

Até que estava funcionando, em certo ponto, mas volta e meia pegava minha mente vagando para algumas das conversas descontraídas que eu e Harry tivemos no decorrer da semana. Estávamos conversando há exatamente cinco dias, porém, eu ainda desconfiava que a qualquer momento eu iria acordar e perceber que tudo não passava de um sonho.

— Nada de bom acontece depois das duas da manhã — é Ted quem diz.

Desculpe, Ted, mas vou ter que discordar de você nessa. Minhas conversas favoritas com o Harry até agora, para não falar todas, aconteceram na madrugada, quando já estávamos drogados demais de sono para sabermos o que estávamos dizendo. Ontem, descobrimos que os dois só comemos maçã se ela for descascada.

Nem me pergunte como que o tópico da conversa foi parar em maçãs, porque eu não faço ideia.

Graças ao Harry, acabei cochilando em duas aulas essa semana, e isso que hoje ainda é quarta-feira. Entretanto, nem em um milhão de anos eu trocaria nossas mensagens por uma boa noite de sono e aulas de matemática assistidas. Que se dane a probabilidade de dois dados caírem em um número ímpar ao jogados ao mesmo tempo.

A única probabilidade com a qual eu me importo é a de eu ter encontrado Harry Styles quatro vezes na minha vida e ainda estarmos virando amigos. Afinal, quais eram as chances de isso acontecer de verdade e não só nas fanfics que eu lia? Pois bem, essa eu sei responder: uma entre milhares de fãs doidas por uma foto com a One Direction.

É loucura.

Eu já havia desistido de tentar prestar atenção na série quando o toque do meu celular ecoou pelo meu quarto. Em primeiro momento, eu estranho, pois não conseguia pensar em ninguém que pudesse estar me ligando àquela hora, mas assim que eu me inclino em direção ao criado mudo, tentando ler o nome no identificado de chamadas, minha mente clareia instantaneamente.

Harry.

Meu corpo inteiro congela ao se deparar com aquelas cinco letrinhas brilhando na tela do meu aparelho. Ele havia perguntado mais cedo se poderia me ligar hoje, mas eu realmente não achei que ele estivesse falando sério. E muito menos que seria por chamada de vídeo.

Eu pego o celular na mão, em dúvida se deveria atender ou se deixava tocar até que ele desistisse, mas esse pensamento logo foi descartado pelo meu consciente. Não, com toda a certeza, ignorar uma ligação de Harry Styles não era uma opção. Eu mesma me socaria se ousasse fazer isso.

No entanto, quando direciono a câmera ao meu rosto, prestes a aceitar a chamada, me deparo com a minha imagem deplorável na tela do meu celular. Eu, definitivamente, não poderia aparecer para Harry com o cabelo parecendo uma juba de leão e minha boca suja de farelo de salgadinho.

Em um pulo, levanto-me da cama e corro em direção ao banheiro. A primeira coisa que faço quando alcanço a pia, é agarrar a escova e passá-la em meus cabelos apressadamente, ignorando a dor em meu coro cabeludo ao enroscar as cerdas em alguns nós. Em seguida, ligo a torneira e lavo todo o meu rosto, então secando-o de qualquer jeito na minha blusa, enquanto corro de volta até meu celular.

Estou sem fôlego quando me jogo na cama e dou uma última arrumada no meu cabelo, antes de atender:

— Oi — cumprimentei-o, envergonhada.

O garoto, então, sorri, deixando à mostra suas adoráveis covinhas.

— Oi — diz, parecendo um pouco tímido também. — Por que está ofegante?

Eu rio nervosamente e mordo o interior da minha bochecha, pensando em alguma resposta. A verdade era um tanto constrangedora, eu certamente não a contaria.

— Estava fazendo uma caminhada noturna.

— De pijama? — Harry questiona, na lata. Havia certo divertimento em sua voz.

Eu olho para as minhas roupas, analisando o pijama rosa com pequenos sorvetinhos desenhados por todo o tecido. Ai, que droga.

Nem estou preocupada mais em sustentar minha mentira diante do fato de estar com aquele pijama ridículo na frente de Harry.

— Sim... Mas, então, o que você está fazendo? — mudo de assunto.

Com o pouco que eu conseguia observar do ambiente ao seu redor, constatei que estivesse na cozinha.

— Vou fazer um bolo, aí pensei que talvez você pudesse me ajudar com isso. — Ele direciona a câmera rapidamente para a bancada, onde posso notar alguns ingredientes, mas logo seu rosto ocupa a tela novamente. — Achei que não fosse atender.

— Em que mundo isso seria possível?

— Não sei. Vai que enjoou. — Harry dá de ombros, enquanto sua boca se fecha em uma linha reta.

Em resposta, eu deixo escapar uma risada, como se o que ele tivesse acabado de falar fosse a coisa mais estúpida da face da terra. E era.

— Até parece, Styles. A questão é: Não sei como você tem paciência para falar comigo.

Harry sorri, balançando a cabeça em negação, antes de responder:

— Deixa de besteira, Jones. Gosto das nossas conversas da madrugada.

Tento imediatamente reprimir o sorriso bobo, mordendo o lábio inferior, mas é inútil. Ainda mais quando Harry nem faz questão de esconder o seu.

— Eu também... — é o que consigo responder. — Não achei que realmente fosse me ligar.

— Eu disse que ligaria, não disse? Aliás, vai me contar o real motivo de ter demorado para atender?

Eu acabo rindo novamente, percebendo que ele não iria cair na história da corrida.

— Eu fui correndo até o banheiro pentear o cabelo, ok? Dá para me deixar em paz agora? — confesso de uma vez e sinto minhas bochechas ficando quentes quando ele cai na risada. — Vai se ferrar, Styles. Em minha defesa, estava parecendo um ninho de passarinhos, você não merecia olhar para aquilo.

— Tenho certeza de que você continuava bonita do mesmo jeito.

Eu realmente não estava esperando por aquele elogio repentino, o que me desconcertou instantaneamente. Sentia que estava prestes a virar um grande tomate vermelho.

— Bolo, certo? Vamos fazer o bolo. — desviei a conversa, o que parece o divertir ainda mais.

— Certo, o bolo. Por onde começamos?

Naquela noite, passamos horas e horas conversando sobre assuntos que nunca haviam passado pela minha cabeça. Depois de quebrarmos a timidez dos primeiros minutos conversando por vídeo, os assuntos simplesmente fluíram.

Eu sabia que precisava tirar minha cabeça das nuvens para não correr o risco de uma ilusão amorosa com um Rockstar de primeira linha – isso, com certeza, seria o fim da minha saúde mental, no entanto, eu continuei me enganado pelo resto da semana; e na seguinte também.

[...]

Uma semana depois:

Hoje, já é quinta-feira à noite e estamos conversando sobre os maiores micos da One direction no palco.

Harry Styles [22:07]: O Niall, ele com certeza é o pior de todos.

J. [22:07]: Imagino que seja, por causa dos pulos que dá. Uma vez passei a noite com assistindo aos desastres no palco.

Harry Styles [22:08]: Às vezes esqueço que você é nossa fã. E, às vezes, eu também esqueço que sou Harry Styles. Não é para qualquer um, né? É bom conversar com alguém normalmente. Não costumo ter muitos amigos.

J. [22:09]: Ha-ha, o senhor é bem convencido, né? Baixa a bola, capitão. Você se acha demais.

Harry Styles [22:10]: É só brincadeira, no fundo sou um pobre jovem inseguro...

J. [22:10]: Ah, pronto. Quer que eu marque uma sessão de terapia para você? Conheço ótimas recomendações...

Harry Styles [22:10]: Você está cheia das gracinhas hoje, não, Jones?

J. [22:11]: Você nem imagina, dormi com o palhaço noite passada!

Harry Styles [22:11]: Só se o palhaço for seu livro de física.

J. [22:11]: Falando em física, eu deveria dormir. Amanhã tenho aquela prova e preciso de horas suficientes de sono para, no mínimo, um 6.

Harry Styles [22:12]: Ei, falando em dormir... Os meninos e eu vamos chamar alguns colegas no sábado. Uma mini-festinha.

J. [22:12]: O que dormir tem a ver com sua mini festinha?

J. [22:12]: Uh, quer dizer então que sem conversas da madrugada?

Harry Styles [22:13]: Sim…

J. [22:13]: Poxa, uma pena! Deve ser péssimo para você trocar uma madrugada comigo por garrafas de cerveja, sinto muito!

Harry Styles [22:14]: Bom, posso ter os dois, né?

J. [22:15]: Sim, prometo que não vou marcar nenhum compromisso para trocar mensagens com você.

J. [22:15]: Boa noite, Styles.

Harry Styles [22:16]: Boa noite, Jones.


Capítulo 6: Para bom entendedor, meia palavra basta

— Você consegue acreditar que Harry Styles está te mandando mensagens? Às vezes sinto que estou sonhando por você — disse , enquanto estávamos fazendo duplas na aula de química.

A verdade, é que ela estava com essa mesma frase na cabeça desde que fui à sua casa na sexta-feira. E para ser sincera, eu também estava. Desde aquele dia me sinto diferente, me sinto viva e também um pouco iludida. A cada mensagem, sinto toda minha espinha arrepiar. Era como se estivesse ouvindo suas palavras em meu ouvido.

Hoje, duas semanas depois, os dias parecem mais curtos e as horas parecem passar mais rápido quando falo com ele. Entretanto, nossas conversas não passavam de meras piadas e assunto casuais, longe de romances e flertes. Era como se fôssemos amigos há anos.

Neste momento, observo segurando meu celular, lendo as mensagens que trocamos ontem à noite. Ainda não tivemos a oportunidade de conversar hoje, pois era o dia de folga dos meninos e eu vim mais cedo para a aula, pois tinha um grupo de estudos.

Horas como essas, durante uma aula de química, parecem ser eternas.

— Ele está totalmente afim de você! — falou, empolgada.

Espiro pesadamente ao ouvir a mesma frase pela décima vez.

— Silêncio! — a professora gritou, do outro lado da sala, apontando para onde estávamos.

— Cai na real, . Ele é Harry Styles. — Eu pego meu celular de volta.

— E daí? Vocês estão conversando há duas semanas — sussurrou, evitando que nossa professora ouvisse.

, você viu nossas conversas. Falamos de balões e batatas fritas, isso não é nada romântico.

— Ele te convidou para sair! — ela exclamou e, graças a Deus, o sinal tocou junto. Já estava pronta para tomar outra bronca.

— Ele não me convidou para sair, ele comentou que teria uma festa na casa dele amanhã, apenas isso — repliquei, pegando meus livros e colocando-os na mochila.

, você só pode estar brincando! — me encara, indignada.

, estou procurando manter meus pés no chão. Não quero me iludir com Harry Styles, isso seria a maior decepção amorosa na vida de qualquer garota, é impossível se recuperar de uma ilusão como essa — eu digo, por fim, encerrando o assunto, segundos antes de sairmos da sala.

me falava disso todos os dias e eu – sabendo que é praticamente impossível – estou realmente tentando manter meus pés no chão em relação a isso. Eu não quero ser mais um caso de Harry Styles. E olha, já estou me iludindo...

Caminhamos até a biblioteca da escola para encontrarmos nossa amiga Valerie. Precisávamos que ela nos ensinasse física, pois teríamos uma prova às 15h.

Harry ainda não havia me mandado mensagem e eu já estava ficando preocupada, mas eu disse que não me iludiria, né? Fui o caminho todo até a biblioteca com o celular em mãos, esperando uma resposta para minha mensagem de bom dia, que eu já havia mandado há horas...

, oi! — Valerie disse, colocando as mãos em meu rosto.

— Oi! — respondi com um sorriso, colocando o celular em meu bolso.

— Ela não está iludida não, né, ? — a garota perguntou e riu.

— Claro que não, Vava, eles são só amigos — respondeu, em um tom irônico e eu mostrei a língua a ela.

— Vamos logo, temos a prova da nossa vida em uma hora, — falei, enquanto puxava as duas pelo braço, entrando na biblioteca.

entendeu que realmente precisávamos estudar e decidimos focar na física. Desse modo, Valerie passou a última uma hora tentando nos explicar a equação de peso e também nos dando as respostas para a prova, porque ela já havia feito a mesma prova no segundo horário.

Por mais que estivesse tentando, não conseguia focar meus pensamentos em equações, apenas checava meu celular a cada cinco minutos, copiava algumas respostas nesse meio tempo e Valerie chamava minha atenção quando eu acabava olhando para o nada.

Não, eu não estou apaixonada por Harry Styles, apenas não consigo assimilar a ideia de que talvez sejamos amigos. Isso é algo que realmente faz a serotonina em meu corpo transbordar.

Na verdade, sinto que isso deveria aparecer no currículo de alguém:

- Estudou em escola tal;

- Trabalhou em tal lugar;

- Foi voluntária em tal lugar;

- É amiga de Harry Styles.

É uma situação que agrega, não?

Me sentia feliz em poder conversar com ele como apenas pessoas normais, ver outros lados de Harry e rir de suas piadas ruins. Agora, passava horas pensando em quando receberia outra mensagem.

Tirei minha cabeça das nuvens quando começou a me cutucar:

, temos que ir. São 14h45min.

— Vamos, mas tenho quase certeza de que vou reprovar. Não aprendi nada disso — repliquei, colocando minha mochila nas costas.

Odiava provas, nunca conseguia tirar notas altas. Pelo menos aquele era nosso último dia na escola antes das férias de inverno. Natal e ano novo já estavam próximos e eu mal podia esperar por eles.

— Você tem as respostas, é só colocar no papel — Valerie disse, tentando me acalmar.

Assenti com a cabeça e fomos em direção a sala de aula, onde faríamos a prova. Estava a cinco passos de pisar na sala, quando meu celular vibrou. Consegui apenas visualizar a mensagem, pois quando entramos na sala, o professor pediu para entregarmos nossos celulares. E é claro, que meu coração bateu um pouco mais forte...

Harry Styles [14:51]: Boa tarde, acabei de acordar. Você vem amanhã, né?


Capítulo 7: Para baixo, todo santo ajuda

A noite de sexta-feira arrastou-se até o sábado de manhã, mas é claro que foi bem aproveitada. Após a mensagem sobre a festa, eu e demos alguns gritinhos pela rua, antes de eu, finalmente, responder que tentaria ir, mas que teria que ser convidada também.

Toda sexta — ou quase todas —, e eu tínhamos um combinado de dormir uma na casa da outra. Valerie nunca ia, porque tinha compromisso com a família às sextas de noite, então ela só saía aos sábados, portanto, não poderia ir para a festa. Desta vez, ela teria que ir até o interior visitar sua avó e, embora amasse a companhia da senhorinha, nunca ficou tão triste por não poder sair com a gente. Insistimos muito para sua mãe deixá-la ficar, mas fazia meses que Valerie não via sua avó, então teve que ir.

Eu já havia conversado com minha mãe sobre Harry, pois contava tudo a ela, até os detalhes que não precisavam ser contados. Dona Amanda adorava ouvir o que eu tinha a dizer e sempre estava disposta a ajudar, compreender e rir. Isso significa que não foi preciso muito esforço para contar sobre a festa que e eu tínhamos essa noite, ela apenas reforçou que meu pai nos buscaria se precisasse e que eu podia ligar em caso de alguma emergência.

Às vezes, eu pensava que estava sonhando. Outras vezes, pensava que estava sob efeito de drogas ilícitas. Acho que só irei acreditar no que estou vivendo na noite de hoje, quando conversar pessoalmente com Harry Styles, como amigos. Sinto que estou vivendo uma fantasia.

e eu passamos a madrugada toda pensando sobre a festa e agradecendo minha gata por ter tido filhotes no momento certo. Nós também passamos horas escolhendo o que íamos usar, mas no final não foi tão trabalhoso, pois ela escolheu um vestido para mim e eu escolhi um para ela.

Nosso sábado se desdobrou tão devagar que as vezes me sentia em uma aula de química infinita. Jogamos vídeo game, assistimos a filmes, andamos de bicicleta, fizemos almoço e, mesmo assim, a hora não passava. Até meu pai tinha começado a perceber que eu estava mais nervosa do que para minha prova de ontem.

Ah, eu passei! também.

[...]

Quando a hora finalmente chegou, minha amiga e eu estávamos prontas a uma hora e meia atrás. Avisei Harry que estávamos indo e que em 25 minutos estaríamos lá.

— Você consegue acreditar aonde estamos indo? – olhou-me, enquanto entrávamos no banco de trás do carro. Meus pais estavam no banco da frente.

— Não fala comigo, estou nervosa demais para pensar em qualquer coisa. – Fechei os olhos, cruzando minhas mãos.

— Não seja dramática, filha – minha mãe disse, paciente. – Estou feliz por você estar passando por isso, eu gostaria de ter tido esse privilégio com o Elvis Presley.

— Ok, você tem razão. Preciso acalmar meus nervos, senão vou vomitar antes de beber uma gota de álcool. — Respirei fundo e riu.

— Tia, como você aguenta essa menina? — apontou para mim e eu semicerrei meus olhos. — Olha! Valerie está nos mandando boa sorte e amanhã quer todos os detalhes. – Ela me mostrou seu celular.

, não beba muito, ok? Você não conhece as pessoas que vão e não sabe o que pode acontecer — meu pai disse –, isso vale para você também, .

— Pode deixar, Tio Matt! Vou cuidar da muito bem! – Ela ri.

— Minha querida, quem cuida de alguém sou eu! — protestei e todos riram.

Minha relação com meus pais era incrível. Eles confiavam em mim, me amavam e me davam todo o suporte e apoio no mundo.

Passamos o caminho todo ouvindo One Direction, até finalmente chegarmos em nosso destino final. Minhas borboletas estão sapateando dentro de mim neste exato momento.

— Me liguem caso precisarem, mas não acho que será necessário – meu pai disse quando viu os 15 seguranças em frente à mansão dos meninos. – Se cuidem!

Mandamos beijos e paramos em frete à grande entrada. e eu nos entreolhamos e fomos até a segurança que estava revistando e conferindo as meninas. Demos nossos nomes e recebemos um pequeno carimbo em nossas mãos.

Segurei bem forte na mão de antes de entrarmos. Eu estava tão nervosa que até pensei que fosse desmaiar novamente, mas isso não aconteceu.

Para começar, eu tinha certeza de que “alguns amigos” significava todos os famosos de Londres e região. Sentia que todos os olhares estavam sendo direcionados a nós a todo momento.

Minha sensação ruim foi embora quando avistei Harry Styles vindo em minha direção, acompanhado de Niall e trazendo duas bebidas a mais nas mãos.

— Olha quem chegou, Harry! A maior fã da One direction da história! – Niall disse, cumprimentando nós duas.

— Quem, eu? – perguntei. – Eu nem conheço essa banda aí... – brinquei, abraçando eles.

Não lembro se comentei, mas às vezes, eu também conversava com Niall. Trocamos algumas mensagens após aquela chamada de vídeo que Harry e eu fizemos, a qual ele invadiu em certo momento. Niall era muito divertido e engraçado.

— Olha, eu posso te provar que conhece, sim, hein... Me lembro de ver vários pôsteres na parede do seu quarto quando conversamos outro dia – Harry disse, levantando a sobrancelha e rindo, deixando à mostra o sorriso mais lindo do mundo tomar chão na sala.

— Vocês estão sob efeito de álcool, tudo o que pensarem pode ser alterado por componentes químicos – respondi, rindo. – Harry, Niall, essa aqui é .

Quando a olhei, ela estava quase branca. Pude notar seu nervosismo e sua timidez e, então, gargalhei.

— Olha, daqui umas doses de álcool prometo que ela melhora.

— É verdade, onde arrumamos isso? – minha amiga pergunta, passando a mão na cabeça.

— Aqui, estávamos levando essas para Zayn e Louis, podem ficar. – Harry entregou para nós os dois copos.

— Como vou saber que não tem alucinógenos aqui dentro? – perguntou, brincando.

— Você não vai. – Harry pegou o copo de volta e deu um gole. – Mas se tiver, ficaremos todos alucinados. – Riu.

— Vamos para lá? Os meninos devem estar esperando – Niall perguntou, apontando para parte de fora da mansão.

— Acompanhem-nos, por favor. – Harry estendeu as mãos.

Olhei para , que estava sorrindo. Eu também estava. Qualquer um poderia notar nossa felicidade e se contagiar com ela.

Acompanhamos Harry e Niall até a parte de fora. Nesse pequeno caminho, vimos vários outros famosos, enquanto nos entreolhávamos e sorríamos, extasiadas.

Quando chegamos, Harry nos apresentou a Josh, Sandy, Jon e Nick, a banda. Cumprimentamos Liam e sua namorada Danielle, Louis e também Zayn.

Estar cara a cara com todos eles finalmente me fez voltar a realidade. Aquele momento estava acontecendo, eu estava ali presente, exalando felicidade e nervosismo.

, né? Muito Prazer, sou Zayn – disse, quando terminamos de cumprimentar a todos.

— Ah, sério?! – Louis exclamou. – Ninguém sabia, Zayn. – Todos na roda riram, inclusive Zayn.

— Me desculpe, só queria ser mais educado. – Ele sorriu.

me deu uma beliscadinha para eu prestar atenção nela e, então, ela apontou para Shawn Mendes parado na roda ao lado.

— Já sei onde vou mais tarde, amiga – ela sussurrou ao se aproximar do meu ouvido.

— Só me avisa antes de sumir, senão depois fico te procurando – sussurrei de volta. – Vai na fé, amiga. – Rimos juntas.

— Ei, Hazz, onde estão nossas bebidas? – Louis perguntou e eu levantei o copo.

— Culpada – eu disse –, mas você pode ficar com essa se quiser, o Styles pode me pegar outra.

— Você é folgada, né? O bar está logo ali – Harry franziu o cenho, rindo e apontando para onde o barman estava.

— Meu bem, você é o dono da casa. Eu sou uma mera estudante que fez 18 anos poucos meses atrás. – Torci a boca e ele deu de ombros.

— Louis, vou pegar sua bebida e de Zayn – Harry se pronunciou – Vem, vamos comigo, ele encostou as mãos em meus ombros, me empurrando em sua frente.

— Mas e ? – perguntei e ele apontou para onde ela estava – Ah! Eu já deveria ter notado. – Observei minha amiga e Niall conversando, muito empolgados no assunto.

Harry e eu fomos pegar bebida e, entre vários cumprimentos por parte dele, aproveitamos para tirar sarro da roupa de algumas pessoas, afinal, não é nenhuma novidade que a maioria dos famosos têm um estilo um tanto... peculiar.

Como já havia terminado meu copo, pedi para Harry pegar mais uma bebida para mim.

— Que rápida – Harry tirou sarro, me entregando mais um copo.

— Essa bebida está muito boa. O que é? – perguntei, dando um gole em meu copo.

— Sex on the beach – respondeu, rindo.

— Hum, assim que é bom – brinquei – Nossa, eu adoro essa música – disse, prestando atenção no som que ecoava por trás de mim.

— Desculpa, , não sei dançar. Mas adoraria te ver ali dançando – Harry comentou e eu arregalei os olhos. Meu coração disparou. – Ops, quis dizer que adoraria te ver se divertindo. Por que não chama para dançar?

— É uma ótima ideia! – Sorri. – Espero que ela já não tenha desaparecido – respondi e Harry me deu um olhar curioso. – Ela tem uma mania muito estranha de desaparecer nas festas. Na maioria das ocasiões, está com outra pessoa.

— Bom, é uma pena – concluiu, enquanto caminhávamos de volta para o grupo de amigos – Pronto, Louis, aqui está.

— Obrigado! – Zayn e Louis disseram em um uníssono.

[...]

Conversa vai, conversa vem, álcool vai, álcool vem... Duas horas depois já havia desaparecido. Aparentemente Niall era muito amigo de Shawn e apresentou os dois, já imagino o resultado. Eu já estava bêbada, Harry já estava bêbado, Niall já estava bêbado, Zayn já estava bêbado e nós quatro estávamos rindo de um garoto tentando dançar na pista de dança. Após alguns minutos de risadas, Niall chamou Harry.

— Harry, Liam está mandando mensagem. Aparentemente Louis está dando algum vexame, dizendo que quer ligar para Elisa. Vamos lá, você é o único que consegue tirar o celular dele.

— Eu mereço... – Harry respondeu. – Já voltamos, ainda preciso conversar com alguns amigos meus.

— Está tudo bem, eu e Zayn estamos adorando rir das pessoas dançando – disse, sorrindo, e eles desapareceram no meio de grupos de pessoas.

Ficamos ali conversando sobre relacionamentos, one night stands, amigos e festas, até dar meu último gole em minha bebida. Olhei para Zayn, que estava sorrindo em direção a pista de dança. Pisquei algumas vezes, até minha visão se neutralizar.

— Quer dançar? – Ele me olhou.

— Ah, por que não? – repliquei, mas na verdade, achei que estivesse pensando alto – Estou indo dançar com Zayn Malik, amigos! – exclamei e ele gargalhou.

Já havia decidido que aquele era meu último copo de bebida com álcool, pois precisaria de forças para encontrar mais tarde.

Zayn e eu chegamos até a pista de dança, onde estava tocando Rihanna, era impossível ficar parado. Ele não tinha nenhum pouco de ritmo e gingado, mas eu conseguia ver que estava se divertindo, volta e meia ainda olhávamos para aquele menino que estava tentando dançar e ríamos.

Na quarta música, entretanto, sou pega de surpresa ao sentir as mãos de Zayn pousarem em minha cintura, trazendo-me para mais perto, até que minhas costas estejam coladas em seu peitoral. Nos primeiros segundos, estou tentando processar toda aquela proximidade e o que ela me causa, porém, assim que concluo que estou gostando mais do que devia daquela situação, deixo meu corpo me guiar e permito-me aproveitar o momento. De repente, tudo havia se tornado sensual demais e eu só conseguia prestar atenção nos nossos corpos se roçando à medida que seguíamos as batidas da melodia. Eu fecho os meus olhos para saborear aquela sensação, focando em seus dedos que fazem carícias sobre o meu vestido. Talvez fosse o fato de eu estar em constante movimento há algum tempo, mas de um segundo para o outro o ambiente parecia ter se tornado quente como o inferno. Portanto, constatei que aquele clima tendencioso não era só coisa da minha cabeça quando Zayn aproximou seus lábios do meu ouvido e pronunciou certas palavras maliciosamente, fazendo-me arrepiar com sua respiração morna contra minha pele:

— Ei, quer sair daqui?

Eu me virei para ele, olhando-o nos olhos ao sorrir sugestivamente e assenti sem pudor. Sabia bem que era o álcool falando por mim, mas também sabia que era algo que a sóbria totalmente apoiaria, por mais que não tivesse a mesma coragem de dizer.

Zayn então segura a minha mão e me guia entre as pessoas bêbadas que dançavam desajeitadamente, enquanto eu me perguntava se aquilo realmente estava acontecendo. Passei a noite conversando com Harry Styles, bebendo com Niall, Louis e Liam e agora estava “saindo dali” com Zayn Malik. Não tinha como a noite ficar melhor.

Quero dizer, tinha. Se fosse Harry com seus dedos entrelaçados aos meus, me levando para algum lugar mais afastado, eu com certeza estaria nas nuvens. Entretanto, não me prenderia à ilusão de algum dia poder beijar Harry Styles enquanto tinha Zayn ali, disposto a realizar comigo o sonho de qualquer fã que gostaria de ter seus lábios tocados pelos dele. Eu não seria nem louca de perder essa chance.

Atravessamos a cozinha, que também estava lotada de gente, e então viramos num corredor estreito onde haviam duas portas fechadas, uma das quais Zayn não demorou a abrir e me puxar para dentro. Nem tive tempo de avaliar o lugar, só percebi que se tratava de uma lavanderia devido ao feixe de luz, provindo da porta semiaberta, que refletiu na máquina de lavar assim que entramos, mas ela logo foi engolida pelo breu que invadiu a sala. O som da tranca foi a única coisa que ouvi antes de mãos firmes agarrarem a minha cintura. Sou prensada contra a parede imediatamente, sentindo o corpo esguio de Zayn se chocar contra o meu. Meu coração está acelerado em expectativa quando sinto seus lábios tocando delicadamente a pele do meu pescoço, deixando o lugar em chamas. Aproveito para levar uma de minhas mãos até seu cabelo, fazendo meus dedos se emaranharem entre os fios, enquanto a outra está agarrada ao seu braço, sentindo seu músculo firme sob minha pele.

Zayn me tortura com uma trilha de beijos quentes até o meu maxilar, então arranha-o com os dentes, o que me faz suspirar fundo. Ele ri, sabendo exatamente o que está fazendo comigo, mas quando penso em xingá-lo, ele puxa meus cabelos para trás em um aperto firme e cobre minha boca com a sua em um beijo ávido. Sou imediatamente consumida pela sensação dos seus lábios contra os meus, em uma mistura de halls preto e bebida doce. Sua língua macia envolve a minha de maneira ágil, o que envia vibrações para todo o meu corpo, o qual em resposta se movimenta contra o de Zayn à procura de mais contato. Suas mãos nem um pouco inocentes logo foram direto ao encontro da minha bunda, agarrando-a com força, e aproveitei a deixa para levar as minhas até seu abdômen, por debaixo da camisa. Zayn sorriu contra a minha boca assim que sentiu meu toque quente sobre a sua pele.

— Se estiver te atrapalhando, posso tirar — ele diz, sugestivamente, ao romper o beijo.

— Se você não tirar, eu mesma vou ter que fazer isso — provoquei, fazendo-o rir.

— Acho que prefiro que você faça — sussurra ao meu ouvido e ao final da frase morde o lóbulo da minha orelha, fazendo-me arrepiar.

Eu sorrio maliciosamente diante de seu pedido, mesmo que sejamos apenas duas silhuetas no meio daquela sala escura e ele não possa ver o meu rosto. No segundo seguinte, já estou levando minhas mãos até a barra da sua camisa, puxando-a para cima lentamente ao mesmo tempo que raspo minhas unhas pelo caminho. Eu cesso meus movimentos, no entanto, quando batidas intensas são depositadas na porta.

— Está ocupado! – Zayn gritou, seu tom de voz demonstrando certa frustração.

— Está zoando? Abre essa porta, preciso entrar! – continuaram gritando.

O moreno revirou os olhos e eu ri.

– Abre aqui!

Sinto Zayn se afastar e, de repente, a luz se acende, revelando-o próximo a porta, ajeitando seus cabelos que se encontravam em uma completa bagunça. Ele me envia um sorriso cúmplice, fazendo-me morder o lábio inferior para esconder o sorriso, e então sua mão toca a chave na fechadura, girando-a.

— O que você está fazendo aqui trancado? – Harry, que estava parado na porta com a camisa suja, perguntou. – Ah. – Ele me olha e eu dou um sorriso de lado.

— O que você quer? – Zayn perguntou.

— Louis vomitou em mim e na sala, preciso limpar – Harry respondeu, sério. – Desculpe atrapalhar, mas acho melhor você vir ajudar, Niall também está dando trabalho.

— Eu até me ofereceria para ajudar, mas a partir do momento que descobri que isso em sua camisa é vômito, já quero vomitar junto – disse, descendo da máquina e me aproximando dele. – É melhor eu ir procurar , já está na hora de irmos embora.

— Ela está te procurando – Harry enunciou.

— Vamos, vou acompanhar vocês e ir embora. Meu pai mandou mensagem que chegaria daqui a pouco – falei, enquanto observava Zayn pegar baldes e pano de chão.

Evitei olhar para a camisa de Harry até chegarmos onde Louis e Niall estavam. O estado de Louis era deplorável, já o de Niall, era engraçado. estava sentada ao lado dele. Zayn foi até Niall e Harry foi limpar Louis.

— OLHA MINHA NOVA AMIGA, ! – Niall gritou e eu ri – ELA TAMBÉM É SUA AMIGA, NÉ?

— Ele está bêbado – disse e eu a olhei.

— Jura? – perguntei, irônica, fazendo-a rir. – Acho melhor irmos, já está ficando tarde.

— Eu sei, estava te procurando. Onde estava? – ela perguntou e eu apontei para Zayn com a cabeç.a – VOCÊ ESTÁ BRINCANDO? – gritou e eu coloquei a mão em sua boca.

— Não grita, tem gente olhando. Depois eu te conto. – Pisquei e a puxei em direção aos meninos. – Pessoal, estamos indo. Muito boa sorte com os bêbados de vocês.

— Já vai? – Zayn me olhou, enquanto estava sentado, segurando Niall.

— Preciso ir, mas se quer saber... – Aproximei-me dele e abaixei-me até encostar em seu ouvido. – Eu teria adorado ser sua One night stand.

Fiz menção de me afastar, mas Zayn foi mais rápido ao puxar meu queixo e me beijar. No entanto, o contato dos nossos lábios, infelizmente, durou apenas segundos, já que fomos interrompidos pelo meu celular, que começou a tocar.

Era meu pai, então, rejeitei a ligação e mandei uma mensagem dizendo que já estava saindo.

— Tchaaaau, pessoal! – Mandei beijo a todos e acenou.

— Tchau, Niall, boa sorte com seus cobertores voadores! – Minha amiga disse e Niall gargalhou.

— Só não te abraço porque você está com vômito na camisa. – Aproximei-me de Harry – De qualquer forma, muito obrigada por ter me convidado, amei ter vindo. Depois me conte como esses dois ficaram.

— Uhum... – ele respondeu, sem graça. – Amanhã conversamos, então. – Piscou rapidamente e voltou sua atenção para Louis.

e eu caminhamos até a porta de entrada, onde meu pai estava parado. Mal esperava para chegar em casa e ouvir o que a garota tinha para falar sobre a festa e aposto que ela também queria ouvir minha história.


Capítulo 8: Todos os caminhos levam a Roma (parte 1)

Eu me reviro na cama, à procura de uma posição confortável, mas o movimento acaba fazendo com que parte do meu corpo escorregue para fora da coberta quentinha. No mesmo momento, meus pelos se arrepiam com o frio, provindo do ar condicionado e, ainda de olhos fechado, agarro o tecido, puxando-o uma, duas, três vezes, até que concluo que o mesmo está preso em algum lugar. Emitindo alguns sons incompreensíveis, obrigo-me a levantar as pálpebras, então virando-me novamente na cama, na intenção de detectar a fonte do problema. Coço os olhos, confusa, ao perceber que a fonte do problema era, na verdade, uma bunda magra, sentada bem em cima da coberta e, quando subo o olhar para o rosto da garota, a mesma está me encarando atenta e curiosamente.

... — resmunguei, enquanto conferia o relógio ao lado da minha cama. – São 10 da manhã, vai dormir. — Eu tento puxar o tecido novamente, mas meus braços finos, recém recuperando os estímulos, eram equivalentes à força de uma criança de cinco anos.

— Você tem o resto do dia para dormir, agora tem que me contar todos os detalhes do que aconteceu ontem.

— Por que você quer saber? – perguntei, rouca, ainda sonolenta. — Você já sabe, eu e o Zayn estávamos conversando, dançando, fugimos, rolou.

— Rolou? Rolou, ROLOU? — Ela questiona, excessivamente alegre, enquanto agarra meu tornozelo com seus dedos gelados e chacoalha-me.

— Não, a gente só se beijou – suspirei. – Adivinha... Harry interrompeu.

— Sério? – Ela arregala os olhos, mas se distrai quando pega seu celular, que não parava de apitar.

— Muito sério, mas não foi proposital, ele precisava entrar na lavanderia. – Sentei-me na cama, finalmente.

— Mas e Harry? – quis saber, parecendo confusa.

— Harry e eu conversamos a noite toda, ele teve muitas chances para me beijar e, se não beijou, foi porque escolheu não beijar. – Passei a mão por meus cabelos. – O que um não quer, dois não fazem, não é? Eu te falei que somos amigos.

— E você acha que ele não ficou com ciúmes de você ter beijado um dos melhores amigos dele? – perguntou. Esse questionário estava muito suspeito.

— Não, , não acho – respondi. – Mas e você, hein? – questionei e logo a expressão de seu rosto foi de suspeita para alguém que poderia distribuir felicidade.

— Fiquei com Shawn e com o Niall! – ela, praticamente, gritou e eu abri a boca, surpresa. – Sim, fiquei com Shawn e, quando fui agradecer Niall, ele estava muito bêbado e me beijou.

— Não acredito que você beijou Niall Horan! – exclamei, animada. – Ele é seu favorito!

— Pois é, eu também não acredito. Oportunidade única na vida de alguém. — Ela sorriu, verdadeiramente. Eu nunca tinha a visto tão feliz.

Antes que eu pudesse falar algo, seu celular apitou cinco vezes.

— Com quem você tanto fala? – indaguei.

— Estou falando com o Harry, ele está perguntando por que você não acordou ainda – respondeu e eu franzi o cenho. – Ok, ele está perguntando se você comentou algo sobre ontem.

, como ele tem seu número?

— É só essa parte que chama a sua atenção? – sacudiu a cabeça e eu revirei os olhos.

Se acalme, , muita excitação e fatos acontecendo de uma só vez. Estava Harry, realmente, querendo saber sobre Zayn? E, se sim, por que não tentou ficar comigo noite passada, então?

Bom, não me arrependo de nenhum segundo. A noite toda foi um sonho, cheguei até a me lembrar de um filme que havia assistido essa semana. Instigada, peguei meu celular para falar com Harry, afinal, disse a ele que o chamaria hoje para perguntar como Niall e Louis ficaram. Mas já haviam várias mensagens de Harry não respondidas.

Harry Styles [03:06]: Hey, , gostou da festa?

Harry Styles [03:06]: Espero que sim, uma pena que tive que cuidar dos meninos...

Harry Styles [04:14]: Então, acho que você já deve estar dormindo, mas queria perguntar se você perdeu um colar de coração, eu encontrei na lavanderia.

Harry Styles [04:14]: Quer dizer, minha equipe de limpeza achou.

Harry Styles [04:16]: Mas pode ser de outra pessoa, né?

Arregalei os olhos e passei os dedos por meu peito: Meu colar havia sumido. Ainda bem que acharam antes de eu precisar procurar, pois aquele colar é muito importante para mim.

— Perdi meu colar na lavanderia ontem. Harry disse que ele encontrou e depois disse que a equipe de limpeza dele encontrou. Depois perguntou se era meu e disse que poderia ser de outra pessoa.

— Você sabe que foi ele que encontrou e que ele sabe que é seu, né? – arqueou a sobrancelha. – Mas olha que bom, agora podemos ir até lá buscar.

— Não vou me convidar para ir até lá – respondi, enquanto sorria. Meu celular apitou mais uma vez.

Harry Styles [10:37]: me disse que o colar é seu, você pode vir buscá-lo hoje?

Olhei para meu celular e olhei para no segundo seguinte, semicerrando os olhos. Ela retribuiu o olhar e riu.

— Me dá esse celular! – Estendi minhas mãos e a mesma levantou da cama com pressa.

estava conversando com Harry a manhã toda e, se ela estava com tanta certeza do que falava, deveria saber algo sobre essas perguntas de Harry.

— Para, não estamos falando sobre você. Eu disse que o colar era seu e ele perguntou se podíamos ir até lá e eu disse que sim.

— Ele falou algo sobre Zayn? – questionei, curiosa.

— Você não beijou Zayn só para fazer ciúmes no Harry, não é, ? – perguntou, incrédula.

— Não! É claro que não, eu só não queria esperar mais três horas até Harry decidir fazer alguma coisa e beijei Zayn, ele estava ali, querendo, com aquele corpo, aquela boca... – confessei, mordendo os lábios. Aquele momento tinha sido exageradamente propício e oportuno.

Passei as mãos nos lábios, lembrando dos lábios de Zayn tocando os meus.

Eu não estava mentindo, realmente fiquei com Zayn porque tive a chance. Não era uma coisa que qualquer pessoa em sã consciência recusaria. Até porque Harry se portou como meu amigo durante a festa toda.

— Tem certeza que Harry é seu favorito?

— Tenho, mas qualquer uma ficaria assim após beijar Zayn Malik. Você não está assim em relação a Niall? – retruquei.

— Estou sim, passei a manhã inteira pensando em nós dois em uma ilha isolada nas Filipinas vivendo uma lua de mel inacabável. – respondeu, colocando as mãos no queixo.

— Depois eu que sou iludida! – exclamei. – Você combinou algo com Harry?

— Sim, ele disse que vem nos buscar logo após o almoço. – respondeu e eu engasguei enquanto bebia água.

— Ele o que?

— Ele vem nos buscar logo após o almoço – minha amiga repetiu e meu coração disparou. – Não precisa ficar nervosa, bobinha.

Mas é claro que eu ficaria nervosa. Ainda estava muito cedo para assimilar todos os acontecimentos recentes, até contei meus dedos algumas vezes para ter certeza de que não estava sonhando. E eu não estava. Harry Styles viria me buscar no portão da minha própria casa, quem consegue digerir?

e eu decidimos forrar o estômago antes do almoço ficar pronto, então descemos até a cozinha, onde encontramos meus pais conversando no balcão da cozinha. Após algum tempo, meu pai disse que iria até a padaria comprar refrigerante e pão e ficamos apenas eu, minha mãe e .

Minha mãe perguntou sobre a festa e eu contei tudo a ela, desde a parte das bebidas, danças e conversas, até quando fomos embora.

— E você não, hmm... Ficou de verdade com Zayn? – Dona Amanda quis saber.

— Não, Harry interrompeu – contei e ela gargalhou.

— Filha, você tem dois astros correndo a 80km/h para ver quem te conquista primeiro, como se sente? – minha mãe brincou.

e eu gargalhamos e minha amiga contou a parte dela da noite. Minha mãe repetiu a pergunta e ficamos conversando sobre tudo até meu pai voltar. Eu os contei sobre o colar e perguntei se Harry poderia vir nos buscar, sabendo que não teria problema algum.

— Claro, mas vou conversar com ele – disse meu pai.

— Já estava esperando. – Eu rio. – Vamos comer? Estou morrendo de fome.

Almoçamos, conversamos, rimos e minha mãe falou com a mãe de sobre as cenas recentes de nossas vidas. Elas passaram vinte minutos rindo ao telefone, enquanto eu e fomos tomar banho, separar roupa e nos arrumarmos.

Por algum motivo, eu estava tão nervosa que não conseguia colocar minha pulseira, tive que pedir ajuda a . Talvez eu esteja com medo do que Harry está pensando, com medo de agir diferente comigo após ontem e eu realmente espero que isso não aconteça.

Uma hora e vinte minutos havia se passado desde a última mensagem de Harry, alegando que estava vindo. Quando finalmente ouvimos a campainha, eu já estava quase subindo pelas paredes e , rindo. Descemos as escadas com uma certa pressa, mas fomos surpreendidas por meu pai, que estava sentado com Harry e Zayn no sofá. Minha mãe, quando me viu, bateu uma mão contra a outra, sinalizando um “se fodeu”, gargalhando, e a acompanhou na risada. Parei nos degraus antes que pudessem me ver e subi alguns de volta.

— Vem, ! – gritou ao chegar no primeiro andar, e eu a olhei com cara feia.

Respirei fundo, coloquei um sorriso amigável no rosto para esconder meu nervosismo e segurei no braço da garota, para ir até o sofá comigo. Harry e Zayn se levantaram ao mesmo tempo para nos cumprimentar. Abracei Zayn e depois Harry, seguida por , e sentei ao lado de meu pai.

— Então, vocês conseguem trazê-las mais tarde? – Meu pai decidiu continuar a conversa que já estavam tendo e Harry assentiu. – Coloque seu número no meu celular, por favor, em caso de emergência.

— Claro! – Harry pegou o celular de Thomas e anotou seu número.

— Já podemos ir? – indaguei, batendo os pés, e meu pai assentiu.

— Até depois, filha. — Meu pai disse e eu o abracei, em despedida. Em seguida, fiz o mesmo com a minha mãe.

Fomos até a porta de entrada, na qual meus pais pararam para nos olhar. Observei o conversível de Harry e engoli em seco. Zayn abriu a porta para eu e entrarmos no carro e entrou logo depois de nós. O dia estava muito gelado, pois era comecinho de dezembro, então Harry teve que fechar o teto do carro, anulando a possibilidade que eu havia imaginado de levantar e cantar One Direction ao vento.

Acenamos para meus pais, enquanto e eu nos entreolhávamos, na tentativa de processar o momento.

— Aqui está seu colar, . – Zayn olhou para trás e me entregou o colar.

— Obrigada, esse colar é muito importante para mim. – Peguei-o e virei de costas, para colocá-lo.

— Então, o que acharam da festa? – Harry perguntou, enquanto dava partida no carro.

Engoli em seco.

— Foi muito bom! – Minha amiga sobressaiu.

— Ouvi falar que você beijou o Shawn, verdade? – Zayn perguntou, curioso.

— Sim, verdade! – ela respondeu, animada, encostando as mãos na parte de trás do bando da frente, onde Zayn estava sentado.

— Ela estava toda sonhadora hoje de manhã – dedurei. – Beijou Niall também!

— Sério? – Harry indagou e mordeu os lábios, sorridente.

— Muito sério, mas acho que ele nem deve lembrar! – Ela disse, em um tom desanimado.

— Claro que lembra, , impossível não se lembrar de quem você beija – respondi. Harry me olhou pelo retrovisor e Zayn olhou para trás, sorrindo de lado.

— É, verdade. Espero que não seja estranho – Ela colocou a mão no queixo, pensativa.

— Não vai. Niall vai ficar com vergonha, mas não será nada demais – Harry explicou.

Passamos o resto do caminho conversando sobre a situação de Niall e Louis no dia anterior. Dei altas risadas quando contaram que Louis não parava de ligar para a ex namorada, ele realmente estava triste por dentro. Por outro lado, Valerie ficaria muito feliz em saber que ele está oficialmente solteiro.

Pedimos a Zayn para colocar One Direction para tocar e ele concedeu nosso desejo, levando-nos a pular e cantar durante o resto do caminho. Após chegarmos, Harry nos pediu ajuda para tirar as sacolas do porta malas, onde se encontravam cervejas, vodcas, gins e afins.

— Vão dar outra festa? – perguntei. – Se for assim, preciso voltar para casa buscar um vestido – brinquei, enquanto pegava duas sacolas e as entregava a .

— Sim, mas hoje será uma só nossa – Zayn replicou, ajudando-me a tirar a última sacola que tinha ali.

— E por que não fomos avisadas? – perguntou, olhando para Harry.

— Porque decidimos no caminho. – Harry deu de ombros. – Já que vocês gostam de festas, imaginei que topariam.

— Você tem toda a razão! – Ela disse e todos nos gargalhamos.

Entramos pela porta dos fundos, que dava até a cozinha. Zayn e eu desempacotamos todas as bebidas e eu o ajudei a colocá-las no freezer. Harry e foram até a sala principal para encontrar os meninos. Assim, fiquei sozinha com Zayn por alguns minutos e meu corpo arrepiava-se apenas ao pensar na lavanderia ao lado.

Noite passada, Zayn me contou que não gostava de se envolver com as pessoas e que sempre ficava apenas com elas por uma noite, ou seja, one night stand. Eu contei a ele que não costumava fazer isso, pois tinha apenas 18 anos e não tive muito tempo para viver esse tipo de coisa, mas que sempre tem uma primeira vez para tudo. Porém a verdade é que nossa noite ficou inacabada. Não fui sua one night stand e nós apenas nos beijamos.

— Estou feliz que esteja aqui – confessou Zayn –, sinto muito por nossa noite não ter terminado do jeito que queríamos.

— Também estou feliz de estar aqui. – Eu sorrio, envergonhada, passando a mão por meu pescoço — Ainda estou sóbria, mas quem sabe mais tarde podemos conversar sobre isso.

Antes que ele pudesse falar alguma coisa, e Harry apareceram na cozinha.

Zayn era perfeito, não era possível controlar meus hormônios ao seu lado, sabendo que ele está atraído por mim. Normalmente não sou assim e, sendo bem sincera, estou dessa forma porque é Zayn Malik. Meus pensamentos se encontram muito confusos, porque eu gosto muito de conversar com Harry e até olhar para ele me deixa em paz, como se tudo o que eu sempre quis estivesse ali em minha frente. A única barreira que eu esperava ser quebrada ontem, em relação aos meus sentimentos, não foi. No entanto, não poderia ser a primeira a ter atitude, afinal, quem é Barbara Jones para dar em cima de Harry Styles? Ele pode conseguir qualquer garota que quiser, logo, se quisesse a mim, teria feito alguma coisa. Além do mais, estamos conversando por apenas alguns dias, quais as chances de ele me ver apenas como uma amiga?

Enfim, só sei que me encontro frustrada emocionalmente, porém, tal sentimento ganha segundo plano entre meus pensamentos diante da possibilidade de beijar Zayn outra vez.

, vamos! – gritou, fazendo-me desviar de meus pensamentos.

— Opa, alguém disse álcool? – brinquei, sorrindo, enquanto observava Zayn pegar algumas cervejas que já estavam na geladeira. – Eu não bebo cerveja. – Mostrei a língua e revirou os olhos.

— Aqui, eu bebo por ela. – Minha amiga foi até Zayn e pegou uma das bebidas para ela.

Fomos até a sala de tv, onde haviam vários sofás, almofadas, travesseiros e uma tv de muitas polegadas. Niall, Louis, Liam e sua namorada, Danielle, estavam sentados jogando banco imobiliário na mesa de centro da sala. e eu cumprimentamos todos e Niall ficou extremamente vermelho quando a viu.

— Own, não fica com vergonha não – eu disse, apertando uma de suas bochechas. – Você é um fofo, Niall.

— Para. – Ele colocou uma almofada no rosto e todos os meninos riram.

— Vergonha tinha que ter o Harry, dorme com as pessoas e depois não lembra quem foi – Louis exclamou, puxando a almofada do rosto de Niall.

Arregalei os olhos e olhei para , sentindo minhas expectativas finais sendo cortadas naquele exato momento. Harry não havia me beijado, porque não estava afim de mim. Não foi por falta de oportunidade e nem de dúvida, pois minha parte eu fiz, até não poder esperar mais.

— É verdade, ele acordou desesperado hoje sem saber quem estava em sua cama – Liam completou. Harry o olhou de cara feia. – O que? Não podia falar?

fitou-me, entendendo exatamente o que se passava por minha cabeça. Respirei fundo, lembrando do que eu também havia feito noite passada e lembrando que não tinha motivo para ter ciúme ou raiva, aquilo não tinha nada a ver comigo.

— Então, posso jogar? – perguntei, cortando o clima que estava presente na sala.

Niall assentiu.

— Acabamos de começar, pode entrar – respondeu, me entregando um peão e um cartão de crédito do jogo.

, Harry e Zayn ficaram apenas observando e conversando, pois não havia peões o suficiente para eles e, também, não faziam muita questão de jogar.

— Louis, você está roubando! – exclamei. Eu sou muito competitiva, não admito quem rouba em jogos.

— Cuidado que ela morde, Louis – minha amiga disse, rindo, e eu olhei para trás, mostrando a língua.

estava sentada atrás de mim, em cima do sofá, e eu estava no chão. Com tantos lugares, ela estava exatamente grudada em mim pois ficava no meio de Niall e Zayn. Pensa que me engana, com todos esses anos de amizade, falando que estava ali pois queria mexer no meu cabelo.

— É vacinada? – Louis perguntou, rindo, e assentiu – Então tudo bem!

— Vocês dois estão engraçadinhos hoje, né? – falei. – Já estou cansada desse jogo, por que não vemos um filme?

— Correção: Já estou cansada de perder, vamos fazer outra coisa? – zombou, raspando a garganta, e eu ri.

, vou começar a te deixar em casa – retruquei. – Mas sério, vamos ver alguma coisa? Ainda está cedo para encher a cara e esse frio não ajuda também.

— Por mim tudo bem – Niall disse.

— Por mim também, já estou cansado de ver vocês jogando – Harry também se pronunciou e todos assentiram.

— Você não tem vergonha, Jones? – Louis perguntou e todos riram. – Espere que o seu está guardado.

Guardamos as peças que faltavam, Danielle colocou o jogo em uma prateleira, junto com os outros jogos, e Liam pegou o controle da televisão.

— Terror!

Eu, Niall e protestamos diante da fala de Zayn.

— Não, terror não – Niall resmungou.

— Terror siiiiim! – Louis também quis opinar.

— Por mim tanto faz – Harry disse –, vou acabar dormindo de qualquer forma.

— A noite foi boa, né? – Zayn alfinetou e Harry deu um sorriso sem graça. – Qual é, mano, animação. Você está estranho desde ontem.

— Não estou, só estou cansado, porque nossa semana foi bem agitada.

No final, Liam acabou por colocar um filme de terror mesmo, cheio de gritos e com muito, muito sangue. Chamava-se The purgue e sua história girava em torno da descriminalizado do assassinato durante 12h de uma noite.

Eu havia sentado em um sofá ao lado de Harry, pois não queria ficar afastada de todos em um sofá sozinha e o lado de Harry estava vago. Não gostava desse tipo de filme, então não me importei em prestar atenção, fiquei mexendo em meu celular até Harry me cutucar, sussurrando:

— Tem medo? – perguntou e eu assenti.

Harry foi até um canto da sala e pegou uma manta para nos cobrir.

— Pronto, agora pode esconder a cara quando quiser e ficar quentinha também. – Ele colocou a manta sobre nossas pernas.

— Shhhh! – Louis exclamou, fazendo Harry revirar os olhos.

— Para falar a verdade, estou com muito sono também – sussurrei. – me acordou muito cedo hoje.

— Aposto que dormiu mais que eu. Acho que dormi umas quatro horas – Harry respondeu, bocejando. Bocejei também e nós rimos baixinho. Vem cá. – Ele abriu o braço direito e apontou para seu peito.

Não hesitei em responder ao seu pedido e encostei minha cabeça ali. Conseguia sentir seu coração a mil por hora, aposto que ele também conseguia sentir meu nervosismo percorrendo por meus dedos trêmulos e gelados, que passaram por seu abdômen, até chegarem na lateral de seu corpo, abraçando-o. Aquela sensação de paz passou por todos meus neurônios, até finalmente assimilarem tudo e descansarem. Levei menos de dois minutos para dormir nos braços de Harry Styles, que acredito ter dormido antes de mim, pois senti sua respiração ficar mais pesada, segundos antes de cair no sono.


Continua...



Nota da autora: Espero, de verdade, que estejam gostando. Deixem suas opiniões nos comentários, vou adorar ler! Ah, e se quiserem falar comigo, sintam-se à vontade para me chamar no Twitter @harrychrry. Até o próximo capítulo :)